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ANOTAÇÕES DE TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO

Princípio da Legalidade Tributária Princípio da Anterioridade Tributária Princípio da Isonomia Tributária Princípio da Capacidade contributiva Princípio da Irretroatividade Tributária Princípio da Uniformidade Geográfica Princípio do Não Confisco Princípio da Não Limitação ao Tráfego Princípio da Não-cumulatividade Imunidades Tributárias Sistema Tributário Nacional Conceito de Tributo Classificação dos Tributos Competência Fontes do Direito Tributário Interpretação e Integração Obrigação Tributária Responsabilidade Tributária Lançamento Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Prescrição e Decadência Exclusão do Crédito Tributário Garantias do Crédito Tributário Administração Tributária Impostos em Espécie Importação e Exportação IPI

03 06 09 11 14 17 18 19 19 20 29 32 40 43 50 53 56 63 75 78 88 99 102 104 111 112 117

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IOF IR ICMS ITCMD IPVA IPTU e ITBI ISSQN Execução Fiscal, Ação cautelar fiscal, Arrolamento Direito Financeiro Receitas públicas LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Lei do Orçamento (Lei 4320/64) Repartição de Receitas Tributárias

123 125 132 150 152 154 158 159 178 179 182 189 216

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DIREITO TRIBUTÁRIO Introdução O estudo do Direito Tributário deve ater-se, principalmente, à CF/88 (arts. 145 a 162), à EC 42/03 e ao CTN (mormente a partir do art. 96, com as alterações até a LC 118/05). A CF/88, em matéria tributária, pode ser sistematizada em três partes: princípios, imunidades e tributos. As duas primeiras constituem as chamadas limitações ao poder de tributar. Princípio da Legalidade Tributária Está no art. 150, I, CF/88, c.c. art. 97, I e II, do CTN. A lei, como regra, deve impor a tributação. As pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, DF e Municípios), dotadas de poder de tributar, só poderão criar ou majorar tributos por lei. Isto decorre da colocação de Pontes de Miranda, pela qual é “o povo tributando a si mesmo”, por intermédio do Poder Legislativo. Essa máxima advém diretamente da titularidade do poder, da soberania pelo povo (art. 1º, parágrafo único, CF/88), a ser representado, na democracia semidireta, por meio dos seus delegados – vereadores, deputados e senadores. Nesse passo, a lei como um produto dessa vontade, é a única idônea a materializar o poder de tributar. Como se verá na análise do desiderato da reserva legal, em regra, a norma instituidora da exação será a lei ordinária. Ademais, a jurisprudência é pacífica em considerar que iniciativa de lei tributária é concorrente entre todos os legitimados. Ao contrário de diplomas orçamentários, de iniciativa exclusiva do Executivo, os tributários podem ser oferecidos também pelo Legislativo, como já disse o STF1. Reserva Legal, também chamada de tipicidade fechada, cerrada ou regrada, ou de estrita legalidade constitui uma relação taxativa pela qual a lei “stricto sensu” institui o tributo, assim como aquela que tipifica crimes e comina penas (arts. 5º, XXXIX, CF/88, e 1º, CP). Com efeito, há certas matérias que a Constituição determina que só podem ser viabilizadas por lei em sentido estrito. Esse tratamento mais rigoroso corresponde exatamente ao ditame em análise, qual o seja da reserva de lei. Dessa feita, a lei que institui o tributo deve estabelecer, obrigatoriamente, os seguintes elementos (art. 97, III a VII, CTN): alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Já o prazo para pagamento pode ser estipulado por norma infralegal (decreto), conquanto não previsto no rol “numerus clausus” dos incisos do art. 97, CTN2. Para Cassone (2004, p. 169), de regra, somente a lei ordinária é apta a instituir tributo, pois “a Constituição fixa a regra-matriz de incidência, e a Lei

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STF, ADIn 3809/ES, rel. Min. Eros Grau, j. 14.6.2007, citando precedentes no mesmo sentido: ADIn 3205/MS (DJU de 17.11.2006); ADIn 2659/SC (DJU de 6.2.2004); ADIn 2548/PR (DJU de 15.6.2007); ADIn 3312/MT (DJU de 23.3.2007) – Informativo do STF n° 471. 2 Esta é a posição pacificada na doutrina, escudada pelo STF.

Complementar estabelece normas gerais” . Entretanto, o autor admite, em sede de exceção, a criação de exação por LC ou por EC. Nesse raciocínio também estabeleceu o constituinte, vez que União pode instituir, por lei complementar4, outros quatro tributos: 1.Impostos sobre grandes fortunas (art. 153, VII, CF/88)5. 2.Empréstimos compulsórios (art. 148, “caput”, CF/88). 3.Impostos residuais (art. 154, I, CF/88) – diversos daqueles já instituídos pelo constituinte. Na criação da nova exação, a União deverá observar, além da forma específica da LC, a inexistência de “bis in idem” de base de cálculo e de fato gerador e o princípio da não-cumulativa. Os outros entes federados não detém essa competência residual para instituir novos tributos. 4.Contribuições previdenciárias residuais (art. 195, § 4º, CF/88) – além daquelas já expressamente antevistas pelo legislador constitucional. Nenhuma dessas quatro exações pode nascer por medida provisória (art. 62, § 1º, III, CF/88). Exceções à legalidade (art. 153, § 1º, CF/88) – há quatro impostos federais que refugam à estrita legalidade, prevista no art. 97, I a VII, CF/88, encontrando-se expressamente ressalvados pelo constituinte: 1. Importação; 2. Exportação; 3. IPI; 4. IOF. São tributos que regulam o mercado e a economia, chamados de extrafiscais. Na batuta do Direito Econômico, com fulcro na doutrina de Grau (1975), a extrafiscalidade é autêntica manifestação de intervenção estatal econômica, na modalidade indireta por indução. A extrafiscalidade tem a função de fomentar ou de desencorajar condutas por parte dos agentes econômicos. Além da fiscalidade (função arrecadatória), os impostos mencionados possuem a extrafiscalidade (capacidade regulatória do mercado)6. O Poder Executivo pode
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Como adequadamente explana Vittorio Cassone, Direito Tributário: fundamentos constitucionais da tributação, classificação dos tributos, interpretação da legislação tributária, doutrina, prática e jurisprudência, atualizado até a EC nº 42, de 19-12-2003, 16ª ed., São Paulo, Atlas, 2004, p. 36, a LC em matéria tributária é o CTN. Inicialmente nascido sob a alcunha de LO, subiu de “status” pelo Ato Complementar 36/67, disposição essa atinente e posterior à própria Carta de 1967. Posteriormente, a opção do legislador foi referendada pela chancela do Excelso Pretório, do qual o autor destaca o RE 93850 de 1982, da lavra do Min. Moreira Alves. Por fim, o constituinte de 1988 recepcionou o diploma também como LC, mantendo a posição anterior (art. 146, CF/88). 4 Trata-se da chamada reserva constitucional de lei complementar, tantas vezes invocada pelo constituinte e lembrada pela doutrina de Direito Constitucional. Exige quorum privilegiado para a aprovação, correspondente à maioria absoluta da Casa Legislativa (art. 69, CF/88), diferentemente da LO. 5 Consoante será exposto em passagem abaixo, há posição na doutrina, liderada por Roque Antônio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991, que defende a não submissão do imposto sobre fortunas à reserva constitucional de lei complementar. 6 Como lembra Maximilianus Cláudio Américo Führer e Maximiliano Roberto Ernesto Führer, Resumo de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 17, a palavra fisco vem do latim “fiscus”, que designa cesta de junco ou vime, a qual era usada para amassar uvas ou para guardar dinheiro. “Conta-se que os agentes romanos passavam entre os negociantes a cesta de

porque há uma exceção à legalidade. Aquela trata de matérias delicadas. enquanto essa visa imediatismo de eficácia (relevância e urgência). fiscus tomou o significado de Fazenda Pública”. porque o ato definido pelo convênio. No sentido figurado. minudencia o dispositivo constitucional. ICMS-combustível (art. que são contribuições. Obs. C/88). IV. onde a LO puder dispor. É o que configura o tipo tributário ou tipicidade vime para que depositassem ali a participação (forçada) de César.: pode haver. porque traz os elementos do tributo sujeitos à reserva legal (base de cálculo. o Presidente da República pode autorizar outra autoridade pública a estabelecer os mencionados percentuais tributários. § 4º. autorizados por LC. à luz de convênios assinados pelos secretários de Fazenda (no âmbito do CONFAZ – art. aumento de ITR por MP.5 aumentar ou diminuir a alíquota por decreto. o que confronta com o art. as alíquotas são disciplinadas por ato do Poder Executivo estadual7. não ficando sujeita à ratificação ou reapreciação pelas Assembléias Legislativas. 2004. I. 62. sob o aspecto técnico. Dessa feita. com delegação dada pelo Governador). não nascendo por via de lei. IV. de exceção à legalidade está esculpida no art. 62. a qual instituiu a PIS-Importação e a COFINS-Importação. . Essa sim deve observar a legalidade em todos seus parâmetros. CF/88). a alíquota do ICMS-combustível é estabelecida pelo Executivo estadual. IV. alíquota. Isso não ocorre nas demais espécies normativas previstas como exceções à legalidade. Esse. § 1º. como Ministros de Estado ou Superintendentes de órgãos ou entidades públicas encarregadas da capacidade tributária ativa. 155. 62.: com a EC 32/01. com firma dos representantes de cada Estado-membro (por meio dos Secretários de Fazenda. sendo tributo federal. § 2º. as alíquotas são alteradas por ato do Poder Executivo da União. Ex. 84). III. CF/88). CF/88). na leitura do Excelso Pretório. 97. onde LC versar. MP pode aumentar ou diminuir tributos no Brasil (art. 155. ainda em matéria tributária e a despeito da disposição literal do art. sem problemas. § 4º. instituída pela Lei 10168/01 (SABBAG. O princípio da legalidade está esculpido no art. a MP é medida idônea para criar e aumentar impostos. p. sujeitos passivo e ativo e fato imponível). a MP também o será. tem o condão “per se” de estabelecer a alíquota do ICMS. § 2º. CTN. Segundo a CF/88. 155. § 4º. CF/88) – como se trata de tributo estadual. A contribuição em comento não pode ser confundida pela CIDE-remessas para o exterior. Por meio de delegação. tal restrição a “impostos” não desfruta de endosso na interpretação do STF. Ex. importante destacar que. CF/88. 177. CTN8. Ex. § 5º. Nota-se que o legislador constituinte restringiu o fenômeno a impostos. “b”. No diapasão. 8 A única hipótese genuína. prevendo o constituinte que a majoração e a modificação do tributo deve ser feito por meio de lei. CF/88. A corte entende viável a MP em outras espécies de tributos. “c”. CF/88. a MP não irá incidir (art. Neste caso. 150.: não pode surgir empréstimo compulsório por meio de MP. A EC 33/01 trouxe mais duas exceções: CIDE-combustíveis – é a contribuição de intervenção no domínio econômico (art. Todavia. I. O art. 7 Originalmente. estipulará originalmente a alíquota.: MP 164/04. podendo depois alterá-la como lhe aprouver. 97.

971 e 193. § 1º. CF/88). § 1º. CF/88. De regra. porque pode não implicar necessariamente em majoração do tributo correspondente. Todo componente tributário que não estiver no rol do art. 2004). CF/88). mediante prévio requerimento desse (art. Pergunta: a participação nos lucros e resultados (art. as limitações da LD estão no art. Inexoravelmente. em princípio. indo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. 62. No mesmo sentido. § 1º. só pode ser feita por meio de lei (art. 97. § 7º. 62. A MP é espécie normativa de competência exclusiva do Presidente da República.: mudança no prazo de pagamento não se sujeita à legalidade restrita9. o CN dá autorização ao Presidente da República para legislar sobre determinado assunto. para conferir tempo ao sujeito passivo para o pagamento (art. Todavia. A alteração da base de cálculo. Com a postergação da exigência. Ambas podem criar ou majorar tributos.531. limita o uso da MP em algumas matérias. . a MP pode ser convertida em LO por decisão do CN (art. Entretanto. “caput”. Ex. Princípio da Anterioridade Tributária O Princípio da Anterioridade consubstancia uma “vacatio legis” especial para a vigência de lei tributária que modifique ou crie exação. § 2º. na LD. 62. Exercício financeiro corresponde ao ano fiscal ou civil. ausentando-se a disciplina tributária. mas seu § 2º expressamente autoriza. CTN). 7º. III. Tanto o princípio da anterioridade (preconizado pela Constituição) quanto a segurança jurídica – tantas vezes invocada pela doutrina – trazem à baila a proibição da tributação surpresa (SABBAG. 150. desde que observadas suas próprias balizas. CTN). 68. Quando essa mudança importar em mera atualização monetária. RE’s 182. CF/88). Ao revés. essa assertiva não é absoluta. é inevitável a aplicação da anterioridade tributária. XI. é possível afirmar que a há importante sinônimo para o postulado: eficácia diferida. Ex. 68. Ao final do interregno total. 97. não se sujeita obrigatoriamente ao regime da legalidade estrita. III). podendo ser prorrogada por igual período uma única vez (art. não está sujeita à legalidade estrita (art. a lei que altera o tributo é ordinária. CF/88. 9 STF. CTN.6 cerrada. a criação ou majoração de exações. 97. Os detentores do poder de tributar só podem exigir tributo no exercício financeiro posterior àquele em que foi publicada a lei instituidora. há dois instrumentos legislativos que têm força de LO: a MP e a LD. “b”.: revisão do valor venal de imóveis de acordo com o mercado para cobrança de IPTU ou de ITR. § 1º. Tem prazo de vigência de 60 dias. e “c”. inclusive para contribuições. CF/88) e a indenização devida por acordo em plano de demissão voluntária (PDV) são tributadas pelo imposto de renda? Resposta: a indenização paga em detrimento de PDV não é tributada por IR (Súmula 215 do STJ). O art.

CF/88). II. Foi extraída de construção constitucional sobre as contribuições sociais (art. § 6º. devendo o tributo observar ambas as regras. mas antes do início do respectivo exercício financeiro”. sendo os dois últimos instituídos em situações de emergência. entre a lei e a exigência do gravame. CF/88). IE. Essas são as exações que podem ter sua alíquota alterada por ato do Executivo (art. IEG (art. CF/88) e Empréstimo Compulsório especial (art. 150. Todos os aumentos ou criações de tributos nos meses de janeiro a setembro ensejarão exigência em 1º de janeiro do ano seguinte. tendo também o cunho extrafiscal. acrescidos pela EC 33/01. pela qual a lei que criasse ou majorasse tributos só poderia entrar em vigor a partir do primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação. o constituinte derivado incluiu-o concomitantemente à anterioridade anual. I. CF/88). 195. a exigência poderá ser em data posterior a 1º de janeiro do ano seguinte. pela EC 42/03. nonagesimal ou noventalidade). de guerra ou de calamidade pública. 148. o sistema constitucional tributário não hospeda a anualidade. § 1º. CF/88): II. IEG. prevista no art. CF/88. cuja dicção sinaliza a necessária previsão do tributo na lei orçamentária. Foi a inclusão do art. . parte final. Inspirado no limite dado pela noventalidade. 150. as demais correspondem também às ressalvas da legalidade. Exceções à anterioridade nonagesimal (art. Exceções à anterioridade anual (art. § 4º. CF/88): II. CF/88. “c”. IOF.7 O tema em comento não pode ser confundido com o princípio da anualidade. enquanto os demais se deferem à extrafiscalidade (regulação do mercado e da economia). Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA. É a chamada anterioridade qualificada (privilegiada. A produção de efeitos da nova lei tributária fica postergada até que sejam perfeitos os 90 dias de sua publicação. e 177. III. 10 Súmula 66 do STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento. Assim. De fato. a EC 42/03 trouxe à baila a obediência a um novo período de anterioridade de 90 dias. CF/88). IPI. parte inicial. 150. IR. 150. só havia a anterioridade anual. os quais poderão ser exigidos no dia seguinte à sua instituição. I. Como foi instituto acrescido por emenda de 2003. III. “c”. 154. 153. Antes da EC 42/03. § 1º. Empréstimo Compulsório espcial. § 1º. IOF. cujo objetivo foi melhorar a segurança jurídica deferida ao contribuinte. Nota-se que a exigência do princípio da anterioridade é outra: publicação prévia da lei. passou a ter eficácia a partir de 2004. Caso haja a situação nos meses de outubro a dezembro. IV. ICMS e CIDE combustíveis (arts. Com exceção dos mencionados tributos inerentes a situações calamitosas (IEG e empréstimo compulsório especial). IE. 155. “c”. “in fine”. “b”. § 4º. pela qual a exigência do tributo só era possível se sua receita correspondente estivesse previsto na lei orçamentária (Súmula 66 do STF)10.

prorrogável por igual período. Todavia. já no Texto Maior. porque o art. 62. a anterioridade se aplica de igual maneira: é contada a partir da conversão da MP em lei. A isenção. o qual impede. se refere expressamente a impostos. Já a alíquota zero opera o mesmo reflexo suspensivo atinente à isenção. a CIDE-combustível e o ICMS-combustível também respeitam a anterioridade nonagesimal. em caso de MP que majore taxa. poderão ser exigidos em 1º do janeiro do ano seguinte. ou seja. § 2º. CF/88. perpetuando um condenável expediente. Portanto.: como o STF interpreta o instituto da isenção como regra de incidência (e não de não-incidência). não deverá ter aplicação o dispositivo. é incompreensível a razão de torná-los imunes à noventalidade. Em melhores termos. visto que. com exceção daquelas trazidas pela EC 33/01 – CIDE-combustível e ICMS-combustível – e da exclusão do IPI. Eles compreendem idênticas exações em relação às ressalvas à anterioridade anual. não no legislativoabstrato. vindo também a constituir hipótese de incidência. dada a extrafiscalidade na essência desses tributos. § 2º. terão termo inicial na sua publicação. Assim como o IPI. impondo-lhe uma intributabilidade no plano normativo. 62. como aventa Nogueira (1999. A partir de 2004. IE. o IPI que for majorado não poderá ser cobrado no dia seguinte. só 90 dias depois. durante o mencionado lapso. No ponto. A MP tem 60 dias de vigência. essa paralisação da subsunção do fato gerador se encontra no plano fático. Já o IR e as alterações da base de cálculo do IPVA e do IPTU. as outras espécies tributárias (mormente contribuições). Obs. é possível entender que deve haver também a contagem dos 90 dias. 62. o pagamento do tributo majorado não implica em direito à restituição. a matéria ainda não está pacificada pelo STF. Resposta: deverse-á o imposto no ano seguinte ao da conversão da MP em lei. argüise quando se deve pagar o imposto criado ou majorado por MP. o IPI é exceção da anterioridade anual. lei que venha a revogar isenção não precisa observar a anterioridade. Todavia. Já a imunidade é uma espécie de isenção qualificada pelo constituinte. que o legislador infraconstitucional inclua tal hipótese no campo da incidência do gravame. a exação era assim exigida “ex vi” da MP vigente. uma vez majorados em 31 de dezembro. A partir de 2004. IEG e empréstimo compulsório especial. 167). § 2º. só que ele não faz parte da lista de exceções aos 90 dias (anterioridade nonagesimal). No tocante às taxas. é possível dizer que se trata de regra de não-incidência. de modo a ensejar a exigência do tributo em meados de março do ano seguinte. quanto ao IR e às alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA. para ser transformada em lei. pois não se encontram no rol das exceções. é perfeitamente compreensível a intenção do constituinte. faz menção literal a imposto. seja essa ordinária ou qualificada. Caso não haja a conversão em lei. Princípio da anterioridade e a MP – segundo o art. p.8 No tocante ao II. . O art. ao contrário. Dessa forma. CF/88. IOF. CF/88. a partir da conversão da MP em lei. é uma situação em que o legislador obstou abstratamente o fato gerador. No entanto.

150. CF/88. CF/88). tendo natureza de direito adquirido para o Excelso Pretório. como disse Oliveira e Horvath (2003. aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. p. A anterioridade em tela é chamada mitigada. parte inicial. § 6º. II. CF/88). De fato. Min. 12 11 . A regra não alcança a disposição do art. III. tratando-se de imposto sobre renda ou patrimônio.9 Contribuição previdenciária e anterioridade – aplica-se a anterioridade nonagesimal às contribuições sociais. CF/88). porque não se trata de instituição ou modificação de tributo11. 2666/DF. § 6º. art. a isonomia específica (tributária) decorre da isonomia genérica (“todos são iguais perante a lei” – art. “b”. Ellen Gracie. como se fosse um “filme em andamento”. art. 3º. 5º. Anterioridade e revogação de isenções – a isenção é uma dispensa legal do pagamento do tributo (obrigação principal). devendo observar a anterioridade nonagesimal. III. 195. não coadunando com o sistema de bases correntes. O STF se pronunciou no sentido de que não se aplica o princípio da noventalidade. a isenção deverá se pautar pela anterioridade tributária. segundo Sacha Calmon Navarro Coelho. Princípio da Isonomia Tributária Está previsto no art. a isenção deve observar a anterioridade anual. 150. Isenção concedida com prazo certo e sob condição específica é considerada irrevogável durante seu curso. justamente porque se encontra presente sob diferentes ângulos no Documento Maior. 150. 195. Súmula 584 do STF: “Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base. I. todos que realizam o fato gerador devem arcar com o ônus da STF. ou seja. O que persiste é mera prorrogação. A doutrina chama a isonomia de “superprincípio”. Por seu postulado (art. “caput”. porque reduzida em relação às demais exações (art. 5º. Segundo o STF. a revogação não observa a anterioridade. O legislador constituinte de 88 fez menção à ISONOMIA em diversos dispositivos da Carta: preâmbulo. 150. CF/88. No caso. se houver isenção revogada sem prazo certo e condição específica (isenção incondicionada). Em suas sucessivas prorrogações. esse comando não foi exprimido (EC 37/02). II. 76). Anterioridade e IR – pelo fato do STF acolher a Teoria Retrospectiva (Súmula 584 do STF)12. II. também conhecida como noventena. arts. A CPMF foi criada por meio da EC 12/96. 104. noventalidade. rel. etc. CF/88). IV. nonagentídio. nas palavras de Aliomar Baleeiro. CTN. a mudança no prazo de exigência da contribuição social não representa alteração substancial que venha a ensejar a aplicação dos 90 dias do art. “caput”. como já disse o Supremo. a alíquota aplicada é aquela vigente por ocasião da entrega da declaração. a contribuição para seguridade social pode ser exigida em 90 dias a partir da edição da MP que instituiu a exação ou que a alterou. Em contrário senso. Mas o que seria modificar a contribuição previdenciária? Seria alterar o prazo de pagamento? Segundo o STF. não estando abrangida pela contingência dos 90 dias. período de eficácia mitigada ou de anterioridade especial (art.

que significa “não cheira”13. quando aufere renda. Tito. É o posicionamento também do STF. 14 STJ. O monarca respondeu-lhe com uma simples expressão: tributo “non olet”. Do comportamento do traficante. Ademais. Ex. 118 e 126. poderiam excluir a responsabilidade tributária. menosprezando os aspectos extrínsecos ao fato imponível. do art. independentemente de qual fato esteja se referindo ou da pessoa que o realizou. porque o legislador conferiu responsabilidade tributária aos seus pais (art. Há possibilidade de “ressalvas” a este postulado. empresarial. CF/88 (universalidade do IR). permaneceu. haverá duas conseqüências distintas: responsabilidade penal em face da conduta criminalmente ilícita e incidência da tributação sobre a renda14. ou de outros fatores que. à primeira vista. ainda que não possa administrar seu patrimônio. I a III. 153. porque o fato gerador não pode assim o ser. 118. destarte. Não se pode confundir o poder de punir do Estado – decorrente do sistema penal – com o poder de tributar. Como resquício da passagem histórica. há maior possibilidade de realização da justiça fiscal. § 2º. I. administrativa ou profissional.10 tributação. incidirá a tributação. A fundamentação legal reside no art. I. da incapacidade civil (arts.: isenção de IPI para taxistas. Seu filho. mas a essência da hipótese de incidência não. respalda-se na “interpretação objetiva do fato gerador” ou na utilização do ditame do “non olet”. incide a tributação). Esta idéia redundou no tratamento objetivo do fato gerador. Assim. Isso não quer dizer que o tributo recairá sobre condutas ilícitas ou imorais. como se nota. deve IR ao fisco. é evidente a predileção do legislador pelo critério objetivo que marca o princípio. 13 Na Roma antiga. A hipótese de incidência para a lei tributária é auferir renda. Se o contribuinte realizar a conduta nela prevista. além. mas não terá a obrigação de recolher a exação (pagamento). HC 7444. contestou o pai sobre a atitude. Esta cláusula permite. tentando-se onerar igualmente os iguais e desigualmente os dessemelhantes. para a posteridade.STF: afastar o princípio em razão de extrafiscalidade. caracterizou a cisão entre o direito de punir estatal – direcionado àqueles que urinassem nos logradouros públicos – e o poder de tributar – o uso dos banheiros públicos. o qual visa angariar divisas para o aparelho estatal. da regularidade da constituição de pessoa jurídica ou de acharse a pessoa sujeita a restrições de ordem civil. independentemente da ilicitude da atividade. o César quis dizer que a exação deve ser tratada sob um aspecto objetivo. no caso em tela. Na realidade. Um menor pode ser contribuinte. É fácil perceber que o legislador pretendeu onerar o contribuinte. fica patente que a capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil das pessoas naturais. independentemente da forma como foi efetivada. o imperador Vespasiano resolveu tributar o uso dos sanitários públicos. A lei tributária não pode atribuir tratamento desigual a contribuintes que se encontrem na mesma situação. . em que são invocados o princípio da isonomia (tratamento igual àqueles que auferiram renda) e a teoria da interpretação econômica do fato gerador (concretizada a hipótese de incidência. CTN. desde que previstas explícita ou implicitamente na CF. a partir da perspectiva da hipótese de incidência realizada. De igual forma. 126. o traficante de entorpecentes. Por exemplo. a palavra do soberano latino. Note os exemplos: a. cerne da isonomia tributária. CTN. I. CTN). realizando o fato gerador. no art. CTN). A causa do fato gerador pode ser ilegal. 134. O princípio em tela. uma vez que as características subjetivas atreladas ao contribuinte são desimportantes. que se tributem quaisquer pessoas. Ademais.

tal qual explanado na matéria. com tal sistemática (tributos regressivos). que. têm sua constitucionalidade controlada pelo princípio 15 Cassone. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica de cada um”. 2004. Não é o entendimento da maioria da doutrina. “in fine”. 145. 2004. § 1º. Note o teor do comando: “sempre que possível. o IR se adequa perfeitamente à preceituação do legislador. Do contrário. na medida do possível. CF/88: afastar o princípio da isonomia em razão da tributação federal diferenciada para empresas localizadas em áreas com desequilíbrio socioeconômico. 145. § 1º. Frise-se que tal postulado não é propriamente o princípio da isonomia. de acordo com o PEC 59/04). não está em jogo a capacidade contributiva que só é levada em conta com relação a impostos pessoais com finalidade fiscal”. 194 e 195. É o que preceitua Tipke e Yamashita (apud CASSONE. É possível estudá-lo como subprincípio da isonomia. O próprio constituinte assim disse nos arts. confere à segunda fulcro nos arts. op. Desta feita. consubstanciados pela LC 123/06. CF/88. buscando a justiça fiscal. Não há dúvida que existem tributos aos quais se pode aplicar a técnica de variação de alíquotas. Em tese. a tributação. 201) afirma que “em se tratando de aplicação extrafiscal de imposto. 212). A técnica de estabelecimento de alíquotas fiscais diferenciadas (progressividade) é uma outra forma de efetivar a justiça fiscal. De fato. A jurisprudência e a doutrina interpretam este preâmbulo da ordem tributária de forma a adequar a exação ao seu conteúdo. devendo ser compreendida como “sempre que o tributo comportar tal variabilidade das alíquotas”. segundo o autor. note que a expressão. recebe o nome de “PROGRESSIVIDADE de alíquotas”.. No entanto. Há alguns tipos tributários que não comportam tal possibilidade. ao asseverarem que “o princípio da capacidade contributiva não se aplica a tributos com finalidade extrafiscal. CF/88 preconiza a possibilidade de onerar mais gravosamente aqueles que detêm maior riqueza tributável.: Zona Franca de Manaus (futuro Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. e 146-A. Como fora mencionado. no entanto. I. Entretanto. cit. Os desiguais serão diferentemente tratados. III. p. ressaltando que se trata capacidade para contribuir para a Seguridade Social. justificando o comando do art. porque não há situação equivalente para com empresas de maior monta. CF/88. Ex. O tratamento diferenciado das ME`s e EPP`s não gera ofensa à isonomia. § 1º. o art. Análise do postulado da capacidade contributiva ou capacidade econômica15 Está previsto no art. mas um instituto deste decorrente. segundo a capacidade econômica. há outros que não se coadunam. “d”. . diferencia capacidade econômica e contributiva. em princípio. CF/88. de sorte a colimar a igualdade entre aquelas e essas.Art. CF/88. Portanto. Aliás. 151. § 1º. como é o caso do IPI e do ICMS. em uma razão não proporcional à base de cálculo. esta é a terminologia empregada pelo constituinte. CF/88. 145. configura correlato da isonomia tributária. 146. trata-se de realização material do princípio em relevo. p. 145.11 b. Moreira Alves (apud CASSONE. a técnica de variação de alíquotas. Atribui o fundamento da primeira no art. p. a capacidade tributária só cabe aos impostos. Ao revés. “sempre que possível” é limitadora. 206.

e no ITR. § 4º. 184. não há necessária relação entre o aumento de alíquota e de base de cálculo. segundo a essencialidade estabelecida no seu regulamento. 3. A capacidade contributiva pode ser realizada segundo diferentes técnicas. II. 153. Progressividade de alíquotas – é o instrumento mais utilizado. Fica caracterizado o “plus” para contribuir para o Estado. 2. Já progressividade extrafiscal pode ser vislumbrada no IPTU.12 da proporcionalidade”. tal qual se aduz literalmente da vontade do legislador. orientando-se pelo princípio da capacidade contributiva. comercial ou industrial). há julgados que o estendem a outros tributos. valor e localização. exprimida pelo art. CF/88. Progressividade fiscal e extrafiscal – a primeira corresponde ao aumento da alíquota diante da majoração da base de cálculo. não se relacionando com a capacidade contributiva. em face do tempo de subutilização do imóvel (realização da função social da propriedade mediante alíquotas progressivas). Dentre as exações mencionadas. Na segunda. destacando-se duas: Por dedução de despesas essenciais – é o caso daquelas tidas no IR. . A progressividade do ITR é extrafiscal. Capacidade econômica e contributiva não são conceitos coincidentes. o que não importa em dizer que ele.ITR* (art. com a redação da EC 42/03). é possível destacar três impostos com previsão explícita de progressividade na CF/88: 1. uma vez que não visa ao intuito exclusivamente arrecadatório. Tem por objetivo primeiro a arrecadação. universalidade e progressividade. Contudo. § 2º. é um tributo extrafiscal. seria a graduação dos impostos segundo a potencialidade de riqueza demonstrada pelo sujeito passivo na relação tributária. § 4º. No âmbito da CF/88. No âmbito tributário. I. § 1º. pois o nível de renda assim permite. 153. o qual é necessariamente progressivo (art. 156. menor a alíquota – regressividade). CF/88). com redação conferida pela EC 29/00). I CF/88) – o comando indica três critérios informadores do IR: generalidade. no IPTU. Objetiva realizar um princípio constitucional. *Não perca de vista que a progressividade de tais impostos (IPTU e ITR) é EXTRAFISCAL.IR (art. progressivo em razão do tipo e da utilização do veículo. tendo em conta seu uso (residencial. I. A primeira representa aptidão de um sujeito em receber rendimentos e incrementar o patrimônio próprio. 153. em si.IPTU* (art. CF/88. A segunda é uma espécie da primeira. Note as explicações abaixo: ITR – as alíquotas progressivas deverão desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. CF/88. mormente a taxas (STF). a progressividade fiscal é observada no IR. § 2º. e no IPVA. cujas alíquotas oscilarão devido à produtividade do imóvel (quanto maior a produtividade. segundo a qual o sujeito tem capacidade econômica em um nível tal que o torna sujeito à tributação.

de haveria aumento do tributo no correr 2000 Progressividade fiscal e extrafiscal. § 2º. contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritárias. CF/88). O crescimento geométrico da população sugere um gargalo de moradia insuportável a médio e longo prazo. um imposto real (não pessoal). Art. XX. Essa possibilidade só pode ser efetivada mediante prévio plano diretor. II. 182. CF/88). § 1º. elevado constitucionalmente a direito fundamental (art. e 182. 182. valor e uso do bem imóvel. “caput”. do tempo. Desta forma. CF/88). 16 Como o plano diretor é aquele que define a função social da propriedade (art.13 IPTU – inicialmente. § 1º e 182. 156. II. § 1º. 5º. CF/88). I e II. O escopo é evitar a desapropriação da propriedade. 39 a 41 e 3º a 8º (art. o IPTU ganhou feições de imposto pessoal. Nesse passo. XXIII. denotando claramente extrafiscalidade. ANTES O IPTU era progressivo em razão de um critério: a função social da propriedade (art. o constituinte previu uma situação de redistribuição de terras para a habitação e a geração de riqueza. CF/88 (princípio da capacidade contributiva) passou a abranger o IPTU. até que o STF se pronuncie. seria permitida a tributação maior de um terreno em relação a uma casa (art. Uma dos meios de efetivar tal política é a tributação extrafiscal pelo IPTU e ITR. Com base nesta premissa. § 1º. Progressividade no tempo – EC conforme se mantivesse o 29 descumprimento da função social. II. Arts. promulgado por meio de lei municipal. 5º. CF/88. CF/88). § 4º. forçando o senhor a adequar seu domínio à sua função social. Assim. essa pequena localidade não poderá utilizar o IPTU progressivo por desrespeito à mencionada função. CF/88) e o município com menos de 20 mil não é obrigado a promulgar tal lei (art. a despeito de colocações inconstitucionais. A questão se liga ao direito de moradia. § 4º. CF/88. Observação: após a EC 29/00. CF/88)16. o constituinte derivado alterou o dispositivo. a progressividade fiscal teve sua constitucionalidade fortemente contestada. 156. Lei 10252/01. em seus arts. 21. não se pode assegurar que tal princípio está afeto apenas a impostos pessoais. Progressividade extrafiscal. em razão dos critérios novos anunciados. é possível entender que o art. a progressividade deste impostos visava somente o cumprimento da função social da propriedade (art. XXIII. 182. 145. § 4º. . Percebendo tal entrave. 6º. Foram somados à função social da propriedade. DEPOIS Três novos critérios de progressividade: localização. Com o fito de aumentar a tributação dos municípios.

a anterioridade adstringe-se à vigência da lei. seriam as lesões à segurança jurídica e à separação de poderes. Tal comando veda a progressividade do IPTU antes da emenda. faz-se premente afirmar que nem mesmo um é sucedâneo do outro. “a”. CF/88). 150. Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido. 106. Lei (anterior) Fato Gerador (posterior) É perceptível que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais se referem. pois. a lei interpretativa é aquela que retira os pontos obscuros da norma interpretada. § 1º. atingindo a capacidade contributiva (art. de modo a minar a segurança jurídica. XXXVI. 17 . É vital ao estudioso que conceba a irretroatividade como postulado da segurança jurídica. o que leva alguns doutrinadores a crer na sua inconstitucionalidade (ausência de recepção). A lei interpretativa se limita a aclarar pontos obscuros. em nome da segurança jurídica. alíquotas progressivas para o IPTU.14 porque transforma a exação de real (STF) em pessoal. pois a interpretação caberia ao Judiciário. não inovando na ordem posta. I e II. 106. deve-se inquirir: há exceções a ele previstas na CF. 18 O princípio da irretroatividade tributária não pode ser confundido ou imiscuído com o ditame da anterioridade. A doutrina critica tal comando – interpretação “autêntica” –. A lei atual poderá retroagir/retroceder/retrotrair. É certo que ambos caminham lado a lado. há de se perceber que cada qual refere-se a fenômenos jurídicos distintos: enquanto a irretroatividade diz respeito à eficácia da norma. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana”. O cuidado que se deve ter é a separação e a hierarquia de poderes. sob pena de retroação da norma – anomalia que se pretende coibir. Tal comando anuncia que a lei tributária deverá abranger fatos geradores posteriores à sua edição. No entanto. CF/88 preconiza a irretroatividade genérica. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade (Súmula 668 do STF)17. CTN (2 incisos): I – LEI INTERPRETATIVA – condição para a retroação: nenhuma. Não perca de vista que o art. sob o argumento de que haveria extrapolação de função do Legislativo. Evidentes. É possível em qualquer caso. Na verdade. CF/88. 5º. 145. Nesse sentido. CTN. antes da Emenda Constitucional 29/2000. A lei interpretativa poderá ter eficácia retrospectiva. Nesse passo. pois protegem bens jurídicos distintos dentro da ordem constitucional tributária. pois as exceções estão previstas no art. pois o Legislativo pode estar afastando a função jurisdicional do Judiciário. sem criar situação jurídica paradoxal. emanando efeitos à confecção do princípio tributário ora estudado. III. Art. sob pena de constituir mera norma nova. à semelhança das exceções aos demais princípios? Não. Princípio da Irretroatividade Tributária18 Está previsto no art.

CTN. não se aplicando a fatos anteriores. 33 e 34) denomina o fenômeno de princípio da benignidade. A jurisprudência e a doutrina. porquanto a lei aplicada no lançamento deve ser aquela STJ. filiando-se à doutrina germânica-suiça. sendo certo que o princípio “tempus regit actum” tem vez também no campo tributário. Min. II – LEI MAIS BENÉFICA. com crédito tributário extinto. anistia. Por recente decisão de sua Corte Especial. 85) defende que a lei interpretativa não pode causar gravames ao contribuinte (criar ou aumentar exações. A retroação.15 Nogueira (1999. Só será aplicada a lei mais benigna se houver pendência de julgamento. remissão. conferiu efeito “ex nunc” ao diploma. o lançamento apresenta efeito “ex tunc”. CTN. 144.. A retroação da lei mais benigna só ocorrerá quanto a sanções tributárias. CTN)21: o art. desde que mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídico-tributária. de natureza declaratória. defende o lançamento como mero procedimento administrativo. em mera decisão administrativa na esfera recursal. poderá alcançar as sanções tributárias. de fato. só terá vigor a partir do diploma. O art. se já tiver ocorrido o trânsito em julgado da demanda. indicavam o prazo de 10 anos. em face do princípio da irretroatividade da norma tributária. Entretanto. Observe que a definição do tributo se aplica ao tempo de ocorrência do fato gerador. não abrangendo redução de alíquotas nem de base de cálculo. Quanto à definição de julgamento definitivo. Esses estarão acobertados pelo decênio prescricional para a repetição de indébito. não como mera interpretação. o STJ afirmou que o prazo prescricional de cinco anos. CTN. não fazem nascer direito à restituição em retroação futura. rel. já pacificadas. Sabbag (2004. 3º. Observação (análise do art. “c”. A LC 118/05. j. 21 Nogueira (1999. em seu art. na aparência. retroação benéfica da multa tributária ou “retroatio in mellius”. 168. p. penalidades já adimplidas. I. “caput”. Condição detalhada: a aplicação retroativa da lei mais benéfica ocorrerá se o ato não estiver definitivamente julgado. Assim. falando alguns em caráter peremptório jurisdicional (coisa julgada “stricto sensu”) e outros. 1ª T. 144. corrobora com o princípio da irretroatividade. desde que o termo final não extrapole o lustro posterior à vigência da LC 118/0519. mas sim em irretroatividade da lei. no entanto. REsp 943. devendo limitar-se a dispor sobre suavizações da letra normativa (eqüidade. asseverando que somente ela é a corte apta a realizar a interpretação da norma federal. O comando legislativo pretendeu atingir fatos geradores até então protocolizados.). fazendo aplicar a lei tributária à época da ocorrência do fato gerador. estabelecer penalidades ou ônus). não se falará em retroatividade. Informativo do STJ n° 324. sugerir uma retroação da lei. Em dissonância com o legislador. pretendeu constituir norma tributária interpretativa do art. mesmo que a lei então vigente à época esteja atualmente revogada (ultratividade). erigido pela LC 118/05. 19/6/2007. Desta feita.116-SP. Deste modo. 223 a 226). 20 19 . 106. p. II. apesar de. constituindo sua guardiã. José Delgado. etc. 3º da LC 118/05 como lei inovadora. p. à luz do Direito Tributário Penal20 – condição: desde que o ato não esteja definitivamente julgado. são líquidas as opiniões. o STJ considerou o art. dizendo que o prazo para a repetição de indébito tributário é de cinco anos. tem por objeto a penalidade mais branda ao contribuinte como fato de retroação da norma tributária.

Assim. à semelhança de um “filme em exibição”. o fato gerador do IR seria a soma algébrica de fatos ou disponibilidades econômicas. o fato gerador tinha marco temporal preciso – último segundo do último dia do ano. de fundo alemão. Nesse contexto. Tal fenômeno era conhecido como retroatividade imprópria ou como aplicação da Teoria da Retrospectiva. Nesse passo. III. “respeitando-se” o princípio da irretroatividade. mas à estrutura formal do lançamento. Note que se trata de estrutura dualista para o IR: um ano-base de auferimento de renda e um ano seguinte de entrega de declaração e recolhimento do imposto. Com efeito. o que a reveste de caráter de norma material. principalmente em congressos e seminários jurídicos. Por meio de tal análise. 106. “antecederia” o fato gerador. CTN. tal norma não se refere propriamente ao cerne do liame obrigacional à luz do fato gerador. adotando majoritariamente a Teoria do Fato Gerador Complessivo para o IR. “a”. perquire-se qual o alcance do art. por exemplo. esta se encontra somente no art. a doutrina e a jurisprudência (Súmula 584 do STF. que aumentar os poderes de investigação. afastando o enfoque econômico. “caput”. mas sim aspectos procedimentais quanto ao ato de lançamento. chegasse ao seu fim. à luz de um sistema de bases correntes. Observe. há menção à lei que. CTN. já comentada) entendiam o fato gerador do IR no contexto estritamente temporal. Do mesmo modo. CTN. indicando que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais ela se refere. ratifica a regra constante do art. 144. uma lei majoradora do IR em 31/12.+fn). ampliando as garantias do crédito. como disse Sacha Calmon Navarro Coêlho. 144.. como já fora dito. Por conseguinte.16 vigente no momento do fato gerador. referida no dispositivo. é de natureza formal. De fato. isto é. destarte. portanto. indicando a necessidade de aplicação da “regra” – lei contemporânea do fato gerador. Não obstante o posicionamento citado. e não formal. adstrita a aspectos rituais de fiscalização. CTN. porque a lei. o art. no transcorrer do ano-base (anobase=f1+f2+f3+. como Machado (1993). “per se”. na esteira da doutrina então majoritária . até que o movimento. que o art. I e II. vez que. § 1º. Paulo de Barros Carvalho e Cassone (2004). 144. alguns doutrinadores (Luciano Amaro. 144. ou que aprimorar os métodos de apuração do importe devido. § 1º. não excepciona o princípio mencionado. CTN. que a doutrina mudou o pensar. § 1º. aos poucos a doutrina passou a refletir sobre a necessidade de ver o fato gerador do IR na perspectiva econômica. Ives Gandra da Silva Martins e outros) já passaram a apregoar o posicionamento do fato complessivo. nas palavras de Aliomar Baleeiro. É fácil perceber.. Importante: há ressalva na parte final do art. Dica final (o IR e o princípio da irretroatividade): até a década de 80. segundo o qual se aplicará ao lançamento a lei que ampliar as garantias do crédito tributário. o que lhe daria o rótulo de lei material –. O dado curioso está no fato de que a atividade legislativa que marcou os anos que sucederam a CF/88 pautou-se na obediência à Teoria do Fato Gerador Complexivo. 150. CF/88. atribuiria responsabilidade a terceiros. Não altera substancialmente o fato gerador e a obrigação dele decorrente. trata-se de lei adjetiva ou formal. Não se trata de exceção ao ditame. ressalvados casos isolados de pensamento diverso. A partir de meados da década de 80.

adequando-a às colocações da LC 10174/01. o qual alterou o alcance do art. Lei 4595/64. garantido pelo diploma mais hodierno. “ex vi” do seu art. CF/88) Trata-se de comando previsto em artigo distinto daquele que abarca quase toda a base principiológica na CF/88 – o seu art. A Lei 105/01 alterou a redação do art. proibia o uso de informações dela decorrentes para fiscalização de outras exações. esculpido no art. I. Assim. Quanto a esse poder fiscal amplo. a corte já fixou entendimento no sentido da natureza processual do art. No entanto.. CTN. ou de valor. § 4º. I. previu a possibilidade de investigação ampla pela autoridade fiscal. para fins penais. 92 do ADCT. CF/88 – a qual veda a “guerra fiscal”. incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país”. que instituiu a CPMF. Arnaldo Esteves Lima. conforme se nota na parte final do art. entende hábil a teoria do fato gerador complessivo.. a Súmula 584 do STF (já comentada) – editada na década de 80. § 1º. 38. . Por fim. 151. 151. porque a ampliação dos poderes da Administração Tributária encontra fundamento no art. as discriminações dos tributos limitar-se-ão a critérios pessoais. Esta. No entanto. 11. à tributação federal. No diapasão. Lei 8383/91. em total dissonância com a doutrina majoritária. "em conseqüência dessa uniformidade. LC 105/01. ao princípio em tela. § 1º. Baleeiro (apud NOGUEIRA. devendo prever as mesmas alíquotas em toda a extensão territorial. 144. 11. É princípio afeto tãosomente à União. a regra do art. Min. a qual determinava que só o Poder Judiciário poderia quebrar sigilo bancário de pessoa. Esse entendimento era vigorante à época por leitura jurisprudencial. § 3º. Lei 9113/96. segundo jurisprudência pacífica do STJ. essa retroatividade é permitida. § 3º. CF/88. é claro. Lei 9113/96. Informativo do STJ n° 328. isto é. LC 105/01. tal postulado vem ao encontro da isonomia e. conforme se depreende do art. 11. I.448-SC. não havendo de se falar em ilicitude da prova obtida anteriormente à vigência do referido diploma complementar22. j. CF/88: “. o que incluía dados bancários. Para este renomado autor. do pacto federativo (art. não seria possível retroação a fatos ocorridos sob a égide do art. 150. A Lei 9113/96. de sorte a permitir que dados sobre CPMF servissem à fiscalização de outros tributos. 1º. tem aplicação retroativa. Essa disposição se devia ao art. no superado contexto da “teoria da retrospectiva” – apresenta-se hábil e vigorosa para aquela corte.17 (Lei 9430/96. entretanto. reais. em tese. 11. em letra original. III. Há exceção. Compete à União instituir o tributo UNIFORME no Brasil. 151. como se expendeu. CF/88). promovida pela União. surpreendentemente. § 3º. entre os membros da Federação – é um consectário do princípio da uniformidade geográfica. Princípio da Uniformidade Geográfica (art. diga-se que. HC 31. mas nunca de lugar". 23/8/2007. 152. 60. I.). § 3º. Lei 9311/96. § 3º. etc. Ademais. o princípio em pauta presta-se à preservação da unidade territorial do 22 STJ. o art. Para Nogueira (1999). 1999) afirma que. rel. com redação dada pela EC 42/03). 5º. Exemplo: Zona Franca de Manaus (observação: os benefícios fiscais foram prorrogados de 2013 para 2023.

A União. § 2º. levando em conta uma hermenêutica sistemática do setor tributário (entendimento do STF). “g”. porquanto fere o comando dos arts. Joaquim Barbosa. rel.95. assentando o entendimento no direito de propriedade (art. rel. Em recente decisão quanto à redução de base de cálculo sobre operações com café torrado e moído oriundo do Rio de Janeiro. por assim dizer. sua consubstanciação depende da análise “in casu”. sendo exprimido no art. O princípio da uniformidade geográfica é decorrente da isonomia. p. De fato.2007. eventuais benefícios fiscais relativos à exação citada devem estar de acordo com deliberações de convênio celebrado entre todos os Estados. j. a definição de confisco não é dada por colocação abstrata. 151. 152. Informativo do STF n° 480. DJU de 7. Ex. esgota (ou tem a potencialidade de esgotar) a riqueza tributável das pessoas. ADI 3673/RJ. Nesta esteira. 19. 152 e 155. Não é mácula à isonomia. a jurisprudência STF. segundo a razoabilidade e a proporcionalidade. CF/8823. 150.9. DJU 25. da totalidade do valor da situação ou do bem tributado. XII.9.9. rel. só influenciando na esfera privada de forma reflexa. isto é. ADI 2021 MC/SP. 155. O STF corrobora com o enunciado do art. CF/88 (Convênio CONFAZ 128/94)24. o STF já se manifestou positivamente. IV. CF/88). 24 STF. 5º.2007. 6. XII. 126). Com efeito. ADI 2377 MC/MG. ADI 3389/RJ. o Supremo declarou a disposição inconstitucional. XXII. 6. porquanto ele deve suscitá-lo na esfera jurisdicional. RMS 17949/ES. que não leva em conta suas capacidades contributivas”.11. excessiva. Gilmar Mendes. mas sim tentativa de equiparação regional. por meio de seus tributos federais. p. Joaquim Barbosa. desde que se justifique pela situação concreta apresentada. Informativo do STF n° 478.2001. Princípio do Não Confisco (art. CF/88. De fato.18 mercado nacional. o legislador não definiu estritamente o termo. j.2007. deixando ao arbítrio do aplicador do direito sua configuração. CF/88) Nas palavras de Nogueira (1999. Em outros termos. Carrazza (1991) diz que “é confiscatório o tributo que. 23 . sob pena de macular o art. com o fito de “promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”. Min. DJU de 27.5. Observação: quanto à possibilidade de existência de confisco em multa. j. Plenário. 38) preconiza que a caracterização do confisco é ônus do contribuinte.2003. ADI 1247 MC/PA. Em princípio. § 2º. CF/88. ADI 3936 MC/PR. O próprio comando em comento foi excepcionado pelo próprio constituinte. Destarte. “g”.9. DJU 8. Dessa feita. mas sim no caso concreto. especialmente quando se trata de norma estadual referente a ICMS. confisco é “a absorção. I. As exações federais deverão ser uniformes em todo território nacional. Na mesma esteira. pode ele ser entendido como tributação exacerbada.68. Sabbag (2004. Min. é um desiderato aplicado tão-só a tributos. Informativo do STF n° 478. pelo tributo.: não é possível IPI menor para automotores no RS em detrimento dos demais Estados. como qualquer parcela que exceda à medida fixada legalmente”.9. Min. não poderá estabelecer discriminação tributária entre as demais pessoas políticas. É ditame aplicado diretamente aos entes da federação. a União pode dar tratamento fiscal diferente para áreas com menos desenvoltura financeira.

a cada saída. desde que a desoneração do consumo seja atingida. às contribuições sociais residuais federais (art. O autor ainda indica duas atenuações26: A instituição de pedágio. O STF definiu a extensão da não-cumulatividade do IPI.: não cumulatividade de PIS e COFINS (Lei 10833/03). receita e importação (art. CF/88): a cada entrada. a não-cumulatividade se estende ao IPI (art. V. De igual maneira. em que pese não haver expressa previsão nesse sentido no art. II. A base de cálculo é o valor da operação. nos termos do estipulado pelo constituinte ou pelo legislador infraconstitucional. A expressão “imposto cobrado” faz entender que o constituinte quis permitir a compensação somente na existência de operação anterior. Princípio da Não-cumulatividade É técnica de redução de carga tributária sobre o consumo. Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Coisas (art. CF/88). ao ICMS (art. 195. CF/88). A não-cumulatividade não erige uma regra uniforme para todas as exações. CF/88). de natureza diversa. 153. vinculando o direito a crédito à tributação da operação anterior. § 12. . a doutrina indica outros. porquanto se trata de taxa. Cada tributo terá sua regência própria. há um crédito. não pode haver exação que erija. 195. ADIn 2010/DF-MC. 5º.19 majoritária. A exigência de comprovação de recolhimento de ICMS nos postos fiscais em fronteiras interestaduais. com alíquota de 4%. A cobrança de exação para o ingresso em instância turística não configura ranhura ao princípio da não-restrição à circulação. II. § 4º. com necessária contraprestação.: mercadoria de R$ 100. em que multa de 300% por não emissão de nota fiscal foi considerada confiscatória. “a” e “b”. diz esse princípio é extensível às multas25. 150. para a conservação das rodovias. CF/88). § 2º. no veio do deslocamento de pessoas e bens (SABBAG. 153. CF/88). § 3º. 155. particularmente no direito individual à liberdade de locomoção (art. compensando-se a diferença entre créditos e débitos. CF/88) e às contribuições sociais da União que incidam sobre faturamento. com fulcro em entendimento do STF e conforme mencionado. desonerando a cadeia produtiva. Esse 25 26 STF. sendo vendida por R$ 104. Em termos genéricos. A não cumulatividade do IPI segue uma norma (art. 155. ao contrário do ICMS (art. Dessa forma. 153. 154. Além desses casos. 2004. II. sendo somado ao tributo incorporado (tributo indireto com repercussão econômica por transferência ao próximo da cadeia). CF/88) A base axiológica deste ditame – erigido em nível constitucional – encontra tutela na própria Carta de 1988. Ex. 40). um débito. II. p. a intermunicipalidade ou a binterestadualidade. a incisão de tributo para o embarque em ônibus interestaduais ou intermunicipais não comporta ferimento ao ditame do art. § 2º. aos impostos residuais da União (art. O imposto será pago mensalmente. CF/88. CF/88. I. 150. como fato gerador. Ex. LV e LXVIII. V. § 3º. vez que o fato gerador é outro. CF/88). § 3º.

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entendimento do Supremo foi alterado, porque, desde 1995, o plenário dava ganho de causa aos contribuintes. Dessa feita, isenção, não-incidência, imunidade e alíquota zero na operação anterior não dão direito à compensação de crédito em IPI, consoante reiterada e hodierna jurisprudência do STF27. Como o IPI é imposto de repercussão econômica (transferência ao próximo da cadeia), a restituição de montante recolhido a mais é dada nos termos do art. 166, CTN. O comando condiciona a restituição a:
• Prova de que arcou com o ônus do tributo, não o repassando ao próximo

elo da corrente; ou
• Apresentação de autorização do próximo na cadeia a receber a

restituição em seu lugar, no caso de ter havido o repasse, visto que esse é o contribuinte de fato do IPI e aquele, de direito. O STJ, apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. 166, CTN, admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda, mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes28. O Supremo referenda o comando do art. 166, CTN, por meio de suas Súmulas 71 e 54629. Imunidades Tributárias30 As imunidades tributárias indicam limitações constitucionais ao poder de tributar, a par dos princípios anteriormente estudados. Trata-se de dispensas constitucionais de tributos, isto é, normas de intributabilidade que gravitam em torno da “não-incidência” tributária. Nos termos de Nogueira (1999, p. 167), “a imunidade é, assim, uma forma de não-incidência pela supressão da competência impositiva para tributar certos fatos, situações ou pessoas, por disposição constitucional”. Com efeito, a imunidade é uma delimitação negativa da competência tributária, segundo a melhor doutrina. Como é sabido, a competência tributária traduz-se no poder de instituição do tributo, conferido às entidades impositoras. Note que estas, ao mesmo tempo em que se valem do poder de criar, devem se afastar diante do campo imunizante estabelecido e demarcado pelo legislador. Assim, a norma imunizadora coexiste com a norma de imposição, ambas previstas na CF/88.

STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 28 STJ, 2ª T., REsp 962.909-BA, rel. Min. Castro Meira, j. 20/9/2007, Informativo do STJ n° 332. 29 Súmula 71 do STF: “Embora pago indevidamente, não cabe restituição de tributo indireto”. Súmula 546 do STF: “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo”. 30 Além dos pontos tratados na matéria, Cassone, op. cit., p. 255 e 256, indica alguns outros a serem discutidos quanto às imunidades: deve se lhes aplicar interpretação extensiva, em acordo com a finalidade da imunidade e com a razoabilidade; é possível a regulamentação da imunidade por lei infraconstitucional; as obrigações acessórias não são atingidas pela imunidade (art. 194, parágrafo único, CTN).

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É importante frisar que as principais imunidades referem-se a impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note: a.Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária (entidades beneficentes de assistência social). Observação: a expressão “são isentas de...” indica impropriedade terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo de imunidade. b.Art. 149, § 2º, I, CF/88 (EC 33/01) – CIDE’s e contribuições previdenciárias (receitas decorrentes de exportação). c. Art. 184, § 5º, CF/88 – impostos de todas as pessoas jurídicas (operações de transferência de imóveis desapropriados para a reforma agrária). Nesse sentido, o art. 18, “caput”, LC 76/93, isentou tais fatos também de taxas judiciais e emolumentos cartoriais. d.Taxas para certidões, para protocolização de certas ações coletivas, etc. Vamos, agora, às principais imunidades previstas no art. 150, VI, CF/88: Há quatro alíneas (DECORAR). São casos de não-incidência de impostos, o que permite concluir pela normal incidência dos demais tributos (taxas, contribuições de melhoria, etc.). 1.Alínea “a” (IMUNIDADE RECÍPROCA) – União, Estados, Municípios e DF não poderão cobrar impostos uns dos outros. − Elemento teleológico – quis o legislador proteger os entes tributantes contra a reciprocidade na tributação de impostos. Com efeito, o imposto é tributo unilateral, indicando um poder de sujeição daquele que tributa com relação àquele que é tributado. Neste passo, a provável incidência colocaria em risco o pacto federativo – o próprio elemento teleológico da imunidade em exame. − Atenção – a alínea “a” apresenta menção a rol classificatório oriundo do CTN (arts. 19 a 73) – “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”. Segundo a literalidade do comando, não deverá haver a incidência de IPTU, de IPVA, de IR, de ITR e de ISS, por exemplo. A questão é problemática: e os impostos não pertencentes ao rol mencionado, tais como II, ICMS, IPI e o IOF? Para o STF e renomados tributaristas32, a imunidade deve abranger quaisquer espécies de impostos, independentemente da limitação classificatória ora guerreada. Exemplos: Não-incidência de IOF nas operações financeiras desencadeadas pelos Municípios (STF).
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O dispositivo exigiu lei regulamentadora para surtir reflexos, cujo prazo para publicação não foi definido. O STF, no MI 232-1/RJ, rel. Min. Moreira Alves, ajuizado pelo Centro de Cultura, inovou seu entendimento. Adotando uma posição concretista moderada, fixou prazo para que o legislador se manifestasse acerca da omissão legislativa, findo o qual a própria corte asseguraria o direito subjetivo em comento – no caso, imunidade de contribuições sociais para entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88). 32 Regina Helena Costa, por exemplo, em “Imunidades Tributárias”, editado pela Malheiros.

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Não-incidência de II nas operações de importação de um Estado qualquer. − Análise do art. 150, § 2º, CF/88 – há extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas, desde que se cumpram às necessidades essenciais/precípuas da entidade. Não perca de vista que a condição se atrela tão-só ao § 2º, não existindo para a alínea “a”. Exemplos: Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, XII, “c”, CF/8833. 2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa da entidade religiosa. Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos religiosos, etc. Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja
STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, op. cit., p. 256.
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apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas (impostos). Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: − Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. − Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam Chimenti (2002) e Machado (1993). − Instituições de educação – idem colocações infra sobre as expressões “in fine” da alínea “c”.
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Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, instituições de educação e de assistência social). 36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17.

sendo assim recepcionado pela CF/88. entendem que se trata de lei complementar. Portanto. 2006. 12ª ed. em seus três incisos. Misabel Derzi. “ex vi” do art. 195. Cassone (2004) e Sabbag (2004). Ademais. necessário é lembrar que tais pessoas também são imunes às contribuições sociais.. Nesse contexto. vedando-se a apropriação particular do lucro. Note que as entidades educacionais e assistenciais poderão – e 37 Em sentido contrário. nas palavras de Rui Barbosa. a diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade. pois o “lucro”. CF/88. Direito Tributário Brasileiro. Não distribuição do patrimônio ou renda. no magistério de Sabbag (2004.24 − Entidades de assistência social – ibidem. 14. segundo Celso Bastos e Carlos Ayres Brito. CTN anuncia. o que permite chamá-la de imunidade condicionada ou limitada (SILVA. Chimenti (2002). 155. . I a III. Nesse passo. consoante comando exprimido no art. São eles: I. o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de condicionamento imposto à norma. em razão das matérias disciplinadas naquele compêndio. a resposta à pergunta é clara: a lei complementar que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN. estaria ligado de modo imediato às entidades educacionais e beneficentes. a qualquer título (LC 104/01). de integração. ganhou o “status” de lei complementar. em tese. 1996). quis mencionar o superávit. p. não havendo de cogitar sua aplicação aos partidos políticos e sindicatos de trabalhadores. porém. 51). Além de tudo. entre os mantenedores da entidade. isto é. que impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar (imunidade). 146. segundo Maria Helena Diniz. nem mesmo o “animus lucrandi”. O que se quer é o REINVESTIMENTO daquele resultado nos objetivos institucionais. perguntar-seia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 5172/66) foi concebido como lei ordinária. § 7º. José Eduardo Soares de Melo. a expressão merece uma associação cautelosa. desde então. Amaro (2006). e não auto-aplicável. dependendo de regulamentação futura. − Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco elucidativo – o lucro. São Paulo. Portanto. CF/88. como Machado (1993). p. o art. Saraiva. há quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes de Miranda). Paulo de Barros Carvalho. Note que aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser traduzida à luz deste inciso I. De fato. Luciano Amaro. II. não obstante a mediata ligação a todas pessoas citadas37. insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina majoritária. os requisitos à fruição da imunidade. No caminho hermenêutico ora trilhado. Não se veda o resultado positivo na entidade. apregoa que o alcance das expressões se atém somente às entidades educacionais e assistenciais.

ligado à instituição educacional. pode remeter divisas para o exterior. 14. O eminente Aliomar Baleeiro cita curioso exemplo de gasto com universitário. indicando a jurisprudência no sentido da adstrição a valores de mercado. por fim. CF/88 – repetindo comentário supra. CTN) trata o assunto com terminologia criticável. Haveria desrespeito ao inciso em análise? Para o mestre. o que não parece de todo apropriado. 157) chama o art. é natural que se apliquem os valores na consecução dos objetivos institucionais. A legislação pertinente (art. não se perderia a imunidade. É. I a III. 150. passará. 14. não incluindo o envio desvinculado de valores ao exterior. os pressupostos dos incisos I e II são iníquos. sim. Análise do art.25 deverão – almejar o resultado financeiro positivo. segundo Amaro (2006) e José Eduardo Soares de Melo. quanto ao rol classificatório ali inserto – impostos sobre o patrimônio. conquanto sua redação parece pretender instituir um Poder de punição à autoridade tributária. § 1º. quando permite à autoridade “cassar” a imunidade. a análise é subjetiva. CTN. afastando a interpretação restritiva. II. o STF analisa tal comando. diante do resultado positivo. III. prejudicando a manutenção dos objetivos institucionais – trata-se de requisito óbvio. Uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua. a qual possui filial no Brasil. Amaro (2006. como uma “punição”. os valores não poderão se apresentar como “distribuição” disfarçada de lucro”. Diga-se. se cumprirem a exigência ora analisada. § 4º. De fato. mediante ato discricionário. imediatamente a ser alvo da TRIBUTAÇÃO. quando dos comentários retro sobre a imunidade de templos: prova da aplicação . Manter a escrituração contábil em dia e hábil a provar o cumprimento dos requisitos anteriores – sem a demonstração mencionada. devendo passar a recolher os impostos. etc). CTN de aberrante. É o caso também de instituição filantrópica internacional. a qual poderá realizar ou não a ação – na expressão “pode fazê-lo” –. Nesse passo. aquela Corte interpreta a expressão “finalidade essencial” de modo lato. entretanto. merecendo a proteção da imunidade. não os carreando para países estranhos. arrendamento. havendo respeito à disposição legal. em país estrangeiro. 14. § 1º. desde que se cumpram os requisitos já conhecidos. Observações finais – caso a entidade deixe de cumprir os requisitos do art. que o MANTENEDOR da instituição poderá receber uma contraprestação pelos serviços realizados. Não aplicação de recursos fora do país. Ademais. mera paralisação dos efeitos imunitórios. renda ou serviços. p. pois. permitindo a extensão da imunidade a bens ligados a atividades inessenciais (locação.

Mas a regra da imunidade não inclui atividades ligadas ao bem. de 5-6-1998..11. c. 40 Súmula 724: “Ainda quando alugado a terceiros. E incidirão. consoante entendimento já firmado pelo Pretório Excelso42. 41 Súmula 730 do STF: “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. Informativo do STF nº 220. RE 286. A propósito. desde que o lucro fosse reinvestido39. IPI. RE 237. . DJU 19-11-03. ao contrário das demais (“a”. AgRgRE 106. Min. no RE 210. naturalmente. 42 STF.26 integral das rendas nos objetivos institucionais (Ex.9. IR (renda da venda dos livros).737-SP. porque está ligada a bens e não pessoas. Em contrário senso. em razão da teoria da repercussão tributária. II. por sua vez. como é o caso de ISS sobre a publicidade nas publicações. rel. entendia cabível a não incidência. RE 210. somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”.718-SP. 10. O STF (Pleno).: alugueres recebidos de locação de área pertencente à entidade filantrópica) e da inexistência de prejuízo à livre concorrência (aferição por meio de critérios subjetivos).251-2-SP. fruto de relação contratual entre o órgão e a categoria específica. cit. Min. etc. 154. JORNAIS. PERIÓDICOS E O PAPEL DESTINADO À SUA IMPRESSÃO) Natureza – é objetiva. Nessa medida. DJU e-1. DJU 12. É a posição cristalizada na Súmula 724 do STF40. ITBI (aquisição de prédio pela editora). segundo a qual o ônus recai sobre o contribuinte de fato (adquirente). não incidem sobre o livro e sucedâneos: ICMS. p. De fato. Elemento teleológico – é a difusão do conhecimento e da cultura. etc.2001. Marco Aurélio. Pleno. IE. RE 202. a alínea “d” versa sobre bens e não sobre pessoas. à luz dos conceitos de universalidade e generalidade. A prova deve ser feita pelo titular da imunidade38. isto é. op. a proteção alcança as revistas pornográficas (material fescenino). afasta a imunidade. p. receberá a carga de impostos sobre si.700/DF. da Constituição.Alínea “d” (IMUNIDADE PARA LIVROS.169-7. No mesmo sentido. aquelas de pouco 38 39 STF. RE 235. STF. c. 150. VI. 4. normalmente: IPVA (carro da editora).2001. 150. exclusivamente. desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. rel. Ellen Gracie. Vale dizer que a editora. 2-3-2003. j. e não sobre o contribuinte de direito (a entidade). A participação onerosa do beneficiário no plano de previdência privada. Independe do conteúdo difundido. DJU 6. decidiu por maioria pela não incidência de ICMS nas vendas.251-2/SP. incidiria o ICMS nas rendas e bens provenientes de bazares organizados por entidade filantrópica? A 1ª Turma do STF sempre entendeu que deveria haver a incidência do imposto. em 2 de fevereiro de 2003. vi. A 2ª Turma. da constituição. Súmula 730 do STF41 – as entidades fechadas de previdência social serão imunes quando não houver contribuição dos beneficiados. por exemplo.692. defende Amaro. é imunidade objetiva ao afastar a incidência de impostos reais (sobre os bens). “b” e “c”). permanece imune ao iptu o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art.

tendo em vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção constitucional. DJU 22. Min. 41) leciona que imunidade a deve abranger todos os meios indispensáveis à produção dos objetos imunes. as listas telefônicas são imunes. Entretanto. Marco Aurélio. Min. na condição de periódicos. Lista telefônica – segundo entendimento assentado pelo STF. rel. 5º. Mídia eletrônica – a doutrina mais abalizada.441/RS. valorizando os direitos fundamentais que lhe são afetos. 150.1998. CF/88. dentre outros. VII. Moreira Alves. Lembre-se que não havendo tributação. Na mesma idéia. RE 199. porquanto este procura conferir uma interpretação restritiva ao dispositivo46. Encontra guarida constitucional nos arts.: imunidade de II sobre máquinas de impressão de jornais. Insumo – o único insumo protegido pela regra será o PAPEL destinado à impressão.403-SP. rel. RE 183. RE’s 204. . O art. Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser interpretadas ampliativamente? Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da imunidade de forma restritiva. Chimenti (2001.27 conteúdo informativo. 45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art.308/SP. Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou complementar? Ou é auto-aplicável? Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária. Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há imunidade: elas são devidas? 43 44 STF. e 220. 2º.06. STF. foi publicada a Súmula 657 do STF45. Ex. VI.183. e a jurisprudência vêem a EXTENSÃO da imunidade aos livros na forma de CD-Rom. § 6º. Min. reforçando a tese majoritária. independentemente da ausência de conteúdo informativo43. IX e XIV. Em sentido contrário. rel. que estendeu a imunidade da alínea “d” aos filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e revistas. d. IV. vêem outras decisões do Excelso Pretório aceitando a extensão da imunidade a manuais técnicos e apostilas44. representada.2000.11. como equipamentos destinados à função.859 e 273. p. Não é a posição cristalizada pelo Excelso Pretório. etc.8. Justificam que a imunidade deve ser aferida a partir do fim da difusão do conhecimento.2000. parágrafo único. DJU 12. e não em razão do suporte difusor de cultura. da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”. RE 101. Marco Aurélio. Lei 10753/03 (Lei da Política Nacional do Livro) equipara o livro em meio digital a livro impresso. por José Eduardo Soares de Melo e por Cassone (2004). DJU 07. a norma imunizante deve ser observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido.234. 46 STF. 203.

CF/88. deixa claro que as pessoas imunes. 9º do CTN. VI. A posição está correta? Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro raciocínio. o art. CF/88? Resposta: Não. segundo o STF e a doutrina majoritária. preceituando condição inexistente na citada LC. “a”. Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão o assunto a ser implementado. em tese. Caso haja cobrança de uma contribuição social. VI. o "caput" do dispositivo deixa claro que suas conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser escrito em papel ou digitalizado. 150. XI. “c”. CTN. 14. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. “c”. § 2º. 2º. O inciso XI do art. se não há tributação. parágrafo VI. assim como as isentas. Entretanto.Sa. inovam em suas disposições. CF/88. sujeitam-se à fiscalização tributária. daí o teor do art. CF/88. parágrafo VI. respeitando as previsões expressas da CF. III. pode. há alguma regulamentação ou aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. abarcando assim. as mencionadas disposições citadas por V. uma entidade. Lei 10753/03 (Política Nacional do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes visuais exclusivamente. estabelece as condições para o exercício. parágrafo único. 4382/02. parágrafo único. pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade. E-m. e o art. corresponde à figura da lei ordinária. 12. à guisa do entendimento do STF. engloba as obrigações acessórias. Nesse passo. o que. 194. “d”. Apenas a entidade assistencial social ou educacional. III. D. 156. CF/88? Como é concedida a imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? Resposta: não. por exemplo. conforme expressa disposição constitucional. III. “c”. 150. CTN. Como compatibilizar os dispositivos? Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' devem ser cumpridos. Ademais. CTN. § 2º. o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas políticas interessadas (M. 150. faz jus à imunidade do art. nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento imunizante. no que diz respeito aos impostos. No entanto. DF e UF). o art. Pergunta: o art. somente por esse fato. Lei 9532/97. a obrigação acessória persistirá. Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art. foi dito que o art.146. a disposição legal não poderia ser usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art. em seu art. após ter cumprido os requisitos da lei para receber a . 150. 3º. 156 do CTN foi incluso pela Lei Complementar n. sem adjetivo algum. não faz jus à imunidade do art.28 Resposta: lembre-se que. “b”. não há obrigação principal e muito menos acessória. I a III. Pergunta: quanto ao art.104/01. VIII. 146. somente por esse fato. Pergunta: uma entidade. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. O termo lei.

26). Prima Cursos Preparatórios. também o é aquele. O Poder Constituinte Derivado Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos às mudanças sociais ocorridas. 1999. CF/88) para garantir a necessária rigidez.637/02. também do STN. porquanto houve mais de 50 emendas em pouco mais de 15 anos de sua existência. § 2º. Transformou a Carta de 1946. sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira delas).29 concessão da imunidade. Aliomar Baleeiro –. 60. Nas negociações entre as forças políticas da época – com mediação do então presidente do STF. O princípio da supremacia do interesse público era levado a cabo exacerbadamente (“I need. não existia equilíbrio entre Estado e cidadão na atividade fiscal. I can”). há uma grande crítica a essa premissa da CF/88. A constitucionalização do Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades. Deve ser pleiteada perante a Receita Federal. a EC consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. . Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? Quanto à rigidez/flexibilidade. Para Cassone (2004. por ocasião do golpe de 1964. até tal diploma. Porém. foi erigido o sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art. 2004. No Brasil. defende que o Sistema Tributário Nacional é ternário. via requerimento conforme estabelece os procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97. Criou um regime sistematizado. receber a concessão imunizante. São Paulo. e Lei 10. etc. em consonância com o setor fiscal (NOGUEIRA. imunidades e tributos. especialmente voltado para fruição de algumas liberdades fundamentais. Direito Tributário. Para refrear o ímpeto do constituinte reformador. composto de princípios. fazendo nascer uma vertente doméstica moderna nesse ramo. competência tributária. Não funcionou a contento! Politicamente. 118). 12 e 13. regras rígidas de competência. Sistema Tributário Nacional Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? Qual a importância da EC 18/65? A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. De fato. p. p. limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas tributárias47. Destarte. a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e. Esta última configurou um marco no Direito Tributário brasileiro. Qual é a estrutura do STN? A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar. esse Poder deveria ser utilizado “cum grano salis”. foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). o STN segue o mesmo diapasão da própria Constituição: sendo essa rígida. a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional de impostos e princípios constitucionais tributários. 47 Eduardo de Moraes Sabbag. em seus arts. por conseqüência.

diz-se que padece de inconstitucionalidade. titulares da competência tributária. é extorsivo. a criação de tributos. Com efeito. que a gestão fiscal equilibrada pressupõe. à luz do art. deve prestar serviços públicos mínimos. aduzido materialmente por meio da tributação. preceitua. em sua essência ontológica. o legislador recebe do constituinte o poder de impor a tributação. E ela foi efetivada pela instituição do poder de tributar. garantir o mínimo de existência (de essencialidade) quanto aos direitos fundamentais deve ser a pauta do Estado (vida digna – mínimo essencial – garantia e efetivação dos direitos fundamentais – prestação de serviços públicos). coercitivamente. a qual pressupõe um custo para agentes. O ato de tributação. em conseqüência. Dessa feita. em uma atividade administrativa. pela atividade fiscal ou receitas derivadas (tributação). COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA é o poder recebido do constituinte para servir ao custeio da máquina estatal. em seu art. Assembléia Legislativa. 2006). sob pena de renúncia de receita e. “caput”. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR tem dois objetivos e se faz mediante dois instrumentos: proteção ao federalismo e aos direitos fundamentais. DF e Municípios). a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). de interesse coletivo. de criar tributo. dentre outras medidas. a divisão nacional do poder de tributar é a fatia de competência tributária relegada a cada um dos entes políticos. Considerando que o dispositivo legal está em choque com o art. O Estado de Direito enxerga na tributação a via pela qual ele efetiva suas funções. Desta forma. Câmara Municipal) podem instituir tributos. de modo a permitir a consecução dos fins da própria gestão pública. 145. direcionado aos entes políticos – que. propiciando uma vida digna. Esta tarefa será efetivada por meio da Administração Pública. sabendo que não tem o todo. o direito potestativo de tornar exigível a obrigação (adequado ao lançamento) e o direito subjetivo de crédito. que surge depois da exigência. Deve-se distinguir. É exercido pelos entes políticos (União. Neste sentido. conclui-se que o exercício da competência tributária é obrigatória. havidos por meio das imunidades e dos princípios. somente aquelas pessoas que possuem Poder Legiferante (Congresso Nacional. para órgãos e para serviços respectivos (JERKINS apud DI PIETRO. é uma faculdade. com o intuito de estabelecer um equilíbrio nas contas públicas. Todavia. O instrumento de criação do tributo é a lei. criando tributos até mesmo de forma errônea. “caput”. principalmente. “caput”. Estados. A coletividade deve contribuir. O poder de tributar. exercício de direito fundamental . Dessa forma.: a imunidade de livros presta-se a maximizar a divulgação de idéias. detêm parte dele – para exercê-lo dentro dos limites de sua circunscrição e mediante determinadas condicionantes (imunidades e princípios. O Estado. E por que não há ADIn? Pela razão fática de que o Estado já onera o contribuinte por demais. Câmara Legislativa. os quais conformam as limitações ao poder de tributar). somente a chancela do constituinte poderia garantir-lhe legitimidade. PODER DE TRIBUTAR é prerrogativa de impor a tributação. CF/88. entretanto. CF/88. Segundo Carlos Ayres Brito. para formar o bolo. 11. 145. de responsabilidade fiscal. de acordo com a capacidade contributiva isonômica: a cada um na medida de suas possibilidades. Esse arcabouço será mantido pelas receitas originárias e.30 A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço. Ex.

há normas exclusivamente federais. destinado às áreas geográficas menos desenvolvidas (Norte. e 220. “a”. todos os entes políticos (União. Ex. VI. De forma suplementar ao poder de tributar. . CF/88). em regra. 145 e 150. existem as regulações do poder de tributar. III. CF/88). é cediço postular que a Constituição. com o fim de efetivar a idéia da união federativa (art. aduzida e qualificada pela Constituição. simultaneamente. cuja receita deva ser repartida com outro ente político. 159. 148. Quem institui os tributos é a lei ordinária. II. XIV. CF/88). porque a exploração econômica do patrimônio público é prática na contramão da tendência moderna e pós-moderna. CF/88. 22. é produzida no município. Ex. Em contrapartida. 158. É fato de que toda esta renda.: arts. I. 21. “b”. assim como é a imunidade de templos e religiões. O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL possui dois enfoques: 1ª corrente – será nacional quando suas normas vinculam. porque se presta à liberdade de culto (art. tendo como fim promover o federalismo e a proteção aos direitos fundamentais. para que os maiores entes políticos não fiquem com todas as rendas tributárias. CF/88. com o mesmo escopo federalista e valorizador dos direitos humanos. 25% do ICMS é destinado aos municípios do respectivo Estado arrecadador (art. 5º. IV. Fazendo tais considerações. 159. “c”. mediante o comando autorizador dado pelo constituinte federal. em qualquer esfera de Poder. 158. As Constituições estaduais e distrital e as leis orgânicas municipais também não criam as exações nem determinam competências. A imunidade tributária é uma regra de não-incidência da competência tributária. IV.: metade do IPVA é destinado ao município onde foi emplacado o veículo (art. não cria tributos. concretamente. CF/88). I.31 (arts. ou seja. quando estas se aplicam exclusivamente à União. 155 e 156. I. Nordeste e CentroOeste). Entretanto. Ex.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Estados (art. CF/88). a União deve entregar parte de sua riqueza tributável aos Estados e aos Municípios. Neste diapasão. o constituinte colimou re-equilibrar a federação. 159.: arts. em si. DF e Municípios). CF/88). À guisa dessas não-incidências. Estados. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS – decorre do ranço de valorizar majoritariamente o Poder Central. CF/88). 5º. IX. Todavia. o exercício da competência é coercitivo. conferindo parte da receita auferida por uns entes a outros. 10% do IPI aos Estados. se for o caso de tributo.: arts. Ex. 159. o constituinte institui o mecanismo de repartição das receitas.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Municípios (art. CF/88). 3% do IR vai para programas de financiamento do setor produtivo. por comando constitucional. e lei complementar excepcionalmente. CF/88. Também é nacional a norma que vincula determinada categoria de pessoa política. regras a determinar como deve ser exercida a competência tributária. O poder de tributar foi criado para garantir autonomia financeira à pessoa política. nas respectivas atividades de exportação de produtos industrializados (art. § 6º. A CF/88 somente determina a competência tributária.

