1

ANOTAÇÕES DE TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO

Princípio da Legalidade Tributária Princípio da Anterioridade Tributária Princípio da Isonomia Tributária Princípio da Capacidade contributiva Princípio da Irretroatividade Tributária Princípio da Uniformidade Geográfica Princípio do Não Confisco Princípio da Não Limitação ao Tráfego Princípio da Não-cumulatividade Imunidades Tributárias Sistema Tributário Nacional Conceito de Tributo Classificação dos Tributos Competência Fontes do Direito Tributário Interpretação e Integração Obrigação Tributária Responsabilidade Tributária Lançamento Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Prescrição e Decadência Exclusão do Crédito Tributário Garantias do Crédito Tributário Administração Tributária Impostos em Espécie Importação e Exportação IPI

03 06 09 11 14 17 18 19 19 20 29 32 40 43 50 53 56 63 75 78 88 99 102 104 111 112 117

2

IOF IR ICMS ITCMD IPVA IPTU e ITBI ISSQN Execução Fiscal, Ação cautelar fiscal, Arrolamento Direito Financeiro Receitas públicas LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Lei do Orçamento (Lei 4320/64) Repartição de Receitas Tributárias

123 125 132 150 152 154 158 159 178 179 182 189 216

3

DIREITO TRIBUTÁRIO Introdução O estudo do Direito Tributário deve ater-se, principalmente, à CF/88 (arts. 145 a 162), à EC 42/03 e ao CTN (mormente a partir do art. 96, com as alterações até a LC 118/05). A CF/88, em matéria tributária, pode ser sistematizada em três partes: princípios, imunidades e tributos. As duas primeiras constituem as chamadas limitações ao poder de tributar. Princípio da Legalidade Tributária Está no art. 150, I, CF/88, c.c. art. 97, I e II, do CTN. A lei, como regra, deve impor a tributação. As pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, DF e Municípios), dotadas de poder de tributar, só poderão criar ou majorar tributos por lei. Isto decorre da colocação de Pontes de Miranda, pela qual é “o povo tributando a si mesmo”, por intermédio do Poder Legislativo. Essa máxima advém diretamente da titularidade do poder, da soberania pelo povo (art. 1º, parágrafo único, CF/88), a ser representado, na democracia semidireta, por meio dos seus delegados – vereadores, deputados e senadores. Nesse passo, a lei como um produto dessa vontade, é a única idônea a materializar o poder de tributar. Como se verá na análise do desiderato da reserva legal, em regra, a norma instituidora da exação será a lei ordinária. Ademais, a jurisprudência é pacífica em considerar que iniciativa de lei tributária é concorrente entre todos os legitimados. Ao contrário de diplomas orçamentários, de iniciativa exclusiva do Executivo, os tributários podem ser oferecidos também pelo Legislativo, como já disse o STF1. Reserva Legal, também chamada de tipicidade fechada, cerrada ou regrada, ou de estrita legalidade constitui uma relação taxativa pela qual a lei “stricto sensu” institui o tributo, assim como aquela que tipifica crimes e comina penas (arts. 5º, XXXIX, CF/88, e 1º, CP). Com efeito, há certas matérias que a Constituição determina que só podem ser viabilizadas por lei em sentido estrito. Esse tratamento mais rigoroso corresponde exatamente ao ditame em análise, qual o seja da reserva de lei. Dessa feita, a lei que institui o tributo deve estabelecer, obrigatoriamente, os seguintes elementos (art. 97, III a VII, CTN): alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Já o prazo para pagamento pode ser estipulado por norma infralegal (decreto), conquanto não previsto no rol “numerus clausus” dos incisos do art. 97, CTN2. Para Cassone (2004, p. 169), de regra, somente a lei ordinária é apta a instituir tributo, pois “a Constituição fixa a regra-matriz de incidência, e a Lei

1

STF, ADIn 3809/ES, rel. Min. Eros Grau, j. 14.6.2007, citando precedentes no mesmo sentido: ADIn 3205/MS (DJU de 17.11.2006); ADIn 2659/SC (DJU de 6.2.2004); ADIn 2548/PR (DJU de 15.6.2007); ADIn 3312/MT (DJU de 23.3.2007) – Informativo do STF n° 471. 2 Esta é a posição pacificada na doutrina, escudada pelo STF.

Complementar estabelece normas gerais” . Entretanto, o autor admite, em sede de exceção, a criação de exação por LC ou por EC. Nesse raciocínio também estabeleceu o constituinte, vez que União pode instituir, por lei complementar4, outros quatro tributos: 1.Impostos sobre grandes fortunas (art. 153, VII, CF/88)5. 2.Empréstimos compulsórios (art. 148, “caput”, CF/88). 3.Impostos residuais (art. 154, I, CF/88) – diversos daqueles já instituídos pelo constituinte. Na criação da nova exação, a União deverá observar, além da forma específica da LC, a inexistência de “bis in idem” de base de cálculo e de fato gerador e o princípio da não-cumulativa. Os outros entes federados não detém essa competência residual para instituir novos tributos. 4.Contribuições previdenciárias residuais (art. 195, § 4º, CF/88) – além daquelas já expressamente antevistas pelo legislador constitucional. Nenhuma dessas quatro exações pode nascer por medida provisória (art. 62, § 1º, III, CF/88). Exceções à legalidade (art. 153, § 1º, CF/88) – há quatro impostos federais que refugam à estrita legalidade, prevista no art. 97, I a VII, CF/88, encontrando-se expressamente ressalvados pelo constituinte: 1. Importação; 2. Exportação; 3. IPI; 4. IOF. São tributos que regulam o mercado e a economia, chamados de extrafiscais. Na batuta do Direito Econômico, com fulcro na doutrina de Grau (1975), a extrafiscalidade é autêntica manifestação de intervenção estatal econômica, na modalidade indireta por indução. A extrafiscalidade tem a função de fomentar ou de desencorajar condutas por parte dos agentes econômicos. Além da fiscalidade (função arrecadatória), os impostos mencionados possuem a extrafiscalidade (capacidade regulatória do mercado)6. O Poder Executivo pode
3

3

4

Como adequadamente explana Vittorio Cassone, Direito Tributário: fundamentos constitucionais da tributação, classificação dos tributos, interpretação da legislação tributária, doutrina, prática e jurisprudência, atualizado até a EC nº 42, de 19-12-2003, 16ª ed., São Paulo, Atlas, 2004, p. 36, a LC em matéria tributária é o CTN. Inicialmente nascido sob a alcunha de LO, subiu de “status” pelo Ato Complementar 36/67, disposição essa atinente e posterior à própria Carta de 1967. Posteriormente, a opção do legislador foi referendada pela chancela do Excelso Pretório, do qual o autor destaca o RE 93850 de 1982, da lavra do Min. Moreira Alves. Por fim, o constituinte de 1988 recepcionou o diploma também como LC, mantendo a posição anterior (art. 146, CF/88). 4 Trata-se da chamada reserva constitucional de lei complementar, tantas vezes invocada pelo constituinte e lembrada pela doutrina de Direito Constitucional. Exige quorum privilegiado para a aprovação, correspondente à maioria absoluta da Casa Legislativa (art. 69, CF/88), diferentemente da LO. 5 Consoante será exposto em passagem abaixo, há posição na doutrina, liderada por Roque Antônio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991, que defende a não submissão do imposto sobre fortunas à reserva constitucional de lei complementar. 6 Como lembra Maximilianus Cláudio Américo Führer e Maximiliano Roberto Ernesto Führer, Resumo de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 17, a palavra fisco vem do latim “fiscus”, que designa cesta de junco ou vime, a qual era usada para amassar uvas ou para guardar dinheiro. “Conta-se que os agentes romanos passavam entre os negociantes a cesta de

“b”. CF/88) – como se trata de tributo estadual. sob o aspecto técnico. enquanto essa visa imediatismo de eficácia (relevância e urgência). CF/88). não ficando sujeita à ratificação ou reapreciação pelas Assembléias Legislativas. 62. o Presidente da República pode autorizar outra autoridade pública a estabelecer os mencionados percentuais tributários. a MP também o será. 8 A única hipótese genuína. A contribuição em comento não pode ser confundida pela CIDE-remessas para o exterior. 155. as alíquotas são disciplinadas por ato do Poder Executivo estadual7. § 4º. sendo tributo federal. na leitura do Excelso Pretório. a alíquota do ICMS-combustível é estabelecida pelo Executivo estadual. C/88). É o que configura o tipo tributário ou tipicidade vime para que depositassem ali a participação (forçada) de César. Ex. autorizados por LC. No diapasão. CF/88. porque traz os elementos do tributo sujeitos à reserva legal (base de cálculo. tem o condão “per se” de estabelecer a alíquota do ICMS. CF/88. Por meio de delegação. como Ministros de Estado ou Superintendentes de órgãos ou entidades públicas encarregadas da capacidade tributária ativa.: com a EC 32/01. § 4º. podendo depois alterá-la como lhe aprouver. CTN8. as alíquotas são alteradas por ato do Poder Executivo da União.5 aumentar ou diminuir a alíquota por decreto. 62. Todavia. ICMS-combustível (art. Ex. CTN.: pode haver. a qual instituiu a PIS-Importação e a COFINS-Importação. § 1º. tal restrição a “impostos” não desfruta de endosso na interpretação do STF. 150. “c”.: não pode surgir empréstimo compulsório por meio de MP. CF/88). § 5º.: MP 164/04. 177. não nascendo por via de lei. a MP é medida idônea para criar e aumentar impostos. § 2º. IV. 7 Originalmente. Essa sim deve observar a legalidade em todos seus parâmetros. sem problemas. I. p. Obs. No sentido figurado. sujeitos passivo e ativo e fato imponível). alíquota. a MP não irá incidir (art. Nota-se que o legislador constituinte restringiu o fenômeno a impostos. Neste caso. . Esse. à luz de convênios assinados pelos secretários de Fazenda (no âmbito do CONFAZ – art. minudencia o dispositivo constitucional. prevendo o constituinte que a majoração e a modificação do tributo deve ser feito por meio de lei. importante destacar que. Aquela trata de matérias delicadas. MP pode aumentar ou diminuir tributos no Brasil (art. com firma dos representantes de cada Estado-membro (por meio dos Secretários de Fazenda. A corte entende viável a MP em outras espécies de tributos. CF/88). onde a LO puder dispor. com delegação dada pelo Governador). § 2º. de exceção à legalidade está esculpida no art. O art. instituída pela Lei 10168/01 (SABBAG. fiscus tomou o significado de Fazenda Pública”. 84). III. que são contribuições. Isso não ocorre nas demais espécies normativas previstas como exceções à legalidade. A EC 33/01 trouxe mais duas exceções: CIDE-combustíveis – é a contribuição de intervenção no domínio econômico (art. CF/88. I. 97. Segundo a CF/88. IV. porque há uma exceção à legalidade. 62. aumento de ITR por MP. estipulará originalmente a alíquota. onde LC versar. o que confronta com o art. Dessa feita. ainda em matéria tributária e a despeito da disposição literal do art. 97. porque o ato definido pelo convênio. 155. § 4º. 2004. 155. Ex. O princípio da legalidade está esculpido no art. IV.

§ 1º. 97. CF/88). Os detentores do poder de tributar só podem exigir tributo no exercício financeiro posterior àquele em que foi publicada a lei instituidora. Com a postergação da exigência. A MP é espécie normativa de competência exclusiva do Presidente da República. Ao final do interregno total. para conferir tempo ao sujeito passivo para o pagamento (art. 7º. 68. 9 STF. Entretanto. essa assertiva não é absoluta. e “c”. “b”. inclusive para contribuições. Ex. Ambas podem criar ou majorar tributos. Pergunta: a participação nos lucros e resultados (art. O art. não está sujeita à legalidade estrita (art. só pode ser feita por meio de lei (art. CF/88. é inevitável a aplicação da anterioridade tributária. Tem prazo de vigência de 60 dias. CF/88. podendo ser prorrogada por igual período uma única vez (art.: mudança no prazo de pagamento não se sujeita à legalidade restrita9. CF/88). 97.971 e 193.: revisão do valor venal de imóveis de acordo com o mercado para cobrança de IPTU ou de ITR. mediante prévio requerimento desse (art. Exercício financeiro corresponde ao ano fiscal ou civil. Inexoravelmente. a criação ou majoração de exações. a lei que altera o tributo é ordinária. em princípio. “caput”. § 2º. CF/88) e a indenização devida por acordo em plano de demissão voluntária (PDV) são tributadas pelo imposto de renda? Resposta: a indenização paga em detrimento de PDV não é tributada por IR (Súmula 215 do STJ). De regra. § 1º. . indo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. 68. 2004). porque pode não implicar necessariamente em majoração do tributo correspondente. na LD. 62. XI. Todo componente tributário que não estiver no rol do art. CTN). III. CTN. A alteração da base de cálculo. Quando essa mudança importar em mera atualização monetária. § 1º. Princípio da Anterioridade Tributária O Princípio da Anterioridade consubstancia uma “vacatio legis” especial para a vigência de lei tributária que modifique ou crie exação. é possível afirmar que a há importante sinônimo para o postulado: eficácia diferida. CF/88). 62. 62. § 1º. Ao revés.6 cerrada. limita o uso da MP em algumas matérias. ausentando-se a disciplina tributária. 150. 97. CTN). Todavia. as limitações da LD estão no art. desde que observadas suas próprias balizas. o CN dá autorização ao Presidente da República para legislar sobre determinado assunto. III). § 7º. não se sujeita obrigatoriamente ao regime da legalidade estrita. Tanto o princípio da anterioridade (preconizado pela Constituição) quanto a segurança jurídica – tantas vezes invocada pela doutrina – trazem à baila a proibição da tributação surpresa (SABBAG. mas seu § 2º expressamente autoriza.531. a MP pode ser convertida em LO por decisão do CN (art. RE’s 182. há dois instrumentos legislativos que têm força de LO: a MP e a LD. No mesmo sentido. Ex.

IOF. parte inicial. prevista no art. § 1º. 150. a exigência poderá ser em data posterior a 1º de janeiro do ano seguinte. acrescidos pela EC 33/01. IEG (art. CF/88). III. IV. § 1º. o sistema constitucional tributário não hospeda a anualidade. cujo objetivo foi melhorar a segurança jurídica deferida ao contribuinte. Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA. sendo os dois últimos instituídos em situações de emergência. IPI. os quais poderão ser exigidos no dia seguinte à sua instituição. entre a lei e a exigência do gravame. 148. nonagesimal ou noventalidade). “in fine”. CF/88): II. devendo o tributo observar ambas as regras. . Foi a inclusão do art. I. pela qual a exigência do tributo só era possível se sua receita correspondente estivesse previsto na lei orçamentária (Súmula 66 do STF)10. Todos os aumentos ou criações de tributos nos meses de janeiro a setembro ensejarão exigência em 1º de janeiro do ano seguinte. “c”. as demais correspondem também às ressalvas da legalidade. Essas são as exações que podem ter sua alíquota alterada por ato do Executivo (art. e 177. “b”. 150. Antes da EC 42/03. Exceções à anterioridade nonagesimal (art. IOF. mas antes do início do respectivo exercício financeiro”. CF/88). 155. § 4º. § 6º. CF/88). É a chamada anterioridade qualificada (privilegiada. IEG. “c”. Com exceção dos mencionados tributos inerentes a situações calamitosas (IEG e empréstimo compulsório especial). De fato. o constituinte derivado incluiu-o concomitantemente à anterioridade anual. só havia a anterioridade anual. “c”. Empréstimo Compulsório espcial. Assim. tendo também o cunho extrafiscal. Nota-se que a exigência do princípio da anterioridade é outra: publicação prévia da lei. CF/88. pela qual a lei que criasse ou majorasse tributos só poderia entrar em vigor a partir do primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação. Como foi instituto acrescido por emenda de 2003. 10 Súmula 66 do STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento. a EC 42/03 trouxe à baila a obediência a um novo período de anterioridade de 90 dias. CF/88): II. IE. ICMS e CIDE combustíveis (arts. I. cuja dicção sinaliza a necessária previsão do tributo na lei orçamentária. de guerra ou de calamidade pública. Exceções à anterioridade anual (art.7 O tema em comento não pode ser confundido com o princípio da anualidade. CF/88. § 1º. 150. 153. Foi extraída de construção constitucional sobre as contribuições sociais (art. Inspirado no limite dado pela noventalidade. parte final. II. passou a ter eficácia a partir de 2004. Caso haja a situação nos meses de outubro a dezembro. 195. pela EC 42/03. IE. IR. CF/88). § 4º. A produção de efeitos da nova lei tributária fica postergada até que sejam perfeitos os 90 dias de sua publicação. enquanto os demais se deferem à extrafiscalidade (regulação do mercado e da economia). 154. CF/88) e Empréstimo Compulsório especial (art. III. 150.

pois não se encontram no rol das exceções. Dessa forma. Em melhores termos. é incompreensível a razão de torná-los imunes à noventalidade. as outras espécies tributárias (mormente contribuições). No ponto. que o legislador infraconstitucional inclua tal hipótese no campo da incidência do gravame. dada a extrafiscalidade na essência desses tributos. Já o IR e as alterações da base de cálculo do IPVA e do IPTU. IE. de modo a ensejar a exigência do tributo em meados de março do ano seguinte. a exação era assim exigida “ex vi” da MP vigente. a anterioridade se aplica de igual maneira: é contada a partir da conversão da MP em lei. quanto ao IR e às alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA. § 2º. a matéria ainda não está pacificada pelo STF. 62. Resposta: deverse-á o imposto no ano seguinte ao da conversão da MP em lei. não deverá ter aplicação o dispositivo. vindo também a constituir hipótese de incidência. só 90 dias depois. é possível entender que deve haver também a contagem dos 90 dias. 62. só que ele não faz parte da lista de exceções aos 90 dias (anterioridade nonagesimal). Já a imunidade é uma espécie de isenção qualificada pelo constituinte. A partir de 2004. argüise quando se deve pagar o imposto criado ou majorado por MP. perpetuando um condenável expediente. o IPI é exceção da anterioridade anual. No tocante às taxas. Todavia.8 No tocante ao II. CF/88. faz menção literal a imposto. durante o mencionado lapso. visto que. como aventa Nogueira (1999. A isenção. 62. porque o art. não no legislativoabstrato. o qual impede. O art. ao contrário. a CIDE-combustível e o ICMS-combustível também respeitam a anterioridade nonagesimal.: como o STF interpreta o instituto da isenção como regra de incidência (e não de não-incidência). Obs. Já a alíquota zero opera o mesmo reflexo suspensivo atinente à isenção. o IPI que for majorado não poderá ser cobrado no dia seguinte. lei que venha a revogar isenção não precisa observar a anterioridade. IEG e empréstimo compulsório especial. A MP tem 60 dias de vigência. CF/88. . ou seja. § 2º. A partir de 2004. impondo-lhe uma intributabilidade no plano normativo. Portanto. é possível dizer que se trata de regra de não-incidência. p. uma vez majorados em 31 de dezembro. poderão ser exigidos em 1º do janeiro do ano seguinte. essa paralisação da subsunção do fato gerador se encontra no plano fático. a partir da conversão da MP em lei. Eles compreendem idênticas exações em relação às ressalvas à anterioridade anual. Caso não haja a conversão em lei. se refere expressamente a impostos. já no Texto Maior. com exceção daquelas trazidas pela EC 33/01 – CIDE-combustível e ICMS-combustível – e da exclusão do IPI. CF/88. prorrogável por igual período. Princípio da anterioridade e a MP – segundo o art. para ser transformada em lei. em caso de MP que majore taxa. Todavia. seja essa ordinária ou qualificada. No entanto. o pagamento do tributo majorado não implica em direito à restituição. Assim como o IPI. IOF. é perfeitamente compreensível a intenção do constituinte. § 2º. terão termo inicial na sua publicação. 167). é uma situação em que o legislador obstou abstratamente o fato gerador.

CF/88). a mudança no prazo de exigência da contribuição social não representa alteração substancial que venha a ensejar a aplicação dos 90 dias do art. esse comando não foi exprimido (EC 37/02). a revogação não observa a anterioridade. 5º. a isonomia específica (tributária) decorre da isonomia genérica (“todos são iguais perante a lei” – art. como disse Oliveira e Horvath (2003. 12 11 . O que persiste é mera prorrogação. 150. CTN. CF/88). CF/88). A CPMF foi criada por meio da EC 12/96. etc. tratando-se de imposto sobre renda ou patrimônio. art. No caso. “caput”. Em suas sucessivas prorrogações. § 6º. III. Isenção concedida com prazo certo e sob condição específica é considerada irrevogável durante seu curso. período de eficácia mitigada ou de anterioridade especial (art. Min. 5º. como se fosse um “filme em andamento”. O legislador constituinte de 88 fez menção à ISONOMIA em diversos dispositivos da Carta: preâmbulo. 150. A anterioridade em tela é chamada mitigada. Súmula 584 do STF: “Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base. IV. a isenção deve observar a anterioridade anual. A regra não alcança a disposição do art. a isenção deverá se pautar pela anterioridade tributária. Mas o que seria modificar a contribuição previdenciária? Seria alterar o prazo de pagamento? Segundo o STF. “b”. se houver isenção revogada sem prazo certo e condição específica (isenção incondicionada). arts. “caput”. também conhecida como noventena. Anterioridade e IR – pelo fato do STF acolher a Teoria Retrospectiva (Súmula 584 do STF)12. noventalidade. CF/88. todos que realizam o fato gerador devem arcar com o ônus da STF. III. Segundo o STF. Princípio da Isonomia Tributária Está previsto no art. tendo natureza de direito adquirido para o Excelso Pretório. CF/88). a alíquota aplicada é aquela vigente por ocasião da entrega da declaração. devendo observar a anterioridade nonagesimal. 195. II. 76). nonagentídio. A doutrina chama a isonomia de “superprincípio”. aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. § 6º. 150. não coadunando com o sistema de bases correntes. 195. De fato. rel. II. porque reduzida em relação às demais exações (art. 3º. I. 104. segundo Sacha Calmon Navarro Coelho. 150. como já disse o Supremo. Em contrário senso. ou seja. não estando abrangida pela contingência dos 90 dias. parte inicial. 2666/DF. porque não se trata de instituição ou modificação de tributo11. a contribuição para seguridade social pode ser exigida em 90 dias a partir da edição da MP que instituiu a exação ou que a alterou.9 Contribuição previdenciária e anterioridade – aplica-se a anterioridade nonagesimal às contribuições sociais. art. II. Ellen Gracie. O STF se pronunciou no sentido de que não se aplica o princípio da noventalidade. p. Anterioridade e revogação de isenções – a isenção é uma dispensa legal do pagamento do tributo (obrigação principal). justamente porque se encontra presente sob diferentes ângulos no Documento Maior. CF/88. nas palavras de Aliomar Baleeiro. Por seu postulado (art.

a partir da perspectiva da hipótese de incidência realizada. CTN). o qual visa angariar divisas para o aparelho estatal. é evidente a predileção do legislador pelo critério objetivo que marca o princípio. poderiam excluir a responsabilidade tributária. incidirá a tributação. independentemente de qual fato esteja se referindo ou da pessoa que o realizou. permaneceu.: isenção de IPI para taxistas. deve IR ao fisco. 134. destarte. HC 7444. Na realidade. Esta cláusula permite. haverá duas conseqüências distintas: responsabilidade penal em face da conduta criminalmente ilícita e incidência da tributação sobre a renda14. cerne da isonomia tributária. Como resquício da passagem histórica. Do comportamento do traficante. independentemente da forma como foi efetivada. Um menor pode ser contribuinte. A lei tributária não pode atribuir tratamento desigual a contribuintes que se encontrem na mesma situação. tentando-se onerar igualmente os iguais e desigualmente os dessemelhantes. Tito.10 tributação. menosprezando os aspectos extrínsecos ao fato imponível. Isso não quer dizer que o tributo recairá sobre condutas ilícitas ou imorais. É fácil perceber que o legislador pretendeu onerar o contribuinte. É o posicionamento também do STF. I. Assim. respalda-se na “interpretação objetiva do fato gerador” ou na utilização do ditame do “non olet”. da regularidade da constituição de pessoa jurídica ou de acharse a pessoa sujeita a restrições de ordem civil. Ademais. Por exemplo. como se nota. contestou o pai sobre a atitude. . A hipótese de incidência para a lei tributária é auferir renda. 118. CTN. Note os exemplos: a. A fundamentação legal reside no art. da incapacidade civil (arts. CF/88 (universalidade do IR). A causa do fato gerador pode ser ilegal. Ex. porque o fato gerador não pode assim o ser. porque o legislador conferiu responsabilidade tributária aos seus pais (art. o traficante de entorpecentes. Não se pode confundir o poder de punir do Estado – decorrente do sistema penal – com o poder de tributar. 14 STJ. I. I a III. independentemente da ilicitude da atividade. em que são invocados o princípio da isonomia (tratamento igual àqueles que auferiram renda) e a teoria da interpretação econômica do fato gerador (concretizada a hipótese de incidência. fica patente que a capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil das pessoas naturais. ainda que não possa administrar seu patrimônio. De igual forma. que significa “não cheira”13. Se o contribuinte realizar a conduta nela prevista. a palavra do soberano latino. desde que previstas explícita ou implicitamente na CF. Seu filho.STF: afastar o princípio em razão de extrafiscalidade. além. incide a tributação). Ademais. quando aufere renda. 126. O monarca respondeu-lhe com uma simples expressão: tributo “non olet”. 118 e 126. 13 Na Roma antiga. mas a essência da hipótese de incidência não. § 2º. do art. I. há maior possibilidade de realização da justiça fiscal. Há possibilidade de “ressalvas” a este postulado. mas não terá a obrigação de recolher a exação (pagamento). realizando o fato gerador. o imperador Vespasiano resolveu tributar o uso dos sanitários públicos. que se tributem quaisquer pessoas. administrativa ou profissional. o César quis dizer que a exação deve ser tratada sob um aspecto objetivo. empresarial. O princípio em tela. para a posteridade. à primeira vista. 153. CTN). CTN. no caso em tela. caracterizou a cisão entre o direito de punir estatal – direcionado àqueles que urinassem nos logradouros públicos – e o poder de tributar – o uso dos banheiros públicos. ou de outros fatores que. uma vez que as características subjetivas atreladas ao contribuinte são desimportantes. Esta idéia redundou no tratamento objetivo do fato gerador. no art.

§ 1º. CF/88. Análise do postulado da capacidade contributiva ou capacidade econômica15 Está previsto no art. ressaltando que se trata capacidade para contribuir para a Seguridade Social. em uma razão não proporcional à base de cálculo. p. CF/88. há outros que não se coadunam. a tributação. segundo a capacidade econômica. § 1º. o IR se adequa perfeitamente à preceituação do legislador. Em tese. consubstanciados pela LC 123/06. Moreira Alves (apud CASSONE. recebe o nome de “PROGRESSIVIDADE de alíquotas”. Frise-se que tal postulado não é propriamente o princípio da isonomia. III. 212). p. O tratamento diferenciado das ME`s e EPP`s não gera ofensa à isonomia. não está em jogo a capacidade contributiva que só é levada em conta com relação a impostos pessoais com finalidade fiscal”. 201) afirma que “em se tratando de aplicação extrafiscal de imposto.. buscando a justiça fiscal. p. O próprio constituinte assim disse nos arts. CF/88. 194 e 195. 146. I. o art. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica de cada um”. Do contrário. 2004. porque não há situação equivalente para com empresas de maior monta. cit. ao asseverarem que “o princípio da capacidade contributiva não se aplica a tributos com finalidade extrafiscal. em princípio. segundo o autor. No entanto. tal qual explanado na matéria. CF/88: afastar o princípio da isonomia em razão da tributação federal diferenciada para empresas localizadas em áreas com desequilíbrio socioeconômico. Desta feita. têm sua constitucionalidade controlada pelo princípio 15 Cassone. diferencia capacidade econômica e contributiva. 145. CF/88 preconiza a possibilidade de onerar mais gravosamente aqueles que detêm maior riqueza tributável. Os desiguais serão diferentemente tratados. A técnica de estabelecimento de alíquotas fiscais diferenciadas (progressividade) é uma outra forma de efetivar a justiça fiscal. a capacidade tributária só cabe aos impostos. devendo ser compreendida como “sempre que o tributo comportar tal variabilidade das alíquotas”. “in fine”. a técnica de variação de alíquotas. configura correlato da isonomia tributária. “d”. Ao revés. CF/88. “sempre que possível” é limitadora. e 146-A. Aliás. de acordo com o PEC 59/04). Há alguns tipos tributários que não comportam tal possibilidade. mas um instituto deste decorrente. como é o caso do IPI e do ICMS. no entanto. justificando o comando do art. trata-se de realização material do princípio em relevo. Portanto. A jurisprudência e a doutrina interpretam este preâmbulo da ordem tributária de forma a adequar a exação ao seu conteúdo. na medida do possível. 145. . 206. Como fora mencionado. Entretanto. Não é o entendimento da maioria da doutrina. Não há dúvida que existem tributos aos quais se pode aplicar a técnica de variação de alíquotas. confere à segunda fulcro nos arts. de sorte a colimar a igualdade entre aquelas e essas. note que a expressão. que.Art. Atribui o fundamento da primeira no art. § 1º.: Zona Franca de Manaus (futuro Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. esta é a terminologia empregada pelo constituinte. 145. com tal sistemática (tributos regressivos). É o que preceitua Tipke e Yamashita (apud CASSONE. 2004. § 1º.11 b. Ex. 151. 145. op. É possível estudá-lo como subprincípio da isonomia. CF/88. De fato. Note o teor do comando: “sempre que possível.

Tem por objetivo primeiro a arrecadação. mormente a taxas (STF). Já progressividade extrafiscal pode ser vislumbrada no IPTU. e no ITR. Fica caracterizado o “plus” para contribuir para o Estado. é possível destacar três impostos com previsão explícita de progressividade na CF/88: 1. A segunda é uma espécie da primeira. § 2º. em face do tempo de subutilização do imóvel (realização da função social da propriedade mediante alíquotas progressivas). tendo em conta seu uso (residencial.IR (art.12 da proporcionalidade”. 153. segundo a qual o sujeito tem capacidade econômica em um nível tal que o torna sujeito à tributação. Capacidade econômica e contributiva não são conceitos coincidentes. Na segunda. valor e localização. § 1º. Objetiva realizar um princípio constitucional. 156. a progressividade fiscal é observada no IR. Dentre as exações mencionadas. II. há julgados que o estendem a outros tributos. I. CF/88. A primeira representa aptidão de um sujeito em receber rendimentos e incrementar o patrimônio próprio. segundo a essencialidade estabelecida no seu regulamento. uma vez que não visa ao intuito exclusivamente arrecadatório. I CF/88) – o comando indica três critérios informadores do IR: generalidade. seria a graduação dos impostos segundo a potencialidade de riqueza demonstrada pelo sujeito passivo na relação tributária. o que não importa em dizer que ele. progressivo em razão do tipo e da utilização do veículo. 153. cujas alíquotas oscilarão devido à produtividade do imóvel (quanto maior a produtividade. não se relacionando com a capacidade contributiva. comercial ou industrial). § 2º. *Não perca de vista que a progressividade de tais impostos (IPTU e ITR) é EXTRAFISCAL. Note as explicações abaixo: ITR – as alíquotas progressivas deverão desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. A progressividade do ITR é extrafiscal. com redação conferida pela EC 29/00). CF/88. § 4º. . pois o nível de renda assim permite. Contudo. exprimida pelo art. destacando-se duas: Por dedução de despesas essenciais – é o caso daquelas tidas no IR. é um tributo extrafiscal. no IPTU. 3. Progressividade de alíquotas – é o instrumento mais utilizado. com a redação da EC 42/03).ITR* (art. em si. menor a alíquota – regressividade). o qual é necessariamente progressivo (art. 153. tal qual se aduz literalmente da vontade do legislador. No âmbito da CF/88.IPTU* (art. não há necessária relação entre o aumento de alíquota e de base de cálculo. 2. universalidade e progressividade. Progressividade fiscal e extrafiscal – a primeira corresponde ao aumento da alíquota diante da majoração da base de cálculo. CF/88. § 4º. e no IPVA. 184. CF/88). No âmbito tributário. A capacidade contributiva pode ser realizada segundo diferentes técnicas. I. orientando-se pelo princípio da capacidade contributiva.

O crescimento geométrico da população sugere um gargalo de moradia insuportável a médio e longo prazo. o constituinte derivado alterou o dispositivo. denotando claramente extrafiscalidade. II. CF/88). § 1º. § 4º. § 4º. CF/88). CF/88. 156. em razão dos critérios novos anunciados. XXIII. O escopo é evitar a desapropriação da propriedade. 6º. até que o STF se pronuncie. . elevado constitucionalmente a direito fundamental (art. Observação: após a EC 29/00. 182. essa pequena localidade não poderá utilizar o IPTU progressivo por desrespeito à mencionada função. Assim. CF/88). Percebendo tal entrave. CF/88)16. DEPOIS Três novos critérios de progressividade: localização. Arts. Essa possibilidade só pode ser efetivada mediante prévio plano diretor. forçando o senhor a adequar seu domínio à sua função social. seria permitida a tributação maior de um terreno em relação a uma casa (art. Foram somados à função social da propriedade. promulgado por meio de lei municipal. 156.13 IPTU – inicialmente. 5º. § 2º. 182. I e II. é possível entender que o art. 21. o IPTU ganhou feições de imposto pessoal. a progressividade deste impostos visava somente o cumprimento da função social da propriedade (art. § 1º. do tempo. Lei 10252/01. a progressividade fiscal teve sua constitucionalidade fortemente contestada. § 1º e 182. § 1º. a despeito de colocações inconstitucionais. Progressividade extrafiscal. 16 Como o plano diretor é aquele que define a função social da propriedade (art. 182. valor e uso do bem imóvel. contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritárias. XX. em seus arts. Uma dos meios de efetivar tal política é a tributação extrafiscal pelo IPTU e ITR. 5º. § 4º. e 182. CF/88). CF/88 (princípio da capacidade contributiva) passou a abranger o IPTU. A questão se liga ao direito de moradia. o constituinte previu uma situação de redistribuição de terras para a habitação e a geração de riqueza. 39 a 41 e 3º a 8º (art. de haveria aumento do tributo no correr 2000 Progressividade fiscal e extrafiscal. CF/88. Progressividade no tempo – EC conforme se mantivesse o 29 descumprimento da função social. CF/88). Desta forma. Art. II. um imposto real (não pessoal). XXIII. não se pode assegurar que tal princípio está afeto apenas a impostos pessoais. 145. II. ANTES O IPTU era progressivo em razão de um critério: a função social da propriedade (art. CF/88) e o município com menos de 20 mil não é obrigado a promulgar tal lei (art. Com base nesta premissa. Nesse passo. “caput”. Com o fito de aumentar a tributação dos municípios.

145. Na verdade. A lei interpretativa se limita a aclarar pontos obscuros. CF/88). à semelhança das exceções aos demais princípios? Não. faz-se premente afirmar que nem mesmo um é sucedâneo do outro. A lei atual poderá retroagir/retroceder/retrotrair. a anterioridade adstringe-se à vigência da lei. sob pena de retroação da norma – anomalia que se pretende coibir. É vital ao estudioso que conceba a irretroatividade como postulado da segurança jurídica. sem criar situação jurídica paradoxal. “a”. não inovando na ordem posta. Tal comando anuncia que a lei tributária deverá abranger fatos geradores posteriores à sua edição. antes da Emenda Constitucional 29/2000. Nesse sentido. O cuidado que se deve ter é a separação e a hierarquia de poderes. Nesse passo. 106. pois as exceções estão previstas no art.14 porque transforma a exação de real (STF) em pessoal. No entanto. § 1º. É possível em qualquer caso. 106. 5º. sob o argumento de que haveria extrapolação de função do Legislativo. há de se perceber que cada qual refere-se a fenômenos jurídicos distintos: enquanto a irretroatividade diz respeito à eficácia da norma. 17 . I e II. CTN (2 incisos): I – LEI INTERPRETATIVA – condição para a retroação: nenhuma. seriam as lesões à segurança jurídica e à separação de poderes. É certo que ambos caminham lado a lado. Princípio da Irretroatividade Tributária18 Está previsto no art. pois a interpretação caberia ao Judiciário. em nome da segurança jurídica. CTN. Tal comando veda a progressividade do IPTU antes da emenda. deve-se inquirir: há exceções a ele previstas na CF. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade (Súmula 668 do STF)17. III. atingindo a capacidade contributiva (art. XXXVI. Art. 18 O princípio da irretroatividade tributária não pode ser confundido ou imiscuído com o ditame da anterioridade. de modo a minar a segurança jurídica. alíquotas progressivas para o IPTU. CF/88 preconiza a irretroatividade genérica. A lei interpretativa poderá ter eficácia retrospectiva. Evidentes. 150. emanando efeitos à confecção do princípio tributário ora estudado. o que leva alguns doutrinadores a crer na sua inconstitucionalidade (ausência de recepção). Lei (anterior) Fato Gerador (posterior) É perceptível que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais se referem. CF/88. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana”. Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido. pois protegem bens jurídicos distintos dentro da ordem constitucional tributária. a lei interpretativa é aquela que retira os pontos obscuros da norma interpretada. Não perca de vista que o art. sob pena de constituir mera norma nova. A doutrina critica tal comando – interpretação “autêntica” –. pois o Legislativo pode estar afastando a função jurisdicional do Judiciário. pois.

asseverando que somente ela é a corte apta a realizar a interpretação da norma federal. Deste modo. 106. o lançamento apresenta efeito “ex tunc”. p. 21 Nogueira (1999. desde que mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídico-tributária. Quanto à definição de julgamento definitivo. 144.116-SP. 3º da LC 118/05 como lei inovadora. no entanto. Informativo do STJ n° 324. 144. com crédito tributário extinto. Em dissonância com o legislador. erigido pela LC 118/05. na aparência.. filiando-se à doutrina germânica-suiça. remissão. corrobora com o princípio da irretroatividade. não se aplicando a fatos anteriores. REsp 943. Observação (análise do art. de natureza declaratória. II. 33 e 34) denomina o fenômeno de princípio da benignidade. só terá vigor a partir do diploma. Entretanto. sugerir uma retroação da lei. etc. não se falará em retroatividade. indicavam o prazo de 10 anos. Condição detalhada: a aplicação retroativa da lei mais benéfica ocorrerá se o ato não estiver definitivamente julgado. Só será aplicada a lei mais benigna se houver pendência de julgamento. 223 a 226). CTN. “caput”. constituindo sua guardiã. falando alguns em caráter peremptório jurisdicional (coisa julgada “stricto sensu”) e outros. Min. A retroação da lei mais benigna só ocorrerá quanto a sanções tributárias. 19/6/2007. j. rel. Assim. não fazem nascer direito à restituição em retroação futura. 168. A retroação. Desta feita. dizendo que o prazo para a repetição de indébito tributário é de cinco anos. penalidades já adimplidas. I. p. retroação benéfica da multa tributária ou “retroatio in mellius”. estabelecer penalidades ou ônus). apesar de. fazendo aplicar a lei tributária à época da ocorrência do fato gerador. “c”. poderá alcançar as sanções tributárias. CTN. mas sim em irretroatividade da lei. em mera decisão administrativa na esfera recursal. devendo limitar-se a dispor sobre suavizações da letra normativa (eqüidade. pretendeu constituir norma tributária interpretativa do art. defende o lançamento como mero procedimento administrativo. sendo certo que o princípio “tempus regit actum” tem vez também no campo tributário. anistia. 85) defende que a lei interpretativa não pode causar gravames ao contribuinte (criar ou aumentar exações. mesmo que a lei então vigente à época esteja atualmente revogada (ultratividade). José Delgado. 3º. CTN)21: o art. Por recente decisão de sua Corte Especial. em seu art. o STJ afirmou que o prazo prescricional de cinco anos. CTN. porquanto a lei aplicada no lançamento deve ser aquela STJ. 20 19 . já pacificadas. O art. Esses estarão acobertados pelo decênio prescricional para a repetição de indébito.). de fato. A LC 118/05. se já tiver ocorrido o trânsito em julgado da demanda.15 Nogueira (1999. em face do princípio da irretroatividade da norma tributária. o STJ considerou o art. à luz do Direito Tributário Penal20 – condição: desde que o ato não esteja definitivamente julgado. A jurisprudência e a doutrina. são líquidas as opiniões. 1ª T. não abrangendo redução de alíquotas nem de base de cálculo. p. não como mera interpretação. Observe que a definição do tributo se aplica ao tempo de ocorrência do fato gerador. II – LEI MAIS BENÉFICA. conferiu efeito “ex nunc” ao diploma. O comando legislativo pretendeu atingir fatos geradores até então protocolizados. Sabbag (2004. tem por objeto a penalidade mais branda ao contribuinte como fato de retroação da norma tributária. desde que o termo final não extrapole o lustro posterior à vigência da LC 118/0519.

Tal fenômeno era conhecido como retroatividade imprópria ou como aplicação da Teoria da Retrospectiva. o que a reveste de caráter de norma material. III. isto é. o fato gerador tinha marco temporal preciso – último segundo do último dia do ano. portanto. Ives Gandra da Silva Martins e outros) já passaram a apregoar o posicionamento do fato complessivo. porque a lei. 144. “respeitando-se” o princípio da irretroatividade. não excepciona o princípio mencionado. § 1º. como disse Sacha Calmon Navarro Coêlho. destarte. Do mesmo modo. CTN. segundo o qual se aplicará ao lançamento a lei que ampliar as garantias do crédito tributário. adstrita a aspectos rituais de fiscalização. Por meio de tal análise. 144.. A partir de meados da década de 80. CTN. “caput”. atribuiria responsabilidade a terceiros. indicando que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais ela se refere. aos poucos a doutrina passou a refletir sobre a necessidade de ver o fato gerador do IR na perspectiva econômica. a doutrina e a jurisprudência (Súmula 584 do STF. CF/88. “per se”. Observe. perquire-se qual o alcance do art. como já fora dito. nas palavras de Aliomar Baleeiro. O dado curioso está no fato de que a atividade legislativa que marcou os anos que sucederam a CF/88 pautou-se na obediência à Teoria do Fato Gerador Complexivo. até que o movimento. na esteira da doutrina então majoritária . “antecederia” o fato gerador. por exemplo. à luz de um sistema de bases correntes. no transcorrer do ano-base (anobase=f1+f2+f3+. Com efeito. tal norma não se refere propriamente ao cerne do liame obrigacional à luz do fato gerador. chegasse ao seu fim. afastando o enfoque econômico. Paulo de Barros Carvalho e Cassone (2004). Assim. é de natureza formal. e não formal. Note que se trata de estrutura dualista para o IR: um ano-base de auferimento de renda e um ano seguinte de entrega de declaração e recolhimento do imposto. que a doutrina mudou o pensar. mas sim aspectos procedimentais quanto ao ato de lançamento. Nesse contexto. 106. o art. mas à estrutura formal do lançamento.. É fácil perceber. que o art. o que lhe daria o rótulo de lei material –. trata-se de lei adjetiva ou formal. vez que. indicando a necessidade de aplicação da “regra” – lei contemporânea do fato gerador. alguns doutrinadores (Luciano Amaro. ampliando as garantias do crédito. CTN. CTN. já comentada) entendiam o fato gerador do IR no contexto estritamente temporal. Nesse passo. De fato. esta se encontra somente no art. referida no dispositivo. ou que aprimorar os métodos de apuração do importe devido. Não altera substancialmente o fato gerador e a obrigação dele decorrente.16 vigente no momento do fato gerador. CTN. ressalvados casos isolados de pensamento diverso. principalmente em congressos e seminários jurídicos. como Machado (1993). Não se trata de exceção ao ditame.+fn). 144. Dica final (o IR e o princípio da irretroatividade): até a década de 80. “a”. à semelhança de um “filme em exibição”. ratifica a regra constante do art. o fato gerador do IR seria a soma algébrica de fatos ou disponibilidades econômicas. Por conseguinte. Importante: há ressalva na parte final do art. adotando majoritariamente a Teoria do Fato Gerador Complessivo para o IR. I e II. uma lei majoradora do IR em 31/12. 150. que aumentar os poderes de investigação. Não obstante o posicionamento citado. § 1º. há menção à lei que. § 1º. de fundo alemão. 144.

tem aplicação retroativa. A Lei 105/01 alterou a redação do art. diga-se que. § 1º.. a corte já fixou entendimento no sentido da natureza processual do art. § 3º. Lei 4595/64. I. no superado contexto da “teoria da retrospectiva” – apresenta-se hábil e vigorosa para aquela corte. CF/88) Trata-se de comando previsto em artigo distinto daquele que abarca quase toda a base principiológica na CF/88 – o seu art. 92 do ADCT.448-SC. as discriminações dos tributos limitar-se-ão a critérios pessoais. 11. CF/88. Compete à União instituir o tributo UNIFORME no Brasil. 151. do pacto federativo (art. Para este renomado autor. É princípio afeto tãosomente à União. LC 105/01. o qual alterou o alcance do art. em total dissonância com a doutrina majoritária. entretanto. conforme se depreende do art. Quanto a esse poder fiscal amplo. conforme se nota na parte final do art. 151. Informativo do STJ n° 328. CF/88 – a qual veda a “guerra fiscal”. que instituiu a CPMF. j. esculpido no art. em letra original. porque a ampliação dos poderes da Administração Tributária encontra fundamento no art. Lei 8383/91. . rel. o princípio em pauta presta-se à preservação da unidade territorial do 22 STJ. para fins penais. 1º. 150. 1999) afirma que. § 1º. Lei 9311/96. devendo prever as mesmas alíquotas em toda a extensão territorial. surpreendentemente. Baleeiro (apud NOGUEIRA. à tributação federal. Ademais. III. Min. promovida pela União. Assim. é claro. 11. 151. como se expendeu. o art. Lei 9113/96. 60. de sorte a permitir que dados sobre CPMF servissem à fiscalização de outros tributos. No diapasão. "em conseqüência dessa uniformidade. CF/88: “. entre os membros da Federação – é um consectário do princípio da uniformidade geográfica. Arnaldo Esteves Lima.17 (Lei 9430/96. com redação dada pela EC 42/03). proibia o uso de informações dela decorrentes para fiscalização de outras exações. Essa disposição se devia ao art. CTN. a regra do art. I. Exemplo: Zona Franca de Manaus (observação: os benefícios fiscais foram prorrogados de 2013 para 2023. Há exceção. ao princípio em tela. adequando-a às colocações da LC 10174/01. CF/88). não seria possível retroação a fatos ocorridos sob a égide do art. 11. § 3º.. 23/8/2007. No entanto. o que incluía dados bancários. Princípio da Uniformidade Geográfica (art. mas nunca de lugar". segundo jurisprudência pacífica do STJ. reais. 5º. 152. isto é. I. Por fim. entende hábil a teoria do fato gerador complessivo. tal postulado vem ao encontro da isonomia e. A Lei 9113/96. § 4º. § 3º. § 3º. não havendo de se falar em ilicitude da prova obtida anteriormente à vigência do referido diploma complementar22. garantido pelo diploma mais hodierno. a qual determinava que só o Poder Judiciário poderia quebrar sigilo bancário de pessoa. ou de valor. LC 105/01. a Súmula 584 do STF (já comentada) – editada na década de 80. 11. Esta. 144. § 3º. I. Para Nogueira (1999). HC 31.). 38. Esse entendimento era vigorante à época por leitura jurisprudencial. No entanto. essa retroatividade é permitida. Lei 9113/96. incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país”. previu a possibilidade de investigação ampla pela autoridade fiscal. etc. “ex vi” do seu art. em tese.

DJU de 27. desde que se justifique pela situação concreta apresentada.5. 38) preconiza que a caracterização do confisco é ônus do contribuinte. CF/88). CF/88. Min. Sabbag (2004. 23 .11. Em princípio. De fato.95.2001. p. é um desiderato aplicado tão-só a tributos. É ditame aplicado diretamente aos entes da federação. DJU de 7. Min. o STF já se manifestou positivamente. com o fito de “promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”. 152 e 155. XII. ADI 3673/RJ. 150. ADI 2021 MC/SP. DJU 25. Carrazza (1991) diz que “é confiscatório o tributo que. Com efeito. como qualquer parcela que exceda à medida fixada legalmente”. Ex. j.9. Observação: quanto à possibilidade de existência de confisco em multa. Em recente decisão quanto à redução de base de cálculo sobre operações com café torrado e moído oriundo do Rio de Janeiro. “g”. não poderá estabelecer discriminação tributária entre as demais pessoas políticas. Plenário.2003.9. De fato. § 2º. Nesta esteira. ADI 2377 MC/MG. por meio de seus tributos federais. assentando o entendimento no direito de propriedade (art. Min. 126). 152. Destarte. Não é mácula à isonomia. CF/8823. a jurisprudência STF.2007. Na mesma esteira. rel. por assim dizer. p. CF/88. levando em conta uma hermenêutica sistemática do setor tributário (entendimento do STF). ADI 3936 MC/PR. Gilmar Mendes. O STF corrobora com o enunciado do art. só influenciando na esfera privada de forma reflexa. ADI 1247 MC/PA. rel. 151. sendo exprimido no art. O princípio da uniformidade geográfica é decorrente da isonomia.2007. especialmente quando se trata de norma estadual referente a ICMS. A União. pelo tributo. CF/88) Nas palavras de Nogueira (1999. 155. ADI 3389/RJ. CF/88 (Convênio CONFAZ 128/94)24. sua consubstanciação depende da análise “in casu”. confisco é “a absorção. eventuais benefícios fiscais relativos à exação citada devem estar de acordo com deliberações de convênio celebrado entre todos os Estados. deixando ao arbítrio do aplicador do direito sua configuração.9.68. Joaquim Barbosa. 24 STF.2007. esgota (ou tem a potencialidade de esgotar) a riqueza tributável das pessoas.9. Informativo do STF n° 478. “g”. mas sim tentativa de equiparação regional. Joaquim Barbosa. j. a União pode dar tratamento fiscal diferente para áreas com menos desenvoltura financeira. 6. IV. a definição de confisco não é dada por colocação abstrata. DJU 8. Em outros termos. porquanto fere o comando dos arts. 6. Dessa feita. porquanto ele deve suscitá-lo na esfera jurisdicional. Informativo do STF n° 478. XXII. 19. pode ele ser entendido como tributação exacerbada. da totalidade do valor da situação ou do bem tributado. I.: não é possível IPI menor para automotores no RS em detrimento dos demais Estados. isto é. XII. sob pena de macular o art. mas sim no caso concreto. Princípio do Não Confisco (art. o Supremo declarou a disposição inconstitucional. o legislador não definiu estritamente o termo. § 2º. 5º. excessiva. As exações federais deverão ser uniformes em todo território nacional. O próprio comando em comento foi excepcionado pelo próprio constituinte.9. Informativo do STF n° 480. rel. segundo a razoabilidade e a proporcionalidade. RMS 17949/ES. j. que não leva em conta suas capacidades contributivas”.18 mercado nacional.

§ 3º. sendo somado ao tributo incorporado (tributo indireto com repercussão econômica por transferência ao próximo da cadeia). 153. Princípio da Não-cumulatividade É técnica de redução de carga tributária sobre o consumo. a intermunicipalidade ou a binterestadualidade. § 3º. 154. 155. Além desses casos. Ex. no veio do deslocamento de pessoas e bens (SABBAG. diz esse princípio é extensível às multas25. V. A exigência de comprovação de recolhimento de ICMS nos postos fiscais em fronteiras interestaduais. § 12. 153. desde que a desoneração do consumo seja atingida. CF/88): a cada entrada. A não-cumulatividade não erige uma regra uniforme para todas as exações. CF/88). desonerando a cadeia produtiva. A não cumulatividade do IPI segue uma norma (art. 40). V.19 majoritária. a doutrina indica outros. como fato gerador. § 4º. II. vez que o fato gerador é outro. às contribuições sociais residuais federais (art. CF/88) A base axiológica deste ditame – erigido em nível constitucional – encontra tutela na própria Carta de 1988. aos impostos residuais da União (art. p. com fulcro em entendimento do STF e conforme mencionado. ao contrário do ICMS (art. A cobrança de exação para o ingresso em instância turística não configura ranhura ao princípio da não-restrição à circulação. Em termos genéricos. compensando-se a diferença entre créditos e débitos. ADIn 2010/DF-MC. § 2º. há um crédito. § 2º. Cada tributo terá sua regência própria. a cada saída. CF/88). porquanto se trata de taxa. De igual maneira. 150. A expressão “imposto cobrado” faz entender que o constituinte quis permitir a compensação somente na existência de operação anterior. Dessa forma. com alíquota de 4%. 153. vinculando o direito a crédito à tributação da operação anterior. a não-cumulatividade se estende ao IPI (art. sendo vendida por R$ 104. particularmente no direito individual à liberdade de locomoção (art. . um débito. CF/88. não pode haver exação que erija. I. O autor ainda indica duas atenuações26: A instituição de pedágio. II. CF/88) e às contribuições sociais da União que incidam sobre faturamento. 195. 2004. para a conservação das rodovias. receita e importação (art. § 3º. 155. 5º. CF/88. “a” e “b”. 195. 150. Esse 25 26 STF. CF/88). com necessária contraprestação. Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Coisas (art. O STF definiu a extensão da não-cumulatividade do IPI. II. Ex. A base de cálculo é o valor da operação. a incisão de tributo para o embarque em ônibus interestaduais ou intermunicipais não comporta ferimento ao ditame do art. em que pese não haver expressa previsão nesse sentido no art. LV e LXVIII.: mercadoria de R$ 100. CF/88).: não cumulatividade de PIS e COFINS (Lei 10833/03). ao ICMS (art. nos termos do estipulado pelo constituinte ou pelo legislador infraconstitucional. em que multa de 300% por não emissão de nota fiscal foi considerada confiscatória. II. CF/88). de natureza diversa. CF/88). O imposto será pago mensalmente.

20

entendimento do Supremo foi alterado, porque, desde 1995, o plenário dava ganho de causa aos contribuintes. Dessa feita, isenção, não-incidência, imunidade e alíquota zero na operação anterior não dão direito à compensação de crédito em IPI, consoante reiterada e hodierna jurisprudência do STF27. Como o IPI é imposto de repercussão econômica (transferência ao próximo da cadeia), a restituição de montante recolhido a mais é dada nos termos do art. 166, CTN. O comando condiciona a restituição a:
• Prova de que arcou com o ônus do tributo, não o repassando ao próximo

elo da corrente; ou
• Apresentação de autorização do próximo na cadeia a receber a

restituição em seu lugar, no caso de ter havido o repasse, visto que esse é o contribuinte de fato do IPI e aquele, de direito. O STJ, apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. 166, CTN, admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda, mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes28. O Supremo referenda o comando do art. 166, CTN, por meio de suas Súmulas 71 e 54629. Imunidades Tributárias30 As imunidades tributárias indicam limitações constitucionais ao poder de tributar, a par dos princípios anteriormente estudados. Trata-se de dispensas constitucionais de tributos, isto é, normas de intributabilidade que gravitam em torno da “não-incidência” tributária. Nos termos de Nogueira (1999, p. 167), “a imunidade é, assim, uma forma de não-incidência pela supressão da competência impositiva para tributar certos fatos, situações ou pessoas, por disposição constitucional”. Com efeito, a imunidade é uma delimitação negativa da competência tributária, segundo a melhor doutrina. Como é sabido, a competência tributária traduz-se no poder de instituição do tributo, conferido às entidades impositoras. Note que estas, ao mesmo tempo em que se valem do poder de criar, devem se afastar diante do campo imunizante estabelecido e demarcado pelo legislador. Assim, a norma imunizadora coexiste com a norma de imposição, ambas previstas na CF/88.

STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 28 STJ, 2ª T., REsp 962.909-BA, rel. Min. Castro Meira, j. 20/9/2007, Informativo do STJ n° 332. 29 Súmula 71 do STF: “Embora pago indevidamente, não cabe restituição de tributo indireto”. Súmula 546 do STF: “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo”. 30 Além dos pontos tratados na matéria, Cassone, op. cit., p. 255 e 256, indica alguns outros a serem discutidos quanto às imunidades: deve se lhes aplicar interpretação extensiva, em acordo com a finalidade da imunidade e com a razoabilidade; é possível a regulamentação da imunidade por lei infraconstitucional; as obrigações acessórias não são atingidas pela imunidade (art. 194, parágrafo único, CTN).

27

21

É importante frisar que as principais imunidades referem-se a impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note: a.Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária (entidades beneficentes de assistência social). Observação: a expressão “são isentas de...” indica impropriedade terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo de imunidade. b.Art. 149, § 2º, I, CF/88 (EC 33/01) – CIDE’s e contribuições previdenciárias (receitas decorrentes de exportação). c. Art. 184, § 5º, CF/88 – impostos de todas as pessoas jurídicas (operações de transferência de imóveis desapropriados para a reforma agrária). Nesse sentido, o art. 18, “caput”, LC 76/93, isentou tais fatos também de taxas judiciais e emolumentos cartoriais. d.Taxas para certidões, para protocolização de certas ações coletivas, etc. Vamos, agora, às principais imunidades previstas no art. 150, VI, CF/88: Há quatro alíneas (DECORAR). São casos de não-incidência de impostos, o que permite concluir pela normal incidência dos demais tributos (taxas, contribuições de melhoria, etc.). 1.Alínea “a” (IMUNIDADE RECÍPROCA) – União, Estados, Municípios e DF não poderão cobrar impostos uns dos outros. − Elemento teleológico – quis o legislador proteger os entes tributantes contra a reciprocidade na tributação de impostos. Com efeito, o imposto é tributo unilateral, indicando um poder de sujeição daquele que tributa com relação àquele que é tributado. Neste passo, a provável incidência colocaria em risco o pacto federativo – o próprio elemento teleológico da imunidade em exame. − Atenção – a alínea “a” apresenta menção a rol classificatório oriundo do CTN (arts. 19 a 73) – “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”. Segundo a literalidade do comando, não deverá haver a incidência de IPTU, de IPVA, de IR, de ITR e de ISS, por exemplo. A questão é problemática: e os impostos não pertencentes ao rol mencionado, tais como II, ICMS, IPI e o IOF? Para o STF e renomados tributaristas32, a imunidade deve abranger quaisquer espécies de impostos, independentemente da limitação classificatória ora guerreada. Exemplos: Não-incidência de IOF nas operações financeiras desencadeadas pelos Municípios (STF).
31

O dispositivo exigiu lei regulamentadora para surtir reflexos, cujo prazo para publicação não foi definido. O STF, no MI 232-1/RJ, rel. Min. Moreira Alves, ajuizado pelo Centro de Cultura, inovou seu entendimento. Adotando uma posição concretista moderada, fixou prazo para que o legislador se manifestasse acerca da omissão legislativa, findo o qual a própria corte asseguraria o direito subjetivo em comento – no caso, imunidade de contribuições sociais para entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88). 32 Regina Helena Costa, por exemplo, em “Imunidades Tributárias”, editado pela Malheiros.

22

Não-incidência de II nas operações de importação de um Estado qualquer. − Análise do art. 150, § 2º, CF/88 – há extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas, desde que se cumpram às necessidades essenciais/precípuas da entidade. Não perca de vista que a condição se atrela tão-só ao § 2º, não existindo para a alínea “a”. Exemplos: Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, XII, “c”, CF/8833. 2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa da entidade religiosa. Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos religiosos, etc. Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja
STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, op. cit., p. 256.
33

23

apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas (impostos). Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: − Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. − Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam Chimenti (2002) e Machado (1993). − Instituições de educação – idem colocações infra sobre as expressões “in fine” da alínea “c”.
35

Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, instituições de educação e de assistência social). 36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17.

Portanto. 155. Saraiva. vedando-se a apropriação particular do lucro. nem mesmo o “animus lucrandi”. o que permite chamá-la de imunidade condicionada ou limitada (SILVA. Note que aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser traduzida à luz deste inciso I. que impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar (imunidade). São Paulo. não obstante a mediata ligação a todas pessoas citadas37. necessário é lembrar que tais pessoas também são imunes às contribuições sociais. isto é. 2006. entendem que se trata de lei complementar. − Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco elucidativo – o lucro. CTN anuncia. 195. 12ª ed. em tese. Nesse passo. perguntar-seia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 5172/66) foi concebido como lei ordinária. insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina majoritária. Note que as entidades educacionais e assistenciais poderão – e 37 Em sentido contrário. entre os mantenedores da entidade. o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de condicionamento imposto à norma. estaria ligado de modo imediato às entidades educacionais e beneficentes. p. porém. há quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes de Miranda). Paulo de Barros Carvalho. quis mencionar o superávit. Ademais. a qualquer título (LC 104/01). CF/88. Misabel Derzi. segundo Maria Helena Diniz. Luciano Amaro. Nesse contexto. II. sendo assim recepcionado pela CF/88. consoante comando exprimido no art.24 − Entidades de assistência social – ibidem. Além de tudo. Não se veda o resultado positivo na entidade. São eles: I. Portanto. os requisitos à fruição da imunidade. 146. José Eduardo Soares de Melo. p. 14.. pois o “lucro”. I a III. Chimenti (2002). e não auto-aplicável. Não distribuição do patrimônio ou renda. De fato. dependendo de regulamentação futura. em seus três incisos. segundo Celso Bastos e Carlos Ayres Brito. no magistério de Sabbag (2004. O que se quer é o REINVESTIMENTO daquele resultado nos objetivos institucionais. CF/88. desde então. No caminho hermenêutico ora trilhado. a diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade. a expressão merece uma associação cautelosa. apregoa que o alcance das expressões se atém somente às entidades educacionais e assistenciais. de integração. 51). . ganhou o “status” de lei complementar. nas palavras de Rui Barbosa. Cassone (2004) e Sabbag (2004). 1996). como Machado (1993). não havendo de cogitar sua aplicação aos partidos políticos e sindicatos de trabalhadores. a resposta à pergunta é clara: a lei complementar que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN. em razão das matérias disciplinadas naquele compêndio. “ex vi” do art. o art. Direito Tributário Brasileiro. Amaro (2006). § 7º.

devendo passar a recolher os impostos. renda ou serviços. CF/88 – repetindo comentário supra. 150. III. permitindo a extensão da imunidade a bens ligados a atividades inessenciais (locação. os pressupostos dos incisos I e II são iníquos. não se perderia a imunidade. 14. prejudicando a manutenção dos objetivos institucionais – trata-se de requisito óbvio. merecendo a proteção da imunidade. passará. § 1º. Nesse passo. não os carreando para países estranhos. conquanto sua redação parece pretender instituir um Poder de punição à autoridade tributária. os valores não poderão se apresentar como “distribuição” disfarçada de lucro”. por fim. Ademais. ligado à instituição educacional. pois. o STF analisa tal comando. aquela Corte interpreta a expressão “finalidade essencial” de modo lato. CTN de aberrante. quanto ao rol classificatório ali inserto – impostos sobre o patrimônio. 157) chama o art. 14. entretanto. mera paralisação dos efeitos imunitórios. É. que o MANTENEDOR da instituição poderá receber uma contraprestação pelos serviços realizados. imediatamente a ser alvo da TRIBUTAÇÃO. como uma “punição”. De fato. Manter a escrituração contábil em dia e hábil a provar o cumprimento dos requisitos anteriores – sem a demonstração mencionada. arrendamento. indicando a jurisprudência no sentido da adstrição a valores de mercado. mediante ato discricionário. Haveria desrespeito ao inciso em análise? Para o mestre. Amaro (2006. Uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua. p. segundo Amaro (2006) e José Eduardo Soares de Melo. Diga-se. sim. diante do resultado positivo. 14. Não aplicação de recursos fora do país. A legislação pertinente (art. Análise do art.25 deverão – almejar o resultado financeiro positivo. desde que se cumpram os requisitos já conhecidos. É o caso também de instituição filantrópica internacional. I a III. não incluindo o envio desvinculado de valores ao exterior. II. § 4º. havendo respeito à disposição legal. afastando a interpretação restritiva. o que não parece de todo apropriado. O eminente Aliomar Baleeiro cita curioso exemplo de gasto com universitário. CTN. pode remeter divisas para o exterior. a qual possui filial no Brasil. é natural que se apliquem os valores na consecução dos objetivos institucionais. a qual poderá realizar ou não a ação – na expressão “pode fazê-lo” –. etc). quando permite à autoridade “cassar” a imunidade. CTN) trata o assunto com terminologia criticável. quando dos comentários retro sobre a imunidade de templos: prova da aplicação . Observações finais – caso a entidade deixe de cumprir os requisitos do art. § 1º. em país estrangeiro. a análise é subjetiva. se cumprirem a exigência ora analisada.

A propósito. segundo a qual o ônus recai sobre o contribuinte de fato (adquirente). em 2 de fevereiro de 2003. . DJU 6. Nessa medida. II. rel. por sua vez.Alínea “d” (IMUNIDADE PARA LIVROS. c. naturalmente. IPI. desde que o lucro fosse reinvestido39. consoante entendimento já firmado pelo Pretório Excelso42. 4. VI. AgRgRE 106. Marco Aurélio. 154. e não sobre o contribuinte de direito (a entidade). etc. É a posição cristalizada na Súmula 724 do STF40. No mesmo sentido. E incidirão.2001. De fato. da constituição.169-7. Elemento teleológico – é a difusão do conhecimento e da cultura. normalmente: IPVA (carro da editora). A participação onerosa do beneficiário no plano de previdência privada. IE. 42 STF. ao contrário das demais (“a”. receberá a carga de impostos sobre si. Súmula 730 do STF41 – as entidades fechadas de previdência social serão imunes quando não houver contribuição dos beneficiados. permanece imune ao iptu o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. IR (renda da venda dos livros).737-SP. é imunidade objetiva ao afastar a incidência de impostos reais (sobre os bens). RE 202. A prova deve ser feita pelo titular da imunidade38. 2-3-2003. porque está ligada a bens e não pessoas. vi. exclusivamente. cit. não incidem sobre o livro e sucedâneos: ICMS. Pleno. 150. no RE 210. Min. Independe do conteúdo difundido. RE 210. “b” e “c”).718-SP. O STF (Pleno). STF. entendia cabível a não incidência. RE 237. fruto de relação contratual entre o órgão e a categoria específica. afasta a imunidade. PERIÓDICOS E O PAPEL DESTINADO À SUA IMPRESSÃO) Natureza – é objetiva. por exemplo. somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”. decidiu por maioria pela não incidência de ICMS nas vendas. p. aquelas de pouco 38 39 STF. p. Min. como é o caso de ISS sobre a publicidade nas publicações. em razão da teoria da repercussão tributária. etc. 150. isto é. DJU e-1. A 2ª Turma.2001. DJU 12. Ellen Gracie.251-2/SP. Vale dizer que a editora. incidiria o ICMS nas rendas e bens provenientes de bazares organizados por entidade filantrópica? A 1ª Turma do STF sempre entendeu que deveria haver a incidência do imposto. RE 235.. à luz dos conceitos de universalidade e generalidade. Em contrário senso. j. 41 Súmula 730 do STF: “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art.251-2-SP. 10. desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”.26 integral das rendas nos objetivos institucionais (Ex.692. DJU 19-11-03. ITBI (aquisição de prédio pela editora).9. defende Amaro. 40 Súmula 724: “Ainda quando alugado a terceiros. a alínea “d” versa sobre bens e não sobre pessoas. a proteção alcança as revistas pornográficas (material fescenino). op. JORNAIS. RE 286.700/DF. rel.11. de 5-6-1998. Mas a regra da imunidade não inclui atividades ligadas ao bem.: alugueres recebidos de locação de área pertencente à entidade filantrópica) e da inexistência de prejuízo à livre concorrência (aferição por meio de critérios subjetivos). Informativo do STF nº 220. da Constituição. c.

. na condição de periódicos. Insumo – o único insumo protegido pela regra será o PAPEL destinado à impressão. Não é a posição cristalizada pelo Excelso Pretório. como equipamentos destinados à função. Min. dentre outros. foi publicada a Súmula 657 do STF45. a norma imunizante deve ser observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido.2000. IX e XIV. 45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art. IV. valorizando os direitos fundamentais que lhe são afetos. as listas telefônicas são imunes. 41) leciona que imunidade a deve abranger todos os meios indispensáveis à produção dos objetos imunes. Lista telefônica – segundo entendimento assentado pelo STF. Chimenti (2001. Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou complementar? Ou é auto-aplicável? Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária. rel. que estendeu a imunidade da alínea “d” aos filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e revistas. CF/88.1998. Lembre-se que não havendo tributação. Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser interpretadas ampliativamente? Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da imunidade de forma restritiva.11. Justificam que a imunidade deve ser aferida a partir do fim da difusão do conhecimento. Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há imunidade: elas são devidas? 43 44 STF. Na mesma idéia.8. 5º.: imunidade de II sobre máquinas de impressão de jornais. reforçando a tese majoritária. parágrafo único. Marco Aurélio. vêem outras decisões do Excelso Pretório aceitando a extensão da imunidade a manuais técnicos e apostilas44. VI. 2º.441/RS. porquanto este procura conferir uma interpretação restritiva ao dispositivo46.2000. STF. DJU 07. etc. RE 199. Encontra guarida constitucional nos arts. da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”. RE 183.06. representada.183.27 conteúdo informativo.308/SP. DJU 22. rel. Min. Min.234. por José Eduardo Soares de Melo e por Cassone (2004). e a jurisprudência vêem a EXTENSÃO da imunidade aos livros na forma de CD-Rom. d. tendo em vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção constitucional. RE’s 204. independentemente da ausência de conteúdo informativo43. Mídia eletrônica – a doutrina mais abalizada. Ex. 46 STF. DJU 12. Em sentido contrário. 150. p. VII.859 e 273. Marco Aurélio. rel. Moreira Alves. § 6º.403-SP. e não em razão do suporte difusor de cultura. Lei 10753/03 (Lei da Política Nacional do Livro) equipara o livro em meio digital a livro impresso. 203. RE 101. O art. Entretanto. e 220.

§ 2º. “c”. 156 do CTN foi incluso pela Lei Complementar n. 12.Sa. III. pode. nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento imunizante. VI. o art. CF/88? Como é concedida a imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? Resposta: não. CF/88. por exemplo. parágrafo único. CF/88. III. em seu art. preceituando condição inexistente na citada LC. 3º. DF e UF). daí o teor do art. uma entidade. § 2º. Lei 10753/03 (Política Nacional do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes visuais exclusivamente. a disposição legal não poderia ser usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art. parágrafo único. em tese. engloba as obrigações acessórias. Apenas a entidade assistencial social ou educacional. assim como as isentas. Pergunta: uma entidade. No entanto. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. parágrafo VI. respeitando as previsões expressas da CF. sem adjetivo algum. Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão o assunto a ser implementado. faz jus à imunidade do art. há alguma regulamentação ou aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. não faz jus à imunidade do art. à guisa do entendimento do STF. abarcando assim. CTN. “c”. conforme expressa disposição constitucional. CTN. CF/88. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. o que. Caso haja cobrança de uma contribuição social. o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas políticas interessadas (M. estabelece as condições para o exercício. III. “b”. Nesse passo. VI. Entretanto. no que diz respeito aos impostos. a obrigação acessória persistirá. somente por esse fato. inovam em suas disposições. D. 14. se não há tributação. O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser escrito em papel ou digitalizado. pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade. 150. 156. Pergunta: o art. Como compatibilizar os dispositivos? Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' devem ser cumpridos. O termo lei. não há obrigação principal e muito menos acessória. Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art. 4382/02. I a III.146. CF/88? Resposta: Não. 150. somente por esse fato. deixa claro que as pessoas imunes. segundo o STF e a doutrina majoritária. 9º do CTN. CTN. VIII. as mencionadas disposições citadas por V. A posição está correta? Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro raciocínio. Lei 9532/97. foi dito que o art. sujeitam-se à fiscalização tributária. “c”. E-m. após ter cumprido os requisitos da lei para receber a . o art. 2º. XI. “a”. O inciso XI do art. 150. o "caput" do dispositivo deixa claro que suas conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). 194. e o art. parágrafo VI. corresponde à figura da lei ordinária. 150.104/01.28 Resposta: lembre-se que. Ademais. 146. “d”. Pergunta: quanto ao art.

O princípio da supremacia do interesse público era levado a cabo exacerbadamente (“I need. em seus arts. 2004. foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). 26). Destarte. 118). Deve ser pleiteada perante a Receita Federal. Para Cassone (2004. § 2º.637/02. via requerimento conforme estabelece os procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97. a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional de impostos e princípios constitucionais tributários. 12 e 13. Transformou a Carta de 1946. 60. Criou um regime sistematizado. por ocasião do golpe de 1964. Nas negociações entre as forças políticas da época – com mediação do então presidente do STF. No Brasil. De fato. e Lei 10. regras rígidas de competência. também o é aquele. Para refrear o ímpeto do constituinte reformador. a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e. CF/88) para garantir a necessária rigidez. p. esse Poder deveria ser utilizado “cum grano salis”. especialmente voltado para fruição de algumas liberdades fundamentais. São Paulo. receber a concessão imunizante.29 concessão da imunidade. defende que o Sistema Tributário Nacional é ternário. A constitucionalização do Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades. a EC consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. I can”). 1999. composto de princípios. competência tributária. não existia equilíbrio entre Estado e cidadão na atividade fiscal. em consonância com o setor fiscal (NOGUEIRA. sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira delas). Prima Cursos Preparatórios. até tal diploma. porquanto houve mais de 50 emendas em pouco mais de 15 anos de sua existência. limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas tributárias47. p. O Poder Constituinte Derivado Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos às mudanças sociais ocorridas. Aliomar Baleeiro –. Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? Quanto à rigidez/flexibilidade. há uma grande crítica a essa premissa da CF/88. . Esta última configurou um marco no Direito Tributário brasileiro. por conseqüência. imunidades e tributos. Sistema Tributário Nacional Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? Qual a importância da EC 18/65? A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. Qual é a estrutura do STN? A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar. também do STN. Não funcionou a contento! Politicamente. etc. Porém. 47 Eduardo de Moraes Sabbag. o STN segue o mesmo diapasão da própria Constituição: sendo essa rígida. Direito Tributário. foi erigido o sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art. fazendo nascer uma vertente doméstica moderna nesse ramo.

de modo a permitir a consecução dos fins da própria gestão pública. havidos por meio das imunidades e dos princípios. o legislador recebe do constituinte o poder de impor a tributação. principalmente. de interesse coletivo. em seu art. Assembléia Legislativa. CF/88. Esta tarefa será efetivada por meio da Administração Pública. é uma faculdade. em conseqüência. diz-se que padece de inconstitucionalidade. E por que não há ADIn? Pela razão fática de que o Estado já onera o contribuinte por demais. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA é o poder recebido do constituinte para servir ao custeio da máquina estatal. aduzido materialmente por meio da tributação. para formar o bolo. que surge depois da exigência. Segundo Carlos Ayres Brito. 2006). os quais conformam as limitações ao poder de tributar). detêm parte dele – para exercê-lo dentro dos limites de sua circunscrição e mediante determinadas condicionantes (imunidades e princípios. PODER DE TRIBUTAR é prerrogativa de impor a tributação. titulares da competência tributária. o direito potestativo de tornar exigível a obrigação (adequado ao lançamento) e o direito subjetivo de crédito. Deve-se distinguir. CF/88. a divisão nacional do poder de tributar é a fatia de competência tributária relegada a cada um dos entes políticos. 145. dentre outras medidas. é extorsivo. Neste sentido.30 A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço. propiciando uma vida digna. garantir o mínimo de existência (de essencialidade) quanto aos direitos fundamentais deve ser a pauta do Estado (vida digna – mínimo essencial – garantia e efetivação dos direitos fundamentais – prestação de serviços públicos). O Estado de Direito enxerga na tributação a via pela qual ele efetiva suas funções. sabendo que não tem o todo.: a imunidade de livros presta-se a maximizar a divulgação de idéias. “caput”. DF e Municípios). Dessa feita. “caput”. “caput”. de acordo com a capacidade contributiva isonômica: a cada um na medida de suas possibilidades. de criar tributo. Considerando que o dispositivo legal está em choque com o art. com o intuito de estabelecer um equilíbrio nas contas públicas. exercício de direito fundamental . que a gestão fiscal equilibrada pressupõe. à luz do art. O instrumento de criação do tributo é a lei. sob pena de renúncia de receita e. Esse arcabouço será mantido pelas receitas originárias e. em uma atividade administrativa. direcionado aos entes políticos – que. conclui-se que o exercício da competência tributária é obrigatória. 145. coercitivamente. de responsabilidade fiscal. Com efeito. criando tributos até mesmo de forma errônea. a qual pressupõe um custo para agentes. Todavia. para órgãos e para serviços respectivos (JERKINS apud DI PIETRO. 11. Câmara Municipal) podem instituir tributos. É exercido pelos entes políticos (União. O ato de tributação. Ex. Estados. entretanto. Câmara Legislativa. Desta forma. pela atividade fiscal ou receitas derivadas (tributação). O Estado. a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). A coletividade deve contribuir. O poder de tributar. preceitua. Dessa forma. E ela foi efetivada pela instituição do poder de tributar. a criação de tributos. somente a chancela do constituinte poderia garantir-lhe legitimidade. em sua essência ontológica. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR tem dois objetivos e se faz mediante dois instrumentos: proteção ao federalismo e aos direitos fundamentais. deve prestar serviços públicos mínimos. somente aquelas pessoas que possuem Poder Legiferante (Congresso Nacional.

Também é nacional a norma que vincula determinada categoria de pessoa política. simultaneamente. . quando estas se aplicam exclusivamente à União. a União deve entregar parte de sua riqueza tributável aos Estados e aos Municípios. Quem institui os tributos é a lei ordinária. para que os maiores entes políticos não fiquem com todas as rendas tributárias. II. o constituinte institui o mecanismo de repartição das receitas. 25% do ICMS é destinado aos municípios do respectivo Estado arrecadador (art. Fazendo tais considerações.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Estados (art. 159. e lei complementar excepcionalmente. CF/88). Ex. em qualquer esfera de Poder. O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL possui dois enfoques: 1ª corrente – será nacional quando suas normas vinculam. CF/88).: arts. aduzida e qualificada pela Constituição. não cria tributos. com o fim de efetivar a idéia da união federativa (art. CF/88. DF e Municípios). 145 e 150. o exercício da competência é coercitivo. IX. 10% do IPI aos Estados. cuja receita deva ser repartida com outro ente político. Ex. VI. CF/88). CF/88). XIV. CF/88). em si. porque a exploração econômica do patrimônio público é prática na contramão da tendência moderna e pós-moderna. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS – decorre do ranço de valorizar majoritariamente o Poder Central. destinado às áreas geográficas menos desenvolvidas (Norte. o constituinte colimou re-equilibrar a federação. há normas exclusivamente federais. § 6º. IV. conferindo parte da receita auferida por uns entes a outros. I. 148. nas respectivas atividades de exportação de produtos industrializados (art. 5º. por comando constitucional.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Municípios (art.: arts. Nordeste e CentroOeste). Todavia. Estados. I. todos os entes políticos (União. é cediço postular que a Constituição. existem as regulações do poder de tributar. É fato de que toda esta renda. Entretanto. em regra. regras a determinar como deve ser exercida a competência tributária. CF/88). “b”. “c”. ou seja. com o mesmo escopo federalista e valorizador dos direitos humanos. concretamente. A CF/88 somente determina a competência tributária. O poder de tributar foi criado para garantir autonomia financeira à pessoa política. IV. 158. 158. 155 e 156. 159. CF/88. 22. As Constituições estaduais e distrital e as leis orgânicas municipais também não criam as exações nem determinam competências. tendo como fim promover o federalismo e a proteção aos direitos fundamentais.: metade do IPVA é destinado ao município onde foi emplacado o veículo (art. A imunidade tributária é uma regra de não-incidência da competência tributária. III. 159. De forma suplementar ao poder de tributar. CF/88. I. e 220. Ex. 21. CF/88). À guisa dessas não-incidências. se for o caso de tributo.: arts. é produzida no município. Neste diapasão.31 (arts. CF/88). mediante o comando autorizador dado pelo constituinte federal. assim como é a imunidade de templos e religiões. porque se presta à liberdade de culto (art. 159. 3% do IR vai para programas de financiamento do setor produtivo. Em contrapartida. 5º. Ex. “a”.

