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ANOTAÇÕES DE TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO

Princípio da Legalidade Tributária Princípio da Anterioridade Tributária Princípio da Isonomia Tributária Princípio da Capacidade contributiva Princípio da Irretroatividade Tributária Princípio da Uniformidade Geográfica Princípio do Não Confisco Princípio da Não Limitação ao Tráfego Princípio da Não-cumulatividade Imunidades Tributárias Sistema Tributário Nacional Conceito de Tributo Classificação dos Tributos Competência Fontes do Direito Tributário Interpretação e Integração Obrigação Tributária Responsabilidade Tributária Lançamento Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Prescrição e Decadência Exclusão do Crédito Tributário Garantias do Crédito Tributário Administração Tributária Impostos em Espécie Importação e Exportação IPI

03 06 09 11 14 17 18 19 19 20 29 32 40 43 50 53 56 63 75 78 88 99 102 104 111 112 117

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IOF IR ICMS ITCMD IPVA IPTU e ITBI ISSQN Execução Fiscal, Ação cautelar fiscal, Arrolamento Direito Financeiro Receitas públicas LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Lei do Orçamento (Lei 4320/64) Repartição de Receitas Tributárias

123 125 132 150 152 154 158 159 178 179 182 189 216

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DIREITO TRIBUTÁRIO Introdução O estudo do Direito Tributário deve ater-se, principalmente, à CF/88 (arts. 145 a 162), à EC 42/03 e ao CTN (mormente a partir do art. 96, com as alterações até a LC 118/05). A CF/88, em matéria tributária, pode ser sistematizada em três partes: princípios, imunidades e tributos. As duas primeiras constituem as chamadas limitações ao poder de tributar. Princípio da Legalidade Tributária Está no art. 150, I, CF/88, c.c. art. 97, I e II, do CTN. A lei, como regra, deve impor a tributação. As pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, DF e Municípios), dotadas de poder de tributar, só poderão criar ou majorar tributos por lei. Isto decorre da colocação de Pontes de Miranda, pela qual é “o povo tributando a si mesmo”, por intermédio do Poder Legislativo. Essa máxima advém diretamente da titularidade do poder, da soberania pelo povo (art. 1º, parágrafo único, CF/88), a ser representado, na democracia semidireta, por meio dos seus delegados – vereadores, deputados e senadores. Nesse passo, a lei como um produto dessa vontade, é a única idônea a materializar o poder de tributar. Como se verá na análise do desiderato da reserva legal, em regra, a norma instituidora da exação será a lei ordinária. Ademais, a jurisprudência é pacífica em considerar que iniciativa de lei tributária é concorrente entre todos os legitimados. Ao contrário de diplomas orçamentários, de iniciativa exclusiva do Executivo, os tributários podem ser oferecidos também pelo Legislativo, como já disse o STF1. Reserva Legal, também chamada de tipicidade fechada, cerrada ou regrada, ou de estrita legalidade constitui uma relação taxativa pela qual a lei “stricto sensu” institui o tributo, assim como aquela que tipifica crimes e comina penas (arts. 5º, XXXIX, CF/88, e 1º, CP). Com efeito, há certas matérias que a Constituição determina que só podem ser viabilizadas por lei em sentido estrito. Esse tratamento mais rigoroso corresponde exatamente ao ditame em análise, qual o seja da reserva de lei. Dessa feita, a lei que institui o tributo deve estabelecer, obrigatoriamente, os seguintes elementos (art. 97, III a VII, CTN): alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Já o prazo para pagamento pode ser estipulado por norma infralegal (decreto), conquanto não previsto no rol “numerus clausus” dos incisos do art. 97, CTN2. Para Cassone (2004, p. 169), de regra, somente a lei ordinária é apta a instituir tributo, pois “a Constituição fixa a regra-matriz de incidência, e a Lei

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STF, ADIn 3809/ES, rel. Min. Eros Grau, j. 14.6.2007, citando precedentes no mesmo sentido: ADIn 3205/MS (DJU de 17.11.2006); ADIn 2659/SC (DJU de 6.2.2004); ADIn 2548/PR (DJU de 15.6.2007); ADIn 3312/MT (DJU de 23.3.2007) – Informativo do STF n° 471. 2 Esta é a posição pacificada na doutrina, escudada pelo STF.

Complementar estabelece normas gerais” . Entretanto, o autor admite, em sede de exceção, a criação de exação por LC ou por EC. Nesse raciocínio também estabeleceu o constituinte, vez que União pode instituir, por lei complementar4, outros quatro tributos: 1.Impostos sobre grandes fortunas (art. 153, VII, CF/88)5. 2.Empréstimos compulsórios (art. 148, “caput”, CF/88). 3.Impostos residuais (art. 154, I, CF/88) – diversos daqueles já instituídos pelo constituinte. Na criação da nova exação, a União deverá observar, além da forma específica da LC, a inexistência de “bis in idem” de base de cálculo e de fato gerador e o princípio da não-cumulativa. Os outros entes federados não detém essa competência residual para instituir novos tributos. 4.Contribuições previdenciárias residuais (art. 195, § 4º, CF/88) – além daquelas já expressamente antevistas pelo legislador constitucional. Nenhuma dessas quatro exações pode nascer por medida provisória (art. 62, § 1º, III, CF/88). Exceções à legalidade (art. 153, § 1º, CF/88) – há quatro impostos federais que refugam à estrita legalidade, prevista no art. 97, I a VII, CF/88, encontrando-se expressamente ressalvados pelo constituinte: 1. Importação; 2. Exportação; 3. IPI; 4. IOF. São tributos que regulam o mercado e a economia, chamados de extrafiscais. Na batuta do Direito Econômico, com fulcro na doutrina de Grau (1975), a extrafiscalidade é autêntica manifestação de intervenção estatal econômica, na modalidade indireta por indução. A extrafiscalidade tem a função de fomentar ou de desencorajar condutas por parte dos agentes econômicos. Além da fiscalidade (função arrecadatória), os impostos mencionados possuem a extrafiscalidade (capacidade regulatória do mercado)6. O Poder Executivo pode
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Como adequadamente explana Vittorio Cassone, Direito Tributário: fundamentos constitucionais da tributação, classificação dos tributos, interpretação da legislação tributária, doutrina, prática e jurisprudência, atualizado até a EC nº 42, de 19-12-2003, 16ª ed., São Paulo, Atlas, 2004, p. 36, a LC em matéria tributária é o CTN. Inicialmente nascido sob a alcunha de LO, subiu de “status” pelo Ato Complementar 36/67, disposição essa atinente e posterior à própria Carta de 1967. Posteriormente, a opção do legislador foi referendada pela chancela do Excelso Pretório, do qual o autor destaca o RE 93850 de 1982, da lavra do Min. Moreira Alves. Por fim, o constituinte de 1988 recepcionou o diploma também como LC, mantendo a posição anterior (art. 146, CF/88). 4 Trata-se da chamada reserva constitucional de lei complementar, tantas vezes invocada pelo constituinte e lembrada pela doutrina de Direito Constitucional. Exige quorum privilegiado para a aprovação, correspondente à maioria absoluta da Casa Legislativa (art. 69, CF/88), diferentemente da LO. 5 Consoante será exposto em passagem abaixo, há posição na doutrina, liderada por Roque Antônio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991, que defende a não submissão do imposto sobre fortunas à reserva constitucional de lei complementar. 6 Como lembra Maximilianus Cláudio Américo Führer e Maximiliano Roberto Ernesto Führer, Resumo de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 17, a palavra fisco vem do latim “fiscus”, que designa cesta de junco ou vime, a qual era usada para amassar uvas ou para guardar dinheiro. “Conta-se que os agentes romanos passavam entre os negociantes a cesta de

CF/88. a alíquota do ICMS-combustível é estabelecida pelo Executivo estadual. enquanto essa visa imediatismo de eficácia (relevância e urgência). § 5º. III. tem o condão “per se” de estabelecer a alíquota do ICMS. as alíquotas são alteradas por ato do Poder Executivo da União. ainda em matéria tributária e a despeito da disposição literal do art. aumento de ITR por MP.5 aumentar ou diminuir a alíquota por decreto. onde a LO puder dispor. § 1º. A contribuição em comento não pode ser confundida pela CIDE-remessas para o exterior. CF/88. CF/88) – como se trata de tributo estadual.: pode haver. 97. Isso não ocorre nas demais espécies normativas previstas como exceções à legalidade. porque há uma exceção à legalidade. a qual instituiu a PIS-Importação e a COFINS-Importação. sendo tributo federal. A corte entende viável a MP em outras espécies de tributos. 7 Originalmente. . I. sob o aspecto técnico. § 4º. instituída pela Lei 10168/01 (SABBAG. p. 155. § 2º. ICMS-combustível (art. as alíquotas são disciplinadas por ato do Poder Executivo estadual7. 8 A única hipótese genuína. de exceção à legalidade está esculpida no art. podendo depois alterá-la como lhe aprouver. Esse. tal restrição a “impostos” não desfruta de endosso na interpretação do STF. porque o ato definido pelo convênio. Aquela trata de matérias delicadas. Dessa feita. 2004. com firma dos representantes de cada Estado-membro (por meio dos Secretários de Fazenda. C/88). “b”. Obs. CF/88. Ex. IV. como Ministros de Estado ou Superintendentes de órgãos ou entidades públicas encarregadas da capacidade tributária ativa. No diapasão. 62. porque traz os elementos do tributo sujeitos à reserva legal (base de cálculo. IV. com delegação dada pelo Governador). Essa sim deve observar a legalidade em todos seus parâmetros. onde LC versar. Por meio de delegação. à luz de convênios assinados pelos secretários de Fazenda (no âmbito do CONFAZ – art. 177. a MP não irá incidir (art. 97. § 4º. estipulará originalmente a alíquota. § 4º. CTN. alíquota. prevendo o constituinte que a majoração e a modificação do tributo deve ser feito por meio de lei. importante destacar que. No sentido figurado. CF/88). a MP é medida idônea para criar e aumentar impostos. 84). CF/88). I. § 2º. Segundo a CF/88. A EC 33/01 trouxe mais duas exceções: CIDE-combustíveis – é a contribuição de intervenção no domínio econômico (art. fiscus tomou o significado de Fazenda Pública”. IV. o Presidente da República pode autorizar outra autoridade pública a estabelecer os mencionados percentuais tributários. Todavia. “c”. 62. Ex. que são contribuições. sem problemas.: não pode surgir empréstimo compulsório por meio de MP. 62. não ficando sujeita à ratificação ou reapreciação pelas Assembléias Legislativas.: MP 164/04. autorizados por LC. Ex. minudencia o dispositivo constitucional. O princípio da legalidade está esculpido no art. 155. É o que configura o tipo tributário ou tipicidade vime para que depositassem ali a participação (forçada) de César. Neste caso. a MP também o será. o que confronta com o art. O art. MP pode aumentar ou diminuir tributos no Brasil (art. 150. CF/88). não nascendo por via de lei. sujeitos passivo e ativo e fato imponível). na leitura do Excelso Pretório. Nota-se que o legislador constituinte restringiu o fenômeno a impostos. CTN8.: com a EC 32/01. 155.

68. o CN dá autorização ao Presidente da República para legislar sobre determinado assunto. De regra. CF/88. 62. Ambas podem criar ou majorar tributos. essa assertiva não é absoluta. 2004). e “c”.6 cerrada.: mudança no prazo de pagamento não se sujeita à legalidade restrita9. Entretanto. há dois instrumentos legislativos que têm força de LO: a MP e a LD. . não está sujeita à legalidade estrita (art. desde que observadas suas próprias balizas. limita o uso da MP em algumas matérias. as limitações da LD estão no art. Com a postergação da exigência. Ao final do interregno total. CF/88). para conferir tempo ao sujeito passivo para o pagamento (art. CF/88. podendo ser prorrogada por igual período uma única vez (art. 68. III). RE’s 182.: revisão do valor venal de imóveis de acordo com o mercado para cobrança de IPTU ou de ITR. Os detentores do poder de tributar só podem exigir tributo no exercício financeiro posterior àquele em que foi publicada a lei instituidora. 97. Tem prazo de vigência de 60 dias. Ex. § 7º. CF/88). indo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. 62.971 e 193. mediante prévio requerimento desse (art. 62. § 1º. porque pode não implicar necessariamente em majoração do tributo correspondente. a criação ou majoração de exações. No mesmo sentido. 9 STF. III. só pode ser feita por meio de lei (art. Todavia. não se sujeita obrigatoriamente ao regime da legalidade estrita. XI. CTN). 7º. mas seu § 2º expressamente autoriza. Ex. Pergunta: a participação nos lucros e resultados (art. Ao revés. 97. Quando essa mudança importar em mera atualização monetária. § 1º. § 1º. “b”. 97. inclusive para contribuições. A MP é espécie normativa de competência exclusiva do Presidente da República. em princípio. Inexoravelmente. a MP pode ser convertida em LO por decisão do CN (art. Tanto o princípio da anterioridade (preconizado pela Constituição) quanto a segurança jurídica – tantas vezes invocada pela doutrina – trazem à baila a proibição da tributação surpresa (SABBAG. CF/88) e a indenização devida por acordo em plano de demissão voluntária (PDV) são tributadas pelo imposto de renda? Resposta: a indenização paga em detrimento de PDV não é tributada por IR (Súmula 215 do STJ). CTN.531. é inevitável a aplicação da anterioridade tributária. é possível afirmar que a há importante sinônimo para o postulado: eficácia diferida. Exercício financeiro corresponde ao ano fiscal ou civil. a lei que altera o tributo é ordinária. CF/88). A alteração da base de cálculo. ausentando-se a disciplina tributária. § 1º. CTN). Todo componente tributário que não estiver no rol do art. O art. Princípio da Anterioridade Tributária O Princípio da Anterioridade consubstancia uma “vacatio legis” especial para a vigência de lei tributária que modifique ou crie exação. na LD. § 2º. 150. “caput”.

153. enquanto os demais se deferem à extrafiscalidade (regulação do mercado e da economia). CF/88. “c”. CF/88): II. parte inicial. § 4º. § 1º. entre a lei e a exigência do gravame. Assim. só havia a anterioridade anual. devendo o tributo observar ambas as regras. Essas são as exações que podem ter sua alíquota alterada por ato do Executivo (art. prevista no art. cuja dicção sinaliza a necessária previsão do tributo na lei orçamentária. II. IOF. 148. 155. CF/88). “in fine”. Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA. Antes da EC 42/03. IEG (art. III. CF/88): II. IOF.7 O tema em comento não pode ser confundido com o princípio da anualidade. pela qual a lei que criasse ou majorasse tributos só poderia entrar em vigor a partir do primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação. mas antes do início do respectivo exercício financeiro”. parte final. I. 150. IE. Exceções à anterioridade nonagesimal (art. “b”. passou a ter eficácia a partir de 2004. § 1º. 10 Súmula 66 do STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento. e 177. pela qual a exigência do tributo só era possível se sua receita correspondente estivesse previsto na lei orçamentária (Súmula 66 do STF)10. § 1º. IE. tendo também o cunho extrafiscal. de guerra ou de calamidade pública. CF/88). CF/88) e Empréstimo Compulsório especial (art. as demais correspondem também às ressalvas da legalidade. III. Foi a inclusão do art. a exigência poderá ser em data posterior a 1º de janeiro do ano seguinte. 195. Exceções à anterioridade anual (art. pela EC 42/03. acrescidos pela EC 33/01. § 4º. Foi extraída de construção constitucional sobre as contribuições sociais (art. Com exceção dos mencionados tributos inerentes a situações calamitosas (IEG e empréstimo compulsório especial). IV. Caso haja a situação nos meses de outubro a dezembro. “c”. Todos os aumentos ou criações de tributos nos meses de janeiro a setembro ensejarão exigência em 1º de janeiro do ano seguinte. Como foi instituto acrescido por emenda de 2003. 154. sendo os dois últimos instituídos em situações de emergência. ICMS e CIDE combustíveis (arts. Empréstimo Compulsório espcial. Inspirado no limite dado pela noventalidade. nonagesimal ou noventalidade). os quais poderão ser exigidos no dia seguinte à sua instituição. I. CF/88). . É a chamada anterioridade qualificada (privilegiada. IEG. a EC 42/03 trouxe à baila a obediência a um novo período de anterioridade de 90 dias. cujo objetivo foi melhorar a segurança jurídica deferida ao contribuinte. A produção de efeitos da nova lei tributária fica postergada até que sejam perfeitos os 90 dias de sua publicação. 150. CF/88. 150. § 6º. CF/88). Nota-se que a exigência do princípio da anterioridade é outra: publicação prévia da lei. IPI. o sistema constitucional tributário não hospeda a anualidade. 150. IR. “c”. o constituinte derivado incluiu-o concomitantemente à anterioridade anual. De fato.

só 90 dias depois. dada a extrafiscalidade na essência desses tributos. ao contrário. Princípio da anterioridade e a MP – segundo o art. 62. porque o art. a partir da conversão da MP em lei. Portanto. Todavia. Dessa forma. que o legislador infraconstitucional inclua tal hipótese no campo da incidência do gravame. vindo também a constituir hipótese de incidência. já no Texto Maior. a exação era assim exigida “ex vi” da MP vigente. Eles compreendem idênticas exações em relação às ressalvas à anterioridade anual. terão termo inicial na sua publicação. Caso não haja a conversão em lei. o IPI é exceção da anterioridade anual. IOF. 167). 62. essa paralisação da subsunção do fato gerador se encontra no plano fático. a anterioridade se aplica de igual maneira: é contada a partir da conversão da MP em lei. No entanto. com exceção daquelas trazidas pela EC 33/01 – CIDE-combustível e ICMS-combustível – e da exclusão do IPI. Resposta: deverse-á o imposto no ano seguinte ao da conversão da MP em lei. a CIDE-combustível e o ICMS-combustível também respeitam a anterioridade nonagesimal. se refere expressamente a impostos. 62. é incompreensível a razão de torná-los imunes à noventalidade. A isenção. p. A partir de 2004. Obs. o qual impede. perpetuando um condenável expediente. como aventa Nogueira (1999. A partir de 2004. CF/88. CF/88. . Todavia. prorrogável por igual período. Já a imunidade é uma espécie de isenção qualificada pelo constituinte. O art.8 No tocante ao II. é uma situação em que o legislador obstou abstratamente o fato gerador. a matéria ainda não está pacificada pelo STF. ou seja. pois não se encontram no rol das exceções. lei que venha a revogar isenção não precisa observar a anterioridade. de modo a ensejar a exigência do tributo em meados de março do ano seguinte.: como o STF interpreta o instituto da isenção como regra de incidência (e não de não-incidência). visto que. é possível entender que deve haver também a contagem dos 90 dias. impondo-lhe uma intributabilidade no plano normativo. Em melhores termos. IE. durante o mencionado lapso. § 2º. o IPI que for majorado não poderá ser cobrado no dia seguinte. No ponto. poderão ser exigidos em 1º do janeiro do ano seguinte. é perfeitamente compreensível a intenção do constituinte. uma vez majorados em 31 de dezembro. seja essa ordinária ou qualificada. faz menção literal a imposto. A MP tem 60 dias de vigência. não no legislativoabstrato. quanto ao IR e às alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA. § 2º. para ser transformada em lei. é possível dizer que se trata de regra de não-incidência. não deverá ter aplicação o dispositivo. o pagamento do tributo majorado não implica em direito à restituição. No tocante às taxas. em caso de MP que majore taxa. as outras espécies tributárias (mormente contribuições). Já a alíquota zero opera o mesmo reflexo suspensivo atinente à isenção. Já o IR e as alterações da base de cálculo do IPVA e do IPTU. só que ele não faz parte da lista de exceções aos 90 dias (anterioridade nonagesimal). IEG e empréstimo compulsório especial. § 2º. argüise quando se deve pagar o imposto criado ou majorado por MP. Assim como o IPI. CF/88.

CTN. a revogação não observa a anterioridade. CF/88). CF/88). Ellen Gracie. art. “caput”. 150. 150. CF/88). a isonomia específica (tributária) decorre da isonomia genérica (“todos são iguais perante a lei” – art. a isenção deve observar a anterioridade anual. De fato. nonagentídio. etc. p. a contribuição para seguridade social pode ser exigida em 90 dias a partir da edição da MP que instituiu a exação ou que a alterou. CF/88. período de eficácia mitigada ou de anterioridade especial (art. Mas o que seria modificar a contribuição previdenciária? Seria alterar o prazo de pagamento? Segundo o STF. não estando abrangida pela contingência dos 90 dias. Em contrário senso. II. devendo observar a anterioridade nonagesimal. não coadunando com o sistema de bases correntes. rel. 3º. porque não se trata de instituição ou modificação de tributo11. Por seu postulado (art. 5º. Em suas sucessivas prorrogações. Anterioridade e revogação de isenções – a isenção é uma dispensa legal do pagamento do tributo (obrigação principal). justamente porque se encontra presente sob diferentes ângulos no Documento Maior. A doutrina chama a isonomia de “superprincípio”. Anterioridade e IR – pelo fato do STF acolher a Teoria Retrospectiva (Súmula 584 do STF)12. como disse Oliveira e Horvath (2003. I. CF/88). A anterioridade em tela é chamada mitigada. III. 2666/DF. arts. “caput”. A CPMF foi criada por meio da EC 12/96. No caso. § 6º. 150. segundo Sacha Calmon Navarro Coelho. a mudança no prazo de exigência da contribuição social não representa alteração substancial que venha a ensejar a aplicação dos 90 dias do art. IV. se houver isenção revogada sem prazo certo e condição específica (isenção incondicionada). também conhecida como noventena. Segundo o STF. Súmula 584 do STF: “Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base. 76). tratando-se de imposto sobre renda ou patrimônio. III. 5º. A regra não alcança a disposição do art. todos que realizam o fato gerador devem arcar com o ônus da STF. Princípio da Isonomia Tributária Está previsto no art. 195. 104.9 Contribuição previdenciária e anterioridade – aplica-se a anterioridade nonagesimal às contribuições sociais. como já disse o Supremo. 150. como se fosse um “filme em andamento”. aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. esse comando não foi exprimido (EC 37/02). Min. § 6º. ou seja. 12 11 . Isenção concedida com prazo certo e sob condição específica é considerada irrevogável durante seu curso. noventalidade. II. art. O STF se pronunciou no sentido de que não se aplica o princípio da noventalidade. tendo natureza de direito adquirido para o Excelso Pretório. O que persiste é mera prorrogação. CF/88. a isenção deverá se pautar pela anterioridade tributária. O legislador constituinte de 88 fez menção à ISONOMIA em diversos dispositivos da Carta: preâmbulo. nas palavras de Aliomar Baleeiro. parte inicial. “b”. a alíquota aplicada é aquela vigente por ocasião da entrega da declaração. porque reduzida em relação às demais exações (art. II. 195.

Isso não quer dizer que o tributo recairá sobre condutas ilícitas ou imorais. Se o contribuinte realizar a conduta nela prevista. do art. incidirá a tributação. I. Esta cláusula permite. porque o fato gerador não pode assim o ser. em que são invocados o princípio da isonomia (tratamento igual àqueles que auferiram renda) e a teoria da interpretação econômica do fato gerador (concretizada a hipótese de incidência. É o posicionamento também do STF. à primeira vista. CTN). uma vez que as características subjetivas atreladas ao contribuinte são desimportantes. A lei tributária não pode atribuir tratamento desigual a contribuintes que se encontrem na mesma situação. Na realidade. 14 STJ. . Não se pode confundir o poder de punir do Estado – decorrente do sistema penal – com o poder de tributar. I. que significa “não cheira”13. Há possibilidade de “ressalvas” a este postulado. 134.STF: afastar o princípio em razão de extrafiscalidade. há maior possibilidade de realização da justiça fiscal. independentemente da ilicitude da atividade. § 2º. para a posteridade. Como resquício da passagem histórica.: isenção de IPI para taxistas. desde que previstas explícita ou implicitamente na CF. mas a essência da hipótese de incidência não. destarte. da incapacidade civil (arts. independentemente de qual fato esteja se referindo ou da pessoa que o realizou. caracterizou a cisão entre o direito de punir estatal – direcionado àqueles que urinassem nos logradouros públicos – e o poder de tributar – o uso dos banheiros públicos. porque o legislador conferiu responsabilidade tributária aos seus pais (art. o qual visa angariar divisas para o aparelho estatal. respalda-se na “interpretação objetiva do fato gerador” ou na utilização do ditame do “non olet”. 126. o imperador Vespasiano resolveu tributar o uso dos sanitários públicos. como se nota. menosprezando os aspectos extrínsecos ao fato imponível. fica patente que a capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil das pessoas naturais. a partir da perspectiva da hipótese de incidência realizada.10 tributação. da regularidade da constituição de pessoa jurídica ou de acharse a pessoa sujeita a restrições de ordem civil. CF/88 (universalidade do IR). é evidente a predileção do legislador pelo critério objetivo que marca o princípio. 118. A causa do fato gerador pode ser ilegal. Ademais. tentando-se onerar igualmente os iguais e desigualmente os dessemelhantes. É fácil perceber que o legislador pretendeu onerar o contribuinte. ainda que não possa administrar seu patrimônio. realizando o fato gerador. Tito. 118 e 126. cerne da isonomia tributária. Ademais. incide a tributação). quando aufere renda. empresarial. 153. Um menor pode ser contribuinte. Seu filho. a palavra do soberano latino. poderiam excluir a responsabilidade tributária. Esta idéia redundou no tratamento objetivo do fato gerador. CTN). ou de outros fatores que. I. haverá duas conseqüências distintas: responsabilidade penal em face da conduta criminalmente ilícita e incidência da tributação sobre a renda14. mas não terá a obrigação de recolher a exação (pagamento). CTN. no caso em tela. Note os exemplos: a. HC 7444. Assim. De igual forma. Por exemplo. contestou o pai sobre a atitude. permaneceu. administrativa ou profissional. independentemente da forma como foi efetivada. A hipótese de incidência para a lei tributária é auferir renda. o César quis dizer que a exação deve ser tratada sob um aspecto objetivo. o traficante de entorpecentes. O princípio em tela. Do comportamento do traficante. no art. que se tributem quaisquer pessoas. A fundamentação legal reside no art. CTN. deve IR ao fisco. 13 Na Roma antiga. O monarca respondeu-lhe com uma simples expressão: tributo “non olet”. Ex. I a III. além.

De fato. Há alguns tipos tributários que não comportam tal possibilidade. Ex. o IR se adequa perfeitamente à preceituação do legislador. trata-se de realização material do princípio em relevo. Desta feita. 212). Em tese. 145. buscando a justiça fiscal.11 b. porque não há situação equivalente para com empresas de maior monta. a tributação. diferencia capacidade econômica e contributiva. A técnica de estabelecimento de alíquotas fiscais diferenciadas (progressividade) é uma outra forma de efetivar a justiça fiscal. e 146-A. mas um instituto deste decorrente.Art. segundo o autor. O próprio constituinte assim disse nos arts. A jurisprudência e a doutrina interpretam este preâmbulo da ordem tributária de forma a adequar a exação ao seu conteúdo. no entanto. em uma razão não proporcional à base de cálculo. Portanto. a capacidade tributária só cabe aos impostos. 145. § 1º. p. devendo ser compreendida como “sempre que o tributo comportar tal variabilidade das alíquotas”. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica de cada um”. Note o teor do comando: “sempre que possível. tal qual explanado na matéria. 206. CF/88: afastar o princípio da isonomia em razão da tributação federal diferenciada para empresas localizadas em áreas com desequilíbrio socioeconômico. de sorte a colimar a igualdade entre aquelas e essas. 145. recebe o nome de “PROGRESSIVIDADE de alíquotas”. confere à segunda fulcro nos arts. Como fora mencionado.. como é o caso do IPI e do ICMS. op. É possível estudá-lo como subprincípio da isonomia. p. 194 e 195. “in fine”. consubstanciados pela LC 123/06. 201) afirma que “em se tratando de aplicação extrafiscal de imposto. note que a expressão. 151. não está em jogo a capacidade contributiva que só é levada em conta com relação a impostos pessoais com finalidade fiscal”. . justificando o comando do art. No entanto. cit. CF/88. CF/88. § 1º. Frise-se que tal postulado não é propriamente o princípio da isonomia. há outros que não se coadunam. CF/88 preconiza a possibilidade de onerar mais gravosamente aqueles que detêm maior riqueza tributável. segundo a capacidade econômica. têm sua constitucionalidade controlada pelo princípio 15 Cassone. o art. ressaltando que se trata capacidade para contribuir para a Seguridade Social. Ao revés. configura correlato da isonomia tributária. CF/88. Análise do postulado da capacidade contributiva ou capacidade econômica15 Está previsto no art. I. 2004. É o que preceitua Tipke e Yamashita (apud CASSONE. “d”. CF/88. CF/88. com tal sistemática (tributos regressivos). Entretanto. Moreira Alves (apud CASSONE. em princípio. § 1º. Os desiguais serão diferentemente tratados.: Zona Franca de Manaus (futuro Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. O tratamento diferenciado das ME`s e EPP`s não gera ofensa à isonomia. na medida do possível. 145. Aliás. de acordo com o PEC 59/04). “sempre que possível” é limitadora. 146. Não é o entendimento da maioria da doutrina. ao asseverarem que “o princípio da capacidade contributiva não se aplica a tributos com finalidade extrafiscal. a técnica de variação de alíquotas. que. Do contrário. § 1º. p. Atribui o fundamento da primeira no art. Não há dúvida que existem tributos aos quais se pode aplicar a técnica de variação de alíquotas. III. esta é a terminologia empregada pelo constituinte. 2004.

12 da proporcionalidade”. é possível destacar três impostos com previsão explícita de progressividade na CF/88: 1. Fica caracterizado o “plus” para contribuir para o Estado. o qual é necessariamente progressivo (art. II. menor a alíquota – regressividade). progressivo em razão do tipo e da utilização do veículo. § 2º. segundo a essencialidade estabelecida no seu regulamento.ITR* (art. 184. tal qual se aduz literalmente da vontade do legislador. no IPTU. o que não importa em dizer que ele. orientando-se pelo princípio da capacidade contributiva. destacando-se duas: Por dedução de despesas essenciais – é o caso daquelas tidas no IR. CF/88. valor e localização. 2. CF/88). Capacidade econômica e contributiva não são conceitos coincidentes. I. é um tributo extrafiscal. pois o nível de renda assim permite. I CF/88) – o comando indica três critérios informadores do IR: generalidade. mormente a taxas (STF). *Não perca de vista que a progressividade de tais impostos (IPTU e ITR) é EXTRAFISCAL. a progressividade fiscal é observada no IR. Objetiva realizar um princípio constitucional. § 4º. . Tem por objetivo primeiro a arrecadação.IPTU* (art. Dentre as exações mencionadas. § 2º. 153. Progressividade fiscal e extrafiscal – a primeira corresponde ao aumento da alíquota diante da majoração da base de cálculo. 153. e no IPVA. Na segunda. há julgados que o estendem a outros tributos. A progressividade do ITR é extrafiscal. § 4º. exprimida pelo art. Note as explicações abaixo: ITR – as alíquotas progressivas deverão desestimular a manutenção de propriedades improdutivas.IR (art. Já progressividade extrafiscal pode ser vislumbrada no IPTU. com a redação da EC 42/03). não há necessária relação entre o aumento de alíquota e de base de cálculo. 3. em si. universalidade e progressividade. e no ITR. Progressividade de alíquotas – é o instrumento mais utilizado. A segunda é uma espécie da primeira. A capacidade contributiva pode ser realizada segundo diferentes técnicas. 153. segundo a qual o sujeito tem capacidade econômica em um nível tal que o torna sujeito à tributação. Contudo. No âmbito tributário. comercial ou industrial). CF/88. tendo em conta seu uso (residencial. I. CF/88. uma vez que não visa ao intuito exclusivamente arrecadatório. A primeira representa aptidão de um sujeito em receber rendimentos e incrementar o patrimônio próprio. em face do tempo de subutilização do imóvel (realização da função social da propriedade mediante alíquotas progressivas). cujas alíquotas oscilarão devido à produtividade do imóvel (quanto maior a produtividade. 156. No âmbito da CF/88. com redação conferida pela EC 29/00). § 1º. não se relacionando com a capacidade contributiva. seria a graduação dos impostos segundo a potencialidade de riqueza demonstrada pelo sujeito passivo na relação tributária.

elevado constitucionalmente a direito fundamental (art. § 4º. em seus arts. a progressividade fiscal teve sua constitucionalidade fortemente contestada. . CF/88). Art. em razão dos critérios novos anunciados. § 1º. Desta forma. 21. Percebendo tal entrave. § 4º. um imposto real (não pessoal). 39 a 41 e 3º a 8º (art. do tempo. promulgado por meio de lei municipal. o constituinte previu uma situação de redistribuição de terras para a habitação e a geração de riqueza. 145. CF/88). Arts. XXIII. CF/88). Uma dos meios de efetivar tal política é a tributação extrafiscal pelo IPTU e ITR. Lei 10252/01. CF/88 (princípio da capacidade contributiva) passou a abranger o IPTU. XXIII. CF/88. II. Com o fito de aumentar a tributação dos municípios. II. CF/88)16.13 IPTU – inicialmente. Assim. 156. 182. 182. Nesse passo. seria permitida a tributação maior de um terreno em relação a uma casa (art. Essa possibilidade só pode ser efetivada mediante prévio plano diretor. e 182. 6º. Observação: após a EC 29/00. § 4º. II. 156. DEPOIS Três novos critérios de progressividade: localização. 5º. XX. A questão se liga ao direito de moradia. até que o STF se pronuncie. Foram somados à função social da propriedade. não se pode assegurar que tal princípio está afeto apenas a impostos pessoais. § 1º e 182. § 1º. O crescimento geométrico da população sugere um gargalo de moradia insuportável a médio e longo prazo. Com base nesta premissa. de haveria aumento do tributo no correr 2000 Progressividade fiscal e extrafiscal. CF/88). O escopo é evitar a desapropriação da propriedade. o constituinte derivado alterou o dispositivo. 182. CF/88) e o município com menos de 20 mil não é obrigado a promulgar tal lei (art. CF/88. é possível entender que o art. CF/88). I e II. § 2º. “caput”. 16 Como o plano diretor é aquele que define a função social da propriedade (art. valor e uso do bem imóvel. Progressividade no tempo – EC conforme se mantivesse o 29 descumprimento da função social. a progressividade deste impostos visava somente o cumprimento da função social da propriedade (art. a despeito de colocações inconstitucionais. essa pequena localidade não poderá utilizar o IPTU progressivo por desrespeito à mencionada função. forçando o senhor a adequar seu domínio à sua função social. Progressividade extrafiscal. 5º. denotando claramente extrafiscalidade. contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritárias. ANTES O IPTU era progressivo em razão de um critério: a função social da propriedade (art. o IPTU ganhou feições de imposto pessoal. § 1º.

106. Tal comando anuncia que a lei tributária deverá abranger fatos geradores posteriores à sua edição. a lei interpretativa é aquela que retira os pontos obscuros da norma interpretada. A lei atual poderá retroagir/retroceder/retrotrair. Não perca de vista que o art.14 porque transforma a exação de real (STF) em pessoal. 5º. “a”. A doutrina critica tal comando – interpretação “autêntica” –. É possível em qualquer caso. não inovando na ordem posta. Na verdade. III. emanando efeitos à confecção do princípio tributário ora estudado. deve-se inquirir: há exceções a ele previstas na CF. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade (Súmula 668 do STF)17. A lei interpretativa se limita a aclarar pontos obscuros. pois o Legislativo pode estar afastando a função jurisdicional do Judiciário. alíquotas progressivas para o IPTU. Tal comando veda a progressividade do IPTU antes da emenda. pois protegem bens jurídicos distintos dentro da ordem constitucional tributária. 145. 17 . CF/88 preconiza a irretroatividade genérica. sob o argumento de que haveria extrapolação de função do Legislativo. Lei (anterior) Fato Gerador (posterior) É perceptível que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais se referem. A lei interpretativa poderá ter eficácia retrospectiva. pois as exceções estão previstas no art. No entanto. Nesse sentido. pois a interpretação caberia ao Judiciário. há de se perceber que cada qual refere-se a fenômenos jurídicos distintos: enquanto a irretroatividade diz respeito à eficácia da norma. CF/88. pois. Evidentes. 106. Princípio da Irretroatividade Tributária18 Está previsto no art. faz-se premente afirmar que nem mesmo um é sucedâneo do outro. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana”. Nesse passo. sob pena de retroação da norma – anomalia que se pretende coibir. em nome da segurança jurídica. CTN. o que leva alguns doutrinadores a crer na sua inconstitucionalidade (ausência de recepção). O cuidado que se deve ter é a separação e a hierarquia de poderes. seriam as lesões à segurança jurídica e à separação de poderes. Art. É certo que ambos caminham lado a lado. 18 O princípio da irretroatividade tributária não pode ser confundido ou imiscuído com o ditame da anterioridade. § 1º. antes da Emenda Constitucional 29/2000. É vital ao estudioso que conceba a irretroatividade como postulado da segurança jurídica. sem criar situação jurídica paradoxal. atingindo a capacidade contributiva (art. 150. de modo a minar a segurança jurídica. CTN (2 incisos): I – LEI INTERPRETATIVA – condição para a retroação: nenhuma. sob pena de constituir mera norma nova. Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido. I e II. XXXVI. à semelhança das exceções aos demais princípios? Não. a anterioridade adstringe-se à vigência da lei. CF/88).

sugerir uma retroação da lei. 3º da LC 118/05 como lei inovadora. só terá vigor a partir do diploma. 20 19 . anistia. com crédito tributário extinto. II – LEI MAIS BENÉFICA. falando alguns em caráter peremptório jurisdicional (coisa julgada “stricto sensu”) e outros. apesar de. no entanto. fazendo aplicar a lei tributária à época da ocorrência do fato gerador. Entretanto. não se aplicando a fatos anteriores. O comando legislativo pretendeu atingir fatos geradores até então protocolizados. p. remissão. Esses estarão acobertados pelo decênio prescricional para a repetição de indébito. 1ª T. 144. A LC 118/05.15 Nogueira (1999. não abrangendo redução de alíquotas nem de base de cálculo. CTN.116-SP. constituindo sua guardiã. “caput”. não como mera interpretação. mas sim em irretroatividade da lei. já pacificadas. pretendeu constituir norma tributária interpretativa do art. 223 a 226). em mera decisão administrativa na esfera recursal. 144. A retroação da lei mais benigna só ocorrerá quanto a sanções tributárias. indicavam o prazo de 10 anos. Por recente decisão de sua Corte Especial. conferiu efeito “ex nunc” ao diploma. corrobora com o princípio da irretroatividade. Informativo do STJ n° 324. de fato. “c”. não fazem nascer direito à restituição em retroação futura. em face do princípio da irretroatividade da norma tributária. o lançamento apresenta efeito “ex tunc”. 3º. j. 21 Nogueira (1999. Sabbag (2004. mesmo que a lei então vigente à época esteja atualmente revogada (ultratividade). o STJ afirmou que o prazo prescricional de cinco anos. José Delgado. são líquidas as opiniões. CTN. A retroação. p. de natureza declaratória. filiando-se à doutrina germânica-suiça. II.). defende o lançamento como mero procedimento administrativo. em seu art. 19/6/2007. I. Assim. Observação (análise do art. devendo limitar-se a dispor sobre suavizações da letra normativa (eqüidade. Min. não se falará em retroatividade. A jurisprudência e a doutrina. Quanto à definição de julgamento definitivo. etc. à luz do Direito Tributário Penal20 – condição: desde que o ato não esteja definitivamente julgado. 85) defende que a lei interpretativa não pode causar gravames ao contribuinte (criar ou aumentar exações. 106. Condição detalhada: a aplicação retroativa da lei mais benéfica ocorrerá se o ato não estiver definitivamente julgado. porquanto a lei aplicada no lançamento deve ser aquela STJ. dizendo que o prazo para a repetição de indébito tributário é de cinco anos. penalidades já adimplidas. REsp 943. desde que mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídico-tributária. retroação benéfica da multa tributária ou “retroatio in mellius”.. erigido pela LC 118/05. na aparência. Deste modo. poderá alcançar as sanções tributárias. Em dissonância com o legislador. O art. p. desde que o termo final não extrapole o lustro posterior à vigência da LC 118/0519. tem por objeto a penalidade mais branda ao contribuinte como fato de retroação da norma tributária. Observe que a definição do tributo se aplica ao tempo de ocorrência do fato gerador. sendo certo que o princípio “tempus regit actum” tem vez também no campo tributário. estabelecer penalidades ou ônus). o STJ considerou o art. Só será aplicada a lei mais benigna se houver pendência de julgamento. asseverando que somente ela é a corte apta a realizar a interpretação da norma federal. Desta feita. CTN)21: o art. rel. CTN. se já tiver ocorrido o trânsito em julgado da demanda. 168. 33 e 34) denomina o fenômeno de princípio da benignidade.

Ives Gandra da Silva Martins e outros) já passaram a apregoar o posicionamento do fato complessivo. Com efeito. e não formal. como já fora dito. porque a lei. Nesse passo. principalmente em congressos e seminários jurídicos. 144. De fato. Por meio de tal análise. o fato gerador do IR seria a soma algébrica de fatos ou disponibilidades econômicas. CTN.. no transcorrer do ano-base (anobase=f1+f2+f3+. Assim. mas à estrutura formal do lançamento. o que lhe daria o rótulo de lei material –. Paulo de Barros Carvalho e Cassone (2004). Tal fenômeno era conhecido como retroatividade imprópria ou como aplicação da Teoria da Retrospectiva. o art. é de natureza formal. “antecederia” o fato gerador. tal norma não se refere propriamente ao cerne do liame obrigacional à luz do fato gerador. portanto. “a”. ratifica a regra constante do art. indicando a necessidade de aplicação da “regra” – lei contemporânea do fato gerador. ressalvados casos isolados de pensamento diverso. § 1º. 144. CTN. A partir de meados da década de 80. esta se encontra somente no art. como disse Sacha Calmon Navarro Coêlho. Não se trata de exceção ao ditame. “respeitando-se” o princípio da irretroatividade. 144. É fácil perceber. Dica final (o IR e o princípio da irretroatividade): até a década de 80.. chegasse ao seu fim. Importante: há ressalva na parte final do art. nas palavras de Aliomar Baleeiro. ampliando as garantias do crédito. na esteira da doutrina então majoritária . adotando majoritariamente a Teoria do Fato Gerador Complessivo para o IR. a doutrina e a jurisprudência (Súmula 584 do STF. CTN. isto é. afastando o enfoque econômico. não excepciona o princípio mencionado. I e II. CTN. que o art. Observe. “caput”. mas sim aspectos procedimentais quanto ao ato de lançamento. CF/88. O dado curioso está no fato de que a atividade legislativa que marcou os anos que sucederam a CF/88 pautou-se na obediência à Teoria do Fato Gerador Complexivo.+fn). adstrita a aspectos rituais de fiscalização. que a doutrina mudou o pensar.16 vigente no momento do fato gerador. perquire-se qual o alcance do art. há menção à lei que. ou que aprimorar os métodos de apuração do importe devido. 106. referida no dispositivo. que aumentar os poderes de investigação. destarte. Note que se trata de estrutura dualista para o IR: um ano-base de auferimento de renda e um ano seguinte de entrega de declaração e recolhimento do imposto. trata-se de lei adjetiva ou formal. o fato gerador tinha marco temporal preciso – último segundo do último dia do ano. indicando que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais ela se refere. atribuiria responsabilidade a terceiros. Não altera substancialmente o fato gerador e a obrigação dele decorrente. Por conseguinte. de fundo alemão. vez que. Não obstante o posicionamento citado. 150. à semelhança de um “filme em exibição”. segundo o qual se aplicará ao lançamento a lei que ampliar as garantias do crédito tributário. por exemplo. III. Do mesmo modo. à luz de um sistema de bases correntes. uma lei majoradora do IR em 31/12. o que a reveste de caráter de norma material. CTN. 144. “per se”. já comentada) entendiam o fato gerador do IR no contexto estritamente temporal. § 1º. § 1º. alguns doutrinadores (Luciano Amaro. até que o movimento. como Machado (1993). Nesse contexto. aos poucos a doutrina passou a refletir sobre a necessidade de ver o fato gerador do IR na perspectiva econômica.

as discriminações dos tributos limitar-se-ão a critérios pessoais. Lei 8383/91. 151. § 3º. rel. de sorte a permitir que dados sobre CPMF servissem à fiscalização de outros tributos. Arnaldo Esteves Lima.17 (Lei 9430/96. tem aplicação retroativa. 150. 11. 60. 23/8/2007. CF/88). CF/88 – a qual veda a “guerra fiscal”. surpreendentemente. A Lei 105/01 alterou a redação do art. Para Nogueira (1999). mas nunca de lugar". no superado contexto da “teoria da retrospectiva” – apresenta-se hábil e vigorosa para aquela corte. Exemplo: Zona Franca de Manaus (observação: os benefícios fiscais foram prorrogados de 2013 para 2023. é claro. conforme se depreende do art. ao princípio em tela. No diapasão. § 3º. Informativo do STJ n° 328. a Súmula 584 do STF (já comentada) – editada na década de 80. em total dissonância com a doutrina majoritária. "em conseqüência dessa uniformidade. Baleeiro (apud NOGUEIRA. a qual determinava que só o Poder Judiciário poderia quebrar sigilo bancário de pessoa. esculpido no art. § 3º. Min. incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país”. LC 105/01. em tese. previu a possibilidade de investigação ampla pela autoridade fiscal. § 4º. entre os membros da Federação – é um consectário do princípio da uniformidade geográfica. do pacto federativo (art. § 1º. § 3º. o qual alterou o alcance do art. 144. Quanto a esse poder fiscal amplo. reais. 11. o que incluía dados bancários. CF/88. 5º. porque a ampliação dos poderes da Administração Tributária encontra fundamento no art. adequando-a às colocações da LC 10174/01. devendo prever as mesmas alíquotas em toda a extensão territorial. § 1º. No entanto. em letra original. entende hábil a teoria do fato gerador complessivo. como se expendeu. I. o art. 11. 151. o princípio em pauta presta-se à preservação da unidade territorial do 22 STJ. ou de valor. CTN. entretanto. LC 105/01. É princípio afeto tãosomente à União. segundo jurisprudência pacífica do STJ. Esse entendimento era vigorante à época por leitura jurisprudencial. promovida pela União. III. Ademais. HC 31. 151.). com redação dada pela EC 42/03). essa retroatividade é permitida. 152. Lei 9311/96. que instituiu a CPMF. 1º. CF/88: “. Essa disposição se devia ao art.. a corte já fixou entendimento no sentido da natureza processual do art. não havendo de se falar em ilicitude da prova obtida anteriormente à vigência do referido diploma complementar22. Para este renomado autor. Há exceção. isto é. Compete à União instituir o tributo UNIFORME no Brasil. 92 do ADCT. A Lei 9113/96. diga-se que. para fins penais. proibia o uso de informações dela decorrentes para fiscalização de outras exações. Lei 4595/64. . Lei 9113/96. Assim. conforme se nota na parte final do art. etc. Princípio da Uniformidade Geográfica (art. Lei 9113/96. não seria possível retroação a fatos ocorridos sob a égide do art. “ex vi” do seu art.448-SC. CF/88) Trata-se de comando previsto em artigo distinto daquele que abarca quase toda a base principiológica na CF/88 – o seu art. No entanto. I. j. I. a regra do art. I.. garantido pelo diploma mais hodierno. tal postulado vem ao encontro da isonomia e. Esta. Por fim. 1999) afirma que. à tributação federal. 38. § 3º. 11.

23 . é um desiderato aplicado tão-só a tributos. especialmente quando se trata de norma estadual referente a ICMS. DJU 8. a União pode dar tratamento fiscal diferente para áreas com menos desenvoltura financeira. rel. É ditame aplicado diretamente aos entes da federação. levando em conta uma hermenêutica sistemática do setor tributário (entendimento do STF). o legislador não definiu estritamente o termo. 38) preconiza que a caracterização do confisco é ônus do contribuinte. assentando o entendimento no direito de propriedade (art. 152. De fato. que não leva em conta suas capacidades contributivas”. confisco é “a absorção. Dessa feita. mas sim no caso concreto. 6. esgota (ou tem a potencialidade de esgotar) a riqueza tributável das pessoas. sob pena de macular o art. 5º. CF/88) Nas palavras de Nogueira (1999. ADI 3673/RJ. Nesta esteira.2007.68. sua consubstanciação depende da análise “in casu”. De fato. Informativo do STF n° 478. A União. pelo tributo. I. 150. RMS 17949/ES. Joaquim Barbosa. Informativo do STF n° 480. o Supremo declarou a disposição inconstitucional. Com efeito. § 2º. Princípio do Não Confisco (art. pode ele ser entendido como tributação exacerbada. Em princípio. XXII. CF/88. 19. Joaquim Barbosa. XII. isto é. 152 e 155. 6. j. O próprio comando em comento foi excepcionado pelo próprio constituinte. ADI 3389/RJ.5. a jurisprudência STF. j. CF/88). CF/88 (Convênio CONFAZ 128/94)24. Observação: quanto à possibilidade de existência de confisco em multa. ADI 3936 MC/PR. 126). porquanto ele deve suscitá-lo na esfera jurisdicional. deixando ao arbítrio do aplicador do direito sua configuração.9. Não é mácula à isonomia. mas sim tentativa de equiparação regional. com o fito de “promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”. DJU 25. As exações federais deverão ser uniformes em todo território nacional. O princípio da uniformidade geográfica é decorrente da isonomia.2001. Sabbag (2004. ADI 2021 MC/SP. DJU de 7. “g”. sendo exprimido no art. DJU de 27. p. a definição de confisco não é dada por colocação abstrata. da totalidade do valor da situação ou do bem tributado. o STF já se manifestou positivamente. rel.9. Carrazza (1991) diz que “é confiscatório o tributo que.18 mercado nacional. j. segundo a razoabilidade e a proporcionalidade. CF/88. Gilmar Mendes. “g”.9. Na mesma esteira. Min. XII.9. 151. 155. ADI 2377 MC/MG. Min. desde que se justifique pela situação concreta apresentada.2007.: não é possível IPI menor para automotores no RS em detrimento dos demais Estados. Min. IV. 24 STF. como qualquer parcela que exceda à medida fixada legalmente”. não poderá estabelecer discriminação tributária entre as demais pessoas políticas.95. porquanto fere o comando dos arts. excessiva.9. Em recente decisão quanto à redução de base de cálculo sobre operações com café torrado e moído oriundo do Rio de Janeiro. por assim dizer. p. por meio de seus tributos federais. Em outros termos. ADI 1247 MC/PA.2007. Destarte.11. rel. eventuais benefícios fiscais relativos à exação citada devem estar de acordo com deliberações de convênio celebrado entre todos os Estados. CF/8823. Informativo do STF n° 478. Plenário. só influenciando na esfera privada de forma reflexa.2003. § 2º. Ex. O STF corrobora com o enunciado do art.

CF/88. CF/88). O imposto será pago mensalmente. 195. com alíquota de 4%. II. a doutrina indica outros. 5º. a incisão de tributo para o embarque em ônibus interestaduais ou intermunicipais não comporta ferimento ao ditame do art. II. às contribuições sociais residuais federais (art. § 3º. A exigência de comprovação de recolhimento de ICMS nos postos fiscais em fronteiras interestaduais. CF/88). De igual maneira. sendo vendida por R$ 104.19 majoritária. 2004. 195. em que pese não haver expressa previsão nesse sentido no art.: não cumulatividade de PIS e COFINS (Lei 10833/03). Em termos genéricos. Esse 25 26 STF. “a” e “b”. ADIn 2010/DF-MC. § 4º. 153. a cada saída. CF/88. V. 40). compensando-se a diferença entre créditos e débitos. há um crédito. LV e LXVIII. Ex. vez que o fato gerador é outro. em que multa de 300% por não emissão de nota fiscal foi considerada confiscatória. Cada tributo terá sua regência própria.: mercadoria de R$ 100. para a conservação das rodovias. Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Coisas (art. . Além desses casos. § 12. vinculando o direito a crédito à tributação da operação anterior. de natureza diversa. O STF definiu a extensão da não-cumulatividade do IPI. § 3º. V. ao contrário do ICMS (art. O autor ainda indica duas atenuações26: A instituição de pedágio. sendo somado ao tributo incorporado (tributo indireto com repercussão econômica por transferência ao próximo da cadeia). 155. um débito. não pode haver exação que erija. receita e importação (art. 153. nos termos do estipulado pelo constituinte ou pelo legislador infraconstitucional. no veio do deslocamento de pessoas e bens (SABBAG. Ex. § 3º. CF/88) e às contribuições sociais da União que incidam sobre faturamento. A base de cálculo é o valor da operação. CF/88) A base axiológica deste ditame – erigido em nível constitucional – encontra tutela na própria Carta de 1988. ao ICMS (art. 150. CF/88). I. Princípio da Não-cumulatividade É técnica de redução de carga tributária sobre o consumo. p. com fulcro em entendimento do STF e conforme mencionado. A cobrança de exação para o ingresso em instância turística não configura ranhura ao princípio da não-restrição à circulação. diz esse princípio é extensível às multas25. a não-cumulatividade se estende ao IPI (art. A não-cumulatividade não erige uma regra uniforme para todas as exações. 154. porquanto se trata de taxa. a intermunicipalidade ou a binterestadualidade. § 2º. desde que a desoneração do consumo seja atingida. particularmente no direito individual à liberdade de locomoção (art. com necessária contraprestação. CF/88). 150. CF/88). II. A expressão “imposto cobrado” faz entender que o constituinte quis permitir a compensação somente na existência de operação anterior. como fato gerador. desonerando a cadeia produtiva. § 2º. 155. 153. A não cumulatividade do IPI segue uma norma (art. II. CF/88): a cada entrada. aos impostos residuais da União (art. CF/88). Dessa forma.

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entendimento do Supremo foi alterado, porque, desde 1995, o plenário dava ganho de causa aos contribuintes. Dessa feita, isenção, não-incidência, imunidade e alíquota zero na operação anterior não dão direito à compensação de crédito em IPI, consoante reiterada e hodierna jurisprudência do STF27. Como o IPI é imposto de repercussão econômica (transferência ao próximo da cadeia), a restituição de montante recolhido a mais é dada nos termos do art. 166, CTN. O comando condiciona a restituição a:
• Prova de que arcou com o ônus do tributo, não o repassando ao próximo

elo da corrente; ou
• Apresentação de autorização do próximo na cadeia a receber a

restituição em seu lugar, no caso de ter havido o repasse, visto que esse é o contribuinte de fato do IPI e aquele, de direito. O STJ, apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. 166, CTN, admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda, mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes28. O Supremo referenda o comando do art. 166, CTN, por meio de suas Súmulas 71 e 54629. Imunidades Tributárias30 As imunidades tributárias indicam limitações constitucionais ao poder de tributar, a par dos princípios anteriormente estudados. Trata-se de dispensas constitucionais de tributos, isto é, normas de intributabilidade que gravitam em torno da “não-incidência” tributária. Nos termos de Nogueira (1999, p. 167), “a imunidade é, assim, uma forma de não-incidência pela supressão da competência impositiva para tributar certos fatos, situações ou pessoas, por disposição constitucional”. Com efeito, a imunidade é uma delimitação negativa da competência tributária, segundo a melhor doutrina. Como é sabido, a competência tributária traduz-se no poder de instituição do tributo, conferido às entidades impositoras. Note que estas, ao mesmo tempo em que se valem do poder de criar, devem se afastar diante do campo imunizante estabelecido e demarcado pelo legislador. Assim, a norma imunizadora coexiste com a norma de imposição, ambas previstas na CF/88.

STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 28 STJ, 2ª T., REsp 962.909-BA, rel. Min. Castro Meira, j. 20/9/2007, Informativo do STJ n° 332. 29 Súmula 71 do STF: “Embora pago indevidamente, não cabe restituição de tributo indireto”. Súmula 546 do STF: “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo”. 30 Além dos pontos tratados na matéria, Cassone, op. cit., p. 255 e 256, indica alguns outros a serem discutidos quanto às imunidades: deve se lhes aplicar interpretação extensiva, em acordo com a finalidade da imunidade e com a razoabilidade; é possível a regulamentação da imunidade por lei infraconstitucional; as obrigações acessórias não são atingidas pela imunidade (art. 194, parágrafo único, CTN).

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É importante frisar que as principais imunidades referem-se a impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note: a.Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária (entidades beneficentes de assistência social). Observação: a expressão “são isentas de...” indica impropriedade terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo de imunidade. b.Art. 149, § 2º, I, CF/88 (EC 33/01) – CIDE’s e contribuições previdenciárias (receitas decorrentes de exportação). c. Art. 184, § 5º, CF/88 – impostos de todas as pessoas jurídicas (operações de transferência de imóveis desapropriados para a reforma agrária). Nesse sentido, o art. 18, “caput”, LC 76/93, isentou tais fatos também de taxas judiciais e emolumentos cartoriais. d.Taxas para certidões, para protocolização de certas ações coletivas, etc. Vamos, agora, às principais imunidades previstas no art. 150, VI, CF/88: Há quatro alíneas (DECORAR). São casos de não-incidência de impostos, o que permite concluir pela normal incidência dos demais tributos (taxas, contribuições de melhoria, etc.). 1.Alínea “a” (IMUNIDADE RECÍPROCA) – União, Estados, Municípios e DF não poderão cobrar impostos uns dos outros. − Elemento teleológico – quis o legislador proteger os entes tributantes contra a reciprocidade na tributação de impostos. Com efeito, o imposto é tributo unilateral, indicando um poder de sujeição daquele que tributa com relação àquele que é tributado. Neste passo, a provável incidência colocaria em risco o pacto federativo – o próprio elemento teleológico da imunidade em exame. − Atenção – a alínea “a” apresenta menção a rol classificatório oriundo do CTN (arts. 19 a 73) – “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”. Segundo a literalidade do comando, não deverá haver a incidência de IPTU, de IPVA, de IR, de ITR e de ISS, por exemplo. A questão é problemática: e os impostos não pertencentes ao rol mencionado, tais como II, ICMS, IPI e o IOF? Para o STF e renomados tributaristas32, a imunidade deve abranger quaisquer espécies de impostos, independentemente da limitação classificatória ora guerreada. Exemplos: Não-incidência de IOF nas operações financeiras desencadeadas pelos Municípios (STF).
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O dispositivo exigiu lei regulamentadora para surtir reflexos, cujo prazo para publicação não foi definido. O STF, no MI 232-1/RJ, rel. Min. Moreira Alves, ajuizado pelo Centro de Cultura, inovou seu entendimento. Adotando uma posição concretista moderada, fixou prazo para que o legislador se manifestasse acerca da omissão legislativa, findo o qual a própria corte asseguraria o direito subjetivo em comento – no caso, imunidade de contribuições sociais para entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88). 32 Regina Helena Costa, por exemplo, em “Imunidades Tributárias”, editado pela Malheiros.

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Não-incidência de II nas operações de importação de um Estado qualquer. − Análise do art. 150, § 2º, CF/88 – há extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas, desde que se cumpram às necessidades essenciais/precípuas da entidade. Não perca de vista que a condição se atrela tão-só ao § 2º, não existindo para a alínea “a”. Exemplos: Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, XII, “c”, CF/8833. 2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa da entidade religiosa. Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos religiosos, etc. Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja
STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, op. cit., p. 256.
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apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas (impostos). Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: − Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. − Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam Chimenti (2002) e Machado (1993). − Instituições de educação – idem colocações infra sobre as expressões “in fine” da alínea “c”.
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Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, instituições de educação e de assistência social). 36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17.

1996). 14. em seus três incisos. não obstante a mediata ligação a todas pessoas citadas37. “ex vi” do art. CTN anuncia. Não se veda o resultado positivo na entidade. perguntar-seia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 5172/66) foi concebido como lei ordinária. . consoante comando exprimido no art. entendem que se trata de lei complementar. apregoa que o alcance das expressões se atém somente às entidades educacionais e assistenciais. segundo Celso Bastos e Carlos Ayres Brito. 2006. José Eduardo Soares de Melo. 155. No caminho hermenêutico ora trilhado. não havendo de cogitar sua aplicação aos partidos políticos e sindicatos de trabalhadores. De fato. II. Note que aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser traduzida à luz deste inciso I. que impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar (imunidade). desde então. Portanto. Luciano Amaro. CF/88. Não distribuição do patrimônio ou renda. e não auto-aplicável. Ademais. Note que as entidades educacionais e assistenciais poderão – e 37 Em sentido contrário. Além de tudo. I a III. p. em tese. Nesse contexto. Misabel Derzi. sendo assim recepcionado pela CF/88. 12ª ed. isto é. entre os mantenedores da entidade. como Machado (1993). Paulo de Barros Carvalho. o art. 146. pois o “lucro”. estaria ligado de modo imediato às entidades educacionais e beneficentes. ganhou o “status” de lei complementar. p. São Paulo. segundo Maria Helena Diniz. de integração. Chimenti (2002). a resposta à pergunta é clara: a lei complementar que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN. a expressão merece uma associação cautelosa.. dependendo de regulamentação futura. Amaro (2006). 51).24 − Entidades de assistência social – ibidem. há quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes de Miranda). nem mesmo o “animus lucrandi”. Nesse passo. o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de condicionamento imposto à norma. necessário é lembrar que tais pessoas também são imunes às contribuições sociais. os requisitos à fruição da imunidade. no magistério de Sabbag (2004. São eles: I. insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina majoritária. porém. Saraiva. § 7º. quis mencionar o superávit. Direito Tributário Brasileiro. − Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco elucidativo – o lucro. nas palavras de Rui Barbosa. a diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade. vedando-se a apropriação particular do lucro. Cassone (2004) e Sabbag (2004). Portanto. o que permite chamá-la de imunidade condicionada ou limitada (SILVA. em razão das matérias disciplinadas naquele compêndio. a qualquer título (LC 104/01). CF/88. O que se quer é o REINVESTIMENTO daquele resultado nos objetivos institucionais. 195.

conquanto sua redação parece pretender instituir um Poder de punição à autoridade tributária. permitindo a extensão da imunidade a bens ligados a atividades inessenciais (locação. por fim. Amaro (2006. II. etc). Não aplicação de recursos fora do país. o STF analisa tal comando. devendo passar a recolher os impostos. Uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua. Haveria desrespeito ao inciso em análise? Para o mestre. Diga-se. CTN) trata o assunto com terminologia criticável. Análise do art. III. prejudicando a manutenção dos objetivos institucionais – trata-se de requisito óbvio. CTN. § 4º. É. De fato. não os carreando para países estranhos. indicando a jurisprudência no sentido da adstrição a valores de mercado. O eminente Aliomar Baleeiro cita curioso exemplo de gasto com universitário. que o MANTENEDOR da instituição poderá receber uma contraprestação pelos serviços realizados. CF/88 – repetindo comentário supra. Ademais. mera paralisação dos efeitos imunitórios. pois. é natural que se apliquem os valores na consecução dos objetivos institucionais. § 1º. renda ou serviços. 150. afastando a interpretação restritiva. É o caso também de instituição filantrópica internacional. 14. 157) chama o art. pode remeter divisas para o exterior. sim. I a III. como uma “punição”. merecendo a proteção da imunidade. os valores não poderão se apresentar como “distribuição” disfarçada de lucro”. os pressupostos dos incisos I e II são iníquos. a qual poderá realizar ou não a ação – na expressão “pode fazê-lo” –. havendo respeito à disposição legal. não se perderia a imunidade. imediatamente a ser alvo da TRIBUTAÇÃO. entretanto. quando permite à autoridade “cassar” a imunidade. 14. quanto ao rol classificatório ali inserto – impostos sobre o patrimônio. 14. mediante ato discricionário. desde que se cumpram os requisitos já conhecidos. a qual possui filial no Brasil. diante do resultado positivo. não incluindo o envio desvinculado de valores ao exterior. CTN de aberrante. a análise é subjetiva. Observações finais – caso a entidade deixe de cumprir os requisitos do art. p. se cumprirem a exigência ora analisada. quando dos comentários retro sobre a imunidade de templos: prova da aplicação . o que não parece de todo apropriado. segundo Amaro (2006) e José Eduardo Soares de Melo. arrendamento. A legislação pertinente (art. em país estrangeiro. § 1º. aquela Corte interpreta a expressão “finalidade essencial” de modo lato. passará.25 deverão – almejar o resultado financeiro positivo. ligado à instituição educacional. Nesse passo. Manter a escrituração contábil em dia e hábil a provar o cumprimento dos requisitos anteriores – sem a demonstração mencionada.

fruto de relação contratual entre o órgão e a categoria específica.169-7. da constituição. 154. incidiria o ICMS nas rendas e bens provenientes de bazares organizados por entidade filantrópica? A 1ª Turma do STF sempre entendeu que deveria haver a incidência do imposto. no RE 210. como é o caso de ISS sobre a publicidade nas publicações. permanece imune ao iptu o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. De fato. etc. ITBI (aquisição de prédio pela editora).9. defende Amaro. receberá a carga de impostos sobre si. A prova deve ser feita pelo titular da imunidade38. op. isto é. Elemento teleológico – é a difusão do conhecimento e da cultura. RE 235. de 5-6-1998. DJU 19-11-03. entendia cabível a não incidência. somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”.700/DF. por exemplo. Ellen Gracie.692. “b” e “c”). ao contrário das demais (“a”.718-SP. AgRgRE 106. por sua vez. normalmente: IPVA (carro da editora). DJU 6. Min. II. decidiu por maioria pela não incidência de ICMS nas vendas. 150.737-SP. Informativo do STF nº 220. A participação onerosa do beneficiário no plano de previdência privada. naturalmente. p. Pleno.: alugueres recebidos de locação de área pertencente à entidade filantrópica) e da inexistência de prejuízo à livre concorrência (aferição por meio de critérios subjetivos). desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. RE 237.251-2/SP. RE 286.2001. segundo a qual o ônus recai sobre o contribuinte de fato (adquirente). cit.11. vi. RE 202. é imunidade objetiva ao afastar a incidência de impostos reais (sobre os bens). 40 Súmula 724: “Ainda quando alugado a terceiros. DJU 12. Mas a regra da imunidade não inclui atividades ligadas ao bem. 2-3-2003. Min. Súmula 730 do STF41 – as entidades fechadas de previdência social serão imunes quando não houver contribuição dos beneficiados. VI.26 integral das rendas nos objetivos institucionais (Ex. IE. 4. afasta a imunidade. No mesmo sentido. JORNAIS. aquelas de pouco 38 39 STF. da Constituição. exclusivamente. não incidem sobre o livro e sucedâneos: ICMS. E incidirão. A 2ª Turma.. e não sobre o contribuinte de direito (a entidade). desde que o lucro fosse reinvestido39. rel. . É a posição cristalizada na Súmula 724 do STF40. 10. A propósito.Alínea “d” (IMUNIDADE PARA LIVROS. em razão da teoria da repercussão tributária. RE 210.2001. rel. a proteção alcança as revistas pornográficas (material fescenino). DJU e-1. consoante entendimento já firmado pelo Pretório Excelso42. 41 Súmula 730 do STF: “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. Nessa medida. Vale dizer que a editora. PERIÓDICOS E O PAPEL DESTINADO À SUA IMPRESSÃO) Natureza – é objetiva. 150. a alínea “d” versa sobre bens e não sobre pessoas. c. j.251-2-SP. Marco Aurélio. 42 STF. porque está ligada a bens e não pessoas. O STF (Pleno). Em contrário senso. STF. à luz dos conceitos de universalidade e generalidade. p. Independe do conteúdo difundido. etc. c. em 2 de fevereiro de 2003. IPI. IR (renda da venda dos livros).

11. dentre outros. Lei 10753/03 (Lei da Política Nacional do Livro) equipara o livro em meio digital a livro impresso. Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou complementar? Ou é auto-aplicável? Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária. RE’s 204. . Na mesma idéia. IV. DJU 22. independentemente da ausência de conteúdo informativo43. RE 199. Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser interpretadas ampliativamente? Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da imunidade de forma restritiva. rel. d. vêem outras decisões do Excelso Pretório aceitando a extensão da imunidade a manuais técnicos e apostilas44. rel. reforçando a tese majoritária. Min. O art. e 220. por José Eduardo Soares de Melo e por Cassone (2004). na condição de periódicos. RE 101. e não em razão do suporte difusor de cultura. Insumo – o único insumo protegido pela regra será o PAPEL destinado à impressão. porquanto este procura conferir uma interpretação restritiva ao dispositivo46. DJU 07.441/RS.183. representada. 203. Não é a posição cristalizada pelo Excelso Pretório.8. § 6º. rel. tendo em vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção constitucional. 2º. 41) leciona que imunidade a deve abranger todos os meios indispensáveis à produção dos objetos imunes. STF. p.: imunidade de II sobre máquinas de impressão de jornais.2000. IX e XIV. as listas telefônicas são imunes.859 e 273. valorizando os direitos fundamentais que lhe são afetos. VI. 5º. etc. DJU 12. foi publicada a Súmula 657 do STF45.2000. Min. 45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art.234.308/SP. 46 STF. Chimenti (2001. e a jurisprudência vêem a EXTENSÃO da imunidade aos livros na forma de CD-Rom. Marco Aurélio. Moreira Alves. Justificam que a imunidade deve ser aferida a partir do fim da difusão do conhecimento. Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há imunidade: elas são devidas? 43 44 STF. VII. Marco Aurélio. como equipamentos destinados à função. Lembre-se que não havendo tributação. Mídia eletrônica – a doutrina mais abalizada. que estendeu a imunidade da alínea “d” aos filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e revistas.06. Lista telefônica – segundo entendimento assentado pelo STF. Ex. Entretanto. Em sentido contrário.1998. RE 183.403-SP. 150. da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”.27 conteúdo informativo. CF/88. parágrafo único. a norma imunizante deve ser observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido. Encontra guarida constitucional nos arts. Min.

Ademais. inovam em suas disposições. CF/88. CF/88? Resposta: Não. o art. III. pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade. por exemplo. DF e UF). III. D. em tese. no que diz respeito aos impostos. deixa claro que as pessoas imunes. 3º. Lei 9532/97. Apenas a entidade assistencial social ou educacional. 156 do CTN foi incluso pela Lei Complementar n. engloba as obrigações acessórias. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. 194. foi dito que o art. § 2º. Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art. faz jus à imunidade do art. 14. Caso haja cobrança de uma contribuição social. 150. VIII. Pergunta: uma entidade. há alguma regulamentação ou aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. daí o teor do art. Lei 10753/03 (Política Nacional do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes visuais exclusivamente. corresponde à figura da lei ordinária.104/01. “a”. a obrigação acessória persistirá. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. o "caput" do dispositivo deixa claro que suas conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). O inciso XI do art. CF/88? Como é concedida a imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? Resposta: não. parágrafo VI. conforme expressa disposição constitucional. parágrafo único. 12. VI. 4382/02. VI. Entretanto. Pergunta: quanto ao art. sem adjetivo algum. abarcando assim. à guisa do entendimento do STF. o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas políticas interessadas (M. respeitando as previsões expressas da CF. preceituando condição inexistente na citada LC. Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão o assunto a ser implementado. 9º do CTN. o art. O termo lei. A posição está correta? Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro raciocínio. uma entidade. e o art. 150. estabelece as condições para o exercício. 150.146. não faz jus à imunidade do art. pode. O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser escrito em papel ou digitalizado. CF/88. “c”. “d”. assim como as isentas. 2º. somente por esse fato. XI. § 2º. não há obrigação principal e muito menos acessória. 146. Nesse passo. 150. após ter cumprido os requisitos da lei para receber a . parágrafo VI. CTN. CTN. “b”. “c”. CF/88. em seu art. 156. III. I a III. se não há tributação.Sa. a disposição legal não poderia ser usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art. Pergunta: o art. as mencionadas disposições citadas por V. sujeitam-se à fiscalização tributária. segundo o STF e a doutrina majoritária. nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento imunizante. parágrafo único. Como compatibilizar os dispositivos? Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' devem ser cumpridos. E-m.28 Resposta: lembre-se que. CTN. “c”. somente por esse fato. o que. No entanto.

Transformou a Carta de 1946. via requerimento conforme estabelece os procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97. defende que o Sistema Tributário Nacional é ternário. até tal diploma. porquanto houve mais de 50 emendas em pouco mais de 15 anos de sua existência. Para Cassone (2004. Destarte. . A constitucionalização do Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades. Qual é a estrutura do STN? A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar. Prima Cursos Preparatórios. competência tributária. imunidades e tributos. 26). Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? Quanto à rigidez/flexibilidade. O princípio da supremacia do interesse público era levado a cabo exacerbadamente (“I need. São Paulo. o STN segue o mesmo diapasão da própria Constituição: sendo essa rígida. limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas tributárias47. p. p. receber a concessão imunizante. I can”). composto de princípios. por conseqüência. regras rígidas de competência. 2004. foi erigido o sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art. O Poder Constituinte Derivado Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos às mudanças sociais ocorridas. também do STN. 60. e Lei 10. a EC consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. especialmente voltado para fruição de algumas liberdades fundamentais. Aliomar Baleeiro –. sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira delas). 118). Criou um regime sistematizado. CF/88) para garantir a necessária rigidez. 47 Eduardo de Moraes Sabbag. Nas negociações entre as forças políticas da época – com mediação do então presidente do STF. em seus arts. fazendo nascer uma vertente doméstica moderna nesse ramo.29 concessão da imunidade. Para refrear o ímpeto do constituinte reformador. Sistema Tributário Nacional Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? Qual a importância da EC 18/65? A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. De fato. Não funcionou a contento! Politicamente. 12 e 13. Porém. Deve ser pleiteada perante a Receita Federal. foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional de impostos e princípios constitucionais tributários. por ocasião do golpe de 1964. há uma grande crítica a essa premissa da CF/88. não existia equilíbrio entre Estado e cidadão na atividade fiscal. Esta última configurou um marco no Direito Tributário brasileiro. 1999. etc. Direito Tributário. No Brasil. § 2º. também o é aquele. em consonância com o setor fiscal (NOGUEIRA. a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e.637/02. esse Poder deveria ser utilizado “cum grano salis”.

30 A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço. a divisão nacional do poder de tributar é a fatia de competência tributária relegada a cada um dos entes políticos. CF/88. de modo a permitir a consecução dos fins da própria gestão pública. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR tem dois objetivos e se faz mediante dois instrumentos: proteção ao federalismo e aos direitos fundamentais. detêm parte dele – para exercê-lo dentro dos limites de sua circunscrição e mediante determinadas condicionantes (imunidades e princípios. Assembléia Legislativa. “caput”. direcionado aos entes políticos – que. Ex. o direito potestativo de tornar exigível a obrigação (adequado ao lançamento) e o direito subjetivo de crédito. preceitua. a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). somente aquelas pessoas que possuem Poder Legiferante (Congresso Nacional. em sua essência ontológica. a qual pressupõe um custo para agentes. 145. “caput”. “caput”. Câmara Municipal) podem instituir tributos. é uma faculdade. 11. para formar o bolo. Deve-se distinguir. CF/88. sob pena de renúncia de receita e. coercitivamente. propiciando uma vida digna. garantir o mínimo de existência (de essencialidade) quanto aos direitos fundamentais deve ser a pauta do Estado (vida digna – mínimo essencial – garantia e efetivação dos direitos fundamentais – prestação de serviços públicos). conclui-se que o exercício da competência tributária é obrigatória. Segundo Carlos Ayres Brito. 2006). A coletividade deve contribuir. criando tributos até mesmo de forma errônea. os quais conformam as limitações ao poder de tributar). Com efeito. O Estado. principalmente. somente a chancela do constituinte poderia garantir-lhe legitimidade. O Estado de Direito enxerga na tributação a via pela qual ele efetiva suas funções. com o intuito de estabelecer um equilíbrio nas contas públicas. Dessa forma. PODER DE TRIBUTAR é prerrogativa de impor a tributação. em seu art. que a gestão fiscal equilibrada pressupõe. à luz do art. E por que não há ADIn? Pela razão fática de que o Estado já onera o contribuinte por demais. o legislador recebe do constituinte o poder de impor a tributação. Desta forma. para órgãos e para serviços respectivos (JERKINS apud DI PIETRO. que surge depois da exigência. O instrumento de criação do tributo é a lei. diz-se que padece de inconstitucionalidade. O poder de tributar. titulares da competência tributária. Neste sentido. 145.: a imunidade de livros presta-se a maximizar a divulgação de idéias. O ato de tributação. DF e Municípios). Esse arcabouço será mantido pelas receitas originárias e. Câmara Legislativa. Esta tarefa será efetivada por meio da Administração Pública. a criação de tributos. sabendo que não tem o todo. Estados. deve prestar serviços públicos mínimos. em conseqüência. havidos por meio das imunidades e dos princípios. de acordo com a capacidade contributiva isonômica: a cada um na medida de suas possibilidades. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA é o poder recebido do constituinte para servir ao custeio da máquina estatal. É exercido pelos entes políticos (União. Dessa feita. de criar tributo. aduzido materialmente por meio da tributação. entretanto. Todavia. exercício de direito fundamental . de responsabilidade fiscal. em uma atividade administrativa. de interesse coletivo. E ela foi efetivada pela instituição do poder de tributar. pela atividade fiscal ou receitas derivadas (tributação). é extorsivo. dentre outras medidas. Considerando que o dispositivo legal está em choque com o art.

I. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS – decorre do ranço de valorizar majoritariamente o Poder Central. nas respectivas atividades de exportação de produtos industrializados (art. e 220. 159. O poder de tributar foi criado para garantir autonomia financeira à pessoa política. VI. 10% do IPI aos Estados. Quem institui os tributos é a lei ordinária. em si. mediante o comando autorizador dado pelo constituinte federal.31 (arts.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Estados (art. é produzida no município. há normas exclusivamente federais. Entretanto. simultaneamente. Ex. A imunidade tributária é uma regra de não-incidência da competência tributária. CF/88). CF/88). 145 e 150. 3% do IR vai para programas de financiamento do setor produtivo. destinado às áreas geográficas menos desenvolvidas (Norte. . CF/88. e lei complementar excepcionalmente. para que os maiores entes políticos não fiquem com todas as rendas tributárias. não cria tributos. CF/88). 159. 25% do ICMS é destinado aos municípios do respectivo Estado arrecadador (art. existem as regulações do poder de tributar. XIV. II. Nordeste e CentroOeste). cuja receita deva ser repartida com outro ente político. CF/88). IV. Ex. “a”. 155 e 156. Ex.: arts. porque se presta à liberdade de culto (art. III. em qualquer esfera de Poder. em regra. Fazendo tais considerações. Também é nacional a norma que vincula determinada categoria de pessoa política. DF e Municípios).: arts. 159. o exercício da competência é coercitivo. a União deve entregar parte de sua riqueza tributável aos Estados e aos Municípios. conferindo parte da receita auferida por uns entes a outros. é cediço postular que a Constituição. regras a determinar como deve ser exercida a competência tributária. com o mesmo escopo federalista e valorizador dos direitos humanos. 5º. ou seja. CF/88). O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL possui dois enfoques: 1ª corrente – será nacional quando suas normas vinculam. CF/88). Em contrapartida. tendo como fim promover o federalismo e a proteção aos direitos fundamentais. 158. 158. porque a exploração econômica do patrimônio público é prática na contramão da tendência moderna e pós-moderna.: arts. CF/88). CF/88.: metade do IPVA é destinado ao município onde foi emplacado o veículo (art. IV. 21. 148. 22. CF/88). aduzida e qualificada pela Constituição. IX. É fato de que toda esta renda. I. À guisa dessas não-incidências. quando estas se aplicam exclusivamente à União. Estados. CF/88. I. o constituinte colimou re-equilibrar a federação. Todavia. As Constituições estaduais e distrital e as leis orgânicas municipais também não criam as exações nem determinam competências. com o fim de efetivar a idéia da união federativa (art. A CF/88 somente determina a competência tributária. por comando constitucional. Ex. De forma suplementar ao poder de tributar. concretamente. 5º. se for o caso de tributo.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Municípios (art. Neste diapasão. o constituinte institui o mecanismo de repartição das receitas. “c”. todos os entes políticos (União. assim como é a imunidade de templos e religiões. 159. § 6º. “b”.