156. CTN. consoante comentário a ser aduzido. aquilo que um Estado (ou tribo) devia a outro em decorrência de autêntica relação de vassalagem (FÜHRER e FÜHRER. papel selado. etc. ao prever uma nova causa extintiva do crédito tributário – a dação em pagamento. Ademais. I e II. 50 STF. A LC 104/01 inseriu o inciso XI no art. CF/88. Nesse passo. (art. Rio de Janeiro. por exemplo. “b”. razão pela qual uma lei ordinária estadual. 3º. convivendo. admitindo a dação de bens móveis como forma de extinção do crédito tributário. simultaneamente retira dos demais. 37. 3º. Prestação pecuniária48 – está ligada à idéia de riqueza. Teoria Geral da Tributação CONCEITO DE TRIBUTO – etimologicamente. uma lei que permitisse a dação por bens móveis ofenderia a exigência constitucional de licitação para a aquisição de mercadorias pela Administração (art. Forense. 19 a 21. 156 do CTN. Ao sujeito passivo. 162. 2001. a doação (art. indicando a possibilidade de se entregar um bem distinto daquele anteriormente avençado. por representar uma liberalidade. III. na letra do art. isto é. 146. 356 a 359. regulamentou a matéria de dação em pagamento de tributos por meio de bens móveis. com métodos antiquados de pagamento: vale postal. aquele pago com bens agrícolas. CC). estampilha. A tributação é um ato de agressão patrimonial obrigatório e coercitivo. Segundo o art. em que a ela é pressuposto de existência. consegue enxergar. CTN). Em sentido totalmente oposto. CF/88)50. Trata-se de instituto oriundo do Direito Privado (art. ADIn 1917-DF. de vantagem patrimonial.. a matéria em análise deve estar afeta à lei complementar. XI. CTN. 3º. ou seja. – por meio da expressão “cujo valor nela se possa exprimir” – uma forma de compatibilização com o art. 1993.32 2ª corrente – é integralmente nacional. sob pena de inexistir a tributação. CTN. Quando uma norma da CF/88 dá competência tributária para um ente determinado político. instituída por lei e cobrada por lançamento. O CTN prevê a dação tão-só para bens imóveis. cit. 538. por exemplo. A vontade não se vincula à formação da relação jurídicotributária (obrigação tributária). contrariando o impedimento sistêmico imposto pela CF/88. por outro lado. op. não é permitida discricionariedade na prestação ou não do tributo. Não se admite o tributo “in natura”. Pecúnia é a moeda corrente (Real) ou o próprio cheque. XXI. tributo vem do latim “tributum”. pago em moeda ou outro valor que possa nela ser exprimido. A captação da riqueza particular em favor do interesse público não pode depender da voluntariedade do contribuinte.. Curso de Direito Tributário. Na esteira. p. 49 A Lei 1624/97-DF. outros doutrinadores protestam no mesmo sentido. Tributo é prestação pecuniária compulsória. Amaro. Informativo do STF n° 136. CTN. p. estaria impedida de versar sobre o tema49. diversa de multa. poderia sugerir que o tributo decorrente do negócio jurídico não estaria Hugo de Brito Machado. A definição jurídica de tributo encontra-se no art. depreende ferrenha crítica à redação do art. Compulsória – é a eliminação do elemento vontade. CC). 17). na extinção das obrigações. ao contrário dos demais negócios jurídico civis. 48 . protestando pela impossibilidade absoluta na prestação não pecuniária referente ao tributo. Tais formas de pagamento do tributo são usuais. 7ª ed.

No entanto. por questão de interesse público da coletividade. 155. A contraprestação dessa espécie de serviço é tida por preço (não tributário). elas aproximam-se dos preços. Nessa seara. Ao revés. eles serão de domínio público exclusivo do Estado. não existindo outra opção. O teor do serviço prestado determinará o tipo de contraprestação. São conhecidas vulgarmente como “taxas de uso”. é cediço recorrer ao Direito Administrativo para desigualá-las. há serviços públicos que não cabe ao Estado prestar. é chamado de tarifa ou preço privado. A natureza do ajuste entre as partes é contratual. pois somente alguns recebem o serviço “uti universi”. porque o fenômeno tributável é o ato em si e não seu caráter voluntário (“animus donandi”). Nesse sentido.) e aquelas decorrentes do poder de polícia. CF/88). enquanto preço privado. cit. o consumo do serviço também é compulsório por parte do administrado. op. por taxas – também conhecido por preço tributário. Nesse campo. em relação à lei que as instituiu”. São exações atípicas. pode haver duas espécies: os serviços a título universal e singular. sem permitir o lucro (distribuição de dividendos) e a livre concorrência.33 abarcado pela regra da obrigatoriedade. no qual fica patente que o preço público é a remuneração de um serviço público prestado indiretamente pelo Estado (por concessão ou por permissão). há três taxas que fogem à idéia geral de sua concepção: judiciárias. Só há aquele meio de uso. enquanto todos contribuem para ele. não se cogitando de sua submissão e inclusão no sistema tributário. de . O primeiro é “remunerado” por meio de impostos e os segundos. Ambos se submetem ao regime de Direito Privado. água e esgoto. diferentemente daqueles. porque há opção na contratação (liberdade de contratar). Ledo engano. para tutelar a coletividade. mas tão-somente pelos efetivos. Não há propriamente grande diferença entre os conceitos. descentralizar a atividade. p. as taxas são devidas desde que colocados os serviços à disposição do usuário. A Súmula 545 do STF51 determina a diferenciação entre taxa e tarifa: a compulsoriedade. são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. 116. 51 Súmula 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. prestados diretamente por ele. O pagamento dessa então se deve à retributividade do custo do serviço prestado. porque estas. porque não serão remuneradas pelos usuários em potencial. pendendo facultatividade na contratação e na conseqüente remuneração (autonomia da vontade). No diapasão. de um serviço privado de livre concorrência. Uma vez ocorrendo o negócio mencionado. É o entendimento esposado por Cassone. Em tese. do contrário. é lícito o lucro e a livre concorrência. Nesse âmbito. de preservação ecológica e de emissão de passaporte. etc. também conhecida como tarifa52. incidirá o ITCMD (art. no máximo. com exceção da nomenclatura. para corrigir a imperfeição da arrecadação por impostos. As taxas podem ser de serviços propriamente ditos (coleta de lixo. Além disso. denomina-se preço público. Pode. Inexiste compulsoriedade. mesmo que deles não se utilize. mas não se lhes equiparam. O constituinte preceituou que o Estado preste alguns serviços públicos de interesse público primário. Caso seja prestado por entidade da Administração Indireta (sociedade de economia mista ou empresa pública). I e § 1º. 52 O preço é a remuneração por qualquer serviço não tributário..

energia elétrica. CTN. permitindo a dação em pagamento para crédito tributário. Mas a LC 104/01 alterou bastante o CTN. A doutrina mais tradicional afirmava que o tributo não se paga “in labore” nem “in natura”. porquanto não usados. O fato que gera a obrigação tributária não é uma conduta contrária ao Estado de Direito. Paga em moeda (regra) ou valor do qual se exprime (exceção) – tributo deve ser pago em dinheiro como regra. O primeiro se reverte inteiramente ao Estado prestador do serviço. sem qualquer outra espécie de remuneração. 5º. não incidindo o “jus puniendi” estatal. ao verificar conveniência da melhor escolha. Moeda é a principal forma corrente de transmitir riqueza. Não há pacificação doutrinária quanto ao tema. sendo fixado unicamente para custear um serviço. permissionário ou autorizatário de serviço público delegado. Como se trata de norma de eficácia limitada. A LC 104/01 apôs o inciso XI ao art. nota de rodapé “4”. não autorizou a incidência da exação em si. A ilicitude da conduta somente provocou a progressividade. os essenciais ao interesse público.: quanto ao serviço funerário. permite exploração de lucro. remunerando-o do custo envolvido e de uma parcela de lucro. sepultamento. Eventualmente. 54 Cf. sendo delegáveis e pagos por preços públicos (serviço postal. em prol da comunidade. pode também ser objeto de preço. não acarretam ranhura ao interesse público.). nessa forma. cheque e selo já foram algumas dessas formas. remunerados por taxa. podem incitar a remuneração por meio de taxa. é delegável à iniciativa privada. necessita de LO para regulamentação. A progressividade do IPTU visa preservar a função social da propriedade (art. o que diferencia a taxa e a tarifa é a natureza do serviço público prestado. telefonia. Ex. O princípio do “non olet” pode ser vislumbrado nos exemplos da renda auferida por traficante54 e do IPTU com alíquota progressiva. 156. continua Amaro (2006). no âmbito da competência tributária respectiva. Min. Moreira Alves. O imposto tem por fato gerador a propriedade. mitigando essa construção. é uma prestação “in natura”. permitindo que o legislador ordinário pudesse receber crédito tributário de outra maneira que não moeda. hoje não mais usados. outros entendem que há uma exceção ao seu conceito. pois salvo melhor juízo. CF/88). quando por ele prestados. ao prever a dação em pagamento por bens imóveis (bem diverso de moeda) para extinção do crédito tributário. pode ter parcela revertida ao Estado. O Direito Administrativo distingue o preço público da tarifa (ou preço privado) sob alguns aspectos. rel. A determinação de uma ou de outra saída reputa-se ao legislador. De fato. Para justificar a existência do IPTU. não podendo o Estado cobrar por aquilo que não prestar ou o usuário. esgoto. caso contrário.34 Em resumo. remoção de lixo. por aquilo que não utilizou (cartórios judiciais e emissão de passaporte). 45) afirma que os serviços públicos inerentes ao Estado. Para o eminente ministro. etc. a dação.). . 53 Cf. não é serviço exclusivo de Estado. sua remuneração pode ser extraída de preço. Lapatza (apud AMARO. XXIII. Direito Público. Todavia. REsp 167489-SP e RE 89876-RJ. Prestação de serviço e produtos não são formas corriqueiras de recebimento pelo fisco. 2006. Já o segundo se volta a concessionário. gás. poder-se-ia advogar a natureza tributária. Diversa da multa – o tributo não é sanção por ato ilícito. Títulos da dívida pública. em face do desrespeito às normas urbanísticas. os não essenciais. mediante utilização efetiva ou potencial (água. O valor que se pode exprimir é um conceito aberto. etc. indelegáveis e passíveis de taxação. segundo entendimento já firmado pelo Excelso Pretório53. Essa já preexistia. suficiente para atrair o afã do particular e manter a atualidade da prestação. os serviços públicos divisíveis e singulares podem ser catalogados em 3 planos: os propriamente estatais. p. quando houver previsão no ato de delegação (contrato ou ato administrativo).

CF/88). por metonímia.35 A grande questão que se coloca é a possibilidade ou não de deferir dação para bens mobiliários. Somente alguns possuem imóveis. será de família. muito mais afeto à sua realidade. por colidir com o espírito Carta de 1988. II. De todos aqueles que possuem “animus solvendi”. Esse dispositivo. a dação de bens imóveis é uma manobra ardilosa. reputando o art. Apesar dos contribuintes se debaterem sobre a constitucionalidade dessa disposição. Mas essa interpretação conforme a Constituição talvez ferisse os freios e contrapesos da divisão orgânica do poder. 156. equiparada àquela espécie. 156. O imóvel a ser oferecido será o expurgo de grandes empresários. III. surge uma brecha a legitimar. Entretanto. muito pela pretensa inafastabilidade do Judiciário (art. mesmo porque a maioria deles não possui bens de raiz ou se os tem. dentre elas o parcelamento. bens de categoria inferior. o Brasil tentou implementar a mesma política. não permite que o fisco trate desigualmente pessoas iguais. o pequeno devedor deveria ter a possibilidade de adimplir seus débitos com bens móveis. CTN) e inconstitucional (art. se presta. porque se presta a permitir que grandes devedores extingam seus créditos tributários sem desembolsar nenhum centavo. as leis que instituem esses programas geralmente condicionam sua concessão à desistência de demandas judiciais. Com efeito. como rol exemplificativo. Dessa feita. elemento proibido na ordem tributária nacional. a dação de bens móveis. XI. havendo uma desigualdade aos iguais. porque exorbita de sua competência regulamentadora. 5º. conquanto se trata de opção do contribuinte. “b”. 150. CF. XI.Lesão à isonomia – o princípio. XI. A LO que dessa forma dispusesse seria ilegal (art. 146. o gênero REFIS engloba várias categorias. Com efeito. Dentro dessa realidade. Isso se deve ao fato de que os pequenos devedores do fisco não possuem dívidas de montante a justificar a dação de imóvel. No mesmo sentido estão os pequenos empresários. CTN. possibilitando o “sucateamento” do fisco. a jurisprudência pacífica os considera legítimos. . Essa é a finalidade política da dação. somente parcela poderia efetivar o desejo. 156. CTN55: . Aqui. 156. essa espécie acabou sendo. seria inconstitucional. CTN. CF/88). Juridicamente. pela necessidade de eficácia da norma. Essa antítese pode ser solucionada pelos seguintes argumentos. há formação de um privilégio. estipulado no art. como está. 55 A ADIn 2405 versa sobre dação em pagamento na extinção de crédito tributário. porquanto opera discriminação aos iguais. por sua gramática. somente a favorecer certa parcela das pessoas. permitindo resolver as questões na esfera administrativa. Mas esses argumentos podem ser contestados. XI. em favor da inconstitucionalidade do art. A norma do art. Nesse passo. seguindo a orientação de recuperação fiscal (REFIS) italiana. XXXV. O mecanismo visou movimentar a máquina estatal para cobrar dívidas tributárias com o menor esforço.

a hermenêutica restritiva não pode ter vez. evitaria o movimento da máquina Judiciária. LEF). 368 a 380. porquanto a execução fiscal poderia não atingir outros bens (incerteza). O art. permite a compensação. O legislador não tem a capacidade de exprimir toda sua vontade simplesmente pela letra da lei. estaria em flagrante afronta à realidade. em interpretação literal. no seu art. . art.Segurança jurídica – a extinção da relação jurídica tributária é o grande fim colimado pela lei. anistias. haveria um contra-senso na extinção do crédito tributário. CTN. CTN. O intérprete não tem o direito de colocar restrições onde o legislador não fez. etc. 156. I a XI. não se permitindo sua exegese restritiva. O fisco não aceitar o bem móvel certo. 110. portanto. ao definir as modalidades de extinção do crédito tributário. afinal há coincidência de afã com o interesse público. porquanto. XI. CTN. CC. I a XI. . Ainda nessa seara.c. CTN – exige a interpretação estrita em matéria de exclusão e de suspensão de crédito tributário. permite o precatório como forma de crédito líquido. 11. Mas a interpretação restritiva deve se ater à concessão de liberalidades (isenções. 170. como tal. 156. O conceito de compensação se aduz da lei civil (arts. discutiu-se o pagamento do tributo por meio de compensação com precatórios. ao descrever a compensação do crédito tributário. gênero da dação em pagamento. por exemplo). CTN. o art. poderia pagar com seus bens móveis. mas não proibiu a dação de móveis. da economicidade e da operabilidade. “caput”. deve ter o desejo atendido. Dessa feita. CTN. Na mesma esteira. O devedor quer pagar e. obrigando-se passar por esses antes de um imóvel (art. Se o legislador determinou a prevalência na penhora de móveis antes de imóveis. em seu inciso II. o dispositivo em tela não proibiu a interpretação extensiva de norma de extinção de crédito tributário. Em tese. permite a dação de imóveis. Por que chegar a ponto da cobrança judicial se o entrave pode ser resolvido no momento préprocessual. 111. A função do operador do Direito é buscar essa verdadeira “mens legis”. I a IV. certo. Para solver o problema. c. na seara administrativa. a hermêutica extensiva é a melhor solução ao intérprete. 156. CTN. A LEF permite a penhora sobre bens móveis. I a III. No ponto. ainda que não exigível . poderia haver a compensação da forma descrita. XI. Com efeito.Art. 156. Afora esses dois casos.36 . somente depois do processo judicial devido. administrativo? Se o devedor pudesse adimplir antes da execução fiscal com seus móveis. pacificando a relação jurídico-tributária e conferindo segurança à sociedade e ao particular. lesando a razoabilidade. O texto do art.Interpretação sistemática do CTN com a LEF – o art. 156.) e às extremas exceções (dispensa de obrigação acessória. Esse mecanismo favoreceria a economicidade. viola os princípios da razoabilidade. a lei deve viabilizar a intenção. não urge a interpretação restritiva do art. CTN). XI.

“caput”. não erigindo termo final para tal. Min. A maioria da população deve ao fisco um crédito tributário de pequena monta. HC 81611/SP. 26/6/2007. previam que a extinção da punibilidade somente se daria se o pagamento fosse feito antes da denúncia. Lei 9249/95. a fim de possibilitar cessão de crédito ao seu patrimônio e. Moreira Alves. em que pese a previsão da Lei 10684/03 silenciar sobre eles (HC 48. a jurisprudência pacífica se posiciona no sentido de que a constituição do crédito tributário definitivamente efetivada é condição objetiva de punibilidade por delito fiscal (STF. essas empresas geralmente não possuem precatórios para com o Estado. “caput”. REsp 747. Min. o STJ tem dado interpretação analógica à extinção da punibilidade pelo pagamento ao delito de descaminho e aos previdenciários. Esse expediente foi bastante corroborado com a possibilidade de não incidência da lei penal nos crimes tributários (Lei 4729/65 e 8137/90). A despersonalização do precatório reside exatamente nesse ponto. O art. Min. 100.611-DF. seguindo os ditames do art. perfaz-se a prescrição do delito correspondente. rel. O comando autoriza a extinção da punibilidade. rel. 10. e os arts. DJU 20/5/2005. desde que haja uma lei ordinária a regulamentar a compensação. HC 81. Min. porquanto jamais recomporá os danos de terceiros. rel. 1ª. § 2º. porquanto aqueles grandes empresários adquirem os direitos creditícios por valores bastante inferiores ao nominal. porque haveria 56 Os arts.799-SP. constantes do CP. STJ. j. econômica e relações de consumo56. T. j. Ganham os empresários – que sonegaram deliberadamente – e ganha o Estado – que percebe seu tributo e não precisa adimplir seus compromissos indenizatórios. dada situação simples.986-MS.2003). Lei 9249/95. 9º. ADCT. a qualquer tempo. Lei 9964/00. RO em HC 77258-2. Informativo do STJ n° 331. somente médios e grandes empresários possuem montante de dívidas tributárias a justificar a compensação. § 3º. 34. DJU 13/3/2006. está-se em discussão a possibilidade de configuração ou não de crime de quadrilha (art. j. erigindo um paradoxo. No mesmo sentido. rel.. mormente. 1ª T. Atualmente..262-DF. Sepúlveda Pertence.2007. no HC 84223/RS. 170. e 78. DJU 1º/2/2006. Não há decisão sobre o assunto dentro do próprio Supremo. Min. Marco Aurélio Mello denegou a compensação. 23. 15. Destarte. rel. a facilitar a elisão tributária de grandes pessoas jurídicas ao mesmo tempo em que flanqueia ao Estado a lesão de direitos fundamentais. No entanto. Informativo do STF n° 476. de modo a favorecer. DJU 16/4/2007. HC 84. Informativo do STJ n° 325). a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário que visa tão-somente à perpetuação desse sistema censitário. Concluindo. 57 STF. Via de regra. § 3º. . e 15. Lei 10684/03). o rel. j. Maria Thereza de Assis Moura. Ocorre que a jurisprudência pacífica entende que os crimes tributários são materiais. HC 77. os quais só se concretizam pelo ato de lançamento do débito co-respectivo57. 34. No ponto. realizar a compensação. CP) nos delitos fiscais. o termo inicial da prescrição penal será o da correspondente decisão administrativa definitiva (STF. Nesse sentido. 5ª T. Mas existem alguns entraves à operabilidade desse mecanismo. por conseguinte.8. RT 770/492).805-SP.829-PR. pelo pagamento.12. O STF tem bastante complacência com essa sistemática. Certamente.6. Eros Grau. 13/9/2007.37 (parcelas vincendas ou vencidas). Arnaldo Esteves Lima. Lei 10684/03. 14. como ocultação de faturamento da empresa. Min. para possibilitar a compensação com seus débitos fiscais. Lei 9964/00 e 9º. HC 56.144-PR. “caput”.. DJU 29/4/2005. Na esteira. CTN. j. 288. os grandes grupos econômicos fazem “lobby” para o não pagamento do precatório. delitos de sonegação fiscal e contra a ordem tributária. precatório exprime dívidas de grande valor. AgRg no REsp 762.1999. Se a prescrição qüinqüenal já atingiu a pretensão do fisco em exigir judicialmente o débito ou a decadência fulminou o direito postestativo de realizar o lançamento. CF/88. desde que haja pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia (arts. revogou as disposições anteriores por dispor de forma diferente. na ADIn-MC 2099.

113. cujos representantes eleitos manifestam a vontade popular. segundo colocação do constituinte. O respeito à vontade popular. meio pelo qual o povo empresta ao Estado publicidade. há controvérsia doutrinária. de modo a tutelar um dentre três elementos basilares – liberdade. a anterioridade. 153. a seguir o comando alterado e existente na própria Constituição. CTN. No tocante à legitimidade. ao interesse público. 148. Dessa forma. 1993). CF/88). mas sim que deve ela definir “grande fortuna” (CARRAZZA. A segurança jurídica se desmembra nas vertentes legitimidade e não surpresa. fazendo cair por terra o argumento supra citado. Trazendo o raciocínio para o Direito 58 STJ. Quem instituirá o imposto seria a LO. CTN. Apesar de razoável a explicação. incompatível com a previsão de LC. EREsp 760290. CTN)58. LC só será exigida para a instituição de tributos residuais. 148. porque colima a lealdade e refuta o abuso de direito. VII. contribuições de seguridade residuais e imposto sobre grandes fortunas (IGF). 153. I. Sobre esse último (art. por conseguinte. lembra-se que o STJ tem admitido compensação de multas moratórias pagas indevidamente com tributos. Com relação a esta. justiça (igualdade) e segurança jurídica (fraternidade ou solidariedade). seriam ultrapassadas pelo mecanismo.. porque a expressão “nos termos de lei complementar” se refere à regência de todos os impostos do art. . 100. com exceção do empréstimo compulsório. O princípio da legalidade visa proteger um valor básico: dar limite ao exercício de competência.38 lesão à ordem cronológica de pagamento dos precatórios. Ele gere a coletividade em favor dela própria. CTN). § 1º. o STF passa a perfilhar a disposição do constituinte. Dessa forma. o administrador é eleito do povo. as dívidas de pequeno porte. 1ª Seç. para o povo e pelo povo. a irretroatividade e a transparência são sucedâneos da legalidade. em flagrante afronta ao comando do constituinte (art. “caput”. Não quer dizer que a LC vá criar o tributo. Instituída por lei – há quatro tributos que necessitam LC: empréstimo compulsório. Não é a volição própria do administrador que deve imperar. amplitude e aplicabilidade de suas disposições (CANOTILHO. A lei. legítimos detentores dos direitos neles exprimidos. 1991). por questão de urgência (art. na ADIn 2851. Ademais. II. diversos daqueles já previstos na Carta. A finalidade do art. A Constituição não diz que deve ser instituído por LC. e 139. Por fim. a legitimidade do ato democrático se consubstancia pela democracia representativa. a EC 30/00 permitiu expressamente a compensação de créditos tributários. o emérito ministro ainda argumentou no sentido de lesão aos interesses dos sujeitos ativos dos precatórios. Inobstante tal colocação. No entanto. inclusive as alimentícias. É justamente a última que será protegida pela legalidade. é o “norte” que deve seguir o agente político. é a tradução da atividade desse mandatário. é evitar que empréstimo compulsório seja instituído por MP. CF/88). em um autêntico mandato sem reserva de poderes. trata-se de posição minoritária. impostos residuais. porque ambos são causas subjacentes do mesmo crédito tributário (art.

9º. A culpa só pode se ater às duas primeiras condutas (auferir vantagem ou causar prejuízo). O art. 11. “caput”. Paulo de Barros Carvalho. Qualquer conteúdo patrimonial 59 Cf. instituído legalmente. Essa assertiva diz respeito à sanção disciplinar no âmbito do estatuto. Essa não pode ser presumida. para que. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS – natureza jurídica é a qualidade essencial do instituto. O procedimento vinculado se rende a duas idéias: . não alcançando a seara penal. A Lei 8429/92 regula exatamente o reflexo. 142. por uma questão de segurança jurídica. Lei 4320/64). . em sentido contrário. sob a óptica do Direito. . Em comentários abaixo. CTN. O tributo é uma forma de ingresso público (valor positivo ao erário) derivado. o legislador qualificou o tributo como entrada definitiva. Lei 8429/92). Os desrespeito a esses dois postulados pode levar a conseqüências para o agente. a função do Estado é manter o nível mínimo de dignidade da pessoa humana. todas as exações prestam-se a. receita da espécie derivada (arts. sendo enquadrado como ato de improbidade administrativa. é necessário que haja dolo. e 11. de conseqüência administrativa e cível. A atividade de cobrança de tributo é o próprio lançamento. representado pela efetivação dos direitos fundamentais através da prestação de serviços públicos. Nas palavras de Carlos Ayres Brito. Em suma. consiga-se perfazer a justiça distributiva e manter o estado de bem-estar do povo. devendo ser prevista pelo legislador. O ato de improbidade pode se ater a três condutas: auferir vantagem. FUNÇÃO DOS TRIBUTOS – em que pese haver tributos não vinculados – impostos –. essa idéia será mais bem delineada. custear a máquina estatal. é a manifestação democrática do povo. Essa tarefa só é possível quando são alocados os meios necessários. a grande finalidade da tributação é arrecadar. Entendendo essa colocação.Nos termos da legislação – não é dado ao agente a prerrogativa de escolher o modo de fazer. A autoridade fiscal é obrigada a realizar o lançamento.39 Tributário. Cobrada por lançamento – é a atividade administrativa plenamente vinculada. isto é. pois a culpa não a caracteriza (DI PIETRO.Obrigatoriedade – não existe discricionariedade permeando o procedimento administrativo. direta ou indiretamente. causar prejuízo ou violar princípio da administração pública (art. CTN. “caput”. 2006). 3º. Deve fazê-lo de acordo com a norma. mesmo não se tratando de Direito Penal (STJ). referida no art. o tributo. § 1º. afirmando que o crédito surge na ocorrência do fato gerador. define o lançamento. por meio dos serviços públicos. O CTN perfilha a teoria de que o crédito é constituído pelo lançamento59. Seu parágrafo único prevê como conseqüência pelo descumprimento a responsabilidade funcional (administrativa). Para essa última conduta. Improbidade é um ato híbrido. os quais são consubstanciados pela parcela da riqueza de cada qual para o bem comum.

restituível). Excepcionalmente. A destinação dada ao imposto ou à contribuição é irrelevante para determinar a espécie tributária em análise. somente o IPI e o ICMS são indiretos. os empréstimos compulsórios preservam seu caráter de ingressos públicos derivados. Porém. já que na acepção técnica da expressão estas designam apenas os valores que entram em caráter permanente.: o IEF pode conter fato imponível igual àquele previsto para outra exação (art. assumindo um viés de tributo indireto. CTN). O fisco desconhece tal relacionamento privado (art. II. 9º. o verdadeiro devedor repassa a carga tributária ao consumidor final. Mas o “nomen juris” e a forma de cobrança do tributo são irrelevantes para determinar a exação (art. por exemplo. Lei 4320/64. Ex. Nesses últimos. 4º. na segunda. Aparentemente. Repercussão tributária. aos indiretos. Na essência. não deve esse último ser qualificado como “receita”. o que determina a natureza específica do tributo é o fato gerador (art 4º. O que os faz diferir é justamente sua destinação. Todo tributo tem por natureza jurídica ser um ingresso público derivado. Em regra. é o fenômeno no qual o contribuinte legal ou de direito (contribuinte de “jure”) consegue repassar a carga tributária a uma terceira pessoa. Ex. Como regra. É o caso dos impostos. são receitas derivadas (ingressos definitivos. CTN). Contudo. Na primeira situação. O imposto é uma receita totalmente desvinculada. o legislador flanqueia a bi-tributação (“bis in idem”) – um fato gerador produzindo dois tributos. Em outros. cada tributo é identificado por sua hipótese de incidência. vide expressa previsão legal no art. Excepcionalmente.: IR. a espécie tributária é determinada pelo fato gerador. “caput”. É o caso. CTN). contribuições de melhoria e especiais. contribuinte de fato (contribuinte de “facto”). diverso daquele que detém relação jurídico-tributária direta para com o fisco. haveria uma controvérsia para com o art.40 entregue ao Estado pode ser considerado ingresso ou entrada. Observe o seguinte esquema: CLASSIFICAÇÕES DOS TRIBUTOS – duas classificações são mais importantes: tributos diretos e indiretos e impostos reais e pessoais. 154. não podem ser imiscuídos os conceitos de impostos e de contribuições especiais. II. isto é. Dessa forma. Por não ser ingresso definitivo. CTN). Ex. II. 123. não há de se confundir a natureza jurídica do tributo com a determinação da espécie tributária. outras exações diretas podem comportar repercussão tributária. CTN. mesmo que ambos não estejam vinculados a uma prestação estatal específica de sua parte. apesar de não sê-lo na sua natureza. 4º. refere-se aos tributos diretos. não restituíveis). agindo o administrador com discricionariedade (princípio da não-afetação das receitas). CF/88). 4º. porquanto cobrará o . I. Também não importa a destinação da receita gerada para definir o tributo (art.: IPI e ICMS. Entretanto. mesmo não sendo receita. tributo é empréstimo compulsório (ingresso temporário. Já o valor auferido pela contribuição tem destino certo. do pagamento de IPTU por parte do locatário. taxas. o ônus do recolhimento da exação se defere a um terceiro (substituto tributário). Alguns tributos permitem que o próprio contribuinte pague. Nesse passo. portanto.

indiretamente. CTN. Lei 9430/96. 20/9/2007.. rel. Por décadas. Todo imposto tem como fato gerador a conduta praticada pelo sujeito passivo e sugestiva de riqueza. O maior exemplo dessa categoria é o IR. 20/9/2007. REsp 962. o importador paga vários tributos na sua atividade (II. para furtar-se ao mecanismo. apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. REsp 757. Dessarte. AgRg no REsp 673. Min. Em tese. a coisa. Todavia. STJ. por ser praticamente impossível sua ocorrência. esse acabará pagando o tributo. Da denegatória. Informativo do STJ n° 327.. Informativo do STJ n° 332. O contrário representa o imposto real. Denise Arruda. 2ª T. 22. esse entendimento leva à iniqüidade de restituição para tributos indiretos ou indiretos por equiparação.203-RS. DJU 12/12/2005. 74. mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes60. 63 STJ. 166. admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda. Cediço. DJU 14/6/2006. rel. está-se diante de um imposto real. j. caso a riqueza demonstrada seja o patrimônio. No entanto. 62 STJ. o fisco negar-lhe-á. De fato. a alíquota incide diretamente sobre ela.304-PR. o Excelso Pretório manteve a posição (Súmula 71). Informativo do STJ n° 332.909-BA. ela é atingida diretamente. Complementando. Todo imposto. 20/9/2007. PIS/COFINS-Importação. a art. em suas Súmulas 71 e 546 (já mencionadas). Eliana Calmon. a qual será negada pelo fisco.. Min. ICMS). II. Eliana Calmon. a qual foi ratificada pela súmula posterior. j. 14/8/2007. Na venda dos artigos. Lei 9245/90 (Lei do Inquilinato) permite essa transferência. No entanto. “a”. Mas vamos supor que o recolhimento do tributo. dada a disposição do art. CTN)62. uma vez que ele não suportou de fato a carga tributária (enriquecimento sem causa). O fisco cobrará do locador e esse.441-SC. 61 60 . a qual só poderá ser materialmente aplicada quando a demanda judicial transitar em julgado nesse sentido (art.203-RS. É o entendimento esposado pelo STF. rel. CTN. Na mesma esteira.41 imposto do titular do imóvel. porque não é titular direto de relação tributária com ele. rel. REsp 757. STJ. Na prática. § 12. No imposto pessoal. CTN. nos casos supra. j. com redação pela Lei 11051/0463. 1ª T. A demonstração objetiva de riqueza por parte do contribuinte dá ao fisco o direito de presumir que tem capacidade de contribuir. em ação regressiva. a restituição mediante autorização pelo contribuinte de fato. No mesmo sentido é a redação do art. seja invocado61. REsp 449. no imposto pessoal. lembrar que a compensação de plano para com créditos de terceiros não é permitida. Castro Meira. O contribuinte de direito solicita restituição. Min. a “res”. ele repassará tais valores. ao contrário dos demais tributos. exigirá o valor do locatário. incidindo diretamente sobre a renda auferida. a base de cálculo é a renda. impetra-se mandado de segurança. 166. 2ª T. sem exceção. fazendo com que o comprador arque com a carga tributária. 166. além da prova de ter suportado o encargo tributário. 170-A. se o contribuinte de fato tentar fazer restituir o montante. O primeiro implica na pessoalidade do contribuinte. Min. que implicam em prestação estatal. O sujeito passivo tem condição de suportar o gravame. como bem dispõe a própria letra normativa. seja feito a mais. nesse ponto. Informativo do STJ n° 332. REsp 653. atinge a renda. é necessário que haja pagamento indevido para que o art. O dispositivo permite.. as empresas sempre solicitam a compensação. A maneira como essa riqueza é espelhada determinará a classificação do imposto em pessoal ou real. j.553-MG. O STJ. 2ª T. enquanto no real.

Outras Contribuições (ou contribuições especiais): a. REsp 895. deve surgir mediante a edição de lei complementar. Para "corrigir" tal problema. os quais não foram gerados pelo particular. CF/88). Contribuições de Melhoria 4. Empréstimos Compulsórios 5. CTN. Para seguridade social “lato sensu”: . 154. IAA. De intervenção no domínio econômico CIDE-combunstíveis. DJU 2/5/2005.146-RS.878-SP. DJU 21/3/2005.Fundo Aeroviário (FA). Sociais “lato sensu” Sociais “stricto sensu” . REsp 446. REsp 705. . . 1ª Seç. a norma que instituiu a CIP é ordinária e não complementar. RESp 431. . AFRMM.. . .Previdenciárias: Do empregado sobre folha de salários e equiparados.924-RJ. 4º. DJU 25/11/2002. b.Para o Sistema “S”65. segundo diz a jurisprudência. 65 Contribuição de empresa prestação de serviço para o Sistema “S” é devida. a CIP é um imposto e não uma contribuição. . o que fere o princípio da legalidade.502-RS.347-SC.CONDECINE (MP 2228-1/01). no sentido de custear a resolução de entraves do sistema elétrico do país.FGTS. A CIP não se enquadra nas cinco espécies de tributos. CIDE-remessas para o exterior.Contribuição sindical (antigo imposto sindical). Para profissões regulamentadas (CFM. No entanto. Para iluminação pública (art. anterioridade e irretroatividade. j. Para alguns. Trata-se de um ente anômalo. Impostos 2. “caput”. I. o governo fez aprovar a citada EC.Diretoria de Portos e Costa da Marinha (DPC). rel. previstas no ordenamento doméstico. ao estabelecer que a CIP pudesse ser instituída mediante lei ordinária. o constituinte flagrantemente contra os próprios princípios da Carta Magna de 1988. conquanto também residual (art. A modalidade de tributo chamada de taxa só pode incidir sobre serviço público individualizado. Taxas 3.Para o INCRA (antigo FUNRURAL). 64 A EC 39/02 trouxe à tona a contribuição de iluminação pública (CIP). à luz do art. d. Eliana Calmon. DJU 11/4/2005. CFO. 8/8/2007.Salário-educação. . O fisco sempre deteve um afã para invadir o patrimônio do contribuinte. CREFITO. ATP. OAB – com a ressalva feita pelo STF na ADIn 3026/DF).42 É possível classificar os tributos segundo o seguinte esquema: 1. CF/88)64. CFP. Informativo do STJ n° 326. 149-A. . Contudo. Os tributos devem obedecer a três ditames – legalidade. Do empregado. não sobre serviço de caráter geral. REsp 719. Tratando-se de imposto novo. Min. STJ. c. Cf.

o FINSOCIAL destinava-se a “custear investimentos de caráter assistencial em alimentação. 195. DL 1940/82. destinado ao Estado brasileiro e instituído pela Carta de 1988. segundo menciona a Súmula 94 do STJ: “A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”. Nas palavras do art. polícia. exceto aqueles destinados ao exterior. assim como outros poderes soberanos (jurisdição.Limitabilidade – todo poder. CF/88). a federação brasileira é formada por quatro entes independentes e harmônicos: União. É formado por contribuição específica. é repartido entre tais pessoas para evitar a balbúrdia. auferida por empresas públicas e privadas. Com a LC 70/91. “caput”. sendo ratificado pela LC 70/91. É uma manifestação da SOBERANIA. Características da competência tributária – podem ser arroladas três: . CONFINS-empresa. Diferenciação entre poder de tributar e competência tributária – o poder de tributar é pleno e genérico. deve ser sempre limitado. Estados. . saúde. CF/88). os quais são tangenciados pelos princípios e pelas imunidades. segundo lembra Chimenti. cit. punitivo. o poder de tributar. FINSOCIAL66. 1º.). p.. O poder de tributar e sua competência não são exceções. Sua base de cálculo inclui o ICMS. Cada fatia do bolo tributário é determinado pela Constituição de 1988. CONFINS-importador. A competência não foi determinada aleatoriamente. etc. Entretanto. 53. e amparo ao pequeno agricultor”. educação. . Nesse sentido. foi basicamente alterada a alíquota e a destinação da exação.. PIS-empresa. 22 e ss. CSLL-importador. § 1º. a qual constitui uma das fontes de custeio da seguridade social como um todo (art. op. PIS-importador. com a finalidade de preservar a 66 O Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) foi instituído pelo DL 1940/82. 149. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA – trata da distribuição do poder de tributar. Contribuição sobre receitas de prognósticos. a incidir sobre a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços. suas necessidades e suas competências legislativas e executivas (arts. determinando “quantum” dever-se-ia despender para manter a máquina administrativa e para levar a cabo os objetivos colimados por cada uma das pessoas da federação. CF/88). Levou em conta uma análise histórica da realidade concreta de cada um dos entes federados. revelando a parcela do poder pleno constitucionalmente designado para cada ente. incluindo a competência. habitação popular. sob pena de autodestruição.Para seguridade social “stricto sensu”: CSLL-empresa (cuja base de cálculo e fato gerador são idênticos ao IRPJ). mas segundo critérios técnicos e jurídicos. SAT. I. CPMF. caracterizando pela competência tributária.43 Do estatutário para o RPPS (art. DF e Municípios.

O titular não está obrigado a criar a exação tal qual está previsto na Constituição e na LC regulamentadora. 150. mesmo que a competência tributária.Quanto às taxas. por ter a finalidade de corrigir o desequilíbrio dos impostos e de estabelecer a justiça distributiva. A competência foi distribuída ao ente federado e não lhe cabe rejeitá-lo (irrejeitabilidade). CF/88). Os limites são estabelecidos por intermédio de algumas formas: a proibição é uma delas. “b”. mesmo que seja um terceiro a título temporário (indelegabilidade). Além disso. não há de se alterá-la por mera medida legislativa. não podendo o titular abdicar do tributo lhe deferido. A titularidade da competência tributária (de instituir tributo) também não pode ser emprestada a um outro titular. o constituinte estabeleceu uma segunda maneira de estabelecer a limitação: a regulação de incidência. Ex. o autor afirma que o legislador não tem a facultatividade. A decadência da competência tributária não se opera.44 estrutura federativa e proteger as liberdades essenciais humanas. . porque a Constituição não impõe. 145. CF/88). Além do mecanismo da vedação. . . um titular não pode tomar o tributo de outro para si. O “modus operandi” de instituição do tributo é guiado “ex vi” dos princípios tributários constitucionais. a indelegabilidade é espécie da irrenunciabilidade. seu exercício é facultativo pelo ente legitimado (art.Flexibilidade do exercício – apesar da titularidade ser imutável.Rigidez da titularidade – distribuída a competência pelo legislador constitucional. Em verdade. mas o faculta. “caput”. não tenha ainda sido efetivada pelo titular constitucionalmente estipulado (exclusividade). no seu exercício. Esquematizando: RIGIDEZ DA TITULARIDADE Irrejeitabilidade Irrenunciabilidade Indelegabilidade Exclusividade FLEXIBILIDADE DO EXERCÍCIO Incaducabilidade Facultatividade - Crítica à facultatividade no exercício da competência tributária – a maioria da doutrina reputa por não obrigatório o exercício da competência tributária (parcela do poder tributário). Mas Carrazza (1991) protesta em sentido contrário.: não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade) de impostos sobre templos (art. O direito potestativo de instituir o tributo – desde que constitucionalmente previsto para certo titular – nunca se perecerá pelo não exercício no tempo. VI. é irrenunciável. Da mesma maneira. construindo uma argumentação à parte: .

ao estipular cada uma das suas treze espécies. O que os fará diferenciar-se é o tratamento jurídico conferido. consonância com o anexo de metas fiscais e com a estimativa de receitas ou implementação de medidas de compensação (art. Diversos princípios constitucionais sacrificam o modo de instituição e cobrança da mencionada exação. Delegação ordinária de capacidade tributária de fiscalização e arrecadação (limites estritos). Dessa forma. deverá ser reduzido. bem como subsídio. Aliás. O atípico fenômeno da parafiscalidade (capacidade tributária ativa somada à deferência para administrar tributos). fazendo um encaixe entre a atividade a ser prestada (serviço público) e os meios a serem empregados (tributos).. CF/88). Carrazza (1991) respalda legalmente suas assertivas na Lei de Responsabilidade Fiscal (art. Atributos formadores da competência – capacidade instituidora.. As palavras competência e capacidade possuem a mesma acepção etimológica.Na contribuição de melhoria. a autonomia do titular do tributo não poderia ser entendida como facultativa. previsão na LDO. 11. 14. LC 101/00). IPI e IOF) nem no cancelamento de débitos cujo valor de cobrança seja maior que o montante da dívida (art. . legislativa. op. adaptando os serviços públicos e os respectivos tributos distribuídos. porque toda renúncia de receita deve ser justificada pelo administrador69. para evitar o enriquecimento sem causa. fiscalizadora. “caput”. a instituição do tributo não vinculado se liga especialmente à capacidade legislativa e administrativa estabelecida na própria Constituição (arts.“Capacidade tributária” como atributo formador da competência (delegabilidade X indelegabilidade). § 3º. porque há um contra-senso entre a possibilidade de conferir melhor dignidade ao administrado e a não instituição da exação (renúncia de receita). propiciando a suficiência das riquezas para o titular.Para os impostos. Se um imposto estiver com base de cálculo e/ou alíquota muito altos. 14. mas o modo de fazê-lo pode ser68.45 . “caput”. Instituir o imposto não é injusto. 21 e ss. porque alguns que tiveram seus imóveis valorizados e devem retornar sua parcela de riqueza acrescida ao erário67. fez uma estimativa estrita das receitas derivadas para manter a máquina administrativa do ente federativo. incidiria também a obrigatoriedade. 14. “caput” e §§. o legislador ordinário deve observar todos os tipos conferidos. mas não obrigatório ao legislador. I e II. cit. Entretanto. observando um equilíbrio para com os outros. demonstrando que a não incidência legal vai render frutos para o ente federado competente (art. o legislador observou histórica e concretamente a realidade de cada ente federado. a obrigatoriedade se manifesta de modo mais arraigado. Nesse passo. LC 101/00). LC 101/00). 69 A doutrina majoritária entende que o referido dispositivo é sugestivo. É válido o argumento ao menos na seara teórica. isenção. bem como para atingir metas razoáveis de gestão. essas condicionantes não se aplicam na mudança de alíquota de tributos extrafiscais (II. A renúncia de receita pressupõe: estimativa de impacto no exercício financeiro aplicado e nos dois seguintes. IE. LC 101/00). I e II. arrecadatória. remissão e anistia. 67 . 68 Segundo Carraza. crédito presumido e benefício fiscal devem seguir uma fundamentação contábil. Para estabelecer tais estipulações. Mas a inviabilidade da contribuição de melhoria quase que coloca o argumento à margem da discussão doutrinária. na tarefa do exercício da competência tributária. de modo a distribuir parcela de riqueza entre cada um deles. a. O constituinte.

etc. é obrigatório ao Estado. bastando mera lei em sentido estrito. pode ser delegada por medida provisória. porque o tributo é bem público indisponível. § 4º. inicialmente alheio à relação tributária. portanto. CF/88 (EC 42/03). as duas primeiras (instituir e legislar sobre o tributo) não são delegáveis – por questão de legitimidade –. A doutrina majoritária. b. desde constitua tarefa não essencial e inerente ao Estado. Nessas quatro prerrogativas. DF e Municípios. 153. Tratando-se de lei ordinária.46 Partindo desse raciocínio.). mas as duas seguintes (fiscalizar e arrecadar a exação) podem sê-las. prevê um caso da possibilidade da União delegar a capacidade tributária ativa do ITR para os municípios. III. da mesma espécie que instituiu o tributo. Ex. Uma vez realizada a distribuição do poder de tributar. denominadas capacidades delegáveis. sendo que este não pode subdelegar nem legislar sobre o tributo (conceder remissão.“Capacidade tributária” com prerrogativa de ser sujeito na relação tributária (material e processual. dependendo do ente político que a possui originariamente. ativa e passiva). anistia. Ele atua em nome do . entende que o Estado faz uma delegação atípica para as entidades parafiscais de forma plena. No entanto. gozam de suas receitas e administram seus valores. porquanto está taxativamente prevista na Constituição. Aquele que delega não fica com as receitas. O art. porquanto o delegatário parafiscal passa a ser o possuidor delas. O delegatário ordinário realiza a faina em nome do Leviatã. Para um ente não-político – ente não-político é qualquer pessoa diferente da União. são conferidos determinadas aptidões para o exercício dessa competência: instituir. não podendo realizar nenhuma outra tarefa além dessa. Estados. Desta feita. a titularidade plena da competência é estabelecida pelo constituinte. Quem tem competência tributária. essa delegação é realizada no âmbito de limites mínimos do poder de polícia. A delegação ordinária de capacidade não pode ser confundida com a parafiscalidade. podendo inclusive defender seus créditos). sempre possui capacidade tributária ativa. Capacidade tributária X capacidade civil. fiscalizar e arrecadar. Essas últimas ações. somente recolhendo o tributo (não pode executar e administrar os valores auferidos). legislar. capacidade tributária ativa é o dever-poder de arrecadar tributos e ficar com o produto da arrecadação. A competência tributária é indelegável. isenção. em que pese não haver necessidade de tal disposição na Carta Política. Há duas possibilidades para a delegação: Para outro ente político. conferindo-lhes capacidade tributária ativa (recolhem o tributo.: lotérica que recebe o pagamento do IPTU. ARRECADAR. Esta delegação é efetivada por LEI. sob pena de renúncia de receita e má gestão fiscal. Já a capacidade tributária ativa é passível de delegação. para justificar essa última. dela fazendo parte. podem ser repassadas a um ente terceiro. A capacidade tributária ativa é inerente à competência tributária.

a imunidade recíproca só se restringe a impostos sobre patrimônio. não cabendo no tocante às taxas. perito nomeado. • Pessoas jurídicas de Direito Privado – concessionários e permissionários. Ex. 150. Dependendo do contrato de delegação. a relação de ida (recolhimento do tributo) é tributária. o valor a ser ressarcido pelo erário não tem natureza de crédito tributário. contribuições especiais e de melhoria. mas a volta não. não podem exercer a competência plena (instituir e legislar sobre exações). espólio. como Machado 70 Na ADIn 3026. CF/88). nos termos da Lei 4320/64. pode cobrar tributo (principalmente taxa) ou tarifa. ato natural e característico do instituto. Alguns doutrinadores.). quanto à devolução de crédito tributário: . tabeliães. por uma questão de legitimidade (ausência de Poder Legislativo próprio). O sujeito passivo da primeira terá direito a ressarcimento proporcional. não é delegação de capacidade.No empréstimo compulsório. o ente federado do qual se descentralizou a atividade da entidade parafiscal deve legislar em seu favor. ou seja. Quem estabeleceu a repartição da capacidade ativa foi o constituinte. É pessoa “suis generis”. tradutor juramentado. I. Além dos entes federados. ente coletivo despersonalizado pode ser demandado e demandar em juízo. Nesse contexto. Nesse passo. No segundo caso. Há três hipóteses de pessoas não-políticas que podem ser delegadas: • Pessoas jurídicas de Direito Público – autarquias e fundações públicas. possui personalidade jurídica de Direito Público. Em termos tributários. o STF definiu que a OAB não é autarquia federal. Há dois pontos interessantes nessa seara. Fazenda Pública pode demandar em face de outra. VI. mas não é tributário. não podendo usar a execução fiscal para cobrança de seus débitos.: INSS. qualquer pessoa pode ser autor. Como as entidades parafiscais. . Mas particular não pode ser credor de tributo. com ele permanecendo e administrando-o. Mesmo não sendo pessoa personificada. conquanto os preços públicos não se sujeitam à ordem tributária.: notários. É o fenômeno da parafiscalidade. arrecadando o tributo. Crítica à delegação atípica – com efeito. mas da lei. “a”. etc. 24. Ex. ela não se sujeita ao controle do TCU. OAB70. Sua contabilidade também não é pública. Sendo assim. porque tributo não nasce de erro de vontade das partes. o constituinte resolveu conferir-lhes titularidade para a capacidade ativa (arrecadar e fiscalizar). não precisa fazer licitação para contratação nem concurso para seus trabalhadores. mas não quer dizer que isso seja tributo restituído. mas não integra a Administração. Há crédito em seu favor. . rendas e serviços (art. O Estado não pode revogar a delegação. chamados de pessoas formais (condomínio.Na ação de repetição de indébito.47 Estado. sociedade em comum. CF/88. réu ou devedor – capacidade processual tributária passiva e ativa e capacidade material passiva. como bem preceituou o legislador no art. inerente e essencial ao Estado Democrático de Direito. porque foi a Constituição que estabeleceu a repartição das receitas. as entidades parafiscais são também credores tributários. não há delegação nenhuma por parte do Estado. • Pessoas físicas – é possível. as contribuições de seus associados não têm natureza tributária.

V. 149. ao segundo. geralmente o país que exporta não tributa o produto na saída. Essa prática não é proibida. 21. bitributação. Há duas formas de atenuar ou eliminar a bitributação internacional: . . Não se trata de mitigação da soberania. desde que o serviço não seja local (art. CF/88). no momento em que há franquia para estabelecer IEG sobre fatos imponíveis já previstos para outros tributos (SABBAG. uma manifestação externa. não se cuida – e não deve fazê-lo – a Constituição de solver os choques dessa natureza. Se o Legislativo não acolher o tratado. afirmam que o “bis in idem” diz respeito ao primeiro. A bitributação foi excepcionalmente autorizada pelo constituinte no art. Alguns autores. de modo a reduzir as barreiras tributárias. . Conflitos de competência – ainda que haja partilha do poder de tributar estabelecida pelo constituinte. dentro de suas Constituições. há uma tributação dupla sob a mesma ocorrência fática: no primeiro caso. CF/88). Entretanto.48 (1993). seus costumes e seus mercados. A competência residual para taxa é deferida aos Estados. denomina-se “bis in idem”. excedendo-se na sua autonomia. em regra. 2004. porque cada Estado possui soberania (duplo exercício livre de soberania). I a XXV. utilizando essa nomenclatura. afirmando que o valor teria natureza de exação. relegando à lei complementar tal tarefa (art. I. a maioria dos países veda. querendo tributar duas vezes o mesmo fato gerador (excesso de competência ou de autonomia). Há inviabilidade da ampliação dos mercados e da própria atividade mercantil. persistem conflitos de competência tributária. II. Alberto Xavier também elenca uma terceira situação: quando se refere a exações sobre o comércio internacional (bitributação internacional) – IE na saída dos produtos e II na entrada em país diverso. p. vez que o sistema dualista doméstico permite que os representantes do povo analisem o tratado firmado pelo chefe de Estado ou por seu plenipotenciário. através da moeda. 25. Tanto “bis in idem” quanto bitributação são. dois entes desejam tributar o mesmo fato gerador (invasão de competência ou de autonomia). Nesse sentido. político. Paralelamente. CF/88. 63). não concordam com assertiva. enquanto a bitributação. § 1º. a autonomia diz respeito ao exercício de um poder interno. § 1º. social e econômico que tenta fazer. no segundo. Exceções à permissão de bitributação internacional – a bitributação internacional é um entrave à globalização71. vedados. 30.Tratado ou acordo internacional – para compartilhar um “contrato” entre os Estados. esse não tem validade na ordem interna. CF/88) nem da União (art. a teor do art. 146. CF/88.Imunidades na exportação – por questão de costume internacional. 154. CF/88). Os Estados também têm autorização para instituir contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de seus servidores públicos (art. a 71 Globalização pode ser definida como o fenômeno jurídico. a reaproximação daquilo que se separou por força do choque das placas tectônicas: seus povos. Bitributação e “bis in idem” – um ente pode extrapolar de sua competência e exercê-la de modo excessivo. Dessa feita. Eles poderão instituí-las. Em ambos. enquanto a soberania. porquanto somente aí há conflito de competência.

Sobre o contrato de “leasing” interno não incide o ICMS. a LC 87/96 (art.“Bis in idem” nas operações de importação (ICMS. porque lhe ausenta um dos requisitos: a transferência econômica do domínio. não há de se falar em não-incidência da exação (RE 206069/SP. VIII). Min. CF/88. CF/88. Esse posicionamento não é absoluto. com lucro. “a”. Com a EC 33/01 (art. o “leasing” é um contrato híbrido. não há invasão ou excesso de competência. até 2001. Há atividade de mercância. II) – na verdade. § 2º. com a redação dada pela EC 3/93. a redação de sua Súmula 660 foi emendada (4 Ago 2004). 155. 149. as quais não exerciam atividade importadora de mercância. Há uma cisão da posse: a direta fica com o arrendatário e a indireta. IPI (art. porque a exação em tela e o II têm o mesmo fato gerador. DJU de 1º. prevalecendo. Eros Grau. o II é devido pelo ingresso de produto do estrangeiro para o Brasil. 195. § 3º. para que seja garantida a reciprocidade em nível de estabilidade máxima. rel. na linha do que vinha decidindo o STJ. 155. há três fatos geradores diferentes. § 2º. mediante a ocorrência de determinada condição – a guerra. CF/88) e contribuições sociais e CIDE (art. 153. rel. o STF73 entendeu que cabe ICMS no “leasing” internacional74. mas não transferência. RE 206069-SP. com atividade organizada) e transferência de domínio (alteração da titularidade de bem a título oneroso). pressupõe: operação de mercância (mercadoria que se aliena com habitualidade. 155. conquanto em situações ímpares. em que coexistem uma locação e uma promessa de venda (e não de compra).5. porque a ICMS de importação passou a incidir sobre todas as pessoas. 3º. com o arrendante. Por se tratar de situação excepcional.49 incidência de exação nas operações de exportação. A doutrina chama essas três vedações ao poder de tributar de imunidades do exportador. e Lei 10865/04). Nesse caso. no seu início. 155. como fato gerador do ICMS. § 2º. I. afirmando que o fato gerador é a importação (entrada de mercadoria e não necessariamente a circulação. esse entendimento do Excelso Pretório ficou esvaziado. porque se tratam de competências distintas. essa idéia não impera. . CF/88). ocorrem no mesmo contexto fático. o IEG não está sujeito ao princípio em tela (art.2006). Ellen Gracie. A EC 42/03 alterou o prospecto. CF/88). para o acórdão Min. o STF garantiu a não-incidência do ICMS nas importações realizadas por pessoas físicas e jurídicas. Min. a qual versa sobre o ICMS. Informativo do STF nº 399.2007. rel. IX. Nesse sentido. por coincidência. há um autêntico “bis in idem”. de modo pacífico. ocorrendo a mesma hipótese de incidência do fato típico do II. em que os bens importados fazem parte do patrimônio imobilizado da empresa. 30. o constituinte deixou isso claro no art. IPI. acrescendo-se. afirmando que os importadores custeariam a seguridade social. IV. X.Bitributação quanto ao IEG – na competência extraordinária da União. II.9. a expressão “até a vigência da EC 33/2001”. o IPI é devido porque houve alteração substancial da matéria. . CF/88. não importa em fato gerador do ICMS. a outra está constitucionalmente autorizada. “a”. CF/88). § 2º. IX. “a”. CF/88). Para evitar que o ICMS dos Estados incidisse indevidamente sobre as operações de “leasing”. em verdade. Assim é o Brasil: ICMS (art. em regra. “a”. “in fine”. Na mesma esteira. CF/88). O ICMS é devido porque há circulação de mercadoria72. Há um duplo exercício de autonomia: uma está presente de modo ordinário. Marco Aurélio. com fulcro na competência distribuída pelo art. 146. III. De fato. na prática. como está no art. Nessa mesma seara. independentemente da finalidade do bem importado. pelo qual entendeu que a bitributação é constitucionalmente autorizada. III. o Excelso Pretório estendeu o ICMS a uma modalidade de importação. Informativo do STF nº 469). que a operação de “leasing” internacional. II. Com efeito. 154. os quais. 72 Em tese. Para legitimar a cobrança do imposto. pois autorizou a criação a CONFINS-Importação (art. No entanto. vedou tal prática. o ato de importar não se adequaria à matriz reveladora da circulação de mercadoria. Exceções à bitributação e ao “non bis in idem” no âmbito interno – podem ser arroladas duas situações: . a incidência de ICMS sobre tal espécie de fato gerador. a corte firmou entendimento. 74 A circulação. a73 STF. Mas a regra anterior continua vigorante no Excelso Pretório (RE 461968/SP. No Informativo do STF nº 455.

exigindo-se lei para reduzir o valor dos tributos. Atlas. CTN. o qual. O art. tanto interno quanto interno. assentada em posicionamento firmado pelo STF. Os decretos deveriam ser considerados como fonte secundária. a doutrina majoritária. admite o decreto executivo autônomo nas hipóteses do art. 19ª ed. “a” e “b”. quanto à majoração da exação. II. lembra Maria Sylvia Zanella Di Pietro. Além desses parâmetros. traz. CF/88. 97. decretos e normas complementares. ao contrário do art. dando um “norte” para a atividade do legislador ordinário. Tanto isso é verídico que a mesma EC 33/01. também permitiu a incidência de ICMS sobre a circulação de energéticos comburentes entre Estados. costumes e jurisprudência.. CTN. VI. regulados respectivamente pelos arts. “b”.Fontes primárias – são as leis. sem ter como base um diploma legal. 146. o qual espancou definitivamente o decreto autônomo no campo tributário75. Nesse sentido. Direito Administrativo. IPI e IOF) e ao IEG. resoluções do Senado. São Paulo. decretos legislativos. Dentro do Direito Tributário. III e IV. 97. ou seja. a base de cálculo e alíquota (elemento quantitativo). A regra do art. No mesmo diapasão. I. MP e EC podem ser incluídas no rol das fontes primárias. tal qual está no art. IE. 98 e 99. O art. doutrina. 84. Esse visa preencher eventuais lacunas no Texto Constitucional. II. começa a delinear o objeto em estudo ao definir o que é legislação tributária: leis. § 4º. 2006. 150. 97. O setor energético tem uma repercussão altamente sensível na estabilidade dos mercados. Exceção à regra da legalidade estrita. Em verdade. A doutrina encarregou-se em hierarquizá-las segundo a seguinte classificação: . CTN. dentro do sistema constitucional posto. CTN. o princípio da legalidade tributária.50 FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO (art. com certeza. CTN). CTN. não poderá ser autônomo. Veja que a alteração das alíquotas dessa última exação só é possível para reduzir ou para restabelecer. os tratados internacionais e até mesmo os decretos. o ditame também abarca o número de vezes do pagamento do tributo (elemento temporal) e o 75 No âmbito do Direito Administração. CTN. 99. se defere somente aos impostos extrafiscais (II. 177. 76 Essa medida se funda na importância do setor de combustíveis no giro da economia global. CF/88. a redução de CIDE-combustíveis também independe de lei. CF/88 (redação dada pela EC 33/01). Dessa forma. não abarca o ato do executivo dado por decreto. em seu bojo. tratados internacionais. é válida e aplicável a previsão do art. tal qual está expresso no art. 59. como LC que é (art. Esse aparente contra-senso é aduzido pela própria função do CTN. I a VII. CF/88. 97. sendo que a majoração pura simples depende de lei estrita76. que autorizou a instituição da CIDE-combustível. CF/88). a Constituição não ventila a possibilidade de reduzir tributo somente por meio de lei. Dessa feita. Em contrário senso. 97. II. suas fontes principais são: lei. 5º. traz o princípio da tipicidade. a definição do fato gerador (elemento objetivo). No entanto. O art. traz o chamado princípio da legalidade. 96 a 112. em uma interpretação conforme a Constituição (art. porque devem se limitar a regulamentar a lei em sentido estrito. há necessidade de adaptar o postulado ao estudo da matéria em análise. do sujeito passivo (elemento subjetivo). o decreto executivo. 96. II. . o legislador reforçou essa idéia no texto do próprio art. CTN) – segundo a Teoria Geral do Direito. CTN.

1997. vige o regramento específico. 98. j. DJU 30. 98. O elemento material é o antecedente normativo (hipótese de incidência normativa).5. Não há revogação pela incorporação do tratado no ordenamento doméstico. afirma que somente a lei pode determinar sanções tributárias. no tocante à matéria tributária. fazendo com que a disposição daqueles. I e II. Com efeito. com base no art. Em um primeiro assunto. 2006. o STF entende. No entanto.11. . dispõe que a legalidade deve imperar sobre a exigibilidade do crédito tributário: suspensão. 49. rel. a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do futuro CTN incluiu o citado art. CTN. 98 na esteira da jurisprudência do Excelso Pretório (AMARO. O art. resolvendo-se os demais entraves pela cronologia. Nesse sentido. 77 O Supremo entende que esse tipo de tratado tem o “status” de lei ordinária: STF. 28. CF/88.1997. deveria ser coercitivamente observada pelo legislador doméstico. enquanto os demais constituem o conseqüente normativo (modo de incidência normativa). Min. LC 101/00. quando da edição do CTN. A soberania interna prevalece. o ar. Ademais. mesmo a despeito de eventuais sanções na ordem internacional a serem sofridas pelo Brasil.51 lugar do adimplemento (elemento espacial). porquanto as relações por ele abrangidas não poderiam ser modificadas por norma interna posterior. V. por disposição normativa própria. CTN. a tipicidade garante a segurança jurídica. Não é uma posição pacífica na doutrina. CTN. que o CN pode alterar o acordo unilateralmente. p. “caput”. porquanto o dispositivo em comento é um rol sugestivo e não exaustivo. complementando a legalidade. o pacto traz um regramento próprio no procedimento a ser estabelecido. “in fine”. Celso de Mello. configurando a relação jurídica-tributária. exclusão e extinção – além da dispensa ou da redução de penalidades. O STJ entende que legislação interna não pode revogar tratados-leis. O tratado deveria colimar a atuação do legislador posteriormente. Estando nessa seara. os acordos não revogam a legislação interna – porquanto prestam a minorar a bitributação internacional e a estabelecer cooperação no poder de polícia. O STJ faz uma leitura semelhante. O legislador é único que pode fazê-lo. porque a aparente antinomia é solvida pelo critério da especialidade: para os países signatários – inclusive o Brasil –. CTN. I. os quais trazem à baila autênticas normas de Direito Internacional Público. Em verdade. O dispositivo contém impropriedades terminológicas. 14. o Supremo deu vezo ao primado dos tratados sobre a legislação interna. afirmando que a especialidade só vale quanto à legislação anterior. a renúncia de receita depende de autorização legislativa prévia. 97. consoante o preenchimento dos requisitos do art. não sendo aplicado a outras situações. O art. o que não se aplica quanto aos tratados-contratos. geralmente diverso da legislação ordinária anterior77. Ext 662-2. tal qual a redação do art. 181). Dessa feita. 97. se refere dos tratados internacionais. Plenário. VI.

o STF entende dessa maneira. rel. CTN. 100. Plenário. Min. III. . esse argumento não subsume à situação em apreço. dispositivo que deve ser concatenado com o art. sendo essa incontrastável. A teor do art. 103. vedando-se a isenção heterônoma. nos exatos termos do art.52 Questão que também se coloca quanto ao art. rel. Min. Entenderam as cortes que o ditame da reciprocidade deve imperar nesses casos81. op. 20 e 71 do STJ80 já pacificaram o posicionamento. E se o Brasil assinar tratado internacional que venha nesse sentido? A possibilidade persiste. estende-se a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias concedida a similar nacional”. Ilmar Galvão. Apesar de não haver precedente jurisprudencial. 98. A heteronomia diz respeito à autonomia e não à soberania. nesta tarefa. Dessa forma.Fontes secundárias – compõem-se das chamadas normas complementares. versa sobre a possibilidade da União conceder isenções quanto a tributos estaduais e municipais. Na vigência da atual Constituição. salvo disposição em contrário. Cármen Lúcia. Todavia. a incorporação do pacto só é possível depois da ratificação parlamentar. CF/88). Súmula 20 do STJ: “A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM. Informativo do STF n° 476. STF. em que se encontra a câmara representativa dos Estados-membros: o Senado79. é possível a concessão de isenção a uma exação municipal por convenção internacional em homenagem à soberania nacional. inicialmente sobre a importação de bacalhau. atua como chefe de Estado (art. CTN.. CTN. RE 229096/RS. circulares.2007. em termos de vigência. 79 Em matéria de tributação municipal. esse não está adstrito ao seu texto se houver infringência das normas primárias. Luiz Fux. a tese do professor Carraza (1991) não vigora. p/ o acórdão Min. orig. porque qualquer ente federativo não pode invocar isenção heterônoma nessa. Atos administrativos – portarias. ocorre que a União representa o Brasil na celebração de convenções internacionais. CTN). . As Súmulas 575 do STF.8. instruções normativas são normas complementares que visam especificar as medidas normativas primárias. Os precedentes normativos dos tribunais superiores advieram principalmente dos acordos do GATT. I. VIII. 84. apesar de encontrar muitos adeptos na doutrina jurídico-tributária. Todas as pessoas políticas devem reverência à soberania do Estado brasileiro78. cit. 81 No mesmo sentido. Por uma questão de opção do legislador. 153. não utiliza terminologia adequada ao estabelecer a isenção heterônoma em acordo internacional como exceção à vedação.9. 6. j. em que pese não haver opinião do legislativo municipal. rel. quando contemplado com esse favor o similar nacional”. Essas visam completar as fontes primárias. em um autêntico ato de soberania. REsp 480563/RS. Machado. pois a firmação de acordo é manifestação da República Federativa do Brasil. 16. tanto quanto reciprocamente: cada ente só pode conceder isenções dentro de sua competência tributária. CF/88). 80 Súmula 575 do STF: “À mercadoria importada de país signatário do GATT. I. j. porque o Presidente da República. constituindo regra a ser observada pelo aplicador do direito (art. Ao contrário do que apregoa Carraza (1991). 78 Nesse passo. isso não é possível (art. Essa prerrogativa era factível na ordem constitucional anterior (EC 1/69). entram em vigor na data de sua publicação. Súmula 71 do STJ: “O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM”. CTN. 103. 100.2005. ou membro da ALALC. Ademais. STJ.

I e III. 100. . III. são conceitos de Direito Privado. II. Ressalvada estipulação ao reverso. sob pena de arranhar a legalidade aduzida no art. No exercício da capacidade tributária ativa. Ex. CTN) – as questões sobre o preenchimento de lacunas da legislação tributária são resolvidas segundo os critérios do art. Mas a analogia não pode se prestar à criação de um tributo frente a uma situação assemelhada (art. mormente no tocante ao poder de polícia (fiscalização). 108. CTN). 97. III. surtem reflexos jurídicos 30 dias depois de sua publicação. Princípios gerais de Direito Tributário – preconiza a aplicação de um interpretação sistemática em face dos comandos implícitos na norma tributária. CTN). é um misto de costume e de ato normativo. os quais serão analisados sucessivamente. CTN). Convênios entre os entes federados – também podem constituir fonte do Direito Tributário (art. CTN). CTN. VI. III. 100. São os seguintes. locação. para criar um campo de intersecção nas diversas legislações tributárias. Observa-se que o termo “práticas reiteradas” é uma expressão jurídica indeterminada. segundo uma ordem peremptória. Equidade – é o valor maior da justiça. Como são formadas gradativamente. 108. CTN. § 2º. 97. CTN). 108. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA (arts. não poderá o aplicador do direito lançar mão desse critério para conceder dispensa de pagamento da exação (art. devendo ser verificado o caso concreto em análise. Princípios gerais de Direito Público – uma vez que os anteriores restem insuficientes. IV. prestação de serviço. 107 a 112. Os princípios de Direito Privado são necessários para definição dos institutos a ele afetos. IV. A renúncia de receita por equidade não é possível. elas podem ser configuradas como fonte tributária. de acordo com os incisos do art. CTN). desde que exista uma lei posterior que assim disponha (art. prescrição. 108. não há de se falar em termo inicial de vigência. Práticas reiteradas da Administração – o art. Os convênios tributários têm o condão de ampliar a incidência do princípio da territorialidade. § 1º. mas não sobre os efeitos tributários (art. Vigoram a partir da data estatuída no seu instrumento de veículo (art. 103. recorre-se a uma seara mais ampla.: empresário. I a IV. CTN. decadência.53 Decisões do órgãos julgadores administrativos – podem ser alçadas à eficácia “erga omnes”. No entanto. porque haveria infringência à legalidade e à tipicidade tributárias (art. CTN: I. II. 109. etc. Analogia – aplicar decisões anteriores a casos semelhantes é o meio integrativo primário da legislação tributária. mas não podem levar a reflexos tributários diretos. 100. CTN). Visam uniformizar um regramento comum entre conveniados.

tal qual a redação do art. É exatamente esta idéia que não pode ser alterada pelo legislador tributário. E mais: deve existir conduta que seja verdadeiramente uma prestação de serviço. Pleno. CTN. 151 a 155-A. mas sua utilização neles leva a uma certa concepção. devendo ser utilizada em situações específicas. CTN. O STF82. No segundo caso. por se tratar de questão muito mais administrativa que tributária. O primeiro determina uma exegese gramatical sobre as matérias nele vinculadas. Não é a melhor técnica a ser empregada pelo operador do Direito. Nesse caso.54 O art. porquanto até mesmo o CC disciplina de modo diverso o contrato de locação e de prestação de serviços. bens e serviços). seguindo tal orientação. 110. as quais determinavam a incidência de ISS sobre locação de móveis. no rol de lei municipal. em votação folgada no Plenário. na realidade. porquanto não havia previsão nesse sentido na relação de serviços contida na LC 116/03 e. o alcance e a forma de elementos de Direito Privado. Nesse sentido. A definição do instituto privado não precisa estar erigido nos referidos diplomas. o qual preconiza a tributação nesse sentido entre os entes federados. vez que se liga ao poder de polícia estatal. op. É o que leciona Carrazza. Sua interpretação extensiva pode levar à criação hermenêutica de uma outra exceção. São os casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (arts. porque preconiza a aplicação do STF. Nessa última. com apenas um voto de dissidência. devendo ser adaptado à atualidade. A obrigação de dar estaria englobada pelo conceito de serviço. CTN). decidiu favoravelmente aos contribuintes. desde que expressos nas Leis Maiores (CF. esse entendimento pode ser alterado. cit. o Excelso Pretório declarou inconstitucionais todas as leis municipais nesse sentido. III. como aquelas apresentadas na disposição do legislador. Dadas recentes mudanças na composição do STF. No primeiro caso. as procuradorias municipais advogaram que a exação incide sobre serviços. 156. 112. CTN. Os arts. não sobre prestação. há uma extrema exceção. diversa daquela deseja pelo legislador. Dessa forma. não abarcando o conceito de obrigações acessórias e muito menos a idéia de crédito tributário. pode ser analogamente comparado ao princípio penal “in dubio pro reo”. VI. os advogados postularam que o artigo não é mercadoria corpórea. dispõe que não se pode alterar o conceito. RE 116121. de exclusão da exigibilidade tributária (arts. O art. se referem à interpretação da norma tributária. sendo remunerado pela correspondente prestação. contestou-se a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis. porque.. não se fazendo a incidência da exação sobre a operação em tela. CF/88. Em contrário senso. a imunidade recíproca (art. CF/88) só alcança alguns impostos (sobre patrimônios. estar-se-ia diante de uma obrigação de dar. 175 a 182. a locação não estaria aí englobada. 150. CTN) e de dispensa de exigibilidade de obrigações acessórias83. 111 e 112. O conceito privado de mercadoria foi criado em uma época que não contemplava a realidade hodierna. não importando se inexiste uma concreta prestação de serviço. tal qual se define por seu conceito aduzido do Direito Privado: obrigação de fazer por meio da qual alguém deve realizar algo em favor de terceiro. “a”. 83 82 . CE e Lei Orgânica) e definidores ou limitadores de competência tributária. É possível citar dois casos: mercado eletrônico interestadual de “download” tributado por ICMS e ISS sobre bens móveis locados.

CTN). b. IV. 146. segundo os pontos previstos nas alíneas: a. consideradas mais relevantes pelo constituinte: I. CF/88. à guisa de convênios possíveis e existentes. ADCT). os regimes “Simples” instituídos foram revogados pela LC regulamentadora (art. Estrutura obrigacional-tributária – as definições de obrigação tributária (art. crédito tributário (art. c. CTN. Tratamento mais benéfico às cooperativas – para estimular o cooperativismo. ainda melhor que o atual “Simples”. § 1º. prescrição (art. etc. os grandes empresários fizeram “lobby” em sentido contrário para evitar que os pequenos fossem favorecidos. Como pressuposto. CTN) e a econômica (art. CF/88. interpretação benéfica. 139.dispositivo mais benigno ou favorável ao administrado. CTN). 174. 111. No entanto. O art. é necessário firmar posição de que não cabe MP em matéria veiculada por LC (art. a mais benigna ao contribuinte (art.Regular a limitação do poder de tributar. . Estabelecer normas gerais mais benéficas a empresas de pequeno porte e microempresas (acrescido pela EC 42/03) – o legislador visou fomentar os empresários pequenos. Ex. 142. e se deve à unicidade no âmbito nacional. está nesse âmbito. a qual encontra-se atualmente em vigência (LC 123/06). crescendo e com eles fazendo concorrência. isonomia. CF/88). CF/88). 69. 146. dessa forma.: “leasing” interno não é tributado. abriu possibilidade para instituição de um sistema único de arrecadação. Perfil dos tributos – o princípio da tipicidade quanto aos impostos está delineado do art. A tendência foi acolhida pela ordem constitucional de 1988. CTN). sua função está perfeita no art. CTN) e decadência (art. 118. 146. pois dificultou sua aprovação no CN (LC). configurando real manifestação da maioria dos representantes do povo (art. Dessa feita. “a”. O parágrafo único do art. formando a base do “Super Simples”. 94. CTN) estão contidas no dispositivo. III. 146. 62. Conflito de competência tributária entre entes federados. 113. CF/88 (base de cálculo. lançamento (art. dispondo sobre as seguintes matérias tributárias. Lei Complementar – em matéria tributária. A LC veio a lúmen pela Carta de 1967. CF/88. Com efeito. a intenção de facilitar a vida dos destinatários acabou por quase que inviabilizá-la. nos casos de infração ou de cominação de sanção tributária. em razão da necessidade de expressão da vontade majoritária do legislador para quebrar a facilidade de aprovação de um diploma ordinário. Seria uma medida legislativa a desburocratizar a tributação e a 84 84 55 O CTN. traz três modalidades de interpretação da lei tributária: a literal (art. fato gerador e sujeito passivo). “in fine”. Estabelecer normas gerais em legislação tributária. 173. Ex. 112. III. II. CTN).: redução de tributos. incorporando o princípio “non olet”). Essas disciplinas estão perfeitamente delineadas na LC geral (CTN).

