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ANOTAÇÕES DE TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO

Princípio da Legalidade Tributária Princípio da Anterioridade Tributária Princípio da Isonomia Tributária Princípio da Capacidade contributiva Princípio da Irretroatividade Tributária Princípio da Uniformidade Geográfica Princípio do Não Confisco Princípio da Não Limitação ao Tráfego Princípio da Não-cumulatividade Imunidades Tributárias Sistema Tributário Nacional Conceito de Tributo Classificação dos Tributos Competência Fontes do Direito Tributário Interpretação e Integração Obrigação Tributária Responsabilidade Tributária Lançamento Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Prescrição e Decadência Exclusão do Crédito Tributário Garantias do Crédito Tributário Administração Tributária Impostos em Espécie Importação e Exportação IPI

03 06 09 11 14 17 18 19 19 20 29 32 40 43 50 53 56 63 75 78 88 99 102 104 111 112 117

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IOF IR ICMS ITCMD IPVA IPTU e ITBI ISSQN Execução Fiscal, Ação cautelar fiscal, Arrolamento Direito Financeiro Receitas públicas LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Lei do Orçamento (Lei 4320/64) Repartição de Receitas Tributárias

123 125 132 150 152 154 158 159 178 179 182 189 216

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DIREITO TRIBUTÁRIO Introdução O estudo do Direito Tributário deve ater-se, principalmente, à CF/88 (arts. 145 a 162), à EC 42/03 e ao CTN (mormente a partir do art. 96, com as alterações até a LC 118/05). A CF/88, em matéria tributária, pode ser sistematizada em três partes: princípios, imunidades e tributos. As duas primeiras constituem as chamadas limitações ao poder de tributar. Princípio da Legalidade Tributária Está no art. 150, I, CF/88, c.c. art. 97, I e II, do CTN. A lei, como regra, deve impor a tributação. As pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, DF e Municípios), dotadas de poder de tributar, só poderão criar ou majorar tributos por lei. Isto decorre da colocação de Pontes de Miranda, pela qual é “o povo tributando a si mesmo”, por intermédio do Poder Legislativo. Essa máxima advém diretamente da titularidade do poder, da soberania pelo povo (art. 1º, parágrafo único, CF/88), a ser representado, na democracia semidireta, por meio dos seus delegados – vereadores, deputados e senadores. Nesse passo, a lei como um produto dessa vontade, é a única idônea a materializar o poder de tributar. Como se verá na análise do desiderato da reserva legal, em regra, a norma instituidora da exação será a lei ordinária. Ademais, a jurisprudência é pacífica em considerar que iniciativa de lei tributária é concorrente entre todos os legitimados. Ao contrário de diplomas orçamentários, de iniciativa exclusiva do Executivo, os tributários podem ser oferecidos também pelo Legislativo, como já disse o STF1. Reserva Legal, também chamada de tipicidade fechada, cerrada ou regrada, ou de estrita legalidade constitui uma relação taxativa pela qual a lei “stricto sensu” institui o tributo, assim como aquela que tipifica crimes e comina penas (arts. 5º, XXXIX, CF/88, e 1º, CP). Com efeito, há certas matérias que a Constituição determina que só podem ser viabilizadas por lei em sentido estrito. Esse tratamento mais rigoroso corresponde exatamente ao ditame em análise, qual o seja da reserva de lei. Dessa feita, a lei que institui o tributo deve estabelecer, obrigatoriamente, os seguintes elementos (art. 97, III a VII, CTN): alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Já o prazo para pagamento pode ser estipulado por norma infralegal (decreto), conquanto não previsto no rol “numerus clausus” dos incisos do art. 97, CTN2. Para Cassone (2004, p. 169), de regra, somente a lei ordinária é apta a instituir tributo, pois “a Constituição fixa a regra-matriz de incidência, e a Lei

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STF, ADIn 3809/ES, rel. Min. Eros Grau, j. 14.6.2007, citando precedentes no mesmo sentido: ADIn 3205/MS (DJU de 17.11.2006); ADIn 2659/SC (DJU de 6.2.2004); ADIn 2548/PR (DJU de 15.6.2007); ADIn 3312/MT (DJU de 23.3.2007) – Informativo do STF n° 471. 2 Esta é a posição pacificada na doutrina, escudada pelo STF.

Complementar estabelece normas gerais” . Entretanto, o autor admite, em sede de exceção, a criação de exação por LC ou por EC. Nesse raciocínio também estabeleceu o constituinte, vez que União pode instituir, por lei complementar4, outros quatro tributos: 1.Impostos sobre grandes fortunas (art. 153, VII, CF/88)5. 2.Empréstimos compulsórios (art. 148, “caput”, CF/88). 3.Impostos residuais (art. 154, I, CF/88) – diversos daqueles já instituídos pelo constituinte. Na criação da nova exação, a União deverá observar, além da forma específica da LC, a inexistência de “bis in idem” de base de cálculo e de fato gerador e o princípio da não-cumulativa. Os outros entes federados não detém essa competência residual para instituir novos tributos. 4.Contribuições previdenciárias residuais (art. 195, § 4º, CF/88) – além daquelas já expressamente antevistas pelo legislador constitucional. Nenhuma dessas quatro exações pode nascer por medida provisória (art. 62, § 1º, III, CF/88). Exceções à legalidade (art. 153, § 1º, CF/88) – há quatro impostos federais que refugam à estrita legalidade, prevista no art. 97, I a VII, CF/88, encontrando-se expressamente ressalvados pelo constituinte: 1. Importação; 2. Exportação; 3. IPI; 4. IOF. São tributos que regulam o mercado e a economia, chamados de extrafiscais. Na batuta do Direito Econômico, com fulcro na doutrina de Grau (1975), a extrafiscalidade é autêntica manifestação de intervenção estatal econômica, na modalidade indireta por indução. A extrafiscalidade tem a função de fomentar ou de desencorajar condutas por parte dos agentes econômicos. Além da fiscalidade (função arrecadatória), os impostos mencionados possuem a extrafiscalidade (capacidade regulatória do mercado)6. O Poder Executivo pode
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Como adequadamente explana Vittorio Cassone, Direito Tributário: fundamentos constitucionais da tributação, classificação dos tributos, interpretação da legislação tributária, doutrina, prática e jurisprudência, atualizado até a EC nº 42, de 19-12-2003, 16ª ed., São Paulo, Atlas, 2004, p. 36, a LC em matéria tributária é o CTN. Inicialmente nascido sob a alcunha de LO, subiu de “status” pelo Ato Complementar 36/67, disposição essa atinente e posterior à própria Carta de 1967. Posteriormente, a opção do legislador foi referendada pela chancela do Excelso Pretório, do qual o autor destaca o RE 93850 de 1982, da lavra do Min. Moreira Alves. Por fim, o constituinte de 1988 recepcionou o diploma também como LC, mantendo a posição anterior (art. 146, CF/88). 4 Trata-se da chamada reserva constitucional de lei complementar, tantas vezes invocada pelo constituinte e lembrada pela doutrina de Direito Constitucional. Exige quorum privilegiado para a aprovação, correspondente à maioria absoluta da Casa Legislativa (art. 69, CF/88), diferentemente da LO. 5 Consoante será exposto em passagem abaixo, há posição na doutrina, liderada por Roque Antônio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991, que defende a não submissão do imposto sobre fortunas à reserva constitucional de lei complementar. 6 Como lembra Maximilianus Cláudio Américo Führer e Maximiliano Roberto Ernesto Führer, Resumo de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 17, a palavra fisco vem do latim “fiscus”, que designa cesta de junco ou vime, a qual era usada para amassar uvas ou para guardar dinheiro. “Conta-se que os agentes romanos passavam entre os negociantes a cesta de

porque o ato definido pelo convênio. tal restrição a “impostos” não desfruta de endosso na interpretação do STF. Obs. 155. onde LC versar. ainda em matéria tributária e a despeito da disposição literal do art. C/88). CF/88. MP pode aumentar ou diminuir tributos no Brasil (art. Nota-se que o legislador constituinte restringiu o fenômeno a impostos. CF/88). A EC 33/01 trouxe mais duas exceções: CIDE-combustíveis – é a contribuição de intervenção no domínio econômico (art.: pode haver. sem problemas. porque traz os elementos do tributo sujeitos à reserva legal (base de cálculo. 62. o que confronta com o art. a MP é medida idônea para criar e aumentar impostos. sob o aspecto técnico. No sentido figurado. na leitura do Excelso Pretório. Essa sim deve observar a legalidade em todos seus parâmetros. Isso não ocorre nas demais espécies normativas previstas como exceções à legalidade. a MP não irá incidir (art. “c”. as alíquotas são disciplinadas por ato do Poder Executivo estadual7.: com a EC 32/01. 155. § 2º. Dessa feita. sujeitos passivo e ativo e fato imponível). Todavia. instituída pela Lei 10168/01 (SABBAG. § 5º. de exceção à legalidade está esculpida no art. § 4º. 84). Segundo a CF/88. porque há uma exceção à legalidade. importante destacar que. CTN. aumento de ITR por MP. CF/88. 2004. O princípio da legalidade está esculpido no art. Aquela trata de matérias delicadas. fiscus tomou o significado de Fazenda Pública”. A corte entende viável a MP em outras espécies de tributos. A contribuição em comento não pode ser confundida pela CIDE-remessas para o exterior. IV. ICMS-combustível (art. 97. § 4º. 177. as alíquotas são alteradas por ato do Poder Executivo da União. Neste caso. a qual instituiu a PIS-Importação e a COFINS-Importação. 150. Esse. p. que são contribuições. à luz de convênios assinados pelos secretários de Fazenda (no âmbito do CONFAZ – art. 8 A única hipótese genuína.: não pode surgir empréstimo compulsório por meio de MP. 97. 155. Ex. Ex. § 4º. CF/88). § 2º. não nascendo por via de lei. a alíquota do ICMS-combustível é estabelecida pelo Executivo estadual. IV. com firma dos representantes de cada Estado-membro (por meio dos Secretários de Fazenda. minudencia o dispositivo constitucional. IV. autorizados por LC. § 1º. com delegação dada pelo Governador). . não ficando sujeita à ratificação ou reapreciação pelas Assembléias Legislativas. CTN8. “b”. Por meio de delegação. III.5 aumentar ou diminuir a alíquota por decreto. como Ministros de Estado ou Superintendentes de órgãos ou entidades públicas encarregadas da capacidade tributária ativa. I. CF/88) – como se trata de tributo estadual. 7 Originalmente. podendo depois alterá-la como lhe aprouver. sendo tributo federal. onde a LO puder dispor. a MP também o será. o Presidente da República pode autorizar outra autoridade pública a estabelecer os mencionados percentuais tributários. enquanto essa visa imediatismo de eficácia (relevância e urgência). Ex.: MP 164/04. 62. prevendo o constituinte que a majoração e a modificação do tributo deve ser feito por meio de lei. alíquota. 62. No diapasão. CF/88. estipulará originalmente a alíquota. CF/88). O art. I. É o que configura o tipo tributário ou tipicidade vime para que depositassem ali a participação (forçada) de César. tem o condão “per se” de estabelecer a alíquota do ICMS.

XI. CTN). a lei que altera o tributo é ordinária. Inexoravelmente. § 1º. 9 STF. Ex. § 1º. mas seu § 2º expressamente autoriza. 68. a MP pode ser convertida em LO por decisão do CN (art. Todo componente tributário que não estiver no rol do art. não se sujeita obrigatoriamente ao regime da legalidade estrita. 62. 7º. “caput”. a criação ou majoração de exações. No mesmo sentido. Entretanto. CF/88.531. há dois instrumentos legislativos que têm força de LO: a MP e a LD. “b”. CF/88). III. em princípio. A alteração da base de cálculo. Ao final do interregno total. 2004). Ambas podem criar ou majorar tributos. para conferir tempo ao sujeito passivo para o pagamento (art. 97.6 cerrada. 150. limita o uso da MP em algumas matérias. Ex. RE’s 182. desde que observadas suas próprias balizas. A MP é espécie normativa de competência exclusiva do Presidente da República. é possível afirmar que a há importante sinônimo para o postulado: eficácia diferida. CF/88). 62. só pode ser feita por meio de lei (art. De regra. é inevitável a aplicação da anterioridade tributária. § 7º. . 97. porque pode não implicar necessariamente em majoração do tributo correspondente. 97. CTN). as limitações da LD estão no art. na LD.: mudança no prazo de pagamento não se sujeita à legalidade restrita9. O art. mediante prévio requerimento desse (art. podendo ser prorrogada por igual período uma única vez (art. o CN dá autorização ao Presidente da República para legislar sobre determinado assunto. Princípio da Anterioridade Tributária O Princípio da Anterioridade consubstancia uma “vacatio legis” especial para a vigência de lei tributária que modifique ou crie exação. Tem prazo de vigência de 60 dias. Exercício financeiro corresponde ao ano fiscal ou civil. e “c”. Os detentores do poder de tributar só podem exigir tributo no exercício financeiro posterior àquele em que foi publicada a lei instituidora. 62. III). CF/88. indo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. § 1º. inclusive para contribuições. § 2º.: revisão do valor venal de imóveis de acordo com o mercado para cobrança de IPTU ou de ITR. CTN. CF/88) e a indenização devida por acordo em plano de demissão voluntária (PDV) são tributadas pelo imposto de renda? Resposta: a indenização paga em detrimento de PDV não é tributada por IR (Súmula 215 do STJ). não está sujeita à legalidade estrita (art. Quando essa mudança importar em mera atualização monetária. essa assertiva não é absoluta. Com a postergação da exigência. § 1º. Tanto o princípio da anterioridade (preconizado pela Constituição) quanto a segurança jurídica – tantas vezes invocada pela doutrina – trazem à baila a proibição da tributação surpresa (SABBAG. Ao revés. ausentando-se a disciplina tributária. 68. Todavia. CF/88).971 e 193. Pergunta: a participação nos lucros e resultados (art.

Exceções à anterioridade nonagesimal (art. o sistema constitucional tributário não hospeda a anualidade. “in fine”. IR. IPI. CF/88). passou a ter eficácia a partir de 2004. É a chamada anterioridade qualificada (privilegiada. CF/88): II. Antes da EC 42/03. as demais correspondem também às ressalvas da legalidade. nonagesimal ou noventalidade). CF/88. só havia a anterioridade anual. IEG.7 O tema em comento não pode ser confundido com o princípio da anualidade. Essas são as exações que podem ter sua alíquota alterada por ato do Executivo (art. 195. Empréstimo Compulsório espcial. “c”. CF/88): II. a EC 42/03 trouxe à baila a obediência a um novo período de anterioridade de 90 dias. a exigência poderá ser em data posterior a 1º de janeiro do ano seguinte. pela qual a exigência do tributo só era possível se sua receita correspondente estivesse previsto na lei orçamentária (Súmula 66 do STF)10. CF/88) e Empréstimo Compulsório especial (art. I. A produção de efeitos da nova lei tributária fica postergada até que sejam perfeitos os 90 dias de sua publicação. . 150. CF/88. acrescidos pela EC 33/01. II. CF/88). 153. tendo também o cunho extrafiscal. parte final. I. III. Nota-se que a exigência do princípio da anterioridade é outra: publicação prévia da lei. de guerra ou de calamidade pública. “b”. enquanto os demais se deferem à extrafiscalidade (regulação do mercado e da economia). Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA. parte inicial. De fato. III. IV. § 1º. Todos os aumentos ou criações de tributos nos meses de janeiro a setembro ensejarão exigência em 1º de janeiro do ano seguinte. 148. pela EC 42/03. IOF. Foi a inclusão do art. IE. prevista no art. Inspirado no limite dado pela noventalidade. § 6º. 10 Súmula 66 do STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento. 155. IE. pela qual a lei que criasse ou majorasse tributos só poderia entrar em vigor a partir do primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação. entre a lei e a exigência do gravame. IOF. os quais poderão ser exigidos no dia seguinte à sua instituição. 154. CF/88). Como foi instituto acrescido por emenda de 2003. o constituinte derivado incluiu-o concomitantemente à anterioridade anual. 150. CF/88). 150. sendo os dois últimos instituídos em situações de emergência. cuja dicção sinaliza a necessária previsão do tributo na lei orçamentária. Exceções à anterioridade anual (art. “c”. 150. § 4º. Assim. IEG (art. § 4º. § 1º. cujo objetivo foi melhorar a segurança jurídica deferida ao contribuinte. Com exceção dos mencionados tributos inerentes a situações calamitosas (IEG e empréstimo compulsório especial). e 177. Caso haja a situação nos meses de outubro a dezembro. mas antes do início do respectivo exercício financeiro”. devendo o tributo observar ambas as regras. § 1º. “c”. Foi extraída de construção constitucional sobre as contribuições sociais (art. ICMS e CIDE combustíveis (arts.

ou seja. não no legislativoabstrato. a anterioridade se aplica de igual maneira: é contada a partir da conversão da MP em lei. Eles compreendem idênticas exações em relação às ressalvas à anterioridade anual. IE. vindo também a constituir hipótese de incidência. impondo-lhe uma intributabilidade no plano normativo.8 No tocante ao II. terão termo inicial na sua publicação. a CIDE-combustível e o ICMS-combustível também respeitam a anterioridade nonagesimal. é perfeitamente compreensível a intenção do constituinte. No tocante às taxas. . § 2º. prorrogável por igual período. é incompreensível a razão de torná-los imunes à noventalidade. IEG e empréstimo compulsório especial. que o legislador infraconstitucional inclua tal hipótese no campo da incidência do gravame. p. No entanto. Já a alíquota zero opera o mesmo reflexo suspensivo atinente à isenção. A isenção. Obs. é possível entender que deve haver também a contagem dos 90 dias. o IPI que for majorado não poderá ser cobrado no dia seguinte. o pagamento do tributo majorado não implica em direito à restituição. já no Texto Maior. é possível dizer que se trata de regra de não-incidência. CF/88. a exação era assim exigida “ex vi” da MP vigente. 62. Já a imunidade é uma espécie de isenção qualificada pelo constituinte. se refere expressamente a impostos. 167). ao contrário. lei que venha a revogar isenção não precisa observar a anterioridade. não deverá ter aplicação o dispositivo. as outras espécies tributárias (mormente contribuições). Portanto. CF/88. Em melhores termos. só 90 dias depois. para ser transformada em lei. No ponto. durante o mencionado lapso. poderão ser exigidos em 1º do janeiro do ano seguinte. dada a extrafiscalidade na essência desses tributos. com exceção daquelas trazidas pela EC 33/01 – CIDE-combustível e ICMS-combustível – e da exclusão do IPI. a partir da conversão da MP em lei. o IPI é exceção da anterioridade anual. uma vez majorados em 31 de dezembro. quanto ao IR e às alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA. § 2º. essa paralisação da subsunção do fato gerador se encontra no plano fático. faz menção literal a imposto. só que ele não faz parte da lista de exceções aos 90 dias (anterioridade nonagesimal). Todavia. o qual impede. A partir de 2004. de modo a ensejar a exigência do tributo em meados de março do ano seguinte. IOF. § 2º. argüise quando se deve pagar o imposto criado ou majorado por MP. A MP tem 60 dias de vigência. seja essa ordinária ou qualificada. Dessa forma. em caso de MP que majore taxa. Já o IR e as alterações da base de cálculo do IPVA e do IPTU. é uma situação em que o legislador obstou abstratamente o fato gerador. a matéria ainda não está pacificada pelo STF. Assim como o IPI. 62. visto que. perpetuando um condenável expediente.: como o STF interpreta o instituto da isenção como regra de incidência (e não de não-incidência). O art. A partir de 2004. como aventa Nogueira (1999. porque o art. Resposta: deverse-á o imposto no ano seguinte ao da conversão da MP em lei. CF/88. Princípio da anterioridade e a MP – segundo o art. Todavia. 62. pois não se encontram no rol das exceções. Caso não haja a conversão em lei.

todos que realizam o fato gerador devem arcar com o ônus da STF. CF/88. Anterioridade e IR – pelo fato do STF acolher a Teoria Retrospectiva (Súmula 584 do STF)12. 150. 195. ou seja. Segundo o STF. não estando abrangida pela contingência dos 90 dias. p. art. A anterioridade em tela é chamada mitigada. parte inicial. a isenção deve observar a anterioridade anual. A CPMF foi criada por meio da EC 12/96. 5º. Min. tratando-se de imposto sobre renda ou patrimônio. CF/88). Ellen Gracie. Súmula 584 do STF: “Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base. De fato. noventalidade. Princípio da Isonomia Tributária Está previsto no art. arts. “caput”. O que persiste é mera prorrogação. CTN. devendo observar a anterioridade nonagesimal. 76). II. II. 5º. § 6º. como se fosse um “filme em andamento”. a contribuição para seguridade social pode ser exigida em 90 dias a partir da edição da MP que instituiu a exação ou que a alterou. Mas o que seria modificar a contribuição previdenciária? Seria alterar o prazo de pagamento? Segundo o STF. Anterioridade e revogação de isenções – a isenção é uma dispensa legal do pagamento do tributo (obrigação principal). 195. O legislador constituinte de 88 fez menção à ISONOMIA em diversos dispositivos da Carta: preâmbulo. Isenção concedida com prazo certo e sob condição específica é considerada irrevogável durante seu curso. O STF se pronunciou no sentido de que não se aplica o princípio da noventalidade. CF/88). 2666/DF. § 6º. segundo Sacha Calmon Navarro Coelho. III. porque reduzida em relação às demais exações (art. IV. a isonomia específica (tributária) decorre da isonomia genérica (“todos são iguais perante a lei” – art. aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. 3º. 104. a mudança no prazo de exigência da contribuição social não representa alteração substancial que venha a ensejar a aplicação dos 90 dias do art. Por seu postulado (art. como já disse o Supremo. 12 11 . CF/88). II.9 Contribuição previdenciária e anterioridade – aplica-se a anterioridade nonagesimal às contribuições sociais. a alíquota aplicada é aquela vigente por ocasião da entrega da declaração. etc. 150. Em contrário senso. 150. “b”. justamente porque se encontra presente sob diferentes ângulos no Documento Maior. rel. período de eficácia mitigada ou de anterioridade especial (art. A regra não alcança a disposição do art. art. porque não se trata de instituição ou modificação de tributo11. se houver isenção revogada sem prazo certo e condição específica (isenção incondicionada). “caput”. também conhecida como noventena. esse comando não foi exprimido (EC 37/02). A doutrina chama a isonomia de “superprincípio”. III. a revogação não observa a anterioridade. a isenção deverá se pautar pela anterioridade tributária. CF/88). No caso. 150. nonagentídio. tendo natureza de direito adquirido para o Excelso Pretório. Em suas sucessivas prorrogações. CF/88. I. nas palavras de Aliomar Baleeiro. como disse Oliveira e Horvath (2003. não coadunando com o sistema de bases correntes.

Ex. destarte. Ademais.STF: afastar o princípio em razão de extrafiscalidade. além. caracterizou a cisão entre o direito de punir estatal – direcionado àqueles que urinassem nos logradouros públicos – e o poder de tributar – o uso dos banheiros públicos. independentemente de qual fato esteja se referindo ou da pessoa que o realizou. Esta idéia redundou no tratamento objetivo do fato gerador. CTN). Note os exemplos: a. 14 STJ. I. do art. A fundamentação legal reside no art. De igual forma. É o posicionamento também do STF. Tito. Há possibilidade de “ressalvas” a este postulado.: isenção de IPI para taxistas. empresarial. menosprezando os aspectos extrínsecos ao fato imponível. 118. há maior possibilidade de realização da justiça fiscal. da regularidade da constituição de pessoa jurídica ou de acharse a pessoa sujeita a restrições de ordem civil. o imperador Vespasiano resolveu tributar o uso dos sanitários públicos. é evidente a predileção do legislador pelo critério objetivo que marca o princípio. Isso não quer dizer que o tributo recairá sobre condutas ilícitas ou imorais. o qual visa angariar divisas para o aparelho estatal. porque o fato gerador não pode assim o ser. Esta cláusula permite. independentemente da ilicitude da atividade. ainda que não possa administrar seu patrimônio. como se nota. Do comportamento do traficante. Na realidade. permaneceu. respalda-se na “interpretação objetiva do fato gerador” ou na utilização do ditame do “non olet”. tentando-se onerar igualmente os iguais e desigualmente os dessemelhantes. O princípio em tela. incidirá a tributação. 134. CTN). Por exemplo. o César quis dizer que a exação deve ser tratada sob um aspecto objetivo. mas não terá a obrigação de recolher a exação (pagamento). porque o legislador conferiu responsabilidade tributária aos seus pais (art. a partir da perspectiva da hipótese de incidência realizada. I. A causa do fato gerador pode ser ilegal. É fácil perceber que o legislador pretendeu onerar o contribuinte. § 2º. realizando o fato gerador. incide a tributação). Se o contribuinte realizar a conduta nela prevista. I. A lei tributária não pode atribuir tratamento desigual a contribuintes que se encontrem na mesma situação. uma vez que as características subjetivas atreladas ao contribuinte são desimportantes. . CTN. Ademais. ou de outros fatores que. CTN. 118 e 126. poderiam excluir a responsabilidade tributária. da incapacidade civil (arts. haverá duas conseqüências distintas: responsabilidade penal em face da conduta criminalmente ilícita e incidência da tributação sobre a renda14. I a III. Seu filho. fica patente que a capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil das pessoas naturais. 126. o traficante de entorpecentes. mas a essência da hipótese de incidência não. independentemente da forma como foi efetivada. no art. administrativa ou profissional. Não se pode confundir o poder de punir do Estado – decorrente do sistema penal – com o poder de tributar. que significa “não cheira”13. 13 Na Roma antiga. a palavra do soberano latino.10 tributação. CF/88 (universalidade do IR). contestou o pai sobre a atitude. Um menor pode ser contribuinte. A hipótese de incidência para a lei tributária é auferir renda. para a posteridade. à primeira vista. Como resquício da passagem histórica. Assim. O monarca respondeu-lhe com uma simples expressão: tributo “non olet”. desde que previstas explícita ou implicitamente na CF. no caso em tela. quando aufere renda. HC 7444. 153. em que são invocados o princípio da isonomia (tratamento igual àqueles que auferiram renda) e a teoria da interpretação econômica do fato gerador (concretizada a hipótese de incidência. que se tributem quaisquer pessoas. deve IR ao fisco. cerne da isonomia tributária.

Aliás.11 b. Atribui o fundamento da primeira no art. segundo o autor. com tal sistemática (tributos regressivos). 145. CF/88 preconiza a possibilidade de onerar mais gravosamente aqueles que detêm maior riqueza tributável. Moreira Alves (apud CASSONE. Como fora mencionado. op. recebe o nome de “PROGRESSIVIDADE de alíquotas”. . configura correlato da isonomia tributária. I. o IR se adequa perfeitamente à preceituação do legislador. p. Não há dúvida que existem tributos aos quais se pode aplicar a técnica de variação de alíquotas. como é o caso do IPI e do ICMS. trata-se de realização material do princípio em relevo. CF/88. tal qual explanado na matéria. CF/88. a tributação. que. CF/88. na medida do possível. 145. 212). “d”. Portanto. O tratamento diferenciado das ME`s e EPP`s não gera ofensa à isonomia. consubstanciados pela LC 123/06. não está em jogo a capacidade contributiva que só é levada em conta com relação a impostos pessoais com finalidade fiscal”. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica de cada um”. há outros que não se coadunam. Análise do postulado da capacidade contributiva ou capacidade econômica15 Está previsto no art. buscando a justiça fiscal. ao asseverarem que “o princípio da capacidade contributiva não se aplica a tributos com finalidade extrafiscal. esta é a terminologia empregada pelo constituinte. mas um instituto deste decorrente. p.. confere à segunda fulcro nos arts. a técnica de variação de alíquotas. III. Os desiguais serão diferentemente tratados. § 1º. A técnica de estabelecimento de alíquotas fiscais diferenciadas (progressividade) é uma outra forma de efetivar a justiça fiscal. 145. Frise-se que tal postulado não é propriamente o princípio da isonomia. de acordo com o PEC 59/04). “in fine”. diferencia capacidade econômica e contributiva. 146. justificando o comando do art. no entanto. a capacidade tributária só cabe aos impostos. Em tese. note que a expressão. Não é o entendimento da maioria da doutrina. CF/88. No entanto. ressaltando que se trata capacidade para contribuir para a Seguridade Social. § 1º. em uma razão não proporcional à base de cálculo. É possível estudá-lo como subprincípio da isonomia. Desta feita. Note o teor do comando: “sempre que possível. De fato. porque não há situação equivalente para com empresas de maior monta. 145. É o que preceitua Tipke e Yamashita (apud CASSONE. Entretanto. 201) afirma que “em se tratando de aplicação extrafiscal de imposto. “sempre que possível” é limitadora.: Zona Franca de Manaus (futuro Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. 206. § 1º. O próprio constituinte assim disse nos arts. segundo a capacidade econômica. 151. Há alguns tipos tributários que não comportam tal possibilidade. CF/88: afastar o princípio da isonomia em razão da tributação federal diferenciada para empresas localizadas em áreas com desequilíbrio socioeconômico. § 1º. 2004. 2004. Ex. o art. A jurisprudência e a doutrina interpretam este preâmbulo da ordem tributária de forma a adequar a exação ao seu conteúdo. 194 e 195. e 146-A. Do contrário. CF/88. cit. em princípio. têm sua constitucionalidade controlada pelo princípio 15 Cassone. devendo ser compreendida como “sempre que o tributo comportar tal variabilidade das alíquotas”. de sorte a colimar a igualdade entre aquelas e essas. Ao revés. p.Art.

em face do tempo de subutilização do imóvel (realização da função social da propriedade mediante alíquotas progressivas). Fica caracterizado o “plus” para contribuir para o Estado. Dentre as exações mencionadas. mormente a taxas (STF). *Não perca de vista que a progressividade de tais impostos (IPTU e ITR) é EXTRAFISCAL. 3. menor a alíquota – regressividade). com a redação da EC 42/03). em si. segundo a essencialidade estabelecida no seu regulamento.ITR* (art. § 4º. exprimida pelo art. e no IPVA. CF/88. no IPTU. e no ITR. seria a graduação dos impostos segundo a potencialidade de riqueza demonstrada pelo sujeito passivo na relação tributária. Já progressividade extrafiscal pode ser vislumbrada no IPTU. tendo em conta seu uso (residencial.12 da proporcionalidade”. Tem por objetivo primeiro a arrecadação. pois o nível de renda assim permite. não se relacionando com a capacidade contributiva. Progressividade de alíquotas – é o instrumento mais utilizado. CF/88.IR (art. 184. 156. com redação conferida pela EC 29/00). orientando-se pelo princípio da capacidade contributiva. § 4º. 153. Objetiva realizar um princípio constitucional. Note as explicações abaixo: ITR – as alíquotas progressivas deverão desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. progressivo em razão do tipo e da utilização do veículo. há julgados que o estendem a outros tributos. tal qual se aduz literalmente da vontade do legislador. Contudo. é possível destacar três impostos com previsão explícita de progressividade na CF/88: 1. valor e localização. cujas alíquotas oscilarão devido à produtividade do imóvel (quanto maior a produtividade. § 1º. I. o que não importa em dizer que ele. No âmbito da CF/88. comercial ou industrial). Progressividade fiscal e extrafiscal – a primeira corresponde ao aumento da alíquota diante da majoração da base de cálculo. não há necessária relação entre o aumento de alíquota e de base de cálculo. segundo a qual o sujeito tem capacidade econômica em um nível tal que o torna sujeito à tributação. CF/88. A capacidade contributiva pode ser realizada segundo diferentes técnicas. § 2º. destacando-se duas: Por dedução de despesas essenciais – é o caso daquelas tidas no IR.IPTU* (art. universalidade e progressividade. A progressividade do ITR é extrafiscal. Na segunda. II. I. § 2º. 2. 153. CF/88). 153. I CF/88) – o comando indica três critérios informadores do IR: generalidade. Capacidade econômica e contributiva não são conceitos coincidentes. A segunda é uma espécie da primeira. . uma vez que não visa ao intuito exclusivamente arrecadatório. é um tributo extrafiscal. No âmbito tributário. A primeira representa aptidão de um sujeito em receber rendimentos e incrementar o patrimônio próprio. a progressividade fiscal é observada no IR. o qual é necessariamente progressivo (art.

DEPOIS Três novos critérios de progressividade: localização. promulgado por meio de lei municipal. é possível entender que o art. até que o STF se pronuncie. Lei 10252/01. Foram somados à função social da propriedade. § 2º. ANTES O IPTU era progressivo em razão de um critério: a função social da propriedade (art. Percebendo tal entrave. 156. CF/88. XX. o constituinte previu uma situação de redistribuição de terras para a habitação e a geração de riqueza. O crescimento geométrico da população sugere um gargalo de moradia insuportável a médio e longo prazo. Progressividade extrafiscal. XXIII. Progressividade no tempo – EC conforme se mantivesse o 29 descumprimento da função social. “caput”. 182. § 1º. de haveria aumento do tributo no correr 2000 Progressividade fiscal e extrafiscal. o constituinte derivado alterou o dispositivo. 6º. 182. 5º. valor e uso do bem imóvel. denotando claramente extrafiscalidade. Observação: após a EC 29/00. CF/88). § 1º. 156. a progressividade fiscal teve sua constitucionalidade fortemente contestada. II. Nesse passo. do tempo. 145. CF/88). Arts. II. Com base nesta premissa. O escopo é evitar a desapropriação da propriedade. CF/88)16. forçando o senhor a adequar seu domínio à sua função social. CF/88 (princípio da capacidade contributiva) passou a abranger o IPTU. XXIII. § 1º. a progressividade deste impostos visava somente o cumprimento da função social da propriedade (art. em seus arts. CF/88. a despeito de colocações inconstitucionais. seria permitida a tributação maior de um terreno em relação a uma casa (art. um imposto real (não pessoal). o IPTU ganhou feições de imposto pessoal. em razão dos critérios novos anunciados. § 1º e 182. 21. CF/88). Assim. 39 a 41 e 3º a 8º (art. § 4º. Art. CF/88). CF/88) e o município com menos de 20 mil não é obrigado a promulgar tal lei (art. Uma dos meios de efetivar tal política é a tributação extrafiscal pelo IPTU e ITR. II. elevado constitucionalmente a direito fundamental (art. A questão se liga ao direito de moradia. 5º. CF/88). Essa possibilidade só pode ser efetivada mediante prévio plano diretor. essa pequena localidade não poderá utilizar o IPTU progressivo por desrespeito à mencionada função. § 4º. 182. contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritárias. Com o fito de aumentar a tributação dos municípios. não se pode assegurar que tal princípio está afeto apenas a impostos pessoais. 16 Como o plano diretor é aquele que define a função social da propriedade (art. e 182. . Desta forma. I e II. § 4º.13 IPTU – inicialmente.

a lei interpretativa é aquela que retira os pontos obscuros da norma interpretada. não inovando na ordem posta. Não perca de vista que o art. Art. à semelhança das exceções aos demais princípios? Não. Tal comando veda a progressividade do IPTU antes da emenda. CTN. CTN (2 incisos): I – LEI INTERPRETATIVA – condição para a retroação: nenhuma. o que leva alguns doutrinadores a crer na sua inconstitucionalidade (ausência de recepção). pois a interpretação caberia ao Judiciário. sob pena de retroação da norma – anomalia que se pretende coibir. antes da Emenda Constitucional 29/2000. de modo a minar a segurança jurídica. § 1º. Na verdade. 17 . sem criar situação jurídica paradoxal. Lei (anterior) Fato Gerador (posterior) É perceptível que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais se referem. O cuidado que se deve ter é a separação e a hierarquia de poderes. Nesse sentido. “a”. alíquotas progressivas para o IPTU. deve-se inquirir: há exceções a ele previstas na CF. sob pena de constituir mera norma nova. pois o Legislativo pode estar afastando a função jurisdicional do Judiciário. Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido. É vital ao estudioso que conceba a irretroatividade como postulado da segurança jurídica. Evidentes. Nesse passo. emanando efeitos à confecção do princípio tributário ora estudado. 145. É possível em qualquer caso. CF/88). em nome da segurança jurídica. a anterioridade adstringe-se à vigência da lei. A lei interpretativa poderá ter eficácia retrospectiva. É certo que ambos caminham lado a lado. há de se perceber que cada qual refere-se a fenômenos jurídicos distintos: enquanto a irretroatividade diz respeito à eficácia da norma. III. Princípio da Irretroatividade Tributária18 Está previsto no art. Tal comando anuncia que a lei tributária deverá abranger fatos geradores posteriores à sua edição. 150. A lei interpretativa se limita a aclarar pontos obscuros. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana”.14 porque transforma a exação de real (STF) em pessoal. 106. No entanto. A doutrina critica tal comando – interpretação “autêntica” –. seriam as lesões à segurança jurídica e à separação de poderes. CF/88. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade (Súmula 668 do STF)17. faz-se premente afirmar que nem mesmo um é sucedâneo do outro. 5º. A lei atual poderá retroagir/retroceder/retrotrair. atingindo a capacidade contributiva (art. 18 O princípio da irretroatividade tributária não pode ser confundido ou imiscuído com o ditame da anterioridade. XXXVI. pois protegem bens jurídicos distintos dentro da ordem constitucional tributária. 106. I e II. pois as exceções estão previstas no art. sob o argumento de que haveria extrapolação de função do Legislativo. pois. CF/88 preconiza a irretroatividade genérica.

poderá alcançar as sanções tributárias. Informativo do STJ n° 324. II. no entanto. desde que mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídico-tributária. Observação (análise do art. penalidades já adimplidas. falando alguns em caráter peremptório jurisdicional (coisa julgada “stricto sensu”) e outros. estabelecer penalidades ou ônus). 21 Nogueira (1999. Condição detalhada: a aplicação retroativa da lei mais benéfica ocorrerá se o ato não estiver definitivamente julgado. mas sim em irretroatividade da lei. asseverando que somente ela é a corte apta a realizar a interpretação da norma federal. p. defende o lançamento como mero procedimento administrativo. de natureza declaratória. o STJ considerou o art. 19/6/2007. não se falará em retroatividade. Min. com crédito tributário extinto. A retroação da lei mais benigna só ocorrerá quanto a sanções tributárias. O art. 3º da LC 118/05 como lei inovadora. Desta feita. corrobora com o princípio da irretroatividade. p.. “c”. o STJ afirmou que o prazo prescricional de cinco anos.116-SP. rel.). A retroação. Por recente decisão de sua Corte Especial. A LC 118/05. filiando-se à doutrina germânica-suiça. em face do princípio da irretroatividade da norma tributária. não como mera interpretação. 1ª T. constituindo sua guardiã. tem por objeto a penalidade mais branda ao contribuinte como fato de retroação da norma tributária. etc. 168. retroação benéfica da multa tributária ou “retroatio in mellius”. Esses estarão acobertados pelo decênio prescricional para a repetição de indébito. Em dissonância com o legislador. REsp 943. p. o lançamento apresenta efeito “ex tunc”. Entretanto.15 Nogueira (1999. II – LEI MAIS BENÉFICA. erigido pela LC 118/05. CTN)21: o art. j. 3º. 33 e 34) denomina o fenômeno de princípio da benignidade. mesmo que a lei então vigente à época esteja atualmente revogada (ultratividade). à luz do Direito Tributário Penal20 – condição: desde que o ato não esteja definitivamente julgado. em mera decisão administrativa na esfera recursal. CTN. em seu art. não se aplicando a fatos anteriores. fazendo aplicar a lei tributária à época da ocorrência do fato gerador. devendo limitar-se a dispor sobre suavizações da letra normativa (eqüidade. 223 a 226). conferiu efeito “ex nunc” ao diploma. sugerir uma retroação da lei. Observe que a definição do tributo se aplica ao tempo de ocorrência do fato gerador. de fato. na aparência. “caput”. José Delgado. não fazem nascer direito à restituição em retroação futura. Assim. O comando legislativo pretendeu atingir fatos geradores até então protocolizados. I. porquanto a lei aplicada no lançamento deve ser aquela STJ. apesar de. anistia. 144. 144. Sabbag (2004. só terá vigor a partir do diploma. não abrangendo redução de alíquotas nem de base de cálculo. 85) defende que a lei interpretativa não pode causar gravames ao contribuinte (criar ou aumentar exações. Só será aplicada a lei mais benigna se houver pendência de julgamento. 20 19 . já pacificadas. dizendo que o prazo para a repetição de indébito tributário é de cinco anos. Quanto à definição de julgamento definitivo. desde que o termo final não extrapole o lustro posterior à vigência da LC 118/0519. remissão. sendo certo que o princípio “tempus regit actum” tem vez também no campo tributário. são líquidas as opiniões. indicavam o prazo de 10 anos. se já tiver ocorrido o trânsito em julgado da demanda. A jurisprudência e a doutrina. Deste modo. 106. CTN. pretendeu constituir norma tributária interpretativa do art. CTN.

CTN. mas sim aspectos procedimentais quanto ao ato de lançamento. § 1º. à luz de um sistema de bases correntes. perquire-se qual o alcance do art.. o que lhe daria o rótulo de lei material –. aos poucos a doutrina passou a refletir sobre a necessidade de ver o fato gerador do IR na perspectiva econômica. § 1º. segundo o qual se aplicará ao lançamento a lei que ampliar as garantias do crédito tributário. Por meio de tal análise. alguns doutrinadores (Luciano Amaro. É fácil perceber. como disse Sacha Calmon Navarro Coêlho. CTN. ratifica a regra constante do art. e não formal. mas à estrutura formal do lançamento. uma lei majoradora do IR em 31/12. é de natureza formal. Ives Gandra da Silva Martins e outros) já passaram a apregoar o posicionamento do fato complessivo. que o art. isto é. CTN. referida no dispositivo. à semelhança de um “filme em exibição”. Importante: há ressalva na parte final do art. III. que aumentar os poderes de investigação. ampliando as garantias do crédito. vez que. atribuiria responsabilidade a terceiros. porque a lei. o que a reveste de caráter de norma material. de fundo alemão. a doutrina e a jurisprudência (Súmula 584 do STF. como Machado (1993). Com efeito. principalmente em congressos e seminários jurídicos. destarte. 144. indicando que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais ela se refere. nas palavras de Aliomar Baleeiro. O dado curioso está no fato de que a atividade legislativa que marcou os anos que sucederam a CF/88 pautou-se na obediência à Teoria do Fato Gerador Complexivo. 144. CTN. “respeitando-se” o princípio da irretroatividade.+fn). “caput”. Não obstante o posicionamento citado. “antecederia” o fato gerador.16 vigente no momento do fato gerador. Nesse contexto. ressalvados casos isolados de pensamento diverso. há menção à lei que. § 1º. que a doutrina mudou o pensar. Não altera substancialmente o fato gerador e a obrigação dele decorrente. Nesse passo. I e II. Do mesmo modo. Dica final (o IR e o princípio da irretroatividade): até a década de 80. tal norma não se refere propriamente ao cerne do liame obrigacional à luz do fato gerador. Assim. Paulo de Barros Carvalho e Cassone (2004). o art. Tal fenômeno era conhecido como retroatividade imprópria ou como aplicação da Teoria da Retrospectiva. no transcorrer do ano-base (anobase=f1+f2+f3+. CTN. Por conseguinte. ou que aprimorar os métodos de apuração do importe devido. esta se encontra somente no art. “per se”.. A partir de meados da década de 80. CF/88. afastando o enfoque econômico. adotando majoritariamente a Teoria do Fato Gerador Complessivo para o IR. “a”. Observe. como já fora dito. já comentada) entendiam o fato gerador do IR no contexto estritamente temporal. 144. 150. não excepciona o princípio mencionado. portanto. chegasse ao seu fim. trata-se de lei adjetiva ou formal. o fato gerador do IR seria a soma algébrica de fatos ou disponibilidades econômicas. Não se trata de exceção ao ditame. até que o movimento. adstrita a aspectos rituais de fiscalização. o fato gerador tinha marco temporal preciso – último segundo do último dia do ano. 144. indicando a necessidade de aplicação da “regra” – lei contemporânea do fato gerador. Note que se trata de estrutura dualista para o IR: um ano-base de auferimento de renda e um ano seguinte de entrega de declaração e recolhimento do imposto. De fato. na esteira da doutrina então majoritária . 106. por exemplo.

a Súmula 584 do STF (já comentada) – editada na década de 80. CF/88 – a qual veda a “guerra fiscal”. No entanto. Baleeiro (apud NOGUEIRA. não seria possível retroação a fatos ocorridos sob a égide do art. 1999) afirma que. I.. a corte já fixou entendimento no sentido da natureza processual do art. Para este renomado autor. I. surpreendentemente. § 3º. não havendo de se falar em ilicitude da prova obtida anteriormente à vigência do referido diploma complementar22. § 1º. 11. de sorte a permitir que dados sobre CPMF servissem à fiscalização de outros tributos. esculpido no art. 23/8/2007. segundo jurisprudência pacífica do STJ. Arnaldo Esteves Lima. § 4º. com redação dada pela EC 42/03). Exemplo: Zona Franca de Manaus (observação: os benefícios fiscais foram prorrogados de 2013 para 2023. do pacto federativo (art. 60. Princípio da Uniformidade Geográfica (art. Lei 9113/96. I. § 3º. à tributação federal. Esse entendimento era vigorante à época por leitura jurisprudencial. 150. Assim.. conforme se nota na parte final do art. em total dissonância com a doutrina majoritária. 92 do ADCT. ou de valor. etc. promovida pela União. que instituiu a CPMF. as discriminações dos tributos limitar-se-ão a critérios pessoais. ao princípio em tela. CF/88: “. Min. 38. adequando-a às colocações da LC 10174/01. § 3º. § 3º. a regra do art. porque a ampliação dos poderes da Administração Tributária encontra fundamento no art. proibia o uso de informações dela decorrentes para fiscalização de outras exações. CTN. é claro. tem aplicação retroativa. CF/88. Informativo do STJ n° 328. em letra original.448-SC. "em conseqüência dessa uniformidade.). devendo prever as mesmas alíquotas em toda a extensão territorial. entretanto. o qual alterou o alcance do art. Ademais. entre os membros da Federação – é um consectário do princípio da uniformidade geográfica. o art. tal postulado vem ao encontro da isonomia e. 11. 151. Por fim. Lei 8383/91. 11. 1º. incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país”. CF/88). rel.17 (Lei 9430/96. no superado contexto da “teoria da retrospectiva” – apresenta-se hábil e vigorosa para aquela corte. Quanto a esse poder fiscal amplo. Lei 9311/96. previu a possibilidade de investigação ampla pela autoridade fiscal. LC 105/01. o princípio em pauta presta-se à preservação da unidade territorial do 22 STJ. LC 105/01. III. § 1º. isto é. mas nunca de lugar". HC 31. reais. A Lei 105/01 alterou a redação do art. em tese. A Lei 9113/96. No diapasão. entende hábil a teoria do fato gerador complessivo. diga-se que. a qual determinava que só o Poder Judiciário poderia quebrar sigilo bancário de pessoa. o que incluía dados bancários. 11. 5º. 144. Essa disposição se devia ao art. “ex vi” do seu art. I. essa retroatividade é permitida. Lei 4595/64. conforme se depreende do art. Esta. 152. garantido pelo diploma mais hodierno. j. É princípio afeto tãosomente à União. Lei 9113/96. 151. No entanto. CF/88) Trata-se de comando previsto em artigo distinto daquele que abarca quase toda a base principiológica na CF/88 – o seu art. Compete à União instituir o tributo UNIFORME no Brasil. Há exceção. como se expendeu. § 3º. Para Nogueira (1999). . 151. para fins penais.

Na mesma esteira. ADI 3673/RJ. por assim dizer.: não é possível IPI menor para automotores no RS em detrimento dos demais Estados. Informativo do STF n° 478. por meio de seus tributos federais. ADI 3389/RJ. deixando ao arbítrio do aplicador do direito sua configuração. rel. CF/88). a União pode dar tratamento fiscal diferente para áreas com menos desenvoltura financeira. sendo exprimido no art. CF/8823. Joaquim Barbosa. pelo tributo. 126). 38) preconiza que a caracterização do confisco é ônus do contribuinte. sob pena de macular o art. Em recente decisão quanto à redução de base de cálculo sobre operações com café torrado e moído oriundo do Rio de Janeiro. XXII. mas sim tentativa de equiparação regional. o Supremo declarou a disposição inconstitucional. Dessa feita. DJU 25. Gilmar Mendes. IV. Informativo do STF n° 478.9. Sabbag (2004. Min. Nesta esteira. É ditame aplicado diretamente aos entes da federação. segundo a razoabilidade e a proporcionalidade. não poderá estabelecer discriminação tributária entre as demais pessoas políticas. CF/88 (Convênio CONFAZ 128/94)24. De fato. rel. 151. 6. só influenciando na esfera privada de forma reflexa.68. Joaquim Barbosa. eventuais benefícios fiscais relativos à exação citada devem estar de acordo com deliberações de convênio celebrado entre todos os Estados. com o fito de “promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”. A União. XII. desde que se justifique pela situação concreta apresentada.11. XII. 24 STF. Plenário. DJU 8. ADI 3936 MC/PR. DJU de 27. porquanto fere o comando dos arts. “g”. ADI 2377 MC/MG. 152 e 155. DJU de 7. da totalidade do valor da situação ou do bem tributado. § 2º. Com efeito. o STF já se manifestou positivamente.5. Em outros termos. Destarte. I.2001.9. § 2º.18 mercado nacional. pode ele ser entendido como tributação exacerbada. a definição de confisco não é dada por colocação abstrata. j. j. o legislador não definiu estritamente o termo. a jurisprudência STF. Não é mácula à isonomia. 155. levando em conta uma hermenêutica sistemática do setor tributário (entendimento do STF). como qualquer parcela que exceda à medida fixada legalmente”. 6. assentando o entendimento no direito de propriedade (art. Min. CF/88) Nas palavras de Nogueira (1999. O STF corrobora com o enunciado do art.9.2007. Min. porquanto ele deve suscitá-lo na esfera jurisdicional. 150.9. Carrazza (1991) diz que “é confiscatório o tributo que. sua consubstanciação depende da análise “in casu”.2007. CF/88. 152. “g”.2003. Observação: quanto à possibilidade de existência de confisco em multa. que não leva em conta suas capacidades contributivas”. Informativo do STF n° 480.9. p. CF/88. Princípio do Não Confisco (art. confisco é “a absorção. O princípio da uniformidade geográfica é decorrente da isonomia. ADI 1247 MC/PA. j.2007. p. isto é. 19. O próprio comando em comento foi excepcionado pelo próprio constituinte.95. De fato. excessiva. As exações federais deverão ser uniformes em todo território nacional. Em princípio. é um desiderato aplicado tão-só a tributos. 23 . mas sim no caso concreto. RMS 17949/ES. 5º. especialmente quando se trata de norma estadual referente a ICMS. ADI 2021 MC/SP. esgota (ou tem a potencialidade de esgotar) a riqueza tributável das pessoas. rel. Ex.

CF/88): a cada entrada. receita e importação (art. § 3º. particularmente no direito individual à liberdade de locomoção (art. um débito. ADIn 2010/DF-MC. I. 155. Dessa forma. Princípio da Não-cumulatividade É técnica de redução de carga tributária sobre o consumo. LV e LXVIII. vinculando o direito a crédito à tributação da operação anterior. Cada tributo terá sua regência própria. II. 153. 155. diz esse princípio é extensível às multas25. II. § 2º. a cada saída. CF/88). como fato gerador. 2004. 40). 5º. CF/88. De igual maneira. CF/88). Ex. p. sendo somado ao tributo incorporado (tributo indireto com repercussão econômica por transferência ao próximo da cadeia). O STF definiu a extensão da não-cumulatividade do IPI. 195. a doutrina indica outros. há um crédito.: mercadoria de R$ 100. V.19 majoritária. ao contrário do ICMS (art. compensando-se a diferença entre créditos e débitos. a não-cumulatividade se estende ao IPI (art. Esse 25 26 STF. . A não cumulatividade do IPI segue uma norma (art. CF/88) e às contribuições sociais da União que incidam sobre faturamento. CF/88. II. 150. § 12. Em termos genéricos. aos impostos residuais da União (art. Além desses casos. Ex. nos termos do estipulado pelo constituinte ou pelo legislador infraconstitucional. porquanto se trata de taxa. desonerando a cadeia produtiva. CF/88). sendo vendida por R$ 104. de natureza diversa. 153. O imposto será pago mensalmente. O autor ainda indica duas atenuações26: A instituição de pedágio. § 3º. vez que o fato gerador é outro. A base de cálculo é o valor da operação.: não cumulatividade de PIS e COFINS (Lei 10833/03). para a conservação das rodovias. 150. a incisão de tributo para o embarque em ônibus interestaduais ou intermunicipais não comporta ferimento ao ditame do art. no veio do deslocamento de pessoas e bens (SABBAG. com necessária contraprestação. A não-cumulatividade não erige uma regra uniforme para todas as exações. com fulcro em entendimento do STF e conforme mencionado. A expressão “imposto cobrado” faz entender que o constituinte quis permitir a compensação somente na existência de operação anterior. com alíquota de 4%. 195. 154. desde que a desoneração do consumo seja atingida. A exigência de comprovação de recolhimento de ICMS nos postos fiscais em fronteiras interestaduais. CF/88) A base axiológica deste ditame – erigido em nível constitucional – encontra tutela na própria Carta de 1988. “a” e “b”. a intermunicipalidade ou a binterestadualidade. Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Coisas (art. às contribuições sociais residuais federais (art. II. não pode haver exação que erija. CF/88). § 3º. A cobrança de exação para o ingresso em instância turística não configura ranhura ao princípio da não-restrição à circulação. § 4º. V. em que pese não haver expressa previsão nesse sentido no art. CF/88). ao ICMS (art. 153. CF/88). § 2º. em que multa de 300% por não emissão de nota fiscal foi considerada confiscatória.

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entendimento do Supremo foi alterado, porque, desde 1995, o plenário dava ganho de causa aos contribuintes. Dessa feita, isenção, não-incidência, imunidade e alíquota zero na operação anterior não dão direito à compensação de crédito em IPI, consoante reiterada e hodierna jurisprudência do STF27. Como o IPI é imposto de repercussão econômica (transferência ao próximo da cadeia), a restituição de montante recolhido a mais é dada nos termos do art. 166, CTN. O comando condiciona a restituição a:
• Prova de que arcou com o ônus do tributo, não o repassando ao próximo

elo da corrente; ou
• Apresentação de autorização do próximo na cadeia a receber a

restituição em seu lugar, no caso de ter havido o repasse, visto que esse é o contribuinte de fato do IPI e aquele, de direito. O STJ, apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. 166, CTN, admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda, mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes28. O Supremo referenda o comando do art. 166, CTN, por meio de suas Súmulas 71 e 54629. Imunidades Tributárias30 As imunidades tributárias indicam limitações constitucionais ao poder de tributar, a par dos princípios anteriormente estudados. Trata-se de dispensas constitucionais de tributos, isto é, normas de intributabilidade que gravitam em torno da “não-incidência” tributária. Nos termos de Nogueira (1999, p. 167), “a imunidade é, assim, uma forma de não-incidência pela supressão da competência impositiva para tributar certos fatos, situações ou pessoas, por disposição constitucional”. Com efeito, a imunidade é uma delimitação negativa da competência tributária, segundo a melhor doutrina. Como é sabido, a competência tributária traduz-se no poder de instituição do tributo, conferido às entidades impositoras. Note que estas, ao mesmo tempo em que se valem do poder de criar, devem se afastar diante do campo imunizante estabelecido e demarcado pelo legislador. Assim, a norma imunizadora coexiste com a norma de imposição, ambas previstas na CF/88.

STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 28 STJ, 2ª T., REsp 962.909-BA, rel. Min. Castro Meira, j. 20/9/2007, Informativo do STJ n° 332. 29 Súmula 71 do STF: “Embora pago indevidamente, não cabe restituição de tributo indireto”. Súmula 546 do STF: “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo”. 30 Além dos pontos tratados na matéria, Cassone, op. cit., p. 255 e 256, indica alguns outros a serem discutidos quanto às imunidades: deve se lhes aplicar interpretação extensiva, em acordo com a finalidade da imunidade e com a razoabilidade; é possível a regulamentação da imunidade por lei infraconstitucional; as obrigações acessórias não são atingidas pela imunidade (art. 194, parágrafo único, CTN).

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É importante frisar que as principais imunidades referem-se a impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note: a.Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária (entidades beneficentes de assistência social). Observação: a expressão “são isentas de...” indica impropriedade terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo de imunidade. b.Art. 149, § 2º, I, CF/88 (EC 33/01) – CIDE’s e contribuições previdenciárias (receitas decorrentes de exportação). c. Art. 184, § 5º, CF/88 – impostos de todas as pessoas jurídicas (operações de transferência de imóveis desapropriados para a reforma agrária). Nesse sentido, o art. 18, “caput”, LC 76/93, isentou tais fatos também de taxas judiciais e emolumentos cartoriais. d.Taxas para certidões, para protocolização de certas ações coletivas, etc. Vamos, agora, às principais imunidades previstas no art. 150, VI, CF/88: Há quatro alíneas (DECORAR). São casos de não-incidência de impostos, o que permite concluir pela normal incidência dos demais tributos (taxas, contribuições de melhoria, etc.). 1.Alínea “a” (IMUNIDADE RECÍPROCA) – União, Estados, Municípios e DF não poderão cobrar impostos uns dos outros. − Elemento teleológico – quis o legislador proteger os entes tributantes contra a reciprocidade na tributação de impostos. Com efeito, o imposto é tributo unilateral, indicando um poder de sujeição daquele que tributa com relação àquele que é tributado. Neste passo, a provável incidência colocaria em risco o pacto federativo – o próprio elemento teleológico da imunidade em exame. − Atenção – a alínea “a” apresenta menção a rol classificatório oriundo do CTN (arts. 19 a 73) – “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”. Segundo a literalidade do comando, não deverá haver a incidência de IPTU, de IPVA, de IR, de ITR e de ISS, por exemplo. A questão é problemática: e os impostos não pertencentes ao rol mencionado, tais como II, ICMS, IPI e o IOF? Para o STF e renomados tributaristas32, a imunidade deve abranger quaisquer espécies de impostos, independentemente da limitação classificatória ora guerreada. Exemplos: Não-incidência de IOF nas operações financeiras desencadeadas pelos Municípios (STF).
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O dispositivo exigiu lei regulamentadora para surtir reflexos, cujo prazo para publicação não foi definido. O STF, no MI 232-1/RJ, rel. Min. Moreira Alves, ajuizado pelo Centro de Cultura, inovou seu entendimento. Adotando uma posição concretista moderada, fixou prazo para que o legislador se manifestasse acerca da omissão legislativa, findo o qual a própria corte asseguraria o direito subjetivo em comento – no caso, imunidade de contribuições sociais para entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88). 32 Regina Helena Costa, por exemplo, em “Imunidades Tributárias”, editado pela Malheiros.

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Não-incidência de II nas operações de importação de um Estado qualquer. − Análise do art. 150, § 2º, CF/88 – há extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas, desde que se cumpram às necessidades essenciais/precípuas da entidade. Não perca de vista que a condição se atrela tão-só ao § 2º, não existindo para a alínea “a”. Exemplos: Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, XII, “c”, CF/8833. 2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa da entidade religiosa. Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos religiosos, etc. Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja
STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, op. cit., p. 256.
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apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas (impostos). Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: − Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. − Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam Chimenti (2002) e Machado (1993). − Instituições de educação – idem colocações infra sobre as expressões “in fine” da alínea “c”.
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Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, instituições de educação e de assistência social). 36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17.

a expressão merece uma associação cautelosa. de integração. isto é. há quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes de Miranda). a diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade. Ademais. I a III. entre os mantenedores da entidade. CF/88. Chimenti (2002). dependendo de regulamentação futura. em razão das matérias disciplinadas naquele compêndio. nem mesmo o “animus lucrandi”. Saraiva. Misabel Derzi. segundo Celso Bastos e Carlos Ayres Brito. § 7º. perguntar-seia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 5172/66) foi concebido como lei ordinária. o art. o que permite chamá-la de imunidade condicionada ou limitada (SILVA. Não distribuição do patrimônio ou renda. Paulo de Barros Carvalho. Portanto. 12ª ed. O que se quer é o REINVESTIMENTO daquele resultado nos objetivos institucionais. 2006. segundo Maria Helena Diniz. apregoa que o alcance das expressões se atém somente às entidades educacionais e assistenciais. e não auto-aplicável. “ex vi” do art. CF/88. a qualquer título (LC 104/01). São Paulo. em tese. Nesse passo. CTN anuncia. 195. o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de condicionamento imposto à norma. José Eduardo Soares de Melo. entendem que se trata de lei complementar. pois o “lucro”. Direito Tributário Brasileiro. que impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar (imunidade). Cassone (2004) e Sabbag (2004). Não se veda o resultado positivo na entidade. Note que as entidades educacionais e assistenciais poderão – e 37 Em sentido contrário. estaria ligado de modo imediato às entidades educacionais e beneficentes. 1996). 14. necessário é lembrar que tais pessoas também são imunes às contribuições sociais.24 − Entidades de assistência social – ibidem. Amaro (2006). . nas palavras de Rui Barbosa. ganhou o “status” de lei complementar. Além de tudo. Nesse contexto. consoante comando exprimido no art. No caminho hermenêutico ora trilhado. p. porém. 51). 146. De fato. insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina majoritária. como Machado (1993). no magistério de Sabbag (2004. p. desde então.. Luciano Amaro. não havendo de cogitar sua aplicação aos partidos políticos e sindicatos de trabalhadores. II. 155. não obstante a mediata ligação a todas pessoas citadas37. a resposta à pergunta é clara: a lei complementar que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN. − Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco elucidativo – o lucro. sendo assim recepcionado pela CF/88. Note que aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser traduzida à luz deste inciso I. os requisitos à fruição da imunidade. quis mencionar o superávit. Portanto. em seus três incisos. vedando-se a apropriação particular do lucro. São eles: I.

merecendo a proteção da imunidade. É. § 4º. não os carreando para países estranhos. quando dos comentários retro sobre a imunidade de templos: prova da aplicação . Não aplicação de recursos fora do país. quanto ao rol classificatório ali inserto – impostos sobre o patrimônio. CF/88 – repetindo comentário supra. havendo respeito à disposição legal. não se perderia a imunidade. prejudicando a manutenção dos objetivos institucionais – trata-se de requisito óbvio. pode remeter divisas para o exterior. passará. CTN. A legislação pertinente (art. não incluindo o envio desvinculado de valores ao exterior. mera paralisação dos efeitos imunitórios. Nesse passo. devendo passar a recolher os impostos. Haveria desrespeito ao inciso em análise? Para o mestre. em país estrangeiro. Uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua. § 1º. que o MANTENEDOR da instituição poderá receber uma contraprestação pelos serviços realizados. desde que se cumpram os requisitos já conhecidos. Análise do art. imediatamente a ser alvo da TRIBUTAÇÃO. os valores não poderão se apresentar como “distribuição” disfarçada de lucro”. os pressupostos dos incisos I e II são iníquos. mediante ato discricionário. 157) chama o art. 14. Observações finais – caso a entidade deixe de cumprir os requisitos do art. renda ou serviços. III. indicando a jurisprudência no sentido da adstrição a valores de mercado. a análise é subjetiva. como uma “punição”. sim. Amaro (2006. Diga-se. I a III. É o caso também de instituição filantrópica internacional. afastando a interpretação restritiva. a qual possui filial no Brasil. permitindo a extensão da imunidade a bens ligados a atividades inessenciais (locação. diante do resultado positivo. a qual poderá realizar ou não a ação – na expressão “pode fazê-lo” –. etc). pois. entretanto. 150. aquela Corte interpreta a expressão “finalidade essencial” de modo lato. Manter a escrituração contábil em dia e hábil a provar o cumprimento dos requisitos anteriores – sem a demonstração mencionada. § 1º. II. CTN) trata o assunto com terminologia criticável. De fato. Ademais. CTN de aberrante. 14. é natural que se apliquem os valores na consecução dos objetivos institucionais. se cumprirem a exigência ora analisada. arrendamento. ligado à instituição educacional. o que não parece de todo apropriado. segundo Amaro (2006) e José Eduardo Soares de Melo. por fim. o STF analisa tal comando. 14.25 deverão – almejar o resultado financeiro positivo. O eminente Aliomar Baleeiro cita curioso exemplo de gasto com universitário. p. quando permite à autoridade “cassar” a imunidade. conquanto sua redação parece pretender instituir um Poder de punição à autoridade tributária.

op. defende Amaro. por exemplo. segundo a qual o ônus recai sobre o contribuinte de fato (adquirente). não incidem sobre o livro e sucedâneos: ICMS. Informativo do STF nº 220. A 2ª Turma. isto é. p. RE 237. desde que o lucro fosse reinvestido39. da Constituição. PERIÓDICOS E O PAPEL DESTINADO À SUA IMPRESSÃO) Natureza – é objetiva. cit. 150. O STF (Pleno). receberá a carga de impostos sobre si. e não sobre o contribuinte de direito (a entidade). de 5-6-1998. IE.700/DF.2001.11. incidiria o ICMS nas rendas e bens provenientes de bazares organizados por entidade filantrópica? A 1ª Turma do STF sempre entendeu que deveria haver a incidência do imposto. Ellen Gracie. 154. RE 210. Vale dizer que a editora. vi. Min. JORNAIS. 4. IPI. 2-3-2003. aquelas de pouco 38 39 STF. no RE 210.169-7.9. etc. rel. 150. DJU 6. porque está ligada a bens e não pessoas. 40 Súmula 724: “Ainda quando alugado a terceiros. A prova deve ser feita pelo titular da imunidade38. Min. da constituição. c. DJU 12.: alugueres recebidos de locação de área pertencente à entidade filantrópica) e da inexistência de prejuízo à livre concorrência (aferição por meio de critérios subjetivos). DJU 19-11-03. c. consoante entendimento já firmado pelo Pretório Excelso42. Mas a regra da imunidade não inclui atividades ligadas ao bem. RE 235. ITBI (aquisição de prédio pela editora). Independe do conteúdo difundido. é imunidade objetiva ao afastar a incidência de impostos reais (sobre os bens). desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. STF. por sua vez. Em contrário senso. II. VI. Elemento teleológico – é a difusão do conhecimento e da cultura. Súmula 730 do STF41 – as entidades fechadas de previdência social serão imunes quando não houver contribuição dos beneficiados. j. RE 202.. A propósito. Pleno. ao contrário das demais (“a”. em 2 de fevereiro de 2003. E incidirão. a alínea “d” versa sobre bens e não sobre pessoas. fruto de relação contratual entre o órgão e a categoria específica. em razão da teoria da repercussão tributária. De fato. afasta a imunidade. 10. DJU e-1. rel. 42 STF. entendia cabível a não incidência.251-2/SP. Nessa medida. .26 integral das rendas nos objetivos institucionais (Ex. Marco Aurélio. IR (renda da venda dos livros). exclusivamente. “b” e “c”).251-2-SP. p. a proteção alcança as revistas pornográficas (material fescenino).718-SP.Alínea “d” (IMUNIDADE PARA LIVROS. naturalmente. A participação onerosa do beneficiário no plano de previdência privada.2001. normalmente: IPVA (carro da editora).737-SP. RE 286. AgRgRE 106. permanece imune ao iptu o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”. É a posição cristalizada na Súmula 724 do STF40. decidiu por maioria pela não incidência de ICMS nas vendas. etc. como é o caso de ISS sobre a publicidade nas publicações. à luz dos conceitos de universalidade e generalidade.692. No mesmo sentido. 41 Súmula 730 do STF: “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art.

como equipamentos destinados à função. 45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art. as listas telefônicas são imunes. rel. Entretanto. reforçando a tese majoritária. 46 STF. que estendeu a imunidade da alínea “d” aos filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e revistas.8. DJU 07.: imunidade de II sobre máquinas de impressão de jornais.859 e 273. da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”. O art. rel. Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há imunidade: elas são devidas? 43 44 STF. 5º. § 6º. Lembre-se que não havendo tributação. Moreira Alves. Lista telefônica – segundo entendimento assentado pelo STF. IX e XIV. STF. parágrafo único.308/SP. rel.403-SP. Marco Aurélio. 41) leciona que imunidade a deve abranger todos os meios indispensáveis à produção dos objetos imunes. Em sentido contrário. Min.11. Não é a posição cristalizada pelo Excelso Pretório. vêem outras decisões do Excelso Pretório aceitando a extensão da imunidade a manuais técnicos e apostilas44. Min. e a jurisprudência vêem a EXTENSÃO da imunidade aos livros na forma de CD-Rom. p. e não em razão do suporte difusor de cultura.06. por José Eduardo Soares de Melo e por Cassone (2004).1998. d. Justificam que a imunidade deve ser aferida a partir do fim da difusão do conhecimento. Marco Aurélio. valorizando os direitos fundamentais que lhe são afetos. Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser interpretadas ampliativamente? Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da imunidade de forma restritiva. Lei 10753/03 (Lei da Política Nacional do Livro) equipara o livro em meio digital a livro impresso. Na mesma idéia. porquanto este procura conferir uma interpretação restritiva ao dispositivo46. Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou complementar? Ou é auto-aplicável? Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária. RE 183. CF/88. DJU 12.441/RS. RE 101. RE 199. e 220. Encontra guarida constitucional nos arts. dentre outros. . IV. Mídia eletrônica – a doutrina mais abalizada. foi publicada a Súmula 657 do STF45. VI. independentemente da ausência de conteúdo informativo43.2000. na condição de periódicos. 203.2000. DJU 22. 150. etc. Chimenti (2001.27 conteúdo informativo. a norma imunizante deve ser observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido. representada.183. Ex. Insumo – o único insumo protegido pela regra será o PAPEL destinado à impressão. Min. VII. RE’s 204.234. tendo em vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção constitucional. 2º.

156 do CTN foi incluso pela Lei Complementar n. inovam em suas disposições. Pergunta: quanto ao art. 146.Sa. DF e UF). Pergunta: uma entidade. “b”. Nesse passo. VI. assim como as isentas. sem adjetivo algum. por exemplo. uma entidade. VI. 4382/02. Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art. nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento imunizante. Ademais. CF/88. 194. III. 2º. 156. 9º do CTN. VIII. e o art. respeitando as previsões expressas da CF. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. segundo o STF e a doutrina majoritária.104/01. Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão o assunto a ser implementado. corresponde à figura da lei ordinária. a disposição legal não poderia ser usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art. o art. CTN. I a III. foi dito que o art. O inciso XI do art. não há obrigação principal e muito menos acessória. III. parágrafo VI. pode. D. 12. em tese. sujeitam-se à fiscalização tributária. A posição está correta? Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro raciocínio. deixa claro que as pessoas imunes. há alguma regulamentação ou aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. Pergunta: o art. Caso haja cobrança de uma contribuição social. abarcando assim. Lei 10753/03 (Política Nacional do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes visuais exclusivamente. não faz jus à imunidade do art. o "caput" do dispositivo deixa claro que suas conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). Como compatibilizar os dispositivos? Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' devem ser cumpridos. engloba as obrigações acessórias. 3º. 150. parágrafo VI. CF/88. o que. Lei 9532/97. se não há tributação.28 Resposta: lembre-se que. O termo lei. Apenas a entidade assistencial social ou educacional. “c”. conforme expressa disposição constitucional. CF/88. § 2º. Entretanto. preceituando condição inexistente na citada LC. estabelece as condições para o exercício. 150. faz jus à imunidade do art. “c”. “c”.146. a obrigação acessória persistirá. CF/88? Como é concedida a imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? Resposta: não. parágrafo único. CTN. somente por esse fato. à guisa do entendimento do STF. O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser escrito em papel ou digitalizado. E-m. daí o teor do art. 150. 14. CTN. no que diz respeito aos impostos. No entanto. “d”. o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas políticas interessadas (M. o art. 150. XI. em seu art. pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade. as mencionadas disposições citadas por V. somente por esse fato. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. III. após ter cumprido os requisitos da lei para receber a . § 2º. parágrafo único. CF/88? Resposta: Não. “a”.

regras rígidas de competência. I can”). Destarte. composto de princípios. Qual é a estrutura do STN? A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar. também do STN. e Lei 10. p. em seus arts. O Poder Constituinte Derivado Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos às mudanças sociais ocorridas. sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira delas). a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional de impostos e princípios constitucionais tributários. Prima Cursos Preparatórios. há uma grande crítica a essa premissa da CF/88. Transformou a Carta de 1946. em consonância com o setor fiscal (NOGUEIRA. a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e. O princípio da supremacia do interesse público era levado a cabo exacerbadamente (“I need. imunidades e tributos. por conseqüência. Não funcionou a contento! Politicamente. também o é aquele. foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). 12 e 13. Nas negociações entre as forças políticas da época – com mediação do então presidente do STF. esse Poder deveria ser utilizado “cum grano salis”. defende que o Sistema Tributário Nacional é ternário. De fato. Sistema Tributário Nacional Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? Qual a importância da EC 18/65? A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. até tal diploma. o STN segue o mesmo diapasão da própria Constituição: sendo essa rígida. Esta última configurou um marco no Direito Tributário brasileiro. especialmente voltado para fruição de algumas liberdades fundamentais. porquanto houve mais de 50 emendas em pouco mais de 15 anos de sua existência. Criou um regime sistematizado. 118). 26). No Brasil. CF/88) para garantir a necessária rigidez. São Paulo. foi erigido o sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art.637/02. Deve ser pleiteada perante a Receita Federal. Aliomar Baleeiro –. Porém. 2004. Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? Quanto à rigidez/flexibilidade. fazendo nascer uma vertente doméstica moderna nesse ramo. 47 Eduardo de Moraes Sabbag.29 concessão da imunidade. via requerimento conforme estabelece os procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97. competência tributária. 1999. . a EC consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. Para refrear o ímpeto do constituinte reformador. § 2º. A constitucionalização do Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades. por ocasião do golpe de 1964. limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas tributárias47. receber a concessão imunizante. etc. 60. não existia equilíbrio entre Estado e cidadão na atividade fiscal. p. Direito Tributário. Para Cassone (2004.

somente a chancela do constituinte poderia garantir-lhe legitimidade. sob pena de renúncia de receita e. Câmara Legislativa. garantir o mínimo de existência (de essencialidade) quanto aos direitos fundamentais deve ser a pauta do Estado (vida digna – mínimo essencial – garantia e efetivação dos direitos fundamentais – prestação de serviços públicos). diz-se que padece de inconstitucionalidade. em seu art. Todavia. direcionado aos entes políticos – que. em conseqüência. O Estado. o legislador recebe do constituinte o poder de impor a tributação. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA é o poder recebido do constituinte para servir ao custeio da máquina estatal. coercitivamente. é uma faculdade. O ato de tributação. somente aquelas pessoas que possuem Poder Legiferante (Congresso Nacional. DF e Municípios). Estados. propiciando uma vida digna. 2006). com o intuito de estabelecer um equilíbrio nas contas públicas. de acordo com a capacidade contributiva isonômica: a cada um na medida de suas possibilidades. Esse arcabouço será mantido pelas receitas originárias e. Desta forma. Dessa feita. conclui-se que o exercício da competência tributária é obrigatória. é extorsivo. O Estado de Direito enxerga na tributação a via pela qual ele efetiva suas funções. O poder de tributar. PODER DE TRIBUTAR é prerrogativa de impor a tributação. a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). Assembléia Legislativa. principalmente. aduzido materialmente por meio da tributação. E ela foi efetivada pela instituição do poder de tributar. de criar tributo. para formar o bolo. A coletividade deve contribuir. É exercido pelos entes políticos (União. titulares da competência tributária. CF/88.30 A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço. para órgãos e para serviços respectivos (JERKINS apud DI PIETRO. os quais conformam as limitações ao poder de tributar). havidos por meio das imunidades e dos princípios. detêm parte dele – para exercê-lo dentro dos limites de sua circunscrição e mediante determinadas condicionantes (imunidades e princípios. em sua essência ontológica. Câmara Municipal) podem instituir tributos. 145. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR tem dois objetivos e se faz mediante dois instrumentos: proteção ao federalismo e aos direitos fundamentais. em uma atividade administrativa. a qual pressupõe um custo para agentes. Dessa forma. preceitua. “caput”. de interesse coletivo. CF/88. de modo a permitir a consecução dos fins da própria gestão pública. 145. exercício de direito fundamental . a criação de tributos. criando tributos até mesmo de forma errônea. que a gestão fiscal equilibrada pressupõe. entretanto. à luz do art. dentre outras medidas. E por que não há ADIn? Pela razão fática de que o Estado já onera o contribuinte por demais. pela atividade fiscal ou receitas derivadas (tributação). a divisão nacional do poder de tributar é a fatia de competência tributária relegada a cada um dos entes políticos.: a imunidade de livros presta-se a maximizar a divulgação de idéias. 11. Deve-se distinguir. Com efeito. “caput”. Segundo Carlos Ayres Brito. “caput”. Neste sentido. que surge depois da exigência. de responsabilidade fiscal. Esta tarefa será efetivada por meio da Administração Pública. Ex. sabendo que não tem o todo. deve prestar serviços públicos mínimos. o direito potestativo de tornar exigível a obrigação (adequado ao lançamento) e o direito subjetivo de crédito. Considerando que o dispositivo legal está em choque com o art. O instrumento de criação do tributo é a lei.

conferindo parte da receita auferida por uns entes a outros.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Estados (art. em si. III. De forma suplementar ao poder de tributar. por comando constitucional. CF/88). e 220. há normas exclusivamente federais. em qualquer esfera de Poder. II. 159. Ex. tendo como fim promover o federalismo e a proteção aos direitos fundamentais. O poder de tributar foi criado para garantir autonomia financeira à pessoa política. VI. 25% do ICMS é destinado aos municípios do respectivo Estado arrecadador (art. § 6º. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS – decorre do ranço de valorizar majoritariamente o Poder Central. DF e Municípios). todos os entes políticos (União. mediante o comando autorizador dado pelo constituinte federal. 145 e 150. CF/88). A imunidade tributária é uma regra de não-incidência da competência tributária. é produzida no município. com o mesmo escopo federalista e valorizador dos direitos humanos. existem as regulações do poder de tributar. porque a exploração econômica do patrimônio público é prática na contramão da tendência moderna e pós-moderna. Fazendo tais considerações. Entretanto. 155 e 156. destinado às áreas geográficas menos desenvolvidas (Norte. não cria tributos. com o fim de efetivar a idéia da união federativa (art. o constituinte colimou re-equilibrar a federação. É fato de que toda esta renda. cuja receita deva ser repartida com outro ente político. CF/88). À guisa dessas não-incidências. I. “b”. . se for o caso de tributo.: arts. nas respectivas atividades de exportação de produtos industrializados (art. o constituinte institui o mecanismo de repartição das receitas. CF/88). IV. Ex. 159. ou seja. 5º. Estados. CF/88). Neste diapasão. 10% do IPI aos Estados. Ex. quando estas se aplicam exclusivamente à União. em regra.: metade do IPVA é destinado ao município onde foi emplacado o veículo (art. As Constituições estaduais e distrital e as leis orgânicas municipais também não criam as exações nem determinam competências. simultaneamente. aduzida e qualificada pela Constituição. I. Todavia. concretamente. a União deve entregar parte de sua riqueza tributável aos Estados e aos Municípios. 148. Em contrapartida. CF/88. “c”.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Municípios (art. o exercício da competência é coercitivo. 22. Quem institui os tributos é a lei ordinária. 21. CF/88). 5º. é cediço postular que a Constituição. A CF/88 somente determina a competência tributária. O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL possui dois enfoques: 1ª corrente – será nacional quando suas normas vinculam.31 (arts. 158. CF/88. Também é nacional a norma que vincula determinada categoria de pessoa política. 159. CF/88. Nordeste e CentroOeste). 158. assim como é a imunidade de templos e religiões. Ex. IX. I. CF/88).: arts.: arts. para que os maiores entes políticos não fiquem com todas as rendas tributárias. “a”. IV. XIV. 3% do IR vai para programas de financiamento do setor produtivo. 159. regras a determinar como deve ser exercida a competência tributária. porque se presta à liberdade de culto (art. e lei complementar excepcionalmente. CF/88).