Quando uma norma da CF/88 dá competência tributária para um ente determinado político. op. A vontade não se vincula à formação da relação jurídicotributária (obrigação tributária). Na esteira. – por meio da expressão “cujo valor nela se possa exprimir” – uma forma de compatibilização com o art. aquilo que um Estado (ou tribo) devia a outro em decorrência de autêntica relação de vassalagem (FÜHRER e FÜHRER.. 3º. estaria impedida de versar sobre o tema49. p. Curso de Direito Tributário. Compulsória – é a eliminação do elemento vontade. admitindo a dação de bens móveis como forma de extinção do crédito tributário. A LC 104/01 inseriu o inciso XI no art. tributo vem do latim “tributum”. Rio de Janeiro. Forense. Trata-se de instituto oriundo do Direito Privado (art. papel selado. poderia sugerir que o tributo decorrente do negócio jurídico não estaria Hugo de Brito Machado. CF/88. por outro lado. 49 A Lei 1624/97-DF. (art. cit. Amaro. simultaneamente retira dos demais. 2001. ADIn 1917-DF. com métodos antiquados de pagamento: vale postal. etc. Ao sujeito passivo. por exemplo. por exemplo. Teoria Geral da Tributação CONCEITO DE TRIBUTO – etimologicamente. Ademais. convivendo. A captação da riqueza particular em favor do interesse público não pode depender da voluntariedade do contribuinte. na extinção das obrigações. CTN. por representar uma liberalidade. sob pena de inexistir a tributação. 48 . contrariando o impedimento sistêmico imposto pela CF/88. 146. de vantagem patrimonial. 1993. protestando pela impossibilidade absoluta na prestação não pecuniária referente ao tributo. a doação (art. indicando a possibilidade de se entregar um bem distinto daquele anteriormente avençado. I e II. não é permitida discricionariedade na prestação ou não do tributo. Não se admite o tributo “in natura”. 19 a 21. 156 do CTN. A definição jurídica de tributo encontra-se no art. p. aquele pago com bens agrícolas. 538. 7ª ed. depreende ferrenha crítica à redação do art. Pecúnia é a moeda corrente (Real) ou o próprio cheque. 156. ao prever uma nova causa extintiva do crédito tributário – a dação em pagamento. instituída por lei e cobrada por lançamento. CTN. pago em moeda ou outro valor que possa nela ser exprimido. uma lei que permitisse a dação por bens móveis ofenderia a exigência constitucional de licitação para a aquisição de mercadorias pela Administração (art. na letra do art. Prestação pecuniária48 – está ligada à idéia de riqueza. ou seja. XI. Nesse passo. a matéria em análise deve estar afeta à lei complementar. III. regulamentou a matéria de dação em pagamento de tributos por meio de bens móveis. em que a ela é pressuposto de existência. 356 a 359. O CTN prevê a dação tão-só para bens imóveis. CF/88)50. consoante comentário a ser aduzido. CTN. XXI. isto é.32 2ª corrente – é integralmente nacional.. CTN). CTN. consegue enxergar. A tributação é um ato de agressão patrimonial obrigatório e coercitivo. Em sentido totalmente oposto. CC). 37. Tais formas de pagamento do tributo são usuais. ao contrário dos demais negócios jurídico civis. “b”. outros doutrinadores protestam no mesmo sentido. 17). Segundo o art. razão pela qual uma lei ordinária estadual. Tributo é prestação pecuniária compulsória. 3º. CC). 3º. estampilha. Informativo do STF n° 136. diversa de multa. 162. 50 STF.

155. também conhecida como tarifa52. Não há propriamente grande diferença entre os conceitos. são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. por questão de interesse público da coletividade. CF/88). O pagamento dessa então se deve à retributividade do custo do serviço prestado. A natureza do ajuste entre as partes é contratual. O teor do serviço prestado determinará o tipo de contraprestação. Só há aquele meio de uso. mas não se lhes equiparam. não se cogitando de sua submissão e inclusão no sistema tributário. por taxas – também conhecido por preço tributário. o consumo do serviço também é compulsório por parte do administrado. as taxas são devidas desde que colocados os serviços à disposição do usuário. de preservação ecológica e de emissão de passaporte. em relação à lei que as instituiu”. para corrigir a imperfeição da arrecadação por impostos. de . porque há opção na contratação (liberdade de contratar). Caso seja prestado por entidade da Administração Indireta (sociedade de economia mista ou empresa pública).) e aquelas decorrentes do poder de polícia. no qual fica patente que o preço público é a remuneração de um serviço público prestado indiretamente pelo Estado (por concessão ou por permissão). Pode. há serviços públicos que não cabe ao Estado prestar. porque estas. O primeiro é “remunerado” por meio de impostos e os segundos. etc. 52 O preço é a remuneração por qualquer serviço não tributário. descentralizar a atividade. de um serviço privado de livre concorrência. 51 Súmula 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. enquanto preço privado. É o entendimento esposado por Cassone. São exações atípicas. com exceção da nomenclatura. A Súmula 545 do STF51 determina a diferenciação entre taxa e tarifa: a compulsoriedade. do contrário. no máximo. é chamado de tarifa ou preço privado. Ao revés. Nessa seara. incidirá o ITCMD (art. prestados diretamente por ele. porque não serão remuneradas pelos usuários em potencial. Nesse sentido. pois somente alguns recebem o serviço “uti universi”. sem permitir o lucro (distribuição de dividendos) e a livre concorrência. O constituinte preceituou que o Estado preste alguns serviços públicos de interesse público primário. op. pendendo facultatividade na contratação e na conseqüente remuneração (autonomia da vontade). denomina-se preço público. A contraprestação dessa espécie de serviço é tida por preço (não tributário). Ledo engano. mesmo que deles não se utilize. diferentemente daqueles. I e § 1º. é lícito o lucro e a livre concorrência. há três taxas que fogem à idéia geral de sua concepção: judiciárias. p.33 abarcado pela regra da obrigatoriedade. Uma vez ocorrendo o negócio mencionado. elas aproximam-se dos preços.. enquanto todos contribuem para ele. As taxas podem ser de serviços propriamente ditos (coleta de lixo. São conhecidas vulgarmente como “taxas de uso”. Nesse âmbito. Ambos se submetem ao regime de Direito Privado. mas tão-somente pelos efetivos. No entanto. cit. água e esgoto. Em tese. pode haver duas espécies: os serviços a título universal e singular. é cediço recorrer ao Direito Administrativo para desigualá-las. Inexiste compulsoriedade. eles serão de domínio público exclusivo do Estado. 116. No diapasão. porque o fenômeno tributável é o ato em si e não seu caráter voluntário (“animus donandi”). Nesse campo. para tutelar a coletividade. Além disso. não existindo outra opção.

não autorizou a incidência da exação em si. suficiente para atrair o afã do particular e manter a atualidade da prestação. O princípio do “non olet” pode ser vislumbrado nos exemplos da renda auferida por traficante54 e do IPTU com alíquota progressiva. REsp 167489-SP e RE 89876-RJ. a dação. poder-se-ia advogar a natureza tributária.: quanto ao serviço funerário. esgoto. sendo fixado unicamente para custear um serviço. Eventualmente. A doutrina mais tradicional afirmava que o tributo não se paga “in labore” nem “in natura”. é uma prestação “in natura”. o que diferencia a taxa e a tarifa é a natureza do serviço público prestado. Moreira Alves. A determinação de uma ou de outra saída reputa-se ao legislador. não incidindo o “jus puniendi” estatal. Direito Público. pois salvo melhor juízo. 156. pode também ser objeto de preço. permissionário ou autorizatário de serviço público delegado. os não essenciais. nessa forma.34 Em resumo. indelegáveis e passíveis de taxação. Como se trata de norma de eficácia limitada. De fato. quando por ele prestados. no âmbito da competência tributária respectiva. O Direito Administrativo distingue o preço público da tarifa (ou preço privado) sob alguns aspectos. O imposto tem por fato gerador a propriedade. segundo entendimento já firmado pelo Excelso Pretório53. Mas a LC 104/01 alterou bastante o CTN. continua Amaro (2006). remoção de lixo. sua remuneração pode ser extraída de preço. cheque e selo já foram algumas dessas formas. os serviços públicos divisíveis e singulares podem ser catalogados em 3 planos: os propriamente estatais. CTN. ao verificar conveniência da melhor escolha. permite exploração de lucro. permitindo que o legislador ordinário pudesse receber crédito tributário de outra maneira que não moeda. ao prever a dação em pagamento por bens imóveis (bem diverso de moeda) para extinção do crédito tributário. gás. Títulos da dívida pública. mediante utilização efetiva ou potencial (água. outros entendem que há uma exceção ao seu conceito. O primeiro se reverte inteiramente ao Estado prestador do serviço. remunerando-o do custo envolvido e de uma parcela de lucro. Moeda é a principal forma corrente de transmitir riqueza. sendo delegáveis e pagos por preços públicos (serviço postal. em prol da comunidade. em face do desrespeito às normas urbanísticas. 5º. não é serviço exclusivo de Estado. etc. remunerados por taxa. os essenciais ao interesse público. CF/88). A progressividade do IPTU visa preservar a função social da propriedade (art. mitigando essa construção. Lapatza (apud AMARO. necessita de LO para regulamentação. sem qualquer outra espécie de remuneração. por aquilo que não utilizou (cartórios judiciais e emissão de passaporte). 53 Cf. O fato que gera a obrigação tributária não é uma conduta contrária ao Estado de Direito. não acarretam ranhura ao interesse público. A ilicitude da conduta somente provocou a progressividade. Já o segundo se volta a concessionário. porquanto não usados. Ex. permitindo a dação em pagamento para crédito tributário. . Todavia. Prestação de serviço e produtos não são formas corriqueiras de recebimento pelo fisco. telefonia. Min. rel.). energia elétrica. Essa já preexistia. é delegável à iniciativa privada. sepultamento. pode ter parcela revertida ao Estado. quando houver previsão no ato de delegação (contrato ou ato administrativo).). A LC 104/01 apôs o inciso XI ao art. p. não podendo o Estado cobrar por aquilo que não prestar ou o usuário. Para justificar a existência do IPTU. Paga em moeda (regra) ou valor do qual se exprime (exceção) – tributo deve ser pago em dinheiro como regra. caso contrário. Diversa da multa – o tributo não é sanção por ato ilícito. 54 Cf. O valor que se pode exprimir é um conceito aberto. hoje não mais usados. 2006. etc. 45) afirma que os serviços públicos inerentes ao Estado. nota de rodapé “4”. podem incitar a remuneração por meio de taxa. Para o eminente ministro. XXIII. Não há pacificação doutrinária quanto ao tema.

A LO que dessa forma dispusesse seria ilegal (art. equiparada àquela espécie. 146. se presta. o gênero REFIS engloba várias categorias. Dentro dessa realidade. CF. elemento proibido na ordem tributária nacional. essa espécie acabou sendo. CTN. Apesar dos contribuintes se debaterem sobre a constitucionalidade dessa disposição. 150. somente parcela poderia efetivar o desejo. há formação de um privilégio. XI. CTN) e inconstitucional (art. estipulado no art. o Brasil tentou implementar a mesma política. conquanto se trata de opção do contribuinte. Entretanto. CTN. Somente alguns possuem imóveis.Lesão à isonomia – o princípio. porque exorbita de sua competência regulamentadora. 156. Aqui. como rol exemplificativo. XI. XI. Dessa feita. Nesse passo. não permite que o fisco trate desigualmente pessoas iguais. pela necessidade de eficácia da norma. Isso se deve ao fato de que os pequenos devedores do fisco não possuem dívidas de montante a justificar a dação de imóvel. havendo uma desigualdade aos iguais. 156. muito pela pretensa inafastabilidade do Judiciário (art. somente a favorecer certa parcela das pessoas. II. Com efeito. Mas esses argumentos podem ser contestados. 156. as leis que instituem esses programas geralmente condicionam sua concessão à desistência de demandas judiciais. porquanto opera discriminação aos iguais. CF/88). muito mais afeto à sua realidade. CTN55: . será de família. O imóvel a ser oferecido será o expurgo de grandes empresários. por colidir com o espírito Carta de 1988. como está. Esse dispositivo. bens de categoria inferior. Com efeito. Essa é a finalidade política da dação. O mecanismo visou movimentar a máquina estatal para cobrar dívidas tributárias com o menor esforço. em favor da inconstitucionalidade do art. a dação de bens imóveis é uma manobra ardilosa. a jurisprudência pacífica os considera legítimos. mesmo porque a maioria deles não possui bens de raiz ou se os tem. . reputando o art. III. 55 A ADIn 2405 versa sobre dação em pagamento na extinção de crédito tributário. por metonímia. 5º. surge uma brecha a legitimar. 156. XI. por sua gramática. possibilitando o “sucateamento” do fisco. “b”. Juridicamente. Essa antítese pode ser solucionada pelos seguintes argumentos. seguindo a orientação de recuperação fiscal (REFIS) italiana. Mas essa interpretação conforme a Constituição talvez ferisse os freios e contrapesos da divisão orgânica do poder.35 A grande questão que se coloca é a possibilidade ou não de deferir dação para bens mobiliários. porque se presta a permitir que grandes devedores extingam seus créditos tributários sem desembolsar nenhum centavo. dentre elas o parcelamento. CF/88). XXXV. A norma do art. a dação de bens móveis. No mesmo sentido estão os pequenos empresários. o pequeno devedor deveria ter a possibilidade de adimplir seus débitos com bens móveis. De todos aqueles que possuem “animus solvendi”. permitindo resolver as questões na esfera administrativa. seria inconstitucional.

Afora esses dois casos. porquanto a execução fiscal poderia não atingir outros bens (incerteza). ao definir as modalidades de extinção do crédito tributário.Segurança jurídica – a extinção da relação jurídica tributária é o grande fim colimado pela lei. certo. 156. 156. poderia haver a compensação da forma descrita. O devedor quer pagar e. I a XI. O legislador não tem a capacidade de exprimir toda sua vontade simplesmente pela letra da lei. no seu art. como tal. 11. O fisco não aceitar o bem móvel certo.36 . a lei deve viabilizar a intenção. O art. Dessa feita. pacificando a relação jurídico-tributária e conferindo segurança à sociedade e ao particular. Por que chegar a ponto da cobrança judicial se o entrave pode ser resolvido no momento préprocessual. Mas a interpretação restritiva deve se ater à concessão de liberalidades (isenções. CTN. em interpretação literal. Na mesma esteira. 368 a 380. CTN. o art. 111. portanto. anistias. No ponto. haveria um contra-senso na extinção do crédito tributário. Ainda nessa seara. LEF). I a IV. A LEF permite a penhora sobre bens móveis. I a III. ao descrever a compensação do crédito tributário. Esse mecanismo favoreceria a economicidade. gênero da dação em pagamento. administrativo? Se o devedor pudesse adimplir antes da execução fiscal com seus móveis. obrigando-se passar por esses antes de um imóvel (art. porquanto.) e às extremas exceções (dispensa de obrigação acessória. somente depois do processo judicial devido. na seara administrativa. estaria em flagrante afronta à realidade. poderia pagar com seus bens móveis. XI. O conceito de compensação se aduz da lei civil (arts. CTN. c.Art. permite a compensação. evitaria o movimento da máquina Judiciária. não se permitindo sua exegese restritiva. CC. deve ter o desejo atendido. 170. A função do operador do Direito é buscar essa verdadeira “mens legis”. 110. Para solver o problema. XI. discutiu-se o pagamento do tributo por meio de compensação com precatórios. . o dispositivo em tela não proibiu a interpretação extensiva de norma de extinção de crédito tributário. 156. CTN. I a XI. não urge a interpretação restritiva do art. CTN. Com efeito. 156. ainda que não exigível . CTN – exige a interpretação estrita em matéria de exclusão e de suspensão de crédito tributário. 156. XI. afinal há coincidência de afã com o interesse público. viola os princípios da razoabilidade. . a hermêutica extensiva é a melhor solução ao intérprete. permite a dação de imóveis. da economicidade e da operabilidade. permite o precatório como forma de crédito líquido. mas não proibiu a dação de móveis. em seu inciso II. O texto do art. CTN. art. a hermenêutica restritiva não pode ter vez. por exemplo). lesando a razoabilidade.Interpretação sistemática do CTN com a LEF – o art. CTN).c. O intérprete não tem o direito de colocar restrições onde o legislador não fez. “caput”. Se o legislador determinou a prevalência na penhora de móveis antes de imóveis. etc. Em tese.

a facilitar a elisão tributária de grandes pessoas jurídicas ao mesmo tempo em que flanqueia ao Estado a lesão de direitos fundamentais. rel. no HC 84223/RS. 288. para possibilitar a compensação com seus débitos fiscais. Lei 10684/03. DJU 29/4/2005. RO em HC 77258-2. o STJ tem dado interpretação analógica à extinção da punibilidade pelo pagamento ao delito de descaminho e aos previdenciários. 23.611-DF. 26/6/2007. delitos de sonegação fiscal e contra a ordem tributária. Lei 10684/03).2007. Lei 9964/00 e 9º.8. rel. econômica e relações de consumo56. 9º.799-SP.1999. perfaz-se a prescrição do delito correspondente.. Eros Grau. Concluindo.. 10. Informativo do STJ n° 325). “caput”.6. Min.986-MS. No mesmo sentido. Ocorre que a jurisprudência pacífica entende que os crimes tributários são materiais. j.2003). dada situação simples. DJU 16/4/2007. precatório exprime dívidas de grande valor. STJ. 34. . HC 81611/SP. A maioria da população deve ao fisco um crédito tributário de pequena monta. Min. 1ª. Min. a fim de possibilitar cessão de crédito ao seu patrimônio e. j. CP) nos delitos fiscais. A despersonalização do precatório reside exatamente nesse ponto. pelo pagamento. HC 77. porque haveria 56 Os arts. j. HC 84. No ponto. mormente. Não há decisão sobre o assunto dentro do próprio Supremo. Arnaldo Esteves Lima.. DJU 13/3/2006. Min. “caput”. Maria Thereza de Assis Moura.144-PR. Min. Informativo do STJ n° 331. ADCT. AgRg no REsp 762. 100. Lei 9249/95. Certamente. O art. “caput”. O comando autoriza a extinção da punibilidade. HC 81. Via de regra. Min. Se a prescrição qüinqüenal já atingiu a pretensão do fisco em exigir judicialmente o débito ou a decadência fulminou o direito postestativo de realizar o lançamento. j. 14. os grandes grupos econômicos fazem “lobby” para o não pagamento do precatório. CTN.262-DF. como ocultação de faturamento da empresa. § 3º. REsp 747. em que pese a previsão da Lei 10684/03 silenciar sobre eles (HC 48. a qualquer tempo. Mas existem alguns entraves à operabilidade desse mecanismo. erigindo um paradoxo. desde que haja uma lei ordinária a regulamentar a compensação.37 (parcelas vincendas ou vencidas). de modo a favorecer. por conseguinte. está-se em discussão a possibilidade de configuração ou não de crime de quadrilha (art. Marco Aurélio Mello denegou a compensação. rel. previam que a extinção da punibilidade somente se daria se o pagamento fosse feito antes da denúncia. Lei 9249/95. No entanto. T. Informativo do STF n° 476.805-SP. 57 STF. O STF tem bastante complacência com essa sistemática. desde que haja pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia (arts. 5ª T. porquanto aqueles grandes empresários adquirem os direitos creditícios por valores bastante inferiores ao nominal. CF/88. realizar a compensação. j. DJU 1º/2/2006. o termo inicial da prescrição penal será o da correspondente decisão administrativa definitiva (STF. 170. 13/9/2007. a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário que visa tão-somente à perpetuação desse sistema censitário. revogou as disposições anteriores por dispor de forma diferente. Nesse sentido. Destarte. Na esteira. Sepúlveda Pertence. § 2º. Esse expediente foi bastante corroborado com a possibilidade de não incidência da lei penal nos crimes tributários (Lei 4729/65 e 8137/90). e 15. DJU 20/5/2005.12. 34. Moreira Alves. § 3º. RT 770/492). constantes do CP. seguindo os ditames do art. Ganham os empresários – que sonegaram deliberadamente – e ganha o Estado – que percebe seu tributo e não precisa adimplir seus compromissos indenizatórios. HC 56.829-PR. os quais só se concretizam pelo ato de lançamento do débito co-respectivo57. e os arts. rel. a jurisprudência pacífica se posiciona no sentido de que a constituição do crédito tributário definitivamente efetivada é condição objetiva de punibilidade por delito fiscal (STF. essas empresas geralmente não possuem precatórios para com o Estado. não erigindo termo final para tal. Atualmente. e 78. 1ª T. 15. porquanto jamais recomporá os danos de terceiros. Lei 9964/00. rel. o rel. somente médios e grandes empresários possuem montante de dívidas tributárias a justificar a compensação. na ADIn-MC 2099.

porque ambos são causas subjacentes do mesmo crédito tributário (art. Apesar de razoável a explicação. O respeito à vontade popular. Quem instituirá o imposto seria a LO. meio pelo qual o povo empresta ao Estado publicidade. a EC 30/00 permitiu expressamente a compensação de créditos tributários. 1991). amplitude e aplicabilidade de suas disposições (CANOTILHO. é a tradução da atividade desse mandatário. a anterioridade. A finalidade do art. cujos representantes eleitos manifestam a vontade popular. por conseguinte. Dessa forma. 148. O princípio da legalidade visa proteger um valor básico: dar limite ao exercício de competência. lembra-se que o STJ tem admitido compensação de multas moratórias pagas indevidamente com tributos. No tocante à legitimidade. é o “norte” que deve seguir o agente político. a legitimidade do ato democrático se consubstancia pela democracia representativa. segundo colocação do constituinte. .38 lesão à ordem cronológica de pagamento dos precatórios. CF/88). Não quer dizer que a LC vá criar o tributo. § 1º. de modo a tutelar um dentre três elementos basilares – liberdade. com exceção do empréstimo compulsório. em flagrante afronta ao comando do constituinte (art. É justamente a última que será protegida pela legalidade. Instituída por lei – há quatro tributos que necessitam LC: empréstimo compulsório. as dívidas de pequeno porte. A segurança jurídica se desmembra nas vertentes legitimidade e não surpresa. LC só será exigida para a instituição de tributos residuais. 1ª Seç. contribuições de seguridade residuais e imposto sobre grandes fortunas (IGF). Dessa forma. porque a expressão “nos termos de lei complementar” se refere à regência de todos os impostos do art. diversos daqueles já previstos na Carta. CTN)58. e 139. o STF passa a perfilhar a disposição do constituinte. A Constituição não diz que deve ser instituído por LC. o emérito ministro ainda argumentou no sentido de lesão aos interesses dos sujeitos ativos dos precatórios. 148. inclusive as alimentícias. CF/88). CTN. I. a irretroatividade e a transparência são sucedâneos da legalidade. Sobre esse último (art. é evitar que empréstimo compulsório seja instituído por MP. para o povo e pelo povo. No entanto. ao interesse público. o administrador é eleito do povo. impostos residuais. legítimos detentores dos direitos neles exprimidos. “caput”. Inobstante tal colocação. Não é a volição própria do administrador que deve imperar. porque colima a lealdade e refuta o abuso de direito. Por fim. II.. 153. A lei. seriam ultrapassadas pelo mecanismo. mas sim que deve ela definir “grande fortuna” (CARRAZZA. fazendo cair por terra o argumento supra citado. VII. Ademais. 153. Trazendo o raciocínio para o Direito 58 STJ. Com relação a esta. CTN. EREsp 760290. 1993). justiça (igualdade) e segurança jurídica (fraternidade ou solidariedade). a seguir o comando alterado e existente na própria Constituição. 113. 100. Ele gere a coletividade em favor dela própria. CTN). na ADIn 2851. há controvérsia doutrinária. por questão de urgência (art. em um autêntico mandato sem reserva de poderes. trata-se de posição minoritária. incompatível com a previsão de LC.

os quais são consubstanciados pela parcela da riqueza de cada qual para o bem comum. 142. devendo ser prevista pelo legislador. O tributo é uma forma de ingresso público (valor positivo ao erário) derivado. representado pela efetivação dos direitos fundamentais através da prestação de serviços públicos.39 Tributário. a função do Estado é manter o nível mínimo de dignidade da pessoa humana. Essa assertiva diz respeito à sanção disciplinar no âmbito do estatuto. afirmando que o crédito surge na ocorrência do fato gerador. Seu parágrafo único prevê como conseqüência pelo descumprimento a responsabilidade funcional (administrativa). Lei 8429/92). não alcançando a seara penal. para que. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS – natureza jurídica é a qualidade essencial do instituto. . Cobrada por lançamento – é a atividade administrativa plenamente vinculada. § 1º. O CTN perfilha a teoria de que o crédito é constituído pelo lançamento59. Em suma. A Lei 8429/92 regula exatamente o reflexo. por meio dos serviços públicos. A atividade de cobrança de tributo é o próprio lançamento. e 11. por uma questão de segurança jurídica. 2006). a grande finalidade da tributação é arrecadar. A autoridade fiscal é obrigada a realizar o lançamento. Deve fazê-lo de acordo com a norma. Lei 4320/64). “caput”. Em comentários abaixo. sob a óptica do Direito. Entendendo essa colocação. sendo enquadrado como ato de improbidade administrativa.Nos termos da legislação – não é dado ao agente a prerrogativa de escolher o modo de fazer. O art.Obrigatoriedade – não existe discricionariedade permeando o procedimento administrativo. todas as exações prestam-se a. CTN. Improbidade é um ato híbrido. O ato de improbidade pode se ater a três condutas: auferir vantagem. 3º. Essa tarefa só é possível quando são alocados os meios necessários. direta ou indiretamente. receita da espécie derivada (arts. essa idéia será mais bem delineada. O procedimento vinculado se rende a duas idéias: . instituído legalmente. Qualquer conteúdo patrimonial 59 Cf. consiga-se perfazer a justiça distributiva e manter o estado de bem-estar do povo. causar prejuízo ou violar princípio da administração pública (art. de conseqüência administrativa e cível. o tributo. é a manifestação democrática do povo. 11. Nas palavras de Carlos Ayres Brito. isto é. . mesmo não se tratando de Direito Penal (STJ). A culpa só pode se ater às duas primeiras condutas (auferir vantagem ou causar prejuízo). referida no art. define o lançamento. “caput”. Essa não pode ser presumida. Para essa última conduta. pois a culpa não a caracteriza (DI PIETRO. o legislador qualificou o tributo como entrada definitiva. FUNÇÃO DOS TRIBUTOS – em que pese haver tributos não vinculados – impostos –. é necessário que haja dolo. CTN. Os desrespeito a esses dois postulados pode levar a conseqüências para o agente. Paulo de Barros Carvalho. em sentido contrário. 9º. custear a máquina estatal.

somente o IPI e o ICMS são indiretos. Lei 4320/64. Mas o “nomen juris” e a forma de cobrança do tributo são irrelevantes para determinar a exação (art. os empréstimos compulsórios preservam seu caráter de ingressos públicos derivados. Em regra. não há de se confundir a natureza jurídica do tributo com a determinação da espécie tributária. diverso daquele que detém relação jurídico-tributária direta para com o fisco. na segunda. portanto. não podem ser imiscuídos os conceitos de impostos e de contribuições especiais. do pagamento de IPTU por parte do locatário. Nesses últimos. são receitas derivadas (ingressos definitivos. Observe o seguinte esquema: CLASSIFICAÇÕES DOS TRIBUTOS – duas classificações são mais importantes: tributos diretos e indiretos e impostos reais e pessoais. não restituíveis). por exemplo. 4º. É o caso dos impostos. refere-se aos tributos diretos. o verdadeiro devedor repassa a carga tributária ao consumidor final. Em outros. Excepcionalmente. O fisco desconhece tal relacionamento privado (art. o legislador flanqueia a bi-tributação (“bis in idem”) – um fato gerador produzindo dois tributos. 9º. Nesse passo. 154. aos indiretos. Alguns tributos permitem que o próprio contribuinte pague. 123. assumindo um viés de tributo indireto.: o IEF pode conter fato imponível igual àquele previsto para outra exação (art. contribuinte de fato (contribuinte de “facto”). Contudo. cada tributo é identificado por sua hipótese de incidência. Também não importa a destinação da receita gerada para definir o tributo (art. Excepcionalmente. Já o valor auferido pela contribuição tem destino certo. II. Como regra. isto é.: IPI e ICMS. haveria uma controvérsia para com o art. porquanto cobrará o . CF/88). CTN). é o fenômeno no qual o contribuinte legal ou de direito (contribuinte de “jure”) consegue repassar a carga tributária a uma terceira pessoa. Na primeira situação. o ônus do recolhimento da exação se defere a um terceiro (substituto tributário). O imposto é uma receita totalmente desvinculada. já que na acepção técnica da expressão estas designam apenas os valores que entram em caráter permanente. mesmo não sendo receita. CTN). Na essência. 4º. Todo tributo tem por natureza jurídica ser um ingresso público derivado.: IR. II.40 entregue ao Estado pode ser considerado ingresso ou entrada. Ex. apesar de não sê-lo na sua natureza. Ex. taxas. A destinação dada ao imposto ou à contribuição é irrelevante para determinar a espécie tributária em análise. agindo o administrador com discricionariedade (princípio da não-afetação das receitas). mesmo que ambos não estejam vinculados a uma prestação estatal específica de sua parte. Dessa forma. Repercussão tributária. Porém. CTN. Entretanto. não deve esse último ser qualificado como “receita”. CTN). tributo é empréstimo compulsório (ingresso temporário. Por não ser ingresso definitivo. 4º. Aparentemente. restituível). outras exações diretas podem comportar repercussão tributária. O que os faz diferir é justamente sua destinação. É o caso. CTN). II. o que determina a natureza específica do tributo é o fato gerador (art 4º. vide expressa previsão legal no art. contribuições de melhoria e especiais. Ex. I. “caput”. a espécie tributária é determinada pelo fato gerador.

Denise Arruda. Cediço. rel. além da prova de ter suportado o encargo tributário. Todo imposto tem como fato gerador a conduta praticada pelo sujeito passivo e sugestiva de riqueza. se o contribuinte de fato tentar fazer restituir o montante. rel. 166. 62 STJ. uma vez que ele não suportou de fato a carga tributária (enriquecimento sem causa). indiretamente. O contrário representa o imposto real. No entanto. “a”.909-BA. as empresas sempre solicitam a compensação. STJ. 14/8/2007. Dessarte.553-MG. a alíquota incide diretamente sobre ela. para furtar-se ao mecanismo. Informativo do STJ n° 332. ao contrário dos demais tributos. No mesmo sentido é a redação do art. seja invocado61. como bem dispõe a própria letra normativa. AgRg no REsp 673.203-RS.. Eliana Calmon. DJU 12/12/2005. O maior exemplo dessa categoria é o IR. rel. REsp 757. mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes60. 22. No entanto.41 imposto do titular do imóvel. Todo imposto. Na venda dos artigos. atinge a renda. REsp 449. 20/9/2007. que implicam em prestação estatal. Castro Meira. Lei 9430/96. REsp 962. Eliana Calmon. Na mesma esteira. Mas vamos supor que o recolhimento do tributo. ela é atingida diretamente. Lei 9245/90 (Lei do Inquilinato) permite essa transferência. por ser praticamente impossível sua ocorrência. Informativo do STJ n° 332.. a art. ele repassará tais valores. O fisco cobrará do locador e esse. O dispositivo permite. exigirá o valor do locatário. Em tese. STJ.. Todavia. 20/9/2007. A demonstração objetiva de riqueza por parte do contribuinte dá ao fisco o direito de presumir que tem capacidade de contribuir. CTN)62. O sujeito passivo tem condição de suportar o gravame. o importador paga vários tributos na sua atividade (II. Min. impetra-se mandado de segurança. REsp 653. é necessário que haja pagamento indevido para que o art. A maneira como essa riqueza é espelhada determinará a classificação do imposto em pessoal ou real. Complementando. Na prática. 63 STJ. Informativo do STJ n° 327. a base de cálculo é a renda. j. 166. incidindo diretamente sobre a renda auferida. CTN. fazendo com que o comprador arque com a carga tributária. Min. j. Min. caso a riqueza demonstrada seja o patrimônio. 74. O primeiro implica na pessoalidade do contribuinte. lembrar que a compensação de plano para com créditos de terceiros não é permitida. sem exceção. 170-A. j. 2ª T. o fisco negar-lhe-á. está-se diante de um imposto real. esse acabará pagando o tributo. Por décadas. a coisa. No imposto pessoal. 61 60 . REsp 757. a qual será negada pelo fisco. CTN. 20/9/2007. Informativo do STJ n° 332.441-SC. admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda. seja feito a mais. a qual só poderá ser materialmente aplicada quando a demanda judicial transitar em julgado nesse sentido (art. dada a disposição do art. ICMS). § 12.. apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. Da denegatória. De fato. no imposto pessoal.203-RS. II. PIS/COFINS-Importação. porque não é titular direto de relação tributária com ele. em suas Súmulas 71 e 546 (já mencionadas). É o entendimento esposado pelo STF. nesse ponto. 2ª T. j. o Excelso Pretório manteve a posição (Súmula 71). DJU 14/6/2006. a qual foi ratificada pela súmula posterior. a “res”.304-PR. CTN. 2ª T. nos casos supra. 166. O contribuinte de direito solicita restituição. Min. esse entendimento leva à iniqüidade de restituição para tributos indiretos ou indiretos por equiparação. em ação regressiva. a restituição mediante autorização pelo contribuinte de fato. O STJ. enquanto no real. 1ª T. com redação pela Lei 11051/0463. rel.

De intervenção no domínio econômico CIDE-combunstíveis. c.CONDECINE (MP 2228-1/01). Para profissões regulamentadas (CFM. os quais não foram gerados pelo particular. OAB – com a ressalva feita pelo STF na ADIn 3026/DF). b. Para seguridade social “lato sensu”: . AFRMM. CIDE-remessas para o exterior.347-SC.Para o INCRA (antigo FUNRURAL). 64 A EC 39/02 trouxe à tona a contribuição de iluminação pública (CIP). Para alguns. à luz do art. deve surgir mediante a edição de lei complementar. .Diretoria de Portos e Costa da Marinha (DPC).924-RJ. . . REsp 705. STJ. a CIP é um imposto e não uma contribuição.502-RS.Contribuição sindical (antigo imposto sindical). CF/88)64.878-SP. REsp 446. CTN. Trata-se de um ente anômalo. Sociais “lato sensu” Sociais “stricto sensu” . Contribuições de Melhoria 4. I.42 É possível classificar os tributos segundo o seguinte esquema: 1. no sentido de custear a resolução de entraves do sistema elétrico do país. .Fundo Aeroviário (FA). . . Impostos 2.FGTS. Taxas 3. Cf. j. ao estabelecer que a CIP pudesse ser instituída mediante lei ordinária. Para iluminação pública (art.Salário-educação. rel. CFP. DJU 25/11/2002. O fisco sempre deteve um afã para invadir o patrimônio do contribuinte. Min.146-RS. ATP. a norma que instituiu a CIP é ordinária e não complementar. Para "corrigir" tal problema. A modalidade de tributo chamada de taxa só pode incidir sobre serviço público individualizado. 154. não sobre serviço de caráter geral. anterioridade e irretroatividade. previstas no ordenamento doméstico. RESp 431. Os tributos devem obedecer a três ditames – legalidade.Previdenciárias: Do empregado sobre folha de salários e equiparados. 4º. . Informativo do STJ n° 326. . IAA. 8/8/2007. REsp 895. 149-A. 1ª Seç. “caput”. conquanto também residual (art. CF/88). CFO. CREFITO. o governo fez aprovar a citada EC. No entanto.. Do empregado. DJU 2/5/2005. segundo diz a jurisprudência. o constituinte flagrantemente contra os próprios princípios da Carta Magna de 1988. Contudo. REsp 719. DJU 21/3/2005. o que fere o princípio da legalidade. d. DJU 11/4/2005.Para o Sistema “S”65. Outras Contribuições (ou contribuições especiais): a. Eliana Calmon. Tratando-se de imposto novo. Empréstimos Compulsórios 5. A CIP não se enquadra nas cinco espécies de tributos. 65 Contribuição de empresa prestação de serviço para o Sistema “S” é devida.

Contribuição sobre receitas de prognósticos.Para seguridade social “stricto sensu”: CSLL-empresa (cuja base de cálculo e fato gerador são idênticos ao IRPJ). Com a LC 70/91. destinado ao Estado brasileiro e instituído pela Carta de 1988. p. . saúde. é repartido entre tais pessoas para evitar a balbúrdia. cit.Limitabilidade – todo poder. o FINSOCIAL destinava-se a “custear investimentos de caráter assistencial em alimentação. polícia. caracterizando pela competência tributária. CONFINS-importador. Cada fatia do bolo tributário é determinado pela Constituição de 1988. exceto aqueles destinados ao exterior. mas segundo critérios técnicos e jurídicos. DF e Municípios. CF/88). CF/88). O poder de tributar e sua competência não são exceções. op. FINSOCIAL66. É formado por contribuição específica. incluindo a competência. e amparo ao pequeno agricultor”.). com a finalidade de preservar a 66 O Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) foi instituído pelo DL 1940/82. I. 22 e ss. segundo lembra Chimenti. É uma manifestação da SOBERANIA. CONFINS-empresa. Sua base de cálculo inclui o ICMS. educação. habitação popular. Características da competência tributária – podem ser arroladas três: . 1º. revelando a parcela do poder pleno constitucionalmente designado para cada ente.43 Do estatutário para o RPPS (art. assim como outros poderes soberanos (jurisdição. § 1º. . Nas palavras do art. suas necessidades e suas competências legislativas e executivas (arts. deve ser sempre limitado. PIS-importador. DL 1940/82. sob pena de autodestruição. a incidir sobre a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços. a federação brasileira é formada por quatro entes independentes e harmônicos: União. punitivo. Levou em conta uma análise histórica da realidade concreta de cada um dos entes federados. Entretanto. PIS-empresa. “caput”. os quais são tangenciados pelos princípios e pelas imunidades. CF/88). auferida por empresas públicas e privadas. o poder de tributar.. SAT. A competência não foi determinada aleatoriamente. a qual constitui uma das fontes de custeio da seguridade social como um todo (art. sendo ratificado pela LC 70/91. Nesse sentido. etc. CPMF. determinando “quantum” dever-se-ia despender para manter a máquina administrativa e para levar a cabo os objetivos colimados por cada uma das pessoas da federação. 195. segundo menciona a Súmula 94 do STJ: “A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”. Estados. foi basicamente alterada a alíquota e a destinação da exação.. Diferenciação entre poder de tributar e competência tributária – o poder de tributar é pleno e genérico. CSLL-importador. 53. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA – trata da distribuição do poder de tributar. 149.

. a indelegabilidade é espécie da irrenunciabilidade.Flexibilidade do exercício – apesar da titularidade ser imutável. “b”. 145. Os limites são estabelecidos por intermédio de algumas formas: a proibição é uma delas. um titular não pode tomar o tributo de outro para si. “caput”. mas o faculta. Além disso. Em verdade. o constituinte estabeleceu uma segunda maneira de estabelecer a limitação: a regulação de incidência. o autor afirma que o legislador não tem a facultatividade. não há de se alterá-la por mera medida legislativa. 150. Além do mecanismo da vedação. é irrenunciável. por ter a finalidade de corrigir o desequilíbrio dos impostos e de estabelecer a justiça distributiva. não tenha ainda sido efetivada pelo titular constitucionalmente estipulado (exclusividade). VI. O titular não está obrigado a criar a exação tal qual está previsto na Constituição e na LC regulamentadora. .Rigidez da titularidade – distribuída a competência pelo legislador constitucional. CF/88). não podendo o titular abdicar do tributo lhe deferido. A titularidade da competência tributária (de instituir tributo) também não pode ser emprestada a um outro titular. CF/88). Ex. mesmo que seja um terceiro a título temporário (indelegabilidade). Mas Carrazza (1991) protesta em sentido contrário.: não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade) de impostos sobre templos (art. O direito potestativo de instituir o tributo – desde que constitucionalmente previsto para certo titular – nunca se perecerá pelo não exercício no tempo. O “modus operandi” de instituição do tributo é guiado “ex vi” dos princípios tributários constitucionais. seu exercício é facultativo pelo ente legitimado (art. Esquematizando: RIGIDEZ DA TITULARIDADE Irrejeitabilidade Irrenunciabilidade Indelegabilidade Exclusividade FLEXIBILIDADE DO EXERCÍCIO Incaducabilidade Facultatividade - Crítica à facultatividade no exercício da competência tributária – a maioria da doutrina reputa por não obrigatório o exercício da competência tributária (parcela do poder tributário). mesmo que a competência tributária. .Quanto às taxas. construindo uma argumentação à parte: . A decadência da competência tributária não se opera.44 estrutura federativa e proteger as liberdades essenciais humanas. A competência foi distribuída ao ente federado e não lhe cabe rejeitá-lo (irrejeitabilidade). porque a Constituição não impõe. Da mesma maneira. no seu exercício.

As palavras competência e capacidade possuem a mesma acepção etimológica. Diversos princípios constitucionais sacrificam o modo de instituição e cobrança da mencionada exação. porque alguns que tiveram seus imóveis valorizados e devem retornar sua parcela de riqueza acrescida ao erário67. o legislador observou histórica e concretamente a realidade de cada ente federado. O constituinte. 68 Segundo Carraza. bem como para atingir metas razoáveis de gestão. 21 e ss.“Capacidade tributária” como atributo formador da competência (delegabilidade X indelegabilidade). . a obrigatoriedade se manifesta de modo mais arraigado. na tarefa do exercício da competência tributária. 14. “caput”. Se um imposto estiver com base de cálculo e/ou alíquota muito altos. crédito presumido e benefício fiscal devem seguir uma fundamentação contábil. demonstrando que a não incidência legal vai render frutos para o ente federado competente (art. propiciando a suficiência das riquezas para o titular. 14. porque há um contra-senso entre a possibilidade de conferir melhor dignidade ao administrado e a não instituição da exação (renúncia de receita). 11. bem como subsídio. CF/88). 69 A doutrina majoritária entende que o referido dispositivo é sugestivo. ao estipular cada uma das suas treze espécies. consonância com o anexo de metas fiscais e com a estimativa de receitas ou implementação de medidas de compensação (art. LC 101/00). adaptando os serviços públicos e os respectivos tributos distribuídos. A renúncia de receita pressupõe: estimativa de impacto no exercício financeiro aplicado e nos dois seguintes.Na contribuição de melhoria. Aliás. Delegação ordinária de capacidade tributária de fiscalização e arrecadação (limites estritos). LC 101/00). mas não obrigatório ao legislador. arrecadatória. mas o modo de fazê-lo pode ser68. O atípico fenômeno da parafiscalidade (capacidade tributária ativa somada à deferência para administrar tributos). I e II. fez uma estimativa estrita das receitas derivadas para manter a máquina administrativa do ente federativo. Entretanto. o legislador ordinário deve observar todos os tipos conferidos. previsão na LDO. Atributos formadores da competência – capacidade instituidora. Mas a inviabilidade da contribuição de melhoria quase que coloca o argumento à margem da discussão doutrinária. a. É válido o argumento ao menos na seara teórica. porque toda renúncia de receita deve ser justificada pelo administrador69. a instituição do tributo não vinculado se liga especialmente à capacidade legislativa e administrativa estabelecida na própria Constituição (arts. 14. I e II. § 3º. IE. deverá ser reduzido.. 67 . Carrazza (1991) respalda legalmente suas assertivas na Lei de Responsabilidade Fiscal (art. remissão e anistia. Nesse passo. fiscalizadora. “caput”. fazendo um encaixe entre a atividade a ser prestada (serviço público) e os meios a serem empregados (tributos).45 . essas condicionantes não se aplicam na mudança de alíquota de tributos extrafiscais (II. IPI e IOF) nem no cancelamento de débitos cujo valor de cobrança seja maior que o montante da dívida (art.Para os impostos. observando um equilíbrio para com os outros. incidiria também a obrigatoriedade. a autonomia do titular do tributo não poderia ser entendida como facultativa. op. Dessa forma. de modo a distribuir parcela de riqueza entre cada um deles. para evitar o enriquecimento sem causa.. LC 101/00). cit. O que os fará diferenciar-se é o tratamento jurídico conferido. isenção. “caput” e §§. Instituir o imposto não é injusto. LC 101/00). legislativa. Para estabelecer tais estipulações.

CF/88 (EC 42/03). No entanto. anistia. conferindo-lhes capacidade tributária ativa (recolhem o tributo. 153. podem ser repassadas a um ente terceiro. Nessas quatro prerrogativas. as duas primeiras (instituir e legislar sobre o tributo) não são delegáveis – por questão de legitimidade –. inicialmente alheio à relação tributária. denominadas capacidades delegáveis. Capacidade tributária X capacidade civil. A competência tributária é indelegável. Ele atua em nome do . § 4º. porquanto o delegatário parafiscal passa a ser o possuidor delas. O delegatário ordinário realiza a faina em nome do Leviatã. A doutrina majoritária. Desta feita. da mesma espécie que instituiu o tributo. Tratando-se de lei ordinária. dela fazendo parte. é obrigatório ao Estado. sempre possui capacidade tributária ativa. A capacidade tributária ativa é inerente à competência tributária.: lotérica que recebe o pagamento do IPTU. DF e Municípios. etc. Essas últimas ações. b. portanto. Ex. porquanto está taxativamente prevista na Constituição. gozam de suas receitas e administram seus valores. prevê um caso da possibilidade da União delegar a capacidade tributária ativa do ITR para os municípios. a titularidade plena da competência é estabelecida pelo constituinte. sendo que este não pode subdelegar nem legislar sobre o tributo (conceder remissão. Uma vez realizada a distribuição do poder de tributar. capacidade tributária ativa é o dever-poder de arrecadar tributos e ficar com o produto da arrecadação. não podendo realizar nenhuma outra tarefa além dessa. Esta delegação é efetivada por LEI. para justificar essa última. Quem tem competência tributária. isenção. Para um ente não-político – ente não-político é qualquer pessoa diferente da União. Já a capacidade tributária ativa é passível de delegação. ativa e passiva). pode ser delegada por medida provisória. Estados. fiscalizar e arrecadar. porque o tributo é bem público indisponível. essa delegação é realizada no âmbito de limites mínimos do poder de polícia. somente recolhendo o tributo (não pode executar e administrar os valores auferidos). Aquele que delega não fica com as receitas. são conferidos determinadas aptidões para o exercício dessa competência: instituir. sob pena de renúncia de receita e má gestão fiscal. podendo inclusive defender seus créditos). Há duas possibilidades para a delegação: Para outro ente político.46 Partindo desse raciocínio. desde constitua tarefa não essencial e inerente ao Estado. O art. dependendo do ente político que a possui originariamente. bastando mera lei em sentido estrito.“Capacidade tributária” com prerrogativa de ser sujeito na relação tributária (material e processual. ARRECADAR. legislar. A delegação ordinária de capacidade não pode ser confundida com a parafiscalidade. entende que o Estado faz uma delegação atípica para as entidades parafiscais de forma plena. em que pese não haver necessidade de tal disposição na Carta Política.). III. mas as duas seguintes (fiscalizar e arrecadar a exação) podem sê-las.

mas não quer dizer que isso seja tributo restituído. Ex. ato natural e característico do instituto.47 Estado. ou seja. Dependendo do contrato de delegação. nos termos da Lei 4320/64. Nesse passo. não podendo usar a execução fiscal para cobrança de seus débitos. Além dos entes federados. Em termos tributários. como Machado 70 Na ADIn 3026. as entidades parafiscais são também credores tributários. como bem preceituou o legislador no art. 24. VI. réu ou devedor – capacidade processual tributária passiva e ativa e capacidade material passiva. espólio. conquanto os preços públicos não se sujeitam à ordem tributária. por uma questão de legitimidade (ausência de Poder Legislativo próprio). Fazenda Pública pode demandar em face de outra. • Pessoas físicas – é possível. Sendo assim.Na ação de repetição de indébito. o constituinte resolveu conferir-lhes titularidade para a capacidade ativa (arrecadar e fiscalizar). possui personalidade jurídica de Direito Público. não precisa fazer licitação para contratação nem concurso para seus trabalhadores. . não cabendo no tocante às taxas. quanto à devolução de crédito tributário: . ente coletivo despersonalizado pode ser demandado e demandar em juízo. Ex. “a”. porque foi a Constituição que estabeleceu a repartição das receitas. O sujeito passivo da primeira terá direito a ressarcimento proporcional. CF/88. Há três hipóteses de pessoas não-políticas que podem ser delegadas: • Pessoas jurídicas de Direito Público – autarquias e fundações públicas. tabeliães. com ele permanecendo e administrando-o. I. Quem estabeleceu a repartição da capacidade ativa foi o constituinte. o STF definiu que a OAB não é autarquia federal. não há delegação nenhuma por parte do Estado. pode cobrar tributo (principalmente taxa) ou tarifa. não é delegação de capacidade. tradutor juramentado. Sua contabilidade também não é pública. mas da lei. Nesse contexto. . É pessoa “suis generis”. arrecadando o tributo. • Pessoas jurídicas de Direito Privado – concessionários e permissionários. o ente federado do qual se descentralizou a atividade da entidade parafiscal deve legislar em seu favor. perito nomeado. contribuições especiais e de melhoria. mas a volta não. ela não se sujeita ao controle do TCU.: INSS. Mas particular não pode ser credor de tributo. mas não é tributário. Crítica à delegação atípica – com efeito.No empréstimo compulsório. É o fenômeno da parafiscalidade. OAB70. Mesmo não sendo pessoa personificada. porque tributo não nasce de erro de vontade das partes. a relação de ida (recolhimento do tributo) é tributária. Há dois pontos interessantes nessa seara. Como as entidades parafiscais. No segundo caso.).: notários. inerente e essencial ao Estado Democrático de Direito. O Estado não pode revogar a delegação. qualquer pessoa pode ser autor. Alguns doutrinadores. não podem exercer a competência plena (instituir e legislar sobre exações). a imunidade recíproca só se restringe a impostos sobre patrimônio. as contribuições de seus associados não têm natureza tributária. rendas e serviços (art. Há crédito em seu favor. sociedade em comum. o valor a ser ressarcido pelo erário não tem natureza de crédito tributário. 150. CF/88). chamados de pessoas formais (condomínio. mas não integra a Administração. etc.

Essa prática não é proibida. não se cuida – e não deve fazê-lo – a Constituição de solver os choques dessa natureza. A competência residual para taxa é deferida aos Estados. desde que o serviço não seja local (art. Os Estados também têm autorização para instituir contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de seus servidores públicos (art. § 1º. a teor do art. I. § 1º. Dessa feita. há uma tributação dupla sob a mesma ocorrência fática: no primeiro caso. Em ambos.Imunidades na exportação – por questão de costume internacional. não concordam com assertiva. 146. excedendo-se na sua autonomia. I a XXV. bitributação. . CF/88). A bitributação foi excepcionalmente autorizada pelo constituinte no art. a autonomia diz respeito ao exercício de um poder interno. 63). 154. Conflitos de competência – ainda que haja partilha do poder de tributar estabelecida pelo constituinte. Há inviabilidade da ampliação dos mercados e da própria atividade mercantil. a maioria dos países veda. Entretanto. Tanto “bis in idem” quanto bitributação são. CF/88). afirmam que o “bis in idem” diz respeito ao primeiro. Bitributação e “bis in idem” – um ente pode extrapolar de sua competência e exercê-la de modo excessivo. Há duas formas de atenuar ou eliminar a bitributação internacional: . ao segundo. II. afirmando que o valor teria natureza de exação. Eles poderão instituí-las. 21.48 (1993).Tratado ou acordo internacional – para compartilhar um “contrato” entre os Estados. uma manifestação externa. relegando à lei complementar tal tarefa (art. geralmente o país que exporta não tributa o produto na saída. Paralelamente. através da moeda. de modo a reduzir as barreiras tributárias. 149. enquanto a bitributação. Exceções à permissão de bitributação internacional – a bitributação internacional é um entrave à globalização71. 2004. CF/88. social e econômico que tenta fazer. CF/88. seus costumes e seus mercados. 25. utilizando essa nomenclatura. dois entes desejam tributar o mesmo fato gerador (invasão de competência ou de autonomia). . Alberto Xavier também elenca uma terceira situação: quando se refere a exações sobre o comércio internacional (bitributação internacional) – IE na saída dos produtos e II na entrada em país diverso. Nesse sentido. vedados. 30. a 71 Globalização pode ser definida como o fenômeno jurídico. a reaproximação daquilo que se separou por força do choque das placas tectônicas: seus povos. Alguns autores. vez que o sistema dualista doméstico permite que os representantes do povo analisem o tratado firmado pelo chefe de Estado ou por seu plenipotenciário. denomina-se “bis in idem”. político. dentro de suas Constituições. querendo tributar duas vezes o mesmo fato gerador (excesso de competência ou de autonomia). persistem conflitos de competência tributária. Não se trata de mitigação da soberania. porquanto somente aí há conflito de competência. no segundo. enquanto a soberania. Se o Legislativo não acolher o tratado. esse não tem validade na ordem interna. em regra. porque cada Estado possui soberania (duplo exercício livre de soberania). p. CF/88) nem da União (art. CF/88). V. no momento em que há franquia para estabelecer IEG sobre fatos imponíveis já previstos para outros tributos (SABBAG.

IX. I. a qual versa sobre o ICMS. Nesse sentido. 155. pressupõe: operação de mercância (mercadoria que se aliena com habitualidade. Na mesma esteira. com o arrendante. o IEG não está sujeito ao princípio em tela (art. por coincidência. CF/88) e contribuições sociais e CIDE (art. Exceções à bitributação e ao “non bis in idem” no âmbito interno – podem ser arroladas duas situações: . as quais não exerciam atividade importadora de mercância. mas não transferência. “a”. Para evitar que o ICMS dos Estados incidisse indevidamente sobre as operações de “leasing”. porque a exação em tela e o II têm o mesmo fato gerador. a73 STF. VIII). em que os bens importados fazem parte do patrimônio imobilizado da empresa. “a”. independentemente da finalidade do bem importado. 3º. II.49 incidência de exação nas operações de exportação. CF/88).2007. no seu início. porque se tratam de competências distintas. o II é devido pelo ingresso de produto do estrangeiro para o Brasil. No Informativo do STF nº 455. há um autêntico “bis in idem”. “in fine”. CF/88). O ICMS é devido porque há circulação de mercadoria72. rel. na linha do que vinha decidindo o STJ. o constituinte deixou isso claro no art. CF/88. CF/88).5. Eros Grau. em regra. II. com a redação dada pela EC 3/93. o Excelso Pretório estendeu o ICMS a uma modalidade de importação. pelo qual entendeu que a bitributação é constitucionalmente autorizada.Bitributação quanto ao IEG – na competência extraordinária da União. IPI (art. com fulcro na competência distribuída pelo art. pois autorizou a criação a CONFINS-Importação (art. 155. e Lei 10865/04). porque lhe ausenta um dos requisitos: a transferência econômica do domínio. Marco Aurélio. CF/88). a incidência de ICMS sobre tal espécie de fato gerador. prevalecendo.9. Por se tratar de situação excepcional. Informativo do STF nº 399. ocorrendo a mesma hipótese de incidência do fato típico do II. Min. 146. Ellen Gracie. rel. III. . como está no art. em que coexistem uma locação e uma promessa de venda (e não de compra). vedou tal prática. 153. CF/88). não há invasão ou excesso de competência. afirmando que os importadores custeariam a seguridade social. 155. § 2º. § 2º. § 3º. Com efeito. a outra está constitucionalmente autorizada. que a operação de “leasing” internacional. na prática. há três fatos geradores diferentes. Assim é o Brasil: ICMS (art. a LC 87/96 (art. o “leasing” é um contrato híbrido. Mas a regra anterior continua vigorante no Excelso Pretório (RE 461968/SP. Com a EC 33/01 (art. Nesse caso. X. Min. 154. III. Para legitimar a cobrança do imposto. Há atividade de mercância. com atividade organizada) e transferência de domínio (alteração da titularidade de bem a título oneroso). com lucro. A doutrina chama essas três vedações ao poder de tributar de imunidades do exportador. RE 206069-SP. a expressão “até a vigência da EC 33/2001”. 72 Em tese. “a”. afirmando que o fato gerador é a importação (entrada de mercadoria e não necessariamente a circulação. de modo pacífico. em verdade.“Bis in idem” nas operações de importação (ICMS. até 2001. 74 A circulação. rel. IV.2006). porque a ICMS de importação passou a incidir sobre todas as pessoas. a redação de sua Súmula 660 foi emendada (4 Ago 2004). CF/88. No entanto. 195. conquanto em situações ímpares. o ato de importar não se adequaria à matriz reveladora da circulação de mercadoria. para o acórdão Min. Sobre o contrato de “leasing” interno não incide o ICMS. IPI. CF/88. § 2º. não importa em fato gerador do ICMS. acrescendo-se. essa idéia não impera. Informativo do STF nº 469). não há de se falar em não-incidência da exação (RE 206069/SP. § 2º. Esse posicionamento não é absoluto. A EC 42/03 alterou o prospecto. os quais. 149. II) – na verdade. ocorrem no mesmo contexto fático. 155. Há uma cisão da posse: a direta fica com o arrendatário e a indireta. o STF73 entendeu que cabe ICMS no “leasing” internacional74. mediante a ocorrência de determinada condição – a guerra. como fato gerador do ICMS. DJU de 1º. a corte firmou entendimento. o IPI é devido porque houve alteração substancial da matéria. 30. . De fato. Há um duplo exercício de autonomia: uma está presente de modo ordinário. esse entendimento do Excelso Pretório ficou esvaziado. “a”. para que seja garantida a reciprocidade em nível de estabilidade máxima. Nessa mesma seara. o STF garantiu a não-incidência do ICMS nas importações realizadas por pessoas físicas e jurídicas. IX.

CF/88 (redação dada pela EC 33/01). ou seja. 19ª ed. CTN. “a” e “b”. “b”.Fontes primárias – são as leis. a Constituição não ventila a possibilidade de reduzir tributo somente por meio de lei. CTN. dando um “norte” para a atividade do legislador ordinário. 84. a doutrina majoritária. o princípio da legalidade tributária. o ditame também abarca o número de vezes do pagamento do tributo (elemento temporal) e o 75 No âmbito do Direito Administração. CF/88. o qual. Além desses parâmetros. Em verdade. 146. Atlas. 76 Essa medida se funda na importância do setor de combustíveis no giro da economia global. 97. I. suas fontes principais são: lei. Veja que a alteração das alíquotas dessa última exação só é possível para reduzir ou para restabelecer. Esse aparente contra-senso é aduzido pela própria função do CTN. II. Exceção à regra da legalidade estrita. O art. Direito Administrativo. Dessa forma. 96. exigindo-se lei para reduzir o valor dos tributos. com certeza. admite o decreto executivo autônomo nas hipóteses do art. sem ter como base um diploma legal. IE. A regra do art. decretos e normas complementares. VI. . decretos legislativos. ao contrário do art. o legislador reforçou essa idéia no texto do próprio art. Dentro do Direito Tributário. O setor energético tem uma repercussão altamente sensível na estabilidade dos mercados. a definição do fato gerador (elemento objetivo). costumes e jurisprudência. IPI e IOF) e ao IEG. doutrina. CTN. CTN. dentro do sistema constitucional posto. em uma interpretação conforme a Constituição (art. 97. que autorizou a instituição da CIDE-combustível. 99. O art. 98 e 99.. traz o princípio da tipicidade. Os decretos deveriam ser considerados como fonte secundária. os tratados internacionais e até mesmo os decretos. sendo que a majoração pura simples depende de lei estrita76. como LC que é (art. traz o chamado princípio da legalidade. Nesse sentido. a base de cálculo e alíquota (elemento quantitativo). se defere somente aos impostos extrafiscais (II. O art. CF/88. também permitiu a incidência de ICMS sobre a circulação de energéticos comburentes entre Estados. § 4º. 2006. a redução de CIDE-combustíveis também independe de lei. o qual espancou definitivamente o decreto autônomo no campo tributário75. 96 a 112. No entanto. do sujeito passivo (elemento subjetivo). 177. III e IV. o decreto executivo. em seu bojo. CTN. 59. 97. São Paulo. 5º. 97. há necessidade de adaptar o postulado ao estudo da matéria em análise. A doutrina encarregou-se em hierarquizá-las segundo a seguinte classificação: . começa a delinear o objeto em estudo ao definir o que é legislação tributária: leis. porque devem se limitar a regulamentar a lei em sentido estrito. resoluções do Senado. CTN). No mesmo diapasão. tratados internacionais. CTN. assentada em posicionamento firmado pelo STF. CF/88. CTN. Em contrário senso. Dessa feita. CTN) – segundo a Teoria Geral do Direito. tanto interno quanto interno. tal qual está no art. I a VII. 150. Tanto isso é verídico que a mesma EC 33/01. não abarca o ato do executivo dado por decreto. II.50 FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO (art. não poderá ser autônomo. CF/88). é válida e aplicável a previsão do art. lembra Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Esse visa preencher eventuais lacunas no Texto Constitucional. II. tal qual está expresso no art. 97. regulados respectivamente pelos arts. II. traz. quanto à majoração da exação. MP e EC podem ser incluídas no rol das fontes primárias.

28. mesmo a despeito de eventuais sanções na ordem internacional a serem sofridas pelo Brasil. afirma que somente a lei pode determinar sanções tributárias. p. 97. “caput”. CF/88. CTN. 97. 14. se refere dos tratados internacionais. por disposição normativa própria. enquanto os demais constituem o conseqüente normativo (modo de incidência normativa). Dessa feita. quando da edição do CTN. a tipicidade garante a segurança jurídica.1997. no tocante à matéria tributária. O STJ entende que legislação interna não pode revogar tratados-leis. a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do futuro CTN incluiu o citado art. O legislador é único que pode fazê-lo. o que não se aplica quanto aos tratados-contratos. com base no art. Em um primeiro assunto. o pacto traz um regramento próprio no procedimento a ser estabelecido. não sendo aplicado a outras situações. Não é uma posição pacífica na doutrina. resolvendo-se os demais entraves pela cronologia. o Supremo deu vezo ao primado dos tratados sobre a legislação interna. exclusão e extinção – além da dispensa ou da redução de penalidades. que o CN pode alterar o acordo unilateralmente. O elemento material é o antecedente normativo (hipótese de incidência normativa). os acordos não revogam a legislação interna – porquanto prestam a minorar a bitributação internacional e a estabelecer cooperação no poder de polícia. afirmando que a especialidade só vale quanto à legislação anterior. Ext 662-2. I. “in fine”. porquanto as relações por ele abrangidas não poderiam ser modificadas por norma interna posterior. . O tratado deveria colimar a atuação do legislador posteriormente. Não há revogação pela incorporação do tratado no ordenamento doméstico. Plenário. deveria ser coercitivamente observada pelo legislador doméstico. CTN. 98. CTN. o STF entende. No entanto. O STJ faz uma leitura semelhante. Em verdade. tal qual a redação do art. o ar. O dispositivo contém impropriedades terminológicas. complementando a legalidade.5. Min. porquanto o dispositivo em comento é um rol sugestivo e não exaustivo. 77 O Supremo entende que esse tipo de tratado tem o “status” de lei ordinária: STF. geralmente diverso da legislação ordinária anterior77. rel. 2006. fazendo com que a disposição daqueles. CTN. V. consoante o preenchimento dos requisitos do art. I e II. LC 101/00. Celso de Mello. A soberania interna prevalece. a renúncia de receita depende de autorização legislativa prévia. vige o regramento específico. 181). os quais trazem à baila autênticas normas de Direito Internacional Público. 49. j. configurando a relação jurídica-tributária. DJU 30. O art. Nesse sentido.11. VI. Ademais. Com efeito.51 lugar do adimplemento (elemento espacial). Estando nessa seara. O art. 98. porque a aparente antinomia é solvida pelo critério da especialidade: para os países signatários – inclusive o Brasil –. dispõe que a legalidade deve imperar sobre a exigibilidade do crédito tributário: suspensão. 98 na esteira da jurisprudência do Excelso Pretório (AMARO.1997.

Essa prerrogativa era factível na ordem constitucional anterior (EC 1/69). STJ. em termos de vigência. REsp 480563/RS. pois a firmação de acordo é manifestação da República Federativa do Brasil. 79 Em matéria de tributação municipal. .8. Súmula 71 do STJ: “O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM”. não utiliza terminologia adequada ao estabelecer a isenção heterônoma em acordo internacional como exceção à vedação. A teor do art.Fontes secundárias – compõem-se das chamadas normas complementares. As Súmulas 575 do STF. 78 Nesse passo. porque qualquer ente federativo não pode invocar isenção heterônoma nessa. a tese do professor Carraza (1991) não vigora. 100. Atos administrativos – portarias. versa sobre a possibilidade da União conceder isenções quanto a tributos estaduais e municipais. 81 No mesmo sentido. I. inicialmente sobre a importação de bacalhau. CTN. Plenário. instruções normativas são normas complementares que visam especificar as medidas normativas primárias. Informativo do STF n° 476. 103. ocorre que a União representa o Brasil na celebração de convenções internacionais. rel. Machado. Todavia. Min. Súmula 20 do STJ: “A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM. orig. VIII. CF/88). salvo disposição em contrário. Dessa forma. atua como chefe de Estado (art. Entenderam as cortes que o ditame da reciprocidade deve imperar nesses casos81. op. Luiz Fux. 153. em que pese não haver opinião do legislativo municipal. entram em vigor na data de sua publicação. A heteronomia diz respeito à autonomia e não à soberania. apesar de encontrar muitos adeptos na doutrina jurídico-tributária. esse não está adstrito ao seu texto se houver infringência das normas primárias. CF/88). Apesar de não haver precedente jurisprudencial. porque o Presidente da República. III. RE 229096/RS. circulares.2007. Ademais.52 Questão que também se coloca quanto ao art. sendo essa incontrastável. rel. isso não é possível (art.9. nos exatos termos do art. esse argumento não subsume à situação em apreço. j. j. Por uma questão de opção do legislador. 80 Súmula 575 do STF: “À mercadoria importada de país signatário do GATT. Os precedentes normativos dos tribunais superiores advieram principalmente dos acordos do GATT. 103. Min. Essas visam completar as fontes primárias. em um autêntico ato de soberania. CTN). constituindo regra a ser observada pelo aplicador do direito (art. é possível a concessão de isenção a uma exação municipal por convenção internacional em homenagem à soberania nacional. a incorporação do pacto só é possível depois da ratificação parlamentar. I. tanto quanto reciprocamente: cada ente só pode conceder isenções dentro de sua competência tributária. Ilmar Galvão. estende-se a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias concedida a similar nacional”. vedando-se a isenção heterônoma. 98. CTN.2005. E se o Brasil assinar tratado internacional que venha nesse sentido? A possibilidade persiste. 84. quando contemplado com esse favor o similar nacional”. dispositivo que deve ser concatenado com o art. cit.. Na vigência da atual Constituição. Ao contrário do que apregoa Carraza (1991). ou membro da ALALC. 100. p/ o acórdão Min. CTN. em que se encontra a câmara representativa dos Estados-membros: o Senado79. 20 e 71 do STJ80 já pacificaram o posicionamento. 16. . Cármen Lúcia. Todas as pessoas políticas devem reverência à soberania do Estado brasileiro78. nesta tarefa. STF. CTN. 6. rel. o STF entende dessa maneira.

é um misto de costume e de ato normativo. prestação de serviço. CTN). 107 a 112. recorre-se a uma seara mais ampla. Princípios gerais de Direito Público – uma vez que os anteriores restem insuficientes. CTN). CTN). CTN. mas não podem levar a reflexos tributários diretos. CTN). CTN). Observa-se que o termo “práticas reiteradas” é uma expressão jurídica indeterminada. II. I a IV. não há de se falar em termo inicial de vigência. 108. Equidade – é o valor maior da justiça. VI. surtem reflexos jurídicos 30 dias depois de sua publicação. No exercício da capacidade tributária ativa. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA (arts. São os seguintes. os quais serão analisados sucessivamente. Vigoram a partir da data estatuída no seu instrumento de veículo (art. CTN. mas não sobre os efeitos tributários (art. 100. porque haveria infringência à legalidade e à tipicidade tributárias (art. Os princípios de Direito Privado são necessários para definição dos institutos a ele afetos. § 1º. etc. sob pena de arranhar a legalidade aduzida no art. Mas a analogia não pode se prestar à criação de um tributo frente a uma situação assemelhada (art. II. CTN). Ex. Visam uniformizar um regramento comum entre conveniados. III. Práticas reiteradas da Administração – o art. CTN). Os convênios tributários têm o condão de ampliar a incidência do princípio da territorialidade. CTN. mormente no tocante ao poder de polícia (fiscalização). I e III. elas podem ser configuradas como fonte tributária. CTN: I. devendo ser verificado o caso concreto em análise. III. Convênios entre os entes federados – também podem constituir fonte do Direito Tributário (art. 103. 97. prescrição. para criar um campo de intersecção nas diversas legislações tributárias. Analogia – aplicar decisões anteriores a casos semelhantes é o meio integrativo primário da legislação tributária. não poderá o aplicador do direito lançar mão desse critério para conceder dispensa de pagamento da exação (art. 108.: empresário. . segundo uma ordem peremptória. Como são formadas gradativamente. são conceitos de Direito Privado. A renúncia de receita por equidade não é possível. § 2º. 108. 100. de acordo com os incisos do art. Ressalvada estipulação ao reverso. IV. 108. IV. 97.53 Decisões do órgãos julgadores administrativos – podem ser alçadas à eficácia “erga omnes”. 109. desde que exista uma lei posterior que assim disponha (art. No entanto. 100. Princípios gerais de Direito Tributário – preconiza a aplicação de um interpretação sistemática em face dos comandos implícitos na norma tributária. locação. III. CTN) – as questões sobre o preenchimento de lacunas da legislação tributária são resolvidas segundo os critérios do art. decadência.

A obrigação de dar estaria englobada pelo conceito de serviço. esse entendimento pode ser alterado. CTN. É possível citar dois casos: mercado eletrônico interestadual de “download” tributado por ICMS e ISS sobre bens móveis locados. E mais: deve existir conduta que seja verdadeiramente uma prestação de serviço. pode ser analogamente comparado ao princípio penal “in dubio pro reo”. São os casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (arts. “a”. como aquelas apresentadas na disposição do legislador. RE 116121. mas sua utilização neles leva a uma certa concepção. desde que expressos nas Leis Maiores (CF. vez que se liga ao poder de polícia estatal. 83 82 . Pleno. na realidade. CF/88) só alcança alguns impostos (sobre patrimônios. CF/88. É exatamente esta idéia que não pode ser alterada pelo legislador tributário. o alcance e a forma de elementos de Direito Privado. tal qual se define por seu conceito aduzido do Direito Privado: obrigação de fazer por meio da qual alguém deve realizar algo em favor de terceiro. decidiu favoravelmente aos contribuintes. Dessa forma. porquanto não havia previsão nesse sentido na relação de serviços contida na LC 116/03 e. as quais determinavam a incidência de ISS sobre locação de móveis. o qual preconiza a tributação nesse sentido entre os entes federados. não importando se inexiste uma concreta prestação de serviço. a imunidade recíproca (art. porque.. CTN) e de dispensa de exigibilidade de obrigações acessórias83. sendo remunerado pela correspondente prestação. por se tratar de questão muito mais administrativa que tributária. diversa daquela deseja pelo legislador. o Excelso Pretório declarou inconstitucionais todas as leis municipais nesse sentido. devendo ser adaptado à atualidade. dispõe que não se pode alterar o conceito. as procuradorias municipais advogaram que a exação incide sobre serviços. 156. bens e serviços). Nesse sentido.54 O art. CTN. Não é a melhor técnica a ser empregada pelo operador do Direito. Nesse caso. 110. O STF82. No segundo caso. O conceito privado de mercadoria foi criado em uma época que não contemplava a realidade hodierna. porquanto até mesmo o CC disciplina de modo diverso o contrato de locação e de prestação de serviços. não sobre prestação. 112. Nessa última. CE e Lei Orgânica) e definidores ou limitadores de competência tributária. 150. op. se referem à interpretação da norma tributária. tal qual a redação do art. No primeiro caso. CTN). Dadas recentes mudanças na composição do STF. há uma extrema exceção. em votação folgada no Plenário. com apenas um voto de dissidência. III. cit. VI. estar-se-ia diante de uma obrigação de dar. 175 a 182. O primeiro determina uma exegese gramatical sobre as matérias nele vinculadas. devendo ser utilizada em situações específicas. CTN. 111 e 112. Os arts. a locação não estaria aí englobada. porque preconiza a aplicação do STF. O art. É o que leciona Carrazza. 151 a 155-A. não abarcando o conceito de obrigações acessórias e muito menos a idéia de crédito tributário. no rol de lei municipal. seguindo tal orientação. A definição do instituto privado não precisa estar erigido nos referidos diplomas. não se fazendo a incidência da exação sobre a operação em tela. contestou-se a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis. Em contrário senso. Sua interpretação extensiva pode levar à criação hermenêutica de uma outra exceção. os advogados postularam que o artigo não é mercadoria corpórea. de exclusão da exigibilidade tributária (arts.