85 . quando da ocorrência real do fato imponível86 – termo “a quo” dela. por tal previsão. CTN). inserta na norma. domicílio e lugar do pagamento). 258. criando um sistema simplificado de tributação no âmbito de todas as pessoas políticas. 175.O repasse deve ser imediato. 156. Ela nasce da Paulo de Barros Carvalho estabelece. Direito Obrigacional Tributário ESTRUTURA DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA (arts. 259. Extinção (art. critica a expressão “fato imponível” assim como fato tributável. op.Devido às diferenças geográficas e consuetudinárias do país. a teoria dos planos de tributação: um abstrato – constituído pela hipótese de incidência – e outro concreto – formado pela efetiva ocorrência do fato gerador. 86 Amaro. no entanto. capitaneada por Jarach. nesse passo. também citado por Amaro. op. fica materializado o fato gerador85. 139 a 141. deverá obedecer aos seguintes limites: . . de acordo com o espírito colimado pelo constituinte. Quando se diz que a obrigação tributária tem como traço o fato de ser “ex lege”. CTN). A obrigação tributária nasce da subsunção do fato (pragmático) à norma. quantitativo.Previsão de um cadastro único de contribuintes. p. temporal e espacial. que muito o utiliza. a serem adaptados à realidade cada ente federado ou região. 113. citado pelo primeiro. 113 a 127. O diploma não ofende a isonomia quanto às demais empresas. Na esteira do que previa o art.O regime será opcional aos contribuintes. CTN. III.. expressões aduzidas de Aliomar Baleeiro. O sufixo “-ível” dá a idéia de ocorrência futura.56 otimizar a arrecadação e a fiscalização tributária das ME’s e EPP’s. A lei estabelece os parâmetros da hipótese de incidência: aspectos subjetivo. . CTN) – engloba a obrigação tributária. erigindo a chamada tipicidade tributária. e parágrafo único. capacidade tributária. Em verdade. cit. . A doutrina. Foi instituído pela LC 123/06. A arrecadação será obrigatoriamente centralizada. “d”. Esquematizando. bem como da possibilidade de fiscalização compartilhada (poder de polícia). o objeto de crítica advém da doutrina espanhola. cit. é possível aduzir a seguinte explicação: Crédito Tributário (art. compara o conceito de hipótese de incidência com o tipo criminal. Exclusão (art. A hipótese de incidência é uma previsão abstrata. 146.. CTN). visto que as MEE’s e as EPP’s não se encontram no mesmo nível econômico. A sistemática. algo que ainda não se sucedeu. Essa colocação não coaduna com o conceito de fato gerador. o legislador pode estabelecer procedimentos diversos em cada local. Obrigação tributária – está inserta no art. não sendo lícita a retenção. A partir da caracterização concreta de todos seus critérios. uma mera descrição sugestiva de uma futura conduta que pode ou não ocorrer. o fato gerador e os aspectos subjetivos – sujeito ativo e sujeito passivo (solidariedade. CF/88. afigura-se que ela independe da vontade do sujeito passivo. o legislador complementar criou o “Super Simples”. com dimensões continentais.

a retrovenda não implica em uma verdadeira transmissão. independendo de implementação ou não da condição (art. A cobrança no momento do novo registro. a qual pode ensejar a suspensão da eficácia do negócio – evento futuro incerto (art. configura-se o fato gerador e. o que torna a exação na “volta” como injusta dentro da ordem jurídico-tributária em sentido amplo. mas sim a transmissão escritural “inter vivos” e onerosa. O fato gerador não é a compra e venda. CTN). Do mesmo . Ex. não há essa real mostra de potencial financeiro. Acontecendo a condição resolutiva (retrovenda ou reversão). Entre as diversas condutas possíveis para o fato gerador. I e II. haveria incidência dos respectivos tributos? A jurisprudência ainda não se pacificou. CTN) – exige um estudo prévio sobre o negócio jurídico do Direito Civil. dentre seus elementos acidentais. II. 117. o fato gerador do ITBI é a mera transmissão de direito de propriedade. indo até determinado evento futuro e incerto. como ocorreu o fato gerador. é necessário aduzir o exemplo clássico da compra e venda com retrovenda (ITBI municipal) e doação com cláusula de reversão (ITCMD estadual). fica perfeita a obrigação tributária. Não há novo consenso. transmissão é a simples alteração da propriedade. em realidade. porque o preço é devolvido ao alienante original. No plano ponteano da eficácia dos fatos jurídicos. Já na retrovenda. CTN). de capacidade econômica objetiva. quando deixará de fazê-lo (condição resolutiva – art. a tributação não terá vez até que a condição seja efetivada – não sendo exigível a obrigação tributária porque. a doação de um carro pode fazer incidir o ITCMD. O imposto deve incidir sobre a efetiva demonstração de riqueza.57 lei e será devida mesmo sem a colaboração do devedor. Em ambos os casos. Com efeito. o fato gerador do ITCMD é a doação. 117. Produzido o previsto na lei. Ademais. Destarte. o que torna a defesa fácil. porque persiste simples retorno ao “status quo ante”. ele pode constituir um negócio jurídico. mesmo no STJ. arrematação em hasta. “animus” de realizar um outro ato jurídico bilateral. Do contrário. como o negócio não produz efeitos. por conseqüência. 125. a condição pode estar abarcada pelo fato gerador. consubstanciado condição suspensiva (art.: compra e venda pode gerar a obrigação de recolher ICMS ou ITBI. visto que há verdadeiro encerramento da compra e venda anterior. 127. enseja mandado de segurança contra o registrador do CRI – exigir o tributo é fato independente da mera translação do imóvel. No segundo caso. CC). a condição implica em efeitos futuros. I. Tanto a reversão quanto a retrovenda são cláusulas acessórias ao negócio principal. não havendo de se cogitar sua causa. o fato gerador ainda não se deu (art. Fato gerador condicional (art. no primeiro. O que persiste é a conclusão do anterior. CC). etc. 121. 117. Seu negócio “inter vivos” pode ser uma compra e venda. permuta. a exação incide desde já. Na reversão. o negócio pode estar produzindo os efeitos desde já. perfazendo DUAS CORRENTES: Não cabe a exação na “volta” – não persiste novo negócio jurídico – nova doação ou nova venda. como seu pressuposto. não persistindo nova transação negocial. Incide o imposto na “volta” – no ITBI. CC).

CC/1916). mas não de direito – e. 167. I e II. porquanto é de eficácia limitada. 116. informando-o acerca do pagamento do tributo). desde que não se possa aproveitá-lo de outra forma.: ao invés de realizar uma compra e venda de um imóvel de alto valor. Em verdade. Com tal intenção. Elemento objetivo (prestação tributária) – além do pagamento em si – o que inclui as penalidades tributárias.58 modo. de seguir o principal (art. as quais possibilitam a descaracterização do fato gerador – apesar de sua ocorrência de fato. 194. proibir a elisão fiscal. Essas atuações são traduzidas pelo chamado planejamento tributário ou elisão fiscal. a doação não deve ser excluída da exação. a redução da carga tributária. É devida mesmo a despeito do não pagamento do tributo. Não é acessória no sentido do direito privado. com menor propriedade. CTN). é possível reduzir a tributação por meio de práticas de supralegalidade. Muitas condutas não estão expressamente proibidas pelo ordenamento. considerou o negócio nulo. ambos os casos fundam-se no princípio do “non olet”. Cláusula geral antielisão (art. Ex. revelam o exercício do poder de polícia do fisco. Em verdade. por meio da LC 104/01. há outras obrigações a serem cumpridas pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária. tal qual já foi comentado em oportunidade anterior. CTN. podendo ser declarado de ofício pelo julgador e suscitado a qualquer momento processual. que garante a tributação sobre o fato gerador sob cunho objetivo. 116. as partes constituem uma sociedade empresária. não se admitindo perquirir suas causas. tido em decorrência da necessária fiscalização a ser realizada. não existe tal diploma. mesmo a despeito de não realizar o objeto da empresa. por opção política. como no caso de alíquota zero ou de isenção (art. parágrafo único. CTN) – além da própria fraude tributária. para não recolher o ITBI correspondente. conseguintemente. CTN. De fato. para Ricardo Lobo Torres. a qual consubstancia atividade flagrantemente ilícita (evasão fiscal). As obrigações acessórias. por conseqüência. persiste uma relação tributária material ou substancial – de pagar – e outra formal A definição de negócio jurídico simulado e suas conseqüências. dentro do plano da validade. mesmo porque possui caráter autônomo. 87 . prática de caráter ilícito. parágrafo único. 118. dissolve-se sociedade. ao longo de anos. quando as partes queriam praticar outro ato. a cessão de riqueza é o principal escopo da relação em pauta. Interpretação objetiva do fato gerador (princípio do “non olet”) – a interpretação econômica a ser impelida pelo fisco encontra fundamento no próprio art. apesar de legal87. o que implica em impossibilidade de aplicação. estão especificadas no art. foi acrescido o parágrafo único ao art. Dessa feita. porque o argumento se enfraquece ante o fato gerador (“doação”). A Fazenda Pública tem tentado. 59. O dispositivo considerou de tal gravidade o vício social que o inquinou de nulidade. CC. com o valor líquido do preço – algum tempo depois. Atualmente. No entanto. sendo certo que o alienante ingressa com o capital imobilizado e o adquirente. em que pese haver outras prestações a serem implementadas pelo contribuinte: são as obrigações acessórias (assessoram o credor na atividade de tributação. o legislador. conhecidas como deveres instrumentais. o dispositivo necessita de regulamentação por meio de lei ordinária. porquanto se trata de verdadeira simulação de fato gerador e.

justamente para imprimir caráter coercitivo à obrigação procedimental (positiva ou negativa). I a IV. englobando um rol mais amplo que dos entes com competência tributária (U-E-DF-M). 96. CTN). CTN. porquanto não há “conversão”. Dessa feita. decisões administrativas e convênios – art. decretos e normas complementares (atos normativos administrativos. Os procedimentos são determinados por norma infralegal – a qual é englobada pelo conceito de legislação tributária (art. 100. defere-lhe a capacidade de instituir o tributo. necessariamente não envolvendo entrega de dinheiro. A primeira está descrita no art. caracterizando a capacidade tributária ativa. CTN. a penalidade. esses últimos recebem parcela do poder de tributar. CTN). a qual não foi propriamente adimplida. compreendendo prestação positiva ou negativa por parte do sujeito passivo (art. Mas essa competência pode ser delegada. CTN. Dentro de um controle de proporcionalidade e de razoabilidade. Em suma. decorrente do seu descumprimento (art. § 3º. V. Aliás. prevista na legislação “lato sensu”88. 88 . CTN) –. não sendo necessário tipificar criminalmente a conduta. tal qual a defectiva letra do art. no seu § 2º. fato esse que a impede de operar as duas primeiras ações – instituir e legislar –.59 ou procedimental – de informar o fisco segundo as estipulações previstas na norma. sendo um conceito mais amplo que o tributo. Aspecto subjetivo (sujeitos ativo e passivo) – sujeito ativo tributário é aquele que detém a capacidade tributária ativa. elas poderão deter o dever-poder de fiscalizar e de arrecadar somente. 113. “Legislação tributária” compreende toda e qualquer norma que diga respeito a tributo: leis. Com efeito. A obrigação acessória instrumentaliza a obrigação tributária principal. e da obrigação acessória não cumprida. a competência tributária não é delegável. o art. a imposição da multa administrativa atinge o objetivo de desencorajar o descumprimento da obrigação acessória. Obviamente que essa nova figura não terá Poder Legislativo. costumes administrativos. Já a A obrigação acessória será estabelecida por fontes secundárias. 115. ainda que administrativa. a serem escolhidas pelo legislador. deferido pela Constituição ao Estado brasileiro (República Federativa do Brasil). A infringência da norma procedimental (obrigação não pecuniária). No entanto. de sobre ele legislar. A criminalização da atuação do contribuinte somente se dará em situações mais graves. O art. “caput”. implicará em um pagamento duplo: da obrigação principal. advindo necessariamente de lei. convertida em sanção pecuniária. A repartição do poder de tributar (competência). Dessa forma. 113. a obrigação principal é de pagar. mas a capacidade tributária ativa sim. 113. só é estipulada por lei. a uma pessoa autônoma. Nesse caso. § 3º. A sanção pecuniária do poder de polícia administrativo visa inibir a frustração da fiscalização. CTN. O crédito tributário engloba ambas as categorias. podendo incluir o tributo e a multa. fornecendo subsídios para que a autoridade fiscal exerça sua cobrança fiscalizatória. deverá ser prevista em lei em sentido estrito (art. de fiscalizá-lo e de arrecadá-lo (capacidade tributária plena). 113. CTN). determina que o não cumprimento dessa leva ao nascimento de uma obrigação principal (sempre positiva de pagamento). portanto. mas a obrigação principal. CTN). 97. em parte. as delineia. 113. § 3º. a segunda. as quais dependem de potencial para exarar leis em sentido estrito. segundo as necessidades de cada ente. a obrigação acessória ainda persiste. § 1º. podendo ou não ser dispensada pela autoridade fiscal. tratados internacionais.

à existência do Estado Democrático de Direito. conferiu a sujeição ativa da obrigação tributária somente aos entes públicos políticos – U-E-DF-M – porque se referiu expressamente à “competência”. Pergunta: inicialmente. 119. asseverando que o rol do art. op. Repetição de indébito – opera-se o mesmo raciocínio do empréstimo compulsório. CC –. 89 A Primeira Seção de Direito Público do STJ firmou jurisprudência de que a contribuição para OAB não tem natureza tributária. os princípio da anterioridade e da irretroatividade tributária (art. de cunho financeiro. 205. CTN. A capacidade de ser sujeito ativo tributário abarca não só as entidades fiscais. a fiscalização pelo TCU. terá que ser proposta pelo executado “A” outra ação regressiva em face do “B”. essencial à administração da justiça e. No entanto. Foi exatamente o que ocorreu com o Estado de Tocantins. ADCT). dada a “causa petendi” do crédito envolvido. para quem o demandante em restituição de empréstimo compulsório e em repetição de indébito passa a figurar como autêntico credor tributário. não se sub-roga em uma relação tributária. a Fazenda do Município conseguiu satisfazer seu débito mediante penhora de bens e conseqüente hasta. Persistirá um crédito do indivíduo para com a Fazenda. ao exigir a restituição dos valores já adimplidos (a título de exação). o novo ente tributário utilizará a legislação daquele do qual se desprendeu. é meramente sugestivo. CF/88. 37. O particular será credor do Estado. 119. CTN) – aplicando-se o decurso de 10 anos do art. mas sim da lei (princípio da legalidade e da tipicidade fechada). como a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB – Lei 11457/06) e os conselhos de profissões regulamentadas (OAB89. O indébito não terá natureza de tributo90. a doutrina corrige o erro do legislador. II e XXI. 90 Cf. pecou em sua redação. ferindo a isonomia e a ordem tributária constitucional. Tributo não nasce do erro de pagamento. o prazo prescricional tributário de cinco anos (art. Na execução fiscal. Argumentou-se que se trata de instituição “suis generis”. 174. III. não “numerus clausus”.. CF/88) e a obrigatoriedade de concurso público ou de licitação nas contratações (art. O inadimplemento do IPTU faz o fisco municipal insurgir em face de somente um deles. CNM. para não permitir a solução de continuidade (art. sendo instituto mais profundo que a capacidade tributária ativa. em tese. Aliás. “caput”. para ser ressarcido de sua quota parte. CF/88). salvo disposição legal em contrário. em sentido contrário. Empréstimo compulsório – o particular. quando de sua nova legislação. O art. como esse poderia obter o ressarcimento da cota parte a que lhe assiste o direito? Teria de ajuizar ação cognitiva ordinária ou caberia alguma medida judicial mais célere?Resposta: em termos práticos. O STF referendou o posicionamento firmado pelo STJ na ADIn 3026. denominadas parafiscais. mas não tributário. 120. Machado. por sub-rogação. Considerando que não cabe o chamamento ao processo do outro condomínio pelo executado. A decisão é muito mais política que jurídica. não incide o modo de cobrança pela LEF (Lei 6830/80). 13. porquanto a obrigação a ser cumprida pela pessoa pública nunca terá a natureza de tributo. caso não se consiga fazer com que o outro executado “B” seja chamado. como condôminos de um imóvel. Nesse passo. 150. por conseqüência. mas outras paralelas. porquanto. essa já se encontra esgotada. . será substituída a antiga. Posteriormente. cit. em que pese disposição cristalina do art. Havendo desmembramento territorial. CTN. pois estipula uma exceção onde o constituinte não estabeleceu. “caput”. fiscalizar e administrar tributos. “caput”.60 parafiscalidade é aptidão para cobrar. O indivíduo jamais será sujeito ativo tributário. 149. etc. originado a partir do Estado de Goiás (art. consideram-se dois sujeitos passivos tributários.). CTN). mas nunca de fundo fiscal.

ao contrário da seara civil. No entanto. não da vontade das partes. parágrafo único. 150. analisa-se quem poderá ser devedor da obrigação tributária.61 Na sujeição passiva. em homenagem à garantia do credor. e 121. Como se trata de matéria referente à fiscalização. CTN). terceiro alheio à relação tributária. mas deverá arcar com o pagamento do tributo por expressa disposição legal (arts. em situações bastante específicas. II. CF/88. CTN). Responsável – não pratica o fato gerador (débito). No entanto. Quanto às obrigações acessórias. em detrimento da competência indelegável dada pela repartição constitucional do poder de tributar. qual a Fazenda que perceberá os valores da exação. também denominado “schuld” ou “debitum”. 150. bem como impostos como de importação. com responsabilidade concomitante. CTN: Contribuinte – é aquele que assume responsabilidade em decorrência de um débito (prática de um fato gerador) por ele adquirido. CF/88). Pode ser qualquer pessoa. CF/88). Ele não tem relação jurídico-tributária direta com o sujeito ativo. transfere-lhe a responsabilidade de realizar o recolhimento do tributo. . a doutrina estabelece uma exceção a tal ditame: no caso da contribuição de melhoria gerada por obra efetivada por convênio entes públicos. mas a lei. O nome técnico do sujeito passivo é dado pelo art. inclusive o próprio Estado. o isento ou o agraciado com alíquota zero (art. 126. sendo denominado sujeito passivo direto. não abrangendo as demais espécies tributárias – taxas. “a”. ainda que envolva hipótese de não-incidência do fato gerador. Há de observar-se que essa relação obrigacional decorre de lei. O instituto da responsabilidade tributária leva ao fenômeno da substituição. VI. 121. a obrigação acessório será mais bem delineada no tópico apartado sobre Administração Tributária. No âmbito tributário. natural ou ordinário. apesar de haver legitimidade para ambas exigirem a satisfação do crédito no que toca sua parte. além do contribuinte e do responsável. O STF só alarga a incidência da imunidade recíproca na análise “in casu”. no seu instrumento. como o espólio. só é possível a solidariedade passiva. detendo a responsabilidade pela obrigação tributária (“haftung” ou “obligatio”). “in fine”. § 7º. não se restringindo ao particular. a massa falida e as sociedades de fato (art. Solidariedade – é a possibilidade de uma pluralidade subjetiva na relação jurídica material. I a III. observa-se que o passivo da citado dever tributário pode ser mesmo o imune. ilimitada e alternativa pelo débito. rendas ou serviços entre os entes públicos (art. O responsável configura um substituto tributário ou sujeito passivo indireto. Nesse passo. a imunidade recíproca impede somente a cobrança de impostos sobre patrimônio. contribuições e empréstimos compulsórios –. parágrafo único. Sem perder de vista a linha de raciocínio. O caráter de sujeito passivo tributário inclusive independe de personalidade jurídica. 194. o sujeito passivo poderá ser. o acordo entre os realizadores do empreendimento deverá determinar. O contribuinte é aquele que detém o débito da obrigação. parágrafo único.

Ou seja. não se perfazendo e se sujeitando às manifestações volitivas de qualquer um que seja. I a III. O argumento não é oponível ao fisco. desenha uma responsabilidade subsidiária. 123. Nesse segundo caso. o fisco poderá cobrar de um. independentemente da cota-parte de cada qual. CTN). CTN). porque o fisco não pode se sujeitar às convenções particulares de negócios jurídicos (arts. 134. Cada um dos condôminos é devedor solidário da exação. podendo esse cobrar integralmente a dívida de qualquer dos devedores solidários. não aquelas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (art. Os arts. No entanto.No pagamento – uma vez que um dos devedores solidários realize o adimplemento. Por fim. sua interrupção ou sua suspensão também assim se opera. VII. 134. e 135.Na prescrição – será sempre considerada em relação à dívida. deverá ser abatida a cota-parte do beneficiário. 123 e 124. No primeiro. como no caso clássico da cobrança de IPTU em face do locador. aproveitando todos os devedores solidários. O art. em que pese haver previsão contratual de adimplemento da exação pelo locatário. A obrigação tributária advém de lei e não da vontade das partes. a responsabilidade ora enunciada só abrange as multas moratórias. Isso significa que a solidariedade leva em conta a dívida.Nos benefícios fiscais (isenção. objetivamente. parágrafo único. 134. levando em conta aspectos pessoais do sujeito passivo. CTN. . III. remissão e anistia) – se o benefício for dado em relação à dívida. A assertiva decorre do princípio da inoponibilidade das convenções particulares (art. na qual se pressupõe um benefício de ordem. permanecendo a dívida em relação aos demais. os demais serão aproveitados. III. excluindo-se as sociedades de capitais. A integralidade do tributo é devida por todos. sendo favorável ou desfavorável a todos. II. de alguns ou de todos. ou seja. o beneficiário deverá aduzir requerimento ao fisco para obter a isenção. Exemplo clássico de solidariedade tributária é a cobrança de IPTU sobre imóvel cuja propriedade é tida em condomínio. somente os devedores assim abarcados serão alcançados. o art. CTN): I. Obviamente. a relação obrigacional tributária nasce da lei. parágrafo único. A rigor. trazem dois casos de responsabilidade solidária dentro do CTN. CTN. Os sócios que assim agem respondem solidariamente com a sociedade somente se essa não cumprir as obrigações tributárias devidas. 123. extingue-se a obrigação tributária principal. CTN. o sócio atua com omissão ou negligência na liquidação de sociedade de pessoas (incluindo as sociedades de fato). VII. De fato. CTN). Os efeitos da solidariedade podem se dar (art. quer seja em favor do fisco ou dos devedores solidários. os quais merecem detenção mais apurada. sendo o benefício realizado “intuito personae”. 125.62 A solidariedade tributária não implica em benefício de ordem. só é excepcionado se houver comando legal em contrário.

150. a qual integrou ao Texto Maior o art. 78. 135. III. o ônus da prova da exclusão da responsabilidade solidária passa a ser dele. LC 123/06. “caput”. “in fine”. mesmo que a pessoa já não mais esteja ligada à empresa na época da baixa. 78. na linha do art. LC 123/06). sem praticar o fato gerador. excluindose a pessoa jurídica do correspondente. O lapso temporal de referência é a época do fato gerador. Trata-se de previsão legal de desconsideração da pessoa jurídica.63 No segundo. § 1º. a desativação da empresa não obsta futura cobrança de débito tributário. O requisito subjetivo só será exigido quanto à outra irregularidade. o sócio responde solidariamente como resultado da prática de atos dolosos. porquanto os infratores responderão pessoalmente perante terceiros. e 128. . A demonstração pelo sócio deverá ser feita por meio de embargos à execução. deverão ter poder de gerência na empresa. Nessa hipótese. CTN). com excesso de poder ou com infração à lei. como bem vem decidindo o STJ. § 7º. II. culpa ou má-fé pelo simples nãorecolhimento de tributos (art. não envolvendo propriamente sanção pecuniária nem obrigação acessória. Observa-se que é uma responsabilidade integral. Em que pese o codex já trazer previsão da estrita legalidade. Esse entendimento decorre da presunção relativa de liquidez e certeza da CDA (art. CC. Entretanto. sócios e administradores. entendendo-se solidariamente responsáveis os titulares. é possível destacar três traços marcantes: . Somente a lei em sentido estrito pode determinar a relação tributária com responsabilidade (arts. não sendo necessária dolo. segundo o STJ. CTN. qualificado pela lei como sujeito passivo. Se o sócio constar da CDA como devedor. a ser efetivada em até 60 dias (art. permite que as MEE’s e EPP’s podem dar baixa de suas atividades mesmo sem comprovação de prova de quitação de tributos. aquele que. Responsabilidade Tributária Responsável tributário é o chamado sujeito passivo indireto da relação tributária. § 3º. deverá recolher o tributo. isto é. diversa do não pagamento da exação. 121. deve necessariamente ter proximidade com o causador do débito pelo qual . o que exclui sua responsabilidade solidária (pessoal) no caso de mero não recolhimento de tributo pela ausência de caixa para tal.O terceiro responsável. Será medida célere. ao contrato social ou ao estatuto. parágrafo único. Nota-se que a obrigação tributária envolvida é a principal. LC 123/06). CTN). O art. Os sócios. mormente ligada ao recolhimento de tributo. Para que se caracterize infração a normas. CTN). 123. CF/88. deve haver atuação deliberada do sócio-administrador. a responsabilidade ganhou ares constitucionais pela pena da EC 3/93. não interessa o tipo societário adotado. 204. A figura em análise pode ser classificada como responsável por transferência (sucessão tributária) ou por substituição.Expressa previsão legal – harmoniza-se com inoponibilidade das convenções particulares ao fisco (art. para responder nos moldes do art. 78. Características gerais – em qualquer das duas categorias. 50.

em que pese persistir um ambiente natural nessas exações.. 307). por ocorrência de um fato superveniente. 195. como é o caso da retenção na fonte pagadora de percentagem da remuneração do empregado. porque existe em outros. na sua essência. sobretudo. para não permitir que o responsável arque com débito de quem nunca “conheceu” ou se relacionou. por exemplo. o empregador da construção civil deve realizar o recolhimento das contribuições previdenciárias dos seus obreiros. Da mesma forma. Responsabilidade por transferência versus responsabilidade por substituição – havendo débito e responsabilidade reunidos em uma só pessoa. 2006. quando no exercício do poder de tributar. Responsabilidade por substituição – substituição tributária não é fenômeno exclusivo do IPI e do ICMS. a responsabilidade é deslocada (transferida) para um terceiro. Ex. da segurança jurídica. Essa característica decorre. . Amaro (2006.O instituto representa.: na alienação imobiliária (fato superveniente). a responsabilidade pelo seu pagamento é transferida do alienante ao adquirente. 304) indica que as razões que determinam a incidência da responsabilidade tributária pelo legislador vão desde a conveniência até a necessidade. . no ato. sendo deferido o débito a um (substituído tributário) e a responsabilidade. p. O IR. mesmo porque se trata de quebra da regra ordinária sobre débito e responsabilidade tributários. Na esteira.). ela já recolhe. CF/88). Já na substituição. inclusive o IR e a contribuição social consectária (art. Esse traço não é exclusivo dos tributos não vinculados. a lei desde logo põe o ‘terceiro’ no lugar da pessoa que naturalmente seria definível como contribuinte.. a outrem (substituto tributário). as exações correspondentes. no caso da instituição financeira retê-la já na conta do correntista. p. A doutrina costuma falar de uma “participação indireta” no fato gerador. como a CPMF. Essa divisão decorre diretamente da lei. “(. o instituto da responsabilidade colima proteção ao fisco. Visa evitar o inadimplemento da obrigação tributária e facilitar administrativamente a arrecadação. Em que pese intensos debates hermenêuticos. ou seja.64 estará respondendo – deve haver uma vinculação entre responsável e contribuinte. possui vários exemplos. quando a casa lotérica vai pagar o prêmio do concurso de prognóstico. uma garantia pró-credor – a responsabilidade foi erigida fundamentalmente para favorecer a Fazenda Pública. III. a obrigação tributária já nasce com seu pólo passivo ocupado por um substituto legal tributário (AMARO. sendo certo que o liame há de ser econômico. a obrigação tributária é dividida já na sua nascente. porquanto esse sucede aquele. não havendo de se cogitar qualquer fato superveniente a determinar a quebra entre débito e responsabilidade. havendo débito de IPTU atrasado. na substituição.

trabalho. Para eliminar custo. Ora o fisco seleciona o primeiro componente. rel. No esquema da substituição. Informativo do STF nº 469).2007. além da alíquota. respectivamente. As cadeias a serem atingidas pela redução da tabela são aquelas não iniciadas. só incide sobre os valores efetivamente agregados (base de cálculo). sendo calculado sobre o valor de quem lhe vendeu. Acontecendo situação contrária. apesar de não haver pronunciamento pacífico do STF. um retardamento (substituição para trás. regressiva ou diferimento fiscal)91. Para evitar tal ocorrência. no caso de exação estadual ou municipal. Gilmar Mendes. porque esse repassa os valores recolhidos nos valores de venda do produto ou serviço. 146. dependendo da conveniência e da facilidade em realizar a fiscalização e o recolhimento. tal qual estabelecido na legislação tributária. a base de cálculo do produto ou serviço deve ser monetariamente estabelecido pelo legislador (pauta fiscal)92. o qual estatui uma forma de arbitramento – quilo da carne. DJU 17. submeter o responsável a qualquer exação a maior. No contexto em tela. segundo entende o STF (ADIn 2056/MS. a sucata (reciclagem e siderurgia) e animais de abate e corte (açougue). constituindo o que a doutrina e a jurisprudência costumam designar como contribuinte de fato. utilizada pelo Brasil. por norma regional ou local. a substituição não onera o substituto e muito menos privilegia o substituído. A tributação dessa cadeia de consumo transcende a simples facilidade da tributação. CTN. haveria pesos diversos para a mesma situação. outros advogam que incide um enriquecimento sem causa. progressiva. Ao revés. o consumidor final arcará com a carga tributária. pode ser estatuída. como é o caso da isenção e da imunidade. não há uniformidade quanto ao entendimento. por presunção ou crédito e fato gerador presumidos). No entanto. a Administração Fiscal. Com efeito. porque seria faticamente impossível fazê-lo de todos os intermediários. unidade de automóvel. não havendo de se persistir um direito à restituição dentro dessas. Em ambas.8. o tributo incide sobre o valor total estabelecido pelo componente da cadeia. o que privilegia a segurança jurídica. No primeiro caso. englobando exatamente os mencionados IPI e ICMS. pacote de cigarro. ora destaca o último. inclusive no STJ. já sendo realizada a tributação pelo modelo de substituição para trás. Nessa última. da mesma forma caso o substituído final vendesse o produto por um preço maior que o estipulado pela pauta fiscal. porque não se trata de sanção. Min. há uma antecipação na tributação (substituição para frente. sendo irrazoável tal posição. sendo que o primeiro só incidirá em produtos industrializados. contudo. Alguns argumentam que há um ato jurídico perfeito. sem.65 Mas a tributação de consumo e as vendas em cadeia são a coqueluche da substituição tributária. São exemplos de produtos englobados pela substituição regressiva o leite cru (laticínios). fazendo uma compensação em relação ao valor anteriormente pago. com suas alíquotas. aduzida com base no art. uma postergação. a cana em caule (usina de açúcar e álcool). a qual pode ser aduzida de duas formas: pela compensação de débito e crédito (perfilhado pela legislação doméstica) e pelo valor agregado. se a pauta previr um aumento do produto ou serviço. O diferimento tributário. É o entendimento prevalente nos tribunais. 92 Ocorrendo desvalorização de modo a depreciar os valores da tabela normativa. risco de inadimplemento e ônus à máquina administrativotributária. escolhe um dos componentes da cadeia de consumo para fazer o recolhimento integral do tributo. utiliza-se a técnica da não cumulação. a exação. Na anterior. no segundo. porquanto não se trata de reserva de lei complementar ou constitucional. o Estado criou a responsabilidade por substituição. É uma tese a favor da Fazenda. o fisco realiza a cobrança da diferença. não cabendo restituição ao substituído final. Sistemas de não cumulatividade – o regime de tributações individuais provavelmente levaria a um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. Não há também que se invocar a retroatividade da lei mais benéfica. 91 . Cada intermediário na cadeia pagará o tributo dentro do valor por ele agregado. O fisco teria dado cumprimento à lei.

Isso não significa a operação em valores a menor na ponta da cadeia. porque a receita tributária é antecipada em relação ao fato gerador ocorrido. 150. caso não ocorra o fato gerador. Além disso. Segundo o STF. o STF optou pela decisão política. a qual não legitima a restituição. da máquina administrativa e dos serviços públicos. O habitat natural desses bens se vincula a uma tributação impossível. o qual seria inundado de executivos fiscais a maior do que a já exaurida e cambaleante capacidade de prestação jurisdicional. A flexibilização da pauta fiscal se destina justamente à agilidade na atualização. “caput”. foram erigidos argumentos relevantes a favor do instituto. garantiu-se constitucionalidade ao instituto. e 170. Por liberalidade. CF/88. o Estado estaria se enriquecendo ilicitamente. Regime da substituição progressiva e constitucionalidade – a matéria foi pacificada pelo STF. Vamos ao delineamento dessas considerações. além de constitucionalizar a presunção do crédito e do fato gerador. Aparentemente. Mais: a substituição para frente tende a tolher e limitar a livre iniciativa.66 etc. necessária a exprimir o real valor da riqueza tributada. Porém. os empresários estariam onerados. tutelada pelo arts. Na esteira. garantiu a restituição dos valores recolhidos. a qual acrescentou o art. a exação já foi recolhida . Restituição – a referida emenda. § 7º. vindo a abalar a atividade econômica do empresário e o equilíbrio de mercado. tornando a sonegação francamente presente. porque há um repasse na nota de compra. de acordo com a LC 87/96 (Lei Kandir). vindo a sentir diretamente os efeitos da tributação a maior pela inocorrência do fato gerador. porque cobrara tributação sobre algo que nem mesmo se sucedeu. Dessa feita. sendo posteriormente coadunado pelo legislador da EC 3/93. esse traço marcante é palco de discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do instituto. Os produtos englobados pelo regime da substituição presumida sugerem a impossibilidade concreta de fiscalização e de recolhimento do tributo. CF/88. à estimulação ao crime de sonegação. mediante outras condições. A substituição tributária é um sistema inteligente. 1º. A questão se vincula a antecipação do crédito tributário. promulgada a EC 3/93. mesmo porque. No entanto. porque o produto ou serviço poderia só ser repassado muito tempo depois. supõe-se que o último elo da cadeia de consumo vende o bem por valor a menor que a pauta fiscal. a extinção levaria à insegurança jurídica na arrecadação. Nessa ponderação de valores. é possível atualizar a tabela fiscal por ato do Executivo (decreto). levando em conta que o fato gerador nem mesmo poderia ocorrer. a sonegação fica eficazmente mitigada. IV. porque o tributo é seu principal sustentáculo financeiro. Nesse passo. Com efeito. o Estado estaria abrindo mão de receita. por diminuir os riscos ao credor tributário e por minimizar os custos de fiscalização e de recolhimento. Entretanto. antes mesmo da ocorrência do fato gerador. a gravame financeiro da Administração e à potencial afetação ao Judiciário. porque a base de cálculo já está estipulada abstratamente pela lei. mormente no tocante à modalidade de substituição para frente. o direito de restituição compete ao substituído.

ou ao substituído? O eventual direito a ressarcimento recairia sobre que montante? Qual a posição atual do STF sobre o questionamento93? Formaram-se duas correntes: . a incidir sobre um montante maior que o apresentado pela capacidade contributiva do substituído final. CF/88. fazendo-se argüir: é cabível a restituição no regime da substituição tributária para frente. Essa riqueza é direito do administrado na prestação estatal. O argumento se funda na agregação concreta e não legislativa. principalmente. sendo determinado pelo preço que o substituído final praticasse94.Pela restituição – o direito a pleitear a restituição é do substituído final. 94 Os principais setores atingidos pela substituição para frente são: automóveis. bebidas. porque a lei autoriza a tributar a alíquota em cima da riqueza efetivamente circulada (agregada). que foi quem efetivamente pagou. sendo certo que. em tese. Ao aceitar o preço imposto pelo contribuinte na nota de venda. A riqueza apresentada pela operação mercantil não é aquela que corresponde à presunção erigida pela tributação. a votação no pleno foi de 6 votos a 5 pelo não ressarcimento. O acatamento do postulado levaria ao sepultamento da substituição por presunção. os postulantes da tese anterior visam. O substituído advoga pela real demonstração de riqueza. quando o substituído final promove a redução da base de cálculo do imposto por liberalidade? Se não.67 sobre o montante cheio. A riqueza revelada corresponde àquela existente. não dependendo de qual o preço determinado pelo vendedor. prática vedada pelo art. não há causa para arrecadação. 146. montante concretamente agregado. havendo uma diferença em favor do fisco. . com bastante força política. CF/88). O terceiro fundamento se vale da violação da efetiva capacidade contributiva. Nesse sentido. o qual deveria ser integralmente devolvido ao final da cadeia. III. Preço e valor são conceitos diversos. na primeira. a um depósito. a quem compete o direito de restituição? Ao substituto.Pela não restituição – preliminarmente. há grande pressão para alteração legislativa e. porque o valor inicialmente recolhido pelo substituto corresponderia. O segundo fulcro liga-se ao confisco. não devendo o fisco se assentar sobre o efetivamente praticado.: a base de Cf. em realidade. A riqueza efetivamente circulada é aquela estabelecida na pauta fiscal. A tributação de uma riqueza não efetivamente demonstrada é um confisco. por quê? Se sim. ADIn 1851-AL versus ADIn’s 2675-SP e 2777-SP. produtos de limpeza e fumo. porque é a lei que fixa a base de cálculo e a alíquota (art. porque se estaria liberando o substituído final para praticar qualquer preço na venda na ponta da cadeia. 150. a Administração tributária estaria violando o princípio da tipicidade. Do contrário. “a”. Base de cálculo é valor e não preço. não podendo o Estado abrir mão dela. mesmo que o substituído final receba a menor pelo bem. Ex. IV. sobre a mudança jurisprudencial. medicamentos. o (último) substituído pleiteará a restituição do diferencial entre o valor tributado e o preço da venda efetiva. a sonegação fiscal. entendimento que tende a ser revertido nas seguintes (Informativo do STF nº 418). recaindo-se sobre o valor da liberalidade (tributado e não agregado). 93 . Todos os segmentos possuem grande lobby legislativo. O primeiro fundamento se reveste no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Dessa feita.

ADIn 1851/AL. LRF). 150. sob pena de abuso de direito. AgRg no Ag 455. DJ 24/6/2002. julgado em 3/5/2007. com os fatores já supra mencionados. a execução é do crédito tributário. levando à crença de que as operações a menor não estariam contempladas pelo constituinte. Ocorre que o art. porque se trataria de irresponsabilidade fiscal (art. 2ª T. REsp 436.915-MG. Quando esse se realiza a valores menores. em um momento futuro (venda final).68 cálculo do ITBI é o valor do imóvel (previsto em tabela estabelecida em lei). A otimização da arrecadação. não há direito à restituição95. o STJ seguiu a orientação96. quem faz liberalidade deve suportar seus efeitos. o custo da execução geralmente é maior que o próprio valor da sanção. São os fatos supervenientes que determinarão a transferência do débito do contribuinte originário (sucedido) a um terceiro (sucessor). DJ 4/8/2003. João Otávio de Noronha. A responsabilidade do infrator é pessoal. DJ 11/9/2000. DJ 10/3/2003.123-GO. utiliza a expressão “caso não se realize o fato presumido”. as quais apresentam um custo dobrado ao Estado. o É devida a multa – podem ser arrolados dois argumentos: um político e outro jurídico. II. Pode ser visualizada segundo alguns aspectos: . 4º. Após o posicionamento do Supremo. rel. posto que. sendo esse transferido integralmente ao sucessor. Min. O STF só aceita a restituição na substituição “para frente” quando efetivamente não há o fato gerador. O direito dos terceiros de boa-fé – incluindo o fisco – não pode ser prejudicado em face da atuação do particular. REsp 245. A procuradoria estatal não pode realizar a cobrança. a Fazenda teria que devolver o montante.019-SP.694-MG. gerando uma instabilidade para o Estado quanto ao montante arrecadado na cobrança feita ao substituto.386-SP. DJ 28/4/2003. Responsabilidade por transferência (sucessão tributária) – possui duas vertentes: “inter vivos” e “causa mortis”. Formaram-se duas correntes: o Não é devida a multa – ninguém pode ser penalizado por conduta que não praticou. Ademais. Se esse intentar o feito dessa maneira. STJ. principalmente nas multas menores. CF/88. REsp 552. não devendo transcendê-lo (princípio da personalização da sanção). Informativo do STJ nº 319.506-PB. . Não se está tolhendo a autonomia privada do alienante do bem. o Judiciário 95 96 STF. Daí. gerarse-ia a incerteza: o valor arrecadado pode ser utilizado? Deixaria de ser receita e passaria a ser entrada provisória (componente do Anexo de Riscos Fiscais – art. estaria prejudicada. A separação da cobrança implica na existência de duas execuções. se houvesse um subfaturamento. RMS 13. § 7º. Quanto ao primeiro. § 3º. não importando qual o preço estipulado pelos negociantes. § 3º. 14. É a tese pacificamente aceita pelo STJ. A aceitação abalaria a segurança jurídica. mas sim que ela não poderá invadir a seara dos direitos de outrem – do Estado –. LC 101/00).Multa – argúi-se se a multa acompanha o tributo na sucessão. REsp 469. Além disso. englobando o tributo e a multa.

trata da transferência “causa mortis”. com conotações diversas em cada área específica. CTN. por incorporação. O art. 132. RTJ 78/965. trata da transferência empresarial. a classificação utilizada por alguns doutrinadores configura. trata da transferência “inter vivos” imobiliária. não sendo estendido à seara administrativo-tributário (poder de arrecadar e de polícia). a solidariedade foi analisada como instituto autônomo em relação à responsabilidade. “caput”. na verdade. coloca a responsabilidade tributária divida em três espécies: por transferência. Os últimos somente se verificam em determinados compartimentos jurídicos. 130.613-SP. parágrafo único. CTN. Eduardo Sabbag coloca a responsabilidade por transferência dividida em três categorias: por solidariedade. CTN). Em suma. melhor 97 Luis Roberto Barroso. Na esteira. 98 STF. Os segundos são aplicados a todas as matérias jurídicas. o direito penal tributário (atribuição punitiva do delito) não há de ser confundido com o direito tributário “penal” (atribuição fiscal-administrativa).69 estaria ainda mais onerado em sua prestação jurisdicional. CTN. durante as aulas do curso. No entanto. Assim. Pergunta: Luciano Amaro. 130. a linguagem imprópria do legislador dá interpretação à incidência da multa somente quanto à primeira espécie de transferência. Qual classificação mais de acordo com o posicionamento das bancas de concurso? Resposta: no momento do concurso é importante você citar estes três institutos. O art. gerais e setoriais. Optou pela segunda linha. restrito à seara punitiva do delito fiscal. aplicando-se somente a sucessão do crédito tributário nas transferências imobiliárias “inter vivos”. por substituição e por solidariedade. Do contrário. com exclusividade. e a solidariedade ela pode estar tanto na transferência quanto na substituição. elementares à sua própria existência. a corte poderia uniformizar o entendimento. cuidou da operação de alienação de estabelecimento comercial (trespasse). 132. não sendo possível sua extensão a outros. I. Persiste uma infração tributária e não um crime tributário. refere-se a “crédito tributário” (tributos mais multas). “caput”. II e III. enquanto os demais dispositivos mencionam apenas “tributos”. O STJ poderia optar por uma interpretação restritiva. Somente o art. CTN. 133. 131. divide os princípios em três categorias: fundamentais. O princípio da pessoalidade da pena na pessoa do criminoso é ditame setorial97. em seu “Interpretação e Aplicação da Constituição”. essas seriam as disposições normativas. O modo de exposição da matéria do professor Amaro não encontra guarida na doutrina majoritária? Em posição análoga. essa última foi estudada em tópico separado. CTN. A multa é sanção administrativa e não criminal (pena). já tão abarrotado pelas demandas ajuizadas. por cisão ou mesmo por extinção da empresa. O art. é apenas sugestivo. o art. À luz exclusivamente do texto frio da lei. RE 83. por fusão. . desde que sócio remanescente continue na atividade empresarial (art. Esse também tem sido o entendimento do STF98. asseverando que o rol do art. seja a responsabilidade por transferência por substituição. Todavia. 131. Quanto ao segundo. assentando suas colocações em Rubens Gomes de Souza. Os primeiros são os basilares do Estado. dos sucessores e de terceiros.

conquanto os dois últimos autores invocam julgados menos hodiernos do STF e do STJ respectivamente? Resposta: infelizmente ou felizmente. CTN. precisamos adotar a posição mais recente adequando com o tipo de concurso que você irá prestar. acusando outros débitos não indicados. Qual posição. CTN. Posteriormente. o negócio fica perfeito mediante juntada do documento público. do art. 131 e 132. Pendendo exação sobre a coisa. serão transferidas ao sucessor. o valor não poderá ser cobrado posteriormente do arrematante. entendeu a corte que as multas. dependendo do ponto de vista. 134. há exceções ao ditame: o Aquisição de imóvel em hasta pública – o terceiro adquirente (arrematante) do imóvel não arcará com os débitos tributários. por exemplo. Pergunta: o STJ. Luciano Amaro e Eduardo Sabbag afirmam que a responsabilidade por transferência não se estende a multas. no momento da hasta. o adquirente não arcará com os débitos fiscais. 130. parágrafo único. por analogia. Quando. CTN). logo posteriormente à hasta. pelos atos por ou perante eles praticados. preceituou que seu rol de disposições é simplesmente sugestivo. A Fazenda Pública só poderá cobrar do alienante. devendo indicar os valores dos tributos a incidir. Entretanto. é a prevalente. dispositivo pelo qual tabeliães e cartorários devem responder por créditos tributários. o Emissão de certidão de débito pela autoridade fiscal – em alienação de imóvel. mormente quando se trata de operações societárias (art. Deverá recorrer ao antigo executado para perceber seu crédito. se a autoridade verifica que houve erro na emissão da certidão. obrigação tributária). a qual possui fé pública. antes de ser repassado o valor ao exeqüente. sofremos constantes mutações quanto às posições adotadas pelas Cortes Superiores. em tese. Entendo mais coerente como foi exposto na aula pela professora Tathiane estudar a solidariedade em tópico separado. seriam transferidas ao sucessor também no caso dos arts. Essa idéia tem por fulcro uma aplicação. . CTN). Atualmente. a Fazenda Pública expediu certidão de dívida. componentes do crédito tributário (na realidade. mesmo porque. a título subsidiário. em homenagem à segurança jurídica. Assim. 132. 130. ao interpretar o art. afinal. a regra é de obrigação “propter rem”. VI.70 modo por eles escolhido para exposição da matéria. as procuradorias municipais têm erigido a tese de responsabilidade subsidiária do agente público responsável pela omissão na emissão da certidão. Entretanto. a Fazenda Pública será intimada para se manifestar.Transmissão “inter vivos” de imóvel (IPTU) – as dívidas tributárias. Caso a autoridade fiscal deixe de acusar a dívida tributária no momento oportuno. o fisco percebe seus créditos antes do repasse do numerário ao demandante (art. em sentido contrário. no ato de . em concurso público. CTN. Mesmo sendo uma execução particular. Essa situação se defere à segurança jurídica. Nesse raciocínio. Em verdade. AGU muitas vezes a posição é diferente da magistratura.

Essa regra de sucessão tributária colima a preservação do empresário. Pergunta: na aquisição de imóvel em hasta pública. Na operação de trespasse. subseqüentes à alienação (art. CTN). 133. I. A doutrina e a jurisprudência ficaram incumbidas de interpretar a disposição. a Administração Pública responde por tal informação. 133.71 aquisição do imóvel. Não foi a tese vencedora. Nesse caso. subsidiariamente. No caso da responsabilidade espelhada no art. Surgiram três posições: • Responsabilidade exclusiva do adquirente – a palavra “integral” quer dizer “exclusiva”. O postulado se fundamenta no art. não foi esclarecida pelo legislador acerca do seu título. I. será subsidiária. o arrematante não responde por débitos fiscais anteriores (art. • Responsabilidade preferencial do adquirente – o alienante responde subsidiariamente pelas obrigações tributárias. o agente público que produziu o documento público (analogia ao art. o adquirente traz em mãos a certidão de dívida negativa. II. 133. posteriormente. a não ser em caso de dolo do funcionário que a expediu. por conseguinte. Uma vez que exare certidão negativa. . No entanto. é possível alcançar o executado e. de arrecadação fiscal.Transmissão de fundo de empresa – está disciplinado no art. vir a cobrar os valores do adquirente. 134. “caput”. CTN. Caso haja certidão negativa de dívida. conforme art. CTN). perfilhada pelo STJ. 133. Qualquer ressalva aposta no documento é cláusula ineficaz. CTN) – persiste indício de demonstração de riqueza no novo elemento de empresa. em que pese ser integral. perfilhando o postulado da sucessão “propter rem” totalmente. • Responsabilidade solidária com o alienante – é a tese majoritária. CTN. fonte de riqueza. não responde pelos débitos tributários. Antes do repasse do preço ao exeqüente. O instituto tem por fim proteger primordialmente o credor tributário. há sim interesse comum entre alienante e adquirente em arcar com os . CTN. não poderá. Também não foi prevalente. havendo passivo fiscal sobre o estabelecimento. de emprego e. Será integral. porque a solidariedade não pode ser presumida. I. genuína engrenagem da economia. Segundo asseveram os defensores dessa corrente. parágrafo único. VI. CTN). 208 do CTN. a Fazenda Pública se manifesta sobre eventuais débitos do bem (IPTU). seria possível cobrar o débito também do exeqüente? Resposta: cuidado. caso o adquirente não tenha capacidade de arcar com elas. caso aquele prossiga no comércio nos próximos seis meses. 124. se o alienante não praticar qualquer atividade empresarial dentro em seis meses do negócio (art. 133. a responsabilidade do adquirente oscilará. por Machado (1993) e por Paul Erik. CTN). decorrente da própria atividade empresarial. de acordo com a postura posterior adotada pelo alienante (art. o imóvel posto em hasta pública representa a garantia do pagamento. 130. considerada não escrita.

717-SP. estabeleceu responsabilidade ilimitada entre sócios e sociedade nas dívidas para com a seguridade social. só podendo ser levantado para pagamento de credores extraconcursais ou daqueles precedentes aos tributários (art. porque a estrutura desses empresários não se harmoniza com o dispositivo em tela (art. há extinção da sucessão tributária ao adquirente (art. “caput”. Com efeito. I e II. 13.72 débitos tributários. 133. CTN). o voto vencido do Ministro José Delgado fundou uma mudança jurisprudencial efetivada em 200599. AgRg no Ag 728. não pode levar à exigência do crédito sobre o patrimônio dos sócios. O legislador optou por facilitar o trespasse nas delicadas situações mencionadas. CTN. A decisão se fundou na existência de expressa previsão legal. 1052. as disposições seguem comandos específicos. Lei 8620/93 – as disposições do CC/02. Do contrário. Inicialmente. o eventual adimplemento tributário. A revogação foi implícita. 133. O legislador considerou mais importante a preservação da empresa do que a satisfação dos credores.250-RS e REsp 638. porque a autoridade pode escolher qual o sujeito passivo em melhores condições para arcar com os débitos fiscais. 133. CTN. a fórmula aberta do dispositivo legal favorece bastante a arrecadação. Não incorrendo nos caso anômalos de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. § 1º. 99 STJ. caso o adquirente não seja pessoa estranha ao alienante. facilitando muito o ofício da PGFN (Lei 11457/06). ausentando-se qualquer benefício de ordem (art. notadamente de contribuições sociais. portanto constituindo elemento essencial à mecânica macro-econômica. CTN). são incompatíveis com o diploma anterior. 133 da codificação. 124. com base em três argumentos: o O CC/02 revogou o art. parágrafo único. Para adaptar o CTN à nova realidade. . Contudo. considerando o negócio do trespasse.INSS – Sociedades Limitadas e Sócios – Solidariedade – a grande maioria dos empresários domésticos são constituídos na forma de sociedades limitadas. § 2º. a qual acresceu três parágrafos ao art. CTN. foi promulgada a LC 118/05. Em verdade. § 3º. A Lei 11101/05 (nova Lei de Falências – LF) provocou alguns reflexos na área tributária. ao alienante. o STJ se pronunciou sobre a matéria. REsp 717. dada a função sócio-econômica daquela. o qual disciplinou as sociedades limitadas. a Lei 8620/93. afirmando que cabia a solidariedade por maioria de votos. . O montante resultante da alienação judicial do estabelecimento ou da empresa ficará depositado em conta do juízo falimentar por um ano. na década de 90. de alguma forma. o diploma criou uma situação esdrúxula de solidariedade tributária. Havendo falência ou recuperação judicial. 133. 124. caso esse não esteja ligado.755. com fulcro no art. Dessarte.080. CTN). enquadrando-se naquelas do art. 13. com o fito de favorecer o adquirente que resolve celebrar o negócio. no seu art. II. no REsp-AgRg 410. impera normalmente a regra “propter rem” – persiste a sucessão tributária nos termos do art. Pela regra.

Nesse caso. Lei 8620/93. 13. O que não pode o legislador ordinário é extrapolar os limites do constituinte e do seu comparsa complementar. 1º. Esta justificativa também não é própria. Por tal argumento.898-DF e REsp 839. Lei 8620/93. fica sufragada. “caput”. enquanto o CC. Não se tratava de desconsideração da personalidade jurídica. o comando continua válido. É a teoria “ultra vires”. . CTN. . porquanto goza da presunção de constitucionalidade. 13. 13. não abarcaria o simples atraso no pagamento dos tributos. com seus benefícios legais. Há ADIn em trâmite no STF para contestar a constitucionalidade do art. Lei 8620/93. CF/88. III. IV. mandamento construído pela Lei Maior. autoriza o legislador ordinário a estabelecer responsabilidade solidária. o próprio art. foi mudada hodiernamente100. “caput”. “caput”. 3º. vigente e eficaz. Pelo contrário. Em nenhum momento. lesionando por demais a grande mola propulsora da circulação de riqueza. este fundamento não condiz com o Direito Intertemporal. LEF).73 CC). principalmente pela pena do Ministro do STJ Garcia Vieira. Lei 8620/93. Lei 8620/93. “caput”. 146. “caput”. admitia a execução direta do patrimônio administrador pela mera mora tributária. REsp 441. porquanto a Lei 8620/93 é especial. uma vez que o sócio conste da CDA. Contudo. toda a estrutura econômica positivada (arts. e 170. A constituição de sociedade limitada. haverá responsabilidade decorrente. geral. 135. o Violação do princípio da livre iniciativa – além desse gravame direto. o art. mas sim responsabilização principal na pessoa do administrador. “caput”. III. Segundo a corte. apesar de não haver qualquer decisão tomada. 13. Dessa feita. aduzida nos anos de 1992 e de 1993. Este é o argumento mais robusto para afastar a aplicação do art. o constituinte exigiu LC para determinar solidariedade. Essa tendência. O equilíbrio macro-econômico fica comprometido com o tolhimento do sistema capitalista instalado. 13. o CTN atende ao comando constitucional. como bem ventila o art. CTN. o A matéria é de disciplina exclusiva de LC – haveria um vício formal no art. por via reflexa. II. bem como. Trata-se de responsabilidade pessoal do sócio. também perfilhada pelo art. a certidão goza de presunção relativa de liquidez e certeza (art. O próprio STJ tem postura cristalizada no sentido de possibilidade de execução fiscal em face de sócio que conste em CDA. 135. fica reprimida. contida no art. excluindo-se a pessoa jurídica do pólo passivo. 124. A referência que se faz à infringência da lei. a tese da inconstitucionalidade formal do art. invertendo-se o ônus da prova.Administrador – caso pratique atos em contrário à lei ou com excesso de poder.684-SE. nesse passo. porque a LC deve estabelecer normas gerais e não específicas. CTN. CF/88) fica prejudicada. A jurisprudência. O STJ entende que a mora pode ser 100 STJ.

138. quer seja na seara administrativa ou criminal. a responsabilidade aqui mencionada deve ser subjetiva. Essa última posição só cabe nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. CTN. é recorrente.681. de elementos sazonais ou de circunstâncias que tornem a atividade momentaneamente difícil. tal qual a disposição do art. Contudo. invoque a denúncia espontânea para afastar multa sancionatória. parágrafo único. Na tentativa de extrair a ocorrência do fato gerador e evitar a decadência tributária. não por corriqueiro inadimplemento de tributo. mediante a efetiva ocorrência do fato gerador. o qual pode ensejar diretamente a inscrição em dívida ativa. 138. Para tentar corrigir. É o entendimento esposado pelo STJ101. Nesse sentido. São os casos. . Restringindo um pouco mais. . é necessário levantar quatro questionamentos: o Tecnicamente.Denúncia espontânea – a maioria dos tributos depende de uma atuação antecipada do contribuinte no adimplemento. o Havendo denúncia espontânea.133-PR. para que se conceda o benefício previsto no art. Visa primordialmente favorecer o Estado. Esse pode decorrer de situações de mercado. a apresentação posterior da declaração de tributos já caracteriza o ato de lançamento. devendo ser caracterizada o dolo ou culpa do agente. Nessa seara.74 caracterizada por descumprimento de obrigações tributárias acessórias ou por ocorrência de delito tributário. com antecipação do pagamento. sendo a multa somente instrumento de coerção sobre o ânimo do sujeito passivo. quando for percebido nessa prática. a confissão deve ser necessariamente acompanhada de pagamento ou cabe tal vantagem 101 STJ. Esse entendimento não condiz com o espírito do instituto. de dissolução irregular de sociedade ou descumprimento de obrigações acessórias. CTN. por exemplo. Ag Rg no EDcl do REsp 826. mesmo porque o sujeito passivo deve se apresentar à autoridade fiscal antes desse chamá-lo. Dessa forma. “caput”. AgRg no AgRg no AgRg do REsp 611. incidem multas pesadas sobre o ilícito. a sonegação. pela qual ficam excluídas as sanções pecuniárias. Essa prática objetiva evitar que o contribuinte declare e não pague e. não dando azo à execução pessoal do administrador. porque. EREsp 690. CTN? Inicialmente. Mas a Fazenda Pública se preocupa com o recebimento do tributo. o fisco já estaria cobrando. 138. Uma segunda tese estabelecia como marco o início de qualquer procedimento administrativo de fiscalização tributária. Ademais. a tese prevalente preconiza o lançamento como fator a elidir a denúncia espontânea. até que momento se considera efetivamente espontânea a confissão feita pelo sujeito passivo para fins de se aplicar o benefício do art. advogava-se a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea até a citação válida. nesse momento. foi criado instituto da denúncia espontânea. não pode ser confundida com a responsabilidade objetiva da empresa no mero inadimplemento do tributo ou também no descumprimento de obrigações acessórias.628-PR.

A Administração Tributária deve combater a frustração ao poder de polícia fiscal. “caput”. rel. como vantagem. somente a multa moratória deverá ser afastada pela denúncia espontânea. o inadimplemento tributário. de acordo com sua conveniência e oportunidade. CTN. o entendimento foi alterado. porque o Estado não pode fomentar. o legislador seguiu a interpretação jurisprudencial anteriormente dada. lançamento é um procedimento (na 102 STJ. Dessa feita. a sancionatória ou ambas? E quanto aos juros? O art. a exclusão da penalidade tem que alcance? Atinge a multa moratória. aduzido pelo devedor. o Havendo denúncia espontânea acompanhada de pagamento. Foi a tese prevalente durante muito tempo na jurisprudência. DJU 30/6/2006. Lançamento Está disciplinado nos arts. um conjunto interativo de atos entrelaçados por uma seqüência lógica. a anistia é ato efetivado pelo credor. tal qual o art. Deveria caber no parcelamento. EREsp 760. Castro Meira. enquanto o legislador. enquanto procedimento. na anistia. porquanto o parcelamento incluirá a multa sancionatória. CTN. Na mesma esteira. Informativo do STJ n° 323. Essa posição foi corroborada pela LC 104/2001. A benesse da exclusão da multa não deve ser estendida àquele que parcela. “Data venia”. pressupondo lei específica para tal. j. As procuradorias fazendárias passaram a defender o não-cabimento da exclusão da multa sancionatória. 13/6/2007. CTN. a denúncia espontânea só afasta a multa moratória. De acordo com a jurisprudência supra mencionada. pelo qual perdoa uma receita. 138. No entanto.. a natureza jurídica do instituto gera divergência: é ato ou procedimento? É declaratório ou constitutivo? Ato é uma conduta isolada. 142. conceitua lançamento. 138. diploma que integrou o parcelamento como espécie de suspensão do crédito tributário (art. . Nesse sentido. REsp 831. não pode ser cumulado com o afastamento da sanção. CTN. segundo a jurisprudência do STJ. “caput”. CTN. para acórdão Min. se em ambos os institutos ocorre dispensa de penalidade? A denúncia espontânea é ato de confissão de dívida. § 1º. indiretamente. 151. 155-A. Nesse sentido. com o objetivo de atrair contribuintes para saldar sua dívida. VI. 142 a 150. não distingue qual a natureza da multa. os juros são mantidos “ex vi” da própria redação do art. originário Min. Do contrário. porquanto o contribuinte em atraso não é inocente. “caput”. A primeira independe de qualquer norma. o Qual a diferença entre denúncia espontânea e anistia. 1ª Seç. na leitura realizada pelo STJ102. rel. pode afastar qualquer espécie de penalidade. Denise Arruda.278-PR. O parcelamento. o que deu abertura à exclusão de todas as sanções.290-PR. CTN). O art.75 quando a denúncia é seguida a simples parcelamento? Somente o pagamento dá azo à denúncia espontânea. sendo certo que o ato administrativo de exclusão do crédito é vinculado. com o fim de atingir um objetivo maior e derradeiro. em que pese não ser a tese vencedora.

Não houve lançamento. sem esse aquela inexiste. Esse entendimento contesta a posição clássica supra exposta. Com base na doutrina estruturalista alemã. 142. • Ao se considerar o lançamento como constitutivo do crédito (art. Quanto à segunda pergunta. ao prever que a prescrição extingue o crédito tributário. 156. caracterização do fato gerador. não sendo possível mais sua exigência pela via reflexa. determinação da matéria a ser tributada. No diapasão. 156. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário. o crédito já está caracterizado – não pode haver obrigação sem credor. porque o fato . Na esteira.76 visão do legislador). No entanto. O que é extinta é a pretensão. analogamente. Dessa feita. mas o devedor continua no direito de pagar. não o crédito. Todos os demais são prévios e preparatórios para tal. a mora pressupõe crédito. o citado mestre defendeu essa posição clássica. o art. porque engloba vários atos em cadeia: identificação do sujeito passivo. já existe relação jurídica obrigacional tributária e. em que pese ter havido extinção do crédito tributário. CTN). foram erigidas três correntes: o Lançamento é constitutivo do crédito e declaratório da obrigação tributária – lançamento é o procedimento pelo qual se cria crédito tributário (Rubens Gomes de Souza). Não é o entendimento mais aceito hodiernamente. Essa posição não é unânime na doutrina. incluindo eventual penalidade. não é possível que o lançamento crie o crédito. ainda que por meio de ação de consignação. haveria incompatibilidade com a previsão de extinção do crédito tributário “ex vi” da decadência (art. mas sim o direito potestativo de lançar – o crédito continua persistindo. o crédito nasce a partir da previsão abstrata da lei e não do procedimento administrativo. Dessa feita. pode ser que a exigibilidade do montante só seja possível mediante determinado procedimento. conseguintemente. V. criado esse por força da lei. V. errou. O credor não terá mais o direito de exigir em juízo o crédito. cálculo do montante a ser pago. o pagamento do tributo no prazo e forma previstos não enseja qualquer procedimento administrativo. terminando com a notificação do contribuinte. sendo constitutivo da exigibilidade do crédito somente em alguns casos – essas hipóteses se restringem aos tributos lançados de ofício. chamado lançamento. isto é. muito pela existência de três argumentos: • Incidindo a lei a qualificar o fato gerador. CTN. não há consenso entre as duas disposições – como é possível extinguir algo que ainda não foi criado? Alargando um pouco mais o raciocínio. CTN). porquanto essa é a perda do direito de lançar. “caput”. porque o lançamento é pressuposto para tal. • Como terceiro fundamento. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário – o lançamento constitui a exigibilidade do crédito tributário. pois alguns entendem que o lançamento é um ato único. Na teoria em tela. a decadência também não extingue o crédito. materializado pela notificação.

devendo ser aduzido pelo contribuinte. o sujeito passivo paga. daí a razão de serem. CTN).: ITBI. é necessário levar em conta dois critérios: o Necessidade ou não da participação do sujeito passivo declarando o fato gerador. Ademais. o fisco não tem como saber qual o montante a ser pago. aplicável ao crédito e à obrigação. Ex. Nos demais casos. o Por declaração. de sua natureza. cobrando. tese essa erigida sob a pena de Rubens Gomes de Souza e perfilhada com impropriedades pelo CTN. cobrando diretamente do contribuinte. uma vez que não haja pagamento por parte do sujeito passivo. Os critérios serão verificados à luz do tipo do fato gerador. Modalidades de lançamento – para identificá-las. I a IX. os autores refletem sobre o assunto e apontam seus peculiares entendimentos pautados em premissas científicas diferentes. II e IE. contribuições de melhoria. aduzida pela lei. a simples ocorrência do fato gerador já possibilita a exigência do crédito tributário. em comentários feitos em aula. opiniões diferentes. nasce a partir da qualificação jurídica do fato gerador. no IPTU. Contudo. taxas. etc. 148 e 149. Após tal ato. Ex. o fisco sabe de antemão o valor. desconstruiu a teoria clássica da constituição do crédito tributário pelo lançamento. por conseguinte. Após a cobrança. 142. O legislador previu três diferentes espécies: o De ofício ou direto – o sujeito passivo não precisa declarar a ocorrência do fato gerador. o lançamento constitui dever-poder da Administração.77 gerador está às vistas da autoridade fiscal. Nesse passo. CTN). a autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o montante a ser adimplido. no raciocínio de Paulo de Barros Carvalho. assim como sua correspondente obrigação. desde que anteriormente previsto na norma? Resposta: sim. do crédito tributário – não seria a efetiva ocorrência do fato gerador. devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. Na esteira de Ricardo Lobo Torres e outros. o Necessidade ou não de pagamento pelo sujeito passivo antes da cobrança (pagamento antecipado) – deve ser aferido quem deve interpretar a legislação para apurar o momento devido: o sujeito passivo ou a autoridade tributária. o professor trouxe à baila o postulado da natureza declaratória do lançamento. o mestre afirmou que o crédito tributário. autos de infração. O lançamento por declaração está .: IPTU. sob pena de falta funcional da autoridade atribuída (art. parágrafo único. Pergunta: o professor Pedro Barreto. Ex. também. o momento do nascimento da obrigação – e. ITR. misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador.: no ICMS. Não há dever de pagamento antecipado pelo sujeito passivo. A autoridade administrativa interpreta a legislação e cobra ou retifica lançamento ou declaração anteriormente aduzidos (art.

o fisco homologa o valor recolhido (art. IR. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts.: ICMS. calculando o montante devido e pagando antes de ser cobrado (pagamento antecipado). Em verdade. a cobrar eventual diferença. Trata-se de ficção jurídica. os tributos aqui incluídos não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento “ex officio” só será posterior. Havendo diferença entre o devido e o pago. seguindo o princípio do devido processo legal e convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. Corresponde à maioria das exações. CTN). com as devidas peculiaridades do D. o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente qualificado. fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do tributo). Contudo. CF/88. sendo certo que ninguém poderá ser executado enquanto discute o objeto do litígio. O CTN listou quatro modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro dessa categoria: o Recurso administrativo (art. haverá lançamento de ofício posterior. dentro de um PAF. por qualquer uma de suas formas. 147. CTN). Lançado o crédito tributário. “caput”. quando se invoca direito líquido e certo a ser . interpretando a legislação. é amplamente possível a instalação do contraditório para contestar o procedimento de obtenção dos valores. O sujeito passivo deve ofertar declaração na qual há informações essenciais ao lançamento. Com base nesse documento. inclusive os lançados por homologação. o sujeito passivo pode levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. constituindo a quitação como meio de prova. etc. XXXV e LXIX. CTN). CF/88). Dessa forma. O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de constituição do crédito mediante lançamento. 151. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. o Mandado de segurança com liminar (arts. o qual é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no âmbito federal. não sendo sempre obrigatório o pagamento “incontinenti” do tributo. 5º. IV. 151 a 155-A. o legislador erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: .78 previsto no art. Nessa seara. 150. a Administração tributária realiza o ato. CTN. CTN). ele passa a ser exigível. Posteriormente. IPI. III. O sujeito passivo precisa declarar o fato gerador. Ex. Não existe decadência do lançamento por homologação.Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. 5º. e 151. LV. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. “caput”. Permite a ampla defesa dentro do feito. 70235/72.

79 demonstrado por prova pré-constituída. no depósito integral. porquanto a exigibilidade do crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma causa de extinção ou de suspensão. Min. CC). o legislador percebeu que seria melhor abrir uma fase intermediária. V.725-BA. tida antes do lançamento. j. CTN). Caso alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito. não objetiva desconstituir o crédito tributário. por exemplo. instituto denominado moratória (art. o fisco faz jus à conversão do depósito em renda. procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha sido disparado. o sujeito passivo pode ingressar com ação declaratória preventiva de inexistência de débito. REsp 258. da postergação da mora com consentimento do Estado. Apesar de qualquer das referidas medidas ter o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. “caput” e parágrafo único. 1ª Seç.641-PR. devendo ser revelado relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato impugnado (art. É o caso. 154. CTN). “caput”. DJU 25/2/2002. o parcelamento (art. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). II. mormente com o intuito de discutir a dívida. EREsp 215. II. o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a exigibilidade do crédito. deveria haver inscrição em dívida ativa. é caracterizada a finalidade de obstar a exigibilidade do crédito tributário. o escopo em tela se dá em homenagem à economicidade. . I. José Delgado. em tese. em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. caso haja lançamento durante o curso do processo. Previamente à cobrança do débito fiscal. 151. Com efeito. CTN)103. REsp 490. CF/88. 70235/72). 207). ao contrário da primeira. CTN). visto que está presente o “animus solvendi”. mas não tem condição de pagar o tributo à vista. se houver eventual lançamento. No entanto.Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor lançado e exigido. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. REsp 251. também a título de tutela antecipada na inicial. Do mesmo modo. p. Alguns autores equiparam o instituto a uma novação objetiva. Informativo do STJ n° 331. a suspensão do crédito tributário. Dessa forma. o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts. A negociação entre sujeito passivo e credor permite o pagamento em situação mais razoável.350-SP. 7º. em que há fracionamento da dívida tributária ao longo do tempo. ou requerer. Com efeito. é uma espécie do gênero moratória. e 151. I. 151. 5º. CPC). Nesse caso.752-SP. como já disse o STJ104. salvo disposição legal em contrário (art. O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art. CTN). DJU 26/9/2005. DJU 3/11/2003. rel. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de lançamento. 151. Lei 1533/51). mas não a única. CTN. em verdade. 12/9/2007. 273. enquanto na consignação fica patente a intenção do devedor em pagar. 103 . 104 EREsp 479. DJU 12/3/2001. dando azo à execução forçada. à razoabilidade e à eficiência. 62. o Depósito do montante integral (art. 151. 360. VI. D. É a situação mais comum. 2002.589-RJ. desde que presentes a verossimilhança das alegações e o “periculum in mora” (art. a qual retira do credor o interesse de agir para execução em face do devedor. instituto constante do Direito Privado (art. É melhor à Administração tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca receber. não se confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI. XXXV. Para impedir seus efeitos. V.. “caput” e I.

equivaleria a “embargos à execução preventivos”. 130. o adquirente deverá conhecer a situação fiscal do alienante. Ao requerer documento de situação. o devedor terá como resposta certidão positiva de débito fiscal com efeito negativo. considerando que esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. antes do decurso. 105 Não é demais lembrar que há doutrinadores a defender a não suspensão da execução fiscal em face do mero oferecimento e recebimento dos embargos do executado. O CADIN teve alguns de seus efeitos contestados quanto à constitucionalidade (ADI 1454-DF. fazendo surgir a pretensão concreta de exigir a prestação devida. suspende-se a prescrição. . “caput”. Por exemplo. 736. Min. pendem alguns efeitos: . ajustes ou contratos que envolvessem a utilização de recursos públicos foi instituído pela MP 1442/96. a discussão judicial implica em mora. rel. 2007. . o fisco poderá exigir tributos relativos ao bem futuramente (art. que apurou a legalidade do fato.Suspensão ou impedimento do curso da prescrição à pretensão executória – a prescrição decorre de inércia por parte do credor tributário. e 739-A. a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário. o É possível – porque a extração de CDA e a inclusão em cadastro de inadimplente (CADIN)106 não têm o único condão de promover a execução. A prescrição em comento só começa a correr após o prazo para interposição do recurso administrativo. “caput”. No entanto. Antes. argüindo a possibilidade ou não de inscrição em dívida ativa. São Paulo. 106 O Cadastro Informativo (CADIN) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais pelos órgãos da Administração Pública Federal para a concessão de incentivos fiscais e financeiros. depois. Contudo. aplicáveis à execução fiscal (art. Ex. ficando peremptoriamente na ordem jurídica posta. conquanto o autor não promoveu o aditamento da exordial na conversão da citada MP em texto de lei. Essa leitura advém de uma interpretação analógica dos arts. 2. impede-se a prescrição. na realidade. sem unanimidade na doutrina e na jurisprudência: o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva fiscal. se a demanda for infrutífera. Foram erigidas duas teses. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart. a realização de operações de crédito e a celebração de convênios. . LEF). ela não incide. verificou o inadimplemento do devedor e declarou que pende dívida para com o Estado. “in fine”. acordos. O procedimento de ativação da dívida é uma conclusão interna da Administração tributária.Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando. o que. v. Revista dos Tribunais. Essa atividade é inútil em face da impossibilidade de promover a ação correspondente. no caso de alienação de imóvel.80 Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade. Ellen Gracie. CPC. A prescrição é um instituto que pressupõe lesão a um direito subjetivo do credor.Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo tempestivamente interposto implica em inexistência de mora. Por conseqüência. Curso de Processo Civil: Execução. protestam. Não haverá qualquer restrição ou constrangimento quanto ao exercício de direitos. não ocorreu. conquanto.: pode participar de licitação ou prestar concurso público. CTN). 1º. além de Luiz Wambier. Informativo do STF n° 472). mas o Supremo extinguiu o feito sem resolução do mérito. a qual contou com sucessivas reedições. deverá ser dada publicidade a interessados de que o sujeito passivo é entendido como devedor pela Administração. Foi legislado sob a forma da Lei 10522/02. Por todos.

. Min. DF e Municípios). Por exemplo.116-SP. Estados. Dessa feita. “caput”. CF/88) não exige o pagamento de taxas. a arbitragem. mas sim o condicionando. não sendo exigível o crédito nesse período. leitura referendada pelo STJ (STF. REsp 943. Em melhores termos. de certa feita. a interposição de recurso administrativo impede a incidência dessa nesse momento. ao menos na primeira instância administrativa107. Antes de tudo. inexiste infringência ao direito subjetivo do credor tributário. .Maior probabilidade de sucesso – havendo maior especialização técnica do órgão administrativo julgador e verdadeiro bom direito alegado. José Delgado. CF/88). LXXIV.Desnecessidade de demonstrar fundamentos para liminar ou tutela antecipada – a mera interposição do recurso já obsta a exigibilidade. segundo disposição unânime do legislador em todos os níveis estatais (União. A exigência do depósito viola a ampla defesa (art. detém jurisdição. não existe direito absoluto.81 O momento hábil a iniciar o lapso prescricional é exatamente a existência da lesão. Entretanto. a chance de provimento é muito maior. caracterizando-se sua intempestividade desde então. essa máxima deve ser vista “cum grano salis”. 107 O STF já declarou inconstitucional a necessidade de depósito recursal na via administrativa. CTN). 160. Informativo do STJ n° 324).. Recurso administrativo – o prazo para a interposição de recurso administrativo é o mesmo do pagamento (art. pelo qual qualquer um deles pode ser relativizado. se a exigibilidade não está presente. 19/6/2007. O fundamento apriorístico seria a inafastabilidade do Judiciário (art. CF/88. 1ª T. mormente previstos no art. Preclui o direito a recurso administrativo. 5º. XXXV. tem vez a mora (“ex re”). não a suspende.Prescindibilidade de advogado – o contribuinte poderá defender-se sem pagar honorário. nos 30 dias para o recurso administrativo. STJ. A via administrativa é mais vantajosa que a impugnação judicial. segundo alguns fundamentos: . não ocorre. direito individual e cláusula pétrea. Se houvesse previsão de esgotamento da via administrativa antes do juízo. . rel. Vencido o lapso para impugnação ou para pagamento sem atuação do devedor tributário nesse sentido. o que. sem necessidade de qualquer demonstração extraordinária. 5º. não corre a prescrição.Inexistência de custas processuais – o contencioso administrativo é gratuito. reputandose como definitivamente constituído o crédito. . CF/88). por vezes. além do que a garantia do direito de petição (art. segundo a linguagem própria do CTN. A resposta negativa administrativa não é condição de procedibilidade para o ajuizamento de ação judicial. “caput”. segundo pronunciamento pacífico do STF. LV.566-MG. AC 1. j. DJ 27/4/2007. não se estaria negando acesso à jurisdição.Maior celeridade – em relação ao processo judicial. 5º. 37. Tais argumentos só serão válidos se os órgãos administrativo-fiscais de apreciação atuarem de acordo com os princípios da Administração. Acesso à jurisdição não implica necessariamente em acesso ao Judiciário. isto é. . “a”.

caso houvesse insucesso na seara administrativa. A Fazenda Pública não pode pleitear sua revisão jurisdicional. por conseguinte. Se houver vício no PAF. posição 108 Súmulas 346 do STF: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. na realidade. a Administração deveria investir nos órgãos administrativos julgadores fiscais. Em verdade. legitimidade. tal quantitativo financeiro pode obstar o acesso ao recurso voluntário administrativo. mas sim legal. disposição essa rechaçada pela jurisprudência por entendê-la. não obstante poder determinar condicionantes para tal. o Excelso Pretório. não causando prejuízo ao administrado. a jurisprudência tem entendido que um valor razoável seria de 30% sobre o total do débito. . A garantia não provém de disposição constitucional. LXXVIII. porque. considerou o depósito recursal como inconstitucional. Os advogados dos contribuintes passaram a postular que essa proporção é relativa. em recente decisão. como antecipação de penhora. a apreciação judicial”. A Justiça não consegue conferir uma prestação adequada ao jurisdicionado. não assistindo razão para recorrer à via judicial. cabe anulação por parte da própria Administração pelo seu poder de autotutela (Súmulas 346 e 473 do STF)108. o que não se liga ao mérito da questão. A decisão administrativa positiva imodificável em favor do contribuinte. CF/88). Mas o depósito de todo montante fere a razoabilidade e a proporcionalidade. careceria a ação do fisco por inexistir interesse de agir. teria o condão de obstar o ajuizamento de ação pelo fisco? O STF já pacificou a jurisprudência dizendo que faz coisa julgada material. por motivo de conveniência ou oportunidade. porque a celeridade não é seguida (art. XXXV. Dentro dessa idéia. quando eivados de vícios que os tornam ilegais. porque a tecnicidade da decisão administrativa é muito mais precisa e adequada que aquela a ser proferida pela revisão jurisdicional. Até poucas décadas atrás. porque deles não se originam direitos. tal impugnação só era possível mediante depósito do montante integral. CF/88. e ressalvada. o legislador do CTN conferiu o duplo grau para o sujeito passivo. dentro de um PAF. regra “de lege ferenda” nesse sentido teria o condão exatamente de prestigiar o Judiciário e não de restringir sua atuação. em matéria fiscal. Dessa feita. Porém. Dessa feita. uma vez que pode haver valores em jogo muito altos. para que esses ganhem confiabilidade e. 5º. inviabilizando a continuidade do PAF. Essa condicionante de procedibilidade não pode ser refutada com base no duplo grau de jurisdição. Assunto que se encontrava em pauta no STF é a constitucionalidade do depósito para recurso voluntário em segunda instância administrativa. respeitados os direitos adquiridos. 5º. Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos. ao revés.82 em que pese o órgão arbitral não ser componente do Poder da Justiça. Segundo o STF. todos os princípios processuais já foram seguidos no PAF. Posição mais radical apregoa a impossibilidade do art. Não há litígio jurisdicional instalado. Ademais. não haveria razão de existência do próprio procedimento administrativo. em todos os casos. Para a doutrina processualista. Nessa vertente. a máquina jurisdicional ainda poderia ser acionada subsidiariamente. mas tão-somente discussão perante a autoridade tributária. ou revogá-los.