Informativo do STF n° 136. I e II. cit. Não se admite o tributo “in natura”. consegue enxergar. CTN. outros doutrinadores protestam no mesmo sentido. consoante comentário a ser aduzido. 37. papel selado. 162. XXI. Trata-se de instituto oriundo do Direito Privado (art. CTN). por exemplo. p. isto é. 1993. poderia sugerir que o tributo decorrente do negócio jurídico não estaria Hugo de Brito Machado. “b”. Tributo é prestação pecuniária compulsória. CTN. 50 STF. CF/88. CTN. III.. pago em moeda ou outro valor que possa nela ser exprimido. razão pela qual uma lei ordinária estadual. de vantagem patrimonial.32 2ª corrente – é integralmente nacional. Segundo o art. convivendo. 3º. Tais formas de pagamento do tributo são usuais. A definição jurídica de tributo encontra-se no art. CF/88)50. Nesse passo. XI. CC). p. sob pena de inexistir a tributação. op. CTN. Na esteira. protestando pela impossibilidade absoluta na prestação não pecuniária referente ao tributo. etc. A LC 104/01 inseriu o inciso XI no art. O CTN prevê a dação tão-só para bens imóveis. por representar uma liberalidade. 538. CC). na extinção das obrigações. Amaro. Ao sujeito passivo. Pecúnia é a moeda corrente (Real) ou o próprio cheque. na letra do art. admitindo a dação de bens móveis como forma de extinção do crédito tributário. Forense. 3º. regulamentou a matéria de dação em pagamento de tributos por meio de bens móveis. 156 do CTN. por outro lado. em que a ela é pressuposto de existência. 356 a 359. estaria impedida de versar sobre o tema49. ao prever uma nova causa extintiva do crédito tributário – a dação em pagamento. a doação (art. 48 . ao contrário dos demais negócios jurídico civis. 17). aquele pago com bens agrícolas. Rio de Janeiro. 19 a 21. A tributação é um ato de agressão patrimonial obrigatório e coercitivo.. a matéria em análise deve estar afeta à lei complementar. ADIn 1917-DF. estampilha. instituída por lei e cobrada por lançamento. Prestação pecuniária48 – está ligada à idéia de riqueza. aquilo que um Estado (ou tribo) devia a outro em decorrência de autêntica relação de vassalagem (FÜHRER e FÜHRER. Teoria Geral da Tributação CONCEITO DE TRIBUTO – etimologicamente. contrariando o impedimento sistêmico imposto pela CF/88. Curso de Direito Tributário. não é permitida discricionariedade na prestação ou não do tributo. Quando uma norma da CF/88 dá competência tributária para um ente determinado político. 2001. com métodos antiquados de pagamento: vale postal. (art. Compulsória – é a eliminação do elemento vontade. tributo vem do latim “tributum”. – por meio da expressão “cujo valor nela se possa exprimir” – uma forma de compatibilização com o art. por exemplo. A vontade não se vincula à formação da relação jurídicotributária (obrigação tributária). Em sentido totalmente oposto. 7ª ed. 156. diversa de multa. ou seja. 49 A Lei 1624/97-DF. depreende ferrenha crítica à redação do art. 146. indicando a possibilidade de se entregar um bem distinto daquele anteriormente avençado. uma lei que permitisse a dação por bens móveis ofenderia a exigência constitucional de licitação para a aquisição de mercadorias pela Administração (art. Ademais. simultaneamente retira dos demais. A captação da riqueza particular em favor do interesse público não pode depender da voluntariedade do contribuinte. 3º.

Nessa seara. também conhecida como tarifa52. Inexiste compulsoriedade. Só há aquele meio de uso. pois somente alguns recebem o serviço “uti universi”. descentralizar a atividade. Pode. mas não se lhes equiparam. para corrigir a imperfeição da arrecadação por impostos. A natureza do ajuste entre as partes é contratual. Em tese. porque o fenômeno tributável é o ato em si e não seu caráter voluntário (“animus donandi”). Nesse sentido. mas tão-somente pelos efetivos. No entanto. Ledo engano. as taxas são devidas desde que colocados os serviços à disposição do usuário. há serviços públicos que não cabe ao Estado prestar. com exceção da nomenclatura. CF/88). no qual fica patente que o preço público é a remuneração de um serviço público prestado indiretamente pelo Estado (por concessão ou por permissão). de . Nesse âmbito. são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. O teor do serviço prestado determinará o tipo de contraprestação. Além disso. enquanto todos contribuem para ele.. cit. 155. enquanto preço privado. pode haver duas espécies: os serviços a título universal e singular. de preservação ecológica e de emissão de passaporte. O primeiro é “remunerado” por meio de impostos e os segundos. porque há opção na contratação (liberdade de contratar). elas aproximam-se dos preços. eles serão de domínio público exclusivo do Estado. 52 O preço é a remuneração por qualquer serviço não tributário. há três taxas que fogem à idéia geral de sua concepção: judiciárias. de um serviço privado de livre concorrência. 116. por questão de interesse público da coletividade. É o entendimento esposado por Cassone. prestados diretamente por ele. No diapasão. A Súmula 545 do STF51 determina a diferenciação entre taxa e tarifa: a compulsoriedade. pendendo facultatividade na contratação e na conseqüente remuneração (autonomia da vontade). não existindo outra opção. é chamado de tarifa ou preço privado. 51 Súmula 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. sem permitir o lucro (distribuição de dividendos) e a livre concorrência. água e esgoto. é cediço recorrer ao Direito Administrativo para desigualá-las.33 abarcado pela regra da obrigatoriedade. incidirá o ITCMD (art. As taxas podem ser de serviços propriamente ditos (coleta de lixo. p. Não há propriamente grande diferença entre os conceitos. para tutelar a coletividade. Caso seja prestado por entidade da Administração Indireta (sociedade de economia mista ou empresa pública). O constituinte preceituou que o Estado preste alguns serviços públicos de interesse público primário. diferentemente daqueles.) e aquelas decorrentes do poder de polícia. Nesse campo. o consumo do serviço também é compulsório por parte do administrado. porque estas. etc. do contrário. op. em relação à lei que as instituiu”. é lícito o lucro e a livre concorrência. porque não serão remuneradas pelos usuários em potencial. São conhecidas vulgarmente como “taxas de uso”. O pagamento dessa então se deve à retributividade do custo do serviço prestado. São exações atípicas. mesmo que deles não se utilize. no máximo. Ambos se submetem ao regime de Direito Privado. I e § 1º. A contraprestação dessa espécie de serviço é tida por preço (não tributário). Ao revés. por taxas – também conhecido por preço tributário. não se cogitando de sua submissão e inclusão no sistema tributário. denomina-se preço público. Uma vez ocorrendo o negócio mencionado.

segundo entendimento já firmado pelo Excelso Pretório53. em face do desrespeito às normas urbanísticas. sendo delegáveis e pagos por preços públicos (serviço postal. nota de rodapé “4”. O Direito Administrativo distingue o preço público da tarifa (ou preço privado) sob alguns aspectos. 2006. mitigando essa construção. gás. permitindo a dação em pagamento para crédito tributário. Lapatza (apud AMARO. etc. ao verificar conveniência da melhor escolha. A ilicitude da conduta somente provocou a progressividade. energia elétrica. nessa forma. suficiente para atrair o afã do particular e manter a atualidade da prestação. cheque e selo já foram algumas dessas formas. telefonia. caso contrário.). Essa já preexistia. porquanto não usados. 54 Cf. permitindo que o legislador ordinário pudesse receber crédito tributário de outra maneira que não moeda. CF/88). ao prever a dação em pagamento por bens imóveis (bem diverso de moeda) para extinção do crédito tributário. não acarretam ranhura ao interesse público. necessita de LO para regulamentação. não é serviço exclusivo de Estado. Direito Público. Para o eminente ministro. CTN. sua remuneração pode ser extraída de preço. O primeiro se reverte inteiramente ao Estado prestador do serviço. Todavia. A doutrina mais tradicional afirmava que o tributo não se paga “in labore” nem “in natura”. Eventualmente. Moreira Alves. permissionário ou autorizatário de serviço público delegado. Não há pacificação doutrinária quanto ao tema.34 Em resumo. não autorizou a incidência da exação em si. sendo fixado unicamente para custear um serviço. no âmbito da competência tributária respectiva. pode também ser objeto de preço.: quanto ao serviço funerário. 5º. remunerados por taxa. sepultamento. Mas a LC 104/01 alterou bastante o CTN. pode ter parcela revertida ao Estado. Para justificar a existência do IPTU. Como se trata de norma de eficácia limitada. Paga em moeda (regra) ou valor do qual se exprime (exceção) – tributo deve ser pago em dinheiro como regra. A progressividade do IPTU visa preservar a função social da propriedade (art. o que diferencia a taxa e a tarifa é a natureza do serviço público prestado. poder-se-ia advogar a natureza tributária. 45) afirma que os serviços públicos inerentes ao Estado. quando houver previsão no ato de delegação (contrato ou ato administrativo). a dação. A determinação de uma ou de outra saída reputa-se ao legislador. hoje não mais usados. outros entendem que há uma exceção ao seu conceito. Ex. podem incitar a remuneração por meio de taxa. remoção de lixo. O fato que gera a obrigação tributária não é uma conduta contrária ao Estado de Direito. Títulos da dívida pública. permite exploração de lucro. O princípio do “non olet” pode ser vislumbrado nos exemplos da renda auferida por traficante54 e do IPTU com alíquota progressiva. indelegáveis e passíveis de taxação. não podendo o Estado cobrar por aquilo que não prestar ou o usuário. pois salvo melhor juízo. mediante utilização efetiva ou potencial (água. p. Já o segundo se volta a concessionário. continua Amaro (2006). De fato. não incidindo o “jus puniendi” estatal. Min. REsp 167489-SP e RE 89876-RJ. é delegável à iniciativa privada. . remunerando-o do custo envolvido e de uma parcela de lucro. sem qualquer outra espécie de remuneração. Prestação de serviço e produtos não são formas corriqueiras de recebimento pelo fisco. Diversa da multa – o tributo não é sanção por ato ilícito. O imposto tem por fato gerador a propriedade. é uma prestação “in natura”. quando por ele prestados. O valor que se pode exprimir é um conceito aberto. os essenciais ao interesse público. 156. por aquilo que não utilizou (cartórios judiciais e emissão de passaporte). esgoto. rel. em prol da comunidade. os serviços públicos divisíveis e singulares podem ser catalogados em 3 planos: os propriamente estatais. etc.). 53 Cf. Moeda é a principal forma corrente de transmitir riqueza. os não essenciais. A LC 104/01 apôs o inciso XI ao art. XXIII.

porque exorbita de sua competência regulamentadora. 150.Lesão à isonomia – o princípio. se presta. muito pela pretensa inafastabilidade do Judiciário (art. somente a favorecer certa parcela das pessoas. Somente alguns possuem imóveis. De todos aqueles que possuem “animus solvendi”. não permite que o fisco trate desigualmente pessoas iguais. Essa é a finalidade política da dação. CF/88). . Entretanto. reputando o art. havendo uma desigualdade aos iguais. XI. por metonímia. Essa antítese pode ser solucionada pelos seguintes argumentos. somente parcela poderia efetivar o desejo. as leis que instituem esses programas geralmente condicionam sua concessão à desistência de demandas judiciais. dentre elas o parcelamento.35 A grande questão que se coloca é a possibilidade ou não de deferir dação para bens mobiliários. o Brasil tentou implementar a mesma política. o gênero REFIS engloba várias categorias. equiparada àquela espécie. por colidir com o espírito Carta de 1988. Com efeito. mesmo porque a maioria deles não possui bens de raiz ou se os tem. estipulado no art. XI. 156. Mas esses argumentos podem ser contestados. elemento proibido na ordem tributária nacional. XI. Juridicamente. será de família. Dessa feita. Dentro dessa realidade. seria inconstitucional. por sua gramática. porque se presta a permitir que grandes devedores extingam seus créditos tributários sem desembolsar nenhum centavo. CTN. XI. seguindo a orientação de recuperação fiscal (REFIS) italiana. a dação de bens imóveis é uma manobra ardilosa. Nesse passo. CTN55: . Com efeito. 156. CF/88). Apesar dos contribuintes se debaterem sobre a constitucionalidade dessa disposição. XXXV. porquanto opera discriminação aos iguais. a jurisprudência pacífica os considera legítimos. A LO que dessa forma dispusesse seria ilegal (art. A norma do art. CTN. Mas essa interpretação conforme a Constituição talvez ferisse os freios e contrapesos da divisão orgânica do poder. “b”. como rol exemplificativo. CF. No mesmo sentido estão os pequenos empresários. muito mais afeto à sua realidade. possibilitando o “sucateamento” do fisco. 156. há formação de um privilégio. a dação de bens móveis. 156. pela necessidade de eficácia da norma. essa espécie acabou sendo. O imóvel a ser oferecido será o expurgo de grandes empresários. surge uma brecha a legitimar. em favor da inconstitucionalidade do art. III. O mecanismo visou movimentar a máquina estatal para cobrar dívidas tributárias com o menor esforço. 146. 55 A ADIn 2405 versa sobre dação em pagamento na extinção de crédito tributário. Aqui. 5º. permitindo resolver as questões na esfera administrativa. como está. o pequeno devedor deveria ter a possibilidade de adimplir seus débitos com bens móveis. II. Isso se deve ao fato de que os pequenos devedores do fisco não possuem dívidas de montante a justificar a dação de imóvel. conquanto se trata de opção do contribuinte. bens de categoria inferior. Esse dispositivo. CTN) e inconstitucional (art.

ainda que não exigível . viola os princípios da razoabilidade. 156. permite o precatório como forma de crédito líquido. XI. I a III. lesando a razoabilidade. Afora esses dois casos. Mas a interpretação restritiva deve se ater à concessão de liberalidades (isenções. 111. 156. o dispositivo em tela não proibiu a interpretação extensiva de norma de extinção de crédito tributário. estaria em flagrante afronta à realidade. Esse mecanismo favoreceria a economicidade. CTN – exige a interpretação estrita em matéria de exclusão e de suspensão de crédito tributário. Ainda nessa seara. ao descrever a compensação do crédito tributário. não se permitindo sua exegese restritiva. CC. Por que chegar a ponto da cobrança judicial se o entrave pode ser resolvido no momento préprocessual. não urge a interpretação restritiva do art. somente depois do processo judicial devido. em interpretação literal. na seara administrativa. da economicidade e da operabilidade. discutiu-se o pagamento do tributo por meio de compensação com precatórios. anistias. CTN). I a XI. . etc. o art.Art. a hermêutica extensiva é a melhor solução ao intérprete. O intérprete não tem o direito de colocar restrições onde o legislador não fez. deve ter o desejo atendido. O legislador não tem a capacidade de exprimir toda sua vontade simplesmente pela letra da lei. gênero da dação em pagamento. CTN. a hermenêutica restritiva não pode ter vez.Interpretação sistemática do CTN com a LEF – o art. A função do operador do Direito é buscar essa verdadeira “mens legis”. a lei deve viabilizar a intenção. administrativo? Se o devedor pudesse adimplir antes da execução fiscal com seus móveis. No ponto. O fisco não aceitar o bem móvel certo. “caput”. LEF).) e às extremas exceções (dispensa de obrigação acessória. CTN. afinal há coincidência de afã com o interesse público. A LEF permite a penhora sobre bens móveis. 156. c. poderia pagar com seus bens móveis. no seu art. como tal. XI. porquanto. Dessa feita. 156. 110. certo. CTN. por exemplo). ao definir as modalidades de extinção do crédito tributário. Se o legislador determinou a prevalência na penhora de móveis antes de imóveis. permite a dação de imóveis. porquanto a execução fiscal poderia não atingir outros bens (incerteza). O conceito de compensação se aduz da lei civil (arts.36 . . CTN. I a XI. Em tese.c. 11.Segurança jurídica – a extinção da relação jurídica tributária é o grande fim colimado pela lei. I a IV. art. Na mesma esteira. pacificando a relação jurídico-tributária e conferindo segurança à sociedade e ao particular. permite a compensação. evitaria o movimento da máquina Judiciária. Com efeito. mas não proibiu a dação de móveis. poderia haver a compensação da forma descrita. Para solver o problema. haveria um contra-senso na extinção do crédito tributário. 170. 156. CTN. obrigando-se passar por esses antes de um imóvel (art. O texto do art. O devedor quer pagar e. 368 a 380. O art. XI. portanto. CTN. em seu inciso II.

Lei 10684/03. Esse expediente foi bastante corroborado com a possibilidade de não incidência da lei penal nos crimes tributários (Lei 4729/65 e 8137/90). A despersonalização do precatório reside exatamente nesse ponto. Ocorre que a jurisprudência pacífica entende que os crimes tributários são materiais. Marco Aurélio Mello denegou a compensação.1999.6. . Sepúlveda Pertence. Concluindo. essas empresas geralmente não possuem precatórios para com o Estado.144-PR. DJU 20/5/2005. T. Lei 10684/03). a facilitar a elisão tributária de grandes pessoas jurídicas ao mesmo tempo em que flanqueia ao Estado a lesão de direitos fundamentais. constantes do CP. 13/9/2007. CTN. Atualmente. Não há decisão sobre o assunto dentro do próprio Supremo. A maioria da população deve ao fisco um crédito tributário de pequena monta. “caput”. Maria Thereza de Assis Moura. j. 1ª T. Arnaldo Esteves Lima. e os arts. Min.2007. a jurisprudência pacífica se posiciona no sentido de que a constituição do crédito tributário definitivamente efetivada é condição objetiva de punibilidade por delito fiscal (STF.986-MS. rel. perfaz-se a prescrição do delito correspondente. 10. Lei 9249/95. Via de regra. 100. STJ. Informativo do STJ n° 331. o termo inicial da prescrição penal será o da correspondente decisão administrativa definitiva (STF. pelo pagamento. Min. No ponto. e 15. DJU 13/3/2006. dada situação simples. porquanto jamais recomporá os danos de terceiros. 9º. DJU 29/4/2005. precatório exprime dívidas de grande valor. O art. Certamente. desde que haja uma lei ordinária a regulamentar a compensação.2003).37 (parcelas vincendas ou vencidas). HC 77. de modo a favorecer. Na esteira. RT 770/492). 170. 23. ADCT. j.. rel. Lei 9964/00 e 9º.262-DF. rel. Min.8. 15. erigindo um paradoxo. 26/6/2007. desde que haja pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia (arts. O STF tem bastante complacência com essa sistemática. § 2º.799-SP. Mas existem alguns entraves à operabilidade desse mecanismo. Informativo do STJ n° 325). 34. realizar a compensação. os grandes grupos econômicos fazem “lobby” para o não pagamento do precatório. REsp 747. RO em HC 77258-2. e 78. DJU 1º/2/2006. 14. o STJ tem dado interpretação analógica à extinção da punibilidade pelo pagamento ao delito de descaminho e aos previdenciários.611-DF. não erigindo termo final para tal. “caput”. somente médios e grandes empresários possuem montante de dívidas tributárias a justificar a compensação. econômica e relações de consumo56. mormente. 288. “caput”. rel. 34. seguindo os ditames do art. 1ª.. Informativo do STF n° 476. Lei 9964/00. Se a prescrição qüinqüenal já atingiu a pretensão do fisco em exigir judicialmente o débito ou a decadência fulminou o direito postestativo de realizar o lançamento. 5ª T. Min.805-SP. No entanto. os quais só se concretizam pelo ato de lançamento do débito co-respectivo57. Min. § 3º. a qualquer tempo. no HC 84223/RS. na ADIn-MC 2099. Ganham os empresários – que sonegaram deliberadamente – e ganha o Estado – que percebe seu tributo e não precisa adimplir seus compromissos indenizatórios. CF/88. revogou as disposições anteriores por dispor de forma diferente. Destarte. 57 STF. O comando autoriza a extinção da punibilidade. por conseguinte. Nesse sentido. Lei 9249/95. para possibilitar a compensação com seus débitos fiscais. j. AgRg no REsp 762. j. previam que a extinção da punibilidade somente se daria se o pagamento fosse feito antes da denúncia.829-PR. em que pese a previsão da Lei 10684/03 silenciar sobre eles (HC 48. a fim de possibilitar cessão de crédito ao seu patrimônio e. como ocultação de faturamento da empresa. o rel. a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário que visa tão-somente à perpetuação desse sistema censitário.12. j. DJU 16/4/2007. delitos de sonegação fiscal e contra a ordem tributária. § 3º.. Min. porquanto aqueles grandes empresários adquirem os direitos creditícios por valores bastante inferiores ao nominal. HC 84. está-se em discussão a possibilidade de configuração ou não de crime de quadrilha (art. Eros Grau. CP) nos delitos fiscais. Moreira Alves. rel. HC 81. porque haveria 56 Os arts. HC 81611/SP. No mesmo sentido. HC 56.

as dívidas de pequeno porte. A Constituição não diz que deve ser instituído por LC. 148. CF/88). Com relação a esta. 153.38 lesão à ordem cronológica de pagamento dos precatórios. de modo a tutelar um dentre três elementos basilares – liberdade. CTN. amplitude e aplicabilidade de suas disposições (CANOTILHO. legítimos detentores dos direitos neles exprimidos. Instituída por lei – há quatro tributos que necessitam LC: empréstimo compulsório. I. porque ambos são causas subjacentes do mesmo crédito tributário (art. . trata-se de posição minoritária. A segurança jurídica se desmembra nas vertentes legitimidade e não surpresa. o STF passa a perfilhar a disposição do constituinte. VII. ao interesse público. II. o administrador é eleito do povo. “caput”. O respeito à vontade popular. LC só será exigida para a instituição de tributos residuais. a anterioridade. segundo colocação do constituinte. meio pelo qual o povo empresta ao Estado publicidade. Inobstante tal colocação. contribuições de seguridade residuais e imposto sobre grandes fortunas (IGF). diversos daqueles já previstos na Carta. É justamente a última que será protegida pela legalidade. Dessa forma. Apesar de razoável a explicação. por conseguinte. para o povo e pelo povo. Ele gere a coletividade em favor dela própria. por questão de urgência (art. porque colima a lealdade e refuta o abuso de direito. porque a expressão “nos termos de lei complementar” se refere à regência de todos os impostos do art. justiça (igualdade) e segurança jurídica (fraternidade ou solidariedade). CTN). a irretroatividade e a transparência são sucedâneos da legalidade. Quem instituirá o imposto seria a LO. Dessa forma. 1991). A finalidade do art. CTN)58. incompatível com a previsão de LC. cujos representantes eleitos manifestam a vontade popular. em flagrante afronta ao comando do constituinte (art. seriam ultrapassadas pelo mecanismo. CF/88). 148. é a tradução da atividade desse mandatário. Não é a volição própria do administrador que deve imperar. fazendo cair por terra o argumento supra citado. impostos residuais. a seguir o comando alterado e existente na própria Constituição. 1ª Seç. a legitimidade do ato democrático se consubstancia pela democracia representativa. Trazendo o raciocínio para o Direito 58 STJ. 153. o emérito ministro ainda argumentou no sentido de lesão aos interesses dos sujeitos ativos dos precatórios. 113. na ADIn 2851. EREsp 760290. há controvérsia doutrinária. Sobre esse último (art. No entanto. No tocante à legitimidade. Por fim. O princípio da legalidade visa proteger um valor básico: dar limite ao exercício de competência. A lei. é evitar que empréstimo compulsório seja instituído por MP. Ademais. lembra-se que o STJ tem admitido compensação de multas moratórias pagas indevidamente com tributos. 100. inclusive as alimentícias. e 139. § 1º. Não quer dizer que a LC vá criar o tributo. 1993). com exceção do empréstimo compulsório. a EC 30/00 permitiu expressamente a compensação de créditos tributários. mas sim que deve ela definir “grande fortuna” (CARRAZZA. em um autêntico mandato sem reserva de poderes. CTN. é o “norte” que deve seguir o agente político..

A atividade de cobrança de tributo é o próprio lançamento. afirmando que o crédito surge na ocorrência do fato gerador. custear a máquina estatal. todas as exações prestam-se a.Obrigatoriedade – não existe discricionariedade permeando o procedimento administrativo. não alcançando a seara penal. é a manifestação democrática do povo. O ato de improbidade pode se ater a três condutas: auferir vantagem. O CTN perfilha a teoria de que o crédito é constituído pelo lançamento59. direta ou indiretamente. 9º. Em comentários abaixo. “caput”. em sentido contrário. FUNÇÃO DOS TRIBUTOS – em que pese haver tributos não vinculados – impostos –. O procedimento vinculado se rende a duas idéias: . causar prejuízo ou violar princípio da administração pública (art. o legislador qualificou o tributo como entrada definitiva. sob a óptica do Direito.39 Tributário. Entendendo essa colocação. de conseqüência administrativa e cível. devendo ser prevista pelo legislador. Essa assertiva diz respeito à sanção disciplinar no âmbito do estatuto. O tributo é uma forma de ingresso público (valor positivo ao erário) derivado. A autoridade fiscal é obrigada a realizar o lançamento. sendo enquadrado como ato de improbidade administrativa. 3º. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS – natureza jurídica é a qualidade essencial do instituto. § 1º. é necessário que haja dolo. Cobrada por lançamento – é a atividade administrativa plenamente vinculada. O art. 142. representado pela efetivação dos direitos fundamentais através da prestação de serviços públicos. Essa tarefa só é possível quando são alocados os meios necessários. receita da espécie derivada (arts. Para essa última conduta. isto é. Nas palavras de Carlos Ayres Brito. 2006). CTN. instituído legalmente. define o lançamento. CTN. Lei 8429/92). .Nos termos da legislação – não é dado ao agente a prerrogativa de escolher o modo de fazer. consiga-se perfazer a justiça distributiva e manter o estado de bem-estar do povo. A culpa só pode se ater às duas primeiras condutas (auferir vantagem ou causar prejuízo). referida no art. A Lei 8429/92 regula exatamente o reflexo. para que. Em suma. Deve fazê-lo de acordo com a norma. a função do Estado é manter o nível mínimo de dignidade da pessoa humana. Seu parágrafo único prevê como conseqüência pelo descumprimento a responsabilidade funcional (administrativa). pois a culpa não a caracteriza (DI PIETRO. mesmo não se tratando de Direito Penal (STJ). os quais são consubstanciados pela parcela da riqueza de cada qual para o bem comum. essa idéia será mais bem delineada. a grande finalidade da tributação é arrecadar. “caput”. Paulo de Barros Carvalho. 11. por meio dos serviços públicos. por uma questão de segurança jurídica. Essa não pode ser presumida. e 11. o tributo. Lei 4320/64). Qualquer conteúdo patrimonial 59 Cf. Os desrespeito a esses dois postulados pode levar a conseqüências para o agente. . Improbidade é um ato híbrido.

agindo o administrador com discricionariedade (princípio da não-afetação das receitas). II. Em regra. tributo é empréstimo compulsório (ingresso temporário. são receitas derivadas (ingressos definitivos. I. Ex. Em outros. 4º. contribuinte de fato (contribuinte de “facto”).: o IEF pode conter fato imponível igual àquele previsto para outra exação (art. Excepcionalmente. o ônus do recolhimento da exação se defere a um terceiro (substituto tributário). O imposto é uma receita totalmente desvinculada. Na essência. portanto. não podem ser imiscuídos os conceitos de impostos e de contribuições especiais. o legislador flanqueia a bi-tributação (“bis in idem”) – um fato gerador produzindo dois tributos. Mas o “nomen juris” e a forma de cobrança do tributo são irrelevantes para determinar a exação (art. Ex. isto é. 4º. por exemplo. A destinação dada ao imposto ou à contribuição é irrelevante para determinar a espécie tributária em análise. outras exações diretas podem comportar repercussão tributária. Entretanto. CTN). Lei 4320/64. na segunda. CF/88). não restituíveis). Observe o seguinte esquema: CLASSIFICAÇÕES DOS TRIBUTOS – duas classificações são mais importantes: tributos diretos e indiretos e impostos reais e pessoais. Repercussão tributária. haveria uma controvérsia para com o art. 4º. Todo tributo tem por natureza jurídica ser um ingresso público derivado. apesar de não sê-lo na sua natureza. é o fenômeno no qual o contribuinte legal ou de direito (contribuinte de “jure”) consegue repassar a carga tributária a uma terceira pessoa. refere-se aos tributos diretos. porquanto cobrará o . restituível). 9º. CTN). CTN. Também não importa a destinação da receita gerada para definir o tributo (art. Porém. Já o valor auferido pela contribuição tem destino certo. Como regra. diverso daquele que detém relação jurídico-tributária direta para com o fisco. Aparentemente. aos indiretos.40 entregue ao Estado pode ser considerado ingresso ou entrada. somente o IPI e o ICMS são indiretos. Por não ser ingresso definitivo. mesmo não sendo receita. “caput”. O fisco desconhece tal relacionamento privado (art. II. Contudo. os empréstimos compulsórios preservam seu caráter de ingressos públicos derivados. o verdadeiro devedor repassa a carga tributária ao consumidor final. Ex. Alguns tributos permitem que o próprio contribuinte pague. mesmo que ambos não estejam vinculados a uma prestação estatal específica de sua parte.: IPI e ICMS. contribuições de melhoria e especiais.: IR. É o caso dos impostos. II. CTN). do pagamento de IPTU por parte do locatário. o que determina a natureza específica do tributo é o fato gerador (art 4º. a espécie tributária é determinada pelo fato gerador. cada tributo é identificado por sua hipótese de incidência. É o caso. vide expressa previsão legal no art. taxas. Excepcionalmente. assumindo um viés de tributo indireto. não há de se confundir a natureza jurídica do tributo com a determinação da espécie tributária. Dessa forma. Na primeira situação. O que os faz diferir é justamente sua destinação. Nesses últimos. 154. não deve esse último ser qualificado como “receita”. 123. CTN). já que na acepção técnica da expressão estas designam apenas os valores que entram em caráter permanente. Nesse passo.

203-RS. O maior exemplo dessa categoria é o IR. AgRg no REsp 673. por ser praticamente impossível sua ocorrência. Complementando. STJ. Em tese. rel. CTN. A maneira como essa riqueza é espelhada determinará a classificação do imposto em pessoal ou real. 22. j. a qual só poderá ser materialmente aplicada quando a demanda judicial transitar em julgado nesse sentido (art. 1ª T. a art. Informativo do STJ n° 332. Eliana Calmon. Na mesma esteira. Na prática. No mesmo sentido é a redação do art. CTN. Todo imposto. a “res”. o fisco negar-lhe-á. PIS/COFINS-Importação. O sujeito passivo tem condição de suportar o gravame. § 12. impetra-se mandado de segurança. seja invocado61. lembrar que a compensação de plano para com créditos de terceiros não é permitida. porque não é titular direto de relação tributária com ele. É o entendimento esposado pelo STF. CTN)62. DJU 12/12/2005. De fato. enquanto no real. Castro Meira. O dispositivo permite. j.441-SC. incidindo diretamente sobre a renda auferida. em suas Súmulas 71 e 546 (já mencionadas). ele repassará tais valores. Por décadas. “a”. Todo imposto tem como fato gerador a conduta praticada pelo sujeito passivo e sugestiva de riqueza. as empresas sempre solicitam a compensação.. O primeiro implica na pessoalidade do contribuinte. a base de cálculo é a renda. Min. j. a qual foi ratificada pela súmula posterior. é necessário que haja pagamento indevido para que o art. para furtar-se ao mecanismo. Eliana Calmon. Min. No entanto. o importador paga vários tributos na sua atividade (II. além da prova de ter suportado o encargo tributário. 2ª T. 166. indiretamente. rel. O fisco cobrará do locador e esse. como bem dispõe a própria letra normativa. Lei 9430/96. nesse ponto. Dessarte. 2ª T. fazendo com que o comprador arque com a carga tributária. seja feito a mais. mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes60. Min. II. REsp 653.304-PR. rel. a restituição mediante autorização pelo contribuinte de fato. Denise Arruda. nos casos supra. DJU 14/6/2006. Lei 9245/90 (Lei do Inquilinato) permite essa transferência. CTN. O contribuinte de direito solicita restituição. rel. No entanto. 170-A. uma vez que ele não suportou de fato a carga tributária (enriquecimento sem causa). Da denegatória. 62 STJ. a qual será negada pelo fisco. REsp 757. 74. Informativo do STJ n° 332. Cediço.203-RS.553-MG.909-BA. esse entendimento leva à iniqüidade de restituição para tributos indiretos ou indiretos por equiparação. admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda. REsp 449. a alíquota incide diretamente sobre ela. Informativo do STJ n° 332. 61 60 . a coisa. caso a riqueza demonstrada seja o patrimônio. 20/9/2007. Na venda dos artigos. com redação pela Lei 11051/0463. O contrário representa o imposto real. apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. exigirá o valor do locatário. 20/9/2007.. sem exceção. ao contrário dos demais tributos. no imposto pessoal. REsp 962.. A demonstração objetiva de riqueza por parte do contribuinte dá ao fisco o direito de presumir que tem capacidade de contribuir. 14/8/2007.41 imposto do titular do imóvel. Mas vamos supor que o recolhimento do tributo. STJ. REsp 757. No imposto pessoal. esse acabará pagando o tributo. Min. está-se diante de um imposto real. ICMS). 63 STJ. j. Todavia. que implicam em prestação estatal. O STJ. 2ª T. o Excelso Pretório manteve a posição (Súmula 71). em ação regressiva. Informativo do STJ n° 327. atinge a renda. 20/9/2007. 166. dada a disposição do art. 166.. ela é atingida diretamente. se o contribuinte de fato tentar fazer restituir o montante.

Eliana Calmon. 64 A EC 39/02 trouxe à tona a contribuição de iluminação pública (CIP).502-RS. ATP. Para alguns. 65 Contribuição de empresa prestação de serviço para o Sistema “S” é devida. Sociais “lato sensu” Sociais “stricto sensu” .Fundo Aeroviário (FA). RESp 431. o constituinte flagrantemente contra os próprios princípios da Carta Magna de 1988.924-RJ.146-RS. REsp 705.Salário-educação. AFRMM. conquanto também residual (art. Cf. CFO. Impostos 2. DJU 11/4/2005. no sentido de custear a resolução de entraves do sistema elétrico do país. De intervenção no domínio econômico CIDE-combunstíveis. DJU 25/11/2002.Contribuição sindical (antigo imposto sindical).FGTS. .Para o INCRA (antigo FUNRURAL). Para iluminação pública (art. “caput”. . REsp 895. OAB – com a ressalva feita pelo STF na ADIn 3026/DF). CFP. REsp 719. 154. 4º.. Para seguridade social “lato sensu”: . Do empregado. Tratando-se de imposto novo. CF/88)64. CIDE-remessas para o exterior.CONDECINE (MP 2228-1/01). A CIP não se enquadra nas cinco espécies de tributos. . o governo fez aprovar a citada EC. o que fere o princípio da legalidade.42 É possível classificar os tributos segundo o seguinte esquema: 1. A modalidade de tributo chamada de taxa só pode incidir sobre serviço público individualizado. CF/88). Trata-se de um ente anômalo. Outras Contribuições (ou contribuições especiais): a. Os tributos devem obedecer a três ditames – legalidade. CTN.Previdenciárias: Do empregado sobre folha de salários e equiparados. c. previstas no ordenamento doméstico. O fisco sempre deteve um afã para invadir o patrimônio do contribuinte.Para o Sistema “S”65. . d. Taxas 3.Diretoria de Portos e Costa da Marinha (DPC). Informativo do STJ n° 326. anterioridade e irretroatividade. a norma que instituiu a CIP é ordinária e não complementar. à luz do art. Min. No entanto. . b. DJU 2/5/2005. a CIP é um imposto e não uma contribuição. DJU 21/3/2005. 149-A.878-SP. Para profissões regulamentadas (CFM. . não sobre serviço de caráter geral. CREFITO. deve surgir mediante a edição de lei complementar.347-SC. . Para "corrigir" tal problema. STJ. ao estabelecer que a CIP pudesse ser instituída mediante lei ordinária. I. IAA. Empréstimos Compulsórios 5. . j. os quais não foram gerados pelo particular. segundo diz a jurisprudência. Contudo. 1ª Seç. rel. 8/8/2007. Contribuições de Melhoria 4. REsp 446.

a incidir sobre a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços. o FINSOCIAL destinava-se a “custear investimentos de caráter assistencial em alimentação. Levou em conta uma análise histórica da realidade concreta de cada um dos entes federados. SAT. “caput”. É formado por contribuição específica. CF/88). o poder de tributar. sob pena de autodestruição. educação. 195. op. CONFINS-importador. A competência não foi determinada aleatoriamente. a qual constitui uma das fontes de custeio da seguridade social como um todo (art. exceto aqueles destinados ao exterior. e amparo ao pequeno agricultor”. CF/88). DF e Municípios. foi basicamente alterada a alíquota e a destinação da exação. Nas palavras do art. caracterizando pela competência tributária. incluindo a competência. com a finalidade de preservar a 66 O Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) foi instituído pelo DL 1940/82. Sua base de cálculo inclui o ICMS.Limitabilidade – todo poder. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA – trata da distribuição do poder de tributar. segundo menciona a Súmula 94 do STJ: “A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”. CSLL-importador. Com a LC 70/91. Estados. a federação brasileira é formada por quatro entes independentes e harmônicos: União. Diferenciação entre poder de tributar e competência tributária – o poder de tributar é pleno e genérico. sendo ratificado pela LC 70/91. revelando a parcela do poder pleno constitucionalmente designado para cada ente. etc.43 Do estatutário para o RPPS (art. é repartido entre tais pessoas para evitar a balbúrdia. . FINSOCIAL66.. § 1º. auferida por empresas públicas e privadas. 53. habitação popular. Contribuição sobre receitas de prognósticos. CPMF. segundo lembra Chimenti. polícia. . O poder de tributar e sua competência não são exceções. CF/88). Cada fatia do bolo tributário é determinado pela Constituição de 1988. os quais são tangenciados pelos princípios e pelas imunidades. deve ser sempre limitado. 1º. cit.Para seguridade social “stricto sensu”: CSLL-empresa (cuja base de cálculo e fato gerador são idênticos ao IRPJ). I. Nesse sentido. saúde. DL 1940/82. determinando “quantum” dever-se-ia despender para manter a máquina administrativa e para levar a cabo os objetivos colimados por cada uma das pessoas da federação. p. PIS-importador. Características da competência tributária – podem ser arroladas três: . É uma manifestação da SOBERANIA.. mas segundo critérios técnicos e jurídicos. PIS-empresa.). CONFINS-empresa. suas necessidades e suas competências legislativas e executivas (arts. punitivo. assim como outros poderes soberanos (jurisdição. 22 e ss. destinado ao Estado brasileiro e instituído pela Carta de 1988. Entretanto. 149.

não podendo o titular abdicar do tributo lhe deferido. “caput”. CF/88). Além do mecanismo da vedação. Esquematizando: RIGIDEZ DA TITULARIDADE Irrejeitabilidade Irrenunciabilidade Indelegabilidade Exclusividade FLEXIBILIDADE DO EXERCÍCIO Incaducabilidade Facultatividade - Crítica à facultatividade no exercício da competência tributária – a maioria da doutrina reputa por não obrigatório o exercício da competência tributária (parcela do poder tributário). construindo uma argumentação à parte: .Flexibilidade do exercício – apesar da titularidade ser imutável. por ter a finalidade de corrigir o desequilíbrio dos impostos e de estabelecer a justiça distributiva. porque a Constituição não impõe. 145. mesmo que seja um terceiro a título temporário (indelegabilidade).Rigidez da titularidade – distribuída a competência pelo legislador constitucional. é irrenunciável. CF/88). não tenha ainda sido efetivada pelo titular constitucionalmente estipulado (exclusividade).44 estrutura federativa e proteger as liberdades essenciais humanas. . . um titular não pode tomar o tributo de outro para si. Mas Carrazza (1991) protesta em sentido contrário. mas o faculta. O direito potestativo de instituir o tributo – desde que constitucionalmente previsto para certo titular – nunca se perecerá pelo não exercício no tempo. mesmo que a competência tributária. O titular não está obrigado a criar a exação tal qual está previsto na Constituição e na LC regulamentadora. o constituinte estabeleceu uma segunda maneira de estabelecer a limitação: a regulação de incidência. a indelegabilidade é espécie da irrenunciabilidade. o autor afirma que o legislador não tem a facultatividade. não há de se alterá-la por mera medida legislativa.Quanto às taxas. Ex. seu exercício é facultativo pelo ente legitimado (art. 150. Os limites são estabelecidos por intermédio de algumas formas: a proibição é uma delas. Além disso. Da mesma maneira. “b”. A decadência da competência tributária não se opera.: não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade) de impostos sobre templos (art. VI. O “modus operandi” de instituição do tributo é guiado “ex vi” dos princípios tributários constitucionais. . Em verdade. A competência foi distribuída ao ente federado e não lhe cabe rejeitá-lo (irrejeitabilidade). no seu exercício. A titularidade da competência tributária (de instituir tributo) também não pode ser emprestada a um outro titular.

observando um equilíbrio para com os outros. As palavras competência e capacidade possuem a mesma acepção etimológica. § 3º. “caput”. . O que os fará diferenciar-se é o tratamento jurídico conferido. porque alguns que tiveram seus imóveis valorizados e devem retornar sua parcela de riqueza acrescida ao erário67. propiciando a suficiência das riquezas para o titular. bem como para atingir metas razoáveis de gestão. remissão e anistia. Nesse passo.. a obrigatoriedade se manifesta de modo mais arraigado. porque toda renúncia de receita deve ser justificada pelo administrador69. Entretanto. arrecadatória. deverá ser reduzido. bem como subsídio. a autonomia do titular do tributo não poderia ser entendida como facultativa. previsão na LDO. Atributos formadores da competência – capacidade instituidora. Mas a inviabilidade da contribuição de melhoria quase que coloca o argumento à margem da discussão doutrinária. Instituir o imposto não é injusto. LC 101/00). Delegação ordinária de capacidade tributária de fiscalização e arrecadação (limites estritos). para evitar o enriquecimento sem causa. mas o modo de fazê-lo pode ser68. 67 . 68 Segundo Carraza. op. adaptando os serviços públicos e os respectivos tributos distribuídos. A renúncia de receita pressupõe: estimativa de impacto no exercício financeiro aplicado e nos dois seguintes. legislativa. Aliás. I e II. LC 101/00). É válido o argumento ao menos na seara teórica. 69 A doutrina majoritária entende que o referido dispositivo é sugestivo. CF/88). porque há um contra-senso entre a possibilidade de conferir melhor dignidade ao administrado e a não instituição da exação (renúncia de receita). a.. de modo a distribuir parcela de riqueza entre cada um deles. O atípico fenômeno da parafiscalidade (capacidade tributária ativa somada à deferência para administrar tributos).45 . mas não obrigatório ao legislador. Diversos princípios constitucionais sacrificam o modo de instituição e cobrança da mencionada exação. cit. 14. Se um imposto estiver com base de cálculo e/ou alíquota muito altos. fez uma estimativa estrita das receitas derivadas para manter a máquina administrativa do ente federativo. LC 101/00). incidiria também a obrigatoriedade. isenção. ao estipular cada uma das suas treze espécies. O constituinte. essas condicionantes não se aplicam na mudança de alíquota de tributos extrafiscais (II. o legislador observou histórica e concretamente a realidade de cada ente federado. a instituição do tributo não vinculado se liga especialmente à capacidade legislativa e administrativa estabelecida na própria Constituição (arts. fiscalizadora. “caput” e §§. Carrazza (1991) respalda legalmente suas assertivas na Lei de Responsabilidade Fiscal (art. IE. I e II. demonstrando que a não incidência legal vai render frutos para o ente federado competente (art. LC 101/00). crédito presumido e benefício fiscal devem seguir uma fundamentação contábil. 11. Dessa forma. 21 e ss. 14. na tarefa do exercício da competência tributária. Para estabelecer tais estipulações. IPI e IOF) nem no cancelamento de débitos cujo valor de cobrança seja maior que o montante da dívida (art. o legislador ordinário deve observar todos os tipos conferidos. fazendo um encaixe entre a atividade a ser prestada (serviço público) e os meios a serem empregados (tributos).“Capacidade tributária” como atributo formador da competência (delegabilidade X indelegabilidade).Na contribuição de melhoria. 14. “caput”. consonância com o anexo de metas fiscais e com a estimativa de receitas ou implementação de medidas de compensação (art.Para os impostos.

desde constitua tarefa não essencial e inerente ao Estado. Há duas possibilidades para a delegação: Para outro ente político.). as duas primeiras (instituir e legislar sobre o tributo) não são delegáveis – por questão de legitimidade –. ARRECADAR. Uma vez realizada a distribuição do poder de tributar. isenção. A doutrina majoritária. ativa e passiva). Nessas quatro prerrogativas. 153. mas as duas seguintes (fiscalizar e arrecadar a exação) podem sê-las. em que pese não haver necessidade de tal disposição na Carta Política. capacidade tributária ativa é o dever-poder de arrecadar tributos e ficar com o produto da arrecadação. A delegação ordinária de capacidade não pode ser confundida com a parafiscalidade. denominadas capacidades delegáveis. O art. entende que o Estado faz uma delegação atípica para as entidades parafiscais de forma plena. não podendo realizar nenhuma outra tarefa além dessa. O delegatário ordinário realiza a faina em nome do Leviatã. podem ser repassadas a um ente terceiro. Aquele que delega não fica com as receitas. anistia. dependendo do ente político que a possui originariamente. pode ser delegada por medida provisória. Tratando-se de lei ordinária. III. da mesma espécie que instituiu o tributo. Estados. Desta feita. legislar. dela fazendo parte. fiscalizar e arrecadar. sempre possui capacidade tributária ativa. Para um ente não-político – ente não-político é qualquer pessoa diferente da União. gozam de suas receitas e administram seus valores. § 4º. CF/88 (EC 42/03). etc. somente recolhendo o tributo (não pode executar e administrar os valores auferidos). No entanto. é obrigatório ao Estado.: lotérica que recebe o pagamento do IPTU.“Capacidade tributária” com prerrogativa de ser sujeito na relação tributária (material e processual. sob pena de renúncia de receita e má gestão fiscal. A capacidade tributária ativa é inerente à competência tributária. prevê um caso da possibilidade da União delegar a capacidade tributária ativa do ITR para os municípios. são conferidos determinadas aptidões para o exercício dessa competência: instituir. Já a capacidade tributária ativa é passível de delegação. DF e Municípios. porquanto está taxativamente prevista na Constituição. Quem tem competência tributária. Esta delegação é efetivada por LEI. essa delegação é realizada no âmbito de limites mínimos do poder de polícia. Ex. bastando mera lei em sentido estrito. conferindo-lhes capacidade tributária ativa (recolhem o tributo. porquanto o delegatário parafiscal passa a ser o possuidor delas. portanto. Essas últimas ações. sendo que este não pode subdelegar nem legislar sobre o tributo (conceder remissão.46 Partindo desse raciocínio. a titularidade plena da competência é estabelecida pelo constituinte. Capacidade tributária X capacidade civil. para justificar essa última. Ele atua em nome do . podendo inclusive defender seus créditos). b. inicialmente alheio à relação tributária. A competência tributária é indelegável. porque o tributo é bem público indisponível.

com ele permanecendo e administrando-o.: notários. não é delegação de capacidade. É o fenômeno da parafiscalidade. não precisa fazer licitação para contratação nem concurso para seus trabalhadores. É pessoa “suis generis”. nos termos da Lei 4320/64. possui personalidade jurídica de Direito Público. o valor a ser ressarcido pelo erário não tem natureza de crédito tributário. 24. etc. I. réu ou devedor – capacidade processual tributária passiva e ativa e capacidade material passiva. “a”. Em termos tributários. pode cobrar tributo (principalmente taxa) ou tarifa. mas não quer dizer que isso seja tributo restituído. não podem exercer a competência plena (instituir e legislar sobre exações). o ente federado do qual se descentralizou a atividade da entidade parafiscal deve legislar em seu favor. O sujeito passivo da primeira terá direito a ressarcimento proporcional. quanto à devolução de crédito tributário: . inerente e essencial ao Estado Democrático de Direito. Há crédito em seu favor. porque foi a Constituição que estabeleceu a repartição das receitas. a imunidade recíproca só se restringe a impostos sobre patrimônio. Mas particular não pode ser credor de tributo. qualquer pessoa pode ser autor. mas a volta não.Na ação de repetição de indébito. tradutor juramentado. • Pessoas físicas – é possível. não cabendo no tocante às taxas. Alguns doutrinadores. como Machado 70 Na ADIn 3026. tabeliães. chamados de pessoas formais (condomínio. Há três hipóteses de pessoas não-políticas que podem ser delegadas: • Pessoas jurídicas de Direito Público – autarquias e fundações públicas. por uma questão de legitimidade (ausência de Poder Legislativo próprio). Quem estabeleceu a repartição da capacidade ativa foi o constituinte. No segundo caso. Ex. OAB70. não há delegação nenhuma por parte do Estado. Mesmo não sendo pessoa personificada. ela não se sujeita ao controle do TCU. Dependendo do contrato de delegação. perito nomeado. sociedade em comum. as contribuições de seus associados não têm natureza tributária. porque tributo não nasce de erro de vontade das partes. arrecadando o tributo. CF/88.: INSS. mas não integra a Administração. • Pessoas jurídicas de Direito Privado – concessionários e permissionários. conquanto os preços públicos não se sujeitam à ordem tributária. as entidades parafiscais são também credores tributários. rendas e serviços (art. Há dois pontos interessantes nessa seara.No empréstimo compulsório. O Estado não pode revogar a delegação. a relação de ida (recolhimento do tributo) é tributária.47 Estado. mas não é tributário. Nesse passo. Crítica à delegação atípica – com efeito. Como as entidades parafiscais. contribuições especiais e de melhoria. o constituinte resolveu conferir-lhes titularidade para a capacidade ativa (arrecadar e fiscalizar). Nesse contexto. ente coletivo despersonalizado pode ser demandado e demandar em juízo. o STF definiu que a OAB não é autarquia federal. Sua contabilidade também não é pública. . CF/88). ou seja. Ex. Sendo assim. ato natural e característico do instituto. VI. .). Além dos entes federados. mas da lei. espólio. Fazenda Pública pode demandar em face de outra. 150. como bem preceituou o legislador no art. não podendo usar a execução fiscal para cobrança de seus débitos.

querendo tributar duas vezes o mesmo fato gerador (excesso de competência ou de autonomia). 25. a reaproximação daquilo que se separou por força do choque das placas tectônicas: seus povos. através da moeda. § 1º. p. Os Estados também têm autorização para instituir contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de seus servidores públicos (art. a 71 Globalização pode ser definida como o fenômeno jurídico. Bitributação e “bis in idem” – um ente pode extrapolar de sua competência e exercê-la de modo excessivo.Tratado ou acordo internacional – para compartilhar um “contrato” entre os Estados. 149. I a XXV. uma manifestação externa. § 1º. geralmente o país que exporta não tributa o produto na saída. persistem conflitos de competência tributária. no segundo. excedendo-se na sua autonomia. denomina-se “bis in idem”. Nesse sentido. dois entes desejam tributar o mesmo fato gerador (invasão de competência ou de autonomia). Exceções à permissão de bitributação internacional – a bitributação internacional é um entrave à globalização71. relegando à lei complementar tal tarefa (art. CF/88). em regra. Em ambos. esse não tem validade na ordem interna. Há inviabilidade da ampliação dos mercados e da própria atividade mercantil. Conflitos de competência – ainda que haja partilha do poder de tributar estabelecida pelo constituinte. II. enquanto a bitributação. CF/88. desde que o serviço não seja local (art.Imunidades na exportação – por questão de costume internacional. enquanto a soberania. afirmam que o “bis in idem” diz respeito ao primeiro. CF/88) nem da União (art. CF/88). . V. no momento em que há franquia para estabelecer IEG sobre fatos imponíveis já previstos para outros tributos (SABBAG. 63). dentro de suas Constituições. 30. Dessa feita. A bitributação foi excepcionalmente autorizada pelo constituinte no art. Entretanto. . vez que o sistema dualista doméstico permite que os representantes do povo analisem o tratado firmado pelo chefe de Estado ou por seu plenipotenciário. não concordam com assertiva. Alguns autores. social e econômico que tenta fazer. Alberto Xavier também elenca uma terceira situação: quando se refere a exações sobre o comércio internacional (bitributação internacional) – IE na saída dos produtos e II na entrada em país diverso. Há duas formas de atenuar ou eliminar a bitributação internacional: . seus costumes e seus mercados. CF/88. de modo a reduzir as barreiras tributárias. A competência residual para taxa é deferida aos Estados. não se cuida – e não deve fazê-lo – a Constituição de solver os choques dessa natureza. ao segundo. a maioria dos países veda. a autonomia diz respeito ao exercício de um poder interno. Eles poderão instituí-las. 146. CF/88). Não se trata de mitigação da soberania. afirmando que o valor teria natureza de exação. bitributação. Tanto “bis in idem” quanto bitributação são. 21. 2004. a teor do art. I. porque cada Estado possui soberania (duplo exercício livre de soberania). político. há uma tributação dupla sob a mesma ocorrência fática: no primeiro caso. Se o Legislativo não acolher o tratado.48 (1993). utilizando essa nomenclatura. Essa prática não é proibida. 154. porquanto somente aí há conflito de competência. Paralelamente. vedados.

§ 2º. “a”. afirmando que o fato gerador é a importação (entrada de mercadoria e não necessariamente a circulação. porque se tratam de competências distintas. porque lhe ausenta um dos requisitos: a transferência econômica do domínio. acrescendo-se. Há uma cisão da posse: a direta fica com o arrendatário e a indireta. o STF garantiu a não-incidência do ICMS nas importações realizadas por pessoas físicas e jurídicas. ocorrendo a mesma hipótese de incidência do fato típico do II. a LC 87/96 (art. § 3º. A doutrina chama essas três vedações ao poder de tributar de imunidades do exportador. 149. 155. II. Para legitimar a cobrança do imposto. 72 Em tese. “a”. no seu início. 153. Com efeito. o Excelso Pretório estendeu o ICMS a uma modalidade de importação. IPI (art. Mas a regra anterior continua vigorante no Excelso Pretório (RE 461968/SP. há um autêntico “bis in idem”. No entanto. No Informativo do STF nº 455. Com a EC 33/01 (art. a corte firmou entendimento. Por se tratar de situação excepcional. Min.49 incidência de exação nas operações de exportação. que a operação de “leasing” internacional. prevalecendo. a73 STF. § 2º. Há atividade de mercância. 155. 154. mediante a ocorrência de determinada condição – a guerra. o IPI é devido porque houve alteração substancial da matéria. para o acórdão Min. os quais. § 2º.“Bis in idem” nas operações de importação (ICMS. com o arrendante. a expressão “até a vigência da EC 33/2001”. Ellen Gracie.2006). Nessa mesma seara. . para que seja garantida a reciprocidade em nível de estabilidade máxima. Para evitar que o ICMS dos Estados incidisse indevidamente sobre as operações de “leasing”. até 2001. 30. o constituinte deixou isso claro no art. CF/88. em que coexistem uma locação e uma promessa de venda (e não de compra). pois autorizou a criação a CONFINS-Importação (art. Informativo do STF nº 469). rel. 146. De fato. com a redação dada pela EC 3/93. conquanto em situações ímpares. II) – na verdade. afirmando que os importadores custeariam a seguridade social. § 2º. DJU de 1º. IX. RE 206069-SP. vedou tal prática. CF/88. o IEG não está sujeito ao princípio em tela (art. e Lei 10865/04). III. as quais não exerciam atividade importadora de mercância. não importa em fato gerador do ICMS. de modo pacífico. em que os bens importados fazem parte do patrimônio imobilizado da empresa. rel. Min. Na mesma esteira. A EC 42/03 alterou o prospecto. Nesse sentido. Nesse caso. porque a ICMS de importação passou a incidir sobre todas as pessoas. Exceções à bitributação e ao “non bis in idem” no âmbito interno – podem ser arroladas duas situações: . Sobre o contrato de “leasing” interno não incide o ICMS.Bitributação quanto ao IEG – na competência extraordinária da União. por coincidência.5. IPI. CF/88). com fulcro na competência distribuída pelo art.2007. em verdade. 155. 195. porque a exação em tela e o II têm o mesmo fato gerador. CF/88) e contribuições sociais e CIDE (art. I. CF/88). 155. CF/88).9. o STF73 entendeu que cabe ICMS no “leasing” internacional74. IV. essa idéia não impera. o II é devido pelo ingresso de produto do estrangeiro para o Brasil. na prática. 3º. VIII). com atividade organizada) e transferência de domínio (alteração da titularidade de bem a título oneroso). “a”. CF/88). pelo qual entendeu que a bitributação é constitucionalmente autorizada. há três fatos geradores diferentes. “a”. não há de se falar em não-incidência da exação (RE 206069/SP. ocorrem no mesmo contexto fático. em regra. na linha do que vinha decidindo o STJ. o ato de importar não se adequaria à matriz reveladora da circulação de mercadoria. O ICMS é devido porque há circulação de mercadoria72. a outra está constitucionalmente autorizada. não há invasão ou excesso de competência. IX. Informativo do STF nº 399. 74 A circulação. mas não transferência. Assim é o Brasil: ICMS (art. . Eros Grau. esse entendimento do Excelso Pretório ficou esvaziado. a incidência de ICMS sobre tal espécie de fato gerador. “in fine”. independentemente da finalidade do bem importado. III. a redação de sua Súmula 660 foi emendada (4 Ago 2004). pressupõe: operação de mercância (mercadoria que se aliena com habitualidade. II. com lucro. como está no art. o “leasing” é um contrato híbrido. Há um duplo exercício de autonomia: uma está presente de modo ordinário. CF/88. rel. CF/88). Esse posicionamento não é absoluto. a qual versa sobre o ICMS. X. como fato gerador do ICMS. Marco Aurélio.

não abarca o ato do executivo dado por decreto. I a VII. No mesmo diapasão. I. costumes e jurisprudência.Fontes primárias – são as leis. 150. Esse aparente contra-senso é aduzido pela própria função do CTN. VI. regulados respectivamente pelos arts. Os decretos deveriam ser considerados como fonte secundária. traz o princípio da tipicidade. Esse visa preencher eventuais lacunas no Texto Constitucional. doutrina. resoluções do Senado. do sujeito passivo (elemento subjetivo). CF/88. Dessa forma. O art. A doutrina encarregou-se em hierarquizá-las segundo a seguinte classificação: . a doutrina majoritária. O art. Dentro do Direito Tributário. . Em verdade. CF/88). sendo que a majoração pura simples depende de lei estrita76. CF/88 (redação dada pela EC 33/01). tanto interno quanto interno. em seu bojo. 2006. CTN. o legislador reforçou essa idéia no texto do próprio art. CTN). II. com certeza. 97. § 4º. sem ter como base um diploma legal. Atlas. dando um “norte” para a atividade do legislador ordinário. decretos legislativos. o princípio da legalidade tributária. 97. a redução de CIDE-combustíveis também independe de lei. 96 a 112. O setor energético tem uma repercussão altamente sensível na estabilidade dos mercados. 98 e 99. 84. 5º.50 FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO (art. Veja que a alteração das alíquotas dessa última exação só é possível para reduzir ou para restabelecer. A regra do art. Em contrário senso. CF/88. Além desses parâmetros. Nesse sentido. Tanto isso é verídico que a mesma EC 33/01. III e IV. decretos e normas complementares. a Constituição não ventila a possibilidade de reduzir tributo somente por meio de lei. dentro do sistema constitucional posto. também permitiu a incidência de ICMS sobre a circulação de energéticos comburentes entre Estados. 97. a base de cálculo e alíquota (elemento quantitativo).. admite o decreto executivo autônomo nas hipóteses do art. MP e EC podem ser incluídas no rol das fontes primárias. CTN. Direito Administrativo. CTN. Exceção à regra da legalidade estrita. tratados internacionais. 146. IPI e IOF) e ao IEG. tal qual está no art. 97. CTN. CTN) – segundo a Teoria Geral do Direito. a definição do fato gerador (elemento objetivo). lembra Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 19ª ed. CF/88. 97. II. não poderá ser autônomo. ou seja. que autorizou a instituição da CIDE-combustível. São Paulo. ao contrário do art. 96. IE. 76 Essa medida se funda na importância do setor de combustíveis no giro da economia global. traz o chamado princípio da legalidade. o decreto executivo. os tratados internacionais e até mesmo os decretos. traz. CTN. começa a delinear o objeto em estudo ao definir o que é legislação tributária: leis. No entanto. 177. o ditame também abarca o número de vezes do pagamento do tributo (elemento temporal) e o 75 No âmbito do Direito Administração. é válida e aplicável a previsão do art. como LC que é (art. assentada em posicionamento firmado pelo STF. “b”. quanto à majoração da exação. suas fontes principais são: lei. tal qual está expresso no art. exigindo-se lei para reduzir o valor dos tributos. o qual espancou definitivamente o decreto autônomo no campo tributário75. O art. CTN. 99. o qual. II. em uma interpretação conforme a Constituição (art. CTN. se defere somente aos impostos extrafiscais (II. Dessa feita. porque devem se limitar a regulamentar a lei em sentido estrito. 59. II. há necessidade de adaptar o postulado ao estudo da matéria em análise. “a” e “b”.

exclusão e extinção – além da dispensa ou da redução de penalidades. o Supremo deu vezo ao primado dos tratados sobre a legislação interna. consoante o preenchimento dos requisitos do art. Celso de Mello. a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do futuro CTN incluiu o citado art. VI. Estando nessa seara. afirma que somente a lei pode determinar sanções tributárias. o ar. “caput”. Não é uma posição pacífica na doutrina. a tipicidade garante a segurança jurídica. O STJ entende que legislação interna não pode revogar tratados-leis.11. o pacto traz um regramento próprio no procedimento a ser estabelecido. Dessa feita. Com efeito. 98. afirmando que a especialidade só vale quanto à legislação anterior.1997. resolvendo-se os demais entraves pela cronologia. CTN. não sendo aplicado a outras situações. 49. mesmo a despeito de eventuais sanções na ordem internacional a serem sofridas pelo Brasil. Em verdade. quando da edição do CTN. configurando a relação jurídica-tributária. Plenário. Min. 181). os acordos não revogam a legislação interna – porquanto prestam a minorar a bitributação internacional e a estabelecer cooperação no poder de polícia. O art. tal qual a redação do art. 98 na esteira da jurisprudência do Excelso Pretório (AMARO. rel. enquanto os demais constituem o conseqüente normativo (modo de incidência normativa). V. o STF entende. 14. 77 O Supremo entende que esse tipo de tratado tem o “status” de lei ordinária: STF. no tocante à matéria tributária. No entanto. CTN. O art. vige o regramento específico. dispõe que a legalidade deve imperar sobre a exigibilidade do crédito tributário: suspensão. complementando a legalidade.5. Não há revogação pela incorporação do tratado no ordenamento doméstico. CTN. fazendo com que a disposição daqueles. O elemento material é o antecedente normativo (hipótese de incidência normativa). 28. CTN. Nesse sentido. com base no art. O tratado deveria colimar a atuação do legislador posteriormente. porquanto as relações por ele abrangidas não poderiam ser modificadas por norma interna posterior. geralmente diverso da legislação ordinária anterior77. deveria ser coercitivamente observada pelo legislador doméstico. DJU 30. “in fine”. 98. 97. que o CN pode alterar o acordo unilateralmente. A soberania interna prevalece. por disposição normativa própria. O dispositivo contém impropriedades terminológicas. I e II. os quais trazem à baila autênticas normas de Direito Internacional Público. CF/88.1997. O STJ faz uma leitura semelhante. p. Ademais. O legislador é único que pode fazê-lo. se refere dos tratados internacionais.51 lugar do adimplemento (elemento espacial). 2006. Em um primeiro assunto. a renúncia de receita depende de autorização legislativa prévia. o que não se aplica quanto aos tratados-contratos. LC 101/00. porque a aparente antinomia é solvida pelo critério da especialidade: para os países signatários – inclusive o Brasil –. j. Ext 662-2. porquanto o dispositivo em comento é um rol sugestivo e não exaustivo. . I. 97.

orig.Fontes secundárias – compõem-se das chamadas normas complementares. CTN. CTN. 6. quando contemplado com esse favor o similar nacional”. isso não é possível (art. 80 Súmula 575 do STF: “À mercadoria importada de país signatário do GATT. apesar de encontrar muitos adeptos na doutrina jurídico-tributária. em um autêntico ato de soberania. ou membro da ALALC. versa sobre a possibilidade da União conceder isenções quanto a tributos estaduais e municipais. STJ. rel. I. STF. Na vigência da atual Constituição. 79 Em matéria de tributação municipal. E se o Brasil assinar tratado internacional que venha nesse sentido? A possibilidade persiste. A heteronomia diz respeito à autonomia e não à soberania. é possível a concessão de isenção a uma exação municipal por convenção internacional em homenagem à soberania nacional.2007. instruções normativas são normas complementares que visam especificar as medidas normativas primárias. constituindo regra a ser observada pelo aplicador do direito (art. esse argumento não subsume à situação em apreço. Essa prerrogativa era factível na ordem constitucional anterior (EC 1/69). Essas visam completar as fontes primárias. entram em vigor na data de sua publicação. Ademais. RE 229096/RS. ocorre que a União representa o Brasil na celebração de convenções internacionais. 100. a incorporação do pacto só é possível depois da ratificação parlamentar. nos exatos termos do art. a tese do professor Carraza (1991) não vigora. Cármen Lúcia. estende-se a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias concedida a similar nacional”. o STF entende dessa maneira. 78 Nesse passo. Dessa forma. p/ o acórdão Min. A teor do art. porque o Presidente da República. As Súmulas 575 do STF. Entenderam as cortes que o ditame da reciprocidade deve imperar nesses casos81. . CTN.9. VIII.. Atos administrativos – portarias.8. vedando-se a isenção heterônoma.2005. Súmula 20 do STJ: “A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM. não utiliza terminologia adequada ao estabelecer a isenção heterônoma em acordo internacional como exceção à vedação. 98. Apesar de não haver precedente jurisprudencial. Súmula 71 do STJ: “O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM”. cit. rel. Por uma questão de opção do legislador. pois a firmação de acordo é manifestação da República Federativa do Brasil. esse não está adstrito ao seu texto se houver infringência das normas primárias. Todavia. CF/88). porque qualquer ente federativo não pode invocar isenção heterônoma nessa. 100. Machado. 84. dispositivo que deve ser concatenado com o art. j. nesta tarefa. CF/88).52 Questão que também se coloca quanto ao art. em que pese não haver opinião do legislativo municipal. sendo essa incontrastável. Ao contrário do que apregoa Carraza (1991). CTN). . 16. rel. 103. j. tanto quanto reciprocamente: cada ente só pode conceder isenções dentro de sua competência tributária. Informativo do STF n° 476. III. Min. em que se encontra a câmara representativa dos Estados-membros: o Senado79. 81 No mesmo sentido. circulares. Ilmar Galvão. em termos de vigência. I. Plenário. Os precedentes normativos dos tribunais superiores advieram principalmente dos acordos do GATT. atua como chefe de Estado (art. 153. salvo disposição em contrário. CTN. 20 e 71 do STJ80 já pacificaram o posicionamento. 103. Luiz Fux. Todas as pessoas políticas devem reverência à soberania do Estado brasileiro78. Min. op. inicialmente sobre a importação de bacalhau. REsp 480563/RS.

não poderá o aplicador do direito lançar mão desse critério para conceder dispensa de pagamento da exação (art. VI. CTN. 108. Vigoram a partir da data estatuída no seu instrumento de veículo (art. . surtem reflexos jurídicos 30 dias depois de sua publicação. 108. III. I e III. 107 a 112. CTN. 108. etc. A renúncia de receita por equidade não é possível. mas não podem levar a reflexos tributários diretos. Princípios gerais de Direito Público – uma vez que os anteriores restem insuficientes. decadência. 100. Analogia – aplicar decisões anteriores a casos semelhantes é o meio integrativo primário da legislação tributária. 103. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA (arts. Observa-se que o termo “práticas reiteradas” é uma expressão jurídica indeterminada. recorre-se a uma seara mais ampla. CTN). § 1º. 97. mas não sobre os efeitos tributários (art. Ressalvada estipulação ao reverso. Como são formadas gradativamente. 108. CTN: I. segundo uma ordem peremptória. CTN).53 Decisões do órgãos julgadores administrativos – podem ser alçadas à eficácia “erga omnes”. CTN) – as questões sobre o preenchimento de lacunas da legislação tributária são resolvidas segundo os critérios do art. Convênios entre os entes federados – também podem constituir fonte do Direito Tributário (art. § 2º. CTN). IV. III. não há de se falar em termo inicial de vigência. III. No entanto. Os princípios de Direito Privado são necessários para definição dos institutos a ele afetos. II. CTN). Visam uniformizar um regramento comum entre conveniados. para criar um campo de intersecção nas diversas legislações tributárias. CTN). Princípios gerais de Direito Tributário – preconiza a aplicação de um interpretação sistemática em face dos comandos implícitos na norma tributária. No exercício da capacidade tributária ativa. 100. CTN. 109. 97. Mas a analogia não pode se prestar à criação de um tributo frente a uma situação assemelhada (art. IV. Os convênios tributários têm o condão de ampliar a incidência do princípio da territorialidade. de acordo com os incisos do art. porque haveria infringência à legalidade e à tipicidade tributárias (art. devendo ser verificado o caso concreto em análise. desde que exista uma lei posterior que assim disponha (art. sob pena de arranhar a legalidade aduzida no art.: empresário. mormente no tocante ao poder de polícia (fiscalização). é um misto de costume e de ato normativo. prescrição. Práticas reiteradas da Administração – o art. elas podem ser configuradas como fonte tributária. São os seguintes. CTN). os quais serão analisados sucessivamente. Ex. locação. I a IV. Equidade – é o valor maior da justiça. 100. prestação de serviço. CTN). são conceitos de Direito Privado. II.

O STF82. No segundo caso. É exatamente esta idéia que não pode ser alterada pelo legislador tributário. O art. CTN. contestou-se a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis. decidiu favoravelmente aos contribuintes. Nesse sentido. tal qual a redação do art. “a”. na realidade. CTN. mas sua utilização neles leva a uma certa concepção. Em contrário senso. E mais: deve existir conduta que seja verdadeiramente uma prestação de serviço. Dessa forma. pode ser analogamente comparado ao princípio penal “in dubio pro reo”. não abarcando o conceito de obrigações acessórias e muito menos a idéia de crédito tributário. RE 116121. O conceito privado de mercadoria foi criado em uma época que não contemplava a realidade hodierna.54 O art. cit. se referem à interpretação da norma tributária. São os casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (arts. porque preconiza a aplicação do STF. CF/88. 112. 175 a 182. devendo ser utilizada em situações específicas. Nessa última. Nesse caso. há uma extrema exceção. 156. CTN) e de dispensa de exigibilidade de obrigações acessórias83. de exclusão da exigibilidade tributária (arts. o alcance e a forma de elementos de Direito Privado. estar-se-ia diante de uma obrigação de dar. op. o qual preconiza a tributação nesse sentido entre os entes federados. não sobre prestação. os advogados postularam que o artigo não é mercadoria corpórea. bens e serviços). Não é a melhor técnica a ser empregada pelo operador do Direito. Dadas recentes mudanças na composição do STF. CE e Lei Orgânica) e definidores ou limitadores de competência tributária. não se fazendo a incidência da exação sobre a operação em tela. as procuradorias municipais advogaram que a exação incide sobre serviços. porquanto até mesmo o CC disciplina de modo diverso o contrato de locação e de prestação de serviços. dispõe que não se pode alterar o conceito. a imunidade recíproca (art. 150. devendo ser adaptado à atualidade. diversa daquela deseja pelo legislador. O primeiro determina uma exegese gramatical sobre as matérias nele vinculadas. 111 e 112. com apenas um voto de dissidência. III. 110. Os arts. como aquelas apresentadas na disposição do legislador.. seguindo tal orientação. no rol de lei municipal. as quais determinavam a incidência de ISS sobre locação de móveis. porquanto não havia previsão nesse sentido na relação de serviços contida na LC 116/03 e. esse entendimento pode ser alterado. por se tratar de questão muito mais administrativa que tributária. Sua interpretação extensiva pode levar à criação hermenêutica de uma outra exceção. o Excelso Pretório declarou inconstitucionais todas as leis municipais nesse sentido. desde que expressos nas Leis Maiores (CF. vez que se liga ao poder de polícia estatal. em votação folgada no Plenário. não importando se inexiste uma concreta prestação de serviço. É o que leciona Carrazza. sendo remunerado pela correspondente prestação. É possível citar dois casos: mercado eletrônico interestadual de “download” tributado por ICMS e ISS sobre bens móveis locados. VI. 83 82 . a locação não estaria aí englobada. Pleno. A obrigação de dar estaria englobada pelo conceito de serviço. A definição do instituto privado não precisa estar erigido nos referidos diplomas. 151 a 155-A. CTN. CF/88) só alcança alguns impostos (sobre patrimônios. tal qual se define por seu conceito aduzido do Direito Privado: obrigação de fazer por meio da qual alguém deve realizar algo em favor de terceiro. No primeiro caso. CTN). porque.

142. dessa forma. prescrição (art. 118. dispondo sobre as seguintes matérias tributárias. 112. CTN) e a econômica (art. 146. Ex. III. IV. a qual encontra-se atualmente em vigência (LC 123/06). O art.Regular a limitação do poder de tributar. III. “in fine”. Ex. traz três modalidades de interpretação da lei tributária: a literal (art. segundo os pontos previstos nas alíneas: a. Dessa feita. CF/88. CF/88. Conflito de competência tributária entre entes federados. Essas disciplinas estão perfeitamente delineadas na LC geral (CTN). 146. CTN). O parágrafo único do art. b. No entanto. II. pois dificultou sua aprovação no CN (LC). lançamento (art. CF/88). Lei Complementar – em matéria tributária. CTN. CF/88.: “leasing” interno não é tributado. os grandes empresários fizeram “lobby” em sentido contrário para evitar que os pequenos fossem favorecidos. Seria uma medida legislativa a desburocratizar a tributação e a 84 84 55 O CTN. 94. é necessário firmar posição de que não cabe MP em matéria veiculada por LC (art. 62. 69. crescendo e com eles fazendo concorrência. interpretação benéfica. Estabelecer normas gerais em legislação tributária. . 113. 146. etc. os regimes “Simples” instituídos foram revogados pela LC regulamentadora (art. abriu possibilidade para instituição de um sistema único de arrecadação. configurando real manifestação da maioria dos representantes do povo (art. CTN). A tendência foi acolhida pela ordem constitucional de 1988. isonomia. ADCT). nos casos de infração ou de cominação de sanção tributária. 173. incorporando o princípio “non olet”). A LC veio a lúmen pela Carta de 1967. está nesse âmbito. Estabelecer normas gerais mais benéficas a empresas de pequeno porte e microempresas (acrescido pela EC 42/03) – o legislador visou fomentar os empresários pequenos. ainda melhor que o atual “Simples”. em razão da necessidade de expressão da vontade majoritária do legislador para quebrar a facilidade de aprovação de um diploma ordinário. Tratamento mais benéfico às cooperativas – para estimular o cooperativismo. § 1º. Como pressuposto. “a”. formando a base do “Super Simples”. CF/88). CTN). 111. à guisa de convênios possíveis e existentes. c. 146. fato gerador e sujeito passivo).dispositivo mais benigno ou favorável ao administrado. 174. consideradas mais relevantes pelo constituinte: I.: redução de tributos. crédito tributário (art. 139. a intenção de facilitar a vida dos destinatários acabou por quase que inviabilizá-la. CF/88 (base de cálculo. e se deve à unicidade no âmbito nacional. Perfil dos tributos – o princípio da tipicidade quanto aos impostos está delineado do art. Estrutura obrigacional-tributária – as definições de obrigação tributária (art. CTN) estão contidas no dispositivo. Com efeito. CTN) e decadência (art. a mais benigna ao contribuinte (art. sua função está perfeita no art. CTN).