O parágrafo único do art. Como pressuposto. 118. A LC veio a lúmen pela Carta de 1967. sua função está perfeita no art. CF/88. Conflito de competência tributária entre entes federados. os grandes empresários fizeram “lobby” em sentido contrário para evitar que os pequenos fossem favorecidos. está nesse âmbito. Ex. CTN. CTN) estão contidas no dispositivo. . dispondo sobre as seguintes matérias tributárias. CF/88. b. Lei Complementar – em matéria tributária. No entanto. CF/88). traz três modalidades de interpretação da lei tributária: a literal (art.: redução de tributos. ADCT). e se deve à unicidade no âmbito nacional. é necessário firmar posição de que não cabe MP em matéria veiculada por LC (art. CTN). CTN) e a econômica (art. Dessa feita. interpretação benéfica. Perfil dos tributos – o princípio da tipicidade quanto aos impostos está delineado do art. etc. segundo os pontos previstos nas alíneas: a. 139. formando a base do “Super Simples”. 146. CF/88). 146. a mais benigna ao contribuinte (art. III. Com efeito. incorporando o princípio “non olet”). A tendência foi acolhida pela ordem constitucional de 1988. Ex. Estabelecer normas gerais mais benéficas a empresas de pequeno porte e microempresas (acrescido pela EC 42/03) – o legislador visou fomentar os empresários pequenos. Essas disciplinas estão perfeitamente delineadas na LC geral (CTN). fato gerador e sujeito passivo).Regular a limitação do poder de tributar. 112. CF/88. CTN).: “leasing” interno não é tributado. Tratamento mais benéfico às cooperativas – para estimular o cooperativismo. IV. 146. III. a qual encontra-se atualmente em vigência (LC 123/06). 142. 173. os regimes “Simples” instituídos foram revogados pela LC regulamentadora (art. “a”. CTN). CTN) e decadência (art.dispositivo mais benigno ou favorável ao administrado. 69. 174. II. à guisa de convênios possíveis e existentes. a intenção de facilitar a vida dos destinatários acabou por quase que inviabilizá-la. pois dificultou sua aprovação no CN (LC). nos casos de infração ou de cominação de sanção tributária. crédito tributário (art. dessa forma. lançamento (art. isonomia. Estrutura obrigacional-tributária – as definições de obrigação tributária (art. crescendo e com eles fazendo concorrência. CTN). 146. Seria uma medida legislativa a desburocratizar a tributação e a 84 84 55 O CTN. prescrição (art. 111. 113. c. O art. § 1º. “in fine”. abriu possibilidade para instituição de um sistema único de arrecadação. Estabelecer normas gerais em legislação tributária. configurando real manifestação da maioria dos representantes do povo (art. 62. em razão da necessidade de expressão da vontade majoritária do legislador para quebrar a facilidade de aprovação de um diploma ordinário. CF/88 (base de cálculo. ainda melhor que o atual “Simples”. 94. consideradas mais relevantes pelo constituinte: I.

por tal previsão. A lei estabelece os parâmetros da hipótese de incidência: aspectos subjetivo. CTN). op. Direito Obrigacional Tributário ESTRUTURA DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA (arts. temporal e espacial. fica materializado o fato gerador85. 139 a 141. criando um sistema simplificado de tributação no âmbito de todas as pessoas políticas. Na esteira do que previa o art. A doutrina. A arrecadação será obrigatoriamente centralizada. critica a expressão “fato imponível” assim como fato tributável. erigindo a chamada tipicidade tributária. citado pelo primeiro. A partir da caracterização concreta de todos seus critérios. Obrigação tributária – está inserta no art.O repasse deve ser imediato. 259. é possível aduzir a seguinte explicação: Crédito Tributário (art. domicílio e lugar do pagamento). 113 a 127. uma mera descrição sugestiva de uma futura conduta que pode ou não ocorrer. A sistemática. o legislador pode estabelecer procedimentos diversos em cada local. O diploma não ofende a isonomia quanto às demais empresas.. capitaneada por Jarach. o fato gerador e os aspectos subjetivos – sujeito ativo e sujeito passivo (solidariedade.Previsão de um cadastro único de contribuintes. também citado por Amaro. 146. O sufixo “-ível” dá a idéia de ocorrência futura. bem como da possibilidade de fiscalização compartilhada (poder de polícia). no entanto. visto que as MEE’s e as EPP’s não se encontram no mesmo nível econômico. a serem adaptados à realidade cada ente federado ou região.. cit. e parágrafo único. expressões aduzidas de Aliomar Baleeiro. p.56 otimizar a arrecadação e a fiscalização tributária das ME’s e EPP’s. . quantitativo. 85 . o objeto de crítica advém da doutrina espanhola. a teoria dos planos de tributação: um abstrato – constituído pela hipótese de incidência – e outro concreto – formado pela efetiva ocorrência do fato gerador. Em verdade. “d”. CTN) – engloba a obrigação tributária. 258. 156. CTN). op. que muito o utiliza. inserta na norma.O regime será opcional aos contribuintes. CTN). o legislador complementar criou o “Super Simples”. CTN. 86 Amaro. Ela nasce da Paulo de Barros Carvalho estabelece.Devido às diferenças geográficas e consuetudinárias do país. nesse passo. Essa colocação não coaduna com o conceito de fato gerador. não sendo lícita a retenção. Foi instituído pela LC 123/06. deverá obedecer aos seguintes limites: . Esquematizando. cit. III. com dimensões continentais. CF/88. Exclusão (art. Extinção (art. . Quando se diz que a obrigação tributária tem como traço o fato de ser “ex lege”. 113. compara o conceito de hipótese de incidência com o tipo criminal. capacidade tributária. afigura-se que ela independe da vontade do sujeito passivo. A obrigação tributária nasce da subsunção do fato (pragmático) à norma. quando da ocorrência real do fato imponível86 – termo “a quo” dela. 175. algo que ainda não se sucedeu. de acordo com o espírito colimado pelo constituinte. A hipótese de incidência é uma previsão abstrata. .

porque o preço é devolvido ao alienante original. Seu negócio “inter vivos” pode ser uma compra e venda. Produzido o previsto na lei. o fato gerador ainda não se deu (art. a condição implica em efeitos futuros. CC). “animus” de realizar um outro ato jurídico bilateral. 125. O fato gerador não é a compra e venda. o que torna a defesa fácil. I. configura-se o fato gerador e. quando deixará de fazê-lo (condição resolutiva – art. o fato gerador do ITBI é a mera transmissão de direito de propriedade. consubstanciado condição suspensiva (art. por conseqüência. 127. Não há novo consenso. transmissão é a simples alteração da propriedade. Com efeito. Do contrário. não persistindo nova transação negocial. Ex. Em ambos os casos.: compra e venda pode gerar a obrigação de recolher ICMS ou ITBI. Entre as diversas condutas possíveis para o fato gerador. I e II. Fato gerador condicional (art. enseja mandado de segurança contra o registrador do CRI – exigir o tributo é fato independente da mera translação do imóvel. Ademais. arrematação em hasta. No plano ponteano da eficácia dos fatos jurídicos. o fato gerador do ITCMD é a doação. Acontecendo a condição resolutiva (retrovenda ou reversão). dentre seus elementos acidentais. Já na retrovenda. Do mesmo . mas sim a transmissão escritural “inter vivos” e onerosa. haveria incidência dos respectivos tributos? A jurisprudência ainda não se pacificou. no primeiro. CTN) – exige um estudo prévio sobre o negócio jurídico do Direito Civil. o que torna a exação na “volta” como injusta dentro da ordem jurídico-tributária em sentido amplo. 117. não havendo de se cogitar sua causa. Tanto a reversão quanto a retrovenda são cláusulas acessórias ao negócio principal. No segundo caso. Destarte. porque persiste simples retorno ao “status quo ante”. 121. etc. O que persiste é a conclusão do anterior. Na reversão. não há essa real mostra de potencial financeiro. mesmo no STJ. indo até determinado evento futuro e incerto. como ocorreu o fato gerador. CC). em realidade. ele pode constituir um negócio jurídico. como seu pressuposto. a doação de um carro pode fazer incidir o ITCMD. a retrovenda não implica em uma verdadeira transmissão. permuta. 117. a tributação não terá vez até que a condição seja efetivada – não sendo exigível a obrigação tributária porque. independendo de implementação ou não da condição (art. CTN). a condição pode estar abarcada pelo fato gerador. perfazendo DUAS CORRENTES: Não cabe a exação na “volta” – não persiste novo negócio jurídico – nova doação ou nova venda. 117. a exação incide desde já. Incide o imposto na “volta” – no ITBI. o negócio pode estar produzindo os efeitos desde já. O imposto deve incidir sobre a efetiva demonstração de riqueza. A cobrança no momento do novo registro. como o negócio não produz efeitos. visto que há verdadeiro encerramento da compra e venda anterior. CC). fica perfeita a obrigação tributária. de capacidade econômica objetiva. é necessário aduzir o exemplo clássico da compra e venda com retrovenda (ITBI municipal) e doação com cláusula de reversão (ITCMD estadual). a qual pode ensejar a suspensão da eficácia do negócio – evento futuro incerto (art.57 lei e será devida mesmo sem a colaboração do devedor. II. CTN).

para Ricardo Lobo Torres. Cláusula geral antielisão (art. o dispositivo necessita de regulamentação por meio de lei ordinária. que garante a tributação sobre o fato gerador sob cunho objetivo. Não é acessória no sentido do direito privado. quando as partes queriam praticar outro ato. Atualmente. ao longo de anos. para não recolher o ITBI correspondente. Elemento objetivo (prestação tributária) – além do pagamento em si – o que inclui as penalidades tributárias. As obrigações acessórias. mesmo a despeito de não realizar o objeto da empresa. Muitas condutas não estão expressamente proibidas pelo ordenamento. Interpretação objetiva do fato gerador (princípio do “non olet”) – a interpretação econômica a ser impelida pelo fisco encontra fundamento no próprio art. informando-o acerca do pagamento do tributo). as quais possibilitam a descaracterização do fato gerador – apesar de sua ocorrência de fato.: ao invés de realizar uma compra e venda de um imóvel de alto valor. a doação não deve ser excluída da exação. de seguir o principal (art. é possível reduzir a tributação por meio de práticas de supralegalidade. o que implica em impossibilidade de aplicação. 194. CTN). 167. CC/1916). revelam o exercício do poder de polícia do fisco. Com tal intenção. CTN) – além da própria fraude tributária. mas não de direito – e. não existe tal diploma. CTN. 118. desde que não se possa aproveitá-lo de outra forma. CTN. Ex. a redução da carga tributária. por conseqüência. podendo ser declarado de ofício pelo julgador e suscitado a qualquer momento processual. dissolve-se sociedade. proibir a elisão fiscal. o legislador. estão especificadas no art. sendo certo que o alienante ingressa com o capital imobilizado e o adquirente. É devida mesmo a despeito do não pagamento do tributo. conseguintemente. O dispositivo considerou de tal gravidade o vício social que o inquinou de nulidade. 116. 59. há outras obrigações a serem cumpridas pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária. ambos os casos fundam-se no princípio do “non olet”. parágrafo único. conhecidas como deveres instrumentais. porquanto é de eficácia limitada. como no caso de alíquota zero ou de isenção (art. apesar de legal87. CC. Em verdade. parágrafo único. as partes constituem uma sociedade empresária. A Fazenda Pública tem tentado. com o valor líquido do preço – algum tempo depois. Essas atuações são traduzidas pelo chamado planejamento tributário ou elisão fiscal. mesmo porque possui caráter autônomo. 116. foi acrescido o parágrafo único ao art. por opção política. tido em decorrência da necessária fiscalização a ser realizada. em que pese haver outras prestações a serem implementadas pelo contribuinte: são as obrigações acessórias (assessoram o credor na atividade de tributação. não se admitindo perquirir suas causas. porque o argumento se enfraquece ante o fato gerador (“doação”). dentro do plano da validade. De fato. com menor propriedade. Dessa feita. prática de caráter ilícito. a qual consubstancia atividade flagrantemente ilícita (evasão fiscal). por meio da LC 104/01. porquanto se trata de verdadeira simulação de fato gerador e. I e II. persiste uma relação tributária material ou substancial – de pagar – e outra formal A definição de negócio jurídico simulado e suas conseqüências. Em verdade. 87 .58 modo. considerou o negócio nulo. tal qual já foi comentado em oportunidade anterior. a cessão de riqueza é o principal escopo da relação em pauta. No entanto.

59 ou procedimental – de informar o fisco segundo as estipulações previstas na norma. O art. 113. tal qual a defectiva letra do art. Com efeito. A infringência da norma procedimental (obrigação não pecuniária). Dessa forma. A sanção pecuniária do poder de polícia administrativo visa inibir a frustração da fiscalização. 113. V. as quais dependem de potencial para exarar leis em sentido estrito. Aliás. a serem escolhidas pelo legislador. decorrente do seu descumprimento (art. A obrigação acessória instrumentaliza a obrigação tributária principal. CTN). No entanto. mas a obrigação principal. CTN). porquanto não há “conversão”. elas poderão deter o dever-poder de fiscalizar e de arrecadar somente. 88 . prevista na legislação “lato sensu”88. as delineia. 113. Aspecto subjetivo (sujeitos ativo e passivo) – sujeito ativo tributário é aquele que detém a capacidade tributária ativa. a segunda. Nesse caso. mas a capacidade tributária ativa sim. sendo um conceito mais amplo que o tributo. portanto. costumes administrativos. fato esse que a impede de operar as duas primeiras ações – instituir e legislar –. defere-lhe a capacidade de instituir o tributo. de sobre ele legislar. § 3º. CTN) –. “Legislação tributária” compreende toda e qualquer norma que diga respeito a tributo: leis. CTN. não sendo necessário tipificar criminalmente a conduta. implicará em um pagamento duplo: da obrigação principal. a penalidade. A criminalização da atuação do contribuinte somente se dará em situações mais graves. 100. podendo incluir o tributo e a multa. podendo ou não ser dispensada pela autoridade fiscal. a obrigação acessória ainda persiste. e da obrigação acessória não cumprida. 97. segundo as necessidades de cada ente. Mas essa competência pode ser delegada. 115. decretos e normas complementares (atos normativos administrativos. Os procedimentos são determinados por norma infralegal – a qual é englobada pelo conceito de legislação tributária (art. I a IV. a obrigação principal é de pagar. justamente para imprimir caráter coercitivo à obrigação procedimental (positiva ou negativa). O crédito tributário engloba ambas as categorias. determina que o não cumprimento dessa leva ao nascimento de uma obrigação principal (sempre positiva de pagamento). CTN). a imposição da multa administrativa atinge o objetivo de desencorajar o descumprimento da obrigação acessória. fornecendo subsídios para que a autoridade fiscal exerça sua cobrança fiscalizatória. “caput”. convertida em sanção pecuniária. Obviamente que essa nova figura não terá Poder Legislativo. § 3º. decisões administrativas e convênios – art. a uma pessoa autônoma. advindo necessariamente de lei. englobando um rol mais amplo que dos entes com competência tributária (U-E-DF-M). Dentro de um controle de proporcionalidade e de razoabilidade. Já a A obrigação acessória será estabelecida por fontes secundárias. § 3º. no seu § 2º. só é estipulada por lei. tratados internacionais. CTN. § 1º. CTN). o art. a competência tributária não é delegável. esses últimos recebem parcela do poder de tributar. ainda que administrativa. 113. 113. CTN. em parte. deverá ser prevista em lei em sentido estrito (art. caracterizando a capacidade tributária ativa. Dessa feita. compreendendo prestação positiva ou negativa por parte do sujeito passivo (art. necessariamente não envolvendo entrega de dinheiro. a qual não foi propriamente adimplida. A repartição do poder de tributar (competência). A primeira está descrita no art. Em suma. 96. CTN. deferido pela Constituição ao Estado brasileiro (República Federativa do Brasil). de fiscalizá-lo e de arrecadá-lo (capacidade tributária plena).

Pergunta: inicialmente. mas outras paralelas. Foi exatamente o que ocorreu com o Estado de Tocantins. dada a “causa petendi” do crédito envolvido. Nesse passo. 90 Cf. ADCT). salvo disposição legal em contrário. CC –. 13. por conseqüência. os princípio da anterioridade e da irretroatividade tributária (art. “caput”. ferindo a isonomia e a ordem tributária constitucional. O STF referendou o posicionamento firmado pelo STJ na ADIn 3026. a Fazenda do Município conseguiu satisfazer seu débito mediante penhora de bens e conseqüente hasta. Havendo desmembramento territorial. O particular será credor do Estado. o prazo prescricional tributário de cinco anos (art. Tributo não nasce do erro de pagamento. a fiscalização pelo TCU. Na execução fiscal. consideram-se dois sujeitos passivos tributários. Persistirá um crédito do indivíduo para com a Fazenda. por sub-rogação. CNM. 119. mas não tributário. porquanto a obrigação a ser cumprida pela pessoa pública nunca terá a natureza de tributo. Repetição de indébito – opera-se o mesmo raciocínio do empréstimo compulsório. como a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB – Lei 11457/06) e os conselhos de profissões regulamentadas (OAB89. mas nunca de fundo fiscal. terá que ser proposta pelo executado “A” outra ação regressiva em face do “B”. o novo ente tributário utilizará a legislação daquele do qual se desprendeu.. A decisão é muito mais política que jurídica. O indivíduo jamais será sujeito ativo tributário. Considerando que não cabe o chamamento ao processo do outro condomínio pelo executado. não se sub-roga em uma relação tributária. de cunho financeiro. pois estipula uma exceção onde o constituinte não estabeleceu. . A capacidade de ser sujeito ativo tributário abarca não só as entidades fiscais. fiscalizar e administrar tributos.60 parafiscalidade é aptidão para cobrar. 174. à existência do Estado Democrático de Direito. CF/88. para ser ressarcido de sua quota parte. porquanto. O inadimplemento do IPTU faz o fisco municipal insurgir em face de somente um deles. essencial à administração da justiça e. caso não se consiga fazer com que o outro executado “B” seja chamado.). em tese. 120. III. essa já se encontra esgotada. para quem o demandante em restituição de empréstimo compulsório e em repetição de indébito passa a figurar como autêntico credor tributário. conferiu a sujeição ativa da obrigação tributária somente aos entes públicos políticos – U-E-DF-M – porque se referiu expressamente à “competência”. II e XXI. Argumentou-se que se trata de instituição “suis generis”. quando de sua nova legislação. asseverando que o rol do art. originado a partir do Estado de Goiás (art. CTN). como esse poderia obter o ressarcimento da cota parte a que lhe assiste o direito? Teria de ajuizar ação cognitiva ordinária ou caberia alguma medida judicial mais célere?Resposta: em termos práticos. 150. Posteriormente. “caput”. mas sim da lei (princípio da legalidade e da tipicidade fechada). será substituída a antiga. em que pese disposição cristalina do art. em sentido contrário. é meramente sugestivo. ao exigir a restituição dos valores já adimplidos (a título de exação). O indébito não terá natureza de tributo90. 205. CF/88). 89 A Primeira Seção de Direito Público do STJ firmou jurisprudência de que a contribuição para OAB não tem natureza tributária. pecou em sua redação. CTN. CTN) – aplicando-se o decurso de 10 anos do art. “caput”. No entanto. etc. O art. sendo instituto mais profundo que a capacidade tributária ativa. CTN. Empréstimo compulsório – o particular. não incide o modo de cobrança pela LEF (Lei 6830/80). cit. 149. para não permitir a solução de continuidade (art. como condôminos de um imóvel. 37. 119. denominadas parafiscais. op. não “numerus clausus”. CF/88) e a obrigatoriedade de concurso público ou de licitação nas contratações (art. a doutrina corrige o erro do legislador. Machado. Aliás.

§ 7º. em homenagem à garantia do credor. o acordo entre os realizadores do empreendimento deverá determinar. também denominado “schuld” ou “debitum”. analisa-se quem poderá ser devedor da obrigação tributária. 150. não da vontade das partes. só é possível a solidariedade passiva.61 Na sujeição passiva. qual a Fazenda que perceberá os valores da exação. parágrafo único. Pode ser qualquer pessoa. O nome técnico do sujeito passivo é dado pelo art. inclusive o próprio Estado. O contribuinte é aquele que detém o débito da obrigação. transfere-lhe a responsabilidade de realizar o recolhimento do tributo. como o espólio. ilimitada e alternativa pelo débito. o isento ou o agraciado com alíquota zero (art. 194. a obrigação acessório será mais bem delineada no tópico apartado sobre Administração Tributária. II. apesar de haver legitimidade para ambas exigirem a satisfação do crédito no que toca sua parte. 150. mas a lei. Ele não tem relação jurídico-tributária direta com o sujeito ativo. Sem perder de vista a linha de raciocínio. a doutrina estabelece uma exceção a tal ditame: no caso da contribuição de melhoria gerada por obra efetivada por convênio entes públicos. Solidariedade – é a possibilidade de uma pluralidade subjetiva na relação jurídica material. mas deverá arcar com o pagamento do tributo por expressa disposição legal (arts. em situações bastante específicas. contribuições e empréstimos compulsórios –. CF/88. parágrafo único. detendo a responsabilidade pela obrigação tributária (“haftung” ou “obligatio”). a massa falida e as sociedades de fato (art. Como se trata de matéria referente à fiscalização. No âmbito tributário. CTN). terceiro alheio à relação tributária. no seu instrumento. VI. O STF só alarga a incidência da imunidade recíproca na análise “in casu”. bem como impostos como de importação. . No entanto. ao contrário da seara civil. Quanto às obrigações acessórias. I a III. sendo denominado sujeito passivo direto. rendas ou serviços entre os entes públicos (art. em detrimento da competência indelegável dada pela repartição constitucional do poder de tributar. ainda que envolva hipótese de não-incidência do fato gerador. o sujeito passivo poderá ser. 126. a imunidade recíproca impede somente a cobrança de impostos sobre patrimônio. CTN: Contribuinte – é aquele que assume responsabilidade em decorrência de um débito (prática de um fato gerador) por ele adquirido. e 121. além do contribuinte e do responsável. CF/88). observa-se que o passivo da citado dever tributário pode ser mesmo o imune. com responsabilidade concomitante. Responsável – não pratica o fato gerador (débito). 121. parágrafo único. não abrangendo as demais espécies tributárias – taxas. natural ou ordinário. No entanto. não se restringindo ao particular. “in fine”. CTN). Há de observar-se que essa relação obrigacional decorre de lei. O instituto da responsabilidade tributária leva ao fenômeno da substituição. “a”. CF/88). Nesse passo. O responsável configura um substituto tributário ou sujeito passivo indireto. O caráter de sujeito passivo tributário inclusive independe de personalidade jurídica.

Os efeitos da solidariedade podem se dar (art. extingue-se a obrigação tributária principal. Obviamente. 123. 123 e 124. III. ou seja. os quais merecem detenção mais apurada. não se perfazendo e se sujeitando às manifestações volitivas de qualquer um que seja. sendo o benefício realizado “intuito personae”. excluindo-se as sociedades de capitais. só é excepcionado se houver comando legal em contrário. a relação obrigacional tributária nasce da lei. CTN). sendo favorável ou desfavorável a todos. 134. os demais serão aproveitados. quer seja em favor do fisco ou dos devedores solidários. A rigor. O argumento não é oponível ao fisco. e 135. aproveitando todos os devedores solidários. o sócio atua com omissão ou negligência na liquidação de sociedade de pessoas (incluindo as sociedades de fato). O art. A assertiva decorre do princípio da inoponibilidade das convenções particulares (art. sua interrupção ou sua suspensão também assim se opera. Nesse segundo caso. A obrigação tributária advém de lei e não da vontade das partes. De fato. A integralidade do tributo é devida por todos. No primeiro. permanecendo a dívida em relação aos demais. VII. I a III. independentemente da cota-parte de cada qual. o art. No entanto. Isso significa que a solidariedade leva em conta a dívida. a responsabilidade ora enunciada só abrange as multas moratórias. não aquelas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (art.Na prescrição – será sempre considerada em relação à dívida.Nos benefícios fiscais (isenção. porque o fisco não pode se sujeitar às convenções particulares de negócios jurídicos (arts. CTN).No pagamento – uma vez que um dos devedores solidários realize o adimplemento. CTN). VII. 134. II. na qual se pressupõe um benefício de ordem. parágrafo único. como no caso clássico da cobrança de IPTU em face do locador. Exemplo clássico de solidariedade tributária é a cobrança de IPTU sobre imóvel cuja propriedade é tida em condomínio. parágrafo único. levando em conta aspectos pessoais do sujeito passivo. Os arts. desenha uma responsabilidade subsidiária. deverá ser abatida a cota-parte do beneficiário. o beneficiário deverá aduzir requerimento ao fisco para obter a isenção. remissão e anistia) – se o benefício for dado em relação à dívida. de alguns ou de todos. somente os devedores assim abarcados serão alcançados. Por fim. trazem dois casos de responsabilidade solidária dentro do CTN. podendo esse cobrar integralmente a dívida de qualquer dos devedores solidários. em que pese haver previsão contratual de adimplemento da exação pelo locatário. CTN. CTN. Ou seja. 134. III. . CTN. o fisco poderá cobrar de um. Cada um dos condôminos é devedor solidário da exação. objetivamente. 123. 125. Os sócios que assim agem respondem solidariamente com a sociedade somente se essa não cumprir as obrigações tributárias devidas.62 A solidariedade tributária não implica em benefício de ordem. CTN): I.

não interessa o tipo societário adotado. CC. mormente ligada ao recolhimento de tributo. sem praticar o fato gerador. Responsabilidade Tributária Responsável tributário é o chamado sujeito passivo indireto da relação tributária. o que exclui sua responsabilidade solidária (pessoal) no caso de mero não recolhimento de tributo pela ausência de caixa para tal. o sócio responde solidariamente como resultado da prática de atos dolosos. O art. “caput”. culpa ou má-fé pelo simples nãorecolhimento de tributos (art. como bem vem decidindo o STJ. Esse entendimento decorre da presunção relativa de liquidez e certeza da CDA (art. Nota-se que a obrigação tributária envolvida é a principal. LC 123/06). Trata-se de previsão legal de desconsideração da pessoa jurídica. na linha do art. CTN. O lapso temporal de referência é a época do fato gerador. Os sócios. e 128. Observa-se que é uma responsabilidade integral. 78. diversa do não pagamento da exação. Se o sócio constar da CDA como devedor. não envolvendo propriamente sanção pecuniária nem obrigação acessória. 204. sócios e administradores. Características gerais – em qualquer das duas categorias. Em que pese o codex já trazer previsão da estrita legalidade. III. excluindose a pessoa jurídica do correspondente. a qual integrou ao Texto Maior o art. Será medida célere. 78.O terceiro responsável. é possível destacar três traços marcantes: . A figura em análise pode ser classificada como responsável por transferência (sucessão tributária) ou por substituição. a ser efetivada em até 60 dias (art.Expressa previsão legal – harmoniza-se com inoponibilidade das convenções particulares ao fisco (art. CTN). II. a responsabilidade ganhou ares constitucionais pela pena da EC 3/93. LC 123/06). 123. Nessa hipótese. O requisito subjetivo só será exigido quanto à outra irregularidade. não sendo necessária dolo. 135. deve haver atuação deliberada do sócio-administrador. a desativação da empresa não obsta futura cobrança de débito tributário. 78. Somente a lei em sentido estrito pode determinar a relação tributária com responsabilidade (arts. para responder nos moldes do art. deverá recolher o tributo. 150. segundo o STJ. porquanto os infratores responderão pessoalmente perante terceiros. ao contrato social ou ao estatuto. parágrafo único. CTN). isto é. 121. 50. mesmo que a pessoa já não mais esteja ligada à empresa na época da baixa. com excesso de poder ou com infração à lei. permite que as MEE’s e EPP’s podem dar baixa de suas atividades mesmo sem comprovação de prova de quitação de tributos. § 7º. Entretanto. § 1º. CTN). “in fine”.63 No segundo. § 3º. . aquele que. entendendo-se solidariamente responsáveis os titulares. Para que se caracterize infração a normas. deverão ter poder de gerência na empresa. A demonstração pelo sócio deverá ser feita por meio de embargos à execução. qualificado pela lei como sujeito passivo. CF/88. o ônus da prova da exclusão da responsabilidade solidária passa a ser dele. LC 123/06. deve necessariamente ter proximidade com o causador do débito pelo qual .

uma garantia pró-credor – a responsabilidade foi erigida fundamentalmente para favorecer a Fazenda Pública. na substituição. na sua essência. em que pese persistir um ambiente natural nessas exações. Essa divisão decorre diretamente da lei. para não permitir que o responsável arque com débito de quem nunca “conheceu” ou se relacionou. havendo débito de IPTU atrasado. Essa característica decorre.O instituto representa. Esse traço não é exclusivo dos tributos não vinculados. as exações correspondentes. no ato. 2006. . não havendo de se cogitar qualquer fato superveniente a determinar a quebra entre débito e responsabilidade. como é o caso da retenção na fonte pagadora de percentagem da remuneração do empregado.. ou seja. Já na substituição. p. 307).64 estará respondendo – deve haver uma vinculação entre responsável e contribuinte. Ex. “(. como a CPMF. a obrigação tributária já nasce com seu pólo passivo ocupado por um substituto legal tributário (AMARO. CF/88). . Em que pese intensos debates hermenêuticos. possui vários exemplos. por ocorrência de um fato superveniente. no caso da instituição financeira retê-la já na conta do correntista. porquanto esse sucede aquele. a obrigação tributária é dividida já na sua nascente. Responsabilidade por transferência versus responsabilidade por substituição – havendo débito e responsabilidade reunidos em uma só pessoa. da segurança jurídica. Na esteira. a responsabilidade pelo seu pagamento é transferida do alienante ao adquirente. a outrem (substituto tributário).). sendo deferido o débito a um (substituído tributário) e a responsabilidade. Responsabilidade por substituição – substituição tributária não é fenômeno exclusivo do IPI e do ICMS. o instituto da responsabilidade colima proteção ao fisco.. Visa evitar o inadimplemento da obrigação tributária e facilitar administrativamente a arrecadação. 195. inclusive o IR e a contribuição social consectária (art. Da mesma forma. Amaro (2006. ela já recolhe. III. p. o empregador da construção civil deve realizar o recolhimento das contribuições previdenciárias dos seus obreiros. por exemplo. quando no exercício do poder de tributar. 304) indica que as razões que determinam a incidência da responsabilidade tributária pelo legislador vão desde a conveniência até a necessidade. a lei desde logo põe o ‘terceiro’ no lugar da pessoa que naturalmente seria definível como contribuinte.: na alienação imobiliária (fato superveniente). sobretudo. O IR. mesmo porque se trata de quebra da regra ordinária sobre débito e responsabilidade tributários. sendo certo que o liame há de ser econômico. quando a casa lotérica vai pagar o prêmio do concurso de prognóstico. porque existe em outros. a responsabilidade é deslocada (transferida) para um terceiro. A doutrina costuma falar de uma “participação indireta” no fato gerador.

constituindo o que a doutrina e a jurisprudência costumam designar como contribuinte de fato. pode ser estatuída. utiliza-se a técnica da não cumulação. Alguns argumentam que há um ato jurídico perfeito. O fisco teria dado cumprimento à lei.65 Mas a tributação de consumo e as vendas em cadeia são a coqueluche da substituição tributária. por presunção ou crédito e fato gerador presumidos). As cadeias a serem atingidas pela redução da tabela são aquelas não iniciadas. o tributo incide sobre o valor total estabelecido pelo componente da cadeia. contudo. o que privilegia a segurança jurídica. englobando exatamente os mencionados IPI e ICMS. Com efeito. Cada intermediário na cadeia pagará o tributo dentro do valor por ele agregado. escolhe um dos componentes da cadeia de consumo para fazer o recolhimento integral do tributo. A tributação dessa cadeia de consumo transcende a simples facilidade da tributação. 92 Ocorrendo desvalorização de modo a depreciar os valores da tabela normativa. regressiva ou diferimento fiscal)91. Sistemas de não cumulatividade – o regime de tributações individuais provavelmente levaria a um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. risco de inadimplemento e ônus à máquina administrativotributária. Min. outros advogam que incide um enriquecimento sem causa. trabalho. No contexto em tela. utilizada pelo Brasil. a Administração Fiscal. apesar de não haver pronunciamento pacífico do STF. São exemplos de produtos englobados pela substituição regressiva o leite cru (laticínios). aduzida com base no art. fazendo uma compensação em relação ao valor anteriormente pago. Nessa última.2007. a substituição não onera o substituto e muito menos privilegia o substituído. inclusive no STJ. dependendo da conveniência e da facilidade em realizar a fiscalização e o recolhimento. há uma antecipação na tributação (substituição para frente. rel. o Estado criou a responsabilidade por substituição. não há uniformidade quanto ao entendimento. É uma tese a favor da Fazenda. DJU 17. Para evitar tal ocorrência. a sucata (reciclagem e siderurgia) e animais de abate e corte (açougue). um retardamento (substituição para trás. uma postergação. o fisco realiza a cobrança da diferença. tal qual estabelecido na legislação tributária. sem. haveria pesos diversos para a mesma situação. Na anterior. CTN. É o entendimento prevalente nos tribunais. Ora o fisco seleciona o primeiro componente. No entanto. Informativo do STF nº 469). sendo calculado sobre o valor de quem lhe vendeu. Acontecendo situação contrária. não havendo de se persistir um direito à restituição dentro dessas. além da alíquota. Gilmar Mendes. sendo irrazoável tal posição. unidade de automóvel. 146. como é o caso da isenção e da imunidade. Não há também que se invocar a retroatividade da lei mais benéfica.8. porque não se trata de sanção. o qual estatui uma forma de arbitramento – quilo da carne. já sendo realizada a tributação pelo modelo de substituição para trás. se a pauta previr um aumento do produto ou serviço. com suas alíquotas. da mesma forma caso o substituído final vendesse o produto por um preço maior que o estipulado pela pauta fiscal. porquanto não se trata de reserva de lei complementar ou constitucional. 91 . porque esse repassa os valores recolhidos nos valores de venda do produto ou serviço. Para eliminar custo. ora destaca o último. no segundo. a cana em caule (usina de açúcar e álcool). a exação. a qual pode ser aduzida de duas formas: pela compensação de débito e crédito (perfilhado pela legislação doméstica) e pelo valor agregado. O diferimento tributário. segundo entende o STF (ADIn 2056/MS. o consumidor final arcará com a carga tributária. progressiva. Em ambas. sendo que o primeiro só incidirá em produtos industrializados. respectivamente. só incide sobre os valores efetivamente agregados (base de cálculo). pacote de cigarro. Ao revés. No primeiro caso. porque seria faticamente impossível fazê-lo de todos os intermediários. No esquema da substituição. não cabendo restituição ao substituído final. submeter o responsável a qualquer exação a maior. por norma regional ou local. no caso de exação estadual ou municipal. a base de cálculo do produto ou serviço deve ser monetariamente estabelecido pelo legislador (pauta fiscal)92.

Vamos ao delineamento dessas considerações. mesmo porque. Regime da substituição progressiva e constitucionalidade – a matéria foi pacificada pelo STF. vindo a sentir diretamente os efeitos da tributação a maior pela inocorrência do fato gerador. a gravame financeiro da Administração e à potencial afetação ao Judiciário. Porém. além de constitucionalizar a presunção do crédito e do fato gerador. a sonegação fica eficazmente mitigada. Os produtos englobados pelo regime da substituição presumida sugerem a impossibilidade concreta de fiscalização e de recolhimento do tributo. e 170. porque a base de cálculo já está estipulada abstratamente pela lei. porque há um repasse na nota de compra. A substituição tributária é um sistema inteligente. Nessa ponderação de valores.66 etc. porque a receita tributária é antecipada em relação ao fato gerador ocorrido. 1º. § 7º. supõe-se que o último elo da cadeia de consumo vende o bem por valor a menor que a pauta fiscal. da máquina administrativa e dos serviços públicos. garantiu a restituição dos valores recolhidos. a qual acrescentou o art. No entanto. sendo posteriormente coadunado pelo legislador da EC 3/93. O habitat natural desses bens se vincula a uma tributação impossível. Isso não significa a operação em valores a menor na ponta da cadeia. vindo a abalar a atividade econômica do empresário e o equilíbrio de mercado. esse traço marcante é palco de discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do instituto. Segundo o STF. Dessa feita. Entretanto. necessária a exprimir o real valor da riqueza tributada. porque cobrara tributação sobre algo que nem mesmo se sucedeu. promulgada a EC 3/93. “caput”. antes mesmo da ocorrência do fato gerador. 150. CF/88. mormente no tocante à modalidade de substituição para frente. a qual não legitima a restituição. tornando a sonegação francamente presente. Aparentemente. o Estado estaria se enriquecendo ilicitamente. é possível atualizar a tabela fiscal por ato do Executivo (decreto). à estimulação ao crime de sonegação. caso não ocorra o fato gerador. de acordo com a LC 87/96 (Lei Kandir). Além disso. levando em conta que o fato gerador nem mesmo poderia ocorrer. o direito de restituição compete ao substituído. a extinção levaria à insegurança jurídica na arrecadação. Nesse passo. Por liberalidade. Com efeito. garantiu-se constitucionalidade ao instituto. Restituição – a referida emenda. porque o produto ou serviço poderia só ser repassado muito tempo depois. Mais: a substituição para frente tende a tolher e limitar a livre iniciativa. o Estado estaria abrindo mão de receita. A flexibilização da pauta fiscal se destina justamente à agilidade na atualização. Na esteira. porque o tributo é seu principal sustentáculo financeiro. por diminuir os riscos ao credor tributário e por minimizar os custos de fiscalização e de recolhimento. CF/88. foram erigidos argumentos relevantes a favor do instituto. o qual seria inundado de executivos fiscais a maior do que a já exaurida e cambaleante capacidade de prestação jurisdicional. tutelada pelo arts. a exação já foi recolhida . IV. A questão se vincula a antecipação do crédito tributário. os empresários estariam onerados. o STF optou pela decisão política. mediante outras condições.

III. entendimento que tende a ser revertido nas seguintes (Informativo do STF nº 418). 94 Os principais setores atingidos pela substituição para frente são: automóveis. ADIn 1851-AL versus ADIn’s 2675-SP e 2777-SP. bebidas. porque se estaria liberando o substituído final para praticar qualquer preço na venda na ponta da cadeia. porque a lei autoriza a tributar a alíquota em cima da riqueza efetivamente circulada (agregada). O substituído advoga pela real demonstração de riqueza. prática vedada pelo art. fazendo-se argüir: é cabível a restituição no regime da substituição tributária para frente. “a”. que foi quem efetivamente pagou. montante concretamente agregado. Do contrário. a um depósito. A riqueza revelada corresponde àquela existente. Ao aceitar o preço imposto pelo contribuinte na nota de venda. mesmo que o substituído final receba a menor pelo bem.Pela não restituição – preliminarmente. 146. A tributação de uma riqueza não efetivamente demonstrada é um confisco.Pela restituição – o direito a pleitear a restituição é do substituído final. recaindo-se sobre o valor da liberalidade (tributado e não agregado).: a base de Cf. 93 . . sendo determinado pelo preço que o substituído final praticasse94. A riqueza efetivamente circulada é aquela estabelecida na pauta fiscal. principalmente. a quem compete o direito de restituição? Ao substituto. a incidir sobre um montante maior que o apresentado pela capacidade contributiva do substituído final. não dependendo de qual o preço determinado pelo vendedor. porque o valor inicialmente recolhido pelo substituto corresponderia. 150.67 sobre o montante cheio. havendo uma diferença em favor do fisco. Preço e valor são conceitos diversos. os postulantes da tese anterior visam. O segundo fulcro liga-se ao confisco. A riqueza apresentada pela operação mercantil não é aquela que corresponde à presunção erigida pela tributação. IV. o qual deveria ser integralmente devolvido ao final da cadeia. porque é a lei que fixa a base de cálculo e a alíquota (art. produtos de limpeza e fumo. O argumento se funda na agregação concreta e não legislativa. Ex. O primeiro fundamento se reveste no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. o (último) substituído pleiteará a restituição do diferencial entre o valor tributado e o preço da venda efetiva. CF/88. na primeira. CF/88). não devendo o fisco se assentar sobre o efetivamente praticado. quando o substituído final promove a redução da base de cálculo do imposto por liberalidade? Se não. O acatamento do postulado levaria ao sepultamento da substituição por presunção. em tese. O terceiro fundamento se vale da violação da efetiva capacidade contributiva. a sonegação fiscal. a votação no pleno foi de 6 votos a 5 pelo não ressarcimento. ou ao substituído? O eventual direito a ressarcimento recairia sobre que montante? Qual a posição atual do STF sobre o questionamento93? Formaram-se duas correntes: . sobre a mudança jurisprudencial. não há causa para arrecadação. por quê? Se sim. há grande pressão para alteração legislativa e. a Administração tributária estaria violando o princípio da tipicidade. não podendo o Estado abrir mão dela. em realidade. com bastante força política. Nesse sentido. Todos os segmentos possuem grande lobby legislativo. Dessa feita. Essa riqueza é direito do administrado na prestação estatal. sendo certo que. medicamentos. Base de cálculo é valor e não preço.

sob pena de abuso de direito.Multa – argúi-se se a multa acompanha o tributo na sucessão. RMS 13. julgado em 3/5/2007. A aceitação abalaria a segurança jurídica. II. Informativo do STJ nº 319. DJ 4/8/2003. REsp 552. o STJ seguiu a orientação96. Ocorre que o art. ADIn 1851/AL. o custo da execução geralmente é maior que o próprio valor da sanção. Min. se houvesse um subfaturamento. gerarse-ia a incerteza: o valor arrecadado pode ser utilizado? Deixaria de ser receita e passaria a ser entrada provisória (componente do Anexo de Riscos Fiscais – art. AgRg no Ag 455. . Daí. DJ 28/4/2003. Quando esse se realiza a valores menores. utiliza a expressão “caso não se realize o fato presumido”. não devendo transcendê-lo (princípio da personalização da sanção). LC 101/00). São os fatos supervenientes que determinarão a transferência do débito do contribuinte originário (sucedido) a um terceiro (sucessor). A separação da cobrança implica na existência de duas execuções. quem faz liberalidade deve suportar seus efeitos. João Otávio de Noronha. Após o posicionamento do Supremo. levando à crença de que as operações a menor não estariam contempladas pelo constituinte. REsp 245. 4º. principalmente nas multas menores. Se esse intentar o feito dessa maneira. A otimização da arrecadação. Além disso. com os fatores já supra mencionados. Quanto ao primeiro. DJ 11/9/2000. Pode ser visualizada segundo alguns aspectos: . em um momento futuro (venda final). o É devida a multa – podem ser arrolados dois argumentos: um político e outro jurídico. englobando o tributo e a multa. não importando qual o preço estipulado pelos negociantes. É a tese pacificamente aceita pelo STJ. STJ. O direito dos terceiros de boa-fé – incluindo o fisco – não pode ser prejudicado em face da atuação do particular.123-GO. sendo esse transferido integralmente ao sucessor. mas sim que ela não poderá invadir a seara dos direitos de outrem – do Estado –. § 3º. § 7º. 2ª T. DJ 10/3/2003. REsp 469. gerando uma instabilidade para o Estado quanto ao montante arrecadado na cobrança feita ao substituto. LRF). porque se trataria de irresponsabilidade fiscal (art. a Fazenda teria que devolver o montante. 150. o Judiciário 95 96 STF. REsp 436. Não se está tolhendo a autonomia privada do alienante do bem.019-SP. § 3º. Ademais.915-MG. 14. não há direito à restituição95. CF/88. a execução é do crédito tributário. estaria prejudicada. as quais apresentam um custo dobrado ao Estado. A responsabilidade do infrator é pessoal. Responsabilidade por transferência (sucessão tributária) – possui duas vertentes: “inter vivos” e “causa mortis”.386-SP. rel.694-MG.506-PB. O STF só aceita a restituição na substituição “para frente” quando efetivamente não há o fato gerador. posto que.68 cálculo do ITBI é o valor do imóvel (previsto em tabela estabelecida em lei). Formaram-se duas correntes: o Não é devida a multa – ninguém pode ser penalizado por conduta que não praticou. DJ 24/6/2002. A procuradoria estatal não pode realizar a cobrança.

Eduardo Sabbag coloca a responsabilidade por transferência dividida em três categorias: por solidariedade. por substituição e por solidariedade. “caput”. Na esteira. 131. Todavia. gerais e setoriais. Os segundos são aplicados a todas as matérias jurídicas. Quanto ao segundo. O art.613-SP. não sendo possível sua extensão a outros. Persiste uma infração tributária e não um crime tributário. Optou pela segunda linha. CTN. o direito penal tributário (atribuição punitiva do delito) não há de ser confundido com o direito tributário “penal” (atribuição fiscal-administrativa). CTN. e a solidariedade ela pode estar tanto na transferência quanto na substituição. Qual classificação mais de acordo com o posicionamento das bancas de concurso? Resposta: no momento do concurso é importante você citar estes três institutos. essa última foi estudada em tópico separado. refere-se a “crédito tributário” (tributos mais multas). asseverando que o rol do art. No entanto. trata da transferência empresarial. Somente o art. com exclusividade. por incorporação. A multa é sanção administrativa e não criminal (pena). em seu “Interpretação e Aplicação da Constituição”. por fusão. 131. I. dos sucessores e de terceiros. restrito à seara punitiva do delito fiscal. trata da transferência “inter vivos” imobiliária. Assim. CTN. já tão abarrotado pelas demandas ajuizadas. seja a responsabilidade por transferência por substituição. a classificação utilizada por alguns doutrinadores configura. desde que sócio remanescente continue na atividade empresarial (art. elementares à sua própria existência. cuidou da operação de alienação de estabelecimento comercial (trespasse). 132. CTN). melhor 97 Luis Roberto Barroso. CTN. por cisão ou mesmo por extinção da empresa. À luz exclusivamente do texto frio da lei. 132. é apenas sugestivo.69 estaria ainda mais onerado em sua prestação jurisdicional. enquanto os demais dispositivos mencionam apenas “tributos”. II e III. a linguagem imprópria do legislador dá interpretação à incidência da multa somente quanto à primeira espécie de transferência. Esse também tem sido o entendimento do STF98. Pergunta: Luciano Amaro. O STJ poderia optar por uma interpretação restritiva. trata da transferência “causa mortis”. 130. RTJ 78/965. a corte poderia uniformizar o entendimento. 130. O princípio da pessoalidade da pena na pessoa do criminoso é ditame setorial97. a solidariedade foi analisada como instituto autônomo em relação à responsabilidade. essas seriam as disposições normativas. O art. O modo de exposição da matéria do professor Amaro não encontra guarida na doutrina majoritária? Em posição análoga. parágrafo único. divide os princípios em três categorias: fundamentais. O art. Do contrário. “caput”. assentando suas colocações em Rubens Gomes de Souza. . CTN. Os últimos somente se verificam em determinados compartimentos jurídicos. RE 83. Em suma. 133. Os primeiros são os basilares do Estado. o art. na verdade. aplicando-se somente a sucessão do crédito tributário nas transferências imobiliárias “inter vivos”. com conotações diversas em cada área específica. 98 STF. coloca a responsabilidade tributária divida em três espécies: por transferência. não sendo estendido à seara administrativo-tributário (poder de arrecadar e de polícia). durante as aulas do curso.

o valor não poderá ser cobrado posteriormente do arrematante. preceituou que seu rol de disposições é simplesmente sugestivo. VI. em concurso público. Essa idéia tem por fulcro uma aplicação. Pendendo exação sobre a coisa. entendeu a corte que as multas. CTN. a qual possui fé pública. se a autoridade verifica que houve erro na emissão da certidão. por analogia. seriam transferidas ao sucessor também no caso dos arts. Entretanto. 131 e 132. Mesmo sendo uma execução particular. 130. antes de ser repassado o valor ao exeqüente. a regra é de obrigação “propter rem”. Posteriormente. . obrigação tributária). 132. Entendo mais coerente como foi exposto na aula pela professora Tathiane estudar a solidariedade em tópico separado. a Fazenda Pública será intimada para se manifestar. CTN. logo posteriormente à hasta. no momento da hasta. no ato de . Luciano Amaro e Eduardo Sabbag afirmam que a responsabilidade por transferência não se estende a multas. CTN. CTN). Pergunta: o STJ. serão transferidas ao sucessor. acusando outros débitos não indicados. Essa situação se defere à segurança jurídica.Transmissão “inter vivos” de imóvel (IPTU) – as dívidas tributárias. em tese. pelos atos por ou perante eles praticados. afinal. Nesse raciocínio. em sentido contrário. Qual posição. CTN). dispositivo pelo qual tabeliães e cartorários devem responder por créditos tributários. mesmo porque. devendo indicar os valores dos tributos a incidir. mormente quando se trata de operações societárias (art. o fisco percebe seus créditos antes do repasse do numerário ao demandante (art. A Fazenda Pública só poderá cobrar do alienante. Assim. em homenagem à segurança jurídica. é a prevalente. Quando. a título subsidiário. Deverá recorrer ao antigo executado para perceber seu crédito. dependendo do ponto de vista. o Emissão de certidão de débito pela autoridade fiscal – em alienação de imóvel. Entretanto. há exceções ao ditame: o Aquisição de imóvel em hasta pública – o terceiro adquirente (arrematante) do imóvel não arcará com os débitos tributários. conquanto os dois últimos autores invocam julgados menos hodiernos do STF e do STJ respectivamente? Resposta: infelizmente ou felizmente. Atualmente. parágrafo único. componentes do crédito tributário (na realidade. por exemplo. o adquirente não arcará com os débitos fiscais. AGU muitas vezes a posição é diferente da magistratura. sofremos constantes mutações quanto às posições adotadas pelas Cortes Superiores. o negócio fica perfeito mediante juntada do documento público. a Fazenda Pública expediu certidão de dívida. precisamos adotar a posição mais recente adequando com o tipo de concurso que você irá prestar. Em verdade. as procuradorias municipais têm erigido a tese de responsabilidade subsidiária do agente público responsável pela omissão na emissão da certidão.70 modo por eles escolhido para exposição da matéria. 130. ao interpretar o art. Caso a autoridade fiscal deixe de acusar a dívida tributária no momento oportuno. do art. 134.

não responde pelos débitos tributários. 130. CTN). CTN). em que pese ser integral. CTN. de acordo com a postura posterior adotada pelo alienante (art. por conseguinte. 133. CTN) – persiste indício de demonstração de riqueza no novo elemento de empresa. seria possível cobrar o débito também do exeqüente? Resposta: cuidado. é possível alcançar o executado e. Também não foi prevalente. caso o adquirente não tenha capacidade de arcar com elas. • Responsabilidade solidária com o alienante – é a tese majoritária. se o alienante não praticar qualquer atividade empresarial dentro em seis meses do negócio (art. O instituto tem por fim proteger primordialmente o credor tributário. de arrecadação fiscal. O postulado se fundamenta no art. caso aquele prossiga no comércio nos próximos seis meses. Nesse caso. fonte de riqueza. subseqüentes à alienação (art.Transmissão de fundo de empresa – está disciplinado no art. 133. II. CTN). não poderá. parágrafo único. No entanto. “caput”. I. No caso da responsabilidade espelhada no art. Essa regra de sucessão tributária colima a preservação do empresário. Qualquer ressalva aposta no documento é cláusula ineficaz. a responsabilidade do adquirente oscilará. genuína engrenagem da economia. o adquirente traz em mãos a certidão de dívida negativa. I. 133. considerada não escrita. 133. a Fazenda Pública se manifesta sobre eventuais débitos do bem (IPTU). não foi esclarecida pelo legislador acerca do seu título. será subsidiária. Antes do repasse do preço ao exeqüente. o agente público que produziu o documento público (analogia ao art. Caso haja certidão negativa de dívida. CTN). 124. Segundo asseveram os defensores dessa corrente. Uma vez que exare certidão negativa. • Responsabilidade preferencial do adquirente – o alienante responde subsidiariamente pelas obrigações tributárias. há sim interesse comum entre alienante e adquirente em arcar com os . a Administração Pública responde por tal informação. I. Não foi a tese vencedora. 133. posteriormente. A doutrina e a jurisprudência ficaram incumbidas de interpretar a disposição. Surgiram três posições: • Responsabilidade exclusiva do adquirente – a palavra “integral” quer dizer “exclusiva”. perfilhada pelo STJ. porque a solidariedade não pode ser presumida. decorrente da própria atividade empresarial. Na operação de trespasse. de emprego e. subsidiariamente. 208 do CTN. o imóvel posto em hasta pública representa a garantia do pagamento. . CTN. conforme art.71 aquisição do imóvel. 134. vir a cobrar os valores do adquirente. Pergunta: na aquisição de imóvel em hasta pública. perfilhando o postulado da sucessão “propter rem” totalmente. a não ser em caso de dolo do funcionário que a expediu. CTN. havendo passivo fiscal sobre o estabelecimento. por Machado (1993) e por Paul Erik. VI. Será integral. o arrematante não responde por débitos fiscais anteriores (art.

O montante resultante da alienação judicial do estabelecimento ou da empresa ficará depositado em conta do juízo falimentar por um ano. o qual disciplinou as sociedades limitadas. com base em três argumentos: o O CC/02 revogou o art. 133. considerando o negócio do trespasse. com fulcro no art. no REsp-AgRg 410. Pela regra. a qual acresceu três parágrafos ao art.INSS – Sociedades Limitadas e Sócios – Solidariedade – a grande maioria dos empresários domésticos são constituídos na forma de sociedades limitadas. A Lei 11101/05 (nova Lei de Falências – LF) provocou alguns reflexos na área tributária. CTN). as disposições seguem comandos específicos. AgRg no Ag 728. são incompatíveis com o diploma anterior. Havendo falência ou recuperação judicial. O legislador optou por facilitar o trespasse nas delicadas situações mencionadas. ausentando-se qualquer benefício de ordem (art. CTN. dada a função sócio-econômica daquela. Contudo. . ao alienante. portanto constituindo elemento essencial à mecânica macro-econômica. há extinção da sucessão tributária ao adquirente (art. Inicialmente.080. CTN.717-SP. porque a autoridade pode escolher qual o sujeito passivo em melhores condições para arcar com os débitos fiscais. foi promulgada a LC 118/05. § 2º. 124. 133. Com efeito. parágrafo único. § 3º. 1052. 133. notadamente de contribuições sociais. Lei 8620/93 – as disposições do CC/02. CTN). 133. I e II. estabeleceu responsabilidade ilimitada entre sócios e sociedade nas dívidas para com a seguridade social. “caput”. na década de 90. a Lei 8620/93. Em verdade. enquadrando-se naquelas do art. não pode levar à exigência do crédito sobre o patrimônio dos sócios. de alguma forma. a fórmula aberta do dispositivo legal favorece bastante a arrecadação. 133 da codificação. Dessarte. caso esse não esteja ligado.250-RS e REsp 638. A revogação foi implícita.755. afirmando que cabia a solidariedade por maioria de votos. porque a estrutura desses empresários não se harmoniza com o dispositivo em tela (art. facilitando muito o ofício da PGFN (Lei 11457/06). só podendo ser levantado para pagamento de credores extraconcursais ou daqueles precedentes aos tributários (art. com o fito de favorecer o adquirente que resolve celebrar o negócio. CTN. § 1º. impera normalmente a regra “propter rem” – persiste a sucessão tributária nos termos do art. 13. o STJ se pronunciou sobre a matéria. Não incorrendo nos caso anômalos de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica.72 débitos tributários. . o eventual adimplemento tributário. no seu art. A decisão se fundou na existência de expressa previsão legal. CTN). O legislador considerou mais importante a preservação da empresa do que a satisfação dos credores. o diploma criou uma situação esdrúxula de solidariedade tributária. 124. o voto vencido do Ministro José Delgado fundou uma mudança jurisprudencial efetivada em 200599. Do contrário. caso o adquirente não seja pessoa estranha ao alienante. 99 STJ. Para adaptar o CTN à nova realidade. REsp 717. II. 13.

Lei 8620/93. a certidão goza de presunção relativa de liquidez e certeza (art. CTN. uma vez que o sócio conste da CDA. 124. o próprio art.898-DF e REsp 839. 13. admitia a execução direta do patrimônio administrador pela mera mora tributária. “caput”. toda a estrutura econômica positivada (arts. “caput”. Nesse caso. geral. 13. invertendo-se o ônus da prova. mandamento construído pela Lei Maior. 13. apesar de não haver qualquer decisão tomada.684-SE. . “caput”. não abarcaria o simples atraso no pagamento dos tributos. o art. fica sufragada. A jurisprudência. contida no art. principalmente pela pena do Ministro do STJ Garcia Vieira. IV. Lei 8620/93. este fundamento não condiz com o Direito Intertemporal. e 170. 1º. 135. Não se tratava de desconsideração da personalidade jurídica. O próprio STJ tem postura cristalizada no sentido de possibilidade de execução fiscal em face de sócio que conste em CDA. o Violação do princípio da livre iniciativa – além desse gravame direto. porquanto a Lei 8620/93 é especial. enquanto o CC.73 CC). O STJ entende que a mora pode ser 100 STJ. o A matéria é de disciplina exclusiva de LC – haveria um vício formal no art. Há ADIn em trâmite no STF para contestar a constitucionalidade do art. 135. lesionando por demais a grande mola propulsora da circulação de riqueza. É a teoria “ultra vires”. Contudo. aduzida nos anos de 1992 e de 1993. III. CF/88. A referência que se faz à infringência da lei. “caput”. excluindo-se a pessoa jurídica do pólo passivo. Esta justificativa também não é própria. O que não pode o legislador ordinário é extrapolar os limites do constituinte e do seu comparsa complementar. CTN. O equilíbrio macro-econômico fica comprometido com o tolhimento do sistema capitalista instalado. Lei 8620/93. nesse passo. 13. o constituinte exigiu LC para determinar solidariedade. Por tal argumento. Essa tendência. foi mudada hodiernamente100. CF/88) fica prejudicada. também perfilhada pelo art. “caput”. Lei 8620/93. “caput”. 13. por via reflexa. Lei 8620/93. o CTN atende ao comando constitucional. autoriza o legislador ordinário a estabelecer responsabilidade solidária. A constituição de sociedade limitada. porque a LC deve estabelecer normas gerais e não específicas. . Segundo a corte. bem como. haverá responsabilidade decorrente. Pelo contrário. vigente e eficaz. porquanto goza da presunção de constitucionalidade. II. como bem ventila o art. o comando continua válido. Dessa feita. fica reprimida. 3º. com seus benefícios legais. Este é o argumento mais robusto para afastar a aplicação do art. Trata-se de responsabilidade pessoal do sócio. III. Em nenhum momento. REsp 441. CTN. a tese da inconstitucionalidade formal do art. LEF).Administrador – caso pratique atos em contrário à lei ou com excesso de poder. 146. mas sim responsabilização principal na pessoa do administrador.

133-PR. . tal qual a disposição do art. Nessa seara. por exemplo. 138. com antecipação do pagamento. de dissolução irregular de sociedade ou descumprimento de obrigações acessórias. é necessário levantar quatro questionamentos: o Tecnicamente. devendo ser caracterizada o dolo ou culpa do agente. advogava-se a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea até a citação válida. Uma segunda tese estabelecia como marco o início de qualquer procedimento administrativo de fiscalização tributária. quer seja na seara administrativa ou criminal. foi criado instituto da denúncia espontânea. Na tentativa de extrair a ocorrência do fato gerador e evitar a decadência tributária. “caput”.Denúncia espontânea – a maioria dos tributos depende de uma atuação antecipada do contribuinte no adimplemento. parágrafo único. de elementos sazonais ou de circunstâncias que tornem a atividade momentaneamente difícil.74 caracterizada por descumprimento de obrigações tributárias acessórias ou por ocorrência de delito tributário.681. nesse momento. Esse entendimento não condiz com o espírito do instituto. Essa prática objetiva evitar que o contribuinte declare e não pague e. É o entendimento esposado pelo STJ101. a apresentação posterior da declaração de tributos já caracteriza o ato de lançamento. Dessa forma.628-PR. Ademais. CTN? Inicialmente. Contudo. não dando azo à execução pessoal do administrador. Essa última posição só cabe nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. 138. invoque a denúncia espontânea para afastar multa sancionatória. Visa primordialmente favorecer o Estado. sendo a multa somente instrumento de coerção sobre o ânimo do sujeito passivo. Nesse sentido. AgRg no AgRg no AgRg do REsp 611. mediante a efetiva ocorrência do fato gerador. até que momento se considera efetivamente espontânea a confissão feita pelo sujeito passivo para fins de se aplicar o benefício do art. porque. a confissão deve ser necessariamente acompanhada de pagamento ou cabe tal vantagem 101 STJ. CTN. o fisco já estaria cobrando. Ag Rg no EDcl do REsp 826. a responsabilidade aqui mencionada deve ser subjetiva. o Havendo denúncia espontânea. 138. Restringindo um pouco mais. quando for percebido nessa prática. para que se conceda o benefício previsto no art. EREsp 690. incidem multas pesadas sobre o ilícito. a sonegação. mesmo porque o sujeito passivo deve se apresentar à autoridade fiscal antes desse chamá-lo. o qual pode ensejar diretamente a inscrição em dívida ativa. é recorrente. não pode ser confundida com a responsabilidade objetiva da empresa no mero inadimplemento do tributo ou também no descumprimento de obrigações acessórias. Esse pode decorrer de situações de mercado. não por corriqueiro inadimplemento de tributo. a tese prevalente preconiza o lançamento como fator a elidir a denúncia espontânea. pela qual ficam excluídas as sanções pecuniárias. Mas a Fazenda Pública se preocupa com o recebimento do tributo. São os casos. . CTN. Para tentar corrigir.

com o fim de atingir um objetivo maior e derradeiro. a denúncia espontânea só afasta a multa moratória. Deveria caber no parcelamento. o que deu abertura à exclusão de todas as sanções. indiretamente.. em que pese não ser a tese vencedora. Dessa feita. porquanto o contribuinte em atraso não é inocente. CTN. Castro Meira. 155-A. de acordo com sua conveniência e oportunidade. para acórdão Min. Denise Arruda. A primeira independe de qualquer norma. “caput”. § 1º. pelo qual perdoa uma receita. 142. CTN). lançamento é um procedimento (na 102 STJ. 1ª Seç. diploma que integrou o parcelamento como espécie de suspensão do crédito tributário (art. se em ambos os institutos ocorre dispensa de penalidade? A denúncia espontânea é ato de confissão de dívida. um conjunto interativo de atos entrelaçados por uma seqüência lógica. não pode ser cumulado com o afastamento da sanção. o legislador seguiu a interpretação jurisprudencial anteriormente dada. CTN. CTN. As procuradorias fazendárias passaram a defender o não-cabimento da exclusão da multa sancionatória. conceitua lançamento. Nesse sentido. “caput”. 142 a 150. o Havendo denúncia espontânea acompanhada de pagamento. O parcelamento. rel. segundo a jurisprudência do STJ. o inadimplemento tributário. somente a multa moratória deverá ser afastada pela denúncia espontânea. com o objetivo de atrair contribuintes para saldar sua dívida. CTN. como vantagem. o entendimento foi alterado. não distingue qual a natureza da multa. Nesse sentido. enquanto o legislador.278-PR. sendo certo que o ato administrativo de exclusão do crédito é vinculado. rel. porquanto o parcelamento incluirá a multa sancionatória. REsp 831. CTN. enquanto procedimento. Na mesma esteira. No entanto. Essa posição foi corroborada pela LC 104/2001. tal qual o art. a sancionatória ou ambas? E quanto aos juros? O art. aduzido pelo devedor. Foi a tese prevalente durante muito tempo na jurisprudência. a exclusão da penalidade tem que alcance? Atinge a multa moratória. o Qual a diferença entre denúncia espontânea e anistia. A Administração Tributária deve combater a frustração ao poder de polícia fiscal. a natureza jurídica do instituto gera divergência: é ato ou procedimento? É declaratório ou constitutivo? Ato é uma conduta isolada. na leitura realizada pelo STJ102. 13/6/2007. “Data venia”.290-PR. O art. 151. 138. EREsp 760. na anistia.75 quando a denúncia é seguida a simples parcelamento? Somente o pagamento dá azo à denúncia espontânea. os juros são mantidos “ex vi” da própria redação do art. pode afastar qualquer espécie de penalidade. Lançamento Está disciplinado nos arts. DJU 30/6/2006. “caput”. A benesse da exclusão da multa não deve ser estendida àquele que parcela. VI. Do contrário. originário Min. j. porque o Estado não pode fomentar. . Informativo do STJ n° 323. De acordo com a jurisprudência supra mencionada. a anistia é ato efetivado pelo credor. pressupondo lei específica para tal. 138.

Todos os demais são prévios e preparatórios para tal. CTN). ao prever que a prescrição extingue o crédito tributário. • Como terceiro fundamento. não é possível que o lançamento crie o crédito. não sendo possível mais sua exigência pela via reflexa. já existe relação jurídica obrigacional tributária e. errou. ainda que por meio de ação de consignação. V. No diapasão. chamado lançamento. pois alguns entendem que o lançamento é um ato único. conseguintemente. a decadência também não extingue o crédito. Dessa feita. mas sim o direito potestativo de lançar – o crédito continua persistindo. determinação da matéria a ser tributada. Com base na doutrina estruturalista alemã. o crédito já está caracterizado – não pode haver obrigação sem credor. CTN). isto é. 156. O credor não terá mais o direito de exigir em juízo o crédito. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário. cálculo do montante a ser pago. analogamente. Não houve lançamento. não o crédito. o pagamento do tributo no prazo e forma previstos não enseja qualquer procedimento administrativo. o crédito nasce a partir da previsão abstrata da lei e não do procedimento administrativo. materializado pela notificação. No entanto. sem esse aquela inexiste. O que é extinta é a pretensão. V. a mora pressupõe crédito. • Ao se considerar o lançamento como constitutivo do crédito (art. não há consenso entre as duas disposições – como é possível extinguir algo que ainda não foi criado? Alargando um pouco mais o raciocínio. o art.76 visão do legislador). Quanto à segunda pergunta. Dessa feita. pode ser que a exigibilidade do montante só seja possível mediante determinado procedimento. foram erigidas três correntes: o Lançamento é constitutivo do crédito e declaratório da obrigação tributária – lançamento é o procedimento pelo qual se cria crédito tributário (Rubens Gomes de Souza). sendo constitutivo da exigibilidade do crédito somente em alguns casos – essas hipóteses se restringem aos tributos lançados de ofício. 142. incluindo eventual penalidade. haveria incompatibilidade com a previsão de extinção do crédito tributário “ex vi” da decadência (art. Não é o entendimento mais aceito hodiernamente. criado esse por força da lei. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário – o lançamento constitui a exigibilidade do crédito tributário. muito pela existência de três argumentos: • Incidindo a lei a qualificar o fato gerador. CTN. terminando com a notificação do contribuinte. 156. Na teoria em tela. Na esteira. mas o devedor continua no direito de pagar. Esse entendimento contesta a posição clássica supra exposta. em que pese ter havido extinção do crédito tributário. porque engloba vários atos em cadeia: identificação do sujeito passivo. porque o lançamento é pressuposto para tal. Essa posição não é unânime na doutrina. caracterização do fato gerador. porquanto essa é a perda do direito de lançar. “caput”. o citado mestre defendeu essa posição clássica. porque o fato .

o sujeito passivo paga. o lançamento constitui dever-poder da Administração. taxas. opiniões diferentes. cobrando. Após tal ato. nasce a partir da qualificação jurídica do fato gerador. é necessário levar em conta dois critérios: o Necessidade ou não da participação do sujeito passivo declarando o fato gerador. desconstruiu a teoria clássica da constituição do crédito tributário pelo lançamento. I a IX.: ITBI. II e IE. 142. em comentários feitos em aula. Não há dever de pagamento antecipado pelo sujeito passivo. a simples ocorrência do fato gerador já possibilita a exigência do crédito tributário. CTN). aduzida pela lei. Pergunta: o professor Pedro Barreto. devendo ser aduzido pelo contribuinte. no IPTU. Nesse passo.77 gerador está às vistas da autoridade fiscal. parágrafo único. o Por declaração. Ex. Ex. do crédito tributário – não seria a efetiva ocorrência do fato gerador. o mestre afirmou que o crédito tributário. daí a razão de serem. Os critérios serão verificados à luz do tipo do fato gerador. o professor trouxe à baila o postulado da natureza declaratória do lançamento. Contudo. devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. Na esteira de Ricardo Lobo Torres e outros. o fisco sabe de antemão o valor. assim como sua correspondente obrigação. também. Ex. 148 e 149. Após a cobrança. sob pena de falta funcional da autoridade atribuída (art. desde que anteriormente previsto na norma? Resposta: sim. autos de infração. etc. Modalidades de lançamento – para identificá-las. misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador. O legislador previu três diferentes espécies: o De ofício ou direto – o sujeito passivo não precisa declarar a ocorrência do fato gerador. no raciocínio de Paulo de Barros Carvalho. o momento do nascimento da obrigação – e. contribuições de melhoria. tese essa erigida sob a pena de Rubens Gomes de Souza e perfilhada com impropriedades pelo CTN. o fisco não tem como saber qual o montante a ser pago. Ademais. cobrando diretamente do contribuinte. A autoridade administrativa interpreta a legislação e cobra ou retifica lançamento ou declaração anteriormente aduzidos (art. uma vez que não haja pagamento por parte do sujeito passivo. a autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o montante a ser adimplido. de sua natureza. O lançamento por declaração está . Nos demais casos.: no ICMS.: IPTU. por conseguinte. CTN). os autores refletem sobre o assunto e apontam seus peculiares entendimentos pautados em premissas científicas diferentes. ITR. aplicável ao crédito e à obrigação. o Necessidade ou não de pagamento pelo sujeito passivo antes da cobrança (pagamento antecipado) – deve ser aferido quem deve interpretar a legislação para apurar o momento devido: o sujeito passivo ou a autoridade tributária.

“caput”. Ex. XXXV e LXIX. a cobrar eventual diferença. e 151.78 previsto no art. os tributos aqui incluídos não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento “ex officio” só será posterior. o Mandado de segurança com liminar (arts. 147. constituindo a quitação como meio de prova. calculando o montante devido e pagando antes de ser cobrado (pagamento antecipado). Permite a ampla defesa dentro do feito. 150. Em verdade. CTN). 70235/72. seguindo o princípio do devido processo legal e convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. 5º. o fisco homologa o valor recolhido (art. CF/88). o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente qualificado. o legislador erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: . haverá lançamento de ofício posterior. LV. dentro de um PAF. O CTN listou quatro modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro dessa categoria: o Recurso administrativo (art. O sujeito passivo precisa declarar o fato gerador.: ICMS. IR. Trata-se de ficção jurídica. com as devidas peculiaridades do D. o qual é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no âmbito federal. por qualquer uma de suas formas. IV. 5º. Posteriormente. Com base nesse documento. Contudo. Havendo diferença entre o devido e o pago. “caput”. CTN). O sujeito passivo deve ofertar declaração na qual há informações essenciais ao lançamento. quando se invoca direito líquido e certo a ser . a Administração tributária realiza o ato. CTN). 151. IPI. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. interpretando a legislação. Dessa forma. etc. inclusive os lançados por homologação. III. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. o sujeito passivo pode levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. é amplamente possível a instalação do contraditório para contestar o procedimento de obtenção dos valores. sendo certo que ninguém poderá ser executado enquanto discute o objeto do litígio. CF/88. Lançado o crédito tributário.Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do tributo). O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de constituição do crédito mediante lançamento. Nessa seara. Não existe decadência do lançamento por homologação. CTN. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. não sendo sempre obrigatório o pagamento “incontinenti” do tributo. ele passa a ser exigível. 151 a 155-A. CTN). Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts. Corresponde à maioria das exações.

Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor lançado e exigido. 5º. o parcelamento (art. o Depósito do montante integral (art.. no depósito integral. 151. CTN). Com efeito. CTN). 273. 2002. mas não a única. 151. j. dando azo à execução forçada. da postergação da mora com consentimento do Estado. É melhor à Administração tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca receber. 151. deveria haver inscrição em dívida ativa. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. Do mesmo modo. rel. 7º. não se confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI. em verdade. 154. D. instituto denominado moratória (art. VI. Apesar de qualquer das referidas medidas ter o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. CPC). I. 360. Alguns autores equiparam o instituto a uma novação objetiva. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de lançamento. devendo ser revelado relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato impugnado (art. também a título de tutela antecipada na inicial. mormente com o intuito de discutir a dívida. Min. à razoabilidade e à eficiência. não objetiva desconstituir o crédito tributário. como já disse o STJ104. ou requerer. o escopo em tela se dá em homenagem à economicidade. REsp 251. DJU 25/2/2002. 12/9/2007. II. Com efeito. e 151. ao contrário da primeira.641-PR. I. Previamente à cobrança do débito fiscal. a suspensão do crédito tributário. CF/88. 104 EREsp 479. 1ª Seç. No entanto. o sujeito passivo pode ingressar com ação declaratória preventiva de inexistência de débito. 103 . EREsp 215.752-SP. CC). o legislador percebeu que seria melhor abrir uma fase intermediária. visto que está presente o “animus solvendi”.79 demonstrado por prova pré-constituída. CTN). mas não tem condição de pagar o tributo à vista. . II. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). DJU 3/11/2003. desde que presentes a verossimilhança das alegações e o “periculum in mora” (art. é caracterizada a finalidade de obstar a exigibilidade do crédito tributário. salvo disposição legal em contrário (art. porquanto a exigibilidade do crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma causa de extinção ou de suspensão. 70235/72). Dessa forma. o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts. Lei 1533/51). XXXV. em que há fracionamento da dívida tributária ao longo do tempo. CTN)103. se houver eventual lançamento. a qual retira do credor o interesse de agir para execução em face do devedor. É o caso. V. Caso alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito. REsp 258. “caput” e I. o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a exigibilidade do crédito. enquanto na consignação fica patente a intenção do devedor em pagar. instituto constante do Direito Privado (art. José Delgado. DJU 26/9/2005. “caput” e parágrafo único. Informativo do STJ n° 331. CTN). É a situação mais comum. tida antes do lançamento. 62. V. 151. em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. DJU 12/3/2001. REsp 490. em tese. p. 207). CTN. procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha sido disparado.589-RJ.725-BA. Nesse caso. por exemplo.350-SP. A negociação entre sujeito passivo e credor permite o pagamento em situação mais razoável. “caput”. caso haja lançamento durante o curso do processo. é uma espécie do gênero moratória. Para impedir seus efeitos. o fisco faz jus à conversão do depósito em renda. O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art.

Suspensão ou impedimento do curso da prescrição à pretensão executória – a prescrição decorre de inércia por parte do credor tributário. Essa atividade é inútil em face da impossibilidade de promover a ação correspondente. além de Luiz Wambier. e 739-A. Ao requerer documento de situação. impede-se a prescrição. sem unanimidade na doutrina e na jurisprudência: o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva fiscal. protestam. O CADIN teve alguns de seus efeitos contestados quanto à constitucionalidade (ADI 1454-DF. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart. na realidade. Min. antes do decurso. . o devedor terá como resposta certidão positiva de débito fiscal com efeito negativo. Por conseqüência. aplicáveis à execução fiscal (art. equivaleria a “embargos à execução preventivos”. 2. v. “caput”. 130. a qual contou com sucessivas reedições. “caput”. 736. pendem alguns efeitos: .Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando. argüindo a possibilidade ou não de inscrição em dívida ativa. a realização de operações de crédito e a celebração de convênios. ajustes ou contratos que envolvessem a utilização de recursos públicos foi instituído pela MP 1442/96. CTN). Por todos. 2007. Informativo do STF n° 472).Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo tempestivamente interposto implica em inexistência de mora.: pode participar de licitação ou prestar concurso público. considerando que esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. Ex. A prescrição em comento só começa a correr após o prazo para interposição do recurso administrativo. 105 Não é demais lembrar que há doutrinadores a defender a não suspensão da execução fiscal em face do mero oferecimento e recebimento dos embargos do executado. fazendo surgir a pretensão concreta de exigir a prestação devida. Curso de Processo Civil: Execução. O procedimento de ativação da dívida é uma conclusão interna da Administração tributária. no caso de alienação de imóvel. Foram erigidas duas teses. o fisco poderá exigir tributos relativos ao bem futuramente (art.80 Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade. ela não incide. a discussão judicial implica em mora. São Paulo. Antes. Contudo. 106 O Cadastro Informativo (CADIN) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais pelos órgãos da Administração Pública Federal para a concessão de incentivos fiscais e financeiros. verificou o inadimplemento do devedor e declarou que pende dívida para com o Estado. Não haverá qualquer restrição ou constrangimento quanto ao exercício de direitos. conquanto. Foi legislado sob a forma da Lei 10522/02. acordos. que apurou a legalidade do fato. Essa leitura advém de uma interpretação analógica dos arts. CPC. ficando peremptoriamente na ordem jurídica posta. A prescrição é um instituto que pressupõe lesão a um direito subjetivo do credor. deverá ser dada publicidade a interessados de que o sujeito passivo é entendido como devedor pela Administração. “in fine”. a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário. mas o Supremo extinguiu o feito sem resolução do mérito. . suspende-se a prescrição. . No entanto. Ellen Gracie. depois. LEF). não ocorreu. Por exemplo. o É possível – porque a extração de CDA e a inclusão em cadastro de inadimplente (CADIN)106 não têm o único condão de promover a execução. se a demanda for infrutífera. 1º. conquanto o autor não promoveu o aditamento da exordial na conversão da citada MP em texto de lei. o adquirente deverá conhecer a situação fiscal do alienante. rel. Revista dos Tribunais. o que.

Prescindibilidade de advogado – o contribuinte poderá defender-se sem pagar honorário. se a exigibilidade não está presente. segundo alguns fundamentos: . “caput”. Acesso à jurisdição não implica necessariamente em acesso ao Judiciário. segundo a linguagem própria do CTN. detém jurisdição. DJ 27/4/2007. direito individual e cláusula pétrea. Tais argumentos só serão válidos se os órgãos administrativo-fiscais de apreciação atuarem de acordo com os princípios da Administração. o que. reputandose como definitivamente constituído o crédito. ao menos na primeira instância administrativa107. Dessa feita. 5º. REsp 943. José Delgado. rel. 160.81 O momento hábil a iniciar o lapso prescricional é exatamente a existência da lesão. A resposta negativa administrativa não é condição de procedibilidade para o ajuizamento de ação judicial.Maior celeridade – em relação ao processo judicial. CF/88). não existe direito absoluto. 107 O STF já declarou inconstitucional a necessidade de depósito recursal na via administrativa. . Por exemplo. CF/88. AC 1. Entretanto. LV. essa máxima deve ser vista “cum grano salis”. sem necessidade de qualquer demonstração extraordinária. inexiste infringência ao direito subjetivo do credor tributário.Inexistência de custas processuais – o contencioso administrativo é gratuito. CF/88). segundo pronunciamento pacífico do STF. Se houvesse previsão de esgotamento da via administrativa antes do juízo. . Vencido o lapso para impugnação ou para pagamento sem atuação do devedor tributário nesse sentido. segundo disposição unânime do legislador em todos os níveis estatais (União. caracterizando-se sua intempestividade desde então. O fundamento apriorístico seria a inafastabilidade do Judiciário (art. . “caput”. mas sim o condicionando. de certa feita. tem vez a mora (“ex re”).566-MG. 1ª T. além do que a garantia do direito de petição (art. DF e Municípios). não sendo exigível o crédito nesse período.Desnecessidade de demonstrar fundamentos para liminar ou tutela antecipada – a mera interposição do recurso já obsta a exigibilidade. . j. Informativo do STJ n° 324). 5º. XXXV.Maior probabilidade de sucesso – havendo maior especialização técnica do órgão administrativo julgador e verdadeiro bom direito alegado. Em melhores termos.. Antes de tudo. CTN). nos 30 dias para o recurso administrativo. a chance de provimento é muito maior. pelo qual qualquer um deles pode ser relativizado. Recurso administrativo – o prazo para a interposição de recurso administrativo é o mesmo do pagamento (art. isto é. por vezes. leitura referendada pelo STJ (STF. Preclui o direito a recurso administrativo. 37. não se estaria negando acesso à jurisdição. “a”. Min. CF/88) não exige o pagamento de taxas. não corre a prescrição. . 19/6/2007. mormente previstos no art. 5º. A exigência do depósito viola a ampla defesa (art. A via administrativa é mais vantajosa que a impugnação judicial.116-SP. a interposição de recurso administrativo impede a incidência dessa nesse momento. Estados. LXXIV. não a suspende. não ocorre. STJ. a arbitragem.

disposição essa rechaçada pela jurisprudência por entendê-la. por motivo de conveniência ou oportunidade. mas sim legal. a apreciação judicial”. Não há litígio jurisdicional instalado. posição 108 Súmulas 346 do STF: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. XXXV. Até poucas décadas atrás. por conseguinte. CF/88. uma vez que pode haver valores em jogo muito altos. caso houvesse insucesso na seara administrativa. A garantia não provém de disposição constitucional. porque. em recente decisão. quando eivados de vícios que os tornam ilegais. Posição mais radical apregoa a impossibilidade do art. tal impugnação só era possível mediante depósito do montante integral. Em verdade. Para a doutrina processualista. na realidade. e ressalvada. porque a celeridade não é seguida (art. porque deles não se originam direitos. A decisão administrativa positiva imodificável em favor do contribuinte. mas tão-somente discussão perante a autoridade tributária. considerou o depósito recursal como inconstitucional. não haveria razão de existência do próprio procedimento administrativo. Nessa vertente. não assistindo razão para recorrer à via judicial. . teria o condão de obstar o ajuizamento de ação pelo fisco? O STF já pacificou a jurisprudência dizendo que faz coisa julgada material. Dessa feita. dentro de um PAF. tal quantitativo financeiro pode obstar o acesso ao recurso voluntário administrativo. A Justiça não consegue conferir uma prestação adequada ao jurisdicionado. a máquina jurisdicional ainda poderia ser acionada subsidiariamente. inviabilizando a continuidade do PAF. respeitados os direitos adquiridos. Mas o depósito de todo montante fere a razoabilidade e a proporcionalidade. o Excelso Pretório. como antecipação de penhora. o legislador do CTN conferiu o duplo grau para o sujeito passivo. CF/88). para que esses ganhem confiabilidade e. Ademais. Essa condicionante de procedibilidade não pode ser refutada com base no duplo grau de jurisdição. ao revés. regra “de lege ferenda” nesse sentido teria o condão exatamente de prestigiar o Judiciário e não de restringir sua atuação. A Fazenda Pública não pode pleitear sua revisão jurisdicional. Porém. Os advogados dos contribuintes passaram a postular que essa proporção é relativa. 5º. a jurisprudência tem entendido que um valor razoável seria de 30% sobre o total do débito. todos os princípios processuais já foram seguidos no PAF. Segundo o STF. não causando prejuízo ao administrado. Dessa feita. Assunto que se encontrava em pauta no STF é a constitucionalidade do depósito para recurso voluntário em segunda instância administrativa. 5º. ou revogá-los.82 em que pese o órgão arbitral não ser componente do Poder da Justiça. em todos os casos. o que não se liga ao mérito da questão. legitimidade. LXXVIII. não obstante poder determinar condicionantes para tal. Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos. Se houver vício no PAF. cabe anulação por parte da própria Administração pelo seu poder de autotutela (Súmulas 346 e 473 do STF)108. careceria a ação do fisco por inexistir interesse de agir. a Administração deveria investir nos órgãos administrativos julgadores fiscais. porque a tecnicidade da decisão administrativa é muito mais precisa e adequada que aquela a ser proferida pela revisão jurisdicional. Dentro dessa idéia. em matéria fiscal.