Quando uma norma da CF/88 dá competência tributária para um ente determinado político. etc. 37. na letra do art. CTN. Na esteira. A captação da riqueza particular em favor do interesse público não pode depender da voluntariedade do contribuinte. não é permitida discricionariedade na prestação ou não do tributo. 356 a 359. 50 STF. outros doutrinadores protestam no mesmo sentido. depreende ferrenha crítica à redação do art. consegue enxergar. Nesse passo. regulamentou a matéria de dação em pagamento de tributos por meio de bens móveis. Trata-se de instituto oriundo do Direito Privado (art. p. aquilo que um Estado (ou tribo) devia a outro em decorrência de autêntica relação de vassalagem (FÜHRER e FÜHRER. a doação (art. isto é. instituída por lei e cobrada por lançamento. ADIn 1917-DF. A vontade não se vincula à formação da relação jurídicotributária (obrigação tributária). CTN. 2001. papel selado. consoante comentário a ser aduzido. Teoria Geral da Tributação CONCEITO DE TRIBUTO – etimologicamente. Tributo é prestação pecuniária compulsória. Prestação pecuniária48 – está ligada à idéia de riqueza. de vantagem patrimonial. op. Amaro. poderia sugerir que o tributo decorrente do negócio jurídico não estaria Hugo de Brito Machado. em que a ela é pressuposto de existência. ou seja. Compulsória – é a eliminação do elemento vontade. Segundo o art.. 146. por outro lado. sob pena de inexistir a tributação. XI. contrariando o impedimento sistêmico imposto pela CF/88. CTN). com métodos antiquados de pagamento: vale postal.32 2ª corrente – é integralmente nacional. CF/88)50. 49 A Lei 1624/97-DF. convivendo. 3º. 538. p. razão pela qual uma lei ordinária estadual. por exemplo. Ao sujeito passivo. simultaneamente retira dos demais. cit. estampilha. Não se admite o tributo “in natura”. estaria impedida de versar sobre o tema49. 19 a 21. CF/88. admitindo a dação de bens móveis como forma de extinção do crédito tributário. Informativo do STF n° 136. a matéria em análise deve estar afeta à lei complementar. 3º. aquele pago com bens agrícolas. Tais formas de pagamento do tributo são usuais. O CTN prevê a dação tão-só para bens imóveis. Forense. Pecúnia é a moeda corrente (Real) ou o próprio cheque. 48 . XXI. pago em moeda ou outro valor que possa nela ser exprimido. Curso de Direito Tributário. CTN. ao contrário dos demais negócios jurídico civis. protestando pela impossibilidade absoluta na prestação não pecuniária referente ao tributo. CC). por representar uma liberalidade.. por exemplo. uma lei que permitisse a dação por bens móveis ofenderia a exigência constitucional de licitação para a aquisição de mercadorias pela Administração (art. 3º. A tributação é um ato de agressão patrimonial obrigatório e coercitivo. A LC 104/01 inseriu o inciso XI no art. 1993. tributo vem do latim “tributum”. Em sentido totalmente oposto. Ademais. ao prever uma nova causa extintiva do crédito tributário – a dação em pagamento. Rio de Janeiro. I e II. 162. III. 7ª ed. 156 do CTN. “b”. diversa de multa. – por meio da expressão “cujo valor nela se possa exprimir” – uma forma de compatibilização com o art. CC). 156. (art. indicando a possibilidade de se entregar um bem distinto daquele anteriormente avençado. A definição jurídica de tributo encontra-se no art. CTN. 17). na extinção das obrigações.

Nesse âmbito. Não há propriamente grande diferença entre os conceitos. Nessa seara. pois somente alguns recebem o serviço “uti universi”. por taxas – também conhecido por preço tributário. prestados diretamente por ele. As taxas podem ser de serviços propriamente ditos (coleta de lixo. Além disso.) e aquelas decorrentes do poder de polícia. elas aproximam-se dos preços. Uma vez ocorrendo o negócio mencionado. o consumo do serviço também é compulsório por parte do administrado. do contrário. enquanto todos contribuem para ele. O teor do serviço prestado determinará o tipo de contraprestação. etc. no máximo. porque o fenômeno tributável é o ato em si e não seu caráter voluntário (“animus donandi”). não se cogitando de sua submissão e inclusão no sistema tributário. O primeiro é “remunerado” por meio de impostos e os segundos.. Inexiste compulsoriedade. eles serão de domínio público exclusivo do Estado. é cediço recorrer ao Direito Administrativo para desigualá-las. água e esgoto. CF/88). No diapasão. para tutelar a coletividade. são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. 155. no qual fica patente que o preço público é a remuneração de um serviço público prestado indiretamente pelo Estado (por concessão ou por permissão). Nesse sentido. porque há opção na contratação (liberdade de contratar). 116. as taxas são devidas desde que colocados os serviços à disposição do usuário.33 abarcado pela regra da obrigatoriedade. diferentemente daqueles. Ledo engano. de . cit. Pode. Ao revés. em relação à lei que as instituiu”. pode haver duas espécies: os serviços a título universal e singular. Ambos se submetem ao regime de Direito Privado. I e § 1º. p. Caso seja prestado por entidade da Administração Indireta (sociedade de economia mista ou empresa pública). porque estas. 52 O preço é a remuneração por qualquer serviço não tributário. há três taxas que fogem à idéia geral de sua concepção: judiciárias. de preservação ecológica e de emissão de passaporte. com exceção da nomenclatura. No entanto. para corrigir a imperfeição da arrecadação por impostos. mesmo que deles não se utilize. é lícito o lucro e a livre concorrência. incidirá o ITCMD (art. op. Só há aquele meio de uso. mas tão-somente pelos efetivos. A contraprestação dessa espécie de serviço é tida por preço (não tributário). sem permitir o lucro (distribuição de dividendos) e a livre concorrência. mas não se lhes equiparam. 51 Súmula 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. O pagamento dessa então se deve à retributividade do custo do serviço prestado. há serviços públicos que não cabe ao Estado prestar. São conhecidas vulgarmente como “taxas de uso”. É o entendimento esposado por Cassone. de um serviço privado de livre concorrência. descentralizar a atividade. enquanto preço privado. Nesse campo. pendendo facultatividade na contratação e na conseqüente remuneração (autonomia da vontade). Em tese. por questão de interesse público da coletividade. também conhecida como tarifa52. O constituinte preceituou que o Estado preste alguns serviços públicos de interesse público primário. denomina-se preço público. São exações atípicas. A natureza do ajuste entre as partes é contratual. porque não serão remuneradas pelos usuários em potencial. não existindo outra opção. A Súmula 545 do STF51 determina a diferenciação entre taxa e tarifa: a compulsoriedade. é chamado de tarifa ou preço privado.

quando por ele prestados. ao verificar conveniência da melhor escolha. caso contrário. remoção de lixo. 5º.34 Em resumo. permite exploração de lucro. sendo fixado unicamente para custear um serviço. De fato. A LC 104/01 apôs o inciso XI ao art. etc. Lapatza (apud AMARO. etc. Mas a LC 104/01 alterou bastante o CTN. sem qualquer outra espécie de remuneração. p. . no âmbito da competência tributária respectiva. não acarretam ranhura ao interesse público. Min. Como se trata de norma de eficácia limitada. remunerados por taxa. Não há pacificação doutrinária quanto ao tema. continua Amaro (2006). quando houver previsão no ato de delegação (contrato ou ato administrativo). indelegáveis e passíveis de taxação. 2006. sepultamento. XXIII. nessa forma. Ex. pode ter parcela revertida ao Estado.: quanto ao serviço funerário. podem incitar a remuneração por meio de taxa. Títulos da dívida pública. CTN. Essa já preexistia. é delegável à iniciativa privada. mitigando essa construção. sua remuneração pode ser extraída de preço. permitindo que o legislador ordinário pudesse receber crédito tributário de outra maneira que não moeda. pois salvo melhor juízo. Para justificar a existência do IPTU. é uma prestação “in natura”. O imposto tem por fato gerador a propriedade. mediante utilização efetiva ou potencial (água. ao prever a dação em pagamento por bens imóveis (bem diverso de moeda) para extinção do crédito tributário. Moreira Alves. outros entendem que há uma exceção ao seu conceito. não incidindo o “jus puniendi” estatal. Prestação de serviço e produtos não são formas corriqueiras de recebimento pelo fisco. segundo entendimento já firmado pelo Excelso Pretório53. A determinação de uma ou de outra saída reputa-se ao legislador. pode também ser objeto de preço. necessita de LO para regulamentação. gás. 53 Cf.). remunerando-o do custo envolvido e de uma parcela de lucro. A ilicitude da conduta somente provocou a progressividade. a dação. Moeda é a principal forma corrente de transmitir riqueza. não podendo o Estado cobrar por aquilo que não prestar ou o usuário. poder-se-ia advogar a natureza tributária. O primeiro se reverte inteiramente ao Estado prestador do serviço. 156. os essenciais ao interesse público. A progressividade do IPTU visa preservar a função social da propriedade (art. permissionário ou autorizatário de serviço público delegado. Paga em moeda (regra) ou valor do qual se exprime (exceção) – tributo deve ser pago em dinheiro como regra. Para o eminente ministro. 54 Cf. hoje não mais usados. CF/88). energia elétrica. o que diferencia a taxa e a tarifa é a natureza do serviço público prestado. telefonia. não autorizou a incidência da exação em si. Eventualmente. O fato que gera a obrigação tributária não é uma conduta contrária ao Estado de Direito. 45) afirma que os serviços públicos inerentes ao Estado. suficiente para atrair o afã do particular e manter a atualidade da prestação. sendo delegáveis e pagos por preços públicos (serviço postal. esgoto. O princípio do “non olet” pode ser vislumbrado nos exemplos da renda auferida por traficante54 e do IPTU com alíquota progressiva. O Direito Administrativo distingue o preço público da tarifa (ou preço privado) sob alguns aspectos. por aquilo que não utilizou (cartórios judiciais e emissão de passaporte). em prol da comunidade. A doutrina mais tradicional afirmava que o tributo não se paga “in labore” nem “in natura”. Já o segundo se volta a concessionário. Direito Público. O valor que se pode exprimir é um conceito aberto. em face do desrespeito às normas urbanísticas. Diversa da multa – o tributo não é sanção por ato ilícito. rel. os não essenciais. não é serviço exclusivo de Estado. permitindo a dação em pagamento para crédito tributário.). REsp 167489-SP e RE 89876-RJ. Todavia. os serviços públicos divisíveis e singulares podem ser catalogados em 3 planos: os propriamente estatais. nota de rodapé “4”. porquanto não usados. cheque e selo já foram algumas dessas formas.

CTN55: . Dentro dessa realidade. O mecanismo visou movimentar a máquina estatal para cobrar dívidas tributárias com o menor esforço. O imóvel a ser oferecido será o expurgo de grandes empresários. como rol exemplificativo. Isso se deve ao fato de que os pequenos devedores do fisco não possuem dívidas de montante a justificar a dação de imóvel. mesmo porque a maioria deles não possui bens de raiz ou se os tem. XI. 156. seguindo a orientação de recuperação fiscal (REFIS) italiana. III. havendo uma desigualdade aos iguais. “b”.Lesão à isonomia – o princípio. será de família. porque exorbita de sua competência regulamentadora. 156. por colidir com o espírito Carta de 1988. CF/88). 55 A ADIn 2405 versa sobre dação em pagamento na extinção de crédito tributário. equiparada àquela espécie. porque se presta a permitir que grandes devedores extingam seus créditos tributários sem desembolsar nenhum centavo. a dação de bens móveis. possibilitando o “sucateamento” do fisco. XI. como está. CF/88). as leis que instituem esses programas geralmente condicionam sua concessão à desistência de demandas judiciais. o gênero REFIS engloba várias categorias. Esse dispositivo. muito pela pretensa inafastabilidade do Judiciário (art. CF. o Brasil tentou implementar a mesma política. somente a favorecer certa parcela das pessoas. porquanto opera discriminação aos iguais. II. Essa antítese pode ser solucionada pelos seguintes argumentos. Dessa feita. há formação de um privilégio. muito mais afeto à sua realidade. Com efeito. por sua gramática. Mas esses argumentos podem ser contestados. 156. . essa espécie acabou sendo. Juridicamente.35 A grande questão que se coloca é a possibilidade ou não de deferir dação para bens mobiliários. a jurisprudência pacífica os considera legítimos. Aqui. não permite que o fisco trate desigualmente pessoas iguais. surge uma brecha a legitimar. Apesar dos contribuintes se debaterem sobre a constitucionalidade dessa disposição. pela necessidade de eficácia da norma. dentre elas o parcelamento. XI. conquanto se trata de opção do contribuinte. XXXV. 150. Entretanto. Mas essa interpretação conforme a Constituição talvez ferisse os freios e contrapesos da divisão orgânica do poder. Com efeito. elemento proibido na ordem tributária nacional. 5º. Nesse passo. 156. bens de categoria inferior. seria inconstitucional. XI. A norma do art. somente parcela poderia efetivar o desejo. CTN) e inconstitucional (art. No mesmo sentido estão os pequenos empresários. CTN. Essa é a finalidade política da dação. reputando o art. estipulado no art. o pequeno devedor deveria ter a possibilidade de adimplir seus débitos com bens móveis. CTN. Somente alguns possuem imóveis. 146. a dação de bens imóveis é uma manobra ardilosa. De todos aqueles que possuem “animus solvendi”. por metonímia. em favor da inconstitucionalidade do art. permitindo resolver as questões na esfera administrativa. se presta. A LO que dessa forma dispusesse seria ilegal (art.

como tal. a hermêutica extensiva é a melhor solução ao intérprete. anistias. não se permitindo sua exegese restritiva. XI. CTN. “caput”. Mas a interpretação restritiva deve se ater à concessão de liberalidades (isenções. CTN. da economicidade e da operabilidade.c. permite a dação de imóveis. A função do operador do Direito é buscar essa verdadeira “mens legis”. gênero da dação em pagamento. haveria um contra-senso na extinção do crédito tributário. ainda que não exigível . I a IV. O conceito de compensação se aduz da lei civil (arts. pacificando a relação jurídico-tributária e conferindo segurança à sociedade e ao particular. discutiu-se o pagamento do tributo por meio de compensação com precatórios. ao descrever a compensação do crédito tributário. O texto do art. Ainda nessa seara. O art. em interpretação literal. viola os princípios da razoabilidade. 110. permite a compensação. 156. na seara administrativa.Art. evitaria o movimento da máquina Judiciária. CTN. no seu art. 170. 156. o dispositivo em tela não proibiu a interpretação extensiva de norma de extinção de crédito tributário. I a III. deve ter o desejo atendido. Por que chegar a ponto da cobrança judicial se o entrave pode ser resolvido no momento préprocessual. CTN. portanto. lesando a razoabilidade. O legislador não tem a capacidade de exprimir toda sua vontade simplesmente pela letra da lei. CTN). . não urge a interpretação restritiva do art. O intérprete não tem o direito de colocar restrições onde o legislador não fez. somente depois do processo judicial devido. Dessa feita. 111. XI.36 . XI. certo. art.) e às extremas exceções (dispensa de obrigação acessória. CTN. c. 368 a 380. CTN – exige a interpretação estrita em matéria de exclusão e de suspensão de crédito tributário. . Afora esses dois casos. LEF). Para solver o problema. porquanto a execução fiscal poderia não atingir outros bens (incerteza). poderia haver a compensação da forma descrita. O fisco não aceitar o bem móvel certo. a hermenêutica restritiva não pode ter vez. obrigando-se passar por esses antes de um imóvel (art. permite o precatório como forma de crédito líquido.Interpretação sistemática do CTN com a LEF – o art. etc. a lei deve viabilizar a intenção. CC. mas não proibiu a dação de móveis. Se o legislador determinou a prevalência na penhora de móveis antes de imóveis. Em tese. afinal há coincidência de afã com o interesse público. 156. Esse mecanismo favoreceria a economicidade. 11. Com efeito. O devedor quer pagar e. 156. I a XI. CTN. em seu inciso II. Na mesma esteira. estaria em flagrante afronta à realidade. porquanto. I a XI. 156. o art. por exemplo). poderia pagar com seus bens móveis. administrativo? Se o devedor pudesse adimplir antes da execução fiscal com seus móveis. No ponto.Segurança jurídica – a extinção da relação jurídica tributária é o grande fim colimado pela lei. ao definir as modalidades de extinção do crédito tributário. A LEF permite a penhora sobre bens móveis.

9º. REsp 747.. rel. rel. a facilitar a elisão tributária de grandes pessoas jurídicas ao mesmo tempo em que flanqueia ao Estado a lesão de direitos fundamentais.986-MS. revogou as disposições anteriores por dispor de forma diferente. AgRg no REsp 762. j. está-se em discussão a possibilidade de configuração ou não de crime de quadrilha (art. a fim de possibilitar cessão de crédito ao seu patrimônio e. Ganham os empresários – que sonegaram deliberadamente – e ganha o Estado – que percebe seu tributo e não precisa adimplir seus compromissos indenizatórios. constantes do CP. Nesse sentido.12. desde que haja uma lei ordinária a regulamentar a compensação. 170. e os arts. HC 56. os grandes grupos econômicos fazem “lobby” para o não pagamento do precatório. STJ. O art. Concluindo. Arnaldo Esteves Lima. como ocultação de faturamento da empresa. a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário que visa tão-somente à perpetuação desse sistema censitário. 34. 26/6/2007. seguindo os ditames do art. mormente. j. não erigindo termo final para tal. econômica e relações de consumo56.6. o rel. porque haveria 56 Os arts. 5ª T. Min. § 3º.799-SP.144-PR. No ponto. Via de regra. Informativo do STJ n° 325). Lei 10684/03. o termo inicial da prescrição penal será o da correspondente decisão administrativa definitiva (STF. Min. Moreira Alves. porquanto jamais recomporá os danos de terceiros. DJU 1º/2/2006. de modo a favorecer. pelo pagamento. “caput”.. j. HC 81. RO em HC 77258-2. perfaz-se a prescrição do delito correspondente.1999. em que pese a previsão da Lei 10684/03 silenciar sobre eles (HC 48. 14. Min. e 78. Lei 9964/00 e 9º. O comando autoriza a extinção da punibilidade. Min. Sepúlveda Pertence. desde que haja pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia (arts. rel. CTN. 23. Min. CP) nos delitos fiscais. a qualquer tempo. 34. § 2º. . os quais só se concretizam pelo ato de lançamento do débito co-respectivo57. por conseguinte. 10.. No entanto. T. rel. Na esteira. na ADIn-MC 2099. A maioria da população deve ao fisco um crédito tributário de pequena monta. j. Atualmente. 1ª. DJU 20/5/2005. HC 84. “caput”.262-DF. Marco Aurélio Mello denegou a compensação. precatório exprime dívidas de grande valor. Maria Thereza de Assis Moura. dada situação simples. § 3º. 288. previam que a extinção da punibilidade somente se daria se o pagamento fosse feito antes da denúncia. j. o STJ tem dado interpretação analógica à extinção da punibilidade pelo pagamento ao delito de descaminho e aos previdenciários. Destarte.611-DF. 13/9/2007. realizar a compensação. No mesmo sentido.805-SP. CF/88.829-PR. delitos de sonegação fiscal e contra a ordem tributária. a jurisprudência pacífica se posiciona no sentido de que a constituição do crédito tributário definitivamente efetivada é condição objetiva de punibilidade por delito fiscal (STF. Esse expediente foi bastante corroborado com a possibilidade de não incidência da lei penal nos crimes tributários (Lei 4729/65 e 8137/90). para possibilitar a compensação com seus débitos fiscais. Lei 9964/00. somente médios e grandes empresários possuem montante de dívidas tributárias a justificar a compensação. Informativo do STJ n° 331. Mas existem alguns entraves à operabilidade desse mecanismo. Min. Eros Grau. HC 81611/SP. HC 77. e 15. O STF tem bastante complacência com essa sistemática. 57 STF. erigindo um paradoxo. RT 770/492).8.2007. porquanto aqueles grandes empresários adquirem os direitos creditícios por valores bastante inferiores ao nominal. Lei 9249/95. rel. DJU 16/4/2007. Informativo do STF n° 476.2003). DJU 13/3/2006. DJU 29/4/2005. ADCT. Ocorre que a jurisprudência pacífica entende que os crimes tributários são materiais. Se a prescrição qüinqüenal já atingiu a pretensão do fisco em exigir judicialmente o débito ou a decadência fulminou o direito postestativo de realizar o lançamento. no HC 84223/RS. Lei 10684/03). 100. Certamente. 15. Não há decisão sobre o assunto dentro do próprio Supremo. Lei 9249/95. 1ª T. A despersonalização do precatório reside exatamente nesse ponto. essas empresas geralmente não possuem precatórios para com o Estado. “caput”.37 (parcelas vincendas ou vencidas).

153. em um autêntico mandato sem reserva de poderes. justiça (igualdade) e segurança jurídica (fraternidade ou solidariedade). Sobre esse último (art. VII. segundo colocação do constituinte. Dessa forma. ao interesse público. Quem instituirá o imposto seria a LO. a irretroatividade e a transparência são sucedâneos da legalidade. Ademais. . 1ª Seç.. de modo a tutelar um dentre três elementos basilares – liberdade. porque ambos são causas subjacentes do mesmo crédito tributário (art. a EC 30/00 permitiu expressamente a compensação de créditos tributários. porque colima a lealdade e refuta o abuso de direito. Inobstante tal colocação. por questão de urgência (art. em flagrante afronta ao comando do constituinte (art. Apesar de razoável a explicação. O princípio da legalidade visa proteger um valor básico: dar limite ao exercício de competência. é a tradução da atividade desse mandatário. mas sim que deve ela definir “grande fortuna” (CARRAZZA. e 139. 148. Dessa forma. Instituída por lei – há quatro tributos que necessitam LC: empréstimo compulsório. Trazendo o raciocínio para o Direito 58 STJ. há controvérsia doutrinária. 113. A finalidade do art. impostos residuais. 100. 153. Ele gere a coletividade em favor dela própria. com exceção do empréstimo compulsório.38 lesão à ordem cronológica de pagamento dos precatórios. a seguir o comando alterado e existente na própria Constituição. CF/88). 148. § 1º. Por fim. incompatível com a previsão de LC. No entanto. o emérito ministro ainda argumentou no sentido de lesão aos interesses dos sujeitos ativos dos precatórios. CTN)58. trata-se de posição minoritária. A segurança jurídica se desmembra nas vertentes legitimidade e não surpresa. para o povo e pelo povo. A Constituição não diz que deve ser instituído por LC. é evitar que empréstimo compulsório seja instituído por MP. 1991). a legitimidade do ato democrático se consubstancia pela democracia representativa. CTN). cujos representantes eleitos manifestam a vontade popular. contribuições de seguridade residuais e imposto sobre grandes fortunas (IGF). na ADIn 2851. CTN. o administrador é eleito do povo. legítimos detentores dos direitos neles exprimidos. seriam ultrapassadas pelo mecanismo. as dívidas de pequeno porte. diversos daqueles já previstos na Carta. é o “norte” que deve seguir o agente político. Não quer dizer que a LC vá criar o tributo. I. Não é a volição própria do administrador que deve imperar. No tocante à legitimidade. CTN. CF/88). Com relação a esta. lembra-se que o STJ tem admitido compensação de multas moratórias pagas indevidamente com tributos. É justamente a última que será protegida pela legalidade. o STF passa a perfilhar a disposição do constituinte. A lei. meio pelo qual o povo empresta ao Estado publicidade. por conseguinte. EREsp 760290. porque a expressão “nos termos de lei complementar” se refere à regência de todos os impostos do art. O respeito à vontade popular. 1993). fazendo cair por terra o argumento supra citado. amplitude e aplicabilidade de suas disposições (CANOTILHO. a anterioridade. “caput”. inclusive as alimentícias. II. LC só será exigida para a instituição de tributos residuais.

receita da espécie derivada (arts. é a manifestação democrática do povo. consiga-se perfazer a justiça distributiva e manter o estado de bem-estar do povo. FUNÇÃO DOS TRIBUTOS – em que pese haver tributos não vinculados – impostos –. Em comentários abaixo. todas as exações prestam-se a. Cobrada por lançamento – é a atividade administrativa plenamente vinculada. A culpa só pode se ater às duas primeiras condutas (auferir vantagem ou causar prejuízo). Entendendo essa colocação. A autoridade fiscal é obrigada a realizar o lançamento. CTN. afirmando que o crédito surge na ocorrência do fato gerador. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS – natureza jurídica é a qualidade essencial do instituto. define o lançamento. Para essa última conduta. sob a óptica do Direito. por meio dos serviços públicos. sendo enquadrado como ato de improbidade administrativa. essa idéia será mais bem delineada. é necessário que haja dolo. “caput”. Lei 4320/64). Paulo de Barros Carvalho. causar prejuízo ou violar princípio da administração pública (art. O tributo é uma forma de ingresso público (valor positivo ao erário) derivado. O ato de improbidade pode se ater a três condutas: auferir vantagem. o legislador qualificou o tributo como entrada definitiva. A atividade de cobrança de tributo é o próprio lançamento. instituído legalmente. os quais são consubstanciados pela parcela da riqueza de cada qual para o bem comum. em sentido contrário. para que.Obrigatoriedade – não existe discricionariedade permeando o procedimento administrativo. 9º. Qualquer conteúdo patrimonial 59 Cf. . isto é. 2006). 3º. CTN. o tributo. Essa assertiva diz respeito à sanção disciplinar no âmbito do estatuto. “caput”. direta ou indiretamente. devendo ser prevista pelo legislador. O art. Seu parágrafo único prevê como conseqüência pelo descumprimento a responsabilidade funcional (administrativa). referida no art. Essa tarefa só é possível quando são alocados os meios necessários. O procedimento vinculado se rende a duas idéias: . . representado pela efetivação dos direitos fundamentais através da prestação de serviços públicos. a grande finalidade da tributação é arrecadar.39 Tributário. Deve fazê-lo de acordo com a norma. Nas palavras de Carlos Ayres Brito. por uma questão de segurança jurídica. Em suma. 11. Essa não pode ser presumida. Lei 8429/92). § 1º. A Lei 8429/92 regula exatamente o reflexo. a função do Estado é manter o nível mínimo de dignidade da pessoa humana. não alcançando a seara penal. pois a culpa não a caracteriza (DI PIETRO. de conseqüência administrativa e cível. Improbidade é um ato híbrido. e 11. custear a máquina estatal. mesmo não se tratando de Direito Penal (STJ). Os desrespeito a esses dois postulados pode levar a conseqüências para o agente. 142. O CTN perfilha a teoria de que o crédito é constituído pelo lançamento59.Nos termos da legislação – não é dado ao agente a prerrogativa de escolher o modo de fazer.

é o fenômeno no qual o contribuinte legal ou de direito (contribuinte de “jure”) consegue repassar a carga tributária a uma terceira pessoa. CTN). Já o valor auferido pela contribuição tem destino certo. Excepcionalmente. apesar de não sê-lo na sua natureza. O imposto é uma receita totalmente desvinculada. outras exações diretas podem comportar repercussão tributária. haveria uma controvérsia para com o art. Dessa forma. aos indiretos. vide expressa previsão legal no art. Na primeira situação. Excepcionalmente. taxas. isto é. o ônus do recolhimento da exação se defere a um terceiro (substituto tributário). não deve esse último ser qualificado como “receita”.: IR. Por não ser ingresso definitivo. Observe o seguinte esquema: CLASSIFICAÇÕES DOS TRIBUTOS – duas classificações são mais importantes: tributos diretos e indiretos e impostos reais e pessoais. refere-se aos tributos diretos. I. Ex. tributo é empréstimo compulsório (ingresso temporário. CF/88). já que na acepção técnica da expressão estas designam apenas os valores que entram em caráter permanente. mesmo que ambos não estejam vinculados a uma prestação estatal específica de sua parte. O fisco desconhece tal relacionamento privado (art. a espécie tributária é determinada pelo fato gerador. os empréstimos compulsórios preservam seu caráter de ingressos públicos derivados. CTN).40 entregue ao Estado pode ser considerado ingresso ou entrada. na segunda. II. o legislador flanqueia a bi-tributação (“bis in idem”) – um fato gerador produzindo dois tributos. Aparentemente. mesmo não sendo receita. II. II. Entretanto. 4º. É o caso. Ex. Todo tributo tem por natureza jurídica ser um ingresso público derivado. 4º. 9º. Contudo. Em outros. por exemplo. Alguns tributos permitem que o próprio contribuinte pague. não restituíveis). contribuições de melhoria e especiais. não há de se confundir a natureza jurídica do tributo com a determinação da espécie tributária. são receitas derivadas (ingressos definitivos. cada tributo é identificado por sua hipótese de incidência. contribuinte de fato (contribuinte de “facto”). Como regra. somente o IPI e o ICMS são indiretos. É o caso dos impostos. 154. Lei 4320/64. Nesses últimos. 4º. restituível). 123. CTN). CTN). Repercussão tributária. Ex. A destinação dada ao imposto ou à contribuição é irrelevante para determinar a espécie tributária em análise.: o IEF pode conter fato imponível igual àquele previsto para outra exação (art. do pagamento de IPTU por parte do locatário. Em regra. não podem ser imiscuídos os conceitos de impostos e de contribuições especiais. “caput”. portanto. porquanto cobrará o . CTN. agindo o administrador com discricionariedade (princípio da não-afetação das receitas). o que determina a natureza específica do tributo é o fato gerador (art 4º. diverso daquele que detém relação jurídico-tributária direta para com o fisco. O que os faz diferir é justamente sua destinação. assumindo um viés de tributo indireto. Nesse passo. Porém.: IPI e ICMS. o verdadeiro devedor repassa a carga tributária ao consumidor final. Também não importa a destinação da receita gerada para definir o tributo (art. Na essência. Mas o “nomen juris” e a forma de cobrança do tributo são irrelevantes para determinar a exação (art.

as empresas sempre solicitam a compensação. Na prática. rel. Lei 9430/96. lembrar que a compensação de plano para com créditos de terceiros não é permitida. exigirá o valor do locatário. Lei 9245/90 (Lei do Inquilinato) permite essa transferência. rel.41 imposto do titular do imóvel. 20/9/2007. 170-A. REsp 653. a coisa. CTN. A demonstração objetiva de riqueza por parte do contribuinte dá ao fisco o direito de presumir que tem capacidade de contribuir. Informativo do STJ n° 327.203-RS. REsp 757. nesse ponto. 166. por ser praticamente impossível sua ocorrência. impetra-se mandado de segurança. j. No imposto pessoal. Min. sem exceção. j.441-SC. REsp 449. Todo imposto tem como fato gerador a conduta praticada pelo sujeito passivo e sugestiva de riqueza. Da denegatória.. “a”. 2ª T. Min. CTN. O contrário representa o imposto real. o Excelso Pretório manteve a posição (Súmula 71). O sujeito passivo tem condição de suportar o gravame.203-RS. O dispositivo permite. Castro Meira. 166. Por décadas. Min. Mas vamos supor que o recolhimento do tributo. 20/9/2007. 14/8/2007. Informativo do STJ n° 332. a alíquota incide diretamente sobre ela. CTN)62. PIS/COFINS-Importação. se o contribuinte de fato tentar fazer restituir o montante. rel. ela é atingida diretamente. A maneira como essa riqueza é espelhada determinará a classificação do imposto em pessoal ou real. Eliana Calmon. 22. dada a disposição do art. Eliana Calmon. 63 STJ.. porque não é titular direto de relação tributária com ele. admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda. a qual será negada pelo fisco. 62 STJ. ao contrário dos demais tributos. 166. em ação regressiva. apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. REsp 962. Min. em suas Súmulas 71 e 546 (já mencionadas). De fato. 2ª T. está-se diante de um imposto real. Na venda dos artigos. além da prova de ter suportado o encargo tributário. 61 60 . a “res”. uma vez que ele não suportou de fato a carga tributária (enriquecimento sem causa).553-MG. Informativo do STJ n° 332. o importador paga vários tributos na sua atividade (II. com redação pela Lei 11051/0463. AgRg no REsp 673. DJU 14/6/2006. II. Complementando. O maior exemplo dessa categoria é o IR. O fisco cobrará do locador e esse. CTN. ele repassará tais valores. REsp 757. fazendo com que o comprador arque com a carga tributária. § 12. atinge a renda. No mesmo sentido é a redação do art. no imposto pessoal. caso a riqueza demonstrada seja o patrimônio. seja invocado61. Dessarte. para furtar-se ao mecanismo. a base de cálculo é a renda. 74. No entanto. 2ª T. mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes60. Todo imposto.. Cediço. como bem dispõe a própria letra normativa.909-BA. Em tese. é necessário que haja pagamento indevido para que o art. O STJ. Todavia. STJ. No entanto. ICMS). indiretamente. esse entendimento leva à iniqüidade de restituição para tributos indiretos ou indiretos por equiparação. incidindo diretamente sobre a renda auferida. a art. 1ª T. É o entendimento esposado pelo STF. Denise Arruda. STJ. rel. O primeiro implica na pessoalidade do contribuinte. enquanto no real. seja feito a mais. j. nos casos supra.304-PR. Informativo do STJ n° 332. a qual foi ratificada pela súmula posterior. o fisco negar-lhe-á. esse acabará pagando o tributo. a restituição mediante autorização pelo contribuinte de fato. a qual só poderá ser materialmente aplicada quando a demanda judicial transitar em julgado nesse sentido (art. 20/9/2007. que implicam em prestação estatal. j. DJU 12/12/2005.. Na mesma esteira. O contribuinte de direito solicita restituição.

CF/88). 64 A EC 39/02 trouxe à tona a contribuição de iluminação pública (CIP). rel. RESp 431.Contribuição sindical (antigo imposto sindical). conquanto também residual (art. 8/8/2007. Trata-se de um ente anômalo. REsp 895. j. A modalidade de tributo chamada de taxa só pode incidir sobre serviço público individualizado.Para o Sistema “S”65. a norma que instituiu a CIP é ordinária e não complementar. Para "corrigir" tal problema. CFO. STJ. . Impostos 2. De intervenção no domínio econômico CIDE-combunstíveis.Fundo Aeroviário (FA).42 É possível classificar os tributos segundo o seguinte esquema: 1. Cf. I. Para profissões regulamentadas (CFM. Empréstimos Compulsórios 5. Para iluminação pública (art. 154. Tratando-se de imposto novo.Previdenciárias: Do empregado sobre folha de salários e equiparados. REsp 719. o governo fez aprovar a citada EC.Diretoria de Portos e Costa da Marinha (DPC). Taxas 3. REsp 446. Min. O fisco sempre deteve um afã para invadir o patrimônio do contribuinte. os quais não foram gerados pelo particular. anterioridade e irretroatividade. ao estabelecer que a CIP pudesse ser instituída mediante lei ordinária. DJU 21/3/2005. 1ª Seç. Os tributos devem obedecer a três ditames – legalidade. d. . . à luz do art. Eliana Calmon. .Salário-educação. CREFITO. Contribuições de Melhoria 4. REsp 705. Para seguridade social “lato sensu”: . No entanto. . CIDE-remessas para o exterior. .. 65 Contribuição de empresa prestação de serviço para o Sistema “S” é devida.924-RJ.146-RS. deve surgir mediante a edição de lei complementar. Outras Contribuições (ou contribuições especiais): a.CONDECINE (MP 2228-1/01). CF/88)64. Sociais “lato sensu” Sociais “stricto sensu” . AFRMM. Contudo. o que fere o princípio da legalidade. A CIP não se enquadra nas cinco espécies de tributos. 149-A. CFP. não sobre serviço de caráter geral. OAB – com a ressalva feita pelo STF na ADIn 3026/DF). Informativo do STJ n° 326. . IAA. . no sentido de custear a resolução de entraves do sistema elétrico do país.878-SP. o constituinte flagrantemente contra os próprios princípios da Carta Magna de 1988. DJU 2/5/2005.Para o INCRA (antigo FUNRURAL). DJU 11/4/2005. 4º. DJU 25/11/2002. Do empregado. segundo diz a jurisprudência. b.FGTS. Para alguns. a CIP é um imposto e não uma contribuição. previstas no ordenamento doméstico. “caput”. c. ATP. CTN.347-SC.502-RS.

caracterizando pela competência tributária. DL 1940/82. segundo lembra Chimenti. etc. revelando a parcela do poder pleno constitucionalmente designado para cada ente. segundo menciona a Súmula 94 do STJ: “A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”. . 22 e ss.Para seguridade social “stricto sensu”: CSLL-empresa (cuja base de cálculo e fato gerador são idênticos ao IRPJ). suas necessidades e suas competências legislativas e executivas (arts. 53.. educação. a incidir sobre a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços. 149. CF/88). a federação brasileira é formada por quatro entes independentes e harmônicos: União. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA – trata da distribuição do poder de tributar. CF/88). Características da competência tributária – podem ser arroladas três: . DF e Municípios. PIS-importador. exceto aqueles destinados ao exterior.43 Do estatutário para o RPPS (art. incluindo a competência. assim como outros poderes soberanos (jurisdição. SAT. sendo ratificado pela LC 70/91. sob pena de autodestruição. com a finalidade de preservar a 66 O Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) foi instituído pelo DL 1940/82. 1º.Limitabilidade – todo poder. os quais são tangenciados pelos princípios e pelas imunidades. op. CONFINS-empresa. habitação popular. foi basicamente alterada a alíquota e a destinação da exação. PIS-empresa. “caput”. o poder de tributar. A competência não foi determinada aleatoriamente. É formado por contribuição específica. Cada fatia do bolo tributário é determinado pela Constituição de 1988.). CSLL-importador. Nas palavras do art. Contribuição sobre receitas de prognósticos. CF/88). 195. § 1º. cit. o FINSOCIAL destinava-se a “custear investimentos de caráter assistencial em alimentação. Sua base de cálculo inclui o ICMS. I. Com a LC 70/91. saúde. Diferenciação entre poder de tributar e competência tributária – o poder de tributar é pleno e genérico. polícia. Levou em conta uma análise histórica da realidade concreta de cada um dos entes federados. CONFINS-importador. mas segundo critérios técnicos e jurídicos. CPMF. p. punitivo. determinando “quantum” dever-se-ia despender para manter a máquina administrativa e para levar a cabo os objetivos colimados por cada uma das pessoas da federação. Estados. e amparo ao pequeno agricultor”. O poder de tributar e sua competência não são exceções.. FINSOCIAL66. destinado ao Estado brasileiro e instituído pela Carta de 1988. . deve ser sempre limitado. Entretanto. Nesse sentido. a qual constitui uma das fontes de custeio da seguridade social como um todo (art. é repartido entre tais pessoas para evitar a balbúrdia. auferida por empresas públicas e privadas. É uma manifestação da SOBERANIA.

. Em verdade. 150. Esquematizando: RIGIDEZ DA TITULARIDADE Irrejeitabilidade Irrenunciabilidade Indelegabilidade Exclusividade FLEXIBILIDADE DO EXERCÍCIO Incaducabilidade Facultatividade - Crítica à facultatividade no exercício da competência tributária – a maioria da doutrina reputa por não obrigatório o exercício da competência tributária (parcela do poder tributário). seu exercício é facultativo pelo ente legitimado (art. CF/88). o autor afirma que o legislador não tem a facultatividade. A competência foi distribuída ao ente federado e não lhe cabe rejeitá-lo (irrejeitabilidade). A titularidade da competência tributária (de instituir tributo) também não pode ser emprestada a um outro titular. o constituinte estabeleceu uma segunda maneira de estabelecer a limitação: a regulação de incidência. O “modus operandi” de instituição do tributo é guiado “ex vi” dos princípios tributários constitucionais. mesmo que a competência tributária. VI.Flexibilidade do exercício – apesar da titularidade ser imutável. porque a Constituição não impõe. não podendo o titular abdicar do tributo lhe deferido.Quanto às taxas. Da mesma maneira. um titular não pode tomar o tributo de outro para si. Os limites são estabelecidos por intermédio de algumas formas: a proibição é uma delas.44 estrutura federativa e proteger as liberdades essenciais humanas. . O titular não está obrigado a criar a exação tal qual está previsto na Constituição e na LC regulamentadora. mesmo que seja um terceiro a título temporário (indelegabilidade).Rigidez da titularidade – distribuída a competência pelo legislador constitucional. construindo uma argumentação à parte: . a indelegabilidade é espécie da irrenunciabilidade. por ter a finalidade de corrigir o desequilíbrio dos impostos e de estabelecer a justiça distributiva. Além disso. O direito potestativo de instituir o tributo – desde que constitucionalmente previsto para certo titular – nunca se perecerá pelo não exercício no tempo.: não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade) de impostos sobre templos (art. não há de se alterá-la por mera medida legislativa. “caput”. não tenha ainda sido efetivada pelo titular constitucionalmente estipulado (exclusividade). 145. no seu exercício. Ex. é irrenunciável. Mas Carrazza (1991) protesta em sentido contrário. Além do mecanismo da vedação. CF/88). A decadência da competência tributária não se opera. mas o faculta. . “b”.

O que os fará diferenciar-se é o tratamento jurídico conferido. consonância com o anexo de metas fiscais e com a estimativa de receitas ou implementação de medidas de compensação (art. propiciando a suficiência das riquezas para o titular. adaptando os serviços públicos e os respectivos tributos distribuídos. demonstrando que a não incidência legal vai render frutos para o ente federado competente (art. 14. Para estabelecer tais estipulações. “caput”. Diversos princípios constitucionais sacrificam o modo de instituição e cobrança da mencionada exação. Se um imposto estiver com base de cálculo e/ou alíquota muito altos. porque há um contra-senso entre a possibilidade de conferir melhor dignidade ao administrado e a não instituição da exação (renúncia de receita). mas não obrigatório ao legislador. IPI e IOF) nem no cancelamento de débitos cujo valor de cobrança seja maior que o montante da dívida (art. Mas a inviabilidade da contribuição de melhoria quase que coloca o argumento à margem da discussão doutrinária. LC 101/00). § 3º.“Capacidade tributária” como atributo formador da competência (delegabilidade X indelegabilidade). A renúncia de receita pressupõe: estimativa de impacto no exercício financeiro aplicado e nos dois seguintes. a autonomia do titular do tributo não poderia ser entendida como facultativa. 67 . bem como para atingir metas razoáveis de gestão. IE. incidiria também a obrigatoriedade. na tarefa do exercício da competência tributária. I e II. 11. Delegação ordinária de capacidade tributária de fiscalização e arrecadação (limites estritos). para evitar o enriquecimento sem causa.. porque toda renúncia de receita deve ser justificada pelo administrador69. As palavras competência e capacidade possuem a mesma acepção etimológica. o legislador observou histórica e concretamente a realidade de cada ente federado. 14.45 . Carrazza (1991) respalda legalmente suas assertivas na Lei de Responsabilidade Fiscal (art. Instituir o imposto não é injusto. deverá ser reduzido. LC 101/00). mas o modo de fazê-lo pode ser68. Atributos formadores da competência – capacidade instituidora. . O atípico fenômeno da parafiscalidade (capacidade tributária ativa somada à deferência para administrar tributos). Dessa forma. essas condicionantes não se aplicam na mudança de alíquota de tributos extrafiscais (II. 69 A doutrina majoritária entende que o referido dispositivo é sugestivo. fez uma estimativa estrita das receitas derivadas para manter a máquina administrativa do ente federativo. ao estipular cada uma das suas treze espécies.Na contribuição de melhoria. remissão e anistia. fiscalizadora. arrecadatória. Aliás. LC 101/00). a. O constituinte. legislativa. 21 e ss. cit. LC 101/00). a instituição do tributo não vinculado se liga especialmente à capacidade legislativa e administrativa estabelecida na própria Constituição (arts. o legislador ordinário deve observar todos os tipos conferidos. É válido o argumento ao menos na seara teórica. CF/88). Entretanto. isenção. I e II. a obrigatoriedade se manifesta de modo mais arraigado..Para os impostos. porque alguns que tiveram seus imóveis valorizados e devem retornar sua parcela de riqueza acrescida ao erário67. crédito presumido e benefício fiscal devem seguir uma fundamentação contábil. fazendo um encaixe entre a atividade a ser prestada (serviço público) e os meios a serem empregados (tributos). Nesse passo. op. “caput” e §§. “caput”. de modo a distribuir parcela de riqueza entre cada um deles. observando um equilíbrio para com os outros. previsão na LDO. 14. 68 Segundo Carraza. bem como subsídio.

são conferidos determinadas aptidões para o exercício dessa competência: instituir. somente recolhendo o tributo (não pode executar e administrar os valores auferidos). Uma vez realizada a distribuição do poder de tributar. DF e Municípios. Desta feita. porquanto o delegatário parafiscal passa a ser o possuidor delas. da mesma espécie que instituiu o tributo. 153. é obrigatório ao Estado. as duas primeiras (instituir e legislar sobre o tributo) não são delegáveis – por questão de legitimidade –. Para um ente não-político – ente não-político é qualquer pessoa diferente da União. mas as duas seguintes (fiscalizar e arrecadar a exação) podem sê-las. Já a capacidade tributária ativa é passível de delegação. sempre possui capacidade tributária ativa. dela fazendo parte. podendo inclusive defender seus créditos). legislar. b. A capacidade tributária ativa é inerente à competência tributária. bastando mera lei em sentido estrito. Capacidade tributária X capacidade civil. porque o tributo é bem público indisponível. dependendo do ente político que a possui originariamente. desde constitua tarefa não essencial e inerente ao Estado. Tratando-se de lei ordinária. ARRECADAR. sendo que este não pode subdelegar nem legislar sobre o tributo (conceder remissão. CF/88 (EC 42/03). portanto. § 4º.: lotérica que recebe o pagamento do IPTU. O art. para justificar essa última.“Capacidade tributária” com prerrogativa de ser sujeito na relação tributária (material e processual. sob pena de renúncia de receita e má gestão fiscal. Aquele que delega não fica com as receitas. A delegação ordinária de capacidade não pode ser confundida com a parafiscalidade. Há duas possibilidades para a delegação: Para outro ente político. Ex. prevê um caso da possibilidade da União delegar a capacidade tributária ativa do ITR para os municípios. a titularidade plena da competência é estabelecida pelo constituinte. Quem tem competência tributária. O delegatário ordinário realiza a faina em nome do Leviatã. porquanto está taxativamente prevista na Constituição. inicialmente alheio à relação tributária. A doutrina majoritária. Ele atua em nome do . não podendo realizar nenhuma outra tarefa além dessa. capacidade tributária ativa é o dever-poder de arrecadar tributos e ficar com o produto da arrecadação. fiscalizar e arrecadar. Esta delegação é efetivada por LEI. entende que o Estado faz uma delegação atípica para as entidades parafiscais de forma plena. No entanto. essa delegação é realizada no âmbito de limites mínimos do poder de polícia.).46 Partindo desse raciocínio. em que pese não haver necessidade de tal disposição na Carta Política. gozam de suas receitas e administram seus valores. podem ser repassadas a um ente terceiro. denominadas capacidades delegáveis. isenção. anistia. pode ser delegada por medida provisória. Nessas quatro prerrogativas. III. A competência tributária é indelegável. etc. Essas últimas ações. Estados. conferindo-lhes capacidade tributária ativa (recolhem o tributo. ativa e passiva).

O sujeito passivo da primeira terá direito a ressarcimento proporcional. sociedade em comum. Há dois pontos interessantes nessa seara. o constituinte resolveu conferir-lhes titularidade para a capacidade ativa (arrecadar e fiscalizar). réu ou devedor – capacidade processual tributária passiva e ativa e capacidade material passiva. como bem preceituou o legislador no art. não podem exercer a competência plena (instituir e legislar sobre exações). porque tributo não nasce de erro de vontade das partes. Mesmo não sendo pessoa personificada. Além dos entes federados. Mas particular não pode ser credor de tributo. o valor a ser ressarcido pelo erário não tem natureza de crédito tributário. Há crédito em seu favor. a imunidade recíproca só se restringe a impostos sobre patrimônio. inerente e essencial ao Estado Democrático de Direito. 24. não precisa fazer licitação para contratação nem concurso para seus trabalhadores. • Pessoas físicas – é possível. . Há três hipóteses de pessoas não-políticas que podem ser delegadas: • Pessoas jurídicas de Direito Público – autarquias e fundações públicas.: INSS. não há delegação nenhuma por parte do Estado. chamados de pessoas formais (condomínio. Ex. ente coletivo despersonalizado pode ser demandado e demandar em juízo. tradutor juramentado. VI. Quem estabeleceu a repartição da capacidade ativa foi o constituinte. não podendo usar a execução fiscal para cobrança de seus débitos. mas da lei.No empréstimo compulsório. mas não é tributário. não cabendo no tocante às taxas. rendas e serviços (art. Fazenda Pública pode demandar em face de outra. perito nomeado. Ex.). arrecadando o tributo. Crítica à delegação atípica – com efeito. . I. com ele permanecendo e administrando-o.47 Estado. não é delegação de capacidade. CF/88). por uma questão de legitimidade (ausência de Poder Legislativo próprio). o STF definiu que a OAB não é autarquia federal. tabeliães.: notários. contribuições especiais e de melhoria. ou seja. a relação de ida (recolhimento do tributo) é tributária. • Pessoas jurídicas de Direito Privado – concessionários e permissionários. No segundo caso. “a”. Nesse contexto. É o fenômeno da parafiscalidade. porque foi a Constituição que estabeleceu a repartição das receitas. É pessoa “suis generis”. as entidades parafiscais são também credores tributários. mas não integra a Administração. possui personalidade jurídica de Direito Público. conquanto os preços públicos não se sujeitam à ordem tributária. quanto à devolução de crédito tributário: . Nesse passo. 150.Na ação de repetição de indébito. as contribuições de seus associados não têm natureza tributária. ela não se sujeita ao controle do TCU. O Estado não pode revogar a delegação. Em termos tributários. espólio. pode cobrar tributo (principalmente taxa) ou tarifa. Como as entidades parafiscais. Sua contabilidade também não é pública. ato natural e característico do instituto. etc. qualquer pessoa pode ser autor. mas a volta não. o ente federado do qual se descentralizou a atividade da entidade parafiscal deve legislar em seu favor. OAB70. CF/88. Dependendo do contrato de delegação. Sendo assim. mas não quer dizer que isso seja tributo restituído. como Machado 70 Na ADIn 3026. Alguns doutrinadores. nos termos da Lei 4320/64.

Entretanto. afirmam que o “bis in idem” diz respeito ao primeiro. não concordam com assertiva. dentro de suas Constituições. 2004. Os Estados também têm autorização para instituir contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de seus servidores públicos (art. geralmente o país que exporta não tributa o produto na saída. Se o Legislativo não acolher o tratado. seus costumes e seus mercados. . a 71 Globalização pode ser definida como o fenômeno jurídico. 146. Alguns autores. A bitributação foi excepcionalmente autorizada pelo constituinte no art. Exceções à permissão de bitributação internacional – a bitributação internacional é um entrave à globalização71. Alberto Xavier também elenca uma terceira situação: quando se refere a exações sobre o comércio internacional (bitributação internacional) – IE na saída dos produtos e II na entrada em país diverso. Paralelamente. político. I a XXV. § 1º. bitributação. vedados. enquanto a soberania. Há inviabilidade da ampliação dos mercados e da própria atividade mercantil. uma manifestação externa. 63). Eles poderão instituí-las. Nesse sentido. denomina-se “bis in idem”. A competência residual para taxa é deferida aos Estados. Dessa feita. dois entes desejam tributar o mesmo fato gerador (invasão de competência ou de autonomia). II. Há duas formas de atenuar ou eliminar a bitributação internacional: . Bitributação e “bis in idem” – um ente pode extrapolar de sua competência e exercê-la de modo excessivo. há uma tributação dupla sob a mesma ocorrência fática: no primeiro caso. Conflitos de competência – ainda que haja partilha do poder de tributar estabelecida pelo constituinte. CF/88). § 1º. enquanto a bitributação. Não se trata de mitigação da soberania. esse não tem validade na ordem interna. no momento em que há franquia para estabelecer IEG sobre fatos imponíveis já previstos para outros tributos (SABBAG. . de modo a reduzir as barreiras tributárias. CF/88). 30. social e econômico que tenta fazer. relegando à lei complementar tal tarefa (art. a teor do art. a autonomia diz respeito ao exercício de um poder interno. porque cada Estado possui soberania (duplo exercício livre de soberania).Tratado ou acordo internacional – para compartilhar um “contrato” entre os Estados. não se cuida – e não deve fazê-lo – a Constituição de solver os choques dessa natureza. em regra. CF/88. 154. 25. CF/88) nem da União (art.Imunidades na exportação – por questão de costume internacional. Em ambos. CF/88). afirmando que o valor teria natureza de exação. CF/88. I. através da moeda. 21. vez que o sistema dualista doméstico permite que os representantes do povo analisem o tratado firmado pelo chefe de Estado ou por seu plenipotenciário. no segundo. V. 149. excedendo-se na sua autonomia. desde que o serviço não seja local (art. persistem conflitos de competência tributária. Tanto “bis in idem” quanto bitributação são. utilizando essa nomenclatura. a reaproximação daquilo que se separou por força do choque das placas tectônicas: seus povos. querendo tributar duas vezes o mesmo fato gerador (excesso de competência ou de autonomia). porquanto somente aí há conflito de competência. a maioria dos países veda. p. ao segundo.48 (1993). Essa prática não é proibida.

Há atividade de mercância. 154. § 2º. Informativo do STF nº 469).2007. 155. Com a EC 33/01 (art. Por se tratar de situação excepcional. Informativo do STF nº 399. III. pelo qual entendeu que a bitributação é constitucionalmente autorizada. afirmando que o fato gerador é a importação (entrada de mercadoria e não necessariamente a circulação. ocorrendo a mesma hipótese de incidência do fato típico do II. A doutrina chama essas três vedações ao poder de tributar de imunidades do exportador. como fato gerador do ICMS. I. o IPI é devido porque houve alteração substancial da matéria. IX. DJU de 1º. esse entendimento do Excelso Pretório ficou esvaziado. X. 74 A circulação. CF/88. mas não transferência. acrescendo-se. CF/88. com lucro. não há de se falar em não-incidência da exação (RE 206069/SP. CF/88). não há invasão ou excesso de competência. Há um duplo exercício de autonomia: uma está presente de modo ordinário. porque a ICMS de importação passou a incidir sobre todas as pessoas. com o arrendante. afirmando que os importadores custeariam a seguridade social. conquanto em situações ímpares. “a”. porque a exação em tela e o II têm o mesmo fato gerador.2006). o STF garantiu a não-incidência do ICMS nas importações realizadas por pessoas físicas e jurídicas. II. IPI (art. pois autorizou a criação a CONFINS-Importação (art. Na mesma esteira. Ellen Gracie. 153. a outra está constitucionalmente autorizada. ocorrem no mesmo contexto fático. 146. a redação de sua Súmula 660 foi emendada (4 Ago 2004). .5. II. mediante a ocorrência de determinada condição – a guerra. o II é devido pelo ingresso de produto do estrangeiro para o Brasil. Eros Grau. não importa em fato gerador do ICMS. a incidência de ICMS sobre tal espécie de fato gerador. Para evitar que o ICMS dos Estados incidisse indevidamente sobre as operações de “leasing”. 195.Bitributação quanto ao IEG – na competência extraordinária da União. 149. § 2º. o constituinte deixou isso claro no art. 3º. porque lhe ausenta um dos requisitos: a transferência econômica do domínio. Sobre o contrato de “leasing” interno não incide o ICMS. Para legitimar a cobrança do imposto. Min. 155. essa idéia não impera. O ICMS é devido porque há circulação de mercadoria72. a LC 87/96 (art. em verdade. 72 Em tese. § 2º. com atividade organizada) e transferência de domínio (alteração da titularidade de bem a título oneroso). III. para que seja garantida a reciprocidade em nível de estabilidade máxima. IV. o ato de importar não se adequaria à matriz reveladora da circulação de mercadoria. rel. .49 incidência de exação nas operações de exportação. “a”. De fato. RE 206069-SP. o IEG não está sujeito ao princípio em tela (art. IX. Min. No entanto.9. Nessa mesma seara. o “leasing” é um contrato híbrido. como está no art. CF/88). de modo pacífico. na linha do que vinha decidindo o STJ. por coincidência. a corte firmou entendimento. A EC 42/03 alterou o prospecto. pressupõe: operação de mercância (mercadoria que se aliena com habitualidade. com fulcro na competência distribuída pelo art. rel. VIII). CF/88). e Lei 10865/04). 30. Esse posicionamento não é absoluto. vedou tal prática. CF/88). Mas a regra anterior continua vigorante no Excelso Pretório (RE 461968/SP. Nesse caso. a expressão “até a vigência da EC 33/2001”. a73 STF. prevalecendo. CF/88. No Informativo do STF nº 455. a qual versa sobre o ICMS. Assim é o Brasil: ICMS (art. Exceções à bitributação e ao “non bis in idem” no âmbito interno – podem ser arroladas duas situações: . o Excelso Pretório estendeu o ICMS a uma modalidade de importação. no seu início. as quais não exerciam atividade importadora de mercância. § 2º. rel. Com efeito. com a redação dada pela EC 3/93. “a”.“Bis in idem” nas operações de importação (ICMS. em regra. para o acórdão Min. 155. CF/88). independentemente da finalidade do bem importado. IPI. II) – na verdade. CF/88) e contribuições sociais e CIDE (art. em que os bens importados fazem parte do patrimônio imobilizado da empresa. “a”. há um autêntico “bis in idem”. que a operação de “leasing” internacional. Nesse sentido. o STF73 entendeu que cabe ICMS no “leasing” internacional74. “in fine”. Há uma cisão da posse: a direta fica com o arrendatário e a indireta. até 2001. § 3º. em que coexistem uma locação e uma promessa de venda (e não de compra). há três fatos geradores diferentes. 155. porque se tratam de competências distintas. Marco Aurélio. na prática. os quais.

I. No entanto. assentada em posicionamento firmado pelo STF. 97. Os decretos deveriam ser considerados como fonte secundária. a definição do fato gerador (elemento objetivo). CTN. O art. 99. do sujeito passivo (elemento subjetivo). não poderá ser autônomo. Tanto isso é verídico que a mesma EC 33/01. tal qual está no art. 98 e 99. CTN. § 4º. “a” e “b”. 97. é válida e aplicável a previsão do art. com certeza. 97. em uma interpretação conforme a Constituição (art. traz o chamado princípio da legalidade. Esse aparente contra-senso é aduzido pela própria função do CTN. No mesmo diapasão. 96. Veja que a alteração das alíquotas dessa última exação só é possível para reduzir ou para restabelecer. a base de cálculo e alíquota (elemento quantitativo). Em contrário senso. São Paulo. a Constituição não ventila a possibilidade de reduzir tributo somente por meio de lei. traz. II. 76 Essa medida se funda na importância do setor de combustíveis no giro da economia global. começa a delinear o objeto em estudo ao definir o que é legislação tributária: leis. Atlas. CTN. VI. quanto à majoração da exação. o qual espancou definitivamente o decreto autônomo no campo tributário75. CF/88). 97. o qual.Fontes primárias – são as leis. “b”. IE. Dessa forma. ao contrário do art. CTN. 59. como LC que é (art. Direito Administrativo. o legislador reforçou essa idéia no texto do próprio art. tal qual está expresso no art. II. o decreto executivo. A regra do art. exigindo-se lei para reduzir o valor dos tributos. costumes e jurisprudência. Exceção à regra da legalidade estrita. o ditame também abarca o número de vezes do pagamento do tributo (elemento temporal) e o 75 No âmbito do Direito Administração. CTN. regulados respectivamente pelos arts. CF/88. Dentro do Direito Tributário. 177. porque devem se limitar a regulamentar a lei em sentido estrito. não abarca o ato do executivo dado por decreto. CF/88 (redação dada pela EC 33/01). 146. CTN). O setor energético tem uma repercussão altamente sensível na estabilidade dos mercados. resoluções do Senado.50 FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO (art. I a VII. tanto interno quanto interno. 5º. que autorizou a instituição da CIDE-combustível. Esse visa preencher eventuais lacunas no Texto Constitucional. se defere somente aos impostos extrafiscais (II. lembra Maria Sylvia Zanella Di Pietro. doutrina. 84. CTN. em seu bojo. 2006. 96 a 112. II. traz o princípio da tipicidade. há necessidade de adaptar o postulado ao estudo da matéria em análise. o princípio da legalidade tributária. Dessa feita. 19ª ed. III e IV. sendo que a majoração pura simples depende de lei estrita76. . 150. sem ter como base um diploma legal. também permitiu a incidência de ICMS sobre a circulação de energéticos comburentes entre Estados. IPI e IOF) e ao IEG. II. MP e EC podem ser incluídas no rol das fontes primárias. a redução de CIDE-combustíveis também independe de lei.. tratados internacionais. a doutrina majoritária. A doutrina encarregou-se em hierarquizá-las segundo a seguinte classificação: . admite o decreto executivo autônomo nas hipóteses do art. Nesse sentido. os tratados internacionais e até mesmo os decretos. dentro do sistema constitucional posto. O art. dando um “norte” para a atividade do legislador ordinário. CTN. decretos legislativos. Em verdade. Além desses parâmetros. 97. CF/88. ou seja. CF/88. suas fontes principais são: lei. CTN) – segundo a Teoria Geral do Direito. decretos e normas complementares. O art.

mesmo a despeito de eventuais sanções na ordem internacional a serem sofridas pelo Brasil. O art. no tocante à matéria tributária. V. O elemento material é o antecedente normativo (hipótese de incidência normativa). O dispositivo contém impropriedades terminológicas. quando da edição do CTN.1997. Com efeito. a renúncia de receita depende de autorização legislativa prévia. I. geralmente diverso da legislação ordinária anterior77. VI. a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do futuro CTN incluiu o citado art. CTN. com base no art. os quais trazem à baila autênticas normas de Direito Internacional Público.5. o que não se aplica quanto aos tratados-contratos. “in fine”. fazendo com que a disposição daqueles. complementando a legalidade. afirmando que a especialidade só vale quanto à legislação anterior. não sendo aplicado a outras situações. O legislador é único que pode fazê-lo. O STJ entende que legislação interna não pode revogar tratados-leis. 181). Ext 662-2. DJU 30. rel. CTN. O art. 98. porquanto o dispositivo em comento é um rol sugestivo e não exaustivo. CTN. CF/88. o Supremo deu vezo ao primado dos tratados sobre a legislação interna. CTN.51 lugar do adimplemento (elemento espacial). 97.11. deveria ser coercitivamente observada pelo legislador doméstico. p. j. . Em um primeiro assunto. “caput”. Não há revogação pela incorporação do tratado no ordenamento doméstico. O STJ faz uma leitura semelhante. Estando nessa seara. porquanto as relações por ele abrangidas não poderiam ser modificadas por norma interna posterior. 98 na esteira da jurisprudência do Excelso Pretório (AMARO. 2006. 97. Celso de Mello. 49. Em verdade. 28. enquanto os demais constituem o conseqüente normativo (modo de incidência normativa). Nesse sentido. Plenário. se refere dos tratados internacionais. 98. afirma que somente a lei pode determinar sanções tributárias. a tipicidade garante a segurança jurídica. tal qual a redação do art.1997. porque a aparente antinomia é solvida pelo critério da especialidade: para os países signatários – inclusive o Brasil –. por disposição normativa própria. consoante o preenchimento dos requisitos do art. resolvendo-se os demais entraves pela cronologia. que o CN pode alterar o acordo unilateralmente. I e II. Min. Não é uma posição pacífica na doutrina. o pacto traz um regramento próprio no procedimento a ser estabelecido. 77 O Supremo entende que esse tipo de tratado tem o “status” de lei ordinária: STF. 14. Ademais. os acordos não revogam a legislação interna – porquanto prestam a minorar a bitributação internacional e a estabelecer cooperação no poder de polícia. No entanto. A soberania interna prevalece. o ar. vige o regramento específico. exclusão e extinção – além da dispensa ou da redução de penalidades. configurando a relação jurídica-tributária. Dessa feita. o STF entende. LC 101/00. O tratado deveria colimar a atuação do legislador posteriormente. dispõe que a legalidade deve imperar sobre a exigibilidade do crédito tributário: suspensão.

Essas visam completar as fontes primárias. estende-se a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias concedida a similar nacional”.52 Questão que também se coloca quanto ao art. Todas as pessoas políticas devem reverência à soberania do Estado brasileiro78. STF. rel. versa sobre a possibilidade da União conceder isenções quanto a tributos estaduais e municipais. a tese do professor Carraza (1991) não vigora. salvo disposição em contrário. inicialmente sobre a importação de bacalhau. p/ o acórdão Min. Machado. dispositivo que deve ser concatenado com o art. Apesar de não haver precedente jurisprudencial. nesta tarefa. . vedando-se a isenção heterônoma. Ilmar Galvão.. j. é possível a concessão de isenção a uma exação municipal por convenção internacional em homenagem à soberania nacional. instruções normativas são normas complementares que visam especificar as medidas normativas primárias. porque qualquer ente federativo não pode invocar isenção heterônoma nessa. tanto quanto reciprocamente: cada ente só pode conceder isenções dentro de sua competência tributária. I. esse não está adstrito ao seu texto se houver infringência das normas primárias. CTN. Luiz Fux. III. CTN). CTN. a incorporação do pacto só é possível depois da ratificação parlamentar. sendo essa incontrastável. 153.2005. Informativo do STF n° 476. rel. 100.8. Na vigência da atual Constituição. em termos de vigência. Todavia. CTN. Dessa forma. nos exatos termos do art. CTN. atua como chefe de Estado (art. 103. não utiliza terminologia adequada ao estabelecer a isenção heterônoma em acordo internacional como exceção à vedação. cit. Por uma questão de opção do legislador. Súmula 20 do STJ: “A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM. CF/88). A teor do art. em que se encontra a câmara representativa dos Estados-membros: o Senado79. Ademais. porque o Presidente da República. 103. As Súmulas 575 do STF. rel. pois a firmação de acordo é manifestação da República Federativa do Brasil. CF/88). esse argumento não subsume à situação em apreço. Min. . STJ. o STF entende dessa maneira. Súmula 71 do STJ: “O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM”. apesar de encontrar muitos adeptos na doutrina jurídico-tributária. ou membro da ALALC. em que pese não haver opinião do legislativo municipal.Fontes secundárias – compõem-se das chamadas normas complementares. I. 81 No mesmo sentido. REsp 480563/RS. 84. Atos administrativos – portarias. quando contemplado com esse favor o similar nacional”. Plenário. RE 229096/RS.9. constituindo regra a ser observada pelo aplicador do direito (art. Min. isso não é possível (art. 80 Súmula 575 do STF: “À mercadoria importada de país signatário do GATT. ocorre que a União representa o Brasil na celebração de convenções internacionais. op. Cármen Lúcia. Os precedentes normativos dos tribunais superiores advieram principalmente dos acordos do GATT. 100. entram em vigor na data de sua publicação. Essa prerrogativa era factível na ordem constitucional anterior (EC 1/69). 78 Nesse passo. Ao contrário do que apregoa Carraza (1991). 79 Em matéria de tributação municipal.2007. E se o Brasil assinar tratado internacional que venha nesse sentido? A possibilidade persiste. em um autêntico ato de soberania. VIII. j. 16. A heteronomia diz respeito à autonomia e não à soberania. Entenderam as cortes que o ditame da reciprocidade deve imperar nesses casos81. 98. circulares. 6. 20 e 71 do STJ80 já pacificaram o posicionamento. orig.

Equidade – é o valor maior da justiça. para criar um campo de intersecção nas diversas legislações tributárias. mas não podem levar a reflexos tributários diretos. CTN).53 Decisões do órgãos julgadores administrativos – podem ser alçadas à eficácia “erga omnes”. é um misto de costume e de ato normativo. 97. locação. devendo ser verificado o caso concreto em análise. 108. IV. Princípios gerais de Direito Tributário – preconiza a aplicação de um interpretação sistemática em face dos comandos implícitos na norma tributária. VI. 108. Vigoram a partir da data estatuída no seu instrumento de veículo (art. II. 107 a 112. . 108. os quais serão analisados sucessivamente. mormente no tocante ao poder de polícia (fiscalização). CTN). Convênios entre os entes federados – também podem constituir fonte do Direito Tributário (art. CTN: I. Práticas reiteradas da Administração – o art. Observa-se que o termo “práticas reiteradas” é uma expressão jurídica indeterminada. recorre-se a uma seara mais ampla. São os seguintes. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA (arts. CTN). não poderá o aplicador do direito lançar mão desse critério para conceder dispensa de pagamento da exação (art. segundo uma ordem peremptória. desde que exista uma lei posterior que assim disponha (art. CTN). prestação de serviço. Como são formadas gradativamente. 100. CTN). são conceitos de Direito Privado. mas não sobre os efeitos tributários (art. Ex. § 1º. elas podem ser configuradas como fonte tributária. A renúncia de receita por equidade não é possível. III. Visam uniformizar um regramento comum entre conveniados. Os convênios tributários têm o condão de ampliar a incidência do princípio da territorialidade. IV. 109. I a IV. No entanto. III. 103. 100. 108. porque haveria infringência à legalidade e à tipicidade tributárias (art. Os princípios de Direito Privado são necessários para definição dos institutos a ele afetos. surtem reflexos jurídicos 30 dias depois de sua publicação. de acordo com os incisos do art. não há de se falar em termo inicial de vigência. I e III. CTN). Ressalvada estipulação ao reverso.: empresário. etc. CTN. 100. III. 97. No exercício da capacidade tributária ativa. sob pena de arranhar a legalidade aduzida no art. Analogia – aplicar decisões anteriores a casos semelhantes é o meio integrativo primário da legislação tributária. decadência. § 2º. Mas a analogia não pode se prestar à criação de um tributo frente a uma situação assemelhada (art. CTN. CTN) – as questões sobre o preenchimento de lacunas da legislação tributária são resolvidas segundo os critérios do art. CTN. II. CTN). Princípios gerais de Direito Público – uma vez que os anteriores restem insuficientes. prescrição.

O conceito privado de mercadoria foi criado em uma época que não contemplava a realidade hodierna. A obrigação de dar estaria englobada pelo conceito de serviço. sendo remunerado pela correspondente prestação. devendo ser adaptado à atualidade. CF/88) só alcança alguns impostos (sobre patrimônios. O STF82. tal qual se define por seu conceito aduzido do Direito Privado: obrigação de fazer por meio da qual alguém deve realizar algo em favor de terceiro. porquanto até mesmo o CC disciplina de modo diverso o contrato de locação e de prestação de serviços. O art. No primeiro caso. o qual preconiza a tributação nesse sentido entre os entes federados. Os arts. seguindo tal orientação. São os casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (arts. cit. Nesse caso. as procuradorias municipais advogaram que a exação incide sobre serviços. E mais: deve existir conduta que seja verdadeiramente uma prestação de serviço. a locação não estaria aí englobada. tal qual a redação do art. não abarcando o conceito de obrigações acessórias e muito menos a idéia de crédito tributário. Nessa última. as quais determinavam a incidência de ISS sobre locação de móveis. na realidade. a imunidade recíproca (art. RE 116121. CF/88. não importando se inexiste uma concreta prestação de serviço. com apenas um voto de dissidência. mas sua utilização neles leva a uma certa concepção. 111 e 112. O primeiro determina uma exegese gramatical sobre as matérias nele vinculadas. como aquelas apresentadas na disposição do legislador. op. É exatamente esta idéia que não pode ser alterada pelo legislador tributário. o Excelso Pretório declarou inconstitucionais todas as leis municipais nesse sentido. no rol de lei municipal. contestou-se a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis. de exclusão da exigibilidade tributária (arts. em votação folgada no Plenário. Dadas recentes mudanças na composição do STF. bens e serviços). por se tratar de questão muito mais administrativa que tributária. 156. 110. CTN. Nesse sentido. CTN. porquanto não havia previsão nesse sentido na relação de serviços contida na LC 116/03 e. Sua interpretação extensiva pode levar à criação hermenêutica de uma outra exceção. Pleno. há uma extrema exceção. não sobre prestação. porque. desde que expressos nas Leis Maiores (CF. 175 a 182.. decidiu favoravelmente aos contribuintes. É possível citar dois casos: mercado eletrônico interestadual de “download” tributado por ICMS e ISS sobre bens móveis locados. dispõe que não se pode alterar o conceito. A definição do instituto privado não precisa estar erigido nos referidos diplomas. Não é a melhor técnica a ser empregada pelo operador do Direito. não se fazendo a incidência da exação sobre a operação em tela. 150. CTN) e de dispensa de exigibilidade de obrigações acessórias83. CE e Lei Orgânica) e definidores ou limitadores de competência tributária. devendo ser utilizada em situações específicas. estar-se-ia diante de uma obrigação de dar. 112. VI. Em contrário senso. É o que leciona Carrazza. se referem à interpretação da norma tributária. vez que se liga ao poder de polícia estatal.54 O art. No segundo caso. o alcance e a forma de elementos de Direito Privado. 151 a 155-A. pode ser analogamente comparado ao princípio penal “in dubio pro reo”. os advogados postularam que o artigo não é mercadoria corpórea. Dessa forma. diversa daquela deseja pelo legislador. CTN). III. “a”. CTN. porque preconiza a aplicação do STF. 83 82 . esse entendimento pode ser alterado.

CF/88. 146. Lei Complementar – em matéria tributária. CTN) e decadência (art. 173. IV. ADCT). Essas disciplinas estão perfeitamente delineadas na LC geral (CTN). 112. 146. 111. os regimes “Simples” instituídos foram revogados pela LC regulamentadora (art. Estrutura obrigacional-tributária – as definições de obrigação tributária (art. 94. Com efeito. CTN). é necessário firmar posição de que não cabe MP em matéria veiculada por LC (art. III. crédito tributário (art. O parágrafo único do art. Como pressuposto. Tratamento mais benéfico às cooperativas – para estimular o cooperativismo. 113. CTN). nos casos de infração ou de cominação de sanção tributária. Dessa feita. Estabelecer normas gerais mais benéficas a empresas de pequeno porte e microempresas (acrescido pela EC 42/03) – o legislador visou fomentar os empresários pequenos. 174. . consideradas mais relevantes pelo constituinte: I. segundo os pontos previstos nas alíneas: a. à guisa de convênios possíveis e existentes. interpretação benéfica. CF/88 (base de cálculo. etc.: redução de tributos. O art. CTN) estão contidas no dispositivo. 62. 146. b. abriu possibilidade para instituição de um sistema único de arrecadação. CTN. 118. Ex. Conflito de competência tributária entre entes federados. CTN). lançamento (art. A LC veio a lúmen pela Carta de 1967. traz três modalidades de interpretação da lei tributária: a literal (art. Ex. fato gerador e sujeito passivo). dessa forma. e se deve à unicidade no âmbito nacional. CF/88. A tendência foi acolhida pela ordem constitucional de 1988. CTN). a intenção de facilitar a vida dos destinatários acabou por quase que inviabilizá-la. 142.dispositivo mais benigno ou favorável ao administrado. sua função está perfeita no art. § 1º. 69. ainda melhor que o atual “Simples”. CF/88. dispondo sobre as seguintes matérias tributárias. II. Perfil dos tributos – o princípio da tipicidade quanto aos impostos está delineado do art. os grandes empresários fizeram “lobby” em sentido contrário para evitar que os pequenos fossem favorecidos. a mais benigna ao contribuinte (art. “in fine”. 146. No entanto. pois dificultou sua aprovação no CN (LC). isonomia. 139.Regular a limitação do poder de tributar. III. CF/88). formando a base do “Super Simples”. Estabelecer normas gerais em legislação tributária. c. configurando real manifestação da maioria dos representantes do povo (art. crescendo e com eles fazendo concorrência.: “leasing” interno não é tributado. em razão da necessidade de expressão da vontade majoritária do legislador para quebrar a facilidade de aprovação de um diploma ordinário. está nesse âmbito. CTN) e a econômica (art. prescrição (art. CF/88). Seria uma medida legislativa a desburocratizar a tributação e a 84 84 55 O CTN. incorporando o princípio “non olet”). “a”. a qual encontra-se atualmente em vigência (LC 123/06).

a teoria dos planos de tributação: um abstrato – constituído pela hipótese de incidência – e outro concreto – formado pela efetiva ocorrência do fato gerador. 85 . Ela nasce da Paulo de Barros Carvalho estabelece. algo que ainda não se sucedeu. o legislador pode estabelecer procedimentos diversos em cada local. 86 Amaro.O regime será opcional aos contribuintes. CF/88. o objeto de crítica advém da doutrina espanhola. . 259. capitaneada por Jarach. Essa colocação não coaduna com o conceito de fato gerador.Previsão de um cadastro único de contribuintes. Em verdade. CTN. Na esteira do que previa o art. O sufixo “-ível” dá a idéia de ocorrência futura. 156.56 otimizar a arrecadação e a fiscalização tributária das ME’s e EPP’s. CTN).O repasse deve ser imediato. capacidade tributária. deverá obedecer aos seguintes limites: . uma mera descrição sugestiva de uma futura conduta que pode ou não ocorrer.. não sendo lícita a retenção. cit. visto que as MEE’s e as EPP’s não se encontram no mesmo nível econômico. 113 a 127. A hipótese de incidência é uma previsão abstrata. que muito o utiliza. fica materializado o fato gerador85. . . inserta na norma. critica a expressão “fato imponível” assim como fato tributável. 146. A lei estabelece os parâmetros da hipótese de incidência: aspectos subjetivo. a serem adaptados à realidade cada ente federado ou região. CTN). afigura-se que ela independe da vontade do sujeito passivo. 175. 113. A arrecadação será obrigatoriamente centralizada. Quando se diz que a obrigação tributária tem como traço o fato de ser “ex lege”. Extinção (art. o fato gerador e os aspectos subjetivos – sujeito ativo e sujeito passivo (solidariedade. A partir da caracterização concreta de todos seus critérios. é possível aduzir a seguinte explicação: Crédito Tributário (art. III. Foi instituído pela LC 123/06. por tal previsão. e parágrafo único. A obrigação tributária nasce da subsunção do fato (pragmático) à norma. no entanto. criando um sistema simplificado de tributação no âmbito de todas as pessoas políticas. Direito Obrigacional Tributário ESTRUTURA DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA (arts. domicílio e lugar do pagamento). O diploma não ofende a isonomia quanto às demais empresas. compara o conceito de hipótese de incidência com o tipo criminal. expressões aduzidas de Aliomar Baleeiro. Exclusão (art.. CTN). Esquematizando. op. erigindo a chamada tipicidade tributária. CTN) – engloba a obrigação tributária. temporal e espacial. de acordo com o espírito colimado pelo constituinte. citado pelo primeiro. nesse passo.Devido às diferenças geográficas e consuetudinárias do país. “d”. Obrigação tributária – está inserta no art. 258. bem como da possibilidade de fiscalização compartilhada (poder de polícia). o legislador complementar criou o “Super Simples”. quando da ocorrência real do fato imponível86 – termo “a quo” dela. p. op. com dimensões continentais. 139 a 141. quantitativo. A doutrina. também citado por Amaro. A sistemática. cit.