A partir da caracterização concreta de todos seus critérios. a serem adaptados à realidade cada ente federado ou região. critica a expressão “fato imponível” assim como fato tributável. a teoria dos planos de tributação: um abstrato – constituído pela hipótese de incidência – e outro concreto – formado pela efetiva ocorrência do fato gerador. O diploma não ofende a isonomia quanto às demais empresas. não sendo lícita a retenção. A arrecadação será obrigatoriamente centralizada.. quando da ocorrência real do fato imponível86 – termo “a quo” dela. Extinção (art. . visto que as MEE’s e as EPP’s não se encontram no mesmo nível econômico. 146. capitaneada por Jarach. o fato gerador e os aspectos subjetivos – sujeito ativo e sujeito passivo (solidariedade. Direito Obrigacional Tributário ESTRUTURA DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA (arts. que muito o utiliza. CTN). A doutrina. “d”. A sistemática. também citado por Amaro. op. O sufixo “-ível” dá a idéia de ocorrência futura. Foi instituído pela LC 123/06. compara o conceito de hipótese de incidência com o tipo criminal. é possível aduzir a seguinte explicação: Crédito Tributário (art.O regime será opcional aos contribuintes. inserta na norma. citado pelo primeiro. expressões aduzidas de Aliomar Baleeiro. CTN). uma mera descrição sugestiva de uma futura conduta que pode ou não ocorrer.. com dimensões continentais. Em verdade. 175. . CTN) – engloba a obrigação tributária.56 otimizar a arrecadação e a fiscalização tributária das ME’s e EPP’s. op. . 85 . Esquematizando. bem como da possibilidade de fiscalização compartilhada (poder de polícia). Quando se diz que a obrigação tributária tem como traço o fato de ser “ex lege”. CF/88. no entanto. domicílio e lugar do pagamento). erigindo a chamada tipicidade tributária. 156. o legislador complementar criou o “Super Simples”. Na esteira do que previa o art. algo que ainda não se sucedeu.O repasse deve ser imediato. 259. temporal e espacial. 86 Amaro. A lei estabelece os parâmetros da hipótese de incidência: aspectos subjetivo. CTN. 258. III. quantitativo. o objeto de crítica advém da doutrina espanhola. de acordo com o espírito colimado pelo constituinte. cit. nesse passo. cit. A hipótese de incidência é uma previsão abstrata. p. 139 a 141. deverá obedecer aos seguintes limites: .Previsão de um cadastro único de contribuintes. capacidade tributária.Devido às diferenças geográficas e consuetudinárias do país. A obrigação tributária nasce da subsunção do fato (pragmático) à norma. criando um sistema simplificado de tributação no âmbito de todas as pessoas políticas. Essa colocação não coaduna com o conceito de fato gerador. CTN). e parágrafo único. por tal previsão. Exclusão (art. Ela nasce da Paulo de Barros Carvalho estabelece. fica materializado o fato gerador85. o legislador pode estabelecer procedimentos diversos em cada local. 113. afigura-se que ela independe da vontade do sujeito passivo. Obrigação tributária – está inserta no art. 113 a 127.

em realidade. Ademais. o que torna a exação na “volta” como injusta dentro da ordem jurídico-tributária em sentido amplo. “animus” de realizar um outro ato jurídico bilateral. Do mesmo . consubstanciado condição suspensiva (art. a exação incide desde já. configura-se o fato gerador e. mas sim a transmissão escritural “inter vivos” e onerosa. porque persiste simples retorno ao “status quo ante”. 121.57 lei e será devida mesmo sem a colaboração do devedor. arrematação em hasta. haveria incidência dos respectivos tributos? A jurisprudência ainda não se pacificou. Produzido o previsto na lei. a tributação não terá vez até que a condição seja efetivada – não sendo exigível a obrigação tributária porque. visto que há verdadeiro encerramento da compra e venda anterior. Tanto a reversão quanto a retrovenda são cláusulas acessórias ao negócio principal. 127. é necessário aduzir o exemplo clássico da compra e venda com retrovenda (ITBI municipal) e doação com cláusula de reversão (ITCMD estadual). No segundo caso. não havendo de se cogitar sua causa. o fato gerador do ITBI é a mera transmissão de direito de propriedade. no primeiro. por conseqüência. transmissão é a simples alteração da propriedade. de capacidade econômica objetiva. a condição implica em efeitos futuros. Acontecendo a condição resolutiva (retrovenda ou reversão). Já na retrovenda. Fato gerador condicional (art. a qual pode ensejar a suspensão da eficácia do negócio – evento futuro incerto (art. enseja mandado de segurança contra o registrador do CRI – exigir o tributo é fato independente da mera translação do imóvel. I. como ocorreu o fato gerador.: compra e venda pode gerar a obrigação de recolher ICMS ou ITBI. I e II. independendo de implementação ou não da condição (art. O que persiste é a conclusão do anterior. o fato gerador ainda não se deu (art. Destarte. Incide o imposto na “volta” – no ITBI. fica perfeita a obrigação tributária. Entre as diversas condutas possíveis para o fato gerador. a retrovenda não implica em uma verdadeira transmissão. o negócio pode estar produzindo os efeitos desde já. CC). o fato gerador do ITCMD é a doação. No plano ponteano da eficácia dos fatos jurídicos. não há essa real mostra de potencial financeiro. CC). como o negócio não produz efeitos. 117. como seu pressuposto. Do contrário. Com efeito. indo até determinado evento futuro e incerto. dentre seus elementos acidentais. quando deixará de fazê-lo (condição resolutiva – art. CTN) – exige um estudo prévio sobre o negócio jurídico do Direito Civil. CC). mesmo no STJ. porque o preço é devolvido ao alienante original. Na reversão. CTN). Não há novo consenso. Seu negócio “inter vivos” pode ser uma compra e venda. etc. 117. 125. O imposto deve incidir sobre a efetiva demonstração de riqueza. CTN). 117. O fato gerador não é a compra e venda. perfazendo DUAS CORRENTES: Não cabe a exação na “volta” – não persiste novo negócio jurídico – nova doação ou nova venda. a condição pode estar abarcada pelo fato gerador. não persistindo nova transação negocial. Em ambos os casos. o que torna a defesa fácil. II. Ex. A cobrança no momento do novo registro. ele pode constituir um negócio jurídico. permuta. a doação de um carro pode fazer incidir o ITCMD.

tido em decorrência da necessária fiscalização a ser realizada. proibir a elisão fiscal. com menor propriedade. CTN). quando as partes queriam praticar outro ato. CC. É devida mesmo a despeito do não pagamento do tributo. 167. A Fazenda Pública tem tentado. 116. não existe tal diploma.: ao invés de realizar uma compra e venda de um imóvel de alto valor. mesmo porque possui caráter autônomo. porquanto é de eficácia limitada. As obrigações acessórias. de seguir o principal (art.58 modo. Em verdade. 59. que garante a tributação sobre o fato gerador sob cunho objetivo. I e II. CTN. 87 . tal qual já foi comentado em oportunidade anterior. a qual consubstancia atividade flagrantemente ilícita (evasão fiscal). porquanto se trata de verdadeira simulação de fato gerador e. mesmo a despeito de não realizar o objeto da empresa. as quais possibilitam a descaracterização do fato gerador – apesar de sua ocorrência de fato. para Ricardo Lobo Torres. Cláusula geral antielisão (art. desde que não se possa aproveitá-lo de outra forma. o que implica em impossibilidade de aplicação. por opção política. 116. Em verdade. dentro do plano da validade. o legislador. CTN. 118. porque o argumento se enfraquece ante o fato gerador (“doação”). Dessa feita. Atualmente. a cessão de riqueza é o principal escopo da relação em pauta. parágrafo único. o dispositivo necessita de regulamentação por meio de lei ordinária. estão especificadas no art. Elemento objetivo (prestação tributária) – além do pagamento em si – o que inclui as penalidades tributárias. as partes constituem uma sociedade empresária. parágrafo único. apesar de legal87. O dispositivo considerou de tal gravidade o vício social que o inquinou de nulidade. persiste uma relação tributária material ou substancial – de pagar – e outra formal A definição de negócio jurídico simulado e suas conseqüências. Com tal intenção. revelam o exercício do poder de polícia do fisco. conseguintemente. dissolve-se sociedade. Ex. não se admitindo perquirir suas causas. para não recolher o ITBI correspondente. Essas atuações são traduzidas pelo chamado planejamento tributário ou elisão fiscal. CTN) – além da própria fraude tributária. Muitas condutas não estão expressamente proibidas pelo ordenamento. sendo certo que o alienante ingressa com o capital imobilizado e o adquirente. CC/1916). a doação não deve ser excluída da exação. No entanto. podendo ser declarado de ofício pelo julgador e suscitado a qualquer momento processual. a redução da carga tributária. é possível reduzir a tributação por meio de práticas de supralegalidade. prática de caráter ilícito. em que pese haver outras prestações a serem implementadas pelo contribuinte: são as obrigações acessórias (assessoram o credor na atividade de tributação. por conseqüência. mas não de direito – e. conhecidas como deveres instrumentais. considerou o negócio nulo. ao longo de anos. como no caso de alíquota zero ou de isenção (art. por meio da LC 104/01. com o valor líquido do preço – algum tempo depois. informando-o acerca do pagamento do tributo). há outras obrigações a serem cumpridas pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária. Não é acessória no sentido do direito privado. 194. ambos os casos fundam-se no princípio do “non olet”. De fato. foi acrescido o parágrafo único ao art. Interpretação objetiva do fato gerador (princípio do “non olet”) – a interpretação econômica a ser impelida pelo fisco encontra fundamento no próprio art.

100. convertida em sanção pecuniária. a penalidade. 113. Mas essa competência pode ser delegada. Aspecto subjetivo (sujeitos ativo e passivo) – sujeito ativo tributário é aquele que detém a capacidade tributária ativa. mas a capacidade tributária ativa sim. CTN). de sobre ele legislar. 88 . determina que o não cumprimento dessa leva ao nascimento de uma obrigação principal (sempre positiva de pagamento). a obrigação acessória ainda persiste. CTN. A obrigação acessória instrumentaliza a obrigação tributária principal. 113. CTN. No entanto. CTN. Dentro de um controle de proporcionalidade e de razoabilidade. a imposição da multa administrativa atinge o objetivo de desencorajar o descumprimento da obrigação acessória. A primeira está descrita no art. Obviamente que essa nova figura não terá Poder Legislativo. CTN). § 3º. decorrente do seu descumprimento (art. CTN). tal qual a defectiva letra do art. em parte. ainda que administrativa. necessariamente não envolvendo entrega de dinheiro. a uma pessoa autônoma. o art. de fiscalizá-lo e de arrecadá-lo (capacidade tributária plena). I a IV. Aliás. advindo necessariamente de lei. CTN. CTN) –. Dessa feita. Nesse caso. Em suma. caracterizando a capacidade tributária ativa. A criminalização da atuação do contribuinte somente se dará em situações mais graves. 113. decisões administrativas e convênios – art. 97. costumes administrativos. segundo as necessidades de cada ente. podendo ou não ser dispensada pela autoridade fiscal. A infringência da norma procedimental (obrigação não pecuniária). deverá ser prevista em lei em sentido estrito (art. implicará em um pagamento duplo: da obrigação principal. “Legislação tributária” compreende toda e qualquer norma que diga respeito a tributo: leis. deferido pela Constituição ao Estado brasileiro (República Federativa do Brasil). mas a obrigação principal. O art. A repartição do poder de tributar (competência). 115. § 1º. Dessa forma. as quais dependem de potencial para exarar leis em sentido estrito. podendo incluir o tributo e a multa. O crédito tributário engloba ambas as categorias. porquanto não há “conversão”. e da obrigação acessória não cumprida. compreendendo prestação positiva ou negativa por parte do sujeito passivo (art. V. a serem escolhidas pelo legislador. tratados internacionais. “caput”. não sendo necessário tipificar criminalmente a conduta. fornecendo subsídios para que a autoridade fiscal exerça sua cobrança fiscalizatória. justamente para imprimir caráter coercitivo à obrigação procedimental (positiva ou negativa). Os procedimentos são determinados por norma infralegal – a qual é englobada pelo conceito de legislação tributária (art. sendo um conceito mais amplo que o tributo. a qual não foi propriamente adimplida. esses últimos recebem parcela do poder de tributar. decretos e normas complementares (atos normativos administrativos. § 3º. CTN).59 ou procedimental – de informar o fisco segundo as estipulações previstas na norma. fato esse que a impede de operar as duas primeiras ações – instituir e legislar –. Já a A obrigação acessória será estabelecida por fontes secundárias. 113. as delineia. 96. a competência tributária não é delegável. no seu § 2º. § 3º. 113. a segunda. Com efeito. englobando um rol mais amplo que dos entes com competência tributária (U-E-DF-M). portanto. a obrigação principal é de pagar. prevista na legislação “lato sensu”88. A sanção pecuniária do poder de polícia administrativo visa inibir a frustração da fiscalização. defere-lhe a capacidade de instituir o tributo. elas poderão deter o dever-poder de fiscalizar e de arrecadar somente. só é estipulada por lei.

em que pese disposição cristalina do art. ferindo a isonomia e a ordem tributária constitucional. salvo disposição legal em contrário. 13. CTN). CF/88. “caput”. O inadimplemento do IPTU faz o fisco municipal insurgir em face de somente um deles. op. essa já se encontra esgotada. Nesse passo. 120. terá que ser proposta pelo executado “A” outra ação regressiva em face do “B”. CTN. a Fazenda do Município conseguiu satisfazer seu débito mediante penhora de bens e conseqüente hasta. conferiu a sujeição ativa da obrigação tributária somente aos entes públicos políticos – U-E-DF-M – porque se referiu expressamente à “competência”. Empréstimo compulsório – o particular. II e XXI. A capacidade de ser sujeito ativo tributário abarca não só as entidades fiscais. é meramente sugestivo. Pergunta: inicialmente. 119.).. . Tributo não nasce do erro de pagamento. para quem o demandante em restituição de empréstimo compulsório e em repetição de indébito passa a figurar como autêntico credor tributário. O indivíduo jamais será sujeito ativo tributário. mas outras paralelas. em tese. O art. CF/88). 90 Cf. Considerando que não cabe o chamamento ao processo do outro condomínio pelo executado. para ser ressarcido de sua quota parte. “caput”. por sub-rogação. mas sim da lei (princípio da legalidade e da tipicidade fechada). CTN. dada a “causa petendi” do crédito envolvido. essencial à administração da justiça e. Posteriormente. como condôminos de um imóvel. o novo ente tributário utilizará a legislação daquele do qual se desprendeu. O STF referendou o posicionamento firmado pelo STJ na ADIn 3026. Na execução fiscal. cit. 119. como esse poderia obter o ressarcimento da cota parte a que lhe assiste o direito? Teria de ajuizar ação cognitiva ordinária ou caberia alguma medida judicial mais célere?Resposta: em termos práticos. Foi exatamente o que ocorreu com o Estado de Tocantins. 150. não “numerus clausus”. a fiscalização pelo TCU. mas não tributário. sendo instituto mais profundo que a capacidade tributária ativa. por conseqüência. quando de sua nova legislação. os princípio da anterioridade e da irretroatividade tributária (art. 89 A Primeira Seção de Direito Público do STJ firmou jurisprudência de que a contribuição para OAB não tem natureza tributária. Persistirá um crédito do indivíduo para com a Fazenda. No entanto. em sentido contrário. pois estipula uma exceção onde o constituinte não estabeleceu. originado a partir do Estado de Goiás (art. não se sub-roga em uma relação tributária. caso não se consiga fazer com que o outro executado “B” seja chamado. etc. mas nunca de fundo fiscal. ADCT). III. à existência do Estado Democrático de Direito. para não permitir a solução de continuidade (art. consideram-se dois sujeitos passivos tributários. de cunho financeiro. a doutrina corrige o erro do legislador. denominadas parafiscais. pecou em sua redação. CF/88) e a obrigatoriedade de concurso público ou de licitação nas contratações (art. 205. A decisão é muito mais política que jurídica. Machado. 174. asseverando que o rol do art. Havendo desmembramento territorial. ao exigir a restituição dos valores já adimplidos (a título de exação). será substituída a antiga. CC –. O indébito não terá natureza de tributo90. Repetição de indébito – opera-se o mesmo raciocínio do empréstimo compulsório. como a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB – Lei 11457/06) e os conselhos de profissões regulamentadas (OAB89. o prazo prescricional tributário de cinco anos (art. Argumentou-se que se trata de instituição “suis generis”.60 parafiscalidade é aptidão para cobrar. CTN) – aplicando-se o decurso de 10 anos do art. não incide o modo de cobrança pela LEF (Lei 6830/80). Aliás. fiscalizar e administrar tributos. CNM. “caput”. O particular será credor do Estado. porquanto a obrigação a ser cumprida pela pessoa pública nunca terá a natureza de tributo. 149. 37. porquanto.

CF/88. e 121. apesar de haver legitimidade para ambas exigirem a satisfação do crédito no que toca sua parte.61 Na sujeição passiva. natural ou ordinário. detendo a responsabilidade pela obrigação tributária (“haftung” ou “obligatio”). “in fine”. Responsável – não pratica o fato gerador (débito). No entanto. o acordo entre os realizadores do empreendimento deverá determinar. só é possível a solidariedade passiva. a obrigação acessório será mais bem delineada no tópico apartado sobre Administração Tributária. ainda que envolva hipótese de não-incidência do fato gerador. não da vontade das partes. observa-se que o passivo da citado dever tributário pode ser mesmo o imune. bem como impostos como de importação. analisa-se quem poderá ser devedor da obrigação tributária. qual a Fazenda que perceberá os valores da exação. CTN). O responsável configura um substituto tributário ou sujeito passivo indireto. Há de observar-se que essa relação obrigacional decorre de lei. a imunidade recíproca impede somente a cobrança de impostos sobre patrimônio. “a”. CF/88). a doutrina estabelece uma exceção a tal ditame: no caso da contribuição de melhoria gerada por obra efetivada por convênio entes públicos. parágrafo único. Nesse passo. Quanto às obrigações acessórias. no seu instrumento. § 7º. No entanto. o isento ou o agraciado com alíquota zero (art. CF/88). também denominado “schuld” ou “debitum”. ilimitada e alternativa pelo débito. 150. Pode ser qualquer pessoa. Sem perder de vista a linha de raciocínio. contribuições e empréstimos compulsórios –. Ele não tem relação jurídico-tributária direta com o sujeito ativo. inclusive o próprio Estado. No âmbito tributário. além do contribuinte e do responsável. sendo denominado sujeito passivo direto. CTN). O instituto da responsabilidade tributária leva ao fenômeno da substituição. . mas a lei. não se restringindo ao particular. em detrimento da competência indelegável dada pela repartição constitucional do poder de tributar. terceiro alheio à relação tributária. parágrafo único. transfere-lhe a responsabilidade de realizar o recolhimento do tributo. 194. ao contrário da seara civil. II. o sujeito passivo poderá ser. 150. em homenagem à garantia do credor. parágrafo único. Como se trata de matéria referente à fiscalização. em situações bastante específicas. O STF só alarga a incidência da imunidade recíproca na análise “in casu”. 126. 121. mas deverá arcar com o pagamento do tributo por expressa disposição legal (arts. VI. O nome técnico do sujeito passivo é dado pelo art. CTN: Contribuinte – é aquele que assume responsabilidade em decorrência de um débito (prática de um fato gerador) por ele adquirido. como o espólio. O contribuinte é aquele que detém o débito da obrigação. I a III. a massa falida e as sociedades de fato (art. com responsabilidade concomitante. Solidariedade – é a possibilidade de uma pluralidade subjetiva na relação jurídica material. O caráter de sujeito passivo tributário inclusive independe de personalidade jurídica. rendas ou serviços entre os entes públicos (art. não abrangendo as demais espécies tributárias – taxas.

desenha uma responsabilidade subsidiária. sendo o benefício realizado “intuito personae”.Nos benefícios fiscais (isenção. No primeiro. Obviamente. 125. trazem dois casos de responsabilidade solidária dentro do CTN. em que pese haver previsão contratual de adimplemento da exação pelo locatário. independentemente da cota-parte de cada qual. CTN.No pagamento – uma vez que um dos devedores solidários realize o adimplemento. A integralidade do tributo é devida por todos. De fato. No entanto. não se perfazendo e se sujeitando às manifestações volitivas de qualquer um que seja. O art. porque o fisco não pode se sujeitar às convenções particulares de negócios jurídicos (arts. Isso significa que a solidariedade leva em conta a dívida. remissão e anistia) – se o benefício for dado em relação à dívida. 134. Cada um dos condôminos é devedor solidário da exação. excluindo-se as sociedades de capitais. os quais merecem detenção mais apurada. 123. I a III. o art. Exemplo clássico de solidariedade tributária é a cobrança de IPTU sobre imóvel cuja propriedade é tida em condomínio. sendo favorável ou desfavorável a todos. A rigor. como no caso clássico da cobrança de IPTU em face do locador. os demais serão aproveitados. CTN). podendo esse cobrar integralmente a dívida de qualquer dos devedores solidários. 123. VII. de alguns ou de todos. parágrafo único. só é excepcionado se houver comando legal em contrário. A obrigação tributária advém de lei e não da vontade das partes. a relação obrigacional tributária nasce da lei. CTN): I. III. . o beneficiário deverá aduzir requerimento ao fisco para obter a isenção. Os sócios que assim agem respondem solidariamente com a sociedade somente se essa não cumprir as obrigações tributárias devidas. VII. e 135. quer seja em favor do fisco ou dos devedores solidários. 134. deverá ser abatida a cota-parte do beneficiário. CTN). o fisco poderá cobrar de um. 134. CTN). extingue-se a obrigação tributária principal. permanecendo a dívida em relação aos demais. não aquelas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (art. sua interrupção ou sua suspensão também assim se opera. Ou seja. aproveitando todos os devedores solidários. objetivamente. somente os devedores assim abarcados serão alcançados.62 A solidariedade tributária não implica em benefício de ordem. levando em conta aspectos pessoais do sujeito passivo. A assertiva decorre do princípio da inoponibilidade das convenções particulares (art. O argumento não é oponível ao fisco. parágrafo único. III.Na prescrição – será sempre considerada em relação à dívida. II. Por fim. CTN. o sócio atua com omissão ou negligência na liquidação de sociedade de pessoas (incluindo as sociedades de fato). na qual se pressupõe um benefício de ordem. a responsabilidade ora enunciada só abrange as multas moratórias. Os efeitos da solidariedade podem se dar (art. ou seja. Os arts. 123 e 124. Nesse segundo caso. CTN.

Esse entendimento decorre da presunção relativa de liquidez e certeza da CDA (art. LC 123/06. Os sócios. LC 123/06). O art. 50. Características gerais – em qualquer das duas categorias. a qual integrou ao Texto Maior o art. A demonstração pelo sócio deverá ser feita por meio de embargos à execução. CTN). Será medida célere. Responsabilidade Tributária Responsável tributário é o chamado sujeito passivo indireto da relação tributária. permite que as MEE’s e EPP’s podem dar baixa de suas atividades mesmo sem comprovação de prova de quitação de tributos. CF/88. segundo o STJ. a responsabilidade ganhou ares constitucionais pela pena da EC 3/93. CTN. 150. deverão ter poder de gerência na empresa. . Observa-se que é uma responsabilidade integral. não interessa o tipo societário adotado. Se o sócio constar da CDA como devedor. CTN). excluindose a pessoa jurídica do correspondente. Para que se caracterize infração a normas. é possível destacar três traços marcantes: . sem praticar o fato gerador. o que exclui sua responsabilidade solidária (pessoal) no caso de mero não recolhimento de tributo pela ausência de caixa para tal. culpa ou má-fé pelo simples nãorecolhimento de tributos (art. A figura em análise pode ser classificada como responsável por transferência (sucessão tributária) ou por substituição. deverá recolher o tributo. parágrafo único. na linha do art. III. Nessa hipótese. 204.63 No segundo. a desativação da empresa não obsta futura cobrança de débito tributário. § 7º. aquele que. O requisito subjetivo só será exigido quanto à outra irregularidade. sócios e administradores. mesmo que a pessoa já não mais esteja ligada à empresa na época da baixa. 135. Nota-se que a obrigação tributária envolvida é a principal. “caput”. 121. deve haver atuação deliberada do sócio-administrador. II. como bem vem decidindo o STJ. Entretanto. porquanto os infratores responderão pessoalmente perante terceiros. diversa do não pagamento da exação. Trata-se de previsão legal de desconsideração da pessoa jurídica. o sócio responde solidariamente como resultado da prática de atos dolosos. ao contrato social ou ao estatuto. CTN). § 3º. 78. isto é. qualificado pela lei como sujeito passivo. não sendo necessária dolo. 78. a ser efetivada em até 60 dias (art. com excesso de poder ou com infração à lei. O lapso temporal de referência é a época do fato gerador. Em que pese o codex já trazer previsão da estrita legalidade. LC 123/06). entendendo-se solidariamente responsáveis os titulares.Expressa previsão legal – harmoniza-se com inoponibilidade das convenções particulares ao fisco (art. não envolvendo propriamente sanção pecuniária nem obrigação acessória. 78.O terceiro responsável. e 128. Somente a lei em sentido estrito pode determinar a relação tributária com responsabilidade (arts. CC. § 1º. para responder nos moldes do art. 123. “in fine”. o ônus da prova da exclusão da responsabilidade solidária passa a ser dele. mormente ligada ao recolhimento de tributo. deve necessariamente ter proximidade com o causador do débito pelo qual .

no ato. por exemplo. na substituição. porque existe em outros. havendo débito de IPTU atrasado.. Esse traço não é exclusivo dos tributos não vinculados. da segurança jurídica. a responsabilidade pelo seu pagamento é transferida do alienante ao adquirente. porquanto esse sucede aquele. CF/88). quando a casa lotérica vai pagar o prêmio do concurso de prognóstico. inclusive o IR e a contribuição social consectária (art. sobretudo. Em que pese intensos debates hermenêuticos. por ocorrência de um fato superveniente. como a CPMF. ela já recolhe. Ex. quando no exercício do poder de tributar. Já na substituição. 307). “(. Responsabilidade por transferência versus responsabilidade por substituição – havendo débito e responsabilidade reunidos em uma só pessoa. possui vários exemplos. em que pese persistir um ambiente natural nessas exações. O IR. . 195. não havendo de se cogitar qualquer fato superveniente a determinar a quebra entre débito e responsabilidade. a obrigação tributária já nasce com seu pólo passivo ocupado por um substituto legal tributário (AMARO. a outrem (substituto tributário). as exações correspondentes. a responsabilidade é deslocada (transferida) para um terceiro. a lei desde logo põe o ‘terceiro’ no lugar da pessoa que naturalmente seria definível como contribuinte. Visa evitar o inadimplemento da obrigação tributária e facilitar administrativamente a arrecadação. para não permitir que o responsável arque com débito de quem nunca “conheceu” ou se relacionou. Responsabilidade por substituição – substituição tributária não é fenômeno exclusivo do IPI e do ICMS. p.). o empregador da construção civil deve realizar o recolhimento das contribuições previdenciárias dos seus obreiros. sendo deferido o débito a um (substituído tributário) e a responsabilidade. Da mesma forma. uma garantia pró-credor – a responsabilidade foi erigida fundamentalmente para favorecer a Fazenda Pública. Amaro (2006.64 estará respondendo – deve haver uma vinculação entre responsável e contribuinte. ou seja. p. o instituto da responsabilidade colima proteção ao fisco. Essa característica decorre. Na esteira.: na alienação imobiliária (fato superveniente). 304) indica que as razões que determinam a incidência da responsabilidade tributária pelo legislador vão desde a conveniência até a necessidade. no caso da instituição financeira retê-la já na conta do correntista. 2006. Essa divisão decorre diretamente da lei. sendo certo que o liame há de ser econômico. como é o caso da retenção na fonte pagadora de percentagem da remuneração do empregado. na sua essência. a obrigação tributária é dividida já na sua nascente. mesmo porque se trata de quebra da regra ordinária sobre débito e responsabilidade tributários. A doutrina costuma falar de uma “participação indireta” no fato gerador. III.O instituto representa.. .

porquanto não se trata de reserva de lei complementar ou constitucional. Acontecendo situação contrária. risco de inadimplemento e ônus à máquina administrativotributária. apesar de não haver pronunciamento pacífico do STF. pode ser estatuída. Alguns argumentam que há um ato jurídico perfeito. porque esse repassa os valores recolhidos nos valores de venda do produto ou serviço. Não há também que se invocar a retroatividade da lei mais benéfica. No contexto em tela. fazendo uma compensação em relação ao valor anteriormente pago. o qual estatui uma forma de arbitramento – quilo da carne. constituindo o que a doutrina e a jurisprudência costumam designar como contribuinte de fato. Na anterior. Sistemas de não cumulatividade – o regime de tributações individuais provavelmente levaria a um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. a exação. 146. a substituição não onera o substituto e muito menos privilegia o substituído. inclusive no STJ. unidade de automóvel. englobando exatamente os mencionados IPI e ICMS. não há uniformidade quanto ao entendimento. Com efeito. pacote de cigarro. Ora o fisco seleciona o primeiro componente. As cadeias a serem atingidas pela redução da tabela são aquelas não iniciadas. outros advogam que incide um enriquecimento sem causa. escolhe um dos componentes da cadeia de consumo para fazer o recolhimento integral do tributo. por presunção ou crédito e fato gerador presumidos). uma postergação. rel. utiliza-se a técnica da não cumulação. Ao revés. DJU 17. A tributação dessa cadeia de consumo transcende a simples facilidade da tributação. por norma regional ou local. segundo entende o STF (ADIn 2056/MS. CTN. 92 Ocorrendo desvalorização de modo a depreciar os valores da tabela normativa.2007. aduzida com base no art. porque seria faticamente impossível fazê-lo de todos os intermediários. No primeiro caso.8. da mesma forma caso o substituído final vendesse o produto por um preço maior que o estipulado pela pauta fiscal. há uma antecipação na tributação (substituição para frente. sendo irrazoável tal posição. 91 . já sendo realizada a tributação pelo modelo de substituição para trás. a sucata (reciclagem e siderurgia) e animais de abate e corte (açougue). além da alíquota. Para eliminar custo. No entanto. No esquema da substituição. O diferimento tributário. dependendo da conveniência e da facilidade em realizar a fiscalização e o recolhimento. sendo que o primeiro só incidirá em produtos industrializados. o consumidor final arcará com a carga tributária. utilizada pelo Brasil. com suas alíquotas. a cana em caule (usina de açúcar e álcool). respectivamente. Cada intermediário na cadeia pagará o tributo dentro do valor por ele agregado. submeter o responsável a qualquer exação a maior. contudo. porque não se trata de sanção. como é o caso da isenção e da imunidade. Em ambas. sendo calculado sobre o valor de quem lhe vendeu. Gilmar Mendes. um retardamento (substituição para trás. a base de cálculo do produto ou serviço deve ser monetariamente estabelecido pelo legislador (pauta fiscal)92. regressiva ou diferimento fiscal)91. o que privilegia a segurança jurídica. É uma tese a favor da Fazenda. Para evitar tal ocorrência. o Estado criou a responsabilidade por substituição. É o entendimento prevalente nos tribunais. Min. Informativo do STF nº 469). trabalho. haveria pesos diversos para a mesma situação. progressiva. se a pauta previr um aumento do produto ou serviço. São exemplos de produtos englobados pela substituição regressiva o leite cru (laticínios). no caso de exação estadual ou municipal. não cabendo restituição ao substituído final. o tributo incide sobre o valor total estabelecido pelo componente da cadeia. no segundo. o fisco realiza a cobrança da diferença. ora destaca o último. a Administração Fiscal. O fisco teria dado cumprimento à lei. só incide sobre os valores efetivamente agregados (base de cálculo). a qual pode ser aduzida de duas formas: pela compensação de débito e crédito (perfilhado pela legislação doméstica) e pelo valor agregado. tal qual estabelecido na legislação tributária. sem. Nessa última.65 Mas a tributação de consumo e as vendas em cadeia são a coqueluche da substituição tributária. não havendo de se persistir um direito à restituição dentro dessas.

a extinção levaria à insegurança jurídica na arrecadação. foram erigidos argumentos relevantes a favor do instituto. Além disso. No entanto. Nessa ponderação de valores. a gravame financeiro da Administração e à potencial afetação ao Judiciário. por diminuir os riscos ao credor tributário e por minimizar os custos de fiscalização e de recolhimento. porque o tributo é seu principal sustentáculo financeiro. § 7º. CF/88. porque há um repasse na nota de compra. a qual acrescentou o art. vindo a sentir diretamente os efeitos da tributação a maior pela inocorrência do fato gerador. CF/88. Por liberalidade. Porém. porque a base de cálculo já está estipulada abstratamente pela lei. caso não ocorra o fato gerador. A questão se vincula a antecipação do crédito tributário. a exação já foi recolhida . Dessa feita. antes mesmo da ocorrência do fato gerador. e 170. a qual não legitima a restituição. a sonegação fica eficazmente mitigada. Entretanto. mormente no tocante à modalidade de substituição para frente. Com efeito. 1º. supõe-se que o último elo da cadeia de consumo vende o bem por valor a menor que a pauta fiscal. porque o produto ou serviço poderia só ser repassado muito tempo depois. Restituição – a referida emenda. de acordo com a LC 87/96 (Lei Kandir). tornando a sonegação francamente presente. Nesse passo. garantiu a restituição dos valores recolhidos. tutelada pelo arts. Os produtos englobados pelo regime da substituição presumida sugerem a impossibilidade concreta de fiscalização e de recolhimento do tributo. garantiu-se constitucionalidade ao instituto. o qual seria inundado de executivos fiscais a maior do que a já exaurida e cambaleante capacidade de prestação jurisdicional. levando em conta que o fato gerador nem mesmo poderia ocorrer. o STF optou pela decisão política. 150. esse traço marcante é palco de discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do instituto. Isso não significa a operação em valores a menor na ponta da cadeia. porque cobrara tributação sobre algo que nem mesmo se sucedeu. promulgada a EC 3/93. A flexibilização da pauta fiscal se destina justamente à agilidade na atualização.66 etc. Vamos ao delineamento dessas considerações. à estimulação ao crime de sonegação. necessária a exprimir o real valor da riqueza tributada. além de constitucionalizar a presunção do crédito e do fato gerador. da máquina administrativa e dos serviços públicos. Aparentemente. o direito de restituição compete ao substituído. porque a receita tributária é antecipada em relação ao fato gerador ocorrido. O habitat natural desses bens se vincula a uma tributação impossível. IV. Mais: a substituição para frente tende a tolher e limitar a livre iniciativa. o Estado estaria se enriquecendo ilicitamente. sendo posteriormente coadunado pelo legislador da EC 3/93. Segundo o STF. mediante outras condições. Na esteira. mesmo porque. os empresários estariam onerados. vindo a abalar a atividade econômica do empresário e o equilíbrio de mercado. Regime da substituição progressiva e constitucionalidade – a matéria foi pacificada pelo STF. A substituição tributária é um sistema inteligente. é possível atualizar a tabela fiscal por ato do Executivo (decreto). “caput”. o Estado estaria abrindo mão de receita.

com bastante força política. recaindo-se sobre o valor da liberalidade (tributado e não agregado). a incidir sobre um montante maior que o apresentado pela capacidade contributiva do substituído final.67 sobre o montante cheio. sendo determinado pelo preço que o substituído final praticasse94. A riqueza apresentada pela operação mercantil não é aquela que corresponde à presunção erigida pela tributação. CF/88).Pela restituição – o direito a pleitear a restituição é do substituído final. porque a lei autoriza a tributar a alíquota em cima da riqueza efetivamente circulada (agregada). o qual deveria ser integralmente devolvido ao final da cadeia. Base de cálculo é valor e não preço. Do contrário.Pela não restituição – preliminarmente. porque é a lei que fixa a base de cálculo e a alíquota (art. 146. Todos os segmentos possuem grande lobby legislativo. em realidade. A riqueza revelada corresponde àquela existente. A tributação de uma riqueza não efetivamente demonstrada é um confisco. por quê? Se sim. montante concretamente agregado. quando o substituído final promove a redução da base de cálculo do imposto por liberalidade? Se não. Ex. porque o valor inicialmente recolhido pelo substituto corresponderia. porque se estaria liberando o substituído final para praticar qualquer preço na venda na ponta da cadeia. sendo certo que. que foi quem efetivamente pagou. bebidas. há grande pressão para alteração legislativa e. A riqueza efetivamente circulada é aquela estabelecida na pauta fiscal. ADIn 1851-AL versus ADIn’s 2675-SP e 2777-SP. não dependendo de qual o preço determinado pelo vendedor. em tese. Nesse sentido. O acatamento do postulado levaria ao sepultamento da substituição por presunção. 94 Os principais setores atingidos pela substituição para frente são: automóveis. O substituído advoga pela real demonstração de riqueza. não podendo o Estado abrir mão dela. IV. mesmo que o substituído final receba a menor pelo bem. Ao aceitar o preço imposto pelo contribuinte na nota de venda. “a”. O terceiro fundamento se vale da violação da efetiva capacidade contributiva. entendimento que tende a ser revertido nas seguintes (Informativo do STF nº 418). fazendo-se argüir: é cabível a restituição no regime da substituição tributária para frente. a um depósito. O primeiro fundamento se reveste no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. III. medicamentos. O argumento se funda na agregação concreta e não legislativa. a quem compete o direito de restituição? Ao substituto. 150. não há causa para arrecadação. . Preço e valor são conceitos diversos. Dessa feita. Essa riqueza é direito do administrado na prestação estatal. ou ao substituído? O eventual direito a ressarcimento recairia sobre que montante? Qual a posição atual do STF sobre o questionamento93? Formaram-se duas correntes: . não devendo o fisco se assentar sobre o efetivamente praticado. na primeira. a sonegação fiscal. a Administração tributária estaria violando o princípio da tipicidade. havendo uma diferença em favor do fisco. prática vedada pelo art. os postulantes da tese anterior visam. CF/88. a votação no pleno foi de 6 votos a 5 pelo não ressarcimento. principalmente. sobre a mudança jurisprudencial.: a base de Cf. 93 . o (último) substituído pleiteará a restituição do diferencial entre o valor tributado e o preço da venda efetiva. produtos de limpeza e fumo. O segundo fulcro liga-se ao confisco.

AgRg no Ag 455. não importando qual o preço estipulado pelos negociantes.Multa – argúi-se se a multa acompanha o tributo na sucessão. João Otávio de Noronha. REsp 245. É a tese pacificamente aceita pelo STJ. DJ 24/6/2002. § 3º. 2ª T. REsp 469. posto que. porque se trataria de irresponsabilidade fiscal (art. § 3º. STJ. DJ 4/8/2003. as quais apresentam um custo dobrado ao Estado. O STF só aceita a restituição na substituição “para frente” quando efetivamente não há o fato gerador. Ocorre que o art. § 7º. Responsabilidade por transferência (sucessão tributária) – possui duas vertentes: “inter vivos” e “causa mortis”. a Fazenda teria que devolver o montante.694-MG. sob pena de abuso de direito. Após o posicionamento do Supremo. O direito dos terceiros de boa-fé – incluindo o fisco – não pode ser prejudicado em face da atuação do particular. Quando esse se realiza a valores menores.68 cálculo do ITBI é o valor do imóvel (previsto em tabela estabelecida em lei). se houvesse um subfaturamento. não há direito à restituição95. CF/88.123-GO. o Judiciário 95 96 STF. estaria prejudicada. Quanto ao primeiro. LRF). julgado em 3/5/2007.915-MG. ADIn 1851/AL. LC 101/00).386-SP. A procuradoria estatal não pode realizar a cobrança. RMS 13. Informativo do STJ nº 319. Daí. Além disso. Ademais. mas sim que ela não poderá invadir a seara dos direitos de outrem – do Estado –. o É devida a multa – podem ser arrolados dois argumentos: um político e outro jurídico. principalmente nas multas menores. Pode ser visualizada segundo alguns aspectos: . sendo esse transferido integralmente ao sucessor. em um momento futuro (venda final). DJ 28/4/2003. levando à crença de que as operações a menor não estariam contempladas pelo constituinte. 4º. quem faz liberalidade deve suportar seus efeitos. Min. II.506-PB. Formaram-se duas correntes: o Não é devida a multa – ninguém pode ser penalizado por conduta que não praticou. REsp 436. Se esse intentar o feito dessa maneira. . DJ 11/9/2000. Não se está tolhendo a autonomia privada do alienante do bem. utiliza a expressão “caso não se realize o fato presumido”. A separação da cobrança implica na existência de duas execuções. o STJ seguiu a orientação96. não devendo transcendê-lo (princípio da personalização da sanção). 14. São os fatos supervenientes que determinarão a transferência do débito do contribuinte originário (sucedido) a um terceiro (sucessor). englobando o tributo e a multa. A otimização da arrecadação. DJ 10/3/2003. A aceitação abalaria a segurança jurídica. 150. A responsabilidade do infrator é pessoal. a execução é do crédito tributário. gerando uma instabilidade para o Estado quanto ao montante arrecadado na cobrança feita ao substituto. REsp 552. rel.019-SP. gerarse-ia a incerteza: o valor arrecadado pode ser utilizado? Deixaria de ser receita e passaria a ser entrada provisória (componente do Anexo de Riscos Fiscais – art. com os fatores já supra mencionados. o custo da execução geralmente é maior que o próprio valor da sanção.

refere-se a “crédito tributário” (tributos mais multas). com conotações diversas em cada área específica. trata da transferência “causa mortis”. 133. trata da transferência “inter vivos” imobiliária. cuidou da operação de alienação de estabelecimento comercial (trespasse). Persiste uma infração tributária e não um crime tributário. “caput”. CTN). não sendo possível sua extensão a outros. Na esteira. a linguagem imprópria do legislador dá interpretação à incidência da multa somente quanto à primeira espécie de transferência. o direito penal tributário (atribuição punitiva do delito) não há de ser confundido com o direito tributário “penal” (atribuição fiscal-administrativa). Assim. O STJ poderia optar por uma interpretação restritiva. Somente o art. Quanto ao segundo. A multa é sanção administrativa e não criminal (pena). enquanto os demais dispositivos mencionam apenas “tributos”. CTN. a classificação utilizada por alguns doutrinadores configura. I. Qual classificação mais de acordo com o posicionamento das bancas de concurso? Resposta: no momento do concurso é importante você citar estes três institutos. 131. CTN. Os últimos somente se verificam em determinados compartimentos jurídicos. 131. não sendo estendido à seara administrativo-tributário (poder de arrecadar e de polícia). aplicando-se somente a sucessão do crédito tributário nas transferências imobiliárias “inter vivos”.613-SP. CTN. Os segundos são aplicados a todas as matérias jurídicas. e a solidariedade ela pode estar tanto na transferência quanto na substituição. II e III. trata da transferência empresarial. melhor 97 Luis Roberto Barroso. Eduardo Sabbag coloca a responsabilidade por transferência dividida em três categorias: por solidariedade. No entanto. 130. Do contrário. o art. coloca a responsabilidade tributária divida em três espécies: por transferência. seja a responsabilidade por transferência por substituição. RE 83. dos sucessores e de terceiros. Em suma.69 estaria ainda mais onerado em sua prestação jurisdicional. O art. essa última foi estudada em tópico separado. elementares à sua própria existência. a solidariedade foi analisada como instituto autônomo em relação à responsabilidade. . Todavia. À luz exclusivamente do texto frio da lei. essas seriam as disposições normativas. CTN. Pergunta: Luciano Amaro. durante as aulas do curso. já tão abarrotado pelas demandas ajuizadas. O modo de exposição da matéria do professor Amaro não encontra guarida na doutrina majoritária? Em posição análoga. gerais e setoriais. O art. por cisão ou mesmo por extinção da empresa. com exclusividade. desde que sócio remanescente continue na atividade empresarial (art. RTJ 78/965. O art. 130. é apenas sugestivo. por incorporação. na verdade. CTN. assentando suas colocações em Rubens Gomes de Souza. asseverando que o rol do art. 98 STF. restrito à seara punitiva do delito fiscal. em seu “Interpretação e Aplicação da Constituição”. 132. Os primeiros são os basilares do Estado. Optou pela segunda linha. por substituição e por solidariedade. 132. O princípio da pessoalidade da pena na pessoa do criminoso é ditame setorial97. a corte poderia uniformizar o entendimento. “caput”. divide os princípios em três categorias: fundamentais. por fusão. parágrafo único. Esse também tem sido o entendimento do STF98.

em homenagem à segurança jurídica. Em verdade. CTN). Posteriormente. Entendo mais coerente como foi exposto na aula pela professora Tathiane estudar a solidariedade em tópico separado. o valor não poderá ser cobrado posteriormente do arrematante. ao interpretar o art. em tese. Luciano Amaro e Eduardo Sabbag afirmam que a responsabilidade por transferência não se estende a multas. 130. Caso a autoridade fiscal deixe de acusar a dívida tributária no momento oportuno. a qual possui fé pública. o Emissão de certidão de débito pela autoridade fiscal – em alienação de imóvel. a Fazenda Pública expediu certidão de dívida. o negócio fica perfeito mediante juntada do documento público. Nesse raciocínio. afinal. CTN. a regra é de obrigação “propter rem”. o adquirente não arcará com os débitos fiscais. por analogia. AGU muitas vezes a posição é diferente da magistratura. pelos atos por ou perante eles praticados. acusando outros débitos não indicados. componentes do crédito tributário (na realidade. Essa situação se defere à segurança jurídica. no ato de . preceituou que seu rol de disposições é simplesmente sugestivo. Entretanto. o fisco percebe seus créditos antes do repasse do numerário ao demandante (art. precisamos adotar a posição mais recente adequando com o tipo de concurso que você irá prestar. Assim. Qual posição. CTN). a título subsidiário. 130. sofremos constantes mutações quanto às posições adotadas pelas Cortes Superiores. no momento da hasta. Pendendo exação sobre a coisa. A Fazenda Pública só poderá cobrar do alienante. se a autoridade verifica que houve erro na emissão da certidão. antes de ser repassado o valor ao exeqüente. Pergunta: o STJ. por exemplo.70 modo por eles escolhido para exposição da matéria. conquanto os dois últimos autores invocam julgados menos hodiernos do STF e do STJ respectivamente? Resposta: infelizmente ou felizmente. seriam transferidas ao sucessor também no caso dos arts. entendeu a corte que as multas. mesmo porque. Essa idéia tem por fulcro uma aplicação. a Fazenda Pública será intimada para se manifestar. dispositivo pelo qual tabeliães e cartorários devem responder por créditos tributários. mormente quando se trata de operações societárias (art. devendo indicar os valores dos tributos a incidir. é a prevalente. dependendo do ponto de vista. 131 e 132. serão transferidas ao sucessor. Atualmente. 134. em concurso público. CTN. do art.Transmissão “inter vivos” de imóvel (IPTU) – as dívidas tributárias. parágrafo único. logo posteriormente à hasta. VI. 132. em sentido contrário. . Quando. as procuradorias municipais têm erigido a tese de responsabilidade subsidiária do agente público responsável pela omissão na emissão da certidão. obrigação tributária). Entretanto. Deverá recorrer ao antigo executado para perceber seu crédito. Mesmo sendo uma execução particular. CTN. há exceções ao ditame: o Aquisição de imóvel em hasta pública – o terceiro adquirente (arrematante) do imóvel não arcará com os débitos tributários.

Essa regra de sucessão tributária colima a preservação do empresário. A doutrina e a jurisprudência ficaram incumbidas de interpretar a disposição. I. Segundo asseveram os defensores dessa corrente. CTN. fonte de riqueza. subsidiariamente. CTN. CTN). genuína engrenagem da economia. 133. VI. . caso o adquirente não tenha capacidade de arcar com elas. perfilhando o postulado da sucessão “propter rem” totalmente. I. Antes do repasse do preço ao exeqüente. posteriormente. o imóvel posto em hasta pública representa a garantia do pagamento. de arrecadação fiscal. CTN) – persiste indício de demonstração de riqueza no novo elemento de empresa. Uma vez que exare certidão negativa. decorrente da própria atividade empresarial. o agente público que produziu o documento público (analogia ao art. parágrafo único. CTN. subseqüentes à alienação (art. 124. de emprego e. • Responsabilidade solidária com o alienante – é a tese majoritária. a não ser em caso de dolo do funcionário que a expediu. se o alienante não praticar qualquer atividade empresarial dentro em seis meses do negócio (art. 133. a responsabilidade do adquirente oscilará. 134. Não foi a tese vencedora. Surgiram três posições: • Responsabilidade exclusiva do adquirente – a palavra “integral” quer dizer “exclusiva”. 133. porque a solidariedade não pode ser presumida. Caso haja certidão negativa de dívida. a Fazenda Pública se manifesta sobre eventuais débitos do bem (IPTU). será subsidiária. Na operação de trespasse. Nesse caso. por conseguinte. O postulado se fundamenta no art.Transmissão de fundo de empresa – está disciplinado no art. conforme art. No caso da responsabilidade espelhada no art. há sim interesse comum entre alienante e adquirente em arcar com os . a Administração Pública responde por tal informação. Também não foi prevalente. o arrematante não responde por débitos fiscais anteriores (art. vir a cobrar os valores do adquirente. I. CTN). Qualquer ressalva aposta no documento é cláusula ineficaz.71 aquisição do imóvel. 208 do CTN. seria possível cobrar o débito também do exeqüente? Resposta: cuidado. caso aquele prossiga no comércio nos próximos seis meses. Pergunta: na aquisição de imóvel em hasta pública. “caput”. havendo passivo fiscal sobre o estabelecimento. CTN). Será integral. por Machado (1993) e por Paul Erik. é possível alcançar o executado e. No entanto. de acordo com a postura posterior adotada pelo alienante (art. 133. em que pese ser integral. não poderá. 133. II. • Responsabilidade preferencial do adquirente – o alienante responde subsidiariamente pelas obrigações tributárias. não responde pelos débitos tributários. 130. CTN). O instituto tem por fim proteger primordialmente o credor tributário. não foi esclarecida pelo legislador acerca do seu título. considerada não escrita. o adquirente traz em mãos a certidão de dívida negativa. perfilhada pelo STJ.

080. 124. com fulcro no art. Para adaptar o CTN à nova realidade. O legislador considerou mais importante a preservação da empresa do que a satisfação dos credores. Com efeito. notadamente de contribuições sociais. foi promulgada a LC 118/05. são incompatíveis com o diploma anterior. O legislador optou por facilitar o trespasse nas delicadas situações mencionadas. ausentando-se qualquer benefício de ordem (art. caso esse não esteja ligado. Não incorrendo nos caso anômalos de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. 133. a qual acresceu três parágrafos ao art. 133.250-RS e REsp 638. 133. Dessarte. a fórmula aberta do dispositivo legal favorece bastante a arrecadação. não pode levar à exigência do crédito sobre o patrimônio dos sócios. o eventual adimplemento tributário. as disposições seguem comandos específicos. facilitando muito o ofício da PGFN (Lei 11457/06). Pela regra. A decisão se fundou na existência de expressa previsão legal. II. A Lei 11101/05 (nova Lei de Falências – LF) provocou alguns reflexos na área tributária.717-SP. § 2º. parágrafo único. dada a função sócio-econômica daquela. A revogação foi implícita. na década de 90. afirmando que cabia a solidariedade por maioria de votos.755. no REsp-AgRg 410. com o fito de favorecer o adquirente que resolve celebrar o negócio. o voto vencido do Ministro José Delgado fundou uma mudança jurisprudencial efetivada em 200599. Contudo. 124. de alguma forma. o diploma criou uma situação esdrúxula de solidariedade tributária. há extinção da sucessão tributária ao adquirente (art. I e II. no seu art. CTN). a Lei 8620/93. Inicialmente. impera normalmente a regra “propter rem” – persiste a sucessão tributária nos termos do art. 13. estabeleceu responsabilidade ilimitada entre sócios e sociedade nas dívidas para com a seguridade social. com base em três argumentos: o O CC/02 revogou o art. ao alienante. § 1º. 133. REsp 717. 1052. CTN. 99 STJ. porque a autoridade pode escolher qual o sujeito passivo em melhores condições para arcar com os débitos fiscais.INSS – Sociedades Limitadas e Sócios – Solidariedade – a grande maioria dos empresários domésticos são constituídos na forma de sociedades limitadas. Havendo falência ou recuperação judicial. portanto constituindo elemento essencial à mecânica macro-econômica. CTN). CTN. porque a estrutura desses empresários não se harmoniza com o dispositivo em tela (art. AgRg no Ag 728. CTN). O montante resultante da alienação judicial do estabelecimento ou da empresa ficará depositado em conta do juízo falimentar por um ano. CTN.72 débitos tributários. caso o adquirente não seja pessoa estranha ao alienante. “caput”. 13. enquadrando-se naquelas do art. considerando o negócio do trespasse. 133 da codificação. Lei 8620/93 – as disposições do CC/02. Em verdade. . Do contrário. § 3º. só podendo ser levantado para pagamento de credores extraconcursais ou daqueles precedentes aos tributários (art. o qual disciplinou as sociedades limitadas. . o STJ se pronunciou sobre a matéria.

III. CF/88. 135.Administrador – caso pratique atos em contrário à lei ou com excesso de poder. Este é o argumento mais robusto para afastar a aplicação do art. Por tal argumento. o Violação do princípio da livre iniciativa – além desse gravame direto.73 CC). enquanto o CC. 13. o art. Lei 8620/93.684-SE. bem como. CF/88) fica prejudicada. com seus benefícios legais. foi mudada hodiernamente100. Essa tendência. Em nenhum momento. Lei 8620/93. contida no art. fica sufragada. lesionando por demais a grande mola propulsora da circulação de riqueza. nesse passo. IV. REsp 441. e 170. autoriza o legislador ordinário a estabelecer responsabilidade solidária. Lei 8620/93. O STJ entende que a mora pode ser 100 STJ. não abarcaria o simples atraso no pagamento dos tributos. 135. toda a estrutura econômica positivada (arts. Esta justificativa também não é própria. CTN. 13. invertendo-se o ônus da prova. Há ADIn em trâmite no STF para contestar a constitucionalidade do art. Lei 8620/93. porque a LC deve estabelecer normas gerais e não específicas. Não se tratava de desconsideração da personalidade jurídica. principalmente pela pena do Ministro do STJ Garcia Vieira. uma vez que o sócio conste da CDA. III. Dessa feita. admitia a execução direta do patrimônio administrador pela mera mora tributária. este fundamento não condiz com o Direito Intertemporal. É a teoria “ultra vires”. Pelo contrário. por via reflexa. LEF). o CTN atende ao comando constitucional. . mas sim responsabilização principal na pessoa do administrador. “caput”. Lei 8620/93. A jurisprudência. como bem ventila o art. O próprio STJ tem postura cristalizada no sentido de possibilidade de execução fiscal em face de sócio que conste em CDA. o comando continua válido. “caput”. a certidão goza de presunção relativa de liquidez e certeza (art. Trata-se de responsabilidade pessoal do sócio. A constituição de sociedade limitada. mandamento construído pela Lei Maior. “caput”. porquanto goza da presunção de constitucionalidade. CTN. O que não pode o legislador ordinário é extrapolar os limites do constituinte e do seu comparsa complementar. excluindo-se a pessoa jurídica do pólo passivo. fica reprimida. o próprio art. o A matéria é de disciplina exclusiva de LC – haveria um vício formal no art.898-DF e REsp 839. CTN. 3º. A referência que se faz à infringência da lei. O equilíbrio macro-econômico fica comprometido com o tolhimento do sistema capitalista instalado. 13. a tese da inconstitucionalidade formal do art. “caput”. aduzida nos anos de 1992 e de 1993. geral. “caput”. Segundo a corte. 13. “caput”. porquanto a Lei 8620/93 é especial. vigente e eficaz. 146. apesar de não haver qualquer decisão tomada. 1º. . 124. II. também perfilhada pelo art. haverá responsabilidade decorrente. 13. Contudo. o constituinte exigiu LC para determinar solidariedade. Nesse caso.

É o entendimento esposado pelo STJ101. CTN? Inicialmente. Na tentativa de extrair a ocorrência do fato gerador e evitar a decadência tributária. 138. quando for percebido nessa prática. é necessário levantar quatro questionamentos: o Tecnicamente. de dissolução irregular de sociedade ou descumprimento de obrigações acessórias. São os casos. 138. Mas a Fazenda Pública se preocupa com o recebimento do tributo. CTN. não pode ser confundida com a responsabilidade objetiva da empresa no mero inadimplemento do tributo ou também no descumprimento de obrigações acessórias. AgRg no AgRg no AgRg do REsp 611. advogava-se a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea até a citação válida. foi criado instituto da denúncia espontânea. a confissão deve ser necessariamente acompanhada de pagamento ou cabe tal vantagem 101 STJ. a tese prevalente preconiza o lançamento como fator a elidir a denúncia espontânea. é recorrente. Esse pode decorrer de situações de mercado. a sonegação.628-PR. pela qual ficam excluídas as sanções pecuniárias. Dessa forma. o Havendo denúncia espontânea. incidem multas pesadas sobre o ilícito.133-PR. de elementos sazonais ou de circunstâncias que tornem a atividade momentaneamente difícil. mediante a efetiva ocorrência do fato gerador. quer seja na seara administrativa ou criminal. . com antecipação do pagamento. Essa última posição só cabe nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Para tentar corrigir. Uma segunda tese estabelecia como marco o início de qualquer procedimento administrativo de fiscalização tributária. Nessa seara.Denúncia espontânea – a maioria dos tributos depende de uma atuação antecipada do contribuinte no adimplemento. não dando azo à execução pessoal do administrador. Nesse sentido. Contudo. Visa primordialmente favorecer o Estado. não por corriqueiro inadimplemento de tributo. “caput”. 138. parágrafo único. nesse momento. Ademais. mesmo porque o sujeito passivo deve se apresentar à autoridade fiscal antes desse chamá-lo. a responsabilidade aqui mencionada deve ser subjetiva. CTN. . até que momento se considera efetivamente espontânea a confissão feita pelo sujeito passivo para fins de se aplicar o benefício do art. invoque a denúncia espontânea para afastar multa sancionatória. Essa prática objetiva evitar que o contribuinte declare e não pague e. porque. Ag Rg no EDcl do REsp 826. para que se conceda o benefício previsto no art. o qual pode ensejar diretamente a inscrição em dívida ativa. devendo ser caracterizada o dolo ou culpa do agente.681. o fisco já estaria cobrando. Restringindo um pouco mais. Esse entendimento não condiz com o espírito do instituto. a apresentação posterior da declaração de tributos já caracteriza o ato de lançamento. tal qual a disposição do art.74 caracterizada por descumprimento de obrigações tributárias acessórias ou por ocorrência de delito tributário. EREsp 690. por exemplo. sendo a multa somente instrumento de coerção sobre o ânimo do sujeito passivo.

EREsp 760. 155-A. Castro Meira. 13/6/2007. com o fim de atingir um objetivo maior e derradeiro. pode afastar qualquer espécie de penalidade. somente a multa moratória deverá ser afastada pela denúncia espontânea. originário Min.75 quando a denúncia é seguida a simples parcelamento? Somente o pagamento dá azo à denúncia espontânea. para acórdão Min. . indiretamente. conceitua lançamento. diploma que integrou o parcelamento como espécie de suspensão do crédito tributário (art. Essa posição foi corroborada pela LC 104/2001. Nesse sentido. DJU 30/6/2006. Lançamento Está disciplinado nos arts. como vantagem. VI. tal qual o art. rel. não pode ser cumulado com o afastamento da sanção. os juros são mantidos “ex vi” da própria redação do art. 1ª Seç. 138. As procuradorias fazendárias passaram a defender o não-cabimento da exclusão da multa sancionatória. não distingue qual a natureza da multa. enquanto o legislador. Deveria caber no parcelamento. CTN. um conjunto interativo de atos entrelaçados por uma seqüência lógica. 142. em que pese não ser a tese vencedora. a natureza jurídica do instituto gera divergência: é ato ou procedimento? É declaratório ou constitutivo? Ato é uma conduta isolada. com o objetivo de atrair contribuintes para saldar sua dívida. “caput”. na leitura realizada pelo STJ102. CTN. CTN. o Qual a diferença entre denúncia espontânea e anistia. REsp 831.290-PR. pressupondo lei específica para tal. segundo a jurisprudência do STJ. Dessa feita. CTN). lançamento é um procedimento (na 102 STJ. porquanto o contribuinte em atraso não é inocente. Na mesma esteira. CTN. “Data venia”. pelo qual perdoa uma receita. A Administração Tributária deve combater a frustração ao poder de polícia fiscal. Foi a tese prevalente durante muito tempo na jurisprudência. O parcelamento. A benesse da exclusão da multa não deve ser estendida àquele que parcela.278-PR. De acordo com a jurisprudência supra mencionada.. Informativo do STJ n° 323. CTN. a sancionatória ou ambas? E quanto aos juros? O art. sendo certo que o ato administrativo de exclusão do crédito é vinculado. porque o Estado não pode fomentar. o inadimplemento tributário. a anistia é ato efetivado pelo credor. O art. “caput”. o legislador seguiu a interpretação jurisprudencial anteriormente dada. se em ambos os institutos ocorre dispensa de penalidade? A denúncia espontânea é ato de confissão de dívida. A primeira independe de qualquer norma. o Havendo denúncia espontânea acompanhada de pagamento. aduzido pelo devedor. Do contrário. o que deu abertura à exclusão de todas as sanções. rel. 151. a exclusão da penalidade tem que alcance? Atinge a multa moratória. § 1º. No entanto. o entendimento foi alterado. Denise Arruda. na anistia. enquanto procedimento. 142 a 150. “caput”. j. Nesse sentido. de acordo com sua conveniência e oportunidade. 138. a denúncia espontânea só afasta a multa moratória. porquanto o parcelamento incluirá a multa sancionatória.

O credor não terá mais o direito de exigir em juízo o crédito. a decadência também não extingue o crédito. o crédito nasce a partir da previsão abstrata da lei e não do procedimento administrativo. não o crédito. o crédito já está caracterizado – não pode haver obrigação sem credor. o art. Dessa feita. em que pese ter havido extinção do crédito tributário. Essa posição não é unânime na doutrina. chamado lançamento. incluindo eventual penalidade. não sendo possível mais sua exigência pela via reflexa. criado esse por força da lei. o pagamento do tributo no prazo e forma previstos não enseja qualquer procedimento administrativo. materializado pela notificação. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário. porque o fato . terminando com a notificação do contribuinte. 142. analogamente. Quanto à segunda pergunta. conseguintemente. cálculo do montante a ser pago. 156. CTN. Com base na doutrina estruturalista alemã. 156. ainda que por meio de ação de consignação. porque o lançamento é pressuposto para tal. não há consenso entre as duas disposições – como é possível extinguir algo que ainda não foi criado? Alargando um pouco mais o raciocínio. No entanto. mas sim o direito potestativo de lançar – o crédito continua persistindo. haveria incompatibilidade com a previsão de extinção do crédito tributário “ex vi” da decadência (art. o citado mestre defendeu essa posição clássica. isto é. V. porque engloba vários atos em cadeia: identificação do sujeito passivo. sem esse aquela inexiste. pode ser que a exigibilidade do montante só seja possível mediante determinado procedimento.76 visão do legislador). Dessa feita. O que é extinta é a pretensão. CTN). • Ao se considerar o lançamento como constitutivo do crédito (art. determinação da matéria a ser tributada. No diapasão. foram erigidas três correntes: o Lançamento é constitutivo do crédito e declaratório da obrigação tributária – lançamento é o procedimento pelo qual se cria crédito tributário (Rubens Gomes de Souza). Todos os demais são prévios e preparatórios para tal. pois alguns entendem que o lançamento é um ato único. CTN). ao prever que a prescrição extingue o crédito tributário. “caput”. não é possível que o lançamento crie o crédito. Esse entendimento contesta a posição clássica supra exposta. a mora pressupõe crédito. sendo constitutivo da exigibilidade do crédito somente em alguns casos – essas hipóteses se restringem aos tributos lançados de ofício. errou. caracterização do fato gerador. muito pela existência de três argumentos: • Incidindo a lei a qualificar o fato gerador. V. Na esteira. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário – o lançamento constitui a exigibilidade do crédito tributário. Não houve lançamento. Na teoria em tela. Não é o entendimento mais aceito hodiernamente. mas o devedor continua no direito de pagar. • Como terceiro fundamento. porquanto essa é a perda do direito de lançar. já existe relação jurídica obrigacional tributária e.

: no ICMS. os autores refletem sobre o assunto e apontam seus peculiares entendimentos pautados em premissas científicas diferentes. devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. de sua natureza. é necessário levar em conta dois critérios: o Necessidade ou não da participação do sujeito passivo declarando o fato gerador. ITR. no IPTU. aduzida pela lei. Nesse passo. o lançamento constitui dever-poder da Administração. A autoridade administrativa interpreta a legislação e cobra ou retifica lançamento ou declaração anteriormente aduzidos (art. Os critérios serão verificados à luz do tipo do fato gerador. Ex. daí a razão de serem. tese essa erigida sob a pena de Rubens Gomes de Souza e perfilhada com impropriedades pelo CTN. devendo ser aduzido pelo contribuinte. Nos demais casos.: ITBI. Após a cobrança. o momento do nascimento da obrigação – e. Ademais. o Por declaração. O legislador previu três diferentes espécies: o De ofício ou direto – o sujeito passivo não precisa declarar a ocorrência do fato gerador. Ex. o sujeito passivo paga.77 gerador está às vistas da autoridade fiscal. aplicável ao crédito e à obrigação. opiniões diferentes. também. a simples ocorrência do fato gerador já possibilita a exigência do crédito tributário. no raciocínio de Paulo de Barros Carvalho. CTN). Modalidades de lançamento – para identificá-las. o fisco não tem como saber qual o montante a ser pago. misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador. o professor trouxe à baila o postulado da natureza declaratória do lançamento. uma vez que não haja pagamento por parte do sujeito passivo. a autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o montante a ser adimplido. o fisco sabe de antemão o valor. do crédito tributário – não seria a efetiva ocorrência do fato gerador. O lançamento por declaração está . etc. nasce a partir da qualificação jurídica do fato gerador. Pergunta: o professor Pedro Barreto. sob pena de falta funcional da autoridade atribuída (art. cobrando. o Necessidade ou não de pagamento pelo sujeito passivo antes da cobrança (pagamento antecipado) – deve ser aferido quem deve interpretar a legislação para apurar o momento devido: o sujeito passivo ou a autoridade tributária. Não há dever de pagamento antecipado pelo sujeito passivo. Contudo. CTN). contribuições de melhoria. em comentários feitos em aula. cobrando diretamente do contribuinte. 142. 148 e 149. assim como sua correspondente obrigação. o mestre afirmou que o crédito tributário. por conseguinte. desde que anteriormente previsto na norma? Resposta: sim. I a IX. parágrafo único.: IPTU. Após tal ato. taxas. autos de infração. Na esteira de Ricardo Lobo Torres e outros. desconstruiu a teoria clássica da constituição do crédito tributário pelo lançamento. II e IE. Ex.

não sendo sempre obrigatório o pagamento “incontinenti” do tributo. constituindo a quitação como meio de prova. a Administração tributária realiza o ato. dentro de um PAF. “caput”. Em verdade. Posteriormente. 5º. fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do tributo). Corresponde à maioria das exações. seguindo o princípio do devido processo legal e convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. IPI. Nessa seara. IR. 151 a 155-A. o qual é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no âmbito federal. “caput”. sendo certo que ninguém poderá ser executado enquanto discute o objeto do litígio. haverá lançamento de ofício posterior.: ICMS. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts. Não existe decadência do lançamento por homologação. calculando o montante devido e pagando antes de ser cobrado (pagamento antecipado). O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de constituição do crédito mediante lançamento. etc. os tributos aqui incluídos não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento “ex officio” só será posterior. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. Lançado o crédito tributário. o sujeito passivo pode levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. o legislador erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: . O sujeito passivo precisa declarar o fato gerador. Com base nesse documento. CTN). 151. Trata-se de ficção jurídica. 5º.78 previsto no art. 150. Havendo diferença entre o devido e o pago. é amplamente possível a instalação do contraditório para contestar o procedimento de obtenção dos valores. Contudo. a cobrar eventual diferença. quando se invoca direito líquido e certo a ser . ele passa a ser exigível. CTN). CF/88. LV. Dessa forma. por qualquer uma de suas formas. Ex. interpretando a legislação. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. 70235/72. IV. Permite a ampla defesa dentro do feito. XXXV e LXIX. III. O CTN listou quatro modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro dessa categoria: o Recurso administrativo (art. inclusive os lançados por homologação. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. CTN). CTN. e 151. 147. CTN). o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente qualificado. CF/88). o Mandado de segurança com liminar (arts. com as devidas peculiaridades do D.Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. o fisco homologa o valor recolhido (art. O sujeito passivo deve ofertar declaração na qual há informações essenciais ao lançamento.

7º. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de lançamento.79 demonstrado por prova pré-constituída. Com efeito. 151. o legislador percebeu que seria melhor abrir uma fase intermediária. o escopo em tela se dá em homenagem à economicidade. dando azo à execução forçada. o sujeito passivo pode ingressar com ação declaratória preventiva de inexistência de débito. mormente com o intuito de discutir a dívida. no depósito integral. em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. visto que está presente o “animus solvendi”. II. a suspensão do crédito tributário. REsp 490. 151. CC). VI. ou requerer. Nesse caso.. DJU 26/9/2005. EREsp 215. REsp 258. V. não se confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI. não objetiva desconstituir o crédito tributário. porquanto a exigibilidade do crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma causa de extinção ou de suspensão. o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a exigibilidade do crédito. ao contrário da primeira. Para impedir seus efeitos. I. Do mesmo modo. É o caso. “caput” e parágrafo único. “caput” e I. DJU 25/2/2002. A negociação entre sujeito passivo e credor permite o pagamento em situação mais razoável. instituto denominado moratória (art. tida antes do lançamento. V. José Delgado. devendo ser revelado relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato impugnado (art. 103 . CF/88. 151. CTN)103. É a situação mais comum. No entanto. 360. a qual retira do credor o interesse de agir para execução em face do devedor. Min. mas não a única. I.589-RJ. o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts.641-PR.350-SP. CTN). 207). e 151. deveria haver inscrição em dívida ativa. procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha sido disparado. instituto constante do Direito Privado (art. 151. D. em tese. o Depósito do montante integral (art. em que há fracionamento da dívida tributária ao longo do tempo. REsp 251.725-BA. como já disse o STJ104. . É melhor à Administração tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca receber. CPC). mas não tem condição de pagar o tributo à vista. se houver eventual lançamento. “caput”. Com efeito. CTN). Previamente à cobrança do débito fiscal. XXXV. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. da postergação da mora com consentimento do Estado. 5º. 62. enquanto na consignação fica patente a intenção do devedor em pagar. 104 EREsp 479. O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art. Caso alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito. o fisco faz jus à conversão do depósito em renda. DJU 12/3/2001. 12/9/2007. 154.Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor lançado e exigido. desde que presentes a verossimilhança das alegações e o “periculum in mora” (art. j.752-SP. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). p. Lei 1533/51). Dessa forma. CTN). é uma espécie do gênero moratória. Alguns autores equiparam o instituto a uma novação objetiva. é caracterizada a finalidade de obstar a exigibilidade do crédito tributário. o parcelamento (art. em verdade. 273. 2002. Apesar de qualquer das referidas medidas ter o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. CTN. à razoabilidade e à eficiência. CTN). caso haja lançamento durante o curso do processo. salvo disposição legal em contrário (art. rel. 70235/72). 1ª Seç. também a título de tutela antecipada na inicial. II. DJU 3/11/2003. por exemplo. Informativo do STJ n° 331.

A prescrição é um instituto que pressupõe lesão a um direito subjetivo do credor. Por exemplo. ajustes ou contratos que envolvessem a utilização de recursos públicos foi instituído pela MP 1442/96. O procedimento de ativação da dívida é uma conclusão interna da Administração tributária. Min. Não haverá qualquer restrição ou constrangimento quanto ao exercício de direitos. . Ao requerer documento de situação. 106 O Cadastro Informativo (CADIN) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais pelos órgãos da Administração Pública Federal para a concessão de incentivos fiscais e financeiros. depois. o devedor terá como resposta certidão positiva de débito fiscal com efeito negativo. . deverá ser dada publicidade a interessados de que o sujeito passivo é entendido como devedor pela Administração.: pode participar de licitação ou prestar concurso público. No entanto. 736. Curso de Processo Civil: Execução. o É possível – porque a extração de CDA e a inclusão em cadastro de inadimplente (CADIN)106 não têm o único condão de promover a execução. Foram erigidas duas teses. o que. CTN). verificou o inadimplemento do devedor e declarou que pende dívida para com o Estado.Suspensão ou impedimento do curso da prescrição à pretensão executória – a prescrição decorre de inércia por parte do credor tributário. O CADIN teve alguns de seus efeitos contestados quanto à constitucionalidade (ADI 1454-DF. impede-se a prescrição. antes do decurso. 130. mas o Supremo extinguiu o feito sem resolução do mérito. Essa leitura advém de uma interpretação analógica dos arts. Foi legislado sob a forma da Lei 10522/02. protestam. o adquirente deverá conhecer a situação fiscal do alienante.Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo tempestivamente interposto implica em inexistência de mora. Revista dos Tribunais. Essa atividade é inútil em face da impossibilidade de promover a ação correspondente. argüindo a possibilidade ou não de inscrição em dívida ativa. “in fine”. Contudo. Informativo do STF n° 472). A prescrição em comento só começa a correr após o prazo para interposição do recurso administrativo. . e 739-A. rel. fazendo surgir a pretensão concreta de exigir a prestação devida. v. a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário. ela não incide. que apurou a legalidade do fato. aplicáveis à execução fiscal (art. Por conseqüência. Ellen Gracie. 2007. LEF). o fisco poderá exigir tributos relativos ao bem futuramente (art. na realidade. equivaleria a “embargos à execução preventivos”. sem unanimidade na doutrina e na jurisprudência: o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva fiscal. se a demanda for infrutífera. 1º. 2. conquanto.Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando. no caso de alienação de imóvel. ficando peremptoriamente na ordem jurídica posta. CPC. a qual contou com sucessivas reedições. pendem alguns efeitos: . suspende-se a prescrição. não ocorreu. 105 Não é demais lembrar que há doutrinadores a defender a não suspensão da execução fiscal em face do mero oferecimento e recebimento dos embargos do executado. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart. conquanto o autor não promoveu o aditamento da exordial na conversão da citada MP em texto de lei.80 Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade. Por todos. “caput”. “caput”. a discussão judicial implica em mora. São Paulo. além de Luiz Wambier. considerando que esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. Ex. a realização de operações de crédito e a celebração de convênios. Antes. acordos.

não corre a prescrição.Prescindibilidade de advogado – o contribuinte poderá defender-se sem pagar honorário. segundo a linguagem própria do CTN. segundo disposição unânime do legislador em todos os níveis estatais (União. Antes de tudo. a interposição de recurso administrativo impede a incidência dessa nesse momento. se a exigibilidade não está presente. Em melhores termos. LV. CF/88. 1ª T. 107 O STF já declarou inconstitucional a necessidade de depósito recursal na via administrativa. leitura referendada pelo STJ (STF. Acesso à jurisdição não implica necessariamente em acesso ao Judiciário. não existe direito absoluto. “caput”. “caput”. 5º. CF/88). DJ 27/4/2007. a chance de provimento é muito maior.Maior celeridade – em relação ao processo judicial. . não a suspende. Preclui o direito a recurso administrativo.Desnecessidade de demonstrar fundamentos para liminar ou tutela antecipada – a mera interposição do recurso já obsta a exigibilidade.81 O momento hábil a iniciar o lapso prescricional é exatamente a existência da lesão. . 19/6/2007. ao menos na primeira instância administrativa107. reputandose como definitivamente constituído o crédito. Vencido o lapso para impugnação ou para pagamento sem atuação do devedor tributário nesse sentido. a arbitragem.Maior probabilidade de sucesso – havendo maior especialização técnica do órgão administrativo julgador e verdadeiro bom direito alegado.. detém jurisdição. CF/88) não exige o pagamento de taxas. .Inexistência de custas processuais – o contencioso administrativo é gratuito. essa máxima deve ser vista “cum grano salis”. Se houvesse previsão de esgotamento da via administrativa antes do juízo. não ocorre. . CF/88). O fundamento apriorístico seria a inafastabilidade do Judiciário (art. Estados. Tais argumentos só serão válidos se os órgãos administrativo-fiscais de apreciação atuarem de acordo com os princípios da Administração. o que. 5º. Min. caracterizando-se sua intempestividade desde então. rel. “a”. sem necessidade de qualquer demonstração extraordinária. mormente previstos no art. pelo qual qualquer um deles pode ser relativizado.116-SP. isto é. nos 30 dias para o recurso administrativo. j. 5º. A exigência do depósito viola a ampla defesa (art. Por exemplo. direito individual e cláusula pétrea. segundo alguns fundamentos: . inexiste infringência ao direito subjetivo do credor tributário. por vezes. Recurso administrativo – o prazo para a interposição de recurso administrativo é o mesmo do pagamento (art. CTN). de certa feita. AC 1. 37. XXXV. . segundo pronunciamento pacífico do STF. 160. REsp 943. tem vez a mora (“ex re”). A resposta negativa administrativa não é condição de procedibilidade para o ajuizamento de ação judicial. Entretanto. LXXIV. STJ. A via administrativa é mais vantajosa que a impugnação judicial. DF e Municípios). Informativo do STJ n° 324). mas sim o condicionando. não sendo exigível o crédito nesse período. não se estaria negando acesso à jurisdição. além do que a garantia do direito de petição (art. Dessa feita. José Delgado.566-MG.

a Administração deveria investir nos órgãos administrativos julgadores fiscais. não obstante poder determinar condicionantes para tal. a máquina jurisdicional ainda poderia ser acionada subsidiariamente. o Excelso Pretório. 5º. não causando prejuízo ao administrado. tal impugnação só era possível mediante depósito do montante integral. porque a celeridade não é seguida (art. Assunto que se encontrava em pauta no STF é a constitucionalidade do depósito para recurso voluntário em segunda instância administrativa. Ademais. inviabilizando a continuidade do PAF. regra “de lege ferenda” nesse sentido teria o condão exatamente de prestigiar o Judiciário e não de restringir sua atuação. não assistindo razão para recorrer à via judicial. Segundo o STF. todos os princípios processuais já foram seguidos no PAF. Dessa feita. A Justiça não consegue conferir uma prestação adequada ao jurisdicionado. Nessa vertente. posição 108 Súmulas 346 do STF: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. como antecipação de penhora. Para a doutrina processualista. Se houver vício no PAF. dentro de um PAF. A decisão administrativa positiva imodificável em favor do contribuinte. teria o condão de obstar o ajuizamento de ação pelo fisco? O STF já pacificou a jurisprudência dizendo que faz coisa julgada material. Não há litígio jurisdicional instalado. legitimidade. quando eivados de vícios que os tornam ilegais. a apreciação judicial”. Os advogados dos contribuintes passaram a postular que essa proporção é relativa. LXXVIII. em matéria fiscal. ou revogá-los. porque deles não se originam direitos. careceria a ação do fisco por inexistir interesse de agir. em todos os casos. ao revés. respeitados os direitos adquiridos. para que esses ganhem confiabilidade e. XXXV. por conseguinte. A Fazenda Pública não pode pleitear sua revisão jurisdicional. mas sim legal. Em verdade. tal quantitativo financeiro pode obstar o acesso ao recurso voluntário administrativo. mas tão-somente discussão perante a autoridade tributária.82 em que pese o órgão arbitral não ser componente do Poder da Justiça. Dentro dessa idéia. Dessa feita. na realidade. porque a tecnicidade da decisão administrativa é muito mais precisa e adequada que aquela a ser proferida pela revisão jurisdicional. Posição mais radical apregoa a impossibilidade do art. 5º. CF/88). Porém. e ressalvada. porque. em recente decisão. caso houvesse insucesso na seara administrativa. Até poucas décadas atrás. Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos. por motivo de conveniência ou oportunidade. o que não se liga ao mérito da questão. disposição essa rechaçada pela jurisprudência por entendê-la. A garantia não provém de disposição constitucional. não haveria razão de existência do próprio procedimento administrativo. uma vez que pode haver valores em jogo muito altos. Essa condicionante de procedibilidade não pode ser refutada com base no duplo grau de jurisdição. CF/88. Mas o depósito de todo montante fere a razoabilidade e a proporcionalidade. . considerou o depósito recursal como inconstitucional. cabe anulação por parte da própria Administração pelo seu poder de autotutela (Súmulas 346 e 473 do STF)108. o legislador do CTN conferiu o duplo grau para o sujeito passivo. a jurisprudência tem entendido que um valor razoável seria de 30% sobre o total do débito.

permitiu a indicação de bens para a subida do recurso administrativo para segunda instância. 70235/72. Lei 9432/97). 2ª T. Min. para a Administração Tributária. Devido à recente mudança de composição do STF. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal (art. na medida em que ambas as medidas importam em bloqueio de patrimônio. infringindo o contraditório. “In verbis”: Art. Segundo a corrente. A presunção se 109 109 83 STF. tendo sido declarado como inconstitucional111.116-SP. porque as leis previdenciárias são especiais em relação às disposições genéricas do D. Informativo do STJ n° 324.. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. eliminando o custo da execução judicial e da eventual hasta pública.2007. DJU 27/4/2007.023-3/RJ. Em qualquer caso. limitado o arrolamento. . em eventual execução futura. § 2º. Lei 9432/97). § 7º. com piso de R$ 500.359.937/92..4. frustrando o direito à revisão do processo administrativo na primeira instância. ADIn 1. 111 STF...). 33. segundo entendimento estipulado pelo STJ.932-SP.). 2º. Doutrinariamente. Esse dispositivo não se aplica os débitos previdenciários. j.. 1ª T. D. RE 388. Lei 8. rel. ADIn 1976/DF. Depósito do montante integral – geralmente se atrela a uma ação de depósito combinada com ação anulatória de débito fiscal. 64. Marco Aurélio. Min. sem prejuízo do seguimento do recurso. a natureza jurídica é híbrida. 9. É vantajoso para o devedor porque inibe ação de execução e livra o contribuinte dos encargos moratórios. há certeza de que.00 (art.000. no qual o relator afirmou que a substituição do depósito por arrolamento de bens não descaracteriza o gravame intransponível para o contribuinte-recorrente. 112 STF. 19/6/2007. João Otávio de Noronha. 64. valor entendido pelo contribuinte. Min. 70235/72. 33. Foi exatamente o que decidiu recentemente o Excelso Pretório em sede de controle difuso de constitucionalidade112.030-RJ. Lei 9432/97. Em contrapartida. rel. REsp 943. 64. Isso significa que o depósito a menor. que regula o processo administrativo fiscal. sendo improcedente o feito. AgRg no Ag 829. § 4º. DJU 26/10/2001.corroborada pelo STJ .566-MG. Min. “caput”. o percentual de 30% foi novamente contestado. o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. STJ.976-7-DF. Nesse caso. prevista nas hipóteses do art. o depósito recursal impede o prosseguimento do PAF. rel. AC 1. sob pena do depósito não ser idôneo à suspensão de exigibilidade. § 3º. AgRg no RMS 14. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. Dentro desse contexto. não obsta a execução. o montante será apto a tornar a solvência do devedor perfeita. José Delgado. ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física. Informativo do STJ n° 332. o arrolado não poderá alienar. a ampla defesa e a garantia ao devido processo legal. alterado pela Lei 10522/02. 20/9/2007. o art. eles também começaram a questionar o arrolamentos de bens a final. I a IX. caso em que a penhora poderia incidir sobre bens indicados pelo devedor110. Na esteira. (. j. § 2º. Joaquim Barbosa. (. DJU 9/9/2002. j. rel. tendo o ato efeito de consignação em pagamento. É entendido como montante integral corresponde ao total cobrado pela Fazenda. 64. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art.. RE 311. Informativo do STF nº 461. DJU 5/6/2007. 110 Nos termos do art. Lei 9432/97). porquanto representa uma garantia em favor do cidadão e do credor simultaneamente.

porquanto o Supremo reconheceu que sua produção viola o direito à saúde de plano. é possível indicar bens à penhora ou constituir fiança bancária (art. não cabendo indicação de bens. já que pende ato administrativo vinculado do agente público. é lícita. ficando sob a guarda da Justiça até a decisão final. o juiz expede o alvará de levantamento para que. CPC). a ser administrado pela CEF através da Conta Única do Tesouro Nacional. Conseguintemente. a subordinação. Dessa forma. visou à manutenção do Estado com o numerário em depósito. DL 1593/77. sob pena de impossibilidade da realização do bem comum pela Administração. por meio de ação cautelar. pois passa a ser “res in judicia”. CTN). Em contrário. Min. no sentido de condicionar o pagamento de um tributo ao recebimento de outro. p/ o acórdão Min. o plenário da corte manteve a medida executiva da SRFB. 9º. orig. A demandante teve seu pleito indeferido cautelarmente. a CEF pague o primeiro. “caput”. II. empresa do setor tabagista pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do art. Destarte. não consubstanciando receita em sentido estrito. 163. Na consignação. Joaquim Barbosa. LEF). j. 151. Informativo do STF n° 473. Ademais. em 24 horas. como lembra Chimenti (2002. o fisco também não poderia fazer o levantamento antecipado do depósito. LC 101/00). II. A Súmula 112 do STJ113 preceitua que o depósito deve ser em dinheiro. estaria sendo frustrada totalmente a “ratio essendi” do instituto previsto no art. reconhecendo expressamente hipótese de “periculum in mora” invertido114. Nos embargos à execução. 207). a suspensão da exigibilidade do crédito tem autêntica natureza de “embargos antecipados”. 27. AC 1657 MC/RJ. . porquanto se trata de autêntica imputação (art. CTN. 798. No plano orçamentário. 4º. a verba será incluída no Anexo de Riscos Fiscais. A priori. rel. O ônus da prova se defere ao contribuinte.6. Consoante o voto do 113 114 Súmula 112 do STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. adendo componente da LDO (art. Cezar Peluso. Como já fora mencionado. p. por haver um contra-senso para com o sistema de execução fiscal positivado. Em sede de controle difuso de constitucionalidade. § 3º. II a IV. É nesse sentido que a doutrina critica o entendimento do STJ. esvaziando-o. comando que permite à SRFB cancelar autorização de funcionamento de pessoa jurídica do ramo que esteja em débito com o fisco federal. a Lei 9703/98 veio a autorizar que a União utilize o dinheiro. Dessa feita. Uma vez que o autor da demanda seja vencedor. O legislador acolheu a presunção de legitimidade da exigibilidade do crédito tributário lançado. A titularidade do bem não pertence mais ao autor da demanda.2007. o depósito de montante integral deve ser a última saída para o contribuinte. afetando sobremaneira a governabilidade. seria possível outra espécie de garantia da referida suspensão. Esse óbice ao exercício da atividade estatal é chamado pela doutrina de “periculum in mora” inverso (Ricardo Lobo Torres). o levantamento antecipado do depósito integral constitui autêntica entrada temporária. STF. O levantamento do depósito antes do trânsito em julgado da ação judicial não é permitido ao depositante. 2º. II. Sob os auspícios do Direito Financeiro. com redação dada pela Lei 9822/99. por uma questão de lógica. rel. imposta pelo fisco.84 encontra em favor do credor. por meio do poder geral de cautela (art. O conceito de “periculum in mora” inverso já foi usado pelo STF em outra situação.