64. § 4º. 33.00 (art. Min. Lei 9432/97).932-SP. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. 64. REsp 943. AC 1. “caput”. o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão.. 2ª T. tendo sido declarado como inconstitucional111. rel. Devido à recente mudança de composição do STF. 33. 1ª T. para a Administração Tributária. Marco Aurélio. o depósito recursal impede o prosseguimento do PAF. Dentro desse contexto. não obsta a execução. DJU 27/4/2007. DJU 5/6/2007. Informativo do STJ n° 332. § 2º. 112 STF. José Delgado. j. 9. segundo entendimento estipulado pelo STJ. DJU 26/10/2001. Isso significa que o depósito a menor.976-7-DF. Em qualquer caso. RE 311. frustrando o direito à revisão do processo administrativo na primeira instância. o percentual de 30% foi novamente contestado. j. Foi exatamente o que decidiu recentemente o Excelso Pretório em sede de controle difuso de constitucionalidade112. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal (art. caso em que a penhora poderia incidir sobre bens indicados pelo devedor110. Joaquim Barbosa. ADIn 1. Lei 8. Informativo do STF nº 461. na medida em que ambas as medidas importam em bloqueio de patrimônio. em eventual execução futura. j. É vantajoso para o devedor porque inibe ação de execução e livra o contribuinte dos encargos moratórios. rel.359. 111 STF. 64. I a IX. João Otávio de Noronha. Na esteira. 70235/72..corroborada pelo STJ .4. D. Min.937/92. 110 Nos termos do art. rel. Em contrapartida. infringindo o contraditório. ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física.2007.023-3/RJ.. eliminando o custo da execução judicial e da eventual hasta pública. que regula o processo administrativo fiscal. a ampla defesa e a garantia ao devido processo legal. tendo o ato efeito de consignação em pagamento. com piso de R$ 500. Doutrinariamente. porquanto representa uma garantia em favor do cidadão e do credor simultaneamente.116-SP. rel. ADIn 1976/DF. o montante será apto a tornar a solvência do devedor perfeita. sem prejuízo do seguimento do recurso. Lei 9432/97). 19/6/2007. É entendido como montante integral corresponde ao total cobrado pela Fazenda. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor.000. há certeza de que. § 7º. Informativo do STJ n° 324. “In verbis”: Art. 64. a natureza jurídica é híbrida. Segundo a corrente.566-MG. permitiu a indicação de bens para a subida do recurso administrativo para segunda instância. . o art. Esse dispositivo não se aplica os débitos previdenciários.).. eles também começaram a questionar o arrolamentos de bens a final.. 70235/72. § 3º. DJU 9/9/2002. § 2º. Min. Nesse caso. Min. no qual o relator afirmou que a substituição do depósito por arrolamento de bens não descaracteriza o gravame intransponível para o contribuinte-recorrente. Lei 9432/97.030-RJ. alterado pela Lei 10522/02. (. (. RE 388. o arrolado não poderá alienar. valor entendido pelo contribuinte. sendo improcedente o feito. porque as leis previdenciárias são especiais em relação às disposições genéricas do D.. AgRg no Ag 829. 2º. Depósito do montante integral – geralmente se atrela a uma ação de depósito combinada com ação anulatória de débito fiscal. AgRg no RMS 14. 20/9/2007. Lei 9432/97). quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. A presunção se 109 109 83 STF.). STJ. sob pena do depósito não ser idôneo à suspensão de exigibilidade. limitado o arrolamento. prevista nas hipóteses do art.

LC 101/00). A demandante teve seu pleito indeferido cautelarmente. A priori. DL 1593/77. Em contrário. CPC). 4º. II a IV. a suspensão da exigibilidade do crédito tem autêntica natureza de “embargos antecipados”. por haver um contra-senso para com o sistema de execução fiscal positivado. comando que permite à SRFB cancelar autorização de funcionamento de pessoa jurídica do ramo que esteja em débito com o fisco federal. j. II. por meio de ação cautelar. Joaquim Barbosa. II. seria possível outra espécie de garantia da referida suspensão. p. a CEF pague o primeiro. O legislador acolheu a presunção de legitimidade da exigibilidade do crédito tributário lançado. sob pena de impossibilidade da realização do bem comum pela Administração. Destarte. Em sede de controle difuso de constitucionalidade. A titularidade do bem não pertence mais ao autor da demanda. rel.84 encontra em favor do credor. imposta pelo fisco. Sob os auspícios do Direito Financeiro. Cezar Peluso. Min. a verba será incluída no Anexo de Riscos Fiscais. por uma questão de lógica. Uma vez que o autor da demanda seja vencedor. com redação dada pela Lei 9822/99. Conseguintemente. O conceito de “periculum in mora” inverso já foi usado pelo STF em outra situação. é possível indicar bens à penhora ou constituir fiança bancária (art. o juiz expede o alvará de levantamento para que. a subordinação. a Lei 9703/98 veio a autorizar que a União utilize o dinheiro.2007. 9º. 2º. STF. é lícita. orig. por meio do poder geral de cautela (art. CTN). Na consignação. Informativo do STF n° 473. reconhecendo expressamente hipótese de “periculum in mora” invertido114. empresa do setor tabagista pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do art. O levantamento do depósito antes do trânsito em julgado da ação judicial não é permitido ao depositante. já que pende ato administrativo vinculado do agente público. ficando sob a guarda da Justiça até a decisão final. O ônus da prova se defere ao contribuinte. Esse óbice ao exercício da atividade estatal é chamado pela doutrina de “periculum in mora” inverso (Ricardo Lobo Torres). porquanto se trata de autêntica imputação (art. estaria sendo frustrada totalmente a “ratio essendi” do instituto previsto no art. a ser administrado pela CEF através da Conta Única do Tesouro Nacional. em 24 horas. porquanto o Supremo reconheceu que sua produção viola o direito à saúde de plano. § 3º. não consubstanciando receita em sentido estrito. A Súmula 112 do STJ113 preceitua que o depósito deve ser em dinheiro. . Ademais. como lembra Chimenti (2002. 207). o levantamento antecipado do depósito integral constitui autêntica entrada temporária. Dessa forma. no sentido de condicionar o pagamento de um tributo ao recebimento de outro. rel. É nesse sentido que a doutrina critica o entendimento do STJ. Como já fora mencionado. LEF). visou à manutenção do Estado com o numerário em depósito.6. esvaziando-o. II. CTN. o depósito de montante integral deve ser a última saída para o contribuinte. Consoante o voto do 113 114 Súmula 112 do STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. o fisco também não poderia fazer o levantamento antecipado do depósito. 27. Nos embargos à execução. afetando sobremaneira a governabilidade. No plano orçamentário. o plenário da corte manteve a medida executiva da SRFB. 163. AC 1657 MC/RJ. 151. “caput”. pois passa a ser “res in judicia”. não cabendo indicação de bens. 798. Dessa feita. p/ o acórdão Min. adendo componente da LDO (art.

Súmula 323 do STF: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. 34. havia posição que defendia a impossibilidade de suspensão do crédito em face de parcelamento concedido por lei ordinária. Contudo. Lei 9249/95. para a exclusão de multas moratórias. I. a apreensão de mercadorias desacompanhadas de documentação fiscal pertinente não é medida desarrazoada e que infringe a liberdade profissional (art. o art. 116 STF. Antes do diploma. constituindo o recolhimento inexato da exação como fator de desequilíbrio da concorrência e do mercado. O diploma estava sendo impugnado por meio da ADIn 1922/DF. penal e empresarial. 150. Aspectos penais – discute-se sobre a suspensão da pretensão punitiva nos crimes contra a ordem tributária.8. V. muito pela situação ímpar apresentada. . não se aplicam as Súmulas 70. 115 Súmula 70 do STF: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. 83. Em sendo assim. Cármen Lúcia. Lei 10522/02. prevê que o parcelamento virá acompanhado de multas (sancionatórias) e de juros de mora. 155-A. em face de parcelamento firmado entre contribuinte e fisco. o parcelamento é um autêntico contrato administrativo com novação objetiva. a qual alegava que o parcelamento é um direito subjetivo do contribuinte. 151. CTN. CTN. Informativo do STF n° 467. expressamente prevista no art. como efeitos naturais da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. parágrafo único. DJU 17. não cabendo no caso de parcelamento. 151. realizado antes do recebimento da denúncia. o eminente julgador salientou que o ato administrativo. Parcelamento – só passou a existir no CTN a partir da LC 104/01. Ademais. Com a conversão do comando no art. Na esteira. A LC 104/01 veio justamente para acabar com a controvérsia ao acrescer o inciso VI no art. 10. Ocorre que o tabagismo é problema gravíssimo de saúde pública. 151.85 relator para o acórdão. constitui autêntica intervenção estatal por indução. Min. A MP 1699-41/98 permitia o parcelamento de qualquer débito com a Fazenda Pública em até 30 parcelas mensais. reveste-se de razoabilidade. 5º. dispõe que o pagamento. despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. pois ele é espécie do gênero moratória. é sabido que a denúncia espontânea só é possível. Em realidade.2007. se acompanhada de pagamento. CF/88)116. O art. Ministro Cezar Peluso. cabendo à autoridade tributária decidir pela sua concessão ou não de acordo com sua discricionariedade. repetiu tal tipo permissivo. extingue a pretensão punitiva estatal em crimes fiscais. Nesse sentido. em que não cabe execução no curso do parcelamento adimplido. com fulcro na inexistência de previsão expressa no rol do então art. Aspectos tributários – há óbice ao curso prescricional e impedimento da execução fiscal. com vista a desencorajar o empresário do segmento. CF/88) e a vedação à circulação por meio de tributos (art. O art. O parcelamento deve ser vislumbrado no que tange o direito tributário. “caput”. valendo o “pacta sunt servanda”. CTN. Lei 9430/96. § 1º. salvo se o legislador ordinário previr de modo diverso. o STF julgou prejudicada a demanda por ausência de aditamento por parte do autor (Conselho Federal da OAB). a carga tributária do IPI. ADIn 395. emprestando o raciocínio do Direito Privado. Mais ainda. I a IV. rel. 323 e 547 do STF115 “in casu”. constituinte atuação acertada da autoridade fiscal. com a maior alíquota existente. desde que preenchidos os requisitos legais. XIII. CTN. previsto no comando impugnado. Súmula 547 do STF: “Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas.

I. Sendo sonegação tributária não previdenciária. enquanto a previdenciária. 120 STF. Cezar Peluso. permanecendo assim durante o adimplemento das obrigações de trato sucessivo. a qualquer tempo. § 1º. o delito de falso fica caracterizado. I.2007. 138. Lei 8137/90. desde que haja. 18. CP. Lei 9964/00 (Lei do REFIS 1) veio a ratificar expressamente a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento. CP. porque inviabiliza o custeio da Previdência Social e todas suas prestações sociais essenciais. as penas são bem menos severas (detenção de 6 meses a 2 anos). ao passo que nessa. Posteriormente. segundo preceitua o Supremo118. no caso concreto. 2ª T. STF. Caso haja possibilidade de desdobramento mais complexo. HC 91542/RJ. para suspender a pretensão punitiva. por aplicação analógica do art. 337-A. § 2º. CTN) para ter sua responsabilidade penal suspensa. por inexistência de previsão legal expressa. II. incluindo tanto os tipos previdenciários quanto os fiscais genéricos. sendo previdenciária. que a falsificação de documento público (art. 337-A. Destarte. o STF afirmou que a decisão administrativa negativa é condição objetiva de procedibilidade119. CP. CP) pode ficar absorvida pelo tipo do art. No diapasão. Havendo crime previdenciário. 168-A. HC 85048-RS. Lei 8137/90. caso o delito seja material. a Lei 10684/03 (Lei do Parcelamento Especial – PAES – ou do REFIS 2). HC 84345-PR. HC 81611. o parcelamento. no art. 297. porém. o STF preceitua que há suspensão da pretensão punitiva. Sepúlveda Pertence. exaurimento da potencialidade lesiva da conduta dentro da teleologia do recolhimento fiscal. é necessário que o infrator realize denúncia espontânea (art. Informativo do STF n° 480. “caput”. o réu ou mesmo condenado pode pleitear a extinção ou a suspensão da punibilidade. 2º. o MP não pode prosseguir em ação penal tributária. e 168-A. 119 STF. Naquela. não havendo de se falar em princípio da consunção. retificando a terminologia adotada. rel. 9º. “caput”. parte da jurisprudência entendia que o parcelamento antes do recebimento da denúncia suspendia a pretensão punitiva. CP). aplica-se aos processos em curso e aos eventuais condenados117. 117 118 STF. Contudo. rel. aplica-se a disposição do art. qual o seja de prestar declaração falsa para eximir-se de pagamento do tributo. se há delito formal. a reprimenda é maior (reclusão de 2 a 5 anos). A apropriação indébita tributária genérica está tipificada no art. o art. A Lei 9983/00 criou os tipos penais previdenciários no CP. Inicialmente. . “caput”. j.. Min.86 mas também silenciou quanto ao parcelamento. 15. Uma vez que haja impugnação administrativa do auto de infração lavrado pela fiscalização tributária. 1º. Ressalta-se.9. Para preencher a lacuna. deveria ser iniciado antes do procedimento de fiscalização (arts. o Excelso Pretório estabeleceu que o exaurimento da via administrativa é prejudicial em relação à justa causa para ação penal120. 2º. Ambas possuem penas iguais (reclusão de 2 a 5 anos). em seu art. como o legislador não exigiu termo final para pagamento ou parcelamento (início da fiscalização ou recebimento da denúncia). outra vertente jurisprudencial refutava tal entendimento. Min. dispôs que o pagamento extingue a punibilidade e o parcelamento suspende a pretensão punitiva. 116. Dessa feita. Em melhores termos. recorre-se ao art. Para pacificar a controvérsia. Contudo. Lei 8137/90. Como a lei penal mais benéfica retroage.

não ficaria condicionada ao exaurimento da via administrativa. em sua obra. independentemente da natureza formal ou material do crime fiscal. CTN. independentemente de tutela antecipada ou de medida liminar. Lei 1533/51? Respostas: a previsão do art. I. A doutrina de Luciano Amaro é muito respeitada no meio tributário. I. porque estava correndo o prazo prescricional da pretensão punitiva. 155-A. 151. Perguntas: todo recurso administrativo que impugna o lançamento tem efeito suspensivo (art. Ao que parece. com base nos arts. a previsão do art. 162. III. Lei 8137/90. 151. III. e 2º. CTN. Aspectos empresariais – a Lei 11101/05 estabelece as regras sobre falência e recuperação judicial. visto que não foi extraída qualquer idéia semelhante na doutrina? Respostas: cuidado! A consignação em pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário (art. ao interpretar o art. D. Em um primeiro plano. Perguntas: estava verificando a posição de Luciano Amaro e parece que o autor. inclusive oferecimento de denúncia. Contudo. o art. previu que os decursos de . § 4º. 156. não caberá. em momento algum. CTN. Por fim. 151. portanto. § 2º. o MS. 151. o citado mestre afirma que esse feito opera “ipsu jure”. 1º e 2º. antes de proferida a decisão final. 1º. elencou duas formas de aduzir a suspensão da exigibilidade do crédito (ou da obrigação) tributária. 798 a 803 do CPC. 5º. importante lembrar que não é permitido à Administração Tributária remeter ao Ministério Público representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária praticados por particulares. Sempre que houver fundado receio de grave lesão a direito subjetivo. CTN. V. 2730/98). O autor. em sala de aula. porque a simples condição de réu em processo crime leva a várias restrições jurídicas. VIII do CTN). ambas mediante tutela antecipada: ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento (após o lançamento) e ação declaratória de inexistência de débito (antes do lançamento). 5º. para essa hipótese. Essa idéia contraria a presunção de inocência (art. CTN. CTN. I. o legislador complementar resolveu incluir o art. definidos nos arts. juntamente com seus parágrafos. IV. O MP vinha apregoando a promoção da ação penal sempre. diplomas específicos dos Estados ou Municípios podem estatuir condições muito onerosas às empresas em recuperação no tocante à tributação. o contribuinte poderá intentar uma medida cautelar inominada ou atípica. 155-A. CTN)? Em caso positivo. Perguntas: com referência ao art. preceitua que o ajuizamento de ação de consignação em pagamento teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Para corrigir e inibir tal prática. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente (Arts. CF/88).87 não cabe óbice ao prosseguimento do processo criminal. afirma ser hipótese de suspensão. para tornar mais elásticos os prazos de parcelamento quanto aos tributos. Além dessas vias. na esfera administrativa. seria possível demandar por meio de cautelar inominada com pedido liminar? Respostas: sim. o professor Pedro Barreto. LVII. em face do art. estabelece o recurso administrativo e. É um entendimento minoritário ou relevante na jurisprudência.

revelam direitos subjetivos. 156. mediante lei específica. CTN. O Direito Civil é o que melhor informa a diferenciação entre prescrição e decadência. em que não se depende de qualquer outro para sua satisfação. o CC/02 diferenciou os institutos em comento segundo critérios científicos. aqueles que não muito incomodam não estão sujeitos a tal baliza de interregno. Em que pese a boa intenção do legislador. com o direito potestativo de lançar. entendidos como direitos potestativos. devem ser maiores ou iguais que aqueles previstos em lei federal. Nesse passo. o legislador quis dizer “lei geral”. estão os direitos potestativos. Tanto prescrição quanto decadência revelam perda de algo. Os titulares de ambos ficam sujeitos à sua extinção pela não exigência ou não exercício ao longo de determinado lapso temporal. A doutrina os reputa como direitos frágeis. enquanto essa. CTN. Existe ADIn no STF contestando o dispositivo em tela. V. levando exatamente à prescrição e à decadência respectivamente. parece que o dispositivo fere a autonomia federativa. colocou a expressão “lei federal específica” – mas como essa não existe. as ações condenatórias 121 RT’s 300/7 e 744/725. a prescrição contra a Fazenda está especificada nos arts. É um direito robusto. Prescrição e Decadência Introdução e conceituação – antes de tudo. Os limites ao qual se referiu a lei são chamados de prazo decadencial. houve impropriedade lógica. sendo a maior parte desses de caráter bilateral. Mais ainda: o art. principalmente os contratos. No outro pólo. estabelecendo o legislador uma limitação temporal. 156. Ao revés. A distinção entre eles reside exatamente no ponto a que se reveste o objeto da extinção. entendidos como direitos subjetivos “stricto sensu”. § 4º. CTN. os quais podem causar grande comoção sócio-jurídica. da titularidade. só cabe sujeição. Os direitos potestativos lesivos. CTN. que não comporta lesão. sujeitos à lesão. A esse. Aquela termina com a pretensão de direito. em que o direito utiliza o tempo como instrumento letal de algum instituto. é cediço dizer que prescrição e decadência não extinguem o crédito tributário. A decadência é tratada genericamente nos arts. são só resolúveis no tempo. 168 e 169.88 parcelamento a serem concedidos por E. . isto é. e 40. CTN. DF e M. o negócio jurídico. 173 e 150. “in fine”. constituindo caso de parcelamento heterônomo. errando o legislador na redação do art. Houve clara confusão de institutos e impropriedade técnica por parte do CTN. O primeiro deles advém da natureza jurídica do direito a que se refere: a prescrição se refere a “facultas agendi”. LEF. a decadência se refere a “normas agendi”. V. a prescrição que corre contra o contribuinte. 155-A. A satisfação de uma das partes depende fundamentalmente da vontade da outra. em face de inércia. Perfilhando Agnelo Amorim Filho121. porque altera a situação jurídica independentemente da atuação de outrem. § 4º. nos arts. 174. Dessa feita. com base em Pontes de Miranda.

surgindo pretensão desse ao exercício em juízo. Os incisos do dispositivo estabelecem os termos iniciais da contagem da decadência: I. não se sujeitam ao decurso do tempo. A partir do lançamento. quer seja ele subjetivo ou potestativo. O CTN estabelece que o decurso decadencial para tal é de cinco anos (art. Depois do decurso. quando é adquirido. CTN). Decadência – três temas mais controversos delineiam o instituto e suprem as querelas mais significativas: • Qual é o termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício. Por imperativo lógico. para permitir que o fisco tenha uma garantia maior na satisfação de seus débitos futuramente. sujeitos à decadência. “caput”. o legislador posterga essa baliza. porque não persiste lesão ao direito subjetivo do sujeito ativo. no primeiro ano civil em que se podia lançar. “cria-se o crédito” –. porque não pode promover a ação competente para cobrança. no CTN. o Estado há de perdoá-la em decorrência da inação do titular de um direito. sendo imprescritíveis. a prescrição e a decadência são institutos que prezam pela segurança jurídica. Termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício – tecnicamente. A partir daí. essas ações devem ser implementadas em trinta dias. cria-se a exigibilidade do crédito – para o CTN. Por conseqüência. as ações meramente declaratórias. No entanto. CTN). começando a correr somente no primeiro dia do ano seguinte. começa a correr o prazo prescricional da demanda executória. sujeitos à prescrição das correspondentes pretensões. o decurso decadencial fica “suspenso”. esse último também não está inerte. os quais buscam a pacificação das relações sociais. 1º dia do exercício seguinte ao que já se podia lançar – de acordo com a natureza do direito potestativo. 173. o termo “a quo” do prazo decadencial é sempre quando aquele surge. devendo o sujeito passivo pagar o tributo ou interpor recurso administrativo. Não há de ser razoável que qualquer pessoa seja “escravizada” para todo o sempre em detrimento de certa relação jurídica. Dessa forma. • Como se conta a decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. “caput”. a decadência só é tratada. 174. em um só dispositivo: o art. Trazendo de volta o raciocínio ao Direito Tributário.89 dizem respeito a direitos subjetivos. as ações constitutivas – positivas ou negativas – estão ligadas a direitos potestativos. 173. a decadência SEMPRE ocorre em um 1º de janeiro. por comportarem direitos potestativos não lesivos. De outra sorte. não corre prazo de prescrição. o inadimplemento do devedor configura lesão ao direito do credor. . é possível dizer que o direito (poder) do fisco realizar o lançamento é potestativo. • O que é a interrupção da decadência tributária. Adotando o prazo geral do CTN. o qual também é de cinco anos (art. Durante tal interregno. Em verdade.

único dispositivo idôneo a prever a contagem da decadência. o contribuinte pode: • Pagar a mais – há extinção do crédito tributário. o STJ considera o termo “a quo” para o lançamento por homologação o oferecimento da declaração correta feita pelo sujeito passivo. não há qualquer extinção do crédito tributário nem homologação expressa ou tácita. não devendo. I. passando a se sujeitar à decadência. Nesse âmbito. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. o fisco lançar. Nesse caso. Não existe decadência do lançamento por homologação. 173. CTN. não existe decadência da homologação. • Não pagar – seguindo o mesmo raciocínio anterior. passando a ser delineada no item sobre interrupção da decadência. mas sim do direito de realizar o lançamento do tributo sujeito à homologação. quando esse paga a menor.90 II. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. inclusive os lançados por homologação. Nesse montante. extinção parcial do crédito tributário. De outra parte. Nesse sentido. persistindo os mesmos desdobramentos e conseqüências do anterior. cabe ao sujeito passivo interpretar a lei. não a homologação. desde que antes do decurso prescricional. Quanto a esse. No tocante à diferença. ficando sujeito à decadência. persiste pagamento parcial. O credor tem parcial crédito para com o devedor. e. Não se perquiri . • Pagar a menos – o crédito tributário é bem divisível. a confirmação ocorre pela homologação expressa ou tácita. calcular o montante e recolher antecipadamente. Decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação” – nessa espécie de exação. O que extingue o crédito tributário é o pagamento. O lançamento de ofício é o único sujeito à decadência. a priori. Dessa feita. a corte entende que o crédito está constituído e o tributo lançado. descontando-se o valor já recolhido. A contagem do prazo da decadência é feita de acordo com três teses: • Corrente restritiva – leva em conta tão-só o art.Do dia em que foi anulado o lançamento por vício formal – essa disposição não encontra maiores desdobramentos no momento. desde que a declaração do contribuinte também tenha sido errônea. O direito potestativo de realizar o lançamento do montante integral nasce. há extinção do crédito tributado. quitação é meio de prova e não o pagamento em si. • Pagar exatamente o que deve – da mesma forma. nasce o direito potestativo do fisco realizar o lançamento complementar de ofício. não se falando em decadência. já podendo a Fazenda Pública inscrevêlo em dívida ativa e executá-lo a qualquer momento. por conseqüência. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. ocorrendo confirmação pela homologação expressa ou tácita. Não subsiste qualquer direito potestativo do fisco em realizar lançamento.

Tomando por base as considerações supra sobre o termo “a quo”. 173. Para Amaro (2006). em conjunto. promover o lançamento de ofício dos débitos fiscais. CTN) quanto para homologação tácita (art. mesmo porque só esse último está sujeito à decadência.91 se o lançamento está sujeito à homologação. quantitativa e qualitativamente. a partir do fato gerador. 173. foi deferida a extensão do decurso. § 4º. I. No diapasão: Afronta o princípio da não-contraditoriedade das normas jurídicas aplicar a uma mesma hipótese a regra e a exceção. a tese não alterou o prazo decadencial. o fisco não consegue. CTN). foi erigido o postulado em relevo. Dessa feita. contam-se cinco anos para se operar a decadência (art. “caput”. Dessa forma. na contrapartida da decadência. correndo os decursos simultaneamente. Conseguintemente. CTN. a gama de fatos geradores. não seguindo o necessário crescimento da estrutura de fiscalização. 3º. § 4º. § 4º. Com o crescimento da população. a construção jurisprudencial em comento (STJ) teve por fim exatamente possibilitar maiores poderes à fiscalização tributária. O art. • Tese 5 mais 5 anos – por razões administrativas. LC 118/05 veio a fulminar a “Tese do 5 mais 5 anos”. 173. Por interpretação sistemática do próprio CTN. é realizado de forma híbrida ou de ofício. CTN. “caput”. • Tese da LC 118/05 – os advogados dos contribuintes passaram a postular a aplicação do mesmo raciocínio para permitir repetição de indébito. no prazo decadencial de cinco anos. principalmente daquelas exações sujeitas à antecipação do pagamento (tributos sujeitos a lançamento por homologação). qual seja. correndo primeiramente o lapso para homologação e posteriormente. Isso representa uma impossibilidade lógica e jurídica. 2006. foram por demais majorados. CTN). mesmo porque o legislador não permitiu alteração no CTN para um prazo decadencial de dez anos. Pior: os causídicos passaram a requerer compensação e não restituição por precatórios. para realizar a homologação tácita (art. 150. o tempo de cinco anos. a de o prazo para o lançamento começar a correr quando já não seja mais lícito lançar (AMARO. 173. não permitindo tal interpretação pró-contribuinte. o art. mas postergou o termo inicial de sua contagem. Nota-se que o tempo previsto pelo legislador se refere tanto para o lançamento em si (art. Os . traz uma exceção à regra espelhada pelo art. A homologação tácita e o lançamento de ofício seriam atos distintos. Para mitigar a sonegação. p. CTN) não corre concomitantemente com o interregno decadencial de cinco anos para o lançamento (art. “caput”. 150. o STJ passou a aceitar esse entendimento. Com efeito. em face de uma questão política de isonomia. 413). para o lançamento (decadencial). 150. CTN). o custo jurídico para a Fazenda Pública passou a ser muito alto e.

123 A doutrina aponta duas possibilidades de decadência interrompida: o art. § 4º. DJU 8. “caput” e I. porquanto peticiona pela sua revisão. a decadência legal pode ser afetada por tais institutos. Interrupção de decadência – em regra. para construir o raciocínio da segunda hipótese? Resposta: cuidado.2000. CC). No entanto. CTN). § 4º. CDC. ao invés de ser no primeiro dia do ano seguinte àquele em que se passou a poder lançar (art. § 4º. 150. I. LC 118/05. O segundo é bem evidente. II. a decadência não fica sujeita a causa de impedimento. o STJ não teria se fundado no art.181/MG (2000. o lapso de decadência está diminuído.5. mesmo porque o STJ propicia um interregno decadencial menor que o previsto pelo legislador complementar para se operar a decadência. Há certa confusão entre os institutos da prescrição e decadência.2003. No entanto. CTN. seu raciocínio parte de premissa errada. Dessa forma. 0123113-8). CTN. 173. a segunda situação parece carecer de fulcro mais sólido. aplica-se o art. REsp 276. Para o inadimplemento parcial.6. porque está considerando o termo inicial do interregno decadencial o fato gerador e não a data devida para o pagamento. aplica-se o art. parece fácil compreender devido ao critério da exclusão: impossível utilizar a forma do art. quanto ao segundo dispositivo. e o art. Por acaso. I. em clara afronta à previsão legislativa. caso haja pagamento parcial. eventual recurso administrativo ou ação judicial pode contestar o lançamento por vício formal – cálculo errôneo do tributo. 173. DJU 30. REsp 289. o qual foi plenamente acolhido pelo STJ. Porém. 26. porque essa pressupõe a existência de algum pagamento. porque o art. é fixado na ocorrência do fato gerador. a contagem do prazo decadencial se faz de acordo com a espécie de inadimplemento por parte do contribuinte. o inadimplemento completo leva à primeira corrente supra exposta (“corrente restritiva”). Com efeito. o decurso para exercício do direito de lançar é contado nos termos do art. 3º. o qual inexiste. 173. Entretanto. o ato é definitivamente anulado. não havendo qualquer pagamento. CTN. . A priori. o STJ preceitua que a contagem da decadência será concomitante à homologação tácita. desde que o legislador expressamente preveja123. tratando-se de inexistência de qualquer pagamento. de interrupção ou de suspensão (art. sua Primeira Seção de Direito Público se equivocou.92 advogados postularam o mesmo tratamento quanto ao fisco. 150. a contagem se faz nos moldes do art. Pergunta: de acordo com atual orientação jurisprudencial do STJ. II. De acordo com o CTN e 122 ED no REsp 101.2. CTN. CTN. DJU 17. 150. Contudo.407/SP (98.142/SP (2000/0090249-7). CTN. não paira dúvida sobre sua verdadeira função interruptiva do decurso. nos tributos sujeitos à homologação.88733-4).2003. 173. 150. devolvendo-se integralmente o prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar novo lançamento (art. Quanto à primeira hipótese. O STJ desdobrou sua nova leitura em duas instâncias122: havendo pagamento a menor. Dessa feita. 173. por exemplo –. O entendimento de que o primeiro comando se refere à interrupção decadencial é minoritário nos meandros jurídicos. o ato de lançamento implica em afastamento da decadência. 207. prevê que haja algum pagamento. CTN). cuja corrente prevalente assente a existência de autêntica suspensão do interregno de decadência. § 4º. Sendo procedente o procedimento. A doutrina tratou esse fato como causa de interrupção de decadência. O termo inicial. CTN. com pagamento de parte do montante devido.

de acordo com a participação do Agente Fiscal em face do ato de lançar. devendo ser analisados alguns desdobramentos. Prescrição – sua conceituação segue o já explanado. Pergunta: a disciplina de decadência e prescrição se aplica integralmente às obrigações acessórias não adimplidas e. já que a Administração Pública Tributária fez o que deveria e o contribuinte não pagou. na qual fica configurada obrigação líquida. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. cuidado. fixam prazos para o exercício de determinadas ações no campo tributário. é necessário apurar. . havendo inexistência de qualquer pagamento (supõe-se que o lançamento já ocorreu). 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 2) Caso haja pagamento parcial. (Lembre-se que o contribuinte deveria ter “pago antecipadamente” e cumprido obrigações acessórias). Essa atuação da Administração Tributária é tida por meio do lançamento. A partir daí só caberá Execução Fiscal. regulado pelo art. é necessário que tenha relação jurídica com sujeito passivo. Os institutos da decadência e da prescrição são fenômenos que retratam limites de tempo incidentes no direito. direito de o contribuinte pleitear valores pagos a maior. tratando-se de lançamento direto ou de ofício. Isto quer dizer que ambos. Caso não tenha feito corretamente. Previamente à constituição do sujeito passivo como devedor. É a implementação do princípio da segurança jurídica. Surgirá então. o prazo a ser observado será o prescricional. portanto. 1) Com efeito. 168 da Lei no 5. no exercício de fiscalização. “Art. transmudadas em principal (multas)? Resposta: sim. no momento de “homologar”. 174 do CTN. conseqüentemente. ao final deste ato. o Fisco. 150 da referida Lei”. previsto no sistema jurídico brasileiro. a contagem decadencial se faz de acordo com o tipo de lançamento e. No que diz respeito ao texto do artigo 3º da LC 118/05. ou seja. a Administração Pública Tributária. o direito de cobrar e portanto submetido ao prazo prescricional do art. 168 do CTN. caso seja necessário.172. por meio de execução fiscal. no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. irá lançar “de ofício” o valor faltante e autuar quanto às penalidades pelo descumprimento da obrigação. Para que a Fazenda Pública possa promover a cobrança judicial de seus débitos. não poderá fazê-lo. Deverá então lançar e autuar. cada qual com sua peculiaridade. a extinção do crédito tributário ocorre. Só poderemos falar em prazo decadencial (findo) se não houver presença (via presencial ou por meio de notificação) do Agente no exercício de formalização do lançamento que lhe cabe. mais uma vez. já que incompleta esta fase. pois ele é afeto ao teor do art.93 a atual orientação jurisprudencial do STJ. mediante procedimento administrativo vinculado. o teor do crédito tributário. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 174 do CTN. certa e exigível.

pois não existe ainda lesão ao direito subjetivo do fisco. em que há sua interposição. Permanecendo inerte o sujeito passivo ou sendo infrutífero seu recurso. Mesmo considerando a construção do legislador. “caput”. III. Em verdade. o legislador previu situação insólita. CPC). Para fins de entendimento majoritário. De fato. nos termos da LEF. é que o crédito estaria “definitivamente constituído”. 2º. 585. surge a lesão e. CTN). Ao invés de dizer que a prescrição corre da mora. a Administração toma providências para a cobrança do débito. é repetido o decurso para o pagamento. por conseguinte. Entretanto. porém. com o inadimplemento do devedor. VII. “b”. A partir do 31º dia. a prescrição fica suspensa por 180 dias a partir da inscrição em dívida ativa. mas não definitivamente. destacam-se duas hipóteses: uma em que inexiste impugnação administrativa e outra. o prazo prescricional para ação condenatória começa a correr a partir do conhecimento da lesão do direito subjetivo por parte do lesionado. a prescrição corre da decisão definitiva do recurso administrativo e não do fim do novo prazo para pagamento.94 Depois de lançado o crédito tributário. Dentro dessa discussão. posição atualmente refutada pela doutrina. Não efetivando o inadimplemento. supõe-se que haja impugnação administrativa por parte do devedor. fato que só será efetivado 124 Na tese da “actio nata”. sobre o qual não incide a prescrição. No entanto. é necessário extrair certidão da dívida ativa. Mas o legislador foi infeliz na redação do art. porquanto matéria atinente à LC (art. CF/88). o codex acolheu o postulado de que a constituição do crédito se dá com o lançamento. do inadimplemento ou da lesão. 174. em que o interregno prescricional corre ainda que inexista lesão ao direito subjetivo correspondente. o qual poderá modificar o ato. materializada pela ação de execução fiscal. o legislador fez coincidir o termo “a quo” com sua construção de crédito tributário definitivamente constituído. não corre prescrição. o qual se valerá como título executivo idôneo a promover a referida demanda executiva (art. porque previu o termo inicial do prazo prescricional a partir da “constituição definitiva” do crédito tributário. o lançamento constitui o crédito. O ajuizamento da execução fiscal em si não interrompe a prescrição. Há um contrasenso. o STJ entende que essa suspensão não é cabível. CTN. “caput”. 160. Somente depois desse decurso ou sem impugnação administrativa. o crédito estaria definitivamente constituído. como já mencionado. o fisco confere prazo para o contribuinte pagar ou oferecer defesa administrativa. No entanto. no silêncio de lei ordinária específica. porque o sujeito passivo ainda tem um período para interpor o recurso administrativo. Sendo improcedente o recurso administrativo tempestivamente interposto. De acordo com o art. . § 3º. a inscrição na dívida ativa é o ato que consubstancia o contribuinte como devedor. Além dessa dívida constituída. 146. O CTN prevê. o sujeito passivo tem um lapso para realizar o pagamento ou para interpor recurso administrativo. que esse decurso é de 30 dias (art. LEF. Nesse intervalo. Por incrível que pareça. abre-se novo prazo para pagamento. a pretensão para a exigência judicial – é a tese da “actio nata”124. porque o crédito está constituído definitivamente – na linguagem do legislador – mas a prescrição não está correndo. Termo “a quo” da prescrição – a partir do lançamento.

Desse ponto. se a prescrição foi interrompida. como diploma protetivo do credor fiscal. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). o demandado tem algumas opções: Pagamento – com a satisfação do direito do demandante e extinção da execução e do crédito tributário. com redação dada pela LC 118/05). Exceção (objeção) de pré-executividade – aplicável nos casos em que o executado detém prova pré-constituída (documental). desde que encontrado patrimônio em condições de responder pela dívida fiscal. LEF). para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. LEF). o oferecimento dessa defesa atípica só e possível quando persiste liquidez e certeza da prova. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. CTN. Prescrição intercorrente – a Fazenda Pública procedeu ao lançamento. A partir da citação. A execução estará extinta. parágrafo único. 174. sendo instrumento criado pela doutrina e amplamente aceito pela jurisprudência. Prescinde de garantia do juízo. I. 9º. surgindo a lesão ao direito do fisco. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. Esse documento instruirá a petição inicial da ação de execução fiscal. § 2º. Depois de um ano. a execução fica suspensa. o qual permitirá a discussão da dívida em sede de cognição. CTN. 40. dando prazo para pagamento ou interposição de recurso administrativo. A partir daí. Não encontra previsão legal. e 8º. justamente pelo princípio da celeridade processual. I a IV. Acolhendo a defesa. fundando-se no art. § 3º. 174. depósito em dinheiro ou oferecimento de fiança bancária – art. Passado o decurso “in albis”. em sede de cognição sumária. No despacho citatório do processo. Revelia do executado – enseja a penhora ou arresto dos bens do demandado. que não depende de dilação probatória. passou a considerar que. Não encontrando qualquer bem penhorável. interrompe-se a prescrição tributária (arts. mas sim de mera defesa inominada em sede de processo executório. caracteriza-se o crédito definitivamente constituído. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. E verdade. Embargos do devedor – o juízo deverá ser garantido pelo depósito do montante integral da dívida (nomeação de bens próprios ou indicação de outros de terceiros. CTN. Não tem natureza de ação. 174. a fiscalização aduz título de dívida ativa (termo de dívida ativa) e extrai sua certidão. o juiz deve proferir despacho de arquivamento do feito. ou seja.95 pelo despacho do juiz que determina a citação do executado (art. I. LEF). muito pelo qual a LEF. não sendo mais permitido o desarquivamento do processo. a doutrina construiu a denominada prescrição intercorrente. . a qual ocorrerá dentro dos cinco anos seguintes. parágrafo único. o juiz julgará a execução extinta. termo inicial da prescrição qüinqüenal. parágrafo único. A tese pró-contribuinte.

nasce lesão127 ao direito do sujeito passivo tributário. a maior parte das pretensões ao indébito surge de erro de interpretação do próprio sujeito passivo. no lapso de cinco anos. Em contrário. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. existe a prescrição bienal do art. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. vindo a favorecer o fisco. 40. não sobre a intercorrente. afirmando que a prescrição passou a ser matéria de ordem pública. manifesta-se a doutrina majoritária. 191 do texto codificado”. 2. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandadocontribuinte. Rio de Janeiro. trata-se de interregno prescricional. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. LEF). Em que pese alguns autores defenderem natureza decadencial ao decurso em tela. 1º. Além dessa. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ)125. Prescrição nas ações de repetição de indébito – está prevista no art.280/2006. v. A revogação do art. há uma autolesão. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. 169. advogam Roberto Senize Lisboa e Nelson Nery Júnior. suspende-se o processo por um ano. Para solver o entrave. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. O direito ao ressarcimento no indébito também não pode perdurar pela eternidade. 168. Isso também não quer dizer que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. dentro 125 . Lições de Direito Processual Civil. 194 do Código Civil pela Lei n. § 4º. CPC). aplica-se a segunda pelo princípio da especialidade. “in fine”. Sendo assim. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. Nesse sentido. Isso não significa que a prescrição não-intercorrente – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado sem prévia oitiva do fisco. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. CTN. 127 Na verdade. 11. sob pena de nulidade absoluta do ato. Rodrigo Mazei e Câmara. porque é possível sua renúncia por razões outras. cujo pensamento pode ser traduzido pelo Enunciado 295 do CJF: “Art. Lumen Júris. 219. Apesar de ser factível em tributos lançados de ofício ou por declaração. porque prescrição é matéria de defesa disponível126. além de positivar a prescrição intercorrente no âmbito tributário. findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente”. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. não localizados bens penhoráveis. mesmo porque há interesse público em jogo. de fato. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. LEF). a qual versa sobre ação de anulação de decisão administração que denega a restituição. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. surgindo a pretensão desse para Súmula 314 do STJ: “Em execução fiscal. mesmo sob o regime da Lei 11280/05. 126 Pela perpetuação da prescrição como matéria disponível. Entretanto. CTN.96 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. porque versará sobre a modalidade ordinária da prescrição. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. pelo simples decurso do tempo. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. Havendo conflito entre CPC e LEF. Ambas correm contra o sujeito passivo da obrigação tributária. 191. fato que sugere o instituto da prescrição. § 5º. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. segundo bem aponta parte da doutrina.. Nesse caso. Quando o fisco aceita um pagamento a maior. 13 ed. Em razão da Lei 11280/06. não configurando direito subjetivo do contribuinte. 2006. a Lei 11051/04.

o primeiro é aquele que extingue o crédito. iniciado sob a égide da interpretação anterior. O Supremo entendeu que a interpretação nesse sentido. EREsp 435. EREsp 644. receita e LC 118/05 – a Lei 9718/98 instituiu a COFINS. Esse dispositivo diz respeito às exações sujeitas. essa proposição só foi reafirmada recentemente pelo STJ. Min. 130 STJ. estabelece que a referida prescrição corre a partir da extinção do crédito tributário nos casos do art. Informativo do STF nº 467. aproveitando-se o fisco dessa situação. “in fine”.5. REsp 955. consoante já supra comentado. o qual. j. faturamento. o STJ disse que o lustro se aplica para os fatos ocorridos após a vigência da LC 118/05. I. 3º e 4º. não persiste qualquer dúvida. CF/88). Em recente decisão. CTN. mas sim o próprio contribuinte dá causa. 128 STF. CONFINS. CF/88). 6/6/2007. 15. 28/8/2007. Dentro dessa perspectiva. I. respectivamente. respeitando comando dado pelo Supremo. Min. a lançamento de ofício e por homologação. 195. O STJ. mormente quanto aos seus arts. RE 544246/SE. ultrapasse o limite de cinco anos após a promulgação do diploma130. rel.97 se ressarcir mediante o exercício do direito de ação. a controvérsia se instalou. CTN. 129 STJ. Informativo do STJ n° 329.2007. determinando que o prazo prescricional da repetição de indébito é de cinco anos. desde que indevido (a mais). Informativo do STJ n° 322.736-PE. com base no art. “b”. salvo se o decurso prescricional decenal. 168. Quanto a tributo lançado de ofício. a redação do dispositivo das exações sujeitas ao lançamento por homologação. Teori Albino Zavascki. 150. 2ª T. 3º. contados do pagamento129. O art. era adotado o segundo momento lógico como termo inicial da prescrição da repetição de indébito. A questão ficou pacificada depois da LC 118/05. CF/88.835-SC. o STF deu parcial provimento a RE interposto pela AGU para contestar a posição do STJ quanto ao caráter não-retrospectivo da LC 118/05. Por óbvio. viola a cláusula da reserva de plenário (art. rel. Pois bem. . Sepúlveda Pertence. a causa de extinção referida pelo legislador seria o pagamento. a teor do que definira o constituinte128. § 4º. 165. O termo “ad quo” da prescrição da repetição de indébito comporta certa complexidade. nos tributos sujeitos à homologação. o termo inicial no pagamento do tributo (antecipado). 97. o Excelso Pretório devolveu a causa ao STJ para o julgamento pelo seu órgão especial.831-SP. Porém. Min. mal ou bem. I e II. contribuição previdenciária sobre a receita dos empregadores. Castro Meira. o que justifica a natureza prescricional do lapso ora em comento. DJU 4/6/2007. muito pelo qual a corte acolhia a “Tese do Cinco Mais Cinco” até pouco tempo atrás. Segundo a leitura da corte. era de dez anos para os tributos sujeitos à homologação de lançamento. DJU 27/8/2007. contados a partir do fato gerador. implica em diminuição do lapso. j. não é o terceiro que lesa o direito alheio. porque existem dois momentos lógicos: o recolhimento antecipado do tributo (a maior) e a homologação desse pagamento pelo fisco (art. Destarte.. EREsp 644. Nesse passo. a qual previu expressamente. Observe que a demanda será condenatória.736-PE. Nesse caso. Corte Especial. o decurso de cinco anos. rel. declarou inconstitucional o caráter interpretativo da LC 118/05. operada por órgão fracionário do STJ. j. Em raciocínio simplista. entendimento atualmente não mais vigorante. porquanto implica em verdadeira declaração de inconstitucionalidade do diploma. Até a EC 20/98. em seu art.

169. a Fazenda Pública alegou que a LC 118/05 é interpretativa (art. houve uma enxurrada de demandas para a repetição de indébito. além da ação judicial de repetição de indébito. 106. passou a existir somente uma. depois dela. O STJ. o administrado poderá recorrer ao Judiciário para anulá-la. CF/88. justamente por ele erigida. Pergunta: qual foi a LC de janeiro de 2000 que constitucionalizou a COFINS sobre receita das empresas. a qual passou a previr a extinção do crédito no pagamento (art. “caput”. Para fazer a prescrição atingir essas ações em curso. devido à vacância do diploma em 120 dias. Todavia. não sendo acolhida. veio a LC 110/01 para resolver a querela. passando a se discutir se emenda teria a capacidade de sanar inconstitucionalidade de lei anterior. I. a qual chegou no STF por via de RE. ficando a prescrição obstada a partir de então. Com efeito. CTN. bem como não versava sobre receita. não permitiu o caráter interpretativo da LC 118/05 ao afirmar que ela é inovadora (modificativa)131. LC 118/05. A COFINS sobre faturamento já era autorizada pela LC 70/91. Para revestir o diploma de constitucionalidade. 3º. “caput”. 131 STJ. o relator. Essa tese chegou ao STJ por embargos de divergência em REsp. dando origem à enxurrada de ações de repetição de indébito no primeiro semestre de 2005? Pergunto isso em face da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9718/98 pelo STF em 2005. 5º. a COFINS sobre receita. dentro da discussão da LF (Lei 11101/05). guardião da lei federal. Nesse passo. é possível ao sujeito passivo aduzir pedido na via administrativa (processo administrativo fiscal). § 4º. Gilmar Mendes. esse tinha duas margens interpretativas e. a prescrição se restringe à pretensão ao ressarcimento. CTN). antes daquela. mesmo porque o sentido interpretativo de um diploma presta-se justamente a tal faina. Com fulcro na doutrina alemã (tese da sanatória geral das emendas em face das leis anteriores). porque. o legislador foi tecnicamente impróprio na redação do art. essa posição é contestável. LC 118/05). reforçando a confiabilidade do jurisdicionado para com a corte.98 constitucional não falava em empregador. À guisa do debate. EREsp 327043-DF e AgRgREsp 727200-PB. O art. Para solver o caos no âmbito do fisco. XXXVI. Na segunda opção. 3º e 4º. caso a decisão definitiva seja denegatória. a prescrição para o exercício da ação é menor que aquela afeta diretamente à Justiça. . 169. as contribuições cobradas entre a Lei 9718/98 e a LC 110/01 passaram a ser objeto de ação de repetição de indébito. desde que instituída por LC. A partir do pagamento indevido. Foi uma decisão de extremo bom senso. 195. O argumento mais abalizado para refutar a retroatividade da LC 118/05 encontra-se no art. restringindo-se a dois anos (art. CTN). o Executivo fez aprovar a LC 118/05. sendo vencido (Informativo 408 do STF). Entretanto. Nesse sentido. característica inerente à inovação da ordem jurídica. bem como a ação tem natureza dúplice: anulação da decisão administrativa e condenação do fisco à restituição. a ser julgado pelo seu pleno. votou pela constitucionalidade. Segundo o tribunal. criada por MP e convertida em LO. quanto às expressões “prescrição da ação” e “anulatória”. Em verdade. já permitia outras contribuições não cominadas. pois o ato jurídico perfeito (interrupção da prescrição com o despacho de recebimento da inicial) não pode ser maculado por norma posterior. residuais. prestigiando a segurança jurídica da “Tese dos Cinco Mais Cinco”. a EC 20/98 operou a mudança. Entretanto. padecia de inconstitucionalidade formal. CF/88. com efeito retroativo. tal qual a própria redação dos arts. a LC 118/05 alterou a estrutura do CTN.

II estabeleceu apenas um impacto na Lei Diretrizes Orçamentárias relacionada à mudança na forma de tributação do setor de combustíveis e do pagamento por substituição no setor automotivo em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade . Pergunta: os impostos que podem ensejar a penhora do imóvel familiar (art. Pergunta: antes de reconhecer de ofício a prescrição. Pergunta: a doutrina processualista costuma diferenciar a exceção de pré-executividade da objeção de não-executividade. visto que “ocorrem antes do . § 4º. pode ser acusada de ofício e reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição. o juiz é obrigado a ouvir previamente ambas partes na execução fiscal? Resposta: não. tendo em vista o assunto estar afeto à matéria de direito. as condições da ação. a primeira se adstringe a matérias debatidas em embargos. Segundo Daniel Assumpção.COFINS. quer seja ordinária (arts. a exclusão do crédito tributário comporta “causas inibitórias do lançamento”. não permitiria o ato de apreensão judicial (ex. Mas ele possui o poder de fazê-lo caso queira. LEF). No momento em que uma legislação permite o não recolhimento de algum tributo. fora da previsão legal. 40. 205). 174. existe a previsão das receitas. Lei 8009/90) são somente o ITR e o IPTU? Outra espécie. Precisam atacar sim. CTN: 1º) Exclui-se um crédito que deveria nascer e não vai nascer. a segunda versa sobre matéria de ordem pública (norma cogente de interesse público). deve-se retornar à previsão orçamentária inicial e EXCLUIR a respectiva receita.: ISS cobrado em razão de modificação na estrutura do edifício)? Resposta: cuidado. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. indiretamente ligado ao bem de família. a lei torna penhorável o ‘bem de família’ tratando-se de impostos. CTN. levando-se ao raciocínio de que o legislador complementar atuou com impropriedade terminológica. § 5º. presente no capítulo V do Título III. CPC). 4º parágrafo 2º. isso quer dizer que o imóvel fará às vezes de garantia da dívida decorrente de tributo. 3º. o termo Exceção de PréExecutividade tem prevalecido em face da margem de matéria que podem ser alegadas e que não estão restritas àquelas de ordem pública. 2º) dentre as obrigações da Administração na elaboração do orçamento. devendo ser oposta antes da penhora (“pré-executividade”). portanto. Ambos os conceitos são jurídica e semanticamente vagos. Exclusão do Crédito Tributário Há dois posicionamentos para o termo “exclusão”. IV. sendo incluído tudo o que se imagina arrecadar. O ISS está afeto à prestação de serviços e. quer seja intercorrente (art. “caput”. a qual não preclui. e 219.99 Resposta: a Lei Complementar 101/00 em seu art. Para Sabbag (2004. Essa diferenciação também existe na execução fiscal? Resposta: em matéria de execução fiscal. p.

o fato abstrato deixa de existir e assim não pode surgir uma obrigação tributária. 139 c. 175. não há elementos suficientes e legais para “constituir um crédito tributário” em face de um fenômeno isento. imunidades e princípios). 2004). § 6º. 1999. confere permissivo às chamadas isenções geográficas (NOGUEIRA. há de se ressaltar “que o poder de isentar ou anistiar é correlato ao poder de criar tributos” (SABBAG.100 lançamento e após o surgimento da obrigação tributária”. e 176. O art. resolução legislativa que aprova convênio não pode concedê-la. Não há de se formalizar a relação jurídica para torná-la exigível. pela PROIBIÇÃO legal da chamada isenção em branco (art. “g”. 1999). § 2º. 171). o qual entende a isenção como disposição legal de incidência tributária. não existe a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. consoante comentário já realizado. Respeitando o respeitável mentor do CTN. neste. Em verdade. isto é. prevê que a exclusão do crédito tributário adstringe-se à isenção (dispensa de tributo) e à anistia (dispensa de penalidade). A norma que exclui o crédito tributário sempre afasta a obrigação principal. 177. Celeumas à parte. 176. . II. pois. 2004. Linha minoritária assevera que qualquer hipótese abrangida pela isenção não pode se denominar fato gerador. 133 STJ. parágrafo único. parágrafo único. à luz da previsão abstrata legal (fato imponível descrito na norma).. art. 26/6/2007. a isenção engloba os fenômenos havidos a partir de sua instituição. o art. Rubens Gomes de Souza. Informativo do STJ n° 325. Como se sujeita à reserva legal. essa imperdoável posição extraída da doutrina estruturalista germânica e adotada na letra da norma gera contra-sensos dessa monta. “ex vi” dos arts. 175. rel. 175. devendo ser respeitados os mesmos parâmetros diretivos desses (limitações ao poder de tributar. admitindo-se a dispensa da obrigação principal para os isentos. Essa é a posição perfilhada pelo Excelso Pretório. isto é. Paulo de Barros Carvalho assevera que a constituição do crédito tributário se dá com a realização do fato gerador. CTN). Ricardo Lobo Torres (apud NOGUEIRA. o equívoco semântico do texto legal se deve à sua visão míope sobre a constituição do crédito tributário. conquanto se afasta a obrigação principal das hipóteses de isenção. REsp 723. com o objetivo de “compensar desigualdade em função de condições 132 Indo um pouco mais fundo. Neste raciocínio. 2ª T. XII. A posição MAJORITÁRIA afirma que. a isenção não tem o condão de anular os efeitos da norma maior. Todos os fenômenos abrangidos são fatos geradores.575-MG. A norma cria uma exigência e o legislador faz surgir uma gama de casos particulares dentro dela. 205). de modo a dispensar o contribuinte da obrigação principal. tendo por fulcro metajurídico elementos de cunho sócioeconômico e sócio-político (SABBAG. Eliana Calmon. p. ISENÇÃO é chamada de endonorma pelos doutrinadores. Min. assevera que a isenção suspende a eficácia da norma impositiva tributária. cuja ocorrência se dá com a previsão da hipótese de incidência na lei tributária132. CTN. mas não as acessórias (art. j. Sempre decorrente de lei. salvo se houver consenso de todas as unidades federadas no caso de ICMS (art. CTN). CTN). p. Desta feita.c. a isenção não alcança as exações nascidas depois de sua criação. CTN. 155. CF/88)133. CTN. 150. por ser uma endonorma. CF/88. Todavia. Neste diapasão. parágrafo único.

não cabendo qualquer análise por parte da Administração Tributária. 177. como observam Sabbag (2004) e Nogueira (1999). como bem ventila o art. mas a infração. por expressa manifestação legislativa (art. 178 c. Ex. CTN. Para Nogueira (1999). A específica é aquela que depende de verificação. Decorre de razões de política fiscal e atendimento de certas conjunturas e circunstâncias não só econômicas. 179. justamente para não causar ainda mais confusão na explanação didática dos institutos em análise. A geral é aquela decorrente diretamente de lei. há certas diferenças para com a isenção. Mesmo assim. a retirada da sanção tributária pecuniária. da situação apresentada pelo contribuinte. sendo aplicada às penas anteriores à sua instituição. em contrário senso) e jurisprudencial (Súmula 544 do STF136). preferiu ele manter o uso da visão codificada do legislador tributário. CTN). a jurisprudência não tem reconhecido a aplicação da anterioridade à revogação das anistias incondicionais135. Herman Benjamin. Cf. rel. Informativo do STJ n° 331. Neste caso. parte inicial. CTN). 137 Apesar da posição pessoal do autor. Min. no campo concreto. É importante também dizer que as isenções só alcançarão os tributos não vinculados (impostos). I. bem como um prazo para o aproveitamento dos benefícios. art. pelo fisco. Para Sabbag (2004). a finalidade principal é retirar a situação de impontualidade do inadimplente da obrigação. A vontade do legislador vai determinar os limites de abrangência. essa disposição pode ser excepcionada pelo legislador concedente. cabendo-lhe exarar despacho concessivo (art. por diploma de igual hierarquia àquele concessório. 11/9/2007. já existe. pode ser revogada a qualquer tempo.: revogação do art. ou seja. A condicional é irrevogável. Qualquer penalidade. A INCONDICIONAL é isenção que não estipula qualquer requisito especial para sua concessão. A pena pode ainda não existir no plano formal. a anistia encontra fulcro maior no “indulgentia principis” do Direito Penal. CTN (NOGUEIRA. opera causa de extinção da punibilidade. 104. 208). Segundo Sabbag (2004. 153 da CF de 1969) não se aplica à revogação de isenção do ICM. Súmula 615 do STF: O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. o qual não poderia ser desfeito nem mesmo por lei superveniente. Porém. o qual coaduna com a tese da constituição do crédito tributário pela hipótese de incidência. “caput”. REsp 575. desde que observada a anterioridade originária (art. a isenção pode ser geral ou específica. . como é o caso de calamidades (NOGUEIRA. Ela é o PERDÃO. 8º. configurando verdadeira “fossilização” do ordenamento134. III. versando inclusive sobre a mencionada isenção em branco (art. a anistia alcançará 134 135 STJ. desde que devidamente prevista em diploma competente. incondicional ou condicional. p. indireta ou indenizatória dessas exações.c. é o “perdão legal das penalidades pecuniárias antes da constituição do crédito tributário”137.806-PE. pode ser passível de anistia. 1999). 178. j. Na ANISTIA. DL 8031/45 (isenção de II e de IPI para equipamentos integrados ao ativo da Companhia Hidrelétrico do São Francisco – CHESF). pela Lei 8032/90 – o primeiro comando não pode conferir um direito adquirido à beneficiária. 177. Em termos classificatórios. CTN).101 peculiares”. nos termos da legislação. Entretanto. 136 Súmula 544 do STF: isenção tributária concedida sob condição onerosa não pode ser livremente suprimida. “caput”. mediante requerimento. 1999). não se aplicando às taxas e às contribuições de melhoria em razão da necessária contraprestação direta.

140 A cláusula de inalienabilidade engloba também a incomunicabilidade. 180. 183 a 193. enquanto aquela. Dessarte. CTN). conclui que o lançamento não tem o condão de impedir a concessão de anistia. Inoponibilidade de garantias reais ao fisco (art. Ex. CPC (bens impenhoráveis). Lei 8009/90 – créditos previdenciários e trabalhistas decorrentes de relação empregatícia em função do imóvel e tributos relativos ao próprio bem (em 138 Neste aspecto. op. I. podendo o legislador inovar nesse sentido. v. A natureza de receita pública. pela notificação –. CTN). Ricardo Cunha Chimenti. apresentando espectro amplo quanto às sanções (cometidas. ao tê-lo como procedimento (sucessão de atos). I a X. “caput” e parágrafo único. Ex. simulação ou fraude. 1º. ao contrário do que apregoa a doutrina prevalente e a própria redação do art. Contudo. de acordo com a Súmula 49 do STF: “A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens”. 649. 156. direcionada ao custeio das funções públicas.. 184. “in fine”. O procedimento para a isenção e para a anistia se dá à luz do comando diretivo do CTN. 2002. 184. 180. se a impenhorabilidade for legalmente instituída. impostas ou formalizadas).. como Sabbag. CTN).. II. I e IV. Com efeito. essa colocação também se aplica ao fisco. As garantias da Fazenda Pública quanto ao crédito tributário estão elencadas em rol exemplificativo nos arts. a anistia retroage a fatos já ocorridos. CTN) e as demais infrações tributárias cometidas em concurso de pessoas (art. 16. op. CTN. fazendo-se merecer especialidade na sua regulação. Lei 8009/90 (bem de família). 4ª ed. baseado na citada LC. 142. NÃO ATINGINDO os valores referentes ao crédito tributário (obrigação principal)138. porque colimam a isonomia. CTN). CTN). não tendo vez frente aos preceitos de ordem pública da norma tributária (função social dos contratos). Direito Tributário. art. Coleção Sinopses Jurídicas. porque a benesse cabível seria a remissão (art. Desta feita. op. CTN. os parâmetros de aplicação dos institutos em tela (art. o comando prevalece sobre a lei tributária (art. Também não alcança os atos cometidos com dolo.: art. VI. ou seja. permitindo a penhora da coisa. porque esta se refere ao crédito tributário “per se”. é adepto da corrente que entende o lançamento como perfeito em um só ato (a notificação). à imposição de penalidade tributária. Garantias do Crédito Tributário Não são inconstitucionais. Amaro. 156. bem como os crimes e as contravenções (art. a anistia não se confunde com a remissão (art. O legislador ordinário determina-lo-á.102 tais fenômenos. IV. Dessa feita. admitindo o autor a sua incidência mesmo em crédito já lançado. não há de se cogitar a anistia (SABBAG. CTN) – as estipulações entre particulares no tocante aos gravames reais não atingem a exigência de crédito tributário. cit. e outros. O contribuinte fica dispensado do cumprimento de certa penalidade. não abrange as sanções já lançadas. cláusulas de inalienabilidade. São Paulo. mas continua com a obrigação principal e outras acessórias dela decorrentes. requer um tratamento desigual relegado ao fisco. mas sim em remissão.. Saraiva. Depois de “constituído o crédito” pelo lançamento – em outras palavras. cit. havendo notificação do contribuinte. cit. IV. As disposições só são válidas entre particulares. apoiada pela maioria da doutrina. 3º. Essa linha.: art. 2004)139. . 97. Caso a própria lei excepcione a impenhorabilidade. 139 Sabbag. encontra resistência em doutrina isolada. não há mais de se falar em anistia. “caput”. de incomunicabilidade ou de impenhorabilidade140 não produzem efeito quanto ao fisco.

o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. No âmbito tributário. CTN). Para responder se há ou não fraude ao fisco. A presunção de certeza e liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno administrativo. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. essa é mais profunda. se o tributo a ser cobrado não assim se manifesta. CTN) – depois da citação válida. Depois de inscrita a dívida ativa. tornando-o passível de penhora (art. 185. o que ainda não é pacífico. Fraude à “execução fiscal” (art. Lei 8009/90). Em que pese não haver um sistema informatizado totalmente abrangente. 185-A. “caput”. CTN). etc. de esgoto.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. o devedor não paga no prazo legal. 185-A. porque. incide a mencionada fraude. § 2º. 141 A jurisprudência não admite a cumulação entre taxa do lixo e taxa para limpeza de logradouros públicos. Para ficar submetido à indisponibilidade. muito pelo que não são encontrados bens aptos à penhora (art. patrimônio apto a satisfazer o crédito tributário. dentro do processo civil. não nomeia bens nem é verificado. 3º. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. “caput”. em qualquer órgão. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor.103 decorrência da propriedade – ITR e IPTU – e do poder de polícia estatal – taxa do lixo141. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. § 1º. Para tal. porque o único bem idôneo a solver a dívida foi alienado em contrário ao art. Como o imóvel restante não é penhorável. entidade ou instituição. 185-A. . CTN. Fraude à administração fiscal e bem de família – supondo que o devedor tenha débito fiscal de $70 e possua dois imóveis. o fato depende da natureza do crédito fiscal da Fazenda Pública: caso a exação originária seja do imóvel de propriedade do contribuinte. Ex. procedimento e ato dotado de presunção de legalidade e de legitimidade. exige-se regular citação do executado. A certidão de dívida ativa. 185. 185. pública ou privada. porque a impenhorabilidade do bem de família é excepcionada. importam em fraude à execução. cada um de $100. I e II. Trata-se de presunção absoluta. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. como título executivo extrajudicial. porquanto ambos decorrem do mesmo poder de polícia sanitária do Município. 185-A. depois da hasta pública. o saldo será restituído ao devedor (art. não existe fraude. a Fazenda Pública pode alcançar a ineficácia da alienação feita pelo contribuinte. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. Depois de ajuizada a demanda. Todo esse trâmite demanda muito tempo. Câmara (2006) afirma que surgiu um novo instituto: fraude à administração fiscal. porque o legislador previu abrangência em todo território nacional. instruirá a inicial da execução fiscal. “Penhora on-line” (art. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. CTN). já existe o ambiente jurídico para tal. do contrário. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. CTN). de eletricidade. pelo meirinho.). apta a registrar patrimônio (art. CTN) – o juiz da vara de execuções fiscais pode declarar a indisponibilidade de bens do executado em face de dívida fiscal não adimplida. o sujeito passivo aliena um desses.

existe também a argüição de excesso de indisponibilidade. não há de se retirar a salvaguarda da Fazenda Pública com fulcro em excesso de indisponibilidade. Todavia. na dicção do art. o fisco não precisa se habilitar no processo falimentar. respeitando a ordem de prevalência estabelecida na LF. CTN). LF. Quando a execução fiscal fora instaurada antes da ação falimentar. 186 e 188. 2006. é perfeitamente possível crédito quirografário ter preferência sobre tributário. ao revés. Nesse passo. CTN). ele vai à hasta pública. 41. “caput”. 255) ensina que os Territórios Federais não se constituem dessa forma. nos termos de seu art. 209. a qual abrange os entes políticos (art. O constituinte dá indício dessa assertiva. a norma geral será o CTN. e 188. CTN. São a União. de indenização por dano moral. CTN) – a relação de preferência no concurso de credores está determinado na LF (Lei 11101/05). o DF e os Municípios. específico de cada ente ou relativo a cada exação instituída. Nesse caso. Cobrança judicial dos importes tributários inscritos em dívida ativa. 1ª parte. porquanto estatui que os impostos estaduais . No mesmo raciocínio. O fisco pode receber antes do detentor de crédito trabalhista. o produto da arrematação é entregue à massa. Secundando o legislador do CTN. 83. dada a situação concreta submetida ao sujeito passivo. CTN). desde que aquele tenha crédito extraconcursal (depois da decretação da falência). de acordo com o arts.104 Dentro da idéia de excesso de penhora. 479). visto que o efeito atrativo do juízo universal não se lhe aplica (art. p. mormente aqueles dependentes de lançamento (AMARO. CF/88). Essa disposição só cabe se divisível o bem. Crédito tributário na falência (arts. caso em que o montante da arrematação será deferido ao juízo universal. CTN). e o segundo seja anterior à falência (arts. I a III. CC. 194. A administração de tributos é realizada pela Fazenda Pública. e 186. cuja atuação é imprescindível inclusive para o próprio recolhimento de alguns tributos. Sabbag (2004. Inexiste qualquer competência tributária deferida aos Territórios. devolvendo-se o saldo ao devedor. essa deve ser limitada ao valor da dívida em discussão. os Estados. porquanto sua competência e sua capacidade tributárias são deferidas à União (art. Em verdade. Nessa última hipótese. 187. porquanto sequer possuem Fazenda Pública (art. possivelmente. porque. Medidas de controle e verificação da realidade fiscal do contribuinte. sob pena de suscitar mandado de segurança pela diferença e. LF. Essa situação também vige se a penhora precede ao ajuizamento da falência. sua penhora é realizada no rosto do processo da quebra. Administração Tributária Introdução – a fiscalização tributária é assunto deferido ao legislador ordinário. p. 84. Sabbag (2004. Essa atribuição é de suma importância para a função arrecadatória do fisco. O feito permanece no seu juízo privativo. 209. “caput”. Todavia. 241) assevera que a atribuição de administrar tributos importa em três funções: Procedimentos fiscalizatórios adequados. 147. p.

terceiros alheios. uma vez se afigure embaraço ou desacato tal ao exercício que torne impossível sua efetivação (art. refere-se ao procedimento de consulta. I e . publicidade e eficiência (art. CTN). e 55. bem como considerar a consulta ineficaz ou incabível (arts. 2ª parte. deixa claro que até mesmo os imunes e isentos devem se render aos comandos normativos tributários. p. Destinatários – usando a terminologia do codex. 52. “caput”. Assim como no PAF. 56. p. apesar de não ser permitida quando tais expedientes já foram iniciados (art. CTN). nos termos dos arts. 37. os agentes do fisco poderão requisitar força policial para levar a cabo seu ofício. disposição que é reforçada pelo art. “caput”. a resposta dada pela autoridade tributária e favorável ao contribuinte vincula a Administração Tributária. 175. 480) lembra que o Senado tem competência exclusiva para avaliar periodicamente o desempenho da fiscalização tributária de todos os entes federados. CF/88). A atuação dos agentes de fiscalização deve observar o princípio da estrita legalidade. a consulta permite recurso administrativo e reapreciação da matéria por instância superior. Da resposta proferida. 200. 48. postulando pela aplicação integral de todos os princípios administrativos: legalidade. I a VIII. Quanto a esses. CTN. 54. Nesse ponto. nenhuma medida pode ser tomada em desfavor do consulente em até trinta dias (art. É matéria regulamentada pelo D. aplicável à Administração Tributária. moralidade. parágrafo único. 147. Também não é possível imposição de medidas de garantia nem incidência de juros moratórios. D. na resposta. 70235/72). Mesmo que não haja configuração de crime. 48. além dos sujeitos passivos da relação jurídico-tributária (contribuintes e responsáveis). Apesar disso. 70235/72. é abrangente as determinações do legislador. 78. apesar de vigorar correção monetária. D. 2001. III e IV. o art. 194. II. CF/88). parágrafo único. CF/88). p. quando cada um deles exercerá plenamente sua capacidade tributária própria (art. mormente no que concerne às obrigações acessórias. CTN. “caput”. 76). não é possível aplicação de penalidades nem ajuizamento de execução fiscal (art. 2001. No entanto. 70235/72).105 correspondentes são incumbência da União (art. Mesmo outras pessoas podem ser objeto de fiscalização pela autoridade. 245) avança um pouco mais. p. a autoridade poderá compelir o consulente a cumprir determinada obrigação. Em verdade. Essa regra só é excepcionada se o Território for dividido em Municípios. 161. pelo qual o contribuinte pode submeter uma dúvida sobre cumprimento de obrigação tributária à autoridade fazendária. 70235/72 (FÜHRER e FÜHRER. o que talvez afastasse o interesse do jurisdicionado pelo instituto (FÜHRER e FÜHRER. impessoalidade. D. CF/88). praticar atos ou abster-se de fatos em nome do poder de polícia do fisco (art. quando devam prestar informações. CTN. 1ª parte. D. Amaro (2006. 52. Sabbag (2004. assim como a funcionalidade do próprio Sistema Tributário Nacional (art. 52. diploma que também trata do procedimento administrativo fiscal. a expressão “impostos” pode ser interpretada como tributos. 147. 70235/72). a legislação tributária é dirigida tanto à autoridade administrativa tributária quanto aos administrados. XV. Consulta – o art. Quando pende consulta. podendo abarcar. § 2º. 76).

197. como ensina Robson Baroni. desde que atinentes à sua função fiscalizatória. quaisquer livros comerciais. Lei 8112/91. limitado o exame aos pontos objeto da investigação”. 197. Deve ser preservado pelo fiscalizado até o decurso de prescrição ou de decadência a ele relativas (art. Sigilo fiscal – sigilo é aquilo que representa o selo que lacra o que não pode ou não deve ser divulgado. “ninguém pode ser obrigado a prestar informações sobre os negócios de outrem só porque eventualmente mantenha com ele relações de amizade ou de parentesco. D. 483). psicólogos. a verificação deve guardar nexo com o objetivo do procedimento. p. CC. 197. os arts. quando o causídico estiver exercendo função atípica. 2006. 481). Qualquer disposição normativa que venha a limitar a atuação do fisco está em desacordo com a norma geral tributária. CTN). I a VII. CF/88). 2006. Além dos próprios sujeitos passivos da relação jurídicotributária. “caput”. asseguram o exame amplo e genérico no processo de fiscalização. 2004. p. X e XII. 46. a autoridade tributária tem prerrogativa sobre os segredos de cada pessoa. consubstanciada pelo CTN (CHIMENTI. entidades econômicas e profissionais e órgãos da Administração Pública têm legitimidade para aduzir consulta (art. 119). sob pena de importar em abuso de autoridade (Súmula 439 do STF)142. tem o dever de prestar informações ao fisco. III. ou mesmo negócios aos quais sejam alheias as informações demandadas” (AMARO. a teor do que já disse a citada Súmula 439 do Supremo. p. por exemplo.106 II. § 1º. No entanto. como rememora Chimenti (2002. D. No ambiente tributário. CC). muito pelo qual é decorrência do véu que se abate sobre a privacidade e sobre os dados pessoais (art. o legislador deu prevalência ao primeiro (art. Porém. 120). CTN). colocando desta forma um manto sobre o segredo. No entanto. D. médicos e outros. p. 195. o sigilo bebe na fonte dos Direitos Fundamentais. O legislador exigiu pertinência temática entre o objeto da fiscalização e o ato fiscalizatório. parágrafo único. além de documentos relativos a lançamento. sendo considerada ineficaz (SABBAG. 2002. 5º. 70235/72. . 1190. No entanto. e 1193. Apesar de a legislação comum proteger a exibição de livros e de documentos contábeis do empresário (art. cuja autoridade competente é o coordenador do Sistema de Tributação da atual SRFB (art. O rol do comando considerado é fechado nos seus termos. ou previdenciária. “b” e “c”. CTN). em que pese o legislador poder ampliá-lo “de lege ferenda” (art. o julgamento da dúvida será feito por instância única. para torná-lo indevassável. CTN. 197. VII. parágrafo único. 33. Havendo conflito entre o dever de guardar segredo (dever legal de sigilo) e o interesse da Administração Tributária. parágrafo único. como inventariante ou como administrador judicial em falência. 142 Súmula 439 do STF: “Estão sujeitos à fiscalização tributária. CTN). O art. Ex. 195. O próprio dever de prestar informações e de apresentar documentos para fins fiscalizatórios se constitui como obrigação tributária acessória (art. Nessa hipótese. 54. p. 70235/72). 242). arrola vários obrigados nessa faina. Esse arcabouço probatório é composto por livros comerciais e fiscais. sacerdotes.: advogados. “caput”. 70235/72). apesar do legislador não ter falado na segunda (AMARO. CTN.

58. importante ressaltar que o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos estatais pode ser feito até mesmo no âmbito internacional. Requisição de CPI (art. Enfim. houve preocupação na entrega pessoal do cabedal de informações. na conformação que lhe der tratado entre a União e outros Estados (art. “caput”. “caput”. No diapasão. com o intuito de evitar e reprimir crimes de lavagem de dinheiro. desde que haja PAD instalado para investigar o sujeito passivo tributário. 199. CF/88. § 3º. 58. Na terceira hipótese supra aduzida.107 Em regra. CTN. § 3º. perante o STF. colimou restringir o compartilhamento de informações entre Estado e particular. 6º. o próprio legislador excepcionou o mandamento em algumas situações (art. § 3º. desde que haja processo administrativo fiscal instaurado. 3º. LC 105/01). Com fulcro no art. a ser efetivada mediante recibo. “caput”. as instituições financeiras deverão remeter à SRFB informações para identificação de contribuintes e de valores relativos à CPMF. Representação fiscal para fins criminais. tributo que possui finalidades concomitantes de arrecadação e de fiscalização. 198. X e XII. “caput”. Na esteira do diploma. A AGU pode requisitar informações ao BACEN e a CVM para instruir processos em que esteja atuando (art. Sabbag (2004. inclusive entre entes políticos diversos. Repartição mútua de dados entre diferentes órgãos estatais no interesse da fiscalização tributária. A LC 105/01. CF/88. 5º. §§ 1º a 3º. 199. CTN): Requisição de autoridade judicial. a jurisprudência era pacífica em proibir a prática por parte da Administração. porquanto o art. LC 105/01). O permissivo só é aplicável se houver PAF ou procedimento de fiscalização regularmente instaurado (art. CF/88). independentemente de vênia judicial. desde que autorizada pelo plenário da Casa Legislativa ou da própria comissão. A prevalência do sigilo quanto a terceiros deve ser colimada na formalização do ato. a Lei 9613/98 confere poder ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para requisitar informações bancárias e fiscais. por intermédio do BACEN ou da CVM. mediante lei ou convênio (art. 247) professa que a inexistência de convênio não impede a troca de dados sigilos fiscais entre órgãos públicos. Antes do referido diploma. . os agentes da Fazenda Pública não têm vênia para divulgar dados sobre situação econômica ou financeira de fiscalizados (art. p. em face do art. Necessidades materiais para ativação de dívida da Fazenda Pública. Entretanto. assegura a quebra de sigilo bancário pelas autoridades tributárias. a mesma lei conferiu idêntica prerrogativa às CPI’s. que está tendo sua constitucionalidade contestada. Concessão de parcelamento ou de moratória. I e II. CTN). Solicitações e autoridade administrativa acerca de infração disciplinar praticada por servidor público. CTN). parágrafo único. 198. CTN). 199.

a denúncia não é válida. 145. 5º. os quais comporão autos. . cuja lavratura também encontra previsão nos arts. É importante também para caracterizar ou não denúncia espontânea. De fato. No entanto. CTN). LC 105/01). Em contrapartida à mencionada ADIn. quando da apuração de crimes contra a Administração. quer sejam acessórias”. 122). p. Como postula Amaro (2006. quer sejam principais. o qual será apresentado ao inquirido. o legislador lhe fez referência como procedimento. 482). não a fiscalização em si. 11. a fiscalização é dirigida pelo princípio documental. p. quando é confeccionado documento apartado. a teor do que se posiciona a jurisprudência. parágrafo único. “caput” e parágrafo único. presentes indícios de crime de ação penal pública. Essa assertiva advém diretamente da segurança jurídica. 10. CTN. 2002. 70235/72. mediante recibo. 196. A prévia fixação do término da investigação é um dos mais relevantes pressupostos para a regular tramitação do exame tributário. § 4º. “caput”. bem como a prática de atos que importem omissão. apenados com reclusão de um a quatro anos e multa (art. LC 105/01). cópia deve ser entregue. § 1º. o servidor público responsável arcará civil e funcionalmente pelo seu ato comissivo ou omissivo. “caput”. expressamente esculpida no art. comportando efeitos diversos na relação entre sujeito passivo e Administração Tributária. p. O termo inicial da análise fiscal deve ser preferencialmente registrado em livro especial. Fiscalização – circundando o conceito de fiscalização dado pelo CTN. parágrafo único. Sabbag (2004. LC 105/01. se ficar provado que agiu de acordo com a orientação da instituição. o que se deve rechaçar são os abusos e o vazamento de informações. O Ministério Público. Se houver prejuízo em decorrência do vazamento de dados. 1º. 196. “caput” e parágrafo único. Segundo o autor. A infringência das regras sobre quebra de sigilo bancário e fiscal. porquanto assentadas no art. ao fiscalizado (art. essa responderá objetivamente (art. 241) a define como sendo “atos de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. o BACEN e a CVM são obrigadas a representar perante o Parquet para as medidas julgadas cabíveis (art.108 A autorização judicial para a quebra de sigilo bancário e fiscal. D. Todavia. Depois desse momento. CF/88. retardamento injustificado ou prestação de informações falsas constituem ilícitos penais. pode ser decretada em IP ou em ação judicial (art. “in fine”. só será assim considerada a confissão de dívida tributária havida antes de documentado o ato. é possível extrair seu sentido ontológico. p. Não sendo possível. 9º. 120). CTN). 173. porquanto fala em fixação de termo inicial e final (art. e 6º. 138. não tem prerrogativa de requisitar informações bancárias e fiscais por força própria. LC 105/01). entende que a LC 105/01 e outras normas no mesmo sentido não são inconstitucionais. “caput”. Nos termos do art. em que todos os atos devem ser reduzidos a termo. LC 105/01). CTN) e garante a defesa do investigado (CHIMENTI. 8º. A lavratura do início do procedimento fiscalizatório influencia na apreciação da decadência (porque seu termo inicial é a notificação do procedimento de fiscalização – art. Chimenti (2002.

