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ANOTAÇÕES DE TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO

Princípio da Legalidade Tributária Princípio da Anterioridade Tributária Princípio da Isonomia Tributária Princípio da Capacidade contributiva Princípio da Irretroatividade Tributária Princípio da Uniformidade Geográfica Princípio do Não Confisco Princípio da Não Limitação ao Tráfego Princípio da Não-cumulatividade Imunidades Tributárias Sistema Tributário Nacional Conceito de Tributo Classificação dos Tributos Competência Fontes do Direito Tributário Interpretação e Integração Obrigação Tributária Responsabilidade Tributária Lançamento Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Prescrição e Decadência Exclusão do Crédito Tributário Garantias do Crédito Tributário Administração Tributária Impostos em Espécie Importação e Exportação IPI

03 06 09 11 14 17 18 19 19 20 29 32 40 43 50 53 56 63 75 78 88 99 102 104 111 112 117

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IOF IR ICMS ITCMD IPVA IPTU e ITBI ISSQN Execução Fiscal, Ação cautelar fiscal, Arrolamento Direito Financeiro Receitas públicas LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Lei do Orçamento (Lei 4320/64) Repartição de Receitas Tributárias

123 125 132 150 152 154 158 159 178 179 182 189 216

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DIREITO TRIBUTÁRIO Introdução O estudo do Direito Tributário deve ater-se, principalmente, à CF/88 (arts. 145 a 162), à EC 42/03 e ao CTN (mormente a partir do art. 96, com as alterações até a LC 118/05). A CF/88, em matéria tributária, pode ser sistematizada em três partes: princípios, imunidades e tributos. As duas primeiras constituem as chamadas limitações ao poder de tributar. Princípio da Legalidade Tributária Está no art. 150, I, CF/88, c.c. art. 97, I e II, do CTN. A lei, como regra, deve impor a tributação. As pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, DF e Municípios), dotadas de poder de tributar, só poderão criar ou majorar tributos por lei. Isto decorre da colocação de Pontes de Miranda, pela qual é “o povo tributando a si mesmo”, por intermédio do Poder Legislativo. Essa máxima advém diretamente da titularidade do poder, da soberania pelo povo (art. 1º, parágrafo único, CF/88), a ser representado, na democracia semidireta, por meio dos seus delegados – vereadores, deputados e senadores. Nesse passo, a lei como um produto dessa vontade, é a única idônea a materializar o poder de tributar. Como se verá na análise do desiderato da reserva legal, em regra, a norma instituidora da exação será a lei ordinária. Ademais, a jurisprudência é pacífica em considerar que iniciativa de lei tributária é concorrente entre todos os legitimados. Ao contrário de diplomas orçamentários, de iniciativa exclusiva do Executivo, os tributários podem ser oferecidos também pelo Legislativo, como já disse o STF1. Reserva Legal, também chamada de tipicidade fechada, cerrada ou regrada, ou de estrita legalidade constitui uma relação taxativa pela qual a lei “stricto sensu” institui o tributo, assim como aquela que tipifica crimes e comina penas (arts. 5º, XXXIX, CF/88, e 1º, CP). Com efeito, há certas matérias que a Constituição determina que só podem ser viabilizadas por lei em sentido estrito. Esse tratamento mais rigoroso corresponde exatamente ao ditame em análise, qual o seja da reserva de lei. Dessa feita, a lei que institui o tributo deve estabelecer, obrigatoriamente, os seguintes elementos (art. 97, III a VII, CTN): alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Já o prazo para pagamento pode ser estipulado por norma infralegal (decreto), conquanto não previsto no rol “numerus clausus” dos incisos do art. 97, CTN2. Para Cassone (2004, p. 169), de regra, somente a lei ordinária é apta a instituir tributo, pois “a Constituição fixa a regra-matriz de incidência, e a Lei

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STF, ADIn 3809/ES, rel. Min. Eros Grau, j. 14.6.2007, citando precedentes no mesmo sentido: ADIn 3205/MS (DJU de 17.11.2006); ADIn 2659/SC (DJU de 6.2.2004); ADIn 2548/PR (DJU de 15.6.2007); ADIn 3312/MT (DJU de 23.3.2007) – Informativo do STF n° 471. 2 Esta é a posição pacificada na doutrina, escudada pelo STF.

Complementar estabelece normas gerais” . Entretanto, o autor admite, em sede de exceção, a criação de exação por LC ou por EC. Nesse raciocínio também estabeleceu o constituinte, vez que União pode instituir, por lei complementar4, outros quatro tributos: 1.Impostos sobre grandes fortunas (art. 153, VII, CF/88)5. 2.Empréstimos compulsórios (art. 148, “caput”, CF/88). 3.Impostos residuais (art. 154, I, CF/88) – diversos daqueles já instituídos pelo constituinte. Na criação da nova exação, a União deverá observar, além da forma específica da LC, a inexistência de “bis in idem” de base de cálculo e de fato gerador e o princípio da não-cumulativa. Os outros entes federados não detém essa competência residual para instituir novos tributos. 4.Contribuições previdenciárias residuais (art. 195, § 4º, CF/88) – além daquelas já expressamente antevistas pelo legislador constitucional. Nenhuma dessas quatro exações pode nascer por medida provisória (art. 62, § 1º, III, CF/88). Exceções à legalidade (art. 153, § 1º, CF/88) – há quatro impostos federais que refugam à estrita legalidade, prevista no art. 97, I a VII, CF/88, encontrando-se expressamente ressalvados pelo constituinte: 1. Importação; 2. Exportação; 3. IPI; 4. IOF. São tributos que regulam o mercado e a economia, chamados de extrafiscais. Na batuta do Direito Econômico, com fulcro na doutrina de Grau (1975), a extrafiscalidade é autêntica manifestação de intervenção estatal econômica, na modalidade indireta por indução. A extrafiscalidade tem a função de fomentar ou de desencorajar condutas por parte dos agentes econômicos. Além da fiscalidade (função arrecadatória), os impostos mencionados possuem a extrafiscalidade (capacidade regulatória do mercado)6. O Poder Executivo pode
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Como adequadamente explana Vittorio Cassone, Direito Tributário: fundamentos constitucionais da tributação, classificação dos tributos, interpretação da legislação tributária, doutrina, prática e jurisprudência, atualizado até a EC nº 42, de 19-12-2003, 16ª ed., São Paulo, Atlas, 2004, p. 36, a LC em matéria tributária é o CTN. Inicialmente nascido sob a alcunha de LO, subiu de “status” pelo Ato Complementar 36/67, disposição essa atinente e posterior à própria Carta de 1967. Posteriormente, a opção do legislador foi referendada pela chancela do Excelso Pretório, do qual o autor destaca o RE 93850 de 1982, da lavra do Min. Moreira Alves. Por fim, o constituinte de 1988 recepcionou o diploma também como LC, mantendo a posição anterior (art. 146, CF/88). 4 Trata-se da chamada reserva constitucional de lei complementar, tantas vezes invocada pelo constituinte e lembrada pela doutrina de Direito Constitucional. Exige quorum privilegiado para a aprovação, correspondente à maioria absoluta da Casa Legislativa (art. 69, CF/88), diferentemente da LO. 5 Consoante será exposto em passagem abaixo, há posição na doutrina, liderada por Roque Antônio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991, que defende a não submissão do imposto sobre fortunas à reserva constitucional de lei complementar. 6 Como lembra Maximilianus Cláudio Américo Führer e Maximiliano Roberto Ernesto Führer, Resumo de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 17, a palavra fisco vem do latim “fiscus”, que designa cesta de junco ou vime, a qual era usada para amassar uvas ou para guardar dinheiro. “Conta-se que os agentes romanos passavam entre os negociantes a cesta de

62. à luz de convênios assinados pelos secretários de Fazenda (no âmbito do CONFAZ – art.: com a EC 32/01. p. a qual instituiu a PIS-Importação e a COFINS-Importação. CF/88). de exceção à legalidade está esculpida no art.: não pode surgir empréstimo compulsório por meio de MP. como Ministros de Estado ou Superintendentes de órgãos ou entidades públicas encarregadas da capacidade tributária ativa. O princípio da legalidade está esculpido no art. com delegação dada pelo Governador). 155. Isso não ocorre nas demais espécies normativas previstas como exceções à legalidade. sujeitos passivo e ativo e fato imponível). porque o ato definido pelo convênio. alíquota. “c”. estipulará originalmente a alíquota. sob o aspecto técnico. 62. 155. § 2º. importante destacar que. as alíquotas são disciplinadas por ato do Poder Executivo estadual7. CF/88. tem o condão “per se” de estabelecer a alíquota do ICMS. 150. Obs. não ficando sujeita à ratificação ou reapreciação pelas Assembléias Legislativas.5 aumentar ou diminuir a alíquota por decreto. 8 A única hipótese genuína. § 4º. A contribuição em comento não pode ser confundida pela CIDE-remessas para o exterior. Segundo a CF/88. C/88). tal restrição a “impostos” não desfruta de endosso na interpretação do STF. . 177. 97. Ex. sendo tributo federal. I. CTN. a MP também o será. Essa sim deve observar a legalidade em todos seus parâmetros. CF/88) – como se trata de tributo estadual. autorizados por LC. não nascendo por via de lei. porque há uma exceção à legalidade. IV. § 4º. “b”. fiscus tomou o significado de Fazenda Pública”. § 1º. CF/88. Aquela trata de matérias delicadas. onde a LO puder dispor. A corte entende viável a MP em outras espécies de tributos. No sentido figurado. com firma dos representantes de cada Estado-membro (por meio dos Secretários de Fazenda. CF/88). Dessa feita. MP pode aumentar ou diminuir tributos no Brasil (art. que são contribuições. Por meio de delegação. 7 Originalmente. CF/88). minudencia o dispositivo constitucional. O art. na leitura do Excelso Pretório. Ex. a MP não irá incidir (art.: pode haver. o que confronta com o art. § 5º. enquanto essa visa imediatismo de eficácia (relevância e urgência). onde LC versar. Neste caso. a MP é medida idônea para criar e aumentar impostos. 62. instituída pela Lei 10168/01 (SABBAG. Todavia. CTN8. CF/88. I. Nota-se que o legislador constituinte restringiu o fenômeno a impostos. 2004. Esse. a alíquota do ICMS-combustível é estabelecida pelo Executivo estadual. IV. ainda em matéria tributária e a despeito da disposição literal do art. Ex. porque traz os elementos do tributo sujeitos à reserva legal (base de cálculo. sem problemas. prevendo o constituinte que a majoração e a modificação do tributo deve ser feito por meio de lei. ICMS-combustível (art. 155. III. § 2º. É o que configura o tipo tributário ou tipicidade vime para que depositassem ali a participação (forçada) de César. as alíquotas são alteradas por ato do Poder Executivo da União. No diapasão. 84). IV. o Presidente da República pode autorizar outra autoridade pública a estabelecer os mencionados percentuais tributários. A EC 33/01 trouxe mais duas exceções: CIDE-combustíveis – é a contribuição de intervenção no domínio econômico (art.: MP 164/04. podendo depois alterá-la como lhe aprouver. § 4º. aumento de ITR por MP. 97.

150. e “c”.6 cerrada. § 1º. as limitações da LD estão no art. só pode ser feita por meio de lei (art. 62. o CN dá autorização ao Presidente da República para legislar sobre determinado assunto. a lei que altera o tributo é ordinária. porque pode não implicar necessariamente em majoração do tributo correspondente. Ao final do interregno total. . 2004). Todavia. a MP pode ser convertida em LO por decisão do CN (art. Exercício financeiro corresponde ao ano fiscal ou civil. mas seu § 2º expressamente autoriza. CF/88). indo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. para conferir tempo ao sujeito passivo para o pagamento (art. Princípio da Anterioridade Tributária O Princípio da Anterioridade consubstancia uma “vacatio legis” especial para a vigência de lei tributária que modifique ou crie exação. há dois instrumentos legislativos que têm força de LO: a MP e a LD. desde que observadas suas próprias balizas. Inexoravelmente. RE’s 182.: mudança no prazo de pagamento não se sujeita à legalidade restrita9. Quando essa mudança importar em mera atualização monetária. De regra. Ao revés.: revisão do valor venal de imóveis de acordo com o mercado para cobrança de IPTU ou de ITR. essa assertiva não é absoluta. Tem prazo de vigência de 60 dias. Ambas podem criar ou majorar tributos. 97. 97. limita o uso da MP em algumas matérias. Entretanto. § 1º. CF/88). Com a postergação da exigência. mediante prévio requerimento desse (art. é possível afirmar que a há importante sinônimo para o postulado: eficácia diferida. 62. Tanto o princípio da anterioridade (preconizado pela Constituição) quanto a segurança jurídica – tantas vezes invocada pela doutrina – trazem à baila a proibição da tributação surpresa (SABBAG. podendo ser prorrogada por igual período uma única vez (art. Pergunta: a participação nos lucros e resultados (art. CTN). a criação ou majoração de exações. CF/88. é inevitável a aplicação da anterioridade tributária. § 7º. § 1º. Os detentores do poder de tributar só podem exigir tributo no exercício financeiro posterior àquele em que foi publicada a lei instituidora. A MP é espécie normativa de competência exclusiva do Presidente da República. “caput”. não se sujeita obrigatoriamente ao regime da legalidade estrita. III). XI. CF/88). CF/88) e a indenização devida por acordo em plano de demissão voluntária (PDV) são tributadas pelo imposto de renda? Resposta: a indenização paga em detrimento de PDV não é tributada por IR (Súmula 215 do STJ). CTN). “b”. 97. O art. 62. 7º. 68. Todo componente tributário que não estiver no rol do art. não está sujeita à legalidade estrita (art. inclusive para contribuições. § 2º. A alteração da base de cálculo. § 1º.971 e 193. CTN. 9 STF. na LD. 68. ausentando-se a disciplina tributária. No mesmo sentido.531. Ex. em princípio. Ex. III. CF/88.

CF/88) e Empréstimo Compulsório especial (art. IEG. tendo também o cunho extrafiscal. pela qual a lei que criasse ou majorasse tributos só poderia entrar em vigor a partir do primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação. CF/88). . Caso haja a situação nos meses de outubro a dezembro. cuja dicção sinaliza a necessária previsão do tributo na lei orçamentária. enquanto os demais se deferem à extrafiscalidade (regulação do mercado e da economia). 150. Nota-se que a exigência do princípio da anterioridade é outra: publicação prévia da lei. 148. “c”. nonagesimal ou noventalidade). parte inicial. IOF. CF/88). CF/88. IPI. a EC 42/03 trouxe à baila a obediência a um novo período de anterioridade de 90 dias. entre a lei e a exigência do gravame. III. “b”. a exigência poderá ser em data posterior a 1º de janeiro do ano seguinte. Com exceção dos mencionados tributos inerentes a situações calamitosas (IEG e empréstimo compulsório especial). os quais poderão ser exigidos no dia seguinte à sua instituição. CF/88). “c”. § 4º. É a chamada anterioridade qualificada (privilegiada. ICMS e CIDE combustíveis (arts. IEG (art. CF/88. I. o constituinte derivado incluiu-o concomitantemente à anterioridade anual. De fato. Assim. § 4º. Como foi instituto acrescido por emenda de 2003. § 1º. Todos os aumentos ou criações de tributos nos meses de janeiro a setembro ensejarão exigência em 1º de janeiro do ano seguinte. Exceções à anterioridade nonagesimal (art. I. “c”. 195. Essas são as exações que podem ter sua alíquota alterada por ato do Executivo (art. “in fine”. II. só havia a anterioridade anual. de guerra ou de calamidade pública. prevista no art. CF/88): II. IE. mas antes do início do respectivo exercício financeiro”. Inspirado no limite dado pela noventalidade. IR. o sistema constitucional tributário não hospeda a anualidade. parte final. pela qual a exigência do tributo só era possível se sua receita correspondente estivesse previsto na lei orçamentária (Súmula 66 do STF)10. 153. CF/88): II. passou a ter eficácia a partir de 2004. Exceções à anterioridade anual (art. Foi a inclusão do art. Foi extraída de construção constitucional sobre as contribuições sociais (art. § 1º. Antes da EC 42/03. as demais correspondem também às ressalvas da legalidade. cujo objetivo foi melhorar a segurança jurídica deferida ao contribuinte. IV. § 6º. A produção de efeitos da nova lei tributária fica postergada até que sejam perfeitos os 90 dias de sua publicação. Empréstimo Compulsório espcial. IE.7 O tema em comento não pode ser confundido com o princípio da anualidade. 150. sendo os dois últimos instituídos em situações de emergência. 150. III. IOF. Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA. pela EC 42/03. 155. 10 Súmula 66 do STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento. 154. acrescidos pela EC 33/01. CF/88). e 177. devendo o tributo observar ambas as regras. § 1º. 150.

não no legislativoabstrato. p. com exceção daquelas trazidas pela EC 33/01 – CIDE-combustível e ICMS-combustível – e da exclusão do IPI. em caso de MP que majore taxa. porque o art. é uma situação em que o legislador obstou abstratamente o fato gerador. IE. Todavia. dada a extrafiscalidade na essência desses tributos. . o IPI que for majorado não poderá ser cobrado no dia seguinte. o pagamento do tributo majorado não implica em direito à restituição. § 2º. como aventa Nogueira (1999. para ser transformada em lei. Já a alíquota zero opera o mesmo reflexo suspensivo atinente à isenção. a exação era assim exigida “ex vi” da MP vigente. O art. Assim como o IPI. § 2º. a CIDE-combustível e o ICMS-combustível também respeitam a anterioridade nonagesimal. o qual impede. 167). essa paralisação da subsunção do fato gerador se encontra no plano fático. § 2º. Princípio da anterioridade e a MP – segundo o art. Resposta: deverse-á o imposto no ano seguinte ao da conversão da MP em lei. Já a imunidade é uma espécie de isenção qualificada pelo constituinte. é perfeitamente compreensível a intenção do constituinte. argüise quando se deve pagar o imposto criado ou majorado por MP. só que ele não faz parte da lista de exceções aos 90 dias (anterioridade nonagesimal). faz menção literal a imposto. é possível entender que deve haver também a contagem dos 90 dias. não deverá ter aplicação o dispositivo. pois não se encontram no rol das exceções. as outras espécies tributárias (mormente contribuições). 62. 62. IOF. perpetuando um condenável expediente. a partir da conversão da MP em lei. A partir de 2004. No entanto. só 90 dias depois. a matéria ainda não está pacificada pelo STF. A partir de 2004. a anterioridade se aplica de igual maneira: é contada a partir da conversão da MP em lei. lei que venha a revogar isenção não precisa observar a anterioridade.: como o STF interpreta o instituto da isenção como regra de incidência (e não de não-incidência). durante o mencionado lapso.8 No tocante ao II. impondo-lhe uma intributabilidade no plano normativo. quanto ao IR e às alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA. Obs. No ponto. o IPI é exceção da anterioridade anual. já no Texto Maior. prorrogável por igual período. Todavia. é incompreensível a razão de torná-los imunes à noventalidade. terão termo inicial na sua publicação. A MP tem 60 dias de vigência. Dessa forma. Já o IR e as alterações da base de cálculo do IPVA e do IPTU. vindo também a constituir hipótese de incidência. visto que. ou seja. seja essa ordinária ou qualificada. de modo a ensejar a exigência do tributo em meados de março do ano seguinte. CF/88. A isenção. poderão ser exigidos em 1º do janeiro do ano seguinte. se refere expressamente a impostos. ao contrário. CF/88. CF/88. Eles compreendem idênticas exações em relação às ressalvas à anterioridade anual. é possível dizer que se trata de regra de não-incidência. Portanto. No tocante às taxas. que o legislador infraconstitucional inclua tal hipótese no campo da incidência do gravame. 62. IEG e empréstimo compulsório especial. Em melhores termos. Caso não haja a conversão em lei. uma vez majorados em 31 de dezembro.

porque não se trata de instituição ou modificação de tributo11. porque reduzida em relação às demais exações (art. De fato. A regra não alcança a disposição do art. CF/88. Isenção concedida com prazo certo e sob condição específica é considerada irrevogável durante seu curso. “b”. Em contrário senso. p. IV. se houver isenção revogada sem prazo certo e condição específica (isenção incondicionada). justamente porque se encontra presente sob diferentes ângulos no Documento Maior. II. Segundo o STF. etc. rel. CF/88). como disse Oliveira e Horvath (2003. a isenção deve observar a anterioridade anual. 195. Por seu postulado (art. CTN. CF/88.9 Contribuição previdenciária e anterioridade – aplica-se a anterioridade nonagesimal às contribuições sociais. tendo natureza de direito adquirido para o Excelso Pretório. todos que realizam o fato gerador devem arcar com o ônus da STF. A CPMF foi criada por meio da EC 12/96. nonagentídio. CF/88). III. arts. Súmula 584 do STF: “Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base. 5º. como já disse o Supremo. Mas o que seria modificar a contribuição previdenciária? Seria alterar o prazo de pagamento? Segundo o STF. parte inicial. nas palavras de Aliomar Baleeiro. II. Anterioridade e IR – pelo fato do STF acolher a Teoria Retrospectiva (Súmula 584 do STF)12. não coadunando com o sistema de bases correntes. Ellen Gracie. Em suas sucessivas prorrogações. 2666/DF. a isonomia específica (tributária) decorre da isonomia genérica (“todos são iguais perante a lei” – art. O que persiste é mera prorrogação. A doutrina chama a isonomia de “superprincípio”. Princípio da Isonomia Tributária Está previsto no art. a alíquota aplicada é aquela vigente por ocasião da entrega da declaração. “caput”. I. aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. também conhecida como noventena. como se fosse um “filme em andamento”. ou seja. não estando abrangida pela contingência dos 90 dias. CF/88). a contribuição para seguridade social pode ser exigida em 90 dias a partir da edição da MP que instituiu a exação ou que a alterou. No caso. Min. 150. “caput”. § 6º. devendo observar a anterioridade nonagesimal. O legislador constituinte de 88 fez menção à ISONOMIA em diversos dispositivos da Carta: preâmbulo. 5º. A anterioridade em tela é chamada mitigada. II. período de eficácia mitigada ou de anterioridade especial (art. tratando-se de imposto sobre renda ou patrimônio. III. a isenção deverá se pautar pela anterioridade tributária. 150. art. 150. art. § 6º. a mudança no prazo de exigência da contribuição social não representa alteração substancial que venha a ensejar a aplicação dos 90 dias do art. esse comando não foi exprimido (EC 37/02). segundo Sacha Calmon Navarro Coelho. a revogação não observa a anterioridade. 150. Anterioridade e revogação de isenções – a isenção é uma dispensa legal do pagamento do tributo (obrigação principal). 3º. CF/88). noventalidade. O STF se pronunciou no sentido de que não se aplica o princípio da noventalidade. 195. 104. 12 11 . 76).

é evidente a predileção do legislador pelo critério objetivo que marca o princípio.STF: afastar o princípio em razão de extrafiscalidade. porque o fato gerador não pode assim o ser.: isenção de IPI para taxistas. administrativa ou profissional. Note os exemplos: a. Esta cláusula permite. CF/88 (universalidade do IR). desde que previstas explícita ou implicitamente na CF. . De igual forma. incidirá a tributação. da regularidade da constituição de pessoa jurídica ou de acharse a pessoa sujeita a restrições de ordem civil. à primeira vista. o qual visa angariar divisas para o aparelho estatal. Ademais. da incapacidade civil (arts. CTN). I. CTN). porque o legislador conferiu responsabilidade tributária aos seus pais (art. independentemente da ilicitude da atividade. 118. independentemente da forma como foi efetivada. 134. a palavra do soberano latino. ainda que não possa administrar seu patrimônio.10 tributação. § 2º. Assim. Há possibilidade de “ressalvas” a este postulado. Esta idéia redundou no tratamento objetivo do fato gerador. mas não terá a obrigação de recolher a exação (pagamento). independentemente de qual fato esteja se referindo ou da pessoa que o realizou. ou de outros fatores que. A lei tributária não pode atribuir tratamento desigual a contribuintes que se encontrem na mesma situação. como se nota. menosprezando os aspectos extrínsecos ao fato imponível. Um menor pode ser contribuinte. A causa do fato gerador pode ser ilegal. Por exemplo. que significa “não cheira”13. permaneceu. deve IR ao fisco. A hipótese de incidência para a lei tributária é auferir renda. respalda-se na “interpretação objetiva do fato gerador” ou na utilização do ditame do “non olet”. Isso não quer dizer que o tributo recairá sobre condutas ilícitas ou imorais. Tito. 153. uma vez que as características subjetivas atreladas ao contribuinte são desimportantes. Se o contribuinte realizar a conduta nela prevista. CTN. destarte. O princípio em tela. I. Não se pode confundir o poder de punir do Estado – decorrente do sistema penal – com o poder de tributar. o César quis dizer que a exação deve ser tratada sob um aspecto objetivo. Como resquício da passagem histórica. 13 Na Roma antiga. quando aufere renda. caracterizou a cisão entre o direito de punir estatal – direcionado àqueles que urinassem nos logradouros públicos – e o poder de tributar – o uso dos banheiros públicos. além. contestou o pai sobre a atitude. I a III. Do comportamento do traficante. há maior possibilidade de realização da justiça fiscal. Ex. Seu filho. 118 e 126. É fácil perceber que o legislador pretendeu onerar o contribuinte. I. Ademais. HC 7444. a partir da perspectiva da hipótese de incidência realizada. no caso em tela. fica patente que a capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil das pessoas naturais. tentando-se onerar igualmente os iguais e desigualmente os dessemelhantes. 126. cerne da isonomia tributária. Na realidade. no art. 14 STJ. mas a essência da hipótese de incidência não. A fundamentação legal reside no art. empresarial. O monarca respondeu-lhe com uma simples expressão: tributo “non olet”. o imperador Vespasiano resolveu tributar o uso dos sanitários públicos. CTN. do art. poderiam excluir a responsabilidade tributária. realizando o fato gerador. haverá duas conseqüências distintas: responsabilidade penal em face da conduta criminalmente ilícita e incidência da tributação sobre a renda14. para a posteridade. É o posicionamento também do STF. que se tributem quaisquer pessoas. o traficante de entorpecentes. incide a tributação). em que são invocados o princípio da isonomia (tratamento igual àqueles que auferiram renda) e a teoria da interpretação econômica do fato gerador (concretizada a hipótese de incidência.

a técnica de variação de alíquotas. 201) afirma que “em se tratando de aplicação extrafiscal de imposto. É possível estudá-lo como subprincípio da isonomia. trata-se de realização material do princípio em relevo. mas um instituto deste decorrente. em uma razão não proporcional à base de cálculo. Não há dúvida que existem tributos aos quais se pode aplicar a técnica de variação de alíquotas. devendo ser compreendida como “sempre que o tributo comportar tal variabilidade das alíquotas”. Os desiguais serão diferentemente tratados.11 b. Ao revés. há outros que não se coadunam. a capacidade tributária só cabe aos impostos. não está em jogo a capacidade contributiva que só é levada em conta com relação a impostos pessoais com finalidade fiscal”. que. Frise-se que tal postulado não é propriamente o princípio da isonomia. Entretanto. Portanto. a tributação. recebe o nome de “PROGRESSIVIDADE de alíquotas”. Como fora mencionado. Atribui o fundamento da primeira no art. op. e 146-A.. no entanto. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica de cada um”. 2004. § 1º. “in fine”. III. porque não há situação equivalente para com empresas de maior monta. Há alguns tipos tributários que não comportam tal possibilidade. com tal sistemática (tributos regressivos). p. buscando a justiça fiscal. 206. 145. . Não é o entendimento da maioria da doutrina. 194 e 195. segundo a capacidade econômica. p. ao asseverarem que “o princípio da capacidade contributiva não se aplica a tributos com finalidade extrafiscal.: Zona Franca de Manaus (futuro Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. configura correlato da isonomia tributária. cit. CF/88. A jurisprudência e a doutrina interpretam este preâmbulo da ordem tributária de forma a adequar a exação ao seu conteúdo. em princípio. confere à segunda fulcro nos arts. p. Análise do postulado da capacidade contributiva ou capacidade econômica15 Está previsto no art. têm sua constitucionalidade controlada pelo princípio 15 Cassone. Do contrário. É o que preceitua Tipke e Yamashita (apud CASSONE. o art. O próprio constituinte assim disse nos arts. 145. 145. Desta feita.Art. de acordo com o PEC 59/04). A técnica de estabelecimento de alíquotas fiscais diferenciadas (progressividade) é uma outra forma de efetivar a justiça fiscal. § 1º. consubstanciados pela LC 123/06. diferencia capacidade econômica e contributiva. Moreira Alves (apud CASSONE. 146. tal qual explanado na matéria. O tratamento diferenciado das ME`s e EPP`s não gera ofensa à isonomia. 151. CF/88. De fato. na medida do possível. CF/88. de sorte a colimar a igualdade entre aquelas e essas. justificando o comando do art. Aliás. § 1º. “sempre que possível” é limitadora. Note o teor do comando: “sempre que possível. 145. CF/88 preconiza a possibilidade de onerar mais gravosamente aqueles que detêm maior riqueza tributável. Em tese. 2004. CF/88: afastar o princípio da isonomia em razão da tributação federal diferenciada para empresas localizadas em áreas com desequilíbrio socioeconômico. esta é a terminologia empregada pelo constituinte. 212). I. CF/88. note que a expressão. o IR se adequa perfeitamente à preceituação do legislador. § 1º. ressaltando que se trata capacidade para contribuir para a Seguridade Social. como é o caso do IPI e do ICMS. segundo o autor. “d”. Ex. No entanto. CF/88.

em si. § 1º. 184. uma vez que não visa ao intuito exclusivamente arrecadatório. mormente a taxas (STF). segundo a essencialidade estabelecida no seu regulamento. *Não perca de vista que a progressividade de tais impostos (IPTU e ITR) é EXTRAFISCAL.IR (art.ITR* (art. Progressividade de alíquotas – é o instrumento mais utilizado. o qual é necessariamente progressivo (art. Dentre as exações mencionadas. CF/88). Tem por objetivo primeiro a arrecadação. comercial ou industrial). 3. I. com redação conferida pela EC 29/00). § 2º. A primeira representa aptidão de um sujeito em receber rendimentos e incrementar o patrimônio próprio. A progressividade do ITR é extrafiscal. 2. 153. Progressividade fiscal e extrafiscal – a primeira corresponde ao aumento da alíquota diante da majoração da base de cálculo. não há necessária relação entre o aumento de alíquota e de base de cálculo. destacando-se duas: Por dedução de despesas essenciais – é o caso daquelas tidas no IR. A capacidade contributiva pode ser realizada segundo diferentes técnicas. I. e no IPVA. § 2º. segundo a qual o sujeito tem capacidade econômica em um nível tal que o torna sujeito à tributação. cujas alíquotas oscilarão devido à produtividade do imóvel (quanto maior a produtividade. Fica caracterizado o “plus” para contribuir para o Estado. Capacidade econômica e contributiva não são conceitos coincidentes. § 4º. 153. A segunda é uma espécie da primeira. é um tributo extrafiscal. progressivo em razão do tipo e da utilização do veículo. menor a alíquota – regressividade). Contudo. o que não importa em dizer que ele. No âmbito tributário. e no ITR. em face do tempo de subutilização do imóvel (realização da função social da propriedade mediante alíquotas progressivas). a progressividade fiscal é observada no IR. tal qual se aduz literalmente da vontade do legislador. no IPTU. pois o nível de renda assim permite. CF/88. Na segunda. . orientando-se pelo princípio da capacidade contributiva. Objetiva realizar um princípio constitucional. valor e localização. Já progressividade extrafiscal pode ser vislumbrada no IPTU. 156. exprimida pelo art. não se relacionando com a capacidade contributiva. § 4º. tendo em conta seu uso (residencial. No âmbito da CF/88.IPTU* (art. seria a graduação dos impostos segundo a potencialidade de riqueza demonstrada pelo sujeito passivo na relação tributária.12 da proporcionalidade”. universalidade e progressividade. há julgados que o estendem a outros tributos. I CF/88) – o comando indica três critérios informadores do IR: generalidade. é possível destacar três impostos com previsão explícita de progressividade na CF/88: 1. CF/88. 153. com a redação da EC 42/03). CF/88. Note as explicações abaixo: ITR – as alíquotas progressivas deverão desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. II.

“caput”. Progressividade no tempo – EC conforme se mantivesse o 29 descumprimento da função social. até que o STF se pronuncie. § 2º. § 1º. seria permitida a tributação maior de um terreno em relação a uma casa (art. CF/88). não se pode assegurar que tal princípio está afeto apenas a impostos pessoais. § 1º. CF/88. XX. 5º. 21. CF/88). a progressividade fiscal teve sua constitucionalidade fortemente contestada. . II. O escopo é evitar a desapropriação da propriedade. Assim. § 4º. I e II. CF/88). de haveria aumento do tributo no correr 2000 Progressividade fiscal e extrafiscal. CF/88) e o município com menos de 20 mil não é obrigado a promulgar tal lei (art. II. é possível entender que o art. Essa possibilidade só pode ser efetivada mediante prévio plano diretor. ANTES O IPTU era progressivo em razão de um critério: a função social da propriedade (art. 182. 39 a 41 e 3º a 8º (art. Arts. 182. promulgado por meio de lei municipal. 156. § 1º. 145. 16 Como o plano diretor é aquele que define a função social da propriedade (art. XXIII. um imposto real (não pessoal). a progressividade deste impostos visava somente o cumprimento da função social da propriedade (art.13 IPTU – inicialmente. Lei 10252/01. Observação: após a EC 29/00. e 182. Nesse passo. § 1º e 182. Art. 156. forçando o senhor a adequar seu domínio à sua função social. CF/88). denotando claramente extrafiscalidade. do tempo. Desta forma. a despeito de colocações inconstitucionais. CF/88). Com o fito de aumentar a tributação dos municípios. Foram somados à função social da propriedade. Com base nesta premissa. XXIII. O crescimento geométrico da população sugere um gargalo de moradia insuportável a médio e longo prazo. 5º. § 4º. § 4º. 182. II. o constituinte derivado alterou o dispositivo. Progressividade extrafiscal. CF/88. 6º. em razão dos critérios novos anunciados. Percebendo tal entrave. contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritárias. Uma dos meios de efetivar tal política é a tributação extrafiscal pelo IPTU e ITR. DEPOIS Três novos critérios de progressividade: localização. em seus arts. elevado constitucionalmente a direito fundamental (art. o constituinte previu uma situação de redistribuição de terras para a habitação e a geração de riqueza. CF/88 (princípio da capacidade contributiva) passou a abranger o IPTU. A questão se liga ao direito de moradia. valor e uso do bem imóvel. o IPTU ganhou feições de imposto pessoal. essa pequena localidade não poderá utilizar o IPTU progressivo por desrespeito à mencionada função. CF/88)16.

sob o argumento de que haveria extrapolação de função do Legislativo. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade (Súmula 668 do STF)17. não inovando na ordem posta. CTN (2 incisos): I – LEI INTERPRETATIVA – condição para a retroação: nenhuma. pois o Legislativo pode estar afastando a função jurisdicional do Judiciário. Nesse sentido. III. Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido. pois a interpretação caberia ao Judiciário. há de se perceber que cada qual refere-se a fenômenos jurídicos distintos: enquanto a irretroatividade diz respeito à eficácia da norma. É possível em qualquer caso. emanando efeitos à confecção do princípio tributário ora estudado. Princípio da Irretroatividade Tributária18 Está previsto no art. a anterioridade adstringe-se à vigência da lei. § 1º. Tal comando veda a progressividade do IPTU antes da emenda. faz-se premente afirmar que nem mesmo um é sucedâneo do outro. A lei interpretativa se limita a aclarar pontos obscuros. A lei interpretativa poderá ter eficácia retrospectiva. à semelhança das exceções aos demais princípios? Não. CF/88 preconiza a irretroatividade genérica. 17 . 5º. A lei atual poderá retroagir/retroceder/retrotrair. sob pena de constituir mera norma nova. É certo que ambos caminham lado a lado. 18 O princípio da irretroatividade tributária não pode ser confundido ou imiscuído com o ditame da anterioridade. O cuidado que se deve ter é a separação e a hierarquia de poderes. I e II. alíquotas progressivas para o IPTU. pois protegem bens jurídicos distintos dentro da ordem constitucional tributária. antes da Emenda Constitucional 29/2000. sob pena de retroação da norma – anomalia que se pretende coibir. Tal comando anuncia que a lei tributária deverá abranger fatos geradores posteriores à sua edição. Nesse passo. No entanto. A doutrina critica tal comando – interpretação “autêntica” –. Lei (anterior) Fato Gerador (posterior) É perceptível que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais se referem. de modo a minar a segurança jurídica. Não perca de vista que o art. sem criar situação jurídica paradoxal. Evidentes. seriam as lesões à segurança jurídica e à separação de poderes. “a”. em nome da segurança jurídica. CF/88. deve-se inquirir: há exceções a ele previstas na CF. É vital ao estudioso que conceba a irretroatividade como postulado da segurança jurídica. CTN. Art. pois. 106. Na verdade. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana”. 150. atingindo a capacidade contributiva (art. CF/88). pois as exceções estão previstas no art. a lei interpretativa é aquela que retira os pontos obscuros da norma interpretada. o que leva alguns doutrinadores a crer na sua inconstitucionalidade (ausência de recepção). XXXVI. 106.14 porque transforma a exação de real (STF) em pessoal. 145.

Esses estarão acobertados pelo decênio prescricional para a repetição de indébito.). fazendo aplicar a lei tributária à época da ocorrência do fato gerador. Quanto à definição de julgamento definitivo. em face do princípio da irretroatividade da norma tributária. estabelecer penalidades ou ônus). desde que mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídico-tributária. não abrangendo redução de alíquotas nem de base de cálculo. não como mera interpretação. Por recente decisão de sua Corte Especial. mas sim em irretroatividade da lei.. retroação benéfica da multa tributária ou “retroatio in mellius”. 21 Nogueira (1999. à luz do Direito Tributário Penal20 – condição: desde que o ato não esteja definitivamente julgado. conferiu efeito “ex nunc” ao diploma. se já tiver ocorrido o trânsito em julgado da demanda. REsp 943. dizendo que o prazo para a repetição de indébito tributário é de cinco anos. “caput”. filiando-se à doutrina germânica-suiça. desde que o termo final não extrapole o lustro posterior à vigência da LC 118/0519. são líquidas as opiniões. A jurisprudência e a doutrina. CTN)21: o art. 223 a 226). 1ª T. Observação (análise do art. remissão. já pacificadas. 106. Desta feita. II – LEI MAIS BENÉFICA. rel. CTN. Informativo do STJ n° 324. j. Sabbag (2004. CTN. 3º da LC 118/05 como lei inovadora. anistia. 20 19 . no entanto. 144. em mera decisão administrativa na esfera recursal. p. não fazem nascer direito à restituição em retroação futura. Deste modo. apesar de. Em dissonância com o legislador. falando alguns em caráter peremptório jurisdicional (coisa julgada “stricto sensu”) e outros. erigido pela LC 118/05. 144. o STJ considerou o art. penalidades já adimplidas. 33 e 34) denomina o fenômeno de princípio da benignidade. CTN. não se falará em retroatividade. Entretanto. p. Assim. José Delgado. 3º. constituindo sua guardiã. O comando legislativo pretendeu atingir fatos geradores até então protocolizados. poderá alcançar as sanções tributárias. 168.116-SP. etc. pretendeu constituir norma tributária interpretativa do art. Só será aplicada a lei mais benigna se houver pendência de julgamento. Condição detalhada: a aplicação retroativa da lei mais benéfica ocorrerá se o ato não estiver definitivamente julgado. em seu art. Min. A retroação da lei mais benigna só ocorrerá quanto a sanções tributárias. porquanto a lei aplicada no lançamento deve ser aquela STJ. devendo limitar-se a dispor sobre suavizações da letra normativa (eqüidade. de natureza declaratória. I. O art. indicavam o prazo de 10 anos. p. II. só terá vigor a partir do diploma. “c”. A LC 118/05. com crédito tributário extinto. Observe que a definição do tributo se aplica ao tempo de ocorrência do fato gerador. o STJ afirmou que o prazo prescricional de cinco anos. na aparência. 85) defende que a lei interpretativa não pode causar gravames ao contribuinte (criar ou aumentar exações. sendo certo que o princípio “tempus regit actum” tem vez também no campo tributário. de fato. tem por objeto a penalidade mais branda ao contribuinte como fato de retroação da norma tributária.15 Nogueira (1999. mesmo que a lei então vigente à época esteja atualmente revogada (ultratividade). não se aplicando a fatos anteriores. o lançamento apresenta efeito “ex tunc”. sugerir uma retroação da lei. 19/6/2007. A retroação. corrobora com o princípio da irretroatividade. defende o lançamento como mero procedimento administrativo. asseverando que somente ela é a corte apta a realizar a interpretação da norma federal.

e não formal. O dado curioso está no fato de que a atividade legislativa que marcou os anos que sucederam a CF/88 pautou-se na obediência à Teoria do Fato Gerador Complexivo. Note que se trata de estrutura dualista para o IR: um ano-base de auferimento de renda e um ano seguinte de entrega de declaração e recolhimento do imposto. Não altera substancialmente o fato gerador e a obrigação dele decorrente. adstrita a aspectos rituais de fiscalização. nas palavras de Aliomar Baleeiro. já comentada) entendiam o fato gerador do IR no contexto estritamente temporal. o fato gerador tinha marco temporal preciso – último segundo do último dia do ano.. Com efeito. 150. Paulo de Barros Carvalho e Cassone (2004). por exemplo. até que o movimento. CTN. indicando que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais ela se refere. é de natureza formal. § 1º. I e II. ampliando as garantias do crédito. É fácil perceber. o que a reveste de caráter de norma material. A partir de meados da década de 80. adotando majoritariamente a Teoria do Fato Gerador Complessivo para o IR. indicando a necessidade de aplicação da “regra” – lei contemporânea do fato gerador. alguns doutrinadores (Luciano Amaro. Não se trata de exceção ao ditame. “per se”. portanto. Nesse passo. que aumentar os poderes de investigação. ou que aprimorar os métodos de apuração do importe devido. no transcorrer do ano-base (anobase=f1+f2+f3+. porque a lei. Importante: há ressalva na parte final do art. 144. “respeitando-se” o princípio da irretroatividade. afastando o enfoque econômico. “antecederia” o fato gerador. destarte. Por conseguinte. uma lei majoradora do IR em 31/12. “a”. que a doutrina mudou o pensar. CTN. De fato. a doutrina e a jurisprudência (Súmula 584 do STF. III. como já fora dito. referida no dispositivo. Tal fenômeno era conhecido como retroatividade imprópria ou como aplicação da Teoria da Retrospectiva. 144. Do mesmo modo. tal norma não se refere propriamente ao cerne do liame obrigacional à luz do fato gerador. CTN. atribuiria responsabilidade a terceiros. que o art. à luz de um sistema de bases correntes. § 1º. ratifica a regra constante do art. como Machado (1993). não excepciona o princípio mencionado. à semelhança de um “filme em exibição”. o art. CF/88. o fato gerador do IR seria a soma algébrica de fatos ou disponibilidades econômicas. na esteira da doutrina então majoritária . há menção à lei que. aos poucos a doutrina passou a refletir sobre a necessidade de ver o fato gerador do IR na perspectiva econômica. segundo o qual se aplicará ao lançamento a lei que ampliar as garantias do crédito tributário. Não obstante o posicionamento citado. mas à estrutura formal do lançamento. § 1º. Nesse contexto. isto é.+fn). chegasse ao seu fim. “caput”. 106. Por meio de tal análise. Observe. ressalvados casos isolados de pensamento diverso. trata-se de lei adjetiva ou formal. perquire-se qual o alcance do art. 144. o que lhe daria o rótulo de lei material –. principalmente em congressos e seminários jurídicos. Ives Gandra da Silva Martins e outros) já passaram a apregoar o posicionamento do fato complessivo. CTN. CTN. de fundo alemão. vez que. Dica final (o IR e o princípio da irretroatividade): até a década de 80. esta se encontra somente no art. mas sim aspectos procedimentais quanto ao ato de lançamento. como disse Sacha Calmon Navarro Coêlho.16 vigente no momento do fato gerador.. 144. Assim.

não seria possível retroação a fatos ocorridos sob a égide do art. LC 105/01. em tese. 151. A Lei 9113/96. I. Por fim. segundo jurisprudência pacífica do STJ.17 (Lei 9430/96. o que incluía dados bancários.448-SC. Exemplo: Zona Franca de Manaus (observação: os benefícios fiscais foram prorrogados de 2013 para 2023. promovida pela União. ou de valor. diga-se que. CF/88. É princípio afeto tãosomente à União. incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país”. 144. esculpido no art. isto é. Informativo do STJ n° 328. que instituiu a CPMF. as discriminações dos tributos limitar-se-ão a critérios pessoais. LC 105/01. 38. do pacto federativo (art. garantido pelo diploma mais hodierno. § 3º. § 3º. essa retroatividade é permitida. em total dissonância com a doutrina majoritária. CF/88 – a qual veda a “guerra fiscal”. a qual determinava que só o Poder Judiciário poderia quebrar sigilo bancário de pessoa. I. o princípio em pauta presta-se à preservação da unidade territorial do 22 STJ. a Súmula 584 do STF (já comentada) – editada na década de 80. § 1º. reais. a regra do art. Lei 9311/96. CF/88). 151. Assim. previu a possibilidade de investigação ampla pela autoridade fiscal. I. 151. o qual alterou o alcance do art. CF/88) Trata-se de comando previsto em artigo distinto daquele que abarca quase toda a base principiológica na CF/88 – o seu art. Para Nogueira (1999). Ademais. conforme se depreende do art. III. § 3º. 150. conforme se nota na parte final do art. Esse entendimento era vigorante à época por leitura jurisprudencial. 1º. Arnaldo Esteves Lima. como se expendeu. em letra original. devendo prever as mesmas alíquotas em toda a extensão territorial. Baleeiro (apud NOGUEIRA. não havendo de se falar em ilicitude da prova obtida anteriormente à vigência do referido diploma complementar22. Essa disposição se devia ao art. Lei 4595/64. I. A Lei 105/01 alterou a redação do art. de sorte a permitir que dados sobre CPMF servissem à fiscalização de outros tributos. tal postulado vem ao encontro da isonomia e. HC 31. adequando-a às colocações da LC 10174/01. porque a ampliação dos poderes da Administração Tributária encontra fundamento no art. § 3º. No entanto. mas nunca de lugar". j. . Princípio da Uniformidade Geográfica (art. tem aplicação retroativa. rel. para fins penais. Lei 9113/96. "em conseqüência dessa uniformidade. surpreendentemente. entretanto. 11.. CTN. § 4º. 60.. 1999) afirma que. proibia o uso de informações dela decorrentes para fiscalização de outras exações. No diapasão. a corte já fixou entendimento no sentido da natureza processual do art. Para este renomado autor. o art. Compete à União instituir o tributo UNIFORME no Brasil. Lei 8383/91. Lei 9113/96. é claro. 5º. 92 do ADCT. No entanto. Há exceção. 11. Quanto a esse poder fiscal amplo. 23/8/2007. CF/88: “. no superado contexto da “teoria da retrospectiva” – apresenta-se hábil e vigorosa para aquela corte. “ex vi” do seu art.). à tributação federal. 152. Min. ao princípio em tela. entende hábil a teoria do fato gerador complessivo. 11. etc. Esta. com redação dada pela EC 42/03). 11. entre os membros da Federação – é um consectário do princípio da uniformidade geográfica. § 3º. § 1º.

: não é possível IPI menor para automotores no RS em detrimento dos demais Estados. 24 STF. Informativo do STF n° 478.9. ADI 2021 MC/SP. não poderá estabelecer discriminação tributária entre as demais pessoas políticas. rel. O próprio comando em comento foi excepcionado pelo próprio constituinte. As exações federais deverão ser uniformes em todo território nacional. eventuais benefícios fiscais relativos à exação citada devem estar de acordo com deliberações de convênio celebrado entre todos os Estados. sendo exprimido no art. segundo a razoabilidade e a proporcionalidade.9. o legislador não definiu estritamente o termo. Min. Em outros termos. rel. Min. porquanto fere o comando dos arts. CF/88. mas sim no caso concreto. Dessa feita. RMS 17949/ES. Princípio do Não Confisco (art. especialmente quando se trata de norma estadual referente a ICMS. A União. da totalidade do valor da situação ou do bem tributado. Em princípio. confisco é “a absorção. Informativo do STF n° 480. Com efeito. p. DJU 25. o Supremo declarou a disposição inconstitucional.11. a definição de confisco não é dada por colocação abstrata. j. é um desiderato aplicado tão-só a tributos. ADI 3389/RJ. ADI 3936 MC/PR. I. com o fito de “promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”. j. CF/88) Nas palavras de Nogueira (1999. XII. Nesta esteira. É ditame aplicado diretamente aos entes da federação. 6. pelo tributo. CF/88). DJU de 27. De fato. deixando ao arbítrio do aplicador do direito sua configuração.2007. Joaquim Barbosa.9. “g”. IV. por assim dizer. 23 .9. 152. desde que se justifique pela situação concreta apresentada. assentando o entendimento no direito de propriedade (art. sob pena de macular o art. como qualquer parcela que exceda à medida fixada legalmente”. Observação: quanto à possibilidade de existência de confisco em multa. isto é. por meio de seus tributos federais. 5º. o STF já se manifestou positivamente. Joaquim Barbosa. porquanto ele deve suscitá-lo na esfera jurisdicional. De fato.95. mas sim tentativa de equiparação regional. Carrazza (1991) diz que “é confiscatório o tributo que. 155. ADI 2377 MC/MG.2007. Plenário. 150. DJU 8. 151. Min. “g”. § 2º. CF/8823. pode ele ser entendido como tributação exacerbada.2003. 6. 152 e 155.2007. ADI 1247 MC/PA. a jurisprudência STF. p. Destarte.18 mercado nacional. sua consubstanciação depende da análise “in casu”. CF/88 (Convênio CONFAZ 128/94)24. rel.9.68. § 2º. só influenciando na esfera privada de forma reflexa. CF/88. Em recente decisão quanto à redução de base de cálculo sobre operações com café torrado e moído oriundo do Rio de Janeiro. O STF corrobora com o enunciado do art. que não leva em conta suas capacidades contributivas”. XXII.5. XII. ADI 3673/RJ. j. levando em conta uma hermenêutica sistemática do setor tributário (entendimento do STF). 19. DJU de 7. 126). Informativo do STF n° 478. esgota (ou tem a potencialidade de esgotar) a riqueza tributável das pessoas. Ex. Gilmar Mendes. excessiva. 38) preconiza que a caracterização do confisco é ônus do contribuinte. a União pode dar tratamento fiscal diferente para áreas com menos desenvoltura financeira.2001. O princípio da uniformidade geográfica é decorrente da isonomia. Não é mácula à isonomia. Na mesma esteira. Sabbag (2004.

Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Coisas (art. a incisão de tributo para o embarque em ônibus interestaduais ou intermunicipais não comporta ferimento ao ditame do art.: não cumulatividade de PIS e COFINS (Lei 10833/03). § 3º. a intermunicipalidade ou a binterestadualidade. Ex. O imposto será pago mensalmente. a não-cumulatividade se estende ao IPI (art. Além desses casos. 155. 154. Cada tributo terá sua regência própria. De igual maneira. A cobrança de exação para o ingresso em instância turística não configura ranhura ao princípio da não-restrição à circulação. CF/88). receita e importação (art. 150.: mercadoria de R$ 100. Em termos genéricos. vez que o fato gerador é outro. ao contrário do ICMS (art. sendo vendida por R$ 104. II. sendo somado ao tributo incorporado (tributo indireto com repercussão econômica por transferência ao próximo da cadeia). § 3º. A não-cumulatividade não erige uma regra uniforme para todas as exações. CF/88). A base de cálculo é o valor da operação. CF/88). Dessa forma. 153. 2004. CF/88): a cada entrada. 195. CF/88) e às contribuições sociais da União que incidam sobre faturamento. A não cumulatividade do IPI segue uma norma (art. CF/88) A base axiológica deste ditame – erigido em nível constitucional – encontra tutela na própria Carta de 1988. compensando-se a diferença entre créditos e débitos. CF/88). . ao ICMS (art. desonerando a cadeia produtiva. nos termos do estipulado pelo constituinte ou pelo legislador infraconstitucional. II. II. p. diz esse princípio é extensível às multas25. para a conservação das rodovias. O autor ainda indica duas atenuações26: A instituição de pedágio. desde que a desoneração do consumo seja atingida. A expressão “imposto cobrado” faz entender que o constituinte quis permitir a compensação somente na existência de operação anterior. 153. aos impostos residuais da União (art. a doutrina indica outros. § 4º. ADIn 2010/DF-MC. de natureza diversa.19 majoritária. 150. 155. 40). como fato gerador. porquanto se trata de taxa. Ex. 5º. CF/88). às contribuições sociais residuais federais (art. com fulcro em entendimento do STF e conforme mencionado. O STF definiu a extensão da não-cumulatividade do IPI. § 3º. um débito. há um crédito. no veio do deslocamento de pessoas e bens (SABBAG. 153. § 2º. A exigência de comprovação de recolhimento de ICMS nos postos fiscais em fronteiras interestaduais. não pode haver exação que erija. com alíquota de 4%. I. § 12. V. particularmente no direito individual à liberdade de locomoção (art. em que pese não haver expressa previsão nesse sentido no art. II. Esse 25 26 STF. “a” e “b”. 195. V. Princípio da Não-cumulatividade É técnica de redução de carga tributária sobre o consumo. em que multa de 300% por não emissão de nota fiscal foi considerada confiscatória. CF/88. § 2º. a cada saída. LV e LXVIII. CF/88. com necessária contraprestação. CF/88). vinculando o direito a crédito à tributação da operação anterior.

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entendimento do Supremo foi alterado, porque, desde 1995, o plenário dava ganho de causa aos contribuintes. Dessa feita, isenção, não-incidência, imunidade e alíquota zero na operação anterior não dão direito à compensação de crédito em IPI, consoante reiterada e hodierna jurisprudência do STF27. Como o IPI é imposto de repercussão econômica (transferência ao próximo da cadeia), a restituição de montante recolhido a mais é dada nos termos do art. 166, CTN. O comando condiciona a restituição a:
• Prova de que arcou com o ônus do tributo, não o repassando ao próximo

elo da corrente; ou
• Apresentação de autorização do próximo na cadeia a receber a

restituição em seu lugar, no caso de ter havido o repasse, visto que esse é o contribuinte de fato do IPI e aquele, de direito. O STJ, apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. 166, CTN, admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda, mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes28. O Supremo referenda o comando do art. 166, CTN, por meio de suas Súmulas 71 e 54629. Imunidades Tributárias30 As imunidades tributárias indicam limitações constitucionais ao poder de tributar, a par dos princípios anteriormente estudados. Trata-se de dispensas constitucionais de tributos, isto é, normas de intributabilidade que gravitam em torno da “não-incidência” tributária. Nos termos de Nogueira (1999, p. 167), “a imunidade é, assim, uma forma de não-incidência pela supressão da competência impositiva para tributar certos fatos, situações ou pessoas, por disposição constitucional”. Com efeito, a imunidade é uma delimitação negativa da competência tributária, segundo a melhor doutrina. Como é sabido, a competência tributária traduz-se no poder de instituição do tributo, conferido às entidades impositoras. Note que estas, ao mesmo tempo em que se valem do poder de criar, devem se afastar diante do campo imunizante estabelecido e demarcado pelo legislador. Assim, a norma imunizadora coexiste com a norma de imposição, ambas previstas na CF/88.

STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 28 STJ, 2ª T., REsp 962.909-BA, rel. Min. Castro Meira, j. 20/9/2007, Informativo do STJ n° 332. 29 Súmula 71 do STF: “Embora pago indevidamente, não cabe restituição de tributo indireto”. Súmula 546 do STF: “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo”. 30 Além dos pontos tratados na matéria, Cassone, op. cit., p. 255 e 256, indica alguns outros a serem discutidos quanto às imunidades: deve se lhes aplicar interpretação extensiva, em acordo com a finalidade da imunidade e com a razoabilidade; é possível a regulamentação da imunidade por lei infraconstitucional; as obrigações acessórias não são atingidas pela imunidade (art. 194, parágrafo único, CTN).

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É importante frisar que as principais imunidades referem-se a impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note: a.Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária (entidades beneficentes de assistência social). Observação: a expressão “são isentas de...” indica impropriedade terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo de imunidade. b.Art. 149, § 2º, I, CF/88 (EC 33/01) – CIDE’s e contribuições previdenciárias (receitas decorrentes de exportação). c. Art. 184, § 5º, CF/88 – impostos de todas as pessoas jurídicas (operações de transferência de imóveis desapropriados para a reforma agrária). Nesse sentido, o art. 18, “caput”, LC 76/93, isentou tais fatos também de taxas judiciais e emolumentos cartoriais. d.Taxas para certidões, para protocolização de certas ações coletivas, etc. Vamos, agora, às principais imunidades previstas no art. 150, VI, CF/88: Há quatro alíneas (DECORAR). São casos de não-incidência de impostos, o que permite concluir pela normal incidência dos demais tributos (taxas, contribuições de melhoria, etc.). 1.Alínea “a” (IMUNIDADE RECÍPROCA) – União, Estados, Municípios e DF não poderão cobrar impostos uns dos outros. − Elemento teleológico – quis o legislador proteger os entes tributantes contra a reciprocidade na tributação de impostos. Com efeito, o imposto é tributo unilateral, indicando um poder de sujeição daquele que tributa com relação àquele que é tributado. Neste passo, a provável incidência colocaria em risco o pacto federativo – o próprio elemento teleológico da imunidade em exame. − Atenção – a alínea “a” apresenta menção a rol classificatório oriundo do CTN (arts. 19 a 73) – “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”. Segundo a literalidade do comando, não deverá haver a incidência de IPTU, de IPVA, de IR, de ITR e de ISS, por exemplo. A questão é problemática: e os impostos não pertencentes ao rol mencionado, tais como II, ICMS, IPI e o IOF? Para o STF e renomados tributaristas32, a imunidade deve abranger quaisquer espécies de impostos, independentemente da limitação classificatória ora guerreada. Exemplos: Não-incidência de IOF nas operações financeiras desencadeadas pelos Municípios (STF).
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O dispositivo exigiu lei regulamentadora para surtir reflexos, cujo prazo para publicação não foi definido. O STF, no MI 232-1/RJ, rel. Min. Moreira Alves, ajuizado pelo Centro de Cultura, inovou seu entendimento. Adotando uma posição concretista moderada, fixou prazo para que o legislador se manifestasse acerca da omissão legislativa, findo o qual a própria corte asseguraria o direito subjetivo em comento – no caso, imunidade de contribuições sociais para entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88). 32 Regina Helena Costa, por exemplo, em “Imunidades Tributárias”, editado pela Malheiros.

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Não-incidência de II nas operações de importação de um Estado qualquer. − Análise do art. 150, § 2º, CF/88 – há extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas, desde que se cumpram às necessidades essenciais/precípuas da entidade. Não perca de vista que a condição se atrela tão-só ao § 2º, não existindo para a alínea “a”. Exemplos: Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, XII, “c”, CF/8833. 2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa da entidade religiosa. Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos religiosos, etc. Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja
STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, op. cit., p. 256.
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apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas (impostos). Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: − Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. − Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam Chimenti (2002) e Machado (1993). − Instituições de educação – idem colocações infra sobre as expressões “in fine” da alínea “c”.
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Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, instituições de educação e de assistência social). 36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17.

1996). a resposta à pergunta é clara: a lei complementar que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN. insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina majoritária. pois o “lucro”. vedando-se a apropriação particular do lucro. Luciano Amaro. Saraiva. o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de condicionamento imposto à norma. consoante comando exprimido no art. p. o art. porém. estaria ligado de modo imediato às entidades educacionais e beneficentes. . de integração. 146. São Paulo. Chimenti (2002). segundo Celso Bastos e Carlos Ayres Brito. CF/88. e não auto-aplicável. O que se quer é o REINVESTIMENTO daquele resultado nos objetivos institucionais. que impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar (imunidade). a expressão merece uma associação cautelosa. o que permite chamá-la de imunidade condicionada ou limitada (SILVA.24 − Entidades de assistência social – ibidem. dependendo de regulamentação futura. perguntar-seia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 5172/66) foi concebido como lei ordinária. 155. entendem que se trata de lei complementar. apregoa que o alcance das expressões se atém somente às entidades educacionais e assistenciais. CF/88. há quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes de Miranda). desde então. no magistério de Sabbag (2004. São eles: I. em tese. II. em razão das matérias disciplinadas naquele compêndio. segundo Maria Helena Diniz. De fato. ganhou o “status” de lei complementar. em seus três incisos. não havendo de cogitar sua aplicação aos partidos políticos e sindicatos de trabalhadores. 195. Portanto. a diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade.. 12ª ed. Paulo de Barros Carvalho. a qualquer título (LC 104/01). entre os mantenedores da entidade. − Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco elucidativo – o lucro. Nesse passo. José Eduardo Soares de Melo. não obstante a mediata ligação a todas pessoas citadas37. No caminho hermenêutico ora trilhado. CTN anuncia. nas palavras de Rui Barbosa. quis mencionar o superávit. p. sendo assim recepcionado pela CF/88. Note que aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser traduzida à luz deste inciso I. Misabel Derzi. Além de tudo. 2006. Amaro (2006). como Machado (1993). Direito Tributário Brasileiro. nem mesmo o “animus lucrandi”. Cassone (2004) e Sabbag (2004). Note que as entidades educacionais e assistenciais poderão – e 37 Em sentido contrário. Não distribuição do patrimônio ou renda. I a III. Portanto. Não se veda o resultado positivo na entidade. “ex vi” do art. 51). isto é. 14. Ademais. Nesse contexto. § 7º. os requisitos à fruição da imunidade. necessário é lembrar que tais pessoas também são imunes às contribuições sociais.

De fato. I a III. que o MANTENEDOR da instituição poderá receber uma contraprestação pelos serviços realizados. como uma “punição”. p. indicando a jurisprudência no sentido da adstrição a valores de mercado. quando dos comentários retro sobre a imunidade de templos: prova da aplicação . Ademais. merecendo a proteção da imunidade. conquanto sua redação parece pretender instituir um Poder de punição à autoridade tributária. 14. § 1º. não se perderia a imunidade. não os carreando para países estranhos. passará. se cumprirem a exigência ora analisada. devendo passar a recolher os impostos. CTN de aberrante. o STF analisa tal comando. 150. é natural que se apliquem os valores na consecução dos objetivos institucionais. a qual possui filial no Brasil. o que não parece de todo apropriado. diante do resultado positivo. a análise é subjetiva. CTN. desde que se cumpram os requisitos já conhecidos. quando permite à autoridade “cassar” a imunidade. segundo Amaro (2006) e José Eduardo Soares de Melo. Nesse passo. ligado à instituição educacional. Não aplicação de recursos fora do país. Análise do art. CTN) trata o assunto com terminologia criticável. entretanto. pois. 14. Observações finais – caso a entidade deixe de cumprir os requisitos do art. quanto ao rol classificatório ali inserto – impostos sobre o patrimônio. § 4º. III. arrendamento. II. Manter a escrituração contábil em dia e hábil a provar o cumprimento dos requisitos anteriores – sem a demonstração mencionada. mera paralisação dos efeitos imunitórios. Uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua. os valores não poderão se apresentar como “distribuição” disfarçada de lucro”. havendo respeito à disposição legal.25 deverão – almejar o resultado financeiro positivo. aquela Corte interpreta a expressão “finalidade essencial” de modo lato. os pressupostos dos incisos I e II são iníquos. não incluindo o envio desvinculado de valores ao exterior. Haveria desrespeito ao inciso em análise? Para o mestre. A legislação pertinente (art. O eminente Aliomar Baleeiro cita curioso exemplo de gasto com universitário. renda ou serviços. pode remeter divisas para o exterior. prejudicando a manutenção dos objetivos institucionais – trata-se de requisito óbvio. imediatamente a ser alvo da TRIBUTAÇÃO. 157) chama o art. CF/88 – repetindo comentário supra. Amaro (2006. 14. em país estrangeiro. É o caso também de instituição filantrópica internacional. etc). Diga-se. por fim. mediante ato discricionário. permitindo a extensão da imunidade a bens ligados a atividades inessenciais (locação. a qual poderá realizar ou não a ação – na expressão “pode fazê-lo” –. É. sim. afastando a interpretação restritiva. § 1º.

É a posição cristalizada na Súmula 724 do STF40. e não sobre o contribuinte de direito (a entidade). Independe do conteúdo difundido.737-SP. desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. ao contrário das demais (“a”. . à luz dos conceitos de universalidade e generalidade. como é o caso de ISS sobre a publicidade nas publicações. Informativo do STF nº 220. Súmula 730 do STF41 – as entidades fechadas de previdência social serão imunes quando não houver contribuição dos beneficiados. II. em razão da teoria da repercussão tributária. de 5-6-1998. 42 STF. A 2ª Turma. no RE 210. DJU 12. em 2 de fevereiro de 2003. A propósito. Pleno. segundo a qual o ônus recai sobre o contribuinte de fato (adquirente). decidiu por maioria pela não incidência de ICMS nas vendas. por exemplo. A participação onerosa do beneficiário no plano de previdência privada. op. “b” e “c”). etc. RE 286.Alínea “d” (IMUNIDADE PARA LIVROS. Marco Aurélio. 150. Nessa medida. etc. AgRgRE 106. De fato. incidiria o ICMS nas rendas e bens provenientes de bazares organizados por entidade filantrópica? A 1ª Turma do STF sempre entendeu que deveria haver a incidência do imposto. IE. DJU 6.251-2-SP. A prova deve ser feita pelo titular da imunidade38.700/DF. No mesmo sentido. 10. Vale dizer que a editora. 154. a proteção alcança as revistas pornográficas (material fescenino).11. isto é. da constituição. E incidirão. RE 237. 4. Ellen Gracie. exclusivamente. 41 Súmula 730 do STF: “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. Min. JORNAIS. 40 Súmula 724: “Ainda quando alugado a terceiros. receberá a carga de impostos sobre si. STF.2001.2001. afasta a imunidade. VI. Em contrário senso. IR (renda da venda dos livros).692. p. é imunidade objetiva ao afastar a incidência de impostos reais (sobre os bens). rel. a alínea “d” versa sobre bens e não sobre pessoas. 150. aquelas de pouco 38 39 STF. p. Elemento teleológico – é a difusão do conhecimento e da cultura. entendia cabível a não incidência. somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”. DJU e-1. 2-3-2003. IPI. c. RE 210. O STF (Pleno)..718-SP.26 integral das rendas nos objetivos institucionais (Ex. porque está ligada a bens e não pessoas.251-2/SP. vi. não incidem sobre o livro e sucedâneos: ICMS. da Constituição. consoante entendimento já firmado pelo Pretório Excelso42. DJU 19-11-03. Mas a regra da imunidade não inclui atividades ligadas ao bem. permanece imune ao iptu o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. defende Amaro. Min.: alugueres recebidos de locação de área pertencente à entidade filantrópica) e da inexistência de prejuízo à livre concorrência (aferição por meio de critérios subjetivos). RE 202. rel. PERIÓDICOS E O PAPEL DESTINADO À SUA IMPRESSÃO) Natureza – é objetiva. RE 235. desde que o lucro fosse reinvestido39. fruto de relação contratual entre o órgão e a categoria específica. por sua vez.9. normalmente: IPVA (carro da editora). naturalmente. ITBI (aquisição de prédio pela editora). c.169-7. cit. j.

Lei 10753/03 (Lei da Política Nacional do Livro) equipara o livro em meio digital a livro impresso. Marco Aurélio.: imunidade de II sobre máquinas de impressão de jornais. § 6º. Min. dentre outros. foi publicada a Súmula 657 do STF45. RE’s 204. rel. Não é a posição cristalizada pelo Excelso Pretório. vêem outras decisões do Excelso Pretório aceitando a extensão da imunidade a manuais técnicos e apostilas44. Ex. 46 STF.06. Na mesma idéia. Lista telefônica – segundo entendimento assentado pelo STF. rel. Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser interpretadas ampliativamente? Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da imunidade de forma restritiva.8. independentemente da ausência de conteúdo informativo43. 45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art.11.403-SP. Moreira Alves. d. RE 101. a norma imunizante deve ser observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido. rel. Min. e não em razão do suporte difusor de cultura. DJU 12. STF. Insumo – o único insumo protegido pela regra será o PAPEL destinado à impressão. . Em sentido contrário. IX e XIV.1998. reforçando a tese majoritária. DJU 07. IV. e a jurisprudência vêem a EXTENSÃO da imunidade aos livros na forma de CD-Rom. como equipamentos destinados à função. Lembre-se que não havendo tributação. Encontra guarida constitucional nos arts.441/RS.2000. Chimenti (2001. VII.27 conteúdo informativo. Justificam que a imunidade deve ser aferida a partir do fim da difusão do conhecimento. por José Eduardo Soares de Melo e por Cassone (2004). O art. Min. 203. tendo em vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção constitucional. RE 183. Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há imunidade: elas são devidas? 43 44 STF.859 e 273. Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou complementar? Ou é auto-aplicável? Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária. 5º. Mídia eletrônica – a doutrina mais abalizada. na condição de periódicos.308/SP. DJU 22. CF/88. parágrafo único. Entretanto. RE 199.183. as listas telefônicas são imunes. Marco Aurélio. 41) leciona que imunidade a deve abranger todos os meios indispensáveis à produção dos objetos imunes. representada. que estendeu a imunidade da alínea “d” aos filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e revistas. da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”.2000. valorizando os direitos fundamentais que lhe são afetos. 150. p. VI. e 220. etc. porquanto este procura conferir uma interpretação restritiva ao dispositivo46. 2º.234.

o "caput" do dispositivo deixa claro que suas conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). somente por esse fato. Entretanto. Lei 9532/97. “b”. CTN. respeitando as previsões expressas da CF. foi dito que o art. XI. 194. CF/88. Pergunta: quanto ao art. em seu art. engloba as obrigações acessórias. 9º do CTN. o art. 150. parágrafo único. no que diz respeito aos impostos. Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art.104/01. A posição está correta? Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro raciocínio. somente por esse fato. o art. 150. conforme expressa disposição constitucional. Pergunta: uma entidade. Lei 10753/03 (Política Nacional do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes visuais exclusivamente. 14. VI. deixa claro que as pessoas imunes. parágrafo único. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. em tese. III. CTN. O termo lei. e o art. 156. as mencionadas disposições citadas por V. I a III. CF/88. não há obrigação principal e muito menos acessória. sujeitam-se à fiscalização tributária. 12. segundo o STF e a doutrina majoritária. § 2º. CTN. Como compatibilizar os dispositivos? Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' devem ser cumpridos. “c”. 150. estabelece as condições para o exercício. não faz jus à imunidade do art. D. “c”. inovam em suas disposições. Ademais. III. nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento imunizante. § 2º. parágrafo VI. CF/88. O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser escrito em papel ou digitalizado. uma entidade. Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão o assunto a ser implementado. parágrafo VI. 156 do CTN foi incluso pela Lei Complementar n.Sa. à guisa do entendimento do STF. assim como as isentas. preceituando condição inexistente na citada LC. VIII. DF e UF). Caso haja cobrança de uma contribuição social. 146. O inciso XI do art. pode. VI. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. 2º. “c”. Pergunta: o art. por exemplo. “d”. pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade. a disposição legal não poderia ser usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art. há alguma regulamentação ou aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. daí o teor do art. 3º. 150. No entanto. Nesse passo. faz jus à imunidade do art. a obrigação acessória persistirá.146. abarcando assim. E-m. III. o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas políticas interessadas (M. o que. Apenas a entidade assistencial social ou educacional. sem adjetivo algum. “a”. se não há tributação. 4382/02.28 Resposta: lembre-se que. corresponde à figura da lei ordinária. CF/88? Como é concedida a imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? Resposta: não. CF/88? Resposta: Não. após ter cumprido os requisitos da lei para receber a .

também do STN. esse Poder deveria ser utilizado “cum grano salis”. regras rígidas de competência.637/02. p. especialmente voltado para fruição de algumas liberdades fundamentais. defende que o Sistema Tributário Nacional é ternário. O princípio da supremacia do interesse público era levado a cabo exacerbadamente (“I need. limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas tributárias47. não existia equilíbrio entre Estado e cidadão na atividade fiscal. De fato. Sistema Tributário Nacional Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? Qual a importância da EC 18/65? A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. Transformou a Carta de 1946. imunidades e tributos. Destarte. composto de princípios. sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira delas). Para refrear o ímpeto do constituinte reformador. o STN segue o mesmo diapasão da própria Constituição: sendo essa rígida. p. etc. Esta última configurou um marco no Direito Tributário brasileiro. por ocasião do golpe de 1964. 60. Direito Tributário. Nas negociações entre as forças políticas da época – com mediação do então presidente do STF. a EC consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. 118). § 2º. competência tributária. em consonância com o setor fiscal (NOGUEIRA. e Lei 10. Prima Cursos Preparatórios. porquanto houve mais de 50 emendas em pouco mais de 15 anos de sua existência. Não funcionou a contento! Politicamente. a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e. A constitucionalização do Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades. .29 concessão da imunidade. fazendo nascer uma vertente doméstica moderna nesse ramo. Porém. por conseqüência. Deve ser pleiteada perante a Receita Federal. a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional de impostos e princípios constitucionais tributários. CF/88) para garantir a necessária rigidez. 26). até tal diploma. Qual é a estrutura do STN? A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar. foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). Aliomar Baleeiro –. receber a concessão imunizante. No Brasil. 47 Eduardo de Moraes Sabbag. em seus arts. Para Cassone (2004. 2004. via requerimento conforme estabelece os procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97. O Poder Constituinte Derivado Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos às mudanças sociais ocorridas. São Paulo. Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? Quanto à rigidez/flexibilidade. 12 e 13. I can”). foi erigido o sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art. há uma grande crítica a essa premissa da CF/88. também o é aquele. 1999. Criou um regime sistematizado.

em sua essência ontológica. Considerando que o dispositivo legal está em choque com o art. à luz do art. direcionado aos entes políticos – que. Todavia. coercitivamente. Dessa forma. de interesse coletivo. aduzido materialmente por meio da tributação. para órgãos e para serviços respectivos (JERKINS apud DI PIETRO. sabendo que não tem o todo. exercício de direito fundamental . somente aquelas pessoas que possuem Poder Legiferante (Congresso Nacional. a qual pressupõe um custo para agentes. de responsabilidade fiscal. Câmara Legislativa. CF/88. Estados. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR tem dois objetivos e se faz mediante dois instrumentos: proteção ao federalismo e aos direitos fundamentais. garantir o mínimo de existência (de essencialidade) quanto aos direitos fundamentais deve ser a pauta do Estado (vida digna – mínimo essencial – garantia e efetivação dos direitos fundamentais – prestação de serviços públicos). para formar o bolo. O ato de tributação. criando tributos até mesmo de forma errônea. que a gestão fiscal equilibrada pressupõe. é extorsivo. conclui-se que o exercício da competência tributária é obrigatória. A coletividade deve contribuir. havidos por meio das imunidades e dos princípios. O Estado. a criação de tributos. Dessa feita. 145. de modo a permitir a consecução dos fins da própria gestão pública. de acordo com a capacidade contributiva isonômica: a cada um na medida de suas possibilidades. principalmente. em conseqüência. em uma atividade administrativa. O poder de tributar. propiciando uma vida digna. “caput”. com o intuito de estabelecer um equilíbrio nas contas públicas. os quais conformam as limitações ao poder de tributar). detêm parte dele – para exercê-lo dentro dos limites de sua circunscrição e mediante determinadas condicionantes (imunidades e princípios. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA é o poder recebido do constituinte para servir ao custeio da máquina estatal. Esta tarefa será efetivada por meio da Administração Pública. dentre outras medidas. em seu art. deve prestar serviços públicos mínimos. 2006). Segundo Carlos Ayres Brito. O Estado de Direito enxerga na tributação a via pela qual ele efetiva suas funções. sob pena de renúncia de receita e. Câmara Municipal) podem instituir tributos. Esse arcabouço será mantido pelas receitas originárias e. o legislador recebe do constituinte o poder de impor a tributação. pela atividade fiscal ou receitas derivadas (tributação). E por que não há ADIn? Pela razão fática de que o Estado já onera o contribuinte por demais. diz-se que padece de inconstitucionalidade. é uma faculdade.30 A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço. PODER DE TRIBUTAR é prerrogativa de impor a tributação. que surge depois da exigência. 145. DF e Municípios). Ex. É exercido pelos entes políticos (União. Desta forma. CF/88. “caput”. titulares da competência tributária. E ela foi efetivada pela instituição do poder de tributar. “caput”. Neste sentido. Deve-se distinguir. a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). Assembléia Legislativa. de criar tributo. o direito potestativo de tornar exigível a obrigação (adequado ao lançamento) e o direito subjetivo de crédito. Com efeito. O instrumento de criação do tributo é a lei. preceitua. somente a chancela do constituinte poderia garantir-lhe legitimidade. entretanto. 11. a divisão nacional do poder de tributar é a fatia de competência tributária relegada a cada um dos entes políticos.: a imunidade de livros presta-se a maximizar a divulgação de idéias.

simultaneamente. regras a determinar como deve ser exercida a competência tributária. 145 e 150. conferindo parte da receita auferida por uns entes a outros. Ex.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Estados (art. destinado às áreas geográficas menos desenvolvidas (Norte. CF/88). em regra. CF/88). 10% do IPI aos Estados. e 220. Quem institui os tributos é a lei ordinária. é cediço postular que a Constituição. aduzida e qualificada pela Constituição. 159. 155 e 156. III. o exercício da competência é coercitivo. não cria tributos. CF/88. é produzida no município. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS – decorre do ranço de valorizar majoritariamente o Poder Central. ou seja. assim como é a imunidade de templos e religiões. mediante o comando autorizador dado pelo constituinte federal. CF/88.: arts. CF/88). CF/88). CF/88). se for o caso de tributo.: metade do IPVA é destinado ao município onde foi emplacado o veículo (art. § 6º. o constituinte colimou re-equilibrar a federação.: arts. A imunidade tributária é uma regra de não-incidência da competência tributária. VI. 3% do IR vai para programas de financiamento do setor produtivo. em si. Ex. e lei complementar excepcionalmente. Estados. Em contrapartida. DF e Municípios). CF/88. O poder de tributar foi criado para garantir autonomia financeira à pessoa política.: arts. 159. I. por comando constitucional. O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL possui dois enfoques: 1ª corrente – será nacional quando suas normas vinculam. IX. com o mesmo escopo federalista e valorizador dos direitos humanos. CF/88). Todavia. À guisa dessas não-incidências. tendo como fim promover o federalismo e a proteção aos direitos fundamentais. Entretanto. a União deve entregar parte de sua riqueza tributável aos Estados e aos Municípios.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Municípios (art. A CF/88 somente determina a competência tributária. . porque a exploração econômica do patrimônio público é prática na contramão da tendência moderna e pós-moderna. Também é nacional a norma que vincula determinada categoria de pessoa política. nas respectivas atividades de exportação de produtos industrializados (art. Nordeste e CentroOeste).31 (arts. existem as regulações do poder de tributar. XIV. 22. 25% do ICMS é destinado aos municípios do respectivo Estado arrecadador (art. há normas exclusivamente federais. quando estas se aplicam exclusivamente à União. Ex. “c”. CF/88). 5º. IV. As Constituições estaduais e distrital e as leis orgânicas municipais também não criam as exações nem determinam competências. De forma suplementar ao poder de tributar. Neste diapasão. I. “a”. o constituinte institui o mecanismo de repartição das receitas. I. IV. 158. Fazendo tais considerações. Ex. concretamente. 148. II. com o fim de efetivar a idéia da união federativa (art. 5º. cuja receita deva ser repartida com outro ente político. É fato de que toda esta renda. CF/88). em qualquer esfera de Poder. 158. 159. 159. 21. “b”. todos os entes políticos (União. porque se presta à liberdade de culto (art. para que os maiores entes políticos não fiquem com todas as rendas tributárias.

CC). III. A tributação é um ato de agressão patrimonial obrigatório e coercitivo. CTN. I e II. 538. 3º. convivendo. A vontade não se vincula à formação da relação jurídicotributária (obrigação tributária). 3º. CTN. 3º. papel selado. a doação (art. uma lei que permitisse a dação por bens móveis ofenderia a exigência constitucional de licitação para a aquisição de mercadorias pela Administração (art. tributo vem do latim “tributum”. p. a matéria em análise deve estar afeta à lei complementar. estaria impedida de versar sobre o tema49. CC). Curso de Direito Tributário. na extinção das obrigações. Teoria Geral da Tributação CONCEITO DE TRIBUTO – etimologicamente. consoante comentário a ser aduzido. por exemplo.. A LC 104/01 inseriu o inciso XI no art. ao contrário dos demais negócios jurídico civis. de vantagem patrimonial. p. A definição jurídica de tributo encontra-se no art. não é permitida discricionariedade na prestação ou não do tributo. consegue enxergar. Rio de Janeiro. 356 a 359. diversa de multa. (art. Amaro. Tributo é prestação pecuniária compulsória. na letra do art. Quando uma norma da CF/88 dá competência tributária para um ente determinado político. CTN. aquilo que um Estado (ou tribo) devia a outro em decorrência de autêntica relação de vassalagem (FÜHRER e FÜHRER. – por meio da expressão “cujo valor nela se possa exprimir” – uma forma de compatibilização com o art. Informativo do STF n° 136. Prestação pecuniária48 – está ligada à idéia de riqueza. admitindo a dação de bens móveis como forma de extinção do crédito tributário. instituída por lei e cobrada por lançamento. indicando a possibilidade de se entregar um bem distinto daquele anteriormente avençado. Em sentido totalmente oposto. sob pena de inexistir a tributação. Segundo o art. 49 A Lei 1624/97-DF. CF/88. O CTN prevê a dação tão-só para bens imóveis. CTN. regulamentou a matéria de dação em pagamento de tributos por meio de bens móveis. A captação da riqueza particular em favor do interesse público não pode depender da voluntariedade do contribuinte. simultaneamente retira dos demais. 48 . 7ª ed. Trata-se de instituto oriundo do Direito Privado (art. 19 a 21. em que a ela é pressuposto de existência. Na esteira. por exemplo. poderia sugerir que o tributo decorrente do negócio jurídico não estaria Hugo de Brito Machado. 1993. 162. depreende ferrenha crítica à redação do art. por outro lado. por representar uma liberalidade. 2001. op. Tais formas de pagamento do tributo são usuais. 156 do CTN. 50 STF. protestando pela impossibilidade absoluta na prestação não pecuniária referente ao tributo. ao prever uma nova causa extintiva do crédito tributário – a dação em pagamento. Ademais.32 2ª corrente – é integralmente nacional. CTN). estampilha. “b”. ou seja. Forense. 146. pago em moeda ou outro valor que possa nela ser exprimido. CF/88)50. 17). 156. contrariando o impedimento sistêmico imposto pela CF/88. outros doutrinadores protestam no mesmo sentido. Nesse passo. cit. aquele pago com bens agrícolas. etc. razão pela qual uma lei ordinária estadual. Ao sujeito passivo. XXI. Pecúnia é a moeda corrente (Real) ou o próprio cheque. 37. isto é. Compulsória – é a eliminação do elemento vontade. ADIn 1917-DF. XI. Não se admite o tributo “in natura”.. com métodos antiquados de pagamento: vale postal.

descentralizar a atividade. para corrigir a imperfeição da arrecadação por impostos. também conhecida como tarifa52. do contrário. A contraprestação dessa espécie de serviço é tida por preço (não tributário). Inexiste compulsoriedade. 155. Em tese. pode haver duas espécies: os serviços a título universal e singular. cit.. são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. em relação à lei que as instituiu”. Ledo engano. Uma vez ocorrendo o negócio mencionado. denomina-se preço público. São conhecidas vulgarmente como “taxas de uso”. 116. Pode. enquanto preço privado. para tutelar a coletividade. pendendo facultatividade na contratação e na conseqüente remuneração (autonomia da vontade). Nesse âmbito. No diapasão. de um serviço privado de livre concorrência. por taxas – também conhecido por preço tributário. Só há aquele meio de uso. incidirá o ITCMD (art. de preservação ecológica e de emissão de passaporte. Caso seja prestado por entidade da Administração Indireta (sociedade de economia mista ou empresa pública). enquanto todos contribuem para ele. é chamado de tarifa ou preço privado. não existindo outra opção.) e aquelas decorrentes do poder de polícia. é lícito o lucro e a livre concorrência. pois somente alguns recebem o serviço “uti universi”. sem permitir o lucro (distribuição de dividendos) e a livre concorrência. não se cogitando de sua submissão e inclusão no sistema tributário. A natureza do ajuste entre as partes é contratual. mesmo que deles não se utilize. p. há três taxas que fogem à idéia geral de sua concepção: judiciárias. I e § 1º. o consumo do serviço também é compulsório por parte do administrado. há serviços públicos que não cabe ao Estado prestar. CF/88). O constituinte preceituou que o Estado preste alguns serviços públicos de interesse público primário. O primeiro é “remunerado” por meio de impostos e os segundos. São exações atípicas. 51 Súmula 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. O pagamento dessa então se deve à retributividade do custo do serviço prestado. Nessa seara. Nesse sentido. porque não serão remuneradas pelos usuários em potencial. de . porque o fenômeno tributável é o ato em si e não seu caráter voluntário (“animus donandi”). é cediço recorrer ao Direito Administrativo para desigualá-las. porque há opção na contratação (liberdade de contratar). no máximo. 52 O preço é a remuneração por qualquer serviço não tributário. Não há propriamente grande diferença entre os conceitos. no qual fica patente que o preço público é a remuneração de um serviço público prestado indiretamente pelo Estado (por concessão ou por permissão). com exceção da nomenclatura. mas tão-somente pelos efetivos.33 abarcado pela regra da obrigatoriedade. As taxas podem ser de serviços propriamente ditos (coleta de lixo. A Súmula 545 do STF51 determina a diferenciação entre taxa e tarifa: a compulsoriedade. as taxas são devidas desde que colocados os serviços à disposição do usuário. Nesse campo. eles serão de domínio público exclusivo do Estado. No entanto. etc. Ambos se submetem ao regime de Direito Privado. É o entendimento esposado por Cassone. elas aproximam-se dos preços. água e esgoto. porque estas. op. Ao revés. diferentemente daqueles. prestados diretamente por ele. por questão de interesse público da coletividade. mas não se lhes equiparam. O teor do serviço prestado determinará o tipo de contraprestação. Além disso.

mitigando essa construção. O Direito Administrativo distingue o preço público da tarifa (ou preço privado) sob alguns aspectos. Títulos da dívida pública. por aquilo que não utilizou (cartórios judiciais e emissão de passaporte). continua Amaro (2006). não é serviço exclusivo de Estado. remoção de lixo. 45) afirma que os serviços públicos inerentes ao Estado. não autorizou a incidência da exação em si. esgoto. Moeda é a principal forma corrente de transmitir riqueza. sendo delegáveis e pagos por preços públicos (serviço postal. Todavia. pois salvo melhor juízo. porquanto não usados.). sendo fixado unicamente para custear um serviço. poder-se-ia advogar a natureza tributária. 2006. remunerando-o do custo envolvido e de uma parcela de lucro. em face do desrespeito às normas urbanísticas. pode também ser objeto de preço. p. não incidindo o “jus puniendi” estatal. Para justificar a existência do IPTU. sepultamento. XXIII. O primeiro se reverte inteiramente ao Estado prestador do serviço. telefonia. Como se trata de norma de eficácia limitada. ao verificar conveniência da melhor escolha. O fato que gera a obrigação tributária não é uma conduta contrária ao Estado de Direito. é uma prestação “in natura”. os essenciais ao interesse público. Prestação de serviço e produtos não são formas corriqueiras de recebimento pelo fisco. Mas a LC 104/01 alterou bastante o CTN. outros entendem que há uma exceção ao seu conceito. Ex. Já o segundo se volta a concessionário. A ilicitude da conduta somente provocou a progressividade. 156. O valor que se pode exprimir é um conceito aberto. Lapatza (apud AMARO. no âmbito da competência tributária respectiva. REsp 167489-SP e RE 89876-RJ. podem incitar a remuneração por meio de taxa. Não há pacificação doutrinária quanto ao tema. A progressividade do IPTU visa preservar a função social da propriedade (art. Moreira Alves. hoje não mais usados. O princípio do “non olet” pode ser vislumbrado nos exemplos da renda auferida por traficante54 e do IPTU com alíquota progressiva. o que diferencia a taxa e a tarifa é a natureza do serviço público prestado. nessa forma. Paga em moeda (regra) ou valor do qual se exprime (exceção) – tributo deve ser pago em dinheiro como regra. A determinação de uma ou de outra saída reputa-se ao legislador. a dação. Direito Público. A doutrina mais tradicional afirmava que o tributo não se paga “in labore” nem “in natura”. Eventualmente. gás. mediante utilização efetiva ou potencial (água. os não essenciais. nota de rodapé “4”. Min. sua remuneração pode ser extraída de preço. indelegáveis e passíveis de taxação. necessita de LO para regulamentação. 5º. os serviços públicos divisíveis e singulares podem ser catalogados em 3 planos: os propriamente estatais. cheque e selo já foram algumas dessas formas. rel. Para o eminente ministro. permitindo que o legislador ordinário pudesse receber crédito tributário de outra maneira que não moeda. energia elétrica. Essa já preexistia. CF/88). 54 Cf. sem qualquer outra espécie de remuneração.). é delegável à iniciativa privada. permite exploração de lucro.34 Em resumo.: quanto ao serviço funerário. permissionário ou autorizatário de serviço público delegado. Diversa da multa – o tributo não é sanção por ato ilícito. etc. quando por ele prestados. quando houver previsão no ato de delegação (contrato ou ato administrativo). não acarretam ranhura ao interesse público. não podendo o Estado cobrar por aquilo que não prestar ou o usuário. . em prol da comunidade. etc. segundo entendimento já firmado pelo Excelso Pretório53. remunerados por taxa. 53 Cf. permitindo a dação em pagamento para crédito tributário. suficiente para atrair o afã do particular e manter a atualidade da prestação. De fato. pode ter parcela revertida ao Estado. O imposto tem por fato gerador a propriedade. CTN. A LC 104/01 apôs o inciso XI ao art. caso contrário. ao prever a dação em pagamento por bens imóveis (bem diverso de moeda) para extinção do crédito tributário.

156. Aqui. CF/88). Essa é a finalidade política da dação. somente parcela poderia efetivar o desejo. reputando o art.Lesão à isonomia – o princípio. XI. como está. possibilitando o “sucateamento” do fisco. seguindo a orientação de recuperação fiscal (REFIS) italiana. Dessa feita. Somente alguns possuem imóveis. Isso se deve ao fato de que os pequenos devedores do fisco não possuem dívidas de montante a justificar a dação de imóvel. Esse dispositivo. Essa antítese pode ser solucionada pelos seguintes argumentos. De todos aqueles que possuem “animus solvendi”. 156. se presta.35 A grande questão que se coloca é a possibilidade ou não de deferir dação para bens mobiliários. muito pela pretensa inafastabilidade do Judiciário (art. Com efeito. bens de categoria inferior. a jurisprudência pacífica os considera legítimos. o gênero REFIS engloba várias categorias. O imóvel a ser oferecido será o expurgo de grandes empresários. muito mais afeto à sua realidade. XI. equiparada àquela espécie. XI. Entretanto. CTN) e inconstitucional (art. 150. a dação de bens imóveis é uma manobra ardilosa. surge uma brecha a legitimar. elemento proibido na ordem tributária nacional. O mecanismo visou movimentar a máquina estatal para cobrar dívidas tributárias com o menor esforço. o pequeno devedor deveria ter a possibilidade de adimplir seus débitos com bens móveis. . A LO que dessa forma dispusesse seria ilegal (art. porque se presta a permitir que grandes devedores extingam seus créditos tributários sem desembolsar nenhum centavo. será de família. por colidir com o espírito Carta de 1988. Nesse passo. CF. 5º. há formação de um privilégio. CF/88). a dação de bens móveis. Com efeito. 146. CTN. por metonímia. as leis que instituem esses programas geralmente condicionam sua concessão à desistência de demandas judiciais. II. 55 A ADIn 2405 versa sobre dação em pagamento na extinção de crédito tributário. permitindo resolver as questões na esfera administrativa. Apesar dos contribuintes se debaterem sobre a constitucionalidade dessa disposição. A norma do art. o Brasil tentou implementar a mesma política. porque exorbita de sua competência regulamentadora. havendo uma desigualdade aos iguais. porquanto opera discriminação aos iguais. não permite que o fisco trate desigualmente pessoas iguais. Juridicamente. Mas esses argumentos podem ser contestados. XXXV. CTN55: . Dentro dessa realidade. “b”. 156. dentre elas o parcelamento. pela necessidade de eficácia da norma. CTN. em favor da inconstitucionalidade do art. XI. Mas essa interpretação conforme a Constituição talvez ferisse os freios e contrapesos da divisão orgânica do poder. somente a favorecer certa parcela das pessoas. estipulado no art. essa espécie acabou sendo. III. 156. seria inconstitucional. por sua gramática. No mesmo sentido estão os pequenos empresários. conquanto se trata de opção do contribuinte. mesmo porque a maioria deles não possui bens de raiz ou se os tem. como rol exemplificativo.

em interpretação literal. CTN. CTN. não se permitindo sua exegese restritiva. certo. Se o legislador determinou a prevalência na penhora de móveis antes de imóveis. haveria um contra-senso na extinção do crédito tributário. 156. ainda que não exigível . O conceito de compensação se aduz da lei civil (arts. 156. a hermenêutica restritiva não pode ter vez. 156. mas não proibiu a dação de móveis. A LEF permite a penhora sobre bens móveis. anistias. evitaria o movimento da máquina Judiciária. ao descrever a compensação do crédito tributário. O legislador não tem a capacidade de exprimir toda sua vontade simplesmente pela letra da lei. CC. “caput”. permite a compensação. .) e às extremas exceções (dispensa de obrigação acessória. 11. poderia haver a compensação da forma descrita. 368 a 380. pacificando a relação jurídico-tributária e conferindo segurança à sociedade e ao particular. Afora esses dois casos. estaria em flagrante afronta à realidade. XI. Por que chegar a ponto da cobrança judicial se o entrave pode ser resolvido no momento préprocessual. LEF). viola os princípios da razoabilidade. permite o precatório como forma de crédito líquido. da economicidade e da operabilidade. o dispositivo em tela não proibiu a interpretação extensiva de norma de extinção de crédito tributário. CTN – exige a interpretação estrita em matéria de exclusão e de suspensão de crédito tributário.Interpretação sistemática do CTN com a LEF – o art. XI. por exemplo). Esse mecanismo favoreceria a economicidade. CTN. Com efeito. art. como tal. em seu inciso II. Na mesma esteira. I a IV. O fisco não aceitar o bem móvel certo. gênero da dação em pagamento. poderia pagar com seus bens móveis. 110. A função do operador do Direito é buscar essa verdadeira “mens legis”. I a XI. No ponto. O devedor quer pagar e. CTN. na seara administrativa. permite a dação de imóveis. ao definir as modalidades de extinção do crédito tributário. CTN. Ainda nessa seara. . CTN. CTN). somente depois do processo judicial devido. no seu art. administrativo? Se o devedor pudesse adimplir antes da execução fiscal com seus móveis. lesando a razoabilidade. deve ter o desejo atendido. a lei deve viabilizar a intenção. I a XI. etc.36 . O texto do art. porquanto. O art. 111. XI. I a III. 170. O intérprete não tem o direito de colocar restrições onde o legislador não fez. Para solver o problema. 156. obrigando-se passar por esses antes de um imóvel (art. o art. Mas a interpretação restritiva deve se ater à concessão de liberalidades (isenções.Art. portanto. 156. discutiu-se o pagamento do tributo por meio de compensação com precatórios. Dessa feita. porquanto a execução fiscal poderia não atingir outros bens (incerteza). não urge a interpretação restritiva do art. a hermêutica extensiva é a melhor solução ao intérprete. afinal há coincidência de afã com o interesse público. c. Em tese.Segurança jurídica – a extinção da relação jurídica tributária é o grande fim colimado pela lei.c.

porquanto jamais recomporá os danos de terceiros. 13/9/2007. precatório exprime dívidas de grande valor. econômica e relações de consumo56.2007. Lei 10684/03. 100. CF/88. 5ª T. a qualquer tempo. de modo a favorecer. 15. Lei 9249/95. 1ª T. Informativo do STJ n° 325). e os arts.805-SP. desde que haja uma lei ordinária a regulamentar a compensação. está-se em discussão a possibilidade de configuração ou não de crime de quadrilha (art. DJU 29/4/2005. A maioria da população deve ao fisco um crédito tributário de pequena monta. j.829-PR. Atualmente. dada situação simples. j. 9º. Concluindo. delitos de sonegação fiscal e contra a ordem tributária. “caput”. HC 84. Eros Grau. essas empresas geralmente não possuem precatórios para com o Estado. Informativo do STJ n° 331. O art. 34. na ADIn-MC 2099. HC 56.. STJ.2003). para possibilitar a compensação com seus débitos fiscais. Min. 34. Lei 9964/00. Min. CP) nos delitos fiscais. ADCT. rel. o rel. j. T. rel. Min. RT 770/492).799-SP. mormente. Sepúlveda Pertence. Marco Aurélio Mello denegou a compensação. Na esteira. DJU 16/4/2007. REsp 747.6. Ocorre que a jurisprudência pacífica entende que os crimes tributários são materiais. Min. constantes do CP. O comando autoriza a extinção da punibilidade. 10. Via de regra. DJU 13/3/2006. pelo pagamento. Certamente. DJU 1º/2/2006. RO em HC 77258-2. rel.. a fim de possibilitar cessão de crédito ao seu patrimônio e. Min. realizar a compensação. seguindo os ditames do art. Lei 10684/03). HC 77. Se a prescrição qüinqüenal já atingiu a pretensão do fisco em exigir judicialmente o débito ou a decadência fulminou o direito postestativo de realizar o lançamento. HC 81. DJU 20/5/2005. Esse expediente foi bastante corroborado com a possibilidade de não incidência da lei penal nos crimes tributários (Lei 4729/65 e 8137/90). como ocultação de faturamento da empresa. A despersonalização do precatório reside exatamente nesse ponto. Destarte. 57 STF. por conseguinte. porquanto aqueles grandes empresários adquirem os direitos creditícios por valores bastante inferiores ao nominal. No ponto. § 3º. “caput”. Lei 9249/95. HC 81611/SP. os quais só se concretizam pelo ato de lançamento do débito co-respectivo57. Maria Thereza de Assis Moura. no HC 84223/RS. e 15. CTN.611-DF. Ganham os empresários – que sonegaram deliberadamente – e ganha o Estado – que percebe seu tributo e não precisa adimplir seus compromissos indenizatórios. os grandes grupos econômicos fazem “lobby” para o não pagamento do precatório. a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário que visa tão-somente à perpetuação desse sistema censitário. No entanto. o STJ tem dado interpretação analógica à extinção da punibilidade pelo pagamento ao delito de descaminho e aos previdenciários.12. 170. revogou as disposições anteriores por dispor de forma diferente. Lei 9964/00 e 9º. 288. No mesmo sentido. em que pese a previsão da Lei 10684/03 silenciar sobre eles (HC 48.986-MS.37 (parcelas vincendas ou vencidas). 1ª.144-PR.262-DF. previam que a extinção da punibilidade somente se daria se o pagamento fosse feito antes da denúncia.1999. 14. e 78. “caput”. rel. Nesse sentido. a jurisprudência pacífica se posiciona no sentido de que a constituição do crédito tributário definitivamente efetivada é condição objetiva de punibilidade por delito fiscal (STF.. Mas existem alguns entraves à operabilidade desse mecanismo. j. O STF tem bastante complacência com essa sistemática. não erigindo termo final para tal. perfaz-se a prescrição do delito correspondente. rel. somente médios e grandes empresários possuem montante de dívidas tributárias a justificar a compensação. Min. § 3º. .8. a facilitar a elisão tributária de grandes pessoas jurídicas ao mesmo tempo em que flanqueia ao Estado a lesão de direitos fundamentais. Informativo do STF n° 476. Não há decisão sobre o assunto dentro do próprio Supremo. erigindo um paradoxo. Moreira Alves. 23. porque haveria 56 Os arts. Arnaldo Esteves Lima. 26/6/2007. § 2º. o termo inicial da prescrição penal será o da correspondente decisão administrativa definitiva (STF. desde que haja pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia (arts. AgRg no REsp 762. j.

e 139. o emérito ministro ainda argumentou no sentido de lesão aos interesses dos sujeitos ativos dos precatórios. No entanto. em um autêntico mandato sem reserva de poderes. 148. de modo a tutelar um dentre três elementos basilares – liberdade. CTN). cujos representantes eleitos manifestam a vontade popular. 153. a legitimidade do ato democrático se consubstancia pela democracia representativa. Com relação a esta. é o “norte” que deve seguir o agente político. 113. trata-se de posição minoritária. Dessa forma. impostos residuais. Ademais. contribuições de seguridade residuais e imposto sobre grandes fortunas (IGF). ao interesse público. A finalidade do art. I.38 lesão à ordem cronológica de pagamento dos precatórios. a anterioridade. Instituída por lei – há quatro tributos que necessitam LC: empréstimo compulsório. 1993). O princípio da legalidade visa proteger um valor básico: dar limite ao exercício de competência. “caput”. Trazendo o raciocínio para o Direito 58 STJ. 1ª Seç. É justamente a última que será protegida pela legalidade. lembra-se que o STJ tem admitido compensação de multas moratórias pagas indevidamente com tributos. CF/88). LC só será exigida para a instituição de tributos residuais. diversos daqueles já previstos na Carta. fazendo cair por terra o argumento supra citado. Não é a volição própria do administrador que deve imperar. 100. seriam ultrapassadas pelo mecanismo. é evitar que empréstimo compulsório seja instituído por MP. No tocante à legitimidade. por questão de urgência (art. na ADIn 2851. 153. amplitude e aplicabilidade de suas disposições (CANOTILHO. inclusive as alimentícias. CTN)58. II. Quem instituirá o imposto seria a LO. Ele gere a coletividade em favor dela própria. Sobre esse último (art. A lei. por conseguinte. há controvérsia doutrinária. . incompatível com a previsão de LC. em flagrante afronta ao comando do constituinte (art. é a tradução da atividade desse mandatário. para o povo e pelo povo. CF/88). Inobstante tal colocação. a irretroatividade e a transparência são sucedâneos da legalidade. CTN. porque ambos são causas subjacentes do mesmo crédito tributário (art. 1991). CTN. A Constituição não diz que deve ser instituído por LC. meio pelo qual o povo empresta ao Estado publicidade. 148. O respeito à vontade popular. § 1º. Por fim. segundo colocação do constituinte. porque a expressão “nos termos de lei complementar” se refere à regência de todos os impostos do art. Dessa forma. as dívidas de pequeno porte. A segurança jurídica se desmembra nas vertentes legitimidade e não surpresa. a seguir o comando alterado e existente na própria Constituição. justiça (igualdade) e segurança jurídica (fraternidade ou solidariedade). mas sim que deve ela definir “grande fortuna” (CARRAZZA.. Não quer dizer que a LC vá criar o tributo. legítimos detentores dos direitos neles exprimidos. o administrador é eleito do povo. a EC 30/00 permitiu expressamente a compensação de créditos tributários. com exceção do empréstimo compulsório. porque colima a lealdade e refuta o abuso de direito. o STF passa a perfilhar a disposição do constituinte. Apesar de razoável a explicação. EREsp 760290. VII.

causar prejuízo ou violar princípio da administração pública (art. instituído legalmente. para que. afirmando que o crédito surge na ocorrência do fato gerador. sendo enquadrado como ato de improbidade administrativa. Lei 4320/64). o tributo. essa idéia será mais bem delineada. Cobrada por lançamento – é a atividade administrativa plenamente vinculada. por meio dos serviços públicos. O tributo é uma forma de ingresso público (valor positivo ao erário) derivado. Essa assertiva diz respeito à sanção disciplinar no âmbito do estatuto. . CTN. consiga-se perfazer a justiça distributiva e manter o estado de bem-estar do povo. mesmo não se tratando de Direito Penal (STJ). O procedimento vinculado se rende a duas idéias: . 3º. FUNÇÃO DOS TRIBUTOS – em que pese haver tributos não vinculados – impostos –. a grande finalidade da tributação é arrecadar. e 11. . define o lançamento. todas as exações prestam-se a. pois a culpa não a caracteriza (DI PIETRO. Lei 8429/92). Essa tarefa só é possível quando são alocados os meios necessários. A atividade de cobrança de tributo é o próprio lançamento.Nos termos da legislação – não é dado ao agente a prerrogativa de escolher o modo de fazer. Em suma. 142. em sentido contrário. isto é. de conseqüência administrativa e cível. Em comentários abaixo. representado pela efetivação dos direitos fundamentais através da prestação de serviços públicos. O art. sob a óptica do Direito. a função do Estado é manter o nível mínimo de dignidade da pessoa humana. é a manifestação democrática do povo. “caput”. 2006). § 1º. não alcançando a seara penal. é necessário que haja dolo. 11. direta ou indiretamente. O CTN perfilha a teoria de que o crédito é constituído pelo lançamento59. Paulo de Barros Carvalho. Improbidade é um ato híbrido. Os desrespeito a esses dois postulados pode levar a conseqüências para o agente. Qualquer conteúdo patrimonial 59 Cf. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS – natureza jurídica é a qualidade essencial do instituto. o legislador qualificou o tributo como entrada definitiva. receita da espécie derivada (arts. devendo ser prevista pelo legislador. Seu parágrafo único prevê como conseqüência pelo descumprimento a responsabilidade funcional (administrativa). “caput”. Nas palavras de Carlos Ayres Brito. CTN.39 Tributário. A Lei 8429/92 regula exatamente o reflexo. O ato de improbidade pode se ater a três condutas: auferir vantagem. Deve fazê-lo de acordo com a norma. Essa não pode ser presumida. custear a máquina estatal. por uma questão de segurança jurídica. Entendendo essa colocação. Para essa última conduta.Obrigatoriedade – não existe discricionariedade permeando o procedimento administrativo. A culpa só pode se ater às duas primeiras condutas (auferir vantagem ou causar prejuízo). os quais são consubstanciados pela parcela da riqueza de cada qual para o bem comum. referida no art. 9º. A autoridade fiscal é obrigada a realizar o lançamento.

não restituíveis). tributo é empréstimo compulsório (ingresso temporário. Alguns tributos permitem que o próprio contribuinte pague. o que determina a natureza específica do tributo é o fato gerador (art 4º. o ônus do recolhimento da exação se defere a um terceiro (substituto tributário). contribuinte de fato (contribuinte de “facto”). Na primeira situação. Excepcionalmente. Porém. o verdadeiro devedor repassa a carga tributária ao consumidor final. Em outros. 4º. por exemplo. do pagamento de IPTU por parte do locatário. Por não ser ingresso definitivo. não há de se confundir a natureza jurídica do tributo com a determinação da espécie tributária. apesar de não sê-lo na sua natureza.: IPI e ICMS. o legislador flanqueia a bi-tributação (“bis in idem”) – um fato gerador produzindo dois tributos. Aparentemente. CTN). CF/88). Dessa forma. cada tributo é identificado por sua hipótese de incidência. CTN). Observe o seguinte esquema: CLASSIFICAÇÕES DOS TRIBUTOS – duas classificações são mais importantes: tributos diretos e indiretos e impostos reais e pessoais. Nesse passo. Ex. Como regra. Excepcionalmente. assumindo um viés de tributo indireto. mesmo que ambos não estejam vinculados a uma prestação estatal específica de sua parte. Entretanto. II. contribuições de melhoria e especiais. Em regra. haveria uma controvérsia para com o art. Ex. não deve esse último ser qualificado como “receita”. é o fenômeno no qual o contribuinte legal ou de direito (contribuinte de “jure”) consegue repassar a carga tributária a uma terceira pessoa. O que os faz diferir é justamente sua destinação. Também não importa a destinação da receita gerada para definir o tributo (art. mesmo não sendo receita. taxas.: IR. I. 4º. Todo tributo tem por natureza jurídica ser um ingresso público derivado. 123. II. aos indiretos.40 entregue ao Estado pode ser considerado ingresso ou entrada. O imposto é uma receita totalmente desvinculada. CTN). agindo o administrador com discricionariedade (princípio da não-afetação das receitas). restituível). 4º. não podem ser imiscuídos os conceitos de impostos e de contribuições especiais. É o caso. porquanto cobrará o . somente o IPI e o ICMS são indiretos. vide expressa previsão legal no art. CTN. isto é. portanto. Lei 4320/64. Contudo. O fisco desconhece tal relacionamento privado (art. 154. Repercussão tributária. Na essência. Mas o “nomen juris” e a forma de cobrança do tributo são irrelevantes para determinar a exação (art. CTN). “caput”.: o IEF pode conter fato imponível igual àquele previsto para outra exação (art. na segunda. outras exações diretas podem comportar repercussão tributária. É o caso dos impostos. os empréstimos compulsórios preservam seu caráter de ingressos públicos derivados. refere-se aos tributos diretos. a espécie tributária é determinada pelo fato gerador. 9º. são receitas derivadas (ingressos definitivos. Ex. já que na acepção técnica da expressão estas designam apenas os valores que entram em caráter permanente. Nesses últimos. II. Já o valor auferido pela contribuição tem destino certo. diverso daquele que detém relação jurídico-tributária direta para com o fisco. A destinação dada ao imposto ou à contribuição é irrelevante para determinar a espécie tributária em análise.

166.553-MG. impetra-se mandado de segurança. A demonstração objetiva de riqueza por parte do contribuinte dá ao fisco o direito de presumir que tem capacidade de contribuir. a coisa. 2ª T. Min. Todavia. exigirá o valor do locatário. seja feito a mais. “a”. rel. O contrário representa o imposto real. Por décadas. esse acabará pagando o tributo. O dispositivo permite.. além da prova de ter suportado o encargo tributário. a art. em suas Súmulas 71 e 546 (já mencionadas).909-BA. 61 60 . o Excelso Pretório manteve a posição (Súmula 71). a “res”.41 imposto do titular do imóvel. em ação regressiva. Eliana Calmon. esse entendimento leva à iniqüidade de restituição para tributos indiretos ou indiretos por equiparação. Na prática. j. seja invocado61. 22. o importador paga vários tributos na sua atividade (II. rel. No mesmo sentido é a redação do art. j. rel. ao contrário dos demais tributos. é necessário que haja pagamento indevido para que o art. Mas vamos supor que o recolhimento do tributo. j. indiretamente. Na mesma esteira. Dessarte. STJ. O contribuinte de direito solicita restituição. 62 STJ. II. a qual foi ratificada pela súmula posterior. 166. DJU 14/6/2006. porque não é titular direto de relação tributária com ele. 14/8/2007. nos casos supra. REsp 962. a alíquota incide diretamente sobre ela. De fato.441-SC. fazendo com que o comprador arque com a carga tributária.. admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda. Min. Min. Castro Meira. que implicam em prestação estatal. mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes60. A maneira como essa riqueza é espelhada determinará a classificação do imposto em pessoal ou real. Informativo do STJ n° 332. dada a disposição do art.203-RS. § 12. Lei 9245/90 (Lei do Inquilinato) permite essa transferência. sem exceção. CTN)62. 20/9/2007. 166. Todo imposto tem como fato gerador a conduta praticada pelo sujeito passivo e sugestiva de riqueza. enquanto no real. 63 STJ. o fisco negar-lhe-á. REsp 757. a qual será negada pelo fisco. caso a riqueza demonstrada seja o patrimônio. a base de cálculo é a renda. Lei 9430/96. REsp 653. No imposto pessoal. 1ª T. nesse ponto. O fisco cobrará do locador e esse. como bem dispõe a própria letra normativa. no imposto pessoal..203-RS. a qual só poderá ser materialmente aplicada quando a demanda judicial transitar em julgado nesse sentido (art. Complementando. lembrar que a compensação de plano para com créditos de terceiros não é permitida. ele repassará tais valores. uma vez que ele não suportou de fato a carga tributária (enriquecimento sem causa). DJU 12/12/2005. 20/9/2007. está-se diante de um imposto real. Informativo do STJ n° 332. No entanto. CTN. 20/9/2007. Informativo do STJ n° 327. Da denegatória. Denise Arruda. com redação pela Lei 11051/0463. CTN. 74. ICMS). rel. CTN. REsp 757. 170-A. O STJ. a restituição mediante autorização pelo contribuinte de fato. O primeiro implica na pessoalidade do contribuinte. É o entendimento esposado pelo STF. 2ª T. O sujeito passivo tem condição de suportar o gravame. Eliana Calmon. Em tese. Na venda dos artigos. apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. para furtar-se ao mecanismo. Todo imposto. se o contribuinte de fato tentar fazer restituir o montante.304-PR. Min. STJ. atinge a renda.. as empresas sempre solicitam a compensação. por ser praticamente impossível sua ocorrência. No entanto. AgRg no REsp 673. Informativo do STJ n° 332. incidindo diretamente sobre a renda auferida. O maior exemplo dessa categoria é o IR. PIS/COFINS-Importação. ela é atingida diretamente. j. REsp 449. Cediço. 2ª T.

CONDECINE (MP 2228-1/01). a CIP é um imposto e não uma contribuição. De intervenção no domínio econômico CIDE-combunstíveis. Para seguridade social “lato sensu”: .Para o Sistema “S”65. anterioridade e irretroatividade. REsp 719. j. CIDE-remessas para o exterior.Contribuição sindical (antigo imposto sindical). CFO. a norma que instituiu a CIP é ordinária e não complementar.Fundo Aeroviário (FA). 65 Contribuição de empresa prestação de serviço para o Sistema “S” é devida.Para o INCRA (antigo FUNRURAL). o governo fez aprovar a citada EC. segundo diz a jurisprudência.. CTN.878-SP.Diretoria de Portos e Costa da Marinha (DPC). ATP. A CIP não se enquadra nas cinco espécies de tributos. Trata-se de um ente anômalo. Contudo. No entanto. Outras Contribuições (ou contribuições especiais): a. Para alguns.FGTS. 154. 64 A EC 39/02 trouxe à tona a contribuição de iluminação pública (CIP). Contribuições de Melhoria 4. A modalidade de tributo chamada de taxa só pode incidir sobre serviço público individualizado. Para iluminação pública (art. b. AFRMM. 8/8/2007. IAA. o que fere o princípio da legalidade. 4º. CREFITO. Eliana Calmon. Impostos 2. RESp 431. CFP. conquanto também residual (art. . não sobre serviço de caráter geral. CF/88)64. Os tributos devem obedecer a três ditames – legalidade. . DJU 25/11/2002. .502-RS.42 É possível classificar os tributos segundo o seguinte esquema: 1. DJU 11/4/2005. os quais não foram gerados pelo particular. Tratando-se de imposto novo.146-RS. REsp 446. o constituinte flagrantemente contra os próprios princípios da Carta Magna de 1988. c. d. . “caput”. Taxas 3. deve surgir mediante a edição de lei complementar. Para profissões regulamentadas (CFM. Para "corrigir" tal problema. Informativo do STJ n° 326. Do empregado. no sentido de custear a resolução de entraves do sistema elétrico do país.Previdenciárias: Do empregado sobre folha de salários e equiparados. ao estabelecer que a CIP pudesse ser instituída mediante lei ordinária.347-SC. Sociais “lato sensu” Sociais “stricto sensu” . I. CF/88). . à luz do art. previstas no ordenamento doméstico. . Min. 1ª Seç. REsp 705. O fisco sempre deteve um afã para invadir o patrimônio do contribuinte. Cf. .Salário-educação. REsp 895. DJU 2/5/2005.924-RJ. DJU 21/3/2005. Empréstimos Compulsórios 5. OAB – com a ressalva feita pelo STF na ADIn 3026/DF). STJ. rel. 149-A. .

o FINSOCIAL destinava-se a “custear investimentos de caráter assistencial em alimentação. sendo ratificado pela LC 70/91. CPMF. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA – trata da distribuição do poder de tributar. Levou em conta uma análise histórica da realidade concreta de cada um dos entes federados. p. foi basicamente alterada a alíquota e a destinação da exação. habitação popular. auferida por empresas públicas e privadas. caracterizando pela competência tributária. 1º. 53. DF e Municípios. 195. 149. 22 e ss. . saúde. punitivo.Para seguridade social “stricto sensu”: CSLL-empresa (cuja base de cálculo e fato gerador são idênticos ao IRPJ). Sua base de cálculo inclui o ICMS. Nas palavras do art. A competência não foi determinada aleatoriamente. Estados. segundo menciona a Súmula 94 do STJ: “A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”. PIS-empresa. Diferenciação entre poder de tributar e competência tributária – o poder de tributar é pleno e genérico.Limitabilidade – todo poder. o poder de tributar. segundo lembra Chimenti. § 1º. O poder de tributar e sua competência não são exceções.43 Do estatutário para o RPPS (art. PIS-importador. Cada fatia do bolo tributário é determinado pela Constituição de 1988. e amparo ao pequeno agricultor”. DL 1940/82. incluindo a competência. FINSOCIAL66. I. cit. CONFINS-importador. os quais são tangenciados pelos princípios e pelas imunidades. suas necessidades e suas competências legislativas e executivas (arts. CF/88). Nesse sentido. Com a LC 70/91. CF/88). determinando “quantum” dever-se-ia despender para manter a máquina administrativa e para levar a cabo os objetivos colimados por cada uma das pessoas da federação. op. polícia. a qual constitui uma das fontes de custeio da seguridade social como um todo (art. educação. É formado por contribuição específica. exceto aqueles destinados ao exterior. CONFINS-empresa. CF/88).. CSLL-importador. É uma manifestação da SOBERANIA. assim como outros poderes soberanos (jurisdição. etc.). com a finalidade de preservar a 66 O Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) foi instituído pelo DL 1940/82. revelando a parcela do poder pleno constitucionalmente designado para cada ente.. a incidir sobre a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços. SAT. mas segundo critérios técnicos e jurídicos. é repartido entre tais pessoas para evitar a balbúrdia. deve ser sempre limitado. a federação brasileira é formada por quatro entes independentes e harmônicos: União. Entretanto. sob pena de autodestruição. destinado ao Estado brasileiro e instituído pela Carta de 1988. . Características da competência tributária – podem ser arroladas três: . Contribuição sobre receitas de prognósticos. “caput”.

mesmo que a competência tributária. Além do mecanismo da vedação. . mas o faculta. 145. O “modus operandi” de instituição do tributo é guiado “ex vi” dos princípios tributários constitucionais.Rigidez da titularidade – distribuída a competência pelo legislador constitucional.: não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade) de impostos sobre templos (art. A titularidade da competência tributária (de instituir tributo) também não pode ser emprestada a um outro titular. .Quanto às taxas. a indelegabilidade é espécie da irrenunciabilidade. O titular não está obrigado a criar a exação tal qual está previsto na Constituição e na LC regulamentadora. seu exercício é facultativo pelo ente legitimado (art. Além disso. o constituinte estabeleceu uma segunda maneira de estabelecer a limitação: a regulação de incidência.44 estrutura federativa e proteger as liberdades essenciais humanas. O direito potestativo de instituir o tributo – desde que constitucionalmente previsto para certo titular – nunca se perecerá pelo não exercício no tempo. o autor afirma que o legislador não tem a facultatividade. não há de se alterá-la por mera medida legislativa. um titular não pode tomar o tributo de outro para si. CF/88). 150. CF/88). VI. construindo uma argumentação à parte: . “b”. . A decadência da competência tributária não se opera. Mas Carrazza (1991) protesta em sentido contrário. mesmo que seja um terceiro a título temporário (indelegabilidade). no seu exercício. Da mesma maneira. Esquematizando: RIGIDEZ DA TITULARIDADE Irrejeitabilidade Irrenunciabilidade Indelegabilidade Exclusividade FLEXIBILIDADE DO EXERCÍCIO Incaducabilidade Facultatividade - Crítica à facultatividade no exercício da competência tributária – a maioria da doutrina reputa por não obrigatório o exercício da competência tributária (parcela do poder tributário).Flexibilidade do exercício – apesar da titularidade ser imutável. não tenha ainda sido efetivada pelo titular constitucionalmente estipulado (exclusividade). é irrenunciável. Os limites são estabelecidos por intermédio de algumas formas: a proibição é uma delas. porque a Constituição não impõe. Em verdade. não podendo o titular abdicar do tributo lhe deferido. A competência foi distribuída ao ente federado e não lhe cabe rejeitá-lo (irrejeitabilidade). Ex. “caput”. por ter a finalidade de corrigir o desequilíbrio dos impostos e de estabelecer a justiça distributiva.

Instituir o imposto não é injusto. A renúncia de receita pressupõe: estimativa de impacto no exercício financeiro aplicado e nos dois seguintes. adaptando os serviços públicos e os respectivos tributos distribuídos. bem como subsídio. 68 Segundo Carraza. Atributos formadores da competência – capacidade instituidora. mas não obrigatório ao legislador. mas o modo de fazê-lo pode ser68. fiscalizadora. consonância com o anexo de metas fiscais e com a estimativa de receitas ou implementação de medidas de compensação (art.“Capacidade tributária” como atributo formador da competência (delegabilidade X indelegabilidade). legislativa. o legislador ordinário deve observar todos os tipos conferidos. 14. incidiria também a obrigatoriedade. crédito presumido e benefício fiscal devem seguir uma fundamentação contábil. fazendo um encaixe entre a atividade a ser prestada (serviço público) e os meios a serem empregados (tributos). Nesse passo. LC 101/00). Delegação ordinária de capacidade tributária de fiscalização e arrecadação (limites estritos). o legislador observou histórica e concretamente a realidade de cada ente federado. observando um equilíbrio para com os outros. O atípico fenômeno da parafiscalidade (capacidade tributária ativa somada à deferência para administrar tributos). porque há um contra-senso entre a possibilidade de conferir melhor dignidade ao administrado e a não instituição da exação (renúncia de receita). Entretanto. a autonomia do titular do tributo não poderia ser entendida como facultativa. a. 21 e ss. LC 101/00). Para estabelecer tais estipulações. Se um imposto estiver com base de cálculo e/ou alíquota muito altos. porque toda renúncia de receita deve ser justificada pelo administrador69. a instituição do tributo não vinculado se liga especialmente à capacidade legislativa e administrativa estabelecida na própria Constituição (arts.. Dessa forma. previsão na LDO. O que os fará diferenciar-se é o tratamento jurídico conferido. 11. As palavras competência e capacidade possuem a mesma acepção etimológica.Na contribuição de melhoria. bem como para atingir metas razoáveis de gestão. propiciando a suficiência das riquezas para o titular. § 3º. de modo a distribuir parcela de riqueza entre cada um deles. Mas a inviabilidade da contribuição de melhoria quase que coloca o argumento à margem da discussão doutrinária. Aliás. isenção. IPI e IOF) nem no cancelamento de débitos cujo valor de cobrança seja maior que o montante da dívida (art. 14. deverá ser reduzido. . CF/88). para evitar o enriquecimento sem causa. “caput” e §§. ao estipular cada uma das suas treze espécies. na tarefa do exercício da competência tributária. I e II. op.. IE. a obrigatoriedade se manifesta de modo mais arraigado. fez uma estimativa estrita das receitas derivadas para manter a máquina administrativa do ente federativo.Para os impostos. O constituinte. LC 101/00). 69 A doutrina majoritária entende que o referido dispositivo é sugestivo. “caput”. demonstrando que a não incidência legal vai render frutos para o ente federado competente (art. É válido o argumento ao menos na seara teórica. I e II. “caput”. cit. Diversos princípios constitucionais sacrificam o modo de instituição e cobrança da mencionada exação. LC 101/00).45 . porque alguns que tiveram seus imóveis valorizados e devem retornar sua parcela de riqueza acrescida ao erário67. remissão e anistia. Carrazza (1991) respalda legalmente suas assertivas na Lei de Responsabilidade Fiscal (art. essas condicionantes não se aplicam na mudança de alíquota de tributos extrafiscais (II. 14. 67 . arrecadatória.

A capacidade tributária ativa é inerente à competência tributária. Há duas possibilidades para a delegação: Para outro ente político. para justificar essa última. gozam de suas receitas e administram seus valores. é obrigatório ao Estado. etc. pode ser delegada por medida provisória. III. Estados. sempre possui capacidade tributária ativa. desde constitua tarefa não essencial e inerente ao Estado. O art. conferindo-lhes capacidade tributária ativa (recolhem o tributo.46 Partindo desse raciocínio. Esta delegação é efetivada por LEI. DF e Municípios. porque o tributo é bem público indisponível. A competência tributária é indelegável. inicialmente alheio à relação tributária. prevê um caso da possibilidade da União delegar a capacidade tributária ativa do ITR para os municípios. Aquele que delega não fica com as receitas. Quem tem competência tributária. Já a capacidade tributária ativa é passível de delegação. Ex. ARRECADAR. em que pese não haver necessidade de tal disposição na Carta Política. capacidade tributária ativa é o dever-poder de arrecadar tributos e ficar com o produto da arrecadação. Desta feita. são conferidos determinadas aptidões para o exercício dessa competência: instituir. Uma vez realizada a distribuição do poder de tributar. da mesma espécie que instituiu o tributo. O delegatário ordinário realiza a faina em nome do Leviatã. Nessas quatro prerrogativas. sob pena de renúncia de receita e má gestão fiscal. somente recolhendo o tributo (não pode executar e administrar os valores auferidos). essa delegação é realizada no âmbito de limites mínimos do poder de polícia. denominadas capacidades delegáveis. isenção. Essas últimas ações. porquanto está taxativamente prevista na Constituição. CF/88 (EC 42/03). bastando mera lei em sentido estrito. podendo inclusive defender seus créditos). dependendo do ente político que a possui originariamente. Capacidade tributária X capacidade civil. não podendo realizar nenhuma outra tarefa além dessa.: lotérica que recebe o pagamento do IPTU.). Tratando-se de lei ordinária. anistia. fiscalizar e arrecadar. A doutrina majoritária. Ele atua em nome do . § 4º. a titularidade plena da competência é estabelecida pelo constituinte. sendo que este não pode subdelegar nem legislar sobre o tributo (conceder remissão.“Capacidade tributária” com prerrogativa de ser sujeito na relação tributária (material e processual. dela fazendo parte. mas as duas seguintes (fiscalizar e arrecadar a exação) podem sê-las. porquanto o delegatário parafiscal passa a ser o possuidor delas. legislar. 153. as duas primeiras (instituir e legislar sobre o tributo) não são delegáveis – por questão de legitimidade –. b. No entanto. ativa e passiva). Para um ente não-político – ente não-político é qualquer pessoa diferente da União. portanto. podem ser repassadas a um ente terceiro. A delegação ordinária de capacidade não pode ser confundida com a parafiscalidade. entende que o Estado faz uma delegação atípica para as entidades parafiscais de forma plena.

não há delegação nenhuma por parte do Estado. arrecadando o tributo. O Estado não pode revogar a delegação. O sujeito passivo da primeira terá direito a ressarcimento proporcional. Ex. pode cobrar tributo (principalmente taxa) ou tarifa. Nesse contexto. o ente federado do qual se descentralizou a atividade da entidade parafiscal deve legislar em seu favor. Em termos tributários. tabeliães. espólio. mas não integra a Administração. o STF definiu que a OAB não é autarquia federal.: notários. É pessoa “suis generis”.: INSS. não cabendo no tocante às taxas. VI. Alguns doutrinadores. Sendo assim. Ex. Além dos entes federados. inerente e essencial ao Estado Democrático de Direito. É o fenômeno da parafiscalidade. possui personalidade jurídica de Direito Público. as entidades parafiscais são também credores tributários. Fazenda Pública pode demandar em face de outra. porque foi a Constituição que estabeleceu a repartição das receitas. Há dois pontos interessantes nessa seara. CF/88).). OAB70. ela não se sujeita ao controle do TCU. não podem exercer a competência plena (instituir e legislar sobre exações). Há três hipóteses de pessoas não-políticas que podem ser delegadas: • Pessoas jurídicas de Direito Público – autarquias e fundações públicas. Nesse passo. . Mas particular não pode ser credor de tributo. etc. a imunidade recíproca só se restringe a impostos sobre patrimônio. • Pessoas físicas – é possível. sociedade em comum. por uma questão de legitimidade (ausência de Poder Legislativo próprio). . Sua contabilidade também não é pública.Na ação de repetição de indébito. ou seja. I. como bem preceituou o legislador no art.47 Estado. CF/88. o valor a ser ressarcido pelo erário não tem natureza de crédito tributário. mas não é tributário. qualquer pessoa pode ser autor.No empréstimo compulsório. quanto à devolução de crédito tributário: . mas a volta não. Quem estabeleceu a repartição da capacidade ativa foi o constituinte. não é delegação de capacidade. tradutor juramentado. Dependendo do contrato de delegação. contribuições especiais e de melhoria. o constituinte resolveu conferir-lhes titularidade para a capacidade ativa (arrecadar e fiscalizar). chamados de pessoas formais (condomínio. réu ou devedor – capacidade processual tributária passiva e ativa e capacidade material passiva. mas não quer dizer que isso seja tributo restituído. nos termos da Lei 4320/64. Há crédito em seu favor. • Pessoas jurídicas de Direito Privado – concessionários e permissionários. No segundo caso. conquanto os preços públicos não se sujeitam à ordem tributária. 150. não podendo usar a execução fiscal para cobrança de seus débitos. perito nomeado. mas da lei. Como as entidades parafiscais. como Machado 70 Na ADIn 3026. com ele permanecendo e administrando-o. a relação de ida (recolhimento do tributo) é tributária. não precisa fazer licitação para contratação nem concurso para seus trabalhadores. porque tributo não nasce de erro de vontade das partes. Crítica à delegação atípica – com efeito. as contribuições de seus associados não têm natureza tributária. ente coletivo despersonalizado pode ser demandado e demandar em juízo. rendas e serviços (art. Mesmo não sendo pessoa personificada. 24. “a”. ato natural e característico do instituto.

146. CF/88). I. CF/88. Conflitos de competência – ainda que haja partilha do poder de tributar estabelecida pelo constituinte. seus costumes e seus mercados. CF/88) nem da União (art. A competência residual para taxa é deferida aos Estados. relegando à lei complementar tal tarefa (art. CF/88). porquanto somente aí há conflito de competência.Imunidades na exportação – por questão de costume internacional. 30. bitributação. Se o Legislativo não acolher o tratado. Alguns autores. a reaproximação daquilo que se separou por força do choque das placas tectônicas: seus povos. a teor do art. no momento em que há franquia para estabelecer IEG sobre fatos imponíveis já previstos para outros tributos (SABBAG. § 1º. em regra. utilizando essa nomenclatura. Não se trata de mitigação da soberania. 21. Nesse sentido. persistem conflitos de competência tributária. geralmente o país que exporta não tributa o produto na saída. Alberto Xavier também elenca uma terceira situação: quando se refere a exações sobre o comércio internacional (bitributação internacional) – IE na saída dos produtos e II na entrada em país diverso. . 2004. CF/88. a autonomia diz respeito ao exercício de um poder interno. há uma tributação dupla sob a mesma ocorrência fática: no primeiro caso. Há inviabilidade da ampliação dos mercados e da própria atividade mercantil. 149. Há duas formas de atenuar ou eliminar a bitributação internacional: . querendo tributar duas vezes o mesmo fato gerador (excesso de competência ou de autonomia). V. enquanto a bitributação. a 71 Globalização pode ser definida como o fenômeno jurídico. no segundo. esse não tem validade na ordem interna. enquanto a soberania. vez que o sistema dualista doméstico permite que os representantes do povo analisem o tratado firmado pelo chefe de Estado ou por seu plenipotenciário. porque cada Estado possui soberania (duplo exercício livre de soberania). Em ambos. dois entes desejam tributar o mesmo fato gerador (invasão de competência ou de autonomia). A bitributação foi excepcionalmente autorizada pelo constituinte no art. I a XXV. afirmam que o “bis in idem” diz respeito ao primeiro. afirmando que o valor teria natureza de exação. p. Dessa feita. ao segundo. § 1º. Paralelamente.48 (1993). . não se cuida – e não deve fazê-lo – a Constituição de solver os choques dessa natureza. Bitributação e “bis in idem” – um ente pode extrapolar de sua competência e exercê-la de modo excessivo. Exceções à permissão de bitributação internacional – a bitributação internacional é um entrave à globalização71. de modo a reduzir as barreiras tributárias. Essa prática não é proibida. Tanto “bis in idem” quanto bitributação são. através da moeda. II. Entretanto. social e econômico que tenta fazer. CF/88). denomina-se “bis in idem”. Eles poderão instituí-las. excedendo-se na sua autonomia. dentro de suas Constituições. 25. Os Estados também têm autorização para instituir contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de seus servidores públicos (art. desde que o serviço não seja local (art. 63). vedados. uma manifestação externa. político. 154. a maioria dos países veda.Tratado ou acordo internacional – para compartilhar um “contrato” entre os Estados. não concordam com assertiva.

IX. porque se tratam de competências distintas. não há invasão ou excesso de competência. CF/88. pressupõe: operação de mercância (mercadoria que se aliena com habitualidade. CF/88). em que coexistem uma locação e uma promessa de venda (e não de compra). para que seja garantida a reciprocidade em nível de estabilidade máxima. Informativo do STF nº 469). Informativo do STF nº 399. rel. prevalecendo. rel. Há um duplo exercício de autonomia: uma está presente de modo ordinário. 154. o STF garantiu a não-incidência do ICMS nas importações realizadas por pessoas físicas e jurídicas. 155. . não há de se falar em não-incidência da exação (RE 206069/SP. o IEG não está sujeito ao princípio em tela (art. § 2º. II. o II é devido pelo ingresso de produto do estrangeiro para o Brasil. vedou tal prática. § 2º. III. a incidência de ICMS sobre tal espécie de fato gerador. I. o ato de importar não se adequaria à matriz reveladora da circulação de mercadoria. afirmando que o fato gerador é a importação (entrada de mercadoria e não necessariamente a circulação. Há uma cisão da posse: a direta fica com o arrendatário e a indireta. CF/88). DJU de 1º.2007. até 2001. em regra. o IPI é devido porque houve alteração substancial da matéria. o constituinte deixou isso claro no art. Mas a regra anterior continua vigorante no Excelso Pretório (RE 461968/SP. em verdade. que a operação de “leasing” internacional. a LC 87/96 (art. porque lhe ausenta um dos requisitos: a transferência econômica do domínio. há três fatos geradores diferentes. e Lei 10865/04). porque a exação em tela e o II têm o mesmo fato gerador. CF/88). 155. VIII). Min. com a redação dada pela EC 3/93. IPI (art. Marco Aurélio. essa idéia não impera. na linha do que vinha decidindo o STJ. 155. Ellen Gracie. como fato gerador do ICMS. Com efeito.5. “in fine”. A EC 42/03 alterou o prospecto. CF/88. IV. com fulcro na competência distribuída pelo art.49 incidência de exação nas operações de exportação. Sobre o contrato de “leasing” interno não incide o ICMS. III. CF/88). II. com atividade organizada) e transferência de domínio (alteração da titularidade de bem a título oneroso). 30. na prática. Na mesma esteira. 155. CF/88. a qual versa sobre o ICMS. Esse posicionamento não é absoluto. ocorrem no mesmo contexto fático. § 2º. II) – na verdade. “a”. porque a ICMS de importação passou a incidir sobre todas as pessoas. o Excelso Pretório estendeu o ICMS a uma modalidade de importação. rel. CF/88) e contribuições sociais e CIDE (art. esse entendimento do Excelso Pretório ficou esvaziado. X. Assim é o Brasil: ICMS (art. o “leasing” é um contrato híbrido. afirmando que os importadores custeariam a seguridade social. IPI.Bitributação quanto ao IEG – na competência extraordinária da União. 3º. por coincidência. 153.9. IX. No entanto. Para evitar que o ICMS dos Estados incidisse indevidamente sobre as operações de “leasing”. 74 A circulação. no seu início. a73 STF. Nessa mesma seara. Para legitimar a cobrança do imposto. “a”.“Bis in idem” nas operações de importação (ICMS. § 3º. os quais. No Informativo do STF nº 455. Nesse caso. “a”. De fato. Min. Com a EC 33/01 (art. Exceções à bitributação e ao “non bis in idem” no âmbito interno – podem ser arroladas duas situações: .2006). não importa em fato gerador do ICMS. para o acórdão Min. em que os bens importados fazem parte do patrimônio imobilizado da empresa. § 2º. RE 206069-SP. as quais não exerciam atividade importadora de mercância. ocorrendo a mesma hipótese de incidência do fato típico do II. Por se tratar de situação excepcional. 195. pelo qual entendeu que a bitributação é constitucionalmente autorizada. Há atividade de mercância. como está no art. CF/88). com o arrendante. . A doutrina chama essas três vedações ao poder de tributar de imunidades do exportador. o STF73 entendeu que cabe ICMS no “leasing” internacional74. 146. mediante a ocorrência de determinada condição – a guerra. de modo pacífico. independentemente da finalidade do bem importado. a expressão “até a vigência da EC 33/2001”. 149. há um autêntico “bis in idem”. a corte firmou entendimento. “a”. Nesse sentido. com lucro. 72 Em tese. O ICMS é devido porque há circulação de mercadoria72. a outra está constitucionalmente autorizada. Eros Grau. a redação de sua Súmula 660 foi emendada (4 Ago 2004). acrescendo-se. conquanto em situações ímpares. mas não transferência. pois autorizou a criação a CONFINS-Importação (art.

CTN. em seu bojo.Fontes primárias – são as leis. 5º. VI. a doutrina majoritária. O art. No mesmo diapasão. a base de cálculo e alíquota (elemento quantitativo). Em contrário senso. Dessa feita. § 4º. o decreto executivo. regulados respectivamente pelos arts. CF/88. 98 e 99. CTN) – segundo a Teoria Geral do Direito. II. Dentro do Direito Tributário. Exceção à regra da legalidade estrita. A regra do art. 59.50 FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO (art. com certeza. II. Além desses parâmetros. 97. CF/88. 2006. sendo que a majoração pura simples depende de lei estrita76. também permitiu a incidência de ICMS sobre a circulação de energéticos comburentes entre Estados. CTN. suas fontes principais são: lei. São Paulo. quanto à majoração da exação. Veja que a alteração das alíquotas dessa última exação só é possível para reduzir ou para restabelecer. Atlas. ao contrário do art. a Constituição não ventila a possibilidade de reduzir tributo somente por meio de lei. Dessa forma. 97. se defere somente aos impostos extrafiscais (II. assentada em posicionamento firmado pelo STF. . IPI e IOF) e ao IEG. decretos e normas complementares. CF/88. há necessidade de adaptar o postulado ao estudo da matéria em análise. traz o princípio da tipicidade. I a VII. 150. como LC que é (art. II. CTN. tal qual está expresso no art. tanto interno quanto interno. o princípio da legalidade tributária. é válida e aplicável a previsão do art. tal qual está no art. decretos legislativos. o qual. 84. a definição do fato gerador (elemento objetivo). começa a delinear o objeto em estudo ao definir o que é legislação tributária: leis.. A doutrina encarregou-se em hierarquizá-las segundo a seguinte classificação: . Direito Administrativo. ou seja. I. II. III e IV. do sujeito passivo (elemento subjetivo). sem ter como base um diploma legal. IE. a redução de CIDE-combustíveis também independe de lei. 96. O setor energético tem uma repercussão altamente sensível na estabilidade dos mercados. exigindo-se lei para reduzir o valor dos tributos. o ditame também abarca o número de vezes do pagamento do tributo (elemento temporal) e o 75 No âmbito do Direito Administração. MP e EC podem ser incluídas no rol das fontes primárias. 96 a 112. O art. 177. 146. CTN). Em verdade. CTN. CF/88). 97. não poderá ser autônomo. lembra Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Tanto isso é verídico que a mesma EC 33/01. 97. Os decretos deveriam ser considerados como fonte secundária. que autorizou a instituição da CIDE-combustível. costumes e jurisprudência. 76 Essa medida se funda na importância do setor de combustíveis no giro da economia global. não abarca o ato do executivo dado por decreto. traz. CTN. 99. CF/88 (redação dada pela EC 33/01). “a” e “b”. CTN. Esse visa preencher eventuais lacunas no Texto Constitucional. admite o decreto executivo autônomo nas hipóteses do art. os tratados internacionais e até mesmo os decretos. doutrina. dando um “norte” para a atividade do legislador ordinário. resoluções do Senado. 97. Nesse sentido. “b”. CTN. o legislador reforçou essa idéia no texto do próprio art. No entanto. traz o chamado princípio da legalidade. O art. dentro do sistema constitucional posto. em uma interpretação conforme a Constituição (art. tratados internacionais. Esse aparente contra-senso é aduzido pela própria função do CTN. o qual espancou definitivamente o decreto autônomo no campo tributário75. 19ª ed. porque devem se limitar a regulamentar a lei em sentido estrito.

O art. os acordos não revogam a legislação interna – porquanto prestam a minorar a bitributação internacional e a estabelecer cooperação no poder de polícia. p. os quais trazem à baila autênticas normas de Direito Internacional Público. 98. a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do futuro CTN incluiu o citado art. configurando a relação jurídica-tributária. O STJ faz uma leitura semelhante. não sendo aplicado a outras situações. dispõe que a legalidade deve imperar sobre a exigibilidade do crédito tributário: suspensão. porque a aparente antinomia é solvida pelo critério da especialidade: para os países signatários – inclusive o Brasil –. 181). . porquanto o dispositivo em comento é um rol sugestivo e não exaustivo. Ademais. tal qual a redação do art. O tratado deveria colimar a atuação do legislador posteriormente. I e II. o STF entende. exclusão e extinção – além da dispensa ou da redução de penalidades. fazendo com que a disposição daqueles. Não há revogação pela incorporação do tratado no ordenamento doméstico. que o CN pode alterar o acordo unilateralmente. “in fine”. Estando nessa seara. 2006. porquanto as relações por ele abrangidas não poderiam ser modificadas por norma interna posterior. j.11. O STJ entende que legislação interna não pode revogar tratados-leis. Celso de Mello. o Supremo deu vezo ao primado dos tratados sobre a legislação interna. geralmente diverso da legislação ordinária anterior77. resolvendo-se os demais entraves pela cronologia. 49. no tocante à matéria tributária. vige o regramento específico. VI. 98. CTN. Nesse sentido. a renúncia de receita depende de autorização legislativa prévia. Em um primeiro assunto. a tipicidade garante a segurança jurídica. o pacto traz um regramento próprio no procedimento a ser estabelecido. Min. O art. quando da edição do CTN. O dispositivo contém impropriedades terminológicas. O legislador é único que pode fazê-lo. mesmo a despeito de eventuais sanções na ordem internacional a serem sofridas pelo Brasil. O elemento material é o antecedente normativo (hipótese de incidência normativa). No entanto. Com efeito. 77 O Supremo entende que esse tipo de tratado tem o “status” de lei ordinária: STF. Dessa feita. CTN. 97. 97. V. deveria ser coercitivamente observada pelo legislador doméstico. com base no art. LC 101/00. afirma que somente a lei pode determinar sanções tributárias. 98 na esteira da jurisprudência do Excelso Pretório (AMARO. 14. enquanto os demais constituem o conseqüente normativo (modo de incidência normativa). rel. DJU 30. “caput”. Plenário. consoante o preenchimento dos requisitos do art. A soberania interna prevalece. afirmando que a especialidade só vale quanto à legislação anterior. o ar. Em verdade. Ext 662-2. se refere dos tratados internacionais. CTN. I.1997. 28. Não é uma posição pacífica na doutrina. complementando a legalidade. o que não se aplica quanto aos tratados-contratos. CTN.51 lugar do adimplemento (elemento espacial). por disposição normativa própria.1997. CF/88.5.

dispositivo que deve ser concatenado com o art. CTN. rel. a incorporação do pacto só é possível depois da ratificação parlamentar. 153. Apesar de não haver precedente jurisprudencial. a tese do professor Carraza (1991) não vigora. Na vigência da atual Constituição. 6. p/ o acórdão Min. rel. constituindo regra a ser observada pelo aplicador do direito (art. VIII.2007. j. 20 e 71 do STJ80 já pacificaram o posicionamento. Min. A heteronomia diz respeito à autonomia e não à soberania. 16.9. STJ. Informativo do STF n° 476.52 Questão que também se coloca quanto ao art. CTN. cit. circulares. Todas as pessoas políticas devem reverência à soberania do Estado brasileiro78. não utiliza terminologia adequada ao estabelecer a isenção heterônoma em acordo internacional como exceção à vedação. Min. o STF entende dessa maneira. isso não é possível (art. Entenderam as cortes que o ditame da reciprocidade deve imperar nesses casos81. esse argumento não subsume à situação em apreço. em um autêntico ato de soberania. op. CF/88). 103. salvo disposição em contrário. em termos de vigência.2005. inicialmente sobre a importação de bacalhau. ocorre que a União representa o Brasil na celebração de convenções internacionais. . atua como chefe de Estado (art. Cármen Lúcia. 100. em que pese não haver opinião do legislativo municipal.. tanto quanto reciprocamente: cada ente só pode conceder isenções dentro de sua competência tributária. Plenário. Os precedentes normativos dos tribunais superiores advieram principalmente dos acordos do GATT. III. 81 No mesmo sentido. REsp 480563/RS. I.8. porque qualquer ente federativo não pode invocar isenção heterônoma nessa. Luiz Fux. 80 Súmula 575 do STF: “À mercadoria importada de país signatário do GATT. As Súmulas 575 do STF. STF. 98. E se o Brasil assinar tratado internacional que venha nesse sentido? A possibilidade persiste. Machado. nos exatos termos do art. Ilmar Galvão. em que se encontra a câmara representativa dos Estados-membros: o Senado79. orig. ou membro da ALALC. Essas visam completar as fontes primárias. Dessa forma. estende-se a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias concedida a similar nacional”. Ao contrário do que apregoa Carraza (1991). instruções normativas são normas complementares que visam especificar as medidas normativas primárias. esse não está adstrito ao seu texto se houver infringência das normas primárias. A teor do art. Súmula 20 do STJ: “A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM. rel. I. 100. CTN. CTN. CTN). vedando-se a isenção heterônoma. Ademais. é possível a concessão de isenção a uma exação municipal por convenção internacional em homenagem à soberania nacional. CF/88). 78 Nesse passo. entram em vigor na data de sua publicação.Fontes secundárias – compõem-se das chamadas normas complementares. porque o Presidente da República. apesar de encontrar muitos adeptos na doutrina jurídico-tributária. pois a firmação de acordo é manifestação da República Federativa do Brasil. versa sobre a possibilidade da União conceder isenções quanto a tributos estaduais e municipais. nesta tarefa. 84. j. sendo essa incontrastável. Atos administrativos – portarias. . Essa prerrogativa era factível na ordem constitucional anterior (EC 1/69). Todavia. 79 Em matéria de tributação municipal. quando contemplado com esse favor o similar nacional”. RE 229096/RS. 103. Súmula 71 do STJ: “O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM”. Por uma questão de opção do legislador.

mormente no tocante ao poder de polícia (fiscalização). No exercício da capacidade tributária ativa. 97. 100. A renúncia de receita por equidade não é possível. são conceitos de Direito Privado. Analogia – aplicar decisões anteriores a casos semelhantes é o meio integrativo primário da legislação tributária. 100. etc. Visam uniformizar um regramento comum entre conveniados. surtem reflexos jurídicos 30 dias depois de sua publicação. CTN). CTN). Princípios gerais de Direito Tributário – preconiza a aplicação de um interpretação sistemática em face dos comandos implícitos na norma tributária. 108. CTN: I. São os seguintes. 108. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA (arts. Princípios gerais de Direito Público – uma vez que os anteriores restem insuficientes. os quais serão analisados sucessivamente. 97. não poderá o aplicador do direito lançar mão desse critério para conceder dispensa de pagamento da exação (art. devendo ser verificado o caso concreto em análise. mas não sobre os efeitos tributários (art. Ressalvada estipulação ao reverso. 109. CTN). 108. decadência. CTN). III. Os princípios de Direito Privado são necessários para definição dos institutos a ele afetos. locação. IV. Observa-se que o termo “práticas reiteradas” é uma expressão jurídica indeterminada. § 1º. Equidade – é o valor maior da justiça. de acordo com os incisos do art. desde que exista uma lei posterior que assim disponha (art. não há de se falar em termo inicial de vigência. prestação de serviço. CTN. Os convênios tributários têm o condão de ampliar a incidência do princípio da territorialidade. 108. CTN. CTN). I e III. II. sob pena de arranhar a legalidade aduzida no art. Práticas reiteradas da Administração – o art. 103. 107 a 112. CTN) – as questões sobre o preenchimento de lacunas da legislação tributária são resolvidas segundo os critérios do art. Vigoram a partir da data estatuída no seu instrumento de veículo (art. No entanto. CTN). porque haveria infringência à legalidade e à tipicidade tributárias (art. Convênios entre os entes federados – também podem constituir fonte do Direito Tributário (art. II. mas não podem levar a reflexos tributários diretos. III. III. 100. IV. prescrição. I a IV. segundo uma ordem peremptória. recorre-se a uma seara mais ampla. Mas a analogia não pode se prestar à criação de um tributo frente a uma situação assemelhada (art.53 Decisões do órgãos julgadores administrativos – podem ser alçadas à eficácia “erga omnes”. Ex. CTN. . Como são formadas gradativamente. para criar um campo de intersecção nas diversas legislações tributárias. é um misto de costume e de ato normativo.: empresário. VI. CTN). elas podem ser configuradas como fonte tributária. § 2º.

porquanto até mesmo o CC disciplina de modo diverso o contrato de locação e de prestação de serviços. São os casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (arts. vez que se liga ao poder de polícia estatal. No primeiro caso. bens e serviços). em votação folgada no Plenário. 112. CTN. contestou-se a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis. porque preconiza a aplicação do STF. os advogados postularam que o artigo não é mercadoria corpórea. O art. porquanto não havia previsão nesse sentido na relação de serviços contida na LC 116/03 e. Sua interpretação extensiva pode levar à criação hermenêutica de uma outra exceção. O primeiro determina uma exegese gramatical sobre as matérias nele vinculadas. O conceito privado de mercadoria foi criado em uma época que não contemplava a realidade hodierna. “a”. na realidade. se referem à interpretação da norma tributária. não importando se inexiste uma concreta prestação de serviço. CE e Lei Orgânica) e definidores ou limitadores de competência tributária. cit. devendo ser adaptado à atualidade. A definição do instituto privado não precisa estar erigido nos referidos diplomas. op. o qual preconiza a tributação nesse sentido entre os entes federados. dispõe que não se pode alterar o conceito. no rol de lei municipal. seguindo tal orientação. Pleno. o Excelso Pretório declarou inconstitucionais todas as leis municipais nesse sentido. porque. 83 82 . Dadas recentes mudanças na composição do STF. 110. há uma extrema exceção. O STF82. de exclusão da exigibilidade tributária (arts. VI. É exatamente esta idéia que não pode ser alterada pelo legislador tributário. No segundo caso. É o que leciona Carrazza. A obrigação de dar estaria englobada pelo conceito de serviço. CTN).. o alcance e a forma de elementos de Direito Privado. 175 a 182. CTN. Nesse sentido. É possível citar dois casos: mercado eletrônico interestadual de “download” tributado por ICMS e ISS sobre bens móveis locados. 111 e 112. Não é a melhor técnica a ser empregada pelo operador do Direito. pode ser analogamente comparado ao princípio penal “in dubio pro reo”. mas sua utilização neles leva a uma certa concepção. Dessa forma. estar-se-ia diante de uma obrigação de dar. Os arts. não sobre prestação. sendo remunerado pela correspondente prestação. as quais determinavam a incidência de ISS sobre locação de móveis. não abarcando o conceito de obrigações acessórias e muito menos a idéia de crédito tributário. 151 a 155-A. as procuradorias municipais advogaram que a exação incide sobre serviços. a locação não estaria aí englobada. não se fazendo a incidência da exação sobre a operação em tela. 156. devendo ser utilizada em situações específicas. a imunidade recíproca (art. RE 116121. Em contrário senso. Nessa última. CTN) e de dispensa de exigibilidade de obrigações acessórias83. diversa daquela deseja pelo legislador. como aquelas apresentadas na disposição do legislador. CTN. tal qual a redação do art. esse entendimento pode ser alterado. tal qual se define por seu conceito aduzido do Direito Privado: obrigação de fazer por meio da qual alguém deve realizar algo em favor de terceiro. decidiu favoravelmente aos contribuintes. E mais: deve existir conduta que seja verdadeiramente uma prestação de serviço. III. CF/88) só alcança alguns impostos (sobre patrimônios.54 O art. desde que expressos nas Leis Maiores (CF. Nesse caso. com apenas um voto de dissidência. CF/88. 150. por se tratar de questão muito mais administrativa que tributária.

Estabelecer normas gerais em legislação tributária. CF/88 (base de cálculo. c. § 1º. os regimes “Simples” instituídos foram revogados pela LC regulamentadora (art. IV. 118. Estabelecer normas gerais mais benéficas a empresas de pequeno porte e microempresas (acrescido pela EC 42/03) – o legislador visou fomentar os empresários pequenos. isonomia. configurando real manifestação da maioria dos representantes do povo (art. CTN). etc. A LC veio a lúmen pela Carta de 1967. Ex. CTN) estão contidas no dispositivo. CF/88. está nesse âmbito. prescrição (art. 146. lançamento (art. à guisa de convênios possíveis e existentes. CTN). “a”. traz três modalidades de interpretação da lei tributária: a literal (art. a qual encontra-se atualmente em vigência (LC 123/06). pois dificultou sua aprovação no CN (LC). CTN. O parágrafo único do art. “in fine”. Essas disciplinas estão perfeitamente delineadas na LC geral (CTN). Estrutura obrigacional-tributária – as definições de obrigação tributária (art. a intenção de facilitar a vida dos destinatários acabou por quase que inviabilizá-la. CF/88). 62. Dessa feita. 146. Seria uma medida legislativa a desburocratizar a tributação e a 84 84 55 O CTN. b. 146. sua função está perfeita no art. II. ainda melhor que o atual “Simples”. Como pressuposto. em razão da necessidade de expressão da vontade majoritária do legislador para quebrar a facilidade de aprovação de um diploma ordinário. os grandes empresários fizeram “lobby” em sentido contrário para evitar que os pequenos fossem favorecidos. Tratamento mais benéfico às cooperativas – para estimular o cooperativismo. A tendência foi acolhida pela ordem constitucional de 1988. nos casos de infração ou de cominação de sanção tributária. 94. formando a base do “Super Simples”. Com efeito. CTN). 173. 174. dispondo sobre as seguintes matérias tributárias. consideradas mais relevantes pelo constituinte: I. Lei Complementar – em matéria tributária. 142. Perfil dos tributos – o princípio da tipicidade quanto aos impostos está delineado do art.Regular a limitação do poder de tributar. III. 113.dispositivo mais benigno ou favorável ao administrado. 146. CTN). e se deve à unicidade no âmbito nacional. a mais benigna ao contribuinte (art. III. abriu possibilidade para instituição de um sistema único de arrecadação. . O art. crédito tributário (art. Conflito de competência tributária entre entes federados. CF/88.: redução de tributos. é necessário firmar posição de que não cabe MP em matéria veiculada por LC (art. CF/88). CTN) e a econômica (art. 69. Ex. CF/88. fato gerador e sujeito passivo). incorporando o princípio “non olet”). CTN) e decadência (art. ADCT). 111. crescendo e com eles fazendo concorrência. segundo os pontos previstos nas alíneas: a. interpretação benéfica. dessa forma. No entanto. 112.: “leasing” interno não é tributado. 139.

bem como da possibilidade de fiscalização compartilhada (poder de polícia). CTN. compara o conceito de hipótese de incidência com o tipo criminal. Esquematizando. o legislador pode estabelecer procedimentos diversos em cada local. A sistemática. e parágrafo único. Essa colocação não coaduna com o conceito de fato gerador. quantitativo. 113 a 127. quando da ocorrência real do fato imponível86 – termo “a quo” dela. nesse passo. Direito Obrigacional Tributário ESTRUTURA DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA (arts. O diploma não ofende a isonomia quanto às demais empresas. CTN). p.. é possível aduzir a seguinte explicação: Crédito Tributário (art. a teoria dos planos de tributação: um abstrato – constituído pela hipótese de incidência – e outro concreto – formado pela efetiva ocorrência do fato gerador. Na esteira do que previa o art. citado pelo primeiro.O repasse deve ser imediato. CF/88. erigindo a chamada tipicidade tributária. o objeto de crítica advém da doutrina espanhola. por tal previsão. 113. “d”. 85 .Devido às diferenças geográficas e consuetudinárias do país. 146. A obrigação tributária nasce da subsunção do fato (pragmático) à norma.O regime será opcional aos contribuintes. inserta na norma. 156. Exclusão (art.. no entanto. algo que ainda não se sucedeu. 139 a 141. capitaneada por Jarach. a serem adaptados à realidade cada ente federado ou região. o legislador complementar criou o “Super Simples”. Foi instituído pela LC 123/06. domicílio e lugar do pagamento). . com dimensões continentais. visto que as MEE’s e as EPP’s não se encontram no mesmo nível econômico. A partir da caracterização concreta de todos seus critérios. op. que muito o utiliza. Extinção (art. . CTN) – engloba a obrigação tributária. fica materializado o fato gerador85. A lei estabelece os parâmetros da hipótese de incidência: aspectos subjetivo.Previsão de um cadastro único de contribuintes. A hipótese de incidência é uma previsão abstrata. Ela nasce da Paulo de Barros Carvalho estabelece. A doutrina. cit. Obrigação tributária – está inserta no art. não sendo lícita a retenção. III. op. Quando se diz que a obrigação tributária tem como traço o fato de ser “ex lege”. de acordo com o espírito colimado pelo constituinte. cit. 86 Amaro. o fato gerador e os aspectos subjetivos – sujeito ativo e sujeito passivo (solidariedade. deverá obedecer aos seguintes limites: . CTN). uma mera descrição sugestiva de uma futura conduta que pode ou não ocorrer. criando um sistema simplificado de tributação no âmbito de todas as pessoas políticas. 258. Em verdade. . afigura-se que ela independe da vontade do sujeito passivo. também citado por Amaro. capacidade tributária. temporal e espacial. A arrecadação será obrigatoriamente centralizada. expressões aduzidas de Aliomar Baleeiro. critica a expressão “fato imponível” assim como fato tributável. 175.56 otimizar a arrecadação e a fiscalização tributária das ME’s e EPP’s. CTN). O sufixo “-ível” dá a idéia de ocorrência futura. 259.

indo até determinado evento futuro e incerto. por conseqüência.: compra e venda pode gerar a obrigação de recolher ICMS ou ITBI. a exação incide desde já. porque persiste simples retorno ao “status quo ante”. Tanto a reversão quanto a retrovenda são cláusulas acessórias ao negócio principal. a qual pode ensejar a suspensão da eficácia do negócio – evento futuro incerto (art. 125. é necessário aduzir o exemplo clássico da compra e venda com retrovenda (ITBI municipal) e doação com cláusula de reversão (ITCMD estadual). Em ambos os casos. 117. o negócio pode estar produzindo os efeitos desde já. configura-se o fato gerador e. independendo de implementação ou não da condição (art. O imposto deve incidir sobre a efetiva demonstração de riqueza. “animus” de realizar um outro ato jurídico bilateral. CTN). visto que há verdadeiro encerramento da compra e venda anterior. 117. II. perfazendo DUAS CORRENTES: Não cabe a exação na “volta” – não persiste novo negócio jurídico – nova doação ou nova venda. fica perfeita a obrigação tributária. a doação de um carro pode fazer incidir o ITCMD. Entre as diversas condutas possíveis para o fato gerador. o fato gerador ainda não se deu (art. 117. O que persiste é a conclusão do anterior. consubstanciado condição suspensiva (art. Ex. 121. Destarte. não havendo de se cogitar sua causa. Na reversão. a condição implica em efeitos futuros. CTN) – exige um estudo prévio sobre o negócio jurídico do Direito Civil. CC). No plano ponteano da eficácia dos fatos jurídicos. no primeiro. Não há novo consenso. o fato gerador do ITCMD é a doação. a condição pode estar abarcada pelo fato gerador. permuta. porque o preço é devolvido ao alienante original. CC). CC). Seu negócio “inter vivos” pode ser uma compra e venda. CTN). Já na retrovenda. Ademais. Com efeito. como o negócio não produz efeitos. enseja mandado de segurança contra o registrador do CRI – exigir o tributo é fato independente da mera translação do imóvel. ele pode constituir um negócio jurídico. Do contrário. O fato gerador não é a compra e venda. 127. mesmo no STJ. a tributação não terá vez até que a condição seja efetivada – não sendo exigível a obrigação tributária porque. o fato gerador do ITBI é a mera transmissão de direito de propriedade. Fato gerador condicional (art. a retrovenda não implica em uma verdadeira transmissão. Acontecendo a condição resolutiva (retrovenda ou reversão). etc. transmissão é a simples alteração da propriedade. Incide o imposto na “volta” – no ITBI. Do mesmo . como seu pressuposto. o que torna a defesa fácil. I e II. arrematação em hasta. em realidade. não persistindo nova transação negocial. o que torna a exação na “volta” como injusta dentro da ordem jurídico-tributária em sentido amplo. quando deixará de fazê-lo (condição resolutiva – art.57 lei e será devida mesmo sem a colaboração do devedor. de capacidade econômica objetiva. No segundo caso. I. haveria incidência dos respectivos tributos? A jurisprudência ainda não se pacificou. não há essa real mostra de potencial financeiro. como ocorreu o fato gerador. dentre seus elementos acidentais. Produzido o previsto na lei. A cobrança no momento do novo registro. mas sim a transmissão escritural “inter vivos” e onerosa.

porquanto se trata de verdadeira simulação de fato gerador e. por opção política. ambos os casos fundam-se no princípio do “non olet”. o dispositivo necessita de regulamentação por meio de lei ordinária. parágrafo único. é possível reduzir a tributação por meio de práticas de supralegalidade. sendo certo que o alienante ingressa com o capital imobilizado e o adquirente. 167. 87 . De fato. No entanto. dentro do plano da validade. Em verdade. porquanto é de eficácia limitada. Com tal intenção. por conseqüência. quando as partes queriam praticar outro ato. mesmo a despeito de não realizar o objeto da empresa. as quais possibilitam a descaracterização do fato gerador – apesar de sua ocorrência de fato. o legislador. informando-o acerca do pagamento do tributo). estão especificadas no art. proibir a elisão fiscal. O dispositivo considerou de tal gravidade o vício social que o inquinou de nulidade. a redução da carga tributária. considerou o negócio nulo. Elemento objetivo (prestação tributária) – além do pagamento em si – o que inclui as penalidades tributárias. Dessa feita. tido em decorrência da necessária fiscalização a ser realizada. que garante a tributação sobre o fato gerador sob cunho objetivo. conhecidas como deveres instrumentais. como no caso de alíquota zero ou de isenção (art. CC/1916). ao longo de anos. de seguir o principal (art. conseguintemente. CTN) – além da própria fraude tributária. 59. Muitas condutas não estão expressamente proibidas pelo ordenamento. em que pese haver outras prestações a serem implementadas pelo contribuinte: são as obrigações acessórias (assessoram o credor na atividade de tributação. não existe tal diploma. É devida mesmo a despeito do não pagamento do tributo. Atualmente. 118. com menor propriedade. 116. há outras obrigações a serem cumpridas pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária. I e II. a doação não deve ser excluída da exação. com o valor líquido do preço – algum tempo depois. a qual consubstancia atividade flagrantemente ilícita (evasão fiscal). CTN. desde que não se possa aproveitá-lo de outra forma. Ex. tal qual já foi comentado em oportunidade anterior. o que implica em impossibilidade de aplicação. parágrafo único. CTN). para não recolher o ITBI correspondente. CC. não se admitindo perquirir suas causas. porque o argumento se enfraquece ante o fato gerador (“doação”). mesmo porque possui caráter autônomo. Não é acessória no sentido do direito privado.58 modo. persiste uma relação tributária material ou substancial – de pagar – e outra formal A definição de negócio jurídico simulado e suas conseqüências. Cláusula geral antielisão (art. a cessão de riqueza é o principal escopo da relação em pauta. revelam o exercício do poder de polícia do fisco. Interpretação objetiva do fato gerador (princípio do “non olet”) – a interpretação econômica a ser impelida pelo fisco encontra fundamento no próprio art. Em verdade. dissolve-se sociedade. Essas atuações são traduzidas pelo chamado planejamento tributário ou elisão fiscal. prática de caráter ilícito. apesar de legal87. foi acrescido o parágrafo único ao art. mas não de direito – e. podendo ser declarado de ofício pelo julgador e suscitado a qualquer momento processual. 116.: ao invés de realizar uma compra e venda de um imóvel de alto valor. 194. por meio da LC 104/01. A Fazenda Pública tem tentado. para Ricardo Lobo Torres. CTN. As obrigações acessórias. as partes constituem uma sociedade empresária.

o art. 96. e da obrigação acessória não cumprida. em parte. tal qual a defectiva letra do art. a obrigação acessória ainda persiste. 88 . Dessa forma. O art. as delineia. Já a A obrigação acessória será estabelecida por fontes secundárias. defere-lhe a capacidade de instituir o tributo. no seu § 2º. decretos e normas complementares (atos normativos administrativos. I a IV. a segunda. Mas essa competência pode ser delegada. podendo ou não ser dispensada pela autoridade fiscal. CTN. Dentro de um controle de proporcionalidade e de razoabilidade. fato esse que a impede de operar as duas primeiras ações – instituir e legislar –. CTN. CTN). “caput”. mas a obrigação principal. 113. as quais dependem de potencial para exarar leis em sentido estrito. 100.59 ou procedimental – de informar o fisco segundo as estipulações previstas na norma. CTN. sendo um conceito mais amplo que o tributo. CTN). a uma pessoa autônoma. portanto. mas a capacidade tributária ativa sim. implicará em um pagamento duplo: da obrigação principal. O crédito tributário engloba ambas as categorias. Dessa feita. No entanto. elas poderão deter o dever-poder de fiscalizar e de arrecadar somente. não sendo necessário tipificar criminalmente a conduta. Obviamente que essa nova figura não terá Poder Legislativo. CTN) –. esses últimos recebem parcela do poder de tributar. Em suma. determina que o não cumprimento dessa leva ao nascimento de uma obrigação principal (sempre positiva de pagamento). CTN). A primeira está descrita no art. porquanto não há “conversão”. Os procedimentos são determinados por norma infralegal – a qual é englobada pelo conceito de legislação tributária (art. a qual não foi propriamente adimplida. CTN). justamente para imprimir caráter coercitivo à obrigação procedimental (positiva ou negativa). de fiscalizá-lo e de arrecadá-lo (capacidade tributária plena). 113. Com efeito. a obrigação principal é de pagar. A criminalização da atuação do contribuinte somente se dará em situações mais graves. 97. decisões administrativas e convênios – art. Nesse caso. deferido pela Constituição ao Estado brasileiro (República Federativa do Brasil). podendo incluir o tributo e a multa. costumes administrativos. convertida em sanção pecuniária. 113. “Legislação tributária” compreende toda e qualquer norma que diga respeito a tributo: leis. decorrente do seu descumprimento (art. 113. 115. A infringência da norma procedimental (obrigação não pecuniária). prevista na legislação “lato sensu”88. A repartição do poder de tributar (competência). Aliás. V. CTN. 113. caracterizando a capacidade tributária ativa. a serem escolhidas pelo legislador. a penalidade. necessariamente não envolvendo entrega de dinheiro. a competência tributária não é delegável. a imposição da multa administrativa atinge o objetivo de desencorajar o descumprimento da obrigação acessória. § 3º. tratados internacionais. de sobre ele legislar. segundo as necessidades de cada ente. A sanção pecuniária do poder de polícia administrativo visa inibir a frustração da fiscalização. advindo necessariamente de lei. A obrigação acessória instrumentaliza a obrigação tributária principal. ainda que administrativa. compreendendo prestação positiva ou negativa por parte do sujeito passivo (art. § 1º. fornecendo subsídios para que a autoridade fiscal exerça sua cobrança fiscalizatória. deverá ser prevista em lei em sentido estrito (art. englobando um rol mais amplo que dos entes com competência tributária (U-E-DF-M). § 3º. § 3º. Aspecto subjetivo (sujeitos ativo e passivo) – sujeito ativo tributário é aquele que detém a capacidade tributária ativa. só é estipulada por lei.

a fiscalização pelo TCU. para não permitir a solução de continuidade (art. Tributo não nasce do erro de pagamento. originado a partir do Estado de Goiás (art. não “numerus clausus”. cit. O particular será credor do Estado. Foi exatamente o que ocorreu com o Estado de Tocantins. porquanto. III. 120. conferiu a sujeição ativa da obrigação tributária somente aos entes públicos políticos – U-E-DF-M – porque se referiu expressamente à “competência”. Havendo desmembramento territorial. por sub-rogação. pecou em sua redação. CTN. o prazo prescricional tributário de cinco anos (art. dada a “causa petendi” do crédito envolvido. CF/88). caso não se consiga fazer com que o outro executado “B” seja chamado. O inadimplemento do IPTU faz o fisco municipal insurgir em face de somente um deles. 90 Cf. Considerando que não cabe o chamamento ao processo do outro condomínio pelo executado. 174. a doutrina corrige o erro do legislador. como esse poderia obter o ressarcimento da cota parte a que lhe assiste o direito? Teria de ajuizar ação cognitiva ordinária ou caberia alguma medida judicial mais célere?Resposta: em termos práticos. “caput”. os princípio da anterioridade e da irretroatividade tributária (art. 150. Aliás. em sentido contrário. . como a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB – Lei 11457/06) e os conselhos de profissões regulamentadas (OAB89. CNM. em que pese disposição cristalina do art. etc. Persistirá um crédito do indivíduo para com a Fazenda. ferindo a isonomia e a ordem tributária constitucional. mas outras paralelas. mas não tributário. ao exigir a restituição dos valores já adimplidos (a título de exação). Posteriormente. 205.). CF/88) e a obrigatoriedade de concurso público ou de licitação nas contratações (art. 149. asseverando que o rol do art. terá que ser proposta pelo executado “A” outra ação regressiva em face do “B”. 119. II e XXI. Machado. quando de sua nova legislação. op. CTN) – aplicando-se o decurso de 10 anos do art. 13. CTN). é meramente sugestivo. 89 A Primeira Seção de Direito Público do STJ firmou jurisprudência de que a contribuição para OAB não tem natureza tributária. para ser ressarcido de sua quota parte. ADCT). essencial à administração da justiça e. denominadas parafiscais.60 parafiscalidade é aptidão para cobrar. Na execução fiscal. mas sim da lei (princípio da legalidade e da tipicidade fechada). Nesse passo. Empréstimo compulsório – o particular.. será substituída a antiga. O STF referendou o posicionamento firmado pelo STJ na ADIn 3026. O indivíduo jamais será sujeito ativo tributário. CF/88. para quem o demandante em restituição de empréstimo compulsório e em repetição de indébito passa a figurar como autêntico credor tributário. No entanto. Pergunta: inicialmente. 119. o novo ente tributário utilizará a legislação daquele do qual se desprendeu. Repetição de indébito – opera-se o mesmo raciocínio do empréstimo compulsório. O art. pois estipula uma exceção onde o constituinte não estabeleceu. consideram-se dois sujeitos passivos tributários. não incide o modo de cobrança pela LEF (Lei 6830/80). 37. O indébito não terá natureza de tributo90. como condôminos de um imóvel. “caput”. por conseqüência. a Fazenda do Município conseguiu satisfazer seu débito mediante penhora de bens e conseqüente hasta. Argumentou-se que se trata de instituição “suis generis”. CC –. fiscalizar e administrar tributos. CTN. não se sub-roga em uma relação tributária. A decisão é muito mais política que jurídica. “caput”. mas nunca de fundo fiscal. porquanto a obrigação a ser cumprida pela pessoa pública nunca terá a natureza de tributo. salvo disposição legal em contrário. em tese. A capacidade de ser sujeito ativo tributário abarca não só as entidades fiscais. essa já se encontra esgotada. à existência do Estado Democrático de Direito. sendo instituto mais profundo que a capacidade tributária ativa. de cunho financeiro.

No entanto. não abrangendo as demais espécies tributárias – taxas. Pode ser qualquer pessoa.61 Na sujeição passiva. sendo denominado sujeito passivo direto. CTN: Contribuinte – é aquele que assume responsabilidade em decorrência de um débito (prática de um fato gerador) por ele adquirido. o acordo entre os realizadores do empreendimento deverá determinar. a obrigação acessório será mais bem delineada no tópico apartado sobre Administração Tributária. a doutrina estabelece uma exceção a tal ditame: no caso da contribuição de melhoria gerada por obra efetivada por convênio entes públicos. 121. Como se trata de matéria referente à fiscalização. CF/88). em homenagem à garantia do credor. II. . 150. o sujeito passivo poderá ser. não da vontade das partes. também denominado “schuld” ou “debitum”. Há de observar-se que essa relação obrigacional decorre de lei. mas a lei. apesar de haver legitimidade para ambas exigirem a satisfação do crédito no que toca sua parte. além do contribuinte e do responsável. Sem perder de vista a linha de raciocínio. inclusive o próprio Estado. O STF só alarga a incidência da imunidade recíproca na análise “in casu”. a massa falida e as sociedades de fato (art. “a”. CF/88. § 7º. como o espólio. O instituto da responsabilidade tributária leva ao fenômeno da substituição. e 121. não se restringindo ao particular. ao contrário da seara civil. parágrafo único. parágrafo único. Quanto às obrigações acessórias. Nesse passo. CF/88). CTN). detendo a responsabilidade pela obrigação tributária (“haftung” ou “obligatio”). Solidariedade – é a possibilidade de uma pluralidade subjetiva na relação jurídica material. I a III. observa-se que o passivo da citado dever tributário pode ser mesmo o imune. “in fine”. o isento ou o agraciado com alíquota zero (art. transfere-lhe a responsabilidade de realizar o recolhimento do tributo. a imunidade recíproca impede somente a cobrança de impostos sobre patrimônio. O contribuinte é aquele que detém o débito da obrigação. 150. em detrimento da competência indelegável dada pela repartição constitucional do poder de tributar. contribuições e empréstimos compulsórios –. só é possível a solidariedade passiva. Ele não tem relação jurídico-tributária direta com o sujeito ativo. parágrafo único. ainda que envolva hipótese de não-incidência do fato gerador. 194. Responsável – não pratica o fato gerador (débito). no seu instrumento. O responsável configura um substituto tributário ou sujeito passivo indireto. O caráter de sujeito passivo tributário inclusive independe de personalidade jurídica. natural ou ordinário. O nome técnico do sujeito passivo é dado pelo art. rendas ou serviços entre os entes públicos (art. em situações bastante específicas. CTN). terceiro alheio à relação tributária. bem como impostos como de importação. analisa-se quem poderá ser devedor da obrigação tributária. ilimitada e alternativa pelo débito. 126. mas deverá arcar com o pagamento do tributo por expressa disposição legal (arts. VI. qual a Fazenda que perceberá os valores da exação. com responsabilidade concomitante. No entanto. No âmbito tributário.

Nos benefícios fiscais (isenção. VII. VII. No primeiro. O art. sendo o benefício realizado “intuito personae”. aproveitando todos os devedores solidários. III.Na prescrição – será sempre considerada em relação à dívida. em que pese haver previsão contratual de adimplemento da exação pelo locatário. não aquelas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (art. 134. excluindo-se as sociedades de capitais. independentemente da cota-parte de cada qual. CTN. quer seja em favor do fisco ou dos devedores solidários. sua interrupção ou sua suspensão também assim se opera. CTN. 123. na qual se pressupõe um benefício de ordem. No entanto. . parágrafo único. A assertiva decorre do princípio da inoponibilidade das convenções particulares (art. A integralidade do tributo é devida por todos. CTN): I. os quais merecem detenção mais apurada. 123 e 124. CTN). Os arts. Exemplo clássico de solidariedade tributária é a cobrança de IPTU sobre imóvel cuja propriedade é tida em condomínio. CTN). extingue-se a obrigação tributária principal. II. podendo esse cobrar integralmente a dívida de qualquer dos devedores solidários. o art. Os sócios que assim agem respondem solidariamente com a sociedade somente se essa não cumprir as obrigações tributárias devidas. Isso significa que a solidariedade leva em conta a dívida. Cada um dos condôminos é devedor solidário da exação. deverá ser abatida a cota-parte do beneficiário. I a III. levando em conta aspectos pessoais do sujeito passivo. objetivamente. permanecendo a dívida em relação aos demais. o sócio atua com omissão ou negligência na liquidação de sociedade de pessoas (incluindo as sociedades de fato). o beneficiário deverá aduzir requerimento ao fisco para obter a isenção. não se perfazendo e se sujeitando às manifestações volitivas de qualquer um que seja. 125. como no caso clássico da cobrança de IPTU em face do locador. O argumento não é oponível ao fisco. Por fim. só é excepcionado se houver comando legal em contrário. trazem dois casos de responsabilidade solidária dentro do CTN. parágrafo único. a relação obrigacional tributária nasce da lei. de alguns ou de todos. sendo favorável ou desfavorável a todos. CTN. o fisco poderá cobrar de um.62 A solidariedade tributária não implica em benefício de ordem. Nesse segundo caso. 123. somente os devedores assim abarcados serão alcançados. e 135. CTN). ou seja. porque o fisco não pode se sujeitar às convenções particulares de negócios jurídicos (arts. remissão e anistia) – se o benefício for dado em relação à dívida. desenha uma responsabilidade subsidiária. A obrigação tributária advém de lei e não da vontade das partes. Obviamente. a responsabilidade ora enunciada só abrange as multas moratórias. De fato. III. 134. os demais serão aproveitados. Ou seja.No pagamento – uma vez que um dos devedores solidários realize o adimplemento. Os efeitos da solidariedade podem se dar (art. A rigor. 134.

O requisito subjetivo só será exigido quanto à outra irregularidade. Características gerais – em qualquer das duas categorias. o sócio responde solidariamente como resultado da prática de atos dolosos. a responsabilidade ganhou ares constitucionais pela pena da EC 3/93. A figura em análise pode ser classificada como responsável por transferência (sucessão tributária) ou por substituição. O lapso temporal de referência é a época do fato gerador. Os sócios. A demonstração pelo sócio deverá ser feita por meio de embargos à execução. como bem vem decidindo o STJ. 78. sem praticar o fato gerador. Nota-se que a obrigação tributária envolvida é a principal. 123. 150. aquele que. 78. o ônus da prova da exclusão da responsabilidade solidária passa a ser dele. Responsabilidade Tributária Responsável tributário é o chamado sujeito passivo indireto da relação tributária. não interessa o tipo societário adotado. § 7º. não sendo necessária dolo. Somente a lei em sentido estrito pode determinar a relação tributária com responsabilidade (arts. diversa do não pagamento da exação. Em que pese o codex já trazer previsão da estrita legalidade. Nessa hipótese. 50.63 No segundo. ao contrato social ou ao estatuto. 78. “in fine”. mormente ligada ao recolhimento de tributo. Para que se caracterize infração a normas. 204. CTN). para responder nos moldes do art. LC 123/06). e 128. LC 123/06). permite que as MEE’s e EPP’s podem dar baixa de suas atividades mesmo sem comprovação de prova de quitação de tributos. Observa-se que é uma responsabilidade integral. entendendo-se solidariamente responsáveis os titulares. O art. parágrafo único. o que exclui sua responsabilidade solidária (pessoal) no caso de mero não recolhimento de tributo pela ausência de caixa para tal. Trata-se de previsão legal de desconsideração da pessoa jurídica. porquanto os infratores responderão pessoalmente perante terceiros. deve necessariamente ter proximidade com o causador do débito pelo qual . LC 123/06. excluindose a pessoa jurídica do correspondente. com excesso de poder ou com infração à lei. mesmo que a pessoa já não mais esteja ligada à empresa na época da baixa.Expressa previsão legal – harmoniza-se com inoponibilidade das convenções particulares ao fisco (art. deverão ter poder de gerência na empresa. a desativação da empresa não obsta futura cobrança de débito tributário. sócios e administradores. CTN). não envolvendo propriamente sanção pecuniária nem obrigação acessória. Esse entendimento decorre da presunção relativa de liquidez e certeza da CDA (art. culpa ou má-fé pelo simples nãorecolhimento de tributos (art. “caput”. Entretanto. CF/88. 135. é possível destacar três traços marcantes: . 121. isto é. deve haver atuação deliberada do sócio-administrador. § 3º.O terceiro responsável. deverá recolher o tributo. II. CTN). CC. CTN. qualificado pela lei como sujeito passivo. Se o sócio constar da CDA como devedor. na linha do art. Será medida célere. § 1º. . III. a qual integrou ao Texto Maior o art. a ser efetivada em até 60 dias (art. segundo o STJ.

em que pese persistir um ambiente natural nessas exações. p. 304) indica que as razões que determinam a incidência da responsabilidade tributária pelo legislador vão desde a conveniência até a necessidade. Na esteira. na substituição. não havendo de se cogitar qualquer fato superveniente a determinar a quebra entre débito e responsabilidade. . como é o caso da retenção na fonte pagadora de percentagem da remuneração do empregado. a responsabilidade pelo seu pagamento é transferida do alienante ao adquirente. inclusive o IR e a contribuição social consectária (art.). quando no exercício do poder de tributar. “(. as exações correspondentes.: na alienação imobiliária (fato superveniente). O IR. ela já recolhe. por exemplo. Essa divisão decorre diretamente da lei. a lei desde logo põe o ‘terceiro’ no lugar da pessoa que naturalmente seria definível como contribuinte. sendo certo que o liame há de ser econômico. Esse traço não é exclusivo dos tributos não vinculados.O instituto representa. CF/88). quando a casa lotérica vai pagar o prêmio do concurso de prognóstico. Já na substituição. na sua essência. Da mesma forma. mesmo porque se trata de quebra da regra ordinária sobre débito e responsabilidade tributários. a outrem (substituto tributário). Ex. como a CPMF. Responsabilidade por substituição – substituição tributária não é fenômeno exclusivo do IPI e do ICMS. por ocorrência de um fato superveniente. Visa evitar o inadimplemento da obrigação tributária e facilitar administrativamente a arrecadação. a obrigação tributária já nasce com seu pólo passivo ocupado por um substituto legal tributário (AMARO. o empregador da construção civil deve realizar o recolhimento das contribuições previdenciárias dos seus obreiros. A doutrina costuma falar de uma “participação indireta” no fato gerador. Em que pese intensos debates hermenêuticos. uma garantia pró-credor – a responsabilidade foi erigida fundamentalmente para favorecer a Fazenda Pública. Responsabilidade por transferência versus responsabilidade por substituição – havendo débito e responsabilidade reunidos em uma só pessoa. a responsabilidade é deslocada (transferida) para um terceiro. possui vários exemplos. 195. Essa característica decorre. a obrigação tributária é dividida já na sua nascente. no caso da instituição financeira retê-la já na conta do correntista. o instituto da responsabilidade colima proteção ao fisco. 2006. sobretudo. p. Amaro (2006. porquanto esse sucede aquele. da segurança jurídica. porque existe em outros. sendo deferido o débito a um (substituído tributário) e a responsabilidade. ou seja. para não permitir que o responsável arque com débito de quem nunca “conheceu” ou se relacionou. havendo débito de IPTU atrasado. no ato... . III.64 estará respondendo – deve haver uma vinculação entre responsável e contribuinte. 307).

A tributação dessa cadeia de consumo transcende a simples facilidade da tributação. No entanto.8. a cana em caule (usina de açúcar e álcool). regressiva ou diferimento fiscal)91. há uma antecipação na tributação (substituição para frente. 92 Ocorrendo desvalorização de modo a depreciar os valores da tabela normativa. trabalho. dependendo da conveniência e da facilidade em realizar a fiscalização e o recolhimento. É o entendimento prevalente nos tribunais. como é o caso da isenção e da imunidade. No esquema da substituição. no segundo. porquanto não se trata de reserva de lei complementar ou constitucional. haveria pesos diversos para a mesma situação. o tributo incide sobre o valor total estabelecido pelo componente da cadeia. um retardamento (substituição para trás. a substituição não onera o substituto e muito menos privilegia o substituído. O diferimento tributário.65 Mas a tributação de consumo e as vendas em cadeia são a coqueluche da substituição tributária. Alguns argumentam que há um ato jurídico perfeito. Informativo do STF nº 469). fazendo uma compensação em relação ao valor anteriormente pago. sem. rel. a sucata (reciclagem e siderurgia) e animais de abate e corte (açougue). por presunção ou crédito e fato gerador presumidos). utilizada pelo Brasil. a qual pode ser aduzida de duas formas: pela compensação de débito e crédito (perfilhado pela legislação doméstica) e pelo valor agregado. No contexto em tela. pacote de cigarro. O fisco teria dado cumprimento à lei. Em ambas. segundo entende o STF (ADIn 2056/MS. escolhe um dos componentes da cadeia de consumo para fazer o recolhimento integral do tributo. sendo que o primeiro só incidirá em produtos industrializados. 91 . o consumidor final arcará com a carga tributária. utiliza-se a técnica da não cumulação. Sistemas de não cumulatividade – o regime de tributações individuais provavelmente levaria a um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. porque não se trata de sanção. DJU 17. Acontecendo situação contrária. respectivamente. o fisco realiza a cobrança da diferença. não há uniformidade quanto ao entendimento. risco de inadimplemento e ônus à máquina administrativotributária. o qual estatui uma forma de arbitramento – quilo da carne. porque esse repassa os valores recolhidos nos valores de venda do produto ou serviço. inclusive no STJ.2007. unidade de automóvel. constituindo o que a doutrina e a jurisprudência costumam designar como contribuinte de fato. Na anterior. São exemplos de produtos englobados pela substituição regressiva o leite cru (laticínios). Cada intermediário na cadeia pagará o tributo dentro do valor por ele agregado. apesar de não haver pronunciamento pacífico do STF. a Administração Fiscal. No primeiro caso. por norma regional ou local. É uma tese a favor da Fazenda. Não há também que se invocar a retroatividade da lei mais benéfica. uma postergação. só incide sobre os valores efetivamente agregados (base de cálculo). já sendo realizada a tributação pelo modelo de substituição para trás. no caso de exação estadual ou municipal. englobando exatamente os mencionados IPI e ICMS. da mesma forma caso o substituído final vendesse o produto por um preço maior que o estipulado pela pauta fiscal. outros advogam que incide um enriquecimento sem causa. submeter o responsável a qualquer exação a maior. Para evitar tal ocorrência. a exação. Ora o fisco seleciona o primeiro componente. sendo irrazoável tal posição. Ao revés. 146. aduzida com base no art. além da alíquota. a base de cálculo do produto ou serviço deve ser monetariamente estabelecido pelo legislador (pauta fiscal)92. o que privilegia a segurança jurídica. ora destaca o último. progressiva. o Estado criou a responsabilidade por substituição. pode ser estatuída. sendo calculado sobre o valor de quem lhe vendeu. tal qual estabelecido na legislação tributária. Nessa última. CTN. Com efeito. contudo. As cadeias a serem atingidas pela redução da tabela são aquelas não iniciadas. porque seria faticamente impossível fazê-lo de todos os intermediários. se a pauta previr um aumento do produto ou serviço. Para eliminar custo. não havendo de se persistir um direito à restituição dentro dessas. Min. Gilmar Mendes. com suas alíquotas. não cabendo restituição ao substituído final.

Aparentemente. mediante outras condições. CF/88. mesmo porque. porque o produto ou serviço poderia só ser repassado muito tempo depois. Nessa ponderação de valores. mormente no tocante à modalidade de substituição para frente. vindo a abalar a atividade econômica do empresário e o equilíbrio de mercado. Isso não significa a operação em valores a menor na ponta da cadeia. o Estado estaria se enriquecendo ilicitamente. foram erigidos argumentos relevantes a favor do instituto. Mais: a substituição para frente tende a tolher e limitar a livre iniciativa. Na esteira. porque a base de cálculo já está estipulada abstratamente pela lei. Nesse passo. porque o tributo é seu principal sustentáculo financeiro. de acordo com a LC 87/96 (Lei Kandir). Entretanto. a gravame financeiro da Administração e à potencial afetação ao Judiciário. vindo a sentir diretamente os efeitos da tributação a maior pela inocorrência do fato gerador. da máquina administrativa e dos serviços públicos. § 7º. e 170. tutelada pelo arts. é possível atualizar a tabela fiscal por ato do Executivo (decreto). caso não ocorra o fato gerador. O habitat natural desses bens se vincula a uma tributação impossível. porque a receita tributária é antecipada em relação ao fato gerador ocorrido. Regime da substituição progressiva e constitucionalidade – a matéria foi pacificada pelo STF. Os produtos englobados pelo regime da substituição presumida sugerem a impossibilidade concreta de fiscalização e de recolhimento do tributo. garantiu-se constitucionalidade ao instituto. antes mesmo da ocorrência do fato gerador. sendo posteriormente coadunado pelo legislador da EC 3/93. o qual seria inundado de executivos fiscais a maior do que a já exaurida e cambaleante capacidade de prestação jurisdicional. a exação já foi recolhida . levando em conta que o fato gerador nem mesmo poderia ocorrer. A flexibilização da pauta fiscal se destina justamente à agilidade na atualização. a extinção levaria à insegurança jurídica na arrecadação. os empresários estariam onerados. a sonegação fica eficazmente mitigada. promulgada a EC 3/93. Com efeito. IV. o Estado estaria abrindo mão de receita. Porém. o direito de restituição compete ao substituído. à estimulação ao crime de sonegação. A questão se vincula a antecipação do crédito tributário. Vamos ao delineamento dessas considerações. 150. a qual não legitima a restituição. No entanto. 1º. porque cobrara tributação sobre algo que nem mesmo se sucedeu. Segundo o STF. tornando a sonegação francamente presente. necessária a exprimir o real valor da riqueza tributada. Por liberalidade. esse traço marcante é palco de discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do instituto. A substituição tributária é um sistema inteligente. além de constitucionalizar a presunção do crédito e do fato gerador. Dessa feita. supõe-se que o último elo da cadeia de consumo vende o bem por valor a menor que a pauta fiscal. por diminuir os riscos ao credor tributário e por minimizar os custos de fiscalização e de recolhimento. “caput”. Além disso. porque há um repasse na nota de compra. a qual acrescentou o art. o STF optou pela decisão política.66 etc. Restituição – a referida emenda. CF/88. garantiu a restituição dos valores recolhidos.

a Administração tributária estaria violando o princípio da tipicidade. 146. Essa riqueza é direito do administrado na prestação estatal. CF/88. o (último) substituído pleiteará a restituição do diferencial entre o valor tributado e o preço da venda efetiva. 150. na primeira. . a incidir sobre um montante maior que o apresentado pela capacidade contributiva do substituído final. porque a lei autoriza a tributar a alíquota em cima da riqueza efetivamente circulada (agregada). A riqueza revelada corresponde àquela existente. não há causa para arrecadação.: a base de Cf. não podendo o Estado abrir mão dela. porque o valor inicialmente recolhido pelo substituto corresponderia. havendo uma diferença em favor do fisco. não dependendo de qual o preço determinado pelo vendedor. principalmente. em tese. “a”. 94 Os principais setores atingidos pela substituição para frente são: automóveis.Pela não restituição – preliminarmente. Ao aceitar o preço imposto pelo contribuinte na nota de venda. 93 . porque se estaria liberando o substituído final para praticar qualquer preço na venda na ponta da cadeia. o qual deveria ser integralmente devolvido ao final da cadeia. CF/88). sendo determinado pelo preço que o substituído final praticasse94. fazendo-se argüir: é cabível a restituição no regime da substituição tributária para frente. mesmo que o substituído final receba a menor pelo bem. Preço e valor são conceitos diversos. A tributação de uma riqueza não efetivamente demonstrada é um confisco. Ex. com bastante força política.67 sobre o montante cheio. a quem compete o direito de restituição? Ao substituto. a sonegação fiscal. porque é a lei que fixa a base de cálculo e a alíquota (art.Pela restituição – o direito a pleitear a restituição é do substituído final. bebidas. quando o substituído final promove a redução da base de cálculo do imposto por liberalidade? Se não. Todos os segmentos possuem grande lobby legislativo. a votação no pleno foi de 6 votos a 5 pelo não ressarcimento. O primeiro fundamento se reveste no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. ou ao substituído? O eventual direito a ressarcimento recairia sobre que montante? Qual a posição atual do STF sobre o questionamento93? Formaram-se duas correntes: . em realidade. a um depósito. recaindo-se sobre o valor da liberalidade (tributado e não agregado). Nesse sentido. os postulantes da tese anterior visam. O argumento se funda na agregação concreta e não legislativa. por quê? Se sim. entendimento que tende a ser revertido nas seguintes (Informativo do STF nº 418). O acatamento do postulado levaria ao sepultamento da substituição por presunção. O substituído advoga pela real demonstração de riqueza. ADIn 1851-AL versus ADIn’s 2675-SP e 2777-SP. Dessa feita. montante concretamente agregado. produtos de limpeza e fumo. IV. medicamentos. Base de cálculo é valor e não preço. não devendo o fisco se assentar sobre o efetivamente praticado. que foi quem efetivamente pagou. há grande pressão para alteração legislativa e. prática vedada pelo art. A riqueza apresentada pela operação mercantil não é aquela que corresponde à presunção erigida pela tributação. O segundo fulcro liga-se ao confisco. sobre a mudança jurisprudencial. sendo certo que. III. A riqueza efetivamente circulada é aquela estabelecida na pauta fiscal. Do contrário. O terceiro fundamento se vale da violação da efetiva capacidade contributiva.

A otimização da arrecadação. São os fatos supervenientes que determinarão a transferência do débito do contribuinte originário (sucedido) a um terceiro (sucessor).019-SP. A procuradoria estatal não pode realizar a cobrança. principalmente nas multas menores. englobando o tributo e a multa. levando à crença de que as operações a menor não estariam contempladas pelo constituinte. CF/88. . gerando uma instabilidade para o Estado quanto ao montante arrecadado na cobrança feita ao substituto. Além disso. a Fazenda teria que devolver o montante. DJ 10/3/2003. REsp 552.386-SP. o Judiciário 95 96 STF. § 3º.506-PB. Formaram-se duas correntes: o Não é devida a multa – ninguém pode ser penalizado por conduta que não praticou. Informativo do STJ nº 319. É a tese pacificamente aceita pelo STJ. Não se está tolhendo a autonomia privada do alienante do bem. Min. Ademais. LRF). AgRg no Ag 455. julgado em 3/5/2007. não importando qual o preço estipulado pelos negociantes. as quais apresentam um custo dobrado ao Estado. Após o posicionamento do Supremo. quem faz liberalidade deve suportar seus efeitos. não devendo transcendê-lo (princípio da personalização da sanção). A responsabilidade do infrator é pessoal. STJ. com os fatores já supra mencionados. Se esse intentar o feito dessa maneira. o custo da execução geralmente é maior que o próprio valor da sanção. Pode ser visualizada segundo alguns aspectos: . O STF só aceita a restituição na substituição “para frente” quando efetivamente não há o fato gerador. Quanto ao primeiro. Responsabilidade por transferência (sucessão tributária) – possui duas vertentes: “inter vivos” e “causa mortis”.915-MG. LC 101/00). 14. DJ 11/9/2000. REsp 436. utiliza a expressão “caso não se realize o fato presumido”. sob pena de abuso de direito. § 7º. Quando esse se realiza a valores menores. João Otávio de Noronha.Multa – argúi-se se a multa acompanha o tributo na sucessão. O direito dos terceiros de boa-fé – incluindo o fisco – não pode ser prejudicado em face da atuação do particular. DJ 28/4/2003. sendo esse transferido integralmente ao sucessor. DJ 4/8/2003. o É devida a multa – podem ser arrolados dois argumentos: um político e outro jurídico. RMS 13. DJ 24/6/2002. gerarse-ia a incerteza: o valor arrecadado pode ser utilizado? Deixaria de ser receita e passaria a ser entrada provisória (componente do Anexo de Riscos Fiscais – art. se houvesse um subfaturamento. Ocorre que o art. 4º. rel. estaria prejudicada. 2ª T. REsp 245. A aceitação abalaria a segurança jurídica. a execução é do crédito tributário. II.68 cálculo do ITBI é o valor do imóvel (previsto em tabela estabelecida em lei). A separação da cobrança implica na existência de duas execuções. não há direito à restituição95. mas sim que ela não poderá invadir a seara dos direitos de outrem – do Estado –. em um momento futuro (venda final). o STJ seguiu a orientação96.123-GO. 150. posto que. § 3º. ADIn 1851/AL.694-MG. REsp 469. Daí. porque se trataria de irresponsabilidade fiscal (art.

. refere-se a “crédito tributário” (tributos mais multas). O art. Eduardo Sabbag coloca a responsabilidade por transferência dividida em três categorias: por solidariedade. 131. cuidou da operação de alienação de estabelecimento comercial (trespasse). Em suma. CTN. Persiste uma infração tributária e não um crime tributário. trata da transferência “causa mortis”. elementares à sua própria existência. aplicando-se somente a sucessão do crédito tributário nas transferências imobiliárias “inter vivos”. Os últimos somente se verificam em determinados compartimentos jurídicos. CTN. divide os princípios em três categorias: fundamentais. restrito à seara punitiva do delito fiscal. O modo de exposição da matéria do professor Amaro não encontra guarida na doutrina majoritária? Em posição análoga. já tão abarrotado pelas demandas ajuizadas. 133. coloca a responsabilidade tributária divida em três espécies: por transferência. por fusão. I. Do contrário. Os segundos são aplicados a todas as matérias jurídicas. 132. Os primeiros são os basilares do Estado. CTN). No entanto. Assim. na verdade. II e III.69 estaria ainda mais onerado em sua prestação jurisdicional. Todavia. O STJ poderia optar por uma interpretação restritiva. não sendo estendido à seara administrativo-tributário (poder de arrecadar e de polícia). parágrafo único. 132. CTN. por substituição e por solidariedade. À luz exclusivamente do texto frio da lei. Esse também tem sido o entendimento do STF98. é apenas sugestivo. Quanto ao segundo. o art. Pergunta: Luciano Amaro. a classificação utilizada por alguns doutrinadores configura. O art. a corte poderia uniformizar o entendimento. em seu “Interpretação e Aplicação da Constituição”. “caput”. O princípio da pessoalidade da pena na pessoa do criminoso é ditame setorial97. “caput”. e a solidariedade ela pode estar tanto na transferência quanto na substituição. por incorporação. a linguagem imprópria do legislador dá interpretação à incidência da multa somente quanto à primeira espécie de transferência. A multa é sanção administrativa e não criminal (pena). 130. CTN. assentando suas colocações em Rubens Gomes de Souza. não sendo possível sua extensão a outros. desde que sócio remanescente continue na atividade empresarial (art. 130. Somente o art. Na esteira. o direito penal tributário (atribuição punitiva do delito) não há de ser confundido com o direito tributário “penal” (atribuição fiscal-administrativa). dos sucessores e de terceiros. com exclusividade. a solidariedade foi analisada como instituto autônomo em relação à responsabilidade. O art. com conotações diversas em cada área específica. melhor 97 Luis Roberto Barroso. essa última foi estudada em tópico separado.613-SP. Optou pela segunda linha. 98 STF. asseverando que o rol do art. trata da transferência “inter vivos” imobiliária. gerais e setoriais. 131. durante as aulas do curso. trata da transferência empresarial. RE 83. CTN. Qual classificação mais de acordo com o posicionamento das bancas de concurso? Resposta: no momento do concurso é importante você citar estes três institutos. por cisão ou mesmo por extinção da empresa. enquanto os demais dispositivos mencionam apenas “tributos”. seja a responsabilidade por transferência por substituição. essas seriam as disposições normativas. RTJ 78/965.

por exemplo. Mesmo sendo uma execução particular. dispositivo pelo qual tabeliães e cartorários devem responder por créditos tributários. do art. Caso a autoridade fiscal deixe de acusar a dívida tributária no momento oportuno. obrigação tributária). Nesse raciocínio. Essa situação se defere à segurança jurídica. mormente quando se trata de operações societárias (art. CTN).70 modo por eles escolhido para exposição da matéria. conquanto os dois últimos autores invocam julgados menos hodiernos do STF e do STJ respectivamente? Resposta: infelizmente ou felizmente. . a Fazenda Pública expediu certidão de dívida. em concurso público. Em verdade. o fisco percebe seus créditos antes do repasse do numerário ao demandante (art. em homenagem à segurança jurídica. o adquirente não arcará com os débitos fiscais. AGU muitas vezes a posição é diferente da magistratura. Entendo mais coerente como foi exposto na aula pela professora Tathiane estudar a solidariedade em tópico separado. Posteriormente. Entretanto. A Fazenda Pública só poderá cobrar do alienante. a regra é de obrigação “propter rem”. Pergunta: o STJ. Pendendo exação sobre a coisa. CTN). a Fazenda Pública será intimada para se manifestar. 131 e 132. a qual possui fé pública. CTN. por analogia.Transmissão “inter vivos” de imóvel (IPTU) – as dívidas tributárias. afinal. componentes do crédito tributário (na realidade. as procuradorias municipais têm erigido a tese de responsabilidade subsidiária do agente público responsável pela omissão na emissão da certidão. 130. é a prevalente. mesmo porque. 130. em sentido contrário. o Emissão de certidão de débito pela autoridade fiscal – em alienação de imóvel. se a autoridade verifica que houve erro na emissão da certidão. 132. parágrafo único. sofremos constantes mutações quanto às posições adotadas pelas Cortes Superiores. Assim. serão transferidas ao sucessor. CTN. Qual posição. dependendo do ponto de vista. no momento da hasta. Atualmente. antes de ser repassado o valor ao exeqüente. logo posteriormente à hasta. preceituou que seu rol de disposições é simplesmente sugestivo. precisamos adotar a posição mais recente adequando com o tipo de concurso que você irá prestar. Essa idéia tem por fulcro uma aplicação. Entretanto. acusando outros débitos não indicados. em tese. Quando. o valor não poderá ser cobrado posteriormente do arrematante. CTN. há exceções ao ditame: o Aquisição de imóvel em hasta pública – o terceiro adquirente (arrematante) do imóvel não arcará com os débitos tributários. no ato de . 134. o negócio fica perfeito mediante juntada do documento público. Deverá recorrer ao antigo executado para perceber seu crédito. devendo indicar os valores dos tributos a incidir. pelos atos por ou perante eles praticados. entendeu a corte que as multas. ao interpretar o art. a título subsidiário. Luciano Amaro e Eduardo Sabbag afirmam que a responsabilidade por transferência não se estende a multas. seriam transferidas ao sucessor também no caso dos arts. VI.

de acordo com a postura posterior adotada pelo alienante (art. . Segundo asseveram os defensores dessa corrente. seria possível cobrar o débito também do exeqüente? Resposta: cuidado. caso o adquirente não tenha capacidade de arcar com elas. O instituto tem por fim proteger primordialmente o credor tributário. CTN). CTN.71 aquisição do imóvel. Será integral. CTN). • Responsabilidade solidária com o alienante – é a tese majoritária. 133. não responde pelos débitos tributários. Uma vez que exare certidão negativa. porque a solidariedade não pode ser presumida. Caso haja certidão negativa de dívida. subsidiariamente. I. VI. 133. I. subseqüentes à alienação (art. 208 do CTN. há sim interesse comum entre alienante e adquirente em arcar com os . conforme art. posteriormente. a Administração Pública responde por tal informação. Essa regra de sucessão tributária colima a preservação do empresário. não foi esclarecida pelo legislador acerca do seu título. genuína engrenagem da economia. o arrematante não responde por débitos fiscais anteriores (art. o adquirente traz em mãos a certidão de dívida negativa. Nesse caso. CTN) – persiste indício de demonstração de riqueza no novo elemento de empresa. a Fazenda Pública se manifesta sobre eventuais débitos do bem (IPTU). Também não foi prevalente. II. de emprego e. o agente público que produziu o documento público (analogia ao art. 133. perfilhando o postulado da sucessão “propter rem” totalmente. vir a cobrar os valores do adquirente. CTN). por Machado (1993) e por Paul Erik. fonte de riqueza. A doutrina e a jurisprudência ficaram incumbidas de interpretar a disposição. “caput”.Transmissão de fundo de empresa – está disciplinado no art. por conseguinte. 133. em que pese ser integral. Não foi a tese vencedora. não poderá. 134. perfilhada pelo STJ. CTN. O postulado se fundamenta no art. decorrente da própria atividade empresarial. a responsabilidade do adquirente oscilará. I. se o alienante não praticar qualquer atividade empresarial dentro em seis meses do negócio (art. No entanto. Antes do repasse do preço ao exeqüente. No caso da responsabilidade espelhada no art. parágrafo único. será subsidiária. CTN). Na operação de trespasse. de arrecadação fiscal. havendo passivo fiscal sobre o estabelecimento. a não ser em caso de dolo do funcionário que a expediu. CTN. • Responsabilidade preferencial do adquirente – o alienante responde subsidiariamente pelas obrigações tributárias. caso aquele prossiga no comércio nos próximos seis meses. Qualquer ressalva aposta no documento é cláusula ineficaz. Pergunta: na aquisição de imóvel em hasta pública. 124. Surgiram três posições: • Responsabilidade exclusiva do adquirente – a palavra “integral” quer dizer “exclusiva”. o imóvel posto em hasta pública representa a garantia do pagamento. 130. considerada não escrita. 133. é possível alcançar o executado e.

não pode levar à exigência do crédito sobre o patrimônio dos sócios.080. com base em três argumentos: o O CC/02 revogou o art. considerando o negócio do trespasse. § 1º. 99 STJ. 1052. Pela regra. no REsp-AgRg 410. a fórmula aberta do dispositivo legal favorece bastante a arrecadação. só podendo ser levantado para pagamento de credores extraconcursais ou daqueles precedentes aos tributários (art. estabeleceu responsabilidade ilimitada entre sócios e sociedade nas dívidas para com a seguridade social. Lei 8620/93 – as disposições do CC/02. são incompatíveis com o diploma anterior.717-SP. “caput”. facilitando muito o ofício da PGFN (Lei 11457/06). notadamente de contribuições sociais. caso esse não esteja ligado. Não incorrendo nos caso anômalos de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. O legislador considerou mais importante a preservação da empresa do que a satisfação dos credores. Com efeito. AgRg no Ag 728. com o fito de favorecer o adquirente que resolve celebrar o negócio. A decisão se fundou na existência de expressa previsão legal. 133. porque a estrutura desses empresários não se harmoniza com o dispositivo em tela (art. Para adaptar o CTN à nova realidade. a Lei 8620/93. o qual disciplinou as sociedades limitadas. Em verdade. as disposições seguem comandos específicos. O legislador optou por facilitar o trespasse nas delicadas situações mencionadas. § 3º. o STJ se pronunciou sobre a matéria. caso o adquirente não seja pessoa estranha ao alienante. Do contrário. há extinção da sucessão tributária ao adquirente (art. I e II. afirmando que cabia a solidariedade por maioria de votos. 124. A Lei 11101/05 (nova Lei de Falências – LF) provocou alguns reflexos na área tributária. enquadrando-se naquelas do art. CTN. a qual acresceu três parágrafos ao art. Inicialmente. . ao alienante. foi promulgada a LC 118/05. no seu art. 133 da codificação. Havendo falência ou recuperação judicial. na década de 90.755. CTN). . ausentando-se qualquer benefício de ordem (art. com fulcro no art. o voto vencido do Ministro José Delgado fundou uma mudança jurisprudencial efetivada em 200599. Dessarte. A revogação foi implícita. 13. 13. CTN). 133. II. O montante resultante da alienação judicial do estabelecimento ou da empresa ficará depositado em conta do juízo falimentar por um ano. 124. § 2º.250-RS e REsp 638. 133. parágrafo único. CTN. o eventual adimplemento tributário. dada a função sócio-econômica daquela. impera normalmente a regra “propter rem” – persiste a sucessão tributária nos termos do art. Contudo. CTN). CTN.72 débitos tributários. porque a autoridade pode escolher qual o sujeito passivo em melhores condições para arcar com os débitos fiscais. 133. de alguma forma. o diploma criou uma situação esdrúxula de solidariedade tributária. REsp 717. portanto constituindo elemento essencial à mecânica macro-econômica.INSS – Sociedades Limitadas e Sócios – Solidariedade – a grande maioria dos empresários domésticos são constituídos na forma de sociedades limitadas.

foi mudada hodiernamente100. apesar de não haver qualquer decisão tomada. III. geral. o Violação do princípio da livre iniciativa – além desse gravame direto. 13. porque a LC deve estabelecer normas gerais e não específicas. “caput”. toda a estrutura econômica positivada (arts. principalmente pela pena do Ministro do STJ Garcia Vieira. Pelo contrário. Lei 8620/93. 13. enquanto o CC. “caput”. a certidão goza de presunção relativa de liquidez e certeza (art. fica sufragada. . porquanto goza da presunção de constitucionalidade. vigente e eficaz. 135. O equilíbrio macro-econômico fica comprometido com o tolhimento do sistema capitalista instalado. “caput”. 124. Trata-se de responsabilidade pessoal do sócio. Segundo a corte. A referência que se faz à infringência da lei. Este é o argumento mais robusto para afastar a aplicação do art. IV. fica reprimida. o próprio art. excluindo-se a pessoa jurídica do pólo passivo. Lei 8620/93. CTN. Nesse caso. Lei 8620/93. Essa tendência. mandamento construído pela Lei Maior. É a teoria “ultra vires”. mas sim responsabilização principal na pessoa do administrador. Esta justificativa também não é própria. contida no art. Não se tratava de desconsideração da personalidade jurídica. . o CTN atende ao comando constitucional. também perfilhada pelo art.Administrador – caso pratique atos em contrário à lei ou com excesso de poder. o art. “caput”. Em nenhum momento. lesionando por demais a grande mola propulsora da circulação de riqueza. o A matéria é de disciplina exclusiva de LC – haveria um vício formal no art. Há ADIn em trâmite no STF para contestar a constitucionalidade do art. haverá responsabilidade decorrente. 146. A constituição de sociedade limitada. bem como. LEF). CTN. II. por via reflexa. A jurisprudência.684-SE. Contudo. e 170. O STJ entende que a mora pode ser 100 STJ. porquanto a Lei 8620/93 é especial. CTN. O próprio STJ tem postura cristalizada no sentido de possibilidade de execução fiscal em face de sócio que conste em CDA. REsp 441. 13. CF/88) fica prejudicada. invertendo-se o ônus da prova. III. “caput”. 1º. “caput”. 13. como bem ventila o art. uma vez que o sócio conste da CDA. não abarcaria o simples atraso no pagamento dos tributos. a tese da inconstitucionalidade formal do art. admitia a execução direta do patrimônio administrador pela mera mora tributária.73 CC). Lei 8620/93. o constituinte exigiu LC para determinar solidariedade. 135. 13. autoriza o legislador ordinário a estabelecer responsabilidade solidária.898-DF e REsp 839. O que não pode o legislador ordinário é extrapolar os limites do constituinte e do seu comparsa complementar. 3º. aduzida nos anos de 1992 e de 1993. Dessa feita. este fundamento não condiz com o Direito Intertemporal. o comando continua válido. CF/88. nesse passo. com seus benefícios legais. Lei 8620/93. Por tal argumento.

a responsabilidade aqui mencionada deve ser subjetiva. é recorrente. o fisco já estaria cobrando. incidem multas pesadas sobre o ilícito. a confissão deve ser necessariamente acompanhada de pagamento ou cabe tal vantagem 101 STJ. a apresentação posterior da declaração de tributos já caracteriza o ato de lançamento. a sonegação. nesse momento. pela qual ficam excluídas as sanções pecuniárias. É o entendimento esposado pelo STJ101.681. advogava-se a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea até a citação válida. de elementos sazonais ou de circunstâncias que tornem a atividade momentaneamente difícil. Para tentar corrigir.Denúncia espontânea – a maioria dos tributos depende de uma atuação antecipada do contribuinte no adimplemento. de dissolução irregular de sociedade ou descumprimento de obrigações acessórias. por exemplo. Dessa forma. até que momento se considera efetivamente espontânea a confissão feita pelo sujeito passivo para fins de se aplicar o benefício do art. o Havendo denúncia espontânea. quer seja na seara administrativa ou criminal. CTN. não pode ser confundida com a responsabilidade objetiva da empresa no mero inadimplemento do tributo ou também no descumprimento de obrigações acessórias. Essa última posição só cabe nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. CTN. EREsp 690. Esse entendimento não condiz com o espírito do instituto. 138. com antecipação do pagamento. AgRg no AgRg no AgRg do REsp 611. Nessa seara. não por corriqueiro inadimplemento de tributo. Mas a Fazenda Pública se preocupa com o recebimento do tributo. o qual pode ensejar diretamente a inscrição em dívida ativa. CTN? Inicialmente. a tese prevalente preconiza o lançamento como fator a elidir a denúncia espontânea. Visa primordialmente favorecer o Estado. foi criado instituto da denúncia espontânea. Restringindo um pouco mais. mediante a efetiva ocorrência do fato gerador. tal qual a disposição do art. . sendo a multa somente instrumento de coerção sobre o ânimo do sujeito passivo. .74 caracterizada por descumprimento de obrigações tributárias acessórias ou por ocorrência de delito tributário. porque. parágrafo único. Contudo. Ademais. Na tentativa de extrair a ocorrência do fato gerador e evitar a decadência tributária. 138. Uma segunda tese estabelecia como marco o início de qualquer procedimento administrativo de fiscalização tributária. não dando azo à execução pessoal do administrador. Esse pode decorrer de situações de mercado.628-PR. mesmo porque o sujeito passivo deve se apresentar à autoridade fiscal antes desse chamá-lo. Nesse sentido. invoque a denúncia espontânea para afastar multa sancionatória. 138. Essa prática objetiva evitar que o contribuinte declare e não pague e. São os casos.133-PR. é necessário levantar quatro questionamentos: o Tecnicamente. “caput”. devendo ser caracterizada o dolo ou culpa do agente. quando for percebido nessa prática. para que se conceda o benefício previsto no art. Ag Rg no EDcl do REsp 826.

Essa posição foi corroborada pela LC 104/2001. Na mesma esteira. enquanto o legislador. porque o Estado não pode fomentar.. com o objetivo de atrair contribuintes para saldar sua dívida. “caput”.278-PR. CTN. CTN. Informativo do STJ n° 323. Nesse sentido. de acordo com sua conveniência e oportunidade. 138. A Administração Tributária deve combater a frustração ao poder de polícia fiscal. O parcelamento. não pode ser cumulado com o afastamento da sanção. A primeira independe de qualquer norma. enquanto procedimento. Denise Arruda. Deveria caber no parcelamento. VI. 142. 142 a 150. porquanto o parcelamento incluirá a multa sancionatória. indiretamente. Lançamento Está disciplinado nos arts. a natureza jurídica do instituto gera divergência: é ato ou procedimento? É declaratório ou constitutivo? Ato é uma conduta isolada. 13/6/2007. com o fim de atingir um objetivo maior e derradeiro. . CTN). pelo qual perdoa uma receita. EREsp 760. conceitua lançamento. a denúncia espontânea só afasta a multa moratória. 1ª Seç. a exclusão da penalidade tem que alcance? Atinge a multa moratória. a sancionatória ou ambas? E quanto aos juros? O art. segundo a jurisprudência do STJ. diploma que integrou o parcelamento como espécie de suspensão do crédito tributário (art. REsp 831. “Data venia”. Dessa feita. Castro Meira. o que deu abertura à exclusão de todas as sanções. para acórdão Min. aduzido pelo devedor. se em ambos os institutos ocorre dispensa de penalidade? A denúncia espontânea é ato de confissão de dívida. os juros são mantidos “ex vi” da própria redação do art. § 1º. o Qual a diferença entre denúncia espontânea e anistia. O art. CTN. um conjunto interativo de atos entrelaçados por uma seqüência lógica. o Havendo denúncia espontânea acompanhada de pagamento. 151. A benesse da exclusão da multa não deve ser estendida àquele que parcela. o entendimento foi alterado. o legislador seguiu a interpretação jurisprudencial anteriormente dada. CTN. “caput”. originário Min. No entanto. não distingue qual a natureza da multa. somente a multa moratória deverá ser afastada pela denúncia espontânea. rel. j.290-PR. como vantagem. pode afastar qualquer espécie de penalidade. Foi a tese prevalente durante muito tempo na jurisprudência. As procuradorias fazendárias passaram a defender o não-cabimento da exclusão da multa sancionatória. “caput”.75 quando a denúncia é seguida a simples parcelamento? Somente o pagamento dá azo à denúncia espontânea. na leitura realizada pelo STJ102. em que pese não ser a tese vencedora. 155-A. porquanto o contribuinte em atraso não é inocente. De acordo com a jurisprudência supra mencionada. 138. CTN. na anistia. lançamento é um procedimento (na 102 STJ. o inadimplemento tributário. sendo certo que o ato administrativo de exclusão do crédito é vinculado. Do contrário. tal qual o art. Nesse sentido. a anistia é ato efetivado pelo credor. pressupondo lei específica para tal. rel. DJU 30/6/2006.

errou. V. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário – o lançamento constitui a exigibilidade do crédito tributário. CTN). não há consenso entre as duas disposições – como é possível extinguir algo que ainda não foi criado? Alargando um pouco mais o raciocínio. isto é. Quanto à segunda pergunta. Essa posição não é unânime na doutrina. incluindo eventual penalidade. foram erigidas três correntes: o Lançamento é constitutivo do crédito e declaratório da obrigação tributária – lançamento é o procedimento pelo qual se cria crédito tributário (Rubens Gomes de Souza). muito pela existência de três argumentos: • Incidindo a lei a qualificar o fato gerador. 156. Não é o entendimento mais aceito hodiernamente. pode ser que a exigibilidade do montante só seja possível mediante determinado procedimento. “caput”. pois alguns entendem que o lançamento é um ato único. ao prever que a prescrição extingue o crédito tributário. terminando com a notificação do contribuinte. sem esse aquela inexiste. porquanto essa é a perda do direito de lançar. porque o lançamento é pressuposto para tal. Não houve lançamento. Dessa feita. o crédito nasce a partir da previsão abstrata da lei e não do procedimento administrativo. mas o devedor continua no direito de pagar. analogamente. No diapasão. a mora pressupõe crédito. o pagamento do tributo no prazo e forma previstos não enseja qualquer procedimento administrativo. haveria incompatibilidade com a previsão de extinção do crédito tributário “ex vi” da decadência (art. porque engloba vários atos em cadeia: identificação do sujeito passivo. conseguintemente. determinação da matéria a ser tributada. sendo constitutivo da exigibilidade do crédito somente em alguns casos – essas hipóteses se restringem aos tributos lançados de ofício. V. Na teoria em tela. não o crédito. Todos os demais são prévios e preparatórios para tal. materializado pela notificação. a decadência também não extingue o crédito.76 visão do legislador). porque o fato . Com base na doutrina estruturalista alemã. caracterização do fato gerador. ainda que por meio de ação de consignação. Na esteira. cálculo do montante a ser pago. O credor não terá mais o direito de exigir em juízo o crédito. 142. criado esse por força da lei. já existe relação jurídica obrigacional tributária e. mas sim o direito potestativo de lançar – o crédito continua persistindo. No entanto. o art. CTN). chamado lançamento. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário. o crédito já está caracterizado – não pode haver obrigação sem credor. O que é extinta é a pretensão. • Ao se considerar o lançamento como constitutivo do crédito (art. não sendo possível mais sua exigência pela via reflexa. em que pese ter havido extinção do crédito tributário. Esse entendimento contesta a posição clássica supra exposta. 156. CTN. não é possível que o lançamento crie o crédito. • Como terceiro fundamento. Dessa feita. o citado mestre defendeu essa posição clássica.

é necessário levar em conta dois critérios: o Necessidade ou não da participação do sujeito passivo declarando o fato gerador. aplicável ao crédito e à obrigação. o sujeito passivo paga.77 gerador está às vistas da autoridade fiscal. misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador. Não há dever de pagamento antecipado pelo sujeito passivo. desde que anteriormente previsto na norma? Resposta: sim. O legislador previu três diferentes espécies: o De ofício ou direto – o sujeito passivo não precisa declarar a ocorrência do fato gerador. Nesse passo. Nos demais casos. parágrafo único. a simples ocorrência do fato gerador já possibilita a exigência do crédito tributário. sob pena de falta funcional da autoridade atribuída (art. O lançamento por declaração está .: IPTU. daí a razão de serem. CTN). o fisco não tem como saber qual o montante a ser pago. autos de infração. uma vez que não haja pagamento por parte do sujeito passivo. Ex. 142. devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. desconstruiu a teoria clássica da constituição do crédito tributário pelo lançamento. o mestre afirmou que o crédito tributário. no raciocínio de Paulo de Barros Carvalho. opiniões diferentes. Pergunta: o professor Pedro Barreto. CTN). A autoridade administrativa interpreta a legislação e cobra ou retifica lançamento ou declaração anteriormente aduzidos (art. o Necessidade ou não de pagamento pelo sujeito passivo antes da cobrança (pagamento antecipado) – deve ser aferido quem deve interpretar a legislação para apurar o momento devido: o sujeito passivo ou a autoridade tributária. os autores refletem sobre o assunto e apontam seus peculiares entendimentos pautados em premissas científicas diferentes. Contudo. o lançamento constitui dever-poder da Administração. o fisco sabe de antemão o valor. Ex. no IPTU. taxas. em comentários feitos em aula. devendo ser aduzido pelo contribuinte. Após tal ato. ITR. Os critérios serão verificados à luz do tipo do fato gerador. Após a cobrança.: ITBI. II e IE. por conseguinte. de sua natureza. cobrando diretamente do contribuinte. tese essa erigida sob a pena de Rubens Gomes de Souza e perfilhada com impropriedades pelo CTN. a autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o montante a ser adimplido. 148 e 149. Ademais. cobrando. o momento do nascimento da obrigação – e. Modalidades de lançamento – para identificá-las. o Por declaração. aduzida pela lei. do crédito tributário – não seria a efetiva ocorrência do fato gerador. I a IX. Ex. também. nasce a partir da qualificação jurídica do fato gerador. assim como sua correspondente obrigação. Na esteira de Ricardo Lobo Torres e outros.: no ICMS. o professor trouxe à baila o postulado da natureza declaratória do lançamento. etc. contribuições de melhoria.

por qualquer uma de suas formas. CTN). os tributos aqui incluídos não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento “ex officio” só será posterior. “caput”. 150. o Mandado de segurança com liminar (arts. ele passa a ser exigível. a cobrar eventual diferença. Lançado o crédito tributário. 5º. dentro de um PAF. seguindo o princípio do devido processo legal e convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. Dessa forma. fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do tributo). o qual é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no âmbito federal. o legislador erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: . o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente qualificado. “caput”. interpretando a legislação. Não existe decadência do lançamento por homologação. Nessa seara. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. com as devidas peculiaridades do D. Com base nesse documento. Havendo diferença entre o devido e o pago. CTN). calculando o montante devido e pagando antes de ser cobrado (pagamento antecipado). a Administração tributária realiza o ato. 147. O sujeito passivo precisa declarar o fato gerador. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. Contudo.: ICMS. CF/88). o sujeito passivo pode levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. LV. constituindo a quitação como meio de prova. o fisco homologa o valor recolhido (art. XXXV e LXIX. inclusive os lançados por homologação. Trata-se de ficção jurídica. IPI. IR. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts. CTN).78 previsto no art. é amplamente possível a instalação do contraditório para contestar o procedimento de obtenção dos valores. CTN. 151. quando se invoca direito líquido e certo a ser . Ex.Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. Permite a ampla defesa dentro do feito. Corresponde à maioria das exações. O sujeito passivo deve ofertar declaração na qual há informações essenciais ao lançamento. III. e 151. etc. Posteriormente. não sendo sempre obrigatório o pagamento “incontinenti” do tributo. IV. CTN). 151 a 155-A. sendo certo que ninguém poderá ser executado enquanto discute o objeto do litígio. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. haverá lançamento de ofício posterior. O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de constituição do crédito mediante lançamento. Em verdade. O CTN listou quatro modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro dessa categoria: o Recurso administrativo (art. 5º. CF/88. 70235/72.

DJU 12/3/2001. rel. j. 103 .725-BA. II. É a situação mais comum. desde que presentes a verossimilhança das alegações e o “periculum in mora” (art. 360. visto que está presente o “animus solvendi”. não objetiva desconstituir o crédito tributário. é uma espécie do gênero moratória. mas não a única. o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a exigibilidade do crédito. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de lançamento.350-SP. Do mesmo modo. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. DJU 26/9/2005. REsp 251. CTN. Para impedir seus efeitos. Min. CTN). 273. I. instituto constante do Direito Privado (art. o escopo em tela se dá em homenagem à economicidade. CPC). Com efeito. VI. a qual retira do credor o interesse de agir para execução em face do devedor. 70235/72). CC). DJU 3/11/2003. É o caso.589-RJ. “caput”. o legislador percebeu que seria melhor abrir uma fase intermediária. É melhor à Administração tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca receber. salvo disposição legal em contrário (art.641-PR.752-SP. CTN). a suspensão do crédito tributário. EREsp 215. mas não tem condição de pagar o tributo à vista. I. à razoabilidade e à eficiência. A negociação entre sujeito passivo e credor permite o pagamento em situação mais razoável. REsp 490. o sujeito passivo pode ingressar com ação declaratória preventiva de inexistência de débito. tida antes do lançamento. procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha sido disparado.79 demonstrado por prova pré-constituída. o Depósito do montante integral (art. Dessa forma. . Caso alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito. 151. 207). “caput” e parágrafo único. em verdade. enquanto na consignação fica patente a intenção do devedor em pagar.Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor lançado e exigido. em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. e 151. Apesar de qualquer das referidas medidas ter o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). 1ª Seç. 5º. DJU 25/2/2002. o parcelamento (art. José Delgado. 7º. Com efeito. Previamente à cobrança do débito fiscal. dando azo à execução forçada. “caput” e I. Alguns autores equiparam o instituto a uma novação objetiva. XXXV. em tese. o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts. V. CF/88. mormente com o intuito de discutir a dívida. o fisco faz jus à conversão do depósito em renda. caso haja lançamento durante o curso do processo. 2002. No entanto. 62. ou requerer. ao contrário da primeira. p. se houver eventual lançamento. Lei 1533/51). 151. não se confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI. Informativo do STJ n° 331. 151.. instituto denominado moratória (art. porquanto a exigibilidade do crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma causa de extinção ou de suspensão. por exemplo. como já disse o STJ104. V. também a título de tutela antecipada na inicial. CTN)103. Nesse caso. 154. devendo ser revelado relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato impugnado (art. 12/9/2007. em que há fracionamento da dívida tributária ao longo do tempo. CTN). no depósito integral. é caracterizada a finalidade de obstar a exigibilidade do crédito tributário. 104 EREsp 479. CTN). II. da postergação da mora com consentimento do Estado. 151. D. REsp 258. deveria haver inscrição em dívida ativa. O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art.

Foram erigidas duas teses. deverá ser dada publicidade a interessados de que o sujeito passivo é entendido como devedor pela Administração. Ao requerer documento de situação. fazendo surgir a pretensão concreta de exigir a prestação devida. CPC. No entanto. São Paulo. impede-se a prescrição. e 739-A. suspende-se a prescrição. Não haverá qualquer restrição ou constrangimento quanto ao exercício de direitos. . 2007. antes do decurso. “in fine”. conquanto. rel. argüindo a possibilidade ou não de inscrição em dívida ativa. v. Por conseqüência. acordos. além de Luiz Wambier. na realidade. o fisco poderá exigir tributos relativos ao bem futuramente (art. a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário. O procedimento de ativação da dívida é uma conclusão interna da Administração tributária. o devedor terá como resposta certidão positiva de débito fiscal com efeito negativo. ela não incide. Contudo. a qual contou com sucessivas reedições. . pendem alguns efeitos: . O CADIN teve alguns de seus efeitos contestados quanto à constitucionalidade (ADI 1454-DF. 736. o que. A prescrição é um instituto que pressupõe lesão a um direito subjetivo do credor. verificou o inadimplemento do devedor e declarou que pende dívida para com o Estado. o adquirente deverá conhecer a situação fiscal do alienante.Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando. 1º. LEF). conquanto o autor não promoveu o aditamento da exordial na conversão da citada MP em texto de lei. depois. Essa atividade é inútil em face da impossibilidade de promover a ação correspondente. . “caput”. 130. no caso de alienação de imóvel.Suspensão ou impedimento do curso da prescrição à pretensão executória – a prescrição decorre de inércia por parte do credor tributário. que apurou a legalidade do fato. 105 Não é demais lembrar que há doutrinadores a defender a não suspensão da execução fiscal em face do mero oferecimento e recebimento dos embargos do executado. mas o Supremo extinguiu o feito sem resolução do mérito. Ellen Gracie. Por todos. Curso de Processo Civil: Execução. a realização de operações de crédito e a celebração de convênios. Ex. Essa leitura advém de uma interpretação analógica dos arts. se a demanda for infrutífera. Informativo do STF n° 472). Min. a discussão judicial implica em mora. sem unanimidade na doutrina e na jurisprudência: o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva fiscal. considerando que esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. equivaleria a “embargos à execução preventivos”. CTN). não ocorreu. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart. ficando peremptoriamente na ordem jurídica posta. o É possível – porque a extração de CDA e a inclusão em cadastro de inadimplente (CADIN)106 não têm o único condão de promover a execução. Antes. “caput”. 2. Por exemplo. A prescrição em comento só começa a correr após o prazo para interposição do recurso administrativo. Foi legislado sob a forma da Lei 10522/02.80 Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade. ajustes ou contratos que envolvessem a utilização de recursos públicos foi instituído pela MP 1442/96. 106 O Cadastro Informativo (CADIN) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais pelos órgãos da Administração Pública Federal para a concessão de incentivos fiscais e financeiros.Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo tempestivamente interposto implica em inexistência de mora. protestam. Revista dos Tribunais. aplicáveis à execução fiscal (art.: pode participar de licitação ou prestar concurso público.

mormente previstos no art. ao menos na primeira instância administrativa107. A resposta negativa administrativa não é condição de procedibilidade para o ajuizamento de ação judicial. CF/88). Informativo do STJ n° 324). CTN). Min. . . 5º. reputandose como definitivamente constituído o crédito. Tais argumentos só serão válidos se os órgãos administrativo-fiscais de apreciação atuarem de acordo com os princípios da Administração. não se estaria negando acesso à jurisdição. 5º. Vencido o lapso para impugnação ou para pagamento sem atuação do devedor tributário nesse sentido. pelo qual qualquer um deles pode ser relativizado. j. José Delgado. não ocorre. detém jurisdição. CF/88. Acesso à jurisdição não implica necessariamente em acesso ao Judiciário. 19/6/2007. DJ 27/4/2007. STJ. o que.Maior celeridade – em relação ao processo judicial. Dessa feita.81 O momento hábil a iniciar o lapso prescricional é exatamente a existência da lesão. . DF e Municípios). Recurso administrativo – o prazo para a interposição de recurso administrativo é o mesmo do pagamento (art. XXXV. segundo a linguagem própria do CTN. não corre a prescrição. a arbitragem.Inexistência de custas processuais – o contencioso administrativo é gratuito. não existe direito absoluto. tem vez a mora (“ex re”). nos 30 dias para o recurso administrativo. de certa feita. essa máxima deve ser vista “cum grano salis”. por vezes. . 107 O STF já declarou inconstitucional a necessidade de depósito recursal na via administrativa. caracterizando-se sua intempestividade desde então. Preclui o direito a recurso administrativo. REsp 943.. não a suspende. a chance de provimento é muito maior. segundo pronunciamento pacífico do STF. direito individual e cláusula pétrea.116-SP. O fundamento apriorístico seria a inafastabilidade do Judiciário (art. A exigência do depósito viola a ampla defesa (art. LV.Desnecessidade de demonstrar fundamentos para liminar ou tutela antecipada – a mera interposição do recurso já obsta a exigibilidade. 1ª T.Maior probabilidade de sucesso – havendo maior especialização técnica do órgão administrativo julgador e verdadeiro bom direito alegado. inexiste infringência ao direito subjetivo do credor tributário. A via administrativa é mais vantajosa que a impugnação judicial. isto é. Entretanto. 160. Se houvesse previsão de esgotamento da via administrativa antes do juízo. mas sim o condicionando. “a”. Em melhores termos.566-MG.Prescindibilidade de advogado – o contribuinte poderá defender-se sem pagar honorário. segundo alguns fundamentos: . 37. se a exigibilidade não está presente. segundo disposição unânime do legislador em todos os níveis estatais (União. . CF/88) não exige o pagamento de taxas. Antes de tudo. sem necessidade de qualquer demonstração extraordinária. “caput”. rel. não sendo exigível o crédito nesse período. “caput”. leitura referendada pelo STJ (STF. LXXIV. AC 1. Por exemplo. além do que a garantia do direito de petição (art. a interposição de recurso administrativo impede a incidência dessa nesse momento. 5º. CF/88). Estados.

em matéria fiscal. teria o condão de obstar o ajuizamento de ação pelo fisco? O STF já pacificou a jurisprudência dizendo que faz coisa julgada material. Dessa feita. o que não se liga ao mérito da questão. a Administração deveria investir nos órgãos administrativos julgadores fiscais. não assistindo razão para recorrer à via judicial. para que esses ganhem confiabilidade e. Em verdade. considerou o depósito recursal como inconstitucional. quando eivados de vícios que os tornam ilegais. tal quantitativo financeiro pode obstar o acesso ao recurso voluntário administrativo. a máquina jurisdicional ainda poderia ser acionada subsidiariamente. mas sim legal. respeitados os direitos adquiridos. não causando prejuízo ao administrado. Até poucas décadas atrás. Para a doutrina processualista. Segundo o STF. Dessa feita. Não há litígio jurisdicional instalado. posição 108 Súmulas 346 do STF: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. todos os princípios processuais já foram seguidos no PAF. Posição mais radical apregoa a impossibilidade do art. XXXV. porque.82 em que pese o órgão arbitral não ser componente do Poder da Justiça. CF/88). a apreciação judicial”. cabe anulação por parte da própria Administração pelo seu poder de autotutela (Súmulas 346 e 473 do STF)108. Ademais. A Justiça não consegue conferir uma prestação adequada ao jurisdicionado. regra “de lege ferenda” nesse sentido teria o condão exatamente de prestigiar o Judiciário e não de restringir sua atuação. Se houver vício no PAF. porque a tecnicidade da decisão administrativa é muito mais precisa e adequada que aquela a ser proferida pela revisão jurisdicional. Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos. legitimidade. . e ressalvada. Mas o depósito de todo montante fere a razoabilidade e a proporcionalidade. porque a celeridade não é seguida (art. Dentro dessa idéia. não haveria razão de existência do próprio procedimento administrativo. o Excelso Pretório. 5º. careceria a ação do fisco por inexistir interesse de agir. caso houvesse insucesso na seara administrativa. por motivo de conveniência ou oportunidade. o legislador do CTN conferiu o duplo grau para o sujeito passivo. Os advogados dos contribuintes passaram a postular que essa proporção é relativa. A Fazenda Pública não pode pleitear sua revisão jurisdicional. Essa condicionante de procedibilidade não pode ser refutada com base no duplo grau de jurisdição. A decisão administrativa positiva imodificável em favor do contribuinte. disposição essa rechaçada pela jurisprudência por entendê-la. uma vez que pode haver valores em jogo muito altos. como antecipação de penhora. LXXVIII. Porém. na realidade. porque deles não se originam direitos. em recente decisão. A garantia não provém de disposição constitucional. por conseguinte. ao revés. dentro de um PAF. não obstante poder determinar condicionantes para tal. Nessa vertente. mas tão-somente discussão perante a autoridade tributária. inviabilizando a continuidade do PAF. CF/88. a jurisprudência tem entendido que um valor razoável seria de 30% sobre o total do débito. 5º. em todos os casos. ou revogá-los. Assunto que se encontrava em pauta no STF é a constitucionalidade do depósito para recurso voluntário em segunda instância administrativa. tal impugnação só era possível mediante depósito do montante integral.

Lei 9432/97). ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física. 9. Em qualquer caso. Min. sendo improcedente o feito.030-RJ. (. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. É entendido como montante integral corresponde ao total cobrado pela Fazenda. o percentual de 30% foi novamente contestado. 112 STF. não obsta a execução. j. 2º. Lei 9432/97).. Dentro desse contexto. em eventual execução futura. Devido à recente mudança de composição do STF. porque as leis previdenciárias são especiais em relação às disposições genéricas do D. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. segundo entendimento estipulado pelo STJ.976-7-DF. 64. caso em que a penhora poderia incidir sobre bens indicados pelo devedor110. Joaquim Barbosa. 19/6/2007. valor entendido pelo contribuinte. 20/9/2007. no qual o relator afirmou que a substituição do depósito por arrolamento de bens não descaracteriza o gravame intransponível para o contribuinte-recorrente. RE 311. j. Foi exatamente o que decidiu recentemente o Excelso Pretório em sede de controle difuso de constitucionalidade112. I a IX. a natureza jurídica é híbrida.932-SP. o arrolado não poderá alienar.023-3/RJ. o montante será apto a tornar a solvência do devedor perfeita. tendo o ato efeito de consignação em pagamento. 1ª T. Depósito do montante integral – geralmente se atrela a uma ação de depósito combinada com ação anulatória de débito fiscal. DJU 26/10/2001. “caput”. É vantajoso para o devedor porque inibe ação de execução e livra o contribuinte dos encargos moratórios. na medida em que ambas as medidas importam em bloqueio de patrimônio. Min. § 4º. DJU 5/6/2007. Isso significa que o depósito a menor. Marco Aurélio. 70235/72. 64. ADIn 1. .4. Segundo a corrente. § 2º. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal (art. DJU 27/4/2007. § 3º. infringindo o contraditório.00 (art. D.. RE 388. Min. Em contrapartida. 33. j. Nesse caso. 2ª T. Informativo do STF nº 461. o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. 110 Nos termos do art.corroborada pelo STJ . Informativo do STJ n° 332. STJ. com piso de R$ 500. para a Administração Tributária. 111 STF. Lei 9432/97). rel.). Informativo do STJ n° 324. eliminando o custo da execução judicial e da eventual hasta pública. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. REsp 943. há certeza de que. prevista nas hipóteses do art. João Otávio de Noronha. AgRg no RMS 14. Esse dispositivo não se aplica os débitos previdenciários. rel.116-SP. José Delgado. § 2º. porquanto representa uma garantia em favor do cidadão e do credor simultaneamente. sob pena do depósito não ser idôneo à suspensão de exigibilidade.).937/92. AgRg no Ag 829. Min. o art. a ampla defesa e a garantia ao devido processo legal. eles também começaram a questionar o arrolamentos de bens a final.359. sem prejuízo do seguimento do recurso. 64. limitado o arrolamento. 64..000. Lei 9432/97.2007. frustrando o direito à revisão do processo administrativo na primeira instância. Lei 8.566-MG. “In verbis”: Art. AC 1. A presunção se 109 109 83 STF. permitiu a indicação de bens para a subida do recurso administrativo para segunda instância. 70235/72. que regula o processo administrativo fiscal. o depósito recursal impede o prosseguimento do PAF. DJU 9/9/2002. alterado pela Lei 10522/02. tendo sido declarado como inconstitucional111. rel. (. ADIn 1976/DF. 33.. rel.. Na esteira. Doutrinariamente. § 7º..

6. CTN. afetando sobremaneira a governabilidade. a subordinação. imposta pelo fisco. Uma vez que o autor da demanda seja vencedor. a Lei 9703/98 veio a autorizar que a União utilize o dinheiro. por haver um contra-senso para com o sistema de execução fiscal positivado. Destarte. AC 1657 MC/RJ. seria possível outra espécie de garantia da referida suspensão. . 9º. rel. o fisco também não poderia fazer o levantamento antecipado do depósito. O conceito de “periculum in mora” inverso já foi usado pelo STF em outra situação. ficando sob a guarda da Justiça até a decisão final. 207). é lícita.2007. porquanto se trata de autêntica imputação (art. A demandante teve seu pleito indeferido cautelarmente. 151. Dessa forma. não cabendo indicação de bens. Min. visou à manutenção do Estado com o numerário em depósito. 163. Informativo do STF n° 473. por meio do poder geral de cautela (art. CTN). Dessa feita. Conseguintemente. adendo componente da LDO (art. orig. CPC). o depósito de montante integral deve ser a última saída para o contribuinte. Esse óbice ao exercício da atividade estatal é chamado pela doutrina de “periculum in mora” inverso (Ricardo Lobo Torres). 2º. o juiz expede o alvará de levantamento para que. p/ o acórdão Min. é possível indicar bens à penhora ou constituir fiança bancária (art. já que pende ato administrativo vinculado do agente público. Ademais. § 3º. a CEF pague o primeiro. Nos embargos à execução. comando que permite à SRFB cancelar autorização de funcionamento de pessoa jurídica do ramo que esteja em débito com o fisco federal. a ser administrado pela CEF através da Conta Única do Tesouro Nacional. pois passa a ser “res in judicia”. O legislador acolheu a presunção de legitimidade da exigibilidade do crédito tributário lançado. LEF). por uma questão de lógica. A Súmula 112 do STJ113 preceitua que o depósito deve ser em dinheiro. II. 798. sob pena de impossibilidade da realização do bem comum pela Administração. p. O levantamento do depósito antes do trânsito em julgado da ação judicial não é permitido ao depositante. Em sede de controle difuso de constitucionalidade. DL 1593/77. o levantamento antecipado do depósito integral constitui autêntica entrada temporária. É nesse sentido que a doutrina critica o entendimento do STJ. A titularidade do bem não pertence mais ao autor da demanda. II. rel. com redação dada pela Lei 9822/99. j. Em contrário. Cezar Peluso. porquanto o Supremo reconheceu que sua produção viola o direito à saúde de plano. o plenário da corte manteve a medida executiva da SRFB. não consubstanciando receita em sentido estrito.84 encontra em favor do credor. no sentido de condicionar o pagamento de um tributo ao recebimento de outro. “caput”. A priori. como lembra Chimenti (2002. reconhecendo expressamente hipótese de “periculum in mora” invertido114. Sob os auspícios do Direito Financeiro. LC 101/00). em 24 horas. esvaziando-o. a suspensão da exigibilidade do crédito tem autêntica natureza de “embargos antecipados”. II a IV. por meio de ação cautelar. Como já fora mencionado. 4º. II. Consoante o voto do 113 114 Súmula 112 do STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. empresa do setor tabagista pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do art. Joaquim Barbosa. 27. STF. O ônus da prova se defere ao contribuinte. No plano orçamentário. estaria sendo frustrada totalmente a “ratio essendi” do instituto previsto no art. Na consignação. a verba será incluída no Anexo de Riscos Fiscais.

valendo o “pacta sunt servanda”. constituindo o recolhimento inexato da exação como fator de desequilíbrio da concorrência e do mercado. 83.2007. 10. como efeitos naturais da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. XIII. Com a conversão do comando no art. parágrafo único. Súmula 323 do STF: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. salvo se o legislador ordinário previr de modo diverso. Ministro Cezar Peluso. 115 Súmula 70 do STF: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. Súmula 547 do STF: “Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas. repetiu tal tipo permissivo. reveste-se de razoabilidade. penal e empresarial.8. havia posição que defendia a impossibilidade de suspensão do crédito em face de parcelamento concedido por lei ordinária. Lei 9430/96. o parcelamento é um autêntico contrato administrativo com novação objetiva. Lei 9249/95. despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. previsto no comando impugnado. rel. Mais ainda. Nesse sentido. . O art. se acompanhada de pagamento. realizado antes do recebimento da denúncia. O diploma estava sendo impugnado por meio da ADIn 1922/DF. CF/88) e a vedação à circulação por meio de tributos (art. Cármen Lúcia. DJU 17. 5º. O art. extingue a pretensão punitiva estatal em crimes fiscais. CF/88)116. a qual alegava que o parcelamento é um direito subjetivo do contribuinte. “caput”. emprestando o raciocínio do Direito Privado. Aspectos tributários – há óbice ao curso prescricional e impedimento da execução fiscal. é sabido que a denúncia espontânea só é possível. 151. Parcelamento – só passou a existir no CTN a partir da LC 104/01. Contudo. 116 STF. desde que preenchidos os requisitos legais. Na esteira. V. em que não cabe execução no curso do parcelamento adimplido. 155-A. Lei 10522/02. em face de parcelamento firmado entre contribuinte e fisco. cabendo à autoridade tributária decidir pela sua concessão ou não de acordo com sua discricionariedade. Em realidade. não cabendo no caso de parcelamento. para a exclusão de multas moratórias. expressamente prevista no art. o eminente julgador salientou que o ato administrativo. A MP 1699-41/98 permitia o parcelamento de qualquer débito com a Fazenda Pública em até 30 parcelas mensais. § 1º. 150. o art. Min.85 relator para o acórdão. I a IV. Ademais. dispõe que o pagamento. CTN. Em sendo assim. a carga tributária do IPI. CTN. I. o STF julgou prejudicada a demanda por ausência de aditamento por parte do autor (Conselho Federal da OAB). Ocorre que o tabagismo é problema gravíssimo de saúde pública. pois ele é espécie do gênero moratória. CTN. constitui autêntica intervenção estatal por indução. Antes do diploma. 34. Aspectos penais – discute-se sobre a suspensão da pretensão punitiva nos crimes contra a ordem tributária. com a maior alíquota existente. CTN. prevê que o parcelamento virá acompanhado de multas (sancionatórias) e de juros de mora. O parcelamento deve ser vislumbrado no que tange o direito tributário. muito pela situação ímpar apresentada. constituinte atuação acertada da autoridade fiscal. 151. com vista a desencorajar o empresário do segmento. ADIn 395. Informativo do STF n° 467. 151. a apreensão de mercadorias desacompanhadas de documentação fiscal pertinente não é medida desarrazoada e que infringe a liberdade profissional (art. não se aplicam as Súmulas 70. A LC 104/01 veio justamente para acabar com a controvérsia ao acrescer o inciso VI no art. com fulcro na inexistência de previsão expressa no rol do então art. 323 e 547 do STF115 “in casu”.

Havendo crime previdenciário. 297. e 168-A. Posteriormente. Min. “caput”. o STF afirmou que a decisão administrativa negativa é condição objetiva de procedibilidade119. o MP não pode prosseguir em ação penal tributária. Lei 8137/90. desde que haja. a qualquer tempo. exaurimento da potencialidade lesiva da conduta dentro da teleologia do recolhimento fiscal. o art. I. rel. 9º. Como a lei penal mais benéfica retroage. 117 118 STF. Naquela. CP. segundo preceitua o Supremo118. Lei 9964/00 (Lei do REFIS 1) veio a ratificar expressamente a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento. não havendo de se falar em princípio da consunção. qual o seja de prestar declaração falsa para eximir-se de pagamento do tributo. Sepúlveda Pertence. CTN) para ter sua responsabilidade penal suspensa. Lei 8137/90. “caput”. 116.86 mas também silenciou quanto ao parcelamento. § 2º. recorre-se ao art. CP. CP. Informativo do STF n° 480. Sendo sonegação tributária não previdenciária. parte da jurisprudência entendia que o parcelamento antes do recebimento da denúncia suspendia a pretensão punitiva. deveria ser iniciado antes do procedimento de fiscalização (arts. sendo previdenciária. aplica-se aos processos em curso e aos eventuais condenados117. 168-A. Inicialmente. em seu art. 337-A.9. permanecendo assim durante o adimplemento das obrigações de trato sucessivo. retificando a terminologia adotada. Dessa feita. § 1º. outra vertente jurisprudencial refutava tal entendimento. o Excelso Pretório estabeleceu que o exaurimento da via administrativa é prejudicial em relação à justa causa para ação penal120. por aplicação analógica do art. . aplica-se a disposição do art. I. j. ao passo que nessa. Lei 8137/90. Uma vez que haja impugnação administrativa do auto de infração lavrado pela fiscalização tributária. HC 84345-PR. Caso haja possibilidade de desdobramento mais complexo. incluindo tanto os tipos previdenciários quanto os fiscais genéricos. por inexistência de previsão legal expressa. 120 STF. no caso concreto. 337-A. o parcelamento. 2ª T. A Lei 9983/00 criou os tipos penais previdenciários no CP. Em melhores termos.2007. porque inviabiliza o custeio da Previdência Social e todas suas prestações sociais essenciais. o réu ou mesmo condenado pode pleitear a extinção ou a suspensão da punibilidade. “caput”. No diapasão. o STF preceitua que há suspensão da pretensão punitiva. II. se há delito formal. no art. Min. Para pacificar a controvérsia.. é necessário que o infrator realize denúncia espontânea (art. Destarte. Contudo. 15. caso o delito seja material. enquanto a previdenciária. 1º. para suspender a pretensão punitiva. Para preencher a lacuna. que a falsificação de documento público (art. HC 85048-RS. rel. STF. o delito de falso fica caracterizado. 2º. Ambas possuem penas iguais (reclusão de 2 a 5 anos). Ressalta-se. a reprimenda é maior (reclusão de 2 a 5 anos). 18. as penas são bem menos severas (detenção de 6 meses a 2 anos). A apropriação indébita tributária genérica está tipificada no art. a Lei 10684/03 (Lei do Parcelamento Especial – PAES – ou do REFIS 2). HC 81611. 2º. porém. dispôs que o pagamento extingue a punibilidade e o parcelamento suspende a pretensão punitiva. HC 91542/RJ. CP). Cezar Peluso. 119 STF. CP) pode ficar absorvida pelo tipo do art. Contudo. 138. como o legislador não exigiu termo final para pagamento ou parcelamento (início da fiscalização ou recebimento da denúncia).

seria possível demandar por meio de cautelar inominada com pedido liminar? Respostas: sim. 1º. Por fim. na esfera administrativa. independentemente da natureza formal ou material do crime fiscal. o art. porque a simples condição de réu em processo crime leva a várias restrições jurídicas. o professor Pedro Barreto. ambas mediante tutela antecipada: ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento (após o lançamento) e ação declaratória de inexistência de débito (antes do lançamento). 151. 155-A. em sala de aula. diplomas específicos dos Estados ou Municípios podem estatuir condições muito onerosas às empresas em recuperação no tocante à tributação. I. e 2º. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente (Arts. estabelece o recurso administrativo e. ao interpretar o art. portanto. Perguntas: com referência ao art. Sempre que houver fundado receio de grave lesão a direito subjetivo. para tornar mais elásticos os prazos de parcelamento quanto aos tributos. não caberá. Em um primeiro plano. em face do art. definidos nos arts. CTN. § 2º. CF/88). O autor. o MS. 151. I. V. III. I. VIII do CTN). 2730/98). 5º. 5º. em sua obra. O MP vinha apregoando a promoção da ação penal sempre. Perguntas: todo recurso administrativo que impugna o lançamento tem efeito suspensivo (art.87 não cabe óbice ao prosseguimento do processo criminal. 156. Ao que parece. LVII. Lei 8137/90. para essa hipótese. Essa idéia contraria a presunção de inocência (art. 155-A. juntamente com seus parágrafos. III. não ficaria condicionada ao exaurimento da via administrativa. a previsão do art. 151. CTN. Contudo. Aspectos empresariais – a Lei 11101/05 estabelece as regras sobre falência e recuperação judicial. CTN. afirma ser hipótese de suspensão. § 4º. 162. previu que os decursos de . o citado mestre afirma que esse feito opera “ipsu jure”. Para corrigir e inibir tal prática. CTN)? Em caso positivo. antes de proferida a decisão final. porque estava correndo o prazo prescricional da pretensão punitiva. CTN. D. 151. importante lembrar que não é permitido à Administração Tributária remeter ao Ministério Público representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária praticados por particulares. É um entendimento minoritário ou relevante na jurisprudência. CTN. IV. Lei 1533/51? Respostas: a previsão do art. elencou duas formas de aduzir a suspensão da exigibilidade do crédito (ou da obrigação) tributária. CTN. Perguntas: estava verificando a posição de Luciano Amaro e parece que o autor. A doutrina de Luciano Amaro é muito respeitada no meio tributário. o legislador complementar resolveu incluir o art. independentemente de tutela antecipada ou de medida liminar. preceitua que o ajuizamento de ação de consignação em pagamento teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Além dessas vias. 798 a 803 do CPC. em momento algum. inclusive oferecimento de denúncia. o contribuinte poderá intentar uma medida cautelar inominada ou atípica. visto que não foi extraída qualquer idéia semelhante na doutrina? Respostas: cuidado! A consignação em pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 1º e 2º. com base nos arts.

constituindo caso de parcelamento heterônomo. A esse. em que não se depende de qualquer outro para sua satisfação. Tanto prescrição quanto decadência revelam perda de algo. É um direito robusto. levando exatamente à prescrição e à decadência respectivamente. que não comporta lesão. o negócio jurídico. LEF. Nesse passo. o CC/02 diferenciou os institutos em comento segundo critérios científicos. Ao revés. CTN. Dessa feita. enquanto essa. 168 e 169. CTN. Houve clara confusão de institutos e impropriedade técnica por parte do CTN. Existe ADIn no STF contestando o dispositivo em tela. V. A doutrina os reputa como direitos frágeis. § 4º. .88 parcelamento a serem concedidos por E. e 40. Mais ainda: o art. Os limites ao qual se referiu a lei são chamados de prazo decadencial. Os direitos potestativos lesivos. em face de inércia. são só resolúveis no tempo. mediante lei específica. 156. nos arts. estão os direitos potestativos. Prescrição e Decadência Introdução e conceituação – antes de tudo. é cediço dizer que prescrição e decadência não extinguem o crédito tributário. devem ser maiores ou iguais que aqueles previstos em lei federal. sujeitos à lesão. as ações condenatórias 121 RT’s 300/7 e 744/725. § 4º. A satisfação de uma das partes depende fundamentalmente da vontade da outra. Aquela termina com a pretensão de direito. parece que o dispositivo fere a autonomia federativa. Os titulares de ambos ficam sujeitos à sua extinção pela não exigência ou não exercício ao longo de determinado lapso temporal. errando o legislador na redação do art. com base em Pontes de Miranda. os quais podem causar grande comoção sócio-jurídica. em que o direito utiliza o tempo como instrumento letal de algum instituto. entendidos como direitos subjetivos “stricto sensu”. porque altera a situação jurídica independentemente da atuação de outrem. “in fine”. DF e M. V. 156. isto é. CTN. sendo a maior parte desses de caráter bilateral. CTN. entendidos como direitos potestativos. revelam direitos subjetivos. A decadência é tratada genericamente nos arts. da titularidade. só cabe sujeição. aqueles que não muito incomodam não estão sujeitos a tal baliza de interregno. houve impropriedade lógica. a prescrição contra a Fazenda está especificada nos arts. A distinção entre eles reside exatamente no ponto a que se reveste o objeto da extinção. 174. Em que pese a boa intenção do legislador. No outro pólo. O primeiro deles advém da natureza jurídica do direito a que se refere: a prescrição se refere a “facultas agendi”. o legislador quis dizer “lei geral”. estabelecendo o legislador uma limitação temporal. colocou a expressão “lei federal específica” – mas como essa não existe. a decadência se refere a “normas agendi”. 173 e 150. CTN. a prescrição que corre contra o contribuinte. O Direito Civil é o que melhor informa a diferenciação entre prescrição e decadência. com o direito potestativo de lançar. principalmente os contratos. Perfilhando Agnelo Amorim Filho121. 155-A.

as ações meramente declaratórias. para permitir que o fisco tenha uma garantia maior na satisfação de seus débitos futuramente. esse último também não está inerte. “cria-se o crédito” –. porque não persiste lesão ao direito subjetivo do sujeito ativo. os quais buscam a pacificação das relações sociais. Termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício – tecnicamente. devendo o sujeito passivo pagar o tributo ou interpor recurso administrativo. a decadência só é tratada. “caput”. o decurso decadencial fica “suspenso”. a decadência SEMPRE ocorre em um 1º de janeiro. não corre prazo de prescrição. o termo “a quo” do prazo decadencial é sempre quando aquele surge. as ações constitutivas – positivas ou negativas – estão ligadas a direitos potestativos. 173. Por imperativo lógico. o inadimplemento do devedor configura lesão ao direito do credor. Durante tal interregno. Decadência – três temas mais controversos delineiam o instituto e suprem as querelas mais significativas: • Qual é o termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício. cria-se a exigibilidade do crédito – para o CTN. Trazendo de volta o raciocínio ao Direito Tributário. “caput”. Em verdade. • O que é a interrupção da decadência tributária. Os incisos do dispositivo estabelecem os termos iniciais da contagem da decadência: I. o qual também é de cinco anos (art. De outra sorte. CTN). Depois do decurso. no primeiro ano civil em que se podia lançar.89 dizem respeito a direitos subjetivos. no CTN. sendo imprescritíveis. a prescrição e a decadência são institutos que prezam pela segurança jurídica. No entanto. por comportarem direitos potestativos não lesivos. Não há de ser razoável que qualquer pessoa seja “escravizada” para todo o sempre em detrimento de certa relação jurídica. O CTN estabelece que o decurso decadencial para tal é de cinco anos (art. 174. Adotando o prazo geral do CTN. não se sujeitam ao decurso do tempo. CTN). . o Estado há de perdoá-la em decorrência da inação do titular de um direito. 173. começando a correr somente no primeiro dia do ano seguinte. sujeitos à decadência. • Como se conta a decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. o legislador posterga essa baliza. porque não pode promover a ação competente para cobrança. A partir do lançamento. começa a correr o prazo prescricional da demanda executória. surgindo pretensão desse ao exercício em juízo. 1º dia do exercício seguinte ao que já se podia lançar – de acordo com a natureza do direito potestativo. quer seja ele subjetivo ou potestativo. sujeitos à prescrição das correspondentes pretensões. Dessa forma. Por conseqüência. quando é adquirido. A partir daí. em um só dispositivo: o art. é possível dizer que o direito (poder) do fisco realizar o lançamento é potestativo. essas ações devem ser implementadas em trinta dias.

quando esse paga a menor. o fisco lançar. • Não pagar – seguindo o mesmo raciocínio anterior. De outra parte. A contagem do prazo da decadência é feita de acordo com três teses: • Corrente restritiva – leva em conta tão-só o art. já podendo a Fazenda Pública inscrevêlo em dívida ativa e executá-lo a qualquer momento. Decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação” – nessa espécie de exação. Não existe decadência do lançamento por homologação. ocorrendo confirmação pela homologação expressa ou tácita. não há qualquer extinção do crédito tributário nem homologação expressa ou tácita. 173. há extinção do crédito tributado. extinção parcial do crédito tributário. mas sim do direito de realizar o lançamento do tributo sujeito à homologação. não se falando em decadência. Não se perquiri . persistindo os mesmos desdobramentos e conseqüências do anterior. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. No tocante à diferença. • Pagar a menos – o crédito tributário é bem divisível. Dessa feita. Nesse âmbito. o contribuinte pode: • Pagar a mais – há extinção do crédito tributário. Quanto a esse. quitação é meio de prova e não o pagamento em si. a confirmação ocorre pela homologação expressa ou tácita. desde que antes do decurso prescricional. Nesse montante. O que extingue o crédito tributário é o pagamento. cabe ao sujeito passivo interpretar a lei.90 II. não a homologação. • Pagar exatamente o que deve – da mesma forma. inclusive os lançados por homologação. e. O direito potestativo de realizar o lançamento do montante integral nasce. desde que a declaração do contribuinte também tenha sido errônea. descontando-se o valor já recolhido. O credor tem parcial crédito para com o devedor. passando a se sujeitar à decadência.Do dia em que foi anulado o lançamento por vício formal – essa disposição não encontra maiores desdobramentos no momento. Não subsiste qualquer direito potestativo do fisco em realizar lançamento. não devendo. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. a priori. calcular o montante e recolher antecipadamente. nasce o direito potestativo do fisco realizar o lançamento complementar de ofício. Nesse sentido. Nesse caso. passando a ser delineada no item sobre interrupção da decadência. O lançamento de ofício é o único sujeito à decadência. I. o STJ considera o termo “a quo” para o lançamento por homologação o oferecimento da declaração correta feita pelo sujeito passivo. ficando sujeito à decadência. persiste pagamento parcial. por conseqüência. CTN. não existe decadência da homologação. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. único dispositivo idôneo a prever a contagem da decadência. a corte entende que o crédito está constituído e o tributo lançado.

3º. “caput”. não seguindo o necessário crescimento da estrutura de fiscalização. mesmo porque o legislador não permitiu alteração no CTN para um prazo decadencial de dez anos. 413). foi deferida a extensão do decurso. é realizado de forma híbrida ou de ofício. em face de uma questão política de isonomia. O art. CTN) não corre concomitantemente com o interregno decadencial de cinco anos para o lançamento (art. para o lançamento (decadencial). traz uma exceção à regra espelhada pelo art. § 4º. CTN). não permitindo tal interpretação pró-contribuinte. o art. Os . p. o tempo de cinco anos. correndo primeiramente o lapso para homologação e posteriormente. Dessa forma. “caput”. Tomando por base as considerações supra sobre o termo “a quo”. a partir do fato gerador. CTN). correndo os decursos simultaneamente. Nota-se que o tempo previsto pelo legislador se refere tanto para o lançamento em si (art. “caput”. no prazo decadencial de cinco anos. o fisco não consegue. mas postergou o termo inicial de sua contagem. Com o crescimento da população. CTN). CTN. em conjunto. 173. Para mitigar a sonegação. a gama de fatos geradores. 150. Isso representa uma impossibilidade lógica e jurídica. 150. 150. o custo jurídico para a Fazenda Pública passou a ser muito alto e. foi erigido o postulado em relevo. § 4º. CTN) quanto para homologação tácita (art. para realizar a homologação tácita (art. Com efeito. qual seja. I. o STJ passou a aceitar esse entendimento. a tese não alterou o prazo decadencial. No diapasão: Afronta o princípio da não-contraditoriedade das normas jurídicas aplicar a uma mesma hipótese a regra e a exceção. principalmente daquelas exações sujeitas à antecipação do pagamento (tributos sujeitos a lançamento por homologação). quantitativa e qualitativamente. 173. § 4º. mesmo porque só esse último está sujeito à decadência.91 se o lançamento está sujeito à homologação. a construção jurisprudencial em comento (STJ) teve por fim exatamente possibilitar maiores poderes à fiscalização tributária. 173. na contrapartida da decadência. • Tese da LC 118/05 – os advogados dos contribuintes passaram a postular a aplicação do mesmo raciocínio para permitir repetição de indébito. 2006. • Tese 5 mais 5 anos – por razões administrativas. A homologação tácita e o lançamento de ofício seriam atos distintos. CTN. Por interpretação sistemática do próprio CTN. Pior: os causídicos passaram a requerer compensação e não restituição por precatórios. LC 118/05 veio a fulminar a “Tese do 5 mais 5 anos”. contam-se cinco anos para se operar a decadência (art. a de o prazo para o lançamento começar a correr quando já não seja mais lícito lançar (AMARO. Dessa feita. promover o lançamento de ofício dos débitos fiscais. Conseguintemente. foram por demais majorados. Para Amaro (2006). 173.

§ 4º. II. Quanto à primeira hipótese. a segunda situação parece carecer de fulcro mais sólido. CTN. 150. Dessa feita. Entretanto. o STJ preceitua que a contagem da decadência será concomitante à homologação tácita. o STJ não teria se fundado no art. a contagem do prazo decadencial se faz de acordo com a espécie de inadimplemento por parte do contribuinte.2. desde que o legislador expressamente preveja123. “caput” e I.2003. Há certa confusão entre os institutos da prescrição e decadência. CTN). § 4º. DJU 30.6. por exemplo –.2000.181/MG (2000. I. a decadência legal pode ser afetada por tais institutos. CC). prevê que haja algum pagamento. o qual inexiste. Para o inadimplemento parcial. O STJ desdobrou sua nova leitura em duas instâncias122: havendo pagamento a menor. CTN. nos tributos sujeitos à homologação. porquanto peticiona pela sua revisão. 0123113-8). Com efeito. Dessa forma. 173. sua Primeira Seção de Direito Público se equivocou. de interrupção ou de suspensão (art. § 4º.92 advogados postularam o mesmo tratamento quanto ao fisco. não havendo qualquer pagamento. tratando-se de inexistência de qualquer pagamento. CTN. 150. porque essa pressupõe a existência de algum pagamento. 3º. CDC. aplica-se o art. porque está considerando o termo inicial do interregno decadencial o fato gerador e não a data devida para o pagamento. eventual recurso administrativo ou ação judicial pode contestar o lançamento por vício formal – cálculo errôneo do tributo. e o art. DJU 17. aplica-se o art. O termo inicial. II. LC 118/05. é fixado na ocorrência do fato gerador. o ato de lançamento implica em afastamento da decadência. O entendimento de que o primeiro comando se refere à interrupção decadencial é minoritário nos meandros jurídicos. parece fácil compreender devido ao critério da exclusão: impossível utilizar a forma do art.88733-4). . O segundo é bem evidente. o qual foi plenamente acolhido pelo STJ. § 4º. 207. CTN). Por acaso. CTN. devolvendo-se integralmente o prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar novo lançamento (art. quanto ao segundo dispositivo. ao invés de ser no primeiro dia do ano seguinte àquele em que se passou a poder lançar (art.142/SP (2000/0090249-7). não paira dúvida sobre sua verdadeira função interruptiva do decurso. No entanto. 173. 173. para construir o raciocínio da segunda hipótese? Resposta: cuidado. a contagem se faz nos moldes do art. REsp 276. CTN. REsp 289. o inadimplemento completo leva à primeira corrente supra exposta (“corrente restritiva”). Porém. com pagamento de parte do montante devido. 150. 26. seu raciocínio parte de premissa errada. em clara afronta à previsão legislativa. cuja corrente prevalente assente a existência de autêntica suspensão do interregno de decadência. caso haja pagamento parcial. a decadência não fica sujeita a causa de impedimento. I. CTN. No entanto. 123 A doutrina aponta duas possibilidades de decadência interrompida: o art.2003. A priori. De acordo com o CTN e 122 ED no REsp 101. Sendo procedente o procedimento. A doutrina tratou esse fato como causa de interrupção de decadência. o lapso de decadência está diminuído. 173. Interrupção de decadência – em regra. mesmo porque o STJ propicia um interregno decadencial menor que o previsto pelo legislador complementar para se operar a decadência.5. 173. Contudo. porque o art. Pergunta: de acordo com atual orientação jurisprudencial do STJ. CTN. DJU 8. o decurso para exercício do direito de lançar é contado nos termos do art. o ato é definitivamente anulado. 150.407/SP (98.

cada qual com sua peculiaridade. havendo inexistência de qualquer pagamento (supõe-se que o lançamento já ocorreu). direito de o contribuinte pleitear valores pagos a maior. transmudadas em principal (multas)? Resposta: sim. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. No que diz respeito ao texto do artigo 3º da LC 118/05. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 168 da Lei no 5. de acordo com a participação do Agente Fiscal em face do ato de lançar. é necessário apurar. Pergunta: a disciplina de decadência e prescrição se aplica integralmente às obrigações acessórias não adimplidas e. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. a Administração Pública Tributária. previsto no sistema jurídico brasileiro. irá lançar “de ofício” o valor faltante e autuar quanto às penalidades pelo descumprimento da obrigação. devendo ser analisados alguns desdobramentos. já que incompleta esta fase. ao final deste ato. ou seja. por meio de execução fiscal.93 a atual orientação jurisprudencial do STJ. no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. tratando-se de lançamento direto ou de ofício. pois ele é afeto ao teor do art. . caso seja necessário. cuidado. 2) Caso haja pagamento parcial. no momento de “homologar”. conseqüentemente. Previamente à constituição do sujeito passivo como devedor. Essa atuação da Administração Tributária é tida por meio do lançamento. a contagem decadencial se faz de acordo com o tipo de lançamento e. Isto quer dizer que ambos. 168 do CTN. A partir daí só caberá Execução Fiscal. Os institutos da decadência e da prescrição são fenômenos que retratam limites de tempo incidentes no direito. (Lembre-se que o contribuinte deveria ter “pago antecipadamente” e cumprido obrigações acessórias). 174 do CTN. no exercício de fiscalização. o Fisco. o teor do crédito tributário. é necessário que tenha relação jurídica com sujeito passivo. não poderá fazê-lo. mais uma vez. Para que a Fazenda Pública possa promover a cobrança judicial de seus débitos. na qual fica configurada obrigação líquida. Surgirá então. 174 do CTN. o prazo a ser observado será o prescricional. fixam prazos para o exercício de determinadas ações no campo tributário. 1) Com efeito. já que a Administração Pública Tributária fez o que deveria e o contribuinte não pagou. 150 da referida Lei”. certa e exigível. É a implementação do princípio da segurança jurídica. mediante procedimento administrativo vinculado. Prescrição – sua conceituação segue o já explanado. a extinção do crédito tributário ocorre. Caso não tenha feito corretamente. regulado pelo art. portanto.172. Deverá então lançar e autuar. “Art. Só poderemos falar em prazo decadencial (findo) se não houver presença (via presencial ou por meio de notificação) do Agente no exercício de formalização do lançamento que lhe cabe. o direito de cobrar e portanto submetido ao prazo prescricional do art.

é repetido o decurso para o pagamento. surge a lesão e. em que há sua interposição. O CTN prevê. Mas o legislador foi infeliz na redação do art. a pretensão para a exigência judicial – é a tese da “actio nata”124. 174. porém. Não efetivando o inadimplemento. porque previu o termo inicial do prazo prescricional a partir da “constituição definitiva” do crédito tributário. destacam-se duas hipóteses: uma em que inexiste impugnação administrativa e outra. supõe-se que haja impugnação administrativa por parte do devedor. Termo “a quo” da prescrição – a partir do lançamento. o fisco confere prazo para o contribuinte pagar ou oferecer defesa administrativa. O ajuizamento da execução fiscal em si não interrompe a prescrição. Além dessa dívida constituída. § 3º. é necessário extrair certidão da dívida ativa. Ao invés de dizer que a prescrição corre da mora. VII. CTN. pois não existe ainda lesão ao direito subjetivo do fisco. 146. o prazo prescricional para ação condenatória começa a correr a partir do conhecimento da lesão do direito subjetivo por parte do lesionado. sobre o qual não incide a prescrição. No entanto. porque o crédito está constituído definitivamente – na linguagem do legislador – mas a prescrição não está correndo. Para fins de entendimento majoritário. não corre prescrição.94 Depois de lançado o crédito tributário. o lançamento constitui o crédito. o qual se valerá como título executivo idôneo a promover a referida demanda executiva (art. é que o crédito estaria “definitivamente constituído”. do inadimplemento ou da lesão. 585. Mesmo considerando a construção do legislador. a inscrição na dívida ativa é o ato que consubstancia o contribuinte como devedor. Entretanto. “caput”. porquanto matéria atinente à LC (art. Somente depois desse decurso ou sem impugnação administrativa. No entanto. Permanecendo inerte o sujeito passivo ou sendo infrutífero seu recurso. CTN). . CPC). o sujeito passivo tem um lapso para realizar o pagamento ou para interpor recurso administrativo. com o inadimplemento do devedor. III. mas não definitivamente. posição atualmente refutada pela doutrina. o qual poderá modificar o ato. em que o interregno prescricional corre ainda que inexista lesão ao direito subjetivo correspondente. por conseguinte. Em verdade. CF/88). De fato. Sendo improcedente o recurso administrativo tempestivamente interposto. como já mencionado. que esse decurso é de 30 dias (art. o STJ entende que essa suspensão não é cabível. materializada pela ação de execução fiscal. o crédito estaria definitivamente constituído. Por incrível que pareça. no silêncio de lei ordinária específica. LEF. 160. Há um contrasenso. Dentro dessa discussão. “caput”. porque o sujeito passivo ainda tem um período para interpor o recurso administrativo. a prescrição fica suspensa por 180 dias a partir da inscrição em dívida ativa. De acordo com o art. o legislador previu situação insólita. nos termos da LEF. fato que só será efetivado 124 Na tese da “actio nata”. a prescrição corre da decisão definitiva do recurso administrativo e não do fim do novo prazo para pagamento. A partir do 31º dia. abre-se novo prazo para pagamento. Nesse intervalo. o legislador fez coincidir o termo “a quo” com sua construção de crédito tributário definitivamente constituído. “b”. o codex acolheu o postulado de que a constituição do crédito se dá com o lançamento. a Administração toma providências para a cobrança do débito. 2º.

o demandado tem algumas opções: Pagamento – com a satisfação do direito do demandante e extinção da execução e do crédito tributário.95 pelo despacho do juiz que determina a citação do executado (art. como diploma protetivo do credor fiscal. e 8º. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. LEF). I. Prescinde de garantia do juízo. Não tem natureza de ação. se a prescrição foi interrompida. parágrafo único. desde que encontrado patrimônio em condições de responder pela dívida fiscal. a execução fica suspensa. justamente pelo princípio da celeridade processual. No despacho citatório do processo. Prescrição intercorrente – a Fazenda Pública procedeu ao lançamento. parágrafo único. mas sim de mera defesa inominada em sede de processo executório. § 3º. o qual permitirá a discussão da dívida em sede de cognição. 9º. o juiz julgará a execução extinta. que não depende de dilação probatória. A execução estará extinta. ou seja. Não encontrando qualquer bem penhorável. 174. a qual ocorrerá dentro dos cinco anos seguintes. 174. LEF). não sendo mais permitido o desarquivamento do processo. Não encontra previsão legal. I. termo inicial da prescrição qüinqüenal. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. fundando-se no art. E verdade. Exceção (objeção) de pré-executividade – aplicável nos casos em que o executado detém prova pré-constituída (documental). permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. . muito pelo qual a LEF. sendo instrumento criado pela doutrina e amplamente aceito pela jurisprudência. surgindo a lesão ao direito do fisco. A tese pró-contribuinte. o oferecimento dessa defesa atípica só e possível quando persiste liquidez e certeza da prova. LEF). Revelia do executado – enseja a penhora ou arresto dos bens do demandado. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. A partir da citação. CTN. interrompe-se a prescrição tributária (arts. Acolhendo a defesa. 174. Desse ponto. A partir daí. dando prazo para pagamento ou interposição de recurso administrativo. Embargos do devedor – o juízo deverá ser garantido pelo depósito do montante integral da dívida (nomeação de bens próprios ou indicação de outros de terceiros. em sede de cognição sumária. CTN. Esse documento instruirá a petição inicial da ação de execução fiscal. passou a considerar que. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). parágrafo único. CTN. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. depósito em dinheiro ou oferecimento de fiança bancária – art. Depois de um ano. a doutrina construiu a denominada prescrição intercorrente. I a IV. com redação dada pela LC 118/05). a fiscalização aduz título de dívida ativa (termo de dívida ativa) e extrai sua certidão. caracteriza-se o crédito definitivamente constituído. o juiz deve proferir despacho de arquivamento do feito. Passado o decurso “in albis”. 40. § 2º.

126 Pela perpetuação da prescrição como matéria disponível. Lições de Direito Processual Civil. Prescrição nas ações de repetição de indébito – está prevista no art. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. Isso não significa que a prescrição não-intercorrente – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado sem prévia oitiva do fisco. manifesta-se a doutrina majoritária. Nesse caso. não sobre a intercorrente. 191. 2006. § 4º. trata-se de interregno prescricional. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandadocontribuinte. Em contrário. 194 do Código Civil pela Lei n. além de positivar a prescrição intercorrente no âmbito tributário. cujo pensamento pode ser traduzido pelo Enunciado 295 do CJF: “Art. § 5º. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. 168. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. vindo a favorecer o fisco. LEF). 169. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. segundo bem aponta parte da doutrina. porque é possível sua renúncia por razões outras. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ)125. porque prescrição é matéria de defesa disponível126. 191 do texto codificado”.. nasce lesão127 ao direito do sujeito passivo tributário.280/2006. 11. 127 Na verdade. Havendo conflito entre CPC e LEF. O direito ao ressarcimento no indébito também não pode perdurar pela eternidade. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. Quando o fisco aceita um pagamento a maior. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. surgindo a pretensão desse para Súmula 314 do STJ: “Em execução fiscal. Sendo assim. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. mesmo porque há interesse público em jogo. 2. porque versará sobre a modalidade ordinária da prescrição. CTN. 219. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. afirmando que a prescrição passou a ser matéria de ordem pública. não localizados bens penhoráveis. CPC). LEF). fato que sugere o instituto da prescrição. Em que pese alguns autores defenderem natureza decadencial ao decurso em tela. v. 13 ed. a Lei 11051/04.96 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. A revogação do art. Além dessa. CTN. a qual versa sobre ação de anulação de decisão administração que denega a restituição. sob pena de nulidade absoluta do ato. “in fine”. pelo simples decurso do tempo. Ambas correm contra o sujeito passivo da obrigação tributária. Apesar de ser factível em tributos lançados de ofício ou por declaração. de fato. Rodrigo Mazei e Câmara. aplica-se a segunda pelo princípio da especialidade. suspende-se o processo por um ano. existe a prescrição bienal do art. não configurando direito subjetivo do contribuinte. 40. Nesse sentido. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. dentro 125 . Em razão da Lei 11280/06. Para solver o entrave. Entretanto. advogam Roberto Senize Lisboa e Nelson Nery Júnior. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. Rio de Janeiro. Lumen Júris. há uma autolesão. Isso também não quer dizer que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. mesmo sob o regime da Lei 11280/05. 1º. a maior parte das pretensões ao indébito surge de erro de interpretação do próprio sujeito passivo. no lapso de cinco anos. findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente”.

RE 544246/SE. rel. Porém. 97. o Excelso Pretório devolveu a causa ao STJ para o julgamento pelo seu órgão especial. 2ª T. Min. “in fine”. 150. Por óbvio. Min. era de dez anos para os tributos sujeitos à homologação de lançamento. entendimento atualmente não mais vigorante. determinando que o prazo prescricional da repetição de indébito é de cinco anos.835-SC. a causa de extinção referida pelo legislador seria o pagamento. DJU 4/6/2007. 195. estabelece que a referida prescrição corre a partir da extinção do crédito tributário nos casos do art. 3º. CONFINS. Em recente decisão. CTN. o que justifica a natureza prescricional do lapso ora em comento. contribuição previdenciária sobre a receita dos empregadores. Teori Albino Zavascki. EREsp 644. com base no art. . REsp 955. não persiste qualquer dúvida. I. § 4º. a qual previu expressamente. mal ou bem. implica em diminuição do lapso. desde que indevido (a mais). ultrapasse o limite de cinco anos após a promulgação do diploma130. em seu art. faturamento. j. Segundo a leitura da corte. O Supremo entendeu que a interpretação nesse sentido. operada por órgão fracionário do STJ. consoante já supra comentado. CF/88). Observe que a demanda será condenatória. a teor do que definira o constituinte128. porque existem dois momentos lógicos: o recolhimento antecipado do tributo (a maior) e a homologação desse pagamento pelo fisco (art. “b”. contados a partir do fato gerador. iniciado sob a égide da interpretação anterior. Em raciocínio simplista. Quanto a tributo lançado de ofício. I. Informativo do STJ n° 329.5. o primeiro é aquele que extingue o crédito. muito pelo qual a corte acolhia a “Tese do Cinco Mais Cinco” até pouco tempo atrás. Nesse passo. respeitando comando dado pelo Supremo. o STF deu parcial provimento a RE interposto pela AGU para contestar a posição do STJ quanto ao caráter não-retrospectivo da LC 118/05. Castro Meira. j. 165. Min. Destarte. declarou inconstitucional o caráter interpretativo da LC 118/05. o decurso de cinco anos. não é o terceiro que lesa o direito alheio.831-SP. j. 168. 3º e 4º. salvo se o decurso prescricional decenal.736-PE. A questão ficou pacificada depois da LC 118/05. o STJ disse que o lustro se aplica para os fatos ocorridos após a vigência da LC 118/05. essa proposição só foi reafirmada recentemente pelo STJ. CF/88). Até a EC 20/98. Esse dispositivo diz respeito às exações sujeitas. rel.97 se ressarcir mediante o exercício do direito de ação. Nesse caso. O termo “ad quo” da prescrição da repetição de indébito comporta certa complexidade. O STJ. Informativo do STF nº 467. mormente quanto aos seus arts. Dentro dessa perspectiva. o termo inicial no pagamento do tributo (antecipado).736-PE. receita e LC 118/05 – a Lei 9718/98 instituiu a COFINS. 15. DJU 27/8/2007. Sepúlveda Pertence. O art. nos tributos sujeitos à homologação. a lançamento de ofício e por homologação. contados do pagamento129. EREsp 644. viola a cláusula da reserva de plenário (art. Corte Especial. a redação do dispositivo das exações sujeitas ao lançamento por homologação. 129 STJ. mas sim o próprio contribuinte dá causa. era adotado o segundo momento lógico como termo inicial da prescrição da repetição de indébito. a controvérsia se instalou. EREsp 435.. CF/88.2007. Informativo do STJ n° 322. rel. porquanto implica em verdadeira declaração de inconstitucionalidade do diploma. 28/8/2007. CTN. Pois bem. 128 STF. 130 STJ. 6/6/2007. o qual. respectivamente. aproveitando-se o fisco dessa situação. I e II.

dando origem à enxurrada de ações de repetição de indébito no primeiro semestre de 2005? Pergunto isso em face da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9718/98 pelo STF em 2005. XXXVI. Para revestir o diploma de constitucionalidade. padecia de inconstitucionalidade formal. CF/88. LC 118/05). pois o ato jurídico perfeito (interrupção da prescrição com o despacho de recebimento da inicial) não pode ser maculado por norma posterior. veio a LC 110/01 para resolver a querela. mesmo porque o sentido interpretativo de um diploma presta-se justamente a tal faina. Segundo o tribunal. I. Nesse sentido.98 constitucional não falava em empregador. Nesse passo. restringindo-se a dois anos (art. a LC 118/05 alterou a estrutura do CTN. residuais. depois dela. Com fulcro na doutrina alemã (tese da sanatória geral das emendas em face das leis anteriores). votou pela constitucionalidade. A COFINS sobre faturamento já era autorizada pela LC 70/91. com efeito retroativo. CF/88. dentro da discussão da LF (Lei 11101/05). justamente por ele erigida. desde que instituída por LC. o administrado poderá recorrer ao Judiciário para anulá-la. bem como a ação tem natureza dúplice: anulação da decisão administrativa e condenação do fisco à restituição. A partir do pagamento indevido. Em verdade. antes daquela. não sendo acolhida. O STJ. tal qual a própria redação dos arts. O art. À guisa do debate. o legislador foi tecnicamente impróprio na redação do art. devido à vacância do diploma em 120 dias. § 4º. houve uma enxurrada de demandas para a repetição de indébito. criada por MP e convertida em LO. já permitia outras contribuições não cominadas. sendo vencido (Informativo 408 do STF). CTN). EREsp 327043-DF e AgRgREsp 727200-PB. Na segunda opção. . as contribuições cobradas entre a Lei 9718/98 e a LC 110/01 passaram a ser objeto de ação de repetição de indébito. a qual chegou no STF por via de RE. a ser julgado pelo seu pleno. além da ação judicial de repetição de indébito. ficando a prescrição obstada a partir de então. o Executivo fez aprovar a LC 118/05. essa posição é contestável. Para solver o caos no âmbito do fisco. o relator. prestigiando a segurança jurídica da “Tese dos Cinco Mais Cinco”. caso a decisão definitiva seja denegatória. 169. O argumento mais abalizado para refutar a retroatividade da LC 118/05 encontra-se no art. 106. característica inerente à inovação da ordem jurídica. passando a se discutir se emenda teria a capacidade de sanar inconstitucionalidade de lei anterior. 3º. a EC 20/98 operou a mudança. 3º e 4º. Gilmar Mendes. 5º. não permitiu o caráter interpretativo da LC 118/05 ao afirmar que ela é inovadora (modificativa)131. LC 118/05. porque. passou a existir somente uma. é possível ao sujeito passivo aduzir pedido na via administrativa (processo administrativo fiscal). quanto às expressões “prescrição da ação” e “anulatória”. “caput”. a qual passou a previr a extinção do crédito no pagamento (art. bem como não versava sobre receita. Pergunta: qual foi a LC de janeiro de 2000 que constitucionalizou a COFINS sobre receita das empresas. Entretanto. a COFINS sobre receita. Entretanto. 131 STJ. Foi uma decisão de extremo bom senso. CTN). Com efeito. guardião da lei federal. a prescrição para o exercício da ação é menor que aquela afeta diretamente à Justiça. Essa tese chegou ao STJ por embargos de divergência em REsp. reforçando a confiabilidade do jurisdicionado para com a corte. esse tinha duas margens interpretativas e. a prescrição se restringe à pretensão ao ressarcimento. Todavia. Para fazer a prescrição atingir essas ações em curso. a Fazenda Pública alegou que a LC 118/05 é interpretativa (art. 169. “caput”. CTN. 195.

Pergunta: os impostos que podem ensejar a penhora do imóvel familiar (art. Essa diferenciação também existe na execução fiscal? Resposta: em matéria de execução fiscal. sendo incluído tudo o que se imagina arrecadar. Segundo Daniel Assumpção. portanto. levando-se ao raciocínio de que o legislador complementar atuou com impropriedade terminológica. visto que “ocorrem antes do . LEF). isso quer dizer que o imóvel fará às vezes de garantia da dívida decorrente de tributo. Lei 8009/90) são somente o ITR e o IPTU? Outra espécie. presente no capítulo V do Título III. deve-se retornar à previsão orçamentária inicial e EXCLUIR a respectiva receita. 40. Ambos os conceitos são jurídica e semanticamente vagos. a primeira se adstringe a matérias debatidas em embargos.99 Resposta: a Lei Complementar 101/00 em seu art. não permitiria o ato de apreensão judicial (ex. No momento em que uma legislação permite o não recolhimento de algum tributo. fora da previsão legal.COFINS. a qual não preclui. Exclusão do Crédito Tributário Há dois posicionamentos para o termo “exclusão”. Pergunta: a doutrina processualista costuma diferenciar a exceção de pré-executividade da objeção de não-executividade. p. 3º. Mas ele possui o poder de fazê-lo caso queira. § 4º. “caput”. CPC). indiretamente ligado ao bem de família. 2º) dentre as obrigações da Administração na elaboração do orçamento. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. Precisam atacar sim. a exclusão do crédito tributário comporta “causas inibitórias do lançamento”. II estabeleceu apenas um impacto na Lei Diretrizes Orçamentárias relacionada à mudança na forma de tributação do setor de combustíveis e do pagamento por substituição no setor automotivo em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade . quer seja intercorrente (art. a lei torna penhorável o ‘bem de família’ tratando-se de impostos. devendo ser oposta antes da penhora (“pré-executividade”). § 5º. Pergunta: antes de reconhecer de ofício a prescrição. o termo Exceção de PréExecutividade tem prevalecido em face da margem de matéria que podem ser alegadas e que não estão restritas àquelas de ordem pública. 205). CTN. existe a previsão das receitas. IV. as condições da ação. a segunda versa sobre matéria de ordem pública (norma cogente de interesse público). 174. e 219. quer seja ordinária (arts. pode ser acusada de ofício e reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição. tendo em vista o assunto estar afeto à matéria de direito. o juiz é obrigado a ouvir previamente ambas partes na execução fiscal? Resposta: não. Para Sabbag (2004.: ISS cobrado em razão de modificação na estrutura do edifício)? Resposta: cuidado. O ISS está afeto à prestação de serviços e. CTN: 1º) Exclui-se um crédito que deveria nascer e não vai nascer. 4º parágrafo 2º.

Neste diapasão. “g”. 2004.100 lançamento e após o surgimento da obrigação tributária”. 133 STJ. A norma cria uma exigência e o legislador faz surgir uma gama de casos particulares dentro dela. 2004). Em verdade. pois. isto é. Rubens Gomes de Souza. há de se ressaltar “que o poder de isentar ou anistiar é correlato ao poder de criar tributos” (SABBAG. Ricardo Lobo Torres (apud NOGUEIRA. p. a isenção não alcança as exações nascidas depois de sua criação. não há elementos suficientes e legais para “constituir um crédito tributário” em face de um fenômeno isento. de modo a dispensar o contribuinte da obrigação principal. A norma que exclui o crédito tributário sempre afasta a obrigação principal. CTN). assevera que a isenção suspende a eficácia da norma impositiva tributária. 155. devendo ser respeitados os mesmos parâmetros diretivos desses (limitações ao poder de tributar. Todos os fenômenos abrangidos são fatos geradores. o qual entende a isenção como disposição legal de incidência tributária. o equívoco semântico do texto legal se deve à sua visão míope sobre a constituição do crédito tributário. isto é. . tendo por fulcro metajurídico elementos de cunho sócioeconômico e sócio-político (SABBAG. 2ª T. Todavia. XII. 175. CTN. 177. Sempre decorrente de lei. Como se sujeita à reserva legal. pela PROIBIÇÃO legal da chamada isenção em branco (art. A posição MAJORITÁRIA afirma que. CF/88)133. Desta feita. REsp 723. parágrafo único. a isenção engloba os fenômenos havidos a partir de sua instituição. imunidades e princípios). Min. O art. neste. com o objetivo de “compensar desigualdade em função de condições 132 Indo um pouco mais fundo. 171). 1999). Linha minoritária assevera que qualquer hipótese abrangida pela isenção não pode se denominar fato gerador. art. 26/6/2007. Não há de se formalizar a relação jurídica para torná-la exigível. a isenção não tem o condão de anular os efeitos da norma maior. 175. 205). Respeitando o respeitável mentor do CTN. não existe a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. “ex vi” dos arts. Eliana Calmon. Neste raciocínio.. o art. Informativo do STJ n° 325. 150. Paulo de Barros Carvalho assevera que a constituição do crédito tributário se dá com a realização do fato gerador. CTN. consoante comentário já realizado. mas não as acessórias (art. CTN). 175.c. 176. cuja ocorrência se dá com a previsão da hipótese de incidência na lei tributária132. § 6º. 139 c. j. essa imperdoável posição extraída da doutrina estruturalista germânica e adotada na letra da norma gera contra-sensos dessa monta.575-MG. admitindo-se a dispensa da obrigação principal para os isentos. conquanto se afasta a obrigação principal das hipóteses de isenção. ISENÇÃO é chamada de endonorma pelos doutrinadores. prevê que a exclusão do crédito tributário adstringe-se à isenção (dispensa de tributo) e à anistia (dispensa de penalidade). resolução legislativa que aprova convênio não pode concedê-la. confere permissivo às chamadas isenções geográficas (NOGUEIRA. II. Essa é a posição perfilhada pelo Excelso Pretório. parágrafo único. CF/88. CTN. p. por ser uma endonorma. 1999. Celeumas à parte. parágrafo único. CTN). o fato abstrato deixa de existir e assim não pode surgir uma obrigação tributária. rel. § 2º. à luz da previsão abstrata legal (fato imponível descrito na norma). salvo se houver consenso de todas as unidades federadas no caso de ICMS (art. e 176.

a finalidade principal é retirar a situação de impontualidade do inadimplente da obrigação. 1999). 208). Em termos classificatórios. opera causa de extinção da punibilidade. 178. por diploma de igual hierarquia àquele concessório. 179. o qual não poderia ser desfeito nem mesmo por lei superveniente. desde que observada a anterioridade originária (art. como observam Sabbag (2004) e Nogueira (1999). 178 c. DL 8031/45 (isenção de II e de IPI para equipamentos integrados ao ativo da Companhia Hidrelétrico do São Francisco – CHESF). 104.101 peculiares”. A INCONDICIONAL é isenção que não estipula qualquer requisito especial para sua concessão. . 11/9/2007. pode ser revogada a qualquer tempo. indireta ou indenizatória dessas exações. já existe. preferiu ele manter o uso da visão codificada do legislador tributário. pelo fisco. Informativo do STJ n° 331. Herman Benjamin. não cabendo qualquer análise por parte da Administração Tributária. da situação apresentada pelo contribuinte. A geral é aquela decorrente diretamente de lei. 136 Súmula 544 do STF: isenção tributária concedida sob condição onerosa não pode ser livremente suprimida. III. bem como um prazo para o aproveitamento dos benefícios. desde que devidamente prevista em diploma competente. Min. justamente para não causar ainda mais confusão na explanação didática dos institutos em análise. Ela é o PERDÃO. a anistia alcançará 134 135 STJ. ou seja. A pena pode ainda não existir no plano formal. 153 da CF de 1969) não se aplica à revogação de isenção do ICM. Cf.: revogação do art. A condicional é irrevogável. I. 137 Apesar da posição pessoal do autor. sendo aplicada às penas anteriores à sua instituição. mas a infração. não se aplicando às taxas e às contribuições de melhoria em razão da necessária contraprestação direta. Mesmo assim. Entretanto. cabendo-lhe exarar despacho concessivo (art. é o “perdão legal das penalidades pecuniárias antes da constituição do crédito tributário”137. por expressa manifestação legislativa (art.806-PE. A vontade do legislador vai determinar os limites de abrangência. Segundo Sabbag (2004. CTN). p. Neste caso. a anistia encontra fulcro maior no “indulgentia principis” do Direito Penal. Para Nogueira (1999). como é o caso de calamidades (NOGUEIRA. pela Lei 8032/90 – o primeiro comando não pode conferir um direito adquirido à beneficiária. 177. Ex. no campo concreto. 8º. mediante requerimento. CTN). em contrário senso) e jurisprudencial (Súmula 544 do STF136). 1999). há certas diferenças para com a isenção. configurando verdadeira “fossilização” do ordenamento134. CTN). parte inicial. art. É importante também dizer que as isenções só alcançarão os tributos não vinculados (impostos). Na ANISTIA. REsp 575. o qual coaduna com a tese da constituição do crédito tributário pela hipótese de incidência. como bem ventila o art. CTN (NOGUEIRA. a jurisprudência não tem reconhecido a aplicação da anterioridade à revogação das anistias incondicionais135. “caput”. a retirada da sanção tributária pecuniária. Decorre de razões de política fiscal e atendimento de certas conjunturas e circunstâncias não só econômicas. Súmula 615 do STF: O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. incondicional ou condicional. 177. Qualquer penalidade. versando inclusive sobre a mencionada isenção em branco (art. rel. nos termos da legislação. a isenção pode ser geral ou específica. CTN. Porém. Para Sabbag (2004). essa disposição pode ser excepcionada pelo legislador concedente. pode ser passível de anistia.c. A específica é aquela que depende de verificação. “caput”. j.

mas continua com a obrigação principal e outras acessórias dela decorrentes. II. “in fine”. apoiada pela maioria da doutrina. podendo o legislador inovar nesse sentido. admitindo o autor a sua incidência mesmo em crédito já lançado. à imposição de penalidade tributária. Ricardo Cunha Chimenti. porque a benesse cabível seria a remissão (art. não há mais de se falar em anistia. I e IV. As garantias da Fazenda Pública quanto ao crédito tributário estão elencadas em rol exemplificativo nos arts.. CTN) – as estipulações entre particulares no tocante aos gravames reais não atingem a exigência de crédito tributário. enquanto aquela. “caput”. CTN. I. . Dessa feita. 1º. bem como os crimes e as contravenções (art. São Paulo. baseado na citada LC. 3º. 2004)139. de incomunicabilidade ou de impenhorabilidade140 não produzem efeito quanto ao fisco.. Direito Tributário. requer um tratamento desigual relegado ao fisco. CTN). e outros. permitindo a penhora da coisa. é adepto da corrente que entende o lançamento como perfeito em um só ato (a notificação).. cit. porque esta se refere ao crédito tributário “per se”. o comando prevalece sobre a lei tributária (art. 139 Sabbag.102 tais fenômenos.. 142. simulação ou fraude. direcionada ao custeio das funções públicas. encontra resistência em doutrina isolada. pela notificação –. As disposições só são válidas entre particulares. O legislador ordinário determina-lo-á. Lei 8009/90 – créditos previdenciários e trabalhistas decorrentes de relação empregatícia em função do imóvel e tributos relativos ao próprio bem (em 138 Neste aspecto. Essa linha. Saraiva. ao contrário do que apregoa a doutrina prevalente e a própria redação do art. a anistia retroage a fatos já ocorridos. Contudo. 180. Coleção Sinopses Jurídicas. art. op. CTN). 156. impostas ou formalizadas). Lei 8009/90 (bem de família). Ex. cláusulas de inalienabilidade. Ex. 140 A cláusula de inalienabilidade engloba também a incomunicabilidade. fazendo-se merecer especialidade na sua regulação. mas sim em remissão. a anistia não se confunde com a remissão (art. 649. CPC (bens impenhoráveis). como Sabbag. Garantias do Crédito Tributário Não são inconstitucionais. 184. “caput” e parágrafo único.: art. Desta feita. NÃO ATINGINDO os valores referentes ao crédito tributário (obrigação principal)138. 183 a 193.: art. Também não alcança os atos cometidos com dolo. 184. Inoponibilidade de garantias reais ao fisco (art. ou seja. 180. se a impenhorabilidade for legalmente instituída. CTN). CTN) e as demais infrações tributárias cometidas em concurso de pessoas (art. A natureza de receita pública. os parâmetros de aplicação dos institutos em tela (art. não há de se cogitar a anistia (SABBAG. IV. apresentando espectro amplo quanto às sanções (cometidas. Caso a própria lei excepcione a impenhorabilidade. de acordo com a Súmula 49 do STF: “A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens”. cit. Dessarte. O procedimento para a isenção e para a anistia se dá à luz do comando diretivo do CTN. CTN. Amaro. 97. CTN). op. Com efeito. conclui que o lançamento não tem o condão de impedir a concessão de anistia. Depois de “constituído o crédito” pelo lançamento – em outras palavras. VI. op. v. 2002. CTN). não tendo vez frente aos preceitos de ordem pública da norma tributária (função social dos contratos). 4ª ed. IV. não abrange as sanções já lançadas. 16. havendo notificação do contribuinte. porque colimam a isonomia. 156. I a X. cit. essa colocação também se aplica ao fisco. ao tê-lo como procedimento (sucessão de atos). O contribuinte fica dispensado do cumprimento de certa penalidade.

Fraude à administração fiscal e bem de família – supondo que o devedor tenha débito fiscal de $70 e possua dois imóveis. entidade ou instituição. o devedor não paga no prazo legal. Para responder se há ou não fraude ao fisco. o sujeito passivo aliena um desses. Depois de inscrita a dívida ativa. importam em fraude à execução. porquanto ambos decorrem do mesmo poder de polícia sanitária do Município. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. CTN). mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. pública ou privada. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. CTN). a Fazenda Pública pode alcançar a ineficácia da alienação feita pelo contribuinte. exige-se regular citação do executado. 185. “caput”. patrimônio apto a satisfazer o crédito tributário. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. já existe o ambiente jurídico para tal. Como o imóvel restante não é penhorável. dentro do processo civil. Para ficar submetido à indisponibilidade. pelo meirinho. I e II. instruirá a inicial da execução fiscal. depois da hasta pública. incide a mencionada fraude.103 decorrência da propriedade – ITR e IPTU – e do poder de polícia estatal – taxa do lixo141. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. procedimento e ato dotado de presunção de legalidade e de legitimidade. porque o único bem idôneo a solver a dívida foi alienado em contrário ao art.). CTN) – o juiz da vara de execuções fiscais pode declarar a indisponibilidade de bens do executado em face de dívida fiscal não adimplida. CTN). CTN) – depois da citação válida. não nomeia bens nem é verificado. essa é mais profunda. 3º. A certidão de dívida ativa. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. 185. de eletricidade. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. “Penhora on-line” (art. de esgoto. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. em qualquer órgão. do contrário. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. Câmara (2006) afirma que surgiu um novo instituto: fraude à administração fiscal. como título executivo extrajudicial. o que ainda não é pacífico. Depois de ajuizada a demanda. Fraude à “execução fiscal” (art. . o saldo será restituído ao devedor (art. 185-A. Ex. § 2º. etc. muito pelo que não são encontrados bens aptos à penhora (art. 185-A. Para tal. porque a impenhorabilidade do bem de família é excepcionada. CTN. Lei 8009/90). porque. não existe fraude. o fato depende da natureza do crédito fiscal da Fazenda Pública: caso a exação originária seja do imóvel de propriedade do contribuinte. A presunção de certeza e liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno administrativo. tornando-o passível de penhora (art. Todo esse trâmite demanda muito tempo. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). 185. Trata-se de presunção absoluta. porque o legislador previu abrangência em todo território nacional. No âmbito tributário. 141 A jurisprudência não admite a cumulação entre taxa do lixo e taxa para limpeza de logradouros públicos. cada um de $100. § 1º. 185-A. “caput”. CTN).: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. apta a registrar patrimônio (art. se o tributo a ser cobrado não assim se manifesta. 185-A. Em que pese não haver um sistema informatizado totalmente abrangente.

Sabbag (2004. essa deve ser limitada ao valor da dívida em discussão. “caput”. 41. O fisco pode receber antes do detentor de crédito trabalhista. LF. Medidas de controle e verificação da realidade fiscal do contribuinte. de acordo com o arts. o fisco não precisa se habilitar no processo falimentar. Essa atribuição é de suma importância para a função arrecadatória do fisco.104 Dentro da idéia de excesso de penhora. CTN. o DF e os Municípios. porquanto estatui que os impostos estaduais . Todavia. mormente aqueles dependentes de lançamento (AMARO. Essa situação também vige se a penhora precede ao ajuizamento da falência. p. e 186. desde que aquele tenha crédito extraconcursal (depois da decretação da falência). CTN). porquanto sua competência e sua capacidade tributárias são deferidas à União (art. existe também a argüição de excesso de indisponibilidade. 479). 209. porquanto sequer possuem Fazenda Pública (art. é perfeitamente possível crédito quirografário ter preferência sobre tributário. 2006. Quando a execução fiscal fora instaurada antes da ação falimentar. nos termos de seu art. e o segundo seja anterior à falência (arts. 241) assevera que a atribuição de administrar tributos importa em três funções: Procedimentos fiscalizatórios adequados. cuja atuação é imprescindível inclusive para o próprio recolhimento de alguns tributos. Nesse passo. p. Crédito tributário na falência (arts. ele vai à hasta pública. Administração Tributária Introdução – a fiscalização tributária é assunto deferido ao legislador ordinário. Sabbag (2004. de indenização por dano moral. ao revés. CTN) – a relação de preferência no concurso de credores está determinado na LF (Lei 11101/05). p. Cobrança judicial dos importes tributários inscritos em dívida ativa. específico de cada ente ou relativo a cada exação instituída. São a União. caso em que o montante da arrematação será deferido ao juízo universal. Inexiste qualquer competência tributária deferida aos Territórios. possivelmente. 83. 186 e 188. CTN). Nesse caso. a norma geral será o CTN. sua penhora é realizada no rosto do processo da quebra. O feito permanece no seu juízo privativo. dada a situação concreta submetida ao sujeito passivo. os Estados. A administração de tributos é realizada pela Fazenda Pública. 209. visto que o efeito atrativo do juízo universal não se lhe aplica (art. respeitando a ordem de prevalência estabelecida na LF. 147. 187. o produto da arrematação é entregue à massa. CC. CTN). 1ª parte. devolvendo-se o saldo ao devedor. não há de se retirar a salvaguarda da Fazenda Pública com fulcro em excesso de indisponibilidade. 84. No mesmo raciocínio. Todavia. Secundando o legislador do CTN. na dicção do art. a qual abrange os entes políticos (art. Essa disposição só cabe se divisível o bem. Em verdade. CF/88). e 188. O constituinte dá indício dessa assertiva. porque. 255) ensina que os Territórios Federais não se constituem dessa forma. sob pena de suscitar mandado de segurança pela diferença e. Nessa última hipótese. I a III. CTN). 194. “caput”. LF.

III e IV. I e . CTN). Destinatários – usando a terminologia do codex. I a VIII. publicidade e eficiência (art. Da resposta proferida. p. CF/88). 48. Apesar disso. praticar atos ou abster-se de fatos em nome do poder de polícia do fisco (art. Sabbag (2004. CF/88). Quanto a esses. CTN. No entanto. nos termos dos arts. moralidade. 175. 194. disposição que é reforçada pelo art. 37. 48. Também não é possível imposição de medidas de garantia nem incidência de juros moratórios. além dos sujeitos passivos da relação jurídico-tributária (contribuintes e responsáveis). Essa regra só é excepcionada se o Território for dividido em Municípios. o art. uma vez se afigure embaraço ou desacato tal ao exercício que torne impossível sua efetivação (art. Amaro (2006. bem como considerar a consulta ineficaz ou incabível (arts. 52. os agentes do fisco poderão requisitar força policial para levar a cabo seu ofício. “caput”. 70235/72. XV. parágrafo único. Assim como no PAF. 78. nenhuma medida pode ser tomada em desfavor do consulente em até trinta dias (art. a consulta permite recurso administrativo e reapreciação da matéria por instância superior. 1ª parte. a autoridade poderá compelir o consulente a cumprir determinada obrigação. p. 76). Mesmo que não haja configuração de crime. CTN. postulando pela aplicação integral de todos os princípios administrativos: legalidade. 147. apesar de vigorar correção monetária. 76). Em verdade. D. 161. quando devam prestar informações. 70235/72). é abrangente as determinações do legislador. CF/88). 52. na resposta. Quando pende consulta. a resposta dada pela autoridade tributária e favorável ao contribuinte vincula a Administração Tributária. aplicável à Administração Tributária. 54. 56. 480) lembra que o Senado tem competência exclusiva para avaliar periodicamente o desempenho da fiscalização tributária de todos os entes federados.105 correspondentes são incumbência da União (art. CTN. apesar de não ser permitida quando tais expedientes já foram iniciados (art. 70235/72 (FÜHRER e FÜHRER. 245) avança um pouco mais. deixa claro que até mesmo os imunes e isentos devem se render aos comandos normativos tributários. podendo abarcar. 147. o que talvez afastasse o interesse do jurisdicionado pelo instituto (FÜHRER e FÜHRER. pelo qual o contribuinte pode submeter uma dúvida sobre cumprimento de obrigação tributária à autoridade fazendária. 70235/72). D. assim como a funcionalidade do próprio Sistema Tributário Nacional (art. 200. parágrafo único. quando cada um deles exercerá plenamente sua capacidade tributária própria (art. terceiros alheios. 52. refere-se ao procedimento de consulta. D. e 55. CF/88). diploma que também trata do procedimento administrativo fiscal. II. 2001. A atuação dos agentes de fiscalização deve observar o princípio da estrita legalidade. 70235/72). É matéria regulamentada pelo D. 2ª parte. CTN). 2001. não é possível aplicação de penalidades nem ajuizamento de execução fiscal (art. Nesse ponto. p. D. § 2º. impessoalidade. mormente no que concerne às obrigações acessórias. “caput”. “caput”. a expressão “impostos” pode ser interpretada como tributos. a legislação tributária é dirigida tanto à autoridade administrativa tributária quanto aos administrados. Consulta – o art. p. Mesmo outras pessoas podem ser objeto de fiscalização pela autoridade.

colocando desta forma um manto sobre o segredo. p. para torná-lo indevassável. X e XII. 197. ou mesmo negócios aos quais sejam alheias as informações demandadas” (AMARO. 119). além de documentos relativos a lançamento. VII. apesar do legislador não ter falado na segunda (AMARO. p. ou previdenciária. quaisquer livros comerciais. O próprio dever de prestar informações e de apresentar documentos para fins fiscalizatórios se constitui como obrigação tributária acessória (art. 195. Qualquer disposição normativa que venha a limitar a atuação do fisco está em desacordo com a norma geral tributária. a verificação deve guardar nexo com o objetivo do procedimento. 2006. D. como rememora Chimenti (2002. “b” e “c”. O art. p. I a VII. e 1193. parágrafo único.106 II. 70235/72. O legislador exigiu pertinência temática entre o objeto da fiscalização e o ato fiscalizatório. 70235/72). como inventariante ou como administrador judicial em falência. D. No entanto. os arts. 481). tem o dever de prestar informações ao fisco. 5º. desde que atinentes à sua função fiscalizatória. arrola vários obrigados nessa faina. No ambiente tributário. entidades econômicas e profissionais e órgãos da Administração Pública têm legitimidade para aduzir consulta (art. por exemplo. O rol do comando considerado é fechado nos seus termos. Lei 8112/91. Além dos próprios sujeitos passivos da relação jurídicotributária. 54. “caput”. CF/88). CC. sob pena de importar em abuso de autoridade (Súmula 439 do STF)142. CC). Ex. psicólogos. “caput”. o sigilo bebe na fonte dos Direitos Fundamentais. No entanto. Deve ser preservado pelo fiscalizado até o decurso de prescrição ou de decadência a ele relativas (art. CTN. No entanto. sacerdotes. 46.: advogados. 120). parágrafo único. Apesar de a legislação comum proteger a exibição de livros e de documentos contábeis do empresário (art. limitado o exame aos pontos objeto da investigação”. a autoridade tributária tem prerrogativa sobre os segredos de cada pessoa. 2004. 483). Sigilo fiscal – sigilo é aquilo que representa o selo que lacra o que não pode ou não deve ser divulgado. CTN). CTN). 197. Havendo conflito entre o dever de guardar segredo (dever legal de sigilo) e o interesse da Administração Tributária. 1190. CTN). 2002. parágrafo único. o legislador deu prevalência ao primeiro (art. médicos e outros. a teor do que já disse a citada Súmula 439 do Supremo. 197. cuja autoridade competente é o coordenador do Sistema de Tributação da atual SRFB (art. consubstanciada pelo CTN (CHIMENTI. “ninguém pode ser obrigado a prestar informações sobre os negócios de outrem só porque eventualmente mantenha com ele relações de amizade ou de parentesco. p. 142 Súmula 439 do STF: “Estão sujeitos à fiscalização tributária. muito pelo qual é decorrência do véu que se abate sobre a privacidade e sobre os dados pessoais (art. . Porém. 242). p. quando o causídico estiver exercendo função atípica. D. 197. 33. CTN). 195. CTN. 2006. asseguram o exame amplo e genérico no processo de fiscalização. 70235/72). § 1º. Esse arcabouço probatório é composto por livros comerciais e fiscais. Nessa hipótese. III. sendo considerada ineficaz (SABBAG. o julgamento da dúvida será feito por instância única. como ensina Robson Baroni. em que pese o legislador poder ampliá-lo “de lege ferenda” (art.

em face do art. 198. 247) professa que a inexistência de convênio não impede a troca de dados sigilos fiscais entre órgãos públicos. LC 105/01). “caput”.107 Em regra. perante o STF. § 3º. desde que haja processo administrativo fiscal instaurado. A prevalência do sigilo quanto a terceiros deve ser colimada na formalização do ato. CTN). 199. A AGU pode requisitar informações ao BACEN e a CVM para instruir processos em que esteja atuando (art. 6º. a ser efetivada mediante recibo. Antes do referido diploma. No diapasão. mediante lei ou convênio (art. 199. importante ressaltar que o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos estatais pode ser feito até mesmo no âmbito internacional. a mesma lei conferiu idêntica prerrogativa às CPI’s. desde que autorizada pelo plenário da Casa Legislativa ou da própria comissão. Representação fiscal para fins criminais. 198. CF/88). “caput”. 58. O permissivo só é aplicável se houver PAF ou procedimento de fiscalização regularmente instaurado (art. parágrafo único. 199. p. assegura a quebra de sigilo bancário pelas autoridades tributárias. 5º. que está tendo sua constitucionalidade contestada. desde que haja PAD instalado para investigar o sujeito passivo tributário. colimou restringir o compartilhamento de informações entre Estado e particular. § 3º. CTN. §§ 1º a 3º. o próprio legislador excepcionou o mandamento em algumas situações (art. a jurisprudência era pacífica em proibir a prática por parte da Administração. Enfim. Na esteira do diploma. Repartição mútua de dados entre diferentes órgãos estatais no interesse da fiscalização tributária. CTN). Entretanto. Necessidades materiais para ativação de dívida da Fazenda Pública. . “caput”. 3º. as instituições financeiras deverão remeter à SRFB informações para identificação de contribuintes e de valores relativos à CPMF. X e XII. por intermédio do BACEN ou da CVM. Com fulcro no art. “caput”. na conformação que lhe der tratado entre a União e outros Estados (art. inclusive entre entes políticos diversos. a Lei 9613/98 confere poder ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para requisitar informações bancárias e fiscais. tributo que possui finalidades concomitantes de arrecadação e de fiscalização. CF/88. LC 105/01). CTN). Sabbag (2004. os agentes da Fazenda Pública não têm vênia para divulgar dados sobre situação econômica ou financeira de fiscalizados (art. Na terceira hipótese supra aduzida. com o intuito de evitar e reprimir crimes de lavagem de dinheiro. I e II. 58. independentemente de vênia judicial. Concessão de parcelamento ou de moratória. CTN): Requisição de autoridade judicial. CF/88. Solicitações e autoridade administrativa acerca de infração disciplinar praticada por servidor público. houve preocupação na entrega pessoal do cabedal de informações. Requisição de CPI (art. § 3º. porquanto o art. A LC 105/01.

De fato. p. quando da apuração de crimes contra a Administração. Segundo o autor. p. Nos termos do art. 196. A infringência das regras sobre quebra de sigilo bancário e fiscal. “in fine”. quer sejam acessórias”. LC 105/01. Todavia. O Ministério Público. pode ser decretada em IP ou em ação judicial (art. se ficar provado que agiu de acordo com a orientação da instituição. a fiscalização é dirigida pelo princípio documental. LC 105/01). o que se deve rechaçar são os abusos e o vazamento de informações. Depois desse momento. 5º. 10. Não sendo possível. A prévia fixação do término da investigação é um dos mais relevantes pressupostos para a regular tramitação do exame tributário. CTN) e garante a defesa do investigado (CHIMENTI. O termo inicial da análise fiscal deve ser preferencialmente registrado em livro especial. LC 105/01). 9º. retardamento injustificado ou prestação de informações falsas constituem ilícitos penais. não tem prerrogativa de requisitar informações bancárias e fiscais por força própria. 145. mediante recibo. LC 105/01). Chimenti (2002. porquanto assentadas no art. 8º. CTN). apenados com reclusão de um a quatro anos e multa (art. entende que a LC 105/01 e outras normas no mesmo sentido não são inconstitucionais. 196. “caput”. CTN. 2002. “caput”. Como postula Amaro (2006. No entanto. bem como a prática de atos que importem omissão. o servidor público responsável arcará civil e funcionalmente pelo seu ato comissivo ou omissivo. É importante também para caracterizar ou não denúncia espontânea. § 4º. 173. 70235/72. . só será assim considerada a confissão de dívida tributária havida antes de documentado o ato. presentes indícios de crime de ação penal pública. os quais comporão autos. “caput” e parágrafo único. Essa assertiva advém diretamente da segurança jurídica. CF/88. em que todos os atos devem ser reduzidos a termo. quer sejam principais. ao fiscalizado (art. Se houver prejuízo em decorrência do vazamento de dados. o legislador lhe fez referência como procedimento. “caput”. Sabbag (2004. comportando efeitos diversos na relação entre sujeito passivo e Administração Tributária. 122). parágrafo único. 120). 1º. Fiscalização – circundando o conceito de fiscalização dado pelo CTN. a teor do que se posiciona a jurisprudência. LC 105/01). e 6º. cópia deve ser entregue. CTN). “caput” e parágrafo único. 138. A lavratura do início do procedimento fiscalizatório influencia na apreciação da decadência (porque seu termo inicial é a notificação do procedimento de fiscalização – art. é possível extrair seu sentido ontológico. Em contrapartida à mencionada ADIn. não a fiscalização em si. 482). D. expressamente esculpida no art. 241) a define como sendo “atos de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. p. parágrafo único. o qual será apresentado ao inquirido. cuja lavratura também encontra previsão nos arts. o BACEN e a CVM são obrigadas a representar perante o Parquet para as medidas julgadas cabíveis (art. essa responderá objetivamente (art. quando é confeccionado documento apartado. p.108 A autorização judicial para a quebra de sigilo bancário e fiscal. 11. a denúncia não é válida. § 1º. porquanto fala em fixação de termo inicial e final (art.

caracterizando a ativação da dívida da Fazenda Pública (art. várias legislações. Uma vez perfeita a inscrição. Inscrição em dívida ativa – Sabbag (2004. Essa exigência. Min. 38. CTN). p. . aliás. Esse entendimento já estava consolidado na Súmula 247 do extinto TFR144. prevêem depósito recursal para a discussão administrativa (cláusula “solve et repete”). “caput”. o qual trata da desistência tácita a recurso judicial145. suspendendo-se a exigibilidade do crédito tributário (art.. Esse é iniciado por auto de infração. 202. escoradas no art. Caso o contribuinte seja vencedor na primeira instância administrativa. CTN): identificação do devedor e co-responsáveis. devem ficar perfeitos vários dados. No primeiro caso. XXXIV e XXXV. porquanto a decisão é tangida pela imutabilidade do trânsito em julgado. REsp 943. Segundo o STF. sob pena de nulidade do ato (art. VII. porque se trata de aplicação do art. 171). não excluído e não extinto) é lançado em livro próprio (atualmente. ninguém pode ficar submetido eternamente ao crivo da Administração. 503. parágrafo único. mesmo em sede recursal. com o livro e a folha de inscrição (art. o único formado unilateralmente 143 143 STF. o legislador emprestou-lhe o valor de título executivo extrajudicial (art. como precedente na ADI 1. Plenário. orig. DJ 30/6/1997. Informativo do STF n° 476. “caput” e parágrafo único. entendimento secundado pelo STJ143. No apontamento. José Delgado. por notificação de lançamento ou por apreensão de livros e mercadorias (FÜHRER e FÜHRER. De outra parte.830. RE 233582/RJ. LEF. STJ. Dessa decisão.116-SP. DJ 1º/6/1992. CPC. LEF. 14. porquanto todos têm direito ao sossego público. “caput”. no segundo. 250) define dívida ativa como crédito tributário inscrito. rel. CF/88). 145 STF.566-MG. O julgamento da pretensão geralmente é realizado por delegado fazendário ou por órgão especializado. com efeito. rel. DJ 27/4/2007. o interessado pode pagar ou apresentar defesa. e parágrafo único. também chamada de impugnação ou de reclamação (CHIMENTI. CF/88. j. “caput”. de 1980”. é considerada inconstitucional pelo STF. descabe reexame necessário pela própria Fazenda Pública. Min. AC 1. data de inscrição e identificação do PAF. D.8. Marco Aurélio. 5º.109 “caput”. extingue-se o crédito tributário. Exatamente por essa razão.073-DF. 585. Ocorre somente depois de instaurado e concluído processo administrativo fiscal (PAF). o crédito tributário (não suspenso. Informativo do STJ n° 324. CPC). 77). 19/6/2007. p/ o acórdão Min. Notificado da instauração do procedimento. CTN). 151. no decurso assinalado. 203. 16. O ajuizamento de qualquer demanda judicial implica na renúncia ao recurso administrativo interposto. com precedentes no AgRg no Ag 112. valor devido. esse comando não ofende o direito de petição e a inafastabilidade do Judiciário (art. representada geralmente pelo Conselho de Contribuintes (na seara federal – DL 1438/45) ou por Tribunal de Impostos e Taxas (no âmbito estadual e distrital). 2001. j. cabe recurso hierárquico à instância administrativa de superposição. 171). rel. como já se posicionou o STF. Joaquim Barbosa. 201. DJ 28/5/2001. 204. e no RMS 240-SP. nos termos do art. CTN). 38.789-PA. p. formada a coisa julgada administrativa. 38 da Lei nº 6. com decisão desfavorável ao sujeito passivo. 144 Súmula 247 do TFR: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. prossegue o PAF. CTN). I a V. cadastro eletrônico). 1ª T. Segundo Chimenti (2002.2007. 70235/72). III. 2002. p. o ato administrativo goza de presunção relativa de liquidez e de certeza quanto ao crédito representado (art. fundamento legal. geralmente de 30 dias (art.

AgRg no REsp 932. I a VI. A presunção ora em comento é relativa.402-RS. 146 . Min. a existência de autêntica imunidade tributária (SABBAG. e 2º. Todavia. CTN.. a Fazenda Pública expede certidão de regularização ou certidão negativa com efeitos de negativa. Por esse motivo.. parágrafo único. não atingindo inexistência de requisito essencial da certidão. realização de certos atos ou participação em algumas situações. 1ª T. o art. Nessa hipótese. 2004. 1ª Seç. sujeito à nulidade absoluta146. Humberto Martins. LEF. pode ser extraída certidão de dívida ativa. LEF). REsp 196. salvo se a alteração a ser efetivada comportar total mudança no seu teor. é exigida prova da quitação de tributos. 486) diz que o STJ. 201. EREsp 602. j. José Delgado. dispensa a exibição do documento.663-SP. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. com execução garantida ou com exigibilidade suspensa (art. “b”. contados do requerimento (art. os arts. 5º. a qual necessariamente deverá estar anexada na exordial de execução fiscal (art. pode ocorrer que a urgência não permita a espera. rel. CTN). Informativo do STJ n° 332. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. 151. parágrafo único. p. Trata-se de documento de expedição obrigatória por parte da autoridade solicitada. 206. rel. Nesse sentido. Amaro (2006. Vale ressaltar que a corte também já assentou entendimento no sentido da desnecessidade de novo ato de lançamento para simples retificação aritmética da CDA. Para celebração de determinados negócios. pela gravidade. CTN). § 8º. juros. j. A partir da ativação. urgindo escrituração contábil totalmente nova147. correção e eventuais penalidades. implica em vício insanável. p. p.002-SP. 2006. De outra sorte.110 pelo credor (ASSIS apud CÂMARA. CTN). por estar consubstanciado abuso da autoridade competente (SABBAG. 205. CTN. O art. O STJ ainda adverte que a correção deve aterse a erro material ou formal. como já está pacificado na jurisprudência. a fluência de juros não afeta a liquidez do título (art. XXXIV. CF/88. Eventual nulidade no ato de inscrição da dívida ativa pode ser elidida pela autoridade tributária. 20/9/2007. 204. A certidão negativa de débito (CND) para com a Fazenda Pública vem exatamente nesse sentido. afirma que a certidão positiva que ateste crédito vincendo. CTN. DJU 26/6/2007. Certidão negativa – o direito de certidão é remédio constitucional assegurado pelo art. Informativo do STJ n° 325. 252). 27/6/2007. AgRg no REsp 942. pois pode ser elidida por prova em contrário (art. nesse ponto.982-RS. a qual deverá aduzi-lo em até 10 dias. parágrafo único. apesar de fazer com que os participantes do ato respondam pela integridade do débito. 253). CTN) produz os mesmos reflexos jurídicos da CND. § 1º. Nessa situação. naquilo que concerne à parte modificada. há doutrina que defende. conferiram a prerrogativa de fazê-lo até a decisão de primeira instância jurisdicional. 147 STJ. a qual. incluindo principal. DJU 13/3/2000. A inobservância do interregno pode ensejar a impetração de mandado de segurança. 212). 2004. p. a qual se liga à decisão nos embargos à execução fiscal. mesmo ante o breve decurso assinalado pela lei para a expedição da CND. Min. como meio de erigir uma presunção absoluta em prol do administrado. 203. 207. 6º.

Lei 11457/07. arrecadação e administração de tributos. ponto facultativo e meio expediente não são computados como tais. “Os prazos serão contínuos. parágrafo único. Dessa forma. CTN. CTN). A sujeição ativa tributária e a parafiscalidade foram modificadas pelo diploma. confere capacidade tributária ativa à SRFB no tocante às contribuições sociais. A referida delegação não necessariamente implica em parafiscalidade. parágrafo único. mas cobrou-lhe alto preço em contrapartida. 255). Lei 11457/07. 155 da CF/88 estabelece os impostos de competência dos Estados federados. o art.: o . domingos ou feriados” (SABBAG. os decursos são contados exatamente na forma do processo civil. direciona os valores decorrentes ao Fundo da Previdência Social. sendo detida pelas pessoas políticas. mas a CND terá efeito liberatório geral. excluindo-se o dia de início e incluindo-se o termo final. responderá pessoalmente pelos valores decorrentes e eventuais acréscimos (art. 208. como bem vem aventando a jurisprudência. Ex. não responderá civilmente pelos prejuízos ao erário. pelos sábados. “caput”. 2º. 210. “caput”. sem prejuízo de responsabilidade penal e administrativa (art. sendo instituto mais abrangente que a mera capacidade tributária ativa. No entanto. No entanto. instituídas atualmente ou “de lege ferenda”. o art. não implica em parafiscalidade das contribuições sociais em relação à SRFB. vale lembrar a colocação do autor. em contrário senso. valendo como dias sem funcionamento. A competência tributária é indelegável. “caput”. a capacidade tributária ativa (arrecadar e fiscalizar tributos) pode ser delegada (art. sem interrupção. Essa se verifica quando há delegação de fiscalização.111 legislador concedeu uma benesse ao contribuinte para evitar a caducidade de um direito. “caput”. CTN). no sentido de que os termos (final e inicial) só serão considerados quando houver expediente regular na repartição (art. Quando o servidor expedir CND com inobservância de preceitos formais. A SRF foi unificada à Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). Em decorrência. Em relação à SRFB. No último caso. 2º. Com efeito. 208. É essa que caracteriza o sujeito ativo da relação jurídico-tributária. Impostos em Espécie Introdução – o art. por dolo ou fraude. Entretanto. Quando atua com culpa. 2004. o agente público responderá pelo ato na esfera criminal e penal. p. é precípuo destacar que toda a tributação da alçada estadual deve levar em consideração dois elementos: o local onde se deu o fato gerador e a regência da LEGISLAÇÃO ESTADUAL sobre tal. 7º. CTN). “Super Receita” A Lei 11457/07 instituiu a SRFB. a discussão tangencia exatamente a capacidade ativa e a parafiscalidade. § 1º. CTN). 210. formando um só órgão. Prazos no CTN A teor do art. Antes de tudo.

Para tentar dirimir tal entrave. quando a exação seria devida no emissor. há tratamento tributário diferenciado. O órgão tem por escopo padronizar os procedimentos tributários. porquanto não se encontra no caminho entre a produção e o comércio. . vez que o II incide sobre PRODUTOS. Alguns países não tributam produtos importados para uso próprio do consumidor. Já nosso sistema tributário não alcança tal beneplácito. Esta medida é efetivada nas fronteiras estaduais. indica os impostos de competência da União. Ex. uma vez adquirida e utilizada pelo consumidor. mercadoria é aquele OBJETO DE MERCÂNCIA. não é mercadoria. Essa mutação constitucional. II (Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros) e IE (Imposto sobre Exportação. O trabalho efetivo do CONFAZ resume-se. Fechando o ciclo. Passaram a exigir dos transportadores o ICMS integral das mercadorias que entram em seus Estados. Pode ser natural ou totalmente artificial. a EC 42/03 determinou que o importador fosse 148 Por meio de recente resolução. à padronização de alguns documentos fiscais. em sede de exceção. hodiernamente. passaram a adotar um modo operante simplificador. incidia sobre mercadorias. para o Exterior. as Receitas Estaduais. o Supremo passou a referendar a exação sobre produtos importados (art. CF/88. como notas. Para entendê-los. DIFERENCIAR PRODUTO E MERCADORIA.112 ITCMD leva em conta o local onde estão os bens do “de cujus” e não onde este veio a falecer. ES e PE). de modo a dirimir eventuais disparidades para com as exações regionais e federais. CF/88). Seu inciso I fala do II.: há unidades da federação que exigem o porte da GARE de recolhimento do IPVA junto com o RENAVAM (BA.: a geladeira. Dentro deste universo. ou seja. o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) decidiu que o porte da guia de recolhimento de IPVA não é obrigatório ao condutor por ocasião de fiscalização de trânsito. preliminarmente. Nesse contexto. NÃO SOBRE MERCADORIAS. envolvendo tudo que ela consegue produzir. “a”. de modo concreto. em operações de importação. o ICMS. O inciso II fala do IE. muito criticada pela doutrina. Ex. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados) – o art. o que pode gerar conflitos de legislação. do qual mercadoria é espécie. Produto é gênero. permitiu. qual o seja a entrada de produtos importados em território nacional. 155. dada a dificuldade de fiscalizar os fatos geradores. a bitributação do mesmo fato gerador. até a EC 33/01. foi criado o CONFAZ – Conselho Nacional Fazendário (27 secretários de Fazenda dos Estados e alguns membros da Receita Federal e Previdenciária). Depois da reforma constitucional. enquanto outras não148. para tornar mais eficaz o recolhimento. consoante comentário já realizado. ainda se está muito longe de uma harmonização razoável entre as legislações vigentes. Para solver tais entraves. conhecimentos de transporte e guias de recolhimento. Aquele resulta da atividade humana. ela consubstancia somente um bem móvel de uso doméstico. IX. A prática é totalmente inconstitucional. a arrepio da Constituição. O que diferencia o produto da mercadoria é a destinação. 153. que está no trajeto indústria-comércio. porquanto da sua natureza jurídica. Entretanto. é necessário. Em face das diferentes normas dos 27 Estados brasileiros.

de produtos”. Neste sentido. a natureza do produto. Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria. É possível identificar duas espécies de operação de exportação: A CF/88 foi categórica. a terminologia empregada reside na melhor técnica jurídica de redação. sob o enfoque semântico. complementação ou acondicionamento de produto exportado. O vocábulo “exportação” foi (e é) utilizado também para designar o fluxo de coisas entre os Estados da Federação. insumos. porque há TEMPORARIEDADE na operação. nos quais se transfere o produto ou mercadoria estrangeira para a economia nacional. quer seja para consumo. em quantidade ou qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento. Restituição. 153. é análogo ao anterior149.113 contribuinte para o financiamento da seguridade social. II. Desta feita. Produtos não despachados. O termo “nacionalizado” (ou internado) refere-se a operações anteriores à importação. Admite diversas formas: Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação. 153. I. o constituinte originário resolveu especificar “ipse litre” a atividade. Neste sentido. com o fim de constituir perfeitamente a hipótese de incidência do IE. a confecção do produto deve situar no estrangeiro. Porém. dá-se por atos procedimentais. por exemplo. fabricação. Essa nomenclatura é utilizada em vários diplomas do Sistema Tributário. a outro país não configuram exportação e. Já a palavra “nacional” diz respeito àqueles produzidos integralmente no país. complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. pareceria que se trata de uma redundância. incluindo. remessas de produtos para repontecialização. revertem-se em favor da Fazenda Nacional. para países estrangeiros. IMPORTAÇÃO é a aquisição de produtos estrangeiros em caráter definitivo. ou utilizada na fabricação. É a construção jurisprudencial e doutrinária dominante. nem importação. Estes produtos podem ou não sofrer modificações domésticas. por conseqüência. nacionalização segundo entendimento doutrinário. os quais possuem exatamente a mesma hipótese de incidência do II e do ICMS. para o art. conhecido como “drawback” é considerado incentivo à exportação. manutenção. etc. produtos naturais ou industrializados. ou abandonados. em contrário senso ao conceito e ao desdobramento do “drawnback”. isto é. os quais foram recepcionados pela Carta de 88. Portanto. equipamentos. ao prescrever a “exportação. troca. Aliás. deve ficar adstrita a um país estrangeiro. em seu art. Tanto uns quanto os outros refletem o objeto material da hipótese de incidência. quer seja para operações de mercância. fala-se em exportação para o Estado de São Paulo. para o exterior. total ou parcial. esse fenômeno. dando azo à instituição do PIS-importador e da COFINS-importador. 149 . À primeira vista. dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento. etc. complementação ou acondicionamento de outra exportada. O próprio CTN faz referência à conotação apontada. Quanto ao II. O conceito de exportação. CF/88. Dessa feita. as quais implicam em posterior distribuição por intermédio do Brasil.

não se deduz a capacidade contributiva. . de acordo com a situação presente. contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido pela instituição financeira internacional da qual o Brasil participe. Em relação às operações de mercado exterior. o Fisco. que funciona como interveniente comercial. § 1º. CF/88). a União é a única que tem personalidade jurídica de Direito Internacional. VIII. pois há interesses nacionais em jogo. Conseguintemente. CF/88). Também ocorrem dissidências jurídicas quanto a imunidades de certas ENTIDADES. no mercado interno. Indireta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda para destinatário comprador no Brasil. vez que ambos são proporcionais. e 150. será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador. no país. 153. cujo gestor principal é a Receita Federal (CASSONE. 2004). São impostos eivados de EXTRAFISCALIDADE. de máquinas e equipamentos a serem fornecidos. porquanto se prestam à intervenção na atividade econômica interna. Esta é sempre a AVALISTA INTERNACIONAL dos demais entes públicos ou das empresas privadas brasileiras. Desta feita. em última análise. O “drawback” também é aplicável quanto ao IE. sobre o SETOR DE ATIVIDADES (base econômica). à anterioridade ordinária nem à noventalidade (arts. Há isenção do tributo quando há importação de matéria prima. em decorrência de licitação internacional. Portanto. O controle é realizado por meio de alíquotas diferenciadas. que por sua vez emitirá outro documento de venda endereçado ao comprador estrangeiro. por vezes. Além disso. da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores são coordenados por um arcabouço interministerial: o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). § 1º.114 Direta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior. o constituinte permitiu que a fixação da alíquota de tais exações não se sujeita à reserva legal. o eventual devedor – sempre será a União. A importação e a exportação não podem ser realizadas a bel prazer do empresário. É ele quem regula as atividades inerentes ao II e ao IE. vem a ferir o princípio da ISONOMIA. reais e indiretos. principalmente com referência àquelas de cunho religioso. produtos intermediários e componentes destinados à fabricação. A operação de comércio exterior é regida por competência legislativa privativa da União (art. principalmente no que concerne às suas constantes alterações. no consumo interno. CF/88. na balança de pagamentos do país. O II e o IE incidem. com base em contrato. O comércio exterior reflete-se na indústria interna. Daí decorre o conceito de Dívida Externa. o negociador no comércio externo – e. a serem majoradas ou diminuídas. No estabelecimento de ALÍQUOTAS. § 1º. os Ministérios da Fazenda. Nessa hipótese. por conseguinte. 153. em consonância com os demais princípios e direitos essenciais contidos na Carta Política. pois a autorização contida no art. 22. deve ser usada sistemicamente.

portanto. I. 150 O atual Regulamento Aduaneiro é veiculado pelo D. bem como outras áreas nas quais se efetuam operações de carga e descarga de mercadorias ou embarque e desembarque de passageiros. por conseqüência. de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas. o momento de ocorrência do fato imponível coincide com a data do registro da DI no tocante ao produto despachado para consumo. II. DL 37/66. CTN). para seu uso ou consumo. mediante a declaração de importação (DI). de um ponto a outro do território aduaneiro. o qual pode ser dividido em zona primária e secundária. 19. ou com suspensão parcial. aeroportos. Despacho para consumo é o conjunto de atos procedimentais (desembaraço aduaneiro). Mas há regimes aduaneiros especiais. O aspecto material do II é representado. Esse analisará o pedido e poderá autorizar a operação. Zona Secundária compreendendo a parte restante do território nacional. no caso de utilização econômica. destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. fica configurado a partir da expedição da GUIA DE EXPORTAÇÃO (CASSONE. fisicamente. Segundo o art. o qual consubstancia o FATO GERADOR do II. Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo – é o que permite o ingresso para permanência temporária no país. Admissão temporária – é o que permite a importação de bens que devam permanecer no Pais durante prazo fixado. tecer um estudo fundamentado sobre o produto a ser importado ou exportado. Esta fiscalização é denominada desembaraço aduaneiro150. De posse dos dados fornecidos pelo interessado. eletronicamente. recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres. é necessário uma autorização prévia do governo federal para todas as operações no setor.115 Desta forma. Uma vez AUTORIZADA. os conteúdos a serem comercializados. ao órgão competente do SISCOMEX (SRFB). sob o controle aduaneiro. 33. com suspensão total do pagamento dos tributos. a exação contempla o que se conhece como território aduaneiro. Espacialmente. . com a suspensão do pagamento de tributos. pela entrada do produto no território nacional (art. com suspensão do pagamento de tributos. antes de tudo. endereçando-o. No critério temporal. o Fisco poderá fiscalizar. em regra. O interessado no comércio exterior deve. então. 2004). Já para o IE. efetivar o negócio. 91030/85. os quais permitem a suspensão total ou parcial da exigibilidade do II: Trânsito aduaneiro – é o que permite o transporte de mercadoria. zona primária compreende as faixas internas de portos. DL 37/66). cujo objetivo consiste em colocar a mercadoria nacionalizada à disposição do adquirente estabelecido no Brasil. nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art. 33. o interessado poderá.

§ 2º. escapam à incidência da exação. 20. Este comando decorre dos arts. CTN). Terceira forma de determinar a base de cálculo do II se dá pelo valor da arrematação. os quais conferiram possibilidade para o Executivo alterá-la. 20. Neste sentido. para reparo ou substituição. quando o produtos é adquirido em leilão de bens provenientes de descaminho (art. § 1º. Mercadoria devolvida por motivos de defeito técnico. a base de cálculo é sempre fixada. II. tem-se o conceito “AD VALOREM”. As alíquotas são fixadas na Tarifa Externa Comum (advinda do GATT) ou determinadas na legislação federal. a incidência não ocorrerá nas seguintes situações: Mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado. o DL 37/66 e o D. o legislador assim previu para o IE (art. No diapasão. 20. A alfândega é a encarregada de verificar quais os valores a serem acrescidos. 153. Por outros fatores alheios à vontade do exportador. atribuídos a mercadorias em trâmite entre empresas do mesmo grupo econômico transnacional. chegando-se a uma base de cálculo atribuída. 5º. assevera que bens importados com alíquota zero do II estão sujeitos aos demais tributos. Mercadoria devolvida por modificações na sistemática de importação por parte do país importador. De acordo com o ditame da 151 Súmula 576 do STF: “É lícita a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero”.116 Outros acontecimentos. 24. II. 214. nunca “ad valorem”. CTN). pois produtos importados. o art. para evitar a mera evasão de divisas. Quando a hipótese de incidência traz um percentual fixo sobre o valor da transação. podem elidir a concorrência dos similares brasileiros. 4543/02). a BASE DE CÁLCULO pode ser estabelecida basicamente de duas formas (art. D. a quantificação expressa na DI (valor do produto mais despesas de alfândega) seria a base de cálculo. Do contrário. CTN). consoante comentário supra aduzido (art. III. I. 2434/88. de acordo com o critério do art. De fato. tem-se a exação proporcional (art. de modo a não prejudicar o setor produtivo nacional. D. em que pese a previsão do art. § 1º. As alíquotas são geralmente constantes do GATT. 20. Como a tributação de importação é dotada de extrafiscalidade. CF/88). Em referência ao II. I e II. atualmente para o IE. Nesse passo. os quais alcancem valores ínfimos na chegada ao país. CTN. 150. de acordo com a previsão do art. CF/88 e 21 do CTN. também são objeto da base de cálculo “ad valorem”. 2004). Segundo entendimento da análise dos atos normativos em comento. CTN. Os valores irrisórios. Na mesma esteira. . 4543/02 (CASSONE. quando o fisco determina um “quantum” somado ao inicial. não precisando observar propriamente os ditames da anterioridade original e da noventalidade. a Súmula 576 do STF151 autoriza a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero. D. Destarte. o segundo critério é comumente utilizado para o II. 214. “caput”. 2472/88 confirmaram essa premissa. por questão de não-subsunção ao tipo tributário do II. nos termos das respectivas legislações.

CF/88. CF/88. a alíquota. 215. podendo ser reduzida (art. § 3º. freqüência do importador. 318. os quais são objeto do delito de descaminho (art. IV. cinza. I a IV. o sujeito passivo é o importador ou o arrematante152 (art. As alíquotas serão fixadas de acordo com a essencialidade do produto. § 1º. a qual representa palco de conflitos entre os interesses de produtores. quanto mais vital é o produto. D. 152 O arrematante é aquele que adquire produtos importados em um leilão. A normatização do IPI é dada pelo D. porquanto fica atrelada especificamente a CADA TIPO DE PRODUTO. sendo menores aquelas de produtos mais essenciais. em quantidade suficiente para suprir o mercado interno. no que tange à exação em tela. se há produção interna de algum bem. mediante a declaração de arremate. D. menor será a alíquota incidente. A prerrogativa. arcará com a obrigação tributária do imposto de importação. O comando determina também que será não-cumulativo. de consumidores e de importadores. 4543/02).: importação de naftalina para fabricação de produtos de limpeza. adotando-se o sistema de compensação com a operação posterior. Há certificações de órgãos ou entidades públicas que resolvem parte da burocracia para a exportação. § 1º. estabelecidas no art. D. 27. há conotações de ordem política para o estabelecimento das alíquotas do II e do IE. I e II. Para otimizar as operações. portanto. § 2º. O sujeito ativo é sempre a União (Fisco) para ambos. Todavia. “caput”. para o IE. a carga de IPI será reduzida sobre bens de capital. é o exportador ou quem a ele se equiparar (art. 4543/02). CP). partindo de um patamar de menor para outro de maior rigor. Ex. 215. pertence ao Executivo. 215. como configurador do fato gerador. . CF/88. vermelho e preto). O desembaraço para a exportação também segue o mesmo trâmite da importação. a ALFÂNDEGA adota critérios diferenciados de fiscalização. é de 30% sobre o valor do produto (art. O desembaraço aduaneiro. CTN). I e II. O constituinte determinou algumas características. De acordo com o estabelecido pelo legislador ordinário. Para o IE. 153. 4543/02) e majorada até o percentual máximo de 50% (art. via de regra. 22. Para o II. de acordo com os canais enquadrados (verde. 2637/98. Esta equação não se resolve facilmente. Nesta situação. 153. notícias da imprensa. CTN). a despeito da essencialidade. Serão imunes as operações com produtos industrializados destinados ao exterior. aquele. Tal critério é o primeiro elemento que o legislador observa ao estipular as alíquotas. com conseqüentes facilitações. as alíquotas do II serão maiores. CF/88. tipo de produto são elementos que servem para que a autoridade alfandegária decida sobre o enquadramento do lote em um ou em outro canal de fiscalização. dado o comando contido no art. País de origem. Além das considerações tributárias. competindo à Câmara de Comércio decidir sobre tais alterações. É o mecanismo denominado BARREIRA ALFANDEGÁRIA. 153. ainda encontra outro elemento complicador: a fiscalização de produtos importados que levantem suspeitas sobre ilicitude. a qual pode ser confundida com entorpecente. 153. dada a previsão constitucional do art.117 ESSENCIALIDADE. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – está previsto no art.

Na esteira. Para Ricardo Lobo Torres Para Leandro Paulsen. etc. consoante precedente da 1ª Turma do TRF/4. a montagem e o recondicionamento (recuperação de um produto obsoleto ou inservível em algo aproveitável para a aplicação humana). CF/88). III. “in fine”.5%. Para os ALIMENTOS. Características – o art. o beneficiamento. como prescreve o art. Para diferenciálos.: indústria de ternos e alfaiate. p. 153. 4544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI). Objeto – está no art. até que possa chegar ao consumidor final. I a V. Portanto. já incide o IPI. porquanto se configura um produto industrializado. parágrafo único. indústria de montagem. IV. 2001. de modo estanque. demonstra Cassone. partindo do PRIMEIRO PASSO DE PROCESSAMENTO. Porto Alegre. “o beneficiamento realizado em um bem do cliente ou mesmo a produção mediante encomenda não podem configurar fato gerador do IPI”. A Tabela do IPI (TIPI) estabelece todas as alíquotas. cit. Vale lembrar também que não pende a regra da anterioridade ordinária (art. a seara do IPI engloba a transformação. o IPI tem por base econômica as operações com produtos industrializados e. § 3º. CF/88) sobre o imposto em relevo. do mais básico ao mais supérfluo. até que venha a converter-se em produto consumível. com fulcro em jurisprudência do STJ. É o que diz o art. como fato gerador. de início. “c”. a atividade de transformação de produtos naturais em bens consumíveis não pode ser enxergada somente por cada uma de suas etapas. 46. Conceito de produto industrializado – deve-se tomar. a atividade estará no campo de incidência do tributo explicitado no art. 150. deve ser verificado: recurso natural. CTN. consubstanciando os estabelecimentos equiparados à indústria. op. Ex. extrativismo industrial. Modificação no produto implica em atividade industrial para fins tributários. mas incide a noventalidade (art. Desta feita. CTN. Nesta situação. o imposto possui certa extrafiscalidade quanto ao fumo. 153. 4544/02. Outro ponto interessante é a desigualdade entre o estabelecimento equiparado à indústria e o prestador de serviço. Tanto para o IPI quanto para o ICMS. CF/88. a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial. os quais seriam englobados pelo IPI – como o caso de tomates embalados em bandejas para o supermercado ou de pescados que são beneficiados com a retirada de escamas para o comércio – são agraciados pelo legislador pela isenção de imposto. D.. Em sentido contrário. a qual desencorajaria o consumo de um produto não recomendável devido a razões de saúde pública (PAULSEN. 153 . 3º. traça o alinhamento geral para que o legislador infraconstitucional trabalhe a regulamentação do IPI.118 modificado pelo D. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Juripsrudência. oscilando de 0 a 363. 2001). Livraria do Advogado. em proveito da organização e não de terceiros. o produto passa a constituir um semi-elaborado. CF/88. a exação citada somente exclui a extração da natureza. o acondicionamento. é necessário recorrer à produção em série no primeiro e o “artesanato” no segundo153. O caminho. indústria de transformação. parágrafo único. 95. 150. pois se trata da maior alíquota existente. indústria de base. § 1º. O inciso I refere-se a alíquotas diferenciadas de acordo com o caráter essencial ou não do produto. incide sim o Imposto Sobre Serviços (ISS). desde a natureza até o consumidor. A partir do primeiro estágio. Neste sentido. o produto “in natura”. 46. Para o citado autor. É a SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. Enquanto pender uma ação humana que venha a adaptar um produto para o consumidor final.

seguindo a seguinte sistemática de recolhimento: 1) Deve ser destacado na Nota Fiscal e cobrado do comprador por ordem e conta da União. No entanto. A cada operação de circulação. escritura o débito em seu livro de registro cabível. a PIS e a COFINS também seguem o mesmo raciocínio. o estabelecimento industrial ou equiparado não é o contribuinte de fato. Além disso. Em tese erigida pelo legislador (a partir do art. abstraindo-se os créditos referentes ao mesmo período. o crédito de IPI somente terá vez se o produto compor a saída do estabelecimento. Desta forma. desde que a fase anterior seja tributada. persistirá um crédito. haverá débito. Em outras palavras. Dessa feita. a lei determina que sobre o preço seja calculado o IPI. incide a exação. 3) Não pode ser contabilizado como despesa ou custo pelo vendedor. Caso não recolha aos cofres públicos o valor cobrado a título de IPI. desconta-se o valor anteriormente incorporado no novo recolhimento de IPI. CF/88). 153. de haver mais imposto de crédito que de débito. o imposto devido em um mês será igual a todos os débitos. já que não é ônus seu. CF/88). conquanto se caracteriza o fato imponível. realizando o princípio da não-cumulatividade do IPI (art. Todas as vezes que houver saída de um bem. passa a ser depositário infiel. III. a sistemática de recolhimento do imposto é particular. computando-se débitos e créditos da pessoa jurídica. A partir da Lei 8866/94. a exação possui repercussão do encargo financeiro. mas o contribuinte de direito (responsável). 2001). o crédito do IPI só seria devido ao contribuinte que não for consumidor final do produto (contribuinte de fato). Essa questão passou a ser controvertida nos tribunais. Na seqüência. a cada nova agregação do processo industrial. § 3º. o adquirente do bem recebe a carga tributária do alienante dentro da cadeia comercial. na quinzena de totalização. o adquirente escritura o crédito decorrente e o . Quando o alienante realiza a venda. 2) O vendedor (responsável) torna-se depositário desse IPI cobrado do comprador (contribuinte de fato) nos termos da Lei 8866/94. aplicável coercitivamente ao IPI pelo legislador. Nesse sistema. podem existir saídas em que não incide o IPI. Para evitar o “efeito cascata”. O IPI será apurado mensalmente. 153. mas sim do comprador. o critério da seletividade pela essencialidade. O inciso II expressa a não-cumulatividade. fazendo valer compensação entre débitos e créditos do sujeito passivo. o direito a compensar o IPI só é devido aos produtos que terão exação correspondente na saída. mesmo se tratando de exação indireta. o responsável passou a ser definido como depositário da União. O ICMS. § 3º. constitui atendimento ao PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. O procedimento é denominado apuração do imposto em conta gráfica. uma vez que é repassado no preço da mercadoria. que deve cobrar o IPI do consumidor e repassá-lo à União. Havendo venda de produto industrializado por qualquer valor (preço negociado entre o vendedor e comprador). Entretanto. De fato. Existe a possibilidade.119 (apud PAULSEN. II. toda vez que houver entrada do bem.

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débito da saída, assim como todos os demais componentes da cadeia de consumo. Ex.: alíquota de 4% sobre o produto que sai de “A”, cujo valor é de R$ 100; “B”, o adquirente, processou o bem e o vendeu por R$ 200; na primeira etapa, o IPI devido será de R$ 4; “A”, então, realiza a venda por R$ 104, repassando o tributo para “B” e escriturando o débito correspondente (R$ 4); “B” escritura o crédito consectário (R$ 4); supondo que “B” venda o produto processado a “C”, com alíquota também de 4%; “B” aplica o preço completo de R$ 208, escriturando R$ 8 como débito; consequentemente, “C” escritura crédito decorrente (R$ 8); na compensação, “A” recolhe R$ 4, “B”, R$ 4 (8-4); “C” só teve crédito de R$ 8, não devendo nada ao fisco, ficando acumulado para o próximo mês. Querela relevante se coloca quanto à alíquota zero atribuída ao IPI em determinadas operações. O ICMS usa, atualmente, as mesmas regras de nãocumulatividade do IPI (art. 155, § 2º, I, CF/88). No entanto, o constituinte expressamente determinou que a isenção ou não-incidência de ICMS, ressalvada previsão contrário do legislador, não implicará em crédito para operação seguinte, quando houver isenção ou não-incidência na entrada (art. 155, § 2º, II, “a”, CF/88). Em melhores palavras, a operação de saída, quando isenta ou quando não haja incidência de ICMS, não levará a direito ao crédito correspondente na próxima etapa da cadeia. O crédito está condicionado à incidência integral da exação na operação anterior. Nesse contexto, a Constituição de 1988 nada dispôs sobre o IPI, suscitando dúvida sobre a aplicação analógica ou não da mesma regra. Os contribuintes passaram a defender que o direito a crédito é incondicionado, independentemente da incidência ou não nas operações posteriores e anteriores, já que, no ICMS, o constituinte expressamente falou, e no IPI, silenciou. Por volta de 1998 e 2000, o Pleno do STF firmou entendimento a favor do sujeito passivo, fundando-se na ausência de ressalva expressa, ao contrário do que fez o constituinte quanto ao ICMS. Em meados de 2005, a querela foi trazida à baila novamente. Ao revés da orientação anterior, o STF, no início de 2007, operou mutação constitucional154. Segundo o Excelso Pretório, para produtos tributados com alíquota zero (espécie de isenção, segundo o próprio Supremo) ou não tributados, inexiste direito a crédito na operação seguinte dentro da cadeia comercial. Na ocasião, em questão de ordem (QO), o Ministro Ricardo Lewandowski, em nome da segurança jurídica, propôs a aplicação prospectiva do novo entendimento, operando efeitos “pro futuro”. Por dez votos a um, a QO foi rejeitada, conferindo efeitos “ex tunc” à interpretação. No entanto, o STF nada falou sobre produtos imunes e isentos “em sentido estrito”, pairando querela sobre a matéria. Advogando em prol da União, a PGFN levanta interpretação literal do art. 153, § 3º, II, CF/88, uma vez que o constituinte fala em compensação de créditos mediante “montante cobrado” nas operações anteriores. Não havendo cobrança, não há de se falar em crédito na operação seguinte de saída. Quando ocorre situação inversa, em que há crédito na entrada (matériaprima, material de embalagem ou intermediário), mas o produto é isento ou contemplado com alíquota zero na saída, o art. 11, Lei 9779/99, autoriza a
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STF, RE’s 370682 e 353657.

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manutenção do crédito em IPI (adquirido na entrada), bem ao inverso do que ocorre no ICMS (art. 155, § 2º, II, “b”, CF/88). Descabe analogia na aplicação do comando em tela, não atingindo produto, na saída, imune ou não tributado. Da mesma forma, o bem da entrada deve ser matéria-prima, material de embalagem ou intermediário, não alcançando qualquer outro. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, em face da interpretação restritiva do dispositivo legal em tela, o crédito anterior deve ser anulado. Essa visão decorre do que já disse analogamente o STF, quanto às entradas com alíquota zero ou não tributados. Em verdade, o precedente do STF tem o condão de dar o mesmo tratamento entre ICMS e IPI, o que permite postular em favor da Fazenda federal155. O inciso III estabelece que não haverá incidência de IPI na exportação156. Deste modo, a legislação permite que o contribuinte mantenha um crédito tributário para com o fisco federal, com o fim compensar em outros tributos de competência da União. O dispositivo tem por fim incentivar a atividade de exportação. Crédito prêmio – era dirigido àqueles industriais que desejassem adquirir novas tecnologias em produtos industrializados importados, a título de melhoria do maquinário. Eles teriam isenção de IPI. Previa assim, o legislador, que os apontamentos desta conta gráfica fossem lançados à parte. Todavia, a despeito de conceder um benefício para a economia, haveria uma majoração grande na ponta da linha, incidente sobre o consumidor final, porquanto houve incremento dos custos. Entretanto, o legislador extinguiu o respectivo crédito sem a necessária contraprestação por parte do governo. As empresas, então, foram a juízo para requerer o devido. A ação encontra-se em trâmite no STF. Fato gerador – o IPI incide no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado importado, da saída de produtos industrializados do estabelecimento manufatureiro (emissão da nota fiscal) e da arrematação de produtos industrializados abandonados ou apreendidos, acordo com o art. 46, I a III, CTN. Em verdade, as operações delineadas trazem a lúmen os sujeitos passivos do imposto. Aspecto subjetivo – o SUJEITO PASSIVO será o importador, os estabelecimentos industriais, os comerciantes e o arrematante, além dos equiparados (art. 51, I a IV, CTN). Em melhores palavras, os contribuintes do IPI são o arrematante em hasta pública, os industriais (ou equiparados) e o importador, bem como o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos industriais contribuintes. Equiparação tributária instrumento meramente fiscal que só pode ser determinado em lei. O fato de um comerciante ser equiparado, não significa que se tornou industrial, mas que passa a ser tratado da mesma forma que este. O comerciante atacadistas de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) são equiparados, facultativamente, aos industriais (art. 11, I, RIPI). Se optarem pela equiparação, nos termos do art. 14, I,
STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 156 Para alguns autores, o dispositivo é entendido como imunidade. Em contrário senso, para a maioria da doutrina, é caso de não incidência.
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“a” a “c”, RIPI, destacarão o IPI relativo à saída na nota fiscal. Tal equiparação objetiva possibilitar o crédito do IPI pelos estabelecimentos industriais que adquirirem insumos de comerciantes atacadistas. Se o comerciante atacadista não optar pela equiparação industrial, mesmo assim é possível ao adquirente efetuar o crédito do IPI mediante a aplicação de alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% do valor constante na nota fiscal (art. 165, RIPI/02) Base de cálculo – na importação, o valor da operação, acrescido de eventuais taxas aduaneiras, será a base de cálculo (art. 47, I, CTN). Na saída da indústria, é o valor do produto acabado (art. 47, I, “a”, CTN). Sendo este desconhecido, será tomado o seu valor da praça local de um produto similar (art. 47, I, “b”, CTN), isto é, no mercado atacadista. No arremate, será o valor da arrematação (art. 47, III, CTN). Em resumo, com relação à base de cálculo do IPI, temos: • Na importação = valor de base para o II (preço livre do produto + frete + seguro) + II + taxas de entrada + encargos cambiais157. • Nas operações internas = valor da operação158 ou do produto na praça. O ICMS é parte integrante do preço de saída do produto, sendo que o seu destaque na nota fiscal é meramente indicativo do valor que o comprador, se contribuinte do ICMS, pode creditar-se. • Na arrematação = valor do arremate. Alíquotas – atendendo o critério constitucional (art. 153, § 3º, I, CF/88) e legal (art. 48, CTN) da seletividade pela essencialidade, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) apresenta duas regras de hermenêutica para sua aplicação: a posição mais específica na tabela prevalece sobre as mais genéricas; os produtos misturados e compostos, cuja classificação não possa ser efetivada, serão considerados segundo a matéria ou o artigo que lhe confira característica essencial. Prazo de pagamento – o decurso para recolhimento do referido tributo tem algumas características relevantes: É decendial, ou seja, é apurado e recolhido a cada dez dias; Admite venda de produtos com prazo de pagamento dilatado; Quando existe pagamento de duplicata pelo comprador, só no efetivo adimplemento é que o empresário receberá o total do crédito do IPI contido na nota fiscal/fatura extraída da duplicata.
No desembaraço aduaneiro, a base de cálculo do IPI é complexa, sendo formada por vários componentes. O seu preço em moeda estrangeira, mais seguro e frete, ou seja, o preço CIF (Cost, Insurance and Freight) convertido em moeda nacional, pela cotação do câmbio fiscal divulgada pela SRF mediante ato declaratório do Executivo (ADE), acrescido de II, taxas exigidas na entrada do produto (taxa de armazenagem, capatazias, serventias, etc.) e de encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (variação cambial entre a data da emissão da licença de importação e o efetivo desembaraço aduaneiro) a compõe. O montante resultante da soma de todos os itens é, portanto, a base de cálculo do IPI, sobre a qual se aplicará a alíquota para apurar o imposto devido. 158 Para Paulsen, op. cit., a desconsideração de descontos concedidos no momento da operação e a estipulação de pautas fiscais pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não coadunam com a disposição do art. 47, CTN, conquanto não se observa o ditame da legalidade tributária (art. 97, CTN) e da hierarquia de diplomas normativos. De igual forma, o referido autor cita decisões do STJ e do TRF/4 no sentido de não reconhecer a inclusão de juros – na venda realizada a prazo – e de frete por empresa coligada na base de cálculo da exação do art. 153, IV, CF/88.
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Se o sujeito passivo do IPI deve pagar em 10 dias e receberá, por exemplo, em média, em 60 dias, na verdade ele (o responsável tributário) está antecipando o imposto e financiando o governo federal. Logo, não existe a possibilidade de enquadrar o responsável como depositário infiel (Lei 8866/94) ou apropriação indébita antes que seja recebido pelo contribuinte o valor do IPI. Portanto, apurar o imposto pela data do recebimento das duplicatas é contrário à lei do IPI. Por essa razão, muitos artigos da Lei 8866/94 estão suspensos por ADIn. Lançamento – o IPI é um imposto que se sujeita ao lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte realizar todas as obrigações acessórias impostas por lei. O Fisco só atuará de ofício no não-recolhimento da exação ou no seu pagamento a menor. A partir de 1º de janeiro de 2005, a apuração passou a ser mensal, devendo-se recolher o tributo até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) – o objeto incide sobre crédito, câmbio, seguro, títulos ou valores mobiliários. O crédito é sempre representado por títulos. É imprescindível, para o seu estudo, o conhecimento prévio do universo da mercancia de títulos. A receita para o Fisco é quase que irrelevante. Toda vez que o Estado disponibiliza ao cidadão uma utilização de crédito (disponibilidade imediata para pagamento futuro) oficial, incide o IOF. Trata-se de uma ferramenta de controle gerencial do meio circulante, assim como é a taxa SELIC, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), o que caracteriza autêntica finalidade extrafiscal, porém sem perder de vista a função arrecadatória (SABBAG, 2004, p. 329). A sociedade, por meios contratuais, consegue expandir tal base oficial. A arrecadação do IOF forma um fundo que visa garantir, de um modo geral, o sistema financeiro nacional, a ser tutelado pelo próprio BACEN. Não se confunde com o crédito comercial, tido através de operações de compra e venda a prazo. O IOF está regulamentado pelo D. 4494/02. O sujeito passivo pode ser: o As pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (art. 4º, “caput”, D. 4494/02); o Os compradores e vendedores de moeda estrangeira,nas operações referentes à transferência financeira para o exterior (art. 12, “caput”, D. 4494/02); o As pessoas físicas e jurídicas seguradas (art. 20, D; 4494/02); o Os adquirentes de títulos ou valores mobiliários, incluindo instituição financeiras (art. 26, I e II, D. 4494/02). O fato gerador será: Operação de crédito – será a efetiva entrega, total ou parcial, do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, bem como a colocação à disposição do mutuário interessado (art. 3º, “caput”, D. 4494/02), lembrando-se que saque em caderneta de poupança não é

na conformação do que der a lei (art. sendo entendido como objeto de incidência do IOF (art. Min. D. da Lei n° 8. j. Sepúlveda Pertence. computando-se o ágio ou deságio.1999.08. “caput” e § 2º. D. Operação de câmbio – a base de cálculo será montante da operação em moeda nacional. j. CF/88). 331) deixa claro que a mera posse dos documentos mencionados não é fato gerador do IOF.033/90.98. devendo incidir somente um a vez se ocorrer simultaneidade entre elas (MACHADO. 1993). 4494/02): Na emissão – é o valor nominal. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. “caput”. Operação com títulos e valores mobiliários – é a emissão. 4494/02). 159 124 . determina que a alíquota máxima diária será de 1. 333): Operação de crédito – a base de cálculo é o principal mais os juros efetivos (art. D. a depender da hipótese de incidência (SABBAG. 1º. 28.fato imponível da exação em comento (Súmula 664 do STF) apesar do “factoring” sê-lo160. Para a base de cálculo. 4494/02). 20. I a VII. 29. com alíquota de 25% (art. “caput” e § 1º. em que pese sua natureza de mercadoria.5%. D. Sabbag (2004. O art. valor nominal ou valor da cotação em bolsa. recebido. 4494/02. 22.9. por exemplo. RE 232467. O verbete ficou cristalizado a partir de reiterada jurisprudência do Supremo: STF.5% ao dia (art. Trata-se de imunidade parcial. O ouro é um valor de referência mundial. D. que institui a incidência do imposto nas operações de crédito câmbio e seguros – IOF. 2004. p. Ilmar Galvão. 4494/02). A alíquota será de 25% (art. 25. “caput”. . D. 11. Desta feita. § 5º. No pagamento ou no resgate – é o preço. 4494/02). D. “caput” e parágrafo único. 4494/02). 27. “caput”. Na transmissão – será o preço. D. D. D. Operação com títulos e valores mobiliários – a alíquota máxima é de 1. 14. enquanto ativo financeiro. 4494/02). I a IV. 4494/02). 153. rel. distinguem-se três situações. 13. D. esculpida em contornos especiais pelo constituinte. Ele tem um valor cambiário. de moeda estrangeira ou de documento representativo. sob os auspícios da 159 Súmula 664 do STF: “É inconstitucional o inciso V do art. 7º. 6º. A base de cálculo e as alíquotas do IOF são dadas por diversos dispositivos do D. 21. 19. 4494/02). Min. Operação de câmbio – entrega ou colocação à disposição de moeda nacional. ADI-MC 1763/DF. entendo-se como efetivado o negócio no momento da liquidação do contrato ou câmbio (art. transmissão. Operação de seguro – emissão da apólice ou recebimento do prêmio (art. como é o cheque de viagem. 4494/02. entregue ou posto à disposição do contratante (art. “caput”. sobre saques efetuados em caderneta de poupança”. 160 STF. p. rel. “caput”. pagamento ou resgate deles (art. 4494/02. Operação de seguro – a base de cálculo é o prêmio efetivamente pago (art.

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unicidade – incidência uma única vez na origem, na extração, em que pese o fato imponível ser sua negociação posterior (SABBAG, 2004, p. 336). Será incidente na extração da matéria-prima, segundo alíquota mínima de 1%, a ser divida de acordo com o art. 150, § 5º, I e II, CF/88: 70% para o Município de origem e 30% para o Estado de origem (ou DF). Atualmente, a alíquota é exatamente de 1%, tal qual estabelece o art. 41, D. 4494/02, tendo como base de cálculo o preço de aquisição do ouro por instituição financeira (arts. 39 e 40, “caput”, D. 4494/02). No entanto, se o ouro for importado, a base de cálculo será arbitrado, tendo como referência o valor de mercado doméstico no desembaraço aduaneiro, calculado em moeda nacional (art. 40, parágrafo único, D. 4494/02). Em contrário senso, uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira, entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI, ICMS, ISS, etc.). A disciplina do ouro, como ativo financeiro, está na Lei 7766/89. Antigamente, todo meio circulante tinha lastro metálico, cotado em outro depositado em agências oficiais (Casa da Moeda). Hodiernamente, isto continua ocorrendo em parte, porquanto somente parcela da reserva metálica equivale ao numerário circulante. A doutrina qualifica o IOF como gravame “flexível”, conquanto suas alíquotas podem ser estabelecidas pelo Executivo sem observância da anterioridade ordinária e da noventalidade, a teor dos arts. 153, § 1º, e 150, § 1º, CF/88 (SABBAG, 2004, p. 335). Sobre o IOF, recai a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, CF/88. Ademais, a Súmula 185 do STJ161 determina sua nãoincidência no caso de depósitos judiciais. IR (Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza) – renda e proventos são espécies do gênero acréscimo patrimonial. Renda é resultante do capital (aluguéis, lucros, rendimentos financeiros, “royalties”, etc.), do trabalho (remuneração do labor humano) ou da combinação de ambos (honorários advocatícios, pagamento pela prestação de serviços, etc.), como prevê o art. 43, I, CTN. Já os proventos são todos os outros acréscimos não previstos na categoria anterior. O critério residual também foi adotado pelo constituinte originário de 1988, dada a UNIVERSALIDADE162 e a GENERALIDADE163 do IR (art. 153, § 2º, I, CF/88). Para Cassone (2004, p. 373), “a tributação do IR alcance [sic!] a tudo e a todos, sem ater-se ao critério da seletividade ou distinção entre pessoas ou profissões”. Todavia, NEM TODA RENDA OU PROVENTO implicará em IR, posto que ficou relegado ao legislador infraconstitucional a conferência de alíquota zero, de isenções, de não-incidência, etc., isto é, a seara de abrangência da hipótese de incidência do IR não é total. Outrossim, a jurisprudência tende a extrair do manto do fato imponível algumas condutas,
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Súmula 185 do STJ: “Nos depósitos judiciais, não incide IOF”. A universalidade é um critério do IR que se refere à extensão da base de cálculo, a qual englobará todas as rendas e proventos, independentemente de origem, considerando-as como unidade, desde que se subsumam à hipótese de incidência. 163 Segundo Difini e Renck, citados por Paulsen, op. cit., a generalidade é um critério que diz respeito à sujeição passiva da exação. Por ela, o IR abrange todos os contribuintes que pratiquem os atos previstos na hipótese de incidência, de modo indistinto e “geral”, não se admitindo tratamento diferenciado. Contudo, deve-se observar a progressividade, o que permite, de certa feita, atingir o ideário da capacidade contributiva individual (alíquotas por classe e restituição do IR), segundo a previsão do preâmbulo constitucional tributário (art. 145, § 1º, CF/88). Com efeito, a progressividade pode permitir que alguns – os menos capazes economicamente – não fiquem abrangidos pela incidência do IR, o que relativiza a princípio da generalidade, previsto no art. 153, § 2º, I, CF/88.
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como o pagamento de indenização por férias não gozadas (Súmula 125 do STJ)164 e a licença-prêmio indenizatória não gozada por necessidade do serviço (Súmula 136 do STJ)165. Também não se deve confundir renda ou provento com entrada pecuniária. De fato, em regra, não é o movimento de caixa o fato gerador do IR, porque não se aplica o regime de caixa na exação em comento. O que o legislador vislumbrou atingir é o regime de competência, em que a aquisição de disponibilidade jurídica é suficiente para configurar a hipótese abstrata de incidência do imposto. Na espécie, aplica-se o disposto no art. 116, II, CTN, de sorte a configurar a renda ou o provento auferido desde a constituição da situação jurídica tributável. Ex.: em venda à prazo, o fato gerador do IR se aperfeiçoa desde a celebração do negócio, não havendo qualquer relação entre o pagamento do tributo e o recebimento das parcelas avençadas. Excepcionalmente, o legislador permite que o IR se sujeite ao regime de caixa, quando se dá o recolhimento pelo lucro presumido. No contexto, a hipótese de incidência e a base de cálculo do IR não se confundem com aqueles afetas à CONFINS e ao PIS-PASEP, os quais tributam o faturamento e a receita, apesar de haver autêntico “bis in idem” com a CSLL das pessoas jurídicas, referendada pela jurisprudência do Supremo166. Não existe mais que um IR, porque ele é único. Para cada tipo de fato gerador, há uma incidência diferenciada. Este tratamento diverso para cada um deles determinará a forma de incidência do IR, dado o fenômeno econômico tributável (salário, grande capital, operação financeira, etc.). Portanto, a natureza do acréscimo patrimonial determinará o modo da exação denominada IR. Entretanto, uma renda não englobada na legislação extravagante poderia ser tributada pelo IR, dada a regra geral do art. 150, § 1º, I, CF/88, uma vez que é impossível ao legislador prever todos os fenômenos de acréscimo patrimonial? A resposta para o quesito é bem mais complexa. Por força do princípio da legalidade, é possível observar que quase todas as situações estão abarcadas na legislação infraconstitucional, inclusive no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veiculado pelo D. 3000/99. Todavia, uma vez que a hipótese de incidência não esteja abarcada pela estipulação do legislador, há de se perguntar se incide ou não o IR. Ex.: participação real nos lucros e resultados (PLR) da empresa, distribuída aos empregados pelo patrão (art. 7º, XI, CF/88, regulamentado pela Lei 10101/01). O resultado de uma empresa é gênero do qual implica duas espécies: lucro e prejuízo. Quando a organização tivesse prejuízo, deveria ela repassá-lo aos obreiros. Isto, de fato, não acontece, persistindo somente os lucros. Para fins de IR, não há previsão de incisão, apesar de poder ser classificada como renda (concorrência de capital e trabalho). Outro exemplo: plano de demissão voluntária (PDV). A empresa abre a oportunidade para a demissão voluntária de seus empregados, mediante corresponde estímulo pecuniário ou congênere (plano de saúde estendido, por exemplo). Esta também não está prevista em leis ordinárias relativas a IR. Algumas empresas recolhem o
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Súmula 125 do STJ: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda”. 165 Súmula 136 do STJ: “O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda”. 166 STF, RE 146.733-9/SP.

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IR, alegando o instituto da responsabilidade; alguns contribuintes contestam judicial ou administrativamente (por ocasião da declaração anual). Neste sentido, faltam as hipóteses de incidência perfeitamente delineadas, dado que o Fisco não pode subsumir o caso concreto a um delineamento incompleto da norma, realizada de modo genérico. Em regra, a JURISPRUDÊNCIA É VACILANTE, salvo o caso de PDV, em que a indenização respectiva não fica sujeita à tributação pela via do IR (Súmula 215 do STJ)167. Entretanto, em face de julgamento realizado pelo próprio STJ recentemente168, parece que o verbete poderá ser remodelado pela 1ª Seção da corte, o que ainda resta nebuloso por ausência de pronunciamento peremptório. Questão de ordem foi suscitada e, por conseguinte, remetida à apreciação do órgão competente169. Desta feita, o art. 150, § 1º, I, CF/88, e o art. 43, § 1º, CTN, são apenas instrutores da legislação infraconstitucional objetiva, conquanto evidenciam os critérios da universalidade e da generalidade. É cediço que o legislador especifique o caso concreto, sob pena de não-incidência do IR. Sujeito passivo – é aquele que recebeu o acréscimo patrimonial, tendo sua definição dirigida pelo princípio da generalidade. Na impossibilidade de se identificar perfeitamente o devedor, aplica-se o art. 45, “caput”, CTN. É um comando também genérico, o qual pode ser estendido por lei ordinária. Uma vez que se observe o acréscimo patrimonial, incide o IR, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. A dificuldade reside em se identificar quem é o verdadeiro contribuinte. Inclusive, aquele que auferir renda ou proventos de natureza ilícita também será tributado pelo fisco, dado o desiderato “non olet”, o qual confere uma interpretação objetiva do fato imponível (art. 118, I e II, CTN). Para Godoy (apud PAULSEN, 2001), as pessoas físicas que recebam renda ou proventos acima dos limites de isenção da tabela do IR, devem recolher o tributo por meio de carnê-leão, aconselhando-se o uso de livro caixa para abater as deduções. Também serão considerados passivos, na relação jurídico-tributária, aqueles que tenham ganhado renda ou proventos no exterior – pessoas físicas ou jurídicas – desde que tenham sua residência ou seu domicílio tributário, respectivamente, estabelecidos em território nacional170. É o que se denomina de EXTRATERRITORIALIDADE. Para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88), o que faz nascer outra espécie de sujeito passivo da obrigação tributária: o responsável (art. 45, parágrafo único, CTN). Fato gerador – o momento de sua ocorrência vem especificado no art. 43, “caput”, CTN. A expressão “disponibilidade econômica ou jurídica” da renda
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Súmula 215 do STJ: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. 168 STJ, 1ª T., AgRg no REsp 883.678-SP, DJU 29/6/2007. 169 STJ, 1ª T., REsp 940.759-SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/9/2007, Informativo do STJ n° 332. O argumento maior para a edição do verbete 215 do STJ foi a aplicação analógica do art. 14, Lei 9468/97, no caso do PDV. Contudo, a 1ª Turma firmou entendimento de que o diploma regula situação referente a servidores públicos civis, insertos no Programa de Desligamento Voluntário de servidores civis do Poder Executivo Federal, o que não coaduna com a generalidade conferida pela posição sumulada. 170 No cômputo no lucro, os rendimentos auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para a venda e caso a moeda não tiver cotação no Brasil, será convertida em US$ e, em seguida, em R$. Prejuízos e perdas decorrentes de operações não serão compensados com lucros auferidos no Brasil.

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ou do provento representa o cerne da querela. Estando disponível a riqueza para o contribuinte, perfaz-se o fato gerador. A disponibilidade econômica é facilmente identificável. Já a jurídica, pode antecedê-la. Ex.: salário de um empregado; no dia 10 do mês seguinte, ele recebe seu pagamento referente ao mês anterior (disponibilidade econômica); porém, ao longo desse período, ele já tem o direito ao pagamento a cada jornada de trabalho completa (disponibilidade jurídica). Disponibilidade jurídica é direito de usar a renda definitivamente constituído na forma da lei, alcançando os atos e operações colhidos pelo direito, inclusive resultantes da aplicação de capital. Ex.: lucro nas operações imobiliárias ou mobiliárias. Disponibilidade econômica é situação de fato irrelevante ao direito ou até mesmo a atividade lícita. Ex.: jogos, contrabando, juros usurários,etc. A disponibilidade jurídica sempre será econômica, mas nem sempre a econômica será jurídica. Destarte, lembra-se que disponibilidade econômica não pode ser confundida com a financeira. Disponibilidade financeira é o ingresso de dinheiro no patrimônio particular, independentemente do acréscimo patrimonial. Dependendo do fenômeno de renda ou provento a ser tributado, o legislador estabeleceu se o momento da ocorrência do fato gerador será da disponibilidade jurídica ou econômica. Ex.: salário (econômica); capitalização de rendimentos mensais, com permanência do montante até um período estipulado (jurídica); antecipação do 13º salário integral (econômica). A disponibilidade econômica ou jurídica diz respeito ao aspecto TEMPORAL do IR. O fato gerador complessivo (formado por vários atos) será regulado também por estipulação do legislador. Por exemplo, para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88). Aliás, como bem assevera Paulsen (2001), o IR apresenta um fato gerador complessivo, em que se deve determinar, via legislativa, o exato momento de sua ocorrência. Assim sendo, será possível fazer incidir a exação nesse ínterim. Apesar da idéia de fato complessivo ser recorrente e bastante prevalente na doutrina, a jurisprudência do STF não a acolhe. Consoante comentário supra aduzido, o Supremo, por meio de sua Súmula 584 (já comentada), perfilha a chamada Teoria da Retrospectiva, a qual provém do estruturalismo alemão. Com efeito, para a corte, o fato gerador do IR é pontual, ocorrendo no último dia útil do exercício considerado, aplicandose a legislação tributária vigente à época da declaração, não aquela atinente ao momento de efetivação da hipótese de incidência. Com referência às importações, a parcela dos custos que exceder ao valor determinado como referência fiscal deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Somente serão dedutíveis ou custos, despesas e encargos até o valor que não exceda o preço determinado por um dos seguintes métodos (arts. 241, I a III, RIR, e 18, I a III, Lei 9430/96): PIC (Método dos Preços Independentes Comparados) – é a média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos aos similares apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda.

O fisco. recolher-se-á a diferença entre o declarado e o levantado pelo órgão (lançamento de ofício). no mínimo. CALCULADO. recusa todo o procedimento operado pelo contribuinte de modo justificado. acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação. no Brasil. pode ser realizada sem a inclusão nos mencionados bancos de dados. dimensionado. sendo. O fisco deve seguir rigorosamente o estabelecido para medir a base de cálculo presumida. dado o declarado anualmente para com o recolhido do citado tributo no mesmo período (art. de modo geral.129 PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) – é a média aritmética dos bens ou direitos dos quais são deduzidos os descontos incondicionais concedidos. os impostos. pelo art. Por fim. LC 105/01). incidindo uma multa de 75% sobre tais valores. Ademais. a aferição REAL OU PRESUMIDA – as quais cabe ao contribuinte (lançamento “por homologação”) – o fisco. De fato. Administração tributária (controle de rendas e proventos) – a primeira preocupação do legislador foi dividir os contribuintes em dois grupos: pessoas físicas e jurídicas. aos olhos do poder tributante. há três categorias possíveis de renda ou proventos a serem tributados: real. é encaminhado expediente ao Ministério Público. § 3º. ficando o seu arbítrio legal como disposição válida para a base de cálculo. calculada sobre o preço da revenda. Base de cálculo – é exprimida. III. Caso seja identificada uma discrepância entre os dados apresentados e aferidos. cujo procedimento é vulgarmente conhecido como “malha fina”. em um primeiro momento. Se convincentes os argumentos exprimidos. a comissão de corretagem paga e a margem de lucro de 20%. com margem de lucro de 20% calculada sobre o custo apurado. Na aferição do lucro presumido ou arbitrado. seis anos para fins de comprovação do IR. o que. nos estritos ditames da norma positiva. a SRFB chama o contribuinte para prestar esclarecimentos administrativamente. ficou possível ao Fisco erigir um sistema eficaz na perfeita fiscalização das rendas e proventos. 2001). Do contrário. lembra-se que quaisquer documentos de prova perante o Fisco devem ser guardados por. No terceiro. a base de cálculo é substitutiva da base de cálculo primária (XAVIER apud PAULSEN. portanto precisamente legal. arbitrado ou presumido. o legislador ordinário criou mecanismos para substituir a impossibilidade de aferição da renda ou provento real pela metodologia tradicional. não há nenhuma conseqüência jurídica. 1º. as contribuições incidentes na venda. O primeiro é o “quantum” preciso. com o fim de oferecimento de denúncia pelo delito de evasão de divisas. 44. arbitra a renda ou o provento do sujeito passivo (lançamento de ofício). como bem diz o citado autor. então. O legislador ordinário vai dar os critérios para sua aferição. constitui uma ferramenta totalitária de controle social. Estas duas categorias são incluídas em dois cadastros unificados: CPF e CNPJ respectivamente. aos olhos de alguns juristas. Não sendo possível. por opção do . Entretanto. CTN. serviços ou direitos idênticos aos similares no país onde tiverem sido originalmente produzidos. Por meio da instituição da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). CPL (Custo de Produção Mais Lucro) – é o custo médio de produção de bens. Nenhuma transação.

operam-se as DEDUÇÕES. administração.5%. sobre a renda. A partir daí. Para efeitos do IR. . intermediação de negócios. PRESCINDE-SE desta exigência. segue-se o mesmo trâmite da declaração completa. forma o resultado final. os custos e as despesas que excederem os limites contábeis serão adicionados ao lucro contábil. Ex. e para as prestadoras de serviço com receita bruta anual não superior a R$ 120. pela autoridade tributária. Com outros resultados. de combustíveis derivados de petróleo. Não conseguindo fazê-lo. Havendo lucro. indenização de férias ou de licença-prêmio não-gozadas por necessidade do serviço (Súmulas 125 e 136 do STJ. a renda corresponde ao lucro. 8%: serviços hospitalares e transportes de carga. tomando-se por referência a receita bruta (faturamento). O lucro operacional é o faturamento menos custos e despesas operacionais. ao lucro presumido.00. cobra-se 15% sobre este valor e 10% sobre o excedente (tabela progressiva). Para as PESSOAS JURÍDICAS. Caso o contribuinte opte pelo LUCRO PRESUMIDO.6%: receita proveniente de revenda. 32%: para atividades de prestação de serviços em geral. como ajuda de custo. em um segundo momento. recorre-se ao arbitramento fiscal da base de cálculo (lançamento de ofício). Optando pelo segundo.000. sobre os quais pende comodato para com amigos em dificuldade – o fisco arbitra a base de cálculo da renda. por meios indiciários.00. encontrando-se a base de cálculo. locação ou cessão de bens móveis ou imóveis. etc. álcool etílico carburante e gás natural. afere-se a base de cálculo pelo lucro real. esta será a base de cálculo. bolsas de estudo.000.00. A escrituração contábil deve ser rigorosamente observada. Sobre esta. A regra geral determina uma alíquota de 8% sobre a receita bruta. É aplicado um percentual sobre o faturamento171. IV. já mencionadas). cálculo e demonstração no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para fins puramente tributários (art. chegando-se à base de 171 Lucro presumido consiste em presumir ou estimar o lucro como um percentual sobre a receita bruta. 262. Uma vez que o contribuinte optante pelo completo caia na “malha fina”. deve-se comprová-las documentalmente. mesmo com receita bruta anual não superior a R$ 120. através de registro. relacionadas no art. Há atividades com percentuais específicos: 1. encontrando a base de cálculo. para consumo. subtraímos-se 20% por presunção (guardado o limite máximo estipulado anualmente). ele deverá apresentar os documentos comprobatórios das deduções. Já no primeiro. Nas deduções do modelo completo. levada a cabo. alienação de um único imóvel. Ante a inexistência deste último dado. DE 15% OU DE 27. recorre-se. No simplificado. 647 RIR. o fisco arbitrará a base de cálculo. referente ao exercício financeiro e coincidente com o ano civil. O critério temporal é o lapso de 12 meses. poupança. O contribuinte do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) pode optar pelo modelo simples ou completo para a declaração anual. tomando por paradigma o aluguel a ser eventualmente auferido com o aluguel. alienação de bens de pequeno valor. a partir da renda tributável. mas é proprietário de vários imóveis.000. o legislador criou um mecanismo análogo ao simples da pessoa física. 32%: profissões regulamentadas. Toda vez que o lucro anual da pessoa jurídica ultrapassa R$ 240. chamado de lucro – quando positivo – ou de prejuízo – quando negativo. sendo que tal percentual varia de acordo com o tipo de atividade.130 contribuinte. RIR). Ainda por opção do sujeito passivo ou ante a impossibilidade de apurar daquela maneira. de acordo com a tabela progressiva estipulada. excetos os de carga. incide ALÍQUOTA ZERO. 16%: atividades de prestação de serviços de transporte.: contribuinte que declara não ter renda. alimentação. O IRPF não incide sobre diversos rendimentos brutos.

favorece sempre o contribuinte. esta obrigação não é facultativa. é possível dividir a obtenção de acréscimo patrimonial em vários momentos. o empresário deve planificar o lucro real primeiramente. 42 e ss. o art. A declaração do IRPJ deve ser optada no primeiro mês do exercício financeiro. sempre haverá recolhimento de tributo. os quais só serão aplicáveis – no primeiro caso – por ocasião da prestação de contas anual. Desse modo. será feita a apuração e a prestação de contas correspondente. rendimentos ou ganhos do exterior. Entretanto. o Fisco passou a determinar que a APURAÇÃO fosse ANUAL. Vale . ao contrário do IRPF. quando se tem fonte pagadora pessoa física. De fato. valem as consultorias. Lei 8981/95). No tocante ao IRPF. a fiscalização é materialmente mais facilitada. bancos de investimento. mas decorre de lei (“ex lege”). RIR. Antecipação do IR – o carnê-leão é uma forma de retenção de IRPF na fonte. Ainda mais: por até 30% de prejuízo. É também uma forma de amortizar as dívidas e de diminuir a inadimplência (sonegação) para com o poder tributante. por meio do CARNE-LEÃO. Neste sentido. o histórico da empresa e as projeções para o futuro. empresas de arrendamento mercantil. I a VI. para. esta não tem a obrigação de fazer o recolhimento. então. o erário necessita de entradas regulares ao tempo de suas necessidades. quer seja quanto a uma pessoa natural. Todavia. “factoring”. bancos comerciais. Em qualquer dos casos de incidência. além de deduzir os custos de previdência. 246. Em face do Direito Tributário.. instituições financeiras. independentemente da sorte financeira da empresa (lucro ou prejuízo). o contribuinte calcula o seu imposto mensalmente. A opção por lucro real. Esta determinação decorre da dificuldade em se precisar o exato instante da majoração patrimonial (renda). Desta feita. determina que as seguintes pessoas jurídicas são obrigadas a recolher o IRPJ pelo sistema de lucro real: com receita superior ao limite de R$ 48 milhões. de modo a ser apurado um eventual saldo positivo (restituição do IR) ou negativo (pagamento do IR) para eles. Na realidade. em contrário. Além disso. Só depois do exercício financeiro anual. quer seja em uma empresa. Neste caso. o empresário pode abater de lucro nos exercícios seguintes(art. há OBRIGATORIEDADE para todos os contribuintes (pessoas físicas e jurídicas). o legislador criou o sistema de antecipação mensal do IR. decidir por qual modo de declaração do IR lhe é mais favorável. bastando meros cálculos matemáticos. o período de apuração do IR é de 12 meses. Para resolver o entrave.131 cálculo. as que tiverem lucros. O fisco sempre prefere a declaração por lucro presumido. Na prestação de contas anual. de dependentes (também previstos para as fontes pagadoras pessoas jurídicas) e de empregados. empresas com capital estrangeiro ou que possuam sócios residentes no exterior devem sempre fazer a declaração pelo lucro real. Como o fato gerador do IR é complessivo. a retenção na fonte é uma obrigação jurídica de quem é fonte pagadora (necessariamente uma pessoa jurídica). etc. Nesta situação. Entretanto. empresas de seguros. porque. sociedades de crédito imobiliário. o contribuinte pode incluir os quesitos educação e saúde. logo depois. preenche o DARF e recolhe a quantia aduzida. nesta modalidade. que será feito no ano seguinte.. Ele configura uma obrigação mensal para o IR. o beneficiário desses rendimentos deve fazer o recolhimento de uma maneira específica.

Para ela. “caput”. ADI 2377 MC/MG. Joaquim Barbosa.9. 19. rel. DJU 8. op. rel. sendo fonte pagadora pessoa jurídica ou pessoa física.95. Pelo lucro presumido.68. é a principal fonte de receita derivada das unidades federadas. a “circulação de mercadorias (. 450. caso a pessoa jurídica verifique que há prejuízo no período. Joaquim Barbosa. Hipóteses de incidência – ele não incide propriamente sobre “venda de mercadorias”. Min. j. ADI 3673/RJ. a antecipação são MENSAIS. fazendo os ajustes necessários por ocasião da declaração anual.9. comporta vários núcleos do tipo tributário (hipóteses de incidência): . direta ou indiretamente. ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) – o ICMS é um imposto de grande magnitude normativa e econômica. alterada posteriormente pelas LC’s 92/97. porque o constituinte deferiu ao legislador decorrente a competência para tal.2001. a aferição e. elemento essencial para concretizar a atividade mercantil. “g”.2007. Cassone. Lei ou ato normativo estadual que venha a contrariar. LC 24/75 (art. Min. CF/88. a norma constitucional mencionada é tido como inconstitucional pelo STF172. 155. j. Plenário. Informativo do STF n° 478.2003. traz comandos sobre a isenção e redução quanto a fundos de investimentos regionais. CF/88). O modo como se estima é idêntico ao lucro presumido.2007. encontra regulamentação geral nas LC’s federais 24/75 e 87/96 (Lei Kandir. Liga-se à atividade de mercância. produtos que estão na linha da circulação. 6. ADI 1247 MC/PA. XII. arremata o conceito pelo termo “habitualidade”. O carne-leão não é possível para a pessoa jurídica. No diapasão.9.2007.. em um balanço parcial do ano (seis meses). O recolhimento pelo lucro real pressupõe contabilidade referente a um trimestre. O DL 406/68 traz normas gerais de natureza financeira para a referida exação. rel. ADI 3389/RJ. RMS 17949/ES. pode haver mudança física de mercadoria sem a alteração de titularidade ou vice-versa. Uma vez que.. Min. . rel. exclusivamente. consubstanciando um tributo importantíssimo para o Fisco.5. ADI 3936 MC/PR. a antecipação é diversa. Informativo do STF n° 480. DJU 7. o art. 1º. Nesse sentido. o ATO DE MERCÂNCIA173 é o que genuinamente caracteriza o ICMS. nos termos do art.9. com a correspondente antecipação neste período. DJU 17. Obs. 102/00 e 114/02). Informativo do STF n° 478.: qualquer isenção a ser concedida por lei estadual ou distrital deverá ser precedida de convênio no âmbito das demais unidades parciais da federação.11. II. Gilmar Mendes. 6. ou seja. ADIn 2747/DF. op. 291.. Ademais. Min.132 ressaltar também que a forma de contribuição por carnê-leão cabe quando há mais de uma fonte de renda e somente é aplicável à pessoa física. ainda pelo o lucro real: o recolhimento antecipado dar-se-ia por LUCRO ESTIMADO. incidindo o 172 STF. cit. p. 173 Para Sabbag. Portanto. DJU de 27. O fisco deu uma terceira alternativa..2007. ADI 2021 MC/SP.8. A MP 219914/01. por conseguinte.9.circulação de mercadorias – implica em mudança de titularidade ou em alteração física da mercadoria. Desta feita. Marco Aurélio. Regência legal – a lei instituidora advém de diplomas estaduais. ela poderá solicitar a SUSPENSÃO DAS ANTECIPAÇÕES POR LUCRO ESTIMADO no semestre posterior. 99/99. Estatisticamente. DJU 25. cit. p. 155. j.) [compreende] o trajeto de mercadoria da produção até o consumo”. § 2º.

situações em que fazem incidir o tributo em tela mesmo que não haja habitualidade por parte do adquirente ou do prestador (art. p. a aplicação do verbete independe de as coisas pertencerem ao ativo fixo da empresa.300-9/SP.. porque há mudança de titularidade. um crédito”. Informativo do STJ n° 332.1997. 18/9/2007. j.. que a produz. 43. “a”.: fabricante de roupas movimenta suas mercadorias para participação de uma exposição do setor em outra cidade – não há mercância. 176 A jurisprudência do STF já assentou entendimento sobre os conceitos de produto e de mercadoria. rel.5. op. 2004. ou pessoa – fretamento). citados por Cassone.prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal – para Cassone (2004.9. 2004).u. passa a ser mercadoria logo que é objeto de comércio do produtor ou do comerciante por grosso ou a retalho. apesar de. considerado produto. REsp 756. pressupõe a existência de dualidade de figuras: um prestador e um tomador. 452).1997. Marco Aurélio. . Não importa se há efetivamente o transporte. 29. Ex. no momento do negócio jurídico. Está fora o transporte intramunicipal. consuma-se o fato gerador. o qual será objeto de tributação pela via do ISSQN (CASSONE. aplicando-se o art. Diz-se que é toda coisa ou bem móvel. utensílios e implementos a título de comodato”. Basta que o serviço seja prestado. p.. perfilhando as lições de Carvalho de Mendonça e Fran Martins. § 2º. Min. carga.1998. p. não há transmissão da titularidade. RJ/IOB 1/11. 449: “a coisa. o conceito de serviço. Ex. ínsito no art. DJU 7. a alienação de bens do ativo imobilizado de empresa não configura o fato gerador do ICMS (SABBAG. deixa de ser mercadoria logo que sai da circulação e se acha em poder do consumidor (RE 79. Min. O ICMS é devido na saída da mercadoria do estabelecimento. Nesse passo. enquanto se acha na disponibilidade do industrial. v. que a adquire para revender a outro comerciante ou a consumidor. Havido o transporte mediante pagamento. 2ª T. o comodato de máquinas e equipamentos não caracteriza fato gerador da exação em tela (Súmula 573 do STF)178. incide o ICMS. IX. 34. j. segundo entendimento do STF. De outra sorte. neste caso. RTJ 78/215)”. segundo leitura do próprio STJ acerca de seu posicionamento sumulado175. não existir a movimentação física do produto. 452). v. Outro exemplo: o agricultor vende antecipadamente sua safra inteira de milho. O núcleo do tipo independe da natureza do que está sendo transportado (passageiro – transporte regular. cit. Min. 2004)177. CF/88). 155. perfilhando a regra geral da nãocumulatividade pela compensação – “a cada saída. a cada entrada. João Otávio de Noronha. 175 STJ. CTN. de haver alto valor envolvido ou do fato do translado não ser habitual. apesar de haver movimentação de mercadoria. 155. Desta feita.737. um débito. 1ª T. Ilmar Galvão. porquanto os produtos retornarão para o estabelecimento original do comerciante. p. 19. O fato gerador está ligado ao SERVIÇO DE TRANSPORTE. II.4. 178 Súmula 573 do STF: “Não constitui fato gerador do ICM a saída física de máquinas. DJU 12. II. 2ª T. . p.951-SP. desde que se trate de operação de mercado. o empresário emite a nota fiscal e registra-a com suspensão do ICMS.1998. rel.8. chama-se produto manufaturado ou artefato. o qual destina-se ao comércio (SABBAG.. CF/88.. A atividade comercial só é dispensada no caso de importação de produtos ou de prestação de serviços no exterior. RE 200379-4/SP.. 177 STF. 2004)176. A mudança da titularidade é jurídica e independe de movimentação física do bem (SABBAG.133 ICMS. apesar da plantação ainda não estar completamente maturada. rel. é o mesmo caso da movimentação física de bens entre matriz e filial (Súmula 166 do STJ)174. 116. É também cediço definir “mercadoria”.: 174 Súmula 166 do STJ: “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”. tal qual já se fez no capítulo sobre IPI.633.u.612-RJ. RE 194.

bens. com transporte de várias peças ou componentes. 454). o serviço de transporte deve ser efetivado por empresa que o preste em favor de terceiro. o VALOR DO FRETE ESTARÁ EMBUTIDO NO PREÇO da mercadoria. não pode ser tributado pela via do ICMS. pagamento e emissão do “conhecimento de transporte”. Nesse caso. Emissoras radiofônicas e de televisão abertas não estão sujeitas à tributação do ICMS. I a V. 2004. No critério espacial. Informativo do STJ n° 325. a retransmissão. Quando a prestação se dá em parcelas. Min. pois se gratuita for.prestação de serviço de comunicação. a movimentação é obstada. II.. Incidências (elemento objetivo) – o imposto incide sobre (art. pois houve contrato. desde que a empresa não se volte a esta atividade como principal. 2º. Graças ao art. não há prestação de serviço de transporte. a recepção. 179 180 A LC 87/96 é conhecida como “Lei Kandir”. desde que não propague o sinal por qualquer meio. p. ainda que iniciado no exterior – o exemplo mais comum versa sobre a telefonia. João Otávio de Noronha. por qualquer meio. o trabalho da produtora de programas para a emissora paga (televisão fechada). rel. . STJ. a emissão. Caso a própria empresa disponha de frota para fazer a distribuição de suas mercadorias. 2º. 26/6/2007. cabendo tão-só a exação do ISSQN municipal180. I a III. as alíquotas sobre o frete são menores que aquelas para a operação de circulação de mercadorias. incide o ICMS. Geralmente. acrescida pela EC 42/03). restaurantes e estabelecimentos similares. j. “d”. X. inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares. não importa que a comunicação se dê no âmbito de um só município. § 2º. fato este que acaba não reduzindo a receita do Fisco. Apesar da Lei 8977/95 falar em serviços de TV a cabo. É interessante também destacar que a prestação deve ser onerosa. não há incidência da exação (SABBAG.134 transportadora é contratada para fazer a mudança de uma família. 2ª T. Além disso. porque são consideradas essenciais e de utilidade pública pela Constituição (art. de pessoas. II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. LC 87/96179. LC 87/96): I – operações relativas à circulação de mercadorias. Neste caso. 2004). e § 1º. IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios. 155. como o fez no transporte interestadual e intermunicipal (CASSONE. REsp 726. . incide o ICMS onde a operação começou a ser prestada. III – prestações onerosas de serviços de comunicação. referendando a previsão do Convênio ICMS 66/88 (SABBAG. 2004). Não estarão incluídos nos fatos geradores os transportes por dutos e por vácuos. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. CF/88. a transmissão. o fato gerador se configura com o efetivo transporte da primeira parte. conquanto o legislador não a distinguiu. mercadorias ou valores.103-MG. por alguma razão. o transporte aéreo também pode ser abrangido pelo ICMS. inclusive a geração. por qualquer via.

cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente. VIII – a entrada. 155. Controvérsia também se estabelece sobre o art. CF/88. p. 298. O imposto incide também: (.. de petróleo. O constituinte derivado foi “atroz” ao instituir o citado dispositivo. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. II.. LC 87/96: Art. CF/88). § 3º. sendo chamada de insumo público. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento.). op. ao considerá-la como mercadoria. A energia elétrica é atualmente tributada pelo ICMS. à exceção do art. II. CF/88). não prevista no texto do art. XII. 2º O imposto incide sobre: (. Características – o ICMS apresenta não-cumulatividade (art. II. por pessoa física ou jurídica. decorrentes de operações interestaduais. II. quanto ao consumo residencial. VI – a entrada de mercadoria importada do exterior. § 2º. CF/88. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. pois faz parte de um preceito secundário. § 3º. 153.).. o ICMS prescinde de LC regulamentadora para tal (art. . VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior.sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. I. 155. Este não incluiu a energia elétrica no rol dos núcleos dos tipos tributários do ICMS.). 453).135 V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços. CF/88. em contrário à vontade do constituinte originário. apesar de não constar do rol do art. Para Cassone (2004. quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. seletividade em função da essencialidade (de acordo com o arbítrio do 181 181 Ao contrário do IPI. CF/88) .. II . de competência dos Municípios. de fato. e de energia elétrica.. Alguns a consideram insumo de produção. cit. § 1º. Todavia. pende uma dúvida. 2º. (. a primeira parte do dispositivo em comento é inconstitucional. mas aquele o fez. porquanto seria intrínseca no preço final de todos os produtos. em que a não-cumulatividade foi determinada diretamente pelo constituinte (art. utilizou-se da regra prevista no art. p. como não deixa de se ressaltar o mestre Sabbag. 155. mesmo porque é tida como essencial e vital para as condições mínimas de dignidade humana. 155. CF/88. por intermédio da EC 33/01. § 2º. II.. § 1º. no território do Estado destinatário. “c”. O legislador infraconstitucional.. 155. porquanto estabelece regra de incidência tributária extraterritorial. 155.

Atualmente. ISSQN. p. segundo alíquota mínima de 1%. V. esse não integrará a base de cálculo do ICMS (art. VI. Rememora-se que a primeira hipótese constituirá fato gerador da CIDE-remessas para o exterior (Lei 10168/01) caso a cessão. § 2º. Caso o produto a ser comercializado também seja objeto de IPI. 3º. para transporte aéreo. Será incidente na extração da matéria-prima. inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. CF/88). devendo ser observados os limites mínimos estabelecidos em Resolução do Senado (art. ou serviços (art. 153. Não-incidências (isenções) – o imposto não incide sobre (art. Ele tem um valor cambiário. cabe a tributação por via do ICMS (CASSONE. Em contrário senso. II – operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo. 150. p. 155. II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias.). licenciado ou contratante localizado no estrangeiro. CF/88: 70% ao Município de origem e 30% ao Estado de origem ou ao DF. § 5º. uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira. RE’s 176. CF/88) e alíquotas variáveis de Estado para Estado. a ser divida de acordo com o art.136 legislador estadual – art. CF/88). CF/88). CF/88). III. há configuração do fato gerador de ambas exações. 182 STF. I e II. 150. não incide o ICMS. “b”. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. § 2º. CF/88). 288). “a”.626-3/SP e 199. § 5º. CF/88). 155. entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI. sendo entendido como objeto de incidência única do IOF (art. 155. em que pese sua natureza de mercadoria. “d”. 155. XI. enquanto a Resolução 95/96. Em se tratando de licença ou cessão do direito de uso (propriedade imaterial). X. O ouro é um valor de referência mundial. De outra feita. periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. proporcional (não há progressividade nas alíquotas) e fiscal (não é exação regulatória da economia). “a”. . 458-480)182. § 2º. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados.464/SP. quando destinados à industrialização ou à comercialização (art. Os programas de computador sofrem dupla disciplina. etc. § 2º. I a IX. o imposto em questão pode ser classificado como gravame plurifásico (incide sobre o valor agregado). a licença ou transferência de tecnologia se dê em proveito de adquirente. X. § 2º. jornais. o produto deve ser destinado ao comércio ou à industrialização. Nesse caso. 155. a Resolução 22/89 estabelece as alíquotas para operações interestaduais. Desta feita. enquanto ativo financeiro. devem ser preenchidos três pressupostos cumulativos para que isso ocorra: a operação de circulação deve ser realizada entre contribuintes. 2004. Nas palavras de Sabbag (2004. ICMS. caso haja destinação da produção em massa para o comércio (“software de prateleira”). real (as condições pessoais do contribuinte são irrelevantes para o cálculo do devido). LC 87/96): I – operações com livros.

É o que a doutrina denomina ICMS “por dentro”. que realize. inclusive “tradings” ou outro b) armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro. p. 2º. destinada a (art. IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. estabelecimento da mesma empresa. § 7º. Ex. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. parágrafo único. 155. não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. I. deve ser abatida a . V – operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação. I a IV. com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial. VI – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial. VII – operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia. “c”. 306) e Cassone (2004. § 1º. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (art. X. Equipara-se às operações de que trata o item II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior. quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (art. 4º. 462). Cálculo do ICMS – no caso de saída de mercadoria. de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços. inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor. DL 406/68). com alíquota de ICMS de 12%. com base no art. II – seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. VIII – operações de arrendamento mercantil. ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar. CF/88). 3º. I e II. p. 3º. física ou jurídica. do total da operação (100%). É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que. LC 87/96. de competência dos Municípios.: mercadoria custa R$ 500. LC 87/96). a alíquota incidirá sobre o total da operação (art. pelo próprio autor da saída. § 2º. III – adquira em licitação de mercadorias apreendidas ou abandonadas. “caput”. operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. segundo dizem Sabbag (2004. IX – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras.137 IV – operações com ouro. Contribuinte (elemento subjetivo passivo) – contribuinte é qualquer pessoa. parágrafo único. ainda que as destine a consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento. LC 87/96): I – importe mercadorias do exterior. 4º. comercial ou de outra espécie. mesmo sem habitualidade (art. LC 87/96): a) empresa comercial exportadora.

e) importado do exterior. RJ/IOB 1/9. R$ 568. quando não estabelecido. No mesmo sentido.826. “a”. 30. obtendose o valor total (mercadoria + imposto). quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhado de documentação inidônea. RE 101103-3/RS. I a IV. ou seja. LC 87/96.18: o contribuinte de fato paga esse valor. julgados mais recentes do STJ determinam a exclusão dessa espécie de juros da base de cálculo. multiplica-se o valor da mercadoria (R$ 500) pelo coeficiente (1.13636. Cesar Asfor Rocha. 462). é (art. por exemplo). Segundo o art. 185 Súmula 237 do STJ: “Nas operações com cartão de crédito. 2004. f) aquele onde seja realizada a licitação. 184 183 . 64. à vista do adquirente (CASSONE. Tratando-se de frutos decorrentes de financiamento. CTN). Em contrário senso. rel. d) importado do exterior. Essa disposição não atinge o preço da mercadoria no caso de desconto concedido diretamente no momento da operação. Ex. p. para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável. 1ª T. REsp 67947/MG. integram a base de cálculo do ICMS.138 alíquota (12%). os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS”. c) o do estabelecimento que transfira a propriedade. o do domicílio do adquirente. ficando R$ 500 para o comerciante e R$ 68.6. Informativo do STF n° 154. b) onde se encontre. ou o título que a represente. 13. isto é. 1.. obtém-se o coeficiente dividindo-se o total (100%) pela percentagem real (88%). a do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. no caso de arrematação de mercadoria importada do exterior e apreendida. Julgados menos hodiernos do STF propugnavam pela sua inclusão no montante para o cálculo da exação.13636). sendo tributada por meio do IOF (art. “a”. Min. II. como dispuser a legislação tributária. no momento da ocorrência do fato gerador. LC 87/96): I – tratando-se de mercadoria ou bem: a) o do estabelecimento onde se encontre. j. o legislador complementar determinou que os juros devem integrar a base de cálculo também. considerando a base de cálculo o valor total da nota fiscal184. de mercadoria por ele adquirida no País e que por ele não tenha transitado. STJ.18) para o fisco. Essa ginástica aritmética foi considerada constitucional pelo STF183. a própria jurisprudência não encontra melhor pacificação. No mesmo comando. os descontos concedidos sob condição (pagamento a prazo. com fulcro no art. 13. STF. § 1º. Local da operação ou da prestação (elemento espacial) – o local da operação ou da prestação. STF.: financiamento de parte do preço por meio de cartão de crédito. CF/88. I.18 (12% de 568. II. pelo fato do financiamento constituir operação distinta daquela relativa à mercância (Súmula 237 do STJ)185. RE 212209/RS. obtendo-se a percentagem real (88%).1999. § 1º.

o do estabelecimento ou do domicílio do destinatário. Ocorrência do fato gerador (elemento temporal) – considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento (art. h) o do Estado de onde o ouro tenha sido extraído. na hipótese da utilização. repetição. bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento. como dispuser a legislação tributária. transmissão e retransmissão. b) onde se encontre o transportador. por contribuinte. ampliação e recepção. I a XIII. d) onde seja cobrado o serviço. ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. na hipótese da utilização. II – tratando-se de prestação de serviço de transporte: a) onde tenha início a prestação. no Estado do transmitente. lubrificantes e combustíveis dele derivados. na hipótese de captura de peixes. 12. inclusive consumidor final. LC 87/98): I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte. cartão. ou assemelhados com que o serviço é pago. b) o do estabelecimento da concessionária ou da permissionária que forneça ficha. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. II – do fornecimento de alimentação. assim entendido o da geração. quando não destinados à industrialização ou à comercialização. i) o de desembarque do produto. por contribuinte. crustáceos e moluscos. quando prestado por meio de satélite. d) o do estabelecimento ou domicílio do tomador do serviço. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. emissão. III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado. IV – tratando-se de serviços prestados ou iniciados no exterior. c) o do estabelecimento destinatário do serviço.139 g) o do Estado onde estiver localizado o adquirente. . nos demais casos. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhada de documentação inidônea. III – tratando-se de prestação onerosa de serviço de comunicação: a) o da prestação do serviço de radiodifusão sonora e de som e imagem. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. nas operações interestaduais com energia elétrica e petróleo. quando não considerado como ativo financeiro ou instrumento cambial.

a retransmissão. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias ou serviços previstos em lei de cada Estado (art. “caput”. inclusive a geração.140 IV – da transmissão de propriedade de mercadoria. 6º. como definido na lei complementar aplicável. hipótese em que o contribuinte assumirá a condição de substituto tributário (arts. VI – do ato final do transporte iniciado no exterior. inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado. X – do recebimento. Não-cumulatividade. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. a emissão. b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto da competência estadual. XIII – da utilização. feita por qualquer meio. sejam antecedentes. que não se realizar (art. § 1º. É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária. a responsabilidade pelo seu pagamento. a transmissão. por contribuinte. concomitantes ou subseqüentes. 10. quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à . a recepção. pelo destinatário. IX – do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas do exterior. crédito e estorno de ICMS – o imposto é nãocumulativo. VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios. XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. LC 87/96). LC 87/96). que seja contribuinte do imposto (art. VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação. correspondente ao fato gerador presumido. A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações. 5º e 6º. LC 87/96). a qualquer título. Substituição tributária – a Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto ou a depositário. V – do inicio da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. LC 87/96). § 2º. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. ou de título que a represente. 6º. “caput”. XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias importadas do exterior apreendidas ou abandonadas. de serviço prestado no exterior. de qualquer natureza.

I a IV. Nessas hipóteses. com as devidas alterações da LC 102/00. ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento (art. caso a operação for isenta ou não tributada. No creditamento de ICMS. o art.00 .00. 20. o crédito será definitivo. 20. LC 87/96). O direito de utilizar o crédito extingue-se depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (art. presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal (art. decorrentes de entradas de mercadorias – R$ 10. II. LC 87/96). não haverá estorno do crédito à Fazenda em qualquer hipótese (art. seja consumida em processo que leve a produto não tributo pelo imposto ou venha a deteriorar-se. LC 87/96). § 2º. Salvo prova em contrário. II. É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria. não permitiu a compensação na cadeia mercadológica se alguma de suas fases goza de alguma espécie de não-incidência ou de isenção.000. exceto se se tratar de saída para o exterior.000. CF/88. LC 87/96): I – para integração ou consumo em processo de industrialização ou produção rural. LC 87/96).000. um crédito”. a jurisprudência tranqüila apregoa que descabe incidência de correção monetária. o crédito não vige.00 = R$ 40. § 1º. § 3º. 23. “a” e “b”. I e II. LC 87/96). diga respeito à operação estranha à empresa. 20. Exemplo: total do ICMS devido pelo sujeito passivo – R$ 50. perecer ou perder-se. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. valor do ICMS a pagar – R$ 50. Com efeito. § 2º. a LC 87/96. o contribuinte deverá estornar à Fazenda o valor à razão de 20% ao ano ou proporcionalmente em 1% ao mês (art. 155. 21. 19. valor do imposto anteriormente cobrado. § 2º. exceto as destinadas ao exterior. permitiu o crédito de ICMS em favor do contribuinte a partir da escrituração de entrada de ativo financeiro no estabelecimento – “a cada entrada. Do contrário. devendo o contribuinte também realizar o estorno (art. LC 87/96). quando a saída ou a prestação subseqüente não forem tributadas ou estiverem isentas do imposto. não dão direito a crédito as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de operações ou prestações isentas ou não-tributadas. LC 87/96). 33. Entretanto. . no estabelecimento (art. 20. 21.R$ 10. Crédito semelhante é garantido quanto à energia elétrica consumida pelo estabelecimento (art.141 circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado (art. LC 87/96). Sendo o ativo alienado em até cinco anos. “caput”.00. É vedado o crédito relativo à mercadoria entrada no estabelecimento ou a prestação de serviços a ele feita (art. real ou simbólica. o que não configura violação da não-cumulatividade e da isonomia.000. De fato. Quando a operação subseqüente for de exportação. II – para comercialização ou prestação de serviço. De outra sorte. § 1º. 21.000. não há de argüir a regra da não-cumulatividade.00. parágrafo único. LC 87/96).

I a IV. Formulado o pedido de restituição e não havendo deliberação no prazo de noventa dias. 20/9/2007. Min. No entanto. do valor objeto do pedido. 20. LC 87/96). 2ª parte. LC 87/96): I – for objeto de saída ou prestação de serviço não tributada ou isenta. parágrafo único. 10. LC 87/98). rel. Quando houver incorporação do bem ao ativo permanente do contribuinte antes de passados cinco anos contados da aquisição. LC 87/96): I – sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado. o estorno deverá ser feito à razão de 20% ao ano ou fração que faltar para completar o lustro (art. REsp 805.795-RJ.. Informativo do STJ n° 332. III – vier a ser utilizada em fim alheio à atividade do estabelecimento. Convênio 115/96). o contribuinte substituído poderá se creditar. permitir que (art. LC 87/96). IV – vier a perecer. sendo esta circunstância imprevisível na data da entrada da mercadoria ou da utilização do serviço. 21. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. procederá ao estorno dos créditos lançados. A prestação em comento. III. devidamente atualizado segundo os mesmos critérios aplicáveis ao tributo (art. e I. § 1º. “caput”. A Lei estadual poderá. . 20. 186 STJ. j. o contribuinte substituído. em sua escrita fiscal. O Convênio 115/96. fato esse que não está abarcado expressamente pela norma. com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis (art. § 2º. LC 87/96). Eliana Calmon. 24. porquanto não abrangidos pela norma convencional esculpida186. a diferença será transportada para o período seguinte (art. § 1º.142 O sujeito passivo deverá efetuar o estorno do imposto de que se tiver creditado sempre que o serviço tomado ou a mercadoria entrada no estabelecimento (art. o STJ pronunciou o descabimento de não-creditamento nas operações que envolvam a mercância dos equipamentos mencionados. § 2º. popularmente conhecida como “pager”. 24. Se o montante dos créditos superar os dos débitos. nos casos de saldos credores acumulados. LC 87/98). confere prerrogativa para os Estados estabelecerem redução da base de cálculo do tributo no tocante a serviço de radiochamada (cláusula 2ª. também devidamente atualizados. Com base nessa interpretação. As obrigações consideram-se liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de períodos ou períodos anteriores (art. 10. § 1º. se for o caso. não se estornam créditos referentes a mercadorias e serviços que venham a ser objeto de operações ou prestações destinadas ao exterior (art. deteriorar-se ou extraviar-se. no prazo de quinze dias da respectiva notificação. I e II. versando sobre ICMS. Sobrevindo decisão contrária irrecorrível. II – for integrada ou consumida em processo de industrialização. 25. geralmente também envolve a comercialização de aparelhos. 2ª T. LC 87/96).

Min. REsp 919. Informativo do STF n° 478. o STF entendia como legítima a cobrança de ICMS no desembaraço aduaneiro. j. Desembaraço aduaneiro – mesmo antes da LC 87/96. Operações com salvados de sinistros – o art.. determina a não-incidência de ICMS em operações de aquisição de salvados por seguradoras. mas contando com cinco votos pela exclusão das operações com salvados da incidência do ICMS.2007. DJU 16/8/2004. Com essa idéia. 1º. Apreensão de mercadorias – nada obsta que o fisco empreenda a apreensão de bens sujeitos a ICMS e desacompanhados da correspondente nota fiscal. RJ/IOB 1/11.552-RJ.. Essa prática é STF. 190 STJ. REsp 73. RT 726/383. 195 STJ.769-DF. Pleno.946-MS. rel. Min. Ilmar Galvão. RMS 12.. CC). 11/9/2007. Min. 13. 189 Súmula 661 do STF: “Na entrada de mercadoria importada do exterior. Dessa feita. DJU 20/3/2000. cancelando o referido verbete195. 610. esses não sofrerão tributação pela via do ICMS quando adquiridos de outro Estado. é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro”. ADInMC 1648/MG. II.084. STF. não aquela determinada para operações interestaduais. Ilmar Galvão. 188 187 . não ficando abarcada pelo ICMS. LC 87/96. a jurisprudência do STJ fixou entendimento192. j. incide o ICMS”. de bens salvados de sinistros. RE 192711/SP. “caput”. nos exatos termos de jurisprudência até então dominante (Súmula 152 do STJ)193. DJU 1º/7/2002. o STJ entende que há de se tomar como balizas referenciais a data do registro da importação e a entrada da mercadoria no território nacional190. Tratando-se de diferença cambial na cobrança do imposto em comento. segundo já disse o Supremo191.10. essa atuação se presta à identificação do contribuinte. rel. 192 STJ. e § 1º. v. REsp 23533/SP. dando azo à edição da Súmula 661 do STF189..223-MT. Os insumos devem ser utilizados na atividade-fim do administrado para não sofrerem a incidência do tributo. DL 406/68. o STF vinha entendendo diferente. 1ª T. rel. Min. j. “in fine”. nas condições que definir. Em que pese a cristalina e consentânea disposição das cortes. j. IX. Não pode a autoridade tributária permanecer “ad eternum” com as coisas. 6. em substituição ao seu enunciado 577. com julgamento ainda pendente até a data indicada. quando a adquirente realizava a alienação deles. Também TJRJ. o qual tinha por fulcro a CF/69 e o art. Todavia. v. rel.97. 193 Súmula 152 do STJ (CANCELADA): “Na venda pelo segurador.9. Dessarte. Min. rel. à materialidade do fato. Castro Meira.062-GO. 191 STF.96. REsp 564. decorrente de operação de importação de mercadoria187. u. DJU 28. 13/6/2007. Min. fato que sugere a apreensão como modo de coerção para o pagamento da exação. 2ª T. Construção civil – é fato gerador de ISSQN. RE 172282-7/SP. RE 193817/RJ. m. incidia a referida exação. Nas operações de importação. A posição ficou sedimentada por meio de outros julgados188. a alíquota a incidir é a interna.143 II – sejam transferidos.99. bens decorrentes de sinistro. no tocante ao diferencial de alíquotas da exação. o STJ resolveu alterar sua posição. Castro Meira. Informativo do STJ nº 331. 3º. Com base no entendimento do Supremo. lavrando-se o auto de infração devido. 1ª Seç. a outros contribuintes do mesmo Estado.05.08. rel.. ADI 1648/MG. 23. 194 STF. Gilmar Mendes. em face de previsão de empreitada com o emprego de materiais a serem fornecidos pelo empreiteiro (art. Informativo do STJ n° 323. j. O Pretório Excelso passou a acatar como inaplicável o ICMS também na operação de alienação dos salvados pela seguradora194. Néri da Silveira. EREsp 149.

“caput”. DJU 1º/3/2007. Veja. REsp 789. 2º. DJU 2/6/2003.96. por força do artigo 102. no que autorizada a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base 196 196 144 TJDF. reafirme-se.97. Getúlio Moraes Oliveira. j. REsp 700. § 2º. LC 70/91. Min. Informativo do STJ n° 326. ICMS – inclusão na base de cálculo da COFINS – STF – interpretação do art.ELYADIR FERREIRA BORGES RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – o recurso extraordinário foi interposto. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118.. inciso I. REsp 513. 7/8/2007. rel. rel. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença. MARCO AURÉLIO RECORRENTE : AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADVOGADO : ROQUE ANTONIO CARRAZZA ADVOGADOS : RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS E OUTROS RECORRIDA : UNIÃO ADVOGADA : PFN . 8078 – ementa oficial.04.781-RS. na íntegra.371-CE.631-96. do Diploma Maior. cuja constitucionalidade foi declarada e que. Nas razões do recurso. 2ª T. insistindo-se na inconstitucionalidade do artigo 2º. DJU 15/9/2003.785-2 MINAS GERAIS RELATOR : MIN.12.543-PR. parágrafo único. Eliana Calmon. “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo. da Constituição Federal. sendo objeto de posição firme na própria corte máxima (Súmula 323 do STF. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1-1/DF. nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação. . DJU 3 30. Exsurgiram sucessivos embargos de declaração. com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional. p. Marco Aurélio sobre a matéria. no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90). o voto do Min. lei esta. Des. 02. STJ: REsp 493. j. articula-se com a ofensa ao artigo 195.repudiada pela jurisprudência . não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116). consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. o qual fixou a jurisprudência do Supremo no sentido de não fazer incidir o ICMS sobre a base de cálculo da COFINS: 24/08/2006 TRIBUNAL PLENO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240. da citada lei complementar. já citada).316-DF. MS 38. relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

já que o dia 3. Noutro passo. aludindo a memoriais distribuídos. deverá. de 30 de dezembro de 1991. ao incluir-se o referido tributo na base de cálculo. A recorrente indicou o permissivo constitucional à folha 120. 9º. terça-feira. terça-feira. É o relatório. na base do cálculo da COFINS.145 de cálculo da Cofins. Por outro lado. apontou para o envolvimento. Confira-se com o acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 156. declarar a nulidade do julgado por ofensa aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (incisos LIV e LV do rol das garantias constitucionais). Os documentos de folhas 33 e 135 revelam a regularidade da representação processual e do preparo. Em 29 imediato. A Procuradoria Geral da República emitiu o parecer de folha 166 a 169. foi feriado forense. o ICMS. o acórdão proferido na apelação restou publicado no órgão oficial de imprensa do dia 27 de setembro de 1994 (folha 91). foram observados os pressupostos de recorribilidade. questão que não teria sido apreciada na ação declaratória de constitucionalidade. A União apresentou as contra-razões de folha 137 a 140. antes. decorrendo o processamento do recurso do provimento dado a agravo. A recorrente protocolou embargos de declaração em 4 de outubro de 1994 (folha 92). não foi objeto de deslinde a circunstância de o artigo 2º. definindo-se o alcance do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. o Relator. ministro Moreira Alves. Salienta-se que se desvirtuou o conceito técnico de faturamento. segunda-feira. na espécie. no que. ressaltando o envolvimento de matéria legal e a harmonia da conclusão adotada com a “jurisprudência de nossos Tribunais”. página 722 a 755. Por isso mesmo. o tema está a merecer o crivo de Colegiado desta Corte. oportunidade na qual consignei: Quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1. preconizando o não-conhecimento do recurso. 10 e 13 da Lei Complementar nº 70. da mencionada lei englobar. segunda- . afirmou estar a definição de faturamento no âmbito da legislação infraconstitucional. parágrafo único. em face da recusa do Tribunal de origem de analisar a controvérsia (folha 120 a 134). acaso esta Corte conclua pela falta de prequestionamento. Quanto à oportunidade. O Juízo primeiro de admissibilidade disse da natureza infraconstitucional da discussão (folha 140). terça-feira. apenas dos artigos 1º. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Na interposição deste recurso. A referência feita no voto do ministro Sepúlveda Pertence ganhou contornos de simples opinião de Sua Excelência a respeito da matéria. 2º. assevera-se que. As conclusões do acórdão prolatado nos embargos foram veiculadas no Diário da Justiça de 23 de maio de 1995 (folha 102). nos termos do artigo 321 do Regimento Interno da Corte.

inciso I. tem-se como prequestionada a matéria. tudo a partir. A Corte já assentou que o prequestionamento. a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. inciso e alínea – Recurso Extraordinário nº 128. na citada alínea. na base de incidência da Cofins. considerada a interrupção instituída pela Lei nº 8. não menos correto é que a recorrente. ou seja. aludindo à eficácia vinculante do pronunciamento. a violência ao artigo 195. prescinde de referência a artigo. exigir mais do que isso é adotar o fetichismo da forma. o ICMS (folha 92 a 94). na forma do acórdão de folha 115 a 117. mais uma vez reclamando prequestionamento explícito do tema (folha 104 a 112). a utilização de formas sacramentais. Sob o ângulo do prequestionamento. a encerrar o debate e a decisão prévios do tema jurígeno explorado. Portanto. refutando a defesa sobre a inconstitucionalidade de ter-se a incidência do tributo sobre . considerado o teor primitivo do preceito. atenta ao passo que se avizinhava. a recorrente interpôs novos embargos de declaração (folha 104). a Turma julgadora pela inexistência da pecha quanto à inclusão combatida (folha 99 a 101). na espécie. como causa de pedir. parágrafo. da Constituição Federal. terça-feira. destarte. Portanto. assim. que deu nova redação ao artigo 538 do Código de Processo Civil. não procede o óbice apontado pela Procuradoria Geral da República. Resta examinar o específico. se a conclusão a que chegou a Corte de origem. no sentido de adentrar a sede extraordinária. de interpretação de norma estritamente legal.146 feira. protocolou os embargos declaratórios de folha 92 à 94. juntamente com o faturamento. voltou a empresa a protocolar novos embargos declaratórios. Também não vinga o óbice relativo ao envolvimento.519-2/DF. A defesa sustentada pela recorrente foi rechaçada pela Corte de origem. anterior à Emenda Constitucional nº 20/98. da Constituição Federal. Pois bem. alínea “b”. O que sustenta a recorrente é que o decidido pela Corte de origem discrepa da tipologia do tributo. segunda-feira. utilizando a adjuntiva “ou”. consagrando-se. o Colegiado concluiu que seria de se presumir o exame do tema no julgamento da declaratória de constitucionalidade. fez inserir como base de incidência da contribuição devida pelo empregador. a receita. no que. ou seja. Mesmo assim. Há de se examinar. Se é certo que o acórdão inicialmente prolatado mostrou-se de simplicidade franciscana. Aí. é certo. a viabilizarem o cotejo. apenas consignando que esta Corte assentou a constitucionalidade da Cofins. nas razões do recurso. inciso I. isso ao apreciar a Ação Declaratória nº 1-1/DF (folha 88 a 90). a óptica de que a Cofins incide sobre o ICMS. tal como prevista no artigo 195. analisando estes embargos. da premissa de que assim o teria feito este Plenário ao apreciar a Declaratória nº 1. portanto. refutou a argüição de inconstitucionalidade. Já aqui entendeu. reclamando manifestação sobre a inconstitucionalidade de incluir-se. exsurge a tempestividade deste recurso. sendo que o acórdão daí resultante foi publicado no Diário da Justiça de 22 de agosto de 1995 (folha 119). Protocolou-se o extraordinário em 4 seguinte (folha 120).950/94. Sob o ângulo do prequestionamento.

ou seja. pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. ter-se-á. em si. A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam. em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71. a incidência da Cofins sobre o ICMS. os acessórios. a cargo do empregador. os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. com o dispositivo constitucional. servir à incidência da Cofins. importando. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti. ou não. isto sim. o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. ao vocábulo “salários”. por exemplo.519-2/DF. foi prevista tendo em conta a folha dos salários. a partir de premissa errônea. ou seja. A conclusão a que chegou a Corte de origem. mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. na base de incidência da Cofins.758: “se a lei . revelador da incidência sobre o faturamento. o sentido técnico-jurídico. a incidência de contribuição sobre imposto. importa na incidência do tributo que é a Cofins. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. conflita. o valor devido a título de IPI. fiel à dicção constitucional. Não pode. Jamais imaginou-se ter a referência à folha de salários como a apanhar. o faturamento e o lucro. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. emprestando. por isso mesmo. para o contribuinte. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem. o que percebido por aquele que a realiza. então. afastou a possibilidade de incluir-se. de uma operação. a prevalecer o que decidido. O valor deste revela. a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. ainda que mediata. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços. muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte. implicando. em si. o ICMS. sob o ângulo do faturamento. ou seja. na redação primitiva da Carta. como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. quando a própria Lei Complementar nº 70/91. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar. de um negócio jurídico. desse modo. Este decorre. o valor do negócio. o que se dirá quanto a um ônus. No caso dos autos. Por isso mesmo. sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa. esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição. O conceito de faturamento diz com riqueza própria. um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços.147 o ICMS. de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128. assim. incluindo este no que se entende como faturamento. por tal motivo. não sobre o faturamento. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional.

ônus fiscal. “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que. ao sentido próprio que eles possuem. Por isso mesmo. 110. a cobrança considerado. parcela diversa. de expressões e de vocábulos. não pode. a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto. conforme visto. conheço deste recurso extraordinário e o provejo para. a inclusão do que satisfeito a administradores. relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria.Ampliação da base de cálculo e compensação do aumento de alíquota”. A contrário sensu. que é o faturamento. em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PROBLEMAS JURÍDICOS”. assim. reformando o acórdão proferido pela Corte de origem.148 pudesse chamar de compra e venda o que não é compra. com sentido didático. é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. como é o relativo ao ICMS. a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado. por isso mesmo. Se alguém fatura ICMS.RTJ 66/165. mais do que isso. implica manipulação geradora de insegurança e. a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor. como é o relativo ao ICMS. julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória . a revelar que: Art. esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. o conteúdo e o alcance de institutos. A lei tributária não pode alterar a definição. pelas Constituições dos Estados. de renda o que não é renda. autônomos e avulsos. com razão maior. surge simplesmente pedagógica. um desembolso. não englobando. conceitos e formas de direito privado utilizados. adentrando-se a seara imprópria da exigência da contribuição. Conforme previsto no preceito constitucional em comento. de exportação o que não é exportação. como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins . Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de ter-se. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias. quer de serviço. isso sim. Por tais razões. ao valor da mercadoria ou do serviço. Admitir o contrário é querer. na expressão “folha de salários”. entender que a expressão “faturamento” envolve. que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional. Conforme salientado pela melhor doutrina. ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” . a duplicidade de ônus fiscal a um só título. pressupondo-se que o texto constitucional mostre-se fiel. o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade. expressa ou implicitamente. em si. no emprego de institutos. alterando. para mim. sob pena de desprezar-se o modelo constitucional. pela Constituição Federal. qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência.

segundo entendimento doutrinário? Resposta: são regras de “não-incidência constitucional”. quando o destino comportar nãocontribuinte do ICMS. seus derivados e outros combustíveis não derivados do petróleo. A partir da disposição do art. CF/88? Resposta: quando não destinado à comercialização ou à industrialização. tais como fixados na sentença prolatada. Com isso. 155. por que o contribuinte é aquele do estabelecimento de destino. inverto os ônus da sucumbência. assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição. III. § 2º. quem as determina então? Resposta: errado. III. § 3º. CF/88. dado o permissivo do art. 3º. CF/88. DL 406/68? Resposta: o ICMS segue um sistema de não-cumulatividade por compensação entre créditos e débitos tributários. Pergunta: as regras do art. X. LC 87/96). o legislador complementar erigiu uma não-incidência legal sobre tais produtos (art. inclusive lubrificantes. Pergunta: no caso do art. em operações entre contribuintes do ICMS. § 1º. o valor correspondente ao ICMS. determina que resolução do Senado deve estipular alíquotas nas operações interestaduais. I. X. “b”. nos termos do art. CF/88 (“circulação de mercadorias”). Essa regra. 155. IV. bem próxima do . § 1º. 2º. LC 87/96). na mesma proporção de outras mercadorias. tal diploma inexiste.149 intentada. o imposto em tela incide quando não for destinado à comercialização ou industrialização. 155. na qual o constituinte erige um “muro de contenção” fora do universo de incidência do tributo. 155. I a III. 1ª parte. o imposto será dividido entre o Estado de origem e de destino. como diz Rui Barbosa Nogueira. Pergunta: por que o legislador ainda não estabeleceu ICMS sobre combustíveis e minerais. III. Atualmente. § 4º. o ICMS incide sobre combustíveis. a exação será devida ao Estado de origem. 155. A Resolução 95/96 do Senado Federal estabeleceu alíquota para prestação de transporte interestadual aéreo. 155. considerado o faturamento. não há incidência de ICMS somente nas operações interestaduais (art. porquanto o ICMS não inclui os fatos geradores referidos no dispositivo. na situação anterior. § 2º. CF/88)? Resposta: consoante resposta do item anterior. Pergunta: quanto aos combustíveis derivados de petróleo. derivados de petróleo e energia elétrica (art. É o que a doutrina chama de imunidade. Pergunta: o art. 2º. pois a Resolução 22/89 do Senado Federal estabelece as alíquotas para operações interestaduais. Não tendo tal destino. II. CF/88 configuram não-incidência ou imunidades. § 2º. o ICMS é devido no local onde houve o consumo. em se tratando de gás natural. consoante art. as situações abrangidas pela primeira hipótese (de incidência do ICMS) serão assim definidas quanto ao direito de cobrança do tributo: em se tratando de combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo. 1º. se o fato gerador é a saída de mercadoria do estabelecimento de origem. LC 87/96. Entretanto.

6º. sendo de competência dos Estados e do DF. em 1810 (CASSONE. CF/67. do notário que não verificar o recolhimento dos tributos. Além do comando geral da substituição tributária por compensação. a hipótese de incidência é a saída. deverá abater o crédito decorrente da entrada do insumo tributado pela mesmo imposto. VI. um crédito. como o não-creditamento da operação anterior quando a subseqüente é isenta ou acobertada pela nãoincidência. desdobrado em duas espécies (SABBAG. 314). CF/88). além do cancelamento do crédito de operações anteriores quando houver quaisquer das intributalidades citadas (art. como previsto no art. 53-4. o sistema congrega outras regras. onde era aplicada a chamada “vigésima” sobre heranças e doações. Dessa feita.. I. p.150 que existe no IPI. no caso do cessionário não arcar com o imposto. 314). do oficial de registro. Lei 8927/88 do Paraná. II. p. CF/88). I. 42. a cada saída. o constituinte houve por bem cindi-lo em duas outras exações: o ITCMD. assim como sua EC 1/69. previsto no art. No entanto. Assim. DOE-PJ 23-6-95. caso o donatário não recolha a exação. mas sim pela efetivação do ato197. só ocorreu a partir da Carta de 1891. p. A Constituição de 1967. Ex. previam o impostos de transmissão como único. Sujeito passivo – deverá ser estipulado pela LO estadual ou distrital competente. o oficial registrador não deve perquirir sobre o quantitativo recolhido. No Brasil. um dos fatos geradores realmente é a saída da mercadoria do estabelecimento. o legislador estadual pode optar pelo sistema de responsabilidade tributária. . a incidir sobre transmissão de quaisquer bens ou direitos. “a” e “b”. e CASSONE. Trata-se do mesmo imposto do art. 432). um débito. Com o advento da atual CF/88. o tributo passou a existir desde a vinda da família real lusa para o Brasil. o obrigado fiscal pode ser: herdeiro ou legatário (na transmissão “mortis causa”). ITCMD (Impostos sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) – segundo Sabbag (2004. 197 TJSP.v. 2004. CF/88. Dessa feita. CTN. válido para atos “inter vivos” e “mortis causa”. 155. como bem lembra Sabbag (2004. 11-5-95. possuidor. sendo de competência dos Municípios. 314. o ITBI (art. No entanto. Nos termos do art. II. III e IV. 156. 289 da Lei 6015/73. j. a norma estadual pode eleger qualquer dos sujeitos passivos como responsáveis pelo recolhimento do ITCMD. § 2º. 155. por fato “causa mortis” ou por ato gratuito (doação). 23. como é o caso do art. o ITCMD encontra suas raízes na antiguidade clássica romana. por exemplo. já que tem essa incumbência “ex vi” do art. p. m. o qual tem por base a transmissão onerosa de bem imóvel. CSM. 2004. quando ele realizar o recolhimento. caso não verifique corretamente o recolhimento dos tributos antes de efetivar o ato de transcrição. p.: doador. É o caso. estando presentes em todas suas subseqüentes. 2004. no seu mister. 134. 431). CTN. atribuindo subsidiariedade de algumas pessoas no caso de inadimplemento do tributo por parte do contribuinte originário. Sua constitucionalização. a qual implicará em um débito fiscal por parte do empresário. no entanto. doador ou donatário (nas doações “gratuitas”). mas contribuinte de direito é o empresário que recebeu o insumo. I. p. seguem um mandamento geral: a cada entrada. Dessarte.

o autor até mesmo admite que as unidades federadas possam instituir o ITCMD para móveis e direitos consectários internamente situados. 22 e 23. Vale também lembrar que o recebimento de honorários pelo advogado em ação de inventário não perfaz fato gerador do ITCMD (Súmula 115 do STF)198. 7º. No entanto. Ademais. CTN. Esse fato deve se dar de forma não-onerosa. CF/88). 155. I. 433) defende que o legislador não poderia inovar na ordem jurídica sem a competente LC autorizadora. impõe-se ressaltar que. se o doador tiver domicílio ou residência no exterior. I e II. “caput”. p. CTN). LC deve estabelecer os critérios de competência tributária (art. 35. visto que inexiste outro diploma específico. III. 35. 200 Súmula 435 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a companhia”. não atingindo outros situados além de sua competência territorial. 36. Quando a operação implicar em incorporação de patrimônio à pessoa jurídica. 37. haverá tantos fatos geradores quanto forem os herdeiros e legatários. CTN). p. compra. Por derradeiro. Entretanto. Nesse passo. que a LC hábil a estabelecer o fato gerador (art. com autorização judiciária das cortes. Na primeira hipótese. No caso de doações feitas por sociedades por ações. Observa-se. Nesse caso. CC). quer por ato de liberalidade. CTN. CTN). decorremnte de capital anteriormente subscrito. . I e II. isto é. no caso de transmissão por fato “causa mortis”. nos termos do art. 155. III. as isenções referidas não são aplicáveis se a atividade da pessoa jurídica for preponderantemente venda. com a homologação do juiz. ou se o autor da herança tinha bens. 2004. CF/88. quer em decorrência da morte. 199 Súmula 331 do STF: “É legítima a incidência do Imposto de Transmissão. não incide a exação em comento (art. o ITCMD é exigível (Súmula 331 do STF)199. 36. Elemento temporal – estatui o art. era residente ou domiciliado ou teve o inventário aberto no estrangeiro. § 1º. parágrafo único. 35. CC) ou de ausência (arts.151 Fato gerador – é a transmissão de quaisquer bens ou direitos a título do falecimento de alguém ou em decorrência de ato gratuito (SABBAG. 155. em posição minoritária. também não haverá incidência do ITCMD (art. no momento da transmissão 198 Súmula 115 do STF: “Sobre os honorários do advogado contratado pelo inventariante. CF/88) ainda é o CTN. Entende-se por transmissão a passagem de propriedade de bens ou direitos sob o aspecto jurídico. parágrafo único. 315). § 1º. o legislador de 1966 só previu a incidência do ITCMD para bens imóveis. na medida em que estipula a exação em tela para bens móveis e seus respectivos direitos. cabe ao Estado de sua sede o recolhimento do ITCMD respectivo (Súmula 435 do STF)200. ou quando houver incorporação ou fusão de empresas. “caput”. Não é o que vem fazendo os Estados. caso haja reversão do valor da integralização por liquidação de cota ou por extinção da pessoa jurídica. “caput”. CTN). Elemento espacial – o imposto será devido ao Estado ou DF onde se situam os bens imóveis (e respectivos direitos) ou onde se procede a ação de partilha de bens (art. tratando-se de morte presumida (art. I e II. cessão e locação de imóveis (art. Causa Mortis no inventário por morte presumida”. não contemplando os móveis e demais direitos correlatos (art. 146. CF/88). em que pese a previsão expressa do constituinte no art. Cassone (2004. “a” e “b”. que o imposto deverá ser recolhido na ocorrência do fato imponível. “a”. Nesse caso. não incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis”.

oportunidade em que a correção deve incidir sobre todos os bens do espólio. englobando meios de transporte terrestre. 2004.4. IV. tido no momento da transmissão (art.01. 316). 201 202 STJ. tratando-se de transmissão “causa mortis” (Súmula 112 do STF)206. Contudo. a decisão judicial é interlocutória. 1ª T. . porquanto o registro do imóvel é o último ato da complexidade citada. aéreos e aquáticos. Aliás. “caput”. entendimento ressonante no STJ204. p. CTN). Civ. Aplica-se.777-1/6. 150. 147. Lançamento – é feito na forma mista. 436). desde que dotados de força motriz própria. CC. Para essa linha de pensamento. CTN. CTN). 1ª C.92. 205 TJSP. 38. Obs. CF/88) é setorial. operando-se desde o ajuste de vontades na doação ou a morte do inventariado no fato “mortis causa”.546-RJ. Atualmente. 9. a qual estipula o percentual teto de 8%. 13. Segundo Sabbag (2004. Nesse caso. 204 STJ. IPVA (Impostos sobre Propriedade de Veículos Automotores) – nos termos do art. o formal ou a carta de adjudicação só será expedida com a prova de quitação de todos os tributos. Informativo do STJ n° 328. o ITCMD deveria ser recolhido desde tal momento.02. observado o limite máximo de Resolução do Senado Federal (arts. REsp 12. mas sim a via administrativa. “in casu”.152 (CASSONE. 206 Súmula 112 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão”. Assim como a base de cálculo. § 3º. Min. III. a exigibilidade da exação só se perfaz no momento do registro imobiliário. j. não cabe recolhimento do tributo por ocasião do inventário (Súmula 114 do STF)203. antes da homologação judicial do cálculo. a alíquota aplicável é aquela vigente à época da abertura da sucessão.u. 155. Ap. pelo qual o foro para discussão da dívida tributária não é a ação de arrolamento. parte da doutrina entende que o fato gerador da transmissão se dá mediante um complexo de atos. apesar de homologados e transitados os cálculos.: havendo multa fiscal a ser rocada aos herdeiros. v. Elemento quantitativo – a base de cálculo é o valor venal do bem ou direito. ocorrência a caracterizar o fato gerador do ITCMD. j. de Direito Privado. CF/88. rel. “caput”. Não é o que apregoa o referido autor. e em jurisprudência do STJ201. e 155. 39. e REsp 253. tendo vez somente no terreno do Direito Penal. a jurisprudência prevalente tem entendido que ela é transmitida. quer seja ela para frente ou para trás. CTN). CF/88). sobre o qual o cálculo do ITCMD deve ser feito (Súmula 113 do STF)202.530-SP. Com fulcro no art. 5º. 21. o indigitado tributo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor de qualquer natureza. 21/8/2007. podendo prever o fenômeno da substituição tributária (art. o art. 2ª T. A alíquota será fixada pela LO do Estado ou DF. muito pelo qual o princípio da intranscendência (art.96. 245. Castro Meira. O domicílio do proprietário é indiferente ao aspecto espacial do gravame.. p. Súmula 113 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação”. Nota-se que o legislador complementar autorizou seu similar estadual a estatuir de outra forma. no qual são exigidas informações por parte do contribuinte e a atuação do fisco para calculá-lo (art. 1245.10. 203 Súmula 114 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis não é exigível antes da homologação do cálculo”. o diploma competente é a Resolução 9/92. CPC. XLV.. § 1º.3540-DF. 1034. atacável por agravo e não por apelação205.. EDcl no REsp 927.

há de ter força-motriz própria. § 6º. 34. § 3º. No aspecto temporal. a partir de 1º de janeiro. entendendo ser constitucional a cobrança do IPVA sobre aeronaves208. 312). o IPVA é de base proporcional (SABBAG. os Estados e o DF exercem a competência plena (art. questão polêmica se coloca sobre sua natureza jurídica. Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA. O sujeito passivo é o proprietário do veículo automotor. No tocante ao conceito de veículo. . É tributo de competência estadual e distrital. 2004. Visto que esse atualmente falece à existência.8. É a posição assentada no Pretório Excelso207. Código de Trânsito Brasileiro – CTB). são de propriedade da União. 146. Ilmar Galvão. É provado por meio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo). “a”. O preço estabelecido na nota fiscal ou no formulário de importação é hábil a determinar a base de cálculo. 311). o constituinte derivado. que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo. I. 24. locais onde elas manobram.153 porquanto vale o local de registro do bem. p. p. Segundo Sabbag (2004. STF. é possível que o legislador estadual estabeleça a forma temporal de recolhimento do tributo. CF/88). RE 134509/AM. “caput”. A partir desses critérios objetivos. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo. o art. a lei estadual pode estabelecer a cobrança da exação em tela. ou seja. 150. a lei instituidora do IPVA pode optar entre o valor venal ou o preço de mercado. Art.931-SP. 10. as aeronaves são veículos destinados a circular entre Estado e Municípios. a ser estabelecido em tabela oficial fiscal. Com efeito. RE 236. ADCT. CF/88). por meio da EC 42/03. Marco Aurélio. CF/88). tratando-se de veículo novo. nos exatos termos do comando do art. apto a transportar pessoas ou coisas. No tocante à base de cálculo. Ademais. § 3º. porquanto não fala em força motora própria. CBA define que os aeroportos. falecendo competência estadual para a tributação. desde que observe a vedação ao confisco (art. Na ausência do referido diploma federal. rel. 106. 155. rel. bem como o desembaraço aduaneiro é o fato imponível hábil para veículos importados. 310).1999. sua definição. CF/88). Acerca da alíquota. O fato gerador é a propriedade do bem e não o mero uso ou detenção. Min. O momento de aquisição do veículo também pode ser objeto do IPVA. incluindo-se os veículos conectados à linha elétrica (Anexo I da Lei 9503/97. IV. Min. “caput”. o legislador estadual fica livre para estabelecê-la. pessoa natural ou jurídica. quis imprimir 207 208 STF. Quanto à aeronaves. em essência. AG (AgRg) 167777/DF. Lei 7565/86) não coaduna perfeitamente com o desenhado pelo CTB. Não se incluem os veículos movimentados por tração animal. mediante reações aerodinâmicas. Não foi o que acolheu o STF. É possível também recorrer a órgãos especializados particulares. 106. devendo ser regulado por LC (art. dada pelo art. p. No entanto. DJU 9-5-97. cujo valor mínimo há de ser estabelecido por Resolução do Senado Federal (art. 2004. III. aquele do qual consta o título de registro do bem (SABBAG. 38. j. como jornais e revistas que militam na área. ainda que complementar ou alternativa à natural.

Chimenti (2002. II. nos exatos termos do art. apesar de comportar viés extrafiscal quando possui alíquotas diferenciadas pelo tipo de combustível. 158. Veículos de interesse socioeconômico específico. CF/88. Pelo grande número. CTN). porque abrange só atribuição de competência. é interessante destacar que o legislador municipal (infraconstitucional) não pode colidir com a CF. No inciso I do art. podem gozar de isenção (SABBAG. não se englobando o mero detentor (comodatário e locatário). podem ser sujeitos passivos do IPTU: o proprietário. como agroindústria. 32. Mesmo assim. Para Sabbag (2004). “caput”. III. aqueles cuja instituição foi conferida aos municípios: IPTU. 156. ITBI. 2004. Sabbag (2004. 155. 313) entende ser inconstitucional. posse ou domínio útil de bem imobiliário dentro do limite urbano do município (art.154 progressividade facultativa ao IPVA (art. Caso o proprietário transmita a propriedade. VI. isto é. porque limita indevidamente a circulação de pessoas (art. exação que exige transmissão. ISS (de qualquer natureza). CF/88). Por imperativo lógico-jurídico. I a III. CF/88). O fato gerador é a propriedade. não pressupõem pagamento de ITBI. Dessa feita. Na realidade. de partidos políticos (inclusive suas fundações). CF/88. e § 2º. incide a exação. 148) assevera que o IPVA é exação eminentemente fiscal. “a” a “c”. Impostos dos Municípios – o art. Quanto à taxa de licenciamento. transporte público de passageiros e terraplenagem. Usucapião e desapropriação. STF. p. sem fins lucrativos. de instituições de ensino e assistência social. fica impossível analisar cada um. é exação que decorre do poder de polícia da autoridade de tráfego e tributária. o ato 209 210 Súmula 326 do STF: “É legítima a incidência do imposto de transmissão inter vivos sobre a transferência do domínio útil”. 150. o que lhe dá um certo ar de extrafiscalidade. CF/88. p. sob pena de inconstitucionalidade. de templos. reporta-se ao chamado IPTU: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. cada uma correspondente a um dos diferentes municípios do país. Na repartição de receitas. de entidades sindicais de trabalhadores. Diz-se que seu fato gerador é continuado: enquanto houver a posse do bem. É cobrado ano a ano. VI. como já disse o STF210. cabendo a modalidade “ex officio” caso o contribuinte falte à sua obrigação. pode a lei ordinária instituidora determinar a diferenciação de alíquotas em função do tipo e utilização do veículo. metade fica com o Estado e a outra com o Município onde está registrado o bem (art. O Brasil comporta hodiernamente cerca de 5564 leis municipais. a legislação do caso concreto é aquela instituída pelo município. o titular do domínio útil (enfiteuta ou usufrutuário) – de acordo com a Súmula 326 do STF209 – e o possuidor “ad usucapionem”. a qual terá o condão de instituir e de disciplinar cada uma das exações. por serem formas de aquisição originária da propriedade. Estarão imunes os veículos de pessoas jurídicas de Direito Público. Trata-se de comando reduzido. . 150. p. CF/88). 313). RDA 73/160 e RTJ 117/652. elenca os impostos municipais. O lançamento é feito por homologação. § 6º. 156. desde que o legislador estadual assim acate.

a definição de zona urbana deve encontrar guarida em no mínimo dois dos melhoramentos previstos no art. CTN. a teor do que dispõe o Estatuto da Terra (Lei 4504/64). o legislador houve por bem alterar o referencial. permanecem os referenciais anteriores (Estatuto da Terra e CTN). o imóvel será considerado rural. Com efeito. integrantes de regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas. sistema de esgotos sanitários. o novo senhor receba o carnê fiscal. 33. seja quais forem. preconiza que só se poderá aumentar ou instituir tributos por lei. CTN). a disposição do CTN era tida como residual em relação ao critério da finalidade do bem imóvel. I a V. Para o ITBI.: na cidade de Paraibuna. para permitir o aumento da arrecadação. No IPTU. Lei 10257/01). o que não ocorre com o ITBI. Na maioria das vezes. Se isto for feito por decreto . 32. CTN. CF/88. computando-se tão-só as acessões (art. 4º. Relevante também ressaltar que as pertenças e as benfeitorias. ficou conhecido pelo valor do cadastro. “caput” e § 1º. Neste sentido. valor venal não é valor de venda. 41. Já o ITBI só é aplicável para transmissões onerosas (predomínio de venda). é possível o estabelecimento de zona equiparada à urbana. esculpindo o princípio da legalidade. nos termos do art. Por deficiência da Administração Pública. a instituição de plano diretor é obrigatória somente para municípios com mais de vinte mil habitantes. § 1º. CF/88. no ano subseqüente. “f”. onde inexiste. onde existe o plano. V. pois não existe aferição para corrigir a planta dos valores venais do imóvel. pertenças e móveis atinentes ao prédio. Alguns prefeitos aumentam o valor da base de cálculo por decreto. até a CF/88. integrantes de área de interesse turístico ou ambiental (art. não integram a base de cálculo do IPTU (art. Em tese. § 2º. há uma discrepância entre valor venal (maior) e valor de mercado. quando se intente usar instrumentos para assegurar a função social da propriedade. de acordo com o que dispuser a norma municipal: meio-fio ou calçamento. será urbana a propriedade incluída no plano diretor. escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado. elegendo-se sempre o maior. Lei 10257/01). parágrafo único. Contudo. com ou seu postes para distribuição domiciliar. Tanto o IPTU quanto o ITBI possuem base de cálculo igual: o valor venal do imóvel (arts. aplicam-se os critérios de diferenciação entre imóvel urbano e rural atinentes ao Estatuto da Cidade e à própria Constituição. o qual é determinado por lei local. extrativistas vegetais ou agroempresariais. o qual ainda abriu a possibilidade do plano estabelecer distrito rural dentro do perímetro urbano (art. 33. com canalização de águas pluviais. CTN. CC). 150. inclusive a ocorrência de mais de um deles. 32. parágrafo único. Todavia. No entanto. nos termos do art. respectivamente). I. Em conseqüência. 33 e 38. a base de cálculo é o valor venal ou o valor da operação. a base de cálculo não abrange as benfeitorias. Uma vez que se destine a fins agrários. o art. o valor venal não tem nenhuma relação com o correspondente no comércio.155 deve ser averbado para que. Em verdade. A norma constitucional foi efetivada por meio do Estatuto da Cidade (Lei 10527/01). I a V. descontínua a esta. rede de iluminação pública. Com a promulgação da atual Carta. atribuindo índice para a atualização. 182. abastecimento de água. pecuários. Ex.

Sua alíquota pode oscilar entre 0. não se restringindo ao valor venal do imóvel. ocorre que a diferença majorada por ato administrativo não é tão expressiva. § 1º. não havendo qualquer relação com o potencial tributário do sujeito passivo. 156. Essa progressividade é diferente daquela prevista pelo art. O constituinte quis permitir variação crescente de imposto em relação ao bem. elas dependem do critério a ser usado. consoante reiterado posicionamento do Excelso Pretor. dada a inexistência de previsão para tal na CF/88. § 2º. O novo proprietário não pode vendê-lo se não possui condições de recolher o ITBI. concordar com as posições de Sabbag (2004). entretanto. Não há consenso nem pronunciamento dos tribunais superiores. CF/88. 212 Súmula 656 do STF: “é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel”. É importante também destacar algumas particularidades do IPTU. Ex.: o ITBI normalmente tem alíquota de 4%. Ex.5%. É necessário.5 a 1. CTN. com quatro imóveis de R$ 50 mil cada. 145. não propriamente à adequada capacidade econômica do proprietário. considerando sempre a maior. Com relação à possibilidade de estabelecer duas bases de cálculo diferenciadas para o ITBI. isto é. I.156 administrativo. § 1º. O Poder Público não pode simplesmente conferir capacidade contributiva ao possuidor em razão do imóvel. CF/88 (princípio da capacidade contributiva). como bem ventila a Súmula 160 do STJ211. de acordo com a localização e o uso do imóvel. editando a Súmula 656212. estabelece princípios a serem seguidos. há inconstitucionalidade. a atualização monetária regular do valor imobiliário – mera correção monetária – pode ser efetivada por decreto. aplicada ao ITBI. 156. Ex. O inciso I afirma que o IPTU deve ser progressivo. uma vez que pode vir a estabelecer 211 Súmula 160 do STJ: “é defesa ao Município atualizar o IPTU mediante Decreto. ficando mais barato e simples pagar que discuti-la nos tribunais. O extinto 1º TAC denegou a progressividade. por herança. Na cidade de São Paulo. Por conseguinte. surge uma polêmica. Na prática. De uma forma geral. Diz respeito sim à sua forma de incidência. . a progressividade do art. não podendo haver dispositivo que preconize uma ou outra base de cálculo.: Fulana tem um imóvel de R$ 200 mil. consoante o disposto no art. Alguns doutrinadores falam que a hipótese de incidência deve ser precisa. os tribunais locais não têm admitido a existência de mais de uma base de cálculo para o ITBI – a exação incide sobre o valor real da venda. é cediço verificar se o valor da operação e o valor venal estão consoantes. como lembra Sabbag (2004). O art. CF/88 não se refere à capacidade contributiva do preâmbulo constitucional tributário. O STF já dizia que poderia ser progressivo nesse sentido. Entretanto. incisiva.: posse de imóvel. O STF corroborou com a posição. por inconstitucionalidade. estava em julgamento a constitucionalidade dessa progressividade em função do uso e da localização. o Pretório Excelso garantia a competência para isso. Esta assimetria fere os princípios da igualdade tributária. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. 97. o valor de seu IPTU será maior em relação àquele de Cicrano. O inciso II constitui ferramenta para o administrador diferenciar as alíquotas. porquanto este aponta uma flagrante incongruência entre um princípio inerente a exações pessoais aplicado a um tributo de clara base real. § 1º. ou seja. Desta feita.

caso o sujeito passivo não 213 Preponderância da atividade. “in fine”. tratando-se de autênticas imunidades. 156. há incidência do ITBI. Empresa que opera no mercado imobiliário – há incidência da exação. cit. o constituinte originária estabelecera a possibilidade de IPTU progressivo para lhe conferir fundo extrafiscal. subsistindo somente o aumento do capital imobilizado. lamentavelmente permitindo majoração da carga tributária ao já tão combalido contribuinte. caução. forçando o proprietário a adequar seu imóvel à função social (art. há transmissão onerosa. a ter cota com a sociedade no valor do imóvel. O art. como alienação. mas sim de aumento de arrecadação. acabou corroborando com o constituinte reformador quanto ao IPTU. cisão. I. Em que pese o Supremo ter declarado inconstitucional a progressividade para o ITBI por ausência de previsão legal. o sócio “A” tem sala comercial no valor de R$ 50 mil. II. o constituinte derivado estabeleceu outros três critérios para permitir a progressão da exação: o valor. troca. Não incidência – casos do Direito Comercial.: sócio “A” e sócio “B” de uma empresa. estipula uma exceção à não-incidência constitucional: se a pessoa jurídica tiver como atividade principal compra e venda de imóveis213. A segunda parte diz respeito à transmissão de bem imóvel nos casos de incorporação. Segundo o autor. Nessa situação. CF/88. 182. “A” passa. nas palavras de Chimenti (2002. desde que não penda um efetivo lucro por parte dos adquirentes.: empresa “A” e empresa “B” formam a empresa “C”. CF/88). A norma em comento não implica em não-incidência de ITBI sobre toda operação desta natureza entre pessoas jurídicas. na sua parte final.157 gravames incompatíveis com a situação do contribuinte. Na extinção da pessoa jurídica. Um resumo pode ser aduzido pelo seguinte esquema: Regra – houve transmissão de forma onerosa. CTN. p. Ex. Ex. I. O art. nos dois anos anteriores e nos dois subseqüentes. op. “Ex vi” da EC 29/00. O ITBI incide sobre transmissão onerosa de bem imóvel. 156. de acordo com a exegese do art. 136. Nesta situação. então. § 4º. § 2º. mas não há incidência de ITBI. prevê que a responsabilidade por infrações tributárias independe do “animus” do agente. I. nessa devolução. § 2º. cada um fica com sua parte. CF/88. um imóvel. como lembra Sabbag. etc. O próprio art. elenca as chamadas “nãoincidências constitucionais”. o capital constitui-se de um imóvel e R$ 500 mil. § 2º. deve englobar mais de 50% da receita operacional da empresa. . ao se separar a pessoa jurídica. É o caso do exemplo retro sobre aquele que recebeu um imóvel a título de herança. fusão ou extinção de empresa.: empresa que opera no mercado imobiliário. há incidência de ITBI. A primeira parte do dispositivo visa preservar os negócios de pessoas jurídicas em que há transmissão de imóvel. o remanescente é dividido entre os sócios. Se houver. localização e uso do imóvel. 128) e Sabbag (2004). ele a utiliza para integralizar seu montante no capital social. Ex. 156. não houve autêntica intenção extrafiscal. CF/88.

§ 2º. III. de limpeza e conservação de imóveis e logradouros públicos. D. essas não integram a base de cálculo (art. “caput”. com referência a serviços de construção civil em geral. segundo entendimento do STF. o comando é constitucional. sob pena de configurar “bis in idem”. tal qual o art. 155.. “caput”. § 1º. salvo aqueles expressamente previstos pelo constituinte como hipótese de incidência do primeiro. RE 262598/PR. “caput”. Ilmar Galvão. enquanto não vier LC específica (art. No entanto. II. 6º. no tocante à atividade dos advogados). contemplando a modernidade. O rol abrange cerca de 230 serviços. Não assim agindo. sempre será responsável o tomador ou intermediário de serviços quando (art. Desta feita. “b”. 8º. I. Informativo do STF n° 476. transporte intermunicipal e interestadual. 406/68 (SABBAG. O imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISSQN) está previsto no art. O DL 406/68 lista 101 itens de serviços. § 2º. fica sujeito à cobrança pela exação e à imposição de sanção pecuniária. CF/88) nem isenção heterônoma (art. CF/88. I e II. 156. Min. 2º. oscilam entre 2 e 5% (art. A lista é taxativa. j. divididos em 40 itens. CF/88. A base de cálculo é o valor do serviço prestado (art. 151. rel. IX. LC 116/03): Seja proveniente do exterior ou a prestação tenha lá se iniciado. CTN. 14. CF/88). Ainda que isento ou imune. e 10. Já a LC 116/03 reestruturou diversos conceitos do ISSQN. desde que este não esteja compreendido na competência do Estado (eletricidade. determina que os serviços tributados por via do ICMS são residuais em relação ao ISSQN. não sendo abrangidos os empregados. 155. não havendo ofensa à isonomia tributária (art. 214 STF. Alguns opinam que a situação acabou piorando. LC 116/03). CF/88. de vigilância e segurança patrimoniais. 108. 9º. Com referência ao ISSQN.8. LC 116/88). o art. sendo fixa para os profissionais liberais (vide comentários infra. de coleta e reciclagem de detritos. 156. com o intuito de prever situações que não existiam na época. de terceirização de mão-de-obra ou de organização de eventos.158 esteja englobado pelas não-incidências constitucionais. II. § 3º. parágrafo único. § 2º. III. 2004). III. telefonia). 6º. mas admite interpretação analógica naqueles itens complementados com a expressão “congêneres”.2007. inclusive esgotos. conforme reiterados julgados do STF e do STJ. 2004). os avulsos e os membros de conselhos fiscais e consultivos de sociedades – arts. não se aplicando a disposição do art. a prestação de serviços a título gratuito não enseja a incidência do ISSQN (SABBAG. desde que haja o fato gerador da obrigação. O sujeito passivo é o prestador (empresa ou profissional autônomo) ou tomador do serviço (contratante dos serviços). CF/88)214. É possível que a lei local institua o sistema de responsabilidade tributária por substituição (art. LC 116/03. . As alíquotas. Segundo o STF. e 5º. 1ª T. e § 3º.: avanços tecnológicos. 7º. No caso de subempreitadas. deve ele recolher o ITBI. LC 116/03). não contidos no DL. 150. Seu fato gerador é a efetiva prestação de serviço. DL 406/68). Ex. “b”. existem alguns aspectos polêmicos. Aliás.

é precípuo esclarecer que os advogados e as respectivas sociedades pagam o imposto do art. Assim. alguns municípios abaixaram suas alíquotas relativas ao ISSQN. a serem observadas necessariamente nesta ordem: . tendo o CPC função subsidiária (art. criou três possíveis alternativas. Portanto. “b”. CF/88. adaptandose à LC 116/03. Entretanto. DL 406/68). conquanto viola o princípio da capacidade contributiva.Local da prestação do serviço (art.159 O art. o contribuinte deve recorrer à consignação em pagamento (“depósito” em juízo). 1º. LC 116/03). está em vigor integralmente. conhecida como LEF (Lei de Execução Fiscal). Logo. Em face do rol taxativo. foi recepcionado como LC. é possível afirmar que a LC 116/03 não revogou expressamente todo o DL 406/68. A LC 116/03. 2004). sendo. prestadores de outras regiões abriram sede nesses locais. o DL 406/68 continua em vigência. III. I. Os municípios que não editaram suas normas de adaptação. “a”. Portanto. Ela regulou de forma diversa alguns dispositivos deste e tornou outros incompatíveis com suas disposições. Outra observação importante diz respeito à alteração de disciplina na execução. ressalta-se que o DL 406/68. Execução Fiscal Legislação aplicável – é a Lei 6830/80. Por último. DL 406/68). . . em seu art. 156. convivendo com a parte “viva” do citado DL. 3º. A primeira previa o recolhimento do tributo no domicílio ou no estabelecimento do prestador (art. Neste mister. depois do último diploma. Havendo a obrigação em mais de um lugar. só puderam iniciar a arrecadação com os novos critérios em janeiro de 2005. ab-rogado nos demais. CF/88. I.Domicílio do prestador ou do seu estabelecimento. II a XXII. podem surgir dúvidas acerca do local onde deverá ser recolhida a exação.Domicílio do tomador (art. Qual é o município competente para instituir e cobrar o ISSQN? O DL 406/68 tinha uma regra e uma exceção. segundo já disse o STF. 12. Segundo Carrazza (1991). eles devem editar leis municipais correspondentes. A LC 116/03. chamado de “ISS fixo” (SABBAG. nos casos por ela abarcados. reza que compete à LC dispor sobre conflitos ou critérios gerais da legislação tributária. Entre a vigência do DL 406/68 até a promulgação da CF/88 e. “in fine”. somente em 2004. o ISSQN poderia ser arrecadado segundo a nova legislação. . 146. por conseguinte. A segunda preconizava que o ISSQN de empresa construtora seria devido no município da construção (art. Com referência especificamente a estes. Ademais. LEF). LC 116/03). 3º. “caput”. tal estipulação é inconstitucional. até a LC 116/03. Mas acabou não retratando todos. 12. A base de cálculo para os serviços prestados por tais profissionais – assim como médicos e dentistas – é estabelecida por um valor único periódico. a regra da anterioridade originária (vigência possível só no exercício seguinte) há de ser observada. 3º. do contrário. não havia competência dos municípios para legislar sobre a matéria.

sendo formada unilateralmente. o prazo prescricional para a propositura da demanda executória fica suspenso por 180 dias (art. outrora denominados dívida ativa. insiste a doutrina em afirmar que o rito foi mantido. com as alterações posteriores. Conseguintemente. Curso de Direito Processual Civil. sem participação do devedor. assim como outras processuais. p. 208). decorre do poder de “imperium” do Estado. não necessita. de 17 de março de 1964.Qualquer valor. bastando existência de prévio procedimento administrativo com contraditório. manifestando a potestade administrativa e a presunção de legalidade de seus atos (GRECO FILHO. 211). 101). Por conseguinte. Segundo Chimenti (2002. Essa prerrogativa material. porquanto se trata de procedimento executório especial. LEF). p. p. 2º. O legislador. § 3º. cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º. a execução fiscal tem por objetivo conferir ao Estado um instrumento célere de cobrança de seus créditos. Cf. ao que parece. 208. que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. Em paralelo. 212) ainda lembra que esse é o único título executivo formado unilateralmente pelo credor. p. 2003. São Paulo. para quem a certidão de dívida ativa em si é o título hábil a aparelhar a execução fiscal. 101. p. Rio de Janeiro. na realidade. 20ª ed. Humberto Theodoro Júnior. Uma vez inscrita a dívida. dos Estados. e Vicente Greco Filho. Forense. como será demonstrado no delineamento da execução fiscal. dos Municípios e do Distrito Federal. 269) assevera que os privilégios da Fazenda Pública são inegáveis e irretorquíveis. da concordância ou aceitação do sujeito passivo da obrigação. A certidão de dívida ativa (CDA) goza de certeza e liquidez como presunções relativas. a execução fiscal é o processo idôneo a que a Fazenda Pública satisfaça seus créditos decorrentes de dívida ativa. Definição – execução fiscal encontra delineamento pelo próprio legislador da LEF: Art. § 1º . v. 2º. A LEF é claramente prófazendária.. e Chimenti. tenham eles natureza tributária ou não. 130. op. para sua validade.. 2. p. Câmara (2006.. Saraiva. será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. 16ª ed. CPC). o que constitui o título em tela.320. redigida para favorecer a arrecadação fiscal por parte do Estado. p. preservou incólume a regência da execução fiscal. 2006. 3. 215 . é o ato jurídico de lançamento do crédito (inscrição em dívida ativa) e não o documento que o materializa (respectiva certidão)215. Nesse passo. cit. v. 1997. Segundo Câmara (2006. desde que seja formado previamente um título executivo extrajudicial específico: a certidão de dívida ativa (art. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4. em coro com a melhor doutrina. Direito Processual Civil Brasileiro: Processo de Execução a Procedimentos Especiais. 2003. sem demais considerações. 585. Assis (apud CÂMARA. VII.160 mormente operada pelas Leis 11280/05 e 11382/06.

rel. por meio da ADIn 3026. seguiu os precedentes do STJ. No tocante às exações reais. 730 e 731. 737/340. os conselhos de profissões regulamentadas têm natureza autárquica. 369) faz interessante observação (art. adequando-a ao novo senhor da coisa. massa (falida ou da insolvência civil). ampliada pela jurisprudência. CPC). CPC. as referidas instituições poderiam ajuizar execução fiscal. 2º. concernentes à OAB. Legitimidade – a ativa pertence aos entes federados. Nessa demanda. Por exclusão. 6/9/2007. § 8º. ou a autarquia especialmente criada para tal fim. 578. REsp 840. espólio. falecendo-lhe legitimidade para demandar no modelo da LEF. Competência – de acordo com a redação do art. 1ª T. quando há sucessão processual em decorrência da mudança de propriedade do bem tributado (arts. responsável e sucessor (“causa mortis” ou “inter vivos”. universal ou singular). De outra sorte. por meio de outorga da capacidade tributária ativa. RT 697/131. é lícito à Fazenda promover a substituição da CDA. ficou patente não ser possível pessoa jurídica de Direito Privado exercer poder de polícia. Câmara (2006. fiador. “caput”. 41. § 5º. A posição do autor é. mas sim da execução contra a Fazenda Pública (arts. 721/290. No ponto. os tribunais aceitam que o fisco se volte contra responsáveis pelo pagamento do crédito independentemente de expressa menção no título217. por débitos fiscais. Luiz Fux. Sendo assim. LEF. de certa forma. p. Nesse ponto. LEF): Obrigatoriedade de constar o nome no título – para sucessor singular e responsável. LEF: devedor. Apesar desse raciocínio. Segundo entendimento prevalente na jurisprudência.161 O art. Prescindibilidade em constar no título – para sucessor universal. não havendo de se falar em qualquer ilegalidade nessa prática216. Dessa feita. § 8º. O STF. fiador. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. há precedentes no STJ. e 2º. LEF). 2º. como já está pacificado na jurisprudência. No entanto.. I a VI. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. Min. se um Estado demandar autarquia estadual da mesma unidade federativa. afirmando descaber execução fiscal em face de débitos da contribuição de seus filiados. I.623-BA. competente para processar a execução fiscal será o juízo: 216 217 STJ. os legitimados passivos estão expressamente elencados no art. é feita nova citação ao atual proprietário. o rito a ser seguido não será da LEF. com correlata distribuição de competência do poder de tributar. j. fala em “decisão de primeira instância”. Informativo do STJ n° 330. 4º. empresas governamentais não têm legitimidade para ajuizar execução fiscal. posição essa reforçada pelo Supremo na ADIn 1717. pois foi ratificada sua natureza autárquica. . a qual entende ser prescindível que conste o nome do responsável na CDA. CPC. de que essa não possui dívida ativa. a qual se liga à decisão de embargos de execução fiscal. massa e espólio.

127. II. a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) poderá propor a demanda no juízo estadual (Súmula 40 do extinto TFR)218. muito pelo qual o princípio da “perpetuatio jurisdiciones”. § 2º. I e III. e 15. o domicílio será definido por essa. o domicílio será o da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores de obrigação tributária (art.162 1º) Do foro de domicílio do executado (foro comum). CTN). II. quando desconhecida ou incerta. CTN. o art. será considerada residência habitual das pessoas naturais ou. CTN). No entanto. no aspecto espacial. I a III. Os recursos serão dirigidos ao TRF enquadrante (arts. na ausência da eleição. Alteração de domicílio do executado posterior à propositura da ação fiscal não tem o condão de deslocar a competência do juízo. 127. a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada”. CTN). se não tiver domicílio fixo (foros subsidiários). ainda que o demandado não mais tenha residência ali. desde que não implique em claro embaraço à atividade da autoridade tributária (art. I. constante do lugar de situação dos bens do sujeito passivo ou onde se deu o ato ou fato gerador da obrigação fiscal. “caput”. . parágrafo único. CTN). • Foro de qualquer dos domicílios do demandado. 219 Súmula 58 do STJ: “Proposta a execução fiscal. Quando os tributos forem de competência da União. • Foro da situação dos bens. quando esse apresentar mais de um. 127. Em tese. Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público. Em verdade. o lugar onde se deu origem às obrigações respectivas (art. Quando insuscetíveis de aplicação os parâmetros do art. o qual define o domicílio tributário. se o crédito fiscal dele se originar. CTN. o domicílio será aquele de sua sede ou. CTN). No tocante às pessoas jurídicas de Direito Privado. quanto a outros estabelecimentos. se imposto ou contribuição social (arts. 127. CF/88. incide na execução fiscal (Súmula 58 do STJ)219. Inexistente essa no domicílio estabelecido. 108. § 3º. III. 87. 127. § 4º. a execução fiscal será proposta na Vara Federal. 127. Entretanto. o domicílio será qualquer de suas repartições no território da pessoa política. desde que não seja ela sede da Justiça Federal”. entre os seguintes (foros eletivos concorrentes): • Foro de qualquer dos devedores. 578. a qual detém competência tributária (art. CPC. CPC. I a III. CF/88). § 1º. esculpido no art. quando houver mais de um. • Foro do local onde se deu o fato ou foi praticado o ato que fez originar a dívida. incluindo empresários individuais. 127. 2º) Do foro da residência ou do lugar onde o demandado for encontrado. o contribuinte ou responsável pode elegê-lo (art. o centro de suas atividades (art. 109. Não importa a natureza do tributo. 127. e 109. Nessa hipótese. CTN). 218 Súmula 40 do TFR: “A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o juiz de direito da Comarca do devedor. Lei 5010/66). determina que a Fazenda Pública tem a prerrogativa de escolher o foro. a linha traçada pelo CPC segue a esteira do art.

CPC). 2º da Lei n. 1700) apregoa que não poderá propor a demanda no seu domicílio. não é necessário que a exigibilidade do crédito fiscal esteja perfeitamente plausível. “caput”. 5º. a ação cautelar fiscal pode ser proposta antes da execução fiscal ou no curso desta. 2001. “in fine”. Lei 8397/92 (art. a penhora de bens do patrimônio do executado. LEF. V. . No entanto. se a matéria trazida à baila disser respeito a vício ou a irregularidade atinente ao juízo deprecado. 20. por conseguinte. Dessarte. LEF). Nesse caso. parágrafo único. pelos quais a “vis attractiva” de outros juízos não se opera perante a execução fiscal. 798. a cautelar fiscal sem constituição definitiva do crédito. CPC. solução mais consentânea que aquela adotada pelo art. São as hipóteses em que o devedor. p. Sendo a execução fiscal promovida mediante carta precatória. 78). a defesa típica (embargos do executado) será oferecida no juízo deprecado e remetida para o juízo deprecante. 578. pelo qual aquele só pode decidir sobre penhora. 94. Nesse passo. a Fazenda pode obter a declaração de impenhorabilidade dos bens do devedor. CPC. será ela aí julgada (art. 747. excepcionalmente. se dessa forma fosse. porque se trataria de um exagero em favor do Estado. § 2º. cristalina é a lei em determinar o foro ao menos pelos parâmetros do art. O legislador arremata a questão da competência por intermédio dos arts. a medida requerida tem por fundamentos o perigo na demora e os indícios do direito alegado pelo autor. Carmona (2004. é permitida. nos termos do art. “caput”. “b”. 207). de insolvência civil ou de inventário. Por óbvio. 20. 8. Lei 8397/92).397/92. assim como qualquer outra cautelar (art. 2º. parágrafo único. o juiz recepiendário tem autonomia majorada para resolver as querelas a ele atinentes. p. no limite do crédito tributário” (FÜHRER e FÜHRER. o fisco tem preferência no seu juízo privativo – quer seja na Justiça Federal para União e respectivas autarquias. antes ou depois da ação de execução fiscal. 1º. a Fazenda Pública já poderia propor diretamente a execução fiscal e. por aplicação analógica do art. “in fine”. parágrafo único. Nesse sentido. Lei 8397/92). A medida só pode ser ajuizada após o lançamento (art. O objeto da ação é tornar indisponíveis os bens do contribuinte que apresente situação que pode colocar em risco o recebimento do crédito fiscal (art. 2002. intenta aliená-los. 8397/92). uma vez notificado para pagar ou submetido a arrolamento de bens (Lei 9532/97). p. Com efeito. quer seja nas varas da Fazenda Pública para as demais entidades públicas – e não se submete a concursos de credores. 2º. competente esse para resolver as questões ali suscitadas (art. de liquidação.937/92) (CHIMENTI. e 29.163 Caso o exeqüente não tenha conhecimento sobre o paradeiro espacial do executado. LEF). Ação cautelar fiscal – interessante trazer a definição dada pela doutrina: Instituída pela Lei 8. avaliação ou alienação de bens na execução ordinária. “Pela ação cautelar fiscal (L. CPC. e VII. “caput”. como no juízo falimentar e de recuperação de empresas. pois.

I. afirmando que a desconsideração da personalidade jurídica depende dos requisitos esculpidos no art. I. I e III. competente é a Justiça Estadual. De fato. exatamente o lançamento definitivo do tributo. 2º. de repetição de indébito. A norma não requer má-fé. 109. porquanto há situação de risco para o Estado em não receber seu crédito. Isso não aplica nas ações ordinárias fiscais. como declaratória negativa de débito. Lei 8397/92. o art. 127. No direito. a PGFN deverá ajuizar a cautelar fiscal (e a conseqüente execução fiscal) perante o juiz de direito (arts. Nesse ponto. em sua vara de execução fiscal ou mesmo anexo fiscal. já mencionada). CF/88. dolo ou culpa do acionista controlador. Além da prova do perigo na demora (art. e Súmula 40 do TFR. I a IX. 800. mediante medida cautelar fiscal (art. No aspecto formal. Poderá haver extensão da constrição sobre os bens pessoais de administrador ou de sócio controlador da empresa (atual ou passado). prevalece a regra do domicílio do contribuinte até mesmo sobre outros critérios. devendo ser requerida ao juízo “virtual” da futura execução fiscal. Os requisitos da medida cautelar fiscal estão inscritos no art. do administrador ou de qualquer um que tinha obrigação contratual ou estatutária de cumprir as obrigações tributárias. O STJ não concorda com esse comando. é possível pedir a indisponibilidade de bens da pessoa jurídica e de sócio. quando existentes. §§ 1º e 2º. podendo a medida ser preparatória ou incidental ao feito principal. não podendo ir além disso. De fato. 3º. Lei 8397/92). Note que os dispositivos permitem até mesmo atingir bens . Lei 8397/92. quando houver fundada razão de inadimplência da pessoa jurídica devedora (art. o foro ou a subseção judiciária competente é do domicílio eletivo do devedor (art. o foro da matéria). Supondo que haja tributo federal e inexista vara federal no domicílio do devedor (em princípio. Lei 8397/92). etc. 4º. Lei 8397/92). CPC. 4º. No pedido. 2º. competente será a Justiça Federal (art. Na execução fiscal (e na medida cautelar fiscal). Lei 8397/92). 3º. 4º. justificando seu pedido nos termos do comando legal mencionado. inclusive quanto à competência da Justiça Federal. Sendo tributo federal. “caput”. CF/88). 135. O efeito da concessão pelo juiz é a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite do crédito indicado (art. Em regra. o juízo competente para conhecer a correspondente execução fiscal é o mesmo apto a apreciar o pedido de cautelar fiscal (art. 5º. CTN. e 15. é interessante que o demandante afirme e prove que o sócio controlador ou o administrador pode frustrar o recebimento do crédito fazendário.164 O objeto da restrição é o total da dívida ativada. 109. III. Como se trata de medida cautelar. “caput”. além dos fatos. Lei 5010/66. CTN). I a IX. quando presentes. Lei 8397/92. Lei 8397/92). a petição deve indicar e caracterizar uma das hipóteses do art. “caput”. § 3º. “caput”. exige que haja prova literal e documental do crédito fazendário. Tratando-se de tributo estadual ou municipal. §§ 1º e 2º. o pleiteante deverá demonstrar. o demandante deve solicitar a concessão da respectiva medida cautelar fiscal. II. Prova-se a exigência pela constituição do crédito tributário. mais especificamente a vara de execução fiscal ou da Fazenda Pública. a regra de competência segue o comando do art.

I a IV. 135. 6º. I a IV. excepcionalmente. Na contestação ou a qualquer tempo. a medida não é efetivada de plano. os fatos alegados pela Fazenda são considerados verdadeiros. a medida cautelar fiscal pode ser requerida entre a “constituição do crédito” (lançamento) e a execução fiscal ou após essa última. Quando o devedor não cumpre o despacho judicial inicial. 2º. Exemplo desse entendimento está na autorização judicial de penhora de subsídios governamentais a serem repassados ao executado220. parágrafo único. dentro do decurso legal de cinco dias (art. O art. o STJ relativiza a exigência de que a indisponibilidade de bens recaia sobre patrimônio ativo permanente do executado. I a IX. a constrição pode abater-se sobre bens do ativo não-permanente da empresa. o qual previu que o juiz deverá decretar “ex officio” a indisponibilidade de bens do devedor citado (sem perder de vista que o despacho que determina a citação suspende o curso prescricional – art. tem-se a decisão. aplicando-o restritivamente. proferindo o juiz decisão de mérito no lapso impróprio de 10 dias (art. 18/9/2007. através do convênio BACEN-Jud. “caput”. CTN. Ainda no tocante ao art.165 daqueles que já foram sócios. . requerimento para citação. observada a ordem de preferência do dispositivo (art. “caput”. “caput”. com o objetivo de colher provas sobre o processo (art. Lei 8397/92. Lei 8397/92). Lei 8397/92). “caput”. 10. Entretanto. 185-A. o devedor pode requerer a substituição da medida cautelar por uma das garantias previstas no art.. o rigor da medida. 185-A. Lei 8397/92. 8º. a LC 118/05 trouxe o art. diante da não localização 220 STJ. a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser em benefício do credor justificam. CTN). Lei 8397/92. O STJ interpreta o dispositivo à luz do art. Essa atuação é feita por meio eletrônico. CTN. I. De outra parte. traz os requisitos formais da exordial: endereçamento. fazendo com que a medida cautelar fiscal fosse praticamente ineficaz. Lei 8397/920). caso o requerido trave conhecimento com a demanda. “caput”. porquanto a legitimidade do crédito tributário. LEF). provas a serem produzidas. 1ª T. 9º. Sendo infrutífera a diligência. Dificilmente a Fazenda conseguia fazer prova das hipóteses do art. fica autorizado o magistrado a perpetrar a indisponibilidade do patrimônio do executado. Se o devedor contesta. Min. REsp 841. o devedor será citado (art. CTN. 7º. Concedida ou não a medida “inaldita altera pars”.173-PB. Para tal. deve estar presente o requisito do receio de frustração da eficácia da medida. Depois da produção probatória. porquanto o diploma em tela a possibilita (art. LEF. 4º. É também plausível o pedido de liminar. § 1º. qualificação e endereço do requerido. quando o devedor não indica bens suficientes e aptos a garantir a execução. 8º. “caput”. o meirinho se dirige ao domicílio dele para tentar penhorar bens. Nesse âmbito. Lei 8397/92). De acordo com a interpretação da corte. 9º. nos termos do art. quando esse não pagar nem oferecer bens a penhora em execução fiscal. Luiz Fux. não havendo contestação. “caput”. o juiz vai designar audiência de instrução e julgamento. rel. Para suprir a deficiência. III. 9º. Informativo do STJ n° 332. parágrafo único. j. 174. Lei 8397/92).

64. a não citação do devedor não permite o decreto de indisponibilidade patrimonial e. 64. cumpre à Fazenda Pública antecipar o numerário destinado ao custeio das despesas com o transporte dos oficiais de justiça”. o art. desde que haja prévia manifestação da Fazenda Pública (art. §§ 8º e 9º. Por óbvio. 64. comuns a qualquer exordial.166 e conseqüente não citação do devedor. I. Depois do decurso de um ano. não arquivamento ou não ocorrência da prescrição intercorrente. 14.00 (art. sua não suspensão. Entretanto. cujo recebimento marca o termo inicial para a restrição administrativa em comento (art. garantindo o prosseguimento da execução fazendária. § 4º. 40. § 4º. Não sendo frutíferas novas tentativas. futuramente. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal supra delineada (art. § 2º. Lei 9532/97). LEF). O não cumprimento dessa formalidade importa em invalidade na decretação da prescrição intercorrente.000. Fora essas hipóteses. 64. 64. Nesse caso. servir de base para a indicação de bens à penhora pelo exeqüente. com piso de R$ 500. “caput”. Arrolamento fiscal – nos termos do art. LEF). Procedimento – o rito especial segue as seguintes fases: Petição inicial – deve conter endereçamento. a Súmula 190 do STJ221 determina que devem ser pagas as despesas do oficial de justiça. 40. processada perante a Justiça Estadual. tal 221 Súmula 190 do STJ: “Na execução fiscal. Lei 9532/97). LEF). § 4º. 40. LEF. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. já mencionada). § 7º. Entretanto. diz que o feito e a prescrição ficam suspensos por um ano (art. § 3º. independentemente de manifestação do juízo ou da secretaria. A peça vestibular da execução fiscal é um pedido de meios executórios ao Estado-juiz. Essa restrição poderá. Lei 9532/97). É nesse sentido que se presta a medida cautelar fiscal. Lei 9532/97. não se exige o requerimento genérico de prova. 64. A suspensão e a declaração de ocorrência da morte da pretensão do fisco pelo decurso do tempo são declaradas de ofício pelo magistrado. I a III. “caput”. A reboque do registro da penhora na execução fiscal (art. LEF. 6º. não sendo encontrados bens para o arresto. não é necessário trazer à baila fatos e seus sucedâneos. pedido e requerimento de citação do executado (art. 40. O ato de arrolamento é perfeito mediante notificação ao devedor. . o arrolamento será averbado em todas as repartições onde haja banco de dados continente dos bens do devedor (art. porque a indisponibilidade será decretada de ofício pelo julgador. bem como deverá ser cancelada se garantido o juízo da execução fiscal de outra forma (art. Lei 9532/97). a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. não é adequada a cautelar. começa a correr o prazo do lustro para prescrição intercorrente (art. 64. o arrolado não poderá alienar. § 5º. justamente para evitar a aplicação integral do comando mencionado. prescindindo de requerimento para produção de provas e não se sujeitando a custas e emolumentos. Com efeito. LEF). porque estão presumidos na CDA. Lei 9532/97). não é composta tão-só por esses elementos. o juiz manda arquivar o processo. devendo revestir-se de formalidades mínimas. Com efeito. e Súmula 314 do STJ. Lei 9532/97). I a III. § 3º. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total.

. O legislador considera perfeita a citação se a carta for entregue ao próprio executado no endereço indicado222 ou 10 dias depois de retornado o aviso de recebimento na agência postal. sendo lícita sua emissão inclusive por meio eletrônico (art. LEF (GRECO FILHO. “caput”. 6º. I a IV. 7º. 8º. . 2003. e 6º. “caput”. contendo: nome do devedor e dos coresponsáveis. 2003. correção monetária e forma de cálculo – se incidente. o Determinação da penhora. LEF). LEF) ou não seja garantido o juízo (pelo depósito). 653. O mandado será remetido ao executado por via postal. com o devido aviso de recebimento (AR). 2º. O legislador permite que a exordial e a CDA consubstanciem documento único. salvo se o exeqüente requerer de outra forma. 8º. op. Despacho inicial – o art. preceitua o que o juiz deve dizer na recepção da exordial: o Recebimento da peça. “caput”. domicílio e residência deles – se possível. aos honorários advocatícios (GRECO FILHO. segundo entende a jurisprudência. seus requisitos formais e temporais 222 Cf. CPC). o qual não admite essa colocação feita pelo legislador. LEF). a citação deverá ser feita por oficial de justiça ou por edital (art.167 qual se depreende do confronto entre os arts. fundamento e natureza da dívida. cit. Greco Filho (2003. p. LEF). Theodoro Júnior. Ademais. o Efetivação de arresto (pré-executivo – art. Se escolhida a forma editalícia. origem. 282. devendo ser expedido correspondente mandado. III. p. data e número de inscrição da dívida ativa. valor inicial da dívida. § 2º. 26. o Avaliação dos bens constritos. “d”. II. caso não haja indicação da data do recebimento (art. p. fazendo jus o executado. número do processo administrativo ou do auto de infração. CPC. e §§ 1º e 2º. O cancelamento da inscrição da dívida ativa implica em extinção da execução sem ônus para as partes (art. LEF). pois o legislador não exigiu que a carta com mandado seja recebida pelo executado. § 5º. sob pena de penhora imediata (art. LEF. § 3º. deverá ser instruída com a certidão de dívida ativa. 8º. CPC. sem embargo das custas e demais despesas. 102). VI. por ser esse norma geral e não especial. 102) faz uma crítica à ficção da citação por correspondência. CPC). se neles expresso o valor da dívida (art. o Citação do executado. 8º. I a V. Não sendo encontrado o demandado pelos Correios até 15 dias depois. o Registro da penhora. 222. termo inicial e forma de calcular juros e demais encargos. se estiver em termos. 102). Citação – a lei assina prazo de cinco dias para o pagamento judicial. não prevalecendo o estatuído no art. 8º. caso não seja paga a dívida no decurso estabelecido (cinco dias – art. LEF). se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar. I a VI. nos termos do art. LEF.

a execução ficará suspensa. 40. fundando-se no art. como diploma protetivo do credor fiscal. A prescrição intercorrente aqui mencionada encontra fulcro em uma hermenêutica sistemática. LEF) estão delineados no art. 2006. Sobre o tema. sendo certo que o legislador utilizou a expressão “a qualquer tempo” para a efetivação desse ato. A tese pró-contribuinte. . 223 STJ. “caput”. sob pena de tornar a obrigação fiscal imprescritível. é a posição defendida por Câmara (2006. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). REsp 914879/SP. 372) apregoa que. segundo Theodoro Júnior (apud CÂMARA.168 (publicação por 30 ou 60 dias. 8º. Não há retroação – porque a LEF é diploma especial. 219. se não houver órgão da procuradoria na comarca. LEF). p. LEF). recorrendo-se ao direito processual comum e aos princípios gerais de direito para resolver a querela (GRECO FILHO. § 1º. LEF). e EmbDiv no REsp 743867/MG. “caput”. Citação e prescrição – a citação tem o condão de interromper a prescrição a partir do despacho do juiz que o determina (arts. Em sentido contrário. parágrafo único. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. CPC. 2006. formaram-se duas correntes: O termo inicial da interrupção retroage à data da propositura da ação – nos exatos termos do art. volta a correr o decurso prescricional de cinco anos da Fazenda Pública (art. CTN. passou a considerar que. muito pelo qual a LEF. A melhor doutrina. encontrar-se no exterior – art. 40. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. § 1º. 371). no segundo caso. p. haveria autêntica mácula à isonomia. “caput”. se a prescrição foi interrompida. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. 25. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. 371). p. Não havendo bens a serem penhorados. § 2º. 2006. e 174. IV. 40. LEF. Caso a situação permaneça assim por mais de um ano. CTN). O desarquivamento só será possível se surgirem novos bens passíveis de constrição. a partir do arquivamento do feito. p. representada por Theodoro Júnior (apud CÂMARA. I. 2003. § 3º. se o executado. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. § 2º. p. os autos serão arquivados (art. CTN). porque nenhum outro credor goza de imprescritibilidade de seu crédito. parágrafo único. A intimação da Fazenda Pública é pessoal em favor do procurador (art. p. 371) e por Silva Pacheco (apud CÂMARA. assim como o decurso prescricional (art. 103). 8º. LEF. No entanto. 8º. LEF). 174. a intimação da Fazenda poderá ser feita por correspondência com AR223. 372) e por Câmara (2006. 174.

pelo simples decurso do tempo. como já disse o STJ. 2006). é aplicada imediatamente. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. deverá ser veiculado o 224 Enunciado 295 do CJF: “Art. desde que ouvido previamente a Fazenda Pública (art. Indisponibilidade de bens – feita a citação e não encontrados bens à penhora. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. A revogação do art. . mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. mesmo porque há interesse público em jogo. CPC) – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado (art. sob pena de nulidade absoluta do ato. “in fine”. Em razão da Lei 11280/06. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ. § 4º. CPC). 194 do Código Civil pela Lei n. Entretanto. 1º. porque é possível sua renúncia por razões outras. aplica-se a segunda. Isso não significa que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. Apesar de parte da doutrina entender que a prescrição. porque prescrição é matéria de defesa disponível. 191 do texto codificado”. tornou-se matéria de ordem pública. 219. Nesse caso. Isso não significa que a prescrição não intercorrente (art. oficiando todos os órgãos de registro de patrimônio sobre a medida. CPC). a disponibilidade do direito correspondente é flagrante para o entendimento majoritário (CÂMARA. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. CTN). como é possível aduzir do Enunciado 295 do Conselho da Justiça Federa (CJF)224.169 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. os quais deverão responder ao comando com relação completa dos bens indisponíveis (art. LEF). porque versará sobre a modalidade ordinária da perda da pretensão. já mencionada). § 5º. 11. § 5º. a partir da Lei 11280/06. pelo princípio da especialidade. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. o magistrado decreta a indisponibilidade patrimonial “futura” do executado. IV. a Lei 11051/04. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. 185-A. O reconhecimento “ex officio” da prescrição. Para solver o entrave. Sendo assim.280/2006. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. não sobre a intercorrente. 219. atingindo os feitos em curso. “caput” e § 2º. 191. não configurando direito subjetivo do contribuinte. Havendo conflito entre CPC e LEF. 269. além de positivar a prescrição intercorrente. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. 40. como norma processual. o que o agiliza e o torna mais eficaz. sem prévia oitiva do fisco. LEF). não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. Observa-se que o ato pode ser efetivado inclusive por meio eletrônico (“penhora on-line”). sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandado-contribuinte. Nesse caso.

podendo ser feito de várias formas (art. 2. CTN). 655. Uma vez que o executado ofereça bens à penhora e haja recusa por parte da Fazenda exeqüente. Opções do executado – recebido o mandado de citação. tendo o decreto limite exatamente nele. pois o saldo resultante da hasta pública será restituído ao executado. Caso seja ultrapassado o teto.. I a XI. Obs. 11. 8º. Obs. LEF): 1. não há de se argúi-la. e 1647. muito pelo qual o art. § 1º. “caput”. 151. como bem vem entendendo a jurisprudência. preferiu. Não tendo tais finalidades. I a IV. no diapasão da Lei 6830/80. 9º. depois da hasta pública. trouxe tal previsão na execução ordinária. sob pena de macular a inafastabilidade do Judiciário (art. o cônjuge do executado ou do terceiro proprietário deverá anuir ao ato (arts. LEF. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. encargos e custas judiciais (art. não há óbice à sua efetivação. No ponto. Fiança bancária. 2: o legislador do CPC. o julgador deve determinar o levantamento do excedente (art. não há dever processual em fazê-lo novamente. 1: caso seja oferecido bem imóvel.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. XXXV. § 3º. op. desde que incidente correção monetária225. Em contrário senso. § 1º. Indicação de bens de terceiros à penhora. A doutrina ainda não se posicionou sobre o tema. LEF). o Garantir o juízo – a fim de propiciar a discussão da dívida por meio de embargos do executado. CPC. Em princípio. móveis a imóveis. CC). somando-se o principal. o saldo será revertido ao devedor. LEF. . não há de se requisitar o depósito em comento. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. é “conditio sine qua non” para a propositura de ação anulatória de débito fiscal. desde que previamente aceitos pela Fazenda Pública. multa de mora. o executado tem algumas alternativas durante o interregno dos cinco dias subseqüentes (art.170 valor da dívida. pelo fato do instituto harmonizar-se com a regência e com o espírito da LEF. “caput”. II. LEF): o Pagar a dívida – nesse caso. a inação do executado não impede a 225 O depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 3. dada pela Lei 11382/06. I. o que ainda não é pacífico. de uma forma geral. deverá adimplir totalmente o débito. Nomeação de bens próprios à penhora. correção. desde que essa tenha por objetivo impedir ou suspender execução fiscal. 655-A. 4. CTN). Ex. 9º. apesar do STJ ter apontado nesse sentido. Depósito em dinheiro em estabelecimento oficial de crédito. CF/88). 8º. 185-A. Vê-se que o excesso de indisponibilidade só pode ser invocado se a constrição recair sobre bem divisível. I a VIII. na nova redação do art. cit. Segundo Greco Filho. juros. de acordo com a ordem sugestiva do art. porque. 5º.

REsp 787. para a ordinária. CTN). como indisponibilidade de bens. consoante comentário supra já feito. CPC. LEF. pelo juiz. A certeza e a liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno 226 STJ. essa é mais profunda. valendo a avaliação do oficial de justiça como parâmetro preliminar (art.. visto que transferência de bens do executado e depósito de dinheiro exigem a garantia. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo).339-SP. nos termos do art. 601. “caput”. quebra de sigilo bancário e fiscal e penhora de patrimônio. 2º. caracterizam fraude à execução. CPC. e 680. a execução prossegue nos moldes provisórios. será solicitado. § 1º. dar-se-á a penhora ou o arresto. apesar de o agüazil encontrar bens suscetíveis de constrição judicial. I a IV. dentro do processo civil. j. “caput”. 185. 652. LEF). A rigor. ao final. Essa lição foi bem entendida pelo legislador de 2006. Com esse entendimento. laudo de avaliador judicial. não sendo possível a avaliação pelo meirinho devido a aspectos técnicos complexos. CPC. 13. 2ª T. Se os embargos forem recebidos com efeito suspensivo e. CPC. Eliana Calmon. Min. 19/6/2007. “caput”. apesar de ficar sujeito a outras medidas constritivas. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. como bem indica Chimenti (2002. p. caso a apelação seja recebida no efeito devolutivo. Fraude à execução fiscal (art. o Oferecer exceção de pré-executividade ou objeção de nãoexecutividade – ver comentários abaixo. como a Fazenda não pode oferecer caução pela impenhorabilidade de seus bens. CPC). aguardando o trânsito em julgado. o Permanecer inerte – nessa hipótese. 208).171 qualificação de sua conduta. Em ambos os regimes. A primeira será efetivada de sorte a abranger tantos bens quanto sejam necessários para cobrir o total da dívida e todos seus consectários financeiros e judiciais (art. porque o regime do procedimento é o mesmo na execução civil ordinária. No âmbito tributário. LEF). LEF). os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. qualquer das partes pode impugnar o valor da avaliação até o edital da hasta pública (art. conquanto já atuará por ordem do juiz na primeira oportunidade. não há de se lhe aplicar as sanções contidas no art. 13. inspirando a nova redação do art. O prazo legal para tal é de 15 dias para execução fiscal e de 10. 185. Conseguintemente. 4º. provisório ou definitivo são os títulos. Informativo do STJ n° 324. 600. CTN) – depois da citação válida. . 587. § 3º. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. a jurisprudência do STJ firmou posição226. Execução provisória e definitiva – o art. sobre o qual decidirá o julgador (arts. dependendo da situação encontrada. terá vez quando o executado não tiver domicílio ou se furtar à citação. fala em execução provisória ou definitiva. Nesse passo. julgados rejeitados. 13. a execução fiscal ficará obstada. rel. O arresto. Nesse contexto. 1º.

3. 12. sociedade comercial e Junta Comercial. Registro – lavrado o termo ou auto de penhora229. de fiança bancária ou de indicação de outros bens. o direito de preferência na penhora se defere àquele que primeiro obteve a penhora ou o arresto executivo. bem como a permitir a averbação da constrição nos órgãos responsáveis pelo registro do bem. 655. “caput”. um novo instituto: fraude à administração fiscal. 2. § 2º. de forma a tornar o ato eficaz “erga omnes”. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. .172 administrativo. erige uma presunção absoluta de fraude à execução. como título executivo extrajudicial. Nesse caso. 12. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. o executado deverá ser intimado. Todo esse trâmite demanda muito tempo. Auto de penhora é lavrado pelo meirinho. procedimento e ato dotados de presunção de legalidade e de legitimidade. CPC. na Bolsa de Valores. qualquer um que não seja o próprio executado ou seu representante legal (art. CPC. 185. CTN. 4. se estabelecimento comercial. 227 228 Cf. no CRI. Ambos documentos são idôneos. se imóvel. LEF. “caput”. É perfeitamente possível a penhora de faturamento de empresa em execução fiscal. I a III. Câmara (2006) afirma que surgiu. A intimação só será pessoal caso a citação feita por aviso de recebimento contenha assinatura de terceiro. mediante publicação em diário oficial. determina que seja averbada a penhora dos seguintes bens: 1. o art. quer seja por meio de depósito integral do valor. quando esse executa o ato em si ou quando converte o arresto nele. 14. instruirá a inicial da execução fiscal. LEF). Em hipótese de concurso de credores fazendários.. LEF). a teor do que vinha apontando a jurisprudência do STJ e do art. 12. no DETRAN. ou seja. dispensa-se a publicação exigida pelo art. De fato. LEF (Súmula 190 do extinto TRF)228. na Junta Comercial. 1º. “caput”. na execução fiscal (art. a abrir prazo para o oferecimento de embargos por parte do executado. Súmula 190 do extinto TRF: “A intimação pessoal da penhora ao executado torna dispensável a publicação de que trata o art. 12 da Lei das Execuções Fiscais”. Câmara. a partir intimação de sua juntada aos autos. o oficial de justiça deverá fornecer cópia a repartições e órgãos encarregados do registro do bem constrito. § 3º. Penhora – uma vez efetivada. 229 Termo de penhora é lavrado quando o próprio executado ofereça a garantia da execução. cit. op. Tratase de presunção relativa227. para quem ao art. A certidão de dívida ativa. o próprio exeqüente pode averbar a demanda (não a penhora). o cônjuge também deverá ser informado (art. à execução (ordinária) e de bem judicialmente constrito. LEF). 12. VII. da juntada aos autos do processo executivo do auto ou termo de penhora (art. à guisa das fraudes contra credores. No caso da execução ordinária. erigindo uma presunção absoluta de conhecimento por terceiros. se veículo. LEF). 612. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. Depois de ajuizada a demanda. Dessa feita. Havendo constrição sobre bem imóvel. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. aplicando-se o art. se valores mobiliários.

CPC. bem como é inaplicável reconvenção (art. na execução ordinária. 11. LEF. 739-A. a Fazenda Pública exeqüente não pode recusar título da dívida pública líquido. porquanto o interregno e o termo inicial são diferentes naquele: 15 dias contados da juntada aos autos do mandado de citação (art. há dois tipos admitidos jurisprudencialmente pelo sistema do CPC e da própria LEF: 230 STJ. 11. LEF). ou pela própria penhora “ex officio”. Min. I a IV. rel. CPC). . “caput”. Se o executado não aceitar a avaliação feita pelo meirinho. CPC). “caput”. O juiz deverá balancear o interesse do credor fiscal com a satisfação do débito e o princípio do menor gravame ao executado. a jurisprudência tem entendido que. DJU 18/4/2005.500-RS. Não havendo essa última. Essa disposição é plenamente aplicável à execução fiscal. perigo de lesão de difícil reparação e a própria garantia do juízo (art. Nesse passo. LEF). Recebidos os embargos. o juiz deverá proferir sentença no prazo impróprio de 30 dias (art. LEF). 736. 738. “caput”. erige-se presunção absoluta de fraude à execução. § 3º. e 739-A. No demais. não se admite compensação. DJU 29/11/1999. da juntada da prova da fiança bancária ou da intimação da penhora judicial (art. e REsp 611. § 2º. A ordem de preferência do art.173 o art. Como defesas atípicas231.712-SP. seguindo-se audiência de instrução e julgamento. 373) aponta diferença entre os embargos na execução de título extrajudicial e aqueles oferecidos em sede de execução fiscal. o oferecimento de embargos. 17.970-SP. certo e exigível (art. a Fazenda Pública é intimada para se manifestar em trinta dias. LEF). REsp 729. sua recusa é entendida como requerimento de perícia. relevância na fundamentação. 16. não se confundindo com a presunção relativa de fraude na expedição de CDA. § 1º. o procurador público manifesta-se pelo teor da garantia do juízo (art. se houver prova oral a ser produzida (art. salvo se houver expresso requerimento do embargante. j. traz a possibilidade de averbação da execução em órgãos de registro de bens do executado. 18. parágrafo único. 17 e parágrafo único. LEF). não obsta o prosseguimento do feito nem requer garantia do juízo (arts.. LEF. as alegações do embargante não são restritas a um rol taxativo de defesa (art. p. Câmara (2006. II. o executado poderá oferecer embargos no prazo de trinta dias. Eliana Calmon. LEF). deverá arcar com os custos da produção probatória. Como matéria de defesa. 2ª T. 9º. REsp 130. consoante entendimento do STJ230. 615-A. I a VIII. uma vez garantido o juízo por alguns dos meios do art. Marinoni e Arenhart (2007) e Luiz Wambier defendem que esse fenômeno também se dá na execução fiscal. posição não pacificada na doutrina. No caso. há de ser observada dentro do possível. 16. Defesa – como defesa típica. uma vez seguida a gradação legal. “caput”. É medida plausível para preservar a eficácia de futura expropriação. Ademais. Resolvidas as questões. CPC). 16. Informativo do STJ n° 325. A partir do registro. contados do depósito. 26/6/2007. LEF). I a III.

: tanto a objeção quanto a exceção não ensejam a suspensão do processo. cabe agravo de instrumento. com antecedência de dez a trinta dias. 209.. É a linha seguida por Alcides de Mendonça Lima. cit. Obs. provando a relevância da alegação e demonstrando o perigo de lesão grave irreparável ou de difícil reparação. Da exceção de préexecutividade. pode ser atacada por agravo. • Exceção de pré-executividade – engloba matérias que deveriam ser ventiladas em defesa típica (embargos do executado ou infringentes). o que configura exceção à irrecorribilidade das interlocutórias na execução. LEF). Rejeitar a exceção – como decisão interlocutória.. 466. Rio de Janeiro. A Súmula 121 231 Chimenti. podendo ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. Hasta pública – não sendo oferecidos embargos. segundo citação de Câmara. Como interlocutória. A mera invocação pela parte obriga o juiz a decidir. O acolhimento depende de prova pré-constituída e de não impugnação por parte do exeqüente. não podendo rejeitá-la “in limine”. Desafia apelação ou embargos infringentes (causas de alçada). Negar-se a decidir – o juiz alega que não pode decidir sem instrução probatória. “caput” e 1º. p. o representante da Fazenda Pública deverá ser pessoalmente intimado (art. O leilão ou praça será precedido de publicação de edital em diário oficial gratuitamente e por uma única vez. op. LEF). 275-290. A perda do prazo dos embargos também pode sugerir o oferecimento da peça. 23. remetendo decisão para os embargos. p. Havendo rejeição. Durante esse interregno. o efeito poderá ser deferido se o excipiente solicitálo expressamente. Caso haja acolhimento. LEF). O juiz não as pode conhecer de ofício. Ambas também não comportam dilação probatória. leciona que parte da doutrina refuta a admissão de exceção de pré-executividade e de objeção de não-executividade. o juiz poderá adotar três diferentes decisões: Acolher a exceção – o processo é extinto com resolução de mérito. cit. “caput”. porque o executado fará uso das defesas típicas a partir de então. § 2º. 22. em seu Ação Executiva – Necessidade da Penhora para Discutir a Exigibilidade dos Títulos. pode ser atacável por agravo de instrumento. por se tratar de decisão interlocutória. e de fixação no átrio do fórum por igual decurso (art.174 • Objeção de não-executividade – como trata de matérias de ordem pública. como entende a jurisprudência. podendo ser contestado por apelação ou por embargos infringentes (causas de alçada). op. Contudo. segue-se hasta pública para venda dos bens penhorados (art. sendo esses inadmitidos “in limine” ou rejeitados no mérito. não há preclusão. p. há extinção do processo sem resolução do mérito. 1992. Forense. in: Processo de Conhecimento e Processo de Execução. 22. Há um prazo preclusivo representado pela penhora. devendo o excipiente demonstrar seu direito mediante prova pré-constituída. .

Sendo insuficiente o numerário obtido com a venda judicial. porque o legislador exigiu a expropriação por leilão público (art. não é necessário observar o piso da avaliação. não haveria qualquer problema em aplicar o direito esculpido no art. estabelece que a norma geral há de definir. tem preferência sobre a arrematação. CPC. na segunda hasta (Súmula 128 do STJ)233. o regime de parcelamento. “caput”. 161. ao estabelecer as condições do ato (art. se no primeiro não houver lanço superior à avaliação”. dentre outros. “caput”. A melhor doutrina entende que a alienação por iniciativa particular (art. CPC). O art. sem outra oportunidade de embargos ao executado. promovida pela Fazenda Pública. 689-A. LEF). 37. No caso de empresa governamental. não há qualquer entrave à aplicação na execução fiscal. tenham sido rejeitados “in limine” ou desacolhidos no mérito. CPC). 745-A. I e II. 2. 647. 746. “b”. o qual se reporta a eventual lei especial em termos de parcelamento. LEF): 1. 691 e 692. desde que não haja preço vil (arts. Antes da hasta – pelo preço da avaliação. é permitida nova penhora. Nesse caso. o demandado deve depositar. em princípio. cabem embargos à arrematação (art. uma vez que reconheça o débito e renuncie ao direito de embargar. sendo que. CPC. 155-A. Depois da hasta – pelo valor da avaliação (caso não haja licitante depois da 2ª hasta) ou pelo valor oferecido pelo maior lançador (em 232 232 175 Súmula 121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado. permite a realização de hasta pública eletrônica. Adjudicação – em favor da Fazenda Pública. CF/88. Como o legislador complementar (do próprio CTN) deferiu a competência para o legislador ordinário. por lanços. 685-C. “caput”. permite faculdade de parcelamento ao executado. “caput”. desde que a taxa de juros seja aquela atinente à lei tributária aplicável (art. incidem juros de 10% e a execução prossegue. Atrasando qualquer mensalidade. no decurso dos embargos. porque a impessoalidade e a isonomia ficam garantidas pelo juiz. “caput”. CPC. CTN. do dia e hora da realização do leilão”. 374). p. § 1º. não há impedimento para alienação por iniciativa particular. II. “caput”. § 1º. Não há infringência ao princípio da licitação (art. à execução fiscal tributária. pessoalmente. A arrematação deverá ser feita nos moldes do CPC (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. ocorrendo nas seguintes hipóteses (art. o que se aplica sem maiores problemas à execução fiscal. recorre-se ao art. “caput”. hora e local do ato. II. XXIV. . Para pagar. não é possível. 233 Súmula 128 do STJ: “Na execução fiscal haverá segundo leilão. caso os embargos não tenham sido oferecidos. Parcelamento – o art.do STJ determina que o executado também deve ser pessoalmente intimado do dia. Havendo débito tributário. 30% do montante total (incluindo custas e verbas sucumbenciais). CF/88). pagando-se o restante em seis parcelas mensais. CTN). 24. CPC). 23. incidindo juros de 1% ao mês. CPC). 745-A. 2006. Tratando-se de dívida nãotributária. 146. O art.

176 igualdade de condições). São Paulo. “a”. 475. 225. Carlos Henrique Abrão et al. devendo ser oferecido em até 30 dias da arrematação. Os embargos infringentes devem ser opostos em dez dias a partir da intimação da sentença dos embargos do executado. o sistema de execução fiscal acolhe a apelação dos embargos e os embargos infringentes nas causas de alçada. 235 Na concepção de Barbosa Moreira e da doutrina prevalente. CPC). 375)236. 188. por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. atualmente. Nessas hipóteses de menor monta. 93) nega a natureza de preceito constitucional ao duplo grau de jurisdição. “caput” e § 2º. diferentemente do que ocorre na Justiça Laboral. perfilhada por Chimenti (2002. 375). muito pelo qual os embargos procedentes se sujeitam ao reexame necessário (art. o duplo grau de jurisdição corresponde à reapreciação de uma decisão judicial por órgão hierarquicamente superior. Em contrário à posição explanada. bem como os recursos extraordinários à disposição do sucumbente. 209).. “a”. II. devendo o “ex adverso” ser ouvido no mesmo lapso e. em seguida. 103. não é apelação. p. Lei de Execução Fiscal Comentada e Anotada. muito pelo qual a decisão não é prolatada por tribunal. O interregno recursal para a Fazenda Pública será de 20 dias. 237 Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida. Recursos – além do sucedâneo recursal dos embargos (que também admitem a modalidade deferida a terceiros e os de declaração – art. p. já configura o duplo grau. 102. “in fine”. a adjudicação só será deferida se o exeqüente depositar previamente a diferença em 30 dias da decisão judicial (art. 211). CF/88 (CHIMENTI. III. que pode ser flexibilizado pelo legislador infraconstitucional. afirmando-o como simples disposição do legislador ordinário e complementar. lembra que. p. conquanto se trate da Fazenda Pública (art. CF/88). p. Observa-se que o prazo recursal para o exeqüente é contado em dobro. “caput”. III. conquanto se aplica o art. 34. 2006. 34. cit. independentemente do grau hierárquico na estrutura do Judiciário. o recurso contra decisão de primeira instância. Agravo e duplo grau de jurisdição – não tem sido admitido agravo das interlocutórias ao longo da execução fiscal. já se pronunciou o STJ quanto às decisões de turmas recursais dos JEC’s (Súmula 203 do STJ)237. op. CLT). 2002. ausentam-se o efeito devolutivo e o duplo grau de jurisdição235. Como bem indica Câmara (2006.43 UFIR’s)234.00. 105. o julgador profere decisão no decurso impróprio de 20 dias (art. LEF). a decisão do referido recurso pode desafiar RE para o Excelso Pretório (art. nos limites de sua competência. o valor gira em torno de R$ 553. Ademais. LEF). vem Greco Filho. 2002. p. 34. CPC (CHIMENTI. LEF). 897. p.. 24. Trata-se de princípio constitucional implícito. p. RT. de acordo com a exigência do art. quando for o caso. §§ 2º e 3º. mas embargos infringentes ao próprio magistrado “a quo” (art. É solução que favorece a celeridade. Câmara (2006. p. parágrafo único. por meio do seu agravo de petição (art. Recurso de alçada – se o valor da causa não exceder 50 OTN’s (283.: se o crédito fazendário for inferior ao preço da avaliação ou do maior lanço. 188. LEF). 210). mas não REsp (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. Nelson Nery Júnior considera que o mero reexame por outro órgão. “a” a “d”. CPC). no juízo cognitivo (embargos do executado). Nessa linha. 234 . 236 No mesmo sentido. Obs. 1997.

475. não cabe sua incidência nas causas de alçada. não deve haver o reexame necessário. 238 No mesmo sentido.. a Fazenda Pública faria jus à reapreciação por tribunal “ad quem”238. Chimenti. cit. CPC. Quanto ao duplo grau no sentido estrito. 209. p. II. De fato. haveria bizarra infringência à isonomia: enquanto o executado vencedor nos embargos infringentes teria o reexame perfeito pelo magistrado “a quo”.177 Exceção deve ser feita no caso de não acolhimento de exceção de préexecutividade ou de objeção de não-executividade. 375). defende que. nas causas de alçada. como lembra Câmara (2006. na execução fiscal. p. se aplicado literalmente o art. . op.

da coisa pública. foi necessário o desenvolvimento pelo Estado da atividade financeira. . buscando dinheiro para atender às necessidades públicas.178 DIREITO FINANCEIRO Introdução – durante o caminhar da evolução estatal. Consta que. refere-se ao fim de uma operação que se desenvolve pelo pagamento. permitiu-se que o cidadão listasse as necessidades básicas da sociedade. a perspectiva financeira sempre caminhou ao lado. cobrando tributos e tarifas ou confiscando bens [receitas derivadas]. a atividade financeira extrapola a seara jurídica. os recursos utilizados eram do próprio ente estatal [receitas originárias]. 24). entretanto. como lembram Oliveira e Horvath (2003. No século XIII. econômica. No dizer da teoria geral do direito. Estados e DF (art. 23). Envolve fenômenos de ordem social. O direito financeiro trata justamente do regramento jurídico da atividade financeira do Estado (FÜHRER e FÜHRER. mas com o aumento das necessidades foi necessário avançar no patrimônio particular. 1996). No ponto. estatística e política. ainda eram praticamente inexistentes. Mas. Os institutos da propriedade e da liberdade. financeiro e orçamentário é concorrente entre a União. Ou seja. No ponto. 24. as finanças pertencem ao plano realeano dos fatos (REALE. Esse afã estatal sobre a acumulação de divisas decorre de sua própria razão de existência: a consecução do bem comum. 16). Tudo lhe pertencia e a idéia de propriedade particular era sempre relativa. é fato que para prestar os seus serviços o Estado necessita de recursos financeiros. é pré-jurídica. Dessa feita. Em verdade. p. aderindo-se à ciência econômica. p. p. A competência para legislar sobre direito tributário. nem mesmo havendo entre eles relação de conteúdo e continente (OLIVEIRA e HORVATH. 2003. Até o Estado absolutista. 2001. porque preparar a feitura de normas aplicáveis. As finanças públicas dizem respeito à forma como o Estado. o soberano era único nas decisões acerca das finanças públicas. Distingue-se do Direito Tributário. O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. as quais se volta eminentemente ao interesse público (OLIVEIRA e HORVATH. de uma forma ou de outra e seja qual for o conceito de necessidade pública no momento. parágrafo único. 2003. 24. normas específicas e capacidade legislativa supletiva das unidades-parciais (art. 29). na Inglaterra. de início. o qual designa fim. Finanças é termo que vem do latim “finis”. I e II. a ordem jurídica foi sendo erigida em paralelo. CF/88). Foi a primeira idéia de despesa pública. obtém suporte para exercer suas atividades. monetariamente. p. À medida que a sociedade foi construindo a possibilidade de influir nos parâmetros financeiros estatais. vez que constitui o sustentáculo material do país. valem todas as regras quanto a normas gerais. termo.

Receitas públicas – receita pública representa uma entrada definitiva de valores nos cofres públicos. os Municípios podem legislar sobre tributos de sua competência (art. não se confundindo com taxa. no dizer de Kelsen (1998). Em melhores palavras. Em tese. quanto à origem. Administrativo. CTN). 2003. 17) as chamam de facultativas. Há uma relação de coordenação estabelecida entre Estado e particular. as entradas (movimento positivo de dinheiro para os cofres públicos) comportam duas espécies: receitas públicas (entradas definitivas) e movimentos de caixa (entradas temporárias). Com efeito. devem ser diferenciados os conceitos de lei federal e de lei nacional. São extraídas quando o próprio Estado explora seu patrimônio. assim como qualquer outro ramo. Doutrinariamente. Todavia. II. No quadro da ciência jurídica. I e II. simplesmente entrada provisória ou ingresso)239. com as derrogações de Direito Público). sua ligação com o Direito Constitucional é particular. A norma geral traz princípios para solução de entraves entre os diversos legisladores dentro da matéria de competência comum. têm o primeiro como sinônimo de entrada simplesmente. Dentro da distribuição de competência. o âmbito espacial de validade e o âmbito pessoal de incidência das normas. CF/88). fiança e empréstimos em geral. Revista dos Tribunais. Entretanto. conforme supra mencionado –. de pare em passo com o particular (contratação em regime de Direito Privado. 17) são caução. Por esse motivo. 2001. o que faz excluir o movimento de caixa ou ingressos (fluxos de entrada “temporária”. o qual pode ser feito em um MS e. III. Processual Civil e Penal. 30. são diferentes. sendo certo que essa conversão só é possível se sucumbente o demandante. tem alicerce fim na CF/88. as receitas podem ser classificadas. 239 . sendo portanto compulsórias (FÜHRER e FÜHRER. São Paulo. p. na maioria das vezes. Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. p.179 CF/88). inclusive de Direito Financeiro.: depósito judicial. da atuação estatal como agente privado. o Derivadas – são aquelas que advêm do poder de “imperium” do ente público. 6ª ed. Manual de Direito Financeiro. 30. nem todos os ingressos no erário podem ser considerados como receitas. p. o primeiro. Resultam. 151. Outros exemplos de entradas provisórias citados por Führer e Führer (2001. de seu poder de imposição. Führer e Führer (2001. o Direito Financeiro. Relaciona-se também com o Direito Tributário – apesar de guardar campo próprio. deve ser convertido em renda para configurá-la. uma vez que há normas específicas contidas no próprio Texto Maior. obsta a exigibilidade do crédito tributário (art. em: o Originárias – correspondem às entradas definitivas não decorrentes do poder de imposição do ente de público. suplementando as leis gerais e regionais naquilo que afeta o interesse local (art. sendo integral. Apesar de admitirem haver doutrina que considera o ingresso como entrada provisória. CF/88).. o valor será transferido para a conta do Tesouro Nacional (TN) “incontinenti”. não fazendo uso. Ex. Preço público e tarifa são formas de receita originária. mas não figurará aí como entrada definitiva (receita pública).

pende um grande paradoxo. Ex. No entanto. o que desvirtua. dentro do Direito Financeiro. CF/88 (acrescido pela EC 45/04). CF/88). sob pena de configurar receita transferida. CF/88). e 195. proveniente de veículos licenciados no Município. 155. metade do ITR recolhido em Município continente de seus imóveis. pronunciou-se em sentido contrário. 65) consideram o art. Segundo os autores. Quanto aos EMPRÉSTISMOS COMPULSÓRIOS. CF/88. sua essência de tributo. CF/88). Como lembram Oliveira e Horvath (2003. Ao contrário dos empréstimos (ou créditos) públicos. Dentre os exemplos mais corriqueiros. 25. o próprio STF. Não poderia criar mais exações. Obs. 240 Súmula 418 do STF: “O empréstimo compulsório não é tributo.: só será derivada a receita se o poder de imposição for exercido pelo próprio ente que a recebe. Em contrário senso. Podem ser obrigatórias (previstas em Constituição. em parte. “caput”’. na esteira. não cabendo a esse autonomia perante o Leviatã. ressalvadas as hipóteses anterior e originalmente previstas pelo próprio Texto Magno. 149-A. Sob o aspecto do Direito Tributário. I. Oliveira e Horvath (2003) dizem que as receitas transferidas se resumem nas transferências correntes. III. 158. podendo ser tributárias (na sua maior parte) ou não-tributárias. 154. 157 a 162. as transferências correntes não implicam em contraprestação pelo tomador. “in fine”. a taxa é considerada receita derivada. porquanto o crédito decorrente será resgatado. porquanto a titularidade do tributo é atinente à União. CF/88 – no caso de delegação de capacidade tributária ativa para o Município. § 4º. adotando a natureza dada diretamente pelo constituinte originário. encontrar-se exatamente no capítulo sobre a ordem tributária. III.: apesar de ter origem tributária. de acordo com o 153. acrescido pela EC 39/02. receita não podem ser. São os casos dos impostos residuais e das contribuições residuais. a esse pertencem (art. 148. 153. p. na classificação de receitas derivadas. Seriam qualificados como entradas temporárias. Oliveira e Horvath (2003.: repartição da arrecadação tributária. apesar de seu teor não ter mais aplicação em face da atual ordem constitucional vigente. O exemplo típico é o tributo. como inconstitucional. . o Transferidas – resultam de transferências entre os entes federados. a receita continua sendo classificada como transferida. São obtidas a partir de coerção sobre o patrimônio do particular. p. e sua arrecadação não está sujeita à exigência constitucional da prévia autorização orçamentária”. consoante a disposição do art. CF/88. a doutrina majoritária tem-nos como tributos. perfazendo receita transferida. porque o tributo em comento é de competência do Estado (art. VI. por meio de sua Súmula 418240. Ex. lei ou destinadas ao SUS – art. “caput”. o repasse de metade da renda de IPVA. o constituinte derivado não teria vênia para alargar os fatos geradores já expressos na CF/88. § 4º. I e II. o caráter tributário colocar-los-ia. as quais têm origem no poder de polícia estatal. nos moldes dos arts. CF/88. 37). assim como o são as penalidades. LRF) ou voluntárias (por exclusão às anteriores). Fatia considerável dos jurisconsultos os qualifica como imposto. No contexto. dada a competência tributária deferida pelo art. por exemplo (arts.180 17). III.

STJ. No raciocínio.: preço do selo de correspondência. Ex. Quanto ao critério da periodicidade. 14/8/2007. A taxa não respeita esse mecanismo. por exclusão. como em uma compra e venda. sendo de fruição facultativa. Também não deve ser confundida com preço público. contratuais e obrigatórias (FÜHRER e FÜHRER.. Uma primeira corrente. RE 54491-PE. Ex. a atualidade do serviço. 3º. REsp’s 848.559-MS. deverá ser módica também. Min. p. Essa compulsoriedade estaria prevista em lei. ainda que potencial. taxas e preços públicos – tarifa é um item obrigatório a figurar em contrato de concessão. CF/88 (imposto especial de guerra). como nos tributos. porque não se reverte com exclusividade para o erário. DJU 15/10/1963. Seu valor se deve ao custeio da atividade praticada em favor do usuário. A tarifa ainda permite reversão aos cofres públicos. 1ª T. entendendo que não há escolha pelo usuário. persistirá taxa. segundo entendimento do STJ e do STF241. poderiam ser enquadradas em ordinárias – aduzidas nos momentos de normalidade – e extraordinárias – incidentes em momentos de guerra ou na sua iminência. existiria preço público. CC). 154. II. REsp 802. As segundas advêm de ajuste em que o Estado participa na condição de contratante. Não tem natureza tributária. O STJ adota a última corrente. Essa obrigatoriedade da taxa só é 241 STF. existindo taxa se for de Direito Público. 242 STJ. Terceira posição assevera que o parâmetro é a compulsoriedade na utilização do serviço: sendo de uso obrigatório. Ex. Taxas e preços públicos – para que persista um conflito dessa natureza. A tarifa deve ser fixada no menor valor possível. dentro de um patamar razoável. CTN. destinando-se tanto ao custeio do concessionário quanto a seu lucro. presente a autonomia das partes. A querela se coloca segundo três orientações teóricas.247 e 167. Oliveira e Horvath (2003) falam em outras classificações das receitas. 1844. porque a coerção no uso concreto ou potencial do serviço só pode ser remunerado por meio de taxa242.: herança jacente deferida ao Município (art.: cobrança por serviço de água e esgoto constitui tarifa. de acordo com o mercado. sendo revertido para o próprio Estado. olhando a figura do prestador. . a natureza será de taxa. entende que haverá preço público se aquele for ente de Direito Privado. considera-se a prestação de serviço público específico e divisível em contrapartida à remuneração por parte de usuário. como se afigura no art. Uma segunda corrente observa a compulsoriedade no pagamento da contraprestação: sendo obrigatório. sendo único nessa espécie de avença administrativa. Isso porque os serviços públicos universais e indivisíveis (“uti universi”) recebem como contraprestação impostos. Tarifas. desde que haja previsão contratual (ou legal) nesse sentido. As terceiras são estatuídas e arrecadadas de forma vinculada. Preço público não leva a lucro. 2001. j.489. sendo facultativo. Informativo do STJ n° 327. de sorte a garantir. a teor do art. rel. As primeiras não implicam em qualquer contrapartida por parte do Estado. haverá preço público. a existência de um preço público teria como pressuposto adesão a um contrato. 17). ao contrário da taxa. Luiz Fux. Ademais.181 A doutrina ainda classifica as receitas em gratuitas. tendo em conta os preços praticados no mercado. porque esse é determinado conforme o valor do serviço prestado.

RE 181475. o define como tributo da espécie taxa243.. obrigações cujo prazo para pagamento é menor que 12 meses e estão previstas no orçamento. a pessoa sempre receberá taxa como contraprestação (OLIVEIRA e HORVATH. não coincide com o conceito de dívida consolidada. Tecnicamente. o art. ao contrário da flutuante. I a III. 13. autarquias. operações de crédito (incluindo antecipação de receita). valendo os pagamentos tão-só aos juros. implicando em responsabilidade objetiva por parte do administrador e do agente político. LRF). dependendo da existência ou não de alternativa na via de acesso.002-PR. ASPECTO SUBJETIVO (abrangência) – União. custas judiciais e licenciamento ambiental. Ademais. Judiciário. A obrigatoriedade é realmente da fruição do serviço e não do pagamento. Informativo do STF n° 471. seguridade social. 53). em recente julgamento. rel. j. De fato. 23). o valor cobrado em pedágio pode ter natureza de taxa ou preço público. I a V. em três situações: emissão de passaporte. rel. despesas com pessoal. p/ o acórdão Min. porque esse é sempre devido quando há prestação. Municípios. CONCEITOS (art. Em suma. a qual não é obrigatória. O STF. aquela considerada perpétua. Min. a Súmula 545 do STF (já comentada) materializa.182 excepcionada. 243 244 STF. 1º. Juntamente com a Lei 8429/92. . segundo a doutrina. STJ. “in fine”. precatórios não pagos. p. cujo principal não é resgatável. concessão de garantia e restos a pagar (art. porque se refere especificamente à tributação. 29. j. porquanto configura “bis in idem” com a Lei 1079/50245. p. Informativo do STJ 322. Min. REsp 617. A cobrança de pedágio por concessionária é lícita. nesse passo. Estados. deve ser interpretada à luz da época de sua edição. José Delgado. a LRF erige presunções legais de ao erário. orig. V. § 1º. dívidas consolidada e mobiliária.6. 2003. mesmo que inexista rodovia alternativa. salvo se o legislador dispuser de forma diferente244. entendeu que esses últimos não são atingidos pela Lei 8429/92. 150. ou seja. é aquela de médio ou longo prazo (FÜHRER e FÜHRER. 2001. LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) OBJETO (abrangência) – cumprimento de metas sobre receitas e despesas e observância de limites e condições quanto à renúncia de receita. 245 STF. dá margem à cobrança de pedágio por meio de taxa. No contexto. Executando serviço público próprio de Estado ou exercendo poder de polícia. Tribunais de Contas. Destarte. Nelson Jobim.2007. 1ª T. CF/88. Rcl 2138/DF. LRF): • Dívida pública fundada – obrigações totais de mais de 12 meses. o segundo entendimento. empresas governamentais e MP (art. Mas como foi erigida antes da leitura feita pelo STJ. §§ 2º e 3º. conquanto fato irrelevante à diferenciação entre preço público e taxa. DF. o STF. fundos. LRF). a natureza do prestador é irrelevante para a determinação da forma de contraprestação. A dívida pública fundada. a priori. rel. 2º. No entanto. Gilmar Mendes. Apesar disso. 5/6/2007. a natureza da personalidade jurídica da entidade da Administração Indireta não tem o condão de desnaturar os valores cobrados pelos serviços públicos por ela prestados.

LC 101/00. parágrafo único. O art. I. é debatida pela doutrina à luz do pacto federativo (art. VII. 11. passim). “caput”. à luz do dispositivo em apreço. Estados e Municípios. condicionante para que os mencionados entes recebam transferências voluntárias. 2º. Lei 4320/64. “caput”. Não pode ser destinada ao pagamento de despesas correntes (art. CC). trata-se de ato-condição. aquisição financiada de bens. 11. “caput”. patrimoniais. • Contribuições previdenciárias. parágrafo único. • Receita de capital – é aquela derivada da alienação de patrimônio público. etc. 360. • Dívida mobiliária – decorrente da emissão de títulos pela União. “caput”. em que pese não haver pronunciamento judicial sobre a celeuma. orientando o estabelecimento de receitas e despesas públicas. de contribuições. “a” a “c”. LC 101/00. “caput”. dada a classificação do art. menos (art. Receitas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF. de serviços. 11. • Refinanciamento de dívida mobiliária – emissão de novos títulos para pagamentos anteriores (novação objetiva – art. dispõe que os entes da federação são obrigados a instituir e arrecadar todos os tributos de sua competência constitucional. LRF. agropecuárias. Receita corrente líquida – total de “receitas tributárias. • Operações de crédito – mútuo. 2003. • Concessão de garantia – um ente garante outro. 1º. LRF: todas aquelas não previstas em Constituição. • PIS/PASEP. O estabelecimento dessa sanção acaba por retirar da competência tributária a facultatividade do seu exercício. “caput”. 29. LC 101/01) – o diploma estabeleceu regras sobre a elaboração do orçamento público. .183 o art. 11. Lei 101/00. De fato. A infringência desse comando com referência a impostos impede as receitas por transferências voluntárias (art. 153. LRF). LC 101/00. 11. I. CF/88). A constitucionalidade do art. Oliveira e Horvath (2003. CF/88). LRF). a não instituição do imposto sobre grandes fortunas pela União vai de encontro à realidade (art. usando a terminologia aduzida por Leon Duguit (apud OLIVEIRA e HORVATH. § 4º. característica intrínseca daquela. 25. • Repasse aos municípios e Estados. p. industriais. DF e Municípios na instituição de todos os tributos. porém constitucional na sanção esculpida no art. abertura de crédito. LRF) • Repasses constitucionais e legais. trata a dívida fundada e a consolidada como sinônimos. ou seja. No ponto. 44. 11. 47) defendem que o art. • Contribuições para RPPS e compensações. II. A definição de transferências voluntárias está no art. é inconstitucional quanto à obrigatoriedade de Estados. transferências correntes e outras receitas também correntes”. lei ou destinadas ao SUS.

o Inexistência de prejuízo aos resultados previstos no Anexo de Metas Fiscais (objetivos de arrecadação). etc. IE. IPI e IOF (art. § 3º. LRF). (art. o Pagamento de servidores públicos (despesa corrente de custeio). 14. o Previsão na LDO. representa qualquer evento jurídico que gere a redução das entradas nos cofres públicos.184 Na receita corrente líquida. mediante expressa consideração na lei orçamentária. LRF). ou seja. Sua implementação depende do cumprimento das condições explicitadas no art. IV. ADCT). de alíquotas ou criação de impostos ou contribuições. 2º. CF/88). o Serviço da dívida (cumprimento empréstimos públicos). como elevação de base de cálculo. II. 167. I ou II. não podendo o ente gastar mais que pode. ou o Compensação por adoção de outras medidas (aumento de receita). p. LRF: o Projeção do impacto econômico-financeiro no orçamento do mesmo exercício e nos dois posteriores. Também não têm vez no caso de cancelamento de débito perante a Administração pelo baixo valor (art. social de emergência). FPE. A renúncia de receita ocorre basicamente nas hipóteses de isenções tributárias. § 2º. A regra geral para a determinação da despesa é da não-afetação orçamentária (art. . CF/88).Documentação. 14. e 212. § 1º. 14. 60. . estão incluídas (art. § 3º. fundo para desenvolvimento do N. NE e CO. 14. A medida que importe em renúncia em receita só entra em vigor depois que a medida compensatória já tiver sido implementada (art. Apresentam algumas características: . LRF): • Receitas e despesas com ensino (parcela obrigatória para fundo – art. como lembram Führer e Führer (2001. • Receitas de ICMS (LC 87/96). para garantir a extrafiscalidade na União na economia nacional. LRF).Previsão em lei específica. de reduções de base de cálculo. § 1º. FPM. I. . LC 101/00). “caput”. de sorte a provar sua origem e destinação. ADCT. Despesas públicas – representam todo gasto ou dispêndio público. de obrigações adquiridas em o Formação de fundos especiais constitucionais (erradicação e combate à pobreza. Essas exigências não se aplicam em se tratando de renúncia de II. 77. 25). “caput”. Mas há esceções: o Saúde e ensino (arts. 14. de benefícios fiscais.Contrapartida em receita suficiente. educação básica.

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A parte de despesas com pessoal está desenhada nos arts. 19 e 20, LRF. DESPESA COM PESSOAL – definição está no artigo 18, “caput”, LRF, incluindo terceirização de mão-de-obra (art. 18, § 1º, LRF). • Para cálculo, somar despesa do mês corrente com os 11 anteriores (art. 18, § 2º, LRF). • Limites: 50% para União e 60% para Estados e Municípios (art. 19, I a III, LRF). • Estão excluídos do limite (art. 19, § 1º, I a VI, LRF): o Indenização por demissão ou voluntária; o Convocação extraordinária do Congresso Nacional; o Precatórios relativos a exercícios anteriores; o Gastos com pessoal do DF e dos Territórios; o Inativos com contribuição em RPPS. • Percentuais por órgãos (art. 20, I a III, LRF): o Federal: 2,5% para Legislativo, 6% para Judiciário, 40,9% para Executivo e 0,6% para MPU; o Estadual: 3% para Legislativo, 6% para Judiciário, 49% para Executivo e 2% para MPE; o Municipal: 6% para Legislativo e 54% para Executivo. AUMENTO DE DESPESA NULO – 180 dias antes do término do mandato no Poder ou em órgão (art. 21, parágrafo único, LRF). O texto do art. 21, “caput”, LRF, fala em ato que importe em aumento de gastos com pessoal sem observar os ditames legais. No ponto, será considerado nulo. No magistério de Oliveira e Horvath (2003, p. 89), o termo “ato”, exprimido pelo legislador, diz respeito aquele concreto. O ato legislativo em sentido estrito (lei, decreto legislativo, resolução, etc.) aqui não se enquadra, porquanto não tem o condão de gerar despesa materialmente. Nesse passo, a criação de cargo, por meio de lei, não importa em majoração de gastos com pessoal. O que provocará o dispêndio é seu provimento, a partir do qual o agente público fará jus a seu vencimento. SE PERCENTAL COM PESSOAL CHEGAR A 95% DO LIMITE – não pode aumentar vencimentos, criar cargos, mudar carreira, contratar mais agentes públicos (salvo educação, segurança, saúde e sessão extraordinária do CN) ou contratação em regime de hora extraordinária (art. 22, parágrafo único, I a V, LRF). Quando o percentual ultrapassar 90%, cabe ao TC alertar o Poder ou órgão sobre a temeridade da situação (art. 59, § 1º, II, LRF). NÃO CUMPRIMENTO DO LIMITE – nos dois quadrimestres seguintes, o administrador deverá levar a cabo as seguintes medidas: • Extinção de cargos e funções ou redução dos vencimentos respectivos;

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• Redução da jornada de trabalho, com respectiva redução de vencimentos; • Redução de despesas com cargos em comissão e funções de confiança, não sendo possível a redução de jornada atrelada à diminuição de vencimento246; • Exoneração de servidores não-estáveis; • Exoneração de servidores estáveis, com extinção dos respectivos cargos, sendo essa medida autorizada somente depois das anteriores (art. 169, § 4º, CF/88), fazendo jus o exonerado a uma indenização de um mês de vencimento por ano de serviço (art. 169, § 5º, CF/88) – o cargo não poderá ser recriado nos próximos quatro anos (art. 169, § 6º, CF/88). A escolha dos estáveis a serem exonerados se dá de acordo com os critérios da Lei 9801/99: menor tempo de serviço, maior remuneração, menor idade, etc. (OLIVEIRA e HORVATH, 2003, p. 92). A lei ainda permite, como medida alternativa, a redução de valores de pagamento ou a redução temporária da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição de vencimentos temporariamente (art. 23, §§ 1º, “in fine”, e 2º, LRF), no entanto esses comandos estão suspensos por cautelar ajuizada no STF247. Se ainda o ente não conseguir se adequar às balizas legais, não pode receber transferência voluntária, garantia de outro ente ou contratar operações de crédito (art. 23, § 3º, I a III, LRF), salvo refinanciamento da dívida mobiliária e financiamento de gastos com redução de despesas com pessoal. O art. 169, § 2º, CF/88, ainda fala em impedimento de recebimento de receitas transferidas obrigatórias. O art. 15, LRF, considera a geração de despesas ou assunção de obrigação pelo Estado em desacordo com as condicionantes mínimas dos arts. 16 e 17, LRF, como ato ilícito. O aumento de despesa por criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental depende do cumprimento de alguns requisitos (art. 16, I e II, LRF): Demonstração do impacto econômico-financeiro no exercício atual e nos dois seguintes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Compatibilidade com a LDO e com plano plurianual, mediante declaração do ordenador de despesas. A regra do art. 16, I e II, LRF, não se aplica paras despesas públicas irrelevantes, entendidas como aquelas que não oferecem impacto considerável,

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Na ADIn 2238, rel. Min. Ilmar Galvão, o STF suspendeu a eficácia do art. 23, § 1º, “in fine”, e 2º, LC 101/00, com base na irredutibilidade de salários e de vencimentos (art. 37, XV, CF/88). 247 STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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de acordo com a LDO (art. 16, § 3º, LRF). Ex.: aquelas que podem ser realizadas sem licitação. Aumento de despesa do RGPS que importe concessão legal de benefício, expansão quantitativa das prestações e reajuste de valores pagos não precisa ser compensada (art. 24, § 1º, I a III, LC 101/00), o que se aplica em toda seguridade (art. 24, § 2º, LC 101/00). O art. 17, “caput”, LRF, trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (despesa corrente ou operacional de mais de um exercício), isto é, aquelas decorrentes de lei, de MP ou de ato administrativo normativo que fixe sua realização em interregno superior a dois anos. Devem atender aos seguintes pressupostos (art. 17, §§ 1º e 2º, LRF): Estimativa de impacto econômico-financeiro pelo exercício presente e dois subseqüentes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Estar de acordo com os resultados preconizados no Anexo de Metas Fiscais; Compensação por outras medidas a amortizar o débito nos exercícios posteriores, como aumento de tributo ou redução permanente de despesa. Não se aplicam as condicionantes do art. 17, §§ 1º e 2º, LRF, quando se trate de reajuste de vencimento de servidor público ou de despesa relativa ao pagamento da dívida pública (art. 17, § 6º, LRF). Despesas emergenciais ao setor privado só são possíveis mediante: • Prévia autorização legal; • Compatibilidade com a LDO; • Previsão em orçamento ou em crédito suplementar; • Não abrangência de instituições financeiras, incluindo empréstimos para recuperação e troca de controle acionário, salvo operações de desconto e empréstimos realizados pelo BACEN com prazo inferior a 360 dias – nesse último caso, os demais requisitos não precisam ser observados (art. 26, § 1º, LRF). LIMITAÇÃO DE EMPENHO – a cada bimestre, ultrapassado o limite estabelecido no anexo de metas fiscais, deve haver diminuição de gastos na forma da LDO (art. 9º, “caput”, LRF). No entanto, transferências e despesas constitucionais e legais não poderão ser afetadas, o pagamento da dívida pública e outras despesas especificadas na LDO. Se o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público não observarem a limitação de despesas, o Executivo tem franquia para tomar a frente e limitar os repasses de duodécimos (art. 9º, § 3º, LRF). Porém, esse último comando está com a eficácia suspensa pelo STF em sede de cautelar248.
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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• Não serão limitados os gastos constitucionais, legais e previstos na LDO (art. 9º, § 2º, LRF). Oliveira e Horvath (2003, p. 91) admitem transação dos débitos da Fazenda Pública com condenação transitada em julgado, mesmo que sejam incluídos uns e excluídos outros credores. O fulcro seria a vantagem, porque haveria concessões recíprocas. No ponto, os autores admitem até mesmo a negociação no período eleitoral, ou seja, seis meses antes do término do mandato eletivo, desde que haja um juízo de razoabilidade e de que não exista razão de fundo eleitoreiro. VEDADA TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA – a ente estatal que não tenha previsão e execução de todas receitas tributárias cabíveis (art. 11, parágrafo único, LRF). • Receitas de operações de créditos devem ser menores ou iguais às despesas de capital previstas em LO anual (art. 12, § 2º, LRF). No entanto, esse dispositivo encontra-se com a eficácia suspensa pelo Supremo249. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – têm como atendimento dos seguintes requisitos (art. 25, § 1º, I a IV, LRF):
• Condições estabelecidas na LDO; • Existência de dotação específica na LO anual; • Proibição de transferências para pagamento de pessoal da ativa,

pressuposto

o

inativos ou pensionistas dos Estados, DF e Municípios (art. 167, X, CF/88);
• Contas em dia com o órgão transferidor, inclusive com referência a

recursos anteriormente recebidos;
• Aplicação dos percentuais constitucionais quanto à saúde e à educação; • Observância dos limites em operações de crédito (inclusive antecipação

de receita), restos a pagar, total da dívida mobiliária e consolidada e despesa total com pessoal;
• Contrapartida na LO orçamentária.

Obs.: é vedada destinação diferente da pactuada, cujas sanções não se aplicam à saúde, educação e assistência social (art. 25, §§ 2º e 3º, LRF). CAIXA DOS RPPS – não pode ser aplicado na compra de valores mobiliários do próprio ente (Estados e Municípios) nem para empréstimos de qualquer natureza aos segurados e ao Poder Público, incluindo empresas controladas (art. 43, § 2º, I e II, LRF). O art. 24, “caput”, LC 101/00, repete a regra da contrapartida quanto à seguridade social (art. 195, ° 5º, CF/88). Os Municípios com fundo previdenciário de RPPS devem observar o limite de 12% sobre a receita líquida nos gastos com inativos. Quando o percentual for ultrapassado, o TCE (ou TCM) deve alertar (art. 59, § 1º, IV, LC 101/00).
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

• Lançamento – é o ato de verificação da procedência do crédito tributário e a designação da pessoa devedora. etc. CALAMIDADE PÚBLICA. inscrevendo-se o débito na chamada dívida ativa da Fazenda Pública (art. foi recepcionada pela ordem constitucional de 1988 como LC. 12. dentre outros princípios. 66. • Dívida ativa tributária e não-tributária – a primeira engloba todos os tributos. 9º. 11. II e parágrafo único. Lei do Orçamento (Lei 4320/64) – também traz regras orçamentárias. “caput” e § 1º. Estados. ou proveniente de repasse de outras pessoas. “caput”. 53. DESTINATÁRIOS – o diploma em relevo deve ser observado por todos os entes políticos: União. § 1º. DEFINIÇÕES: • Tributo – está definido no art. LRF. I e II.189 FISCALIZAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (órgãos) – é feita pelo Legislativo (com auxílio do TC) e pelo controle interno de cada órgão (arts. 11. mobiliária. • Receitas de capital – são aquelas decorrentes do pagamento de dívidas. CF/88). “caput”. Lei 4320/64. industrial. deve observar a legalidade estrita (art. Lei 4320/64). 51. LRF). 39. . operações de crédito e concessão de garantia (art. I a VI. multas e créditos da Fazenda Pública lançados e não recolhidos ou cobrados no exercício de origem. 65. 150. e 71. Lei 4320/64). 59. DF e Municípios (art. 1º.. § 2º. § 1º. da conversão de bens e direitos em renda ou de repasse de outras pessoas para o pagamento de despesas de capital (art. PIB MENOR QUE 1% – prazos para adequação da despesa com pessoal e da dívida consolidada são duplicados (art. Todavia. Sua exigência. patrimonial. § 9º. CF/88). sendo aplicável no que não conflita com a LRF. CF/88. Lei 4320/64). desde que destinadas a despesas correntes (art. 74. • Despesas de custeio – destinadas a manter serviços anteriormente criados (art. Lei 4320/64). § 2º. LRF). ESTADO DE DEFESA OU DE SÍTIO – prazos suspensos para atendimento dos resultados fiscais. a Lei 4320/64. 60 LRF). LO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS – poderão estabelecer limites menores para dívida fundada. I. Lei 4320/64). “caput” e parágrafo único. a anualidade na sua instituição não foi ditame observado pelo constituinte nas limitações ao poder de tributar (art. sem embargo do controle popular ou privado (art. CF/88). “caput”. Lei 4320/64). limitação de empenho fica dispensada (art. 70. 165. • Receitas correntes – são aquelas de origem tributária. RECEPÇÃO – em decorrência da disposição do art. a segunda compreende as dívidas para com o Estado não sujeitas a lançamento ou não lançadas até então (art. Lei 4320/64).

I a III. “caput”. bem como para os programas especiais de trabalho. comunicando-se . ressalvado o custeio de suas atividades. 12. 41. visto que sua principal finalidade é cobrir seus déficits. Não pode dizer respeito ao custeio do beneficiário. como guerra. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro (art. porque aí constituiria subvenção social. • Inversões financeiras – compreendem aquisição de imóveis e bens de capital ou repasse da verba da Administração Direta para Indireta (art. 12. § 2º. I e II. As inversões. no mesmo raciocínio. e 18. 42. não têm cunho social de atendimento do interesse público na prestação de serviço também público. “caput”. As primeiras são repasses de verbas destinados a entidades prestadoras de serviços públicos essenciais (sociais – saúde. • Créditos adicionais – são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientes na Lei de Orçamento (art. Os investimentos representam dotação orçamentária para entidade para maximizar a prestação de serviços públicos. Lei 4320/64).: não haverá subvenção econômica a empresa de fim lucrativo. “caput”.190 • Transferências correntes – são dotações de despesas das quais não decorra contraprestação direta em bens ou serviços (art. educação e assistência social). aquisição de instalações. § 3º. 12. 12. Lei 4320/64. Lei 4320/64). podendo ser suplementares (para reforço). 19. § 3º. § 4º. ao contrário dos investimento. comoção intestina ou calamidade pública) – art. Já os extraordinários seriam abertos diretamente por decreto executivo. as subvenções não implicam em contraprestação da entidade beneficiada. 16. Lei 4320/64). podendo ser sociais ou econômicas (art. Lei 4320/64). especiais (não constantes do orçamento) e extraordinárias (para despesas urgentes e imprevisíveis. sendo abertos por meio de decreto do chefe do Executivo (art. Lei 4320/64). • Subvenções – são dotações destinadas a cobrir despesas de custeio de entidades beneficiadas (art. Lei 4320/64). Lei 4320/64). Obs. desde fique patente o caráter econômico da operação. as quais serão arcadas mediante subvenções econômicas. • Investimentos – são dotações para o planejamento e a execução de obras. Lei 4320/64). salvo menção expressa em lei (art. § 6º. Lei 4320/64). Em qualquer caso. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. § 5º. Tem por finalidade majorar os meios das entidades estatais de fins econômicos. 12. • Transferências de capital – são empréstimos entre entes da federação (art. Os especiais e suplementares dependem de prévia autorização legislativa e de recursos disponíveis. enquanto as segundas são dirigidas a empresas governamentais ou particulares (arts. I a III. 21. Lei 4320/64). é vedado auxílio financeiro para investimentos em empresas lucrativas (art. 12. ficando evidente o caráter social. 40. Lei 4320/64).

• Fundo especial – é aquele cuja receita decorre de vinculação prevista em lei (art. “caput”. • Elemento – é a unidade mínima a ser discriminada na planilha orçamentária (art. do objeto (motivo) e da quantia a ser paga. 71. “caput” e § 1º. 62. Tem por finalidade dar certeza à Administração acerca da despesa. “Ex vi” dos arts. “caput”. No entanto. • Nota de empenho – documento que expressa o ato de assunção da obrigação de pagamento da Fazenda Pública para com credor. O documento é elaborado pelo setor de contabilidade (art. “caput”. 60. a teor do que dispõe o art. a qual é o único meio hábil instituí-lo (reserva legal). Lei 4320/64). dentro da lei orçamentária anual. Lei 4320/64) – ato de autoridade competente que cria obrigação de pagamento para o Estado. de sorte a enquadrá-lo dentro da despesa mensal. 64. 59. § 2º. Cada categoria de despesa é prevista. sendo “conditio sine qua non” para o pagamento (arts. Lei 4320/64. 65. § 3º. Lei 4320/64). além dos precatórios não pagos. É efetivado pela tesouraria ou órgão congênere (art. devendo se restringir ao limite de crédito correspondente (art. segundo dotações de orçamento específicas. bem como a dedução do saldo disponível (art. Mediante previsão em despesa mensal. 60. 14. • Pagamento de despesa – é o despacho de autoridade competente com ordem para pagar a despesa (art. 64. CF/88.191 posteriormente o Legislativo (art. “caput”. com identificação do credor. § 3º. sendo permitido para obrigações contratuais de trato sucessivo (parcelamento) – art. Lei 4320/64). desde que prevista no orçamento. 15. Lei 4320/64). • Unidade orçamentária – é a unidade de bens e serviços subordinada ao mesmo órgão ou repartição (art. “caput”. “caput”. § 7º. Lei 4320/64). Lei 4320/64). contendo nome desse. Lei 4320/64). natureza e valor da despesa. Lei 4320/64). 60. Lei 4320/64). • Empenho (art. • Empenho global – é aquele sem discriminação de itens. “caput”. • Liquidação de despesa – é a verificação do crédito para com a Fazenda Pública. o gasto público fica facultado para o administrador. Lei 4320/64). • Empenho por estimativa – é permitido quando não for possível determinar o valor preciso da despesa (art. 44. • Dívida fundada (ou consolidada) – é obrigação estatal com exigibilidade maior que 12 meses (art. parágrafo único. e 30. 98. 61. estão incluídos . É documento que certifica a origem do gasto. LRF. a dívida com prazo menor que 12 meses. Lei 4320/64). 62 e 63. o Presidente da República (e os governadores e prefeitos que têm vênia legal para tal) deve abri-lo por meio de MP. Toda despesa depende de prévio empenho (art. 58. Lei 4320/64). Lei 4320/64). 29.

p. 2003. 2003. e 3º. p. era mera peça contábil. Trata-se de dívida de curto prazo (FÜHRER e FÜHRER. CF/88). O Estado de Direito e o princípio republicano mudaram o cenário. Curso de Direito Constitucional Positivo. • Resultado nominal – é o resultado único das receitas menos as despesas. depósitos e débitos de tesouraria (art. 11ª ed. O orçamento não pode ser mera peça financeira. vinculação do governante às decisões tomadas. 99). com caráter politicamente neutro (OLIVEIRA e HORVATH. excluindo-se a dívida pública (principal e juros). 250 Oliveira e Horvath. 2003. Para exemplificar a colocação. 23) a definem com dívida de médio e longo prazo. fazendo com que o orçamento se limitasse a uma “peça de ficção”. por meio de instituições populares. cit. 107). dentro da idéia de democracia participativa. op. “f”. o orçamento é instrumento de efetivação da dignidade humana e da justiça distributiva (arts. 92. 4º. Posteriormente. p. asseveram que há três ordens de mecanismos precípuos a tornar legitimo e efetivo o orçamento participativo: critérios firmes para aferir a verdadeira vontade popular. sob pena de inefetividade do instituto (OLIVEIRA e HORVATH. o qual poderá ocorrer no exercício seguinte) ou de caixa (em que a despesa é considerada somente no exercício em que for efetuado o pagamento). serviço da dívida a pagar. Para Ricardo Lobo Torres (apud OLIVEIRA e HORVATH. No início. p. Malheiros. outro. São Paulo. p.. p. os mesmos autores mencionam a concretização do orçamento participativo municipal. controle de sua execução também pelo povo. passa a ser político e extrafiscal (OLIVEIRA e HORVATH.192 na dívida consolidada. I e III. O orçamento é tido como instrumento de intervenção estatal na economia. independentemente do efetivo pagamento. • Resultado primário – é a diferença entre receita e despesa. incluindo a dívida pública. 105). Führer e Führer (2001. 23). Lei 10257/01250. passim). valores magnos da democracia atual. • Dotação – é a quantia prevista no orçamento para determinado tipo de despesa. Nesse passo. p. O Brasil adota um sistema misto: regime de competência para despesas e de caixa para receita. 2003. 106). os autores afirmam a existência de dois centros de poder: um residente no exercício do voto pelo povo. 101). talhada por Silva. mas representa o compromisso político de cumprimento de promessas sérias levadas ao povo (OLIVEIRA e HORVATH. • Dívida flutuante – é formada por restos a pagar (dívidas não pagas até 31 de dezembro do exercício de geração). 2001. Lei 4320/64). não constitui simples fato opinativo. 1º. 1996. Com efeito. Passa de diploma a colimar somente equilíbrio financeiro. III. citando Genro. É exatamente nessa segunda seara que estaria incluído o orçamento participativo. como decorrente da democracia participativa (SILVA. vigorava a irresponsabilidade do governante (rei). I a IV. e 44. • Regime orçamentário – pode ser de competência (que observa apenas a data do fato gerador da despesa – empenho –.. III. Historicamente. . 1996. nem apenas simples plano de governo. a consulta popular orçamentária. à luz dos arts. 2003.

193 porque é através dele que se concretizam as prestações inerentes aos direitos sociais. Despesas correntes são realizadas no custeio do Estado. “caput”. Oliveira e Horvath (2003. “caput”. Tributárias. Receitas correntes são as seguintes (art. Receitas de capital são aquelas que têm origem na assunção de dívida. Industriais. 10-103) advogam pela natureza de lei em sentido formal do orçamento. Resultantes das transferências correntes. 12. § 4º. quanto às despesas. § 4º. Lei 4320/64): • Investimentos.Operações de crédito.Amortização de empréstimos. Quanto às receitas. Despesas de capital são relacionadas com investimentos do Estado em certo setor ou perante determinada necessidade pública. p. os autores aceitam a tese da lei em sentido material. . seria autêntico ato administrativo. As despesas de capital são as seguintes (art.Alienações de bens. Lei 4320/64): Patrimoniais. . assim como as despesas. Serviços. Lei 4320/64): De custeio.Transferências de capital (empréstimo a fundo perdido). . com o intuito de manter a “máquina estatal”. A Lei 4320/64 traz a classificação legal de receitas e despesas nos seus arts. 11 e 12. . As receitas de capital são as seguintes (art. COntribuições. Transferidas. As despesas correntes são as seguintes (art. • Transferências de capital. 12. decorrente do seu poder de imposição ou de sua atuação como ente privado. Receitas correntes são aquelas que resultam da atividade do Estado de uma forma ampla. 11. As receitas podem ser correntes ou de capital. Agropecuárias. de cunho temporário e de “status” ordinário. 11. Lei 4320/64): .

do RGPS. estabelecendo o comportamento da Administração perante o dinheiro público. LRF). universalidade e anualidade (FÜHRER e FÜHRER. 2001. obedecidos os princípios de unidade. §§ 1º e 2º. LRF. comparativo com os três anos anteriores quanto ao patrimônio líquido. LRF. É um desdobramento do planejamento programa. do RPPS e do FAT. traz outros elementos da LDO. Ademais. LRF). I a V. Plano plurianual – o plano plurianual estabelece um planejamento macro. § 5º. estabelecendo as formas como esse será implementado ao longo do exercício seguinte. as quais serão realizadas em prazo superior a dois exercícios. 165. objetivando as intenções da Administração por um período de quatro anos. 18). receitas. São previstas somente despesas de capital (investimento) e obrigatórias de duração continuada (art. As despesas de capital abarcam os investimento (obras realizadas pelo Poder Público). O plano plurianual é composto por despesas de capital e decorrentes de programas de duração continuada. 4º. e 5º. vinculando o ente público. correspondente à anualidade do orçamento estabelecido pela lei orçamentária anual. Deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até o dia 30 de abril do primeiro ao de governo. p. § 1º. ressalta-se a previsão do art. Obs. 4º. LDO e lei orçamentária anual (art. tal qual estabelece o art. demonstrando a política econômico-financeira e o programa de trabalho do Governo. §§ 1º. consubstancia documento programático. Ao mesmo tempo. a LDO estabelece diretrizes para a elaboração do orçamento (lei de orçamentária anual). Lei de diretrizes orçamentárias – a LDO estabelece as metas e prioridades da Administração pelo decurso de um ano. Há três tipos de lei que o compõem: plano plurianual. metas do ano anterior. situação dos fundos. Por conseqüência. demonstrativo de renúncia de receita (art. I. resultados nominal e primário e montante da dívida pública nos três anos seguintes. Configura um planejamento mais imediato que o plano plurianual. qual seja o Anexo de Metas Fiscais. as quais executam atividade econômica “stricto sensu” – art.: faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (art. O art. I. 3º e 4º. como auxílios e subvenções). 167. 35. as inversões financeiras (injeção de capital em empresas governamentais. sob pena de responsabilização do administrador (arts. qualquer despesa que perdure por mais de um exercício depende de previsão ou compatibilidade com o plano plurianual. com devolução pelo CN até o fim da sessão legislativa (art. 165. . § 1º. 17. contendo a discriminação da receita e da despesa. CF/88) e as transferências de capital (receitas transferidas excepcionalmente para outras entidades da Administração. 173. “caput”. CF/88). I a III. § 2º. § 2º.194 Orçamento – é uma lei em sentido formal. Dentre eles. ADCT). fixando as atividades governamentais pelo decurso indicado. Orçamento é a peça técnica que demonstra as contas públicas para um período determinado. 4º. § 1º. “caput”. Anexo de metas fiscais – metas anuais em despesas. 4º. LRF). CF/88. LRF). CF/88.

. simultaneamente. a teor do que determina o Anexo de Riscos Fiscais e outros fatos imprevistos no decorrer do exercício de execução. suplementares e extraordinários. Exposição e justificação da política econômico-financeira.Consonância com o plano plurianual. cuja competência exclusiva é do chefe do Executivo (art. § 2º. do ano da proposta e do ano da aplicação.Limitação de empenho. “caput”. . do ano da proposta e do ano da aplicação. 4º. além de analisar o realizado nos três anteriores. . 35. de obrigação contraída. o Especificação dos programas especiais de trabalho a figurarem como dotação global (investimentos). COMPOSIÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA (art. restos a pagar e outro compromissos). Traz. o qual deve incluir a reserva de contingência. LRF). II. Podem ser destacados os seguintes elementos componentes: . com devolução até o fim do período legislativo correspondente (art. Obs. item atinente somente à União.Créditos adicionais: especiais.Parâmetros das políticas monetária. Justificativa das despesas e receitas. O Anexo acompanha o projeto de LDO (art.: não é possível a previsão de crédito com finalidade imprecisa ou ilimitado. . § 1º. O projeto de LDO deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até dia 15 de abril do ano anterior à sua vigência. incluindo metas de inflação.Previsão de restos a pagar. . I a IV. creditícia e cambial. o Tabelas explicativas. o Projeto de lei do orçamento. . é um documento que estipula as metas em receitas. CF/88). de sorte a orientar a elaboração da lei orçamentária anual. contendo receita dos três exercícios anteriores. na verdade. .Critérios para transferências voluntárias (inversões financeiras e transferências de capital). além de despesa do exercício anterior. 22. saldos de crédito especial. ou seja. uma previsão e um diagnóstico em relação a seus itens constitutivos. ADCT).195 De uma forma geral. 165. Lei 4320/64): o Mensagem do chefe do Executivo contendo: Exposição da situação econômico financeira (dívida fundada.Anexos de metas e de riscos fiscais. resultados e montante da dívida pública para o exercício de referência e os dois próximos. consubstancia a realização desse no exercício seguinte. .Definição de despesas irrelevantes. despesas. flutuante.

contidos no orçamento anterior. ou seja. sendo certo que o Parlamento deverá encaminhá-lo para sanção presidencial até o final do decurso considerado – 22 de dezembro. salvo erro material (art. 57. Lei 4320/64). devendo ser restituído pelo Legislativo até o final do primeiro período legislativo – 17 de julho. o art. devendo ser devolvido para sanção até o final da correspondente sessão legislativa (art. CF/88). III. ADCT). II. A proposta da LDO deve ser encaminhada ao CN até oito meses e meios antes do exercício financeiro ao anterior de sua vigência. de transferências constitucionais da União aos demais entes federados. 35. • Concessão de dotação para início de obra não aprovada pelos órgãos competentes. ADCT). Oliveira e Horvath (2003. 35. CF/88): Concordância com o plano plurianual e com a LDO. QUADRO DE RECURSOS E DE APLICAÇÃO DE CAPITAL – descreve as receitas e despesas de capital para um triênio ou mais (art. o constituinte estatuiu outros requisitos para emenda à LO anual (art. aplica-se a previsão do art. I. por meio de créditos especiais e suplementares. De outra parte. I a III. 137) lembram que devem existir atualizações monetárias para os valores. devendo ser aprovado até o fim da sessão legislativa. Que trate de serviço da dívida.196 Obs. 166. 166. ADCT). por analogia. § 2º. CF/88. “a” a “d”. ADCT). § 8º. § 3º. usa-se o orçamento anterior até a aprovação do atual. 23. O projeto do plano plurianual. § 2º. § 2º. autorizando-se as despesas uma a uma. com redação dada pela EC 50/06 (art. O projeto da LO anual deverá ser apresentada ao Poder Legiferante até quatro meses antes do encerramento do segundo período legislativo referente ao exercício anterior de sua vigência. § 2º.: o não envio da proposta orçamentária no prazo legal (art. 32. Indicação da correspondente receita a custear a despesa. Lei 4320/64. ADCT)251 leva à adoção do compêndio atualmente em vigor (art. de acordo com o art. O projeto de orçamento anual deve ser apresentado até o final de agosto do ano anterior à sua execução (art. I e II. quando não houver aprovação e o ano de execução já se inicia. deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até quatro meses antes do final do primeiro exercício. o quadro deve ser atualizado. Além dessas previsões. a viger durante os quatro anos do mandato eletivo. por imperativo lógico. A cada ano. dotação de pessoal e correspondentes encargos. § 3º. III. considerando o estimado na proposta inicial. Lei 4320/64). 166. “a” e “b”. “caput”. 33. temse aplicado. A inexistência de deliberação do CN pode suscitar convocação extraordinária do Legislativo. “caput”. além de guardar-se juízo lógico quanto a créditos exauridos ou não previstos. tendo em conta o realizado e o saldo restante. III. Lei 4320/64): • Alteração de dotação para despesa de custeio já aprovada. 251 . 35. a teor do mesmo dispositivo já mencionado (art. só sendo possível mediante a anulação de outro gasto. • Concessão para instalação ou funcionamento de serviço não criado anteriormente. p. § 2º. • Concessão de dotação superior àquelas fixadas anteriormente por resolução do Legislativo. CF/88. 35. 35. VEDAÇÕES A EMENDAS À LEI DE ORÇAMENTO (art. 32. Nessas hipóteses.

desde a promulgação da CF/88. Caso se refira a despesa de plano plurianual. II e § 2º. “caput”. há abrangência de todas as despesas e receitas dentro do ente político considerado (arts. 3º. A atualização monetária da dívida pública tem como teto a variação preços prevista na LDO ou em lei específica (art. § 4º. Lei 4320/64). § 4º. Lei 4320/64). dentro do possível. Na LO. 4º e 57. parágrafo único. à anualidade (Súmula 66 do STF. Lei 4320/64). Lei 4320/64). Entretanto. o próprio orçamento indicará as fontes de receita. demonstrativo de medidas de compensação para renúncia de receita e para aumento de despesa. I. CF/88). parágrafo único. Conteúdo da LO anual – compatibilidade com o anexo de metas fiscais. Havendo receita específica disponível. I a VI. CF/88). mas não liquidadas até tal data (art. Ademais. 5º. 2º “caput”. 150. 5º. demonstrativo de impacto regionalizado de despesas e receitas. LRF). AUTORIZAÇÃO PARA O EXECUTIVO – a lei orçamentária anual poderá conter autorização para a Administração abrir créditos suplementares e realizar operações de crédito para antecipação de receita. porquanto o princípio da anualidade foi excluído do rol das limitações constitucionais ao poder de tributar (art.197 EMENDAS À LDO – devem observar o plano plurianual (art. “caput”. a despesa poderá ser saldada no exercício posterior. o orçamento incluirá a elaboração de três peças distintas: o orçamento fiscal (da Administração . Deverão estar previstas e serem pagas no orçamento posterior. tudo dentro de cada elemento (art. 5º. Lei 4320/64). será liquidada no seu último ano de vigência (art. 7º. a ordem cronológica. Lei 4320/64). sendo certo que a alienação de imóveis depende de prévia autorização legislativa (art. I a III. as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias (art. já comentada). LRF). salvo se incluído no plano plurianual (art. 5º. desde que conste em campo apartado dentro do orçamento e seja observada. reserva de contingência de acordo com o anexo de riscos fiscais. LRF). 5º. LRF). de déficit de caixa. Pelo desiderato em tela. visto que a instituição ou majoração de tributos não obedece mais. 6º. são vedados crédito não específico e dotação ilimitada (art. Pela universalidade. § 3º. dotação de despesa em LO não pode ultrapassar exercício. 3º. sendo incluída despesa do Banco Central do Brasil (BACEN – art. dentre os quais se destacam: Universalidade – todas as receitas e despesas devem estar previstas no orçamento. 36. RESTOS A PAGAR – são as despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício previsto. Nas operações de crédito. nesse último caso. Esse ditame não se aplica integralmente às receitas tributárias. 36. não se incluem no orçamento anual as operações de crédito por antecipação de receita. LRF). 37. 166. observância do plano plurianual e da LDO (art. A lei orçamentária anual é regida por princípios. Também não se baliza pela universalidade os tributos instituídos durante o exercício de execução do orçamento. § 5º. dependendo.

O orçamento de investimento compreende a conta de todas as despesas e receitas das empresas que o Estado detenha a maioria de capital com direito a voto. “caput”. nele. o orçamento não pode conter matéria diferente daquela atinente à sua essência. fez o . CF/88. A lei orçamentária anual. 5º. da seguridade social (relativa às ações de saúde. Anualidade – é lei de vigência temporária. Essa regra é excepcionada no tocante à autorização para concessão ou obtenção de créditos suplementares (art. em que pese o orçamento ser único. Em melhores termos.198 Direta e Indireta de todos os Poderes). ou seja. 20. § 5º. Obs. de sorte a corrigir uma dotação orçamentária deficiente ou insuficiente. I a VI. 165. Unidade – a peça orçamentária é única. I a III. incluindo a saúde. 12. somente estarão previstas receitas e despesas. § 4º.: deve haver discriminação da destinação da despesa. matéria estranha à sua essência. porque. o orçamento de investimentos (transferências de capital para empresas governamentais). O silêncio do constituinte no art. 165. § 5º. O orçamento fiscal inclui todas as despesas e receitas da União e de suas entidades correlatas. O orçamento da seguridade social engloba todas despesas e receitas relacionados ao sistema. de 1º de janeiro a 31 de dezembro (art. Não haverá. Lei 4320/64). “caput” e parágrafo único. há sua divisão em três contas diversas. em outras aplicações e em programas especiais de trabalho (art. a assistência social e a previdência social referente ao RGPS (art. irá tratar dos orçamentos da seguridade social. § 8º. 194. CF/88). Lei 4320/64). a incidir no exercício financeiro. Essa vênia prévia pode ser incluída na lei orçamentária anual. É princípio que diz respeito ao aspecto formal do orçamento. salvo no caso de investimentos em projetos de obras. o orçamento é um só diploma que regula toda a matéria. De acordo com a unidade. Esses são aqueles que visam a redistribuição entre as categorias de despesas. não se admitindo dotações globais (art. Exclusividade – no orçamento. CF/88). fiscal e de investimento. A implementação de créditos suplementares depende de pedido do administrador e autorização legislativa. Lei 4320/64) – despesas pertencentes à categoria econômica investimento (art. CF/88. de sorte a fazer uma projeção estimada desses gastos. excetuando-se a seguridade social. segundo o art. englobando todos órgãos e entidades do Estado e aqueles a ele ligados. Lei 4320/64). CF/88. 34. 165. Entretanto. Esse comando não ofende a unidade. 150. assistência social e previdência social) e fiscal (da Administração Direta e Indireta) – art. a peça orçamentária deverá ser dividida em três contas: de investimento (referente às empresas controladas pelo Estado). o orçamento da seguridade social (inclusive entidades mantidas pelo sistema).

Aliás. o Gastos mínimos com saúde – estabelecidos pelo art. DF e Municípios. Oliveira e Horvath (2003. e no art. bem como na formação do FUNDEB (art. quando existe situação premente. fundo ou programa. incluindo os ditames do sistema posto. Cediço concluir que a proposta orçamentária e sua consectária vênia legislativa acabam vinculando o administrador. CF/88. 212. o qual deverá atuar dentro das condicionantes que se apresentam no plano fático. De outra parte. II e III. 198. I a XII. educação.199 desiderato não alcançar a instituição de tributos no exercício de execução do orçamento. nos termos do art. como a razoabilidade e a proporcionalidade. 167. 165. há balizas que relativizam a atuação do administrador: saúde. verdadeira decisão política. p. 157 a 159. Não-afetação – o art. CF/88. § 2º. CF/88. 23. 108-109) chamam o orçamento de Lei de Meios. Apesar de a execução de despesa (e sua previsão em orçamento) ser ato discricionário. CF/88). II e VII. 116) destacam duas classes de despesas consideradas coercitivas ao administrador: as continuadas de caráter obrigatório – incluindo as incumbências previstas no art. Oliveira e Horvath (2003. 167. IV. o administrador pode deixar de executar as despesas vinculadas. muito pela jurisdicionalização de políticas públicas. etc. Porém a discricionariedade do administrador na proposta e na execução do orçamento se baliza pela legalidade em sentido amplo. p. . CF/88. ADCT. o Gastos mínimos com educação – 18% para a União e 25% para os Estados. Além disso. verba de repasse do FPE e do FPM e percentual de transferência do IPI sobre expo’tações' (art. essa colocação tem autorizado o Judiciário intervir na seara do Executivo. Tanto é assim que Oliveira e Horvath (2003. p. pagamento de servidores. No entanto. XXII. 142) lembram que não seria possível a vinculação de receitas transferidas. Devem ser obedecidos os parâmetros estatuídos na LRF para a constituição de crédito público. Em sede de exceção. Podem integrar essa garantia receitas de impostos estaduais e municipais. o Garantias em operações de crédito por antecipação de receita – nos termos do art. há dever jurídico do buscar-se o interesse público. § 8º. 60. tal qual já delineado pelo STF na ADPF 45. o Gastos com a administração tributária – de acordo com o previsto no art. CF/88. CF/88. serviço da dívida. CF/88 (serviços públicos essenciais) – e o custeio da máquina administrativa. de sorte a demonstrar sua total impossibilidade. CF/88). o mesmo dispositivo ressalva a máxima em estudo: o Repartição constitucional de receitas – estatuída nos arts. “caput”. 77. 37. § 4º. determina que as entradas definitivas decorrentes de impostos não podem se vincular previamente a despesa.

165. Até 30 dias antes de encaminhar o projeto de lei do orçamento anual. • Reserva de contingência para cobrir passivo contingente de ricos eventuais e fiscais imprevistos (Anexo de Riscos Fiscais. além de outros requisitos (art. Depois de apresentado os PL’s das leis do orçamento (PP. o orçamento vigente prorrogar-se-ia para o exercício subseqüente. já que inexiste LC reguladora da situação. 20). capitaneada por Silva (1996). como lembra Führer e Führer (2001. é designada comissão mista do CN para analisá-lo e emitir parecer. LDO e LO anual). operando autêntica ultratividade (OLIVEIRA e HORVATH. Lei 4320/54. 32. Na esteira. I a III. 166. conferindo-lhes os mesmos efeitos. a jurisprudência tem flexibilizado os percentuais constitucionais obrigatórios em despesas com educação (art. ADCT). II e III. na linha do que determina o art. • Estabelecimento das medidas de compensação relativas à renúncia de receita (aumento de tributos) e às receitas obrigatórias de duração continuada. ficam proibidas operações de antecipação de receita no último ano do governo. Antes do início da votação para deliberação no colegiado. O não exercício desse dever-poder no prazo assinado leva ao estatuído no art. 198. 165. Os projetos de lei da peça orçamentária são de competência exclusiva do chefe do Executivo (art. § 8º. 4º. 5º. o art. Parte dos jurisconsultos entende que se aplicaria. para que esses elaborem proposta orçamentária própria. p. 59. como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da PIS/CONFINS. “caput”. No entanto. No entanto. defende que cada despesa deveria ser autorizada mediante lei específica. 5º. veda que prefeito assuma compromissos financeiros para serem cumpridos após o término do mandato. § 1º. § 6º. LRF): • Demonstrativo do cumprimento do Anexo de Metas Fiscais (previsão e diagnóstico). “caput”. A vedação foi estendida aos demais mandatários das demais esferas estatais pela LC 101/00. CF/88 (FÜHRER e FÜHRER.200 A lei orçamentária observa a LDO e o plano plurianual concomitantemente (art. o chefe do Executivo pode enviar mensagem aditiva para alterá-los. CF/88. 212. CF/88) e saúde (art. forte corrente. § 3º. componente da LDO – art. O art. LRF). LRF). p. naquilo que ainda não foi . CF/88). Lei 4320/64). 59. porquanto componente do projeto da LDO. 2001. 2003). § 2º. • Demonstrativo regionalizado sobre o impacto de receitas e despesas (art. e 77. “caput”. Lei 4320/64. Legislativa e Judiciário a estimativas de receitas. O STF equipara a não-devolução à rejeição total. Lei 4320/64: a lei orçamentária vigente é a aplicável. isto é. 32. por analogia. A doutrina se debate acerca de um possível projeto de orçamento rejeitado na integralidade pelo Legislativo. CF/88). assim como empenhar mais que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente (art. o Executivo deve deixar à disposição do MP. § 2º. 21).

37. 166. Obs. “caput”. 82. como é o caso das leis orçamentárias.: a previsão orçamentária de auxílio ou de subvenção a certa entidade não lhe garante direito subjetivo à exigência do crédito correspondente. Câmara dos Vereadores pode submeter o documento à perícia prévia de contadores nomeados (art. Emendas aos PL’s. . CF/88). Refere-se à aplicação da lei orçamentária. p. §§ 3º e 4º. exarando-se parecer prévio do TC (art. CONTROLE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA – compreende três aspectos (art. 77. 47 e 50. 166. devendo ser observados os limites constitucionalmente previstos na Carta Magna. ADIn 1. 2003. podendo adequá-lo na medida de sua execução (arts. § 2º. o Executivo abre “incontinenti” os créditos às respectivas unidades orçamentárias de forma trimestral. 102. O segundo pode ser concomitante ou subseqüente (art. com a ressalva de que não mais existe o controle prévio). CF/88). • Cumprimento do programa de trabalho orçamentário – atribuição da controladoria interna. j. Lei 4320/64). I a III. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88). § 5º. O controle prévio orçamentário foi tacitamente excluído pelo constituinte. Lei 4320/64): • Legalidade – com controle “prévio”. Terminada a análise pela comissão. não existe TC nos Municípios. CF/88). o PL é levado à apreciação pelo plenário das Casas Legislativa em sessão conjunta. 252 253 STF. rel. O Executivo remete ao Legislativo a prestação de contas no prazo constitucional ou estabelecido na Lei Orgânica municipal. porquanto esse não o previu expressamente. § 6º. O poder de emenda. Lei 4320/64). I a III. não poderão versar sobre dotações de pessoal e seus encargos. 31. 70. concomitante e subseqüente (art. 147). “caput” e § 1º. mesmo dentro de projetos de lei de iniciativa exclusiva do Executivo. 77. o externo e o popular. 75. dentro da leitura que o STF do art. sendo objeto do balanço orçamentário (art. em regra. • Fidelidade dos agentes públicos responsáveis por bens e valores do erário. EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – em vigor a LO anual. CF/88252. § 4º. apresentadas na comissão mista. sobre serviço da dívida e sobre transferências voluntárias a outros entes federados (art. 82. legitimidade e economicidade (art. Espécies de controle – existem o interno. é amplo. 166. apesar de ser admissível eventual discussão em sede de responsabilidade civil do Estado – art. Lei 4320/64). Celso de Mello. Lei 4320/64). Lei 4320/64)253.201 peremptoriamente decidido (art. Min. § 3º. salvo São Paulo e Rio de Janeiro (art. CONTABILIDADE – diz respeito a cinco tipos: • Orçamentária – preocupa-se exclusivamente com a execução do orçamento.050-MC. 21-9-94. como já disse o STF. pois. Lei 4320/64. DJU de 23-4-04. O constituinte usou terminologia análoga para estabelecer os parâmetros de controle do orçamento: legalidade.

254 STF. Celso de Mello. assim como a requisição de pequeno valor (RPV). PRECATÓRIO – as EC’s 30/00 e 37/02 alteraram a redação dos parágrafos do art. ao contrário das verbas não alimentares (art. porque o constituinte nada falou sobre lapso de adimplemento.202 • Financeira – inclui débitos e créditos incluídos ou não no orçamento. não sendo propriamente uma espécie de fiscalização. §§ 1º a 4º. a qual é mais abrangente. é possível o exame de constitucionalidade de EC254. 105. consubstanciando o balanço financeiro (art. 107. “caput”.5. CF/88). p. p. DJU 10. 160). p. 99. . 103. comportando o balanço industrial (art. • Industrial – engloba a atividade econômica exercida pelas entidades da Administração Indireta. salvo se lei expressamente determinar sua vinculação à ordem do Legislativo (art. Lei 4320/64). 60. Oliveira e Horvath (2003. ENTIDADES PARAESTATAIS (Administração Indireta) – terão orçamentos e balanços aprovados por decreto do chefe do Executivo. Lei 4320/64). I a V. 100. 110. Oliveira e Horvath (2003) substituem essa previsão legal pela fiscalização operacional. rel. Em melhores termos. porque contrariou o art. olha a entrada e a saída de dinheiro do erário. O primeiro inclui o ativo/passivo financeiro (que independe de orçamento) e permanente (cuja mobilização ou alienação dependente de autorização legal). CF/88. Lei 4320/64). § 4º. assim como o saldo patrimonial (art. Lei 4320/64) e serão remetidos às contadorias centrais dos entes políticos de vinculação no prazo legal. Lei 4320/64). “caput” e parágrafo único. “caput”. ao respectivo chefe do Judiciário enquadrante. requisição para pagamento de débitos judiciais da Fazenda Pública (OLIVEIRA e HORVATH. 2003. 100. Na RPV. deve ser pago imediatamente e com correção. Para Oliveira e Horvath (2003. ADIn 4662-600. sendo materializada pelo balanço patrimonial e pelo demonstrativo de variação patrimonial (arts. o próprio juiz da execução expede o ofício requisitório à autoridade encarregada do pagamento (OLIVEIRA e HORVATH. 164) defendem que o precatório alimentar. Min. 191). mormente quanto ao seu trâmite legal. trata-se de exame formal das contas públicas. Com efeito. CF/88.2001. Com base em pronunciamento do STF. § 1º. o constituinte derivado exorbitou sua competência reformadora. dando nova conformação ao sistema de pagamento de débitos judiciais da entidades públicas. • Patrimonial – traz o registro analítico de todos os bens permanentes. Lei 4320/64). 104 e 105. p. não haveria qualquer termo final para apresentação do requerimento para requisição (ofício precatório). Tais documentos seguirão o padrão de confecção da própria Lei 4320/64 (art. Precatório é o ofício em que o juiz de primeira instância requer. 2003. No diapasão. 161). É uma análise da execução do orçamento quanto à evolução do patrimônio público. • Contábil – é o meio instrumental para realizar a verificação das contas públicas.

Dessarte. haja vista a cristalina determinação do art. rel. p. “De lege ferenda”. O seqüestro não pode ser decretado “ex officio”. Oliveira e Horvath (2003. CF/88. Min. o prazo para adimplemento de RPV é de 60 dias a partir do recebimento do ofício pela Procuradoria da AGU (art. “caput”. No entanto. O art.203 não havendo de se falar em qualquer interferência ou controle por parte do tribunal enquadrante. ADCT. Lei 10259/01). autoriza o seqüestro de quaisquer verbas públicas. com a receita seqüestrada. qualquer crédito alimentar continua preferindo a ambos. 204). O precatório alimentar tem definição no art. 78. Ademais. 2003. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. Trata-se de comando absoluto. 2003. “caput”. Por fim interessante rememorar que os credores alcançados pelo art. 100. será pago o primeiro da fila. O seqüestro é autorizado quando existe preterição na ordem de pagamento. pode requerer a cautelar em comento. mas sim de cautelar (OLIVEIRA e HORVATH. conquanto não se trata de tutela satisfativa. a constrição engloba qualquer quantia pública. 78. No âmbito da União. No entanto. não só aquela objeto da infração constitucional (OLIVEIRA e HORVATH. 192) entendem que o decurso razoável seria de trinta dias. ADCT. 202). com já disse o STF. porque é norma decorrente do Poder Constituinte originário. 202) e a própria inércia da jurisdição. CF/88. a jurisprudência entende que. na linha do entendimento do Excelso Pretório. . Nos créditos sujeitos à moratória do art. Oliveira e Horvath (2003. 17. ADCT. os legisladores locais e regionais poderão estatuir decurso e montantes diferentes daqueles constantes no art. em primeiro plano. descabendo qualquer tentativa de justificar a preterição da seqüência. Nesse passo. o precatório deveria ser pago em parcela 255 STF. § 2º. § 1º-A. não alcançando a mera inadimplência do Poder Público. a verba deve ser buscada no patrimônio do beneficiário indevido. ADCT. IV. p. De fato. CPC. 2003. 33. ADCT. não necessariamente o requerente da medida. reconhecem a constitucionalidade da moratória estabelecida no art. 649. mesmo que à pretensa vantagem da Fazenda em obter descontos. p. IF 139-1/SP. qualquer preterido. “caput”. “caput”. como já disse o STF. porque fora da ordem de apresentação dos precatórios. 100. com redação dada pela Lei 11382/06. 100. p. além de pela inobservância na ordem de pagamento. I e II. o seqüestro fica autorizado. Nesse sentido. cujo rol pode ser considerado “numerus appertus”. pelo não-adimplemento do décimo anual no lapso legal ou pela não-inclusão da dotação no orçamento. p. como já cristalizou entendimento a jurisprudência da Corte Máxima255. 2003. sob pena de seqüestro (OLIVEIRA e HORVATH. No ponto. 177). p. 166). para pagamento de precatórios. têm preferência sobre o primeiro décimo devido àqueles abarcados pelo art. 87. 193) defendem a inclusão da verba honorária sucumbencial na relação. p. no exercício do múnus público de autêntico de fiscal da lei na ordem de pagamento. o art. incluindo os honorários dentro dos alimentos impenhoráveis. Mas ambos deverão ser pagos até o fim do exercício. reforça a tese apresentada. Sepúlveda Pertence. a medida pode recair sobre numerário estatal. § 2º. Não sendo possível. “caput”. Oliveira e Horvath (2003. superado o interregno assinalado de oito anos sem qualquer adimplemento. 33.

o princípio do pagamento dos débitos judiciais fazendários pela via do precatório. . ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas. 22). Súmulas 347 do STF: “O Tribunal de Contas. previsto no art. 2001. inicialmente e de forma ampla. pode haver controle privado ou popular. não podendo ser obstada a despesa antes do início de sua realização. Controle externo – o TCU é órgão auxiliar do CN. 2001. ressalvado o sistema de controle interno (FÜHRER e FÜHRER. 74. Analisa as contas dos administradores públicos. No ponto. “caput”. § 1º. a disposição do art. 2003. porquanto o legislador optou pela jurisdição una (art. “caput” e § 3º. pois o administrado pode denunciar irregularidades perante TC. 5º. isto é. CF/88). O controle leva em conta os critérios da legitimidade da receita. realizando o conseqüente julgamento. a fidelidade funcional dos agentes da Administra.. Ao contrário do anterior. o cumprimento do prgrama de trabalho (art. ADCT. por seu saldo restante (OLIVEIRA e HORVATH. A terceira determina que o administrador deve realizar a despesa de forma mais otimizada em relação ao custo-benefício. CF/88). com prerrogativas inerentes aos congêneres do STJ (art. de aposentadoria. XXIV. 22). “caput”. XXXV. no art. CF/88. o art. 70. I a IV. p.204 única. CF/88. p. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. 77. apesar dessas não ter natureza jurisdicional (Súmulas 6 e 347 do STF)256. uma vez que o constituinte fala em controle de legitimidade da despesa – art. O órgão é formado por nove ministros. XXXVI. deve ser lido à luz do ordenamento vigorante. viola a coisa julgada. “caput”. observância de documentação e demais formalidades normativas. CF/88). o direito adquirido. não há controle prévio. ressalvada a competência revisora do Judiciário”. a justa indenização e a própria segurança jurídica. 184). Controle orçamentário – está previsto. 213). Um terço deles é escolhido pelo 256 Súmula 6 do STF: “A revogação ou anulação. 71. 73. não cabendo mais a colocação da fiscalização anterior ao gasto. 75. com auxílio do TCU – art. concomitante e posterior. pelo Poder Executivo. não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal. Lei 4320/64) (FÜHRER e FÜHRER. e 100. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”. O controle interno baseia-se na hierarquia. mediante o preenchimento dos requisitos do art. Lei 4320/64. por ser obra da competência constitucional derivada. Apesar de não deter jurisdição (força definitiva de decisão). no exercício de suas atribuições. 5º. A segunda diz respeito à previsão legal. 2003. Cumpre à autoridade superior verificar a legalidade dos atos. Essa prerrogativa não alcança o Judiciário. 73. “caput”. “caput”. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. Além desses. a isonomia. 70. 196). gozando de um “status” semelhante ao Parquet em relação ao Executivo. O controle externo é realizado durante e após a realização da despesa. No sistema doméstico. Dessa forma. p. 78. p. p. Elas podem ser reapreciadas pelo Judiciário. A fiscalização poderá ser interna (pelo próprio órgão) ou externa (pelo CN. A primeira se relaciona ao atendimento do interesse público. “caput”. § 2º. legalidade e economicidade. o TC pode adentrar ao mérito dos atos por ele fiscalizados. acaba proferindo decisões. CF/88. segundo os arts. 2003.

Súmula 653 do STF: “No Tribunal de Contas estadual. Carlos Britto. podendo CE ou lei orgânica municipal dispor de forma contrária (art. o art. Min. 57. devem ser preenchidos por todos (OLIVEIRA e HORVATH. 82. composto por sete conselheiros. cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público e um terceiro a sua livre escolha”. atualmente correspondendo às cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. destacando-se as seguintes: • Competência para julgar contas de administradores de dinheiro público. mas as indicações do chefe do Executivo estadual não precisam ser submetidas à sabatina do Legislativo. com exceção do Presidente da República.205 Presidente da República. 2003. Informativo do STF n° 475. Se o Presidente. pelo CN (art. Lei 4320/64). Os TCE’s (e TCM’s. Nessa última hipótese. o qual poderá rejeitar ou aprovar a contabilidade (art.2007. alternadamente. mediante lista tríplice elaborada pelo próprio TCU e com prévia aprovação pelo SF. conselho ou tribunal de contas municipal após a promulgação da CF/88 (art. Na mesma cautelar. CF/88. quatro devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual. os TCE’s limitam-se a prestar auxílio técnico às Câmaras Municipais e a analisar as contas dos prefeitos. 2003. 224). dois dentre auditores e membros do MP junto ao tribunal. O STF já disse que 1/3 dos conselheiro são escolhidos pelo Governador. 258 STF. 224). As funções do TC estão enumeradas no art. p. Ilmar Galvão. orig. a ser obrigatoriamente reproduzida pelo constituinte decorrente (Súmula 653 do STF)257. Governador ou Prefeito não apresentar as contas no interregno assinalado (60 dias a partir do início da sessão legislativa. A discordância exige quorum de 2/3 do Legislativo para aprovação. Plenário. rel. o qual determina que as contas dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) e do MP sejam apresentadas conjuntamente com o Executivo. Segundo o STF. 73. quando existentes) observam a composição e formação do TCU. CF/88). quanto ao chefe do Executivo. § 2º. inclusive na plenitude das atribuições. § 1º. I a XI. p. I e II. LRF). 216). XXIV. sendo formado por sete conselheiros (art. Apesar de haver vedação à criação de órgão. 75. e o restante. p/ o acórdão Min. também se encontra com a eficácia suspensa. Os requisitos subjetivos do art. o prazo é de 60 dias para emissão do parecer pelo TC. 8. lembrase que os TCM’s instituídos antes de 1988 permanecem em funcionamento. No âmbito municipal. 73. “caput”. CF/88). O documento será encaminhado ao Parlamento. e 2/3 pela Assembléia Legislativa. “caput”. 56. CF/88. Nota-se que o exame realizado pelo TC é técnico e administrativo. Lei 4320/64). essa disposição encontra-se obstada por cautelar deferida pelo Supremo258. Em tese. 84. não podendo proferir determinações à Municipalidade (OLIVEIRA e HORVATH. no caso da União – art. j. rel. o TCU emite parecer. CF/88). 2003. 257 . Ademais. CF/88).8. o TCU tem função meramente opinativa. 82. o STF posiciona-se favoravelmente que TCE crie repartição específica para atuar perante determinado Município. “caput” e parágrafo único. cabe ao TC comunicar ao Presidente do Legislativo para medidas cabíveis (OLIVEIRA e HORVATH. LRF. 31. cuja gestão será analisada pelo plenário do CN (art. Trata-se de norma central. que irá acatá-lo ou não. p. 71. “caput”. ADI 2238 MC/DF. § 1º. § 4º. No entanto.

• Sustar atos que não observem legalidade. operacionais e patrimoniais se realizam em qualquer unidade administrativa (UA). em princípio. 219). da legitimidade e da economicidade das despesas (art. sendo certo que contratos devem ser obstados. embargo de obras. p. comunicando o Legislativo em seguida (art. dentro da esfera de atribuições do próprio TC. CF/88). As decisões do TCU que impliquem em imputação de débito ou de sanção terão eficácia de título executivo (art. de sorte a ratificar aqueles passíveis de revalidação. Essas inspeções e auditorias contábeis. 217). Se qualquer desses não se pronunciar a respeito em 90 dias. “caput”. preconizando que. quando houver solicitação pela comissão mista de orçamento e finanças no âmbito do Legislativo (art. aquele que se beneficiava poderá se defender perante o órgão. mormente por intermédio de auxílios e de subvenções. etc. CF/88). deve haver prática de novo ato com efeitos “ex tunc”. • Controle sobre atos de admissão de pessoal e de concessão de inatividade remunerada (aposentação. X. § 4º. § 3º. orçamentárias. 71. § 1º. A Súmula Vinculante 3 do STF trata do TCU. 71. Ademais. como lembram Oliveira e Horvath (2003. • Aplicar sanções. prescindindo-se de inscrição em dívida ativa.206 não político. em um típico controle concomitante. a decisão se defere a esse. • Emitir parecer sobre despesa constante do PL de orçamento anula. Não sendo possível a convalidação. com respectivo registro. Deve assinar decurso para retificação da ilegalidade. p. quando da responsabilidade de agentes públicos por ilegalidade ou por irregularidade. CF/88). CF/88). legitimidade e economicidade. com todos os . 71. não mais existe o controle prévio de despesa. comunica o Poder enquadrante da UA irregular. deve prestar contas de sua atuação ao próprio Poder enquadrante (art. Se o TC encontrar entraves. Não é mais necessário registro anterior de ato ou de contrato para a realização do gasto público. CF/88). • Fiscalização sobre verbas repassadas a outros entes federados e entidades públicas ou privadas. partir da comunicação do tribunal. nessa hipótese. 71. Nessa faina. financeiras. sempre sob os auspícios da legalidade. • Realizar auditorias a pedido de órgãos ou entidades públicas. As medidas impostas devem estar previstas em lei. reforma ou pensão). As multas implicarão em título executivo extrajudicial. como multas. em um processo administrativo em que possa haver reforma de ato administrativo. porque seu órgão auxiliar (art. 70. Para Oliveira e Horvath (2003. CF/88). só havendo de se falar em fiscalização posterior e concomitante. “caput”.. o TC susta a execução. Trata-se da fiscalização propriamente dita. • Atendimento a qualquer solicitação do Legislativo. diretamente pelo Legislativo ou pelo próprio Poder fiscalizado. 72.

segundo advogam Oliveira e Horvath (2003. III. fica autorizada limitação de empenho e proibida operação de crédito. pois. • Relatório de execução orçamentária e de gestão fiscal. CF/88. nessa hipótese. Se ultrapassados. é publicado também o Relatório de Gestão Fiscal. o qual demonstrará a observância dos limites legais da dívida pública. Depois do período legal para saneamento. 223). A cada quatro meses. cumpre destacar o relevante papel desempenhado pelo Ministério Público. como lecionam Führer e Führer (2001. 48. • Participação popular e audiências públicas. A cada bimestre. disparando os diversos sistemas de alerta e de restrição financeira previstos na LRF. 22). das operações de crédito realizadas e eventuais medidas corretivas levadas a cabo. Esse comando não se aplica quando o ato se refira à legalidade de concessão inicial de aposentadoria ou benefício. 129. CF/88. • Orçamentos. o Parquet é órgão que tem incumbência de velar pelo patrimônio público de modo amplo. p. e da Lei 8429/92. § 4º. a partir do art. além das demandas penais. excetuando-se refinanciamento do principal da dívida mobiliária. ao inquérito civil e à própria ação por improbidade administrativa. nos termos do art. Trata-se de matéria de direito e não de fato.207 sucedâneos do contraditório e da ampla defesa. • LDO. LRF: • Planos. • Prestação de contas e parecer prévio. o TCU se limita a aplicar à lei. podem ser sanados nos três quadrimestres seguintes. . Goza de vários instrumentos extrajudiciais e meios judiciais para fazer recompor o erário e para responsabilizar aqueles que o maculam. “caput”. o TC tem autorização para quebrar sigilo bancário e fiscal por força própria. Instrumentos de transparência da gestão fiscal (inclusive em meio eletrônico) – art. especial atenção deve ser dada à ação civil pública. é publicado o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREX). Dentre eles. das concessões de garantias. Nesse contexto. Ainda dentro do sistema de controle externo. dos gastos com pessoal. No seu mister fiscalizatório. 37. Esse balanço quadrimestral embasará eventuais ações de contenção de gastos. desde que haja redução de 25% no primeiro deles. o qual contém o balanço orçamentário e outros demonstrativos do período. Os limites da dívida pública são verificados a cada quadrimestre. Com efeito. falecendo direito ao contraditório e à ampla defesa ao beneficiário. a existência de situação desfavorável não permite que o ente receba transferências voluntárias. p.

configurando operações de crédito público (captação externa de recursos). Lei 4320/64): . . o Estado pode obter entradas por meio de endividamento. 51. Estados ou Municípios que eventualmente não tenham competência para elaborar MP pode autorizar créditos extraordinários por meio de decreto. 62. podendo estabelecer limites inclusive para o montante da dívida pública consolidada e mobiliária de Estados. Apresentam as seguintes características: obrigação bilateral. I a III. todos os créditos adicionais. NÃO APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO OU DA GESTÃO FISCAL – ente fica passível de sanções diferentes daquelas previstas para inobservância dos limites legais.Especiais – inexiste previsão de certa despesa no orçamento. derivadas ou transferidas. Lei 4320/64. 40. § 5º. CF/88). O crédito correspondente deve ser reforçado. § 3º. 52. O resultado do crédito público é a dívida pública e a captação de recursos. mormente os suplementares. MUNICÍPIOS E ESTADOS – deverão encaminhar. atualmente são obtidos por MP. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (arts. justamente porque presentes os requisitos de relevância e urgência (art. não pode receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. vênia legislativa específica quanto à operação a ser realizada. De outra parte. LRF). de acordo com a tríade das contas orçamentárias (art. 41.208 DEMONSTRATIVOS – deverá haver separação entre órgãos. I e II. DF e Municípios. parágrafo único.Suplementares – a previsão de despesa foi insuficiente. ao menos por meio de autorização genérica. fazendo surgir a categoria em comento. § 2º. seguindo o reexame imediato pelo Poder Legiferante correspondente (Assembléia Legislativa ou Câmara Municipal). Créditos adicionais – são autorizações de despesas. comoção intestina ou calamidade pública. demonstrações do exercício anterior (art. previstas no art. LRF). LRF). 51. finalidade pública devidamente comprovada. Os extraordinários poderão ser obtidos por meio de MP. O Senado controla as operações de crédito. ou seja. § 2º. fundos. Podem ser de três tipos (art. pendendo inconstitucionalidade. autorizando operação de crédito externas e dispondo sobre garantias para a realização dessa última. a MP deve ser “incontinenti” submetida ao Legislativo. Os créditos especiais e suplementares dependem de autorização legislativa específica. Fá-lo-á por meio de empréstimos. Apesar do exposto. “caput”. 165. previsão orçamentária. . § 1º.Extraordinários – são destinados a despesas urgentes e imprevistas. 49. Nesse caso. . I a III. Créditos públicos – além das receitas originárias. e 53. Administração Indireta e previdência (art. CF/88). Essa situação corrente não encontra guarida na Carta vigente. como guerra. Os limites da dívida mobiliária da União são estabelecidos por meio de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República. entre 30 de abril e 31 de maio.

2003. De outra feita. não propriamente a liberdade contratual (ao contratar. 231). 234). sendo posição atualmente ultrapassada. impende a liberdade de contratar. que estatui condicionantes para a ocorrência jurídica do fato. É a doutrina do argentino Drago (apud OLIVEIRA e HORVATH. 2003). 238) classificou os atos estatais em três categorias: ato-regra. em contratar. o empréstimo público seria movimento de caixa. o princípio da autonomia da vontade cede lugar à autonomia privada. I e II. CF/88. p. inclusive com cláusulas exorbitantes previstas na lei de autorização. É contrato privado – existem dois momentos para a consubstanciação de crédito público. p. É contrato administrativo – dentro da mesma idéia anterior dos dois momentos de formação do empréstimo. 238). O segundo é a celebração do contrato em si. a teor dos contratos privados. Ademais. p. 52.209 Excluindo-se os empréstimos compulsórios. ato-subjetivo. 2003. a qual autoriza. seria regido pelo Direito Público. conquanto formam-se crédito e débito co-respectivos (OLIVEIRA e HORVATH. ato de soberania do Estado. 243) defendem que as operações de antecipação de receita não são empréstimos públicos. o qual seria regido pelo Direito Privado. O mecanismo dos empréstimos públicos. * O ato-condição é a Resolução do Senado (art. apesar de não vigorante no âmbito doméstico. a natureza dos empréstimos públicos é motivo de celeuma na doutrina. 233). restringe e regula as operações de crédito. 148. que têm autêntica essência tributária à luz do art. enquadrar-se-ia perfeitamente na classificação aduzida pelo mestre francês: * O ato-regra é a lei a disciplinar os empréstimos públicos (art. Sob o aspecto financeiro. a avença celebrada. 22. o qual seria a efetiva ocorrência do fato à luz dos dois anteriores. limita. o ato-condição. 2003. em autêntico ajuste consensual). Oliveira e Horvath (2003. p. VII. p. o contrato administrativo de empréstimo tem suas cláusulas elementares exprimidas pela lei autorizadora. sendo possível distinguir três correntes: É ato unilateral de um Estado – decorrente de sua soberania. É a idéia da doutrina majoritária francesa e de Cretella Júnior (apud OLIVEIRA e HORVATH. É a posição prevalente. O primeiro é a autorização legislativa para contraí-lo. p. 232). CF/88). segundo Oliveira e Horvath (2003. isto é. V a VII. necessário afirmar que os ditames do “pacta sunt servanda” e da boa-fé objetiva estão presentes nos contratos de empréstimos públicos. . como lembrar Oliveira e Horvath (2003. Léon Duguit (apud OLIVEIRA E HORVATH. como disse Geraldo Ataliba (apud OLIVEIRA e HORVATH. 2003. p. 234). o qual estabelece a regência para determinada situação jurídica. em estabelecer as cláusulas. porque se balizam pelo direito comum. Dessa forma. referente ao segundo momento. p. CF/88). não poderia ser objeto de execução específica. segundo Oliveira e Horvath (2003.

emitindo parecer. No ponto. A instituição financeira. “caput”. é permitido indicá-los como garantia em execução fiscal uma vez que tenham cotação em bolsa de valores. O art. muito pelas quais as fontes do Direito Público Internacional vedam tais práticas. A forma mais corriqueira de operação de crédito se dá através de emissão de títulos da dívida pública. 30) lecionam que o legislador criou um sistema difuso de controle das operações de crédito. não se imiscui operação de crédito com transferência voluntária. pretensa credora do ente público. LRF. Realizará essa fiscalização por meio de verificação se os patamares foram observados. p. desde que haja previsão legal. taxa administrativa. O art. No ponto. Essa operação em particular produz uma categoria específica de dívida pública: a mobiliária. § 1º. “caput”. Amílcar de Araújo (apud OLIVEIRA e HORVATH. devolvendo-se o valor ao credor sem qualquer acréscimo (juros. o que pode sugerir grave prejuízo à financeira. a despesa é considerada nula. Essa permissão não será aplicada quando o crédito for destinado a pagamento de despesas correntes (custeio) nem a refinanciamento . Führer e Führer (2001. a ser operado pelas próprias instituições financeiras credoras. inclusive das empresas públicas a eles atreladas. visando garantir equilíbrio e harmonia no âmbito da federação. como o próprio FMI e a OMC. geralmente os entraves são resolvidos por arbitragem. p. Além disso. em que pese a existência da Corte Internacional de Justiça e de órgãos da ONU com atribuições correlatas. veda operação de crédito entre os entes federados. LRF). Eles podem ser usados para quitação de tributos. os Estados e organizações internacionais credoras podem usar sanções indiretas por força própria. O documento tem um caráter técnico. diz que o Ministro da Fazenda controlará os limites e condições para realização de operações de crédito dos entes federados. Os títulos são colocados à venda. não sendo vinculante em relação à autoridade ou órgão que tem incumbência sancionadora. correção. Não se encontra na proibição empréstimo por meio de instituição financeira estatal e ente federado. Uma pessoa política não pode fazer empréstimos a outra.). recebendo o Estado a contraprestação pecuniária. Moratória e bancarrota são meios unilaterais que o Estado devedor tem para mitigar o pagamento da dívida. Não atendidos os requisitos da lei. LRF. 32. 35. a qual é realizada a fundo perdido. 35. 2003. as quais sempre deverão ser secundadas por renegociação do “debitum”. por meio de entidades a eles ligadas. De outro lado. como o embargo comercial. 228) lembra que a execução específica e a recorrência a meios militares não mais têm vez para cobrar débitos de operações de crédito externas hodiernamente. à luz do parecer do Ministro da Fazenda. direta ou indiretamente. O agente não tem o poder de impor sanção pelo descumprimento do estabelecido normativamente.210 * O ato-subjetivo é a celebração do contrato administrativo pela entidade pública. etc. deverá verificar se as condicionantes legais foram observadas. incluindo outras pessoas públicas de Direito Público a ele vinculadas (art. Na via jurisdiciona internacional.

que o ente público ofereça receita pública futura como garantia. LRF): o Requerimento do interessado. 167. LRF). excluindo REFIS (art. 40. Maiores que as despesas de capital (art. 32. II. os requisitos para o recebimento de transferências voluntárias – art. premente lembrar que dívidas contraídas anteriormente à LRF podem ser objeto de refinanciamento. o Outras restrições estabelecidas pelo legislador complementar. § 1º. Se for prestada pela União em relação a instituições internacionais de financiamento e fomento. 1: é vedada a realização de operação de crédito (art. em crédito adicional ou lei específica. CF/88). “caput”. É possível. p. salvo entre aquela e ente federado distinto (art. LRF (art. 40. “b”. 31). 35. salvo antecipação de receita. 25. As operações de crédito dependem do atendimento dos seguintes pressupostos (art. III. Obs. o Contrapartida em receita prevista na LO ou em crédito adicional. GARANTIA pode vir de contragarantia de transferência constitucional (consignada) pelo garantidor (art. I a IV. nas operações de crédito. § 1º. LRF). além das condições para garantia interna. IV. 35. Para Führer e Führer (2001. Obs. III. As garantias podem ser: • Pessoais – é o caso de aval de banco ou da União em favor de Estados ou de Municípios. § 3º. § 1º.211 com outra concedente (art. LRF). “a disposição se afigura inconstitucional no que se refere à parte das transferências cujo fim é vinculado”. deverão ser observadas. CF/88). II. § 1º. 35. 38. 2: é proibida antecipação de receita no último ano de mandato do Executivo (art. o Observância de limites e condições estatuídas pelo SF. com autorização específica desse no caso de operação de crédito externo. salvo autorização do CN por maioria absoluta para inclusão em crédito suplementar ou especial para o caso específico (art. § 1º. Por fim. I a II. . LRF). I a VI. LRF). LRF). LRF). com demonstração contábil e jurídica da viabilidade na relação custo-benefício e no atendimento do interesse social e econômico. LRF). São aquelas decorrentes de repasses constitucionais e legais (art. I. o Não superação do valor em despesa de capital. § 2º. 40. 167. § 1º. Entre entes federados (inclusive na Administração Indireta) e entre ente e sua instituição financeira (inclusive o BACEN). o Expressa autorização em LO orçamentária. 35.

V. pagando-se devidamente o devido. LC 101/00). envolvendo mais de um exercício. CF/88). o ato seria vinculado. Para eles. etc. o mandatário não está coagido a exarar a medida. I e II. não concordam com a leitura feita pelo Excelso Pretório. . vinculação de receitas de impostos de competência própria do tomador ou decorrente de transferências obrigatórias (art. Os motivos espelhados nos arts 34. 244). 35. ensejam decreto “ex officio” do chefe do Executivo. Oliveira e Horvath (2003. Intervenção e dívida fundada – é permitida pelo não pagamento do débito nas seguintes condições: Da União nos Estado – quando esse estava pagando e suspendeu por decurso maior que dois anos (art. A decretação da intervenção não será feita se houver motivo de força maior.Por resgate – o qual pode ser à vista ou por amortizações. e 35. consoante comentário já feito anteriormente.212 • Reais – podem ser constituídas de diversas formas. V. o Fundada – o pagamento é feito em longo prazo. 167. como já disse o STF. apesar de constituir ato discricionário. os empréstimos públicos podem ser externos (aduzidos por Estados ou por organizações internacionais) ou internos. Observa-se. Dos Estados nos Municípios – quando não pagou a dívida contraída por dois anos consecutivos (art. os créditos públicos podem ser federais. I. CF/88).Por conversão – há opção do credor em receber o montante com juros menores ou manter a dívida para recebimento futuro. CF/88. que a LRF trata de dívida fundada e consolidada como sinônimos. “a”. moeda forte estrangeira. em tese. Nesse passo. porquanto é prerrogativa funcional e política de seu cargo a decisão sobre a oportunidade e conveniência a efetivação. § 4º. Pode ser índice oficial legal. cotação do ouro. etc. Nesse contexto. realizado até 10 de dezembro do mesmo exercício (art. A correção monetária a ser aplicada nos empréstimos públicos depende da lei autorizadora e da disposição do instrumento do ajuste. mesmo que haja vênia judicial. Extinção do crédito público – pode se dar de quatro formas diversas: . o Consolidada – não existe pagamento do principal. Com referência ao prazo de pagamento. só incidindo sobre juros. emissão de títulos da dívida pública mobiliária. Classificações – quanto ao aspecto subjetivo (característica do devedor). como: hipoteca sobre bens públicos dominiais. I. com mais . menos que 12 meses. 38. classificam-se em: o Flutuante – o pagamento é previsto para ser feito em curto prazo. p. caracteriza uma discrepância técnica. CF/88). o que. a dívida deve ser contraída até 10 de janeiro e o adimplemento. a ser demonstrada pela unidade intervinda. 34. “a”. estaduais ou municipais. comentando essa última hipótese. No tocante à praça de pagamento (ou à localização do credor).

o Texto Constitucional. Lembre-se que o povo. 30. de novação objetiva. CF/88. a Defensoria Pública não possui autonomia financeira. aduz sua pretensão no Judiciário doméstico (art. 2003. interno ou externo. Execução do crédito público – segue o rito ordinário ou o procedimento para títulos executivos extrajudiciais. A doutrina não cogita de nenhum ferimento.Por prescrição – a pretensão do credor em receber os valores é perdida em decorrência do decurso temporal. a Lei Orgânica e. . 16. Cada orçamento definirá qual modalidade de classificação a despesa incorrerá. em verdade.213 vantagens. Pergunta: o que é considerada despesa irrelevante (art.Por consolidação – trata-se. ocorrerá da mesma forma. CPC). Para entender essa questão é necessário lembrar que o Poder Executivo é aquele que sabe como irá gastar o dinheiro público. CF/88). apenas funcional e administrativa. I. Em âmbito federal está vinculada ao Ministério da Justiça. Nos Estados. Pergunta: por deter autonomias orçamentárias. sob pena de constituir verdadeira moratória. financeiras e administrativas. LC 101/00. VI. “caput”. § 3º. sem perder de visa que o pagamento se dá na forma de precatórios (art. Ele transporta para um documento escrito – ‘um projeto de lei’ que precisará sofrer a aprovação do Poder Legislativo para que. ao escolher seus representantes também entrega aos mesmos . Pergunta: a proposta constante dos arts. 100. Pergunta: existe a comissão prevista no art. titular do poder. § 3º. Não há de ser imposta pelo devedor. § 1º. 249). 1º. (ii) compatíveis e (iii) irrelevantes. qualquer credor. tendo em vista estar inserida na Seção “Dos Orçamentos” na Constituição Federal e ser esta Comissão aquela apta a praticar a fiscalização externa orçamentária. Distrito Federal e Municípios. CF/88? Ela realmente atua? E nos Estados e Municípios? Resposta: sim. subsidiariamente. não fere o pacto federativo? Resposta: não. No ponto. e 52. seguindo respectivamente a Constituição Estadual. tornando inexigível seu direito de crédito. . I a III. com a devida legitimidade. p. 88. As aferições serão estabelecidas pelas pessoas políticas em face dos valores de despesas apontados pelas leis (orçamentárias) anteriores. LC 101/00? Resposta: cuidado. 166. LC 101/00)? Qual o valor? Resposta: os ensinamentos de Régis Fernandes de Oliveira apontam que este critério criado pela lei está inserido ao lado de dois outros: as despesas poderão ser (i) adequadas. possa prevalecer. Deve ser feita efetivada por opção do credor. não podendo ser imposta pelo tomador. em que se transforma dívida flutuante em fundada (OLIVEIRA e HORVATH. a Defensoria Pública não deveria estar incluída expressamente no art.

I e II. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. aplicável a todos os entes da Federação. deve-se levar em conta o harmonioso relacionamento entre os três poderes. já que proíbe a aplicação das disponibilidades da previdência em títulos da dívida pública municipal e estadual. com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira. no dizer de Celso Antonio Bandeira de Melo.títulos da dívida pública estadual e municipal. § 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social. 249 e 250 da Constituição. geral e próprio dos servidores públicos. § 9º. § 2º. para que o P. é possível dizer que a Lei 4320/64 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente como lei complementar? Resposta: sim. a providência. CF/88. Para interpretar esse questionamento. LC 101/00. 52. inclusive a suas empresas controladas. Legislativo – Senado Federal – disporá sobre limites globais e condições para operações de crédito interno e externo das pessoas políticas. à União não gera um contra-senso? Por que os Estado e Municípios não podem e a União pode? Resposta: Texto da LC 101/2000: Art. o art. 43. ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. Pergunta: a não aplicação da restrição do art. ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado. Essa é uma das fiscalizações orçamentárias que acontece em face do Direito Financeiro. Nesse contexto. esta lei foi recepcionada como lei complementar. O Presidente precisará encaminhar a sua proposta de gastos. Régis Fernandes de Oliveira apontam que este parágrafo 2º foi muito bem vindo. I e II. VI da CF explicita que o “P. Legislativo aprove. bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação. Os ensinamentos do Prof.empréstimos. § 2º. de qualquer natureza. 165. LC 101/00. a teor do art. Assim. aos segurados e ao Poder Público. II . autarquias e demais ‘longa manus’”. aos segurados’. 43. 164 da Constituição. evita o risco e aplicação do dinheiro público em títulos de menor expressão e impede que os recursos sejam aplicados em ‘empréstimos de qualquer natureza. Pergunta: as subvenções econômicas devem ser ressarcidas pelas entidades beneficiadas ou são consideradas como empréstimo a fundo perdido? .214 poderes de gerenciamento da atuação do Presidente da República. § 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1º em: I . Pergunta: em face do art. 43.

reza que crédito decorrente de empréstimo compulsório é classificado como dívida ativa não-tributária. configuram estruturas da Administração Pública Indireta – como ensina Celso Antonio Bandeira de Mello. exercer um importante e decisivo papel em face da fundação.215 Resposta: inicialmente. correto? Resposta: a CF em seu artigo 148 definiu a natureza jurídica desta exigência fiscal como tributo. o legislador se refere expressamente a empresas governamentais e particulares como beneficiárias em potencial (art. por meio de sua fiscalização. Nesse sentido. qualquer despesa deve. O Ministério Público poderá. e segundo a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica. Assim. seja como retribuição a serviços prestados ou compra de . 148. Essa é a razão pela qual podem receber subvenções. Pergunta: o art. II. Pergunta: quando define subvenção econômica. ter mais ganhos do que gastos. são “longa manus” do Estado. incluindo também as autarquias que exercem atividade econômica (art. seja como aumento patrimonial. ela deverá utilizá-lo dando cumprimento de sua finalidade. é importante frisar que subvenção econômica é a alocação destinada à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas de natureza autárquica ou não. Nesse sentido. culturais ou de assistência). O Novo Código Civil restringe a criação de fundações a apenas quatro áreas (para fins religiosos. esta disposição não foi recepcionada pelo Texto Maior. é o lucro resultante de. 5º e incisos do Decreto 200/67. assim como as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. A leitura do art. § 1º. já que a CF foi publicada em 1988. 39 § 2º. o dispositivo legal em comento não teria sido recepcionado pela ordem de 1988. ou seja. 18. conforme art. em balanços de empresas não econômicas ou "sem fins lucrativos". Lei 4320/64. CF/88. O oposto seria "déficit". morais. No que diz respeito às fundações. Pergunta: caso exista sobra de caixa referente aos meses anteriores do exercício. 59. não se falando assim em devolução posterior. § 2º. Tal orçamento é chamado de superavitário. se o orçamento estabelecer este benefício pecuniário a alguma entidade. Poderiam aí também ser enquadradas as fundações que venham a realizar atividade econômica? Resposta: lembre-se que todas essas figuras apontadas. § 3º. Régis Fernandes de Oliveira ensina que a despesa deve encontrar respaldo legal ou constitucional para ser gerada. Também pode ser a denominação do que corresponderia ao lucro. para ser gerada. Lei 4320/64. Lei 4320/64 deve desprezar esta menção. a doutrina tem apontado uma certa dificuldade relacionada às fundações no que diz respeito à captação de recursos e eventuais autorizações para recebimento de subvenção econômica. elas não podem ter caráter econômico. refletir um benefício ao Poder Público. Lei 4320/64). referendando o caráter lídimo e escorreito que esta possui para o eventual recebimento de subvenções. 12. ou seja. o prefeito não poderia gastar mais do que o previsto no art. Lei 4320/64). 39. “caput”. no último mês de seu mandato? Resposta: essa é uma hipótese de superávit. em um orçamento. Em face da localização topográfica do art. vinculando-as a fins não-econômicos.

por meio das atividades de controle interno. e 159. prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. Caso não cumpram este perfil. principalmente contidos no ADCT. 25% dos impostos residuais instituídos (arts. sendo destinados à infra-estrutura de transportes (arts. 177. 10% do IPI sobre exportações realizadas no território do beneficiário (art. Em âmbito federal. Pergunta: o órgão previsto no art. como órgão central. vinculada ao Ministério do Planejamento. devendo o restante ser rateado pelos demais (art. Receitas repassadas da União para Estados e DF– são as seguintes: IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados (e DF). I. distribuídos na forma de LO federal. suas autarquias e fundações públicas (art. podendo ser denominada “relação jurídica financeira”. CF/88). “c”. II. serão consideradas ‘não autorizadas. 111. Foi extinto em 1971. O Conselho Técnico de Economia e Finanças era um órgão técnico e consultivo do Ministério da Fazenda. CF/88).216 bens ou serviços. prestando a orientação normativa necessária. CF/88)259. como por exemplo. 177. Repartição de Receitas Tributárias “Prima facie”. § 2º. Pará e Paraíba. essa nomenclatura está atrelada à Administração Direta dos Estados-membros. § 4º. 157. É matéria constante dos arts. II. este é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que. Lei 4320/64 (Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda) ainda continua existindo ou foi substituído pela Secretaria de Orçamento e Finanças? E a Controladoria-Geral da União? Resposta: não. No que diz respeito à Secretaria de Orçamento e Finanças. p. sendo criado em 25 de novembro de 1937. precípuo reavivar que a repartição (ou discriminação) de receitas tributas é relação jurídica diferente daquela erigida pelo exrecício da competência tributária (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88). “caput”. A CGU também deve exercer. No que diz respeito à Controladoria-Geral da União (CGU). além de outros dispositivos esparsos. III. sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. 2003. a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal. 259 O percentual destinado a um só Estado não pode ultrapassar de 20% do total. 154. CF/88). CF/88). § 4º. 159. 159. 29% da CIDE-combustíveis (art. e 157. I. CF/88. correição. Orçamento e Gestão. temos a Secretaria de Orçamento Federal. 1. no âmbito do Poder Executivo. irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos artigos 16 e 17 da Lei Complementar 101/00. 157 a 162. II. auditoria pública. 71). .

159. não contando o desconto na fonte já realizado pela pessoa em questão (art.Até ¼. Min. 2. I. I. Fundos de Distribuição – nesse contexto. “a”. e 158. 82. 153. 25% da rende recebida do IPI sobre importações (art. e § 1º. 16. “c”. CF/88). segundo o seguinte comando: Regra geral – 50% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território.2005. III. suas autarquias e fundações públicas (art. DJU 18. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. . CF/88). I. CF/88). I. Joaquim Barbosa. de acordo com a lei estadual (tratando-se de Estado) ou federal (tratando-se de Território). 159. CF/88): 260 O valor adicionado é definido exclusivamente por via de LC federal (art. CF/88).5. Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – 21. ADCT). § 5º. CF/88). CF/88).2. § 5º. CF/88). rel. 158. 157. 153.2. Parafiscalidade – 100% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. valendo as mesmas regras do repasse de ICMS. 158. CF/88). . podem ser destacados os fundos de participação e os programas de fomento e desenvolvimento das regiões Norte. I.3/4. 159. quando houver delegação de capacidade ativa (arts.2005.5% do IR (art. 158. Informativo do STF n° 467). 4.217 30% do IOF sobre ouro vindo de seu território. e § 1º. o 70% do IOF sobre ouro vindo de seu território. CF/88). Receitas repassadas dos Estados para os Municípios 50% do IPVA sobre veículos licenciados em seu território (art. o ITR.5% do IR (art. § 1º. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. 159.2004. considerado como base de cálculo para o repasse constitucional em tela. não considera eventual acréscimo de 2% destinado a Fundo de Combate à Pobreza do Estado ou do DF (art. ADI 1423/SP. Norte e Centro-Oeste – 3% do IR (art. I. Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE) – 21. sobre o valor adicionado260 nas operações realizadas em seu território. ADI 2728/AM. CF/88). DJU 4.2007. 3. 159. j. não contando o desconto na fonte já realizado pela unidade federada (art. 25% do ICMS. § 4º. 153. segundo já se pronunciou o STF (RE 253906/MG. II.3. CF/88). 161. no mínimo. desde que exista LO federal regulamentando (art. IV e parágrafo único. . § 3º. ADI 3262/MT. Programas de financiamento do setor produtivo do Nordeste. DJU 2. 158. 25% da renda recebida da CIDE-combustíveis (art. CF/88). O montante do ICMS. I. II. sendo (art. III. CF/88). “b”. § 4º. Receitas repassadas da União para os Municípios o IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Municípios. I. ADCT). 93. Nordeste e Centro-Oeste.

a ser revisada a cada lustro (art. nos termos de LO federal. III. o TCU é responsável por calcular os valores de repasses do FPE e do FPM (art. Essa regra não abrange os seguintes repasses (art. 160. Contudo. etc. CF/88). § 5º. Fomento de instituições financeiras de caráter regional. podem ser apontadas duas exceções. é vedada restrição ou retenção de verbas destinadas a repasses constitucionais (art. § 5º. DF e Municípios (arts. I. o Expressão numérica dos critérios de rateio. decorrente de repasse. 159. entre 2003 e 2007. 160. CF/88): o Total da arrecadação tributária. até o último dia do mês subseqüente. ADCT. ADCT): Base de cálculo de: IOF sobre ouro. CF/88). os Estados. 161.. CF/88): • Ao pagamento de seus créditos. . Desvinculação de receitas da União (DRU) – de acordo com o art. CF/88). o Valores tributários repassados e recebidos. incluindo das autarquias. 157. permanecendo aqueles estatuídos no art. nas quais é possível que a União e os Estados condicionem a repartição de receitas (art. CF/88).218 De acordo com o plano regional de desenvolvimento (previsão em plano plurianual). II. um relatório com os seguintes dados (art. 212. ADCT. CF/88). 77. 153. O repasse de verbas dos Estados e Municípios é disciplinado pela LC 63/90 (art. fundo ou despesa. I. Nordeste e Centro-Oeste (art. “a” e “b”. 5. 162. 25% da receita tributária da União não está vinculada a qualquer órgão. 76. como ADAM. enquanto o legislador complementar for inerte. 161. I. “caput”. “caput”. o DF e os Municípios deverão publicar mensalmente. parágrafo único. 161. 198. I e II. §§ 1º e 2º. § 2º. 76. FPE e FPM (art. CF/88). “caput”. CF/88). o Recursos não-tributários recebidos. 159. CF/88). e 158. 6. II e III. ADENE. CF/88). Arrecadação e destinação do salário-educação (art. I. considerado como ativo financeiro (art. parágrafo único. CF/88). IR arrecadado por Estados. • À aplicação dos recursos mínimos na saúde. “c”. No tocante à fiscalização. O FPE e o FPM são regulados pela LC 62/89 (art. Repasse e fiscalização – em regra. cujos percentuais mínimos devem ser fixados por LC. A União. O semi-árido nordestino receberá 50% do total destinado à região NE. Programas de financiamento do setor produtivo do Norte.

CF/88). Territórios e Municípios. Produto do ITR. 80. ADCT). “caput”. § 5º. 8. o Parcela do IR e do IOF decorrente do Plano Real. sendo regulado pela LC 111/01. dos 0. 5% do IPI sobre produtos supérfluos. 158. 72. o qual financia o seguro-desemprego e o abono salarial anual decorrente do PIS/PASEP (art. Percentual dos Estado. ADCT): 1º) Não-vinculação de impostos (art. . Outras. 206. CF/88. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT – Lei 7998/90). 239. o Outras receitas previstas em lei específica. 80. o Parcela da CSLL. ADCT): o Parcela do IR na fonte sobre rendimentos pagos pela União. 23. Repasse do ITR aos Municípios (art. I a III. 167. CF/88). DF e Municípios – art. VII. o 20% do total das receitas de impostos e contribuições sociais da União. Provenientes de dotações orçamentárias específicas. Percentuais mínimos destinados à educação (18% para União e 25% para Estados. É formado pelas seguintes receitas (art. CF/88). decorrente do IOF sobre ouro como ativo financeiro (art. 212. Fundo da Educação Básica (FUNDEB) – de acordo com a EC 53/06 (arts. IV. 2º) Formação do FPE e do FPM. 159. Obs. CF/88). 83. Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – tem previsão no art. 80. ADCT.219 7. ADCT: As três situações anteriores.75% sobre o PIS/PASEP. 72. excluindo-se as hipóteses do art. Advindas de operações de crédito. o 0. II.08%. I a III. 9.: os recursos do citado fundo não se sujeitam a duas regras tributário-financeiras (art. 153. e 60. § 5º. Fundo Social de Emergência – presta-se a fazer frente a imprevistos sociais. § 1º. “caput”. Nordeste e Centro-Oeste. atualmente em 30%. DF. ADCT): 0. definidos nos termos de LO federal (art. financiamento de programas a setores produtivos do Norte. “caput”. I a VI. repasse de IPI sobre exportações. parágrafo único. definidas na LC 111/01. ADCT). CF/88). incluindo suas autarquias e fundações. 211.38% da CPMF. CF/88). e §§ 3º e 4º. I a VI. repasse da CIDE-combustíveis (art. É formado pelas seguintes receitas (art.

Título I. São Paulo: Resenha Tributária. São Paulo: Revista dos Tribunais. Luciano. .). Teoria pura do direito. 16 ed. Alexandre Freitas. 6 ed. Régis Fernandes de. GRECO FILHO. Ruy Barbosa. Eduardo de Moraes. 6 ed. 1975. Curso de direito constitucional tributário. São Paulo: Saraiva. 2004. V. 2001. 1993. NOGUEIRA. HORVATH. 2001. Sérgio Cruz. 2. classificação dos tributos. Hans. 1986. GRAU. 2006. interpretação da legislação tributária. Maria Sylvia Zanella. 2 ed. Direito tributário: fundamentos constitucionais da tributação. de 19-12-2003. CÂMARA. Curso de direito tributário. Direito tributário. Estevão. Maximilianus Cláudio Américo. 12 ed. 1671-1770. 15 ed. 2002. 3. MACHADO. São Paulo: Saraiva. Direito constitucional. 2006. Curso de direito tributário. São Paulo: Atlas. São Paulo: Martins Fontes. (coord. 6 ed. São Paulo: Atlas. REALE.220 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARO. Rio de Janeiro: Lumen Júris. 16 ed. OLIVEIRA. São Paulo: Saraiva. doutrina. atualizado até a EC nº 42. Código de processo civil interpretado. Antonio Carlos. São Paulo: Atlas. Vicente. CASSONE. Livro II. PAULSEN. 2006. 16. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Malheiros. Carlos Alberto. 1999. Luiz Guilherme. Lições de direito processual civil. José Joaquim Gomes. São Paulo: Saraiva. Conceito de tributo e fontes do direito tributário. Miguel. 2004. Roque Antônio. v. Maximiliano Roberto Ernesto. Resumo de direito tributário. CHIMENTI. 2003. 2003. Hugo de Brito. Vittorio. Direito tributário. v. p. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Saraiva. Ricardo Cunha. 2007. FÜHRER. 1998. ARENHART. CARRAZA. CANOTILHO. Constituição e código tributário à luzo da doutrina e da jurisprudência. FÜHRER. DI PIETRO. 1991. São Paulo: Prima Cursos Preparatórios. v. In: MARCATO. Direito processual civil brasileiro: processo de execução a procedimentos especiais. 8 ed. 17 ed. Leandro. Manual de direito financeiro. Coleção sinopses jurídicas. Curso de processo civil: execução. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2. Filosofia do direito. 1993. MARINONI. 2004. Direito administrativo. SABBAG. São Paulo: Revista dos Tribunais. 7 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Capítulos I a V. 19 ed. 13 ed. prática e jurisprudência. Eros. KELSEN. CARMONA. Coimbra: Livraria Almedina.