Aspectos penais – discute-se sobre a suspensão da pretensão punitiva nos crimes contra a ordem tributária. 5º. o STF julgou prejudicada a demanda por ausência de aditamento por parte do autor (Conselho Federal da OAB). havia posição que defendia a impossibilidade de suspensão do crédito em face de parcelamento concedido por lei ordinária.85 relator para o acórdão. XIII. desde que preenchidos os requisitos legais. expressamente prevista no art. a qual alegava que o parcelamento é um direito subjetivo do contribuinte. Em sendo assim. O art. muito pela situação ímpar apresentada. não cabendo no caso de parcelamento. Informativo do STF n° 467. § 1º. Min. com vista a desencorajar o empresário do segmento. A MP 1699-41/98 permitia o parcelamento de qualquer débito com a Fazenda Pública em até 30 parcelas mensais. com a maior alíquota existente. Lei 9249/95. Ministro Cezar Peluso. para a exclusão de multas moratórias. 323 e 547 do STF115 “in casu”. 151. se acompanhada de pagamento. repetiu tal tipo permissivo. Em realidade.8. o art. Mais ainda. valendo o “pacta sunt servanda”. Ocorre que o tabagismo é problema gravíssimo de saúde pública. 115 Súmula 70 do STF: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. 34. previsto no comando impugnado. não se aplicam as Súmulas 70. . pois ele é espécie do gênero moratória. 150. Lei 9430/96. 151. parágrafo único. Cármen Lúcia. Ademais. Súmula 547 do STF: “Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas. realizado antes do recebimento da denúncia. como efeitos naturais da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. em que não cabe execução no curso do parcelamento adimplido. a apreensão de mercadorias desacompanhadas de documentação fiscal pertinente não é medida desarrazoada e que infringe a liberdade profissional (art. CTN. ADIn 395. Parcelamento – só passou a existir no CTN a partir da LC 104/01. Com a conversão do comando no art. 116 STF. O art. A LC 104/01 veio justamente para acabar com a controvérsia ao acrescer o inciso VI no art. “caput”. Antes do diploma. constituinte atuação acertada da autoridade fiscal. 10. CF/88)116. o eminente julgador salientou que o ato administrativo. I. CTN. extingue a pretensão punitiva estatal em crimes fiscais. salvo se o legislador ordinário previr de modo diverso. o parcelamento é um autêntico contrato administrativo com novação objetiva. Nesse sentido. cabendo à autoridade tributária decidir pela sua concessão ou não de acordo com sua discricionariedade. é sabido que a denúncia espontânea só é possível. Súmula 323 do STF: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. dispõe que o pagamento. emprestando o raciocínio do Direito Privado. com fulcro na inexistência de previsão expressa no rol do então art. despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. V. CF/88) e a vedação à circulação por meio de tributos (art. Na esteira. CTN. constitui autêntica intervenção estatal por indução. 83. constituindo o recolhimento inexato da exação como fator de desequilíbrio da concorrência e do mercado. 155-A. a carga tributária do IPI. penal e empresarial. em face de parcelamento firmado entre contribuinte e fisco. Contudo. prevê que o parcelamento virá acompanhado de multas (sancionatórias) e de juros de mora. 151. CTN. rel. O diploma estava sendo impugnado por meio da ADIn 1922/DF. Aspectos tributários – há óbice ao curso prescricional e impedimento da execução fiscal. I a IV. Lei 10522/02. reveste-se de razoabilidade. O parcelamento deve ser vislumbrado no que tange o direito tributário. DJU 17.2007.

A Lei 9983/00 criou os tipos penais previdenciários no CP. 1º. j. I. A apropriação indébita tributária genérica está tipificada no art. qual o seja de prestar declaração falsa para eximir-se de pagamento do tributo. rel. “caput”. a qualquer tempo. deveria ser iniciado antes do procedimento de fiscalização (arts. sendo previdenciária. o STF afirmou que a decisão administrativa negativa é condição objetiva de procedibilidade119. o Excelso Pretório estabeleceu que o exaurimento da via administrativa é prejudicial em relação à justa causa para ação penal120. aplica-se a disposição do art. HC 81611.2007. por aplicação analógica do art. Ambas possuem penas iguais (reclusão de 2 a 5 anos). § 1º. 2ª T. CP. I. 119 STF. Min. porque inviabiliza o custeio da Previdência Social e todas suas prestações sociais essenciais. porém. CP) pode ficar absorvida pelo tipo do art. Lei 8137/90. CTN) para ter sua responsabilidade penal suspensa. não havendo de se falar em princípio da consunção. 116. a reprimenda é maior (reclusão de 2 a 5 anos).86 mas também silenciou quanto ao parcelamento. CP). CP. é necessário que o infrator realize denúncia espontânea (art. 337-A. Inicialmente. 18. Ressalta-se. Posteriormente. permanecendo assim durante o adimplemento das obrigações de trato sucessivo. exaurimento da potencialidade lesiva da conduta dentro da teleologia do recolhimento fiscal. o parcelamento. Min. Lei 9964/00 (Lei do REFIS 1) veio a ratificar expressamente a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento. Em melhores termos. Dessa feita. Havendo crime previdenciário. segundo preceitua o Supremo118. por inexistência de previsão legal expressa. 15. Contudo. Naquela. a Lei 10684/03 (Lei do Parcelamento Especial – PAES – ou do REFIS 2). Como a lei penal mais benéfica retroage. Para preencher a lacuna. as penas são bem menos severas (detenção de 6 meses a 2 anos). 120 STF. HC 84345-PR. STF. Lei 8137/90. Para pacificar a controvérsia. enquanto a previdenciária. como o legislador não exigiu termo final para pagamento ou parcelamento (início da fiscalização ou recebimento da denúncia). se há delito formal. o réu ou mesmo condenado pode pleitear a extinção ou a suspensão da punibilidade. 9º. HC 85048-RS. desde que haja. § 2º. caso o delito seja material. no art. 168-A. Sepúlveda Pertence. aplica-se aos processos em curso e aos eventuais condenados117. em seu art. 297. o STF preceitua que há suspensão da pretensão punitiva. rel. e 168-A. 117 118 STF. outra vertente jurisprudencial refutava tal entendimento. recorre-se ao art. 2º. o MP não pode prosseguir em ação penal tributária. HC 91542/RJ.. . Caso haja possibilidade de desdobramento mais complexo. “caput”. CP. incluindo tanto os tipos previdenciários quanto os fiscais genéricos. Uma vez que haja impugnação administrativa do auto de infração lavrado pela fiscalização tributária. 2º. para suspender a pretensão punitiva. que a falsificação de documento público (art. Cezar Peluso. II. Sendo sonegação tributária não previdenciária. 138. No diapasão.9. parte da jurisprudência entendia que o parcelamento antes do recebimento da denúncia suspendia a pretensão punitiva. Destarte. 337-A. retificando a terminologia adotada. Lei 8137/90. dispôs que o pagamento extingue a punibilidade e o parcelamento suspende a pretensão punitiva. no caso concreto. o delito de falso fica caracterizado. Informativo do STF n° 480. o art. Contudo. “caput”. ao passo que nessa.

I. Perguntas: estava verificando a posição de Luciano Amaro e parece que o autor. CTN. CF/88). D. Perguntas: todo recurso administrativo que impugna o lançamento tem efeito suspensivo (art. CTN. Além dessas vias. Contudo. elencou duas formas de aduzir a suspensão da exigibilidade do crédito (ou da obrigação) tributária. Em um primeiro plano. III. O autor. O MP vinha apregoando a promoção da ação penal sempre. estabelece o recurso administrativo e. importante lembrar que não é permitido à Administração Tributária remeter ao Ministério Público representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária praticados por particulares. Perguntas: com referência ao art. CTN. § 4º. VIII do CTN). CTN. porque a simples condição de réu em processo crime leva a várias restrições jurídicas. para tornar mais elásticos os prazos de parcelamento quanto aos tributos. em sua obra. independentemente da natureza formal ou material do crime fiscal. e 2º. o art. 151. independentemente de tutela antecipada ou de medida liminar. visto que não foi extraída qualquer idéia semelhante na doutrina? Respostas: cuidado! A consignação em pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 2730/98). LVII. o professor Pedro Barreto. 5º. antes de proferida a decisão final. em face do art. 5º. CTN. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente (Arts. 155-A. porque estava correndo o prazo prescricional da pretensão punitiva. inclusive oferecimento de denúncia. Ao que parece. Por fim. definidos nos arts. 1º e 2º. É um entendimento minoritário ou relevante na jurisprudência. Lei 8137/90. diplomas específicos dos Estados ou Municípios podem estatuir condições muito onerosas às empresas em recuperação no tocante à tributação. A doutrina de Luciano Amaro é muito respeitada no meio tributário. o legislador complementar resolveu incluir o art. Sempre que houver fundado receio de grave lesão a direito subjetivo. ambas mediante tutela antecipada: ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento (após o lançamento) e ação declaratória de inexistência de débito (antes do lançamento). em momento algum. 162. Para corrigir e inibir tal prática. seria possível demandar por meio de cautelar inominada com pedido liminar? Respostas: sim. I. 151. previu que os decursos de . o contribuinte poderá intentar uma medida cautelar inominada ou atípica. 155-A. afirma ser hipótese de suspensão. não ficaria condicionada ao exaurimento da via administrativa. 798 a 803 do CPC. III. em sala de aula. o citado mestre afirma que esse feito opera “ipsu jure”. a previsão do art. IV. portanto. CTN. V. Lei 1533/51? Respostas: a previsão do art. 156. CTN)? Em caso positivo. na esfera administrativa. Aspectos empresariais – a Lei 11101/05 estabelece as regras sobre falência e recuperação judicial. juntamente com seus parágrafos. ao interpretar o art. I. preceitua que o ajuizamento de ação de consignação em pagamento teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Essa idéia contraria a presunção de inocência (art. não caberá. 1º. o MS. para essa hipótese. § 2º.87 não cabe óbice ao prosseguimento do processo criminal. 151. com base nos arts. 151.

da titularidade. com base em Pontes de Miranda. e 40. A doutrina os reputa como direitos frágeis. são só resolúveis no tempo. aqueles que não muito incomodam não estão sujeitos a tal baliza de interregno. enquanto essa. A esse. a decadência se refere a “normas agendi”. mediante lei específica. sujeitos à lesão. devem ser maiores ou iguais que aqueles previstos em lei federal. nos arts. colocou a expressão “lei federal específica” – mas como essa não existe. o negócio jurídico. parece que o dispositivo fere a autonomia federativa. revelam direitos subjetivos. DF e M. o CC/02 diferenciou os institutos em comento segundo critérios científicos. 156. o legislador quis dizer “lei geral”. Tanto prescrição quanto decadência revelam perda de algo. estão os direitos potestativos. V. errando o legislador na redação do art. os quais podem causar grande comoção sócio-jurídica. “in fine”. 174. Os limites ao qual se referiu a lei são chamados de prazo decadencial. Dessa feita. sendo a maior parte desses de caráter bilateral. Houve clara confusão de institutos e impropriedade técnica por parte do CTN. O Direito Civil é o que melhor informa a diferenciação entre prescrição e decadência. isto é. V. Os titulares de ambos ficam sujeitos à sua extinção pela não exigência ou não exercício ao longo de determinado lapso temporal. é cediço dizer que prescrição e decadência não extinguem o crédito tributário. Mais ainda: o art. CTN. A satisfação de uma das partes depende fundamentalmente da vontade da outra. . a prescrição que corre contra o contribuinte. Nesse passo. § 4º. No outro pólo. porque altera a situação jurídica independentemente da atuação de outrem. O primeiro deles advém da natureza jurídica do direito a que se refere: a prescrição se refere a “facultas agendi”. Aquela termina com a pretensão de direito. entendidos como direitos subjetivos “stricto sensu”. só cabe sujeição.88 parcelamento a serem concedidos por E. Existe ADIn no STF contestando o dispositivo em tela. CTN. 168 e 169. A decadência é tratada genericamente nos arts. CTN. É um direito robusto. § 4º. CTN. Prescrição e Decadência Introdução e conceituação – antes de tudo. Os direitos potestativos lesivos. com o direito potestativo de lançar. Perfilhando Agnelo Amorim Filho121. em face de inércia. LEF. em que o direito utiliza o tempo como instrumento letal de algum instituto. A distinção entre eles reside exatamente no ponto a que se reveste o objeto da extinção. CTN. principalmente os contratos. houve impropriedade lógica. estabelecendo o legislador uma limitação temporal. constituindo caso de parcelamento heterônomo. que não comporta lesão. Ao revés. 173 e 150. em que não se depende de qualquer outro para sua satisfação. levando exatamente à prescrição e à decadência respectivamente. Em que pese a boa intenção do legislador. as ações condenatórias 121 RT’s 300/7 e 744/725. 156. entendidos como direitos potestativos. a prescrição contra a Fazenda está especificada nos arts. 155-A.

sujeitos à prescrição das correspondentes pretensões. 1º dia do exercício seguinte ao que já se podia lançar – de acordo com a natureza do direito potestativo. .89 dizem respeito a direitos subjetivos. não corre prazo de prescrição. Durante tal interregno. porque não pode promover a ação competente para cobrança. A partir do lançamento. Trazendo de volta o raciocínio ao Direito Tributário. no CTN. esse último também não está inerte. cria-se a exigibilidade do crédito – para o CTN. o inadimplemento do devedor configura lesão ao direito do credor. Adotando o prazo geral do CTN. não se sujeitam ao decurso do tempo. De outra sorte. as ações constitutivas – positivas ou negativas – estão ligadas a direitos potestativos. os quais buscam a pacificação das relações sociais. • O que é a interrupção da decadência tributária. CTN). o Estado há de perdoá-la em decorrência da inação do titular de um direito. “caput”. Por conseqüência. essas ações devem ser implementadas em trinta dias. 173. a decadência SEMPRE ocorre em um 1º de janeiro. Depois do decurso. surgindo pretensão desse ao exercício em juízo. A partir daí. por comportarem direitos potestativos não lesivos. “caput”. o legislador posterga essa baliza. a prescrição e a decadência são institutos que prezam pela segurança jurídica. é possível dizer que o direito (poder) do fisco realizar o lançamento é potestativo. 173. Os incisos do dispositivo estabelecem os termos iniciais da contagem da decadência: I. CTN). Não há de ser razoável que qualquer pessoa seja “escravizada” para todo o sempre em detrimento de certa relação jurídica. o termo “a quo” do prazo decadencial é sempre quando aquele surge. 174. • Como se conta a decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. Em verdade. O CTN estabelece que o decurso decadencial para tal é de cinco anos (art. sendo imprescritíveis. começa a correr o prazo prescricional da demanda executória. Dessa forma. porque não persiste lesão ao direito subjetivo do sujeito ativo. o decurso decadencial fica “suspenso”. Decadência – três temas mais controversos delineiam o instituto e suprem as querelas mais significativas: • Qual é o termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício. “cria-se o crédito” –. começando a correr somente no primeiro dia do ano seguinte. quer seja ele subjetivo ou potestativo. em um só dispositivo: o art. as ações meramente declaratórias. o qual também é de cinco anos (art. no primeiro ano civil em que se podia lançar. para permitir que o fisco tenha uma garantia maior na satisfação de seus débitos futuramente. sujeitos à decadência. devendo o sujeito passivo pagar o tributo ou interpor recurso administrativo. No entanto. a decadência só é tratada. quando é adquirido. Por imperativo lógico. Termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício – tecnicamente.

A contagem do prazo da decadência é feita de acordo com três teses: • Corrente restritiva – leva em conta tão-só o art. único dispositivo idôneo a prever a contagem da decadência. Nesse montante. quitação é meio de prova e não o pagamento em si. • Pagar exatamente o que deve – da mesma forma. inclusive os lançados por homologação. I. persistindo os mesmos desdobramentos e conseqüências do anterior. Nesse sentido. por conseqüência. a priori. Não se perquiri . persiste pagamento parcial. O direito potestativo de realizar o lançamento do montante integral nasce. CTN. desde que a declaração do contribuinte também tenha sido errônea. Decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação” – nessa espécie de exação. não existe decadência da homologação. não há qualquer extinção do crédito tributário nem homologação expressa ou tácita. a corte entende que o crédito está constituído e o tributo lançado. passando a ser delineada no item sobre interrupção da decadência. calcular o montante e recolher antecipadamente. desde que antes do decurso prescricional. Quanto a esse. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. • Não pagar – seguindo o mesmo raciocínio anterior. passando a se sujeitar à decadência. cabe ao sujeito passivo interpretar a lei. Não subsiste qualquer direito potestativo do fisco em realizar lançamento. o fisco lançar. nasce o direito potestativo do fisco realizar o lançamento complementar de ofício. extinção parcial do crédito tributário. não devendo. o contribuinte pode: • Pagar a mais – há extinção do crédito tributário. ficando sujeito à decadência. não se falando em decadência. No tocante à diferença. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. há extinção do crédito tributado. Não existe decadência do lançamento por homologação. Nesse caso. O lançamento de ofício é o único sujeito à decadência. já podendo a Fazenda Pública inscrevêlo em dívida ativa e executá-lo a qualquer momento. De outra parte. O credor tem parcial crédito para com o devedor. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício.Do dia em que foi anulado o lançamento por vício formal – essa disposição não encontra maiores desdobramentos no momento. mas sim do direito de realizar o lançamento do tributo sujeito à homologação. Nesse âmbito. descontando-se o valor já recolhido. a confirmação ocorre pela homologação expressa ou tácita. O que extingue o crédito tributário é o pagamento. o STJ considera o termo “a quo” para o lançamento por homologação o oferecimento da declaração correta feita pelo sujeito passivo. não a homologação.90 II. 173. • Pagar a menos – o crédito tributário é bem divisível. quando esse paga a menor. e. ocorrendo confirmação pela homologação expressa ou tácita. Dessa feita.

“caput”. foi erigido o postulado em relevo. Conseguintemente. 173. o custo jurídico para a Fazenda Pública passou a ser muito alto e. § 4º. Isso representa uma impossibilidade lógica e jurídica. Nota-se que o tempo previsto pelo legislador se refere tanto para o lançamento em si (art. • Tese da LC 118/05 – os advogados dos contribuintes passaram a postular a aplicação do mesmo raciocínio para permitir repetição de indébito. mesmo porque o legislador não permitiu alteração no CTN para um prazo decadencial de dez anos. No diapasão: Afronta o princípio da não-contraditoriedade das normas jurídicas aplicar a uma mesma hipótese a regra e a exceção. mas postergou o termo inicial de sua contagem. o STJ passou a aceitar esse entendimento. 3º. Para Amaro (2006). não permitindo tal interpretação pró-contribuinte. 150. CTN). na contrapartida da decadência. Dessa forma. § 4º. quantitativa e qualitativamente. o fisco não consegue. para o lançamento (decadencial). CTN) não corre concomitantemente com o interregno decadencial de cinco anos para o lançamento (art. não seguindo o necessário crescimento da estrutura de fiscalização. principalmente daquelas exações sujeitas à antecipação do pagamento (tributos sujeitos a lançamento por homologação). o art. CTN). a partir do fato gerador. “caput”. § 4º. Dessa feita. I. 173. 173. qual seja. a de o prazo para o lançamento começar a correr quando já não seja mais lícito lançar (AMARO. promover o lançamento de ofício dos débitos fiscais. Para mitigar a sonegação. A homologação tácita e o lançamento de ofício seriam atos distintos. para realizar a homologação tácita (art. Tomando por base as considerações supra sobre o termo “a quo”. Com o crescimento da população. foram por demais majorados. correndo os decursos simultaneamente. 150. CTN). “caput”. 150. a gama de fatos geradores.91 se o lançamento está sujeito à homologação. Pior: os causídicos passaram a requerer compensação e não restituição por precatórios. Com efeito. mesmo porque só esse último está sujeito à decadência. LC 118/05 veio a fulminar a “Tese do 5 mais 5 anos”. 413). • Tese 5 mais 5 anos – por razões administrativas. em conjunto. em face de uma questão política de isonomia. CTN) quanto para homologação tácita (art. a tese não alterou o prazo decadencial. foi deferida a extensão do decurso. CTN. O art. no prazo decadencial de cinco anos. CTN. é realizado de forma híbrida ou de ofício. correndo primeiramente o lapso para homologação e posteriormente. o tempo de cinco anos. a construção jurisprudencial em comento (STJ) teve por fim exatamente possibilitar maiores poderes à fiscalização tributária. 2006. Os . Por interpretação sistemática do próprio CTN. p. 173. traz uma exceção à regra espelhada pelo art. contam-se cinco anos para se operar a decadência (art.

Com efeito. 173. II. o decurso para exercício do direito de lançar é contado nos termos do art. I. A priori. caso haja pagamento parcial. CTN. desde que o legislador expressamente preveja123. § 4º. o qual foi plenamente acolhido pelo STJ. CC). sua Primeira Seção de Direito Público se equivocou. De acordo com o CTN e 122 ED no REsp 101. O entendimento de que o primeiro comando se refere à interrupção decadencial é minoritário nos meandros jurídicos. tratando-se de inexistência de qualquer pagamento. O STJ desdobrou sua nova leitura em duas instâncias122: havendo pagamento a menor. No entanto. a contagem do prazo decadencial se faz de acordo com a espécie de inadimplemento por parte do contribuinte. e o art. de interrupção ou de suspensão (art. porque essa pressupõe a existência de algum pagamento. o ato é definitivamente anulado. o qual inexiste.181/MG (2000. Sendo procedente o procedimento. o STJ não teria se fundado no art. DJU 30. Por acaso. 173.2. Há certa confusão entre os institutos da prescrição e decadência. O termo inicial. 173. Para o inadimplemento parcial. DJU 8. nos tributos sujeitos à homologação. 150. 123 A doutrina aponta duas possibilidades de decadência interrompida: o art. Dessa forma. Pergunta: de acordo com atual orientação jurisprudencial do STJ.2003.407/SP (98. prevê que haja algum pagamento. 150. CTN). Entretanto. o inadimplemento completo leva à primeira corrente supra exposta (“corrente restritiva”). CTN. parece fácil compreender devido ao critério da exclusão: impossível utilizar a forma do art. 207. 3º. 150. CTN. II. devolvendo-se integralmente o prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar novo lançamento (art. por exemplo –. porquanto peticiona pela sua revisão. No entanto. DJU 17. LC 118/05. aplica-se o art. 173. 26.92 advogados postularam o mesmo tratamento quanto ao fisco. a segunda situação parece carecer de fulcro mais sólido. cuja corrente prevalente assente a existência de autêntica suspensão do interregno de decadência. a decadência legal pode ser afetada por tais institutos. CTN. o ato de lançamento implica em afastamento da decadência. a contagem se faz nos moldes do art. CDC. REsp 276.5. porque está considerando o termo inicial do interregno decadencial o fato gerador e não a data devida para o pagamento. em clara afronta à previsão legislativa. Quanto à primeira hipótese. 150. § 4º. CTN). é fixado na ocorrência do fato gerador. Contudo. REsp 289. “caput” e I. 0123113-8). aplica-se o art.6. porque o art. não havendo qualquer pagamento. eventual recurso administrativo ou ação judicial pode contestar o lançamento por vício formal – cálculo errôneo do tributo. ao invés de ser no primeiro dia do ano seguinte àquele em que se passou a poder lançar (art.88733-4). o lapso de decadência está diminuído. A doutrina tratou esse fato como causa de interrupção de decadência. § 4º. I.2003. Porém. CTN. CTN. para construir o raciocínio da segunda hipótese? Resposta: cuidado. § 4º. .2000. quanto ao segundo dispositivo. o STJ preceitua que a contagem da decadência será concomitante à homologação tácita. a decadência não fica sujeita a causa de impedimento. mesmo porque o STJ propicia um interregno decadencial menor que o previsto pelo legislador complementar para se operar a decadência.142/SP (2000/0090249-7). não paira dúvida sobre sua verdadeira função interruptiva do decurso. O segundo é bem evidente. CTN. Interrupção de decadência – em regra. com pagamento de parte do montante devido. seu raciocínio parte de premissa errada. 173. Dessa feita.

172. Só poderemos falar em prazo decadencial (findo) se não houver presença (via presencial ou por meio de notificação) do Agente no exercício de formalização do lançamento que lhe cabe. é necessário que tenha relação jurídica com sujeito passivo. 2) Caso haja pagamento parcial. cada qual com sua peculiaridade. fixam prazos para o exercício de determinadas ações no campo tributário. conseqüentemente. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. Os institutos da decadência e da prescrição são fenômenos que retratam limites de tempo incidentes no direito. irá lançar “de ofício” o valor faltante e autuar quanto às penalidades pelo descumprimento da obrigação. previsto no sistema jurídico brasileiro. por meio de execução fiscal. o direito de cobrar e portanto submetido ao prazo prescricional do art. na qual fica configurada obrigação líquida. (Lembre-se que o contribuinte deveria ter “pago antecipadamente” e cumprido obrigações acessórias). a extinção do crédito tributário ocorre. a Administração Pública Tributária. caso seja necessário. devendo ser analisados alguns desdobramentos. Essa atuação da Administração Tributária é tida por meio do lançamento. já que a Administração Pública Tributária fez o que deveria e o contribuinte não pagou. já que incompleta esta fase. No que diz respeito ao texto do artigo 3º da LC 118/05. Pergunta: a disciplina de decadência e prescrição se aplica integralmente às obrigações acessórias não adimplidas e. Deverá então lançar e autuar. A partir daí só caberá Execução Fiscal. direito de o contribuinte pleitear valores pagos a maior. de acordo com a participação do Agente Fiscal em face do ato de lançar. 168 do CTN. mais uma vez. pois ele é afeto ao teor do art. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. no exercício de fiscalização. o teor do crédito tributário. ou seja. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. transmudadas em principal (multas)? Resposta: sim. Previamente à constituição do sujeito passivo como devedor. a contagem decadencial se faz de acordo com o tipo de lançamento e. Isto quer dizer que ambos. “Art. o Fisco. mediante procedimento administrativo vinculado.93 a atual orientação jurisprudencial do STJ. havendo inexistência de qualquer pagamento (supõe-se que o lançamento já ocorreu). É a implementação do princípio da segurança jurídica. é necessário apurar. . no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. 174 do CTN. Surgirá então. Para que a Fazenda Pública possa promover a cobrança judicial de seus débitos. tratando-se de lançamento direto ou de ofício. 1) Com efeito. Prescrição – sua conceituação segue o já explanado. ao final deste ato. cuidado. portanto. 168 da Lei no 5. não poderá fazê-lo. 150 da referida Lei”. Caso não tenha feito corretamente. no momento de “homologar”. certa e exigível. 174 do CTN. o prazo a ser observado será o prescricional. regulado pelo art.

fato que só será efetivado 124 Na tese da “actio nata”. surge a lesão e. o STJ entende que essa suspensão não é cabível. De fato. Permanecendo inerte o sujeito passivo ou sendo infrutífero seu recurso. 160. por conseguinte. Somente depois desse decurso ou sem impugnação administrativa. porque o crédito está constituído definitivamente – na linguagem do legislador – mas a prescrição não está correndo. o prazo prescricional para ação condenatória começa a correr a partir do conhecimento da lesão do direito subjetivo por parte do lesionado. 585. a inscrição na dívida ativa é o ato que consubstancia o contribuinte como devedor. a prescrição corre da decisão definitiva do recurso administrativo e não do fim do novo prazo para pagamento. a Administração toma providências para a cobrança do débito. que esse decurso é de 30 dias (art. materializada pela ação de execução fiscal. o legislador fez coincidir o termo “a quo” com sua construção de crédito tributário definitivamente constituído. “caput”. Termo “a quo” da prescrição – a partir do lançamento. Nesse intervalo. o lançamento constitui o crédito. o qual se valerá como título executivo idôneo a promover a referida demanda executiva (art.94 Depois de lançado o crédito tributário. O CTN prevê. CTN. é repetido o decurso para o pagamento. Mas o legislador foi infeliz na redação do art. a pretensão para a exigência judicial – é a tese da “actio nata”124. “caput”. o sujeito passivo tem um lapso para realizar o pagamento ou para interpor recurso administrativo. Dentro dessa discussão. é necessário extrair certidão da dívida ativa. Entretanto. o qual poderá modificar o ato. abre-se novo prazo para pagamento. CPC). Em verdade. O ajuizamento da execução fiscal em si não interrompe a prescrição. o legislador previu situação insólita. 146. com o inadimplemento do devedor. o codex acolheu o postulado de que a constituição do crédito se dá com o lançamento. 174. como já mencionado. Mesmo considerando a construção do legislador. posição atualmente refutada pela doutrina. CF/88). supõe-se que haja impugnação administrativa por parte do devedor. em que há sua interposição. porque o sujeito passivo ainda tem um período para interpor o recurso administrativo. Há um contrasenso. Ao invés de dizer que a prescrição corre da mora. nos termos da LEF. Além dessa dívida constituída. § 3º. destacam-se duas hipóteses: uma em que inexiste impugnação administrativa e outra. a prescrição fica suspensa por 180 dias a partir da inscrição em dívida ativa. Não efetivando o inadimplemento. “b”. . o crédito estaria definitivamente constituído. mas não definitivamente. III. não corre prescrição. Sendo improcedente o recurso administrativo tempestivamente interposto. LEF. CTN). porque previu o termo inicial do prazo prescricional a partir da “constituição definitiva” do crédito tributário. 2º. Por incrível que pareça. no silêncio de lei ordinária específica. De acordo com o art. pois não existe ainda lesão ao direito subjetivo do fisco. Para fins de entendimento majoritário. do inadimplemento ou da lesão. é que o crédito estaria “definitivamente constituído”. o fisco confere prazo para o contribuinte pagar ou oferecer defesa administrativa. porém. em que o interregno prescricional corre ainda que inexista lesão ao direito subjetivo correspondente. A partir do 31º dia. porquanto matéria atinente à LC (art. No entanto. VII. sobre o qual não incide a prescrição. No entanto.

o demandado tem algumas opções: Pagamento – com a satisfação do direito do demandante e extinção da execução e do crédito tributário. 9º. Revelia do executado – enseja a penhora ou arresto dos bens do demandado. o juiz julgará a execução extinta. . o oferecimento dessa defesa atípica só e possível quando persiste liquidez e certeza da prova. com redação dada pela LC 118/05). A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). em sede de cognição sumária. LEF). Depois de um ano. Não encontrando qualquer bem penhorável. § 2º. a execução fica suspensa. A tese pró-contribuinte. que não depende de dilação probatória. Acolhendo a defesa. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. não sendo mais permitido o desarquivamento do processo. Esse documento instruirá a petição inicial da ação de execução fiscal. Prescinde de garantia do juízo. I a IV.95 pelo despacho do juiz que determina a citação do executado (art. caracteriza-se o crédito definitivamente constituído. parágrafo único. passou a considerar que. 174. 174. CTN. Desse ponto. A partir da citação. A execução estará extinta. sendo instrumento criado pela doutrina e amplamente aceito pela jurisprudência. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. Passado o decurso “in albis”. se a prescrição foi interrompida. mas sim de mera defesa inominada em sede de processo executório. e 8º. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. dando prazo para pagamento ou interposição de recurso administrativo. E verdade. parágrafo único. depósito em dinheiro ou oferecimento de fiança bancária – art. fundando-se no art. Prescrição intercorrente – a Fazenda Pública procedeu ao lançamento. muito pelo qual a LEF. como diploma protetivo do credor fiscal. a qual ocorrerá dentro dos cinco anos seguintes. Não encontra previsão legal. desde que encontrado patrimônio em condições de responder pela dívida fiscal. surgindo a lesão ao direito do fisco. CTN. A partir daí. I. LEF). § 3º. 174. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. LEF). o qual permitirá a discussão da dívida em sede de cognição. Exceção (objeção) de pré-executividade – aplicável nos casos em que o executado detém prova pré-constituída (documental). 40. justamente pelo princípio da celeridade processual. I. o juiz deve proferir despacho de arquivamento do feito. termo inicial da prescrição qüinqüenal. No despacho citatório do processo. parágrafo único. Embargos do devedor – o juízo deverá ser garantido pelo depósito do montante integral da dívida (nomeação de bens próprios ou indicação de outros de terceiros. ou seja. interrompe-se a prescrição tributária (arts. CTN. a doutrina construiu a denominada prescrição intercorrente. a fiscalização aduz título de dívida ativa (termo de dívida ativa) e extrai sua certidão. Não tem natureza de ação. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução.

“in fine”. 168. Nota-se que se trata de faculdade do juízo.. dentro 125 .280/2006. há uma autolesão. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. 1º. não localizados bens penhoráveis. findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente”. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. CTN. Isso também não quer dizer que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. existe a prescrição bienal do art. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ)125. além de positivar a prescrição intercorrente no âmbito tributário. LEF). 11. manifesta-se a doutrina majoritária. CTN. aplica-se a segunda pelo princípio da especialidade. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. Isso não significa que a prescrição não-intercorrente – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado sem prévia oitiva do fisco. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandadocontribuinte. O direito ao ressarcimento no indébito também não pode perdurar pela eternidade. Rio de Janeiro. v. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. porque é possível sua renúncia por razões outras. § 5º. pelo simples decurso do tempo. segundo bem aponta parte da doutrina. Lições de Direito Processual Civil. Nesse sentido. Nesse caso. 169. porque versará sobre a modalidade ordinária da prescrição. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. trata-se de interregno prescricional. a Lei 11051/04. Em contrário. Para solver o entrave. não sobre a intercorrente. A revogação do art. suspende-se o processo por um ano.96 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. CPC). 194 do Código Civil pela Lei n. a maior parte das pretensões ao indébito surge de erro de interpretação do próprio sujeito passivo. não configurando direito subjetivo do contribuinte. Quando o fisco aceita um pagamento a maior. Em razão da Lei 11280/06. afirmando que a prescrição passou a ser matéria de ordem pública. Lumen Júris. no lapso de cinco anos. mesmo porque há interesse público em jogo. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. Sendo assim. Além dessa. Ambas correm contra o sujeito passivo da obrigação tributária. de fato. 126 Pela perpetuação da prescrição como matéria disponível. 219. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. Em que pese alguns autores defenderem natureza decadencial ao decurso em tela. advogam Roberto Senize Lisboa e Nelson Nery Júnior. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. 191. Apesar de ser factível em tributos lançados de ofício ou por declaração. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. Prescrição nas ações de repetição de indébito – está prevista no art. porque prescrição é matéria de defesa disponível126. LEF). nasce lesão127 ao direito do sujeito passivo tributário. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. 13 ed. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. surgindo a pretensão desse para Súmula 314 do STJ: “Em execução fiscal. Havendo conflito entre CPC e LEF. sob pena de nulidade absoluta do ato. 2006. fato que sugere o instituto da prescrição. 2. mesmo sob o regime da Lei 11280/05. § 4º. Entretanto. 127 Na verdade. Rodrigo Mazei e Câmara. 40. a qual versa sobre ação de anulação de decisão administração que denega a restituição. 191 do texto codificado”. cujo pensamento pode ser traduzido pelo Enunciado 295 do CJF: “Art. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. vindo a favorecer o fisco.

porquanto implica em verdadeira declaração de inconstitucionalidade do diploma. Em recente decisão. consoante já supra comentado. com base no art. RE 544246/SE. respeitando comando dado pelo Supremo. respectivamente. Segundo a leitura da corte. muito pelo qual a corte acolhia a “Tese do Cinco Mais Cinco” até pouco tempo atrás. declarou inconstitucional o caráter interpretativo da LC 118/05. Em raciocínio simplista.. 165. Quanto a tributo lançado de ofício. 150. I. Destarte. 3º e 4º. receita e LC 118/05 – a Lei 9718/98 instituiu a COFINS. REsp 955. a causa de extinção referida pelo legislador seria o pagamento. viola a cláusula da reserva de plenário (art. 3º. implica em diminuição do lapso. determinando que o prazo prescricional da repetição de indébito é de cinco anos. Sepúlveda Pertence. faturamento.736-PE. j. 28/8/2007. rel.831-SP. A questão ficou pacificada depois da LC 118/05. 195. 2ª T. aproveitando-se o fisco dessa situação. em seu art. CF/88). não persiste qualquer dúvida. O Supremo entendeu que a interpretação nesse sentido. O termo “ad quo” da prescrição da repetição de indébito comporta certa complexidade. desde que indevido (a mais). CF/88. O STJ. salvo se o decurso prescricional decenal.2007. Informativo do STF nº 467. era adotado o segundo momento lógico como termo inicial da prescrição da repetição de indébito. 128 STF. nos tributos sujeitos à homologação. Pois bem. CF/88).736-PE. 97. Por óbvio. essa proposição só foi reafirmada recentemente pelo STJ. era de dez anos para os tributos sujeitos à homologação de lançamento. o STF deu parcial provimento a RE interposto pela AGU para contestar a posição do STJ quanto ao caráter não-retrospectivo da LC 118/05. EREsp 644. 6/6/2007. a controvérsia se instalou. o qual. “b”. mas sim o próprio contribuinte dá causa. I. § 4º. o primeiro é aquele que extingue o crédito. contados do pagamento129. ultrapasse o limite de cinco anos após a promulgação do diploma130. o termo inicial no pagamento do tributo (antecipado). rel. 130 STJ. I e II. 15. operada por órgão fracionário do STJ. estabelece que a referida prescrição corre a partir da extinção do crédito tributário nos casos do art. Informativo do STJ n° 322. “in fine”. Nesse caso. . o Excelso Pretório devolveu a causa ao STJ para o julgamento pelo seu órgão especial. contados a partir do fato gerador.835-SC. entendimento atualmente não mais vigorante. Teori Albino Zavascki. CONFINS. porque existem dois momentos lógicos: o recolhimento antecipado do tributo (a maior) e a homologação desse pagamento pelo fisco (art. Min. contribuição previdenciária sobre a receita dos empregadores. 168. 129 STJ. a qual previu expressamente. o decurso de cinco anos. Até a EC 20/98. o STJ disse que o lustro se aplica para os fatos ocorridos após a vigência da LC 118/05. não é o terceiro que lesa o direito alheio. j. Esse dispositivo diz respeito às exações sujeitas. DJU 27/8/2007. Dentro dessa perspectiva. Corte Especial. a lançamento de ofício e por homologação. Min. Observe que a demanda será condenatória. Informativo do STJ n° 329. O art. CTN. iniciado sob a égide da interpretação anterior. EREsp 644. j. a teor do que definira o constituinte128. a redação do dispositivo das exações sujeitas ao lançamento por homologação. Min.5. DJU 4/6/2007.97 se ressarcir mediante o exercício do direito de ação. Porém. mormente quanto aos seus arts. CTN. rel. Castro Meira. EREsp 435. o que justifica a natureza prescricional do lapso ora em comento. mal ou bem. Nesse passo.

depois dela. Para solver o caos no âmbito do fisco. passando a se discutir se emenda teria a capacidade de sanar inconstitucionalidade de lei anterior. não sendo acolhida. À guisa do debate. justamente por ele erigida. as contribuições cobradas entre a Lei 9718/98 e a LC 110/01 passaram a ser objeto de ação de repetição de indébito. Segundo o tribunal. bem como a ação tem natureza dúplice: anulação da decisão administrativa e condenação do fisco à restituição. a EC 20/98 operou a mudança. dando origem à enxurrada de ações de repetição de indébito no primeiro semestre de 2005? Pergunto isso em face da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9718/98 pelo STF em 2005. Todavia. Para fazer a prescrição atingir essas ações em curso. Essa tese chegou ao STJ por embargos de divergência em REsp. a prescrição para o exercício da ação é menor que aquela afeta diretamente à Justiça. 131 STJ. 3º. Para revestir o diploma de constitucionalidade. característica inerente à inovação da ordem jurídica. padecia de inconstitucionalidade formal. dentro da discussão da LF (Lei 11101/05). porque. desde que instituída por LC. residuais. O STJ. CTN. tal qual a própria redação dos arts. O art. reforçando a confiabilidade do jurisdicionado para com a corte. é possível ao sujeito passivo aduzir pedido na via administrativa (processo administrativo fiscal). a qual passou a previr a extinção do crédito no pagamento (art. a qual chegou no STF por via de RE. passou a existir somente uma. Gilmar Mendes. Em verdade. o administrado poderá recorrer ao Judiciário para anulá-la. 195. 169. EREsp 327043-DF e AgRgREsp 727200-PB. 169. criada por MP e convertida em LO. o relator. devido à vacância do diploma em 120 dias. pois o ato jurídico perfeito (interrupção da prescrição com o despacho de recebimento da inicial) não pode ser maculado por norma posterior. CF/88. não permitiu o caráter interpretativo da LC 118/05 ao afirmar que ela é inovadora (modificativa)131. bem como não versava sobre receita. a LC 118/05 alterou a estrutura do CTN. Na segunda opção. A partir do pagamento indevido. sendo vencido (Informativo 408 do STF). XXXVI. prestigiando a segurança jurídica da “Tese dos Cinco Mais Cinco”. 106. votou pela constitucionalidade. I. CTN). ficando a prescrição obstada a partir de então. Pergunta: qual foi a LC de janeiro de 2000 que constitucionalizou a COFINS sobre receita das empresas. quanto às expressões “prescrição da ação” e “anulatória”. § 4º. Nesse sentido. A COFINS sobre faturamento já era autorizada pela LC 70/91. 5º. a ser julgado pelo seu pleno. além da ação judicial de repetição de indébito. com efeito retroativo. a prescrição se restringe à pretensão ao ressarcimento. a Fazenda Pública alegou que a LC 118/05 é interpretativa (art. essa posição é contestável. Foi uma decisão de extremo bom senso. CF/88. Entretanto. Com fulcro na doutrina alemã (tese da sanatória geral das emendas em face das leis anteriores). caso a decisão definitiva seja denegatória. já permitia outras contribuições não cominadas. restringindo-se a dois anos (art. Nesse passo.98 constitucional não falava em empregador. houve uma enxurrada de demandas para a repetição de indébito. mesmo porque o sentido interpretativo de um diploma presta-se justamente a tal faina. LC 118/05). LC 118/05. Entretanto. 3º e 4º. antes daquela. Com efeito. veio a LC 110/01 para resolver a querela. “caput”. CTN). o Executivo fez aprovar a LC 118/05. . esse tinha duas margens interpretativas e. O argumento mais abalizado para refutar a retroatividade da LC 118/05 encontra-se no art. guardião da lei federal. “caput”. o legislador foi tecnicamente impróprio na redação do art. a COFINS sobre receita.

Lei 8009/90) são somente o ITR e o IPTU? Outra espécie. O ISS está afeto à prestação de serviços e. Exclusão do Crédito Tributário Há dois posicionamentos para o termo “exclusão”. e 219. fora da previsão legal. pode ser acusada de ofício e reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição. quer seja intercorrente (art. “caput”. 174. Segundo Daniel Assumpção.: ISS cobrado em razão de modificação na estrutura do edifício)? Resposta: cuidado. o termo Exceção de PréExecutividade tem prevalecido em face da margem de matéria que podem ser alegadas e que não estão restritas àquelas de ordem pública. p. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. as condições da ação. Essa diferenciação também existe na execução fiscal? Resposta: em matéria de execução fiscal. § 4º. a segunda versa sobre matéria de ordem pública (norma cogente de interesse público). 3º. II estabeleceu apenas um impacto na Lei Diretrizes Orçamentárias relacionada à mudança na forma de tributação do setor de combustíveis e do pagamento por substituição no setor automotivo em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade . No momento em que uma legislação permite o não recolhimento de algum tributo. portanto.99 Resposta: a Lei Complementar 101/00 em seu art. Precisam atacar sim. Ambos os conceitos são jurídica e semanticamente vagos. presente no capítulo V do Título III. CTN. indiretamente ligado ao bem de família. tendo em vista o assunto estar afeto à matéria de direito. o juiz é obrigado a ouvir previamente ambas partes na execução fiscal? Resposta: não. 2º) dentre as obrigações da Administração na elaboração do orçamento. Para Sabbag (2004. CTN: 1º) Exclui-se um crédito que deveria nascer e não vai nascer. levando-se ao raciocínio de que o legislador complementar atuou com impropriedade terminológica. a primeira se adstringe a matérias debatidas em embargos. a qual não preclui. quer seja ordinária (arts. devendo ser oposta antes da penhora (“pré-executividade”). deve-se retornar à previsão orçamentária inicial e EXCLUIR a respectiva receita. isso quer dizer que o imóvel fará às vezes de garantia da dívida decorrente de tributo. Pergunta: antes de reconhecer de ofício a prescrição. IV. 205). a lei torna penhorável o ‘bem de família’ tratando-se de impostos. não permitiria o ato de apreensão judicial (ex. CPC). Pergunta: a doutrina processualista costuma diferenciar a exceção de pré-executividade da objeção de não-executividade. § 5º. a exclusão do crédito tributário comporta “causas inibitórias do lançamento”. existe a previsão das receitas. Pergunta: os impostos que podem ensejar a penhora do imóvel familiar (art. 4º parágrafo 2º. visto que “ocorrem antes do . Mas ele possui o poder de fazê-lo caso queira. LEF). sendo incluído tudo o que se imagina arrecadar.COFINS. 40.

CTN. Informativo do STJ n° 325. essa imperdoável posição extraída da doutrina estruturalista germânica e adotada na letra da norma gera contra-sensos dessa monta. prevê que a exclusão do crédito tributário adstringe-se à isenção (dispensa de tributo) e à anistia (dispensa de penalidade). consoante comentário já realizado. Todos os fenômenos abrangidos são fatos geradores. § 2º. a isenção não alcança as exações nascidas depois de sua criação. por ser uma endonorma. o qual entende a isenção como disposição legal de incidência tributária. 139 c. Celeumas à parte. 1999). Sempre decorrente de lei. ISENÇÃO é chamada de endonorma pelos doutrinadores. não existe a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. confere permissivo às chamadas isenções geográficas (NOGUEIRA. “ex vi” dos arts. Paulo de Barros Carvalho assevera que a constituição do crédito tributário se dá com a realização do fato gerador. parágrafo único. o art. A norma que exclui o crédito tributário sempre afasta a obrigação principal. 133 STJ. cuja ocorrência se dá com a previsão da hipótese de incidência na lei tributária132. isto é. parágrafo único. Eliana Calmon. assevera que a isenção suspende a eficácia da norma impositiva tributária. CTN. a isenção não tem o condão de anular os efeitos da norma maior. 175. 205). A posição MAJORITÁRIA afirma que. II. pois. § 6º. REsp 723. 26/6/2007. 2ª T. 2004. 176. a isenção engloba os fenômenos havidos a partir de sua instituição. salvo se houver consenso de todas as unidades federadas no caso de ICMS (art. Linha minoritária assevera que qualquer hipótese abrangida pela isenção não pode se denominar fato gerador. há de se ressaltar “que o poder de isentar ou anistiar é correlato ao poder de criar tributos” (SABBAG. 175. O art. CTN). à luz da previsão abstrata legal (fato imponível descrito na norma). Rubens Gomes de Souza.575-MG. Desta feita. devendo ser respeitados os mesmos parâmetros diretivos desses (limitações ao poder de tributar. 150. 177. CF/88. CF/88)133. art. o equívoco semântico do texto legal se deve à sua visão míope sobre a constituição do crédito tributário. XII.100 lançamento e após o surgimento da obrigação tributária”. o fato abstrato deixa de existir e assim não pode surgir uma obrigação tributária. imunidades e princípios). . tendo por fulcro metajurídico elementos de cunho sócioeconômico e sócio-político (SABBAG. p. A norma cria uma exigência e o legislador faz surgir uma gama de casos particulares dentro dela. rel. j. e 176. Ricardo Lobo Torres (apud NOGUEIRA. Neste diapasão. Como se sujeita à reserva legal.. CTN). mas não as acessórias (art. Em verdade. neste. parágrafo único. 2004). Neste raciocínio. Respeitando o respeitável mentor do CTN. 1999. Min. admitindo-se a dispensa da obrigação principal para os isentos. isto é. 171). pela PROIBIÇÃO legal da chamada isenção em branco (art. resolução legislativa que aprova convênio não pode concedê-la. Não há de se formalizar a relação jurídica para torná-la exigível. conquanto se afasta a obrigação principal das hipóteses de isenção. 175. 155. Essa é a posição perfilhada pelo Excelso Pretório. “g”. p. CTN).c. de modo a dispensar o contribuinte da obrigação principal. não há elementos suficientes e legais para “constituir um crédito tributário” em face de um fenômeno isento. Todavia. CTN. com o objetivo de “compensar desigualdade em função de condições 132 Indo um pouco mais fundo.

a retirada da sanção tributária pecuniária. nos termos da legislação. “caput”. CTN). desde que observada a anterioridade originária (art. sendo aplicada às penas anteriores à sua instituição. preferiu ele manter o uso da visão codificada do legislador tributário. 104. não cabendo qualquer análise por parte da Administração Tributária. a isenção pode ser geral ou específica. o qual coaduna com a tese da constituição do crédito tributário pela hipótese de incidência.101 peculiares”. DL 8031/45 (isenção de II e de IPI para equipamentos integrados ao ativo da Companhia Hidrelétrico do São Francisco – CHESF). 1999). Min. art. a anistia alcançará 134 135 STJ. parte inicial. Súmula 615 do STF: O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. pela Lei 8032/90 – o primeiro comando não pode conferir um direito adquirido à beneficiária. cabendo-lhe exarar despacho concessivo (art. bem como um prazo para o aproveitamento dos benefícios. Segundo Sabbag (2004. a anistia encontra fulcro maior no “indulgentia principis” do Direito Penal. Ex. Decorre de razões de política fiscal e atendimento de certas conjunturas e circunstâncias não só econômicas. em contrário senso) e jurisprudencial (Súmula 544 do STF136). versando inclusive sobre a mencionada isenção em branco (art. REsp 575. como observam Sabbag (2004) e Nogueira (1999). A vontade do legislador vai determinar os limites de abrangência. p. CTN (NOGUEIRA. A específica é aquela que depende de verificação. é o “perdão legal das penalidades pecuniárias antes da constituição do crédito tributário”137. no campo concreto. CTN. mediante requerimento. configurando verdadeira “fossilização” do ordenamento134. por expressa manifestação legislativa (art. 11/9/2007. Na ANISTIA. essa disposição pode ser excepcionada pelo legislador concedente. Cf. Ela é o PERDÃO. . A INCONDICIONAL é isenção que não estipula qualquer requisito especial para sua concessão.806-PE. rel. CTN). desde que devidamente prevista em diploma competente. mas a infração. a jurisprudência não tem reconhecido a aplicação da anterioridade à revogação das anistias incondicionais135. há certas diferenças para com a isenção. 178. Mesmo assim. Herman Benjamin. pelo fisco. 153 da CF de 1969) não se aplica à revogação de isenção do ICM. I. por diploma de igual hierarquia àquele concessório. ou seja. III. 179. Qualquer penalidade. justamente para não causar ainda mais confusão na explanação didática dos institutos em análise. opera causa de extinção da punibilidade. A pena pode ainda não existir no plano formal. pode ser revogada a qualquer tempo. como bem ventila o art.c. Entretanto. Porém. Para Sabbag (2004). j. 178 c. 177. Para Nogueira (1999). já existe. não se aplicando às taxas e às contribuições de melhoria em razão da necessária contraprestação direta. pode ser passível de anistia. incondicional ou condicional. 177. A condicional é irrevogável. Neste caso. CTN). indireta ou indenizatória dessas exações. a finalidade principal é retirar a situação de impontualidade do inadimplente da obrigação. “caput”. Em termos classificatórios. A geral é aquela decorrente diretamente de lei.: revogação do art. da situação apresentada pelo contribuinte. 8º. Informativo do STJ n° 331. É importante também dizer que as isenções só alcançarão os tributos não vinculados (impostos). 137 Apesar da posição pessoal do autor. 1999). 136 Súmula 544 do STF: isenção tributária concedida sob condição onerosa não pode ser livremente suprimida. 208). como é o caso de calamidades (NOGUEIRA. o qual não poderia ser desfeito nem mesmo por lei superveniente.

Lei 8009/90 – créditos previdenciários e trabalhistas decorrentes de relação empregatícia em função do imóvel e tributos relativos ao próprio bem (em 138 Neste aspecto. CPC (bens impenhoráveis). I a X. op.102 tais fenômenos. Contudo. 184. Inoponibilidade de garantias reais ao fisco (art. cláusulas de inalienabilidade. CTN). à imposição de penalidade tributária. pela notificação –. 4ª ed. I e IV. é adepto da corrente que entende o lançamento como perfeito em um só ato (a notificação). conclui que o lançamento não tem o condão de impedir a concessão de anistia. IV. NÃO ATINGINDO os valores referentes ao crédito tributário (obrigação principal)138. CTN) e as demais infrações tributárias cometidas em concurso de pessoas (art. bem como os crimes e as contravenções (art. 649. 97. Desta feita. não há de se cogitar a anistia (SABBAG.: art. I. CTN. 180. “caput”. . II. de acordo com a Súmula 49 do STF: “A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens”. “in fine”. cit. A natureza de receita pública. de incomunicabilidade ou de impenhorabilidade140 não produzem efeito quanto ao fisco. podendo o legislador inovar nesse sentido. admitindo o autor a sua incidência mesmo em crédito já lançado. permitindo a penhora da coisa. porque esta se refere ao crédito tributário “per se”. Coleção Sinopses Jurídicas. VI. art. mas sim em remissão. O procedimento para a isenção e para a anistia se dá à luz do comando diretivo do CTN. 16. porque a benesse cabível seria a remissão (art. Dessarte. mas continua com a obrigação principal e outras acessórias dela decorrentes. 1º. não abrange as sanções já lançadas. a anistia não se confunde com a remissão (art. 139 Sabbag. Ex.. os parâmetros de aplicação dos institutos em tela (art. impostas ou formalizadas). op. CTN). São Paulo. enquanto aquela. CTN). CTN) – as estipulações entre particulares no tocante aos gravames reais não atingem a exigência de crédito tributário. cit. direcionada ao custeio das funções públicas. v. 156. essa colocação também se aplica ao fisco. Saraiva. CTN). 140 A cláusula de inalienabilidade engloba também a incomunicabilidade. As garantias da Fazenda Pública quanto ao crédito tributário estão elencadas em rol exemplificativo nos arts. o comando prevalece sobre a lei tributária (art. se a impenhorabilidade for legalmente instituída. Dessa feita. 3º. Essa linha. Com efeito. 180. Amaro. O legislador ordinário determina-lo-á. Depois de “constituído o crédito” pelo lançamento – em outras palavras. Direito Tributário. As disposições só são válidas entre particulares. ou seja. O contribuinte fica dispensado do cumprimento de certa penalidade. não tendo vez frente aos preceitos de ordem pública da norma tributária (função social dos contratos).. op. 156. fazendo-se merecer especialidade na sua regulação. Caso a própria lei excepcione a impenhorabilidade. e outros. IV.. cit. “caput” e parágrafo único. 142. ao tê-lo como procedimento (sucessão de atos). simulação ou fraude.: art. Ricardo Cunha Chimenti. a anistia retroage a fatos já ocorridos.. apoiada pela maioria da doutrina. Garantias do Crédito Tributário Não são inconstitucionais. requer um tratamento desigual relegado ao fisco. Lei 8009/90 (bem de família). 2004)139. como Sabbag. Ex. Também não alcança os atos cometidos com dolo. 2002. 183 a 193. apresentando espectro amplo quanto às sanções (cometidas. havendo notificação do contribuinte. 184. não há mais de se falar em anistia. ao contrário do que apregoa a doutrina prevalente e a própria redação do art. encontra resistência em doutrina isolada. baseado na citada LC. CTN. CTN). porque colimam a isonomia.

Lei 8009/90). se o tributo a ser cobrado não assim se manifesta. porque o único bem idôneo a solver a dívida foi alienado em contrário ao art. o saldo será restituído ao devedor (art.). como título executivo extrajudicial. 185-A. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. “caput”. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. de esgoto. CTN). 185-A. Ex. A certidão de dívida ativa. o fato depende da natureza do crédito fiscal da Fazenda Pública: caso a exação originária seja do imóvel de propriedade do contribuinte. em qualquer órgão. patrimônio apto a satisfazer o crédito tributário. o sujeito passivo aliena um desses. Depois de ajuizada a demanda. CTN) – o juiz da vara de execuções fiscais pode declarar a indisponibilidade de bens do executado em face de dívida fiscal não adimplida. 185. Em que pese não haver um sistema informatizado totalmente abrangente. pelo meirinho. do contrário. 3º. “caput”. dentro do processo civil. o devedor não paga no prazo legal. apta a registrar patrimônio (art. CTN). o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. não nomeia bens nem é verificado. porque. depois da hasta pública. instruirá a inicial da execução fiscal. a Fazenda Pública pode alcançar a ineficácia da alienação feita pelo contribuinte. importam em fraude à execução. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. cada um de $100. 185-A. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). Fraude à “execução fiscal” (art.103 decorrência da propriedade – ITR e IPTU – e do poder de polícia estatal – taxa do lixo141. “Penhora on-line” (art. 185-A. procedimento e ato dotado de presunção de legalidade e de legitimidade. CTN). o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. incide a mencionada fraude. § 2º. 185. . Câmara (2006) afirma que surgiu um novo instituto: fraude à administração fiscal. CTN. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. pública ou privada. No âmbito tributário. não existe fraude. o que ainda não é pacífico. entidade ou instituição. etc. tornando-o passível de penhora (art. Para tal. I e II. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. porquanto ambos decorrem do mesmo poder de polícia sanitária do Município. § 1º. Depois de inscrita a dívida ativa. CTN) – depois da citação válida. exige-se regular citação do executado. essa é mais profunda. Para responder se há ou não fraude ao fisco. CTN).: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. porque o legislador previu abrangência em todo território nacional. porque a impenhorabilidade do bem de família é excepcionada. 141 A jurisprudência não admite a cumulação entre taxa do lixo e taxa para limpeza de logradouros públicos. muito pelo que não são encontrados bens aptos à penhora (art. Para ficar submetido à indisponibilidade. já existe o ambiente jurídico para tal. Todo esse trâmite demanda muito tempo. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. Fraude à administração fiscal e bem de família – supondo que o devedor tenha débito fiscal de $70 e possua dois imóveis. A presunção de certeza e liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno administrativo. Trata-se de presunção absoluta. de eletricidade. Como o imóvel restante não é penhorável. 185.

p. sua penhora é realizada no rosto do processo da quebra. de acordo com o arts. nos termos de seu art. I a III. Cobrança judicial dos importes tributários inscritos em dívida ativa. e o segundo seja anterior à falência (arts. CTN). 241) assevera que a atribuição de administrar tributos importa em três funções: Procedimentos fiscalizatórios adequados. 83. Crédito tributário na falência (arts. devolvendo-se o saldo ao devedor. Essa disposição só cabe se divisível o bem. Nessa última hipótese. No mesmo raciocínio. ele vai à hasta pública. específico de cada ente ou relativo a cada exação instituída. ao revés. porquanto estatui que os impostos estaduais . 84. Nesse passo. Sabbag (2004. Sabbag (2004. Secundando o legislador do CTN. LF. é perfeitamente possível crédito quirografário ter preferência sobre tributário. 41. 187. caso em que o montante da arrematação será deferido ao juízo universal. possivelmente. O feito permanece no seu juízo privativo. sob pena de suscitar mandado de segurança pela diferença e. CTN). CC. a norma geral será o CTN. Medidas de controle e verificação da realidade fiscal do contribuinte. de indenização por dano moral. São a União. Em verdade. existe também a argüição de excesso de indisponibilidade. O constituinte dá indício dessa assertiva. os Estados. 147. CTN). o DF e os Municípios. p. 1ª parte. e 186. 479). “caput”. porquanto sua competência e sua capacidade tributárias são deferidas à União (art. essa deve ser limitada ao valor da dívida em discussão. 255) ensina que os Territórios Federais não se constituem dessa forma. e 188. CTN) – a relação de preferência no concurso de credores está determinado na LF (Lei 11101/05). o produto da arrematação é entregue à massa. porquanto sequer possuem Fazenda Pública (art. LF. 209. 209. cuja atuação é imprescindível inclusive para o próprio recolhimento de alguns tributos. Essa atribuição é de suma importância para a função arrecadatória do fisco. CTN). Administração Tributária Introdução – a fiscalização tributária é assunto deferido ao legislador ordinário. 194. o fisco não precisa se habilitar no processo falimentar. na dicção do art. não há de se retirar a salvaguarda da Fazenda Pública com fulcro em excesso de indisponibilidade. Inexiste qualquer competência tributária deferida aos Territórios. a qual abrange os entes políticos (art. O fisco pode receber antes do detentor de crédito trabalhista. Todavia. CTN. visto que o efeito atrativo do juízo universal não se lhe aplica (art. 186 e 188. 2006. mormente aqueles dependentes de lançamento (AMARO. Nesse caso. p.104 Dentro da idéia de excesso de penhora. CF/88). dada a situação concreta submetida ao sujeito passivo. A administração de tributos é realizada pela Fazenda Pública. porque. Essa situação também vige se a penhora precede ao ajuizamento da falência. respeitando a ordem de prevalência estabelecida na LF. “caput”. Quando a execução fiscal fora instaurada antes da ação falimentar. Todavia. desde que aquele tenha crédito extraconcursal (depois da decretação da falência).

Também não é possível imposição de medidas de garantia nem incidência de juros moratórios. D. assim como a funcionalidade do próprio Sistema Tributário Nacional (art. II. 70235/72. CTN). o art. deixa claro que até mesmo os imunes e isentos devem se render aos comandos normativos tributários. CTN. 70235/72 (FÜHRER e FÜHRER. a consulta permite recurso administrativo e reapreciação da matéria por instância superior. CTN). a legislação tributária é dirigida tanto à autoridade administrativa tributária quanto aos administrados. CF/88). impessoalidade. disposição que é reforçada pelo art. Em verdade. apesar de vigorar correção monetária. aplicável à Administração Tributária. I a VIII. 2001. 78. Destinatários – usando a terminologia do codex. uma vez se afigure embaraço ou desacato tal ao exercício que torne impossível sua efetivação (art. 194. 52. 56. pelo qual o contribuinte pode submeter uma dúvida sobre cumprimento de obrigação tributária à autoridade fazendária. nos termos dos arts. a autoridade poderá compelir o consulente a cumprir determinada obrigação. Mesmo outras pessoas podem ser objeto de fiscalização pela autoridade. D. é abrangente as determinações do legislador. Quando pende consulta. 52. D. publicidade e eficiência (art. não é possível aplicação de penalidades nem ajuizamento de execução fiscal (art. na resposta. apesar de não ser permitida quando tais expedientes já foram iniciados (art. É matéria regulamentada pelo D. “caput”. a expressão “impostos” pode ser interpretada como tributos. 54. D. Sabbag (2004. III e IV. p. 2001. a resposta dada pela autoridade tributária e favorável ao contribuinte vincula a Administração Tributária. 2ª parte. bem como considerar a consulta ineficaz ou incabível (arts. 175. XV. CF/88). 200. o que talvez afastasse o interesse do jurisdicionado pelo instituto (FÜHRER e FÜHRER. parágrafo único. 76). Da resposta proferida. quando cada um deles exercerá plenamente sua capacidade tributária própria (art. CF/88). 161. Amaro (2006. 70235/72). 70235/72). Quanto a esses. terceiros alheios. No entanto. e 55. quando devam prestar informações. os agentes do fisco poderão requisitar força policial para levar a cabo seu ofício. A atuação dos agentes de fiscalização deve observar o princípio da estrita legalidade. “caput”. postulando pela aplicação integral de todos os princípios administrativos: legalidade. nenhuma medida pode ser tomada em desfavor do consulente em até trinta dias (art. diploma que também trata do procedimento administrativo fiscal. mormente no que concerne às obrigações acessórias. praticar atos ou abster-se de fatos em nome do poder de polícia do fisco (art. Assim como no PAF. 37. moralidade. I e . Essa regra só é excepcionada se o Território for dividido em Municípios. parágrafo único. 245) avança um pouco mais. Consulta – o art. CF/88). 76). p. 147. p. Mesmo que não haja configuração de crime. 48. podendo abarcar. refere-se ao procedimento de consulta.105 correspondentes são incumbência da União (art. CTN. 480) lembra que o Senado tem competência exclusiva para avaliar periodicamente o desempenho da fiscalização tributária de todos os entes federados. “caput”. Nesse ponto. 147. 70235/72). 48. 52. 1ª parte. Apesar disso. § 2º. CTN. p. além dos sujeitos passivos da relação jurídico-tributária (contribuintes e responsáveis).

Lei 8112/91. CTN). 197. ou previdenciária. consubstanciada pelo CTN (CHIMENTI. quaisquer livros comerciais. 120). 195. Além dos próprios sujeitos passivos da relação jurídicotributária. p. ou mesmo negócios aos quais sejam alheias as informações demandadas” (AMARO. sendo considerada ineficaz (SABBAG. Havendo conflito entre o dever de guardar segredo (dever legal de sigilo) e o interesse da Administração Tributária. No ambiente tributário. 242). limitado o exame aos pontos objeto da investigação”. p. sacerdotes. 197. arrola vários obrigados nessa faina. O rol do comando considerado é fechado nos seus termos. 119). para torná-lo indevassável. o sigilo bebe na fonte dos Direitos Fundamentais. 46. . p. a teor do que já disse a citada Súmula 439 do Supremo. No entanto. O legislador exigiu pertinência temática entre o objeto da fiscalização e o ato fiscalizatório. III. Ex. X e XII. CC). e 1193. os arts. além de documentos relativos a lançamento. 5º. Sigilo fiscal – sigilo é aquilo que representa o selo que lacra o que não pode ou não deve ser divulgado. CF/88). CTN.106 II. I a VII. apesar do legislador não ter falado na segunda (AMARO. “ninguém pode ser obrigado a prestar informações sobre os negócios de outrem só porque eventualmente mantenha com ele relações de amizade ou de parentesco. 54. D. por exemplo. O art. p. asseguram o exame amplo e genérico no processo de fiscalização. “b” e “c”. 1190. 197. No entanto. 70235/72). tem o dever de prestar informações ao fisco. Deve ser preservado pelo fiscalizado até o decurso de prescrição ou de decadência a ele relativas (art. 195. muito pelo qual é decorrência do véu que se abate sobre a privacidade e sobre os dados pessoais (art. desde que atinentes à sua função fiscalizatória.: advogados. sob pena de importar em abuso de autoridade (Súmula 439 do STF)142. o legislador deu prevalência ao primeiro (art. D. 2004. 142 Súmula 439 do STF: “Estão sujeitos à fiscalização tributária. VII. 2002. a autoridade tributária tem prerrogativa sobre os segredos de cada pessoa. D. CTN. No entanto. quando o causídico estiver exercendo função atípica. CTN). O próprio dever de prestar informações e de apresentar documentos para fins fiscalizatórios se constitui como obrigação tributária acessória (art. Qualquer disposição normativa que venha a limitar a atuação do fisco está em desacordo com a norma geral tributária. 481). a verificação deve guardar nexo com o objetivo do procedimento. CTN). Nessa hipótese. psicólogos. 70235/72. 197. Apesar de a legislação comum proteger a exibição de livros e de documentos contábeis do empresário (art. parágrafo único. CC. 33. “caput”. “caput”. como ensina Robson Baroni. 2006. parágrafo único. colocando desta forma um manto sobre o segredo. 70235/72). médicos e outros. parágrafo único. § 1º. Esse arcabouço probatório é composto por livros comerciais e fiscais. como inventariante ou como administrador judicial em falência. p. 2006. o julgamento da dúvida será feito por instância única. Porém. entidades econômicas e profissionais e órgãos da Administração Pública têm legitimidade para aduzir consulta (art. CTN). como rememora Chimenti (2002. em que pese o legislador poder ampliá-lo “de lege ferenda” (art. 483). cuja autoridade competente é o coordenador do Sistema de Tributação da atual SRFB (art.

§ 3º. houve preocupação na entrega pessoal do cabedal de informações. Solicitações e autoridade administrativa acerca de infração disciplinar praticada por servidor público. CTN. que está tendo sua constitucionalidade contestada. Entretanto. A prevalência do sigilo quanto a terceiros deve ser colimada na formalização do ato. parágrafo único. por intermédio do BACEN ou da CVM.107 Em regra. os agentes da Fazenda Pública não têm vênia para divulgar dados sobre situação econômica ou financeira de fiscalizados (art. A AGU pode requisitar informações ao BACEN e a CVM para instruir processos em que esteja atuando (art. desde que haja processo administrativo fiscal instaurado. A LC 105/01. CF/88). LC 105/01). em face do art. porquanto o art. colimou restringir o compartilhamento de informações entre Estado e particular. §§ 1º a 3º. 3º. 6º. 5º. tributo que possui finalidades concomitantes de arrecadação e de fiscalização. § 3º. as instituições financeiras deverão remeter à SRFB informações para identificação de contribuintes e de valores relativos à CPMF. Antes do referido diploma. . 198. na conformação que lhe der tratado entre a União e outros Estados (art. 58. “caput”. Representação fiscal para fins criminais. perante o STF. “caput”. CF/88. Necessidades materiais para ativação de dívida da Fazenda Pública. desde que haja PAD instalado para investigar o sujeito passivo tributário. Repartição mútua de dados entre diferentes órgãos estatais no interesse da fiscalização tributária. Sabbag (2004. § 3º. Na esteira do diploma. com o intuito de evitar e reprimir crimes de lavagem de dinheiro. a ser efetivada mediante recibo. p. 58. Com fulcro no art. Na terceira hipótese supra aduzida. inclusive entre entes políticos diversos. assegura a quebra de sigilo bancário pelas autoridades tributárias. a Lei 9613/98 confere poder ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para requisitar informações bancárias e fiscais. CTN). desde que autorizada pelo plenário da Casa Legislativa ou da própria comissão. o próprio legislador excepcionou o mandamento em algumas situações (art. “caput”. 199. Enfim. X e XII. “caput”. mediante lei ou convênio (art. O permissivo só é aplicável se houver PAF ou procedimento de fiscalização regularmente instaurado (art. 199. a jurisprudência era pacífica em proibir a prática por parte da Administração. I e II. a mesma lei conferiu idêntica prerrogativa às CPI’s. importante ressaltar que o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos estatais pode ser feito até mesmo no âmbito internacional. Requisição de CPI (art. CTN). 198. No diapasão. LC 105/01). independentemente de vênia judicial. 199. CF/88. CTN). 247) professa que a inexistência de convênio não impede a troca de dados sigilos fiscais entre órgãos públicos. CTN): Requisição de autoridade judicial. Concessão de parcelamento ou de moratória.

não a fiscalização em si. o qual será apresentado ao inquirido. LC 105/01). quer sejam acessórias”. 196. 1º. CTN) e garante a defesa do investigado (CHIMENTI. o servidor público responsável arcará civil e funcionalmente pelo seu ato comissivo ou omissivo. 11. é possível extrair seu sentido ontológico. quando da apuração de crimes contra a Administração. Sabbag (2004. entende que a LC 105/01 e outras normas no mesmo sentido não são inconstitucionais. expressamente esculpida no art. parágrafo único. 196. Não sendo possível. É importante também para caracterizar ou não denúncia espontânea. p. porquanto fala em fixação de termo inicial e final (art. CTN). a fiscalização é dirigida pelo princípio documental. Segundo o autor. Como postula Amaro (2006. 138. LC 105/01. 145. o BACEN e a CVM são obrigadas a representar perante o Parquet para as medidas julgadas cabíveis (art. § 4º. 8º. Todavia. e 6º. 241) a define como sendo “atos de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. parágrafo único. CTN). p.108 A autorização judicial para a quebra de sigilo bancário e fiscal. § 1º. em que todos os atos devem ser reduzidos a termo. No entanto. Se houver prejuízo em decorrência do vazamento de dados. “caput”. “caput” e parágrafo único. “caput”. De fato. 9º. o legislador lhe fez referência como procedimento. 2002. quer sejam principais. Nos termos do art. não tem prerrogativa de requisitar informações bancárias e fiscais por força própria. cuja lavratura também encontra previsão nos arts. LC 105/01). mediante recibo. 120). A lavratura do início do procedimento fiscalizatório influencia na apreciação da decadência (porque seu termo inicial é a notificação do procedimento de fiscalização – art. apenados com reclusão de um a quatro anos e multa (art. A infringência das regras sobre quebra de sigilo bancário e fiscal. porquanto assentadas no art. “caput” e parágrafo único. ao fiscalizado (art. cópia deve ser entregue. p. só será assim considerada a confissão de dívida tributária havida antes de documentado o ato. a teor do que se posiciona a jurisprudência. Essa assertiva advém diretamente da segurança jurídica. D. 482). se ficar provado que agiu de acordo com a orientação da instituição. 5º. LC 105/01). Chimenti (2002. a denúncia não é válida. bem como a prática de atos que importem omissão. 10. 122). A prévia fixação do término da investigação é um dos mais relevantes pressupostos para a regular tramitação do exame tributário. LC 105/01). quando é confeccionado documento apartado. “caput”. o que se deve rechaçar são os abusos e o vazamento de informações. pode ser decretada em IP ou em ação judicial (art. essa responderá objetivamente (art. retardamento injustificado ou prestação de informações falsas constituem ilícitos penais. p. . 70235/72. CTN. Fiscalização – circundando o conceito de fiscalização dado pelo CTN. 173. comportando efeitos diversos na relação entre sujeito passivo e Administração Tributária. “in fine”. Depois desse momento. os quais comporão autos. CF/88. presentes indícios de crime de ação penal pública. O Ministério Público. O termo inicial da análise fiscal deve ser preferencialmente registrado em livro especial. Em contrapartida à mencionada ADIn.