Segundo o STF. CTN). Min. Plenário. Informativo do STJ n° 324. LEF. 38 da Lei nº 6. o único formado unilateralmente 143 143 STF. 38. e parágrafo único. geralmente de 30 dias (art. mesmo em sede recursal. 250) define dívida ativa como crédito tributário inscrito. 503. Segundo Chimenti (2002. 1ª T. “caput”. Caso o contribuinte seja vencedor na primeira instância administrativa. CTN): identificação do devedor e co-responsáveis. fundamento legal. cabe recurso hierárquico à instância administrativa de superposição. Inscrição em dívida ativa – Sabbag (2004. com decisão desfavorável ao sujeito passivo. Marco Aurélio. 201. 19/6/2007. 171). 202. por notificação de lançamento ou por apreensão de livros e mercadorias (FÜHRER e FÜHRER. suspendendo-se a exigibilidade do crédito tributário (art. o legislador emprestou-lhe o valor de título executivo extrajudicial (art. porquanto a decisão é tangida pela imutabilidade do trânsito em julgado. com efeito.073-DF. 70235/72). esse comando não ofende o direito de petição e a inafastabilidade do Judiciário (art. Notificado da instauração do procedimento. XXXIV e XXXV. III. STJ. Joaquim Barbosa. No apontamento. o ato administrativo goza de presunção relativa de liquidez e de certeza quanto ao crédito representado (art. CF/88. como já se posicionou o STF. valor devido. LEF. o crédito tributário (não suspenso. 2002. também chamada de impugnação ou de reclamação (CHIMENTI. No primeiro caso. AC 1. extingue-se o crédito tributário. o interessado pode pagar ou apresentar defesa. porquanto todos têm direito ao sossego público. porque se trata de aplicação do art. VII. com precedentes no AgRg no Ag 112. DJ 1º/6/1992. RE 233582/RJ. Essa exigência. Esse entendimento já estava consolidado na Súmula 247 do extinto TFR144. entendimento secundado pelo STJ143. 14. D. rel. O julgamento da pretensão geralmente é realizado por delegado fazendário ou por órgão especializado. José Delgado. DJ 28/5/2001. CPC). formada a coisa julgada administrativa.116-SP.830. 203. orig. escoradas no art. e no RMS 240-SP. 16. 171). 38. p. Min. representada geralmente pelo Conselho de Contribuintes (na seara federal – DL 1438/45) ou por Tribunal de Impostos e Taxas (no âmbito estadual e distrital). descabe reexame necessário pela própria Fazenda Pública. j. 77). prevêem depósito recursal para a discussão administrativa (cláusula “solve et repete”). data de inscrição e identificação do PAF. nos termos do art. Ocorre somente depois de instaurado e concluído processo administrativo fiscal (PAF). ninguém pode ficar submetido eternamente ao crivo da Administração. caracterizando a ativação da dívida da Fazenda Pública (art. I a V. 204. CTN).566-MG. “caput” e parágrafo único. .109 “caput”. Esse é iniciado por auto de infração. CTN). devem ficar perfeitos vários dados. Uma vez perfeita a inscrição. 144 Súmula 247 do TFR: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. o qual trata da desistência tácita a recurso judicial145. de 1980”. Informativo do STF n° 476. CPC. p. Exatamente por essa razão. como precedente na ADI 1. sob pena de nulidade do ato (art. “caput”. não excluído e não extinto) é lançado em livro próprio (atualmente.789-PA.. DJ 27/4/2007. 585. 145 STF. aliás. é considerada inconstitucional pelo STF. p. várias legislações. j. CTN). no decurso assinalado. CF/88). rel. DJ 30/6/1997. Dessa decisão. 2001. parágrafo único. rel. 151. O ajuizamento de qualquer demanda judicial implica na renúncia ao recurso administrativo interposto. REsp 943. p/ o acórdão Min. prossegue o PAF. De outra parte. com o livro e a folha de inscrição (art. no segundo. 5º. “caput”. cadastro eletrônico).8.2007.

a qual. Nessa situação. implica em vício insanável. urgindo escrituração contábil totalmente nova147. por estar consubstanciado abuso da autoridade competente (SABBAG. como meio de erigir uma presunção absoluta em prol do administrado. A certidão negativa de débito (CND) para com a Fazenda Pública vem exatamente nesse sentido. A presunção ora em comento é relativa. a qual necessariamente deverá estar anexada na exordial de execução fiscal (art. sujeito à nulidade absoluta146. § 1º.110 pelo credor (ASSIS apud CÂMARA. CTN) produz os mesmos reflexos jurídicos da CND. 203. a qual deverá aduzi-lo em até 10 dias. O art.982-RS. 1ª Seç. § 8º. 212). dispensa a exibição do documento. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. incluindo principal. 146 . 147 STJ. afirma que a certidão positiva que ateste crédito vincendo. LEF. Informativo do STJ n° 332. Amaro (2006. DJU 13/3/2000. correção e eventuais penalidades. mesmo ante o breve decurso assinalado pela lei para a expedição da CND. De outra sorte.. Para celebração de determinados negócios. 151. a fluência de juros não afeta a liquidez do título (art. CTN. CF/88. 206. parágrafo único. Vale ressaltar que a corte também já assentou entendimento no sentido da desnecessidade de novo ato de lançamento para simples retificação aritmética da CDA. A inobservância do interregno pode ensejar a impetração de mandado de segurança. AgRg no REsp 932. 2004. 201. j. naquilo que concerne à parte modificada. a existência de autêntica imunidade tributária (SABBAG. não atingindo inexistência de requisito essencial da certidão. com execução garantida ou com exigibilidade suspensa (art. juros. nesse ponto. p. Min. 2006. 1ª T. “b”. Humberto Martins. CTN). 2004. a qual se liga à decisão nos embargos à execução fiscal. Eventual nulidade no ato de inscrição da dívida ativa pode ser elidida pela autoridade tributária. REsp 196.402-RS. contados do requerimento (art. pela gravidade. Por esse motivo. como já está pacificado na jurisprudência. 5º. conferiram a prerrogativa de fazê-lo até a decisão de primeira instância jurisdicional. pois pode ser elidida por prova em contrário (art. rel. LEF). CTN. Min. AgRg no REsp 942.002-SP. p. EREsp 602. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. j. José Delgado.. 27/6/2007. A partir da ativação. 253). I a VI. e 2º. Certidão negativa – o direito de certidão é remédio constitucional assegurado pelo art. 207. 20/9/2007. 204. Nesse sentido. rel. Todavia. CTN. os arts. a Fazenda Pública expede certidão de regularização ou certidão negativa com efeitos de negativa. CTN). O STJ ainda adverte que a correção deve aterse a erro material ou formal. pode ocorrer que a urgência não permita a espera. Nessa hipótese. XXXIV. CTN). parágrafo único. há doutrina que defende. parágrafo único. é exigida prova da quitação de tributos. realização de certos atos ou participação em algumas situações. Trata-se de documento de expedição obrigatória por parte da autoridade solicitada. o art. salvo se a alteração a ser efetivada comportar total mudança no seu teor. apesar de fazer com que os participantes do ato respondam pela integridade do débito. p. 6º. 205. 486) diz que o STJ.663-SP. pode ser extraída certidão de dívida ativa. p. 252). DJU 26/6/2007. Informativo do STJ n° 325.

parágrafo único. Prazos no CTN A teor do art. “caput”. Em decorrência. 208. A competência tributária é indelegável. parágrafo único. CTN). CTN). CTN). o art. 2004. A sujeição ativa tributária e a parafiscalidade foram modificadas pelo diploma. A SRF foi unificada à Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). pelos sábados. 210. no sentido de que os termos (final e inicial) só serão considerados quando houver expediente regular na repartição (art. Essa se verifica quando há delegação de fiscalização. 2º. “caput”. responderá pessoalmente pelos valores decorrentes e eventuais acréscimos (art. § 1º. confere capacidade tributária ativa à SRFB no tocante às contribuições sociais. No último caso. “caput”. não implica em parafiscalidade das contribuições sociais em relação à SRFB. “Os prazos serão contínuos. ponto facultativo e meio expediente não são computados como tais. Quando o servidor expedir CND com inobservância de preceitos formais. os decursos são contados exatamente na forma do processo civil. “Super Receita” A Lei 11457/07 instituiu a SRFB. sem interrupção. valendo como dias sem funcionamento. não responderá civilmente pelos prejuízos ao erário. Em relação à SRFB. Entretanto. Ex. o art. 2º. 7º. p. vale lembrar a colocação do autor.111 legislador concedeu uma benesse ao contribuinte para evitar a caducidade de um direito. o agente público responderá pelo ato na esfera criminal e penal. mas cobrou-lhe alto preço em contrapartida. arrecadação e administração de tributos. Com efeito. instituídas atualmente ou “de lege ferenda”. CTN. Antes de tudo. No entanto. sendo detida pelas pessoas políticas. excluindo-se o dia de início e incluindo-se o termo final. É essa que caracteriza o sujeito ativo da relação jurídico-tributária. 210. formando um só órgão. 208. em contrário senso. Quando atua com culpa. Lei 11457/07. Lei 11457/07. como bem vem aventando a jurisprudência. é precípuo destacar que toda a tributação da alçada estadual deve levar em consideração dois elementos: o local onde se deu o fato gerador e a regência da LEGISLAÇÃO ESTADUAL sobre tal. direciona os valores decorrentes ao Fundo da Previdência Social. CTN). No entanto. por dolo ou fraude. Impostos em Espécie Introdução – o art. domingos ou feriados” (SABBAG. mas a CND terá efeito liberatório geral. “caput”. a capacidade tributária ativa (arrecadar e fiscalizar tributos) pode ser delegada (art. A referida delegação não necessariamente implica em parafiscalidade. Dessa forma. 255). sem prejuízo de responsabilidade penal e administrativa (art. a discussão tangencia exatamente a capacidade ativa e a parafiscalidade.: o . 155 da CF/88 estabelece os impostos de competência dos Estados federados. sendo instituto mais abrangente que a mera capacidade tributária ativa.

Em face das diferentes normas dos 27 Estados brasileiros. muito criticada pela doutrina. qual o seja a entrada de produtos importados em território nacional. O órgão tem por escopo padronizar os procedimentos tributários. “a”. para tornar mais eficaz o recolhimento. Esta medida é efetivada nas fronteiras estaduais. . ela consubstancia somente um bem móvel de uso doméstico. ou seja. II (Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros) e IE (Imposto sobre Exportação. DIFERENCIAR PRODUTO E MERCADORIA. dada a dificuldade de fiscalizar os fatos geradores. a EC 42/03 determinou que o importador fosse 148 Por meio de recente resolução. Ex. Produto é gênero. Depois da reforma constitucional. até a EC 33/01. ainda se está muito longe de uma harmonização razoável entre as legislações vigentes. O trabalho efetivo do CONFAZ resume-se. quando a exação seria devida no emissor.: a geladeira. em operações de importação. Passaram a exigir dos transportadores o ICMS integral das mercadorias que entram em seus Estados. NÃO SOBRE MERCADORIAS. permitiu. ES e PE). o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) decidiu que o porte da guia de recolhimento de IPVA não é obrigatório ao condutor por ocasião de fiscalização de trânsito. há tratamento tributário diferenciado. conhecimentos de transporte e guias de recolhimento. indica os impostos de competência da União. passaram a adotar um modo operante simplificador. foi criado o CONFAZ – Conselho Nacional Fazendário (27 secretários de Fazenda dos Estados e alguns membros da Receita Federal e Previdenciária). A prática é totalmente inconstitucional. Seu inciso I fala do II. do qual mercadoria é espécie. à padronização de alguns documentos fiscais. Entretanto. CF/88). CF/88. a bitributação do mesmo fato gerador. 153. porquanto não se encontra no caminho entre a produção e o comércio. Dentro deste universo. as Receitas Estaduais. Essa mutação constitucional. como notas.112 ITCMD leva em conta o local onde estão os bens do “de cujus” e não onde este veio a falecer. Pode ser natural ou totalmente artificial. Já nosso sistema tributário não alcança tal beneplácito. enquanto outras não148. Alguns países não tributam produtos importados para uso próprio do consumidor. não é mercadoria. Nesse contexto. incidia sobre mercadorias. IX. o ICMS. Para entendê-los. 155. consoante comentário já realizado. a arrepio da Constituição. envolvendo tudo que ela consegue produzir. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados) – o art. que está no trajeto indústria-comércio. mercadoria é aquele OBJETO DE MERCÂNCIA. o que pode gerar conflitos de legislação. Aquele resulta da atividade humana. uma vez adquirida e utilizada pelo consumidor. de modo a dirimir eventuais disparidades para com as exações regionais e federais. o Supremo passou a referendar a exação sobre produtos importados (art. hodiernamente. O que diferencia o produto da mercadoria é a destinação. Ex. vez que o II incide sobre PRODUTOS. para o Exterior. O inciso II fala do IE.: há unidades da federação que exigem o porte da GARE de recolhimento do IPVA junto com o RENAVAM (BA. Para tentar dirimir tal entrave. em sede de exceção. Para solver tais entraves. de modo concreto. porquanto da sua natureza jurídica. é necessário. Fechando o ciclo. preliminarmente.

Tanto uns quanto os outros refletem o objeto material da hipótese de incidência. Neste sentido. nem importação. Essa nomenclatura é utilizada em vários diplomas do Sistema Tributário. Aliás. Desta feita. Estes produtos podem ou não sofrer modificações domésticas. Portanto. É a construção jurisprudencial e doutrinária dominante. O próprio CTN faz referência à conotação apontada. Já a palavra “nacional” diz respeito àqueles produzidos integralmente no país. com o fim de constituir perfeitamente a hipótese de incidência do IE. isto é. troca. complementação ou acondicionamento de produto exportado. remessas de produtos para repontecialização. etc. equipamentos. conhecido como “drawback” é considerado incentivo à exportação. em quantidade ou qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento. por exemplo. para o exterior. IMPORTAÇÃO é a aquisição de produtos estrangeiros em caráter definitivo. incluindo. Produtos não despachados. dando azo à instituição do PIS-importador e da COFINS-importador. complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. a confecção do produto deve situar no estrangeiro. pareceria que se trata de uma redundância. ao prescrever a “exportação.113 contribuinte para o financiamento da seguridade social. revertem-se em favor da Fazenda Nacional. nacionalização segundo entendimento doutrinário. 153. complementação ou acondicionamento de outra exportada. as quais implicam em posterior distribuição por intermédio do Brasil. total ou parcial. Quanto ao II. Porém. fala-se em exportação para o Estado de São Paulo. 153. os quais possuem exatamente a mesma hipótese de incidência do II e do ICMS. para o art. I. Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria. Neste sentido. esse fenômeno. insumos. por conseqüência. sob o enfoque semântico. À primeira vista. é análogo ao anterior149. os quais foram recepcionados pela Carta de 88. em seu art. a natureza do produto. CF/88. porque há TEMPORARIEDADE na operação. produtos naturais ou industrializados. quer seja para operações de mercância. a terminologia empregada reside na melhor técnica jurídica de redação. ou abandonados. de produtos”. em contrário senso ao conceito e ao desdobramento do “drawnback”. 149 . dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento. O conceito de exportação. deve ficar adstrita a um país estrangeiro. dá-se por atos procedimentais. Restituição. quer seja para consumo. nos quais se transfere o produto ou mercadoria estrangeira para a economia nacional. o constituinte originário resolveu especificar “ipse litre” a atividade. fabricação. Admite diversas formas: Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação. É possível identificar duas espécies de operação de exportação: A CF/88 foi categórica. Dessa feita. manutenção. para países estrangeiros. etc. ou utilizada na fabricação. a outro país não configuram exportação e. O vocábulo “exportação” foi (e é) utilizado também para designar o fluxo de coisas entre os Estados da Federação. O termo “nacionalizado” (ou internado) refere-se a operações anteriores à importação. II.

No estabelecimento de ALÍQUOTAS. o eventual devedor – sempre será a União. não se deduz a capacidade contributiva. Conseguintemente. O controle é realizado por meio de alíquotas diferenciadas. sobre o SETOR DE ATIVIDADES (base econômica). principalmente no que concerne às suas constantes alterações. no país. . a serem majoradas ou diminuídas. § 1º. Daí decorre o conceito de Dívida Externa. que por sua vez emitirá outro documento de venda endereçado ao comprador estrangeiro. 22. por conseguinte. vem a ferir o princípio da ISONOMIA. de acordo com a situação presente. Há isenção do tributo quando há importação de matéria prima. de máquinas e equipamentos a serem fornecidos. principalmente com referência àquelas de cunho religioso. a União é a única que tem personalidade jurídica de Direito Internacional. Nessa hipótese. 153. O comércio exterior reflete-se na indústria interna. pois a autorização contida no art. A importação e a exportação não podem ser realizadas a bel prazer do empresário. Também ocorrem dissidências jurídicas quanto a imunidades de certas ENTIDADES. Portanto.114 Direta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior. A operação de comércio exterior é regida por competência legislativa privativa da União (art. Além disso. por vezes. Desta feita. § 1º. contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido pela instituição financeira internacional da qual o Brasil participe. São impostos eivados de EXTRAFISCALIDADE. O II e o IE incidem. o negociador no comércio externo – e. produtos intermediários e componentes destinados à fabricação. no consumo interno. CF/88. 153. e 150. no mercado interno. o Fisco. cujo gestor principal é a Receita Federal (CASSONE. É ele quem regula as atividades inerentes ao II e ao IE. 2004). da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores são coordenados por um arcabouço interministerial: o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). VIII. na balança de pagamentos do país. em decorrência de licitação internacional. reais e indiretos. Esta é sempre a AVALISTA INTERNACIONAL dos demais entes públicos ou das empresas privadas brasileiras. os Ministérios da Fazenda. que funciona como interveniente comercial. vez que ambos são proporcionais. Indireta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda para destinatário comprador no Brasil. pois há interesses nacionais em jogo. o constituinte permitiu que a fixação da alíquota de tais exações não se sujeita à reserva legal. em consonância com os demais princípios e direitos essenciais contidos na Carta Política. será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador. CF/88). porquanto se prestam à intervenção na atividade econômica interna. § 1º. O “drawback” também é aplicável quanto ao IE. CF/88). em última análise. com base em contrato. à anterioridade ordinária nem à noventalidade (arts. Em relação às operações de mercado exterior. deve ser usada sistemicamente.

mediante a declaração de importação (DI). zona primária compreende as faixas internas de portos. ao órgão competente do SISCOMEX (SRFB). portanto. Mas há regimes aduaneiros especiais. o interessado poderá. o qual consubstancia o FATO GERADOR do II. I. o Fisco poderá fiscalizar. CTN). 150 O atual Regulamento Aduaneiro é veiculado pelo D. o qual pode ser dividido em zona primária e secundária. 33. para seu uso ou consumo. com suspensão total do pagamento dos tributos. bem como outras áreas nas quais se efetuam operações de carga e descarga de mercadorias ou embarque e desembarque de passageiros. cujo objetivo consiste em colocar a mercadoria nacionalizada à disposição do adquirente estabelecido no Brasil. De posse dos dados fornecidos pelo interessado. aeroportos. sob o controle aduaneiro. O interessado no comércio exterior deve. fica configurado a partir da expedição da GUIA DE EXPORTAÇÃO (CASSONE. efetivar o negócio. DL 37/66. recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres. endereçando-o. antes de tudo. Uma vez AUTORIZADA. Despacho para consumo é o conjunto de atos procedimentais (desembaraço aduaneiro). ou com suspensão parcial.115 Desta forma. em regra. II. Esta fiscalização é denominada desembaraço aduaneiro150. Zona Secundária compreendendo a parte restante do território nacional. Já para o IE. Espacialmente. Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo – é o que permite o ingresso para permanência temporária no país. Admissão temporária – é o que permite a importação de bens que devam permanecer no Pais durante prazo fixado. . nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art. 2004). é necessário uma autorização prévia do governo federal para todas as operações no setor. por conseqüência. fisicamente. os quais permitem a suspensão total ou parcial da exigibilidade do II: Trânsito aduaneiro – é o que permite o transporte de mercadoria. destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. No critério temporal. com a suspensão do pagamento de tributos. tecer um estudo fundamentado sobre o produto a ser importado ou exportado. com suspensão do pagamento de tributos. Segundo o art. o momento de ocorrência do fato imponível coincide com a data do registro da DI no tocante ao produto despachado para consumo. de um ponto a outro do território aduaneiro. no caso de utilização econômica. então. 91030/85. DL 37/66). pela entrada do produto no território nacional (art. eletronicamente. 33. de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas. a exação contempla o que se conhece como território aduaneiro. os conteúdos a serem comercializados. O aspecto material do II é representado. 19. Esse analisará o pedido e poderá autorizar a operação.

a BASE DE CÁLCULO pode ser estabelecida basicamente de duas formas (art. Terceira forma de determinar a base de cálculo do II se dá pelo valor da arrematação. . § 2º. De fato. Do contrário. os quais alcancem valores ínfimos na chegada ao país. tem-se o conceito “AD VALOREM”. a quantificação expressa na DI (valor do produto mais despesas de alfândega) seria a base de cálculo. 214. Mercadoria devolvida por modificações na sistemática de importação por parte do país importador. 20. de acordo com a previsão do art. consoante comentário supra aduzido (art. No diapasão. § 1º. D. Segundo entendimento da análise dos atos normativos em comento. 153. CF/88 e 21 do CTN. nunca “ad valorem”. o legislador assim previu para o IE (art. a base de cálculo é sempre fixada. escapam à incidência da exação. o art. Em referência ao II. 24. pois produtos importados. 4543/02). Os valores irrisórios. quando o produtos é adquirido em leilão de bens provenientes de descaminho (art. Como a tributação de importação é dotada de extrafiscalidade. os quais conferiram possibilidade para o Executivo alterá-la. CTN. 2004). § 1º. em que pese a previsão do art. 150. I. D. para evitar a mera evasão de divisas. a incidência não ocorrerá nas seguintes situações: Mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado. assevera que bens importados com alíquota zero do II estão sujeitos aos demais tributos. para reparo ou substituição. 20. CTN). As alíquotas são fixadas na Tarifa Externa Comum (advinda do GATT) ou determinadas na legislação federal. 2472/88 confirmaram essa premissa. atribuídos a mercadorias em trâmite entre empresas do mesmo grupo econômico transnacional. nos termos das respectivas legislações. 2434/88. o segundo critério é comumente utilizado para o II. 214. Quando a hipótese de incidência traz um percentual fixo sobre o valor da transação. de acordo com o critério do art. “caput”. As alíquotas são geralmente constantes do GATT. 5º. II. A alfândega é a encarregada de verificar quais os valores a serem acrescidos. Nesse passo. II. III. CTN). chegando-se a uma base de cálculo atribuída. por questão de não-subsunção ao tipo tributário do II.116 Outros acontecimentos. de modo a não prejudicar o setor produtivo nacional. tem-se a exação proporcional (art. CTN. quando o fisco determina um “quantum” somado ao inicial. Neste sentido. atualmente para o IE. 20. CTN). De acordo com o ditame da 151 Súmula 576 do STF: “É lícita a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero”. podem elidir a concorrência dos similares brasileiros. Na mesma esteira. 20. a Súmula 576 do STF151 autoriza a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero. I e II. Mercadoria devolvida por motivos de defeito técnico. Por outros fatores alheios à vontade do exportador. CF/88). Destarte. não precisando observar propriamente os ditames da anterioridade original e da noventalidade. D. o DL 37/66 e o D. também são objeto da base de cálculo “ad valorem”. 4543/02 (CASSONE. Este comando decorre dos arts.

Para otimizar as operações. como configurador do fato gerador. Todavia. cinza. D. Para o IE. 153. arcará com a obrigação tributária do imposto de importação. estabelecidas no art. 153. é de 30% sobre o valor do produto (art. o sujeito passivo é o importador ou o arrematante152 (art. de acordo com os canais enquadrados (verde. 4543/02). § 1º. freqüência do importador. Nesta situação. a qual representa palco de conflitos entre os interesses de produtores. § 2º. CF/88. podendo ser reduzida (art. ainda encontra outro elemento complicador: a fiscalização de produtos importados que levantem suspeitas sobre ilicitude. porquanto fica atrelada especificamente a CADA TIPO DE PRODUTO. CTN). 153.117 ESSENCIALIDADE. a qual pode ser confundida com entorpecente. de consumidores e de importadores. CF/88. Além das considerações tributárias. Tal critério é o primeiro elemento que o legislador observa ao estipular as alíquotas. a ALFÂNDEGA adota critérios diferenciados de fiscalização. sendo menores aquelas de produtos mais essenciais. Ex. É o mecanismo denominado BARREIRA ALFANDEGÁRIA. 215. mediante a declaração de arremate. “caput”. os quais são objeto do delito de descaminho (art. competindo à Câmara de Comércio decidir sobre tais alterações. Há certificações de órgãos ou entidades públicas que resolvem parte da burocracia para a exportação. 22. 215. 27. Esta equação não se resolve facilmente. pertence ao Executivo. CF/88. Para o II. em quantidade suficiente para suprir o mercado interno. portanto. há conotações de ordem política para o estabelecimento das alíquotas do II e do IE. 152 O arrematante é aquele que adquire produtos importados em um leilão. A normatização do IPI é dada pelo D. País de origem. com conseqüentes facilitações. as alíquotas do II serão maiores. 153. adotando-se o sistema de compensação com a operação posterior. aquele. CTN). no que tange à exação em tela. menor será a alíquota incidente. se há produção interna de algum bem. 4543/02) e majorada até o percentual máximo de 50% (art. As alíquotas serão fixadas de acordo com a essencialidade do produto. vermelho e preto). O desembaraço para a exportação também segue o mesmo trâmite da importação. D. via de regra. D. 318. A prerrogativa. 2637/98. I e II. De acordo com o estabelecido pelo legislador ordinário. CP). partindo de um patamar de menor para outro de maior rigor. § 1º. a despeito da essencialidade. I e II. dada a previsão constitucional do art. tipo de produto são elementos que servem para que a autoridade alfandegária decida sobre o enquadramento do lote em um ou em outro canal de fiscalização. para o IE. O constituinte determinou algumas características. quanto mais vital é o produto. IV. 215. a carga de IPI será reduzida sobre bens de capital.: importação de naftalina para fabricação de produtos de limpeza. é o exportador ou quem a ele se equiparar (art. CF/88. 4543/02). Serão imunes as operações com produtos industrializados destinados ao exterior. § 3º. O sujeito ativo é sempre a União (Fisco) para ambos. a alíquota. dado o comando contido no art. O desembaraço aduaneiro. . I a IV. notícias da imprensa. O comando determina também que será não-cumulativo. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – está previsto no art.

Outro ponto interessante é a desigualdade entre o estabelecimento equiparado à indústria e o prestador de serviço. a exação citada somente exclui a extração da natureza.: indústria de ternos e alfaiate. IV. p. 153. a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial. já incide o IPI. A partir do primeiro estágio. do mais básico ao mais supérfluo. Portanto. de início. a montagem e o recondicionamento (recuperação de um produto obsoleto ou inservível em algo aproveitável para a aplicação humana). § 1º. traça o alinhamento geral para que o legislador infraconstitucional trabalhe a regulamentação do IPI. Objeto – está no art. É o que diz o art. 153. CTN. 150. indústria de transformação. 95. Neste sentido. 4544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI). de modo estanque. CF/88). o imposto possui certa extrafiscalidade quanto ao fumo. extrativismo industrial. até que venha a converter-se em produto consumível. desde a natureza até o consumidor. parágrafo único. Tanto para o IPI quanto para o ICMS. CTN. op. 150. partindo do PRIMEIRO PASSO DE PROCESSAMENTO. CF/88. o acondicionamento. “in fine”. é necessário recorrer à produção em série no primeiro e o “artesanato” no segundo153. o produto passa a constituir um semi-elaborado. até que possa chegar ao consumidor final. parágrafo único.118 modificado pelo D. 3º. como prescreve o art. etc. Características – o art. consubstanciando os estabelecimentos equiparados à indústria. o IPI tem por base econômica as operações com produtos industrializados e. Desta feita. como fato gerador. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Juripsrudência. Nesta situação. Modificação no produto implica em atividade industrial para fins tributários. 2001. incide sim o Imposto Sobre Serviços (ISS). oscilando de 0 a 363. Livraria do Advogado. CF/88. com fulcro em jurisprudência do STJ. Para Ricardo Lobo Torres Para Leandro Paulsen. O inciso I refere-se a alíquotas diferenciadas de acordo com o caráter essencial ou não do produto. o beneficiamento. D. Vale lembrar também que não pende a regra da anterioridade ordinária (art. III. I a V. “o beneficiamento realizado em um bem do cliente ou mesmo a produção mediante encomenda não podem configurar fato gerador do IPI”. porquanto se configura um produto industrializado. 46. indústria de montagem. Para o citado autor. Para diferenciálos. Porto Alegre. O caminho. os quais seriam englobados pelo IPI – como o caso de tomates embalados em bandejas para o supermercado ou de pescados que são beneficiados com a retirada de escamas para o comércio – são agraciados pelo legislador pela isenção de imposto.5%. Em sentido contrário. “c”. § 3º. a atividade de transformação de produtos naturais em bens consumíveis não pode ser enxergada somente por cada uma de suas etapas. Enquanto pender uma ação humana que venha a adaptar um produto para o consumidor final. pois se trata da maior alíquota existente. indústria de base. Na esteira. deve ser verificado: recurso natural. É a SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. em proveito da organização e não de terceiros. a atividade estará no campo de incidência do tributo explicitado no art. a qual desencorajaria o consumo de um produto não recomendável devido a razões de saúde pública (PAULSEN. Ex.. consoante precedente da 1ª Turma do TRF/4. cit. Para os ALIMENTOS. 4544/02. 2001). 153 . A Tabela do IPI (TIPI) estabelece todas as alíquotas. CF/88) sobre o imposto em relevo. Conceito de produto industrializado – deve-se tomar. o produto “in natura”. a seara do IPI engloba a transformação. mas incide a noventalidade (art. 46. demonstra Cassone.

constitui atendimento ao PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. 3) Não pode ser contabilizado como despesa ou custo pelo vendedor. O IPI será apurado mensalmente. a cada nova agregação do processo industrial. a PIS e a COFINS também seguem o mesmo raciocínio. CF/88). II. a sistemática de recolhimento do imposto é particular. Quando o alienante realiza a venda. 2001). 2) O vendedor (responsável) torna-se depositário desse IPI cobrado do comprador (contribuinte de fato) nos termos da Lei 8866/94. 153. Caso não recolha aos cofres públicos o valor cobrado a título de IPI. haverá débito.119 (apud PAULSEN. 153. que deve cobrar o IPI do consumidor e repassá-lo à União. Nesse sistema. O procedimento é denominado apuração do imposto em conta gráfica. o imposto devido em um mês será igual a todos os débitos. De fato. Em outras palavras. Entretanto. uma vez que é repassado no preço da mercadoria. Existe a possibilidade. O inciso II expressa a não-cumulatividade. aplicável coercitivamente ao IPI pelo legislador. III. fazendo valer compensação entre débitos e créditos do sujeito passivo. o direito a compensar o IPI só é devido aos produtos que terão exação correspondente na saída. mas o contribuinte de direito (responsável). Desta forma. Todas as vezes que houver saída de um bem. o responsável passou a ser definido como depositário da União. de haver mais imposto de crédito que de débito. Essa questão passou a ser controvertida nos tribunais. No entanto. já que não é ônus seu. realizando o princípio da não-cumulatividade do IPI (art. a lei determina que sobre o preço seja calculado o IPI. abstraindo-se os créditos referentes ao mesmo período. o estabelecimento industrial ou equiparado não é o contribuinte de fato. na quinzena de totalização. seguindo a seguinte sistemática de recolhimento: 1) Deve ser destacado na Nota Fiscal e cobrado do comprador por ordem e conta da União. o adquirente do bem recebe a carga tributária do alienante dentro da cadeia comercial. computando-se débitos e créditos da pessoa jurídica. toda vez que houver entrada do bem. o crédito do IPI só seria devido ao contribuinte que não for consumidor final do produto (contribuinte de fato). Além disso. Havendo venda de produto industrializado por qualquer valor (preço negociado entre o vendedor e comprador). o adquirente escritura o crédito decorrente e o . § 3º. persistirá um crédito. podem existir saídas em que não incide o IPI. o crédito de IPI somente terá vez se o produto compor a saída do estabelecimento. a exação possui repercussão do encargo financeiro. o critério da seletividade pela essencialidade. incide a exação. desconta-se o valor anteriormente incorporado no novo recolhimento de IPI. Em tese erigida pelo legislador (a partir do art. Para evitar o “efeito cascata”. § 3º. desde que a fase anterior seja tributada. escritura o débito em seu livro de registro cabível. mesmo se tratando de exação indireta. CF/88). conquanto se caracteriza o fato imponível. O ICMS. mas sim do comprador. passa a ser depositário infiel. Na seqüência. A cada operação de circulação. Dessa feita. A partir da Lei 8866/94.

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débito da saída, assim como todos os demais componentes da cadeia de consumo. Ex.: alíquota de 4% sobre o produto que sai de “A”, cujo valor é de R$ 100; “B”, o adquirente, processou o bem e o vendeu por R$ 200; na primeira etapa, o IPI devido será de R$ 4; “A”, então, realiza a venda por R$ 104, repassando o tributo para “B” e escriturando o débito correspondente (R$ 4); “B” escritura o crédito consectário (R$ 4); supondo que “B” venda o produto processado a “C”, com alíquota também de 4%; “B” aplica o preço completo de R$ 208, escriturando R$ 8 como débito; consequentemente, “C” escritura crédito decorrente (R$ 8); na compensação, “A” recolhe R$ 4, “B”, R$ 4 (8-4); “C” só teve crédito de R$ 8, não devendo nada ao fisco, ficando acumulado para o próximo mês. Querela relevante se coloca quanto à alíquota zero atribuída ao IPI em determinadas operações. O ICMS usa, atualmente, as mesmas regras de nãocumulatividade do IPI (art. 155, § 2º, I, CF/88). No entanto, o constituinte expressamente determinou que a isenção ou não-incidência de ICMS, ressalvada previsão contrário do legislador, não implicará em crédito para operação seguinte, quando houver isenção ou não-incidência na entrada (art. 155, § 2º, II, “a”, CF/88). Em melhores palavras, a operação de saída, quando isenta ou quando não haja incidência de ICMS, não levará a direito ao crédito correspondente na próxima etapa da cadeia. O crédito está condicionado à incidência integral da exação na operação anterior. Nesse contexto, a Constituição de 1988 nada dispôs sobre o IPI, suscitando dúvida sobre a aplicação analógica ou não da mesma regra. Os contribuintes passaram a defender que o direito a crédito é incondicionado, independentemente da incidência ou não nas operações posteriores e anteriores, já que, no ICMS, o constituinte expressamente falou, e no IPI, silenciou. Por volta de 1998 e 2000, o Pleno do STF firmou entendimento a favor do sujeito passivo, fundando-se na ausência de ressalva expressa, ao contrário do que fez o constituinte quanto ao ICMS. Em meados de 2005, a querela foi trazida à baila novamente. Ao revés da orientação anterior, o STF, no início de 2007, operou mutação constitucional154. Segundo o Excelso Pretório, para produtos tributados com alíquota zero (espécie de isenção, segundo o próprio Supremo) ou não tributados, inexiste direito a crédito na operação seguinte dentro da cadeia comercial. Na ocasião, em questão de ordem (QO), o Ministro Ricardo Lewandowski, em nome da segurança jurídica, propôs a aplicação prospectiva do novo entendimento, operando efeitos “pro futuro”. Por dez votos a um, a QO foi rejeitada, conferindo efeitos “ex tunc” à interpretação. No entanto, o STF nada falou sobre produtos imunes e isentos “em sentido estrito”, pairando querela sobre a matéria. Advogando em prol da União, a PGFN levanta interpretação literal do art. 153, § 3º, II, CF/88, uma vez que o constituinte fala em compensação de créditos mediante “montante cobrado” nas operações anteriores. Não havendo cobrança, não há de se falar em crédito na operação seguinte de saída. Quando ocorre situação inversa, em que há crédito na entrada (matériaprima, material de embalagem ou intermediário), mas o produto é isento ou contemplado com alíquota zero na saída, o art. 11, Lei 9779/99, autoriza a
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STF, RE’s 370682 e 353657.

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manutenção do crédito em IPI (adquirido na entrada), bem ao inverso do que ocorre no ICMS (art. 155, § 2º, II, “b”, CF/88). Descabe analogia na aplicação do comando em tela, não atingindo produto, na saída, imune ou não tributado. Da mesma forma, o bem da entrada deve ser matéria-prima, material de embalagem ou intermediário, não alcançando qualquer outro. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, em face da interpretação restritiva do dispositivo legal em tela, o crédito anterior deve ser anulado. Essa visão decorre do que já disse analogamente o STF, quanto às entradas com alíquota zero ou não tributados. Em verdade, o precedente do STF tem o condão de dar o mesmo tratamento entre ICMS e IPI, o que permite postular em favor da Fazenda federal155. O inciso III estabelece que não haverá incidência de IPI na exportação156. Deste modo, a legislação permite que o contribuinte mantenha um crédito tributário para com o fisco federal, com o fim compensar em outros tributos de competência da União. O dispositivo tem por fim incentivar a atividade de exportação. Crédito prêmio – era dirigido àqueles industriais que desejassem adquirir novas tecnologias em produtos industrializados importados, a título de melhoria do maquinário. Eles teriam isenção de IPI. Previa assim, o legislador, que os apontamentos desta conta gráfica fossem lançados à parte. Todavia, a despeito de conceder um benefício para a economia, haveria uma majoração grande na ponta da linha, incidente sobre o consumidor final, porquanto houve incremento dos custos. Entretanto, o legislador extinguiu o respectivo crédito sem a necessária contraprestação por parte do governo. As empresas, então, foram a juízo para requerer o devido. A ação encontra-se em trâmite no STF. Fato gerador – o IPI incide no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado importado, da saída de produtos industrializados do estabelecimento manufatureiro (emissão da nota fiscal) e da arrematação de produtos industrializados abandonados ou apreendidos, acordo com o art. 46, I a III, CTN. Em verdade, as operações delineadas trazem a lúmen os sujeitos passivos do imposto. Aspecto subjetivo – o SUJEITO PASSIVO será o importador, os estabelecimentos industriais, os comerciantes e o arrematante, além dos equiparados (art. 51, I a IV, CTN). Em melhores palavras, os contribuintes do IPI são o arrematante em hasta pública, os industriais (ou equiparados) e o importador, bem como o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos industriais contribuintes. Equiparação tributária instrumento meramente fiscal que só pode ser determinado em lei. O fato de um comerciante ser equiparado, não significa que se tornou industrial, mas que passa a ser tratado da mesma forma que este. O comerciante atacadistas de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) são equiparados, facultativamente, aos industriais (art. 11, I, RIPI). Se optarem pela equiparação, nos termos do art. 14, I,
STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 156 Para alguns autores, o dispositivo é entendido como imunidade. Em contrário senso, para a maioria da doutrina, é caso de não incidência.
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“a” a “c”, RIPI, destacarão o IPI relativo à saída na nota fiscal. Tal equiparação objetiva possibilitar o crédito do IPI pelos estabelecimentos industriais que adquirirem insumos de comerciantes atacadistas. Se o comerciante atacadista não optar pela equiparação industrial, mesmo assim é possível ao adquirente efetuar o crédito do IPI mediante a aplicação de alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% do valor constante na nota fiscal (art. 165, RIPI/02) Base de cálculo – na importação, o valor da operação, acrescido de eventuais taxas aduaneiras, será a base de cálculo (art. 47, I, CTN). Na saída da indústria, é o valor do produto acabado (art. 47, I, “a”, CTN). Sendo este desconhecido, será tomado o seu valor da praça local de um produto similar (art. 47, I, “b”, CTN), isto é, no mercado atacadista. No arremate, será o valor da arrematação (art. 47, III, CTN). Em resumo, com relação à base de cálculo do IPI, temos: • Na importação = valor de base para o II (preço livre do produto + frete + seguro) + II + taxas de entrada + encargos cambiais157. • Nas operações internas = valor da operação158 ou do produto na praça. O ICMS é parte integrante do preço de saída do produto, sendo que o seu destaque na nota fiscal é meramente indicativo do valor que o comprador, se contribuinte do ICMS, pode creditar-se. • Na arrematação = valor do arremate. Alíquotas – atendendo o critério constitucional (art. 153, § 3º, I, CF/88) e legal (art. 48, CTN) da seletividade pela essencialidade, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) apresenta duas regras de hermenêutica para sua aplicação: a posição mais específica na tabela prevalece sobre as mais genéricas; os produtos misturados e compostos, cuja classificação não possa ser efetivada, serão considerados segundo a matéria ou o artigo que lhe confira característica essencial. Prazo de pagamento – o decurso para recolhimento do referido tributo tem algumas características relevantes: É decendial, ou seja, é apurado e recolhido a cada dez dias; Admite venda de produtos com prazo de pagamento dilatado; Quando existe pagamento de duplicata pelo comprador, só no efetivo adimplemento é que o empresário receberá o total do crédito do IPI contido na nota fiscal/fatura extraída da duplicata.
No desembaraço aduaneiro, a base de cálculo do IPI é complexa, sendo formada por vários componentes. O seu preço em moeda estrangeira, mais seguro e frete, ou seja, o preço CIF (Cost, Insurance and Freight) convertido em moeda nacional, pela cotação do câmbio fiscal divulgada pela SRF mediante ato declaratório do Executivo (ADE), acrescido de II, taxas exigidas na entrada do produto (taxa de armazenagem, capatazias, serventias, etc.) e de encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (variação cambial entre a data da emissão da licença de importação e o efetivo desembaraço aduaneiro) a compõe. O montante resultante da soma de todos os itens é, portanto, a base de cálculo do IPI, sobre a qual se aplicará a alíquota para apurar o imposto devido. 158 Para Paulsen, op. cit., a desconsideração de descontos concedidos no momento da operação e a estipulação de pautas fiscais pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não coadunam com a disposição do art. 47, CTN, conquanto não se observa o ditame da legalidade tributária (art. 97, CTN) e da hierarquia de diplomas normativos. De igual forma, o referido autor cita decisões do STJ e do TRF/4 no sentido de não reconhecer a inclusão de juros – na venda realizada a prazo – e de frete por empresa coligada na base de cálculo da exação do art. 153, IV, CF/88.
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Se o sujeito passivo do IPI deve pagar em 10 dias e receberá, por exemplo, em média, em 60 dias, na verdade ele (o responsável tributário) está antecipando o imposto e financiando o governo federal. Logo, não existe a possibilidade de enquadrar o responsável como depositário infiel (Lei 8866/94) ou apropriação indébita antes que seja recebido pelo contribuinte o valor do IPI. Portanto, apurar o imposto pela data do recebimento das duplicatas é contrário à lei do IPI. Por essa razão, muitos artigos da Lei 8866/94 estão suspensos por ADIn. Lançamento – o IPI é um imposto que se sujeita ao lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte realizar todas as obrigações acessórias impostas por lei. O Fisco só atuará de ofício no não-recolhimento da exação ou no seu pagamento a menor. A partir de 1º de janeiro de 2005, a apuração passou a ser mensal, devendo-se recolher o tributo até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) – o objeto incide sobre crédito, câmbio, seguro, títulos ou valores mobiliários. O crédito é sempre representado por títulos. É imprescindível, para o seu estudo, o conhecimento prévio do universo da mercancia de títulos. A receita para o Fisco é quase que irrelevante. Toda vez que o Estado disponibiliza ao cidadão uma utilização de crédito (disponibilidade imediata para pagamento futuro) oficial, incide o IOF. Trata-se de uma ferramenta de controle gerencial do meio circulante, assim como é a taxa SELIC, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), o que caracteriza autêntica finalidade extrafiscal, porém sem perder de vista a função arrecadatória (SABBAG, 2004, p. 329). A sociedade, por meios contratuais, consegue expandir tal base oficial. A arrecadação do IOF forma um fundo que visa garantir, de um modo geral, o sistema financeiro nacional, a ser tutelado pelo próprio BACEN. Não se confunde com o crédito comercial, tido através de operações de compra e venda a prazo. O IOF está regulamentado pelo D. 4494/02. O sujeito passivo pode ser: o As pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (art. 4º, “caput”, D. 4494/02); o Os compradores e vendedores de moeda estrangeira,nas operações referentes à transferência financeira para o exterior (art. 12, “caput”, D. 4494/02); o As pessoas físicas e jurídicas seguradas (art. 20, D; 4494/02); o Os adquirentes de títulos ou valores mobiliários, incluindo instituição financeiras (art. 26, I e II, D. 4494/02). O fato gerador será: Operação de crédito – será a efetiva entrega, total ou parcial, do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, bem como a colocação à disposição do mutuário interessado (art. 3º, “caput”, D. 4494/02), lembrando-se que saque em caderneta de poupança não é

valor nominal ou valor da cotação em bolsa. 4494/02. computando-se o ágio ou deságio. enquanto ativo financeiro. 1993). por exemplo. 6º. Para a base de cálculo. que institui a incidência do imposto nas operações de crédito câmbio e seguros – IOF. 4494/02). A alíquota será de 25% (art. Sepúlveda Pertence. “caput”. Min. na conformação do que der a lei (art. Min. “caput”. sobre saques efetuados em caderneta de poupança”. 13. Operação de seguro – emissão da apólice ou recebimento do prêmio (art. com alíquota de 25% (art. Operação de seguro – a base de cálculo é o prêmio efetivamente pago (art. § 5º. pagamento ou resgate deles (art. D. 21. 27. . o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. 4494/02). 25. 333): Operação de crédito – a base de cálculo é o principal mais os juros efetivos (art. 4494/02. transmissão. 4494/02): Na emissão – é o valor nominal. rel. No pagamento ou no resgate – é o preço. A base de cálculo e as alíquotas do IOF são dadas por diversos dispositivos do D. D. CF/88). esculpida em contornos especiais pelo constituinte. 4494/02). D. D. I a IV. sob os auspícios da 159 Súmula 664 do STF: “É inconstitucional o inciso V do art. 14. Na transmissão – será o preço.033/90. sendo entendido como objeto de incidência do IOF (art. a depender da hipótese de incidência (SABBAG. 4494/02). 4494/02).98. O ouro é um valor de referência mundial. j. 153. “caput” e parágrafo único. recebido. 4494/02). 331) deixa claro que a mera posse dos documentos mencionados não é fato gerador do IOF. Operação com títulos e valores mobiliários – a alíquota máxima é de 1. “caput” e § 1º.9. Operação de câmbio – entrega ou colocação à disposição de moeda nacional. Desta feita. “caput”. “caput”. 28. 4494/02). de moeda estrangeira ou de documento representativo. p. determina que a alíquota máxima diária será de 1. 22. I a VII. D. RE 232467.5% ao dia (art. 159 124 . 29. D. em que pese sua natureza de mercadoria. entendo-se como efetivado o negócio no momento da liquidação do contrato ou câmbio (art. “caput”. Operação de câmbio – a base de cálculo será montante da operação em moeda nacional.1999. 11. Ele tem um valor cambiário.fato imponível da exação em comento (Súmula 664 do STF) apesar do “factoring” sê-lo160. distinguem-se três situações. O art. D. 20. Ilmar Galvão. 4494/02). como é o cheque de viagem. ADI-MC 1763/DF. j. Operação com títulos e valores mobiliários – é a emissão. “caput” e § 2º.5%. 7º. p. 160 STF. da Lei n° 8. D. 2004. Sabbag (2004. 4494/02. O verbete ficou cristalizado a partir de reiterada jurisprudência do Supremo: STF. entregue ou posto à disposição do contratante (art. D. Trata-se de imunidade parcial. devendo incidir somente um a vez se ocorrer simultaneidade entre elas (MACHADO. 1º. rel. 19. D. D.08.

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unicidade – incidência uma única vez na origem, na extração, em que pese o fato imponível ser sua negociação posterior (SABBAG, 2004, p. 336). Será incidente na extração da matéria-prima, segundo alíquota mínima de 1%, a ser divida de acordo com o art. 150, § 5º, I e II, CF/88: 70% para o Município de origem e 30% para o Estado de origem (ou DF). Atualmente, a alíquota é exatamente de 1%, tal qual estabelece o art. 41, D. 4494/02, tendo como base de cálculo o preço de aquisição do ouro por instituição financeira (arts. 39 e 40, “caput”, D. 4494/02). No entanto, se o ouro for importado, a base de cálculo será arbitrado, tendo como referência o valor de mercado doméstico no desembaraço aduaneiro, calculado em moeda nacional (art. 40, parágrafo único, D. 4494/02). Em contrário senso, uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira, entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI, ICMS, ISS, etc.). A disciplina do ouro, como ativo financeiro, está na Lei 7766/89. Antigamente, todo meio circulante tinha lastro metálico, cotado em outro depositado em agências oficiais (Casa da Moeda). Hodiernamente, isto continua ocorrendo em parte, porquanto somente parcela da reserva metálica equivale ao numerário circulante. A doutrina qualifica o IOF como gravame “flexível”, conquanto suas alíquotas podem ser estabelecidas pelo Executivo sem observância da anterioridade ordinária e da noventalidade, a teor dos arts. 153, § 1º, e 150, § 1º, CF/88 (SABBAG, 2004, p. 335). Sobre o IOF, recai a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, CF/88. Ademais, a Súmula 185 do STJ161 determina sua nãoincidência no caso de depósitos judiciais. IR (Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza) – renda e proventos são espécies do gênero acréscimo patrimonial. Renda é resultante do capital (aluguéis, lucros, rendimentos financeiros, “royalties”, etc.), do trabalho (remuneração do labor humano) ou da combinação de ambos (honorários advocatícios, pagamento pela prestação de serviços, etc.), como prevê o art. 43, I, CTN. Já os proventos são todos os outros acréscimos não previstos na categoria anterior. O critério residual também foi adotado pelo constituinte originário de 1988, dada a UNIVERSALIDADE162 e a GENERALIDADE163 do IR (art. 153, § 2º, I, CF/88). Para Cassone (2004, p. 373), “a tributação do IR alcance [sic!] a tudo e a todos, sem ater-se ao critério da seletividade ou distinção entre pessoas ou profissões”. Todavia, NEM TODA RENDA OU PROVENTO implicará em IR, posto que ficou relegado ao legislador infraconstitucional a conferência de alíquota zero, de isenções, de não-incidência, etc., isto é, a seara de abrangência da hipótese de incidência do IR não é total. Outrossim, a jurisprudência tende a extrair do manto do fato imponível algumas condutas,
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Súmula 185 do STJ: “Nos depósitos judiciais, não incide IOF”. A universalidade é um critério do IR que se refere à extensão da base de cálculo, a qual englobará todas as rendas e proventos, independentemente de origem, considerando-as como unidade, desde que se subsumam à hipótese de incidência. 163 Segundo Difini e Renck, citados por Paulsen, op. cit., a generalidade é um critério que diz respeito à sujeição passiva da exação. Por ela, o IR abrange todos os contribuintes que pratiquem os atos previstos na hipótese de incidência, de modo indistinto e “geral”, não se admitindo tratamento diferenciado. Contudo, deve-se observar a progressividade, o que permite, de certa feita, atingir o ideário da capacidade contributiva individual (alíquotas por classe e restituição do IR), segundo a previsão do preâmbulo constitucional tributário (art. 145, § 1º, CF/88). Com efeito, a progressividade pode permitir que alguns – os menos capazes economicamente – não fiquem abrangidos pela incidência do IR, o que relativiza a princípio da generalidade, previsto no art. 153, § 2º, I, CF/88.
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como o pagamento de indenização por férias não gozadas (Súmula 125 do STJ)164 e a licença-prêmio indenizatória não gozada por necessidade do serviço (Súmula 136 do STJ)165. Também não se deve confundir renda ou provento com entrada pecuniária. De fato, em regra, não é o movimento de caixa o fato gerador do IR, porque não se aplica o regime de caixa na exação em comento. O que o legislador vislumbrou atingir é o regime de competência, em que a aquisição de disponibilidade jurídica é suficiente para configurar a hipótese abstrata de incidência do imposto. Na espécie, aplica-se o disposto no art. 116, II, CTN, de sorte a configurar a renda ou o provento auferido desde a constituição da situação jurídica tributável. Ex.: em venda à prazo, o fato gerador do IR se aperfeiçoa desde a celebração do negócio, não havendo qualquer relação entre o pagamento do tributo e o recebimento das parcelas avençadas. Excepcionalmente, o legislador permite que o IR se sujeite ao regime de caixa, quando se dá o recolhimento pelo lucro presumido. No contexto, a hipótese de incidência e a base de cálculo do IR não se confundem com aqueles afetas à CONFINS e ao PIS-PASEP, os quais tributam o faturamento e a receita, apesar de haver autêntico “bis in idem” com a CSLL das pessoas jurídicas, referendada pela jurisprudência do Supremo166. Não existe mais que um IR, porque ele é único. Para cada tipo de fato gerador, há uma incidência diferenciada. Este tratamento diverso para cada um deles determinará a forma de incidência do IR, dado o fenômeno econômico tributável (salário, grande capital, operação financeira, etc.). Portanto, a natureza do acréscimo patrimonial determinará o modo da exação denominada IR. Entretanto, uma renda não englobada na legislação extravagante poderia ser tributada pelo IR, dada a regra geral do art. 150, § 1º, I, CF/88, uma vez que é impossível ao legislador prever todos os fenômenos de acréscimo patrimonial? A resposta para o quesito é bem mais complexa. Por força do princípio da legalidade, é possível observar que quase todas as situações estão abarcadas na legislação infraconstitucional, inclusive no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veiculado pelo D. 3000/99. Todavia, uma vez que a hipótese de incidência não esteja abarcada pela estipulação do legislador, há de se perguntar se incide ou não o IR. Ex.: participação real nos lucros e resultados (PLR) da empresa, distribuída aos empregados pelo patrão (art. 7º, XI, CF/88, regulamentado pela Lei 10101/01). O resultado de uma empresa é gênero do qual implica duas espécies: lucro e prejuízo. Quando a organização tivesse prejuízo, deveria ela repassá-lo aos obreiros. Isto, de fato, não acontece, persistindo somente os lucros. Para fins de IR, não há previsão de incisão, apesar de poder ser classificada como renda (concorrência de capital e trabalho). Outro exemplo: plano de demissão voluntária (PDV). A empresa abre a oportunidade para a demissão voluntária de seus empregados, mediante corresponde estímulo pecuniário ou congênere (plano de saúde estendido, por exemplo). Esta também não está prevista em leis ordinárias relativas a IR. Algumas empresas recolhem o
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Súmula 125 do STJ: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda”. 165 Súmula 136 do STJ: “O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda”. 166 STF, RE 146.733-9/SP.

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IR, alegando o instituto da responsabilidade; alguns contribuintes contestam judicial ou administrativamente (por ocasião da declaração anual). Neste sentido, faltam as hipóteses de incidência perfeitamente delineadas, dado que o Fisco não pode subsumir o caso concreto a um delineamento incompleto da norma, realizada de modo genérico. Em regra, a JURISPRUDÊNCIA É VACILANTE, salvo o caso de PDV, em que a indenização respectiva não fica sujeita à tributação pela via do IR (Súmula 215 do STJ)167. Entretanto, em face de julgamento realizado pelo próprio STJ recentemente168, parece que o verbete poderá ser remodelado pela 1ª Seção da corte, o que ainda resta nebuloso por ausência de pronunciamento peremptório. Questão de ordem foi suscitada e, por conseguinte, remetida à apreciação do órgão competente169. Desta feita, o art. 150, § 1º, I, CF/88, e o art. 43, § 1º, CTN, são apenas instrutores da legislação infraconstitucional objetiva, conquanto evidenciam os critérios da universalidade e da generalidade. É cediço que o legislador especifique o caso concreto, sob pena de não-incidência do IR. Sujeito passivo – é aquele que recebeu o acréscimo patrimonial, tendo sua definição dirigida pelo princípio da generalidade. Na impossibilidade de se identificar perfeitamente o devedor, aplica-se o art. 45, “caput”, CTN. É um comando também genérico, o qual pode ser estendido por lei ordinária. Uma vez que se observe o acréscimo patrimonial, incide o IR, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. A dificuldade reside em se identificar quem é o verdadeiro contribuinte. Inclusive, aquele que auferir renda ou proventos de natureza ilícita também será tributado pelo fisco, dado o desiderato “non olet”, o qual confere uma interpretação objetiva do fato imponível (art. 118, I e II, CTN). Para Godoy (apud PAULSEN, 2001), as pessoas físicas que recebam renda ou proventos acima dos limites de isenção da tabela do IR, devem recolher o tributo por meio de carnê-leão, aconselhando-se o uso de livro caixa para abater as deduções. Também serão considerados passivos, na relação jurídico-tributária, aqueles que tenham ganhado renda ou proventos no exterior – pessoas físicas ou jurídicas – desde que tenham sua residência ou seu domicílio tributário, respectivamente, estabelecidos em território nacional170. É o que se denomina de EXTRATERRITORIALIDADE. Para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88), o que faz nascer outra espécie de sujeito passivo da obrigação tributária: o responsável (art. 45, parágrafo único, CTN). Fato gerador – o momento de sua ocorrência vem especificado no art. 43, “caput”, CTN. A expressão “disponibilidade econômica ou jurídica” da renda
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Súmula 215 do STJ: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. 168 STJ, 1ª T., AgRg no REsp 883.678-SP, DJU 29/6/2007. 169 STJ, 1ª T., REsp 940.759-SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/9/2007, Informativo do STJ n° 332. O argumento maior para a edição do verbete 215 do STJ foi a aplicação analógica do art. 14, Lei 9468/97, no caso do PDV. Contudo, a 1ª Turma firmou entendimento de que o diploma regula situação referente a servidores públicos civis, insertos no Programa de Desligamento Voluntário de servidores civis do Poder Executivo Federal, o que não coaduna com a generalidade conferida pela posição sumulada. 170 No cômputo no lucro, os rendimentos auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para a venda e caso a moeda não tiver cotação no Brasil, será convertida em US$ e, em seguida, em R$. Prejuízos e perdas decorrentes de operações não serão compensados com lucros auferidos no Brasil.

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ou do provento representa o cerne da querela. Estando disponível a riqueza para o contribuinte, perfaz-se o fato gerador. A disponibilidade econômica é facilmente identificável. Já a jurídica, pode antecedê-la. Ex.: salário de um empregado; no dia 10 do mês seguinte, ele recebe seu pagamento referente ao mês anterior (disponibilidade econômica); porém, ao longo desse período, ele já tem o direito ao pagamento a cada jornada de trabalho completa (disponibilidade jurídica). Disponibilidade jurídica é direito de usar a renda definitivamente constituído na forma da lei, alcançando os atos e operações colhidos pelo direito, inclusive resultantes da aplicação de capital. Ex.: lucro nas operações imobiliárias ou mobiliárias. Disponibilidade econômica é situação de fato irrelevante ao direito ou até mesmo a atividade lícita. Ex.: jogos, contrabando, juros usurários,etc. A disponibilidade jurídica sempre será econômica, mas nem sempre a econômica será jurídica. Destarte, lembra-se que disponibilidade econômica não pode ser confundida com a financeira. Disponibilidade financeira é o ingresso de dinheiro no patrimônio particular, independentemente do acréscimo patrimonial. Dependendo do fenômeno de renda ou provento a ser tributado, o legislador estabeleceu se o momento da ocorrência do fato gerador será da disponibilidade jurídica ou econômica. Ex.: salário (econômica); capitalização de rendimentos mensais, com permanência do montante até um período estipulado (jurídica); antecipação do 13º salário integral (econômica). A disponibilidade econômica ou jurídica diz respeito ao aspecto TEMPORAL do IR. O fato gerador complessivo (formado por vários atos) será regulado também por estipulação do legislador. Por exemplo, para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88). Aliás, como bem assevera Paulsen (2001), o IR apresenta um fato gerador complessivo, em que se deve determinar, via legislativa, o exato momento de sua ocorrência. Assim sendo, será possível fazer incidir a exação nesse ínterim. Apesar da idéia de fato complessivo ser recorrente e bastante prevalente na doutrina, a jurisprudência do STF não a acolhe. Consoante comentário supra aduzido, o Supremo, por meio de sua Súmula 584 (já comentada), perfilha a chamada Teoria da Retrospectiva, a qual provém do estruturalismo alemão. Com efeito, para a corte, o fato gerador do IR é pontual, ocorrendo no último dia útil do exercício considerado, aplicandose a legislação tributária vigente à época da declaração, não aquela atinente ao momento de efetivação da hipótese de incidência. Com referência às importações, a parcela dos custos que exceder ao valor determinado como referência fiscal deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Somente serão dedutíveis ou custos, despesas e encargos até o valor que não exceda o preço determinado por um dos seguintes métodos (arts. 241, I a III, RIR, e 18, I a III, Lei 9430/96): PIC (Método dos Preços Independentes Comparados) – é a média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos aos similares apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda.

pode ser realizada sem a inclusão nos mencionados bancos de dados. III. os impostos. o legislador ordinário criou mecanismos para substituir a impossibilidade de aferição da renda ou provento real pela metodologia tradicional. O legislador ordinário vai dar os critérios para sua aferição. acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação. Administração tributária (controle de rendas e proventos) – a primeira preocupação do legislador foi dividir os contribuintes em dois grupos: pessoas físicas e jurídicas. Base de cálculo – é exprimida. as contribuições incidentes na venda. em um primeiro momento. § 3º. a SRFB chama o contribuinte para prestar esclarecimentos administrativamente. de modo geral. é encaminhado expediente ao Ministério Público. Entretanto. aos olhos de alguns juristas. nos estritos ditames da norma positiva. pelo art. lembra-se que quaisquer documentos de prova perante o Fisco devem ser guardados por. Por fim. com margem de lucro de 20% calculada sobre o custo apurado. ficou possível ao Fisco erigir um sistema eficaz na perfeita fiscalização das rendas e proventos. Por meio da instituição da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). como bem diz o citado autor. O primeiro é o “quantum” preciso. Na aferição do lucro presumido ou arbitrado. a base de cálculo é substitutiva da base de cálculo primária (XAVIER apud PAULSEN. recolher-se-á a diferença entre o declarado e o levantado pelo órgão (lançamento de ofício). CALCULADO. arbitra a renda ou o provento do sujeito passivo (lançamento de ofício). no mínimo. há três categorias possíveis de renda ou proventos a serem tributados: real. Ademais.129 PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) – é a média aritmética dos bens ou direitos dos quais são deduzidos os descontos incondicionais concedidos. LC 105/01). Se convincentes os argumentos exprimidos. no Brasil. o que. ficando o seu arbítrio legal como disposição válida para a base de cálculo. 1º. arbitrado ou presumido. dado o declarado anualmente para com o recolhido do citado tributo no mesmo período (art. O fisco. Do contrário. sendo. 2001). incidindo uma multa de 75% sobre tais valores. a comissão de corretagem paga e a margem de lucro de 20%. No terceiro. Caso seja identificada uma discrepância entre os dados apresentados e aferidos. aos olhos do poder tributante. não há nenhuma conseqüência jurídica. com o fim de oferecimento de denúncia pelo delito de evasão de divisas. Não sendo possível. calculada sobre o preço da revenda. constitui uma ferramenta totalitária de controle social. seis anos para fins de comprovação do IR. De fato. CPL (Custo de Produção Mais Lucro) – é o custo médio de produção de bens. a aferição REAL OU PRESUMIDA – as quais cabe ao contribuinte (lançamento “por homologação”) – o fisco. CTN. dimensionado. Estas duas categorias são incluídas em dois cadastros unificados: CPF e CNPJ respectivamente. recusa todo o procedimento operado pelo contribuinte de modo justificado. Nenhuma transação. por opção do . O fisco deve seguir rigorosamente o estabelecido para medir a base de cálculo presumida. serviços ou direitos idênticos aos similares no país onde tiverem sido originalmente produzidos. então. cujo procedimento é vulgarmente conhecido como “malha fina”. portanto precisamente legal. 44.

locação ou cessão de bens móveis ou imóveis. tomando por paradigma o aluguel a ser eventualmente auferido com o aluguel.000. Optando pelo segundo. através de registro. A partir daí. deve-se comprová-las documentalmente. etc. Havendo lucro. indenização de férias ou de licença-prêmio não-gozadas por necessidade do serviço (Súmulas 125 e 136 do STJ. 32%: para atividades de prestação de serviços em geral. Ainda por opção do sujeito passivo ou ante a impossibilidade de apurar daquela maneira.00. operam-se as DEDUÇÕES. incide ALÍQUOTA ZERO. esta será a base de cálculo. . PRESCINDE-SE desta exigência. mas é proprietário de vários imóveis. a renda corresponde ao lucro. alienação de um único imóvel. álcool etílico carburante e gás natural. o legislador criou um mecanismo análogo ao simples da pessoa física. de combustíveis derivados de petróleo. a partir da renda tributável. tomando-se por referência a receita bruta (faturamento). referente ao exercício financeiro e coincidente com o ano civil. A escrituração contábil deve ser rigorosamente observada. em um segundo momento. sobre os quais pende comodato para com amigos em dificuldade – o fisco arbitra a base de cálculo da renda. de acordo com a tabela progressiva estipulada. Nas deduções do modelo completo. o fisco arbitrará a base de cálculo.5%. No simplificado. forma o resultado final. Para efeitos do IR. afere-se a base de cálculo pelo lucro real.6%: receita proveniente de revenda. Ex. Uma vez que o contribuinte optante pelo completo caia na “malha fina”. Ante a inexistência deste último dado.130 contribuinte. os custos e as despesas que excederem os limites contábeis serão adicionados ao lucro contábil. O contribuinte do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) pode optar pelo modelo simples ou completo para a declaração anual. poupança. relacionadas no art. recorre-se ao arbitramento fiscal da base de cálculo (lançamento de ofício). O lucro operacional é o faturamento menos custos e despesas operacionais. 8%: serviços hospitalares e transportes de carga. pela autoridade tributária. sendo que tal percentual varia de acordo com o tipo de atividade. chegando-se à base de 171 Lucro presumido consiste em presumir ou estimar o lucro como um percentual sobre a receita bruta.00.: contribuinte que declara não ter renda. como ajuda de custo. Não conseguindo fazê-lo. bolsas de estudo. para consumo. Há atividades com percentuais específicos: 1. cobra-se 15% sobre este valor e 10% sobre o excedente (tabela progressiva). ao lucro presumido. por meios indiciários. 647 RIR. O IRPF não incide sobre diversos rendimentos brutos. O critério temporal é o lapso de 12 meses. Para as PESSOAS JURÍDICAS. ele deverá apresentar os documentos comprobatórios das deduções. intermediação de negócios. RIR). segue-se o mesmo trâmite da declaração completa.000. 262. Com outros resultados. A regra geral determina uma alíquota de 8% sobre a receita bruta. encontrando a base de cálculo. sobre a renda. É aplicado um percentual sobre o faturamento171. excetos os de carga. subtraímos-se 20% por presunção (guardado o limite máximo estipulado anualmente). Já no primeiro. DE 15% OU DE 27. recorre-se. alienação de bens de pequeno valor. chamado de lucro – quando positivo – ou de prejuízo – quando negativo. 32%: profissões regulamentadas.000. administração. já mencionadas). levada a cabo.00. alimentação. Caso o contribuinte opte pelo LUCRO PRESUMIDO. IV. mesmo com receita bruta anual não superior a R$ 120. Sobre esta. 16%: atividades de prestação de serviços de transporte. encontrando-se a base de cálculo. e para as prestadoras de serviço com receita bruta anual não superior a R$ 120. Toda vez que o lucro anual da pessoa jurídica ultrapassa R$ 240. cálculo e demonstração no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para fins puramente tributários (art.

decidir por qual modo de declaração do IR lhe é mais favorável. nesta modalidade. Ele configura uma obrigação mensal para o IR. Ainda mais: por até 30% de prejuízo. preenche o DARF e recolhe a quantia aduzida. independentemente da sorte financeira da empresa (lucro ou prejuízo). o beneficiário desses rendimentos deve fazer o recolhimento de uma maneira específica. bastando meros cálculos matemáticos. o Fisco passou a determinar que a APURAÇÃO fosse ANUAL. de dependentes (também previstos para as fontes pagadoras pessoas jurídicas) e de empregados. que será feito no ano seguinte. empresas com capital estrangeiro ou que possuam sócios residentes no exterior devem sempre fazer a declaração pelo lucro real. o erário necessita de entradas regulares ao tempo de suas necessidades. “factoring”. porque. o legislador criou o sistema de antecipação mensal do IR. Em face do Direito Tributário. quando se tem fonte pagadora pessoa física. os quais só serão aplicáveis – no primeiro caso – por ocasião da prestação de contas anual. quer seja em uma empresa. RIR. o empresário deve planificar o lucro real primeiramente. Entretanto. Vale . A declaração do IRPJ deve ser optada no primeiro mês do exercício financeiro. será feita a apuração e a prestação de contas correspondente. Neste sentido.131 cálculo. Neste caso. Na realidade. Além disso. além de deduzir os custos de previdência. empresas de arrendamento mercantil. o art. o empresário pode abater de lucro nos exercícios seguintes(art. 246. Entretanto. esta não tem a obrigação de fazer o recolhimento. a retenção na fonte é uma obrigação jurídica de quem é fonte pagadora (necessariamente uma pessoa jurídica). empresas de seguros. valem as consultorias. há OBRIGATORIEDADE para todos os contribuintes (pessoas físicas e jurídicas). É também uma forma de amortizar as dívidas e de diminuir a inadimplência (sonegação) para com o poder tributante.. Todavia. mas decorre de lei (“ex lege”). favorece sempre o contribuinte. a fiscalização é materialmente mais facilitada. Antecipação do IR – o carnê-leão é uma forma de retenção de IRPF na fonte. Só depois do exercício financeiro anual. as que tiverem lucros. logo depois. Esta determinação decorre da dificuldade em se precisar o exato instante da majoração patrimonial (renda). o contribuinte pode incluir os quesitos educação e saúde. Para resolver o entrave. sociedades de crédito imobiliário. de modo a ser apurado um eventual saldo positivo (restituição do IR) ou negativo (pagamento do IR) para eles. o contribuinte calcula o seu imposto mensalmente. sempre haverá recolhimento de tributo. bancos comerciais. Na prestação de contas anual. No tocante ao IRPF. 42 e ss. então. A opção por lucro real. o histórico da empresa e as projeções para o futuro. I a VI. o período de apuração do IR é de 12 meses. por meio do CARNE-LEÃO. é possível dividir a obtenção de acréscimo patrimonial em vários momentos. em contrário. bancos de investimento. para. etc. instituições financeiras. rendimentos ou ganhos do exterior. Em qualquer dos casos de incidência. Desse modo. Lei 8981/95). Como o fato gerador do IR é complessivo.. De fato. Nesta situação. O fisco sempre prefere a declaração por lucro presumido. ao contrário do IRPF. Desta feita. esta obrigação não é facultativa. determina que as seguintes pessoas jurídicas são obrigadas a recolher o IRPJ pelo sistema de lucro real: com receita superior ao limite de R$ 48 milhões. quer seja quanto a uma pessoa natural.

§ 2º. No diapasão. ainda pelo o lucro real: o recolhimento antecipado dar-se-ia por LUCRO ESTIMADO. Uma vez que. Nesse sentido. Min. elemento essencial para concretizar a atividade mercantil. em um balanço parcial do ano (seis meses). a antecipação são MENSAIS. Joaquim Barbosa. DJU 7. fazendo os ajustes necessários por ocasião da declaração anual. Min. p. 155. j. Gilmar Mendes.11. 6. DJU 25. j. 6. produtos que estão na linha da circulação. Regência legal – a lei instituidora advém de diplomas estaduais. Estatisticamente. Obs. Informativo do STF n° 478. cit. Liga-se à atividade de mercância. direta ou indiretamente.95. nos termos do art. ADI 3936 MC/PR.) [compreende] o trajeto de mercadoria da produção até o consumo”. por conseguinte. Lei ou ato normativo estadual que venha a contrariar. RMS 17949/ES. caso a pessoa jurídica verifique que há prejuízo no período. Pelo lucro presumido. Informativo do STF n° 480. o ATO DE MERCÂNCIA173 é o que genuinamente caracteriza o ICMS. DJU 17. Min. DJU 8. consubstanciando um tributo importantíssimo para o Fisco. ela poderá solicitar a SUSPENSÃO DAS ANTECIPAÇÕES POR LUCRO ESTIMADO no semestre posterior. O fisco deu uma terceira alternativa.: qualquer isenção a ser concedida por lei estadual ou distrital deverá ser precedida de convênio no âmbito das demais unidades parciais da federação.9.2007.circulação de mercadorias – implica em mudança de titularidade ou em alteração física da mercadoria. .9. “caput”. comporta vários núcleos do tipo tributário (hipóteses de incidência): . rel. 19.. Para ela. arremata o conceito pelo termo “habitualidade”. porque o constituinte deferiu ao legislador decorrente a competência para tal. 450. Desta feita. ou seja. XII. Informativo do STF n° 478. Cassone.. incidindo o 172 STF. é a principal fonte de receita derivada das unidades federadas. ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) – o ICMS é um imposto de grande magnitude normativa e econômica. O recolhimento pelo lucro real pressupõe contabilidade referente a um trimestre. Plenário. ADI 2377 MC/MG.5. Portanto. ADI 3389/RJ. op. A MP 219914/01. ADI 2021 MC/SP. ADI 1247 MC/PA. exclusivamente.9. Hipóteses de incidência – ele não incide propriamente sobre “venda de mercadorias”. 1º. 102/00 e 114/02).2007. a norma constitucional mencionada é tido como inconstitucional pelo STF172.2003.8. cit. Joaquim Barbosa.2007. ADI 3673/RJ. sendo fonte pagadora pessoa jurídica ou pessoa física.132 ressaltar também que a forma de contribuição por carnê-leão cabe quando há mais de uma fonte de renda e somente é aplicável à pessoa física. LC 24/75 (art. alterada posteriormente pelas LC’s 92/97. O modo como se estima é idêntico ao lucro presumido. op. O DL 406/68 traz normas gerais de natureza financeira para a referida exação. a antecipação é diversa. rel. O carne-leão não é possível para a pessoa jurídica. “g”. traz comandos sobre a isenção e redução quanto a fundos de investimentos regionais.9. II. Min. a aferição e. 291. pode haver mudança física de mercadoria sem a alteração de titularidade ou vice-versa.. o art. p.68. CF/88. 173 Para Sabbag. encontra regulamentação geral nas LC’s federais 24/75 e 87/96 (Lei Kandir. a “circulação de mercadorias (.9.. 99/99. rel. j. ADIn 2747/DF. Marco Aurélio.2001. Ademais. CF/88).2007. rel. 155. DJU de 27. com a correspondente antecipação neste período.

u. a cada entrada. 175 STJ. aplicando-se o art. 2004). . o empresário emite a nota fiscal e registra-a com suspensão do ICMS. 1ª T. chama-se produto manufaturado ou artefato.1997. Ilmar Galvão. A atividade comercial só é dispensada no caso de importação de produtos ou de prestação de serviços no exterior. rel. Outro exemplo: o agricultor vende antecipadamente sua safra inteira de milho.: 174 Súmula 166 do STJ: “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”. perfilhando a regra geral da nãocumulatividade pela compensação – “a cada saída. RE 200379-4/SP. carga. RTJ 78/215)”.5. um débito. o qual destina-se ao comércio (SABBAG. 452).737. 452). não há transmissão da titularidade. porquanto os produtos retornarão para o estabelecimento original do comerciante.: fabricante de roupas movimenta suas mercadorias para participação de uma exposição do setor em outra cidade – não há mercância. 2004)177. Desta feita. 43. Min. que a adquire para revender a outro comerciante ou a consumidor. deixa de ser mercadoria logo que sai da circulação e se acha em poder do consumidor (RE 79. considerado produto. a aplicação do verbete independe de as coisas pertencerem ao ativo fixo da empresa. o qual será objeto de tributação pela via do ISSQN (CASSONE. Está fora o transporte intramunicipal. Min. Ex. situações em que fazem incidir o tributo em tela mesmo que não haja habitualidade por parte do adquirente ou do prestador (art. DJU 12. IX. que a produz. passa a ser mercadoria logo que é objeto de comércio do produtor ou do comerciante por grosso ou a retalho. RE 194. 2ª T. tal qual já se fez no capítulo sobre IPI. rel. Havido o transporte mediante pagamento. REsp 756. p. Marco Aurélio. de haver alto valor envolvido ou do fato do translado não ser habitual. 449: “a coisa. 2ª T. Diz-se que é toda coisa ou bem móvel. utensílios e implementos a título de comodato”. desde que se trate de operação de mercado.. a alienação de bens do ativo imobilizado de empresa não configura o fato gerador do ICMS (SABBAG. é o mesmo caso da movimentação física de bens entre matriz e filial (Súmula 166 do STJ)174. ínsito no art. João Otávio de Noronha.. j. segundo leitura do próprio STJ acerca de seu posicionamento sumulado175.951-SP.. CF/88). j. citados por Cassone.1998. ou pessoa – fretamento).prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal – para Cassone (2004. incide o ICMS. o conceito de serviço. DJU 7. É também cediço definir “mercadoria”. porque há mudança de titularidade. 29. Min. 177 STF. perfilhando as lições de Carvalho de Mendonça e Fran Martins. 18/9/2007. § 2º. II. 2004)176. 176 A jurisprudência do STF já assentou entendimento sobre os conceitos de produto e de mercadoria. 178 Súmula 573 do STF: “Não constitui fato gerador do ICM a saída física de máquinas. 116. O ICMS é devido na saída da mercadoria do estabelecimento.9. um crédito”. II. Informativo do STJ n° 332. no momento do negócio jurídico. consuma-se o fato gerador. neste caso. cit. CTN. rel. 2004. p. v.133 ICMS. apesar de. não existir a movimentação física do produto. p. enquanto se acha na disponibilidade do industrial. op. Não importa se há efetivamente o transporte.1997.1998. apesar da plantação ainda não estar completamente maturada.8. 155. .. CF/88. De outra sorte. 19. 34. RJ/IOB 1/11. O fato gerador está ligado ao SERVIÇO DE TRANSPORTE. segundo entendimento do STF. Basta que o serviço seja prestado. p.612-RJ.4. p. o comodato de máquinas e equipamentos não caracteriza fato gerador da exação em tela (Súmula 573 do STF)178. A mudança da titularidade é jurídica e independe de movimentação física do bem (SABBAG.. “a”.300-9/SP. v. pressupõe a existência de dualidade de figuras: um prestador e um tomador.u.633. apesar de haver movimentação de mercadoria. Nesse passo. Ex. 155.. O núcleo do tipo independe da natureza do que está sendo transportado (passageiro – transporte regular.