Produzido o previsto na lei.57 lei e será devida mesmo sem a colaboração do devedor. visto que há verdadeiro encerramento da compra e venda anterior. Do mesmo . a condição implica em efeitos futuros. Fato gerador condicional (art. II. O fato gerador não é a compra e venda. o negócio pode estar produzindo os efeitos desde já. mas sim a transmissão escritural “inter vivos” e onerosa. CC). independendo de implementação ou não da condição (art. fica perfeita a obrigação tributária. Tanto a reversão quanto a retrovenda são cláusulas acessórias ao negócio principal. etc. a doação de um carro pode fazer incidir o ITCMD. CC). CTN). 117. Entre as diversas condutas possíveis para o fato gerador. porque o preço é devolvido ao alienante original. arrematação em hasta. a condição pode estar abarcada pelo fato gerador. o que torna a exação na “volta” como injusta dentro da ordem jurídico-tributária em sentido amplo. o fato gerador do ITCMD é a doação. Seu negócio “inter vivos” pode ser uma compra e venda. como seu pressuposto. 125. o fato gerador do ITBI é a mera transmissão de direito de propriedade. Ex. Acontecendo a condição resolutiva (retrovenda ou reversão). 127. o que torna a defesa fácil. consubstanciado condição suspensiva (art. permuta. a retrovenda não implica em uma verdadeira transmissão. configura-se o fato gerador e. não havendo de se cogitar sua causa. Já na retrovenda. Ademais. quando deixará de fazê-lo (condição resolutiva – art. Na reversão. dentre seus elementos acidentais. Incide o imposto na “volta” – no ITBI. 117. mesmo no STJ. porque persiste simples retorno ao “status quo ante”. por conseqüência. o fato gerador ainda não se deu (art. “animus” de realizar um outro ato jurídico bilateral. ele pode constituir um negócio jurídico. transmissão é a simples alteração da propriedade. como o negócio não produz efeitos. CTN) – exige um estudo prévio sobre o negócio jurídico do Direito Civil. O imposto deve incidir sobre a efetiva demonstração de riqueza. de capacidade econômica objetiva. Destarte. I e II. Do contrário. I. em realidade. Com efeito. CC). a tributação não terá vez até que a condição seja efetivada – não sendo exigível a obrigação tributária porque. 121. 117. como ocorreu o fato gerador. Não há novo consenso. no primeiro. No segundo caso. a qual pode ensejar a suspensão da eficácia do negócio – evento futuro incerto (art.: compra e venda pode gerar a obrigação de recolher ICMS ou ITBI. indo até determinado evento futuro e incerto. haveria incidência dos respectivos tributos? A jurisprudência ainda não se pacificou. Em ambos os casos. não há essa real mostra de potencial financeiro. a exação incide desde já. No plano ponteano da eficácia dos fatos jurídicos. O que persiste é a conclusão do anterior. é necessário aduzir o exemplo clássico da compra e venda com retrovenda (ITBI municipal) e doação com cláusula de reversão (ITCMD estadual). enseja mandado de segurança contra o registrador do CRI – exigir o tributo é fato independente da mera translação do imóvel. não persistindo nova transação negocial. perfazendo DUAS CORRENTES: Não cabe a exação na “volta” – não persiste novo negócio jurídico – nova doação ou nova venda. CTN). A cobrança no momento do novo registro.

por opção política. não existe tal diploma. estão especificadas no art. dissolve-se sociedade. porquanto é de eficácia limitada. é possível reduzir a tributação por meio de práticas de supralegalidade. conhecidas como deveres instrumentais. por meio da LC 104/01. mas não de direito – e. ambos os casos fundam-se no princípio do “non olet”. Em verdade. sendo certo que o alienante ingressa com o capital imobilizado e o adquirente. em que pese haver outras prestações a serem implementadas pelo contribuinte: são as obrigações acessórias (assessoram o credor na atividade de tributação. foi acrescido o parágrafo único ao art. revelam o exercício do poder de polícia do fisco. há outras obrigações a serem cumpridas pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária. Elemento objetivo (prestação tributária) – além do pagamento em si – o que inclui as penalidades tributárias. porque o argumento se enfraquece ante o fato gerador (“doação”). Cláusula geral antielisão (art. parágrafo único. As obrigações acessórias. CC/1916). ao longo de anos. informando-o acerca do pagamento do tributo). para Ricardo Lobo Torres. 194. É devida mesmo a despeito do não pagamento do tributo. 118. a qual consubstancia atividade flagrantemente ilícita (evasão fiscal). Essas atuações são traduzidas pelo chamado planejamento tributário ou elisão fiscal. 116.: ao invés de realizar uma compra e venda de um imóvel de alto valor. o dispositivo necessita de regulamentação por meio de lei ordinária. que garante a tributação sobre o fato gerador sob cunho objetivo. 87 . 59. conseguintemente. Não é acessória no sentido do direito privado. o que implica em impossibilidade de aplicação. tido em decorrência da necessária fiscalização a ser realizada. dentro do plano da validade. Muitas condutas não estão expressamente proibidas pelo ordenamento. a doação não deve ser excluída da exação. desde que não se possa aproveitá-lo de outra forma. não se admitindo perquirir suas causas. considerou o negócio nulo. as partes constituem uma sociedade empresária. como no caso de alíquota zero ou de isenção (art. CTN. CTN) – além da própria fraude tributária. podendo ser declarado de ofício pelo julgador e suscitado a qualquer momento processual. com o valor líquido do preço – algum tempo depois. proibir a elisão fiscal. as quais possibilitam a descaracterização do fato gerador – apesar de sua ocorrência de fato. CTN). por conseqüência. Interpretação objetiva do fato gerador (princípio do “non olet”) – a interpretação econômica a ser impelida pelo fisco encontra fundamento no próprio art. De fato. Atualmente. mesmo porque possui caráter autônomo. tal qual já foi comentado em oportunidade anterior. apesar de legal87. Ex. porquanto se trata de verdadeira simulação de fato gerador e. CTN. Com tal intenção. Dessa feita. No entanto. para não recolher o ITBI correspondente. mesmo a despeito de não realizar o objeto da empresa. quando as partes queriam praticar outro ato. 167. prática de caráter ilícito. com menor propriedade. Em verdade. a redução da carga tributária. I e II. de seguir o principal (art. o legislador. parágrafo único. A Fazenda Pública tem tentado. 116. O dispositivo considerou de tal gravidade o vício social que o inquinou de nulidade. persiste uma relação tributária material ou substancial – de pagar – e outra formal A definição de negócio jurídico simulado e suas conseqüências. CC. a cessão de riqueza é o principal escopo da relação em pauta.58 modo.

a qual não foi propriamente adimplida. Os procedimentos são determinados por norma infralegal – a qual é englobada pelo conceito de legislação tributária (art. 113. 113. 113. 115. CTN). e da obrigação acessória não cumprida. englobando um rol mais amplo que dos entes com competência tributária (U-E-DF-M). o art. determina que o não cumprimento dessa leva ao nascimento de uma obrigação principal (sempre positiva de pagamento). O art. costumes administrativos. necessariamente não envolvendo entrega de dinheiro. deferido pela Constituição ao Estado brasileiro (República Federativa do Brasil). a obrigação acessória ainda persiste. Nesse caso. A infringência da norma procedimental (obrigação não pecuniária). Dessa forma. A repartição do poder de tributar (competência). 113. § 1º. I a IV. O crédito tributário engloba ambas as categorias. § 3º. A obrigação acessória instrumentaliza a obrigação tributária principal. as quais dependem de potencial para exarar leis em sentido estrito. 88 .59 ou procedimental – de informar o fisco segundo as estipulações previstas na norma. Já a A obrigação acessória será estabelecida por fontes secundárias. CTN). Dentro de um controle de proporcionalidade e de razoabilidade. elas poderão deter o dever-poder de fiscalizar e de arrecadar somente. Aliás. não sendo necessário tipificar criminalmente a conduta. fornecendo subsídios para que a autoridade fiscal exerça sua cobrança fiscalizatória. CTN. tal qual a defectiva letra do art. “Legislação tributária” compreende toda e qualquer norma que diga respeito a tributo: leis. a serem escolhidas pelo legislador. V. no seu § 2º. a competência tributária não é delegável. segundo as necessidades de cada ente. só é estipulada por lei. a obrigação principal é de pagar. CTN. 96. de sobre ele legislar. Com efeito. mas a obrigação principal. A primeira está descrita no art. defere-lhe a capacidade de instituir o tributo. porquanto não há “conversão”. Mas essa competência pode ser delegada. podendo ou não ser dispensada pela autoridade fiscal. deverá ser prevista em lei em sentido estrito (art. fato esse que a impede de operar as duas primeiras ações – instituir e legislar –. CTN). Aspecto subjetivo (sujeitos ativo e passivo) – sujeito ativo tributário é aquele que detém a capacidade tributária ativa. 100. Dessa feita. Em suma. Obviamente que essa nova figura não terá Poder Legislativo. CTN) –. compreendendo prestação positiva ou negativa por parte do sujeito passivo (art. a penalidade. justamente para imprimir caráter coercitivo à obrigação procedimental (positiva ou negativa). implicará em um pagamento duplo: da obrigação principal. tratados internacionais. a uma pessoa autônoma. esses últimos recebem parcela do poder de tributar. prevista na legislação “lato sensu”88. CTN). “caput”. portanto. 97. mas a capacidade tributária ativa sim. decretos e normas complementares (atos normativos administrativos. § 3º. sendo um conceito mais amplo que o tributo. em parte. podendo incluir o tributo e a multa. as delineia. caracterizando a capacidade tributária ativa. CTN. A criminalização da atuação do contribuinte somente se dará em situações mais graves. ainda que administrativa. a imposição da multa administrativa atinge o objetivo de desencorajar o descumprimento da obrigação acessória. convertida em sanção pecuniária. 113. A sanção pecuniária do poder de polícia administrativo visa inibir a frustração da fiscalização. advindo necessariamente de lei. de fiscalizá-lo e de arrecadá-lo (capacidade tributária plena). a segunda. No entanto. decisões administrativas e convênios – art. decorrente do seu descumprimento (art. § 3º. CTN.

CTN). pecou em sua redação. Argumentou-se que se trata de instituição “suis generis”. por conseqüência. O indébito não terá natureza de tributo90. cit. Tributo não nasce do erro de pagamento. salvo disposição legal em contrário. .60 parafiscalidade é aptidão para cobrar. de cunho financeiro.). o novo ente tributário utilizará a legislação daquele do qual se desprendeu. 149. A decisão é muito mais política que jurídica. A capacidade de ser sujeito ativo tributário abarca não só as entidades fiscais. Havendo desmembramento territorial. O inadimplemento do IPTU faz o fisco municipal insurgir em face de somente um deles. Machado.. 37. a doutrina corrige o erro do legislador. Considerando que não cabe o chamamento ao processo do outro condomínio pelo executado. 89 A Primeira Seção de Direito Público do STJ firmou jurisprudência de que a contribuição para OAB não tem natureza tributária. em sentido contrário. Aliás. será substituída a antiga. é meramente sugestivo. O indivíduo jamais será sujeito ativo tributário. em que pese disposição cristalina do art. os princípio da anterioridade e da irretroatividade tributária (art. CF/88. a fiscalização pelo TCU. não se sub-roga em uma relação tributária. CTN) – aplicando-se o decurso de 10 anos do art. 150. CNM. conferiu a sujeição ativa da obrigação tributária somente aos entes públicos políticos – U-E-DF-M – porque se referiu expressamente à “competência”. mas não tributário. 90 Cf. III. para não permitir a solução de continuidade (art. não “numerus clausus”. Nesse passo. porquanto a obrigação a ser cumprida pela pessoa pública nunca terá a natureza de tributo. “caput”. Repetição de indébito – opera-se o mesmo raciocínio do empréstimo compulsório. para quem o demandante em restituição de empréstimo compulsório e em repetição de indébito passa a figurar como autêntico credor tributário. terá que ser proposta pelo executado “A” outra ação regressiva em face do “B”. Na execução fiscal. II e XXI. porquanto. como esse poderia obter o ressarcimento da cota parte a que lhe assiste o direito? Teria de ajuizar ação cognitiva ordinária ou caberia alguma medida judicial mais célere?Resposta: em termos práticos. Pergunta: inicialmente. 174. pois estipula uma exceção onde o constituinte não estabeleceu. consideram-se dois sujeitos passivos tributários. denominadas parafiscais. CC –. à existência do Estado Democrático de Direito. o prazo prescricional tributário de cinco anos (art. originado a partir do Estado de Goiás (art. CTN. em tese. 13. 119. etc. quando de sua nova legislação. O particular será credor do Estado. ao exigir a restituição dos valores já adimplidos (a título de exação). essencial à administração da justiça e. sendo instituto mais profundo que a capacidade tributária ativa. dada a “causa petendi” do crédito envolvido. mas sim da lei (princípio da legalidade e da tipicidade fechada). ADCT). por sub-rogação. 120. Empréstimo compulsório – o particular. No entanto. 119. Posteriormente. mas nunca de fundo fiscal. mas outras paralelas. Foi exatamente o que ocorreu com o Estado de Tocantins. asseverando que o rol do art. ferindo a isonomia e a ordem tributária constitucional. não incide o modo de cobrança pela LEF (Lei 6830/80). O art. CF/88). CTN. como condôminos de um imóvel. a Fazenda do Município conseguiu satisfazer seu débito mediante penhora de bens e conseqüente hasta. 205. CF/88) e a obrigatoriedade de concurso público ou de licitação nas contratações (art. Persistirá um crédito do indivíduo para com a Fazenda. op. “caput”. “caput”. O STF referendou o posicionamento firmado pelo STJ na ADIn 3026. caso não se consiga fazer com que o outro executado “B” seja chamado. como a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB – Lei 11457/06) e os conselhos de profissões regulamentadas (OAB89. fiscalizar e administrar tributos. para ser ressarcido de sua quota parte. essa já se encontra esgotada.

não se restringindo ao particular. terceiro alheio à relação tributária. em homenagem à garantia do credor. como o espólio. parágrafo único. 150. natural ou ordinário. em detrimento da competência indelegável dada pela repartição constitucional do poder de tributar. “a”. sendo denominado sujeito passivo direto. “in fine”. O STF só alarga a incidência da imunidade recíproca na análise “in casu”. apesar de haver legitimidade para ambas exigirem a satisfação do crédito no que toca sua parte. transfere-lhe a responsabilidade de realizar o recolhimento do tributo. CTN: Contribuinte – é aquele que assume responsabilidade em decorrência de um débito (prática de um fato gerador) por ele adquirido. § 7º. 121. CF/88. 194. parágrafo único. a doutrina estabelece uma exceção a tal ditame: no caso da contribuição de melhoria gerada por obra efetivada por convênio entes públicos. mas a lei. a obrigação acessório será mais bem delineada no tópico apartado sobre Administração Tributária. mas deverá arcar com o pagamento do tributo por expressa disposição legal (arts. analisa-se quem poderá ser devedor da obrigação tributária. 126.61 Na sujeição passiva. O nome técnico do sujeito passivo é dado pelo art. ao contrário da seara civil. CTN). detendo a responsabilidade pela obrigação tributária (“haftung” ou “obligatio”). ainda que envolva hipótese de não-incidência do fato gerador. Como se trata de matéria referente à fiscalização. VI. não da vontade das partes. qual a Fazenda que perceberá os valores da exação. com responsabilidade concomitante. No entanto. no seu instrumento. a massa falida e as sociedades de fato (art. contribuições e empréstimos compulsórios –. em situações bastante específicas. O contribuinte é aquele que detém o débito da obrigação. Pode ser qualquer pessoa. O responsável configura um substituto tributário ou sujeito passivo indireto. ilimitada e alternativa pelo débito. não abrangendo as demais espécies tributárias – taxas. Nesse passo. além do contribuinte e do responsável. o isento ou o agraciado com alíquota zero (art. O instituto da responsabilidade tributária leva ao fenômeno da substituição. CF/88). o sujeito passivo poderá ser. II. Quanto às obrigações acessórias. o acordo entre os realizadores do empreendimento deverá determinar. No entanto. só é possível a solidariedade passiva. a imunidade recíproca impede somente a cobrança de impostos sobre patrimônio. O caráter de sujeito passivo tributário inclusive independe de personalidade jurídica. 150. CF/88). inclusive o próprio Estado. CTN). Ele não tem relação jurídico-tributária direta com o sujeito ativo. bem como impostos como de importação. Responsável – não pratica o fato gerador (débito). No âmbito tributário. I a III. rendas ou serviços entre os entes públicos (art. e 121. Solidariedade – é a possibilidade de uma pluralidade subjetiva na relação jurídica material. também denominado “schuld” ou “debitum”. parágrafo único. . Há de observar-se que essa relação obrigacional decorre de lei. Sem perder de vista a linha de raciocínio. observa-se que o passivo da citado dever tributário pode ser mesmo o imune.

sendo favorável ou desfavorável a todos. A integralidade do tributo é devida por todos. O art. desenha uma responsabilidade subsidiária. CTN.Na prescrição – será sempre considerada em relação à dívida. parágrafo único. De fato. CTN. não se perfazendo e se sujeitando às manifestações volitivas de qualquer um que seja. parágrafo único. sendo o benefício realizado “intuito personae”. podendo esse cobrar integralmente a dívida de qualquer dos devedores solidários. I a III. CTN): I. deverá ser abatida a cota-parte do beneficiário. o beneficiário deverá aduzir requerimento ao fisco para obter a isenção. Os arts. extingue-se a obrigação tributária principal. trazem dois casos de responsabilidade solidária dentro do CTN. os demais serão aproveitados. No primeiro. porque o fisco não pode se sujeitar às convenções particulares de negócios jurídicos (arts. de alguns ou de todos. 134. somente os devedores assim abarcados serão alcançados. Os efeitos da solidariedade podem se dar (art. III. o fisco poderá cobrar de um. Os sócios que assim agem respondem solidariamente com a sociedade somente se essa não cumprir as obrigações tributárias devidas. Isso significa que a solidariedade leva em conta a dívida. o art. III. 134. Cada um dos condôminos é devedor solidário da exação.62 A solidariedade tributária não implica em benefício de ordem. excluindo-se as sociedades de capitais. permanecendo a dívida em relação aos demais. Nesse segundo caso. os quais merecem detenção mais apurada. como no caso clássico da cobrança de IPTU em face do locador.No pagamento – uma vez que um dos devedores solidários realize o adimplemento. 123 e 124. A obrigação tributária advém de lei e não da vontade das partes. na qual se pressupõe um benefício de ordem. Exemplo clássico de solidariedade tributária é a cobrança de IPTU sobre imóvel cuja propriedade é tida em condomínio. e 135. levando em conta aspectos pessoais do sujeito passivo. Ou seja. só é excepcionado se houver comando legal em contrário. VII. sua interrupção ou sua suspensão também assim se opera. O argumento não é oponível ao fisco. 125. A assertiva decorre do princípio da inoponibilidade das convenções particulares (art. 123. II. 134. objetivamente. em que pese haver previsão contratual de adimplemento da exação pelo locatário. quer seja em favor do fisco ou dos devedores solidários. CTN. a relação obrigacional tributária nasce da lei. No entanto.Nos benefícios fiscais (isenção. VII. remissão e anistia) – se o benefício for dado em relação à dívida. Por fim. CTN). 123. ou seja. a responsabilidade ora enunciada só abrange as multas moratórias. Obviamente. não aquelas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (art. . CTN). o sócio atua com omissão ou negligência na liquidação de sociedade de pessoas (incluindo as sociedades de fato). A rigor. independentemente da cota-parte de cada qual. aproveitando todos os devedores solidários. CTN).

segundo o STJ. qualificado pela lei como sujeito passivo. Nessa hipótese. mormente ligada ao recolhimento de tributo. Trata-se de previsão legal de desconsideração da pessoa jurídica. II. não interessa o tipo societário adotado. LC 123/06). excluindose a pessoa jurídica do correspondente. “in fine”.63 No segundo. para responder nos moldes do art. deverá recolher o tributo. isto é. entendendo-se solidariamente responsáveis os titulares. e 128. porquanto os infratores responderão pessoalmente perante terceiros. Responsabilidade Tributária Responsável tributário é o chamado sujeito passivo indireto da relação tributária. Os sócios. Esse entendimento decorre da presunção relativa de liquidez e certeza da CDA (art. III. permite que as MEE’s e EPP’s podem dar baixa de suas atividades mesmo sem comprovação de prova de quitação de tributos. ao contrato social ou ao estatuto. a responsabilidade ganhou ares constitucionais pela pena da EC 3/93. não envolvendo propriamente sanção pecuniária nem obrigação acessória. Para que se caracterize infração a normas. CF/88. Se o sócio constar da CDA como devedor. 135. na linha do art. CTN). diversa do não pagamento da exação. o ônus da prova da exclusão da responsabilidade solidária passa a ser dele. 121. deve haver atuação deliberada do sócio-administrador. culpa ou má-fé pelo simples nãorecolhimento de tributos (art. CTN). parágrafo único. 50. com excesso de poder ou com infração à lei. o sócio responde solidariamente como resultado da prática de atos dolosos. Será medida célere. O art. a qual integrou ao Texto Maior o art. “caput”. Nota-se que a obrigação tributária envolvida é a principal. § 7º. A demonstração pelo sócio deverá ser feita por meio de embargos à execução. . A figura em análise pode ser classificada como responsável por transferência (sucessão tributária) ou por substituição. aquele que. 204. O lapso temporal de referência é a época do fato gerador. O requisito subjetivo só será exigido quanto à outra irregularidade. sócios e administradores. Observa-se que é uma responsabilidade integral. não sendo necessária dolo. como bem vem decidindo o STJ.Expressa previsão legal – harmoniza-se com inoponibilidade das convenções particulares ao fisco (art. a desativação da empresa não obsta futura cobrança de débito tributário. deverão ter poder de gerência na empresa. LC 123/06. Somente a lei em sentido estrito pode determinar a relação tributária com responsabilidade (arts. 78. o que exclui sua responsabilidade solidária (pessoal) no caso de mero não recolhimento de tributo pela ausência de caixa para tal. deve necessariamente ter proximidade com o causador do débito pelo qual . a ser efetivada em até 60 dias (art. é possível destacar três traços marcantes: . LC 123/06). mesmo que a pessoa já não mais esteja ligada à empresa na época da baixa. Em que pese o codex já trazer previsão da estrita legalidade. CC. § 3º. CTN). Entretanto. 150. 78. 78. sem praticar o fato gerador. § 1º.O terceiro responsável. 123. CTN. Características gerais – em qualquer das duas categorias.

a outrem (substituto tributário). porquanto esse sucede aquele. O IR. no ato. para não permitir que o responsável arque com débito de quem nunca “conheceu” ou se relacionou. Em que pese intensos debates hermenêuticos. mesmo porque se trata de quebra da regra ordinária sobre débito e responsabilidade tributários. Esse traço não é exclusivo dos tributos não vinculados.: na alienação imobiliária (fato superveniente). quando no exercício do poder de tributar. 2006. a lei desde logo põe o ‘terceiro’ no lugar da pessoa que naturalmente seria definível como contribuinte. Essa divisão decorre diretamente da lei. possui vários exemplos. porque existe em outros. em que pese persistir um ambiente natural nessas exações. o empregador da construção civil deve realizar o recolhimento das contribuições previdenciárias dos seus obreiros.).. como a CPMF. a responsabilidade é deslocada (transferida) para um terceiro. como é o caso da retenção na fonte pagadora de percentagem da remuneração do empregado. havendo débito de IPTU atrasado. ela já recolhe. Amaro (2006. 304) indica que as razões que determinam a incidência da responsabilidade tributária pelo legislador vão desde a conveniência até a necessidade. 307). . a responsabilidade pelo seu pagamento é transferida do alienante ao adquirente. Ex. A doutrina costuma falar de uma “participação indireta” no fato gerador. o instituto da responsabilidade colima proteção ao fisco. inclusive o IR e a contribuição social consectária (art. sendo certo que o liame há de ser econômico. CF/88). Essa característica decorre. por ocorrência de um fato superveniente. uma garantia pró-credor – a responsabilidade foi erigida fundamentalmente para favorecer a Fazenda Pública. . ou seja.64 estará respondendo – deve haver uma vinculação entre responsável e contribuinte.O instituto representa. não havendo de se cogitar qualquer fato superveniente a determinar a quebra entre débito e responsabilidade. as exações correspondentes. no caso da instituição financeira retê-la já na conta do correntista.. a obrigação tributária já nasce com seu pólo passivo ocupado por um substituto legal tributário (AMARO. Já na substituição. da segurança jurídica. na substituição. 195. Responsabilidade por transferência versus responsabilidade por substituição – havendo débito e responsabilidade reunidos em uma só pessoa. Na esteira. Responsabilidade por substituição – substituição tributária não é fenômeno exclusivo do IPI e do ICMS. quando a casa lotérica vai pagar o prêmio do concurso de prognóstico. Da mesma forma. a obrigação tributária é dividida já na sua nascente. p. sendo deferido o débito a um (substituído tributário) e a responsabilidade. “(. por exemplo. sobretudo. Visa evitar o inadimplemento da obrigação tributária e facilitar administrativamente a arrecadação. III. na sua essência. p.

trabalho. Na anterior. 91 . sem. contudo. Sistemas de não cumulatividade – o regime de tributações individuais provavelmente levaria a um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. utiliza-se a técnica da não cumulação. 92 Ocorrendo desvalorização de modo a depreciar os valores da tabela normativa. só incide sobre os valores efetivamente agregados (base de cálculo). As cadeias a serem atingidas pela redução da tabela são aquelas não iniciadas. o consumidor final arcará com a carga tributária. Com efeito. segundo entende o STF (ADIn 2056/MS. inclusive no STJ. o qual estatui uma forma de arbitramento – quilo da carne. apesar de não haver pronunciamento pacífico do STF. Min. no segundo. além da alíquota. Informativo do STF nº 469). fazendo uma compensação em relação ao valor anteriormente pago. progressiva. o tributo incide sobre o valor total estabelecido pelo componente da cadeia. pacote de cigarro. unidade de automóvel. da mesma forma caso o substituído final vendesse o produto por um preço maior que o estipulado pela pauta fiscal.65 Mas a tributação de consumo e as vendas em cadeia são a coqueluche da substituição tributária. não havendo de se persistir um direito à restituição dentro dessas. a sucata (reciclagem e siderurgia) e animais de abate e corte (açougue). porque esse repassa os valores recolhidos nos valores de venda do produto ou serviço. já sendo realizada a tributação pelo modelo de substituição para trás. 146. não cabendo restituição ao substituído final. rel. regressiva ou diferimento fiscal)91. se a pauta previr um aumento do produto ou serviço. a base de cálculo do produto ou serviço deve ser monetariamente estabelecido pelo legislador (pauta fiscal)92. a Administração Fiscal. constituindo o que a doutrina e a jurisprudência costumam designar como contribuinte de fato. escolhe um dos componentes da cadeia de consumo para fazer o recolhimento integral do tributo. risco de inadimplemento e ônus à máquina administrativotributária. A tributação dessa cadeia de consumo transcende a simples facilidade da tributação. a substituição não onera o substituto e muito menos privilegia o substituído. tal qual estabelecido na legislação tributária. a exação. O diferimento tributário. Não há também que se invocar a retroatividade da lei mais benéfica. englobando exatamente os mencionados IPI e ICMS. uma postergação. respectivamente. no caso de exação estadual ou municipal. a cana em caule (usina de açúcar e álcool). Nessa última. submeter o responsável a qualquer exação a maior.2007. há uma antecipação na tributação (substituição para frente. sendo que o primeiro só incidirá em produtos industrializados. DJU 17. Gilmar Mendes. No contexto em tela. Alguns argumentam que há um ato jurídico perfeito. ora destaca o último. No esquema da substituição. No entanto. a qual pode ser aduzida de duas formas: pela compensação de débito e crédito (perfilhado pela legislação doméstica) e pelo valor agregado. como é o caso da isenção e da imunidade. No primeiro caso. um retardamento (substituição para trás. por presunção ou crédito e fato gerador presumidos). Ora o fisco seleciona o primeiro componente. dependendo da conveniência e da facilidade em realizar a fiscalização e o recolhimento. São exemplos de produtos englobados pela substituição regressiva o leite cru (laticínios). por norma regional ou local. sendo calculado sobre o valor de quem lhe vendeu. Em ambas. aduzida com base no art. porque seria faticamente impossível fazê-lo de todos os intermediários. É uma tese a favor da Fazenda. É o entendimento prevalente nos tribunais. o Estado criou a responsabilidade por substituição. porque não se trata de sanção. com suas alíquotas. o que privilegia a segurança jurídica. outros advogam que incide um enriquecimento sem causa. porquanto não se trata de reserva de lei complementar ou constitucional. não há uniformidade quanto ao entendimento. sendo irrazoável tal posição.8. CTN. Para eliminar custo. Para evitar tal ocorrência. o fisco realiza a cobrança da diferença. utilizada pelo Brasil. pode ser estatuída. O fisco teria dado cumprimento à lei. Cada intermediário na cadeia pagará o tributo dentro do valor por ele agregado. haveria pesos diversos para a mesma situação. Ao revés. Acontecendo situação contrária.

Dessa feita. Isso não significa a operação em valores a menor na ponta da cadeia. Aparentemente. esse traço marcante é palco de discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do instituto. Mais: a substituição para frente tende a tolher e limitar a livre iniciativa. O habitat natural desses bens se vincula a uma tributação impossível. sendo posteriormente coadunado pelo legislador da EC 3/93. CF/88. Nessa ponderação de valores. levando em conta que o fato gerador nem mesmo poderia ocorrer. Os produtos englobados pelo regime da substituição presumida sugerem a impossibilidade concreta de fiscalização e de recolhimento do tributo. garantiu a restituição dos valores recolhidos. Vamos ao delineamento dessas considerações. por diminuir os riscos ao credor tributário e por minimizar os custos de fiscalização e de recolhimento. vindo a abalar a atividade econômica do empresário e o equilíbrio de mercado. a sonegação fica eficazmente mitigada. o qual seria inundado de executivos fiscais a maior do que a já exaurida e cambaleante capacidade de prestação jurisdicional. A substituição tributária é um sistema inteligente. caso não ocorra o fato gerador. o Estado estaria se enriquecendo ilicitamente. porque cobrara tributação sobre algo que nem mesmo se sucedeu. 1º. promulgada a EC 3/93. vindo a sentir diretamente os efeitos da tributação a maior pela inocorrência do fato gerador. IV.66 etc. Nesse passo. A questão se vincula a antecipação do crédito tributário. § 7º. porque o tributo é seu principal sustentáculo financeiro. porque a receita tributária é antecipada em relação ao fato gerador ocorrido. necessária a exprimir o real valor da riqueza tributada. tornando a sonegação francamente presente. No entanto. os empresários estariam onerados. mesmo porque. a qual acrescentou o art. a gravame financeiro da Administração e à potencial afetação ao Judiciário. Restituição – a referida emenda. e 170. mormente no tocante à modalidade de substituição para frente. Com efeito. “caput”. é possível atualizar a tabela fiscal por ato do Executivo (decreto). mediante outras condições. Na esteira. porque há um repasse na nota de compra. o direito de restituição compete ao substituído. o Estado estaria abrindo mão de receita. foram erigidos argumentos relevantes a favor do instituto. porque o produto ou serviço poderia só ser repassado muito tempo depois. à estimulação ao crime de sonegação. garantiu-se constitucionalidade ao instituto. antes mesmo da ocorrência do fato gerador. a exação já foi recolhida . Entretanto. além de constitucionalizar a presunção do crédito e do fato gerador. a qual não legitima a restituição. Regime da substituição progressiva e constitucionalidade – a matéria foi pacificada pelo STF. a extinção levaria à insegurança jurídica na arrecadação. porque a base de cálculo já está estipulada abstratamente pela lei. da máquina administrativa e dos serviços públicos. Porém. supõe-se que o último elo da cadeia de consumo vende o bem por valor a menor que a pauta fiscal. de acordo com a LC 87/96 (Lei Kandir). Além disso. 150. tutelada pelo arts. Por liberalidade. Segundo o STF. CF/88. o STF optou pela decisão política. A flexibilização da pauta fiscal se destina justamente à agilidade na atualização.

150. porque é a lei que fixa a base de cálculo e a alíquota (art. 146. recaindo-se sobre o valor da liberalidade (tributado e não agregado). A riqueza apresentada pela operação mercantil não é aquela que corresponde à presunção erigida pela tributação. há grande pressão para alteração legislativa e. 94 Os principais setores atingidos pela substituição para frente são: automóveis. sobre a mudança jurisprudencial. entendimento que tende a ser revertido nas seguintes (Informativo do STF nº 418). em realidade. Essa riqueza é direito do administrado na prestação estatal. Ao aceitar o preço imposto pelo contribuinte na nota de venda. porque a lei autoriza a tributar a alíquota em cima da riqueza efetivamente circulada (agregada). sendo certo que. a quem compete o direito de restituição? Ao substituto. 93 . IV. que foi quem efetivamente pagou. na primeira. Todos os segmentos possuem grande lobby legislativo. O substituído advoga pela real demonstração de riqueza. O terceiro fundamento se vale da violação da efetiva capacidade contributiva. a sonegação fiscal. Ex. A riqueza efetivamente circulada é aquela estabelecida na pauta fiscal. o (último) substituído pleiteará a restituição do diferencial entre o valor tributado e o preço da venda efetiva. não devendo o fisco se assentar sobre o efetivamente praticado. montante concretamente agregado. fazendo-se argüir: é cabível a restituição no regime da substituição tributária para frente. Dessa feita.67 sobre o montante cheio. a um depósito. porque o valor inicialmente recolhido pelo substituto corresponderia. medicamentos. não podendo o Estado abrir mão dela. O argumento se funda na agregação concreta e não legislativa. O primeiro fundamento se reveste no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. não dependendo de qual o preço determinado pelo vendedor. quando o substituído final promove a redução da base de cálculo do imposto por liberalidade? Se não. com bastante força política. CF/88). Do contrário. “a”. a Administração tributária estaria violando o princípio da tipicidade. porque se estaria liberando o substituído final para praticar qualquer preço na venda na ponta da cadeia. bebidas. Base de cálculo é valor e não preço. em tese. principalmente. o qual deveria ser integralmente devolvido ao final da cadeia. III.Pela não restituição – preliminarmente. O acatamento do postulado levaria ao sepultamento da substituição por presunção.Pela restituição – o direito a pleitear a restituição é do substituído final. sendo determinado pelo preço que o substituído final praticasse94. não há causa para arrecadação. prática vedada pelo art. CF/88. mesmo que o substituído final receba a menor pelo bem. a incidir sobre um montante maior que o apresentado pela capacidade contributiva do substituído final. A riqueza revelada corresponde àquela existente. havendo uma diferença em favor do fisco. O segundo fulcro liga-se ao confisco. a votação no pleno foi de 6 votos a 5 pelo não ressarcimento. . ADIn 1851-AL versus ADIn’s 2675-SP e 2777-SP. A tributação de uma riqueza não efetivamente demonstrada é um confisco. por quê? Se sim. Preço e valor são conceitos diversos.: a base de Cf. Nesse sentido. produtos de limpeza e fumo. os postulantes da tese anterior visam. ou ao substituído? O eventual direito a ressarcimento recairia sobre que montante? Qual a posição atual do STF sobre o questionamento93? Formaram-se duas correntes: .

A responsabilidade do infrator é pessoal. CF/88. O STF só aceita a restituição na substituição “para frente” quando efetivamente não há o fato gerador. Min. quem faz liberalidade deve suportar seus efeitos. Quando esse se realiza a valores menores. o Judiciário 95 96 STF. ADIn 1851/AL. . A otimização da arrecadação. A procuradoria estatal não pode realizar a cobrança. Informativo do STJ nº 319. § 7º. 4º. as quais apresentam um custo dobrado ao Estado. É a tese pacificamente aceita pelo STJ. rel.915-MG. DJ 28/4/2003. Ocorre que o art. DJ 11/9/2000. o STJ seguiu a orientação96.Multa – argúi-se se a multa acompanha o tributo na sucessão. II. A separação da cobrança implica na existência de duas execuções. Após o posicionamento do Supremo. São os fatos supervenientes que determinarão a transferência do débito do contribuinte originário (sucedido) a um terceiro (sucessor). estaria prejudicada. com os fatores já supra mencionados. LRF). sendo esse transferido integralmente ao sucessor. REsp 245. Não se está tolhendo a autonomia privada do alienante do bem. julgado em 3/5/2007. principalmente nas multas menores. Se esse intentar o feito dessa maneira. o É devida a multa – podem ser arrolados dois argumentos: um político e outro jurídico.123-GO. a execução é do crédito tributário. Ademais. 14. englobando o tributo e a multa. LC 101/00). 150. AgRg no Ag 455. DJ 4/8/2003. RMS 13. Pode ser visualizada segundo alguns aspectos: . REsp 436. 2ª T. DJ 24/6/2002. mas sim que ela não poderá invadir a seara dos direitos de outrem – do Estado –.386-SP. REsp 552.68 cálculo do ITBI é o valor do imóvel (previsto em tabela estabelecida em lei). utiliza a expressão “caso não se realize o fato presumido”. DJ 10/3/2003. o custo da execução geralmente é maior que o próprio valor da sanção.694-MG. gerando uma instabilidade para o Estado quanto ao montante arrecadado na cobrança feita ao substituto. Formaram-se duas correntes: o Não é devida a multa – ninguém pode ser penalizado por conduta que não praticou. em um momento futuro (venda final). Além disso. § 3º. STJ. O direito dos terceiros de boa-fé – incluindo o fisco – não pode ser prejudicado em face da atuação do particular. Daí. João Otávio de Noronha. gerarse-ia a incerteza: o valor arrecadado pode ser utilizado? Deixaria de ser receita e passaria a ser entrada provisória (componente do Anexo de Riscos Fiscais – art. posto que.019-SP. REsp 469.506-PB. A aceitação abalaria a segurança jurídica. não importando qual o preço estipulado pelos negociantes. sob pena de abuso de direito. se houvesse um subfaturamento. Quanto ao primeiro. a Fazenda teria que devolver o montante. levando à crença de que as operações a menor não estariam contempladas pelo constituinte. Responsabilidade por transferência (sucessão tributária) – possui duas vertentes: “inter vivos” e “causa mortis”. § 3º. não devendo transcendê-lo (princípio da personalização da sanção). não há direito à restituição95. porque se trataria de irresponsabilidade fiscal (art.

na verdade. a corte poderia uniformizar o entendimento. . A multa é sanção administrativa e não criminal (pena). em seu “Interpretação e Aplicação da Constituição”. 131. trata da transferência empresarial. asseverando que o rol do art. coloca a responsabilidade tributária divida em três espécies: por transferência. “caput”. Do contrário. Persiste uma infração tributária e não um crime tributário. 132. No entanto. Os segundos são aplicados a todas as matérias jurídicas. por substituição e por solidariedade. À luz exclusivamente do texto frio da lei.69 estaria ainda mais onerado em sua prestação jurisdicional. melhor 97 Luis Roberto Barroso. elementares à sua própria existência. O art. Pergunta: Luciano Amaro. II e III. dos sucessores e de terceiros. 132. 130. cuidou da operação de alienação de estabelecimento comercial (trespasse). CTN. Todavia. desde que sócio remanescente continue na atividade empresarial (art. CTN. CTN). e a solidariedade ela pode estar tanto na transferência quanto na substituição. já tão abarrotado pelas demandas ajuizadas. O princípio da pessoalidade da pena na pessoa do criminoso é ditame setorial97. O STJ poderia optar por uma interpretação restritiva. o direito penal tributário (atribuição punitiva do delito) não há de ser confundido com o direito tributário “penal” (atribuição fiscal-administrativa). I. a classificação utilizada por alguns doutrinadores configura. RTJ 78/965. não sendo estendido à seara administrativo-tributário (poder de arrecadar e de polícia). O modo de exposição da matéria do professor Amaro não encontra guarida na doutrina majoritária? Em posição análoga.613-SP. Quanto ao segundo. O art. RE 83. Somente o art. o art. Em suma. 130. parágrafo único. essas seriam as disposições normativas. O art. Na esteira. Eduardo Sabbag coloca a responsabilidade por transferência dividida em três categorias: por solidariedade. por fusão. Assim. gerais e setoriais. Esse também tem sido o entendimento do STF98. assentando suas colocações em Rubens Gomes de Souza. refere-se a “crédito tributário” (tributos mais multas). a linguagem imprópria do legislador dá interpretação à incidência da multa somente quanto à primeira espécie de transferência. Optou pela segunda linha. Qual classificação mais de acordo com o posicionamento das bancas de concurso? Resposta: no momento do concurso é importante você citar estes três institutos. não sendo possível sua extensão a outros. a solidariedade foi analisada como instituto autônomo em relação à responsabilidade. CTN. CTN. Os últimos somente se verificam em determinados compartimentos jurídicos. 133. por incorporação. aplicando-se somente a sucessão do crédito tributário nas transferências imobiliárias “inter vivos”. Os primeiros são os basilares do Estado. com conotações diversas em cada área específica. 131. essa última foi estudada em tópico separado. por cisão ou mesmo por extinção da empresa. durante as aulas do curso. CTN. enquanto os demais dispositivos mencionam apenas “tributos”. trata da transferência “inter vivos” imobiliária. com exclusividade. é apenas sugestivo. 98 STF. seja a responsabilidade por transferência por substituição. divide os princípios em três categorias: fundamentais. trata da transferência “causa mortis”. restrito à seara punitiva do delito fiscal. “caput”.

entendeu a corte que as multas. precisamos adotar a posição mais recente adequando com o tipo de concurso que você irá prestar. por analogia. no momento da hasta. Entendo mais coerente como foi exposto na aula pela professora Tathiane estudar a solidariedade em tópico separado. por exemplo. Em verdade. a Fazenda Pública expediu certidão de dívida. CTN. há exceções ao ditame: o Aquisição de imóvel em hasta pública – o terceiro adquirente (arrematante) do imóvel não arcará com os débitos tributários. Caso a autoridade fiscal deixe de acusar a dívida tributária no momento oportuno. Pergunta: o STJ.Transmissão “inter vivos” de imóvel (IPTU) – as dívidas tributárias. VI. Assim. logo posteriormente à hasta. a qual possui fé pública. Luciano Amaro e Eduardo Sabbag afirmam que a responsabilidade por transferência não se estende a multas. Entretanto. 130. preceituou que seu rol de disposições é simplesmente sugestivo. o fisco percebe seus créditos antes do repasse do numerário ao demandante (art. as procuradorias municipais têm erigido a tese de responsabilidade subsidiária do agente público responsável pela omissão na emissão da certidão. pelos atos por ou perante eles praticados. mesmo porque. CTN). antes de ser repassado o valor ao exeqüente. serão transferidas ao sucessor. o valor não poderá ser cobrado posteriormente do arrematante. mormente quando se trata de operações societárias (art. dependendo do ponto de vista. componentes do crédito tributário (na realidade. Entretanto. em homenagem à segurança jurídica. CTN. ao interpretar o art. se a autoridade verifica que houve erro na emissão da certidão. conquanto os dois últimos autores invocam julgados menos hodiernos do STF e do STJ respectivamente? Resposta: infelizmente ou felizmente. AGU muitas vezes a posição é diferente da magistratura. obrigação tributária). devendo indicar os valores dos tributos a incidir. Nesse raciocínio. 134. a título subsidiário. . afinal. do art. CTN. 130. sofremos constantes mutações quanto às posições adotadas pelas Cortes Superiores. o negócio fica perfeito mediante juntada do documento público. em sentido contrário. 131 e 132. Essa idéia tem por fulcro uma aplicação. A Fazenda Pública só poderá cobrar do alienante. em concurso público. parágrafo único. Atualmente. Essa situação se defere à segurança jurídica. em tese. CTN). Pendendo exação sobre a coisa. Deverá recorrer ao antigo executado para perceber seu crédito. o adquirente não arcará com os débitos fiscais. Quando. dispositivo pelo qual tabeliães e cartorários devem responder por créditos tributários. 132. no ato de . Qual posição.70 modo por eles escolhido para exposição da matéria. é a prevalente. a regra é de obrigação “propter rem”. Mesmo sendo uma execução particular. seriam transferidas ao sucessor também no caso dos arts. Posteriormente. a Fazenda Pública será intimada para se manifestar. acusando outros débitos não indicados. o Emissão de certidão de débito pela autoridade fiscal – em alienação de imóvel.

Nesse caso. vir a cobrar os valores do adquirente. A doutrina e a jurisprudência ficaram incumbidas de interpretar a disposição. perfilhando o postulado da sucessão “propter rem” totalmente. Essa regra de sucessão tributária colima a preservação do empresário. • Responsabilidade solidária com o alienante – é a tese majoritária. O instituto tem por fim proteger primordialmente o credor tributário. perfilhada pelo STJ. CTN). 133. fonte de riqueza. O postulado se fundamenta no art. o arrematante não responde por débitos fiscais anteriores (art. Segundo asseveram os defensores dessa corrente. 133. se o alienante não praticar qualquer atividade empresarial dentro em seis meses do negócio (art. decorrente da própria atividade empresarial. 130. Uma vez que exare certidão negativa. 124. considerada não escrita. Na operação de trespasse. não poderá. CTN. I. em que pese ser integral. Será integral. CTN). CTN. “caput”. Antes do repasse do preço ao exeqüente. CTN. No caso da responsabilidade espelhada no art. a responsabilidade do adquirente oscilará. Qualquer ressalva aposta no documento é cláusula ineficaz. • Responsabilidade preferencial do adquirente – o alienante responde subsidiariamente pelas obrigações tributárias. 208 do CTN. caso o adquirente não tenha capacidade de arcar com elas. CTN). por Machado (1993) e por Paul Erik. a Fazenda Pública se manifesta sobre eventuais débitos do bem (IPTU). seria possível cobrar o débito também do exeqüente? Resposta: cuidado. Não foi a tese vencedora. 133. No entanto. caso aquele prossiga no comércio nos próximos seis meses. 134. de arrecadação fiscal. não responde pelos débitos tributários. de emprego e. de acordo com a postura posterior adotada pelo alienante (art. por conseguinte. é possível alcançar o executado e. não foi esclarecida pelo legislador acerca do seu título. Caso haja certidão negativa de dívida. a Administração Pública responde por tal informação. 133. subsidiariamente. parágrafo único. Surgiram três posições: • Responsabilidade exclusiva do adquirente – a palavra “integral” quer dizer “exclusiva”. conforme art. há sim interesse comum entre alienante e adquirente em arcar com os . II. a não ser em caso de dolo do funcionário que a expediu. havendo passivo fiscal sobre o estabelecimento. 133. o agente público que produziu o documento público (analogia ao art. será subsidiária. o imóvel posto em hasta pública representa a garantia do pagamento. porque a solidariedade não pode ser presumida. CTN) – persiste indício de demonstração de riqueza no novo elemento de empresa. Pergunta: na aquisição de imóvel em hasta pública. subseqüentes à alienação (art. genuína engrenagem da economia. I. o adquirente traz em mãos a certidão de dívida negativa. I. VI.71 aquisição do imóvel. CTN).Transmissão de fundo de empresa – está disciplinado no art. Também não foi prevalente. . posteriormente.

13. CTN). são incompatíveis com o diploma anterior.INSS – Sociedades Limitadas e Sócios – Solidariedade – a grande maioria dos empresários domésticos são constituídos na forma de sociedades limitadas. com base em três argumentos: o O CC/02 revogou o art. no REsp-AgRg 410. A decisão se fundou na existência de expressa previsão legal. Dessarte. Com efeito.250-RS e REsp 638. CTN). 133. 124. no seu art. afirmando que cabia a solidariedade por maioria de votos. Pela regra. 133. dada a função sócio-econômica daquela. CTN. Contudo. 13. há extinção da sucessão tributária ao adquirente (art. o eventual adimplemento tributário. O montante resultante da alienação judicial do estabelecimento ou da empresa ficará depositado em conta do juízo falimentar por um ano. a qual acresceu três parágrafos ao art. o qual disciplinou as sociedades limitadas. Inicialmente. o diploma criou uma situação esdrúxula de solidariedade tributária. de alguma forma. 124. REsp 717. § 1º. II.755. Do contrário. 133 da codificação. CTN. Lei 8620/93 – as disposições do CC/02. com o fito de favorecer o adquirente que resolve celebrar o negócio. O legislador optou por facilitar o trespasse nas delicadas situações mencionadas. caso o adquirente não seja pessoa estranha ao alienante.080. não pode levar à exigência do crédito sobre o patrimônio dos sócios. AgRg no Ag 728. A revogação foi implícita. enquadrando-se naquelas do art. na década de 90. caso esse não esteja ligado. I e II. a Lei 8620/93. as disposições seguem comandos específicos. porque a estrutura desses empresários não se harmoniza com o dispositivo em tela (art. . estabeleceu responsabilidade ilimitada entre sócios e sociedade nas dívidas para com a seguridade social. só podendo ser levantado para pagamento de credores extraconcursais ou daqueles precedentes aos tributários (art. Havendo falência ou recuperação judicial. notadamente de contribuições sociais. com fulcro no art. impera normalmente a regra “propter rem” – persiste a sucessão tributária nos termos do art. O legislador considerou mais importante a preservação da empresa do que a satisfação dos credores. Não incorrendo nos caso anômalos de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. CTN). ausentando-se qualquer benefício de ordem (art. o STJ se pronunciou sobre a matéria.717-SP.72 débitos tributários. foi promulgada a LC 118/05. CTN. Para adaptar o CTN à nova realidade. 133. ao alienante. A Lei 11101/05 (nova Lei de Falências – LF) provocou alguns reflexos na área tributária. § 2º. porque a autoridade pode escolher qual o sujeito passivo em melhores condições para arcar com os débitos fiscais. § 3º. considerando o negócio do trespasse. “caput”. . 1052. a fórmula aberta do dispositivo legal favorece bastante a arrecadação. facilitando muito o ofício da PGFN (Lei 11457/06). 99 STJ. Em verdade. portanto constituindo elemento essencial à mecânica macro-econômica. 133. o voto vencido do Ministro José Delgado fundou uma mudança jurisprudencial efetivada em 200599. parágrafo único.

Lei 8620/93. CF/88) fica prejudicada. uma vez que o sócio conste da CDA. III. 146. “caput”. 13. porquanto a Lei 8620/93 é especial. contida no art. lesionando por demais a grande mola propulsora da circulação de riqueza. Não se tratava de desconsideração da personalidade jurídica. também perfilhada pelo art. o art. CTN. e 170. haverá responsabilidade decorrente. Pelo contrário. o constituinte exigiu LC para determinar solidariedade. Esta justificativa também não é própria. 13. foi mudada hodiernamente100. A referência que se faz à infringência da lei. Por tal argumento. 13. não abarcaria o simples atraso no pagamento dos tributos. LEF). Lei 8620/93. principalmente pela pena do Ministro do STJ Garcia Vieira. “caput”. Este é o argumento mais robusto para afastar a aplicação do art. porque a LC deve estabelecer normas gerais e não específicas. bem como. “caput”. “caput”. invertendo-se o ônus da prova. mandamento construído pela Lei Maior. CF/88. A jurisprudência. o Violação do princípio da livre iniciativa – além desse gravame direto. II. Lei 8620/93. “caput”. com seus benefícios legais. enquanto o CC. a tese da inconstitucionalidade formal do art. 13. excluindo-se a pessoa jurídica do pólo passivo. Há ADIn em trâmite no STF para contestar a constitucionalidade do art.684-SE. REsp 441. 135.898-DF e REsp 839. o CTN atende ao comando constitucional. por via reflexa. Dessa feita. o A matéria é de disciplina exclusiva de LC – haveria um vício formal no art. 124. autoriza o legislador ordinário a estabelecer responsabilidade solidária. O que não pode o legislador ordinário é extrapolar os limites do constituinte e do seu comparsa complementar.73 CC). o comando continua válido. III. como bem ventila o art. a certidão goza de presunção relativa de liquidez e certeza (art. mas sim responsabilização principal na pessoa do administrador. CTN. admitia a execução direta do patrimônio administrador pela mera mora tributária. fica reprimida. toda a estrutura econômica positivada (arts. apesar de não haver qualquer decisão tomada. O próprio STJ tem postura cristalizada no sentido de possibilidade de execução fiscal em face de sócio que conste em CDA. IV. 13. A constituição de sociedade limitada. É a teoria “ultra vires”. 1º. vigente e eficaz. este fundamento não condiz com o Direito Intertemporal. . Segundo a corte. Contudo. Em nenhum momento. O STJ entende que a mora pode ser 100 STJ. O equilíbrio macro-econômico fica comprometido com o tolhimento do sistema capitalista instalado. Lei 8620/93. nesse passo. porquanto goza da presunção de constitucionalidade. Nesse caso. “caput”. 135.Administrador – caso pratique atos em contrário à lei ou com excesso de poder. fica sufragada. geral. CTN. 3º. aduzida nos anos de 1992 e de 1993. Lei 8620/93. . o próprio art. Trata-se de responsabilidade pessoal do sócio. Essa tendência.

. São os casos. pela qual ficam excluídas as sanções pecuniárias. quando for percebido nessa prática. Ag Rg no EDcl do REsp 826. não dando azo à execução pessoal do administrador. CTN. por exemplo. Na tentativa de extrair a ocorrência do fato gerador e evitar a decadência tributária. a responsabilidade aqui mencionada deve ser subjetiva. 138. . sendo a multa somente instrumento de coerção sobre o ânimo do sujeito passivo.681. Para tentar corrigir. devendo ser caracterizada o dolo ou culpa do agente. EREsp 690. não pode ser confundida com a responsabilidade objetiva da empresa no mero inadimplemento do tributo ou também no descumprimento de obrigações acessórias. “caput”. a apresentação posterior da declaração de tributos já caracteriza o ato de lançamento. Esse entendimento não condiz com o espírito do instituto. Esse pode decorrer de situações de mercado. o Havendo denúncia espontânea. mesmo porque o sujeito passivo deve se apresentar à autoridade fiscal antes desse chamá-lo. Ademais. incidem multas pesadas sobre o ilícito. tal qual a disposição do art. nesse momento. a sonegação. invoque a denúncia espontânea para afastar multa sancionatória. 138. o fisco já estaria cobrando. CTN? Inicialmente. 138. Essa prática objetiva evitar que o contribuinte declare e não pague e. Uma segunda tese estabelecia como marco o início de qualquer procedimento administrativo de fiscalização tributária. até que momento se considera efetivamente espontânea a confissão feita pelo sujeito passivo para fins de se aplicar o benefício do art. CTN. Essa última posição só cabe nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. mediante a efetiva ocorrência do fato gerador. Nessa seara.628-PR. Visa primordialmente favorecer o Estado. a tese prevalente preconiza o lançamento como fator a elidir a denúncia espontânea. é necessário levantar quatro questionamentos: o Tecnicamente. a confissão deve ser necessariamente acompanhada de pagamento ou cabe tal vantagem 101 STJ. Nesse sentido. advogava-se a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea até a citação válida.74 caracterizada por descumprimento de obrigações tributárias acessórias ou por ocorrência de delito tributário. Contudo. porque. quer seja na seara administrativa ou criminal.Denúncia espontânea – a maioria dos tributos depende de uma atuação antecipada do contribuinte no adimplemento. É o entendimento esposado pelo STJ101. de elementos sazonais ou de circunstâncias que tornem a atividade momentaneamente difícil. o qual pode ensejar diretamente a inscrição em dívida ativa. AgRg no AgRg no AgRg do REsp 611. foi criado instituto da denúncia espontânea. com antecipação do pagamento. Mas a Fazenda Pública se preocupa com o recebimento do tributo. para que se conceda o benefício previsto no art. parágrafo único. é recorrente.133-PR. Dessa forma. não por corriqueiro inadimplemento de tributo. Restringindo um pouco mais. de dissolução irregular de sociedade ou descumprimento de obrigações acessórias.

13/6/2007. pode afastar qualquer espécie de penalidade. 142 a 150. Essa posição foi corroborada pela LC 104/2001. Castro Meira. A Administração Tributária deve combater a frustração ao poder de polícia fiscal. Do contrário. o entendimento foi alterado. enquanto procedimento.. 138. . os juros são mantidos “ex vi” da própria redação do art. EREsp 760. No entanto. a exclusão da penalidade tem que alcance? Atinge a multa moratória. pressupondo lei específica para tal. De acordo com a jurisprudência supra mencionada. aduzido pelo devedor. Na mesma esteira. tal qual o art. 151. um conjunto interativo de atos entrelaçados por uma seqüência lógica. porquanto o contribuinte em atraso não é inocente. a natureza jurídica do instituto gera divergência: é ato ou procedimento? É declaratório ou constitutivo? Ato é uma conduta isolada. a denúncia espontânea só afasta a multa moratória. na leitura realizada pelo STJ102. para acórdão Min. CTN. “Data venia”. com o fim de atingir um objetivo maior e derradeiro. Informativo do STJ n° 323.278-PR. “caput”. rel. segundo a jurisprudência do STJ. originário Min. de acordo com sua conveniência e oportunidade. A benesse da exclusão da multa não deve ser estendida àquele que parcela. o que deu abertura à exclusão de todas as sanções. indiretamente. “caput”. Lançamento Está disciplinado nos arts. A primeira independe de qualquer norma. o Qual a diferença entre denúncia espontânea e anistia. CTN. CTN. 138. se em ambos os institutos ocorre dispensa de penalidade? A denúncia espontânea é ato de confissão de dívida. CTN. “caput”. conceitua lançamento. DJU 30/6/2006. 1ª Seç. o inadimplemento tributário. Foi a tese prevalente durante muito tempo na jurisprudência. somente a multa moratória deverá ser afastada pela denúncia espontânea. Denise Arruda. Nesse sentido. 142. a sancionatória ou ambas? E quanto aos juros? O art. lançamento é um procedimento (na 102 STJ. REsp 831.75 quando a denúncia é seguida a simples parcelamento? Somente o pagamento dá azo à denúncia espontânea. como vantagem. sendo certo que o ato administrativo de exclusão do crédito é vinculado. o Havendo denúncia espontânea acompanhada de pagamento. porque o Estado não pode fomentar. o legislador seguiu a interpretação jurisprudencial anteriormente dada. O parcelamento. com o objetivo de atrair contribuintes para saldar sua dívida. diploma que integrou o parcelamento como espécie de suspensão do crédito tributário (art. Dessa feita. CTN). Nesse sentido. a anistia é ato efetivado pelo credor. VI. CTN. não distingue qual a natureza da multa. pelo qual perdoa uma receita. j. Deveria caber no parcelamento. na anistia. porquanto o parcelamento incluirá a multa sancionatória. rel. enquanto o legislador. O art.290-PR. em que pese não ser a tese vencedora. 155-A. As procuradorias fazendárias passaram a defender o não-cabimento da exclusão da multa sancionatória. não pode ser cumulado com o afastamento da sanção. § 1º.

156. já existe relação jurídica obrigacional tributária e. Quanto à segunda pergunta. o art. materializado pela notificação. mas sim o direito potestativo de lançar – o crédito continua persistindo. conseguintemente. porque o lançamento é pressuposto para tal. Dessa feita. incluindo eventual penalidade. CTN). CTN. Na teoria em tela. foram erigidas três correntes: o Lançamento é constitutivo do crédito e declaratório da obrigação tributária – lançamento é o procedimento pelo qual se cria crédito tributário (Rubens Gomes de Souza). em que pese ter havido extinção do crédito tributário.76 visão do legislador). No entanto. o citado mestre defendeu essa posição clássica. • Ao se considerar o lançamento como constitutivo do crédito (art. a decadência também não extingue o crédito. 142. porque engloba vários atos em cadeia: identificação do sujeito passivo. muito pela existência de três argumentos: • Incidindo a lei a qualificar o fato gerador. o pagamento do tributo no prazo e forma previstos não enseja qualquer procedimento administrativo. CTN). porquanto essa é a perda do direito de lançar. 156. Dessa feita. não há consenso entre as duas disposições – como é possível extinguir algo que ainda não foi criado? Alargando um pouco mais o raciocínio. não o crédito. Na esteira. cálculo do montante a ser pago. porque o fato . Não é o entendimento mais aceito hodiernamente. O que é extinta é a pretensão. O credor não terá mais o direito de exigir em juízo o crédito. determinação da matéria a ser tributada. chamado lançamento. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário – o lançamento constitui a exigibilidade do crédito tributário. haveria incompatibilidade com a previsão de extinção do crédito tributário “ex vi” da decadência (art. Esse entendimento contesta a posição clássica supra exposta. caracterização do fato gerador. V. a mora pressupõe crédito. o crédito já está caracterizado – não pode haver obrigação sem credor. sendo constitutivo da exigibilidade do crédito somente em alguns casos – essas hipóteses se restringem aos tributos lançados de ofício. isto é. pois alguns entendem que o lançamento é um ato único. Com base na doutrina estruturalista alemã. Não houve lançamento. terminando com a notificação do contribuinte. • Como terceiro fundamento. o crédito nasce a partir da previsão abstrata da lei e não do procedimento administrativo. analogamente. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário. ainda que por meio de ação de consignação. Todos os demais são prévios e preparatórios para tal. Essa posição não é unânime na doutrina. No diapasão. criado esse por força da lei. errou. pode ser que a exigibilidade do montante só seja possível mediante determinado procedimento. não sendo possível mais sua exigência pela via reflexa. sem esse aquela inexiste. não é possível que o lançamento crie o crédito. “caput”. V. ao prever que a prescrição extingue o crédito tributário. mas o devedor continua no direito de pagar.

aduzida pela lei. cobrando diretamente do contribuinte. devendo ser aduzido pelo contribuinte. Ex. é necessário levar em conta dois critérios: o Necessidade ou não da participação do sujeito passivo declarando o fato gerador. Na esteira de Ricardo Lobo Torres e outros. de sua natureza. taxas. etc. Os critérios serão verificados à luz do tipo do fato gerador. desconstruiu a teoria clássica da constituição do crédito tributário pelo lançamento. aplicável ao crédito e à obrigação. o fisco sabe de antemão o valor. O legislador previu três diferentes espécies: o De ofício ou direto – o sujeito passivo não precisa declarar a ocorrência do fato gerador. a simples ocorrência do fato gerador já possibilita a exigência do crédito tributário. Não há dever de pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Ex. misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador. nasce a partir da qualificação jurídica do fato gerador. Nesse passo. CTN). do crédito tributário – não seria a efetiva ocorrência do fato gerador.77 gerador está às vistas da autoridade fiscal. daí a razão de serem. o mestre afirmou que o crédito tributário. Contudo. o momento do nascimento da obrigação – e. CTN).: no ICMS. também. o Por declaração. Após a cobrança. o Necessidade ou não de pagamento pelo sujeito passivo antes da cobrança (pagamento antecipado) – deve ser aferido quem deve interpretar a legislação para apurar o momento devido: o sujeito passivo ou a autoridade tributária. no IPTU.: ITBI. os autores refletem sobre o assunto e apontam seus peculiares entendimentos pautados em premissas científicas diferentes. 148 e 149. O lançamento por declaração está . uma vez que não haja pagamento por parte do sujeito passivo. desde que anteriormente previsto na norma? Resposta: sim. assim como sua correspondente obrigação. o sujeito passivo paga. Nos demais casos. 142. I a IX. o lançamento constitui dever-poder da Administração. ITR. parágrafo único. em comentários feitos em aula. A autoridade administrativa interpreta a legislação e cobra ou retifica lançamento ou declaração anteriormente aduzidos (art. no raciocínio de Paulo de Barros Carvalho. a autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o montante a ser adimplido. cobrando. Pergunta: o professor Pedro Barreto. Ademais. devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. sob pena de falta funcional da autoridade atribuída (art. autos de infração. Após tal ato. o fisco não tem como saber qual o montante a ser pago. Ex. contribuições de melhoria.: IPTU. por conseguinte. II e IE. tese essa erigida sob a pena de Rubens Gomes de Souza e perfilhada com impropriedades pelo CTN. Modalidades de lançamento – para identificá-las. o professor trouxe à baila o postulado da natureza declaratória do lançamento. opiniões diferentes.

78 previsto no art. CF/88). Não existe decadência do lançamento por homologação. o legislador erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: . Corresponde à maioria das exações. não sendo sempre obrigatório o pagamento “incontinenti” do tributo. o fisco homologa o valor recolhido (art. Posteriormente. O CTN listou quatro modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro dessa categoria: o Recurso administrativo (art. 151 a 155-A. Havendo diferença entre o devido e o pago. os tributos aqui incluídos não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento “ex officio” só será posterior. Dessa forma. CTN. 5º. o Mandado de segurança com liminar (arts. Com base nesse documento. 147. LV. III. a cobrar eventual diferença. o qual é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no âmbito federal. CTN). O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. ele passa a ser exigível. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. Nessa seara. O sujeito passivo deve ofertar declaração na qual há informações essenciais ao lançamento. calculando o montante devido e pagando antes de ser cobrado (pagamento antecipado). com as devidas peculiaridades do D. O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de constituição do crédito mediante lançamento. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts. IV. CTN). por qualquer uma de suas formas. Permite a ampla defesa dentro do feito. a Administração tributária realiza o ato. IPI. Lançado o crédito tributário. Trata-se de ficção jurídica. haverá lançamento de ofício posterior. dentro de um PAF. o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente qualificado. IR. constituindo a quitação como meio de prova. Contudo. “caput”. Em verdade. seguindo o princípio do devido processo legal e convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. interpretando a legislação.: ICMS. o sujeito passivo pode levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. CTN). inclusive os lançados por homologação. etc. e 151. 151. fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do tributo). havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. é amplamente possível a instalação do contraditório para contestar o procedimento de obtenção dos valores. CF/88.Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. quando se invoca direito líquido e certo a ser . 150. Ex. 5º. XXXV e LXIX. “caput”. 70235/72. O sujeito passivo precisa declarar o fato gerador. sendo certo que ninguém poderá ser executado enquanto discute o objeto do litígio. CTN).

o fisco faz jus à conversão do depósito em renda. 62. o escopo em tela se dá em homenagem à economicidade.641-PR. 154. Do mesmo modo. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). CTN). caso haja lançamento durante o curso do processo.350-SP. instituto denominado moratória (art. CTN)103. É o caso. 2002. em que há fracionamento da dívida tributária ao longo do tempo. 360. CTN). Previamente à cobrança do débito fiscal. em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a exigibilidade do crédito. não objetiva desconstituir o crédito tributário. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de lançamento. instituto constante do Direito Privado (art. e 151. REsp 490. DJU 12/3/2001. procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha sido disparado. 151. VI. Dessa forma. 12/9/2007. também a título de tutela antecipada na inicial. tida antes do lançamento. I. devendo ser revelado relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato impugnado (art. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. à razoabilidade e à eficiência. Min. II. enquanto na consignação fica patente a intenção do devedor em pagar. porquanto a exigibilidade do crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma causa de extinção ou de suspensão. em tese. o legislador percebeu que seria melhor abrir uma fase intermediária. mormente com o intuito de discutir a dívida.79 demonstrado por prova pré-constituída. no depósito integral. 151. “caput”. 151. 103 . o Depósito do montante integral (art. 273.Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor lançado e exigido. não se confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI.. mas não a única. “caput” e I. Para impedir seus efeitos. da postergação da mora com consentimento do Estado. O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art. 104 EREsp 479. I. CTN). o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts. dando azo à execução forçada. 1ª Seç. Apesar de qualquer das referidas medidas ter o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. II. por exemplo. V. CF/88. a suspensão do crédito tributário.725-BA. 5º. REsp 251. ao contrário da primeira. em verdade. É a situação mais comum. XXXV. Informativo do STJ n° 331. deveria haver inscrição em dívida ativa. se houver eventual lançamento. . EREsp 215. é uma espécie do gênero moratória. 70235/72). visto que está presente o “animus solvendi”.752-SP. o parcelamento (art. Com efeito. salvo disposição legal em contrário (art. DJU 3/11/2003. CTN). 7º. desde que presentes a verossimilhança das alegações e o “periculum in mora” (art. CPC).589-RJ. REsp 258. 151. 207). “caput” e parágrafo único. Alguns autores equiparam o instituto a uma novação objetiva. é caracterizada a finalidade de obstar a exigibilidade do crédito tributário. CC). Nesse caso. Com efeito. DJU 25/2/2002. José Delgado. p. rel. No entanto. como já disse o STJ104. j. DJU 26/9/2005. a qual retira do credor o interesse de agir para execução em face do devedor. ou requerer. CTN. A negociação entre sujeito passivo e credor permite o pagamento em situação mais razoável. D. Lei 1533/51). V. o sujeito passivo pode ingressar com ação declaratória preventiva de inexistência de débito. É melhor à Administração tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca receber. mas não tem condição de pagar o tributo à vista. Caso alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito.

depois. ficando peremptoriamente na ordem jurídica posta. 736. e 739-A. antes do decurso. Foi legislado sob a forma da Lei 10522/02. O procedimento de ativação da dívida é uma conclusão interna da Administração tributária. O CADIN teve alguns de seus efeitos contestados quanto à constitucionalidade (ADI 1454-DF. aplicáveis à execução fiscal (art. 2007.Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando. o adquirente deverá conhecer a situação fiscal do alienante. Antes. que apurou a legalidade do fato. ela não incide. rel. sem unanimidade na doutrina e na jurisprudência: o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva fiscal. Informativo do STF n° 472). “in fine”. protestam. 130. Foram erigidas duas teses. Curso de Processo Civil: Execução. LEF).: pode participar de licitação ou prestar concurso público. conquanto o autor não promoveu o aditamento da exordial na conversão da citada MP em texto de lei. ajustes ou contratos que envolvessem a utilização de recursos públicos foi instituído pela MP 1442/96. verificou o inadimplemento do devedor e declarou que pende dívida para com o Estado. Essa leitura advém de uma interpretação analógica dos arts. suspende-se a prescrição. além de Luiz Wambier. Por todos. A prescrição é um instituto que pressupõe lesão a um direito subjetivo do credor. o É possível – porque a extração de CDA e a inclusão em cadastro de inadimplente (CADIN)106 não têm o único condão de promover a execução. não ocorreu. o que. 1º. fazendo surgir a pretensão concreta de exigir a prestação devida. 106 O Cadastro Informativo (CADIN) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais pelos órgãos da Administração Pública Federal para a concessão de incentivos fiscais e financeiros. o devedor terá como resposta certidão positiva de débito fiscal com efeito negativo. CPC. A prescrição em comento só começa a correr após o prazo para interposição do recurso administrativo. o fisco poderá exigir tributos relativos ao bem futuramente (art. a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário. CTN). a realização de operações de crédito e a celebração de convênios.Suspensão ou impedimento do curso da prescrição à pretensão executória – a prescrição decorre de inércia por parte do credor tributário. Ex. pendem alguns efeitos: . na realidade. impede-se a prescrição. Revista dos Tribunais. Por exemplo. São Paulo. deverá ser dada publicidade a interessados de que o sujeito passivo é entendido como devedor pela Administração. a discussão judicial implica em mora. Essa atividade é inútil em face da impossibilidade de promover a ação correspondente. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart. v. argüindo a possibilidade ou não de inscrição em dívida ativa. Ao requerer documento de situação. No entanto. Ellen Gracie. mas o Supremo extinguiu o feito sem resolução do mérito. se a demanda for infrutífera. “caput”. 2. equivaleria a “embargos à execução preventivos”. Por conseqüência. Min. . a qual contou com sucessivas reedições. acordos. Não haverá qualquer restrição ou constrangimento quanto ao exercício de direitos. “caput”.80 Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade. no caso de alienação de imóvel. . considerando que esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. conquanto. . Contudo.Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo tempestivamente interposto implica em inexistência de mora. 105 Não é demais lembrar que há doutrinadores a defender a não suspensão da execução fiscal em face do mero oferecimento e recebimento dos embargos do executado.

. leitura referendada pelo STJ (STF. a interposição de recurso administrativo impede a incidência dessa nesse momento. não a suspende. 5º. . Tais argumentos só serão válidos se os órgãos administrativo-fiscais de apreciação atuarem de acordo com os princípios da Administração. não ocorre. mas sim o condicionando. o que. Preclui o direito a recurso administrativo.Inexistência de custas processuais – o contencioso administrativo é gratuito. CF/88). Min.566-MG. Dessa feita. 107 O STF já declarou inconstitucional a necessidade de depósito recursal na via administrativa. “caput”. não corre a prescrição. j. ao menos na primeira instância administrativa107. 37. DF e Municípios). não se estaria negando acesso à jurisdição. 160. A resposta negativa administrativa não é condição de procedibilidade para o ajuizamento de ação judicial. XXXV. Acesso à jurisdição não implica necessariamente em acesso ao Judiciário. . caracterizando-se sua intempestividade desde então. CF/88) não exige o pagamento de taxas. STJ. reputandose como definitivamente constituído o crédito. LXXIV. CF/88. mormente previstos no art. Antes de tudo.. segundo alguns fundamentos: . LV. Entretanto. Se houvesse previsão de esgotamento da via administrativa antes do juízo. . CF/88). rel. isto é. essa máxima deve ser vista “cum grano salis”.116-SP. Em melhores termos. .Maior celeridade – em relação ao processo judicial. tem vez a mora (“ex re”). Informativo do STJ n° 324). se a exigibilidade não está presente. Estados. inexiste infringência ao direito subjetivo do credor tributário.81 O momento hábil a iniciar o lapso prescricional é exatamente a existência da lesão. DJ 27/4/2007. Vencido o lapso para impugnação ou para pagamento sem atuação do devedor tributário nesse sentido. a chance de provimento é muito maior. REsp 943. além do que a garantia do direito de petição (art. de certa feita. 19/6/2007. 5º. “a”. Recurso administrativo – o prazo para a interposição de recurso administrativo é o mesmo do pagamento (art.Maior probabilidade de sucesso – havendo maior especialização técnica do órgão administrativo julgador e verdadeiro bom direito alegado. O fundamento apriorístico seria a inafastabilidade do Judiciário (art. Por exemplo. 5º. CTN). 1ª T. AC 1. pelo qual qualquer um deles pode ser relativizado. segundo disposição unânime do legislador em todos os níveis estatais (União. segundo a linguagem própria do CTN. a arbitragem. detém jurisdição. não existe direito absoluto. por vezes.Prescindibilidade de advogado – o contribuinte poderá defender-se sem pagar honorário. direito individual e cláusula pétrea. A exigência do depósito viola a ampla defesa (art. “caput”. nos 30 dias para o recurso administrativo. não sendo exigível o crédito nesse período. segundo pronunciamento pacífico do STF. sem necessidade de qualquer demonstração extraordinária.Desnecessidade de demonstrar fundamentos para liminar ou tutela antecipada – a mera interposição do recurso já obsta a exigibilidade. José Delgado. A via administrativa é mais vantajosa que a impugnação judicial.

todos os princípios processuais já foram seguidos no PAF. Segundo o STF. Posição mais radical apregoa a impossibilidade do art. teria o condão de obstar o ajuizamento de ação pelo fisco? O STF já pacificou a jurisprudência dizendo que faz coisa julgada material. A Justiça não consegue conferir uma prestação adequada ao jurisdicionado. e ressalvada. legitimidade. XXXV. posição 108 Súmulas 346 do STF: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. porque a tecnicidade da decisão administrativa é muito mais precisa e adequada que aquela a ser proferida pela revisão jurisdicional. disposição essa rechaçada pela jurisprudência por entendê-la. Porém. em todos os casos. Não há litígio jurisdicional instalado. Até poucas décadas atrás. Dessa feita. Essa condicionante de procedibilidade não pode ser refutada com base no duplo grau de jurisdição. regra “de lege ferenda” nesse sentido teria o condão exatamente de prestigiar o Judiciário e não de restringir sua atuação. não obstante poder determinar condicionantes para tal.82 em que pese o órgão arbitral não ser componente do Poder da Justiça. a Administração deveria investir nos órgãos administrativos julgadores fiscais. Dentro dessa idéia. 5º. o Excelso Pretório. A Fazenda Pública não pode pleitear sua revisão jurisdicional. tal impugnação só era possível mediante depósito do montante integral. A decisão administrativa positiva imodificável em favor do contribuinte. quando eivados de vícios que os tornam ilegais. Os advogados dos contribuintes passaram a postular que essa proporção é relativa. não causando prejuízo ao administrado. cabe anulação por parte da própria Administração pelo seu poder de autotutela (Súmulas 346 e 473 do STF)108. Assunto que se encontrava em pauta no STF é a constitucionalidade do depósito para recurso voluntário em segunda instância administrativa. Ademais. a jurisprudência tem entendido que um valor razoável seria de 30% sobre o total do débito. uma vez que pode haver valores em jogo muito altos. Dessa feita. inviabilizando a continuidade do PAF. em matéria fiscal. mas sim legal. porque. respeitados os direitos adquiridos. Se houver vício no PAF. na realidade. dentro de um PAF. A garantia não provém de disposição constitucional. ou revogá-los. considerou o depósito recursal como inconstitucional. o legislador do CTN conferiu o duplo grau para o sujeito passivo. Para a doutrina processualista. a máquina jurisdicional ainda poderia ser acionada subsidiariamente. Em verdade. porque a celeridade não é seguida (art. ao revés. caso houvesse insucesso na seara administrativa. CF/88). porque deles não se originam direitos. mas tão-somente discussão perante a autoridade tributária. para que esses ganhem confiabilidade e. em recente decisão. Mas o depósito de todo montante fere a razoabilidade e a proporcionalidade. não haveria razão de existência do próprio procedimento administrativo. . por motivo de conveniência ou oportunidade. como antecipação de penhora. careceria a ação do fisco por inexistir interesse de agir. 5º. não assistindo razão para recorrer à via judicial. Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos. a apreciação judicial”. CF/88. tal quantitativo financeiro pode obstar o acesso ao recurso voluntário administrativo. por conseguinte. Nessa vertente. o que não se liga ao mérito da questão. LXXVIII.