171). Min. nos termos do art. e parágrafo único. prossegue o PAF. DJ 27/4/2007. “caput”. porque se trata de aplicação do art. entendimento secundado pelo STJ143. REsp 943. o crédito tributário (não suspenso. CTN). Exatamente por essa razão. 204. José Delgado.830. mesmo em sede recursal. extingue-se o crédito tributário. RE 233582/RJ. 14. geralmente de 30 dias (art. formada a coisa julgada administrativa.. com efeito.789-PA. aliás. 171). Segundo o STF. 203. CTN). 202. 201. Esse é iniciado por auto de infração. Min. CTN). Marco Aurélio. 70235/72). rel. o ato administrativo goza de presunção relativa de liquidez e de certeza quanto ao crédito representado (art. com precedentes no AgRg no Ag 112. 585. 19/6/2007. LEF. 38 da Lei nº 6. XXXIV e XXXV. O ajuizamento de qualquer demanda judicial implica na renúncia ao recurso administrativo interposto. rel. LEF. D. 1ª T. o legislador emprestou-lhe o valor de título executivo extrajudicial (art. valor devido.2007. fundamento legal. Essa exigência. DJ 28/5/2001. escoradas no art. CTN): identificação do devedor e co-responsáveis. CPC). Caso o contribuinte seja vencedor na primeira instância administrativa. 151. o qual trata da desistência tácita a recurso judicial145. 38. 16. suspendendo-se a exigibilidade do crédito tributário (art. Joaquim Barbosa. 2001. Ocorre somente depois de instaurado e concluído processo administrativo fiscal (PAF). I a V. CF/88). é considerada inconstitucional pelo STF. p. . 77). No apontamento. com o livro e a folha de inscrição (art. não excluído e não extinto) é lançado em livro próprio (atualmente. p. No primeiro caso. o interessado pode pagar ou apresentar defesa. por notificação de lançamento ou por apreensão de livros e mercadorias (FÜHRER e FÜHRER. ninguém pode ficar submetido eternamente ao crivo da Administração. Plenário.116-SP. Dessa decisão. como precedente na ADI 1. caracterizando a ativação da dívida da Fazenda Pública (art. prevêem depósito recursal para a discussão administrativa (cláusula “solve et repete”). representada geralmente pelo Conselho de Contribuintes (na seara federal – DL 1438/45) ou por Tribunal de Impostos e Taxas (no âmbito estadual e distrital). CPC. como já se posicionou o STF. CTN). III. DJ 30/6/1997. data de inscrição e identificação do PAF. Informativo do STJ n° 324. com decisão desfavorável ao sujeito passivo. parágrafo único. CF/88. 5º. AC 1. “caput” e parágrafo único. esse comando não ofende o direito de petição e a inafastabilidade do Judiciário (art. VII. 144 Súmula 247 do TFR: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. O julgamento da pretensão geralmente é realizado por delegado fazendário ou por órgão especializado. devem ficar perfeitos vários dados. STJ. e no RMS 240-SP. várias legislações. o único formado unilateralmente 143 143 STF. também chamada de impugnação ou de reclamação (CHIMENTI.566-MG. “caput”. 145 STF.073-DF.8. no decurso assinalado. 38. no segundo. De outra parte. 503. porquanto todos têm direito ao sossego público. cadastro eletrônico). Notificado da instauração do procedimento. “caput”. Inscrição em dívida ativa – Sabbag (2004. DJ 1º/6/1992. cabe recurso hierárquico à instância administrativa de superposição. porquanto a decisão é tangida pela imutabilidade do trânsito em julgado. descabe reexame necessário pela própria Fazenda Pública. p/ o acórdão Min. 250) define dívida ativa como crédito tributário inscrito. j. rel. 2002. Informativo do STF n° 476. sob pena de nulidade do ato (art. orig. Esse entendimento já estava consolidado na Súmula 247 do extinto TFR144. Uma vez perfeita a inscrição. j.109 “caput”. p. de 1980”. Segundo Chimenti (2002.

como meio de erigir uma presunção absoluta em prol do administrado.. I a VI. 206. contados do requerimento (art. AgRg no REsp 942. José Delgado. CTN) produz os mesmos reflexos jurídicos da CND. parágrafo único. j. como já está pacificado na jurisprudência. 203. Trata-se de documento de expedição obrigatória por parte da autoridade solicitada. DJU 26/6/2007. a existência de autêntica imunidade tributária (SABBAG. pois pode ser elidida por prova em contrário (art. com execução garantida ou com exigibilidade suspensa (art. 252). 207. Nesse sentido. nesse ponto. a qual necessariamente deverá estar anexada na exordial de execução fiscal (art. CTN). naquilo que concerne à parte modificada. Nessa hipótese.002-SP. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. A partir da ativação. CTN. há doutrina que defende. 20/9/2007. 5º. 201.110 pelo credor (ASSIS apud CÂMARA. CTN. 27/6/2007. O STJ ainda adverte que a correção deve aterse a erro material ou formal. Certidão negativa – o direito de certidão é remédio constitucional assegurado pelo art. REsp 196. Todavia. apesar de fazer com que os participantes do ato respondam pela integridade do débito. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. CF/88. dispensa a exibição do documento. 1ª Seç. por estar consubstanciado abuso da autoridade competente (SABBAG. a qual deverá aduzi-lo em até 10 dias. sujeito à nulidade absoluta146. rel. é exigida prova da quitação de tributos. AgRg no REsp 932. CTN. 212). a qual se liga à decisão nos embargos à execução fiscal. Eventual nulidade no ato de inscrição da dívida ativa pode ser elidida pela autoridade tributária.. O art. 1ª T. § 8º. a Fazenda Pública expede certidão de regularização ou certidão negativa com efeitos de negativa. a qual. pode ser extraída certidão de dívida ativa. pela gravidade. 2006.663-SP. o art. “b”. mesmo ante o breve decurso assinalado pela lei para a expedição da CND. A inobservância do interregno pode ensejar a impetração de mandado de segurança. 147 STJ.982-RS. 253). realização de certos atos ou participação em algumas situações. Para celebração de determinados negócios. LEF). Informativo do STJ n° 325. correção e eventuais penalidades. 2004. 6º. Vale ressaltar que a corte também já assentou entendimento no sentido da desnecessidade de novo ato de lançamento para simples retificação aritmética da CDA. e 2º.402-RS. EREsp 602. a fluência de juros não afeta a liquidez do título (art. rel. LEF. 204. p. conferiram a prerrogativa de fazê-lo até a decisão de primeira instância jurisdicional. p. implica em vício insanável. Humberto Martins. Nessa situação. De outra sorte. A certidão negativa de débito (CND) para com a Fazenda Pública vem exatamente nesse sentido. A presunção ora em comento é relativa. parágrafo único. Informativo do STJ n° 332. j. afirma que a certidão positiva que ateste crédito vincendo. Amaro (2006. § 1º. CTN). CTN). os arts. p. XXXIV. 2004. parágrafo único. 151. urgindo escrituração contábil totalmente nova147. pode ocorrer que a urgência não permita a espera. 205. não atingindo inexistência de requisito essencial da certidão. Min. 486) diz que o STJ. salvo se a alteração a ser efetivada comportar total mudança no seu teor. p. juros. DJU 13/3/2000. Por esse motivo. Min. incluindo principal. 146 .

sem interrupção. A SRF foi unificada à Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). 210. sem prejuízo de responsabilidade penal e administrativa (art. por dolo ou fraude. 2004. 2º. 2º. § 1º.111 legislador concedeu uma benesse ao contribuinte para evitar a caducidade de um direito. o art. A sujeição ativa tributária e a parafiscalidade foram modificadas pelo diploma. direciona os valores decorrentes ao Fundo da Previdência Social. 7º. confere capacidade tributária ativa à SRFB no tocante às contribuições sociais. mas a CND terá efeito liberatório geral. o agente público responderá pelo ato na esfera criminal e penal. sendo instituto mais abrangente que a mera capacidade tributária ativa. “caput”. 155 da CF/88 estabelece os impostos de competência dos Estados federados. instituídas atualmente ou “de lege ferenda”. No último caso. 210. no sentido de que os termos (final e inicial) só serão considerados quando houver expediente regular na repartição (art. Antes de tudo. “caput”. excluindo-se o dia de início e incluindo-se o termo final. a discussão tangencia exatamente a capacidade ativa e a parafiscalidade. Em relação à SRFB. Em decorrência. “Super Receita” A Lei 11457/07 instituiu a SRFB. valendo como dias sem funcionamento. responderá pessoalmente pelos valores decorrentes e eventuais acréscimos (art. Dessa forma. “Os prazos serão contínuos. Quando o servidor expedir CND com inobservância de preceitos formais. formando um só órgão. parágrafo único. Lei 11457/07.: o . parágrafo único. é precípuo destacar que toda a tributação da alçada estadual deve levar em consideração dois elementos: o local onde se deu o fato gerador e a regência da LEGISLAÇÃO ESTADUAL sobre tal. não implica em parafiscalidade das contribuições sociais em relação à SRFB. Lei 11457/07. Prazos no CTN A teor do art. ponto facultativo e meio expediente não são computados como tais. Essa se verifica quando há delegação de fiscalização. não responderá civilmente pelos prejuízos ao erário. sendo detida pelas pessoas políticas. domingos ou feriados” (SABBAG. 255). CTN). como bem vem aventando a jurisprudência. mas cobrou-lhe alto preço em contrapartida. 208. pelos sábados. CTN). arrecadação e administração de tributos. Quando atua com culpa. No entanto. “caput”. o art. a capacidade tributária ativa (arrecadar e fiscalizar tributos) pode ser delegada (art. É essa que caracteriza o sujeito ativo da relação jurídico-tributária. A referida delegação não necessariamente implica em parafiscalidade. p. “caput”. CTN). A competência tributária é indelegável. No entanto. em contrário senso. Impostos em Espécie Introdução – o art. vale lembrar a colocação do autor. Entretanto. Ex. CTN). Com efeito. 208. os decursos são contados exatamente na forma do processo civil. CTN.

112 ITCMD leva em conta o local onde estão os bens do “de cujus” e não onde este veio a falecer. . não é mercadoria. Fechando o ciclo. mercadoria é aquele OBJETO DE MERCÂNCIA. de modo a dirimir eventuais disparidades para com as exações regionais e federais. Para entendê-los. Para solver tais entraves. as Receitas Estaduais. IX. Seu inciso I fala do II. Essa mutação constitucional. quando a exação seria devida no emissor. Ex. Pode ser natural ou totalmente artificial. Nesse contexto. Passaram a exigir dos transportadores o ICMS integral das mercadorias que entram em seus Estados. a bitributação do mesmo fato gerador. de modo concreto. dada a dificuldade de fiscalizar os fatos geradores. O que diferencia o produto da mercadoria é a destinação. vez que o II incide sobre PRODUTOS. O órgão tem por escopo padronizar os procedimentos tributários. porquanto da sua natureza jurídica. do qual mercadoria é espécie. consoante comentário já realizado. ES e PE). foi criado o CONFAZ – Conselho Nacional Fazendário (27 secretários de Fazenda dos Estados e alguns membros da Receita Federal e Previdenciária). passaram a adotar um modo operante simplificador. ela consubstancia somente um bem móvel de uso doméstico. hodiernamente. Ex. A prática é totalmente inconstitucional. como notas. permitiu. 153. CF/88. o ICMS. o Supremo passou a referendar a exação sobre produtos importados (art. Aquele resulta da atividade humana. qual o seja a entrada de produtos importados em território nacional. à padronização de alguns documentos fiscais. muito criticada pela doutrina. Dentro deste universo. em operações de importação. que está no trajeto indústria-comércio. para tornar mais eficaz o recolhimento. Em face das diferentes normas dos 27 Estados brasileiros.: há unidades da federação que exigem o porte da GARE de recolhimento do IPVA junto com o RENAVAM (BA. Alguns países não tributam produtos importados para uso próprio do consumidor. “a”. Produto é gênero.: a geladeira. ainda se está muito longe de uma harmonização razoável entre as legislações vigentes. ou seja. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados) – o art. Entretanto. Já nosso sistema tributário não alcança tal beneplácito. O trabalho efetivo do CONFAZ resume-se. O inciso II fala do IE. preliminarmente. o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) decidiu que o porte da guia de recolhimento de IPVA não é obrigatório ao condutor por ocasião de fiscalização de trânsito. NÃO SOBRE MERCADORIAS. incidia sobre mercadorias. a arrepio da Constituição. para o Exterior. CF/88). indica os impostos de competência da União. conhecimentos de transporte e guias de recolhimento. Para tentar dirimir tal entrave. o que pode gerar conflitos de legislação. uma vez adquirida e utilizada pelo consumidor. a EC 42/03 determinou que o importador fosse 148 Por meio de recente resolução. 155. Depois da reforma constitucional. II (Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros) e IE (Imposto sobre Exportação. há tratamento tributário diferenciado. Esta medida é efetivada nas fronteiras estaduais. é necessário. envolvendo tudo que ela consegue produzir. em sede de exceção. enquanto outras não148. até a EC 33/01. porquanto não se encontra no caminho entre a produção e o comércio. DIFERENCIAR PRODUTO E MERCADORIA.

etc. com o fim de constituir perfeitamente a hipótese de incidência do IE. de produtos”. Admite diversas formas: Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação. os quais foram recepcionados pela Carta de 88. a natureza do produto. Neste sentido. Quanto ao II. o constituinte originário resolveu especificar “ipse litre” a atividade. a outro país não configuram exportação e. em seu art. total ou parcial. remessas de produtos para repontecialização. conhecido como “drawback” é considerado incentivo à exportação. Porém. II. ou utilizada na fabricação. porque há TEMPORARIEDADE na operação. 149 . troca. revertem-se em favor da Fazenda Nacional. O conceito de exportação. Portanto. por exemplo. quer seja para consumo. À primeira vista. é análogo ao anterior149. em contrário senso ao conceito e ao desdobramento do “drawnback”. manutenção. nacionalização segundo entendimento doutrinário. dando azo à instituição do PIS-importador e da COFINS-importador. CF/88. para países estrangeiros. O vocábulo “exportação” foi (e é) utilizado também para designar o fluxo de coisas entre os Estados da Federação. 153. nem importação. para o exterior. Estes produtos podem ou não sofrer modificações domésticas. quer seja para operações de mercância. em quantidade ou qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento. I. Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria. fala-se em exportação para o Estado de São Paulo. Aliás. dá-se por atos procedimentais. Produtos não despachados. complementação ou acondicionamento de outra exportada. ou abandonados. incluindo. Essa nomenclatura é utilizada em vários diplomas do Sistema Tributário. Tanto uns quanto os outros refletem o objeto material da hipótese de incidência. É possível identificar duas espécies de operação de exportação: A CF/88 foi categórica. 153. sob o enfoque semântico. para o art. as quais implicam em posterior distribuição por intermédio do Brasil. Dessa feita. IMPORTAÇÃO é a aquisição de produtos estrangeiros em caráter definitivo. esse fenômeno. complementação ou acondicionamento de produto exportado. deve ficar adstrita a um país estrangeiro. O próprio CTN faz referência à conotação apontada. Já a palavra “nacional” diz respeito àqueles produzidos integralmente no país. O termo “nacionalizado” (ou internado) refere-se a operações anteriores à importação. produtos naturais ou industrializados. equipamentos. ao prescrever a “exportação. dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento. por conseqüência. complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. Neste sentido. fabricação. os quais possuem exatamente a mesma hipótese de incidência do II e do ICMS. a terminologia empregada reside na melhor técnica jurídica de redação. insumos. Restituição. a confecção do produto deve situar no estrangeiro. É a construção jurisprudencial e doutrinária dominante. nos quais se transfere o produto ou mercadoria estrangeira para a economia nacional. isto é. etc.113 contribuinte para o financiamento da seguridade social. pareceria que se trata de uma redundância. Desta feita.

Indireta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda para destinatário comprador no Brasil. principalmente com referência àquelas de cunho religioso. de máquinas e equipamentos a serem fornecidos. pois há interesses nacionais em jogo. Portanto. 153. O II e o IE incidem. o constituinte permitiu que a fixação da alíquota de tais exações não se sujeita à reserva legal. sobre o SETOR DE ATIVIDADES (base econômica). o Fisco. Em relação às operações de mercado exterior. No estabelecimento de ALÍQUOTAS. com base em contrato. 2004). por conseguinte. Esta é sempre a AVALISTA INTERNACIONAL dos demais entes públicos ou das empresas privadas brasileiras. o negociador no comércio externo – e. os Ministérios da Fazenda. O controle é realizado por meio de alíquotas diferenciadas. vez que ambos são proporcionais. O “drawback” também é aplicável quanto ao IE. no mercado interno. não se deduz a capacidade contributiva. 22. vem a ferir o princípio da ISONOMIA. em decorrência de licitação internacional. CF/88. de acordo com a situação presente. no país. porquanto se prestam à intervenção na atividade econômica interna. principalmente no que concerne às suas constantes alterações. Além disso. O comércio exterior reflete-se na indústria interna. É ele quem regula as atividades inerentes ao II e ao IE. que funciona como interveniente comercial. § 1º. no consumo interno. 153. São impostos eivados de EXTRAFISCALIDADE. . VIII. A operação de comércio exterior é regida por competência legislativa privativa da União (art. o eventual devedor – sempre será a União. CF/88). deve ser usada sistemicamente. por vezes. Daí decorre o conceito de Dívida Externa. à anterioridade ordinária nem à noventalidade (arts. Nessa hipótese. Desta feita. a serem majoradas ou diminuídas. produtos intermediários e componentes destinados à fabricação. reais e indiretos. em última análise. contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido pela instituição financeira internacional da qual o Brasil participe. em consonância com os demais princípios e direitos essenciais contidos na Carta Política. pois a autorização contida no art.114 Direta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior. Conseguintemente. na balança de pagamentos do país. cujo gestor principal é a Receita Federal (CASSONE. § 1º. A importação e a exportação não podem ser realizadas a bel prazer do empresário. Há isenção do tributo quando há importação de matéria prima. que por sua vez emitirá outro documento de venda endereçado ao comprador estrangeiro. Também ocorrem dissidências jurídicas quanto a imunidades de certas ENTIDADES. será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador. e 150. CF/88). da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores são coordenados por um arcabouço interministerial: o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). § 1º. a União é a única que tem personalidade jurídica de Direito Internacional.

sob o controle aduaneiro. 33. DL 37/66.115 Desta forma. de um ponto a outro do território aduaneiro. Segundo o art. bem como outras áreas nas quais se efetuam operações de carga e descarga de mercadorias ou embarque e desembarque de passageiros. Já para o IE. O interessado no comércio exterior deve. destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. então. o qual consubstancia o FATO GERADOR do II. pela entrada do produto no território nacional (art. recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres. DL 37/66). portanto. para seu uso ou consumo. com a suspensão do pagamento de tributos. a exação contempla o que se conhece como território aduaneiro. II. 19. os quais permitem a suspensão total ou parcial da exigibilidade do II: Trânsito aduaneiro – é o que permite o transporte de mercadoria. 2004). com suspensão do pagamento de tributos. I. nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art. zona primária compreende as faixas internas de portos. os conteúdos a serem comercializados. Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo – é o que permite o ingresso para permanência temporária no país. mediante a declaração de importação (DI). Despacho para consumo é o conjunto de atos procedimentais (desembaraço aduaneiro). fisicamente. o interessado poderá. Admissão temporária – é o que permite a importação de bens que devam permanecer no Pais durante prazo fixado. o momento de ocorrência do fato imponível coincide com a data do registro da DI no tocante ao produto despachado para consumo. efetivar o negócio. endereçando-o. 91030/85. em regra. No critério temporal. é necessário uma autorização prévia do governo federal para todas as operações no setor. por conseqüência. De posse dos dados fornecidos pelo interessado. CTN). O aspecto material do II é representado. Esta fiscalização é denominada desembaraço aduaneiro150. no caso de utilização econômica. aeroportos. ao órgão competente do SISCOMEX (SRFB). Mas há regimes aduaneiros especiais. cujo objetivo consiste em colocar a mercadoria nacionalizada à disposição do adquirente estabelecido no Brasil. Espacialmente. fica configurado a partir da expedição da GUIA DE EXPORTAÇÃO (CASSONE. o qual pode ser dividido em zona primária e secundária. o Fisco poderá fiscalizar. Zona Secundária compreendendo a parte restante do território nacional. com suspensão total do pagamento dos tributos. tecer um estudo fundamentado sobre o produto a ser importado ou exportado. de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas. 150 O atual Regulamento Aduaneiro é veiculado pelo D. antes de tudo. ou com suspensão parcial. Uma vez AUTORIZADA. Esse analisará o pedido e poderá autorizar a operação. 33. . eletronicamente.

assevera que bens importados com alíquota zero do II estão sujeitos aos demais tributos. § 2º. Por outros fatores alheios à vontade do exportador. Do contrário. 20. CTN). a Súmula 576 do STF151 autoriza a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero. 20. quando o produtos é adquirido em leilão de bens provenientes de descaminho (art. a incidência não ocorrerá nas seguintes situações: Mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado. CF/88). A alfândega é a encarregada de verificar quais os valores a serem acrescidos. chegando-se a uma base de cálculo atribuída. Mercadoria devolvida por modificações na sistemática de importação por parte do país importador. 2004). a base de cálculo é sempre fixada. As alíquotas são fixadas na Tarifa Externa Comum (advinda do GATT) ou determinadas na legislação federal. Terceira forma de determinar a base de cálculo do II se dá pelo valor da arrematação. CTN). tem-se o conceito “AD VALOREM”. 24. por questão de não-subsunção ao tipo tributário do II. de acordo com o critério do art. Mercadoria devolvida por motivos de defeito técnico. a quantificação expressa na DI (valor do produto mais despesas de alfândega) seria a base de cálculo. nunca “ad valorem”. Como a tributação de importação é dotada de extrafiscalidade. 20. o legislador assim previu para o IE (art. Os valores irrisórios. D. 214. o art. os quais alcancem valores ínfimos na chegada ao país. quando o fisco determina um “quantum” somado ao inicial. D. de acordo com a previsão do art. I. As alíquotas são geralmente constantes do GATT. Neste sentido. § 1º. em que pese a previsão do art. 20. 5º. escapam à incidência da exação. atribuídos a mercadorias em trâmite entre empresas do mesmo grupo econômico transnacional. para reparo ou substituição. 4543/02 (CASSONE. “caput”. II.116 Outros acontecimentos. o segundo critério é comumente utilizado para o II. para evitar a mera evasão de divisas. os quais conferiram possibilidade para o Executivo alterá-la. III. a BASE DE CÁLCULO pode ser estabelecida basicamente de duas formas (art. pois produtos importados. 2434/88. Este comando decorre dos arts. D. De fato. de modo a não prejudicar o setor produtivo nacional. 4543/02). De acordo com o ditame da 151 Súmula 576 do STF: “É lícita a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero”. o DL 37/66 e o D. Segundo entendimento da análise dos atos normativos em comento. tem-se a exação proporcional (art. Quando a hipótese de incidência traz um percentual fixo sobre o valor da transação. consoante comentário supra aduzido (art. também são objeto da base de cálculo “ad valorem”. II. 150. 2472/88 confirmaram essa premissa. não precisando observar propriamente os ditames da anterioridade original e da noventalidade. atualmente para o IE. Na mesma esteira. Nesse passo. CTN). Em referência ao II. No diapasão. 214. podem elidir a concorrência dos similares brasileiros. CTN. nos termos das respectivas legislações. Destarte. § 1º. . CF/88 e 21 do CTN. I e II. 153. CTN.

vermelho e preto). D. I a IV. a ALFÂNDEGA adota critérios diferenciados de fiscalização. Ex. aquele. CF/88. O desembaraço aduaneiro. 4543/02). “caput”. CP). em quantidade suficiente para suprir o mercado interno. CF/88. dada a previsão constitucional do art. O desembaraço para a exportação também segue o mesmo trâmite da importação. a qual pode ser confundida com entorpecente. competindo à Câmara de Comércio decidir sobre tais alterações. É o mecanismo denominado BARREIRA ALFANDEGÁRIA. freqüência do importador. as alíquotas do II serão maiores. Para otimizar as operações. CTN). 153. Serão imunes as operações com produtos industrializados destinados ao exterior. O constituinte determinou algumas características. 4543/02).117 ESSENCIALIDADE. § 1º. no que tange à exação em tela. é de 30% sobre o valor do produto (art. 2637/98. Além das considerações tributárias. portanto.: importação de naftalina para fabricação de produtos de limpeza. a alíquota. o sujeito passivo é o importador ou o arrematante152 (art. O sujeito ativo é sempre a União (Fisco) para ambos. arcará com a obrigação tributária do imposto de importação. A normatização do IPI é dada pelo D. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – está previsto no art. de acordo com os canais enquadrados (verde. País de origem. . tipo de produto são elementos que servem para que a autoridade alfandegária decida sobre o enquadramento do lote em um ou em outro canal de fiscalização. CF/88. via de regra. podendo ser reduzida (art. Esta equação não se resolve facilmente. ainda encontra outro elemento complicador: a fiscalização de produtos importados que levantem suspeitas sobre ilicitude. 215. I e II. Há certificações de órgãos ou entidades públicas que resolvem parte da burocracia para a exportação. 318. § 3º. CF/88. 4543/02) e majorada até o percentual máximo de 50% (art. O comando determina também que será não-cumulativo. § 2º. a despeito da essencialidade. IV. § 1º. é o exportador ou quem a ele se equiparar (art. sendo menores aquelas de produtos mais essenciais. D. 215. partindo de um patamar de menor para outro de maior rigor. Tal critério é o primeiro elemento que o legislador observa ao estipular as alíquotas. D. 215. de consumidores e de importadores. os quais são objeto do delito de descaminho (art. para o IE. estabelecidas no art. pertence ao Executivo. porquanto fica atrelada especificamente a CADA TIPO DE PRODUTO. 22. A prerrogativa. I e II. dado o comando contido no art. 153. quanto mais vital é o produto. Para o II. 153. há conotações de ordem política para o estabelecimento das alíquotas do II e do IE. mediante a declaração de arremate. com conseqüentes facilitações. cinza. 152 O arrematante é aquele que adquire produtos importados em um leilão. a qual representa palco de conflitos entre os interesses de produtores. Para o IE. adotando-se o sistema de compensação com a operação posterior. De acordo com o estabelecido pelo legislador ordinário. menor será a alíquota incidente. CTN). Nesta situação. Todavia. 27. como configurador do fato gerador. 153. se há produção interna de algum bem. a carga de IPI será reduzida sobre bens de capital. notícias da imprensa. As alíquotas serão fixadas de acordo com a essencialidade do produto.

como fato gerador. É o que diz o art. é necessário recorrer à produção em série no primeiro e o “artesanato” no segundo153. até que possa chegar ao consumidor final. A Tabela do IPI (TIPI) estabelece todas as alíquotas. III. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Juripsrudência. etc. CTN. CTN. demonstra Cassone. § 1º. já incide o IPI. I a V. Na esteira. o imposto possui certa extrafiscalidade quanto ao fumo. Para os ALIMENTOS. indústria de base. 150. a seara do IPI engloba a transformação. Vale lembrar também que não pende a regra da anterioridade ordinária (art. a atividade estará no campo de incidência do tributo explicitado no art. CF/88) sobre o imposto em relevo. o IPI tem por base econômica as operações com produtos industrializados e. 2001. em proveito da organização e não de terceiros. até que venha a converter-se em produto consumível. 95. IV. Para diferenciálos. oscilando de 0 a 363. 153. Desta feita. Porto Alegre. CF/88. incide sim o Imposto Sobre Serviços (ISS). traça o alinhamento geral para que o legislador infraconstitucional trabalhe a regulamentação do IPI. de modo estanque.5%.: indústria de ternos e alfaiate. op.. Outro ponto interessante é a desigualdade entre o estabelecimento equiparado à indústria e o prestador de serviço. Em sentido contrário. O inciso I refere-se a alíquotas diferenciadas de acordo com o caráter essencial ou não do produto. “o beneficiamento realizado em um bem do cliente ou mesmo a produção mediante encomenda não podem configurar fato gerador do IPI”. como prescreve o art. parágrafo único. Nesta situação. parágrafo único. 153 . CF/88). Características – o art. a atividade de transformação de produtos naturais em bens consumíveis não pode ser enxergada somente por cada uma de suas etapas. deve ser verificado: recurso natural. Para o citado autor. a qual desencorajaria o consumo de um produto não recomendável devido a razões de saúde pública (PAULSEN. o produto “in natura”. do mais básico ao mais supérfluo. É a SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. § 3º. Portanto. Objeto – está no art. Conceito de produto industrializado – deve-se tomar. 46. indústria de transformação. Para Ricardo Lobo Torres Para Leandro Paulsen. porquanto se configura um produto industrializado. “in fine”. mas incide a noventalidade (art. partindo do PRIMEIRO PASSO DE PROCESSAMENTO. o produto passa a constituir um semi-elaborado. o beneficiamento. o acondicionamento. 4544/02. 2001). consoante precedente da 1ª Turma do TRF/4. a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial. com fulcro em jurisprudência do STJ. O caminho. de início. p. 150. Ex. Modificação no produto implica em atividade industrial para fins tributários. extrativismo industrial. 46. a montagem e o recondicionamento (recuperação de um produto obsoleto ou inservível em algo aproveitável para a aplicação humana). A partir do primeiro estágio. pois se trata da maior alíquota existente. CF/88. 4544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI). 153. a exação citada somente exclui a extração da natureza. Neste sentido. D. Enquanto pender uma ação humana que venha a adaptar um produto para o consumidor final. Tanto para o IPI quanto para o ICMS. Livraria do Advogado. consubstanciando os estabelecimentos equiparados à indústria. 3º. indústria de montagem. desde a natureza até o consumidor. “c”. cit.118 modificado pelo D. os quais seriam englobados pelo IPI – como o caso de tomates embalados em bandejas para o supermercado ou de pescados que são beneficiados com a retirada de escamas para o comércio – são agraciados pelo legislador pela isenção de imposto.

haverá débito. 3) Não pode ser contabilizado como despesa ou custo pelo vendedor. De fato. o crédito do IPI só seria devido ao contribuinte que não for consumidor final do produto (contribuinte de fato). o responsável passou a ser definido como depositário da União. conquanto se caracteriza o fato imponível. Dessa feita. o imposto devido em um mês será igual a todos os débitos. 2001). já que não é ônus seu. de haver mais imposto de crédito que de débito. Existe a possibilidade. Em tese erigida pelo legislador (a partir do art. na quinzena de totalização. O procedimento é denominado apuração do imposto em conta gráfica. Desta forma. realizando o princípio da não-cumulatividade do IPI (art. 153. CF/88). A cada operação de circulação. mas o contribuinte de direito (responsável). Havendo venda de produto industrializado por qualquer valor (preço negociado entre o vendedor e comprador). desconta-se o valor anteriormente incorporado no novo recolhimento de IPI. a sistemática de recolhimento do imposto é particular. a cada nova agregação do processo industrial. Caso não recolha aos cofres públicos o valor cobrado a título de IPI. constitui atendimento ao PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. o critério da seletividade pela essencialidade. a PIS e a COFINS também seguem o mesmo raciocínio. uma vez que é repassado no preço da mercadoria. § 3º. II. que deve cobrar o IPI do consumidor e repassá-lo à União. o adquirente do bem recebe a carga tributária do alienante dentro da cadeia comercial. Quando o alienante realiza a venda. § 3º. a exação possui repercussão do encargo financeiro. Todas as vezes que houver saída de um bem. O IPI será apurado mensalmente. seguindo a seguinte sistemática de recolhimento: 1) Deve ser destacado na Nota Fiscal e cobrado do comprador por ordem e conta da União. Para evitar o “efeito cascata”. abstraindo-se os créditos referentes ao mesmo período. Em outras palavras. A partir da Lei 8866/94. III. Entretanto. mas sim do comprador. podem existir saídas em que não incide o IPI. No entanto. O inciso II expressa a não-cumulatividade. Nesse sistema. o direito a compensar o IPI só é devido aos produtos que terão exação correspondente na saída. escritura o débito em seu livro de registro cabível. 153. toda vez que houver entrada do bem. O ICMS. fazendo valer compensação entre débitos e créditos do sujeito passivo. o estabelecimento industrial ou equiparado não é o contribuinte de fato. CF/88). persistirá um crédito. passa a ser depositário infiel. computando-se débitos e créditos da pessoa jurídica. o adquirente escritura o crédito decorrente e o . mesmo se tratando de exação indireta. o crédito de IPI somente terá vez se o produto compor a saída do estabelecimento. Na seqüência.119 (apud PAULSEN. Além disso. aplicável coercitivamente ao IPI pelo legislador. desde que a fase anterior seja tributada. 2) O vendedor (responsável) torna-se depositário desse IPI cobrado do comprador (contribuinte de fato) nos termos da Lei 8866/94. Essa questão passou a ser controvertida nos tribunais. a lei determina que sobre o preço seja calculado o IPI. incide a exação.

120

débito da saída, assim como todos os demais componentes da cadeia de consumo. Ex.: alíquota de 4% sobre o produto que sai de “A”, cujo valor é de R$ 100; “B”, o adquirente, processou o bem e o vendeu por R$ 200; na primeira etapa, o IPI devido será de R$ 4; “A”, então, realiza a venda por R$ 104, repassando o tributo para “B” e escriturando o débito correspondente (R$ 4); “B” escritura o crédito consectário (R$ 4); supondo que “B” venda o produto processado a “C”, com alíquota também de 4%; “B” aplica o preço completo de R$ 208, escriturando R$ 8 como débito; consequentemente, “C” escritura crédito decorrente (R$ 8); na compensação, “A” recolhe R$ 4, “B”, R$ 4 (8-4); “C” só teve crédito de R$ 8, não devendo nada ao fisco, ficando acumulado para o próximo mês. Querela relevante se coloca quanto à alíquota zero atribuída ao IPI em determinadas operações. O ICMS usa, atualmente, as mesmas regras de nãocumulatividade do IPI (art. 155, § 2º, I, CF/88). No entanto, o constituinte expressamente determinou que a isenção ou não-incidência de ICMS, ressalvada previsão contrário do legislador, não implicará em crédito para operação seguinte, quando houver isenção ou não-incidência na entrada (art. 155, § 2º, II, “a”, CF/88). Em melhores palavras, a operação de saída, quando isenta ou quando não haja incidência de ICMS, não levará a direito ao crédito correspondente na próxima etapa da cadeia. O crédito está condicionado à incidência integral da exação na operação anterior. Nesse contexto, a Constituição de 1988 nada dispôs sobre o IPI, suscitando dúvida sobre a aplicação analógica ou não da mesma regra. Os contribuintes passaram a defender que o direito a crédito é incondicionado, independentemente da incidência ou não nas operações posteriores e anteriores, já que, no ICMS, o constituinte expressamente falou, e no IPI, silenciou. Por volta de 1998 e 2000, o Pleno do STF firmou entendimento a favor do sujeito passivo, fundando-se na ausência de ressalva expressa, ao contrário do que fez o constituinte quanto ao ICMS. Em meados de 2005, a querela foi trazida à baila novamente. Ao revés da orientação anterior, o STF, no início de 2007, operou mutação constitucional154. Segundo o Excelso Pretório, para produtos tributados com alíquota zero (espécie de isenção, segundo o próprio Supremo) ou não tributados, inexiste direito a crédito na operação seguinte dentro da cadeia comercial. Na ocasião, em questão de ordem (QO), o Ministro Ricardo Lewandowski, em nome da segurança jurídica, propôs a aplicação prospectiva do novo entendimento, operando efeitos “pro futuro”. Por dez votos a um, a QO foi rejeitada, conferindo efeitos “ex tunc” à interpretação. No entanto, o STF nada falou sobre produtos imunes e isentos “em sentido estrito”, pairando querela sobre a matéria. Advogando em prol da União, a PGFN levanta interpretação literal do art. 153, § 3º, II, CF/88, uma vez que o constituinte fala em compensação de créditos mediante “montante cobrado” nas operações anteriores. Não havendo cobrança, não há de se falar em crédito na operação seguinte de saída. Quando ocorre situação inversa, em que há crédito na entrada (matériaprima, material de embalagem ou intermediário), mas o produto é isento ou contemplado com alíquota zero na saída, o art. 11, Lei 9779/99, autoriza a
154

STF, RE’s 370682 e 353657.

121

manutenção do crédito em IPI (adquirido na entrada), bem ao inverso do que ocorre no ICMS (art. 155, § 2º, II, “b”, CF/88). Descabe analogia na aplicação do comando em tela, não atingindo produto, na saída, imune ou não tributado. Da mesma forma, o bem da entrada deve ser matéria-prima, material de embalagem ou intermediário, não alcançando qualquer outro. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, em face da interpretação restritiva do dispositivo legal em tela, o crédito anterior deve ser anulado. Essa visão decorre do que já disse analogamente o STF, quanto às entradas com alíquota zero ou não tributados. Em verdade, o precedente do STF tem o condão de dar o mesmo tratamento entre ICMS e IPI, o que permite postular em favor da Fazenda federal155. O inciso III estabelece que não haverá incidência de IPI na exportação156. Deste modo, a legislação permite que o contribuinte mantenha um crédito tributário para com o fisco federal, com o fim compensar em outros tributos de competência da União. O dispositivo tem por fim incentivar a atividade de exportação. Crédito prêmio – era dirigido àqueles industriais que desejassem adquirir novas tecnologias em produtos industrializados importados, a título de melhoria do maquinário. Eles teriam isenção de IPI. Previa assim, o legislador, que os apontamentos desta conta gráfica fossem lançados à parte. Todavia, a despeito de conceder um benefício para a economia, haveria uma majoração grande na ponta da linha, incidente sobre o consumidor final, porquanto houve incremento dos custos. Entretanto, o legislador extinguiu o respectivo crédito sem a necessária contraprestação por parte do governo. As empresas, então, foram a juízo para requerer o devido. A ação encontra-se em trâmite no STF. Fato gerador – o IPI incide no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado importado, da saída de produtos industrializados do estabelecimento manufatureiro (emissão da nota fiscal) e da arrematação de produtos industrializados abandonados ou apreendidos, acordo com o art. 46, I a III, CTN. Em verdade, as operações delineadas trazem a lúmen os sujeitos passivos do imposto. Aspecto subjetivo – o SUJEITO PASSIVO será o importador, os estabelecimentos industriais, os comerciantes e o arrematante, além dos equiparados (art. 51, I a IV, CTN). Em melhores palavras, os contribuintes do IPI são o arrematante em hasta pública, os industriais (ou equiparados) e o importador, bem como o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos industriais contribuintes. Equiparação tributária instrumento meramente fiscal que só pode ser determinado em lei. O fato de um comerciante ser equiparado, não significa que se tornou industrial, mas que passa a ser tratado da mesma forma que este. O comerciante atacadistas de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) são equiparados, facultativamente, aos industriais (art. 11, I, RIPI). Se optarem pela equiparação, nos termos do art. 14, I,
STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 156 Para alguns autores, o dispositivo é entendido como imunidade. Em contrário senso, para a maioria da doutrina, é caso de não incidência.
155

122

“a” a “c”, RIPI, destacarão o IPI relativo à saída na nota fiscal. Tal equiparação objetiva possibilitar o crédito do IPI pelos estabelecimentos industriais que adquirirem insumos de comerciantes atacadistas. Se o comerciante atacadista não optar pela equiparação industrial, mesmo assim é possível ao adquirente efetuar o crédito do IPI mediante a aplicação de alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% do valor constante na nota fiscal (art. 165, RIPI/02) Base de cálculo – na importação, o valor da operação, acrescido de eventuais taxas aduaneiras, será a base de cálculo (art. 47, I, CTN). Na saída da indústria, é o valor do produto acabado (art. 47, I, “a”, CTN). Sendo este desconhecido, será tomado o seu valor da praça local de um produto similar (art. 47, I, “b”, CTN), isto é, no mercado atacadista. No arremate, será o valor da arrematação (art. 47, III, CTN). Em resumo, com relação à base de cálculo do IPI, temos: • Na importação = valor de base para o II (preço livre do produto + frete + seguro) + II + taxas de entrada + encargos cambiais157. • Nas operações internas = valor da operação158 ou do produto na praça. O ICMS é parte integrante do preço de saída do produto, sendo que o seu destaque na nota fiscal é meramente indicativo do valor que o comprador, se contribuinte do ICMS, pode creditar-se. • Na arrematação = valor do arremate. Alíquotas – atendendo o critério constitucional (art. 153, § 3º, I, CF/88) e legal (art. 48, CTN) da seletividade pela essencialidade, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) apresenta duas regras de hermenêutica para sua aplicação: a posição mais específica na tabela prevalece sobre as mais genéricas; os produtos misturados e compostos, cuja classificação não possa ser efetivada, serão considerados segundo a matéria ou o artigo que lhe confira característica essencial. Prazo de pagamento – o decurso para recolhimento do referido tributo tem algumas características relevantes: É decendial, ou seja, é apurado e recolhido a cada dez dias; Admite venda de produtos com prazo de pagamento dilatado; Quando existe pagamento de duplicata pelo comprador, só no efetivo adimplemento é que o empresário receberá o total do crédito do IPI contido na nota fiscal/fatura extraída da duplicata.
No desembaraço aduaneiro, a base de cálculo do IPI é complexa, sendo formada por vários componentes. O seu preço em moeda estrangeira, mais seguro e frete, ou seja, o preço CIF (Cost, Insurance and Freight) convertido em moeda nacional, pela cotação do câmbio fiscal divulgada pela SRF mediante ato declaratório do Executivo (ADE), acrescido de II, taxas exigidas na entrada do produto (taxa de armazenagem, capatazias, serventias, etc.) e de encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (variação cambial entre a data da emissão da licença de importação e o efetivo desembaraço aduaneiro) a compõe. O montante resultante da soma de todos os itens é, portanto, a base de cálculo do IPI, sobre a qual se aplicará a alíquota para apurar o imposto devido. 158 Para Paulsen, op. cit., a desconsideração de descontos concedidos no momento da operação e a estipulação de pautas fiscais pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não coadunam com a disposição do art. 47, CTN, conquanto não se observa o ditame da legalidade tributária (art. 97, CTN) e da hierarquia de diplomas normativos. De igual forma, o referido autor cita decisões do STJ e do TRF/4 no sentido de não reconhecer a inclusão de juros – na venda realizada a prazo – e de frete por empresa coligada na base de cálculo da exação do art. 153, IV, CF/88.
157

123

Se o sujeito passivo do IPI deve pagar em 10 dias e receberá, por exemplo, em média, em 60 dias, na verdade ele (o responsável tributário) está antecipando o imposto e financiando o governo federal. Logo, não existe a possibilidade de enquadrar o responsável como depositário infiel (Lei 8866/94) ou apropriação indébita antes que seja recebido pelo contribuinte o valor do IPI. Portanto, apurar o imposto pela data do recebimento das duplicatas é contrário à lei do IPI. Por essa razão, muitos artigos da Lei 8866/94 estão suspensos por ADIn. Lançamento – o IPI é um imposto que se sujeita ao lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte realizar todas as obrigações acessórias impostas por lei. O Fisco só atuará de ofício no não-recolhimento da exação ou no seu pagamento a menor. A partir de 1º de janeiro de 2005, a apuração passou a ser mensal, devendo-se recolher o tributo até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) – o objeto incide sobre crédito, câmbio, seguro, títulos ou valores mobiliários. O crédito é sempre representado por títulos. É imprescindível, para o seu estudo, o conhecimento prévio do universo da mercancia de títulos. A receita para o Fisco é quase que irrelevante. Toda vez que o Estado disponibiliza ao cidadão uma utilização de crédito (disponibilidade imediata para pagamento futuro) oficial, incide o IOF. Trata-se de uma ferramenta de controle gerencial do meio circulante, assim como é a taxa SELIC, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), o que caracteriza autêntica finalidade extrafiscal, porém sem perder de vista a função arrecadatória (SABBAG, 2004, p. 329). A sociedade, por meios contratuais, consegue expandir tal base oficial. A arrecadação do IOF forma um fundo que visa garantir, de um modo geral, o sistema financeiro nacional, a ser tutelado pelo próprio BACEN. Não se confunde com o crédito comercial, tido através de operações de compra e venda a prazo. O IOF está regulamentado pelo D. 4494/02. O sujeito passivo pode ser: o As pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (art. 4º, “caput”, D. 4494/02); o Os compradores e vendedores de moeda estrangeira,nas operações referentes à transferência financeira para o exterior (art. 12, “caput”, D. 4494/02); o As pessoas físicas e jurídicas seguradas (art. 20, D; 4494/02); o Os adquirentes de títulos ou valores mobiliários, incluindo instituição financeiras (art. 26, I e II, D. 4494/02). O fato gerador será: Operação de crédito – será a efetiva entrega, total ou parcial, do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, bem como a colocação à disposição do mutuário interessado (art. 3º, “caput”, D. 4494/02), lembrando-se que saque em caderneta de poupança não é

D. na conformação do que der a lei (art. 4494/02). recebido. A base de cálculo e as alíquotas do IOF são dadas por diversos dispositivos do D. D. entendo-se como efetivado o negócio no momento da liquidação do contrato ou câmbio (art. da Lei n° 8. Operação de câmbio – entrega ou colocação à disposição de moeda nacional. D. . Desta feita. Ele tem um valor cambiário. 2004. O verbete ficou cristalizado a partir de reiterada jurisprudência do Supremo: STF. D. D. determina que a alíquota máxima diária será de 1. a depender da hipótese de incidência (SABBAG. D. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. CF/88). com alíquota de 25% (art. D. Min. 28. 1993). I a IV. 160 STF. Operação de seguro – emissão da apólice ou recebimento do prêmio (art. 4494/02. pagamento ou resgate deles (art. Operação de seguro – a base de cálculo é o prêmio efetivamente pago (art. em que pese sua natureza de mercadoria. 4494/02). Trata-se de imunidade parcial. “caput” e parágrafo único. 4494/02. devendo incidir somente um a vez se ocorrer simultaneidade entre elas (MACHADO. “caput”.1999. 4494/02).fato imponível da exação em comento (Súmula 664 do STF) apesar do “factoring” sê-lo160. 29. O art. 4494/02. de moeda estrangeira ou de documento representativo. 4494/02): Na emissão – é o valor nominal. “caput”. 4494/02). rel. D. enquanto ativo financeiro. esculpida em contornos especiais pelo constituinte. Operação de câmbio – a base de cálculo será montante da operação em moeda nacional. p. 22. j. transmissão. “caput” e § 1º. 27. valor nominal ou valor da cotação em bolsa. Min. “caput”. sob os auspícios da 159 Súmula 664 do STF: “É inconstitucional o inciso V do art. Operação com títulos e valores mobiliários – a alíquota máxima é de 1. D.9. Sepúlveda Pertence. que institui a incidência do imposto nas operações de crédito câmbio e seguros – IOF. O ouro é um valor de referência mundial. Para a base de cálculo. j. § 5º. Ilmar Galvão. “caput”. D. como é o cheque de viagem. RE 232467. 25. D. 4494/02). 11. Sabbag (2004. 4494/02).5%. 20. 13.033/90. computando-se o ágio ou deságio. sobre saques efetuados em caderneta de poupança”. 21.5% ao dia (art. distinguem-se três situações. No pagamento ou no resgate – é o preço. 333): Operação de crédito – a base de cálculo é o principal mais os juros efetivos (art.98. rel. 19. “caput” e § 2º. 4494/02). 153. sendo entendido como objeto de incidência do IOF (art. ADI-MC 1763/DF. “caput”. 331) deixa claro que a mera posse dos documentos mencionados não é fato gerador do IOF. I a VII. por exemplo. 159 124 . 7º. 14. entregue ou posto à disposição do contratante (art. Operação com títulos e valores mobiliários – é a emissão.08. 6º. A alíquota será de 25% (art. p. 4494/02). Na transmissão – será o preço. 1º.

125

unicidade – incidência uma única vez na origem, na extração, em que pese o fato imponível ser sua negociação posterior (SABBAG, 2004, p. 336). Será incidente na extração da matéria-prima, segundo alíquota mínima de 1%, a ser divida de acordo com o art. 150, § 5º, I e II, CF/88: 70% para o Município de origem e 30% para o Estado de origem (ou DF). Atualmente, a alíquota é exatamente de 1%, tal qual estabelece o art. 41, D. 4494/02, tendo como base de cálculo o preço de aquisição do ouro por instituição financeira (arts. 39 e 40, “caput”, D. 4494/02). No entanto, se o ouro for importado, a base de cálculo será arbitrado, tendo como referência o valor de mercado doméstico no desembaraço aduaneiro, calculado em moeda nacional (art. 40, parágrafo único, D. 4494/02). Em contrário senso, uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira, entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI, ICMS, ISS, etc.). A disciplina do ouro, como ativo financeiro, está na Lei 7766/89. Antigamente, todo meio circulante tinha lastro metálico, cotado em outro depositado em agências oficiais (Casa da Moeda). Hodiernamente, isto continua ocorrendo em parte, porquanto somente parcela da reserva metálica equivale ao numerário circulante. A doutrina qualifica o IOF como gravame “flexível”, conquanto suas alíquotas podem ser estabelecidas pelo Executivo sem observância da anterioridade ordinária e da noventalidade, a teor dos arts. 153, § 1º, e 150, § 1º, CF/88 (SABBAG, 2004, p. 335). Sobre o IOF, recai a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, CF/88. Ademais, a Súmula 185 do STJ161 determina sua nãoincidência no caso de depósitos judiciais. IR (Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza) – renda e proventos são espécies do gênero acréscimo patrimonial. Renda é resultante do capital (aluguéis, lucros, rendimentos financeiros, “royalties”, etc.), do trabalho (remuneração do labor humano) ou da combinação de ambos (honorários advocatícios, pagamento pela prestação de serviços, etc.), como prevê o art. 43, I, CTN. Já os proventos são todos os outros acréscimos não previstos na categoria anterior. O critério residual também foi adotado pelo constituinte originário de 1988, dada a UNIVERSALIDADE162 e a GENERALIDADE163 do IR (art. 153, § 2º, I, CF/88). Para Cassone (2004, p. 373), “a tributação do IR alcance [sic!] a tudo e a todos, sem ater-se ao critério da seletividade ou distinção entre pessoas ou profissões”. Todavia, NEM TODA RENDA OU PROVENTO implicará em IR, posto que ficou relegado ao legislador infraconstitucional a conferência de alíquota zero, de isenções, de não-incidência, etc., isto é, a seara de abrangência da hipótese de incidência do IR não é total. Outrossim, a jurisprudência tende a extrair do manto do fato imponível algumas condutas,
161

Súmula 185 do STJ: “Nos depósitos judiciais, não incide IOF”. A universalidade é um critério do IR que se refere à extensão da base de cálculo, a qual englobará todas as rendas e proventos, independentemente de origem, considerando-as como unidade, desde que se subsumam à hipótese de incidência. 163 Segundo Difini e Renck, citados por Paulsen, op. cit., a generalidade é um critério que diz respeito à sujeição passiva da exação. Por ela, o IR abrange todos os contribuintes que pratiquem os atos previstos na hipótese de incidência, de modo indistinto e “geral”, não se admitindo tratamento diferenciado. Contudo, deve-se observar a progressividade, o que permite, de certa feita, atingir o ideário da capacidade contributiva individual (alíquotas por classe e restituição do IR), segundo a previsão do preâmbulo constitucional tributário (art. 145, § 1º, CF/88). Com efeito, a progressividade pode permitir que alguns – os menos capazes economicamente – não fiquem abrangidos pela incidência do IR, o que relativiza a princípio da generalidade, previsto no art. 153, § 2º, I, CF/88.
162

126

como o pagamento de indenização por férias não gozadas (Súmula 125 do STJ)164 e a licença-prêmio indenizatória não gozada por necessidade do serviço (Súmula 136 do STJ)165. Também não se deve confundir renda ou provento com entrada pecuniária. De fato, em regra, não é o movimento de caixa o fato gerador do IR, porque não se aplica o regime de caixa na exação em comento. O que o legislador vislumbrou atingir é o regime de competência, em que a aquisição de disponibilidade jurídica é suficiente para configurar a hipótese abstrata de incidência do imposto. Na espécie, aplica-se o disposto no art. 116, II, CTN, de sorte a configurar a renda ou o provento auferido desde a constituição da situação jurídica tributável. Ex.: em venda à prazo, o fato gerador do IR se aperfeiçoa desde a celebração do negócio, não havendo qualquer relação entre o pagamento do tributo e o recebimento das parcelas avençadas. Excepcionalmente, o legislador permite que o IR se sujeite ao regime de caixa, quando se dá o recolhimento pelo lucro presumido. No contexto, a hipótese de incidência e a base de cálculo do IR não se confundem com aqueles afetas à CONFINS e ao PIS-PASEP, os quais tributam o faturamento e a receita, apesar de haver autêntico “bis in idem” com a CSLL das pessoas jurídicas, referendada pela jurisprudência do Supremo166. Não existe mais que um IR, porque ele é único. Para cada tipo de fato gerador, há uma incidência diferenciada. Este tratamento diverso para cada um deles determinará a forma de incidência do IR, dado o fenômeno econômico tributável (salário, grande capital, operação financeira, etc.). Portanto, a natureza do acréscimo patrimonial determinará o modo da exação denominada IR. Entretanto, uma renda não englobada na legislação extravagante poderia ser tributada pelo IR, dada a regra geral do art. 150, § 1º, I, CF/88, uma vez que é impossível ao legislador prever todos os fenômenos de acréscimo patrimonial? A resposta para o quesito é bem mais complexa. Por força do princípio da legalidade, é possível observar que quase todas as situações estão abarcadas na legislação infraconstitucional, inclusive no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veiculado pelo D. 3000/99. Todavia, uma vez que a hipótese de incidência não esteja abarcada pela estipulação do legislador, há de se perguntar se incide ou não o IR. Ex.: participação real nos lucros e resultados (PLR) da empresa, distribuída aos empregados pelo patrão (art. 7º, XI, CF/88, regulamentado pela Lei 10101/01). O resultado de uma empresa é gênero do qual implica duas espécies: lucro e prejuízo. Quando a organização tivesse prejuízo, deveria ela repassá-lo aos obreiros. Isto, de fato, não acontece, persistindo somente os lucros. Para fins de IR, não há previsão de incisão, apesar de poder ser classificada como renda (concorrência de capital e trabalho). Outro exemplo: plano de demissão voluntária (PDV). A empresa abre a oportunidade para a demissão voluntária de seus empregados, mediante corresponde estímulo pecuniário ou congênere (plano de saúde estendido, por exemplo). Esta também não está prevista em leis ordinárias relativas a IR. Algumas empresas recolhem o
164

Súmula 125 do STJ: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda”. 165 Súmula 136 do STJ: “O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda”. 166 STF, RE 146.733-9/SP.

127

IR, alegando o instituto da responsabilidade; alguns contribuintes contestam judicial ou administrativamente (por ocasião da declaração anual). Neste sentido, faltam as hipóteses de incidência perfeitamente delineadas, dado que o Fisco não pode subsumir o caso concreto a um delineamento incompleto da norma, realizada de modo genérico. Em regra, a JURISPRUDÊNCIA É VACILANTE, salvo o caso de PDV, em que a indenização respectiva não fica sujeita à tributação pela via do IR (Súmula 215 do STJ)167. Entretanto, em face de julgamento realizado pelo próprio STJ recentemente168, parece que o verbete poderá ser remodelado pela 1ª Seção da corte, o que ainda resta nebuloso por ausência de pronunciamento peremptório. Questão de ordem foi suscitada e, por conseguinte, remetida à apreciação do órgão competente169. Desta feita, o art. 150, § 1º, I, CF/88, e o art. 43, § 1º, CTN, são apenas instrutores da legislação infraconstitucional objetiva, conquanto evidenciam os critérios da universalidade e da generalidade. É cediço que o legislador especifique o caso concreto, sob pena de não-incidência do IR. Sujeito passivo – é aquele que recebeu o acréscimo patrimonial, tendo sua definição dirigida pelo princípio da generalidade. Na impossibilidade de se identificar perfeitamente o devedor, aplica-se o art. 45, “caput”, CTN. É um comando também genérico, o qual pode ser estendido por lei ordinária. Uma vez que se observe o acréscimo patrimonial, incide o IR, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. A dificuldade reside em se identificar quem é o verdadeiro contribuinte. Inclusive, aquele que auferir renda ou proventos de natureza ilícita também será tributado pelo fisco, dado o desiderato “non olet”, o qual confere uma interpretação objetiva do fato imponível (art. 118, I e II, CTN). Para Godoy (apud PAULSEN, 2001), as pessoas físicas que recebam renda ou proventos acima dos limites de isenção da tabela do IR, devem recolher o tributo por meio de carnê-leão, aconselhando-se o uso de livro caixa para abater as deduções. Também serão considerados passivos, na relação jurídico-tributária, aqueles que tenham ganhado renda ou proventos no exterior – pessoas físicas ou jurídicas – desde que tenham sua residência ou seu domicílio tributário, respectivamente, estabelecidos em território nacional170. É o que se denomina de EXTRATERRITORIALIDADE. Para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88), o que faz nascer outra espécie de sujeito passivo da obrigação tributária: o responsável (art. 45, parágrafo único, CTN). Fato gerador – o momento de sua ocorrência vem especificado no art. 43, “caput”, CTN. A expressão “disponibilidade econômica ou jurídica” da renda
167

Súmula 215 do STJ: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. 168 STJ, 1ª T., AgRg no REsp 883.678-SP, DJU 29/6/2007. 169 STJ, 1ª T., REsp 940.759-SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/9/2007, Informativo do STJ n° 332. O argumento maior para a edição do verbete 215 do STJ foi a aplicação analógica do art. 14, Lei 9468/97, no caso do PDV. Contudo, a 1ª Turma firmou entendimento de que o diploma regula situação referente a servidores públicos civis, insertos no Programa de Desligamento Voluntário de servidores civis do Poder Executivo Federal, o que não coaduna com a generalidade conferida pela posição sumulada. 170 No cômputo no lucro, os rendimentos auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para a venda e caso a moeda não tiver cotação no Brasil, será convertida em US$ e, em seguida, em R$. Prejuízos e perdas decorrentes de operações não serão compensados com lucros auferidos no Brasil.

128

ou do provento representa o cerne da querela. Estando disponível a riqueza para o contribuinte, perfaz-se o fato gerador. A disponibilidade econômica é facilmente identificável. Já a jurídica, pode antecedê-la. Ex.: salário de um empregado; no dia 10 do mês seguinte, ele recebe seu pagamento referente ao mês anterior (disponibilidade econômica); porém, ao longo desse período, ele já tem o direito ao pagamento a cada jornada de trabalho completa (disponibilidade jurídica). Disponibilidade jurídica é direito de usar a renda definitivamente constituído na forma da lei, alcançando os atos e operações colhidos pelo direito, inclusive resultantes da aplicação de capital. Ex.: lucro nas operações imobiliárias ou mobiliárias. Disponibilidade econômica é situação de fato irrelevante ao direito ou até mesmo a atividade lícita. Ex.: jogos, contrabando, juros usurários,etc. A disponibilidade jurídica sempre será econômica, mas nem sempre a econômica será jurídica. Destarte, lembra-se que disponibilidade econômica não pode ser confundida com a financeira. Disponibilidade financeira é o ingresso de dinheiro no patrimônio particular, independentemente do acréscimo patrimonial. Dependendo do fenômeno de renda ou provento a ser tributado, o legislador estabeleceu se o momento da ocorrência do fato gerador será da disponibilidade jurídica ou econômica. Ex.: salário (econômica); capitalização de rendimentos mensais, com permanência do montante até um período estipulado (jurídica); antecipação do 13º salário integral (econômica). A disponibilidade econômica ou jurídica diz respeito ao aspecto TEMPORAL do IR. O fato gerador complessivo (formado por vários atos) será regulado também por estipulação do legislador. Por exemplo, para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88). Aliás, como bem assevera Paulsen (2001), o IR apresenta um fato gerador complessivo, em que se deve determinar, via legislativa, o exato momento de sua ocorrência. Assim sendo, será possível fazer incidir a exação nesse ínterim. Apesar da idéia de fato complessivo ser recorrente e bastante prevalente na doutrina, a jurisprudência do STF não a acolhe. Consoante comentário supra aduzido, o Supremo, por meio de sua Súmula 584 (já comentada), perfilha a chamada Teoria da Retrospectiva, a qual provém do estruturalismo alemão. Com efeito, para a corte, o fato gerador do IR é pontual, ocorrendo no último dia útil do exercício considerado, aplicandose a legislação tributária vigente à época da declaração, não aquela atinente ao momento de efetivação da hipótese de incidência. Com referência às importações, a parcela dos custos que exceder ao valor determinado como referência fiscal deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Somente serão dedutíveis ou custos, despesas e encargos até o valor que não exceda o preço determinado por um dos seguintes métodos (arts. 241, I a III, RIR, e 18, I a III, Lei 9430/96): PIC (Método dos Preços Independentes Comparados) – é a média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos aos similares apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda.

calculada sobre o preço da revenda. por opção do . CTN. § 3º. dimensionado. nos estritos ditames da norma positiva. dado o declarado anualmente para com o recolhido do citado tributo no mesmo período (art. Caso seja identificada uma discrepância entre os dados apresentados e aferidos. como bem diz o citado autor. O fisco. Se convincentes os argumentos exprimidos. a SRFB chama o contribuinte para prestar esclarecimentos administrativamente. recusa todo o procedimento operado pelo contribuinte de modo justificado. Não sendo possível. a aferição REAL OU PRESUMIDA – as quais cabe ao contribuinte (lançamento “por homologação”) – o fisco. a base de cálculo é substitutiva da base de cálculo primária (XAVIER apud PAULSEN. então. no Brasil. lembra-se que quaisquer documentos de prova perante o Fisco devem ser guardados por. cujo procedimento é vulgarmente conhecido como “malha fina”.129 PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) – é a média aritmética dos bens ou direitos dos quais são deduzidos os descontos incondicionais concedidos. ficando o seu arbítrio legal como disposição válida para a base de cálculo. arbitrado ou presumido. os impostos. a comissão de corretagem paga e a margem de lucro de 20%. Por fim. com o fim de oferecimento de denúncia pelo delito de evasão de divisas. Do contrário. o legislador ordinário criou mecanismos para substituir a impossibilidade de aferição da renda ou provento real pela metodologia tradicional. de modo geral. incidindo uma multa de 75% sobre tais valores. 1º. O primeiro é o “quantum” preciso. pelo art. no mínimo. 2001). em um primeiro momento. não há nenhuma conseqüência jurídica. aos olhos de alguns juristas. acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação. Entretanto. constitui uma ferramenta totalitária de controle social. o que. Estas duas categorias são incluídas em dois cadastros unificados: CPF e CNPJ respectivamente. Base de cálculo – é exprimida. arbitra a renda ou o provento do sujeito passivo (lançamento de ofício). ficou possível ao Fisco erigir um sistema eficaz na perfeita fiscalização das rendas e proventos. III. com margem de lucro de 20% calculada sobre o custo apurado. Nenhuma transação. serviços ou direitos idênticos aos similares no país onde tiverem sido originalmente produzidos. CALCULADO. Na aferição do lucro presumido ou arbitrado. Administração tributária (controle de rendas e proventos) – a primeira preocupação do legislador foi dividir os contribuintes em dois grupos: pessoas físicas e jurídicas. é encaminhado expediente ao Ministério Público. sendo. Ademais. Por meio da instituição da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). portanto precisamente legal. LC 105/01). aos olhos do poder tributante. CPL (Custo de Produção Mais Lucro) – é o custo médio de produção de bens. No terceiro. as contribuições incidentes na venda. recolher-se-á a diferença entre o declarado e o levantado pelo órgão (lançamento de ofício). pode ser realizada sem a inclusão nos mencionados bancos de dados. De fato. O fisco deve seguir rigorosamente o estabelecido para medir a base de cálculo presumida. 44. seis anos para fins de comprovação do IR. O legislador ordinário vai dar os critérios para sua aferição. há três categorias possíveis de renda ou proventos a serem tributados: real.

segue-se o mesmo trâmite da declaração completa. Ante a inexistência deste último dado. deve-se comprová-las documentalmente. Há atividades com percentuais específicos: 1. indenização de férias ou de licença-prêmio não-gozadas por necessidade do serviço (Súmulas 125 e 136 do STJ. O contribuinte do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) pode optar pelo modelo simples ou completo para a declaração anual.00.5%. esta será a base de cálculo. No simplificado. 647 RIR. e para as prestadoras de serviço com receita bruta anual não superior a R$ 120. encontrando a base de cálculo. Optando pelo segundo. Com outros resultados. recorre-se ao arbitramento fiscal da base de cálculo (lançamento de ofício). encontrando-se a base de cálculo. relacionadas no art. 32%: para atividades de prestação de serviços em geral. A regra geral determina uma alíquota de 8% sobre a receita bruta. Para efeitos do IR. etc. a partir da renda tributável. 32%: profissões regulamentadas. RIR). de acordo com a tabela progressiva estipulada. intermediação de negócios. operam-se as DEDUÇÕES. afere-se a base de cálculo pelo lucro real. Sobre esta. pela autoridade tributária. Ainda por opção do sujeito passivo ou ante a impossibilidade de apurar daquela maneira. o legislador criou um mecanismo análogo ao simples da pessoa física. Toda vez que o lucro anual da pessoa jurídica ultrapassa R$ 240. Já no primeiro. através de registro. Ex. ele deverá apresentar os documentos comprobatórios das deduções.130 contribuinte. poupança.000. excetos os de carga. sobre a renda. IV. tomando por paradigma o aluguel a ser eventualmente auferido com o aluguel. sendo que tal percentual varia de acordo com o tipo de atividade.: contribuinte que declara não ter renda. 16%: atividades de prestação de serviços de transporte. alimentação. O critério temporal é o lapso de 12 meses. chegando-se à base de 171 Lucro presumido consiste em presumir ou estimar o lucro como um percentual sobre a receita bruta. Nas deduções do modelo completo. O IRPF não incide sobre diversos rendimentos brutos.6%: receita proveniente de revenda. tomando-se por referência a receita bruta (faturamento). chamado de lucro – quando positivo – ou de prejuízo – quando negativo. cobra-se 15% sobre este valor e 10% sobre o excedente (tabela progressiva). recorre-se. A partir daí. cálculo e demonstração no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para fins puramente tributários (art. 8%: serviços hospitalares e transportes de carga. mesmo com receita bruta anual não superior a R$ 120. sobre os quais pende comodato para com amigos em dificuldade – o fisco arbitra a base de cálculo da renda. para consumo. mas é proprietário de vários imóveis. Caso o contribuinte opte pelo LUCRO PRESUMIDO. já mencionadas). bolsas de estudo. DE 15% OU DE 27. a renda corresponde ao lucro.00. Para as PESSOAS JURÍDICAS.000. alienação de bens de pequeno valor. de combustíveis derivados de petróleo. alienação de um único imóvel. o fisco arbitrará a base de cálculo. incide ALÍQUOTA ZERO. . por meios indiciários. subtraímos-se 20% por presunção (guardado o limite máximo estipulado anualmente). O lucro operacional é o faturamento menos custos e despesas operacionais. em um segundo momento. É aplicado um percentual sobre o faturamento171. álcool etílico carburante e gás natural. os custos e as despesas que excederem os limites contábeis serão adicionados ao lucro contábil. A escrituração contábil deve ser rigorosamente observada. Havendo lucro. referente ao exercício financeiro e coincidente com o ano civil.00. 262. forma o resultado final. administração. levada a cabo. locação ou cessão de bens móveis ou imóveis. Uma vez que o contribuinte optante pelo completo caia na “malha fina”. Não conseguindo fazê-lo. PRESCINDE-SE desta exigência. ao lucro presumido.000. como ajuda de custo.

I a VI. o legislador criou o sistema de antecipação mensal do IR. o empresário deve planificar o lucro real primeiramente. Para resolver o entrave. Ainda mais: por até 30% de prejuízo. bancos comerciais. esta obrigação não é facultativa. sempre haverá recolhimento de tributo. decidir por qual modo de declaração do IR lhe é mais favorável. De fato. quer seja em uma empresa. Entretanto. Nesta situação. logo depois. instituições financeiras. o empresário pode abater de lucro nos exercícios seguintes(art. Antecipação do IR – o carnê-leão é uma forma de retenção de IRPF na fonte. que será feito no ano seguinte. empresas de seguros. Em qualquer dos casos de incidência. por meio do CARNE-LEÃO. de dependentes (também previstos para as fontes pagadoras pessoas jurídicas) e de empregados. É também uma forma de amortizar as dívidas e de diminuir a inadimplência (sonegação) para com o poder tributante. porque. determina que as seguintes pessoas jurídicas são obrigadas a recolher o IRPJ pelo sistema de lucro real: com receita superior ao limite de R$ 48 milhões. 246. No tocante ao IRPF. quando se tem fonte pagadora pessoa física. Além disso. O fisco sempre prefere a declaração por lucro presumido. rendimentos ou ganhos do exterior. o contribuinte calcula o seu imposto mensalmente. “factoring”. além de deduzir os custos de previdência. 42 e ss. mas decorre de lei (“ex lege”). A declaração do IRPJ deve ser optada no primeiro mês do exercício financeiro. o Fisco passou a determinar que a APURAÇÃO fosse ANUAL. valem as consultorias. RIR. o beneficiário desses rendimentos deve fazer o recolhimento de uma maneira específica. favorece sempre o contribuinte. a retenção na fonte é uma obrigação jurídica de quem é fonte pagadora (necessariamente uma pessoa jurídica). Vale . independentemente da sorte financeira da empresa (lucro ou prejuízo). Na prestação de contas anual. Desse modo. é possível dividir a obtenção de acréscimo patrimonial em vários momentos. o erário necessita de entradas regulares ao tempo de suas necessidades. o período de apuração do IR é de 12 meses. será feita a apuração e a prestação de contas correspondente. Todavia. empresas de arrendamento mercantil. de modo a ser apurado um eventual saldo positivo (restituição do IR) ou negativo (pagamento do IR) para eles. a fiscalização é materialmente mais facilitada. Neste caso. nesta modalidade. Lei 8981/95). os quais só serão aplicáveis – no primeiro caso – por ocasião da prestação de contas anual.131 cálculo. o contribuinte pode incluir os quesitos educação e saúde. Desta feita. Em face do Direito Tributário. as que tiverem lucros. há OBRIGATORIEDADE para todos os contribuintes (pessoas físicas e jurídicas).. preenche o DARF e recolhe a quantia aduzida. sociedades de crédito imobiliário. Neste sentido. esta não tem a obrigação de fazer o recolhimento. o art. o histórico da empresa e as projeções para o futuro. Esta determinação decorre da dificuldade em se precisar o exato instante da majoração patrimonial (renda). ao contrário do IRPF. bancos de investimento. A opção por lucro real. Na realidade. empresas com capital estrangeiro ou que possuam sócios residentes no exterior devem sempre fazer a declaração pelo lucro real. etc.. bastando meros cálculos matemáticos. Só depois do exercício financeiro anual. Ele configura uma obrigação mensal para o IR. Entretanto. para. Como o fato gerador do IR é complessivo. então. quer seja quanto a uma pessoa natural. em contrário.

a “circulação de mercadorias (. “g”.9.2001. DJU 17. DJU 25. ainda pelo o lucro real: o recolhimento antecipado dar-se-ia por LUCRO ESTIMADO. DJU 7. cit. Portanto. ADI 2377 MC/MG. a antecipação é diversa. Liga-se à atividade de mercância.2003. Desta feita.95. No diapasão. a aferição e. produtos que estão na linha da circulação. Ademais. . § 2º. é a principal fonte de receita derivada das unidades federadas. Marco Aurélio.9. Lei ou ato normativo estadual que venha a contrariar. 173 Para Sabbag. 99/99. 155. com a correspondente antecipação neste período. Joaquim Barbosa..circulação de mercadorias – implica em mudança de titularidade ou em alteração física da mercadoria. CF/88). Para ela. a norma constitucional mencionada é tido como inconstitucional pelo STF172. Gilmar Mendes. ou seja. o ATO DE MERCÂNCIA173 é o que genuinamente caracteriza o ICMS. op. Min. rel. Joaquim Barbosa. ADI 3389/RJ. Uma vez que.: qualquer isenção a ser concedida por lei estadual ou distrital deverá ser precedida de convênio no âmbito das demais unidades parciais da federação.. Informativo do STF n° 480. arremata o conceito pelo termo “habitualidade”. O carne-leão não é possível para a pessoa jurídica.9.) [compreende] o trajeto de mercadoria da produção até o consumo”. alterada posteriormente pelas LC’s 92/97. p. em um balanço parcial do ano (seis meses). O recolhimento pelo lucro real pressupõe contabilidade referente a um trimestre.2007. 155.8. comporta vários núcleos do tipo tributário (hipóteses de incidência): . ADI 2021 MC/SP. O fisco deu uma terceira alternativa. Estatisticamente. 291. nos termos do art. consubstanciando um tributo importantíssimo para o Fisco. Obs. pode haver mudança física de mercadoria sem a alteração de titularidade ou vice-versa.68. 102/00 e 114/02). caso a pessoa jurídica verifique que há prejuízo no período. LC 24/75 (art. 19. 6. O DL 406/68 traz normas gerais de natureza financeira para a referida exação. Min. cit. 450. a antecipação são MENSAIS. Hipóteses de incidência – ele não incide propriamente sobre “venda de mercadorias”. DJU 8. Pelo lucro presumido.2007.2007. DJU de 27.5. j.9. Plenário. por conseguinte. CF/88.11. j.9. direta ou indiretamente. ela poderá solicitar a SUSPENSÃO DAS ANTECIPAÇÕES POR LUCRO ESTIMADO no semestre posterior. XII.. fazendo os ajustes necessários por ocasião da declaração anual. Cassone. ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) – o ICMS é um imposto de grande magnitude normativa e econômica. 1º. encontra regulamentação geral nas LC’s federais 24/75 e 87/96 (Lei Kandir.2007. “caput”. Min. incidindo o 172 STF. j. rel. ADIn 2747/DF. rel.132 ressaltar também que a forma de contribuição por carnê-leão cabe quando há mais de uma fonte de renda e somente é aplicável à pessoa física.. p. A MP 219914/01. elemento essencial para concretizar a atividade mercantil. ADI 3936 MC/PR. porque o constituinte deferiu ao legislador decorrente a competência para tal. exclusivamente. ADI 1247 MC/PA. Informativo do STF n° 478. traz comandos sobre a isenção e redução quanto a fundos de investimentos regionais. Informativo do STF n° 478. RMS 17949/ES. Nesse sentido. 6. ADI 3673/RJ. rel. O modo como se estima é idêntico ao lucro presumido. Min. op. II. sendo fonte pagadora pessoa jurídica ou pessoa física. Regência legal – a lei instituidora advém de diplomas estaduais. o art.

u. um crédito”. 176 A jurisprudência do STF já assentou entendimento sobre os conceitos de produto e de mercadoria. RE 194. 43. DJU 7. REsp 756. Ex.737. p.. 2ª T. é o mesmo caso da movimentação física de bens entre matriz e filial (Súmula 166 do STJ)174. a alienação de bens do ativo imobilizado de empresa não configura o fato gerador do ICMS (SABBAG. ínsito no art.. . Informativo do STJ n° 332. o qual destina-se ao comércio (SABBAG.133 ICMS. 2ª T. De outra sorte. RJ/IOB 1/11. aplicando-se o art. apesar da plantação ainda não estar completamente maturada. 19. II. 155. 155. A atividade comercial só é dispensada no caso de importação de produtos ou de prestação de serviços no exterior. 449: “a coisa. consuma-se o fato gerador. Min. um débito.. Está fora o transporte intramunicipal. 2004)177.1998. apesar de haver movimentação de mercadoria. Desta feita. Min. o conceito de serviço. j. desde que se trate de operação de mercado. o empresário emite a nota fiscal e registra-a com suspensão do ICMS. j. Diz-se que é toda coisa ou bem móvel. que a produz. porque há mudança de titularidade. 452). rel. DJU 12. Ex. p. não existir a movimentação física do produto.1997. A mudança da titularidade é jurídica e independe de movimentação física do bem (SABBAG.612-RJ. O fato gerador está ligado ao SERVIÇO DE TRANSPORTE. João Otávio de Noronha. 116. v. rel. § 2º. Ilmar Galvão. op. 452).: fabricante de roupas movimenta suas mercadorias para participação de uma exposição do setor em outra cidade – não há mercância. segundo leitura do próprio STJ acerca de seu posicionamento sumulado175. perfilhando as lições de Carvalho de Mendonça e Fran Martins.5. Não importa se há efetivamente o transporte. rel. o qual será objeto de tributação pela via do ISSQN (CASSONE. carga. no momento do negócio jurídico. 177 STF. O ICMS é devido na saída da mercadoria do estabelecimento. a cada entrada. CTN. p. 2004. RTJ 78/215)”.951-SP. “a”. p. Nesse passo. RE 200379-4/SP.. incide o ICMS. 1ª T.9.. neste caso. p. Outro exemplo: o agricultor vende antecipadamente sua safra inteira de milho. II. o comodato de máquinas e equipamentos não caracteriza fato gerador da exação em tela (Súmula 573 do STF)178.1998. de haver alto valor envolvido ou do fato do translado não ser habitual. porquanto os produtos retornarão para o estabelecimento original do comerciante. não há transmissão da titularidade. Basta que o serviço seja prestado. pressupõe a existência de dualidade de figuras: um prestador e um tomador. O núcleo do tipo independe da natureza do que está sendo transportado (passageiro – transporte regular. 2004)176. 175 STJ.1997.633. CF/88). cit. 29. passa a ser mercadoria logo que é objeto de comércio do produtor ou do comerciante por grosso ou a retalho. considerado produto. perfilhando a regra geral da nãocumulatividade pela compensação – “a cada saída.4. CF/88. que a adquire para revender a outro comerciante ou a consumidor. Havido o transporte mediante pagamento. IX. apesar de. enquanto se acha na disponibilidade do industrial. 178 Súmula 573 do STF: “Não constitui fato gerador do ICM a saída física de máquinas. situações em que fazem incidir o tributo em tela mesmo que não haja habitualidade por parte do adquirente ou do prestador (art. ou pessoa – fretamento). 34. Min. 2004). deixa de ser mercadoria logo que sai da circulação e se acha em poder do consumidor (RE 79. .: 174 Súmula 166 do STJ: “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”..u. utensílios e implementos a título de comodato”.8. tal qual já se fez no capítulo sobre IPI. chama-se produto manufaturado ou artefato.300-9/SP. Marco Aurélio. citados por Cassone. v.prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal – para Cassone (2004. É também cediço definir “mercadoria”. segundo entendimento do STF. 18/9/2007. a aplicação do verbete independe de as coisas pertencerem ao ativo fixo da empresa.

p. com transporte de várias peças ou componentes. as alíquotas sobre o frete são menores que aquelas para a operação de circulação de mercadorias. não há prestação de serviço de transporte. fato este que acaba não reduzindo a receita do Fisco.prestação de serviço de comunicação. 155. não importa que a comunicação se dê no âmbito de um só município. porque são consideradas essenciais e de utilidade pública pela Constituição (art. a movimentação é obstada. o VALOR DO FRETE ESTARÁ EMBUTIDO NO PREÇO da mercadoria. I a V. incide o ICMS. acrescida pela EC 42/03). por qualquer via. desde que não propague o sinal por qualquer meio. Graças ao art. No critério espacial. § 2º. bens. como o fez no transporte interestadual e intermunicipal (CASSONE. inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares. o trabalho da produtora de programas para a emissora paga (televisão fechada). pagamento e emissão do “conhecimento de transporte”. e § 1º. CF/88. REsp 726. a recepção. o transporte aéreo também pode ser abrangido pelo ICMS. a transmissão. É interessante também destacar que a prestação deve ser onerosa. o serviço de transporte deve ser efetivado por empresa que o preste em favor de terceiro. . João Otávio de Noronha. II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. Incidências (elemento objetivo) – o imposto incide sobre (art.134 transportadora é contratada para fazer a mudança de uma família. pois se gratuita for. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. Quando a prestação se dá em parcelas. 2004). por qualquer meio. rel. incide o ICMS onde a operação começou a ser prestada. a retransmissão. desde que a empresa não se volte a esta atividade como principal. mercadorias ou valores. 26/6/2007. pois houve contrato. Emissoras radiofônicas e de televisão abertas não estão sujeitas à tributação do ICMS. 2º. . a emissão. LC 87/96): I – operações relativas à circulação de mercadorias. ainda que iniciado no exterior – o exemplo mais comum versa sobre a telefonia. Min. Geralmente. restaurantes e estabelecimentos similares. conquanto o legislador não a distinguiu.. Neste caso. LC 87/96179. 2004). de pessoas. 2º. por alguma razão. Caso a própria empresa disponha de frota para fazer a distribuição de suas mercadorias. inclusive a geração. 454).103-MG. Apesar da Lei 8977/95 falar em serviços de TV a cabo. não pode ser tributado pela via do ICMS. I a III. X. Nesse caso. IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios. 2ª T. 2004. cabendo tão-só a exação do ISSQN municipal180. 179 180 A LC 87/96 é conhecida como “Lei Kandir”. referendando a previsão do Convênio ICMS 66/88 (SABBAG. não há incidência da exação (SABBAG. Informativo do STJ n° 325. III – prestações onerosas de serviços de comunicação. Não estarão incluídos nos fatos geradores os transportes por dutos e por vácuos. o fato gerador se configura com o efetivo transporte da primeira parte. Além disso. II. j. “d”. STJ.