2º. I a III. Além disso. as alíquotas sobre o frete são menores que aquelas para a operação de circulação de mercadorias. 454). conquanto o legislador não a distinguiu. 2º. não pode ser tributado pela via do ICMS. o trabalho da produtora de programas para a emissora paga (televisão fechada). Apesar da Lei 8977/95 falar em serviços de TV a cabo. STJ. a retransmissão. rel. porque são consideradas essenciais e de utilidade pública pela Constituição (art. 2004. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. cabendo tão-só a exação do ISSQN municipal180. mercadorias ou valores. não importa que a comunicação se dê no âmbito de um só município. 2004).103-MG. incide o ICMS. 155. desde que a empresa não se volte a esta atividade como principal. REsp 726. Min. . Neste caso. por qualquer meio. o VALOR DO FRETE ESTARÁ EMBUTIDO NO PREÇO da mercadoria. a transmissão. ainda que iniciado no exterior – o exemplo mais comum versa sobre a telefonia. Graças ao art. fato este que acaba não reduzindo a receita do Fisco. CF/88. a movimentação é obstada. bens. É interessante também destacar que a prestação deve ser onerosa. No critério espacial. referendando a previsão do Convênio ICMS 66/88 (SABBAG. o serviço de transporte deve ser efetivado por empresa que o preste em favor de terceiro. Geralmente. Emissoras radiofônicas e de televisão abertas não estão sujeitas à tributação do ICMS. pois houve contrato. p. j. LC 87/96179. Não estarão incluídos nos fatos geradores os transportes por dutos e por vácuos. Caso a própria empresa disponha de frota para fazer a distribuição de suas mercadorias. II. inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares. § 2º. Informativo do STJ n° 325. IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios. incide o ICMS onde a operação começou a ser prestada. II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal.. não há prestação de serviço de transporte. como o fez no transporte interestadual e intermunicipal (CASSONE. inclusive a geração. “d”. Incidências (elemento objetivo) – o imposto incide sobre (art. de pessoas. por alguma razão. pois se gratuita for. restaurantes e estabelecimentos similares. Nesse caso. com transporte de várias peças ou componentes. 2ª T. X.prestação de serviço de comunicação. e § 1º. pagamento e emissão do “conhecimento de transporte”. o transporte aéreo também pode ser abrangido pelo ICMS. I a V. João Otávio de Noronha. III – prestações onerosas de serviços de comunicação. LC 87/96): I – operações relativas à circulação de mercadorias. a recepção. Quando a prestação se dá em parcelas. desde que não propague o sinal por qualquer meio. por qualquer via. 179 180 A LC 87/96 é conhecida como “Lei Kandir”. não há incidência da exação (SABBAG.134 transportadora é contratada para fazer a mudança de uma família. a emissão. . 26/6/2007. 2004). acrescida pela EC 42/03). o fato gerador se configura com o efetivo transporte da primeira parte.

II. pende uma dúvida. A energia elétrica é atualmente tributada pelo ICMS. por pessoa física ou jurídica. Este não incluiu a energia elétrica no rol dos núcleos dos tipos tributários do ICMS. O legislador infraconstitucional. XII.... § 2º. em contrário à vontade do constituinte originário. o ICMS prescinde de LC regulamentadora para tal (art. CF/88) . quanto ao consumo residencial. CF/88. LC 87/96: Art. cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente. mesmo porque é tida como essencial e vital para as condições mínimas de dignidade humana. VIII – a entrada.). e de energia elétrica. como não deixa de se ressaltar o mestre Sabbag. não prevista no texto do art. 153. Todavia. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento. Controvérsia também se estabelece sobre o art. 155. op. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. § 3º.. à exceção do art. pois faz parte de um preceito secundário. CF/88.). . 298. quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. § 3º. utilizou-se da regra prevista no art. § 1º. CF/88). Para Cassone (2004. 2º O imposto incide sobre: (.. 155. sendo chamada de insumo público. 155... apesar de não constar do rol do art. II. de petróleo. § 1º. I. “c”. CF/88). inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. porquanto seria intrínseca no preço final de todos os produtos. VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. no território do Estado destinatário. p. p. 155. CF/88. 155. cit. II. de competência dos Municípios. 2º. 155. CF/88. de fato. 453). em que a não-cumulatividade foi determinada diretamente pelo constituinte (art. seletividade em função da essencialidade (de acordo com o arbítrio do 181 181 Ao contrário do IPI. Alguns a consideram insumo de produção. VI – a entrada de mercadoria importada do exterior. mas aquele o fez. II. a primeira parte do dispositivo em comento é inconstitucional. O imposto incide também: (. II . ao considerá-la como mercadoria. O constituinte derivado foi “atroz” ao instituir o citado dispositivo. (.sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior.).135 V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços. II. decorrentes de operações interestaduais. Características – o ICMS apresenta não-cumulatividade (art. porquanto estabelece regra de incidência tributária extraterritorial. § 2º. por intermédio da EC 33/01.

§ 2º. “d”. CF/88). devem ser preenchidos três pressupostos cumulativos para que isso ocorra: a operação de circulação deve ser realizada entre contribuintes. esse não integrará a base de cálculo do ICMS (art. CF/88).626-3/SP e 199. 155. real (as condições pessoais do contribuinte são irrelevantes para o cálculo do devido). “b”. I a IX. p. 150. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados.). segundo alíquota mínima de 1%. sendo entendido como objeto de incidência única do IOF (art. Em contrário senso. III. RE’s 176. quando destinados à industrialização ou à comercialização (art. Nas palavras de Sabbag (2004. 155. Ele tem um valor cambiário. a Resolução 22/89 estabelece as alíquotas para operações interestaduais. Rememora-se que a primeira hipótese constituirá fato gerador da CIDE-remessas para o exterior (Lei 10168/01) caso a cessão. CF/88). Caso o produto a ser comercializado também seja objeto de IPI. ISSQN. CF/88). Os programas de computador sofrem dupla disciplina. em que pese sua natureza de mercadoria. 3º. Nesse caso. “a”. § 5º. uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira. ICMS. CF/88) e alíquotas variáveis de Estado para Estado. cabe a tributação por via do ICMS (CASSONE. . para transporte aéreo. etc. há configuração do fato gerador de ambas exações. XI. entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI. 155. enquanto a Resolução 95/96. LC 87/96): I – operações com livros. § 2º. Não-incidências (isenções) – o imposto não incide sobre (art. I e II. CF/88). 150. 153. X. 288). § 2º. 155. inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. o produto deve ser destinado ao comércio ou à industrialização. proporcional (não há progressividade nas alíquotas) e fiscal (não é exação regulatória da economia). jornais. não incide o ICMS. enquanto ativo financeiro. p. a licença ou transferência de tecnologia se dê em proveito de adquirente.136 legislador estadual – art. CF/88: 70% ao Município de origem e 30% ao Estado de origem ou ao DF.464/SP. V. VI. X. CF/88). 182 STF. caso haja destinação da produção em massa para o comércio (“software de prateleira”). Em se tratando de licença ou cessão do direito de uso (propriedade imaterial). § 2º. Será incidente na extração da matéria-prima. o imposto em questão pode ser classificado como gravame plurifásico (incide sobre o valor agregado). II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias. ou serviços (art. “a”. devendo ser observados os limites mínimos estabelecidos em Resolução do Senado (art. Desta feita. 2004. § 5º. periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. a ser divida de acordo com o art. licenciado ou contratante localizado no estrangeiro. Atualmente. § 2º. O ouro é um valor de referência mundial. 458-480)182. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. 155. De outra feita. II – operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo.

inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor. de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços. operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. II – seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. “c”. 4º. V – operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação. 4º. CF/88). deve ser abatida a . IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (art. parágrafo único. que realize. com base no art. § 7º. não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. com alíquota de ICMS de 12%. Cálculo do ICMS – no caso de saída de mercadoria. 2º. “caput”. ainda que as destine a consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento. 462). III – adquira em licitação de mercadorias apreendidas ou abandonadas. 3º. destinada a (art. LC 87/96): a) empresa comercial exportadora. § 1º. comercial ou de outra espécie. ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar. pelo próprio autor da saída. estabelecimento da mesma empresa. inclusive “tradings” ou outro b) armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro. VI – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial. LC 87/96). a alíquota incidirá sobre o total da operação (art. de competência dos Municípios. VIII – operações de arrendamento mercantil. É o que a doutrina denomina ICMS “por dentro”. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. I. 155. p.137 IV – operações com ouro. com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial. mesmo sem habitualidade (art. X. IX – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras. § 2º. I a IV. do total da operação (100%). LC 87/96): I – importe mercadorias do exterior. física ou jurídica. I e II. 306) e Cassone (2004. 3º. Ex.: mercadoria custa R$ 500. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (art. LC 87/96. segundo dizem Sabbag (2004. parágrafo único. Equipara-se às operações de que trata o item II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior. É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que. Contribuinte (elemento subjetivo passivo) – contribuinte é qualquer pessoa. p. VII – operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia. DL 406/68).

Segundo o art. os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS”. II. sendo tributada por meio do IOF (art.6. f) aquele onde seja realizada a licitação. o legislador complementar determinou que os juros devem integrar a base de cálculo também. 13. a própria jurisprudência não encontra melhor pacificação.13636. Em contrário senso.18) para o fisco. isto é. RE 212209/RS. b) onde se encontre. 1.826. e) importado do exterior. Julgados menos hodiernos do STF propugnavam pela sua inclusão no montante para o cálculo da exação. com fulcro no art. ficando R$ 500 para o comerciante e R$ 68. obtendose o valor total (mercadoria + imposto). 184 183 . no caso de arrematação de mercadoria importada do exterior e apreendida. No mesmo comando. 13. Ex. Essa disposição não atinge o preço da mercadoria no caso de desconto concedido diretamente no momento da operação. para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável. j. CTN). LC 87/96): I – tratando-se de mercadoria ou bem: a) o do estabelecimento onde se encontre. julgados mais recentes do STJ determinam a exclusão dessa espécie de juros da base de cálculo. de mercadoria por ele adquirida no País e que por ele não tenha transitado. “a”. à vista do adquirente (CASSONE. 185 Súmula 237 do STJ: “Nas operações com cartão de crédito. “a”.18 (12% de 568. o do domicílio do adquirente. a do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. CF/88. integram a base de cálculo do ICMS. § 1º. STF. ou o título que a represente.18: o contribuinte de fato paga esse valor. No mesmo sentido. p. Cesar Asfor Rocha.1999. por exemplo).138 alíquota (12%). obtendo-se a percentagem real (88%). 30. c) o do estabelecimento que transfira a propriedade. Min. RE 101103-3/RS. rel. 64. quando não estabelecido. os descontos concedidos sob condição (pagamento a prazo. obtém-se o coeficiente dividindo-se o total (100%) pela percentagem real (88%). I.. pelo fato do financiamento constituir operação distinta daquela relativa à mercância (Súmula 237 do STJ)185. no momento da ocorrência do fato gerador. Tratando-se de frutos decorrentes de financiamento. d) importado do exterior. é (art. como dispuser a legislação tributária. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhado de documentação inidônea. multiplica-se o valor da mercadoria (R$ 500) pelo coeficiente (1. ou seja. STF. REsp 67947/MG. RJ/IOB 1/9. I a IV.13636). STJ. R$ 568. considerando a base de cálculo o valor total da nota fiscal184. Essa ginástica aritmética foi considerada constitucional pelo STF183. 1ª T. II.: financiamento de parte do preço por meio de cartão de crédito. 2004. § 1º. Informativo do STF n° 154. LC 87/96. 462). Local da operação ou da prestação (elemento espacial) – o local da operação ou da prestação.

emissão. repetição. III – tratando-se de prestação onerosa de serviço de comunicação: a) o da prestação do serviço de radiodifusão sonora e de som e imagem. ou assemelhados com que o serviço é pago. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. no Estado do transmitente. assim entendido o da geração. por contribuinte. como dispuser a legislação tributária. cartão. ampliação e recepção. o do estabelecimento ou do domicílio do destinatário. ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. transmissão e retransmissão. II – tratando-se de prestação de serviço de transporte: a) onde tenha início a prestação. crustáceos e moluscos. quando prestado por meio de satélite. d) o do estabelecimento ou domicílio do tomador do serviço. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhada de documentação inidônea. . IV – tratando-se de serviços prestados ou iniciados no exterior. na hipótese da utilização. b) o do estabelecimento da concessionária ou da permissionária que forneça ficha. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. Ocorrência do fato gerador (elemento temporal) – considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento (art. i) o de desembarque do produto. 12. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. lubrificantes e combustíveis dele derivados. inclusive consumidor final.139 g) o do Estado onde estiver localizado o adquirente. na hipótese de captura de peixes. II – do fornecimento de alimentação. na hipótese da utilização. III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado. nos demais casos. LC 87/98): I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte. h) o do Estado de onde o ouro tenha sido extraído. nas operações interestaduais com energia elétrica e petróleo. bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento. I a XIII. d) onde seja cobrado o serviço. por contribuinte. b) onde se encontre o transportador. quando não considerado como ativo financeiro ou instrumento cambial. quando não destinados à industrialização ou à comercialização.

a qualquer título. ou de título que a represente. X – do recebimento. b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto da competência estadual. VI – do ato final do transporte iniciado no exterior. V – do inicio da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias ou serviços previstos em lei de cada Estado (art. § 2º. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. a retransmissão. LC 87/96). a transmissão. “caput”. 10. VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios. É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária. inclusive a geração. 6º. IX – do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas do exterior. hipótese em que o contribuinte assumirá a condição de substituto tributário (arts. feita por qualquer meio. “caput”. crédito e estorno de ICMS – o imposto é nãocumulativo. 6º. LC 87/96). concomitantes ou subseqüentes. de qualquer natureza. Não-cumulatividade. que não se realizar (art. que seja contribuinte do imposto (art. a responsabilidade pelo seu pagamento. pelo destinatário. a recepção. por contribuinte. § 1º. XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias importadas do exterior apreendidas ou abandonadas. LC 87/96). Substituição tributária – a Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto ou a depositário. correspondente ao fato gerador presumido.140 IV – da transmissão de propriedade de mercadoria. de serviço prestado no exterior. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à . A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações. 5º e 6º. XIII – da utilização. XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. sejam antecedentes. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. como definido na lei complementar aplicável. inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado. LC 87/96). de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente. a emissão.

devendo o contribuinte também realizar o estorno (art. Quando a operação subseqüente for de exportação. LC 87/96). 23. II – para comercialização ou prestação de serviço.00.000. LC 87/96). § 2º. “caput”. Salvo prova em contrário. I a IV. 20. 155. É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria. exceto se se tratar de saída para o exterior. LC 87/96). presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal (art. § 1º. “a” e “b”. § 3º. 21. 19.00. permitiu o crédito de ICMS em favor do contribuinte a partir da escrituração de entrada de ativo financeiro no estabelecimento – “a cada entrada. o crédito será definitivo. perecer ou perder-se.00. I e II. parágrafo único. No creditamento de ICMS. com as devidas alterações da LC 102/00. real ou simbólica. § 2º. 21. De outra sorte. Com efeito. diga respeito à operação estranha à empresa. Entretanto.141 circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado (art. LC 87/96). Crédito semelhante é garantido quanto à energia elétrica consumida pelo estabelecimento (art. LC 87/96). ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento (art. LC 87/96): I – para integração ou consumo em processo de industrialização ou produção rural. Do contrário. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. LC 87/96). Exemplo: total do ICMS devido pelo sujeito passivo – R$ 50. II.000. no estabelecimento (art. § 1º. 21. o que não configura violação da não-cumulatividade e da isonomia.000. a LC 87/96. valor do ICMS a pagar – R$ 50. 20. exceto as destinadas ao exterior. CF/88. Nessas hipóteses. caso a operação for isenta ou não tributada. decorrentes de entradas de mercadorias – R$ 10.000. quando a saída ou a prestação subseqüente não forem tributadas ou estiverem isentas do imposto. 20. II. De fato. um crédito”. .R$ 10. o crédito não vige. LC 87/96). não dão direito a crédito as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de operações ou prestações isentas ou não-tributadas. O direito de utilizar o crédito extingue-se depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (art. valor do imposto anteriormente cobrado. o art. o contribuinte deverá estornar à Fazenda o valor à razão de 20% ao ano ou proporcionalmente em 1% ao mês (art. não permitiu a compensação na cadeia mercadológica se alguma de suas fases goza de alguma espécie de não-incidência ou de isenção. não há de argüir a regra da não-cumulatividade. Sendo o ativo alienado em até cinco anos. É vedado o crédito relativo à mercadoria entrada no estabelecimento ou a prestação de serviços a ele feita (art. 33. 20. a jurisprudência tranqüila apregoa que descabe incidência de correção monetária.000.00 = R$ 40. seja consumida em processo que leve a produto não tributo pelo imposto ou venha a deteriorar-se.00 . LC 87/96). não haverá estorno do crédito à Fazenda em qualquer hipótese (art. LC 87/96). § 2º.

permitir que (art. parágrafo único.795-RJ. em sua escrita fiscal. Quando houver incorporação do bem ao ativo permanente do contribuinte antes de passados cinco anos contados da aquisição. A prestação em comento. LC 87/98). e I. não se estornam créditos referentes a mercadorias e serviços que venham a ser objeto de operações ou prestações destinadas ao exterior (art. I e II. o estorno deverá ser feito à razão de 20% ao ano ou fração que faltar para completar o lustro (art. 21. o contribuinte substituído poderá se creditar. rel. LC 87/96). III. § 1º. As obrigações consideram-se liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de períodos ou períodos anteriores (art. 20. Com base nessa interpretação. LC 87/96). § 1º. se for o caso. Formulado o pedido de restituição e não havendo deliberação no prazo de noventa dias. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto.. . III – vier a ser utilizada em fim alheio à atividade do estabelecimento.142 O sujeito passivo deverá efetuar o estorno do imposto de que se tiver creditado sempre que o serviço tomado ou a mercadoria entrada no estabelecimento (art. 10. Convênio 115/96). 10. porquanto não abrangidos pela norma convencional esculpida186. IV – vier a perecer. no prazo de quinze dias da respectiva notificação. a diferença será transportada para o período seguinte (art. LC 87/96). LC 87/96): I – for objeto de saída ou prestação de serviço não tributada ou isenta. § 1º. LC 87/98). deteriorar-se ou extraviar-se. 24. o contribuinte substituído. popularmente conhecida como “pager”. 24. LC 87/96): I – sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado. No entanto. Eliana Calmon. Informativo do STJ n° 332. A Lei estadual poderá. 20. nos casos de saldos credores acumulados. LC 87/96). REsp 805. sendo esta circunstância imprevisível na data da entrada da mercadoria ou da utilização do serviço. 20/9/2007. procederá ao estorno dos créditos lançados. O Convênio 115/96. Min. versando sobre ICMS. j. I a IV. geralmente também envolve a comercialização de aparelhos. também devidamente atualizados. 186 STJ. 2ª parte. confere prerrogativa para os Estados estabelecerem redução da base de cálculo do tributo no tocante a serviço de radiochamada (cláusula 2ª. do valor objeto do pedido. 2ª T. o STJ pronunciou o descabimento de não-creditamento nas operações que envolvam a mercância dos equipamentos mencionados. devidamente atualizado segundo os mesmos critérios aplicáveis ao tributo (art. 25. “caput”. § 2º. fato esse que não está abarcado expressamente pela norma. Sobrevindo decisão contrária irrecorrível. com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis (art. II – for integrada ou consumida em processo de industrialização. § 2º. Se o montante dos créditos superar os dos débitos.

m. j. 2ª T. o STF vinha entendendo diferente.769-DF. Essa prática é STF. 11/9/2007.10. a alíquota a incidir é a interna. 1º. 191 STF. REsp 73. mas contando com cinco votos pela exclusão das operações com salvados da incidência do ICMS. em face de previsão de empreitada com o emprego de materiais a serem fornecidos pelo empreiteiro (art. essa atuação se presta à identificação do contribuinte.062-GO. REsp 564. REsp 919. v. v.99. fato que sugere a apreensão como modo de coerção para o pagamento da exação.. Castro Meira. Construção civil – é fato gerador de ISSQN. Os insumos devem ser utilizados na atividade-fim do administrado para não sofrerem a incidência do tributo. Operações com salvados de sinistros – o art. Castro Meira. 192 STJ. o qual tinha por fulcro a CF/69 e o art.223-MT. nos exatos termos de jurisprudência até então dominante (Súmula 152 do STJ)193. dando azo à edição da Súmula 661 do STF189. O Pretório Excelso passou a acatar como inaplicável o ICMS também na operação de alienação dos salvados pela seguradora194. rel. e § 1º. o STF entendia como legítima a cobrança de ICMS no desembaraço aduaneiro. Tratando-se de diferença cambial na cobrança do imposto em comento. rel. Também TJRJ. Com base no entendimento do Supremo. Em que pese a cristalina e consentânea disposição das cortes. o STJ entende que há de se tomar como balizas referenciais a data do registro da importação e a entrada da mercadoria no território nacional190. é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro”. Todavia. Dessa feita.97. esses não sofrerão tributação pela via do ICMS quando adquiridos de outro Estado.946-MS. CC). lavrando-se o auto de infração devido. RE 172282-7/SP. “in fine”.05. Min.08. o STJ resolveu alterar sua posição. não aquela determinada para operações interestaduais.. decorrente de operação de importação de mercadoria187. DJU 16/8/2004. 6. rel. Ilmar Galvão. Min. 188 187 . j. RMS 12. incide o ICMS”. Informativo do STF n° 478. rel. 189 Súmula 661 do STF: “Na entrada de mercadoria importada do exterior. Apreensão de mercadorias – nada obsta que o fisco empreenda a apreensão de bens sujeitos a ICMS e desacompanhados da correspondente nota fiscal.552-RJ.. 194 STF. Min. Néri da Silveira..084. a outros contribuintes do mesmo Estado. 1ª Seç. determina a não-incidência de ICMS em operações de aquisição de salvados por seguradoras. DJU 20/3/2000. Min. 193 Súmula 152 do STJ (CANCELADA): “Na venda pelo segurador. j. cancelando o referido verbete195. RE 193817/RJ. REsp 23533/SP. “caput”. rel.2007. Min. RE 192711/SP. quando a adquirente realizava a alienação deles. 13. Nas operações de importação. 3º. IX. a jurisprudência do STJ fixou entendimento192.96. ADI 1648/MG. 195 STJ. 23. RJ/IOB 1/11. Informativo do STJ nº 331. rel. LC 87/96. bens decorrentes de sinistro.. DL 406/68. A posição ficou sedimentada por meio de outros julgados188. Pleno. de bens salvados de sinistros. 610. u. 1ª T. RT 726/383. incidia a referida exação. Min. j. Com essa idéia.9. Ilmar Galvão. no tocante ao diferencial de alíquotas da exação. II. DJU 28. Dessarte. Informativo do STJ n° 323. DJU 1º/7/2002. nas condições que definir. ADInMC 1648/MG. EREsp 149. Não pode a autoridade tributária permanecer “ad eternum” com as coisas. Desembaraço aduaneiro – mesmo antes da LC 87/96. STF. à materialidade do fato. 13/6/2007. não ficando abarcada pelo ICMS. j. com julgamento ainda pendente até a data indicada. segundo já disse o Supremo191.143 II – sejam transferidos. Gilmar Mendes. 190 STJ. em substituição ao seu enunciado 577.

Eliana Calmon. Exsurgiram sucessivos embargos de declaração. j.. Des. MARCO AURÉLIO RECORRENTE : AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADVOGADO : ROQUE ANTONIO CARRAZZA ADVOGADOS : RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS E OUTROS RECORRIDA : UNIÃO ADVOGADA : PFN .781-RS. insistindo-se na inconstitucionalidade do artigo 2º. Nas razões do recurso. Informativo do STJ n° 326. REsp 700. ICMS – inclusão na base de cálculo da COFINS – STF – interpretação do art.04. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118. § 2º.316-DF. 02. sendo objeto de posição firme na própria corte máxima (Súmula 323 do STF. parágrafo único. DJU 3 30. articula-se com a ofensa ao artigo 195. “caput”.97.repudiada pela jurisprudência . “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo. no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90). STJ: REsp 493. consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. 2º. lei esta.12. reafirme-se. nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação. da citada lei complementar.543-PR. REsp 513. 2ª T.785-2 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. o voto do Min. inciso I. na íntegra.631-96. não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116). rel. o qual fixou a jurisprudência do Supremo no sentido de não fazer incidir o ICMS sobre a base de cálculo da COFINS: 24/08/2006 TRIBUNAL PLENO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240. já citada). MS 38. relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. 8078 – ementa oficial. DJU 2/6/2003. da Constituição Federal. Min. Marco Aurélio sobre a matéria. LC 70/91. j. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1-1/DF. cuja constitucionalidade foi declarada e que. por força do artigo 102. Veja. com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional. do Diploma Maior. rel. Getúlio Moraes Oliveira.ELYADIR FERREIRA BORGES RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – o recurso extraordinário foi interposto. 7/8/2007. no que autorizada a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base 196 196 144 TJDF. DJU 15/9/2003. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença. . p.371-CE. REsp 789. DJU 1º/3/2007.96.

questão que não teria sido apreciada na ação declaratória de constitucionalidade. parágrafo único. As conclusões do acórdão prolatado nos embargos foram veiculadas no Diário da Justiça de 23 de maio de 1995 (folha 102). não foi objeto de deslinde a circunstância de o artigo 2º. Os documentos de folhas 33 e 135 revelam a regularidade da representação processual e do preparo. ressaltando o envolvimento de matéria legal e a harmonia da conclusão adotada com a “jurisprudência de nossos Tribunais”. declarar a nulidade do julgado por ofensa aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (incisos LIV e LV do rol das garantias constitucionais). Por isso mesmo. 2º. definindo-se o alcance do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. A Procuradoria Geral da República emitiu o parecer de folha 166 a 169. Quanto à oportunidade. Salienta-se que se desvirtuou o conceito técnico de faturamento. na espécie. terça-feira. aludindo a memoriais distribuídos. A recorrente indicou o permissivo constitucional à folha 120. Confira-se com o acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 156. da mencionada lei englobar. O Juízo primeiro de admissibilidade disse da natureza infraconstitucional da discussão (folha 140). preconizando o não-conhecimento do recurso. o ICMS. antes. A referência feita no voto do ministro Sepúlveda Pertence ganhou contornos de simples opinião de Sua Excelência a respeito da matéria. afirmou estar a definição de faturamento no âmbito da legislação infraconstitucional. terça-feira. foi feriado forense. na base do cálculo da COFINS. decorrendo o processamento do recurso do provimento dado a agravo. o acórdão proferido na apelação restou publicado no órgão oficial de imprensa do dia 27 de setembro de 1994 (folha 91). ministro Moreira Alves. terça-feira. segunda-feira. 10 e 13 da Lei Complementar nº 70.145 de cálculo da Cofins. já que o dia 3. É o relatório. 9º. foram observados os pressupostos de recorribilidade. de 30 de dezembro de 1991. nos termos do artigo 321 do Regimento Interno da Corte. página 722 a 755. ao incluir-se o referido tributo na base de cálculo. oportunidade na qual consignei: Quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1. deverá. Por outro lado. o tema está a merecer o crivo de Colegiado desta Corte. Noutro passo. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Na interposição deste recurso. em face da recusa do Tribunal de origem de analisar a controvérsia (folha 120 a 134). apontou para o envolvimento. o Relator. segunda- . assevera-se que. A recorrente protocolou embargos de declaração em 4 de outubro de 1994 (folha 92). Em 29 imediato. acaso esta Corte conclua pela falta de prequestionamento. no que. apenas dos artigos 1º. A União apresentou as contra-razões de folha 137 a 140.

juntamente com o faturamento. O que sustenta a recorrente é que o decidido pela Corte de origem discrepa da tipologia do tributo. na base de incidência da Cofins. nas razões do recurso. apenas consignando que esta Corte assentou a constitucionalidade da Cofins. Portanto.950/94. que deu nova redação ao artigo 538 do Código de Processo Civil. a óptica de que a Cofins incide sobre o ICMS. Mesmo assim. analisando estes embargos. parágrafo. como causa de pedir. Portanto. portanto. exsurge a tempestividade deste recurso. reclamando manifestação sobre a inconstitucionalidade de incluir-se. destarte.519-2/DF. o Colegiado concluiu que seria de se presumir o exame do tema no julgamento da declaratória de constitucionalidade.146 feira. Resta examinar o específico. A Corte já assentou que o prequestionamento. Sob o ângulo do prequestionamento. tem-se como prequestionada a matéria. inciso I. inciso I. a violência ao artigo 195. exigir mais do que isso é adotar o fetichismo da forma. utilizando a adjuntiva “ou”. no que. segunda-feira. na espécie. protocolou os embargos declaratórios de folha 92 à 94. Já aqui entendeu. é certo. aludindo à eficácia vinculante do pronunciamento. isso ao apreciar a Ação Declaratória nº 1-1/DF (folha 88 a 90). a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. prescinde de referência a artigo. a receita. mais uma vez reclamando prequestionamento explícito do tema (folha 104 a 112). alínea “b”. no sentido de adentrar a sede extraordinária. Sob o ângulo do prequestionamento. A defesa sustentada pela recorrente foi rechaçada pela Corte de origem. da premissa de que assim o teria feito este Plenário ao apreciar a Declaratória nº 1. a encerrar o debate e a decisão prévios do tema jurígeno explorado. anterior à Emenda Constitucional nº 20/98. não procede o óbice apontado pela Procuradoria Geral da República. o ICMS (folha 92 a 94). Também não vinga o óbice relativo ao envolvimento. refutando a defesa sobre a inconstitucionalidade de ter-se a incidência do tributo sobre . assim. a Turma julgadora pela inexistência da pecha quanto à inclusão combatida (folha 99 a 101). atenta ao passo que se avizinhava. ou seja. Protocolou-se o extraordinário em 4 seguinte (folha 120). terça-feira. Se é certo que o acórdão inicialmente prolatado mostrou-se de simplicidade franciscana. sendo que o acórdão daí resultante foi publicado no Diário da Justiça de 22 de agosto de 1995 (folha 119). fez inserir como base de incidência da contribuição devida pelo empregador. ou seja. da Constituição Federal. não menos correto é que a recorrente. tal como prevista no artigo 195. a utilização de formas sacramentais. voltou a empresa a protocolar novos embargos declaratórios. considerada a interrupção instituída pela Lei nº 8. Aí. Pois bem. a recorrente interpôs novos embargos de declaração (folha 104). na forma do acórdão de folha 115 a 117. considerado o teor primitivo do preceito. refutou a argüição de inconstitucionalidade. da Constituição Federal. tudo a partir. a viabilizarem o cotejo. consagrando-se. na citada alínea. Há de se examinar. de interpretação de norma estritamente legal. se a conclusão a que chegou a Corte de origem. inciso e alínea – Recurso Extraordinário nº 128.

A base de cálculo da Cofins não pode extravasar. como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. fiel à dicção constitucional. o valor do negócio. o faturamento e o lucro. na base de incidência da Cofins. de um negócio jurídico. afastou a possibilidade de incluir-se. a prevalecer o que decidido. em si.758: “se a lei . Por isso mesmo. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional. incluindo este no que se entende como faturamento. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. o ICMS. importando. com o dispositivo constitucional.519-2/DF. mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. desse modo. pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. O valor deste revela. muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte. na redação primitiva da Carta. ou não. quando a própria Lei Complementar nº 70/91. A conclusão a que chegou a Corte de origem. A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social. ainda que mediata. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti. ou seja. o que percebido por aquele que a realiza. quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços. não sobre o faturamento. assim. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. foi prevista tendo em conta a folha dos salários. um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. implicando. emprestando. ou seja. conflita. os acessórios. para o contribuinte. o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. o valor devido a título de IPI. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. o sentido técnico-jurídico. a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. servir à incidência da Cofins. revelador da incidência sobre o faturamento. a partir de premissa errônea. Este decorre. por exemplo. importa na incidência do tributo que é a Cofins. então.147 o ICMS. considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. por tal motivo. ter-se-á. o que se dirá quanto a um ônus. esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição. isto sim. os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71. sob o ângulo do faturamento. O conceito de faturamento diz com riqueza própria. Não pode. ou seja. em si. por isso mesmo. ao vocábulo “salários”. a incidência da Cofins sobre o ICMS. a cargo do empregador. de uma operação. Jamais imaginou-se ter a referência à folha de salários como a apanhar. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem. sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa. No caso dos autos. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam. de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128. a incidência de contribuição sobre imposto.

RTJ 66/165. no emprego de institutos. A contrário sensu. o conteúdo e o alcance de institutos. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias. implica manipulação geradora de insegurança e. pela Constituição Federal. na expressão “folha de salários”. parcela diversa. 110. Por isso mesmo. com razão maior. “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que. sob pena de desprezar-se o modelo constitucional. Se alguém fatura ICMS. de exportação o que não é exportação.148 pudesse chamar de compra e venda o que não é compra. para mim. um desembolso. qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. conheço deste recurso extraordinário e o provejo para. assim. a cobrança considerado.Ampliação da base de cálculo e compensação do aumento de alíquota”. Conforme previsto no preceito constitucional em comento. é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. que é o faturamento. com sentido didático. a inclusão do que satisfeito a administradores. expressa ou implicitamente. a revelar que: Art. Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de ter-se. conceitos e formas de direito privado utilizados. como é o relativo ao ICMS. ao sentido próprio que eles possuem. o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que. mais do que isso. como é o relativo ao ICMS. ao valor da mercadoria ou do serviço. reformando o acórdão proferido pela Corte de origem. A lei tributária não pode alterar a definição. a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado. que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional. adentrando-se a seara imprópria da exigência da contribuição. por isso mesmo. autônomos e avulsos. quer de serviço. a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor. não englobando. tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto. em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PROBLEMAS JURÍDICOS”. Admitir o contrário é querer. alterando. como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins . entender que a expressão “faturamento” envolve. surge simplesmente pedagógica. de renda o que não é renda. isso sim. conforme visto. a duplicidade de ônus fiscal a um só título. ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” . de expressões e de vocábulos. em si. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade. ônus fiscal. Por tais razões. julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória . não pode. pressupondo-se que o texto constitucional mostre-se fiel. relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria. Conforme salientado pela melhor doutrina. pelas Constituições dos Estados.

LC 87/96. § 3º. Pergunta: o art. CF/88? Resposta: quando não destinado à comercialização ou à industrialização. 2º. o valor correspondente ao ICMS. § 4º. a exação será devida ao Estado de origem. Com isso. derivados de petróleo e energia elétrica (art. CF/88. o imposto em tela incide quando não for destinado à comercialização ou industrialização. na situação anterior. em operações entre contribuintes do ICMS. o legislador complementar erigiu uma não-incidência legal sobre tais produtos (art. dado o permissivo do art. I a III. § 2º. Atualmente. em se tratando de gás natural. 155. as situações abrangidas pela primeira hipótese (de incidência do ICMS) serão assim definidas quanto ao direito de cobrança do tributo: em se tratando de combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo. 1º. A partir da disposição do art. CF/88. DL 406/68? Resposta: o ICMS segue um sistema de não-cumulatividade por compensação entre créditos e débitos tributários. 155. III. seus derivados e outros combustíveis não derivados do petróleo. LC 87/96). segundo entendimento doutrinário? Resposta: são regras de “não-incidência constitucional”. 3º. o ICMS incide sobre combustíveis. Pergunta: as regras do art. CF/88 (“circulação de mercadorias”). X. I. bem próxima do . por que o contribuinte é aquele do estabelecimento de destino. tal diploma inexiste. A Resolução 95/96 do Senado Federal estabeleceu alíquota para prestação de transporte interestadual aéreo. tais como fixados na sentença prolatada. consoante art. É o que a doutrina chama de imunidade. como diz Rui Barbosa Nogueira. o imposto será dividido entre o Estado de origem e de destino. Entretanto. o ICMS é devido no local onde houve o consumo. 155.149 intentada. porquanto o ICMS não inclui os fatos geradores referidos no dispositivo. inverto os ônus da sucumbência. 2º. nos termos do art. 155. III. CF/88 configuram não-incidência ou imunidades. na qual o constituinte erige um “muro de contenção” fora do universo de incidência do tributo. 155. II. LC 87/96). IV. se o fato gerador é a saída de mercadoria do estabelecimento de origem. § 2º. considerado o faturamento. § 1º. não há incidência de ICMS somente nas operações interestaduais (art. 155. Pergunta: quanto aos combustíveis derivados de petróleo. na mesma proporção de outras mercadorias. inclusive lubrificantes. 1ª parte. § 2º. assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição. Não tendo tal destino. determina que resolução do Senado deve estipular alíquotas nas operações interestaduais. III. Pergunta: por que o legislador ainda não estabeleceu ICMS sobre combustíveis e minerais. “b”. X. Pergunta: no caso do art. CF/88)? Resposta: consoante resposta do item anterior. Essa regra. quem as determina então? Resposta: errado. § 1º. quando o destino comportar nãocontribuinte do ICMS. pois a Resolução 22/89 do Senado Federal estabelece as alíquotas para operações interestaduais.

um crédito. previsto no art.: doador. p. mas contribuinte de direito é o empresário que recebeu o insumo. desdobrado em duas espécies (SABBAG. 155. No entanto. como previsto no art. o sistema congrega outras regras. CF/88. 2004. o ITBI (art. possuidor. do notário que não verificar o recolhimento dos tributos. É o caso. válido para atos “inter vivos” e “mortis causa”. além do cancelamento do crédito de operações anteriores quando houver quaisquer das intributalidades citadas (art. CTN. no caso do cessionário não arcar com o imposto. III e IV. por exemplo. Dessarte. 53-4. 134. o ITCMD encontra suas raízes na antiguidade clássica romana. I. sendo de competência dos Estados e do DF. 42. já que tem essa incumbência “ex vi” do art. 11-5-95. Assim. No entanto. a qual implicará em um débito fiscal por parte do empresário. e CASSONE. Dessa feita. Além do comando geral da substituição tributária por compensação. I. o qual tem por base a transmissão onerosa de bem imóvel. em 1810 (CASSONE. p. No Brasil. do oficial de registro. só ocorreu a partir da Carta de 1891. caso o donatário não recolha a exação. Trata-se do mesmo imposto do art. 156. um débito. p. mas sim pela efetivação do ato197. 314). o obrigado fiscal pode ser: herdeiro ou legatário (na transmissão “mortis causa”). p. Sujeito passivo – deverá ser estipulado pela LO estadual ou distrital competente.. CF/88). Com o advento da atual CF/88. atribuindo subsidiariedade de algumas pessoas no caso de inadimplemento do tributo por parte do contribuinte originário. o legislador estadual pode optar pelo sistema de responsabilidade tributária. VI. caso não verifique corretamente o recolhimento dos tributos antes de efetivar o ato de transcrição. como o não-creditamento da operação anterior quando a subseqüente é isenta ou acobertada pela nãoincidência. como é o caso do art. o constituinte houve por bem cindi-lo em duas outras exações: o ITCMD. por fato “causa mortis” ou por ato gratuito (doação). I. DOE-PJ 23-6-95. m. deverá abater o crédito decorrente da entrada do insumo tributado pela mesmo imposto. II. 6º. CTN. 2004. previam o impostos de transmissão como único. 314. 155. doador ou donatário (nas doações “gratuitas”). assim como sua EC 1/69. A Constituição de 1967. sendo de competência dos Municípios. 289 da Lei 6015/73. a hipótese de incidência é a saída. p. § 2º. o oficial registrador não deve perquirir sobre o quantitativo recolhido. a cada saída. um dos fatos geradores realmente é a saída da mercadoria do estabelecimento. CF/88). II. 2004. estando presentes em todas suas subseqüentes. no seu mister.v. o tributo passou a existir desde a vinda da família real lusa para o Brasil. 314). como bem lembra Sabbag (2004. 431). a incidir sobre transmissão de quaisquer bens ou direitos. a norma estadual pode eleger qualquer dos sujeitos passivos como responsáveis pelo recolhimento do ITCMD. seguem um mandamento geral: a cada entrada. 197 TJSP. Nos termos do art. CSM. Lei 8927/88 do Paraná. ITCMD (Impostos sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) – segundo Sabbag (2004. p. CF/67. 432).150 que existe no IPI. Sua constitucionalização. 23. Dessa feita. onde era aplicada a chamada “vigésima” sobre heranças e doações. quando ele realizar o recolhimento. j. . Ex. no entanto. “a” e “b”.

não contemplando os móveis e demais direitos correlatos (art. 315). o legislador de 1966 só previu a incidência do ITCMD para bens imóveis. p. Observa-se. nos termos do art. 155. Esse fato deve se dar de forma não-onerosa. III. tratando-se de morte presumida (art. 22 e 23. 155. I e II. visto que inexiste outro diploma específico. compra. I e II. Nesse passo. Quando a operação implicar em incorporação de patrimônio à pessoa jurídica. em que pese a previsão expressa do constituinte no art. CTN). 7º. ou se o autor da herança tinha bens. Não é o que vem fazendo os Estados. 35. Nesse caso. impõe-se ressaltar que. CF/88. Elemento temporal – estatui o art. decorremnte de capital anteriormente subscrito. haverá tantos fatos geradores quanto forem os herdeiros e legatários. CTN. § 1º. ou quando houver incorporação ou fusão de empresas.151 Fato gerador – é a transmissão de quaisquer bens ou direitos a título do falecimento de alguém ou em decorrência de ato gratuito (SABBAG. 200 Súmula 435 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a companhia”. CTN). Na primeira hipótese. CC) ou de ausência (arts. CF/88) ainda é o CTN. Causa Mortis no inventário por morte presumida”. no caso de transmissão por fato “causa mortis”. 37. era residente ou domiciliado ou teve o inventário aberto no estrangeiro. CTN). CTN. isto é. Ademais. as isenções referidas não são aplicáveis se a atividade da pessoa jurídica for preponderantemente venda. o ITCMD é exigível (Súmula 331 do STF)199. Entende-se por transmissão a passagem de propriedade de bens ou direitos sob o aspecto jurídico. 433) defende que o legislador não poderia inovar na ordem jurídica sem a competente LC autorizadora. p. . “caput”. 36. § 1º. “caput”. CF/88). “caput”. LC deve estabelecer os critérios de competência tributária (art. No caso de doações feitas por sociedades por ações. não incide a exação em comento (art. I. Nesse caso. cessão e locação de imóveis (art. Entretanto. 199 Súmula 331 do STF: “É legítima a incidência do Imposto de Transmissão. Por derradeiro. 2004. em posição minoritária. CF/88). 155. cabe ao Estado de sua sede o recolhimento do ITCMD respectivo (Súmula 435 do STF)200. quer por ato de liberalidade. 35. parágrafo único. também não haverá incidência do ITCMD (art. “a”. que o imposto deverá ser recolhido na ocorrência do fato imponível. no momento da transmissão 198 Súmula 115 do STF: “Sobre os honorários do advogado contratado pelo inventariante. que a LC hábil a estabelecer o fato gerador (art. caso haja reversão do valor da integralização por liquidação de cota ou por extinção da pessoa jurídica. 36. Cassone (2004. CTN). III. com autorização judiciária das cortes. o autor até mesmo admite que as unidades federadas possam instituir o ITCMD para móveis e direitos consectários internamente situados. com a homologação do juiz. CC). “a” e “b”. não atingindo outros situados além de sua competência territorial. I e II. parágrafo único. Elemento espacial – o imposto será devido ao Estado ou DF onde se situam os bens imóveis (e respectivos direitos) ou onde se procede a ação de partilha de bens (art. não incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis”. Vale também lembrar que o recebimento de honorários pelo advogado em ação de inventário não perfaz fato gerador do ITCMD (Súmula 115 do STF)198. se o doador tiver domicílio ou residência no exterior. quer em decorrência da morte. No entanto. na medida em que estipula a exação em tela para bens móveis e seus respectivos direitos. 146. 35.

sobre o qual o cálculo do ITCMD deve ser feito (Súmula 113 do STF)202. CTN). a decisão judicial é interlocutória. Nota-se que o legislador complementar autorizou seu similar estadual a estatuir de outra forma. pelo qual o foro para discussão da dívida tributária não é a ação de arrolamento. § 3º. a alíquota aplicável é aquela vigente à época da abertura da sucessão. de Direito Privado. 245. antes da homologação judicial do cálculo. e em jurisprudência do STJ201.152 (CASSONE. o indigitado tributo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor de qualquer natureza.3540-DF. 2ª T. O domicílio do proprietário é indiferente ao aspecto espacial do gravame. 205 TJSP.96. XLV.530-SP. 1034. Assim como a base de cálculo. IPVA (Impostos sobre Propriedade de Veículos Automotores) – nos termos do art. a jurisprudência prevalente tem entendido que ela é transmitida. Segundo Sabbag (2004. REsp 12. Informativo do STJ n° 328. 21.. e 155. 1ª T. quer seja ela para frente ou para trás. 38. Atualmente. englobando meios de transporte terrestre. 1245. e REsp 253. o ITCMD deveria ser recolhido desde tal momento. CTN). muito pelo qual o princípio da intranscendência (art. 155.546-RJ. 2004. Para essa linha de pensamento. CTN). observado o limite máximo de Resolução do Senado Federal (arts. tratando-se de transmissão “causa mortis” (Súmula 112 do STF)206. tendo vez somente no terreno do Direito Penal.: havendo multa fiscal a ser rocada aos herdeiros. . rel. “in casu”. 1ª C. o formal ou a carta de adjudicação só será expedida com a prova de quitação de todos os tributos. Elemento quantitativo – a base de cálculo é o valor venal do bem ou direito. desde que dotados de força motriz própria. 206 Súmula 112 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão”.10. CPC. aéreos e aquáticos. III. apesar de homologados e transitados os cálculos. o diploma competente é a Resolução 9/92. oportunidade em que a correção deve incidir sobre todos os bens do espólio. 204 STJ. Contudo.. a qual estipula o percentual teto de 8%. ocorrência a caracterizar o fato gerador do ITCMD. porquanto o registro do imóvel é o último ato da complexidade citada. 203 Súmula 114 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis não é exigível antes da homologação do cálculo”. 21/8/2007. j. a exigibilidade da exação só se perfaz no momento do registro imobiliário. 5º. Súmula 113 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação”. p. j. Nesse caso. CF/88). o art. parte da doutrina entende que o fato gerador da transmissão se dá mediante um complexo de atos. Aplica-se. Castro Meira. CF/88) é setorial. Obs. atacável por agravo e não por apelação205. 201 202 STJ. operando-se desde o ajuste de vontades na doação ou a morte do inventariado no fato “mortis causa”. Civ. Lançamento – é feito na forma mista. podendo prever o fenômeno da substituição tributária (art. CTN. tido no momento da transmissão (art. 9. p.01..02. “caput”. Aliás. A alíquota será fixada pela LO do Estado ou DF. v. não cabe recolhimento do tributo por ocasião do inventário (Súmula 114 do STF)203. entendimento ressonante no STJ204. Com fulcro no art. 147.u. IV. EDcl no REsp 927. 436). no qual são exigidas informações por parte do contribuinte e a atuação do fisco para calculá-lo (art. § 1º.92. mas sim a via administrativa. Min. Ap. 316).4.777-1/6. 150. Não é o que apregoa o referido autor. 13. 39. CF/88. “caput”. CC.

153 porquanto vale o local de registro do bem. Lei 7565/86) não coaduna perfeitamente com o desenhado pelo CTB. CF/88). É tributo de competência estadual e distrital.931-SP. “caput”. o legislador estadual fica livre para estabelecê-la. rel. é possível que o legislador estadual estabeleça a forma temporal de recolhimento do tributo. as aeronaves são veículos destinados a circular entre Estado e Municípios. Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA. 311). Não se incluem os veículos movimentados por tração animal. Art. Marco Aurélio. § 6º. “a”. O momento de aquisição do veículo também pode ser objeto do IPVA. DJU 9-5-97. III. dada pelo art. a lei instituidora do IPVA pode optar entre o valor venal ou o preço de mercado. 34. a ser estabelecido em tabela oficial fiscal. p.1999. CBA define que os aeroportos. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo. aquele do qual consta o título de registro do bem (SABBAG. o constituinte derivado. Código de Trânsito Brasileiro – CTB). É a posição assentada no Pretório Excelso207. a partir de 1º de janeiro. ADCT. em essência. “caput”. § 3º. p. porquanto não fala em força motora própria. Segundo Sabbag (2004. I. IV. que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo. 24. Com efeito. ainda que complementar ou alternativa à natural. devendo ser regulado por LC (art. A partir desses critérios objetivos. sua definição. cujo valor mínimo há de ser estabelecido por Resolução do Senado Federal (art. bem como o desembaraço aduaneiro é o fato imponível hábil para veículos importados. STF. Não foi o que acolheu o STF. falecendo competência estadual para a tributação. como jornais e revistas que militam na área. 150. apto a transportar pessoas ou coisas. os Estados e o DF exercem a competência plena (art. há de ter força-motriz própria. 106. Acerca da alíquota. pessoa natural ou jurídica. AG (AgRg) 167777/DF. nos exatos termos do comando do art. rel. Quanto à aeronaves. j. o IPVA é de base proporcional (SABBAG. p. 2004. 310). No entanto. Ademais. É provado por meio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo). Min. CF/88). a lei estadual pode estabelecer a cobrança da exação em tela. RE 236. O preço estabelecido na nota fiscal ou no formulário de importação é hábil a determinar a base de cálculo. CF/88). RE 134509/AM. 312). o art. 10. Na ausência do referido diploma federal. 155. O sujeito passivo é o proprietário do veículo automotor. CF/88). § 3º. No tocante ao conceito de veículo. . locais onde elas manobram. são de propriedade da União. mediante reações aerodinâmicas. No aspecto temporal. Visto que esse atualmente falece à existência. É possível também recorrer a órgãos especializados particulares. 106.8. O fato gerador é a propriedade do bem e não o mero uso ou detenção. questão polêmica se coloca sobre sua natureza jurídica. entendendo ser constitucional a cobrança do IPVA sobre aeronaves208. Min. tratando-se de veículo novo. incluindo-se os veículos conectados à linha elétrica (Anexo I da Lei 9503/97. quis imprimir 207 208 STF. 2004. por meio da EC 42/03. desde que observe a vedação ao confisco (art. 146. No tocante à base de cálculo. ou seja. 38. Ilmar Galvão.

. CTN). não pressupõem pagamento de ITBI. CF/88. I a III. 313) entende ser inconstitucional. II. p. Para Sabbag (2004). RDA 73/160 e RTJ 117/652. de partidos políticos (inclusive suas fundações). Sabbag (2004. podem gozar de isenção (SABBAG. de templos. ISS (de qualquer natureza). Diz-se que seu fato gerador é continuado: enquanto houver a posse do bem. p. reporta-se ao chamado IPTU: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. Por imperativo lógico-jurídico. sob pena de inconstitucionalidade. 150. Na repartição de receitas. Pelo grande número. é exação que decorre do poder de polícia da autoridade de tráfego e tributária. 148) assevera que o IPVA é exação eminentemente fiscal. Impostos dos Municípios – o art. “caput”. Trata-se de comando reduzido. a legislação do caso concreto é aquela instituída pelo município. 2004. o titular do domínio útil (enfiteuta ou usufrutuário) – de acordo com a Súmula 326 do STF209 – e o possuidor “ad usucapionem”. 156. nos exatos termos do art. CF/88. O lançamento é feito por homologação. a qual terá o condão de instituir e de disciplinar cada uma das exações. 150. § 6º. sem fins lucrativos. pode a lei ordinária instituidora determinar a diferenciação de alíquotas em função do tipo e utilização do veículo. 155. não se englobando o mero detentor (comodatário e locatário). VI. porque abrange só atribuição de competência. “a” a “c”. o ato 209 210 Súmula 326 do STF: “É legítima a incidência do imposto de transmissão inter vivos sobre a transferência do domínio útil”. de instituições de ensino e assistência social. 313). por serem formas de aquisição originária da propriedade. e § 2º. porque limita indevidamente a circulação de pessoas (art. isto é. como já disse o STF210.154 progressividade facultativa ao IPVA (art. STF. O fato gerador é a propriedade. Mesmo assim. No inciso I do art. elenca os impostos municipais. o que lhe dá um certo ar de extrafiscalidade. É cobrado ano a ano. CF/88). Dessa feita. transporte público de passageiros e terraplenagem. III. p. CF/88. Veículos de interesse socioeconômico específico. CF/88). exação que exige transmissão. apesar de comportar viés extrafiscal quando possui alíquotas diferenciadas pelo tipo de combustível. Estarão imunes os veículos de pessoas jurídicas de Direito Público. fica impossível analisar cada um. de entidades sindicais de trabalhadores. ITBI. VI. cabendo a modalidade “ex officio” caso o contribuinte falte à sua obrigação. desde que o legislador estadual assim acate. Na realidade. Usucapião e desapropriação. incide a exação. Chimenti (2002. como agroindústria. Caso o proprietário transmita a propriedade. cada uma correspondente a um dos diferentes municípios do país. O Brasil comporta hodiernamente cerca de 5564 leis municipais. podem ser sujeitos passivos do IPTU: o proprietário. Quanto à taxa de licenciamento. posse ou domínio útil de bem imobiliário dentro do limite urbano do município (art. 156. metade fica com o Estado e a outra com o Município onde está registrado o bem (art. 32. é interessante destacar que o legislador municipal (infraconstitucional) não pode colidir com a CF. 158. CF/88). aqueles cuja instituição foi conferida aos municípios: IPTU.

No entanto. rede de iluminação pública. parágrafo único. Por deficiência da Administração Pública. Com a promulgação da atual Carta. de acordo com o que dispuser a norma municipal: meio-fio ou calçamento. pertenças e móveis atinentes ao prédio. Lei 10257/01). A norma constitucional foi efetivada por meio do Estatuto da Cidade (Lei 10527/01). valor venal não é valor de venda. “f”. nos termos do art. I a V. Uma vez que se destine a fins agrários. Todavia. elegendo-se sempre o maior. onde existe o plano. Ex. até a CF/88. 33 e 38. o qual ainda abriu a possibilidade do plano estabelecer distrito rural dentro do perímetro urbano (art. 33. Se isto for feito por decreto . 4º. o novo senhor receba o carnê fiscal. Em tese. Alguns prefeitos aumentam o valor da base de cálculo por decreto. respectivamente). o qual é determinado por lei local. Relevante também ressaltar que as pertenças e as benfeitorias. abastecimento de água. Em conseqüência. no ano subseqüente. V. nos termos do art. o art. com ou seu postes para distribuição domiciliar. I a V. é possível o estabelecimento de zona equiparada à urbana. o legislador houve por bem alterar o referencial. descontínua a esta. Para o ITBI. a teor do que dispõe o Estatuto da Terra (Lei 4504/64). § 1º. Contudo. Já o ITBI só é aplicável para transmissões onerosas (predomínio de venda). permanecem os referenciais anteriores (Estatuto da Terra e CTN). o imóvel será considerado rural. a definição de zona urbana deve encontrar guarida em no mínimo dois dos melhoramentos previstos no art. Em verdade. § 2º. CTN. ficou conhecido pelo valor do cadastro. computando-se tão-só as acessões (art. Neste sentido. escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado. atribuindo índice para a atualização.: na cidade de Paraibuna. integrantes de regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas. CC). No IPTU. CF/88. para permitir o aumento da arrecadação. não integram a base de cálculo do IPTU (art. será urbana a propriedade incluída no plano diretor. inclusive a ocorrência de mais de um deles. a disposição do CTN era tida como residual em relação ao critério da finalidade do bem imóvel. 33. onde inexiste. seja quais forem. extrativistas vegetais ou agroempresariais. o que não ocorre com o ITBI. há uma discrepância entre valor venal (maior) e valor de mercado. a base de cálculo não abrange as benfeitorias. CTN.155 deve ser averbado para que. parágrafo único. 32. com canalização de águas pluviais. 182. CTN). “caput” e § 1º. 41. sistema de esgotos sanitários. pois não existe aferição para corrigir a planta dos valores venais do imóvel. I. quando se intente usar instrumentos para assegurar a função social da propriedade. o valor venal não tem nenhuma relação com o correspondente no comércio. a instituição de plano diretor é obrigatória somente para municípios com mais de vinte mil habitantes. Com efeito. esculpindo o princípio da legalidade. CTN. aplicam-se os critérios de diferenciação entre imóvel urbano e rural atinentes ao Estatuto da Cidade e à própria Constituição. pecuários. Lei 10257/01). 32. a base de cálculo é o valor venal ou o valor da operação. CF/88. Na maioria das vezes. integrantes de área de interesse turístico ou ambiental (art. Tanto o IPTU quanto o ITBI possuem base de cálculo igual: o valor venal do imóvel (arts. 150. preconiza que só se poderá aumentar ou instituir tributos por lei.

como lembra Sabbag (2004). 212 Súmula 656 do STF: “é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel”. . por herança. Diz respeito sim à sua forma de incidência. CF/88. consoante o disposto no art. ou seja. o valor de seu IPTU será maior em relação àquele de Cicrano. Na cidade de São Paulo. a progressividade do art. elas dependem do critério a ser usado. É necessário. o Pretório Excelso garantia a competência para isso. 145. não propriamente à adequada capacidade econômica do proprietário. 156. CTN. Por conseguinte. § 1º. não havendo qualquer relação com o potencial tributário do sujeito passivo. consoante reiterado posicionamento do Excelso Pretor. surge uma polêmica. Esta assimetria fere os princípios da igualdade tributária. O constituinte quis permitir variação crescente de imposto em relação ao bem.5%. Ex. uma vez que pode vir a estabelecer 211 Súmula 160 do STJ: “é defesa ao Município atualizar o IPTU mediante Decreto. como bem ventila a Súmula 160 do STJ211. não se restringindo ao valor venal do imóvel. entretanto. os tribunais locais não têm admitido a existência de mais de uma base de cálculo para o ITBI – a exação incide sobre o valor real da venda. § 1º. editando a Súmula 656212. ocorre que a diferença majorada por ato administrativo não é tão expressiva.156 administrativo. Ex. de acordo com a localização e o uso do imóvel. porquanto este aponta uma flagrante incongruência entre um princípio inerente a exações pessoais aplicado a um tributo de clara base real. Não há consenso nem pronunciamento dos tribunais superiores. I. concordar com as posições de Sabbag (2004). Com relação à possibilidade de estabelecer duas bases de cálculo diferenciadas para o ITBI. Na prática. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. estava em julgamento a constitucionalidade dessa progressividade em função do uso e da localização. ficando mais barato e simples pagar que discuti-la nos tribunais. há inconstitucionalidade. 156.: Fulana tem um imóvel de R$ 200 mil. Entretanto. da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. dada a inexistência de previsão para tal na CF/88. por inconstitucionalidade.: posse de imóvel. O Poder Público não pode simplesmente conferir capacidade contributiva ao possuidor em razão do imóvel. O inciso I afirma que o IPTU deve ser progressivo. É importante também destacar algumas particularidades do IPTU. Sua alíquota pode oscilar entre 0. Ex. com quatro imóveis de R$ 50 mil cada. O art.: o ITBI normalmente tem alíquota de 4%. isto é. O STF já dizia que poderia ser progressivo nesse sentido. De uma forma geral. O STF corroborou com a posição. Alguns doutrinadores falam que a hipótese de incidência deve ser precisa. § 1º.5 a 1. CF/88 (princípio da capacidade contributiva). § 2º. Essa progressividade é diferente daquela prevista pelo art. estabelece princípios a serem seguidos. a atualização monetária regular do valor imobiliário – mera correção monetária – pode ser efetivada por decreto. incisiva. O novo proprietário não pode vendê-lo se não possui condições de recolher o ITBI. não podendo haver dispositivo que preconize uma ou outra base de cálculo. 97. Desta feita. considerando sempre a maior. aplicada ao ITBI. O extinto 1º TAC denegou a progressividade. CF/88 não se refere à capacidade contributiva do preâmbulo constitucional tributário. é cediço verificar se o valor da operação e o valor venal estão consoantes. O inciso II constitui ferramenta para o administrador diferenciar as alíquotas.

então. CF/88. O ITBI incide sobre transmissão onerosa de bem imóvel. 136. não houve autêntica intenção extrafiscal. caução. cada um fica com sua parte. mas sim de aumento de arrecadação. I. 156. o remanescente é dividido entre os sócios. ele a utiliza para integralizar seu montante no capital social. CTN. de acordo com a exegese do art. É o caso do exemplo retro sobre aquele que recebeu um imóvel a título de herança. § 2º. Na extinção da pessoa jurídica. Empresa que opera no mercado imobiliário – há incidência da exação. . O art. mas não há incidência de ITBI. § 2º. como lembra Sabbag. “Ex vi” da EC 29/00. A segunda parte diz respeito à transmissão de bem imóvel nos casos de incorporação. CF/88. o constituinte derivado estabeleceu outros três critérios para permitir a progressão da exação: o valor. 128) e Sabbag (2004). 156. nos dois anos anteriores e nos dois subseqüentes. caso o sujeito passivo não 213 Preponderância da atividade. forçando o proprietário a adequar seu imóvel à função social (art. Nesta situação. cit. “in fine”. o constituinte originária estabelecera a possibilidade de IPTU progressivo para lhe conferir fundo extrafiscal. a ter cota com a sociedade no valor do imóvel. CF/88. etc. Nessa situação. 182. § 2º. um imóvel. CF/88). lamentavelmente permitindo majoração da carga tributária ao já tão combalido contribuinte. p. tratando-se de autênticas imunidades. op. cisão. fusão ou extinção de empresa. há incidência do ITBI.: empresa que opera no mercado imobiliário. “A” passa. I. Ex. A primeira parte do dispositivo visa preservar os negócios de pessoas jurídicas em que há transmissão de imóvel. ao se separar a pessoa jurídica. na sua parte final. nas palavras de Chimenti (2002. troca. I. A norma em comento não implica em não-incidência de ITBI sobre toda operação desta natureza entre pessoas jurídicas. Segundo o autor.: sócio “A” e sócio “B” de uma empresa. Um resumo pode ser aduzido pelo seguinte esquema: Regra – houve transmissão de forma onerosa. há transmissão onerosa. § 4º. como alienação. estipula uma exceção à não-incidência constitucional: se a pessoa jurídica tiver como atividade principal compra e venda de imóveis213. há incidência de ITBI. 156. II. Ex. acabou corroborando com o constituinte reformador quanto ao IPTU. desde que não penda um efetivo lucro por parte dos adquirentes. o capital constitui-se de um imóvel e R$ 500 mil. o sócio “A” tem sala comercial no valor de R$ 50 mil. Não incidência – casos do Direito Comercial. O art.157 gravames incompatíveis com a situação do contribuinte. Se houver. prevê que a responsabilidade por infrações tributárias independe do “animus” do agente. Ex. Em que pese o Supremo ter declarado inconstitucional a progressividade para o ITBI por ausência de previsão legal. nessa devolução. deve englobar mais de 50% da receita operacional da empresa. localização e uso do imóvel.: empresa “A” e empresa “B” formam a empresa “C”. subsistindo somente o aumento do capital imobilizado. elenca as chamadas “nãoincidências constitucionais”. O próprio art.

contemplando a modernidade. I. § 2º. de coleta e reciclagem de detritos. Segundo o STF. É possível que a lei local institua o sistema de responsabilidade tributária por substituição (art. CF/88). “caput”. LC 116/03. e 5º. O imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISSQN) está previsto no art. 9º. j. III. o art. de terceirização de mão-de-obra ou de organização de eventos.8. oscilam entre 2 e 5% (art. desde que haja o fato gerador da obrigação. II. I e II. de vigilância e segurança patrimoniais. 156. e § 3º. LC 116/88). a prestação de serviços a título gratuito não enseja a incidência do ISSQN (SABBAG. CF/88. não havendo ofensa à isonomia tributária (art. III. existem alguns aspectos polêmicos. tal qual o art. LC 116/03). determina que os serviços tributados por via do ICMS são residuais em relação ao ISSQN. LC 116/03): Seja proveniente do exterior ou a prestação tenha lá se iniciado. No caso de subempreitadas. salvo aqueles expressamente previstos pelo constituinte como hipótese de incidência do primeiro. A lista é taxativa. Min. CF/88. . sempre será responsável o tomador ou intermediário de serviços quando (art. Alguns opinam que a situação acabou piorando. Ainda que isento ou imune. O rol abrange cerca de 230 serviços. deve ele recolher o ITBI. sob pena de configurar “bis in idem”. 7º. O DL 406/68 lista 101 itens de serviços. LC 116/03). 151. Ex. inclusive esgotos. II. Aliás. 2º. e 10. enquanto não vier LC específica (art. § 3º. § 2º. 8º. com referência a serviços de construção civil em geral. não se aplicando a disposição do art. Ilmar Galvão. 150. não contidos no DL. parágrafo único. Com referência ao ISSQN. 156. o comando é constitucional. 214 STF. D. Informativo do STF n° 476. A base de cálculo é o valor do serviço prestado (art. No entanto. 2004). essas não integram a base de cálculo (art. III. 406/68 (SABBAG. sendo fixa para os profissionais liberais (vide comentários infra. no tocante à atividade dos advogados). § 2º.158 esteja englobado pelas não-incidências constitucionais. CTN. os avulsos e os membros de conselhos fiscais e consultivos de sociedades – arts. rel. 6º. 155. mas admite interpretação analógica naqueles itens complementados com a expressão “congêneres”. não sendo abrangidos os empregados. 155. “caput”. IX. telefonia). Seu fato gerador é a efetiva prestação de serviço. RE 262598/PR. 1ª T. § 1º. “b”. Já a LC 116/03 reestruturou diversos conceitos do ISSQN. 6º. As alíquotas. O sujeito passivo é o prestador (empresa ou profissional autônomo) ou tomador do serviço (contratante dos serviços). conforme reiterados julgados do STF e do STJ. CF/88. 108. 2004).: avanços tecnológicos. “caput”. CF/88)214. transporte intermunicipal e interestadual. CF/88) nem isenção heterônoma (art. Desta feita. segundo entendimento do STF. “b”. 14. fica sujeito à cobrança pela exação e à imposição de sanção pecuniária..2007. desde que este não esteja compreendido na competência do Estado (eletricidade. com o intuito de prever situações que não existiam na época. Não assim agindo. divididos em 40 itens. de limpeza e conservação de imóveis e logradouros públicos. DL 406/68).

LEF). Qual é o município competente para instituir e cobrar o ISSQN? O DL 406/68 tinha uma regra e uma exceção. III. sendo. o DL 406/68 continua em vigência. LC 116/03). depois do último diploma. . podem surgir dúvidas acerca do local onde deverá ser recolhida a exação. prestadores de outras regiões abriram sede nesses locais. ressalta-se que o DL 406/68. foi recepcionado como LC. Assim. A segunda preconizava que o ISSQN de empresa construtora seria devido no município da construção (art. “in fine”. Havendo a obrigação em mais de um lugar. nos casos por ela abarcados. ab-rogado nos demais. até a LC 116/03. segundo já disse o STF. Logo. 3º. A LC 116/03. o ISSQN poderia ser arrecadado segundo a nova legislação. Segundo Carrazza (1991). 1º. DL 406/68). Por último. adaptandose à LC 116/03. Neste mister. LC 116/03). II a XXII. I. reza que compete à LC dispor sobre conflitos ou critérios gerais da legislação tributária. é possível afirmar que a LC 116/03 não revogou expressamente todo o DL 406/68.159 O art. DL 406/68). somente em 2004. do contrário. Em face do rol taxativo. I. conhecida como LEF (Lei de Execução Fiscal). em seu art. Mas acabou não retratando todos. Outra observação importante diz respeito à alteração de disciplina na execução.Domicílio do tomador (art. eles devem editar leis municipais correspondentes.Domicílio do prestador ou do seu estabelecimento. Ela regulou de forma diversa alguns dispositivos deste e tornou outros incompatíveis com suas disposições. a serem observadas necessariamente nesta ordem: .Local da prestação do serviço (art. Execução Fiscal Legislação aplicável – é a Lei 6830/80. convivendo com a parte “viva” do citado DL. “caput”. Com referência especificamente a estes. 12. é precípuo esclarecer que os advogados e as respectivas sociedades pagam o imposto do art. 3º. A base de cálculo para os serviços prestados por tais profissionais – assim como médicos e dentistas – é estabelecida por um valor único periódico. conquanto viola o princípio da capacidade contributiva. está em vigor integralmente. 146. tal estipulação é inconstitucional. “b”. 156. 3º. . CF/88. Portanto. A LC 116/03. “a”. Entretanto. criou três possíveis alternativas. não havia competência dos municípios para legislar sobre a matéria. por conseguinte. o contribuinte deve recorrer à consignação em pagamento (“depósito” em juízo). a regra da anterioridade originária (vigência possível só no exercício seguinte) há de ser observada. 2004). alguns municípios abaixaram suas alíquotas relativas ao ISSQN. A primeira previa o recolhimento do tributo no domicílio ou no estabelecimento do prestador (art. Os municípios que não editaram suas normas de adaptação. Ademais. 12. CF/88. . tendo o CPC função subsidiária (art. Portanto. só puderam iniciar a arrecadação com os novos critérios em janeiro de 2005. Entre a vigência do DL 406/68 até a promulgação da CF/88 e. chamado de “ISS fixo” (SABBAG.

160 mormente operada pelas Leis 11280/05 e 11382/06. Assis (apud CÂMARA. o prazo prescricional para a propositura da demanda executória fica suspenso por 180 dias (art. 20ª ed. Curso de Direito Processual Civil. dos Municípios e do Distrito Federal. sem demais considerações. porquanto se trata de procedimento executório especial. tenham eles natureza tributária ou não. A certidão de dívida ativa (CDA) goza de certeza e liquidez como presunções relativas. p. p. não necessita. que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. e Chimenti.320. 208. é o ato jurídico de lançamento do crédito (inscrição em dívida ativa) e não o documento que o materializa (respectiva certidão)215. São Paulo. 1997. cit.. para sua validade. v. sem participação do devedor.. ao que parece. com as alterações posteriores. na realidade. Conseguintemente. 2. a execução fiscal tem por objetivo conferir ao Estado um instrumento célere de cobrança de seus créditos. p. 212) ainda lembra que esse é o único título executivo formado unilateralmente pelo credor. em coro com a melhor doutrina.. Câmara (2006. manifestando a potestade administrativa e a presunção de legalidade de seus atos (GRECO FILHO. Uma vez inscrita a dívida. p. 2º. da concordância ou aceitação do sujeito passivo da obrigação. p. 2003. Humberto Theodoro Júnior. a execução fiscal é o processo idôneo a que a Fazenda Pública satisfaça seus créditos decorrentes de dívida ativa. 3. 130. Em paralelo. bastando existência de prévio procedimento administrativo com contraditório. 2003. outrora denominados dívida ativa. para quem a certidão de dívida ativa em si é o título hábil a aparelhar a execução fiscal. § 1º . como será demonstrado no delineamento da execução fiscal. v. 211). cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º. Direito Processual Civil Brasileiro: Processo de Execução a Procedimentos Especiais. 101. op. 16ª ed. Definição – execução fiscal encontra delineamento pelo próprio legislador da LEF: Art. Saraiva. o que constitui o título em tela. VII. Segundo Chimenti (2002. sendo formada unilateralmente. Rio de Janeiro. e Vicente Greco Filho. desde que seja formado previamente um título executivo extrajudicial específico: a certidão de dívida ativa (art. 269) assevera que os privilégios da Fazenda Pública são inegáveis e irretorquíveis. de 17 de março de 1964.Qualquer valor. Por conseguinte. Nesse passo. p. 2006. 208). Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4. redigida para favorecer a arrecadação fiscal por parte do Estado. insiste a doutrina em afirmar que o rito foi mantido. decorre do poder de “imperium” do Estado. 585. assim como outras processuais. dos Estados. Forense. p. Cf. § 3º. preservou incólume a regência da execução fiscal. 2º. LEF). será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. O legislador. 101). 215 . Essa prerrogativa material. Segundo Câmara (2006. CPC). A LEF é claramente prófazendária.

Segundo entendimento prevalente na jurisprudência. 369) faz interessante observação (art. LEF. Informativo do STJ n° 330. a qual se liga à decisão de embargos de execução fiscal. é feita nova citação ao atual proprietário. massa (falida ou da insolvência civil). com correlata distribuição de competência do poder de tributar. LEF): Obrigatoriedade de constar o nome no título – para sucessor singular e responsável. se um Estado demandar autarquia estadual da mesma unidade federativa. . 4º. a qual entende ser prescindível que conste o nome do responsável na CDA. Competência – de acordo com a redação do art. A posição do autor é. 2º. § 8º. as referidas instituições poderiam ajuizar execução fiscal. § 8º. por débitos fiscais. seguiu os precedentes do STJ. 730 e 731. LEF: devedor. é lícito à Fazenda promover a substituição da CDA. os legitimados passivos estão expressamente elencados no art. espólio. Prescindibilidade em constar no título – para sucessor universal. 578. fala em “decisão de primeira instância”. De outra sorte. posição essa reforçada pelo Supremo na ADIn 1717. “caput”. 2º. rel. os conselhos de profissões regulamentadas têm natureza autárquica. fiador. concernentes à OAB. Min. § 5º. e 2º. de que essa não possui dívida ativa. quando há sucessão processual em decorrência da mudança de propriedade do bem tributado (arts. massa e espólio. I. 737/340. não havendo de se falar em qualquer ilegalidade nessa prática216. os tribunais aceitam que o fisco se volte contra responsáveis pelo pagamento do crédito independentemente de expressa menção no título217. O STF. RT 697/131. universal ou singular). Nessa demanda. Legitimidade – a ativa pertence aos entes federados. 6/9/2007. Por exclusão. Dessa feita. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. há precedentes no STJ. No entanto. Sendo assim. como já está pacificado na jurisprudência. CPC. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. Luiz Fux. p. ampliada pela jurisprudência. LEF). por meio da ADIn 3026.. I a VI. ou a autarquia especialmente criada para tal fim. responsável e sucessor (“causa mortis” ou “inter vivos”. CPC. Câmara (2006. 1ª T. falecendo-lhe legitimidade para demandar no modelo da LEF. fiador. No tocante às exações reais. No ponto. empresas governamentais não têm legitimidade para ajuizar execução fiscal. CPC). pois foi ratificada sua natureza autárquica. adequando-a ao novo senhor da coisa. j.161 O art. Nesse ponto. por meio de outorga da capacidade tributária ativa. o rito a ser seguido não será da LEF. REsp 840. de certa forma.623-BA. afirmando descaber execução fiscal em face de débitos da contribuição de seus filiados. competente para processar a execução fiscal será o juízo: 216 217 STJ. 41. Apesar desse raciocínio. 721/290. mas sim da execução contra a Fazenda Pública (arts. ficou patente não ser possível pessoa jurídica de Direito Privado exercer poder de polícia.

o domicílio será qualquer de suas repartições no território da pessoa política. 127. Não importa a natureza do tributo. Quando os tributos forem de competência da União. 109. No entanto. CTN). No tocante às pessoas jurídicas de Direito Privado. • Foro do local onde se deu o fato ou foi praticado o ato que fez originar a dívida. o domicílio será aquele de sua sede ou. incide na execução fiscal (Súmula 58 do STJ)219. desde que não seja ela sede da Justiça Federal”. quando desconhecida ou incerta. se imposto ou contribuição social (arts. 127. a execução fiscal será proposta na Vara Federal. CPC. CF/88). 218 Súmula 40 do TFR: “A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o juiz de direito da Comarca do devedor. Quando insuscetíveis de aplicação os parâmetros do art. no aspecto espacial. II. quando esse apresentar mais de um.162 1º) Do foro de domicílio do executado (foro comum). esculpido no art. CF/88. o domicílio será o da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores de obrigação tributária (art. quando houver mais de um. 578. § 4º. Entretanto. II. Inexistente essa no domicílio estabelecido. I a III. a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) poderá propor a demanda no juízo estadual (Súmula 40 do extinto TFR)218. se não tiver domicílio fixo (foros subsidiários). • Foro da situação dos bens. na ausência da eleição. Lei 5010/66). e 109. CTN. ainda que o demandado não mais tenha residência ali. constante do lugar de situação dos bens do sujeito passivo ou onde se deu o ato ou fato gerador da obrigação fiscal. o art. o contribuinte ou responsável pode elegê-lo (art. determina que a Fazenda Pública tem a prerrogativa de escolher o foro. III. 87. o qual define o domicílio tributário. quanto a outros estabelecimentos. § 2º. Nessa hipótese. 127. será considerada residência habitual das pessoas naturais ou. 127. CTN. § 3º. Alteração de domicílio do executado posterior à propositura da ação fiscal não tem o condão de deslocar a competência do juízo. se o crédito fiscal dele se originar. CTN). Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público. a linha traçada pelo CPC segue a esteira do art. Em verdade. a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada”. o domicílio será definido por essa. 127. o centro de suas atividades (art. Em tese. I e III. CTN). 108. desde que não implique em claro embaraço à atividade da autoridade tributária (art. a qual detém competência tributária (art. 219 Súmula 58 do STJ: “Proposta a execução fiscal. parágrafo único. I. • Foro de qualquer dos domicílios do demandado. “caput”. muito pelo qual o princípio da “perpetuatio jurisdiciones”. o lugar onde se deu origem às obrigações respectivas (art. e 15. CPC. incluindo empresários individuais. 127. Os recursos serão dirigidos ao TRF enquadrante (arts. § 1º. CTN). entre os seguintes (foros eletivos concorrentes): • Foro de qualquer dos devedores. 2º) Do foro da residência ou do lugar onde o demandado for encontrado. 127. I a III. CTN). CTN). 127. .

competente esse para resolver as questões ali suscitadas (art. Ação cautelar fiscal – interessante trazer a definição dada pela doutrina: Instituída pela Lei 8. Sendo a execução fiscal promovida mediante carta precatória. CPC). cristalina é a lei em determinar o foro ao menos pelos parâmetros do art. intenta aliená-los.163 Caso o exeqüente não tenha conhecimento sobre o paradeiro espacial do executado. CPC. se a matéria trazida à baila disser respeito a vício ou a irregularidade atinente ao juízo deprecado. será ela aí julgada (art. porque se trataria de um exagero em favor do Estado. pelos quais a “vis attractiva” de outros juízos não se opera perante a execução fiscal. Por óbvio. 5º. Lei 8397/92). pelo qual aquele só pode decidir sobre penhora. o juiz recepiendário tem autonomia majorada para resolver as querelas a ele atinentes. V. 8. a penhora de bens do patrimônio do executado.397/92. A medida só pode ser ajuizada após o lançamento (art. parágrafo único. e 29. de liquidação. nos termos do art. 2º. 78). CPC. a medida requerida tem por fundamentos o perigo na demora e os indícios do direito alegado pelo autor. LEF). Lei 8397/92 (art. “in fine”. O objeto da ação é tornar indisponíveis os bens do contribuinte que apresente situação que pode colocar em risco o recebimento do crédito fiscal (art. quer seja nas varas da Fazenda Pública para as demais entidades públicas – e não se submete a concursos de credores. CPC. p. 798. no limite do crédito tributário” (FÜHRER e FÜHRER. Nesse passo. Nesse caso. “caput”. e VII. Com efeito. Carmona (2004. a Fazenda pode obter a declaração de impenhorabilidade dos bens do devedor. parágrafo único. 2º da Lei n. No entanto. Lei 8397/92). solução mais consentânea que aquela adotada pelo art. por conseguinte. se dessa forma fosse. LEF). uma vez notificado para pagar ou submetido a arrolamento de bens (Lei 9532/97). Dessarte. 2º. excepcionalmente. São as hipóteses em que o devedor. 2001. 8397/92). “b”. a defesa típica (embargos do executado) será oferecida no juízo deprecado e remetida para o juízo deprecante. p. 20. antes ou depois da ação de execução fiscal. como no juízo falimentar e de recuperação de empresas. avaliação ou alienação de bens na execução ordinária. . 2002. é permitida. de insolvência civil ou de inventário. a cautelar fiscal sem constituição definitiva do crédito. pois. “in fine”. não é necessário que a exigibilidade do crédito fiscal esteja perfeitamente plausível. “Pela ação cautelar fiscal (L. a Fazenda Pública já poderia propor diretamente a execução fiscal e. LEF. Nesse sentido. 207). por aplicação analógica do art. 94. o fisco tem preferência no seu juízo privativo – quer seja na Justiça Federal para União e respectivas autarquias. “caput”. parágrafo único. 578. assim como qualquer outra cautelar (art. 1º. a ação cautelar fiscal pode ser proposta antes da execução fiscal ou no curso desta.937/92) (CHIMENTI. p. 1700) apregoa que não poderá propor a demanda no seu domicílio. § 2º. 20. O legislador arremata a questão da competência por intermédio dos arts. 747. “caput”.