§ 7º.. tendo sido declarado como inconstitucional111. o montante será apto a tornar a solvência do devedor perfeita. ADIn 1. Em qualquer caso. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal (art. sob pena do depósito não ser idôneo à suspensão de exigibilidade. porque as leis previdenciárias são especiais em relação às disposições genéricas do D. rel. permitiu a indicação de bens para a subida do recurso administrativo para segunda instância.4. 2ª T. 110 Nos termos do art.corroborada pelo STJ . alterado pela Lei 10522/02. em eventual execução futura. (.932-SP. É entendido como montante integral corresponde ao total cobrado pela Fazenda. § 4º. rel. 112 STF. para a Administração Tributária.. DJU 26/10/2001. § 2º. 70235/72. 33. 70235/72. na medida em que ambas as medidas importam em bloqueio de patrimônio. 64. Marco Aurélio. REsp 943. Devido à recente mudança de composição do STF. É vantajoso para o devedor porque inibe ação de execução e livra o contribuinte dos encargos moratórios.976-7-DF. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. o percentual de 30% foi novamente contestado. Na esteira. Doutrinariamente. 2º.937/92. Min. Lei 8. RE 311. DJU 9/9/2002. caso em que a penhora poderia incidir sobre bens indicados pelo devedor110.2007. eles também começaram a questionar o arrolamentos de bens a final. Informativo do STJ n° 332. há certeza de que. Lei 9432/97). valor entendido pelo contribuinte. DJU 27/4/2007. A presunção se 109 109 83 STF. o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão.023-3/RJ. o arrolado não poderá alienar. Segundo a corrente. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. Lei 9432/97). 9. 1ª T.00 (art. Min. eliminando o custo da execução judicial e da eventual hasta pública. sendo improcedente o feito. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. RE 388. “caput”. o art. § 3º. 64. D. 64. § 2º. I a IX.000. sem prejuízo do seguimento do recurso. Foi exatamente o que decidiu recentemente o Excelso Pretório em sede de controle difuso de constitucionalidade112. a natureza jurídica é híbrida.. Esse dispositivo não se aplica os débitos previdenciários.. Em contrapartida.. com piso de R$ 500.359. STJ. segundo entendimento estipulado pelo STJ. AgRg no Ag 829. Lei 9432/97). no qual o relator afirmou que a substituição do depósito por arrolamento de bens não descaracteriza o gravame intransponível para o contribuinte-recorrente. Min. Informativo do STF nº 461. 20/9/2007. ADIn 1976/DF. prevista nas hipóteses do art.). porquanto representa uma garantia em favor do cidadão e do credor simultaneamente. 64. que regula o processo administrativo fiscal.030-RJ. 111 STF. rel. j. 19/6/2007. Informativo do STJ n° 324. Joaquim Barbosa. (. não obsta a execução. o depósito recursal impede o prosseguimento do PAF. frustrando o direito à revisão do processo administrativo na primeira instância. . Isso significa que o depósito a menor.566-MG.. a ampla defesa e a garantia ao devido processo legal. José Delgado. AC 1. Dentro desse contexto. 33. tendo o ato efeito de consignação em pagamento. Nesse caso.). limitado o arrolamento. DJU 5/6/2007. rel. AgRg no RMS 14. infringindo o contraditório. Lei 9432/97. Min. j. j.116-SP. Depósito do montante integral – geralmente se atrela a uma ação de depósito combinada com ação anulatória de débito fiscal. João Otávio de Noronha. “In verbis”: Art. ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física.

estaria sendo frustrada totalmente a “ratio essendi” do instituto previsto no art. II. Ademais. Nos embargos à execução. A Súmula 112 do STJ113 preceitua que o depósito deve ser em dinheiro. . “caput”. § 3º. 4º. O legislador acolheu a presunção de legitimidade da exigibilidade do crédito tributário lançado. porquanto o Supremo reconheceu que sua produção viola o direito à saúde de plano. DL 1593/77. a ser administrado pela CEF através da Conta Única do Tesouro Nacional. 207). Uma vez que o autor da demanda seja vencedor. CPC). por haver um contra-senso para com o sistema de execução fiscal positivado. Na consignação. 151. 27. rel. esvaziando-o. STF. seria possível outra espécie de garantia da referida suspensão.84 encontra em favor do credor. já que pende ato administrativo vinculado do agente público. empresa do setor tabagista pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do art. No plano orçamentário. 2º. Esse óbice ao exercício da atividade estatal é chamado pela doutrina de “periculum in mora” inverso (Ricardo Lobo Torres). a Lei 9703/98 veio a autorizar que a União utilize o dinheiro. p/ o acórdão Min. rel. por uma questão de lógica. Cezar Peluso. adendo componente da LDO (art. Em sede de controle difuso de constitucionalidade. A titularidade do bem não pertence mais ao autor da demanda. no sentido de condicionar o pagamento de um tributo ao recebimento de outro. em 24 horas. Destarte. porquanto se trata de autêntica imputação (art. 163. a verba será incluída no Anexo de Riscos Fiscais. comando que permite à SRFB cancelar autorização de funcionamento de pessoa jurídica do ramo que esteja em débito com o fisco federal.6. visou à manutenção do Estado com o numerário em depósito. AC 1657 MC/RJ. II a IV. o plenário da corte manteve a medida executiva da SRFB. reconhecendo expressamente hipótese de “periculum in mora” invertido114. o levantamento antecipado do depósito integral constitui autêntica entrada temporária. a suspensão da exigibilidade do crédito tem autêntica natureza de “embargos antecipados”. Joaquim Barbosa. é possível indicar bens à penhora ou constituir fiança bancária (art. É nesse sentido que a doutrina critica o entendimento do STJ. o depósito de montante integral deve ser a última saída para o contribuinte. II. LEF). Informativo do STF n° 473. II. a CEF pague o primeiro. O conceito de “periculum in mora” inverso já foi usado pelo STF em outra situação. imposta pelo fisco. não consubstanciando receita em sentido estrito. CTN). orig. 798. Dessa feita. j. p. não cabendo indicação de bens. com redação dada pela Lei 9822/99. O ônus da prova se defere ao contribuinte. A priori. Conseguintemente. Sob os auspícios do Direito Financeiro. Dessa forma. LC 101/00). por meio de ação cautelar. 9º. A demandante teve seu pleito indeferido cautelarmente. o juiz expede o alvará de levantamento para que. pois passa a ser “res in judicia”. a subordinação. Como já fora mencionado. como lembra Chimenti (2002. por meio do poder geral de cautela (art. o fisco também não poderia fazer o levantamento antecipado do depósito.2007. Min. CTN. Consoante o voto do 113 114 Súmula 112 do STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. Em contrário. é lícita. afetando sobremaneira a governabilidade. O levantamento do depósito antes do trânsito em julgado da ação judicial não é permitido ao depositante. sob pena de impossibilidade da realização do bem comum pela Administração. ficando sob a guarda da Justiça até a decisão final.

Antes do diploma. CTN. constitui autêntica intervenção estatal por indução. Lei 9249/95. 155-A. O parcelamento deve ser vislumbrado no que tange o direito tributário. em face de parcelamento firmado entre contribuinte e fisco. A MP 1699-41/98 permitia o parcelamento de qualquer débito com a Fazenda Pública em até 30 parcelas mensais. 34. para a exclusão de multas moratórias. parágrafo único.85 relator para o acórdão. com vista a desencorajar o empresário do segmento. Ademais. valendo o “pacta sunt servanda”. 151. realizado antes do recebimento da denúncia. DJU 17. Mais ainda. 323 e 547 do STF115 “in casu”. 151. despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. Informativo do STF n° 467. expressamente prevista no art. O art. cabendo à autoridade tributária decidir pela sua concessão ou não de acordo com sua discricionariedade. § 1º. Min. CF/88)116. como efeitos naturais da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. o eminente julgador salientou que o ato administrativo. 151. Em realidade. CTN. Em sendo assim. previsto no comando impugnado.2007. Súmula 547 do STF: “Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas.8. Cármen Lúcia. 5º. em que não cabe execução no curso do parcelamento adimplido. salvo se o legislador ordinário previr de modo diverso. a carga tributária do IPI. CTN. com fulcro na inexistência de previsão expressa no rol do então art. não cabendo no caso de parcelamento. CF/88) e a vedação à circulação por meio de tributos (art. Aspectos penais – discute-se sobre a suspensão da pretensão punitiva nos crimes contra a ordem tributária. 10. a qual alegava que o parcelamento é um direito subjetivo do contribuinte. Com a conversão do comando no art. muito pela situação ímpar apresentada. reveste-se de razoabilidade. a apreensão de mercadorias desacompanhadas de documentação fiscal pertinente não é medida desarrazoada e que infringe a liberdade profissional (art. Súmula 323 do STF: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. penal e empresarial. A LC 104/01 veio justamente para acabar com a controvérsia ao acrescer o inciso VI no art. XIII. Na esteira. dispõe que o pagamento. V. Ocorre que o tabagismo é problema gravíssimo de saúde pública. Nesse sentido. o parcelamento é um autêntico contrato administrativo com novação objetiva. CTN. desde que preenchidos os requisitos legais. Ministro Cezar Peluso. pois ele é espécie do gênero moratória. prevê que o parcelamento virá acompanhado de multas (sancionatórias) e de juros de mora. O diploma estava sendo impugnado por meio da ADIn 1922/DF. não se aplicam as Súmulas 70. Contudo. o STF julgou prejudicada a demanda por ausência de aditamento por parte do autor (Conselho Federal da OAB). Lei 10522/02. havia posição que defendia a impossibilidade de suspensão do crédito em face de parcelamento concedido por lei ordinária. O art. I. Lei 9430/96. . constituinte atuação acertada da autoridade fiscal. emprestando o raciocínio do Direito Privado. 115 Súmula 70 do STF: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. rel. com a maior alíquota existente. 116 STF. se acompanhada de pagamento. o art. Aspectos tributários – há óbice ao curso prescricional e impedimento da execução fiscal. “caput”. ADIn 395. extingue a pretensão punitiva estatal em crimes fiscais. 83. constituindo o recolhimento inexato da exação como fator de desequilíbrio da concorrência e do mercado. é sabido que a denúncia espontânea só é possível. I a IV. 150. Parcelamento – só passou a existir no CTN a partir da LC 104/01. repetiu tal tipo permissivo.

segundo preceitua o Supremo118. No diapasão. 337-A.9. aplica-se aos processos em curso e aos eventuais condenados117. A apropriação indébita tributária genérica está tipificada no art. CP). Em melhores termos. 116. HC 81611. permanecendo assim durante o adimplemento das obrigações de trato sucessivo. CP. 168-A. que a falsificação de documento público (art. não havendo de se falar em princípio da consunção. CP. Para preencher a lacuna. § 1º. Caso haja possibilidade de desdobramento mais complexo. “caput”. em seu art. 337-A. § 2º. e 168-A. 2º. CP) pode ficar absorvida pelo tipo do art. Uma vez que haja impugnação administrativa do auto de infração lavrado pela fiscalização tributária. caso o delito seja material. a qualquer tempo. o Excelso Pretório estabeleceu que o exaurimento da via administrativa é prejudicial em relação à justa causa para ação penal120. 15. 117 118 STF. 138. para suspender a pretensão punitiva.. ao passo que nessa. porém. incluindo tanto os tipos previdenciários quanto os fiscais genéricos. o parcelamento. o delito de falso fica caracterizado. parte da jurisprudência entendia que o parcelamento antes do recebimento da denúncia suspendia a pretensão punitiva.86 mas também silenciou quanto ao parcelamento. “caput”. Para pacificar a controvérsia. exaurimento da potencialidade lesiva da conduta dentro da teleologia do recolhimento fiscal. se há delito formal. rel. enquanto a previdenciária. Sendo sonegação tributária não previdenciária. sendo previdenciária. CP. retificando a terminologia adotada. 1º. Naquela. porque inviabiliza o custeio da Previdência Social e todas suas prestações sociais essenciais. dispôs que o pagamento extingue a punibilidade e o parcelamento suspende a pretensão punitiva. 297. Inicialmente. 18. é necessário que o infrator realize denúncia espontânea (art. Cezar Peluso. aplica-se a disposição do art. HC 91542/RJ. j. . Min. Lei 8137/90. rel. I.2007. 120 STF. Ressalta-se. Ambas possuem penas iguais (reclusão de 2 a 5 anos). Dessa feita. HC 85048-RS. recorre-se ao art. Sepúlveda Pertence. o STF preceitua que há suspensão da pretensão punitiva. I. outra vertente jurisprudencial refutava tal entendimento. Informativo do STF n° 480. “caput”. o art. no art. Contudo. STF. deveria ser iniciado antes do procedimento de fiscalização (arts. desde que haja. Lei 8137/90. qual o seja de prestar declaração falsa para eximir-se de pagamento do tributo. CTN) para ter sua responsabilidade penal suspensa. a Lei 10684/03 (Lei do Parcelamento Especial – PAES – ou do REFIS 2). as penas são bem menos severas (detenção de 6 meses a 2 anos). Contudo. Como a lei penal mais benéfica retroage. Havendo crime previdenciário. A Lei 9983/00 criou os tipos penais previdenciários no CP. HC 84345-PR. como o legislador não exigiu termo final para pagamento ou parcelamento (início da fiscalização ou recebimento da denúncia). Destarte. o réu ou mesmo condenado pode pleitear a extinção ou a suspensão da punibilidade. no caso concreto. Posteriormente. o MP não pode prosseguir em ação penal tributária. a reprimenda é maior (reclusão de 2 a 5 anos). por inexistência de previsão legal expressa. o STF afirmou que a decisão administrativa negativa é condição objetiva de procedibilidade119. 2º. Min. Lei 9964/00 (Lei do REFIS 1) veio a ratificar expressamente a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento. II. 2ª T. 9º. por aplicação analógica do art. Lei 8137/90. 119 STF.

para tornar mais elásticos os prazos de parcelamento quanto aos tributos. CTN. CTN. Essa idéia contraria a presunção de inocência (art. CTN. IV. na esfera administrativa. Perguntas: estava verificando a posição de Luciano Amaro e parece que o autor. Para corrigir e inibir tal prática. para essa hipótese. 162. inclusive oferecimento de denúncia. CTN)? Em caso positivo. 2730/98). afirma ser hipótese de suspensão. juntamente com seus parágrafos. Lei 8137/90. importante lembrar que não é permitido à Administração Tributária remeter ao Ministério Público representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária praticados por particulares. em face do art. III. Sempre que houver fundado receio de grave lesão a direito subjetivo. 155-A. a previsão do art. 5º. 151. preceitua que o ajuizamento de ação de consignação em pagamento teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. I. 156. visto que não foi extraída qualquer idéia semelhante na doutrina? Respostas: cuidado! A consignação em pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário (art. seria possível demandar por meio de cautelar inominada com pedido liminar? Respostas: sim. o legislador complementar resolveu incluir o art. O autor. independentemente da natureza formal ou material do crime fiscal. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente (Arts. Perguntas: todo recurso administrativo que impugna o lançamento tem efeito suspensivo (art. Lei 1533/51? Respostas: a previsão do art. porque a simples condição de réu em processo crime leva a várias restrições jurídicas. ao interpretar o art. elencou duas formas de aduzir a suspensão da exigibilidade do crédito (ou da obrigação) tributária. É um entendimento minoritário ou relevante na jurisprudência. Em um primeiro plano. antes de proferida a decisão final. em sua obra. CTN. portanto. 151. VIII do CTN). 151. § 2º. CTN. 798 a 803 do CPC. ambas mediante tutela antecipada: ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento (após o lançamento) e ação declaratória de inexistência de débito (antes do lançamento). A doutrina de Luciano Amaro é muito respeitada no meio tributário. CTN. em sala de aula. Por fim. e 2º. porque estava correndo o prazo prescricional da pretensão punitiva. CF/88). o citado mestre afirma que esse feito opera “ipsu jure”. com base nos arts. 155-A. independentemente de tutela antecipada ou de medida liminar. LVII. D. III. em momento algum. Contudo. Além dessas vias. 1º. § 4º. Aspectos empresariais – a Lei 11101/05 estabelece as regras sobre falência e recuperação judicial. Perguntas: com referência ao art. previu que os decursos de .87 não cabe óbice ao prosseguimento do processo criminal. I. 151. o MS. o art. 1º e 2º. o professor Pedro Barreto. I. diplomas específicos dos Estados ou Municípios podem estatuir condições muito onerosas às empresas em recuperação no tocante à tributação. estabelece o recurso administrativo e. não caberá. Ao que parece. V. o contribuinte poderá intentar uma medida cautelar inominada ou atípica. O MP vinha apregoando a promoção da ação penal sempre. não ficaria condicionada ao exaurimento da via administrativa. definidos nos arts. 5º.

estão os direitos potestativos. levando exatamente à prescrição e à decadência respectivamente. Ao revés. Houve clara confusão de institutos e impropriedade técnica por parte do CTN. A satisfação de uma das partes depende fundamentalmente da vontade da outra. com base em Pontes de Miranda. em que não se depende de qualquer outro para sua satisfação. e 40. Nesse passo. O primeiro deles advém da natureza jurídica do direito a que se refere: a prescrição se refere a “facultas agendi”. as ações condenatórias 121 RT’s 300/7 e 744/725. colocou a expressão “lei federal específica” – mas como essa não existe. Dessa feita. a prescrição contra a Fazenda está especificada nos arts. Os direitos potestativos lesivos. principalmente os contratos. houve impropriedade lógica. CTN. o legislador quis dizer “lei geral”. sendo a maior parte desses de caráter bilateral. No outro pólo. são só resolúveis no tempo. que não comporta lesão. 156. revelam direitos subjetivos. CTN. com o direito potestativo de lançar. parece que o dispositivo fere a autonomia federativa. DF e M. V. V. A distinção entre eles reside exatamente no ponto a que se reveste o objeto da extinção. A doutrina os reputa como direitos frágeis. devem ser maiores ou iguais que aqueles previstos em lei federal. LEF. entendidos como direitos potestativos. “in fine”. os quais podem causar grande comoção sócio-jurídica. A esse. da titularidade. A decadência é tratada genericamente nos arts. constituindo caso de parcelamento heterônomo. só cabe sujeição. é cediço dizer que prescrição e decadência não extinguem o crédito tributário. em que o direito utiliza o tempo como instrumento letal de algum instituto. enquanto essa. Tanto prescrição quanto decadência revelam perda de algo. nos arts. 173 e 150. CTN. a decadência se refere a “normas agendi”. O Direito Civil é o que melhor informa a diferenciação entre prescrição e decadência. porque altera a situação jurídica independentemente da atuação de outrem. 156.88 parcelamento a serem concedidos por E. o CC/02 diferenciou os institutos em comento segundo critérios científicos. 155-A. Prescrição e Decadência Introdução e conceituação – antes de tudo. É um direito robusto. o negócio jurídico. Os titulares de ambos ficam sujeitos à sua extinção pela não exigência ou não exercício ao longo de determinado lapso temporal. sujeitos à lesão. Existe ADIn no STF contestando o dispositivo em tela. em face de inércia. Aquela termina com a pretensão de direito. mediante lei específica. Mais ainda: o art. isto é. § 4º. CTN. § 4º. a prescrição que corre contra o contribuinte. entendidos como direitos subjetivos “stricto sensu”. aqueles que não muito incomodam não estão sujeitos a tal baliza de interregno. Perfilhando Agnelo Amorim Filho121. . errando o legislador na redação do art. CTN. estabelecendo o legislador uma limitação temporal. Os limites ao qual se referiu a lei são chamados de prazo decadencial. 174. Em que pese a boa intenção do legislador. 168 e 169.

começando a correr somente no primeiro dia do ano seguinte. é possível dizer que o direito (poder) do fisco realizar o lançamento é potestativo. Os incisos do dispositivo estabelecem os termos iniciais da contagem da decadência: I. 174. • Como se conta a decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. em um só dispositivo: o art. De outra sorte. porque não pode promover a ação competente para cobrança. 1º dia do exercício seguinte ao que já se podia lançar – de acordo com a natureza do direito potestativo. Adotando o prazo geral do CTN. “caput”. começa a correr o prazo prescricional da demanda executória. por comportarem direitos potestativos não lesivos. os quais buscam a pacificação das relações sociais. CTN). O CTN estabelece que o decurso decadencial para tal é de cinco anos (art. Termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício – tecnicamente. Por imperativo lógico. cria-se a exigibilidade do crédito – para o CTN. Por conseqüência. A partir daí. a decadência só é tratada. o Estado há de perdoá-la em decorrência da inação do titular de um direito. para permitir que o fisco tenha uma garantia maior na satisfação de seus débitos futuramente. o legislador posterga essa baliza. Trazendo de volta o raciocínio ao Direito Tributário. essas ações devem ser implementadas em trinta dias. Em verdade. as ações constitutivas – positivas ou negativas – estão ligadas a direitos potestativos. “cria-se o crédito” –. quando é adquirido. no primeiro ano civil em que se podia lançar. a decadência SEMPRE ocorre em um 1º de janeiro. a prescrição e a decadência são institutos que prezam pela segurança jurídica. No entanto. 173. sujeitos à decadência. 173. sujeitos à prescrição das correspondentes pretensões.89 dizem respeito a direitos subjetivos. porque não persiste lesão ao direito subjetivo do sujeito ativo. não se sujeitam ao decurso do tempo. esse último também não está inerte. Depois do decurso. o inadimplemento do devedor configura lesão ao direito do credor. Não há de ser razoável que qualquer pessoa seja “escravizada” para todo o sempre em detrimento de certa relação jurídica. . o termo “a quo” do prazo decadencial é sempre quando aquele surge. • O que é a interrupção da decadência tributária. A partir do lançamento. as ações meramente declaratórias. Decadência – três temas mais controversos delineiam o instituto e suprem as querelas mais significativas: • Qual é o termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício. o qual também é de cinco anos (art. sendo imprescritíveis. devendo o sujeito passivo pagar o tributo ou interpor recurso administrativo. CTN). Durante tal interregno. no CTN. o decurso decadencial fica “suspenso”. quer seja ele subjetivo ou potestativo. “caput”. surgindo pretensão desse ao exercício em juízo. não corre prazo de prescrição. Dessa forma.

e. passando a se sujeitar à decadência. A contagem do prazo da decadência é feita de acordo com três teses: • Corrente restritiva – leva em conta tão-só o art. O que extingue o crédito tributário é o pagamento. O direito potestativo de realizar o lançamento do montante integral nasce. • Pagar a menos – o crédito tributário é bem divisível. Quanto a esse. quando esse paga a menor. nasce o direito potestativo do fisco realizar o lançamento complementar de ofício. 173. a corte entende que o crédito está constituído e o tributo lançado. há extinção do crédito tributado. já podendo a Fazenda Pública inscrevêlo em dívida ativa e executá-lo a qualquer momento. o STJ considera o termo “a quo” para o lançamento por homologação o oferecimento da declaração correta feita pelo sujeito passivo. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. inclusive os lançados por homologação. extinção parcial do crédito tributário. passando a ser delineada no item sobre interrupção da decadência.90 II. De outra parte. • Não pagar – seguindo o mesmo raciocínio anterior. a confirmação ocorre pela homologação expressa ou tácita. O lançamento de ofício é o único sujeito à decadência. a priori. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. Nesse montante. • Pagar exatamente o que deve – da mesma forma. não devendo. o contribuinte pode: • Pagar a mais – há extinção do crédito tributário. não se falando em decadência.Do dia em que foi anulado o lançamento por vício formal – essa disposição não encontra maiores desdobramentos no momento. Não subsiste qualquer direito potestativo do fisco em realizar lançamento. persistindo os mesmos desdobramentos e conseqüências do anterior. por conseqüência. quitação é meio de prova e não o pagamento em si. Nesse âmbito. cabe ao sujeito passivo interpretar a lei. No tocante à diferença. o fisco lançar. não a homologação. Decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação” – nessa espécie de exação. CTN. descontando-se o valor já recolhido. não há qualquer extinção do crédito tributário nem homologação expressa ou tácita. ocorrendo confirmação pela homologação expressa ou tácita. calcular o montante e recolher antecipadamente. desde que antes do decurso prescricional. Nesse caso. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. I. Nesse sentido. Dessa feita. não existe decadência da homologação. mas sim do direito de realizar o lançamento do tributo sujeito à homologação. persiste pagamento parcial. ficando sujeito à decadência. O credor tem parcial crédito para com o devedor. único dispositivo idôneo a prever a contagem da decadência. Não existe decadência do lançamento por homologação. desde que a declaração do contribuinte também tenha sido errônea. Não se perquiri .

o custo jurídico para a Fazenda Pública passou a ser muito alto e. Dessa forma. § 4º. O art. Para mitigar a sonegação. 413). 173. Dessa feita. mas postergou o termo inicial de sua contagem. a partir do fato gerador. 150. a de o prazo para o lançamento começar a correr quando já não seja mais lícito lançar (AMARO. a gama de fatos geradores. CTN) quanto para homologação tácita (art. LC 118/05 veio a fulminar a “Tese do 5 mais 5 anos”. a tese não alterou o prazo decadencial. a construção jurisprudencial em comento (STJ) teve por fim exatamente possibilitar maiores poderes à fiscalização tributária. no prazo decadencial de cinco anos. § 4º. • Tese da LC 118/05 – os advogados dos contribuintes passaram a postular a aplicação do mesmo raciocínio para permitir repetição de indébito. No diapasão: Afronta o princípio da não-contraditoriedade das normas jurídicas aplicar a uma mesma hipótese a regra e a exceção. Tomando por base as considerações supra sobre o termo “a quo”. 173. foi erigido o postulado em relevo. CTN). 173. foram por demais majorados. • Tese 5 mais 5 anos – por razões administrativas. correndo primeiramente o lapso para homologação e posteriormente. em conjunto. o fisco não consegue. CTN) não corre concomitantemente com o interregno decadencial de cinco anos para o lançamento (art. CTN. A homologação tácita e o lançamento de ofício seriam atos distintos. Nota-se que o tempo previsto pelo legislador se refere tanto para o lançamento em si (art.91 se o lançamento está sujeito à homologação. não seguindo o necessário crescimento da estrutura de fiscalização. quantitativa e qualitativamente. 173. é realizado de forma híbrida ou de ofício. mesmo porque o legislador não permitiu alteração no CTN para um prazo decadencial de dez anos. em face de uma questão política de isonomia. não permitindo tal interpretação pró-contribuinte. p. para realizar a homologação tácita (art. Conseguintemente. Com efeito. I. CTN). CTN). o STJ passou a aceitar esse entendimento. qual seja. promover o lançamento de ofício dos débitos fiscais. 150. Os . Isso representa uma impossibilidade lógica e jurídica. 3º. Para Amaro (2006). principalmente daquelas exações sujeitas à antecipação do pagamento (tributos sujeitos a lançamento por homologação). foi deferida a extensão do decurso. correndo os decursos simultaneamente. mesmo porque só esse último está sujeito à decadência. CTN. o art. contam-se cinco anos para se operar a decadência (art. traz uma exceção à regra espelhada pelo art. Por interpretação sistemática do próprio CTN. “caput”. Pior: os causídicos passaram a requerer compensação e não restituição por precatórios. na contrapartida da decadência. para o lançamento (decadencial). o tempo de cinco anos. § 4º. “caput”. Com o crescimento da população. 2006. “caput”. 150.

5. o decurso para exercício do direito de lançar é contado nos termos do art. em clara afronta à previsão legislativa. No entanto.2. I. DJU 17. Dessa feita. porque essa pressupõe a existência de algum pagamento. 150. para construir o raciocínio da segunda hipótese? Resposta: cuidado. CTN.407/SP (98. 207. o lapso de decadência está diminuído. 173. não paira dúvida sobre sua verdadeira função interruptiva do decurso. desde que o legislador expressamente preveja123. a contagem se faz nos moldes do art. o STJ não teria se fundado no art. e o art. “caput” e I. Por acaso. parece fácil compreender devido ao critério da exclusão: impossível utilizar a forma do art. CTN). o inadimplemento completo leva à primeira corrente supra exposta (“corrente restritiva”). O termo inicial.2000. De acordo com o CTN e 122 ED no REsp 101. Entretanto.2003. cuja corrente prevalente assente a existência de autêntica suspensão do interregno de decadência. Contudo. . prevê que haja algum pagamento. o qual foi plenamente acolhido pelo STJ. devolvendo-se integralmente o prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar novo lançamento (art. REsp 276. Com efeito. seu raciocínio parte de premissa errada. Para o inadimplemento parcial. A priori.88733-4). CTN. O STJ desdobrou sua nova leitura em duas instâncias122: havendo pagamento a menor. I. § 4º. 150. Há certa confusão entre os institutos da prescrição e decadência. 123 A doutrina aponta duas possibilidades de decadência interrompida: o art. a decadência não fica sujeita a causa de impedimento. 173. No entanto. sua Primeira Seção de Direito Público se equivocou. A doutrina tratou esse fato como causa de interrupção de decadência. § 4º. 173. o ato de lançamento implica em afastamento da decadência. LC 118/05. Sendo procedente o procedimento. com pagamento de parte do montante devido. aplica-se o art.142/SP (2000/0090249-7). CTN. porque está considerando o termo inicial do interregno decadencial o fato gerador e não a data devida para o pagamento. REsp 289. nos tributos sujeitos à homologação. o STJ preceitua que a contagem da decadência será concomitante à homologação tácita. eventual recurso administrativo ou ação judicial pode contestar o lançamento por vício formal – cálculo errôneo do tributo. porque o art. porquanto peticiona pela sua revisão. CDC. 3º. O entendimento de que o primeiro comando se refere à interrupção decadencial é minoritário nos meandros jurídicos. Interrupção de decadência – em regra. 0123113-8). CTN). II. por exemplo –.6. quanto ao segundo dispositivo. de interrupção ou de suspensão (art. CTN.181/MG (2000. a segunda situação parece carecer de fulcro mais sólido. Dessa forma. CTN. é fixado na ocorrência do fato gerador. § 4º. a decadência legal pode ser afetada por tais institutos. o qual inexiste. caso haja pagamento parcial. 173. 150. DJU 8. 150.2003. ao invés de ser no primeiro dia do ano seguinte àquele em que se passou a poder lançar (art. Porém. O segundo é bem evidente.92 advogados postularam o mesmo tratamento quanto ao fisco. II. a contagem do prazo decadencial se faz de acordo com a espécie de inadimplemento por parte do contribuinte. 173. CC). mesmo porque o STJ propicia um interregno decadencial menor que o previsto pelo legislador complementar para se operar a decadência. tratando-se de inexistência de qualquer pagamento. § 4º. Pergunta: de acordo com atual orientação jurisprudencial do STJ. CTN. não havendo qualquer pagamento. Quanto à primeira hipótese. 26. o ato é definitivamente anulado. DJU 30. CTN. aplica-se o art.

fixam prazos para o exercício de determinadas ações no campo tributário. Previamente à constituição do sujeito passivo como devedor. o teor do crédito tributário. A partir daí só caberá Execução Fiscal. o direito de cobrar e portanto submetido ao prazo prescricional do art. cuidado. a contagem decadencial se faz de acordo com o tipo de lançamento e. No que diz respeito ao texto do artigo 3º da LC 118/05. a extinção do crédito tributário ocorre. havendo inexistência de qualquer pagamento (supõe-se que o lançamento já ocorreu). previsto no sistema jurídico brasileiro. Surgirá então. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. tratando-se de lançamento direto ou de ofício. . no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. “Art. conseqüentemente. mediante procedimento administrativo vinculado. é necessário que tenha relação jurídica com sujeito passivo. Os institutos da decadência e da prescrição são fenômenos que retratam limites de tempo incidentes no direito. Isto quer dizer que ambos. É a implementação do princípio da segurança jurídica. direito de o contribuinte pleitear valores pagos a maior. Deverá então lançar e autuar. Prescrição – sua conceituação segue o já explanado. 1) Com efeito. cada qual com sua peculiaridade. de acordo com a participação do Agente Fiscal em face do ato de lançar. (Lembre-se que o contribuinte deveria ter “pago antecipadamente” e cumprido obrigações acessórias). no exercício de fiscalização.172. o prazo a ser observado será o prescricional. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. Caso não tenha feito corretamente. ao final deste ato. na qual fica configurada obrigação líquida. 174 do CTN. 174 do CTN. no momento de “homologar”. ou seja. transmudadas em principal (multas)? Resposta: sim. Essa atuação da Administração Tributária é tida por meio do lançamento. portanto. já que incompleta esta fase. Só poderemos falar em prazo decadencial (findo) se não houver presença (via presencial ou por meio de notificação) do Agente no exercício de formalização do lançamento que lhe cabe. o Fisco. irá lançar “de ofício” o valor faltante e autuar quanto às penalidades pelo descumprimento da obrigação. 168 do CTN. certa e exigível. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. é necessário apurar. 168 da Lei no 5. 150 da referida Lei”. devendo ser analisados alguns desdobramentos. pois ele é afeto ao teor do art. a Administração Pública Tributária. mais uma vez. já que a Administração Pública Tributária fez o que deveria e o contribuinte não pagou. por meio de execução fiscal. 2) Caso haja pagamento parcial. regulado pelo art. caso seja necessário. Pergunta: a disciplina de decadência e prescrição se aplica integralmente às obrigações acessórias não adimplidas e.93 a atual orientação jurisprudencial do STJ. Para que a Fazenda Pública possa promover a cobrança judicial de seus débitos. não poderá fazê-lo.

porque previu o termo inicial do prazo prescricional a partir da “constituição definitiva” do crédito tributário. no silêncio de lei ordinária específica. Além dessa dívida constituída. Ao invés de dizer que a prescrição corre da mora. 174. é que o crédito estaria “definitivamente constituído”. mas não definitivamente. sobre o qual não incide a prescrição. a prescrição fica suspensa por 180 dias a partir da inscrição em dívida ativa. Para fins de entendimento majoritário. em que há sua interposição.94 Depois de lançado o crédito tributário. CPC). CTN). o qual poderá modificar o ato. por conseguinte. o STJ entende que essa suspensão não é cabível. Mas o legislador foi infeliz na redação do art. o qual se valerá como título executivo idôneo a promover a referida demanda executiva (art. Permanecendo inerte o sujeito passivo ou sendo infrutífero seu recurso. como já mencionado. § 3º. porquanto matéria atinente à LC (art. materializada pela ação de execução fiscal. 160. a inscrição na dívida ativa é o ato que consubstancia o contribuinte como devedor. Mesmo considerando a construção do legislador. do inadimplemento ou da lesão. abre-se novo prazo para pagamento. o sujeito passivo tem um lapso para realizar o pagamento ou para interpor recurso administrativo. CF/88). com o inadimplemento do devedor. Somente depois desse decurso ou sem impugnação administrativa. Em verdade. fato que só será efetivado 124 Na tese da “actio nata”. “caput”. De fato. nos termos da LEF. o crédito estaria definitivamente constituído. De acordo com o art. o fisco confere prazo para o contribuinte pagar ou oferecer defesa administrativa. o codex acolheu o postulado de que a constituição do crédito se dá com o lançamento. O CTN prevê. é necessário extrair certidão da dívida ativa. . A partir do 31º dia. a pretensão para a exigência judicial – é a tese da “actio nata”124. o legislador previu situação insólita. em que o interregno prescricional corre ainda que inexista lesão ao direito subjetivo correspondente. III. a Administração toma providências para a cobrança do débito. LEF. o prazo prescricional para ação condenatória começa a correr a partir do conhecimento da lesão do direito subjetivo por parte do lesionado. No entanto. Não efetivando o inadimplemento. Dentro dessa discussão. posição atualmente refutada pela doutrina. Por incrível que pareça. VII. a prescrição corre da decisão definitiva do recurso administrativo e não do fim do novo prazo para pagamento. porque o crédito está constituído definitivamente – na linguagem do legislador – mas a prescrição não está correndo. é repetido o decurso para o pagamento. destacam-se duas hipóteses: uma em que inexiste impugnação administrativa e outra. Entretanto. surge a lesão e. Termo “a quo” da prescrição – a partir do lançamento. o legislador fez coincidir o termo “a quo” com sua construção de crédito tributário definitivamente constituído. não corre prescrição. “caput”. CTN. porém. Nesse intervalo. “b”. 2º. Há um contrasenso. 585. O ajuizamento da execução fiscal em si não interrompe a prescrição. que esse decurso é de 30 dias (art. No entanto. o lançamento constitui o crédito. Sendo improcedente o recurso administrativo tempestivamente interposto. 146. supõe-se que haja impugnação administrativa por parte do devedor. porque o sujeito passivo ainda tem um período para interpor o recurso administrativo. pois não existe ainda lesão ao direito subjetivo do fisco.

Acolhendo a defesa. o juiz julgará a execução extinta. desde que encontrado patrimônio em condições de responder pela dívida fiscal. I. a fiscalização aduz título de dívida ativa (termo de dívida ativa) e extrai sua certidão. LEF). parágrafo único. parágrafo único. se a prescrição foi interrompida. Não encontrando qualquer bem penhorável. termo inicial da prescrição qüinqüenal. 40. LEF). sendo instrumento criado pela doutrina e amplamente aceito pela jurisprudência. Passado o decurso “in albis”. a execução fica suspensa. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. o oferecimento dessa defesa atípica só e possível quando persiste liquidez e certeza da prova. A partir da citação. 174. I. o juiz deve proferir despacho de arquivamento do feito. que não depende de dilação probatória. A partir daí. Não tem natureza de ação. CTN. Revelia do executado – enseja a penhora ou arresto dos bens do demandado. 174. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. com redação dada pela LC 118/05). E verdade. ou seja. § 2º. Embargos do devedor – o juízo deverá ser garantido pelo depósito do montante integral da dívida (nomeação de bens próprios ou indicação de outros de terceiros. Esse documento instruirá a petição inicial da ação de execução fiscal. Exceção (objeção) de pré-executividade – aplicável nos casos em que o executado detém prova pré-constituída (documental). Prescinde de garantia do juízo. passou a considerar que. justamente pelo princípio da celeridade processual. o qual permitirá a discussão da dívida em sede de cognição. interrompe-se a prescrição tributária (arts. fundando-se no art. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). como diploma protetivo do credor fiscal. e 8º. surgindo a lesão ao direito do fisco. Não encontra previsão legal. não sendo mais permitido o desarquivamento do processo. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF.95 pelo despacho do juiz que determina a citação do executado (art. Depois de um ano. em sede de cognição sumária. I a IV. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. A execução estará extinta. muito pelo qual a LEF. Prescrição intercorrente – a Fazenda Pública procedeu ao lançamento. Desse ponto. 174. 9º. parágrafo único. caracteriza-se o crédito definitivamente constituído. o demandado tem algumas opções: Pagamento – com a satisfação do direito do demandante e extinção da execução e do crédito tributário. CTN. a qual ocorrerá dentro dos cinco anos seguintes. No despacho citatório do processo. LEF). . A tese pró-contribuinte. mas sim de mera defesa inominada em sede de processo executório. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. a doutrina construiu a denominada prescrição intercorrente. dando prazo para pagamento ou interposição de recurso administrativo. depósito em dinheiro ou oferecimento de fiança bancária – art. CTN. § 3º.

pelo simples decurso do tempo. aplica-se a segunda pelo princípio da especialidade. Rio de Janeiro. sob pena de nulidade absoluta do ato. LEF). não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. de fato. mesmo sob o regime da Lei 11280/05. O direito ao ressarcimento no indébito também não pode perdurar pela eternidade. suspende-se o processo por um ano. Além dessa. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. não sobre a intercorrente. 191. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. vindo a favorecer o fisco. v. findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente”. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. Apesar de ser factível em tributos lançados de ofício ou por declaração. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. manifesta-se a doutrina majoritária. 169. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. 2. existe a prescrição bienal do art. 127 Na verdade. Isso não significa que a prescrição não-intercorrente – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado sem prévia oitiva do fisco. Isso também não quer dizer que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. Rodrigo Mazei e Câmara. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. dentro 125 . O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. § 5º. fato que sugere o instituto da prescrição. no lapso de cinco anos. há uma autolesão. a Lei 11051/04. além de positivar a prescrição intercorrente no âmbito tributário. trata-se de interregno prescricional. Entretanto. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. Para solver o entrave. 194 do Código Civil pela Lei n. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandadocontribuinte. porque é possível sua renúncia por razões outras. CTN. CTN. CPC). nasce lesão127 ao direito do sujeito passivo tributário. Lumen Júris. Quando o fisco aceita um pagamento a maior. 40. 219.280/2006. Prescrição nas ações de repetição de indébito – está prevista no art. a qual versa sobre ação de anulação de decisão administração que denega a restituição. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. advogam Roberto Senize Lisboa e Nelson Nery Júnior. Nesse caso. Em que pese alguns autores defenderem natureza decadencial ao decurso em tela. cujo pensamento pode ser traduzido pelo Enunciado 295 do CJF: “Art. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ)125. 11. § 4º. A revogação do art. 168. porque prescrição é matéria de defesa disponível126. “in fine”. não localizados bens penhoráveis. Nesse sentido. LEF). 2006. afirmando que a prescrição passou a ser matéria de ordem pública. 1º. 126 Pela perpetuação da prescrição como matéria disponível. porque versará sobre a modalidade ordinária da prescrição. Em contrário. segundo bem aponta parte da doutrina. Lições de Direito Processual Civil. 191 do texto codificado”. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. Havendo conflito entre CPC e LEF. Sendo assim.. mesmo porque há interesse público em jogo.96 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. 13 ed. a maior parte das pretensões ao indébito surge de erro de interpretação do próprio sujeito passivo. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. Ambas correm contra o sujeito passivo da obrigação tributária. não configurando direito subjetivo do contribuinte. surgindo a pretensão desse para Súmula 314 do STJ: “Em execução fiscal. Em razão da Lei 11280/06.

195. 129 STJ. mas sim o próprio contribuinte dá causa. a lançamento de ofício e por homologação. “in fine”. 165. REsp 955. Destarte. I. contados a partir do fato gerador. Dentro dessa perspectiva. CONFINS. a teor do que definira o constituinte128. 3º e 4º. Quanto a tributo lançado de ofício. Teori Albino Zavascki. 130 STJ. respectivamente. o STJ disse que o lustro se aplica para os fatos ocorridos após a vigência da LC 118/05. . 15. operada por órgão fracionário do STJ. a qual previu expressamente. I. “b”. a redação do dispositivo das exações sujeitas ao lançamento por homologação. desde que indevido (a mais). 6/6/2007. CF/88). CF/88). não persiste qualquer dúvida. rel. o que justifica a natureza prescricional do lapso ora em comento. era adotado o segundo momento lógico como termo inicial da prescrição da repetição de indébito. salvo se o decurso prescricional decenal. EREsp 644. EREsp 644. Por óbvio. declarou inconstitucional o caráter interpretativo da LC 118/05. rel.736-PE. CTN. não é o terceiro que lesa o direito alheio. DJU 4/6/2007.5. Informativo do STJ n° 329. contados do pagamento129. Segundo a leitura da corte. O art. Em raciocínio simplista. 150. Nesse caso. viola a cláusula da reserva de plenário (art. aproveitando-se o fisco dessa situação.2007. o STF deu parcial provimento a RE interposto pela AGU para contestar a posição do STJ quanto ao caráter não-retrospectivo da LC 118/05. receita e LC 118/05 – a Lei 9718/98 instituiu a COFINS. Observe que a demanda será condenatória.. mal ou bem. Porém. j. o decurso de cinco anos. Nesse passo.831-SP. 2ª T. o primeiro é aquele que extingue o crédito.97 se ressarcir mediante o exercício do direito de ação. 3º. 128 STF. o qual. rel. Castro Meira. com base no art. a causa de extinção referida pelo legislador seria o pagamento. 168. RE 544246/SE. O STJ. DJU 27/8/2007. contribuição previdenciária sobre a receita dos empregadores. Esse dispositivo diz respeito às exações sujeitas. mormente quanto aos seus arts. Em recente decisão. estabelece que a referida prescrição corre a partir da extinção do crédito tributário nos casos do art. iniciado sob a égide da interpretação anterior. 97. O Supremo entendeu que a interpretação nesse sentido. CF/88. Informativo do STF nº 467. consoante já supra comentado. Min. Informativo do STJ n° 322. faturamento. implica em diminuição do lapso. CTN. determinando que o prazo prescricional da repetição de indébito é de cinco anos. j. Pois bem. o Excelso Pretório devolveu a causa ao STJ para o julgamento pelo seu órgão especial. A questão ficou pacificada depois da LC 118/05. porque existem dois momentos lógicos: o recolhimento antecipado do tributo (a maior) e a homologação desse pagamento pelo fisco (art. EREsp 435. I e II. era de dez anos para os tributos sujeitos à homologação de lançamento. porquanto implica em verdadeira declaração de inconstitucionalidade do diploma. § 4º. em seu art.835-SC. 28/8/2007. j. respeitando comando dado pelo Supremo. Sepúlveda Pertence. Corte Especial. Até a EC 20/98. Min. O termo “ad quo” da prescrição da repetição de indébito comporta certa complexidade.736-PE. a controvérsia se instalou. Min. nos tributos sujeitos à homologação. essa proposição só foi reafirmada recentemente pelo STJ. ultrapasse o limite de cinco anos após a promulgação do diploma130. o termo inicial no pagamento do tributo (antecipado). entendimento atualmente não mais vigorante. muito pelo qual a corte acolhia a “Tese do Cinco Mais Cinco” até pouco tempo atrás.

Para fazer a prescrição atingir essas ações em curso. O art. as contribuições cobradas entre a Lei 9718/98 e a LC 110/01 passaram a ser objeto de ação de repetição de indébito. 195. 3º e 4º. quanto às expressões “prescrição da ação” e “anulatória”. LC 118/05). passou a existir somente uma. A COFINS sobre faturamento já era autorizada pela LC 70/91. o Executivo fez aprovar a LC 118/05. Entretanto. veio a LC 110/01 para resolver a querela. 106. Com fulcro na doutrina alemã (tese da sanatória geral das emendas em face das leis anteriores). O argumento mais abalizado para refutar a retroatividade da LC 118/05 encontra-se no art. pois o ato jurídico perfeito (interrupção da prescrição com o despacho de recebimento da inicial) não pode ser maculado por norma posterior. a qual chegou no STF por via de RE. CF/88. característica inerente à inovação da ordem jurídica. depois dela. 169. a prescrição para o exercício da ação é menor que aquela afeta diretamente à Justiça. devido à vacância do diploma em 120 dias. Pergunta: qual foi a LC de janeiro de 2000 que constitucionalizou a COFINS sobre receita das empresas. sendo vencido (Informativo 408 do STF). À guisa do debate. restringindo-se a dois anos (art. 169. com efeito retroativo. XXXVI. Na segunda opção. bem como não versava sobre receita. porque. é possível ao sujeito passivo aduzir pedido na via administrativa (processo administrativo fiscal). desde que instituída por LC. CTN). Nesse sentido. O STJ. Para revestir o diploma de constitucionalidade. . “caput”. 3º. Entretanto. A partir do pagamento indevido. Com efeito. o legislador foi tecnicamente impróprio na redação do art. § 4º. CF/88. não sendo acolhida. 5º. criada por MP e convertida em LO. a qual passou a previr a extinção do crédito no pagamento (art. Gilmar Mendes. a ser julgado pelo seu pleno. Em verdade. essa posição é contestável. além da ação judicial de repetição de indébito. mesmo porque o sentido interpretativo de um diploma presta-se justamente a tal faina. o relator. a LC 118/05 alterou a estrutura do CTN. dentro da discussão da LF (Lei 11101/05). padecia de inconstitucionalidade formal. passando a se discutir se emenda teria a capacidade de sanar inconstitucionalidade de lei anterior. antes daquela. a EC 20/98 operou a mudança.98 constitucional não falava em empregador. prestigiando a segurança jurídica da “Tese dos Cinco Mais Cinco”. Foi uma decisão de extremo bom senso. guardião da lei federal. reforçando a confiabilidade do jurisdicionado para com a corte. justamente por ele erigida. Nesse passo. CTN). tal qual a própria redação dos arts. LC 118/05. o administrado poderá recorrer ao Judiciário para anulá-la. “caput”. 131 STJ. já permitia outras contribuições não cominadas. esse tinha duas margens interpretativas e. Essa tese chegou ao STJ por embargos de divergência em REsp. a COFINS sobre receita. EREsp 327043-DF e AgRgREsp 727200-PB. a prescrição se restringe à pretensão ao ressarcimento. caso a decisão definitiva seja denegatória. I. votou pela constitucionalidade. dando origem à enxurrada de ações de repetição de indébito no primeiro semestre de 2005? Pergunto isso em face da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9718/98 pelo STF em 2005. CTN. houve uma enxurrada de demandas para a repetição de indébito. a Fazenda Pública alegou que a LC 118/05 é interpretativa (art. bem como a ação tem natureza dúplice: anulação da decisão administrativa e condenação do fisco à restituição. ficando a prescrição obstada a partir de então. Para solver o caos no âmbito do fisco. residuais. não permitiu o caráter interpretativo da LC 118/05 ao afirmar que ela é inovadora (modificativa)131. Segundo o tribunal. Todavia.

quer seja intercorrente (art. e 219. visto que “ocorrem antes do . a lei torna penhorável o ‘bem de família’ tratando-se de impostos. indiretamente ligado ao bem de família. a segunda versa sobre matéria de ordem pública (norma cogente de interesse público). as condições da ação. Precisam atacar sim. § 5º. tendo em vista o assunto estar afeto à matéria de direito. presente no capítulo V do Título III. II estabeleceu apenas um impacto na Lei Diretrizes Orçamentárias relacionada à mudança na forma de tributação do setor de combustíveis e do pagamento por substituição no setor automotivo em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade . No momento em que uma legislação permite o não recolhimento de algum tributo.99 Resposta: a Lei Complementar 101/00 em seu art.: ISS cobrado em razão de modificação na estrutura do edifício)? Resposta: cuidado. pode ser acusada de ofício e reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição. 2º) dentre as obrigações da Administração na elaboração do orçamento. Ambos os conceitos são jurídica e semanticamente vagos.COFINS. LEF). sendo incluído tudo o que se imagina arrecadar. IV. CPC). Pergunta: antes de reconhecer de ofício a prescrição. CTN: 1º) Exclui-se um crédito que deveria nascer e não vai nascer. a primeira se adstringe a matérias debatidas em embargos. isso quer dizer que o imóvel fará às vezes de garantia da dívida decorrente de tributo. Essa diferenciação também existe na execução fiscal? Resposta: em matéria de execução fiscal. p. CTN. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. 3º. Segundo Daniel Assumpção. existe a previsão das receitas. a exclusão do crédito tributário comporta “causas inibitórias do lançamento”. § 4º. não permitiria o ato de apreensão judicial (ex. portanto. o termo Exceção de PréExecutividade tem prevalecido em face da margem de matéria que podem ser alegadas e que não estão restritas àquelas de ordem pública. levando-se ao raciocínio de que o legislador complementar atuou com impropriedade terminológica. 205). 174. deve-se retornar à previsão orçamentária inicial e EXCLUIR a respectiva receita. Para Sabbag (2004. quer seja ordinária (arts. Lei 8009/90) são somente o ITR e o IPTU? Outra espécie. Mas ele possui o poder de fazê-lo caso queira. Pergunta: os impostos que podem ensejar a penhora do imóvel familiar (art. o juiz é obrigado a ouvir previamente ambas partes na execução fiscal? Resposta: não. a qual não preclui. 40. Exclusão do Crédito Tributário Há dois posicionamentos para o termo “exclusão”. fora da previsão legal. “caput”. Pergunta: a doutrina processualista costuma diferenciar a exceção de pré-executividade da objeção de não-executividade. devendo ser oposta antes da penhora (“pré-executividade”). 4º parágrafo 2º. O ISS está afeto à prestação de serviços e.

parágrafo único. Respeitando o respeitável mentor do CTN. A norma que exclui o crédito tributário sempre afasta a obrigação principal. não há elementos suficientes e legais para “constituir um crédito tributário” em face de um fenômeno isento. 133 STJ. ISENÇÃO é chamada de endonorma pelos doutrinadores. Essa é a posição perfilhada pelo Excelso Pretório.. “ex vi” dos arts. II. salvo se houver consenso de todas as unidades federadas no caso de ICMS (art. imunidades e princípios). 1999. admitindo-se a dispensa da obrigação principal para os isentos. conquanto se afasta a obrigação principal das hipóteses de isenção. CTN. Celeumas à parte. rel. isto é. . 175. CTN). Linha minoritária assevera que qualquer hipótese abrangida pela isenção não pode se denominar fato gerador. Em verdade. o art. Paulo de Barros Carvalho assevera que a constituição do crédito tributário se dá com a realização do fato gerador. Eliana Calmon. assevera que a isenção suspende a eficácia da norma impositiva tributária. art. parágrafo único. Como se sujeita à reserva legal. resolução legislativa que aprova convênio não pode concedê-la. p. devendo ser respeitados os mesmos parâmetros diretivos desses (limitações ao poder de tributar. há de se ressaltar “que o poder de isentar ou anistiar é correlato ao poder de criar tributos” (SABBAG. CTN). a isenção engloba os fenômenos havidos a partir de sua instituição. 176. 2004. Sempre decorrente de lei. à luz da previsão abstrata legal (fato imponível descrito na norma). 155. CF/88)133. 139 c. “g”. parágrafo único. cuja ocorrência se dá com a previsão da hipótese de incidência na lei tributária132. a isenção não tem o condão de anular os efeitos da norma maior. prevê que a exclusão do crédito tributário adstringe-se à isenção (dispensa de tributo) e à anistia (dispensa de penalidade). 205). confere permissivo às chamadas isenções geográficas (NOGUEIRA. CTN). 177. 175. XII. Ricardo Lobo Torres (apud NOGUEIRA. CF/88. CTN. O art. o fato abstrato deixa de existir e assim não pode surgir uma obrigação tributária.100 lançamento e após o surgimento da obrigação tributária”. não existe a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. Todos os fenômenos abrangidos são fatos geradores. essa imperdoável posição extraída da doutrina estruturalista germânica e adotada na letra da norma gera contra-sensos dessa monta. 2004). Desta feita. e 176. Não há de se formalizar a relação jurídica para torná-la exigível. isto é. com o objetivo de “compensar desigualdade em função de condições 132 Indo um pouco mais fundo. Rubens Gomes de Souza. mas não as acessórias (art. Min. a isenção não alcança as exações nascidas depois de sua criação. § 6º. p. tendo por fulcro metajurídico elementos de cunho sócioeconômico e sócio-político (SABBAG. por ser uma endonorma. A norma cria uma exigência e o legislador faz surgir uma gama de casos particulares dentro dela. Neste raciocínio. pois. REsp 723. o equívoco semântico do texto legal se deve à sua visão míope sobre a constituição do crédito tributário. pela PROIBIÇÃO legal da chamada isenção em branco (art. consoante comentário já realizado. 150.575-MG. Informativo do STJ n° 325.c. de modo a dispensar o contribuinte da obrigação principal. 2ª T. 175. A posição MAJORITÁRIA afirma que. 171). neste. o qual entende a isenção como disposição legal de incidência tributária. 1999). § 2º. CTN. 26/6/2007. Todavia. Neste diapasão. j.

REsp 575. a isenção pode ser geral ou específica. sendo aplicada às penas anteriores à sua instituição. Súmula 615 do STF: O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. 137 Apesar da posição pessoal do autor. como observam Sabbag (2004) e Nogueira (1999). configurando verdadeira “fossilização” do ordenamento134. art. . a finalidade principal é retirar a situação de impontualidade do inadimplente da obrigação. em contrário senso) e jurisprudencial (Súmula 544 do STF136). incondicional ou condicional. Decorre de razões de política fiscal e atendimento de certas conjunturas e circunstâncias não só econômicas. Porém. Em termos classificatórios. CTN). A geral é aquela decorrente diretamente de lei. não cabendo qualquer análise por parte da Administração Tributária. Neste caso. Segundo Sabbag (2004. mediante requerimento. 208). 179. o qual não poderia ser desfeito nem mesmo por lei superveniente. ou seja. já existe. CTN. 177. Para Sabbag (2004). a anistia alcançará 134 135 STJ. há certas diferenças para com a isenção. não se aplicando às taxas e às contribuições de melhoria em razão da necessária contraprestação direta. opera causa de extinção da punibilidade. “caput”. DL 8031/45 (isenção de II e de IPI para equipamentos integrados ao ativo da Companhia Hidrelétrico do São Francisco – CHESF). “caput”. Na ANISTIA. 178. 178 c. 1999). indireta ou indenizatória dessas exações. Ex. essa disposição pode ser excepcionada pelo legislador concedente. É importante também dizer que as isenções só alcançarão os tributos não vinculados (impostos). pela Lei 8032/90 – o primeiro comando não pode conferir um direito adquirido à beneficiária. Qualquer penalidade. como é o caso de calamidades (NOGUEIRA. A específica é aquela que depende de verificação. p. Para Nogueira (1999). III. justamente para não causar ainda mais confusão na explanação didática dos institutos em análise. Cf. nos termos da legislação. parte inicial. cabendo-lhe exarar despacho concessivo (art. Herman Benjamin.c. Ela é o PERDÃO. a jurisprudência não tem reconhecido a aplicação da anterioridade à revogação das anistias incondicionais135. A vontade do legislador vai determinar os limites de abrangência. j. 153 da CF de 1969) não se aplica à revogação de isenção do ICM. é o “perdão legal das penalidades pecuniárias antes da constituição do crédito tributário”137. rel. preferiu ele manter o uso da visão codificada do legislador tributário. como bem ventila o art. da situação apresentada pelo contribuinte. Mesmo assim. 11/9/2007. Entretanto. I. versando inclusive sobre a mencionada isenção em branco (art. CTN (NOGUEIRA. A pena pode ainda não existir no plano formal. A condicional é irrevogável. A INCONDICIONAL é isenção que não estipula qualquer requisito especial para sua concessão. CTN).806-PE. Informativo do STJ n° 331. no campo concreto. CTN). desde que devidamente prevista em diploma competente. pode ser revogada a qualquer tempo. mas a infração. o qual coaduna com a tese da constituição do crédito tributário pela hipótese de incidência. 136 Súmula 544 do STF: isenção tributária concedida sob condição onerosa não pode ser livremente suprimida. desde que observada a anterioridade originária (art. 104.101 peculiares”. a retirada da sanção tributária pecuniária. por expressa manifestação legislativa (art. 1999). bem como um prazo para o aproveitamento dos benefícios. pode ser passível de anistia. por diploma de igual hierarquia àquele concessório. 8º. a anistia encontra fulcro maior no “indulgentia principis” do Direito Penal. Min. 177. pelo fisco.: revogação do art.

cláusulas de inalienabilidade. ao contrário do que apregoa a doutrina prevalente e a própria redação do art. Ex.. Lei 8009/90 – créditos previdenciários e trabalhistas decorrentes de relação empregatícia em função do imóvel e tributos relativos ao próprio bem (em 138 Neste aspecto. 183 a 193. Ex. 142. 156. cit. II. “caput”. CPC (bens impenhoráveis). bem como os crimes e as contravenções (art. enquanto aquela. se a impenhorabilidade for legalmente instituída. 2002. a anistia retroage a fatos já ocorridos. Ricardo Cunha Chimenti. “in fine”. CTN). IV. direcionada ao custeio das funções públicas. encontra resistência em doutrina isolada. 140 A cláusula de inalienabilidade engloba também a incomunicabilidade. op. NÃO ATINGINDO os valores referentes ao crédito tributário (obrigação principal)138. porque esta se refere ao crédito tributário “per se”. v. Saraiva. ao tê-lo como procedimento (sucessão de atos). CTN). 1º. O procedimento para a isenção e para a anistia se dá à luz do comando diretivo do CTN. porque a benesse cabível seria a remissão (art. 184. . Coleção Sinopses Jurídicas. 180. I a X. mas continua com a obrigação principal e outras acessórias dela decorrentes. op. O legislador ordinário determina-lo-á. conclui que o lançamento não tem o condão de impedir a concessão de anistia. de acordo com a Súmula 49 do STF: “A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens”. Garantias do Crédito Tributário Não são inconstitucionais. A natureza de receita pública.. Desta feita. a anistia não se confunde com a remissão (art. requer um tratamento desigual relegado ao fisco. 97. Dessarte. essa colocação também se aplica ao fisco. apoiada pela maioria da doutrina. à imposição de penalidade tributária. e outros. 16. pela notificação –. Contudo. I. CTN). CTN) e as demais infrações tributárias cometidas em concurso de pessoas (art. 4ª ed. São Paulo. o comando prevalece sobre a lei tributária (art. não há mais de se falar em anistia. VI. baseado na citada LC. não abrange as sanções já lançadas.. 180. Também não alcança os atos cometidos com dolo. podendo o legislador inovar nesse sentido. IV. apresentando espectro amplo quanto às sanções (cometidas. admitindo o autor a sua incidência mesmo em crédito já lançado. 649. Dessa feita. “caput” e parágrafo único. I e IV. os parâmetros de aplicação dos institutos em tela (art. As disposições só são válidas entre particulares. havendo notificação do contribuinte.. Com efeito. 184. impostas ou formalizadas). Amaro. é adepto da corrente que entende o lançamento como perfeito em um só ato (a notificação). O contribuinte fica dispensado do cumprimento de certa penalidade. permitindo a penhora da coisa. art. Inoponibilidade de garantias reais ao fisco (art. não tendo vez frente aos preceitos de ordem pública da norma tributária (função social dos contratos). op. Essa linha. CTN). 2004)139. porque colimam a isonomia. não há de se cogitar a anistia (SABBAG.: art. como Sabbag. simulação ou fraude. ou seja. fazendo-se merecer especialidade na sua regulação. Direito Tributário. CTN. 3º. 139 Sabbag. Caso a própria lei excepcione a impenhorabilidade.102 tais fenômenos. de incomunicabilidade ou de impenhorabilidade140 não produzem efeito quanto ao fisco. CTN. cit. CTN) – as estipulações entre particulares no tocante aos gravames reais não atingem a exigência de crédito tributário. Lei 8009/90 (bem de família). cit.: art. CTN). 156. Depois de “constituído o crédito” pelo lançamento – em outras palavras. As garantias da Fazenda Pública quanto ao crédito tributário estão elencadas em rol exemplificativo nos arts. mas sim em remissão.

“caput”. cada um de $100. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). “Penhora on-line” (art. Depois de ajuizada a demanda. 185-A. do contrário. porquanto ambos decorrem do mesmo poder de polícia sanitária do Município. 185-A. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. “caput”. o sujeito passivo aliena um desses. Câmara (2006) afirma que surgiu um novo instituto: fraude à administração fiscal. pelo meirinho.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. exige-se regular citação do executado. Fraude à administração fiscal e bem de família – supondo que o devedor tenha débito fiscal de $70 e possua dois imóveis. CTN). de eletricidade. dentro do processo civil. entidade ou instituição. já existe o ambiente jurídico para tal. Depois de inscrita a dívida ativa. patrimônio apto a satisfazer o crédito tributário. Em que pese não haver um sistema informatizado totalmente abrangente. 185-A. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. . pública ou privada. porque o único bem idôneo a solver a dívida foi alienado em contrário ao art. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. CTN. em qualquer órgão. A certidão de dívida ativa. porque o legislador previu abrangência em todo território nacional. 185. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. CTN). o que ainda não é pacífico. etc. essa é mais profunda. 3º. se o tributo a ser cobrado não assim se manifesta. Lei 8009/90). porque a impenhorabilidade do bem de família é excepcionada. 185-A. muito pelo que não são encontrados bens aptos à penhora (art. como título executivo extrajudicial. Como o imóvel restante não é penhorável. Para tal. de esgoto. Para responder se há ou não fraude ao fisco. Todo esse trâmite demanda muito tempo. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. § 2º. 185. A presunção de certeza e liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno administrativo. procedimento e ato dotado de presunção de legalidade e de legitimidade. não nomeia bens nem é verificado. instruirá a inicial da execução fiscal. Trata-se de presunção absoluta. CTN) – o juiz da vara de execuções fiscais pode declarar a indisponibilidade de bens do executado em face de dívida fiscal não adimplida. I e II. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. depois da hasta pública. a Fazenda Pública pode alcançar a ineficácia da alienação feita pelo contribuinte. 141 A jurisprudência não admite a cumulação entre taxa do lixo e taxa para limpeza de logradouros públicos. 185. importam em fraude à execução. Ex. tornando-o passível de penhora (art. porque. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. apta a registrar patrimônio (art. não existe fraude. Para ficar submetido à indisponibilidade. o fato depende da natureza do crédito fiscal da Fazenda Pública: caso a exação originária seja do imóvel de propriedade do contribuinte. o devedor não paga no prazo legal. CTN). § 1º.). CTN). No âmbito tributário. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art.103 decorrência da propriedade – ITR e IPTU – e do poder de polícia estatal – taxa do lixo141. incide a mencionada fraude. CTN) – depois da citação válida. Fraude à “execução fiscal” (art. o saldo será restituído ao devedor (art.

a qual abrange os entes políticos (art. CF/88). CTN). “caput”. CTN). Crédito tributário na falência (arts. 2006. cuja atuação é imprescindível inclusive para o próprio recolhimento de alguns tributos. LF. a norma geral será o CTN. Nesse passo. não há de se retirar a salvaguarda da Fazenda Pública com fulcro em excesso de indisponibilidade. ele vai à hasta pública. 84. o produto da arrematação é entregue à massa. O fisco pode receber antes do detentor de crédito trabalhista. sob pena de suscitar mandado de segurança pela diferença e. São a União. visto que o efeito atrativo do juízo universal não se lhe aplica (art. Medidas de controle e verificação da realidade fiscal do contribuinte. 186 e 188. Nesse caso. e 186. O constituinte dá indício dessa assertiva. 479). 187. 255) ensina que os Territórios Federais não se constituem dessa forma. mormente aqueles dependentes de lançamento (AMARO. de acordo com o arts. respeitando a ordem de prevalência estabelecida na LF. o fisco não precisa se habilitar no processo falimentar. existe também a argüição de excesso de indisponibilidade. Todavia. porquanto estatui que os impostos estaduais . 83. essa deve ser limitada ao valor da dívida em discussão. caso em que o montante da arrematação será deferido ao juízo universal. Quando a execução fiscal fora instaurada antes da ação falimentar. de indenização por dano moral. 194. “caput”. A administração de tributos é realizada pela Fazenda Pública. 1ª parte. ao revés. os Estados. CTN). LF. 147.104 Dentro da idéia de excesso de penhora. 209. na dicção do art. Nessa última hipótese. porque. Sabbag (2004. 241) assevera que a atribuição de administrar tributos importa em três funções: Procedimentos fiscalizatórios adequados. porquanto sequer possuem Fazenda Pública (art. 209. sua penhora é realizada no rosto do processo da quebra. CTN). nos termos de seu art. porquanto sua competência e sua capacidade tributárias são deferidas à União (art. CC. p. Essa situação também vige se a penhora precede ao ajuizamento da falência. desde que aquele tenha crédito extraconcursal (depois da decretação da falência). No mesmo raciocínio. CTN. Secundando o legislador do CTN. Essa atribuição é de suma importância para a função arrecadatória do fisco. dada a situação concreta submetida ao sujeito passivo. e 188. devolvendo-se o saldo ao devedor. Em verdade. O feito permanece no seu juízo privativo. Essa disposição só cabe se divisível o bem. específico de cada ente ou relativo a cada exação instituída. p. possivelmente. Todavia. e o segundo seja anterior à falência (arts. Inexiste qualquer competência tributária deferida aos Territórios. CTN) – a relação de preferência no concurso de credores está determinado na LF (Lei 11101/05). o DF e os Municípios. p. é perfeitamente possível crédito quirografário ter preferência sobre tributário. Administração Tributária Introdução – a fiscalização tributária é assunto deferido ao legislador ordinário. Sabbag (2004. I a III. Cobrança judicial dos importes tributários inscritos em dívida ativa. 41.

D. 70235/72 (FÜHRER e FÜHRER. D. bem como considerar a consulta ineficaz ou incabível (arts. 52. Em verdade. 56. apesar de vigorar correção monetária. CTN. Da resposta proferida. Sabbag (2004. D. XV. 52. 70235/72. 245) avança um pouco mais. parágrafo único. aplicável à Administração Tributária. a consulta permite recurso administrativo e reapreciação da matéria por instância superior. 1ª parte. a autoridade poderá compelir o consulente a cumprir determinada obrigação. CF/88). p. A atuação dos agentes de fiscalização deve observar o princípio da estrita legalidade. CTN). 147. III e IV. na resposta. 480) lembra que o Senado tem competência exclusiva para avaliar periodicamente o desempenho da fiscalização tributária de todos os entes federados. assim como a funcionalidade do próprio Sistema Tributário Nacional (art. a resposta dada pela autoridade tributária e favorável ao contribuinte vincula a Administração Tributária. apesar de não ser permitida quando tais expedientes já foram iniciados (art. podendo abarcar. impessoalidade. § 2º. “caput”. 76). Mesmo outras pessoas podem ser objeto de fiscalização pela autoridade. “caput”. quando devam prestar informações. 175. não é possível aplicação de penalidades nem ajuizamento de execução fiscal (art. a legislação tributária é dirigida tanto à autoridade administrativa tributária quanto aos administrados. CF/88). I e . Mesmo que não haja configuração de crime. Assim como no PAF. Nesse ponto. 2001. pelo qual o contribuinte pode submeter uma dúvida sobre cumprimento de obrigação tributária à autoridade fazendária. postulando pela aplicação integral de todos os princípios administrativos: legalidade. o art. CTN). 161.105 correspondentes são incumbência da União (art. terceiros alheios. CTN. p. quando cada um deles exercerá plenamente sua capacidade tributária própria (art. deixa claro que até mesmo os imunes e isentos devem se render aos comandos normativos tributários. Também não é possível imposição de medidas de garantia nem incidência de juros moratórios. Essa regra só é excepcionada se o Território for dividido em Municípios. I a VIII. nos termos dos arts. praticar atos ou abster-se de fatos em nome do poder de polícia do fisco (art. a expressão “impostos” pode ser interpretada como tributos. 70235/72). parágrafo único. 194. além dos sujeitos passivos da relação jurídico-tributária (contribuintes e responsáveis). Quando pende consulta. 48. refere-se ao procedimento de consulta. 2ª parte. Amaro (2006. 37. diploma que também trata do procedimento administrativo fiscal. 76). CF/88). Consulta – o art. moralidade. e 55. p. disposição que é reforçada pelo art. 48. 200. II. 2001. é abrangente as determinações do legislador. Destinatários – usando a terminologia do codex. uma vez se afigure embaraço ou desacato tal ao exercício que torne impossível sua efetivação (art. 78. É matéria regulamentada pelo D. p. CTN. 70235/72). mormente no que concerne às obrigações acessórias. os agentes do fisco poderão requisitar força policial para levar a cabo seu ofício. 70235/72). publicidade e eficiência (art. “caput”. No entanto. nenhuma medida pode ser tomada em desfavor do consulente em até trinta dias (art. CF/88). 147. 54. 52. o que talvez afastasse o interesse do jurisdicionado pelo instituto (FÜHRER e FÜHRER. Quanto a esses. D. Apesar disso.

parágrafo único. “b” e “c”. O art. CC). para torná-lo indevassável. 195. 119). parágrafo único. 70235/72). Qualquer disposição normativa que venha a limitar a atuação do fisco está em desacordo com a norma geral tributária. 1190. sendo considerada ineficaz (SABBAG. CTN).106 II. colocando desta forma um manto sobre o segredo. quando o causídico estiver exercendo função atípica. 197. a autoridade tributária tem prerrogativa sobre os segredos de cada pessoa. 2004. a verificação deve guardar nexo com o objetivo do procedimento. III. 197. sacerdotes. D. No entanto. CTN). e 1193. 70235/72. os arts. Nessa hipótese. 483). 5º. Havendo conflito entre o dever de guardar segredo (dever legal de sigilo) e o interesse da Administração Tributária. No entanto. muito pelo qual é decorrência do véu que se abate sobre a privacidade e sobre os dados pessoais (art. Sigilo fiscal – sigilo é aquilo que representa o selo que lacra o que não pode ou não deve ser divulgado. O próprio dever de prestar informações e de apresentar documentos para fins fiscalizatórios se constitui como obrigação tributária acessória (art. Esse arcabouço probatório é composto por livros comerciais e fiscais. 120). médicos e outros. 2002. p. tem o dever de prestar informações ao fisco. Ex. I a VII. 242). além de documentos relativos a lançamento. o sigilo bebe na fonte dos Direitos Fundamentais. ou mesmo negócios aos quais sejam alheias as informações demandadas” (AMARO. desde que atinentes à sua função fiscalizatória. Apesar de a legislação comum proteger a exibição de livros e de documentos contábeis do empresário (art. O rol do comando considerado é fechado nos seus termos. o julgamento da dúvida será feito por instância única. 481). 2006.: advogados. 46. p. parágrafo único. CTN). 197. em que pese o legislador poder ampliá-lo “de lege ferenda” (art. sob pena de importar em abuso de autoridade (Súmula 439 do STF)142. § 1º. arrola vários obrigados nessa faina. asseguram o exame amplo e genérico no processo de fiscalização. CTN. limitado o exame aos pontos objeto da investigação”. “caput”. 70235/72). quaisquer livros comerciais. 142 Súmula 439 do STF: “Estão sujeitos à fiscalização tributária. como ensina Robson Baroni. CTN). No ambiente tributário. CTN. D. o legislador deu prevalência ao primeiro (art. 54. “ninguém pode ser obrigado a prestar informações sobre os negócios de outrem só porque eventualmente mantenha com ele relações de amizade ou de parentesco. Deve ser preservado pelo fiscalizado até o decurso de prescrição ou de decadência a ele relativas (art. apesar do legislador não ter falado na segunda (AMARO. 2006. como inventariante ou como administrador judicial em falência. por exemplo. X e XII. a teor do que já disse a citada Súmula 439 do Supremo. cuja autoridade competente é o coordenador do Sistema de Tributação da atual SRFB (art. psicólogos. O legislador exigiu pertinência temática entre o objeto da fiscalização e o ato fiscalizatório. Lei 8112/91. p. Além dos próprios sujeitos passivos da relação jurídicotributária. No entanto. 195. consubstanciada pelo CTN (CHIMENTI. 33. CC. p. como rememora Chimenti (2002. p. D. ou previdenciária. . “caput”. entidades econômicas e profissionais e órgãos da Administração Pública têm legitimidade para aduzir consulta (art. VII. 197. CF/88). Porém.

desde que autorizada pelo plenário da Casa Legislativa ou da própria comissão. a mesma lei conferiu idêntica prerrogativa às CPI’s. por intermédio do BACEN ou da CVM. 198. Na esteira do diploma. 199. Repartição mútua de dados entre diferentes órgãos estatais no interesse da fiscalização tributária. a Lei 9613/98 confere poder ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para requisitar informações bancárias e fiscais. as instituições financeiras deverão remeter à SRFB informações para identificação de contribuintes e de valores relativos à CPMF. A AGU pode requisitar informações ao BACEN e a CVM para instruir processos em que esteja atuando (art. colimou restringir o compartilhamento de informações entre Estado e particular. “caput”. §§ 1º a 3º. CTN. assegura a quebra de sigilo bancário pelas autoridades tributárias. porquanto o art. inclusive entre entes políticos diversos. 199. 199. “caput”. I e II. CTN). Entretanto. a jurisprudência era pacífica em proibir a prática por parte da Administração. LC 105/01). O permissivo só é aplicável se houver PAF ou procedimento de fiscalização regularmente instaurado (art. a ser efetivada mediante recibo. “caput”. importante ressaltar que o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos estatais pode ser feito até mesmo no âmbito internacional. § 3º. CTN). “caput”. 247) professa que a inexistência de convênio não impede a troca de dados sigilos fiscais entre órgãos públicos. A LC 105/01. 58. No diapasão. CF/88. com o intuito de evitar e reprimir crimes de lavagem de dinheiro. 5º. Concessão de parcelamento ou de moratória. p. que está tendo sua constitucionalidade contestada. X e XII. parágrafo único. Requisição de CPI (art. Enfim. os agentes da Fazenda Pública não têm vênia para divulgar dados sobre situação econômica ou financeira de fiscalizados (art. Solicitações e autoridade administrativa acerca de infração disciplinar praticada por servidor público. desde que haja PAD instalado para investigar o sujeito passivo tributário. Necessidades materiais para ativação de dívida da Fazenda Pública. independentemente de vênia judicial. CF/88). CF/88. § 3º. 3º. . 58. CTN). Com fulcro no art. em face do art. 6º. desde que haja processo administrativo fiscal instaurado. CTN): Requisição de autoridade judicial. o próprio legislador excepcionou o mandamento em algumas situações (art. houve preocupação na entrega pessoal do cabedal de informações. Sabbag (2004. 198. Representação fiscal para fins criminais. § 3º. tributo que possui finalidades concomitantes de arrecadação e de fiscalização. Na terceira hipótese supra aduzida. mediante lei ou convênio (art.107 Em regra. Antes do referido diploma. na conformação que lhe der tratado entre a União e outros Estados (art. perante o STF. A prevalência do sigilo quanto a terceiros deve ser colimada na formalização do ato. LC 105/01).