155. II. (. CF/88)... por intermédio da EC 33/01. II. Características – o ICMS apresenta não-cumulatividade (art. Controvérsia também se estabelece sobre o art. II.. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento. LC 87/96: Art. quanto ao consumo residencial. 155. no território do Estado destinatário. sendo chamada de insumo público. seletividade em função da essencialidade (de acordo com o arbítrio do 181 181 Ao contrário do IPI.). quando não destinados à comercialização ou à industrialização. VI – a entrada de mercadoria importada do exterior. em que a não-cumulatividade foi determinada diretamente pelo constituinte (art. II. II . p. Alguns a consideram insumo de produção. de competência dos Municípios. cit. CF/88) .sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. 298. Todavia. de petróleo. o ICMS prescinde de LC regulamentadora para tal (art. CF/88. apesar de não constar do rol do art. 155. CF/88). § 3º. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados.). 155. 155. 2º. decorrentes de operações interestaduais. pois faz parte de um preceito secundário. CF/88. § 1º. § 2º.). op. O constituinte derivado foi “atroz” ao instituir o citado dispositivo. quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. por pessoa física ou jurídica. ao considerá-la como mercadoria. O imposto incide também: (. de fato. I. VIII – a entrada.135 V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços. § 3º. CF/88. O legislador infraconstitucional. 2º O imposto incide sobre: (. à exceção do art. VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. não prevista no texto do art. pende uma dúvida.. . utilizou-se da regra prevista no art. § 1º. a primeira parte do dispositivo em comento é inconstitucional. cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente. porquanto seria intrínseca no preço final de todos os produtos. CF/88. em contrário à vontade do constituinte originário. 153. mesmo porque é tida como essencial e vital para as condições mínimas de dignidade humana. II. 453). A energia elétrica é atualmente tributada pelo ICMS.. mas aquele o fez. p.. Para Cassone (2004. 155. “c”. e de energia elétrica.. § 2º. XII. como não deixa de se ressaltar o mestre Sabbag. Este não incluiu a energia elétrica no rol dos núcleos dos tipos tributários do ICMS. porquanto estabelece regra de incidência tributária extraterritorial.

153. Será incidente na extração da matéria-prima. o produto deve ser destinado ao comércio ou à industrialização. jornais. entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI. Os programas de computador sofrem dupla disciplina. p. esse não integrará a base de cálculo do ICMS (art. CF/88). § 5º. Nas palavras de Sabbag (2004. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. Atualmente. para transporte aéreo. “a”. devem ser preenchidos três pressupostos cumulativos para que isso ocorra: a operação de circulação deve ser realizada entre contribuintes. inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. ICMS. I e II. § 2º. 150. o imposto em questão pode ser classificado como gravame plurifásico (incide sobre o valor agregado). enquanto a Resolução 95/96. § 2º. CF/88). Em se tratando de licença ou cessão do direito de uso (propriedade imaterial). X. De outra feita. “a”. § 2º. Ele tem um valor cambiário. proporcional (não há progressividade nas alíquotas) e fiscal (não é exação regulatória da economia). ou serviços (art. etc. “b”. a licença ou transferência de tecnologia se dê em proveito de adquirente. enquanto ativo financeiro. Caso o produto a ser comercializado também seja objeto de IPI. 2004. devendo ser observados os limites mínimos estabelecidos em Resolução do Senado (art. cabe a tributação por via do ICMS (CASSONE. em que pese sua natureza de mercadoria. § 5º. segundo alíquota mínima de 1%. CF/88). quando destinados à industrialização ou à comercialização (art. § 2º. II – operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo. uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira. Não-incidências (isenções) – o imposto não incide sobre (art. 458-480)182. I a IX. Desta feita. § 2º. 155. CF/88).464/SP. 288).). 3º. real (as condições pessoais do contribuinte são irrelevantes para o cálculo do devido). V. O ouro é um valor de referência mundial. p. licenciado ou contratante localizado no estrangeiro. CF/88) e alíquotas variáveis de Estado para Estado.136 legislador estadual – art. III. não incide o ICMS. CF/88). . há configuração do fato gerador de ambas exações. Em contrário senso. 155. periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. RE’s 176. X. “d”. Rememora-se que a primeira hipótese constituirá fato gerador da CIDE-remessas para o exterior (Lei 10168/01) caso a cessão. Nesse caso. 155. XI. II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias. CF/88: 70% ao Município de origem e 30% ao Estado de origem ou ao DF. LC 87/96): I – operações com livros. caso haja destinação da produção em massa para o comércio (“software de prateleira”). ISSQN. sendo entendido como objeto de incidência única do IOF (art. VI. a Resolução 22/89 estabelece as alíquotas para operações interestaduais. 155. a ser divida de acordo com o art. 150. 155. 182 STF. CF/88). o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria.626-3/SP e 199.

com alíquota de ICMS de 12%. LC 87/96. ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar. física ou jurídica. inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor. que realize. IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. V – operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação. operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. do total da operação (100%). “c”. ainda que as destine a consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento. segundo dizem Sabbag (2004. inclusive “tradings” ou outro b) armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro. não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. CF/88). § 2º. 3º. deve ser abatida a . LC 87/96): a) empresa comercial exportadora. Equipara-se às operações de que trata o item II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. IX – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (art. com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial. 3º. LC 87/96): I – importe mercadorias do exterior. I a IV. 306) e Cassone (2004. É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que. III – adquira em licitação de mercadorias apreendidas ou abandonadas. § 7º. 4º. pelo próprio autor da saída. destinada a (art. § 1º. I. p. I e II. Cálculo do ICMS – no caso de saída de mercadoria. VII – operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia. parágrafo único.: mercadoria custa R$ 500. “caput”. parágrafo único. É o que a doutrina denomina ICMS “por dentro”. de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços. de competência dos Municípios. VIII – operações de arrendamento mercantil. Contribuinte (elemento subjetivo passivo) – contribuinte é qualquer pessoa. quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (art. 155. LC 87/96). X. 462). Ex. com base no art. mesmo sem habitualidade (art. a alíquota incidirá sobre o total da operação (art. estabelecimento da mesma empresa. comercial ou de outra espécie. DL 406/68). VI – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial. p. 4º. II – seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. 2º.137 IV – operações com ouro.

STF. CTN). a própria jurisprudência não encontra melhor pacificação. a do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. no caso de arrematação de mercadoria importada do exterior e apreendida. multiplica-se o valor da mercadoria (R$ 500) pelo coeficiente (1.18) para o fisco. f) aquele onde seja realizada a licitação. ficando R$ 500 para o comerciante e R$ 68. por exemplo). considerando a base de cálculo o valor total da nota fiscal184. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhado de documentação inidônea. Em contrário senso.138 alíquota (12%). quando não estabelecido.13636. 13. 1. c) o do estabelecimento que transfira a propriedade. 2004. integram a base de cálculo do ICMS. os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS”. LC 87/96. sendo tributada por meio do IOF (art. p. RE 101103-3/RS. Tratando-se de frutos decorrentes de financiamento. o do domicílio do adquirente. Julgados menos hodiernos do STF propugnavam pela sua inclusão no montante para o cálculo da exação. 1ª T. § 1º. I a IV. d) importado do exterior. Essa ginástica aritmética foi considerada constitucional pelo STF183. os descontos concedidos sob condição (pagamento a prazo. Ex. 30. j.6. “a”. RE 212209/RS. No mesmo sentido. REsp 67947/MG. obtendose o valor total (mercadoria + imposto). “a”. obtém-se o coeficiente dividindo-se o total (100%) pela percentagem real (88%). Local da operação ou da prestação (elemento espacial) – o local da operação ou da prestação. II. à vista do adquirente (CASSONE. R$ 568. RJ/IOB 1/9.18: o contribuinte de fato paga esse valor.18 (12% de 568. No mesmo comando. II.1999. o legislador complementar determinou que os juros devem integrar a base de cálculo também. ou seja. para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável. 64. LC 87/96): I – tratando-se de mercadoria ou bem: a) o do estabelecimento onde se encontre. como dispuser a legislação tributária. 184 183 . Essa disposição não atinge o preço da mercadoria no caso de desconto concedido diretamente no momento da operação. CF/88. é (art. ou o título que a represente. 462). § 1º. isto é.: financiamento de parte do preço por meio de cartão de crédito. Min. de mercadoria por ele adquirida no País e que por ele não tenha transitado. 13. 185 Súmula 237 do STJ: “Nas operações com cartão de crédito. Segundo o art. b) onde se encontre. rel.13636). I. Informativo do STF n° 154.. julgados mais recentes do STJ determinam a exclusão dessa espécie de juros da base de cálculo. STF. com fulcro no art.826. e) importado do exterior. obtendo-se a percentagem real (88%). STJ. pelo fato do financiamento constituir operação distinta daquela relativa à mercância (Súmula 237 do STJ)185. no momento da ocorrência do fato gerador. Cesar Asfor Rocha.

IV – tratando-se de serviços prestados ou iniciados no exterior. III – tratando-se de prestação onerosa de serviço de comunicação: a) o da prestação do serviço de radiodifusão sonora e de som e imagem. por contribuinte. por contribuinte. quando não considerado como ativo financeiro ou instrumento cambial. h) o do Estado de onde o ouro tenha sido extraído. na hipótese da utilização. quando prestado por meio de satélite. ou assemelhados com que o serviço é pago. bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento. LC 87/98): I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte. II – do fornecimento de alimentação. Ocorrência do fato gerador (elemento temporal) – considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento (art. o do estabelecimento ou do domicílio do destinatário. b) onde se encontre o transportador. quando não destinados à industrialização ou à comercialização. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhada de documentação inidônea. nos demais casos. ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. d) o do estabelecimento ou domicílio do tomador do serviço. emissão. ampliação e recepção. na hipótese da utilização. . i) o de desembarque do produto. nas operações interestaduais com energia elétrica e petróleo. repetição. na hipótese de captura de peixes. como dispuser a legislação tributária. lubrificantes e combustíveis dele derivados. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. cartão.139 g) o do Estado onde estiver localizado o adquirente. crustáceos e moluscos. no Estado do transmitente. assim entendido o da geração. II – tratando-se de prestação de serviço de transporte: a) onde tenha início a prestação. b) o do estabelecimento da concessionária ou da permissionária que forneça ficha. inclusive consumidor final. transmissão e retransmissão. 12. d) onde seja cobrado o serviço. I a XIII. III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente.

a responsabilidade pelo seu pagamento. crédito e estorno de ICMS – o imposto é nãocumulativo. LC 87/96). VI – do ato final do transporte iniciado no exterior. VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação. b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto da competência estadual.140 IV – da transmissão de propriedade de mercadoria. 6º. X – do recebimento. XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias importadas do exterior apreendidas ou abandonadas. LC 87/96). É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária. a transmissão. Substituição tributária – a Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto ou a depositário. de serviço prestado no exterior. que seja contribuinte do imposto (art. a recepção. por contribuinte. como definido na lei complementar aplicável. a emissão. “caput”. § 1º. ou de título que a represente. a qualquer título. A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações. IX – do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas do exterior. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente. correspondente ao fato gerador presumido. pelo destinatário. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias ou serviços previstos em lei de cada Estado (art. LC 87/96). “caput”. inclusive a geração. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. 6º. XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. XIII – da utilização. 10. feita por qualquer meio. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. a retransmissão. concomitantes ou subseqüentes. LC 87/96). compensando-se o que for devido em cada operação relativa à . 5º e 6º. hipótese em que o contribuinte assumirá a condição de substituto tributário (arts. VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios. que não se realizar (art. V – do inicio da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. Não-cumulatividade. § 2º. sejam antecedentes. inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado. de qualquer natureza.

II. 155. caso a operação for isenta ou não tributada. 20. LC 87/96): I – para integração ou consumo em processo de industrialização ou produção rural. a jurisprudência tranqüila apregoa que descabe incidência de correção monetária. exceto as destinadas ao exterior. parágrafo único. real ou simbólica. perecer ou perder-se. o que não configura violação da não-cumulatividade e da isonomia. Com efeito. 19.R$ 10. Nessas hipóteses. o art. Do contrário.000. LC 87/96). 20. valor do imposto anteriormente cobrado. o crédito não vige. LC 87/96). 23. De fato. Salvo prova em contrário. devendo o contribuinte também realizar o estorno (art. LC 87/96). não dão direito a crédito as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de operações ou prestações isentas ou não-tributadas. 21. quando a saída ou a prestação subseqüente não forem tributadas ou estiverem isentas do imposto. Sendo o ativo alienado em até cinco anos. a LC 87/96. É vedado o crédito relativo à mercadoria entrada no estabelecimento ou a prestação de serviços a ele feita (art. não permitiu a compensação na cadeia mercadológica se alguma de suas fases goza de alguma espécie de não-incidência ou de isenção.00.00. o contribuinte deverá estornar à Fazenda o valor à razão de 20% ao ano ou proporcionalmente em 1% ao mês (art. 33. § 2º. § 1º. não haverá estorno do crédito à Fazenda em qualquer hipótese (art. LC 87/96). CF/88. 21. 20.000. Quando a operação subseqüente for de exportação. valor do ICMS a pagar – R$ 50. o crédito será definitivo. um crédito”. Entretanto. LC 87/96). exceto se se tratar de saída para o exterior. I a IV. No creditamento de ICMS. presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal (art. § 2º. § 1º. no estabelecimento (art. 20. LC 87/96).000. I e II. O direito de utilizar o crédito extingue-se depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (art. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. “caput”.000. decorrentes de entradas de mercadorias – R$ 10. De outra sorte. § 3º. com as devidas alterações da LC 102/00. LC 87/96).00.000. LC 87/96).00 . Crédito semelhante é garantido quanto à energia elétrica consumida pelo estabelecimento (art. não há de argüir a regra da não-cumulatividade. LC 87/96).00 = R$ 40. diga respeito à operação estranha à empresa. Exemplo: total do ICMS devido pelo sujeito passivo – R$ 50. seja consumida em processo que leve a produto não tributo pelo imposto ou venha a deteriorar-se. 21. ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento (art. “a” e “b”. É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria. II – para comercialização ou prestação de serviço. permitiu o crédito de ICMS em favor do contribuinte a partir da escrituração de entrada de ativo financeiro no estabelecimento – “a cada entrada. § 2º. .141 circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado (art. II.

o contribuinte substituído. LC 87/96): I – for objeto de saída ou prestação de serviço não tributada ou isenta. IV – vier a perecer. LC 87/98). III. 20. geralmente também envolve a comercialização de aparelhos. no prazo de quinze dias da respectiva notificação. se for o caso. REsp 805. A Lei estadual poderá. parágrafo único. Informativo do STJ n° 332. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. . procederá ao estorno dos créditos lançados. 2ª parte. § 2º. LC 87/98). deteriorar-se ou extraviar-se. Formulado o pedido de restituição e não havendo deliberação no prazo de noventa dias. permitir que (art. I a IV. Com base nessa interpretação. e I. 20. O Convênio 115/96. § 2º. LC 87/96). versando sobre ICMS. do valor objeto do pedido. “caput”. o contribuinte substituído poderá se creditar. No entanto. 186 STJ. confere prerrogativa para os Estados estabelecerem redução da base de cálculo do tributo no tocante a serviço de radiochamada (cláusula 2ª. fato esse que não está abarcado expressamente pela norma. Se o montante dos créditos superar os dos débitos. § 1º. devidamente atualizado segundo os mesmos critérios aplicáveis ao tributo (art. 25. 20/9/2007. sendo esta circunstância imprevisível na data da entrada da mercadoria ou da utilização do serviço. LC 87/96): I – sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado. a diferença será transportada para o período seguinte (art. III – vier a ser utilizada em fim alheio à atividade do estabelecimento. I e II. não se estornam créditos referentes a mercadorias e serviços que venham a ser objeto de operações ou prestações destinadas ao exterior (art. LC 87/96). LC 87/96). LC 87/96). 21. popularmente conhecida como “pager”. rel. Sobrevindo decisão contrária irrecorrível. porquanto não abrangidos pela norma convencional esculpida186. § 1º. 24. nos casos de saldos credores acumulados. Quando houver incorporação do bem ao ativo permanente do contribuinte antes de passados cinco anos contados da aquisição. 2ª T. também devidamente atualizados. II – for integrada ou consumida em processo de industrialização. Convênio 115/96). 10.142 O sujeito passivo deverá efetuar o estorno do imposto de que se tiver creditado sempre que o serviço tomado ou a mercadoria entrada no estabelecimento (art.795-RJ. § 1º. A prestação em comento. em sua escrita fiscal. com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis (art. 24.. o STJ pronunciou o descabimento de não-creditamento nas operações que envolvam a mercância dos equipamentos mencionados. Min. As obrigações consideram-se liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de períodos ou períodos anteriores (art. Eliana Calmon. o estorno deverá ser feito à razão de 20% ao ano ou fração que faltar para completar o lustro (art. 10. j.

EREsp 149. dando azo à edição da Súmula 661 do STF189. essa atuação se presta à identificação do contribuinte. à materialidade do fato. Informativo do STJ n° 323. não aquela determinada para operações interestaduais. j. fato que sugere a apreensão como modo de coerção para o pagamento da exação. o STJ resolveu alterar sua posição. Castro Meira. 195 STJ. 13/6/2007. em face de previsão de empreitada com o emprego de materiais a serem fornecidos pelo empreiteiro (art. RJ/IOB 1/11. DJU 28.223-MT. rel. RE 192711/SP. 193 Súmula 152 do STJ (CANCELADA): “Na venda pelo segurador. O Pretório Excelso passou a acatar como inaplicável o ICMS também na operação de alienação dos salvados pela seguradora194. Castro Meira. Min. Todavia. mas contando com cinco votos pela exclusão das operações com salvados da incidência do ICMS. é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro”. CC).2007.062-GO. 23. incidia a referida exação. Min. Gilmar Mendes. Dessarte. 1ª T. não ficando abarcada pelo ICMS. REsp 73. lavrando-se o auto de infração devido. 1º.9. em substituição ao seu enunciado 577.05.552-RJ. j. a jurisprudência do STJ fixou entendimento192. RMS 12. 1ª Seç.084.08.96. REsp 564.. no tocante ao diferencial de alíquotas da exação. DJU 16/8/2004. o STF vinha entendendo diferente. j. v..143 II – sejam transferidos. quando a adquirente realizava a alienação deles.. o qual tinha por fulcro a CF/69 e o art.. Tratando-se de diferença cambial na cobrança do imposto em comento.769-DF.97. Operações com salvados de sinistros – o art. DL 406/68. 194 STF. Dessa feita. II. DJU 20/3/2000. Informativo do STJ nº 331. IX. com julgamento ainda pendente até a data indicada. decorrente de operação de importação de mercadoria187. v. de bens salvados de sinistros. RT 726/383. Informativo do STF n° 478. 13. segundo já disse o Supremo191. Pleno. RE 193817/RJ. 3º. DJU 1º/7/2002. j.99. o STJ entende que há de se tomar como balizas referenciais a data do registro da importação e a entrada da mercadoria no território nacional190. rel. nos exatos termos de jurisprudência até então dominante (Súmula 152 do STJ)193. Min.946-MS. 189 Súmula 661 do STF: “Na entrada de mercadoria importada do exterior. 2ª T. Também TJRJ. “caput”. rel. Min. rel. A posição ficou sedimentada por meio de outros julgados188. nas condições que definir. 191 STF. 610. incide o ICMS”. 188 187 . determina a não-incidência de ICMS em operações de aquisição de salvados por seguradoras. rel. Com base no entendimento do Supremo. “in fine”. Com essa idéia. rel. Ilmar Galvão. u. ADInMC 1648/MG. 11/9/2007. Ilmar Galvão. REsp 919. m. Nas operações de importação. Os insumos devem ser utilizados na atividade-fim do administrado para não sofrerem a incidência do tributo. Apreensão de mercadorias – nada obsta que o fisco empreenda a apreensão de bens sujeitos a ICMS e desacompanhados da correspondente nota fiscal. STF. Min. Não pode a autoridade tributária permanecer “ad eternum” com as coisas. a outros contribuintes do mesmo Estado.. esses não sofrerão tributação pela via do ICMS quando adquiridos de outro Estado. a alíquota a incidir é a interna. Néri da Silveira. 190 STJ. bens decorrentes de sinistro. o STF entendia como legítima a cobrança de ICMS no desembaraço aduaneiro. REsp 23533/SP. ADI 1648/MG. Em que pese a cristalina e consentânea disposição das cortes. j. LC 87/96. Desembaraço aduaneiro – mesmo antes da LC 87/96.10. RE 172282-7/SP. cancelando o referido verbete195. Min. Essa prática é STF. 192 STJ. 6. Construção civil – é fato gerador de ISSQN. e § 1º.

DJU 15/9/2003. já citada). p. 2ª T. Veja. . parágrafo único. reafirme-se. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença.ELYADIR FERREIRA BORGES RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – o recurso extraordinário foi interposto. Des. não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116). no que autorizada a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base 196 196 144 TJDF.. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1-1/DF. Getúlio Moraes Oliveira. o voto do Min. consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. cuja constitucionalidade foi declarada e que. DJU 1º/3/2007. Marco Aurélio sobre a matéria.631-96.785-2 MINAS GERAIS RELATOR : MIN.96.97.781-RS. 7/8/2007. REsp 513. nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação. com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional. MARCO AURÉLIO RECORRENTE : AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADVOGADO : ROQUE ANTONIO CARRAZZA ADVOGADOS : RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS E OUTROS RECORRIDA : UNIÃO ADVOGADA : PFN . Eliana Calmon. MS 38. 02. relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. 8078 – ementa oficial.repudiada pela jurisprudência . do Diploma Maior. REsp 700. 2º. o qual fixou a jurisprudência do Supremo no sentido de não fazer incidir o ICMS sobre a base de cálculo da COFINS: 24/08/2006 TRIBUNAL PLENO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240. § 2º. lei esta. articula-se com a ofensa ao artigo 195. DJU 3 30.543-PR. da Constituição Federal. sendo objeto de posição firme na própria corte máxima (Súmula 323 do STF. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118. j. rel. rel. LC 70/91. inciso I. STJ: REsp 493. Exsurgiram sucessivos embargos de declaração.316-DF. da citada lei complementar. insistindo-se na inconstitucionalidade do artigo 2º. “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo. “caput”. Min. por força do artigo 102.04. j. DJU 2/6/2003. no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90). REsp 789. Nas razões do recurso. ICMS – inclusão na base de cálculo da COFINS – STF – interpretação do art. na íntegra.371-CE.12. Informativo do STJ n° 326.

Quanto à oportunidade. Em 29 imediato. página 722 a 755. segunda- . da mencionada lei englobar. terça-feira. o Relator. de 30 de dezembro de 1991. parágrafo único. foi feriado forense. questão que não teria sido apreciada na ação declaratória de constitucionalidade. foram observados os pressupostos de recorribilidade. em face da recusa do Tribunal de origem de analisar a controvérsia (folha 120 a 134). aludindo a memoriais distribuídos. A União apresentou as contra-razões de folha 137 a 140. ao incluir-se o referido tributo na base de cálculo. no que. As conclusões do acórdão prolatado nos embargos foram veiculadas no Diário da Justiça de 23 de maio de 1995 (folha 102). declarar a nulidade do julgado por ofensa aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (incisos LIV e LV do rol das garantias constitucionais). 9º. na base do cálculo da COFINS. Confira-se com o acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 156. nos termos do artigo 321 do Regimento Interno da Corte. o ICMS. 2º. ressaltando o envolvimento de matéria legal e a harmonia da conclusão adotada com a “jurisprudência de nossos Tribunais”. já que o dia 3. terça-feira. Os documentos de folhas 33 e 135 revelam a regularidade da representação processual e do preparo. preconizando o não-conhecimento do recurso. terça-feira. apontou para o envolvimento. afirmou estar a definição de faturamento no âmbito da legislação infraconstitucional. decorrendo o processamento do recurso do provimento dado a agravo. ministro Moreira Alves. definindo-se o alcance do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. oportunidade na qual consignei: Quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1. deverá.145 de cálculo da Cofins. 10 e 13 da Lei Complementar nº 70. A recorrente indicou o permissivo constitucional à folha 120. É o relatório. apenas dos artigos 1º. o tema está a merecer o crivo de Colegiado desta Corte. Por outro lado. Noutro passo. antes. A Procuradoria Geral da República emitiu o parecer de folha 166 a 169. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Na interposição deste recurso. Salienta-se que se desvirtuou o conceito técnico de faturamento. na espécie. Por isso mesmo. O Juízo primeiro de admissibilidade disse da natureza infraconstitucional da discussão (folha 140). acaso esta Corte conclua pela falta de prequestionamento. A recorrente protocolou embargos de declaração em 4 de outubro de 1994 (folha 92). segunda-feira. não foi objeto de deslinde a circunstância de o artigo 2º. A referência feita no voto do ministro Sepúlveda Pertence ganhou contornos de simples opinião de Sua Excelência a respeito da matéria. assevera-se que. o acórdão proferido na apelação restou publicado no órgão oficial de imprensa do dia 27 de setembro de 1994 (folha 91).

tal como prevista no artigo 195. de interpretação de norma estritamente legal. Portanto. Também não vinga o óbice relativo ao envolvimento. é certo. o Colegiado concluiu que seria de se presumir o exame do tema no julgamento da declaratória de constitucionalidade. o ICMS (folha 92 a 94). A defesa sustentada pela recorrente foi rechaçada pela Corte de origem. considerada a interrupção instituída pela Lei nº 8. na espécie. prescinde de referência a artigo. da premissa de que assim o teria feito este Plenário ao apreciar a Declaratória nº 1. consagrando-se. aludindo à eficácia vinculante do pronunciamento. exsurge a tempestividade deste recurso. ou seja. destarte. Sob o ângulo do prequestionamento. a óptica de que a Cofins incide sobre o ICMS. parágrafo. na forma do acórdão de folha 115 a 117. não menos correto é que a recorrente. a Turma julgadora pela inexistência da pecha quanto à inclusão combatida (folha 99 a 101). a utilização de formas sacramentais. considerado o teor primitivo do preceito.146 feira. Portanto. a violência ao artigo 195. na base de incidência da Cofins. anterior à Emenda Constitucional nº 20/98. se a conclusão a que chegou a Corte de origem. alínea “b”. que deu nova redação ao artigo 538 do Código de Processo Civil. juntamente com o faturamento. exigir mais do que isso é adotar o fetichismo da forma. a recorrente interpôs novos embargos de declaração (folha 104). Já aqui entendeu. Aí. apenas consignando que esta Corte assentou a constitucionalidade da Cofins. atenta ao passo que se avizinhava. sendo que o acórdão daí resultante foi publicado no Diário da Justiça de 22 de agosto de 1995 (folha 119). analisando estes embargos. A Corte já assentou que o prequestionamento. voltou a empresa a protocolar novos embargos declaratórios. a receita. no sentido de adentrar a sede extraordinária. da Constituição Federal. segunda-feira. fez inserir como base de incidência da contribuição devida pelo empregador. Se é certo que o acórdão inicialmente prolatado mostrou-se de simplicidade franciscana. isso ao apreciar a Ação Declaratória nº 1-1/DF (folha 88 a 90). mais uma vez reclamando prequestionamento explícito do tema (folha 104 a 112). Pois bem. tem-se como prequestionada a matéria. Resta examinar o específico. a viabilizarem o cotejo. nas razões do recurso. O que sustenta a recorrente é que o decidido pela Corte de origem discrepa da tipologia do tributo.519-2/DF. Protocolou-se o extraordinário em 4 seguinte (folha 120). refutou a argüição de inconstitucionalidade. Há de se examinar. no que. Sob o ângulo do prequestionamento. não procede o óbice apontado pela Procuradoria Geral da República. a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. da Constituição Federal. portanto. inciso I. reclamando manifestação sobre a inconstitucionalidade de incluir-se.950/94. Mesmo assim. ou seja. assim. refutando a defesa sobre a inconstitucionalidade de ter-se a incidência do tributo sobre . terça-feira. inciso e alínea – Recurso Extraordinário nº 128. a encerrar o debate e a decisão prévios do tema jurígeno explorado. na citada alínea. protocolou os embargos declaratórios de folha 92 à 94. utilizando a adjuntiva “ou”. como causa de pedir. tudo a partir. inciso I.

para o contribuinte. afastou a possibilidade de incluir-se. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti. em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71. importando. de uma operação. o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. Não pode. A conclusão a que chegou a Corte de origem. conflita. não sobre o faturamento. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. o que percebido por aquele que a realiza. fiel à dicção constitucional. Este decorre. o sentido técnico-jurídico. pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social. os acessórios. a prevalecer o que decidido. importa na incidência do tributo que é a Cofins. o faturamento e o lucro. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem. quando a própria Lei Complementar nº 70/91. de um negócio jurídico. ou seja. sob o ângulo do faturamento. de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128. ou seja. por tal motivo. a partir de premissa errônea. mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. emprestando. revelador da incidência sobre o faturamento. foi prevista tendo em conta a folha dos salários. na redação primitiva da Carta. como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. incluindo este no que se entende como faturamento. desse modo. a incidência de contribuição sobre imposto. Por isso mesmo. o valor devido a título de IPI. os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. na base de incidência da Cofins. a cargo do empregador. isto sim.147 o ICMS. considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. em si. com o dispositivo constitucional. Jamais imaginou-se ter a referência à folha de salários como a apanhar. em si. ao vocábulo “salários”. ou não. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional. ter-se-á. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar. quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços. a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. servir à incidência da Cofins. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. o ICMS. o valor do negócio. O valor deste revela. o que se dirá quanto a um ônus. por exemplo. implicando. a incidência da Cofins sobre o ICMS.519-2/DF. O conceito de faturamento diz com riqueza própria. por isso mesmo. um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa. então. ou seja. ainda que mediata. No caso dos autos.758: “se a lei . esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição. muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam. assim.

a inclusão do que satisfeito a administradores. pressupondo-se que o texto constitucional mostre-se fiel. que é o faturamento. a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. conheço deste recurso extraordinário e o provejo para. não pode. pela Constituição Federal. 110. ônus fiscal. no emprego de institutos. como é o relativo ao ICMS. “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que. julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória . ao valor da mercadoria ou do serviço. com sentido didático.148 pudesse chamar de compra e venda o que não é compra. em si. reformando o acórdão proferido pela Corte de origem. a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor. Admitir o contrário é querer. conforme visto. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade. como é o relativo ao ICMS. de expressões e de vocábulos. que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional. assim. não englobando. sob pena de desprezar-se o modelo constitucional. ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” . alterando. Conforme salientado pela melhor doutrina. a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado. de renda o que não é renda. A lei tributária não pode alterar a definição. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias. como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins . Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de ter-se. a revelar que: Art. isso sim. entender que a expressão “faturamento” envolve. na expressão “folha de salários”. pelas Constituições dos Estados. Por tais razões. qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins.Ampliação da base de cálculo e compensação do aumento de alíquota”. parcela diversa. um desembolso. surge simplesmente pedagógica. implica manipulação geradora de insegurança e. Se alguém fatura ICMS. Conforme previsto no preceito constitucional em comento. Por isso mesmo. tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. por isso mesmo. autônomos e avulsos. o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que. com razão maior. ao sentido próprio que eles possuem. quer de serviço. o conteúdo e o alcance de institutos.RTJ 66/165. mais do que isso. para mim. conceitos e formas de direito privado utilizados. relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria. a duplicidade de ônus fiscal a um só título. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto. adentrando-se a seara imprópria da exigência da contribuição. esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. expressa ou implicitamente. a cobrança considerado. é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PROBLEMAS JURÍDICOS”. A contrário sensu. de exportação o que não é exportação.

porquanto o ICMS não inclui os fatos geradores referidos no dispositivo. CF/88 (“circulação de mercadorias”). CF/88. É o que a doutrina chama de imunidade. o imposto será dividido entre o Estado de origem e de destino. Pergunta: as regras do art. § 2º. 2º. como diz Rui Barbosa Nogueira. § 1º. 155. CF/88 configuram não-incidência ou imunidades. CF/88)? Resposta: consoante resposta do item anterior. § 2º. A Resolução 95/96 do Senado Federal estabeleceu alíquota para prestação de transporte interestadual aéreo. III. Com isso. na situação anterior. Essa regra. Pergunta: quanto aos combustíveis derivados de petróleo. o valor correspondente ao ICMS. segundo entendimento doutrinário? Resposta: são regras de “não-incidência constitucional”. 155. Atualmente.149 intentada. a exação será devida ao Estado de origem. considerado o faturamento. 155. tal diploma inexiste. § 3º. § 2º. III. A partir da disposição do art. Pergunta: por que o legislador ainda não estabeleceu ICMS sobre combustíveis e minerais. não há incidência de ICMS somente nas operações interestaduais (art. X. Entretanto. bem próxima do . IV. “b”. seus derivados e outros combustíveis não derivados do petróleo. § 4º. X. Pergunta: o art. em operações entre contribuintes do ICMS. Pergunta: no caso do art. quando o destino comportar nãocontribuinte do ICMS. 2º. inverto os ônus da sucumbência. por que o contribuinte é aquele do estabelecimento de destino. nos termos do art. III. DL 406/68? Resposta: o ICMS segue um sistema de não-cumulatividade por compensação entre créditos e débitos tributários. na mesma proporção de outras mercadorias. LC 87/96). 3º. 1º. CF/88? Resposta: quando não destinado à comercialização ou à industrialização. Não tendo tal destino. dado o permissivo do art. 1ª parte. consoante art. LC 87/96. em se tratando de gás natural. § 1º. LC 87/96). I. na qual o constituinte erige um “muro de contenção” fora do universo de incidência do tributo. II. tais como fixados na sentença prolatada. se o fato gerador é a saída de mercadoria do estabelecimento de origem. assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição. quem as determina então? Resposta: errado. I a III. 155. CF/88. as situações abrangidas pela primeira hipótese (de incidência do ICMS) serão assim definidas quanto ao direito de cobrança do tributo: em se tratando de combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo. derivados de petróleo e energia elétrica (art. o ICMS incide sobre combustíveis. o imposto em tela incide quando não for destinado à comercialização ou industrialização. pois a Resolução 22/89 do Senado Federal estabelece as alíquotas para operações interestaduais. o legislador complementar erigiu uma não-incidência legal sobre tais produtos (art. inclusive lubrificantes. 155. 155. determina que resolução do Senado deve estipular alíquotas nas operações interestaduais. o ICMS é devido no local onde houve o consumo.

p. CF/88.: doador. 431). 42. VI. no seu mister. CTN. Dessa feita. Ex. 197 TJSP. É o caso. possuidor. caso não verifique corretamente o recolhimento dos tributos antes de efetivar o ato de transcrição. Nos termos do art. II. I. a cada saída. válido para atos “inter vivos” e “mortis causa”. assim como sua EC 1/69. o legislador estadual pode optar pelo sistema de responsabilidade tributária. além do cancelamento do crédito de operações anteriores quando houver quaisquer das intributalidades citadas (art. no entanto. p. p. já que tem essa incumbência “ex vi” do art. como bem lembra Sabbag (2004. I. deverá abater o crédito decorrente da entrada do insumo tributado pela mesmo imposto. 314). seguem um mandamento geral: a cada entrada. No Brasil. 134. previam o impostos de transmissão como único. como o não-creditamento da operação anterior quando a subseqüente é isenta ou acobertada pela nãoincidência. a incidir sobre transmissão de quaisquer bens ou direitos. o sistema congrega outras regras. o qual tem por base a transmissão onerosa de bem imóvel. p. doador ou donatário (nas doações “gratuitas”). No entanto. 155. A Constituição de 1967. como é o caso do art. só ocorreu a partir da Carta de 1891. Sujeito passivo – deverá ser estipulado pela LO estadual ou distrital competente. o oficial registrador não deve perquirir sobre o quantitativo recolhido. CTN. Com o advento da atual CF/88. estando presentes em todas suas subseqüentes. o ITCMD encontra suas raízes na antiguidade clássica romana. no caso do cessionário não arcar com o imposto. 155. 314). 6º. 156. Sua constitucionalização. 432). a hipótese de incidência é a saída. Lei 8927/88 do Paraná. No entanto. quando ele realizar o recolhimento.150 que existe no IPI. um débito. 2004. p. onde era aplicada a chamada “vigésima” sobre heranças e doações. 2004. como previsto no art. mas sim pela efetivação do ato197. a norma estadual pode eleger qualquer dos sujeitos passivos como responsáveis pelo recolhimento do ITCMD. DOE-PJ 23-6-95. 2004. § 2º. Além do comando geral da substituição tributária por compensação. CSM. um dos fatos geradores realmente é a saída da mercadoria do estabelecimento. mas contribuinte de direito é o empresário que recebeu o insumo. Trata-se do mesmo imposto do art. m. sendo de competência dos Municípios. previsto no art. desdobrado em duas espécies (SABBAG. 11-5-95. Dessarte. caso o donatário não recolha a exação. em 1810 (CASSONE. 314. do oficial de registro. atribuindo subsidiariedade de algumas pessoas no caso de inadimplemento do tributo por parte do contribuinte originário. CF/67. e CASSONE. por exemplo. o obrigado fiscal pode ser: herdeiro ou legatário (na transmissão “mortis causa”). o ITBI (art. “a” e “b”. 23. por fato “causa mortis” ou por ato gratuito (doação). 53-4. . III e IV. CF/88).. o tributo passou a existir desde a vinda da família real lusa para o Brasil. ITCMD (Impostos sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) – segundo Sabbag (2004. p. II.v. Assim. do notário que não verificar o recolhimento dos tributos. sendo de competência dos Estados e do DF. 289 da Lei 6015/73. Dessa feita. CF/88). j. um crédito. I. o constituinte houve por bem cindi-lo em duas outras exações: o ITCMD. a qual implicará em um débito fiscal por parte do empresário.

CTN). CTN). 315).151 Fato gerador – é a transmissão de quaisquer bens ou direitos a título do falecimento de alguém ou em decorrência de ato gratuito (SABBAG. o autor até mesmo admite que as unidades federadas possam instituir o ITCMD para móveis e direitos consectários internamente situados. Entretanto. na medida em que estipula a exação em tela para bens móveis e seus respectivos direitos. I e II. § 1º. . 155. no momento da transmissão 198 Súmula 115 do STF: “Sobre os honorários do advogado contratado pelo inventariante. 35. não atingindo outros situados além de sua competência territorial. p. p. com a homologação do juiz. também não haverá incidência do ITCMD (art. CTN. Nesse caso. 199 Súmula 331 do STF: “É legítima a incidência do Imposto de Transmissão. 37. Na primeira hipótese. não contemplando os móveis e demais direitos correlatos (art. caso haja reversão do valor da integralização por liquidação de cota ou por extinção da pessoa jurídica. Esse fato deve se dar de forma não-onerosa. 36. “a”. 155. se o doador tiver domicílio ou residência no exterior. 35. as isenções referidas não são aplicáveis se a atividade da pessoa jurídica for preponderantemente venda. nos termos do art. I e II. § 1º. 155. haverá tantos fatos geradores quanto forem os herdeiros e legatários. Vale também lembrar que o recebimento de honorários pelo advogado em ação de inventário não perfaz fato gerador do ITCMD (Súmula 115 do STF)198. quer por ato de liberalidade. Causa Mortis no inventário por morte presumida”. ou quando houver incorporação ou fusão de empresas. não incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis”. 35. 7º. Elemento temporal – estatui o art. I e II. 36. 200 Súmula 435 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a companhia”. Cassone (2004. CC). “caput”. era residente ou domiciliado ou teve o inventário aberto no estrangeiro. visto que inexiste outro diploma específico. LC deve estabelecer os critérios de competência tributária (art. o ITCMD é exigível (Súmula 331 do STF)199. CF/88). impõe-se ressaltar que. CF/88) ainda é o CTN. parágrafo único. CC) ou de ausência (arts. isto é. No caso de doações feitas por sociedades por ações. CF/88. “caput”. Ademais. que o imposto deverá ser recolhido na ocorrência do fato imponível. Observa-se. no caso de transmissão por fato “causa mortis”. Quando a operação implicar em incorporação de patrimônio à pessoa jurídica. que a LC hábil a estabelecer o fato gerador (art. 22 e 23. Entende-se por transmissão a passagem de propriedade de bens ou direitos sob o aspecto jurídico. CTN). cabe ao Estado de sua sede o recolhimento do ITCMD respectivo (Súmula 435 do STF)200. III. não incide a exação em comento (art. 433) defende que o legislador não poderia inovar na ordem jurídica sem a competente LC autorizadora. 2004. CTN. em que pese a previsão expressa do constituinte no art. 146. No entanto. Nesse caso. Nesse passo. CF/88). “caput”. CTN). Por derradeiro. tratando-se de morte presumida (art. com autorização judiciária das cortes. decorremnte de capital anteriormente subscrito. compra. I. “a” e “b”. Elemento espacial – o imposto será devido ao Estado ou DF onde se situam os bens imóveis (e respectivos direitos) ou onde se procede a ação de partilha de bens (art. cessão e locação de imóveis (art. Não é o que vem fazendo os Estados. o legislador de 1966 só previu a incidência do ITCMD para bens imóveis. parágrafo único. em posição minoritária. ou se o autor da herança tinha bens. quer em decorrência da morte. III.

e REsp 253. Nesse caso. CF/88) é setorial.96. “caput”. Obs. de Direito Privado. III. englobando meios de transporte terrestre. 9.152 (CASSONE. § 3º. aéreos e aquáticos. j. 5º. 150. o ITCMD deveria ser recolhido desde tal momento.4. j. EDcl no REsp 927. 206 Súmula 112 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão”. Civ.: havendo multa fiscal a ser rocada aos herdeiros. Assim como a base de cálculo.01. 2ª T. CTN). a decisão judicial é interlocutória. no qual são exigidas informações por parte do contribuinte e a atuação do fisco para calculá-lo (art. Nota-se que o legislador complementar autorizou seu similar estadual a estatuir de outra forma. 204 STJ. Contudo. 155. 1ª C.02. § 1º. Atualmente. atacável por agravo e não por apelação205. o art. podendo prever o fenômeno da substituição tributária (art. Ap. entendimento ressonante no STJ204. Min. 436). não cabe recolhimento do tributo por ocasião do inventário (Súmula 114 do STF)203. tendo vez somente no terreno do Direito Penal. 13. CTN). p. 21/8/2007. observado o limite máximo de Resolução do Senado Federal (arts. 39.. a alíquota aplicável é aquela vigente à época da abertura da sucessão. 201 202 STJ. rel. sobre o qual o cálculo do ITCMD deve ser feito (Súmula 113 do STF)202. e em jurisprudência do STJ201. mas sim a via administrativa. o diploma competente é a Resolução 9/92.92. Lançamento – é feito na forma mista. e 155. tratando-se de transmissão “causa mortis” (Súmula 112 do STF)206. v. 245. 2004. a exigibilidade da exação só se perfaz no momento do registro imobiliário. O domicílio do proprietário é indiferente ao aspecto espacial do gravame. Castro Meira. Aliás.. 1ª T. IPVA (Impostos sobre Propriedade de Veículos Automotores) – nos termos do art. parte da doutrina entende que o fato gerador da transmissão se dá mediante um complexo de atos. CPC. CF/88. XLV.. oportunidade em que a correção deve incidir sobre todos os bens do espólio. tido no momento da transmissão (art. 1034. p. a qual estipula o percentual teto de 8%.546-RJ. CTN. antes da homologação judicial do cálculo. Para essa linha de pensamento. CC. 147. CF/88).10. Com fulcro no art. Elemento quantitativo – a base de cálculo é o valor venal do bem ou direito. “caput”. Segundo Sabbag (2004. Aplica-se. Não é o que apregoa o referido autor. “in casu”. porquanto o registro do imóvel é o último ato da complexidade citada. desde que dotados de força motriz própria. apesar de homologados e transitados os cálculos. ocorrência a caracterizar o fato gerador do ITCMD. Informativo do STJ n° 328. 205 TJSP. 21. 203 Súmula 114 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis não é exigível antes da homologação do cálculo”. REsp 12.530-SP.3540-DF. o indigitado tributo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor de qualquer natureza. a jurisprudência prevalente tem entendido que ela é transmitida. . 1245. Súmula 113 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação”. quer seja ela para frente ou para trás. muito pelo qual o princípio da intranscendência (art. operando-se desde o ajuste de vontades na doação ou a morte do inventariado no fato “mortis causa”. 38. A alíquota será fixada pela LO do Estado ou DF. IV.u. 316). CTN). o formal ou a carta de adjudicação só será expedida com a prova de quitação de todos os tributos. pelo qual o foro para discussão da dívida tributária não é a ação de arrolamento.777-1/6.

Min. entendendo ser constitucional a cobrança do IPVA sobre aeronaves208. p. 34.8. No aspecto temporal. as aeronaves são veículos destinados a circular entre Estado e Municípios. Marco Aurélio. 311). O fato gerador é a propriedade do bem e não o mero uso ou detenção. tratando-se de veículo novo. aquele do qual consta o título de registro do bem (SABBAG. o constituinte derivado. CF/88). por meio da EC 42/03. STF. III. ainda que complementar ou alternativa à natural. CBA define que os aeroportos. 38. Na ausência do referido diploma federal. RE 236. 2004. O momento de aquisição do veículo também pode ser objeto do IPVA. Código de Trânsito Brasileiro – CTB). incluindo-se os veículos conectados à linha elétrica (Anexo I da Lei 9503/97. a partir de 1º de janeiro. são de propriedade da União. Segundo Sabbag (2004. p. 10. Visto que esse atualmente falece à existência. CF/88). É possível também recorrer a órgãos especializados particulares. § 3º.153 porquanto vale o local de registro do bem. Acerca da alíquota.1999. rel. 2004. 146. IV. 24. Quanto à aeronaves. falecendo competência estadual para a tributação. os Estados e o DF exercem a competência plena (art. devendo ser regulado por LC (art. locais onde elas manobram. É tributo de competência estadual e distrital. 310). AG (AgRg) 167777/DF. ADCT. O preço estabelecido na nota fiscal ou no formulário de importação é hábil a determinar a base de cálculo. cujo valor mínimo há de ser estabelecido por Resolução do Senado Federal (art. mediante reações aerodinâmicas. 150. desde que observe a vedação ao confisco (art. Não foi o que acolheu o STF. a lei estadual pode estabelecer a cobrança da exação em tela. quis imprimir 207 208 STF. § 3º. . 106. a ser estabelecido em tabela oficial fiscal. apto a transportar pessoas ou coisas. bem como o desembaraço aduaneiro é o fato imponível hábil para veículos importados. É provado por meio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo). O sujeito passivo é o proprietário do veículo automotor. pessoa natural ou jurídica. nos exatos termos do comando do art. rel. “caput”. No entanto. CF/88). 106. Não se incluem os veículos movimentados por tração animal. Com efeito. DJU 9-5-97. o IPVA é de base proporcional (SABBAG. No tocante à base de cálculo. é possível que o legislador estadual estabeleça a forma temporal de recolhimento do tributo. RE 134509/AM. ou seja. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo.931-SP. Ademais. questão polêmica se coloca sobre sua natureza jurídica. Min. o art. “a”. A partir desses critérios objetivos. É a posição assentada no Pretório Excelso207. porquanto não fala em força motora própria. dada pelo art. CF/88). § 6º. No tocante ao conceito de veículo. Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA. há de ter força-motriz própria. em essência. 312). Ilmar Galvão. “caput”. 155. o legislador estadual fica livre para estabelecê-la. j. como jornais e revistas que militam na área. p. I. Art. sua definição. que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo. Lei 7565/86) não coaduna perfeitamente com o desenhado pelo CTB. a lei instituidora do IPVA pode optar entre o valor venal ou o preço de mercado.

de templos. por serem formas de aquisição originária da propriedade. 150. III. de entidades sindicais de trabalhadores. Veículos de interesse socioeconômico específico. 2004. Chimenti (2002. O fato gerador é a propriedade. como agroindústria. e § 2º. porque abrange só atribuição de competência. p. transporte público de passageiros e terraplenagem. Sabbag (2004. o ato 209 210 Súmula 326 do STF: “É legítima a incidência do imposto de transmissão inter vivos sobre a transferência do domínio útil”. STF. CF/88.154 progressividade facultativa ao IPVA (art. ISS (de qualquer natureza). CF/88). posse ou domínio útil de bem imobiliário dentro do limite urbano do município (art. ITBI. o titular do domínio útil (enfiteuta ou usufrutuário) – de acordo com a Súmula 326 do STF209 – e o possuidor “ad usucapionem”. de instituições de ensino e assistência social. elenca os impostos municipais. VI. O Brasil comporta hodiernamente cerca de 5564 leis municipais. 156. RDA 73/160 e RTJ 117/652. Quanto à taxa de licenciamento. sob pena de inconstitucionalidade. desde que o legislador estadual assim acate. nos exatos termos do art. CF/88. fica impossível analisar cada um. isto é. 32. Estarão imunes os veículos de pessoas jurídicas de Direito Público. a qual terá o condão de instituir e de disciplinar cada uma das exações. como já disse o STF210. reporta-se ao chamado IPTU: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. p. 148) assevera que o IPVA é exação eminentemente fiscal. 158. o que lhe dá um certo ar de extrafiscalidade. Caso o proprietário transmita a propriedade. Usucapião e desapropriação. porque limita indevidamente a circulação de pessoas (art. CTN). sem fins lucrativos. cada uma correspondente a um dos diferentes municípios do país. 150. não pressupõem pagamento de ITBI. II. a legislação do caso concreto é aquela instituída pelo município. . não se englobando o mero detentor (comodatário e locatário). cabendo a modalidade “ex officio” caso o contribuinte falte à sua obrigação. É cobrado ano a ano. apesar de comportar viés extrafiscal quando possui alíquotas diferenciadas pelo tipo de combustível. de partidos políticos (inclusive suas fundações). Para Sabbag (2004). Dessa feita. “caput”. I a III. incide a exação. O lançamento é feito por homologação. “a” a “c”. é exação que decorre do poder de polícia da autoridade de tráfego e tributária. Impostos dos Municípios – o art. p. pode a lei ordinária instituidora determinar a diferenciação de alíquotas em função do tipo e utilização do veículo. Na realidade. No inciso I do art. Na repartição de receitas. 155. metade fica com o Estado e a outra com o Município onde está registrado o bem (art. Por imperativo lógico-jurídico. podem ser sujeitos passivos do IPTU: o proprietário. 156. Diz-se que seu fato gerador é continuado: enquanto houver a posse do bem. 313). VI. CF/88. exação que exige transmissão. § 6º. CF/88). Pelo grande número. podem gozar de isenção (SABBAG. 313) entende ser inconstitucional. Trata-se de comando reduzido. CF/88). é interessante destacar que o legislador municipal (infraconstitucional) não pode colidir com a CF. aqueles cuja instituição foi conferida aos municípios: IPTU. Mesmo assim.

pois não existe aferição para corrigir a planta dos valores venais do imóvel. Já o ITBI só é aplicável para transmissões onerosas (predomínio de venda). o imóvel será considerado rural. seja quais forem. Lei 10257/01). integrantes de regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas. onde existe o plano. a base de cálculo é o valor venal ou o valor da operação. sistema de esgotos sanitários. no ano subseqüente. CTN. Lei 10257/01). extrativistas vegetais ou agroempresariais.: na cidade de Paraibuna. elegendo-se sempre o maior. V. até a CF/88. esculpindo o princípio da legalidade. a base de cálculo não abrange as benfeitorias. CTN. para permitir o aumento da arrecadação. respectivamente). No IPTU. Por deficiência da Administração Pública. será urbana a propriedade incluída no plano diretor. Com efeito. CTN). § 1º. Uma vez que se destine a fins agrários. Alguns prefeitos aumentam o valor da base de cálculo por decreto. Todavia. não integram a base de cálculo do IPTU (art. rede de iluminação pública. o valor venal não tem nenhuma relação com o correspondente no comércio. parágrafo único. com ou seu postes para distribuição domiciliar. a instituição de plano diretor é obrigatória somente para municípios com mais de vinte mil habitantes. o legislador houve por bem alterar o referencial. 182. I. CF/88. a disposição do CTN era tida como residual em relação ao critério da finalidade do bem imóvel. A norma constitucional foi efetivada por meio do Estatuto da Cidade (Lei 10527/01). Em verdade. CF/88. ficou conhecido pelo valor do cadastro. é possível o estabelecimento de zona equiparada à urbana. CC). o qual ainda abriu a possibilidade do plano estabelecer distrito rural dentro do perímetro urbano (art. § 2º. aplicam-se os critérios de diferenciação entre imóvel urbano e rural atinentes ao Estatuto da Cidade e à própria Constituição. I a V. o novo senhor receba o carnê fiscal. Em conseqüência. Para o ITBI. 33. o qual é determinado por lei local. integrantes de área de interesse turístico ou ambiental (art. 4º. Relevante também ressaltar que as pertenças e as benfeitorias. Tanto o IPTU quanto o ITBI possuem base de cálculo igual: o valor venal do imóvel (arts. 41. onde inexiste. a teor do que dispõe o Estatuto da Terra (Lei 4504/64). 150. Na maioria das vezes. descontínua a esta. Neste sentido. pertenças e móveis atinentes ao prédio. com canalização de águas pluviais. quando se intente usar instrumentos para assegurar a função social da propriedade. inclusive a ocorrência de mais de um deles. de acordo com o que dispuser a norma municipal: meio-fio ou calçamento. valor venal não é valor de venda. nos termos do art. “f”. a definição de zona urbana deve encontrar guarida em no mínimo dois dos melhoramentos previstos no art. o art. Em tese. atribuindo índice para a atualização. pecuários. Contudo. Ex. I a V. CTN. nos termos do art. permanecem os referenciais anteriores (Estatuto da Terra e CTN).155 deve ser averbado para que. Se isto for feito por decreto . preconiza que só se poderá aumentar ou instituir tributos por lei. Com a promulgação da atual Carta. há uma discrepância entre valor venal (maior) e valor de mercado. 33 e 38. computando-se tão-só as acessões (art. 32. No entanto. parágrafo único. escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado. abastecimento de água. o que não ocorre com o ITBI. “caput” e § 1º. 33. 32.

estabelece princípios a serem seguidos. O extinto 1º TAC denegou a progressividade. consoante o disposto no art. Entretanto. Ex. uma vez que pode vir a estabelecer 211 Súmula 160 do STJ: “é defesa ao Município atualizar o IPTU mediante Decreto. O inciso II constitui ferramenta para o administrador diferenciar as alíquotas. editando a Súmula 656212. CF/88.: Fulana tem um imóvel de R$ 200 mil. é cediço verificar se o valor da operação e o valor venal estão consoantes. por inconstitucionalidade. De uma forma geral. Essa progressividade é diferente daquela prevista pelo art. dada a inexistência de previsão para tal na CF/88. ficando mais barato e simples pagar que discuti-la nos tribunais. 145. O STF corroborou com a posição. considerando sempre a maior. CF/88 (princípio da capacidade contributiva).156 administrativo. como lembra Sabbag (2004). Sua alíquota pode oscilar entre 0. Na prática. estava em julgamento a constitucionalidade dessa progressividade em função do uso e da localização. O STF já dizia que poderia ser progressivo nesse sentido.: posse de imóvel. Por conseguinte. surge uma polêmica. concordar com as posições de Sabbag (2004). § 1º. CF/88 não se refere à capacidade contributiva do preâmbulo constitucional tributário. elas dependem do critério a ser usado. não podendo haver dispositivo que preconize uma ou outra base de cálculo. . entretanto. há inconstitucionalidade. Ex. O Poder Público não pode simplesmente conferir capacidade contributiva ao possuidor em razão do imóvel. Na cidade de São Paulo. Esta assimetria fere os princípios da igualdade tributária. Com relação à possibilidade de estabelecer duas bases de cálculo diferenciadas para o ITBI. os tribunais locais não têm admitido a existência de mais de uma base de cálculo para o ITBI – a exação incide sobre o valor real da venda. com quatro imóveis de R$ 50 mil cada. isto é. O art. de acordo com a localização e o uso do imóvel. 97. como bem ventila a Súmula 160 do STJ211. aplicada ao ITBI. o valor de seu IPTU será maior em relação àquele de Cicrano. 156. Ex. por herança. 212 Súmula 656 do STF: “é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel”. a atualização monetária regular do valor imobiliário – mera correção monetária – pode ser efetivada por decreto. não se restringindo ao valor venal do imóvel. O constituinte quis permitir variação crescente de imposto em relação ao bem. da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. ocorre que a diferença majorada por ato administrativo não é tão expressiva. não havendo qualquer relação com o potencial tributário do sujeito passivo. 156. Não há consenso nem pronunciamento dos tribunais superiores. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. É necessário. não propriamente à adequada capacidade econômica do proprietário. o Pretório Excelso garantia a competência para isso. incisiva. § 2º. § 1º. Alguns doutrinadores falam que a hipótese de incidência deve ser precisa. CTN.5%. O inciso I afirma que o IPTU deve ser progressivo.5 a 1. § 1º.: o ITBI normalmente tem alíquota de 4%. O novo proprietário não pode vendê-lo se não possui condições de recolher o ITBI. Diz respeito sim à sua forma de incidência. a progressividade do art. ou seja. porquanto este aponta uma flagrante incongruência entre um princípio inerente a exações pessoais aplicado a um tributo de clara base real. consoante reiterado posicionamento do Excelso Pretor. I. Desta feita. É importante também destacar algumas particularidades do IPTU.

A primeira parte do dispositivo visa preservar os negócios de pessoas jurídicas em que há transmissão de imóvel. Na extinção da pessoa jurídica. cisão. forçando o proprietário a adequar seu imóvel à função social (art. Ex. etc. nas palavras de Chimenti (2002. A norma em comento não implica em não-incidência de ITBI sobre toda operação desta natureza entre pessoas jurídicas. na sua parte final. 136. o constituinte originária estabelecera a possibilidade de IPTU progressivo para lhe conferir fundo extrafiscal. Não incidência – casos do Direito Comercial. ele a utiliza para integralizar seu montante no capital social. há incidência de ITBI. a ter cota com a sociedade no valor do imóvel. prevê que a responsabilidade por infrações tributárias independe do “animus” do agente. p. 156. caução. há incidência do ITBI. 156. deve englobar mais de 50% da receita operacional da empresa. op. Segundo o autor. Se houver. Nessa situação. o constituinte derivado estabeleceu outros três critérios para permitir a progressão da exação: o valor. não houve autêntica intenção extrafiscal. um imóvel. CTN.: empresa que opera no mercado imobiliário. O art. desde que não penda um efetivo lucro por parte dos adquirentes. troca. estipula uma exceção à não-incidência constitucional: se a pessoa jurídica tiver como atividade principal compra e venda de imóveis213. “Ex vi” da EC 29/00. localização e uso do imóvel. cit. § 2º. o sócio “A” tem sala comercial no valor de R$ 50 mil. caso o sujeito passivo não 213 Preponderância da atividade.157 gravames incompatíveis com a situação do contribuinte. § 4º. CF/88. nos dois anos anteriores e nos dois subseqüentes. o capital constitui-se de um imóvel e R$ 500 mil. de acordo com a exegese do art. I. Nesta situação. elenca as chamadas “nãoincidências constitucionais”. Ex. então. O próprio art. Empresa que opera no mercado imobiliário – há incidência da exação. há transmissão onerosa. O ITBI incide sobre transmissão onerosa de bem imóvel. o remanescente é dividido entre os sócios. É o caso do exemplo retro sobre aquele que recebeu um imóvel a título de herança. fusão ou extinção de empresa. nessa devolução. 128) e Sabbag (2004). cada um fica com sua parte. § 2º. A segunda parte diz respeito à transmissão de bem imóvel nos casos de incorporação. lamentavelmente permitindo majoração da carga tributária ao já tão combalido contribuinte. O art. 182. Ex. “in fine”. CF/88). Em que pese o Supremo ter declarado inconstitucional a progressividade para o ITBI por ausência de previsão legal.: empresa “A” e empresa “B” formam a empresa “C”. CF/88. CF/88. § 2º. II. mas sim de aumento de arrecadação. . tratando-se de autênticas imunidades. I. “A” passa. subsistindo somente o aumento do capital imobilizado. como alienação. como lembra Sabbag. 156. Um resumo pode ser aduzido pelo seguinte esquema: Regra – houve transmissão de forma onerosa. acabou corroborando com o constituinte reformador quanto ao IPTU. ao se separar a pessoa jurídica.: sócio “A” e sócio “B” de uma empresa. I. mas não há incidência de ITBI.

LC 116/03): Seja proveniente do exterior ou a prestação tenha lá se iniciado.: avanços tecnológicos. Ainda que isento ou imune. CF/88. No entanto. III. 406/68 (SABBAG. parágrafo único. IX. LC 116/03). Desta feita. telefonia). A base de cálculo é o valor do serviço prestado (art. É possível que a lei local institua o sistema de responsabilidade tributária por substituição (art. existem alguns aspectos polêmicos. § 2º. LC 116/88). oscilam entre 2 e 5% (art. 150. inclusive esgotos. D. RE 262598/PR. desde que haja o fato gerador da obrigação. 151. não contidos no DL.2007. 2004). Não assim agindo. No caso de subempreitadas. CF/88. CF/88)214. e 10. 7º. 156. de vigilância e segurança patrimoniais. As alíquotas. sempre será responsável o tomador ou intermediário de serviços quando (art. o comando é constitucional. a prestação de serviços a título gratuito não enseja a incidência do ISSQN (SABBAG. contemplando a modernidade. 8º. CF/88). enquanto não vier LC específica (art. 6º.. § 1º. não sendo abrangidos os empregados. desde que este não esteja compreendido na competência do Estado (eletricidade. fica sujeito à cobrança pela exação e à imposição de sanção pecuniária. rel. Alguns opinam que a situação acabou piorando. 155. 2004). Seu fato gerador é a efetiva prestação de serviço. não havendo ofensa à isonomia tributária (art. não se aplicando a disposição do art. e 5º. Aliás. conforme reiterados julgados do STF e do STJ. j.158 esteja englobado pelas não-incidências constitucionais. “caput”. I. sob pena de configurar “bis in idem”. DL 406/68). III. 155. II. O sujeito passivo é o prestador (empresa ou profissional autônomo) ou tomador do serviço (contratante dos serviços). de terceirização de mão-de-obra ou de organização de eventos. “caput”. . os avulsos e os membros de conselhos fiscais e consultivos de sociedades – arts. e § 3º. divididos em 40 itens. LC 116/03.8. 1ª T. LC 116/03). segundo entendimento do STF. Ilmar Galvão. § 3º. Já a LC 116/03 reestruturou diversos conceitos do ISSQN. 6º. O imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISSQN) está previsto no art. “caput”. Informativo do STF n° 476. Min. 156. com o intuito de prever situações que não existiam na época. § 2º. § 2º. o art. A lista é taxativa. Segundo o STF. com referência a serviços de construção civil em geral. 14. tal qual o art. de limpeza e conservação de imóveis e logradouros públicos. deve ele recolher o ITBI. determina que os serviços tributados por via do ICMS são residuais em relação ao ISSQN. no tocante à atividade dos advogados). 9º. CTN. sendo fixa para os profissionais liberais (vide comentários infra. O rol abrange cerca de 230 serviços. Ex. III. O DL 406/68 lista 101 itens de serviços. “b”. mas admite interpretação analógica naqueles itens complementados com a expressão “congêneres”. “b”. II. 2º. CF/88. transporte intermunicipal e interestadual. essas não integram a base de cálculo (art. salvo aqueles expressamente previstos pelo constituinte como hipótese de incidência do primeiro. Com referência ao ISSQN. de coleta e reciclagem de detritos. I e II. 214 STF. CF/88) nem isenção heterônoma (art. 108.

Outra observação importante diz respeito à alteração de disciplina na execução. tendo o CPC função subsidiária (art. DL 406/68). a serem observadas necessariamente nesta ordem: . em seu art. o ISSQN poderia ser arrecadado segundo a nova legislação. A LC 116/03. podem surgir dúvidas acerca do local onde deverá ser recolhida a exação. alguns municípios abaixaram suas alíquotas relativas ao ISSQN. Entretanto. está em vigor integralmente. CF/88. III. Havendo a obrigação em mais de um lugar. Os municípios que não editaram suas normas de adaptação. 156. tal estipulação é inconstitucional. 146. “a”. eles devem editar leis municipais correspondentes. A LC 116/03. 12. 1º. ab-rogado nos demais. é precípuo esclarecer que os advogados e as respectivas sociedades pagam o imposto do art. o DL 406/68 continua em vigência. segundo já disse o STF. só puderam iniciar a arrecadação com os novos critérios em janeiro de 2005. prestadores de outras regiões abriram sede nesses locais. conhecida como LEF (Lei de Execução Fiscal). Em face do rol taxativo. por conseguinte. I. nos casos por ela abarcados. é possível afirmar que a LC 116/03 não revogou expressamente todo o DL 406/68. A base de cálculo para os serviços prestados por tais profissionais – assim como médicos e dentistas – é estabelecida por um valor único periódico. Portanto. A primeira previa o recolhimento do tributo no domicílio ou no estabelecimento do prestador (art. LC 116/03).Local da prestação do serviço (art. II a XXII. Mas acabou não retratando todos. Execução Fiscal Legislação aplicável – é a Lei 6830/80.Domicílio do prestador ou do seu estabelecimento. chamado de “ISS fixo” (SABBAG. LEF). . 2004). não havia competência dos municípios para legislar sobre a matéria.159 O art. I. Com referência especificamente a estes. Entre a vigência do DL 406/68 até a promulgação da CF/88 e. somente em 2004. Qual é o município competente para instituir e cobrar o ISSQN? O DL 406/68 tinha uma regra e uma exceção. 3º. Portanto. LC 116/03). DL 406/68).Domicílio do tomador (art. 3º. “b”. Ela regulou de forma diversa alguns dispositivos deste e tornou outros incompatíveis com suas disposições. depois do último diploma. . criou três possíveis alternativas. “in fine”. Por último. foi recepcionado como LC. Ademais. o contribuinte deve recorrer à consignação em pagamento (“depósito” em juízo). conquanto viola o princípio da capacidade contributiva. Segundo Carrazza (1991). convivendo com a parte “viva” do citado DL. 3º. Assim. sendo. do contrário. “caput”. . A segunda preconizava que o ISSQN de empresa construtora seria devido no município da construção (art. Neste mister. 12. CF/88. a regra da anterioridade originária (vigência possível só no exercício seguinte) há de ser observada. ressalta-se que o DL 406/68. adaptandose à LC 116/03. reza que compete à LC dispor sobre conflitos ou critérios gerais da legislação tributária. Logo. até a LC 116/03.

p. a execução fiscal tem por objetivo conferir ao Estado um instrumento célere de cobrança de seus créditos. Saraiva. tenham eles natureza tributária ou não. na realidade. p. da concordância ou aceitação do sujeito passivo da obrigação. para quem a certidão de dívida ativa em si é o título hábil a aparelhar a execução fiscal. sem participação do devedor. e Vicente Greco Filho.Qualquer valor. o que constitui o título em tela. A certidão de dívida ativa (CDA) goza de certeza e liquidez como presunções relativas. Definição – execução fiscal encontra delineamento pelo próprio legislador da LEF: Art. VII. A LEF é claramente prófazendária. Nesse passo... 208. cit. Forense. Conseguintemente. com as alterações posteriores. p. 3. Cf. Rio de Janeiro. Em paralelo. 215 . preservou incólume a regência da execução fiscal. 2º. 585. porquanto se trata de procedimento executório especial. dos Municípios e do Distrito Federal. op. 2006. que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. dos Estados. bastando existência de prévio procedimento administrativo com contraditório. Por conseguinte. em coro com a melhor doutrina. não necessita. de 17 de março de 1964. O legislador. 2. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4. 20ª ed. Curso de Direito Processual Civil. p.160 mormente operada pelas Leis 11280/05 e 11382/06. a execução fiscal é o processo idôneo a que a Fazenda Pública satisfaça seus créditos decorrentes de dívida ativa. Humberto Theodoro Júnior. Direito Processual Civil Brasileiro: Processo de Execução a Procedimentos Especiais. para sua validade. 2003. ao que parece.320. 130. decorre do poder de “imperium” do Estado. desde que seja formado previamente um título executivo extrajudicial específico: a certidão de dívida ativa (art. outrora denominados dívida ativa. Assis (apud CÂMARA. é o ato jurídico de lançamento do crédito (inscrição em dívida ativa) e não o documento que o materializa (respectiva certidão)215. redigida para favorecer a arrecadação fiscal por parte do Estado. 2003. e Chimenti. 212) ainda lembra que esse é o único título executivo formado unilateralmente pelo credor. p. 2º. cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º. CPC). § 3º. v. 208). sendo formada unilateralmente. Segundo Câmara (2006. 211). o prazo prescricional para a propositura da demanda executória fica suspenso por 180 dias (art. Segundo Chimenti (2002. 101). p. 1997. 101. São Paulo. p. v. Uma vez inscrita a dívida. assim como outras processuais. Essa prerrogativa material. será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. manifestando a potestade administrativa e a presunção de legalidade de seus atos (GRECO FILHO. § 1º . como será demonstrado no delineamento da execução fiscal. insiste a doutrina em afirmar que o rito foi mantido. sem demais considerações. Câmara (2006. 16ª ed. 269) assevera que os privilégios da Fazenda Pública são inegáveis e irretorquíveis. LEF)..

6/9/2007. a qual entende ser prescindível que conste o nome do responsável na CDA. posição essa reforçada pelo Supremo na ADIn 1717. Segundo entendimento prevalente na jurisprudência. j. responsável e sucessor (“causa mortis” ou “inter vivos”. Apesar desse raciocínio. empresas governamentais não têm legitimidade para ajuizar execução fiscal. “caput”. mas sim da execução contra a Fazenda Pública (arts. fiador. I a VI.161 O art. adequando-a ao novo senhor da coisa. por débitos fiscais. 369) faz interessante observação (art. Competência – de acordo com a redação do art. Nesse ponto. CPC. I. competente para processar a execução fiscal será o juízo: 216 217 STJ. pois foi ratificada sua natureza autárquica. 737/340. LEF). não havendo de se falar em qualquer ilegalidade nessa prática216. Luiz Fux. é lícito à Fazenda promover a substituição da CDA. Prescindibilidade em constar no título – para sucessor universal. 4º. as referidas instituições poderiam ajuizar execução fiscal. se um Estado demandar autarquia estadual da mesma unidade federativa. ou a autarquia especialmente criada para tal fim. afirmando descaber execução fiscal em face de débitos da contribuição de seus filiados. como já está pacificado na jurisprudência. com correlata distribuição de competência do poder de tributar.. Legitimidade – a ativa pertence aos entes federados. a qual se liga à decisão de embargos de execução fiscal. de que essa não possui dívida ativa. No entanto. é feita nova citação ao atual proprietário. por meio da ADIn 3026. . 41. Informativo do STJ n° 330. universal ou singular). 1ª T. Câmara (2006. fala em “decisão de primeira instância”. 578. A posição do autor é. os conselhos de profissões regulamentadas têm natureza autárquica. LEF: devedor. RT 697/131. LEF): Obrigatoriedade de constar o nome no título – para sucessor singular e responsável. o rito a ser seguido não será da LEF. § 8º. O STF. No ponto. Dessa feita. CPC). § 5º. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. 730 e 731. massa (falida ou da insolvência civil). há precedentes no STJ. 721/290. fiador. ampliada pela jurisprudência. de certa forma. falecendo-lhe legitimidade para demandar no modelo da LEF. No tocante às exações reais. 2º. p. LEF. seguiu os precedentes do STJ. CPC. De outra sorte. quando há sucessão processual em decorrência da mudança de propriedade do bem tributado (arts. Min. espólio. Nessa demanda. e 2º. os legitimados passivos estão expressamente elencados no art. os tribunais aceitam que o fisco se volte contra responsáveis pelo pagamento do crédito independentemente de expressa menção no título217. Sendo assim. massa e espólio. Por exclusão. REsp 840. 2º. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. concernentes à OAB.623-BA. ficou patente não ser possível pessoa jurídica de Direito Privado exercer poder de polícia. por meio de outorga da capacidade tributária ativa. § 8º. rel.