I. mais especificamente a vara de execução fiscal ou da Fazenda Pública. exige que haja prova literal e documental do crédito fazendário. “caput”. etc. Supondo que haja tributo federal e inexista vara federal no domicílio do devedor (em princípio. de repetição de indébito. o demandante deve solicitar a concessão da respectiva medida cautelar fiscal. A norma não requer má-fé. 800. Lei 8397/92). Note que os dispositivos permitem até mesmo atingir bens . e Súmula 40 do TFR. CTN. é possível pedir a indisponibilidade de bens da pessoa jurídica e de sócio. Lei 8397/92). Isso não aplica nas ações ordinárias fiscais. “caput”. quando houver fundada razão de inadimplência da pessoa jurídica devedora (art. Na execução fiscal (e na medida cautelar fiscal). Lei 5010/66. O STJ não concorda com esse comando. 109. Lei 8397/92). De fato. exatamente o lançamento definitivo do tributo. I a IX. e 15. afirmando que a desconsideração da personalidade jurídica depende dos requisitos esculpidos no art. não podendo ir além disso. a PGFN deverá ajuizar a cautelar fiscal (e a conseqüente execução fiscal) perante o juiz de direito (arts. a petição deve indicar e caracterizar uma das hipóteses do art. Em regra. No pedido. dolo ou culpa do acionista controlador. 135. Poderá haver extensão da constrição sobre os bens pessoais de administrador ou de sócio controlador da empresa (atual ou passado). II. em sua vara de execução fiscal ou mesmo anexo fiscal. 2º. competente será a Justiça Federal (art. Sendo tributo federal. § 3º. §§ 1º e 2º. é interessante que o demandante afirme e prove que o sócio controlador ou o administrador pode frustrar o recebimento do crédito fazendário. 5º. No aspecto formal. I. 127. 4º. Lei 8397/92. o juízo competente para conhecer a correspondente execução fiscal é o mesmo apto a apreciar o pedido de cautelar fiscal (art. 3º. O efeito da concessão pelo juiz é a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite do crédito indicado (art. De fato. “caput”. do administrador ou de qualquer um que tinha obrigação contratual ou estatutária de cumprir as obrigações tributárias. quando presentes. CF/88). porquanto há situação de risco para o Estado em não receber seu crédito. Prova-se a exigência pela constituição do crédito tributário. Lei 8397/92. CPC. CF/88. como declaratória negativa de débito. 4º. Como se trata de medida cautelar. Além da prova do perigo na demora (art. 109.164 O objeto da restrição é o total da dívida ativada. 4º. I e III. mediante medida cautelar fiscal (art. inclusive quanto à competência da Justiça Federal. “caput”. 3º. o art. 2º. o foro ou a subseção judiciária competente é do domicílio eletivo do devedor (art. além dos fatos. Lei 8397/92). No direito. o foro da matéria). I a IX. quando existentes. Os requisitos da medida cautelar fiscal estão inscritos no art. III. Tratando-se de tributo estadual ou municipal. prevalece a regra do domicílio do contribuinte até mesmo sobre outros critérios. a regra de competência segue o comando do art. já mencionada). §§ 1º e 2º. Lei 8397/92. Nesse ponto. justificando seu pedido nos termos do comando legal mencionado. podendo a medida ser preparatória ou incidental ao feito principal. competente é a Justiça Estadual. Lei 8397/92). devendo ser requerida ao juízo “virtual” da futura execução fiscal. o pleiteante deverá demonstrar. CTN).

“caput”. § 1º. dentro do decurso legal de cinco dias (art. a medida cautelar fiscal pode ser requerida entre a “constituição do crédito” (lançamento) e a execução fiscal ou após essa última. qualificação e endereço do requerido. Lei 8397/92. a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser em benefício do credor justificam. “caput”. É também plausível o pedido de liminar. o meirinho se dirige ao domicílio dele para tentar penhorar bens. Para tal. o juiz vai designar audiência de instrução e julgamento.165 daqueles que já foram sócios. 6º. 185-A. Min. Entretanto. Para suprir a deficiência. I a IV. fica autorizado o magistrado a perpetrar a indisponibilidade do patrimônio do executado. 10. 8º. 2º. Dificilmente a Fazenda conseguia fazer prova das hipóteses do art. LEF). Ainda no tocante ao art. fazendo com que a medida cautelar fiscal fosse praticamente ineficaz. a constrição pode abater-se sobre bens do ativo não-permanente da empresa. I. 174. observada a ordem de preferência do dispositivo (art. a LC 118/05 trouxe o art. requerimento para citação. deve estar presente o requisito do receio de frustração da eficácia da medida. Informativo do STJ n° 332. j. Quando o devedor não cumpre o despacho judicial inicial. caso o requerido trave conhecimento com a demanda. Lei 8397/92). Lei 8397/92). nos termos do art. I a IX. III. traz os requisitos formais da exordial: endereçamento. o STJ relativiza a exigência de que a indisponibilidade de bens recaia sobre patrimônio ativo permanente do executado.173-PB. Depois da produção probatória. parágrafo único. parágrafo único. “caput”. 135. Na contestação ou a qualquer tempo. “caput”. CTN). 9º. De outra parte. Essa atuação é feita por meio eletrônico. “caput”. rel. não havendo contestação. “caput”. o devedor será citado (art. Se o devedor contesta. Sendo infrutífera a diligência. Lei 8397/92. CTN. Lei 8397/92).. I a IV. 4º. quando esse não pagar nem oferecer bens a penhora em execução fiscal. CTN. Lei 8397/92. CTN. excepcionalmente. Lei 8397/92). 1ª T. O STJ interpreta o dispositivo à luz do art. quando o devedor não indica bens suficientes e aptos a garantir a execução. 185-A. aplicando-o restritivamente. LEF. Lei 8397/920). 9º. o qual previu que o juiz deverá decretar “ex officio” a indisponibilidade de bens do devedor citado (sem perder de vista que o despacho que determina a citação suspende o curso prescricional – art. através do convênio BACEN-Jud. a medida não é efetivada de plano. Luiz Fux. provas a serem produzidas. com o objetivo de colher provas sobre o processo (art. proferindo o juiz decisão de mérito no lapso impróprio de 10 dias (art. De acordo com a interpretação da corte. Exemplo desse entendimento está na autorização judicial de penhora de subsídios governamentais a serem repassados ao executado220. . porquanto o diploma em tela a possibilita (art. os fatos alegados pela Fazenda são considerados verdadeiros. diante da não localização 220 STJ. REsp 841. Nesse âmbito. o rigor da medida. tem-se a decisão. 8º. porquanto a legitimidade do crédito tributário. 7º. “caput”. o devedor pode requerer a substituição da medida cautelar por uma das garantias previstas no art. 9º. Concedida ou não a medida “inaldita altera pars”. O art. 18/9/2007.

o arrolado não poderá alienar.000. Fora essas hipóteses.166 e conseqüente não citação do devedor. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. LEF). . não se exige o requerimento genérico de prova. 64. § 4º. diz que o feito e a prescrição ficam suspensos por um ano (art. 6º. processada perante a Justiça Estadual. justamente para evitar a aplicação integral do comando mencionado. LEF. independentemente de manifestação do juízo ou da secretaria. a Súmula 190 do STJ221 determina que devem ser pagas as despesas do oficial de justiça. 14.00 (art. O ato de arrolamento é perfeito mediante notificação ao devedor. a não citação do devedor não permite o decreto de indisponibilidade patrimonial e. § 3º. porque estão presumidos na CDA. I a III. porque a indisponibilidade será decretada de ofício pelo julgador. Nesse caso. 40. 40. tal 221 Súmula 190 do STJ: “Na execução fiscal. bem como deverá ser cancelada se garantido o juízo da execução fiscal de outra forma (art. com piso de R$ 500. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. 64. § 7º. Entretanto. É nesse sentido que se presta a medida cautelar fiscal. já mencionada). desde que haja prévia manifestação da Fazenda Pública (art. sua não suspensão. prescindindo de requerimento para produção de provas e não se sujeitando a custas e emolumentos. comuns a qualquer exordial. não arquivamento ou não ocorrência da prescrição intercorrente. A peça vestibular da execução fiscal é um pedido de meios executórios ao Estado-juiz. “caput”. Depois do decurso de um ano. não sendo encontrados bens para o arresto. LEF. Não sendo frutíferas novas tentativas. “caput”. Por óbvio. 64. 40. Procedimento – o rito especial segue as seguintes fases: Petição inicial – deve conter endereçamento. § 3º. I a III. não é adequada a cautelar. LEF). § 4º. Lei 9532/97). começa a correr o prazo do lustro para prescrição intercorrente (art. Lei 9532/97). o arrolamento será averbado em todas as repartições onde haja banco de dados continente dos bens do devedor (art. servir de base para a indicação de bens à penhora pelo exeqüente. o art. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. LEF). Lei 9532/97). §§ 8º e 9º. 64. LEF). Lei 9532/97). A reboque do registro da penhora na execução fiscal (art. § 2º. Lei 9532/97. 64. futuramente. 40. pedido e requerimento de citação do executado (art. garantindo o prosseguimento da execução fazendária. o juiz manda arquivar o processo. O não cumprimento dessa formalidade importa em invalidade na decretação da prescrição intercorrente. cumpre à Fazenda Pública antecipar o numerário destinado ao custeio das despesas com o transporte dos oficiais de justiça”. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal supra delineada (art. Entretanto. Lei 9532/97). § 5º. Com efeito. Essa restrição poderá. Lei 9532/97). devendo revestir-se de formalidades mínimas. A suspensão e a declaração de ocorrência da morte da pretensão do fisco pelo decurso do tempo são declaradas de ofício pelo magistrado. I. § 4º. 64. Com efeito. 64. não é necessário trazer à baila fatos e seus sucedâneos. cujo recebimento marca o termo inicial para a restrição administrativa em comento (art. e Súmula 314 do STJ. não é composta tão-só por esses elementos. Arrolamento fiscal – nos termos do art.

salvo se o exeqüente requerer de outra forma. Greco Filho (2003. 102) faz uma crítica à ficção da citação por correspondência. contendo: nome do devedor e dos coresponsáveis. CPC. LEF). fazendo jus o executado. não prevalecendo o estatuído no art. LEF. O cancelamento da inscrição da dívida ativa implica em extinção da execução sem ônus para as partes (art. nos termos do art. op. I a VI. 8º. valor inicial da dívida. LEF). cit. termo inicial e forma de calcular juros e demais encargos. 7º. LEF). fundamento e natureza da dívida. 102). O legislador considera perfeita a citação se a carta for entregue ao próprio executado no endereço indicado222 ou 10 dias depois de retornado o aviso de recebimento na agência postal. § 3º. pois o legislador não exigiu que a carta com mandado seja recebida pelo executado. III. o Efetivação de arresto (pré-executivo – art. II. Citação – a lei assina prazo de cinco dias para o pagamento judicial. aos honorários advocatícios (GRECO FILHO. sendo lícita sua emissão inclusive por meio eletrônico (art. 2º. e §§ 1º e 2º. deverá ser instruída com a certidão de dívida ativa. a citação deverá ser feita por oficial de justiça ou por edital (art. O legislador permite que a exordial e a CDA consubstanciem documento único. § 2º. preceitua o que o juiz deve dizer na recepção da exordial: o Recebimento da peça. p. LEF (GRECO FILHO. Ademais. 26. se neles expresso o valor da dívida (art. 222. LEF). por ser esse norma geral e não especial. 2003. 8º. p. LEF) ou não seja garantido o juízo (pelo depósito). data e número de inscrição da dívida ativa. “caput”. Se escolhida a forma editalícia.. 8º. o Avaliação dos bens constritos. sob pena de penhora imediata (art. caso não seja paga a dívida no decurso estabelecido (cinco dias – art. O mandado será remetido ao executado por via postal. LEF). 8º. CPC). sem embargo das custas e demais despesas. 8º. 653. “caput”. CPC. 6º. Theodoro Júnior. I a IV. se estiver em termos. o Citação do executado. correção monetária e forma de cálculo – se incidente.167 qual se depreende do confronto entre os arts. § 5º. segundo entende a jurisprudência. com o devido aviso de recebimento (AR). devendo ser expedido correspondente mandado. se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar. o qual não admite essa colocação feita pelo legislador. domicílio e residência deles – se possível. p. Despacho inicial – o art. e 6º. seus requisitos formais e temporais 222 Cf. 2003. VI. Não sendo encontrado o demandado pelos Correios até 15 dias depois. 102). origem. “caput”. o Determinação da penhora. o Registro da penhora. I a V. LEF. 282. “d”. . CPC). número do processo administrativo ou do auto de infração. caso não haja indicação da data do recebimento (art.

se o executado. p. p. § 1º. p. segundo Theodoro Júnior (apud CÂMARA. passou a considerar que. 371). representada por Theodoro Júnior (apud CÂMARA. § 3º. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. 40. § 2º. é a posição defendida por Câmara (2006. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. No entanto. se a prescrição foi interrompida. A intimação da Fazenda Pública é pessoal em favor do procurador (art. volta a correr o decurso prescricional de cinco anos da Fazenda Pública (art. p. 223 STJ. sendo certo que o legislador utilizou a expressão “a qualquer tempo” para a efetivação desse ato. . 40. 174. 8º. 174. recorrendo-se ao direito processual comum e aos princípios gerais de direito para resolver a querela (GRECO FILHO. a partir do arquivamento do feito. § 2º. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). 219. § 1º. se não houver órgão da procuradoria na comarca. 372) e por Câmara (2006. Sobre o tema. fundando-se no art. 8º. LEF). LEF). parágrafo único. LEF) estão delineados no art. A melhor doutrina. CTN). Caso a situação permaneça assim por mais de um ano. e EmbDiv no REsp 743867/MG. a execução ficará suspensa. 2006. Citação e prescrição – a citação tem o condão de interromper a prescrição a partir do despacho do juiz que o determina (arts. a intimação da Fazenda poderá ser feita por correspondência com AR223. parágrafo único. Em sentido contrário. porque nenhum outro credor goza de imprescritibilidade de seu crédito. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. encontrar-se no exterior – art. no segundo caso. 40. muito pelo qual a LEF. os autos serão arquivados (art. como diploma protetivo do credor fiscal. 371) e por Silva Pacheco (apud CÂMARA. CTN. 371). 25. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. sob pena de tornar a obrigação fiscal imprescritível. p. CTN). LEF. Não havendo bens a serem penhorados. 8º. 2006. e 174. IV. assim como o decurso prescricional (art. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. “caput”. 2003. A prescrição intercorrente aqui mencionada encontra fulcro em uma hermenêutica sistemática. LEF. 372) apregoa que. “caput”. O desarquivamento só será possível se surgirem novos bens passíveis de constrição.168 (publicação por 30 ou 60 dias. p. LEF). “caput”. 2006. formaram-se duas correntes: O termo inicial da interrupção retroage à data da propositura da ação – nos exatos termos do art. LEF). CPC. Não há retroação – porque a LEF é diploma especial. A tese pró-contribuinte. I. haveria autêntica mácula à isonomia. REsp 914879/SP. 103).

191. CTN). como é possível aduzir do Enunciado 295 do Conselho da Justiça Federa (CJF)224. não sobre a intercorrente. desde que ouvido previamente a Fazenda Pública (art. 219. mesmo porque há interesse público em jogo. CPC). Entretanto. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandado-contribuinte. Em razão da Lei 11280/06. Havendo conflito entre CPC e LEF. pelo princípio da especialidade. atingindo os feitos em curso. “caput” e § 2º. CPC). a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. § 5º. LEF). § 4º. porque é possível sua renúncia por razões outras. sob pena de nulidade absoluta do ato. já mencionada). Nesse caso. LEF). o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. 2006). Isso não significa que a prescrição não intercorrente (art. Nesse caso. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. Para solver o entrave.280/2006. Indisponibilidade de bens – feita a citação e não encontrados bens à penhora. o que o agiliza e o torna mais eficaz. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. além de positivar a prescrição intercorrente. Observa-se que o ato pode ser efetivado inclusive por meio eletrônico (“penhora on-line”). é aplicada imediatamente. O reconhecimento “ex officio” da prescrição. IV. oficiando todos os órgãos de registro de patrimônio sobre a medida. sem prévia oitiva do fisco. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. § 5º. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ. 191 do texto codificado”. como já disse o STJ. Apesar de parte da doutrina entender que a prescrição. CPC) – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado (art. a partir da Lei 11280/06. 185-A. porque versará sobre a modalidade ordinária da perda da pretensão. não configurando direito subjetivo do contribuinte. 194 do Código Civil pela Lei n. 11. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. 1º. “in fine”.169 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. como norma processual. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. A revogação do art. 40. tornou-se matéria de ordem pública. porque prescrição é matéria de defesa disponível. 219. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. aplica-se a segunda. 269. deverá ser veiculado o 224 Enunciado 295 do CJF: “Art. Isso não significa que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. a disponibilidade do direito correspondente é flagrante para o entendimento majoritário (CÂMARA. a Lei 11051/04. pelo simples decurso do tempo. o magistrado decreta a indisponibilidade patrimonial “futura” do executado. os quais deverão responder ao comando com relação completa dos bens indisponíveis (art. . Sendo assim. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo.

porque. “caput”. desde que previamente aceitos pela Fazenda Pública. muito pelo qual o art. 3. Nomeação de bens próprios à penhora. de uma forma geral. § 1º. LEF). Segundo Greco Filho. CTN).170 valor da dívida. I a IV. preferiu. Indicação de bens de terceiros à penhora. não há de se requisitar o depósito em comento. 151. LEF): o Pagar a dívida – nesse caso. Obs. Uma vez que o executado ofereça bens à penhora e haja recusa por parte da Fazenda exeqüente. 11. como bem vem entendendo a jurisprudência. Em contrário senso. A doutrina ainda não se posicionou sobre o tema. 1: caso seja oferecido bem imóvel. 8º. 9º. pelo fato do instituto harmonizar-se com a regência e com o espírito da LEF. encargos e custas judiciais (art. Ex. somando-se o principal. o saldo será revertido ao devedor. cit. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. o julgador deve determinar o levantamento do excedente (art. Fiança bancária. deverá adimplir totalmente o débito. CC). é “conditio sine qua non” para a propositura de ação anulatória de débito fiscal. móveis a imóveis. depois da hasta pública. no diapasão da Lei 6830/80. 4. I. o cônjuge do executado ou do terceiro proprietário deverá anuir ao ato (arts. XXXV. sob pena de macular a inafastabilidade do Judiciário (art. Não tendo tais finalidades. dada pela Lei 11382/06.. tendo o decreto limite exatamente nele. de acordo com a ordem sugestiva do art. . op.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. Vê-se que o excesso de indisponibilidade só pode ser invocado se a constrição recair sobre bem divisível. No ponto. § 3º. LEF. apesar do STJ ter apontado nesse sentido. multa de mora. não há de se argúi-la. 185-A. “caput”. II. I a XI. desde que essa tenha por objetivo impedir ou suspender execução fiscal. juros. correção. Caso seja ultrapassado o teto. LEF. desde que incidente correção monetária225. CF/88). 2. CTN). CPC. LEF): 1. não há óbice à sua efetivação. 655-A. 655. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. a inação do executado não impede a 225 O depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. Em princípio. podendo ser feito de várias formas (art. não há dever processual em fazê-lo novamente. § 1º. 5º. Opções do executado – recebido o mandado de citação. trouxe tal previsão na execução ordinária. Obs. e 1647. o executado tem algumas alternativas durante o interregno dos cinco dias subseqüentes (art. 8º. I a VIII. na nova redação do art. o que ainda não é pacífico. o Garantir o juízo – a fim de propiciar a discussão da dívida por meio de embargos do executado. Depósito em dinheiro em estabelecimento oficial de crédito. 2: o legislador do CPC. pois o saldo resultante da hasta pública será restituído ao executado. 9º.

como a Fazenda não pode oferecer caução pela impenhorabilidade de seus bens. 13. 13. como bem indica Chimenti (2002. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. fala em execução provisória ou definitiva. visto que transferência de bens do executado e depósito de dinheiro exigem a garantia. p. Nesse contexto. Essa lição foi bem entendida pelo legislador de 2006. Se os embargos forem recebidos com efeito suspensivo e. laudo de avaliador judicial. 652.339-SP.171 qualificação de sua conduta. para a ordinária. será solicitado. 4º. 13. o Oferecer exceção de pré-executividade ou objeção de nãoexecutividade – ver comentários abaixo. não sendo possível a avaliação pelo meirinho devido a aspectos técnicos complexos. LEF). qualquer das partes pode impugnar o valor da avaliação até o edital da hasta pública (art. LEF). 601. 185. sobre o qual decidirá o julgador (arts. . porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. quebra de sigilo bancário e fiscal e penhora de patrimônio. apesar de o agüazil encontrar bens suscetíveis de constrição judicial. O prazo legal para tal é de 15 dias para execução fiscal e de 10. No âmbito tributário. REsp 787. a jurisprudência do STJ firmou posição226. rel. Conseguintemente. “caput”. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. Com esse entendimento. Informativo do STJ n° 324. provisório ou definitivo são os títulos. 2ª T. 1º. CPC. a execução fiscal ficará obstada. 587. aguardando o trânsito em julgado. ao final. e 680. nos termos do art. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). dentro do processo civil. valendo a avaliação do oficial de justiça como parâmetro preliminar (art. A certeza e a liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno 226 STJ. Execução provisória e definitiva – o art. julgados rejeitados. Nesse passo. 185. CTN) – depois da citação válida. LEF). não há de se lhe aplicar as sanções contidas no art. O arresto. “caput”. CPC).. dar-se-á a penhora ou o arresto. CPC. dependendo da situação encontrada. Eliana Calmon. I a IV. conquanto já atuará por ordem do juiz na primeira oportunidade. Fraude à execução fiscal (art. caso a apelação seja recebida no efeito devolutivo. § 1º. 19/6/2007. A primeira será efetivada de sorte a abranger tantos bens quanto sejam necessários para cobrir o total da dívida e todos seus consectários financeiros e judiciais (art. 2º. pelo juiz. porque o regime do procedimento é o mesmo na execução civil ordinária. “caput”. CPC. § 3º. essa é mais profunda. apesar de ficar sujeito a outras medidas constritivas. CPC. A rigor. CTN). LEF. Em ambos os regimes. inspirando a nova redação do art. j. 208). 600. terá vez quando o executado não tiver domicílio ou se furtar à citação. Min. caracterizam fraude à execução. consoante comentário supra já feito. como indisponibilidade de bens. o Permanecer inerte – nessa hipótese. a execução prossegue nos moldes provisórios.

se valores mobiliários. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. quando esse executa o ato em si ou quando converte o arresto nele. determina que seja averbada a penhora dos seguintes bens: 1. 227 228 Cf. Registro – lavrado o termo ou auto de penhora229. No caso da execução ordinária. na execução fiscal (art. o oficial de justiça deverá fornecer cópia a repartições e órgãos encarregados do registro do bem constrito. 12. Súmula 190 do extinto TRF: “A intimação pessoal da penhora ao executado torna dispensável a publicação de que trata o art. Em hipótese de concurso de credores fazendários. 12. instruirá a inicial da execução fiscal. de forma a tornar o ato eficaz “erga omnes”. sociedade comercial e Junta Comercial. procedimento e ato dotados de presunção de legalidade e de legitimidade. Ambos documentos são idôneos. no DETRAN. 12. o executado deverá ser intimado. Auto de penhora é lavrado pelo meirinho. a partir intimação de sua juntada aos autos. da juntada aos autos do processo executivo do auto ou termo de penhora (art. “caput”. 3. 229 Termo de penhora é lavrado quando o próprio executado ofereça a garantia da execução. LEF). um novo instituto: fraude à administração fiscal. 185. A intimação só será pessoal caso a citação feita por aviso de recebimento contenha assinatura de terceiro. a teor do que vinha apontando a jurisprudência do STJ e do art. a abrir prazo para o oferecimento de embargos por parte do executado. LEF). cit. LEF). Câmara. se imóvel. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. o art. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. I a III. o direito de preferência na penhora se defere àquele que primeiro obteve a penhora ou o arresto executivo. . Penhora – uma vez efetivada. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. no CRI. VII. se veículo. Nesse caso. mediante publicação em diário oficial. É perfeitamente possível a penhora de faturamento de empresa em execução fiscal. aplicando-se o art. Havendo constrição sobre bem imóvel. ou seja. Depois de ajuizada a demanda. Dessa feita. Todo esse trâmite demanda muito tempo. LEF). “caput”. o cônjuge também deverá ser informado (art. 4. à execução (ordinária) e de bem judicialmente constrito.. 2. § 3º. erigindo uma presunção absoluta de conhecimento por terceiros. quer seja por meio de depósito integral do valor. LEF (Súmula 190 do extinto TRF)228. Tratase de presunção relativa227. bem como a permitir a averbação da constrição nos órgãos responsáveis pelo registro do bem. CTN. 655. op. o próprio exeqüente pode averbar a demanda (não a penhora). § 2º. A certidão de dívida ativa. na Bolsa de Valores. LEF. 14. 1º. CPC. de fiança bancária ou de indicação de outros bens. qualquer um que não seja o próprio executado ou seu representante legal (art. para quem ao art. CPC. 612. 12 da Lei das Execuções Fiscais”. 12. Câmara (2006) afirma que surgiu. De fato. erige uma presunção absoluta de fraude à execução. dispensa-se a publicação exigida pelo art. se estabelecimento comercial. à guisa das fraudes contra credores. “caput”. como título executivo extrajudicial. na Junta Comercial.172 administrativo.

não obsta o prosseguimento do feito nem requer garantia do juízo (arts. parágrafo único. Marinoni e Arenhart (2007) e Luiz Wambier defendem que esse fenômeno também se dá na execução fiscal. Eliana Calmon. DJU 18/4/2005. DJU 29/11/1999. . É medida plausível para preservar a eficácia de futura expropriação. LEF). I a VIII. deverá arcar com os custos da produção probatória. não se admite compensação. 736. 26/6/2007. Nesse passo. “caput”. da juntada da prova da fiança bancária ou da intimação da penhora judicial (art. Recebidos os embargos. posição não pacificada na doutrina. § 1º.712-SP. 738. consoante entendimento do STJ230.970-SP.173 o art. 9º. 739-A. Informativo do STJ n° 325. a Fazenda Pública é intimada para se manifestar em trinta dias. CPC. LEF. Se o executado não aceitar a avaliação feita pelo meirinho. LEF). seguindo-se audiência de instrução e julgamento. LEF). 17 e parágrafo único. LEF). uma vez garantido o juízo por alguns dos meios do art. erige-se presunção absoluta de fraude à execução. “caput”. LEF). REsp 130.. No demais. 11. “caput”. há de ser observada dentro do possível. a Fazenda Pública exeqüente não pode recusar título da dívida pública líquido. I a III. na execução ordinária. o juiz deverá proferir sentença no prazo impróprio de 30 dias (art. relevância na fundamentação. as alegações do embargante não são restritas a um rol taxativo de defesa (art. “caput”. não se confundindo com a presunção relativa de fraude na expedição de CDA. 16. contados do depósito. certo e exigível (art. A ordem de preferência do art. Resolvidas as questões. 17. § 2º. uma vez seguida a gradação legal. § 3º. Não havendo essa última. Ademais. CPC). perigo de lesão de difícil reparação e a própria garantia do juízo (art. traz a possibilidade de averbação da execução em órgãos de registro de bens do executado. LEF). I a IV. o oferecimento de embargos. 16. se houver prova oral a ser produzida (art. Defesa – como defesa típica. LEF). salvo se houver expresso requerimento do embargante. e 739-A. Min. o executado poderá oferecer embargos no prazo de trinta dias.500-RS. 2ª T. No caso. REsp 729. Como matéria de defesa. CPC). Essa disposição é plenamente aplicável à execução fiscal. 18. 16. sua recusa é entendida como requerimento de perícia. 11. j. Como defesas atípicas231. o procurador público manifesta-se pelo teor da garantia do juízo (art. A partir do registro. rel. 373) aponta diferença entre os embargos na execução de título extrajudicial e aqueles oferecidos em sede de execução fiscal. p. II. a jurisprudência tem entendido que. 615-A. há dois tipos admitidos jurisprudencialmente pelo sistema do CPC e da própria LEF: 230 STJ. O juiz deverá balancear o interesse do credor fiscal com a satisfação do débito e o princípio do menor gravame ao executado. e REsp 611. LEF. bem como é inaplicável reconvenção (art. CPC). ou pela própria penhora “ex officio”. Câmara (2006. porquanto o interregno e o termo inicial são diferentes naquele: 15 dias contados da juntada aos autos do mandado de citação (art.

Rejeitar a exceção – como decisão interlocutória. 22. § 2º. cit. como entende a jurisprudência. . cabe agravo de instrumento. A Súmula 121 231 Chimenti. o representante da Fazenda Pública deverá ser pessoalmente intimado (art. Da exceção de préexecutividade. 466. O juiz não as pode conhecer de ofício.174 • Objeção de não-executividade – como trata de matérias de ordem pública. 209. Havendo rejeição. o juiz poderá adotar três diferentes decisões: Acolher a exceção – o processo é extinto com resolução de mérito. Como interlocutória. O leilão ou praça será precedido de publicação de edital em diário oficial gratuitamente e por uma única vez. LEF). não podendo rejeitá-la “in limine”. 275-290. p. há extinção do processo sem resolução do mérito. Negar-se a decidir – o juiz alega que não pode decidir sem instrução probatória. in: Processo de Conhecimento e Processo de Execução. • Exceção de pré-executividade – engloba matérias que deveriam ser ventiladas em defesa típica (embargos do executado ou infringentes). 22.: tanto a objeção quanto a exceção não ensejam a suspensão do processo. provando a relevância da alegação e demonstrando o perigo de lesão grave irreparável ou de difícil reparação. e de fixação no átrio do fórum por igual decurso (art.. É a linha seguida por Alcides de Mendonça Lima. Há um prazo preclusivo representado pela penhora. LEF). Contudo. o efeito poderá ser deferido se o excipiente solicitálo expressamente. “caput”.. p. O acolhimento depende de prova pré-constituída e de não impugnação por parte do exeqüente. o que configura exceção à irrecorribilidade das interlocutórias na execução. op. p. 1992. Durante esse interregno. op. Rio de Janeiro. segundo citação de Câmara. remetendo decisão para os embargos. porque o executado fará uso das defesas típicas a partir de então. 23. em seu Ação Executiva – Necessidade da Penhora para Discutir a Exigibilidade dos Títulos. devendo o excipiente demonstrar seu direito mediante prova pré-constituída. “caput” e 1º. Desafia apelação ou embargos infringentes (causas de alçada). por se tratar de decisão interlocutória. A perda do prazo dos embargos também pode sugerir o oferecimento da peça. Ambas também não comportam dilação probatória. A mera invocação pela parte obriga o juiz a decidir. cit. com antecedência de dez a trinta dias. Obs. podendo ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. segue-se hasta pública para venda dos bens penhorados (art. leciona que parte da doutrina refuta a admissão de exceção de pré-executividade e de objeção de não-executividade. não há preclusão. pode ser atacável por agravo de instrumento. pode ser atacada por agravo. sendo esses inadmitidos “in limine” ou rejeitados no mérito. Forense. podendo ser contestado por apelação ou por embargos infringentes (causas de alçada). Caso haja acolhimento. LEF). Hasta pública – não sendo oferecidos embargos.

746. Nesse caso. 23. o demandado deve depositar. Depois da hasta – pelo valor da avaliação (caso não haja licitante depois da 2ª hasta) ou pelo valor oferecido pelo maior lançador (em 232 232 175 Súmula 121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado. Adjudicação – em favor da Fazenda Pública. à execução fiscal tributária. do dia e hora da realização do leilão”. em princípio. XXIV. No caso de empresa governamental. 2.do STJ determina que o executado também deve ser pessoalmente intimado do dia. LEF): 1. por lanços. no decurso dos embargos. 689-A. 37. CTN. sendo que. CPC). Havendo débito tributário. O art. é permitida nova penhora. Não há infringência ao princípio da licitação (art. 691 e 692. tem preferência sobre a arrematação. 374). Sendo insuficiente o numerário obtido com a venda judicial. “b”. “caput”. não haveria qualquer problema em aplicar o direito esculpido no art. porque o legislador exigiu a expropriação por leilão público (art. O art. 647. Antes da hasta – pelo preço da avaliação. Como o legislador complementar (do próprio CTN) deferiu a competência para o legislador ordinário. o que se aplica sem maiores problemas à execução fiscal. ao estabelecer as condições do ato (art. . dentre outros. cabem embargos à arrematação (art. 745-A. 745-A. “caput”. 685-C. recorre-se ao art. desde que não haja preço vil (arts. 155-A. I e II. CPC. A melhor doutrina entende que a alienação por iniciativa particular (art. permite faculdade de parcelamento ao executado. uma vez que reconheça o débito e renuncie ao direito de embargar. não há impedimento para alienação por iniciativa particular. hora e local do ato. estabelece que a norma geral há de definir. permite a realização de hasta pública eletrônica. desde que a taxa de juros seja aquela atinente à lei tributária aplicável (art. Para pagar. § 1º. porque a impessoalidade e a isonomia ficam garantidas pelo juiz. II. CF/88. pagando-se o restante em seis parcelas mensais. Parcelamento – o art. se no primeiro não houver lanço superior à avaliação”. não há qualquer entrave à aplicação na execução fiscal. § 1º. A arrematação deverá ser feita nos moldes do CPC (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. Atrasando qualquer mensalidade. o qual se reporta a eventual lei especial em termos de parcelamento. promovida pela Fazenda Pública. CPC. CTN). CPC). “caput”. CPC. 146. tenham sido rejeitados “in limine” ou desacolhidos no mérito. II. pessoalmente. “caput”. incidindo juros de 1% ao mês. incidem juros de 10% e a execução prossegue. caso os embargos não tenham sido oferecidos. CPC). LEF). “caput”. 161. “caput”. Tratando-se de dívida nãotributária. CF/88). sem outra oportunidade de embargos ao executado. 2006. CPC). “caput”. não é possível. 24. p. o regime de parcelamento. na segunda hasta (Súmula 128 do STJ)233. 30% do montante total (incluindo custas e verbas sucumbenciais). não é necessário observar o piso da avaliação. 233 Súmula 128 do STJ: “Na execução fiscal haverá segundo leilão. ocorrendo nas seguintes hipóteses (art.

lembra que. bem como os recursos extraordinários à disposição do sucumbente. p. o julgador profere decisão no decurso impróprio de 20 dias (art. o duplo grau de jurisdição corresponde à reapreciação de uma decisão judicial por órgão hierarquicamente superior. CF/88). LEF). 475. §§ 2º e 3º. já se pronunciou o STJ quanto às decisões de turmas recursais dos JEC’s (Súmula 203 do STJ)237. 2002. p. 34. “a”. p. parágrafo único. afirmando-o como simples disposição do legislador ordinário e complementar. conquanto se aplica o art. 225. 237 Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida.. 105. 235 Na concepção de Barbosa Moreira e da doutrina prevalente. cit. CPC). Ademais. III. Observa-se que o prazo recursal para o exeqüente é contado em dobro. Em contrário à posição explanada. quando for o caso. LEF). 103.43 UFIR’s)234. em seguida. “in fine”. 211). que pode ser flexibilizado pelo legislador infraconstitucional. Obs. “caput”. “caput” e § 2º. São Paulo. 236 No mesmo sentido. Os embargos infringentes devem ser opostos em dez dias a partir da intimação da sentença dos embargos do executado. a decisão do referido recurso pode desafiar RE para o Excelso Pretório (art. O interregno recursal para a Fazenda Pública será de 20 dias. 188. não é apelação. É solução que favorece a celeridade. o recurso contra decisão de primeira instância. 2002. o valor gira em torno de R$ 553. Câmara (2006. II. mas embargos infringentes ao próprio magistrado “a quo” (art. muito pelo qual a decisão não é prolatada por tribunal. Agravo e duplo grau de jurisdição – não tem sido admitido agravo das interlocutórias ao longo da execução fiscal. p. mas não REsp (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. Recurso de alçada – se o valor da causa não exceder 50 OTN’s (283. LEF). Trata-se de princípio constitucional implícito. p. 34. 24. p.00. 102. 897. op. CF/88 (CHIMENTI. CLT). perfilhada por Chimenti (2002. no juízo cognitivo (embargos do executado). 375)236. 34. atualmente. 1997..176 igualdade de condições). CPC). vem Greco Filho. RT. CPC (CHIMENTI. Nessas hipóteses de menor monta.: se o crédito fazendário for inferior ao preço da avaliação ou do maior lanço. por meio do seu agravo de petição (art. Como bem indica Câmara (2006. 209). ausentam-se o efeito devolutivo e o duplo grau de jurisdição235. 375). Recursos – além do sucedâneo recursal dos embargos (que também admitem a modalidade deferida a terceiros e os de declaração – art. p. muito pelo qual os embargos procedentes se sujeitam ao reexame necessário (art. “a” a “d”. Carlos Henrique Abrão et al. já configura o duplo grau. Lei de Execução Fiscal Comentada e Anotada. devendo o “ex adverso” ser ouvido no mesmo lapso e. 188. Nelson Nery Júnior considera que o mero reexame por outro órgão. por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. independentemente do grau hierárquico na estrutura do Judiciário. 234 . devendo ser oferecido em até 30 dias da arrematação. III. a adjudicação só será deferida se o exeqüente depositar previamente a diferença em 30 dias da decisão judicial (art. “a”. diferentemente do que ocorre na Justiça Laboral. 93) nega a natureza de preceito constitucional ao duplo grau de jurisdição. Nessa linha. 2006. de acordo com a exigência do art. LEF). 210). conquanto se trate da Fazenda Pública (art. nos limites de sua competência. o sistema de execução fiscal acolhe a apelação dos embargos e os embargos infringentes nas causas de alçada. p.

cit. II. 238 No mesmo sentido. . 475. 209. a Fazenda Pública faria jus à reapreciação por tribunal “ad quem”238. não deve haver o reexame necessário. como lembra Câmara (2006. se aplicado literalmente o art. p. defende que. haveria bizarra infringência à isonomia: enquanto o executado vencedor nos embargos infringentes teria o reexame perfeito pelo magistrado “a quo”.. De fato. CPC. p. Quanto ao duplo grau no sentido estrito. não cabe sua incidência nas causas de alçada.177 Exceção deve ser feita no caso de não acolhimento de exceção de préexecutividade ou de objeção de não-executividade. Chimenti. op. nas causas de alçada. na execução fiscal. 375).

I e II. ainda eram praticamente inexistentes. o soberano era único nas decisões acerca das finanças públicas. 2001. CF/88). 29). Consta que. financeiro e orçamentário é concorrente entre a União. Mas. Ou seja. porque preparar a feitura de normas aplicáveis. Em verdade. de início. mas com o aumento das necessidades foi necessário avançar no patrimônio particular. 2003. 2003. Até o Estado absolutista. No ponto. termo. foi necessário o desenvolvimento pelo Estado da atividade financeira. na Inglaterra. normas específicas e capacidade legislativa supletiva das unidades-parciais (art. de uma forma ou de outra e seja qual for o conceito de necessidade pública no momento. econômica. O direito financeiro trata justamente do regramento jurídico da atividade financeira do Estado (FÜHRER e FÜHRER. é pré-jurídica. entretanto. 24. estatística e política. p. Foi a primeira idéia de despesa pública. a ordem jurídica foi sendo erigida em paralelo. monetariamente. as quais se volta eminentemente ao interesse público (OLIVEIRA e HORVATH. cobrando tributos e tarifas ou confiscando bens [receitas derivadas]. é fato que para prestar os seus serviços o Estado necessita de recursos financeiros. No ponto. como lembram Oliveira e Horvath (2003. nem mesmo havendo entre eles relação de conteúdo e continente (OLIVEIRA e HORVATH. À medida que a sociedade foi construindo a possibilidade de influir nos parâmetros financeiros estatais. No dizer da teoria geral do direito. 24). Tudo lhe pertencia e a idéia de propriedade particular era sempre relativa. os recursos utilizados eram do próprio ente estatal [receitas originárias]. da coisa pública. aderindo-se à ciência econômica. vez que constitui o sustentáculo material do país. 23). Finanças é termo que vem do latim “finis”. buscando dinheiro para atender às necessidades públicas. o qual designa fim. As finanças públicas dizem respeito à forma como o Estado. a perspectiva financeira sempre caminhou ao lado. Estados e DF (art. obtém suporte para exercer suas atividades. p. Distingue-se do Direito Tributário. A competência para legislar sobre direito tributário. permitiu-se que o cidadão listasse as necessidades básicas da sociedade. No século XIII. as finanças pertencem ao plano realeano dos fatos (REALE.178 DIREITO FINANCEIRO Introdução – durante o caminhar da evolução estatal. Dessa feita. 1996). Envolve fenômenos de ordem social. p. O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. parágrafo único. . valem todas as regras quanto a normas gerais. Os institutos da propriedade e da liberdade. p. 16). Esse afã estatal sobre a acumulação de divisas decorre de sua própria razão de existência: a consecução do bem comum. 24. refere-se ao fim de uma operação que se desenvolve pelo pagamento. a atividade financeira extrapola a seara jurídica.

Em melhores palavras. uma vez que há normas específicas contidas no próprio Texto Maior. Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. 17) as chamam de facultativas. CF/88). Revista dos Tribunais. o valor será transferido para a conta do Tesouro Nacional (TN) “incontinenti”. CF/88). Outros exemplos de entradas provisórias citados por Führer e Führer (2001. p. o qual pode ser feito em um MS e. Há uma relação de coordenação estabelecida entre Estado e particular. tem alicerce fim na CF/88. Resultam. 6ª ed. os Municípios podem legislar sobre tributos de sua competência (art. têm o primeiro como sinônimo de entrada simplesmente. Dentro da distribuição de competência. na maioria das vezes. obsta a exigibilidade do crédito tributário (art. de pare em passo com o particular (contratação em regime de Direito Privado. Entretanto. as entradas (movimento positivo de dinheiro para os cofres públicos) comportam duas espécies: receitas públicas (entradas definitivas) e movimentos de caixa (entradas temporárias).179 CF/88). Por esse motivo. inclusive de Direito Financeiro. Preço público e tarifa são formas de receita originária. conforme supra mencionado –. o Derivadas – são aquelas que advêm do poder de “imperium” do ente público. Em tese. mas não figurará aí como entrada definitiva (receita pública). Manual de Direito Financeiro. o âmbito espacial de validade e o âmbito pessoal de incidência das normas. Apesar de admitirem haver doutrina que considera o ingresso como entrada provisória. São Paulo. o Direito Financeiro.. São extraídas quando o próprio Estado explora seu patrimônio. III. Processual Civil e Penal. 151. No quadro da ciência jurídica. devem ser diferenciados os conceitos de lei federal e de lei nacional. de seu poder de imposição. Receitas públicas – receita pública representa uma entrada definitiva de valores nos cofres públicos. CTN). 30. 239 . não fazendo uso. sendo integral. são diferentes. assim como qualquer outro ramo. as receitas podem ser classificadas. Com efeito. fiança e empréstimos em geral. 2001. deve ser convertido em renda para configurá-la. simplesmente entrada provisória ou ingresso)239. suplementando as leis gerais e regionais naquilo que afeta o interesse local (art. Administrativo. o que faz excluir o movimento de caixa ou ingressos (fluxos de entrada “temporária”. quanto à origem. 2003. nem todos os ingressos no erário podem ser considerados como receitas. II. em: o Originárias – correspondem às entradas definitivas não decorrentes do poder de imposição do ente de público. p. 30. sua ligação com o Direito Constitucional é particular.: depósito judicial. não se confundindo com taxa. Führer e Führer (2001. Doutrinariamente. da atuação estatal como agente privado. no dizer de Kelsen (1998). Ex. com as derrogações de Direito Público). o primeiro. 17) são caução. I e II. sendo certo que essa conversão só é possível se sucumbente o demandante. p. Todavia. Relaciona-se também com o Direito Tributário – apesar de guardar campo próprio. sendo portanto compulsórias (FÜHRER e FÜHRER. A norma geral traz princípios para solução de entraves entre os diversos legisladores dentro da matéria de competência comum.

Obs. pronunciou-se em sentido contrário. . 65) consideram o art. sua essência de tributo. VI. 240 Súmula 418 do STF: “O empréstimo compulsório não é tributo. nos moldes dos arts. CF/88). de acordo com o 153. metade do ITR recolhido em Município continente de seus imóveis. Sob o aspecto do Direito Tributário. dentro do Direito Financeiro. Segundo os autores. O exemplo típico é o tributo. sob pena de configurar receita transferida. CF/88 – no caso de delegação de capacidade tributária ativa para o Município. I e II. e 195. III. consoante a disposição do art. São obtidas a partir de coerção sobre o patrimônio do particular. 154. a doutrina majoritária tem-nos como tributos.180 17). Oliveira e Horvath (2003. ressalvadas as hipóteses anterior e originalmente previstas pelo próprio Texto Magno. perfazendo receita transferida. CF/88). não cabendo a esse autonomia perante o Leviatã. por meio de sua Súmula 418240. o repasse de metade da renda de IPVA. LRF) ou voluntárias (por exclusão às anteriores).: repartição da arrecadação tributária. 37). na classificação de receitas derivadas. proveniente de veículos licenciados no Município. o caráter tributário colocar-los-ia. apesar de seu teor não ter mais aplicação em face da atual ordem constitucional vigente. o Transferidas – resultam de transferências entre os entes federados. receita não podem ser. São os casos dos impostos residuais e das contribuições residuais. III. CF/88. 153. como inconstitucional. § 4º. Em contrário senso. assim como o são as penalidades. lei ou destinadas ao SUS – art. porque o tributo em comento é de competência do Estado (art. a esse pertencem (art. adotando a natureza dada diretamente pelo constituinte originário. “caput”’. podendo ser tributárias (na sua maior parte) ou não-tributárias. Não poderia criar mais exações. “caput”. Ex. pende um grande paradoxo. Ex. as quais têm origem no poder de polícia estatal. 158. Fatia considerável dos jurisconsultos os qualifica como imposto. Como lembram Oliveira e Horvath (2003. a receita continua sendo classificada como transferida. 148. Seriam qualificados como entradas temporárias. em parte. Ao contrário dos empréstimos (ou créditos) públicos. Dentre os exemplos mais corriqueiros. “in fine”.: apesar de ter origem tributária. o constituinte derivado não teria vênia para alargar os fatos geradores já expressos na CF/88. I. na esteira. CF/88). p. as transferências correntes não implicam em contraprestação pelo tomador. a taxa é considerada receita derivada. 157 a 162. Oliveira e Horvath (2003) dizem que as receitas transferidas se resumem nas transferências correntes. o que desvirtua. Quanto aos EMPRÉSTISMOS COMPULSÓRIOS. III. e sua arrecadação não está sujeita à exigência constitucional da prévia autorização orçamentária”. No contexto. dada a competência tributária deferida pelo art. § 4º. Podem ser obrigatórias (previstas em Constituição. porquanto a titularidade do tributo é atinente à União. o próprio STF. 155. por exemplo (arts. 25. encontrar-se exatamente no capítulo sobre a ordem tributária. CF/88. 149-A. No entanto. p. acrescido pela EC 39/02. CF/88. CF/88 (acrescido pela EC 45/04).: só será derivada a receita se o poder de imposição for exercido pelo próprio ente que a recebe. porquanto o crédito decorrente será resgatado.

1844. 2001.247 e 167. REsp 802. Uma primeira corrente. sendo de fruição facultativa. Terceira posição assevera que o parâmetro é a compulsoriedade na utilização do serviço: sendo de uso obrigatório.: preço do selo de correspondência. de sorte a garantir. de acordo com o mercado. Essa obrigatoriedade da taxa só é 241 STF. Taxas e preços públicos – para que persista um conflito dessa natureza. deverá ser módica também. Ex. CF/88 (imposto especial de guerra). Oliveira e Horvath (2003) falam em outras classificações das receitas.559-MS.: cobrança por serviço de água e esgoto constitui tarifa. A tarifa deve ser fixada no menor valor possível. A tarifa ainda permite reversão aos cofres públicos. Isso porque os serviços públicos universais e indivisíveis (“uti universi”) recebem como contraprestação impostos. segundo entendimento do STJ e do STF241. 3º. ainda que potencial. Não tem natureza tributária. Essa compulsoriedade estaria prevista em lei. Também não deve ser confundida com preço público. existindo taxa se for de Direito Público. a atualidade do serviço. porque não se reverte com exclusividade para o erário. haverá preço público.181 A doutrina ainda classifica as receitas em gratuitas. existiria preço público. tendo em conta os preços praticados no mercado. como em uma compra e venda. Seu valor se deve ao custeio da atividade praticada em favor do usuário. 1ª T. Tarifas. II. As terceiras são estatuídas e arrecadadas de forma vinculada. Ex. contratuais e obrigatórias (FÜHRER e FÜHRER. A taxa não respeita esse mecanismo. porque a coerção no uso concreto ou potencial do serviço só pode ser remunerado por meio de taxa242. por exclusão. . Min. entende que haverá preço público se aquele for ente de Direito Privado. STJ. destinando-se tanto ao custeio do concessionário quanto a seu lucro.489. presente a autonomia das partes. sendo facultativo. persistirá taxa. a existência de um preço público teria como pressuposto adesão a um contrato. Informativo do STJ n° 327. Ex. 154. como nos tributos. 17). 242 STJ. A querela se coloca segundo três orientações teóricas. Uma segunda corrente observa a compulsoriedade no pagamento da contraprestação: sendo obrigatório. taxas e preços públicos – tarifa é um item obrigatório a figurar em contrato de concessão. Preço público não leva a lucro. CC). dentro de um patamar razoável. porque esse é determinado conforme o valor do serviço prestado. As segundas advêm de ajuste em que o Estado participa na condição de contratante. DJU 15/10/1963. 14/8/2007. Quanto ao critério da periodicidade. poderiam ser enquadradas em ordinárias – aduzidas nos momentos de normalidade – e extraordinárias – incidentes em momentos de guerra ou na sua iminência. sendo revertido para o próprio Estado. No raciocínio. As primeiras não implicam em qualquer contrapartida por parte do Estado. considera-se a prestação de serviço público específico e divisível em contrapartida à remuneração por parte de usuário.. como se afigura no art. a natureza será de taxa. p. CTN. a teor do art. rel. ao contrário da taxa. Ademais. sendo único nessa espécie de avença administrativa. RE 54491-PE. olhando a figura do prestador. O STJ adota a última corrente. REsp’s 848. entendendo que não há escolha pelo usuário. j. Luiz Fux.: herança jacente deferida ao Município (art. desde que haja previsão contratual (ou legal) nesse sentido.

o segundo entendimento. custas judiciais e licenciamento ambiental. Mas como foi erigida antes da leitura feita pelo STJ. valendo os pagamentos tão-só aos juros. precatórios não pagos. Informativo do STF n° 471. Em suma. despesas com pessoal. José Delgado. salvo se o legislador dispuser de forma diferente244. CONCEITOS (art. ou seja. dá margem à cobrança de pedágio por meio de taxa. 1ª T. 2003.. Apesar disso. A cobrança de pedágio por concessionária é lícita. LRF). Tribunais de Contas. §§ 2º e 3º. concessão de garantia e restos a pagar (art. a pessoa sempre receberá taxa como contraprestação (OLIVEIRA e HORVATH. porque se refere especificamente à tributação. 2º. a qual não é obrigatória. p/ o acórdão Min. cujo principal não é resgatável. Min. LRF): • Dívida pública fundada – obrigações totais de mais de 12 meses. A obrigatoriedade é realmente da fruição do serviço e não do pagamento. CF/88. Tecnicamente. 5/6/2007. o art.2007. ao contrário da flutuante. mesmo que inexista rodovia alternativa. Destarte. 13. DF. a priori.182 excepcionada. a LRF erige presunções legais de ao erário. Gilmar Mendes. o define como tributo da espécie taxa243. 243 244 STF. 2001. empresas governamentais e MP (art. § 1º. Ademais. I a III. operações de crédito (incluindo antecipação de receita). j. Executando serviço público próprio de Estado ou exercendo poder de polícia. o STF. 53). autarquias. p. porquanto configura “bis in idem” com a Lei 1079/50245. implicando em responsabilidade objetiva por parte do administrador e do agente político. De fato. a Súmula 545 do STF (já comentada) materializa. 245 STF. rel. a natureza da personalidade jurídica da entidade da Administração Indireta não tem o condão de desnaturar os valores cobrados pelos serviços públicos por ela prestados. STJ. I a V. obrigações cujo prazo para pagamento é menor que 12 meses e estão previstas no orçamento. seguridade social.6. fundos. Estados. Rcl 2138/DF. segundo a doutrina. 1º. 23). dependendo da existência ou não de alternativa na via de acesso. em recente julgamento. REsp 617. ASPECTO SUBJETIVO (abrangência) – União. nesse passo. Informativo do STJ 322. porque esse é sempre devido quando há prestação. A dívida pública fundada. RE 181475. orig. “in fine”. Juntamente com a Lei 8429/92. Municípios. não coincide com o conceito de dívida consolidada. . LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) OBJETO (abrangência) – cumprimento de metas sobre receitas e despesas e observância de limites e condições quanto à renúncia de receita. No entanto. p. conquanto fato irrelevante à diferenciação entre preço público e taxa. aquela considerada perpétua. Min. dívidas consolidada e mobiliária. o valor cobrado em pedágio pode ter natureza de taxa ou preço público. em três situações: emissão de passaporte. 29. j. Judiciário. O STF. Nelson Jobim. V. a natureza do prestador é irrelevante para a determinação da forma de contraprestação. 150.002-PR. rel. LRF). entendeu que esses últimos não são atingidos pela Lei 8429/92. rel. é aquela de médio ou longo prazo (FÜHRER e FÜHRER. deve ser interpretada à luz da época de sua edição. No contexto.

I. condicionante para que os mencionados entes recebam transferências voluntárias. De fato. A constitucionalidade do art. O estabelecimento dessa sanção acaba por retirar da competência tributária a facultatividade do seu exercício. VII. 11. 153. 11. “caput”. é debatida pela doutrina à luz do pacto federativo (art. parágrafo único. trata-se de ato-condição. “caput”. • Contribuições previdenciárias. dispõe que os entes da federação são obrigados a instituir e arrecadar todos os tributos de sua competência constitucional. Não pode ser destinada ao pagamento de despesas correntes (art. • Refinanciamento de dívida mobiliária – emissão de novos títulos para pagamentos anteriores (novação objetiva – art. 11. “caput”. “caput”. p. usando a terminologia aduzida por Leon Duguit (apud OLIVEIRA e HORVATH. CF/88). “caput”. Lei 4320/64. Lei 101/00. à luz do dispositivo em apreço. 11. aquisição financiada de bens. • Operações de crédito – mútuo. LC 101/00. Receita corrente líquida – total de “receitas tributárias. 29. 47) defendem que o art. “caput”. LRF). O art. LRF: todas aquelas não previstas em Constituição. A definição de transferências voluntárias está no art. LRF). orientando o estabelecimento de receitas e despesas públicas. ou seja. • Dívida mobiliária – decorrente da emissão de títulos pela União. . 2º. abertura de crédito. lei ou destinadas ao SUS. a não instituição do imposto sobre grandes fortunas pela União vai de encontro à realidade (art. parágrafo único. de contribuições. etc. 25. II. Oliveira e Horvath (2003. • Contribuições para RPPS e compensações. Estados e Municípios. passim). DF e Municípios na instituição de todos os tributos. LC 101/00.183 o art. 360. é inconstitucional quanto à obrigatoriedade de Estados. • PIS/PASEP. 11. agropecuárias. característica intrínseca daquela. 11. A infringência desse comando com referência a impostos impede as receitas por transferências voluntárias (art. § 4º. 44. “a” a “c”. menos (art. 1º. CF/88). trata a dívida fundada e a consolidada como sinônimos. LC 101/01) – o diploma estabeleceu regras sobre a elaboração do orçamento público. • Repasse aos municípios e Estados. porém constitucional na sanção esculpida no art. LRF. de serviços. I. LRF) • Repasses constitucionais e legais. No ponto. CC). industriais. • Concessão de garantia – um ente garante outro. dada a classificação do art. Receitas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF. transferências correntes e outras receitas também correntes”. patrimoniais. em que pese não haver pronunciamento judicial sobre a celeuma. 2003. LC 101/00. • Receita de capital – é aquela derivada da alienação de patrimônio público.

§ 3º. como lembram Führer e Führer (2001. 25). LRF: o Projeção do impacto econômico-financeiro no orçamento do mesmo exercício e nos dois posteriores. de reduções de base de cálculo. ADCT. “caput”. LRF). de obrigações adquiridas em o Formação de fundos especiais constitucionais (erradicação e combate à pobreza. 14. estão incluídas (art. o Pagamento de servidores públicos (despesa corrente de custeio). o Previsão na LDO. FPE. A medida que importe em renúncia em receita só entra em vigor depois que a medida compensatória já tiver sido implementada (art. II. 14. IPI e IOF (art.184 Na receita corrente líquida. CF/88). para garantir a extrafiscalidade na União na economia nacional. de benefícios fiscais.Contrapartida em receita suficiente. LRF): • Receitas e despesas com ensino (parcela obrigatória para fundo – art. etc. mediante expressa consideração na lei orçamentária. ADCT). A renúncia de receita ocorre basicamente nas hipóteses de isenções tributárias. NE e CO.Previsão em lei específica. de alíquotas ou criação de impostos ou contribuições. “caput”. 14. representa qualquer evento jurídico que gere a redução das entradas nos cofres públicos. 77. . 14. 2º. • Receitas de ICMS (LC 87/96). LRF). I. . de sorte a provar sua origem e destinação. A regra geral para a determinação da despesa é da não-afetação orçamentária (art. e 212. educação básica. CF/88). IE. LRF). 60. (art. ou o Compensação por adoção de outras medidas (aumento de receita). FPM. Apresentam algumas características: . social de emergência). Sua implementação depende do cumprimento das condições explicitadas no art. § 2º. § 1º. § 1º. Também não têm vez no caso de cancelamento de débito perante a Administração pelo baixo valor (art. o Inexistência de prejuízo aos resultados previstos no Anexo de Metas Fiscais (objetivos de arrecadação). ou seja. Despesas públicas – representam todo gasto ou dispêndio público.Documentação. p. 14. Essas exigências não se aplicam em se tratando de renúncia de II. não podendo o ente gastar mais que pode. 167. I ou II. LC 101/00). § 3º. IV. como elevação de base de cálculo. Mas há esceções: o Saúde e ensino (arts. fundo para desenvolvimento do N. o Serviço da dívida (cumprimento empréstimos públicos). .

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A parte de despesas com pessoal está desenhada nos arts. 19 e 20, LRF. DESPESA COM PESSOAL – definição está no artigo 18, “caput”, LRF, incluindo terceirização de mão-de-obra (art. 18, § 1º, LRF). • Para cálculo, somar despesa do mês corrente com os 11 anteriores (art. 18, § 2º, LRF). • Limites: 50% para União e 60% para Estados e Municípios (art. 19, I a III, LRF). • Estão excluídos do limite (art. 19, § 1º, I a VI, LRF): o Indenização por demissão ou voluntária; o Convocação extraordinária do Congresso Nacional; o Precatórios relativos a exercícios anteriores; o Gastos com pessoal do DF e dos Territórios; o Inativos com contribuição em RPPS. • Percentuais por órgãos (art. 20, I a III, LRF): o Federal: 2,5% para Legislativo, 6% para Judiciário, 40,9% para Executivo e 0,6% para MPU; o Estadual: 3% para Legislativo, 6% para Judiciário, 49% para Executivo e 2% para MPE; o Municipal: 6% para Legislativo e 54% para Executivo. AUMENTO DE DESPESA NULO – 180 dias antes do término do mandato no Poder ou em órgão (art. 21, parágrafo único, LRF). O texto do art. 21, “caput”, LRF, fala em ato que importe em aumento de gastos com pessoal sem observar os ditames legais. No ponto, será considerado nulo. No magistério de Oliveira e Horvath (2003, p. 89), o termo “ato”, exprimido pelo legislador, diz respeito aquele concreto. O ato legislativo em sentido estrito (lei, decreto legislativo, resolução, etc.) aqui não se enquadra, porquanto não tem o condão de gerar despesa materialmente. Nesse passo, a criação de cargo, por meio de lei, não importa em majoração de gastos com pessoal. O que provocará o dispêndio é seu provimento, a partir do qual o agente público fará jus a seu vencimento. SE PERCENTAL COM PESSOAL CHEGAR A 95% DO LIMITE – não pode aumentar vencimentos, criar cargos, mudar carreira, contratar mais agentes públicos (salvo educação, segurança, saúde e sessão extraordinária do CN) ou contratação em regime de hora extraordinária (art. 22, parágrafo único, I a V, LRF). Quando o percentual ultrapassar 90%, cabe ao TC alertar o Poder ou órgão sobre a temeridade da situação (art. 59, § 1º, II, LRF). NÃO CUMPRIMENTO DO LIMITE – nos dois quadrimestres seguintes, o administrador deverá levar a cabo as seguintes medidas: • Extinção de cargos e funções ou redução dos vencimentos respectivos;

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• Redução da jornada de trabalho, com respectiva redução de vencimentos; • Redução de despesas com cargos em comissão e funções de confiança, não sendo possível a redução de jornada atrelada à diminuição de vencimento246; • Exoneração de servidores não-estáveis; • Exoneração de servidores estáveis, com extinção dos respectivos cargos, sendo essa medida autorizada somente depois das anteriores (art. 169, § 4º, CF/88), fazendo jus o exonerado a uma indenização de um mês de vencimento por ano de serviço (art. 169, § 5º, CF/88) – o cargo não poderá ser recriado nos próximos quatro anos (art. 169, § 6º, CF/88). A escolha dos estáveis a serem exonerados se dá de acordo com os critérios da Lei 9801/99: menor tempo de serviço, maior remuneração, menor idade, etc. (OLIVEIRA e HORVATH, 2003, p. 92). A lei ainda permite, como medida alternativa, a redução de valores de pagamento ou a redução temporária da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição de vencimentos temporariamente (art. 23, §§ 1º, “in fine”, e 2º, LRF), no entanto esses comandos estão suspensos por cautelar ajuizada no STF247. Se ainda o ente não conseguir se adequar às balizas legais, não pode receber transferência voluntária, garantia de outro ente ou contratar operações de crédito (art. 23, § 3º, I a III, LRF), salvo refinanciamento da dívida mobiliária e financiamento de gastos com redução de despesas com pessoal. O art. 169, § 2º, CF/88, ainda fala em impedimento de recebimento de receitas transferidas obrigatórias. O art. 15, LRF, considera a geração de despesas ou assunção de obrigação pelo Estado em desacordo com as condicionantes mínimas dos arts. 16 e 17, LRF, como ato ilícito. O aumento de despesa por criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental depende do cumprimento de alguns requisitos (art. 16, I e II, LRF): Demonstração do impacto econômico-financeiro no exercício atual e nos dois seguintes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Compatibilidade com a LDO e com plano plurianual, mediante declaração do ordenador de despesas. A regra do art. 16, I e II, LRF, não se aplica paras despesas públicas irrelevantes, entendidas como aquelas que não oferecem impacto considerável,

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Na ADIn 2238, rel. Min. Ilmar Galvão, o STF suspendeu a eficácia do art. 23, § 1º, “in fine”, e 2º, LC 101/00, com base na irredutibilidade de salários e de vencimentos (art. 37, XV, CF/88). 247 STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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de acordo com a LDO (art. 16, § 3º, LRF). Ex.: aquelas que podem ser realizadas sem licitação. Aumento de despesa do RGPS que importe concessão legal de benefício, expansão quantitativa das prestações e reajuste de valores pagos não precisa ser compensada (art. 24, § 1º, I a III, LC 101/00), o que se aplica em toda seguridade (art. 24, § 2º, LC 101/00). O art. 17, “caput”, LRF, trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (despesa corrente ou operacional de mais de um exercício), isto é, aquelas decorrentes de lei, de MP ou de ato administrativo normativo que fixe sua realização em interregno superior a dois anos. Devem atender aos seguintes pressupostos (art. 17, §§ 1º e 2º, LRF): Estimativa de impacto econômico-financeiro pelo exercício presente e dois subseqüentes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Estar de acordo com os resultados preconizados no Anexo de Metas Fiscais; Compensação por outras medidas a amortizar o débito nos exercícios posteriores, como aumento de tributo ou redução permanente de despesa. Não se aplicam as condicionantes do art. 17, §§ 1º e 2º, LRF, quando se trate de reajuste de vencimento de servidor público ou de despesa relativa ao pagamento da dívida pública (art. 17, § 6º, LRF). Despesas emergenciais ao setor privado só são possíveis mediante: • Prévia autorização legal; • Compatibilidade com a LDO; • Previsão em orçamento ou em crédito suplementar; • Não abrangência de instituições financeiras, incluindo empréstimos para recuperação e troca de controle acionário, salvo operações de desconto e empréstimos realizados pelo BACEN com prazo inferior a 360 dias – nesse último caso, os demais requisitos não precisam ser observados (art. 26, § 1º, LRF). LIMITAÇÃO DE EMPENHO – a cada bimestre, ultrapassado o limite estabelecido no anexo de metas fiscais, deve haver diminuição de gastos na forma da LDO (art. 9º, “caput”, LRF). No entanto, transferências e despesas constitucionais e legais não poderão ser afetadas, o pagamento da dívida pública e outras despesas especificadas na LDO. Se o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público não observarem a limitação de despesas, o Executivo tem franquia para tomar a frente e limitar os repasses de duodécimos (art. 9º, § 3º, LRF). Porém, esse último comando está com a eficácia suspensa pelo STF em sede de cautelar248.
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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• Não serão limitados os gastos constitucionais, legais e previstos na LDO (art. 9º, § 2º, LRF). Oliveira e Horvath (2003, p. 91) admitem transação dos débitos da Fazenda Pública com condenação transitada em julgado, mesmo que sejam incluídos uns e excluídos outros credores. O fulcro seria a vantagem, porque haveria concessões recíprocas. No ponto, os autores admitem até mesmo a negociação no período eleitoral, ou seja, seis meses antes do término do mandato eletivo, desde que haja um juízo de razoabilidade e de que não exista razão de fundo eleitoreiro. VEDADA TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA – a ente estatal que não tenha previsão e execução de todas receitas tributárias cabíveis (art. 11, parágrafo único, LRF). • Receitas de operações de créditos devem ser menores ou iguais às despesas de capital previstas em LO anual (art. 12, § 2º, LRF). No entanto, esse dispositivo encontra-se com a eficácia suspensa pelo Supremo249. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – têm como atendimento dos seguintes requisitos (art. 25, § 1º, I a IV, LRF):
• Condições estabelecidas na LDO; • Existência de dotação específica na LO anual; • Proibição de transferências para pagamento de pessoal da ativa,

pressuposto

o

inativos ou pensionistas dos Estados, DF e Municípios (art. 167, X, CF/88);
• Contas em dia com o órgão transferidor, inclusive com referência a

recursos anteriormente recebidos;
• Aplicação dos percentuais constitucionais quanto à saúde e à educação; • Observância dos limites em operações de crédito (inclusive antecipação

de receita), restos a pagar, total da dívida mobiliária e consolidada e despesa total com pessoal;
• Contrapartida na LO orçamentária.

Obs.: é vedada destinação diferente da pactuada, cujas sanções não se aplicam à saúde, educação e assistência social (art. 25, §§ 2º e 3º, LRF). CAIXA DOS RPPS – não pode ser aplicado na compra de valores mobiliários do próprio ente (Estados e Municípios) nem para empréstimos de qualquer natureza aos segurados e ao Poder Público, incluindo empresas controladas (art. 43, § 2º, I e II, LRF). O art. 24, “caput”, LC 101/00, repete a regra da contrapartida quanto à seguridade social (art. 195, ° 5º, CF/88). Os Municípios com fundo previdenciário de RPPS devem observar o limite de 12% sobre a receita líquida nos gastos com inativos. Quando o percentual for ultrapassado, o TCE (ou TCM) deve alertar (art. 59, § 1º, IV, LC 101/00).
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

“caput” e § 1º. 9º. dentre outros princípios. operações de crédito e concessão de garantia (art. multas e créditos da Fazenda Pública lançados e não recolhidos ou cobrados no exercício de origem. ESTADO DE DEFESA OU DE SÍTIO – prazos suspensos para atendimento dos resultados fiscais. 51. DF e Municípios (art. ou proveniente de repasse de outras pessoas. RECEPÇÃO – em decorrência da disposição do art. LRF. § 9º. “caput”. “caput” e parágrafo único. CF/88. desde que destinadas a despesas correntes (art. I. LO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS – poderão estabelecer limites menores para dívida fundada. deve observar a legalidade estrita (art. CALAMIDADE PÚBLICA. 1º. DEFINIÇÕES: • Tributo – está definido no art.. 60 LRF). 59. sendo aplicável no que não conflita com a LRF. “caput”. CF/88). Lei 4320/64). inscrevendo-se o débito na chamada dívida ativa da Fazenda Pública (art. sem embargo do controle popular ou privado (art. Lei do Orçamento (Lei 4320/64) – também traz regras orçamentárias. LRF). industrial. Lei 4320/64. § 1º. 53. • Despesas de custeio – destinadas a manter serviços anteriormente criados (art. 11. 65. . • Lançamento – é o ato de verificação da procedência do crédito tributário e a designação da pessoa devedora. etc.189 FISCALIZAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (órgãos) – é feita pelo Legislativo (com auxílio do TC) e pelo controle interno de cada órgão (arts. § 2º. CF/88). • Receitas correntes – são aquelas de origem tributária. 150. Lei 4320/64). LRF). I a VI. Lei 4320/64). a segunda compreende as dívidas para com o Estado não sujeitas a lançamento ou não lançadas até então (art. Lei 4320/64). 11. a Lei 4320/64. Lei 4320/64). • Dívida ativa tributária e não-tributária – a primeira engloba todos os tributos. “caput”. 12. II e parágrafo único. Lei 4320/64). 39. da conversão de bens e direitos em renda ou de repasse de outras pessoas para o pagamento de despesas de capital (art. 74. mobiliária. • Receitas de capital – são aquelas decorrentes do pagamento de dívidas. § 1º. I e II. § 2º. PIB MENOR QUE 1% – prazos para adequação da despesa com pessoal e da dívida consolidada são duplicados (art. limitação de empenho fica dispensada (art. 165. patrimonial. Estados. 66. Lei 4320/64). CF/88). 70. Sua exigência. foi recepcionada pela ordem constitucional de 1988 como LC. DESTINATÁRIOS – o diploma em relevo deve ser observado por todos os entes políticos: União. Todavia. e 71. a anualidade na sua instituição não foi ditame observado pelo constituinte nas limitações ao poder de tributar (art.

comoção intestina ou calamidade pública) – art. Lei 4320/64). Obs. Lei 4320/64). Em qualquer caso. educação e assistência social). as quais serão arcadas mediante subvenções econômicas.: não haverá subvenção econômica a empresa de fim lucrativo. Lei 4320/64). bem como para os programas especiais de trabalho. Lei 4320/64). As primeiras são repasses de verbas destinados a entidades prestadoras de serviços públicos essenciais (sociais – saúde. especiais (não constantes do orçamento) e extraordinárias (para despesas urgentes e imprevisíveis. “caput”. • Investimentos – são dotações para o planejamento e a execução de obras. salvo menção expressa em lei (art. 12. 21. Lei 4320/64). visto que sua principal finalidade é cobrir seus déficits. aquisição de instalações. e 18. Os especiais e suplementares dependem de prévia autorização legislativa e de recursos disponíveis. como guerra. não têm cunho social de atendimento do interesse público na prestação de serviço também público. Lei 4320/64). “caput”. ressalvado o custeio de suas atividades. as subvenções não implicam em contraprestação da entidade beneficiada. 42. I e II. I a III. 12. 16. no mesmo raciocínio. porque aí constituiria subvenção social. § 3º. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro (art. § 6º. • Créditos adicionais – são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientes na Lei de Orçamento (art. enquanto as segundas são dirigidas a empresas governamentais ou particulares (arts. Lei 4320/64). Lei 4320/64). • Inversões financeiras – compreendem aquisição de imóveis e bens de capital ou repasse da verba da Administração Direta para Indireta (art. • Transferências de capital – são empréstimos entre entes da federação (art. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. 12. Lei 4320/64. 12. sendo abertos por meio de decreto do chefe do Executivo (art. Não pode dizer respeito ao custeio do beneficiário. I a III. As inversões. Tem por finalidade majorar os meios das entidades estatais de fins econômicos. 41.190 • Transferências correntes – são dotações de despesas das quais não decorra contraprestação direta em bens ou serviços (art. é vedado auxílio financeiro para investimentos em empresas lucrativas (art. comunicando-se . 12. ficando evidente o caráter social. 40. § 4º. Lei 4320/64). podendo ser sociais ou econômicas (art. desde fique patente o caráter econômico da operação. • Subvenções – são dotações destinadas a cobrir despesas de custeio de entidades beneficiadas (art. § 5º. “caput”. 12. 19. Lei 4320/64). § 3º. ao contrário dos investimento. § 2º. podendo ser suplementares (para reforço). Lei 4320/64). Já os extraordinários seriam abertos diretamente por decreto executivo. Os investimentos representam dotação orçamentária para entidade para maximizar a prestação de serviços públicos.

• Unidade orçamentária – é a unidade de bens e serviços subordinada ao mesmo órgão ou repartição (art. desde que prevista no orçamento. Lei 4320/64). • Empenho (art. Lei 4320/64. Lei 4320/64). 58. É efetivado pela tesouraria ou órgão congênere (art. estão incluídos . • Empenho global – é aquele sem discriminação de itens. Lei 4320/64) – ato de autoridade competente que cria obrigação de pagamento para o Estado. segundo dotações de orçamento específicas. O documento é elaborado pelo setor de contabilidade (art. § 3º. a qual é o único meio hábil instituí-lo (reserva legal). com identificação do credor. § 3º. 62 e 63. Lei 4320/64). § 2º. sendo permitido para obrigações contratuais de trato sucessivo (parcelamento) – art. “caput”. • Pagamento de despesa – é o despacho de autoridade competente com ordem para pagar a despesa (art. Lei 4320/64). 60. 98. • Fundo especial – é aquele cuja receita decorre de vinculação prevista em lei (art. 14. Lei 4320/64). Lei 4320/64). natureza e valor da despesa. 44. além dos precatórios não pagos. “Ex vi” dos arts. devendo se restringir ao limite de crédito correspondente (art. “caput”. Lei 4320/64). Toda despesa depende de prévio empenho (art. “caput”. 62. LRF. Lei 4320/64).191 posteriormente o Legislativo (art. contendo nome desse. Tem por finalidade dar certeza à Administração acerca da despesa. 60. de sorte a enquadrá-lo dentro da despesa mensal. “caput” e § 1º. bem como a dedução do saldo disponível (art. É documento que certifica a origem do gasto. No entanto. • Empenho por estimativa – é permitido quando não for possível determinar o valor preciso da despesa (art. 65. 59. sendo “conditio sine qua non” para o pagamento (arts. • Elemento – é a unidade mínima a ser discriminada na planilha orçamentária (art. a dívida com prazo menor que 12 meses. • Liquidação de despesa – é a verificação do crédito para com a Fazenda Pública. e 30. o gasto público fica facultado para o administrador. parágrafo único. 64. CF/88. • Dívida fundada (ou consolidada) – é obrigação estatal com exigibilidade maior que 12 meses (art. “caput”. 29. 15. Lei 4320/64). 64. Lei 4320/64). do objeto (motivo) e da quantia a ser paga. Mediante previsão em despesa mensal. 61. Lei 4320/64). dentro da lei orçamentária anual. o Presidente da República (e os governadores e prefeitos que têm vênia legal para tal) deve abri-lo por meio de MP. Lei 4320/64). Cada categoria de despesa é prevista. “caput”. • Nota de empenho – documento que expressa o ato de assunção da obrigação de pagamento da Fazenda Pública para com credor. Lei 4320/64). 71. “caput”. § 7º. “caput”. a teor do que dispõe o art. 60.