64. Informativo do STJ n° 324.). § 3º. frustrando o direito à revisão do processo administrativo na primeira instância. rel. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. 64. rel. j. Lei 9432/97).).. 33.030-RJ. Foi exatamente o que decidiu recentemente o Excelso Pretório em sede de controle difuso de constitucionalidade112. 110 Nos termos do art. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal (art. DJU 5/6/2007. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. Lei 9432/97). rel. caso em que a penhora poderia incidir sobre bens indicados pelo devedor110. prevista nas hipóteses do art. porque as leis previdenciárias são especiais em relação às disposições genéricas do D. A presunção se 109 109 83 STF.. 64. porquanto representa uma garantia em favor do cidadão e do credor simultaneamente. Isso significa que o depósito a menor. Devido à recente mudança de composição do STF. . 9. José Delgado.. para a Administração Tributária.023-3/RJ. permitiu a indicação de bens para a subida do recurso administrativo para segunda instância. ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física. no qual o relator afirmou que a substituição do depósito por arrolamento de bens não descaracteriza o gravame intransponível para o contribuinte-recorrente. “caput”. É vantajoso para o devedor porque inibe ação de execução e livra o contribuinte dos encargos moratórios.937/92. o depósito recursal impede o prosseguimento do PAF. o arrolado não poderá alienar. valor entendido pelo contribuinte. sem prejuízo do seguimento do recurso. DJU 26/10/2001. em eventual execução futura. RE 388. I a IX. que regula o processo administrativo fiscal. com piso de R$ 500. Marco Aurélio. Depósito do montante integral – geralmente se atrela a uma ação de depósito combinada com ação anulatória de débito fiscal. infringindo o contraditório. 112 STF. há certeza de que. rel.4. § 4º. Lei 9432/97. tendo o ato efeito de consignação em pagamento. DJU 27/4/2007. REsp 943. STJ. na medida em que ambas as medidas importam em bloqueio de patrimônio. ADIn 1. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. 1ª T. RE 311. não obsta a execução. a natureza jurídica é híbrida. Joaquim Barbosa. sob pena do depósito não ser idôneo à suspensão de exigibilidade. DJU 9/9/2002. Informativo do STJ n° 332. 2ª T. Lei 9432/97). segundo entendimento estipulado pelo STJ. João Otávio de Noronha.116-SP. § 7º. limitado o arrolamento. Dentro desse contexto. eliminando o custo da execução judicial e da eventual hasta pública. Na esteira. Min. sendo improcedente o feito. 64. “In verbis”: Art. AC 1. j. AgRg no Ag 829. Doutrinariamente. § 2º. Em contrapartida. 70235/72. 2º.566-MG. 33. É entendido como montante integral corresponde ao total cobrado pela Fazenda. Min.. eles também começaram a questionar o arrolamentos de bens a final. (.. Em qualquer caso. Min. 111 STF. tendo sido declarado como inconstitucional111.corroborada pelo STJ .2007.932-SP. D. § 2º. AgRg no RMS 14. (. Nesse caso.976-7-DF. o percentual de 30% foi novamente contestado. 70235/72. 19/6/2007. Esse dispositivo não se aplica os débitos previdenciários. Min. Segundo a corrente. Informativo do STF nº 461.000. alterado pela Lei 10522/02.00 (art. o montante será apto a tornar a solvência do devedor perfeita. 20/9/2007. o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. j. Lei 8.359. a ampla defesa e a garantia ao devido processo legal. o art. ADIn 1976/DF..

798. por meio de ação cautelar. CPC). LEF). Informativo do STF n° 473. . como lembra Chimenti (2002. afetando sobremaneira a governabilidade. Na consignação. A titularidade do bem não pertence mais ao autor da demanda. em 24 horas. o juiz expede o alvará de levantamento para que. Ademais. estaria sendo frustrada totalmente a “ratio essendi” do instituto previsto no art. ficando sob a guarda da Justiça até a decisão final. é possível indicar bens à penhora ou constituir fiança bancária (art. rel. visou à manutenção do Estado com o numerário em depósito.2007. A priori. a suspensão da exigibilidade do crédito tem autêntica natureza de “embargos antecipados”. LC 101/00). por haver um contra-senso para com o sistema de execução fiscal positivado. AC 1657 MC/RJ. CTN. não cabendo indicação de bens. “caput”. Dessa forma. O conceito de “periculum in mora” inverso já foi usado pelo STF em outra situação. É nesse sentido que a doutrina critica o entendimento do STJ. O ônus da prova se defere ao contribuinte. DL 1593/77. o plenário da corte manteve a medida executiva da SRFB. Em sede de controle difuso de constitucionalidade. empresa do setor tabagista pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do art. orig. 4º. p. a subordinação. sob pena de impossibilidade da realização do bem comum pela Administração. O levantamento do depósito antes do trânsito em julgado da ação judicial não é permitido ao depositante. o fisco também não poderia fazer o levantamento antecipado do depósito. Esse óbice ao exercício da atividade estatal é chamado pela doutrina de “periculum in mora” inverso (Ricardo Lobo Torres). O legislador acolheu a presunção de legitimidade da exigibilidade do crédito tributário lançado. com redação dada pela Lei 9822/99. II. CTN). rel. II a IV. 27. é lícita. Min. II. Cezar Peluso. a verba será incluída no Anexo de Riscos Fiscais. esvaziando-o. Joaquim Barbosa. 151. STF. No plano orçamentário. 2º. Destarte. adendo componente da LDO (art. p/ o acórdão Min. seria possível outra espécie de garantia da referida suspensão. por meio do poder geral de cautela (art. imposta pelo fisco. Como já fora mencionado. 9º. no sentido de condicionar o pagamento de um tributo ao recebimento de outro. o depósito de montante integral deve ser a última saída para o contribuinte. já que pende ato administrativo vinculado do agente público. § 3º.6. a Lei 9703/98 veio a autorizar que a União utilize o dinheiro. A Súmula 112 do STJ113 preceitua que o depósito deve ser em dinheiro. Conseguintemente. pois passa a ser “res in judicia”. comando que permite à SRFB cancelar autorização de funcionamento de pessoa jurídica do ramo que esteja em débito com o fisco federal. Nos embargos à execução.84 encontra em favor do credor. por uma questão de lógica. a CEF pague o primeiro. A demandante teve seu pleito indeferido cautelarmente. porquanto se trata de autêntica imputação (art. Uma vez que o autor da demanda seja vencedor. não consubstanciando receita em sentido estrito. reconhecendo expressamente hipótese de “periculum in mora” invertido114. 207). Sob os auspícios do Direito Financeiro. II. 163. Em contrário. j. a ser administrado pela CEF através da Conta Única do Tesouro Nacional. o levantamento antecipado do depósito integral constitui autêntica entrada temporária. Consoante o voto do 113 114 Súmula 112 do STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. Dessa feita. porquanto o Supremo reconheceu que sua produção viola o direito à saúde de plano.

Aspectos penais – discute-se sobre a suspensão da pretensão punitiva nos crimes contra a ordem tributária. com vista a desencorajar o empresário do segmento. rel. valendo o “pacta sunt servanda”. Informativo do STF n° 467. Contudo. para a exclusão de multas moratórias. parágrafo único. I.8. prevê que o parcelamento virá acompanhado de multas (sancionatórias) e de juros de mora. CTN. pois ele é espécie do gênero moratória. DJU 17. o STF julgou prejudicada a demanda por ausência de aditamento por parte do autor (Conselho Federal da OAB). CF/88) e a vedação à circulação por meio de tributos (art. 115 Súmula 70 do STF: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. CTN. . dispõe que o pagamento. havia posição que defendia a impossibilidade de suspensão do crédito em face de parcelamento concedido por lei ordinária. não se aplicam as Súmulas 70. Ministro Cezar Peluso. não cabendo no caso de parcelamento. 151. O art. Lei 9249/95. Aspectos tributários – há óbice ao curso prescricional e impedimento da execução fiscal. 155-A. constitui autêntica intervenção estatal por indução. a qual alegava que o parcelamento é um direito subjetivo do contribuinte. Em realidade. 323 e 547 do STF115 “in casu”. 151. previsto no comando impugnado. Súmula 547 do STF: “Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas. a carga tributária do IPI. Lei 9430/96. Mais ainda. 83. V. emprestando o raciocínio do Direito Privado. reveste-se de razoabilidade. I a IV. como efeitos naturais da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. se acompanhada de pagamento. Na esteira. o art. Súmula 323 do STF: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. O art. constituinte atuação acertada da autoridade fiscal. XIII. desde que preenchidos os requisitos legais. Parcelamento – só passou a existir no CTN a partir da LC 104/01. muito pela situação ímpar apresentada. com a maior alíquota existente. 34. Min. 116 STF. 10. Antes do diploma. extingue a pretensão punitiva estatal em crimes fiscais. ADIn 395. Com a conversão do comando no art. § 1º. Lei 10522/02. repetiu tal tipo permissivo. 150. com fulcro na inexistência de previsão expressa no rol do então art. O diploma estava sendo impugnado por meio da ADIn 1922/DF. Em sendo assim. “caput”. CTN.85 relator para o acórdão. em que não cabe execução no curso do parcelamento adimplido. despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. constituindo o recolhimento inexato da exação como fator de desequilíbrio da concorrência e do mercado. o parcelamento é um autêntico contrato administrativo com novação objetiva. é sabido que a denúncia espontânea só é possível. 5º. a apreensão de mercadorias desacompanhadas de documentação fiscal pertinente não é medida desarrazoada e que infringe a liberdade profissional (art. Cármen Lúcia. Nesse sentido. Ademais. expressamente prevista no art. CF/88)116. CTN. o eminente julgador salientou que o ato administrativo. Ocorre que o tabagismo é problema gravíssimo de saúde pública. salvo se o legislador ordinário previr de modo diverso. A MP 1699-41/98 permitia o parcelamento de qualquer débito com a Fazenda Pública em até 30 parcelas mensais. 151. O parcelamento deve ser vislumbrado no que tange o direito tributário. em face de parcelamento firmado entre contribuinte e fisco. penal e empresarial. cabendo à autoridade tributária decidir pela sua concessão ou não de acordo com sua discricionariedade. realizado antes do recebimento da denúncia. A LC 104/01 veio justamente para acabar com a controvérsia ao acrescer o inciso VI no art.2007.

86 mas também silenciou quanto ao parcelamento. 1º. 117 118 STF. CP. Naquela. I. No diapasão. é necessário que o infrator realize denúncia espontânea (art. Min. sendo previdenciária. que a falsificação de documento público (art. exaurimento da potencialidade lesiva da conduta dentro da teleologia do recolhimento fiscal. a Lei 10684/03 (Lei do Parcelamento Especial – PAES – ou do REFIS 2). não havendo de se falar em princípio da consunção. “caput”. aplica-se aos processos em curso e aos eventuais condenados117. 337-A. o delito de falso fica caracterizado. como o legislador não exigiu termo final para pagamento ou parcelamento (início da fiscalização ou recebimento da denúncia). Para pacificar a controvérsia. 15. a qualquer tempo. ao passo que nessa. rel. desde que haja. 119 STF. Havendo crime previdenciário. Lei 8137/90. 2ª T. 2º. HC 81611. enquanto a previdenciária. porém. 168-A. Cezar Peluso. caso o delito seja material. porque inviabiliza o custeio da Previdência Social e todas suas prestações sociais essenciais. Lei 8137/90. HC 84345-PR. rel. CP. outra vertente jurisprudencial refutava tal entendimento. as penas são bem menos severas (detenção de 6 meses a 2 anos). 2º. no caso concreto. CP. 138. “caput”. STF. Lei 8137/90. incluindo tanto os tipos previdenciários quanto os fiscais genéricos. permanecendo assim durante o adimplemento das obrigações de trato sucessivo. Sepúlveda Pertence. dispôs que o pagamento extingue a punibilidade e o parcelamento suspende a pretensão punitiva. Caso haja possibilidade de desdobramento mais complexo. 297. Informativo do STF n° 480. A Lei 9983/00 criou os tipos penais previdenciários no CP. em seu art.2007. no art. 120 STF. Posteriormente. e 168-A. . o réu ou mesmo condenado pode pleitear a extinção ou a suspensão da punibilidade. o MP não pode prosseguir em ação penal tributária. Min. 116. o Excelso Pretório estabeleceu que o exaurimento da via administrativa é prejudicial em relação à justa causa para ação penal120. aplica-se a disposição do art. o STF preceitua que há suspensão da pretensão punitiva. HC 85048-RS. por inexistência de previsão legal expressa. o STF afirmou que a decisão administrativa negativa é condição objetiva de procedibilidade119. segundo preceitua o Supremo118. Contudo. por aplicação analógica do art. Inicialmente. CP). HC 91542/RJ. Ressalta-se. 337-A. j. Para preencher a lacuna. se há delito formal. o parcelamento. Destarte. Sendo sonegação tributária não previdenciária. Dessa feita. Em melhores termos. Contudo.. § 2º. CP) pode ficar absorvida pelo tipo do art. Ambas possuem penas iguais (reclusão de 2 a 5 anos).9. retificando a terminologia adotada. “caput”. para suspender a pretensão punitiva. CTN) para ter sua responsabilidade penal suspensa. I. recorre-se ao art. a reprimenda é maior (reclusão de 2 a 5 anos). A apropriação indébita tributária genérica está tipificada no art. II. Uma vez que haja impugnação administrativa do auto de infração lavrado pela fiscalização tributária. parte da jurisprudência entendia que o parcelamento antes do recebimento da denúncia suspendia a pretensão punitiva. 18. Lei 9964/00 (Lei do REFIS 1) veio a ratificar expressamente a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento. deveria ser iniciado antes do procedimento de fiscalização (arts. Como a lei penal mais benéfica retroage. 9º. § 1º. qual o seja de prestar declaração falsa para eximir-se de pagamento do tributo. o art.

162. 151. IV. visto que não foi extraída qualquer idéia semelhante na doutrina? Respostas: cuidado! A consignação em pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário (art. Lei 8137/90. preceitua que o ajuizamento de ação de consignação em pagamento teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. III. 1º. Para corrigir e inibir tal prática. Perguntas: todo recurso administrativo que impugna o lançamento tem efeito suspensivo (art. Perguntas: estava verificando a posição de Luciano Amaro e parece que o autor. na esfera administrativa. portanto. com base nos arts. para essa hipótese. definidos nos arts. D. o art. em momento algum. A doutrina de Luciano Amaro é muito respeitada no meio tributário. 151. o MS. Além dessas vias. ao interpretar o art.87 não cabe óbice ao prosseguimento do processo criminal. porque a simples condição de réu em processo crime leva a várias restrições jurídicas. em sala de aula. Ao que parece. a previsão do art. 2730/98). VIII do CTN). Aspectos empresariais – a Lei 11101/05 estabelece as regras sobre falência e recuperação judicial. não ficaria condicionada ao exaurimento da via administrativa. o contribuinte poderá intentar uma medida cautelar inominada ou atípica. em face do art. 151. CTN. § 4º. e 2º. diplomas específicos dos Estados ou Municípios podem estatuir condições muito onerosas às empresas em recuperação no tocante à tributação. o legislador complementar resolveu incluir o art. CTN. O MP vinha apregoando a promoção da ação penal sempre. o citado mestre afirma que esse feito opera “ipsu jure”. III. 798 a 803 do CPC. Perguntas: com referência ao art. CF/88). importante lembrar que não é permitido à Administração Tributária remeter ao Ministério Público representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária praticados por particulares. Por fim. antes de proferida a decisão final. 155-A. 1º e 2º. CTN. o professor Pedro Barreto. É um entendimento minoritário ou relevante na jurisprudência. juntamente com seus parágrafos. seria possível demandar por meio de cautelar inominada com pedido liminar? Respostas: sim. estabelece o recurso administrativo e. Contudo. previu que os decursos de . Lei 1533/51? Respostas: a previsão do art. 5º. inclusive oferecimento de denúncia. em sua obra. Em um primeiro plano. 155-A. 5º. Essa idéia contraria a presunção de inocência (art. CTN. CTN. 156. I. 151. CTN)? Em caso positivo. I. afirma ser hipótese de suspensão. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente (Arts. para tornar mais elásticos os prazos de parcelamento quanto aos tributos. elencou duas formas de aduzir a suspensão da exigibilidade do crédito (ou da obrigação) tributária. V. I. LVII. não caberá. independentemente de tutela antecipada ou de medida liminar. ambas mediante tutela antecipada: ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento (após o lançamento) e ação declaratória de inexistência de débito (antes do lançamento). porque estava correndo o prazo prescricional da pretensão punitiva. O autor. § 2º. CTN. Sempre que houver fundado receio de grave lesão a direito subjetivo. independentemente da natureza formal ou material do crime fiscal.

88 parcelamento a serem concedidos por E. § 4º. 156. a decadência se refere a “normas agendi”. aqueles que não muito incomodam não estão sujeitos a tal baliza de interregno. CTN. mediante lei específica. enquanto essa. o CC/02 diferenciou os institutos em comento segundo critérios científicos. A decadência é tratada genericamente nos arts. V. Prescrição e Decadência Introdução e conceituação – antes de tudo. Houve clara confusão de institutos e impropriedade técnica por parte do CTN. com o direito potestativo de lançar. constituindo caso de parcelamento heterônomo. em face de inércia. o negócio jurídico. “in fine”. § 4º. A satisfação de uma das partes depende fundamentalmente da vontade da outra. os quais podem causar grande comoção sócio-jurídica. O primeiro deles advém da natureza jurídica do direito a que se refere: a prescrição se refere a “facultas agendi”. porque altera a situação jurídica independentemente da atuação de outrem. a prescrição contra a Fazenda está especificada nos arts. No outro pólo. A distinção entre eles reside exatamente no ponto a que se reveste o objeto da extinção. Os direitos potestativos lesivos. CTN. isto é. V. o legislador quis dizer “lei geral”. 174. e 40. . Tanto prescrição quanto decadência revelam perda de algo. é cediço dizer que prescrição e decadência não extinguem o crédito tributário. sujeitos à lesão. devem ser maiores ou iguais que aqueles previstos em lei federal. CTN. errando o legislador na redação do art. colocou a expressão “lei federal específica” – mas como essa não existe. Mais ainda: o art. É um direito robusto. Dessa feita. nos arts. O Direito Civil é o que melhor informa a diferenciação entre prescrição e decadência. houve impropriedade lógica. estabelecendo o legislador uma limitação temporal. estão os direitos potestativos. entendidos como direitos potestativos. as ações condenatórias 121 RT’s 300/7 e 744/725. revelam direitos subjetivos. a prescrição que corre contra o contribuinte. parece que o dispositivo fere a autonomia federativa. levando exatamente à prescrição e à decadência respectivamente. 156. Os limites ao qual se referiu a lei são chamados de prazo decadencial. em que o direito utiliza o tempo como instrumento letal de algum instituto. CTN. LEF. Os titulares de ambos ficam sujeitos à sua extinção pela não exigência ou não exercício ao longo de determinado lapso temporal. entendidos como direitos subjetivos “stricto sensu”. da titularidade. com base em Pontes de Miranda. em que não se depende de qualquer outro para sua satisfação. Existe ADIn no STF contestando o dispositivo em tela. Ao revés. são só resolúveis no tempo. A esse. CTN. que não comporta lesão. só cabe sujeição. A doutrina os reputa como direitos frágeis. Em que pese a boa intenção do legislador. 155-A. Perfilhando Agnelo Amorim Filho121. 173 e 150. Nesse passo. principalmente os contratos. DF e M. sendo a maior parte desses de caráter bilateral. Aquela termina com a pretensão de direito. 168 e 169.

em um só dispositivo: o art. cria-se a exigibilidade do crédito – para o CTN. A partir do lançamento. não corre prazo de prescrição. o decurso decadencial fica “suspenso”. • O que é a interrupção da decadência tributária. . não se sujeitam ao decurso do tempo. as ações meramente declaratórias. “caput”. esse último também não está inerte. Decadência – três temas mais controversos delineiam o instituto e suprem as querelas mais significativas: • Qual é o termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício. o Estado há de perdoá-la em decorrência da inação do titular de um direito. Dessa forma. a decadência SEMPRE ocorre em um 1º de janeiro. Termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício – tecnicamente. • Como se conta a decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. é possível dizer que o direito (poder) do fisco realizar o lançamento é potestativo. porque não persiste lesão ao direito subjetivo do sujeito ativo. O CTN estabelece que o decurso decadencial para tal é de cinco anos (art. Depois do decurso. sujeitos à decadência. no primeiro ano civil em que se podia lançar. Em verdade. por comportarem direitos potestativos não lesivos. De outra sorte. o legislador posterga essa baliza. “cria-se o crédito” –. Trazendo de volta o raciocínio ao Direito Tributário. quer seja ele subjetivo ou potestativo. Por conseqüência. sujeitos à prescrição das correspondentes pretensões. começando a correr somente no primeiro dia do ano seguinte. 173. Durante tal interregno. no CTN. sendo imprescritíveis. 174. 1º dia do exercício seguinte ao que já se podia lançar – de acordo com a natureza do direito potestativo. 173.89 dizem respeito a direitos subjetivos. Adotando o prazo geral do CTN. começa a correr o prazo prescricional da demanda executória. Não há de ser razoável que qualquer pessoa seja “escravizada” para todo o sempre em detrimento de certa relação jurídica. A partir daí. as ações constitutivas – positivas ou negativas – estão ligadas a direitos potestativos. para permitir que o fisco tenha uma garantia maior na satisfação de seus débitos futuramente. devendo o sujeito passivo pagar o tributo ou interpor recurso administrativo. surgindo pretensão desse ao exercício em juízo. essas ações devem ser implementadas em trinta dias. o termo “a quo” do prazo decadencial é sempre quando aquele surge. os quais buscam a pacificação das relações sociais. “caput”. Os incisos do dispositivo estabelecem os termos iniciais da contagem da decadência: I. CTN). o qual também é de cinco anos (art. quando é adquirido. No entanto. a decadência só é tratada. a prescrição e a decadência são institutos que prezam pela segurança jurídica. porque não pode promover a ação competente para cobrança. CTN). o inadimplemento do devedor configura lesão ao direito do credor. Por imperativo lógico.

O que extingue o crédito tributário é o pagamento. e. por conseqüência. No tocante à diferença. Nesse montante. o contribuinte pode: • Pagar a mais – há extinção do crédito tributário. a corte entende que o crédito está constituído e o tributo lançado. desde que antes do decurso prescricional. Não subsiste qualquer direito potestativo do fisco em realizar lançamento. Não se perquiri . O lançamento de ofício é o único sujeito à decadência. O direito potestativo de realizar o lançamento do montante integral nasce. 173. não há qualquer extinção do crédito tributário nem homologação expressa ou tácita. ocorrendo confirmação pela homologação expressa ou tácita. passando a ser delineada no item sobre interrupção da decadência. quitação é meio de prova e não o pagamento em si. já podendo a Fazenda Pública inscrevêlo em dívida ativa e executá-lo a qualquer momento.Do dia em que foi anulado o lançamento por vício formal – essa disposição não encontra maiores desdobramentos no momento. A contagem do prazo da decadência é feita de acordo com três teses: • Corrente restritiva – leva em conta tão-só o art. Nesse âmbito. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. a confirmação ocorre pela homologação expressa ou tácita. persiste pagamento parcial. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. não a homologação.90 II. • Não pagar – seguindo o mesmo raciocínio anterior. não se falando em decadência. a priori. O credor tem parcial crédito para com o devedor. não existe decadência da homologação. descontando-se o valor já recolhido. extinção parcial do crédito tributário. único dispositivo idôneo a prever a contagem da decadência. quando esse paga a menor. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. inclusive os lançados por homologação. ficando sujeito à decadência. Dessa feita. • Pagar a menos – o crédito tributário é bem divisível. há extinção do crédito tributado. calcular o montante e recolher antecipadamente. mas sim do direito de realizar o lançamento do tributo sujeito à homologação. o STJ considera o termo “a quo” para o lançamento por homologação o oferecimento da declaração correta feita pelo sujeito passivo. De outra parte. cabe ao sujeito passivo interpretar a lei. persistindo os mesmos desdobramentos e conseqüências do anterior. Decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação” – nessa espécie de exação. passando a se sujeitar à decadência. nasce o direito potestativo do fisco realizar o lançamento complementar de ofício. não devendo. Nesse caso. CTN. • Pagar exatamente o que deve – da mesma forma. I. Não existe decadência do lançamento por homologação. o fisco lançar. Nesse sentido. desde que a declaração do contribuinte também tenha sido errônea. Quanto a esse.

I. Por interpretação sistemática do próprio CTN. o fisco não consegue.91 se o lançamento está sujeito à homologação. • Tese da LC 118/05 – os advogados dos contribuintes passaram a postular a aplicação do mesmo raciocínio para permitir repetição de indébito. 150. LC 118/05 veio a fulminar a “Tese do 5 mais 5 anos”. CTN). Para Amaro (2006). o tempo de cinco anos. o custo jurídico para a Fazenda Pública passou a ser muito alto e. § 4º. foi erigido o postulado em relevo. 173. no prazo decadencial de cinco anos. qual seja. Com o crescimento da população. 3º. promover o lançamento de ofício dos débitos fiscais. CTN) não corre concomitantemente com o interregno decadencial de cinco anos para o lançamento (art. foi deferida a extensão do decurso. correndo os decursos simultaneamente. traz uma exceção à regra espelhada pelo art. mesmo porque o legislador não permitiu alteração no CTN para um prazo decadencial de dez anos. 173. A homologação tácita e o lançamento de ofício seriam atos distintos. § 4º. p. § 4º. para o lançamento (decadencial). Tomando por base as considerações supra sobre o termo “a quo”. No diapasão: Afronta o princípio da não-contraditoriedade das normas jurídicas aplicar a uma mesma hipótese a regra e a exceção. a de o prazo para o lançamento começar a correr quando já não seja mais lícito lançar (AMARO. Com efeito. para realizar a homologação tácita (art. em face de uma questão política de isonomia. mas postergou o termo inicial de sua contagem. Nota-se que o tempo previsto pelo legislador se refere tanto para o lançamento em si (art. “caput”. foram por demais majorados. CTN). na contrapartida da decadência. Isso representa uma impossibilidade lógica e jurídica. 413). O art. o art. Dessa forma. o STJ passou a aceitar esse entendimento. contam-se cinco anos para se operar a decadência (art. Conseguintemente. 2006. CTN. mesmo porque só esse último está sujeito à decadência. quantitativa e qualitativamente. Os . a tese não alterou o prazo decadencial. 173. a gama de fatos geradores. principalmente daquelas exações sujeitas à antecipação do pagamento (tributos sujeitos a lançamento por homologação). em conjunto. não seguindo o necessário crescimento da estrutura de fiscalização. CTN. CTN). é realizado de forma híbrida ou de ofício. correndo primeiramente o lapso para homologação e posteriormente. “caput”. Para mitigar a sonegação. • Tese 5 mais 5 anos – por razões administrativas. Dessa feita. não permitindo tal interpretação pró-contribuinte. Pior: os causídicos passaram a requerer compensação e não restituição por precatórios. 150. a partir do fato gerador. CTN) quanto para homologação tácita (art. “caput”. 150. a construção jurisprudencial em comento (STJ) teve por fim exatamente possibilitar maiores poderes à fiscalização tributária. 173.

123 A doutrina aponta duas possibilidades de decadência interrompida: o art. devolvendo-se integralmente o prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar novo lançamento (art. § 4º. de interrupção ou de suspensão (art. o ato é definitivamente anulado. o inadimplemento completo leva à primeira corrente supra exposta (“corrente restritiva”). porquanto peticiona pela sua revisão. Dessa feita. Interrupção de decadência – em regra. aplica-se o art. Há certa confusão entre os institutos da prescrição e decadência. Sendo procedente o procedimento. sua Primeira Seção de Direito Público se equivocou. Para o inadimplemento parcial. 207. por exemplo –. O STJ desdobrou sua nova leitura em duas instâncias122: havendo pagamento a menor. 173. CTN. 150. 173. A doutrina tratou esse fato como causa de interrupção de decadência. aplica-se o art. o ato de lançamento implica em afastamento da decadência. 3º. 150. o qual foi plenamente acolhido pelo STJ. O segundo é bem evidente. REsp 276. CTN. Quanto à primeira hipótese. DJU 17.88733-4). Entretanto. CTN. Contudo. No entanto. mesmo porque o STJ propicia um interregno decadencial menor que o previsto pelo legislador complementar para se operar a decadência. 173. 150.2003. De acordo com o CTN e 122 ED no REsp 101. CDC. a contagem se faz nos moldes do art. o decurso para exercício do direito de lançar é contado nos termos do art.407/SP (98. porque está considerando o termo inicial do interregno decadencial o fato gerador e não a data devida para o pagamento. I. a decadência legal pode ser afetada por tais institutos. DJU 30. prevê que haja algum pagamento. 26. § 4º. CTN.92 advogados postularam o mesmo tratamento quanto ao fisco.181/MG (2000. quanto ao segundo dispositivo. II. o STJ não teria se fundado no art. cuja corrente prevalente assente a existência de autêntica suspensão do interregno de decadência. Por acaso. II. 150.5. para construir o raciocínio da segunda hipótese? Resposta: cuidado. em clara afronta à previsão legislativa. a segunda situação parece carecer de fulcro mais sólido.2. o STJ preceitua que a contagem da decadência será concomitante à homologação tácita. CC). porque essa pressupõe a existência de algum pagamento. eventual recurso administrativo ou ação judicial pode contestar o lançamento por vício formal – cálculo errôneo do tributo. a decadência não fica sujeita a causa de impedimento. REsp 289. 173. parece fácil compreender devido ao critério da exclusão: impossível utilizar a forma do art. seu raciocínio parte de premissa errada. LC 118/05. o qual inexiste. tratando-se de inexistência de qualquer pagamento. CTN. e o art. O termo inicial. desde que o legislador expressamente preveja123. . 0123113-8). caso haja pagamento parcial. ao invés de ser no primeiro dia do ano seguinte àquele em que se passou a poder lançar (art. Pergunta: de acordo com atual orientação jurisprudencial do STJ. não havendo qualquer pagamento. CTN).142/SP (2000/0090249-7). O entendimento de que o primeiro comando se refere à interrupção decadencial é minoritário nos meandros jurídicos. não paira dúvida sobre sua verdadeira função interruptiva do decurso. DJU 8. o lapso de decadência está diminuído. Porém. § 4º. “caput” e I. No entanto.2000. nos tributos sujeitos à homologação.6. Dessa forma. CTN. A priori. é fixado na ocorrência do fato gerador. com pagamento de parte do montante devido. a contagem do prazo decadencial se faz de acordo com a espécie de inadimplemento por parte do contribuinte. I. porque o art. CTN. § 4º. Com efeito. CTN). 173.2003.

o Fisco. no momento de “homologar”.172. a extinção do crédito tributário ocorre. No que diz respeito ao texto do artigo 3º da LC 118/05. já que a Administração Pública Tributária fez o que deveria e o contribuinte não pagou. Deverá então lançar e autuar. já que incompleta esta fase. portanto. no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. Essa atuação da Administração Tributária é tida por meio do lançamento. por meio de execução fiscal. previsto no sistema jurídico brasileiro. a Administração Pública Tributária. conseqüentemente.93 a atual orientação jurisprudencial do STJ. 168 da Lei no 5. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. não poderá fazê-lo. caso seja necessário. “Art. direito de o contribuinte pleitear valores pagos a maior. certa e exigível. A partir daí só caberá Execução Fiscal. ao final deste ato. mediante procedimento administrativo vinculado. Os institutos da decadência e da prescrição são fenômenos que retratam limites de tempo incidentes no direito. . fixam prazos para o exercício de determinadas ações no campo tributário. Só poderemos falar em prazo decadencial (findo) se não houver presença (via presencial ou por meio de notificação) do Agente no exercício de formalização do lançamento que lhe cabe. Pergunta: a disciplina de decadência e prescrição se aplica integralmente às obrigações acessórias não adimplidas e. o teor do crédito tributário. o direito de cobrar e portanto submetido ao prazo prescricional do art. Previamente à constituição do sujeito passivo como devedor. mais uma vez. de acordo com a participação do Agente Fiscal em face do ato de lançar. 168 do CTN. regulado pelo art. transmudadas em principal (multas)? Resposta: sim. 1) Com efeito. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 150 da referida Lei”. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. 174 do CTN. ou seja. Caso não tenha feito corretamente. Surgirá então. irá lançar “de ofício” o valor faltante e autuar quanto às penalidades pelo descumprimento da obrigação. na qual fica configurada obrigação líquida. 2) Caso haja pagamento parcial. é necessário que tenha relação jurídica com sujeito passivo. Isto quer dizer que ambos. havendo inexistência de qualquer pagamento (supõe-se que o lançamento já ocorreu). Prescrição – sua conceituação segue o já explanado. o prazo a ser observado será o prescricional. 174 do CTN. cada qual com sua peculiaridade. devendo ser analisados alguns desdobramentos. Para que a Fazenda Pública possa promover a cobrança judicial de seus débitos. É a implementação do princípio da segurança jurídica. a contagem decadencial se faz de acordo com o tipo de lançamento e. pois ele é afeto ao teor do art. tratando-se de lançamento direto ou de ofício. no exercício de fiscalização. (Lembre-se que o contribuinte deveria ter “pago antecipadamente” e cumprido obrigações acessórias). é necessário apurar. cuidado.

porém. abre-se novo prazo para pagamento. o sujeito passivo tem um lapso para realizar o pagamento ou para interpor recurso administrativo. § 3º. De acordo com o art. Mas o legislador foi infeliz na redação do art. CTN. 174. pois não existe ainda lesão ao direito subjetivo do fisco. no silêncio de lei ordinária específica. Somente depois desse decurso ou sem impugnação administrativa. “caput”. Permanecendo inerte o sujeito passivo ou sendo infrutífero seu recurso. o crédito estaria definitivamente constituído. é repetido o decurso para o pagamento. que esse decurso é de 30 dias (art. 146. 2º. Entretanto. Por incrível que pareça. CF/88). III. porque o crédito está constituído definitivamente – na linguagem do legislador – mas a prescrição não está correndo. De fato. LEF. em que há sua interposição. o qual se valerá como título executivo idôneo a promover a referida demanda executiva (art. No entanto. Nesse intervalo. No entanto. CTN). o fisco confere prazo para o contribuinte pagar ou oferecer defesa administrativa. do inadimplemento ou da lesão. fato que só será efetivado 124 Na tese da “actio nata”. . a prescrição corre da decisão definitiva do recurso administrativo e não do fim do novo prazo para pagamento. Em verdade. A partir do 31º dia. Dentro dessa discussão. o lançamento constitui o crédito. a Administração toma providências para a cobrança do débito. “b”. materializada pela ação de execução fiscal. o codex acolheu o postulado de que a constituição do crédito se dá com o lançamento. a prescrição fica suspensa por 180 dias a partir da inscrição em dívida ativa. supõe-se que haja impugnação administrativa por parte do devedor. porque previu o termo inicial do prazo prescricional a partir da “constituição definitiva” do crédito tributário. Além dessa dívida constituída. Ao invés de dizer que a prescrição corre da mora. é necessário extrair certidão da dívida ativa. Não efetivando o inadimplemento. nos termos da LEF. o qual poderá modificar o ato. Termo “a quo” da prescrição – a partir do lançamento. a inscrição na dívida ativa é o ato que consubstancia o contribuinte como devedor. o STJ entende que essa suspensão não é cabível. o legislador fez coincidir o termo “a quo” com sua construção de crédito tributário definitivamente constituído. 585. porque o sujeito passivo ainda tem um período para interpor o recurso administrativo. em que o interregno prescricional corre ainda que inexista lesão ao direito subjetivo correspondente. “caput”. Sendo improcedente o recurso administrativo tempestivamente interposto. a pretensão para a exigência judicial – é a tese da “actio nata”124. como já mencionado.94 Depois de lançado o crédito tributário. por conseguinte. com o inadimplemento do devedor. Para fins de entendimento majoritário. O CTN prevê. 160. é que o crédito estaria “definitivamente constituído”. posição atualmente refutada pela doutrina. o prazo prescricional para ação condenatória começa a correr a partir do conhecimento da lesão do direito subjetivo por parte do lesionado. O ajuizamento da execução fiscal em si não interrompe a prescrição. Há um contrasenso. surge a lesão e. mas não definitivamente. destacam-se duas hipóteses: uma em que inexiste impugnação administrativa e outra. não corre prescrição. Mesmo considerando a construção do legislador. VII. sobre o qual não incide a prescrição. CPC). porquanto matéria atinente à LC (art. o legislador previu situação insólita.

Revelia do executado – enseja a penhora ou arresto dos bens do demandado. LEF). Desse ponto. justamente pelo princípio da celeridade processual. a execução fica suspensa. muito pelo qual a LEF. se a prescrição foi interrompida. o demandado tem algumas opções: Pagamento – com a satisfação do direito do demandante e extinção da execução e do crédito tributário. § 3º. Prescrição intercorrente – a Fazenda Pública procedeu ao lançamento. que não depende de dilação probatória. e 8º. E verdade. Depois de um ano. parágrafo único. em sede de cognição sumária. Embargos do devedor – o juízo deverá ser garantido pelo depósito do montante integral da dívida (nomeação de bens próprios ou indicação de outros de terceiros. interrompe-se a prescrição tributária (arts. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. Não encontra previsão legal. § 2º. A partir da citação. Não encontrando qualquer bem penhorável. ou seja. Passado o decurso “in albis”. 174. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. A execução estará extinta. caracteriza-se o crédito definitivamente constituído. I. mas sim de mera defesa inominada em sede de processo executório. o oferecimento dessa defesa atípica só e possível quando persiste liquidez e certeza da prova. surgindo a lesão ao direito do fisco. Não tem natureza de ação. No despacho citatório do processo. CTN. como diploma protetivo do credor fiscal. 40. I a IV. CTN. a doutrina construiu a denominada prescrição intercorrente. com redação dada pela LC 118/05). a qual ocorrerá dentro dos cinco anos seguintes. . A partir daí. sendo instrumento criado pela doutrina e amplamente aceito pela jurisprudência. Esse documento instruirá a petição inicial da ação de execução fiscal. LEF). parágrafo único. Acolhendo a defesa. não sendo mais permitido o desarquivamento do processo. A tese pró-contribuinte. o juiz julgará a execução extinta. LEF). CTN. desde que encontrado patrimônio em condições de responder pela dívida fiscal. Exceção (objeção) de pré-executividade – aplicável nos casos em que o executado detém prova pré-constituída (documental). o juiz deve proferir despacho de arquivamento do feito. 9º. 174.95 pelo despacho do juiz que determina a citação do executado (art. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. Prescinde de garantia do juízo. depósito em dinheiro ou oferecimento de fiança bancária – art. dando prazo para pagamento ou interposição de recurso administrativo. 174. termo inicial da prescrição qüinqüenal. o qual permitirá a discussão da dívida em sede de cognição. I. parágrafo único. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. fundando-se no art. a fiscalização aduz título de dívida ativa (termo de dívida ativa) e extrai sua certidão. passou a considerar que.

aplica-se a segunda pelo princípio da especialidade. 194 do Código Civil pela Lei n. Rodrigo Mazei e Câmara. A revogação do art. suspende-se o processo por um ano. Em que pese alguns autores defenderem natureza decadencial ao decurso em tela.96 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. Quando o fisco aceita um pagamento a maior. CPC). existe a prescrição bienal do art. manifesta-se a doutrina majoritária. Para solver o entrave. não localizados bens penhoráveis. 11. § 5º. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandadocontribuinte. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. não configurando direito subjetivo do contribuinte. vindo a favorecer o fisco. porque é possível sua renúncia por razões outras. trata-se de interregno prescricional. Isso não significa que a prescrição não-intercorrente – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado sem prévia oitiva do fisco. afirmando que a prescrição passou a ser matéria de ordem pública. no lapso de cinco anos. 2006. não sobre a intercorrente. 2. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. 191 do texto codificado”. § 4º. a maior parte das pretensões ao indébito surge de erro de interpretação do próprio sujeito passivo. CTN. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador.. findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente”. a qual versa sobre ação de anulação de decisão administração que denega a restituição. 219. porque versará sobre a modalidade ordinária da prescrição. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. Ambas correm contra o sujeito passivo da obrigação tributária. Nesse sentido. Lumen Júris. Nesse caso. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. Prescrição nas ações de repetição de indébito – está prevista no art. 13 ed. 169. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. mesmo porque há interesse público em jogo. além de positivar a prescrição intercorrente no âmbito tributário. fato que sugere o instituto da prescrição. nasce lesão127 ao direito do sujeito passivo tributário. 1º. de fato. porque prescrição é matéria de defesa disponível126. mesmo sob o regime da Lei 11280/05. Rio de Janeiro. Em contrário. há uma autolesão. Sendo assim. a Lei 11051/04. 191. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. Em razão da Lei 11280/06. Além dessa. LEF). cujo pensamento pode ser traduzido pelo Enunciado 295 do CJF: “Art. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. surgindo a pretensão desse para Súmula 314 do STJ: “Em execução fiscal. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ)125. Havendo conflito entre CPC e LEF. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. advogam Roberto Senize Lisboa e Nelson Nery Júnior. sob pena de nulidade absoluta do ato. O direito ao ressarcimento no indébito também não pode perdurar pela eternidade. pelo simples decurso do tempo. 127 Na verdade. LEF). Apesar de ser factível em tributos lançados de ofício ou por declaração. 126 Pela perpetuação da prescrição como matéria disponível. Isso também não quer dizer que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. dentro 125 . que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. CTN. Entretanto.280/2006. segundo bem aponta parte da doutrina. 40. v. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. 168. Lições de Direito Processual Civil. “in fine”.

Em recente decisão. declarou inconstitucional o caráter interpretativo da LC 118/05. Min. Informativo do STF nº 467. Por óbvio. Min. Corte Especial. O Supremo entendeu que a interpretação nesse sentido. 128 STF. CF/88). Quanto a tributo lançado de ofício. O art. rel. respectivamente. DJU 27/8/2007. a teor do que definira o constituinte128. o qual. a redação do dispositivo das exações sujeitas ao lançamento por homologação. 195. rel. Informativo do STJ n° 322. 168. era adotado o segundo momento lógico como termo inicial da prescrição da repetição de indébito. iniciado sob a égide da interpretação anterior. Dentro dessa perspectiva. estabelece que a referida prescrição corre a partir da extinção do crédito tributário nos casos do art. § 4º. 165. faturamento. “b”. j. mal ou bem. em seu art. Teori Albino Zavascki. REsp 955. viola a cláusula da reserva de plenário (art.736-PE. CF/88). com base no art. a causa de extinção referida pelo legislador seria o pagamento.5. nos tributos sujeitos à homologação. Nesse caso.835-SC. muito pelo qual a corte acolhia a “Tese do Cinco Mais Cinco” até pouco tempo atrás. o primeiro é aquele que extingue o crédito. Até a EC 20/98. determinando que o prazo prescricional da repetição de indébito é de cinco anos. contados do pagamento129. RE 544246/SE. o STJ disse que o lustro se aplica para os fatos ocorridos após a vigência da LC 118/05. Destarte. era de dez anos para os tributos sujeitos à homologação de lançamento. ultrapasse o limite de cinco anos após a promulgação do diploma130. 6/6/2007. I. o decurso de cinco anos. “in fine”. Segundo a leitura da corte.. Sepúlveda Pertence. o termo inicial no pagamento do tributo (antecipado). salvo se o decurso prescricional decenal. I e II. I. Min. . CTN. implica em diminuição do lapso. O STJ. 150. Esse dispositivo diz respeito às exações sujeitas. Castro Meira. Observe que a demanda será condenatória. Nesse passo. j. o que justifica a natureza prescricional do lapso ora em comento. CTN. aproveitando-se o fisco dessa situação. a qual previu expressamente. rel. 130 STJ. essa proposição só foi reafirmada recentemente pelo STJ.736-PE. EREsp 644. 3º. consoante já supra comentado.97 se ressarcir mediante o exercício do direito de ação. o Excelso Pretório devolveu a causa ao STJ para o julgamento pelo seu órgão especial. desde que indevido (a mais). Pois bem. porquanto implica em verdadeira declaração de inconstitucionalidade do diploma. mas sim o próprio contribuinte dá causa. 97. Porém. CONFINS. não é o terceiro que lesa o direito alheio. entendimento atualmente não mais vigorante. contados a partir do fato gerador. o STF deu parcial provimento a RE interposto pela AGU para contestar a posição do STJ quanto ao caráter não-retrospectivo da LC 118/05. 129 STJ. 3º e 4º. 28/8/2007. operada por órgão fracionário do STJ. receita e LC 118/05 – a Lei 9718/98 instituiu a COFINS. O termo “ad quo” da prescrição da repetição de indébito comporta certa complexidade. EREsp 435. respeitando comando dado pelo Supremo. a controvérsia se instalou. 2ª T. CF/88.831-SP. EREsp 644. contribuição previdenciária sobre a receita dos empregadores. A questão ficou pacificada depois da LC 118/05.2007. j. 15. Informativo do STJ n° 329. não persiste qualquer dúvida. mormente quanto aos seus arts. a lançamento de ofício e por homologação. DJU 4/6/2007. porque existem dois momentos lógicos: o recolhimento antecipado do tributo (a maior) e a homologação desse pagamento pelo fisco (art. Em raciocínio simplista.

com efeito retroativo. tal qual a própria redação dos arts. O art. padecia de inconstitucionalidade formal. . esse tinha duas margens interpretativas e. 195. 169. o Executivo fez aprovar a LC 118/05. Com efeito. Em verdade. justamente por ele erigida. não permitiu o caráter interpretativo da LC 118/05 ao afirmar que ela é inovadora (modificativa)131. bem como a ação tem natureza dúplice: anulação da decisão administrativa e condenação do fisco à restituição. Pergunta: qual foi a LC de janeiro de 2000 que constitucionalizou a COFINS sobre receita das empresas. pois o ato jurídico perfeito (interrupção da prescrição com o despacho de recebimento da inicial) não pode ser maculado por norma posterior. criada por MP e convertida em LO. quanto às expressões “prescrição da ação” e “anulatória”. “caput”. O argumento mais abalizado para refutar a retroatividade da LC 118/05 encontra-se no art. é possível ao sujeito passivo aduzir pedido na via administrativa (processo administrativo fiscal). passou a existir somente uma. Foi uma decisão de extremo bom senso. CTN). § 4º.98 constitucional não falava em empregador. desde que instituída por LC. reforçando a confiabilidade do jurisdicionado para com a corte. devido à vacância do diploma em 120 dias. LC 118/05). o legislador foi tecnicamente impróprio na redação do art. dentro da discussão da LF (Lei 11101/05). dando origem à enxurrada de ações de repetição de indébito no primeiro semestre de 2005? Pergunto isso em face da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9718/98 pelo STF em 2005. CF/88. À guisa do debate. a COFINS sobre receita. Nesse sentido. Na segunda opção. o administrado poderá recorrer ao Judiciário para anulá-la. 106. LC 118/05. CF/88. veio a LC 110/01 para resolver a querela. Entretanto. a EC 20/98 operou a mudança. Para solver o caos no âmbito do fisco. residuais. Com fulcro na doutrina alemã (tese da sanatória geral das emendas em face das leis anteriores). CTN). I. essa posição é contestável. EREsp 327043-DF e AgRgREsp 727200-PB. a LC 118/05 alterou a estrutura do CTN. o relator. 5º. porque. Nesse passo. ficando a prescrição obstada a partir de então. CTN. a ser julgado pelo seu pleno. 3º e 4º. A partir do pagamento indevido. além da ação judicial de repetição de indébito. Para fazer a prescrição atingir essas ações em curso. XXXVI. mesmo porque o sentido interpretativo de um diploma presta-se justamente a tal faina. 169. a qual passou a previr a extinção do crédito no pagamento (art. já permitia outras contribuições não cominadas. bem como não versava sobre receita. Para revestir o diploma de constitucionalidade. votou pela constitucionalidade. 3º. a Fazenda Pública alegou que a LC 118/05 é interpretativa (art. depois dela. “caput”. não sendo acolhida. O STJ. a prescrição se restringe à pretensão ao ressarcimento. 131 STJ. Todavia. característica inerente à inovação da ordem jurídica. Segundo o tribunal. a qual chegou no STF por via de RE. a prescrição para o exercício da ação é menor que aquela afeta diretamente à Justiça. Entretanto. Essa tese chegou ao STJ por embargos de divergência em REsp. Gilmar Mendes. restringindo-se a dois anos (art. antes daquela. prestigiando a segurança jurídica da “Tese dos Cinco Mais Cinco”. passando a se discutir se emenda teria a capacidade de sanar inconstitucionalidade de lei anterior. houve uma enxurrada de demandas para a repetição de indébito. caso a decisão definitiva seja denegatória. sendo vencido (Informativo 408 do STF). A COFINS sobre faturamento já era autorizada pela LC 70/91. as contribuições cobradas entre a Lei 9718/98 e a LC 110/01 passaram a ser objeto de ação de repetição de indébito. guardião da lei federal.

o juiz é obrigado a ouvir previamente ambas partes na execução fiscal? Resposta: não. 205). indiretamente ligado ao bem de família. Essa diferenciação também existe na execução fiscal? Resposta: em matéria de execução fiscal. “caput”. 4º parágrafo 2º. CTN: 1º) Exclui-se um crédito que deveria nascer e não vai nascer. quer seja ordinária (arts. quer seja intercorrente (art. existe a previsão das receitas. a exclusão do crédito tributário comporta “causas inibitórias do lançamento”. isso quer dizer que o imóvel fará às vezes de garantia da dívida decorrente de tributo. visto que “ocorrem antes do . Segundo Daniel Assumpção. p. Exclusão do Crédito Tributário Há dois posicionamentos para o termo “exclusão”. II estabeleceu apenas um impacto na Lei Diretrizes Orçamentárias relacionada à mudança na forma de tributação do setor de combustíveis e do pagamento por substituição no setor automotivo em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade . IV. Pergunta: a doutrina processualista costuma diferenciar a exceção de pré-executividade da objeção de não-executividade. a segunda versa sobre matéria de ordem pública (norma cogente de interesse público). taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. portanto. presente no capítulo V do Título III. devendo ser oposta antes da penhora (“pré-executividade”).99 Resposta: a Lei Complementar 101/00 em seu art. O ISS está afeto à prestação de serviços e. 174. Pergunta: os impostos que podem ensejar a penhora do imóvel familiar (art. § 4º. a lei torna penhorável o ‘bem de família’ tratando-se de impostos. No momento em que uma legislação permite o não recolhimento de algum tributo. não permitiria o ato de apreensão judicial (ex. deve-se retornar à previsão orçamentária inicial e EXCLUIR a respectiva receita. fora da previsão legal. as condições da ação. § 5º. a primeira se adstringe a matérias debatidas em embargos. o termo Exceção de PréExecutividade tem prevalecido em face da margem de matéria que podem ser alegadas e que não estão restritas àquelas de ordem pública. a qual não preclui. Lei 8009/90) são somente o ITR e o IPTU? Outra espécie. Precisam atacar sim. tendo em vista o assunto estar afeto à matéria de direito.: ISS cobrado em razão de modificação na estrutura do edifício)? Resposta: cuidado. pode ser acusada de ofício e reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição. 2º) dentre as obrigações da Administração na elaboração do orçamento. CPC). Ambos os conceitos são jurídica e semanticamente vagos. LEF).COFINS. CTN. 40. levando-se ao raciocínio de que o legislador complementar atuou com impropriedade terminológica. Pergunta: antes de reconhecer de ofício a prescrição. e 219. sendo incluído tudo o que se imagina arrecadar. Para Sabbag (2004. Mas ele possui o poder de fazê-lo caso queira. 3º.

139 c. não existe a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. salvo se houver consenso de todas as unidades federadas no caso de ICMS (art. Todos os fenômenos abrangidos são fatos geradores.c. p. isto é. 176. Neste raciocínio. parágrafo único. Não há de se formalizar a relação jurídica para torná-la exigível. 2ª T. Respeitando o respeitável mentor do CTN. ISENÇÃO é chamada de endonorma pelos doutrinadores. 1999. Sempre decorrente de lei. Min. REsp 723. Linha minoritária assevera que qualquer hipótese abrangida pela isenção não pode se denominar fato gerador. mas não as acessórias (art.100 lançamento e após o surgimento da obrigação tributária”. 2004). 150. p. com o objetivo de “compensar desigualdade em função de condições 132 Indo um pouco mais fundo. de modo a dispensar o contribuinte da obrigação principal. prevê que a exclusão do crédito tributário adstringe-se à isenção (dispensa de tributo) e à anistia (dispensa de penalidade). Celeumas à parte. Como se sujeita à reserva legal. assevera que a isenção suspende a eficácia da norma impositiva tributária. “ex vi” dos arts. Essa é a posição perfilhada pelo Excelso Pretório. CF/88. Rubens Gomes de Souza. A norma que exclui o crédito tributário sempre afasta a obrigação principal. Desta feita. XII. cuja ocorrência se dá com a previsão da hipótese de incidência na lei tributária132. imunidades e princípios). 171). 26/6/2007. CTN). 177. Paulo de Barros Carvalho assevera que a constituição do crédito tributário se dá com a realização do fato gerador. § 2º. CTN). “g”. CTN). a isenção não tem o condão de anular os efeitos da norma maior. conquanto se afasta a obrigação principal das hipóteses de isenção. O art. consoante comentário já realizado. CF/88)133. 155. 133 STJ. Todavia. devendo ser respeitados os mesmos parâmetros diretivos desses (limitações ao poder de tributar. por ser uma endonorma. confere permissivo às chamadas isenções geográficas (NOGUEIRA. Neste diapasão. . há de se ressaltar “que o poder de isentar ou anistiar é correlato ao poder de criar tributos” (SABBAG. Em verdade. § 6º. o equívoco semântico do texto legal se deve à sua visão míope sobre a constituição do crédito tributário. admitindo-se a dispensa da obrigação principal para os isentos. j. rel. resolução legislativa que aprova convênio não pode concedê-la. Eliana Calmon. 175. essa imperdoável posição extraída da doutrina estruturalista germânica e adotada na letra da norma gera contra-sensos dessa monta. A norma cria uma exigência e o legislador faz surgir uma gama de casos particulares dentro dela. a isenção não alcança as exações nascidas depois de sua criação. 205). e 176. não há elementos suficientes e legais para “constituir um crédito tributário” em face de um fenômeno isento. o fato abstrato deixa de existir e assim não pode surgir uma obrigação tributária. pois. neste. Ricardo Lobo Torres (apud NOGUEIRA. a isenção engloba os fenômenos havidos a partir de sua instituição. CTN. Informativo do STJ n° 325. à luz da previsão abstrata legal (fato imponível descrito na norma). parágrafo único.. tendo por fulcro metajurídico elementos de cunho sócioeconômico e sócio-político (SABBAG. CTN. 175.575-MG. o art. parágrafo único. A posição MAJORITÁRIA afirma que. 1999). II. 2004. pela PROIBIÇÃO legal da chamada isenção em branco (art. o qual entende a isenção como disposição legal de incidência tributária. 175. art. CTN. isto é.

bem como um prazo para o aproveitamento dos benefícios. Informativo do STJ n° 331. Mesmo assim. j. Herman Benjamin.101 peculiares”. mediante requerimento. não cabendo qualquer análise por parte da Administração Tributária. não se aplicando às taxas e às contribuições de melhoria em razão da necessária contraprestação direta. 178 c. 179. A vontade do legislador vai determinar os limites de abrangência. opera causa de extinção da punibilidade. da situação apresentada pelo contribuinte. Súmula 615 do STF: O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. REsp 575. por expressa manifestação legislativa (art. a jurisprudência não tem reconhecido a aplicação da anterioridade à revogação das anistias incondicionais135. a finalidade principal é retirar a situação de impontualidade do inadimplente da obrigação. Qualquer penalidade. Min. art. mas a infração. CTN (NOGUEIRA. “caput”. preferiu ele manter o uso da visão codificada do legislador tributário. indireta ou indenizatória dessas exações. A específica é aquela que depende de verificação. por diploma de igual hierarquia àquele concessório. pelo fisco. A geral é aquela decorrente diretamente de lei. “caput”. CTN). Decorre de razões de política fiscal e atendimento de certas conjunturas e circunstâncias não só econômicas. o qual não poderia ser desfeito nem mesmo por lei superveniente. 178. versando inclusive sobre a mencionada isenção em branco (art. cabendo-lhe exarar despacho concessivo (art. Entretanto. essa disposição pode ser excepcionada pelo legislador concedente. Para Nogueira (1999). 8º. A condicional é irrevogável. 11/9/2007. 137 Apesar da posição pessoal do autor. 208). DL 8031/45 (isenção de II e de IPI para equipamentos integrados ao ativo da Companhia Hidrelétrico do São Francisco – CHESF). é o “perdão legal das penalidades pecuniárias antes da constituição do crédito tributário”137. configurando verdadeira “fossilização” do ordenamento134. a anistia encontra fulcro maior no “indulgentia principis” do Direito Penal. p. em contrário senso) e jurisprudencial (Súmula 544 do STF136). CTN). nos termos da legislação. Segundo Sabbag (2004. o qual coaduna com a tese da constituição do crédito tributário pela hipótese de incidência. a retirada da sanção tributária pecuniária. já existe. sendo aplicada às penas anteriores à sua instituição. Cf. CTN). 177. pela Lei 8032/90 – o primeiro comando não pode conferir um direito adquirido à beneficiária. A INCONDICIONAL é isenção que não estipula qualquer requisito especial para sua concessão. como bem ventila o art. Neste caso. pode ser passível de anistia. 1999). justamente para não causar ainda mais confusão na explanação didática dos institutos em análise. 153 da CF de 1969) não se aplica à revogação de isenção do ICM. É importante também dizer que as isenções só alcançarão os tributos não vinculados (impostos). . Porém. rel. como observam Sabbag (2004) e Nogueira (1999). 136 Súmula 544 do STF: isenção tributária concedida sob condição onerosa não pode ser livremente suprimida. no campo concreto. Na ANISTIA. I. como é o caso de calamidades (NOGUEIRA. A pena pode ainda não existir no plano formal. pode ser revogada a qualquer tempo. 1999).806-PE. Ela é o PERDÃO. Para Sabbag (2004).c. parte inicial. 177. desde que devidamente prevista em diploma competente. ou seja. Ex. Em termos classificatórios. desde que observada a anterioridade originária (art. há certas diferenças para com a isenção. a anistia alcançará 134 135 STJ. a isenção pode ser geral ou específica. III. incondicional ou condicional. 104.: revogação do art. CTN.

: art. encontra resistência em doutrina isolada. ao contrário do que apregoa a doutrina prevalente e a própria redação do art. porque a benesse cabível seria a remissão (art. CTN). CTN). Essa linha. 156. 1º. 97. I a X.: art. As garantias da Fazenda Pública quanto ao crédito tributário estão elencadas em rol exemplificativo nos arts. 184. O legislador ordinário determina-lo-á. impostas ou formalizadas). 3º. apoiada pela maioria da doutrina. de incomunicabilidade ou de impenhorabilidade140 não produzem efeito quanto ao fisco. Coleção Sinopses Jurídicas. cit. 156. Também não alcança os atos cometidos com dolo. 16. porque esta se refere ao crédito tributário “per se”. I e IV. “in fine”. Lei 8009/90 – créditos previdenciários e trabalhistas decorrentes de relação empregatícia em função do imóvel e tributos relativos ao próprio bem (em 138 Neste aspecto. requer um tratamento desigual relegado ao fisco. e outros.102 tais fenômenos. As disposições só são válidas entre particulares. se a impenhorabilidade for legalmente instituída. conclui que o lançamento não tem o condão de impedir a concessão de anistia. Ex. os parâmetros de aplicação dos institutos em tela (art. cláusulas de inalienabilidade. CTN) e as demais infrações tributárias cometidas em concurso de pessoas (art. São Paulo. “caput”. “caput” e parágrafo único. ao tê-lo como procedimento (sucessão de atos). CTN. 4ª ed. op. Com efeito. enquanto aquela. I. direcionada ao custeio das funções públicas. . CTN) – as estipulações entre particulares no tocante aos gravames reais não atingem a exigência de crédito tributário. cit.. à imposição de penalidade tributária. 2002. Amaro. A natureza de receita pública. bem como os crimes e as contravenções (art. 142. Desta feita. a anistia não se confunde com a remissão (art. 139 Sabbag. Depois de “constituído o crédito” pelo lançamento – em outras palavras. não tendo vez frente aos preceitos de ordem pública da norma tributária (função social dos contratos). Contudo. permitindo a penhora da coisa. IV. CTN). ou seja. é adepto da corrente que entende o lançamento como perfeito em um só ato (a notificação). porque colimam a isonomia. Dessarte. Ex. II. 184. essa colocação também se aplica ao fisco. 180. op. baseado na citada LC. Inoponibilidade de garantias reais ao fisco (art. de acordo com a Súmula 49 do STF: “A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens”. IV. havendo notificação do contribuinte. Caso a própria lei excepcione a impenhorabilidade. 183 a 193... 2004)139. pela notificação –. não há de se cogitar a anistia (SABBAG. cit. Garantias do Crédito Tributário Não são inconstitucionais. O contribuinte fica dispensado do cumprimento de certa penalidade. Saraiva. CPC (bens impenhoráveis). simulação ou fraude. apresentando espectro amplo quanto às sanções (cometidas. O procedimento para a isenção e para a anistia se dá à luz do comando diretivo do CTN. podendo o legislador inovar nesse sentido. CTN). admitindo o autor a sua incidência mesmo em crédito já lançado. mas continua com a obrigação principal e outras acessórias dela decorrentes. Dessa feita. v. fazendo-se merecer especialidade na sua regulação. a anistia retroage a fatos já ocorridos. como Sabbag. mas sim em remissão. 649. 140 A cláusula de inalienabilidade engloba também a incomunicabilidade. op. Direito Tributário. o comando prevalece sobre a lei tributária (art. NÃO ATINGINDO os valores referentes ao crédito tributário (obrigação principal)138. não há mais de se falar em anistia.. 180. Ricardo Cunha Chimenti. CTN). não abrange as sanções já lançadas. VI. art. CTN. Lei 8009/90 (bem de família).

pelo meirinho. como título executivo extrajudicial. incide a mencionada fraude. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. A certidão de dívida ativa. o que ainda não é pacífico. Em que pese não haver um sistema informatizado totalmente abrangente. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. porque o legislador previu abrangência em todo território nacional. 185-A. “caput”. Para ficar submetido à indisponibilidade. 141 A jurisprudência não admite a cumulação entre taxa do lixo e taxa para limpeza de logradouros públicos. Câmara (2006) afirma que surgiu um novo instituto: fraude à administração fiscal. CTN. dentro do processo civil. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. § 2º. Lei 8009/90). porquanto ambos decorrem do mesmo poder de polícia sanitária do Município. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. .). Trata-se de presunção absoluta. não existe fraude. depois da hasta pública. Depois de inscrita a dívida ativa. Ex. o sujeito passivo aliena um desses. Fraude à “execução fiscal” (art. procedimento e ato dotado de presunção de legalidade e de legitimidade. exige-se regular citação do executado. CTN). No âmbito tributário. porque. instruirá a inicial da execução fiscal. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo).: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. Fraude à administração fiscal e bem de família – supondo que o devedor tenha débito fiscal de $70 e possua dois imóveis. essa é mais profunda. CTN) – o juiz da vara de execuções fiscais pode declarar a indisponibilidade de bens do executado em face de dívida fiscal não adimplida. Todo esse trâmite demanda muito tempo. A presunção de certeza e liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno administrativo. etc. pública ou privada. I e II. Para responder se há ou não fraude ao fisco. o fato depende da natureza do crédito fiscal da Fazenda Pública: caso a exação originária seja do imóvel de propriedade do contribuinte. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. 185-A. já existe o ambiente jurídico para tal. muito pelo que não são encontrados bens aptos à penhora (art. 3º. Depois de ajuizada a demanda. 185. o saldo será restituído ao devedor (art. “caput”. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. cada um de $100. 185. a Fazenda Pública pode alcançar a ineficácia da alienação feita pelo contribuinte. 185-A. CTN). do contrário. patrimônio apto a satisfazer o crédito tributário. de esgoto. não nomeia bens nem é verificado. de eletricidade. 185. 185-A. Para tal. o devedor não paga no prazo legal. Como o imóvel restante não é penhorável. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. entidade ou instituição. importam em fraude à execução. em qualquer órgão. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. “Penhora on-line” (art. § 1º. apta a registrar patrimônio (art. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. tornando-o passível de penhora (art. CTN). se o tributo a ser cobrado não assim se manifesta.103 decorrência da propriedade – ITR e IPTU – e do poder de polícia estatal – taxa do lixo141. porque a impenhorabilidade do bem de família é excepcionada. CTN) – depois da citação válida. porque o único bem idôneo a solver a dívida foi alienado em contrário ao art. CTN).

CTN). nos termos de seu art. “caput”. existe também a argüição de excesso de indisponibilidade. a norma geral será o CTN. 209. caso em que o montante da arrematação será deferido ao juízo universal. sua penhora é realizada no rosto do processo da quebra. porque. p. essa deve ser limitada ao valor da dívida em discussão. CTN). p. Em verdade. 41. não há de se retirar a salvaguarda da Fazenda Pública com fulcro em excesso de indisponibilidade. específico de cada ente ou relativo a cada exação instituída. Crédito tributário na falência (arts. 187. O constituinte dá indício dessa assertiva. Nesse caso. Sabbag (2004. CTN) – a relação de preferência no concurso de credores está determinado na LF (Lei 11101/05). Nesse passo. LF. 147. cuja atuação é imprescindível inclusive para o próprio recolhimento de alguns tributos. São a União. na dicção do art. O fisco pode receber antes do detentor de crédito trabalhista. A administração de tributos é realizada pela Fazenda Pública. Todavia. 2006. No mesmo raciocínio. ao revés. o DF e os Municípios. Essa atribuição é de suma importância para a função arrecadatória do fisco. 1ª parte. CC. 209. CTN). p. dada a situação concreta submetida ao sujeito passivo. Medidas de controle e verificação da realidade fiscal do contribuinte. 479). 194. 83. porquanto sua competência e sua capacidade tributárias são deferidas à União (art. 255) ensina que os Territórios Federais não se constituem dessa forma. visto que o efeito atrativo do juízo universal não se lhe aplica (art. de indenização por dano moral. CF/88). o fisco não precisa se habilitar no processo falimentar. a qual abrange os entes políticos (art. LF. O feito permanece no seu juízo privativo. devolvendo-se o saldo ao devedor. o produto da arrematação é entregue à massa. Nessa última hipótese. Secundando o legislador do CTN. possivelmente. ele vai à hasta pública. Administração Tributária Introdução – a fiscalização tributária é assunto deferido ao legislador ordinário. porquanto sequer possuem Fazenda Pública (art. é perfeitamente possível crédito quirografário ter preferência sobre tributário.104 Dentro da idéia de excesso de penhora. 186 e 188. I a III. Quando a execução fiscal fora instaurada antes da ação falimentar. Essa disposição só cabe se divisível o bem. Inexiste qualquer competência tributária deferida aos Territórios. respeitando a ordem de prevalência estabelecida na LF. 84. 241) assevera que a atribuição de administrar tributos importa em três funções: Procedimentos fiscalizatórios adequados. CTN). “caput”. porquanto estatui que os impostos estaduais . e o segundo seja anterior à falência (arts. e 188. Cobrança judicial dos importes tributários inscritos em dívida ativa. de acordo com o arts. Essa situação também vige se a penhora precede ao ajuizamento da falência. sob pena de suscitar mandado de segurança pela diferença e. Todavia. Sabbag (2004. mormente aqueles dependentes de lançamento (AMARO. os Estados. desde que aquele tenha crédito extraconcursal (depois da decretação da falência). CTN. e 186.

é abrangente as determinações do legislador. Apesar disso. bem como considerar a consulta ineficaz ou incabível (arts. quando devam prestar informações. D. publicidade e eficiência (art. D. 200. “caput”. assim como a funcionalidade do próprio Sistema Tributário Nacional (art. 70235/72). os agentes do fisco poderão requisitar força policial para levar a cabo seu ofício. parágrafo único. mormente no que concerne às obrigações acessórias. parágrafo único. “caput”. impessoalidade. 48. Sabbag (2004. Mesmo outras pessoas podem ser objeto de fiscalização pela autoridade. deixa claro que até mesmo os imunes e isentos devem se render aos comandos normativos tributários. a autoridade poderá compelir o consulente a cumprir determinada obrigação. I e . disposição que é reforçada pelo art. 2ª parte. 245) avança um pouco mais. a resposta dada pela autoridade tributária e favorável ao contribuinte vincula a Administração Tributária. CF/88). A atuação dos agentes de fiscalização deve observar o princípio da estrita legalidade. Amaro (2006. CTN. p. 48. Assim como no PAF. Quando pende consulta. praticar atos ou abster-se de fatos em nome do poder de polícia do fisco (art. “caput”. p. postulando pela aplicação integral de todos os princípios administrativos: legalidade. 161. apesar de vigorar correção monetária. 52. pelo qual o contribuinte pode submeter uma dúvida sobre cumprimento de obrigação tributária à autoridade fazendária. refere-se ao procedimento de consulta. p. o que talvez afastasse o interesse do jurisdicionado pelo instituto (FÜHRER e FÜHRER. 194. e 55. apesar de não ser permitida quando tais expedientes já foram iniciados (art. 37. terceiros alheios. 76). 2001. 1ª parte. Nesse ponto. uma vez se afigure embaraço ou desacato tal ao exercício que torne impossível sua efetivação (art. CTN). É matéria regulamentada pelo D. 2001. 70235/72). CTN). além dos sujeitos passivos da relação jurídico-tributária (contribuintes e responsáveis). CF/88). Também não é possível imposição de medidas de garantia nem incidência de juros moratórios. aplicável à Administração Tributária. 147. D. 76).105 correspondentes são incumbência da União (art. quando cada um deles exercerá plenamente sua capacidade tributária própria (art. 78. a consulta permite recurso administrativo e reapreciação da matéria por instância superior. § 2º. Destinatários – usando a terminologia do codex. Essa regra só é excepcionada se o Território for dividido em Municípios. Consulta – o art. 70235/72 (FÜHRER e FÜHRER. nos termos dos arts. CTN. 56. I a VIII. a expressão “impostos” pode ser interpretada como tributos. 70235/72). CTN. Mesmo que não haja configuração de crime. CF/88). CF/88). 54. a legislação tributária é dirigida tanto à autoridade administrativa tributária quanto aos administrados. Em verdade. D. 175. podendo abarcar. nenhuma medida pode ser tomada em desfavor do consulente em até trinta dias (art. moralidade. na resposta. 52. diploma que também trata do procedimento administrativo fiscal. No entanto. o art. 480) lembra que o Senado tem competência exclusiva para avaliar periodicamente o desempenho da fiscalização tributária de todos os entes federados. II. Quanto a esses. 70235/72. Da resposta proferida. 147. XV. não é possível aplicação de penalidades nem ajuizamento de execução fiscal (art. III e IV. p. 52.

médicos e outros. o legislador deu prevalência ao primeiro (art. “ninguém pode ser obrigado a prestar informações sobre os negócios de outrem só porque eventualmente mantenha com ele relações de amizade ou de parentesco. sacerdotes. desde que atinentes à sua função fiscalizatória. 197. Apesar de a legislação comum proteger a exibição de livros e de documentos contábeis do empresário (art. colocando desta forma um manto sobre o segredo. CTN). “b” e “c”. 2004. p. como ensina Robson Baroni. sob pena de importar em abuso de autoridade (Súmula 439 do STF)142. O art. parágrafo único. asseguram o exame amplo e genérico no processo de fiscalização. 120). 195. Qualquer disposição normativa que venha a limitar a atuação do fisco está em desacordo com a norma geral tributária. em que pese o legislador poder ampliá-lo “de lege ferenda” (art. D. 197. III. 142 Súmula 439 do STF: “Estão sujeitos à fiscalização tributária. 54. parágrafo único. os arts. X e XII. 197. 481). No entanto. Nessa hipótese. ou mesmo negócios aos quais sejam alheias as informações demandadas” (AMARO. No ambiente tributário. entidades econômicas e profissionais e órgãos da Administração Pública têm legitimidade para aduzir consulta (art. Esse arcabouço probatório é composto por livros comerciais e fiscais. além de documentos relativos a lançamento. consubstanciada pelo CTN (CHIMENTI. muito pelo qual é decorrência do véu que se abate sobre a privacidade e sobre os dados pessoais (art. CC. sendo considerada ineficaz (SABBAG. 1190. § 1º. p. I a VII.106 II. e 1193. por exemplo. 70235/72. Sigilo fiscal – sigilo é aquilo que representa o selo que lacra o que não pode ou não deve ser divulgado. quando o causídico estiver exercendo função atípica. a verificação deve guardar nexo com o objetivo do procedimento. 33. Deve ser preservado pelo fiscalizado até o decurso de prescrição ou de decadência a ele relativas (art. Além dos próprios sujeitos passivos da relação jurídicotributária. 70235/72). o julgamento da dúvida será feito por instância única. No entanto. CTN). 46. D. 483). p. D. arrola vários obrigados nessa faina. tem o dever de prestar informações ao fisco. “caput”. O rol do comando considerado é fechado nos seus termos. como rememora Chimenti (2002. para torná-lo indevassável. 242). CTN. VII. Ex. 2002. “caput”. quaisquer livros comerciais. 5º. 197. o sigilo bebe na fonte dos Direitos Fundamentais. a teor do que já disse a citada Súmula 439 do Supremo. 119). cuja autoridade competente é o coordenador do Sistema de Tributação da atual SRFB (art. O próprio dever de prestar informações e de apresentar documentos para fins fiscalizatórios se constitui como obrigação tributária acessória (art. CTN). Havendo conflito entre o dever de guardar segredo (dever legal de sigilo) e o interesse da Administração Tributária. O legislador exigiu pertinência temática entre o objeto da fiscalização e o ato fiscalizatório. . 70235/72). Porém.: advogados. p. p. limitado o exame aos pontos objeto da investigação”. 2006. Lei 8112/91. apesar do legislador não ter falado na segunda (AMARO. CF/88). parágrafo único. CC). CTN). ou previdenciária. psicólogos. 2006. 195. CTN. como inventariante ou como administrador judicial em falência. No entanto. a autoridade tributária tem prerrogativa sobre os segredos de cada pessoa.

a jurisprudência era pacífica em proibir a prática por parte da Administração. desde que haja PAD instalado para investigar o sujeito passivo tributário. Enfim. 58. A AGU pode requisitar informações ao BACEN e a CVM para instruir processos em que esteja atuando (art. em face do art. A prevalência do sigilo quanto a terceiros deve ser colimada na formalização do ato. Requisição de CPI (art. a mesma lei conferiu idêntica prerrogativa às CPI’s. 198. CTN). a Lei 9613/98 confere poder ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para requisitar informações bancárias e fiscais. 58. § 3º. X e XII. p. CTN). “caput”. inclusive entre entes políticos diversos. Necessidades materiais para ativação de dívida da Fazenda Pública. CF/88). na conformação que lhe der tratado entre a União e outros Estados (art. Solicitações e autoridade administrativa acerca de infração disciplinar praticada por servidor público. Na esteira do diploma. desde que haja processo administrativo fiscal instaurado.107 Em regra. parágrafo único. §§ 1º a 3º. perante o STF. § 3º. CTN). CF/88. assegura a quebra de sigilo bancário pelas autoridades tributárias. “caput”. Concessão de parcelamento ou de moratória. Repartição mútua de dados entre diferentes órgãos estatais no interesse da fiscalização tributária. § 3º. 198. No diapasão. desde que autorizada pelo plenário da Casa Legislativa ou da própria comissão. 5º. 199. I e II. Sabbag (2004. Representação fiscal para fins criminais. por intermédio do BACEN ou da CVM. a ser efetivada mediante recibo. tributo que possui finalidades concomitantes de arrecadação e de fiscalização. . 3º. o próprio legislador excepcionou o mandamento em algumas situações (art. Entretanto. “caput”. independentemente de vênia judicial. 199. Antes do referido diploma. importante ressaltar que o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos estatais pode ser feito até mesmo no âmbito internacional. porquanto o art. A LC 105/01. O permissivo só é aplicável se houver PAF ou procedimento de fiscalização regularmente instaurado (art. os agentes da Fazenda Pública não têm vênia para divulgar dados sobre situação econômica ou financeira de fiscalizados (art. 247) professa que a inexistência de convênio não impede a troca de dados sigilos fiscais entre órgãos públicos. Com fulcro no art. Na terceira hipótese supra aduzida. as instituições financeiras deverão remeter à SRFB informações para identificação de contribuintes e de valores relativos à CPMF. com o intuito de evitar e reprimir crimes de lavagem de dinheiro. CF/88. 6º. que está tendo sua constitucionalidade contestada. LC 105/01). 199. mediante lei ou convênio (art. colimou restringir o compartilhamento de informações entre Estado e particular. CTN): Requisição de autoridade judicial. “caput”. LC 105/01). CTN. houve preocupação na entrega pessoal do cabedal de informações.

CTN). . 5º. 11. Em contrapartida à mencionada ADIn. CF/88. a fiscalização é dirigida pelo princípio documental. quando da apuração de crimes contra a Administração. 8º. essa responderá objetivamente (art. cópia deve ser entregue. No entanto. 173. p. o qual será apresentado ao inquirido. Todavia. pode ser decretada em IP ou em ação judicial (art. Não sendo possível. não a fiscalização em si. LC 105/01. 9º. 120). Essa assertiva advém diretamente da segurança jurídica. 10. A prévia fixação do término da investigação é um dos mais relevantes pressupostos para a regular tramitação do exame tributário. “caput”. Se houver prejuízo em decorrência do vazamento de dados. “caput”. Chimenti (2002. “in fine”. quer sejam acessórias”. 482). p. ao fiscalizado (art. quando é confeccionado documento apartado. porquanto assentadas no art. entende que a LC 105/01 e outras normas no mesmo sentido não são inconstitucionais. o servidor público responsável arcará civil e funcionalmente pelo seu ato comissivo ou omissivo. comportando efeitos diversos na relação entre sujeito passivo e Administração Tributária. 2002. o BACEN e a CVM são obrigadas a representar perante o Parquet para as medidas julgadas cabíveis (art. É importante também para caracterizar ou não denúncia espontânea. O termo inicial da análise fiscal deve ser preferencialmente registrado em livro especial. CTN. § 4º. 1º. A lavratura do início do procedimento fiscalizatório influencia na apreciação da decadência (porque seu termo inicial é a notificação do procedimento de fiscalização – art. O Ministério Público. p. a teor do que se posiciona a jurisprudência. Nos termos do art. LC 105/01). “caput”. o legislador lhe fez referência como procedimento. e 6º. De fato. só será assim considerada a confissão de dívida tributária havida antes de documentado o ato. 196. CTN). Como postula Amaro (2006. apenados com reclusão de um a quatro anos e multa (art. o que se deve rechaçar são os abusos e o vazamento de informações.108 A autorização judicial para a quebra de sigilo bancário e fiscal. 196. D. Fiscalização – circundando o conceito de fiscalização dado pelo CTN. porquanto fala em fixação de termo inicial e final (art. 138. § 1º. parágrafo único. LC 105/01). CTN) e garante a defesa do investigado (CHIMENTI. os quais comporão autos. parágrafo único. Segundo o autor. presentes indícios de crime de ação penal pública. Sabbag (2004. não tem prerrogativa de requisitar informações bancárias e fiscais por força própria. é possível extrair seu sentido ontológico. 70235/72. expressamente esculpida no art. a denúncia não é válida. LC 105/01). Depois desse momento. A infringência das regras sobre quebra de sigilo bancário e fiscal. se ficar provado que agiu de acordo com a orientação da instituição. bem como a prática de atos que importem omissão. 122). mediante recibo. p. “caput” e parágrafo único. 145. em que todos os atos devem ser reduzidos a termo. 241) a define como sendo “atos de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. cuja lavratura também encontra previsão nos arts. retardamento injustificado ou prestação de informações falsas constituem ilícitos penais. “caput” e parágrafo único. quer sejam principais. LC 105/01).

789-PA. orig. Min. Esse entendimento já estava consolidado na Súmula 247 do extinto TFR144. CTN). I a V. 171). 585. 38 da Lei nº 6. p. de 1980”. 204. é considerada inconstitucional pelo STF. no decurso assinalado. No primeiro caso. REsp 943. caracterizando a ativação da dívida da Fazenda Pública (art. mesmo em sede recursal. 2001. Exatamente por essa razão. 171). 503. p. porquanto todos têm direito ao sossego público. 203. como precedente na ADI 1. 144 Súmula 247 do TFR: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. “caput” e parágrafo único. porque se trata de aplicação do art. 250) define dívida ativa como crédito tributário inscrito. formada a coisa julgada administrativa. prossegue o PAF. com precedentes no AgRg no Ag 112. Informativo do STJ n° 324. Uma vez perfeita a inscrição. “caput”. CTN). descabe reexame necessário pela própria Fazenda Pública. José Delgado. nos termos do art. ninguém pode ficar submetido eternamente ao crivo da Administração. Segundo o STF. Marco Aurélio. 38. Inscrição em dívida ativa – Sabbag (2004. escoradas no art. entendimento secundado pelo STJ143.116-SP. e no RMS 240-SP. o crédito tributário (não suspenso. De outra parte. Essa exigência. aliás. VII. rel. DJ 30/6/1997. DJ 1º/6/1992. data de inscrição e identificação do PAF. CPC. 77). cadastro eletrônico). . XXXIV e XXXV. RE 233582/RJ. rel. AC 1. parágrafo único.566-MG. O ajuizamento de qualquer demanda judicial implica na renúncia ao recurso administrativo interposto.830. prevêem depósito recursal para a discussão administrativa (cláusula “solve et repete”). rel. DJ 27/4/2007. fundamento legal. 16. com o livro e a folha de inscrição (art. devem ficar perfeitos vários dados. “caput”. como já se posicionou o STF. Segundo Chimenti (2002. CTN): identificação do devedor e co-responsáveis. porquanto a decisão é tangida pela imutabilidade do trânsito em julgado. LEF. com efeito. não excluído e não extinto) é lançado em livro próprio (atualmente. 151. 5º. e parágrafo único. 14. j. 145 STF. Informativo do STF n° 476. III.2007. Notificado da instauração do procedimento. geralmente de 30 dias (art. D. por notificação de lançamento ou por apreensão de livros e mercadorias (FÜHRER e FÜHRER. 201. no segundo. Ocorre somente depois de instaurado e concluído processo administrativo fiscal (PAF). 19/6/2007. CPC). j. com decisão desfavorável ao sujeito passivo. CF/88. suspendendo-se a exigibilidade do crédito tributário (art. CF/88). Dessa decisão. Joaquim Barbosa. valor devido.109 “caput”. CTN). também chamada de impugnação ou de reclamação (CHIMENTI. CTN). 2002. LEF. 38.8. cabe recurso hierárquico à instância administrativa de superposição. DJ 28/5/2001. o ato administrativo goza de presunção relativa de liquidez e de certeza quanto ao crédito representado (art. sob pena de nulidade do ato (art. Caso o contribuinte seja vencedor na primeira instância administrativa. Esse é iniciado por auto de infração. STJ. p/ o acórdão Min. Plenário. o único formado unilateralmente 143 143 STF. o interessado pode pagar ou apresentar defesa. O julgamento da pretensão geralmente é realizado por delegado fazendário ou por órgão especializado. No apontamento. o qual trata da desistência tácita a recurso judicial145. 70235/72).073-DF. extingue-se o crédito tributário. representada geralmente pelo Conselho de Contribuintes (na seara federal – DL 1438/45) ou por Tribunal de Impostos e Taxas (no âmbito estadual e distrital). o legislador emprestou-lhe o valor de título executivo extrajudicial (art. p. várias legislações. 1ª T. Min. “caput”. 202. esse comando não ofende o direito de petição e a inafastabilidade do Judiciário (art..

Min. a existência de autêntica imunidade tributária (SABBAG. AgRg no REsp 932. e 2º. Nessa hipótese. implica em vício insanável. “b”. 1ª Seç. os arts. j. LEF). CF/88. afirma que a certidão positiva que ateste crédito vincendo. nesse ponto. parágrafo único. p. CTN). por estar consubstanciado abuso da autoridade competente (SABBAG. rel. apesar de fazer com que os participantes do ato respondam pela integridade do débito. § 1º. Min. conferiram a prerrogativa de fazê-lo até a decisão de primeira instância jurisdicional. realização de certos atos ou participação em algumas situações.002-SP. DJU 26/6/2007. a qual se liga à decisão nos embargos à execução fiscal. com execução garantida ou com exigibilidade suspensa (art. Certidão negativa – o direito de certidão é remédio constitucional assegurado pelo art. Eventual nulidade no ato de inscrição da dívida ativa pode ser elidida pela autoridade tributária. CTN) produz os mesmos reflexos jurídicos da CND. Todavia. XXXIV. pode ocorrer que a urgência não permita a espera. urgindo escrituração contábil totalmente nova147. De outra sorte. AgRg no REsp 942. p. incluindo principal. O STJ ainda adverte que a correção deve aterse a erro material ou formal. parágrafo único. a qual necessariamente deverá estar anexada na exordial de execução fiscal (art. 253). José Delgado.402-RS. § 8º. é exigida prova da quitação de tributos. correção e eventuais penalidades. naquilo que concerne à parte modificada. 486) diz que o STJ. pela gravidade. 212). A partir da ativação. juros. 147 STJ. contados do requerimento (art. Informativo do STJ n° 325. sujeito à nulidade absoluta146. há doutrina que defende. 201.110 pelo credor (ASSIS apud CÂMARA. I a VI. 146 . mesmo ante o breve decurso assinalado pela lei para a expedição da CND. Por esse motivo. 2004. CTN. A certidão negativa de débito (CND) para com a Fazenda Pública vem exatamente nesse sentido. não atingindo inexistência de requisito essencial da certidão. 1ª T. LEF. Trata-se de documento de expedição obrigatória por parte da autoridade solicitada. Nesse sentido. DJU 13/3/2000. 27/6/2007. Vale ressaltar que a corte também já assentou entendimento no sentido da desnecessidade de novo ato de lançamento para simples retificação aritmética da CDA. CTN). 207. A presunção ora em comento é relativa. dispensa a exibição do documento. p. a Fazenda Pública expede certidão de regularização ou certidão negativa com efeitos de negativa. 203. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. o art. Amaro (2006. a fluência de juros não afeta a liquidez do título (art. CTN). a qual. 151. A inobservância do interregno pode ensejar a impetração de mandado de segurança. como já está pacificado na jurisprudência. CTN. 5º. Para celebração de determinados negócios. 252). REsp 196. 206. Nessa situação. salvo se a alteração a ser efetivada comportar total mudança no seu teor.982-RS..663-SP. CTN. O art. como meio de erigir uma presunção absoluta em prol do administrado. 205. pode ser extraída certidão de dívida ativa.. EREsp 602. 6º. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. p. j. Humberto Martins. 204. rel. 2006. pois pode ser elidida por prova em contrário (art. 2004. 20/9/2007. a qual deverá aduzi-lo em até 10 dias. Informativo do STJ n° 332. parágrafo único.

Essa se verifica quando há delegação de fiscalização. “caput”. não responderá civilmente pelos prejuízos ao erário. CTN). “caput”. A referida delegação não necessariamente implica em parafiscalidade. 2º. Ex. 208. mas cobrou-lhe alto preço em contrapartida. § 1º. o agente público responderá pelo ato na esfera criminal e penal. Com efeito. “Os prazos serão contínuos. No entanto. Lei 11457/07. “caput”. 2º. parágrafo único. “Super Receita” A Lei 11457/07 instituiu a SRFB. p. Entretanto. 208. responderá pessoalmente pelos valores decorrentes e eventuais acréscimos (art. 210. é precípuo destacar que toda a tributação da alçada estadual deve levar em consideração dois elementos: o local onde se deu o fato gerador e a regência da LEGISLAÇÃO ESTADUAL sobre tal. CTN. Dessa forma. ponto facultativo e meio expediente não são computados como tais.: o . Impostos em Espécie Introdução – o art. CTN). a discussão tangencia exatamente a capacidade ativa e a parafiscalidade. domingos ou feriados” (SABBAG. mas a CND terá efeito liberatório geral. 210. pelos sábados. confere capacidade tributária ativa à SRFB no tocante às contribuições sociais.111 legislador concedeu uma benesse ao contribuinte para evitar a caducidade de um direito. o art. vale lembrar a colocação do autor. instituídas atualmente ou “de lege ferenda”. formando um só órgão. direciona os valores decorrentes ao Fundo da Previdência Social. 2004. sendo detida pelas pessoas políticas. como bem vem aventando a jurisprudência. A SRF foi unificada à Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). excluindo-se o dia de início e incluindo-se o termo final. Quando o servidor expedir CND com inobservância de preceitos formais. “caput”. sem prejuízo de responsabilidade penal e administrativa (art. No último caso. CTN). Quando atua com culpa. sendo instituto mais abrangente que a mera capacidade tributária ativa. 7º. parágrafo único. Em relação à SRFB. valendo como dias sem funcionamento. Prazos no CTN A teor do art. Em decorrência. os decursos são contados exatamente na forma do processo civil. A sujeição ativa tributária e a parafiscalidade foram modificadas pelo diploma. CTN). a capacidade tributária ativa (arrecadar e fiscalizar tributos) pode ser delegada (art. É essa que caracteriza o sujeito ativo da relação jurídico-tributária. sem interrupção. Antes de tudo. 155 da CF/88 estabelece os impostos de competência dos Estados federados. o art. em contrário senso. Lei 11457/07. No entanto. no sentido de que os termos (final e inicial) só serão considerados quando houver expediente regular na repartição (art. arrecadação e administração de tributos. 255). A competência tributária é indelegável. por dolo ou fraude. não implica em parafiscalidade das contribuições sociais em relação à SRFB.

ES e PE). Nesse contexto.112 ITCMD leva em conta o local onde estão os bens do “de cujus” e não onde este veio a falecer. consoante comentário já realizado. 155. IX. a bitributação do mesmo fato gerador. há tratamento tributário diferenciado. O órgão tem por escopo padronizar os procedimentos tributários. até a EC 33/01. para tornar mais eficaz o recolhimento. Essa mutação constitucional. em operações de importação. em sede de exceção. passaram a adotar um modo operante simplificador. o ICMS. mercadoria é aquele OBJETO DE MERCÂNCIA. vez que o II incide sobre PRODUTOS. CF/88). porquanto da sua natureza jurídica. é necessário. uma vez adquirida e utilizada pelo consumidor. ou seja. Fechando o ciclo. ela consubstancia somente um bem móvel de uso doméstico. O que diferencia o produto da mercadoria é a destinação. Para entendê-los. Dentro deste universo. Já nosso sistema tributário não alcança tal beneplácito. as Receitas Estaduais. Para tentar dirimir tal entrave. Seu inciso I fala do II. muito criticada pela doutrina. envolvendo tudo que ela consegue produzir. incidia sobre mercadorias. enquanto outras não148.: a geladeira. Produto é gênero. Alguns países não tributam produtos importados para uso próprio do consumidor. ainda se está muito longe de uma harmonização razoável entre as legislações vigentes. Esta medida é efetivada nas fronteiras estaduais. “a”. o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) decidiu que o porte da guia de recolhimento de IPVA não é obrigatório ao condutor por ocasião de fiscalização de trânsito. A prática é totalmente inconstitucional. dada a dificuldade de fiscalizar os fatos geradores. Para solver tais entraves. Aquele resulta da atividade humana. indica os impostos de competência da União. qual o seja a entrada de produtos importados em território nacional. foi criado o CONFAZ – Conselho Nacional Fazendário (27 secretários de Fazenda dos Estados e alguns membros da Receita Federal e Previdenciária). Em face das diferentes normas dos 27 Estados brasileiros. à padronização de alguns documentos fiscais. que está no trajeto indústria-comércio. a EC 42/03 determinou que o importador fosse 148 Por meio de recente resolução. O inciso II fala do IE. NÃO SOBRE MERCADORIAS. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados) – o art. porquanto não se encontra no caminho entre a produção e o comércio. como notas. a arrepio da Constituição. . II (Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros) e IE (Imposto sobre Exportação. o que pode gerar conflitos de legislação. Pode ser natural ou totalmente artificial. O trabalho efetivo do CONFAZ resume-se. conhecimentos de transporte e guias de recolhimento. 153. Entretanto. CF/88.: há unidades da federação que exigem o porte da GARE de recolhimento do IPVA junto com o RENAVAM (BA. de modo concreto. Depois da reforma constitucional. DIFERENCIAR PRODUTO E MERCADORIA. de modo a dirimir eventuais disparidades para com as exações regionais e federais. permitiu. quando a exação seria devida no emissor. não é mercadoria. para o Exterior. hodiernamente. do qual mercadoria é espécie. Ex. Passaram a exigir dos transportadores o ICMS integral das mercadorias que entram em seus Estados. Ex. preliminarmente. o Supremo passou a referendar a exação sobre produtos importados (art.

fabricação. ou abandonados. as quais implicam em posterior distribuição por intermédio do Brasil. Admite diversas formas: Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação. por exemplo. IMPORTAÇÃO é a aquisição de produtos estrangeiros em caráter definitivo. Aliás. manutenção. 153. Neste sentido. a terminologia empregada reside na melhor técnica jurídica de redação. revertem-se em favor da Fazenda Nacional. complementação ou acondicionamento de outra exportada. isto é. a outro país não configuram exportação e. nem importação. etc. 149 . ao prescrever a “exportação. I. quer seja para operações de mercância. É a construção jurisprudencial e doutrinária dominante. dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento. O conceito de exportação. é análogo ao anterior149. produtos naturais ou industrializados. insumos. Produtos não despachados. É possível identificar duas espécies de operação de exportação: A CF/88 foi categórica. sob o enfoque semântico. por conseqüência.113 contribuinte para o financiamento da seguridade social. II. complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. de produtos”. Dessa feita. para países estrangeiros. dá-se por atos procedimentais. os quais possuem exatamente a mesma hipótese de incidência do II e do ICMS. em seu art. O termo “nacionalizado” (ou internado) refere-se a operações anteriores à importação. Neste sentido. Restituição. Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria. À primeira vista. a confecção do produto deve situar no estrangeiro. pareceria que se trata de uma redundância. ou utilizada na fabricação. O próprio CTN faz referência à conotação apontada. esse fenômeno. o constituinte originário resolveu especificar “ipse litre” a atividade. em contrário senso ao conceito e ao desdobramento do “drawnback”. dando azo à instituição do PIS-importador e da COFINS-importador. quer seja para consumo. porque há TEMPORARIEDADE na operação. Porém. 153. remessas de produtos para repontecialização. a natureza do produto. nacionalização segundo entendimento doutrinário. equipamentos. O vocábulo “exportação” foi (e é) utilizado também para designar o fluxo de coisas entre os Estados da Federação. fala-se em exportação para o Estado de São Paulo. em quantidade ou qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento. com o fim de constituir perfeitamente a hipótese de incidência do IE. total ou parcial. CF/88. conhecido como “drawback” é considerado incentivo à exportação. Essa nomenclatura é utilizada em vários diplomas do Sistema Tributário. deve ficar adstrita a um país estrangeiro. Portanto. troca. para o exterior. incluindo. Tanto uns quanto os outros refletem o objeto material da hipótese de incidência. complementação ou acondicionamento de produto exportado. etc. Quanto ao II. Estes produtos podem ou não sofrer modificações domésticas. os quais foram recepcionados pela Carta de 88. Já a palavra “nacional” diz respeito àqueles produzidos integralmente no país. Desta feita. nos quais se transfere o produto ou mercadoria estrangeira para a economia nacional. para o art.

no mercado interno. No estabelecimento de ALÍQUOTAS. . pois a autorização contida no art. A operação de comércio exterior é regida por competência legislativa privativa da União (art. Nessa hipótese. porquanto se prestam à intervenção na atividade econômica interna. Portanto. São impostos eivados de EXTRAFISCALIDADE. em consonância com os demais princípios e direitos essenciais contidos na Carta Política. A importação e a exportação não podem ser realizadas a bel prazer do empresário. É ele quem regula as atividades inerentes ao II e ao IE. Conseguintemente. os Ministérios da Fazenda. § 1º. o negociador no comércio externo – e. 22. a União é a única que tem personalidade jurídica de Direito Internacional. o constituinte permitiu que a fixação da alíquota de tais exações não se sujeita à reserva legal. CF/88. 153. em última análise. O controle é realizado por meio de alíquotas diferenciadas. § 1º. Desta feita. Há isenção do tributo quando há importação de matéria prima. O II e o IE incidem. pois há interesses nacionais em jogo.114 Direta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior. 153. vez que ambos são proporcionais. no país. CF/88). o Fisco. O “drawback” também é aplicável quanto ao IE. deve ser usada sistemicamente. na balança de pagamentos do país. O comércio exterior reflete-se na indústria interna. por conseguinte. com base em contrato. no consumo interno. CF/88). principalmente com referência àquelas de cunho religioso. da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores são coordenados por um arcabouço interministerial: o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). de acordo com a situação presente. Esta é sempre a AVALISTA INTERNACIONAL dos demais entes públicos ou das empresas privadas brasileiras. que funciona como interveniente comercial. Além disso. contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido pela instituição financeira internacional da qual o Brasil participe. VIII. que por sua vez emitirá outro documento de venda endereçado ao comprador estrangeiro. o eventual devedor – sempre será a União. a serem majoradas ou diminuídas. principalmente no que concerne às suas constantes alterações. será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador. 2004). não se deduz a capacidade contributiva. sobre o SETOR DE ATIVIDADES (base econômica). Em relação às operações de mercado exterior. cujo gestor principal é a Receita Federal (CASSONE. produtos intermediários e componentes destinados à fabricação. à anterioridade ordinária nem à noventalidade (arts. Também ocorrem dissidências jurídicas quanto a imunidades de certas ENTIDADES. e 150. vem a ferir o princípio da ISONOMIA. § 1º. reais e indiretos. de máquinas e equipamentos a serem fornecidos. Daí decorre o conceito de Dívida Externa. em decorrência de licitação internacional. por vezes. Indireta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda para destinatário comprador no Brasil.

efetivar o negócio. Esta fiscalização é denominada desembaraço aduaneiro150. o interessado poderá. aeroportos. portanto. o qual pode ser dividido em zona primária e secundária. mediante a declaração de importação (DI). Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo – é o que permite o ingresso para permanência temporária no país. Mas há regimes aduaneiros especiais. 150 O atual Regulamento Aduaneiro é veiculado pelo D. em regra. Uma vez AUTORIZADA. por conseqüência. os conteúdos a serem comercializados. II. O interessado no comércio exterior deve. bem como outras áreas nas quais se efetuam operações de carga e descarga de mercadorias ou embarque e desembarque de passageiros. endereçando-o. Despacho para consumo é o conjunto de atos procedimentais (desembaraço aduaneiro). nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art. zona primária compreende as faixas internas de portos. com suspensão do pagamento de tributos. No critério temporal. recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres. De posse dos dados fornecidos pelo interessado. I. a exação contempla o que se conhece como território aduaneiro. eletronicamente. o qual consubstancia o FATO GERADOR do II. destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. DL 37/66). de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas. é necessário uma autorização prévia do governo federal para todas as operações no setor. Segundo o art. O aspecto material do II é representado. para seu uso ou consumo. Já para o IE. 33.115 Desta forma. Admissão temporária – é o que permite a importação de bens que devam permanecer no Pais durante prazo fixado. os quais permitem a suspensão total ou parcial da exigibilidade do II: Trânsito aduaneiro – é o que permite o transporte de mercadoria. no caso de utilização econômica. o momento de ocorrência do fato imponível coincide com a data do registro da DI no tocante ao produto despachado para consumo. 19. cujo objetivo consiste em colocar a mercadoria nacionalizada à disposição do adquirente estabelecido no Brasil. ao órgão competente do SISCOMEX (SRFB). Zona Secundária compreendendo a parte restante do território nacional. 91030/85. fisicamente. DL 37/66. fica configurado a partir da expedição da GUIA DE EXPORTAÇÃO (CASSONE. com a suspensão do pagamento de tributos. de um ponto a outro do território aduaneiro. Espacialmente. com suspensão total do pagamento dos tributos. Esse analisará o pedido e poderá autorizar a operação. ou com suspensão parcial. CTN). . tecer um estudo fundamentado sobre o produto a ser importado ou exportado. o Fisco poderá fiscalizar. 33. 2004). então. pela entrada do produto no território nacional (art. antes de tudo. sob o controle aduaneiro.

CTN. consoante comentário supra aduzido (art. também são objeto da base de cálculo “ad valorem”. escapam à incidência da exação. Por outros fatores alheios à vontade do exportador. De acordo com o ditame da 151 Súmula 576 do STF: “É lícita a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero”. não precisando observar propriamente os ditames da anterioridade original e da noventalidade. 20. chegando-se a uma base de cálculo atribuída. 5º. Quando a hipótese de incidência traz um percentual fixo sobre o valor da transação. No diapasão. As alíquotas são geralmente constantes do GATT. III. 150. CTN). nos termos das respectivas legislações. podem elidir a concorrência dos similares brasileiros. o segundo critério é comumente utilizado para o II. tem-se o conceito “AD VALOREM”. Em referência ao II. D. de acordo com a previsão do art. Mercadoria devolvida por motivos de defeito técnico. D. Segundo entendimento da análise dos atos normativos em comento. a base de cálculo é sempre fixada. I e II. 2434/88. os quais alcancem valores ínfimos na chegada ao país. II. para evitar a mera evasão de divisas. Neste sentido. a quantificação expressa na DI (valor do produto mais despesas de alfândega) seria a base de cálculo. § 1º. Na mesma esteira. Este comando decorre dos arts. 214. Mercadoria devolvida por modificações na sistemática de importação por parte do país importador. 4543/02). § 1º. em que pese a previsão do art. de acordo com o critério do art. atribuídos a mercadorias em trâmite entre empresas do mesmo grupo econômico transnacional. para reparo ou substituição. 20. As alíquotas são fixadas na Tarifa Externa Comum (advinda do GATT) ou determinadas na legislação federal. pois produtos importados. CTN. por questão de não-subsunção ao tipo tributário do II. a incidência não ocorrerá nas seguintes situações: Mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado. 2472/88 confirmaram essa premissa. 24. Como a tributação de importação é dotada de extrafiscalidade. De fato. o DL 37/66 e o D. 20. . CF/88 e 21 do CTN. CF/88). a BASE DE CÁLCULO pode ser estabelecida basicamente de duas formas (art. A alfândega é a encarregada de verificar quais os valores a serem acrescidos. I. atualmente para o IE. assevera que bens importados com alíquota zero do II estão sujeitos aos demais tributos. Do contrário. 2004). 214. 20. quando o produtos é adquirido em leilão de bens provenientes de descaminho (art. CTN). Os valores irrisórios. o art. “caput”. quando o fisco determina um “quantum” somado ao inicial. os quais conferiram possibilidade para o Executivo alterá-la. a Súmula 576 do STF151 autoriza a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero. Nesse passo. de modo a não prejudicar o setor produtivo nacional. 4543/02 (CASSONE. Destarte. § 2º. II. tem-se a exação proporcional (art. D. 153. nunca “ad valorem”. CTN). Terceira forma de determinar a base de cálculo do II se dá pelo valor da arrematação. o legislador assim previu para o IE (art.116 Outros acontecimentos.

4543/02). I e II. tipo de produto são elementos que servem para que a autoridade alfandegária decida sobre o enquadramento do lote em um ou em outro canal de fiscalização. a carga de IPI será reduzida sobre bens de capital. ainda encontra outro elemento complicador: a fiscalização de produtos importados que levantem suspeitas sobre ilicitude. a ALFÂNDEGA adota critérios diferenciados de fiscalização. CF/88. freqüência do importador. CF/88. D. 215. aquele. adotando-se o sistema de compensação com a operação posterior. arcará com a obrigação tributária do imposto de importação. cinza. O desembaraço para a exportação também segue o mesmo trâmite da importação. . Serão imunes as operações com produtos industrializados destinados ao exterior. via de regra. O constituinte determinou algumas características. a despeito da essencialidade. o sujeito passivo é o importador ou o arrematante152 (art. Para o IE. § 2º. 153. com conseqüentes facilitações. em quantidade suficiente para suprir o mercado interno. CTN). os quais são objeto do delito de descaminho (art. de consumidores e de importadores. I e II. no que tange à exação em tela. Ex. 4543/02). 318. a qual representa palco de conflitos entre os interesses de produtores. vermelho e preto). Tal critério é o primeiro elemento que o legislador observa ao estipular as alíquotas. Além das considerações tributárias. é o exportador ou quem a ele se equiparar (art. 4543/02) e majorada até o percentual máximo de 50% (art. como configurador do fato gerador. 215. Há certificações de órgãos ou entidades públicas que resolvem parte da burocracia para a exportação. D. O desembaraço aduaneiro. a alíquota. estabelecidas no art. § 1º. “caput”. CP). IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – está previsto no art. Nesta situação. é de 30% sobre o valor do produto (art. 2637/98. As alíquotas serão fixadas de acordo com a essencialidade do produto. Para otimizar as operações. partindo de um patamar de menor para outro de maior rigor. De acordo com o estabelecido pelo legislador ordinário. I a IV. dada a previsão constitucional do art. competindo à Câmara de Comércio decidir sobre tais alterações. porquanto fica atrelada especificamente a CADA TIPO DE PRODUTO. A prerrogativa. sendo menores aquelas de produtos mais essenciais. para o IE. Para o II. País de origem. 22. Esta equação não se resolve facilmente. § 1º.117 ESSENCIALIDADE. dado o comando contido no art. de acordo com os canais enquadrados (verde. as alíquotas do II serão maiores. O comando determina também que será não-cumulativo. menor será a alíquota incidente. A normatização do IPI é dada pelo D. mediante a declaração de arremate. CTN). 153. CF/88. podendo ser reduzida (art. a qual pode ser confundida com entorpecente. quanto mais vital é o produto. notícias da imprensa. 153. O sujeito ativo é sempre a União (Fisco) para ambos. É o mecanismo denominado BARREIRA ALFANDEGÁRIA. 27. 153. Todavia. D. CF/88. se há produção interna de algum bem. § 3º. pertence ao Executivo. 215. 152 O arrematante é aquele que adquire produtos importados em um leilão. IV. portanto.: importação de naftalina para fabricação de produtos de limpeza. há conotações de ordem política para o estabelecimento das alíquotas do II e do IE.

de modo estanque. consoante precedente da 1ª Turma do TRF/4. Desta feita. Neste sentido. O inciso I refere-se a alíquotas diferenciadas de acordo com o caráter essencial ou não do produto. Ex. consubstanciando os estabelecimentos equiparados à indústria. do mais básico ao mais supérfluo. CF/88. o beneficiamento. Tanto para o IPI quanto para o ICMS. os quais seriam englobados pelo IPI – como o caso de tomates embalados em bandejas para o supermercado ou de pescados que são beneficiados com a retirada de escamas para o comércio – são agraciados pelo legislador pela isenção de imposto. o produto “in natura”. III. 4544/02. o acondicionamento. 95. 153. CTN. já incide o IPI. parágrafo único. Enquanto pender uma ação humana que venha a adaptar um produto para o consumidor final. Vale lembrar também que não pende a regra da anterioridade ordinária (art.118 modificado pelo D. desde a natureza até o consumidor. “c”. I a V. incide sim o Imposto Sobre Serviços (ISS).: indústria de ternos e alfaiate. traça o alinhamento geral para que o legislador infraconstitucional trabalhe a regulamentação do IPI. 3º. IV. É a SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. 150. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Juripsrudência. porquanto se configura um produto industrializado.. deve ser verificado: recurso natural. Livraria do Advogado. Nesta situação. pois se trata da maior alíquota existente. o produto passa a constituir um semi-elaborado. como prescreve o art. etc. Portanto. 153 . a montagem e o recondicionamento (recuperação de um produto obsoleto ou inservível em algo aproveitável para a aplicação humana). CF/88. 2001). 150. 46. cit. até que venha a converter-se em produto consumível. “o beneficiamento realizado em um bem do cliente ou mesmo a produção mediante encomenda não podem configurar fato gerador do IPI”. a seara do IPI engloba a transformação. § 3º. até que possa chegar ao consumidor final. é necessário recorrer à produção em série no primeiro e o “artesanato” no segundo153. como fato gerador. D. Porto Alegre. em proveito da organização e não de terceiros. A Tabela do IPI (TIPI) estabelece todas as alíquotas. 4544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI). “in fine”. CF/88) sobre o imposto em relevo. CF/88). 153. Na esteira. p. a atividade estará no campo de incidência do tributo explicitado no art. a atividade de transformação de produtos naturais em bens consumíveis não pode ser enxergada somente por cada uma de suas etapas. Outro ponto interessante é a desigualdade entre o estabelecimento equiparado à indústria e o prestador de serviço. Em sentido contrário. o IPI tem por base econômica as operações com produtos industrializados e. Para os ALIMENTOS. Objeto – está no art. indústria de transformação. indústria de base. demonstra Cassone. Para diferenciálos. Para o citado autor. § 1º. op.5%. Conceito de produto industrializado – deve-se tomar. É o que diz o art. parágrafo único. extrativismo industrial. a qual desencorajaria o consumo de um produto não recomendável devido a razões de saúde pública (PAULSEN. Características – o art. O caminho. partindo do PRIMEIRO PASSO DE PROCESSAMENTO. A partir do primeiro estágio. a exação citada somente exclui a extração da natureza. 2001. indústria de montagem. 46. Modificação no produto implica em atividade industrial para fins tributários. de início. CTN. a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial. com fulcro em jurisprudência do STJ. Para Ricardo Lobo Torres Para Leandro Paulsen. oscilando de 0 a 363. o imposto possui certa extrafiscalidade quanto ao fumo. mas incide a noventalidade (art.

2) O vendedor (responsável) torna-se depositário desse IPI cobrado do comprador (contribuinte de fato) nos termos da Lei 8866/94. a lei determina que sobre o preço seja calculado o IPI. a PIS e a COFINS também seguem o mesmo raciocínio. CF/88). mesmo se tratando de exação indireta. de haver mais imposto de crédito que de débito. O inciso II expressa a não-cumulatividade. II. o direito a compensar o IPI só é devido aos produtos que terão exação correspondente na saída. mas o contribuinte de direito (responsável). abstraindo-se os créditos referentes ao mesmo período. o adquirente do bem recebe a carga tributária do alienante dentro da cadeia comercial. desconta-se o valor anteriormente incorporado no novo recolhimento de IPI. o adquirente escritura o crédito decorrente e o . computando-se débitos e créditos da pessoa jurídica. Em outras palavras. Todas as vezes que houver saída de um bem.119 (apud PAULSEN. já que não é ônus seu. a sistemática de recolhimento do imposto é particular. persistirá um crédito. o crédito de IPI somente terá vez se o produto compor a saída do estabelecimento. Nesse sistema. 3) Não pode ser contabilizado como despesa ou custo pelo vendedor. na quinzena de totalização. toda vez que houver entrada do bem. Além disso. A cada operação de circulação. a exação possui repercussão do encargo financeiro. CF/88). Existe a possibilidade. o crédito do IPI só seria devido ao contribuinte que não for consumidor final do produto (contribuinte de fato). Essa questão passou a ser controvertida nos tribunais. o imposto devido em um mês será igual a todos os débitos. incide a exação. a cada nova agregação do processo industrial. desde que a fase anterior seja tributada. o estabelecimento industrial ou equiparado não é o contribuinte de fato. No entanto. § 3º. O procedimento é denominado apuração do imposto em conta gráfica. A partir da Lei 8866/94. mas sim do comprador. podem existir saídas em que não incide o IPI. 153. O ICMS. O IPI será apurado mensalmente. constitui atendimento ao PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. passa a ser depositário infiel. § 3º. conquanto se caracteriza o fato imponível. Caso não recolha aos cofres públicos o valor cobrado a título de IPI. Na seqüência. haverá débito. Dessa feita. III. aplicável coercitivamente ao IPI pelo legislador. Havendo venda de produto industrializado por qualquer valor (preço negociado entre o vendedor e comprador). uma vez que é repassado no preço da mercadoria. Entretanto. fazendo valer compensação entre débitos e créditos do sujeito passivo. 153. que deve cobrar o IPI do consumidor e repassá-lo à União. o responsável passou a ser definido como depositário da União. 2001). Quando o alienante realiza a venda. Em tese erigida pelo legislador (a partir do art. realizando o princípio da não-cumulatividade do IPI (art. seguindo a seguinte sistemática de recolhimento: 1) Deve ser destacado na Nota Fiscal e cobrado do comprador por ordem e conta da União. escritura o débito em seu livro de registro cabível. De fato. o critério da seletividade pela essencialidade. Para evitar o “efeito cascata”. Desta forma.

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débito da saída, assim como todos os demais componentes da cadeia de consumo. Ex.: alíquota de 4% sobre o produto que sai de “A”, cujo valor é de R$ 100; “B”, o adquirente, processou o bem e o vendeu por R$ 200; na primeira etapa, o IPI devido será de R$ 4; “A”, então, realiza a venda por R$ 104, repassando o tributo para “B” e escriturando o débito correspondente (R$ 4); “B” escritura o crédito consectário (R$ 4); supondo que “B” venda o produto processado a “C”, com alíquota também de 4%; “B” aplica o preço completo de R$ 208, escriturando R$ 8 como débito; consequentemente, “C” escritura crédito decorrente (R$ 8); na compensação, “A” recolhe R$ 4, “B”, R$ 4 (8-4); “C” só teve crédito de R$ 8, não devendo nada ao fisco, ficando acumulado para o próximo mês. Querela relevante se coloca quanto à alíquota zero atribuída ao IPI em determinadas operações. O ICMS usa, atualmente, as mesmas regras de nãocumulatividade do IPI (art. 155, § 2º, I, CF/88). No entanto, o constituinte expressamente determinou que a isenção ou não-incidência de ICMS, ressalvada previsão contrário do legislador, não implicará em crédito para operação seguinte, quando houver isenção ou não-incidência na entrada (art. 155, § 2º, II, “a”, CF/88). Em melhores palavras, a operação de saída, quando isenta ou quando não haja incidência de ICMS, não levará a direito ao crédito correspondente na próxima etapa da cadeia. O crédito está condicionado à incidência integral da exação na operação anterior. Nesse contexto, a Constituição de 1988 nada dispôs sobre o IPI, suscitando dúvida sobre a aplicação analógica ou não da mesma regra. Os contribuintes passaram a defender que o direito a crédito é incondicionado, independentemente da incidência ou não nas operações posteriores e anteriores, já que, no ICMS, o constituinte expressamente falou, e no IPI, silenciou. Por volta de 1998 e 2000, o Pleno do STF firmou entendimento a favor do sujeito passivo, fundando-se na ausência de ressalva expressa, ao contrário do que fez o constituinte quanto ao ICMS. Em meados de 2005, a querela foi trazida à baila novamente. Ao revés da orientação anterior, o STF, no início de 2007, operou mutação constitucional154. Segundo o Excelso Pretório, para produtos tributados com alíquota zero (espécie de isenção, segundo o próprio Supremo) ou não tributados, inexiste direito a crédito na operação seguinte dentro da cadeia comercial. Na ocasião, em questão de ordem (QO), o Ministro Ricardo Lewandowski, em nome da segurança jurídica, propôs a aplicação prospectiva do novo entendimento, operando efeitos “pro futuro”. Por dez votos a um, a QO foi rejeitada, conferindo efeitos “ex tunc” à interpretação. No entanto, o STF nada falou sobre produtos imunes e isentos “em sentido estrito”, pairando querela sobre a matéria. Advogando em prol da União, a PGFN levanta interpretação literal do art. 153, § 3º, II, CF/88, uma vez que o constituinte fala em compensação de créditos mediante “montante cobrado” nas operações anteriores. Não havendo cobrança, não há de se falar em crédito na operação seguinte de saída. Quando ocorre situação inversa, em que há crédito na entrada (matériaprima, material de embalagem ou intermediário), mas o produto é isento ou contemplado com alíquota zero na saída, o art. 11, Lei 9779/99, autoriza a
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STF, RE’s 370682 e 353657.

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manutenção do crédito em IPI (adquirido na entrada), bem ao inverso do que ocorre no ICMS (art. 155, § 2º, II, “b”, CF/88). Descabe analogia na aplicação do comando em tela, não atingindo produto, na saída, imune ou não tributado. Da mesma forma, o bem da entrada deve ser matéria-prima, material de embalagem ou intermediário, não alcançando qualquer outro. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, em face da interpretação restritiva do dispositivo legal em tela, o crédito anterior deve ser anulado. Essa visão decorre do que já disse analogamente o STF, quanto às entradas com alíquota zero ou não tributados. Em verdade, o precedente do STF tem o condão de dar o mesmo tratamento entre ICMS e IPI, o que permite postular em favor da Fazenda federal155. O inciso III estabelece que não haverá incidência de IPI na exportação156. Deste modo, a legislação permite que o contribuinte mantenha um crédito tributário para com o fisco federal, com o fim compensar em outros tributos de competência da União. O dispositivo tem por fim incentivar a atividade de exportação. Crédito prêmio – era dirigido àqueles industriais que desejassem adquirir novas tecnologias em produtos industrializados importados, a título de melhoria do maquinário. Eles teriam isenção de IPI. Previa assim, o legislador, que os apontamentos desta conta gráfica fossem lançados à parte. Todavia, a despeito de conceder um benefício para a economia, haveria uma majoração grande na ponta da linha, incidente sobre o consumidor final, porquanto houve incremento dos custos. Entretanto, o legislador extinguiu o respectivo crédito sem a necessária contraprestação por parte do governo. As empresas, então, foram a juízo para requerer o devido. A ação encontra-se em trâmite no STF. Fato gerador – o IPI incide no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado importado, da saída de produtos industrializados do estabelecimento manufatureiro (emissão da nota fiscal) e da arrematação de produtos industrializados abandonados ou apreendidos, acordo com o art. 46, I a III, CTN. Em verdade, as operações delineadas trazem a lúmen os sujeitos passivos do imposto. Aspecto subjetivo – o SUJEITO PASSIVO será o importador, os estabelecimentos industriais, os comerciantes e o arrematante, além dos equiparados (art. 51, I a IV, CTN). Em melhores palavras, os contribuintes do IPI são o arrematante em hasta pública, os industriais (ou equiparados) e o importador, bem como o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos industriais contribuintes. Equiparação tributária instrumento meramente fiscal que só pode ser determinado em lei. O fato de um comerciante ser equiparado, não significa que se tornou industrial, mas que passa a ser tratado da mesma forma que este. O comerciante atacadistas de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) são equiparados, facultativamente, aos industriais (art. 11, I, RIPI). Se optarem pela equiparação, nos termos do art. 14, I,
STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 156 Para alguns autores, o dispositivo é entendido como imunidade. Em contrário senso, para a maioria da doutrina, é caso de não incidência.
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“a” a “c”, RIPI, destacarão o IPI relativo à saída na nota fiscal. Tal equiparação objetiva possibilitar o crédito do IPI pelos estabelecimentos industriais que adquirirem insumos de comerciantes atacadistas. Se o comerciante atacadista não optar pela equiparação industrial, mesmo assim é possível ao adquirente efetuar o crédito do IPI mediante a aplicação de alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% do valor constante na nota fiscal (art. 165, RIPI/02) Base de cálculo – na importação, o valor da operação, acrescido de eventuais taxas aduaneiras, será a base de cálculo (art. 47, I, CTN). Na saída da indústria, é o valor do produto acabado (art. 47, I, “a”, CTN). Sendo este desconhecido, será tomado o seu valor da praça local de um produto similar (art. 47, I, “b”, CTN), isto é, no mercado atacadista. No arremate, será o valor da arrematação (art. 47, III, CTN). Em resumo, com relação à base de cálculo do IPI, temos: • Na importação = valor de base para o II (preço livre do produto + frete + seguro) + II + taxas de entrada + encargos cambiais157. • Nas operações internas = valor da operação158 ou do produto na praça. O ICMS é parte integrante do preço de saída do produto, sendo que o seu destaque na nota fiscal é meramente indicativo do valor que o comprador, se contribuinte do ICMS, pode creditar-se. • Na arrematação = valor do arremate. Alíquotas – atendendo o critério constitucional (art. 153, § 3º, I, CF/88) e legal (art. 48, CTN) da seletividade pela essencialidade, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) apresenta duas regras de hermenêutica para sua aplicação: a posição mais específica na tabela prevalece sobre as mais genéricas; os produtos misturados e compostos, cuja classificação não possa ser efetivada, serão considerados segundo a matéria ou o artigo que lhe confira característica essencial. Prazo de pagamento – o decurso para recolhimento do referido tributo tem algumas características relevantes: É decendial, ou seja, é apurado e recolhido a cada dez dias; Admite venda de produtos com prazo de pagamento dilatado; Quando existe pagamento de duplicata pelo comprador, só no efetivo adimplemento é que o empresário receberá o total do crédito do IPI contido na nota fiscal/fatura extraída da duplicata.
No desembaraço aduaneiro, a base de cálculo do IPI é complexa, sendo formada por vários componentes. O seu preço em moeda estrangeira, mais seguro e frete, ou seja, o preço CIF (Cost, Insurance and Freight) convertido em moeda nacional, pela cotação do câmbio fiscal divulgada pela SRF mediante ato declaratório do Executivo (ADE), acrescido de II, taxas exigidas na entrada do produto (taxa de armazenagem, capatazias, serventias, etc.) e de encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (variação cambial entre a data da emissão da licença de importação e o efetivo desembaraço aduaneiro) a compõe. O montante resultante da soma de todos os itens é, portanto, a base de cálculo do IPI, sobre a qual se aplicará a alíquota para apurar o imposto devido. 158 Para Paulsen, op. cit., a desconsideração de descontos concedidos no momento da operação e a estipulação de pautas fiscais pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não coadunam com a disposição do art. 47, CTN, conquanto não se observa o ditame da legalidade tributária (art. 97, CTN) e da hierarquia de diplomas normativos. De igual forma, o referido autor cita decisões do STJ e do TRF/4 no sentido de não reconhecer a inclusão de juros – na venda realizada a prazo – e de frete por empresa coligada na base de cálculo da exação do art. 153, IV, CF/88.
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Se o sujeito passivo do IPI deve pagar em 10 dias e receberá, por exemplo, em média, em 60 dias, na verdade ele (o responsável tributário) está antecipando o imposto e financiando o governo federal. Logo, não existe a possibilidade de enquadrar o responsável como depositário infiel (Lei 8866/94) ou apropriação indébita antes que seja recebido pelo contribuinte o valor do IPI. Portanto, apurar o imposto pela data do recebimento das duplicatas é contrário à lei do IPI. Por essa razão, muitos artigos da Lei 8866/94 estão suspensos por ADIn. Lançamento – o IPI é um imposto que se sujeita ao lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte realizar todas as obrigações acessórias impostas por lei. O Fisco só atuará de ofício no não-recolhimento da exação ou no seu pagamento a menor. A partir de 1º de janeiro de 2005, a apuração passou a ser mensal, devendo-se recolher o tributo até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) – o objeto incide sobre crédito, câmbio, seguro, títulos ou valores mobiliários. O crédito é sempre representado por títulos. É imprescindível, para o seu estudo, o conhecimento prévio do universo da mercancia de títulos. A receita para o Fisco é quase que irrelevante. Toda vez que o Estado disponibiliza ao cidadão uma utilização de crédito (disponibilidade imediata para pagamento futuro) oficial, incide o IOF. Trata-se de uma ferramenta de controle gerencial do meio circulante, assim como é a taxa SELIC, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), o que caracteriza autêntica finalidade extrafiscal, porém sem perder de vista a função arrecadatória (SABBAG, 2004, p. 329). A sociedade, por meios contratuais, consegue expandir tal base oficial. A arrecadação do IOF forma um fundo que visa garantir, de um modo geral, o sistema financeiro nacional, a ser tutelado pelo próprio BACEN. Não se confunde com o crédito comercial, tido através de operações de compra e venda a prazo. O IOF está regulamentado pelo D. 4494/02. O sujeito passivo pode ser: o As pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (art. 4º, “caput”, D. 4494/02); o Os compradores e vendedores de moeda estrangeira,nas operações referentes à transferência financeira para o exterior (art. 12, “caput”, D. 4494/02); o As pessoas físicas e jurídicas seguradas (art. 20, D; 4494/02); o Os adquirentes de títulos ou valores mobiliários, incluindo instituição financeiras (art. 26, I e II, D. 4494/02). O fato gerador será: Operação de crédito – será a efetiva entrega, total ou parcial, do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, bem como a colocação à disposição do mutuário interessado (art. 3º, “caput”, D. 4494/02), lembrando-se que saque em caderneta de poupança não é

Operação de seguro – a base de cálculo é o prêmio efetivamente pago (art. com alíquota de 25% (art. 21. “caput” e parágrafo único. 22.9.5% ao dia (art. Para a base de cálculo. 333): Operação de crédito – a base de cálculo é o principal mais os juros efetivos (art. O ouro é um valor de referência mundial. 1º. 4494/02). D. enquanto ativo financeiro. “caput”. “caput”. 331) deixa claro que a mera posse dos documentos mencionados não é fato gerador do IOF. D. 28. que institui a incidência do imposto nas operações de crédito câmbio e seguros – IOF. 4494/02. 4494/02). entendo-se como efetivado o negócio no momento da liquidação do contrato ou câmbio (art. Min. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. D. Ele tem um valor cambiário. I a IV. D. Na transmissão – será o preço. rel. ADI-MC 1763/DF. 20. 4494/02). da Lei n° 8. Operação de câmbio – entrega ou colocação à disposição de moeda nacional. O verbete ficou cristalizado a partir de reiterada jurisprudência do Supremo: STF. devendo incidir somente um a vez se ocorrer simultaneidade entre elas (MACHADO. “caput”. esculpida em contornos especiais pelo constituinte. sobre saques efetuados em caderneta de poupança”. A alíquota será de 25% (art. 13. 6º. Operação de seguro – emissão da apólice ou recebimento do prêmio (art.033/90.08. Operação de câmbio – a base de cálculo será montante da operação em moeda nacional. transmissão. § 5º. a depender da hipótese de incidência (SABBAG. 7º. em que pese sua natureza de mercadoria. I a VII. 2004. “caput” e § 1º. 4494/02). No pagamento ou no resgate – é o preço. j. 1993). 14. p. como é o cheque de viagem. Desta feita. O art. “caput”. por exemplo. D. entregue ou posto à disposição do contratante (art. 4494/02. 160 STF. 29. D. 4494/02): Na emissão – é o valor nominal. . distinguem-se três situações. p. computando-se o ágio ou deságio. D. pagamento ou resgate deles (art. sendo entendido como objeto de incidência do IOF (art. 4494/02). RE 232467.1999. D. Trata-se de imunidade parcial. “caput”. D. CF/88). 159 124 . recebido. Min. de moeda estrangeira ou de documento representativo. “caput” e § 2º. 19. sob os auspícios da 159 Súmula 664 do STF: “É inconstitucional o inciso V do art. 27. 4494/02). A base de cálculo e as alíquotas do IOF são dadas por diversos dispositivos do D. D. Sepúlveda Pertence. j. rel.5%. na conformação do que der a lei (art. Operação com títulos e valores mobiliários – a alíquota máxima é de 1. determina que a alíquota máxima diária será de 1. valor nominal ou valor da cotação em bolsa. 25. D. 4494/02). 153. Sabbag (2004.98. 4494/02). 4494/02. Operação com títulos e valores mobiliários – é a emissão.fato imponível da exação em comento (Súmula 664 do STF) apesar do “factoring” sê-lo160. 11. Ilmar Galvão.

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unicidade – incidência uma única vez na origem, na extração, em que pese o fato imponível ser sua negociação posterior (SABBAG, 2004, p. 336). Será incidente na extração da matéria-prima, segundo alíquota mínima de 1%, a ser divida de acordo com o art. 150, § 5º, I e II, CF/88: 70% para o Município de origem e 30% para o Estado de origem (ou DF). Atualmente, a alíquota é exatamente de 1%, tal qual estabelece o art. 41, D. 4494/02, tendo como base de cálculo o preço de aquisição do ouro por instituição financeira (arts. 39 e 40, “caput”, D. 4494/02). No entanto, se o ouro for importado, a base de cálculo será arbitrado, tendo como referência o valor de mercado doméstico no desembaraço aduaneiro, calculado em moeda nacional (art. 40, parágrafo único, D. 4494/02). Em contrário senso, uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira, entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI, ICMS, ISS, etc.). A disciplina do ouro, como ativo financeiro, está na Lei 7766/89. Antigamente, todo meio circulante tinha lastro metálico, cotado em outro depositado em agências oficiais (Casa da Moeda). Hodiernamente, isto continua ocorrendo em parte, porquanto somente parcela da reserva metálica equivale ao numerário circulante. A doutrina qualifica o IOF como gravame “flexível”, conquanto suas alíquotas podem ser estabelecidas pelo Executivo sem observância da anterioridade ordinária e da noventalidade, a teor dos arts. 153, § 1º, e 150, § 1º, CF/88 (SABBAG, 2004, p. 335). Sobre o IOF, recai a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, CF/88. Ademais, a Súmula 185 do STJ161 determina sua nãoincidência no caso de depósitos judiciais. IR (Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza) – renda e proventos são espécies do gênero acréscimo patrimonial. Renda é resultante do capital (aluguéis, lucros, rendimentos financeiros, “royalties”, etc.), do trabalho (remuneração do labor humano) ou da combinação de ambos (honorários advocatícios, pagamento pela prestação de serviços, etc.), como prevê o art. 43, I, CTN. Já os proventos são todos os outros acréscimos não previstos na categoria anterior. O critério residual também foi adotado pelo constituinte originário de 1988, dada a UNIVERSALIDADE162 e a GENERALIDADE163 do IR (art. 153, § 2º, I, CF/88). Para Cassone (2004, p. 373), “a tributação do IR alcance [sic!] a tudo e a todos, sem ater-se ao critério da seletividade ou distinção entre pessoas ou profissões”. Todavia, NEM TODA RENDA OU PROVENTO implicará em IR, posto que ficou relegado ao legislador infraconstitucional a conferência de alíquota zero, de isenções, de não-incidência, etc., isto é, a seara de abrangência da hipótese de incidência do IR não é total. Outrossim, a jurisprudência tende a extrair do manto do fato imponível algumas condutas,
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Súmula 185 do STJ: “Nos depósitos judiciais, não incide IOF”. A universalidade é um critério do IR que se refere à extensão da base de cálculo, a qual englobará todas as rendas e proventos, independentemente de origem, considerando-as como unidade, desde que se subsumam à hipótese de incidência. 163 Segundo Difini e Renck, citados por Paulsen, op. cit., a generalidade é um critério que diz respeito à sujeição passiva da exação. Por ela, o IR abrange todos os contribuintes que pratiquem os atos previstos na hipótese de incidência, de modo indistinto e “geral”, não se admitindo tratamento diferenciado. Contudo, deve-se observar a progressividade, o que permite, de certa feita, atingir o ideário da capacidade contributiva individual (alíquotas por classe e restituição do IR), segundo a previsão do preâmbulo constitucional tributário (art. 145, § 1º, CF/88). Com efeito, a progressividade pode permitir que alguns – os menos capazes economicamente – não fiquem abrangidos pela incidência do IR, o que relativiza a princípio da generalidade, previsto no art. 153, § 2º, I, CF/88.
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como o pagamento de indenização por férias não gozadas (Súmula 125 do STJ)164 e a licença-prêmio indenizatória não gozada por necessidade do serviço (Súmula 136 do STJ)165. Também não se deve confundir renda ou provento com entrada pecuniária. De fato, em regra, não é o movimento de caixa o fato gerador do IR, porque não se aplica o regime de caixa na exação em comento. O que o legislador vislumbrou atingir é o regime de competência, em que a aquisição de disponibilidade jurídica é suficiente para configurar a hipótese abstrata de incidência do imposto. Na espécie, aplica-se o disposto no art. 116, II, CTN, de sorte a configurar a renda ou o provento auferido desde a constituição da situação jurídica tributável. Ex.: em venda à prazo, o fato gerador do IR se aperfeiçoa desde a celebração do negócio, não havendo qualquer relação entre o pagamento do tributo e o recebimento das parcelas avençadas. Excepcionalmente, o legislador permite que o IR se sujeite ao regime de caixa, quando se dá o recolhimento pelo lucro presumido. No contexto, a hipótese de incidência e a base de cálculo do IR não se confundem com aqueles afetas à CONFINS e ao PIS-PASEP, os quais tributam o faturamento e a receita, apesar de haver autêntico “bis in idem” com a CSLL das pessoas jurídicas, referendada pela jurisprudência do Supremo166. Não existe mais que um IR, porque ele é único. Para cada tipo de fato gerador, há uma incidência diferenciada. Este tratamento diverso para cada um deles determinará a forma de incidência do IR, dado o fenômeno econômico tributável (salário, grande capital, operação financeira, etc.). Portanto, a natureza do acréscimo patrimonial determinará o modo da exação denominada IR. Entretanto, uma renda não englobada na legislação extravagante poderia ser tributada pelo IR, dada a regra geral do art. 150, § 1º, I, CF/88, uma vez que é impossível ao legislador prever todos os fenômenos de acréscimo patrimonial? A resposta para o quesito é bem mais complexa. Por força do princípio da legalidade, é possível observar que quase todas as situações estão abarcadas na legislação infraconstitucional, inclusive no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veiculado pelo D. 3000/99. Todavia, uma vez que a hipótese de incidência não esteja abarcada pela estipulação do legislador, há de se perguntar se incide ou não o IR. Ex.: participação real nos lucros e resultados (PLR) da empresa, distribuída aos empregados pelo patrão (art. 7º, XI, CF/88, regulamentado pela Lei 10101/01). O resultado de uma empresa é gênero do qual implica duas espécies: lucro e prejuízo. Quando a organização tivesse prejuízo, deveria ela repassá-lo aos obreiros. Isto, de fato, não acontece, persistindo somente os lucros. Para fins de IR, não há previsão de incisão, apesar de poder ser classificada como renda (concorrência de capital e trabalho). Outro exemplo: plano de demissão voluntária (PDV). A empresa abre a oportunidade para a demissão voluntária de seus empregados, mediante corresponde estímulo pecuniário ou congênere (plano de saúde estendido, por exemplo). Esta também não está prevista em leis ordinárias relativas a IR. Algumas empresas recolhem o
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Súmula 125 do STJ: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda”. 165 Súmula 136 do STJ: “O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda”. 166 STF, RE 146.733-9/SP.

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IR, alegando o instituto da responsabilidade; alguns contribuintes contestam judicial ou administrativamente (por ocasião da declaração anual). Neste sentido, faltam as hipóteses de incidência perfeitamente delineadas, dado que o Fisco não pode subsumir o caso concreto a um delineamento incompleto da norma, realizada de modo genérico. Em regra, a JURISPRUDÊNCIA É VACILANTE, salvo o caso de PDV, em que a indenização respectiva não fica sujeita à tributação pela via do IR (Súmula 215 do STJ)167. Entretanto, em face de julgamento realizado pelo próprio STJ recentemente168, parece que o verbete poderá ser remodelado pela 1ª Seção da corte, o que ainda resta nebuloso por ausência de pronunciamento peremptório. Questão de ordem foi suscitada e, por conseguinte, remetida à apreciação do órgão competente169. Desta feita, o art. 150, § 1º, I, CF/88, e o art. 43, § 1º, CTN, são apenas instrutores da legislação infraconstitucional objetiva, conquanto evidenciam os critérios da universalidade e da generalidade. É cediço que o legislador especifique o caso concreto, sob pena de não-incidência do IR. Sujeito passivo – é aquele que recebeu o acréscimo patrimonial, tendo sua definição dirigida pelo princípio da generalidade. Na impossibilidade de se identificar perfeitamente o devedor, aplica-se o art. 45, “caput”, CTN. É um comando também genérico, o qual pode ser estendido por lei ordinária. Uma vez que se observe o acréscimo patrimonial, incide o IR, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. A dificuldade reside em se identificar quem é o verdadeiro contribuinte. Inclusive, aquele que auferir renda ou proventos de natureza ilícita também será tributado pelo fisco, dado o desiderato “non olet”, o qual confere uma interpretação objetiva do fato imponível (art. 118, I e II, CTN). Para Godoy (apud PAULSEN, 2001), as pessoas físicas que recebam renda ou proventos acima dos limites de isenção da tabela do IR, devem recolher o tributo por meio de carnê-leão, aconselhando-se o uso de livro caixa para abater as deduções. Também serão considerados passivos, na relação jurídico-tributária, aqueles que tenham ganhado renda ou proventos no exterior – pessoas físicas ou jurídicas – desde que tenham sua residência ou seu domicílio tributário, respectivamente, estabelecidos em território nacional170. É o que se denomina de EXTRATERRITORIALIDADE. Para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88), o que faz nascer outra espécie de sujeito passivo da obrigação tributária: o responsável (art. 45, parágrafo único, CTN). Fato gerador – o momento de sua ocorrência vem especificado no art. 43, “caput”, CTN. A expressão “disponibilidade econômica ou jurídica” da renda
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Súmula 215 do STJ: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. 168 STJ, 1ª T., AgRg no REsp 883.678-SP, DJU 29/6/2007. 169 STJ, 1ª T., REsp 940.759-SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/9/2007, Informativo do STJ n° 332. O argumento maior para a edição do verbete 215 do STJ foi a aplicação analógica do art. 14, Lei 9468/97, no caso do PDV. Contudo, a 1ª Turma firmou entendimento de que o diploma regula situação referente a servidores públicos civis, insertos no Programa de Desligamento Voluntário de servidores civis do Poder Executivo Federal, o que não coaduna com a generalidade conferida pela posição sumulada. 170 No cômputo no lucro, os rendimentos auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para a venda e caso a moeda não tiver cotação no Brasil, será convertida em US$ e, em seguida, em R$. Prejuízos e perdas decorrentes de operações não serão compensados com lucros auferidos no Brasil.

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ou do provento representa o cerne da querela. Estando disponível a riqueza para o contribuinte, perfaz-se o fato gerador. A disponibilidade econômica é facilmente identificável. Já a jurídica, pode antecedê-la. Ex.: salário de um empregado; no dia 10 do mês seguinte, ele recebe seu pagamento referente ao mês anterior (disponibilidade econômica); porém, ao longo desse período, ele já tem o direito ao pagamento a cada jornada de trabalho completa (disponibilidade jurídica). Disponibilidade jurídica é direito de usar a renda definitivamente constituído na forma da lei, alcançando os atos e operações colhidos pelo direito, inclusive resultantes da aplicação de capital. Ex.: lucro nas operações imobiliárias ou mobiliárias. Disponibilidade econômica é situação de fato irrelevante ao direito ou até mesmo a atividade lícita. Ex.: jogos, contrabando, juros usurários,etc. A disponibilidade jurídica sempre será econômica, mas nem sempre a econômica será jurídica. Destarte, lembra-se que disponibilidade econômica não pode ser confundida com a financeira. Disponibilidade financeira é o ingresso de dinheiro no patrimônio particular, independentemente do acréscimo patrimonial. Dependendo do fenômeno de renda ou provento a ser tributado, o legislador estabeleceu se o momento da ocorrência do fato gerador será da disponibilidade jurídica ou econômica. Ex.: salário (econômica); capitalização de rendimentos mensais, com permanência do montante até um período estipulado (jurídica); antecipação do 13º salário integral (econômica). A disponibilidade econômica ou jurídica diz respeito ao aspecto TEMPORAL do IR. O fato gerador complessivo (formado por vários atos) será regulado também por estipulação do legislador. Por exemplo, para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88). Aliás, como bem assevera Paulsen (2001), o IR apresenta um fato gerador complessivo, em que se deve determinar, via legislativa, o exato momento de sua ocorrência. Assim sendo, será possível fazer incidir a exação nesse ínterim. Apesar da idéia de fato complessivo ser recorrente e bastante prevalente na doutrina, a jurisprudência do STF não a acolhe. Consoante comentário supra aduzido, o Supremo, por meio de sua Súmula 584 (já comentada), perfilha a chamada Teoria da Retrospectiva, a qual provém do estruturalismo alemão. Com efeito, para a corte, o fato gerador do IR é pontual, ocorrendo no último dia útil do exercício considerado, aplicandose a legislação tributária vigente à época da declaração, não aquela atinente ao momento de efetivação da hipótese de incidência. Com referência às importações, a parcela dos custos que exceder ao valor determinado como referência fiscal deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Somente serão dedutíveis ou custos, despesas e encargos até o valor que não exceda o preço determinado por um dos seguintes métodos (arts. 241, I a III, RIR, e 18, I a III, Lei 9430/96): PIC (Método dos Preços Independentes Comparados) – é a média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos aos similares apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda.

acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação. é encaminhado expediente ao Ministério Público. o legislador ordinário criou mecanismos para substituir a impossibilidade de aferição da renda ou provento real pela metodologia tradicional. não há nenhuma conseqüência jurídica. incidindo uma multa de 75% sobre tais valores. No terceiro. CTN. III. arbitrado ou presumido. arbitra a renda ou o provento do sujeito passivo (lançamento de ofício). no Brasil. Não sendo possível. como bem diz o citado autor. nos estritos ditames da norma positiva. os impostos. há três categorias possíveis de renda ou proventos a serem tributados: real. pode ser realizada sem a inclusão nos mencionados bancos de dados. § 3º. CPL (Custo de Produção Mais Lucro) – é o custo médio de produção de bens. a SRFB chama o contribuinte para prestar esclarecimentos administrativamente. cujo procedimento é vulgarmente conhecido como “malha fina”. O primeiro é o “quantum” preciso. calculada sobre o preço da revenda. CALCULADO. Nenhuma transação. Do contrário. com margem de lucro de 20% calculada sobre o custo apurado. serviços ou direitos idênticos aos similares no país onde tiverem sido originalmente produzidos. Na aferição do lucro presumido ou arbitrado. De fato. de modo geral. recusa todo o procedimento operado pelo contribuinte de modo justificado. recolher-se-á a diferença entre o declarado e o levantado pelo órgão (lançamento de ofício). LC 105/01). em um primeiro momento. 2001). dimensionado. lembra-se que quaisquer documentos de prova perante o Fisco devem ser guardados por. ficou possível ao Fisco erigir um sistema eficaz na perfeita fiscalização das rendas e proventos. no mínimo. a comissão de corretagem paga e a margem de lucro de 20%. constitui uma ferramenta totalitária de controle social. pelo art. 44. então. seis anos para fins de comprovação do IR.129 PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) – é a média aritmética dos bens ou direitos dos quais são deduzidos os descontos incondicionais concedidos. Por fim. aos olhos de alguns juristas. Entretanto. aos olhos do poder tributante. as contribuições incidentes na venda. portanto precisamente legal. Administração tributária (controle de rendas e proventos) – a primeira preocupação do legislador foi dividir os contribuintes em dois grupos: pessoas físicas e jurídicas. com o fim de oferecimento de denúncia pelo delito de evasão de divisas. por opção do . sendo. Base de cálculo – é exprimida. O fisco deve seguir rigorosamente o estabelecido para medir a base de cálculo presumida. a aferição REAL OU PRESUMIDA – as quais cabe ao contribuinte (lançamento “por homologação”) – o fisco. O legislador ordinário vai dar os critérios para sua aferição. Ademais. Caso seja identificada uma discrepância entre os dados apresentados e aferidos. Se convincentes os argumentos exprimidos. o que. dado o declarado anualmente para com o recolhido do citado tributo no mesmo período (art. a base de cálculo é substitutiva da base de cálculo primária (XAVIER apud PAULSEN. O fisco. Estas duas categorias são incluídas em dois cadastros unificados: CPF e CNPJ respectivamente. 1º. Por meio da instituição da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). ficando o seu arbítrio legal como disposição válida para a base de cálculo.

. ele deverá apresentar os documentos comprobatórios das deduções. 32%: profissões regulamentadas. encontrando a base de cálculo. Ante a inexistência deste último dado. Para efeitos do IR. já mencionadas).00.00. locação ou cessão de bens móveis ou imóveis. mas é proprietário de vários imóveis. 262. Caso o contribuinte opte pelo LUCRO PRESUMIDO. cobra-se 15% sobre este valor e 10% sobre o excedente (tabela progressiva).000.5%. e para as prestadoras de serviço com receita bruta anual não superior a R$ 120. poupança. Com outros resultados.: contribuinte que declara não ter renda. 8%: serviços hospitalares e transportes de carga. Uma vez que o contribuinte optante pelo completo caia na “malha fina”. Nas deduções do modelo completo. chegando-se à base de 171 Lucro presumido consiste em presumir ou estimar o lucro como um percentual sobre a receita bruta. a renda corresponde ao lucro. cálculo e demonstração no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para fins puramente tributários (art. álcool etílico carburante e gás natural. por meios indiciários. 647 RIR. de combustíveis derivados de petróleo. IV. sobre os quais pende comodato para com amigos em dificuldade – o fisco arbitra a base de cálculo da renda. sendo que tal percentual varia de acordo com o tipo de atividade. ao lucro presumido. de acordo com a tabela progressiva estipulada. O IRPF não incide sobre diversos rendimentos brutos. pela autoridade tributária. esta será a base de cálculo. Toda vez que o lucro anual da pessoa jurídica ultrapassa R$ 240. para consumo. o fisco arbitrará a base de cálculo. Não conseguindo fazê-lo. Ainda por opção do sujeito passivo ou ante a impossibilidade de apurar daquela maneira. Para as PESSOAS JURÍDICAS. etc. encontrando-se a base de cálculo. chamado de lucro – quando positivo – ou de prejuízo – quando negativo. 32%: para atividades de prestação de serviços em geral. afere-se a base de cálculo pelo lucro real. recorre-se.6%: receita proveniente de revenda. intermediação de negócios. referente ao exercício financeiro e coincidente com o ano civil. a partir da renda tributável. como ajuda de custo. através de registro. tomando-se por referência a receita bruta (faturamento). levada a cabo. administração. A regra geral determina uma alíquota de 8% sobre a receita bruta. Já no primeiro. Ex. subtraímos-se 20% por presunção (guardado o limite máximo estipulado anualmente). mesmo com receita bruta anual não superior a R$ 120. relacionadas no art. bolsas de estudo. incide ALÍQUOTA ZERO. Sobre esta. alienação de um único imóvel. sobre a renda. em um segundo momento. operam-se as DEDUÇÕES. Optando pelo segundo. É aplicado um percentual sobre o faturamento171. indenização de férias ou de licença-prêmio não-gozadas por necessidade do serviço (Súmulas 125 e 136 do STJ. O lucro operacional é o faturamento menos custos e despesas operacionais. deve-se comprová-las documentalmente. o legislador criou um mecanismo análogo ao simples da pessoa física. os custos e as despesas que excederem os limites contábeis serão adicionados ao lucro contábil. excetos os de carga. segue-se o mesmo trâmite da declaração completa. PRESCINDE-SE desta exigência.00. O contribuinte do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) pode optar pelo modelo simples ou completo para a declaração anual. recorre-se ao arbitramento fiscal da base de cálculo (lançamento de ofício). DE 15% OU DE 27.130 contribuinte. 16%: atividades de prestação de serviços de transporte. Há atividades com percentuais específicos: 1. tomando por paradigma o aluguel a ser eventualmente auferido com o aluguel. A partir daí. A escrituração contábil deve ser rigorosamente observada. Havendo lucro. alimentação. RIR). forma o resultado final. alienação de bens de pequeno valor.000. No simplificado. O critério temporal é o lapso de 12 meses.000.

É também uma forma de amortizar as dívidas e de diminuir a inadimplência (sonegação) para com o poder tributante. para. em contrário. Neste caso. o período de apuração do IR é de 12 meses. Na realidade. No tocante ao IRPF. de dependentes (também previstos para as fontes pagadoras pessoas jurídicas) e de empregados. Entretanto. Como o fato gerador do IR é complessivo. Desta feita. Vale . que será feito no ano seguinte. então. os quais só serão aplicáveis – no primeiro caso – por ocasião da prestação de contas anual. mas decorre de lei (“ex lege”). 246. empresas de arrendamento mercantil. Neste sentido. Ele configura uma obrigação mensal para o IR. A opção por lucro real. 42 e ss. instituições financeiras. será feita a apuração e a prestação de contas correspondente. Esta determinação decorre da dificuldade em se precisar o exato instante da majoração patrimonial (renda). bastando meros cálculos matemáticos. esta obrigação não é facultativa. Em qualquer dos casos de incidência. quer seja quanto a uma pessoa natural. bancos de investimento. o histórico da empresa e as projeções para o futuro. empresas com capital estrangeiro ou que possuam sócios residentes no exterior devem sempre fazer a declaração pelo lucro real. Entretanto. o art. o beneficiário desses rendimentos deve fazer o recolhimento de uma maneira específica. o contribuinte pode incluir os quesitos educação e saúde. o empresário deve planificar o lucro real primeiramente. sempre haverá recolhimento de tributo. Desse modo. as que tiverem lucros. decidir por qual modo de declaração do IR lhe é mais favorável. quer seja em uma empresa. Ainda mais: por até 30% de prejuízo. o contribuinte calcula o seu imposto mensalmente. independentemente da sorte financeira da empresa (lucro ou prejuízo). De fato. rendimentos ou ganhos do exterior. valem as consultorias. o empresário pode abater de lucro nos exercícios seguintes(art. é possível dividir a obtenção de acréscimo patrimonial em vários momentos. de modo a ser apurado um eventual saldo positivo (restituição do IR) ou negativo (pagamento do IR) para eles.. RIR. o erário necessita de entradas regulares ao tempo de suas necessidades. Só depois do exercício financeiro anual. “factoring”. logo depois.. bancos comerciais.131 cálculo. nesta modalidade. O fisco sempre prefere a declaração por lucro presumido. ao contrário do IRPF. I a VI. Lei 8981/95). a fiscalização é materialmente mais facilitada. favorece sempre o contribuinte. porque. empresas de seguros. Além disso. por meio do CARNE-LEÃO. esta não tem a obrigação de fazer o recolhimento. sociedades de crédito imobiliário. Na prestação de contas anual. além de deduzir os custos de previdência. determina que as seguintes pessoas jurídicas são obrigadas a recolher o IRPJ pelo sistema de lucro real: com receita superior ao limite de R$ 48 milhões. preenche o DARF e recolhe a quantia aduzida. Nesta situação. a retenção na fonte é uma obrigação jurídica de quem é fonte pagadora (necessariamente uma pessoa jurídica). Para resolver o entrave. Antecipação do IR – o carnê-leão é uma forma de retenção de IRPF na fonte. o legislador criou o sistema de antecipação mensal do IR. Todavia. quando se tem fonte pagadora pessoa física. A declaração do IRPJ deve ser optada no primeiro mês do exercício financeiro. há OBRIGATORIEDADE para todos os contribuintes (pessoas físicas e jurídicas). o Fisco passou a determinar que a APURAÇÃO fosse ANUAL. etc. Em face do Direito Tributário.

RMS 17949/ES.68. DJU 7. Cassone. arremata o conceito pelo termo “habitualidade”. Informativo do STF n° 478. encontra regulamentação geral nas LC’s federais 24/75 e 87/96 (Lei Kandir. direta ou indiretamente. ADI 3936 MC/PR. DJU 8. traz comandos sobre a isenção e redução quanto a fundos de investimentos regionais. Marco Aurélio.) [compreende] o trajeto de mercadoria da produção até o consumo”. o ATO DE MERCÂNCIA173 é o que genuinamente caracteriza o ICMS. O fisco deu uma terceira alternativa.: qualquer isenção a ser concedida por lei estadual ou distrital deverá ser precedida de convênio no âmbito das demais unidades parciais da federação. caso a pessoa jurídica verifique que há prejuízo no período.. ADIn 2747/DF. 6.9. Portanto. Gilmar Mendes. é a principal fonte de receita derivada das unidades federadas. ADI 1247 MC/PA.2001.2003.9. ou seja. O recolhimento pelo lucro real pressupõe contabilidade referente a um trimestre. a antecipação é diversa. A MP 219914/01. 1º. Min. ADI 2377 MC/MG. O modo como se estima é idêntico ao lucro presumido. ainda pelo o lucro real: o recolhimento antecipado dar-se-ia por LUCRO ESTIMADO. 6. O DL 406/68 traz normas gerais de natureza financeira para a referida exação.8. alterada posteriormente pelas LC’s 92/97. Ademais. Desta feita. DJU 25. Plenário.2007. O carne-leão não é possível para a pessoa jurídica. Joaquim Barbosa.11. CF/88. 155. o art. “caput”. Obs. 291.2007. rel.95. Joaquim Barbosa. em um balanço parcial do ano (seis meses). 173 Para Sabbag.9. comporta vários núcleos do tipo tributário (hipóteses de incidência): . 102/00 e 114/02).2007. rel. p. ela poderá solicitar a SUSPENSÃO DAS ANTECIPAÇÕES POR LUCRO ESTIMADO no semestre posterior. Min. produtos que estão na linha da circulação.circulação de mercadorias – implica em mudança de titularidade ou em alteração física da mercadoria. j. sendo fonte pagadora pessoa jurídica ou pessoa física. incidindo o 172 STF. fazendo os ajustes necessários por ocasião da declaração anual. No diapasão. ADI 3673/RJ.9. Uma vez que. ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) – o ICMS é um imposto de grande magnitude normativa e econômica.. . j.9. 99/99. II. p. pode haver mudança física de mercadoria sem a alteração de titularidade ou vice-versa. “g”. 155. exclusivamente. 19. § 2º. rel. Pelo lucro presumido. a antecipação são MENSAIS. op. rel. CF/88).. ADI 3389/RJ. Informativo do STF n° 480. cit. Lei ou ato normativo estadual que venha a contrariar. DJU de 27. Liga-se à atividade de mercância. elemento essencial para concretizar a atividade mercantil. com a correspondente antecipação neste período. nos termos do art. DJU 17.5. por conseguinte. Para ela. Min. ADI 2021 MC/SP.132 ressaltar também que a forma de contribuição por carnê-leão cabe quando há mais de uma fonte de renda e somente é aplicável à pessoa física. Informativo do STF n° 478. Estatisticamente.. LC 24/75 (art. Nesse sentido. consubstanciando um tributo importantíssimo para o Fisco. Min. porque o constituinte deferiu ao legislador decorrente a competência para tal. Hipóteses de incidência – ele não incide propriamente sobre “venda de mercadorias”. Regência legal – a lei instituidora advém de diplomas estaduais. a “circulação de mercadorias (. cit. 450.2007. XII. op. a norma constitucional mencionada é tido como inconstitucional pelo STF172. j. a aferição e.

De outra sorte. 34.8. o comodato de máquinas e equipamentos não caracteriza fato gerador da exação em tela (Súmula 573 do STF)178. 19.133 ICMS. considerado produto.. perfilhando as lições de Carvalho de Mendonça e Fran Martins. que a adquire para revender a outro comerciante ou a consumidor. Min. Não importa se há efetivamente o transporte. a cada entrada. chama-se produto manufaturado ou artefato. um débito. REsp 756. IX. Ex. A mudança da titularidade é jurídica e independe de movimentação física do bem (SABBAG. Havido o transporte mediante pagamento. 18/9/2007. porquanto os produtos retornarão para o estabelecimento original do comerciante. segundo entendimento do STF.u. v. RTJ 78/215)”. A atividade comercial só é dispensada no caso de importação de produtos ou de prestação de serviços no exterior. a aplicação do verbete independe de as coisas pertencerem ao ativo fixo da empresa. Marco Aurélio. II. CF/88.: fabricante de roupas movimenta suas mercadorias para participação de uma exposição do setor em outra cidade – não há mercância. Diz-se que é toda coisa ou bem móvel. não há transmissão da titularidade. a alienação de bens do ativo imobilizado de empresa não configura o fato gerador do ICMS (SABBAG. Min. O ICMS é devido na saída da mercadoria do estabelecimento. CTN. 452). um crédito”.. carga.1998. desde que se trate de operação de mercado. 1ª T. João Otávio de Noronha. citados por Cassone. Ilmar Galvão. cit. ou pessoa – fretamento). 2004)177. de haver alto valor envolvido ou do fato do translado não ser habitual. utensílios e implementos a título de comodato”.. op. rel. CF/88). 29. o empresário emite a nota fiscal e registra-a com suspensão do ICMS.9.633. p.5. É também cediço definir “mercadoria”. j. o qual destina-se ao comércio (SABBAG. 116. Min. RE 200379-4/SP. apesar da plantação ainda não estar completamente maturada. O fato gerador está ligado ao SERVIÇO DE TRANSPORTE. “a”. 2004)176. que a produz. não existir a movimentação física do produto. neste caso. rel. O núcleo do tipo independe da natureza do que está sendo transportado (passageiro – transporte regular.1998.737.300-9/SP. Basta que o serviço seja prestado. o conceito de serviço. Desta feita. 2004). . situações em que fazem incidir o tributo em tela mesmo que não haja habitualidade por parte do adquirente ou do prestador (art. aplicando-se o art.. deixa de ser mercadoria logo que sai da circulação e se acha em poder do consumidor (RE 79. 452). 2ª T..prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal – para Cassone (2004. v. p. Está fora o transporte intramunicipal. passa a ser mercadoria logo que é objeto de comércio do produtor ou do comerciante por grosso ou a retalho. . o qual será objeto de tributação pela via do ISSQN (CASSONE. p. Ex.: 174 Súmula 166 do STJ: “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”. 2004. 155. § 2º. pressupõe a existência de dualidade de figuras: um prestador e um tomador. j. apesar de haver movimentação de mercadoria. p.1997. II. enquanto se acha na disponibilidade do industrial. 178 Súmula 573 do STF: “Não constitui fato gerador do ICM a saída física de máquinas. apesar de. consuma-se o fato gerador.612-RJ. Nesse passo. porque há mudança de titularidade. incide o ICMS. RE 194.1997. 449: “a coisa. DJU 12. 155. ínsito no art. 176 A jurisprudência do STF já assentou entendimento sobre os conceitos de produto e de mercadoria. 175 STJ. é o mesmo caso da movimentação física de bens entre matriz e filial (Súmula 166 do STJ)174..u.4. 177 STF. Informativo do STJ n° 332. rel. 43. p. no momento do negócio jurídico. RJ/IOB 1/11.951-SP. Outro exemplo: o agricultor vende antecipadamente sua safra inteira de milho. perfilhando a regra geral da nãocumulatividade pela compensação – “a cada saída. DJU 7. tal qual já se fez no capítulo sobre IPI. 2ª T. segundo leitura do próprio STJ acerca de seu posicionamento sumulado175.

. IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios. desde que a empresa não se volte a esta atividade como principal. incide o ICMS. Nesse caso. inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares. a emissão. Quando a prestação se dá em parcelas. § 2º. por alguma razão. acrescida pela EC 42/03). pagamento e emissão do “conhecimento de transporte”. o fato gerador se configura com o efetivo transporte da primeira parte. ainda que iniciado no exterior – o exemplo mais comum versa sobre a telefonia. desde que não propague o sinal por qualquer meio. Incidências (elemento objetivo) – o imposto incide sobre (art. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. a transmissão. CF/88. X. No critério espacial. não há incidência da exação (SABBAG. fato este que acaba não reduzindo a receita do Fisco. não importa que a comunicação se dê no âmbito de um só município. Emissoras radiofônicas e de televisão abertas não estão sujeitas à tributação do ICMS. Geralmente. 2004). Não estarão incluídos nos fatos geradores os transportes por dutos e por vácuos. não pode ser tributado pela via do ICMS.134 transportadora é contratada para fazer a mudança de uma família. Min. 2004). j. mercadorias ou valores. 2º. João Otávio de Noronha. não há prestação de serviço de transporte. e § 1º. cabendo tão-só a exação do ISSQN municipal180.. 2º. pois se gratuita for. I a III. 2004. É interessante também destacar que a prestação deve ser onerosa. I a V. Além disso. o VALOR DO FRETE ESTARÁ EMBUTIDO NO PREÇO da mercadoria. a recepção. bens. LC 87/96): I – operações relativas à circulação de mercadorias. 26/6/2007. STJ. III – prestações onerosas de serviços de comunicação. por qualquer meio. como o fez no transporte interestadual e intermunicipal (CASSONE. conquanto o legislador não a distinguiu. o transporte aéreo também pode ser abrangido pelo ICMS. REsp 726. o trabalho da produtora de programas para a emissora paga (televisão fechada).103-MG. porque são consideradas essenciais e de utilidade pública pela Constituição (art. incide o ICMS onde a operação começou a ser prestada. as alíquotas sobre o frete são menores que aquelas para a operação de circulação de mercadorias. II.prestação de serviço de comunicação. Informativo do STJ n° 325. Graças ao art. Caso a própria empresa disponha de frota para fazer a distribuição de suas mercadorias. “d”. por qualquer via. Neste caso. LC 87/96179. com transporte de várias peças ou componentes. o serviço de transporte deve ser efetivado por empresa que o preste em favor de terceiro. rel. de pessoas. . 454). inclusive a geração. pois houve contrato. 155. Apesar da Lei 8977/95 falar em serviços de TV a cabo. 2ª T. referendando a previsão do Convênio ICMS 66/88 (SABBAG. II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. a retransmissão. a movimentação é obstada. 179 180 A LC 87/96 é conhecida como “Lei Kandir”. p. restaurantes e estabelecimentos similares.

§ 3º. quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. 155. Alguns a consideram insumo de produção. por intermédio da EC 33/01. em que a não-cumulatividade foi determinada diretamente pelo constituinte (art. 153. “c”.. § 3º. mesmo porque é tida como essencial e vital para as condições mínimas de dignidade humana. .. sendo chamada de insumo público.. Controvérsia também se estabelece sobre o art. § 2º. 155. II .. O imposto incide também: (. à exceção do art. I. utilizou-se da regra prevista no art. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. VIII – a entrada.135 V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços.sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. porquanto seria intrínseca no preço final de todos os produtos. Todavia. cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente. em contrário à vontade do constituinte originário.). CF/88. 453). 2º. II. decorrentes de operações interestaduais. CF/88. 298.. a primeira parte do dispositivo em comento é inconstitucional. seletividade em função da essencialidade (de acordo com o arbítrio do 181 181 Ao contrário do IPI.). CF/88). VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. A energia elétrica é atualmente tributada pelo ICMS. § 2º. ao considerá-la como mercadoria. CF/88). VI – a entrada de mercadoria importada do exterior. 155. 2º O imposto incide sobre: (. CF/88. Para Cassone (2004. Características – o ICMS apresenta não-cumulatividade (art. como não deixa de se ressaltar o mestre Sabbag. II. o ICMS prescinde de LC regulamentadora para tal (art. op. § 1º. II. pende uma dúvida. de fato. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. 155. CF/88) . Este não incluiu a energia elétrica no rol dos núcleos dos tipos tributários do ICMS. cit. (. de competência dos Municípios. II... mas aquele o fez. O constituinte derivado foi “atroz” ao instituir o citado dispositivo. p. p. O legislador infraconstitucional. pois faz parte de um preceito secundário. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento. II. XII. 155. e de energia elétrica.). porquanto estabelece regra de incidência tributária extraterritorial. apesar de não constar do rol do art. no território do Estado destinatário. quanto ao consumo residencial. não prevista no texto do art. CF/88. por pessoa física ou jurídica. § 1º. 155. de petróleo. LC 87/96: Art.

real (as condições pessoais do contribuinte são irrelevantes para o cálculo do devido). CF/88). o imposto em questão pode ser classificado como gravame plurifásico (incide sobre o valor agregado). § 2º. Caso o produto a ser comercializado também seja objeto de IPI. CF/88). 155. V. 150. 155. 2004. Os programas de computador sofrem dupla disciplina.). ISSQN. 155. . CF/88). não incide o ICMS. “d”. enquanto a Resolução 95/96. 153. segundo alíquota mínima de 1%. § 2º. RE’s 176. esse não integrará a base de cálculo do ICMS (art. Desta feita. ou serviços (art. 150. II – operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo. cabe a tributação por via do ICMS (CASSONE. em que pese sua natureza de mercadoria. III. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. o produto deve ser destinado ao comércio ou à industrialização.136 legislador estadual – art. p. CF/88: 70% ao Município de origem e 30% ao Estado de origem ou ao DF. § 2º. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. O ouro é um valor de referência mundial. 458-480)182. I e II. 3º. Será incidente na extração da matéria-prima. a ser divida de acordo com o art. entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI. periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. I a IX. licenciado ou contratante localizado no estrangeiro. 288). Ele tem um valor cambiário. a Resolução 22/89 estabelece as alíquotas para operações interestaduais. 155. VI. II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias. Nesse caso. jornais. 182 STF. ICMS. “a”. Rememora-se que a primeira hipótese constituirá fato gerador da CIDE-remessas para o exterior (Lei 10168/01) caso a cessão. caso haja destinação da produção em massa para o comércio (“software de prateleira”). XI. proporcional (não há progressividade nas alíquotas) e fiscal (não é exação regulatória da economia). Não-incidências (isenções) – o imposto não incide sobre (art. De outra feita.464/SP. § 5º. § 2º. Em contrário senso. a licença ou transferência de tecnologia se dê em proveito de adquirente. para transporte aéreo. § 2º. CF/88) e alíquotas variáveis de Estado para Estado. LC 87/96): I – operações com livros. devem ser preenchidos três pressupostos cumulativos para que isso ocorra: a operação de circulação deve ser realizada entre contribuintes.626-3/SP e 199. 155. p. § 5º. CF/88). etc. X. Em se tratando de licença ou cessão do direito de uso (propriedade imaterial). enquanto ativo financeiro. Atualmente. quando destinados à industrialização ou à comercialização (art. Nas palavras de Sabbag (2004. uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira. CF/88). “b”. devendo ser observados os limites mínimos estabelecidos em Resolução do Senado (art. inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. “a”. CF/88). sendo entendido como objeto de incidência única do IOF (art. há configuração do fato gerador de ambas exações. X.

DL 406/68). Cálculo do ICMS – no caso de saída de mercadoria. do total da operação (100%). Equipara-se às operações de que trata o item II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior. segundo dizem Sabbag (2004. “c”. I a IV. a alíquota incidirá sobre o total da operação (art. X. III – adquira em licitação de mercadorias apreendidas ou abandonadas. de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços. deve ser abatida a . Contribuinte (elemento subjetivo passivo) – contribuinte é qualquer pessoa. inclusive “tradings” ou outro b) armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro. ainda que as destine a consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento. com base no art. VII – operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (art. quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (art. p. II – seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. V – operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação. 155. VI – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial. “caput”. física ou jurídica. p. LC 87/96). I e II. 4º. ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar. LC 87/96): a) empresa comercial exportadora. Ex.: mercadoria custa R$ 500. com alíquota de ICMS de 12%. VIII – operações de arrendamento mercantil. 3º. É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que. I. IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. que realize. comercial ou de outra espécie. § 2º. inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor. pelo próprio autor da saída. destinada a (art. de competência dos Municípios. 462). 4º. É o que a doutrina denomina ICMS “por dentro”. 3º. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário.137 IV – operações com ouro. 306) e Cassone (2004. IX – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras. LC 87/96. parágrafo único. § 1º. § 7º. 2º. LC 87/96): I – importe mercadorias do exterior. CF/88). parágrafo único. mesmo sem habitualidade (art. estabelecimento da mesma empresa. com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial. operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.

considerando a base de cálculo o valor total da nota fiscal184. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhado de documentação inidônea.826. 1ª T. o do domicílio do adquirente. R$ 568. ou o título que a represente.18 (12% de 568.18: o contribuinte de fato paga esse valor. o legislador complementar determinou que os juros devem integrar a base de cálculo também. Segundo o art. p.13636). LC 87/96): I – tratando-se de mercadoria ou bem: a) o do estabelecimento onde se encontre. obtendose o valor total (mercadoria + imposto). d) importado do exterior. CTN). de mercadoria por ele adquirida no País e que por ele não tenha transitado. STJ. 184 183 . por exemplo). b) onde se encontre. No mesmo comando.6. f) aquele onde seja realizada a licitação. Min. os descontos concedidos sob condição (pagamento a prazo. CF/88. é (art. e) importado do exterior. 462). ou seja. 2004. 1. julgados mais recentes do STJ determinam a exclusão dessa espécie de juros da base de cálculo. Informativo do STF n° 154. I a IV. Tratando-se de frutos decorrentes de financiamento. 30.18) para o fisco. obtendo-se a percentagem real (88%). isto é.13636. j. a do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. ficando R$ 500 para o comerciante e R$ 68. à vista do adquirente (CASSONE. multiplica-se o valor da mercadoria (R$ 500) pelo coeficiente (1. § 1º. REsp 67947/MG. como dispuser a legislação tributária. Ex. integram a base de cálculo do ICMS. No mesmo sentido. 13. quando não estabelecido. obtém-se o coeficiente dividindo-se o total (100%) pela percentagem real (88%). pelo fato do financiamento constituir operação distinta daquela relativa à mercância (Súmula 237 do STJ)185.. sendo tributada por meio do IOF (art. a própria jurisprudência não encontra melhor pacificação. § 1º. RJ/IOB 1/9. “a”. Cesar Asfor Rocha. STF. Local da operação ou da prestação (elemento espacial) – o local da operação ou da prestação. RE 101103-3/RS. II.: financiamento de parte do preço por meio de cartão de crédito. I. 13. Essa disposição não atinge o preço da mercadoria no caso de desconto concedido diretamente no momento da operação. 185 Súmula 237 do STJ: “Nas operações com cartão de crédito. II. Em contrário senso. rel.138 alíquota (12%). com fulcro no art. Julgados menos hodiernos do STF propugnavam pela sua inclusão no montante para o cálculo da exação. c) o do estabelecimento que transfira a propriedade. RE 212209/RS. no momento da ocorrência do fato gerador. 64. Essa ginástica aritmética foi considerada constitucional pelo STF183. os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS”. no caso de arrematação de mercadoria importada do exterior e apreendida.1999. LC 87/96. para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável. “a”. STF.

. b) o do estabelecimento da concessionária ou da permissionária que forneça ficha. crustáceos e moluscos.139 g) o do Estado onde estiver localizado o adquirente. ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. como dispuser a legislação tributária. lubrificantes e combustíveis dele derivados. no Estado do transmitente. na hipótese de captura de peixes. na hipótese da utilização. repetição. por contribuinte. I a XIII. III – tratando-se de prestação onerosa de serviço de comunicação: a) o da prestação do serviço de radiodifusão sonora e de som e imagem. ou assemelhados com que o serviço é pago. nas operações interestaduais com energia elétrica e petróleo. emissão. 12. IV – tratando-se de serviços prestados ou iniciados no exterior. na hipótese da utilização. Ocorrência do fato gerador (elemento temporal) – considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento (art. bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento. b) onde se encontre o transportador. quando não destinados à industrialização ou à comercialização. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. o do estabelecimento ou do domicílio do destinatário. d) o do estabelecimento ou domicílio do tomador do serviço. d) onde seja cobrado o serviço. LC 87/98): I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte. cartão. nos demais casos. transmissão e retransmissão. h) o do Estado de onde o ouro tenha sido extraído. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado. ampliação e recepção. assim entendido o da geração. II – do fornecimento de alimentação. inclusive consumidor final. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. i) o de desembarque do produto. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. por contribuinte. II – tratando-se de prestação de serviço de transporte: a) onde tenha início a prestação. quando prestado por meio de satélite. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhada de documentação inidônea. quando não considerado como ativo financeiro ou instrumento cambial.

por contribuinte. de serviço prestado no exterior. V – do inicio da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. “caput”. 10. a retransmissão. sejam antecedentes. 6º. XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. pelo destinatário. que não se realizar (art. Não-cumulatividade. inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado. a qualquer título. 6º. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias ou serviços previstos em lei de cada Estado (art. § 2º. LC 87/96). a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. LC 87/96). “caput”. ou de título que a represente. É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária. correspondente ao fato gerador presumido. concomitantes ou subseqüentes. a recepção. como definido na lei complementar aplicável. VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios. 5º e 6º. a emissão. § 1º. que seja contribuinte do imposto (art. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação. de qualquer natureza. b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto da competência estadual. crédito e estorno de ICMS – o imposto é nãocumulativo. feita por qualquer meio. X – do recebimento. hipótese em que o contribuinte assumirá a condição de substituto tributário (arts. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. LC 87/96). LC 87/96). A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações. VI – do ato final do transporte iniciado no exterior.140 IV – da transmissão de propriedade de mercadoria. inclusive a geração. Substituição tributária – a Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto ou a depositário. a responsabilidade pelo seu pagamento. XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias importadas do exterior apreendidas ou abandonadas. XIII – da utilização. quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente. IX – do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas do exterior. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à . a transmissão.

Com efeito.00. 21.R$ 10. LC 87/96). LC 87/96). CF/88.00. 20.00 = R$ 40. § 2º.000. o crédito não vige. um crédito”. É vedado o crédito relativo à mercadoria entrada no estabelecimento ou a prestação de serviços a ele feita (art. o crédito será definitivo. 21. . exceto as destinadas ao exterior. LC 87/96). Entretanto. não permitiu a compensação na cadeia mercadológica se alguma de suas fases goza de alguma espécie de não-incidência ou de isenção. II. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. diga respeito à operação estranha à empresa.000. No creditamento de ICMS.141 circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado (art. no estabelecimento (art. devendo o contribuinte também realizar o estorno (art. Crédito semelhante é garantido quanto à energia elétrica consumida pelo estabelecimento (art. LC 87/96). 20. Quando a operação subseqüente for de exportação. I e II. II. É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria. valor do ICMS a pagar – R$ 50. Salvo prova em contrário. LC 87/96). LC 87/96). De outra sorte. § 2º. De fato. parágrafo único. a jurisprudência tranqüila apregoa que descabe incidência de correção monetária. perecer ou perder-se.000. quando a saída ou a prestação subseqüente não forem tributadas ou estiverem isentas do imposto. “a” e “b”. valor do imposto anteriormente cobrado. 20. LC 87/96). ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento (art. O direito de utilizar o crédito extingue-se depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (art. Sendo o ativo alienado em até cinco anos. 19. § 3º. com as devidas alterações da LC 102/00. presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal (art. permitiu o crédito de ICMS em favor do contribuinte a partir da escrituração de entrada de ativo financeiro no estabelecimento – “a cada entrada. Exemplo: total do ICMS devido pelo sujeito passivo – R$ 50. não haverá estorno do crédito à Fazenda em qualquer hipótese (art. § 2º. II – para comercialização ou prestação de serviço. o contribuinte deverá estornar à Fazenda o valor à razão de 20% ao ano ou proporcionalmente em 1% ao mês (art.00 . decorrentes de entradas de mercadorias – R$ 10. 23.000.000. não há de argüir a regra da não-cumulatividade. LC 87/96). a LC 87/96. real ou simbólica. o que não configura violação da não-cumulatividade e da isonomia. I a IV. § 1º. LC 87/96). 20. 33. não dão direito a crédito as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de operações ou prestações isentas ou não-tributadas. Nessas hipóteses. 21. 155. seja consumida em processo que leve a produto não tributo pelo imposto ou venha a deteriorar-se. “caput”. caso a operação for isenta ou não tributada. LC 87/96): I – para integração ou consumo em processo de industrialização ou produção rural. Do contrário. § 1º.00. o art. exceto se se tratar de saída para o exterior.

III. nos casos de saldos credores acumulados. LC 87/96). LC 87/96): I – for objeto de saída ou prestação de serviço não tributada ou isenta. 186 STJ. confere prerrogativa para os Estados estabelecerem redução da base de cálculo do tributo no tocante a serviço de radiochamada (cláusula 2ª. 20. geralmente também envolve a comercialização de aparelhos. rel. permitir que (art. Sobrevindo decisão contrária irrecorrível. Formulado o pedido de restituição e não havendo deliberação no prazo de noventa dias. § 2º. versando sobre ICMS. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. 20/9/2007. porquanto não abrangidos pela norma convencional esculpida186.795-RJ. 2ª T. A prestação em comento. o contribuinte substituído. o contribuinte substituído poderá se creditar. deteriorar-se ou extraviar-se.. LC 87/98). IV – vier a perecer. em sua escrita fiscal.142 O sujeito passivo deverá efetuar o estorno do imposto de que se tiver creditado sempre que o serviço tomado ou a mercadoria entrada no estabelecimento (art. LC 87/96). 2ª parte. III – vier a ser utilizada em fim alheio à atividade do estabelecimento. devidamente atualizado segundo os mesmos critérios aplicáveis ao tributo (art. não se estornam créditos referentes a mercadorias e serviços que venham a ser objeto de operações ou prestações destinadas ao exterior (art. LC 87/96). o STJ pronunciou o descabimento de não-creditamento nas operações que envolvam a mercância dos equipamentos mencionados. também devidamente atualizados. e I. I e II. Convênio 115/96). LC 87/98). popularmente conhecida como “pager”. No entanto. Quando houver incorporação do bem ao ativo permanente do contribuinte antes de passados cinco anos contados da aquisição. do valor objeto do pedido. Se o montante dos créditos superar os dos débitos. 10. . no prazo de quinze dias da respectiva notificação. 21. § 1º. sendo esta circunstância imprevisível na data da entrada da mercadoria ou da utilização do serviço. § 2º. § 1º. LC 87/96). com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis (art. A Lei estadual poderá. Eliana Calmon. a diferença será transportada para o período seguinte (art. 24. 10. Informativo do STJ n° 332. REsp 805. procederá ao estorno dos créditos lançados. Min. As obrigações consideram-se liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de períodos ou períodos anteriores (art. fato esse que não está abarcado expressamente pela norma. 20. O Convênio 115/96. j. parágrafo único. 24. II – for integrada ou consumida em processo de industrialização. se for o caso. § 1º. “caput”. 25. o estorno deverá ser feito à razão de 20% ao ano ou fração que faltar para completar o lustro (art. I a IV. Com base nessa interpretação. LC 87/96): I – sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado.

193 Súmula 152 do STJ (CANCELADA): “Na venda pelo segurador. j. STF.. 11/9/2007. a jurisprudência do STJ fixou entendimento192.143 II – sejam transferidos. Min. não ficando abarcada pelo ICMS. j. Com base no entendimento do Supremo. a outros contribuintes do mesmo Estado. RMS 12. o STJ resolveu alterar sua posição. com julgamento ainda pendente até a data indicada. j. Todavia. RJ/IOB 1/11. segundo já disse o Supremo191. é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro”. Construção civil – é fato gerador de ISSQN. Min.. 195 STJ. lavrando-se o auto de infração devido. Dessarte. v. rel. em substituição ao seu enunciado 577. REsp 564. Não pode a autoridade tributária permanecer “ad eternum” com as coisas. Informativo do STJ n° 323. DJU 16/8/2004. a alíquota a incidir é a interna. DJU 1º/7/2002. quando a adquirente realizava a alienação deles. cancelando o referido verbete195. 610. “in fine”. Também TJRJ. Gilmar Mendes. RE 193817/RJ. Pleno. 6. ADI 1648/MG. LC 87/96.769-DF. Néri da Silveira. j. rel. Apreensão de mercadorias – nada obsta que o fisco empreenda a apreensão de bens sujeitos a ICMS e desacompanhados da correspondente nota fiscal. O Pretório Excelso passou a acatar como inaplicável o ICMS também na operação de alienação dos salvados pela seguradora194. ADInMC 1648/MG. Dessa feita. rel. Desembaraço aduaneiro – mesmo antes da LC 87/96. 13/6/2007. bens decorrentes de sinistro. Min. Essa prática é STF.9. Min. u.99. Em que pese a cristalina e consentânea disposição das cortes.08. DL 406/68. Informativo do STJ nº 331. m. CC). IX.084. nas condições que definir. j. RE 172282-7/SP. à materialidade do fato.552-RJ.946-MS. determina a não-incidência de ICMS em operações de aquisição de salvados por seguradoras. Nas operações de importação. REsp 23533/SP. 1ª Seç. dando azo à edição da Súmula 661 do STF189. o qual tinha por fulcro a CF/69 e o art. Ilmar Galvão. A posição ficou sedimentada por meio de outros julgados188. 190 STJ. 194 STF. 1º. mas contando com cinco votos pela exclusão das operações com salvados da incidência do ICMS. v. Castro Meira. 188 187 . não aquela determinada para operações interestaduais. essa atuação se presta à identificação do contribuinte. “caput”. II. Operações com salvados de sinistros – o art. REsp 919.10. no tocante ao diferencial de alíquotas da exação. o STF vinha entendendo diferente. o STF entendia como legítima a cobrança de ICMS no desembaraço aduaneiro. 2ª T. esses não sofrerão tributação pela via do ICMS quando adquiridos de outro Estado. 1ª T. em face de previsão de empreitada com o emprego de materiais a serem fornecidos pelo empreiteiro (art. 189 Súmula 661 do STF: “Na entrada de mercadoria importada do exterior. e § 1º. 192 STJ. Tratando-se de diferença cambial na cobrança do imposto em comento. incide o ICMS”. DJU 28. Min.062-GO. 191 STF. Os insumos devem ser utilizados na atividade-fim do administrado para não sofrerem a incidência do tributo. o STJ entende que há de se tomar como balizas referenciais a data do registro da importação e a entrada da mercadoria no território nacional190. REsp 73.223-MT. Informativo do STF n° 478. RT 726/383.96. Ilmar Galvão. 13. EREsp 149. nos exatos termos de jurisprudência até então dominante (Súmula 152 do STJ)193. de bens salvados de sinistros..2007..05. rel. fato que sugere a apreensão como modo de coerção para o pagamento da exação. DJU 20/3/2000. RE 192711/SP. Castro Meira. 3º. rel. Com essa idéia.97. 23.. decorrente de operação de importação de mercadoria187. Min. rel. incidia a referida exação.

j.ELYADIR FERREIRA BORGES RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – o recurso extraordinário foi interposto. o qual fixou a jurisprudência do Supremo no sentido de não fazer incidir o ICMS sobre a base de cálculo da COFINS: 24/08/2006 TRIBUNAL PLENO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240. cuja constitucionalidade foi declarada e que. da Constituição Federal. 7/8/2007. DJU 2/6/2003. por força do artigo 102. MARCO AURÉLIO RECORRENTE : AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADVOGADO : ROQUE ANTONIO CARRAZZA ADVOGADOS : RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS E OUTROS RECORRIDA : UNIÃO ADVOGADA : PFN .543-PR. reafirme-se.371-CE. Informativo do STJ n° 326. DJU 1º/3/2007. Eliana Calmon. o voto do Min. REsp 789. articula-se com a ofensa ao artigo 195.04.781-RS.785-2 MINAS GERAIS RELATOR : MIN.repudiada pela jurisprudência . no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90). rel.97. insistindo-se na inconstitucionalidade do artigo 2º. MS 38. no que autorizada a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base 196 196 144 TJDF. § 2º. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1-1/DF. Marco Aurélio sobre a matéria. “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo. com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional. . Des. não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116). j. sendo objeto de posição firme na própria corte máxima (Súmula 323 do STF. DJU 3 30.96. contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença. na íntegra. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118. LC 70/91. lei esta. inciso I. ICMS – inclusão na base de cálculo da COFINS – STF – interpretação do art.. DJU 15/9/2003. nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação. parágrafo único. Min. 2º. REsp 513. relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. já citada). 02. 8078 – ementa oficial. p. Exsurgiram sucessivos embargos de declaração. Getúlio Moraes Oliveira.316-DF. Veja. da citada lei complementar. 2ª T. REsp 700.12. “caput”. rel. do Diploma Maior. Nas razões do recurso.631-96. consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. STJ: REsp 493.

oportunidade na qual consignei: Quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1. o acórdão proferido na apelação restou publicado no órgão oficial de imprensa do dia 27 de setembro de 1994 (folha 91). de 30 de dezembro de 1991. da mencionada lei englobar. preconizando o não-conhecimento do recurso. segunda- . decorrendo o processamento do recurso do provimento dado a agravo. ressaltando o envolvimento de matéria legal e a harmonia da conclusão adotada com a “jurisprudência de nossos Tribunais”. Em 29 imediato. em face da recusa do Tribunal de origem de analisar a controvérsia (folha 120 a 134). 10 e 13 da Lei Complementar nº 70. foi feriado forense. terça-feira.145 de cálculo da Cofins. apenas dos artigos 1º. As conclusões do acórdão prolatado nos embargos foram veiculadas no Diário da Justiça de 23 de maio de 1995 (folha 102). o ICMS. apontou para o envolvimento. afirmou estar a definição de faturamento no âmbito da legislação infraconstitucional. Confira-se com o acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 156. terça-feira. declarar a nulidade do julgado por ofensa aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (incisos LIV e LV do rol das garantias constitucionais). A Procuradoria Geral da República emitiu o parecer de folha 166 a 169. definindo-se o alcance do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. Por isso mesmo. já que o dia 3. A União apresentou as contra-razões de folha 137 a 140. no que. ministro Moreira Alves. 2º. página 722 a 755. o tema está a merecer o crivo de Colegiado desta Corte. questão que não teria sido apreciada na ação declaratória de constitucionalidade. A recorrente protocolou embargos de declaração em 4 de outubro de 1994 (folha 92). Por outro lado. A recorrente indicou o permissivo constitucional à folha 120. Salienta-se que se desvirtuou o conceito técnico de faturamento. segunda-feira. ao incluir-se o referido tributo na base de cálculo. na espécie. não foi objeto de deslinde a circunstância de o artigo 2º. aludindo a memoriais distribuídos. O Juízo primeiro de admissibilidade disse da natureza infraconstitucional da discussão (folha 140). antes. É o relatório. deverá. parágrafo único. Os documentos de folhas 33 e 135 revelam a regularidade da representação processual e do preparo. nos termos do artigo 321 do Regimento Interno da Corte. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Na interposição deste recurso. acaso esta Corte conclua pela falta de prequestionamento. o Relator. foram observados os pressupostos de recorribilidade. 9º. Quanto à oportunidade. assevera-se que. na base do cálculo da COFINS. terça-feira. Noutro passo. A referência feita no voto do ministro Sepúlveda Pertence ganhou contornos de simples opinião de Sua Excelência a respeito da matéria.

aludindo à eficácia vinculante do pronunciamento. Já aqui entendeu. Protocolou-se o extraordinário em 4 seguinte (folha 120). da Constituição Federal. ou seja. o Colegiado concluiu que seria de se presumir o exame do tema no julgamento da declaratória de constitucionalidade. na espécie. refutou a argüição de inconstitucionalidade. Sob o ângulo do prequestionamento. como causa de pedir. na forma do acórdão de folha 115 a 117. apenas consignando que esta Corte assentou a constitucionalidade da Cofins. alínea “b”. exsurge a tempestividade deste recurso. analisando estes embargos. anterior à Emenda Constitucional nº 20/98. Pois bem. no que. não menos correto é que a recorrente. parágrafo. ou seja. a utilização de formas sacramentais. é certo. inciso I. assim. a viabilizarem o cotejo. que deu nova redação ao artigo 538 do Código de Processo Civil. da Constituição Federal. segunda-feira. no sentido de adentrar a sede extraordinária. Há de se examinar. na citada alínea. prescinde de referência a artigo. O que sustenta a recorrente é que o decidido pela Corte de origem discrepa da tipologia do tributo. portanto. da premissa de que assim o teria feito este Plenário ao apreciar a Declaratória nº 1. considerada a interrupção instituída pela Lei nº 8. protocolou os embargos declaratórios de folha 92 à 94. na base de incidência da Cofins. Aí. juntamente com o faturamento. consagrando-se. tem-se como prequestionada a matéria. A defesa sustentada pela recorrente foi rechaçada pela Corte de origem. a recorrente interpôs novos embargos de declaração (folha 104). fez inserir como base de incidência da contribuição devida pelo empregador. destarte. de interpretação de norma estritamente legal. sendo que o acórdão daí resultante foi publicado no Diário da Justiça de 22 de agosto de 1995 (folha 119). não procede o óbice apontado pela Procuradoria Geral da República. a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. voltou a empresa a protocolar novos embargos declaratórios. a encerrar o debate e a decisão prévios do tema jurígeno explorado. isso ao apreciar a Ação Declaratória nº 1-1/DF (folha 88 a 90). a violência ao artigo 195. a receita.146 feira. terça-feira. inciso e alínea – Recurso Extraordinário nº 128. mais uma vez reclamando prequestionamento explícito do tema (folha 104 a 112). considerado o teor primitivo do preceito. tudo a partir. a óptica de que a Cofins incide sobre o ICMS. utilizando a adjuntiva “ou”. atenta ao passo que se avizinhava.950/94. o ICMS (folha 92 a 94). A Corte já assentou que o prequestionamento. reclamando manifestação sobre a inconstitucionalidade de incluir-se. Portanto. se a conclusão a que chegou a Corte de origem.519-2/DF. Resta examinar o específico. tal como prevista no artigo 195. Se é certo que o acórdão inicialmente prolatado mostrou-se de simplicidade franciscana. Sob o ângulo do prequestionamento. Portanto. Mesmo assim. Também não vinga o óbice relativo ao envolvimento. refutando a defesa sobre a inconstitucionalidade de ter-se a incidência do tributo sobre . nas razões do recurso. inciso I. exigir mais do que isso é adotar o fetichismo da forma. a Turma julgadora pela inexistência da pecha quanto à inclusão combatida (folha 99 a 101).

importando. ou seja. O conceito de faturamento diz com riqueza própria. o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128. considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. assim. Jamais imaginou-se ter a referência à folha de salários como a apanhar. afastou a possibilidade de incluir-se. o sentido técnico-jurídico. um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti. incluindo este no que se entende como faturamento. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. a prevalecer o que decidido. a cargo do empregador. implicando. o valor do negócio. importa na incidência do tributo que é a Cofins. ao vocábulo “salários”. ter-se-á. a partir de premissa errônea. A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social. o que se dirá quanto a um ônus.758: “se a lei . quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços. sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa. ou seja. O valor deste revela. de um negócio jurídico. o faturamento e o lucro. ou seja. os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. Por isso mesmo. muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte. na redação primitiva da Carta. esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição. o valor devido a título de IPI. o ICMS. No caso dos autos. por exemplo. o que percebido por aquele que a realiza.147 o ICMS. por isso mesmo. conflita. emprestando. a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. em si. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar. em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71. fiel à dicção constitucional. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. Não pode. de uma operação. desse modo. revelador da incidência sobre o faturamento. a incidência da Cofins sobre o ICMS. para o contribuinte. Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem. mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. com o dispositivo constitucional. Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional. por tal motivo. ou não. em si. então. sob o ângulo do faturamento. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam. a incidência de contribuição sobre imposto. ainda que mediata. foi prevista tendo em conta a folha dos salários. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. servir à incidência da Cofins. na base de incidência da Cofins. Este decorre. não sobre o faturamento.519-2/DF. isto sim. pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. quando a própria Lei Complementar nº 70/91. A conclusão a que chegou a Corte de origem. os acessórios.

Se alguém fatura ICMS. implica manipulação geradora de insegurança e. mais do que isso. a revelar que: Art. a inclusão do que satisfeito a administradores. esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. a cobrança considerado. com razão maior. um desembolso. julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória . a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. isso sim. o conteúdo e o alcance de institutos. a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor. como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins . ônus fiscal. é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. adentrando-se a seara imprópria da exigência da contribuição. 110. como é o relativo ao ICMS. de expressões e de vocábulos. qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. sob pena de desprezar-se o modelo constitucional. no emprego de institutos. em si. que é o faturamento. parcela diversa. reformando o acórdão proferido pela Corte de origem. Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de ter-se. Por isso mesmo. expressa ou implicitamente. assim. Admitir o contrário é querer. ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” . autônomos e avulsos. em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PROBLEMAS JURÍDICOS”. quer de serviço. alterando. pelas Constituições dos Estados. a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado.RTJ 66/165. que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional. pela Constituição Federal. de renda o que não é renda. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto.148 pudesse chamar de compra e venda o que não é compra. ao valor da mercadoria ou do serviço. Conforme previsto no preceito constitucional em comento. Conforme salientado pela melhor doutrina. não pode. de exportação o que não é exportação. pressupondo-se que o texto constitucional mostre-se fiel. não englobando. para mim. conheço deste recurso extraordinário e o provejo para. surge simplesmente pedagógica. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade. a duplicidade de ônus fiscal a um só título. tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. por isso mesmo. o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que. Por tais razões. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias. A lei tributária não pode alterar a definição. entender que a expressão “faturamento” envolve. conceitos e formas de direito privado utilizados. conforme visto. relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria. ao sentido próprio que eles possuem.Ampliação da base de cálculo e compensação do aumento de alíquota”. com sentido didático. como é o relativo ao ICMS. “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que. na expressão “folha de salários”. A contrário sensu.

§ 1º. o valor correspondente ao ICMS. 155. seus derivados e outros combustíveis não derivados do petróleo. o ICMS incide sobre combustíveis. Com isso. consoante art. II. III. Entretanto. na mesma proporção de outras mercadorias. LC 87/96. III. como diz Rui Barbosa Nogueira. derivados de petróleo e energia elétrica (art. LC 87/96). segundo entendimento doutrinário? Resposta: são regras de “não-incidência constitucional”. se o fato gerador é a saída de mercadoria do estabelecimento de origem. 1º. 155. não há incidência de ICMS somente nas operações interestaduais (art. Essa regra. “b”. 2º. Pergunta: o art. I. DL 406/68? Resposta: o ICMS segue um sistema de não-cumulatividade por compensação entre créditos e débitos tributários. 1ª parte. X. 155. tal diploma inexiste. CF/88 (“circulação de mercadorias”). Pergunta: por que o legislador ainda não estabeleceu ICMS sobre combustíveis e minerais. em operações entre contribuintes do ICMS. CF/88? Resposta: quando não destinado à comercialização ou à industrialização. IV. CF/88. X. inclusive lubrificantes. nos termos do art. § 1º. 2º. É o que a doutrina chama de imunidade. Atualmente. 155. 155. pois a Resolução 22/89 do Senado Federal estabelece as alíquotas para operações interestaduais. considerado o faturamento. A partir da disposição do art. Pergunta: no caso do art. quando o destino comportar nãocontribuinte do ICMS. III. § 2º. § 2º. § 4º.149 intentada. Não tendo tal destino. assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição. o legislador complementar erigiu uma não-incidência legal sobre tais produtos (art. em se tratando de gás natural. § 3º. 155. bem próxima do . A Resolução 95/96 do Senado Federal estabeleceu alíquota para prestação de transporte interestadual aéreo. Pergunta: quanto aos combustíveis derivados de petróleo. § 2º. na qual o constituinte erige um “muro de contenção” fora do universo de incidência do tributo. na situação anterior. inverto os ônus da sucumbência. LC 87/96). CF/88. dado o permissivo do art. a exação será devida ao Estado de origem. por que o contribuinte é aquele do estabelecimento de destino. 3º. Pergunta: as regras do art. I a III. tais como fixados na sentença prolatada. o ICMS é devido no local onde houve o consumo. CF/88 configuram não-incidência ou imunidades. o imposto será dividido entre o Estado de origem e de destino. o imposto em tela incide quando não for destinado à comercialização ou industrialização. determina que resolução do Senado deve estipular alíquotas nas operações interestaduais. as situações abrangidas pela primeira hipótese (de incidência do ICMS) serão assim definidas quanto ao direito de cobrança do tributo: em se tratando de combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo. porquanto o ICMS não inclui os fatos geradores referidos no dispositivo. CF/88)? Resposta: consoante resposta do item anterior. quem as determina então? Resposta: errado.

II. mas sim pela efetivação do ato197. CF/67.150 que existe no IPI. o ITCMD encontra suas raízes na antiguidade clássica romana. No Brasil. III e IV. 2004. Ex. a incidir sobre transmissão de quaisquer bens ou direitos. a hipótese de incidência é a saída. CF/88. . como bem lembra Sabbag (2004. como previsto no art. o qual tem por base a transmissão onerosa de bem imóvel. o legislador estadual pode optar pelo sistema de responsabilidade tributária. a qual implicará em um débito fiscal por parte do empresário. por fato “causa mortis” ou por ato gratuito (doação). seguem um mandamento geral: a cada entrada. 289 da Lei 6015/73. p. p. 2004. atribuindo subsidiariedade de algumas pessoas no caso de inadimplemento do tributo por parte do contribuinte originário.. II. doador ou donatário (nas doações “gratuitas”). DOE-PJ 23-6-95. I. 6º. o oficial registrador não deve perquirir sobre o quantitativo recolhido. onde era aplicada a chamada “vigésima” sobre heranças e doações. CTN. p. Lei 8927/88 do Paraná. 42. além do cancelamento do crédito de operações anteriores quando houver quaisquer das intributalidades citadas (art. 314). I. o constituinte houve por bem cindi-lo em duas outras exações: o ITCMD. § 2º. VI. No entanto. 53-4. o tributo passou a existir desde a vinda da família real lusa para o Brasil. já que tem essa incumbência “ex vi” do art. quando ele realizar o recolhimento. Sua constitucionalização. no seu mister. como o não-creditamento da operação anterior quando a subseqüente é isenta ou acobertada pela nãoincidência. Com o advento da atual CF/88. como é o caso do art. CF/88). previsto no art. válido para atos “inter vivos” e “mortis causa”. 314). p. estando presentes em todas suas subseqüentes. em 1810 (CASSONE. “a” e “b”. um crédito. CSM. do notário que não verificar o recolhimento dos tributos. 156. m. 2004. 155.v.: doador. Dessa feita. É o caso. 431). Além do comando geral da substituição tributária por compensação. p. deverá abater o crédito decorrente da entrada do insumo tributado pela mesmo imposto. assim como sua EC 1/69. 155. possuidor. caso o donatário não recolha a exação. CF/88). sendo de competência dos Municípios. 314. 11-5-95. Trata-se do mesmo imposto do art. por exemplo. previam o impostos de transmissão como único. Assim. sendo de competência dos Estados e do DF. j. a norma estadual pode eleger qualquer dos sujeitos passivos como responsáveis pelo recolhimento do ITCMD. 197 TJSP. Sujeito passivo – deverá ser estipulado pela LO estadual ou distrital competente. só ocorreu a partir da Carta de 1891. p. No entanto. o obrigado fiscal pode ser: herdeiro ou legatário (na transmissão “mortis causa”). mas contribuinte de direito é o empresário que recebeu o insumo. CTN. e CASSONE. um débito. no caso do cessionário não arcar com o imposto. desdobrado em duas espécies (SABBAG. 432). do oficial de registro. I. no entanto. Nos termos do art. ITCMD (Impostos sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) – segundo Sabbag (2004. o ITBI (art. 134. 23. Dessa feita. um dos fatos geradores realmente é a saída da mercadoria do estabelecimento. Dessarte. A Constituição de 1967. a cada saída. o sistema congrega outras regras. caso não verifique corretamente o recolhimento dos tributos antes de efetivar o ato de transcrição.

as isenções referidas não são aplicáveis se a atividade da pessoa jurídica for preponderantemente venda. 35. impõe-se ressaltar que. não incide a exação em comento (art. que o imposto deverá ser recolhido na ocorrência do fato imponível. visto que inexiste outro diploma específico. No entanto. Nesse caso. III. nos termos do art. CF/88. haverá tantos fatos geradores quanto forem os herdeiros e legatários. Na primeira hipótese. . decorremnte de capital anteriormente subscrito. CC). 200 Súmula 435 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a companhia”. CTN). Entretanto. CTN). 37. Elemento espacial – o imposto será devido ao Estado ou DF onde se situam os bens imóveis (e respectivos direitos) ou onde se procede a ação de partilha de bens (art. Por derradeiro. ou se o autor da herança tinha bens. que a LC hábil a estabelecer o fato gerador (art. “caput”. p. I. isto é. CF/88) ainda é o CTN. CTN). § 1º. 36. CTN. na medida em que estipula a exação em tela para bens móveis e seus respectivos direitos. III. não atingindo outros situados além de sua competência territorial. Ademais. Vale também lembrar que o recebimento de honorários pelo advogado em ação de inventário não perfaz fato gerador do ITCMD (Súmula 115 do STF)198. Elemento temporal – estatui o art. Causa Mortis no inventário por morte presumida”. Quando a operação implicar em incorporação de patrimônio à pessoa jurídica. LC deve estabelecer os critérios de competência tributária (art. CTN. cabe ao Estado de sua sede o recolhimento do ITCMD respectivo (Súmula 435 do STF)200. no momento da transmissão 198 Súmula 115 do STF: “Sobre os honorários do advogado contratado pelo inventariante. o legislador de 1966 só previu a incidência do ITCMD para bens imóveis. 315). o ITCMD é exigível (Súmula 331 do STF)199. no caso de transmissão por fato “causa mortis”. com a homologação do juiz. parágrafo único. “caput”. em que pese a previsão expressa do constituinte no art. § 1º. não contemplando os móveis e demais direitos correlatos (art. Entende-se por transmissão a passagem de propriedade de bens ou direitos sob o aspecto jurídico. 35. 199 Súmula 331 do STF: “É legítima a incidência do Imposto de Transmissão. também não haverá incidência do ITCMD (art. “a”. “caput”. I e II. I e II. 2004. Esse fato deve se dar de forma não-onerosa. 155. em posição minoritária. 36. cessão e locação de imóveis (art.151 Fato gerador – é a transmissão de quaisquer bens ou direitos a título do falecimento de alguém ou em decorrência de ato gratuito (SABBAG. Cassone (2004. 35. Observa-se. 433) defende que o legislador não poderia inovar na ordem jurídica sem a competente LC autorizadora. CC) ou de ausência (arts. caso haja reversão do valor da integralização por liquidação de cota ou por extinção da pessoa jurídica. Nesse caso. compra. 146. se o doador tiver domicílio ou residência no exterior. 7º. No caso de doações feitas por sociedades por ações. CTN). com autorização judiciária das cortes. tratando-se de morte presumida (art. parágrafo único. Não é o que vem fazendo os Estados. “a” e “b”. 22 e 23. 155. I e II. CF/88). ou quando houver incorporação ou fusão de empresas. quer em decorrência da morte. quer por ato de liberalidade. o autor até mesmo admite que as unidades federadas possam instituir o ITCMD para móveis e direitos consectários internamente situados. CF/88). Nesse passo. não incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis”. era residente ou domiciliado ou teve o inventário aberto no estrangeiro. 155. p.

150. a alíquota aplicável é aquela vigente à época da abertura da sucessão. e 155. Obs. tendo vez somente no terreno do Direito Penal. IV. 21/8/2007. antes da homologação judicial do cálculo. “in casu”. Aplica-se. tido no momento da transmissão (art. 245. desde que dotados de força motriz própria. o art.777-1/6.3540-DF.u. 206 Súmula 112 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão”. A alíquota será fixada pela LO do Estado ou DF. p. tratando-se de transmissão “causa mortis” (Súmula 112 do STF)206. 2ª T. Aliás. oportunidade em que a correção deve incidir sobre todos os bens do espólio. IPVA (Impostos sobre Propriedade de Veículos Automotores) – nos termos do art. REsp 12. 21. 147. “caput”. Civ. § 1º. rel. o formal ou a carta de adjudicação só será expedida com a prova de quitação de todos os tributos. não cabe recolhimento do tributo por ocasião do inventário (Súmula 114 do STF)203.96. CF/88) é setorial. Elemento quantitativo – a base de cálculo é o valor venal do bem ou direito. de Direito Privado. observado o limite máximo de Resolução do Senado Federal (arts. Atualmente. 204 STJ.: havendo multa fiscal a ser rocada aos herdeiros. o ITCMD deveria ser recolhido desde tal momento. o diploma competente é a Resolução 9/92. 205 TJSP. Não é o que apregoa o referido autor. a qual estipula o percentual teto de 8%.10.4. mas sim a via administrativa. ocorrência a caracterizar o fato gerador do ITCMD.02. no qual são exigidas informações por parte do contribuinte e a atuação do fisco para calculá-lo (art. 9.546-RJ. 39. CC. Contudo. 436).01. “caput”. Súmula 113 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação”. apesar de homologados e transitados os cálculos. XLV. pelo qual o foro para discussão da dívida tributária não é a ação de arrolamento. CPC. 201 202 STJ.152 (CASSONE.92.530-SP. 2004. j. Assim como a base de cálculo. Castro Meira. CTN). CTN. a exigibilidade da exação só se perfaz no momento do registro imobiliário. CTN). podendo prever o fenômeno da substituição tributária (art. Com fulcro no art. j. III. Segundo Sabbag (2004. Nesse caso. operando-se desde o ajuste de vontades na doação ou a morte do inventariado no fato “mortis causa”. 1ª C. 13. CF/88). 5º.. v. parte da doutrina entende que o fato gerador da transmissão se dá mediante um complexo de atos. Ap. atacável por agravo e não por apelação205. 155. Informativo do STJ n° 328. entendimento ressonante no STJ204. p. a decisão judicial é interlocutória. CF/88. 316). o indigitado tributo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor de qualquer natureza.. e REsp 253. Nota-se que o legislador complementar autorizou seu similar estadual a estatuir de outra forma. 1034.. englobando meios de transporte terrestre. 1245. 38. quer seja ela para frente ou para trás. EDcl no REsp 927. O domicílio do proprietário é indiferente ao aspecto espacial do gravame. Lançamento – é feito na forma mista. 1ª T. Para essa linha de pensamento. sobre o qual o cálculo do ITCMD deve ser feito (Súmula 113 do STF)202. porquanto o registro do imóvel é o último ato da complexidade citada. 203 Súmula 114 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis não é exigível antes da homologação do cálculo”. . e em jurisprudência do STJ201. a jurisprudência prevalente tem entendido que ela é transmitida. § 3º. CTN). Min. muito pelo qual o princípio da intranscendência (art. aéreos e aquáticos.

8. 38. aquele do qual consta o título de registro do bem (SABBAG. o legislador estadual fica livre para estabelecê-la. j. I. pessoa natural ou jurídica. o constituinte derivado. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo. entendendo ser constitucional a cobrança do IPVA sobre aeronaves208. A partir desses critérios objetivos. § 3º. 146. 150. CF/88). Marco Aurélio. cujo valor mínimo há de ser estabelecido por Resolução do Senado Federal (art. “a”. É possível também recorrer a órgãos especializados particulares. O momento de aquisição do veículo também pode ser objeto do IPVA. Não foi o que acolheu o STF. 311). CF/88). questão polêmica se coloca sobre sua natureza jurídica. Acerca da alíquota. sua definição. Lei 7565/86) não coaduna perfeitamente com o desenhado pelo CTB. p. DJU 9-5-97. Min. É a posição assentada no Pretório Excelso207. O sujeito passivo é o proprietário do veículo automotor. a lei estadual pode estabelecer a cobrança da exação em tela. “caput”. que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo. Ademais. mediante reações aerodinâmicas. O fato gerador é a propriedade do bem e não o mero uso ou detenção. é possível que o legislador estadual estabeleça a forma temporal de recolhimento do tributo. Na ausência do referido diploma federal. § 6º. No aspecto temporal. Min. devendo ser regulado por LC (art.931-SP. as aeronaves são veículos destinados a circular entre Estado e Municípios. Art. rel. STF. Ilmar Galvão. quis imprimir 207 208 STF. tratando-se de veículo novo. p. É tributo de competência estadual e distrital. 2004. a ser estabelecido em tabela oficial fiscal. 310). a lei instituidora do IPVA pode optar entre o valor venal ou o preço de mercado. bem como o desembaraço aduaneiro é o fato imponível hábil para veículos importados. RE 134509/AM. No tocante à base de cálculo. 2004. ADCT. como jornais e revistas que militam na área. locais onde elas manobram. em essência. Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA. 24. AG (AgRg) 167777/DF. há de ter força-motriz própria. CF/88). o art. p. Código de Trânsito Brasileiro – CTB). RE 236. Quanto à aeronaves. § 3º.1999. É provado por meio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo). O preço estabelecido na nota fiscal ou no formulário de importação é hábil a determinar a base de cálculo. ou seja. 312). dada pelo art. “caput”. 34. incluindo-se os veículos conectados à linha elétrica (Anexo I da Lei 9503/97. apto a transportar pessoas ou coisas. os Estados e o DF exercem a competência plena (art. Segundo Sabbag (2004. ainda que complementar ou alternativa à natural. Não se incluem os veículos movimentados por tração animal. a partir de 1º de janeiro. 106. III. o IPVA é de base proporcional (SABBAG. No tocante ao conceito de veículo. Com efeito. 155. falecendo competência estadual para a tributação. 106. são de propriedade da União. 10. Visto que esse atualmente falece à existência. desde que observe a vedação ao confisco (art. rel. nos exatos termos do comando do art.153 porquanto vale o local de registro do bem. . CF/88). porquanto não fala em força motora própria. por meio da EC 42/03. CBA define que os aeroportos. No entanto. IV.

154 progressividade facultativa ao IPVA (art. de entidades sindicais de trabalhadores. incide a exação. CF/88). de instituições de ensino e assistência social. ISS (de qualquer natureza). como agroindústria. de partidos políticos (inclusive suas fundações). Sabbag (2004. 150. metade fica com o Estado e a outra com o Município onde está registrado o bem (art. I a III. 155. II. Na realidade. O Brasil comporta hodiernamente cerca de 5564 leis municipais. elenca os impostos municipais. é exação que decorre do poder de polícia da autoridade de tráfego e tributária. reporta-se ao chamado IPTU: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. Impostos dos Municípios – o art. Na repartição de receitas. 32. É cobrado ano a ano. a qual terá o condão de instituir e de disciplinar cada uma das exações. e § 2º. o que lhe dá um certo ar de extrafiscalidade. Por imperativo lógico-jurídico. “caput”. III. a legislação do caso concreto é aquela instituída pelo município. de templos. sob pena de inconstitucionalidade. não se englobando o mero detentor (comodatário e locatário). Mesmo assim. p. pode a lei ordinária instituidora determinar a diferenciação de alíquotas em função do tipo e utilização do veículo. 156. ITBI. podem gozar de isenção (SABBAG. não pressupõem pagamento de ITBI. RDA 73/160 e RTJ 117/652. CF/88. 150. isto é. . o titular do domínio útil (enfiteuta ou usufrutuário) – de acordo com a Súmula 326 do STF209 – e o possuidor “ad usucapionem”. Para Sabbag (2004). Estarão imunes os veículos de pessoas jurídicas de Direito Público. CF/88. 156. como já disse o STF210. p. exação que exige transmissão. Diz-se que seu fato gerador é continuado: enquanto houver a posse do bem. No inciso I do art. CF/88. CTN). VI. fica impossível analisar cada um. é interessante destacar que o legislador municipal (infraconstitucional) não pode colidir com a CF. porque limita indevidamente a circulação de pessoas (art. Dessa feita. nos exatos termos do art. O lançamento é feito por homologação. aqueles cuja instituição foi conferida aos municípios: IPTU. 148) assevera que o IPVA é exação eminentemente fiscal. Pelo grande número. posse ou domínio útil de bem imobiliário dentro do limite urbano do município (art. o ato 209 210 Súmula 326 do STF: “É legítima a incidência do imposto de transmissão inter vivos sobre a transferência do domínio útil”. desde que o legislador estadual assim acate. podem ser sujeitos passivos do IPTU: o proprietário. “a” a “c”. 158. sem fins lucrativos. p. transporte público de passageiros e terraplenagem. apesar de comportar viés extrafiscal quando possui alíquotas diferenciadas pelo tipo de combustível. CF/88). cada uma correspondente a um dos diferentes municípios do país. Quanto à taxa de licenciamento. 313) entende ser inconstitucional. Trata-se de comando reduzido. cabendo a modalidade “ex officio” caso o contribuinte falte à sua obrigação. porque abrange só atribuição de competência. Chimenti (2002. O fato gerador é a propriedade. 2004. Usucapião e desapropriação. VI. CF/88). Caso o proprietário transmita a propriedade. por serem formas de aquisição originária da propriedade. Veículos de interesse socioeconômico específico. § 6º. STF. 313).

4º.: na cidade de Paraibuna. CC). onde inexiste. o art. 33. integrantes de área de interesse turístico ou ambiental (art. respectivamente). o que não ocorre com o ITBI. No IPTU. parágrafo único. valor venal não é valor de venda. o valor venal não tem nenhuma relação com o correspondente no comércio. 33. “f”. a disposição do CTN era tida como residual em relação ao critério da finalidade do bem imóvel. Alguns prefeitos aumentam o valor da base de cálculo por decreto. Lei 10257/01). onde existe o plano. 32.155 deve ser averbado para que. a teor do que dispõe o Estatuto da Terra (Lei 4504/64). No entanto. Em verdade. rede de iluminação pública. aplicam-se os critérios de diferenciação entre imóvel urbano e rural atinentes ao Estatuto da Cidade e à própria Constituição. Lei 10257/01). § 1º. Se isto for feito por decreto . I. quando se intente usar instrumentos para assegurar a função social da propriedade. não integram a base de cálculo do IPTU (art. Todavia. permanecem os referenciais anteriores (Estatuto da Terra e CTN). abastecimento de água. 32. pois não existe aferição para corrigir a planta dos valores venais do imóvel. I a V. 33 e 38. CF/88. Com a promulgação da atual Carta. sistema de esgotos sanitários. Para o ITBI. parágrafo único. CTN. seja quais forem. escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado. no ano subseqüente. a instituição de plano diretor é obrigatória somente para municípios com mais de vinte mil habitantes. Já o ITBI só é aplicável para transmissões onerosas (predomínio de venda). esculpindo o princípio da legalidade. descontínua a esta. Em conseqüência. A norma constitucional foi efetivada por meio do Estatuto da Cidade (Lei 10527/01). Tanto o IPTU quanto o ITBI possuem base de cálculo igual: o valor venal do imóvel (arts. de acordo com o que dispuser a norma municipal: meio-fio ou calçamento. a base de cálculo é o valor venal ou o valor da operação. preconiza que só se poderá aumentar ou instituir tributos por lei. 182. pecuários. 41. CF/88. Uma vez que se destine a fins agrários. § 2º. com ou seu postes para distribuição domiciliar. Ex. V. será urbana a propriedade incluída no plano diretor. extrativistas vegetais ou agroempresariais. Em tese. Por deficiência da Administração Pública. CTN. nos termos do art. o imóvel será considerado rural. “caput” e § 1º. há uma discrepância entre valor venal (maior) e valor de mercado. o novo senhor receba o carnê fiscal. a base de cálculo não abrange as benfeitorias. o qual ainda abriu a possibilidade do plano estabelecer distrito rural dentro do perímetro urbano (art. pertenças e móveis atinentes ao prédio. Neste sentido. até a CF/88. ficou conhecido pelo valor do cadastro. Com efeito. I a V. elegendo-se sempre o maior. inclusive a ocorrência de mais de um deles. para permitir o aumento da arrecadação. Contudo. atribuindo índice para a atualização. com canalização de águas pluviais. CTN. Na maioria das vezes. 150. nos termos do art. o legislador houve por bem alterar o referencial. o qual é determinado por lei local. computando-se tão-só as acessões (art. Relevante também ressaltar que as pertenças e as benfeitorias. integrantes de regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas. é possível o estabelecimento de zona equiparada à urbana. CTN). a definição de zona urbana deve encontrar guarida em no mínimo dois dos melhoramentos previstos no art.

§ 1º. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. O inciso II constitui ferramenta para o administrador diferenciar as alíquotas. isto é. há inconstitucionalidade.156 administrativo. aplicada ao ITBI. ou seja. ocorre que a diferença majorada por ato administrativo não é tão expressiva. CF/88 (princípio da capacidade contributiva).: o ITBI normalmente tem alíquota de 4%. é cediço verificar se o valor da operação e o valor venal estão consoantes. 156. não havendo qualquer relação com o potencial tributário do sujeito passivo. Desta feita. com quatro imóveis de R$ 50 mil cada. É importante também destacar algumas particularidades do IPTU. CTN. considerando sempre a maior. porquanto este aponta uma flagrante incongruência entre um princípio inerente a exações pessoais aplicado a um tributo de clara base real. 212 Súmula 656 do STF: “é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel”. I.5 a 1. uma vez que pode vir a estabelecer 211 Súmula 160 do STJ: “é defesa ao Município atualizar o IPTU mediante Decreto. Com relação à possibilidade de estabelecer duas bases de cálculo diferenciadas para o ITBI. O art. por inconstitucionalidade. 156. a progressividade do art. estava em julgamento a constitucionalidade dessa progressividade em função do uso e da localização.: Fulana tem um imóvel de R$ 200 mil. ficando mais barato e simples pagar que discuti-la nos tribunais. É necessário. Ex. Alguns doutrinadores falam que a hipótese de incidência deve ser precisa. não podendo haver dispositivo que preconize uma ou outra base de cálculo. concordar com as posições de Sabbag (2004). de acordo com a localização e o uso do imóvel. Entretanto. Sua alíquota pode oscilar entre 0. surge uma polêmica. O STF corroborou com a posição. Não há consenso nem pronunciamento dos tribunais superiores. Ex. § 1º. consoante o disposto no art. consoante reiterado posicionamento do Excelso Pretor. CF/88 não se refere à capacidade contributiva do preâmbulo constitucional tributário. editando a Súmula 656212. Ex. O extinto 1º TAC denegou a progressividade. dada a inexistência de previsão para tal na CF/88. os tribunais locais não têm admitido a existência de mais de uma base de cálculo para o ITBI – a exação incide sobre o valor real da venda. De uma forma geral. 97. O constituinte quis permitir variação crescente de imposto em relação ao bem. O inciso I afirma que o IPTU deve ser progressivo. 145. O STF já dizia que poderia ser progressivo nesse sentido.5%. O Poder Público não pode simplesmente conferir capacidade contributiva ao possuidor em razão do imóvel. Na prática. como bem ventila a Súmula 160 do STJ211. . § 2º. não se restringindo ao valor venal do imóvel. como lembra Sabbag (2004). § 1º. Essa progressividade é diferente daquela prevista pelo art. o Pretório Excelso garantia a competência para isso. a atualização monetária regular do valor imobiliário – mera correção monetária – pode ser efetivada por decreto. não propriamente à adequada capacidade econômica do proprietário.: posse de imóvel. Diz respeito sim à sua forma de incidência. incisiva. entretanto. O novo proprietário não pode vendê-lo se não possui condições de recolher o ITBI. Na cidade de São Paulo. Por conseguinte. por herança. estabelece princípios a serem seguidos. CF/88. elas dependem do critério a ser usado. Esta assimetria fere os princípios da igualdade tributária. o valor de seu IPTU será maior em relação àquele de Cicrano. da vedação ao confisco e da capacidade contributiva.

ele a utiliza para integralizar seu montante no capital social. mas não há incidência de ITBI. localização e uso do imóvel. elenca as chamadas “nãoincidências constitucionais”. CF/88). 156. Nessa situação. I. O art. um imóvel. Um resumo pode ser aduzido pelo seguinte esquema: Regra – houve transmissão de forma onerosa. cisão. prevê que a responsabilidade por infrações tributárias independe do “animus” do agente. É o caso do exemplo retro sobre aquele que recebeu um imóvel a título de herança. acabou corroborando com o constituinte reformador quanto ao IPTU. cada um fica com sua parte.157 gravames incompatíveis com a situação do contribuinte.: sócio “A” e sócio “B” de uma empresa. como alienação. Segundo o autor. “Ex vi” da EC 29/00. CF/88. cit. CF/88. o constituinte derivado estabeleceu outros três critérios para permitir a progressão da exação: o valor. Empresa que opera no mercado imobiliário – há incidência da exação. A segunda parte diz respeito à transmissão de bem imóvel nos casos de incorporação. Em que pese o Supremo ter declarado inconstitucional a progressividade para o ITBI por ausência de previsão legal. nos dois anos anteriores e nos dois subseqüentes. a ter cota com a sociedade no valor do imóvel. nas palavras de Chimenti (2002. o remanescente é dividido entre os sócios. o sócio “A” tem sala comercial no valor de R$ 50 mil. Ex. o capital constitui-se de um imóvel e R$ 500 mil. I. tratando-se de autênticas imunidades. 156. troca. 128) e Sabbag (2004). “A” passa. A primeira parte do dispositivo visa preservar os negócios de pessoas jurídicas em que há transmissão de imóvel. não houve autêntica intenção extrafiscal. o constituinte originária estabelecera a possibilidade de IPTU progressivo para lhe conferir fundo extrafiscal. forçando o proprietário a adequar seu imóvel à função social (art. Ex. 182. .: empresa “A” e empresa “B” formam a empresa “C”. O ITBI incide sobre transmissão onerosa de bem imóvel. 136. desde que não penda um efetivo lucro por parte dos adquirentes. estipula uma exceção à não-incidência constitucional: se a pessoa jurídica tiver como atividade principal compra e venda de imóveis213. lamentavelmente permitindo majoração da carga tributária ao já tão combalido contribuinte. Na extinção da pessoa jurídica. caso o sujeito passivo não 213 Preponderância da atividade. A norma em comento não implica em não-incidência de ITBI sobre toda operação desta natureza entre pessoas jurídicas. II. na sua parte final. fusão ou extinção de empresa. há incidência de ITBI. de acordo com a exegese do art. § 4º. deve englobar mais de 50% da receita operacional da empresa. Não incidência – casos do Direito Comercial. op. caução.: empresa que opera no mercado imobiliário. Nesta situação. CTN. “in fine”. mas sim de aumento de arrecadação. § 2º. O próprio art. Se houver. há transmissão onerosa. como lembra Sabbag. nessa devolução. § 2º. CF/88. ao se separar a pessoa jurídica. O art. I. subsistindo somente o aumento do capital imobilizado. § 2º. Ex. etc. 156. há incidência do ITBI. então. p.

CF/88.. transporte intermunicipal e interestadual. As alíquotas. no tocante à atividade dos advogados). de terceirização de mão-de-obra ou de organização de eventos. sob pena de configurar “bis in idem”. 406/68 (SABBAG. 2004). O imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISSQN) está previsto no art. com referência a serviços de construção civil em geral. Ex. desde que este não esteja compreendido na competência do Estado (eletricidade. CF/88. 155. não sendo abrangidos os empregados. existem alguns aspectos polêmicos. 7º. 8º. Já a LC 116/03 reestruturou diversos conceitos do ISSQN. . essas não integram a base de cálculo (art. É possível que a lei local institua o sistema de responsabilidade tributária por substituição (art. rel. de vigilância e segurança patrimoniais. § 3º. § 1º. III. com o intuito de prever situações que não existiam na época. Ilmar Galvão. Min. CF/88)214.8. segundo entendimento do STF. 214 STF. II. § 2º. não contidos no DL. No caso de subempreitadas. 156. fica sujeito à cobrança pela exação e à imposição de sanção pecuniária. Ainda que isento ou imune. Com referência ao ISSQN. telefonia). DL 406/68). LC 116/03): Seja proveniente do exterior ou a prestação tenha lá se iniciado. I. os avulsos e os membros de conselhos fiscais e consultivos de sociedades – arts. e 5º. Aliás. deve ele recolher o ITBI. IX. 108. CTN. enquanto não vier LC específica (art. inclusive esgotos. não se aplicando a disposição do art.158 esteja englobado pelas não-incidências constitucionais. Segundo o STF. j. III. o art. No entanto. desde que haja o fato gerador da obrigação.: avanços tecnológicos. mas admite interpretação analógica naqueles itens complementados com a expressão “congêneres”. “caput”.2007. oscilam entre 2 e 5% (art. 2004). “caput”. 150. determina que os serviços tributados por via do ICMS são residuais em relação ao ISSQN. Informativo do STF n° 476. O DL 406/68 lista 101 itens de serviços. LC 116/03. RE 262598/PR. de limpeza e conservação de imóveis e logradouros públicos. 6º. § 2º. § 2º. parágrafo único. sendo fixa para os profissionais liberais (vide comentários infra. CF/88) nem isenção heterônoma (art. e 10. “caput”. não havendo ofensa à isonomia tributária (art. e § 3º. 155. CF/88. “b”. 14. Desta feita. LC 116/88). contemplando a modernidade. LC 116/03). A lista é taxativa. LC 116/03). I e II. D. a prestação de serviços a título gratuito não enseja a incidência do ISSQN (SABBAG. II. conforme reiterados julgados do STF e do STJ. 151. O sujeito passivo é o prestador (empresa ou profissional autônomo) ou tomador do serviço (contratante dos serviços). sempre será responsável o tomador ou intermediário de serviços quando (art. “b”. tal qual o art. Não assim agindo. Alguns opinam que a situação acabou piorando. Seu fato gerador é a efetiva prestação de serviço. A base de cálculo é o valor do serviço prestado (art. salvo aqueles expressamente previstos pelo constituinte como hipótese de incidência do primeiro. de coleta e reciclagem de detritos. 156. III. divididos em 40 itens. o comando é constitucional. O rol abrange cerca de 230 serviços. 2º. 9º. 1ª T. 6º. CF/88).

somente em 2004. foi recepcionado como LC. “a”. A segunda preconizava que o ISSQN de empresa construtora seria devido no município da construção (art. 3º. 12. adaptandose à LC 116/03. . Qual é o município competente para instituir e cobrar o ISSQN? O DL 406/68 tinha uma regra e uma exceção. Ademais. LC 116/03). está em vigor integralmente. DL 406/68). a regra da anterioridade originária (vigência possível só no exercício seguinte) há de ser observada. do contrário. . prestadores de outras regiões abriram sede nesses locais. Execução Fiscal Legislação aplicável – é a Lei 6830/80. convivendo com a parte “viva” do citado DL. só puderam iniciar a arrecadação com os novos critérios em janeiro de 2005. LC 116/03). nos casos por ela abarcados. por conseguinte. tal estipulação é inconstitucional. chamado de “ISS fixo” (SABBAG. reza que compete à LC dispor sobre conflitos ou critérios gerais da legislação tributária. 3º. A LC 116/03. é possível afirmar que a LC 116/03 não revogou expressamente todo o DL 406/68. é precípuo esclarecer que os advogados e as respectivas sociedades pagam o imposto do art. “in fine”.159 O art. A primeira previa o recolhimento do tributo no domicílio ou no estabelecimento do prestador (art. Entretanto. Assim. Por último. 156. conquanto viola o princípio da capacidade contributiva. LEF). 2004). o ISSQN poderia ser arrecadado segundo a nova legislação. III. podem surgir dúvidas acerca do local onde deverá ser recolhida a exação. II a XXII. 1º. a serem observadas necessariamente nesta ordem: . CF/88. . 12. DL 406/68). Ela regulou de forma diversa alguns dispositivos deste e tornou outros incompatíveis com suas disposições. Havendo a obrigação em mais de um lugar. Em face do rol taxativo. “caput”. I. sendo.Domicílio do prestador ou do seu estabelecimento. Com referência especificamente a estes. ab-rogado nos demais.Domicílio do tomador (art. Outra observação importante diz respeito à alteração de disciplina na execução. “b”. Portanto. CF/88. Entre a vigência do DL 406/68 até a promulgação da CF/88 e. Portanto. o DL 406/68 continua em vigência.Local da prestação do serviço (art. Neste mister. não havia competência dos municípios para legislar sobre a matéria. 3º. conhecida como LEF (Lei de Execução Fiscal). tendo o CPC função subsidiária (art. ressalta-se que o DL 406/68. A base de cálculo para os serviços prestados por tais profissionais – assim como médicos e dentistas – é estabelecida por um valor único periódico. eles devem editar leis municipais correspondentes. em seu art. Logo. A LC 116/03. o contribuinte deve recorrer à consignação em pagamento (“depósito” em juízo). Os municípios que não editaram suas normas de adaptação. Mas acabou não retratando todos. depois do último diploma. até a LC 116/03. criou três possíveis alternativas. 146. Segundo Carrazza (1991). alguns municípios abaixaram suas alíquotas relativas ao ISSQN. segundo já disse o STF. I.

como será demonstrado no delineamento da execução fiscal. 2003. tenham eles natureza tributária ou não. outrora denominados dívida ativa. 269) assevera que os privilégios da Fazenda Pública são inegáveis e irretorquíveis. sem demais considerações. 2. 215 .160 mormente operada pelas Leis 11280/05 e 11382/06. 212) ainda lembra que esse é o único título executivo formado unilateralmente pelo credor. p. com as alterações posteriores. A certidão de dívida ativa (CDA) goza de certeza e liquidez como presunções relativas. é o ato jurídico de lançamento do crédito (inscrição em dívida ativa) e não o documento que o materializa (respectiva certidão)215. op. Essa prerrogativa material.320. e Vicente Greco Filho. p. Cf. VII. O legislador. Direito Processual Civil Brasileiro: Processo de Execução a Procedimentos Especiais. 130. sendo formada unilateralmente. e Chimenti. bastando existência de prévio procedimento administrativo com contraditório. de 17 de março de 1964. decorre do poder de “imperium” do Estado. Conseguintemente.. o que constitui o título em tela. LEF). redigida para favorecer a arrecadação fiscal por parte do Estado. p. que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. Curso de Direito Processual Civil. 208. p. 20ª ed. 585. cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º. Uma vez inscrita a dívida. em coro com a melhor doutrina. Saraiva. Humberto Theodoro Júnior. preservou incólume a regência da execução fiscal. 1997. v. 2º.Qualquer valor. 2º. Câmara (2006.. 3. sem participação do devedor. Definição – execução fiscal encontra delineamento pelo próprio legislador da LEF: Art. 2003. p. CPC). 211). para sua validade. a execução fiscal é o processo idôneo a que a Fazenda Pública satisfaça seus créditos decorrentes de dívida ativa. dos Estados. da concordância ou aceitação do sujeito passivo da obrigação. ao que parece. Em paralelo. Forense. 208). A LEF é claramente prófazendária. o prazo prescricional para a propositura da demanda executória fica suspenso por 180 dias (art. assim como outras processuais. 101. porquanto se trata de procedimento executório especial. manifestando a potestade administrativa e a presunção de legalidade de seus atos (GRECO FILHO. Segundo Chimenti (2002. 16ª ed. 2006. v. p. Rio de Janeiro. não necessita. para quem a certidão de dívida ativa em si é o título hábil a aparelhar a execução fiscal. São Paulo. a execução fiscal tem por objetivo conferir ao Estado um instrumento célere de cobrança de seus créditos. insiste a doutrina em afirmar que o rito foi mantido. será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. dos Municípios e do Distrito Federal. na realidade. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4. desde que seja formado previamente um título executivo extrajudicial específico: a certidão de dívida ativa (art. § 3º. § 1º . Assis (apud CÂMARA.. cit. p. 101). Segundo Câmara (2006. Nesse passo. Por conseguinte.

Competência – de acordo com a redação do art. fala em “decisão de primeira instância”. por meio de outorga da capacidade tributária ativa. fiador. Por exclusão. § 8º. não havendo de se falar em qualquer ilegalidade nessa prática216. ampliada pela jurisprudência.161 O art. fiador. Segundo entendimento prevalente na jurisprudência. o rito a ser seguido não será da LEF. de certa forma. 721/290. 2º. Min. I. LEF). De outra sorte. Sendo assim. a qual entende ser prescindível que conste o nome do responsável na CDA. seguiu os precedentes do STJ. empresas governamentais não têm legitimidade para ajuizar execução fiscal. Luiz Fux. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. universal ou singular). . as referidas instituições poderiam ajuizar execução fiscal. Apesar desse raciocínio. I a VI. se um Estado demandar autarquia estadual da mesma unidade federativa. afirmando descaber execução fiscal em face de débitos da contribuição de seus filiados. Nesse ponto. RT 697/131. responsável e sucessor (“causa mortis” ou “inter vivos”. posição essa reforçada pelo Supremo na ADIn 1717. No entanto. os conselhos de profissões regulamentadas têm natureza autárquica. competente para processar a execução fiscal será o juízo: 216 217 STJ. LEF: devedor. Informativo do STJ n° 330. p. 6/9/2007. como já está pacificado na jurisprudência. CPC. LEF): Obrigatoriedade de constar o nome no título – para sucessor singular e responsável.623-BA. é feita nova citação ao atual proprietário. Legitimidade – a ativa pertence aos entes federados. “caput”.. falecendo-lhe legitimidade para demandar no modelo da LEF. de que essa não possui dívida ativa. e 2º. Câmara (2006. massa e espólio. 578. § 8º. A posição do autor é. 369) faz interessante observação (art. massa (falida ou da insolvência civil). 4º. Nessa demanda. LEF. por meio da ADIn 3026. 737/340. 1ª T. adequando-a ao novo senhor da coisa. rel. pois foi ratificada sua natureza autárquica. quando há sucessão processual em decorrência da mudança de propriedade do bem tributado (arts. ou a autarquia especialmente criada para tal fim. há precedentes no STJ. § 5º. por débitos fiscais. Dessa feita. j. espólio. No tocante às exações reais. 2º. concernentes à OAB. ficou patente não ser possível pessoa jurídica de Direito Privado exercer poder de polícia. REsp 840. 41. mas sim da execução contra a Fazenda Pública (arts. com correlata distribuição de competência do poder de tributar. os tribunais aceitam que o fisco se volte contra responsáveis pelo pagamento do crédito independentemente de expressa menção no título217. CPC. é lícito à Fazenda promover a substituição da CDA. O STF. CPC). os legitimados passivos estão expressamente elencados no art. No ponto. Prescindibilidade em constar no título – para sucessor universal. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. a qual se liga à decisão de embargos de execução fiscal. 730 e 731.

o art. o qual define o domicílio tributário. 127. CPC. se o crédito fiscal dele se originar. 108. quando desconhecida ou incerta. § 3º. CTN). 127. I e III. incluindo empresários individuais. • Foro de qualquer dos domicílios do demandado. Quando insuscetíveis de aplicação os parâmetros do art. se imposto ou contribuição social (arts. CTN). 127. 2º) Do foro da residência ou do lugar onde o demandado for encontrado. II. § 2º. desde que não seja ela sede da Justiça Federal”. o centro de suas atividades (art. CTN. o lugar onde se deu origem às obrigações respectivas (art. será considerada residência habitual das pessoas naturais ou. Em tese. CTN). No tocante às pessoas jurídicas de Direito Privado. I. Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público. § 1º. parágrafo único. 87. e 109. a execução fiscal será proposta na Vara Federal. o domicílio será qualquer de suas repartições no território da pessoa política. quando esse apresentar mais de um. III. 127. a qual detém competência tributária (art. . incide na execução fiscal (Súmula 58 do STJ)219. CTN). Quando os tributos forem de competência da União. § 4º. CTN). o domicílio será definido por essa. “caput”. Em verdade. 219 Súmula 58 do STJ: “Proposta a execução fiscal. Lei 5010/66). Entretanto. CF/88.162 1º) Do foro de domicílio do executado (foro comum). muito pelo qual o princípio da “perpetuatio jurisdiciones”. 127. esculpido no art. o domicílio será o da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores de obrigação tributária (art. No entanto. determina que a Fazenda Pública tem a prerrogativa de escolher o foro. desde que não implique em claro embaraço à atividade da autoridade tributária (art. e 15. Nessa hipótese. CTN). Inexistente essa no domicílio estabelecido. o domicílio será aquele de sua sede ou. constante do lugar de situação dos bens do sujeito passivo ou onde se deu o ato ou fato gerador da obrigação fiscal. 127. ainda que o demandado não mais tenha residência ali. I a III. 578. CTN. Alteração de domicílio do executado posterior à propositura da ação fiscal não tem o condão de deslocar a competência do juízo. a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada”. Os recursos serão dirigidos ao TRF enquadrante (arts. 127. o contribuinte ou responsável pode elegê-lo (art. 127. a linha traçada pelo CPC segue a esteira do art. a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) poderá propor a demanda no juízo estadual (Súmula 40 do extinto TFR)218. na ausência da eleição. 218 Súmula 40 do TFR: “A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o juiz de direito da Comarca do devedor. II. I a III. 109. quando houver mais de um. entre os seguintes (foros eletivos concorrentes): • Foro de qualquer dos devedores. quanto a outros estabelecimentos. CF/88). Não importa a natureza do tributo. se não tiver domicílio fixo (foros subsidiários). • Foro do local onde se deu o fato ou foi praticado o ato que fez originar a dívida. • Foro da situação dos bens. no aspecto espacial. CPC.

Lei 8397/92). Por óbvio. CPC. 2002. e 29. 2º da Lei n. p. 2º. Ação cautelar fiscal – interessante trazer a definição dada pela doutrina: Instituída pela Lei 8. uma vez notificado para pagar ou submetido a arrolamento de bens (Lei 9532/97). assim como qualquer outra cautelar (art. A medida só pode ser ajuizada após o lançamento (art. cristalina é a lei em determinar o foro ao menos pelos parâmetros do art. . a Fazenda pode obter a declaração de impenhorabilidade dos bens do devedor. antes ou depois da ação de execução fiscal. “caput”. a Fazenda Pública já poderia propor diretamente a execução fiscal e. parágrafo único. O objeto da ação é tornar indisponíveis os bens do contribuinte que apresente situação que pode colocar em risco o recebimento do crédito fiscal (art. o fisco tem preferência no seu juízo privativo – quer seja na Justiça Federal para União e respectivas autarquias. Dessarte. a defesa típica (embargos do executado) será oferecida no juízo deprecado e remetida para o juízo deprecante. será ela aí julgada (art. 78). 5º. nos termos do art. LEF). parágrafo único. o juiz recepiendário tem autonomia majorada para resolver as querelas a ele atinentes. 798. p. 207). pois. V. se a matéria trazida à baila disser respeito a vício ou a irregularidade atinente ao juízo deprecado. § 2º. “b”. Nesse sentido. 2001. Nesse passo. Lei 8397/92). porque se trataria de um exagero em favor do Estado. 20. Nesse caso. 94. é permitida. LEF). 8. solução mais consentânea que aquela adotada pelo art. excepcionalmente. Sendo a execução fiscal promovida mediante carta precatória. Carmona (2004. se dessa forma fosse. CPC). CPC. 1º. O legislador arremata a questão da competência por intermédio dos arts. de liquidação.163 Caso o exeqüente não tenha conhecimento sobre o paradeiro espacial do executado. competente esse para resolver as questões ali suscitadas (art. 747.397/92. p. a medida requerida tem por fundamentos o perigo na demora e os indícios do direito alegado pelo autor. “caput”. por aplicação analógica do art. São as hipóteses em que o devedor. pelos quais a “vis attractiva” de outros juízos não se opera perante a execução fiscal. não é necessário que a exigibilidade do crédito fiscal esteja perfeitamente plausível. “in fine”. a ação cautelar fiscal pode ser proposta antes da execução fiscal ou no curso desta.937/92) (CHIMENTI. LEF. por conseguinte. a cautelar fiscal sem constituição definitiva do crédito. a penhora de bens do patrimônio do executado. 1700) apregoa que não poderá propor a demanda no seu domicílio. 20. intenta aliená-los. pelo qual aquele só pode decidir sobre penhora. de insolvência civil ou de inventário. No entanto. 578. Lei 8397/92 (art. 2º. parágrafo único. e VII. “caput”. no limite do crédito tributário” (FÜHRER e FÜHRER. como no juízo falimentar e de recuperação de empresas. “Pela ação cautelar fiscal (L. “in fine”. CPC. Com efeito. quer seja nas varas da Fazenda Pública para as demais entidades públicas – e não se submete a concursos de credores. 8397/92). avaliação ou alienação de bens na execução ordinária.

Lei 8397/92). CF/88). Poderá haver extensão da constrição sobre os bens pessoais de administrador ou de sócio controlador da empresa (atual ou passado). já mencionada). exige que haja prova literal e documental do crédito fazendário. 3º. Prova-se a exigência pela constituição do crédito tributário. porquanto há situação de risco para o Estado em não receber seu crédito. No pedido. No aspecto formal. devendo ser requerida ao juízo “virtual” da futura execução fiscal. justificando seu pedido nos termos do comando legal mencionado. CPC. não podendo ir além disso. De fato. o art. 2º. CTN. o demandante deve solicitar a concessão da respectiva medida cautelar fiscal. quando existentes. a petição deve indicar e caracterizar uma das hipóteses do art. de repetição de indébito. “caput”. em sua vara de execução fiscal ou mesmo anexo fiscal. a PGFN deverá ajuizar a cautelar fiscal (e a conseqüente execução fiscal) perante o juiz de direito (arts. Os requisitos da medida cautelar fiscal estão inscritos no art. 135. a regra de competência segue o comando do art. competente será a Justiça Federal (art. 2º. afirmando que a desconsideração da personalidade jurídica depende dos requisitos esculpidos no art. prevalece a regra do domicílio do contribuinte até mesmo sobre outros critérios. e Súmula 40 do TFR. §§ 1º e 2º. além dos fatos. Lei 5010/66. Lei 8397/92. II. quando houver fundada razão de inadimplência da pessoa jurídica devedora (art. I e III. é interessante que o demandante afirme e prove que o sócio controlador ou o administrador pode frustrar o recebimento do crédito fazendário. Lei 8397/92. Note que os dispositivos permitem até mesmo atingir bens . “caput”. Supondo que haja tributo federal e inexista vara federal no domicílio do devedor (em princípio. o foro ou a subseção judiciária competente é do domicílio eletivo do devedor (art. competente é a Justiça Estadual. Lei 8397/92. 800. §§ 1º e 2º. do administrador ou de qualquer um que tinha obrigação contratual ou estatutária de cumprir as obrigações tributárias. CTN). Tratando-se de tributo estadual ou municipal. 5º. De fato. quando presentes. é possível pedir a indisponibilidade de bens da pessoa jurídica e de sócio. I a IX. 109. 4º. “caput”. inclusive quanto à competência da Justiça Federal. etc. I. 127. I. Em regra. mediante medida cautelar fiscal (art. Lei 8397/92). exatamente o lançamento definitivo do tributo. III. O efeito da concessão pelo juiz é a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite do crédito indicado (art. mais especificamente a vara de execução fiscal ou da Fazenda Pública. podendo a medida ser preparatória ou incidental ao feito principal. O STJ não concorda com esse comando. Sendo tributo federal. dolo ou culpa do acionista controlador. Lei 8397/92). o pleiteante deverá demonstrar. Lei 8397/92). o juízo competente para conhecer a correspondente execução fiscal é o mesmo apto a apreciar o pedido de cautelar fiscal (art. Além da prova do perigo na demora (art. Isso não aplica nas ações ordinárias fiscais. Como se trata de medida cautelar. como declaratória negativa de débito. e 15.164 O objeto da restrição é o total da dívida ativada. No direito. 3º. o foro da matéria). § 3º. 109. CF/88. 4º. I a IX. 4º. Lei 8397/92). Na execução fiscal (e na medida cautelar fiscal). Nesse ponto. “caput”. A norma não requer má-fé.

Para tal. dentro do decurso legal de cinco dias (art. Luiz Fux. III. excepcionalmente. o meirinho se dirige ao domicílio dele para tentar penhorar bens. Lei 8397/920). De acordo com a interpretação da corte. Concedida ou não a medida “inaldita altera pars”. “caput”. 9º. porquanto a legitimidade do crédito tributário. quando esse não pagar nem oferecer bens a penhora em execução fiscal. rel. “caput”. Na contestação ou a qualquer tempo. a medida não é efetivada de plano. fica autorizado o magistrado a perpetrar a indisponibilidade do patrimônio do executado. 9º. o STJ relativiza a exigência de que a indisponibilidade de bens recaia sobre patrimônio ativo permanente do executado. parágrafo único. “caput”. não havendo contestação. Min. nos termos do art. 4º. Ainda no tocante ao art. Lei 8397/92. Entretanto. j. aplicando-o restritivamente. 2º. “caput”. o devedor será citado (art. I a IV. Exemplo desse entendimento está na autorização judicial de penhora de subsídios governamentais a serem repassados ao executado220. Nesse âmbito. através do convênio BACEN-Jud. com o objetivo de colher provas sobre o processo (art. Lei 8397/92. CTN. Lei 8397/92). 1ª T. Essa atuação é feita por meio eletrônico. quando o devedor não indica bens suficientes e aptos a garantir a execução. 7º. “caput”. . Informativo do STJ n° 332. 185-A. Depois da produção probatória. diante da não localização 220 STJ. 8º. a constrição pode abater-se sobre bens do ativo não-permanente da empresa. LEF). Se o devedor contesta. parágrafo único. I a IV. proferindo o juiz decisão de mérito no lapso impróprio de 10 dias (art. fazendo com que a medida cautelar fiscal fosse praticamente ineficaz. “caput”. CTN. Dificilmente a Fazenda conseguia fazer prova das hipóteses do art. traz os requisitos formais da exordial: endereçamento. deve estar presente o requisito do receio de frustração da eficácia da medida. É também plausível o pedido de liminar. requerimento para citação. o juiz vai designar audiência de instrução e julgamento. CTN). § 1º. I. provas a serem produzidas. O art. porquanto o diploma em tela a possibilita (art. a LC 118/05 trouxe o art. I a IX. os fatos alegados pela Fazenda são considerados verdadeiros. Lei 8397/92). 8º. o qual previu que o juiz deverá decretar “ex officio” a indisponibilidade de bens do devedor citado (sem perder de vista que o despacho que determina a citação suspende o curso prescricional – art. qualificação e endereço do requerido. a medida cautelar fiscal pode ser requerida entre a “constituição do crédito” (lançamento) e a execução fiscal ou após essa última. o devedor pode requerer a substituição da medida cautelar por uma das garantias previstas no art. 6º. Quando o devedor não cumpre o despacho judicial inicial.173-PB. 185-A. “caput”. Lei 8397/92. Lei 8397/92). Sendo infrutífera a diligência. LEF. Lei 8397/92). 18/9/2007. tem-se a decisão. observada a ordem de preferência do dispositivo (art. a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser em benefício do credor justificam. 10.165 daqueles que já foram sócios. De outra parte. REsp 841. 174. CTN. Para suprir a deficiência. O STJ interpreta o dispositivo à luz do art. caso o requerido trave conhecimento com a demanda. o rigor da medida. 9º. 135..

cumpre à Fazenda Pública antecipar o numerário destinado ao custeio das despesas com o transporte dos oficiais de justiça”. 14. 64. § 4º.000. §§ 8º e 9º. Entretanto. § 4º. § 4º. 64. Não sendo frutíferas novas tentativas. É nesse sentido que se presta a medida cautelar fiscal. LEF). tal 221 Súmula 190 do STJ: “Na execução fiscal. independentemente de manifestação do juízo ou da secretaria. Fora essas hipóteses. § 5º. I a III. Depois do decurso de um ano. LEF. prescindindo de requerimento para produção de provas e não se sujeitando a custas e emolumentos. “caput”. Lei 9532/97). não é adequada a cautelar. já mencionada). LEF). Nesse caso. porque estão presumidos na CDA. § 3º. pedido e requerimento de citação do executado (art. desde que haja prévia manifestação da Fazenda Pública (art. LEF). 6º.00 (art. futuramente. LEF). Com efeito. não é necessário trazer à baila fatos e seus sucedâneos. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. § 7º. o arrolado não poderá alienar. A peça vestibular da execução fiscal é um pedido de meios executórios ao Estado-juiz. cujo recebimento marca o termo inicial para a restrição administrativa em comento (art. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. garantindo o prosseguimento da execução fazendária. Essa restrição poderá. 40. 64. sua não suspensão. o juiz manda arquivar o processo. a Súmula 190 do STJ221 determina que devem ser pagas as despesas do oficial de justiça. diz que o feito e a prescrição ficam suspensos por um ano (art. O ato de arrolamento é perfeito mediante notificação ao devedor. Lei 9532/97). não é composta tão-só por esses elementos. Com efeito. não sendo encontrados bens para o arresto. “caput”. o art. Lei 9532/97. processada perante a Justiça Estadual. Procedimento – o rito especial segue as seguintes fases: Petição inicial – deve conter endereçamento. 64. com piso de R$ 500. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. o arrolamento será averbado em todas as repartições onde haja banco de dados continente dos bens do devedor (art. 40. I. Lei 9532/97). LEF. I a III. 40. Entretanto. 64. e Súmula 314 do STJ.166 e conseqüente não citação do devedor. Arrolamento fiscal – nos termos do art. 64. Lei 9532/97). A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal supra delineada (art. não arquivamento ou não ocorrência da prescrição intercorrente. O não cumprimento dessa formalidade importa em invalidade na decretação da prescrição intercorrente. comuns a qualquer exordial. bem como deverá ser cancelada se garantido o juízo da execução fiscal de outra forma (art. A reboque do registro da penhora na execução fiscal (art. justamente para evitar a aplicação integral do comando mencionado. não se exige o requerimento genérico de prova. Lei 9532/97). servir de base para a indicação de bens à penhora pelo exeqüente. 64. começa a correr o prazo do lustro para prescrição intercorrente (art. § 2º. . porque a indisponibilidade será decretada de ofício pelo julgador. Lei 9532/97). Por óbvio. devendo revestir-se de formalidades mínimas. A suspensão e a declaração de ocorrência da morte da pretensão do fisco pelo decurso do tempo são declaradas de ofício pelo magistrado. 40. § 3º. a não citação do devedor não permite o decreto de indisponibilidade patrimonial e.

CPC. cit. 8º. LEF). p. LEF. LEF) ou não seja garantido o juízo (pelo depósito). contendo: nome do devedor e dos coresponsáveis. CPC). com o devido aviso de recebimento (AR). Citação – a lei assina prazo de cinco dias para o pagamento judicial. origem. e 6º. CPC. sem embargo das custas e demais despesas. não prevalecendo o estatuído no art..167 qual se depreende do confronto entre os arts. O legislador permite que a exordial e a CDA consubstanciem documento único. preceitua o que o juiz deve dizer na recepção da exordial: o Recebimento da peça. domicílio e residência deles – se possível. devendo ser expedido correspondente mandado. 222. 6º. valor inicial da dívida. 102). “caput”. O legislador considera perfeita a citação se a carta for entregue ao próprio executado no endereço indicado222 ou 10 dias depois de retornado o aviso de recebimento na agência postal. “d”. se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar. Ademais. III. 8º. LEF). 8º. II. “caput”. p. 26. VI. § 5º. 2003. 282. CPC). LEF). op. aos honorários advocatícios (GRECO FILHO. p. § 3º. . O cancelamento da inscrição da dívida ativa implica em extinção da execução sem ônus para as partes (art. “caput”. caso não seja paga a dívida no decurso estabelecido (cinco dias – art. o qual não admite essa colocação feita pelo legislador. I a IV. Theodoro Júnior. 7º. O mandado será remetido ao executado por via postal. salvo se o exeqüente requerer de outra forma. seus requisitos formais e temporais 222 Cf. caso não haja indicação da data do recebimento (art. e §§ 1º e 2º. o Avaliação dos bens constritos. o Efetivação de arresto (pré-executivo – art. LEF. número do processo administrativo ou do auto de infração. 102) faz uma crítica à ficção da citação por correspondência. LEF). 8º. sob pena de penhora imediata (art. 8º. 2º. I a V. por ser esse norma geral e não especial. 653. se estiver em termos. o Citação do executado. termo inicial e forma de calcular juros e demais encargos. fundamento e natureza da dívida. Não sendo encontrado o demandado pelos Correios até 15 dias depois. 102). se neles expresso o valor da dívida (art. LEF (GRECO FILHO. nos termos do art. 2003. o Registro da penhora. pois o legislador não exigiu que a carta com mandado seja recebida pelo executado. I a VI. LEF). segundo entende a jurisprudência. sendo lícita sua emissão inclusive por meio eletrônico (art. fazendo jus o executado. Greco Filho (2003. Se escolhida a forma editalícia. o Determinação da penhora. correção monetária e forma de cálculo – se incidente. Despacho inicial – o art. deverá ser instruída com a certidão de dívida ativa. § 2º. a citação deverá ser feita por oficial de justiça ou por edital (art. data e número de inscrição da dívida ativa.

8º. 174. como diploma protetivo do credor fiscal. 8º. § 1º. 2006. p. sendo certo que o legislador utilizou a expressão “a qualquer tempo” para a efetivação desse ato. I. encontrar-se no exterior – art. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. § 2º. é a posição defendida por Câmara (2006. . formaram-se duas correntes: O termo inicial da interrupção retroage à data da propositura da ação – nos exatos termos do art. passou a considerar que. fundando-se no art. LEF) estão delineados no art. A tese pró-contribuinte. CTN). LEF. Sobre o tema. 223 STJ. a partir do arquivamento do feito. 103). Em sentido contrário. 40. se a prescrição foi interrompida. Citação e prescrição – a citação tem o condão de interromper a prescrição a partir do despacho do juiz que o determina (arts. se o executado. “caput”. § 3º. e EmbDiv no REsp 743867/MG. A melhor doutrina. 2006. 219. CTN). REsp 914879/SP. A intimação da Fazenda Pública é pessoal em favor do procurador (art. Caso a situação permaneça assim por mais de um ano. a execução ficará suspensa. O desarquivamento só será possível se surgirem novos bens passíveis de constrição. p. LEF. sob pena de tornar a obrigação fiscal imprescritível. 174. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. LEF). no segundo caso. 371). p. p. 2006. p. CPC. 371) e por Silva Pacheco (apud CÂMARA. § 1º. § 2º. Não havendo bens a serem penhorados. se não houver órgão da procuradoria na comarca. parágrafo único. IV. Não há retroação – porque a LEF é diploma especial. recorrendo-se ao direito processual comum e aos princípios gerais de direito para resolver a querela (GRECO FILHO. segundo Theodoro Júnior (apud CÂMARA. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04).168 (publicação por 30 ou 60 dias. parágrafo único. representada por Theodoro Júnior (apud CÂMARA. haveria autêntica mácula à isonomia. CTN. 40. a intimação da Fazenda poderá ser feita por correspondência com AR223. 372) e por Câmara (2006. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. A prescrição intercorrente aqui mencionada encontra fulcro em uma hermenêutica sistemática. p. LEF). assim como o decurso prescricional (art. volta a correr o decurso prescricional de cinco anos da Fazenda Pública (art. 25. 40. muito pelo qual a LEF. 371). 2003. LEF). No entanto. “caput”. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. “caput”. 8º. porque nenhum outro credor goza de imprescritibilidade de seu crédito. os autos serão arquivados (art. LEF). e 174. 372) apregoa que.

além de positivar a prescrição intercorrente. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. sem prévia oitiva do fisco. Em razão da Lei 11280/06. mesmo porque há interesse público em jogo.280/2006. porque é possível sua renúncia por razões outras. 219. é aplicada imediatamente. como é possível aduzir do Enunciado 295 do Conselho da Justiça Federa (CJF)224. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. 11. Isso não significa que a prescrição não intercorrente (art. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. o que o agiliza e o torna mais eficaz. Indisponibilidade de bens – feita a citação e não encontrados bens à penhora. como norma processual. Isso não significa que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. oficiando todos os órgãos de registro de patrimônio sobre a medida. 191. Havendo conflito entre CPC e LEF. Entretanto. a partir da Lei 11280/06. a Lei 11051/04. LEF). 2006). pelo princípio da especialidade. § 5º. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. 269. deverá ser veiculado o 224 Enunciado 295 do CJF: “Art. A revogação do art. “in fine”. 1º. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. pelo simples decurso do tempo. atingindo os feitos em curso. Nesse caso. 194 do Código Civil pela Lei n. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. § 5º. já mencionada). não sobre a intercorrente. § 4º. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. CTN). IV. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. CPC) – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado (art. não configurando direito subjetivo do contribuinte. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. 191 do texto codificado”. Sendo assim. Nesse caso. CPC). LEF). sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandado-contribuinte. Apesar de parte da doutrina entender que a prescrição. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. porque prescrição é matéria de defesa disponível.169 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. aplica-se a segunda. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. a disponibilidade do direito correspondente é flagrante para o entendimento majoritário (CÂMARA. O reconhecimento “ex officio” da prescrição. tornou-se matéria de ordem pública. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ. Para solver o entrave. . sob pena de nulidade absoluta do ato. 219. 40. o magistrado decreta a indisponibilidade patrimonial “futura” do executado. como já disse o STJ. “caput” e § 2º. 185-A. Observa-se que o ato pode ser efetivado inclusive por meio eletrônico (“penhora on-line”). CPC). desde que ouvido previamente a Fazenda Pública (art. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. os quais deverão responder ao comando com relação completa dos bens indisponíveis (art. porque versará sobre a modalidade ordinária da perda da pretensão.

2: o legislador do CPC. podendo ser feito de várias formas (art. LEF. 9º. 2. deverá adimplir totalmente o débito. na nova redação do art. Obs. Vê-se que o excesso de indisponibilidade só pode ser invocado se a constrição recair sobre bem divisível. de acordo com a ordem sugestiva do art. móveis a imóveis.170 valor da dívida. 655-A. CPC. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. 4. 151. e 1647.. No ponto. 185-A. A doutrina ainda não se posicionou sobre o tema. o que ainda não é pacífico. Em contrário senso. CTN). op. I a VIII. o julgador deve determinar o levantamento do excedente (art. 8º. não há de se argúi-la. Caso seja ultrapassado o teto. Fiança bancária. desde que previamente aceitos pela Fazenda Pública. muito pelo qual o art. “caput”. Depósito em dinheiro em estabelecimento oficial de crédito. Ex. 1: caso seja oferecido bem imóvel. I a IV. preferiu. juros. pois o saldo resultante da hasta pública será restituído ao executado. Segundo Greco Filho. o cônjuge do executado ou do terceiro proprietário deverá anuir ao ato (arts. Não tendo tais finalidades. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. 5º. 9º. pelo fato do instituto harmonizar-se com a regência e com o espírito da LEF. encargos e custas judiciais (art. sob pena de macular a inafastabilidade do Judiciário (art. LEF). LEF): 1. porque. tendo o decreto limite exatamente nele. depois da hasta pública. LEF. dada pela Lei 11382/06. I a XI. multa de mora. Opções do executado – recebido o mandado de citação. como bem vem entendendo a jurisprudência. § 3º. CTN). 3. II. correção. I. o Garantir o juízo – a fim de propiciar a discussão da dívida por meio de embargos do executado. CF/88). o executado tem algumas alternativas durante o interregno dos cinco dias subseqüentes (art. Em princípio. cit. 8º. desde que essa tenha por objetivo impedir ou suspender execução fiscal. Uma vez que o executado ofereça bens à penhora e haja recusa por parte da Fazenda exeqüente. LEF): o Pagar a dívida – nesse caso. . não há óbice à sua efetivação. é “conditio sine qua non” para a propositura de ação anulatória de débito fiscal. somando-se o principal. não há de se requisitar o depósito em comento. não há dever processual em fazê-lo novamente. o saldo será revertido ao devedor. CC). 655. § 1º. no diapasão da Lei 6830/80. Nomeação de bens próprios à penhora. apesar do STJ ter apontado nesse sentido. de uma forma geral. “caput”. § 1º.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. 11. desde que incidente correção monetária225. a inação do executado não impede a 225 O depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. XXXV. Obs. trouxe tal previsão na execução ordinária. Indicação de bens de terceiros à penhora.

a execução fiscal ficará obstada. Execução provisória e definitiva – o art. e 680. Conseguintemente. caso a apelação seja recebida no efeito devolutivo. 2ª T. CPC.339-SP. Eliana Calmon. como bem indica Chimenti (2002. 13. Min. REsp 787. “caput”. 13. inspirando a nova redação do art. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. . como indisponibilidade de bens. 652.171 qualificação de sua conduta. 587. j. CTN). CPC. dar-se-á a penhora ou o arresto. “caput”. 4º. 19/6/2007. provisório ou definitivo são os títulos. Fraude à execução fiscal (art. O arresto. A primeira será efetivada de sorte a abranger tantos bens quanto sejam necessários para cobrir o total da dívida e todos seus consectários financeiros e judiciais (art. Com esse entendimento. visto que transferência de bens do executado e depósito de dinheiro exigem a garantia. Nesse passo. CPC. nos termos do art. p. § 3º. 185. o Permanecer inerte – nessa hipótese. Informativo do STJ n° 324. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. a execução prossegue nos moldes provisórios. consoante comentário supra já feito. rel. § 1º. porque o regime do procedimento é o mesmo na execução civil ordinária. terá vez quando o executado não tiver domicílio ou se furtar à citação. fala em execução provisória ou definitiva. conquanto já atuará por ordem do juiz na primeira oportunidade. como a Fazenda não pode oferecer caução pela impenhorabilidade de seus bens. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). LEF). dependendo da situação encontrada. 600. Em ambos os regimes. Nesse contexto. O prazo legal para tal é de 15 dias para execução fiscal e de 10. qualquer das partes pode impugnar o valor da avaliação até o edital da hasta pública (art. I a IV. laudo de avaliador judicial. apesar de ficar sujeito a outras medidas constritivas. essa é mais profunda. Se os embargos forem recebidos com efeito suspensivo e. dentro do processo civil. ao final.. valendo a avaliação do oficial de justiça como parâmetro preliminar (art. LEF). A certeza e a liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno 226 STJ. LEF. julgados rejeitados. 13. para a ordinária. 208). CPC). A rigor. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. 2º. 1º. pelo juiz. “caput”. CPC. o Oferecer exceção de pré-executividade ou objeção de nãoexecutividade – ver comentários abaixo. a jurisprudência do STJ firmou posição226. Essa lição foi bem entendida pelo legislador de 2006. não há de se lhe aplicar as sanções contidas no art. será solicitado. aguardando o trânsito em julgado. LEF). caracterizam fraude à execução. quebra de sigilo bancário e fiscal e penhora de patrimônio. 185. CTN) – depois da citação válida. apesar de o agüazil encontrar bens suscetíveis de constrição judicial. sobre o qual decidirá o julgador (arts. No âmbito tributário. 601. não sendo possível a avaliação pelo meirinho devido a aspectos técnicos complexos.

o art. É perfeitamente possível a penhora de faturamento de empresa em execução fiscal. o próprio exeqüente pode averbar a demanda (não a penhora). 12. um novo instituto: fraude à administração fiscal. 655. determina que seja averbada a penhora dos seguintes bens: 1. se estabelecimento comercial. o direito de preferência na penhora se defere àquele que primeiro obteve a penhora ou o arresto executivo. o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. 2. na Junta Comercial. LEF. instruirá a inicial da execução fiscal. VII. a teor do que vinha apontando a jurisprudência do STJ e do art. 227 228 Cf.. se veículo. Câmara (2006) afirma que surgiu. No caso da execução ordinária. LEF). Depois de ajuizada a demanda.172 administrativo. LEF). 12. na execução fiscal (art. Dessa feita. op. 12. Auto de penhora é lavrado pelo meirinho. mediante publicação em diário oficial. Súmula 190 do extinto TRF: “A intimação pessoal da penhora ao executado torna dispensável a publicação de que trata o art. Penhora – uma vez efetivada. 229 Termo de penhora é lavrado quando o próprio executado ofereça a garantia da execução. bem como a permitir a averbação da constrição nos órgãos responsáveis pelo registro do bem. para quem ao art. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. sociedade comercial e Junta Comercial. A certidão de dívida ativa. LEF (Súmula 190 do extinto TRF)228. quer seja por meio de depósito integral do valor. . à guisa das fraudes contra credores. Registro – lavrado o termo ou auto de penhora229. ou seja. erige uma presunção absoluta de fraude à execução. o executado deverá ser intimado. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. Câmara. De fato. erigindo uma presunção absoluta de conhecimento por terceiros. de forma a tornar o ato eficaz “erga omnes”. 3. o cônjuge também deverá ser informado (art. de fiança bancária ou de indicação de outros bens. na Bolsa de Valores. no DETRAN. qualquer um que não seja o próprio executado ou seu representante legal (art. a abrir prazo para o oferecimento de embargos por parte do executado. aplicando-se o art. no CRI. Tratase de presunção relativa227. “caput”. 1º. 14. 185. LEF). da juntada aos autos do processo executivo do auto ou termo de penhora (art. cit. procedimento e ato dotados de presunção de legalidade e de legitimidade. I a III. Nesse caso. LEF). Em hipótese de concurso de credores fazendários. § 3º. CTN. 612. Todo esse trâmite demanda muito tempo. “caput”. dispensa-se a publicação exigida pelo art. Havendo constrição sobre bem imóvel. a partir intimação de sua juntada aos autos. “caput”. CPC. se valores mobiliários. quando esse executa o ato em si ou quando converte o arresto nele. § 2º. à execução (ordinária) e de bem judicialmente constrito. o oficial de justiça deverá fornecer cópia a repartições e órgãos encarregados do registro do bem constrito. CPC. como título executivo extrajudicial. 4. 12. Ambos documentos são idôneos. A intimação só será pessoal caso a citação feita por aviso de recebimento contenha assinatura de terceiro. 12 da Lei das Execuções Fiscais”. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. se imóvel.

bem como é inaplicável reconvenção (art.712-SP. “caput”. LEF. É medida plausível para preservar a eficácia de futura expropriação. 11. 738. Essa disposição é plenamente aplicável à execução fiscal. 2ª T. Resolvidas as questões. o procurador público manifesta-se pelo teor da garantia do juízo (art. 736. deverá arcar com os custos da produção probatória. CPC). REsp 130. I a IV. Eliana Calmon. Se o executado não aceitar a avaliação feita pelo meirinho. CPC). LEF). j. LEF). traz a possibilidade de averbação da execução em órgãos de registro de bens do executado. não se admite compensação. 373) aponta diferença entre os embargos na execução de título extrajudicial e aqueles oferecidos em sede de execução fiscal. LEF). Câmara (2006. Marinoni e Arenhart (2007) e Luiz Wambier defendem que esse fenômeno também se dá na execução fiscal. Recebidos os embargos. há dois tipos admitidos jurisprudencialmente pelo sistema do CPC e da própria LEF: 230 STJ. Ademais. LEF). ou pela própria penhora “ex officio”. I a III. há de ser observada dentro do possível. uma vez seguida a gradação legal. o oferecimento de embargos. o juiz deverá proferir sentença no prazo impróprio de 30 dias (art.173 o art. rel. DJU 29/11/1999. uma vez garantido o juízo por alguns dos meios do art. “caput”. da juntada da prova da fiança bancária ou da intimação da penhora judicial (art. e REsp 611. “caput”. não obsta o prosseguimento do feito nem requer garantia do juízo (arts. Como defesas atípicas231. II. 739-A. seguindo-se audiência de instrução e julgamento. A partir do registro. Como matéria de defesa.970-SP. 11. 26/6/2007. LEF). 615-A. p. o executado poderá oferecer embargos no prazo de trinta dias. contados do depósito. 18. CPC. No caso. . Min. as alegações do embargante não são restritas a um rol taxativo de defesa (art. relevância na fundamentação. 17. na execução ordinária. “caput”. sua recusa é entendida como requerimento de perícia. LEF). 16. O juiz deverá balancear o interesse do credor fiscal com a satisfação do débito e o princípio do menor gravame ao executado. erige-se presunção absoluta de fraude à execução. não se confundindo com a presunção relativa de fraude na expedição de CDA. a jurisprudência tem entendido que.. A ordem de preferência do art.500-RS. REsp 729. Não havendo essa última. e 739-A. 16. § 1º. 17 e parágrafo único. se houver prova oral a ser produzida (art. No demais. a Fazenda Pública exeqüente não pode recusar título da dívida pública líquido. DJU 18/4/2005. Informativo do STJ n° 325. 16. consoante entendimento do STJ230. 9º. § 2º. posição não pacificada na doutrina. certo e exigível (art. LEF. parágrafo único. LEF). CPC). salvo se houver expresso requerimento do embargante. a Fazenda Pública é intimada para se manifestar em trinta dias. Nesse passo. perigo de lesão de difícil reparação e a própria garantia do juízo (art. Defesa – como defesa típica. § 3º. I a VIII. porquanto o interregno e o termo inicial são diferentes naquele: 15 dias contados da juntada aos autos do mandado de citação (art.

A Súmula 121 231 Chimenti. . 466. § 2º. como entende a jurisprudência. Há um prazo preclusivo representado pela penhora. “caput”. remetendo decisão para os embargos. op. Forense. Contudo. o que configura exceção à irrecorribilidade das interlocutórias na execução. e de fixação no átrio do fórum por igual decurso (art. LEF). porque o executado fará uso das defesas típicas a partir de então. 23. leciona que parte da doutrina refuta a admissão de exceção de pré-executividade e de objeção de não-executividade. não podendo rejeitá-la “in limine”. Hasta pública – não sendo oferecidos embargos. p. Como interlocutória. Da exceção de préexecutividade. 209... segundo citação de Câmara. Rejeitar a exceção – como decisão interlocutória. podendo ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. Negar-se a decidir – o juiz alega que não pode decidir sem instrução probatória. Rio de Janeiro. Obs. 275-290. A perda do prazo dos embargos também pode sugerir o oferecimento da peça. devendo o excipiente demonstrar seu direito mediante prova pré-constituída. 1992. cit. em seu Ação Executiva – Necessidade da Penhora para Discutir a Exigibilidade dos Títulos. Caso haja acolhimento. Ambas também não comportam dilação probatória. o juiz poderá adotar três diferentes decisões: Acolher a exceção – o processo é extinto com resolução de mérito. Durante esse interregno. A mera invocação pela parte obriga o juiz a decidir.: tanto a objeção quanto a exceção não ensejam a suspensão do processo. há extinção do processo sem resolução do mérito. podendo ser contestado por apelação ou por embargos infringentes (causas de alçada). segue-se hasta pública para venda dos bens penhorados (art. 22. cit. LEF). O juiz não as pode conhecer de ofício. Havendo rejeição. in: Processo de Conhecimento e Processo de Execução. Desafia apelação ou embargos infringentes (causas de alçada). com antecedência de dez a trinta dias. pode ser atacada por agravo. sendo esses inadmitidos “in limine” ou rejeitados no mérito. provando a relevância da alegação e demonstrando o perigo de lesão grave irreparável ou de difícil reparação.174 • Objeção de não-executividade – como trata de matérias de ordem pública. O acolhimento depende de prova pré-constituída e de não impugnação por parte do exeqüente. LEF). op. “caput” e 1º. p. não há preclusão. pode ser atacável por agravo de instrumento. o representante da Fazenda Pública deverá ser pessoalmente intimado (art. cabe agravo de instrumento. o efeito poderá ser deferido se o excipiente solicitálo expressamente. É a linha seguida por Alcides de Mendonça Lima. por se tratar de decisão interlocutória. 22. • Exceção de pré-executividade – engloba matérias que deveriam ser ventiladas em defesa típica (embargos do executado ou infringentes). O leilão ou praça será precedido de publicação de edital em diário oficial gratuitamente e por uma única vez. p.

CPC. 161. caso os embargos não tenham sido oferecidos. LEF): 1. “caput”. “caput”. 745-A. tem preferência sobre a arrematação. ocorrendo nas seguintes hipóteses (art. incidem juros de 10% e a execução prossegue. por lanços. o que se aplica sem maiores problemas à execução fiscal. o demandado deve depositar. pagando-se o restante em seis parcelas mensais. O art. CPC). 30% do montante total (incluindo custas e verbas sucumbenciais). “caput”. o regime de parcelamento. do dia e hora da realização do leilão”. No caso de empresa governamental. CPC). dentre outros. O art. I e II. permite faculdade de parcelamento ao executado. . ao estabelecer as condições do ato (art. Atrasando qualquer mensalidade. “caput”. 24. uma vez que reconheça o débito e renuncie ao direito de embargar. permite a realização de hasta pública eletrônica. o qual se reporta a eventual lei especial em termos de parcelamento. estabelece que a norma geral há de definir. Havendo débito tributário. Tratando-se de dívida nãotributária. II. p. 691 e 692. 647. desde que não haja preço vil (arts. 155-A. pessoalmente. A melhor doutrina entende que a alienação por iniciativa particular (art. é permitida nova penhora. no decurso dos embargos. 23. tenham sido rejeitados “in limine” ou desacolhidos no mérito. se no primeiro não houver lanço superior à avaliação”. porque o legislador exigiu a expropriação por leilão público (art. 37. incidindo juros de 1% ao mês. LEF). em princípio. na segunda hasta (Súmula 128 do STJ)233. recorre-se ao art. à execução fiscal tributária. “caput”. 2006. sendo que. CF/88). hora e local do ato. Depois da hasta – pelo valor da avaliação (caso não haja licitante depois da 2ª hasta) ou pelo valor oferecido pelo maior lançador (em 232 232 175 Súmula 121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado. porque a impessoalidade e a isonomia ficam garantidas pelo juiz. não é possível. cabem embargos à arrematação (art. Nesse caso. não é necessário observar o piso da avaliação. CF/88. CPC. XXIV. § 1º. § 1º. não haveria qualquer problema em aplicar o direito esculpido no art. 745-A. 2. CPC). CPC. Sendo insuficiente o numerário obtido com a venda judicial. CTN. 685-C. não há impedimento para alienação por iniciativa particular. promovida pela Fazenda Pública. Antes da hasta – pelo preço da avaliação. Adjudicação – em favor da Fazenda Pública. A arrematação deverá ser feita nos moldes do CPC (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. Como o legislador complementar (do próprio CTN) deferiu a competência para o legislador ordinário. CPC).do STJ determina que o executado também deve ser pessoalmente intimado do dia. desde que a taxa de juros seja aquela atinente à lei tributária aplicável (art. 689-A. 374). II. Parcelamento – o art. sem outra oportunidade de embargos ao executado. CTN). Não há infringência ao princípio da licitação (art. “caput”. não há qualquer entrave à aplicação na execução fiscal. 146. 746. “caput”. Para pagar. “b”. 233 Súmula 128 do STJ: “Na execução fiscal haverá segundo leilão.

independentemente do grau hierárquico na estrutura do Judiciário. 211). LEF). Observa-se que o prazo recursal para o exeqüente é contado em dobro. “in fine”. afirmando-o como simples disposição do legislador ordinário e complementar. Obs. 209). o valor gira em torno de R$ 553. p. o sistema de execução fiscal acolhe a apelação dos embargos e os embargos infringentes nas causas de alçada. o duplo grau de jurisdição corresponde à reapreciação de uma decisão judicial por órgão hierarquicamente superior. quando for o caso. 2006. o julgador profere decisão no decurso impróprio de 20 dias (art.176 igualdade de condições). 235 Na concepção de Barbosa Moreira e da doutrina prevalente. II. muito pelo qual a decisão não é prolatada por tribunal. parágrafo único. CPC). já se pronunciou o STJ quanto às decisões de turmas recursais dos JEC’s (Súmula 203 do STJ)237. 234 . CF/88 (CHIMENTI. 475. não é apelação. mas embargos infringentes ao próprio magistrado “a quo” (art. “a”. vem Greco Filho. III. São Paulo. p. op. Câmara (2006. 24. LEF). 210). devendo o “ex adverso” ser ouvido no mesmo lapso e. cit. devendo ser oferecido em até 30 dias da arrematação. por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. RT. “caput” e § 2º. 105. “a” a “d”. Ademais. muito pelo qual os embargos procedentes se sujeitam ao reexame necessário (art. CLT). Os embargos infringentes devem ser opostos em dez dias a partir da intimação da sentença dos embargos do executado. atualmente. Agravo e duplo grau de jurisdição – não tem sido admitido agravo das interlocutórias ao longo da execução fiscal. no juízo cognitivo (embargos do executado). nos limites de sua competência. CPC (CHIMENTI. conquanto se trate da Fazenda Pública (art. III.00. por meio do seu agravo de petição (art. perfilhada por Chimenti (2002. Recurso de alçada – se o valor da causa não exceder 50 OTN’s (283. Lei de Execução Fiscal Comentada e Anotada. 375)236. 34. CF/88). p. 2002. 236 No mesmo sentido. É solução que favorece a celeridade. 188. a adjudicação só será deferida se o exeqüente depositar previamente a diferença em 30 dias da decisão judicial (art. Nelson Nery Júnior considera que o mero reexame por outro órgão. 34. CPC). 34. mas não REsp (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. Nessas hipóteses de menor monta.. p. “a”. “caput”. 237 Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida. LEF). p. O interregno recursal para a Fazenda Pública será de 20 dias. de acordo com a exigência do art.43 UFIR’s)234. 102.: se o crédito fazendário for inferior ao preço da avaliação ou do maior lanço. bem como os recursos extraordinários à disposição do sucumbente.. 93) nega a natureza de preceito constitucional ao duplo grau de jurisdição. LEF). 188. 1997. Nessa linha. p. p. diferentemente do que ocorre na Justiça Laboral. Em contrário à posição explanada. lembra que. o recurso contra decisão de primeira instância. Como bem indica Câmara (2006. já configura o duplo grau. 375). p. conquanto se aplica o art. Recursos – além do sucedâneo recursal dos embargos (que também admitem a modalidade deferida a terceiros e os de declaração – art. a decisão do referido recurso pode desafiar RE para o Excelso Pretório (art. que pode ser flexibilizado pelo legislador infraconstitucional. em seguida. ausentam-se o efeito devolutivo e o duplo grau de jurisdição235. Trata-se de princípio constitucional implícito. 2002. 103. §§ 2º e 3º. 897. Carlos Henrique Abrão et al. 225.

p.. 375). De fato. 238 No mesmo sentido. se aplicado literalmente o art.177 Exceção deve ser feita no caso de não acolhimento de exceção de préexecutividade ou de objeção de não-executividade. II. . CPC. Quanto ao duplo grau no sentido estrito. a Fazenda Pública faria jus à reapreciação por tribunal “ad quem”238. 209. não deve haver o reexame necessário. haveria bizarra infringência à isonomia: enquanto o executado vencedor nos embargos infringentes teria o reexame perfeito pelo magistrado “a quo”. como lembra Câmara (2006. cit. não cabe sua incidência nas causas de alçada. op. Chimenti. defende que. na execução fiscal. 475. p. nas causas de alçada.

permitiu-se que o cidadão listasse as necessidades básicas da sociedade. mas com o aumento das necessidades foi necessário avançar no patrimônio particular. o soberano era único nas decisões acerca das finanças públicas. é pré-jurídica. buscando dinheiro para atender às necessidades públicas. p. Envolve fenômenos de ordem social. As finanças públicas dizem respeito à forma como o Estado. Distingue-se do Direito Tributário. estatística e política. Em verdade. O direito financeiro trata justamente do regramento jurídico da atividade financeira do Estado (FÜHRER e FÜHRER. À medida que a sociedade foi construindo a possibilidade de influir nos parâmetros financeiros estatais. refere-se ao fim de uma operação que se desenvolve pelo pagamento. Esse afã estatal sobre a acumulação de divisas decorre de sua própria razão de existência: a consecução do bem comum. No dizer da teoria geral do direito. a atividade financeira extrapola a seara jurídica. aderindo-se à ciência econômica. 23). 29). na Inglaterra. vez que constitui o sustentáculo material do país. Ou seja. Dessa feita. ainda eram praticamente inexistentes. é fato que para prestar os seus serviços o Estado necessita de recursos financeiros. No ponto. Tudo lhe pertencia e a idéia de propriedade particular era sempre relativa. econômica. Os institutos da propriedade e da liberdade. Mas. 16). de início. normas específicas e capacidade legislativa supletiva das unidades-parciais (art. a ordem jurídica foi sendo erigida em paralelo. obtém suporte para exercer suas atividades. foi necessário o desenvolvimento pelo Estado da atividade financeira. p. monetariamente. No ponto. 24. 2003. porque preparar a feitura de normas aplicáveis. os recursos utilizados eram do próprio ente estatal [receitas originárias]. 2001. o qual designa fim. as finanças pertencem ao plano realeano dos fatos (REALE. A competência para legislar sobre direito tributário. 24. 24). No século XIII.178 DIREITO FINANCEIRO Introdução – durante o caminhar da evolução estatal. Até o Estado absolutista. Finanças é termo que vem do latim “finis”. Consta que. as quais se volta eminentemente ao interesse público (OLIVEIRA e HORVATH. valem todas as regras quanto a normas gerais. 1996). de uma forma ou de outra e seja qual for o conceito de necessidade pública no momento. financeiro e orçamentário é concorrente entre a União. 2003. CF/88). a perspectiva financeira sempre caminhou ao lado. da coisa pública. nem mesmo havendo entre eles relação de conteúdo e continente (OLIVEIRA e HORVATH. I e II. entretanto. p. termo. O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. cobrando tributos e tarifas ou confiscando bens [receitas derivadas]. parágrafo único. Estados e DF (art. como lembram Oliveira e Horvath (2003. . Foi a primeira idéia de despesa pública. p.

Receitas públicas – receita pública representa uma entrada definitiva de valores nos cofres públicos. o Direito Financeiro. CF/88). Manual de Direito Financeiro. Preço público e tarifa são formas de receita originária. A norma geral traz princípios para solução de entraves entre os diversos legisladores dentro da matéria de competência comum. devem ser diferenciados os conceitos de lei federal e de lei nacional. Com efeito. o Derivadas – são aquelas que advêm do poder de “imperium” do ente público. são diferentes.: depósito judicial. I e II. quanto à origem. mas não figurará aí como entrada definitiva (receita pública). 30. na maioria das vezes. II. Entretanto. Por esse motivo. as entradas (movimento positivo de dinheiro para os cofres públicos) comportam duas espécies: receitas públicas (entradas definitivas) e movimentos de caixa (entradas temporárias). p. CTN). o valor será transferido para a conta do Tesouro Nacional (TN) “incontinenti”. sendo certo que essa conversão só é possível se sucumbente o demandante. de pare em passo com o particular (contratação em regime de Direito Privado. assim como qualquer outro ramo. 17) as chamam de facultativas. inclusive de Direito Financeiro. conforme supra mencionado –. o âmbito espacial de validade e o âmbito pessoal de incidência das normas. Administrativo. os Municípios podem legislar sobre tributos de sua competência (art. 17) são caução. fiança e empréstimos em geral. deve ser convertido em renda para configurá-la. o que faz excluir o movimento de caixa ou ingressos (fluxos de entrada “temporária”. Em melhores palavras. Em tese. São extraídas quando o próprio Estado explora seu patrimônio. III. sendo integral. tem alicerce fim na CF/88. 2003. Relaciona-se também com o Direito Tributário – apesar de guardar campo próprio. 2001. 151. sendo portanto compulsórias (FÜHRER e FÜHRER. no dizer de Kelsen (1998). CF/88). em: o Originárias – correspondem às entradas definitivas não decorrentes do poder de imposição do ente de público.. Doutrinariamente. Führer e Führer (2001. Há uma relação de coordenação estabelecida entre Estado e particular. Resultam. p. 30. Apesar de admitirem haver doutrina que considera o ingresso como entrada provisória. p. o primeiro. Todavia. Outros exemplos de entradas provisórias citados por Führer e Führer (2001. Revista dos Tribunais. têm o primeiro como sinônimo de entrada simplesmente. suplementando as leis gerais e regionais naquilo que afeta o interesse local (art. simplesmente entrada provisória ou ingresso)239.179 CF/88). No quadro da ciência jurídica. São Paulo. o qual pode ser feito em um MS e. de seu poder de imposição. obsta a exigibilidade do crédito tributário (art. nem todos os ingressos no erário podem ser considerados como receitas. não fazendo uso. sua ligação com o Direito Constitucional é particular. Processual Civil e Penal. uma vez que há normas específicas contidas no próprio Texto Maior. Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. com as derrogações de Direito Público). da atuação estatal como agente privado. 239 . não se confundindo com taxa. as receitas podem ser classificadas. 6ª ed. Ex. Dentro da distribuição de competência.

LRF) ou voluntárias (por exclusão às anteriores). as quais têm origem no poder de polícia estatal. pronunciou-se em sentido contrário. acrescido pela EC 39/02. consoante a disposição do art. dada a competência tributária deferida pelo art. CF/88. No entanto. São obtidas a partir de coerção sobre o patrimônio do particular. 154. apesar de seu teor não ter mais aplicação em face da atual ordem constitucional vigente. na classificação de receitas derivadas. VI. podendo ser tributárias (na sua maior parte) ou não-tributárias. a receita continua sendo classificada como transferida. porque o tributo em comento é de competência do Estado (art. “caput”. a taxa é considerada receita derivada. CF/88 (acrescido pela EC 45/04). Quanto aos EMPRÉSTISMOS COMPULSÓRIOS. lei ou destinadas ao SUS – art. 37). Obs. Ex. metade do ITR recolhido em Município continente de seus imóveis. 149-A. CF/88 – no caso de delegação de capacidade tributária ativa para o Município. Sob o aspecto do Direito Tributário. São os casos dos impostos residuais e das contribuições residuais. em parte. Oliveira e Horvath (2003. e sua arrecadação não está sujeita à exigência constitucional da prévia autorização orçamentária”. I e II. 25. o Transferidas – resultam de transferências entre os entes federados. 157 a 162. Em contrário senso. 240 Súmula 418 do STF: “O empréstimo compulsório não é tributo. ressalvadas as hipóteses anterior e originalmente previstas pelo próprio Texto Magno. o constituinte derivado não teria vênia para alargar os fatos geradores já expressos na CF/88. Ex. I. receita não podem ser. porquanto a titularidade do tributo é atinente à União. nos moldes dos arts. CF/88). 155. No contexto. 148. e 195. CF/88). o próprio STF. o que desvirtua. “caput”’. CF/88. p. a esse pertencem (art. proveniente de veículos licenciados no Município. CF/88. porquanto o crédito decorrente será resgatado. 158.: repartição da arrecadação tributária. p. Não poderia criar mais exações.: só será derivada a receita se o poder de imposição for exercido pelo próprio ente que a recebe. . III. § 4º. perfazendo receita transferida. pende um grande paradoxo. as transferências correntes não implicam em contraprestação pelo tomador.: apesar de ter origem tributária. CF/88). Como lembram Oliveira e Horvath (2003. Ao contrário dos empréstimos (ou créditos) públicos. não cabendo a esse autonomia perante o Leviatã. assim como o são as penalidades. sob pena de configurar receita transferida.180 17). III. Segundo os autores. dentro do Direito Financeiro. O exemplo típico é o tributo. o repasse de metade da renda de IPVA. como inconstitucional. na esteira. por meio de sua Súmula 418240. Dentre os exemplos mais corriqueiros. a doutrina majoritária tem-nos como tributos. 65) consideram o art. Oliveira e Horvath (2003) dizem que as receitas transferidas se resumem nas transferências correntes. Seriam qualificados como entradas temporárias. o caráter tributário colocar-los-ia. 153. III. por exemplo (arts. Fatia considerável dos jurisconsultos os qualifica como imposto. § 4º. adotando a natureza dada diretamente pelo constituinte originário. de acordo com o 153. sua essência de tributo. encontrar-se exatamente no capítulo sobre a ordem tributária. Podem ser obrigatórias (previstas em Constituição. “in fine”.

154. j. Luiz Fux. 1ª T. ao contrário da taxa. Tarifas. persistirá taxa.. No raciocínio. CTN. haverá preço público. porque a coerção no uso concreto ou potencial do serviço só pode ser remunerado por meio de taxa242. Seu valor se deve ao custeio da atividade praticada em favor do usuário. ainda que potencial. sendo revertido para o próprio Estado. por exclusão. olhando a figura do prestador. 3º. porque esse é determinado conforme o valor do serviço prestado.489. poderiam ser enquadradas em ordinárias – aduzidas nos momentos de normalidade – e extraordinárias – incidentes em momentos de guerra ou na sua iminência. Ex. As terceiras são estatuídas e arrecadadas de forma vinculada. 242 STJ. a existência de um preço público teria como pressuposto adesão a um contrato.: herança jacente deferida ao Município (art. tendo em conta os preços praticados no mercado. REsp 802. A tarifa ainda permite reversão aos cofres públicos. Ademais. p. Informativo do STJ n° 327. de acordo com o mercado. de sorte a garantir. destinando-se tanto ao custeio do concessionário quanto a seu lucro. 17). Quanto ao critério da periodicidade. . Uma primeira corrente.247 e 167. Taxas e preços públicos – para que persista um conflito dessa natureza. contratuais e obrigatórias (FÜHRER e FÜHRER. a natureza será de taxa. segundo entendimento do STJ e do STF241. 2001. sendo único nessa espécie de avença administrativa. 14/8/2007. entendendo que não há escolha pelo usuário. como nos tributos. a teor do art. A tarifa deve ser fixada no menor valor possível. desde que haja previsão contratual (ou legal) nesse sentido.: preço do selo de correspondência. existiria preço público. DJU 15/10/1963. deverá ser módica também. Isso porque os serviços públicos universais e indivisíveis (“uti universi”) recebem como contraprestação impostos. Oliveira e Horvath (2003) falam em outras classificações das receitas. Uma segunda corrente observa a compulsoriedade no pagamento da contraprestação: sendo obrigatório. Essa compulsoriedade estaria prevista em lei. dentro de um patamar razoável. CF/88 (imposto especial de guerra). A taxa não respeita esse mecanismo. existindo taxa se for de Direito Público. como em uma compra e venda. O STJ adota a última corrente. a atualidade do serviço. Não tem natureza tributária.: cobrança por serviço de água e esgoto constitui tarifa. As segundas advêm de ajuste em que o Estado participa na condição de contratante. porque não se reverte com exclusividade para o erário.181 A doutrina ainda classifica as receitas em gratuitas. Ex. 1844. considera-se a prestação de serviço público específico e divisível em contrapartida à remuneração por parte de usuário. Essa obrigatoriedade da taxa só é 241 STF. II. As primeiras não implicam em qualquer contrapartida por parte do Estado. STJ. rel. taxas e preços públicos – tarifa é um item obrigatório a figurar em contrato de concessão.559-MS. RE 54491-PE. entende que haverá preço público se aquele for ente de Direito Privado. Min. A querela se coloca segundo três orientações teóricas. Preço público não leva a lucro. CC). Também não deve ser confundida com preço público. REsp’s 848. como se afigura no art. Ex. sendo facultativo. sendo de fruição facultativa. presente a autonomia das partes. Terceira posição assevera que o parâmetro é a compulsoriedade na utilização do serviço: sendo de uso obrigatório.

243 244 STF. 2001. 1ª T.2007. 29. fundos. operações de crédito (incluindo antecipação de receita). rel. “in fine”. LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) OBJETO (abrangência) – cumprimento de metas sobre receitas e despesas e observância de limites e condições quanto à renúncia de receita. Rcl 2138/DF. conquanto fato irrelevante à diferenciação entre preço público e taxa. STJ. Informativo do STJ 322. j. mesmo que inexista rodovia alternativa. p. No contexto. 150. Informativo do STF n° 471.002-PR. em recente julgamento. o segundo entendimento. 245 STF. cujo principal não é resgatável. a pessoa sempre receberá taxa como contraprestação (OLIVEIRA e HORVATH. Em suma. Estados. é aquela de médio ou longo prazo (FÜHRER e FÜHRER. 13. A dívida pública fundada. CF/88. ao contrário da flutuante. 1º. deve ser interpretada à luz da época de sua edição. 2003. I a V. Mas como foi erigida antes da leitura feita pelo STJ. . Tecnicamente. o art. 2º. em três situações: emissão de passaporte. valendo os pagamentos tão-só aos juros. dívidas consolidada e mobiliária. LRF). No entanto. empresas governamentais e MP (art. ASPECTO SUBJETIVO (abrangência) – União. autarquias. José Delgado. a priori. despesas com pessoal. salvo se o legislador dispuser de forma diferente244. nesse passo. implicando em responsabilidade objetiva por parte do administrador e do agente político. 5/6/2007. ou seja. CONCEITOS (art. 23). porque se refere especificamente à tributação. Ademais. Min. o define como tributo da espécie taxa243. De fato. a LRF erige presunções legais de ao erário. Tribunais de Contas. A obrigatoriedade é realmente da fruição do serviço e não do pagamento. seguridade social. a natureza do prestador é irrelevante para a determinação da forma de contraprestação. dá margem à cobrança de pedágio por meio de taxa. porquanto configura “bis in idem” com a Lei 1079/50245. LRF): • Dívida pública fundada – obrigações totais de mais de 12 meses. a qual não é obrigatória. Executando serviço público próprio de Estado ou exercendo poder de polícia. a natureza da personalidade jurídica da entidade da Administração Indireta não tem o condão de desnaturar os valores cobrados pelos serviços públicos por ela prestados. segundo a doutrina. A cobrança de pedágio por concessionária é lícita. porque esse é sempre devido quando há prestação. entendeu que esses últimos não são atingidos pela Lei 8429/92. Destarte. p. Gilmar Mendes. j. o STF. precatórios não pagos. p/ o acórdão Min. não coincide com o conceito de dívida consolidada. Nelson Jobim. LRF). O STF. I a III. a Súmula 545 do STF (já comentada) materializa. concessão de garantia e restos a pagar (art. Apesar disso.6. Judiciário. dependendo da existência ou não de alternativa na via de acesso. Municípios. orig.182 excepcionada. aquela considerada perpétua. V. Min. RE 181475. 53). REsp 617. rel. §§ 2º e 3º. Juntamente com a Lei 8429/92. custas judiciais e licenciamento ambiental.. § 1º. o valor cobrado em pedágio pode ter natureza de taxa ou preço público. DF. rel. obrigações cujo prazo para pagamento é menor que 12 meses e estão previstas no orçamento.

CC). 11. LC 101/00. “caput”. dada a classificação do art. No ponto. industriais. parágrafo único. menos (art. “caput”. LC 101/00. Receita corrente líquida – total de “receitas tributárias. é debatida pela doutrina à luz do pacto federativo (art. etc. usando a terminologia aduzida por Leon Duguit (apud OLIVEIRA e HORVATH. LC 101/00. O estabelecimento dessa sanção acaba por retirar da competência tributária a facultatividade do seu exercício. Receitas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF. • PIS/PASEP. Oliveira e Horvath (2003. De fato. “caput”. CF/88). 25. passim). 11. • Refinanciamento de dívida mobiliária – emissão de novos títulos para pagamentos anteriores (novação objetiva – art. A definição de transferências voluntárias está no art. 2º. • Repasse aos municípios e Estados. trata-se de ato-condição. CF/88). patrimoniais. A constitucionalidade do art. LRF). LRF. a não instituição do imposto sobre grandes fortunas pela União vai de encontro à realidade (art. 11. porém constitucional na sanção esculpida no art. I. • Receita de capital – é aquela derivada da alienação de patrimônio público. . “caput”. “caput”. I. agropecuárias. 44. “a” a “c”.183 o art. 11. aquisição financiada de bens. 360. dispõe que os entes da federação são obrigados a instituir e arrecadar todos os tributos de sua competência constitucional. 2003. II. LRF) • Repasses constitucionais e legais. lei ou destinadas ao SUS. transferências correntes e outras receitas também correntes”. VII. em que pese não haver pronunciamento judicial sobre a celeuma. 153. ou seja. Lei 4320/64. LRF: todas aquelas não previstas em Constituição. parágrafo único. abertura de crédito. Estados e Municípios. de serviços. à luz do dispositivo em apreço. Não pode ser destinada ao pagamento de despesas correntes (art. • Operações de crédito – mútuo. LRF). 11. “caput”. • Contribuições para RPPS e compensações. 47) defendem que o art. é inconstitucional quanto à obrigatoriedade de Estados. DF e Municípios na instituição de todos os tributos. O art. trata a dívida fundada e a consolidada como sinônimos. A infringência desse comando com referência a impostos impede as receitas por transferências voluntárias (art. 1º. de contribuições. • Dívida mobiliária – decorrente da emissão de títulos pela União. Lei 101/00. 29. LC 101/01) – o diploma estabeleceu regras sobre a elaboração do orçamento público. p. • Contribuições previdenciárias. orientando o estabelecimento de receitas e despesas públicas. 11. característica intrínseca daquela. • Concessão de garantia – um ente garante outro. § 4º. condicionante para que os mencionados entes recebam transferências voluntárias.

IV. 77. de obrigações adquiridas em o Formação de fundos especiais constitucionais (erradicação e combate à pobreza. não podendo o ente gastar mais que pode. LRF). Apresentam algumas características: . (art. como elevação de base de cálculo. etc. IPI e IOF (art. de reduções de base de cálculo. 2º. LC 101/00). § 1º.Previsão em lei específica. “caput”. ou seja. de alíquotas ou criação de impostos ou contribuições. e 212. 14. IE. § 1º. ou o Compensação por adoção de outras medidas (aumento de receita). § 3º. estão incluídas (art. I ou II. o Previsão na LDO. “caput”. I.Documentação. LRF): • Receitas e despesas com ensino (parcela obrigatória para fundo – art. 14. o Pagamento de servidores públicos (despesa corrente de custeio). 25). 60. de benefícios fiscais. fundo para desenvolvimento do N. Sua implementação depende do cumprimento das condições explicitadas no art. CF/88). • Receitas de ICMS (LC 87/96).184 Na receita corrente líquida. . Mas há esceções: o Saúde e ensino (arts. 14. para garantir a extrafiscalidade na União na economia nacional. FPM. NE e CO.Contrapartida em receita suficiente. . § 3º. Despesas públicas – representam todo gasto ou dispêndio público. FPE. o Inexistência de prejuízo aos resultados previstos no Anexo de Metas Fiscais (objetivos de arrecadação). . II. Essas exigências não se aplicam em se tratando de renúncia de II. ADCT. mediante expressa consideração na lei orçamentária. A renúncia de receita ocorre basicamente nas hipóteses de isenções tributárias. educação básica. 14. 167. de sorte a provar sua origem e destinação. como lembram Führer e Führer (2001. CF/88). A regra geral para a determinação da despesa é da não-afetação orçamentária (art. social de emergência). ADCT). A medida que importe em renúncia em receita só entra em vigor depois que a medida compensatória já tiver sido implementada (art. LRF). o Serviço da dívida (cumprimento empréstimos públicos). representa qualquer evento jurídico que gere a redução das entradas nos cofres públicos. LRF). 14. p. § 2º. Também não têm vez no caso de cancelamento de débito perante a Administração pelo baixo valor (art. LRF: o Projeção do impacto econômico-financeiro no orçamento do mesmo exercício e nos dois posteriores.

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A parte de despesas com pessoal está desenhada nos arts. 19 e 20, LRF. DESPESA COM PESSOAL – definição está no artigo 18, “caput”, LRF, incluindo terceirização de mão-de-obra (art. 18, § 1º, LRF). • Para cálculo, somar despesa do mês corrente com os 11 anteriores (art. 18, § 2º, LRF). • Limites: 50% para União e 60% para Estados e Municípios (art. 19, I a III, LRF). • Estão excluídos do limite (art. 19, § 1º, I a VI, LRF): o Indenização por demissão ou voluntária; o Convocação extraordinária do Congresso Nacional; o Precatórios relativos a exercícios anteriores; o Gastos com pessoal do DF e dos Territórios; o Inativos com contribuição em RPPS. • Percentuais por órgãos (art. 20, I a III, LRF): o Federal: 2,5% para Legislativo, 6% para Judiciário, 40,9% para Executivo e 0,6% para MPU; o Estadual: 3% para Legislativo, 6% para Judiciário, 49% para Executivo e 2% para MPE; o Municipal: 6% para Legislativo e 54% para Executivo. AUMENTO DE DESPESA NULO – 180 dias antes do término do mandato no Poder ou em órgão (art. 21, parágrafo único, LRF). O texto do art. 21, “caput”, LRF, fala em ato que importe em aumento de gastos com pessoal sem observar os ditames legais. No ponto, será considerado nulo. No magistério de Oliveira e Horvath (2003, p. 89), o termo “ato”, exprimido pelo legislador, diz respeito aquele concreto. O ato legislativo em sentido estrito (lei, decreto legislativo, resolução, etc.) aqui não se enquadra, porquanto não tem o condão de gerar despesa materialmente. Nesse passo, a criação de cargo, por meio de lei, não importa em majoração de gastos com pessoal. O que provocará o dispêndio é seu provimento, a partir do qual o agente público fará jus a seu vencimento. SE PERCENTAL COM PESSOAL CHEGAR A 95% DO LIMITE – não pode aumentar vencimentos, criar cargos, mudar carreira, contratar mais agentes públicos (salvo educação, segurança, saúde e sessão extraordinária do CN) ou contratação em regime de hora extraordinária (art. 22, parágrafo único, I a V, LRF). Quando o percentual ultrapassar 90%, cabe ao TC alertar o Poder ou órgão sobre a temeridade da situação (art. 59, § 1º, II, LRF). NÃO CUMPRIMENTO DO LIMITE – nos dois quadrimestres seguintes, o administrador deverá levar a cabo as seguintes medidas: • Extinção de cargos e funções ou redução dos vencimentos respectivos;

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• Redução da jornada de trabalho, com respectiva redução de vencimentos; • Redução de despesas com cargos em comissão e funções de confiança, não sendo possível a redução de jornada atrelada à diminuição de vencimento246; • Exoneração de servidores não-estáveis; • Exoneração de servidores estáveis, com extinção dos respectivos cargos, sendo essa medida autorizada somente depois das anteriores (art. 169, § 4º, CF/88), fazendo jus o exonerado a uma indenização de um mês de vencimento por ano de serviço (art. 169, § 5º, CF/88) – o cargo não poderá ser recriado nos próximos quatro anos (art. 169, § 6º, CF/88). A escolha dos estáveis a serem exonerados se dá de acordo com os critérios da Lei 9801/99: menor tempo de serviço, maior remuneração, menor idade, etc. (OLIVEIRA e HORVATH, 2003, p. 92). A lei ainda permite, como medida alternativa, a redução de valores de pagamento ou a redução temporária da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição de vencimentos temporariamente (art. 23, §§ 1º, “in fine”, e 2º, LRF), no entanto esses comandos estão suspensos por cautelar ajuizada no STF247. Se ainda o ente não conseguir se adequar às balizas legais, não pode receber transferência voluntária, garantia de outro ente ou contratar operações de crédito (art. 23, § 3º, I a III, LRF), salvo refinanciamento da dívida mobiliária e financiamento de gastos com redução de despesas com pessoal. O art. 169, § 2º, CF/88, ainda fala em impedimento de recebimento de receitas transferidas obrigatórias. O art. 15, LRF, considera a geração de despesas ou assunção de obrigação pelo Estado em desacordo com as condicionantes mínimas dos arts. 16 e 17, LRF, como ato ilícito. O aumento de despesa por criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental depende do cumprimento de alguns requisitos (art. 16, I e II, LRF): Demonstração do impacto econômico-financeiro no exercício atual e nos dois seguintes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Compatibilidade com a LDO e com plano plurianual, mediante declaração do ordenador de despesas. A regra do art. 16, I e II, LRF, não se aplica paras despesas públicas irrelevantes, entendidas como aquelas que não oferecem impacto considerável,

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Na ADIn 2238, rel. Min. Ilmar Galvão, o STF suspendeu a eficácia do art. 23, § 1º, “in fine”, e 2º, LC 101/00, com base na irredutibilidade de salários e de vencimentos (art. 37, XV, CF/88). 247 STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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de acordo com a LDO (art. 16, § 3º, LRF). Ex.: aquelas que podem ser realizadas sem licitação. Aumento de despesa do RGPS que importe concessão legal de benefício, expansão quantitativa das prestações e reajuste de valores pagos não precisa ser compensada (art. 24, § 1º, I a III, LC 101/00), o que se aplica em toda seguridade (art. 24, § 2º, LC 101/00). O art. 17, “caput”, LRF, trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (despesa corrente ou operacional de mais de um exercício), isto é, aquelas decorrentes de lei, de MP ou de ato administrativo normativo que fixe sua realização em interregno superior a dois anos. Devem atender aos seguintes pressupostos (art. 17, §§ 1º e 2º, LRF): Estimativa de impacto econômico-financeiro pelo exercício presente e dois subseqüentes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Estar de acordo com os resultados preconizados no Anexo de Metas Fiscais; Compensação por outras medidas a amortizar o débito nos exercícios posteriores, como aumento de tributo ou redução permanente de despesa. Não se aplicam as condicionantes do art. 17, §§ 1º e 2º, LRF, quando se trate de reajuste de vencimento de servidor público ou de despesa relativa ao pagamento da dívida pública (art. 17, § 6º, LRF). Despesas emergenciais ao setor privado só são possíveis mediante: • Prévia autorização legal; • Compatibilidade com a LDO; • Previsão em orçamento ou em crédito suplementar; • Não abrangência de instituições financeiras, incluindo empréstimos para recuperação e troca de controle acionário, salvo operações de desconto e empréstimos realizados pelo BACEN com prazo inferior a 360 dias – nesse último caso, os demais requisitos não precisam ser observados (art. 26, § 1º, LRF). LIMITAÇÃO DE EMPENHO – a cada bimestre, ultrapassado o limite estabelecido no anexo de metas fiscais, deve haver diminuição de gastos na forma da LDO (art. 9º, “caput”, LRF). No entanto, transferências e despesas constitucionais e legais não poderão ser afetadas, o pagamento da dívida pública e outras despesas especificadas na LDO. Se o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público não observarem a limitação de despesas, o Executivo tem franquia para tomar a frente e limitar os repasses de duodécimos (art. 9º, § 3º, LRF). Porém, esse último comando está com a eficácia suspensa pelo STF em sede de cautelar248.
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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• Não serão limitados os gastos constitucionais, legais e previstos na LDO (art. 9º, § 2º, LRF). Oliveira e Horvath (2003, p. 91) admitem transação dos débitos da Fazenda Pública com condenação transitada em julgado, mesmo que sejam incluídos uns e excluídos outros credores. O fulcro seria a vantagem, porque haveria concessões recíprocas. No ponto, os autores admitem até mesmo a negociação no período eleitoral, ou seja, seis meses antes do término do mandato eletivo, desde que haja um juízo de razoabilidade e de que não exista razão de fundo eleitoreiro. VEDADA TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA – a ente estatal que não tenha previsão e execução de todas receitas tributárias cabíveis (art. 11, parágrafo único, LRF). • Receitas de operações de créditos devem ser menores ou iguais às despesas de capital previstas em LO anual (art. 12, § 2º, LRF). No entanto, esse dispositivo encontra-se com a eficácia suspensa pelo Supremo249. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – têm como atendimento dos seguintes requisitos (art. 25, § 1º, I a IV, LRF):
• Condições estabelecidas na LDO; • Existência de dotação específica na LO anual; • Proibição de transferências para pagamento de pessoal da ativa,

pressuposto

o

inativos ou pensionistas dos Estados, DF e Municípios (art. 167, X, CF/88);
• Contas em dia com o órgão transferidor, inclusive com referência a

recursos anteriormente recebidos;
• Aplicação dos percentuais constitucionais quanto à saúde e à educação; • Observância dos limites em operações de crédito (inclusive antecipação

de receita), restos a pagar, total da dívida mobiliária e consolidada e despesa total com pessoal;
• Contrapartida na LO orçamentária.

Obs.: é vedada destinação diferente da pactuada, cujas sanções não se aplicam à saúde, educação e assistência social (art. 25, §§ 2º e 3º, LRF). CAIXA DOS RPPS – não pode ser aplicado na compra de valores mobiliários do próprio ente (Estados e Municípios) nem para empréstimos de qualquer natureza aos segurados e ao Poder Público, incluindo empresas controladas (art. 43, § 2º, I e II, LRF). O art. 24, “caput”, LC 101/00, repete a regra da contrapartida quanto à seguridade social (art. 195, ° 5º, CF/88). Os Municípios com fundo previdenciário de RPPS devem observar o limite de 12% sobre a receita líquida nos gastos com inativos. Quando o percentual for ultrapassado, o TCE (ou TCM) deve alertar (art. 59, § 1º, IV, LC 101/00).
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

150. CF/88). Lei 4320/64). Lei 4320/64). • Dívida ativa tributária e não-tributária – a primeira engloba todos os tributos. CF/88. industrial. multas e créditos da Fazenda Pública lançados e não recolhidos ou cobrados no exercício de origem. “caput”. “caput” e § 1º. “caput”. inscrevendo-se o débito na chamada dívida ativa da Fazenda Pública (art. foi recepcionada pela ordem constitucional de 1988 como LC. Lei 4320/64). • Despesas de custeio – destinadas a manter serviços anteriormente criados (art. Lei 4320/64). CF/88). dentre outros princípios.. 60 LRF). 9º. 11. • Receitas de capital – são aquelas decorrentes do pagamento de dívidas. Lei do Orçamento (Lei 4320/64) – também traz regras orçamentárias. DEFINIÇÕES: • Tributo – está definido no art. II e parágrafo único. § 2º. § 1º. Lei 4320/64. • Lançamento – é o ato de verificação da procedência do crédito tributário e a designação da pessoa devedora. e 71. “caput” e parágrafo único. DESTINATÁRIOS – o diploma em relevo deve ser observado por todos os entes políticos: União. 1º. etc. “caput”. RECEPÇÃO – em decorrência da disposição do art.189 FISCALIZAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (órgãos) – é feita pelo Legislativo (com auxílio do TC) e pelo controle interno de cada órgão (arts. 11. sendo aplicável no que não conflita com a LRF. a Lei 4320/64. operações de crédito e concessão de garantia (art. a anualidade na sua instituição não foi ditame observado pelo constituinte nas limitações ao poder de tributar (art. 39. CF/88). 66. desde que destinadas a despesas correntes (art. Sua exigência. 59. mobiliária. ou proveniente de repasse de outras pessoas. § 9º. PIB MENOR QUE 1% – prazos para adequação da despesa com pessoal e da dívida consolidada são duplicados (art. . Estados. • Receitas correntes – são aquelas de origem tributária. Lei 4320/64). da conversão de bens e direitos em renda ou de repasse de outras pessoas para o pagamento de despesas de capital (art. a segunda compreende as dívidas para com o Estado não sujeitas a lançamento ou não lançadas até então (art. 51. LRF). LO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS – poderão estabelecer limites menores para dívida fundada. 70. CALAMIDADE PÚBLICA. I a VI. deve observar a legalidade estrita (art. DF e Municípios (art. LRF). patrimonial. I e II. ESTADO DE DEFESA OU DE SÍTIO – prazos suspensos para atendimento dos resultados fiscais. § 1º. LRF. 165. Lei 4320/64). 12. limitação de empenho fica dispensada (art. 74. Todavia. § 2º. 65. Lei 4320/64). 53. I. sem embargo do controle popular ou privado (art.

Os especiais e suplementares dependem de prévia autorização legislativa e de recursos disponíveis. “caput”. Lei 4320/64). especiais (não constantes do orçamento) e extraordinárias (para despesas urgentes e imprevisíveis. ressalvado o custeio de suas atividades. Lei 4320/64).190 • Transferências correntes – são dotações de despesas das quais não decorra contraprestação direta em bens ou serviços (art. 12. 16. 40. porque aí constituiria subvenção social. Lei 4320/64). Lei 4320/64). Tem por finalidade majorar os meios das entidades estatais de fins econômicos. inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. § 2º. bem como para os programas especiais de trabalho. 12. 21. comoção intestina ou calamidade pública) – art.: não haverá subvenção econômica a empresa de fim lucrativo. salvo menção expressa em lei (art. • Investimentos – são dotações para o planejamento e a execução de obras. Obs. • Créditos adicionais – são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientes na Lei de Orçamento (art. Os investimentos representam dotação orçamentária para entidade para maximizar a prestação de serviços públicos. como guerra. I e II. § 3º. Lei 4320/64). 19. é vedado auxílio financeiro para investimentos em empresas lucrativas (art. Lei 4320/64). • Subvenções – são dotações destinadas a cobrir despesas de custeio de entidades beneficiadas (art. Não pode dizer respeito ao custeio do beneficiário. Já os extraordinários seriam abertos diretamente por decreto executivo. Lei 4320/64). Lei 4320/64). aquisição de instalações. visto que sua principal finalidade é cobrir seus déficits. § 3º. não têm cunho social de atendimento do interesse público na prestação de serviço também público. I a III. Lei 4320/64). sendo abertos por meio de decreto do chefe do Executivo (art. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro (art. “caput”. § 6º. ao contrário dos investimento. • Inversões financeiras – compreendem aquisição de imóveis e bens de capital ou repasse da verba da Administração Direta para Indireta (art. • Transferências de capital – são empréstimos entre entes da federação (art. 12. comunicando-se . Lei 4320/64). 42. “caput”. no mesmo raciocínio. enquanto as segundas são dirigidas a empresas governamentais ou particulares (arts. 41. As inversões. desde fique patente o caráter econômico da operação. 12. Lei 4320/64). as quais serão arcadas mediante subvenções econômicas. educação e assistência social). podendo ser sociais ou econômicas (art. Lei 4320/64. 12. ficando evidente o caráter social. As primeiras são repasses de verbas destinados a entidades prestadoras de serviços públicos essenciais (sociais – saúde. § 5º. e 18. Em qualquer caso. 12. I a III. § 4º. podendo ser suplementares (para reforço). as subvenções não implicam em contraprestação da entidade beneficiada.

Tem por finalidade dar certeza à Administração acerca da despesa. Lei 4320/64). § 7º. 71. • Pagamento de despesa – é o despacho de autoridade competente com ordem para pagar a despesa (art. sendo “conditio sine qua non” para o pagamento (arts. “caput”. “caput” e § 1º. • Empenho global – é aquele sem discriminação de itens. 58. 62 e 63. • Empenho por estimativa – é permitido quando não for possível determinar o valor preciso da despesa (art. • Dívida fundada (ou consolidada) – é obrigação estatal com exigibilidade maior que 12 meses (art. Mediante previsão em despesa mensal. § 2º. Lei 4320/64). além dos precatórios não pagos. O documento é elaborado pelo setor de contabilidade (art. o gasto público fica facultado para o administrador. 60. 15. • Liquidação de despesa – é a verificação do crédito para com a Fazenda Pública. Lei 4320/64). “caput”. No entanto. Lei 4320/64). segundo dotações de orçamento específicas. Lei 4320/64). 59. sendo permitido para obrigações contratuais de trato sucessivo (parcelamento) – art. 62. “Ex vi” dos arts. Lei 4320/64). a qual é o único meio hábil instituí-lo (reserva legal). CF/88. § 3º. • Empenho (art. desde que prevista no orçamento. com identificação do credor. 29. Lei 4320/64). É documento que certifica a origem do gasto. devendo se restringir ao limite de crédito correspondente (art. Lei 4320/64). 64. Lei 4320/64). “caput”. 64. 60. estão incluídos . “caput”. LRF. contendo nome desse. “caput”. 65. dentro da lei orçamentária anual. e 30. 98. “caput”. a dívida com prazo menor que 12 meses. Cada categoria de despesa é prevista. “caput”. • Elemento – é a unidade mínima a ser discriminada na planilha orçamentária (art. 61. do objeto (motivo) e da quantia a ser paga. É efetivado pela tesouraria ou órgão congênere (art. Lei 4320/64). de sorte a enquadrá-lo dentro da despesa mensal. Toda despesa depende de prévio empenho (art. a teor do que dispõe o art. § 3º. • Unidade orçamentária – é a unidade de bens e serviços subordinada ao mesmo órgão ou repartição (art. bem como a dedução do saldo disponível (art. natureza e valor da despesa. Lei 4320/64). 14. • Fundo especial – é aquele cuja receita decorre de vinculação prevista em lei (art. Lei 4320/64) – ato de autoridade competente que cria obrigação de pagamento para o Estado. Lei 4320/64. 60. Lei 4320/64).191 posteriormente o Legislativo (art. o Presidente da República (e os governadores e prefeitos que têm vênia legal para tal) deve abri-lo por meio de MP. Lei 4320/64). 44. • Nota de empenho – documento que expressa o ato de assunção da obrigação de pagamento da Fazenda Pública para com credor. parágrafo único.

p. 2003. depósitos e débitos de tesouraria (art.. 101). controle de sua execução também pelo povo. sob pena de inefetividade do instituto (OLIVEIRA e HORVATH. os autores afirmam a existência de dois centros de poder: um residente no exercício do voto pelo povo. 23) a definem com dívida de médio e longo prazo. Nesse passo. 11ª ed. não constitui simples fato opinativo. O Estado de Direito e o princípio republicano mudaram o cenário. Para Ricardo Lobo Torres (apud OLIVEIRA e HORVATH. • Resultado primário – é a diferença entre receita e despesa. Para exemplificar a colocação. nem apenas simples plano de governo. 99). por meio de instituições populares. dentro da idéia de democracia participativa. • Dotação – é a quantia prevista no orçamento para determinado tipo de despesa. 107). o orçamento é instrumento de efetivação da dignidade humana e da justiça distributiva (arts. • Regime orçamentário – pode ser de competência (que observa apenas a data do fato gerador da despesa – empenho –. É exatamente nessa segunda seara que estaria incluído o orçamento participativo. 92. Historicamente. p. O orçamento é tido como instrumento de intervenção estatal na economia. serviço da dívida a pagar. • Dívida flutuante – é formada por restos a pagar (dívidas não pagas até 31 de dezembro do exercício de geração). Passa de diploma a colimar somente equilíbrio financeiro. Lei 4320/64). 23). p. p. mas representa o compromisso político de cumprimento de promessas sérias levadas ao povo (OLIVEIRA e HORVATH. “f”. incluindo a dívida pública. Posteriormente. 4º. os mesmos autores mencionam a concretização do orçamento participativo municipal. citando Genro.192 na dívida consolidada. vigorava a irresponsabilidade do governante (rei). op. I e III. independentemente do efetivo pagamento. • Resultado nominal – é o resultado único das receitas menos as despesas. outro. era mera peça contábil. São Paulo. Trata-se de dívida de curto prazo (FÜHRER e FÜHRER. passa a ser político e extrafiscal (OLIVEIRA e HORVATH. Com efeito. III. p. 105). com caráter politicamente neutro (OLIVEIRA e HORVATH. como decorrente da democracia participativa (SILVA. No início. e 3º.. o qual poderá ocorrer no exercício seguinte) ou de caixa (em que a despesa é considerada somente no exercício em que for efetuado o pagamento). 2001. p. e 44. 2003. O Brasil adota um sistema misto: regime de competência para despesas e de caixa para receita. 2003. . Malheiros. 1º. 106). 2003. passim). vinculação do governante às decisões tomadas. excluindo-se a dívida pública (principal e juros). O orçamento não pode ser mera peça financeira. CF/88). 2003. à luz dos arts. Lei 10257/01250. valores magnos da democracia atual. a consulta popular orçamentária. III. cit. I a IV. 1996. Curso de Direito Constitucional Positivo. 1996. 250 Oliveira e Horvath. asseveram que há três ordens de mecanismos precípuos a tornar legitimo e efetivo o orçamento participativo: critérios firmes para aferir a verdadeira vontade popular. Führer e Führer (2001. p. fazendo com que o orçamento se limitasse a uma “peça de ficção”. talhada por Silva.

A Lei 4320/64 traz a classificação legal de receitas e despesas nos seus arts. . quanto às despesas. Industriais. 11 e 12. As receitas de capital são as seguintes (art. Despesas de capital são relacionadas com investimentos do Estado em certo setor ou perante determinada necessidade pública. . seria autêntico ato administrativo. Transferidas. assim como as despesas. COntribuições. Receitas de capital são aquelas que têm origem na assunção de dívida. § 4º. As despesas correntes são as seguintes (art. Quanto às receitas. Lei 4320/64): Patrimoniais. Resultantes das transferências correntes. Serviços. Oliveira e Horvath (2003.Amortização de empréstimos. Lei 4320/64): . • Transferências de capital. Despesas correntes são realizadas no custeio do Estado. 10-103) advogam pela natureza de lei em sentido formal do orçamento. decorrente do seu poder de imposição ou de sua atuação como ente privado. Tributárias. os autores aceitam a tese da lei em sentido material. .Alienações de bens. Receitas correntes são aquelas que resultam da atividade do Estado de uma forma ampla. de cunho temporário e de “status” ordinário. § 4º. 11. Agropecuárias.Operações de crédito. “caput”.193 porque é através dele que se concretizam as prestações inerentes aos direitos sociais. com o intuito de manter a “máquina estatal”. Receitas correntes são as seguintes (art. p. “caput”. As despesas de capital são as seguintes (art. As receitas podem ser correntes ou de capital. Lei 4320/64): De custeio. Lei 4320/64): • Investimentos. 12.Transferências de capital (empréstimo a fundo perdido). 11. . 12.

173. § 1º. Plano plurianual – o plano plurianual estabelece um planejamento macro. como auxílios e subvenções). LRF. comparativo com os três anos anteriores quanto ao patrimônio líquido. Configura um planejamento mais imediato que o plano plurianual. qual seja o Anexo de Metas Fiscais. p. 4º. 4º. fixando as atividades governamentais pelo decurso indicado. receitas. §§ 1º e 2º.194 Orçamento – é uma lei em sentido formal. § 2º. LRF). CF/88) e as transferências de capital (receitas transferidas excepcionalmente para outras entidades da Administração. as inversões financeiras (injeção de capital em empresas governamentais. I a V. CF/88. resultados nominal e primário e montante da dívida pública nos três anos seguintes. LRF). 3º e 4º. estabelecendo o comportamento da Administração perante o dinheiro público. 4º. com devolução pelo CN até o fim da sessão legislativa (art. As despesas de capital abarcam os investimento (obras realizadas pelo Poder Público). traz outros elementos da LDO. §§ 1º. universalidade e anualidade (FÜHRER e FÜHRER. I. CF/88. 165. O plano plurianual é composto por despesas de capital e decorrentes de programas de duração continuada. Anexo de metas fiscais – metas anuais em despesas. I a III. 17. correspondente à anualidade do orçamento estabelecido pela lei orçamentária anual. “caput”. Obs. 165.: faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (art. LRF. § 1º. ADCT). I. É um desdobramento do planejamento programa. do RGPS. tal qual estabelece o art. Dentre eles. 18). e 5º. . Lei de diretrizes orçamentárias – a LDO estabelece as metas e prioridades da Administração pelo decurso de um ano. 35. Ao mesmo tempo. § 1º. situação dos fundos. qualquer despesa que perdure por mais de um exercício depende de previsão ou compatibilidade com o plano plurianual. LRF). vinculando o ente público. metas do ano anterior. “caput”. estabelecendo as formas como esse será implementado ao longo do exercício seguinte. CF/88). Por conseqüência. 167. § 2º. LDO e lei orçamentária anual (art. Orçamento é a peça técnica que demonstra as contas públicas para um período determinado. as quais executam atividade econômica “stricto sensu” – art. obedecidos os princípios de unidade. contendo a discriminação da receita e da despesa. ressalta-se a previsão do art. § 5º. LRF). sob pena de responsabilização do administrador (arts. demonstrativo de renúncia de receita (art. consubstancia documento programático. as quais serão realizadas em prazo superior a dois exercícios. demonstrando a política econômico-financeira e o programa de trabalho do Governo. 4º. a LDO estabelece diretrizes para a elaboração do orçamento (lei de orçamentária anual). objetivando as intenções da Administração por um período de quatro anos. Deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até o dia 30 de abril do primeiro ao de governo. 2001. Há três tipos de lei que o compõem: plano plurianual. do RPPS e do FAT. São previstas somente despesas de capital (investimento) e obrigatórias de duração continuada (art. O art. Ademais.

o qual deve incluir a reserva de contingência. simultaneamente. o Projeto de lei do orçamento. flutuante. despesas. .195 De uma forma geral. de obrigação contraída. cuja competência exclusiva é do chefe do Executivo (art. “caput”. . ou seja. COMPOSIÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA (art. Justificativa das despesas e receitas. na verdade. restos a pagar e outro compromissos).Previsão de restos a pagar. . Podem ser destacados os seguintes elementos componentes: . item atinente somente à União. 165.: não é possível a previsão de crédito com finalidade imprecisa ou ilimitado. CF/88). § 1º. a teor do que determina o Anexo de Riscos Fiscais e outros fatos imprevistos no decorrer do exercício de execução. O Anexo acompanha o projeto de LDO (art. incluindo metas de inflação. é um documento que estipula as metas em receitas. o Tabelas explicativas. II. Exposição e justificação da política econômico-financeira. saldos de crédito especial. 35. ADCT). Traz.Consonância com o plano plurianual. creditícia e cambial. suplementares e extraordinários. resultados e montante da dívida pública para o exercício de referência e os dois próximos. LRF). uma previsão e um diagnóstico em relação a seus itens constitutivos. Obs. . do ano da proposta e do ano da aplicação. 22.Limitação de empenho.Créditos adicionais: especiais. . além de despesa do exercício anterior. contendo receita dos três exercícios anteriores.Anexos de metas e de riscos fiscais. 4º. com devolução até o fim do período legislativo correspondente (art. I a IV.Parâmetros das políticas monetária. O projeto de LDO deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até dia 15 de abril do ano anterior à sua vigência. consubstancia a realização desse no exercício seguinte. o Especificação dos programas especiais de trabalho a figurarem como dotação global (investimentos). . .Definição de despesas irrelevantes. do ano da proposta e do ano da aplicação. de sorte a orientar a elaboração da lei orçamentária anual. Lei 4320/64): o Mensagem do chefe do Executivo contendo: Exposição da situação econômico financeira (dívida fundada. . além de analisar o realizado nos três anteriores. § 2º.Critérios para transferências voluntárias (inversões financeiras e transferências de capital).

: o não envio da proposta orçamentária no prazo legal (art. quando não houver aprovação e o ano de execução já se inicia. “a” a “d”. CF/88): Concordância com o plano plurianual e com a LDO. A inexistência de deliberação do CN pode suscitar convocação extraordinária do Legislativo. 33. § 2º. “caput”. I. I a III. “caput”. autorizando-se as despesas uma a uma. 57. ADCT). salvo erro material (art. por analogia. além de guardar-se juízo lógico quanto a créditos exauridos ou não previstos. só sendo possível mediante a anulação de outro gasto. 32. Lei 4320/64). contidos no orçamento anterior. 166. A proposta da LDO deve ser encaminhada ao CN até oito meses e meios antes do exercício financeiro ao anterior de sua vigência. tendo em conta o realizado e o saldo restante. p. 35. Nessas hipóteses. ADCT). o art. III. o quadro deve ser atualizado. Lei 4320/64). 35. 35. ADCT). dotação de pessoal e correspondentes encargos. § 2º. devendo ser restituído pelo Legislativo até o final do primeiro período legislativo – 17 de julho.196 Obs. por imperativo lógico. A cada ano. § 3º. Indicação da correspondente receita a custear a despesa. O projeto do plano plurianual. 32. 251 . aplica-se a previsão do art. 23. devendo ser aprovado até o fim da sessão legislativa. III. 35. de transferências constitucionais da União aos demais entes federados. § 2º. o constituinte estatuiu outros requisitos para emenda à LO anual (art. 166. CF/88. Além dessas previsões. ou seja. § 8º. usa-se o orçamento anterior até a aprovação do atual. Oliveira e Horvath (2003. 35. “a” e “b”. devendo ser devolvido para sanção até o final da correspondente sessão legislativa (art. Que trate de serviço da dívida. • Concessão de dotação superior àquelas fixadas anteriormente por resolução do Legislativo. O projeto da LO anual deverá ser apresentada ao Poder Legiferante até quatro meses antes do encerramento do segundo período legislativo referente ao exercício anterior de sua vigência. de acordo com o art. deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até quatro meses antes do final do primeiro exercício. O projeto de orçamento anual deve ser apresentado até o final de agosto do ano anterior à sua execução (art. ADCT)251 leva à adoção do compêndio atualmente em vigor (art. III. II. a viger durante os quatro anos do mandato eletivo. I e II. 166. QUADRO DE RECURSOS E DE APLICAÇÃO DE CAPITAL – descreve as receitas e despesas de capital para um triênio ou mais (art. § 2º. sendo certo que o Parlamento deverá encaminhá-lo para sanção presidencial até o final do decurso considerado – 22 de dezembro. • Concessão de dotação para início de obra não aprovada pelos órgãos competentes. Lei 4320/64. 137) lembram que devem existir atualizações monetárias para os valores. § 2º. • Concessão para instalação ou funcionamento de serviço não criado anteriormente. a teor do mesmo dispositivo já mencionado (art. ADCT). VEDAÇÕES A EMENDAS À LEI DE ORÇAMENTO (art. por meio de créditos especiais e suplementares. com redação dada pela EC 50/06 (art. CF/88. Lei 4320/64): • Alteração de dotação para despesa de custeio já aprovada. considerando o estimado na proposta inicial. De outra parte. temse aplicado. § 3º. CF/88).

5º. dentre os quais se destacam: Universalidade – todas as receitas e despesas devem estar previstas no orçamento. Lei 4320/64). Conteúdo da LO anual – compatibilidade com o anexo de metas fiscais. LRF). Deverão estar previstas e serem pagas no orçamento posterior.197 EMENDAS À LDO – devem observar o plano plurianual (art. há abrangência de todas as despesas e receitas dentro do ente político considerado (arts. 36. LRF). CF/88). dentro do possível. 37. LRF). à anualidade (Súmula 66 do STF. as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias (art. sendo certo que a alienação de imóveis depende de prévia autorização legislativa (art. Também não se baliza pela universalidade os tributos instituídos durante o exercício de execução do orçamento. Caso se refira a despesa de plano plurianual. tudo dentro de cada elemento (art. I a III. reserva de contingência de acordo com o anexo de riscos fiscais. já comentada). visto que a instituição ou majoração de tributos não obedece mais. § 3º. A lei orçamentária anual é regida por princípios. II e § 2º. 4º e 57. 5º. CF/88). dependendo. “caput”. parágrafo único. 166. demonstrativo de medidas de compensação para renúncia de receita e para aumento de despesa. mas não liquidadas até tal data (art. § 4º. Lei 4320/64). Lei 4320/64). 3º. salvo se incluído no plano plurianual (art. Havendo receita específica disponível. o orçamento incluirá a elaboração de três peças distintas: o orçamento fiscal (da Administração . 7º. RESTOS A PAGAR – são as despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício previsto. parágrafo único. Entretanto. Lei 4320/64). o próprio orçamento indicará as fontes de receita. observância do plano plurianual e da LDO (art. 5º. Pela universalidade. 150. 6º. 2º “caput”. sendo incluída despesa do Banco Central do Brasil (BACEN – art. Nas operações de crédito. Esse ditame não se aplica integralmente às receitas tributárias. são vedados crédito não específico e dotação ilimitada (art. a ordem cronológica. Na LO. 3º. de déficit de caixa. I. 5º. LRF). a despesa poderá ser saldada no exercício posterior. não se incluem no orçamento anual as operações de crédito por antecipação de receita. 5º. nesse último caso. § 5º. desde a promulgação da CF/88. porquanto o princípio da anualidade foi excluído do rol das limitações constitucionais ao poder de tributar (art. AUTORIZAÇÃO PARA O EXECUTIVO – a lei orçamentária anual poderá conter autorização para a Administração abrir créditos suplementares e realizar operações de crédito para antecipação de receita. A atualização monetária da dívida pública tem como teto a variação preços prevista na LDO ou em lei específica (art. dotação de despesa em LO não pode ultrapassar exercício. Lei 4320/64). Ademais. “caput”. LRF). § 4º. será liquidada no seu último ano de vigência (art. I a VI. 36. demonstrativo de impacto regionalizado de despesas e receitas. Pelo desiderato em tela. Lei 4320/64). desde que conste em campo apartado dentro do orçamento e seja observada.

englobando todos órgãos e entidades do Estado e aqueles a ele ligados. “caput”. 20. O silêncio do constituinte no art. excetuando-se a seguridade social. Esse comando não ofende a unidade. O orçamento fiscal inclui todas as despesas e receitas da União e de suas entidades correlatas. porque. fez o . ou seja. fiscal e de investimento. Não haverá. de 1º de janeiro a 31 de dezembro (art. a assistência social e a previdência social referente ao RGPS (art. a peça orçamentária deverá ser dividida em três contas: de investimento (referente às empresas controladas pelo Estado). § 5º. CF/88. Anualidade – é lei de vigência temporária. 165. de sorte a fazer uma projeção estimada desses gastos. 150. Lei 4320/64). Esses são aqueles que visam a redistribuição entre as categorias de despesas. Unidade – a peça orçamentária é única. salvo no caso de investimentos em projetos de obras. não se admitindo dotações globais (art. o orçamento é um só diploma que regula toda a matéria. em que pese o orçamento ser único. I a VI. I a III. Exclusividade – no orçamento. somente estarão previstas receitas e despesas. a incidir no exercício financeiro. nele. segundo o art. A implementação de créditos suplementares depende de pedido do administrador e autorização legislativa.: deve haver discriminação da destinação da despesa. 165. “caput” e parágrafo único. Entretanto. matéria estranha à sua essência. irá tratar dos orçamentos da seguridade social. 194. de sorte a corrigir uma dotação orçamentária deficiente ou insuficiente. CF/88. assistência social e previdência social) e fiscal (da Administração Direta e Indireta) – art. O orçamento de investimento compreende a conta de todas as despesas e receitas das empresas que o Estado detenha a maioria de capital com direito a voto. § 8º. § 5º. Essa regra é excepcionada no tocante à autorização para concessão ou obtenção de créditos suplementares (art. da seguridade social (relativa às ações de saúde. 12. Essa vênia prévia pode ser incluída na lei orçamentária anual. CF/88). incluindo a saúde. Lei 4320/64). o orçamento da seguridade social (inclusive entidades mantidas pelo sistema). Lei 4320/64) – despesas pertencentes à categoria econômica investimento (art. CF/88. § 4º. o orçamento não pode conter matéria diferente daquela atinente à sua essência. A lei orçamentária anual. CF/88). Obs. 165. De acordo com a unidade. o orçamento de investimentos (transferências de capital para empresas governamentais). É princípio que diz respeito ao aspecto formal do orçamento. 34. há sua divisão em três contas diversas.198 Direta e Indireta de todos os Poderes). 5º. em outras aplicações e em programas especiais de trabalho (art. Lei 4320/64). O orçamento da seguridade social engloba todas despesas e receitas relacionados ao sistema. Em melhores termos.

CF/88 (serviços públicos essenciais) – e o custeio da máquina administrativa. p. 23. o mesmo dispositivo ressalva a máxima em estudo: o Repartição constitucional de receitas – estatuída nos arts. etc. bem como na formação do FUNDEB (art. 60. 108-109) chamam o orçamento de Lei de Meios. muito pela jurisdicionalização de políticas públicas. 142) lembram que não seria possível a vinculação de receitas transferidas. Em sede de exceção. 157 a 159. Devem ser obedecidos os parâmetros estatuídos na LRF para a constituição de crédito público. Podem integrar essa garantia receitas de impostos estaduais e municipais. CF/88). CF/88. há balizas que relativizam a atuação do administrador: saúde. de sorte a demonstrar sua total impossibilidade. Cediço concluir que a proposta orçamentária e sua consectária vênia legislativa acabam vinculando o administrador.199 desiderato não alcançar a instituição de tributos no exercício de execução do orçamento. XXII. § 4º. 167. ADCT. como a razoabilidade e a proporcionalidade. Não-afetação – o art. Além disso. p. o Gastos mínimos com educação – 18% para a União e 25% para os Estados. § 8º. quando existe situação premente. nos termos do art. e no art. CF/88. 77. DF e Municípios. Aliás. verdadeira decisão política. Porém a discricionariedade do administrador na proposta e na execução do orçamento se baliza pela legalidade em sentido amplo. CF/88. 37. CF/88. o Garantias em operações de crédito por antecipação de receita – nos termos do art. . I a XII. fundo ou programa. 212. No entanto. “caput”. IV. educação. De outra parte. pagamento de servidores. verba de repasse do FPE e do FPM e percentual de transferência do IPI sobre expo’tações' (art. 165. § 2º. Tanto é assim que Oliveira e Horvath (2003. tal qual já delineado pelo STF na ADPF 45. Oliveira e Horvath (2003. o qual deverá atuar dentro das condicionantes que se apresentam no plano fático. p. há dever jurídico do buscar-se o interesse público. Apesar de a execução de despesa (e sua previsão em orçamento) ser ato discricionário. CF/88. o administrador pode deixar de executar as despesas vinculadas. o Gastos com a administração tributária – de acordo com o previsto no art. essa colocação tem autorizado o Judiciário intervir na seara do Executivo. incluindo os ditames do sistema posto. 167. II e VII. Oliveira e Horvath (2003. CF/88). serviço da dívida. 116) destacam duas classes de despesas consideradas coercitivas ao administrador: as continuadas de caráter obrigatório – incluindo as incumbências previstas no art. determina que as entradas definitivas decorrentes de impostos não podem se vincular previamente a despesa. II e III. 198. CF/88. o Gastos mínimos com saúde – estabelecidos pelo art.

o chefe do Executivo pode enviar mensagem aditiva para alterá-los. § 8º. além de outros requisitos (art. O STF equipara a não-devolução à rejeição total. e 77. Na esteira. 212. é designada comissão mista do CN para analisá-lo e emitir parecer. “caput”. 32. ADCT). Lei 4320/64). § 6º. 59. O não exercício desse dever-poder no prazo assinado leva ao estatuído no art. o art. CF/88 (FÜHRER e FÜHRER. LDO e LO anual). 5º. “caput”. 59. O art. o orçamento vigente prorrogar-se-ia para o exercício subseqüente. para que esses elaborem proposta orçamentária própria. 2001. porquanto componente do projeto da LDO. No entanto. Legislativa e Judiciário a estimativas de receitas. defende que cada despesa deveria ser autorizada mediante lei específica. por analogia. assim como empenhar mais que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente (art. 4º. como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da PIS/CONFINS. Depois de apresentado os PL’s das leis do orçamento (PP.200 A lei orçamentária observa a LDO e o plano plurianual concomitantemente (art. Parte dos jurisconsultos entende que se aplicaria. o Executivo deve deixar à disposição do MP. No entanto. conferindo-lhes os mesmos efeitos. CF/88). CF/88. componente da LDO – art. ficam proibidas operações de antecipação de receita no último ano do governo. I a III. forte corrente. 166. Lei 4320/64: a lei orçamentária vigente é a aplicável. Até 30 dias antes de encaminhar o projeto de lei do orçamento anual. • Estabelecimento das medidas de compensação relativas à renúncia de receita (aumento de tributos) e às receitas obrigatórias de duração continuada. já que inexiste LC reguladora da situação. a jurisprudência tem flexibilizado os percentuais constitucionais obrigatórios em despesas com educação (art. 165. II e III. Lei 4320/64. LRF). p. Os projetos de lei da peça orçamentária são de competência exclusiva do chefe do Executivo (art. 165. veda que prefeito assuma compromissos financeiros para serem cumpridos após o término do mandato. LRF): • Demonstrativo do cumprimento do Anexo de Metas Fiscais (previsão e diagnóstico). LRF). Antes do início da votação para deliberação no colegiado. 198. capitaneada por Silva (1996). CF/88) e saúde (art. A doutrina se debate acerca de um possível projeto de orçamento rejeitado na integralidade pelo Legislativo. • Demonstrativo regionalizado sobre o impacto de receitas e despesas (art. 20). operando autêntica ultratividade (OLIVEIRA e HORVATH. A vedação foi estendida aos demais mandatários das demais esferas estatais pela LC 101/00. § 2º. 21). § 1º. como lembra Führer e Führer (2001. “caput”. • Reserva de contingência para cobrir passivo contingente de ricos eventuais e fiscais imprevistos (Anexo de Riscos Fiscais. 2003). 32. na linha do que determina o art. p. § 3º. CF/88). 5º. isto é. Lei 4320/54. naquilo que ainda não foi . § 2º.

Obs. Lei 4320/64). O poder de emenda. Refere-se à aplicação da lei orçamentária. CF/88). 31. ADIn 1. Lei 4320/64)253. 82. 166. não poderão versar sobre dotações de pessoal e seus encargos. o externo e o popular. Lei 4320/64). em regra. 82. salvo São Paulo e Rio de Janeiro (art. com a ressalva de que não mais existe o controle prévio). 102. 147). pois. “caput”.: a previsão orçamentária de auxílio ou de subvenção a certa entidade não lhe garante direito subjetivo à exigência do crédito correspondente.201 peremptoriamente decidido (art. CF/88). é amplo. mesmo dentro de projetos de lei de iniciativa exclusiva do Executivo. . 47 e 50. § 2º. Emendas aos PL’s. I a III. CONTROLE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA – compreende três aspectos (art. rel. porquanto esse não o previu expressamente. concomitante e subseqüente (art. 75. “caput” e § 1º. p. 166. 70. § 5º. Terminada a análise pela comissão. Lei 4320/64): • Legalidade – com controle “prévio”. • Cumprimento do programa de trabalho orçamentário – atribuição da controladoria interna. O Executivo remete ao Legislativo a prestação de contas no prazo constitucional ou estabelecido na Lei Orgânica municipal. o PL é levado à apreciação pelo plenário das Casas Legislativa em sessão conjunta. O constituinte usou terminologia análoga para estabelecer os parâmetros de controle do orçamento: legalidade. §§ 3º e 4º. o Executivo abre “incontinenti” os créditos às respectivas unidades orçamentárias de forma trimestral. 252 253 STF. CF/88). § 4º. CF/88252. Lei 4320/64). EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – em vigor a LO anual. como já disse o STF. podendo adequá-lo na medida de sua execução (arts. Lei 4320/64. apresentadas na comissão mista. CF/88). O segundo pode ser concomitante ou subseqüente (art. O controle prévio orçamentário foi tacitamente excluído pelo constituinte. 21-9-94. Min.050-MC. CONTABILIDADE – diz respeito a cinco tipos: • Orçamentária – preocupa-se exclusivamente com a execução do orçamento. § 6º. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. não existe TC nos Municípios. DJU de 23-4-04. Celso de Mello. Lei 4320/64). 77. dentro da leitura que o STF do art. sobre serviço da dívida e sobre transferências voluntárias a outros entes federados (art. como é o caso das leis orçamentárias. apesar de ser admissível eventual discussão em sede de responsabilidade civil do Estado – art. 2003. § 3º. devendo ser observados os limites constitucionalmente previstos na Carta Magna. Espécies de controle – existem o interno. 77. I a III. exarando-se parecer prévio do TC (art. legitimidade e economicidade (art. Câmara dos Vereadores pode submeter o documento à perícia prévia de contadores nomeados (art. sendo objeto do balanço orçamentário (art. • Fidelidade dos agentes públicos responsáveis por bens e valores do erário. j. 37. 166.

p. a qual é mais abrangente. “caput” e parágrafo único. 99. rel. salvo se lei expressamente determinar sua vinculação à ordem do Legislativo (art. ao contrário das verbas não alimentares (art. Oliveira e Horvath (2003) substituem essa previsão legal pela fiscalização operacional. porque contrariou o art. porque o constituinte nada falou sobre lapso de adimplemento. § 1º. É uma análise da execução do orçamento quanto à evolução do patrimônio público.2001. I a V. olha a entrada e a saída de dinheiro do erário. . ao respectivo chefe do Judiciário enquadrante. requisição para pagamento de débitos judiciais da Fazenda Pública (OLIVEIRA e HORVATH. não haveria qualquer termo final para apresentação do requerimento para requisição (ofício precatório). 105. Oliveira e Horvath (2003. PRECATÓRIO – as EC’s 30/00 e 37/02 alteraram a redação dos parágrafos do art. mormente quanto ao seu trâmite legal. assim como a requisição de pequeno valor (RPV). “caput”.5. não sendo propriamente uma espécie de fiscalização. 100. p. deve ser pago imediatamente e com correção. Precatório é o ofício em que o juiz de primeira instância requer. Com base em pronunciamento do STF. Min. Lei 4320/64). 110. Celso de Mello. §§ 1º a 4º. Tais documentos seguirão o padrão de confecção da própria Lei 4320/64 (art. Lei 4320/64). 60. ENTIDADES PARAESTATAIS (Administração Indireta) – terão orçamentos e balanços aprovados por decreto do chefe do Executivo. Para Oliveira e Horvath (2003. Lei 4320/64). sendo materializada pelo balanço patrimonial e pelo demonstrativo de variação patrimonial (arts. assim como o saldo patrimonial (art. 107. 100. O primeiro inclui o ativo/passivo financeiro (que independe de orçamento) e permanente (cuja mobilização ou alienação dependente de autorização legal). 104 e 105. comportando o balanço industrial (art. 161). • Industrial – engloba a atividade econômica exercida pelas entidades da Administração Indireta. é possível o exame de constitucionalidade de EC254.202 • Financeira – inclui débitos e créditos incluídos ou não no orçamento. No diapasão. CF/88. ADIn 4662-600. Lei 4320/64). 191). 103. p. CF/88). CF/88. Na RPV. • Patrimonial – traz o registro analítico de todos os bens permanentes. p. o próprio juiz da execução expede o ofício requisitório à autoridade encarregada do pagamento (OLIVEIRA e HORVATH. 164) defendem que o precatório alimentar. Lei 4320/64) e serão remetidos às contadorias centrais dos entes políticos de vinculação no prazo legal. • Contábil – é o meio instrumental para realizar a verificação das contas públicas. § 4º. 160). 2003. dando nova conformação ao sistema de pagamento de débitos judiciais da entidades públicas. Lei 4320/64). DJU 10. 2003. Em melhores termos. Com efeito. consubstanciando o balanço financeiro (art. 254 STF. trata-se de exame formal das contas públicas. o constituinte derivado exorbitou sua competência reformadora. “caput”.

p. 100. ADCT. De fato. 33. mas sim de cautelar (OLIVEIRA e HORVATH. 78. no exercício do múnus público de autêntico de fiscal da lei na ordem de pagamento. pelo não-adimplemento do décimo anual no lapso legal ou pela não-inclusão da dotação no orçamento. p. “caput”. o seqüestro fica autorizado. CF/88. 166). autoriza o seqüestro de quaisquer verbas públicas. Nos créditos sujeitos à moratória do art. sob pena de seqüestro (OLIVEIRA e HORVATH. Não sendo possível. Dessarte. além de pela inobservância na ordem de pagamento. descabendo qualquer tentativa de justificar a preterição da seqüência. qualquer preterido. o art. em primeiro plano. para pagamento de precatórios. o precatório deveria ser pago em parcela 255 STF. 192) entendem que o decurso razoável seria de trinta dias. I e II. Oliveira e Horvath (2003. ADCT. 204). porque fora da ordem de apresentação dos precatórios. No entanto. superado o interregno assinalado de oito anos sem qualquer adimplemento. p. com a receita seqüestrada. a verba deve ser buscada no patrimônio do beneficiário indevido. na linha do entendimento do Excelso Pretório. porque é norma decorrente do Poder Constituinte originário. No entanto. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. têm preferência sobre o primeiro décimo devido àqueles abarcados pelo art. No âmbito da União. conquanto não se trata de tutela satisfativa. IV. a constrição engloba qualquer quantia pública. Nesse sentido. 87. qualquer crédito alimentar continua preferindo a ambos. ADCT. No ponto. o prazo para adimplemento de RPV é de 60 dias a partir do recebimento do ofício pela Procuradoria da AGU (art. § 2º. Por fim interessante rememorar que os credores alcançados pelo art. p. 202). Ademais. Sepúlveda Pertence. Lei 10259/01). “caput”. “caput”. 649. não necessariamente o requerente da medida. não só aquela objeto da infração constitucional (OLIVEIRA e HORVATH. Oliveira e Horvath (2003. será pago o primeiro da fila. 2003.203 não havendo de se falar em qualquer interferência ou controle por parte do tribunal enquadrante. haja vista a cristalina determinação do art. 2003. não alcançando a mera inadimplência do Poder Público. rel. 2003. 193) defendem a inclusão da verba honorária sucumbencial na relação. IF 139-1/SP. Trata-se de comando absoluto. p. mesmo que à pretensa vantagem da Fazenda em obter descontos. “caput”. p. 177). ADCT. . O precatório alimentar tem definição no art. § 2º. CPC. O art. a jurisprudência entende que. com redação dada pela Lei 11382/06. Min. Oliveira e Horvath (2003. 33. p. 100. 202) e a própria inércia da jurisdição. § 1º-A. cujo rol pode ser considerado “numerus appertus”. 2003. os legisladores locais e regionais poderão estatuir decurso e montantes diferentes daqueles constantes no art. O seqüestro é autorizado quando existe preterição na ordem de pagamento. incluindo os honorários dentro dos alimentos impenhoráveis. “De lege ferenda”. reconhecem a constitucionalidade da moratória estabelecida no art. a medida pode recair sobre numerário estatal. Nesse passo. Mas ambos deverão ser pagos até o fim do exercício. pode requerer a cautelar em comento. com já disse o STF. CF/88. ADCT. reforça a tese apresentada. 17. como já disse o STF. “caput”. como já cristalizou entendimento a jurisprudência da Corte Máxima255. 78. O seqüestro não pode ser decretado “ex officio”. 100.

o TC pode adentrar ao mérito dos atos por ele fiscalizados. uma vez que o constituinte fala em controle de legitimidade da despesa – art. não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal. “caput”. Súmulas 347 do STF: “O Tribunal de Contas. 2001. ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas. 2003. A primeira se relaciona ao atendimento do interesse público. 5º. O controle leva em conta os critérios da legitimidade da receita. XXXVI. de aposentadoria. “caput” e § 3º. “caput”. legalidade e economicidade. O controle interno baseia-se na hierarquia. com prerrogativas inerentes aos congêneres do STJ (art. Controle orçamentário – está previsto. p. observância de documentação e demais formalidades normativas. Analisa as contas dos administradores públicos. pelo Poder Executivo. 2001. o princípio do pagamento dos débitos judiciais fazendários pela via do precatório. 70. CF/88). Controle externo – o TCU é órgão auxiliar do CN. acaba proferindo decisões. Dessa forma.. § 2º. a justa indenização e a própria segurança jurídica. gozando de um “status” semelhante ao Parquet em relação ao Executivo. A fiscalização poderá ser interna (pelo próprio órgão) ou externa (pelo CN. mediante o preenchimento dos requisitos do art. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. Elas podem ser reapreciadas pelo Judiciário. p. 213). 2003. XXXV. realizando o conseqüente julgamento. 71. pode haver controle privado ou popular. O controle externo é realizado durante e após a realização da despesa. 22). Ao contrário do anterior. CF/88. p. 74. 78. Um terço deles é escolhido pelo 256 Súmula 6 do STF: “A revogação ou anulação. “caput”. 2003. A terceira determina que o administrador deve realizar a despesa de forma mais otimizada em relação ao custo-benefício. concomitante e posterior. no art. com auxílio do TCU – art. pois o administrado pode denunciar irregularidades perante TC. por seu saldo restante (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88). 75. 77. 5º. 73. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88. 70. p. 73. . não há controle prévio. ressalvada a competência revisora do Judiciário”. Essa prerrogativa não alcança o Judiciário. deve ser lido à luz do ordenamento vigorante. A segunda diz respeito à previsão legal. por ser obra da competência constitucional derivada. 22). O órgão é formado por nove ministros. 196). CF/88. Além desses. não podendo ser obstada a despesa antes do início de sua realização. a isonomia. “caput”.204 única. o cumprimento do prgrama de trabalho (art. não cabendo mais a colocação da fiscalização anterior ao gasto. o direito adquirido. a disposição do art. a fidelidade funcional dos agentes da Administra. e 100. Lei 4320/64. Lei 4320/64) (FÜHRER e FÜHRER. I a IV. isto é. XXIV. “caput”. ressalvado o sistema de controle interno (FÜHRER e FÜHRER. previsto no art. viola a coisa julgada. o art. no exercício de suas atribuições. porquanto o legislador optou pela jurisdição una (art. No sistema doméstico. No ponto. ADCT. § 1º. segundo os arts. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”. apesar dessas não ter natureza jurisdicional (Súmulas 6 e 347 do STF)256. Apesar de não deter jurisdição (força definitiva de decisão). CF/88). Cumpre à autoridade superior verificar a legalidade dos atos. 184). p. “caput”. inicialmente e de forma ampla.

essa disposição encontra-se obstada por cautelar deferida pelo Supremo258. 2003.205 Presidente da República. “caput” e parágrafo único. lembrase que os TCM’s instituídos antes de 1988 permanecem em funcionamento. Súmula 653 do STF: “No Tribunal de Contas estadual. 84. e o restante. 257 . devem ser preenchidos por todos (OLIVEIRA e HORVATH. No entanto. Lei 4320/64). conselho ou tribunal de contas municipal após a promulgação da CF/88 (art. p. Na mesma cautelar. CF/88). quanto ao chefe do Executivo. o qual poderá rejeitar ou aprovar a contabilidade (art. As funções do TC estão enumeradas no art. § 4º. 73. Min. com exceção do Presidente da República. Plenário. não podendo proferir determinações à Municipalidade (OLIVEIRA e HORVATH. No âmbito municipal. Se o Presidente. quando existentes) observam a composição e formação do TCU. que irá acatá-lo ou não. Em tese. 75. destacando-se as seguintes: • Competência para julgar contas de administradores de dinheiro público. e 2/3 pela Assembléia Legislativa. o STF posiciona-se favoravelmente que TCE crie repartição específica para atuar perante determinado Município. alternadamente. CF/88. rel. 56. mas as indicações do chefe do Executivo estadual não precisam ser submetidas à sabatina do Legislativo. o prazo é de 60 dias para emissão do parecer pelo TC. 2003. Lei 4320/64). inclusive na plenitude das atribuições. I a XI. também se encontra com a eficácia suspensa. I e II. § 1º. “caput”. Ilmar Galvão. rel. 224). composto por sete conselheiros. j. 2003. Trata-se de norma central. 73. atualmente correspondendo às cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. CF/88). CF/88). 31. dois dentre auditores e membros do MP junto ao tribunal. 82. pelo CN (art. mediante lista tríplice elaborada pelo próprio TCU e com prévia aprovação pelo SF. cabe ao TC comunicar ao Presidente do Legislativo para medidas cabíveis (OLIVEIRA e HORVATH. “caput”. 71. os TCE’s limitam-se a prestar auxílio técnico às Câmaras Municipais e a analisar as contas dos prefeitos. cuja gestão será analisada pelo plenário do CN (art. Ademais. o qual determina que as contas dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) e do MP sejam apresentadas conjuntamente com o Executivo. Carlos Britto. XXIV. p/ o acórdão Min. Apesar de haver vedação à criação de órgão.2007. quatro devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual.8. LRF). sendo formado por sete conselheiros (art. ADI 2238 MC/DF. o TCU emite parecer. p. Segundo o STF. § 2º. “caput”. o TCU tem função meramente opinativa. Nota-se que o exame realizado pelo TC é técnico e administrativo. O documento será encaminhado ao Parlamento. orig. CF/88. 224). cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público e um terceiro a sua livre escolha”. O STF já disse que 1/3 dos conselheiro são escolhidos pelo Governador. 258 STF. LRF. Os TCE’s (e TCM’s. A discordância exige quorum de 2/3 do Legislativo para aprovação. podendo CE ou lei orgânica municipal dispor de forma contrária (art. Governador ou Prefeito não apresentar as contas no interregno assinalado (60 dias a partir do início da sessão legislativa. 216). § 1º. a ser obrigatoriamente reproduzida pelo constituinte decorrente (Súmula 653 do STF)257. 57. 82. no caso da União – art. p. o art. 8. Nessa última hipótese. Informativo do STF n° 475. CF/88). Os requisitos subjetivos do art.

deve prestar contas de sua atuação ao próprio Poder enquadrante (art. • Sustar atos que não observem legalidade. X. Trata-se da fiscalização propriamente dita. financeiras. só havendo de se falar em fiscalização posterior e concomitante. As decisões do TCU que impliquem em imputação de débito ou de sanção terão eficácia de título executivo (art. em um típico controle concomitante. Se o TC encontrar entraves. 217). legitimidade e economicidade. As multas implicarão em título executivo extrajudicial. 71. prescindindo-se de inscrição em dívida ativa. etc. o TC susta a execução. comunica o Poder enquadrante da UA irregular. preconizando que. § 4º. sendo certo que contratos devem ser obstados. da legitimidade e da economicidade das despesas (art. § 1º. com todos os . • Atendimento a qualquer solicitação do Legislativo. não mais existe o controle prévio de despesa. como lembram Oliveira e Horvath (2003.206 não político. Não sendo possível a convalidação. 72. mormente por intermédio de auxílios e de subvenções. comunicando o Legislativo em seguida (art. quando da responsabilidade de agentes públicos por ilegalidade ou por irregularidade. p. “caput”. • Fiscalização sobre verbas repassadas a outros entes federados e entidades públicas ou privadas. • Controle sobre atos de admissão de pessoal e de concessão de inatividade remunerada (aposentação. Para Oliveira e Horvath (2003. A Súmula Vinculante 3 do STF trata do TCU. 71. aquele que se beneficiava poderá se defender perante o órgão. CF/88). Nessa faina. Ademais. CF/88). dentro da esfera de atribuições do próprio TC. a decisão se defere a esse. “caput”. • Realizar auditorias a pedido de órgãos ou entidades públicas. em um processo administrativo em que possa haver reforma de ato administrativo. CF/88). 71. Deve assinar decurso para retificação da ilegalidade. Essas inspeções e auditorias contábeis. CF/88). As medidas impostas devem estar previstas em lei. p. quando houver solicitação pela comissão mista de orçamento e finanças no âmbito do Legislativo (art.. operacionais e patrimoniais se realizam em qualquer unidade administrativa (UA). Não é mais necessário registro anterior de ato ou de contrato para a realização do gasto público. nessa hipótese. • Aplicar sanções. diretamente pelo Legislativo ou pelo próprio Poder fiscalizado. de sorte a ratificar aqueles passíveis de revalidação. 70. CF/88). como multas. Se qualquer desses não se pronunciar a respeito em 90 dias. deve haver prática de novo ato com efeitos “ex tunc”. partir da comunicação do tribunal. orçamentárias. 71. • Emitir parecer sobre despesa constante do PL de orçamento anula. § 3º. sempre sob os auspícios da legalidade. reforma ou pensão). embargo de obras. 219). CF/88). em princípio. com respectivo registro. porque seu órgão auxiliar (art.

A cada quatro meses. segundo advogam Oliveira e Horvath (2003. e da Lei 8429/92. podem ser sanados nos três quadrimestres seguintes. • Prestação de contas e parecer prévio. o qual contém o balanço orçamentário e outros demonstrativos do período. é publicado o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREX). como lecionam Führer e Führer (2001. nessa hipótese. III. disparando os diversos sistemas de alerta e de restrição financeira previstos na LRF. • LDO. ao inquérito civil e à própria ação por improbidade administrativa. cumpre destacar o relevante papel desempenhado pelo Ministério Público. falecendo direito ao contraditório e à ampla defesa ao beneficiário. nos termos do art. 129. • Orçamentos. p. CF/88. o TC tem autorização para quebrar sigilo bancário e fiscal por força própria. das concessões de garantias. • Relatório de execução orçamentária e de gestão fiscal. Trata-se de matéria de direito e não de fato. o qual demonstrará a observância dos limites legais da dívida pública. § 4º. Dentre eles. Com efeito. Nesse contexto. . Ainda dentro do sistema de controle externo. 223). fica autorizada limitação de empenho e proibida operação de crédito. é publicado também o Relatório de Gestão Fiscal. dos gastos com pessoal.207 sucedâneos do contraditório e da ampla defesa. CF/88. das operações de crédito realizadas e eventuais medidas corretivas levadas a cabo. além das demandas penais. o Parquet é órgão que tem incumbência de velar pelo patrimônio público de modo amplo. “caput”. Se ultrapassados. 48. pois. A cada bimestre. Depois do período legal para saneamento. • Participação popular e audiências públicas. LRF: • Planos. p. especial atenção deve ser dada à ação civil pública. a existência de situação desfavorável não permite que o ente receba transferências voluntárias. o TCU se limita a aplicar à lei. Os limites da dívida pública são verificados a cada quadrimestre. Instrumentos de transparência da gestão fiscal (inclusive em meio eletrônico) – art. Esse balanço quadrimestral embasará eventuais ações de contenção de gastos. a partir do art. excetuando-se refinanciamento do principal da dívida mobiliária. desde que haja redução de 25% no primeiro deles. 22). Esse comando não se aplica quando o ato se refira à legalidade de concessão inicial de aposentadoria ou benefício. Goza de vários instrumentos extrajudiciais e meios judiciais para fazer recompor o erário e para responsabilizar aqueles que o maculam. No seu mister fiscalizatório. 37.

justamente porque presentes os requisitos de relevância e urgência (art. MUNICÍPIOS E ESTADOS – deverão encaminhar. CF/88). Créditos adicionais – são autorizações de despesas. 165.Suplementares – a previsão de despesa foi insuficiente. I e II. a MP deve ser “incontinenti” submetida ao Legislativo. Essa situação corrente não encontra guarida na Carta vigente. 51. § 3º. parágrafo único. ou seja. O crédito correspondente deve ser reforçado. derivadas ou transferidas. finalidade pública devidamente comprovada. I a III. . O Senado controla as operações de crédito. vênia legislativa específica quanto à operação a ser realizada.208 DEMONSTRATIVOS – deverá haver separação entre órgãos. previstas no art. Nesse caso. . autorizando operação de crédito externas e dispondo sobre garantias para a realização dessa última. seguindo o reexame imediato pelo Poder Legiferante correspondente (Assembléia Legislativa ou Câmara Municipal). não pode receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. atualmente são obtidos por MP. DF e Municípios. Lei 4320/64. fundos. Lei 4320/64): . podendo estabelecer limites inclusive para o montante da dívida pública consolidada e mobiliária de Estados.Extraordinários – são destinados a despesas urgentes e imprevistas. NÃO APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO OU DA GESTÃO FISCAL – ente fica passível de sanções diferentes daquelas previstas para inobservância dos limites legais. 41. comoção intestina ou calamidade pública. LRF). Créditos públicos – além das receitas originárias. como guerra. § 1º. mormente os suplementares. todos os créditos adicionais. e 53. Podem ser de três tipos (art. 52. Apresentam as seguintes características: obrigação bilateral. Apesar do exposto. previsão orçamentária. Os créditos especiais e suplementares dependem de autorização legislativa específica. 51. Os extraordinários poderão ser obtidos por meio de MP. § 5º. 49. demonstrações do exercício anterior (art. entre 30 de abril e 31 de maio. de acordo com a tríade das contas orçamentárias (art. Estados ou Municípios que eventualmente não tenham competência para elaborar MP pode autorizar créditos extraordinários por meio de decreto. 62. Os limites da dívida mobiliária da União são estabelecidos por meio de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República. Administração Indireta e previdência (art. I a III. pendendo inconstitucionalidade. De outra parte. fazendo surgir a categoria em comento. 40. . o Estado pode obter entradas por meio de endividamento. configurando operações de crédito público (captação externa de recursos). LRF). exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (arts. LRF). § 2º. O resultado do crédito público é a dívida pública e a captação de recursos. CF/88). ao menos por meio de autorização genérica.Especiais – inexiste previsão de certa despesa no orçamento. Fá-lo-á por meio de empréstimos. § 2º. “caput”.

p. p. conquanto formam-se crédito e débito co-respectivos (OLIVEIRA e HORVATH. 148. 231). em estabelecer as cláusulas. necessário afirmar que os ditames do “pacta sunt servanda” e da boa-fé objetiva estão presentes nos contratos de empréstimos públicos. porque se balizam pelo direito comum. o qual estabelece a regência para determinada situação jurídica. que estatui condicionantes para a ocorrência jurídica do fato. 238). segundo Oliveira e Horvath (2003. . Dessa forma. apesar de não vigorante no âmbito doméstico. 233). o empréstimo público seria movimento de caixa. O segundo é a celebração do contrato em si. sendo possível distinguir três correntes: É ato unilateral de um Estado – decorrente de sua soberania. 2003. É a doutrina do argentino Drago (apud OLIVEIRA e HORVATH. CF/88. CF/88). 52.209 Excluindo-se os empréstimos compulsórios. 2003. De outra feita. em autêntico ajuste consensual). O mecanismo dos empréstimos públicos. Sob o aspecto financeiro. Ademais. não propriamente a liberdade contratual (ao contratar. p. a natureza dos empréstimos públicos é motivo de celeuma na doutrina. o qual seria a efetiva ocorrência do fato à luz dos dois anteriores. a teor dos contratos privados. que têm autêntica essência tributária à luz do art. É a posição prevalente. como lembrar Oliveira e Horvath (2003. * O ato-condição é a Resolução do Senado (art. a avença celebrada. segundo Oliveira e Horvath (2003. ato de soberania do Estado. não poderia ser objeto de execução específica. 2003). É contrato privado – existem dois momentos para a consubstanciação de crédito público. 232). V a VII. sendo posição atualmente ultrapassada. a qual autoriza. o qual seria regido pelo Direito Privado. 234). 22. restringe e regula as operações de crédito. 2003. como disse Geraldo Ataliba (apud OLIVEIRA e HORVATH. seria regido pelo Direito Público. 2003. em contratar. ato-subjetivo. referente ao segundo momento. enquadrar-se-ia perfeitamente na classificação aduzida pelo mestre francês: * O ato-regra é a lei a disciplinar os empréstimos públicos (art. Léon Duguit (apud OLIVEIRA E HORVATH. 238) classificou os atos estatais em três categorias: ato-regra. limita. É contrato administrativo – dentro da mesma idéia anterior dos dois momentos de formação do empréstimo. p. inclusive com cláusulas exorbitantes previstas na lei de autorização. 234). p. O primeiro é a autorização legislativa para contraí-lo. VII. 243) defendem que as operações de antecipação de receita não são empréstimos públicos. I e II. CF/88). p. o contrato administrativo de empréstimo tem suas cláusulas elementares exprimidas pela lei autorizadora. p. o ato-condição. É a idéia da doutrina majoritária francesa e de Cretella Júnior (apud OLIVEIRA e HORVATH. isto é. impende a liberdade de contratar. o princípio da autonomia da vontade cede lugar à autonomia privada. p. Oliveira e Horvath (2003.

Não atendidos os requisitos da lei. Na via jurisdiciona internacional. inclusive das empresas públicas a eles atreladas. como o embargo comercial. os Estados e organizações internacionais credoras podem usar sanções indiretas por força própria. não sendo vinculante em relação à autoridade ou órgão que tem incumbência sancionadora. o que pode sugerir grave prejuízo à financeira. Eles podem ser usados para quitação de tributos. p. p. Não se encontra na proibição empréstimo por meio de instituição financeira estatal e ente federado. diz que o Ministro da Fazenda controlará os limites e condições para realização de operações de crédito dos entes federados. Além disso. 32. devolvendo-se o valor ao credor sem qualquer acréscimo (juros. LRF. A forma mais corriqueira de operação de crédito se dá através de emissão de títulos da dívida pública. emitindo parecer. correção. muito pelas quais as fontes do Direito Público Internacional vedam tais práticas. a ser operado pelas próprias instituições financeiras credoras. No ponto. Essa operação em particular produz uma categoria específica de dívida pública: a mobiliária. O agente não tem o poder de impor sanção pelo descumprimento do estabelecido normativamente. é permitido indicá-los como garantia em execução fiscal uma vez que tenham cotação em bolsa de valores. LRF. 35. incluindo outras pessoas públicas de Direito Público a ele vinculadas (art. as quais sempre deverão ser secundadas por renegociação do “debitum”. 30) lecionam que o legislador criou um sistema difuso de controle das operações de crédito. recebendo o Estado a contraprestação pecuniária. O art. à luz do parecer do Ministro da Fazenda. em que pese a existência da Corte Internacional de Justiça e de órgãos da ONU com atribuições correlatas. LRF). a despesa é considerada nula. geralmente os entraves são resolvidos por arbitragem. desde que haja previsão legal. como o próprio FMI e a OMC. 2003. 35. Führer e Führer (2001. De outro lado. A instituição financeira. 228) lembra que a execução específica e a recorrência a meios militares não mais têm vez para cobrar débitos de operações de crédito externas hodiernamente. Realizará essa fiscalização por meio de verificação se os patamares foram observados. direta ou indiretamente. Os títulos são colocados à venda. pretensa credora do ente público. O art. O documento tem um caráter técnico. § 1º.). No ponto. por meio de entidades a eles ligadas. visando garantir equilíbrio e harmonia no âmbito da federação. a qual é realizada a fundo perdido.210 * O ato-subjetivo é a celebração do contrato administrativo pela entidade pública. não se imiscui operação de crédito com transferência voluntária. Amílcar de Araújo (apud OLIVEIRA e HORVATH. “caput”. deverá verificar se as condicionantes legais foram observadas. taxa administrativa. veda operação de crédito entre os entes federados. etc. “caput”. Moratória e bancarrota são meios unilaterais que o Estado devedor tem para mitigar o pagamento da dívida. Essa permissão não será aplicada quando o crédito for destinado a pagamento de despesas correntes (custeio) nem a refinanciamento . Uma pessoa política não pode fazer empréstimos a outra.

CF/88). com demonstração contábil e jurídica da viabilidade na relação custo-benefício e no atendimento do interesse social e econômico. II. que o ente público ofereça receita pública futura como garantia. § 1º. salvo antecipação de receita. IV. I a IV. 35. 167. os requisitos para o recebimento de transferências voluntárias – art. 35. Para Führer e Führer (2001. § 1º. É possível. As operações de crédito dependem do atendimento dos seguintes pressupostos (art. “caput”. deverão ser observadas. Obs. § 1º. I. As garantias podem ser: • Pessoais – é o caso de aval de banco ou da União em favor de Estados ou de Municípios. CF/88). Se for prestada pela União em relação a instituições internacionais de financiamento e fomento. § 1º. III. Entre entes federados (inclusive na Administração Indireta) e entre ente e sua instituição financeira (inclusive o BACEN). 38. LRF). 35. salvo autorização do CN por maioria absoluta para inclusão em crédito suplementar ou especial para o caso específico (art. São aquelas decorrentes de repasses constitucionais e legais (art. o Outras restrições estabelecidas pelo legislador complementar. Por fim. além das condições para garantia interna. I a VI. 167. 35. LRF). 40. GARANTIA pode vir de contragarantia de transferência constitucional (consignada) pelo garantidor (art. 40. “a disposição se afigura inconstitucional no que se refere à parte das transferências cujo fim é vinculado”. 1: é vedada a realização de operação de crédito (art. § 1º. II. LRF). LRF): o Requerimento do interessado. I a II. . § 2º. nas operações de crédito. LRF (art. o Expressa autorização em LO orçamentária.211 com outra concedente (art. o Observância de limites e condições estatuídas pelo SF. III. “b”. LRF). 31). premente lembrar que dívidas contraídas anteriormente à LRF podem ser objeto de refinanciamento. 40. LRF). com autorização específica desse no caso de operação de crédito externo. salvo entre aquela e ente federado distinto (art. LRF). p. LRF). Obs. o Não superação do valor em despesa de capital. excluindo REFIS (art. 2: é proibida antecipação de receita no último ano de mandato do Executivo (art. § 3º. Maiores que as despesas de capital (art. § 1º. 32. o Contrapartida em receita prevista na LO ou em crédito adicional. LRF). 25. em crédito adicional ou lei específica.

a dívida deve ser contraída até 10 de janeiro e o adimplemento. com mais . Dos Estados nos Municípios – quando não pagou a dívida contraída por dois anos consecutivos (art. classificam-se em: o Flutuante – o pagamento é previsto para ser feito em curto prazo. Com referência ao prazo de pagamento. consoante comentário já feito anteriormente. apesar de constituir ato discricionário. Oliveira e Horvath (2003. Nesse passo. o Consolidada – não existe pagamento do principal. cotação do ouro. em tese. A correção monetária a ser aplicada nos empréstimos públicos depende da lei autorizadora e da disposição do instrumento do ajuste. Extinção do crédito público – pode se dar de quatro formas diversas: . caracteriza uma discrepância técnica. 244). Pode ser índice oficial legal. mesmo que haja vênia judicial. I. o que. No tocante à praça de pagamento (ou à localização do credor). V.212 • Reais – podem ser constituídas de diversas formas. emissão de títulos da dívida pública mobiliária. envolvendo mais de um exercício. “a”. “a”. etc. os empréstimos públicos podem ser externos (aduzidos por Estados ou por organizações internacionais) ou internos. comentando essa última hipótese. a ser demonstrada pela unidade intervinda. 167.Por conversão – há opção do credor em receber o montante com juros menores ou manter a dívida para recebimento futuro. p. A decretação da intervenção não será feita se houver motivo de força maior. vinculação de receitas de impostos de competência própria do tomador ou decorrente de transferências obrigatórias (art. o Fundada – o pagamento é feito em longo prazo. pagando-se devidamente o devido. como: hipoteca sobre bens públicos dominiais. CF/88). não concordam com a leitura feita pelo Excelso Pretório. como já disse o STF. § 4º. CF/88). Intervenção e dívida fundada – é permitida pelo não pagamento do débito nas seguintes condições: Da União nos Estado – quando esse estava pagando e suspendeu por decurso maior que dois anos (art. CF/88. Para eles. e 35. que a LRF trata de dívida fundada e consolidada como sinônimos. Nesse contexto. CF/88). menos que 12 meses. Observa-se. moeda forte estrangeira. estaduais ou municipais. 34. só incidindo sobre juros.Por resgate – o qual pode ser à vista ou por amortizações. 38. V. Classificações – quanto ao aspecto subjetivo (característica do devedor). I. os créditos públicos podem ser federais. . o mandatário não está coagido a exarar a medida. LC 101/00). 35. realizado até 10 de dezembro do mesmo exercício (art. Os motivos espelhados nos arts 34. I e II. o ato seria vinculado. ensejam decreto “ex officio” do chefe do Executivo. porquanto é prerrogativa funcional e política de seu cargo a decisão sobre a oportunidade e conveniência a efetivação. etc.

a Defensoria Pública não deveria estar incluída expressamente no art. sob pena de constituir verdadeira moratória. ocorrerá da mesma forma. qualquer credor. . 30. financeiras e administrativas. 88. a Defensoria Pública não possui autonomia financeira. Cada orçamento definirá qual modalidade de classificação a despesa incorrerá. Em âmbito federal está vinculada ao Ministério da Justiça. Distrito Federal e Municípios. em que se transforma dívida flutuante em fundada (OLIVEIRA e HORVATH. ao escolher seus representantes também entrega aos mesmos . seguindo respectivamente a Constituição Estadual. I. LC 101/00. (ii) compatíveis e (iii) irrelevantes. aduz sua pretensão no Judiciário doméstico (art.Por consolidação – trata-se. com a devida legitimidade. Não há de ser imposta pelo devedor. § 3º. tornando inexigível seu direito de crédito. . CF/88). 166. titular do poder. não fere o pacto federativo? Resposta: não. Deve ser feita efetivada por opção do credor. 249). A doutrina não cogita de nenhum ferimento. Execução do crédito público – segue o rito ordinário ou o procedimento para títulos executivos extrajudiciais. VI. LC 101/00)? Qual o valor? Resposta: os ensinamentos de Régis Fernandes de Oliveira apontam que este critério criado pela lei está inserido ao lado de dois outros: as despesas poderão ser (i) adequadas. de novação objetiva. Pergunta: por deter autonomias orçamentárias. Pergunta: a proposta constante dos arts. Lembre-se que o povo. LC 101/00? Resposta: cuidado. No ponto. “caput”.213 vantagens. 1º. em verdade. Ele transporta para um documento escrito – ‘um projeto de lei’ que precisará sofrer a aprovação do Poder Legislativo para que. não podendo ser imposta pelo tomador. Para entender essa questão é necessário lembrar que o Poder Executivo é aquele que sabe como irá gastar o dinheiro público. p. § 1º. § 3º. As aferições serão estabelecidas pelas pessoas políticas em face dos valores de despesas apontados pelas leis (orçamentárias) anteriores. subsidiariamente. Nos Estados. CF/88? Ela realmente atua? E nos Estados e Municípios? Resposta: sim. interno ou externo. apenas funcional e administrativa. CF/88. 100. CPC). a Lei Orgânica e. Pergunta: existe a comissão prevista no art. 2003. e 52. possa prevalecer. tendo em vista estar inserida na Seção “Dos Orçamentos” na Constituição Federal e ser esta Comissão aquela apta a praticar a fiscalização externa orçamentária.Por prescrição – a pretensão do credor em receber os valores é perdida em decorrência do decurso temporal. I a III. 16. Pergunta: o que é considerada despesa irrelevante (art. sem perder de visa que o pagamento se dá na forma de precatórios (art. o Texto Constitucional.

Legislativo – Senado Federal – disporá sobre limites globais e condições para operações de crédito interno e externo das pessoas políticas. § 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1º em: I . 52. Legislativo aprove. bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação. Nesse contexto. II . já que proíbe a aplicação das disponibilidades da previdência em títulos da dívida pública municipal e estadual. Para interpretar esse questionamento. 43. é possível dizer que a Lei 4320/64 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente como lei complementar? Resposta: sim. Régis Fernandes de Oliveira apontam que este parágrafo 2º foi muito bem vindo. geral e próprio dos servidores públicos. evita o risco e aplicação do dinheiro público em títulos de menor expressão e impede que os recursos sejam aplicados em ‘empréstimos de qualquer natureza.214 poderes de gerenciamento da atuação do Presidente da República. aplicável a todos os entes da Federação. esta lei foi recepcionada como lei complementar. LC 101/00. autarquias e demais ‘longa manus’”. a teor do art. 43. 249 e 250 da Constituição. deve-se levar em conta o harmonioso relacionamento entre os três poderes. Pergunta: em face do art. LC 101/00. Os ensinamentos do Prof. aos segurados e ao Poder Público. 43. § 2º. aos segurados’. § 9º. CF/88. Pergunta: as subvenções econômicas devem ser ressarcidas pelas entidades beneficiadas ou são consideradas como empréstimo a fundo perdido? . à União não gera um contra-senso? Por que os Estado e Municípios não podem e a União pode? Resposta: Texto da LC 101/2000: Art. VI da CF explicita que o “P.empréstimos. ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado.títulos da dívida pública estadual e municipal. no dizer de Celso Antonio Bandeira de Melo. ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. de qualquer natureza. I e II. Pergunta: a não aplicação da restrição do art. para que o P. o art. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. a providência. O Presidente precisará encaminhar a sua proposta de gastos. § 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social. § 2º. Essa é uma das fiscalizações orçamentárias que acontece em face do Direito Financeiro. com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira. inclusive a suas empresas controladas. 165. Assim. 164 da Constituição. I e II.

Lei 4320/64. ela deverá utilizá-lo dando cumprimento de sua finalidade. 148. O Novo Código Civil restringe a criação de fundações a apenas quatro áreas (para fins religiosos. Lei 4320/64. e segundo a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica. Lei 4320/64). incluindo também as autarquias que exercem atividade econômica (art. em balanços de empresas não econômicas ou "sem fins lucrativos". ou seja. é o lucro resultante de. Pergunta: caso exista sobra de caixa referente aos meses anteriores do exercício. o prefeito não poderia gastar mais do que o previsto no art. Régis Fernandes de Oliveira ensina que a despesa deve encontrar respaldo legal ou constitucional para ser gerada. para ser gerada. não se falando assim em devolução posterior. o legislador se refere expressamente a empresas governamentais e particulares como beneficiárias em potencial (art. é importante frisar que subvenção econômica é a alocação destinada à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas de natureza autárquica ou não. Pergunta: o art. CF/88. Lei 4320/64 deve desprezar esta menção. Poderiam aí também ser enquadradas as fundações que venham a realizar atividade econômica? Resposta: lembre-se que todas essas figuras apontadas. Pergunta: quando define subvenção econômica.215 Resposta: inicialmente. Em face da localização topográfica do art. a doutrina tem apontado uma certa dificuldade relacionada às fundações no que diz respeito à captação de recursos e eventuais autorizações para recebimento de subvenção econômica. O Ministério Público poderá. 39. por meio de sua fiscalização. o dispositivo legal em comento não teria sido recepcionado pela ordem de 1988. Assim. correto? Resposta: a CF em seu artigo 148 definiu a natureza jurídica desta exigência fiscal como tributo. culturais ou de assistência). A leitura do art. Nesse sentido. ou seja. § 3º. “caput”. são “longa manus” do Estado. 59. esta disposição não foi recepcionada pelo Texto Maior. seja como aumento patrimonial. § 1º. já que a CF foi publicada em 1988. se o orçamento estabelecer este benefício pecuniário a alguma entidade. No que diz respeito às fundações. conforme art. 39 § 2º. vinculando-as a fins não-econômicos. 12. Tal orçamento é chamado de superavitário. qualquer despesa deve. refletir um benefício ao Poder Público. elas não podem ter caráter econômico. morais. § 2º. reza que crédito decorrente de empréstimo compulsório é classificado como dívida ativa não-tributária. em um orçamento. referendando o caráter lídimo e escorreito que esta possui para o eventual recebimento de subvenções. ter mais ganhos do que gastos. assim como as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda. Essa é a razão pela qual podem receber subvenções. II. O oposto seria "déficit". Também pode ser a denominação do que corresponderia ao lucro. Lei 4320/64). exercer um importante e decisivo papel em face da fundação. configuram estruturas da Administração Pública Indireta – como ensina Celso Antonio Bandeira de Mello. 5º e incisos do Decreto 200/67. no último mês de seu mandato? Resposta: essa é uma hipótese de superávit. Nesse sentido. 18. seja como retribuição a serviços prestados ou compra de .

Pará e Paraíba. correição. irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos artigos 16 e 17 da Lei Complementar 101/00. CF/88). principalmente contidos no ADCT. 2003. 71). 25% dos impostos residuais instituídos (arts. este é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que. prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. § 2º. Caso não cumpram este perfil. “caput”. vinculada ao Ministério do Planejamento. e 159. Em âmbito federal. suas autarquias e fundações públicas (art. no âmbito do Poder Executivo. como órgão central. podendo ser denominada “relação jurídica financeira”. a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal. Repartição de Receitas Tributárias “Prima facie”. sendo criado em 25 de novembro de 1937. § 4º. No que diz respeito à Secretaria de Orçamento e Finanças. CF/88). CF/88. 157. 159. A CGU também deve exercer. CF/88). CF/88). No que diz respeito à Controladoria-Geral da União (CGU). distribuídos na forma de LO federal. II. temos a Secretaria de Orçamento Federal. 1. III. auditoria pública. § 4º. É matéria constante dos arts. essa nomenclatura está atrelada à Administração Direta dos Estados-membros. devendo o restante ser rateado pelos demais (art. serão consideradas ‘não autorizadas. 177. Foi extinto em 1971. 154. II. além de outros dispositivos esparsos.216 bens ou serviços. precípuo reavivar que a repartição (ou discriminação) de receitas tributas é relação jurídica diferente daquela erigida pelo exrecício da competência tributária (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88)259. 157 a 162. prestando a orientação normativa necessária. 29% da CIDE-combustíveis (art. 177. 159. II. 10% do IPI sobre exportações realizadas no território do beneficiário (art. como por exemplo. O Conselho Técnico de Economia e Finanças era um órgão técnico e consultivo do Ministério da Fazenda. . sendo destinados à infra-estrutura de transportes (arts. e 157. 111. Pergunta: o órgão previsto no art. CF/88). 259 O percentual destinado a um só Estado não pode ultrapassar de 20% do total. Lei 4320/64 (Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda) ainda continua existindo ou foi substituído pela Secretaria de Orçamento e Finanças? E a Controladoria-Geral da União? Resposta: não. I. sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. Receitas repassadas da União para Estados e DF– são as seguintes: IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados (e DF). I. por meio das atividades de controle interno. Orçamento e Gestão. “c”. p.

217 30% do IOF sobre ouro vindo de seu território. 161. I. 159.5. não contando o desconto na fonte já realizado pela unidade federada (art. Programas de financiamento do setor produtivo do Nordeste. CF/88). IV e parágrafo único. Fundos de Distribuição – nesse contexto. valendo as mesmas regras do repasse de ICMS. e § 1º. CF/88). CF/88). Parafiscalidade – 100% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. DJU 4. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. CF/88). 159. CF/88). . Receitas repassadas dos Estados para os Municípios 50% do IPVA sobre veículos licenciados em seu território (art.5% do IR (art. 158. § 4º. CF/88): 260 O valor adicionado é definido exclusivamente por via de LC federal (art. Min. CF/88). Norte e Centro-Oeste – 3% do IR (art. I. I. sendo (art. 25% da renda recebida da CIDE-combustíveis (art.2005. II. ADCT). I. II. j. I. de acordo com a lei estadual (tratando-se de Estado) ou federal (tratando-se de Território). 159. suas autarquias e fundações públicas (art. 153. segundo já se pronunciou o STF (RE 253906/MG. 3.3. § 5º. 159. CF/88). I. 82. “c”. 158. CF/88). considerado como base de cálculo para o repasse constitucional em tela. quando houver delegação de capacidade ativa (arts.2004. no mínimo. I.Até ¼. segundo o seguinte comando: Regra geral – 50% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. Receitas repassadas da União para os Municípios o IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Municípios. 4. e § 1º. § 4º. CF/88). desde que exista LO federal regulamentando (art. Informativo do STF n° 467). 25% do ICMS.2. ADI 3262/MT. 157.2005. 2. rel. DJU 2. 153. 159. ADI 2728/AM. “a”. não contando o desconto na fonte já realizado pela pessoa em questão (art. § 5º.2007. Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE) – 21. DJU 18. CF/88). Nordeste e Centro-Oeste. 25% da rende recebida do IPI sobre importações (art. § 1º. I. o 70% do IOF sobre ouro vindo de seu território. não considera eventual acréscimo de 2% destinado a Fundo de Combate à Pobreza do Estado ou do DF (art. .5% do IR (art. 158. Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – 21. CF/88). o ITR. “b”. ADI 1423/SP. sobre o valor adicionado260 nas operações realizadas em seu território. 93.2. podem ser destacados os fundos de participação e os programas de fomento e desenvolvimento das regiões Norte. e 158. 153. III. . O montante do ICMS. Joaquim Barbosa.3/4. III. § 3º. CF/88). 158. CF/88). quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. 16. ADCT).

parágrafo único. FPE e FPM (art. nas quais é possível que a União e os Estados condicionem a repartição de receitas (art. III. enquanto o legislador complementar for inerte.. CF/88). A União. parágrafo único. “caput”. permanecendo aqueles estatuídos no art. I. a ser revisada a cada lustro (art. ADCT. fundo ou despesa. . § 5º. 160. 159. 76. entre 2003 e 2007. 77. etc. e 158. o Recursos não-tributários recebidos. CF/88). 76. Repasse e fiscalização – em regra. nos termos de LO federal. 153. DF e Municípios (arts. incluindo das autarquias. o TCU é responsável por calcular os valores de repasses do FPE e do FPM (art. ADCT. ADCT): Base de cálculo de: IOF sobre ouro. I e II. o DF e os Municípios deverão publicar mensalmente. IR arrecadado por Estados. 198. o Valores tributários repassados e recebidos. CF/88): o Total da arrecadação tributária. “c”. é vedada restrição ou retenção de verbas destinadas a repasses constitucionais (art. 25% da receita tributária da União não está vinculada a qualquer órgão. decorrente de repasse. considerado como ativo financeiro (art. CF/88). 161. Contudo. CF/88). § 5º. CF/88). §§ 1º e 2º. como ADAM. um relatório com os seguintes dados (art. os Estados. O repasse de verbas dos Estados e Municípios é disciplinado pela LC 63/90 (art. ADENE.218 De acordo com o plano regional de desenvolvimento (previsão em plano plurianual). até o último dia do mês subseqüente. CF/88): • Ao pagamento de seus créditos. CF/88). “caput”. 157. I. 161. 212. O semi-árido nordestino receberá 50% do total destinado à região NE. 160. Essa regra não abrange os seguintes repasses (art. CF/88). Desvinculação de receitas da União (DRU) – de acordo com o art. 6. “caput”. II. § 2º. cujos percentuais mínimos devem ser fixados por LC. Programas de financiamento do setor produtivo do Norte. podem ser apontadas duas exceções. Arrecadação e destinação do salário-educação (art. 5. 159. 162. No tocante à fiscalização. CF/88). “a” e “b”. o Expressão numérica dos critérios de rateio. CF/88). 161. Nordeste e Centro-Oeste (art. I. O FPE e o FPM são regulados pela LC 62/89 (art. Fomento de instituições financeiras de caráter regional. I. • À aplicação dos recursos mínimos na saúde. II e III. CF/88).

83. 206. e §§ 3º e 4º. § 1º. 153. “caput”. IV.08%. DF e Municípios – art. Nordeste e Centro-Oeste. Advindas de operações de crédito. definidos nos termos de LO federal (art. 80. Percentual dos Estado. Outras. CF/88). Fundo da Educação Básica (FUNDEB) – de acordo com a EC 53/06 (arts. e 60. 72. Percentuais mínimos destinados à educação (18% para União e 25% para Estados. decorrente do IOF sobre ouro como ativo financeiro (art.219 7. Fundo Social de Emergência – presta-se a fazer frente a imprevistos sociais. 159. o Parcela do IR e do IOF decorrente do Plano Real. definidas na LC 111/01. DF. II. ADCT). ADCT): o Parcela do IR na fonte sobre rendimentos pagos pela União. 239. Provenientes de dotações orçamentárias específicas. parágrafo único. 9. I a III. § 5º. 8. repasse da CIDE-combustíveis (art. CF/88. dos 0. ADCT: As três situações anteriores. repasse de IPI sobre exportações. CF/88). 167.38% da CPMF. 158. 80. “caput”. É formado pelas seguintes receitas (art.75% sobre o PIS/PASEP. ADCT): 1º) Não-vinculação de impostos (art. ADCT): 0. VII. Territórios e Municípios. É formado pelas seguintes receitas (art. § 5º. “caput”. sendo regulado pela LC 111/01. CF/88). Obs. 80.: os recursos do citado fundo não se sujeitam a duas regras tributário-financeiras (art. o 0. incluindo suas autarquias e fundações. Produto do ITR. o Outras receitas previstas em lei específica. o 20% do total das receitas de impostos e contribuições sociais da União. CF/88). 72. ADCT). CF/88). atualmente em 30%. Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – tem previsão no art. o Parcela da CSLL. Repasse do ITR aos Municípios (art. . 212. I a VI. 2º) Formação do FPE e do FPM. CF/88). 5% do IPI sobre produtos supérfluos. financiamento de programas a setores produtivos do Norte. 23. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT – Lei 7998/90). o qual financia o seguro-desemprego e o abono salarial anual decorrente do PIS/PASEP (art. excluindo-se as hipóteses do art. I a VI. ADCT. I a III. 211.

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