Quando insuscetíveis de aplicação os parâmetros do art. CTN. CTN. § 1º. CF/88). a linha traçada pelo CPC segue a esteira do art. se não tiver domicílio fixo (foros subsidiários). o domicílio será qualquer de suas repartições no território da pessoa política. 127. 127. constante do lugar de situação dos bens do sujeito passivo ou onde se deu o ato ou fato gerador da obrigação fiscal. § 2º. 127. Inexistente essa no domicílio estabelecido. Em verdade. incide na execução fiscal (Súmula 58 do STJ)219. o lugar onde se deu origem às obrigações respectivas (art. § 4º. 127. II. CTN). esculpido no art. CPC. Em tese. II. I. desde que não implique em claro embaraço à atividade da autoridade tributária (art. muito pelo qual o princípio da “perpetuatio jurisdiciones”. Os recursos serão dirigidos ao TRF enquadrante (arts. a qual detém competência tributária (art. • Foro do local onde se deu o fato ou foi praticado o ato que fez originar a dívida. entre os seguintes (foros eletivos concorrentes): • Foro de qualquer dos devedores. a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada”. parágrafo único. quando desconhecida ou incerta. CTN). 127. . a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) poderá propor a demanda no juízo estadual (Súmula 40 do extinto TFR)218. 127. 108. I a III. • Foro de qualquer dos domicílios do demandado. no aspecto espacial. se imposto ou contribuição social (arts. 127. se o crédito fiscal dele se originar. Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público. 219 Súmula 58 do STJ: “Proposta a execução fiscal. o domicílio será aquele de sua sede ou. será considerada residência habitual das pessoas naturais ou. CTN). Quando os tributos forem de competência da União. Não importa a natureza do tributo. o contribuinte ou responsável pode elegê-lo (art. ainda que o demandado não mais tenha residência ali. a execução fiscal será proposta na Vara Federal. No entanto. o qual define o domicílio tributário. CTN). incluindo empresários individuais. • Foro da situação dos bens. CPC. CTN). desde que não seja ela sede da Justiça Federal”. Lei 5010/66). na ausência da eleição. Nessa hipótese. o domicílio será definido por essa. quando esse apresentar mais de um. I e III. CTN). o centro de suas atividades (art. 2º) Do foro da residência ou do lugar onde o demandado for encontrado. 87. CF/88. I a III. e 15. e 109. III. o domicílio será o da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores de obrigação tributária (art. 218 Súmula 40 do TFR: “A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o juiz de direito da Comarca do devedor.162 1º) Do foro de domicílio do executado (foro comum). quanto a outros estabelecimentos. Alteração de domicílio do executado posterior à propositura da ação fiscal não tem o condão de deslocar a competência do juízo. quando houver mais de um. No tocante às pessoas jurídicas de Direito Privado. o art. 109. Entretanto. § 3º. 127. “caput”. 578. determina que a Fazenda Pública tem a prerrogativa de escolher o foro.

por conseguinte. a Fazenda pode obter a declaração de impenhorabilidade dos bens do devedor. 8. nos termos do art. como no juízo falimentar e de recuperação de empresas. 8397/92). Carmona (2004. “caput”. a defesa típica (embargos do executado) será oferecida no juízo deprecado e remetida para o juízo deprecante. 1º. p. “caput”. excepcionalmente. 207). São as hipóteses em que o devedor. Lei 8397/92 (art. 798. Lei 8397/92). a Fazenda Pública já poderia propor diretamente a execução fiscal e.163 Caso o exeqüente não tenha conhecimento sobre o paradeiro espacial do executado. “Pela ação cautelar fiscal (L. “in fine”. Nesse caso. a cautelar fiscal sem constituição definitiva do crédito.937/92) (CHIMENTI. p. e 29. e VII. O legislador arremata a questão da competência por intermédio dos arts.397/92. 2º. A medida só pode ser ajuizada após o lançamento (art. quer seja nas varas da Fazenda Pública para as demais entidades públicas – e não se submete a concursos de credores. pelos quais a “vis attractiva” de outros juízos não se opera perante a execução fiscal. Lei 8397/92). de liquidação. intenta aliená-los. parágrafo único. por aplicação analógica do art. pois. competente esse para resolver as questões ali suscitadas (art. p. CPC). 20. 747. O objeto da ação é tornar indisponíveis os bens do contribuinte que apresente situação que pode colocar em risco o recebimento do crédito fiscal (art. se a matéria trazida à baila disser respeito a vício ou a irregularidade atinente ao juízo deprecado. “in fine”. CPC. LEF). antes ou depois da ação de execução fiscal. 2002. porque se trataria de um exagero em favor do Estado. Nesse passo. se dessa forma fosse. Com efeito. 2001. . 5º. será ela aí julgada (art. “b”. § 2º. a medida requerida tem por fundamentos o perigo na demora e os indícios do direito alegado pelo autor. LEF. no limite do crédito tributário” (FÜHRER e FÜHRER. a penhora de bens do patrimônio do executado. Por óbvio. Sendo a execução fiscal promovida mediante carta precatória. “caput”. 20. 2º da Lei n. não é necessário que a exigibilidade do crédito fiscal esteja perfeitamente plausível. assim como qualquer outra cautelar (art. 1700) apregoa que não poderá propor a demanda no seu domicílio. o fisco tem preferência no seu juízo privativo – quer seja na Justiça Federal para União e respectivas autarquias. é permitida. 94. pelo qual aquele só pode decidir sobre penhora. Nesse sentido. 78). 2º. uma vez notificado para pagar ou submetido a arrolamento de bens (Lei 9532/97). V. a ação cautelar fiscal pode ser proposta antes da execução fiscal ou no curso desta. Ação cautelar fiscal – interessante trazer a definição dada pela doutrina: Instituída pela Lei 8. de insolvência civil ou de inventário. parágrafo único. No entanto. CPC. CPC. LEF). avaliação ou alienação de bens na execução ordinária. Dessarte. 578. parágrafo único. o juiz recepiendário tem autonomia majorada para resolver as querelas a ele atinentes. solução mais consentânea que aquela adotada pelo art. cristalina é a lei em determinar o foro ao menos pelos parâmetros do art.

CF/88. No aspecto formal. Lei 8397/92). a regra de competência segue o comando do art. I e III. a petição deve indicar e caracterizar uma das hipóteses do art. De fato. dolo ou culpa do acionista controlador. §§ 1º e 2º. II. quando existentes. o juízo competente para conhecer a correspondente execução fiscal é o mesmo apto a apreciar o pedido de cautelar fiscal (art. O STJ não concorda com esse comando. § 3º. Lei 8397/92). O efeito da concessão pelo juiz é a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite do crédito indicado (art. Lei 8397/92). Além da prova do perigo na demora (art. Lei 8397/92. No direito. 3º. 800. 2º. Na execução fiscal (e na medida cautelar fiscal). Isso não aplica nas ações ordinárias fiscais. CF/88). I. Poderá haver extensão da constrição sobre os bens pessoais de administrador ou de sócio controlador da empresa (atual ou passado). §§ 1º e 2º. CTN. 4º. como declaratória negativa de débito. quando houver fundada razão de inadimplência da pessoa jurídica devedora (art. Prova-se a exigência pela constituição do crédito tributário. devendo ser requerida ao juízo “virtual” da futura execução fiscal. afirmando que a desconsideração da personalidade jurídica depende dos requisitos esculpidos no art. justificando seu pedido nos termos do comando legal mencionado. etc. de repetição de indébito. 4º. 4º. CPC. Tratando-se de tributo estadual ou municipal. já mencionada). Lei 8397/92). 3º. I a IX. 5º. a PGFN deverá ajuizar a cautelar fiscal (e a conseqüente execução fiscal) perante o juiz de direito (arts. CTN). Como se trata de medida cautelar. 127. 2º. “caput”. Lei 8397/92). prevalece a regra do domicílio do contribuinte até mesmo sobre outros critérios. I. o pleiteante deverá demonstrar. podendo a medida ser preparatória ou incidental ao feito principal. o demandante deve solicitar a concessão da respectiva medida cautelar fiscal. mediante medida cautelar fiscal (art. De fato. Note que os dispositivos permitem até mesmo atingir bens . 135. Lei 5010/66. Em regra.164 O objeto da restrição é o total da dívida ativada. do administrador ou de qualquer um que tinha obrigação contratual ou estatutária de cumprir as obrigações tributárias. o foro ou a subseção judiciária competente é do domicílio eletivo do devedor (art. competente é a Justiça Estadual. porquanto há situação de risco para o Estado em não receber seu crédito. em sua vara de execução fiscal ou mesmo anexo fiscal. não podendo ir além disso. competente será a Justiça Federal (art. 109. No pedido. III. Sendo tributo federal. “caput”. exige que haja prova literal e documental do crédito fazendário. é possível pedir a indisponibilidade de bens da pessoa jurídica e de sócio. e 15. Nesse ponto. 109. o art. é interessante que o demandante afirme e prove que o sócio controlador ou o administrador pode frustrar o recebimento do crédito fazendário. I a IX. o foro da matéria). A norma não requer má-fé. “caput”. Lei 8397/92. exatamente o lançamento definitivo do tributo. “caput”. e Súmula 40 do TFR. além dos fatos. Lei 8397/92. quando presentes. Supondo que haja tributo federal e inexista vara federal no domicílio do devedor (em princípio. mais especificamente a vara de execução fiscal ou da Fazenda Pública. Os requisitos da medida cautelar fiscal estão inscritos no art. inclusive quanto à competência da Justiça Federal.

185-A. traz os requisitos formais da exordial: endereçamento. CTN. quando o devedor não indica bens suficientes e aptos a garantir a execução.165 daqueles que já foram sócios. a medida cautelar fiscal pode ser requerida entre a “constituição do crédito” (lançamento) e a execução fiscal ou após essa última. 174. Informativo do STJ n° 332. os fatos alegados pela Fazenda são considerados verdadeiros. . Sendo infrutífera a diligência. nos termos do art. Lei 8397/920). a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser em benefício do credor justificam. Na contestação ou a qualquer tempo. a LC 118/05 trouxe o art. parágrafo único. Para suprir a deficiência. Lei 8397/92. qualificação e endereço do requerido. dentro do decurso legal de cinco dias (art. Nesse âmbito. § 1º. I a IX. o devedor pode requerer a substituição da medida cautelar por uma das garantias previstas no art. Entretanto. caso o requerido trave conhecimento com a demanda. Lei 8397/92). não havendo contestação. 9º. observada a ordem de preferência do dispositivo (art. O art. 7º. requerimento para citação. REsp 841. Lei 8397/92. Lei 8397/92). Para tal. De outra parte. 18/9/2007. “caput”. Lei 8397/92). “caput”. De acordo com a interpretação da corte. aplicando-o restritivamente. CTN. j. “caput”. fazendo com que a medida cautelar fiscal fosse praticamente ineficaz. 10. 9º. 9º.173-PB. CTN. rel. o juiz vai designar audiência de instrução e julgamento. 8º. porquanto a legitimidade do crédito tributário. Dificilmente a Fazenda conseguia fazer prova das hipóteses do art. tem-se a decisão. Essa atuação é feita por meio eletrônico. Exemplo desse entendimento está na autorização judicial de penhora de subsídios governamentais a serem repassados ao executado220. o qual previu que o juiz deverá decretar “ex officio” a indisponibilidade de bens do devedor citado (sem perder de vista que o despacho que determina a citação suspende o curso prescricional – art. o devedor será citado (art. “caput”. 8º. O STJ interpreta o dispositivo à luz do art. III. através do convênio BACEN-Jud. porquanto o diploma em tela a possibilita (art. 135. 185-A. Se o devedor contesta. provas a serem produzidas. excepcionalmente. parágrafo único. Depois da produção probatória. deve estar presente o requisito do receio de frustração da eficácia da medida.. Quando o devedor não cumpre o despacho judicial inicial. o STJ relativiza a exigência de que a indisponibilidade de bens recaia sobre patrimônio ativo permanente do executado. CTN). com o objetivo de colher provas sobre o processo (art. 2º. Ainda no tocante ao art. I a IV. I. 4º. proferindo o juiz decisão de mérito no lapso impróprio de 10 dias (art. 1ª T. a constrição pode abater-se sobre bens do ativo não-permanente da empresa. É também plausível o pedido de liminar. LEF. a medida não é efetivada de plano. “caput”. Luiz Fux. Lei 8397/92). Lei 8397/92. Min. o rigor da medida. fica autorizado o magistrado a perpetrar a indisponibilidade do patrimônio do executado. “caput”. I a IV. 6º. Concedida ou não a medida “inaldita altera pars”. “caput”. quando esse não pagar nem oferecer bens a penhora em execução fiscal. o meirinho se dirige ao domicílio dele para tentar penhorar bens. LEF). diante da não localização 220 STJ.

A reboque do registro da penhora na execução fiscal (art. não arquivamento ou não ocorrência da prescrição intercorrente. Por óbvio. “caput”. Lei 9532/97. Lei 9532/97). A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal supra delineada (art. Entretanto. não é adequada a cautelar. Não sendo frutíferas novas tentativas. futuramente. Nesse caso. §§ 8º e 9º. não é necessário trazer à baila fatos e seus sucedâneos. justamente para evitar a aplicação integral do comando mencionado. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. não se exige o requerimento genérico de prova. “caput”. 40. Entretanto. Essa restrição poderá. não é composta tão-só por esses elementos. § 7º. o juiz manda arquivar o processo. É nesse sentido que se presta a medida cautelar fiscal. LEF). servir de base para a indicação de bens à penhora pelo exeqüente. com piso de R$ 500.00 (art. garantindo o prosseguimento da execução fazendária. pedido e requerimento de citação do executado (art. cujo recebimento marca o termo inicial para a restrição administrativa em comento (art. desde que haja prévia manifestação da Fazenda Pública (art. 14. o arrolamento será averbado em todas as repartições onde haja banco de dados continente dos bens do devedor (art. o art. LEF. não sendo encontrados bens para o arresto. Arrolamento fiscal – nos termos do art. independentemente de manifestação do juízo ou da secretaria. 40. 64. LEF). § 4º. começa a correr o prazo do lustro para prescrição intercorrente (art. § 3º. Lei 9532/97). porque a indisponibilidade será decretada de ofício pelo julgador. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total.166 e conseqüente não citação do devedor. e Súmula 314 do STJ. bem como deverá ser cancelada se garantido o juízo da execução fiscal de outra forma (art. 64. porque estão presumidos na CDA. cumpre à Fazenda Pública antecipar o numerário destinado ao custeio das despesas com o transporte dos oficiais de justiça”. 64. Lei 9532/97). Lei 9532/97). LEF). 64. 40. § 2º. . processada perante a Justiça Estadual. o arrolado não poderá alienar. O ato de arrolamento é perfeito mediante notificação ao devedor. § 4º. I. sua não suspensão. 40. § 3º. § 4º. Com efeito. Com efeito. LEF. § 5º. prescindindo de requerimento para produção de provas e não se sujeitando a custas e emolumentos. a Súmula 190 do STJ221 determina que devem ser pagas as despesas do oficial de justiça. 64. diz que o feito e a prescrição ficam suspensos por um ano (art.000. Depois do decurso de um ano. A suspensão e a declaração de ocorrência da morte da pretensão do fisco pelo decurso do tempo são declaradas de ofício pelo magistrado. I a III. 64. tal 221 Súmula 190 do STJ: “Na execução fiscal. já mencionada). 6º. LEF). devendo revestir-se de formalidades mínimas. Lei 9532/97). 64. Lei 9532/97). I a III. a não citação do devedor não permite o decreto de indisponibilidade patrimonial e. O não cumprimento dessa formalidade importa em invalidade na decretação da prescrição intercorrente. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. comuns a qualquer exordial. Fora essas hipóteses. A peça vestibular da execução fiscal é um pedido de meios executórios ao Estado-juiz. Procedimento – o rito especial segue as seguintes fases: Petição inicial – deve conter endereçamento.

não prevalecendo o estatuído no art. LEF) ou não seja garantido o juízo (pelo depósito). p. “d”. deverá ser instruída com a certidão de dívida ativa. pois o legislador não exigiu que a carta com mandado seja recebida pelo executado. LEF. fazendo jus o executado. salvo se o exeqüente requerer de outra forma. CPC. 26. se estiver em termos. sob pena de penhora imediata (art. p. 282. sendo lícita sua emissão inclusive por meio eletrônico (art. 8º. LEF. e 6º. LEF). 8º. correção monetária e forma de cálculo – se incidente. caso não haja indicação da data do recebimento (art. fundamento e natureza da dívida. 8º. sem embargo das custas e demais despesas. preceitua o que o juiz deve dizer na recepção da exordial: o Recebimento da peça. LEF). § 3º. a citação deverá ser feita por oficial de justiça ou por edital (art. 2º. o Citação do executado. origem. 8º. 8º. Greco Filho (2003. CPC. seus requisitos formais e temporais 222 Cf. p.. § 2º. Não sendo encontrado o demandado pelos Correios até 15 dias depois.167 qual se depreende do confronto entre os arts. o Avaliação dos bens constritos. LEF). devendo ser expedido correspondente mandado. op. valor inicial da dívida. II. data e número de inscrição da dívida ativa. “caput”. Despacho inicial – o art. § 5º. e §§ 1º e 2º. se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar. caso não seja paga a dívida no decurso estabelecido (cinco dias – art. III. Ademais. por ser esse norma geral e não especial. o Efetivação de arresto (pré-executivo – art. I a IV. LEF). 102) faz uma crítica à ficção da citação por correspondência. 102). Theodoro Júnior. “caput”. I a V. domicílio e residência deles – se possível. O legislador considera perfeita a citação se a carta for entregue ao próprio executado no endereço indicado222 ou 10 dias depois de retornado o aviso de recebimento na agência postal. o Determinação da penhora. CPC). O legislador permite que a exordial e a CDA consubstanciem documento único. 6º. Se escolhida a forma editalícia. 102). 2003. O mandado será remetido ao executado por via postal. contendo: nome do devedor e dos coresponsáveis. O cancelamento da inscrição da dívida ativa implica em extinção da execução sem ônus para as partes (art. LEF (GRECO FILHO. 2003. “caput”. cit. 222. . LEF). 7º. número do processo administrativo ou do auto de infração. termo inicial e forma de calcular juros e demais encargos. aos honorários advocatícios (GRECO FILHO. Citação – a lei assina prazo de cinco dias para o pagamento judicial. I a VI. segundo entende a jurisprudência. com o devido aviso de recebimento (AR). VI. o Registro da penhora. 653. o qual não admite essa colocação feita pelo legislador. CPC). se neles expresso o valor da dívida (art. nos termos do art.

para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. 103). e 174. se a prescrição foi interrompida. e EmbDiv no REsp 743867/MG. CPC. 2003. 8º. fundando-se no art. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. . os autos serão arquivados (art. LEF. como diploma protetivo do credor fiscal. formaram-se duas correntes: O termo inicial da interrupção retroage à data da propositura da ação – nos exatos termos do art. LEF. 371) e por Silva Pacheco (apud CÂMARA. LEF). A prescrição intercorrente aqui mencionada encontra fulcro em uma hermenêutica sistemática. 223 STJ. porque nenhum outro credor goza de imprescritibilidade de seu crédito.168 (publicação por 30 ou 60 dias. 219. volta a correr o decurso prescricional de cinco anos da Fazenda Pública (art. A melhor doutrina. p. § 2º. p. recorrendo-se ao direito processual comum e aos princípios gerais de direito para resolver a querela (GRECO FILHO. § 1º. se o executado. I. LEF). § 2º. LEF). “caput”. 40. assim como o decurso prescricional (art. “caput”. p. haveria autêntica mácula à isonomia. 2006. 8º. parágrafo único. 40. No entanto. muito pelo qual a LEF. 371). A tese pró-contribuinte. 25. sob pena de tornar a obrigação fiscal imprescritível. p. 174. se não houver órgão da procuradoria na comarca. 8º. parágrafo único. 2006. 372) apregoa que. a intimação da Fazenda poderá ser feita por correspondência com AR223. a partir do arquivamento do feito. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). CTN). passou a considerar que. é a posição defendida por Câmara (2006. § 3º. representada por Theodoro Júnior (apud CÂMARA. REsp 914879/SP. 174. 372) e por Câmara (2006. CTN). encontrar-se no exterior – art. CTN. p. 40. a execução ficará suspensa. Caso a situação permaneça assim por mais de um ano. LEF). § 1º. 371). A intimação da Fazenda Pública é pessoal em favor do procurador (art. no segundo caso. Citação e prescrição – a citação tem o condão de interromper a prescrição a partir do despacho do juiz que o determina (arts. O desarquivamento só será possível se surgirem novos bens passíveis de constrição. Sobre o tema. segundo Theodoro Júnior (apud CÂMARA. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. Não havendo bens a serem penhorados. Não há retroação – porque a LEF é diploma especial. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. Em sentido contrário. IV. sendo certo que o legislador utilizou a expressão “a qualquer tempo” para a efetivação desse ato. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. LEF) estão delineados no art. “caput”. p. 2006.

o que o agiliza e o torna mais eficaz. CTN). sem prévia oitiva do fisco. O reconhecimento “ex officio” da prescrição. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. a partir da Lei 11280/06. Para solver o entrave. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. 11. aplica-se a segunda. Nesse caso. como é possível aduzir do Enunciado 295 do Conselho da Justiça Federa (CJF)224. mesmo porque há interesse público em jogo. desde que ouvido previamente a Fazenda Pública (art. LEF). Entretanto. Apesar de parte da doutrina entender que a prescrição. deverá ser veiculado o 224 Enunciado 295 do CJF: “Art. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. Observa-se que o ato pode ser efetivado inclusive por meio eletrônico (“penhora on-line”). a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. Isso não significa que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandado-contribuinte. CPC).169 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. § 4º. porque prescrição é matéria de defesa disponível. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. não configurando direito subjetivo do contribuinte. 219. como norma processual. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. 2006). . 1º. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ. porque é possível sua renúncia por razões outras. porque versará sobre a modalidade ordinária da perda da pretensão. pelo princípio da especialidade. 219. os quais deverão responder ao comando com relação completa dos bens indisponíveis (art. Indisponibilidade de bens – feita a citação e não encontrados bens à penhora. LEF). “caput” e § 2º. 191. a Lei 11051/04. § 5º. Havendo conflito entre CPC e LEF. a disponibilidade do direito correspondente é flagrante para o entendimento majoritário (CÂMARA. 40. além de positivar a prescrição intercorrente. Nesse caso. Em razão da Lei 11280/06. oficiando todos os órgãos de registro de patrimônio sobre a medida. atingindo os feitos em curso. IV. já mencionada). 185-A. CPC) – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado (art. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. A revogação do art. tornou-se matéria de ordem pública.280/2006. não sobre a intercorrente. como já disse o STJ. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. CPC). Nota-se que se trata de faculdade do juízo. 194 do Código Civil pela Lei n. pelo simples decurso do tempo. 269. 191 do texto codificado”. Isso não significa que a prescrição não intercorrente (art. sob pena de nulidade absoluta do ato. é aplicada imediatamente. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. Sendo assim. o magistrado decreta a indisponibilidade patrimonial “futura” do executado. § 5º. “in fine”.

de acordo com a ordem sugestiva do art. CC). 1: caso seja oferecido bem imóvel. CPC. pois o saldo resultante da hasta pública será restituído ao executado. Caso seja ultrapassado o teto. o julgador deve determinar o levantamento do excedente (art. § 3º. § 1º. podendo ser feito de várias formas (art.170 valor da dívida. Ex. LEF. porque. tendo o decreto limite exatamente nele. 655-A. Nomeação de bens próprios à penhora. “caput”. Indicação de bens de terceiros à penhora. LEF). Uma vez que o executado ofereça bens à penhora e haja recusa por parte da Fazenda exeqüente. não há de se argúi-la. I a IV. 4. não há dever processual em fazê-lo novamente. na nova redação do art. . 9º. 9º. CTN). o executado tem algumas alternativas durante o interregno dos cinco dias subseqüentes (art. A doutrina ainda não se posicionou sobre o tema. Obs. Fiança bancária. Obs. apesar do STJ ter apontado nesse sentido. CTN). desde que previamente aceitos pela Fazenda Pública. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. deverá adimplir totalmente o débito. 8º. 2: o legislador do CPC. CF/88). no diapasão da Lei 6830/80. depois da hasta pública. Em contrário senso. desde que incidente correção monetária225. 185-A. “caput”. o Garantir o juízo – a fim de propiciar a discussão da dívida por meio de embargos do executado. 8º. Não tendo tais finalidades. Em princípio. não há de se requisitar o depósito em comento. op. dada pela Lei 11382/06. encargos e custas judiciais (art. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. Opções do executado – recebido o mandado de citação. LEF): o Pagar a dívida – nesse caso. correção. XXXV. 151. 11. 3. é “conditio sine qua non” para a propositura de ação anulatória de débito fiscal. muito pelo qual o art. II. I. trouxe tal previsão na execução ordinária. Depósito em dinheiro em estabelecimento oficial de crédito. pelo fato do instituto harmonizar-se com a regência e com o espírito da LEF. 655. multa de mora. I a VIII. § 1º. e 1647. 5º.. 2. LEF. Segundo Greco Filho. não há óbice à sua efetivação. o saldo será revertido ao devedor. o que ainda não é pacífico. a inação do executado não impede a 225 O depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. como bem vem entendendo a jurisprudência. sob pena de macular a inafastabilidade do Judiciário (art. desde que essa tenha por objetivo impedir ou suspender execução fiscal. cit.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. preferiu. No ponto. juros. de uma forma geral. I a XI. Vê-se que o excesso de indisponibilidade só pode ser invocado se a constrição recair sobre bem divisível. somando-se o principal. LEF): 1. o cônjuge do executado ou do terceiro proprietário deverá anuir ao ato (arts. móveis a imóveis.

601. o Oferecer exceção de pré-executividade ou objeção de nãoexecutividade – ver comentários abaixo. A primeira será efetivada de sorte a abranger tantos bens quanto sejam necessários para cobrir o total da dívida e todos seus consectários financeiros e judiciais (art. 600. dentro do processo civil. § 1º. 587. não sendo possível a avaliação pelo meirinho devido a aspectos técnicos complexos. CPC. nos termos do art.339-SP. valendo a avaliação do oficial de justiça como parâmetro preliminar (art. 13. § 3º. inspirando a nova redação do art. qualquer das partes pode impugnar o valor da avaliação até o edital da hasta pública (art. CPC). 2º. como a Fazenda não pode oferecer caução pela impenhorabilidade de seus bens. A certeza e a liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno 226 STJ. Fraude à execução fiscal (art. 185. O arresto. 652. j. O prazo legal para tal é de 15 dias para execução fiscal e de 10. p. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. pelo juiz. fala em execução provisória ou definitiva. 185. 208). mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. a jurisprudência do STJ firmou posição226.171 qualificação de sua conduta. Execução provisória e definitiva – o art. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. apesar de ficar sujeito a outras medidas constritivas. como bem indica Chimenti (2002. 1º. 13. será solicitado. CPC. a execução prossegue nos moldes provisórios. rel. Se os embargos forem recebidos com efeito suspensivo e. 19/6/2007. sobre o qual decidirá o julgador (arts. 2ª T. caso a apelação seja recebida no efeito devolutivo. A rigor. porque o regime do procedimento é o mesmo na execução civil ordinária. Eliana Calmon. dependendo da situação encontrada. . CPC. Com esse entendimento. julgados rejeitados. No âmbito tributário. Min. terá vez quando o executado não tiver domicílio ou se furtar à citação. Informativo do STJ n° 324. 13. CTN) – depois da citação válida. visto que transferência de bens do executado e depósito de dinheiro exigem a garantia. CPC. Em ambos os regimes. não há de se lhe aplicar as sanções contidas no art. apesar de o agüazil encontrar bens suscetíveis de constrição judicial. LEF. LEF). a execução fiscal ficará obstada. “caput”. dar-se-á a penhora ou o arresto. conquanto já atuará por ordem do juiz na primeira oportunidade. o Permanecer inerte – nessa hipótese. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). quebra de sigilo bancário e fiscal e penhora de patrimônio. laudo de avaliador judicial. “caput”. I a IV. 4º. REsp 787. Essa lição foi bem entendida pelo legislador de 2006. LEF). “caput”. ao final. aguardando o trânsito em julgado. consoante comentário supra já feito. como indisponibilidade de bens. caracterizam fraude à execução. para a ordinária. Nesse passo. CTN). Nesse contexto. e 680. essa é mais profunda. provisório ou definitivo são os títulos. LEF). Conseguintemente..

o oficial de justiça deverá fornecer cópia a repartições e órgãos encarregados do registro do bem constrito. 12. se imóvel. A certidão de dívida ativa. Havendo constrição sobre bem imóvel. Todo esse trâmite demanda muito tempo. § 2º. Auto de penhora é lavrado pelo meirinho. 185. 612. de forma a tornar o ato eficaz “erga omnes”. para quem ao art. Nesse caso. No caso da execução ordinária. qualquer um que não seja o próprio executado ou seu representante legal (art. se estabelecimento comercial. 4. um novo instituto: fraude à administração fiscal. . I a III. op. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. LEF). 229 Termo de penhora é lavrado quando o próprio executado ofereça a garantia da execução. o próprio exeqüente pode averbar a demanda (não a penhora). CPC. o executado deverá ser intimado. “caput”. Dessa feita. se veículo. LEF (Súmula 190 do extinto TRF)228. De fato. Súmula 190 do extinto TRF: “A intimação pessoal da penhora ao executado torna dispensável a publicação de que trata o art. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. instruirá a inicial da execução fiscal. no DETRAN. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. 227 228 Cf. procedimento e ato dotados de presunção de legalidade e de legitimidade. LEF. determina que seja averbada a penhora dos seguintes bens: 1. É perfeitamente possível a penhora de faturamento de empresa em execução fiscal. 12. à guisa das fraudes contra credores. LEF). à execução (ordinária) e de bem judicialmente constrito. a partir intimação de sua juntada aos autos. quer seja por meio de depósito integral do valor. se valores mobiliários. 1º. o art. da juntada aos autos do processo executivo do auto ou termo de penhora (art. A intimação só será pessoal caso a citação feita por aviso de recebimento contenha assinatura de terceiro. Tratase de presunção relativa227. 3. aplicando-se o art. Em hipótese de concurso de credores fazendários. bem como a permitir a averbação da constrição nos órgãos responsáveis pelo registro do bem. na Bolsa de Valores. o cônjuge também deverá ser informado (art. Penhora – uma vez efetivada. Depois de ajuizada a demanda. na execução fiscal (art. 14. Ambos documentos são idôneos. Câmara.. § 3º. cit. 12. de fiança bancária ou de indicação de outros bens. 655. Câmara (2006) afirma que surgiu.172 administrativo. 12. como título executivo extrajudicial. o direito de preferência na penhora se defere àquele que primeiro obteve a penhora ou o arresto executivo. erigindo uma presunção absoluta de conhecimento por terceiros. sociedade comercial e Junta Comercial. ou seja. erige uma presunção absoluta de fraude à execução. LEF). Como esse evento prescinde de execução ajuizada. CPC. “caput”. 12 da Lei das Execuções Fiscais”. no CRI. VII. LEF). a teor do que vinha apontando a jurisprudência do STJ e do art. mediante publicação em diário oficial. dispensa-se a publicação exigida pelo art. a abrir prazo para o oferecimento de embargos por parte do executado. “caput”. CTN. na Junta Comercial. Registro – lavrado o termo ou auto de penhora229. quando esse executa o ato em si ou quando converte o arresto nele. 2.

. o executado poderá oferecer embargos no prazo de trinta dias. No demais. Recebidos os embargos. consoante entendimento do STJ230. LEF). 16. LEF). 17. 738. I a IV.970-SP. A ordem de preferência do art. “caput”. REsp 729. LEF). LEF). “caput”. Nesse passo. 9º. há de ser observada dentro do possível. “caput”. 18. Informativo do STJ n° 325. Essa disposição é plenamente aplicável à execução fiscal. da juntada da prova da fiança bancária ou da intimação da penhora judicial (art. A partir do registro. 26/6/2007. uma vez seguida a gradação legal. não obsta o prosseguimento do feito nem requer garantia do juízo (arts. erige-se presunção absoluta de fraude à execução. 17 e parágrafo único. LEF. Min. o procurador público manifesta-se pelo teor da garantia do juízo (art. há dois tipos admitidos jurisprudencialmente pelo sistema do CPC e da própria LEF: 230 STJ. CPC). sua recusa é entendida como requerimento de perícia. 615-A. 11. as alegações do embargante não são restritas a um rol taxativo de defesa (art. Defesa – como defesa típica. não se admite compensação.173 o art. perigo de lesão de difícil reparação e a própria garantia do juízo (art. na execução ordinária. a Fazenda Pública exeqüente não pode recusar título da dívida pública líquido. se houver prova oral a ser produzida (art. No caso. não se confundindo com a presunção relativa de fraude na expedição de CDA. porquanto o interregno e o termo inicial são diferentes naquele: 15 dias contados da juntada aos autos do mandado de citação (art. CPC). CPC). e REsp 611. § 2º. CPC. 373) aponta diferença entre os embargos na execução de título extrajudicial e aqueles oferecidos em sede de execução fiscal. parágrafo único. p. Ademais. REsp 130. a Fazenda Pública é intimada para se manifestar em trinta dias. § 3º. e 739-A. j. contados do depósito. 16. seguindo-se audiência de instrução e julgamento. bem como é inaplicável reconvenção (art. I a III. LEF). 16. 736. traz a possibilidade de averbação da execução em órgãos de registro de bens do executado. salvo se houver expresso requerimento do embargante. § 1º. Marinoni e Arenhart (2007) e Luiz Wambier defendem que esse fenômeno também se dá na execução fiscal.500-RS. Como defesas atípicas231. a jurisprudência tem entendido que. Se o executado não aceitar a avaliação feita pelo meirinho.712-SP. LEF). II. Eliana Calmon. É medida plausível para preservar a eficácia de futura expropriação. relevância na fundamentação. I a VIII. LEF. “caput”. certo e exigível (art.. deverá arcar com os custos da produção probatória. DJU 18/4/2005. uma vez garantido o juízo por alguns dos meios do art. o juiz deverá proferir sentença no prazo impróprio de 30 dias (art. Como matéria de defesa. o oferecimento de embargos. O juiz deverá balancear o interesse do credor fiscal com a satisfação do débito e o princípio do menor gravame ao executado. 11. 2ª T. rel. ou pela própria penhora “ex officio”. Não havendo essa última. Câmara (2006. posição não pacificada na doutrina. DJU 29/11/1999. 739-A. Resolvidas as questões. LEF).

Contudo. sendo esses inadmitidos “in limine” ou rejeitados no mérito. com antecedência de dez a trinta dias. o juiz poderá adotar três diferentes decisões: Acolher a exceção – o processo é extinto com resolução de mérito. Obs. O acolhimento depende de prova pré-constituída e de não impugnação por parte do exeqüente. 23. Durante esse interregno. Desafia apelação ou embargos infringentes (causas de alçada). § 2º. LEF). Havendo rejeição. Há um prazo preclusivo representado pela penhora. O leilão ou praça será precedido de publicação de edital em diário oficial gratuitamente e por uma única vez. pode ser atacável por agravo de instrumento. provando a relevância da alegação e demonstrando o perigo de lesão grave irreparável ou de difícil reparação. o efeito poderá ser deferido se o excipiente solicitálo expressamente. em seu Ação Executiva – Necessidade da Penhora para Discutir a Exigibilidade dos Títulos. Rio de Janeiro. cit. “caput”. como entende a jurisprudência. 466. Negar-se a decidir – o juiz alega que não pode decidir sem instrução probatória. pode ser atacada por agravo. Da exceção de préexecutividade. 209. e de fixação no átrio do fórum por igual decurso (art. há extinção do processo sem resolução do mérito. Como interlocutória. o que configura exceção à irrecorribilidade das interlocutórias na execução. A Súmula 121 231 Chimenti.. cabe agravo de instrumento. por se tratar de decisão interlocutória. segundo citação de Câmara. não há preclusão. p. 22.. p. Forense. A mera invocação pela parte obriga o juiz a decidir.: tanto a objeção quanto a exceção não ensejam a suspensão do processo. Ambas também não comportam dilação probatória. O juiz não as pode conhecer de ofício. o representante da Fazenda Pública deverá ser pessoalmente intimado (art. porque o executado fará uso das defesas típicas a partir de então. podendo ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. Rejeitar a exceção – como decisão interlocutória. podendo ser contestado por apelação ou por embargos infringentes (causas de alçada). p. . in: Processo de Conhecimento e Processo de Execução. remetendo decisão para os embargos. LEF). Caso haja acolhimento. 22. Hasta pública – não sendo oferecidos embargos. devendo o excipiente demonstrar seu direito mediante prova pré-constituída. A perda do prazo dos embargos também pode sugerir o oferecimento da peça. É a linha seguida por Alcides de Mendonça Lima. 1992. cit. op. segue-se hasta pública para venda dos bens penhorados (art.174 • Objeção de não-executividade – como trata de matérias de ordem pública. • Exceção de pré-executividade – engloba matérias que deveriam ser ventiladas em defesa típica (embargos do executado ou infringentes). op. “caput” e 1º. leciona que parte da doutrina refuta a admissão de exceção de pré-executividade e de objeção de não-executividade. não podendo rejeitá-la “in limine”. 275-290. LEF).

Nesse caso. XXIV. incidindo juros de 1% ao mês. uma vez que reconheça o débito e renuncie ao direito de embargar. recorre-se ao art. “caput”. No caso de empresa governamental. II. O art. Como o legislador complementar (do próprio CTN) deferiu a competência para o legislador ordinário. cabem embargos à arrematação (art. caso os embargos não tenham sido oferecidos. Não há infringência ao princípio da licitação (art. não há impedimento para alienação por iniciativa particular. p. CF/88. permite faculdade de parcelamento ao executado. 745-A. 691 e 692. Adjudicação – em favor da Fazenda Pública. ao estabelecer as condições do ato (art. Depois da hasta – pelo valor da avaliação (caso não haja licitante depois da 2ª hasta) ou pelo valor oferecido pelo maior lançador (em 232 232 175 Súmula 121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado. sendo que. CPC). pagando-se o restante em seis parcelas mensais. “caput”. ocorrendo nas seguintes hipóteses (art. CPC. tem preferência sobre a arrematação. “caput”. “caput”. “caput”. § 1º. porque a impessoalidade e a isonomia ficam garantidas pelo juiz. A melhor doutrina entende que a alienação por iniciativa particular (art. 37. Parcelamento – o art. Havendo débito tributário. desde que não haja preço vil (arts. na segunda hasta (Súmula 128 do STJ)233. no decurso dos embargos. CF/88). não há qualquer entrave à aplicação na execução fiscal. o regime de parcelamento. Antes da hasta – pelo preço da avaliação. 24. CTN). se no primeiro não houver lanço superior à avaliação”. Para pagar. Atrasando qualquer mensalidade. não é necessário observar o piso da avaliação. “caput”. pessoalmente. porque o legislador exigiu a expropriação por leilão público (art. 155-A. o que se aplica sem maiores problemas à execução fiscal. em princípio. Sendo insuficiente o numerário obtido com a venda judicial. por lanços. não é possível.do STJ determina que o executado também deve ser pessoalmente intimado do dia. 146. tenham sido rejeitados “in limine” ou desacolhidos no mérito. à execução fiscal tributária. promovida pela Fazenda Pública. LEF): 1. “caput”. 2. CPC). LEF). CPC. é permitida nova penhora. estabelece que a norma geral há de definir. hora e local do ato. o demandado deve depositar. 161. 2006. O art. CPC). 233 Súmula 128 do STJ: “Na execução fiscal haverá segundo leilão. 746. CPC. o qual se reporta a eventual lei especial em termos de parcelamento. desde que a taxa de juros seja aquela atinente à lei tributária aplicável (art. 30% do montante total (incluindo custas e verbas sucumbenciais). dentre outros. permite a realização de hasta pública eletrônica. CTN. 23. incidem juros de 10% e a execução prossegue. do dia e hora da realização do leilão”. 647. 685-C. 374). I e II. . II. não haveria qualquer problema em aplicar o direito esculpido no art. Tratando-se de dívida nãotributária. A arrematação deverá ser feita nos moldes do CPC (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. sem outra oportunidade de embargos ao executado. “b”. CPC). 745-A. 689-A. § 1º.

independentemente do grau hierárquico na estrutura do Judiciário. cit. Como bem indica Câmara (2006. Câmara (2006. de acordo com a exigência do art. LEF). Obs. mas não REsp (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. 211). “a”. III. o recurso contra decisão de primeira instância. 210). muito pelo qual os embargos procedentes se sujeitam ao reexame necessário (art. Trata-se de princípio constitucional implícito. 103. devendo ser oferecido em até 30 dias da arrematação. afirmando-o como simples disposição do legislador ordinário e complementar. p. conquanto se trate da Fazenda Pública (art. o sistema de execução fiscal acolhe a apelação dos embargos e os embargos infringentes nas causas de alçada.: se o crédito fazendário for inferior ao preço da avaliação ou do maior lanço.. Carlos Henrique Abrão et al.. a decisão do referido recurso pode desafiar RE para o Excelso Pretório (art. “in fine”. perfilhada por Chimenti (2002. CPC). parágrafo único. mas embargos infringentes ao próprio magistrado “a quo” (art. diferentemente do que ocorre na Justiça Laboral. É solução que favorece a celeridade. “caput” e § 2º. 1997. já se pronunciou o STJ quanto às decisões de turmas recursais dos JEC’s (Súmula 203 do STJ)237. p. 375). 236 No mesmo sentido. 188. Observa-se que o prazo recursal para o exeqüente é contado em dobro. op. Recursos – além do sucedâneo recursal dos embargos (que também admitem a modalidade deferida a terceiros e os de declaração – art. LEF). CPC (CHIMENTI. 2002. 2002. “a”. CF/88 (CHIMENTI. 34. 34. Em contrário à posição explanada. Os embargos infringentes devem ser opostos em dez dias a partir da intimação da sentença dos embargos do executado. 2006. p. 93) nega a natureza de preceito constitucional ao duplo grau de jurisdição. 375)236. 209). Recurso de alçada – se o valor da causa não exceder 50 OTN’s (283. p. Nelson Nery Júnior considera que o mero reexame por outro órgão. quando for o caso. Lei de Execução Fiscal Comentada e Anotada. Nessas hipóteses de menor monta. conquanto se aplica o art. a adjudicação só será deferida se o exeqüente depositar previamente a diferença em 30 dias da decisão judicial (art. lembra que. CPC). 34. II. ausentam-se o efeito devolutivo e o duplo grau de jurisdição235. 235 Na concepção de Barbosa Moreira e da doutrina prevalente. 24. CF/88).00.176 igualdade de condições). nos limites de sua competência. 102. 188.43 UFIR’s)234. no juízo cognitivo (embargos do executado). devendo o “ex adverso” ser ouvido no mesmo lapso e. CLT). por meio do seu agravo de petição (art. RT. não é apelação. 897. 237 Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida. 475. p. bem como os recursos extraordinários à disposição do sucumbente. §§ 2º e 3º. o valor gira em torno de R$ 553. atualmente. 234 . que pode ser flexibilizado pelo legislador infraconstitucional. vem Greco Filho. p. em seguida. LEF). por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. “a” a “d”. já configura o duplo grau. Agravo e duplo grau de jurisdição – não tem sido admitido agravo das interlocutórias ao longo da execução fiscal. p. 105. LEF). “caput”. 225. muito pelo qual a decisão não é prolatada por tribunal. p. III. Nessa linha. Ademais. São Paulo. o duplo grau de jurisdição corresponde à reapreciação de uma decisão judicial por órgão hierarquicamente superior. o julgador profere decisão no decurso impróprio de 20 dias (art. O interregno recursal para a Fazenda Pública será de 20 dias.

op. CPC. 238 No mesmo sentido. II.177 Exceção deve ser feita no caso de não acolhimento de exceção de préexecutividade ou de objeção de não-executividade. De fato. nas causas de alçada. haveria bizarra infringência à isonomia: enquanto o executado vencedor nos embargos infringentes teria o reexame perfeito pelo magistrado “a quo”. Chimenti. 475. defende que. não cabe sua incidência nas causas de alçada. 209. não deve haver o reexame necessário. como lembra Câmara (2006. na execução fiscal. p.. a Fazenda Pública faria jus à reapreciação por tribunal “ad quem”238. p. Quanto ao duplo grau no sentido estrito. cit. . 375). se aplicado literalmente o art.

porque preparar a feitura de normas aplicáveis. No século XIII. 24. termo. CF/88). Envolve fenômenos de ordem social. Até o Estado absolutista. refere-se ao fim de uma operação que se desenvolve pelo pagamento. valem todas as regras quanto a normas gerais. Tudo lhe pertencia e a idéia de propriedade particular era sempre relativa. p. No dizer da teoria geral do direito. . Estados e DF (art. 29). mas com o aumento das necessidades foi necessário avançar no patrimônio particular. a atividade financeira extrapola a seara jurídica. No ponto. entretanto. da coisa pública. ainda eram praticamente inexistentes. 24. Mas. cobrando tributos e tarifas ou confiscando bens [receitas derivadas]. o qual designa fim. 16). permitiu-se que o cidadão listasse as necessidades básicas da sociedade.178 DIREITO FINANCEIRO Introdução – durante o caminhar da evolução estatal. aderindo-se à ciência econômica. a ordem jurídica foi sendo erigida em paralelo. Em verdade. estatística e política. 23). as quais se volta eminentemente ao interesse público (OLIVEIRA e HORVATH. os recursos utilizados eram do próprio ente estatal [receitas originárias]. buscando dinheiro para atender às necessidades públicas. como lembram Oliveira e Horvath (2003. Distingue-se do Direito Tributário. 24). nem mesmo havendo entre eles relação de conteúdo e continente (OLIVEIRA e HORVATH. normas específicas e capacidade legislativa supletiva das unidades-parciais (art. obtém suporte para exercer suas atividades. parágrafo único. Esse afã estatal sobre a acumulação de divisas decorre de sua própria razão de existência: a consecução do bem comum. p. 2003. Foi a primeira idéia de despesa pública. O direito financeiro trata justamente do regramento jurídico da atividade financeira do Estado (FÜHRER e FÜHRER. O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. a perspectiva financeira sempre caminhou ao lado. financeiro e orçamentário é concorrente entre a União. é fato que para prestar os seus serviços o Estado necessita de recursos financeiros. é pré-jurídica. 1996). o soberano era único nas decisões acerca das finanças públicas. as finanças pertencem ao plano realeano dos fatos (REALE. Finanças é termo que vem do latim “finis”. de início. na Inglaterra. À medida que a sociedade foi construindo a possibilidade de influir nos parâmetros financeiros estatais. No ponto. monetariamente. Ou seja. 2003. foi necessário o desenvolvimento pelo Estado da atividade financeira. p. I e II. As finanças públicas dizem respeito à forma como o Estado. Os institutos da propriedade e da liberdade. Dessa feita. A competência para legislar sobre direito tributário. p. Consta que. econômica. 2001. vez que constitui o sustentáculo material do país. de uma forma ou de outra e seja qual for o conceito de necessidade pública no momento.

2001. suplementando as leis gerais e regionais naquilo que afeta o interesse local (art. 151. Preço público e tarifa são formas de receita originária. as receitas podem ser classificadas. com as derrogações de Direito Público). Entretanto. I e II. Manual de Direito Financeiro. o que faz excluir o movimento de caixa ou ingressos (fluxos de entrada “temporária”. uma vez que há normas específicas contidas no próprio Texto Maior. obsta a exigibilidade do crédito tributário (art. São extraídas quando o próprio Estado explora seu patrimônio. as entradas (movimento positivo de dinheiro para os cofres públicos) comportam duas espécies: receitas públicas (entradas definitivas) e movimentos de caixa (entradas temporárias). Relaciona-se também com o Direito Tributário – apesar de guardar campo próprio. Führer e Führer (2001. o Direito Financeiro. Processual Civil e Penal. Dentro da distribuição de competência. Por esse motivo. 6ª ed. de seu poder de imposição. Todavia. o primeiro. Em melhores palavras. conforme supra mencionado –. p. nem todos os ingressos no erário podem ser considerados como receitas. Administrativo. tem alicerce fim na CF/88.179 CF/88). Com efeito. CF/88). são diferentes. devem ser diferenciados os conceitos de lei federal e de lei nacional. 239 . CF/88). deve ser convertido em renda para configurá-la. 17) as chamam de facultativas. Apesar de admitirem haver doutrina que considera o ingresso como entrada provisória. A norma geral traz princípios para solução de entraves entre os diversos legisladores dentro da matéria de competência comum. no dizer de Kelsen (1998). 30. Receitas públicas – receita pública representa uma entrada definitiva de valores nos cofres públicos. 30. 17) são caução. não fazendo uso. não se confundindo com taxa. inclusive de Direito Financeiro. 2003. Há uma relação de coordenação estabelecida entre Estado e particular. assim como qualquer outro ramo. p. em: o Originárias – correspondem às entradas definitivas não decorrentes do poder de imposição do ente de público. sendo certo que essa conversão só é possível se sucumbente o demandante. CTN). o Derivadas – são aquelas que advêm do poder de “imperium” do ente público.: depósito judicial. sendo portanto compulsórias (FÜHRER e FÜHRER. simplesmente entrada provisória ou ingresso)239. Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. na maioria das vezes. São Paulo. da atuação estatal como agente privado. Resultam. o âmbito espacial de validade e o âmbito pessoal de incidência das normas. de pare em passo com o particular (contratação em regime de Direito Privado. II. Revista dos Tribunais. No quadro da ciência jurídica. o valor será transferido para a conta do Tesouro Nacional (TN) “incontinenti”. o qual pode ser feito em um MS e. p. Doutrinariamente. fiança e empréstimos em geral. III. têm o primeiro como sinônimo de entrada simplesmente. mas não figurará aí como entrada definitiva (receita pública). quanto à origem. Em tese. sendo integral. Ex.. os Municípios podem legislar sobre tributos de sua competência (art. Outros exemplos de entradas provisórias citados por Führer e Führer (2001. sua ligação com o Direito Constitucional é particular.

o constituinte derivado não teria vênia para alargar os fatos geradores já expressos na CF/88. na classificação de receitas derivadas. dentro do Direito Financeiro. Não poderia criar mais exações. em parte. LRF) ou voluntárias (por exclusão às anteriores). Segundo os autores. CF/88).: apesar de ter origem tributária. a esse pertencem (art. CF/88).: só será derivada a receita se o poder de imposição for exercido pelo próprio ente que a recebe. pronunciou-se em sentido contrário. a taxa é considerada receita derivada. lei ou destinadas ao SUS – art. III. 65) consideram o art. Obs. CF/88. Oliveira e Horvath (2003) dizem que as receitas transferidas se resumem nas transferências correntes. 149-A. No entanto. acrescido pela EC 39/02. na esteira. as quais têm origem no poder de polícia estatal. o Transferidas – resultam de transferências entre os entes federados. Ex. “in fine”. Podem ser obrigatórias (previstas em Constituição. 158. como inconstitucional. 154. por meio de sua Súmula 418240. e sua arrecadação não está sujeita à exigência constitucional da prévia autorização orçamentária”. as transferências correntes não implicam em contraprestação pelo tomador. Quanto aos EMPRÉSTISMOS COMPULSÓRIOS. podendo ser tributárias (na sua maior parte) ou não-tributárias. Oliveira e Horvath (2003. Fatia considerável dos jurisconsultos os qualifica como imposto. porquanto a titularidade do tributo é atinente à União. o repasse de metade da renda de IPVA. por exemplo (arts. O exemplo típico é o tributo. CF/88 (acrescido pela EC 45/04). Dentre os exemplos mais corriqueiros. de acordo com o 153. III. CF/88. o próprio STF. pende um grande paradoxo. 25. sob pena de configurar receita transferida. receita não podem ser. perfazendo receita transferida. Seriam qualificados como entradas temporárias. nos moldes dos arts. . § 4º. porquanto o crédito decorrente será resgatado. a doutrina majoritária tem-nos como tributos. I e II. III. assim como o são as penalidades. porque o tributo em comento é de competência do Estado (art. 37). Em contrário senso. São os casos dos impostos residuais e das contribuições residuais. Como lembram Oliveira e Horvath (2003. dada a competência tributária deferida pelo art. não cabendo a esse autonomia perante o Leviatã. § 4º. ressalvadas as hipóteses anterior e originalmente previstas pelo próprio Texto Magno. 148. a receita continua sendo classificada como transferida. I. 157 a 162. p. 153. VI. e 195. São obtidas a partir de coerção sobre o patrimônio do particular. CF/88 – no caso de delegação de capacidade tributária ativa para o Município.180 17). No contexto. encontrar-se exatamente no capítulo sobre a ordem tributária. o que desvirtua.: repartição da arrecadação tributária. “caput”. Sob o aspecto do Direito Tributário. o caráter tributário colocar-los-ia. Ao contrário dos empréstimos (ou créditos) públicos. “caput”’. apesar de seu teor não ter mais aplicação em face da atual ordem constitucional vigente. CF/88. consoante a disposição do art. adotando a natureza dada diretamente pelo constituinte originário. p. 240 Súmula 418 do STF: “O empréstimo compulsório não é tributo. proveniente de veículos licenciados no Município. metade do ITR recolhido em Município continente de seus imóveis. CF/88). 155. sua essência de tributo. Ex.

Tarifas. Quanto ao critério da periodicidade. sendo revertido para o próprio Estado. A tarifa deve ser fixada no menor valor possível. 3º. entende que haverá preço público se aquele for ente de Direito Privado. Uma segunda corrente observa a compulsoriedade no pagamento da contraprestação: sendo obrigatório. Terceira posição assevera que o parâmetro é a compulsoriedade na utilização do serviço: sendo de uso obrigatório. existiria preço público. O STJ adota a última corrente. As primeiras não implicam em qualquer contrapartida por parte do Estado. haverá preço público. ao contrário da taxa. Informativo do STJ n° 327. de sorte a garantir. Também não deve ser confundida com preço público. CTN.489. Ex.559-MS. Ex. segundo entendimento do STJ e do STF241. CF/88 (imposto especial de guerra). a existência de um preço público teria como pressuposto adesão a um contrato. . desde que haja previsão contratual (ou legal) nesse sentido. Uma primeira corrente. sendo único nessa espécie de avença administrativa. A querela se coloca segundo três orientações teóricas. porque a coerção no uso concreto ou potencial do serviço só pode ser remunerado por meio de taxa242. Essa obrigatoriedade da taxa só é 241 STF. STJ. p. existindo taxa se for de Direito Público. Min.181 A doutrina ainda classifica as receitas em gratuitas. A taxa não respeita esse mecanismo. Ademais. poderiam ser enquadradas em ordinárias – aduzidas nos momentos de normalidade – e extraordinárias – incidentes em momentos de guerra ou na sua iminência. de acordo com o mercado. Essa compulsoriedade estaria prevista em lei. destinando-se tanto ao custeio do concessionário quanto a seu lucro. como se afigura no art.: cobrança por serviço de água e esgoto constitui tarifa. Seu valor se deve ao custeio da atividade praticada em favor do usuário. Oliveira e Horvath (2003) falam em outras classificações das receitas. 1844. rel. As segundas advêm de ajuste em que o Estado participa na condição de contratante. porque não se reverte com exclusividade para o erário.. No raciocínio. Taxas e preços públicos – para que persista um conflito dessa natureza. j. como nos tributos. deverá ser módica também. presente a autonomia das partes. a natureza será de taxa. dentro de um patamar razoável. 2001. 17). taxas e preços públicos – tarifa é um item obrigatório a figurar em contrato de concessão. CC). Luiz Fux. 154. a atualidade do serviço. RE 54491-PE. tendo em conta os preços praticados no mercado. olhando a figura do prestador. DJU 15/10/1963. Ex. persistirá taxa. ainda que potencial. A tarifa ainda permite reversão aos cofres públicos. II. considera-se a prestação de serviço público específico e divisível em contrapartida à remuneração por parte de usuário. a teor do art.247 e 167. como em uma compra e venda. Preço público não leva a lucro. sendo de fruição facultativa. Não tem natureza tributária. porque esse é determinado conforme o valor do serviço prestado.: preço do selo de correspondência. REsp 802. 1ª T. entendendo que não há escolha pelo usuário. 14/8/2007. REsp’s 848. sendo facultativo.: herança jacente deferida ao Município (art. Isso porque os serviços públicos universais e indivisíveis (“uti universi”) recebem como contraprestação impostos. por exclusão. 242 STJ. contratuais e obrigatórias (FÜHRER e FÜHRER. As terceiras são estatuídas e arrecadadas de forma vinculada.

Executando serviço público próprio de Estado ou exercendo poder de polícia. LRF). a LRF erige presunções legais de ao erário. operações de crédito (incluindo antecipação de receita). j. o define como tributo da espécie taxa243. Informativo do STF n° 471. 23). porquanto configura “bis in idem” com a Lei 1079/50245. a pessoa sempre receberá taxa como contraprestação (OLIVEIRA e HORVATH. Judiciário. Em suma.6. dá margem à cobrança de pedágio por meio de taxa. precatórios não pagos. CF/88. REsp 617.. porque se refere especificamente à tributação. nesse passo. A cobrança de pedágio por concessionária é lícita. autarquias. Informativo do STJ 322. o segundo entendimento. 1º. p. entendeu que esses últimos não são atingidos pela Lei 8429/92. rel. salvo se o legislador dispuser de forma diferente244. No contexto. rel. Estados. 243 244 STF. Municípios. §§ 2º e 3º. a priori. dívidas consolidada e mobiliária. fundos. mesmo que inexista rodovia alternativa. j. Tecnicamente. cujo principal não é resgatável. RE 181475. porque esse é sempre devido quando há prestação. a natureza do prestador é irrelevante para a determinação da forma de contraprestação. 13. Mas como foi erigida antes da leitura feita pelo STJ. custas judiciais e licenciamento ambiental. STJ. A dívida pública fundada.002-PR. 5/6/2007. concessão de garantia e restos a pagar (art. a Súmula 545 do STF (já comentada) materializa. LRF). Juntamente com a Lei 8429/92.182 excepcionada. orig. dependendo da existência ou não de alternativa na via de acesso. valendo os pagamentos tão-só aos juros. 29. Gilmar Mendes. deve ser interpretada à luz da época de sua edição. Tribunais de Contas. O STF. é aquela de médio ou longo prazo (FÜHRER e FÜHRER. Apesar disso. 2º. DF. ou seja. Rcl 2138/DF. I a III. Min. CONCEITOS (art. Destarte. LRF): • Dívida pública fundada – obrigações totais de mais de 12 meses. De fato. o art. o STF. em recente julgamento. segundo a doutrina. 2003. despesas com pessoal. o valor cobrado em pedágio pode ter natureza de taxa ou preço público. José Delgado. 245 STF. Min. A obrigatoriedade é realmente da fruição do serviço e não do pagamento. a natureza da personalidade jurídica da entidade da Administração Indireta não tem o condão de desnaturar os valores cobrados pelos serviços públicos por ela prestados. I a V. LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) OBJETO (abrangência) – cumprimento de metas sobre receitas e despesas e observância de limites e condições quanto à renúncia de receita. No entanto. . ASPECTO SUBJETIVO (abrangência) – União. 150. implicando em responsabilidade objetiva por parte do administrador e do agente político. 2001. obrigações cujo prazo para pagamento é menor que 12 meses e estão previstas no orçamento.2007. seguridade social. não coincide com o conceito de dívida consolidada. conquanto fato irrelevante à diferenciação entre preço público e taxa. a qual não é obrigatória. p/ o acórdão Min. em três situações: emissão de passaporte. empresas governamentais e MP (art. 53). “in fine”. Ademais. Nelson Jobim. p. § 1º. aquela considerada perpétua. 1ª T. rel. ao contrário da flutuante. V.

VII. 11. lei ou destinadas ao SUS. de contribuições. • PIS/PASEP. patrimoniais. “caput”. Oliveira e Horvath (2003. CF/88). dada a classificação do art. de serviços. De fato. Estados e Municípios. dispõe que os entes da federação são obrigados a instituir e arrecadar todos os tributos de sua competência constitucional. 11. CC). 47) defendem que o art. à luz do dispositivo em apreço. transferências correntes e outras receitas também correntes”. O estabelecimento dessa sanção acaba por retirar da competência tributária a facultatividade do seu exercício. é debatida pela doutrina à luz do pacto federativo (art. LC 101/01) – o diploma estabeleceu regras sobre a elaboração do orçamento público. LRF) • Repasses constitucionais e legais. LRF). 2º. 11. • Refinanciamento de dívida mobiliária – emissão de novos títulos para pagamentos anteriores (novação objetiva – art. característica intrínseca daquela. I. A definição de transferências voluntárias está no art. ou seja. Receitas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF. agropecuárias. trata a dívida fundada e a consolidada como sinônimos. Não pode ser destinada ao pagamento de despesas correntes (art.183 o art. porém constitucional na sanção esculpida no art. “caput”. LC 101/00. A constitucionalidade do art. 1º. O art. • Dívida mobiliária – decorrente da emissão de títulos pela União. 2003. orientando o estabelecimento de receitas e despesas públicas. 360. LC 101/00. aquisição financiada de bens. 29. abertura de crédito. LRF. Lei 4320/64. § 4º. “a” a “c”. • Contribuições previdenciárias. • Contribuições para RPPS e compensações. “caput”. é inconstitucional quanto à obrigatoriedade de Estados. . LRF: todas aquelas não previstas em Constituição. condicionante para que os mencionados entes recebam transferências voluntárias. 11. passim). “caput”. LRF). • Concessão de garantia – um ente garante outro. A infringência desse comando com referência a impostos impede as receitas por transferências voluntárias (art. • Receita de capital – é aquela derivada da alienação de patrimônio público. parágrafo único. menos (art. p. trata-se de ato-condição. 11. II. usando a terminologia aduzida por Leon Duguit (apud OLIVEIRA e HORVATH. I. “caput”. 153. parágrafo único. 25. “caput”. 11. LC 101/00. a não instituição do imposto sobre grandes fortunas pela União vai de encontro à realidade (art. DF e Municípios na instituição de todos os tributos. Receita corrente líquida – total de “receitas tributárias. industriais. • Operações de crédito – mútuo. em que pese não haver pronunciamento judicial sobre a celeuma. No ponto. CF/88). Lei 101/00. • Repasse aos municípios e Estados. 44. etc.

representa qualquer evento jurídico que gere a redução das entradas nos cofres públicos. § 3º. etc. 14. . Essas exigências não se aplicam em se tratando de renúncia de II. mediante expressa consideração na lei orçamentária. de reduções de base de cálculo. LRF).Contrapartida em receita suficiente. LRF: o Projeção do impacto econômico-financeiro no orçamento do mesmo exercício e nos dois posteriores. 77. A regra geral para a determinação da despesa é da não-afetação orçamentária (art. § 1º. “caput”. IE. § 1º. p. LRF). § 3º. 14. ou seja. . LRF): • Receitas e despesas com ensino (parcela obrigatória para fundo – art. Sua implementação depende do cumprimento das condições explicitadas no art. 60. como elevação de base de cálculo. de alíquotas ou criação de impostos ou contribuições. não podendo o ente gastar mais que pode. IPI e IOF (art. A renúncia de receita ocorre basicamente nas hipóteses de isenções tributárias. LRF). 167. FPE. de obrigações adquiridas em o Formação de fundos especiais constitucionais (erradicação e combate à pobreza. ADCT). ou o Compensação por adoção de outras medidas (aumento de receita). Também não têm vez no caso de cancelamento de débito perante a Administração pelo baixo valor (art. o Previsão na LDO. • Receitas de ICMS (LC 87/96). educação básica. FPM. social de emergência). o Pagamento de servidores públicos (despesa corrente de custeio). NE e CO. como lembram Führer e Führer (2001. 25). fundo para desenvolvimento do N. I ou II. . Apresentam algumas características: . LC 101/00). § 2º. 14.Previsão em lei específica. CF/88).Documentação. e 212. 14. ADCT. estão incluídas (art. de benefícios fiscais. A medida que importe em renúncia em receita só entra em vigor depois que a medida compensatória já tiver sido implementada (art. Despesas públicas – representam todo gasto ou dispêndio público. (art. IV. o Inexistência de prejuízo aos resultados previstos no Anexo de Metas Fiscais (objetivos de arrecadação). para garantir a extrafiscalidade na União na economia nacional. “caput”. II. CF/88). Mas há esceções: o Saúde e ensino (arts. 2º.184 Na receita corrente líquida. de sorte a provar sua origem e destinação. 14. I. o Serviço da dívida (cumprimento empréstimos públicos).

185

A parte de despesas com pessoal está desenhada nos arts. 19 e 20, LRF. DESPESA COM PESSOAL – definição está no artigo 18, “caput”, LRF, incluindo terceirização de mão-de-obra (art. 18, § 1º, LRF). • Para cálculo, somar despesa do mês corrente com os 11 anteriores (art. 18, § 2º, LRF). • Limites: 50% para União e 60% para Estados e Municípios (art. 19, I a III, LRF). • Estão excluídos do limite (art. 19, § 1º, I a VI, LRF): o Indenização por demissão ou voluntária; o Convocação extraordinária do Congresso Nacional; o Precatórios relativos a exercícios anteriores; o Gastos com pessoal do DF e dos Territórios; o Inativos com contribuição em RPPS. • Percentuais por órgãos (art. 20, I a III, LRF): o Federal: 2,5% para Legislativo, 6% para Judiciário, 40,9% para Executivo e 0,6% para MPU; o Estadual: 3% para Legislativo, 6% para Judiciário, 49% para Executivo e 2% para MPE; o Municipal: 6% para Legislativo e 54% para Executivo. AUMENTO DE DESPESA NULO – 180 dias antes do término do mandato no Poder ou em órgão (art. 21, parágrafo único, LRF). O texto do art. 21, “caput”, LRF, fala em ato que importe em aumento de gastos com pessoal sem observar os ditames legais. No ponto, será considerado nulo. No magistério de Oliveira e Horvath (2003, p. 89), o termo “ato”, exprimido pelo legislador, diz respeito aquele concreto. O ato legislativo em sentido estrito (lei, decreto legislativo, resolução, etc.) aqui não se enquadra, porquanto não tem o condão de gerar despesa materialmente. Nesse passo, a criação de cargo, por meio de lei, não importa em majoração de gastos com pessoal. O que provocará o dispêndio é seu provimento, a partir do qual o agente público fará jus a seu vencimento. SE PERCENTAL COM PESSOAL CHEGAR A 95% DO LIMITE – não pode aumentar vencimentos, criar cargos, mudar carreira, contratar mais agentes públicos (salvo educação, segurança, saúde e sessão extraordinária do CN) ou contratação em regime de hora extraordinária (art. 22, parágrafo único, I a V, LRF). Quando o percentual ultrapassar 90%, cabe ao TC alertar o Poder ou órgão sobre a temeridade da situação (art. 59, § 1º, II, LRF). NÃO CUMPRIMENTO DO LIMITE – nos dois quadrimestres seguintes, o administrador deverá levar a cabo as seguintes medidas: • Extinção de cargos e funções ou redução dos vencimentos respectivos;

186

• Redução da jornada de trabalho, com respectiva redução de vencimentos; • Redução de despesas com cargos em comissão e funções de confiança, não sendo possível a redução de jornada atrelada à diminuição de vencimento246; • Exoneração de servidores não-estáveis; • Exoneração de servidores estáveis, com extinção dos respectivos cargos, sendo essa medida autorizada somente depois das anteriores (art. 169, § 4º, CF/88), fazendo jus o exonerado a uma indenização de um mês de vencimento por ano de serviço (art. 169, § 5º, CF/88) – o cargo não poderá ser recriado nos próximos quatro anos (art. 169, § 6º, CF/88). A escolha dos estáveis a serem exonerados se dá de acordo com os critérios da Lei 9801/99: menor tempo de serviço, maior remuneração, menor idade, etc. (OLIVEIRA e HORVATH, 2003, p. 92). A lei ainda permite, como medida alternativa, a redução de valores de pagamento ou a redução temporária da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição de vencimentos temporariamente (art. 23, §§ 1º, “in fine”, e 2º, LRF), no entanto esses comandos estão suspensos por cautelar ajuizada no STF247. Se ainda o ente não conseguir se adequar às balizas legais, não pode receber transferência voluntária, garantia de outro ente ou contratar operações de crédito (art. 23, § 3º, I a III, LRF), salvo refinanciamento da dívida mobiliária e financiamento de gastos com redução de despesas com pessoal. O art. 169, § 2º, CF/88, ainda fala em impedimento de recebimento de receitas transferidas obrigatórias. O art. 15, LRF, considera a geração de despesas ou assunção de obrigação pelo Estado em desacordo com as condicionantes mínimas dos arts. 16 e 17, LRF, como ato ilícito. O aumento de despesa por criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental depende do cumprimento de alguns requisitos (art. 16, I e II, LRF): Demonstração do impacto econômico-financeiro no exercício atual e nos dois seguintes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Compatibilidade com a LDO e com plano plurianual, mediante declaração do ordenador de despesas. A regra do art. 16, I e II, LRF, não se aplica paras despesas públicas irrelevantes, entendidas como aquelas que não oferecem impacto considerável,

246

Na ADIn 2238, rel. Min. Ilmar Galvão, o STF suspendeu a eficácia do art. 23, § 1º, “in fine”, e 2º, LC 101/00, com base na irredutibilidade de salários e de vencimentos (art. 37, XV, CF/88). 247 STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

187

de acordo com a LDO (art. 16, § 3º, LRF). Ex.: aquelas que podem ser realizadas sem licitação. Aumento de despesa do RGPS que importe concessão legal de benefício, expansão quantitativa das prestações e reajuste de valores pagos não precisa ser compensada (art. 24, § 1º, I a III, LC 101/00), o que se aplica em toda seguridade (art. 24, § 2º, LC 101/00). O art. 17, “caput”, LRF, trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (despesa corrente ou operacional de mais de um exercício), isto é, aquelas decorrentes de lei, de MP ou de ato administrativo normativo que fixe sua realização em interregno superior a dois anos. Devem atender aos seguintes pressupostos (art. 17, §§ 1º e 2º, LRF): Estimativa de impacto econômico-financeiro pelo exercício presente e dois subseqüentes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Estar de acordo com os resultados preconizados no Anexo de Metas Fiscais; Compensação por outras medidas a amortizar o débito nos exercícios posteriores, como aumento de tributo ou redução permanente de despesa. Não se aplicam as condicionantes do art. 17, §§ 1º e 2º, LRF, quando se trate de reajuste de vencimento de servidor público ou de despesa relativa ao pagamento da dívida pública (art. 17, § 6º, LRF). Despesas emergenciais ao setor privado só são possíveis mediante: • Prévia autorização legal; • Compatibilidade com a LDO; • Previsão em orçamento ou em crédito suplementar; • Não abrangência de instituições financeiras, incluindo empréstimos para recuperação e troca de controle acionário, salvo operações de desconto e empréstimos realizados pelo BACEN com prazo inferior a 360 dias – nesse último caso, os demais requisitos não precisam ser observados (art. 26, § 1º, LRF). LIMITAÇÃO DE EMPENHO – a cada bimestre, ultrapassado o limite estabelecido no anexo de metas fiscais, deve haver diminuição de gastos na forma da LDO (art. 9º, “caput”, LRF). No entanto, transferências e despesas constitucionais e legais não poderão ser afetadas, o pagamento da dívida pública e outras despesas especificadas na LDO. Se o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público não observarem a limitação de despesas, o Executivo tem franquia para tomar a frente e limitar os repasses de duodécimos (art. 9º, § 3º, LRF). Porém, esse último comando está com a eficácia suspensa pelo STF em sede de cautelar248.
248

STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

188

• Não serão limitados os gastos constitucionais, legais e previstos na LDO (art. 9º, § 2º, LRF). Oliveira e Horvath (2003, p. 91) admitem transação dos débitos da Fazenda Pública com condenação transitada em julgado, mesmo que sejam incluídos uns e excluídos outros credores. O fulcro seria a vantagem, porque haveria concessões recíprocas. No ponto, os autores admitem até mesmo a negociação no período eleitoral, ou seja, seis meses antes do término do mandato eletivo, desde que haja um juízo de razoabilidade e de que não exista razão de fundo eleitoreiro. VEDADA TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA – a ente estatal que não tenha previsão e execução de todas receitas tributárias cabíveis (art. 11, parágrafo único, LRF). • Receitas de operações de créditos devem ser menores ou iguais às despesas de capital previstas em LO anual (art. 12, § 2º, LRF). No entanto, esse dispositivo encontra-se com a eficácia suspensa pelo Supremo249. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – têm como atendimento dos seguintes requisitos (art. 25, § 1º, I a IV, LRF):
• Condições estabelecidas na LDO; • Existência de dotação específica na LO anual; • Proibição de transferências para pagamento de pessoal da ativa,

pressuposto

o

inativos ou pensionistas dos Estados, DF e Municípios (art. 167, X, CF/88);
• Contas em dia com o órgão transferidor, inclusive com referência a

recursos anteriormente recebidos;
• Aplicação dos percentuais constitucionais quanto à saúde e à educação; • Observância dos limites em operações de crédito (inclusive antecipação

de receita), restos a pagar, total da dívida mobiliária e consolidada e despesa total com pessoal;
• Contrapartida na LO orçamentária.

Obs.: é vedada destinação diferente da pactuada, cujas sanções não se aplicam à saúde, educação e assistência social (art. 25, §§ 2º e 3º, LRF). CAIXA DOS RPPS – não pode ser aplicado na compra de valores mobiliários do próprio ente (Estados e Municípios) nem para empréstimos de qualquer natureza aos segurados e ao Poder Público, incluindo empresas controladas (art. 43, § 2º, I e II, LRF). O art. 24, “caput”, LC 101/00, repete a regra da contrapartida quanto à seguridade social (art. 195, ° 5º, CF/88). Os Municípios com fundo previdenciário de RPPS devem observar o limite de 12% sobre a receita líquida nos gastos com inativos. Quando o percentual for ultrapassado, o TCE (ou TCM) deve alertar (art. 59, § 1º, IV, LC 101/00).
249

STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

sem embargo do controle popular ou privado (art. • Lançamento – é o ato de verificação da procedência do crédito tributário e a designação da pessoa devedora. PIB MENOR QUE 1% – prazos para adequação da despesa com pessoal e da dívida consolidada são duplicados (art. Lei 4320/64). Lei 4320/64). § 2º. 9º. § 9º. “caput”. CF/88). CALAMIDADE PÚBLICA. § 1º. 150. Lei 4320/64). da conversão de bens e direitos em renda ou de repasse de outras pessoas para o pagamento de despesas de capital (art. Lei 4320/64). multas e créditos da Fazenda Pública lançados e não recolhidos ou cobrados no exercício de origem. LO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS – poderão estabelecer limites menores para dívida fundada. sendo aplicável no que não conflita com a LRF. • Dívida ativa tributária e não-tributária – a primeira engloba todos os tributos. ESTADO DE DEFESA OU DE SÍTIO – prazos suspensos para atendimento dos resultados fiscais. 53. e 71. deve observar a legalidade estrita (art. • Receitas de capital – são aquelas decorrentes do pagamento de dívidas. DF e Municípios (art.189 FISCALIZAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (órgãos) – é feita pelo Legislativo (com auxílio do TC) e pelo controle interno de cada órgão (arts. . 65. foi recepcionada pela ordem constitucional de 1988 como LC. LRF. Lei do Orçamento (Lei 4320/64) – também traz regras orçamentárias. “caput”. a segunda compreende as dívidas para com o Estado não sujeitas a lançamento ou não lançadas até então (art. 11. • Despesas de custeio – destinadas a manter serviços anteriormente criados (art. inscrevendo-se o débito na chamada dívida ativa da Fazenda Pública (art.. 59. industrial. CF/88). Lei 4320/64). • Receitas correntes – são aquelas de origem tributária. a Lei 4320/64. desde que destinadas a despesas correntes (art. 165. CF/88. 60 LRF). operações de crédito e concessão de garantia (art. “caput”. 39. 1º. 51. “caput” e § 1º. II e parágrafo único. 11. 70. RECEPÇÃO – em decorrência da disposição do art. mobiliária. limitação de empenho fica dispensada (art. LRF). ou proveniente de repasse de outras pessoas. Lei 4320/64). I. 66. patrimonial. Lei 4320/64). Estados. 74. § 1º. LRF). 12. Todavia. I e II. DESTINATÁRIOS – o diploma em relevo deve ser observado por todos os entes políticos: União. § 2º. dentre outros princípios. Lei 4320/64. DEFINIÇÕES: • Tributo – está definido no art. I a VI. Sua exigência. etc. a anualidade na sua instituição não foi ditame observado pelo constituinte nas limitações ao poder de tributar (art. CF/88). “caput” e parágrafo único.

visto que sua principal finalidade é cobrir seus déficits. I e II. desde fique patente o caráter econômico da operação. porque aí constituiria subvenção social. podendo ser suplementares (para reforço). § 3º. 16. 12. Lei 4320/64). ressalvado o custeio de suas atividades. comunicando-se . “caput”. Em qualquer caso. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. Obs. I a III. Lei 4320/64). Não pode dizer respeito ao custeio do beneficiário. Lei 4320/64). Tem por finalidade majorar os meios das entidades estatais de fins econômicos. no mesmo raciocínio. não têm cunho social de atendimento do interesse público na prestação de serviço também público. 12. sendo abertos por meio de decreto do chefe do Executivo (art. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro (art. As primeiras são repasses de verbas destinados a entidades prestadoras de serviços públicos essenciais (sociais – saúde. • Inversões financeiras – compreendem aquisição de imóveis e bens de capital ou repasse da verba da Administração Direta para Indireta (art. Os investimentos representam dotação orçamentária para entidade para maximizar a prestação de serviços públicos.190 • Transferências correntes – são dotações de despesas das quais não decorra contraprestação direta em bens ou serviços (art. • Subvenções – são dotações destinadas a cobrir despesas de custeio de entidades beneficiadas (art. Lei 4320/64). I a III. As inversões. é vedado auxílio financeiro para investimentos em empresas lucrativas (art.: não haverá subvenção econômica a empresa de fim lucrativo. educação e assistência social). Lei 4320/64). as quais serão arcadas mediante subvenções econômicas. § 4º. comoção intestina ou calamidade pública) – art. especiais (não constantes do orçamento) e extraordinárias (para despesas urgentes e imprevisíveis. 12. Já os extraordinários seriam abertos diretamente por decreto executivo. Lei 4320/64). como guerra. Lei 4320/64). 19. § 5º. enquanto as segundas são dirigidas a empresas governamentais ou particulares (arts. as subvenções não implicam em contraprestação da entidade beneficiada. “caput”. Lei 4320/64). 40. § 2º. e 18. Lei 4320/64). 12. “caput”. • Investimentos – são dotações para o planejamento e a execução de obras. salvo menção expressa em lei (art. • Transferências de capital – são empréstimos entre entes da federação (art. 12. Lei 4320/64. 12. 42. § 3º. podendo ser sociais ou econômicas (art. 21. Lei 4320/64). • Créditos adicionais – são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientes na Lei de Orçamento (art. aquisição de instalações. bem como para os programas especiais de trabalho. 41. Lei 4320/64). Os especiais e suplementares dependem de prévia autorização legislativa e de recursos disponíveis. ao contrário dos investimento. ficando evidente o caráter social. § 6º.

191 posteriormente o Legislativo (art. Lei 4320/64). segundo dotações de orçamento específicas. natureza e valor da despesa. • Unidade orçamentária – é a unidade de bens e serviços subordinada ao mesmo órgão ou repartição (art. “caput”. § 7º. § 3º. • Nota de empenho – documento que expressa o ato de assunção da obrigação de pagamento da Fazenda Pública para com credor. “caput”. do objeto (motivo) e da quantia a ser paga. 60. Lei 4320/64) – ato de autoridade competente que cria obrigação de pagamento para o Estado. 62 e 63. • Empenho (art. de sorte a enquadrá-lo dentro da despesa mensal. 61. Lei 4320/64). CF/88. 14. 64. § 2º. • Fundo especial – é aquele cuja receita decorre de vinculação prevista em lei (art. • Empenho global – é aquele sem discriminação de itens. Lei 4320/64). “caput”. 65. • Liquidação de despesa – é a verificação do crédito para com a Fazenda Pública. Lei 4320/64). 64. Lei 4320/64). “caput”. • Empenho por estimativa – é permitido quando não for possível determinar o valor preciso da despesa (art. 44. sendo permitido para obrigações contratuais de trato sucessivo (parcelamento) – art. 62. a qual é o único meio hábil instituí-lo (reserva legal). com identificação do credor. devendo se restringir ao limite de crédito correspondente (art. 60. • Elemento – é a unidade mínima a ser discriminada na planilha orçamentária (art. além dos precatórios não pagos. 59. “Ex vi” dos arts. Lei 4320/64). Lei 4320/64). Cada categoria de despesa é prevista. o gasto público fica facultado para o administrador. § 3º. Lei 4320/64). sendo “conditio sine qua non” para o pagamento (arts. “caput”. O documento é elaborado pelo setor de contabilidade (art. bem como a dedução do saldo disponível (art. contendo nome desse. Mediante previsão em despesa mensal. a teor do que dispõe o art. a dívida com prazo menor que 12 meses. desde que prevista no orçamento. o Presidente da República (e os governadores e prefeitos que têm vênia legal para tal) deve abri-lo por meio de MP. Lei 4320/64). É documento que certifica a origem do gasto. 60. 98. 29. “caput” e § 1º. Lei 4320/64). 15. dentro da lei orçamentária anual. 71. parágrafo único. 58. “caput”. Lei 4320/64). Lei 4320/64. • Pagamento de despesa – é o despacho de autoridade competente com ordem para pagar a despesa (art. É efetivado pela tesouraria ou órgão congênere (art. “caput”. LRF. Toda despesa depende de prévio empenho (art. Lei 4320/64). No entanto. e 30. Tem por finalidade dar certeza à Administração acerca da despesa. • Dívida fundada (ou consolidada) – é obrigação estatal com exigibilidade maior que 12 meses (art. Lei 4320/64). estão incluídos .