CF/88). Historicamente. • Dotação – é a quantia prevista no orçamento para determinado tipo de despesa. Curso de Direito Constitucional Positivo. por meio de instituições populares. III. 1º. vigorava a irresponsabilidade do governante (rei). . 2001. 2003. passim). o orçamento é instrumento de efetivação da dignidade humana e da justiça distributiva (arts. • Resultado primário – é a diferença entre receita e despesa. era mera peça contábil. e 3º. p. passa a ser político e extrafiscal (OLIVEIRA e HORVATH. não constitui simples fato opinativo. outro. Nesse passo. São Paulo. citando Genro. Malheiros. controle de sua execução também pelo povo. Lei 4320/64). p. dentro da idéia de democracia participativa.. 2003. Para Ricardo Lobo Torres (apud OLIVEIRA e HORVATH. 1996. 92. serviço da dívida a pagar. os autores afirmam a existência de dois centros de poder: um residente no exercício do voto pelo povo. p. p. incluindo a dívida pública. nem apenas simples plano de governo. p. mas representa o compromisso político de cumprimento de promessas sérias levadas ao povo (OLIVEIRA e HORVATH. O orçamento é tido como instrumento de intervenção estatal na economia. sob pena de inefetividade do instituto (OLIVEIRA e HORVATH. como decorrente da democracia participativa (SILVA. excluindo-se a dívida pública (principal e juros). O orçamento não pode ser mera peça financeira. III. 4º. 106). e 44. valores magnos da democracia atual. 23). Lei 10257/01250. 23) a definem com dívida de médio e longo prazo. 1996. 11ª ed. • Resultado nominal – é o resultado único das receitas menos as despesas. 99). No início. os mesmos autores mencionam a concretização do orçamento participativo municipal. Passa de diploma a colimar somente equilíbrio financeiro.. 2003. O Brasil adota um sistema misto: regime de competência para despesas e de caixa para receita. I e III. 101). 2003. o qual poderá ocorrer no exercício seguinte) ou de caixa (em que a despesa é considerada somente no exercício em que for efetuado o pagamento). 105). fazendo com que o orçamento se limitasse a uma “peça de ficção”. independentemente do efetivo pagamento. com caráter politicamente neutro (OLIVEIRA e HORVATH. É exatamente nessa segunda seara que estaria incluído o orçamento participativo. Para exemplificar a colocação. asseveram que há três ordens de mecanismos precípuos a tornar legitimo e efetivo o orçamento participativo: critérios firmes para aferir a verdadeira vontade popular. à luz dos arts. p. depósitos e débitos de tesouraria (art. a consulta popular orçamentária. cit. “f”. 107). • Regime orçamentário – pode ser de competência (que observa apenas a data do fato gerador da despesa – empenho –. Führer e Führer (2001. Trata-se de dívida de curto prazo (FÜHRER e FÜHRER. vinculação do governante às decisões tomadas. Posteriormente. p. • Dívida flutuante – é formada por restos a pagar (dívidas não pagas até 31 de dezembro do exercício de geração). talhada por Silva. Com efeito. op.192 na dívida consolidada. 2003. O Estado de Direito e o princípio republicano mudaram o cenário. 250 Oliveira e Horvath. I a IV.

Quanto às receitas. Lei 4320/64): Patrimoniais. . As receitas de capital são as seguintes (art. Serviços. Lei 4320/64): • Investimentos. Resultantes das transferências correntes.Amortização de empréstimos. . Receitas de capital são aquelas que têm origem na assunção de dívida. As despesas de capital são as seguintes (art. Despesas correntes são realizadas no custeio do Estado. de cunho temporário e de “status” ordinário. Receitas correntes são as seguintes (art. Receitas correntes são aquelas que resultam da atividade do Estado de uma forma ampla. As despesas correntes são as seguintes (art. 10-103) advogam pela natureza de lei em sentido formal do orçamento.Operações de crédito. Agropecuárias. com o intuito de manter a “máquina estatal”. seria autêntico ato administrativo. . assim como as despesas.Transferências de capital (empréstimo a fundo perdido). § 4º. os autores aceitam a tese da lei em sentido material. quanto às despesas.Alienações de bens. § 4º. 12. As receitas podem ser correntes ou de capital. 12. “caput”. Industriais. 11. Despesas de capital são relacionadas com investimentos do Estado em certo setor ou perante determinada necessidade pública. Lei 4320/64): De custeio. 11. p. . Transferidas. decorrente do seu poder de imposição ou de sua atuação como ente privado. Oliveira e Horvath (2003. Lei 4320/64): . COntribuições. “caput”. A Lei 4320/64 traz a classificação legal de receitas e despesas nos seus arts. • Transferências de capital.193 porque é através dele que se concretizam as prestações inerentes aos direitos sociais. 11 e 12. Tributárias.

qual seja o Anexo de Metas Fiscais. §§ 1º e 2º. I. e 5º. CF/88. 4º. objetivando as intenções da Administração por um período de quatro anos. fixando as atividades governamentais pelo decurso indicado. traz outros elementos da LDO. 167. Configura um planejamento mais imediato que o plano plurianual. LRF). comparativo com os três anos anteriores quanto ao patrimônio líquido. CF/88). LRF. as inversões financeiras (injeção de capital em empresas governamentais. sob pena de responsabilização do administrador (arts. São previstas somente despesas de capital (investimento) e obrigatórias de duração continuada (art. as quais executam atividade econômica “stricto sensu” – art. tal qual estabelece o art. demonstrando a política econômico-financeira e o programa de trabalho do Governo. situação dos fundos. a LDO estabelece diretrizes para a elaboração do orçamento (lei de orçamentária anual). as quais serão realizadas em prazo superior a dois exercícios. O plano plurianual é composto por despesas de capital e decorrentes de programas de duração continuada. I a V. Por conseqüência. com devolução pelo CN até o fim da sessão legislativa (art.194 Orçamento – é uma lei em sentido formal. Dentre eles. §§ 1º. Ademais. 173. I. do RGPS. LRF). É um desdobramento do planejamento programa. estabelecendo as formas como esse será implementado ao longo do exercício seguinte. 18). 3º e 4º. 4º. resultados nominal e primário e montante da dívida pública nos três anos seguintes. As despesas de capital abarcam os investimento (obras realizadas pelo Poder Público). § 1º. “caput”. I a III. Deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até o dia 30 de abril do primeiro ao de governo. 35. ressalta-se a previsão do art. contendo a discriminação da receita e da despesa. Anexo de metas fiscais – metas anuais em despesas. consubstancia documento programático. CF/88. Obs.: faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (art. universalidade e anualidade (FÜHRER e FÜHRER. LDO e lei orçamentária anual (art. 165. Há três tipos de lei que o compõem: plano plurianual. p. CF/88) e as transferências de capital (receitas transferidas excepcionalmente para outras entidades da Administração. 2001. O art. metas do ano anterior. Ao mesmo tempo. correspondente à anualidade do orçamento estabelecido pela lei orçamentária anual. demonstrativo de renúncia de receita (art. § 2º. do RPPS e do FAT. receitas. vinculando o ente público. LRF. 17. 165. qualquer despesa que perdure por mais de um exercício depende de previsão ou compatibilidade com o plano plurianual. LRF). § 1º. “caput”. § 2º. Orçamento é a peça técnica que demonstra as contas públicas para um período determinado. obedecidos os princípios de unidade. § 1º. ADCT). LRF). . Lei de diretrizes orçamentárias – a LDO estabelece as metas e prioridades da Administração pelo decurso de um ano. § 5º. como auxílios e subvenções). 4º. estabelecendo o comportamento da Administração perante o dinheiro público. Plano plurianual – o plano plurianual estabelece um planejamento macro. 4º.

195 De uma forma geral.Consonância com o plano plurianual.Créditos adicionais: especiais.: não é possível a previsão de crédito com finalidade imprecisa ou ilimitado. além de despesa do exercício anterior. incluindo metas de inflação. é um documento que estipula as metas em receitas. uma previsão e um diagnóstico em relação a seus itens constitutivos. do ano da proposta e do ano da aplicação. do ano da proposta e do ano da aplicação. § 2º. . cuja competência exclusiva é do chefe do Executivo (art.Limitação de empenho. 4º. o Especificação dos programas especiais de trabalho a figurarem como dotação global (investimentos). consubstancia a realização desse no exercício seguinte. Exposição e justificação da política econômico-financeira. simultaneamente. ou seja. saldos de crédito especial. .Anexos de metas e de riscos fiscais. “caput”. 22. I a IV. de sorte a orientar a elaboração da lei orçamentária anual. . 165. Obs. . o qual deve incluir a reserva de contingência.Definição de despesas irrelevantes. Justificativa das despesas e receitas. LRF). resultados e montante da dívida pública para o exercício de referência e os dois próximos.Critérios para transferências voluntárias (inversões financeiras e transferências de capital). a teor do que determina o Anexo de Riscos Fiscais e outros fatos imprevistos no decorrer do exercício de execução. COMPOSIÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA (art. § 1º. . Lei 4320/64): o Mensagem do chefe do Executivo contendo: Exposição da situação econômico financeira (dívida fundada. O projeto de LDO deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até dia 15 de abril do ano anterior à sua vigência. . . CF/88). o Projeto de lei do orçamento. contendo receita dos três exercícios anteriores.Previsão de restos a pagar. ADCT). . flutuante. Podem ser destacados os seguintes elementos componentes: . restos a pagar e outro compromissos). o Tabelas explicativas. O Anexo acompanha o projeto de LDO (art. creditícia e cambial. com devolução até o fim do período legislativo correspondente (art. de obrigação contraída. item atinente somente à União. suplementares e extraordinários. Traz.Parâmetros das políticas monetária. além de analisar o realizado nos três anteriores. 35. despesas. II. na verdade.

devendo ser restituído pelo Legislativo até o final do primeiro período legislativo – 17 de julho. CF/88. tendo em conta o realizado e o saldo restante. 32. “caput”. ADCT). CF/88. dotação de pessoal e correspondentes encargos. devendo ser aprovado até o fim da sessão legislativa. • Concessão para instalação ou funcionamento de serviço não criado anteriormente. o constituinte estatuiu outros requisitos para emenda à LO anual (art. II. autorizando-se as despesas uma a uma. Lei 4320/64). 137) lembram que devem existir atualizações monetárias para os valores. § 2º. contidos no orçamento anterior. § 2º. 166. “a” e “b”. • Concessão de dotação superior àquelas fixadas anteriormente por resolução do Legislativo. temse aplicado. III. por analogia. 35. 35. usa-se o orçamento anterior até a aprovação do atual. CF/88): Concordância com o plano plurianual e com a LDO. O projeto de orçamento anual deve ser apresentado até o final de agosto do ano anterior à sua execução (art. A cada ano. por imperativo lógico. CF/88). a viger durante os quatro anos do mandato eletivo. “a” a “d”. § 3º. Que trate de serviço da dívida. III. 35. Além dessas previsões. I. de acordo com o art. A inexistência de deliberação do CN pode suscitar convocação extraordinária do Legislativo. § 2º. Lei 4320/64): • Alteração de dotação para despesa de custeio já aprovada. • Concessão de dotação para início de obra não aprovada pelos órgãos competentes. além de guardar-se juízo lógico quanto a créditos exauridos ou não previstos. Lei 4320/64). 166. Indicação da correspondente receita a custear a despesa. a teor do mesmo dispositivo já mencionado (art. 251 . sendo certo que o Parlamento deverá encaminhá-lo para sanção presidencial até o final do decurso considerado – 22 de dezembro. devendo ser devolvido para sanção até o final da correspondente sessão legislativa (art. De outra parte. § 2º. I a III. salvo erro material (art. 23. p. o quadro deve ser atualizado. ou seja. I e II. QUADRO DE RECURSOS E DE APLICAÇÃO DE CAPITAL – descreve as receitas e despesas de capital para um triênio ou mais (art. § 2º.: o não envio da proposta orçamentária no prazo legal (art. só sendo possível mediante a anulação de outro gasto. considerando o estimado na proposta inicial. de transferências constitucionais da União aos demais entes federados. O projeto da LO anual deverá ser apresentada ao Poder Legiferante até quatro meses antes do encerramento do segundo período legislativo referente ao exercício anterior de sua vigência. 166. § 3º. 57. 35. 35. ADCT)251 leva à adoção do compêndio atualmente em vigor (art. III. o art. ADCT). com redação dada pela EC 50/06 (art. Oliveira e Horvath (2003. Nessas hipóteses. A proposta da LDO deve ser encaminhada ao CN até oito meses e meios antes do exercício financeiro ao anterior de sua vigência. VEDAÇÕES A EMENDAS À LEI DE ORÇAMENTO (art. deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até quatro meses antes do final do primeiro exercício. O projeto do plano plurianual. “caput”. aplica-se a previsão do art. ADCT). 33. § 8º. 32. ADCT).196 Obs. quando não houver aprovação e o ano de execução já se inicia. Lei 4320/64. por meio de créditos especiais e suplementares.

visto que a instituição ou majoração de tributos não obedece mais. o orçamento incluirá a elaboração de três peças distintas: o orçamento fiscal (da Administração . à anualidade (Súmula 66 do STF. I a III. 36. tudo dentro de cada elemento (art. LRF). 3º. Pela universalidade. as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias (art. porquanto o princípio da anualidade foi excluído do rol das limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 5º. será liquidada no seu último ano de vigência (art. 5º. § 3º. observância do plano plurianual e da LDO (art. Conteúdo da LO anual – compatibilidade com o anexo de metas fiscais. a despesa poderá ser saldada no exercício posterior. 36. parágrafo único. CF/88). nesse último caso. AUTORIZAÇÃO PARA O EXECUTIVO – a lei orçamentária anual poderá conter autorização para a Administração abrir créditos suplementares e realizar operações de crédito para antecipação de receita. § 5º. demonstrativo de impacto regionalizado de despesas e receitas. o próprio orçamento indicará as fontes de receita. 5º. 150. Nas operações de crédito. Ademais. Esse ditame não se aplica integralmente às receitas tributárias. 5º. Pelo desiderato em tela. § 4º. 5º. § 4º. Lei 4320/64). RESTOS A PAGAR – são as despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício previsto. “caput”. A atualização monetária da dívida pública tem como teto a variação preços prevista na LDO ou em lei específica (art. Entretanto. Lei 4320/64). dentre os quais se destacam: Universalidade – todas as receitas e despesas devem estar previstas no orçamento. CF/88). Lei 4320/64). demonstrativo de medidas de compensação para renúncia de receita e para aumento de despesa. 2º “caput”. I a VI. 3º. Na LO.197 EMENDAS À LDO – devem observar o plano plurianual (art. 37. mas não liquidadas até tal data (art. Lei 4320/64). sendo incluída despesa do Banco Central do Brasil (BACEN – art. dentro do possível. salvo se incluído no plano plurianual (art. sendo certo que a alienação de imóveis depende de prévia autorização legislativa (art. de déficit de caixa. parágrafo único. dotação de despesa em LO não pode ultrapassar exercício. LRF). desde que conste em campo apartado dentro do orçamento e seja observada. 7º. “caput”. 6º. dependendo. A lei orçamentária anual é regida por princípios. Também não se baliza pela universalidade os tributos instituídos durante o exercício de execução do orçamento. Havendo receita específica disponível. Deverão estar previstas e serem pagas no orçamento posterior. LRF). I. Caso se refira a despesa de plano plurianual. Lei 4320/64). LRF). Lei 4320/64). desde a promulgação da CF/88. reserva de contingência de acordo com o anexo de riscos fiscais. já comentada). LRF). a ordem cronológica. são vedados crédito não específico e dotação ilimitada (art. há abrangência de todas as despesas e receitas dentro do ente político considerado (arts. 166. II e § 2º. não se incluem no orçamento anual as operações de crédito por antecipação de receita. 4º e 57.

incluindo a saúde. § 5º.: deve haver discriminação da destinação da despesa. nele. fiscal e de investimento. a incidir no exercício financeiro. § 5º. 34. porque. Unidade – a peça orçamentária é única. O orçamento da seguridade social engloba todas despesas e receitas relacionados ao sistema. a peça orçamentária deverá ser dividida em três contas: de investimento (referente às empresas controladas pelo Estado). Exclusividade – no orçamento. § 8º. A lei orçamentária anual. Obs. ou seja. CF/88. Em melhores termos. englobando todos órgãos e entidades do Estado e aqueles a ele ligados. de sorte a fazer uma projeção estimada desses gastos. fez o . 12. I a III. de 1º de janeiro a 31 de dezembro (art. matéria estranha à sua essência. É princípio que diz respeito ao aspecto formal do orçamento. da seguridade social (relativa às ações de saúde. segundo o art. 5º. CF/88. CF/88. O orçamento fiscal inclui todas as despesas e receitas da União e de suas entidades correlatas. Não haverá. O silêncio do constituinte no art. o orçamento de investimentos (transferências de capital para empresas governamentais). 165. o orçamento da seguridade social (inclusive entidades mantidas pelo sistema). 165. Esses são aqueles que visam a redistribuição entre as categorias de despesas. assistência social e previdência social) e fiscal (da Administração Direta e Indireta) – art. CF/88). Esse comando não ofende a unidade.198 Direta e Indireta de todos os Poderes). em que pese o orçamento ser único. Lei 4320/64). Essa regra é excepcionada no tocante à autorização para concessão ou obtenção de créditos suplementares (art. 20. O orçamento de investimento compreende a conta de todas as despesas e receitas das empresas que o Estado detenha a maioria de capital com direito a voto. § 4º. o orçamento não pode conter matéria diferente daquela atinente à sua essência. o orçamento é um só diploma que regula toda a matéria. A implementação de créditos suplementares depende de pedido do administrador e autorização legislativa. “caput” e parágrafo único. Essa vênia prévia pode ser incluída na lei orçamentária anual. Entretanto. “caput”. não se admitindo dotações globais (art. Lei 4320/64). Lei 4320/64) – despesas pertencentes à categoria econômica investimento (art. 150. de sorte a corrigir uma dotação orçamentária deficiente ou insuficiente. Lei 4320/64). I a VI. 194. irá tratar dos orçamentos da seguridade social. há sua divisão em três contas diversas. a assistência social e a previdência social referente ao RGPS (art. De acordo com a unidade. somente estarão previstas receitas e despesas. em outras aplicações e em programas especiais de trabalho (art. Anualidade – é lei de vigência temporária. 165. excetuando-se a seguridade social. CF/88). salvo no caso de investimentos em projetos de obras.

há balizas que relativizam a atuação do administrador: saúde. CF/88. o Gastos com a administração tributária – de acordo com o previsto no art. Tanto é assim que Oliveira e Horvath (2003. 165. 157 a 159. o Gastos mínimos com saúde – estabelecidos pelo art. 212. 142) lembram que não seria possível a vinculação de receitas transferidas. bem como na formação do FUNDEB (art. CF/88. No entanto. CF/88). IV. p. Oliveira e Horvath (2003. o administrador pode deixar de executar as despesas vinculadas.199 desiderato não alcançar a instituição de tributos no exercício de execução do orçamento. há dever jurídico do buscar-se o interesse público. 60. § 8º. como a razoabilidade e a proporcionalidade. 167. o mesmo dispositivo ressalva a máxima em estudo: o Repartição constitucional de receitas – estatuída nos arts. . CF/88). 37. 23. Em sede de exceção. Apesar de a execução de despesa (e sua previsão em orçamento) ser ato discricionário. de sorte a demonstrar sua total impossibilidade. quando existe situação premente. verba de repasse do FPE e do FPM e percentual de transferência do IPI sobre expo’tações' (art. II e VII. muito pela jurisdicionalização de políticas públicas. § 4º. De outra parte. determina que as entradas definitivas decorrentes de impostos não podem se vincular previamente a despesa. Cediço concluir que a proposta orçamentária e sua consectária vênia legislativa acabam vinculando o administrador. essa colocação tem autorizado o Judiciário intervir na seara do Executivo. p. Além disso. II e III. I a XII. 77. ADCT. CF/88. serviço da dívida. verdadeira decisão política. Não-afetação – o art. Devem ser obedecidos os parâmetros estatuídos na LRF para a constituição de crédito público. “caput”. 167. pagamento de servidores. CF/88. nos termos do art. CF/88 (serviços públicos essenciais) – e o custeio da máquina administrativa. incluindo os ditames do sistema posto. educação. o qual deverá atuar dentro das condicionantes que se apresentam no plano fático. e no art. 116) destacam duas classes de despesas consideradas coercitivas ao administrador: as continuadas de caráter obrigatório – incluindo as incumbências previstas no art. tal qual já delineado pelo STF na ADPF 45. p. XXII. o Garantias em operações de crédito por antecipação de receita – nos termos do art. fundo ou programa. o Gastos mínimos com educação – 18% para a União e 25% para os Estados. etc. § 2º. Oliveira e Horvath (2003. CF/88. Porém a discricionariedade do administrador na proposta e na execução do orçamento se baliza pela legalidade em sentido amplo. Podem integrar essa garantia receitas de impostos estaduais e municipais. DF e Municípios. Aliás. 198. 108-109) chamam o orçamento de Lei de Meios. CF/88.

assim como empenhar mais que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente (art. veda que prefeito assuma compromissos financeiros para serem cumpridos após o término do mandato. a jurisprudência tem flexibilizado os percentuais constitucionais obrigatórios em despesas com educação (art. • Demonstrativo regionalizado sobre o impacto de receitas e despesas (art. A doutrina se debate acerca de um possível projeto de orçamento rejeitado na integralidade pelo Legislativo. como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da PIS/CONFINS. 5º. operando autêntica ultratividade (OLIVEIRA e HORVATH. A vedação foi estendida aos demais mandatários das demais esferas estatais pela LC 101/00. 198. O STF equipara a não-devolução à rejeição total. é designada comissão mista do CN para analisá-lo e emitir parecer. o art. Antes do início da votação para deliberação no colegiado. naquilo que ainda não foi . § 1º. § 6º. No entanto. para que esses elaborem proposta orçamentária própria. 165. porquanto componente do projeto da LDO. I a III. na linha do que determina o art. 2001. já que inexiste LC reguladora da situação. 21). O não exercício desse dever-poder no prazo assinado leva ao estatuído no art. § 3º. CF/88 (FÜHRER e FÜHRER. ficam proibidas operações de antecipação de receita no último ano do governo. O art. LRF). por analogia. Lei 4320/64: a lei orçamentária vigente é a aplicável. Os projetos de lei da peça orçamentária são de competência exclusiva do chefe do Executivo (art. § 2º. Depois de apresentado os PL’s das leis do orçamento (PP. 32. 59. Parte dos jurisconsultos entende que se aplicaria. o Executivo deve deixar à disposição do MP. o chefe do Executivo pode enviar mensagem aditiva para alterá-los. conferindo-lhes os mesmos efeitos. Legislativa e Judiciário a estimativas de receitas.200 A lei orçamentária observa a LDO e o plano plurianual concomitantemente (art. defende que cada despesa deveria ser autorizada mediante lei específica. e 77. além de outros requisitos (art. ADCT). o orçamento vigente prorrogar-se-ia para o exercício subseqüente. Na esteira. Lei 4320/64). p. 32. No entanto. LRF): • Demonstrativo do cumprimento do Anexo de Metas Fiscais (previsão e diagnóstico). como lembra Führer e Führer (2001. • Estabelecimento das medidas de compensação relativas à renúncia de receita (aumento de tributos) e às receitas obrigatórias de duração continuada. 165. Lei 4320/64. CF/88) e saúde (art. capitaneada por Silva (1996). “caput”. § 8º. 20). • Reserva de contingência para cobrir passivo contingente de ricos eventuais e fiscais imprevistos (Anexo de Riscos Fiscais. LRF). forte corrente. CF/88. 4º. II e III. “caput”. CF/88). Lei 4320/54. “caput”. LDO e LO anual). 212. CF/88). 59. Até 30 dias antes de encaminhar o projeto de lei do orçamento anual. isto é. 5º. 2003). p. componente da LDO – art. 166. § 2º.

concomitante e subseqüente (art. CF/88). Lei 4320/64): • Legalidade – com controle “prévio”. com a ressalva de que não mais existe o controle prévio). 77. ADIn 1. o PL é levado à apreciação pelo plenário das Casas Legislativa em sessão conjunta. CONTROLE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA – compreende três aspectos (art. Espécies de controle – existem o interno. • Fidelidade dos agentes públicos responsáveis por bens e valores do erário. Lei 4320/64). não poderão versar sobre dotações de pessoal e seus encargos. sendo objeto do balanço orçamentário (art. apresentadas na comissão mista. §§ 3º e 4º. • Cumprimento do programa de trabalho orçamentário – atribuição da controladoria interna. CF/88252. é amplo. “caput” e § 1º. 147). pois. 77. O segundo pode ser concomitante ou subseqüente (art. 166. O Executivo remete ao Legislativo a prestação de contas no prazo constitucional ou estabelecido na Lei Orgânica municipal. o Executivo abre “incontinenti” os créditos às respectivas unidades orçamentárias de forma trimestral. Lei 4320/64)253. CF/88). 166. Lei 4320/64. 102. exarando-se parecer prévio do TC (art. dentro da leitura que o STF do art. § 5º. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. O constituinte usou terminologia análoga para estabelecer os parâmetros de controle do orçamento: legalidade. não existe TC nos Municípios. 82. como é o caso das leis orçamentárias. 21-9-94. § 3º. Lei 4320/64). Terminada a análise pela comissão. O poder de emenda. Lei 4320/64).050-MC. I a III. “caput”. Lei 4320/64). DJU de 23-4-04. § 4º. CF/88). 2003. Obs. o externo e o popular. 37. 47 e 50. mesmo dentro de projetos de lei de iniciativa exclusiva do Executivo. Min. Emendas aos PL’s. § 6º. podendo adequá-lo na medida de sua execução (arts. 70. Celso de Mello. sobre serviço da dívida e sobre transferências voluntárias a outros entes federados (art. legitimidade e economicidade (art. p. 75. salvo São Paulo e Rio de Janeiro (art. como já disse o STF. § 2º. O controle prévio orçamentário foi tacitamente excluído pelo constituinte.201 peremptoriamente decidido (art. CF/88). 31. rel. porquanto esse não o previu expressamente. Câmara dos Vereadores pode submeter o documento à perícia prévia de contadores nomeados (art. 82. 166. em regra. I a III. 252 253 STF. devendo ser observados os limites constitucionalmente previstos na Carta Magna. . j. EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – em vigor a LO anual. apesar de ser admissível eventual discussão em sede de responsabilidade civil do Estado – art. CONTABILIDADE – diz respeito a cinco tipos: • Orçamentária – preocupa-se exclusivamente com a execução do orçamento. Refere-se à aplicação da lei orçamentária.: a previsão orçamentária de auxílio ou de subvenção a certa entidade não lhe garante direito subjetivo à exigência do crédito correspondente.

Lei 4320/64). § 1º. olha a entrada e a saída de dinheiro do erário. “caput” e parágrafo único. porque contrariou o art. assim como a requisição de pequeno valor (RPV). p. 191). I a V. • Industrial – engloba a atividade econômica exercida pelas entidades da Administração Indireta. “caput”. deve ser pago imediatamente e com correção. não sendo propriamente uma espécie de fiscalização. requisição para pagamento de débitos judiciais da Fazenda Pública (OLIVEIRA e HORVATH. assim como o saldo patrimonial (art. salvo se lei expressamente determinar sua vinculação à ordem do Legislativo (art. DJU 10. Lei 4320/64) e serão remetidos às contadorias centrais dos entes políticos de vinculação no prazo legal. Lei 4320/64). Com efeito. CF/88. 110. 60. Em melhores termos. o próprio juiz da execução expede o ofício requisitório à autoridade encarregada do pagamento (OLIVEIRA e HORVATH.202 • Financeira – inclui débitos e créditos incluídos ou não no orçamento. • Patrimonial – traz o registro analítico de todos os bens permanentes. 160). §§ 1º a 4º. 99. ADIn 4662-600. Precatório é o ofício em que o juiz de primeira instância requer. Celso de Mello. Min. p. Oliveira e Horvath (2003. ao respectivo chefe do Judiciário enquadrante. sendo materializada pelo balanço patrimonial e pelo demonstrativo de variação patrimonial (arts. • Contábil – é o meio instrumental para realizar a verificação das contas públicas. 103.2001. 107. comportando o balanço industrial (art. trata-se de exame formal das contas públicas. Na RPV. É uma análise da execução do orçamento quanto à evolução do patrimônio público. 2003. 105. 100. 2003. 254 STF. 161). p. Tais documentos seguirão o padrão de confecção da própria Lei 4320/64 (art. . mormente quanto ao seu trâmite legal. No diapasão. Com base em pronunciamento do STF. Lei 4320/64). 100. 104 e 105. não haveria qualquer termo final para apresentação do requerimento para requisição (ofício precatório). consubstanciando o balanço financeiro (art. CF/88). ENTIDADES PARAESTATAIS (Administração Indireta) – terão orçamentos e balanços aprovados por decreto do chefe do Executivo. Para Oliveira e Horvath (2003. é possível o exame de constitucionalidade de EC254. Lei 4320/64). dando nova conformação ao sistema de pagamento de débitos judiciais da entidades públicas. Lei 4320/64). CF/88. p. Oliveira e Horvath (2003) substituem essa previsão legal pela fiscalização operacional. a qual é mais abrangente. PRECATÓRIO – as EC’s 30/00 e 37/02 alteraram a redação dos parágrafos do art. ao contrário das verbas não alimentares (art. O primeiro inclui o ativo/passivo financeiro (que independe de orçamento) e permanente (cuja mobilização ou alienação dependente de autorização legal).5. o constituinte derivado exorbitou sua competência reformadora. § 4º. rel. porque o constituinte nada falou sobre lapso de adimplemento. 164) defendem que o precatório alimentar. “caput”.

p. sob pena de seqüestro (OLIVEIRA e HORVATH. Dessarte. p. não alcançando a mera inadimplência do Poder Público. CF/88. “caput”. com redação dada pela Lei 11382/06. em primeiro plano. 100. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. mas sim de cautelar (OLIVEIRA e HORVATH. 87. descabendo qualquer tentativa de justificar a preterição da seqüência. “De lege ferenda”. 649. No entanto. como já disse o STF. ADCT. § 2º. Oliveira e Horvath (2003. pode requerer a cautelar em comento. com já disse o STF. Oliveira e Horvath (2003. superado o interregno assinalado de oito anos sem qualquer adimplemento. No âmbito da União. têm preferência sobre o primeiro décimo devido àqueles abarcados pelo art. “caput”. . incluindo os honorários dentro dos alimentos impenhoráveis. o seqüestro fica autorizado. 17. para pagamento de precatórios. 78. 202) e a própria inércia da jurisdição. rel. na linha do entendimento do Excelso Pretório.203 não havendo de se falar em qualquer interferência ou controle por parte do tribunal enquadrante. “caput”. não necessariamente o requerente da medida. mesmo que à pretensa vantagem da Fazenda em obter descontos. porque fora da ordem de apresentação dos precatórios. a jurisprudência entende que. “caput”. será pago o primeiro da fila. 100. IV. o art. ADCT. Não sendo possível. Por fim interessante rememorar que os credores alcançados pelo art. reforça a tese apresentada. I e II. Nesse sentido. ADCT. p. § 1º-A. 202). 177). 192) entendem que o decurso razoável seria de trinta dias. 78. ADCT. qualquer crédito alimentar continua preferindo a ambos. p. o precatório deveria ser pago em parcela 255 STF. Lei 10259/01). os legisladores locais e regionais poderão estatuir decurso e montantes diferentes daqueles constantes no art. a constrição engloba qualquer quantia pública. como já cristalizou entendimento a jurisprudência da Corte Máxima255. “caput”. 33. a verba deve ser buscada no patrimônio do beneficiário indevido. p. O seqüestro é autorizado quando existe preterição na ordem de pagamento. p. haja vista a cristalina determinação do art. Mas ambos deverão ser pagos até o fim do exercício. além de pela inobservância na ordem de pagamento. O precatório alimentar tem definição no art. no exercício do múnus público de autêntico de fiscal da lei na ordem de pagamento. O art. Sepúlveda Pertence. ADCT. 33. autoriza o seqüestro de quaisquer verbas públicas. Oliveira e Horvath (2003. Ademais. qualquer preterido. conquanto não se trata de tutela satisfativa. No entanto. CF/88. cujo rol pode ser considerado “numerus appertus”. Min. O seqüestro não pode ser decretado “ex officio”. Nos créditos sujeitos à moratória do art. a medida pode recair sobre numerário estatal. p. o prazo para adimplemento de RPV é de 60 dias a partir do recebimento do ofício pela Procuradoria da AGU (art. IF 139-1/SP. com a receita seqüestrada. 2003. No ponto. não só aquela objeto da infração constitucional (OLIVEIRA e HORVATH. pelo não-adimplemento do décimo anual no lapso legal ou pela não-inclusão da dotação no orçamento. Nesse passo. 2003. 100. 193) defendem a inclusão da verba honorária sucumbencial na relação. porque é norma decorrente do Poder Constituinte originário. § 2º. reconhecem a constitucionalidade da moratória estabelecida no art. 204). Trata-se de comando absoluto. 2003. CPC. De fato. 166). 2003.

“caput”. Analisa as contas dos administradores públicos. ressalvado o sistema de controle interno (FÜHRER e FÜHRER. no art. “caput”. 184). não cabendo mais a colocação da fiscalização anterior ao gasto. gozando de um “status” semelhante ao Parquet em relação ao Executivo. CF/88). Essa prerrogativa não alcança o Judiciário. 2003. O controle leva em conta os critérios da legitimidade da receita. segundo os arts. “caput”. 5º. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. 2003. o cumprimento do prgrama de trabalho (art. CF/88. 73. XXXV. observância de documentação e demais formalidades normativas. com prerrogativas inerentes aos congêneres do STJ (art. por seu saldo restante (OLIVEIRA e HORVATH. a disposição do art. 70. deve ser lido à luz do ordenamento vigorante. 74. . Cumpre à autoridade superior verificar a legalidade dos atos. por ser obra da competência constitucional derivada. Controle orçamentário – está previsto. Apesar de não deter jurisdição (força definitiva de decisão). A segunda diz respeito à previsão legal. “caput”. o art. 77. uma vez que o constituinte fala em controle de legitimidade da despesa – art. p. 2003. No sistema doméstico. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”. Lei 4320/64) (FÜHRER e FÜHRER. p.204 única. a justa indenização e a própria segurança jurídica. mediante o preenchimento dos requisitos do art. 78. 213). concomitante e posterior. I a IV. p. “caput” e § 3º. “caput”. inicialmente e de forma ampla. a fidelidade funcional dos agentes da Administra. 70. ADCT. Controle externo – o TCU é órgão auxiliar do CN. pois o administrado pode denunciar irregularidades perante TC. CF/88). Elas podem ser reapreciadas pelo Judiciário. pelo Poder Executivo. no exercício de suas atribuições. § 2º. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. acaba proferindo decisões. 2001. O controle externo é realizado durante e após a realização da despesa. de aposentadoria. 71. 75. legalidade e economicidade. viola a coisa julgada. não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal. não podendo ser obstada a despesa antes do início de sua realização. 5º. 22). “caput”. ressalvada a competência revisora do Judiciário”. previsto no art. Dessa forma. o princípio do pagamento dos débitos judiciais fazendários pela via do precatório. p. Lei 4320/64. o TC pode adentrar ao mérito dos atos por ele fiscalizados. a isonomia. e 100. apesar dessas não ter natureza jurisdicional (Súmulas 6 e 347 do STF)256. 2001. A terceira determina que o administrador deve realizar a despesa de forma mais otimizada em relação ao custo-benefício. O órgão é formado por nove ministros. Ao contrário do anterior. XXIV. 73.. p. O controle interno baseia-se na hierarquia. isto é. A primeira se relaciona ao atendimento do interesse público. CF/88. porquanto o legislador optou pela jurisdição una (art. Um terço deles é escolhido pelo 256 Súmula 6 do STF: “A revogação ou anulação. No ponto. Além desses. CF/88. XXXVI. Súmulas 347 do STF: “O Tribunal de Contas. ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas. 196). CF/88). § 1º. A fiscalização poderá ser interna (pelo próprio órgão) ou externa (pelo CN. realizando o conseqüente julgamento. com auxílio do TCU – art. 22). o direito adquirido. não há controle prévio. pode haver controle privado ou popular.

cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público e um terceiro a sua livre escolha”. 258 STF. dois dentre auditores e membros do MP junto ao tribunal. p. essa disposição encontra-se obstada por cautelar deferida pelo Supremo258. “caput”. inclusive na plenitude das atribuições. Informativo do STF n° 475. “caput”. 82. o TCU emite parecer. o art. com exceção do Presidente da República. atualmente correspondendo às cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Carlos Britto. 82. Os requisitos subjetivos do art. a ser obrigatoriamente reproduzida pelo constituinte decorrente (Súmula 653 do STF)257. o STF posiciona-se favoravelmente que TCE crie repartição específica para atuar perante determinado Município. Ilmar Galvão. Min. Os TCE’s (e TCM’s. conselho ou tribunal de contas municipal após a promulgação da CF/88 (art.205 Presidente da República. CF/88). mas as indicações do chefe do Executivo estadual não precisam ser submetidas à sabatina do Legislativo. p. 224). 57. § 1º. rel. Se o Presidente. o prazo é de 60 dias para emissão do parecer pelo TC. o qual poderá rejeitar ou aprovar a contabilidade (art. Plenário. mediante lista tríplice elaborada pelo próprio TCU e com prévia aprovação pelo SF. composto por sete conselheiros. Lei 4320/64). devem ser preenchidos por todos (OLIVEIRA e HORVATH. 56. Lei 4320/64). Segundo o STF. 73. Trata-se de norma central. 216). também se encontra com a eficácia suspensa. o TCU tem função meramente opinativa. CF/88. O STF já disse que 1/3 dos conselheiro são escolhidos pelo Governador. § 1º. CF/88). As funções do TC estão enumeradas no art. p. cuja gestão será analisada pelo plenário do CN (art. § 2º. 84. CF/88). § 4º. LRF. O documento será encaminhado ao Parlamento. I e II. 71. 2003. j. LRF). e 2/3 pela Assembléia Legislativa. podendo CE ou lei orgânica municipal dispor de forma contrária (art. I a XI. A discordância exige quorum de 2/3 do Legislativo para aprovação. p/ o acórdão Min. 2003. Na mesma cautelar.8. Ademais.2007. quatro devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual. “caput” e parágrafo único. pelo CN (art. Em tese. o qual determina que as contas dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) e do MP sejam apresentadas conjuntamente com o Executivo. 75. Governador ou Prefeito não apresentar as contas no interregno assinalado (60 dias a partir do início da sessão legislativa. 73. 257 . cabe ao TC comunicar ao Presidente do Legislativo para medidas cabíveis (OLIVEIRA e HORVATH. lembrase que os TCM’s instituídos antes de 1988 permanecem em funcionamento. CF/88). sendo formado por sete conselheiros (art. quando existentes) observam a composição e formação do TCU. Nota-se que o exame realizado pelo TC é técnico e administrativo. que irá acatá-lo ou não. destacando-se as seguintes: • Competência para julgar contas de administradores de dinheiro público. orig. CF/88. os TCE’s limitam-se a prestar auxílio técnico às Câmaras Municipais e a analisar as contas dos prefeitos. quanto ao chefe do Executivo. não podendo proferir determinações à Municipalidade (OLIVEIRA e HORVATH. 224). “caput”. Apesar de haver vedação à criação de órgão. alternadamente. No entanto. No âmbito municipal. 2003. Nessa última hipótese. 31. 8. XXIV. no caso da União – art. Súmula 653 do STF: “No Tribunal de Contas estadual. ADI 2238 MC/DF. rel. e o restante.

219). sempre sob os auspícios da legalidade. da legitimidade e da economicidade das despesas (art. legitimidade e economicidade. de sorte a ratificar aqueles passíveis de revalidação. com respectivo registro. reforma ou pensão). só havendo de se falar em fiscalização posterior e concomitante. • Atendimento a qualquer solicitação do Legislativo. etc. As multas implicarão em título executivo extrajudicial. em um típico controle concomitante. § 1º. X. As decisões do TCU que impliquem em imputação de débito ou de sanção terão eficácia de título executivo (art. Para Oliveira e Horvath (2003. como lembram Oliveira e Horvath (2003. operacionais e patrimoniais se realizam em qualquer unidade administrativa (UA). deve haver prática de novo ato com efeitos “ex tunc”. CF/88). 217). p. Deve assinar decurso para retificação da ilegalidade. em um processo administrativo em que possa haver reforma de ato administrativo. 71. diretamente pelo Legislativo ou pelo próprio Poder fiscalizado. porque seu órgão auxiliar (art. em princípio. mormente por intermédio de auxílios e de subvenções. CF/88). comunica o Poder enquadrante da UA irregular. deve prestar contas de sua atuação ao próprio Poder enquadrante (art. financeiras. § 3º. dentro da esfera de atribuições do próprio TC. CF/88). comunicando o Legislativo em seguida (art. sendo certo que contratos devem ser obstados. quando houver solicitação pela comissão mista de orçamento e finanças no âmbito do Legislativo (art. quando da responsabilidade de agentes públicos por ilegalidade ou por irregularidade. preconizando que. “caput”. As medidas impostas devem estar previstas em lei. orçamentárias. Se o TC encontrar entraves. Não é mais necessário registro anterior de ato ou de contrato para a realização do gasto público.. Trata-se da fiscalização propriamente dita. com todos os . como multas. “caput”. a decisão se defere a esse. Ademais. • Emitir parecer sobre despesa constante do PL de orçamento anula. Nessa faina. Não sendo possível a convalidação. CF/88). CF/88). Essas inspeções e auditorias contábeis. A Súmula Vinculante 3 do STF trata do TCU. 71. nessa hipótese. • Fiscalização sobre verbas repassadas a outros entes federados e entidades públicas ou privadas. partir da comunicação do tribunal. 72. CF/88). • Realizar auditorias a pedido de órgãos ou entidades públicas. 70. • Aplicar sanções. • Controle sobre atos de admissão de pessoal e de concessão de inatividade remunerada (aposentação. 71. § 4º. 71.206 não político. aquele que se beneficiava poderá se defender perante o órgão. o TC susta a execução. embargo de obras. não mais existe o controle prévio de despesa. • Sustar atos que não observem legalidade. prescindindo-se de inscrição em dívida ativa. Se qualquer desses não se pronunciar a respeito em 90 dias. p.

• Relatório de execução orçamentária e de gestão fiscal. Os limites da dívida pública são verificados a cada quadrimestre. 37. Depois do período legal para saneamento. podem ser sanados nos três quadrimestres seguintes. Trata-se de matéria de direito e não de fato. e da Lei 8429/92. Dentre eles. é publicado também o Relatório de Gestão Fiscal. 223). CF/88. ao inquérito civil e à própria ação por improbidade administrativa. Instrumentos de transparência da gestão fiscal (inclusive em meio eletrônico) – art.207 sucedâneos do contraditório e da ampla defesa. Se ultrapassados. A cada quatro meses. No seu mister fiscalizatório. dos gastos com pessoal. Nesse contexto. nos termos do art. o TCU se limita a aplicar à lei. falecendo direito ao contraditório e à ampla defesa ao beneficiário. 22). • Participação popular e audiências públicas. o qual demonstrará a observância dos limites legais da dívida pública. fica autorizada limitação de empenho e proibida operação de crédito. Ainda dentro do sistema de controle externo. Esse balanço quadrimestral embasará eventuais ações de contenção de gastos. excetuando-se refinanciamento do principal da dívida mobiliária. A cada bimestre. LRF: • Planos. especial atenção deve ser dada à ação civil pública. das concessões de garantias. p. • LDO. a partir do art. nessa hipótese. das operações de crédito realizadas e eventuais medidas corretivas levadas a cabo. disparando os diversos sistemas de alerta e de restrição financeira previstos na LRF. o Parquet é órgão que tem incumbência de velar pelo patrimônio público de modo amplo. a existência de situação desfavorável não permite que o ente receba transferências voluntárias. § 4º. 48. o TC tem autorização para quebrar sigilo bancário e fiscal por força própria. p. • Prestação de contas e parecer prévio. Goza de vários instrumentos extrajudiciais e meios judiciais para fazer recompor o erário e para responsabilizar aqueles que o maculam. além das demandas penais. 129. desde que haja redução de 25% no primeiro deles. cumpre destacar o relevante papel desempenhado pelo Ministério Público. • Orçamentos. segundo advogam Oliveira e Horvath (2003. como lecionam Führer e Führer (2001. pois. é publicado o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREX). “caput”. Com efeito. o qual contém o balanço orçamentário e outros demonstrativos do período. . CF/88. Esse comando não se aplica quando o ato se refira à legalidade de concessão inicial de aposentadoria ou benefício. III.

todos os créditos adicionais. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (arts. CF/88). 52. não pode receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. LRF). “caput”. como guerra. finalidade pública devidamente comprovada. justamente porque presentes os requisitos de relevância e urgência (art. I e II. pendendo inconstitucionalidade. De outra parte. 49. Créditos públicos – além das receitas originárias. vênia legislativa específica quanto à operação a ser realizada. Nesse caso. Os créditos especiais e suplementares dependem de autorização legislativa específica. fundos. parágrafo único. DF e Municípios. derivadas ou transferidas. O Senado controla as operações de crédito. Apresentam as seguintes características: obrigação bilateral. 51. LRF).Suplementares – a previsão de despesa foi insuficiente. a MP deve ser “incontinenti” submetida ao Legislativo.Extraordinários – são destinados a despesas urgentes e imprevistas.208 DEMONSTRATIVOS – deverá haver separação entre órgãos. 165. ao menos por meio de autorização genérica. previsão orçamentária. Os extraordinários poderão ser obtidos por meio de MP. ou seja. Créditos adicionais – são autorizações de despesas. § 2º. Administração Indireta e previdência (art. 41. O crédito correspondente deve ser reforçado.Especiais – inexiste previsão de certa despesa no orçamento. . Lei 4320/64. podendo estabelecer limites inclusive para o montante da dívida pública consolidada e mobiliária de Estados. mormente os suplementares. O resultado do crédito público é a dívida pública e a captação de recursos. § 3º. I a III. seguindo o reexame imediato pelo Poder Legiferante correspondente (Assembléia Legislativa ou Câmara Municipal). I a III. Fá-lo-á por meio de empréstimos. § 5º. de acordo com a tríade das contas orçamentárias (art. LRF). MUNICÍPIOS E ESTADOS – deverão encaminhar. atualmente são obtidos por MP. NÃO APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO OU DA GESTÃO FISCAL – ente fica passível de sanções diferentes daquelas previstas para inobservância dos limites legais. demonstrações do exercício anterior (art. Lei 4320/64): . o Estado pode obter entradas por meio de endividamento. § 1º. CF/88). . e 53. . configurando operações de crédito público (captação externa de recursos). 51. 40. comoção intestina ou calamidade pública. Estados ou Municípios que eventualmente não tenham competência para elaborar MP pode autorizar créditos extraordinários por meio de decreto. entre 30 de abril e 31 de maio. previstas no art. Essa situação corrente não encontra guarida na Carta vigente. Podem ser de três tipos (art. autorizando operação de crédito externas e dispondo sobre garantias para a realização dessa última. § 2º. Apesar do exposto. Os limites da dívida mobiliária da União são estabelecidos por meio de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República. 62. fazendo surgir a categoria em comento.

. como lembrar Oliveira e Horvath (2003. segundo Oliveira e Horvath (2003. p. CF/88. 148. CF/88). referente ao segundo momento. a teor dos contratos privados. conquanto formam-se crédito e débito co-respectivos (OLIVEIRA e HORVATH. não propriamente a liberdade contratual (ao contratar. o ato-condição. I e II. É a idéia da doutrina majoritária francesa e de Cretella Júnior (apud OLIVEIRA e HORVATH. p. VII. isto é. 52. em contratar. * O ato-condição é a Resolução do Senado (art. restringe e regula as operações de crédito. 2003). a qual autoriza. que estatui condicionantes para a ocorrência jurídica do fato. CF/88). que têm autêntica essência tributária à luz do art. Dessa forma. como disse Geraldo Ataliba (apud OLIVEIRA e HORVATH. É a posição prevalente. O primeiro é a autorização legislativa para contraí-lo. não poderia ser objeto de execução específica. É contrato administrativo – dentro da mesma idéia anterior dos dois momentos de formação do empréstimo. 233). 238). segundo Oliveira e Horvath (2003. 238) classificou os atos estatais em três categorias: ato-regra. em autêntico ajuste consensual). De outra feita. Léon Duguit (apud OLIVEIRA E HORVATH. apesar de não vigorante no âmbito doméstico. porque se balizam pelo direito comum. a natureza dos empréstimos públicos é motivo de celeuma na doutrina. Sob o aspecto financeiro. a avença celebrada. É contrato privado – existem dois momentos para a consubstanciação de crédito público. 22. V a VII. O segundo é a celebração do contrato em si. 2003. o qual estabelece a regência para determinada situação jurídica. o qual seria a efetiva ocorrência do fato à luz dos dois anteriores. p. impende a liberdade de contratar. enquadrar-se-ia perfeitamente na classificação aduzida pelo mestre francês: * O ato-regra é a lei a disciplinar os empréstimos públicos (art. o empréstimo público seria movimento de caixa. O mecanismo dos empréstimos públicos. p. o qual seria regido pelo Direito Privado. 243) defendem que as operações de antecipação de receita não são empréstimos públicos. 2003. sendo possível distinguir três correntes: É ato unilateral de um Estado – decorrente de sua soberania. Oliveira e Horvath (2003. em estabelecer as cláusulas. 231). necessário afirmar que os ditames do “pacta sunt servanda” e da boa-fé objetiva estão presentes nos contratos de empréstimos públicos.209 Excluindo-se os empréstimos compulsórios. ato-subjetivo. sendo posição atualmente ultrapassada. p. 232). limita. ato de soberania do Estado. 234). É a doutrina do argentino Drago (apud OLIVEIRA e HORVATH. p. 2003. o princípio da autonomia da vontade cede lugar à autonomia privada. Ademais. p. 2003. seria regido pelo Direito Público. p. inclusive com cláusulas exorbitantes previstas na lei de autorização. o contrato administrativo de empréstimo tem suas cláusulas elementares exprimidas pela lei autorizadora. 234).

O agente não tem o poder de impor sanção pelo descumprimento do estabelecido normativamente. A instituição financeira. Moratória e bancarrota são meios unilaterais que o Estado devedor tem para mitigar o pagamento da dívida. De outro lado. a qual é realizada a fundo perdido. veda operação de crédito entre os entes federados. Além disso. por meio de entidades a eles ligadas. incluindo outras pessoas públicas de Direito Público a ele vinculadas (art. os Estados e organizações internacionais credoras podem usar sanções indiretas por força própria. No ponto. taxa administrativa. devolvendo-se o valor ao credor sem qualquer acréscimo (juros. Eles podem ser usados para quitação de tributos. emitindo parecer. a ser operado pelas próprias instituições financeiras credoras. “caput”. LRF. O art. muito pelas quais as fontes do Direito Público Internacional vedam tais práticas. não se imiscui operação de crédito com transferência voluntária.210 * O ato-subjetivo é a celebração do contrato administrativo pela entidade pública. “caput”. à luz do parecer do Ministro da Fazenda. No ponto. pretensa credora do ente público. Amílcar de Araújo (apud OLIVEIRA e HORVATH. o que pode sugerir grave prejuízo à financeira. como o próprio FMI e a OMC. em que pese a existência da Corte Internacional de Justiça e de órgãos da ONU com atribuições correlatas. a despesa é considerada nula. § 1º. Não atendidos os requisitos da lei. correção. 2003. 32. LRF). Os títulos são colocados à venda. as quais sempre deverão ser secundadas por renegociação do “debitum”. como o embargo comercial. p. recebendo o Estado a contraprestação pecuniária. inclusive das empresas públicas a eles atreladas. não sendo vinculante em relação à autoridade ou órgão que tem incumbência sancionadora. desde que haja previsão legal. Essa permissão não será aplicada quando o crédito for destinado a pagamento de despesas correntes (custeio) nem a refinanciamento . A forma mais corriqueira de operação de crédito se dá através de emissão de títulos da dívida pública. é permitido indicá-los como garantia em execução fiscal uma vez que tenham cotação em bolsa de valores. LRF. Essa operação em particular produz uma categoria específica de dívida pública: a mobiliária. Führer e Führer (2001. O art. 30) lecionam que o legislador criou um sistema difuso de controle das operações de crédito. O documento tem um caráter técnico. Uma pessoa política não pode fazer empréstimos a outra. 35.). direta ou indiretamente. 35. Não se encontra na proibição empréstimo por meio de instituição financeira estatal e ente federado. diz que o Ministro da Fazenda controlará os limites e condições para realização de operações de crédito dos entes federados. Na via jurisdiciona internacional. geralmente os entraves são resolvidos por arbitragem. p. 228) lembra que a execução específica e a recorrência a meios militares não mais têm vez para cobrar débitos de operações de crédito externas hodiernamente. visando garantir equilíbrio e harmonia no âmbito da federação. deverá verificar se as condicionantes legais foram observadas. etc. Realizará essa fiscalização por meio de verificação se os patamares foram observados.

II. 35. 167. LRF). III. § 2º. 38. Se for prestada pela União em relação a instituições internacionais de financiamento e fomento. § 3º. 40. salvo autorização do CN por maioria absoluta para inclusão em crédito suplementar ou especial para o caso específico (art. 31). LRF). 2: é proibida antecipação de receita no último ano de mandato do Executivo (art. Por fim. § 1º. LRF). II. 35. I a VI. 25. em crédito adicional ou lei específica. LRF): o Requerimento do interessado. nas operações de crédito. o Outras restrições estabelecidas pelo legislador complementar. salvo antecipação de receita. . 35. Entre entes federados (inclusive na Administração Indireta) e entre ente e sua instituição financeira (inclusive o BACEN). 40. 40. § 1º. os requisitos para o recebimento de transferências voluntárias – art. CF/88). p. 167. 35. LRF). LRF). I a II. LRF (art. IV. 32. “b”. As operações de crédito dependem do atendimento dos seguintes pressupostos (art. I. excluindo REFIS (art. “a disposição se afigura inconstitucional no que se refere à parte das transferências cujo fim é vinculado”. § 1º. “caput”. deverão ser observadas. GARANTIA pode vir de contragarantia de transferência constitucional (consignada) pelo garantidor (art. Obs. Maiores que as despesas de capital (art. o Expressa autorização em LO orçamentária. premente lembrar que dívidas contraídas anteriormente à LRF podem ser objeto de refinanciamento. III. com autorização específica desse no caso de operação de crédito externo. § 1º. com demonstração contábil e jurídica da viabilidade na relação custo-benefício e no atendimento do interesse social e econômico. além das condições para garantia interna. salvo entre aquela e ente federado distinto (art. o Contrapartida em receita prevista na LO ou em crédito adicional. LRF). I a IV. LRF). É possível.211 com outra concedente (art. As garantias podem ser: • Pessoais – é o caso de aval de banco ou da União em favor de Estados ou de Municípios. LRF). São aquelas decorrentes de repasses constitucionais e legais (art. o Observância de limites e condições estatuídas pelo SF. que o ente público ofereça receita pública futura como garantia. § 1º. o Não superação do valor em despesa de capital. Obs. Para Führer e Führer (2001. 1: é vedada a realização de operação de crédito (art. CF/88). § 1º.

mesmo que haja vênia judicial.212 • Reais – podem ser constituídas de diversas formas. 167. p. que a LRF trata de dívida fundada e consolidada como sinônimos. etc. não concordam com a leitura feita pelo Excelso Pretório. como já disse o STF.Por conversão – há opção do credor em receber o montante com juros menores ou manter a dívida para recebimento futuro. o Consolidada – não existe pagamento do principal. etc. 34. o que. Observa-se. LC 101/00). moeda forte estrangeira. caracteriza uma discrepância técnica. No tocante à praça de pagamento (ou à localização do credor). . envolvendo mais de um exercício. Nesse passo. I. a dívida deve ser contraída até 10 de janeiro e o adimplemento. menos que 12 meses. comentando essa última hipótese. Os motivos espelhados nos arts 34. Oliveira e Horvath (2003. a ser demonstrada pela unidade intervinda. os créditos públicos podem ser federais. 35. estaduais ou municipais. 38. apesar de constituir ato discricionário. só incidindo sobre juros. Com referência ao prazo de pagamento. CF/88). Nesse contexto. A decretação da intervenção não será feita se houver motivo de força maior. ensejam decreto “ex officio” do chefe do Executivo. CF/88).Por resgate – o qual pode ser à vista ou por amortizações. cotação do ouro. V. como: hipoteca sobre bens públicos dominiais. CF/88. “a”. V. vinculação de receitas de impostos de competência própria do tomador ou decorrente de transferências obrigatórias (art. os empréstimos públicos podem ser externos (aduzidos por Estados ou por organizações internacionais) ou internos. porquanto é prerrogativa funcional e política de seu cargo a decisão sobre a oportunidade e conveniência a efetivação. Para eles. com mais . “a”. Pode ser índice oficial legal. em tese. § 4º. Dos Estados nos Municípios – quando não pagou a dívida contraída por dois anos consecutivos (art. CF/88). realizado até 10 de dezembro do mesmo exercício (art. o Fundada – o pagamento é feito em longo prazo. consoante comentário já feito anteriormente. I e II. e 35. Classificações – quanto ao aspecto subjetivo (característica do devedor). pagando-se devidamente o devido. classificam-se em: o Flutuante – o pagamento é previsto para ser feito em curto prazo. I. Extinção do crédito público – pode se dar de quatro formas diversas: . o mandatário não está coagido a exarar a medida. 244). Intervenção e dívida fundada – é permitida pelo não pagamento do débito nas seguintes condições: Da União nos Estado – quando esse estava pagando e suspendeu por decurso maior que dois anos (art. A correção monetária a ser aplicada nos empréstimos públicos depende da lei autorizadora e da disposição do instrumento do ajuste. o ato seria vinculado. emissão de títulos da dívida pública mobiliária.

I a III. Não há de ser imposta pelo devedor. o Texto Constitucional. apenas funcional e administrativa. 2003. ao escolher seus representantes também entrega aos mesmos . CF/88? Ela realmente atua? E nos Estados e Municípios? Resposta: sim. a Defensoria Pública não deveria estar incluída expressamente no art. e 52. CF/88. subsidiariamente. titular do poder. Distrito Federal e Municípios. qualquer credor. Pergunta: o que é considerada despesa irrelevante (art. 88. Pergunta: a proposta constante dos arts. 30. 249). LC 101/00? Resposta: cuidado. (ii) compatíveis e (iii) irrelevantes. VI. Lembre-se que o povo. CPC). Cada orçamento definirá qual modalidade de classificação a despesa incorrerá. 16. § 3º. sob pena de constituir verdadeira moratória. ocorrerá da mesma forma. Em âmbito federal está vinculada ao Ministério da Justiça. interno ou externo. de novação objetiva. Execução do crédito público – segue o rito ordinário ou o procedimento para títulos executivos extrajudiciais. p. Deve ser feita efetivada por opção do credor. com a devida legitimidade. No ponto. Ele transporta para um documento escrito – ‘um projeto de lei’ que precisará sofrer a aprovação do Poder Legislativo para que. aduz sua pretensão no Judiciário doméstico (art. não podendo ser imposta pelo tomador. § 3º. .Por prescrição – a pretensão do credor em receber os valores é perdida em decorrência do decurso temporal. em que se transforma dívida flutuante em fundada (OLIVEIRA e HORVATH. financeiras e administrativas. a Defensoria Pública não possui autonomia financeira. tornando inexigível seu direito de crédito. § 1º. tendo em vista estar inserida na Seção “Dos Orçamentos” na Constituição Federal e ser esta Comissão aquela apta a praticar a fiscalização externa orçamentária. . Nos Estados. 100.Por consolidação – trata-se. seguindo respectivamente a Constituição Estadual. 1º. CF/88). LC 101/00. LC 101/00)? Qual o valor? Resposta: os ensinamentos de Régis Fernandes de Oliveira apontam que este critério criado pela lei está inserido ao lado de dois outros: as despesas poderão ser (i) adequadas. possa prevalecer. A doutrina não cogita de nenhum ferimento.213 vantagens. em verdade. sem perder de visa que o pagamento se dá na forma de precatórios (art. I. 166. a Lei Orgânica e. não fere o pacto federativo? Resposta: não. Pergunta: existe a comissão prevista no art. “caput”. Pergunta: por deter autonomias orçamentárias. Para entender essa questão é necessário lembrar que o Poder Executivo é aquele que sabe como irá gastar o dinheiro público. As aferições serão estabelecidas pelas pessoas políticas em face dos valores de despesas apontados pelas leis (orçamentárias) anteriores.

As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. 164 da Constituição.214 poderes de gerenciamento da atuação do Presidente da República. a providência. evita o risco e aplicação do dinheiro público em títulos de menor expressão e impede que os recursos sejam aplicados em ‘empréstimos de qualquer natureza. 43. aplicável a todos os entes da Federação. § 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1º em: I . aos segurados’. LC 101/00. § 9º. § 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social. LC 101/00. Pergunta: as subvenções econômicas devem ser ressarcidas pelas entidades beneficiadas ou são consideradas como empréstimo a fundo perdido? . geral e próprio dos servidores públicos. Régis Fernandes de Oliveira apontam que este parágrafo 2º foi muito bem vindo. Para interpretar esse questionamento. § 2º. de qualquer natureza. 165. 52. esta lei foi recepcionada como lei complementar. à União não gera um contra-senso? Por que os Estado e Municípios não podem e a União pode? Resposta: Texto da LC 101/2000: Art. 249 e 250 da Constituição. Assim. aos segurados e ao Poder Público. CF/88.empréstimos. II . inclusive a suas empresas controladas. deve-se levar em conta o harmonioso relacionamento entre os três poderes. o art. já que proíbe a aplicação das disponibilidades da previdência em títulos da dívida pública municipal e estadual. § 2º. Pergunta: em face do art. I e II. ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado. no dizer de Celso Antonio Bandeira de Melo. para que o P. Pergunta: a não aplicação da restrição do art. Essa é uma das fiscalizações orçamentárias que acontece em face do Direito Financeiro. a teor do art. 43. Legislativo – Senado Federal – disporá sobre limites globais e condições para operações de crédito interno e externo das pessoas políticas. O Presidente precisará encaminhar a sua proposta de gastos. Legislativo aprove. ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação. autarquias e demais ‘longa manus’”. Nesse contexto. 43.títulos da dívida pública estadual e municipal. com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira. é possível dizer que a Lei 4320/64 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente como lei complementar? Resposta: sim. I e II. VI da CF explicita que o “P. Os ensinamentos do Prof.

39 § 2º. e segundo a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica. não se falando assim em devolução posterior. é o lucro resultante de. elas não podem ter caráter econômico. em um orçamento. Lei 4320/64 deve desprezar esta menção. referendando o caráter lídimo e escorreito que esta possui para o eventual recebimento de subvenções. Régis Fernandes de Oliveira ensina que a despesa deve encontrar respaldo legal ou constitucional para ser gerada. seja como aumento patrimonial. o legislador se refere expressamente a empresas governamentais e particulares como beneficiárias em potencial (art. Tal orçamento é chamado de superavitário. correto? Resposta: a CF em seu artigo 148 definiu a natureza jurídica desta exigência fiscal como tributo. configuram estruturas da Administração Pública Indireta – como ensina Celso Antonio Bandeira de Mello. O Novo Código Civil restringe a criação de fundações a apenas quatro áreas (para fins religiosos. são “longa manus” do Estado. No que diz respeito às fundações. já que a CF foi publicada em 1988. ou seja. morais. Nesse sentido. Pergunta: caso exista sobra de caixa referente aos meses anteriores do exercício. § 3º. Poderiam aí também ser enquadradas as fundações que venham a realizar atividade econômica? Resposta: lembre-se que todas essas figuras apontadas. refletir um benefício ao Poder Público. conforme art. § 2º. Lei 4320/64). o prefeito não poderia gastar mais do que o previsto no art. A leitura do art. 18. § 1º. 148. II. Essa é a razão pela qual podem receber subvenções. em balanços de empresas não econômicas ou "sem fins lucrativos". no último mês de seu mandato? Resposta: essa é uma hipótese de superávit. a doutrina tem apontado uma certa dificuldade relacionada às fundações no que diz respeito à captação de recursos e eventuais autorizações para recebimento de subvenção econômica. ela deverá utilizá-lo dando cumprimento de sua finalidade. Lei 4320/64. “caput”. ou seja. seja como retribuição a serviços prestados ou compra de . por meio de sua fiscalização. 5º e incisos do Decreto 200/67. ter mais ganhos do que gastos. Pergunta: quando define subvenção econômica. reza que crédito decorrente de empréstimo compulsório é classificado como dívida ativa não-tributária. Nesse sentido. Lei 4320/64. Lei 4320/64). Assim. CF/88. qualquer despesa deve. 12. O Ministério Público poderá. se o orçamento estabelecer este benefício pecuniário a alguma entidade. para ser gerada. culturais ou de assistência). é importante frisar que subvenção econômica é a alocação destinada à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas de natureza autárquica ou não. Em face da localização topográfica do art. o dispositivo legal em comento não teria sido recepcionado pela ordem de 1988. assim como as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. exercer um importante e decisivo papel em face da fundação. Também pode ser a denominação do que corresponderia ao lucro. incluindo também as autarquias que exercem atividade econômica (art.215 Resposta: inicialmente. Pergunta: o art. vinculando-as a fins não-econômicos. esta disposição não foi recepcionada pelo Texto Maior. 39. 59. O oposto seria "déficit".

p. prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. II. suas autarquias e fundações públicas (art. por meio das atividades de controle interno. precípuo reavivar que a repartição (ou discriminação) de receitas tributas é relação jurídica diferente daquela erigida pelo exrecício da competência tributária (OLIVEIRA e HORVATH. podendo ser denominada “relação jurídica financeira”. sendo criado em 25 de novembro de 1937. CF/88). 10% do IPI sobre exportações realizadas no território do beneficiário (art. No que diz respeito à Secretaria de Orçamento e Finanças. Pará e Paraíba. a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal. 159.216 bens ou serviços. e 157. além de outros dispositivos esparsos. Receitas repassadas da União para Estados e DF– são as seguintes: IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados (e DF). sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. Foi extinto em 1971. serão consideradas ‘não autorizadas. principalmente contidos no ADCT. No que diz respeito à Controladoria-Geral da União (CGU). como órgão central. 25% dos impostos residuais instituídos (arts. 71). prestando a orientação normativa necessária. CF/88. “c”. como por exemplo. este é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que. A CGU também deve exercer. 2003. “caput”. 177. § 4º. III. . 157 a 162. 159. 259 O percentual destinado a um só Estado não pode ultrapassar de 20% do total. 157. CF/88). 111. auditoria pública. 1. CF/88)259. vinculada ao Ministério do Planejamento. Repartição de Receitas Tributárias “Prima facie”. O Conselho Técnico de Economia e Finanças era um órgão técnico e consultivo do Ministério da Fazenda. Caso não cumpram este perfil. Em âmbito federal. temos a Secretaria de Orçamento Federal. devendo o restante ser rateado pelos demais (art. É matéria constante dos arts. I. Lei 4320/64 (Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda) ainda continua existindo ou foi substituído pela Secretaria de Orçamento e Finanças? E a Controladoria-Geral da União? Resposta: não. 154. distribuídos na forma de LO federal. 177. CF/88). II. Orçamento e Gestão. correição. 29% da CIDE-combustíveis (art. Pergunta: o órgão previsto no art. no âmbito do Poder Executivo. § 4º. e 159. CF/88). I. essa nomenclatura está atrelada à Administração Direta dos Estados-membros. II. CF/88). sendo destinados à infra-estrutura de transportes (arts. irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos artigos 16 e 17 da Lei Complementar 101/00. § 2º.

O montante do ICMS. § 4º.5. CF/88). 153. ADI 3262/MT. II. . Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – 21. § 1º. 93. Nordeste e Centro-Oeste. I.Até ¼. CF/88). CF/88). segundo já se pronunciou o STF (RE 253906/MG. 159. 161.2. considerado como base de cálculo para o repasse constitucional em tela. I. ADI 2728/AM. I. 4. Fundos de Distribuição – nesse contexto. j. Receitas repassadas dos Estados para os Municípios 50% do IPVA sobre veículos licenciados em seu território (art. .2005. I. sobre o valor adicionado260 nas operações realizadas em seu território. . Receitas repassadas da União para os Municípios o IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Municípios. CF/88). CF/88). ADI 1423/SP. CF/88). “b”. 25% da renda recebida da CIDE-combustíveis (art. não contando o desconto na fonte já realizado pela pessoa em questão (art. rel. 82. 159. § 5º. 2.5% do IR (art. 157. DJU 4. 25% do ICMS. CF/88). § 4º. 25% da rende recebida do IPI sobre importações (art. de acordo com a lei estadual (tratando-se de Estado) ou federal (tratando-se de Território). CF/88): 260 O valor adicionado é definido exclusivamente por via de LC federal (art. e § 1º. Norte e Centro-Oeste – 3% do IR (art. 16. não considera eventual acréscimo de 2% destinado a Fundo de Combate à Pobreza do Estado ou do DF (art. sendo (art. suas autarquias e fundações públicas (art.3/4. segundo o seguinte comando: Regra geral – 50% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. Informativo do STF n° 467). não contando o desconto na fonte já realizado pela unidade federada (art. 153. CF/88). 3. DJU 18. I. Joaquim Barbosa. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. CF/88). III. III. ADCT). Min. valendo as mesmas regras do repasse de ICMS. CF/88). e 158. desde que exista LO federal regulamentando (art. 158.2005. IV e parágrafo único. CF/88). Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE) – 21. 153. 158. I. Parafiscalidade – 100% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. o 70% do IOF sobre ouro vindo de seu território.2007. “c”.217 30% do IOF sobre ouro vindo de seu território. 159.5% do IR (art. no mínimo. ADCT). 158. § 5º. 159. “a”. e § 1º.2. § 3º. II.3. I. 158. 159. CF/88). DJU 2. quando houver delegação de capacidade ativa (arts. Programas de financiamento do setor produtivo do Nordeste. CF/88). quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art.2004. I. o ITR. podem ser destacados os fundos de participação e os programas de fomento e desenvolvimento das regiões Norte.

218 De acordo com o plano regional de desenvolvimento (previsão em plano plurianual). até o último dia do mês subseqüente. 161. CF/88). incluindo das autarquias. CF/88). 159. 162. ADCT): Base de cálculo de: IOF sobre ouro. considerado como ativo financeiro (art. Arrecadação e destinação do salário-educação (art. CF/88). parágrafo único. Programas de financiamento do setor produtivo do Norte. I e II. “c”. I. CF/88). e 158. . FPE e FPM (art. Essa regra não abrange os seguintes repasses (art. 161. nas quais é possível que a União e os Estados condicionem a repartição de receitas (art. 153. Repasse e fiscalização – em regra. CF/88). 76. Nordeste e Centro-Oeste (art. DF e Municípios (arts. como ADAM.. nos termos de LO federal. 6. O semi-árido nordestino receberá 50% do total destinado à região NE. ADCT. 77. I. podem ser apontadas duas exceções. 5. §§ 1º e 2º. CF/88). A União. o Expressão numérica dos critérios de rateio. I. decorrente de repasse. etc. O FPE e o FPM são regulados pela LC 62/89 (art. § 5º. § 5º. 198. IR arrecadado por Estados. “caput”. CF/88). § 2º. II. I. cujos percentuais mínimos devem ser fixados por LC. 160. “caput”. é vedada restrição ou retenção de verbas destinadas a repasses constitucionais (art. parágrafo único. III. 212. 157. o Valores tributários repassados e recebidos. Contudo. fundo ou despesa. permanecendo aqueles estatuídos no art. CF/88). enquanto o legislador complementar for inerte. 76. CF/88): • Ao pagamento de seus créditos. entre 2003 e 2007. O repasse de verbas dos Estados e Municípios é disciplinado pela LC 63/90 (art. 159. 160. • À aplicação dos recursos mínimos na saúde. CF/88). o Recursos não-tributários recebidos. o TCU é responsável por calcular os valores de repasses do FPE e do FPM (art. ADCT. 25% da receita tributária da União não está vinculada a qualquer órgão. CF/88): o Total da arrecadação tributária. No tocante à fiscalização. um relatório com os seguintes dados (art. ADENE. CF/88). a ser revisada a cada lustro (art. o DF e os Municípios deverão publicar mensalmente. Desvinculação de receitas da União (DRU) – de acordo com o art. os Estados. “caput”. Fomento de instituições financeiras de caráter regional. 161. II e III. “a” e “b”.

8. repasse de IPI sobre exportações. ADCT). 212. “caput”. ADCT): o Parcela do IR na fonte sobre rendimentos pagos pela União. o qual financia o seguro-desemprego e o abono salarial anual decorrente do PIS/PASEP (art. § 5º. Nordeste e Centro-Oeste. 159. CF/88). ADCT): 1º) Não-vinculação de impostos (art. CF/88). o Parcela da CSLL. definidas na LC 111/01. 153. 9. o 0. CF/88). CF/88). I a VI. 80. Repasse do ITR aos Municípios (art. ADCT): 0. Percentuais mínimos destinados à educação (18% para União e 25% para Estados.: os recursos do citado fundo não se sujeitam a duas regras tributário-financeiras (art. Percentual dos Estado. “caput”. CF/88. dos 0. o 20% do total das receitas de impostos e contribuições sociais da União.38% da CPMF. Provenientes de dotações orçamentárias específicas. 23. e 60. ADCT). excluindo-se as hipóteses do art.08%. 72. o Parcela do IR e do IOF decorrente do Plano Real. I a VI. 80. CF/88). 158.219 7. IV. repasse da CIDE-combustíveis (art. VII. 83.75% sobre o PIS/PASEP. Produto do ITR. 80. ADCT. definidos nos termos de LO federal (art. ADCT: As três situações anteriores. Advindas de operações de crédito. II. § 1º. I a III. . Outras. parágrafo único. É formado pelas seguintes receitas (art. decorrente do IOF sobre ouro como ativo financeiro (art. incluindo suas autarquias e fundações. Fundo da Educação Básica (FUNDEB) – de acordo com a EC 53/06 (arts. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT – Lei 7998/90). atualmente em 30%. o Outras receitas previstas em lei específica. e §§ 3º e 4º. 206. 211. DF. 2º) Formação do FPE e do FPM. § 5º. “caput”. Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – tem previsão no art. I a III. DF e Municípios – art. CF/88). 5% do IPI sobre produtos supérfluos. É formado pelas seguintes receitas (art. 72. Territórios e Municípios. financiamento de programas a setores produtivos do Norte. 167. 239. sendo regulado pela LC 111/01. Fundo Social de Emergência – presta-se a fazer frente a imprevistos sociais. Obs.

atualizado até a EC nº 42. 2004. 3. 17 ed. São Paulo: Atlas. CARRAZA. Porto Alegre: Livraria do Advogado. CARMONA. 13 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. 16 ed. Carlos Alberto. São Paulo: Saraiva. ARENHART. 2. Lições de direito processual civil. São Paulo: Saraiva. 6 ed. Direito tributário. CÂMARA. v. 15 ed. 6 ed. FÜHRER. Direito constitucional. 1993. CANOTILHO. Hans. Ricardo Cunha. (coord. 8 ed.220 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARO. Direito administrativo. Sérgio Cruz. 2006. prática e jurisprudência. MACHADO. 1671-1770. 2006. Código de processo civil interpretado. Miguel. FÜHRER. 2006. Roque Antônio. doutrina. 1993. v. 4 ed. Curso de direito tributário. Livro II. Luciano. Rio de Janeiro: Forense. . KELSEN. 1975. 19 ed. Maximilianus Cláudio Américo. 2. 2007. Ruy Barbosa. Antonio Carlos. 2003. 2003. Curso de direito constitucional tributário. Eros. Estevão. Luiz Guilherme. São Paulo: Resenha Tributária. 1991. Vittorio. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2004. São Paulo: Prima Cursos Preparatórios. Maximiliano Roberto Ernesto. 2 ed. Capítulos I a V. Eduardo de Moraes. CHIMENTI. São Paulo: Malheiros. PAULSEN. interpretação da legislação tributária. Régis Fernandes de. Coleção sinopses jurídicas. v. Direito tributário: fundamentos constitucionais da tributação. Rio de Janeiro: Lumen Júris. V. Vicente. Teoria pura do direito. Constituição e código tributário à luzo da doutrina e da jurisprudência. Manual de direito financeiro. 2002. 1998. Coimbra: Livraria Almedina. São Paulo: Revista dos Tribunais. Direito processual civil brasileiro: processo de execução a procedimentos especiais. 2001. São Paulo: Saraiva. Direito tributário. REALE. Curso de processo civil: execução. 1986. Curso de direito tributário. 2001. p. Resumo de direito tributário. In: MARCATO. Leandro.). MARINONI. Filosofia do direito. 12 ed. SABBAG. São Paulo: Atlas. São Paulo: Saraiva. 1999. CASSONE. GRAU. DI PIETRO. São Paulo: Martins Fontes. Título I. Alexandre Freitas. Hugo de Brito. classificação dos tributos. NOGUEIRA. Maria Sylvia Zanella. 2004. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Atlas. de 19-12-2003. 16. Conceito de tributo e fontes do direito tributário. 6 ed. HORVATH. GRECO FILHO. OLIVEIRA. 7 ed. 16 ed. Direito tributário brasileiro. José Joaquim Gomes.

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