9º. bem como a prática de atos que importem omissão. 241) a define como sendo “atos de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. A prévia fixação do término da investigação é um dos mais relevantes pressupostos para a regular tramitação do exame tributário. cópia deve ser entregue. 122). Como postula Amaro (2006. O termo inicial da análise fiscal deve ser preferencialmente registrado em livro especial. Todavia. Essa assertiva advém diretamente da segurança jurídica. o qual será apresentado ao inquirido. o legislador lhe fez referência como procedimento. CTN). em que todos os atos devem ser reduzidos a termo. CTN) e garante a defesa do investigado (CHIMENTI. CF/88. essa responderá objetivamente (art. “in fine”. 8º. A infringência das regras sobre quebra de sigilo bancário e fiscal. 138. 11. Nos termos do art. 120).108 A autorização judicial para a quebra de sigilo bancário e fiscal. p. 1º. parágrafo único. LC 105/01. a teor do que se posiciona a jurisprudência. pode ser decretada em IP ou em ação judicial (art. 10. 196. mediante recibo. “caput”. ao fiscalizado (art. parágrafo único. “caput” e parágrafo único. quando da apuração de crimes contra a Administração. Fiscalização – circundando o conceito de fiscalização dado pelo CTN. 196. quer sejam principais. LC 105/01). o BACEN e a CVM são obrigadas a representar perante o Parquet para as medidas julgadas cabíveis (art. porquanto fala em fixação de termo inicial e final (art. § 1º. 5º. “caput” e parágrafo único. 145. No entanto. a denúncia não é válida. De fato. apenados com reclusão de um a quatro anos e multa (art. CTN. O Ministério Público. entende que a LC 105/01 e outras normas no mesmo sentido não são inconstitucionais. só será assim considerada a confissão de dívida tributária havida antes de documentado o ato. . Em contrapartida à mencionada ADIn. É importante também para caracterizar ou não denúncia espontânea. LC 105/01). 70235/72. comportando efeitos diversos na relação entre sujeito passivo e Administração Tributária. p. LC 105/01). p. Chimenti (2002. o servidor público responsável arcará civil e funcionalmente pelo seu ato comissivo ou omissivo. Sabbag (2004. CTN). Depois desse momento. retardamento injustificado ou prestação de informações falsas constituem ilícitos penais. o que se deve rechaçar são os abusos e o vazamento de informações. os quais comporão autos. cuja lavratura também encontra previsão nos arts. se ficar provado que agiu de acordo com a orientação da instituição. porquanto assentadas no art. 173. a fiscalização é dirigida pelo princípio documental. 482). e 6º. não tem prerrogativa de requisitar informações bancárias e fiscais por força própria. A lavratura do início do procedimento fiscalizatório influencia na apreciação da decadência (porque seu termo inicial é a notificação do procedimento de fiscalização – art. Se houver prejuízo em decorrência do vazamento de dados. presentes indícios de crime de ação penal pública. “caput”. p. Segundo o autor. § 4º. é possível extrair seu sentido ontológico. D. 2002. não a fiscalização em si. quando é confeccionado documento apartado. LC 105/01). quer sejam acessórias”. “caput”. Não sendo possível. expressamente esculpida no art.

585. 203.2007. por notificação de lançamento ou por apreensão de livros e mercadorias (FÜHRER e FÜHRER. o legislador emprestou-lhe o valor de título executivo extrajudicial (art. p. com efeito. “caput”. de 1980”. o crédito tributário (não suspenso. III. prevêem depósito recursal para a discussão administrativa (cláusula “solve et repete”). No apontamento. como precedente na ADI 1. CPC. parágrafo único.566-MG. RE 233582/RJ.109 “caput”. é considerada inconstitucional pelo STF. CTN). Informativo do STJ n° 324. 5º. “caput”. Essa exigência. e parágrafo único. rel. p. Joaquim Barbosa. também chamada de impugnação ou de reclamação (CHIMENTI. p/ o acórdão Min.116-SP. Esse é iniciado por auto de infração. DJ 30/6/1997. O julgamento da pretensão geralmente é realizado por delegado fazendário ou por órgão especializado. devem ficar perfeitos vários dados. Plenário. descabe reexame necessário pela própria Fazenda Pública. VII. LEF. no decurso assinalado. Segundo o STF. escoradas no art. 202. representada geralmente pelo Conselho de Contribuintes (na seara federal – DL 1438/45) ou por Tribunal de Impostos e Taxas (no âmbito estadual e distrital). 250) define dívida ativa como crédito tributário inscrito. Uma vez perfeita a inscrição. como já se posicionou o STF. 70235/72). CPC). sob pena de nulidade do ato (art. AC 1. 38. fundamento legal. REsp 943. 151. valor devido. CTN). CTN): identificação do devedor e co-responsáveis. 144 Súmula 247 do TFR: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. Min. o qual trata da desistência tácita a recurso judicial145. DJ 1º/6/1992. caracterizando a ativação da dívida da Fazenda Pública (art. com precedentes no AgRg no Ag 112. Exatamente por essa razão. DJ 28/5/2001. 38 da Lei nº 6. cadastro eletrônico). p. O ajuizamento de qualquer demanda judicial implica na renúncia ao recurso administrativo interposto. 503. Informativo do STF n° 476. nos termos do art. suspendendo-se a exigibilidade do crédito tributário (art. cabe recurso hierárquico à instância administrativa de superposição. formada a coisa julgada administrativa. com decisão desfavorável ao sujeito passivo. 1ª T. 145 STF. esse comando não ofende o direito de petição e a inafastabilidade do Judiciário (art. mesmo em sede recursal.789-PA. 19/6/2007. 204. 2002. Esse entendimento já estava consolidado na Súmula 247 do extinto TFR144. CF/88. STJ. 77). CTN). Dessa decisão. Ocorre somente depois de instaurado e concluído processo administrativo fiscal (PAF). o interessado pode pagar ou apresentar defesa. j. data de inscrição e identificação do PAF. Notificado da instauração do procedimento. porquanto todos têm direito ao sossego público. Marco Aurélio. no segundo. Min. DJ 27/4/2007. No primeiro caso. várias legislações. Caso o contribuinte seja vencedor na primeira instância administrativa. Inscrição em dívida ativa – Sabbag (2004. LEF. entendimento secundado pelo STJ143. “caput” e parágrafo único. o único formado unilateralmente 143 143 STF.073-DF. aliás. 171). Segundo Chimenti (2002. 14. 201. CF/88).830. 38. XXXIV e XXXV. De outra parte. . orig. j. “caput”. porque se trata de aplicação do art. José Delgado. e no RMS 240-SP. CTN). o ato administrativo goza de presunção relativa de liquidez e de certeza quanto ao crédito representado (art. 171). I a V. geralmente de 30 dias (art. extingue-se o crédito tributário. ninguém pode ficar submetido eternamente ao crivo da Administração. rel.. 16. não excluído e não extinto) é lançado em livro próprio (atualmente. rel.8. com o livro e a folha de inscrição (art. prossegue o PAF. 2001. D. porquanto a decisão é tangida pela imutabilidade do trânsito em julgado.

há doutrina que defende. os arts. afirma que a certidão positiva que ateste crédito vincendo. com execução garantida ou com exigibilidade suspensa (art. A partir da ativação. 212). 1ª T. realização de certos atos ou participação em algumas situações. a qual necessariamente deverá estar anexada na exordial de execução fiscal (art. CTN) produz os mesmos reflexos jurídicos da CND. Eventual nulidade no ato de inscrição da dívida ativa pode ser elidida pela autoridade tributária. rel. De outra sorte.982-RS. parágrafo único. 5º. Trata-se de documento de expedição obrigatória por parte da autoridade solicitada. pode ser extraída certidão de dívida ativa. p. José Delgado.. Vale ressaltar que a corte também já assentou entendimento no sentido da desnecessidade de novo ato de lançamento para simples retificação aritmética da CDA. I a VI. XXXIV. a fluência de juros não afeta a liquidez do título (art. 2004. CTN. AgRg no REsp 942. CTN.402-RS. a existência de autêntica imunidade tributária (SABBAG. EREsp 602. é exigida prova da quitação de tributos. O STJ ainda adverte que a correção deve aterse a erro material ou formal. Informativo do STJ n° 325. por estar consubstanciado abuso da autoridade competente (SABBAG. 204. pode ocorrer que a urgência não permita a espera. Informativo do STJ n° 332. o art. 252). Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. LEF). Amaro (2006. Min. A presunção ora em comento é relativa. CTN). Certidão negativa – o direito de certidão é remédio constitucional assegurado pelo art. Min. Humberto Martins. 6º. sujeito à nulidade absoluta146. 20/9/2007. Nessa hipótese. 2006. contados do requerimento (art. DJU 13/3/2000. p. p. “b”. 253). sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. CF/88. conferiram a prerrogativa de fazê-lo até a decisão de primeira instância jurisdicional. 147 STJ. LEF. juros. como meio de erigir uma presunção absoluta em prol do administrado. parágrafo único. 1ª Seç. a qual. e 2º.110 pelo credor (ASSIS apud CÂMARA. CTN). 146 . Para celebração de determinados negócios. CTN. urgindo escrituração contábil totalmente nova147. implica em vício insanável. Por esse motivo. mesmo ante o breve decurso assinalado pela lei para a expedição da CND. AgRg no REsp 932. dispensa a exibição do documento. Nessa situação. CTN). A inobservância do interregno pode ensejar a impetração de mandado de segurança. 151. REsp 196. 206. a Fazenda Pública expede certidão de regularização ou certidão negativa com efeitos de negativa. 205. 486) diz que o STJ. correção e eventuais penalidades. 203.. a qual se liga à decisão nos embargos à execução fiscal. 201. salvo se a alteração a ser efetivada comportar total mudança no seu teor. pela gravidade. 207. parágrafo único. 27/6/2007. Nesse sentido. nesse ponto. a qual deverá aduzi-lo em até 10 dias. 2004.663-SP. j. DJU 26/6/2007. § 8º. naquilo que concerne à parte modificada. rel.002-SP. j. pois pode ser elidida por prova em contrário (art. p. como já está pacificado na jurisprudência. Todavia. apesar de fazer com que os participantes do ato respondam pela integridade do débito. incluindo principal. não atingindo inexistência de requisito essencial da certidão. A certidão negativa de débito (CND) para com a Fazenda Pública vem exatamente nesse sentido. O art. § 1º.

Quando atua com culpa. o agente público responderá pelo ato na esfera criminal e penal. ponto facultativo e meio expediente não são computados como tais. A competência tributária é indelegável. Quando o servidor expedir CND com inobservância de preceitos formais.111 legislador concedeu uma benesse ao contribuinte para evitar a caducidade de um direito. CTN). pelos sábados. Impostos em Espécie Introdução – o art. Ex. não responderá civilmente pelos prejuízos ao erário. 2º. excluindo-se o dia de início e incluindo-se o termo final. é precípuo destacar que toda a tributação da alçada estadual deve levar em consideração dois elementos: o local onde se deu o fato gerador e a regência da LEGISLAÇÃO ESTADUAL sobre tal. “Super Receita” A Lei 11457/07 instituiu a SRFB. 2004. Lei 11457/07. valendo como dias sem funcionamento. “caput”. o art. mas a CND terá efeito liberatório geral. formando um só órgão. A referida delegação não necessariamente implica em parafiscalidade. A SRF foi unificada à Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). “caput”. É essa que caracteriza o sujeito ativo da relação jurídico-tributária. Lei 11457/07. CTN). Essa se verifica quando há delegação de fiscalização. “caput”. por dolo ou fraude. A sujeição ativa tributária e a parafiscalidade foram modificadas pelo diploma. § 1º. CTN). 2º. domingos ou feriados” (SABBAG. Entretanto. 7º. Prazos no CTN A teor do art. confere capacidade tributária ativa à SRFB no tocante às contribuições sociais. como bem vem aventando a jurisprudência. Com efeito. 255). 210. a discussão tangencia exatamente a capacidade ativa e a parafiscalidade. Dessa forma. a capacidade tributária ativa (arrecadar e fiscalizar tributos) pode ser delegada (art. Antes de tudo. arrecadação e administração de tributos. p. responderá pessoalmente pelos valores decorrentes e eventuais acréscimos (art. parágrafo único. sem interrupção. parágrafo único. instituídas atualmente ou “de lege ferenda”. direciona os valores decorrentes ao Fundo da Previdência Social. 155 da CF/88 estabelece os impostos de competência dos Estados federados. “Os prazos serão contínuos. sendo detida pelas pessoas políticas. “caput”. 208. No último caso. Em relação à SRFB. vale lembrar a colocação do autor. Em decorrência. CTN). não implica em parafiscalidade das contribuições sociais em relação à SRFB. No entanto. CTN. os decursos são contados exatamente na forma do processo civil. sem prejuízo de responsabilidade penal e administrativa (art. em contrário senso.: o . 208. 210. o art. no sentido de que os termos (final e inicial) só serão considerados quando houver expediente regular na repartição (art. mas cobrou-lhe alto preço em contrapartida. No entanto. sendo instituto mais abrangente que a mera capacidade tributária ativa.

. para tornar mais eficaz o recolhimento. há tratamento tributário diferenciado. de modo a dirimir eventuais disparidades para com as exações regionais e federais. consoante comentário já realizado. foi criado o CONFAZ – Conselho Nacional Fazendário (27 secretários de Fazenda dos Estados e alguns membros da Receita Federal e Previdenciária). é necessário. Entretanto. para o Exterior.: há unidades da federação que exigem o porte da GARE de recolhimento do IPVA junto com o RENAVAM (BA. não é mercadoria. Depois da reforma constitucional. NÃO SOBRE MERCADORIAS. ES e PE). conhecimentos de transporte e guias de recolhimento. a bitributação do mesmo fato gerador. o Supremo passou a referendar a exação sobre produtos importados (art. Nesse contexto. porquanto não se encontra no caminho entre a produção e o comércio. CF/88. Ex. Essa mutação constitucional. “a”. ela consubstancia somente um bem móvel de uso doméstico. as Receitas Estaduais. do qual mercadoria é espécie. Alguns países não tributam produtos importados para uso próprio do consumidor. dada a dificuldade de fiscalizar os fatos geradores. A prática é totalmente inconstitucional. em operações de importação. a EC 42/03 determinou que o importador fosse 148 Por meio de recente resolução. ainda se está muito longe de uma harmonização razoável entre as legislações vigentes.: a geladeira. Produto é gênero. Esta medida é efetivada nas fronteiras estaduais. qual o seja a entrada de produtos importados em território nacional. à padronização de alguns documentos fiscais. Para tentar dirimir tal entrave. Já nosso sistema tributário não alcança tal beneplácito. de modo concreto. Pode ser natural ou totalmente artificial. O órgão tem por escopo padronizar os procedimentos tributários. Fechando o ciclo. permitiu. uma vez adquirida e utilizada pelo consumidor. o que pode gerar conflitos de legislação. enquanto outras não148. vez que o II incide sobre PRODUTOS. O que diferencia o produto da mercadoria é a destinação. O trabalho efetivo do CONFAZ resume-se. incidia sobre mercadorias. mercadoria é aquele OBJETO DE MERCÂNCIA. CF/88). o ICMS. Passaram a exigir dos transportadores o ICMS integral das mercadorias que entram em seus Estados. envolvendo tudo que ela consegue produzir. preliminarmente. Aquele resulta da atividade humana. porquanto da sua natureza jurídica. Ex. ou seja. Dentro deste universo. Em face das diferentes normas dos 27 Estados brasileiros. Seu inciso I fala do II. como notas. a arrepio da Constituição. DIFERENCIAR PRODUTO E MERCADORIA. IX. o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) decidiu que o porte da guia de recolhimento de IPVA não é obrigatório ao condutor por ocasião de fiscalização de trânsito. em sede de exceção. indica os impostos de competência da União. muito criticada pela doutrina.112 ITCMD leva em conta o local onde estão os bens do “de cujus” e não onde este veio a falecer. 153. II (Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros) e IE (Imposto sobre Exportação. Para entendê-los. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados) – o art. hodiernamente. quando a exação seria devida no emissor. até a EC 33/01. passaram a adotar um modo operante simplificador. O inciso II fala do IE. 155. Para solver tais entraves. que está no trajeto indústria-comércio.

II. por exemplo. as quais implicam em posterior distribuição por intermédio do Brasil. o constituinte originário resolveu especificar “ipse litre” a atividade. os quais possuem exatamente a mesma hipótese de incidência do II e do ICMS. a terminologia empregada reside na melhor técnica jurídica de redação. total ou parcial. insumos. Dessa feita. dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento. Admite diversas formas: Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação. Neste sentido. em quantidade ou qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento. Tanto uns quanto os outros refletem o objeto material da hipótese de incidência. dando azo à instituição do PIS-importador e da COFINS-importador. troca. I. a outro país não configuram exportação e. incluindo. O próprio CTN faz referência à conotação apontada. É a construção jurisprudencial e doutrinária dominante. 153. Neste sentido. nacionalização segundo entendimento doutrinário. a confecção do produto deve situar no estrangeiro. Estes produtos podem ou não sofrer modificações domésticas. por conseqüência. em contrário senso ao conceito e ao desdobramento do “drawnback”. produtos naturais ou industrializados. Aliás. deve ficar adstrita a um país estrangeiro. Já a palavra “nacional” diz respeito àqueles produzidos integralmente no país. a natureza do produto. dá-se por atos procedimentais. complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. ao prescrever a “exportação. nem importação. em seu art. Quanto ao II. Portanto. ou abandonados. para países estrangeiros. pareceria que se trata de uma redundância. CF/88. ou utilizada na fabricação. sob o enfoque semântico. nos quais se transfere o produto ou mercadoria estrangeira para a economia nacional. complementação ou acondicionamento de outra exportada. manutenção. esse fenômeno. Essa nomenclatura é utilizada em vários diplomas do Sistema Tributário. complementação ou acondicionamento de produto exportado. de produtos”. revertem-se em favor da Fazenda Nacional. conhecido como “drawback” é considerado incentivo à exportação. É possível identificar duas espécies de operação de exportação: A CF/88 foi categórica. Restituição. Porém. os quais foram recepcionados pela Carta de 88. 153.113 contribuinte para o financiamento da seguridade social. equipamentos. Desta feita. com o fim de constituir perfeitamente a hipótese de incidência do IE. O termo “nacionalizado” (ou internado) refere-se a operações anteriores à importação. Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria. para o exterior. O conceito de exportação. etc. quer seja para consumo. é análogo ao anterior149. 149 . fabricação. para o art. etc. O vocábulo “exportação” foi (e é) utilizado também para designar o fluxo de coisas entre os Estados da Federação. IMPORTAÇÃO é a aquisição de produtos estrangeiros em caráter definitivo. À primeira vista. isto é. porque há TEMPORARIEDADE na operação. quer seja para operações de mercância. fala-se em exportação para o Estado de São Paulo. remessas de produtos para repontecialização. Produtos não despachados.

que funciona como interveniente comercial. o constituinte permitiu que a fixação da alíquota de tais exações não se sujeita à reserva legal.114 Direta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior. § 1º. sobre o SETOR DE ATIVIDADES (base econômica). deve ser usada sistemicamente. Desta feita. por vezes. Nessa hipótese. contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido pela instituição financeira internacional da qual o Brasil participe. Também ocorrem dissidências jurídicas quanto a imunidades de certas ENTIDADES. Indireta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda para destinatário comprador no Brasil. será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador. Além disso. em última análise. produtos intermediários e componentes destinados à fabricação. 153. no consumo interno. na balança de pagamentos do país. É ele quem regula as atividades inerentes ao II e ao IE. CF/88). o negociador no comércio externo – e. em decorrência de licitação internacional. Há isenção do tributo quando há importação de matéria prima. não se deduz a capacidade contributiva. pois a autorização contida no art. O “drawback” também é aplicável quanto ao IE. Esta é sempre a AVALISTA INTERNACIONAL dos demais entes públicos ou das empresas privadas brasileiras. 2004). em consonância com os demais princípios e direitos essenciais contidos na Carta Política. O comércio exterior reflete-se na indústria interna. § 1º. Em relação às operações de mercado exterior. e 150. Portanto. o eventual devedor – sempre será a União. porquanto se prestam à intervenção na atividade econômica interna. com base em contrato. § 1º. de acordo com a situação presente. por conseguinte. O II e o IE incidem. no mercado interno. a União é a única que tem personalidade jurídica de Direito Internacional. vem a ferir o princípio da ISONOMIA. os Ministérios da Fazenda. Conseguintemente. pois há interesses nacionais em jogo. 22. reais e indiretos. vez que ambos são proporcionais. de máquinas e equipamentos a serem fornecidos. da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores são coordenados por um arcabouço interministerial: o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). CF/88. Daí decorre o conceito de Dívida Externa. VIII. . cujo gestor principal é a Receita Federal (CASSONE. 153. CF/88). à anterioridade ordinária nem à noventalidade (arts. São impostos eivados de EXTRAFISCALIDADE. A importação e a exportação não podem ser realizadas a bel prazer do empresário. que por sua vez emitirá outro documento de venda endereçado ao comprador estrangeiro. O controle é realizado por meio de alíquotas diferenciadas. No estabelecimento de ALÍQUOTAS. A operação de comércio exterior é regida por competência legislativa privativa da União (art. no país. a serem majoradas ou diminuídas. principalmente no que concerne às suas constantes alterações. principalmente com referência àquelas de cunho religioso. o Fisco.

Esse analisará o pedido e poderá autorizar a operação. é necessário uma autorização prévia do governo federal para todas as operações no setor. com suspensão total do pagamento dos tributos. recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres. pela entrada do produto no território nacional (art. 150 O atual Regulamento Aduaneiro é veiculado pelo D. endereçando-o. eletronicamente. o interessado poderá. 91030/85. sob o controle aduaneiro. o Fisco poderá fiscalizar. I. Zona Secundária compreendendo a parte restante do território nacional. tecer um estudo fundamentado sobre o produto a ser importado ou exportado. ou com suspensão parcial. CTN). portanto. II. o qual pode ser dividido em zona primária e secundária. o qual consubstancia o FATO GERADOR do II. Já para o IE. o momento de ocorrência do fato imponível coincide com a data do registro da DI no tocante ao produto despachado para consumo. no caso de utilização econômica. Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo – é o que permite o ingresso para permanência temporária no país. por conseqüência. 2004). O interessado no comércio exterior deve. Despacho para consumo é o conjunto de atos procedimentais (desembaraço aduaneiro). Mas há regimes aduaneiros especiais. 19. 33. fica configurado a partir da expedição da GUIA DE EXPORTAÇÃO (CASSONE. antes de tudo. 33. zona primária compreende as faixas internas de portos. bem como outras áreas nas quais se efetuam operações de carga e descarga de mercadorias ou embarque e desembarque de passageiros. a exação contempla o que se conhece como território aduaneiro. cujo objetivo consiste em colocar a mercadoria nacionalizada à disposição do adquirente estabelecido no Brasil. de um ponto a outro do território aduaneiro. destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. fisicamente. com suspensão do pagamento de tributos. os quais permitem a suspensão total ou parcial da exigibilidade do II: Trânsito aduaneiro – é o que permite o transporte de mercadoria. Admissão temporária – é o que permite a importação de bens que devam permanecer no Pais durante prazo fixado. para seu uso ou consumo. Segundo o art. Uma vez AUTORIZADA. De posse dos dados fornecidos pelo interessado. de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas. Espacialmente. DL 37/66.115 Desta forma. os conteúdos a serem comercializados. No critério temporal. então. com a suspensão do pagamento de tributos. nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art. mediante a declaração de importação (DI). Esta fiscalização é denominada desembaraço aduaneiro150. . efetivar o negócio. ao órgão competente do SISCOMEX (SRFB). O aspecto material do II é representado. aeroportos. DL 37/66). em regra.

153. II. atualmente para o IE. CTN). por questão de não-subsunção ao tipo tributário do II. CTN. 214. de acordo com o critério do art. o segundo critério é comumente utilizado para o II. para evitar a mera evasão de divisas. Na mesma esteira. o legislador assim previu para o IE (art. III. Do contrário. 2434/88. 214. nos termos das respectivas legislações. “caput”. de modo a não prejudicar o setor produtivo nacional. 5º. Por outros fatores alheios à vontade do exportador. a Súmula 576 do STF151 autoriza a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero. 20. os quais alcancem valores ínfimos na chegada ao país. 2472/88 confirmaram essa premissa. As alíquotas são geralmente constantes do GATT. CTN). também são objeto da base de cálculo “ad valorem”. quando o fisco determina um “quantum” somado ao inicial. a incidência não ocorrerá nas seguintes situações: Mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado. CF/88). Nesse passo. CF/88 e 21 do CTN. Mercadoria devolvida por motivos de defeito técnico. de acordo com a previsão do art. escapam à incidência da exação.116 Outros acontecimentos. D. § 1º. Neste sentido. Os valores irrisórios. . 20. a BASE DE CÁLCULO pode ser estabelecida basicamente de duas formas (art. De fato. tem-se o conceito “AD VALOREM”. De acordo com o ditame da 151 Súmula 576 do STF: “É lícita a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero”. 2004). A alfândega é a encarregada de verificar quais os valores a serem acrescidos. 4543/02 (CASSONE. consoante comentário supra aduzido (art. nunca “ad valorem”. CTN). 150. Destarte. para reparo ou substituição. o art. em que pese a previsão do art. Em referência ao II. a quantificação expressa na DI (valor do produto mais despesas de alfândega) seria a base de cálculo. Mercadoria devolvida por modificações na sistemática de importação por parte do país importador. assevera que bens importados com alíquota zero do II estão sujeitos aos demais tributos. Este comando decorre dos arts. 4543/02). tem-se a exação proporcional (art. No diapasão. D. atribuídos a mercadorias em trâmite entre empresas do mesmo grupo econômico transnacional. I. D. podem elidir a concorrência dos similares brasileiros. Segundo entendimento da análise dos atos normativos em comento. 20. CTN. II. os quais conferiram possibilidade para o Executivo alterá-la. § 2º. a base de cálculo é sempre fixada. pois produtos importados. As alíquotas são fixadas na Tarifa Externa Comum (advinda do GATT) ou determinadas na legislação federal. I e II. 24. § 1º. o DL 37/66 e o D. chegando-se a uma base de cálculo atribuída. Terceira forma de determinar a base de cálculo do II se dá pelo valor da arrematação. quando o produtos é adquirido em leilão de bens provenientes de descaminho (art. Quando a hipótese de incidência traz um percentual fixo sobre o valor da transação. 20. Como a tributação de importação é dotada de extrafiscalidade. não precisando observar propriamente os ditames da anterioridade original e da noventalidade.

para o IE. 22. estabelecidas no art. a ALFÂNDEGA adota critérios diferenciados de fiscalização. As alíquotas serão fixadas de acordo com a essencialidade do produto. como configurador do fato gerador. em quantidade suficiente para suprir o mercado interno. Todavia. D. via de regra. porquanto fica atrelada especificamente a CADA TIPO DE PRODUTO. . cinza. portanto. partindo de um patamar de menor para outro de maior rigor. se há produção interna de algum bem. Para o IE. O sujeito ativo é sempre a União (Fisco) para ambos. CF/88. CTN). competindo à Câmara de Comércio decidir sobre tais alterações. com conseqüentes facilitações. I a IV. 2637/98. os quais são objeto do delito de descaminho (art. § 1º. A prerrogativa. é o exportador ou quem a ele se equiparar (art. 153. CTN). Nesta situação. a alíquota. Ex. Além das considerações tributárias. Tal critério é o primeiro elemento que o legislador observa ao estipular as alíquotas. Serão imunes as operações com produtos industrializados destinados ao exterior. § 3º. menor será a alíquota incidente. de consumidores e de importadores. a qual pode ser confundida com entorpecente. a despeito da essencialidade. O desembaraço para a exportação também segue o mesmo trâmite da importação. de acordo com os canais enquadrados (verde.: importação de naftalina para fabricação de produtos de limpeza. I e II. 215. É o mecanismo denominado BARREIRA ALFANDEGÁRIA. 153. I e II. “caput”. 152 O arrematante é aquele que adquire produtos importados em um leilão. arcará com a obrigação tributária do imposto de importação. no que tange à exação em tela. quanto mais vital é o produto. A normatização do IPI é dada pelo D. De acordo com o estabelecido pelo legislador ordinário. o sujeito passivo é o importador ou o arrematante152 (art. pertence ao Executivo. 215. Para o II. CF/88. vermelho e preto). dado o comando contido no art. dada a previsão constitucional do art.117 ESSENCIALIDADE. IV. 153. tipo de produto são elementos que servem para que a autoridade alfandegária decida sobre o enquadramento do lote em um ou em outro canal de fiscalização. CF/88. Esta equação não se resolve facilmente. O comando determina também que será não-cumulativo. Há certificações de órgãos ou entidades públicas que resolvem parte da burocracia para a exportação. há conotações de ordem política para o estabelecimento das alíquotas do II e do IE. 215. Para otimizar as operações. 153. adotando-se o sistema de compensação com a operação posterior. O constituinte determinou algumas características. 4543/02). notícias da imprensa. freqüência do importador. as alíquotas do II serão maiores. ainda encontra outro elemento complicador: a fiscalização de produtos importados que levantem suspeitas sobre ilicitude. podendo ser reduzida (art. D. § 1º. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – está previsto no art. § 2º. 318. D. é de 30% sobre o valor do produto (art. CP). 27. O desembaraço aduaneiro. CF/88. sendo menores aquelas de produtos mais essenciais. a qual representa palco de conflitos entre os interesses de produtores. mediante a declaração de arremate. 4543/02). 4543/02) e majorada até o percentual máximo de 50% (art. País de origem. a carga de IPI será reduzida sobre bens de capital. aquele.

de início. consubstanciando os estabelecimentos equiparados à indústria. 2001). cit. Porto Alegre. com fulcro em jurisprudência do STJ. indústria de montagem. É o que diz o art. até que possa chegar ao consumidor final. indústria de base. Modificação no produto implica em atividade industrial para fins tributários. incide sim o Imposto Sobre Serviços (ISS). pois se trata da maior alíquota existente. Para os ALIMENTOS. o IPI tem por base econômica as operações com produtos industrializados e. Outro ponto interessante é a desigualdade entre o estabelecimento equiparado à indústria e o prestador de serviço. IV. etc. Para diferenciálos. Neste sentido. desde a natureza até o consumidor. § 3º. do mais básico ao mais supérfluo. parágrafo único. demonstra Cassone. a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial. “c”. extrativismo industrial. 95. CTN. 4544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI). O inciso I refere-se a alíquotas diferenciadas de acordo com o caráter essencial ou não do produto. 153. O caminho. mas incide a noventalidade (art. a seara do IPI engloba a transformação. Objeto – está no art. a montagem e o recondicionamento (recuperação de um produto obsoleto ou inservível em algo aproveitável para a aplicação humana). Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Juripsrudência. a atividade estará no campo de incidência do tributo explicitado no art. 153 . o imposto possui certa extrafiscalidade quanto ao fumo. I a V. a exação citada somente exclui a extração da natureza. CTN. consoante precedente da 1ª Turma do TRF/4. CF/88. Desta feita. p. Enquanto pender uma ação humana que venha a adaptar um produto para o consumidor final. 150. o produto passa a constituir um semi-elaborado. D. como fato gerador. 153.. 150. Livraria do Advogado. 2001. Para Ricardo Lobo Torres Para Leandro Paulsen. A partir do primeiro estágio. 46. deve ser verificado: recurso natural. o acondicionamento. o beneficiamento.5%. op. Ex.118 modificado pelo D. 4544/02. III. 3º. Tanto para o IPI quanto para o ICMS. Vale lembrar também que não pende a regra da anterioridade ordinária (art. CF/88). como prescreve o art. § 1º. o produto “in natura”. até que venha a converter-se em produto consumível. porquanto se configura um produto industrializado. a atividade de transformação de produtos naturais em bens consumíveis não pode ser enxergada somente por cada uma de suas etapas. Portanto. em proveito da organização e não de terceiros. CF/88. parágrafo único. de modo estanque. oscilando de 0 a 363. 46. É a SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. “o beneficiamento realizado em um bem do cliente ou mesmo a produção mediante encomenda não podem configurar fato gerador do IPI”. “in fine”. traça o alinhamento geral para que o legislador infraconstitucional trabalhe a regulamentação do IPI. Em sentido contrário. Para o citado autor. partindo do PRIMEIRO PASSO DE PROCESSAMENTO. Nesta situação. Conceito de produto industrializado – deve-se tomar. Na esteira. é necessário recorrer à produção em série no primeiro e o “artesanato” no segundo153.: indústria de ternos e alfaiate. A Tabela do IPI (TIPI) estabelece todas as alíquotas. a qual desencorajaria o consumo de um produto não recomendável devido a razões de saúde pública (PAULSEN. CF/88) sobre o imposto em relevo. os quais seriam englobados pelo IPI – como o caso de tomates embalados em bandejas para o supermercado ou de pescados que são beneficiados com a retirada de escamas para o comércio – são agraciados pelo legislador pela isenção de imposto. indústria de transformação. Características – o art. já incide o IPI.

conquanto se caracteriza o fato imponível. o imposto devido em um mês será igual a todos os débitos. mesmo se tratando de exação indireta. Existe a possibilidade. podem existir saídas em que não incide o IPI. Entretanto. Dessa feita. 3) Não pode ser contabilizado como despesa ou custo pelo vendedor. na quinzena de totalização. a exação possui repercussão do encargo financeiro. o crédito do IPI só seria devido ao contribuinte que não for consumidor final do produto (contribuinte de fato). a cada nova agregação do processo industrial. uma vez que é repassado no preço da mercadoria. a lei determina que sobre o preço seja calculado o IPI. realizando o princípio da não-cumulatividade do IPI (art. Além disso. o critério da seletividade pela essencialidade. a sistemática de recolhimento do imposto é particular. O ICMS. persistirá um crédito. a PIS e a COFINS também seguem o mesmo raciocínio. aplicável coercitivamente ao IPI pelo legislador. o crédito de IPI somente terá vez se o produto compor a saída do estabelecimento. A partir da Lei 8866/94. mas o contribuinte de direito (responsável). 153. seguindo a seguinte sistemática de recolhimento: 1) Deve ser destacado na Nota Fiscal e cobrado do comprador por ordem e conta da União. Essa questão passou a ser controvertida nos tribunais. mas sim do comprador. de haver mais imposto de crédito que de débito. De fato. o responsável passou a ser definido como depositário da União. toda vez que houver entrada do bem. O procedimento é denominado apuração do imposto em conta gráfica. desconta-se o valor anteriormente incorporado no novo recolhimento de IPI. o estabelecimento industrial ou equiparado não é o contribuinte de fato. 2001). haverá débito. II. 153. No entanto. já que não é ônus seu. Para evitar o “efeito cascata”. Na seqüência. Em outras palavras. CF/88). que deve cobrar o IPI do consumidor e repassá-lo à União. CF/88). o adquirente escritura o crédito decorrente e o . Havendo venda de produto industrializado por qualquer valor (preço negociado entre o vendedor e comprador). fazendo valer compensação entre débitos e créditos do sujeito passivo. desde que a fase anterior seja tributada. Quando o alienante realiza a venda.119 (apud PAULSEN. Em tese erigida pelo legislador (a partir do art. Desta forma. 2) O vendedor (responsável) torna-se depositário desse IPI cobrado do comprador (contribuinte de fato) nos termos da Lei 8866/94. § 3º. computando-se débitos e créditos da pessoa jurídica. O inciso II expressa a não-cumulatividade. incide a exação. A cada operação de circulação. o direito a compensar o IPI só é devido aos produtos que terão exação correspondente na saída. O IPI será apurado mensalmente. constitui atendimento ao PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. escritura o débito em seu livro de registro cabível. abstraindo-se os créditos referentes ao mesmo período. § 3º. III. Todas as vezes que houver saída de um bem. Nesse sistema. Caso não recolha aos cofres públicos o valor cobrado a título de IPI. o adquirente do bem recebe a carga tributária do alienante dentro da cadeia comercial. passa a ser depositário infiel.

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débito da saída, assim como todos os demais componentes da cadeia de consumo. Ex.: alíquota de 4% sobre o produto que sai de “A”, cujo valor é de R$ 100; “B”, o adquirente, processou o bem e o vendeu por R$ 200; na primeira etapa, o IPI devido será de R$ 4; “A”, então, realiza a venda por R$ 104, repassando o tributo para “B” e escriturando o débito correspondente (R$ 4); “B” escritura o crédito consectário (R$ 4); supondo que “B” venda o produto processado a “C”, com alíquota também de 4%; “B” aplica o preço completo de R$ 208, escriturando R$ 8 como débito; consequentemente, “C” escritura crédito decorrente (R$ 8); na compensação, “A” recolhe R$ 4, “B”, R$ 4 (8-4); “C” só teve crédito de R$ 8, não devendo nada ao fisco, ficando acumulado para o próximo mês. Querela relevante se coloca quanto à alíquota zero atribuída ao IPI em determinadas operações. O ICMS usa, atualmente, as mesmas regras de nãocumulatividade do IPI (art. 155, § 2º, I, CF/88). No entanto, o constituinte expressamente determinou que a isenção ou não-incidência de ICMS, ressalvada previsão contrário do legislador, não implicará em crédito para operação seguinte, quando houver isenção ou não-incidência na entrada (art. 155, § 2º, II, “a”, CF/88). Em melhores palavras, a operação de saída, quando isenta ou quando não haja incidência de ICMS, não levará a direito ao crédito correspondente na próxima etapa da cadeia. O crédito está condicionado à incidência integral da exação na operação anterior. Nesse contexto, a Constituição de 1988 nada dispôs sobre o IPI, suscitando dúvida sobre a aplicação analógica ou não da mesma regra. Os contribuintes passaram a defender que o direito a crédito é incondicionado, independentemente da incidência ou não nas operações posteriores e anteriores, já que, no ICMS, o constituinte expressamente falou, e no IPI, silenciou. Por volta de 1998 e 2000, o Pleno do STF firmou entendimento a favor do sujeito passivo, fundando-se na ausência de ressalva expressa, ao contrário do que fez o constituinte quanto ao ICMS. Em meados de 2005, a querela foi trazida à baila novamente. Ao revés da orientação anterior, o STF, no início de 2007, operou mutação constitucional154. Segundo o Excelso Pretório, para produtos tributados com alíquota zero (espécie de isenção, segundo o próprio Supremo) ou não tributados, inexiste direito a crédito na operação seguinte dentro da cadeia comercial. Na ocasião, em questão de ordem (QO), o Ministro Ricardo Lewandowski, em nome da segurança jurídica, propôs a aplicação prospectiva do novo entendimento, operando efeitos “pro futuro”. Por dez votos a um, a QO foi rejeitada, conferindo efeitos “ex tunc” à interpretação. No entanto, o STF nada falou sobre produtos imunes e isentos “em sentido estrito”, pairando querela sobre a matéria. Advogando em prol da União, a PGFN levanta interpretação literal do art. 153, § 3º, II, CF/88, uma vez que o constituinte fala em compensação de créditos mediante “montante cobrado” nas operações anteriores. Não havendo cobrança, não há de se falar em crédito na operação seguinte de saída. Quando ocorre situação inversa, em que há crédito na entrada (matériaprima, material de embalagem ou intermediário), mas o produto é isento ou contemplado com alíquota zero na saída, o art. 11, Lei 9779/99, autoriza a
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STF, RE’s 370682 e 353657.

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manutenção do crédito em IPI (adquirido na entrada), bem ao inverso do que ocorre no ICMS (art. 155, § 2º, II, “b”, CF/88). Descabe analogia na aplicação do comando em tela, não atingindo produto, na saída, imune ou não tributado. Da mesma forma, o bem da entrada deve ser matéria-prima, material de embalagem ou intermediário, não alcançando qualquer outro. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, em face da interpretação restritiva do dispositivo legal em tela, o crédito anterior deve ser anulado. Essa visão decorre do que já disse analogamente o STF, quanto às entradas com alíquota zero ou não tributados. Em verdade, o precedente do STF tem o condão de dar o mesmo tratamento entre ICMS e IPI, o que permite postular em favor da Fazenda federal155. O inciso III estabelece que não haverá incidência de IPI na exportação156. Deste modo, a legislação permite que o contribuinte mantenha um crédito tributário para com o fisco federal, com o fim compensar em outros tributos de competência da União. O dispositivo tem por fim incentivar a atividade de exportação. Crédito prêmio – era dirigido àqueles industriais que desejassem adquirir novas tecnologias em produtos industrializados importados, a título de melhoria do maquinário. Eles teriam isenção de IPI. Previa assim, o legislador, que os apontamentos desta conta gráfica fossem lançados à parte. Todavia, a despeito de conceder um benefício para a economia, haveria uma majoração grande na ponta da linha, incidente sobre o consumidor final, porquanto houve incremento dos custos. Entretanto, o legislador extinguiu o respectivo crédito sem a necessária contraprestação por parte do governo. As empresas, então, foram a juízo para requerer o devido. A ação encontra-se em trâmite no STF. Fato gerador – o IPI incide no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado importado, da saída de produtos industrializados do estabelecimento manufatureiro (emissão da nota fiscal) e da arrematação de produtos industrializados abandonados ou apreendidos, acordo com o art. 46, I a III, CTN. Em verdade, as operações delineadas trazem a lúmen os sujeitos passivos do imposto. Aspecto subjetivo – o SUJEITO PASSIVO será o importador, os estabelecimentos industriais, os comerciantes e o arrematante, além dos equiparados (art. 51, I a IV, CTN). Em melhores palavras, os contribuintes do IPI são o arrematante em hasta pública, os industriais (ou equiparados) e o importador, bem como o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos industriais contribuintes. Equiparação tributária instrumento meramente fiscal que só pode ser determinado em lei. O fato de um comerciante ser equiparado, não significa que se tornou industrial, mas que passa a ser tratado da mesma forma que este. O comerciante atacadistas de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) são equiparados, facultativamente, aos industriais (art. 11, I, RIPI). Se optarem pela equiparação, nos termos do art. 14, I,
STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 156 Para alguns autores, o dispositivo é entendido como imunidade. Em contrário senso, para a maioria da doutrina, é caso de não incidência.
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“a” a “c”, RIPI, destacarão o IPI relativo à saída na nota fiscal. Tal equiparação objetiva possibilitar o crédito do IPI pelos estabelecimentos industriais que adquirirem insumos de comerciantes atacadistas. Se o comerciante atacadista não optar pela equiparação industrial, mesmo assim é possível ao adquirente efetuar o crédito do IPI mediante a aplicação de alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% do valor constante na nota fiscal (art. 165, RIPI/02) Base de cálculo – na importação, o valor da operação, acrescido de eventuais taxas aduaneiras, será a base de cálculo (art. 47, I, CTN). Na saída da indústria, é o valor do produto acabado (art. 47, I, “a”, CTN). Sendo este desconhecido, será tomado o seu valor da praça local de um produto similar (art. 47, I, “b”, CTN), isto é, no mercado atacadista. No arremate, será o valor da arrematação (art. 47, III, CTN). Em resumo, com relação à base de cálculo do IPI, temos: • Na importação = valor de base para o II (preço livre do produto + frete + seguro) + II + taxas de entrada + encargos cambiais157. • Nas operações internas = valor da operação158 ou do produto na praça. O ICMS é parte integrante do preço de saída do produto, sendo que o seu destaque na nota fiscal é meramente indicativo do valor que o comprador, se contribuinte do ICMS, pode creditar-se. • Na arrematação = valor do arremate. Alíquotas – atendendo o critério constitucional (art. 153, § 3º, I, CF/88) e legal (art. 48, CTN) da seletividade pela essencialidade, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) apresenta duas regras de hermenêutica para sua aplicação: a posição mais específica na tabela prevalece sobre as mais genéricas; os produtos misturados e compostos, cuja classificação não possa ser efetivada, serão considerados segundo a matéria ou o artigo que lhe confira característica essencial. Prazo de pagamento – o decurso para recolhimento do referido tributo tem algumas características relevantes: É decendial, ou seja, é apurado e recolhido a cada dez dias; Admite venda de produtos com prazo de pagamento dilatado; Quando existe pagamento de duplicata pelo comprador, só no efetivo adimplemento é que o empresário receberá o total do crédito do IPI contido na nota fiscal/fatura extraída da duplicata.
No desembaraço aduaneiro, a base de cálculo do IPI é complexa, sendo formada por vários componentes. O seu preço em moeda estrangeira, mais seguro e frete, ou seja, o preço CIF (Cost, Insurance and Freight) convertido em moeda nacional, pela cotação do câmbio fiscal divulgada pela SRF mediante ato declaratório do Executivo (ADE), acrescido de II, taxas exigidas na entrada do produto (taxa de armazenagem, capatazias, serventias, etc.) e de encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (variação cambial entre a data da emissão da licença de importação e o efetivo desembaraço aduaneiro) a compõe. O montante resultante da soma de todos os itens é, portanto, a base de cálculo do IPI, sobre a qual se aplicará a alíquota para apurar o imposto devido. 158 Para Paulsen, op. cit., a desconsideração de descontos concedidos no momento da operação e a estipulação de pautas fiscais pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não coadunam com a disposição do art. 47, CTN, conquanto não se observa o ditame da legalidade tributária (art. 97, CTN) e da hierarquia de diplomas normativos. De igual forma, o referido autor cita decisões do STJ e do TRF/4 no sentido de não reconhecer a inclusão de juros – na venda realizada a prazo – e de frete por empresa coligada na base de cálculo da exação do art. 153, IV, CF/88.
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Se o sujeito passivo do IPI deve pagar em 10 dias e receberá, por exemplo, em média, em 60 dias, na verdade ele (o responsável tributário) está antecipando o imposto e financiando o governo federal. Logo, não existe a possibilidade de enquadrar o responsável como depositário infiel (Lei 8866/94) ou apropriação indébita antes que seja recebido pelo contribuinte o valor do IPI. Portanto, apurar o imposto pela data do recebimento das duplicatas é contrário à lei do IPI. Por essa razão, muitos artigos da Lei 8866/94 estão suspensos por ADIn. Lançamento – o IPI é um imposto que se sujeita ao lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte realizar todas as obrigações acessórias impostas por lei. O Fisco só atuará de ofício no não-recolhimento da exação ou no seu pagamento a menor. A partir de 1º de janeiro de 2005, a apuração passou a ser mensal, devendo-se recolher o tributo até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) – o objeto incide sobre crédito, câmbio, seguro, títulos ou valores mobiliários. O crédito é sempre representado por títulos. É imprescindível, para o seu estudo, o conhecimento prévio do universo da mercancia de títulos. A receita para o Fisco é quase que irrelevante. Toda vez que o Estado disponibiliza ao cidadão uma utilização de crédito (disponibilidade imediata para pagamento futuro) oficial, incide o IOF. Trata-se de uma ferramenta de controle gerencial do meio circulante, assim como é a taxa SELIC, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), o que caracteriza autêntica finalidade extrafiscal, porém sem perder de vista a função arrecadatória (SABBAG, 2004, p. 329). A sociedade, por meios contratuais, consegue expandir tal base oficial. A arrecadação do IOF forma um fundo que visa garantir, de um modo geral, o sistema financeiro nacional, a ser tutelado pelo próprio BACEN. Não se confunde com o crédito comercial, tido através de operações de compra e venda a prazo. O IOF está regulamentado pelo D. 4494/02. O sujeito passivo pode ser: o As pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (art. 4º, “caput”, D. 4494/02); o Os compradores e vendedores de moeda estrangeira,nas operações referentes à transferência financeira para o exterior (art. 12, “caput”, D. 4494/02); o As pessoas físicas e jurídicas seguradas (art. 20, D; 4494/02); o Os adquirentes de títulos ou valores mobiliários, incluindo instituição financeiras (art. 26, I e II, D. 4494/02). O fato gerador será: Operação de crédito – será a efetiva entrega, total ou parcial, do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, bem como a colocação à disposição do mutuário interessado (art. 3º, “caput”, D. 4494/02), lembrando-se que saque em caderneta de poupança não é

na conformação do que der a lei (art. 4494/02. 28. 29. 1993). j. 4494/02).5% ao dia (art. sendo entendido como objeto de incidência do IOF (art. enquanto ativo financeiro. § 5º. valor nominal ou valor da cotação em bolsa. ADI-MC 1763/DF. entendo-se como efetivado o negócio no momento da liquidação do contrato ou câmbio (art. CF/88). “caput”.033/90. Desta feita. I a VII. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. entregue ou posto à disposição do contratante (art. Para a base de cálculo. rel. “caput”. 4494/02). 4494/02). “caput”. D. O verbete ficou cristalizado a partir de reiterada jurisprudência do Supremo: STF. “caput” e § 1º. 4494/02). recebido. D. 25. Operação com títulos e valores mobiliários – a alíquota máxima é de 1. Trata-se de imunidade parcial. 159 124 . 14. O ouro é um valor de referência mundial. 4494/02).1999. sob os auspícios da 159 Súmula 664 do STF: “É inconstitucional o inciso V do art. 27. D. 4494/02. Min.fato imponível da exação em comento (Súmula 664 do STF) apesar do “factoring” sê-lo160. esculpida em contornos especiais pelo constituinte. Ilmar Galvão. por exemplo. pagamento ou resgate deles (art. em que pese sua natureza de mercadoria. determina que a alíquota máxima diária será de 1. 4494/02). “caput” e § 2º. No pagamento ou no resgate – é o preço. Min. 11. D. da Lei n° 8. Operação de câmbio – a base de cálculo será montante da operação em moeda nacional. “caput” e parágrafo único. rel. D. D. 4494/02). devendo incidir somente um a vez se ocorrer simultaneidade entre elas (MACHADO. 4494/02). A base de cálculo e as alíquotas do IOF são dadas por diversos dispositivos do D. A alíquota será de 25% (art. “caput”. p. D. computando-se o ágio ou deságio. a depender da hipótese de incidência (SABBAG. 160 STF. “caput”. sobre saques efetuados em caderneta de poupança”. Ele tem um valor cambiário. Operação de seguro – emissão da apólice ou recebimento do prêmio (art. 2004. 19. 1º. distinguem-se três situações. Operação com títulos e valores mobiliários – é a emissão. 4494/02): Na emissão – é o valor nominal. transmissão. 333): Operação de crédito – a base de cálculo é o principal mais os juros efetivos (art. 13. D. D. 20. como é o cheque de viagem. 4494/02. D. Sepúlveda Pertence.9. com alíquota de 25% (art. 6º.08. Operação de câmbio – entrega ou colocação à disposição de moeda nacional. O art. RE 232467. p. 331) deixa claro que a mera posse dos documentos mencionados não é fato gerador do IOF. . 7º.5%. de moeda estrangeira ou de documento representativo. I a IV.98. 22. Na transmissão – será o preço. Operação de seguro – a base de cálculo é o prêmio efetivamente pago (art. Sabbag (2004. que institui a incidência do imposto nas operações de crédito câmbio e seguros – IOF. j. D. 153. 21.

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unicidade – incidência uma única vez na origem, na extração, em que pese o fato imponível ser sua negociação posterior (SABBAG, 2004, p. 336). Será incidente na extração da matéria-prima, segundo alíquota mínima de 1%, a ser divida de acordo com o art. 150, § 5º, I e II, CF/88: 70% para o Município de origem e 30% para o Estado de origem (ou DF). Atualmente, a alíquota é exatamente de 1%, tal qual estabelece o art. 41, D. 4494/02, tendo como base de cálculo o preço de aquisição do ouro por instituição financeira (arts. 39 e 40, “caput”, D. 4494/02). No entanto, se o ouro for importado, a base de cálculo será arbitrado, tendo como referência o valor de mercado doméstico no desembaraço aduaneiro, calculado em moeda nacional (art. 40, parágrafo único, D. 4494/02). Em contrário senso, uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira, entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI, ICMS, ISS, etc.). A disciplina do ouro, como ativo financeiro, está na Lei 7766/89. Antigamente, todo meio circulante tinha lastro metálico, cotado em outro depositado em agências oficiais (Casa da Moeda). Hodiernamente, isto continua ocorrendo em parte, porquanto somente parcela da reserva metálica equivale ao numerário circulante. A doutrina qualifica o IOF como gravame “flexível”, conquanto suas alíquotas podem ser estabelecidas pelo Executivo sem observância da anterioridade ordinária e da noventalidade, a teor dos arts. 153, § 1º, e 150, § 1º, CF/88 (SABBAG, 2004, p. 335). Sobre o IOF, recai a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, CF/88. Ademais, a Súmula 185 do STJ161 determina sua nãoincidência no caso de depósitos judiciais. IR (Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza) – renda e proventos são espécies do gênero acréscimo patrimonial. Renda é resultante do capital (aluguéis, lucros, rendimentos financeiros, “royalties”, etc.), do trabalho (remuneração do labor humano) ou da combinação de ambos (honorários advocatícios, pagamento pela prestação de serviços, etc.), como prevê o art. 43, I, CTN. Já os proventos são todos os outros acréscimos não previstos na categoria anterior. O critério residual também foi adotado pelo constituinte originário de 1988, dada a UNIVERSALIDADE162 e a GENERALIDADE163 do IR (art. 153, § 2º, I, CF/88). Para Cassone (2004, p. 373), “a tributação do IR alcance [sic!] a tudo e a todos, sem ater-se ao critério da seletividade ou distinção entre pessoas ou profissões”. Todavia, NEM TODA RENDA OU PROVENTO implicará em IR, posto que ficou relegado ao legislador infraconstitucional a conferência de alíquota zero, de isenções, de não-incidência, etc., isto é, a seara de abrangência da hipótese de incidência do IR não é total. Outrossim, a jurisprudência tende a extrair do manto do fato imponível algumas condutas,
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Súmula 185 do STJ: “Nos depósitos judiciais, não incide IOF”. A universalidade é um critério do IR que se refere à extensão da base de cálculo, a qual englobará todas as rendas e proventos, independentemente de origem, considerando-as como unidade, desde que se subsumam à hipótese de incidência. 163 Segundo Difini e Renck, citados por Paulsen, op. cit., a generalidade é um critério que diz respeito à sujeição passiva da exação. Por ela, o IR abrange todos os contribuintes que pratiquem os atos previstos na hipótese de incidência, de modo indistinto e “geral”, não se admitindo tratamento diferenciado. Contudo, deve-se observar a progressividade, o que permite, de certa feita, atingir o ideário da capacidade contributiva individual (alíquotas por classe e restituição do IR), segundo a previsão do preâmbulo constitucional tributário (art. 145, § 1º, CF/88). Com efeito, a progressividade pode permitir que alguns – os menos capazes economicamente – não fiquem abrangidos pela incidência do IR, o que relativiza a princípio da generalidade, previsto no art. 153, § 2º, I, CF/88.
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como o pagamento de indenização por férias não gozadas (Súmula 125 do STJ)164 e a licença-prêmio indenizatória não gozada por necessidade do serviço (Súmula 136 do STJ)165. Também não se deve confundir renda ou provento com entrada pecuniária. De fato, em regra, não é o movimento de caixa o fato gerador do IR, porque não se aplica o regime de caixa na exação em comento. O que o legislador vislumbrou atingir é o regime de competência, em que a aquisição de disponibilidade jurídica é suficiente para configurar a hipótese abstrata de incidência do imposto. Na espécie, aplica-se o disposto no art. 116, II, CTN, de sorte a configurar a renda ou o provento auferido desde a constituição da situação jurídica tributável. Ex.: em venda à prazo, o fato gerador do IR se aperfeiçoa desde a celebração do negócio, não havendo qualquer relação entre o pagamento do tributo e o recebimento das parcelas avençadas. Excepcionalmente, o legislador permite que o IR se sujeite ao regime de caixa, quando se dá o recolhimento pelo lucro presumido. No contexto, a hipótese de incidência e a base de cálculo do IR não se confundem com aqueles afetas à CONFINS e ao PIS-PASEP, os quais tributam o faturamento e a receita, apesar de haver autêntico “bis in idem” com a CSLL das pessoas jurídicas, referendada pela jurisprudência do Supremo166. Não existe mais que um IR, porque ele é único. Para cada tipo de fato gerador, há uma incidência diferenciada. Este tratamento diverso para cada um deles determinará a forma de incidência do IR, dado o fenômeno econômico tributável (salário, grande capital, operação financeira, etc.). Portanto, a natureza do acréscimo patrimonial determinará o modo da exação denominada IR. Entretanto, uma renda não englobada na legislação extravagante poderia ser tributada pelo IR, dada a regra geral do art. 150, § 1º, I, CF/88, uma vez que é impossível ao legislador prever todos os fenômenos de acréscimo patrimonial? A resposta para o quesito é bem mais complexa. Por força do princípio da legalidade, é possível observar que quase todas as situações estão abarcadas na legislação infraconstitucional, inclusive no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veiculado pelo D. 3000/99. Todavia, uma vez que a hipótese de incidência não esteja abarcada pela estipulação do legislador, há de se perguntar se incide ou não o IR. Ex.: participação real nos lucros e resultados (PLR) da empresa, distribuída aos empregados pelo patrão (art. 7º, XI, CF/88, regulamentado pela Lei 10101/01). O resultado de uma empresa é gênero do qual implica duas espécies: lucro e prejuízo. Quando a organização tivesse prejuízo, deveria ela repassá-lo aos obreiros. Isto, de fato, não acontece, persistindo somente os lucros. Para fins de IR, não há previsão de incisão, apesar de poder ser classificada como renda (concorrência de capital e trabalho). Outro exemplo: plano de demissão voluntária (PDV). A empresa abre a oportunidade para a demissão voluntária de seus empregados, mediante corresponde estímulo pecuniário ou congênere (plano de saúde estendido, por exemplo). Esta também não está prevista em leis ordinárias relativas a IR. Algumas empresas recolhem o
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Súmula 125 do STJ: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda”. 165 Súmula 136 do STJ: “O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda”. 166 STF, RE 146.733-9/SP.

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IR, alegando o instituto da responsabilidade; alguns contribuintes contestam judicial ou administrativamente (por ocasião da declaração anual). Neste sentido, faltam as hipóteses de incidência perfeitamente delineadas, dado que o Fisco não pode subsumir o caso concreto a um delineamento incompleto da norma, realizada de modo genérico. Em regra, a JURISPRUDÊNCIA É VACILANTE, salvo o caso de PDV, em que a indenização respectiva não fica sujeita à tributação pela via do IR (Súmula 215 do STJ)167. Entretanto, em face de julgamento realizado pelo próprio STJ recentemente168, parece que o verbete poderá ser remodelado pela 1ª Seção da corte, o que ainda resta nebuloso por ausência de pronunciamento peremptório. Questão de ordem foi suscitada e, por conseguinte, remetida à apreciação do órgão competente169. Desta feita, o art. 150, § 1º, I, CF/88, e o art. 43, § 1º, CTN, são apenas instrutores da legislação infraconstitucional objetiva, conquanto evidenciam os critérios da universalidade e da generalidade. É cediço que o legislador especifique o caso concreto, sob pena de não-incidência do IR. Sujeito passivo – é aquele que recebeu o acréscimo patrimonial, tendo sua definição dirigida pelo princípio da generalidade. Na impossibilidade de se identificar perfeitamente o devedor, aplica-se o art. 45, “caput”, CTN. É um comando também genérico, o qual pode ser estendido por lei ordinária. Uma vez que se observe o acréscimo patrimonial, incide o IR, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. A dificuldade reside em se identificar quem é o verdadeiro contribuinte. Inclusive, aquele que auferir renda ou proventos de natureza ilícita também será tributado pelo fisco, dado o desiderato “non olet”, o qual confere uma interpretação objetiva do fato imponível (art. 118, I e II, CTN). Para Godoy (apud PAULSEN, 2001), as pessoas físicas que recebam renda ou proventos acima dos limites de isenção da tabela do IR, devem recolher o tributo por meio de carnê-leão, aconselhando-se o uso de livro caixa para abater as deduções. Também serão considerados passivos, na relação jurídico-tributária, aqueles que tenham ganhado renda ou proventos no exterior – pessoas físicas ou jurídicas – desde que tenham sua residência ou seu domicílio tributário, respectivamente, estabelecidos em território nacional170. É o que se denomina de EXTRATERRITORIALIDADE. Para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88), o que faz nascer outra espécie de sujeito passivo da obrigação tributária: o responsável (art. 45, parágrafo único, CTN). Fato gerador – o momento de sua ocorrência vem especificado no art. 43, “caput”, CTN. A expressão “disponibilidade econômica ou jurídica” da renda
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Súmula 215 do STJ: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. 168 STJ, 1ª T., AgRg no REsp 883.678-SP, DJU 29/6/2007. 169 STJ, 1ª T., REsp 940.759-SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/9/2007, Informativo do STJ n° 332. O argumento maior para a edição do verbete 215 do STJ foi a aplicação analógica do art. 14, Lei 9468/97, no caso do PDV. Contudo, a 1ª Turma firmou entendimento de que o diploma regula situação referente a servidores públicos civis, insertos no Programa de Desligamento Voluntário de servidores civis do Poder Executivo Federal, o que não coaduna com a generalidade conferida pela posição sumulada. 170 No cômputo no lucro, os rendimentos auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para a venda e caso a moeda não tiver cotação no Brasil, será convertida em US$ e, em seguida, em R$. Prejuízos e perdas decorrentes de operações não serão compensados com lucros auferidos no Brasil.

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ou do provento representa o cerne da querela. Estando disponível a riqueza para o contribuinte, perfaz-se o fato gerador. A disponibilidade econômica é facilmente identificável. Já a jurídica, pode antecedê-la. Ex.: salário de um empregado; no dia 10 do mês seguinte, ele recebe seu pagamento referente ao mês anterior (disponibilidade econômica); porém, ao longo desse período, ele já tem o direito ao pagamento a cada jornada de trabalho completa (disponibilidade jurídica). Disponibilidade jurídica é direito de usar a renda definitivamente constituído na forma da lei, alcançando os atos e operações colhidos pelo direito, inclusive resultantes da aplicação de capital. Ex.: lucro nas operações imobiliárias ou mobiliárias. Disponibilidade econômica é situação de fato irrelevante ao direito ou até mesmo a atividade lícita. Ex.: jogos, contrabando, juros usurários,etc. A disponibilidade jurídica sempre será econômica, mas nem sempre a econômica será jurídica. Destarte, lembra-se que disponibilidade econômica não pode ser confundida com a financeira. Disponibilidade financeira é o ingresso de dinheiro no patrimônio particular, independentemente do acréscimo patrimonial. Dependendo do fenômeno de renda ou provento a ser tributado, o legislador estabeleceu se o momento da ocorrência do fato gerador será da disponibilidade jurídica ou econômica. Ex.: salário (econômica); capitalização de rendimentos mensais, com permanência do montante até um período estipulado (jurídica); antecipação do 13º salário integral (econômica). A disponibilidade econômica ou jurídica diz respeito ao aspecto TEMPORAL do IR. O fato gerador complessivo (formado por vários atos) será regulado também por estipulação do legislador. Por exemplo, para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88). Aliás, como bem assevera Paulsen (2001), o IR apresenta um fato gerador complessivo, em que se deve determinar, via legislativa, o exato momento de sua ocorrência. Assim sendo, será possível fazer incidir a exação nesse ínterim. Apesar da idéia de fato complessivo ser recorrente e bastante prevalente na doutrina, a jurisprudência do STF não a acolhe. Consoante comentário supra aduzido, o Supremo, por meio de sua Súmula 584 (já comentada), perfilha a chamada Teoria da Retrospectiva, a qual provém do estruturalismo alemão. Com efeito, para a corte, o fato gerador do IR é pontual, ocorrendo no último dia útil do exercício considerado, aplicandose a legislação tributária vigente à época da declaração, não aquela atinente ao momento de efetivação da hipótese de incidência. Com referência às importações, a parcela dos custos que exceder ao valor determinado como referência fiscal deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Somente serão dedutíveis ou custos, despesas e encargos até o valor que não exceda o preço determinado por um dos seguintes métodos (arts. 241, I a III, RIR, e 18, I a III, Lei 9430/96): PIC (Método dos Preços Independentes Comparados) – é a média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos aos similares apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda.

sendo. recusa todo o procedimento operado pelo contribuinte de modo justificado. cujo procedimento é vulgarmente conhecido como “malha fina”. o legislador ordinário criou mecanismos para substituir a impossibilidade de aferição da renda ou provento real pela metodologia tradicional. Administração tributária (controle de rendas e proventos) – a primeira preocupação do legislador foi dividir os contribuintes em dois grupos: pessoas físicas e jurídicas. com margem de lucro de 20% calculada sobre o custo apurado. Entretanto. com o fim de oferecimento de denúncia pelo delito de evasão de divisas. O fisco deve seguir rigorosamente o estabelecido para medir a base de cálculo presumida. a SRFB chama o contribuinte para prestar esclarecimentos administrativamente. as contribuições incidentes na venda. Se convincentes os argumentos exprimidos. O fisco. constitui uma ferramenta totalitária de controle social. Base de cálculo – é exprimida. incidindo uma multa de 75% sobre tais valores. dado o declarado anualmente para com o recolhido do citado tributo no mesmo período (art. O primeiro é o “quantum” preciso. é encaminhado expediente ao Ministério Público. arbitrado ou presumido. não há nenhuma conseqüência jurídica. O legislador ordinário vai dar os critérios para sua aferição. os impostos. nos estritos ditames da norma positiva. ficando o seu arbítrio legal como disposição válida para a base de cálculo.129 PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) – é a média aritmética dos bens ou direitos dos quais são deduzidos os descontos incondicionais concedidos. CTN. pode ser realizada sem a inclusão nos mencionados bancos de dados. CPL (Custo de Produção Mais Lucro) – é o custo médio de produção de bens. pelo art. LC 105/01). acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação. seis anos para fins de comprovação do IR. recolher-se-á a diferença entre o declarado e o levantado pelo órgão (lançamento de ofício). arbitra a renda ou o provento do sujeito passivo (lançamento de ofício). De fato. III. em um primeiro momento. a aferição REAL OU PRESUMIDA – as quais cabe ao contribuinte (lançamento “por homologação”) – o fisco. a base de cálculo é substitutiva da base de cálculo primária (XAVIER apud PAULSEN. ficou possível ao Fisco erigir um sistema eficaz na perfeita fiscalização das rendas e proventos. portanto precisamente legal. Na aferição do lucro presumido ou arbitrado. aos olhos de alguns juristas. 2001). No terceiro. Por meio da instituição da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). Caso seja identificada uma discrepância entre os dados apresentados e aferidos. Por fim. § 3º. Do contrário. Não sendo possível. 1º. 44. o que. Nenhuma transação. serviços ou direitos idênticos aos similares no país onde tiverem sido originalmente produzidos. dimensionado. a comissão de corretagem paga e a margem de lucro de 20%. Estas duas categorias são incluídas em dois cadastros unificados: CPF e CNPJ respectivamente. então. aos olhos do poder tributante. calculada sobre o preço da revenda. lembra-se que quaisquer documentos de prova perante o Fisco devem ser guardados por. como bem diz o citado autor. por opção do . no Brasil. Ademais. há três categorias possíveis de renda ou proventos a serem tributados: real. no mínimo. de modo geral. CALCULADO.

para consumo. de acordo com a tabela progressiva estipulada. ao lucro presumido. recorre-se ao arbitramento fiscal da base de cálculo (lançamento de ofício). poupança.00.5%. 262. ele deverá apresentar os documentos comprobatórios das deduções. Há atividades com percentuais específicos: 1. afere-se a base de cálculo pelo lucro real. a renda corresponde ao lucro. alienação de um único imóvel.: contribuinte que declara não ter renda. Sobre esta. Ex. indenização de férias ou de licença-prêmio não-gozadas por necessidade do serviço (Súmulas 125 e 136 do STJ. Com outros resultados. locação ou cessão de bens móveis ou imóveis. o fisco arbitrará a base de cálculo. sendo que tal percentual varia de acordo com o tipo de atividade. 32%: profissões regulamentadas. segue-se o mesmo trâmite da declaração completa. subtraímos-se 20% por presunção (guardado o limite máximo estipulado anualmente). Caso o contribuinte opte pelo LUCRO PRESUMIDO. chamado de lucro – quando positivo – ou de prejuízo – quando negativo. Ainda por opção do sujeito passivo ou ante a impossibilidade de apurar daquela maneira. álcool etílico carburante e gás natural. sobre os quais pende comodato para com amigos em dificuldade – o fisco arbitra a base de cálculo da renda. RIR). 32%: para atividades de prestação de serviços em geral. 16%: atividades de prestação de serviços de transporte. Já no primeiro. bolsas de estudo. cálculo e demonstração no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para fins puramente tributários (art. alimentação.00. DE 15% OU DE 27. Ante a inexistência deste último dado. referente ao exercício financeiro e coincidente com o ano civil. sobre a renda. intermediação de negócios. pela autoridade tributária. já mencionadas).00. O lucro operacional é o faturamento menos custos e despesas operacionais. cobra-se 15% sobre este valor e 10% sobre o excedente (tabela progressiva). administração. Havendo lucro. chegando-se à base de 171 Lucro presumido consiste em presumir ou estimar o lucro como um percentual sobre a receita bruta. em um segundo momento. Para efeitos do IR. esta será a base de cálculo. Para as PESSOAS JURÍDICAS. mesmo com receita bruta anual não superior a R$ 120. recorre-se. O IRPF não incide sobre diversos rendimentos brutos. tomando por paradigma o aluguel a ser eventualmente auferido com o aluguel.6%: receita proveniente de revenda. o legislador criou um mecanismo análogo ao simples da pessoa física. A escrituração contábil deve ser rigorosamente observada.130 contribuinte. PRESCINDE-SE desta exigência. etc. os custos e as despesas que excederem os limites contábeis serão adicionados ao lucro contábil. Não conseguindo fazê-lo.000.000. tomando-se por referência a receita bruta (faturamento). por meios indiciários. forma o resultado final. a partir da renda tributável. incide ALÍQUOTA ZERO. O contribuinte do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) pode optar pelo modelo simples ou completo para a declaração anual. através de registro. Uma vez que o contribuinte optante pelo completo caia na “malha fina”. excetos os de carga. Optando pelo segundo. alienação de bens de pequeno valor. encontrando a base de cálculo. 647 RIR. .000. operam-se as DEDUÇÕES. encontrando-se a base de cálculo. É aplicado um percentual sobre o faturamento171. e para as prestadoras de serviço com receita bruta anual não superior a R$ 120. como ajuda de custo. No simplificado. A regra geral determina uma alíquota de 8% sobre a receita bruta. deve-se comprová-las documentalmente. levada a cabo. de combustíveis derivados de petróleo. mas é proprietário de vários imóveis. relacionadas no art. IV. Nas deduções do modelo completo. 8%: serviços hospitalares e transportes de carga. A partir daí. Toda vez que o lucro anual da pessoa jurídica ultrapassa R$ 240. O critério temporal é o lapso de 12 meses.

Na prestação de contas anual. O fisco sempre prefere a declaração por lucro presumido. o legislador criou o sistema de antecipação mensal do IR. em contrário. etc. os quais só serão aplicáveis – no primeiro caso – por ocasião da prestação de contas anual. o contribuinte calcula o seu imposto mensalmente. bancos comerciais. logo depois. No tocante ao IRPF. Entretanto. é possível dividir a obtenção de acréscimo patrimonial em vários momentos. então. Todavia. esta não tem a obrigação de fazer o recolhimento.. “factoring”. Só depois do exercício financeiro anual. o empresário deve planificar o lucro real primeiramente. o histórico da empresa e as projeções para o futuro. empresas com capital estrangeiro ou que possuam sócios residentes no exterior devem sempre fazer a declaração pelo lucro real. Ele configura uma obrigação mensal para o IR. Esta determinação decorre da dificuldade em se precisar o exato instante da majoração patrimonial (renda). Além disso. Em qualquer dos casos de incidência. por meio do CARNE-LEÃO. há OBRIGATORIEDADE para todos os contribuintes (pessoas físicas e jurídicas). o beneficiário desses rendimentos deve fazer o recolhimento de uma maneira específica. É também uma forma de amortizar as dívidas e de diminuir a inadimplência (sonegação) para com o poder tributante. valem as consultorias. A declaração do IRPJ deve ser optada no primeiro mês do exercício financeiro. quando se tem fonte pagadora pessoa física. bastando meros cálculos matemáticos. nesta modalidade. o art..131 cálculo. a fiscalização é materialmente mais facilitada. RIR. Na realidade. quer seja quanto a uma pessoa natural. 42 e ss. Para resolver o entrave. mas decorre de lei (“ex lege”). empresas de seguros. de dependentes (também previstos para as fontes pagadoras pessoas jurídicas) e de empregados. ao contrário do IRPF. bancos de investimento. A opção por lucro real. porque. quer seja em uma empresa. Antecipação do IR – o carnê-leão é uma forma de retenção de IRPF na fonte. esta obrigação não é facultativa. as que tiverem lucros. De fato. Desse modo. independentemente da sorte financeira da empresa (lucro ou prejuízo). rendimentos ou ganhos do exterior. determina que as seguintes pessoas jurídicas são obrigadas a recolher o IRPJ pelo sistema de lucro real: com receita superior ao limite de R$ 48 milhões. Neste sentido. a retenção na fonte é uma obrigação jurídica de quem é fonte pagadora (necessariamente uma pessoa jurídica). Entretanto. para. o erário necessita de entradas regulares ao tempo de suas necessidades. I a VI. Como o fato gerador do IR é complessivo. o período de apuração do IR é de 12 meses. Lei 8981/95). o empresário pode abater de lucro nos exercícios seguintes(art. sociedades de crédito imobiliário. 246. Em face do Direito Tributário. decidir por qual modo de declaração do IR lhe é mais favorável. de modo a ser apurado um eventual saldo positivo (restituição do IR) ou negativo (pagamento do IR) para eles. Desta feita. favorece sempre o contribuinte. sempre haverá recolhimento de tributo. empresas de arrendamento mercantil. Ainda mais: por até 30% de prejuízo. será feita a apuração e a prestação de contas correspondente. além de deduzir os custos de previdência. o contribuinte pode incluir os quesitos educação e saúde. preenche o DARF e recolhe a quantia aduzida. instituições financeiras. Vale . que será feito no ano seguinte. o Fisco passou a determinar que a APURAÇÃO fosse ANUAL. Nesta situação. Neste caso.

Joaquim Barbosa. ADI 1247 MC/PA. é a principal fonte de receita derivada das unidades federadas. a “circulação de mercadorias (.2007.11. Nesse sentido. ou seja.132 ressaltar também que a forma de contribuição por carnê-leão cabe quando há mais de uma fonte de renda e somente é aplicável à pessoa física. 291. DJU de 27. consubstanciando um tributo importantíssimo para o Fisco. “caput”. Informativo do STF n° 480. No diapasão. DJU 7. cit. O DL 406/68 traz normas gerais de natureza financeira para a referida exação. ADI 3389/RJ. sendo fonte pagadora pessoa jurídica ou pessoa física. j. Min. fazendo os ajustes necessários por ocasião da declaração anual. Informativo do STF n° 478. rel. ADI 3936 MC/PR. rel. rel. Obs. Liga-se à atividade de mercância. Pelo lucro presumido. Estatisticamente. alterada posteriormente pelas LC’s 92/97. o ATO DE MERCÂNCIA173 é o que genuinamente caracteriza o ICMS. exclusivamente. pode haver mudança física de mercadoria sem a alteração de titularidade ou vice-versa. 6. CF/88). Min. 155. op. nos termos do art.. o art. 6. Uma vez que. Informativo do STF n° 478.9. Regência legal – a lei instituidora advém de diplomas estaduais. DJU 8. op. CF/88. ADI 2377 MC/MG. Cassone. com a correspondente antecipação neste período.9. por conseguinte. arremata o conceito pelo termo “habitualidade”. comporta vários núcleos do tipo tributário (hipóteses de incidência): .68. . incidindo o 172 STF. Joaquim Barbosa.2007.. O carne-leão não é possível para a pessoa jurídica. ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) – o ICMS é um imposto de grande magnitude normativa e econômica. j. Lei ou ato normativo estadual que venha a contrariar. LC 24/75 (art. Plenário. a aferição e. II. Desta feita. em um balanço parcial do ano (seis meses). Portanto.9.circulação de mercadorias – implica em mudança de titularidade ou em alteração física da mercadoria. O recolhimento pelo lucro real pressupõe contabilidade referente a um trimestre. caso a pessoa jurídica verifique que há prejuízo no período. A MP 219914/01. Marco Aurélio. ADI 2021 MC/SP. “g”. encontra regulamentação geral nas LC’s federais 24/75 e 87/96 (Lei Kandir.9. DJU 25. 155. DJU 17.8. traz comandos sobre a isenção e redução quanto a fundos de investimentos regionais. Min. ADI 3673/RJ.2001. porque o constituinte deferiu ao legislador decorrente a competência para tal.95. ela poderá solicitar a SUSPENSÃO DAS ANTECIPAÇÕES POR LUCRO ESTIMADO no semestre posterior. cit. produtos que estão na linha da circulação. direta ou indiretamente.: qualquer isenção a ser concedida por lei estadual ou distrital deverá ser precedida de convênio no âmbito das demais unidades parciais da federação. a antecipação é diversa. ainda pelo o lucro real: o recolhimento antecipado dar-se-ia por LUCRO ESTIMADO. XII.. RMS 17949/ES. 173 Para Sabbag.2007.9. 1º. 99/99.2007. a norma constitucional mencionada é tido como inconstitucional pelo STF172. Para ela.2003. Min. Gilmar Mendes. ADIn 2747/DF. elemento essencial para concretizar a atividade mercantil. p. Hipóteses de incidência – ele não incide propriamente sobre “venda de mercadorias”. j.) [compreende] o trajeto de mercadoria da produção até o consumo”. Ademais. p.. 19. rel. § 2º.5. 450. O fisco deu uma terceira alternativa. a antecipação são MENSAIS. O modo como se estima é idêntico ao lucro presumido. 102/00 e 114/02).

A atividade comercial só é dispensada no caso de importação de produtos ou de prestação de serviços no exterior. § 2º. Min. O núcleo do tipo independe da natureza do que está sendo transportado (passageiro – transporte regular. 2004)177. p. de haver alto valor envolvido ou do fato do translado não ser habitual.951-SP. não existir a movimentação física do produto. 2ª T.1998. desde que se trate de operação de mercado. II. REsp 756.133 ICMS. Ilmar Galvão.: 174 Súmula 166 do STJ: “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”. chama-se produto manufaturado ou artefato.. utensílios e implementos a título de comodato”. a alienação de bens do ativo imobilizado de empresa não configura o fato gerador do ICMS (SABBAG.. 2004). Não importa se há efetivamente o transporte.300-9/SP. não há transmissão da titularidade. carga.. CTN. . j. porquanto os produtos retornarão para o estabelecimento original do comerciante.5. a cada entrada. É também cediço definir “mercadoria”. o qual destina-se ao comércio (SABBAG. j. passa a ser mercadoria logo que é objeto de comércio do produtor ou do comerciante por grosso ou a retalho. DJU 12. 449: “a coisa. perfilhando as lições de Carvalho de Mendonça e Fran Martins. Havido o transporte mediante pagamento. segundo leitura do próprio STJ acerca de seu posicionamento sumulado175. João Otávio de Noronha. Ex. o conceito de serviço. Outro exemplo: o agricultor vende antecipadamente sua safra inteira de milho. que a adquire para revender a outro comerciante ou a consumidor. Informativo do STJ n° 332. RE 200379-4/SP.. A mudança da titularidade é jurídica e independe de movimentação física do bem (SABBAG. Min. porque há mudança de titularidade.633. 177 STF. 175 STJ. a aplicação do verbete independe de as coisas pertencerem ao ativo fixo da empresa. Ex. 2004. situações em que fazem incidir o tributo em tela mesmo que não haja habitualidade por parte do adquirente ou do prestador (art. um débito. p. 2ª T. Min. CF/88. um crédito”. incide o ICMS. “a”. segundo entendimento do STF. tal qual já se fez no capítulo sobre IPI. .1998. 29. v. 176 A jurisprudência do STF já assentou entendimento sobre os conceitos de produto e de mercadoria. RE 194. O ICMS é devido na saída da mercadoria do estabelecimento. 1ª T. 2004)176. rel. Marco Aurélio.. apesar da plantação ainda não estar completamente maturada. apesar de.1997.u. RJ/IOB 1/11. rel.8. CF/88). é o mesmo caso da movimentação física de bens entre matriz e filial (Súmula 166 do STJ)174. 34. ínsito no art. op.612-RJ. Nesse passo.1997. consuma-se o fato gerador. citados por Cassone. p. p. II.u. Diz-se que é toda coisa ou bem móvel. Basta que o serviço seja prestado.prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal – para Cassone (2004. RTJ 78/215)”. 452). o qual será objeto de tributação pela via do ISSQN (CASSONE. De outra sorte. 43. aplicando-se o art. 18/9/2007. o empresário emite a nota fiscal e registra-a com suspensão do ICMS. considerado produto. DJU 7. Está fora o transporte intramunicipal. v. que a produz. 155. o comodato de máquinas e equipamentos não caracteriza fato gerador da exação em tela (Súmula 573 do STF)178. cit.737.9.: fabricante de roupas movimenta suas mercadorias para participação de uma exposição do setor em outra cidade – não há mercância. 452). O fato gerador está ligado ao SERVIÇO DE TRANSPORTE. perfilhando a regra geral da nãocumulatividade pela compensação – “a cada saída. rel. 116. 178 Súmula 573 do STF: “Não constitui fato gerador do ICM a saída física de máquinas. p.. deixa de ser mercadoria logo que sai da circulação e se acha em poder do consumidor (RE 79. enquanto se acha na disponibilidade do industrial. 19. IX. ou pessoa – fretamento). 155. apesar de haver movimentação de mercadoria. no momento do negócio jurídico. pressupõe a existência de dualidade de figuras: um prestador e um tomador. neste caso. Desta feita.4.

Além disso. desde que não propague o sinal por qualquer meio. bens. Graças ao art. III – prestações onerosas de serviços de comunicação. Caso a própria empresa disponha de frota para fazer a distribuição de suas mercadorias. por qualquer via. o transporte aéreo também pode ser abrangido pelo ICMS. Informativo do STJ n° 325. É interessante também destacar que a prestação deve ser onerosa. pois se gratuita for. a recepção. § 2º. 2ª T. Geralmente. porque são consideradas essenciais e de utilidade pública pela Constituição (art. o fato gerador se configura com o efetivo transporte da primeira parte. II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. 179 180 A LC 87/96 é conhecida como “Lei Kandir”. LC 87/96): I – operações relativas à circulação de mercadorias. com transporte de várias peças ou componentes. mercadorias ou valores.prestação de serviço de comunicação. não importa que a comunicação se dê no âmbito de um só município. inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares. CF/88. pagamento e emissão do “conhecimento de transporte”. IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios. não há incidência da exação (SABBAG. referendando a previsão do Convênio ICMS 66/88 (SABBAG. Incidências (elemento objetivo) – o imposto incide sobre (art. a movimentação é obstada. Neste caso. o serviço de transporte deve ser efetivado por empresa que o preste em favor de terceiro. e § 1º. 2004. X. acrescida pela EC 42/03). Apesar da Lei 8977/95 falar em serviços de TV a cabo. não há prestação de serviço de transporte. p. por alguma razão. 2004). 2º. desde que a empresa não se volte a esta atividade como principal. a retransmissão. não pode ser tributado pela via do ICMS. ainda que iniciado no exterior – o exemplo mais comum versa sobre a telefonia. Quando a prestação se dá em parcelas. João Otávio de Noronha. 2º. inclusive a geração. II. o VALOR DO FRETE ESTARÁ EMBUTIDO NO PREÇO da mercadoria. por qualquer meio. I a III. No critério espacial. fato este que acaba não reduzindo a receita do Fisco. j. STJ. incide o ICMS onde a operação começou a ser prestada..103-MG. como o fez no transporte interestadual e intermunicipal (CASSONE. incide o ICMS. “d”. cabendo tão-só a exação do ISSQN municipal180. 454). LC 87/96179. rel. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. 155. 26/6/2007. . restaurantes e estabelecimentos similares. Min. REsp 726. 2004). as alíquotas sobre o frete são menores que aquelas para a operação de circulação de mercadorias. Emissoras radiofônicas e de televisão abertas não estão sujeitas à tributação do ICMS. o trabalho da produtora de programas para a emissora paga (televisão fechada). . a transmissão. a emissão. Nesse caso. conquanto o legislador não a distinguiu. I a V. Não estarão incluídos nos fatos geradores os transportes por dutos e por vácuos. pois houve contrato.134 transportadora é contratada para fazer a mudança de uma família. de pessoas.

quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. p. O imposto incide também: (. 2º.sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. XII. por pessoa física ou jurídica. mesmo porque é tida como essencial e vital para as condições mínimas de dignidade humana. Este não incluiu a energia elétrica no rol dos núcleos dos tipos tributários do ICMS. pois faz parte de um preceito secundário. de competência dos Municípios. II. 155. porquanto estabelece regra de incidência tributária extraterritorial. VI – a entrada de mercadoria importada do exterior. apesar de não constar do rol do art. utilizou-se da regra prevista no art. 453).. Controvérsia também se estabelece sobre o art. decorrentes de operações interestaduais. quanto ao consumo residencial. CF/88. em que a não-cumulatividade foi determinada diretamente pelo constituinte (art. Alguns a consideram insumo de produção.. VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. 155. CF/88. § 2º. § 3º. 2º O imposto incide sobre: (. de petróleo. e de energia elétrica. o ICMS prescinde de LC regulamentadora para tal (art.. 155.. sendo chamada de insumo público. Todavia.). não prevista no texto do art. LC 87/96: Art. A energia elétrica é atualmente tributada pelo ICMS. II.. § 1º. p. 155. CF/88). Para Cassone (2004. CF/88. mas aquele o fez. cit.135 V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços. cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente. II. II. porquanto seria intrínseca no preço final de todos os produtos. em contrário à vontade do constituinte originário. a primeira parte do dispositivo em comento é inconstitucional. CF/88) . quando não destinados à comercialização ou à industrialização. Características – o ICMS apresenta não-cumulatividade (art. por intermédio da EC 33/01. 153. 155. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento.. de fato. II . seletividade em função da essencialidade (de acordo com o arbítrio do 181 181 Ao contrário do IPI.). CF/88). (. CF/88. § 1º. I. como não deixa de se ressaltar o mestre Sabbag. op. pende uma dúvida. § 2º. ao considerá-la como mercadoria. à exceção do art.). “c”. O constituinte derivado foi “atroz” ao instituir o citado dispositivo. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. . 155. § 3º. no território do Estado destinatário.. O legislador infraconstitucional. II. VIII – a entrada. 298.

a ser divida de acordo com o art. ICMS. Nas palavras de Sabbag (2004. § 2º. Os programas de computador sofrem dupla disciplina. proporcional (não há progressividade nas alíquotas) e fiscal (não é exação regulatória da economia). devendo ser observados os limites mínimos estabelecidos em Resolução do Senado (art. o produto deve ser destinado ao comércio ou à industrialização.626-3/SP e 199. II – operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo. ISSQN. “a”. cabe a tributação por via do ICMS (CASSONE. Será incidente na extração da matéria-prima. entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI. CF/88). Atualmente. I e II. Não-incidências (isenções) – o imposto não incide sobre (art. Rememora-se que a primeira hipótese constituirá fato gerador da CIDE-remessas para o exterior (Lei 10168/01) caso a cessão. não incide o ICMS. RE’s 176. CF/88). p. enquanto a Resolução 95/96. § 2º. jornais. 2004. CF/88). 150. inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. § 5º. 3º. para transporte aéreo. CF/88: 70% ao Município de origem e 30% ao Estado de origem ou ao DF. Ele tem um valor cambiário. esse não integrará a base de cálculo do ICMS (art. Nesse caso. real (as condições pessoais do contribuinte são irrelevantes para o cálculo do devido). inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. p. “d”. a Resolução 22/89 estabelece as alíquotas para operações interestaduais. 458-480)182. Desta feita. a licença ou transferência de tecnologia se dê em proveito de adquirente. em que pese sua natureza de mercadoria. Em contrário senso. II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias. VI. § 5º. CF/88). CF/88) e alíquotas variáveis de Estado para Estado. quando destinados à industrialização ou à comercialização (art. Em se tratando de licença ou cessão do direito de uso (propriedade imaterial).464/SP. 288). LC 87/96): I – operações com livros. uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira. O ouro é um valor de referência mundial. caso haja destinação da produção em massa para o comércio (“software de prateleira”). 155. 155. X. CF/88). 155. 155. § 2º. 182 STF. § 2º. X.136 legislador estadual – art. o imposto em questão pode ser classificado como gravame plurifásico (incide sobre o valor agregado). devem ser preenchidos três pressupostos cumulativos para que isso ocorra: a operação de circulação deve ser realizada entre contribuintes. segundo alíquota mínima de 1%. § 2º. ou serviços (art. De outra feita. CF/88). 153. enquanto ativo financeiro. . “a”. Caso o produto a ser comercializado também seja objeto de IPI. etc. 155. III. há configuração do fato gerador de ambas exações. licenciado ou contratante localizado no estrangeiro. sendo entendido como objeto de incidência única do IOF (art. “b”. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. 150.). XI. periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. V. I a IX.

ainda que as destine a consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento. “caput”. LC 87/96. LC 87/96): a) empresa comercial exportadora. 2º. com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial. VIII – operações de arrendamento mercantil. de competência dos Municípios. que realize. 4º. com base no art.137 IV – operações com ouro. I e II. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (art. I. inclusive “tradings” ou outro b) armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro. estabelecimento da mesma empresa. § 7º. 306) e Cassone (2004. com alíquota de ICMS de 12%. comercial ou de outra espécie. 3º. 3º. p. operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. 4º. física ou jurídica. do total da operação (100%). Ex. LC 87/96). VII – operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia. IX – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras. parágrafo único. quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (art. III – adquira em licitação de mercadorias apreendidas ou abandonadas. § 2º. segundo dizem Sabbag (2004. não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que. mesmo sem habitualidade (art. X. deve ser abatida a . a alíquota incidirá sobre o total da operação (art. § 1º. VI – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial. II – seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. pelo próprio autor da saída. parágrafo único. CF/88). DL 406/68).: mercadoria custa R$ 500. inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor. É o que a doutrina denomina ICMS “por dentro”. I a IV. 155. LC 87/96): I – importe mercadorias do exterior. 462). IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. Contribuinte (elemento subjetivo passivo) – contribuinte é qualquer pessoa. ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar. Cálculo do ICMS – no caso de saída de mercadoria. V – operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação. Equipara-se às operações de que trata o item II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior. destinada a (art. “c”. p.

: financiamento de parte do preço por meio de cartão de crédito. Local da operação ou da prestação (elemento espacial) – o local da operação ou da prestação. 185 Súmula 237 do STJ: “Nas operações com cartão de crédito. b) onde se encontre. no caso de arrematação de mercadoria importada do exterior e apreendida. Essa disposição não atinge o preço da mercadoria no caso de desconto concedido diretamente no momento da operação. multiplica-se o valor da mercadoria (R$ 500) pelo coeficiente (1. CF/88. § 1º. j. obtendose o valor total (mercadoria + imposto).138 alíquota (12%).. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhado de documentação inidônea.18) para o fisco. I a IV. sendo tributada por meio do IOF (art. os descontos concedidos sob condição (pagamento a prazo. 64. Min. no momento da ocorrência do fato gerador. RE 101103-3/RS. § 1º. por exemplo). é (art. “a”. 30. Essa ginástica aritmética foi considerada constitucional pelo STF183. ou seja. REsp 67947/MG.13636). 184 183 . 13.826. ou o título que a represente. o legislador complementar determinou que os juros devem integrar a base de cálculo também.13636. considerando a base de cálculo o valor total da nota fiscal184. No mesmo comando. ficando R$ 500 para o comerciante e R$ 68. d) importado do exterior. como dispuser a legislação tributária. obtendo-se a percentagem real (88%). quando não estabelecido. o do domicílio do adquirente. 13. para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável. f) aquele onde seja realizada a licitação. à vista do adquirente (CASSONE. CTN). STF. Em contrário senso. a do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. Tratando-se de frutos decorrentes de financiamento. julgados mais recentes do STJ determinam a exclusão dessa espécie de juros da base de cálculo. isto é. RE 212209/RS. R$ 568.18: o contribuinte de fato paga esse valor. 2004. e) importado do exterior. STJ.1999. LC 87/96. RJ/IOB 1/9. 1ª T. No mesmo sentido. “a”. 462). de mercadoria por ele adquirida no País e que por ele não tenha transitado. LC 87/96): I – tratando-se de mercadoria ou bem: a) o do estabelecimento onde se encontre. Cesar Asfor Rocha.18 (12% de 568. II. Segundo o art. Julgados menos hodiernos do STF propugnavam pela sua inclusão no montante para o cálculo da exação.6. I. Ex. com fulcro no art. rel. obtém-se o coeficiente dividindo-se o total (100%) pela percentagem real (88%). c) o do estabelecimento que transfira a propriedade. STF. Informativo do STF n° 154. os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS”. pelo fato do financiamento constituir operação distinta daquela relativa à mercância (Súmula 237 do STJ)185. p. integram a base de cálculo do ICMS. 1. a própria jurisprudência não encontra melhor pacificação. II.

h) o do Estado de onde o ouro tenha sido extraído. transmissão e retransmissão. i) o de desembarque do produto. LC 87/98): I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte. no Estado do transmitente. na hipótese da utilização. por contribuinte. inclusive consumidor final. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. b) o do estabelecimento da concessionária ou da permissionária que forneça ficha. crustáceos e moluscos. nas operações interestaduais com energia elétrica e petróleo. ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. IV – tratando-se de serviços prestados ou iniciados no exterior. 12. quando não destinados à industrialização ou à comercialização. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. d) o do estabelecimento ou domicílio do tomador do serviço. repetição. nos demais casos. III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado. o do estabelecimento ou do domicílio do destinatário. III – tratando-se de prestação onerosa de serviço de comunicação: a) o da prestação do serviço de radiodifusão sonora e de som e imagem. ou assemelhados com que o serviço é pago. II – tratando-se de prestação de serviço de transporte: a) onde tenha início a prestação. na hipótese de captura de peixes. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. quando prestado por meio de satélite. . bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento. II – do fornecimento de alimentação.139 g) o do Estado onde estiver localizado o adquirente. ampliação e recepção. assim entendido o da geração. na hipótese da utilização. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhada de documentação inidônea. como dispuser a legislação tributária. lubrificantes e combustíveis dele derivados. I a XIII. Ocorrência do fato gerador (elemento temporal) – considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento (art. quando não considerado como ativo financeiro ou instrumento cambial. por contribuinte. cartão. b) onde se encontre o transportador. d) onde seja cobrado o serviço. emissão.

V – do inicio da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. a recepção. LC 87/96). VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios. crédito e estorno de ICMS – o imposto é nãocumulativo. inclusive a geração. de qualquer natureza. VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação. ou de título que a represente. LC 87/96). b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto da competência estadual. sejam antecedentes. § 2º. de serviço prestado no exterior. Substituição tributária – a Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto ou a depositário. concomitantes ou subseqüentes. hipótese em que o contribuinte assumirá a condição de substituto tributário (arts. a retransmissão. a qualquer título. 6º. inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado. feita por qualquer meio. X – do recebimento. quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente. pelo destinatário. § 1º. “caput”. a transmissão. LC 87/96). VI – do ato final do transporte iniciado no exterior. 5º e 6º. A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações. por contribuinte. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias ou serviços previstos em lei de cada Estado (art. IX – do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas do exterior. 6º. LC 87/96). de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. “caput”. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. 10. XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado.140 IV – da transmissão de propriedade de mercadoria. que não se realizar (art. que seja contribuinte do imposto (art. XIII – da utilização. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à . a emissão. Não-cumulatividade. XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias importadas do exterior apreendidas ou abandonadas. correspondente ao fato gerador presumido. a responsabilidade pelo seu pagamento. como definido na lei complementar aplicável.

a jurisprudência tranqüila apregoa que descabe incidência de correção monetária. decorrentes de entradas de mercadorias – R$ 10. II. o crédito não vige. LC 87/96). não há de argüir a regra da não-cumulatividade. LC 87/96). LC 87/96). perecer ou perder-se. devendo o contribuinte também realizar o estorno (art.00 . “a” e “b”. § 2º. caso a operação for isenta ou não tributada. § 1º.000.00.000. não permitiu a compensação na cadeia mercadológica se alguma de suas fases goza de alguma espécie de não-incidência ou de isenção. II. seja consumida em processo que leve a produto não tributo pelo imposto ou venha a deteriorar-se. o que não configura violação da não-cumulatividade e da isonomia. 20. No creditamento de ICMS. valor do ICMS a pagar – R$ 50. não haverá estorno do crédito à Fazenda em qualquer hipótese (art. 19.000. I a IV. LC 87/96). real ou simbólica. Quando a operação subseqüente for de exportação. 155. 20. § 2º. um crédito”. presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal (art. 23. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. permitiu o crédito de ICMS em favor do contribuinte a partir da escrituração de entrada de ativo financeiro no estabelecimento – “a cada entrada. É vedado o crédito relativo à mercadoria entrada no estabelecimento ou a prestação de serviços a ele feita (art. LC 87/96). a LC 87/96. ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento (art.00. o crédito será definitivo. LC 87/96). LC 87/96). o art. 21. É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria. Nessas hipóteses.141 circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado (art. Salvo prova em contrário. valor do imposto anteriormente cobrado. 20. exceto as destinadas ao exterior. com as devidas alterações da LC 102/00. Entretanto. LC 87/96): I – para integração ou consumo em processo de industrialização ou produção rural.000. diga respeito à operação estranha à empresa. não dão direito a crédito as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de operações ou prestações isentas ou não-tributadas. De fato. I e II. 21. exceto se se tratar de saída para o exterior.00 = R$ 40. Crédito semelhante é garantido quanto à energia elétrica consumida pelo estabelecimento (art. “caput”. De outra sorte. Sendo o ativo alienado em até cinco anos. LC 87/96). O direito de utilizar o crédito extingue-se depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (art. Do contrário. CF/88. § 1º. 21. quando a saída ou a prestação subseqüente não forem tributadas ou estiverem isentas do imposto. 33. 20.00. LC 87/96). II – para comercialização ou prestação de serviço. parágrafo único. . § 3º. o contribuinte deverá estornar à Fazenda o valor à razão de 20% ao ano ou proporcionalmente em 1% ao mês (art. Com efeito. no estabelecimento (art. § 2º.000.R$ 10. Exemplo: total do ICMS devido pelo sujeito passivo – R$ 50.

. permitir que (art.142 O sujeito passivo deverá efetuar o estorno do imposto de que se tiver creditado sempre que o serviço tomado ou a mercadoria entrada no estabelecimento (art. confere prerrogativa para os Estados estabelecerem redução da base de cálculo do tributo no tocante a serviço de radiochamada (cláusula 2ª. versando sobre ICMS. § 1º. não se estornam créditos referentes a mercadorias e serviços que venham a ser objeto de operações ou prestações destinadas ao exterior (art. I e II. III – vier a ser utilizada em fim alheio à atividade do estabelecimento. § 1º. devidamente atualizado segundo os mesmos critérios aplicáveis ao tributo (art. 2ª T. 21. rel. LC 87/96): I – for objeto de saída ou prestação de serviço não tributada ou isenta. III. e I. popularmente conhecida como “pager”. procederá ao estorno dos créditos lançados. no prazo de quinze dias da respectiva notificação. Eliana Calmon. com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis (art. o contribuinte substituído poderá se creditar. IV – vier a perecer. Convênio 115/96). II – for integrada ou consumida em processo de industrialização. a diferença será transportada para o período seguinte (art. § 2º. Informativo do STJ n° 332. LC 87/96). 10. 24. Se o montante dos créditos superar os dos débitos. LC 87/96). “caput”. também devidamente atualizados. Min. o STJ pronunciou o descabimento de não-creditamento nas operações que envolvam a mercância dos equipamentos mencionados. parágrafo único. I a IV. do valor objeto do pedido. 24. LC 87/96). A Lei estadual poderá. o estorno deverá ser feito à razão de 20% ao ano ou fração que faltar para completar o lustro (art. geralmente também envolve a comercialização de aparelhos.795-RJ. § 1º. REsp 805. . quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. 20/9/2007. LC 87/96): I – sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado. A prestação em comento. No entanto. porquanto não abrangidos pela norma convencional esculpida186. 2ª parte. fato esse que não está abarcado expressamente pela norma. 20. 10. se for o caso. LC 87/96). Quando houver incorporação do bem ao ativo permanente do contribuinte antes de passados cinco anos contados da aquisição. Formulado o pedido de restituição e não havendo deliberação no prazo de noventa dias. Com base nessa interpretação. 186 STJ. j. O Convênio 115/96. o contribuinte substituído. Sobrevindo decisão contrária irrecorrível. LC 87/98). deteriorar-se ou extraviar-se. 20. § 2º. As obrigações consideram-se liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de períodos ou períodos anteriores (art. sendo esta circunstância imprevisível na data da entrada da mercadoria ou da utilização do serviço. em sua escrita fiscal. nos casos de saldos credores acumulados. 25. LC 87/98).

“in fine”. j. Néri da Silveira. Gilmar Mendes. 2ª T. 194 STF. essa atuação se presta à identificação do contribuinte.769-DF. Todavia. decorrente de operação de importação de mercadoria187. a alíquota a incidir é a interna. Ilmar Galvão. Ilmar Galvão. Informativo do STJ nº 331... EREsp 149. RT 726/383. DJU 16/8/2004. Os insumos devem ser utilizados na atividade-fim do administrado para não sofrerem a incidência do tributo. 193 Súmula 152 do STJ (CANCELADA): “Na venda pelo segurador. 13/6/2007. Com base no entendimento do Supremo. m. segundo já disse o Supremo191.97. rel. j.552-RJ. Castro Meira. LC 87/96. fato que sugere a apreensão como modo de coerção para o pagamento da exação. Não pode a autoridade tributária permanecer “ad eternum” com as coisas.. determina a não-incidência de ICMS em operações de aquisição de salvados por seguradoras. Essa prática é STF. e § 1º.99. esses não sofrerão tributação pela via do ICMS quando adquiridos de outro Estado. Pleno. quando a adquirente realizava a alienação deles. DJU 1º/7/2002. 189 Súmula 661 do STF: “Na entrada de mercadoria importada do exterior.143 II – sejam transferidos. 6. de bens salvados de sinistros. Min. 13. o qual tinha por fulcro a CF/69 e o art. DJU 20/3/2000. REsp 73. 1ª T. IX.2007. rel. rel.062-GO. lavrando-se o auto de infração devido. ADI 1648/MG. Min. v. 11/9/2007. Min. RMS 12. Nas operações de importação. A posição ficou sedimentada por meio de outros julgados188. rel. Tratando-se de diferença cambial na cobrança do imposto em comento. RE 192711/SP. rel. Informativo do STJ n° 323. DJU 28. STF. Desembaraço aduaneiro – mesmo antes da LC 87/96. j. 1ª Seç. bens decorrentes de sinistro. Apreensão de mercadorias – nada obsta que o fisco empreenda a apreensão de bens sujeitos a ICMS e desacompanhados da correspondente nota fiscal. CC). 23. com julgamento ainda pendente até a data indicada. o STJ entende que há de se tomar como balizas referenciais a data do registro da importação e a entrada da mercadoria no território nacional190. Operações com salvados de sinistros – o art. nos exatos termos de jurisprudência até então dominante (Súmula 152 do STJ)193. em substituição ao seu enunciado 577. Castro Meira. o STF vinha entendendo diferente. 3º. u. Dessarte. RE 172282-7/SP. Em que pese a cristalina e consentânea disposição das cortes. Min. Com essa idéia. incidia a referida exação. rel. “caput”. REsp 919. REsp 23533/SP. dando azo à edição da Súmula 661 do STF189. o STF entendia como legítima a cobrança de ICMS no desembaraço aduaneiro. j. Min. REsp 564. RJ/IOB 1/11. o STJ resolveu alterar sua posição.10. não aquela determinada para operações interestaduais.05. DL 406/68.084. à materialidade do fato.. nas condições que definir. RE 193817/RJ.223-MT. mas contando com cinco votos pela exclusão das operações com salvados da incidência do ICMS. em face de previsão de empreitada com o emprego de materiais a serem fornecidos pelo empreiteiro (art. j. a outros contribuintes do mesmo Estado. 1º. Informativo do STF n° 478. no tocante ao diferencial de alíquotas da exação.9. Min.96. Construção civil – é fato gerador de ISSQN. a jurisprudência do STJ fixou entendimento192. v.. 190 STJ. 192 STJ. 188 187 . 191 STF. ADInMC 1648/MG.946-MS. incide o ICMS”. 195 STJ. 610. Também TJRJ.08. não ficando abarcada pelo ICMS. O Pretório Excelso passou a acatar como inaplicável o ICMS também na operação de alienação dos salvados pela seguradora194. cancelando o referido verbete195. II. Dessa feita. é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro”.

sendo objeto de posição firme na própria corte máxima (Súmula 323 do STF. REsp 789. na íntegra.. não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116). Exsurgiram sucessivos embargos de declaração. DJU 15/9/2003.631-96.371-CE. 7/8/2007.ELYADIR FERREIRA BORGES RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – o recurso extraordinário foi interposto. por força do artigo 102.96. Marco Aurélio sobre a matéria. nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação. 8078 – ementa oficial. Eliana Calmon. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118. reafirme-se. “caput”.12. . Informativo do STJ n° 326. 02. da citada lei complementar. relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Getúlio Moraes Oliveira. REsp 513. STJ: REsp 493. Nas razões do recurso. no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90). o qual fixou a jurisprudência do Supremo no sentido de não fazer incidir o ICMS sobre a base de cálculo da COFINS: 24/08/2006 TRIBUNAL PLENO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240. insistindo-se na inconstitucionalidade do artigo 2º. DJU 2/6/2003. parágrafo único.04. LC 70/91. 2ª T. Des. 2º. Min. § 2º.repudiada pela jurisprudência . DJU 3 30. j. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença. com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional.543-PR. “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo. cuja constitucionalidade foi declarada e que. lei esta. rel. rel. j. ICMS – inclusão na base de cálculo da COFINS – STF – interpretação do art. o voto do Min. articula-se com a ofensa ao artigo 195. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1-1/DF.781-RS. inciso I. MS 38. Veja.316-DF. do Diploma Maior. MARCO AURÉLIO RECORRENTE : AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADVOGADO : ROQUE ANTONIO CARRAZZA ADVOGADOS : RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS E OUTROS RECORRIDA : UNIÃO ADVOGADA : PFN .785-2 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. da Constituição Federal.97. já citada). p. consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. DJU 1º/3/2007. no que autorizada a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base 196 196 144 TJDF. REsp 700.

apenas dos artigos 1º. o Relator. o tema está a merecer o crivo de Colegiado desta Corte. 2º. ao incluir-se o referido tributo na base de cálculo. A referência feita no voto do ministro Sepúlveda Pertence ganhou contornos de simples opinião de Sua Excelência a respeito da matéria. Noutro passo. nos termos do artigo 321 do Regimento Interno da Corte. Salienta-se que se desvirtuou o conceito técnico de faturamento. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Na interposição deste recurso. Por isso mesmo. A União apresentou as contra-razões de folha 137 a 140. página 722 a 755. o acórdão proferido na apelação restou publicado no órgão oficial de imprensa do dia 27 de setembro de 1994 (folha 91). O Juízo primeiro de admissibilidade disse da natureza infraconstitucional da discussão (folha 140). Por outro lado. A recorrente protocolou embargos de declaração em 4 de outubro de 1994 (folha 92). deverá. segunda-feira. foram observados os pressupostos de recorribilidade. na base do cálculo da COFINS. o ICMS. Em 29 imediato. parágrafo único. A Procuradoria Geral da República emitiu o parecer de folha 166 a 169. segunda- . Os documentos de folhas 33 e 135 revelam a regularidade da representação processual e do preparo. aludindo a memoriais distribuídos. A recorrente indicou o permissivo constitucional à folha 120. decorrendo o processamento do recurso do provimento dado a agravo. oportunidade na qual consignei: Quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1. preconizando o não-conhecimento do recurso. É o relatório. acaso esta Corte conclua pela falta de prequestionamento. definindo-se o alcance do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. 10 e 13 da Lei Complementar nº 70. foi feriado forense.145 de cálculo da Cofins. declarar a nulidade do julgado por ofensa aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (incisos LIV e LV do rol das garantias constitucionais). 9º. apontou para o envolvimento. já que o dia 3. terça-feira. Quanto à oportunidade. em face da recusa do Tribunal de origem de analisar a controvérsia (folha 120 a 134). As conclusões do acórdão prolatado nos embargos foram veiculadas no Diário da Justiça de 23 de maio de 1995 (folha 102). terça-feira. terça-feira. Confira-se com o acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 156. questão que não teria sido apreciada na ação declaratória de constitucionalidade. ministro Moreira Alves. no que. de 30 de dezembro de 1991. afirmou estar a definição de faturamento no âmbito da legislação infraconstitucional. não foi objeto de deslinde a circunstância de o artigo 2º. da mencionada lei englobar. assevera-se que. antes. ressaltando o envolvimento de matéria legal e a harmonia da conclusão adotada com a “jurisprudência de nossos Tribunais”. na espécie.

a viabilizarem o cotejo. na base de incidência da Cofins. portanto. a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. considerado o teor primitivo do preceito. prescinde de referência a artigo. tudo a partir. voltou a empresa a protocolar novos embargos declaratórios. o Colegiado concluiu que seria de se presumir o exame do tema no julgamento da declaratória de constitucionalidade. O que sustenta a recorrente é que o decidido pela Corte de origem discrepa da tipologia do tributo. refutando a defesa sobre a inconstitucionalidade de ter-se a incidência do tributo sobre . Portanto. nas razões do recurso. juntamente com o faturamento. não menos correto é que a recorrente. reclamando manifestação sobre a inconstitucionalidade de incluir-se. protocolou os embargos declaratórios de folha 92 à 94. utilizando a adjuntiva “ou”. no que. apenas consignando que esta Corte assentou a constitucionalidade da Cofins. no sentido de adentrar a sede extraordinária. atenta ao passo que se avizinhava. terça-feira. Portanto. exigir mais do que isso é adotar o fetichismo da forma. a utilização de formas sacramentais. a encerrar o debate e a decisão prévios do tema jurígeno explorado. de interpretação de norma estritamente legal. Mesmo assim. Já aqui entendeu. refutou a argüição de inconstitucionalidade. a recorrente interpôs novos embargos de declaração (folha 104). A defesa sustentada pela recorrente foi rechaçada pela Corte de origem. da Constituição Federal. sendo que o acórdão daí resultante foi publicado no Diário da Justiça de 22 de agosto de 1995 (folha 119). ou seja. tem-se como prequestionada a matéria. mais uma vez reclamando prequestionamento explícito do tema (folha 104 a 112). na espécie. analisando estes embargos. da Constituição Federal. consagrando-se. exsurge a tempestividade deste recurso. isso ao apreciar a Ação Declaratória nº 1-1/DF (folha 88 a 90). Resta examinar o específico. Protocolou-se o extraordinário em 4 seguinte (folha 120). na citada alínea. Pois bem. a óptica de que a Cofins incide sobre o ICMS. segunda-feira.146 feira. considerada a interrupção instituída pela Lei nº 8. anterior à Emenda Constitucional nº 20/98.950/94. tal como prevista no artigo 195.519-2/DF. é certo. não procede o óbice apontado pela Procuradoria Geral da República. Sob o ângulo do prequestionamento. alínea “b”. a Turma julgadora pela inexistência da pecha quanto à inclusão combatida (folha 99 a 101). na forma do acórdão de folha 115 a 117. se a conclusão a que chegou a Corte de origem. destarte. Também não vinga o óbice relativo ao envolvimento. aludindo à eficácia vinculante do pronunciamento. fez inserir como base de incidência da contribuição devida pelo empregador. a violência ao artigo 195. parágrafo. Aí. A Corte já assentou que o prequestionamento. inciso I. que deu nova redação ao artigo 538 do Código de Processo Civil. assim. como causa de pedir. ou seja. Há de se examinar. o ICMS (folha 92 a 94). inciso I. inciso e alínea – Recurso Extraordinário nº 128. a receita. Sob o ângulo do prequestionamento. da premissa de que assim o teria feito este Plenário ao apreciar a Declaratória nº 1. Se é certo que o acórdão inicialmente prolatado mostrou-se de simplicidade franciscana.

ou seja. foi prevista tendo em conta a folha dos salários. a partir de premissa errônea. conflita. pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte. importa na incidência do tributo que é a Cofins.758: “se a lei . o que percebido por aquele que a realiza. A conclusão a que chegou a Corte de origem. por isso mesmo.147 o ICMS. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti. não sobre o faturamento. fiel à dicção constitucional. um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. isto sim. servir à incidência da Cofins. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam. o faturamento e o lucro. ao vocábulo “salários”. o valor devido a título de IPI. os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. de um negócio jurídico. considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. por exemplo. de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128. emprestando. sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa. No caso dos autos. Não pode. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. desse modo. ou não. ou seja. importando. Jamais imaginou-se ter a referência à folha de salários como a apanhar. em si. na base de incidência da Cofins. ainda que mediata. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar. quando a própria Lei Complementar nº 70/91. Por isso mesmo. em si. então. a prevalecer o que decidido. esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição. por tal motivo. sob o ângulo do faturamento. assim. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. ter-se-á. a incidência de contribuição sobre imposto. a incidência da Cofins sobre o ICMS. o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Este decorre. O conceito de faturamento diz com riqueza própria. na redação primitiva da Carta. o que se dirá quanto a um ônus. O valor deste revela. o sentido técnico-jurídico. com o dispositivo constitucional. em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71. incluindo este no que se entende como faturamento. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional. mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social. de uma operação. a cargo do empregador. o valor do negócio. revelador da incidência sobre o faturamento. para o contribuinte.519-2/DF. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem. afastou a possibilidade de incluir-se. os acessórios. ou seja. implicando. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços. o ICMS.

o conteúdo e o alcance de institutos. a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado. conceitos e formas de direito privado utilizados. “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto. como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins . a revelar que: Art. mais do que isso. é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de ter-se. relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria. pressupondo-se que o texto constitucional mostre-se fiel. 110. que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional. entender que a expressão “faturamento” envolve. conheço deste recurso extraordinário e o provejo para. expressa ou implicitamente. surge simplesmente pedagógica. na expressão “folha de salários”. Conforme salientado pela melhor doutrina. Admitir o contrário é querer. de expressões e de vocábulos. ao valor da mercadoria ou do serviço. Por tais razões. como é o relativo ao ICMS. assim. pelas Constituições dos Estados. não englobando. não pode. A lei tributária não pode alterar a definição. por isso mesmo. A contrário sensu. em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PROBLEMAS JURÍDICOS”. com sentido didático. parcela diversa. esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. ao sentido próprio que eles possuem. ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” . alterando. reformando o acórdão proferido pela Corte de origem. Por isso mesmo. conforme visto. com razão maior. Conforme previsto no preceito constitucional em comento. um desembolso. para mim. adentrando-se a seara imprópria da exigência da contribuição. como é o relativo ao ICMS. de renda o que não é renda. no emprego de institutos. a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor. quer de serviço. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias.Ampliação da base de cálculo e compensação do aumento de alíquota”.RTJ 66/165. implica manipulação geradora de insegurança e. de exportação o que não é exportação. a cobrança considerado. Se alguém fatura ICMS. autônomos e avulsos. isso sim. sob pena de desprezar-se o modelo constitucional. que é o faturamento. a inclusão do que satisfeito a administradores.148 pudesse chamar de compra e venda o que não é compra. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade. julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória . o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que. pela Constituição Federal. qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. ônus fiscal. em si. a duplicidade de ônus fiscal a um só título.

o ICMS incide sobre combustíveis. em se tratando de gás natural. Pergunta: por que o legislador ainda não estabeleceu ICMS sobre combustíveis e minerais. determina que resolução do Senado deve estipular alíquotas nas operações interestaduais. Com isso. CF/88? Resposta: quando não destinado à comercialização ou à industrialização. I. Pergunta: o art. 155. como diz Rui Barbosa Nogueira. derivados de petróleo e energia elétrica (art. assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição. § 2º. § 1º. § 1º. as situações abrangidas pela primeira hipótese (de incidência do ICMS) serão assim definidas quanto ao direito de cobrança do tributo: em se tratando de combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo. na mesma proporção de outras mercadorias. 155. § 3º. 155. quem as determina então? Resposta: errado. III. pois a Resolução 22/89 do Senado Federal estabelece as alíquotas para operações interestaduais. o imposto será dividido entre o Estado de origem e de destino. o imposto em tela incide quando não for destinado à comercialização ou industrialização. na qual o constituinte erige um “muro de contenção” fora do universo de incidência do tributo. nos termos do art. CF/88)? Resposta: consoante resposta do item anterior. se o fato gerador é a saída de mercadoria do estabelecimento de origem. § 4º. Essa regra. 3º. 155. X. § 2º. X. dado o permissivo do art. 1º. não há incidência de ICMS somente nas operações interestaduais (art. por que o contribuinte é aquele do estabelecimento de destino. 155. inclusive lubrificantes. bem próxima do . em operações entre contribuintes do ICMS. tais como fixados na sentença prolatada. LC 87/96).149 intentada. A partir da disposição do art. na situação anterior. II. “b”. tal diploma inexiste. consoante art. Não tendo tal destino. Pergunta: quanto aos combustíveis derivados de petróleo. considerado o faturamento. inverto os ônus da sucumbência. IV. III. porquanto o ICMS não inclui os fatos geradores referidos no dispositivo. 2º. CF/88. § 2º. 155. CF/88 (“circulação de mercadorias”). É o que a doutrina chama de imunidade. DL 406/68? Resposta: o ICMS segue um sistema de não-cumulatividade por compensação entre créditos e débitos tributários. 2º. LC 87/96. CF/88. Pergunta: as regras do art. Atualmente. o valor correspondente ao ICMS. o ICMS é devido no local onde houve o consumo. CF/88 configuram não-incidência ou imunidades. a exação será devida ao Estado de origem. A Resolução 95/96 do Senado Federal estabeleceu alíquota para prestação de transporte interestadual aéreo. III. seus derivados e outros combustíveis não derivados do petróleo. quando o destino comportar nãocontribuinte do ICMS. Entretanto. o legislador complementar erigiu uma não-incidência legal sobre tais produtos (art. segundo entendimento doutrinário? Resposta: são regras de “não-incidência constitucional”. 1ª parte. I a III. LC 87/96). Pergunta: no caso do art.

como bem lembra Sabbag (2004. 431). Lei 8927/88 do Paraná.. quando ele realizar o recolhimento. como previsto no art. CSM. 6º. atribuindo subsidiariedade de algumas pessoas no caso de inadimplemento do tributo por parte do contribuinte originário. 2004. a hipótese de incidência é a saída. CTN. caso não verifique corretamente o recolhimento dos tributos antes de efetivar o ato de transcrição. previsto no art. o qual tem por base a transmissão onerosa de bem imóvel. 11-5-95.: doador. Nos termos do art. ITCMD (Impostos sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) – segundo Sabbag (2004. Dessarte. 155. CF/88. o tributo passou a existir desde a vinda da família real lusa para o Brasil. No entanto. Dessa feita. I. Sua constitucionalização. 2004. mas contribuinte de direito é o empresário que recebeu o insumo. do notário que não verificar o recolhimento dos tributos. seguem um mandamento geral: a cada entrada. III e IV. no seu mister. 23. II. o ITBI (art. sendo de competência dos Municípios. possuidor. 42. a qual implicará em um débito fiscal por parte do empresário. É o caso. A Constituição de 1967. Ex. estando presentes em todas suas subseqüentes. no caso do cessionário não arcar com o imposto. p. 156. 2004. por exemplo. m. o legislador estadual pode optar pelo sistema de responsabilidade tributária. no entanto. um dos fatos geradores realmente é a saída da mercadoria do estabelecimento. 432). e CASSONE. j. só ocorreu a partir da Carta de 1891. a incidir sobre transmissão de quaisquer bens ou direitos. deverá abater o crédito decorrente da entrada do insumo tributado pela mesmo imposto. CF/88). previam o impostos de transmissão como único. o sistema congrega outras regras. No Brasil. por fato “causa mortis” ou por ato gratuito (doação). p. p. 314). um débito. Com o advento da atual CF/88. 289 da Lei 6015/73. “a” e “b”. p. em 1810 (CASSONE. a norma estadual pode eleger qualquer dos sujeitos passivos como responsáveis pelo recolhimento do ITCMD. Sujeito passivo – deverá ser estipulado pela LO estadual ou distrital competente. 53-4. desdobrado em duas espécies (SABBAG. o oficial registrador não deve perquirir sobre o quantitativo recolhido.150 que existe no IPI. do oficial de registro. o obrigado fiscal pode ser: herdeiro ou legatário (na transmissão “mortis causa”). DOE-PJ 23-6-95. I. No entanto. como o não-creditamento da operação anterior quando a subseqüente é isenta ou acobertada pela nãoincidência. . CTN. CF/88).v. 314. sendo de competência dos Estados e do DF. assim como sua EC 1/69. além do cancelamento do crédito de operações anteriores quando houver quaisquer das intributalidades citadas (art. o ITCMD encontra suas raízes na antiguidade clássica romana. I. 197 TJSP. Além do comando geral da substituição tributária por compensação. como é o caso do art. 314). onde era aplicada a chamada “vigésima” sobre heranças e doações. VI. válido para atos “inter vivos” e “mortis causa”. um crédito. Trata-se do mesmo imposto do art. CF/67. p. p. doador ou donatário (nas doações “gratuitas”). Dessa feita. II. a cada saída. caso o donatário não recolha a exação. Assim. 155. mas sim pela efetivação do ato197. 134. já que tem essa incumbência “ex vi” do art. § 2º. o constituinte houve por bem cindi-lo em duas outras exações: o ITCMD.

LC deve estabelecer os critérios de competência tributária (art. p. CF/88) ainda é o CTN. Ademais. 155. 433) defende que o legislador não poderia inovar na ordem jurídica sem a competente LC autorizadora. no momento da transmissão 198 Súmula 115 do STF: “Sobre os honorários do advogado contratado pelo inventariante. 146. o legislador de 1966 só previu a incidência do ITCMD para bens imóveis. CTN. com autorização judiciária das cortes. Observa-se. Cassone (2004. Elemento temporal – estatui o art. 155. parágrafo único. Quando a operação implicar em incorporação de patrimônio à pessoa jurídica. 35. § 1º. o autor até mesmo admite que as unidades federadas possam instituir o ITCMD para móveis e direitos consectários internamente situados. que a LC hábil a estabelecer o fato gerador (art. CTN). impõe-se ressaltar que. No caso de doações feitas por sociedades por ações. era residente ou domiciliado ou teve o inventário aberto no estrangeiro. em que pese a previsão expressa do constituinte no art. também não haverá incidência do ITCMD (art. Entretanto. 2004. o ITCMD é exigível (Súmula 331 do STF)199. com a homologação do juiz. isto é. 36. Na primeira hipótese. I. I e II. compra. no caso de transmissão por fato “causa mortis”. “a” e “b”. § 1º. CC) ou de ausência (arts. III. cabe ao Estado de sua sede o recolhimento do ITCMD respectivo (Súmula 435 do STF)200. Nesse passo. “a”. não contemplando os móveis e demais direitos correlatos (art. CC). Causa Mortis no inventário por morte presumida”. se o doador tiver domicílio ou residência no exterior. visto que inexiste outro diploma específico. parágrafo único. CTN). “caput”. 200 Súmula 435 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a companhia”. Por derradeiro. as isenções referidas não são aplicáveis se a atividade da pessoa jurídica for preponderantemente venda. CF/88). nos termos do art. 37. Elemento espacial – o imposto será devido ao Estado ou DF onde se situam os bens imóveis (e respectivos direitos) ou onde se procede a ação de partilha de bens (art. caso haja reversão do valor da integralização por liquidação de cota ou por extinção da pessoa jurídica. que o imposto deverá ser recolhido na ocorrência do fato imponível. haverá tantos fatos geradores quanto forem os herdeiros e legatários. tratando-se de morte presumida (art. “caput”. CF/88). na medida em que estipula a exação em tela para bens móveis e seus respectivos direitos. 199 Súmula 331 do STF: “É legítima a incidência do Imposto de Transmissão. . CTN). Nesse caso. Não é o que vem fazendo os Estados. quer por ato de liberalidade. Vale também lembrar que o recebimento de honorários pelo advogado em ação de inventário não perfaz fato gerador do ITCMD (Súmula 115 do STF)198. quer em decorrência da morte. Nesse caso. não incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis”. cessão e locação de imóveis (art. 22 e 23. 155. ou quando houver incorporação ou fusão de empresas. I e II. 35. Esse fato deve se dar de forma não-onerosa. CTN. CF/88. p. CTN).151 Fato gerador – é a transmissão de quaisquer bens ou direitos a título do falecimento de alguém ou em decorrência de ato gratuito (SABBAG. não incide a exação em comento (art. “caput”. Entende-se por transmissão a passagem de propriedade de bens ou direitos sob o aspecto jurídico. III. 315). No entanto. ou se o autor da herança tinha bens. decorremnte de capital anteriormente subscrito. 7º. em posição minoritária. I e II. 35. 36. não atingindo outros situados além de sua competência territorial.

Elemento quantitativo – a base de cálculo é o valor venal do bem ou direito. Obs.530-SP. p. quer seja ela para frente ou para trás. Aliás. a jurisprudência prevalente tem entendido que ela é transmitida. 147. j. de Direito Privado. aéreos e aquáticos. 39. Castro Meira. Nota-se que o legislador complementar autorizou seu similar estadual a estatuir de outra forma. ocorrência a caracterizar o fato gerador do ITCMD. CF/88. “caput”. 206 Súmula 112 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão”. podendo prever o fenômeno da substituição tributária (art.10. o indigitado tributo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor de qualquer natureza. e em jurisprudência do STJ201. EDcl no REsp 927. tratando-se de transmissão “causa mortis” (Súmula 112 do STF)206.. tido no momento da transmissão (art. desde que dotados de força motriz própria. Assim como a base de cálculo. Contudo. Segundo Sabbag (2004. Nesse caso. Aplica-se. Min. o art. antes da homologação judicial do cálculo.92. a alíquota aplicável é aquela vigente à época da abertura da sucessão. a qual estipula o percentual teto de 8%. parte da doutrina entende que o fato gerador da transmissão se dá mediante um complexo de atos. IPVA (Impostos sobre Propriedade de Veículos Automotores) – nos termos do art. v. o ITCMD deveria ser recolhido desde tal momento. 201 202 STJ. 9. pelo qual o foro para discussão da dívida tributária não é a ação de arrolamento.02. CPC. Para essa linha de pensamento. operando-se desde o ajuste de vontades na doação ou a morte do inventariado no fato “mortis causa”. 21/8/2007. 150. e 155. 1034. 5º. 1ª C. a exigibilidade da exação só se perfaz no momento do registro imobiliário.546-RJ. não cabe recolhimento do tributo por ocasião do inventário (Súmula 114 do STF)203. no qual são exigidas informações por parte do contribuinte e a atuação do fisco para calculá-lo (art. atacável por agravo e não por apelação205. § 1º.u. 155. Ap. mas sim a via administrativa. 13. CTN). Civ. a decisão judicial é interlocutória. observado o limite máximo de Resolução do Senado Federal (arts.: havendo multa fiscal a ser rocada aos herdeiros. p.4.01. englobando meios de transporte terrestre. CTN).152 (CASSONE. 2004. III. § 3º. 2ª T. 205 TJSP. Atualmente. entendimento ressonante no STJ204. 436). oportunidade em que a correção deve incidir sobre todos os bens do espólio. REsp 12. porquanto o registro do imóvel é o último ato da complexidade citada. CF/88). 1245. IV. apesar de homologados e transitados os cálculos. O domicílio do proprietário é indiferente ao aspecto espacial do gravame. Não é o que apregoa o referido autor. CF/88) é setorial. o formal ou a carta de adjudicação só será expedida com a prova de quitação de todos os tributos. 21. 203 Súmula 114 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis não é exigível antes da homologação do cálculo”. Súmula 113 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação”. 204 STJ.777-1/6. e REsp 253. “in casu”. A alíquota será fixada pela LO do Estado ou DF. Lançamento – é feito na forma mista. CC.3540-DF. .96. rel. 245. muito pelo qual o princípio da intranscendência (art. 38. 1ª T. sobre o qual o cálculo do ITCMD deve ser feito (Súmula 113 do STF)202. tendo vez somente no terreno do Direito Penal. Informativo do STJ n° 328. “caput”. 316). o diploma competente é a Resolução 9/92. Com fulcro no art. j... XLV. CTN. CTN).

O sujeito passivo é o proprietário do veículo automotor.8. RE 134509/AM. CF/88). 311). entendendo ser constitucional a cobrança do IPVA sobre aeronaves208. por meio da EC 42/03. devendo ser regulado por LC (art. nos exatos termos do comando do art. CF/88). Lei 7565/86) não coaduna perfeitamente com o desenhado pelo CTB. a partir de 1º de janeiro. 10. O fato gerador é a propriedade do bem e não o mero uso ou detenção. a lei estadual pode estabelecer a cobrança da exação em tela. 38. os Estados e o DF exercem a competência plena (art. Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA. 310). é possível que o legislador estadual estabeleça a forma temporal de recolhimento do tributo. desde que observe a vedação ao confisco (art. É tributo de competência estadual e distrital. bem como o desembaraço aduaneiro é o fato imponível hábil para veículos importados. Visto que esse atualmente falece à existência. ainda que complementar ou alternativa à natural. RE 236. DJU 9-5-97. a ser estabelecido em tabela oficial fiscal. tratando-se de veículo novo. Min. quis imprimir 207 208 STF. No entanto. “a”. No aspecto temporal. que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo. mediante reações aerodinâmicas. o constituinte derivado. falecendo competência estadual para a tributação.1999. CBA define que os aeroportos. questão polêmica se coloca sobre sua natureza jurídica. como jornais e revistas que militam na área. Ilmar Galvão. Com efeito. Acerca da alíquota. o art. j. p. Art. aquele do qual consta o título de registro do bem (SABBAG. porquanto não fala em força motora própria. cujo valor mínimo há de ser estabelecido por Resolução do Senado Federal (art.153 porquanto vale o local de registro do bem. É provado por meio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo). É a posição assentada no Pretório Excelso207. 106. 34. . Min. Segundo Sabbag (2004. O momento de aquisição do veículo também pode ser objeto do IPVA. incluindo-se os veículos conectados à linha elétrica (Anexo I da Lei 9503/97. 24. Não se incluem os veículos movimentados por tração animal. 155. A partir desses critérios objetivos. apto a transportar pessoas ou coisas. Ademais. STF. locais onde elas manobram. sua definição. § 3º. rel. Quanto à aeronaves. rel. § 6º. as aeronaves são veículos destinados a circular entre Estado e Municípios. O preço estabelecido na nota fiscal ou no formulário de importação é hábil a determinar a base de cálculo. CF/88). p. ou seja. Código de Trânsito Brasileiro – CTB). p. “caput”. “caput”. são de propriedade da União. AG (AgRg) 167777/DF. 106. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo. 2004. a lei instituidora do IPVA pode optar entre o valor venal ou o preço de mercado. 2004. No tocante ao conceito de veículo. há de ter força-motriz própria. dada pelo art. o IPVA é de base proporcional (SABBAG. 312). o legislador estadual fica livre para estabelecê-la. CF/88). Não foi o que acolheu o STF. III. IV. É possível também recorrer a órgãos especializados particulares. Na ausência do referido diploma federal. em essência. I. 146. 150. pessoa natural ou jurídica. Marco Aurélio.931-SP. No tocante à base de cálculo. ADCT. § 3º.

sob pena de inconstitucionalidade. § 6º. II. CTN). Pelo grande número. No inciso I do art. cada uma correspondente a um dos diferentes municípios do país. Caso o proprietário transmita a propriedade. STF. Dessa feita. podem gozar de isenção (SABBAG. de entidades sindicais de trabalhadores. não pressupõem pagamento de ITBI. 155. de templos. p. 150. sem fins lucrativos. “caput”. . o que lhe dá um certo ar de extrafiscalidade. 313). 156. não se englobando o mero detentor (comodatário e locatário). podem ser sujeitos passivos do IPTU: o proprietário. CF/88). reporta-se ao chamado IPTU: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. é interessante destacar que o legislador municipal (infraconstitucional) não pode colidir com a CF. e § 2º. o titular do domínio útil (enfiteuta ou usufrutuário) – de acordo com a Súmula 326 do STF209 – e o possuidor “ad usucapionem”. de partidos políticos (inclusive suas fundações). como agroindústria. Na realidade. Diz-se que seu fato gerador é continuado: enquanto houver a posse do bem. como já disse o STF210. fica impossível analisar cada um. ITBI. pode a lei ordinária instituidora determinar a diferenciação de alíquotas em função do tipo e utilização do veículo. CF/88). O Brasil comporta hodiernamente cerca de 5564 leis municipais. I a III. a qual terá o condão de instituir e de disciplinar cada uma das exações. elenca os impostos municipais. de instituições de ensino e assistência social. 148) assevera que o IPVA é exação eminentemente fiscal. cabendo a modalidade “ex officio” caso o contribuinte falte à sua obrigação. p. a legislação do caso concreto é aquela instituída pelo município. 313) entende ser inconstitucional. Chimenti (2002. isto é. Sabbag (2004. Quanto à taxa de licenciamento. 2004. 158. III. Trata-se de comando reduzido. posse ou domínio útil de bem imobiliário dentro do limite urbano do município (art. porque abrange só atribuição de competência. É cobrado ano a ano. O fato gerador é a propriedade. CF/88. CF/88. RDA 73/160 e RTJ 117/652. é exação que decorre do poder de polícia da autoridade de tráfego e tributária. exação que exige transmissão. 32. Estarão imunes os veículos de pessoas jurídicas de Direito Público. desde que o legislador estadual assim acate. VI. “a” a “c”. VI. CF/88). 150. CF/88. Mesmo assim. metade fica com o Estado e a outra com o Município onde está registrado o bem (art. ISS (de qualquer natureza). incide a exação. Impostos dos Municípios – o art. Veículos de interesse socioeconômico específico. O lançamento é feito por homologação. 156. Na repartição de receitas. Por imperativo lógico-jurídico. Usucapião e desapropriação. p. Para Sabbag (2004). apesar de comportar viés extrafiscal quando possui alíquotas diferenciadas pelo tipo de combustível. nos exatos termos do art. porque limita indevidamente a circulação de pessoas (art. o ato 209 210 Súmula 326 do STF: “É legítima a incidência do imposto de transmissão inter vivos sobre a transferência do domínio útil”. transporte público de passageiros e terraplenagem. aqueles cuja instituição foi conferida aos municípios: IPTU. por serem formas de aquisição originária da propriedade.154 progressividade facultativa ao IPVA (art.

Ex. escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado. inclusive a ocorrência de mais de um deles. Por deficiência da Administração Pública. integrantes de área de interesse turístico ou ambiental (art. Relevante também ressaltar que as pertenças e as benfeitorias. a disposição do CTN era tida como residual em relação ao critério da finalidade do bem imóvel.: na cidade de Paraibuna. extrativistas vegetais ou agroempresariais. o legislador houve por bem alterar o referencial. 41. V. Em tese. Se isto for feito por decreto . ficou conhecido pelo valor do cadastro. § 1º. “f”. CTN.155 deve ser averbado para que. rede de iluminação pública. integrantes de regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas. a base de cálculo é o valor venal ou o valor da operação. nos termos do art. com canalização de águas pluviais. permanecem os referenciais anteriores (Estatuto da Terra e CTN). quando se intente usar instrumentos para assegurar a função social da propriedade. a definição de zona urbana deve encontrar guarida em no mínimo dois dos melhoramentos previstos no art. “caput” e § 1º. descontínua a esta. Em verdade. 4º. CC). no ano subseqüente. I a V. pertenças e móveis atinentes ao prédio. Neste sentido. 33. o que não ocorre com o ITBI. parágrafo único. com ou seu postes para distribuição domiciliar. Já o ITBI só é aplicável para transmissões onerosas (predomínio de venda). o art. Lei 10257/01). Tanto o IPTU quanto o ITBI possuem base de cálculo igual: o valor venal do imóvel (arts. CTN. Em conseqüência. No IPTU. aplicam-se os critérios de diferenciação entre imóvel urbano e rural atinentes ao Estatuto da Cidade e à própria Constituição. de acordo com o que dispuser a norma municipal: meio-fio ou calçamento. 32. para permitir o aumento da arrecadação. o novo senhor receba o carnê fiscal. 150. I. 32. há uma discrepância entre valor venal (maior) e valor de mercado. onde inexiste. abastecimento de água. CF/88. o imóvel será considerado rural. I a V. a base de cálculo não abrange as benfeitorias. § 2º. Todavia. CTN. computando-se tão-só as acessões (art. o valor venal não tem nenhuma relação com o correspondente no comércio. 33 e 38. onde existe o plano. esculpindo o princípio da legalidade. o qual ainda abriu a possibilidade do plano estabelecer distrito rural dentro do perímetro urbano (art. elegendo-se sempre o maior. até a CF/88. seja quais forem. é possível o estabelecimento de zona equiparada à urbana. CF/88. será urbana a propriedade incluída no plano diretor. nos termos do art. Para o ITBI. Na maioria das vezes. Lei 10257/01). 33. 182. sistema de esgotos sanitários. atribuindo índice para a atualização. Uma vez que se destine a fins agrários. parágrafo único. não integram a base de cálculo do IPTU (art. A norma constitucional foi efetivada por meio do Estatuto da Cidade (Lei 10527/01). Alguns prefeitos aumentam o valor da base de cálculo por decreto. CTN). pois não existe aferição para corrigir a planta dos valores venais do imóvel. a instituição de plano diretor é obrigatória somente para municípios com mais de vinte mil habitantes. preconiza que só se poderá aumentar ou instituir tributos por lei. valor venal não é valor de venda. pecuários. No entanto. o qual é determinado por lei local. Com efeito. respectivamente). Contudo. a teor do que dispõe o Estatuto da Terra (Lei 4504/64). Com a promulgação da atual Carta.

não podendo haver dispositivo que preconize uma ou outra base de cálculo. de acordo com a localização e o uso do imóvel. É importante também destacar algumas particularidades do IPTU. concordar com as posições de Sabbag (2004). . isto é. 145. ficando mais barato e simples pagar que discuti-la nos tribunais. Desta feita. CTN. da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. uma vez que pode vir a estabelecer 211 Súmula 160 do STJ: “é defesa ao Município atualizar o IPTU mediante Decreto. o valor de seu IPTU será maior em relação àquele de Cicrano. O novo proprietário não pode vendê-lo se não possui condições de recolher o ITBI. Sua alíquota pode oscilar entre 0. com quatro imóveis de R$ 50 mil cada.5 a 1. O extinto 1º TAC denegou a progressividade.5%. porquanto este aponta uma flagrante incongruência entre um princípio inerente a exações pessoais aplicado a um tributo de clara base real. entretanto. Entretanto.: posse de imóvel. há inconstitucionalidade. consoante o disposto no art. não se restringindo ao valor venal do imóvel.: o ITBI normalmente tem alíquota de 4%. consoante reiterado posicionamento do Excelso Pretor. 212 Súmula 656 do STF: “é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel”.156 administrativo. os tribunais locais não têm admitido a existência de mais de uma base de cálculo para o ITBI – a exação incide sobre o valor real da venda. é cediço verificar se o valor da operação e o valor venal estão consoantes. Essa progressividade é diferente daquela prevista pelo art. Alguns doutrinadores falam que a hipótese de incidência deve ser precisa. elas dependem do critério a ser usado. O inciso II constitui ferramenta para o administrador diferenciar as alíquotas. CF/88 não se refere à capacidade contributiva do preâmbulo constitucional tributário. 97. a atualização monetária regular do valor imobiliário – mera correção monetária – pode ser efetivada por decreto. § 1º. Ex. Ex. 156. Na cidade de São Paulo. ou seja. O STF já dizia que poderia ser progressivo nesse sentido. por herança. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. I. § 1º. dada a inexistência de previsão para tal na CF/88. Não há consenso nem pronunciamento dos tribunais superiores. CF/88. aplicada ao ITBI. O Poder Público não pode simplesmente conferir capacidade contributiva ao possuidor em razão do imóvel. É necessário. Por conseguinte. De uma forma geral. ocorre que a diferença majorada por ato administrativo não é tão expressiva. Esta assimetria fere os princípios da igualdade tributária. § 2º. surge uma polêmica. CF/88 (princípio da capacidade contributiva). considerando sempre a maior. Na prática. § 1º. 156.: Fulana tem um imóvel de R$ 200 mil. não havendo qualquer relação com o potencial tributário do sujeito passivo. como lembra Sabbag (2004). estava em julgamento a constitucionalidade dessa progressividade em função do uso e da localização. editando a Súmula 656212. como bem ventila a Súmula 160 do STJ211. Ex. Diz respeito sim à sua forma de incidência. O art. por inconstitucionalidade. estabelece princípios a serem seguidos. O STF corroborou com a posição. Com relação à possibilidade de estabelecer duas bases de cálculo diferenciadas para o ITBI. O inciso I afirma que o IPTU deve ser progressivo. a progressividade do art. o Pretório Excelso garantia a competência para isso. O constituinte quis permitir variação crescente de imposto em relação ao bem. não propriamente à adequada capacidade econômica do proprietário. incisiva.

Ex. Na extinção da pessoa jurídica. A primeira parte do dispositivo visa preservar os negócios de pessoas jurídicas em que há transmissão de imóvel.: empresa “A” e empresa “B” formam a empresa “C”. na sua parte final. CF/88). § 2º. 156. há transmissão onerosa. nos dois anos anteriores e nos dois subseqüentes. “Ex vi” da EC 29/00. 182. Nessa situação. CF/88. nessa devolução. “in fine”. o sócio “A” tem sala comercial no valor de R$ 50 mil. Segundo o autor. mas não há incidência de ITBI. o constituinte originária estabelecera a possibilidade de IPTU progressivo para lhe conferir fundo extrafiscal. como lembra Sabbag. o capital constitui-se de um imóvel e R$ 500 mil. 156. desde que não penda um efetivo lucro por parte dos adquirentes. Não incidência – casos do Direito Comercial. Nesta situação. op. 128) e Sabbag (2004). tratando-se de autênticas imunidades. CTN. O art. há incidência de ITBI. lamentavelmente permitindo majoração da carga tributária ao já tão combalido contribuinte. nas palavras de Chimenti (2002. § 4º. Ex. estipula uma exceção à não-incidência constitucional: se a pessoa jurídica tiver como atividade principal compra e venda de imóveis213. 156. localização e uso do imóvel. CF/88. Em que pese o Supremo ter declarado inconstitucional a progressividade para o ITBI por ausência de previsão legal. O próprio art. prevê que a responsabilidade por infrações tributárias independe do “animus” do agente. o remanescente é dividido entre os sócios. elenca as chamadas “nãoincidências constitucionais”. não houve autêntica intenção extrafiscal. forçando o proprietário a adequar seu imóvel à função social (art. o constituinte derivado estabeleceu outros três critérios para permitir a progressão da exação: o valor. I. cit. fusão ou extinção de empresa. 136. um imóvel. p. caso o sujeito passivo não 213 Preponderância da atividade. “A” passa. II.: empresa que opera no mercado imobiliário. cisão. caução. A norma em comento não implica em não-incidência de ITBI sobre toda operação desta natureza entre pessoas jurídicas. há incidência do ITBI. como alienação. I. Ex. A segunda parte diz respeito à transmissão de bem imóvel nos casos de incorporação. etc. mas sim de aumento de arrecadação. . subsistindo somente o aumento do capital imobilizado. ao se separar a pessoa jurídica. acabou corroborando com o constituinte reformador quanto ao IPTU.: sócio “A” e sócio “B” de uma empresa. Se houver. Empresa que opera no mercado imobiliário – há incidência da exação. deve englobar mais de 50% da receita operacional da empresa. cada um fica com sua parte. Um resumo pode ser aduzido pelo seguinte esquema: Regra – houve transmissão de forma onerosa. então. § 2º. O ITBI incide sobre transmissão onerosa de bem imóvel. O art. É o caso do exemplo retro sobre aquele que recebeu um imóvel a título de herança. de acordo com a exegese do art. I. troca. ele a utiliza para integralizar seu montante no capital social. a ter cota com a sociedade no valor do imóvel.157 gravames incompatíveis com a situação do contribuinte. § 2º. CF/88.

Segundo o STF. essas não integram a base de cálculo (art. CF/88. determina que os serviços tributados por via do ICMS são residuais em relação ao ISSQN. desde que este não esteja compreendido na competência do Estado (eletricidade.. DL 406/68). não se aplicando a disposição do art. O rol abrange cerca de 230 serviços. contemplando a modernidade. não havendo ofensa à isonomia tributária (art. CF/88. 7º. 150. o art. Alguns opinam que a situação acabou piorando. No caso de subempreitadas. salvo aqueles expressamente previstos pelo constituinte como hipótese de incidência do primeiro. 2004). no tocante à atividade dos advogados). existem alguns aspectos polêmicos. CF/88)214. e 10. I. Ilmar Galvão. inclusive esgotos. Não assim agindo. Seu fato gerador é a efetiva prestação de serviço. rel. fica sujeito à cobrança pela exação e à imposição de sanção pecuniária. 155. § 3º. LC 116/03. . I e II. III. RE 262598/PR. No entanto.: avanços tecnológicos. § 2º. tal qual o art. Já a LC 116/03 reestruturou diversos conceitos do ISSQN. É possível que a lei local institua o sistema de responsabilidade tributária por substituição (art. LC 116/03). Informativo do STF n° 476. 156. 151. os avulsos e os membros de conselhos fiscais e consultivos de sociedades – arts. 6º. Min. 14. j. não contidos no DL. CF/88. de vigilância e segurança patrimoniais. a prestação de serviços a título gratuito não enseja a incidência do ISSQN (SABBAG. 8º. D. “b”. § 2º. divididos em 40 itens. 6º. 406/68 (SABBAG. IX.158 esteja englobado pelas não-incidências constitucionais. 2º. 156. com o intuito de prever situações que não existiam na época. Ainda que isento ou imune. sob pena de configurar “bis in idem”. deve ele recolher o ITBI. “b”. telefonia). O imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISSQN) está previsto no art. 9º. 2004).8. LC 116/03): Seja proveniente do exterior ou a prestação tenha lá se iniciado. III. A base de cálculo é o valor do serviço prestado (art. mas admite interpretação analógica naqueles itens complementados com a expressão “congêneres”. e 5º. transporte intermunicipal e interestadual. o comando é constitucional. III. LC 116/88). LC 116/03). A lista é taxativa. não sendo abrangidos os empregados. “caput”. segundo entendimento do STF. CTN. conforme reiterados julgados do STF e do STJ. desde que haja o fato gerador da obrigação. de terceirização de mão-de-obra ou de organização de eventos. com referência a serviços de construção civil em geral.2007. “caput”. sendo fixa para os profissionais liberais (vide comentários infra. 155. CF/88) nem isenção heterônoma (art. II. e § 3º. As alíquotas. de limpeza e conservação de imóveis e logradouros públicos. O DL 406/68 lista 101 itens de serviços. O sujeito passivo é o prestador (empresa ou profissional autônomo) ou tomador do serviço (contratante dos serviços). oscilam entre 2 e 5% (art. II. CF/88). enquanto não vier LC específica (art. Ex. 108. Desta feita. Aliás. sempre será responsável o tomador ou intermediário de serviços quando (art. de coleta e reciclagem de detritos. parágrafo único. § 2º. Com referência ao ISSQN. 1ª T. “caput”. 214 STF. § 1º.

não havia competência dos municípios para legislar sobre a matéria. Outra observação importante diz respeito à alteração de disciplina na execução. Com referência especificamente a estes. tal estipulação é inconstitucional. LC 116/03). 146. reza que compete à LC dispor sobre conflitos ou critérios gerais da legislação tributária. Segundo Carrazza (1991). 3º.Local da prestação do serviço (art. eles devem editar leis municipais correspondentes. A primeira previa o recolhimento do tributo no domicílio ou no estabelecimento do prestador (art. até a LC 116/03. o DL 406/68 continua em vigência. 3º. “caput”. LC 116/03). nos casos por ela abarcados. Ela regulou de forma diversa alguns dispositivos deste e tornou outros incompatíveis com suas disposições. do contrário. A base de cálculo para os serviços prestados por tais profissionais – assim como médicos e dentistas – é estabelecida por um valor único periódico. sendo. conquanto viola o princípio da capacidade contributiva. 1º. Entretanto. só puderam iniciar a arrecadação com os novos critérios em janeiro de 2005. 3º. alguns municípios abaixaram suas alíquotas relativas ao ISSQN. Por último. em seu art. “b”. ressalta-se que o DL 406/68. ab-rogado nos demais. segundo já disse o STF.159 O art. 12. convivendo com a parte “viva” do citado DL. Neste mister. Em face do rol taxativo. 156. . LEF). 12. é precípuo esclarecer que os advogados e as respectivas sociedades pagam o imposto do art. A LC 116/03. “a”. está em vigor integralmente. foi recepcionado como LC. tendo o CPC função subsidiária (art. conhecida como LEF (Lei de Execução Fiscal). Qual é o município competente para instituir e cobrar o ISSQN? O DL 406/68 tinha uma regra e uma exceção. CF/88. Mas acabou não retratando todos. “in fine”. Ademais. Portanto. A segunda preconizava que o ISSQN de empresa construtora seria devido no município da construção (art. Os municípios que não editaram suas normas de adaptação. DL 406/68). Logo. DL 406/68). A LC 116/03. . III. o ISSQN poderia ser arrecadado segundo a nova legislação. I. somente em 2004. . prestadores de outras regiões abriram sede nesses locais. criou três possíveis alternativas. II a XXII. chamado de “ISS fixo” (SABBAG. podem surgir dúvidas acerca do local onde deverá ser recolhida a exação. depois do último diploma. adaptandose à LC 116/03.Domicílio do prestador ou do seu estabelecimento. Execução Fiscal Legislação aplicável – é a Lei 6830/80. CF/88. o contribuinte deve recorrer à consignação em pagamento (“depósito” em juízo). Entre a vigência do DL 406/68 até a promulgação da CF/88 e.Domicílio do tomador (art. por conseguinte. Portanto. é possível afirmar que a LC 116/03 não revogou expressamente todo o DL 406/68. Havendo a obrigação em mais de um lugar. a serem observadas necessariamente nesta ordem: . Assim. 2004). a regra da anterioridade originária (vigência possível só no exercício seguinte) há de ser observada. I.

preservou incólume a regência da execução fiscal. Em paralelo. LEF). dos Estados. 20ª ed. na realidade. CPC). A certidão de dívida ativa (CDA) goza de certeza e liquidez como presunções relativas. p. 585. Uma vez inscrita a dívida. 2003. 212) ainda lembra que esse é o único título executivo formado unilateralmente pelo credor. porquanto se trata de procedimento executório especial. e Vicente Greco Filho. manifestando a potestade administrativa e a presunção de legalidade de seus atos (GRECO FILHO. 2º. ao que parece. 2º... 269) assevera que os privilégios da Fazenda Pública são inegáveis e irretorquíveis. Humberto Theodoro Júnior. op. decorre do poder de “imperium” do Estado. Conseguintemente. insiste a doutrina em afirmar que o rito foi mantido. em coro com a melhor doutrina. p. 208. 215 . São Paulo. p. p. sendo formada unilateralmente. Rio de Janeiro. 130. 2006. Curso de Direito Processual Civil. § 1º . como será demonstrado no delineamento da execução fiscal. outrora denominados dívida ativa. 1997. Essa prerrogativa material. 3. a execução fiscal tem por objetivo conferir ao Estado um instrumento célere de cobrança de seus créditos.160 mormente operada pelas Leis 11280/05 e 11382/06. Saraiva. v. Direito Processual Civil Brasileiro: Processo de Execução a Procedimentos Especiais. VII. cit.. 101). e Chimenti. v. bastando existência de prévio procedimento administrativo com contraditório.320. da concordância ou aceitação do sujeito passivo da obrigação. § 3º. Câmara (2006. 101. Nesse passo. assim como outras processuais. dos Municípios e do Distrito Federal. 211). o prazo prescricional para a propositura da demanda executória fica suspenso por 180 dias (art. Forense. a execução fiscal é o processo idôneo a que a Fazenda Pública satisfaça seus créditos decorrentes de dívida ativa. será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. A LEF é claramente prófazendária. Definição – execução fiscal encontra delineamento pelo próprio legislador da LEF: Art. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4. 2. 2003. p. sem demais considerações. p. cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º. sem participação do devedor. Por conseguinte.Qualquer valor. com as alterações posteriores. Segundo Câmara (2006. é o ato jurídico de lançamento do crédito (inscrição em dívida ativa) e não o documento que o materializa (respectiva certidão)215. para sua validade. que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. desde que seja formado previamente um título executivo extrajudicial específico: a certidão de dívida ativa (art. não necessita. para quem a certidão de dívida ativa em si é o título hábil a aparelhar a execução fiscal. de 17 de março de 1964. Assis (apud CÂMARA. redigida para favorecer a arrecadação fiscal por parte do Estado. O legislador. tenham eles natureza tributária ou não. Segundo Chimenti (2002. p. 208). o que constitui o título em tela. Cf. 16ª ed.

§ 8º. De outra sorte. 6/9/2007. de certa forma. universal ou singular). ficou patente não ser possível pessoa jurídica de Direito Privado exercer poder de polícia. 2º. 369) faz interessante observação (art. competente para processar a execução fiscal será o juízo: 216 217 STJ. j. Min. por débitos fiscais. mas sim da execução contra a Fazenda Pública (arts. ou a autarquia especialmente criada para tal fim. responsável e sucessor (“causa mortis” ou “inter vivos”. por meio de outorga da capacidade tributária ativa. massa e espólio. LEF). adequando-a ao novo senhor da coisa. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. Legitimidade – a ativa pertence aos entes federados. 730 e 731. de que essa não possui dívida ativa. 41. Nessa demanda. CPC). posição essa reforçada pelo Supremo na ADIn 1717. a qual entende ser prescindível que conste o nome do responsável na CDA. afirmando descaber execução fiscal em face de débitos da contribuição de seus filiados. Competência – de acordo com a redação do art. 721/290. é lícito à Fazenda promover a substituição da CDA. I a VI. quando há sucessão processual em decorrência da mudança de propriedade do bem tributado (arts. fiador. seguiu os precedentes do STJ. No entanto. Apesar desse raciocínio. se um Estado demandar autarquia estadual da mesma unidade federativa. fiador. Nesse ponto. O STF. rel. 578. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. ampliada pela jurisprudência. 2º. os tribunais aceitam que o fisco se volte contra responsáveis pelo pagamento do crédito independentemente de expressa menção no título217. “caput”. há precedentes no STJ. falecendo-lhe legitimidade para demandar no modelo da LEF. Dessa feita. CPC. . o rito a ser seguido não será da LEF. massa (falida ou da insolvência civil). não havendo de se falar em qualquer ilegalidade nessa prática216. Informativo do STJ n° 330. RT 697/131. os conselhos de profissões regulamentadas têm natureza autárquica. Câmara (2006. p. REsp 840. LEF): Obrigatoriedade de constar o nome no título – para sucessor singular e responsável. e 2º. os legitimados passivos estão expressamente elencados no art. Por exclusão. No tocante às exações reais. Sendo assim. 737/340. Prescindibilidade em constar no título – para sucessor universal. § 8º. as referidas instituições poderiam ajuizar execução fiscal. I. LEF: devedor. Luiz Fux. 1ª T. CPC. espólio.161 O art.623-BA. com correlata distribuição de competência do poder de tributar. por meio da ADIn 3026. a qual se liga à decisão de embargos de execução fiscal. Segundo entendimento prevalente na jurisprudência. fala em “decisão de primeira instância”. A posição do autor é. é feita nova citação ao atual proprietário. pois foi ratificada sua natureza autárquica. LEF. § 5º. empresas governamentais não têm legitimidade para ajuizar execução fiscal. No ponto. como já está pacificado na jurisprudência. 4º.. concernentes à OAB.

desde que não seja ela sede da Justiça Federal”. Nessa hipótese. 127. muito pelo qual o princípio da “perpetuatio jurisdiciones”. entre os seguintes (foros eletivos concorrentes): • Foro de qualquer dos devedores. quando houver mais de um. desde que não implique em claro embaraço à atividade da autoridade tributária (art. I a III. 127. o contribuinte ou responsável pode elegê-lo (art. CTN). No entanto. Não importa a natureza do tributo. 127. 127. 127. e 15. quanto a outros estabelecimentos. Inexistente essa no domicílio estabelecido. Entretanto. CF/88). Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público. o domicílio será o da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores de obrigação tributária (art. § 3º. se não tiver domicílio fixo (foros subsidiários). Quando os tributos forem de competência da União. o lugar onde se deu origem às obrigações respectivas (art. a qual detém competência tributária (art. CTN. será considerada residência habitual das pessoas naturais ou. II. CTN). 108. a execução fiscal será proposta na Vara Federal. “caput”. constante do lugar de situação dos bens do sujeito passivo ou onde se deu o ato ou fato gerador da obrigação fiscal. § 1º. esculpido no art. III. 578. se o crédito fiscal dele se originar. Alteração de domicílio do executado posterior à propositura da ação fiscal não tem o condão de deslocar a competência do juízo. I e III. • Foro da situação dos bens. o qual define o domicílio tributário. Quando insuscetíveis de aplicação os parâmetros do art. • Foro de qualquer dos domicílios do demandado. o centro de suas atividades (art. 127. 109. Os recursos serão dirigidos ao TRF enquadrante (arts. CPC. incluindo empresários individuais. o domicílio será aquele de sua sede ou. CF/88. parágrafo único. CTN). 2º) Do foro da residência ou do lugar onde o demandado for encontrado. I a III. no aspecto espacial. a linha traçada pelo CPC segue a esteira do art. quando desconhecida ou incerta. CTN.162 1º) Do foro de domicílio do executado (foro comum). determina que a Fazenda Pública tem a prerrogativa de escolher o foro. se imposto ou contribuição social (arts. quando esse apresentar mais de um. 87. o domicílio será qualquer de suas repartições no território da pessoa política. Em verdade. Em tese. o art. I. 218 Súmula 40 do TFR: “A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o juiz de direito da Comarca do devedor. CTN). § 4º. No tocante às pessoas jurídicas de Direito Privado. ainda que o demandado não mais tenha residência ali. e 109. 127. CPC. Lei 5010/66). a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) poderá propor a demanda no juízo estadual (Súmula 40 do extinto TFR)218. • Foro do local onde se deu o fato ou foi praticado o ato que fez originar a dívida. II. incide na execução fiscal (Súmula 58 do STJ)219. § 2º. CTN). o domicílio será definido por essa. a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada”. 219 Súmula 58 do STJ: “Proposta a execução fiscal. CTN). 127. na ausência da eleição. .

8. nos termos do art. Lei 8397/92). avaliação ou alienação de bens na execução ordinária. por aplicação analógica do art. “in fine”. LEF. CPC. 5º. não é necessário que a exigibilidade do crédito fiscal esteja perfeitamente plausível. Nesse sentido. V. solução mais consentânea que aquela adotada pelo art. será ela aí julgada (art. “caput”. . 20. a ação cautelar fiscal pode ser proposta antes da execução fiscal ou no curso desta. Nesse caso. a Fazenda pode obter a declaração de impenhorabilidade dos bens do devedor. CPC). 78). CPC. 2º da Lei n. Dessarte. pelo qual aquele só pode decidir sobre penhora. 798. a medida requerida tem por fundamentos o perigo na demora e os indícios do direito alegado pelo autor. a penhora de bens do patrimônio do executado. “caput”. 1º. 207). parágrafo único. a Fazenda Pública já poderia propor diretamente a execução fiscal e. porque se trataria de um exagero em favor do Estado. p. pelos quais a “vis attractiva” de outros juízos não se opera perante a execução fiscal. LEF). 8397/92). o fisco tem preferência no seu juízo privativo – quer seja na Justiça Federal para União e respectivas autarquias. CPC. antes ou depois da ação de execução fiscal. Lei 8397/92 (art. a defesa típica (embargos do executado) será oferecida no juízo deprecado e remetida para o juízo deprecante.163 Caso o exeqüente não tenha conhecimento sobre o paradeiro espacial do executado. a cautelar fiscal sem constituição definitiva do crédito. cristalina é a lei em determinar o foro ao menos pelos parâmetros do art. se a matéria trazida à baila disser respeito a vício ou a irregularidade atinente ao juízo deprecado. o juiz recepiendário tem autonomia majorada para resolver as querelas a ele atinentes. no limite do crédito tributário” (FÜHRER e FÜHRER. Sendo a execução fiscal promovida mediante carta precatória. 20. parágrafo único. 1700) apregoa que não poderá propor a demanda no seu domicílio. O legislador arremata a questão da competência por intermédio dos arts. § 2º. “caput”.937/92) (CHIMENTI. por conseguinte. Ação cautelar fiscal – interessante trazer a definição dada pela doutrina: Instituída pela Lei 8. LEF). Lei 8397/92).397/92. uma vez notificado para pagar ou submetido a arrolamento de bens (Lei 9532/97). 578. Carmona (2004. assim como qualquer outra cautelar (art. 747. Por óbvio. de insolvência civil ou de inventário. parágrafo único. p. excepcionalmente. pois. 2002. se dessa forma fosse. 2001. como no juízo falimentar e de recuperação de empresas. quer seja nas varas da Fazenda Pública para as demais entidades públicas – e não se submete a concursos de credores. p. competente esse para resolver as questões ali suscitadas (art. Com efeito. e 29. “b”. “Pela ação cautelar fiscal (L. é permitida. intenta aliená-los. de liquidação. 2º. No entanto. Nesse passo. São as hipóteses em que o devedor. 94. O objeto da ação é tornar indisponíveis os bens do contribuinte que apresente situação que pode colocar em risco o recebimento do crédito fiscal (art. 2º. “in fine”. A medida só pode ser ajuizada após o lançamento (art. e VII.

109. de repetição de indébito. e Súmula 40 do TFR. quando houver fundada razão de inadimplência da pessoa jurídica devedora (art. porquanto há situação de risco para o Estado em não receber seu crédito. III. competente será a Justiça Federal (art. Lei 8397/92). 2º. mais especificamente a vara de execução fiscal ou da Fazenda Pública. não podendo ir além disso. Os requisitos da medida cautelar fiscal estão inscritos no art. competente é a Justiça Estadual. CF/88). “caput”. A norma não requer má-fé. 4º. Note que os dispositivos permitem até mesmo atingir bens . CTN. em sua vara de execução fiscal ou mesmo anexo fiscal. O efeito da concessão pelo juiz é a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite do crédito indicado (art. é interessante que o demandante afirme e prove que o sócio controlador ou o administrador pode frustrar o recebimento do crédito fazendário. O STJ não concorda com esse comando. afirmando que a desconsideração da personalidade jurídica depende dos requisitos esculpidos no art. Além da prova do perigo na demora (art. quando existentes. Lei 8397/92). “caput”. dolo ou culpa do acionista controlador. 127. Sendo tributo federal. Lei 8397/92. §§ 1º e 2º. inclusive quanto à competência da Justiça Federal.164 O objeto da restrição é o total da dívida ativada. §§ 1º e 2º. Supondo que haja tributo federal e inexista vara federal no domicílio do devedor (em princípio. I a IX. No pedido. I. justificando seu pedido nos termos do comando legal mencionado. Lei 8397/92). Em regra. Lei 8397/92). No direito. podendo a medida ser preparatória ou incidental ao feito principal. 4º. do administrador ou de qualquer um que tinha obrigação contratual ou estatutária de cumprir as obrigações tributárias. etc. CTN). prevalece a regra do domicílio do contribuinte até mesmo sobre outros critérios. e 15. Como se trata de medida cautelar. De fato. Isso não aplica nas ações ordinárias fiscais. II. Tratando-se de tributo estadual ou municipal. como declaratória negativa de débito. I a IX. 3º. “caput”. Poderá haver extensão da constrição sobre os bens pessoais de administrador ou de sócio controlador da empresa (atual ou passado). I e III. § 3º. a petição deve indicar e caracterizar uma das hipóteses do art. Lei 8397/92. a PGFN deverá ajuizar a cautelar fiscal (e a conseqüente execução fiscal) perante o juiz de direito (arts. 135. 800. o pleiteante deverá demonstrar. o demandante deve solicitar a concessão da respectiva medida cautelar fiscal. a regra de competência segue o comando do art. exige que haja prova literal e documental do crédito fazendário. o foro ou a subseção judiciária competente é do domicílio eletivo do devedor (art. devendo ser requerida ao juízo “virtual” da futura execução fiscal. CPC. No aspecto formal. é possível pedir a indisponibilidade de bens da pessoa jurídica e de sócio. 2º. exatamente o lançamento definitivo do tributo. quando presentes. 3º. além dos fatos. 109. o art. Lei 8397/92. o juízo competente para conhecer a correspondente execução fiscal é o mesmo apto a apreciar o pedido de cautelar fiscal (art. Lei 8397/92). mediante medida cautelar fiscal (art. I. Prova-se a exigência pela constituição do crédito tributário. 5º. já mencionada). o foro da matéria). Nesse ponto. 4º. “caput”. Na execução fiscal (e na medida cautelar fiscal). CF/88. De fato. Lei 5010/66.

8º. o meirinho se dirige ao domicílio dele para tentar penhorar bens. De outra parte. qualificação e endereço do requerido. 2º. . Lei 8397/92). dentro do decurso legal de cinco dias (art. 9º. o STJ relativiza a exigência de que a indisponibilidade de bens recaia sobre patrimônio ativo permanente do executado. os fatos alegados pela Fazenda são considerados verdadeiros. Informativo do STJ n° 332. observada a ordem de preferência do dispositivo (art. 135. 185-A. Para tal. CTN. o qual previu que o juiz deverá decretar “ex officio” a indisponibilidade de bens do devedor citado (sem perder de vista que o despacho que determina a citação suspende o curso prescricional – art. Lei 8397/92). Dificilmente a Fazenda conseguia fazer prova das hipóteses do art. LEF).165 daqueles que já foram sócios. O STJ interpreta o dispositivo à luz do art. Para suprir a deficiência. “caput”. REsp 841. o devedor pode requerer a substituição da medida cautelar por uma das garantias previstas no art. LEF. Lei 8397/92. 8º. Concedida ou não a medida “inaldita altera pars”. parágrafo único. “caput”. Lei 8397/92). requerimento para citação. CTN. Ainda no tocante ao art. 10. Nesse âmbito. “caput”. Na contestação ou a qualquer tempo.. traz os requisitos formais da exordial: endereçamento. o juiz vai designar audiência de instrução e julgamento. Entretanto. Lei 8397/920).173-PB. provas a serem produzidas. proferindo o juiz decisão de mérito no lapso impróprio de 10 dias (art. Lei 8397/92. diante da não localização 220 STJ. 9º. a LC 118/05 trouxe o art. o rigor da medida. 4º. a medida não é efetivada de plano. a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser em benefício do credor justificam. I a IX. “caput”. “caput”. 18/9/2007. Sendo infrutífera a diligência. É também plausível o pedido de liminar. “caput”. a medida cautelar fiscal pode ser requerida entre a “constituição do crédito” (lançamento) e a execução fiscal ou após essa última. 7º. Lei 8397/92. CTN. 1ª T. Quando o devedor não cumpre o despacho judicial inicial. § 1º. III. Min. I a IV. Exemplo desse entendimento está na autorização judicial de penhora de subsídios governamentais a serem repassados ao executado220. parágrafo único. a constrição pode abater-se sobre bens do ativo não-permanente da empresa. rel. com o objetivo de colher provas sobre o processo (art. 6º. excepcionalmente. tem-se a decisão. não havendo contestação. aplicando-o restritivamente. O art. I a IV. I. fazendo com que a medida cautelar fiscal fosse praticamente ineficaz. o devedor será citado (art. Depois da produção probatória. 9º. nos termos do art. caso o requerido trave conhecimento com a demanda. Luiz Fux. quando esse não pagar nem oferecer bens a penhora em execução fiscal. CTN). “caput”. 174. 185-A. quando o devedor não indica bens suficientes e aptos a garantir a execução. Essa atuação é feita por meio eletrônico. deve estar presente o requisito do receio de frustração da eficácia da medida. porquanto o diploma em tela a possibilita (art. Lei 8397/92). fica autorizado o magistrado a perpetrar a indisponibilidade do patrimônio do executado. De acordo com a interpretação da corte. Se o devedor contesta. j. porquanto a legitimidade do crédito tributário. através do convênio BACEN-Jud.

comuns a qualquer exordial. a Súmula 190 do STJ221 determina que devem ser pagas as despesas do oficial de justiça. I a III. não arquivamento ou não ocorrência da prescrição intercorrente. LEF). Lei 9532/97). 64. Depois do decurso de um ano. Lei 9532/97). Lei 9532/97). não é necessário trazer à baila fatos e seus sucedâneos. I a III. o juiz manda arquivar o processo. 64. Fora essas hipóteses. O não cumprimento dessa formalidade importa em invalidade na decretação da prescrição intercorrente. bem como deverá ser cancelada se garantido o juízo da execução fiscal de outra forma (art. 40. independentemente de manifestação do juízo ou da secretaria. não se exige o requerimento genérico de prova. sua não suspensão. Não sendo frutíferas novas tentativas. não é adequada a cautelar. Arrolamento fiscal – nos termos do art. § 4º. Entretanto. com piso de R$ 500. futuramente. A reboque do registro da penhora na execução fiscal (art. o arrolamento será averbado em todas as repartições onde haja banco de dados continente dos bens do devedor (art. Lei 9532/97). devendo revestir-se de formalidades mínimas. A peça vestibular da execução fiscal é um pedido de meios executórios ao Estado-juiz. Procedimento – o rito especial segue as seguintes fases: Petição inicial – deve conter endereçamento. O ato de arrolamento é perfeito mediante notificação ao devedor. “caput”. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. garantindo o prosseguimento da execução fazendária. § 3º. § 4º. § 5º. cumpre à Fazenda Pública antecipar o numerário destinado ao custeio das despesas com o transporte dos oficiais de justiça”. 64. A suspensão e a declaração de ocorrência da morte da pretensão do fisco pelo decurso do tempo são declaradas de ofício pelo magistrado. 64. § 4º. 64. Nesse caso. Essa restrição poderá. Com efeito.166 e conseqüente não citação do devedor.000. tal 221 Súmula 190 do STJ: “Na execução fiscal. 40. 40. §§ 8º e 9º. 6º. pedido e requerimento de citação do executado (art. É nesse sentido que se presta a medida cautelar fiscal. o art. porque a indisponibilidade será decretada de ofício pelo julgador. Lei 9532/97). . já mencionada). LEF. LEF). diz que o feito e a prescrição ficam suspensos por um ano (art. 64. Com efeito. servir de base para a indicação de bens à penhora pelo exeqüente. não sendo encontrados bens para o arresto. justamente para evitar a aplicação integral do comando mencionado. LEF.00 (art. 14. 64. Entretanto. I. prescindindo de requerimento para produção de provas e não se sujeitando a custas e emolumentos. § 2º. começa a correr o prazo do lustro para prescrição intercorrente (art. o arrolado não poderá alienar. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. “caput”. Por óbvio. LEF). A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal supra delineada (art. cujo recebimento marca o termo inicial para a restrição administrativa em comento (art. porque estão presumidos na CDA. não é composta tão-só por esses elementos. desde que haja prévia manifestação da Fazenda Pública (art. processada perante a Justiça Estadual. 40. § 7º. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. § 3º. LEF). a não citação do devedor não permite o decreto de indisponibilidade patrimonial e. Lei 9532/97). Lei 9532/97. e Súmula 314 do STJ.

o Determinação da penhora. I a V. se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar. não prevalecendo o estatuído no art. VI. CPC. data e número de inscrição da dívida ativa. § 2º. 26. fazendo jus o executado. 102). Não sendo encontrado o demandado pelos Correios até 15 dias depois. CPC). III. sob pena de penhora imediata (art. “d”. com o devido aviso de recebimento (AR). cit. I a VI. o qual não admite essa colocação feita pelo legislador. correção monetária e forma de cálculo – se incidente. 653. o Avaliação dos bens constritos. LEF). 8º. nos termos do art. O legislador considera perfeita a citação se a carta for entregue ao próprio executado no endereço indicado222 ou 10 dias depois de retornado o aviso de recebimento na agência postal. o Citação do executado. CPC). aos honorários advocatícios (GRECO FILHO.. p. LEF). origem. O cancelamento da inscrição da dívida ativa implica em extinção da execução sem ônus para as partes (art. Se escolhida a forma editalícia. II. . número do processo administrativo ou do auto de infração. preceitua o que o juiz deve dizer na recepção da exordial: o Recebimento da peça. 2º. LEF (GRECO FILHO. “caput”. 6º. “caput”. se neles expresso o valor da dívida (art. o Registro da penhora. LEF). Despacho inicial – o art. e §§ 1º e 2º. 222. caso não haja indicação da data do recebimento (art. Ademais. e 6º. seus requisitos formais e temporais 222 Cf.167 qual se depreende do confronto entre os arts. Theodoro Júnior. fundamento e natureza da dívida. 8º. LEF. Citação – a lei assina prazo de cinco dias para o pagamento judicial. domicílio e residência deles – se possível. sendo lícita sua emissão inclusive por meio eletrônico (art. segundo entende a jurisprudência. O mandado será remetido ao executado por via postal. Greco Filho (2003. “caput”. 8º. sem embargo das custas e demais despesas. I a IV. 102) faz uma crítica à ficção da citação por correspondência. por ser esse norma geral e não especial. deverá ser instruída com a certidão de dívida ativa. § 5º. se estiver em termos. O legislador permite que a exordial e a CDA consubstanciem documento único. contendo: nome do devedor e dos coresponsáveis. a citação deverá ser feita por oficial de justiça ou por edital (art. LEF). p. termo inicial e forma de calcular juros e demais encargos. 8º. LEF). 7º. valor inicial da dívida. p. pois o legislador não exigiu que a carta com mandado seja recebida pelo executado. LEF) ou não seja garantido o juízo (pelo depósito). o Efetivação de arresto (pré-executivo – art. devendo ser expedido correspondente mandado. 8º. § 3º. CPC. 2003. caso não seja paga a dívida no decurso estabelecido (cinco dias – art. op. 282. 102). salvo se o exeqüente requerer de outra forma. 2003. LEF.

p. 40. se a prescrição foi interrompida. No entanto. fundando-se no art. a execução ficará suspensa. p. I. a partir do arquivamento do feito. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. formaram-se duas correntes: O termo inicial da interrupção retroage à data da propositura da ação – nos exatos termos do art. 2006. 8º. § 1º. p. LEF. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. . se o executado. segundo Theodoro Júnior (apud CÂMARA. LEF). LEF). 40. e EmbDiv no REsp 743867/MG. 25. CTN). Citação e prescrição – a citação tem o condão de interromper a prescrição a partir do despacho do juiz que o determina (arts. 2006. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. “caput”. LEF. se não houver órgão da procuradoria na comarca. parágrafo único. LEF). é a posição defendida por Câmara (2006. 103). assim como o decurso prescricional (art. 174. A tese pró-contribuinte. passou a considerar que. REsp 914879/SP. como diploma protetivo do credor fiscal. CTN. 8º. 223 STJ. 2006. sendo certo que o legislador utilizou a expressão “a qualquer tempo” para a efetivação desse ato. A melhor doutrina. e 174. encontrar-se no exterior – art. Não havendo bens a serem penhorados.168 (publicação por 30 ou 60 dias. “caput”. no segundo caso. CTN). 2003. “caput”. CPC. p. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). p. A prescrição intercorrente aqui mencionada encontra fulcro em uma hermenêutica sistemática. 371) e por Silva Pacheco (apud CÂMARA. LEF). Em sentido contrário. 174. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. p. 219. 372) e por Câmara (2006. haveria autêntica mácula à isonomia. 8º. volta a correr o decurso prescricional de cinco anos da Fazenda Pública (art. § 2º. representada por Theodoro Júnior (apud CÂMARA. IV. sob pena de tornar a obrigação fiscal imprescritível. 371). muito pelo qual a LEF. Sobre o tema. parágrafo único. § 2º. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. A intimação da Fazenda Pública é pessoal em favor do procurador (art. porque nenhum outro credor goza de imprescritibilidade de seu crédito. os autos serão arquivados (art. 371). § 3º. 372) apregoa que. Caso a situação permaneça assim por mais de um ano. Não há retroação – porque a LEF é diploma especial. a intimação da Fazenda poderá ser feita por correspondência com AR223. recorrendo-se ao direito processual comum e aos princípios gerais de direito para resolver a querela (GRECO FILHO. § 1º. 40. LEF) estão delineados no art. O desarquivamento só será possível se surgirem novos bens passíveis de constrição.

191. não sobre a intercorrente. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. os quais deverão responder ao comando com relação completa dos bens indisponíveis (art. Nesse caso. pelo princípio da especialidade. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. porque prescrição é matéria de defesa disponível. porque é possível sua renúncia por razões outras. 2006). O reconhecimento “ex officio” da prescrição. LEF). Apesar de parte da doutrina entender que a prescrição. desde que ouvido previamente a Fazenda Pública (art. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. CPC). 11. sob pena de nulidade absoluta do ato. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. Nesse caso. 194 do Código Civil pela Lei n. CTN). “caput” e § 2º. 219. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. a disponibilidade do direito correspondente é flagrante para o entendimento majoritário (CÂMARA. não configurando direito subjetivo do contribuinte. como já disse o STJ. além de positivar a prescrição intercorrente. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ. § 5º. 191 do texto codificado”. Isso não significa que a prescrição não intercorrente (art. como é possível aduzir do Enunciado 295 do Conselho da Justiça Federa (CJF)224. Observa-se que o ato pode ser efetivado inclusive por meio eletrônico (“penhora on-line”). é aplicada imediatamente. já mencionada). 219. CPC) – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado (art. tornou-se matéria de ordem pública. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. oficiando todos os órgãos de registro de patrimônio sobre a medida.169 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. 185-A. 269. o magistrado decreta a indisponibilidade patrimonial “futura” do executado. Sendo assim. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. aplica-se a segunda. “in fine”. . § 5º. LEF). Entretanto. atingindo os feitos em curso. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. Isso não significa que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. a Lei 11051/04. Para solver o entrave. 1º. Havendo conflito entre CPC e LEF. pelo simples decurso do tempo. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução.280/2006. o que o agiliza e o torna mais eficaz. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. Indisponibilidade de bens – feita a citação e não encontrados bens à penhora. § 4º. sem prévia oitiva do fisco. mesmo porque há interesse público em jogo. deverá ser veiculado o 224 Enunciado 295 do CJF: “Art. IV. 40. A revogação do art. como norma processual. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandado-contribuinte. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. a partir da Lei 11280/06. porque versará sobre a modalidade ordinária da perda da pretensão. Em razão da Lei 11280/06. CPC). permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador.

de uma forma geral.. porque. . e 1647. XXXV.170 valor da dívida. como bem vem entendendo a jurisprudência. LEF). Depósito em dinheiro em estabelecimento oficial de crédito. 655-A. depois da hasta pública. Não tendo tais finalidades. não há óbice à sua efetivação. é “conditio sine qua non” para a propositura de ação anulatória de débito fiscal. multa de mora. o cônjuge do executado ou do terceiro proprietário deverá anuir ao ato (arts. Nomeação de bens próprios à penhora. I a XI. CPC. de acordo com a ordem sugestiva do art. trouxe tal previsão na execução ordinária. somando-se o principal. não há de se argúi-la. Caso seja ultrapassado o teto. Em princípio. preferiu. deverá adimplir totalmente o débito. no diapasão da Lei 6830/80. LEF. encargos e custas judiciais (art. I a VIII. apesar do STJ ter apontado nesse sentido. o julgador deve determinar o levantamento do excedente (art. dada pela Lei 11382/06. 9º. A doutrina ainda não se posicionou sobre o tema. CF/88). O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. “caput”. Uma vez que o executado ofereça bens à penhora e haja recusa por parte da Fazenda exeqüente. I. “caput”. desde que essa tenha por objetivo impedir ou suspender execução fiscal. II. desde que previamente aceitos pela Fazenda Pública. 3. 2. 5º. podendo ser feito de várias formas (art. Fiança bancária. tendo o decreto limite exatamente nele. Opções do executado – recebido o mandado de citação. 1: caso seja oferecido bem imóvel. móveis a imóveis. não há dever processual em fazê-lo novamente. CTN). LEF): o Pagar a dívida – nesse caso. pois o saldo resultante da hasta pública será restituído ao executado. 151. o que ainda não é pacífico. CC). juros. § 1º. o saldo será revertido ao devedor. Segundo Greco Filho. o Garantir o juízo – a fim de propiciar a discussão da dívida por meio de embargos do executado. a inação do executado não impede a 225 O depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. Indicação de bens de terceiros à penhora. I a IV. 11. o executado tem algumas alternativas durante o interregno dos cinco dias subseqüentes (art. 9º. muito pelo qual o art. desde que incidente correção monetária225. § 3º. pelo fato do instituto harmonizar-se com a regência e com o espírito da LEF. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. na nova redação do art. Vê-se que o excesso de indisponibilidade só pode ser invocado se a constrição recair sobre bem divisível. 655. 8º. op. § 1º. CTN). correção. No ponto. 185-A. Ex. LEF): 1. 8º. Em contrário senso. Obs. 4.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. 2: o legislador do CPC. cit. Obs. sob pena de macular a inafastabilidade do Judiciário (art. não há de se requisitar o depósito em comento. LEF.

fala em execução provisória ou definitiva. o Permanecer inerte – nessa hipótese. CTN). como bem indica Chimenti (2002. apesar de ficar sujeito a outras medidas constritivas. CPC). Execução provisória e definitiva – o art. apesar de o agüazil encontrar bens suscetíveis de constrição judicial. 2º. Se os embargos forem recebidos com efeito suspensivo e. A certeza e a liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno 226 STJ. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. CTN) – depois da citação válida. Com esse entendimento. . a execução fiscal ficará obstada. CPC. CPC. O arresto. “caput”. 2ª T. § 1º. sobre o qual decidirá o julgador (arts. 13. conquanto já atuará por ordem do juiz na primeira oportunidade. visto que transferência de bens do executado e depósito de dinheiro exigem a garantia. caso a apelação seja recebida no efeito devolutivo. I a IV.171 qualificação de sua conduta. porque o regime do procedimento é o mesmo na execução civil ordinária. a jurisprudência do STJ firmou posição226. O prazo legal para tal é de 15 dias para execução fiscal e de 10. caracterizam fraude à execução. 13. valendo a avaliação do oficial de justiça como parâmetro preliminar (art. Eliana Calmon. a execução prossegue nos moldes provisórios.339-SP. qualquer das partes pode impugnar o valor da avaliação até o edital da hasta pública (art. 652. como a Fazenda não pode oferecer caução pela impenhorabilidade de seus bens. o Oferecer exceção de pré-executividade ou objeção de nãoexecutividade – ver comentários abaixo. dentro do processo civil. 601. Essa lição foi bem entendida pelo legislador de 2006. LEF. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. aguardando o trânsito em julgado. 19/6/2007.. pelo juiz. “caput”. não sendo possível a avaliação pelo meirinho devido a aspectos técnicos complexos. CPC. REsp 787. Informativo do STJ n° 324. 208). rel. nos termos do art. j. LEF). julgados rejeitados. 1º. inspirando a nova redação do art. não há de se lhe aplicar as sanções contidas no art. Nesse passo. Em ambos os regimes. será solicitado. A rigor. LEF). 600. 185. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). CPC. como indisponibilidade de bens. 185. No âmbito tributário. 4º. essa é mais profunda. para a ordinária. “caput”. e 680. Nesse contexto. quebra de sigilo bancário e fiscal e penhora de patrimônio. § 3º. Conseguintemente. laudo de avaliador judicial. LEF). A primeira será efetivada de sorte a abranger tantos bens quanto sejam necessários para cobrir o total da dívida e todos seus consectários financeiros e judiciais (art. 587. 13. consoante comentário supra já feito. dependendo da situação encontrada. p. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. ao final. terá vez quando o executado não tiver domicílio ou se furtar à citação. Fraude à execução fiscal (art. provisório ou definitivo são os títulos. Min. dar-se-á a penhora ou o arresto.

Em hipótese de concurso de credores fazendários. 612. Depois de ajuizada a demanda. LEF). sociedade comercial e Junta Comercial. o executado deverá ser intimado. o cônjuge também deverá ser informado (art. no DETRAN. como título executivo extrajudicial. Tratase de presunção relativa227. ou seja. § 2º. se valores mobiliários. à guisa das fraudes contra credores. a partir intimação de sua juntada aos autos. Dessa feita. o próprio exeqüente pode averbar a demanda (não a penhora). quer seja por meio de depósito integral do valor. à execução (ordinária) e de bem judicialmente constrito. instruirá a inicial da execução fiscal. no CRI. Câmara. se estabelecimento comercial. dispensa-se a publicação exigida pelo art. 655. A intimação só será pessoal caso a citação feita por aviso de recebimento contenha assinatura de terceiro. VII. um novo instituto: fraude à administração fiscal. “caput”. qualquer um que não seja o próprio executado ou seu representante legal (art.. Penhora – uma vez efetivada. CTN. 12. erige uma presunção absoluta de fraude à execução. 12. de forma a tornar o ato eficaz “erga omnes”. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. LEF). quando esse executa o ato em si ou quando converte o arresto nele. Registro – lavrado o termo ou auto de penhora229. op. É perfeitamente possível a penhora de faturamento de empresa em execução fiscal. determina que seja averbada a penhora dos seguintes bens: 1. LEF. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. Auto de penhora é lavrado pelo meirinho. 2. 1º. CPC. Ambos documentos são idôneos. LEF). na execução fiscal (art. 12 da Lei das Execuções Fiscais”. Todo esse trâmite demanda muito tempo. I a III. LEF (Súmula 190 do extinto TRF)228. De fato. na Junta Comercial. 185. procedimento e ato dotados de presunção de legalidade e de legitimidade. 12.172 administrativo. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. § 3º. “caput”. LEF). a teor do que vinha apontando a jurisprudência do STJ e do art. de fiança bancária ou de indicação de outros bens. cit. 4. Nesse caso. Câmara (2006) afirma que surgiu. o oficial de justiça deverá fornecer cópia a repartições e órgãos encarregados do registro do bem constrito. 12. se veículo. aplicando-se o art. . o direito de preferência na penhora se defere àquele que primeiro obteve a penhora ou o arresto executivo. erigindo uma presunção absoluta de conhecimento por terceiros. se imóvel. CPC. A certidão de dívida ativa. No caso da execução ordinária. 227 228 Cf. “caput”. da juntada aos autos do processo executivo do auto ou termo de penhora (art. para quem ao art. Súmula 190 do extinto TRF: “A intimação pessoal da penhora ao executado torna dispensável a publicação de que trata o art. 229 Termo de penhora é lavrado quando o próprio executado ofereça a garantia da execução. 14. a abrir prazo para o oferecimento de embargos por parte do executado. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. o art. 3. na Bolsa de Valores. bem como a permitir a averbação da constrição nos órgãos responsáveis pelo registro do bem. Havendo constrição sobre bem imóvel. mediante publicação em diário oficial.

uma vez seguida a gradação legal. traz a possibilidade de averbação da execução em órgãos de registro de bens do executado. 736. Como defesas atípicas231. 17 e parágrafo único. No demais. Se o executado não aceitar a avaliação feita pelo meirinho. não se admite compensação. o executado poderá oferecer embargos no prazo de trinta dias. se houver prova oral a ser produzida (art. Marinoni e Arenhart (2007) e Luiz Wambier defendem que esse fenômeno também se dá na execução fiscal. Ademais. erige-se presunção absoluta de fraude à execução. II. Informativo do STJ n° 325. CPC.173 o art. § 3º.. LEF. j. e 739-A. 11. Defesa – como defesa típica. 739-A. Recebidos os embargos. 17. na execução ordinária. 373) aponta diferença entre os embargos na execução de título extrajudicial e aqueles oferecidos em sede de execução fiscal. há dois tipos admitidos jurisprudencialmente pelo sistema do CPC e da própria LEF: 230 STJ. No caso. A partir do registro. Min. A ordem de preferência do art. não obsta o prosseguimento do feito nem requer garantia do juízo (arts. seguindo-se audiência de instrução e julgamento. “caput”. não se confundindo com a presunção relativa de fraude na expedição de CDA. I a VIII. § 1º. deverá arcar com os custos da produção probatória. DJU 29/11/1999. o oferecimento de embargos. É medida plausível para preservar a eficácia de futura expropriação. há de ser observada dentro do possível. da juntada da prova da fiança bancária ou da intimação da penhora judicial (art. bem como é inaplicável reconvenção (art. “caput”. uma vez garantido o juízo por alguns dos meios do art. Essa disposição é plenamente aplicável à execução fiscal. CPC). ou pela própria penhora “ex officio”. 9º. Como matéria de defesa.970-SP. Nesse passo. 11. LEF). sua recusa é entendida como requerimento de perícia. O juiz deverá balancear o interesse do credor fiscal com a satisfação do débito e o princípio do menor gravame ao executado. certo e exigível (art. I a III. 16. 16. as alegações do embargante não são restritas a um rol taxativo de defesa (art. Eliana Calmon. . Câmara (2006. p. perigo de lesão de difícil reparação e a própria garantia do juízo (art. contados do depósito. LEF. LEF). CPC). REsp 130. porquanto o interregno e o termo inicial são diferentes naquele: 15 dias contados da juntada aos autos do mandado de citação (art. 2ª T. “caput”. consoante entendimento do STJ230. LEF). 26/6/2007. parágrafo único. DJU 18/4/2005.712-SP. posição não pacificada na doutrina. Resolvidas as questões. 18. LEF). CPC). 16. salvo se houver expresso requerimento do embargante. REsp 729. “caput”. 615-A. LEF).500-RS. rel. LEF). Não havendo essa última. 738. o juiz deverá proferir sentença no prazo impróprio de 30 dias (art. § 2º. a jurisprudência tem entendido que. I a IV. relevância na fundamentação. e REsp 611. a Fazenda Pública exeqüente não pode recusar título da dívida pública líquido. o procurador público manifesta-se pelo teor da garantia do juízo (art. a Fazenda Pública é intimada para se manifestar em trinta dias. LEF).

“caput”. 22. LEF). op. remetendo decisão para os embargos. . Hasta pública – não sendo oferecidos embargos.: tanto a objeção quanto a exceção não ensejam a suspensão do processo. 466. 23. o que configura exceção à irrecorribilidade das interlocutórias na execução. Ambas também não comportam dilação probatória. 275-290. in: Processo de Conhecimento e Processo de Execução. LEF). A perda do prazo dos embargos também pode sugerir o oferecimento da peça. cabe agravo de instrumento. podendo ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. o efeito poderá ser deferido se o excipiente solicitálo expressamente. há extinção do processo sem resolução do mérito. 1992. A mera invocação pela parte obriga o juiz a decidir.. op. Contudo. não podendo rejeitá-la “in limine”. Rejeitar a exceção – como decisão interlocutória. segue-se hasta pública para venda dos bens penhorados (art. e de fixação no átrio do fórum por igual decurso (art. devendo o excipiente demonstrar seu direito mediante prova pré-constituída. podendo ser contestado por apelação ou por embargos infringentes (causas de alçada). p.. em seu Ação Executiva – Necessidade da Penhora para Discutir a Exigibilidade dos Títulos. por se tratar de decisão interlocutória. Obs. o representante da Fazenda Pública deverá ser pessoalmente intimado (art. Rio de Janeiro.174 • Objeção de não-executividade – como trata de matérias de ordem pública. O leilão ou praça será precedido de publicação de edital em diário oficial gratuitamente e por uma única vez. não há preclusão. Negar-se a decidir – o juiz alega que não pode decidir sem instrução probatória. provando a relevância da alegação e demonstrando o perigo de lesão grave irreparável ou de difícil reparação. como entende a jurisprudência. Havendo rejeição. segundo citação de Câmara. 209. p. o juiz poderá adotar três diferentes decisões: Acolher a exceção – o processo é extinto com resolução de mérito. cit. leciona que parte da doutrina refuta a admissão de exceção de pré-executividade e de objeção de não-executividade. p. Da exceção de préexecutividade. Forense. O acolhimento depende de prova pré-constituída e de não impugnação por parte do exeqüente. Durante esse interregno. cit. pode ser atacada por agravo. O juiz não as pode conhecer de ofício. § 2º. LEF). • Exceção de pré-executividade – engloba matérias que deveriam ser ventiladas em defesa típica (embargos do executado ou infringentes). É a linha seguida por Alcides de Mendonça Lima. Como interlocutória. 22. “caput” e 1º. Desafia apelação ou embargos infringentes (causas de alçada). Há um prazo preclusivo representado pela penhora. com antecedência de dez a trinta dias. A Súmula 121 231 Chimenti. pode ser atacável por agravo de instrumento. Caso haja acolhimento. porque o executado fará uso das defesas típicas a partir de então. sendo esses inadmitidos “in limine” ou rejeitados no mérito.

não há qualquer entrave à aplicação na execução fiscal. CPC. não é necessário observar o piso da avaliação. No caso de empresa governamental. Antes da hasta – pelo preço da avaliação. Tratando-se de dívida nãotributária. Para pagar. 24. Não há infringência ao princípio da licitação (art. I e II. não haveria qualquer problema em aplicar o direito esculpido no art. ocorrendo nas seguintes hipóteses (art. incidindo juros de 1% ao mês. 691 e 692. 2006. CF/88. pagando-se o restante em seis parcelas mensais. sendo que. p. 23. “b”. 685-C. incidem juros de 10% e a execução prossegue. Nesse caso. 647. “caput”. no decurso dos embargos. “caput”. na segunda hasta (Súmula 128 do STJ)233. CTN). A melhor doutrina entende que a alienação por iniciativa particular (art. CTN. em princípio. . o que se aplica sem maiores problemas à execução fiscal. LEF): 1. porque o legislador exigiu a expropriação por leilão público (art. CPC). CPC). não é possível. se no primeiro não houver lanço superior à avaliação”. II. 746. 161. 37. O art. não há impedimento para alienação por iniciativa particular. o regime de parcelamento. desde que a taxa de juros seja aquela atinente à lei tributária aplicável (art. hora e local do ato. § 1º. O art. tem preferência sobre a arrematação. por lanços. “caput”. CF/88). Havendo débito tributário. II. Adjudicação – em favor da Fazenda Pública. 745-A. CPC. 689-A. 233 Súmula 128 do STJ: “Na execução fiscal haverá segundo leilão. cabem embargos à arrematação (art. 30% do montante total (incluindo custas e verbas sucumbenciais). o demandado deve depositar. 146.do STJ determina que o executado também deve ser pessoalmente intimado do dia. promovida pela Fazenda Pública. sem outra oportunidade de embargos ao executado. recorre-se ao art. Sendo insuficiente o numerário obtido com a venda judicial. tenham sido rejeitados “in limine” ou desacolhidos no mérito. CPC). é permitida nova penhora. à execução fiscal tributária. desde que não haja preço vil (arts. Atrasando qualquer mensalidade. 374). do dia e hora da realização do leilão”. porque a impessoalidade e a isonomia ficam garantidas pelo juiz. 155-A. “caput”. estabelece que a norma geral há de definir. 745-A. Depois da hasta – pelo valor da avaliação (caso não haja licitante depois da 2ª hasta) ou pelo valor oferecido pelo maior lançador (em 232 232 175 Súmula 121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado. “caput”. A arrematação deverá ser feita nos moldes do CPC (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. o qual se reporta a eventual lei especial em termos de parcelamento. “caput”. XXIV. CPC). caso os embargos não tenham sido oferecidos. § 1º. ao estabelecer as condições do ato (art. “caput”. LEF). pessoalmente. permite faculdade de parcelamento ao executado. permite a realização de hasta pública eletrônica. uma vez que reconheça o débito e renuncie ao direito de embargar. CPC. dentre outros. 2. Parcelamento – o art. Como o legislador complementar (do próprio CTN) deferiu a competência para o legislador ordinário.

afirmando-o como simples disposição do legislador ordinário e complementar. p. diferentemente do que ocorre na Justiça Laboral.176 igualdade de condições). 375)236. CF/88 (CHIMENTI. RT. independentemente do grau hierárquico na estrutura do Judiciário. mas embargos infringentes ao próprio magistrado “a quo” (art. LEF). 210). 93) nega a natureza de preceito constitucional ao duplo grau de jurisdição. 209). Em contrário à posição explanada. LEF). “in fine”. CPC (CHIMENTI. p. p. 211). Nessa linha. Recurso de alçada – se o valor da causa não exceder 50 OTN’s (283. 2006.. de acordo com a exigência do art. p. devendo ser oferecido em até 30 dias da arrematação. CPC). 188. 375). o sistema de execução fiscal acolhe a apelação dos embargos e os embargos infringentes nas causas de alçada. perfilhada por Chimenti (2002. 1997. o recurso contra decisão de primeira instância. p.00. por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. op. no juízo cognitivo (embargos do executado). o valor gira em torno de R$ 553. Obs. o julgador profere decisão no decurso impróprio de 20 dias (art. CLT). LEF). Os embargos infringentes devem ser opostos em dez dias a partir da intimação da sentença dos embargos do executado. muito pelo qual a decisão não é prolatada por tribunal. Observa-se que o prazo recursal para o exeqüente é contado em dobro. O interregno recursal para a Fazenda Pública será de 20 dias. a adjudicação só será deferida se o exeqüente depositar previamente a diferença em 30 dias da decisão judicial (art. 34. Recursos – além do sucedâneo recursal dos embargos (que também admitem a modalidade deferida a terceiros e os de declaração – art. 2002. III. mas não REsp (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. conquanto se trate da Fazenda Pública (art. LEF). Nessas hipóteses de menor monta. já se pronunciou o STJ quanto às decisões de turmas recursais dos JEC’s (Súmula 203 do STJ)237. Trata-se de princípio constitucional implícito. 102. quando for o caso. vem Greco Filho. 105. “caput” e § 2º. São Paulo. ausentam-se o efeito devolutivo e o duplo grau de jurisdição235. Ademais. em seguida. 897. 236 No mesmo sentido. “a”.: se o crédito fazendário for inferior ao preço da avaliação ou do maior lanço. 237 Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida. que pode ser flexibilizado pelo legislador infraconstitucional. 475. já configura o duplo grau. atualmente. II. 103.43 UFIR’s)234. Câmara (2006. 188. 225. p. nos limites de sua competência. cit. conquanto se aplica o art. devendo o “ex adverso” ser ouvido no mesmo lapso e. lembra que. 234 . 34. Agravo e duplo grau de jurisdição – não tem sido admitido agravo das interlocutórias ao longo da execução fiscal. Nelson Nery Júnior considera que o mero reexame por outro órgão. p. bem como os recursos extraordinários à disposição do sucumbente. por meio do seu agravo de petição (art. 2002. a decisão do referido recurso pode desafiar RE para o Excelso Pretório (art. o duplo grau de jurisdição corresponde à reapreciação de uma decisão judicial por órgão hierarquicamente superior. CPC). Lei de Execução Fiscal Comentada e Anotada. “a”. Como bem indica Câmara (2006. p. parágrafo único. 235 Na concepção de Barbosa Moreira e da doutrina prevalente. §§ 2º e 3º. muito pelo qual os embargos procedentes se sujeitam ao reexame necessário (art. “caput”. “a” a “d”. não é apelação. 34. É solução que favorece a celeridade. CF/88). 24. Carlos Henrique Abrão et al. III..

. defende que. 209. op. não deve haver o reexame necessário. a Fazenda Pública faria jus à reapreciação por tribunal “ad quem”238. como lembra Câmara (2006. p. II. . 238 No mesmo sentido. p. Chimenti. cit. na execução fiscal. De fato. haveria bizarra infringência à isonomia: enquanto o executado vencedor nos embargos infringentes teria o reexame perfeito pelo magistrado “a quo”.177 Exceção deve ser feita no caso de não acolhimento de exceção de préexecutividade ou de objeção de não-executividade. nas causas de alçada. não cabe sua incidência nas causas de alçada. CPC. 375). 475. Quanto ao duplo grau no sentido estrito. se aplicado literalmente o art.

Consta que. da coisa pública. econômica. 24). estatística e política. 2001. é pré-jurídica. como lembram Oliveira e Horvath (2003. nem mesmo havendo entre eles relação de conteúdo e continente (OLIVEIRA e HORVATH. vez que constitui o sustentáculo material do país. O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. termo. 29). Estados e DF (art. Envolve fenômenos de ordem social. de início. obtém suporte para exercer suas atividades. é fato que para prestar os seus serviços o Estado necessita de recursos financeiros. CF/88). No ponto. Em verdade. No dizer da teoria geral do direito. 1996). buscando dinheiro para atender às necessidades públicas. a atividade financeira extrapola a seara jurídica. mas com o aumento das necessidades foi necessário avançar no patrimônio particular. À medida que a sociedade foi construindo a possibilidade de influir nos parâmetros financeiros estatais. refere-se ao fim de uma operação que se desenvolve pelo pagamento. Dessa feita. p. Mas. p. . monetariamente. No século XIII. As finanças públicas dizem respeito à forma como o Estado. 24. 2003. as quais se volta eminentemente ao interesse público (OLIVEIRA e HORVATH. ainda eram praticamente inexistentes. aderindo-se à ciência econômica. 24. a ordem jurídica foi sendo erigida em paralelo. No ponto. A competência para legislar sobre direito tributário. 16). permitiu-se que o cidadão listasse as necessidades básicas da sociedade. Tudo lhe pertencia e a idéia de propriedade particular era sempre relativa. na Inglaterra. os recursos utilizados eram do próprio ente estatal [receitas originárias]. O direito financeiro trata justamente do regramento jurídico da atividade financeira do Estado (FÜHRER e FÜHRER. a perspectiva financeira sempre caminhou ao lado. Ou seja. entretanto. Até o Estado absolutista. o soberano era único nas decisões acerca das finanças públicas. 2003. valem todas as regras quanto a normas gerais. Foi a primeira idéia de despesa pública. Esse afã estatal sobre a acumulação de divisas decorre de sua própria razão de existência: a consecução do bem comum. porque preparar a feitura de normas aplicáveis. p. Os institutos da propriedade e da liberdade. o qual designa fim. as finanças pertencem ao plano realeano dos fatos (REALE. 23). financeiro e orçamentário é concorrente entre a União. Distingue-se do Direito Tributário. Finanças é termo que vem do latim “finis”. cobrando tributos e tarifas ou confiscando bens [receitas derivadas]. I e II.178 DIREITO FINANCEIRO Introdução – durante o caminhar da evolução estatal. p. de uma forma ou de outra e seja qual for o conceito de necessidade pública no momento. foi necessário o desenvolvimento pelo Estado da atividade financeira. parágrafo único. normas específicas e capacidade legislativa supletiva das unidades-parciais (art.

17) as chamam de facultativas. os Municípios podem legislar sobre tributos de sua competência (art. em: o Originárias – correspondem às entradas definitivas não decorrentes do poder de imposição do ente de público. Doutrinariamente. as receitas podem ser classificadas. não fazendo uso. na maioria das vezes. Em melhores palavras. Com efeito. CTN). Todavia. São Paulo. I e II.: depósito judicial. as entradas (movimento positivo de dinheiro para os cofres públicos) comportam duas espécies: receitas públicas (entradas definitivas) e movimentos de caixa (entradas temporárias). p. p. assim como qualquer outro ramo. simplesmente entrada provisória ou ingresso)239. Processual Civil e Penal. Em tese. deve ser convertido em renda para configurá-la. o Direito Financeiro. sua ligação com o Direito Constitucional é particular. uma vez que há normas específicas contidas no próprio Texto Maior. Dentro da distribuição de competência. da atuação estatal como agente privado. suplementando as leis gerais e regionais naquilo que afeta o interesse local (art. 2003. 17) são caução. inclusive de Direito Financeiro. p. Resultam. Manual de Direito Financeiro. sendo certo que essa conversão só é possível se sucumbente o demandante. Receitas públicas – receita pública representa uma entrada definitiva de valores nos cofres públicos. no dizer de Kelsen (1998). Entretanto. quanto à origem. sendo integral. Relaciona-se também com o Direito Tributário – apesar de guardar campo próprio. o primeiro. Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. obsta a exigibilidade do crédito tributário (art. são diferentes. o qual pode ser feito em um MS e. III. Apesar de admitirem haver doutrina que considera o ingresso como entrada provisória. Há uma relação de coordenação estabelecida entre Estado e particular. Administrativo. fiança e empréstimos em geral. 30. o valor será transferido para a conta do Tesouro Nacional (TN) “incontinenti”. A norma geral traz princípios para solução de entraves entre os diversos legisladores dentro da matéria de competência comum. devem ser diferenciados os conceitos de lei federal e de lei nacional. tem alicerce fim na CF/88. Por esse motivo. o Derivadas – são aquelas que advêm do poder de “imperium” do ente público. com as derrogações de Direito Público). de pare em passo com o particular (contratação em regime de Direito Privado. têm o primeiro como sinônimo de entrada simplesmente. CF/88). São extraídas quando o próprio Estado explora seu patrimônio. conforme supra mencionado –. nem todos os ingressos no erário podem ser considerados como receitas. mas não figurará aí como entrada definitiva (receita pública). 2001. o âmbito espacial de validade e o âmbito pessoal de incidência das normas. 6ª ed. o que faz excluir o movimento de caixa ou ingressos (fluxos de entrada “temporária”.. sendo portanto compulsórias (FÜHRER e FÜHRER. Revista dos Tribunais. de seu poder de imposição. Führer e Führer (2001. No quadro da ciência jurídica.179 CF/88). 239 . CF/88). II. 30. não se confundindo com taxa. Ex. 151. Outros exemplos de entradas provisórias citados por Führer e Führer (2001. Preço público e tarifa são formas de receita originária.

porquanto o crédito decorrente será resgatado. dada a competência tributária deferida pelo art. CF/88 (acrescido pela EC 45/04). 37). as transferências correntes não implicam em contraprestação pelo tomador. encontrar-se exatamente no capítulo sobre a ordem tributária. consoante a disposição do art. adotando a natureza dada diretamente pelo constituinte originário. como inconstitucional. III. não cabendo a esse autonomia perante o Leviatã. em parte. sua essência de tributo. Ex. 65) consideram o art. Obs. No entanto. p. 153. lei ou destinadas ao SUS – art.: apesar de ter origem tributária. nos moldes dos arts. o constituinte derivado não teria vênia para alargar os fatos geradores já expressos na CF/88. “caput”.180 17). CF/88. as quais têm origem no poder de polícia estatal.: só será derivada a receita se o poder de imposição for exercido pelo próprio ente que a recebe. . I e II. 157 a 162. São os casos dos impostos residuais e das contribuições residuais. I. Dentre os exemplos mais corriqueiros. dentro do Direito Financeiro. por exemplo (arts. na classificação de receitas derivadas. pronunciou-se em sentido contrário. de acordo com o 153. Fatia considerável dos jurisconsultos os qualifica como imposto. o próprio STF. pende um grande paradoxo. CF/88 – no caso de delegação de capacidade tributária ativa para o Município. o repasse de metade da renda de IPVA. ressalvadas as hipóteses anterior e originalmente previstas pelo próprio Texto Magno. Sob o aspecto do Direito Tributário. Oliveira e Horvath (2003. CF/88). e 195. CF/88). 158. acrescido pela EC 39/02. proveniente de veículos licenciados no Município. Como lembram Oliveira e Horvath (2003. 240 Súmula 418 do STF: “O empréstimo compulsório não é tributo. sob pena de configurar receita transferida. 155. a receita continua sendo classificada como transferida. perfazendo receita transferida. 154. Quanto aos EMPRÉSTISMOS COMPULSÓRIOS.: repartição da arrecadação tributária. São obtidas a partir de coerção sobre o patrimônio do particular. o caráter tributário colocar-los-ia. assim como o são as penalidades. CF/88). § 4º. VI. O exemplo típico é o tributo. a esse pertencem (art. Seriam qualificados como entradas temporárias. CF/88. p. podendo ser tributárias (na sua maior parte) ou não-tributárias. Podem ser obrigatórias (previstas em Constituição. 148. “in fine”. 25. III. Ao contrário dos empréstimos (ou créditos) públicos. e sua arrecadação não está sujeita à exigência constitucional da prévia autorização orçamentária”. 149-A. Segundo os autores. a taxa é considerada receita derivada. porque o tributo em comento é de competência do Estado (art. apesar de seu teor não ter mais aplicação em face da atual ordem constitucional vigente. por meio de sua Súmula 418240. No contexto. Oliveira e Horvath (2003) dizem que as receitas transferidas se resumem nas transferências correntes. o que desvirtua. III. metade do ITR recolhido em Município continente de seus imóveis. Não poderia criar mais exações. LRF) ou voluntárias (por exclusão às anteriores). receita não podem ser. o Transferidas – resultam de transferências entre os entes federados. “caput”’. Em contrário senso. na esteira. CF/88. porquanto a titularidade do tributo é atinente à União. § 4º. a doutrina majoritária tem-nos como tributos. Ex.

Seu valor se deve ao custeio da atividade praticada em favor do usuário. persistirá taxa.. de acordo com o mercado. tendo em conta os preços praticados no mercado. considera-se a prestação de serviço público específico e divisível em contrapartida à remuneração por parte de usuário. entende que haverá preço público se aquele for ente de Direito Privado. olhando a figura do prestador. a natureza será de taxa. ao contrário da taxa. desde que haja previsão contratual (ou legal) nesse sentido. A tarifa deve ser fixada no menor valor possível. O STJ adota a última corrente.247 e 167. dentro de um patamar razoável. porque não se reverte com exclusividade para o erário. Uma segunda corrente observa a compulsoriedade no pagamento da contraprestação: sendo obrigatório. CTN. existindo taxa se for de Direito Público. RE 54491-PE. Uma primeira corrente. a existência de um preço público teria como pressuposto adesão a um contrato. contratuais e obrigatórias (FÜHRER e FÜHRER. No raciocínio. por exclusão. haverá preço público. STJ. Tarifas. como se afigura no art. Não tem natureza tributária.: preço do selo de correspondência. a teor do art. de sorte a garantir. Isso porque os serviços públicos universais e indivisíveis (“uti universi”) recebem como contraprestação impostos. sendo de fruição facultativa. Quanto ao critério da periodicidade. Min. presente a autonomia das partes. Também não deve ser confundida com preço público. poderiam ser enquadradas em ordinárias – aduzidas nos momentos de normalidade – e extraordinárias – incidentes em momentos de guerra ou na sua iminência. DJU 15/10/1963.: herança jacente deferida ao Município (art. entendendo que não há escolha pelo usuário. j. A tarifa ainda permite reversão aos cofres públicos. Ademais. sendo revertido para o próprio Estado. 2001.559-MS. Taxas e preços públicos – para que persista um conflito dessa natureza. ainda que potencial. como em uma compra e venda. Luiz Fux. Terceira posição assevera que o parâmetro é a compulsoriedade na utilização do serviço: sendo de uso obrigatório. porque esse é determinado conforme o valor do serviço prestado. Ex. CF/88 (imposto especial de guerra). segundo entendimento do STJ e do STF241. p. A querela se coloca segundo três orientações teóricas. . Preço público não leva a lucro. taxas e preços públicos – tarifa é um item obrigatório a figurar em contrato de concessão. As primeiras não implicam em qualquer contrapartida por parte do Estado. 17). 242 STJ. como nos tributos. Oliveira e Horvath (2003) falam em outras classificações das receitas. Essa obrigatoriedade da taxa só é 241 STF. 154. porque a coerção no uso concreto ou potencial do serviço só pode ser remunerado por meio de taxa242. sendo único nessa espécie de avença administrativa. deverá ser módica também. Ex.489. II. REsp 802. existiria preço público. sendo facultativo. 1844. Ex. As segundas advêm de ajuste em que o Estado participa na condição de contratante. REsp’s 848.: cobrança por serviço de água e esgoto constitui tarifa. CC). 3º. 1ª T. a atualidade do serviço. Informativo do STJ n° 327. destinando-se tanto ao custeio do concessionário quanto a seu lucro. Essa compulsoriedade estaria prevista em lei.181 A doutrina ainda classifica as receitas em gratuitas. A taxa não respeita esse mecanismo. rel. As terceiras são estatuídas e arrecadadas de forma vinculada. 14/8/2007.

1º. 1ª T. Ademais. empresas governamentais e MP (art. I a V. A dívida pública fundada. operações de crédito (incluindo antecipação de receita). STJ. rel. custas judiciais e licenciamento ambiental. entendeu que esses últimos não são atingidos pela Lei 8429/92. 2001. p. A obrigatoriedade é realmente da fruição do serviço e não do pagamento. o valor cobrado em pedágio pode ter natureza de taxa ou preço público. a qual não é obrigatória. No entanto. Municípios. precatórios não pagos. dívidas consolidada e mobiliária. 245 STF. j. 23). Em suma. rel. Rcl 2138/DF. Gilmar Mendes. não coincide com o conceito de dívida consolidada.182 excepcionada. DF. §§ 2º e 3º. Executando serviço público próprio de Estado ou exercendo poder de polícia. valendo os pagamentos tão-só aos juros. LRF). CONCEITOS (art. 13. Judiciário. a priori. CF/88. Destarte. cujo principal não é resgatável. ou seja. é aquela de médio ou longo prazo (FÜHRER e FÜHRER. em três situações: emissão de passaporte. Tecnicamente. LRF). Nelson Jobim. o STF. dependendo da existência ou não de alternativa na via de acesso. ao contrário da flutuante. 2º. dá margem à cobrança de pedágio por meio de taxa.6. Tribunais de Contas. a Súmula 545 do STF (já comentada) materializa. De fato. orig. § 1º. José Delgado. aquela considerada perpétua. 53). o art. Informativo do STF n° 471. 150. LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) OBJETO (abrangência) – cumprimento de metas sobre receitas e despesas e observância de limites e condições quanto à renúncia de receita. REsp 617. p/ o acórdão Min. fundos. conquanto fato irrelevante à diferenciação entre preço público e taxa. 5/6/2007. concessão de garantia e restos a pagar (art. mesmo que inexista rodovia alternativa. salvo se o legislador dispuser de forma diferente244. a natureza do prestador é irrelevante para a determinação da forma de contraprestação. 243 244 STF. Informativo do STJ 322. o define como tributo da espécie taxa243. O STF. Juntamente com a Lei 8429/92.2007. Mas como foi erigida antes da leitura feita pelo STJ. obrigações cujo prazo para pagamento é menor que 12 meses e estão previstas no orçamento. a pessoa sempre receberá taxa como contraprestação (OLIVEIRA e HORVATH. porque se refere especificamente à tributação. despesas com pessoal. ASPECTO SUBJETIVO (abrangência) – União. rel. LRF): • Dívida pública fundada – obrigações totais de mais de 12 meses. implicando em responsabilidade objetiva por parte do administrador e do agente político. deve ser interpretada à luz da época de sua edição. No contexto. j. autarquias. porque esse é sempre devido quando há prestação. RE 181475. porquanto configura “bis in idem” com a Lei 1079/50245. nesse passo. V. Min.. “in fine”. Apesar disso. A cobrança de pedágio por concessionária é lícita. a natureza da personalidade jurídica da entidade da Administração Indireta não tem o condão de desnaturar os valores cobrados pelos serviços públicos por ela prestados. em recente julgamento. I a III. Min. p. . segundo a doutrina. 29. a LRF erige presunções legais de ao erário. o segundo entendimento. 2003. seguridade social.002-PR. Estados.

LRF: todas aquelas não previstas em Constituição. menos (art. LC 101/01) – o diploma estabeleceu regras sobre a elaboração do orçamento público. CF/88). abertura de crédito. é inconstitucional quanto à obrigatoriedade de Estados. 11. condicionante para que os mencionados entes recebam transferências voluntárias. I. passim). De fato. A infringência desse comando com referência a impostos impede as receitas por transferências voluntárias (art. 2º. 360. “caput”. 153. No ponto. em que pese não haver pronunciamento judicial sobre a celeuma. aquisição financiada de bens. trata-se de ato-condição. “a” a “c”. “caput”. característica intrínseca daquela. LC 101/00. parágrafo único. CC). “caput”. A definição de transferências voluntárias está no art. de serviços. é debatida pela doutrina à luz do pacto federativo (art. O art. A constitucionalidade do art. • PIS/PASEP. . LC 101/00. DF e Municípios na instituição de todos os tributos. lei ou destinadas ao SUS. LRF). Estados e Municípios. Oliveira e Horvath (2003. parágrafo único. Receita corrente líquida – total de “receitas tributárias. 11. § 4º. O estabelecimento dessa sanção acaba por retirar da competência tributária a facultatividade do seu exercício. “caput”. • Dívida mobiliária – decorrente da emissão de títulos pela União. 11. 29. transferências correntes e outras receitas também correntes”. ou seja. trata a dívida fundada e a consolidada como sinônimos. 44. LC 101/00. I. 11.183 o art. orientando o estabelecimento de receitas e despesas públicas. à luz do dispositivo em apreço. II. • Contribuições previdenciárias. dispõe que os entes da federação são obrigados a instituir e arrecadar todos os tributos de sua competência constitucional. 11. Lei 4320/64. Receitas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF. 25. dada a classificação do art. • Concessão de garantia – um ente garante outro. 1º. etc. VII. de contribuições. usando a terminologia aduzida por Leon Duguit (apud OLIVEIRA e HORVATH. Não pode ser destinada ao pagamento de despesas correntes (art. CF/88). p. “caput”. 11. Lei 101/00. • Operações de crédito – mútuo. LRF). industriais. 2003. LRF) • Repasses constitucionais e legais. patrimoniais. a não instituição do imposto sobre grandes fortunas pela União vai de encontro à realidade (art. • Receita de capital – é aquela derivada da alienação de patrimônio público. LRF. • Repasse aos municípios e Estados. • Contribuições para RPPS e compensações. porém constitucional na sanção esculpida no art. “caput”. agropecuárias. 47) defendem que o art. • Refinanciamento de dívida mobiliária – emissão de novos títulos para pagamentos anteriores (novação objetiva – art.

IPI e IOF (art. de obrigações adquiridas em o Formação de fundos especiais constitucionais (erradicação e combate à pobreza.Documentação. 60. § 2º. não podendo o ente gastar mais que pode. LRF). IV.Previsão em lei específica. de sorte a provar sua origem e destinação.184 Na receita corrente líquida. “caput”. . Sua implementação depende do cumprimento das condições explicitadas no art. para garantir a extrafiscalidade na União na economia nacional. LRF): • Receitas e despesas com ensino (parcela obrigatória para fundo – art. • Receitas de ICMS (LC 87/96). I. fundo para desenvolvimento do N. 14. Despesas públicas – representam todo gasto ou dispêndio público. Mas há esceções: o Saúde e ensino (arts. A regra geral para a determinação da despesa é da não-afetação orçamentária (art. CF/88). ADCT). A medida que importe em renúncia em receita só entra em vigor depois que a medida compensatória já tiver sido implementada (art. ADCT. § 3º. Apresentam algumas características: . CF/88). 77. LC 101/00). Essas exigências não se aplicam em se tratando de renúncia de II. 14. o Pagamento de servidores públicos (despesa corrente de custeio). o Serviço da dívida (cumprimento empréstimos públicos). “caput”. 14. o Previsão na LDO. 167. de benefícios fiscais. IE. FPE. Também não têm vez no caso de cancelamento de débito perante a Administração pelo baixo valor (art. (art. I ou II. 14. como elevação de base de cálculo. o Inexistência de prejuízo aos resultados previstos no Anexo de Metas Fiscais (objetivos de arrecadação). 25). II. 2º. social de emergência). 14. de alíquotas ou criação de impostos ou contribuições. ou seja. como lembram Führer e Führer (2001. LRF). A renúncia de receita ocorre basicamente nas hipóteses de isenções tributárias. LRF). . § 1º. FPM. educação básica. mediante expressa consideração na lei orçamentária. LRF: o Projeção do impacto econômico-financeiro no orçamento do mesmo exercício e nos dois posteriores. etc. NE e CO. representa qualquer evento jurídico que gere a redução das entradas nos cofres públicos.Contrapartida em receita suficiente. . p. e 212. de reduções de base de cálculo. estão incluídas (art. § 1º. § 3º. ou o Compensação por adoção de outras medidas (aumento de receita).

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A parte de despesas com pessoal está desenhada nos arts. 19 e 20, LRF. DESPESA COM PESSOAL – definição está no artigo 18, “caput”, LRF, incluindo terceirização de mão-de-obra (art. 18, § 1º, LRF). • Para cálculo, somar despesa do mês corrente com os 11 anteriores (art. 18, § 2º, LRF). • Limites: 50% para União e 60% para Estados e Municípios (art. 19, I a III, LRF). • Estão excluídos do limite (art. 19, § 1º, I a VI, LRF): o Indenização por demissão ou voluntária; o Convocação extraordinária do Congresso Nacional; o Precatórios relativos a exercícios anteriores; o Gastos com pessoal do DF e dos Territórios; o Inativos com contribuição em RPPS. • Percentuais por órgãos (art. 20, I a III, LRF): o Federal: 2,5% para Legislativo, 6% para Judiciário, 40,9% para Executivo e 0,6% para MPU; o Estadual: 3% para Legislativo, 6% para Judiciário, 49% para Executivo e 2% para MPE; o Municipal: 6% para Legislativo e 54% para Executivo. AUMENTO DE DESPESA NULO – 180 dias antes do término do mandato no Poder ou em órgão (art. 21, parágrafo único, LRF). O texto do art. 21, “caput”, LRF, fala em ato que importe em aumento de gastos com pessoal sem observar os ditames legais. No ponto, será considerado nulo. No magistério de Oliveira e Horvath (2003, p. 89), o termo “ato”, exprimido pelo legislador, diz respeito aquele concreto. O ato legislativo em sentido estrito (lei, decreto legislativo, resolução, etc.) aqui não se enquadra, porquanto não tem o condão de gerar despesa materialmente. Nesse passo, a criação de cargo, por meio de lei, não importa em majoração de gastos com pessoal. O que provocará o dispêndio é seu provimento, a partir do qual o agente público fará jus a seu vencimento. SE PERCENTAL COM PESSOAL CHEGAR A 95% DO LIMITE – não pode aumentar vencimentos, criar cargos, mudar carreira, contratar mais agentes públicos (salvo educação, segurança, saúde e sessão extraordinária do CN) ou contratação em regime de hora extraordinária (art. 22, parágrafo único, I a V, LRF). Quando o percentual ultrapassar 90%, cabe ao TC alertar o Poder ou órgão sobre a temeridade da situação (art. 59, § 1º, II, LRF). NÃO CUMPRIMENTO DO LIMITE – nos dois quadrimestres seguintes, o administrador deverá levar a cabo as seguintes medidas: • Extinção de cargos e funções ou redução dos vencimentos respectivos;

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• Redução da jornada de trabalho, com respectiva redução de vencimentos; • Redução de despesas com cargos em comissão e funções de confiança, não sendo possível a redução de jornada atrelada à diminuição de vencimento246; • Exoneração de servidores não-estáveis; • Exoneração de servidores estáveis, com extinção dos respectivos cargos, sendo essa medida autorizada somente depois das anteriores (art. 169, § 4º, CF/88), fazendo jus o exonerado a uma indenização de um mês de vencimento por ano de serviço (art. 169, § 5º, CF/88) – o cargo não poderá ser recriado nos próximos quatro anos (art. 169, § 6º, CF/88). A escolha dos estáveis a serem exonerados se dá de acordo com os critérios da Lei 9801/99: menor tempo de serviço, maior remuneração, menor idade, etc. (OLIVEIRA e HORVATH, 2003, p. 92). A lei ainda permite, como medida alternativa, a redução de valores de pagamento ou a redução temporária da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição de vencimentos temporariamente (art. 23, §§ 1º, “in fine”, e 2º, LRF), no entanto esses comandos estão suspensos por cautelar ajuizada no STF247. Se ainda o ente não conseguir se adequar às balizas legais, não pode receber transferência voluntária, garantia de outro ente ou contratar operações de crédito (art. 23, § 3º, I a III, LRF), salvo refinanciamento da dívida mobiliária e financiamento de gastos com redução de despesas com pessoal. O art. 169, § 2º, CF/88, ainda fala em impedimento de recebimento de receitas transferidas obrigatórias. O art. 15, LRF, considera a geração de despesas ou assunção de obrigação pelo Estado em desacordo com as condicionantes mínimas dos arts. 16 e 17, LRF, como ato ilícito. O aumento de despesa por criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental depende do cumprimento de alguns requisitos (art. 16, I e II, LRF): Demonstração do impacto econômico-financeiro no exercício atual e nos dois seguintes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Compatibilidade com a LDO e com plano plurianual, mediante declaração do ordenador de despesas. A regra do art. 16, I e II, LRF, não se aplica paras despesas públicas irrelevantes, entendidas como aquelas que não oferecem impacto considerável,

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Na ADIn 2238, rel. Min. Ilmar Galvão, o STF suspendeu a eficácia do art. 23, § 1º, “in fine”, e 2º, LC 101/00, com base na irredutibilidade de salários e de vencimentos (art. 37, XV, CF/88). 247 STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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de acordo com a LDO (art. 16, § 3º, LRF). Ex.: aquelas que podem ser realizadas sem licitação. Aumento de despesa do RGPS que importe concessão legal de benefício, expansão quantitativa das prestações e reajuste de valores pagos não precisa ser compensada (art. 24, § 1º, I a III, LC 101/00), o que se aplica em toda seguridade (art. 24, § 2º, LC 101/00). O art. 17, “caput”, LRF, trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (despesa corrente ou operacional de mais de um exercício), isto é, aquelas decorrentes de lei, de MP ou de ato administrativo normativo que fixe sua realização em interregno superior a dois anos. Devem atender aos seguintes pressupostos (art. 17, §§ 1º e 2º, LRF): Estimativa de impacto econômico-financeiro pelo exercício presente e dois subseqüentes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Estar de acordo com os resultados preconizados no Anexo de Metas Fiscais; Compensação por outras medidas a amortizar o débito nos exercícios posteriores, como aumento de tributo ou redução permanente de despesa. Não se aplicam as condicionantes do art. 17, §§ 1º e 2º, LRF, quando se trate de reajuste de vencimento de servidor público ou de despesa relativa ao pagamento da dívida pública (art. 17, § 6º, LRF). Despesas emergenciais ao setor privado só são possíveis mediante: • Prévia autorização legal; • Compatibilidade com a LDO; • Previsão em orçamento ou em crédito suplementar; • Não abrangência de instituições financeiras, incluindo empréstimos para recuperação e troca de controle acionário, salvo operações de desconto e empréstimos realizados pelo BACEN com prazo inferior a 360 dias – nesse último caso, os demais requisitos não precisam ser observados (art. 26, § 1º, LRF). LIMITAÇÃO DE EMPENHO – a cada bimestre, ultrapassado o limite estabelecido no anexo de metas fiscais, deve haver diminuição de gastos na forma da LDO (art. 9º, “caput”, LRF). No entanto, transferências e despesas constitucionais e legais não poderão ser afetadas, o pagamento da dívida pública e outras despesas especificadas na LDO. Se o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público não observarem a limitação de despesas, o Executivo tem franquia para tomar a frente e limitar os repasses de duodécimos (art. 9º, § 3º, LRF). Porém, esse último comando está com a eficácia suspensa pelo STF em sede de cautelar248.
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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• Não serão limitados os gastos constitucionais, legais e previstos na LDO (art. 9º, § 2º, LRF). Oliveira e Horvath (2003, p. 91) admitem transação dos débitos da Fazenda Pública com condenação transitada em julgado, mesmo que sejam incluídos uns e excluídos outros credores. O fulcro seria a vantagem, porque haveria concessões recíprocas. No ponto, os autores admitem até mesmo a negociação no período eleitoral, ou seja, seis meses antes do término do mandato eletivo, desde que haja um juízo de razoabilidade e de que não exista razão de fundo eleitoreiro. VEDADA TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA – a ente estatal que não tenha previsão e execução de todas receitas tributárias cabíveis (art. 11, parágrafo único, LRF). • Receitas de operações de créditos devem ser menores ou iguais às despesas de capital previstas em LO anual (art. 12, § 2º, LRF). No entanto, esse dispositivo encontra-se com a eficácia suspensa pelo Supremo249. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – têm como atendimento dos seguintes requisitos (art. 25, § 1º, I a IV, LRF):
• Condições estabelecidas na LDO; • Existência de dotação específica na LO anual; • Proibição de transferências para pagamento de pessoal da ativa,

pressuposto

o

inativos ou pensionistas dos Estados, DF e Municípios (art. 167, X, CF/88);
• Contas em dia com o órgão transferidor, inclusive com referência a

recursos anteriormente recebidos;
• Aplicação dos percentuais constitucionais quanto à saúde e à educação; • Observância dos limites em operações de crédito (inclusive antecipação

de receita), restos a pagar, total da dívida mobiliária e consolidada e despesa total com pessoal;
• Contrapartida na LO orçamentária.

Obs.: é vedada destinação diferente da pactuada, cujas sanções não se aplicam à saúde, educação e assistência social (art. 25, §§ 2º e 3º, LRF). CAIXA DOS RPPS – não pode ser aplicado na compra de valores mobiliários do próprio ente (Estados e Municípios) nem para empréstimos de qualquer natureza aos segurados e ao Poder Público, incluindo empresas controladas (art. 43, § 2º, I e II, LRF). O art. 24, “caput”, LC 101/00, repete a regra da contrapartida quanto à seguridade social (art. 195, ° 5º, CF/88). Os Municípios com fundo previdenciário de RPPS devem observar o limite de 12% sobre a receita líquida nos gastos com inativos. Quando o percentual for ultrapassado, o TCE (ou TCM) deve alertar (art. 59, § 1º, IV, LC 101/00).
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

“caput”. 165. CF/88. “caput” e § 1º. 150. LO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS – poderão estabelecer limites menores para dívida fundada. a segunda compreende as dívidas para com o Estado não sujeitas a lançamento ou não lançadas até então (art. DF e Municípios (art. CALAMIDADE PÚBLICA. operações de crédito e concessão de garantia (art. § 1º. sendo aplicável no que não conflita com a LRF. • Receitas de capital – são aquelas decorrentes do pagamento de dívidas. patrimonial. multas e créditos da Fazenda Pública lançados e não recolhidos ou cobrados no exercício de origem. e 71. I a VI. 60 LRF). Lei 4320/64). I. CF/88). § 2º. Lei 4320/64). 65. . 39. foi recepcionada pela ordem constitucional de 1988 como LC. 74. Lei 4320/64). Lei 4320/64). industrial.189 FISCALIZAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (órgãos) – é feita pelo Legislativo (com auxílio do TC) e pelo controle interno de cada órgão (arts. ou proveniente de repasse de outras pessoas. LRF). “caput” e parágrafo único. LRF). “caput”. Todavia. DESTINATÁRIOS – o diploma em relevo deve ser observado por todos os entes políticos: União. etc. 11. dentre outros princípios. 1º. mobiliária. desde que destinadas a despesas correntes (art. Lei 4320/64). PIB MENOR QUE 1% – prazos para adequação da despesa com pessoal e da dívida consolidada são duplicados (art. “caput”. a anualidade na sua instituição não foi ditame observado pelo constituinte nas limitações ao poder de tributar (art.. • Dívida ativa tributária e não-tributária – a primeira engloba todos os tributos. deve observar a legalidade estrita (art. limitação de empenho fica dispensada (art. 70. § 2º. 12. Lei 4320/64. CF/88). inscrevendo-se o débito na chamada dívida ativa da Fazenda Pública (art. Sua exigência. 53. Lei do Orçamento (Lei 4320/64) – também traz regras orçamentárias. LRF. da conversão de bens e direitos em renda ou de repasse de outras pessoas para o pagamento de despesas de capital (art. 59. 9º. RECEPÇÃO – em decorrência da disposição do art. II e parágrafo único. 51. • Lançamento – é o ato de verificação da procedência do crédito tributário e a designação da pessoa devedora. a Lei 4320/64. • Receitas correntes – são aquelas de origem tributária. CF/88). 66. § 1º. • Despesas de custeio – destinadas a manter serviços anteriormente criados (art. I e II. Estados. DEFINIÇÕES: • Tributo – está definido no art. § 9º. Lei 4320/64). 11. Lei 4320/64). ESTADO DE DEFESA OU DE SÍTIO – prazos suspensos para atendimento dos resultados fiscais. sem embargo do controle popular ou privado (art.

12. Lei 4320/64). educação e assistência social). Lei 4320/64). As primeiras são repasses de verbas destinados a entidades prestadoras de serviços públicos essenciais (sociais – saúde. I a III. Já os extraordinários seriam abertos diretamente por decreto executivo. ficando evidente o caráter social. • Inversões financeiras – compreendem aquisição de imóveis e bens de capital ou repasse da verba da Administração Direta para Indireta (art. sendo abertos por meio de decreto do chefe do Executivo (art. § 2º. 12. comoção intestina ou calamidade pública) – art. aquisição de instalações. ressalvado o custeio de suas atividades. 40. Não pode dizer respeito ao custeio do beneficiário. Lei 4320/64. comunicando-se . “caput”. • Investimentos – são dotações para o planejamento e a execução de obras. visto que sua principal finalidade é cobrir seus déficits. como guerra. Obs. § 4º. § 3º. ao contrário dos investimento. I e II. Lei 4320/64). Lei 4320/64). não têm cunho social de atendimento do interesse público na prestação de serviço também público. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. Lei 4320/64).190 • Transferências correntes – são dotações de despesas das quais não decorra contraprestação direta em bens ou serviços (art. no mesmo raciocínio. • Créditos adicionais – são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientes na Lei de Orçamento (art. 21. Lei 4320/64). as quais serão arcadas mediante subvenções econômicas. porque aí constituiria subvenção social. 12. Lei 4320/64). bem como para os programas especiais de trabalho. 19. Lei 4320/64). 12. desde fique patente o caráter econômico da operação. § 3º. § 5º. “caput”. Os especiais e suplementares dependem de prévia autorização legislativa e de recursos disponíveis. I a III. Lei 4320/64). Tem por finalidade majorar os meios das entidades estatais de fins econômicos. 16.: não haverá subvenção econômica a empresa de fim lucrativo. especiais (não constantes do orçamento) e extraordinárias (para despesas urgentes e imprevisíveis. 12. 42. “caput”. 41. salvo menção expressa em lei (art. podendo ser suplementares (para reforço). enquanto as segundas são dirigidas a empresas governamentais ou particulares (arts. 12. e 18. é vedado auxílio financeiro para investimentos em empresas lucrativas (art. • Subvenções – são dotações destinadas a cobrir despesas de custeio de entidades beneficiadas (art. Em qualquer caso. Os investimentos representam dotação orçamentária para entidade para maximizar a prestação de serviços públicos. § 6º. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro (art. Lei 4320/64). as subvenções não implicam em contraprestação da entidade beneficiada. podendo ser sociais ou econômicas (art. • Transferências de capital – são empréstimos entre entes da federação (art. As inversões. Lei 4320/64).

a dívida com prazo menor que 12 meses. natureza e valor da despesa. “caput”. • Nota de empenho – documento que expressa o ato de assunção da obrigação de pagamento da Fazenda Pública para com credor. dentro da lei orçamentária anual. 60. Lei 4320/64). • Unidade orçamentária – é a unidade de bens e serviços subordinada ao mesmo órgão ou repartição (art. “caput” e § 1º. o Presidente da República (e os governadores e prefeitos que têm vênia legal para tal) deve abri-lo por meio de MP. CF/88. 62 e 63. contendo nome desse. além dos precatórios não pagos. “caput”. Lei 4320/64). Lei 4320/64). 58. Lei 4320/64). • Empenho global – é aquele sem discriminação de itens. de sorte a enquadrá-lo dentro da despesa mensal. segundo dotações de orçamento específicas. Lei 4320/64). bem como a dedução do saldo disponível (art. Lei 4320/64. Lei 4320/64) – ato de autoridade competente que cria obrigação de pagamento para o Estado. “caput”. 61. • Dívida fundada (ou consolidada) – é obrigação estatal com exigibilidade maior que 12 meses (art. 64. LRF. • Liquidação de despesa – é a verificação do crédito para com a Fazenda Pública. • Pagamento de despesa – é o despacho de autoridade competente com ordem para pagar a despesa (art. estão incluídos . 60. O documento é elaborado pelo setor de contabilidade (art. 29. § 7º. Lei 4320/64). com identificação do credor. “caput”. “caput”. 60. Mediante previsão em despesa mensal. É documento que certifica a origem do gasto. Lei 4320/64). Cada categoria de despesa é prevista. • Empenho por estimativa – é permitido quando não for possível determinar o valor preciso da despesa (art. • Elemento – é a unidade mínima a ser discriminada na planilha orçamentária (art. desde que prevista no orçamento. § 2º. “caput”. Lei 4320/64). sendo permitido para obrigações contratuais de trato sucessivo (parcelamento) – art. sendo “conditio sine qua non” para o pagamento (arts. Lei 4320/64). § 3º. Lei 4320/64). § 3º. Toda despesa depende de prévio empenho (art. e 30. 14. • Empenho (art. No entanto. Tem por finalidade dar certeza à Administração acerca da despesa. a teor do que dispõe o art. 15. • Fundo especial – é aquele cuja receita decorre de vinculação prevista em lei (art. 71. 44. o gasto público fica facultado para o administrador. “Ex vi” dos arts. 59. devendo se restringir ao limite de crédito correspondente (art. Lei 4320/64). É efetivado pela tesouraria ou órgão congênere (art. 98. 62. 65. 64. “caput”.191 posteriormente o Legislativo (art. do objeto (motivo) e da quantia a ser paga. Lei 4320/64). parágrafo único. a qual é o único meio hábil instituí-lo (reserva legal). Lei 4320/64).

com caráter politicamente neutro (OLIVEIRA e HORVATH. Malheiros. 2003. 23) a definem com dívida de médio e longo prazo. III. 101). 106). por meio de instituições populares. Lei 4320/64). Nesse passo. os mesmos autores mencionam a concretização do orçamento participativo municipal. 2001. p. Para exemplificar a colocação. O Estado de Direito e o princípio republicano mudaram o cenário. p. p. e 3º. p. independentemente do efetivo pagamento. incluindo a dívida pública. • Dívida flutuante – é formada por restos a pagar (dívidas não pagas até 31 de dezembro do exercício de geração). p. 2003. 99). 4º. o qual poderá ocorrer no exercício seguinte) ou de caixa (em que a despesa é considerada somente no exercício em que for efetuado o pagamento). São Paulo. à luz dos arts.. 1º. • Regime orçamentário – pode ser de competência (que observa apenas a data do fato gerador da despesa – empenho –. mas representa o compromisso político de cumprimento de promessas sérias levadas ao povo (OLIVEIRA e HORVATH.192 na dívida consolidada. 11ª ed. outro. Passa de diploma a colimar somente equilíbrio financeiro. era mera peça contábil. depósitos e débitos de tesouraria (art. “f”. 107). p. CF/88). 1996. sob pena de inefetividade do instituto (OLIVEIRA e HORVATH. citando Genro. 92. É exatamente nessa segunda seara que estaria incluído o orçamento participativo. controle de sua execução também pelo povo. Curso de Direito Constitucional Positivo. como decorrente da democracia participativa (SILVA. 250 Oliveira e Horvath. e 44. 1996. Lei 10257/01250. cit. excluindo-se a dívida pública (principal e juros). • Resultado nominal – é o resultado único das receitas menos as despesas. talhada por Silva. 2003. o orçamento é instrumento de efetivação da dignidade humana e da justiça distributiva (arts. Para Ricardo Lobo Torres (apud OLIVEIRA e HORVATH. passim). O orçamento é tido como instrumento de intervenção estatal na economia. p. I e III. III. op. 2003. 105). Posteriormente. passa a ser político e extrafiscal (OLIVEIRA e HORVATH. No início. 2003. • Dotação – é a quantia prevista no orçamento para determinado tipo de despesa. asseveram que há três ordens de mecanismos precípuos a tornar legitimo e efetivo o orçamento participativo: critérios firmes para aferir a verdadeira vontade popular. 23). vinculação do governante às decisões tomadas. • Resultado primário – é a diferença entre receita e despesa. não constitui simples fato opinativo. os autores afirmam a existência de dois centros de poder: um residente no exercício do voto pelo povo. vigorava a irresponsabilidade do governante (rei). I a IV. Com efeito. valores magnos da democracia atual. fazendo com que o orçamento se limitasse a uma “peça de ficção”. .. a consulta popular orçamentária. O Brasil adota um sistema misto: regime de competência para despesas e de caixa para receita. Führer e Führer (2001. Historicamente. nem apenas simples plano de governo. O orçamento não pode ser mera peça financeira. dentro da idéia de democracia participativa. serviço da dívida a pagar. Trata-se de dívida de curto prazo (FÜHRER e FÜHRER.

. “caput”. 11. 11. • Transferências de capital. Lei 4320/64): • Investimentos. Serviços. quanto às despesas. § 4º. seria autêntico ato administrativo. § 4º. assim como as despesas. “caput”.Amortização de empréstimos.Operações de crédito. As despesas correntes são as seguintes (art. . Resultantes das transferências correntes. Lei 4320/64): .Alienações de bens. Quanto às receitas. com o intuito de manter a “máquina estatal”. Despesas de capital são relacionadas com investimentos do Estado em certo setor ou perante determinada necessidade pública. 10-103) advogam pela natureza de lei em sentido formal do orçamento. Lei 4320/64): Patrimoniais. 12. Despesas correntes são realizadas no custeio do Estado. . COntribuições. Receitas correntes são as seguintes (art.Transferências de capital (empréstimo a fundo perdido). Tributárias. Lei 4320/64): De custeio.193 porque é através dele que se concretizam as prestações inerentes aos direitos sociais. de cunho temporário e de “status” ordinário. Oliveira e Horvath (2003. os autores aceitam a tese da lei em sentido material. Industriais. decorrente do seu poder de imposição ou de sua atuação como ente privado. . 12. As despesas de capital são as seguintes (art. As receitas podem ser correntes ou de capital. Receitas correntes são aquelas que resultam da atividade do Estado de uma forma ampla. Receitas de capital são aquelas que têm origem na assunção de dívida. p. As receitas de capital são as seguintes (art. Transferidas. Agropecuárias. A Lei 4320/64 traz a classificação legal de receitas e despesas nos seus arts. 11 e 12.

4º. “caput”. objetivando as intenções da Administração por um período de quatro anos. 3º e 4º. as inversões financeiras (injeção de capital em empresas governamentais. estabelecendo as formas como esse será implementado ao longo do exercício seguinte. comparativo com os três anos anteriores quanto ao patrimônio líquido. demonstrativo de renúncia de receita (art. § 2º. como auxílios e subvenções). do RPPS e do FAT. I a III. Deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até o dia 30 de abril do primeiro ao de governo. tal qual estabelece o art. 173. LRF. universalidade e anualidade (FÜHRER e FÜHRER. § 1º. Por conseqüência.194 Orçamento – é uma lei em sentido formal. § 2º. LRF). 4º. §§ 1º. traz outros elementos da LDO. as quais serão realizadas em prazo superior a dois exercícios. O plano plurianual é composto por despesas de capital e decorrentes de programas de duração continuada. demonstrando a política econômico-financeira e o programa de trabalho do Governo. CF/88). Lei de diretrizes orçamentárias – a LDO estabelece as metas e prioridades da Administração pelo decurso de um ano. Configura um planejamento mais imediato que o plano plurianual. § 5º. LDO e lei orçamentária anual (art. LRF). qualquer despesa que perdure por mais de um exercício depende de previsão ou compatibilidade com o plano plurianual. 165. qual seja o Anexo de Metas Fiscais.: faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (art. Obs. 4º. 18). 2001. Anexo de metas fiscais – metas anuais em despesas. 35. . CF/88. e 5º. São previstas somente despesas de capital (investimento) e obrigatórias de duração continuada (art. Há três tipos de lei que o compõem: plano plurianual. obedecidos os princípios de unidade. LRF). ressalta-se a previsão do art. É um desdobramento do planejamento programa. p. com devolução pelo CN até o fim da sessão legislativa (art. estabelecendo o comportamento da Administração perante o dinheiro público. contendo a discriminação da receita e da despesa. Ademais. resultados nominal e primário e montante da dívida pública nos três anos seguintes. I. “caput”. Dentre eles. a LDO estabelece diretrizes para a elaboração do orçamento (lei de orçamentária anual). vinculando o ente público. CF/88) e as transferências de capital (receitas transferidas excepcionalmente para outras entidades da Administração. receitas. 17. as quais executam atividade econômica “stricto sensu” – art. fixando as atividades governamentais pelo decurso indicado. §§ 1º e 2º. do RGPS. I. LRF. § 1º. CF/88. LRF). As despesas de capital abarcam os investimento (obras realizadas pelo Poder Público). § 1º. 165. correspondente à anualidade do orçamento estabelecido pela lei orçamentária anual. 167. sob pena de responsabilização do administrador (arts. metas do ano anterior. consubstancia documento programático. I a V. O art. Plano plurianual – o plano plurianual estabelece um planejamento macro. ADCT). Orçamento é a peça técnica que demonstra as contas públicas para um período determinado. situação dos fundos. 4º. Ao mesmo tempo.

de sorte a orientar a elaboração da lei orçamentária anual. o Especificação dos programas especiais de trabalho a figurarem como dotação global (investimentos). ADCT). cuja competência exclusiva é do chefe do Executivo (art. o Projeto de lei do orçamento. . . Justificativa das despesas e receitas. § 2º. de obrigação contraída. LRF). Obs. Lei 4320/64): o Mensagem do chefe do Executivo contendo: Exposição da situação econômico financeira (dívida fundada. Podem ser destacados os seguintes elementos componentes: . 22. § 1º. II. . saldos de crédito especial. creditícia e cambial. simultaneamente. do ano da proposta e do ano da aplicação. resultados e montante da dívida pública para o exercício de referência e os dois próximos. CF/88). com devolução até o fim do período legislativo correspondente (art. Exposição e justificação da política econômico-financeira. Traz. 4º. ou seja. na verdade. flutuante. .Créditos adicionais: especiais. consubstancia a realização desse no exercício seguinte. O Anexo acompanha o projeto de LDO (art. O projeto de LDO deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até dia 15 de abril do ano anterior à sua vigência. item atinente somente à União. 165. incluindo metas de inflação. restos a pagar e outro compromissos).Consonância com o plano plurianual. é um documento que estipula as metas em receitas.Anexos de metas e de riscos fiscais. 35. despesas.Previsão de restos a pagar. contendo receita dos três exercícios anteriores.Critérios para transferências voluntárias (inversões financeiras e transferências de capital).Parâmetros das políticas monetária. o Tabelas explicativas. “caput”. além de despesa do exercício anterior. . uma previsão e um diagnóstico em relação a seus itens constitutivos. I a IV.Limitação de empenho. o qual deve incluir a reserva de contingência. do ano da proposta e do ano da aplicação. .: não é possível a previsão de crédito com finalidade imprecisa ou ilimitado. a teor do que determina o Anexo de Riscos Fiscais e outros fatos imprevistos no decorrer do exercício de execução. além de analisar o realizado nos três anteriores.195 De uma forma geral. . COMPOSIÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA (art. . suplementares e extraordinários.Definição de despesas irrelevantes.

CF/88): Concordância com o plano plurianual e com a LDO. • Concessão de dotação superior àquelas fixadas anteriormente por resolução do Legislativo. A cada ano. 166. 137) lembram que devem existir atualizações monetárias para os valores. Que trate de serviço da dívida. CF/88. • Concessão de dotação para início de obra não aprovada pelos órgãos competentes.: o não envio da proposta orçamentária no prazo legal (art. CF/88. I a III. o constituinte estatuiu outros requisitos para emenda à LO anual (art. aplica-se a previsão do art. § 3º. “caput”. QUADRO DE RECURSOS E DE APLICAÇÃO DE CAPITAL – descreve as receitas e despesas de capital para um triênio ou mais (art. § 8º. usa-se o orçamento anterior até a aprovação do atual. contidos no orçamento anterior. Oliveira e Horvath (2003. Lei 4320/64). VEDAÇÕES A EMENDAS À LEI DE ORÇAMENTO (art. Lei 4320/64). com redação dada pela EC 50/06 (art. 33. deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até quatro meses antes do final do primeiro exercício. A proposta da LDO deve ser encaminhada ao CN até oito meses e meios antes do exercício financeiro ao anterior de sua vigência. 32. O projeto da LO anual deverá ser apresentada ao Poder Legiferante até quatro meses antes do encerramento do segundo período legislativo referente ao exercício anterior de sua vigência. considerando o estimado na proposta inicial. ou seja. só sendo possível mediante a anulação de outro gasto. De outra parte. “a” a “d”. por analogia. o art.196 Obs. dotação de pessoal e correspondentes encargos. • Concessão para instalação ou funcionamento de serviço não criado anteriormente. O projeto de orçamento anual deve ser apresentado até o final de agosto do ano anterior à sua execução (art. 166. § 2º. 32. 35. § 2º. 166. ADCT). I. ADCT). sendo certo que o Parlamento deverá encaminhá-lo para sanção presidencial até o final do decurso considerado – 22 de dezembro. “caput”. temse aplicado. III. § 2º. ADCT)251 leva à adoção do compêndio atualmente em vigor (art. § 3º. Nessas hipóteses. III. quando não houver aprovação e o ano de execução já se inicia. Indicação da correspondente receita a custear a despesa. III. 35. 35. Lei 4320/64): • Alteração de dotação para despesa de custeio já aprovada. de transferências constitucionais da União aos demais entes federados. ADCT). CF/88). 251 . ADCT). “a” e “b”. devendo ser restituído pelo Legislativo até o final do primeiro período legislativo – 17 de julho. por meio de créditos especiais e suplementares. de acordo com o art. p. Além dessas previsões. 23. salvo erro material (art. 35. devendo ser devolvido para sanção até o final da correspondente sessão legislativa (art. a teor do mesmo dispositivo já mencionado (art. Lei 4320/64. 57. O projeto do plano plurianual. I e II. 35. por imperativo lógico. A inexistência de deliberação do CN pode suscitar convocação extraordinária do Legislativo. a viger durante os quatro anos do mandato eletivo. além de guardar-se juízo lógico quanto a créditos exauridos ou não previstos. tendo em conta o realizado e o saldo restante. o quadro deve ser atualizado. § 2º. autorizando-se as despesas uma a uma. II. devendo ser aprovado até o fim da sessão legislativa. § 2º.

II e § 2º. Lei 4320/64). LRF). Caso se refira a despesa de plano plurianual. 7º. observância do plano plurianual e da LDO (art. 5º. dotação de despesa em LO não pode ultrapassar exercício. Entretanto. 150. demonstrativo de medidas de compensação para renúncia de receita e para aumento de despesa. a despesa poderá ser saldada no exercício posterior. 5º. nesse último caso. há abrangência de todas as despesas e receitas dentro do ente político considerado (arts. Também não se baliza pela universalidade os tributos instituídos durante o exercício de execução do orçamento. será liquidada no seu último ano de vigência (art. LRF). Lei 4320/64). visto que a instituição ou majoração de tributos não obedece mais. “caput”. 2º “caput”. LRF). 3º. não se incluem no orçamento anual as operações de crédito por antecipação de receita. Lei 4320/64). I. dependendo. A atualização monetária da dívida pública tem como teto a variação preços prevista na LDO ou em lei específica (art. A lei orçamentária anual é regida por princípios. a ordem cronológica. CF/88). Nas operações de crédito. Esse ditame não se aplica integralmente às receitas tributárias. 4º e 57. Conteúdo da LO anual – compatibilidade com o anexo de metas fiscais. AUTORIZAÇÃO PARA O EXECUTIVO – a lei orçamentária anual poderá conter autorização para a Administração abrir créditos suplementares e realizar operações de crédito para antecipação de receita. Pelo desiderato em tela.197 EMENDAS À LDO – devem observar o plano plurianual (art. sendo certo que a alienação de imóveis depende de prévia autorização legislativa (art. dentre os quais se destacam: Universalidade – todas as receitas e despesas devem estar previstas no orçamento. parágrafo único. Ademais. § 3º. 5º. Deverão estar previstas e serem pagas no orçamento posterior. 3º. I a VI. Na LO. LRF). são vedados crédito não específico e dotação ilimitada (art. tudo dentro de cada elemento (art. reserva de contingência de acordo com o anexo de riscos fiscais. desde a promulgação da CF/88. 6º. 5º. § 4º. as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias (art. LRF). 37. mas não liquidadas até tal data (art. salvo se incluído no plano plurianual (art. 166. demonstrativo de impacto regionalizado de despesas e receitas. já comentada). Lei 4320/64). desde que conste em campo apartado dentro do orçamento e seja observada. § 4º. I a III. 36. o próprio orçamento indicará as fontes de receita. CF/88). sendo incluída despesa do Banco Central do Brasil (BACEN – art. “caput”. Lei 4320/64). 36. parágrafo único. Pela universalidade. dentro do possível. porquanto o princípio da anualidade foi excluído do rol das limitações constitucionais ao poder de tributar (art. RESTOS A PAGAR – são as despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício previsto. de déficit de caixa. Havendo receita específica disponível. Lei 4320/64). o orçamento incluirá a elaboração de três peças distintas: o orçamento fiscal (da Administração . à anualidade (Súmula 66 do STF. § 5º. 5º.

CF/88). O orçamento de investimento compreende a conta de todas as despesas e receitas das empresas que o Estado detenha a maioria de capital com direito a voto. 165. a incidir no exercício financeiro. O orçamento fiscal inclui todas as despesas e receitas da União e de suas entidades correlatas. o orçamento é um só diploma que regula toda a matéria. CF/88. CF/88. Esses são aqueles que visam a redistribuição entre as categorias de despesas. 34. 194.: deve haver discriminação da destinação da despesa. 5º. fez o . CF/88). a peça orçamentária deverá ser dividida em três contas: de investimento (referente às empresas controladas pelo Estado). matéria estranha à sua essência. não se admitindo dotações globais (art. “caput” e parágrafo único. porque. fiscal e de investimento. “caput”. O silêncio do constituinte no art.198 Direta e Indireta de todos os Poderes). englobando todos órgãos e entidades do Estado e aqueles a ele ligados. assistência social e previdência social) e fiscal (da Administração Direta e Indireta) – art. 165. somente estarão previstas receitas e despesas. § 5º. Anualidade – é lei de vigência temporária. Obs. irá tratar dos orçamentos da seguridade social. Exclusividade – no orçamento. de sorte a fazer uma projeção estimada desses gastos. A lei orçamentária anual. Não haverá. Em melhores termos. ou seja. o orçamento da seguridade social (inclusive entidades mantidas pelo sistema). Entretanto. segundo o art. da seguridade social (relativa às ações de saúde. de 1º de janeiro a 31 de dezembro (art. Essa vênia prévia pode ser incluída na lei orçamentária anual. em que pese o orçamento ser único. o orçamento de investimentos (transferências de capital para empresas governamentais). excetuando-se a seguridade social. I a III. 150. Lei 4320/64). em outras aplicações e em programas especiais de trabalho (art. o orçamento não pode conter matéria diferente daquela atinente à sua essência. há sua divisão em três contas diversas. 12. Esse comando não ofende a unidade. a assistência social e a previdência social referente ao RGPS (art. Lei 4320/64). Lei 4320/64). 165. Essa regra é excepcionada no tocante à autorização para concessão ou obtenção de créditos suplementares (art. § 4º. O orçamento da seguridade social engloba todas despesas e receitas relacionados ao sistema. É princípio que diz respeito ao aspecto formal do orçamento. Lei 4320/64) – despesas pertencentes à categoria econômica investimento (art. § 8º. incluindo a saúde. Unidade – a peça orçamentária é única. CF/88. 20. § 5º. A implementação de créditos suplementares depende de pedido do administrador e autorização legislativa. nele. De acordo com a unidade. de sorte a corrigir uma dotação orçamentária deficiente ou insuficiente. I a VI. salvo no caso de investimentos em projetos de obras.

116) destacam duas classes de despesas consideradas coercitivas ao administrador: as continuadas de caráter obrigatório – incluindo as incumbências previstas no art. o Gastos com a administração tributária – de acordo com o previsto no art. § 4º. quando existe situação premente. nos termos do art. determina que as entradas definitivas decorrentes de impostos não podem se vincular previamente a despesa. verba de repasse do FPE e do FPM e percentual de transferência do IPI sobre expo’tações' (art. CF/88. CF/88. como a razoabilidade e a proporcionalidade. verdadeira decisão política. muito pela jurisdicionalização de políticas públicas. I a XII. p. De outra parte. CF/88). CF/88. 165. “caput”. Porém a discricionariedade do administrador na proposta e na execução do orçamento se baliza pela legalidade em sentido amplo. 167. o Garantias em operações de crédito por antecipação de receita – nos termos do art. CF/88. 142) lembram que não seria possível a vinculação de receitas transferidas. 198. No entanto. CF/88). Aliás. Não-afetação – o art. XXII. bem como na formação do FUNDEB (art. IV. Oliveira e Horvath (2003. Podem integrar essa garantia receitas de impostos estaduais e municipais. p. II e III. CF/88 (serviços públicos essenciais) – e o custeio da máquina administrativa. 23. serviço da dívida. CF/88. Oliveira e Horvath (2003. Devem ser obedecidos os parâmetros estatuídos na LRF para a constituição de crédito público.199 desiderato não alcançar a instituição de tributos no exercício de execução do orçamento. tal qual já delineado pelo STF na ADPF 45. de sorte a demonstrar sua total impossibilidade. o Gastos mínimos com educação – 18% para a União e 25% para os Estados. II e VII. 212. pagamento de servidores. educação. DF e Municípios. 167. o mesmo dispositivo ressalva a máxima em estudo: o Repartição constitucional de receitas – estatuída nos arts. o Gastos mínimos com saúde – estabelecidos pelo art. CF/88. 108-109) chamam o orçamento de Lei de Meios. 37. Tanto é assim que Oliveira e Horvath (2003. p. fundo ou programa. há dever jurídico do buscar-se o interesse público. Apesar de a execução de despesa (e sua previsão em orçamento) ser ato discricionário. 157 a 159. 60. 77. o administrador pode deixar de executar as despesas vinculadas. . Cediço concluir que a proposta orçamentária e sua consectária vênia legislativa acabam vinculando o administrador. há balizas que relativizam a atuação do administrador: saúde. § 2º. § 8º. o qual deverá atuar dentro das condicionantes que se apresentam no plano fático. Em sede de exceção. incluindo os ditames do sistema posto. etc. Além disso. ADCT. essa colocação tem autorizado o Judiciário intervir na seara do Executivo. e no art.

operando autêntica ultratividade (OLIVEIRA e HORVATH. § 1º. “caput”. p. § 8º. para que esses elaborem proposta orçamentária própria. é designada comissão mista do CN para analisá-lo e emitir parecer. já que inexiste LC reguladora da situação. forte corrente. O art. veda que prefeito assuma compromissos financeiros para serem cumpridos após o término do mandato. CF/88. Lei 4320/64. e 77. § 3º. como lembra Führer e Führer (2001. a jurisprudência tem flexibilizado os percentuais constitucionais obrigatórios em despesas com educação (art. CF/88 (FÜHRER e FÜHRER. 4º. CF/88). • Estabelecimento das medidas de compensação relativas à renúncia de receita (aumento de tributos) e às receitas obrigatórias de duração continuada. I a III. “caput”. como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da PIS/CONFINS. ficam proibidas operações de antecipação de receita no último ano do governo. Lei 4320/64: a lei orçamentária vigente é a aplicável. o orçamento vigente prorrogar-se-ia para o exercício subseqüente. LDO e LO anual). Legislativa e Judiciário a estimativas de receitas. Até 30 dias antes de encaminhar o projeto de lei do orçamento anual. CF/88). Os projetos de lei da peça orçamentária são de competência exclusiva do chefe do Executivo (art. O não exercício desse dever-poder no prazo assinado leva ao estatuído no art. Lei 4320/64). 21). Parte dos jurisconsultos entende que se aplicaria. 20). LRF): • Demonstrativo do cumprimento do Anexo de Metas Fiscais (previsão e diagnóstico). 32. Depois de apresentado os PL’s das leis do orçamento (PP. “caput”. o art. p. A vedação foi estendida aos demais mandatários das demais esferas estatais pela LC 101/00. o chefe do Executivo pode enviar mensagem aditiva para alterá-los. capitaneada por Silva (1996). porquanto componente do projeto da LDO. O STF equipara a não-devolução à rejeição total. 165. ADCT). II e III. LRF). o Executivo deve deixar à disposição do MP. Na esteira. A doutrina se debate acerca de um possível projeto de orçamento rejeitado na integralidade pelo Legislativo. por analogia. 2003). 166. LRF). 32. § 2º. 198. além de outros requisitos (art. 5º. 59. na linha do que determina o art. • Demonstrativo regionalizado sobre o impacto de receitas e despesas (art. isto é. No entanto. naquilo que ainda não foi . • Reserva de contingência para cobrir passivo contingente de ricos eventuais e fiscais imprevistos (Anexo de Riscos Fiscais. componente da LDO – art. CF/88) e saúde (art. 2001. Antes do início da votação para deliberação no colegiado. conferindo-lhes os mesmos efeitos. assim como empenhar mais que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente (art. § 6º. No entanto. § 2º.200 A lei orçamentária observa a LDO e o plano plurianual concomitantemente (art. defende que cada despesa deveria ser autorizada mediante lei específica. Lei 4320/54. 59. 212. 5º. 165.

não poderão versar sobre dotações de pessoal e seus encargos. o PL é levado à apreciação pelo plenário das Casas Legislativa em sessão conjunta. CF/88252. “caput”. 70. 31. Espécies de controle – existem o interno. CF/88). o Executivo abre “incontinenti” os créditos às respectivas unidades orçamentárias de forma trimestral. I a III. Lei 4320/64). é amplo. salvo São Paulo e Rio de Janeiro (art. § 5º. 21-9-94.050-MC. 75. mesmo dentro de projetos de lei de iniciativa exclusiva do Executivo. Lei 4320/64). Obs. Celso de Mello. DJU de 23-4-04. §§ 3º e 4º. Lei 4320/64)253. Min. o externo e o popular. 166. apresentadas na comissão mista. p. Refere-se à aplicação da lei orçamentária. sendo objeto do balanço orçamentário (art. O constituinte usou terminologia análoga para estabelecer os parâmetros de controle do orçamento: legalidade. • Fidelidade dos agentes públicos responsáveis por bens e valores do erário. § 4º. 37. apesar de ser admissível eventual discussão em sede de responsabilidade civil do Estado – art. podendo adequá-lo na medida de sua execução (arts. com a ressalva de que não mais existe o controle prévio). como é o caso das leis orçamentárias. § 3º. Lei 4320/64. § 6º. 77. EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – em vigor a LO anual. rel. • Cumprimento do programa de trabalho orçamentário – atribuição da controladoria interna.201 peremptoriamente decidido (art. 77. Câmara dos Vereadores pode submeter o documento à perícia prévia de contadores nomeados (art. CF/88). 82. 252 253 STF. pois. 102. 47 e 50. ADIn 1. CF/88). I a III. Lei 4320/64). j. CONTROLE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA – compreende três aspectos (art. exarando-se parecer prévio do TC (art. não existe TC nos Municípios. legitimidade e economicidade (art. O controle prévio orçamentário foi tacitamente excluído pelo constituinte. devendo ser observados os limites constitucionalmente previstos na Carta Magna. Lei 4320/64). 2003. “caput” e § 1º. CONTABILIDADE – diz respeito a cinco tipos: • Orçamentária – preocupa-se exclusivamente com a execução do orçamento. CF/88). 166. porquanto esse não o previu expressamente. Terminada a análise pela comissão. Lei 4320/64): • Legalidade – com controle “prévio”. em regra. sobre serviço da dívida e sobre transferências voluntárias a outros entes federados (art. . concomitante e subseqüente (art. O Executivo remete ao Legislativo a prestação de contas no prazo constitucional ou estabelecido na Lei Orgânica municipal. dentro da leitura que o STF do art. O poder de emenda. Emendas aos PL’s. 166. como já disse o STF. 147). § 2º.: a previsão orçamentária de auxílio ou de subvenção a certa entidade não lhe garante direito subjetivo à exigência do crédito correspondente. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. 82. O segundo pode ser concomitante ou subseqüente (art.

5. assim como o saldo patrimonial (art. “caput” e parágrafo único. porque o constituinte nada falou sobre lapso de adimplemento. ADIn 4662-600. rel. Oliveira e Horvath (2003. Lei 4320/64). Lei 4320/64). . § 1º. o próprio juiz da execução expede o ofício requisitório à autoridade encarregada do pagamento (OLIVEIRA e HORVATH. p. 160). Com base em pronunciamento do STF. § 4º. 2003. 104 e 105. salvo se lei expressamente determinar sua vinculação à ordem do Legislativo (art. 191). CF/88. I a V. dando nova conformação ao sistema de pagamento de débitos judiciais da entidades públicas. ao respectivo chefe do Judiciário enquadrante. requisição para pagamento de débitos judiciais da Fazenda Pública (OLIVEIRA e HORVATH. p. 103.202 • Financeira – inclui débitos e créditos incluídos ou não no orçamento. §§ 1º a 4º. porque contrariou o art. 161). 107. CF/88). 105. Tais documentos seguirão o padrão de confecção da própria Lei 4320/64 (art. assim como a requisição de pequeno valor (RPV). No diapasão. trata-se de exame formal das contas públicas. Min. consubstanciando o balanço financeiro (art. 100. ao contrário das verbas não alimentares (art. Lei 4320/64) e serão remetidos às contadorias centrais dos entes políticos de vinculação no prazo legal. • Patrimonial – traz o registro analítico de todos os bens permanentes. o constituinte derivado exorbitou sua competência reformadora. Em melhores termos. CF/88. O primeiro inclui o ativo/passivo financeiro (que independe de orçamento) e permanente (cuja mobilização ou alienação dependente de autorização legal). comportando o balanço industrial (art. Com efeito. 100. Para Oliveira e Horvath (2003. Oliveira e Horvath (2003) substituem essa previsão legal pela fiscalização operacional. DJU 10. • Industrial – engloba a atividade econômica exercida pelas entidades da Administração Indireta. Na RPV. “caput”. 60. 99. ENTIDADES PARAESTATAIS (Administração Indireta) – terão orçamentos e balanços aprovados por decreto do chefe do Executivo. Lei 4320/64). Celso de Mello. deve ser pago imediatamente e com correção. p. não haveria qualquer termo final para apresentação do requerimento para requisição (ofício precatório). “caput”. a qual é mais abrangente. PRECATÓRIO – as EC’s 30/00 e 37/02 alteraram a redação dos parágrafos do art. 2003. 254 STF. é possível o exame de constitucionalidade de EC254. sendo materializada pelo balanço patrimonial e pelo demonstrativo de variação patrimonial (arts. não sendo propriamente uma espécie de fiscalização. É uma análise da execução do orçamento quanto à evolução do patrimônio público. Precatório é o ofício em que o juiz de primeira instância requer. Lei 4320/64). p. Lei 4320/64). mormente quanto ao seu trâmite legal. olha a entrada e a saída de dinheiro do erário. 110. 164) defendem que o precatório alimentar.2001. • Contábil – é o meio instrumental para realizar a verificação das contas públicas.

além de pela inobservância na ordem de pagamento. a jurisprudência entende que. 100. IF 139-1/SP. p. pelo não-adimplemento do décimo anual no lapso legal ou pela não-inclusão da dotação no orçamento. 649. Oliveira e Horvath (2003. p. a medida pode recair sobre numerário estatal. O precatório alimentar tem definição no art. qualquer crédito alimentar continua preferindo a ambos. “caput”. reconhecem a constitucionalidade da moratória estabelecida no art. 204). IV. ADCT. ADCT. Oliveira e Horvath (2003. não necessariamente o requerente da medida. Não sendo possível. p. 33. No entanto. o art. Nesse sentido. em primeiro plano. os legisladores locais e regionais poderão estatuir decurso e montantes diferentes daqueles constantes no art. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. porque fora da ordem de apresentação dos precatórios. Mas ambos deverão ser pagos até o fim do exercício. será pago o primeiro da fila. para pagamento de precatórios. descabendo qualquer tentativa de justificar a preterição da seqüência. O seqüestro é autorizado quando existe preterição na ordem de pagamento. CF/88. O seqüestro não pode ser decretado “ex officio”. como já disse o STF. Ademais. na linha do entendimento do Excelso Pretório. como já cristalizou entendimento a jurisprudência da Corte Máxima255. cujo rol pode ser considerado “numerus appertus”. Nos créditos sujeitos à moratória do art. qualquer preterido. De fato. Trata-se de comando absoluto. 202). 2003. ADCT. 2003. 202) e a própria inércia da jurisdição. autoriza o seqüestro de quaisquer verbas públicas. 100. 192) entendem que o decurso razoável seria de trinta dias. p. incluindo os honorários dentro dos alimentos impenhoráveis. “De lege ferenda”. . 193) defendem a inclusão da verba honorária sucumbencial na relação. o prazo para adimplemento de RPV é de 60 dias a partir do recebimento do ofício pela Procuradoria da AGU (art. no exercício do múnus público de autêntico de fiscal da lei na ordem de pagamento. com já disse o STF. 2003. I e II. o precatório deveria ser pago em parcela 255 STF. “caput”. com redação dada pela Lei 11382/06. 17. a constrição engloba qualquer quantia pública. CPC. CF/88. Sepúlveda Pertence. pode requerer a cautelar em comento. sob pena de seqüestro (OLIVEIRA e HORVATH. 87. No ponto. p. conquanto não se trata de tutela satisfativa. superado o interregno assinalado de oito anos sem qualquer adimplemento. rel. não só aquela objeto da infração constitucional (OLIVEIRA e HORVATH. 166). com a receita seqüestrada. 78. § 2º. ADCT. “caput”. 100. Oliveira e Horvath (2003. p. Por fim interessante rememorar que os credores alcançados pelo art. No entanto. Dessarte. porque é norma decorrente do Poder Constituinte originário. § 1º-A. 2003. “caput”. 33. No âmbito da União. Nesse passo. a verba deve ser buscada no patrimônio do beneficiário indevido. 177). têm preferência sobre o primeiro décimo devido àqueles abarcados pelo art. reforça a tese apresentada. o seqüestro fica autorizado. mesmo que à pretensa vantagem da Fazenda em obter descontos. mas sim de cautelar (OLIVEIRA e HORVATH. não alcançando a mera inadimplência do Poder Público. p. haja vista a cristalina determinação do art. Min. § 2º. O art. ADCT. Lei 10259/01).203 não havendo de se falar em qualquer interferência ou controle por parte do tribunal enquadrante. 78. “caput”.

viola a coisa julgada. por seu saldo restante (OLIVEIRA e HORVATH. “caput”. CF/88). 5º. pode haver controle privado ou popular. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. § 2º. realizando o conseqüente julgamento. Dessa forma. Apesar de não deter jurisdição (força definitiva de decisão). o TC pode adentrar ao mérito dos atos por ele fiscalizados. porquanto o legislador optou pela jurisdição una (art. com auxílio do TCU – art. a disposição do art. o art. p. acaba proferindo decisões. gozando de um “status” semelhante ao Parquet em relação ao Executivo. “caput”. mediante o preenchimento dos requisitos do art. 2003. 196). Cumpre à autoridade superior verificar a legalidade dos atos. não podendo ser obstada a despesa antes do início de sua realização. no art. ADCT. § 1º. 77. XXIV. ressalvada a competência revisora do Judiciário”. com prerrogativas inerentes aos congêneres do STJ (art. 73. “caput” e § 3º. p. observância de documentação e demais formalidades normativas. 73. Além desses. Essa prerrogativa não alcança o Judiciário. p. A primeira se relaciona ao atendimento do interesse público. pelo Poder Executivo. Analisa as contas dos administradores públicos. I a IV. segundo os arts. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”. CF/88). 184). Lei 4320/64) (FÜHRER e FÜHRER. uma vez que o constituinte fala em controle de legitimidade da despesa – art. Controle externo – o TCU é órgão auxiliar do CN. Elas podem ser reapreciadas pelo Judiciário. Lei 4320/64. apesar dessas não ter natureza jurisdicional (Súmulas 6 e 347 do STF)256. ressalvado o sistema de controle interno (FÜHRER e FÜHRER. . o direito adquirido. 2001. não há controle prévio. CF/88. o cumprimento do prgrama de trabalho (art. “caput”.204 única. 70. No sistema doméstico. Um terço deles é escolhido pelo 256 Súmula 6 do STF: “A revogação ou anulação. p. O controle interno baseia-se na hierarquia. 70. no exercício de suas atribuições. de aposentadoria. 75. O controle leva em conta os critérios da legitimidade da receita. inicialmente e de forma ampla. ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas. legalidade e economicidade. 2003. A segunda diz respeito à previsão legal. “caput”. 213). 22). isto é. A terceira determina que o administrador deve realizar a despesa de forma mais otimizada em relação ao custo-benefício. 78. p. No ponto. a justa indenização e a própria segurança jurídica. por ser obra da competência constitucional derivada. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. deve ser lido à luz do ordenamento vigorante. O controle externo é realizado durante e após a realização da despesa. CF/88).. previsto no art. XXXV. 74. Súmulas 347 do STF: “O Tribunal de Contas. 71. 2001. o princípio do pagamento dos débitos judiciais fazendários pela via do precatório. CF/88. Controle orçamentário – está previsto. “caput”. Ao contrário do anterior. não cabendo mais a colocação da fiscalização anterior ao gasto. pois o administrado pode denunciar irregularidades perante TC. O órgão é formado por nove ministros. XXXVI. concomitante e posterior. a fidelidade funcional dos agentes da Administra. A fiscalização poderá ser interna (pelo próprio órgão) ou externa (pelo CN. a isonomia. 5º. 2003. “caput”. CF/88. não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal. e 100. 22).

CF/88). Plenário. atualmente correspondendo às cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Trata-se de norma central. o qual determina que as contas dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) e do MP sejam apresentadas conjuntamente com o Executivo. Apesar de haver vedação à criação de órgão. No âmbito municipal. Nessa última hipótese. 2003. Em tese. 73. mediante lista tríplice elaborada pelo próprio TCU e com prévia aprovação pelo SF. 216). 71. O STF já disse que 1/3 dos conselheiro são escolhidos pelo Governador. rel. LRF). composto por sete conselheiros. 258 STF. CF/88.205 Presidente da República. I e II. CF/88). essa disposição encontra-se obstada por cautelar deferida pelo Supremo258. 75. p. o qual poderá rejeitar ou aprovar a contabilidade (art. p. Se o Presidente.2007. orig. § 1º. o art. Min. p/ o acórdão Min. e o restante. inclusive na plenitude das atribuições. e 2/3 pela Assembléia Legislativa. cabe ao TC comunicar ao Presidente do Legislativo para medidas cabíveis (OLIVEIRA e HORVATH. 57. p. mas as indicações do chefe do Executivo estadual não precisam ser submetidas à sabatina do Legislativo. O documento será encaminhado ao Parlamento. Os requisitos subjetivos do art. cuja gestão será analisada pelo plenário do CN (art. Governador ou Prefeito não apresentar as contas no interregno assinalado (60 dias a partir do início da sessão legislativa. 84. alternadamente. Lei 4320/64). Súmula 653 do STF: “No Tribunal de Contas estadual. quanto ao chefe do Executivo. conselho ou tribunal de contas municipal após a promulgação da CF/88 (art. CF/88). Ademais. com exceção do Presidente da República. os TCE’s limitam-se a prestar auxílio técnico às Câmaras Municipais e a analisar as contas dos prefeitos. “caput” e parágrafo único. destacando-se as seguintes: • Competência para julgar contas de administradores de dinheiro público. o TCU emite parecer. 56. “caput”. sendo formado por sete conselheiros (art. “caput”. o prazo é de 60 dias para emissão do parecer pelo TC. 2003. devem ser preenchidos por todos (OLIVEIRA e HORVATH. quando existentes) observam a composição e formação do TCU. § 2º. 2003. não podendo proferir determinações à Municipalidade (OLIVEIRA e HORVATH. 82. As funções do TC estão enumeradas no art. no caso da União – art. j. 224).8. lembrase que os TCM’s instituídos antes de 1988 permanecem em funcionamento. § 1º. o STF posiciona-se favoravelmente que TCE crie repartição específica para atuar perante determinado Município. Ilmar Galvão. LRF. I a XI. Informativo do STF n° 475. Na mesma cautelar. rel. quatro devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual. podendo CE ou lei orgânica municipal dispor de forma contrária (art. CF/88). ADI 2238 MC/DF. cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público e um terceiro a sua livre escolha”. 8. “caput”. XXIV. 82. Lei 4320/64). Carlos Britto. dois dentre auditores e membros do MP junto ao tribunal. CF/88. a ser obrigatoriamente reproduzida pelo constituinte decorrente (Súmula 653 do STF)257. o TCU tem função meramente opinativa. Nota-se que o exame realizado pelo TC é técnico e administrativo. que irá acatá-lo ou não. pelo CN (art. 224). Segundo o STF. Os TCE’s (e TCM’s. 73. No entanto. A discordância exige quorum de 2/3 do Legislativo para aprovação. também se encontra com a eficácia suspensa. 31. § 4º. 257 .

preconizando que. operacionais e patrimoniais se realizam em qualquer unidade administrativa (UA). a decisão se defere a esse. como lembram Oliveira e Horvath (2003. Não sendo possível a convalidação. etc. As decisões do TCU que impliquem em imputação de débito ou de sanção terão eficácia de título executivo (art. Não é mais necessário registro anterior de ato ou de contrato para a realização do gasto público. Para Oliveira e Horvath (2003. • Controle sobre atos de admissão de pessoal e de concessão de inatividade remunerada (aposentação. Deve assinar decurso para retificação da ilegalidade. orçamentárias. em princípio. comunica o Poder enquadrante da UA irregular. Trata-se da fiscalização propriamente dita. “caput”. CF/88). p. sempre sob os auspícios da legalidade. CF/88). 72. deve prestar contas de sua atuação ao próprio Poder enquadrante (art. § 4º. 71. CF/88). • Realizar auditorias a pedido de órgãos ou entidades públicas. • Fiscalização sobre verbas repassadas a outros entes federados e entidades públicas ou privadas. A Súmula Vinculante 3 do STF trata do TCU. reforma ou pensão). com todos os . nessa hipótese. comunicando o Legislativo em seguida (art. prescindindo-se de inscrição em dívida ativa. partir da comunicação do tribunal. o TC susta a execução. • Sustar atos que não observem legalidade. 70. sendo certo que contratos devem ser obstados. § 1º.. 71. Se o TC encontrar entraves. 217). As medidas impostas devem estar previstas em lei. mormente por intermédio de auxílios e de subvenções. só havendo de se falar em fiscalização posterior e concomitante. legitimidade e economicidade. embargo de obras. como multas. Se qualquer desses não se pronunciar a respeito em 90 dias. Nessa faina. 219). 71. não mais existe o controle prévio de despesa. em um processo administrativo em que possa haver reforma de ato administrativo. dentro da esfera de atribuições do próprio TC. CF/88). quando da responsabilidade de agentes públicos por ilegalidade ou por irregularidade. de sorte a ratificar aqueles passíveis de revalidação. X. Essas inspeções e auditorias contábeis. • Atendimento a qualquer solicitação do Legislativo. diretamente pelo Legislativo ou pelo próprio Poder fiscalizado. CF/88). em um típico controle concomitante. Ademais. porque seu órgão auxiliar (art. financeiras. § 3º. • Aplicar sanções. quando houver solicitação pela comissão mista de orçamento e finanças no âmbito do Legislativo (art. 71. “caput”.206 não político. com respectivo registro. deve haver prática de novo ato com efeitos “ex tunc”. As multas implicarão em título executivo extrajudicial. p. da legitimidade e da economicidade das despesas (art. CF/88). • Emitir parecer sobre despesa constante do PL de orçamento anula. aquele que se beneficiava poderá se defender perante o órgão.

desde que haja redução de 25% no primeiro deles. Dentre eles. é publicado também o Relatório de Gestão Fiscal. • Participação popular e audiências públicas. o TCU se limita a aplicar à lei. Esse balanço quadrimestral embasará eventuais ações de contenção de gastos. o qual demonstrará a observância dos limites legais da dívida pública. CF/88. Com efeito. Depois do período legal para saneamento. Esse comando não se aplica quando o ato se refira à legalidade de concessão inicial de aposentadoria ou benefício. 22). ao inquérito civil e à própria ação por improbidade administrativa. Goza de vários instrumentos extrajudiciais e meios judiciais para fazer recompor o erário e para responsabilizar aqueles que o maculam. podem ser sanados nos três quadrimestres seguintes. falecendo direito ao contraditório e à ampla defesa ao beneficiário. “caput”. • Relatório de execução orçamentária e de gestão fiscal. • Prestação de contas e parecer prévio. nessa hipótese. excetuando-se refinanciamento do principal da dívida mobiliária. a existência de situação desfavorável não permite que o ente receba transferências voluntárias. Instrumentos de transparência da gestão fiscal (inclusive em meio eletrônico) – art. A cada quatro meses. 223). No seu mister fiscalizatório. das concessões de garantias. Trata-se de matéria de direito e não de fato. das operações de crédito realizadas e eventuais medidas corretivas levadas a cabo. o qual contém o balanço orçamentário e outros demonstrativos do período. LRF: • Planos. além das demandas penais. p. • LDO. Os limites da dívida pública são verificados a cada quadrimestre. segundo advogam Oliveira e Horvath (2003. dos gastos com pessoal. como lecionam Führer e Führer (2001. e da Lei 8429/92. o TC tem autorização para quebrar sigilo bancário e fiscal por força própria. III. p.207 sucedâneos do contraditório e da ampla defesa. Se ultrapassados. 129. especial atenção deve ser dada à ação civil pública. nos termos do art. § 4º. . disparando os diversos sistemas de alerta e de restrição financeira previstos na LRF. CF/88. 37. Ainda dentro do sistema de controle externo. 48. A cada bimestre. o Parquet é órgão que tem incumbência de velar pelo patrimônio público de modo amplo. Nesse contexto. é publicado o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREX). • Orçamentos. cumpre destacar o relevante papel desempenhado pelo Ministério Público. a partir do art. fica autorizada limitação de empenho e proibida operação de crédito. pois.

Apesar do exposto. 40. Lei 4320/64. Estados ou Municípios que eventualmente não tenham competência para elaborar MP pode autorizar créditos extraordinários por meio de decreto. . § 2º. derivadas ou transferidas. demonstrações do exercício anterior (art. MUNICÍPIOS E ESTADOS – deverão encaminhar. 52. O Senado controla as operações de crédito. I a III. previstas no art. De outra parte. configurando operações de crédito público (captação externa de recursos). previsão orçamentária. vênia legislativa específica quanto à operação a ser realizada. como guerra.208 DEMONSTRATIVOS – deverá haver separação entre órgãos. Lei 4320/64): . finalidade pública devidamente comprovada. fundos. Essa situação corrente não encontra guarida na Carta vigente.Extraordinários – são destinados a despesas urgentes e imprevistas. § 3º. e 53. I a III. justamente porque presentes os requisitos de relevância e urgência (art. . 51. 51. Nesse caso. Apresentam as seguintes características: obrigação bilateral. ou seja. § 2º. § 5º.Suplementares – a previsão de despesa foi insuficiente. a MP deve ser “incontinenti” submetida ao Legislativo. CF/88). NÃO APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO OU DA GESTÃO FISCAL – ente fica passível de sanções diferentes daquelas previstas para inobservância dos limites legais. 62. o Estado pode obter entradas por meio de endividamento. LRF). Créditos públicos – além das receitas originárias. pendendo inconstitucionalidade. autorizando operação de crédito externas e dispondo sobre garantias para a realização dessa última. Créditos adicionais – são autorizações de despesas. parágrafo único. LRF). LRF). ao menos por meio de autorização genérica. seguindo o reexame imediato pelo Poder Legiferante correspondente (Assembléia Legislativa ou Câmara Municipal). I e II. 165. DF e Municípios. O resultado do crédito público é a dívida pública e a captação de recursos. O crédito correspondente deve ser reforçado. § 1º. Administração Indireta e previdência (art. mormente os suplementares. todos os créditos adicionais. 41. fazendo surgir a categoria em comento. . “caput”. Os extraordinários poderão ser obtidos por meio de MP. entre 30 de abril e 31 de maio. CF/88). 49. podendo estabelecer limites inclusive para o montante da dívida pública consolidada e mobiliária de Estados. Podem ser de três tipos (art. não pode receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. Fá-lo-á por meio de empréstimos. atualmente são obtidos por MP. comoção intestina ou calamidade pública. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (arts. Os créditos especiais e suplementares dependem de autorização legislativa específica. de acordo com a tríade das contas orçamentárias (art. Os limites da dívida mobiliária da União são estabelecidos por meio de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República.Especiais – inexiste previsão de certa despesa no orçamento.

2003. referente ao segundo momento. p. 233). não poderia ser objeto de execução específica. o ato-condição. 2003. o empréstimo público seria movimento de caixa. Dessa forma. ato de soberania do Estado. . O mecanismo dos empréstimos públicos. É contrato privado – existem dois momentos para a consubstanciação de crédito público. em estabelecer as cláusulas. ato-subjetivo. Léon Duguit (apud OLIVEIRA E HORVATH. como lembrar Oliveira e Horvath (2003. CF/88). limita. a natureza dos empréstimos públicos é motivo de celeuma na doutrina. restringe e regula as operações de crédito. o princípio da autonomia da vontade cede lugar à autonomia privada. que estatui condicionantes para a ocorrência jurídica do fato. não propriamente a liberdade contratual (ao contratar. p. 2003. a teor dos contratos privados. inclusive com cláusulas exorbitantes previstas na lei de autorização. VII. 231). * O ato-condição é a Resolução do Senado (art. o qual seria a efetiva ocorrência do fato à luz dos dois anteriores. o contrato administrativo de empréstimo tem suas cláusulas elementares exprimidas pela lei autorizadora. p. a avença celebrada. seria regido pelo Direito Público. V a VII. a qual autoriza. p. 22. É a idéia da doutrina majoritária francesa e de Cretella Júnior (apud OLIVEIRA e HORVATH. Oliveira e Horvath (2003. Sob o aspecto financeiro. impende a liberdade de contratar. o qual seria regido pelo Direito Privado. De outra feita. p. isto é. como disse Geraldo Ataliba (apud OLIVEIRA e HORVATH. 2003). É a posição prevalente. sendo posição atualmente ultrapassada. É a doutrina do argentino Drago (apud OLIVEIRA e HORVATH. 232). p. segundo Oliveira e Horvath (2003. em autêntico ajuste consensual). porque se balizam pelo direito comum. o qual estabelece a regência para determinada situação jurídica. apesar de não vigorante no âmbito doméstico.209 Excluindo-se os empréstimos compulsórios. 238). I e II. 238) classificou os atos estatais em três categorias: ato-regra. conquanto formam-se crédito e débito co-respectivos (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88). sendo possível distinguir três correntes: É ato unilateral de um Estado – decorrente de sua soberania. Ademais. 148. necessário afirmar que os ditames do “pacta sunt servanda” e da boa-fé objetiva estão presentes nos contratos de empréstimos públicos. que têm autêntica essência tributária à luz do art. p. segundo Oliveira e Horvath (2003. p. 243) defendem que as operações de antecipação de receita não são empréstimos públicos. CF/88. 2003. O segundo é a celebração do contrato em si. 52. O primeiro é a autorização legislativa para contraí-lo. enquadrar-se-ia perfeitamente na classificação aduzida pelo mestre francês: * O ato-regra é a lei a disciplinar os empréstimos públicos (art. 234). 234). É contrato administrativo – dentro da mesma idéia anterior dos dois momentos de formação do empréstimo. em contratar.

não se imiscui operação de crédito com transferência voluntária. LRF. direta ou indiretamente. o que pode sugerir grave prejuízo à financeira. Führer e Führer (2001. deverá verificar se as condicionantes legais foram observadas. as quais sempre deverão ser secundadas por renegociação do “debitum”. “caput”. visando garantir equilíbrio e harmonia no âmbito da federação. à luz do parecer do Ministro da Fazenda. § 1º. taxa administrativa. O art. correção. Essa permissão não será aplicada quando o crédito for destinado a pagamento de despesas correntes (custeio) nem a refinanciamento . é permitido indicá-los como garantia em execução fiscal uma vez que tenham cotação em bolsa de valores. Além disso. Amílcar de Araújo (apud OLIVEIRA e HORVATH. p. Uma pessoa política não pode fazer empréstimos a outra. desde que haja previsão legal. não sendo vinculante em relação à autoridade ou órgão que tem incumbência sancionadora. etc. p. Não se encontra na proibição empréstimo por meio de instituição financeira estatal e ente federado. incluindo outras pessoas públicas de Direito Público a ele vinculadas (art. pretensa credora do ente público. 35. muito pelas quais as fontes do Direito Público Internacional vedam tais práticas. Os títulos são colocados à venda. O art. por meio de entidades a eles ligadas.210 * O ato-subjetivo é a celebração do contrato administrativo pela entidade pública. como o embargo comercial. Na via jurisdiciona internacional. devolvendo-se o valor ao credor sem qualquer acréscimo (juros. Moratória e bancarrota são meios unilaterais que o Estado devedor tem para mitigar o pagamento da dívida. O documento tem um caráter técnico. Realizará essa fiscalização por meio de verificação se os patamares foram observados. como o próprio FMI e a OMC. recebendo o Estado a contraprestação pecuniária. os Estados e organizações internacionais credoras podem usar sanções indiretas por força própria. Essa operação em particular produz uma categoria específica de dívida pública: a mobiliária. O agente não tem o poder de impor sanção pelo descumprimento do estabelecido normativamente. Não atendidos os requisitos da lei. 32. No ponto. 30) lecionam que o legislador criou um sistema difuso de controle das operações de crédito. No ponto. LRF. veda operação de crédito entre os entes federados. a ser operado pelas próprias instituições financeiras credoras. geralmente os entraves são resolvidos por arbitragem. A instituição financeira. De outro lado. 228) lembra que a execução específica e a recorrência a meios militares não mais têm vez para cobrar débitos de operações de crédito externas hodiernamente. LRF). a despesa é considerada nula. inclusive das empresas públicas a eles atreladas.). 35. emitindo parecer. diz que o Ministro da Fazenda controlará os limites e condições para realização de operações de crédito dos entes federados. A forma mais corriqueira de operação de crédito se dá através de emissão de títulos da dívida pública. em que pese a existência da Corte Internacional de Justiça e de órgãos da ONU com atribuições correlatas. Eles podem ser usados para quitação de tributos. 2003. “caput”. a qual é realizada a fundo perdido.

25. § 1º. I a IV. CF/88). 35. Obs. LRF). Se for prestada pela União em relação a instituições internacionais de financiamento e fomento. p. salvo autorização do CN por maioria absoluta para inclusão em crédito suplementar ou especial para o caso específico (art. As garantias podem ser: • Pessoais – é o caso de aval de banco ou da União em favor de Estados ou de Municípios. “caput”. LRF (art. além das condições para garantia interna. o Contrapartida em receita prevista na LO ou em crédito adicional. Por fim. II. os requisitos para o recebimento de transferências voluntárias – art. salvo antecipação de receita. III. LRF). excluindo REFIS (art. III. CF/88). 32. 40. Para Führer e Führer (2001. o Observância de limites e condições estatuídas pelo SF. Obs. § 3º. premente lembrar que dívidas contraídas anteriormente à LRF podem ser objeto de refinanciamento. que o ente público ofereça receita pública futura como garantia. 35. 1: é vedada a realização de operação de crédito (art. o Expressa autorização em LO orçamentária. 38. o Não superação do valor em despesa de capital. nas operações de crédito. § 1º. GARANTIA pode vir de contragarantia de transferência constitucional (consignada) pelo garantidor (art. As operações de crédito dependem do atendimento dos seguintes pressupostos (art. Maiores que as despesas de capital (art. “a disposição se afigura inconstitucional no que se refere à parte das transferências cujo fim é vinculado”. § 2º. LRF): o Requerimento do interessado. São aquelas decorrentes de repasses constitucionais e legais (art. deverão ser observadas. 35. LRF). 40. . Entre entes federados (inclusive na Administração Indireta) e entre ente e sua instituição financeira (inclusive o BACEN). 2: é proibida antecipação de receita no último ano de mandato do Executivo (art. II. § 1º. com autorização específica desse no caso de operação de crédito externo. § 1º. I. LRF). I a II. § 1º. § 1º. 167. em crédito adicional ou lei específica.211 com outra concedente (art. IV. LRF). LRF). 35. LRF). “b”. LRF). com demonstração contábil e jurídica da viabilidade na relação custo-benefício e no atendimento do interesse social e econômico. 31). I a VI. 167. salvo entre aquela e ente federado distinto (art. o Outras restrições estabelecidas pelo legislador complementar. É possível. 40.

envolvendo mais de um exercício.Por conversão – há opção do credor em receber o montante com juros menores ou manter a dívida para recebimento futuro. menos que 12 meses. realizado até 10 de dezembro do mesmo exercício (art. A decretação da intervenção não será feita se houver motivo de força maior. apesar de constituir ato discricionário. Oliveira e Horvath (2003. CF/88. 35. pagando-se devidamente o devido. Intervenção e dívida fundada – é permitida pelo não pagamento do débito nas seguintes condições: Da União nos Estado – quando esse estava pagando e suspendeu por decurso maior que dois anos (art. caracteriza uma discrepância técnica. que a LRF trata de dívida fundada e consolidada como sinônimos. p. LC 101/00). como: hipoteca sobre bens públicos dominiais. estaduais ou municipais. ensejam decreto “ex officio” do chefe do Executivo. I. I. o Consolidada – não existe pagamento do principal. vinculação de receitas de impostos de competência própria do tomador ou decorrente de transferências obrigatórias (art. a dívida deve ser contraída até 10 de janeiro e o adimplemento. o que. os empréstimos públicos podem ser externos (aduzidos por Estados ou por organizações internacionais) ou internos. o ato seria vinculado. Pode ser índice oficial legal. 38. consoante comentário já feito anteriormente. em tese. comentando essa última hipótese. Com referência ao prazo de pagamento. . a ser demonstrada pela unidade intervinda.Por resgate – o qual pode ser à vista ou por amortizações. Os motivos espelhados nos arts 34. V. Para eles. CF/88). os créditos públicos podem ser federais. Extinção do crédito público – pode se dar de quatro formas diversas: . § 4º. CF/88). emissão de títulos da dívida pública mobiliária. não concordam com a leitura feita pelo Excelso Pretório. Dos Estados nos Municípios – quando não pagou a dívida contraída por dois anos consecutivos (art. etc. e 35. V. com mais . No tocante à praça de pagamento (ou à localização do credor). cotação do ouro. Nesse passo. como já disse o STF. “a”.212 • Reais – podem ser constituídas de diversas formas. Nesse contexto. I e II. classificam-se em: o Flutuante – o pagamento é previsto para ser feito em curto prazo. o mandatário não está coagido a exarar a medida. o Fundada – o pagamento é feito em longo prazo. 167. só incidindo sobre juros. moeda forte estrangeira. A correção monetária a ser aplicada nos empréstimos públicos depende da lei autorizadora e da disposição do instrumento do ajuste. “a”. mesmo que haja vênia judicial. CF/88). etc. Classificações – quanto ao aspecto subjetivo (característica do devedor). Observa-se. porquanto é prerrogativa funcional e política de seu cargo a decisão sobre a oportunidade e conveniência a efetivação. 34. 244).

Pergunta: a proposta constante dos arts. p. a Defensoria Pública não possui autonomia financeira. (ii) compatíveis e (iii) irrelevantes. Deve ser feita efetivada por opção do credor. 30. “caput”. com a devida legitimidade. em verdade. interno ou externo. tornando inexigível seu direito de crédito. Cada orçamento definirá qual modalidade de classificação a despesa incorrerá. 100.Por prescrição – a pretensão do credor em receber os valores é perdida em decorrência do decurso temporal. não fere o pacto federativo? Resposta: não. LC 101/00.Por consolidação – trata-se.213 vantagens. CPC). Execução do crédito público – segue o rito ordinário ou o procedimento para títulos executivos extrajudiciais. 88. tendo em vista estar inserida na Seção “Dos Orçamentos” na Constituição Federal e ser esta Comissão aquela apta a praticar a fiscalização externa orçamentária. sem perder de visa que o pagamento se dá na forma de precatórios (art. . No ponto. em que se transforma dívida flutuante em fundada (OLIVEIRA e HORVATH. seguindo respectivamente a Constituição Estadual. CF/88). Não há de ser imposta pelo devedor. sob pena de constituir verdadeira moratória. titular do poder. possa prevalecer. a Lei Orgânica e. LC 101/00)? Qual o valor? Resposta: os ensinamentos de Régis Fernandes de Oliveira apontam que este critério criado pela lei está inserido ao lado de dois outros: as despesas poderão ser (i) adequadas. ocorrerá da mesma forma. Nos Estados. Ele transporta para um documento escrito – ‘um projeto de lei’ que precisará sofrer a aprovação do Poder Legislativo para que. não podendo ser imposta pelo tomador. 166. I a III. subsidiariamente. VI. I. apenas funcional e administrativa. e 52. 249). Pergunta: existe a comissão prevista no art. Pergunta: por deter autonomias orçamentárias. § 3º. a Defensoria Pública não deveria estar incluída expressamente no art. qualquer credor. Pergunta: o que é considerada despesa irrelevante (art. financeiras e administrativas. Para entender essa questão é necessário lembrar que o Poder Executivo é aquele que sabe como irá gastar o dinheiro público. aduz sua pretensão no Judiciário doméstico (art. 16. 2003. . CF/88? Ela realmente atua? E nos Estados e Municípios? Resposta: sim. 1º. Distrito Federal e Municípios. LC 101/00? Resposta: cuidado. Lembre-se que o povo. CF/88. § 1º. § 3º. o Texto Constitucional. ao escolher seus representantes também entrega aos mesmos . As aferições serão estabelecidas pelas pessoas políticas em face dos valores de despesas apontados pelas leis (orçamentárias) anteriores. A doutrina não cogita de nenhum ferimento. de novação objetiva. Em âmbito federal está vinculada ao Ministério da Justiça.

a providência. aos segurados’. ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado. evita o risco e aplicação do dinheiro público em títulos de menor expressão e impede que os recursos sejam aplicados em ‘empréstimos de qualquer natureza. Pergunta: em face do art. para que o P. de qualquer natureza. I e II. CF/88. LC 101/00. 43. 165. O Presidente precisará encaminhar a sua proposta de gastos. Assim. I e II. LC 101/00. § 2º. 43. Pergunta: as subvenções econômicas devem ser ressarcidas pelas entidades beneficiadas ou são consideradas como empréstimo a fundo perdido? . Essa é uma das fiscalizações orçamentárias que acontece em face do Direito Financeiro. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. 52. Legislativo – Senado Federal – disporá sobre limites globais e condições para operações de crédito interno e externo das pessoas políticas. é possível dizer que a Lei 4320/64 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente como lei complementar? Resposta: sim. aos segurados e ao Poder Público. § 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1º em: I . autarquias e demais ‘longa manus’”. com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira. Nesse contexto. bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação. deve-se levar em conta o harmonioso relacionamento entre os três poderes. Os ensinamentos do Prof. aplicável a todos os entes da Federação. no dizer de Celso Antonio Bandeira de Melo.títulos da dívida pública estadual e municipal. à União não gera um contra-senso? Por que os Estado e Municípios não podem e a União pode? Resposta: Texto da LC 101/2000: Art. Legislativo aprove. a teor do art. geral e próprio dos servidores públicos. II . inclusive a suas empresas controladas. esta lei foi recepcionada como lei complementar. VI da CF explicita que o “P. Régis Fernandes de Oliveira apontam que este parágrafo 2º foi muito bem vindo.empréstimos. 164 da Constituição. 249 e 250 da Constituição.214 poderes de gerenciamento da atuação do Presidente da República. já que proíbe a aplicação das disponibilidades da previdência em títulos da dívida pública municipal e estadual. Pergunta: a não aplicação da restrição do art. o art. Para interpretar esse questionamento. 43. § 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social. § 2º. ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. § 9º.

seja como aumento patrimonial.215 Resposta: inicialmente. por meio de sua fiscalização. culturais ou de assistência). O Ministério Público poderá. Pergunta: o art. ela deverá utilizá-lo dando cumprimento de sua finalidade. incluindo também as autarquias que exercem atividade econômica (art. assim como as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. morais. No que diz respeito às fundações. em um orçamento. o dispositivo legal em comento não teria sido recepcionado pela ordem de 1988. correto? Resposta: a CF em seu artigo 148 definiu a natureza jurídica desta exigência fiscal como tributo. II. Pergunta: quando define subvenção econômica. CF/88. A leitura do art. exercer um importante e decisivo papel em face da fundação. ou seja. Pergunta: caso exista sobra de caixa referente aos meses anteriores do exercício. Lei 4320/64 deve desprezar esta menção. conforme art. 18. O oposto seria "déficit". Essa é a razão pela qual podem receber subvenções. 12. Tal orçamento é chamado de superavitário. Poderiam aí também ser enquadradas as fundações que venham a realizar atividade econômica? Resposta: lembre-se que todas essas figuras apontadas. 5º e incisos do Decreto 200/67. reza que crédito decorrente de empréstimo compulsório é classificado como dívida ativa não-tributária. referendando o caráter lídimo e escorreito que esta possui para o eventual recebimento de subvenções. e segundo a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica. Lei 4320/64). Lei 4320/64. é importante frisar que subvenção econômica é a alocação destinada à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas de natureza autárquica ou não. ter mais ganhos do que gastos. o prefeito não poderia gastar mais do que o previsto no art. 59. ou seja. já que a CF foi publicada em 1988. § 2º. vinculando-as a fins não-econômicos. seja como retribuição a serviços prestados ou compra de . em balanços de empresas não econômicas ou "sem fins lucrativos". Nesse sentido. Também pode ser a denominação do que corresponderia ao lucro. Nesse sentido. Em face da localização topográfica do art. 148. “caput”. elas não podem ter caráter econômico. não se falando assim em devolução posterior. é o lucro resultante de. esta disposição não foi recepcionada pelo Texto Maior. 39 § 2º. se o orçamento estabelecer este benefício pecuniário a alguma entidade. Régis Fernandes de Oliveira ensina que a despesa deve encontrar respaldo legal ou constitucional para ser gerada. o legislador se refere expressamente a empresas governamentais e particulares como beneficiárias em potencial (art. são “longa manus” do Estado. Lei 4320/64). no último mês de seu mandato? Resposta: essa é uma hipótese de superávit. 39. qualquer despesa deve. configuram estruturas da Administração Pública Indireta – como ensina Celso Antonio Bandeira de Mello. § 1º. O Novo Código Civil restringe a criação de fundações a apenas quatro áreas (para fins religiosos. para ser gerada. Lei 4320/64. refletir um benefício ao Poder Público. a doutrina tem apontado uma certa dificuldade relacionada às fundações no que diz respeito à captação de recursos e eventuais autorizações para recebimento de subvenção econômica. Assim. § 3º.

10% do IPI sobre exportações realizadas no território do beneficiário (art. 2003. A CGU também deve exercer. CF/88). sendo destinados à infra-estrutura de transportes (arts. Foi extinto em 1971. 157 a 162. correição. 154. e 159. II. 1. No que diz respeito à Controladoria-Geral da União (CGU). CF/88). prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. CF/88. No que diz respeito à Secretaria de Orçamento e Finanças. “c”. devendo o restante ser rateado pelos demais (art. no âmbito do Poder Executivo. § 4º.216 bens ou serviços. principalmente contidos no ADCT. p. temos a Secretaria de Orçamento Federal. 157. Em âmbito federal. 159. Receitas repassadas da União para Estados e DF– são as seguintes: IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados (e DF). distribuídos na forma de LO federal. e 157. 159. § 4º. II. 177. sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. II. O Conselho Técnico de Economia e Finanças era um órgão técnico e consultivo do Ministério da Fazenda. Repartição de Receitas Tributárias “Prima facie”. Pará e Paraíba. I. irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos artigos 16 e 17 da Lei Complementar 101/00. III. 25% dos impostos residuais instituídos (arts. CF/88). 111. por meio das atividades de controle interno. CF/88). 29% da CIDE-combustíveis (art. além de outros dispositivos esparsos. 259 O percentual destinado a um só Estado não pode ultrapassar de 20% do total. CF/88)259. “caput”. como órgão central. essa nomenclatura está atrelada à Administração Direta dos Estados-membros. prestando a orientação normativa necessária. vinculada ao Ministério do Planejamento. Orçamento e Gestão. . sendo criado em 25 de novembro de 1937. suas autarquias e fundações públicas (art. precípuo reavivar que a repartição (ou discriminação) de receitas tributas é relação jurídica diferente daquela erigida pelo exrecício da competência tributária (OLIVEIRA e HORVATH. podendo ser denominada “relação jurídica financeira”. É matéria constante dos arts. auditoria pública. § 2º. a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal. este é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que. serão consideradas ‘não autorizadas. como por exemplo. I. Caso não cumpram este perfil. Pergunta: o órgão previsto no art. 71). Lei 4320/64 (Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda) ainda continua existindo ou foi substituído pela Secretaria de Orçamento e Finanças? E a Controladoria-Geral da União? Resposta: não. 177. CF/88).

4. Fundos de Distribuição – nesse contexto. II. § 5º. I. CF/88). III. I. sendo (art. Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE) – 21. o ITR. Joaquim Barbosa. 159. 158. 153. 161. Norte e Centro-Oeste – 3% do IR (art.3/4. Programas de financiamento do setor produtivo do Nordeste. DJU 4. . CF/88): 260 O valor adicionado é definido exclusivamente por via de LC federal (art.217 30% do IOF sobre ouro vindo de seu território. I.5. . I. . Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – 21.5% do IR (art. 82. Informativo do STF n° 467). IV e parágrafo único. II. 159. CF/88). 158. “a”. I. O montante do ICMS. 2. § 1º. no mínimo. segundo o seguinte comando: Regra geral – 50% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. ADCT). I. 159. 153. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. § 5º. Receitas repassadas dos Estados para os Municípios 50% do IPVA sobre veículos licenciados em seu território (art. considerado como base de cálculo para o repasse constitucional em tela. 25% da renda recebida da CIDE-combustíveis (art. 159.2. ADI 1423/SP. Receitas repassadas da União para os Municípios o IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Municípios. segundo já se pronunciou o STF (RE 253906/MG. podem ser destacados os fundos de participação e os programas de fomento e desenvolvimento das regiões Norte. desde que exista LO federal regulamentando (art. DJU 2. CF/88). o 70% do IOF sobre ouro vindo de seu território. CF/88). quando houver delegação de capacidade ativa (arts. 158. 25% da rende recebida do IPI sobre importações (art. 93. ADI 2728/AM. 158. I. de acordo com a lei estadual (tratando-se de Estado) ou federal (tratando-se de Território).2005. Nordeste e Centro-Oeste.Até ¼. não considera eventual acréscimo de 2% destinado a Fundo de Combate à Pobreza do Estado ou do DF (art. CF/88). § 3º. suas autarquias e fundações públicas (art. valendo as mesmas regras do repasse de ICMS. CF/88). quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. CF/88). Parafiscalidade – 100% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. § 4º. “c”.3. CF/88). e 158. 159. e § 1º.2005. CF/88). rel. CF/88). DJU 18. 153. Min. 3. § 4º. 157. 16. “b”. sobre o valor adicionado260 nas operações realizadas em seu território. e § 1º. ADI 3262/MT. não contando o desconto na fonte já realizado pela unidade federada (art. I. não contando o desconto na fonte já realizado pela pessoa em questão (art.5% do IR (art. 25% do ICMS. CF/88). j.2. III. ADCT).2007. CF/88).2004. CF/88).

CF/88): o Total da arrecadação tributária. decorrente de repasse. “caput”. CF/88): • Ao pagamento de seus créditos. CF/88). “a” e “b”. nas quais é possível que a União e os Estados condicionem a repartição de receitas (art. como ADAM. ADCT. CF/88). Fomento de instituições financeiras de caráter regional. permanecendo aqueles estatuídos no art. 159. 160. o TCU é responsável por calcular os valores de repasses do FPE e do FPM (art. 161. § 5º. é vedada restrição ou retenção de verbas destinadas a repasses constitucionais (art. Essa regra não abrange os seguintes repasses (art. No tocante à fiscalização. 153. • À aplicação dos recursos mínimos na saúde. os Estados. até o último dia do mês subseqüente. 161. “c”. I e II. considerado como ativo financeiro (art. ADENE. nos termos de LO federal. 212. CF/88). .218 De acordo com o plano regional de desenvolvimento (previsão em plano plurianual). O FPE e o FPM são regulados pela LC 62/89 (art. podem ser apontadas duas exceções. “caput”. 160. 198. O semi-árido nordestino receberá 50% do total destinado à região NE. 157. o Recursos não-tributários recebidos. CF/88). DF e Municípios (arts. parágrafo único. IR arrecadado por Estados. a ser revisada a cada lustro (art. I. Nordeste e Centro-Oeste (art. Arrecadação e destinação do salário-educação (art. 5. § 5º. “caput”. Contudo. CF/88). CF/88). 159. 6. o Valores tributários repassados e recebidos. A União. 161. 76. CF/88). e 158. II. CF/88). etc. 77. enquanto o legislador complementar for inerte. ADCT): Base de cálculo de: IOF sobre ouro. Desvinculação de receitas da União (DRU) – de acordo com o art. 162. um relatório com os seguintes dados (art. Repasse e fiscalização – em regra. Programas de financiamento do setor produtivo do Norte. o Expressão numérica dos critérios de rateio. I. ADCT. FPE e FPM (art. incluindo das autarquias. cujos percentuais mínimos devem ser fixados por LC. I. entre 2003 e 2007. parágrafo único. §§ 1º e 2º. o DF e os Municípios deverão publicar mensalmente. I. 25% da receita tributária da União não está vinculada a qualquer órgão. 76. O repasse de verbas dos Estados e Municípios é disciplinado pela LC 63/90 (art. fundo ou despesa. CF/88). II e III.. CF/88). § 2º. III.

38% da CPMF.75% sobre o PIS/PASEP. Nordeste e Centro-Oeste. definidas na LC 111/01. ADCT): 1º) Não-vinculação de impostos (art. CF/88). Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT – Lei 7998/90). incluindo suas autarquias e fundações. Percentuais mínimos destinados à educação (18% para União e 25% para Estados. o 20% do total das receitas de impostos e contribuições sociais da União. “caput”. 159. I a VI. 9. “caput”. 80. o Parcela da CSLL. Fundo da Educação Básica (FUNDEB) – de acordo com a EC 53/06 (arts. 83. Provenientes de dotações orçamentárias específicas. . CF/88). CF/88. e 60. decorrente do IOF sobre ouro como ativo financeiro (art.219 7. 23. repasse de IPI sobre exportações. § 5º. Produto do ITR. Obs. ADCT). § 1º. definidos nos termos de LO federal (art. ADCT: As três situações anteriores. 72. ADCT). excluindo-se as hipóteses do art. 8. o Outras receitas previstas em lei específica. 239.08%. Fundo Social de Emergência – presta-se a fazer frente a imprevistos sociais. 211. o qual financia o seguro-desemprego e o abono salarial anual decorrente do PIS/PASEP (art. 80. e §§ 3º e 4º. Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – tem previsão no art. I a III. Advindas de operações de crédito. Territórios e Municípios. I a VI. “caput”. CF/88). VII. ADCT): 0. IV. DF e Municípios – art. CF/88). o Parcela do IR e do IOF decorrente do Plano Real. 2º) Formação do FPE e do FPM. 5% do IPI sobre produtos supérfluos. ADCT. sendo regulado pela LC 111/01.: os recursos do citado fundo não se sujeitam a duas regras tributário-financeiras (art. atualmente em 30%. É formado pelas seguintes receitas (art. 72. Percentual dos Estado. ADCT): o Parcela do IR na fonte sobre rendimentos pagos pela União. 206. 153. Outras. o 0. II. § 5º. DF. 80. 158. 167. financiamento de programas a setores produtivos do Norte. CF/88). dos 0. CF/88). parágrafo único. 212. repasse da CIDE-combustíveis (art. I a III. Repasse do ITR aos Municípios (art. É formado pelas seguintes receitas (art.

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