• Dívida flutuante – é formada por restos a pagar (dívidas não pagas até 31 de dezembro do exercício de geração). controle de sua execução também pelo povo. Nesse passo. III.. Führer e Führer (2001. 2003. É exatamente nessa segunda seara que estaria incluído o orçamento participativo. 1º. Passa de diploma a colimar somente equilíbrio financeiro. 250 Oliveira e Horvath. asseveram que há três ordens de mecanismos precípuos a tornar legitimo e efetivo o orçamento participativo: critérios firmes para aferir a verdadeira vontade popular. e 44. p. Para Ricardo Lobo Torres (apud OLIVEIRA e HORVATH. 2001. como decorrente da democracia participativa (SILVA. 23) a definem com dívida de médio e longo prazo. I e III. serviço da dívida a pagar. Lei 4320/64). e 3º. valores magnos da democracia atual. O orçamento não pode ser mera peça financeira. O Estado de Direito e o princípio republicano mudaram o cenário. São Paulo. 2003. dentro da idéia de democracia participativa. 1996. 2003. passa a ser político e extrafiscal (OLIVEIRA e HORVATH. independentemente do efetivo pagamento. 107). 101). 11ª ed. . por meio de instituições populares. nem apenas simples plano de governo. • Resultado nominal – é o resultado único das receitas menos as despesas. talhada por Silva. 92. 23). Com efeito. Malheiros. outro. 105). Lei 10257/01250. fazendo com que o orçamento se limitasse a uma “peça de ficção”. a consulta popular orçamentária. CF/88). p. • Regime orçamentário – pode ser de competência (que observa apenas a data do fato gerador da despesa – empenho –. I a IV. o qual poderá ocorrer no exercício seguinte) ou de caixa (em que a despesa é considerada somente no exercício em que for efetuado o pagamento). p. era mera peça contábil. excluindo-se a dívida pública (principal e juros).192 na dívida consolidada. com caráter politicamente neutro (OLIVEIRA e HORVATH.. mas representa o compromisso político de cumprimento de promessas sérias levadas ao povo (OLIVEIRA e HORVATH. os mesmos autores mencionam a concretização do orçamento participativo municipal. O Brasil adota um sistema misto: regime de competência para despesas e de caixa para receita. “f”. • Dotação – é a quantia prevista no orçamento para determinado tipo de despesa. III. 1996. passim). sob pena de inefetividade do instituto (OLIVEIRA e HORVATH. Posteriormente. Curso de Direito Constitucional Positivo. p. cit. 99). à luz dos arts. o orçamento é instrumento de efetivação da dignidade humana e da justiça distributiva (arts. não constitui simples fato opinativo. os autores afirmam a existência de dois centros de poder: um residente no exercício do voto pelo povo. Trata-se de dívida de curto prazo (FÜHRER e FÜHRER. • Resultado primário – é a diferença entre receita e despesa. No início. p. 2003. 106). vinculação do governante às decisões tomadas. p. vigorava a irresponsabilidade do governante (rei). p. Para exemplificar a colocação. citando Genro. 2003. op. Historicamente. O orçamento é tido como instrumento de intervenção estatal na economia. depósitos e débitos de tesouraria (art. 4º. incluindo a dívida pública.

Despesas correntes são realizadas no custeio do Estado. Quanto às receitas. Industriais. Lei 4320/64): De custeio. § 4º. 11. Lei 4320/64): Patrimoniais. quanto às despesas. 12. “caput”. 11 e 12. As receitas de capital são as seguintes (art. 11. Receitas de capital são aquelas que têm origem na assunção de dívida. Transferidas. . Receitas correntes são aquelas que resultam da atividade do Estado de uma forma ampla. Serviços. • Transferências de capital. “caput”. Oliveira e Horvath (2003. decorrente do seu poder de imposição ou de sua atuação como ente privado.Operações de crédito. As despesas correntes são as seguintes (art. seria autêntico ato administrativo. 10-103) advogam pela natureza de lei em sentido formal do orçamento. Lei 4320/64): . COntribuições.Transferências de capital (empréstimo a fundo perdido). Agropecuárias. .193 porque é através dele que se concretizam as prestações inerentes aos direitos sociais. . com o intuito de manter a “máquina estatal”. assim como as despesas. As receitas podem ser correntes ou de capital. Tributárias. Lei 4320/64): • Investimentos. A Lei 4320/64 traz a classificação legal de receitas e despesas nos seus arts.Amortização de empréstimos. Resultantes das transferências correntes. de cunho temporário e de “status” ordinário. Despesas de capital são relacionadas com investimentos do Estado em certo setor ou perante determinada necessidade pública. 12.Alienações de bens. § 4º. p. . os autores aceitam a tese da lei em sentido material. As despesas de capital são as seguintes (art. Receitas correntes são as seguintes (art.

contendo a discriminação da receita e da despesa. resultados nominal e primário e montante da dívida pública nos três anos seguintes. estabelecendo as formas como esse será implementado ao longo do exercício seguinte. qualquer despesa que perdure por mais de um exercício depende de previsão ou compatibilidade com o plano plurianual. a LDO estabelece diretrizes para a elaboração do orçamento (lei de orçamentária anual). comparativo com os três anos anteriores quanto ao patrimônio líquido. vinculando o ente público. I a III. §§ 1º. I. as quais executam atividade econômica “stricto sensu” – art. receitas. As despesas de capital abarcam os investimento (obras realizadas pelo Poder Público). Dentre eles. § 5º. § 1º. traz outros elementos da LDO. . 2001.194 Orçamento – é uma lei em sentido formal. Há três tipos de lei que o compõem: plano plurianual. LRF). 4º. LDO e lei orçamentária anual (art. 4º. 165. Anexo de metas fiscais – metas anuais em despesas. 167. LRF. sob pena de responsabilização do administrador (arts. Lei de diretrizes orçamentárias – a LDO estabelece as metas e prioridades da Administração pelo decurso de um ano. LRF. São previstas somente despesas de capital (investimento) e obrigatórias de duração continuada (art. estabelecendo o comportamento da Administração perante o dinheiro público. consubstancia documento programático. Plano plurianual – o plano plurianual estabelece um planejamento macro. 165. fixando as atividades governamentais pelo decurso indicado. § 1º. I a V. tal qual estabelece o art. O plano plurianual é composto por despesas de capital e decorrentes de programas de duração continuada. Por conseqüência. objetivando as intenções da Administração por um período de quatro anos. É um desdobramento do planejamento programa. O art. demonstrativo de renúncia de receita (art. 4º. as inversões financeiras (injeção de capital em empresas governamentais. Deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até o dia 30 de abril do primeiro ao de governo. com devolução pelo CN até o fim da sessão legislativa (art. as quais serão realizadas em prazo superior a dois exercícios. metas do ano anterior. situação dos fundos. Configura um planejamento mais imediato que o plano plurianual. LRF). I. CF/88. 4º. CF/88). CF/88. ADCT). qual seja o Anexo de Metas Fiscais. ressalta-se a previsão do art. p. “caput”. LRF). como auxílios e subvenções). Obs. § 1º. Ademais. Ao mesmo tempo. 173. correspondente à anualidade do orçamento estabelecido pela lei orçamentária anual. universalidade e anualidade (FÜHRER e FÜHRER. CF/88) e as transferências de capital (receitas transferidas excepcionalmente para outras entidades da Administração. 35.: faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (art. do RPPS e do FAT. e 5º. demonstrando a política econômico-financeira e o programa de trabalho do Governo. 18). §§ 1º e 2º. Orçamento é a peça técnica que demonstra as contas públicas para um período determinado. § 2º. 17. obedecidos os princípios de unidade. “caput”. § 2º. 3º e 4º. LRF). do RGPS.

Exposição e justificação da política econômico-financeira. de obrigação contraída. simultaneamente. resultados e montante da dívida pública para o exercício de referência e os dois próximos.: não é possível a previsão de crédito com finalidade imprecisa ou ilimitado. na verdade. 165. ou seja. II. Lei 4320/64): o Mensagem do chefe do Executivo contendo: Exposição da situação econômico financeira (dívida fundada. 22. cuja competência exclusiva é do chefe do Executivo (art. CF/88). . . § 2º. O Anexo acompanha o projeto de LDO (art. despesas.Parâmetros das políticas monetária. é um documento que estipula as metas em receitas.Créditos adicionais: especiais.Anexos de metas e de riscos fiscais.195 De uma forma geral. creditícia e cambial. 4º. . Podem ser destacados os seguintes elementos componentes: . o qual deve incluir a reserva de contingência. ADCT). o Tabelas explicativas. I a IV. item atinente somente à União. do ano da proposta e do ano da aplicação. a teor do que determina o Anexo de Riscos Fiscais e outros fatos imprevistos no decorrer do exercício de execução. . . O projeto de LDO deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até dia 15 de abril do ano anterior à sua vigência. § 1º. consubstancia a realização desse no exercício seguinte. .Limitação de empenho. Traz. 35.Consonância com o plano plurianual. . suplementares e extraordinários. COMPOSIÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA (art.Previsão de restos a pagar. Justificativa das despesas e receitas. .Critérios para transferências voluntárias (inversões financeiras e transferências de capital). Obs. além de analisar o realizado nos três anteriores.Definição de despesas irrelevantes. incluindo metas de inflação. com devolução até o fim do período legislativo correspondente (art. de sorte a orientar a elaboração da lei orçamentária anual. além de despesa do exercício anterior. LRF). restos a pagar e outro compromissos). o Especificação dos programas especiais de trabalho a figurarem como dotação global (investimentos). do ano da proposta e do ano da aplicação. contendo receita dos três exercícios anteriores. o Projeto de lei do orçamento. flutuante. saldos de crédito especial. “caput”. uma previsão e um diagnóstico em relação a seus itens constitutivos.

De outra parte. O projeto do plano plurianual. 32. usa-se o orçamento anterior até a aprovação do atual. I. CF/88. 137) lembram que devem existir atualizações monetárias para os valores. contidos no orçamento anterior. ou seja. 166. 32. por analogia. temse aplicado. Oliveira e Horvath (2003. ADCT). Lei 4320/64): • Alteração de dotação para despesa de custeio já aprovada. tendo em conta o realizado e o saldo restante. Lei 4320/64. 35. 251 . Lei 4320/64). considerando o estimado na proposta inicial. 33. “caput”. salvo erro material (art. § 2º. a viger durante os quatro anos do mandato eletivo. por meio de créditos especiais e suplementares. A cada ano. “caput”. além de guardar-se juízo lógico quanto a créditos exauridos ou não previstos. Que trate de serviço da dívida. p. § 2º. III. devendo ser aprovado até o fim da sessão legislativa. III. por imperativo lógico. II. 23. aplica-se a previsão do art. III. § 8º. CF/88). 35. Nessas hipóteses. § 2º. com redação dada pela EC 50/06 (art. 35. 57. 35. Além dessas previsões. § 2º. 35. A inexistência de deliberação do CN pode suscitar convocação extraordinária do Legislativo. QUADRO DE RECURSOS E DE APLICAÇÃO DE CAPITAL – descreve as receitas e despesas de capital para um triênio ou mais (art. Indicação da correspondente receita a custear a despesa. Lei 4320/64). devendo ser restituído pelo Legislativo até o final do primeiro período legislativo – 17 de julho. o quadro deve ser atualizado. autorizando-se as despesas uma a uma. de transferências constitucionais da União aos demais entes federados. 166. a teor do mesmo dispositivo já mencionado (art.196 Obs. ADCT)251 leva à adoção do compêndio atualmente em vigor (art. I a III. VEDAÇÕES A EMENDAS À LEI DE ORÇAMENTO (art. “a” e “b”. ADCT). dotação de pessoal e correspondentes encargos. CF/88): Concordância com o plano plurianual e com a LDO. § 3º.: o não envio da proposta orçamentária no prazo legal (art. devendo ser devolvido para sanção até o final da correspondente sessão legislativa (art. • Concessão para instalação ou funcionamento de serviço não criado anteriormente. • Concessão de dotação superior àquelas fixadas anteriormente por resolução do Legislativo. O projeto de orçamento anual deve ser apresentado até o final de agosto do ano anterior à sua execução (art. quando não houver aprovação e o ano de execução já se inicia. sendo certo que o Parlamento deverá encaminhá-lo para sanção presidencial até o final do decurso considerado – 22 de dezembro. de acordo com o art. só sendo possível mediante a anulação de outro gasto. CF/88. § 2º. I e II. § 3º. o constituinte estatuiu outros requisitos para emenda à LO anual (art. O projeto da LO anual deverá ser apresentada ao Poder Legiferante até quatro meses antes do encerramento do segundo período legislativo referente ao exercício anterior de sua vigência. “a” a “d”. • Concessão de dotação para início de obra não aprovada pelos órgãos competentes. ADCT). 166. o art. ADCT). deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até quatro meses antes do final do primeiro exercício. A proposta da LDO deve ser encaminhada ao CN até oito meses e meios antes do exercício financeiro ao anterior de sua vigência.

dentro do possível. CF/88). Lei 4320/64). Conteúdo da LO anual – compatibilidade com o anexo de metas fiscais. I a VI. § 4º. à anualidade (Súmula 66 do STF. demonstrativo de medidas de compensação para renúncia de receita e para aumento de despesa. 166. LRF). há abrangência de todas as despesas e receitas dentro do ente político considerado (arts. 5º. parágrafo único. Nas operações de crédito. Na LO. sendo certo que a alienação de imóveis depende de prévia autorização legislativa (art. 5º. Entretanto. tudo dentro de cada elemento (art. RESTOS A PAGAR – são as despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício previsto. Também não se baliza pela universalidade os tributos instituídos durante o exercício de execução do orçamento. Caso se refira a despesa de plano plurianual. § 5º. 150. II e § 2º. visto que a instituição ou majoração de tributos não obedece mais. LRF). LRF). desde a promulgação da CF/88. Ademais.197 EMENDAS À LDO – devem observar o plano plurianual (art. LRF). são vedados crédito não específico e dotação ilimitada (art. Lei 4320/64). “caput”. dotação de despesa em LO não pode ultrapassar exercício. reserva de contingência de acordo com o anexo de riscos fiscais. Lei 4320/64). nesse último caso. 3º. Pelo desiderato em tela. dentre os quais se destacam: Universalidade – todas as receitas e despesas devem estar previstas no orçamento. § 3º. 4º e 57. 36. demonstrativo de impacto regionalizado de despesas e receitas. 2º “caput”. I a III. mas não liquidadas até tal data (art. 5º. Lei 4320/64). observância do plano plurianual e da LDO (art. § 4º. parágrafo único. 7º. as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias (art. Lei 4320/64). já comentada). o próprio orçamento indicará as fontes de receita. será liquidada no seu último ano de vigência (art. CF/88). 5º. não se incluem no orçamento anual as operações de crédito por antecipação de receita. desde que conste em campo apartado dentro do orçamento e seja observada. Lei 4320/64). 5º. a ordem cronológica. sendo incluída despesa do Banco Central do Brasil (BACEN – art. LRF). “caput”. I. o orçamento incluirá a elaboração de três peças distintas: o orçamento fiscal (da Administração . Havendo receita específica disponível. Esse ditame não se aplica integralmente às receitas tributárias. 36. A lei orçamentária anual é regida por princípios. AUTORIZAÇÃO PARA O EXECUTIVO – a lei orçamentária anual poderá conter autorização para a Administração abrir créditos suplementares e realizar operações de crédito para antecipação de receita. de déficit de caixa. 3º. 6º. porquanto o princípio da anualidade foi excluído do rol das limitações constitucionais ao poder de tributar (art. Deverão estar previstas e serem pagas no orçamento posterior. Pela universalidade. A atualização monetária da dívida pública tem como teto a variação preços prevista na LDO ou em lei específica (art. dependendo. 37. salvo se incluído no plano plurianual (art. a despesa poderá ser saldada no exercício posterior.

I a III. § 4º. o orçamento é um só diploma que regula toda a matéria. o orçamento não pode conter matéria diferente daquela atinente à sua essência. irá tratar dos orçamentos da seguridade social. em outras aplicações e em programas especiais de trabalho (art. de sorte a fazer uma projeção estimada desses gastos. § 5º. 34. Lei 4320/64) – despesas pertencentes à categoria econômica investimento (art. Essa regra é excepcionada no tocante à autorização para concessão ou obtenção de créditos suplementares (art. Lei 4320/64). de 1º de janeiro a 31 de dezembro (art. 12. de sorte a corrigir uma dotação orçamentária deficiente ou insuficiente. Unidade – a peça orçamentária é única. a peça orçamentária deverá ser dividida em três contas: de investimento (referente às empresas controladas pelo Estado). Esses são aqueles que visam a redistribuição entre as categorias de despesas. da seguridade social (relativa às ações de saúde. § 5º. assistência social e previdência social) e fiscal (da Administração Direta e Indireta) – art. excetuando-se a seguridade social. nele. CF/88). “caput” e parágrafo único. A implementação de créditos suplementares depende de pedido do administrador e autorização legislativa. Anualidade – é lei de vigência temporária. fez o . 165.: deve haver discriminação da destinação da despesa. fiscal e de investimento. Exclusividade – no orçamento. Esse comando não ofende a unidade. CF/88. Essa vênia prévia pode ser incluída na lei orçamentária anual. § 8º. 150. “caput”. não se admitindo dotações globais (art. Não haverá. 20. englobando todos órgãos e entidades do Estado e aqueles a ele ligados. Lei 4320/64). o orçamento da seguridade social (inclusive entidades mantidas pelo sistema). incluindo a saúde. I a VI. É princípio que diz respeito ao aspecto formal do orçamento. De acordo com a unidade. O silêncio do constituinte no art. Lei 4320/64). há sua divisão em três contas diversas. 194. 165. CF/88. O orçamento de investimento compreende a conta de todas as despesas e receitas das empresas que o Estado detenha a maioria de capital com direito a voto. A lei orçamentária anual. 165. Em melhores termos. O orçamento da seguridade social engloba todas despesas e receitas relacionados ao sistema. ou seja. CF/88).198 Direta e Indireta de todos os Poderes). 5º. a assistência social e a previdência social referente ao RGPS (art. a incidir no exercício financeiro. somente estarão previstas receitas e despesas. o orçamento de investimentos (transferências de capital para empresas governamentais). segundo o art. porque. em que pese o orçamento ser único. salvo no caso de investimentos em projetos de obras. Obs. matéria estranha à sua essência. CF/88. O orçamento fiscal inclui todas as despesas e receitas da União e de suas entidades correlatas. Entretanto.

incluindo os ditames do sistema posto. Além disso. § 8º. p. 23. serviço da dívida. muito pela jurisdicionalização de políticas públicas. etc. p. o Gastos mínimos com saúde – estabelecidos pelo art. educação. Em sede de exceção. II e III. 37. 212. ADCT. 116) destacam duas classes de despesas consideradas coercitivas ao administrador: as continuadas de caráter obrigatório – incluindo as incumbências previstas no art. CF/88. o administrador pode deixar de executar as despesas vinculadas. p. XXII. I a XII. IV. 167. verdadeira decisão política. Apesar de a execução de despesa (e sua previsão em orçamento) ser ato discricionário. Tanto é assim que Oliveira e Horvath (2003. determina que as entradas definitivas decorrentes de impostos não podem se vincular previamente a despesa. “caput”. Aliás. CF/88). o qual deverá atuar dentro das condicionantes que se apresentam no plano fático. 60. Cediço concluir que a proposta orçamentária e sua consectária vênia legislativa acabam vinculando o administrador. CF/88. 167. 198. há dever jurídico do buscar-se o interesse público. pagamento de servidores. Devem ser obedecidos os parâmetros estatuídos na LRF para a constituição de crédito público. 165. verba de repasse do FPE e do FPM e percentual de transferência do IPI sobre expo’tações' (art. 157 a 159. Oliveira e Horvath (2003.199 desiderato não alcançar a instituição de tributos no exercício de execução do orçamento. De outra parte. Porém a discricionariedade do administrador na proposta e na execução do orçamento se baliza pela legalidade em sentido amplo. Não-afetação – o art. há balizas que relativizam a atuação do administrador: saúde. o mesmo dispositivo ressalva a máxima em estudo: o Repartição constitucional de receitas – estatuída nos arts. bem como na formação do FUNDEB (art. . quando existe situação premente. DF e Municípios. II e VII. CF/88. fundo ou programa. Oliveira e Horvath (2003. CF/88. nos termos do art. tal qual já delineado pelo STF na ADPF 45. 77. essa colocação tem autorizado o Judiciário intervir na seara do Executivo. § 2º. o Garantias em operações de crédito por antecipação de receita – nos termos do art. 108-109) chamam o orçamento de Lei de Meios. CF/88. CF/88). § 4º. No entanto. de sorte a demonstrar sua total impossibilidade. 142) lembram que não seria possível a vinculação de receitas transferidas. CF/88. o Gastos com a administração tributária – de acordo com o previsto no art. CF/88 (serviços públicos essenciais) – e o custeio da máquina administrativa. e no art. o Gastos mínimos com educação – 18% para a União e 25% para os Estados. Podem integrar essa garantia receitas de impostos estaduais e municipais. como a razoabilidade e a proporcionalidade.

21). 59. A doutrina se debate acerca de um possível projeto de orçamento rejeitado na integralidade pelo Legislativo. Parte dos jurisconsultos entende que se aplicaria. LRF). o art. A vedação foi estendida aos demais mandatários das demais esferas estatais pela LC 101/00. 4º. LRF). Depois de apresentado os PL’s das leis do orçamento (PP. 32. isto é. O art. “caput”. • Demonstrativo regionalizado sobre o impacto de receitas e despesas (art. defende que cada despesa deveria ser autorizada mediante lei específica. “caput”. I a III. Antes do início da votação para deliberação no colegiado. 2003). p. • Estabelecimento das medidas de compensação relativas à renúncia de receita (aumento de tributos) e às receitas obrigatórias de duração continuada. 59. LDO e LO anual). 198. • Reserva de contingência para cobrir passivo contingente de ricos eventuais e fiscais imprevistos (Anexo de Riscos Fiscais. § 1º. além de outros requisitos (art. Até 30 dias antes de encaminhar o projeto de lei do orçamento anual. § 2º. 20). 2001. ficam proibidas operações de antecipação de receita no último ano do governo. O não exercício desse dever-poder no prazo assinado leva ao estatuído no art. forte corrente. porquanto componente do projeto da LDO. o Executivo deve deixar à disposição do MP. como lembra Führer e Führer (2001. 5º. § 2º. CF/88). por analogia. Lei 4320/64: a lei orçamentária vigente é a aplicável. Legislativa e Judiciário a estimativas de receitas. o orçamento vigente prorrogar-se-ia para o exercício subseqüente. 165. naquilo que ainda não foi . 5º. veda que prefeito assuma compromissos financeiros para serem cumpridos após o término do mandato. Na esteira. e 77. assim como empenhar mais que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente (art. Os projetos de lei da peça orçamentária são de competência exclusiva do chefe do Executivo (art. para que esses elaborem proposta orçamentária própria. No entanto. p. 212. operando autêntica ultratividade (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88 (FÜHRER e FÜHRER. O STF equipara a não-devolução à rejeição total. Lei 4320/64. o chefe do Executivo pode enviar mensagem aditiva para alterá-los. como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da PIS/CONFINS. é designada comissão mista do CN para analisá-lo e emitir parecer. § 6º. Lei 4320/64). componente da LDO – art. 32. já que inexiste LC reguladora da situação. CF/88. LRF): • Demonstrativo do cumprimento do Anexo de Metas Fiscais (previsão e diagnóstico). CF/88). CF/88) e saúde (art. 166. No entanto. conferindo-lhes os mesmos efeitos. Lei 4320/54. na linha do que determina o art.200 A lei orçamentária observa a LDO e o plano plurianual concomitantemente (art. ADCT). II e III. § 8º. capitaneada por Silva (1996). § 3º. “caput”. a jurisprudência tem flexibilizado os percentuais constitucionais obrigatórios em despesas com educação (art. 165.

§ 4º. Lei 4320/64): • Legalidade – com controle “prévio”. ADIn 1. Emendas aos PL’s. 166. apesar de ser admissível eventual discussão em sede de responsabilidade civil do Estado – art. O constituinte usou terminologia análoga para estabelecer os parâmetros de controle do orçamento: legalidade.201 peremptoriamente decidido (art. salvo São Paulo e Rio de Janeiro (art. CF/88). o PL é levado à apreciação pelo plenário das Casas Legislativa em sessão conjunta. 2003. exarando-se parecer prévio do TC (art. Obs. apresentadas na comissão mista. Celso de Mello. . Lei 4320/64). 147). 77. § 3º. 37. CONTROLE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA – compreende três aspectos (art. dentro da leitura que o STF do art. • Cumprimento do programa de trabalho orçamentário – atribuição da controladoria interna. DJU de 23-4-04. 102. p. CF/88). Lei 4320/64). em regra. 82. com a ressalva de que não mais existe o controle prévio). 75. 252 253 STF. O Executivo remete ao Legislativo a prestação de contas no prazo constitucional ou estabelecido na Lei Orgânica municipal. o externo e o popular. § 5º. 70. I a III. • Fidelidade dos agentes públicos responsáveis por bens e valores do erário. 21-9-94. pois. CF/88). como é o caso das leis orçamentárias. CF/88252. Refere-se à aplicação da lei orçamentária. CONTABILIDADE – diz respeito a cinco tipos: • Orçamentária – preocupa-se exclusivamente com a execução do orçamento. CF/88). não existe TC nos Municípios. Lei 4320/64). Lei 4320/64)253. 166. como já disse o STF. Espécies de controle – existem o interno. concomitante e subseqüente (art. sendo objeto do balanço orçamentário (art. Lei 4320/64). o Executivo abre “incontinenti” os créditos às respectivas unidades orçamentárias de forma trimestral. 166. Câmara dos Vereadores pode submeter o documento à perícia prévia de contadores nomeados (art. devendo ser observados os limites constitucionalmente previstos na Carta Magna.: a previsão orçamentária de auxílio ou de subvenção a certa entidade não lhe garante direito subjetivo à exigência do crédito correspondente. § 6º. EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – em vigor a LO anual. “caput” e § 1º. é amplo. rel. O controle prévio orçamentário foi tacitamente excluído pelo constituinte. § 2º. 47 e 50. legitimidade e economicidade (art. 77. §§ 3º e 4º. O segundo pode ser concomitante ou subseqüente (art. 82.050-MC. podendo adequá-lo na medida de sua execução (arts. mesmo dentro de projetos de lei de iniciativa exclusiva do Executivo. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. j. sobre serviço da dívida e sobre transferências voluntárias a outros entes federados (art. Lei 4320/64. 31. porquanto esse não o previu expressamente. I a III. não poderão versar sobre dotações de pessoal e seus encargos. O poder de emenda. Terminada a análise pela comissão. Min. “caput”.

• Contábil – é o meio instrumental para realizar a verificação das contas públicas. 2003. deve ser pago imediatamente e com correção. olha a entrada e a saída de dinheiro do erário. 160). Celso de Mello. trata-se de exame formal das contas públicas.202 • Financeira – inclui débitos e créditos incluídos ou não no orçamento. sendo materializada pelo balanço patrimonial e pelo demonstrativo de variação patrimonial (arts. Em melhores termos. § 4º. 2003. assim como o saldo patrimonial (art. p. consubstanciando o balanço financeiro (art. §§ 1º a 4º. “caput” e parágrafo único. Lei 4320/64). 164) defendem que o precatório alimentar. Com base em pronunciamento do STF. Para Oliveira e Horvath (2003. não sendo propriamente uma espécie de fiscalização. § 1º. PRECATÓRIO – as EC’s 30/00 e 37/02 alteraram a redação dos parágrafos do art. Lei 4320/64).5. O primeiro inclui o ativo/passivo financeiro (que independe de orçamento) e permanente (cuja mobilização ou alienação dependente de autorização legal). 107. ao respectivo chefe do Judiciário enquadrante. é possível o exame de constitucionalidade de EC254. 100. assim como a requisição de pequeno valor (RPV). “caput”. p. 103. DJU 10. dando nova conformação ao sistema de pagamento de débitos judiciais da entidades públicas. Oliveira e Horvath (2003) substituem essa previsão legal pela fiscalização operacional. o próprio juiz da execução expede o ofício requisitório à autoridade encarregada do pagamento (OLIVEIRA e HORVATH. Lei 4320/64) e serão remetidos às contadorias centrais dos entes políticos de vinculação no prazo legal. o constituinte derivado exorbitou sua competência reformadora. 254 STF.2001. Lei 4320/64). Lei 4320/64). ADIn 4662-600. p. 100. ENTIDADES PARAESTATAIS (Administração Indireta) – terão orçamentos e balanços aprovados por decreto do chefe do Executivo. não haveria qualquer termo final para apresentação do requerimento para requisição (ofício precatório). “caput”. 99. Oliveira e Horvath (2003. CF/88. • Industrial – engloba a atividade econômica exercida pelas entidades da Administração Indireta. 60. Com efeito. p. 105. . comportando o balanço industrial (art. Precatório é o ofício em que o juiz de primeira instância requer. CF/88). I a V. 161). salvo se lei expressamente determinar sua vinculação à ordem do Legislativo (art. 104 e 105. • Patrimonial – traz o registro analítico de todos os bens permanentes. CF/88. 110. É uma análise da execução do orçamento quanto à evolução do patrimônio público. Lei 4320/64). requisição para pagamento de débitos judiciais da Fazenda Pública (OLIVEIRA e HORVATH. mormente quanto ao seu trâmite legal. Tais documentos seguirão o padrão de confecção da própria Lei 4320/64 (art. 191). ao contrário das verbas não alimentares (art. Na RPV. rel. porque contrariou o art. Min. porque o constituinte nada falou sobre lapso de adimplemento. No diapasão. a qual é mais abrangente.

autoriza o seqüestro de quaisquer verbas públicas. pode requerer a cautelar em comento. “caput”. será pago o primeiro da fila. O art. porque é norma decorrente do Poder Constituinte originário. 78. no exercício do múnus público de autêntico de fiscal da lei na ordem de pagamento. No ponto. Não sendo possível. porque fora da ordem de apresentação dos precatórios. 202). Sepúlveda Pertence. Ademais. superado o interregno assinalado de oito anos sem qualquer adimplemento. Mas ambos deverão ser pagos até o fim do exercício. além de pela inobservância na ordem de pagamento. ADCT. No entanto. 166). a medida pode recair sobre numerário estatal. CPC. com já disse o STF. 204). têm preferência sobre o primeiro décimo devido àqueles abarcados pelo art.203 não havendo de se falar em qualquer interferência ou controle por parte do tribunal enquadrante. haja vista a cristalina determinação do art. CF/88. pelo não-adimplemento do décimo anual no lapso legal ou pela não-inclusão da dotação no orçamento. conquanto não se trata de tutela satisfativa. No entanto. incluindo os honorários dentro dos alimentos impenhoráveis. Nos créditos sujeitos à moratória do art. I e II. “caput”. com redação dada pela Lei 11382/06. 2003. ADCT. “caput”. 649. ADCT. cujo rol pode ser considerado “numerus appertus”. No âmbito da União. p. p. 192) entendem que o decurso razoável seria de trinta dias. 87. § 2º. 202) e a própria inércia da jurisdição. o art. a jurisprudência entende que. “caput”. mas sim de cautelar (OLIVEIRA e HORVATH. o seqüestro fica autorizado. p. ADCT. “caput”. Min. para pagamento de precatórios. Nesse sentido. não alcançando a mera inadimplência do Poder Público. não necessariamente o requerente da medida. na linha do entendimento do Excelso Pretório. Trata-se de comando absoluto. Dessarte. . 2003. 78. Oliveira e Horvath (2003. 17. p. qualquer preterido. qualquer crédito alimentar continua preferindo a ambos. CF/88. 177). 100. O precatório alimentar tem definição no art. 33. ADCT. § 2º. os legisladores locais e regionais poderão estatuir decurso e montantes diferentes daqueles constantes no art. como já disse o STF. reconhecem a constitucionalidade da moratória estabelecida no art. “De lege ferenda”. p. reforça a tese apresentada. O seqüestro não pode ser decretado “ex officio”. 2003. p. descabendo qualquer tentativa de justificar a preterição da seqüência. rel. Por fim interessante rememorar que os credores alcançados pelo art. a constrição engloba qualquer quantia pública. como já cristalizou entendimento a jurisprudência da Corte Máxima255. 193) defendem a inclusão da verba honorária sucumbencial na relação. Lei 10259/01). 100. IV. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. 33. o precatório deveria ser pago em parcela 255 STF. Oliveira e Horvath (2003. sob pena de seqüestro (OLIVEIRA e HORVATH. De fato. não só aquela objeto da infração constitucional (OLIVEIRA e HORVATH. § 1º-A. o prazo para adimplemento de RPV é de 60 dias a partir do recebimento do ofício pela Procuradoria da AGU (art. p. 2003. Nesse passo. em primeiro plano. O seqüestro é autorizado quando existe preterição na ordem de pagamento. mesmo que à pretensa vantagem da Fazenda em obter descontos. IF 139-1/SP. Oliveira e Horvath (2003. 100. a verba deve ser buscada no patrimônio do beneficiário indevido. com a receita seqüestrada.

CF/88). não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal. no exercício de suas atribuições. CF/88). 2003. p. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”. 5º. o direito adquirido. porquanto o legislador optou pela jurisdição una (art. p. . legalidade e economicidade. “caput” e § 3º. A primeira se relaciona ao atendimento do interesse público. isto é. mediante o preenchimento dos requisitos do art. Ao contrário do anterior. 77. 2001. 73. Além desses. 22). § 2º. 184). e 100. O órgão é formado por nove ministros. Apesar de não deter jurisdição (força definitiva de decisão). Súmulas 347 do STF: “O Tribunal de Contas. CF/88. ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas. observância de documentação e demais formalidades normativas. por ser obra da competência constitucional derivada. 75. CF/88. CF/88. O controle interno baseia-se na hierarquia.204 única. não podendo ser obstada a despesa antes do início de sua realização. a disposição do art. No ponto. Cumpre à autoridade superior verificar a legalidade dos atos. XXXV. A terceira determina que o administrador deve realizar a despesa de forma mais otimizada em relação ao custo-benefício. apesar dessas não ter natureza jurisdicional (Súmulas 6 e 347 do STF)256. 70. pode haver controle privado ou popular. XXXVI. a fidelidade funcional dos agentes da Administra. XXIV. Controle externo – o TCU é órgão auxiliar do CN. o princípio do pagamento dos débitos judiciais fazendários pela via do precatório. Analisa as contas dos administradores públicos. “caput”. O controle leva em conta os critérios da legitimidade da receita. o cumprimento do prgrama de trabalho (art. 78. não há controle prévio. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. o art. por seu saldo restante (OLIVEIRA e HORVATH. 2003. Lei 4320/64. gozando de um “status” semelhante ao Parquet em relação ao Executivo. Controle orçamentário – está previsto. 22). ressalvado o sistema de controle interno (FÜHRER e FÜHRER. 70. A segunda diz respeito à previsão legal. 2001. previsto no art. 5º. 73. no art. Dessa forma. Lei 4320/64) (FÜHRER e FÜHRER. O controle externo é realizado durante e após a realização da despesa. não cabendo mais a colocação da fiscalização anterior ao gasto. a isonomia. “caput”. 2003. segundo os arts. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. Essa prerrogativa não alcança o Judiciário. inicialmente e de forma ampla. 74. CF/88). p. “caput”. pelo Poder Executivo. acaba proferindo decisões. viola a coisa julgada. No sistema doméstico. p. concomitante e posterior. 213). com prerrogativas inerentes aos congêneres do STJ (art. com auxílio do TCU – art. “caput”. pois o administrado pode denunciar irregularidades perante TC. uma vez que o constituinte fala em controle de legitimidade da despesa – art. “caput”. a justa indenização e a própria segurança jurídica. deve ser lido à luz do ordenamento vigorante. de aposentadoria. “caput”. Um terço deles é escolhido pelo 256 Súmula 6 do STF: “A revogação ou anulação. Elas podem ser reapreciadas pelo Judiciário. 196). realizando o conseqüente julgamento. § 1º. 71. p. I a IV. ressalvada a competência revisora do Judiciário”. ADCT. o TC pode adentrar ao mérito dos atos por ele fiscalizados.. A fiscalização poderá ser interna (pelo próprio órgão) ou externa (pelo CN.

§ 4º. essa disposição encontra-se obstada por cautelar deferida pelo Supremo258. “caput”. os TCE’s limitam-se a prestar auxílio técnico às Câmaras Municipais e a analisar as contas dos prefeitos. 73. podendo CE ou lei orgânica municipal dispor de forma contrária (art. “caput” e parágrafo único. CF/88). 8. I e II. o qual poderá rejeitar ou aprovar a contabilidade (art. 2003. Min. Na mesma cautelar. o TCU emite parecer. j. 82. 257 . Súmula 653 do STF: “No Tribunal de Contas estadual. Lei 4320/64). Informativo do STF n° 475. mas as indicações do chefe do Executivo estadual não precisam ser submetidas à sabatina do Legislativo. CF/88). XXIV. cuja gestão será analisada pelo plenário do CN (art. § 2º. 224). rel. A discordância exige quorum de 2/3 do Legislativo para aprovação. quando existentes) observam a composição e formação do TCU. § 1º. devem ser preenchidos por todos (OLIVEIRA e HORVATH. Se o Presidente. CF/88. sendo formado por sete conselheiros (art. p/ o acórdão Min. que irá acatá-lo ou não. 73. 31. composto por sete conselheiros. cabe ao TC comunicar ao Presidente do Legislativo para medidas cabíveis (OLIVEIRA e HORVATH. LRF. pelo CN (art. 75. e 2/3 pela Assembléia Legislativa. No entanto. Os requisitos subjetivos do art. mediante lista tríplice elaborada pelo próprio TCU e com prévia aprovação pelo SF. CF/88. 82. conselho ou tribunal de contas municipal após a promulgação da CF/88 (art. Carlos Britto. lembrase que os TCM’s instituídos antes de 1988 permanecem em funcionamento. alternadamente. Ilmar Galvão. 216). I a XI. atualmente correspondendo às cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. As funções do TC estão enumeradas no art. CF/88). Segundo o STF. § 1º. 56. 2003. Em tese. quanto ao chefe do Executivo. LRF). “caput”. 84. Lei 4320/64). o art. p. Trata-se de norma central. 258 STF. o qual determina que as contas dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) e do MP sejam apresentadas conjuntamente com o Executivo. rel. O STF já disse que 1/3 dos conselheiro são escolhidos pelo Governador.8. destacando-se as seguintes: • Competência para julgar contas de administradores de dinheiro público. 71. No âmbito municipal. “caput”. 224). cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público e um terceiro a sua livre escolha”. O documento será encaminhado ao Parlamento. e o restante. a ser obrigatoriamente reproduzida pelo constituinte decorrente (Súmula 653 do STF)257. o prazo é de 60 dias para emissão do parecer pelo TC.205 Presidente da República. também se encontra com a eficácia suspensa. o STF posiciona-se favoravelmente que TCE crie repartição específica para atuar perante determinado Município. Nota-se que o exame realizado pelo TC é técnico e administrativo. CF/88). Ademais. p. Apesar de haver vedação à criação de órgão.2007. quatro devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual. dois dentre auditores e membros do MP junto ao tribunal. com exceção do Presidente da República. 2003. p. Os TCE’s (e TCM’s. o TCU tem função meramente opinativa. Plenário. Nessa última hipótese. não podendo proferir determinações à Municipalidade (OLIVEIRA e HORVATH. inclusive na plenitude das atribuições. ADI 2238 MC/DF. orig. no caso da União – art. 57. Governador ou Prefeito não apresentar as contas no interregno assinalado (60 dias a partir do início da sessão legislativa.

As decisões do TCU que impliquem em imputação de débito ou de sanção terão eficácia de título executivo (art. As multas implicarão em título executivo extrajudicial. diretamente pelo Legislativo ou pelo próprio Poder fiscalizado. CF/88). • Realizar auditorias a pedido de órgãos ou entidades públicas. deve prestar contas de sua atuação ao próprio Poder enquadrante (art. 71. Se qualquer desses não se pronunciar a respeito em 90 dias. CF/88). em um processo administrativo em que possa haver reforma de ato administrativo. CF/88). da legitimidade e da economicidade das despesas (art. com todos os . Não é mais necessário registro anterior de ato ou de contrato para a realização do gasto público. As medidas impostas devem estar previstas em lei. • Sustar atos que não observem legalidade. com respectivo registro. quando da responsabilidade de agentes públicos por ilegalidade ou por irregularidade. em princípio. deve haver prática de novo ato com efeitos “ex tunc”. porque seu órgão auxiliar (art. operacionais e patrimoniais se realizam em qualquer unidade administrativa (UA). Se o TC encontrar entraves. em um típico controle concomitante. de sorte a ratificar aqueles passíveis de revalidação. prescindindo-se de inscrição em dívida ativa. • Aplicar sanções. Essas inspeções e auditorias contábeis. 70. embargo de obras. 219). § 3º. como multas. 72. CF/88). CF/88). A Súmula Vinculante 3 do STF trata do TCU. “caput”. reforma ou pensão). • Atendimento a qualquer solicitação do Legislativo. “caput”. Nessa faina. sempre sob os auspícios da legalidade. não mais existe o controle prévio de despesa. • Controle sobre atos de admissão de pessoal e de concessão de inatividade remunerada (aposentação. 71. 71. financeiras. quando houver solicitação pela comissão mista de orçamento e finanças no âmbito do Legislativo (art.206 não político. aquele que se beneficiava poderá se defender perante o órgão. o TC susta a execução. p. p. § 4º. Deve assinar decurso para retificação da ilegalidade. dentro da esfera de atribuições do próprio TC. preconizando que.. sendo certo que contratos devem ser obstados. só havendo de se falar em fiscalização posterior e concomitante. 217). mormente por intermédio de auxílios e de subvenções. • Emitir parecer sobre despesa constante do PL de orçamento anula. Para Oliveira e Horvath (2003. orçamentárias. a decisão se defere a esse. 71. legitimidade e economicidade. nessa hipótese. comunica o Poder enquadrante da UA irregular. • Fiscalização sobre verbas repassadas a outros entes federados e entidades públicas ou privadas. comunicando o Legislativo em seguida (art. CF/88). Trata-se da fiscalização propriamente dita. partir da comunicação do tribunal. etc. X. Ademais. Não sendo possível a convalidação. § 1º. como lembram Oliveira e Horvath (2003.

• Participação popular e audiências públicas. nessa hipótese. Nesse contexto. desde que haja redução de 25% no primeiro deles. p. A cada quatro meses. • Prestação de contas e parecer prévio. 129. • LDO. é publicado o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREX). Dentre eles. a existência de situação desfavorável não permite que o ente receba transferências voluntárias. 48. o TCU se limita a aplicar à lei. Instrumentos de transparência da gestão fiscal (inclusive em meio eletrônico) – art. podem ser sanados nos três quadrimestres seguintes. ao inquérito civil e à própria ação por improbidade administrativa. das concessões de garantias. fica autorizada limitação de empenho e proibida operação de crédito. Se ultrapassados. p. especial atenção deve ser dada à ação civil pública. Esse balanço quadrimestral embasará eventuais ações de contenção de gastos. • Orçamentos.207 sucedâneos do contraditório e da ampla defesa. excetuando-se refinanciamento do principal da dívida mobiliária. cumpre destacar o relevante papel desempenhado pelo Ministério Público. 22). • Relatório de execução orçamentária e de gestão fiscal. No seu mister fiscalizatório. o qual contém o balanço orçamentário e outros demonstrativos do período. falecendo direito ao contraditório e à ampla defesa ao beneficiário. LRF: • Planos. a partir do art. pois. III. nos termos do art. e da Lei 8429/92. segundo advogam Oliveira e Horvath (2003. o TC tem autorização para quebrar sigilo bancário e fiscal por força própria. . Trata-se de matéria de direito e não de fato. como lecionam Führer e Führer (2001. § 4º. “caput”. Esse comando não se aplica quando o ato se refira à legalidade de concessão inicial de aposentadoria ou benefício. disparando os diversos sistemas de alerta e de restrição financeira previstos na LRF. o Parquet é órgão que tem incumbência de velar pelo patrimônio público de modo amplo. além das demandas penais. Ainda dentro do sistema de controle externo. Depois do período legal para saneamento. Os limites da dívida pública são verificados a cada quadrimestre. A cada bimestre. 37. 223). o qual demonstrará a observância dos limites legais da dívida pública. Com efeito. Goza de vários instrumentos extrajudiciais e meios judiciais para fazer recompor o erário e para responsabilizar aqueles que o maculam. CF/88. CF/88. é publicado também o Relatório de Gestão Fiscal. dos gastos com pessoal. das operações de crédito realizadas e eventuais medidas corretivas levadas a cabo.

e 53. Lei 4320/64. justamente porque presentes os requisitos de relevância e urgência (art. NÃO APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO OU DA GESTÃO FISCAL – ente fica passível de sanções diferentes daquelas previstas para inobservância dos limites legais. entre 30 de abril e 31 de maio.208 DEMONSTRATIVOS – deverá haver separação entre órgãos. Os limites da dívida mobiliária da União são estabelecidos por meio de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República. DF e Municípios. autorizando operação de crédito externas e dispondo sobre garantias para a realização dessa última. § 5º. Podem ser de três tipos (art. Créditos adicionais – são autorizações de despesas. mormente os suplementares. 41. O crédito correspondente deve ser reforçado. Estados ou Municípios que eventualmente não tenham competência para elaborar MP pode autorizar créditos extraordinários por meio de decreto. pendendo inconstitucionalidade. Lei 4320/64): . derivadas ou transferidas. MUNICÍPIOS E ESTADOS – deverão encaminhar. vênia legislativa específica quanto à operação a ser realizada. comoção intestina ou calamidade pública. I a III. 52. previstas no art. 51. seguindo o reexame imediato pelo Poder Legiferante correspondente (Assembléia Legislativa ou Câmara Municipal). podendo estabelecer limites inclusive para o montante da dívida pública consolidada e mobiliária de Estados. § 1º. . exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (arts. 51. LRF). LRF). Apresentam as seguintes características: obrigação bilateral. Os créditos especiais e suplementares dependem de autorização legislativa específica. a MP deve ser “incontinenti” submetida ao Legislativo. Apesar do exposto. Nesse caso. fazendo surgir a categoria em comento. . não pode receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. . § 2º. “caput”. 49. LRF).Suplementares – a previsão de despesa foi insuficiente. I e II. 40. todos os créditos adicionais.Especiais – inexiste previsão de certa despesa no orçamento. § 2º. Créditos públicos – além das receitas originárias. O resultado do crédito público é a dívida pública e a captação de recursos. 165. ou seja. I a III. 62. Fá-lo-á por meio de empréstimos. De outra parte. CF/88). parágrafo único. Essa situação corrente não encontra guarida na Carta vigente. fundos. demonstrações do exercício anterior (art. configurando operações de crédito público (captação externa de recursos). CF/88). previsão orçamentária.Extraordinários – são destinados a despesas urgentes e imprevistas. ao menos por meio de autorização genérica. finalidade pública devidamente comprovada. Administração Indireta e previdência (art. § 3º. Os extraordinários poderão ser obtidos por meio de MP. atualmente são obtidos por MP. de acordo com a tríade das contas orçamentárias (art. o Estado pode obter entradas por meio de endividamento. como guerra. O Senado controla as operações de crédito.

V a VII. 52. em estabelecer as cláusulas. 148. o princípio da autonomia da vontade cede lugar à autonomia privada.209 Excluindo-se os empréstimos compulsórios. 231). De outra feita. É a posição prevalente. 2003. p. o ato-condição. 22. enquadrar-se-ia perfeitamente na classificação aduzida pelo mestre francês: * O ato-regra é a lei a disciplinar os empréstimos públicos (art. não propriamente a liberdade contratual (ao contratar. o qual seria regido pelo Direito Privado. É a doutrina do argentino Drago (apud OLIVEIRA e HORVATH. em autêntico ajuste consensual). 233). 2003). Dessa forma. p. É contrato administrativo – dentro da mesma idéia anterior dos dois momentos de formação do empréstimo. É a idéia da doutrina majoritária francesa e de Cretella Júnior (apud OLIVEIRA e HORVATH. 234). necessário afirmar que os ditames do “pacta sunt servanda” e da boa-fé objetiva estão presentes nos contratos de empréstimos públicos. o empréstimo público seria movimento de caixa. segundo Oliveira e Horvath (2003. Sob o aspecto financeiro. restringe e regula as operações de crédito. p. o qual seria a efetiva ocorrência do fato à luz dos dois anteriores. Léon Duguit (apud OLIVEIRA E HORVATH. O primeiro é a autorização legislativa para contraí-lo. a teor dos contratos privados. sendo possível distinguir três correntes: É ato unilateral de um Estado – decorrente de sua soberania. p. . p. porque se balizam pelo direito comum. É contrato privado – existem dois momentos para a consubstanciação de crédito público. Ademais. a qual autoriza. 2003. apesar de não vigorante no âmbito doméstico. p. CF/88). o qual estabelece a regência para determinada situação jurídica. seria regido pelo Direito Público. ato de soberania do Estado. como lembrar Oliveira e Horvath (2003. referente ao segundo momento. a natureza dos empréstimos públicos é motivo de celeuma na doutrina. que estatui condicionantes para a ocorrência jurídica do fato. impende a liberdade de contratar. p. O mecanismo dos empréstimos públicos. inclusive com cláusulas exorbitantes previstas na lei de autorização. isto é. 238). Oliveira e Horvath (2003. 243) defendem que as operações de antecipação de receita não são empréstimos públicos. segundo Oliveira e Horvath (2003. limita. sendo posição atualmente ultrapassada. p. não poderia ser objeto de execução específica. CF/88. conquanto formam-se crédito e débito co-respectivos (OLIVEIRA e HORVATH. o contrato administrativo de empréstimo tem suas cláusulas elementares exprimidas pela lei autorizadora. VII. como disse Geraldo Ataliba (apud OLIVEIRA e HORVATH. * O ato-condição é a Resolução do Senado (art. ato-subjetivo. 2003. O segundo é a celebração do contrato em si. CF/88). a avença celebrada. 234). em contratar. 2003. 232). I e II. que têm autêntica essência tributária à luz do art. 238) classificou os atos estatais em três categorias: ato-regra.

p. como o próprio FMI e a OMC.). como o embargo comercial. Não atendidos os requisitos da lei. devolvendo-se o valor ao credor sem qualquer acréscimo (juros. o que pode sugerir grave prejuízo à financeira. não sendo vinculante em relação à autoridade ou órgão que tem incumbência sancionadora. inclusive das empresas públicas a eles atreladas. 35. desde que haja previsão legal. recebendo o Estado a contraprestação pecuniária. 32. Essa operação em particular produz uma categoria específica de dívida pública: a mobiliária. a despesa é considerada nula.210 * O ato-subjetivo é a celebração do contrato administrativo pela entidade pública. em que pese a existência da Corte Internacional de Justiça e de órgãos da ONU com atribuições correlatas. à luz do parecer do Ministro da Fazenda. 35. p. “caput”. Amílcar de Araújo (apud OLIVEIRA e HORVATH. Eles podem ser usados para quitação de tributos. muito pelas quais as fontes do Direito Público Internacional vedam tais práticas. veda operação de crédito entre os entes federados. A forma mais corriqueira de operação de crédito se dá através de emissão de títulos da dívida pública. correção. O agente não tem o poder de impor sanção pelo descumprimento do estabelecido normativamente. No ponto. De outro lado. diz que o Ministro da Fazenda controlará os limites e condições para realização de operações de crédito dos entes federados. geralmente os entraves são resolvidos por arbitragem. pretensa credora do ente público. incluindo outras pessoas públicas de Direito Público a ele vinculadas (art. § 1º. Führer e Führer (2001. Na via jurisdiciona internacional. LRF). não se imiscui operação de crédito com transferência voluntária. deverá verificar se as condicionantes legais foram observadas. Moratória e bancarrota são meios unilaterais que o Estado devedor tem para mitigar o pagamento da dívida. Não se encontra na proibição empréstimo por meio de instituição financeira estatal e ente federado. taxa administrativa. por meio de entidades a eles ligadas. 30) lecionam que o legislador criou um sistema difuso de controle das operações de crédito. “caput”. No ponto. Uma pessoa política não pode fazer empréstimos a outra. O art. direta ou indiretamente. A instituição financeira. 2003. O documento tem um caráter técnico. Além disso. 228) lembra que a execução específica e a recorrência a meios militares não mais têm vez para cobrar débitos de operações de crédito externas hodiernamente. Essa permissão não será aplicada quando o crédito for destinado a pagamento de despesas correntes (custeio) nem a refinanciamento . emitindo parecer. visando garantir equilíbrio e harmonia no âmbito da federação. os Estados e organizações internacionais credoras podem usar sanções indiretas por força própria. Realizará essa fiscalização por meio de verificação se os patamares foram observados. Os títulos são colocados à venda. a qual é realizada a fundo perdido. LRF. etc. O art. as quais sempre deverão ser secundadas por renegociação do “debitum”. LRF. a ser operado pelas próprias instituições financeiras credoras. é permitido indicá-los como garantia em execução fiscal uma vez que tenham cotação em bolsa de valores.

os requisitos para o recebimento de transferências voluntárias – art. Obs. As operações de crédito dependem do atendimento dos seguintes pressupostos (art. 35. 1: é vedada a realização de operação de crédito (art. salvo autorização do CN por maioria absoluta para inclusão em crédito suplementar ou especial para o caso específico (art. I a II. “b”. São aquelas decorrentes de repasses constitucionais e legais (art. III. o Outras restrições estabelecidas pelo legislador complementar. 25. 40. 167. I. 2: é proibida antecipação de receita no último ano de mandato do Executivo (art. 32. em crédito adicional ou lei específica. o Expressa autorização em LO orçamentária. que o ente público ofereça receita pública futura como garantia. deverão ser observadas. § 1º. “a disposição se afigura inconstitucional no que se refere à parte das transferências cujo fim é vinculado”. 167. Por fim. LRF (art. § 1º. I a VI. § 1º. LRF): o Requerimento do interessado. § 2º. Se for prestada pela União em relação a instituições internacionais de financiamento e fomento. premente lembrar que dívidas contraídas anteriormente à LRF podem ser objeto de refinanciamento. LRF). o Não superação do valor em despesa de capital. 35. LRF). As garantias podem ser: • Pessoais – é o caso de aval de banco ou da União em favor de Estados ou de Municípios. 35. II. LRF). § 1º. nas operações de crédito. CF/88). . 35. LRF). IV. GARANTIA pode vir de contragarantia de transferência constitucional (consignada) pelo garantidor (art. 31). o Contrapartida em receita prevista na LO ou em crédito adicional. salvo entre aquela e ente federado distinto (art. 38. Entre entes federados (inclusive na Administração Indireta) e entre ente e sua instituição financeira (inclusive o BACEN). LRF). II. Maiores que as despesas de capital (art. I a IV. CF/88). “caput”. excluindo REFIS (art. § 1º. o Observância de limites e condições estatuídas pelo SF. salvo antecipação de receita.211 com outra concedente (art. LRF). Obs. Para Führer e Führer (2001. com demonstração contábil e jurídica da viabilidade na relação custo-benefício e no atendimento do interesse social e econômico. p. III. § 1º. É possível. 40. além das condições para garantia interna. LRF). § 3º. LRF). 40. com autorização específica desse no caso de operação de crédito externo.

envolvendo mais de um exercício. A correção monetária a ser aplicada nos empréstimos públicos depende da lei autorizadora e da disposição do instrumento do ajuste. emissão de títulos da dívida pública mobiliária. Nesse passo. 34. p. o que. cotação do ouro. como: hipoteca sobre bens públicos dominiais. o ato seria vinculado. Com referência ao prazo de pagamento. ensejam decreto “ex officio” do chefe do Executivo. como já disse o STF. menos que 12 meses. a dívida deve ser contraída até 10 de janeiro e o adimplemento. moeda forte estrangeira. I. V. CF/88. Observa-se. só incidindo sobre juros. V.Por resgate – o qual pode ser à vista ou por amortizações. porquanto é prerrogativa funcional e política de seu cargo a decisão sobre a oportunidade e conveniência a efetivação. 244). caracteriza uma discrepância técnica. Intervenção e dívida fundada – é permitida pelo não pagamento do débito nas seguintes condições: Da União nos Estado – quando esse estava pagando e suspendeu por decurso maior que dois anos (art.212 • Reais – podem ser constituídas de diversas formas. Oliveira e Horvath (2003. mesmo que haja vênia judicial.Por conversão – há opção do credor em receber o montante com juros menores ou manter a dívida para recebimento futuro. a ser demonstrada pela unidade intervinda. Dos Estados nos Municípios – quando não pagou a dívida contraída por dois anos consecutivos (art. o Consolidada – não existe pagamento do principal. 38. o mandatário não está coagido a exarar a medida. consoante comentário já feito anteriormente. § 4º. CF/88). LC 101/00). pagando-se devidamente o devido. que a LRF trata de dívida fundada e consolidada como sinônimos. Classificações – quanto ao aspecto subjetivo (característica do devedor). “a”. I e II. Pode ser índice oficial legal. CF/88). realizado até 10 de dezembro do mesmo exercício (art. CF/88). os créditos públicos podem ser federais. “a”. I. vinculação de receitas de impostos de competência própria do tomador ou decorrente de transferências obrigatórias (art. em tese. apesar de constituir ato discricionário. Os motivos espelhados nos arts 34. e 35. classificam-se em: o Flutuante – o pagamento é previsto para ser feito em curto prazo. não concordam com a leitura feita pelo Excelso Pretório. . 35. Nesse contexto. 167. No tocante à praça de pagamento (ou à localização do credor). estaduais ou municipais. A decretação da intervenção não será feita se houver motivo de força maior. comentando essa última hipótese. Para eles. etc. etc. o Fundada – o pagamento é feito em longo prazo. os empréstimos públicos podem ser externos (aduzidos por Estados ou por organizações internacionais) ou internos. Extinção do crédito público – pode se dar de quatro formas diversas: . com mais .

titular do poder.213 vantagens. sem perder de visa que o pagamento se dá na forma de precatórios (art. (ii) compatíveis e (iii) irrelevantes. a Lei Orgânica e. CPC). Execução do crédito público – segue o rito ordinário ou o procedimento para títulos executivos extrajudiciais. § 3º. a Defensoria Pública não possui autonomia financeira. Deve ser feita efetivada por opção do credor.Por consolidação – trata-se. 100. Para entender essa questão é necessário lembrar que o Poder Executivo é aquele que sabe como irá gastar o dinheiro público. 88. No ponto. Cada orçamento definirá qual modalidade de classificação a despesa incorrerá. CF/88. não podendo ser imposta pelo tomador. com a devida legitimidade. e 52. ao escolher seus representantes também entrega aos mesmos . Pergunta: existe a comissão prevista no art. Ele transporta para um documento escrito – ‘um projeto de lei’ que precisará sofrer a aprovação do Poder Legislativo para que. tendo em vista estar inserida na Seção “Dos Orçamentos” na Constituição Federal e ser esta Comissão aquela apta a praticar a fiscalização externa orçamentária. a Defensoria Pública não deveria estar incluída expressamente no art. Distrito Federal e Municípios. de novação objetiva. Pergunta: por deter autonomias orçamentárias. ocorrerá da mesma forma. subsidiariamente. não fere o pacto federativo? Resposta: não. § 1º. 16. I. em que se transforma dívida flutuante em fundada (OLIVEIRA e HORVATH. 249). . § 3º. CF/88? Ela realmente atua? E nos Estados e Municípios? Resposta: sim. tornando inexigível seu direito de crédito. Não há de ser imposta pelo devedor. seguindo respectivamente a Constituição Estadual. CF/88). financeiras e administrativas. sob pena de constituir verdadeira moratória. qualquer credor. Em âmbito federal está vinculada ao Ministério da Justiça. possa prevalecer. LC 101/00? Resposta: cuidado. interno ou externo. “caput”. aduz sua pretensão no Judiciário doméstico (art. Pergunta: a proposta constante dos arts. em verdade. 166. Lembre-se que o povo. A doutrina não cogita de nenhum ferimento. p. Nos Estados. LC 101/00. Pergunta: o que é considerada despesa irrelevante (art. . As aferições serão estabelecidas pelas pessoas políticas em face dos valores de despesas apontados pelas leis (orçamentárias) anteriores. 2003. 1º. VI. 30. LC 101/00)? Qual o valor? Resposta: os ensinamentos de Régis Fernandes de Oliveira apontam que este critério criado pela lei está inserido ao lado de dois outros: as despesas poderão ser (i) adequadas. apenas funcional e administrativa. I a III.Por prescrição – a pretensão do credor em receber os valores é perdida em decorrência do decurso temporal. o Texto Constitucional.

165. I e II. com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira. O Presidente precisará encaminhar a sua proposta de gastos. Os ensinamentos do Prof. autarquias e demais ‘longa manus’”. 249 e 250 da Constituição. Para interpretar esse questionamento. para que o P. § 2º.empréstimos. § 2º. Legislativo aprove. evita o risco e aplicação do dinheiro público em títulos de menor expressão e impede que os recursos sejam aplicados em ‘empréstimos de qualquer natureza. o art. 43. de qualquer natureza. aos segurados’. § 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1º em: I . II . geral e próprio dos servidores públicos. 43. Pergunta: a não aplicação da restrição do art.214 poderes de gerenciamento da atuação do Presidente da República. a providência. esta lei foi recepcionada como lei complementar. § 9º. Pergunta: em face do art. 43. I e II. já que proíbe a aplicação das disponibilidades da previdência em títulos da dívida pública municipal e estadual. ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. Nesse contexto. à União não gera um contra-senso? Por que os Estado e Municípios não podem e a União pode? Resposta: Texto da LC 101/2000: Art. § 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social. 52. ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado. LC 101/00. 164 da Constituição. Assim. no dizer de Celso Antonio Bandeira de Melo. bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação. LC 101/00. deve-se levar em conta o harmonioso relacionamento entre os três poderes.títulos da dívida pública estadual e municipal. Legislativo – Senado Federal – disporá sobre limites globais e condições para operações de crédito interno e externo das pessoas políticas. Essa é uma das fiscalizações orçamentárias que acontece em face do Direito Financeiro. aplicável a todos os entes da Federação. aos segurados e ao Poder Público. Pergunta: as subvenções econômicas devem ser ressarcidas pelas entidades beneficiadas ou são consideradas como empréstimo a fundo perdido? . As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. é possível dizer que a Lei 4320/64 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente como lei complementar? Resposta: sim. VI da CF explicita que o “P. inclusive a suas empresas controladas. CF/88. Régis Fernandes de Oliveira apontam que este parágrafo 2º foi muito bem vindo. a teor do art.

39. ela deverá utilizá-lo dando cumprimento de sua finalidade. 5º e incisos do Decreto 200/67. e segundo a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica. em balanços de empresas não econômicas ou "sem fins lucrativos". Nesse sentido. refletir um benefício ao Poder Público. o legislador se refere expressamente a empresas governamentais e particulares como beneficiárias em potencial (art. em um orçamento. ter mais ganhos do que gastos. Lei 4320/64. Lei 4320/64. 148. ou seja. se o orçamento estabelecer este benefício pecuniário a alguma entidade. por meio de sua fiscalização. é importante frisar que subvenção econômica é a alocação destinada à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas de natureza autárquica ou não. § 3º. referendando o caráter lídimo e escorreito que esta possui para o eventual recebimento de subvenções. para ser gerada. § 1º. vinculando-as a fins não-econômicos. a doutrina tem apontado uma certa dificuldade relacionada às fundações no que diz respeito à captação de recursos e eventuais autorizações para recebimento de subvenção econômica. ou seja. O Novo Código Civil restringe a criação de fundações a apenas quatro áreas (para fins religiosos. seja como retribuição a serviços prestados ou compra de . 12. elas não podem ter caráter econômico. Lei 4320/64). 18. qualquer despesa deve. reza que crédito decorrente de empréstimo compulsório é classificado como dívida ativa não-tributária.215 Resposta: inicialmente. são “longa manus” do Estado. CF/88. não se falando assim em devolução posterior. Assim. II. Lei 4320/64 deve desprezar esta menção. morais. esta disposição não foi recepcionada pelo Texto Maior. seja como aumento patrimonial. já que a CF foi publicada em 1988. Tal orçamento é chamado de superavitário. o prefeito não poderia gastar mais do que o previsto no art. no último mês de seu mandato? Resposta: essa é uma hipótese de superávit. A leitura do art. o dispositivo legal em comento não teria sido recepcionado pela ordem de 1988. configuram estruturas da Administração Pública Indireta – como ensina Celso Antonio Bandeira de Mello. culturais ou de assistência). O oposto seria "déficit". 59. Lei 4320/64). Pergunta: caso exista sobra de caixa referente aos meses anteriores do exercício. conforme art. Também pode ser a denominação do que corresponderia ao lucro. Nesse sentido. Poderiam aí também ser enquadradas as fundações que venham a realizar atividade econômica? Resposta: lembre-se que todas essas figuras apontadas. “caput”. § 2º. Pergunta: quando define subvenção econômica. 39 § 2º. incluindo também as autarquias que exercem atividade econômica (art. Régis Fernandes de Oliveira ensina que a despesa deve encontrar respaldo legal ou constitucional para ser gerada. No que diz respeito às fundações. Pergunta: o art. correto? Resposta: a CF em seu artigo 148 definiu a natureza jurídica desta exigência fiscal como tributo. Em face da localização topográfica do art. Essa é a razão pela qual podem receber subvenções. é o lucro resultante de. assim como as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. exercer um importante e decisivo papel em face da fundação. O Ministério Público poderá.

sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. além de outros dispositivos esparsos. temos a Secretaria de Orçamento Federal. 10% do IPI sobre exportações realizadas no território do beneficiário (art. p. A CGU também deve exercer. CF/88). No que diz respeito à Controladoria-Geral da União (CGU). e 157. Pergunta: o órgão previsto no art. Caso não cumpram este perfil. 177. como órgão central. distribuídos na forma de LO federal. 157 a 162. É matéria constante dos arts. no âmbito do Poder Executivo. “caput”. 1. precípuo reavivar que a repartição (ou discriminação) de receitas tributas é relação jurídica diferente daquela erigida pelo exrecício da competência tributária (OLIVEIRA e HORVATH. Em âmbito federal. Pará e Paraíba. 154. 71). § 4º. vinculada ao Ministério do Planejamento. 159. I. III. CF/88. 177. por meio das atividades de controle interno. como por exemplo. irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos artigos 16 e 17 da Lei Complementar 101/00. II. Orçamento e Gestão. 159. II. essa nomenclatura está atrelada à Administração Direta dos Estados-membros. § 2º. Repartição de Receitas Tributárias “Prima facie”. suas autarquias e fundações públicas (art. I. e 159. correição. 157. prestando a orientação normativa necessária. O Conselho Técnico de Economia e Finanças era um órgão técnico e consultivo do Ministério da Fazenda.216 bens ou serviços. sendo destinados à infra-estrutura de transportes (arts. sendo criado em 25 de novembro de 1937. a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal. Lei 4320/64 (Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda) ainda continua existindo ou foi substituído pela Secretaria de Orçamento e Finanças? E a Controladoria-Geral da União? Resposta: não. 259 O percentual destinado a um só Estado não pode ultrapassar de 20% do total. Receitas repassadas da União para Estados e DF– são as seguintes: IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados (e DF). auditoria pública. podendo ser denominada “relação jurídica financeira”. este é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que. principalmente contidos no ADCT. 2003. serão consideradas ‘não autorizadas. prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. “c”. 25% dos impostos residuais instituídos (arts. 111. CF/88). CF/88)259. II. CF/88). 29% da CIDE-combustíveis (art. § 4º. Foi extinto em 1971. CF/88). . devendo o restante ser rateado pelos demais (art. No que diz respeito à Secretaria de Orçamento e Finanças. CF/88).

I. quando houver delegação de capacidade ativa (arts. no mínimo. I. I.2. § 5º. 153. Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE) – 21. 4. CF/88). ADI 2728/AM. CF/88). I. 158. CF/88). 161. 82. não considera eventual acréscimo de 2% destinado a Fundo de Combate à Pobreza do Estado ou do DF (art.Até ¼. CF/88). CF/88). quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. não contando o desconto na fonte já realizado pela unidade federada (art. Nordeste e Centro-Oeste. § 4º. 25% da rende recebida do IPI sobre importações (art. CF/88). CF/88). .2007. II.2005. § 4º. 93. não contando o desconto na fonte já realizado pela pessoa em questão (art. Receitas repassadas dos Estados para os Municípios 50% do IPVA sobre veículos licenciados em seu território (art. Informativo do STF n° 467). Fundos de Distribuição – nesse contexto. Norte e Centro-Oeste – 3% do IR (art.2. DJU 4. de acordo com a lei estadual (tratando-se de Estado) ou federal (tratando-se de Território).5. “c”. “a”. e § 1º.5% do IR (art.3. 158. o ITR. DJU 18. Receitas repassadas da União para os Municípios o IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Municípios. segundo o seguinte comando: Regra geral – 50% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. . I. § 5º. segundo já se pronunciou o STF (RE 253906/MG. ADI 1423/SP. III. ADI 3262/MT. 159. I. 157. Parafiscalidade – 100% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. 25% da renda recebida da CIDE-combustíveis (art. 158. Programas de financiamento do setor produtivo do Nordeste. CF/88). sendo (art. 2. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. § 1º. 159. CF/88). Joaquim Barbosa. CF/88). 159. 153. rel. 3. I. o 70% do IOF sobre ouro vindo de seu território. CF/88): 260 O valor adicionado é definido exclusivamente por via de LC federal (art. 153. “b”. Min. 159. III. sobre o valor adicionado260 nas operações realizadas em seu território. ADCT).2005. CF/88). j. CF/88). DJU 2. O montante do ICMS. ADCT). § 3º. e § 1º.217 30% do IOF sobre ouro vindo de seu território. podem ser destacados os fundos de participação e os programas de fomento e desenvolvimento das regiões Norte. I. 158. suas autarquias e fundações públicas (art. IV e parágrafo único. valendo as mesmas regras do repasse de ICMS. e 158. 16. Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – 21.2004.3/4. . considerado como base de cálculo para o repasse constitucional em tela.5% do IR (art. II. CF/88). desde que exista LO federal regulamentando (art. 25% do ICMS. 159.

161. 198. nos termos de LO federal. ADCT. CF/88). é vedada restrição ou retenção de verbas destinadas a repasses constitucionais (art. I e II. “c”. CF/88): o Total da arrecadação tributária. CF/88). o DF e os Municípios deverão publicar mensalmente. o Recursos não-tributários recebidos. parágrafo único. Nordeste e Centro-Oeste (art. II. “caput”. incluindo das autarquias. e 158. um relatório com os seguintes dados (art. Essa regra não abrange os seguintes repasses (art. ADCT): Base de cálculo de: IOF sobre ouro. A União. como ADAM. podem ser apontadas duas exceções. Fomento de instituições financeiras de caráter regional. IR arrecadado por Estados. permanecendo aqueles estatuídos no art. • À aplicação dos recursos mínimos na saúde. 153. o Expressão numérica dos critérios de rateio. § 2º. decorrente de repasse. CF/88). fundo ou despesa. até o último dia do mês subseqüente.. CF/88). cujos percentuais mínimos devem ser fixados por LC. enquanto o legislador complementar for inerte. CF/88). parágrafo único. Repasse e fiscalização – em regra. 6. I. O FPE e o FPM são regulados pela LC 62/89 (art. O repasse de verbas dos Estados e Municípios é disciplinado pela LC 63/90 (art. CF/88). 160. 76. “caput”. § 5º. ADCT. Desvinculação de receitas da União (DRU) – de acordo com o art. o TCU é responsável por calcular os valores de repasses do FPE e do FPM (art. CF/88). 5.218 De acordo com o plano regional de desenvolvimento (previsão em plano plurianual). . DF e Municípios (arts. Contudo. 162. CF/88). o Valores tributários repassados e recebidos. 157. 77. CF/88). 159. FPE e FPM (art. 76. “caput”. a ser revisada a cada lustro (art. § 5º. I. etc. O semi-árido nordestino receberá 50% do total destinado à região NE. I. §§ 1º e 2º. entre 2003 e 2007. “a” e “b”. CF/88): • Ao pagamento de seus créditos. CF/88). considerado como ativo financeiro (art. I. 25% da receita tributária da União não está vinculada a qualquer órgão. ADENE. 212. No tocante à fiscalização. os Estados. 159. III. 160. Arrecadação e destinação do salário-educação (art. 161. II e III. 161. Programas de financiamento do setor produtivo do Norte. nas quais é possível que a União e os Estados condicionem a repartição de receitas (art.

CF/88). 5% do IPI sobre produtos supérfluos. CF/88). o 20% do total das receitas de impostos e contribuições sociais da União. CF/88). Percentual dos Estado. 212. 206. Provenientes de dotações orçamentárias específicas. financiamento de programas a setores produtivos do Norte. 8. 83. CF/88). e 60. e §§ 3º e 4º. Fundo Social de Emergência – presta-se a fazer frente a imprevistos sociais. 9. 80. ADCT): o Parcela do IR na fonte sobre rendimentos pagos pela União. excluindo-se as hipóteses do art. Territórios e Municípios.38% da CPMF. I a VI. 167. 80. 72. . 158. I a III. ADCT): 1º) Não-vinculação de impostos (art. sendo regulado pela LC 111/01. I a III. ADCT). 153. Percentuais mínimos destinados à educação (18% para União e 25% para Estados. 72. 23. o qual financia o seguro-desemprego e o abono salarial anual decorrente do PIS/PASEP (art. 2º) Formação do FPE e do FPM. ADCT). “caput”. CF/88). ADCT): 0. definidas na LC 111/01. “caput”. § 5º. “caput”. CF/88.75% sobre o PIS/PASEP. DF. Repasse do ITR aos Municípios (art.219 7. repasse da CIDE-combustíveis (art. § 1º. § 5º. Produto do ITR. repasse de IPI sobre exportações. ADCT: As três situações anteriores. Nordeste e Centro-Oeste. 239.08%.: os recursos do citado fundo não se sujeitam a duas regras tributário-financeiras (art. VII. DF e Municípios – art. Advindas de operações de crédito. 80. decorrente do IOF sobre ouro como ativo financeiro (art. Fundo da Educação Básica (FUNDEB) – de acordo com a EC 53/06 (arts. É formado pelas seguintes receitas (art. IV. É formado pelas seguintes receitas (art. atualmente em 30%. Obs. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT – Lei 7998/90). CF/88). Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – tem previsão no art. o 0. definidos nos termos de LO federal (art. dos 0. o Parcela do IR e do IOF decorrente do Plano Real. II. Outras. o Parcela da CSLL. parágrafo único. ADCT. 159. 211. I a VI. o Outras receitas previstas em lei específica. incluindo suas autarquias e fundações.

São Paulo: Atlas. São Paulo: Saraiva. Ricardo Cunha. Eduardo de Moraes.220 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARO. ARENHART. doutrina. 4 ed. Resumo de direito tributário. 2001. Sérgio Cruz. MACHADO. REALE. 16 ed. Carlos Alberto. 2. 6 ed. Curso de processo civil: execução. Leandro. 2004. CANOTILHO. 2006. 1975. Eros. V. Vicente. Teoria pura do direito. Curso de direito tributário. São Paulo: Atlas. 19 ed. 1986. Miguel.). In: MARCATO. Capítulos I a V. 6 ed. (coord. SABBAG. v. CÂMARA. 1671-1770. GRAU. 2003. Luciano. interpretação da legislação tributária. 16. 2004. de 19-12-2003. CASSONE. 17 ed. São Paulo: Prima Cursos Preparatórios. São Paulo: Martins Fontes. Direito tributário. Direito administrativo. Direito processual civil brasileiro: processo de execução a procedimentos especiais. 2003. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Revista dos Tribunais. 15 ed. São Paulo: Saraiva. Hans. São Paulo: Saraiva. Constituição e código tributário à luzo da doutrina e da jurisprudência. São Paulo: Resenha Tributária. Roque Antônio. Maximilianus Cláudio Américo. 12 ed. Régis Fernandes de. HORVATH. 1999. 2 ed. FÜHRER. Rio de Janeiro: Lumen Júris. Direito constitucional. Porto Alegre: Livraria do Advogado. São Paulo: Revista dos Tribunais. Título I. Antonio Carlos. GRECO FILHO. 13 ed. 2002. PAULSEN. 7 ed. Maximiliano Roberto Ernesto. Estevão. Livro II. Hugo de Brito. 1993. 2006. Conceito de tributo e fontes do direito tributário. Luiz Guilherme. Curso de direito constitucional tributário. 2007. 6 ed. KELSEN. NOGUEIRA. MARINONI. 16 ed. CARMONA. 3. São Paulo: Malheiros. v. São Paulo: Saraiva. 2006. 2001. CHIMENTI. São Paulo: Saraiva. 2. Direito tributário brasileiro. Coleção sinopses jurídicas. DI PIETRO. FÜHRER. Código de processo civil interpretado. Coimbra: Livraria Almedina. 8 ed. Direito tributário. . v. p. Vittorio. José Joaquim Gomes. classificação dos tributos. prática e jurisprudência. Ruy Barbosa. 1998. 1991. Maria Sylvia Zanella. CARRAZA. Lições de direito processual civil. Alexandre Freitas. São Paulo: Atlas. atualizado até a EC nº 42. Curso de direito tributário. São Paulo: Revista dos Tribunais. Direito tributário: fundamentos constitucionais da tributação. Filosofia do direito. OLIVEIRA. Manual de direito financeiro. 1993. 2004.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful