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Caderno de Direito Tributário e Financeiro

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  • Princípio da Legalidade Tributária
  • Princípio da Irretroatividade Tributária18
  • Princípio da Não-cumulatividade
  • Imunidades Tributárias30
  • Responsabilidade Tributária
  • Lançamento
  • Exclusão do Crédito Tributário
  • Garantias do Crédito Tributário
  • LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
  • Repartição de Receitas Tributárias

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ANOTAÇÕES DE TRIBUTÁRIO E FINANCEIRO

Princípio da Legalidade Tributária Princípio da Anterioridade Tributária Princípio da Isonomia Tributária Princípio da Capacidade contributiva Princípio da Irretroatividade Tributária Princípio da Uniformidade Geográfica Princípio do Não Confisco Princípio da Não Limitação ao Tráfego Princípio da Não-cumulatividade Imunidades Tributárias Sistema Tributário Nacional Conceito de Tributo Classificação dos Tributos Competência Fontes do Direito Tributário Interpretação e Integração Obrigação Tributária Responsabilidade Tributária Lançamento Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Prescrição e Decadência Exclusão do Crédito Tributário Garantias do Crédito Tributário Administração Tributária Impostos em Espécie Importação e Exportação IPI

03 06 09 11 14 17 18 19 19 20 29 32 40 43 50 53 56 63 75 78 88 99 102 104 111 112 117

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IOF IR ICMS ITCMD IPVA IPTU e ITBI ISSQN Execução Fiscal, Ação cautelar fiscal, Arrolamento Direito Financeiro Receitas públicas LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) Lei do Orçamento (Lei 4320/64) Repartição de Receitas Tributárias

123 125 132 150 152 154 158 159 178 179 182 189 216

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DIREITO TRIBUTÁRIO Introdução O estudo do Direito Tributário deve ater-se, principalmente, à CF/88 (arts. 145 a 162), à EC 42/03 e ao CTN (mormente a partir do art. 96, com as alterações até a LC 118/05). A CF/88, em matéria tributária, pode ser sistematizada em três partes: princípios, imunidades e tributos. As duas primeiras constituem as chamadas limitações ao poder de tributar. Princípio da Legalidade Tributária Está no art. 150, I, CF/88, c.c. art. 97, I e II, do CTN. A lei, como regra, deve impor a tributação. As pessoas jurídicas de Direito Público (União, Estados, DF e Municípios), dotadas de poder de tributar, só poderão criar ou majorar tributos por lei. Isto decorre da colocação de Pontes de Miranda, pela qual é “o povo tributando a si mesmo”, por intermédio do Poder Legislativo. Essa máxima advém diretamente da titularidade do poder, da soberania pelo povo (art. 1º, parágrafo único, CF/88), a ser representado, na democracia semidireta, por meio dos seus delegados – vereadores, deputados e senadores. Nesse passo, a lei como um produto dessa vontade, é a única idônea a materializar o poder de tributar. Como se verá na análise do desiderato da reserva legal, em regra, a norma instituidora da exação será a lei ordinária. Ademais, a jurisprudência é pacífica em considerar que iniciativa de lei tributária é concorrente entre todos os legitimados. Ao contrário de diplomas orçamentários, de iniciativa exclusiva do Executivo, os tributários podem ser oferecidos também pelo Legislativo, como já disse o STF1. Reserva Legal, também chamada de tipicidade fechada, cerrada ou regrada, ou de estrita legalidade constitui uma relação taxativa pela qual a lei “stricto sensu” institui o tributo, assim como aquela que tipifica crimes e comina penas (arts. 5º, XXXIX, CF/88, e 1º, CP). Com efeito, há certas matérias que a Constituição determina que só podem ser viabilizadas por lei em sentido estrito. Esse tratamento mais rigoroso corresponde exatamente ao ditame em análise, qual o seja da reserva de lei. Dessa feita, a lei que institui o tributo deve estabelecer, obrigatoriamente, os seguintes elementos (art. 97, III a VII, CTN): alíquota, base de cálculo, sujeito passivo, multa e fato gerador. Já o prazo para pagamento pode ser estipulado por norma infralegal (decreto), conquanto não previsto no rol “numerus clausus” dos incisos do art. 97, CTN2. Para Cassone (2004, p. 169), de regra, somente a lei ordinária é apta a instituir tributo, pois “a Constituição fixa a regra-matriz de incidência, e a Lei

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STF, ADIn 3809/ES, rel. Min. Eros Grau, j. 14.6.2007, citando precedentes no mesmo sentido: ADIn 3205/MS (DJU de 17.11.2006); ADIn 2659/SC (DJU de 6.2.2004); ADIn 2548/PR (DJU de 15.6.2007); ADIn 3312/MT (DJU de 23.3.2007) – Informativo do STF n° 471. 2 Esta é a posição pacificada na doutrina, escudada pelo STF.

Complementar estabelece normas gerais” . Entretanto, o autor admite, em sede de exceção, a criação de exação por LC ou por EC. Nesse raciocínio também estabeleceu o constituinte, vez que União pode instituir, por lei complementar4, outros quatro tributos: 1.Impostos sobre grandes fortunas (art. 153, VII, CF/88)5. 2.Empréstimos compulsórios (art. 148, “caput”, CF/88). 3.Impostos residuais (art. 154, I, CF/88) – diversos daqueles já instituídos pelo constituinte. Na criação da nova exação, a União deverá observar, além da forma específica da LC, a inexistência de “bis in idem” de base de cálculo e de fato gerador e o princípio da não-cumulativa. Os outros entes federados não detém essa competência residual para instituir novos tributos. 4.Contribuições previdenciárias residuais (art. 195, § 4º, CF/88) – além daquelas já expressamente antevistas pelo legislador constitucional. Nenhuma dessas quatro exações pode nascer por medida provisória (art. 62, § 1º, III, CF/88). Exceções à legalidade (art. 153, § 1º, CF/88) – há quatro impostos federais que refugam à estrita legalidade, prevista no art. 97, I a VII, CF/88, encontrando-se expressamente ressalvados pelo constituinte: 1. Importação; 2. Exportação; 3. IPI; 4. IOF. São tributos que regulam o mercado e a economia, chamados de extrafiscais. Na batuta do Direito Econômico, com fulcro na doutrina de Grau (1975), a extrafiscalidade é autêntica manifestação de intervenção estatal econômica, na modalidade indireta por indução. A extrafiscalidade tem a função de fomentar ou de desencorajar condutas por parte dos agentes econômicos. Além da fiscalidade (função arrecadatória), os impostos mencionados possuem a extrafiscalidade (capacidade regulatória do mercado)6. O Poder Executivo pode
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Como adequadamente explana Vittorio Cassone, Direito Tributário: fundamentos constitucionais da tributação, classificação dos tributos, interpretação da legislação tributária, doutrina, prática e jurisprudência, atualizado até a EC nº 42, de 19-12-2003, 16ª ed., São Paulo, Atlas, 2004, p. 36, a LC em matéria tributária é o CTN. Inicialmente nascido sob a alcunha de LO, subiu de “status” pelo Ato Complementar 36/67, disposição essa atinente e posterior à própria Carta de 1967. Posteriormente, a opção do legislador foi referendada pela chancela do Excelso Pretório, do qual o autor destaca o RE 93850 de 1982, da lavra do Min. Moreira Alves. Por fim, o constituinte de 1988 recepcionou o diploma também como LC, mantendo a posição anterior (art. 146, CF/88). 4 Trata-se da chamada reserva constitucional de lei complementar, tantas vezes invocada pelo constituinte e lembrada pela doutrina de Direito Constitucional. Exige quorum privilegiado para a aprovação, correspondente à maioria absoluta da Casa Legislativa (art. 69, CF/88), diferentemente da LO. 5 Consoante será exposto em passagem abaixo, há posição na doutrina, liderada por Roque Antônio Carrazza, Curso de Direito Constitucional Tributário, 2ª ed., São Paulo, Revista dos Tribunais, 1991, que defende a não submissão do imposto sobre fortunas à reserva constitucional de lei complementar. 6 Como lembra Maximilianus Cláudio Américo Führer e Maximiliano Roberto Ernesto Führer, Resumo de Direito Tributário, 8ª ed., São Paulo, Malheiros, 2001, p. 17, a palavra fisco vem do latim “fiscus”, que designa cesta de junco ou vime, a qual era usada para amassar uvas ou para guardar dinheiro. “Conta-se que os agentes romanos passavam entre os negociantes a cesta de

Obs. Ex. § 4º. § 4º. à luz de convênios assinados pelos secretários de Fazenda (no âmbito do CONFAZ – art. porque traz os elementos do tributo sujeitos à reserva legal (base de cálculo. O art. MP pode aumentar ou diminuir tributos no Brasil (art. § 1º. de exceção à legalidade está esculpida no art. autorizados por LC. 62. 8 A única hipótese genuína. instituída pela Lei 10168/01 (SABBAG. Neste caso. C/88). § 4º. 155. III. CF/88). Segundo a CF/88. Nota-se que o legislador constituinte restringiu o fenômeno a impostos. A contribuição em comento não pode ser confundida pela CIDE-remessas para o exterior. o que confronta com o art. IV. O princípio da legalidade está esculpido no art. na leitura do Excelso Pretório. o Presidente da República pode autorizar outra autoridade pública a estabelecer os mencionados percentuais tributários. Ex. I. Todavia.5 aumentar ou diminuir a alíquota por decreto. sem problemas. 7 Originalmente. 97. podendo depois alterá-la como lhe aprouver. como Ministros de Estado ou Superintendentes de órgãos ou entidades públicas encarregadas da capacidade tributária ativa. No sentido figurado. enquanto essa visa imediatismo de eficácia (relevância e urgência). não ficando sujeita à ratificação ou reapreciação pelas Assembléias Legislativas.: não pode surgir empréstimo compulsório por meio de MP. CF/88. porque o ato definido pelo convênio. não nascendo por via de lei. CF/88). p. . Dessa feita. tal restrição a “impostos” não desfruta de endosso na interpretação do STF. minudencia o dispositivo constitucional. onde a LO puder dispor. § 2º. Isso não ocorre nas demais espécies normativas previstas como exceções à legalidade. 155. CF/88. 62. 2004. sujeitos passivo e ativo e fato imponível). É o que configura o tipo tributário ou tipicidade vime para que depositassem ali a participação (forçada) de César.: com a EC 32/01. CTN8. sob o aspecto técnico. IV. as alíquotas são alteradas por ato do Poder Executivo da União. a qual instituiu a PIS-Importação e a COFINS-Importação. alíquota. ICMS-combustível (art. 84). que são contribuições. Esse. A corte entende viável a MP em outras espécies de tributos. fiscus tomou o significado de Fazenda Pública”. 155. Por meio de delegação. tem o condão “per se” de estabelecer a alíquota do ICMS. § 2º. 97. ainda em matéria tributária e a despeito da disposição literal do art. CTN. estipulará originalmente a alíquota. com firma dos representantes de cada Estado-membro (por meio dos Secretários de Fazenda. I. 177. Essa sim deve observar a legalidade em todos seus parâmetros. “c”. aumento de ITR por MP. 150. as alíquotas são disciplinadas por ato do Poder Executivo estadual7. “b”. CF/88) – como se trata de tributo estadual. a MP é medida idônea para criar e aumentar impostos. CF/88). A EC 33/01 trouxe mais duas exceções: CIDE-combustíveis – é a contribuição de intervenção no domínio econômico (art. Ex. importante destacar que.: pode haver. a MP também o será. porque há uma exceção à legalidade. IV. a alíquota do ICMS-combustível é estabelecida pelo Executivo estadual. com delegação dada pelo Governador). Aquela trata de matérias delicadas.: MP 164/04. No diapasão. a MP não irá incidir (art. onde LC versar. prevendo o constituinte que a majoração e a modificação do tributo deve ser feito por meio de lei. CF/88. § 5º. sendo tributo federal. 62.

§ 1º. III). 7º. em princípio. 97. limita o uso da MP em algumas matérias.971 e 193. para conferir tempo ao sujeito passivo para o pagamento (art. O art. não está sujeita à legalidade estrita (art. Ex. “caput”. § 7º. III. 62. Tem prazo de vigência de 60 dias. Princípio da Anterioridade Tributária O Princípio da Anterioridade consubstancia uma “vacatio legis” especial para a vigência de lei tributária que modifique ou crie exação. só pode ser feita por meio de lei (art. é possível afirmar que a há importante sinônimo para o postulado: eficácia diferida. mediante prévio requerimento desse (art. De regra. Todo componente tributário que não estiver no rol do art.: mudança no prazo de pagamento não se sujeita à legalidade restrita9. mas seu § 2º expressamente autoriza. as limitações da LD estão no art. CF/88). é inevitável a aplicação da anterioridade tributária. Ex. ausentando-se a disciplina tributária. Quando essa mudança importar em mera atualização monetária. CF/88). § 1º.: revisão do valor venal de imóveis de acordo com o mercado para cobrança de IPTU ou de ITR. há dois instrumentos legislativos que têm força de LO: a MP e a LD. Com a postergação da exigência. CTN). Inexoravelmente. Entretanto. a MP pode ser convertida em LO por decisão do CN (art. 9 STF. No mesmo sentido. na LD. inclusive para contribuições. A MP é espécie normativa de competência exclusiva do Presidente da República. 97. desde que observadas suas próprias balizas. indo de 1º de janeiro a 31 de dezembro de cada ano. . 2004). RE’s 182. 62. A alteração da base de cálculo. § 2º. Tanto o princípio da anterioridade (preconizado pela Constituição) quanto a segurança jurídica – tantas vezes invocada pela doutrina – trazem à baila a proibição da tributação surpresa (SABBAG. podendo ser prorrogada por igual período uma única vez (art. 150. a criação ou majoração de exações.531. CF/88. XI. o CN dá autorização ao Presidente da República para legislar sobre determinado assunto. Ambas podem criar ou majorar tributos. Os detentores do poder de tributar só podem exigir tributo no exercício financeiro posterior àquele em que foi publicada a lei instituidora. CTN. § 1º. 97. Exercício financeiro corresponde ao ano fiscal ou civil. § 1º. Ao final do interregno total.6 cerrada. 62. e “c”. 68. CTN). CF/88) e a indenização devida por acordo em plano de demissão voluntária (PDV) são tributadas pelo imposto de renda? Resposta: a indenização paga em detrimento de PDV não é tributada por IR (Súmula 215 do STJ). 68. “b”. essa assertiva não é absoluta. CF/88. CF/88). Todavia. Ao revés. a lei que altera o tributo é ordinária. não se sujeita obrigatoriamente ao regime da legalidade estrita. Pergunta: a participação nos lucros e resultados (art. porque pode não implicar necessariamente em majoração do tributo correspondente.

“b”. Inspirado no limite dado pela noventalidade. passou a ter eficácia a partir de 2004. Antes da EC 42/03. pela qual a exigência do tributo só era possível se sua receita correspondente estivesse previsto na lei orçamentária (Súmula 66 do STF)10. CF/88). parte final. nonagesimal ou noventalidade). . 195. IV. § 4º. CF/88). Todos os aumentos ou criações de tributos nos meses de janeiro a setembro ensejarão exigência em 1º de janeiro do ano seguinte. “c”. só havia a anterioridade anual. enquanto os demais se deferem à extrafiscalidade (regulação do mercado e da economia). os quais poderão ser exigidos no dia seguinte à sua instituição. IR. as demais correspondem também às ressalvas da legalidade. I. cuja dicção sinaliza a necessária previsão do tributo na lei orçamentária. “in fine”. III. tendo também o cunho extrafiscal. § 1º. sendo os dois últimos instituídos em situações de emergência. 150. II. IOF. Nota-se que a exigência do princípio da anterioridade é outra: publicação prévia da lei.7 O tema em comento não pode ser confundido com o princípio da anualidade. § 1º. 10 Súmula 66 do STF: “É legítima a cobrança do tributo que houver sido aumentado após o orçamento. § 1º. “c”. a EC 42/03 trouxe à baila a obediência a um novo período de anterioridade de 90 dias. § 6º. CF/88). 150. “c”. Como foi instituto acrescido por emenda de 2003. CF/88) e Empréstimo Compulsório especial (art. IE. Exceções à anterioridade nonagesimal (art. parte inicial. Foi extraída de construção constitucional sobre as contribuições sociais (art. Exceções à anterioridade anual (art. CF/88. III. CF/88): II. IEG (art. o constituinte derivado incluiu-o concomitantemente à anterioridade anual. 155. pela EC 42/03. Caso haja a situação nos meses de outubro a dezembro. o sistema constitucional tributário não hospeda a anualidade. entre a lei e a exigência do gravame. acrescidos pela EC 33/01. pela qual a lei que criasse ou majorasse tributos só poderia entrar em vigor a partir do primeiro dia do ano seguinte ao de sua publicação. Empréstimo Compulsório espcial. Alterações na base de cálculo do IPTU e do IPVA. devendo o tributo observar ambas as regras. Essas são as exações que podem ter sua alíquota alterada por ato do Executivo (art. 150. 148. 153. § 4º. mas antes do início do respectivo exercício financeiro”. CF/88. Com exceção dos mencionados tributos inerentes a situações calamitosas (IEG e empréstimo compulsório especial). prevista no art. cujo objetivo foi melhorar a segurança jurídica deferida ao contribuinte. IEG. 150. IPI. De fato. a exigência poderá ser em data posterior a 1º de janeiro do ano seguinte. CF/88). Assim. 154. ICMS e CIDE combustíveis (arts. É a chamada anterioridade qualificada (privilegiada. IOF. IE. A produção de efeitos da nova lei tributária fica postergada até que sejam perfeitos os 90 dias de sua publicação. e 177. de guerra ou de calamidade pública. Foi a inclusão do art. I. CF/88): II.

A isenção. é perfeitamente compreensível a intenção do constituinte. Já o IR e as alterações da base de cálculo do IPVA e do IPTU. ao contrário. pois não se encontram no rol das exceções. § 2º. essa paralisação da subsunção do fato gerador se encontra no plano fático. a exação era assim exigida “ex vi” da MP vigente. para ser transformada em lei. porque o art. No entanto. 62. Todavia. 167). Em melhores termos. o IPI que for majorado não poderá ser cobrado no dia seguinte. Eles compreendem idênticas exações em relação às ressalvas à anterioridade anual. durante o mencionado lapso.8 No tocante ao II. as outras espécies tributárias (mormente contribuições). se refere expressamente a impostos. Resposta: deverse-á o imposto no ano seguinte ao da conversão da MP em lei. a anterioridade se aplica de igual maneira: é contada a partir da conversão da MP em lei. visto que. § 2º. a CIDE-combustível e o ICMS-combustível também respeitam a anterioridade nonagesimal. Princípio da anterioridade e a MP – segundo o art. Já a imunidade é uma espécie de isenção qualificada pelo constituinte. . p. CF/88. a matéria ainda não está pacificada pelo STF. com exceção daquelas trazidas pela EC 33/01 – CIDE-combustível e ICMS-combustível – e da exclusão do IPI. faz menção literal a imposto. a partir da conversão da MP em lei. só que ele não faz parte da lista de exceções aos 90 dias (anterioridade nonagesimal). A partir de 2004. Assim como o IPI. é possível dizer que se trata de regra de não-incidência. IE. é incompreensível a razão de torná-los imunes à noventalidade. 62. quanto ao IR e às alterações da base de cálculo do IPTU e do IPVA. IEG e empréstimo compulsório especial. IOF. perpetuando um condenável expediente. uma vez majorados em 31 de dezembro. o qual impede. seja essa ordinária ou qualificada. CF/88. lei que venha a revogar isenção não precisa observar a anterioridade. prorrogável por igual período. O art. terão termo inicial na sua publicação. No ponto. A partir de 2004. Portanto. em caso de MP que majore taxa. não no legislativoabstrato. não deverá ter aplicação o dispositivo. como aventa Nogueira (1999. CF/88. No tocante às taxas. impondo-lhe uma intributabilidade no plano normativo. A MP tem 60 dias de vigência. Todavia. Obs. vindo também a constituir hipótese de incidência. Caso não haja a conversão em lei. Dessa forma. § 2º. argüise quando se deve pagar o imposto criado ou majorado por MP. Já a alíquota zero opera o mesmo reflexo suspensivo atinente à isenção.: como o STF interpreta o instituto da isenção como regra de incidência (e não de não-incidência). é possível entender que deve haver também a contagem dos 90 dias. dada a extrafiscalidade na essência desses tributos. poderão ser exigidos em 1º do janeiro do ano seguinte. ou seja. já no Texto Maior. 62. o IPI é exceção da anterioridade anual. só 90 dias depois. que o legislador infraconstitucional inclua tal hipótese no campo da incidência do gravame. é uma situação em que o legislador obstou abstratamente o fato gerador. o pagamento do tributo majorado não implica em direito à restituição. de modo a ensejar a exigência do tributo em meados de março do ano seguinte.

p. Princípio da Isonomia Tributária Está previsto no art. 76). não coadunando com o sistema de bases correntes. O que persiste é mera prorrogação. “caput”. ou seja. como se fosse um “filme em andamento”. CF/88). aplica-se a lei vigente no exercício financeiro em que deve ser apresentada a declaração”. II. como disse Oliveira e Horvath (2003. justamente porque se encontra presente sob diferentes ângulos no Documento Maior. 150. a alíquota aplicada é aquela vigente por ocasião da entrega da declaração. Min. O legislador constituinte de 88 fez menção à ISONOMIA em diversos dispositivos da Carta: preâmbulo. 150. “b”. III. CF/88. O STF se pronunciou no sentido de que não se aplica o princípio da noventalidade. Mas o que seria modificar a contribuição previdenciária? Seria alterar o prazo de pagamento? Segundo o STF. tendo natureza de direito adquirido para o Excelso Pretório. No caso. Segundo o STF. a isonomia específica (tributária) decorre da isonomia genérica (“todos são iguais perante a lei” – art.9 Contribuição previdenciária e anterioridade – aplica-se a anterioridade nonagesimal às contribuições sociais. art. 12 11 . a contribuição para seguridade social pode ser exigida em 90 dias a partir da edição da MP que instituiu a exação ou que a alterou. porque reduzida em relação às demais exações (art. a isenção deve observar a anterioridade anual. I. CF/88). 3º. De fato. Súmula 584 do STF: “Ao Imposto de Renda calculado sobre os rendimentos do ano-base. devendo observar a anterioridade nonagesimal. Em suas sucessivas prorrogações. 5º. A regra não alcança a disposição do art. Por seu postulado (art. segundo Sacha Calmon Navarro Coelho. 195. nonagentídio. A CPMF foi criada por meio da EC 12/96. Em contrário senso. CF/88). 104. “caput”. Ellen Gracie. não estando abrangida pela contingência dos 90 dias. CTN. Anterioridade e revogação de isenções – a isenção é uma dispensa legal do pagamento do tributo (obrigação principal). porque não se trata de instituição ou modificação de tributo11. Anterioridade e IR – pelo fato do STF acolher a Teoria Retrospectiva (Súmula 584 do STF)12. CF/88). noventalidade. etc. 195. § 6º. A doutrina chama a isonomia de “superprincípio”. como já disse o Supremo. também conhecida como noventena. a mudança no prazo de exigência da contribuição social não representa alteração substancial que venha a ensejar a aplicação dos 90 dias do art. nas palavras de Aliomar Baleeiro. todos que realizam o fato gerador devem arcar com o ônus da STF. III. 150. II. 5º. tratando-se de imposto sobre renda ou patrimônio. art. 150. A anterioridade em tela é chamada mitigada. período de eficácia mitigada ou de anterioridade especial (art. Isenção concedida com prazo certo e sob condição específica é considerada irrevogável durante seu curso. parte inicial. § 6º. esse comando não foi exprimido (EC 37/02). rel. se houver isenção revogada sem prazo certo e condição específica (isenção incondicionada). a revogação não observa a anterioridade. II. 2666/DF. IV. a isenção deverá se pautar pela anterioridade tributária. CF/88. arts.

Se o contribuinte realizar a conduta nela prevista. I a III. haverá duas conseqüências distintas: responsabilidade penal em face da conduta criminalmente ilícita e incidência da tributação sobre a renda14. O monarca respondeu-lhe com uma simples expressão: tributo “non olet”. tentando-se onerar igualmente os iguais e desigualmente os dessemelhantes. mas a essência da hipótese de incidência não. independentemente da forma como foi efetivada. o qual visa angariar divisas para o aparelho estatal. incidirá a tributação. A lei tributária não pode atribuir tratamento desigual a contribuintes que se encontrem na mesma situação. a palavra do soberano latino. permaneceu. Do comportamento do traficante. CTN). além. I. 118. 13 Na Roma antiga. 14 STJ. Assim. o traficante de entorpecentes. O princípio em tela. menosprezando os aspectos extrínsecos ao fato imponível. porque o legislador conferiu responsabilidade tributária aos seus pais (art. respalda-se na “interpretação objetiva do fato gerador” ou na utilização do ditame do “non olet”. Esta idéia redundou no tratamento objetivo do fato gerador. CTN). da regularidade da constituição de pessoa jurídica ou de acharse a pessoa sujeita a restrições de ordem civil. independentemente de qual fato esteja se referindo ou da pessoa que o realizou. Ademais. I. Como resquício da passagem histórica. Esta cláusula permite. Note os exemplos: a. destarte. 126. Um menor pode ser contribuinte. quando aufere renda. Na realidade. HC 7444. da incapacidade civil (arts. Tito.: isenção de IPI para taxistas. é evidente a predileção do legislador pelo critério objetivo que marca o princípio. o imperador Vespasiano resolveu tributar o uso dos sanitários públicos. CF/88 (universalidade do IR).STF: afastar o princípio em razão de extrafiscalidade. há maior possibilidade de realização da justiça fiscal. o César quis dizer que a exação deve ser tratada sob um aspecto objetivo. Ademais. A hipótese de incidência para a lei tributária é auferir renda. mas não terá a obrigação de recolher a exação (pagamento). empresarial. 153. Não se pode confundir o poder de punir do Estado – decorrente do sistema penal – com o poder de tributar. Seu filho.10 tributação. Ex. A fundamentação legal reside no art. É o posicionamento também do STF. fica patente que a capacidade tributária passiva é plena e independe da capacidade civil das pessoas naturais. Há possibilidade de “ressalvas” a este postulado. como se nota. deve IR ao fisco. CTN. De igual forma. administrativa ou profissional. § 2º. CTN. poderiam excluir a responsabilidade tributária. 118 e 126. realizando o fato gerador. cerne da isonomia tributária. no art. Por exemplo. em que são invocados o princípio da isonomia (tratamento igual àqueles que auferiram renda) e a teoria da interpretação econômica do fato gerador (concretizada a hipótese de incidência. incide a tributação). desde que previstas explícita ou implicitamente na CF. caracterizou a cisão entre o direito de punir estatal – direcionado àqueles que urinassem nos logradouros públicos – e o poder de tributar – o uso dos banheiros públicos. I. contestou o pai sobre a atitude. uma vez que as características subjetivas atreladas ao contribuinte são desimportantes. no caso em tela. ainda que não possa administrar seu patrimônio. 134. do art. à primeira vista. a partir da perspectiva da hipótese de incidência realizada. independentemente da ilicitude da atividade. que se tributem quaisquer pessoas. ou de outros fatores que. para a posteridade. porque o fato gerador não pode assim o ser. A causa do fato gerador pode ser ilegal. que significa “não cheira”13. É fácil perceber que o legislador pretendeu onerar o contribuinte. . Isso não quer dizer que o tributo recairá sobre condutas ilícitas ou imorais.

11 b. 145. segundo a capacidade econômica. Os desiguais serão diferentemente tratados. em princípio. De fato. como é o caso do IPI e do ICMS. de sorte a colimar a igualdade entre aquelas e essas. 146. a técnica de variação de alíquotas. consubstanciados pela LC 123/06. no entanto. I. No entanto. ao asseverarem que “o princípio da capacidade contributiva não se aplica a tributos com finalidade extrafiscal. § 1º. com tal sistemática (tributos regressivos). a capacidade tributária só cabe aos impostos. 206. na medida do possível. segundo o autor. 2004. esta é a terminologia empregada pelo constituinte. 145. O próprio constituinte assim disse nos arts. Entretanto. É possível estudá-lo como subprincípio da isonomia. § 1º. Note o teor do comando: “sempre que possível. buscando a justiça fiscal. a tributação. Como fora mencionado. o art. mas um instituto deste decorrente. Não é o entendimento da maioria da doutrina. CF/88. confere à segunda fulcro nos arts. que. CF/88: afastar o princípio da isonomia em razão da tributação federal diferenciada para empresas localizadas em áreas com desequilíbrio socioeconômico. porque não há situação equivalente para com empresas de maior monta. diferencia capacidade econômica e contributiva. Do contrário. Atribui o fundamento da primeira no art. A jurisprudência e a doutrina interpretam este preâmbulo da ordem tributária de forma a adequar a exação ao seu conteúdo. em uma razão não proporcional à base de cálculo. O tratamento diferenciado das ME`s e EPP`s não gera ofensa à isonomia. configura correlato da isonomia tributária.: Zona Franca de Manaus (futuro Pólo Industrial da Amazônia Brasileira. têm sua constitucionalidade controlada pelo princípio 15 Cassone. Ao revés.. 145. justificando o comando do art. devendo ser compreendida como “sempre que o tributo comportar tal variabilidade das alíquotas”. § 1º. 201) afirma que “em se tratando de aplicação extrafiscal de imposto. É o que preceitua Tipke e Yamashita (apud CASSONE. 2004. CF/88. trata-se de realização material do princípio em relevo. 145. Moreira Alves (apud CASSONE. Portanto. Há alguns tipos tributários que não comportam tal possibilidade. CF/88 preconiza a possibilidade de onerar mais gravosamente aqueles que detêm maior riqueza tributável. CF/88. ressaltando que se trata capacidade para contribuir para a Seguridade Social. § 1º. p. há outros que não se coadunam. tal qual explanado na matéria. não está em jogo a capacidade contributiva que só é levada em conta com relação a impostos pessoais com finalidade fiscal”. cit. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica de cada um”. Em tese. Ex. “d”. CF/88. Desta feita. CF/88. Não há dúvida que existem tributos aos quais se pode aplicar a técnica de variação de alíquotas. III. Análise do postulado da capacidade contributiva ou capacidade econômica15 Está previsto no art. p. 212). p. Aliás. 151. A técnica de estabelecimento de alíquotas fiscais diferenciadas (progressividade) é uma outra forma de efetivar a justiça fiscal. note que a expressão. o IR se adequa perfeitamente à preceituação do legislador. op. . e 146-A. “in fine”. “sempre que possível” é limitadora. Frise-se que tal postulado não é propriamente o princípio da isonomia. de acordo com o PEC 59/04). recebe o nome de “PROGRESSIVIDADE de alíquotas”.Art. 194 e 195.

I. progressivo em razão do tipo e da utilização do veículo. § 4º. e no IPVA. 2. A primeira representa aptidão de um sujeito em receber rendimentos e incrementar o patrimônio próprio. menor a alíquota – regressividade). . o que não importa em dizer que ele. CF/88. orientando-se pelo princípio da capacidade contributiva. A progressividade do ITR é extrafiscal. com a redação da EC 42/03). tendo em conta seu uso (residencial. § 1º. No âmbito da CF/88. valor e localização. universalidade e progressividade. A capacidade contributiva pode ser realizada segundo diferentes técnicas. mormente a taxas (STF). § 4º. a progressividade fiscal é observada no IR. seria a graduação dos impostos segundo a potencialidade de riqueza demonstrada pelo sujeito passivo na relação tributária. I CF/88) – o comando indica três critérios informadores do IR: generalidade. não há necessária relação entre o aumento de alíquota e de base de cálculo.ITR* (art. é um tributo extrafiscal. não se relacionando com a capacidade contributiva. CF/88). Na segunda. 153. Tem por objetivo primeiro a arrecadação. No âmbito tributário. em face do tempo de subutilização do imóvel (realização da função social da propriedade mediante alíquotas progressivas). o qual é necessariamente progressivo (art. há julgados que o estendem a outros tributos. 3. 153.IR (art. Dentre as exações mencionadas. uma vez que não visa ao intuito exclusivamente arrecadatório. Note as explicações abaixo: ITR – as alíquotas progressivas deverão desestimular a manutenção de propriedades improdutivas. tal qual se aduz literalmente da vontade do legislador. II. I. Fica caracterizado o “plus” para contribuir para o Estado.IPTU* (art. com redação conferida pela EC 29/00). no IPTU. Já progressividade extrafiscal pode ser vislumbrada no IPTU. cujas alíquotas oscilarão devido à produtividade do imóvel (quanto maior a produtividade. A segunda é uma espécie da primeira. 156. é possível destacar três impostos com previsão explícita de progressividade na CF/88: 1. comercial ou industrial). em si. § 2º.12 da proporcionalidade”. Progressividade fiscal e extrafiscal – a primeira corresponde ao aumento da alíquota diante da majoração da base de cálculo. *Não perca de vista que a progressividade de tais impostos (IPTU e ITR) é EXTRAFISCAL. e no ITR. segundo a qual o sujeito tem capacidade econômica em um nível tal que o torna sujeito à tributação. pois o nível de renda assim permite. 184. exprimida pelo art. Progressividade de alíquotas – é o instrumento mais utilizado. Capacidade econômica e contributiva não são conceitos coincidentes. 153. Objetiva realizar um princípio constitucional. CF/88. CF/88. § 2º. segundo a essencialidade estabelecida no seu regulamento. destacando-se duas: Por dedução de despesas essenciais – é o caso daquelas tidas no IR. Contudo.

o constituinte derivado alterou o dispositivo. o constituinte previu uma situação de redistribuição de terras para a habitação e a geração de riqueza. CF/88)16. a progressividade deste impostos visava somente o cumprimento da função social da propriedade (art. valor e uso do bem imóvel. . contrariando a doutrina e a jurisprudência majoritárias. XXIII. Art. ANTES O IPTU era progressivo em razão de um critério: a função social da propriedade (art. Percebendo tal entrave. II. até que o STF se pronuncie. a despeito de colocações inconstitucionais. Lei 10252/01. de haveria aumento do tributo no correr 2000 Progressividade fiscal e extrafiscal. 156. a progressividade fiscal teve sua constitucionalidade fortemente contestada. CF/88) e o município com menos de 20 mil não é obrigado a promulgar tal lei (art. § 4º. Com o fito de aumentar a tributação dos municípios. Progressividade extrafiscal. 39 a 41 e 3º a 8º (art. promulgado por meio de lei municipal. Nesse passo. § 1º e 182. 5º. CF/88 (princípio da capacidade contributiva) passou a abranger o IPTU. CF/88). Essa possibilidade só pode ser efetivada mediante prévio plano diretor. § 4º. § 1º. CF/88). O crescimento geométrico da população sugere um gargalo de moradia insuportável a médio e longo prazo. 16 Como o plano diretor é aquele que define a função social da propriedade (art. 182. e 182. Observação: após a EC 29/00. denotando claramente extrafiscalidade. O escopo é evitar a desapropriação da propriedade. CF/88). Foram somados à função social da propriedade. § 4º. XX. Arts. do tempo. I e II. Com base nesta premissa. em seus arts. em razão dos critérios novos anunciados. § 2º. 145. 182. II. “caput”. não se pode assegurar que tal princípio está afeto apenas a impostos pessoais. DEPOIS Três novos critérios de progressividade: localização. § 1º. § 1º. um imposto real (não pessoal). essa pequena localidade não poderá utilizar o IPTU progressivo por desrespeito à mencionada função. CF/88. 182. CF/88).13 IPTU – inicialmente. CF/88. 5º. A questão se liga ao direito de moradia. forçando o senhor a adequar seu domínio à sua função social. é possível entender que o art. elevado constitucionalmente a direito fundamental (art. 21. Uma dos meios de efetivar tal política é a tributação extrafiscal pelo IPTU e ITR. Progressividade no tempo – EC conforme se mantivesse o 29 descumprimento da função social. Assim. II. seria permitida a tributação maior de um terreno em relação a uma casa (art. XXIII. CF/88). 6º. 156. Desta forma. o IPTU ganhou feições de imposto pessoal.

CF/88 preconiza a irretroatividade genérica. antes da Emenda Constitucional 29/2000. Art. Nesse passo. CF/88. emanando efeitos à confecção do princípio tributário ora estudado. Lei (anterior) Fato Gerador (posterior) É perceptível que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais se referem. 5º. 106. à semelhança das exceções aos demais princípios? Não. não inovando na ordem posta. 18 O princípio da irretroatividade tributária não pode ser confundido ou imiscuído com o ditame da anterioridade. A doutrina critica tal comando – interpretação “autêntica” –. Evidentes. É possível em qualquer caso. em nome da segurança jurídica. 17 . deve-se inquirir: há exceções a ele previstas na CF.14 porque transforma a exação de real (STF) em pessoal. É vital ao estudioso que conceba a irretroatividade como postulado da segurança jurídica. Tal comando anuncia que a lei tributária deverá abranger fatos geradores posteriores à sua edição. CTN. o que leva alguns doutrinadores a crer na sua inconstitucionalidade (ausência de recepção). 145. pois as exceções estão previstas no art. atingindo a capacidade contributiva (art. a lei interpretativa é aquela que retira os pontos obscuros da norma interpretada. Tal comando veda a progressividade do IPTU antes da emenda. A lei interpretativa se limita a aclarar pontos obscuros. Súmula 668 do STF: “É inconstitucional a lei municipal que tenha estabelecido. sob pena de constituir mera norma nova. pois. A lei atual poderá retroagir/retroceder/retrotrair. XXXVI. Na verdade. alíquotas progressivas para o IPTU. sob o argumento de que haveria extrapolação de função do Legislativo. pois a interpretação caberia ao Judiciário. É certo que ambos caminham lado a lado. 150. § 1º. O cuidado que se deve ter é a separação e a hierarquia de poderes. a anterioridade adstringe-se à vigência da lei. 106. Nesse sentido. CTN (2 incisos): I – LEI INTERPRETATIVA – condição para a retroação: nenhuma. de modo a minar a segurança jurídica. pois o Legislativo pode estar afastando a função jurisdicional do Judiciário. No entanto. Não perca de vista que o art. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana”. III. CF/88). faz-se premente afirmar que nem mesmo um é sucedâneo do outro. “a”. pois protegem bens jurídicos distintos dentro da ordem constitucional tributária. salvo se destinada a assegurar o cumprimento da função social da propriedade (Súmula 668 do STF)17. sem criar situação jurídica paradoxal. A lei interpretativa poderá ter eficácia retrospectiva. há de se perceber que cada qual refere-se a fenômenos jurídicos distintos: enquanto a irretroatividade diz respeito à eficácia da norma. Princípio da Irretroatividade Tributária18 Está previsto no art. seriam as lesões à segurança jurídica e à separação de poderes. I e II. sob pena de retroação da norma – anomalia que se pretende coibir.

CTN. Sabbag (2004. defende o lançamento como mero procedimento administrativo. O comando legislativo pretendeu atingir fatos geradores até então protocolizados. 21 Nogueira (1999. j. em mera decisão administrativa na esfera recursal. sugerir uma retroação da lei. de natureza declaratória. Condição detalhada: a aplicação retroativa da lei mais benéfica ocorrerá se o ato não estiver definitivamente julgado. devendo limitar-se a dispor sobre suavizações da letra normativa (eqüidade. A retroação. 85) defende que a lei interpretativa não pode causar gravames ao contribuinte (criar ou aumentar exações.. desde que mais benéfica ao sujeito passivo da relação jurídico-tributária. “c”. Entretanto. à luz do Direito Tributário Penal20 – condição: desde que o ato não esteja definitivamente julgado. Observação (análise do art. tem por objeto a penalidade mais branda ao contribuinte como fato de retroação da norma tributária. 3º. estabelecer penalidades ou ônus). só terá vigor a partir do diploma. em face do princípio da irretroatividade da norma tributária. remissão. mas sim em irretroatividade da lei. já pacificadas. poderá alcançar as sanções tributárias. não abrangendo redução de alíquotas nem de base de cálculo. I. desde que o termo final não extrapole o lustro posterior à vigência da LC 118/0519. corrobora com o princípio da irretroatividade. falando alguns em caráter peremptório jurisdicional (coisa julgada “stricto sensu”) e outros. Quanto à definição de julgamento definitivo. no entanto. conferiu efeito “ex nunc” ao diploma. não fazem nascer direito à restituição em retroação futura. 106. II. mesmo que a lei então vigente à época esteja atualmente revogada (ultratividade). A LC 118/05. sendo certo que o princípio “tempus regit actum” tem vez também no campo tributário. 144. indicavam o prazo de 10 anos. o STJ considerou o art. A jurisprudência e a doutrina. 144. rel. pretendeu constituir norma tributária interpretativa do art. O art. se já tiver ocorrido o trânsito em julgado da demanda. não se aplicando a fatos anteriores. o lançamento apresenta efeito “ex tunc”. dizendo que o prazo para a repetição de indébito tributário é de cinco anos. CTN. penalidades já adimplidas. 19/6/2007. filiando-se à doutrina germânica-suiça. José Delgado.15 Nogueira (1999. Observe que a definição do tributo se aplica ao tempo de ocorrência do fato gerador. Por recente decisão de sua Corte Especial. A retroação da lei mais benigna só ocorrerá quanto a sanções tributárias. apesar de. II – LEI MAIS BENÉFICA.). Desta feita. Min. são líquidas as opiniões. em seu art. Informativo do STJ n° 324. “caput”. não se falará em retroatividade. 223 a 226). de fato. 20 19 . etc. na aparência. não como mera interpretação. asseverando que somente ela é a corte apta a realizar a interpretação da norma federal. Deste modo. CTN. Em dissonância com o legislador. anistia. porquanto a lei aplicada no lançamento deve ser aquela STJ. 3º da LC 118/05 como lei inovadora. retroação benéfica da multa tributária ou “retroatio in mellius”. erigido pela LC 118/05.116-SP. p. fazendo aplicar a lei tributária à época da ocorrência do fato gerador. Esses estarão acobertados pelo decênio prescricional para a repetição de indébito. com crédito tributário extinto. constituindo sua guardiã. Assim. 1ª T. o STJ afirmou que o prazo prescricional de cinco anos. 33 e 34) denomina o fenômeno de princípio da benignidade. Só será aplicada a lei mais benigna se houver pendência de julgamento. REsp 943. p. 168. p. CTN)21: o art.

à semelhança de um “filme em exibição”. mas sim aspectos procedimentais quanto ao ato de lançamento. Com efeito. mas à estrutura formal do lançamento. como disse Sacha Calmon Navarro Coêlho. na esteira da doutrina então majoritária . há menção à lei que. segundo o qual se aplicará ao lançamento a lei que ampliar as garantias do crédito tributário. 106. à luz de um sistema de bases correntes. 144. “a”. Não altera substancialmente o fato gerador e a obrigação dele decorrente. CTN. trata-se de lei adjetiva ou formal. “caput”. não excepciona o princípio mencionado. Observe. e não formal. Do mesmo modo. ou que aprimorar os métodos de apuração do importe devido. “respeitando-se” o princípio da irretroatividade. até que o movimento. já comentada) entendiam o fato gerador do IR no contexto estritamente temporal. III. “per se”. Nesse contexto. ampliando as garantias do crédito. porque a lei. que o art. que a doutrina mudou o pensar. § 1º. O dado curioso está no fato de que a atividade legislativa que marcou os anos que sucederam a CF/88 pautou-se na obediência à Teoria do Fato Gerador Complexivo. referida no dispositivo. adstrita a aspectos rituais de fiscalização. no transcorrer do ano-base (anobase=f1+f2+f3+. uma lei majoradora do IR em 31/12. Assim. destarte. De fato. ratifica a regra constante do art. CTN. esta se encontra somente no art. CTN..16 vigente no momento do fato gerador. é de natureza formal. afastando o enfoque econômico. § 1º. É fácil perceber. ressalvados casos isolados de pensamento diverso.+fn). Não se trata de exceção ao ditame. CF/88. atribuiria responsabilidade a terceiros. 150. Paulo de Barros Carvalho e Cassone (2004). o art. o que a reveste de caráter de norma material. principalmente em congressos e seminários jurídicos. como Machado (1993). adotando majoritariamente a Teoria do Fato Gerador Complessivo para o IR. Por conseguinte. Ives Gandra da Silva Martins e outros) já passaram a apregoar o posicionamento do fato complessivo. perquire-se qual o alcance do art. 144. o que lhe daria o rótulo de lei material –. Por meio de tal análise. tal norma não se refere propriamente ao cerne do liame obrigacional à luz do fato gerador. Tal fenômeno era conhecido como retroatividade imprópria ou como aplicação da Teoria da Retrospectiva. § 1º. 144. A partir de meados da década de 80.. Importante: há ressalva na parte final do art. CTN. CTN. indicando que a lei deve preceder os fatos geradores aos quais ela se refere. por exemplo. que aumentar os poderes de investigação. a doutrina e a jurisprudência (Súmula 584 do STF. alguns doutrinadores (Luciano Amaro. o fato gerador tinha marco temporal preciso – último segundo do último dia do ano. I e II. portanto. Note que se trata de estrutura dualista para o IR: um ano-base de auferimento de renda e um ano seguinte de entrega de declaração e recolhimento do imposto. Não obstante o posicionamento citado. indicando a necessidade de aplicação da “regra” – lei contemporânea do fato gerador. vez que. como já fora dito. 144. “antecederia” o fato gerador. o fato gerador do IR seria a soma algébrica de fatos ou disponibilidades econômicas. isto é. Dica final (o IR e o princípio da irretroatividade): até a década de 80. Nesse passo. aos poucos a doutrina passou a refletir sobre a necessidade de ver o fato gerador do IR na perspectiva econômica. de fundo alemão. nas palavras de Aliomar Baleeiro. chegasse ao seu fim.

151. em letra original. No diapasão. A Lei 9113/96. Esta. Arnaldo Esteves Lima. Lei 9113/96. Baleeiro (apud NOGUEIRA. Para Nogueira (1999). I. conforme se nota na parte final do art. I. proibia o uso de informações dela decorrentes para fiscalização de outras exações. III. Princípio da Uniformidade Geográfica (art. esculpido no art. Essa disposição se devia ao art. LC 105/01. LC 105/01. § 3º. garantido pelo diploma mais hodierno. devendo prever as mesmas alíquotas em toda a extensão territorial. "em conseqüência dessa uniformidade.17 (Lei 9430/96. 150. reais. É princípio afeto tãosomente à União. Por fim. promovida pela União. Lei 4595/64. as discriminações dos tributos limitar-se-ão a critérios pessoais. 92 do ADCT. ao princípio em tela. mas nunca de lugar". diga-se que. 11. de sorte a permitir que dados sobre CPMF servissem à fiscalização de outros tributos. Compete à União instituir o tributo UNIFORME no Brasil. não seria possível retroação a fatos ocorridos sob a égide do art. Para este renomado autor. 1º. Quanto a esse poder fiscal amplo. “ex vi” do seu art.. . 151. etc. a corte já fixou entendimento no sentido da natureza processual do art. incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio socioeconômico entre as diferentes regiões do país”. I. rel. A Lei 105/01 alterou a redação do art. 1999) afirma que. a qual determinava que só o Poder Judiciário poderia quebrar sigilo bancário de pessoa. CF/88: “. o que incluía dados bancários. § 1º. 144. entre os membros da Federação – é um consectário do princípio da uniformidade geográfica. j. § 1º. Lei 8383/91. I. 23/8/2007. ou de valor. No entanto. CF/88) Trata-se de comando previsto em artigo distinto daquele que abarca quase toda a base principiológica na CF/88 – o seu art. CF/88). à tributação federal. em total dissonância com a doutrina majoritária. § 3º. o qual alterou o alcance do art. Exemplo: Zona Franca de Manaus (observação: os benefícios fiscais foram prorrogados de 2013 para 2023. CF/88 – a qual veda a “guerra fiscal”.. com redação dada pela EC 42/03). § 4º. o princípio em pauta presta-se à preservação da unidade territorial do 22 STJ. HC 31. Ademais. CTN. do pacto federativo (art. adequando-a às colocações da LC 10174/01. Min. no superado contexto da “teoria da retrospectiva” – apresenta-se hábil e vigorosa para aquela corte. § 3º. 151. a Súmula 584 do STF (já comentada) – editada na década de 80. Esse entendimento era vigorante à época por leitura jurisprudencial. tal postulado vem ao encontro da isonomia e. Lei 9311/96. Há exceção. conforme se depreende do art. Assim. 11. Informativo do STJ n° 328. CF/88. § 3º. que instituiu a CPMF. entende hábil a teoria do fato gerador complessivo. o art. § 3º.). não havendo de se falar em ilicitude da prova obtida anteriormente à vigência do referido diploma complementar22. tem aplicação retroativa. entretanto. 11. para fins penais. isto é. 152. a regra do art. 38. porque a ampliação dos poderes da Administração Tributária encontra fundamento no art. No entanto. 11. como se expendeu. previu a possibilidade de investigação ampla pela autoridade fiscal. surpreendentemente. é claro. essa retroatividade é permitida.448-SC. segundo jurisprudência pacífica do STJ. em tese. 60. 5º. Lei 9113/96.

CF/88). o STF já se manifestou positivamente. sob pena de macular o art. p. Joaquim Barbosa. Min. que não leva em conta suas capacidades contributivas”. 152. a União pode dar tratamento fiscal diferente para áreas com menos desenvoltura financeira.18 mercado nacional. IV. CF/88) Nas palavras de Nogueira (1999. 5º. Não é mácula à isonomia. o Supremo declarou a disposição inconstitucional. Com efeito. pode ele ser entendido como tributação exacerbada. confisco é “a absorção. Na mesma esteira. A União. Joaquim Barbosa. Em recente decisão quanto à redução de base de cálculo sobre operações com café torrado e moído oriundo do Rio de Janeiro. Carrazza (1991) diz que “é confiscatório o tributo que. Informativo do STF n° 478. esgota (ou tem a potencialidade de esgotar) a riqueza tributável das pessoas. j. Min. por meio de seus tributos federais. Plenário. segundo a razoabilidade e a proporcionalidade. XXII. só influenciando na esfera privada de forma reflexa. isto é. Nesta esteira. a jurisprudência STF. CF/88. 150.9. 152 e 155.11. ADI 1247 MC/PA. DJU 8. deixando ao arbítrio do aplicador do direito sua configuração.2003. XII. Destarte.2007. levando em conta uma hermenêutica sistemática do setor tributário (entendimento do STF). RMS 17949/ES. sendo exprimido no art. Informativo do STF n° 480. Dessa feita. p.5. 126).: não é possível IPI menor para automotores no RS em detrimento dos demais Estados. com o fito de “promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre as diferentes regiões do País”. excessiva. Gilmar Mendes. j. É ditame aplicado diretamente aos entes da federação. especialmente quando se trata de norma estadual referente a ICMS. O princípio da uniformidade geográfica é decorrente da isonomia.2001. CF/88 (Convênio CONFAZ 128/94)24. I. sua consubstanciação depende da análise “in casu”. 155. mas sim no caso concreto. “g”. Em princípio. As exações federais deverão ser uniformes em todo território nacional. CF/88.9. Informativo do STF n° 478. 6. rel. 24 STF. Princípio do Não Confisco (art. DJU de 7.2007.9.68. 38) preconiza que a caracterização do confisco é ônus do contribuinte. ADI 2021 MC/SP. como qualquer parcela que exceda à medida fixada legalmente”. rel. j. mas sim tentativa de equiparação regional. DJU de 27.2007. da totalidade do valor da situação ou do bem tributado. porquanto ele deve suscitá-lo na esfera jurisdicional. 19. assentando o entendimento no direito de propriedade (art. Min. por assim dizer. pelo tributo. porquanto fere o comando dos arts. 23 . § 2º. XII. Em outros termos. CF/8823.9. Sabbag (2004. eventuais benefícios fiscais relativos à exação citada devem estar de acordo com deliberações de convênio celebrado entre todos os Estados. ADI 3936 MC/PR. desde que se justifique pela situação concreta apresentada. “g”.95. ADI 2377 MC/MG. O STF corrobora com o enunciado do art. ADI 3673/RJ. rel. 6. O próprio comando em comento foi excepcionado pelo próprio constituinte. 151. o legislador não definiu estritamente o termo. De fato. DJU 25. ADI 3389/RJ. não poderá estabelecer discriminação tributária entre as demais pessoas políticas. Ex. De fato. § 2º. a definição de confisco não é dada por colocação abstrata.9. é um desiderato aplicado tão-só a tributos. Observação: quanto à possibilidade de existência de confisco em multa.

particularmente no direito individual à liberdade de locomoção (art. II. A não-cumulatividade não erige uma regra uniforme para todas as exações. CF/88. Cada tributo terá sua regência própria. 40). II. 153. CF/88). O STF definiu a extensão da não-cumulatividade do IPI. um débito. . nos termos do estipulado pelo constituinte ou pelo legislador infraconstitucional. a não-cumulatividade se estende ao IPI (art. Ex. A expressão “imposto cobrado” faz entender que o constituinte quis permitir a compensação somente na existência de operação anterior. I. CF/88). a incisão de tributo para o embarque em ônibus interestaduais ou intermunicipais não comporta ferimento ao ditame do art. § 4º. às contribuições sociais residuais federais (art. vez que o fato gerador é outro. De igual maneira. 155. LV e LXVIII. sendo somado ao tributo incorporado (tributo indireto com repercussão econômica por transferência ao próximo da cadeia). O imposto será pago mensalmente. com fulcro em entendimento do STF e conforme mencionado. A exigência de comprovação de recolhimento de ICMS nos postos fiscais em fronteiras interestaduais. receita e importação (art. Além desses casos. II. a cada saída. desde que a desoneração do consumo seja atingida. 153.19 majoritária. p. Princípio da Não-cumulatividade É técnica de redução de carga tributária sobre o consumo. “a” e “b”. CF/88). § 3º. V.: não cumulatividade de PIS e COFINS (Lei 10833/03). CF/88): a cada entrada. Em termos genéricos. em que multa de 300% por não emissão de nota fiscal foi considerada confiscatória. em que pese não haver expressa previsão nesse sentido no art. A cobrança de exação para o ingresso em instância turística não configura ranhura ao princípio da não-restrição à circulação. A base de cálculo é o valor da operação. § 2º. 153.: mercadoria de R$ 100. compensando-se a diferença entre créditos e débitos. a intermunicipalidade ou a binterestadualidade. 150. CF/88). desonerando a cadeia produtiva. 5º. para a conservação das rodovias. ao ICMS (art. Dessa forma. Princípio da Não Limitação ao Tráfego de Pessoas e Coisas (art. com alíquota de 4%. ao contrário do ICMS (art. como fato gerador. com necessária contraprestação. Esse 25 26 STF. 195. no veio do deslocamento de pessoas e bens (SABBAG. § 12. V. CF/88). II. de natureza diversa. vinculando o direito a crédito à tributação da operação anterior. 155. sendo vendida por R$ 104. CF/88). § 3º. ADIn 2010/DF-MC. 2004. a doutrina indica outros. CF/88) A base axiológica deste ditame – erigido em nível constitucional – encontra tutela na própria Carta de 1988. porquanto se trata de taxa. 154. § 2º. CF/88) e às contribuições sociais da União que incidam sobre faturamento. O autor ainda indica duas atenuações26: A instituição de pedágio. 150. CF/88. aos impostos residuais da União (art. não pode haver exação que erija. A não cumulatividade do IPI segue uma norma (art. diz esse princípio é extensível às multas25. 195. há um crédito. § 3º. Ex.

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entendimento do Supremo foi alterado, porque, desde 1995, o plenário dava ganho de causa aos contribuintes. Dessa feita, isenção, não-incidência, imunidade e alíquota zero na operação anterior não dão direito à compensação de crédito em IPI, consoante reiterada e hodierna jurisprudência do STF27. Como o IPI é imposto de repercussão econômica (transferência ao próximo da cadeia), a restituição de montante recolhido a mais é dada nos termos do art. 166, CTN. O comando condiciona a restituição a:
• Prova de que arcou com o ônus do tributo, não o repassando ao próximo

elo da corrente; ou
• Apresentação de autorização do próximo na cadeia a receber a

restituição em seu lugar, no caso de ter havido o repasse, visto que esse é o contribuinte de fato do IPI e aquele, de direito. O STJ, apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. 166, CTN, admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda, mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes28. O Supremo referenda o comando do art. 166, CTN, por meio de suas Súmulas 71 e 54629. Imunidades Tributárias30 As imunidades tributárias indicam limitações constitucionais ao poder de tributar, a par dos princípios anteriormente estudados. Trata-se de dispensas constitucionais de tributos, isto é, normas de intributabilidade que gravitam em torno da “não-incidência” tributária. Nos termos de Nogueira (1999, p. 167), “a imunidade é, assim, uma forma de não-incidência pela supressão da competência impositiva para tributar certos fatos, situações ou pessoas, por disposição constitucional”. Com efeito, a imunidade é uma delimitação negativa da competência tributária, segundo a melhor doutrina. Como é sabido, a competência tributária traduz-se no poder de instituição do tributo, conferido às entidades impositoras. Note que estas, ao mesmo tempo em que se valem do poder de criar, devem se afastar diante do campo imunizante estabelecido e demarcado pelo legislador. Assim, a norma imunizadora coexiste com a norma de imposição, ambas previstas na CF/88.

STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 28 STJ, 2ª T., REsp 962.909-BA, rel. Min. Castro Meira, j. 20/9/2007, Informativo do STJ n° 332. 29 Súmula 71 do STF: “Embora pago indevidamente, não cabe restituição de tributo indireto”. Súmula 546 do STF: “Cabe a restituição do tributo pago indevidamente, quando reconhecido por decisão, que o contribuinte de jure não recuperou do contribuinte de facto o quantum respectivo”. 30 Além dos pontos tratados na matéria, Cassone, op. cit., p. 255 e 256, indica alguns outros a serem discutidos quanto às imunidades: deve se lhes aplicar interpretação extensiva, em acordo com a finalidade da imunidade e com a razoabilidade; é possível a regulamentação da imunidade por lei infraconstitucional; as obrigações acessórias não são atingidas pela imunidade (art. 194, parágrafo único, CTN).

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É importante frisar que as principais imunidades referem-se a impostos (art. 150, VI, CF/88). Entretanto, há exemplos pertinentes que indicam imunidades para tributos diversos de impostos. Note: a.Art. 195, § 7º, CF/8831 – contribuição previdenciária (entidades beneficentes de assistência social). Observação: a expressão “são isentas de...” indica impropriedade terminológica para o STF, que vê no dispositivo nítido exemplo de imunidade. b.Art. 149, § 2º, I, CF/88 (EC 33/01) – CIDE’s e contribuições previdenciárias (receitas decorrentes de exportação). c. Art. 184, § 5º, CF/88 – impostos de todas as pessoas jurídicas (operações de transferência de imóveis desapropriados para a reforma agrária). Nesse sentido, o art. 18, “caput”, LC 76/93, isentou tais fatos também de taxas judiciais e emolumentos cartoriais. d.Taxas para certidões, para protocolização de certas ações coletivas, etc. Vamos, agora, às principais imunidades previstas no art. 150, VI, CF/88: Há quatro alíneas (DECORAR). São casos de não-incidência de impostos, o que permite concluir pela normal incidência dos demais tributos (taxas, contribuições de melhoria, etc.). 1.Alínea “a” (IMUNIDADE RECÍPROCA) – União, Estados, Municípios e DF não poderão cobrar impostos uns dos outros. − Elemento teleológico – quis o legislador proteger os entes tributantes contra a reciprocidade na tributação de impostos. Com efeito, o imposto é tributo unilateral, indicando um poder de sujeição daquele que tributa com relação àquele que é tributado. Neste passo, a provável incidência colocaria em risco o pacto federativo – o próprio elemento teleológico da imunidade em exame. − Atenção – a alínea “a” apresenta menção a rol classificatório oriundo do CTN (arts. 19 a 73) – “impostos sobre patrimônio, renda ou serviços”. Segundo a literalidade do comando, não deverá haver a incidência de IPTU, de IPVA, de IR, de ITR e de ISS, por exemplo. A questão é problemática: e os impostos não pertencentes ao rol mencionado, tais como II, ICMS, IPI e o IOF? Para o STF e renomados tributaristas32, a imunidade deve abranger quaisquer espécies de impostos, independentemente da limitação classificatória ora guerreada. Exemplos: Não-incidência de IOF nas operações financeiras desencadeadas pelos Municípios (STF).
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O dispositivo exigiu lei regulamentadora para surtir reflexos, cujo prazo para publicação não foi definido. O STF, no MI 232-1/RJ, rel. Min. Moreira Alves, ajuizado pelo Centro de Cultura, inovou seu entendimento. Adotando uma posição concretista moderada, fixou prazo para que o legislador se manifestasse acerca da omissão legislativa, findo o qual a própria corte asseguraria o direito subjetivo em comento – no caso, imunidade de contribuições sociais para entidades beneficentes de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88). 32 Regina Helena Costa, por exemplo, em “Imunidades Tributárias”, editado pela Malheiros.

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Não-incidência de II nas operações de importação de um Estado qualquer. − Análise do art. 150, § 2º, CF/88 – há extensão da imunidade recíproca às autarquias e fundações públicas, desde que se cumpram às necessidades essenciais/precípuas da entidade. Não perca de vista que a condição se atrela tão-só ao § 2º, não existindo para a alínea “a”. Exemplos: Uma autarquia, proprietária de bem imóvel utilizado para finalidade esdrúxula, receberá a tributação de imposto. Uma empresa pública, por exemplo, a CEF, é alvo normal da incidência de impostos (Concurso de Advogado da CEF). DADO JURISPRUDENCIAL RELEVANTE – há certas empresas públicas que executam atividades revestidas de estatalidade, apresentando-se com nítida “roupagem” estatal. Nesta medida, perguntar-se-ia: é válida a extensão da imunidade a elas? Para o STF, a resposta é afirmativa, valendo a pena ao estudioso consultar jurisprudência pertinente. Nesse sentido, são a EBCT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), quanto ao serviço postal, com fulcro no art. 21, X, CF/88, e a INFRAERO (Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária), com base no monopólio estatuído no art. 21, XII, “c”, CF/8833. 2.Alínea “b” (IMUNIDADE PARA OS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO) Elemento teleológico – a razão finalística da proteção constitucional está na liberdade de culto/religiosa (art. 5º, VI, CF/88), que caracteriza o laico Estado brasileiro (art. 19, I, CF/88). A doutrina majoritária a considera imunidade subjetiva, mas Cassone (2004, p. 254) denomina-a de objetiva, pois estaria ligada à atividade e não à pessoa da entidade religiosa. Abrangência – a imunidade alberga o templo e seus anexos, emanando os efeitos da não-incidência para o veículo da igreja, para a casa do representante religioso, para as rendas obtidas nos eventos religiosos, etc. Análise do art. 150, § 4º, c.c. alínea “b” do inciso VI, CF/88 – as igrejas deverão respeitar o cumprimento da finalidade essencial (§ 4º). Entretanto, o STF entende ser possível a execução de atividades inessenciais pelo templo (locação de bens de sua propriedade) e, mesmo assim, ter a extensão da imunidade de templo ao bem locado34. Há condições para isso: prova da inexistência de prejuízo à livre concorrência; prova da aplicação integral das rendas na consecução dos objetivos institucionais do templo. Ex.: a Igreja
STF, RE 265749/SP, DJU 2.2.2007; RE 357291/PR, DJU 2.6.2006; RE 407099/RS, DJU 6.8.2004; 2ª T., RE 363412 AgR/BA, rel. Min. Celso de Mello, j. 7.8.2007, Informativo do STF n° 475. 34 STF, AgRg RE 205.169-7, 2ª T., rel. Min. Marco Aurélio Mello, DJU 5-6-1998, p. 10. Jurisprudência extraída de Cassone, op. cit., p. 256.
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apostólica, uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua, pode remeter divisas para o Vaticano, o que não abarca o envio puro e simples de valores ao Estado Católico. 3.Alínea “c” (IMUNIDADE PARA PARTIDOS POLÍTICOS, ENTIDADES SINDICAIS DE TRABALHADORES, INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL) Natureza – trata-se de imunidade subjetiva35, destinada a pessoas jurídicas, sobre as quais não incidirão exações não vinculadas (impostos). Elemento teleológico – cabe frisar que, como opção política do legislador, a regra imunitória prevista na alínea “c” vem ao encontro dos valores mais relevantes, previstos no texto constitucional. Vamos detalhá-los, tentando identificar o elemento finalístico de cunho axiológico, que moveu o constituinte em cada caso: − Partidos políticos – a regra visa proteger a liberdade política no Brasil, prevendo a exoneração de impostos sobre os partidos políticos. Com efeito, o pluralismo político é um dos fundamentos da nossa Federação (art. 1º, V, CF/88), delineando a necessidade de tutela àquelas entidades que traduzem politicamente os anseios plurais dos filiados – e de toda a coletividade. As fundações ligadas aos partidos também gozam da prerrogativa prevista na Lei Maior. Ex.: Fundação Pedroso Horta, pertencente ao PMDB. Somente partidos políticos registrados no TSE serão abarcados pelo benefício em tela, não incluindo aqueles clandestinos, contrários à ordem constitucional-democrática posta. Ex.: partido neonazista. − Entidades sindicais de trabalhadores – objetiva a proteção dos direitos sociais (art. 7º, CF/88) e, mais precisamente, abrigo àqueles que ocupam, em tese, o pólo mais fragilizado da relação laboral – os empregados. Curioso apontar a existência de um ponto de convergência entre o Direito do Trabalho e o Direito Tributário. No entanto, é importante firmar que se protegem os sindicados dos empregados, isto é, as entidades obreiras. Assim, o legislador admitiu a normal tributabilidade dos sindicatos patronais, segundo postulam Carrazza (1991), Cassone (2004) e doutrina majoritária36. Há vozes minoritárias na doutrina que preconizam violação à isonomia, em face do discrime aventado, propugnando pela inclusão dessa entidade no rol dos imunes. É o que professam Chimenti (2002) e Machado (1993). − Instituições de educação – idem colocações infra sobre as expressões “in fine” da alínea “c”.
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Cassone, op. cit., p. 254 e 255, considera a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, CF/88, como mista, ou seja, aquela dispensada a determinados bens (renda, patrimônio e serviços) de certas pessoas (partidos políticos, sindicatos de empregados, instituições de educação e de assistência social). 36 Cf. Ac. 8.872 do TAPR, 3ª Câm. Cív., AC 106.838.000 – Maringá, Juiz conv. Eugenio Achille Grandinetti, j. de 19-8-1997, publ. Em 5-9-1997, Juis, Saraiva, n. 17.

isto é. O que se quer é o REINVESTIMENTO daquele resultado nos objetivos institucionais. São Paulo. vedando-se a apropriação particular do lucro. Luciano Amaro. No caminho hermenêutico ora trilhado. Portanto. CF/88. 51). Ademais. p. I a III. Paulo de Barros Carvalho. em seus três incisos. José Eduardo Soares de Melo. a expressão merece uma associação cautelosa. II. nem mesmo o “animus lucrandi”.. quis mencionar o superávit. no magistério de Sabbag (2004. “ex vi” do art. e não auto-aplicável. o que permite chamá-la de imunidade condicionada ou limitada (SILVA. que impõe tal norma às limitações constitucionais ao poder de tributar (imunidade). Misabel Derzi. . perguntar-seia: qual lei complementar será esta? É sabido que o CTN (Lei 5172/66) foi concebido como lei ordinária. nas palavras de Rui Barbosa. Note que as entidades educacionais e assistenciais poderão – e 37 Em sentido contrário. São eles: I. a qualquer título (LC 104/01). 1996). não havendo de cogitar sua aplicação aos partidos políticos e sindicatos de trabalhadores. Chimenti (2002). o art. segundo Celso Bastos e Carlos Ayres Brito. consoante comando exprimido no art. Portanto. 14. desde então. há quem a denomine de “norma não bastante em si mesmas” (Pontes de Miranda).24 − Entidades de assistência social – ibidem. pois o “lucro”. − Análise das expressões constantes da parte final da alínea “c”: o “Sem fins lucrativos” – o legislador fez menção a termo pouco elucidativo – o lucro. porém. Nesse passo. De fato. sendo assim recepcionado pela CF/88. 12ª ed. Note que aquela expressão da CF/88 – “sem fins lucrativos” – deve ser traduzida à luz deste inciso I. p. Nesse contexto. Saraiva. em tese. ganhou o “status” de lei complementar. a resposta à pergunta é clara: a lei complementar que traduz a condição imposta às imunidades será o CTN. dependendo de regulamentação futura. entre os mantenedores da entidade. entendem que se trata de lei complementar. os requisitos à fruição da imunidade. o “Atendidos os requisitos da lei” – é fácil perceber que se trata de condicionamento imposto à norma. Direito Tributário Brasileiro. Não distribuição do patrimônio ou renda. 195. Além de tudo. a diferença entre receitas e despesas financeiras da entidade. como Machado (1993). necessário é lembrar que tais pessoas também são imunes às contribuições sociais. CF/88. Não se veda o resultado positivo na entidade. não obstante a mediata ligação a todas pessoas citadas37. em razão das matérias disciplinadas naquele compêndio. CTN anuncia. segundo Maria Helena Diniz. Amaro (2006). apregoa que o alcance das expressões se atém somente às entidades educacionais e assistenciais. Cassone (2004) e Sabbag (2004). 155. estaria ligado de modo imediato às entidades educacionais e beneficentes. 2006. 146. § 7º. insta inquirir: qual lei será esta? O STF e a doutrina majoritária. de integração.

aquela Corte interpreta a expressão “finalidade essencial” de modo lato. Diga-se. os valores não poderão se apresentar como “distribuição” disfarçada de lucro”. conquanto sua redação parece pretender instituir um Poder de punição à autoridade tributária. não incluindo o envio desvinculado de valores ao exterior. III. diante do resultado positivo. os pressupostos dos incisos I e II são iníquos. mediante ato discricionário. Amaro (2006. § 1º. quanto ao rol classificatório ali inserto – impostos sobre o patrimônio. De fato. é natural que se apliquem os valores na consecução dos objetivos institucionais. etc). havendo respeito à disposição legal. o STF analisa tal comando. renda ou serviços. Observações finais – caso a entidade deixe de cumprir os requisitos do art. devendo passar a recolher os impostos. afastando a interpretação restritiva. prejudicando a manutenção dos objetivos institucionais – trata-se de requisito óbvio. Uma vez que caracterize vínculo causal à sua função precípua. 14. indicando a jurisprudência no sentido da adstrição a valores de mercado. desde que se cumpram os requisitos já conhecidos. arrendamento. CF/88 – repetindo comentário supra. 157) chama o art. CTN de aberrante. É o caso também de instituição filantrópica internacional. imediatamente a ser alvo da TRIBUTAÇÃO. ligado à instituição educacional. por fim. a qual poderá realizar ou não a ação – na expressão “pode fazê-lo” –. § 4º. É.25 deverão – almejar o resultado financeiro positivo. se cumprirem a exigência ora analisada. 14. entretanto. Nesse passo. I a III. CTN. 150. em país estrangeiro. Manter a escrituração contábil em dia e hábil a provar o cumprimento dos requisitos anteriores – sem a demonstração mencionada. Análise do art. a qual possui filial no Brasil. quando permite à autoridade “cassar” a imunidade. não se perderia a imunidade. pode remeter divisas para o exterior. segundo Amaro (2006) e José Eduardo Soares de Melo. permitindo a extensão da imunidade a bens ligados a atividades inessenciais (locação. não os carreando para países estranhos. que o MANTENEDOR da instituição poderá receber uma contraprestação pelos serviços realizados. o que não parece de todo apropriado. 14. O eminente Aliomar Baleeiro cita curioso exemplo de gasto com universitário. CTN) trata o assunto com terminologia criticável. p. Não aplicação de recursos fora do país. II. como uma “punição”. Ademais. merecendo a proteção da imunidade. a análise é subjetiva. pois. quando dos comentários retro sobre a imunidade de templos: prova da aplicação . mera paralisação dos efeitos imunitórios. passará. sim. A legislação pertinente (art. Haveria desrespeito ao inciso em análise? Para o mestre. § 1º.

somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários”.Alínea “d” (IMUNIDADE PARA LIVROS.2001. op. RE 237. 150.9. de 5-6-1998. RE 286. DJU 19-11-03. DJU e-1. 4. VI. por exemplo. receberá a carga de impostos sobre si. JORNAIS. Vale dizer que a editora. A participação onerosa do beneficiário no plano de previdência privada.2001. Min. Informativo do STF nº 220.. ao contrário das demais (“a”. STF. Elemento teleológico – é a difusão do conhecimento e da cultura. porque está ligada a bens e não pessoas. 150. RE 202. A propósito. entendia cabível a não incidência. fruto de relação contratual entre o órgão e a categoria específica. Marco Aurélio. 40 Súmula 724: “Ainda quando alugado a terceiros. consoante entendimento já firmado pelo Pretório Excelso42. etc. p. RE 235. da Constituição. AgRgRE 106. etc. ITBI (aquisição de prédio pela editora). j. incidiria o ICMS nas rendas e bens provenientes de bazares organizados por entidade filantrópica? A 1ª Turma do STF sempre entendeu que deveria haver a incidência do imposto. como é o caso de ISS sobre a publicidade nas publicações. a alínea “d” versa sobre bens e não sobre pessoas. “b” e “c”). É a posição cristalizada na Súmula 724 do STF40. 154. em razão da teoria da repercussão tributária. .251-2/SP. exclusivamente.692. 2-3-2003. isto é. RE 210. A 2ª Turma. O STF (Pleno). Min. defende Amaro. normalmente: IPVA (carro da editora). decidiu por maioria pela não incidência de ICMS nas vendas. Ellen Gracie. desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades essenciais de tais entidades”. aquelas de pouco 38 39 STF. E incidirão. é imunidade objetiva ao afastar a incidência de impostos reais (sobre os bens). desde que o lucro fosse reinvestido39. Pleno. afasta a imunidade. em 2 de fevereiro de 2003. a proteção alcança as revistas pornográficas (material fescenino). II. 41 Súmula 730 do STF: “a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art.251-2-SP. naturalmente. IR (renda da venda dos livros). IPI.700/DF. A prova deve ser feita pelo titular da imunidade38.11. permanece imune ao iptu o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. e não sobre o contribuinte de direito (a entidade). c. No mesmo sentido. rel. Súmula 730 do STF41 – as entidades fechadas de previdência social serão imunes quando não houver contribuição dos beneficiados.169-7. IE. da constituição. vi. c. à luz dos conceitos de universalidade e generalidade. Mas a regra da imunidade não inclui atividades ligadas ao bem. 42 STF. não incidem sobre o livro e sucedâneos: ICMS. p. PERIÓDICOS E O PAPEL DESTINADO À SUA IMPRESSÃO) Natureza – é objetiva. no RE 210. 10. De fato. Em contrário senso.: alugueres recebidos de locação de área pertencente à entidade filantrópica) e da inexistência de prejuízo à livre concorrência (aferição por meio de critérios subjetivos). por sua vez.718-SP. Nessa medida. DJU 6.26 integral das rendas nos objetivos institucionais (Ex. Independe do conteúdo difundido. segundo a qual o ônus recai sobre o contribuinte de fato (adquirente). rel. DJU 12. cit.737-SP.

2000. RE 199. 203. DJU 22. na condição de periódicos.859 e 273. Encontra guarida constitucional nos arts. RE 101. Justificam que a imunidade deve ser aferida a partir do fim da difusão do conhecimento. 2º. IV. RE 183. porquanto este procura conferir uma interpretação restritiva ao dispositivo46. DJU 12. foi publicada a Súmula 657 do STF45. parágrafo único. Marco Aurélio.27 conteúdo informativo. reforçando a tese majoritária. Na mesma idéia. DJU 07.1998. Marco Aurélio. VII. VI. valorizando os direitos fundamentais que lhe são afetos.308/SP. Min. CF/88. da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos”. rel. Pergunta: A jurisprudência tem entendido que as imunidades devem ser interpretadas ampliativamente? Resposta: a jurisprudência tem admitido sempre a aplicação da imunidade de forma restritiva. 41) leciona que imunidade a deve abranger todos os meios indispensáveis à produção dos objetos imunes. Insumo – o único insumo protegido pela regra será o PAPEL destinado à impressão.11. representada. 150. 46 STF.234. e não em razão do suporte difusor de cultura. tendo em vista ser a Receita Federal o órgão escolhido para certificar tal proteção constitucional. independentemente da ausência de conteúdo informativo43.: imunidade de II sobre máquinas de impressão de jornais. Pergunta: Como fica a situação das obrigações acessórias quando há imunidade: elas são devidas? 43 44 STF. rel.8. como equipamentos destinados à função. Moreira Alves. Chimenti (2001. RE’s 204. d. 45 Súmula 657 do STF: “A imunidade prevista no art.06. Lista telefônica – segundo entendimento assentado pelo STF. a norma imunizante deve ser observada com bastante rigor e os Tribunais caminham neste sentido. Min. Lembre-se que não havendo tributação. Não é a posição cristalizada pelo Excelso Pretório.441/RS. 5º. IX e XIV. Ex. O art. . STF. vêem outras decisões do Excelso Pretório aceitando a extensão da imunidade a manuais técnicos e apostilas44. e a jurisprudência vêem a EXTENSÃO da imunidade aos livros na forma de CD-Rom. etc. rel. Min. e 220.403-SP. § 6º.2000. Mídia eletrônica – a doutrina mais abalizada. que estendeu a imunidade da alínea “d” aos filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e revistas. as listas telefônicas são imunes. p. por José Eduardo Soares de Melo e por Cassone (2004). Lei 10753/03 (Lei da Política Nacional do Livro) equipara o livro em meio digital a livro impresso. Em sentido contrário. Entretanto.183. dentre outros. Pergunta: Uma imunidade pode ser regulamentada por lei ordinária ou complementar? Ou é auto-aplicável? Resposta: imunidade acaba sendo implantada por lei ordinária.

se não há tributação. CTN. E-m. Não há que se falar em incompatibilidade já que a lei e a LC (CTN) especializarão o assunto a ser implementado. o "caput" do dispositivo deixa claro que suas conceituações valem intrinsecamente ao diploma ("para efeitos dessa lei"). 9º do CTN.28 Resposta: lembre-se que.Sa. § 2º. abarcando assim. CTN. pois esta modalidade tributária não é abarcada pela imunidade. inovam em suas disposições. III. parágrafo VI. preceituando condição inexistente na citada LC. Pergunta: quanto à imunidade condicionada do art. O termo livro quer representar um suporte físico que tanto pode ser escrito em papel ou digitalizado.146. o que. Ademais. VI. “d”. engloba as obrigações acessórias. XI. sujeitam-se à fiscalização tributária. 4382/02. CTN. parágrafo VI. O termo lei. Lei 9532/97. 14. Pergunta: o art. III. O inciso XI do art. III. 12. o art. há alguma regulamentação ou aplicação em vigor? Qual? Ela seguiu a orientação do art. estabelece as condições para o exercício. CF/88. CF/88? Resposta: Não. corresponde à figura da lei ordinária. No entanto. somente por esse fato. “c”. somente por esse fato. “c”. parágrafo único. 156 do CTN foi incluso pela Lei Complementar n. por exemplo. segundo o STF e a doutrina majoritária. D. e o art. 150. DF e UF). em seu art. Apenas a entidade assistencial social ou educacional. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. o art. parágrafo único. respeitando as previsões expressas da CF. 2º. pode. Pergunta: uma entidade. uma entidade. daí o teor do art. recebendo certificação de organização social ou de organização da sociedade civil de interesse público. VIII. 156. nesse sentido o CD-rom recebe seu tratamento imunizante. 146. CF/88. 150. CF/88. A posição está correta? Resposta: já ocorre uma aplicação extensiva em função de outro raciocínio. conforme expressa disposição constitucional. assim como as isentas. 194. sem adjetivo algum. Pergunta: quanto ao art. à guisa do entendimento do STF. Lei 10753/03 (Política Nacional do Livro) equipara o livro somente às mídias eletrônicas destinadas a deficientes visuais exclusivamente. foi dito que o art. em tese. 150. Como compatibilizar os dispositivos? Resposta: a Constituição Federal estabelece que os requisitos da 'lei' devem ser cumpridos. 3º. o assunto deve ser regulado por cada uma das pessoas políticas interessadas (M. Nesse passo. no que diz respeito aos impostos. “b”. § 2º. Entretanto. “c”. VI. não há obrigação principal e muito menos acessória. I a III. após ter cumprido os requisitos da lei para receber a . as mencionadas disposições citadas por V. CF/88? Como é concedida a imunidade em termos práticos? Por requerimento às Fazendas e autarquias de capacidade tributária ativa? Basta um requerimento ou deve ser feito a todos? Resposta: não. não faz jus à imunidade do art. deixa claro que as pessoas imunes.104/01. “a”. 150. a obrigação acessória persistirá. Caso haja cobrança de uma contribuição social. faz jus à imunidade do art. a disposição legal não poderia ser usada como argumento jurídico para extensão da imunidade do art.

Destarte. 1999. O Poder Constituinte Derivado Reformador deveria permitir a adaptação dos preceitos inicialmente constituídos às mudanças sociais ocorridas. Aliomar Baleeiro –. I can”). imunidades e tributos. também do STN. em consonância com o setor fiscal (NOGUEIRA. 118). 26). § 2º. A constitucionalização do Direito Tributário configurou a positivação de um mecanismo que conferiu garantias mínimas das liberdades individuais (“ability to pay”): imunidades. Esta última configurou um marco no Direito Tributário brasileiro. p. competência tributária. o STN segue o mesmo diapasão da própria Constituição: sendo essa rígida. esse Poder deveria ser utilizado “cum grano salis”. Deve ser pleiteada perante a Receita Federal. porquanto houve mais de 50 emendas em pouco mais de 15 anos de sua existência. composto de princípios. Para Cassone (2004. não existia equilíbrio entre Estado e cidadão na atividade fiscal. Qual é a estrutura do STN? A estrutura do STN é quaternária: poder de tributar. limitações ao poder de tributar (princípios e imunidades) e repartição de receitas tributárias47. a rigidez em matéria tributária se atém a dois aspectos: instituição constitucional de impostos e princípios constitucionais tributários. . O princípio da supremacia do interesse público era levado a cabo exacerbadamente (“I need. foram firmados dois pontos: sujeição à Lei de Diretrizes Orçamentárias (Lei 4320/64) e EC 18/65 (STN). regras rígidas de competência. Porém. No Brasil. De fato. em seus arts. 12 e 13. Criou um regime sistematizado. São Paulo. defende que o Sistema Tributário Nacional é ternário. há uma grande crítica a essa premissa da CF/88. a EC consubstanciou um instrumento de implementação de políticas do Executivo. sendo chamada de a grande reforma tributária brasileira (primeira delas). também o é aquele. Qual é a característica do STN (rigidez x flexibilidade)? Quanto à rigidez/flexibilidade.637/02. 2004. p. por conseqüência. Para refrear o ímpeto do constituinte reformador. via requerimento conforme estabelece os procedimentos da Receita e Lei nº 9532/97. Prima Cursos Preparatórios. foi erigido o sistema do bicameralismo duplo de 3/5 (art.29 concessão da imunidade. Não funcionou a contento! Politicamente. CF/88) para garantir a necessária rigidez. Nas negociações entre as forças políticas da época – com mediação do então presidente do STF. receber a concessão imunizante. 47 Eduardo de Moraes Sabbag. Transformou a Carta de 1946. Direito Tributário. especialmente voltado para fruição de algumas liberdades fundamentais. Sistema Tributário Nacional Quando se deu a formação do Sistema Tributário Nacional (STN)? Qual a importância da EC 18/65? A EC 18/65 foi a criadora do Sistema Tributário Nacional. a concepção crítica sugere uma verdadeira flexibilidade da CF/88 e. 60. etc. até tal diploma. fazendo nascer uma vertente doméstica moderna nesse ramo. por ocasião do golpe de 1964. e Lei 10.

somente aquelas pessoas que possuem Poder Legiferante (Congresso Nacional. em uma atividade administrativa. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA é o poder recebido do constituinte para servir ao custeio da máquina estatal. LIMITAÇÃO AO PODER DE TRIBUTAR tem dois objetivos e se faz mediante dois instrumentos: proteção ao federalismo e aos direitos fundamentais. principalmente. sabendo que não tem o todo. que surge depois da exigência. de modo a permitir a consecução dos fins da própria gestão pública. é uma faculdade. Esta tarefa será efetivada por meio da Administração Pública. de acordo com a capacidade contributiva isonômica: a cada um na medida de suas possibilidades. A coletividade deve contribuir. em seu art. Neste sentido.30 A estrutura do Estado é viabilizada mediante um preço. pela atividade fiscal ou receitas derivadas (tributação). Dessa forma. deve prestar serviços públicos mínimos. em conseqüência. exercício de direito fundamental . propiciando uma vida digna. que a gestão fiscal equilibrada pressupõe. diz-se que padece de inconstitucionalidade. dentre outras medidas. coercitivamente. “caput”. Ex. 145. Deve-se distinguir. Segundo Carlos Ayres Brito. Desta forma. O poder de tributar. titulares da competência tributária. É exercido pelos entes políticos (União. DF e Municípios). Dessa feita. CF/88. Assembléia Legislativa. de responsabilidade fiscal. O Estado de Direito enxerga na tributação a via pela qual ele efetiva suas funções. é extorsivo. em sua essência ontológica. criando tributos até mesmo de forma errônea. a criação de tributos. aduzido materialmente por meio da tributação.: a imunidade de livros presta-se a maximizar a divulgação de idéias. de interesse coletivo. com o intuito de estabelecer um equilíbrio nas contas públicas. somente a chancela do constituinte poderia garantir-lhe legitimidade. Considerando que o dispositivo legal está em choque com o art. O ato de tributação. havidos por meio das imunidades e dos princípios. CF/88. Câmara Municipal) podem instituir tributos. 2006). “caput”. detêm parte dele – para exercê-lo dentro dos limites de sua circunscrição e mediante determinadas condicionantes (imunidades e princípios. Esse arcabouço será mantido pelas receitas originárias e. “caput”. conclui-se que o exercício da competência tributária é obrigatória. Estados. 145. a LC 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). garantir o mínimo de existência (de essencialidade) quanto aos direitos fundamentais deve ser a pauta do Estado (vida digna – mínimo essencial – garantia e efetivação dos direitos fundamentais – prestação de serviços públicos). 11. o legislador recebe do constituinte o poder de impor a tributação. o direito potestativo de tornar exigível a obrigação (adequado ao lançamento) e o direito subjetivo de crédito. Câmara Legislativa. entretanto. à luz do art. O instrumento de criação do tributo é a lei. Todavia. E ela foi efetivada pela instituição do poder de tributar. preceitua. para formar o bolo. sob pena de renúncia de receita e. a qual pressupõe um custo para agentes. de criar tributo. a divisão nacional do poder de tributar é a fatia de competência tributária relegada a cada um dos entes políticos. os quais conformam as limitações ao poder de tributar). para órgãos e para serviços respectivos (JERKINS apud DI PIETRO. direcionado aos entes políticos – que. O Estado. PODER DE TRIBUTAR é prerrogativa de impor a tributação. Com efeito. E por que não há ADIn? Pela razão fática de que o Estado já onera o contribuinte por demais.

II. CF/88). CF/88). 145 e 150. aduzida e qualificada pela Constituição. CF/88. À guisa dessas não-incidências. com o mesmo escopo federalista e valorizador dos direitos humanos. CF/88). 158. . existem as regulações do poder de tributar. III.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Estados (art. a União deve entregar parte de sua riqueza tributável aos Estados e aos Municípios. Nordeste e CentroOeste). quando estas se aplicam exclusivamente à União. por comando constitucional. 5º. cuja receita deva ser repartida com outro ente político. Ex. CF/88). CF/88). § 6º.: metade do IPVA é destinado ao município onde foi emplacado o veículo (art. 155 e 156. 25% do ICMS é destinado aos municípios do respectivo Estado arrecadador (art. com o fim de efetivar a idéia da união federativa (art. I. nas respectivas atividades de exportação de produtos industrializados (art. IX. regras a determinar como deve ser exercida a competência tributária. I.5% do IR forma o Fundo de Participação dos Municípios (art. XIV. 159. se for o caso de tributo.: arts. Ex. “a”. REPARTIÇÃO DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS – decorre do ranço de valorizar majoritariamente o Poder Central. há normas exclusivamente federais. 21. o constituinte institui o mecanismo de repartição das receitas. CF/88. Fazendo tais considerações. para que os maiores entes políticos não fiquem com todas as rendas tributárias. porque a exploração econômica do patrimônio público é prática na contramão da tendência moderna e pós-moderna. mediante o comando autorizador dado pelo constituinte federal. IV. destinado às áreas geográficas menos desenvolvidas (Norte. CF/88). conferindo parte da receita auferida por uns entes a outros. é cediço postular que a Constituição. em si. em qualquer esfera de Poder. Também é nacional a norma que vincula determinada categoria de pessoa política. 3% do IR vai para programas de financiamento do setor produtivo. é produzida no município. De forma suplementar ao poder de tributar. concretamente. Estados. O poder de tributar foi criado para garantir autonomia financeira à pessoa política. Neste diapasão.: arts. A imunidade tributária é uma regra de não-incidência da competência tributária. O SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL possui dois enfoques: 1ª corrente – será nacional quando suas normas vinculam. assim como é a imunidade de templos e religiões. As Constituições estaduais e distrital e as leis orgânicas municipais também não criam as exações nem determinam competências. Quem institui os tributos é a lei ordinária. A CF/88 somente determina a competência tributária. 159. 159. 148. 158. DF e Municípios). em regra. 159.: arts. Ex. Entretanto. porque se presta à liberdade de culto (art. 22. I. Ex. CF/88). e lei complementar excepcionalmente. tendo como fim promover o federalismo e a proteção aos direitos fundamentais. 10% do IPI aos Estados. e 220. ou seja. VI. “b”. Em contrapartida. CF/88. Todavia. o constituinte colimou re-equilibrar a federação. 5º. CF/88). não cria tributos. É fato de que toda esta renda. “c”. o exercício da competência é coercitivo.31 (arts. IV. todos os entes políticos (União. simultaneamente.

sob pena de inexistir a tributação. a matéria em análise deve estar afeta à lei complementar. depreende ferrenha crítica à redação do art. isto é. CTN. protestando pela impossibilidade absoluta na prestação não pecuniária referente ao tributo. 162. pago em moeda ou outro valor que possa nela ser exprimido. 3º. Quando uma norma da CF/88 dá competência tributária para um ente determinado político. Teoria Geral da Tributação CONCEITO DE TRIBUTO – etimologicamente.. op. 17). Em sentido totalmente oposto. 3º. 19 a 21. indicando a possibilidade de se entregar um bem distinto daquele anteriormente avençado. por exemplo. CTN). Tais formas de pagamento do tributo são usuais. 48 . Amaro. Tributo é prestação pecuniária compulsória. razão pela qual uma lei ordinária estadual. III. consegue enxergar. simultaneamente retira dos demais. contrariando o impedimento sistêmico imposto pela CF/88. Segundo o art. CTN. 49 A Lei 1624/97-DF. p.. 538. 2001. por exemplo. 156 do CTN. “b”. ao contrário dos demais negócios jurídico civis. I e II. instituída por lei e cobrada por lançamento. 50 STF. poderia sugerir que o tributo decorrente do negócio jurídico não estaria Hugo de Brito Machado. Pecúnia é a moeda corrente (Real) ou o próprio cheque. 37. CTN. uma lei que permitisse a dação por bens móveis ofenderia a exigência constitucional de licitação para a aquisição de mercadorias pela Administração (art. estaria impedida de versar sobre o tema49.32 2ª corrente – é integralmente nacional. 356 a 359. 156. 7ª ed. Ao sujeito passivo. Informativo do STF n° 136. cit. – por meio da expressão “cujo valor nela se possa exprimir” – uma forma de compatibilização com o art. em que a ela é pressuposto de existência. A definição jurídica de tributo encontra-se no art. aquilo que um Estado (ou tribo) devia a outro em decorrência de autêntica relação de vassalagem (FÜHRER e FÜHRER. na letra do art. CF/88. por representar uma liberalidade. CTN. convivendo. com métodos antiquados de pagamento: vale postal. etc. Não se admite o tributo “in natura”. Ademais. não é permitida discricionariedade na prestação ou não do tributo. A vontade não se vincula à formação da relação jurídicotributária (obrigação tributária). de vantagem patrimonial. CF/88)50. Prestação pecuniária48 – está ligada à idéia de riqueza. 1993. 3º. outros doutrinadores protestam no mesmo sentido. ao prever uma nova causa extintiva do crédito tributário – a dação em pagamento. XXI. CC). Curso de Direito Tributário. XI. CC). diversa de multa. A LC 104/01 inseriu o inciso XI no art. na extinção das obrigações. Nesse passo. aquele pago com bens agrícolas. A tributação é um ato de agressão patrimonial obrigatório e coercitivo. A captação da riqueza particular em favor do interesse público não pode depender da voluntariedade do contribuinte. p. Forense. por outro lado. 146. ou seja. Trata-se de instituto oriundo do Direito Privado (art. papel selado. admitindo a dação de bens móveis como forma de extinção do crédito tributário. Compulsória – é a eliminação do elemento vontade. (art. tributo vem do latim “tributum”. Rio de Janeiro. ADIn 1917-DF. consoante comentário a ser aduzido. O CTN prevê a dação tão-só para bens imóveis. regulamentou a matéria de dação em pagamento de tributos por meio de bens móveis. estampilha. a doação (art. Na esteira.

O teor do serviço prestado determinará o tipo de contraprestação. Só há aquele meio de uso. Nesse sentido. incidirá o ITCMD (art. Pode. Em tese. A Súmula 545 do STF51 determina a diferenciação entre taxa e tarifa: a compulsoriedade. 116. pendendo facultatividade na contratação e na conseqüente remuneração (autonomia da vontade). é cediço recorrer ao Direito Administrativo para desigualá-las. de . prestados diretamente por ele. Nessa seara. mesmo que deles não se utilize. por taxas – também conhecido por preço tributário. p.. Inexiste compulsoriedade. denomina-se preço público. op. São conhecidas vulgarmente como “taxas de uso”. A contraprestação dessa espécie de serviço é tida por preço (não tributário). não existindo outra opção. pode haver duas espécies: os serviços a título universal e singular.) e aquelas decorrentes do poder de polícia. Nesse âmbito. etc. em relação à lei que as instituiu”. de preservação ecológica e de emissão de passaporte. o consumo do serviço também é compulsório por parte do administrado. 51 Súmula 545 do STF: “Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. pois somente alguns recebem o serviço “uti universi”. são compulsórias e têm sua cobrança condicionada à prévia autorização orçamentária. enquanto todos contribuem para ele. por questão de interesse público da coletividade. também conhecida como tarifa52. A natureza do ajuste entre as partes é contratual. porque não serão remuneradas pelos usuários em potencial. com exceção da nomenclatura. diferentemente daqueles. CF/88). no máximo. 52 O preço é a remuneração por qualquer serviço não tributário. No entanto. I e § 1º. Além disso. Ledo engano. porque estas.33 abarcado pela regra da obrigatoriedade. para tutelar a coletividade. No diapasão. não se cogitando de sua submissão e inclusão no sistema tributário. O primeiro é “remunerado” por meio de impostos e os segundos. no qual fica patente que o preço público é a remuneração de um serviço público prestado indiretamente pelo Estado (por concessão ou por permissão). para corrigir a imperfeição da arrecadação por impostos. do contrário. Nesse campo. é lícito o lucro e a livre concorrência. sem permitir o lucro (distribuição de dividendos) e a livre concorrência. Caso seja prestado por entidade da Administração Indireta (sociedade de economia mista ou empresa pública). porque o fenômeno tributável é o ato em si e não seu caráter voluntário (“animus donandi”). de um serviço privado de livre concorrência. as taxas são devidas desde que colocados os serviços à disposição do usuário. eles serão de domínio público exclusivo do Estado. há serviços públicos que não cabe ao Estado prestar. Uma vez ocorrendo o negócio mencionado. cit. descentralizar a atividade. São exações atípicas. água e esgoto. há três taxas que fogem à idéia geral de sua concepção: judiciárias. enquanto preço privado. mas não se lhes equiparam. 155. mas tão-somente pelos efetivos. Ao revés. O constituinte preceituou que o Estado preste alguns serviços públicos de interesse público primário. O pagamento dessa então se deve à retributividade do custo do serviço prestado. elas aproximam-se dos preços. Não há propriamente grande diferença entre os conceitos. porque há opção na contratação (liberdade de contratar). As taxas podem ser de serviços propriamente ditos (coleta de lixo. É o entendimento esposado por Cassone. é chamado de tarifa ou preço privado. Ambos se submetem ao regime de Direito Privado.

: quanto ao serviço funerário. Moeda é a principal forma corrente de transmitir riqueza. esgoto. não podendo o Estado cobrar por aquilo que não prestar ou o usuário. O valor que se pode exprimir é um conceito aberto. Ex. sem qualquer outra espécie de remuneração. A doutrina mais tradicional afirmava que o tributo não se paga “in labore” nem “in natura”. A determinação de uma ou de outra saída reputa-se ao legislador. mediante utilização efetiva ou potencial (água. 45) afirma que os serviços públicos inerentes ao Estado. continua Amaro (2006). nessa forma. não acarretam ranhura ao interesse público. energia elétrica. indelegáveis e passíveis de taxação. sua remuneração pode ser extraída de preço. Como se trata de norma de eficácia limitada. Moreira Alves. remunerando-o do custo envolvido e de uma parcela de lucro. remoção de lixo. REsp 167489-SP e RE 89876-RJ. Títulos da dívida pública. ao verificar conveniência da melhor escolha. permissionário ou autorizatário de serviço público delegado. no âmbito da competência tributária respectiva. Já o segundo se volta a concessionário. O princípio do “non olet” pode ser vislumbrado nos exemplos da renda auferida por traficante54 e do IPTU com alíquota progressiva. Não há pacificação doutrinária quanto ao tema. a dação. suficiente para atrair o afã do particular e manter a atualidade da prestação. O primeiro se reverte inteiramente ao Estado prestador do serviço. por aquilo que não utilizou (cartórios judiciais e emissão de passaporte). permitindo a dação em pagamento para crédito tributário. pois salvo melhor juízo. mitigando essa construção. o que diferencia a taxa e a tarifa é a natureza do serviço público prestado. os não essenciais. não autorizou a incidência da exação em si. O Direito Administrativo distingue o preço público da tarifa (ou preço privado) sob alguns aspectos. permite exploração de lucro. Prestação de serviço e produtos não são formas corriqueiras de recebimento pelo fisco. Min. pode ter parcela revertida ao Estado. O imposto tem por fato gerador a propriedade. XXIII. hoje não mais usados. 156. p. 2006. quando por ele prestados. Paga em moeda (regra) ou valor do qual se exprime (exceção) – tributo deve ser pago em dinheiro como regra. não é serviço exclusivo de Estado. os serviços públicos divisíveis e singulares podem ser catalogados em 3 planos: os propriamente estatais. não incidindo o “jus puniendi” estatal. poder-se-ia advogar a natureza tributária. Diversa da multa – o tributo não é sanção por ato ilícito. pode também ser objeto de preço. podem incitar a remuneração por meio de taxa. De fato. em prol da comunidade. telefonia. ao prever a dação em pagamento por bens imóveis (bem diverso de moeda) para extinção do crédito tributário. O fato que gera a obrigação tributária não é uma conduta contrária ao Estado de Direito. Lapatza (apud AMARO.). CTN. quando houver previsão no ato de delegação (contrato ou ato administrativo). sepultamento. 54 Cf. caso contrário. etc. etc. sendo fixado unicamente para custear um serviço. Para o eminente ministro. A progressividade do IPTU visa preservar a função social da propriedade (art. gás. outros entendem que há uma exceção ao seu conceito. é delegável à iniciativa privada. remunerados por taxa. em face do desrespeito às normas urbanísticas. A LC 104/01 apôs o inciso XI ao art. permitindo que o legislador ordinário pudesse receber crédito tributário de outra maneira que não moeda. Eventualmente.). A ilicitude da conduta somente provocou a progressividade. nota de rodapé “4”. Direito Público. é uma prestação “in natura”. segundo entendimento já firmado pelo Excelso Pretório53. CF/88). sendo delegáveis e pagos por preços públicos (serviço postal. porquanto não usados. Todavia. Para justificar a existência do IPTU. 53 Cf. . cheque e selo já foram algumas dessas formas. rel. necessita de LO para regulamentação. os essenciais ao interesse público. 5º. Essa já preexistia. Mas a LC 104/01 alterou bastante o CTN.34 Em resumo.

III. No mesmo sentido estão os pequenos empresários. o gênero REFIS engloba várias categorias. porque se presta a permitir que grandes devedores extingam seus créditos tributários sem desembolsar nenhum centavo. bens de categoria inferior. somente parcela poderia efetivar o desejo. 156. Entretanto. Somente alguns possuem imóveis. 156. reputando o art.Lesão à isonomia – o princípio. equiparada àquela espécie. CF. Aqui. XI. pela necessidade de eficácia da norma. Com efeito. “b”. como está. a jurisprudência pacífica os considera legítimos. será de família. muito pela pretensa inafastabilidade do Judiciário (art. possibilitando o “sucateamento” do fisco. como rol exemplificativo. não permite que o fisco trate desigualmente pessoas iguais. porquanto opera discriminação aos iguais. 156. Mas esses argumentos podem ser contestados. somente a favorecer certa parcela das pessoas. essa espécie acabou sendo. XI. XI. 150. por metonímia. O imóvel a ser oferecido será o expurgo de grandes empresários. por sua gramática. Juridicamente. A norma do art. O mecanismo visou movimentar a máquina estatal para cobrar dívidas tributárias com o menor esforço. Dessa feita. Nesse passo. CTN. em favor da inconstitucionalidade do art. CTN. Apesar dos contribuintes se debaterem sobre a constitucionalidade dessa disposição. surge uma brecha a legitimar. Com efeito. se presta. o pequeno devedor deveria ter a possibilidade de adimplir seus débitos com bens móveis. Isso se deve ao fato de que os pequenos devedores do fisco não possuem dívidas de montante a justificar a dação de imóvel. 5º. Essa antítese pode ser solucionada pelos seguintes argumentos. . Essa é a finalidade política da dação. seria inconstitucional. mesmo porque a maioria deles não possui bens de raiz ou se os tem. porque exorbita de sua competência regulamentadora. o Brasil tentou implementar a mesma política. a dação de bens móveis. 156. 55 A ADIn 2405 versa sobre dação em pagamento na extinção de crédito tributário. a dação de bens imóveis é uma manobra ardilosa. muito mais afeto à sua realidade. Mas essa interpretação conforme a Constituição talvez ferisse os freios e contrapesos da divisão orgânica do poder. por colidir com o espírito Carta de 1988. XXXV. permitindo resolver as questões na esfera administrativa. conquanto se trata de opção do contribuinte. XI. estipulado no art. elemento proibido na ordem tributária nacional. A LO que dessa forma dispusesse seria ilegal (art. seguindo a orientação de recuperação fiscal (REFIS) italiana. Esse dispositivo. há formação de um privilégio. as leis que instituem esses programas geralmente condicionam sua concessão à desistência de demandas judiciais. Dentro dessa realidade. II. dentre elas o parcelamento. havendo uma desigualdade aos iguais. CF/88). De todos aqueles que possuem “animus solvendi”. CTN) e inconstitucional (art. 146.35 A grande questão que se coloca é a possibilidade ou não de deferir dação para bens mobiliários. CTN55: . CF/88).

não urge a interpretação restritiva do art. o dispositivo em tela não proibiu a interpretação extensiva de norma de extinção de crédito tributário. ao definir as modalidades de extinção do crédito tributário.Art. poderia haver a compensação da forma descrita. não se permitindo sua exegese restritiva. como tal. evitaria o movimento da máquina Judiciária. 170. O fisco não aceitar o bem móvel certo. Dessa feita. O art. CTN. ainda que não exigível . obrigando-se passar por esses antes de um imóvel (art. CTN. Mas a interpretação restritiva deve se ater à concessão de liberalidades (isenções. Ainda nessa seara. CC. 11. lesando a razoabilidade. Afora esses dois casos. c. 156. I a IV. CTN. no seu art. 110.36 . por exemplo). deve ter o desejo atendido. em seu inciso II. A função do operador do Direito é buscar essa verdadeira “mens legis”. na seara administrativa. Se o legislador determinou a prevalência na penhora de móveis antes de imóveis. porquanto. da economicidade e da operabilidade. pacificando a relação jurídico-tributária e conferindo segurança à sociedade e ao particular. art. I a XI. permite a compensação. Em tese. 156. No ponto. O devedor quer pagar e. poderia pagar com seus bens móveis. 156. O intérprete não tem o direito de colocar restrições onde o legislador não fez. XI. XI. XI. O conceito de compensação se aduz da lei civil (arts. anistias.Interpretação sistemática do CTN com a LEF – o art. “caput”. CTN). certo. O texto do art. gênero da dação em pagamento. ao descrever a compensação do crédito tributário. Com efeito.c. . o art. porquanto a execução fiscal poderia não atingir outros bens (incerteza). 111. discutiu-se o pagamento do tributo por meio de compensação com precatórios.) e às extremas exceções (dispensa de obrigação acessória. permite a dação de imóveis. LEF). a lei deve viabilizar a intenção. A LEF permite a penhora sobre bens móveis. I a XI. 156. CTN. Por que chegar a ponto da cobrança judicial se o entrave pode ser resolvido no momento préprocessual. afinal há coincidência de afã com o interesse público. a hermêutica extensiva é a melhor solução ao intérprete. viola os princípios da razoabilidade. somente depois do processo judicial devido. administrativo? Se o devedor pudesse adimplir antes da execução fiscal com seus móveis. em interpretação literal. estaria em flagrante afronta à realidade. Na mesma esteira. I a III. O legislador não tem a capacidade de exprimir toda sua vontade simplesmente pela letra da lei. a hermenêutica restritiva não pode ter vez. CTN. Esse mecanismo favoreceria a economicidade.Segurança jurídica – a extinção da relação jurídica tributária é o grande fim colimado pela lei. . permite o precatório como forma de crédito líquido. CTN – exige a interpretação estrita em matéria de exclusão e de suspensão de crédito tributário. CTN. etc. portanto. 368 a 380. 156. haveria um contra-senso na extinção do crédito tributário. mas não proibiu a dação de móveis. Para solver o problema.

1ª T. porquanto aqueles grandes empresários adquirem os direitos creditícios por valores bastante inferiores ao nominal. dada situação simples.144-PR. o termo inicial da prescrição penal será o da correspondente decisão administrativa definitiva (STF. j. Informativo do STJ n° 331. 9º. Lei 10684/03. Nesse sentido. 288. CTN. Se a prescrição qüinqüenal já atingiu a pretensão do fisco em exigir judicialmente o débito ou a decadência fulminou o direito postestativo de realizar o lançamento. 57 STF. 14. 15. Não há decisão sobre o assunto dentro do próprio Supremo. não erigindo termo final para tal.799-SP. Concluindo. No entanto. “caput”. j. DJU 13/3/2006. 10. DJU 20/5/2005. a qualquer tempo. Marco Aurélio Mello denegou a compensação. essas empresas geralmente não possuem precatórios para com o Estado. Arnaldo Esteves Lima. Eros Grau. § 2º. 34. 26/6/2007. Ganham os empresários – que sonegaram deliberadamente – e ganha o Estado – que percebe seu tributo e não precisa adimplir seus compromissos indenizatórios. No ponto. a jurisprudência pacífica se posiciona no sentido de que a constituição do crédito tributário definitivamente efetivada é condição objetiva de punibilidade por delito fiscal (STF. RO em HC 77258-2.2003). A maioria da população deve ao fisco um crédito tributário de pequena monta. está-se em discussão a possibilidade de configuração ou não de crime de quadrilha (art. Atualmente. DJU 29/4/2005. j. j. Esse expediente foi bastante corroborado com a possibilidade de não incidência da lei penal nos crimes tributários (Lei 4729/65 e 8137/90). Min.805-SP. os quais só se concretizam pelo ato de lançamento do débito co-respectivo57. HC 81611/SP. pelo pagamento. precatório exprime dívidas de grande valor. Min. CF/88. Min. rel. Moreira Alves. O comando autoriza a extinção da punibilidade.1999. porquanto jamais recomporá os danos de terceiros. Destarte.12. de modo a favorecer. 5ª T. HC 84.611-DF.37 (parcelas vincendas ou vencidas). Informativo do STF n° 476.. rel. a compensação é uma modalidade de extinção do crédito tributário que visa tão-somente à perpetuação desse sistema censitário. ADCT. T. Lei 10684/03). os grandes grupos econômicos fazem “lobby” para o não pagamento do precatório. 13/9/2007. a facilitar a elisão tributária de grandes pessoas jurídicas ao mesmo tempo em que flanqueia ao Estado a lesão de direitos fundamentais. o rel. STJ. No mesmo sentido. perfaz-se a prescrição do delito correspondente. Mas existem alguns entraves à operabilidade desse mecanismo. como ocultação de faturamento da empresa. porque haveria 56 Os arts. § 3º. HC 77. § 3º. AgRg no REsp 762. previam que a extinção da punibilidade somente se daria se o pagamento fosse feito antes da denúncia. Maria Thereza de Assis Moura. O STF tem bastante complacência com essa sistemática. j. seguindo os ditames do art. CP) nos delitos fiscais. em que pese a previsão da Lei 10684/03 silenciar sobre eles (HC 48.. por conseguinte. . Na esteira. Ocorre que a jurisprudência pacífica entende que os crimes tributários são materiais. “caput”. HC 81. o STJ tem dado interpretação analógica à extinção da punibilidade pelo pagamento ao delito de descaminho e aos previdenciários.8. para possibilitar a compensação com seus débitos fiscais. Lei 9249/95. Via de regra. 34. “caput”. Informativo do STJ n° 325). REsp 747. a fim de possibilitar cessão de crédito ao seu patrimônio e.6. e os arts. Min. O art. erigindo um paradoxo. e 15. desde que haja pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia (arts. Sepúlveda Pertence. rel. Min.. 1ª. RT 770/492). 100.2007. 23.986-MS. rel. DJU 1º/2/2006. revogou as disposições anteriores por dispor de forma diferente. e 78. rel. desde que haja uma lei ordinária a regulamentar a compensação.262-DF. Lei 9964/00. econômica e relações de consumo56. Lei 9249/95. A despersonalização do precatório reside exatamente nesse ponto. DJU 16/4/2007. somente médios e grandes empresários possuem montante de dívidas tributárias a justificar a compensação. realizar a compensação. Lei 9964/00 e 9º. mormente. HC 56. constantes do CP. na ADIn-MC 2099. no HC 84223/RS. Certamente. 170.829-PR. delitos de sonegação fiscal e contra a ordem tributária. Min.

incompatível com a previsão de LC. A lei. meio pelo qual o povo empresta ao Estado publicidade. Dessa forma. a anterioridade. Apesar de razoável a explicação. No tocante à legitimidade. por conseguinte. Quem instituirá o imposto seria a LO. CTN. contribuições de seguridade residuais e imposto sobre grandes fortunas (IGF). há controvérsia doutrinária. por questão de urgência (art. é a tradução da atividade desse mandatário. No entanto. impostos residuais. Não é a volição própria do administrador que deve imperar. . porque a expressão “nos termos de lei complementar” se refere à regência de todos os impostos do art. 148. amplitude e aplicabilidade de suas disposições (CANOTILHO. Dessa forma. fazendo cair por terra o argumento supra citado. 1ª Seç. A finalidade do art. CTN. Não quer dizer que a LC vá criar o tributo. justiça (igualdade) e segurança jurídica (fraternidade ou solidariedade). lembra-se que o STJ tem admitido compensação de multas moratórias pagas indevidamente com tributos. é evitar que empréstimo compulsório seja instituído por MP. CF/88). Ademais. CTN). porque ambos são causas subjacentes do mesmo crédito tributário (art. o STF passa a perfilhar a disposição do constituinte. Instituída por lei – há quatro tributos que necessitam LC: empréstimo compulsório. A Constituição não diz que deve ser instituído por LC. A segurança jurídica se desmembra nas vertentes legitimidade e não surpresa..38 lesão à ordem cronológica de pagamento dos precatórios. a EC 30/00 permitiu expressamente a compensação de créditos tributários. CTN)58. e 139. legítimos detentores dos direitos neles exprimidos. É justamente a última que será protegida pela legalidade. I. “caput”. 1991). seriam ultrapassadas pelo mecanismo. O princípio da legalidade visa proteger um valor básico: dar limite ao exercício de competência. II. a irretroatividade e a transparência são sucedâneos da legalidade. a seguir o comando alterado e existente na própria Constituição. o emérito ministro ainda argumentou no sentido de lesão aos interesses dos sujeitos ativos dos precatórios. é o “norte” que deve seguir o agente político. as dívidas de pequeno porte. VII. a legitimidade do ato democrático se consubstancia pela democracia representativa. LC só será exigida para a instituição de tributos residuais. Trazendo o raciocínio para o Direito 58 STJ. Por fim. com exceção do empréstimo compulsório. de modo a tutelar um dentre três elementos basilares – liberdade. 113. para o povo e pelo povo. 1993). 153. Com relação a esta. O respeito à vontade popular. § 1º. Sobre esse último (art. em um autêntico mandato sem reserva de poderes. cujos representantes eleitos manifestam a vontade popular. trata-se de posição minoritária. em flagrante afronta ao comando do constituinte (art. Inobstante tal colocação. segundo colocação do constituinte. 153. EREsp 760290. na ADIn 2851. Ele gere a coletividade em favor dela própria. 148. CF/88). diversos daqueles já previstos na Carta. o administrador é eleito do povo. 100. porque colima a lealdade e refuta o abuso de direito. mas sim que deve ela definir “grande fortuna” (CARRAZZA. ao interesse público. inclusive as alimentícias.

de conseqüência administrativa e cível. Essa não pode ser presumida. custear a máquina estatal. CTN. 3º. a função do Estado é manter o nível mínimo de dignidade da pessoa humana. Qualquer conteúdo patrimonial 59 Cf. . Para essa última conduta. NATUREZA JURÍDICA DOS TRIBUTOS – natureza jurídica é a qualidade essencial do instituto. define o lançamento. o tributo. O tributo é uma forma de ingresso público (valor positivo ao erário) derivado. 142. Essa tarefa só é possível quando são alocados os meios necessários. devendo ser prevista pelo legislador. FUNÇÃO DOS TRIBUTOS – em que pese haver tributos não vinculados – impostos –. mesmo não se tratando de Direito Penal (STJ). por uma questão de segurança jurídica. referida no art. Improbidade é um ato híbrido. “caput”. 11. A autoridade fiscal é obrigada a realizar o lançamento. Em comentários abaixo. para que. o legislador qualificou o tributo como entrada definitiva. a grande finalidade da tributação é arrecadar. e 11. representado pela efetivação dos direitos fundamentais através da prestação de serviços públicos. pois a culpa não a caracteriza (DI PIETRO. é a manifestação democrática do povo. todas as exações prestam-se a. essa idéia será mais bem delineada. consiga-se perfazer a justiça distributiva e manter o estado de bem-estar do povo. CTN. sob a óptica do Direito. Paulo de Barros Carvalho. 9º. § 1º. A atividade de cobrança de tributo é o próprio lançamento. em sentido contrário. Deve fazê-lo de acordo com a norma. é necessário que haja dolo. sendo enquadrado como ato de improbidade administrativa. não alcançando a seara penal. 2006). Essa assertiva diz respeito à sanção disciplinar no âmbito do estatuto. afirmando que o crédito surge na ocorrência do fato gerador. receita da espécie derivada (arts. A Lei 8429/92 regula exatamente o reflexo. O ato de improbidade pode se ater a três condutas: auferir vantagem. Entendendo essa colocação. isto é. A culpa só pode se ater às duas primeiras condutas (auferir vantagem ou causar prejuízo). causar prejuízo ou violar princípio da administração pública (art. os quais são consubstanciados pela parcela da riqueza de cada qual para o bem comum. O procedimento vinculado se rende a duas idéias: . Cobrada por lançamento – é a atividade administrativa plenamente vinculada. “caput”.39 Tributário. Lei 8429/92).Nos termos da legislação – não é dado ao agente a prerrogativa de escolher o modo de fazer. O art.Obrigatoriedade – não existe discricionariedade permeando o procedimento administrativo. Seu parágrafo único prevê como conseqüência pelo descumprimento a responsabilidade funcional (administrativa). por meio dos serviços públicos. O CTN perfilha a teoria de que o crédito é constituído pelo lançamento59. Lei 4320/64). . Em suma. direta ou indiretamente. Os desrespeito a esses dois postulados pode levar a conseqüências para o agente. instituído legalmente. Nas palavras de Carlos Ayres Brito.

refere-se aos tributos diretos. haveria uma controvérsia para com o art. apesar de não sê-lo na sua natureza. CTN). A destinação dada ao imposto ou à contribuição é irrelevante para determinar a espécie tributária em análise. É o caso dos impostos. É o caso. taxas. já que na acepção técnica da expressão estas designam apenas os valores que entram em caráter permanente. Excepcionalmente. CTN). Em regra. 4º. vide expressa previsão legal no art.: IR. II. CTN). Ex. II. Por não ser ingresso definitivo. não deve esse último ser qualificado como “receita”. o verdadeiro devedor repassa a carga tributária ao consumidor final. não restituíveis).: o IEF pode conter fato imponível igual àquele previsto para outra exação (art. 4º. O fisco desconhece tal relacionamento privado (art. 9º. CTN). O que os faz diferir é justamente sua destinação. 123. mesmo que ambos não estejam vinculados a uma prestação estatal específica de sua parte. agindo o administrador com discricionariedade (princípio da não-afetação das receitas). contribuinte de fato (contribuinte de “facto”). Porém. por exemplo. Ex. Alguns tributos permitem que o próprio contribuinte pague. tributo é empréstimo compulsório (ingresso temporário. Contudo. Todo tributo tem por natureza jurídica ser um ingresso público derivado. o legislador flanqueia a bi-tributação (“bis in idem”) – um fato gerador produzindo dois tributos. Também não importa a destinação da receita gerada para definir o tributo (art. assumindo um viés de tributo indireto. Como regra. não podem ser imiscuídos os conceitos de impostos e de contribuições especiais. Na essência.40 entregue ao Estado pode ser considerado ingresso ou entrada. restituível). a espécie tributária é determinada pelo fato gerador. o ônus do recolhimento da exação se defere a um terceiro (substituto tributário). contribuições de melhoria e especiais. Entretanto. isto é. Lei 4320/64. Aparentemente. 154. Em outros. não há de se confundir a natureza jurídica do tributo com a determinação da espécie tributária. Excepcionalmente. Nesses últimos. Mas o “nomen juris” e a forma de cobrança do tributo são irrelevantes para determinar a exação (art. 4º. mesmo não sendo receita. do pagamento de IPTU por parte do locatário. Nesse passo. aos indiretos. O imposto é uma receita totalmente desvinculada. são receitas derivadas (ingressos definitivos. porquanto cobrará o .: IPI e ICMS. CF/88). cada tributo é identificado por sua hipótese de incidência. Ex. Repercussão tributária. outras exações diretas podem comportar repercussão tributária. Observe o seguinte esquema: CLASSIFICAÇÕES DOS TRIBUTOS – duas classificações são mais importantes: tributos diretos e indiretos e impostos reais e pessoais. Dessa forma. diverso daquele que detém relação jurídico-tributária direta para com o fisco. na segunda. é o fenômeno no qual o contribuinte legal ou de direito (contribuinte de “jure”) consegue repassar a carga tributária a uma terceira pessoa. CTN. “caput”. I. Já o valor auferido pela contribuição tem destino certo. o que determina a natureza específica do tributo é o fato gerador (art 4º. portanto. Na primeira situação. II. os empréstimos compulsórios preservam seu caráter de ingressos públicos derivados. somente o IPI e o ICMS são indiretos.

está-se diante de um imposto real. esse entendimento leva à iniqüidade de restituição para tributos indiretos ou indiretos por equiparação. ele repassará tais valores. por ser praticamente impossível sua ocorrência. II. j. 63 STJ. a qual só poderá ser materialmente aplicada quando a demanda judicial transitar em julgado nesse sentido (art. No entanto. Eliana Calmon. Min. O primeiro implica na pessoalidade do contribuinte. caso a riqueza demonstrada seja o patrimônio. Por décadas. Mas vamos supor que o recolhimento do tributo. em suas Súmulas 71 e 546 (já mencionadas). O sujeito passivo tem condição de suportar o gravame. REsp 757. 22. exigirá o valor do locatário. porque não é titular direto de relação tributária com ele. 166. É o entendimento esposado pelo STF. nos casos supra. lembrar que a compensação de plano para com créditos de terceiros não é permitida. No imposto pessoal. AgRg no REsp 673. Todo imposto. a “res”. Informativo do STJ n° 332. para furtar-se ao mecanismo. além da prova de ter suportado o encargo tributário. Da denegatória. REsp 653. 166. Todavia. De fato. como bem dispõe a própria letra normativa. Min.553-MG. a coisa. seja feito a mais. a base de cálculo é a renda. esse acabará pagando o tributo. § 12. as empresas sempre solicitam a compensação.441-SC. 61 60 . No mesmo sentido é a redação do art. 62 STJ. a alíquota incide diretamente sobre ela. que implicam em prestação estatal. O dispositivo permite.. Denise Arruda. CTN. atinge a renda. O maior exemplo dessa categoria é o IR. o Excelso Pretório manteve a posição (Súmula 71). 2ª T. Na venda dos artigos. O contrário representa o imposto real. j. 74. A maneira como essa riqueza é espelhada determinará a classificação do imposto em pessoal ou real. sem exceção.. PIS/COFINS-Importação. A demonstração objetiva de riqueza por parte do contribuinte dá ao fisco o direito de presumir que tem capacidade de contribuir. Em tese. O STJ. 14/8/2007. DJU 14/6/2006. se o contribuinte de fato tentar fazer restituir o montante.. impetra-se mandado de segurança. Cediço. incidindo diretamente sobre a renda auferida. REsp 757. REsp 962. Informativo do STJ n° 327. rel. nesse ponto. CTN. STJ. uma vez que ele não suportou de fato a carga tributária (enriquecimento sem causa). Todo imposto tem como fato gerador a conduta praticada pelo sujeito passivo e sugestiva de riqueza. apesar de emprestar natureza jurídica de condição da ação de repetição de indébito ao art. dada a disposição do art.909-BA. Informativo do STJ n° 332. CTN. em ação regressiva. Min. “a”. Lei 9245/90 (Lei do Inquilinato) permite essa transferência. mormente se houve impossibilidade de fazê-lo antes60. O contribuinte de direito solicita restituição. Complementando. ao contrário dos demais tributos. a qual foi ratificada pela súmula posterior. Dessarte. REsp 449. Na mesma esteira. com redação pela Lei 11051/0463. a art. Eliana Calmon. Na prática. 20/9/2007. No entanto. rel. o importador paga vários tributos na sua atividade (II. fazendo com que o comprador arque com a carga tributária. rel. rel. indiretamente. seja invocado61. CTN)62.203-RS. ICMS). Lei 9430/96. 2ª T.203-RS. a qual será negada pelo fisco. admite que a justifica seja apresentada posteriormente ao ajuizamento da demanda. Castro Meira.. 2ª T. a restituição mediante autorização pelo contribuinte de fato. DJU 12/12/2005. ela é atingida diretamente. STJ. enquanto no real. 20/9/2007. o fisco negar-lhe-á. O fisco cobrará do locador e esse. j. 20/9/2007.41 imposto do titular do imóvel. Min. Informativo do STJ n° 332. j. no imposto pessoal. é necessário que haja pagamento indevido para que o art. 170-A. 1ª T.304-PR. 166.

DJU 11/4/2005. REsp 705. .924-RJ. DJU 21/3/2005.878-SP. Para profissões regulamentadas (CFM. segundo diz a jurisprudência. anterioridade e irretroatividade. CF/88). previstas no ordenamento doméstico. ATP. conquanto também residual (art.Fundo Aeroviário (FA). o governo fez aprovar a citada EC. Para "corrigir" tal problema. Trata-se de um ente anômalo. A modalidade de tributo chamada de taxa só pode incidir sobre serviço público individualizado. Sociais “lato sensu” Sociais “stricto sensu” . . IAA. CTN. 4º. No entanto.. O fisco sempre deteve um afã para invadir o patrimônio do contribuinte.CONDECINE (MP 2228-1/01).Diretoria de Portos e Costa da Marinha (DPC). DJU 25/11/2002. Taxas 3. à luz do art. . DJU 2/5/2005. Eliana Calmon. Cf. Tratando-se de imposto novo. Impostos 2. a norma que instituiu a CIP é ordinária e não complementar. 8/8/2007.Para o Sistema “S”65. Contudo. I. 64 A EC 39/02 trouxe à tona a contribuição de iluminação pública (CIP). STJ. OAB – com a ressalva feita pelo STF na ADIn 3026/DF). Informativo do STJ n° 326. 149-A. Para iluminação pública (art. Min. Empréstimos Compulsórios 5. a CIP é um imposto e não uma contribuição. Os tributos devem obedecer a três ditames – legalidade. Para seguridade social “lato sensu”: . no sentido de custear a resolução de entraves do sistema elétrico do país. j. 1ª Seç.Para o INCRA (antigo FUNRURAL). “caput”. CREFITO.347-SC. os quais não foram gerados pelo particular. CFP. RESp 431. . deve surgir mediante a edição de lei complementar. . não sobre serviço de caráter geral.502-RS. REsp 446. Para alguns. REsp 895. REsp 719.Previdenciárias: Do empregado sobre folha de salários e equiparados. .Contribuição sindical (antigo imposto sindical). CF/88)64. A CIP não se enquadra nas cinco espécies de tributos. CFO. AFRMM. c. . ao estabelecer que a CIP pudesse ser instituída mediante lei ordinária. 154.42 É possível classificar os tributos segundo o seguinte esquema: 1.FGTS. o que fere o princípio da legalidade. . Outras Contribuições (ou contribuições especiais): a. De intervenção no domínio econômico CIDE-combunstíveis.146-RS. Contribuições de Melhoria 4. 65 Contribuição de empresa prestação de serviço para o Sistema “S” é devida. CIDE-remessas para o exterior. Do empregado. o constituinte flagrantemente contra os próprios princípios da Carta Magna de 1988. b.Salário-educação. rel. d.

COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA – trata da distribuição do poder de tributar. 149. Cada fatia do bolo tributário é determinado pela Constituição de 1988. determinando “quantum” dever-se-ia despender para manter a máquina administrativa e para levar a cabo os objetivos colimados por cada uma das pessoas da federação. segundo lembra Chimenti. 195. § 1º. 1º. segundo menciona a Súmula 94 do STJ: “A parcela relativa ao ICMS inclui-se na base de cálculo do FINSOCIAL”. p. sob pena de autodestruição.). Contribuição sobre receitas de prognósticos. CF/88). polícia. PIS-importador. Diferenciação entre poder de tributar e competência tributária – o poder de tributar é pleno e genérico. I. CONFINS-empresa. 22 e ss. PIS-empresa. destinado ao Estado brasileiro e instituído pela Carta de 1988. CF/88). . op. com a finalidade de preservar a 66 O Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) foi instituído pelo DL 1940/82.. sendo ratificado pela LC 70/91. É formado por contribuição específica. Nas palavras do art. e amparo ao pequeno agricultor”. saúde.43 Do estatutário para o RPPS (art. caracterizando pela competência tributária. mas segundo critérios técnicos e jurídicos. SAT. Nesse sentido. a federação brasileira é formada por quatro entes independentes e harmônicos: União.Para seguridade social “stricto sensu”: CSLL-empresa (cuja base de cálculo e fato gerador são idênticos ao IRPJ). auferida por empresas públicas e privadas. DL 1940/82. FINSOCIAL66. deve ser sempre limitado. A competência não foi determinada aleatoriamente. a incidir sobre a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços. habitação popular. Entretanto. “caput”. assim como outros poderes soberanos (jurisdição. DF e Municípios. revelando a parcela do poder pleno constitucionalmente designado para cada ente. punitivo. foi basicamente alterada a alíquota e a destinação da exação. . cit.Limitabilidade – todo poder. CF/88).. CONFINS-importador. É uma manifestação da SOBERANIA. Levou em conta uma análise histórica da realidade concreta de cada um dos entes federados. CSLL-importador. exceto aqueles destinados ao exterior. Estados. incluindo a competência. os quais são tangenciados pelos princípios e pelas imunidades. Com a LC 70/91. educação. a qual constitui uma das fontes de custeio da seguridade social como um todo (art. CPMF. Características da competência tributária – podem ser arroladas três: . é repartido entre tais pessoas para evitar a balbúrdia. etc. o poder de tributar. O poder de tributar e sua competência não são exceções. 53. suas necessidades e suas competências legislativas e executivas (arts. Sua base de cálculo inclui o ICMS. o FINSOCIAL destinava-se a “custear investimentos de caráter assistencial em alimentação.

construindo uma argumentação à parte: . Os limites são estabelecidos por intermédio de algumas formas: a proibição é uma delas. não tenha ainda sido efetivada pelo titular constitucionalmente estipulado (exclusividade). 145. “caput”. mesmo que seja um terceiro a título temporário (indelegabilidade). CF/88).Flexibilidade do exercício – apesar da titularidade ser imutável.44 estrutura federativa e proteger as liberdades essenciais humanas. no seu exercício. Em verdade. 150. o constituinte estabeleceu uma segunda maneira de estabelecer a limitação: a regulação de incidência. Além do mecanismo da vedação.: não incidência constitucionalmente qualificada (imunidade) de impostos sobre templos (art. A decadência da competência tributária não se opera. A competência foi distribuída ao ente federado e não lhe cabe rejeitá-lo (irrejeitabilidade). CF/88). . mas o faculta.Rigidez da titularidade – distribuída a competência pelo legislador constitucional. Ex. . O direito potestativo de instituir o tributo – desde que constitucionalmente previsto para certo titular – nunca se perecerá pelo não exercício no tempo. mesmo que a competência tributária.Quanto às taxas. porque a Constituição não impõe. seu exercício é facultativo pelo ente legitimado (art. VI. Além disso. é irrenunciável. o autor afirma que o legislador não tem a facultatividade. . O titular não está obrigado a criar a exação tal qual está previsto na Constituição e na LC regulamentadora. não podendo o titular abdicar do tributo lhe deferido. Da mesma maneira. a indelegabilidade é espécie da irrenunciabilidade. A titularidade da competência tributária (de instituir tributo) também não pode ser emprestada a um outro titular. um titular não pode tomar o tributo de outro para si. Mas Carrazza (1991) protesta em sentido contrário. O “modus operandi” de instituição do tributo é guiado “ex vi” dos princípios tributários constitucionais. por ter a finalidade de corrigir o desequilíbrio dos impostos e de estabelecer a justiça distributiva. Esquematizando: RIGIDEZ DA TITULARIDADE Irrejeitabilidade Irrenunciabilidade Indelegabilidade Exclusividade FLEXIBILIDADE DO EXERCÍCIO Incaducabilidade Facultatividade - Crítica à facultatividade no exercício da competência tributária – a maioria da doutrina reputa por não obrigatório o exercício da competência tributária (parcela do poder tributário). “b”. não há de se alterá-la por mera medida legislativa.

a autonomia do titular do tributo não poderia ser entendida como facultativa. 14. a obrigatoriedade se manifesta de modo mais arraigado. 14. “caput” e §§. para evitar o enriquecimento sem causa.. CF/88). adaptando os serviços públicos e os respectivos tributos distribuídos. Nesse passo. mas o modo de fazê-lo pode ser68. 11. propiciando a suficiência das riquezas para o titular. I e II. LC 101/00). arrecadatória. incidiria também a obrigatoriedade. O que os fará diferenciar-se é o tratamento jurídico conferido.“Capacidade tributária” como atributo formador da competência (delegabilidade X indelegabilidade). . O constituinte.Na contribuição de melhoria. essas condicionantes não se aplicam na mudança de alíquota de tributos extrafiscais (II. demonstrando que a não incidência legal vai render frutos para o ente federado competente (art. Aliás. A renúncia de receita pressupõe: estimativa de impacto no exercício financeiro aplicado e nos dois seguintes. op. observando um equilíbrio para com os outros. O atípico fenômeno da parafiscalidade (capacidade tributária ativa somada à deferência para administrar tributos).. na tarefa do exercício da competência tributária. bem como subsídio. LC 101/00). Mas a inviabilidade da contribuição de melhoria quase que coloca o argumento à margem da discussão doutrinária.Para os impostos. o legislador ordinário deve observar todos os tipos conferidos. a instituição do tributo não vinculado se liga especialmente à capacidade legislativa e administrativa estabelecida na própria Constituição (arts. fiscalizadora. de modo a distribuir parcela de riqueza entre cada um deles. Atributos formadores da competência – capacidade instituidora. porque há um contra-senso entre a possibilidade de conferir melhor dignidade ao administrado e a não instituição da exação (renúncia de receita). legislativa. fazendo um encaixe entre a atividade a ser prestada (serviço público) e os meios a serem empregados (tributos). Instituir o imposto não é injusto. a. Se um imposto estiver com base de cálculo e/ou alíquota muito altos. Carrazza (1991) respalda legalmente suas assertivas na Lei de Responsabilidade Fiscal (art. Entretanto. 67 . 69 A doutrina majoritária entende que o referido dispositivo é sugestivo. Delegação ordinária de capacidade tributária de fiscalização e arrecadação (limites estritos). crédito presumido e benefício fiscal devem seguir uma fundamentação contábil. consonância com o anexo de metas fiscais e com a estimativa de receitas ou implementação de medidas de compensação (art. Para estabelecer tais estipulações. Diversos princípios constitucionais sacrificam o modo de instituição e cobrança da mencionada exação. 68 Segundo Carraza. deverá ser reduzido. previsão na LDO. 14. cit. IPI e IOF) nem no cancelamento de débitos cujo valor de cobrança seja maior que o montante da dívida (art. fez uma estimativa estrita das receitas derivadas para manter a máquina administrativa do ente federativo. 21 e ss. o legislador observou histórica e concretamente a realidade de cada ente federado. As palavras competência e capacidade possuem a mesma acepção etimológica. É válido o argumento ao menos na seara teórica. porque toda renúncia de receita deve ser justificada pelo administrador69. LC 101/00). IE.45 . “caput”. LC 101/00). mas não obrigatório ao legislador. bem como para atingir metas razoáveis de gestão. Dessa forma. porque alguns que tiveram seus imóveis valorizados e devem retornar sua parcela de riqueza acrescida ao erário67. ao estipular cada uma das suas treze espécies. I e II. isenção. remissão e anistia. § 3º. “caput”.

é obrigatório ao Estado. No entanto. Esta delegação é efetivada por LEI. Desta feita. para justificar essa última. mas as duas seguintes (fiscalizar e arrecadar a exação) podem sê-las. dependendo do ente político que a possui originariamente. 153. Já a capacidade tributária ativa é passível de delegação. sempre possui capacidade tributária ativa. capacidade tributária ativa é o dever-poder de arrecadar tributos e ficar com o produto da arrecadação. Tratando-se de lei ordinária. são conferidos determinadas aptidões para o exercício dessa competência: instituir. Aquele que delega não fica com as receitas.). Ex. desde constitua tarefa não essencial e inerente ao Estado. A doutrina majoritária. A delegação ordinária de capacidade não pode ser confundida com a parafiscalidade. conferindo-lhes capacidade tributária ativa (recolhem o tributo. Há duas possibilidades para a delegação: Para outro ente político. sendo que este não pode subdelegar nem legislar sobre o tributo (conceder remissão. A capacidade tributária ativa é inerente à competência tributária. as duas primeiras (instituir e legislar sobre o tributo) não são delegáveis – por questão de legitimidade –. somente recolhendo o tributo (não pode executar e administrar os valores auferidos). em que pese não haver necessidade de tal disposição na Carta Política. Capacidade tributária X capacidade civil. III. etc. Estados. Nessas quatro prerrogativas. inicialmente alheio à relação tributária. § 4º. O delegatário ordinário realiza a faina em nome do Leviatã. Essas últimas ações. não podendo realizar nenhuma outra tarefa além dessa. pode ser delegada por medida provisória. CF/88 (EC 42/03). Uma vez realizada a distribuição do poder de tributar. anistia. Para um ente não-político – ente não-político é qualquer pessoa diferente da União. podendo inclusive defender seus créditos). essa delegação é realizada no âmbito de limites mínimos do poder de polícia. prevê um caso da possibilidade da União delegar a capacidade tributária ativa do ITR para os municípios. fiscalizar e arrecadar. b. sob pena de renúncia de receita e má gestão fiscal. isenção. da mesma espécie que instituiu o tributo. denominadas capacidades delegáveis. legislar. O art. Quem tem competência tributária. portanto. podem ser repassadas a um ente terceiro. dela fazendo parte. porque o tributo é bem público indisponível.46 Partindo desse raciocínio. DF e Municípios. bastando mera lei em sentido estrito. ativa e passiva). Ele atua em nome do . porquanto está taxativamente prevista na Constituição. A competência tributária é indelegável.: lotérica que recebe o pagamento do IPTU. porquanto o delegatário parafiscal passa a ser o possuidor delas.“Capacidade tributária” com prerrogativa de ser sujeito na relação tributária (material e processual. ARRECADAR. gozam de suas receitas e administram seus valores. entende que o Estado faz uma delegação atípica para as entidades parafiscais de forma plena. a titularidade plena da competência é estabelecida pelo constituinte.

No segundo caso. sociedade em comum. . ente coletivo despersonalizado pode ser demandado e demandar em juízo. nos termos da Lei 4320/64. • Pessoas jurídicas de Direito Privado – concessionários e permissionários. contribuições especiais e de melhoria. perito nomeado. • Pessoas físicas – é possível. o ente federado do qual se descentralizou a atividade da entidade parafiscal deve legislar em seu favor. rendas e serviços (art. tabeliães. Há dois pontos interessantes nessa seara. É pessoa “suis generis”. Alguns doutrinadores. OAB70. inerente e essencial ao Estado Democrático de Direito.). Crítica à delegação atípica – com efeito. Sua contabilidade também não é pública. o constituinte resolveu conferir-lhes titularidade para a capacidade ativa (arrecadar e fiscalizar). mas não é tributário. Dependendo do contrato de delegação. Fazenda Pública pode demandar em face de outra.No empréstimo compulsório. Mesmo não sendo pessoa personificada. espólio. não podem exercer a competência plena (instituir e legislar sobre exações). como Machado 70 Na ADIn 3026. possui personalidade jurídica de Direito Público. mas não quer dizer que isso seja tributo restituído. . I. Como as entidades parafiscais. arrecadando o tributo. ela não se sujeita ao controle do TCU. não precisa fazer licitação para contratação nem concurso para seus trabalhadores. a relação de ida (recolhimento do tributo) é tributária. não podendo usar a execução fiscal para cobrança de seus débitos. conquanto os preços públicos não se sujeitam à ordem tributária. É o fenômeno da parafiscalidade. 150. 24. porque foi a Constituição que estabeleceu a repartição das receitas. Ex. com ele permanecendo e administrando-o. a imunidade recíproca só se restringe a impostos sobre patrimônio. “a”.Na ação de repetição de indébito. O Estado não pode revogar a delegação. qualquer pessoa pode ser autor. mas a volta não. quanto à devolução de crédito tributário: . mas não integra a Administração. CF/88. ato natural e característico do instituto. as entidades parafiscais são também credores tributários. as contribuições de seus associados não têm natureza tributária.: notários. CF/88). ou seja. réu ou devedor – capacidade processual tributária passiva e ativa e capacidade material passiva. Além dos entes federados. Sendo assim. não é delegação de capacidade.: INSS. Nesse contexto. tradutor juramentado. não há delegação nenhuma por parte do Estado. VI. etc.47 Estado. o STF definiu que a OAB não é autarquia federal. pode cobrar tributo (principalmente taxa) ou tarifa. mas da lei. chamados de pessoas formais (condomínio. Nesse passo. como bem preceituou o legislador no art. o valor a ser ressarcido pelo erário não tem natureza de crédito tributário. Há crédito em seu favor. não cabendo no tocante às taxas. Ex. O sujeito passivo da primeira terá direito a ressarcimento proporcional. Mas particular não pode ser credor de tributo. porque tributo não nasce de erro de vontade das partes. Em termos tributários. Quem estabeleceu a repartição da capacidade ativa foi o constituinte. Há três hipóteses de pessoas não-políticas que podem ser delegadas: • Pessoas jurídicas de Direito Público – autarquias e fundações públicas. por uma questão de legitimidade (ausência de Poder Legislativo próprio).

Paralelamente. 21. 149. ao segundo. Entretanto. Há inviabilidade da ampliação dos mercados e da própria atividade mercantil. desde que o serviço não seja local (art. CF/88. Essa prática não é proibida. denomina-se “bis in idem”. há uma tributação dupla sob a mesma ocorrência fática: no primeiro caso. 30. enquanto a bitributação. Bitributação e “bis in idem” – um ente pode extrapolar de sua competência e exercê-la de modo excessivo. afirmam que o “bis in idem” diz respeito ao primeiro. a 71 Globalização pode ser definida como o fenômeno jurídico. Os Estados também têm autorização para instituir contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de seus servidores públicos (art. CF/88). a autonomia diz respeito ao exercício de um poder interno. relegando à lei complementar tal tarefa (art. Exceções à permissão de bitributação internacional – a bitributação internacional é um entrave à globalização71. 154. § 1º. bitributação. 146. Dessa feita.48 (1993). no segundo. Não se trata de mitigação da soberania. dentro de suas Constituições. em regra. utilizando essa nomenclatura. 25. político. porquanto somente aí há conflito de competência. querendo tributar duas vezes o mesmo fato gerador (excesso de competência ou de autonomia). Conflitos de competência – ainda que haja partilha do poder de tributar estabelecida pelo constituinte. vedados. A competência residual para taxa é deferida aos Estados. Em ambos. Alberto Xavier também elenca uma terceira situação: quando se refere a exações sobre o comércio internacional (bitributação internacional) – IE na saída dos produtos e II na entrada em país diverso. CF/88) nem da União (art. V. CF/88. . CF/88). Há duas formas de atenuar ou eliminar a bitributação internacional: . dois entes desejam tributar o mesmo fato gerador (invasão de competência ou de autonomia). § 1º. de modo a reduzir as barreiras tributárias. Eles poderão instituí-las. social e econômico que tenta fazer. a maioria dos países veda.Imunidades na exportação – por questão de costume internacional. Se o Legislativo não acolher o tratado. 63). porque cada Estado possui soberania (duplo exercício livre de soberania). através da moeda. afirmando que o valor teria natureza de exação.Tratado ou acordo internacional – para compartilhar um “contrato” entre os Estados. não se cuida – e não deve fazê-lo – a Constituição de solver os choques dessa natureza. A bitributação foi excepcionalmente autorizada pelo constituinte no art. . Tanto “bis in idem” quanto bitributação são. II. vez que o sistema dualista doméstico permite que os representantes do povo analisem o tratado firmado pelo chefe de Estado ou por seu plenipotenciário. excedendo-se na sua autonomia. p. esse não tem validade na ordem interna. seus costumes e seus mercados. uma manifestação externa. CF/88). persistem conflitos de competência tributária. enquanto a soberania. a reaproximação daquilo que se separou por força do choque das placas tectônicas: seus povos. I a XXV. no momento em que há franquia para estabelecer IEG sobre fatos imponíveis já previstos para outros tributos (SABBAG. Alguns autores. 2004. geralmente o país que exporta não tributa o produto na saída. não concordam com assertiva. a teor do art. I. Nesse sentido.

CF/88. pois autorizou a criação a CONFINS-Importação (art. 155. com a redação dada pela EC 3/93. conquanto em situações ímpares.2006). X. o STF garantiu a não-incidência do ICMS nas importações realizadas por pessoas físicas e jurídicas. No Informativo do STF nº 455. IX. a corte firmou entendimento. 155. Esse posicionamento não é absoluto. § 2º. prevalecendo. Na mesma esteira. VIII). como está no art. Com a EC 33/01 (art. rel. I. Há um duplo exercício de autonomia: uma está presente de modo ordinário. para que seja garantida a reciprocidade em nível de estabilidade máxima. 153. 3º. IX. RE 206069-SP. O ICMS é devido porque há circulação de mercadoria72. o IPI é devido porque houve alteração substancial da matéria. com fulcro na competência distribuída pelo art. Com efeito. CF/88) e contribuições sociais e CIDE (art. Min. Assim é o Brasil: ICMS (art. em regra. Sobre o contrato de “leasing” interno não incide o ICMS. “in fine”. Ellen Gracie. De fato. a expressão “até a vigência da EC 33/2001”. em que coexistem uma locação e uma promessa de venda (e não de compra). § 3º. II. o IEG não está sujeito ao princípio em tela (art. para o acórdão Min. o STF73 entendeu que cabe ICMS no “leasing” internacional74.2007. porque se tratam de competências distintas.Bitributação quanto ao IEG – na competência extraordinária da União. e Lei 10865/04). A doutrina chama essas três vedações ao poder de tributar de imunidades do exportador. CF/88). “a”. há três fatos geradores diferentes.49 incidência de exação nas operações de exportação. no seu início. por coincidência. pressupõe: operação de mercância (mercadoria que se aliena com habitualidade. IPI. CF/88. de modo pacífico. . “a”. Nessa mesma seara. o II é devido pelo ingresso de produto do estrangeiro para o Brasil. a incidência de ICMS sobre tal espécie de fato gerador. que a operação de “leasing” internacional. rel. até 2001. a qual versa sobre o ICMS. mas não transferência. 154. 155. Para evitar que o ICMS dos Estados incidisse indevidamente sobre as operações de “leasing”. o “leasing” é um contrato híbrido.“Bis in idem” nas operações de importação (ICMS. III. essa idéia não impera. Exceções à bitributação e ao “non bis in idem” no âmbito interno – podem ser arroladas duas situações: . DJU de 1º. o ato de importar não se adequaria à matriz reveladora da circulação de mercadoria. Há atividade de mercância. No entanto. os quais. 155. porque lhe ausenta um dos requisitos: a transferência econômica do domínio. 149. 195.5. § 2º. as quais não exerciam atividade importadora de mercância. em verdade. CF/88. em que os bens importados fazem parte do patrimônio imobilizado da empresa. Para legitimar a cobrança do imposto. o Excelso Pretório estendeu o ICMS a uma modalidade de importação. Nesse caso. com lucro. CF/88). com o arrendante. Informativo do STF nº 469). Marco Aurélio. pelo qual entendeu que a bitributação é constitucionalmente autorizada. acrescendo-se. mediante a ocorrência de determinada condição – a guerra. não há de se falar em não-incidência da exação (RE 206069/SP. “a”. Min. A EC 42/03 alterou o prospecto. como fato gerador do ICMS. Eros Grau. na prática. esse entendimento do Excelso Pretório ficou esvaziado. com atividade organizada) e transferência de domínio (alteração da titularidade de bem a título oneroso). 72 Em tese. vedou tal prática. a redação de sua Súmula 660 foi emendada (4 Ago 2004). § 2º. II) – na verdade. II. “a”. na linha do que vinha decidindo o STJ. § 2º. Mas a regra anterior continua vigorante no Excelso Pretório (RE 461968/SP. o constituinte deixou isso claro no art. a73 STF. 30. ocorrendo a mesma hipótese de incidência do fato típico do II. a outra está constitucionalmente autorizada. Nesse sentido. III. afirmando que os importadores custeariam a seguridade social. IV. 146. .9. porque a ICMS de importação passou a incidir sobre todas as pessoas. 74 A circulação. ocorrem no mesmo contexto fático. Por se tratar de situação excepcional. CF/88). CF/88). rel. CF/88). há um autêntico “bis in idem”. a LC 87/96 (art. Há uma cisão da posse: a direta fica com o arrendatário e a indireta. não há invasão ou excesso de competência. independentemente da finalidade do bem importado. Informativo do STF nº 399. IPI (art. não importa em fato gerador do ICMS. porque a exação em tela e o II têm o mesmo fato gerador. afirmando que o fato gerador é a importação (entrada de mercadoria e não necessariamente a circulação.

CTN.. No entanto. sendo que a majoração pura simples depende de lei estrita76. O art. a base de cálculo e alíquota (elemento quantitativo). Exceção à regra da legalidade estrita. CTN) – segundo a Teoria Geral do Direito. IE. . 98 e 99. resoluções do Senado. ao contrário do art. Em contrário senso. em uma interpretação conforme a Constituição (art. IPI e IOF) e ao IEG. CF/88). O setor energético tem uma repercussão altamente sensível na estabilidade dos mercados. Nesse sentido. CTN. dentro do sistema constitucional posto. II. não abarca o ato do executivo dado por decreto. CF/88 (redação dada pela EC 33/01). lembra Maria Sylvia Zanella Di Pietro. II. com certeza. 177. o legislador reforçou essa idéia no texto do próprio art. 146. 97. em seu bojo. traz. admite o decreto executivo autônomo nas hipóteses do art. que autorizou a instituição da CIDE-combustível. MP e EC podem ser incluídas no rol das fontes primárias. CTN. Tanto isso é verídico que a mesma EC 33/01. assentada em posicionamento firmado pelo STF. Dessa forma. regulados respectivamente pelos arts. também permitiu a incidência de ICMS sobre a circulação de energéticos comburentes entre Estados. O art. há necessidade de adaptar o postulado ao estudo da matéria em análise. suas fontes principais são: lei. quanto à majoração da exação. CTN). CTN. I a VII. A regra do art. CTN. tal qual está no art. Em verdade. III e IV. 96 a 112. o decreto executivo. Atlas. § 4º. costumes e jurisprudência. sem ter como base um diploma legal. 97. a definição do fato gerador (elemento objetivo). CTN. decretos legislativos. Esse aparente contra-senso é aduzido pela própria função do CTN. a doutrina majoritária.50 FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO (art. No mesmo diapasão. o princípio da legalidade tributária. a redução de CIDE-combustíveis também independe de lei. não poderá ser autônomo. Direito Administrativo. o qual. do sujeito passivo (elemento subjetivo). O art. 76 Essa medida se funda na importância do setor de combustíveis no giro da economia global. 84. “b”. II. 97. o qual espancou definitivamente o decreto autônomo no campo tributário75. I. decretos e normas complementares. 19ª ed. como LC que é (art. CF/88. Esse visa preencher eventuais lacunas no Texto Constitucional. porque devem se limitar a regulamentar a lei em sentido estrito. tal qual está expresso no art. São Paulo. o ditame também abarca o número de vezes do pagamento do tributo (elemento temporal) e o 75 No âmbito do Direito Administração. 2006. traz o chamado princípio da legalidade. Dessa feita. exigindo-se lei para reduzir o valor dos tributos. ou seja.Fontes primárias – são as leis. Veja que a alteração das alíquotas dessa última exação só é possível para reduzir ou para restabelecer. Os decretos deveriam ser considerados como fonte secundária. é válida e aplicável a previsão do art. CF/88. CF/88. 97. 150. dando um “norte” para a atividade do legislador ordinário. 59. começa a delinear o objeto em estudo ao definir o que é legislação tributária: leis. 97. a Constituição não ventila a possibilidade de reduzir tributo somente por meio de lei. Dentro do Direito Tributário. os tratados internacionais e até mesmo os decretos. tanto interno quanto interno. CTN. 5º. 96. traz o princípio da tipicidade. VI. se defere somente aos impostos extrafiscais (II. Além desses parâmetros. tratados internacionais. A doutrina encarregou-se em hierarquizá-las segundo a seguinte classificação: . “a” e “b”. doutrina. 99. II.

. os quais trazem à baila autênticas normas de Direito Internacional Público. “caput”. a comissão encarregada de elaborar o anteprojeto do futuro CTN incluiu o citado art. quando da edição do CTN. Min. no tocante à matéria tributária. A soberania interna prevalece. 97. j. geralmente diverso da legislação ordinária anterior77.1997.1997. deveria ser coercitivamente observada pelo legislador doméstico. o STF entende. afirma que somente a lei pode determinar sanções tributárias. CTN. O dispositivo contém impropriedades terminológicas. rel. a renúncia de receita depende de autorização legislativa prévia. fazendo com que a disposição daqueles. 98. I. o ar. Não há revogação pela incorporação do tratado no ordenamento doméstico.11. os acordos não revogam a legislação interna – porquanto prestam a minorar a bitributação internacional e a estabelecer cooperação no poder de polícia. CTN. dispõe que a legalidade deve imperar sobre a exigibilidade do crédito tributário: suspensão. DJU 30. consoante o preenchimento dos requisitos do art. O STJ entende que legislação interna não pode revogar tratados-leis. CF/88. 181). O tratado deveria colimar a atuação do legislador posteriormente. configurando a relação jurídica-tributária. não sendo aplicado a outras situações. o pacto traz um regramento próprio no procedimento a ser estabelecido. p. “in fine”.5. porque a aparente antinomia é solvida pelo critério da especialidade: para os países signatários – inclusive o Brasil –. CTN. exclusão e extinção – além da dispensa ou da redução de penalidades. Celso de Mello. a tipicidade garante a segurança jurídica. Não é uma posição pacífica na doutrina. I e II. No entanto. O legislador é único que pode fazê-lo. LC 101/00. O art. Estando nessa seara. 98 na esteira da jurisprudência do Excelso Pretório (AMARO. V. 14. VI. afirmando que a especialidade só vale quanto à legislação anterior. complementando a legalidade. Nesse sentido. 28. Ext 662-2. O art. 2006. que o CN pode alterar o acordo unilateralmente. Em um primeiro assunto. tal qual a redação do art. com base no art. CTN. se refere dos tratados internacionais. Ademais. Plenário. 98. o que não se aplica quanto aos tratados-contratos. O elemento material é o antecedente normativo (hipótese de incidência normativa). por disposição normativa própria. Em verdade. 97. resolvendo-se os demais entraves pela cronologia. vige o regramento específico. Com efeito. porquanto as relações por ele abrangidas não poderiam ser modificadas por norma interna posterior. O STJ faz uma leitura semelhante. Dessa feita. 77 O Supremo entende que esse tipo de tratado tem o “status” de lei ordinária: STF. o Supremo deu vezo ao primado dos tratados sobre a legislação interna. 49. enquanto os demais constituem o conseqüente normativo (modo de incidência normativa). mesmo a despeito de eventuais sanções na ordem internacional a serem sofridas pelo Brasil. porquanto o dispositivo em comento é um rol sugestivo e não exaustivo.51 lugar do adimplemento (elemento espacial).

52 Questão que também se coloca quanto ao art. ocorre que a União representa o Brasil na celebração de convenções internacionais. sendo essa incontrastável. Atos administrativos – portarias. salvo disposição em contrário. Machado. rel. vedando-se a isenção heterônoma. Luiz Fux. . rel. esse argumento não subsume à situação em apreço. VIII. inicialmente sobre a importação de bacalhau. Súmula 71 do STJ: “O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do ICM”. instruções normativas são normas complementares que visam especificar as medidas normativas primárias. dispositivo que deve ser concatenado com o art. Informativo do STF n° 476. não utiliza terminologia adequada ao estabelecer a isenção heterônoma em acordo internacional como exceção à vedação. nesta tarefa. quando contemplado com esse favor o similar nacional”. CTN). CTN. 103. 98. Todavia. entram em vigor na data de sua publicação. Súmula 20 do STJ: “A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do ICM. Plenário. CTN. j. 100. isso não é possível (art. 100. atua como chefe de Estado (art. Apesar de não haver precedente jurisprudencial. ou membro da ALALC. 6. op. Essas visam completar as fontes primárias. E se o Brasil assinar tratado internacional que venha nesse sentido? A possibilidade persiste. Na vigência da atual Constituição. Os precedentes normativos dos tribunais superiores advieram principalmente dos acordos do GATT. 80 Súmula 575 do STF: “À mercadoria importada de país signatário do GATT. 81 No mesmo sentido. Por uma questão de opção do legislador. I. 103. esse não está adstrito ao seu texto se houver infringência das normas primárias. porque qualquer ente federativo não pode invocar isenção heterônoma nessa. 20 e 71 do STJ80 já pacificaram o posicionamento. cit. Cármen Lúcia. 79 Em matéria de tributação municipal. em um autêntico ato de soberania. CF/88). em termos de vigência. CTN. RE 229096/RS. . é possível a concessão de isenção a uma exação municipal por convenção internacional em homenagem à soberania nacional. p/ o acórdão Min. o STF entende dessa maneira. Essa prerrogativa era factível na ordem constitucional anterior (EC 1/69). STJ. REsp 480563/RS. I. CF/88). 84. Entenderam as cortes que o ditame da reciprocidade deve imperar nesses casos81. Dessa forma. estende-se a isenção do Imposto de Circulação de Mercadorias concedida a similar nacional”. constituindo regra a ser observada pelo aplicador do direito (art. em que se encontra a câmara representativa dos Estados-membros: o Senado79. nos exatos termos do art. em que pese não haver opinião do legislativo municipal. 153. A heteronomia diz respeito à autonomia e não à soberania. A teor do art. 78 Nesse passo. circulares. 16. a incorporação do pacto só é possível depois da ratificação parlamentar.9. Ilmar Galvão. III. versa sobre a possibilidade da União conceder isenções quanto a tributos estaduais e municipais. Min. j. orig. Min. porque o Presidente da República. a tese do professor Carraza (1991) não vigora.8.2007. Ao contrário do que apregoa Carraza (1991). apesar de encontrar muitos adeptos na doutrina jurídico-tributária. STF. As Súmulas 575 do STF.2005. pois a firmação de acordo é manifestação da República Federativa do Brasil. CTN. rel. tanto quanto reciprocamente: cada ente só pode conceder isenções dentro de sua competência tributária.. Todas as pessoas políticas devem reverência à soberania do Estado brasileiro78. Ademais.Fontes secundárias – compõem-se das chamadas normas complementares.

IV. decadência. VI. . 100. A renúncia de receita por equidade não é possível. segundo uma ordem peremptória. CTN. Equidade – é o valor maior da justiça. CTN). Princípios gerais de Direito Tributário – preconiza a aplicação de um interpretação sistemática em face dos comandos implícitos na norma tributária. não há de se falar em termo inicial de vigência. Visam uniformizar um regramento comum entre conveniados. CTN). 108. Os princípios de Direito Privado são necessários para definição dos institutos a ele afetos. prescrição. devendo ser verificado o caso concreto em análise. CTN. CTN). CTN). Ressalvada estipulação ao reverso. No entanto. CTN: I. 107 a 112. mas não podem levar a reflexos tributários diretos. não poderá o aplicador do direito lançar mão desse critério para conceder dispensa de pagamento da exação (art. de acordo com os incisos do art. Vigoram a partir da data estatuída no seu instrumento de veículo (art. mas não sobre os efeitos tributários (art. para criar um campo de intersecção nas diversas legislações tributárias. § 2º. IV. Convênios entre os entes federados – também podem constituir fonte do Direito Tributário (art. elas podem ser configuradas como fonte tributária. CTN). 108. 103. prestação de serviço. 97. locação. Os convênios tributários têm o condão de ampliar a incidência do princípio da territorialidade. mormente no tocante ao poder de polícia (fiscalização). CTN). III. 97. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DA NORMA TRIBUTÁRIA (arts. III. CTN).53 Decisões do órgãos julgadores administrativos – podem ser alçadas à eficácia “erga omnes”. São os seguintes. I a IV. os quais serão analisados sucessivamente. II. desde que exista uma lei posterior que assim disponha (art. CTN) – as questões sobre o preenchimento de lacunas da legislação tributária são resolvidas segundo os critérios do art. Práticas reiteradas da Administração – o art. 109. I e III. Observa-se que o termo “práticas reiteradas” é uma expressão jurídica indeterminada. 108. são conceitos de Direito Privado. § 1º. Ex. 100. etc. surtem reflexos jurídicos 30 dias depois de sua publicação. Analogia – aplicar decisões anteriores a casos semelhantes é o meio integrativo primário da legislação tributária. III. CTN. recorre-se a uma seara mais ampla. porque haveria infringência à legalidade e à tipicidade tributárias (art. Como são formadas gradativamente. 108. sob pena de arranhar a legalidade aduzida no art. é um misto de costume e de ato normativo.: empresário. Princípios gerais de Direito Público – uma vez que os anteriores restem insuficientes. Mas a analogia não pode se prestar à criação de um tributo frente a uma situação assemelhada (art. No exercício da capacidade tributária ativa. II. 100.

porquanto até mesmo o CC disciplina de modo diverso o contrato de locação e de prestação de serviços. seguindo tal orientação. de exclusão da exigibilidade tributária (arts. A definição do instituto privado não precisa estar erigido nos referidos diplomas. No primeiro caso. CTN). dispõe que não se pode alterar o conceito. CTN. Sua interpretação extensiva pode levar à criação hermenêutica de uma outra exceção. em votação folgada no Plenário. A obrigação de dar estaria englobada pelo conceito de serviço. no rol de lei municipal. desde que expressos nas Leis Maiores (CF. 111 e 112. como aquelas apresentadas na disposição do legislador. decidiu favoravelmente aos contribuintes. É exatamente esta idéia que não pode ser alterada pelo legislador tributário. E mais: deve existir conduta que seja verdadeiramente uma prestação de serviço. O conceito privado de mercadoria foi criado em uma época que não contemplava a realidade hodierna. estar-se-ia diante de uma obrigação de dar. diversa daquela deseja pelo legislador. Nessa última. pode ser analogamente comparado ao princípio penal “in dubio pro reo”. III.54 O art. vez que se liga ao poder de polícia estatal. na realidade. devendo ser utilizada em situações específicas. tal qual se define por seu conceito aduzido do Direito Privado: obrigação de fazer por meio da qual alguém deve realizar algo em favor de terceiro. sendo remunerado pela correspondente prestação. 112. Nesse caso. não importando se inexiste uma concreta prestação de serviço.. CF/88) só alcança alguns impostos (sobre patrimônios. São os casos de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (arts. o Excelso Pretório declarou inconstitucionais todas as leis municipais nesse sentido. RE 116121. mas sua utilização neles leva a uma certa concepção. não sobre prestação. a imunidade recíproca (art. porque preconiza a aplicação do STF. 150. bens e serviços). Em contrário senso. os advogados postularam que o artigo não é mercadoria corpórea. No segundo caso. 175 a 182. se referem à interpretação da norma tributária. op. tal qual a redação do art. esse entendimento pode ser alterado. CF/88. não se fazendo a incidência da exação sobre a operação em tela. por se tratar de questão muito mais administrativa que tributária. CTN. 156. Dessa forma. não abarcando o conceito de obrigações acessórias e muito menos a idéia de crédito tributário. 83 82 . as quais determinavam a incidência de ISS sobre locação de móveis. há uma extrema exceção. CTN. cit. CTN) e de dispensa de exigibilidade de obrigações acessórias83. Não é a melhor técnica a ser empregada pelo operador do Direito. Pleno. com apenas um voto de dissidência. o qual preconiza a tributação nesse sentido entre os entes federados. devendo ser adaptado à atualidade. o alcance e a forma de elementos de Direito Privado. O art. Dadas recentes mudanças na composição do STF. porque. CE e Lei Orgânica) e definidores ou limitadores de competência tributária. Nesse sentido. É o que leciona Carrazza. Os arts. 151 a 155-A. “a”. as procuradorias municipais advogaram que a exação incide sobre serviços. É possível citar dois casos: mercado eletrônico interestadual de “download” tributado por ICMS e ISS sobre bens móveis locados. contestou-se a incidência de ISS sobre a locação de bens móveis. a locação não estaria aí englobada. O STF82. VI. O primeiro determina uma exegese gramatical sobre as matérias nele vinculadas. porquanto não havia previsão nesse sentido na relação de serviços contida na LC 116/03 e. 110.

a mais benigna ao contribuinte (art. CF/88. 62. ainda melhor que o atual “Simples”. CTN) estão contidas no dispositivo. interpretação benéfica. 173. Ex.dispositivo mais benigno ou favorável ao administrado. consideradas mais relevantes pelo constituinte: I. nos casos de infração ou de cominação de sanção tributária. 146. 139. 146. 113. etc. em razão da necessidade de expressão da vontade majoritária do legislador para quebrar a facilidade de aprovação de um diploma ordinário. é necessário firmar posição de que não cabe MP em matéria veiculada por LC (art. A tendência foi acolhida pela ordem constitucional de 1988. CF/88. No entanto. 94. 118. Conflito de competência tributária entre entes federados. Dessa feita. pois dificultou sua aprovação no CN (LC). CTN). “in fine”. A LC veio a lúmen pela Carta de 1967. 112. Estabelecer normas gerais em legislação tributária. abriu possibilidade para instituição de um sistema único de arrecadação. crédito tributário (art. 146. Estrutura obrigacional-tributária – as definições de obrigação tributária (art. lançamento (art. II. Lei Complementar – em matéria tributária. 146. formando a base do “Super Simples”. os grandes empresários fizeram “lobby” em sentido contrário para evitar que os pequenos fossem favorecidos. ADCT). incorporando o princípio “non olet”). “a”. III. configurando real manifestação da maioria dos representantes do povo (art. traz três modalidades de interpretação da lei tributária: a literal (art.: redução de tributos. crescendo e com eles fazendo concorrência.Regular a limitação do poder de tributar. 111. CF/88). segundo os pontos previstos nas alíneas: a. CTN). CTN) e decadência (art. CTN). a intenção de facilitar a vida dos destinatários acabou por quase que inviabilizá-la. prescrição (art. CF/88). Tratamento mais benéfico às cooperativas – para estimular o cooperativismo. IV. Seria uma medida legislativa a desburocratizar a tributação e a 84 84 55 O CTN. O art. dispondo sobre as seguintes matérias tributárias. 69. § 1º. b. O parágrafo único do art. a qual encontra-se atualmente em vigência (LC 123/06). CTN). Essas disciplinas estão perfeitamente delineadas na LC geral (CTN). CF/88 (base de cálculo. está nesse âmbito. Estabelecer normas gerais mais benéficas a empresas de pequeno porte e microempresas (acrescido pela EC 42/03) – o legislador visou fomentar os empresários pequenos. c. . Com efeito. Ex. 142. os regimes “Simples” instituídos foram revogados pela LC regulamentadora (art. Como pressuposto. Perfil dos tributos – o princípio da tipicidade quanto aos impostos está delineado do art. isonomia. CTN. e se deve à unicidade no âmbito nacional. CTN) e a econômica (art. dessa forma. sua função está perfeita no art.: “leasing” interno não é tributado. à guisa de convênios possíveis e existentes. CF/88. III. fato gerador e sujeito passivo). 174.

156. a teoria dos planos de tributação: um abstrato – constituído pela hipótese de incidência – e outro concreto – formado pela efetiva ocorrência do fato gerador. visto que as MEE’s e as EPP’s não se encontram no mesmo nível econômico. nesse passo.Devido às diferenças geográficas e consuetudinárias do país. cit. Extinção (art. também citado por Amaro. criando um sistema simplificado de tributação no âmbito de todas as pessoas políticas. CTN. com dimensões continentais. O sufixo “-ível” dá a idéia de ocorrência futura.. é possível aduzir a seguinte explicação: Crédito Tributário (art. 85 . A doutrina. Foi instituído pela LC 123/06.56 otimizar a arrecadação e a fiscalização tributária das ME’s e EPP’s. op. A hipótese de incidência é uma previsão abstrata. critica a expressão “fato imponível” assim como fato tributável. . não sendo lícita a retenção. deverá obedecer aos seguintes limites: . afigura-se que ela independe da vontade do sujeito passivo. domicílio e lugar do pagamento). Na esteira do que previa o art. CTN) – engloba a obrigação tributária. A lei estabelece os parâmetros da hipótese de incidência: aspectos subjetivo. uma mera descrição sugestiva de uma futura conduta que pode ou não ocorrer. quantitativo. no entanto. 139 a 141. por tal previsão. bem como da possibilidade de fiscalização compartilhada (poder de polícia). A arrecadação será obrigatoriamente centralizada. 258. CTN). e parágrafo único. Em verdade. Esquematizando. 113. o legislador complementar criou o “Super Simples”. o fato gerador e os aspectos subjetivos – sujeito ativo e sujeito passivo (solidariedade. “d”. Quando se diz que a obrigação tributária tem como traço o fato de ser “ex lege”. capitaneada por Jarach. fica materializado o fato gerador85. CTN). CTN). p. CF/88. 259. III. Exclusão (art.Previsão de um cadastro único de contribuintes. 113 a 127. citado pelo primeiro. Essa colocação não coaduna com o conceito de fato gerador. op. . o legislador pode estabelecer procedimentos diversos em cada local. inserta na norma.O repasse deve ser imediato. A obrigação tributária nasce da subsunção do fato (pragmático) à norma. A sistemática.O regime será opcional aos contribuintes. Obrigação tributária – está inserta no art. A partir da caracterização concreta de todos seus critérios. Ela nasce da Paulo de Barros Carvalho estabelece. o objeto de crítica advém da doutrina espanhola. expressões aduzidas de Aliomar Baleeiro. capacidade tributária. a serem adaptados à realidade cada ente federado ou região. erigindo a chamada tipicidade tributária. 175. 146. cit. . quando da ocorrência real do fato imponível86 – termo “a quo” dela. de acordo com o espírito colimado pelo constituinte. O diploma não ofende a isonomia quanto às demais empresas.. 86 Amaro. compara o conceito de hipótese de incidência com o tipo criminal. temporal e espacial. Direito Obrigacional Tributário ESTRUTURA DA RELAÇÃO TRIBUTÁRIA (arts. algo que ainda não se sucedeu. que muito o utiliza.

enseja mandado de segurança contra o registrador do CRI – exigir o tributo é fato independente da mera translação do imóvel. a condição implica em efeitos futuros. O imposto deve incidir sobre a efetiva demonstração de riqueza.: compra e venda pode gerar a obrigação de recolher ICMS ou ITBI. Com efeito. No plano ponteano da eficácia dos fatos jurídicos. Destarte. o que torna a defesa fácil. o negócio pode estar produzindo os efeitos desde já. A cobrança no momento do novo registro. o que torna a exação na “volta” como injusta dentro da ordem jurídico-tributária em sentido amplo. perfazendo DUAS CORRENTES: Não cabe a exação na “volta” – não persiste novo negócio jurídico – nova doação ou nova venda. a condição pode estar abarcada pelo fato gerador. CTN). Ex. etc. Do contrário. não persistindo nova transação negocial. o fato gerador ainda não se deu (art. CC). O que persiste é a conclusão do anterior. porque persiste simples retorno ao “status quo ante”. é necessário aduzir o exemplo clássico da compra e venda com retrovenda (ITBI municipal) e doação com cláusula de reversão (ITCMD estadual). ele pode constituir um negócio jurídico. quando deixará de fazê-lo (condição resolutiva – art. porque o preço é devolvido ao alienante original. Fato gerador condicional (art. CC). a qual pode ensejar a suspensão da eficácia do negócio – evento futuro incerto (art. não há essa real mostra de potencial financeiro. permuta. CTN) – exige um estudo prévio sobre o negócio jurídico do Direito Civil. como o negócio não produz efeitos. independendo de implementação ou não da condição (art. 127. O fato gerador não é a compra e venda. a doação de um carro pode fazer incidir o ITCMD. 125. dentre seus elementos acidentais. o fato gerador do ITCMD é a doação.57 lei e será devida mesmo sem a colaboração do devedor. I e II. No segundo caso. como seu pressuposto. CTN). Entre as diversas condutas possíveis para o fato gerador. “animus” de realizar um outro ato jurídico bilateral. 117. Em ambos os casos. arrematação em hasta. mesmo no STJ. 121. configura-se o fato gerador e. fica perfeita a obrigação tributária. Seu negócio “inter vivos” pode ser uma compra e venda. Ademais. 117. de capacidade econômica objetiva. Na reversão. em realidade. a tributação não terá vez até que a condição seja efetivada – não sendo exigível a obrigação tributária porque. haveria incidência dos respectivos tributos? A jurisprudência ainda não se pacificou. Produzido o previsto na lei. Do mesmo . I. como ocorreu o fato gerador. Incide o imposto na “volta” – no ITBI. no primeiro. Não há novo consenso. Já na retrovenda. CC). visto que há verdadeiro encerramento da compra e venda anterior. 117. Tanto a reversão quanto a retrovenda são cláusulas acessórias ao negócio principal. a exação incide desde já. indo até determinado evento futuro e incerto. mas sim a transmissão escritural “inter vivos” e onerosa. o fato gerador do ITBI é a mera transmissão de direito de propriedade. por conseqüência. II. a retrovenda não implica em uma verdadeira transmissão. transmissão é a simples alteração da propriedade. não havendo de se cogitar sua causa. Acontecendo a condição resolutiva (retrovenda ou reversão). consubstanciado condição suspensiva (art.

dentro do plano da validade. que garante a tributação sobre o fato gerador sob cunho objetivo. 87 . ao longo de anos. para Ricardo Lobo Torres. em que pese haver outras prestações a serem implementadas pelo contribuinte: são as obrigações acessórias (assessoram o credor na atividade de tributação. é possível reduzir a tributação por meio de práticas de supralegalidade. Em verdade. prática de caráter ilícito. o legislador. com menor propriedade. 116. porquanto é de eficácia limitada. de seguir o principal (art. o que implica em impossibilidade de aplicação. estão especificadas no art. CC. 118. 167. porquanto se trata de verdadeira simulação de fato gerador e. proibir a elisão fiscal. De fato. CTN. Dessa feita. não existe tal diploma. considerou o negócio nulo. porque o argumento se enfraquece ante o fato gerador (“doação”). informando-o acerca do pagamento do tributo). 59. 116. Em verdade. tal qual já foi comentado em oportunidade anterior. a qual consubstancia atividade flagrantemente ilícita (evasão fiscal). apesar de legal87. as partes constituem uma sociedade empresária. mesmo porque possui caráter autônomo. sendo certo que o alienante ingressa com o capital imobilizado e o adquirente. 194. com o valor líquido do preço – algum tempo depois. O dispositivo considerou de tal gravidade o vício social que o inquinou de nulidade. Atualmente. Com tal intenção. CTN). por conseqüência. por opção política. Ex. Interpretação objetiva do fato gerador (princípio do “non olet”) – a interpretação econômica a ser impelida pelo fisco encontra fundamento no próprio art. conhecidas como deveres instrumentais. as quais possibilitam a descaracterização do fato gerador – apesar de sua ocorrência de fato. Cláusula geral antielisão (art. parágrafo único. dissolve-se sociedade. parágrafo único. tido em decorrência da necessária fiscalização a ser realizada. mesmo a despeito de não realizar o objeto da empresa. foi acrescido o parágrafo único ao art. mas não de direito – e. CC/1916). Não é acessória no sentido do direito privado. No entanto. quando as partes queriam praticar outro ato. como no caso de alíquota zero ou de isenção (art. Muitas condutas não estão expressamente proibidas pelo ordenamento. I e II. a cessão de riqueza é o principal escopo da relação em pauta. persiste uma relação tributária material ou substancial – de pagar – e outra formal A definição de negócio jurídico simulado e suas conseqüências. É devida mesmo a despeito do não pagamento do tributo. a redução da carga tributária. conseguintemente. o dispositivo necessita de regulamentação por meio de lei ordinária. As obrigações acessórias. CTN) – além da própria fraude tributária.58 modo. por meio da LC 104/01. a doação não deve ser excluída da exação. ambos os casos fundam-se no princípio do “non olet”. podendo ser declarado de ofício pelo julgador e suscitado a qualquer momento processual.: ao invés de realizar uma compra e venda de um imóvel de alto valor. para não recolher o ITBI correspondente. CTN. não se admitindo perquirir suas causas. desde que não se possa aproveitá-lo de outra forma. Elemento objetivo (prestação tributária) – além do pagamento em si – o que inclui as penalidades tributárias. há outras obrigações a serem cumpridas pelo sujeito passivo da relação jurídico-tributária. A Fazenda Pública tem tentado. Essas atuações são traduzidas pelo chamado planejamento tributário ou elisão fiscal. revelam o exercício do poder de polícia do fisco.

costumes administrativos. Em suma. 88 . ainda que administrativa. 113. No entanto. fato esse que a impede de operar as duas primeiras ações – instituir e legislar –. O crédito tributário engloba ambas as categorias. Obviamente que essa nova figura não terá Poder Legislativo. só é estipulada por lei. podendo incluir o tributo e a multa. mas a capacidade tributária ativa sim. 113. tratados internacionais. Dessa feita. A infringência da norma procedimental (obrigação não pecuniária). A sanção pecuniária do poder de polícia administrativo visa inibir a frustração da fiscalização. em parte. justamente para imprimir caráter coercitivo à obrigação procedimental (positiva ou negativa). A obrigação acessória instrumentaliza a obrigação tributária principal. as quais dependem de potencial para exarar leis em sentido estrito. sendo um conceito mais amplo que o tributo.59 ou procedimental – de informar o fisco segundo as estipulações previstas na norma. Dentro de um controle de proporcionalidade e de razoabilidade. 96. A criminalização da atuação do contribuinte somente se dará em situações mais graves. a penalidade. Os procedimentos são determinados por norma infralegal – a qual é englobada pelo conceito de legislação tributária (art. portanto. implicará em um pagamento duplo: da obrigação principal. CTN) –. decretos e normas complementares (atos normativos administrativos. Mas essa competência pode ser delegada. caracterizando a capacidade tributária ativa. o art. convertida em sanção pecuniária. a serem escolhidas pelo legislador. CTN. Nesse caso. determina que o não cumprimento dessa leva ao nascimento de uma obrigação principal (sempre positiva de pagamento). CTN). tal qual a defectiva letra do art. Já a A obrigação acessória será estabelecida por fontes secundárias. CTN. não sendo necessário tipificar criminalmente a conduta. Aspecto subjetivo (sujeitos ativo e passivo) – sujeito ativo tributário é aquele que detém a capacidade tributária ativa. CTN). a uma pessoa autônoma. podendo ou não ser dispensada pela autoridade fiscal. de sobre ele legislar. “Legislação tributária” compreende toda e qualquer norma que diga respeito a tributo: leis. necessariamente não envolvendo entrega de dinheiro. decorrente do seu descumprimento (art. Aliás. § 3º. prevista na legislação “lato sensu”88. CTN). § 3º. CTN. § 3º. Com efeito. defere-lhe a capacidade de instituir o tributo. I a IV. § 1º. a competência tributária não é delegável. a obrigação acessória ainda persiste. e da obrigação acessória não cumprida. deverá ser prevista em lei em sentido estrito (art. a segunda. Dessa forma. “caput”. fornecendo subsídios para que a autoridade fiscal exerça sua cobrança fiscalizatória. elas poderão deter o dever-poder de fiscalizar e de arrecadar somente. 115. esses últimos recebem parcela do poder de tributar. porquanto não há “conversão”. a imposição da multa administrativa atinge o objetivo de desencorajar o descumprimento da obrigação acessória. CTN). A primeira está descrita no art. mas a obrigação principal. englobando um rol mais amplo que dos entes com competência tributária (U-E-DF-M). 97. O art. a obrigação principal é de pagar. 100. compreendendo prestação positiva ou negativa por parte do sujeito passivo (art. as delineia. CTN. deferido pela Constituição ao Estado brasileiro (República Federativa do Brasil). de fiscalizá-lo e de arrecadá-lo (capacidade tributária plena). decisões administrativas e convênios – art. advindo necessariamente de lei. 113. a qual não foi propriamente adimplida. V. A repartição do poder de tributar (competência). 113. 113. segundo as necessidades de cada ente. no seu § 2º.

150. CF/88. a doutrina corrige o erro do legislador. Foi exatamente o que ocorreu com o Estado de Tocantins. mas nunca de fundo fiscal. “caput”. fiscalizar e administrar tributos. 37. CF/88) e a obrigatoriedade de concurso público ou de licitação nas contratações (art. O art. é meramente sugestivo.. Repetição de indébito – opera-se o mesmo raciocínio do empréstimo compulsório. 119. Tributo não nasce do erro de pagamento. A decisão é muito mais política que jurídica. o prazo prescricional tributário de cinco anos (art. op. salvo disposição legal em contrário. etc. 174. A capacidade de ser sujeito ativo tributário abarca não só as entidades fiscais. Argumentou-se que se trata de instituição “suis generis”.60 parafiscalidade é aptidão para cobrar. os princípio da anterioridade e da irretroatividade tributária (art. O particular será credor do Estado. a fiscalização pelo TCU. em tese. mas não tributário. Considerando que não cabe o chamamento ao processo do outro condomínio pelo executado. ADCT). dada a “causa petendi” do crédito envolvido. III. CTN) – aplicando-se o decurso de 10 anos do art. mas outras paralelas. 89 A Primeira Seção de Direito Público do STJ firmou jurisprudência de que a contribuição para OAB não tem natureza tributária. para ser ressarcido de sua quota parte. “caput”. CC –. O indivíduo jamais será sujeito ativo tributário. Aliás. a Fazenda do Município conseguiu satisfazer seu débito mediante penhora de bens e conseqüente hasta. Persistirá um crédito do indivíduo para com a Fazenda.). consideram-se dois sujeitos passivos tributários. “caput”. . mas sim da lei (princípio da legalidade e da tipicidade fechada). por conseqüência. como condôminos de um imóvel. CTN). originado a partir do Estado de Goiás (art. pecou em sua redação. sendo instituto mais profundo que a capacidade tributária ativa. ferindo a isonomia e a ordem tributária constitucional. CF/88). porquanto. como esse poderia obter o ressarcimento da cota parte a que lhe assiste o direito? Teria de ajuizar ação cognitiva ordinária ou caberia alguma medida judicial mais célere?Resposta: em termos práticos. O STF referendou o posicionamento firmado pelo STJ na ADIn 3026. CTN. 149. não incide o modo de cobrança pela LEF (Lei 6830/80). O inadimplemento do IPTU faz o fisco municipal insurgir em face de somente um deles. essencial à administração da justiça e. conferiu a sujeição ativa da obrigação tributária somente aos entes públicos políticos – U-E-DF-M – porque se referiu expressamente à “competência”. essa já se encontra esgotada. o novo ente tributário utilizará a legislação daquele do qual se desprendeu. 13. para não permitir a solução de continuidade (art. quando de sua nova legislação. à existência do Estado Democrático de Direito. Empréstimo compulsório – o particular. cit. Havendo desmembramento territorial. No entanto. Machado. terá que ser proposta pelo executado “A” outra ação regressiva em face do “B”. para quem o demandante em restituição de empréstimo compulsório e em repetição de indébito passa a figurar como autêntico credor tributário. CTN. por sub-rogação. 205. Posteriormente. pois estipula uma exceção onde o constituinte não estabeleceu. 90 Cf. Na execução fiscal. 120. porquanto a obrigação a ser cumprida pela pessoa pública nunca terá a natureza de tributo. como a Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRFB – Lei 11457/06) e os conselhos de profissões regulamentadas (OAB89. não se sub-roga em uma relação tributária. em que pese disposição cristalina do art. O indébito não terá natureza de tributo90. caso não se consiga fazer com que o outro executado “B” seja chamado. asseverando que o rol do art. será substituída a antiga. não “numerus clausus”. Nesse passo. de cunho financeiro. 119. ao exigir a restituição dos valores já adimplidos (a título de exação). em sentido contrário. CNM. Pergunta: inicialmente. II e XXI. denominadas parafiscais.

em detrimento da competência indelegável dada pela repartição constitucional do poder de tributar. parágrafo único. Solidariedade – é a possibilidade de uma pluralidade subjetiva na relação jurídica material. Como se trata de matéria referente à fiscalização. terceiro alheio à relação tributária. também denominado “schuld” ou “debitum”. em situações bastante específicas. Responsável – não pratica o fato gerador (débito). Há de observar-se que essa relação obrigacional decorre de lei. e 121. I a III. CF/88). 121. mas a lei. O instituto da responsabilidade tributária leva ao fenômeno da substituição. Quanto às obrigações acessórias. em homenagem à garantia do credor. “a”. não abrangendo as demais espécies tributárias – taxas. . a imunidade recíproca impede somente a cobrança de impostos sobre patrimônio. Nesse passo. analisa-se quem poderá ser devedor da obrigação tributária. a doutrina estabelece uma exceção a tal ditame: no caso da contribuição de melhoria gerada por obra efetivada por convênio entes públicos. rendas ou serviços entre os entes públicos (art. além do contribuinte e do responsável. natural ou ordinário. Sem perder de vista a linha de raciocínio. O contribuinte é aquele que detém o débito da obrigação. ainda que envolva hipótese de não-incidência do fato gerador. 194. 126. não da vontade das partes. contribuições e empréstimos compulsórios –. O caráter de sujeito passivo tributário inclusive independe de personalidade jurídica. 150. observa-se que o passivo da citado dever tributário pode ser mesmo o imune. VI. No entanto. com responsabilidade concomitante. a massa falida e as sociedades de fato (art. a obrigação acessório será mais bem delineada no tópico apartado sobre Administração Tributária. “in fine”. sendo denominado sujeito passivo direto. inclusive o próprio Estado. detendo a responsabilidade pela obrigação tributária (“haftung” ou “obligatio”). não se restringindo ao particular. CTN). como o espólio. CF/88. CTN: Contribuinte – é aquele que assume responsabilidade em decorrência de um débito (prática de um fato gerador) por ele adquirido. ao contrário da seara civil. o isento ou o agraciado com alíquota zero (art. O responsável configura um substituto tributário ou sujeito passivo indireto. CTN).61 Na sujeição passiva. No entanto. O nome técnico do sujeito passivo é dado pelo art. ilimitada e alternativa pelo débito. No âmbito tributário. o sujeito passivo poderá ser. parágrafo único. qual a Fazenda que perceberá os valores da exação. transfere-lhe a responsabilidade de realizar o recolhimento do tributo. Pode ser qualquer pessoa. O STF só alarga a incidência da imunidade recíproca na análise “in casu”. II. § 7º. bem como impostos como de importação. mas deverá arcar com o pagamento do tributo por expressa disposição legal (arts. 150. CF/88). o acordo entre os realizadores do empreendimento deverá determinar. Ele não tem relação jurídico-tributária direta com o sujeito ativo. apesar de haver legitimidade para ambas exigirem a satisfação do crédito no que toca sua parte. só é possível a solidariedade passiva. parágrafo único. no seu instrumento.

125. trazem dois casos de responsabilidade solidária dentro do CTN. independentemente da cota-parte de cada qual. CTN): I. No primeiro. excluindo-se as sociedades de capitais. O art. VII. deverá ser abatida a cota-parte do beneficiário. CTN. a responsabilidade ora enunciada só abrange as multas moratórias. os demais serão aproveitados. 134. CTN). No entanto. 123. sendo o benefício realizado “intuito personae”. quer seja em favor do fisco ou dos devedores solidários. somente os devedores assim abarcados serão alcançados. CTN. CTN). 134. I a III. podendo esse cobrar integralmente a dívida de qualquer dos devedores solidários. Os arts. aproveitando todos os devedores solidários. 123. De fato. o art. sua interrupção ou sua suspensão também assim se opera. CTN. O argumento não é oponível ao fisco. Os sócios que assim agem respondem solidariamente com a sociedade somente se essa não cumprir as obrigações tributárias devidas. III. porque o fisco não pode se sujeitar às convenções particulares de negócios jurídicos (arts. Obviamente.Na prescrição – será sempre considerada em relação à dívida.62 A solidariedade tributária não implica em benefício de ordem. Ou seja. Exemplo clássico de solidariedade tributária é a cobrança de IPTU sobre imóvel cuja propriedade é tida em condomínio. Por fim. parágrafo único. III. A rigor. o sócio atua com omissão ou negligência na liquidação de sociedade de pessoas (incluindo as sociedades de fato). só é excepcionado se houver comando legal em contrário. CTN). e 135.Nos benefícios fiscais (isenção. Os efeitos da solidariedade podem se dar (art. sendo favorável ou desfavorável a todos. na qual se pressupõe um benefício de ordem. o fisco poderá cobrar de um. Isso significa que a solidariedade leva em conta a dívida. parágrafo único. A integralidade do tributo é devida por todos. não aquelas decorrentes de descumprimento de obrigação acessória (art. remissão e anistia) – se o benefício for dado em relação à dívida. 134. ou seja. A obrigação tributária advém de lei e não da vontade das partes. como no caso clássico da cobrança de IPTU em face do locador. 123 e 124. II. a relação obrigacional tributária nasce da lei. o beneficiário deverá aduzir requerimento ao fisco para obter a isenção. extingue-se a obrigação tributária principal. A assertiva decorre do princípio da inoponibilidade das convenções particulares (art. os quais merecem detenção mais apurada. Nesse segundo caso. não se perfazendo e se sujeitando às manifestações volitivas de qualquer um que seja.No pagamento – uma vez que um dos devedores solidários realize o adimplemento. objetivamente. levando em conta aspectos pessoais do sujeito passivo. de alguns ou de todos. permanecendo a dívida em relação aos demais. VII. Cada um dos condôminos é devedor solidário da exação. . em que pese haver previsão contratual de adimplemento da exação pelo locatário. desenha uma responsabilidade subsidiária.

“in fine”. CTN). na linha do art. Entretanto. não envolvendo propriamente sanção pecuniária nem obrigação acessória. deverão ter poder de gerência na empresa. excluindose a pessoa jurídica do correspondente. mormente ligada ao recolhimento de tributo. CF/88. O requisito subjetivo só será exigido quanto à outra irregularidade. segundo o STJ. é possível destacar três traços marcantes: . CTN). Características gerais – em qualquer das duas categorias. deve haver atuação deliberada do sócio-administrador. o sócio responde solidariamente como resultado da prática de atos dolosos. a qual integrou ao Texto Maior o art. 121. O art. como bem vem decidindo o STJ. . deverá recolher o tributo. Somente a lei em sentido estrito pode determinar a relação tributária com responsabilidade (arts. não interessa o tipo societário adotado. III. Trata-se de previsão legal de desconsideração da pessoa jurídica. Os sócios. deve necessariamente ter proximidade com o causador do débito pelo qual . diversa do não pagamento da exação. entendendo-se solidariamente responsáveis os titulares. porquanto os infratores responderão pessoalmente perante terceiros. II. LC 123/06. Responsabilidade Tributária Responsável tributário é o chamado sujeito passivo indireto da relação tributária. Em que pese o codex já trazer previsão da estrita legalidade. e 128. CTN). 204. 78. parágrafo único. Será medida célere. 78. § 3º. permite que as MEE’s e EPP’s podem dar baixa de suas atividades mesmo sem comprovação de prova de quitação de tributos. o ônus da prova da exclusão da responsabilidade solidária passa a ser dele. para responder nos moldes do art. com excesso de poder ou com infração à lei. CC. aquele que. sem praticar o fato gerador. O lapso temporal de referência é a época do fato gerador.O terceiro responsável. a responsabilidade ganhou ares constitucionais pela pena da EC 3/93. ao contrato social ou ao estatuto. Se o sócio constar da CDA como devedor. a ser efetivada em até 60 dias (art. Nessa hipótese.Expressa previsão legal – harmoniza-se com inoponibilidade das convenções particulares ao fisco (art. não sendo necessária dolo. A figura em análise pode ser classificada como responsável por transferência (sucessão tributária) ou por substituição. § 1º. Observa-se que é uma responsabilidade integral. a desativação da empresa não obsta futura cobrança de débito tributário. A demonstração pelo sócio deverá ser feita por meio de embargos à execução. “caput”. o que exclui sua responsabilidade solidária (pessoal) no caso de mero não recolhimento de tributo pela ausência de caixa para tal. Esse entendimento decorre da presunção relativa de liquidez e certeza da CDA (art. LC 123/06). qualificado pela lei como sujeito passivo. 123. Nota-se que a obrigação tributária envolvida é a principal. § 7º. isto é. sócios e administradores.63 No segundo. 150. 78. Para que se caracterize infração a normas. CTN. 50. mesmo que a pessoa já não mais esteja ligada à empresa na época da baixa. LC 123/06). 135. culpa ou má-fé pelo simples nãorecolhimento de tributos (art.

a responsabilidade pelo seu pagamento é transferida do alienante ao adquirente. Já na substituição. sobretudo. no ato. inclusive o IR e a contribuição social consectária (art. Em que pese intensos debates hermenêuticos. Essa característica decorre. porque existe em outros. 304) indica que as razões que determinam a incidência da responsabilidade tributária pelo legislador vão desde a conveniência até a necessidade.). quando no exercício do poder de tributar.64 estará respondendo – deve haver uma vinculação entre responsável e contribuinte. CF/88). Visa evitar o inadimplemento da obrigação tributária e facilitar administrativamente a arrecadação. a lei desde logo põe o ‘terceiro’ no lugar da pessoa que naturalmente seria definível como contribuinte. sendo certo que o liame há de ser econômico. mesmo porque se trata de quebra da regra ordinária sobre débito e responsabilidade tributários. 2006. quando a casa lotérica vai pagar o prêmio do concurso de prognóstico.: na alienação imobiliária (fato superveniente). o empregador da construção civil deve realizar o recolhimento das contribuições previdenciárias dos seus obreiros. Essa divisão decorre diretamente da lei. Na esteira. p. Responsabilidade por substituição – substituição tributária não é fenômeno exclusivo do IPI e do ICMS. a obrigação tributária é dividida já na sua nascente. “(. porquanto esse sucede aquele. p. para não permitir que o responsável arque com débito de quem nunca “conheceu” ou se relacionou..O instituto representa. ela já recolhe.. na sua essência. Ex. . como é o caso da retenção na fonte pagadora de percentagem da remuneração do empregado. ou seja. Esse traço não é exclusivo dos tributos não vinculados. Amaro (2006. possui vários exemplos. por ocorrência de um fato superveniente. a responsabilidade é deslocada (transferida) para um terceiro. no caso da instituição financeira retê-la já na conta do correntista. não havendo de se cogitar qualquer fato superveniente a determinar a quebra entre débito e responsabilidade. uma garantia pró-credor – a responsabilidade foi erigida fundamentalmente para favorecer a Fazenda Pública. sendo deferido o débito a um (substituído tributário) e a responsabilidade. Responsabilidade por transferência versus responsabilidade por substituição – havendo débito e responsabilidade reunidos em uma só pessoa. . III. 195. 307). o instituto da responsabilidade colima proteção ao fisco. as exações correspondentes. como a CPMF. em que pese persistir um ambiente natural nessas exações. a outrem (substituto tributário). da segurança jurídica. havendo débito de IPTU atrasado. na substituição. Da mesma forma. A doutrina costuma falar de uma “participação indireta” no fato gerador. por exemplo. O IR. a obrigação tributária já nasce com seu pólo passivo ocupado por um substituto legal tributário (AMARO.

Acontecendo situação contrária. contudo. Na anterior. só incide sobre os valores efetivamente agregados (base de cálculo). sendo calculado sobre o valor de quem lhe vendeu. utiliza-se a técnica da não cumulação. a sucata (reciclagem e siderurgia) e animais de abate e corte (açougue). não há uniformidade quanto ao entendimento. No esquema da substituição. A tributação dessa cadeia de consumo transcende a simples facilidade da tributação. CTN. 146. haveria pesos diversos para a mesma situação. um retardamento (substituição para trás. pode ser estatuída. porque seria faticamente impossível fazê-lo de todos os intermediários. tal qual estabelecido na legislação tributária. uma postergação. DJU 17. Para evitar tal ocorrência. se a pauta previr um aumento do produto ou serviço. Alguns argumentam que há um ato jurídico perfeito. há uma antecipação na tributação (substituição para frente. no segundo. Cada intermediário na cadeia pagará o tributo dentro do valor por ele agregado. É uma tese a favor da Fazenda. o Estado criou a responsabilidade por substituição. Informativo do STF nº 469). Min. constituindo o que a doutrina e a jurisprudência costumam designar como contribuinte de fato. Ao revés. a exação.8. dependendo da conveniência e da facilidade em realizar a fiscalização e o recolhimento. segundo entende o STF (ADIn 2056/MS. apesar de não haver pronunciamento pacífico do STF. Sistemas de não cumulatividade – o regime de tributações individuais provavelmente levaria a um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Pública. escolhe um dos componentes da cadeia de consumo para fazer o recolhimento integral do tributo. não cabendo restituição ao substituído final. pacote de cigarro. O diferimento tributário. o qual estatui uma forma de arbitramento – quilo da carne. a Administração Fiscal. São exemplos de produtos englobados pela substituição regressiva o leite cru (laticínios). o tributo incide sobre o valor total estabelecido pelo componente da cadeia. sem. o consumidor final arcará com a carga tributária. sendo que o primeiro só incidirá em produtos industrializados. 92 Ocorrendo desvalorização de modo a depreciar os valores da tabela normativa. a substituição não onera o substituto e muito menos privilegia o substituído. Nessa última. Gilmar Mendes. sendo irrazoável tal posição. como é o caso da isenção e da imunidade. No entanto. a cana em caule (usina de açúcar e álcool). progressiva. englobando exatamente os mencionados IPI e ICMS. submeter o responsável a qualquer exação a maior. rel. porque esse repassa os valores recolhidos nos valores de venda do produto ou serviço. com suas alíquotas. Não há também que se invocar a retroatividade da lei mais benéfica. É o entendimento prevalente nos tribunais. utilizada pelo Brasil. inclusive no STJ.2007. aduzida com base no art. porque não se trata de sanção. No primeiro caso. 91 . Com efeito. não havendo de se persistir um direito à restituição dentro dessas. No contexto em tela. já sendo realizada a tributação pelo modelo de substituição para trás. Para eliminar custo.65 Mas a tributação de consumo e as vendas em cadeia são a coqueluche da substituição tributária. por norma regional ou local. a base de cálculo do produto ou serviço deve ser monetariamente estabelecido pelo legislador (pauta fiscal)92. além da alíquota. porquanto não se trata de reserva de lei complementar ou constitucional. regressiva ou diferimento fiscal)91. respectivamente. o que privilegia a segurança jurídica. Ora o fisco seleciona o primeiro componente. o fisco realiza a cobrança da diferença. da mesma forma caso o substituído final vendesse o produto por um preço maior que o estipulado pela pauta fiscal. O fisco teria dado cumprimento à lei. outros advogam que incide um enriquecimento sem causa. trabalho. As cadeias a serem atingidas pela redução da tabela são aquelas não iniciadas. Em ambas. por presunção ou crédito e fato gerador presumidos). unidade de automóvel. ora destaca o último. fazendo uma compensação em relação ao valor anteriormente pago. risco de inadimplemento e ônus à máquina administrativotributária. no caso de exação estadual ou municipal. a qual pode ser aduzida de duas formas: pela compensação de débito e crédito (perfilhado pela legislação doméstica) e pelo valor agregado.

a sonegação fica eficazmente mitigada. a qual não legitima a restituição. CF/88. vindo a abalar a atividade econômica do empresário e o equilíbrio de mercado. Entretanto. IV. Mais: a substituição para frente tende a tolher e limitar a livre iniciativa. vindo a sentir diretamente os efeitos da tributação a maior pela inocorrência do fato gerador. Porém. Regime da substituição progressiva e constitucionalidade – a matéria foi pacificada pelo STF. o qual seria inundado de executivos fiscais a maior do que a já exaurida e cambaleante capacidade de prestação jurisdicional. e 170. Por liberalidade. tornando a sonegação francamente presente. A flexibilização da pauta fiscal se destina justamente à agilidade na atualização. Aparentemente. A substituição tributária é um sistema inteligente. garantiu a restituição dos valores recolhidos. Na esteira. da máquina administrativa e dos serviços públicos. porque cobrara tributação sobre algo que nem mesmo se sucedeu. promulgada a EC 3/93. a extinção levaria à insegurança jurídica na arrecadação. é possível atualizar a tabela fiscal por ato do Executivo (decreto). Isso não significa a operação em valores a menor na ponta da cadeia. Nesse passo. A questão se vincula a antecipação do crédito tributário. supõe-se que o último elo da cadeia de consumo vende o bem por valor a menor que a pauta fiscal. CF/88. à estimulação ao crime de sonegação. Os produtos englobados pelo regime da substituição presumida sugerem a impossibilidade concreta de fiscalização e de recolhimento do tributo. a exação já foi recolhida . Segundo o STF. Com efeito. além de constitucionalizar a presunção do crédito e do fato gerador. caso não ocorra o fato gerador. esse traço marcante é palco de discussões doutrinárias acerca da constitucionalidade do instituto. tutelada pelo arts. garantiu-se constitucionalidade ao instituto. os empresários estariam onerados. porque o produto ou serviço poderia só ser repassado muito tempo depois.66 etc. O habitat natural desses bens se vincula a uma tributação impossível. porque há um repasse na nota de compra. de acordo com a LC 87/96 (Lei Kandir). Além disso. “caput”. sendo posteriormente coadunado pelo legislador da EC 3/93. o Estado estaria abrindo mão de receita. por diminuir os riscos ao credor tributário e por minimizar os custos de fiscalização e de recolhimento. Vamos ao delineamento dessas considerações. antes mesmo da ocorrência do fato gerador. 1º. § 7º. o direito de restituição compete ao substituído. Dessa feita. mormente no tocante à modalidade de substituição para frente. porque a receita tributária é antecipada em relação ao fato gerador ocorrido. Nessa ponderação de valores. Restituição – a referida emenda. foram erigidos argumentos relevantes a favor do instituto. a gravame financeiro da Administração e à potencial afetação ao Judiciário. o STF optou pela decisão política. porque o tributo é seu principal sustentáculo financeiro. mesmo porque. mediante outras condições. levando em conta que o fato gerador nem mesmo poderia ocorrer. a qual acrescentou o art. 150. necessária a exprimir o real valor da riqueza tributada. o Estado estaria se enriquecendo ilicitamente. porque a base de cálculo já está estipulada abstratamente pela lei. No entanto.

CF/88. mesmo que o substituído final receba a menor pelo bem. A riqueza apresentada pela operação mercantil não é aquela que corresponde à presunção erigida pela tributação. entendimento que tende a ser revertido nas seguintes (Informativo do STF nº 418). não dependendo de qual o preço determinado pelo vendedor. Ao aceitar o preço imposto pelo contribuinte na nota de venda. a sonegação fiscal. não há causa para arrecadação. “a”. 146. em tese. O segundo fulcro liga-se ao confisco. O terceiro fundamento se vale da violação da efetiva capacidade contributiva. CF/88). bebidas. havendo uma diferença em favor do fisco. que foi quem efetivamente pagou. o (último) substituído pleiteará a restituição do diferencial entre o valor tributado e o preço da venda efetiva. O acatamento do postulado levaria ao sepultamento da substituição por presunção. produtos de limpeza e fumo. não podendo o Estado abrir mão dela. há grande pressão para alteração legislativa e. sobre a mudança jurisprudencial. Nesse sentido. a quem compete o direito de restituição? Ao substituto. Dessa feita. a Administração tributária estaria violando o princípio da tipicidade.Pela não restituição – preliminarmente.67 sobre o montante cheio. por quê? Se sim. ADIn 1851-AL versus ADIn’s 2675-SP e 2777-SP. 150. 93 . recaindo-se sobre o valor da liberalidade (tributado e não agregado). porque é a lei que fixa a base de cálculo e a alíquota (art. prática vedada pelo art. ou ao substituído? O eventual direito a ressarcimento recairia sobre que montante? Qual a posição atual do STF sobre o questionamento93? Formaram-se duas correntes: . porque se estaria liberando o substituído final para praticar qualquer preço na venda na ponta da cadeia. não devendo o fisco se assentar sobre o efetivamente praticado. A riqueza revelada corresponde àquela existente. Preço e valor são conceitos diversos. Todos os segmentos possuem grande lobby legislativo. porque a lei autoriza a tributar a alíquota em cima da riqueza efetivamente circulada (agregada). . quando o substituído final promove a redução da base de cálculo do imposto por liberalidade? Se não. Ex. os postulantes da tese anterior visam.: a base de Cf. O substituído advoga pela real demonstração de riqueza. sendo determinado pelo preço que o substituído final praticasse94. IV. sendo certo que. Do contrário. em realidade. a um depósito. o qual deveria ser integralmente devolvido ao final da cadeia. principalmente. montante concretamente agregado. Base de cálculo é valor e não preço. O argumento se funda na agregação concreta e não legislativa. medicamentos. A riqueza efetivamente circulada é aquela estabelecida na pauta fiscal. A tributação de uma riqueza não efetivamente demonstrada é um confisco. III. na primeira. Essa riqueza é direito do administrado na prestação estatal. O primeiro fundamento se reveste no enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. com bastante força política. a incidir sobre um montante maior que o apresentado pela capacidade contributiva do substituído final. a votação no pleno foi de 6 votos a 5 pelo não ressarcimento. fazendo-se argüir: é cabível a restituição no regime da substituição tributária para frente.Pela restituição – o direito a pleitear a restituição é do substituído final. 94 Os principais setores atingidos pela substituição para frente são: automóveis. porque o valor inicialmente recolhido pelo substituto corresponderia.

DJ 10/3/2003. o custo da execução geralmente é maior que o próprio valor da sanção. estaria prejudicada.694-MG. REsp 469. porque se trataria de irresponsabilidade fiscal (art. a Fazenda teria que devolver o montante. utiliza a expressão “caso não se realize o fato presumido”. AgRg no Ag 455. não devendo transcendê-lo (princípio da personalização da sanção). a execução é do crédito tributário. englobando o tributo e a multa. A procuradoria estatal não pode realizar a cobrança. São os fatos supervenientes que determinarão a transferência do débito do contribuinte originário (sucedido) a um terceiro (sucessor). DJ 28/4/2003. Informativo do STJ nº 319. ADIn 1851/AL. É a tese pacificamente aceita pelo STJ. o É devida a multa – podem ser arrolados dois argumentos: um político e outro jurídico. A separação da cobrança implica na existência de duas execuções. levando à crença de que as operações a menor não estariam contempladas pelo constituinte. STJ. § 3º. O STF só aceita a restituição na substituição “para frente” quando efetivamente não há o fato gerador. LRF). DJ 11/9/2000. REsp 245. se houvesse um subfaturamento. as quais apresentam um custo dobrado ao Estado. RMS 13. gerando uma instabilidade para o Estado quanto ao montante arrecadado na cobrança feita ao substituto. rel. Não se está tolhendo a autonomia privada do alienante do bem. o STJ seguiu a orientação96. Quanto ao primeiro. Ocorre que o art. não importando qual o preço estipulado pelos negociantes. não há direito à restituição95. com os fatores já supra mencionados. quem faz liberalidade deve suportar seus efeitos. CF/88.506-PB. A aceitação abalaria a segurança jurídica. 4º. Se esse intentar o feito dessa maneira. 14. A otimização da arrecadação. § 7º. Pode ser visualizada segundo alguns aspectos: .123-GO. II. Daí.915-MG. sendo esse transferido integralmente ao sucessor. Além disso. . Ademais. Quando esse se realiza a valores menores. REsp 552. § 3º. Min.Multa – argúi-se se a multa acompanha o tributo na sucessão. O direito dos terceiros de boa-fé – incluindo o fisco – não pode ser prejudicado em face da atuação do particular. 150. em um momento futuro (venda final). o Judiciário 95 96 STF. posto que. julgado em 3/5/2007. 2ª T. principalmente nas multas menores.386-SP. LC 101/00). gerarse-ia a incerteza: o valor arrecadado pode ser utilizado? Deixaria de ser receita e passaria a ser entrada provisória (componente do Anexo de Riscos Fiscais – art. mas sim que ela não poderá invadir a seara dos direitos de outrem – do Estado –. Após o posicionamento do Supremo. A responsabilidade do infrator é pessoal. Formaram-se duas correntes: o Não é devida a multa – ninguém pode ser penalizado por conduta que não praticou. DJ 24/6/2002. João Otávio de Noronha.019-SP. Responsabilidade por transferência (sucessão tributária) – possui duas vertentes: “inter vivos” e “causa mortis”. sob pena de abuso de direito. REsp 436.68 cálculo do ITBI é o valor do imóvel (previsto em tabela estabelecida em lei). DJ 4/8/2003.

cuidou da operação de alienação de estabelecimento comercial (trespasse). Os primeiros são os basilares do Estado. a corte poderia uniformizar o entendimento. a linguagem imprópria do legislador dá interpretação à incidência da multa somente quanto à primeira espécie de transferência. Qual classificação mais de acordo com o posicionamento das bancas de concurso? Resposta: no momento do concurso é importante você citar estes três institutos. Do contrário. enquanto os demais dispositivos mencionam apenas “tributos”. na verdade. O art. CTN. Assim. . seja a responsabilidade por transferência por substituição. Todavia. 131. “caput”. O modo de exposição da matéria do professor Amaro não encontra guarida na doutrina majoritária? Em posição análoga. não sendo possível sua extensão a outros. refere-se a “crédito tributário” (tributos mais multas). por fusão. trata da transferência “causa mortis”. não sendo estendido à seara administrativo-tributário (poder de arrecadar e de polícia). Persiste uma infração tributária e não um crime tributário. asseverando que o rol do art. por incorporação. com conotações diversas em cada área específica. O art. com exclusividade. 130. Em suma. por substituição e por solidariedade. assentando suas colocações em Rubens Gomes de Souza. 131. durante as aulas do curso. 132. RTJ 78/965. No entanto. “caput”. 133. essa última foi estudada em tópico separado. a solidariedade foi analisada como instituto autônomo em relação à responsabilidade. desde que sócio remanescente continue na atividade empresarial (art. trata da transferência empresarial. gerais e setoriais. é apenas sugestivo. CTN). Optou pela segunda linha. CTN. e a solidariedade ela pode estar tanto na transferência quanto na substituição. Esse também tem sido o entendimento do STF98. II e III. o direito penal tributário (atribuição punitiva do delito) não há de ser confundido com o direito tributário “penal” (atribuição fiscal-administrativa). a classificação utilizada por alguns doutrinadores configura. coloca a responsabilidade tributária divida em três espécies: por transferência. Na esteira. Somente o art. CTN. dos sucessores e de terceiros. melhor 97 Luis Roberto Barroso. trata da transferência “inter vivos” imobiliária. já tão abarrotado pelas demandas ajuizadas. À luz exclusivamente do texto frio da lei. Os segundos são aplicados a todas as matérias jurídicas. elementares à sua própria existência. RE 83. essas seriam as disposições normativas. CTN.613-SP. O princípio da pessoalidade da pena na pessoa do criminoso é ditame setorial97. Eduardo Sabbag coloca a responsabilidade por transferência dividida em três categorias: por solidariedade. restrito à seara punitiva do delito fiscal. O art.69 estaria ainda mais onerado em sua prestação jurisdicional. divide os princípios em três categorias: fundamentais. aplicando-se somente a sucessão do crédito tributário nas transferências imobiliárias “inter vivos”. 132. O STJ poderia optar por uma interpretação restritiva. A multa é sanção administrativa e não criminal (pena). 130. CTN. por cisão ou mesmo por extinção da empresa. o art. 98 STF. em seu “Interpretação e Aplicação da Constituição”. Quanto ao segundo. I. parágrafo único. Pergunta: Luciano Amaro. Os últimos somente se verificam em determinados compartimentos jurídicos.

mormente quando se trata de operações societárias (art. a Fazenda Pública será intimada para se manifestar. dependendo do ponto de vista. serão transferidas ao sucessor. se a autoridade verifica que houve erro na emissão da certidão. logo posteriormente à hasta. precisamos adotar a posição mais recente adequando com o tipo de concurso que você irá prestar. Posteriormente. o Emissão de certidão de débito pela autoridade fiscal – em alienação de imóvel.Transmissão “inter vivos” de imóvel (IPTU) – as dívidas tributárias. Essa situação se defere à segurança jurídica. a regra é de obrigação “propter rem”. as procuradorias municipais têm erigido a tese de responsabilidade subsidiária do agente público responsável pela omissão na emissão da certidão. Quando. dispositivo pelo qual tabeliães e cartorários devem responder por créditos tributários. do art. Qual posição. Assim. . em homenagem à segurança jurídica. CTN. CTN. Atualmente. o adquirente não arcará com os débitos fiscais. conquanto os dois últimos autores invocam julgados menos hodiernos do STF e do STJ respectivamente? Resposta: infelizmente ou felizmente. afinal. por analogia. 130. Pendendo exação sobre a coisa. AGU muitas vezes a posição é diferente da magistratura. A Fazenda Pública só poderá cobrar do alienante. CTN).70 modo por eles escolhido para exposição da matéria. VI. Caso a autoridade fiscal deixe de acusar a dívida tributária no momento oportuno. entendeu a corte que as multas. antes de ser repassado o valor ao exeqüente. Luciano Amaro e Eduardo Sabbag afirmam que a responsabilidade por transferência não se estende a multas. Mesmo sendo uma execução particular. preceituou que seu rol de disposições é simplesmente sugestivo. CTN. há exceções ao ditame: o Aquisição de imóvel em hasta pública – o terceiro adquirente (arrematante) do imóvel não arcará com os débitos tributários. por exemplo. CTN). 134. pelos atos por ou perante eles praticados. no ato de . acusando outros débitos não indicados. no momento da hasta. é a prevalente. a qual possui fé pública. seriam transferidas ao sucessor também no caso dos arts. obrigação tributária). Em verdade. o valor não poderá ser cobrado posteriormente do arrematante. Essa idéia tem por fulcro uma aplicação. o negócio fica perfeito mediante juntada do documento público. Deverá recorrer ao antigo executado para perceber seu crédito. Pergunta: o STJ. mesmo porque. Entretanto. o fisco percebe seus créditos antes do repasse do numerário ao demandante (art. em sentido contrário. devendo indicar os valores dos tributos a incidir. sofremos constantes mutações quanto às posições adotadas pelas Cortes Superiores. 132. a título subsidiário. componentes do crédito tributário (na realidade. parágrafo único. a Fazenda Pública expediu certidão de dívida. em tese. Nesse raciocínio. em concurso público. ao interpretar o art. Entendo mais coerente como foi exposto na aula pela professora Tathiane estudar a solidariedade em tópico separado. Entretanto. 131 e 132. 130.

Não foi a tese vencedora. de emprego e. 133. subsidiariamente. Nesse caso. em que pese ser integral. 124. No entanto. CTN) – persiste indício de demonstração de riqueza no novo elemento de empresa. havendo passivo fiscal sobre o estabelecimento. O instituto tem por fim proteger primordialmente o credor tributário. perfilhada pelo STJ. parágrafo único. O postulado se fundamenta no art. não foi esclarecida pelo legislador acerca do seu título. por conseguinte. genuína engrenagem da economia. II. perfilhando o postulado da sucessão “propter rem” totalmente. Será integral.Transmissão de fundo de empresa – está disciplinado no art. 133. a Fazenda Pública se manifesta sobre eventuais débitos do bem (IPTU). de arrecadação fiscal. “caput”. subseqüentes à alienação (art. 133. a não ser em caso de dolo do funcionário que a expediu. Qualquer ressalva aposta no documento é cláusula ineficaz. CTN). o imóvel posto em hasta pública representa a garantia do pagamento. será subsidiária. o agente público que produziu o documento público (analogia ao art. . Surgiram três posições: • Responsabilidade exclusiva do adquirente – a palavra “integral” quer dizer “exclusiva”. conforme art. I. 133. caso aquele prossiga no comércio nos próximos seis meses. CTN. o adquirente traz em mãos a certidão de dívida negativa. CTN. • Responsabilidade preferencial do adquirente – o alienante responde subsidiariamente pelas obrigações tributárias. fonte de riqueza. CTN. Uma vez que exare certidão negativa. Pergunta: na aquisição de imóvel em hasta pública. posteriormente. I. seria possível cobrar o débito também do exeqüente? Resposta: cuidado. de acordo com a postura posterior adotada pelo alienante (art. a Administração Pública responde por tal informação. CTN). CTN). I. 133. Antes do repasse do preço ao exeqüente. considerada não escrita. há sim interesse comum entre alienante e adquirente em arcar com os . 134. No caso da responsabilidade espelhada no art. Também não foi prevalente. Caso haja certidão negativa de dívida. vir a cobrar os valores do adquirente. A doutrina e a jurisprudência ficaram incumbidas de interpretar a disposição. Na operação de trespasse. a responsabilidade do adquirente oscilará. VI. Segundo asseveram os defensores dessa corrente. CTN). não responde pelos débitos tributários. porque a solidariedade não pode ser presumida. Essa regra de sucessão tributária colima a preservação do empresário. decorrente da própria atividade empresarial. 130. o arrematante não responde por débitos fiscais anteriores (art. • Responsabilidade solidária com o alienante – é a tese majoritária. se o alienante não praticar qualquer atividade empresarial dentro em seis meses do negócio (art. caso o adquirente não tenha capacidade de arcar com elas. por Machado (1993) e por Paul Erik. 208 do CTN. é possível alcançar o executado e.71 aquisição do imóvel. não poderá.

são incompatíveis com o diploma anterior. AgRg no Ag 728. § 2º. 124. 124. 133. Não incorrendo nos caso anômalos de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica. Com efeito. a fórmula aberta do dispositivo legal favorece bastante a arrecadação. CTN. A Lei 11101/05 (nova Lei de Falências – LF) provocou alguns reflexos na área tributária. de alguma forma. porque a autoridade pode escolher qual o sujeito passivo em melhores condições para arcar com os débitos fiscais.72 débitos tributários. o diploma criou uma situação esdrúxula de solidariedade tributária. 133 da codificação. ausentando-se qualquer benefício de ordem (art. a Lei 8620/93. no REsp-AgRg 410. “caput”. estabeleceu responsabilidade ilimitada entre sócios e sociedade nas dívidas para com a seguridade social. CTN). Do contrário. portanto constituindo elemento essencial à mecânica macro-econômica. O legislador considerou mais importante a preservação da empresa do que a satisfação dos credores.INSS – Sociedades Limitadas e Sócios – Solidariedade – a grande maioria dos empresários domésticos são constituídos na forma de sociedades limitadas. O legislador optou por facilitar o trespasse nas delicadas situações mencionadas. não pode levar à exigência do crédito sobre o patrimônio dos sócios. impera normalmente a regra “propter rem” – persiste a sucessão tributária nos termos do art. na década de 90. dada a função sócio-econômica daquela. Para adaptar o CTN à nova realidade. Lei 8620/93 – as disposições do CC/02. com o fito de favorecer o adquirente que resolve celebrar o negócio. I e II. § 3º. o eventual adimplemento tributário. ao alienante. CTN. 13. a qual acresceu três parágrafos ao art. 133. 133. foi promulgada a LC 118/05. 99 STJ.080.717-SP. Em verdade. . CTN. as disposições seguem comandos específicos. Havendo falência ou recuperação judicial. considerando o negócio do trespasse. Inicialmente.755. A decisão se fundou na existência de expressa previsão legal. facilitando muito o ofício da PGFN (Lei 11457/06). porque a estrutura desses empresários não se harmoniza com o dispositivo em tela (art. . REsp 717. O montante resultante da alienação judicial do estabelecimento ou da empresa ficará depositado em conta do juízo falimentar por um ano. Pela regra. Contudo. o qual disciplinou as sociedades limitadas. caso o adquirente não seja pessoa estranha ao alienante.250-RS e REsp 638. com base em três argumentos: o O CC/02 revogou o art. § 1º. parágrafo único. 13. no seu art. CTN). 1052. CTN). o STJ se pronunciou sobre a matéria. caso esse não esteja ligado. A revogação foi implícita. o voto vencido do Ministro José Delgado fundou uma mudança jurisprudencial efetivada em 200599. 133. só podendo ser levantado para pagamento de credores extraconcursais ou daqueles precedentes aos tributários (art. II. há extinção da sucessão tributária ao adquirente (art. Dessarte. notadamente de contribuições sociais. com fulcro no art. enquadrando-se naquelas do art. afirmando que cabia a solidariedade por maioria de votos.

como bem ventila o art. 124. com seus benefícios legais. 135. fica reprimida. haverá responsabilidade decorrente.684-SE. Essa tendência. Dessa feita. a certidão goza de presunção relativa de liquidez e certeza (art. apesar de não haver qualquer decisão tomada. não abarcaria o simples atraso no pagamento dos tributos. A jurisprudência. “caput”. IV. contida no art. o Violação do princípio da livre iniciativa – além desse gravame direto. invertendo-se o ônus da prova. 13. 13. O que não pode o legislador ordinário é extrapolar os limites do constituinte e do seu comparsa complementar. Não se tratava de desconsideração da personalidade jurídica. 135. “caput”.73 CC). 13. LEF).898-DF e REsp 839. “caput”. Em nenhum momento. porquanto goza da presunção de constitucionalidade. O equilíbrio macro-econômico fica comprometido com o tolhimento do sistema capitalista instalado. II. É a teoria “ultra vires”. 13. fica sufragada. CF/88. o constituinte exigiu LC para determinar solidariedade. mas sim responsabilização principal na pessoa do administrador. e 170. “caput”. também perfilhada pelo art.Administrador – caso pratique atos em contrário à lei ou com excesso de poder. Trata-se de responsabilidade pessoal do sócio. bem como. CTN. Esta justificativa também não é própria. Há ADIn em trâmite no STF para contestar a constitucionalidade do art. o art. a tese da inconstitucionalidade formal do art. este fundamento não condiz com o Direito Intertemporal. foi mudada hodiernamente100. Lei 8620/93. REsp 441. Contudo. Este é o argumento mais robusto para afastar a aplicação do art. admitia a execução direta do patrimônio administrador pela mera mora tributária. “caput”. 3º. O próprio STJ tem postura cristalizada no sentido de possibilidade de execução fiscal em face de sócio que conste em CDA. aduzida nos anos de 1992 e de 1993. Segundo a corte. o comando continua válido. A constituição de sociedade limitada. . 13. principalmente pela pena do Ministro do STJ Garcia Vieira. Pelo contrário. 1º. A referência que se faz à infringência da lei. toda a estrutura econômica positivada (arts. porque a LC deve estabelecer normas gerais e não específicas. lesionando por demais a grande mola propulsora da circulação de riqueza. o A matéria é de disciplina exclusiva de LC – haveria um vício formal no art. Por tal argumento. III. O STJ entende que a mora pode ser 100 STJ. porquanto a Lei 8620/93 é especial. nesse passo. . 146. Lei 8620/93. CTN. excluindo-se a pessoa jurídica do pólo passivo. o CTN atende ao comando constitucional. uma vez que o sócio conste da CDA. Lei 8620/93. enquanto o CC. o próprio art. por via reflexa. geral. Nesse caso. CF/88) fica prejudicada. III. Lei 8620/93. Lei 8620/93. autoriza o legislador ordinário a estabelecer responsabilidade solidária. “caput”. vigente e eficaz. CTN. mandamento construído pela Lei Maior.

Esse pode decorrer de situações de mercado. devendo ser caracterizada o dolo ou culpa do agente. com antecipação do pagamento. Nesse sentido. Uma segunda tese estabelecia como marco o início de qualquer procedimento administrativo de fiscalização tributária. 138. Visa primordialmente favorecer o Estado. Ademais. advogava-se a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea até a citação válida. pela qual ficam excluídas as sanções pecuniárias. mediante a efetiva ocorrência do fato gerador. Esse entendimento não condiz com o espírito do instituto. é necessário levantar quatro questionamentos: o Tecnicamente. quando for percebido nessa prática. sendo a multa somente instrumento de coerção sobre o ânimo do sujeito passivo. Essa prática objetiva evitar que o contribuinte declare e não pague e. de dissolução irregular de sociedade ou descumprimento de obrigações acessórias. Essa última posição só cabe nos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Mas a Fazenda Pública se preocupa com o recebimento do tributo. parágrafo único. CTN. a tese prevalente preconiza o lançamento como fator a elidir a denúncia espontânea. por exemplo. Dessa forma. EREsp 690. CTN? Inicialmente. é recorrente. não por corriqueiro inadimplemento de tributo. Na tentativa de extrair a ocorrência do fato gerador e evitar a decadência tributária. não pode ser confundida com a responsabilidade objetiva da empresa no mero inadimplemento do tributo ou também no descumprimento de obrigações acessórias. o Havendo denúncia espontânea. É o entendimento esposado pelo STJ101. o fisco já estaria cobrando. . incidem multas pesadas sobre o ilícito. não dando azo à execução pessoal do administrador. de elementos sazonais ou de circunstâncias que tornem a atividade momentaneamente difícil. Nessa seara. CTN.681. foi criado instituto da denúncia espontânea. mesmo porque o sujeito passivo deve se apresentar à autoridade fiscal antes desse chamá-lo. nesse momento. Ag Rg no EDcl do REsp 826. Para tentar corrigir.74 caracterizada por descumprimento de obrigações tributárias acessórias ou por ocorrência de delito tributário. até que momento se considera efetivamente espontânea a confissão feita pelo sujeito passivo para fins de se aplicar o benefício do art.Denúncia espontânea – a maioria dos tributos depende de uma atuação antecipada do contribuinte no adimplemento. invoque a denúncia espontânea para afastar multa sancionatória. para que se conceda o benefício previsto no art. Contudo.133-PR. . a sonegação. AgRg no AgRg no AgRg do REsp 611. a responsabilidade aqui mencionada deve ser subjetiva. porque. a apresentação posterior da declaração de tributos já caracteriza o ato de lançamento. São os casos. Restringindo um pouco mais.628-PR. “caput”. a confissão deve ser necessariamente acompanhada de pagamento ou cabe tal vantagem 101 STJ. quer seja na seara administrativa ou criminal. 138. o qual pode ensejar diretamente a inscrição em dívida ativa. tal qual a disposição do art. 138.

75 quando a denúncia é seguida a simples parcelamento? Somente o pagamento dá azo à denúncia espontânea. o inadimplemento tributário. o legislador seguiu a interpretação jurisprudencial anteriormente dada. para acórdão Min. o Havendo denúncia espontânea acompanhada de pagamento. j. VI. A primeira independe de qualquer norma. a natureza jurídica do instituto gera divergência: é ato ou procedimento? É declaratório ou constitutivo? Ato é uma conduta isolada. tal qual o art. 13/6/2007. a denúncia espontânea só afasta a multa moratória. em que pese não ser a tese vencedora. aduzido pelo devedor. não pode ser cumulado com o afastamento da sanção. pode afastar qualquer espécie de penalidade. não distingue qual a natureza da multa. 138. . O art. Denise Arruda. DJU 30/6/2006. CTN. na anistia. porquanto o contribuinte em atraso não é inocente. EREsp 760. porque o Estado não pode fomentar. Essa posição foi corroborada pela LC 104/2001. a exclusão da penalidade tem que alcance? Atinge a multa moratória. CTN. enquanto procedimento. diploma que integrou o parcelamento como espécie de suspensão do crédito tributário (art. com o objetivo de atrair contribuintes para saldar sua dívida. 142 a 150. Lançamento Está disciplinado nos arts. o entendimento foi alterado. na leitura realizada pelo STJ102. O parcelamento. A Administração Tributária deve combater a frustração ao poder de polícia fiscal. com o fim de atingir um objetivo maior e derradeiro. a anistia é ato efetivado pelo credor. No entanto. 142. os juros são mantidos “ex vi” da própria redação do art. a sancionatória ou ambas? E quanto aos juros? O art. CTN). Foi a tese prevalente durante muito tempo na jurisprudência. De acordo com a jurisprudência supra mencionada. um conjunto interativo de atos entrelaçados por uma seqüência lógica. pressupondo lei específica para tal. porquanto o parcelamento incluirá a multa sancionatória. REsp 831. pelo qual perdoa uma receita. como vantagem. conceitua lançamento. Castro Meira. A benesse da exclusão da multa não deve ser estendida àquele que parcela. de acordo com sua conveniência e oportunidade.. 155-A. Informativo do STJ n° 323. sendo certo que o ato administrativo de exclusão do crédito é vinculado. Deveria caber no parcelamento. “Data venia”. “caput”.290-PR. segundo a jurisprudência do STJ. “caput”. CTN. rel. Dessa feita. somente a multa moratória deverá ser afastada pela denúncia espontânea. o que deu abertura à exclusão de todas as sanções. CTN. indiretamente. 151. lançamento é um procedimento (na 102 STJ. 138. Na mesma esteira. rel. 1ª Seç. As procuradorias fazendárias passaram a defender o não-cabimento da exclusão da multa sancionatória. enquanto o legislador. “caput”. se em ambos os institutos ocorre dispensa de penalidade? A denúncia espontânea é ato de confissão de dívida.278-PR. CTN. o Qual a diferença entre denúncia espontânea e anistia. Do contrário. Nesse sentido. originário Min. § 1º. Nesse sentido.

errou. caracterização do fato gerador. mas o devedor continua no direito de pagar. o crédito já está caracterizado – não pode haver obrigação sem credor. o art. No entanto. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário. “caput”. 142. CTN). porquanto essa é a perda do direito de lançar. • Ao se considerar o lançamento como constitutivo do crédito (art. V. a decadência também não extingue o crédito. No diapasão. Dessa feita. muito pela existência de três argumentos: • Incidindo a lei a qualificar o fato gerador. porque engloba vários atos em cadeia: identificação do sujeito passivo. o pagamento do tributo no prazo e forma previstos não enseja qualquer procedimento administrativo. Na teoria em tela. chamado lançamento. CTN). ao prever que a prescrição extingue o crédito tributário. haveria incompatibilidade com a previsão de extinção do crédito tributário “ex vi” da decadência (art. incluindo eventual penalidade. o crédito nasce a partir da previsão abstrata da lei e não do procedimento administrativo. 156. conseguintemente. Com base na doutrina estruturalista alemã. 156. isto é. CTN. mas sim o direito potestativo de lançar – o crédito continua persistindo. foram erigidas três correntes: o Lançamento é constitutivo do crédito e declaratório da obrigação tributária – lançamento é o procedimento pelo qual se cria crédito tributário (Rubens Gomes de Souza). em que pese ter havido extinção do crédito tributário. já existe relação jurídica obrigacional tributária e. não há consenso entre as duas disposições – como é possível extinguir algo que ainda não foi criado? Alargando um pouco mais o raciocínio. terminando com a notificação do contribuinte. • Como terceiro fundamento. cálculo do montante a ser pago. Quanto à segunda pergunta. não sendo possível mais sua exigência pela via reflexa. materializado pela notificação. a mora pressupõe crédito. não é possível que o lançamento crie o crédito. Todos os demais são prévios e preparatórios para tal. O credor não terá mais o direito de exigir em juízo o crédito. determinação da matéria a ser tributada. Dessa feita. O que é extinta é a pretensão. porque o lançamento é pressuposto para tal. Não é o entendimento mais aceito hodiernamente. pois alguns entendem que o lançamento é um ato único. sem esse aquela inexiste. o citado mestre defendeu essa posição clássica. analogamente. porque o fato . ainda que por meio de ação de consignação. Na esteira. pode ser que a exigibilidade do montante só seja possível mediante determinado procedimento. Essa posição não é unânime na doutrina. Esse entendimento contesta a posição clássica supra exposta. criado esse por força da lei. não o crédito. Não houve lançamento.76 visão do legislador). sendo constitutivo da exigibilidade do crédito somente em alguns casos – essas hipóteses se restringem aos tributos lançados de ofício. V. o Lançamento é declaratório da obrigação e do crédito tributário – o lançamento constitui a exigibilidade do crédito tributário.

Não há dever de pagamento antecipado pelo sujeito passivo. O legislador previu três diferentes espécies: o De ofício ou direto – o sujeito passivo não precisa declarar a ocorrência do fato gerador. aduzida pela lei. a autoridade administrativa interpreta a legislação e determina o montante a ser adimplido. o fisco sabe de antemão o valor. autos de infração. cobrando diretamente do contribuinte. assim como sua correspondente obrigação.: no ICMS. O lançamento por declaração está . devendo o sujeito passivo declarar sua ocorrência. Contudo. o Necessidade ou não de pagamento pelo sujeito passivo antes da cobrança (pagamento antecipado) – deve ser aferido quem deve interpretar a legislação para apurar o momento devido: o sujeito passivo ou a autoridade tributária. os autores refletem sobre o assunto e apontam seus peculiares entendimentos pautados em premissas científicas diferentes. misto ou híbrido – o fisco não conhece o fato gerador. Nos demais casos. Os critérios serão verificados à luz do tipo do fato gerador. Após tal ato. aplicável ao crédito e à obrigação. o fisco não tem como saber qual o montante a ser pago. devendo ser aduzido pelo contribuinte. por conseguinte. o sujeito passivo paga. contribuições de melhoria. no raciocínio de Paulo de Barros Carvalho. Ex. Ex.: IPTU. sob pena de falta funcional da autoridade atribuída (art.: ITBI. daí a razão de serem. tese essa erigida sob a pena de Rubens Gomes de Souza e perfilhada com impropriedades pelo CTN. A autoridade administrativa interpreta a legislação e cobra ou retifica lançamento ou declaração anteriormente aduzidos (art. ITR. parágrafo único. Nesse passo. I a IX. CTN). do crédito tributário – não seria a efetiva ocorrência do fato gerador. o lançamento constitui dever-poder da Administração. opiniões diferentes. desconstruiu a teoria clássica da constituição do crédito tributário pelo lançamento. Ex. 148 e 149. uma vez que não haja pagamento por parte do sujeito passivo. etc. nasce a partir da qualificação jurídica do fato gerador.77 gerador está às vistas da autoridade fiscal. o mestre afirmou que o crédito tributário. no IPTU. Pergunta: o professor Pedro Barreto. 142. a simples ocorrência do fato gerador já possibilita a exigência do crédito tributário. também. Após a cobrança. II e IE. o Por declaração. CTN). o professor trouxe à baila o postulado da natureza declaratória do lançamento. desde que anteriormente previsto na norma? Resposta: sim. Modalidades de lançamento – para identificá-las. de sua natureza. é necessário levar em conta dois critérios: o Necessidade ou não da participação do sujeito passivo declarando o fato gerador. Na esteira de Ricardo Lobo Torres e outros. cobrando. o momento do nascimento da obrigação – e. Ademais. taxas. em comentários feitos em aula.

LV. Permite a ampla defesa dentro do feito. etc. “caput”. os tributos aqui incluídos não são passíveis de qualquer lançamento originário – o lançamento “ex officio” só será posterior. seguindo o princípio do devido processo legal e convertendo o procedimento em verdadeiro processo de discussão. Ex. o legislador erigiu duas idéias mestras dentro da suspensão da exigibilidade: . o Mandado de segurança com liminar (arts. o Por homologação ou autolançamento – essa modalidade contraria a criação do crédito pela ocorrência do fato gerador juridicamente qualificado. fazendo nascer a exigibilidade da obrigação principal (pagamento do tributo). IR. CF/88. O CTN listou quatro modalidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário dentro dessa categoria: o Recurso administrativo (art. CTN). IV. “caput”. o qual é regido pela Lei 9784/99 (Lei do Processo Administrativo Federal) no âmbito federal. dentro de um PAF. O sujeito passivo precisa declarar o fato gerador. Com base nesse documento. XXXV e LXIX. 5º.78 previsto no art. CTN). 70235/72. CTN). constituindo a quitação como meio de prova. III. a Administração tributária realiza o ato. CTN). inclusive os lançados por homologação. Não existe decadência do lançamento por homologação. a cobrar eventual diferença. Posteriormente. interpretando a legislação. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. Corresponde à maioria das exações. Dessa forma. IPI. não sendo sempre obrigatório o pagamento “incontinenti” do tributo. O legislador criou-a para levar a cabo a idéia de constituição do crédito mediante lançamento. CTN. Lançado o crédito tributário. por qualquer uma de suas formas. o sujeito passivo pode levantar questões prejudiciais à exigibilidade do crédito. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. quando se invoca direito líquido e certo a ser . calculando o montante devido e pagando antes de ser cobrado (pagamento antecipado). o fisco homologa o valor recolhido (art. haverá lançamento de ofício posterior. Contudo. 151 a 155-A. com as devidas peculiaridades do D. O sujeito passivo deve ofertar declaração na qual há informações essenciais ao lançamento. 150.: ICMS. Nessa seara. Havendo diferença entre o devido e o pago. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário Introdução e modalidades – a suspensão de exigibilidade do crédito tributário está regulada por seis artigos do CTN (arts. é amplamente possível a instalação do contraditório para contestar o procedimento de obtenção dos valores. 147. CF/88). Trata-se de ficção jurídica. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. Em verdade. 151.Tutela do contraditório – é um direito garantido constitucionalmente (art. ele passa a ser exigível. 5º. sendo certo que ninguém poderá ser executado enquanto discute o objeto do litígio. e 151.

752-SP. É melhor à Administração tributária perceber o valor depois de um prazo determinado que nunca receber. Previamente à cobrança do débito fiscal.79 demonstrado por prova pré-constituída. porquanto a exigibilidade do crédito tributário só fica dissolvida mediante a incidência de alguma causa de extinção ou de suspensão. EREsp 215. CTN). em que pese ficar impedido de ser iniciado se ainda não o foi (art. VI. não se confundindo com consignação em pagamento (CHIMENTI.725-BA. Para impedir seus efeitos. no depósito integral. tida antes do lançamento. 103 .641-PR. CTN). enquanto na consignação fica patente a intenção do devedor em pagar. 273. 360. instituto denominado moratória (art. instituto constante do Direito Privado (art. ao contrário da primeira. é caracterizada a finalidade de obstar a exigibilidade do crédito tributário. salvo disposição legal em contrário (art. Do mesmo modo. D. Informativo do STJ n° 331. 151. 154. “caput” e parágrafo único. Min. 7º. CF/88. CPC). mas não tem condição de pagar o tributo à vista. se houver eventual lançamento. desde que presentes a verossimilhança das alegações e o “periculum in mora” (art. Com efeito. É o caso. REsp 490. Com efeito. 151. visto que está presente o “animus solvendi”. à razoabilidade e à eficiência.. deveria haver inscrição em dívida ativa. Lei 1533/51). 2002. V. XXXV. em verdade.589-RJ. também a título de tutela antecipada na inicial. II. j. CTN). 207). a suspensão do crédito tributário. devendo ser revelado relevante fundamento e ineficácia da medida na manutenção do ato impugnado (art. V. I. CTN). não objetiva desconstituir o crédito tributário. o fisco faz jus à conversão do depósito em renda. o Ação judicial com liminar ou tutela antecipada (arts. e 151. 151. mormente com o intuito de discutir a dívida. o sujeito passivo pode ingressar com ação declaratória preventiva de inexistência de débito. . O legislador não previu expressamente a ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento no art. Alguns autores equiparam o instituto a uma novação objetiva. em que há fracionamento da dívida tributária ao longo do tempo. o parcelamento (art. o legislador percebeu que seria melhor abrir uma fase intermediária. 70235/72). É a situação mais comum. 151. CTN. procedimento fiscal já instaurado não ficará obstado caso já tenha sido disparado. A negociação entre sujeito passivo e credor permite o pagamento em situação mais razoável. Mas o ajuizamento “per se” de declaratória não obsta o direito de lançar. o escopo em tela se dá em homenagem à economicidade. a qual retira do credor o interesse de agir para execução em face do devedor. DJU 3/11/2003. 12/9/2007. Apesar de qualquer das referidas medidas ter o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. I. 1ª Seç. por exemplo. CTN)103. A moratória pressupõe crédito lançado ou em vias de lançamento. REsp 258. como já disse o STJ104. O depósito em tela é exigível nas ações declaratórias de inexistência de débito (anteriores ao ato de lançamento) e anulatórias de lançamento (obviamente posteriores a esse). da postergação da mora com consentimento do Estado. dando azo à execução forçada. caso haja lançamento durante o curso do processo. mas não a única.350-SP.Negociação da forma de pagamento – o devedor concorda com o valor lançado e exigido. DJU 12/3/2001. 104 EREsp 479. em tese. DJU 25/2/2002. rel. “caput” e I. “caput”. 5º. é uma espécie do gênero moratória. Caso alguma dessas demandas seja extinta sem resolução do mérito. No entanto. 62. REsp 251. p. o Depósito do montante integral (art. ou requerer. José Delgado. Dessa forma. Nesse caso. o devedor tem dois caminhos: aduzir pedido subsidiário de tutela antecipada incidentalmente para suspender a exigibilidade do crédito. II. CC). DJU 26/9/2005.

ela não incide.Impedimento de inscrição em dívida ativa – o recurso administrativo tempestivamente interposto implica em inexistência de mora. o fisco poderá exigir tributos relativos ao bem futuramente (art. depois. . v. que apurou a legalidade do fato.: pode participar de licitação ou prestar concurso público. 1º. rel. e 739-A. . 105 Não é demais lembrar que há doutrinadores a defender a não suspensão da execução fiscal em face do mero oferecimento e recebimento dos embargos do executado. o que. Essa leitura advém de uma interpretação analógica dos arts. 106 O Cadastro Informativo (CADIN) dos créditos não quitados de órgãos e entidades federais pelos órgãos da Administração Pública Federal para a concessão de incentivos fiscais e financeiros. Antes. Ao requerer documento de situação. A prescrição em comento só começa a correr após o prazo para interposição do recurso administrativo. verificou o inadimplemento do devedor e declarou que pende dívida para com o Estado. sem unanimidade na doutrina e na jurisprudência: o Não é possível – porque a extração de CDA se presta à ação executiva fiscal. acordos. “in fine”. suspende-se a prescrição. “caput”. além de Luiz Wambier.80 Efeitos da suspensão – suspensa a exigibilidade. Por exemplo. argüindo a possibilidade ou não de inscrição em dívida ativa. antes do decurso. se a demanda for infrutífera. a qual está obstada pela suspensão de exigibilidade do crédito tributário.Suspensão ou impedimento do curso da prescrição à pretensão executória – a prescrição decorre de inércia por parte do credor tributário. Ellen Gracie. Por conseqüência. considerando que esses tenham o condão de obstar a demanda fiscal105. Não haverá qualquer restrição ou constrangimento quanto ao exercício de direitos. Curso de Processo Civil: Execução. Por todos. O CADIN teve alguns de seus efeitos contestados quanto à constitucionalidade (ADI 1454-DF. . a discussão judicial implica em mora. 736. 2. Contudo. São Paulo. a qual contou com sucessivas reedições. ficando peremptoriamente na ordem jurídica posta. Informativo do STF n° 472). A prescrição é um instituto que pressupõe lesão a um direito subjetivo do credor. conquanto o autor não promoveu o aditamento da exordial na conversão da citada MP em texto de lei. Essa atividade é inútil em face da impossibilidade de promover a ação correspondente. o adquirente deverá conhecer a situação fiscal do alienante. No entanto. 130. ajustes ou contratos que envolvessem a utilização de recursos públicos foi instituído pela MP 1442/96. a realização de operações de crédito e a celebração de convênios. Min. CPC. o É possível – porque a extração de CDA e a inclusão em cadastro de inadimplente (CADIN)106 não têm o único condão de promover a execução. não ocorreu. Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart. protestam.Impedimento da ação de execução fiscal – processualmente falando. Ex. impede-se a prescrição. “caput”. deverá ser dada publicidade a interessados de que o sujeito passivo é entendido como devedor pela Administração. equivaleria a “embargos à execução preventivos”. no caso de alienação de imóvel. aplicáveis à execução fiscal (art. CTN). fazendo surgir a pretensão concreta de exigir a prestação devida. Foram erigidas duas teses. pendem alguns efeitos: . na realidade. mas o Supremo extinguiu o feito sem resolução do mérito. Revista dos Tribunais. o devedor terá como resposta certidão positiva de débito fiscal com efeito negativo. O procedimento de ativação da dívida é uma conclusão interna da Administração tributária. Foi legislado sob a forma da Lei 10522/02. conquanto. 2007. LEF).

1ª T. mormente previstos no art. Por exemplo. não corre a prescrição. XXXV. nos 30 dias para o recurso administrativo. Preclui o direito a recurso administrativo. segundo disposição unânime do legislador em todos os níveis estatais (União. pelo qual qualquer um deles pode ser relativizado. Se houvesse previsão de esgotamento da via administrativa antes do juízo. Antes de tudo. isto é. STJ. CF/88) não exige o pagamento de taxas.116-SP. . 5º. se a exigibilidade não está presente. não existe direito absoluto. Recurso administrativo – o prazo para a interposição de recurso administrativo é o mesmo do pagamento (art. segundo pronunciamento pacífico do STF. CF/88.Maior probabilidade de sucesso – havendo maior especialização técnica do órgão administrativo julgador e verdadeiro bom direito alegado. 160. além do que a garantia do direito de petição (art. ao menos na primeira instância administrativa107.81 O momento hábil a iniciar o lapso prescricional é exatamente a existência da lesão. DJ 27/4/2007. não ocorre. . “caput”. por vezes. 5º. segundo alguns fundamentos: . direito individual e cláusula pétrea.. Acesso à jurisdição não implica necessariamente em acesso ao Judiciário. Vencido o lapso para impugnação ou para pagamento sem atuação do devedor tributário nesse sentido. José Delgado. CF/88). o que. leitura referendada pelo STJ (STF. a interposição de recurso administrativo impede a incidência dessa nesse momento. . A resposta negativa administrativa não é condição de procedibilidade para o ajuizamento de ação judicial.Prescindibilidade de advogado – o contribuinte poderá defender-se sem pagar honorário. mas sim o condicionando. LXXIV. tem vez a mora (“ex re”). essa máxima deve ser vista “cum grano salis”. caracterizando-se sua intempestividade desde então. detém jurisdição. “caput”. Tais argumentos só serão válidos se os órgãos administrativo-fiscais de apreciação atuarem de acordo com os princípios da Administração. LV. O fundamento apriorístico seria a inafastabilidade do Judiciário (art. DF e Municípios). segundo a linguagem própria do CTN. 5º. 37.Desnecessidade de demonstrar fundamentos para liminar ou tutela antecipada – a mera interposição do recurso já obsta a exigibilidade. Em melhores termos.566-MG. Entretanto. Estados. CF/88).Inexistência de custas processuais – o contencioso administrativo é gratuito. CTN). rel. reputandose como definitivamente constituído o crédito. A exigência do depósito viola a ampla defesa (art. AC 1. Informativo do STJ n° 324). sem necessidade de qualquer demonstração extraordinária. REsp 943. Dessa feita. Min. de certa feita. não se estaria negando acesso à jurisdição.Maior celeridade – em relação ao processo judicial. não a suspende. 19/6/2007. . não sendo exigível o crédito nesse período. a arbitragem. a chance de provimento é muito maior. 107 O STF já declarou inconstitucional a necessidade de depósito recursal na via administrativa. j. A via administrativa é mais vantajosa que a impugnação judicial. . “a”. inexiste infringência ao direito subjetivo do credor tributário.

porque a celeridade não é seguida (art. Até poucas décadas atrás. como antecipação de penhora. não haveria razão de existência do próprio procedimento administrativo. Se houver vício no PAF. A Fazenda Pública não pode pleitear sua revisão jurisdicional. a máquina jurisdicional ainda poderia ser acionada subsidiariamente. Porém. Os advogados dos contribuintes passaram a postular que essa proporção é relativa. posição 108 Súmulas 346 do STF: “A administração pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos”. uma vez que pode haver valores em jogo muito altos. a jurisprudência tem entendido que um valor razoável seria de 30% sobre o total do débito. teria o condão de obstar o ajuizamento de ação pelo fisco? O STF já pacificou a jurisprudência dizendo que faz coisa julgada material. tal impugnação só era possível mediante depósito do montante integral. em todos os casos. dentro de um PAF. A Justiça não consegue conferir uma prestação adequada ao jurisdicionado. o legislador do CTN conferiu o duplo grau para o sujeito passivo. mas tão-somente discussão perante a autoridade tributária. Dessa feita. em recente decisão. 5º. Dentro dessa idéia. Ademais. em matéria fiscal. a Administração deveria investir nos órgãos administrativos julgadores fiscais. . cabe anulação por parte da própria Administração pelo seu poder de autotutela (Súmulas 346 e 473 do STF)108. Assunto que se encontrava em pauta no STF é a constitucionalidade do depósito para recurso voluntário em segunda instância administrativa. na realidade. por motivo de conveniência ou oportunidade. e ressalvada. 5º. todos os princípios processuais já foram seguidos no PAF. CF/88). inviabilizando a continuidade do PAF. A garantia não provém de disposição constitucional. Mas o depósito de todo montante fere a razoabilidade e a proporcionalidade. Não há litígio jurisdicional instalado. ao revés. CF/88. porque. Nessa vertente. legitimidade. por conseguinte. não causando prejuízo ao administrado. porque deles não se originam direitos. Para a doutrina processualista. caso houvesse insucesso na seara administrativa. Dessa feita. tal quantitativo financeiro pode obstar o acesso ao recurso voluntário administrativo. disposição essa rechaçada pela jurisprudência por entendê-la. ou revogá-los. Posição mais radical apregoa a impossibilidade do art. LXXVIII. Em verdade. considerou o depósito recursal como inconstitucional. regra “de lege ferenda” nesse sentido teria o condão exatamente de prestigiar o Judiciário e não de restringir sua atuação. Súmula 473 do STF: “A administração pode anular seus próprios atos. respeitados os direitos adquiridos. para que esses ganhem confiabilidade e. a apreciação judicial”. o que não se liga ao mérito da questão. careceria a ação do fisco por inexistir interesse de agir. não obstante poder determinar condicionantes para tal. não assistindo razão para recorrer à via judicial. A decisão administrativa positiva imodificável em favor do contribuinte. Essa condicionante de procedibilidade não pode ser refutada com base no duplo grau de jurisdição. o Excelso Pretório. mas sim legal. porque a tecnicidade da decisão administrativa é muito mais precisa e adequada que aquela a ser proferida pela revisão jurisdicional. XXXV. quando eivados de vícios que os tornam ilegais.82 em que pese o órgão arbitral não ser componente do Poder da Justiça. Segundo o STF.

Joaquim Barbosa. sendo improcedente o feito. RE 388. 19/6/2007. Min. j.. Informativo do STJ n° 332. 112 STF.4. Marco Aurélio. há certeza de que. 20/9/2007. Lei 9432/97). 110 Nos termos do art. (. tendo sido declarado como inconstitucional111.).00 (art... § 2º. 9. João Otávio de Noronha.000. AC 1.. Nesse caso. eliminando o custo da execução judicial e da eventual hasta pública. 64. DJU 27/4/2007. Informativo do STF nº 461. Min. j. o percentual de 30% foi novamente contestado. 64. Dentro desse contexto.932-SP. STJ. Doutrinariamente. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art. 64. Em contrapartida. no qual o relator afirmou que a substituição do depósito por arrolamento de bens não descaracteriza o gravame intransponível para o contribuinte-recorrente. 33. frustrando o direito à revisão do processo administrativo na primeira instância. § 7º. eles também começaram a questionar o arrolamentos de bens a final. § 4º. “caput”. § 3º. Na esteira. 1ª T. É vantajoso para o devedor porque inibe ação de execução e livra o contribuinte dos encargos moratórios. Segundo a corrente. limitado o arrolamento. valor entendido pelo contribuinte. . Foi exatamente o que decidiu recentemente o Excelso Pretório em sede de controle difuso de constitucionalidade112. Depósito do montante integral – geralmente se atrela a uma ação de depósito combinada com ação anulatória de débito fiscal. AgRg no Ag 829. o art. sob pena do depósito não ser idôneo à suspensão de exigibilidade. prevista nas hipóteses do art. na medida em que ambas as medidas importam em bloqueio de patrimônio. caso em que a penhora poderia incidir sobre bens indicados pelo devedor110. Isso significa que o depósito a menor. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão. alterado pela Lei 10522/02. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal (art. rel.937/92. rel. 111 STF. não obsta a execução. DJU 5/6/2007. D.corroborada pelo STJ . a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor.). para a Administração Tributária. Lei 9432/97). que regula o processo administrativo fiscal.. segundo entendimento estipulado pelo STJ. 33. Devido à recente mudança de composição do STF. com piso de R$ 500. Lei 9432/97. DJU 9/9/2002.. permitiu a indicação de bens para a subida do recurso administrativo para segunda instância. rel. a natureza jurídica é híbrida. (.359. I a IX. Lei 8. tendo o ato efeito de consignação em pagamento. RE 311. Min. Informativo do STJ n° 324. o montante será apto a tornar a solvência do devedor perfeita. Esse dispositivo não se aplica os débitos previdenciários.023-3/RJ. Min. Lei 9432/97). o arrolado não poderá alienar. Em qualquer caso. sem prejuízo do seguimento do recurso. 64.2007.566-MG. porque as leis previdenciárias são especiais em relação às disposições genéricas do D.976-7-DF. ADIn 1976/DF. j. É entendido como montante integral corresponde ao total cobrado pela Fazenda. porquanto representa uma garantia em favor do cidadão e do credor simultaneamente. ADIn 1. A presunção se 109 109 83 STF. rel. a ampla defesa e a garantia ao devido processo legal.116-SP. 70235/72. em eventual execução futura. REsp 943. 70235/72.030-RJ. o depósito recursal impede o prosseguimento do PAF. 2ª T. 2º. José Delgado. AgRg no RMS 14. ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa física. § 2º. DJU 26/10/2001. “In verbis”: Art. infringindo o contraditório.

estaria sendo frustrada totalmente a “ratio essendi” do instituto previsto no art. AC 1657 MC/RJ. a suspensão da exigibilidade do crédito tem autêntica natureza de “embargos antecipados”. “caput”. 151. A titularidade do bem não pertence mais ao autor da demanda. Cezar Peluso. empresa do setor tabagista pleiteava a declaração de inconstitucionalidade do art. CTN). em 24 horas. orig. porquanto o Supremo reconheceu que sua produção viola o direito à saúde de plano. Informativo do STF n° 473. não cabendo indicação de bens.6. afetando sobremaneira a governabilidade. O levantamento do depósito antes do trânsito em julgado da ação judicial não é permitido ao depositante. 207). II a IV. Ademais. no sentido de condicionar o pagamento de um tributo ao recebimento de outro. a subordinação. o depósito de montante integral deve ser a última saída para o contribuinte. É nesse sentido que a doutrina critica o entendimento do STJ. por meio de ação cautelar. Sob os auspícios do Direito Financeiro. a ser administrado pela CEF através da Conta Única do Tesouro Nacional. a verba será incluída no Anexo de Riscos Fiscais. Joaquim Barbosa. 9º. Min. Esse óbice ao exercício da atividade estatal é chamado pela doutrina de “periculum in mora” inverso (Ricardo Lobo Torres). STF. Nos embargos à execução. o levantamento antecipado do depósito integral constitui autêntica entrada temporária. LEF). II. é possível indicar bens à penhora ou constituir fiança bancária (art. O conceito de “periculum in mora” inverso já foi usado pelo STF em outra situação. o juiz expede o alvará de levantamento para que. pois passa a ser “res in judicia”. Dessa feita. por uma questão de lógica. CPC). O ônus da prova se defere ao contribuinte. seria possível outra espécie de garantia da referida suspensão. O legislador acolheu a presunção de legitimidade da exigibilidade do crédito tributário lançado. No plano orçamentário. LC 101/00). A Súmula 112 do STJ113 preceitua que o depósito deve ser em dinheiro. esvaziando-o. Na consignação. como lembra Chimenti (2002. é lícita. 27. 4º. o plenário da corte manteve a medida executiva da SRFB. A priori. adendo componente da LDO (art. DL 1593/77. por haver um contra-senso para com o sistema de execução fiscal positivado. rel. Em sede de controle difuso de constitucionalidade. 798. CTN. Destarte. A demandante teve seu pleito indeferido cautelarmente. 163. Consoante o voto do 113 114 Súmula 112 do STJ: “O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro”. j. rel. Como já fora mencionado. . a CEF pague o primeiro. sob pena de impossibilidade da realização do bem comum pela Administração. Dessa forma. por meio do poder geral de cautela (art. p/ o acórdão Min. p. já que pende ato administrativo vinculado do agente público. a Lei 9703/98 veio a autorizar que a União utilize o dinheiro.84 encontra em favor do credor. § 3º. reconhecendo expressamente hipótese de “periculum in mora” invertido114. Conseguintemente. 2º.2007. comando que permite à SRFB cancelar autorização de funcionamento de pessoa jurídica do ramo que esteja em débito com o fisco federal. ficando sob a guarda da Justiça até a decisão final. Em contrário. II. II. com redação dada pela Lei 9822/99. visou à manutenção do Estado com o numerário em depósito. o fisco também não poderia fazer o levantamento antecipado do depósito. não consubstanciando receita em sentido estrito. imposta pelo fisco. porquanto se trata de autêntica imputação (art. Uma vez que o autor da demanda seja vencedor.

10. constitui autêntica intervenção estatal por indução. o STF julgou prejudicada a demanda por ausência de aditamento por parte do autor (Conselho Federal da OAB). muito pela situação ímpar apresentada. CF/88)116. Ministro Cezar Peluso. é sabido que a denúncia espontânea só é possível. Ocorre que o tabagismo é problema gravíssimo de saúde pública. dispõe que o pagamento.85 relator para o acórdão. salvo se o legislador ordinário previr de modo diverso. CTN. A LC 104/01 veio justamente para acabar com a controvérsia ao acrescer o inciso VI no art. pois ele é espécie do gênero moratória. para a exclusão de multas moratórias. 115 Súmula 70 do STF: “É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo”. Ademais. não cabendo no caso de parcelamento. a carga tributária do IPI. reveste-se de razoabilidade. Aspectos penais – discute-se sobre a suspensão da pretensão punitiva nos crimes contra a ordem tributária. penal e empresarial. Em sendo assim. o parcelamento é um autêntico contrato administrativo com novação objetiva. Mais ainda. Em realidade. CF/88) e a vedação à circulação por meio de tributos (art. realizado antes do recebimento da denúncia. com vista a desencorajar o empresário do segmento. valendo o “pacta sunt servanda”. em face de parcelamento firmado entre contribuinte e fisco. Súmula 547 do STF: “Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas. Parcelamento – só passou a existir no CTN a partir da LC 104/01. CTN. com fulcro na inexistência de previsão expressa no rol do então art. o art. “caput”. 34. expressamente prevista no art. prevê que o parcelamento virá acompanhado de multas (sancionatórias) e de juros de mora. repetiu tal tipo permissivo. Lei 9430/96. . como efeitos naturais da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. V. constituinte atuação acertada da autoridade fiscal. 151. despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais”. 5º. desde que preenchidos os requisitos legais. extingue a pretensão punitiva estatal em crimes fiscais. havia posição que defendia a impossibilidade de suspensão do crédito em face de parcelamento concedido por lei ordinária. rel. O art. previsto no comando impugnado. a qual alegava que o parcelamento é um direito subjetivo do contribuinte. o eminente julgador salientou que o ato administrativo. Aspectos tributários – há óbice ao curso prescricional e impedimento da execução fiscal. CTN. 150. Min. O diploma estava sendo impugnado por meio da ADIn 1922/DF. Com a conversão do comando no art.8. § 1º. Cármen Lúcia. emprestando o raciocínio do Direito Privado. Lei 10522/02. XIII. Súmula 323 do STF: “É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos”. O art. 323 e 547 do STF115 “in casu”. constituindo o recolhimento inexato da exação como fator de desequilíbrio da concorrência e do mercado. DJU 17. não se aplicam as Súmulas 70. Informativo do STF n° 467. Contudo. 151. ADIn 395. Nesse sentido. I. 151. 155-A. A MP 1699-41/98 permitia o parcelamento de qualquer débito com a Fazenda Pública em até 30 parcelas mensais. Lei 9249/95. a apreensão de mercadorias desacompanhadas de documentação fiscal pertinente não é medida desarrazoada e que infringe a liberdade profissional (art. parágrafo único. em que não cabe execução no curso do parcelamento adimplido. cabendo à autoridade tributária decidir pela sua concessão ou não de acordo com sua discricionariedade. Na esteira. se acompanhada de pagamento.2007. 83. O parcelamento deve ser vislumbrado no que tange o direito tributário. I a IV. Antes do diploma. 116 STF. CTN. com a maior alíquota existente.

Lei 8137/90. porque inviabiliza o custeio da Previdência Social e todas suas prestações sociais essenciais. Como a lei penal mais benéfica retroage. 1º. porém. CP. rel. CP. 2º. Para pacificar a controvérsia.. enquanto a previdenciária. o MP não pode prosseguir em ação penal tributária. outra vertente jurisprudencial refutava tal entendimento. 119 STF.86 mas também silenciou quanto ao parcelamento. Contudo. dispôs que o pagamento extingue a punibilidade e o parcelamento suspende a pretensão punitiva. A apropriação indébita tributária genérica está tipificada no art. 120 STF. Naquela. exaurimento da potencialidade lesiva da conduta dentro da teleologia do recolhimento fiscal. o art. CP.9. 2º. HC 84345-PR. para suspender a pretensão punitiva. as penas são bem menos severas (detenção de 6 meses a 2 anos). caso o delito seja material. Sepúlveda Pertence. j. o parcelamento. o Excelso Pretório estabeleceu que o exaurimento da via administrativa é prejudicial em relação à justa causa para ação penal120. como o legislador não exigiu termo final para pagamento ou parcelamento (início da fiscalização ou recebimento da denúncia). aplica-se aos processos em curso e aos eventuais condenados117. o STF preceitua que há suspensão da pretensão punitiva. a reprimenda é maior (reclusão de 2 a 5 anos). 2ª T. 15. parte da jurisprudência entendia que o parcelamento antes do recebimento da denúncia suspendia a pretensão punitiva. CP). em seu art. Inicialmente. no caso concreto. A Lei 9983/00 criou os tipos penais previdenciários no CP. “caput”. é necessário que o infrator realize denúncia espontânea (art. Havendo crime previdenciário. Cezar Peluso. 337-A. Lei 8137/90. “caput”. Posteriormente. Informativo do STF n° 480. 337-A. No diapasão. por inexistência de previsão legal expressa.2007. I. no art. ao passo que nessa. Ressalta-se. se há delito formal. § 1º. o delito de falso fica caracterizado. CP) pode ficar absorvida pelo tipo do art. 9º. Para preencher a lacuna. não havendo de se falar em princípio da consunção. II. Sendo sonegação tributária não previdenciária. deveria ser iniciado antes do procedimento de fiscalização (arts. Contudo. Caso haja possibilidade de desdobramento mais complexo. rel. por aplicação analógica do art. a Lei 10684/03 (Lei do Parcelamento Especial – PAES – ou do REFIS 2). HC 81611. 18. I. Destarte. permanecendo assim durante o adimplemento das obrigações de trato sucessivo. retificando a terminologia adotada. Dessa feita. Uma vez que haja impugnação administrativa do auto de infração lavrado pela fiscalização tributária. HC 91542/RJ. “caput”. qual o seja de prestar declaração falsa para eximir-se de pagamento do tributo. incluindo tanto os tipos previdenciários quanto os fiscais genéricos. CTN) para ter sua responsabilidade penal suspensa. Lei 9964/00 (Lei do REFIS 1) veio a ratificar expressamente a suspensão da pretensão punitiva pelo parcelamento. Lei 8137/90. 116. o STF afirmou que a decisão administrativa negativa é condição objetiva de procedibilidade119. sendo previdenciária. . o réu ou mesmo condenado pode pleitear a extinção ou a suspensão da punibilidade. STF. Min. Ambas possuem penas iguais (reclusão de 2 a 5 anos). desde que haja. HC 85048-RS. que a falsificação de documento público (art. Em melhores termos. 297. 117 118 STF. 168-A. § 2º. e 168-A. aplica-se a disposição do art. Min. 138. recorre-se ao art. a qualquer tempo. segundo preceitua o Supremo118.

87 não cabe óbice ao prosseguimento do processo criminal. É um entendimento minoritário ou relevante na jurisprudência. Aspectos empresariais – a Lei 11101/05 estabelece as regras sobre falência e recuperação judicial. 5º. o citado mestre afirma que esse feito opera “ipsu jure”. Ao que parece. § 4º. Contudo. 162. ambas mediante tutela antecipada: ação anulatória de débito fiscal ou de lançamento (após o lançamento) e ação declaratória de inexistência de débito (antes do lançamento). CTN)? Em caso positivo. IV. juntamente com seus parágrafos. O MP vinha apregoando a promoção da ação penal sempre. para tornar mais elásticos os prazos de parcelamento quanto aos tributos. Por fim. não caberá. antes de proferida a decisão final. seria possível demandar por meio de cautelar inominada com pedido liminar? Respostas: sim. Perguntas: estava verificando a posição de Luciano Amaro e parece que o autor. 151. importante lembrar que não é permitido à Administração Tributária remeter ao Ministério Público representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária praticados por particulares. não ficaria condicionada ao exaurimento da via administrativa. em momento algum. 151. 1º e 2º. LVII. 151. I. Além dessas vias. III. CF/88). elencou duas formas de aduzir a suspensão da exigibilidade do crédito (ou da obrigação) tributária. previu que os decursos de . Essa idéia contraria a presunção de inocência (art. porque a simples condição de réu em processo crime leva a várias restrições jurídicas. 155-A. CTN. afirma ser hipótese de suspensão. o art. ao interpretar o art. 798 a 803 do CPC. CTN. estabelece o recurso administrativo e. em sua obra. para essa hipótese. 2730/98). independentemente de tutela antecipada ou de medida liminar. visto que não foi extraída qualquer idéia semelhante na doutrina? Respostas: cuidado! A consignação em pagamento é hipótese de extinção do crédito tributário (art. A doutrina de Luciano Amaro é muito respeitada no meio tributário. CTN. 151. em face do art. 156. portanto. 5º. preceitua que o ajuizamento de ação de consignação em pagamento teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Perguntas: com referência ao art. e 2º. porque estava correndo o prazo prescricional da pretensão punitiva. inclusive oferecimento de denúncia. o professor Pedro Barreto. CTN. I. D. o MS. V. Perguntas: todo recurso administrativo que impugna o lançamento tem efeito suspensivo (art. Lei 8137/90. Lei 1533/51? Respostas: a previsão do art. independentemente da natureza formal ou material do crime fiscal. Em um primeiro plano. com base nos arts. I. em sala de aula. O autor. § 2º. 155-A. Para corrigir e inibir tal prática. a previsão do art. CTN. o legislador complementar resolveu incluir o art. diplomas específicos dos Estados ou Municípios podem estatuir condições muito onerosas às empresas em recuperação no tocante à tributação. VIII do CTN). o contribuinte poderá intentar uma medida cautelar inominada ou atípica. na esfera administrativa. Sempre que houver fundado receio de grave lesão a direito subjetivo. 1º. definidos nos arts. III. sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente (Arts. CTN.

o negócio jurídico. só cabe sujeição. levando exatamente à prescrição e à decadência respectivamente. da titularidade. Dessa feita. LEF. A doutrina os reputa como direitos frágeis. a prescrição contra a Fazenda está especificada nos arts. Os limites ao qual se referiu a lei são chamados de prazo decadencial. devem ser maiores ou iguais que aqueles previstos em lei federal. sendo a maior parte desses de caráter bilateral. § 4º. A satisfação de uma das partes depende fundamentalmente da vontade da outra. Houve clara confusão de institutos e impropriedade técnica por parte do CTN. Tanto prescrição quanto decadência revelam perda de algo. nos arts. A distinção entre eles reside exatamente no ponto a que se reveste o objeto da extinção. entendidos como direitos subjetivos “stricto sensu”. Aquela termina com a pretensão de direito. as ações condenatórias 121 RT’s 300/7 e 744/725. com o direito potestativo de lançar. Ao revés. V. 173 e 150. a prescrição que corre contra o contribuinte. estão os direitos potestativos. sujeitos à lesão. Nesse passo. isto é. em face de inércia. entendidos como direitos potestativos. e 40. É um direito robusto. 155-A. A esse. No outro pólo. aqueles que não muito incomodam não estão sujeitos a tal baliza de interregno. A decadência é tratada genericamente nos arts. DF e M. Existe ADIn no STF contestando o dispositivo em tela. 156. em que o direito utiliza o tempo como instrumento letal de algum instituto. Os direitos potestativos lesivos. a decadência se refere a “normas agendi”. enquanto essa. 168 e 169. CTN. mediante lei específica. CTN.88 parcelamento a serem concedidos por E. colocou a expressão “lei federal específica” – mas como essa não existe. 174. estabelecendo o legislador uma limitação temporal. Prescrição e Decadência Introdução e conceituação – antes de tudo. revelam direitos subjetivos. CTN. que não comporta lesão. Em que pese a boa intenção do legislador. houve impropriedade lógica. o legislador quis dizer “lei geral”. § 4º. são só resolúveis no tempo. errando o legislador na redação do art. o CC/02 diferenciou os institutos em comento segundo critérios científicos. em que não se depende de qualquer outro para sua satisfação. Perfilhando Agnelo Amorim Filho121. principalmente os contratos. V. CTN. . constituindo caso de parcelamento heterônomo. é cediço dizer que prescrição e decadência não extinguem o crédito tributário. CTN. O Direito Civil é o que melhor informa a diferenciação entre prescrição e decadência. porque altera a situação jurídica independentemente da atuação de outrem. “in fine”. parece que o dispositivo fere a autonomia federativa. com base em Pontes de Miranda. Os titulares de ambos ficam sujeitos à sua extinção pela não exigência ou não exercício ao longo de determinado lapso temporal. O primeiro deles advém da natureza jurídica do direito a que se refere: a prescrição se refere a “facultas agendi”. 156. os quais podem causar grande comoção sócio-jurídica. Mais ainda: o art.

Depois do decurso. o decurso decadencial fica “suspenso”. Decadência – três temas mais controversos delineiam o instituto e suprem as querelas mais significativas: • Qual é o termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício. não se sujeitam ao decurso do tempo. O CTN estabelece que o decurso decadencial para tal é de cinco anos (art. . sujeitos à decadência. Durante tal interregno. quando é adquirido. sendo imprescritíveis.89 dizem respeito a direitos subjetivos. cria-se a exigibilidade do crédito – para o CTN. “caput”. o Estado há de perdoá-la em decorrência da inação do titular de um direito. a decadência SEMPRE ocorre em um 1º de janeiro. as ações meramente declaratórias. A partir do lançamento. 173. os quais buscam a pacificação das relações sociais. 174. No entanto. o legislador posterga essa baliza. Dessa forma. Trazendo de volta o raciocínio ao Direito Tributário. Por imperativo lógico. CTN). a decadência só é tratada. surgindo pretensão desse ao exercício em juízo. não corre prazo de prescrição. CTN). “caput”. Os incisos do dispositivo estabelecem os termos iniciais da contagem da decadência: I. Termo “a quo” da decadência nos tributos lançados de ofício – tecnicamente. a prescrição e a decadência são institutos que prezam pela segurança jurídica. 173. De outra sorte. Não há de ser razoável que qualquer pessoa seja “escravizada” para todo o sempre em detrimento de certa relação jurídica. quer seja ele subjetivo ou potestativo. é possível dizer que o direito (poder) do fisco realizar o lançamento é potestativo. em um só dispositivo: o art. • Como se conta a decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. as ações constitutivas – positivas ou negativas – estão ligadas a direitos potestativos. • O que é a interrupção da decadência tributária. porque não persiste lesão ao direito subjetivo do sujeito ativo. o inadimplemento do devedor configura lesão ao direito do credor. devendo o sujeito passivo pagar o tributo ou interpor recurso administrativo. Por conseqüência. o qual também é de cinco anos (art. essas ações devem ser implementadas em trinta dias. 1º dia do exercício seguinte ao que já se podia lançar – de acordo com a natureza do direito potestativo. começando a correr somente no primeiro dia do ano seguinte. A partir daí. Adotando o prazo geral do CTN. o termo “a quo” do prazo decadencial é sempre quando aquele surge. porque não pode promover a ação competente para cobrança. “cria-se o crédito” –. esse último também não está inerte. por comportarem direitos potestativos não lesivos. para permitir que o fisco tenha uma garantia maior na satisfação de seus débitos futuramente. no primeiro ano civil em que se podia lançar. Em verdade. sujeitos à prescrição das correspondentes pretensões. no CTN. começa a correr o prazo prescricional da demanda executória.

desde que antes do decurso prescricional.90 II. Dessa feita. extinção parcial do crédito tributário. havendo qualquer diferença de valores entre o declarado e o devido. Não se perquiri . De outra parte. a confirmação ocorre pela homologação expressa ou tácita. Nesse montante. há extinção do crédito tributado. • Pagar a menos – o crédito tributário é bem divisível. não existe decadência da homologação. a corte entende que o crédito está constituído e o tributo lançado. calcular o montante e recolher antecipadamente. I. desde que a declaração do contribuinte também tenha sido errônea. CTN. • Pagar exatamente o que deve – da mesma forma. mas todo tributo pode ser alvo de decadência. não há qualquer extinção do crédito tributário nem homologação expressa ou tácita. O que caduca é o direito potestativo ao lançamento de ofício. não se falando em decadência. persiste pagamento parcial. descontando-se o valor já recolhido. já podendo a Fazenda Pública inscrevêlo em dívida ativa e executá-lo a qualquer momento. não devendo. mas sim do direito de realizar o lançamento do tributo sujeito à homologação. Nesse caso. e. quitação é meio de prova e não o pagamento em si. passando a se sujeitar à decadência. nasce o direito potestativo do fisco realizar o lançamento complementar de ofício. 173. ocorrendo confirmação pela homologação expressa ou tácita. persistindo os mesmos desdobramentos e conseqüências do anterior. No tocante à diferença.Do dia em que foi anulado o lançamento por vício formal – essa disposição não encontra maiores desdobramentos no momento. não a homologação. Não subsiste qualquer direito potestativo do fisco em realizar lançamento. cabe ao sujeito passivo interpretar a lei. o STJ considera o termo “a quo” para o lançamento por homologação o oferecimento da declaração correta feita pelo sujeito passivo. o contribuinte pode: • Pagar a mais – há extinção do crédito tributário. A contagem do prazo da decadência é feita de acordo com três teses: • Corrente restritiva – leva em conta tão-só o art. inclusive os lançados por homologação. por conseqüência. Nesse sentido. Quanto a esse. único dispositivo idôneo a prever a contagem da decadência. Nesse âmbito. passando a ser delineada no item sobre interrupção da decadência. Decadência nos tributos sujeitos a “lançamento por homologação” – nessa espécie de exação. O que extingue o crédito tributário é o pagamento. o fisco lançar. Não existe decadência do lançamento por homologação. O direito potestativo de realizar o lançamento do montante integral nasce. O lançamento de ofício é o único sujeito à decadência. a priori. • Não pagar – seguindo o mesmo raciocínio anterior. ficando sujeito à decadência. O credor tem parcial crédito para com o devedor. quando esse paga a menor.

Por interpretação sistemática do próprio CTN. Dessa forma. principalmente daquelas exações sujeitas à antecipação do pagamento (tributos sujeitos a lançamento por homologação). quantitativa e qualitativamente.91 se o lançamento está sujeito à homologação. 150. a partir do fato gerador. 413). qual seja. Conseguintemente. a de o prazo para o lançamento começar a correr quando já não seja mais lícito lançar (AMARO. a construção jurisprudencial em comento (STJ) teve por fim exatamente possibilitar maiores poderes à fiscalização tributária. correndo os decursos simultaneamente. o custo jurídico para a Fazenda Pública passou a ser muito alto e. Os . 173. § 4º. “caput”. 3º. CTN). contam-se cinco anos para se operar a decadência (art. 173. em face de uma questão política de isonomia. 173. 173. Pior: os causídicos passaram a requerer compensação e não restituição por precatórios. § 4º. Isso representa uma impossibilidade lógica e jurídica. • Tese 5 mais 5 anos – por razões administrativas. CTN) não corre concomitantemente com o interregno decadencial de cinco anos para o lançamento (art. traz uma exceção à regra espelhada pelo art. No diapasão: Afronta o princípio da não-contraditoriedade das normas jurídicas aplicar a uma mesma hipótese a regra e a exceção. em conjunto. CTN). foi deferida a extensão do decurso. é realizado de forma híbrida ou de ofício. foi erigido o postulado em relevo. mas postergou o termo inicial de sua contagem. o art. foram por demais majorados. 150. para o lançamento (decadencial). para realizar a homologação tácita (art. O art. CTN) quanto para homologação tácita (art. o fisco não consegue. § 4º. Com o crescimento da população. Para mitigar a sonegação. CTN. no prazo decadencial de cinco anos. CTN. o tempo de cinco anos. na contrapartida da decadência. promover o lançamento de ofício dos débitos fiscais. não seguindo o necessário crescimento da estrutura de fiscalização. Para Amaro (2006). Tomando por base as considerações supra sobre o termo “a quo”. “caput”. p. correndo primeiramente o lapso para homologação e posteriormente. “caput”. o STJ passou a aceitar esse entendimento. I. Dessa feita. A homologação tácita e o lançamento de ofício seriam atos distintos. 2006. • Tese da LC 118/05 – os advogados dos contribuintes passaram a postular a aplicação do mesmo raciocínio para permitir repetição de indébito. a gama de fatos geradores. CTN). a tese não alterou o prazo decadencial. mesmo porque só esse último está sujeito à decadência. Com efeito. LC 118/05 veio a fulminar a “Tese do 5 mais 5 anos”. mesmo porque o legislador não permitiu alteração no CTN para um prazo decadencial de dez anos. Nota-se que o tempo previsto pelo legislador se refere tanto para o lançamento em si (art. 150. não permitindo tal interpretação pró-contribuinte.

173. Sendo procedente o procedimento. para construir o raciocínio da segunda hipótese? Resposta: cuidado. a contagem do prazo decadencial se faz de acordo com a espécie de inadimplemento por parte do contribuinte.6. REsp 289. aplica-se o art. Há certa confusão entre os institutos da prescrição e decadência. DJU 8. Contudo. CTN. II. CTN). Quanto à primeira hipótese. a contagem se faz nos moldes do art. o ato é definitivamente anulado. CTN. desde que o legislador expressamente preveja123. CTN. REsp 276. CTN. porque o art. o STJ não teria se fundado no art. e o art. 0123113-8). O segundo é bem evidente. O termo inicial. CTN. aplica-se o art. 123 A doutrina aponta duas possibilidades de decadência interrompida: o art. o decurso para exercício do direito de lançar é contado nos termos do art. o qual inexiste. de interrupção ou de suspensão (art. O STJ desdobrou sua nova leitura em duas instâncias122: havendo pagamento a menor.88733-4).181/MG (2000. 150. porque essa pressupõe a existência de algum pagamento. mesmo porque o STJ propicia um interregno decadencial menor que o previsto pelo legislador complementar para se operar a decadência. CC). 150. tratando-se de inexistência de qualquer pagamento. por exemplo –. seu raciocínio parte de premissa errada. Por acaso. DJU 17. 173. a decadência legal pode ser afetada por tais institutos. o ato de lançamento implica em afastamento da decadência. A doutrina tratou esse fato como causa de interrupção de decadência. o inadimplemento completo leva à primeira corrente supra exposta (“corrente restritiva”). CDC.2003. ao invés de ser no primeiro dia do ano seguinte àquele em que se passou a poder lançar (art. Para o inadimplemento parcial.142/SP (2000/0090249-7). II. Interrupção de decadência – em regra. o STJ preceitua que a contagem da decadência será concomitante à homologação tácita. o lapso de decadência está diminuído. I. CTN.92 advogados postularam o mesmo tratamento quanto ao fisco. com pagamento de parte do montante devido. em clara afronta à previsão legislativa. eventual recurso administrativo ou ação judicial pode contestar o lançamento por vício formal – cálculo errôneo do tributo. nos tributos sujeitos à homologação. 3º. não havendo qualquer pagamento. parece fácil compreender devido ao critério da exclusão: impossível utilizar a forma do art. o qual foi plenamente acolhido pelo STJ. quanto ao segundo dispositivo. 26. LC 118/05. 150. Pergunta: de acordo com atual orientação jurisprudencial do STJ. devolvendo-se integralmente o prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar novo lançamento (art. No entanto. Com efeito. a decadência não fica sujeita a causa de impedimento. § 4º.5. a segunda situação parece carecer de fulcro mais sólido. não paira dúvida sobre sua verdadeira função interruptiva do decurso. cuja corrente prevalente assente a existência de autêntica suspensão do interregno de decadência. CTN). A priori. Porém.2000. prevê que haja algum pagamento. 173. “caput” e I. 150. § 4º. DJU 30. sua Primeira Seção de Direito Público se equivocou. Entretanto. O entendimento de que o primeiro comando se refere à interrupção decadencial é minoritário nos meandros jurídicos. Dessa feita.2. § 4º. No entanto. 173. porquanto peticiona pela sua revisão. . I. porque está considerando o termo inicial do interregno decadencial o fato gerador e não a data devida para o pagamento. 173. é fixado na ocorrência do fato gerador. De acordo com o CTN e 122 ED no REsp 101. CTN. § 4º. 207.407/SP (98.2003. Dessa forma. caso haja pagamento parcial.

No que diz respeito ao texto do artigo 3º da LC 118/05. (Lembre-se que o contribuinte deveria ter “pago antecipadamente” e cumprido obrigações acessórias). mediante procedimento administrativo vinculado. Previamente à constituição do sujeito passivo como devedor. ao final deste ato. Os institutos da decadência e da prescrição são fenômenos que retratam limites de tempo incidentes no direito. certa e exigível. já que incompleta esta fase. no momento de “homologar”. Deverá então lançar e autuar. pois ele é afeto ao teor do art. cuidado. 168 da Lei no 5. na qual fica configurada obrigação líquida. devendo ser analisados alguns desdobramentos. já que a Administração Pública Tributária fez o que deveria e o contribuinte não pagou. o teor do crédito tributário. direito de o contribuinte pleitear valores pagos a maior. por meio de execução fiscal. A partir daí só caberá Execução Fiscal.93 a atual orientação jurisprudencial do STJ. a Administração Pública Tributária. o prazo a ser observado será o prescricional. . Prescrição – sua conceituação segue o já explanado. 168 do CTN. cada qual com sua peculiaridade. É a implementação do princípio da segurança jurídica. irá lançar “de ofício” o valor faltante e autuar quanto às penalidades pelo descumprimento da obrigação. fixam prazos para o exercício de determinadas ações no campo tributário. de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Essa atuação da Administração Tributária é tida por meio do lançamento. de acordo com a participação do Agente Fiscal em face do ato de lançar. ou seja. 174 do CTN. 1) Com efeito. o direito de cobrar e portanto submetido ao prazo prescricional do art. Caso não tenha feito corretamente. é necessário apurar. Para que a Fazenda Pública possa promover a cobrança judicial de seus débitos. a contagem decadencial se faz de acordo com o tipo de lançamento e. 2) Caso haja pagamento parcial. 150 da referida Lei”. “Art. previsto no sistema jurídico brasileiro. o Fisco. conseqüentemente. no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. a extinção do crédito tributário ocorre. havendo inexistência de qualquer pagamento (supõe-se que o lançamento já ocorreu).172. Surgirá então. caso seja necessário. mais uma vez. regulado pelo art. portanto. não poderá fazê-lo. é necessário que tenha relação jurídica com sujeito passivo. Só poderemos falar em prazo decadencial (findo) se não houver presença (via presencial ou por meio de notificação) do Agente no exercício de formalização do lançamento que lhe cabe. transmudadas em principal (multas)? Resposta: sim. 174 do CTN. Pergunta: a disciplina de decadência e prescrição se aplica integralmente às obrigações acessórias não adimplidas e. no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. Isto quer dizer que ambos. tratando-se de lançamento direto ou de ofício. no exercício de fiscalização.

porquanto matéria atinente à LC (art. porém. a prescrição corre da decisão definitiva do recurso administrativo e não do fim do novo prazo para pagamento. nos termos da LEF. o codex acolheu o postulado de que a constituição do crédito se dá com o lançamento. abre-se novo prazo para pagamento. o legislador previu situação insólita. sobre o qual não incide a prescrição. CTN).94 Depois de lançado o crédito tributário. é repetido o decurso para o pagamento. que esse decurso é de 30 dias (art. não corre prescrição. O ajuizamento da execução fiscal em si não interrompe a prescrição. com o inadimplemento do devedor. é necessário extrair certidão da dívida ativa. 174. § 3º. No entanto. mas não definitivamente. CPC). Ao invés de dizer que a prescrição corre da mora. o qual poderá modificar o ato. supõe-se que haja impugnação administrativa por parte do devedor. no silêncio de lei ordinária específica. a Administração toma providências para a cobrança do débito. como já mencionado. O CTN prevê. . em que o interregno prescricional corre ainda que inexista lesão ao direito subjetivo correspondente. o fisco confere prazo para o contribuinte pagar ou oferecer defesa administrativa. a prescrição fica suspensa por 180 dias a partir da inscrição em dívida ativa. Para fins de entendimento majoritário. De acordo com o art. LEF. Termo “a quo” da prescrição – a partir do lançamento. 585. Por incrível que pareça. Entretanto. CF/88). “b”. “caput”. por conseguinte. o legislador fez coincidir o termo “a quo” com sua construção de crédito tributário definitivamente constituído. a inscrição na dívida ativa é o ato que consubstancia o contribuinte como devedor. porque o crédito está constituído definitivamente – na linguagem do legislador – mas a prescrição não está correndo. materializada pela ação de execução fiscal. VII. Dentro dessa discussão. 2º. Somente depois desse decurso ou sem impugnação administrativa. III. Há um contrasenso. 146. Mesmo considerando a construção do legislador. pois não existe ainda lesão ao direito subjetivo do fisco. porque previu o termo inicial do prazo prescricional a partir da “constituição definitiva” do crédito tributário. Sendo improcedente o recurso administrativo tempestivamente interposto. Permanecendo inerte o sujeito passivo ou sendo infrutífero seu recurso. “caput”. Mas o legislador foi infeliz na redação do art. No entanto. 160. posição atualmente refutada pela doutrina. De fato. destacam-se duas hipóteses: uma em que inexiste impugnação administrativa e outra. o qual se valerá como título executivo idôneo a promover a referida demanda executiva (art. CTN. surge a lesão e. Não efetivando o inadimplemento. Além dessa dívida constituída. Em verdade. em que há sua interposição. do inadimplemento ou da lesão. é que o crédito estaria “definitivamente constituído”. o sujeito passivo tem um lapso para realizar o pagamento ou para interpor recurso administrativo. o crédito estaria definitivamente constituído. porque o sujeito passivo ainda tem um período para interpor o recurso administrativo. fato que só será efetivado 124 Na tese da “actio nata”. o lançamento constitui o crédito. Nesse intervalo. o STJ entende que essa suspensão não é cabível. o prazo prescricional para ação condenatória começa a correr a partir do conhecimento da lesão do direito subjetivo por parte do lesionado. A partir do 31º dia. a pretensão para a exigência judicial – é a tese da “actio nata”124.

em sede de cognição sumária. I. 174. A execução estará extinta. I. A partir da citação.95 pelo despacho do juiz que determina a citação do executado (art. LEF). E verdade. parágrafo único. 9º. depósito em dinheiro ou oferecimento de fiança bancária – art. fundando-se no art. o oferecimento dessa defesa atípica só e possível quando persiste liquidez e certeza da prova. justamente pelo princípio da celeridade processual. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. não sendo mais permitido o desarquivamento do processo. A tese pró-contribuinte. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. 174. caracteriza-se o crédito definitivamente constituído. Embargos do devedor – o juízo deverá ser garantido pelo depósito do montante integral da dívida (nomeação de bens próprios ou indicação de outros de terceiros. Acolhendo a defesa. termo inicial da prescrição qüinqüenal. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. desde que encontrado patrimônio em condições de responder pela dívida fiscal. passou a considerar que. Exceção (objeção) de pré-executividade – aplicável nos casos em que o executado detém prova pré-constituída (documental). surgindo a lesão ao direito do fisco. LEF). No despacho citatório do processo. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). 174. Revelia do executado – enseja a penhora ou arresto dos bens do demandado. Desse ponto. sendo instrumento criado pela doutrina e amplamente aceito pela jurisprudência. e 8º. muito pelo qual a LEF. a doutrina construiu a denominada prescrição intercorrente. Depois de um ano. 40. Esse documento instruirá a petição inicial da ação de execução fiscal. interrompe-se a prescrição tributária (arts. o qual permitirá a discussão da dívida em sede de cognição. Prescrição intercorrente – a Fazenda Pública procedeu ao lançamento. ou seja. I a IV. parágrafo único. . Passado o decurso “in albis”. o demandado tem algumas opções: Pagamento – com a satisfação do direito do demandante e extinção da execução e do crédito tributário. o juiz deve proferir despacho de arquivamento do feito. Não encontra previsão legal. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. mas sim de mera defesa inominada em sede de processo executório. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. CTN. CTN. § 3º. a execução fica suspensa. parágrafo único. que não depende de dilação probatória. CTN. a fiscalização aduz título de dívida ativa (termo de dívida ativa) e extrai sua certidão. dando prazo para pagamento ou interposição de recurso administrativo. Prescinde de garantia do juízo. como diploma protetivo do credor fiscal. com redação dada pela LC 118/05). Não encontrando qualquer bem penhorável. se a prescrição foi interrompida. Não tem natureza de ação. o juiz julgará a execução extinta. LEF). § 2º. a qual ocorrerá dentro dos cinco anos seguintes. A partir daí.

191. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. Para solver o entrave. CTN. Isso também não quer dizer que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. O direito ao ressarcimento no indébito também não pode perdurar pela eternidade. § 4º. 127 Na verdade. Rio de Janeiro. findo o qual se inicia o prazo da prescrição qüinqüenal intercorrente”. a qual versa sobre ação de anulação de decisão administração que denega a restituição. 191 do texto codificado”. além de positivar a prescrição intercorrente no âmbito tributário. manifesta-se a doutrina majoritária.280/2006. vindo a favorecer o fisco. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. porque é possível sua renúncia por razões outras. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. Nesse sentido. cujo pensamento pode ser traduzido pelo Enunciado 295 do CJF: “Art. mesmo sob o regime da Lei 11280/05. 169. 2006. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. Além dessa. O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. Ambas correm contra o sujeito passivo da obrigação tributária. não configurando direito subjetivo do contribuinte. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. a Lei 11051/04. Apesar de ser factível em tributos lançados de ofício ou por declaração. afirmando que a prescrição passou a ser matéria de ordem pública. aplica-se a segunda pelo princípio da especialidade. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. surgindo a pretensão desse para Súmula 314 do STJ: “Em execução fiscal. Nesse caso. advogam Roberto Senize Lisboa e Nelson Nery Júnior. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandadocontribuinte. v. de fato. porque prescrição é matéria de defesa disponível126. 2. Sendo assim. Havendo conflito entre CPC e LEF. mesmo porque há interesse público em jogo. existe a prescrição bienal do art. pelo simples decurso do tempo. sob pena de nulidade absoluta do ato. Rodrigo Mazei e Câmara. Quando o fisco aceita um pagamento a maior. fato que sugere o instituto da prescrição. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. a maior parte das pretensões ao indébito surge de erro de interpretação do próprio sujeito passivo. Lições de Direito Processual Civil. Em contrário.. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ)125. 13 ed. Prescrição nas ações de repetição de indébito – está prevista no art. no lapso de cinco anos. dentro 125 . não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. CTN. Entretanto. porque versará sobre a modalidade ordinária da prescrição. LEF). 194 do Código Civil pela Lei n. há uma autolesão. segundo bem aponta parte da doutrina. 40.96 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. A revogação do art. 11. “in fine”. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. CPC). Em que pese alguns autores defenderem natureza decadencial ao decurso em tela. nasce lesão127 ao direito do sujeito passivo tributário. 126 Pela perpetuação da prescrição como matéria disponível. não sobre a intercorrente. Lumen Júris. Isso não significa que a prescrição não-intercorrente – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado sem prévia oitiva do fisco. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. 1º. 219. não localizados bens penhoráveis. 168. suspende-se o processo por um ano. § 5º. LEF). trata-se de interregno prescricional. Em razão da Lei 11280/06.

com base no art. 150. mormente quanto aos seus arts. Nesse passo. CF/88. muito pelo qual a corte acolhia a “Tese do Cinco Mais Cinco” até pouco tempo atrás. a lançamento de ofício e por homologação. mal ou bem. Por óbvio. 130 STJ. a controvérsia se instalou. declarou inconstitucional o caráter interpretativo da LC 118/05. a teor do que definira o constituinte128. 15.831-SP. Quanto a tributo lançado de ofício. Porém. não persiste qualquer dúvida. A questão ficou pacificada depois da LC 118/05. rel. faturamento. Informativo do STJ n° 329. o que justifica a natureza prescricional do lapso ora em comento.5. entendimento atualmente não mais vigorante. 165. Teori Albino Zavascki. 129 STJ.2007. receita e LC 118/05 – a Lei 9718/98 instituiu a COFINS.97 se ressarcir mediante o exercício do direito de ação. Até a EC 20/98. era de dez anos para os tributos sujeitos à homologação de lançamento. o Excelso Pretório devolveu a causa ao STJ para o julgamento pelo seu órgão especial. contados a partir do fato gerador. I. rel. Castro Meira. Nesse caso. o termo inicial no pagamento do tributo (antecipado). não é o terceiro que lesa o direito alheio. RE 544246/SE. Corte Especial. EREsp 644. 168. O termo “ad quo” da prescrição da repetição de indébito comporta certa complexidade. a causa de extinção referida pelo legislador seria o pagamento. implica em diminuição do lapso. porquanto implica em verdadeira declaração de inconstitucionalidade do diploma. CTN. era adotado o segundo momento lógico como termo inicial da prescrição da repetição de indébito. respectivamente. porque existem dois momentos lógicos: o recolhimento antecipado do tributo (a maior) e a homologação desse pagamento pelo fisco (art. consoante já supra comentado. 6/6/2007. o STJ disse que o lustro se aplica para os fatos ocorridos após a vigência da LC 118/05. O Supremo entendeu que a interpretação nesse sentido.736-PE. CONFINS. CF/88). DJU 27/8/2007. essa proposição só foi reafirmada recentemente pelo STJ. Min. DJU 4/6/2007. viola a cláusula da reserva de plenário (art.. I e II. 195. rel. contados do pagamento129. contribuição previdenciária sobre a receita dos empregadores. j. Informativo do STJ n° 322. Informativo do STF nº 467. CF/88). 3º e 4º. nos tributos sujeitos à homologação. o decurso de cinco anos. 2ª T. O art. a redação do dispositivo das exações sujeitas ao lançamento por homologação. Dentro dessa perspectiva. ultrapasse o limite de cinco anos após a promulgação do diploma130. Observe que a demanda será condenatória. Min. “in fine”. o qual. Destarte. CTN. o STF deu parcial provimento a RE interposto pela AGU para contestar a posição do STJ quanto ao caráter não-retrospectivo da LC 118/05. j. Sepúlveda Pertence. Min. Em recente decisão. . mas sim o próprio contribuinte dá causa. REsp 955. determinando que o prazo prescricional da repetição de indébito é de cinco anos. a qual previu expressamente. § 4º. Em raciocínio simplista. EREsp 644. aproveitando-se o fisco dessa situação. I. O STJ.835-SC. Segundo a leitura da corte. “b”. Pois bem. EREsp 435. j. o primeiro é aquele que extingue o crédito. operada por órgão fracionário do STJ. Esse dispositivo diz respeito às exações sujeitas. em seu art. estabelece que a referida prescrição corre a partir da extinção do crédito tributário nos casos do art. desde que indevido (a mais). salvo se o decurso prescricional decenal. 28/8/2007.736-PE. 128 STF. iniciado sob a égide da interpretação anterior. respeitando comando dado pelo Supremo. 3º. 97.

CTN). Entretanto. o legislador foi tecnicamente impróprio na redação do art. I. Com efeito. a ser julgado pelo seu pleno. Segundo o tribunal. depois dela. a COFINS sobre receita. 106. . dando origem à enxurrada de ações de repetição de indébito no primeiro semestre de 2005? Pergunto isso em face da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9718/98 pelo STF em 2005. tal qual a própria redação dos arts. além da ação judicial de repetição de indébito. Na segunda opção. sendo vencido (Informativo 408 do STF). pois o ato jurídico perfeito (interrupção da prescrição com o despacho de recebimento da inicial) não pode ser maculado por norma posterior. Pergunta: qual foi a LC de janeiro de 2000 que constitucionalizou a COFINS sobre receita das empresas. o administrado poderá recorrer ao Judiciário para anulá-la. antes daquela. 131 STJ. essa posição é contestável. com efeito retroativo. quanto às expressões “prescrição da ação” e “anulatória”. reforçando a confiabilidade do jurisdicionado para com a corte. bem como a ação tem natureza dúplice: anulação da decisão administrativa e condenação do fisco à restituição. restringindo-se a dois anos (art. “caput”. ficando a prescrição obstada a partir de então. criada por MP e convertida em LO. veio a LC 110/01 para resolver a querela. § 4º. a prescrição para o exercício da ação é menor que aquela afeta diretamente à Justiça. dentro da discussão da LF (Lei 11101/05). as contribuições cobradas entre a Lei 9718/98 e a LC 110/01 passaram a ser objeto de ação de repetição de indébito. não permitiu o caráter interpretativo da LC 118/05 ao afirmar que ela é inovadora (modificativa)131. A partir do pagamento indevido. o Executivo fez aprovar a LC 118/05. não sendo acolhida. a qual chegou no STF por via de RE. “caput”. passou a existir somente uma. O argumento mais abalizado para refutar a retroatividade da LC 118/05 encontra-se no art. Em verdade. EREsp 327043-DF e AgRgREsp 727200-PB. Essa tese chegou ao STJ por embargos de divergência em REsp. 195. desde que instituída por LC.98 constitucional não falava em empregador. a prescrição se restringe à pretensão ao ressarcimento. LC 118/05. O STJ. justamente por ele erigida. já permitia outras contribuições não cominadas. Nesse passo. padecia de inconstitucionalidade formal. Com fulcro na doutrina alemã (tese da sanatória geral das emendas em face das leis anteriores). À guisa do debate. CF/88. prestigiando a segurança jurídica da “Tese dos Cinco Mais Cinco”. a qual passou a previr a extinção do crédito no pagamento (art. o relator. a EC 20/98 operou a mudança. Entretanto. CF/88. Para solver o caos no âmbito do fisco. é possível ao sujeito passivo aduzir pedido na via administrativa (processo administrativo fiscal). 5º. 3º. esse tinha duas margens interpretativas e. LC 118/05). residuais. passando a se discutir se emenda teria a capacidade de sanar inconstitucionalidade de lei anterior. XXXVI. caso a decisão definitiva seja denegatória. Nesse sentido. CTN. houve uma enxurrada de demandas para a repetição de indébito. Gilmar Mendes. Foi uma decisão de extremo bom senso. a Fazenda Pública alegou que a LC 118/05 é interpretativa (art. CTN). Todavia. votou pela constitucionalidade. a LC 118/05 alterou a estrutura do CTN. Para revestir o diploma de constitucionalidade. bem como não versava sobre receita. Para fazer a prescrição atingir essas ações em curso. 3º e 4º. devido à vacância do diploma em 120 dias. característica inerente à inovação da ordem jurídica. 169. A COFINS sobre faturamento já era autorizada pela LC 70/91. 169. porque. guardião da lei federal. mesmo porque o sentido interpretativo de um diploma presta-se justamente a tal faina. O art.

presente no capítulo V do Título III. fora da previsão legal. visto que “ocorrem antes do . Ambos os conceitos são jurídica e semanticamente vagos. Exclusão do Crédito Tributário Há dois posicionamentos para o termo “exclusão”. p.COFINS. deve-se retornar à previsão orçamentária inicial e EXCLUIR a respectiva receita. 2º) dentre as obrigações da Administração na elaboração do orçamento. Precisam atacar sim. a exclusão do crédito tributário comporta “causas inibitórias do lançamento”. O ISS está afeto à prestação de serviços e. não permitiria o ato de apreensão judicial (ex. existe a previsão das receitas. pode ser acusada de ofício e reconhecida em qualquer tempo e grau de jurisdição. “caput”. quer seja ordinária (arts. Pergunta: a doutrina processualista costuma diferenciar a exceção de pré-executividade da objeção de não-executividade. quer seja intercorrente (art. as condições da ação. 3º. 205). a segunda versa sobre matéria de ordem pública (norma cogente de interesse público). § 4º. Pergunta: antes de reconhecer de ofício a prescrição. CTN. e 219. IV. indiretamente ligado ao bem de família. portanto. tendo em vista o assunto estar afeto à matéria de direito. Mas ele possui o poder de fazê-lo caso queira. Pergunta: os impostos que podem ensejar a penhora do imóvel familiar (art. devendo ser oposta antes da penhora (“pré-executividade”). isso quer dizer que o imóvel fará às vezes de garantia da dívida decorrente de tributo. Segundo Daniel Assumpção. a primeira se adstringe a matérias debatidas em embargos. II estabeleceu apenas um impacto na Lei Diretrizes Orçamentárias relacionada à mudança na forma de tributação do setor de combustíveis e do pagamento por substituição no setor automotivo em relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade . LEF). Essa diferenciação também existe na execução fiscal? Resposta: em matéria de execução fiscal.: ISS cobrado em razão de modificação na estrutura do edifício)? Resposta: cuidado. 174. a lei torna penhorável o ‘bem de família’ tratando-se de impostos. Lei 8009/90) são somente o ITR e o IPTU? Outra espécie.99 Resposta: a Lei Complementar 101/00 em seu art. o juiz é obrigado a ouvir previamente ambas partes na execução fiscal? Resposta: não. o termo Exceção de PréExecutividade tem prevalecido em face da margem de matéria que podem ser alegadas e que não estão restritas àquelas de ordem pública. CTN: 1º) Exclui-se um crédito que deveria nascer e não vai nascer. a qual não preclui. sendo incluído tudo o que se imagina arrecadar. CPC). § 5º. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar. No momento em que uma legislação permite o não recolhimento de algum tributo. 40. levando-se ao raciocínio de que o legislador complementar atuou com impropriedade terminológica. Para Sabbag (2004. 4º parágrafo 2º.

o equívoco semântico do texto legal se deve à sua visão míope sobre a constituição do crédito tributário. não há elementos suficientes e legais para “constituir um crédito tributário” em face de um fenômeno isento. 139 c. 175. Linha minoritária assevera que qualquer hipótese abrangida pela isenção não pode se denominar fato gerador. rel. CTN. não existe a OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (art. . O art. parágrafo único. Eliana Calmon.100 lançamento e após o surgimento da obrigação tributária”. cuja ocorrência se dá com a previsão da hipótese de incidência na lei tributária132. tendo por fulcro metajurídico elementos de cunho sócioeconômico e sócio-político (SABBAG. 205). à luz da previsão abstrata legal (fato imponível descrito na norma). A norma que exclui o crédito tributário sempre afasta a obrigação principal. XII. CTN). a isenção não tem o condão de anular os efeitos da norma maior. 175. por ser uma endonorma. o fato abstrato deixa de existir e assim não pode surgir uma obrigação tributária. parágrafo único. isto é. Essa é a posição perfilhada pelo Excelso Pretório. prevê que a exclusão do crédito tributário adstringe-se à isenção (dispensa de tributo) e à anistia (dispensa de penalidade). assevera que a isenção suspende a eficácia da norma impositiva tributária. neste. 2004).575-MG. § 6º. mas não as acessórias (art. ISENÇÃO é chamada de endonorma pelos doutrinadores. Desta feita. 2ª T. p. § 2º. Sempre decorrente de lei. pela PROIBIÇÃO legal da chamada isenção em branco (art. 26/6/2007. CTN. o qual entende a isenção como disposição legal de incidência tributária. há de se ressaltar “que o poder de isentar ou anistiar é correlato ao poder de criar tributos” (SABBAG. 155. Rubens Gomes de Souza. parágrafo único. A norma cria uma exigência e o legislador faz surgir uma gama de casos particulares dentro dela. a isenção não alcança as exações nascidas depois de sua criação. admitindo-se a dispensa da obrigação principal para os isentos. Não há de se formalizar a relação jurídica para torná-la exigível. Neste diapasão.. CTN. Ricardo Lobo Torres (apud NOGUEIRA. 175. a isenção engloba os fenômenos havidos a partir de sua instituição. art. conquanto se afasta a obrigação principal das hipóteses de isenção. o art. salvo se houver consenso de todas as unidades federadas no caso de ICMS (art. 176. e 176. Neste raciocínio. Min. confere permissivo às chamadas isenções geográficas (NOGUEIRA. p. resolução legislativa que aprova convênio não pode concedê-la. Paulo de Barros Carvalho assevera que a constituição do crédito tributário se dá com a realização do fato gerador. imunidades e princípios). de modo a dispensar o contribuinte da obrigação principal. j. Como se sujeita à reserva legal. essa imperdoável posição extraída da doutrina estruturalista germânica e adotada na letra da norma gera contra-sensos dessa monta. Todavia. consoante comentário já realizado. 1999). CF/88)133. Em verdade. Respeitando o respeitável mentor do CTN. CTN). “ex vi” dos arts. CF/88. CTN). “g”. devendo ser respeitados os mesmos parâmetros diretivos desses (limitações ao poder de tributar. Informativo do STJ n° 325. II. A posição MAJORITÁRIA afirma que. isto é. com o objetivo de “compensar desigualdade em função de condições 132 Indo um pouco mais fundo. 1999. 171). REsp 723. 2004. pois. 150. Todos os fenômenos abrangidos são fatos geradores. Celeumas à parte. 133 STJ.c. 177.

136 Súmula 544 do STF: isenção tributária concedida sob condição onerosa não pode ser livremente suprimida. essa disposição pode ser excepcionada pelo legislador concedente. DL 8031/45 (isenção de II e de IPI para equipamentos integrados ao ativo da Companhia Hidrelétrico do São Francisco – CHESF). CTN). mediante requerimento. preferiu ele manter o uso da visão codificada do legislador tributário. Segundo Sabbag (2004. por expressa manifestação legislativa (art. desde que devidamente prevista em diploma competente. 177. da situação apresentada pelo contribuinte. mas a infração. REsp 575. pelo fisco. 208). o qual não poderia ser desfeito nem mesmo por lei superveniente. há certas diferenças para com a isenção. A INCONDICIONAL é isenção que não estipula qualquer requisito especial para sua concessão. Ex. Para Nogueira (1999). Mesmo assim. em contrário senso) e jurisprudencial (Súmula 544 do STF136). 178. pode ser revogada a qualquer tempo. CTN). A específica é aquela que depende de verificação. 8º. Herman Benjamin. justamente para não causar ainda mais confusão na explanação didática dos institutos em análise. 1999). não se aplicando às taxas e às contribuições de melhoria em razão da necessária contraprestação direta. Para Sabbag (2004). Porém. CTN (NOGUEIRA. como bem ventila o art. Entretanto.101 peculiares”. no campo concreto. “caput”.806-PE. configurando verdadeira “fossilização” do ordenamento134. A vontade do legislador vai determinar os limites de abrangência. a anistia encontra fulcro maior no “indulgentia principis” do Direito Penal. Súmula 615 do STF: O princípio constitucional da anualidade (§ 29 do art. É importante também dizer que as isenções só alcançarão os tributos não vinculados (impostos). A condicional é irrevogável. como observam Sabbag (2004) e Nogueira (1999). CTN. pode ser passível de anistia. a finalidade principal é retirar a situação de impontualidade do inadimplente da obrigação. Informativo do STJ n° 331. Min. 153 da CF de 1969) não se aplica à revogação de isenção do ICM. sendo aplicada às penas anteriores à sua instituição. incondicional ou condicional. Neste caso. 178 c. é o “perdão legal das penalidades pecuniárias antes da constituição do crédito tributário”137. 179. art. como é o caso de calamidades (NOGUEIRA. Qualquer penalidade. já existe. não cabendo qualquer análise por parte da Administração Tributária. bem como um prazo para o aproveitamento dos benefícios. cabendo-lhe exarar despacho concessivo (art. Em termos classificatórios. rel. A pena pode ainda não existir no plano formal. 137 Apesar da posição pessoal do autor. a isenção pode ser geral ou específica. por diploma de igual hierarquia àquele concessório. a anistia alcançará 134 135 STJ. p. Na ANISTIA. opera causa de extinção da punibilidade. parte inicial. “caput”. o qual coaduna com a tese da constituição do crédito tributário pela hipótese de incidência. j. a retirada da sanção tributária pecuniária.c. Cf. 1999). 104. desde que observada a anterioridade originária (art. Decorre de razões de política fiscal e atendimento de certas conjunturas e circunstâncias não só econômicas. CTN). nos termos da legislação. A geral é aquela decorrente diretamente de lei. I. indireta ou indenizatória dessas exações. 177. . III. a jurisprudência não tem reconhecido a aplicação da anterioridade à revogação das anistias incondicionais135. versando inclusive sobre a mencionada isenção em branco (art. ou seja. Ela é o PERDÃO.: revogação do art. pela Lei 8032/90 – o primeiro comando não pode conferir um direito adquirido à beneficiária. 11/9/2007.

102 tais fenômenos. 4ª ed. de acordo com a Súmula 49 do STF: “A cláusula de inalienabilidade inclui a incomunicabilidade dos bens”. porque esta se refere ao crédito tributário “per se”.. 97. como Sabbag.. 2002. As garantias da Fazenda Pública quanto ao crédito tributário estão elencadas em rol exemplificativo nos arts. ou seja. As disposições só são válidas entre particulares. havendo notificação do contribuinte. baseado na citada LC. direcionada ao custeio das funções públicas. CTN). impostas ou formalizadas). Saraiva. A natureza de receita pública. cit. O legislador ordinário determina-lo-á. CTN). CTN). Também não alcança os atos cometidos com dolo. cit. VI. 184. é adepto da corrente que entende o lançamento como perfeito em um só ato (a notificação). CTN. 156. op. O procedimento para a isenção e para a anistia se dá à luz do comando diretivo do CTN. “caput” e parágrafo único. O contribuinte fica dispensado do cumprimento de certa penalidade.: art. I. v. IV. I e IV. Depois de “constituído o crédito” pelo lançamento – em outras palavras. simulação ou fraude. CTN. Amaro. não abrange as sanções já lançadas. à imposição de penalidade tributária. o comando prevalece sobre a lei tributária (art. CPC (bens impenhoráveis). Essa linha. fazendo-se merecer especialidade na sua regulação. Dessa feita. 142. Dessarte. Ex. Inoponibilidade de garantias reais ao fisco (art. . “in fine”. Ex. Coleção Sinopses Jurídicas. 183 a 193. apoiada pela maioria da doutrina. Garantias do Crédito Tributário Não são inconstitucionais. os parâmetros de aplicação dos institutos em tela (art. permitindo a penhora da coisa. encontra resistência em doutrina isolada. op. podendo o legislador inovar nesse sentido. CTN). não tendo vez frente aos preceitos de ordem pública da norma tributária (função social dos contratos).: art. Ricardo Cunha Chimenti. mas sim em remissão. ao contrário do que apregoa a doutrina prevalente e a própria redação do art. de incomunicabilidade ou de impenhorabilidade140 não produzem efeito quanto ao fisco. Com efeito. 180. CTN) – as estipulações entre particulares no tocante aos gravames reais não atingem a exigência de crédito tributário. requer um tratamento desigual relegado ao fisco. a anistia não se confunde com a remissão (art.. não há mais de se falar em anistia. 180. 140 A cláusula de inalienabilidade engloba também a incomunicabilidade. 649. 156. Contudo. I a X. Direito Tributário. porque colimam a isonomia. Caso a própria lei excepcione a impenhorabilidade. cláusulas de inalienabilidade. mas continua com a obrigação principal e outras acessórias dela decorrentes. bem como os crimes e as contravenções (art. admitindo o autor a sua incidência mesmo em crédito já lançado. enquanto aquela. se a impenhorabilidade for legalmente instituída. CTN). IV. Desta feita. CTN) e as demais infrações tributárias cometidas em concurso de pessoas (art. op. pela notificação –. ao tê-lo como procedimento (sucessão de atos). II. 139 Sabbag. cit. a anistia retroage a fatos já ocorridos.. 2004)139. porque a benesse cabível seria a remissão (art. 184. e outros. apresentando espectro amplo quanto às sanções (cometidas. 3º. Lei 8009/90 – créditos previdenciários e trabalhistas decorrentes de relação empregatícia em função do imóvel e tributos relativos ao próprio bem (em 138 Neste aspecto. Lei 8009/90 (bem de família). 1º. essa colocação também se aplica ao fisco. São Paulo. conclui que o lançamento não tem o condão de impedir a concessão de anistia. “caput”. art. 16. NÃO ATINGINDO os valores referentes ao crédito tributário (obrigação principal)138. não há de se cogitar a anistia (SABBAG.

185-A. essa é mais profunda. “caput”. do contrário. CTN) – depois da citação válida. Câmara (2006) afirma que surgiu um novo instituto: fraude à administração fiscal. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo. 185-A. o saldo será restituído ao devedor (art. porque o legislador previu abrangência em todo território nacional. Fraude à administração fiscal e bem de família – supondo que o devedor tenha débito fiscal de $70 e possua dois imóveis. I e II. No âmbito tributário. tornando-o passível de penhora (art. procedimento e ato dotado de presunção de legalidade e de legitimidade. Para responder se há ou não fraude ao fisco. Como o imóvel restante não é penhorável. em qualquer órgão. apta a registrar patrimônio (art. pública ou privada. 3º. Fraude à “execução fiscal” (art. muito pelo que não são encontrados bens aptos à penhora (art. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. o fato depende da natureza do crédito fiscal da Fazenda Pública: caso a exação originária seja do imóvel de propriedade do contribuinte. porquanto ambos decorrem do mesmo poder de polícia sanitária do Município. entidade ou instituição. 185-A. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. Lei 8009/90). porque o único bem idôneo a solver a dívida foi alienado em contrário ao art. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. exige-se regular citação do executado. Para ficar submetido à indisponibilidade. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. Em que pese não haver um sistema informatizado totalmente abrangente. Depois de inscrita a dívida ativa. se o tributo a ser cobrado não assim se manifesta. Ex. o que ainda não é pacífico. Trata-se de presunção absoluta. pelo meirinho. não nomeia bens nem é verificado. CTN) – o juiz da vara de execuções fiscais pode declarar a indisponibilidade de bens do executado em face de dívida fiscal não adimplida. CTN). dentro do processo civil. CTN. “caput”. 185. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). o sujeito passivo aliena um desses. como título executivo extrajudicial. CTN). porque a impenhorabilidade do bem de família é excepcionada. Depois de ajuizada a demanda. importam em fraude à execução. já existe o ambiente jurídico para tal. a Fazenda Pública pode alcançar a ineficácia da alienação feita pelo contribuinte. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. “Penhora on-line” (art. Para tal.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. etc. patrimônio apto a satisfazer o crédito tributário. de eletricidade. 141 A jurisprudência não admite a cumulação entre taxa do lixo e taxa para limpeza de logradouros públicos. § 2º. A certidão de dívida ativa.).103 decorrência da propriedade – ITR e IPTU – e do poder de polícia estatal – taxa do lixo141. 185-A. § 1º. 185. CTN). depois da hasta pública. o devedor não paga no prazo legal. 185. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. porque. . o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. instruirá a inicial da execução fiscal. incide a mencionada fraude. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. Todo esse trâmite demanda muito tempo. não existe fraude. cada um de $100. A presunção de certeza e liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno administrativo. de esgoto. CTN).

os Estados. CTN). Sabbag (2004. de acordo com o arts. “caput”. 2006. porque. A administração de tributos é realizada pela Fazenda Pública. nos termos de seu art. Crédito tributário na falência (arts. CTN. e 186. essa deve ser limitada ao valor da dívida em discussão. LF. porquanto sua competência e sua capacidade tributárias são deferidas à União (art. mormente aqueles dependentes de lançamento (AMARO. desde que aquele tenha crédito extraconcursal (depois da decretação da falência). ao revés. CTN). Medidas de controle e verificação da realidade fiscal do contribuinte. porquanto estatui que os impostos estaduais . 186 e 188. p. O constituinte dá indício dessa assertiva. e o segundo seja anterior à falência (arts. Em verdade. 147. o DF e os Municípios. devolvendo-se o saldo ao devedor. Inexiste qualquer competência tributária deferida aos Territórios. 194. Nesse passo. Essa situação também vige se a penhora precede ao ajuizamento da falência. é perfeitamente possível crédito quirografário ter preferência sobre tributário. a norma geral será o CTN. Cobrança judicial dos importes tributários inscritos em dívida ativa. ele vai à hasta pública. 241) assevera que a atribuição de administrar tributos importa em três funções: Procedimentos fiscalizatórios adequados. existe também a argüição de excesso de indisponibilidade. 255) ensina que os Territórios Federais não se constituem dessa forma. o produto da arrematação é entregue à massa.104 Dentro da idéia de excesso de penhora. 84. sua penhora é realizada no rosto do processo da quebra. Todavia. não há de se retirar a salvaguarda da Fazenda Pública com fulcro em excesso de indisponibilidade. Essa disposição só cabe se divisível o bem. O feito permanece no seu juízo privativo. São a União. 187. No mesmo raciocínio. a qual abrange os entes políticos (art. p. 479). CF/88). Essa atribuição é de suma importância para a função arrecadatória do fisco. específico de cada ente ou relativo a cada exação instituída. Sabbag (2004. caso em que o montante da arrematação será deferido ao juízo universal. dada a situação concreta submetida ao sujeito passivo. respeitando a ordem de prevalência estabelecida na LF. possivelmente. Nessa última hipótese. LF. e 188. Quando a execução fiscal fora instaurada antes da ação falimentar. Secundando o legislador do CTN. “caput”. CTN). I a III. 83. de indenização por dano moral. 209. 209. CC. na dicção do art. 1ª parte. CTN). 41. p. sob pena de suscitar mandado de segurança pela diferença e. o fisco não precisa se habilitar no processo falimentar. porquanto sequer possuem Fazenda Pública (art. cuja atuação é imprescindível inclusive para o próprio recolhimento de alguns tributos. Nesse caso. CTN) – a relação de preferência no concurso de credores está determinado na LF (Lei 11101/05). visto que o efeito atrativo do juízo universal não se lhe aplica (art. O fisco pode receber antes do detentor de crédito trabalhista. Todavia. Administração Tributária Introdução – a fiscalização tributária é assunto deferido ao legislador ordinário.

os agentes do fisco poderão requisitar força policial para levar a cabo seu ofício. 52. CTN). 2001. I e . 194. Em verdade. o art. publicidade e eficiência (art. 76). p. 56. 70235/72 (FÜHRER e FÜHRER. Nesse ponto. I a VIII. Quanto a esses. 70235/72). 54. podendo abarcar. III e IV. aplicável à Administração Tributária. Assim como no PAF. CTN. XV. 161. refere-se ao procedimento de consulta. Consulta – o art. parágrafo único. Da resposta proferida. a legislação tributária é dirigida tanto à autoridade administrativa tributária quanto aos administrados. 48. Mesmo que não haja configuração de crime. parágrafo único. D. p. além dos sujeitos passivos da relação jurídico-tributária (contribuintes e responsáveis). D. deixa claro que até mesmo os imunes e isentos devem se render aos comandos normativos tributários. CTN. 2001. uma vez se afigure embaraço ou desacato tal ao exercício que torne impossível sua efetivação (art. 78. impessoalidade. “caput”. a consulta permite recurso administrativo e reapreciação da matéria por instância superior. 245) avança um pouco mais. a expressão “impostos” pode ser interpretada como tributos. 70235/72. “caput”. p. 1ª parte. apesar de vigorar correção monetária. D. a autoridade poderá compelir o consulente a cumprir determinada obrigação. 76). “caput”. CF/88). moralidade. diploma que também trata do procedimento administrativo fiscal. 147. II. mormente no que concerne às obrigações acessórias. quando devam prestar informações. CTN. nenhuma medida pode ser tomada em desfavor do consulente em até trinta dias (art. 200. Destinatários – usando a terminologia do codex. 480) lembra que o Senado tem competência exclusiva para avaliar periodicamente o desempenho da fiscalização tributária de todos os entes federados. p. CF/88). § 2º. o que talvez afastasse o interesse do jurisdicionado pelo instituto (FÜHRER e FÜHRER. a resposta dada pela autoridade tributária e favorável ao contribuinte vincula a Administração Tributária. Sabbag (2004. 37. assim como a funcionalidade do próprio Sistema Tributário Nacional (art. praticar atos ou abster-se de fatos em nome do poder de polícia do fisco (art. Amaro (2006. Quando pende consulta. apesar de não ser permitida quando tais expedientes já foram iniciados (art. CF/88). quando cada um deles exercerá plenamente sua capacidade tributária própria (art. pelo qual o contribuinte pode submeter uma dúvida sobre cumprimento de obrigação tributária à autoridade fazendária. No entanto. 52. Mesmo outras pessoas podem ser objeto de fiscalização pela autoridade. 70235/72). 52. 175. e 55. nos termos dos arts. Essa regra só é excepcionada se o Território for dividido em Municípios.105 correspondentes são incumbência da União (art. é abrangente as determinações do legislador. A atuação dos agentes de fiscalização deve observar o princípio da estrita legalidade. D. 147. postulando pela aplicação integral de todos os princípios administrativos: legalidade. Apesar disso. 48. na resposta. bem como considerar a consulta ineficaz ou incabível (arts. não é possível aplicação de penalidades nem ajuizamento de execução fiscal (art. terceiros alheios. CF/88). 2ª parte. disposição que é reforçada pelo art. CTN). É matéria regulamentada pelo D. 70235/72). Também não é possível imposição de medidas de garantia nem incidência de juros moratórios.

1190. Além dos próprios sujeitos passivos da relação jurídicotributária. § 1º. 70235/72). Havendo conflito entre o dever de guardar segredo (dever legal de sigilo) e o interesse da Administração Tributária. D. Qualquer disposição normativa que venha a limitar a atuação do fisco está em desacordo com a norma geral tributária. Sigilo fiscal – sigilo é aquilo que representa o selo que lacra o que não pode ou não deve ser divulgado. 197. 33. CTN). p. como rememora Chimenti (2002. quando o causídico estiver exercendo função atípica. como ensina Robson Baroni. p. psicólogos. 46. No entanto. No entanto. CTN. . 119). 195. p. consubstanciada pelo CTN (CHIMENTI. por exemplo. 2002. ou previdenciária. além de documentos relativos a lançamento. p. o julgamento da dúvida será feito por instância única. 2006. Deve ser preservado pelo fiscalizado até o decurso de prescrição ou de decadência a ele relativas (art. sendo considerada ineficaz (SABBAG. 2004. I a VII. No entanto. Porém. O art. Nessa hipótese. asseguram o exame amplo e genérico no processo de fiscalização. a autoridade tributária tem prerrogativa sobre os segredos de cada pessoa. 197. Ex. a verificação deve guardar nexo com o objetivo do procedimento. quaisquer livros comerciais. e 1193. CTN. O próprio dever de prestar informações e de apresentar documentos para fins fiscalizatórios se constitui como obrigação tributária acessória (art. 54. “b” e “c”. sob pena de importar em abuso de autoridade (Súmula 439 do STF)142. “caput”. CF/88). D. “caput”. 70235/72). CC. “ninguém pode ser obrigado a prestar informações sobre os negócios de outrem só porque eventualmente mantenha com ele relações de amizade ou de parentesco. 120). 142 Súmula 439 do STF: “Estão sujeitos à fiscalização tributária. CTN). No ambiente tributário. X e XII. CTN). arrola vários obrigados nessa faina. limitado o exame aos pontos objeto da investigação”. colocando desta forma um manto sobre o segredo. 195.: advogados. apesar do legislador não ter falado na segunda (AMARO. sacerdotes. CC). 483). O rol do comando considerado é fechado nos seus termos. cuja autoridade competente é o coordenador do Sistema de Tributação da atual SRFB (art. para torná-lo indevassável. VII. O legislador exigiu pertinência temática entre o objeto da fiscalização e o ato fiscalizatório. parágrafo único. desde que atinentes à sua função fiscalizatória. 197. Lei 8112/91. Apesar de a legislação comum proteger a exibição de livros e de documentos contábeis do empresário (art. em que pese o legislador poder ampliá-lo “de lege ferenda” (art. 5º. tem o dever de prestar informações ao fisco. III. entidades econômicas e profissionais e órgãos da Administração Pública têm legitimidade para aduzir consulta (art. CTN). parágrafo único. 242). ou mesmo negócios aos quais sejam alheias as informações demandadas” (AMARO. 197. os arts. 70235/72. muito pelo qual é decorrência do véu que se abate sobre a privacidade e sobre os dados pessoais (art. 481). Esse arcabouço probatório é composto por livros comerciais e fiscais. o legislador deu prevalência ao primeiro (art. parágrafo único.106 II. a teor do que já disse a citada Súmula 439 do Supremo. médicos e outros. como inventariante ou como administrador judicial em falência. o sigilo bebe na fonte dos Direitos Fundamentais. D. 2006. p.

No diapasão. 58. CTN). colimou restringir o compartilhamento de informações entre Estado e particular. tributo que possui finalidades concomitantes de arrecadação e de fiscalização. Enfim. na conformação que lhe der tratado entre a União e outros Estados (art. Repartição mútua de dados entre diferentes órgãos estatais no interesse da fiscalização tributária. A LC 105/01.107 Em regra. parágrafo único. Representação fiscal para fins criminais. desde que haja PAD instalado para investigar o sujeito passivo tributário. Necessidades materiais para ativação de dívida da Fazenda Pública. § 3º. Concessão de parcelamento ou de moratória. em face do art. LC 105/01). CTN). CF/88. A AGU pode requisitar informações ao BACEN e a CVM para instruir processos em que esteja atuando (art. “caput”. 198. 199. a jurisprudência era pacífica em proibir a prática por parte da Administração. 5º. X e XII. a mesma lei conferiu idêntica prerrogativa às CPI’s. as instituições financeiras deverão remeter à SRFB informações para identificação de contribuintes e de valores relativos à CPMF. I e II. CTN): Requisição de autoridade judicial. §§ 1º a 3º. 199. a ser efetivada mediante recibo. inclusive entre entes políticos diversos. “caput”. § 3º. O permissivo só é aplicável se houver PAF ou procedimento de fiscalização regularmente instaurado (art. Na esteira do diploma. 247) professa que a inexistência de convênio não impede a troca de dados sigilos fiscais entre órgãos públicos. os agentes da Fazenda Pública não têm vênia para divulgar dados sobre situação econômica ou financeira de fiscalizados (art. a Lei 9613/98 confere poder ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) para requisitar informações bancárias e fiscais. Com fulcro no art. mediante lei ou convênio (art. Solicitações e autoridade administrativa acerca de infração disciplinar praticada por servidor público. CF/88. LC 105/01). 6º. 198. assegura a quebra de sigilo bancário pelas autoridades tributárias. . CTN. 3º. A prevalência do sigilo quanto a terceiros deve ser colimada na formalização do ato. Entretanto. independentemente de vênia judicial. 58. por intermédio do BACEN ou da CVM. porquanto o art. CTN). § 3º. CF/88). Antes do referido diploma. perante o STF. 199. importante ressaltar que o compartilhamento de dados fiscais com outros órgãos estatais pode ser feito até mesmo no âmbito internacional. com o intuito de evitar e reprimir crimes de lavagem de dinheiro. desde que autorizada pelo plenário da Casa Legislativa ou da própria comissão. p. “caput”. houve preocupação na entrega pessoal do cabedal de informações. “caput”. desde que haja processo administrativo fiscal instaurado. Sabbag (2004. o próprio legislador excepcionou o mandamento em algumas situações (art. que está tendo sua constitucionalidade contestada. Na terceira hipótese supra aduzida. Requisição de CPI (art.

não a fiscalização em si. cuja lavratura também encontra previsão nos arts. 2002. entende que a LC 105/01 e outras normas no mesmo sentido não são inconstitucionais. a teor do que se posiciona a jurisprudência. Essa assertiva advém diretamente da segurança jurídica. 8º. parágrafo único. o servidor público responsável arcará civil e funcionalmente pelo seu ato comissivo ou omissivo. 241) a define como sendo “atos de verificação do cumprimento de obrigações tributárias. presentes indícios de crime de ação penal pública. De fato. “caput” e parágrafo único. só será assim considerada a confissão de dívida tributária havida antes de documentado o ato. p. LC 105/01). LC 105/01). 11. Depois desse momento. quando é confeccionado documento apartado. Todavia. 120). 5º. Nos termos do art. 1º. . 10. Se houver prejuízo em decorrência do vazamento de dados. porquanto fala em fixação de termo inicial e final (art. o qual será apresentado ao inquirido. o que se deve rechaçar são os abusos e o vazamento de informações. mediante recibo. 70235/72. É importante também para caracterizar ou não denúncia espontânea. A prévia fixação do término da investigação é um dos mais relevantes pressupostos para a regular tramitação do exame tributário. ao fiscalizado (art. essa responderá objetivamente (art. parágrafo único. O Ministério Público. a denúncia não é válida. o BACEN e a CVM são obrigadas a representar perante o Parquet para as medidas julgadas cabíveis (art. A infringência das regras sobre quebra de sigilo bancário e fiscal. CTN) e garante a defesa do investigado (CHIMENTI. 9º. 482). bem como a prática de atos que importem omissão. 173. quer sejam principais. retardamento injustificado ou prestação de informações falsas constituem ilícitos penais. No entanto. 122). 145. porquanto assentadas no art. comportando efeitos diversos na relação entre sujeito passivo e Administração Tributária. CTN. p. é possível extrair seu sentido ontológico. CF/88. Segundo o autor. D. 196. p. Não sendo possível. apenados com reclusão de um a quatro anos e multa (art. § 4º. não tem prerrogativa de requisitar informações bancárias e fiscais por força própria. LC 105/01). LC 105/01). “caput” e parágrafo único. Fiscalização – circundando o conceito de fiscalização dado pelo CTN. CTN).108 A autorização judicial para a quebra de sigilo bancário e fiscal. p. expressamente esculpida no art. pode ser decretada em IP ou em ação judicial (art. “caput”. A lavratura do início do procedimento fiscalizatório influencia na apreciação da decadência (porque seu termo inicial é a notificação do procedimento de fiscalização – art. § 1º. “in fine”. 196. Em contrapartida à mencionada ADIn. Chimenti (2002. o legislador lhe fez referência como procedimento. e 6º. LC 105/01. CTN). “caput”. em que todos os atos devem ser reduzidos a termo. 138. O termo inicial da análise fiscal deve ser preferencialmente registrado em livro especial. cópia deve ser entregue. Como postula Amaro (2006. quando da apuração de crimes contra a Administração. quer sejam acessórias”. a fiscalização é dirigida pelo princípio documental. os quais comporão autos. se ficar provado que agiu de acordo com a orientação da instituição. Sabbag (2004. “caput”.

“caput” e parágrafo único. DJ 27/4/2007. cabe recurso hierárquico à instância administrativa de superposição. fundamento legal. Caso o contribuinte seja vencedor na primeira instância administrativa. é considerada inconstitucional pelo STF. Marco Aurélio. e parágrafo único. o único formado unilateralmente 143 143 STF. CF/88).. orig. com decisão desfavorável ao sujeito passivo. de 1980”. . valor devido. O ajuizamento de qualquer demanda judicial implica na renúncia ao recurso administrativo interposto. porque se trata de aplicação do art. 1ª T.073-DF. DJ 30/6/1997. CPC). aliás. nos termos do art. o qual trata da desistência tácita a recurso judicial145. Uma vez perfeita a inscrição. Plenário. José Delgado. cadastro eletrônico). 2001. 144 Súmula 247 do TFR: “Não constitui pressuposto da ação anulatória do débito fiscal o depósito de que cuida o art. entendimento secundado pelo STJ143. formada a coisa julgada administrativa. 5º. com o livro e a folha de inscrição (art. LEF. O julgamento da pretensão geralmente é realizado por delegado fazendário ou por órgão especializado. o interessado pode pagar ou apresentar defesa. como precedente na ADI 1. várias legislações. escoradas no art. 203. I a V. CTN): identificação do devedor e co-responsáveis. descabe reexame necessário pela própria Fazenda Pública. 201. j. Joaquim Barbosa. com efeito. Segundo Chimenti (2002. caracterizando a ativação da dívida da Fazenda Pública (art. rel. 77). por notificação de lançamento ou por apreensão de livros e mercadorias (FÜHRER e FÜHRER. 171). porquanto todos têm direito ao sossego público. 16. CTN). Dessa decisão. Informativo do STF n° 476. Esse entendimento já estava consolidado na Súmula 247 do extinto TFR144. DJ 1º/6/1992. 14. como já se posicionou o STF. 145 STF. Esse é iniciado por auto de infração.830. rel. Min. rel. também chamada de impugnação ou de reclamação (CHIMENTI. Exatamente por essa razão. III. Min. 38. Ocorre somente depois de instaurado e concluído processo administrativo fiscal (PAF). p. “caput”. 503. De outra parte. Inscrição em dívida ativa – Sabbag (2004. o ato administrativo goza de presunção relativa de liquidez e de certeza quanto ao crédito representado (art.2007. No apontamento. DJ 28/5/2001. Essa exigência. no decurso assinalado. 250) define dívida ativa como crédito tributário inscrito. 202. 2002. 70235/72). o legislador emprestou-lhe o valor de título executivo extrajudicial (art. REsp 943. “caput”. D. CTN). representada geralmente pelo Conselho de Contribuintes (na seara federal – DL 1438/45) ou por Tribunal de Impostos e Taxas (no âmbito estadual e distrital). suspendendo-se a exigibilidade do crédito tributário (art. AC 1. mesmo em sede recursal. XXXIV e XXXV. porquanto a decisão é tangida pela imutabilidade do trânsito em julgado. ninguém pode ficar submetido eternamente ao crivo da Administração. CTN). 585. STJ.789-PA. e no RMS 240-SP. prossegue o PAF.116-SP. LEF. devem ficar perfeitos vários dados. 171).109 “caput”. 19/6/2007. CPC. CTN). o crédito tributário (não suspenso. com precedentes no AgRg no Ag 112. CF/88. prevêem depósito recursal para a discussão administrativa (cláusula “solve et repete”). parágrafo único. 204. 151. no segundo. Informativo do STJ n° 324. esse comando não ofende o direito de petição e a inafastabilidade do Judiciário (art. Notificado da instauração do procedimento. j. p. Segundo o STF. extingue-se o crédito tributário. No primeiro caso. não excluído e não extinto) é lançado em livro próprio (atualmente.566-MG. p. 38. geralmente de 30 dias (art. RE 233582/RJ. sob pena de nulidade do ato (art. p/ o acórdão Min.8. “caput”. data de inscrição e identificação do PAF. VII. 38 da Lei nº 6.

Humberto Martins. pois pode ser elidida por prova em contrário (art. 6º. por estar consubstanciado abuso da autoridade competente (SABBAG. a qual deverá aduzi-lo em até 10 dias.110 pelo credor (ASSIS apud CÂMARA. a qual se liga à decisão nos embargos à execução fiscal. CF/88. Nessa hipótese. a qual necessariamente deverá estar anexada na exordial de execução fiscal (art. I a VI. CTN). O art. realização de certos atos ou participação em algumas situações. sujeito à nulidade absoluta146. a existência de autêntica imunidade tributária (SABBAG. REsp 196. a qual. o art. CTN). LEF. j. conferiram a prerrogativa de fazê-lo até a decisão de primeira instância jurisdicional. AgRg no REsp 932. CTN. Todavia. p. implica em vício insanável. pode ser extraída certidão de dívida ativa. 201. parágrafo único.402-RS. os arts. afirma que a certidão positiva que ateste crédito vincendo. A certidão negativa de débito (CND) para com a Fazenda Pública vem exatamente nesse sentido. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. 205. DJU 26/6/2007. juros. não atingindo inexistência de requisito essencial da certidão. a fluência de juros não afeta a liquidez do título (art. parágrafo único. naquilo que concerne à parte modificada. Nessa situação. CTN) produz os mesmos reflexos jurídicos da CND. 486) diz que o STJ. A presunção ora em comento é relativa. A inobservância do interregno pode ensejar a impetração de mandado de segurança. correção e eventuais penalidades. j. Min. 2006. 2004. CTN. 207. DJU 13/3/2000.002-SP. 203. p. 252). Nesse sentido. com execução garantida ou com exigibilidade suspensa (art. contados do requerimento (art. Certidão negativa – o direito de certidão é remédio constitucional assegurado pelo art. 2004.982-RS. 147 STJ. § 8º. p. parágrafo único. a Fazenda Pública expede certidão de regularização ou certidão negativa com efeitos de negativa. é exigida prova da quitação de tributos. José Delgado. Informativo do STJ n° 325. “b”. LEF). dispensa a exibição do documento. O STJ ainda adverte que a correção deve aterse a erro material ou formal. 204.663-SP. pode ocorrer que a urgência não permita a espera. A partir da ativação. mesmo ante o breve decurso assinalado pela lei para a expedição da CND. nesse ponto. Para celebração de determinados negócios. como já está pacificado na jurisprudência. salvo se a alteração a ser efetivada comportar total mudança no seu teor. 151. urgindo escrituração contábil totalmente nova147. Informativo do STJ n° 332. De outra sorte. Trata-se de documento de expedição obrigatória por parte da autoridade solicitada. apesar de fazer com que os participantes do ato respondam pela integridade do débito. Min. AgRg no REsp 942. 5º. rel. EREsp 602. 212). 1ª Seç. 253). há doutrina que defende.. Eventual nulidade no ato de inscrição da dívida ativa pode ser elidida pela autoridade tributária. Por esse motivo. Amaro (2006. 20/9/2007. CTN). incluindo principal. § 1º. rel. XXXIV. como meio de erigir uma presunção absoluta em prol do administrado. p.. 27/6/2007. 1ª T. CTN. e 2º. 206. Vale ressaltar que a corte também já assentou entendimento no sentido da desnecessidade de novo ato de lançamento para simples retificação aritmética da CDA. 146 . pela gravidade. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício.

No último caso. A sujeição ativa tributária e a parafiscalidade foram modificadas pelo diploma. não responderá civilmente pelos prejuízos ao erário. Lei 11457/07. arrecadação e administração de tributos. “Os prazos serão contínuos. “caput”. o art. parágrafo único. No entanto. 208. o agente público responderá pelo ato na esfera criminal e penal. os decursos são contados exatamente na forma do processo civil. vale lembrar a colocação do autor. mas a CND terá efeito liberatório geral. CTN). 7º. sem interrupção. 155 da CF/88 estabelece os impostos de competência dos Estados federados. “caput”. Em decorrência. 210. A SRF foi unificada à Secretaria da Receita Previdenciária (SRP). “Super Receita” A Lei 11457/07 instituiu a SRFB. CTN. a capacidade tributária ativa (arrecadar e fiscalizar tributos) pode ser delegada (art. formando um só órgão. mas cobrou-lhe alto preço em contrapartida. Entretanto. parágrafo único. No entanto. Com efeito. o art. valendo como dias sem funcionamento. Lei 11457/07. Antes de tudo. § 1º. em contrário senso. Essa se verifica quando há delegação de fiscalização. “caput”. instituídas atualmente ou “de lege ferenda”. como bem vem aventando a jurisprudência. domingos ou feriados” (SABBAG. É essa que caracteriza o sujeito ativo da relação jurídico-tributária. 2004. no sentido de que os termos (final e inicial) só serão considerados quando houver expediente regular na repartição (art. Impostos em Espécie Introdução – o art. ponto facultativo e meio expediente não são computados como tais. CTN). Prazos no CTN A teor do art. sendo detida pelas pessoas políticas. sem prejuízo de responsabilidade penal e administrativa (art.111 legislador concedeu uma benesse ao contribuinte para evitar a caducidade de um direito. sendo instituto mais abrangente que a mera capacidade tributária ativa.: o . confere capacidade tributária ativa à SRFB no tocante às contribuições sociais. Dessa forma. Ex. pelos sábados. CTN). é precípuo destacar que toda a tributação da alçada estadual deve levar em consideração dois elementos: o local onde se deu o fato gerador e a regência da LEGISLAÇÃO ESTADUAL sobre tal. 2º. p. responderá pessoalmente pelos valores decorrentes e eventuais acréscimos (art. não implica em parafiscalidade das contribuições sociais em relação à SRFB. Quando atua com culpa. A referida delegação não necessariamente implica em parafiscalidade. 255). A competência tributária é indelegável. excluindo-se o dia de início e incluindo-se o termo final. por dolo ou fraude. 2º. a discussão tangencia exatamente a capacidade ativa e a parafiscalidade. CTN). 208. direciona os valores decorrentes ao Fundo da Previdência Social. “caput”. Em relação à SRFB. Quando o servidor expedir CND com inobservância de preceitos formais. 210.

Aquele resulta da atividade humana. Para tentar dirimir tal entrave. o Supremo passou a referendar a exação sobre produtos importados (art. Ex. mercadoria é aquele OBJETO DE MERCÂNCIA. preliminarmente. passaram a adotar um modo operante simplificador. qual o seja a entrada de produtos importados em território nacional. o ICMS. NÃO SOBRE MERCADORIAS. do qual mercadoria é espécie. dada a dificuldade de fiscalizar os fatos geradores. porquanto da sua natureza jurídica. O trabalho efetivo do CONFAZ resume-se. para o Exterior.: a geladeira. o Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) decidiu que o porte da guia de recolhimento de IPVA não é obrigatório ao condutor por ocasião de fiscalização de trânsito. porquanto não se encontra no caminho entre a produção e o comércio. Nesse contexto. A prática é totalmente inconstitucional. a bitributação do mesmo fato gerador. que está no trajeto indústria-comércio. CF/88. Esta medida é efetivada nas fronteiras estaduais. O que diferencia o produto da mercadoria é a destinação. conhecimentos de transporte e guias de recolhimento. ou seja. Depois da reforma constitucional. II (Imposto sobre Importação de Produtos Estrangeiros) e IE (Imposto sobre Exportação. as Receitas Estaduais. em operações de importação. DIFERENCIAR PRODUTO E MERCADORIA. Entretanto. ela consubstancia somente um bem móvel de uso doméstico. 155.112 ITCMD leva em conta o local onde estão os bens do “de cujus” e não onde este veio a falecer. ES e PE). Passaram a exigir dos transportadores o ICMS integral das mercadorias que entram em seus Estados. hodiernamente. como notas. Dentro deste universo. muito criticada pela doutrina. “a”. vez que o II incide sobre PRODUTOS. Produto é gênero. enquanto outras não148. à padronização de alguns documentos fiscais. para tornar mais eficaz o recolhimento. O órgão tem por escopo padronizar os procedimentos tributários. quando a exação seria devida no emissor. Fechando o ciclo. não é mercadoria. Alguns países não tributam produtos importados para uso próprio do consumidor. em sede de exceção. a arrepio da Constituição. de modo a dirimir eventuais disparidades para com as exações regionais e federais. Para solver tais entraves. Essa mutação constitucional.: há unidades da federação que exigem o porte da GARE de recolhimento do IPVA junto com o RENAVAM (BA. de Produtos Nacionais ou Nacionalizados) – o art. Pode ser natural ou totalmente artificial. Em face das diferentes normas dos 27 Estados brasileiros. há tratamento tributário diferenciado. Para entendê-los. foi criado o CONFAZ – Conselho Nacional Fazendário (27 secretários de Fazenda dos Estados e alguns membros da Receita Federal e Previdenciária). O inciso II fala do IE. é necessário. Ex. de modo concreto. indica os impostos de competência da União. permitiu. ainda se está muito longe de uma harmonização razoável entre as legislações vigentes. Seu inciso I fala do II. consoante comentário já realizado. IX. até a EC 33/01. envolvendo tudo que ela consegue produzir. 153. Já nosso sistema tributário não alcança tal beneplácito. CF/88). incidia sobre mercadorias. a EC 42/03 determinou que o importador fosse 148 Por meio de recente resolução. . o que pode gerar conflitos de legislação. uma vez adquirida e utilizada pelo consumidor.

dá-se por atos procedimentais. O conceito de exportação. 153. em contrário senso ao conceito e ao desdobramento do “drawnback”. Restituição. complementação ou acondicionamento de produto exportado. O vocábulo “exportação” foi (e é) utilizado também para designar o fluxo de coisas entre os Estados da Federação. de produtos”. isto é. com o fim de constituir perfeitamente a hipótese de incidência do IE. a outro país não configuram exportação e. as quais implicam em posterior distribuição por intermédio do Brasil. por conseqüência. Já a palavra “nacional” diz respeito àqueles produzidos integralmente no país. Desta feita. Porém. À primeira vista. para o art.113 contribuinte para o financiamento da seguridade social. sob o enfoque semântico. etc. porque há TEMPORARIEDADE na operação. Tanto uns quanto os outros refletem o objeto material da hipótese de incidência. Estes produtos podem ou não sofrer modificações domésticas. é análogo ao anterior149. nem importação. CF/88. complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada. Neste sentido. É possível identificar duas espécies de operação de exportação: A CF/88 foi categórica. Admite diversas formas: Suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada a fabricação. equipamentos. dando azo à instituição do PIS-importador e da COFINS-importador. o constituinte originário resolveu especificar “ipse litre” a atividade. quer seja para consumo. esse fenômeno. conhecido como “drawback” é considerado incentivo à exportação. em seu art. dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento. em quantidade ou qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento. para países estrangeiros. para o exterior. I. deve ficar adstrita a um país estrangeiro. a confecção do produto deve situar no estrangeiro. ao prescrever a “exportação. Quanto ao II. manutenção. 149 . nos quais se transfere o produto ou mercadoria estrangeira para a economia nacional. ou utilizada na fabricação. Isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria. nacionalização segundo entendimento doutrinário. a terminologia empregada reside na melhor técnica jurídica de redação. por exemplo. II. troca. revertem-se em favor da Fazenda Nacional. os quais foram recepcionados pela Carta de 88. fala-se em exportação para o Estado de São Paulo. pareceria que se trata de uma redundância. complementação ou acondicionamento de outra exportada. É a construção jurisprudencial e doutrinária dominante. insumos. etc. O próprio CTN faz referência à conotação apontada. O termo “nacionalizado” (ou internado) refere-se a operações anteriores à importação. remessas de produtos para repontecialização. produtos naturais ou industrializados. total ou parcial. incluindo. ou abandonados. quer seja para operações de mercância. a natureza do produto. fabricação. Produtos não despachados. Neste sentido. os quais possuem exatamente a mesma hipótese de incidência do II e do ICMS. Essa nomenclatura é utilizada em vários diplomas do Sistema Tributário. Dessa feita. IMPORTAÇÃO é a aquisição de produtos estrangeiros em caráter definitivo. Portanto. 153. Aliás.

O “drawback” também é aplicável quanto ao IE. 153. por conseguinte. Indireta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite nota fiscal de venda para destinatário comprador no Brasil. os Ministérios da Fazenda. produtos intermediários e componentes destinados à fabricação. o Fisco. principalmente no que concerne às suas constantes alterações. por vezes. A operação de comércio exterior é regida por competência legislativa privativa da União (art. § 1º. no mercado interno. Desta feita. Portanto. Nessa hipótese. o negociador no comércio externo – e. em decorrência de licitação internacional. em última análise. será considerada indireta para o fabricante e direta para o interveniente exportador. porquanto se prestam à intervenção na atividade econômica interna. § 1º. vem a ferir o princípio da ISONOMIA. CF/88). São impostos eivados de EXTRAFISCALIDADE. . Esta é sempre a AVALISTA INTERNACIONAL dos demais entes públicos ou das empresas privadas brasileiras. 2004). à anterioridade ordinária nem à noventalidade (arts. pois há interesses nacionais em jogo. pois a autorização contida no art. principalmente com referência àquelas de cunho religioso. o constituinte permitiu que a fixação da alíquota de tais exações não se sujeita à reserva legal. que por sua vez emitirá outro documento de venda endereçado ao comprador estrangeiro. Além disso. 22. de máquinas e equipamentos a serem fornecidos. No estabelecimento de ALÍQUOTAS. e 150. § 1º. de acordo com a situação presente. no país. contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido pela instituição financeira internacional da qual o Brasil participe. A importação e a exportação não podem ser realizadas a bel prazer do empresário. com base em contrato. O comércio exterior reflete-se na indústria interna. CF/88.114 Direta – quando o estabelecimento industrial ou produtor emite a nota fiscal de venda endereçada diretamente ao destinatário no exterior. não se deduz a capacidade contributiva. que funciona como interveniente comercial. a União é a única que tem personalidade jurídica de Direito Internacional. Também ocorrem dissidências jurídicas quanto a imunidades de certas ENTIDADES. Há isenção do tributo quando há importação de matéria prima. vez que ambos são proporcionais. deve ser usada sistemicamente. na balança de pagamentos do país. da Indústria e Comércio e das Relações Exteriores são coordenados por um arcabouço interministerial: o Sistema de Comércio Exterior (SISCOMEX). sobre o SETOR DE ATIVIDADES (base econômica). 153. Em relação às operações de mercado exterior. Conseguintemente. reais e indiretos. cujo gestor principal é a Receita Federal (CASSONE. CF/88). Daí decorre o conceito de Dívida Externa. O controle é realizado por meio de alíquotas diferenciadas. a serem majoradas ou diminuídas. O II e o IE incidem. no consumo interno. em consonância com os demais princípios e direitos essenciais contidos na Carta Política. VIII. o eventual devedor – sempre será a União. É ele quem regula as atividades inerentes ao II e ao IE.

eletronicamente. 150 O atual Regulamento Aduaneiro é veiculado pelo D. efetivar o negócio. destinadas a operações de aperfeiçoamento ativo e posterior reexportação. de mercadorias estrangeiras ou desnacionalizadas.115 Desta forma. antes de tudo. os quais permitem a suspensão total ou parcial da exigibilidade do II: Trânsito aduaneiro – é o que permite o transporte de mercadoria. aeroportos. pela entrada do produto no território nacional (art. Admissão temporária – é o que permite a importação de bens que devam permanecer no Pais durante prazo fixado. em regra. tecer um estudo fundamentado sobre o produto a ser importado ou exportado. no caso de utilização econômica. Admissão temporária para aperfeiçoamento ativo – é o que permite o ingresso para permanência temporária no país. O interessado no comércio exterior deve. Segundo o art. para seu uso ou consumo. O aspecto material do II é representado. por conseqüência. mediante a declaração de importação (DI). endereçando-o. Mas há regimes aduaneiros especiais. o interessado poderá. DL 37/66). Espacialmente. bem como outras áreas nas quais se efetuam operações de carga e descarga de mercadorias ou embarque e desembarque de passageiros. o momento de ocorrência do fato imponível coincide com a data do registro da DI no tocante ao produto despachado para consumo. portanto. recintos alfandegados e locais habilitados nas fronteiras terrestres. I. cujo objetivo consiste em colocar a mercadoria nacionalizada à disposição do adquirente estabelecido no Brasil. Esta fiscalização é denominada desembaraço aduaneiro150. a exação contempla o que se conhece como território aduaneiro. com a suspensão do pagamento de tributos. nela incluídos as águas territoriais e o espaço aéreo correspondente (art. Uma vez AUTORIZADA. o qual pode ser dividido em zona primária e secundária. No critério temporal. ou com suspensão parcial. . 19. o Fisco poderá fiscalizar. fisicamente. 33. então. 2004). DL 37/66. De posse dos dados fornecidos pelo interessado. Despacho para consumo é o conjunto de atos procedimentais (desembaraço aduaneiro). zona primária compreende as faixas internas de portos. II. com suspensão total do pagamento dos tributos. é necessário uma autorização prévia do governo federal para todas as operações no setor. CTN). o qual consubstancia o FATO GERADOR do II. de um ponto a outro do território aduaneiro. Já para o IE. Esse analisará o pedido e poderá autorizar a operação. 91030/85. Zona Secundária compreendendo a parte restante do território nacional. ao órgão competente do SISCOMEX (SRFB). sob o controle aduaneiro. com suspensão do pagamento de tributos. 33. os conteúdos a serem comercializados. fica configurado a partir da expedição da GUIA DE EXPORTAÇÃO (CASSONE.

Por outros fatores alheios à vontade do exportador. 5º. 20. “caput”. 20. II. assevera que bens importados com alíquota zero do II estão sujeitos aos demais tributos. os quais alcancem valores ínfimos na chegada ao país. Destarte. 2004). a Súmula 576 do STF151 autoriza a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero. tem-se o conceito “AD VALOREM”. Neste sentido. o legislador assim previu para o IE (art. As alíquotas são fixadas na Tarifa Externa Comum (advinda do GATT) ou determinadas na legislação federal. Na mesma esteira. tem-se a exação proporcional (art. 150. não precisando observar propriamente os ditames da anterioridade original e da noventalidade. chegando-se a uma base de cálculo atribuída. 2472/88 confirmaram essa premissa. o segundo critério é comumente utilizado para o II. 4543/02 (CASSONE. Nesse passo. No diapasão. Em referência ao II. Terceira forma de determinar a base de cálculo do II se dá pelo valor da arrematação. os quais conferiram possibilidade para o Executivo alterá-la. o DL 37/66 e o D. 20. Segundo entendimento da análise dos atos normativos em comento. consoante comentário supra aduzido (art. D. para reparo ou substituição. 24. A alfândega é a encarregada de verificar quais os valores a serem acrescidos. II. também são objeto da base de cálculo “ad valorem”. As alíquotas são geralmente constantes do GATT. CF/88). Mercadoria devolvida por modificações na sistemática de importação por parte do país importador. de acordo com a previsão do art. atualmente para o IE. 2434/88. De acordo com o ditame da 151 Súmula 576 do STF: “É lícita a cobrança do ICMS sobre produtos importados sob regime da alíquota zero”. pois produtos importados. CTN). a BASE DE CÁLCULO pode ser estabelecida basicamente de duas formas (art. de modo a não prejudicar o setor produtivo nacional. § 1º. o art. De fato. . I. I e II. em que pese a previsão do art. Os valores irrisórios. 153. CF/88 e 21 do CTN. Quando a hipótese de incidência traz um percentual fixo sobre o valor da transação. 4543/02). Mercadoria devolvida por motivos de defeito técnico. nos termos das respectivas legislações. por questão de não-subsunção ao tipo tributário do II. 214. D. CTN). 20. Este comando decorre dos arts. escapam à incidência da exação. D. para evitar a mera evasão de divisas. § 2º. CTN. a base de cálculo é sempre fixada. Do contrário. § 1º. atribuídos a mercadorias em trâmite entre empresas do mesmo grupo econômico transnacional. a incidência não ocorrerá nas seguintes situações: Mercadoria enviada em consignação e não vendida no prazo autorizado. 214. quando o fisco determina um “quantum” somado ao inicial. a quantificação expressa na DI (valor do produto mais despesas de alfândega) seria a base de cálculo. quando o produtos é adquirido em leilão de bens provenientes de descaminho (art. podem elidir a concorrência dos similares brasileiros. III. de acordo com o critério do art. nunca “ad valorem”. CTN). CTN. Como a tributação de importação é dotada de extrafiscalidade.116 Outros acontecimentos.

A prerrogativa. 153. CP). ainda encontra outro elemento complicador: a fiscalização de produtos importados que levantem suspeitas sobre ilicitude. CF/88. sendo menores aquelas de produtos mais essenciais. “caput”. O comando determina também que será não-cumulativo. Tal critério é o primeiro elemento que o legislador observa ao estipular as alíquotas. é de 30% sobre o valor do produto (art. freqüência do importador. competindo à Câmara de Comércio decidir sobre tais alterações. os quais são objeto do delito de descaminho (art. O desembaraço aduaneiro. A normatização do IPI é dada pelo D. Todavia. IV. 152 O arrematante é aquele que adquire produtos importados em um leilão. 2637/98. como configurador do fato gerador. via de regra. Ex. É o mecanismo denominado BARREIRA ALFANDEGÁRIA. há conotações de ordem política para o estabelecimento das alíquotas do II e do IE. a despeito da essencialidade. O desembaraço para a exportação também segue o mesmo trâmite da importação. CF/88. porquanto fica atrelada especificamente a CADA TIPO DE PRODUTO. Para otimizar as operações. D. o sujeito passivo é o importador ou o arrematante152 (art. Para o II. CF/88. CF/88. vermelho e preto). Além das considerações tributárias. D.117 ESSENCIALIDADE. aquele. § 2º. 27. Há certificações de órgãos ou entidades públicas que resolvem parte da burocracia para a exportação. menor será a alíquota incidente. País de origem. § 1º. de acordo com os canais enquadrados (verde. I e II. Serão imunes as operações com produtos industrializados destinados ao exterior. arcará com a obrigação tributária do imposto de importação. D. a alíquota. notícias da imprensa. IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – está previsto no art. podendo ser reduzida (art. no que tange à exação em tela. a ALFÂNDEGA adota critérios diferenciados de fiscalização. tipo de produto são elementos que servem para que a autoridade alfandegária decida sobre o enquadramento do lote em um ou em outro canal de fiscalização. Para o IE. 215. Esta equação não se resolve facilmente. a qual representa palco de conflitos entre os interesses de produtores. Nesta situação. se há produção interna de algum bem. As alíquotas serão fixadas de acordo com a essencialidade do produto. a carga de IPI será reduzida sobre bens de capital. portanto. 215. I a IV. em quantidade suficiente para suprir o mercado interno. De acordo com o estabelecido pelo legislador ordinário. CTN). com conseqüentes facilitações. 4543/02) e majorada até o percentual máximo de 50% (art. O constituinte determinou algumas características. as alíquotas do II serão maiores. cinza. para o IE. estabelecidas no art. dada a previsão constitucional do art. 22. adotando-se o sistema de compensação com a operação posterior. 4543/02). I e II. mediante a declaração de arremate. de consumidores e de importadores. . quanto mais vital é o produto. § 1º. 318. 215. 153. é o exportador ou quem a ele se equiparar (art. O sujeito ativo é sempre a União (Fisco) para ambos. a qual pode ser confundida com entorpecente.: importação de naftalina para fabricação de produtos de limpeza. § 3º. 153. 4543/02). pertence ao Executivo. 153. dado o comando contido no art. partindo de um patamar de menor para outro de maior rigor. CTN).

Para Ricardo Lobo Torres Para Leandro Paulsen. 95. 4544/02 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI). oscilando de 0 a 363. a qual desencorajaria o consumo de um produto não recomendável devido a razões de saúde pública (PAULSEN. § 3º. Para diferenciálos. IV. Objeto – está no art. mas incide a noventalidade (art. É o que diz o art. com fulcro em jurisprudência do STJ. os quais seriam englobados pelo IPI – como o caso de tomates embalados em bandejas para o supermercado ou de pescados que são beneficiados com a retirada de escamas para o comércio – são agraciados pelo legislador pela isenção de imposto. p. CF/88.118 modificado pelo D. é necessário recorrer à produção em série no primeiro e o “artesanato” no segundo153. Neste sentido. indústria de montagem. a exação citada somente exclui a extração da natureza. 150. o acondicionamento. III. Para o citado autor. consubstanciando os estabelecimentos equiparados à indústria. O caminho. traça o alinhamento geral para que o legislador infraconstitucional trabalhe a regulamentação do IPI. o produto “in natura”. o beneficiamento. Portanto. desde a natureza até o consumidor. D. A partir do primeiro estágio. Livraria do Advogado. CF/88) sobre o imposto em relevo. O inciso I refere-se a alíquotas diferenciadas de acordo com o caráter essencial ou não do produto. § 1º. a atividade de transformação de produtos naturais em bens consumíveis não pode ser enxergada somente por cada uma de suas etapas. indústria de base. etc. a seara do IPI engloba a transformação. como prescreve o art. cit. CF/88).. 153 . 4544/02.5%. até que venha a converter-se em produto consumível. a saída do produto industrializado do estabelecimento industrial. 150. 2001. “in fine”. já incide o IPI. em proveito da organização e não de terceiros. É a SELETIVIDADE EM FUNÇÃO DA ESSENCIALIDADE. o produto passa a constituir um semi-elaborado. Desta feita.: indústria de ternos e alfaiate. I a V. Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Juripsrudência. Na esteira. Nesta situação. 46. Conceito de produto industrializado – deve-se tomar. como fato gerador. op. Em sentido contrário. CTN. do mais básico ao mais supérfluo. 153. Modificação no produto implica em atividade industrial para fins tributários. CTN. o IPI tem por base econômica as operações com produtos industrializados e. a atividade estará no campo de incidência do tributo explicitado no art. partindo do PRIMEIRO PASSO DE PROCESSAMENTO. A Tabela do IPI (TIPI) estabelece todas as alíquotas. deve ser verificado: recurso natural. 153. Para os ALIMENTOS. “c”. indústria de transformação. a montagem e o recondicionamento (recuperação de um produto obsoleto ou inservível em algo aproveitável para a aplicação humana). Características – o art. pois se trata da maior alíquota existente. até que possa chegar ao consumidor final. 46. CF/88. extrativismo industrial. Ex. o imposto possui certa extrafiscalidade quanto ao fumo. 2001). Outro ponto interessante é a desigualdade entre o estabelecimento equiparado à indústria e o prestador de serviço. Vale lembrar também que não pende a regra da anterioridade ordinária (art. incide sim o Imposto Sobre Serviços (ISS). Porto Alegre. consoante precedente da 1ª Turma do TRF/4. 3º. parágrafo único. de modo estanque. Enquanto pender uma ação humana que venha a adaptar um produto para o consumidor final. Tanto para o IPI quanto para o ICMS. porquanto se configura um produto industrializado. demonstra Cassone. parágrafo único. “o beneficiamento realizado em um bem do cliente ou mesmo a produção mediante encomenda não podem configurar fato gerador do IPI”. de início.

conquanto se caracteriza o fato imponível. a lei determina que sobre o preço seja calculado o IPI. passa a ser depositário infiel. Existe a possibilidade. o estabelecimento industrial ou equiparado não é o contribuinte de fato. o adquirente do bem recebe a carga tributária do alienante dentro da cadeia comercial. O procedimento é denominado apuração do imposto em conta gráfica. III. o critério da seletividade pela essencialidade. o adquirente escritura o crédito decorrente e o . Nesse sistema. a sistemática de recolhimento do imposto é particular. a exação possui repercussão do encargo financeiro. 153. § 3º. de haver mais imposto de crédito que de débito. mesmo se tratando de exação indireta. II. o crédito do IPI só seria devido ao contribuinte que não for consumidor final do produto (contribuinte de fato). seguindo a seguinte sistemática de recolhimento: 1) Deve ser destacado na Nota Fiscal e cobrado do comprador por ordem e conta da União. escritura o débito em seu livro de registro cabível. Dessa feita. 3) Não pode ser contabilizado como despesa ou custo pelo vendedor. persistirá um crédito. aplicável coercitivamente ao IPI pelo legislador. a PIS e a COFINS também seguem o mesmo raciocínio. haverá débito. CF/88). § 3º. mas o contribuinte de direito (responsável). o responsável passou a ser definido como depositário da União. Havendo venda de produto industrializado por qualquer valor (preço negociado entre o vendedor e comprador). O IPI será apurado mensalmente. constitui atendimento ao PRINCIPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. 153. Todas as vezes que houver saída de um bem. Além disso. De fato. Para evitar o “efeito cascata”. o imposto devido em um mês será igual a todos os débitos. já que não é ônus seu. Em tese erigida pelo legislador (a partir do art. A partir da Lei 8866/94. o direito a compensar o IPI só é devido aos produtos que terão exação correspondente na saída. Caso não recolha aos cofres públicos o valor cobrado a título de IPI. No entanto. a cada nova agregação do processo industrial. abstraindo-se os créditos referentes ao mesmo período. uma vez que é repassado no preço da mercadoria. na quinzena de totalização. toda vez que houver entrada do bem. Entretanto. O ICMS. Em outras palavras. O inciso II expressa a não-cumulatividade. 2001). Quando o alienante realiza a venda. podem existir saídas em que não incide o IPI. Na seqüência. computando-se débitos e créditos da pessoa jurídica. mas sim do comprador. desconta-se o valor anteriormente incorporado no novo recolhimento de IPI. Essa questão passou a ser controvertida nos tribunais. desde que a fase anterior seja tributada. CF/88). 2) O vendedor (responsável) torna-se depositário desse IPI cobrado do comprador (contribuinte de fato) nos termos da Lei 8866/94.119 (apud PAULSEN. Desta forma. A cada operação de circulação. realizando o princípio da não-cumulatividade do IPI (art. incide a exação. o crédito de IPI somente terá vez se o produto compor a saída do estabelecimento. fazendo valer compensação entre débitos e créditos do sujeito passivo. que deve cobrar o IPI do consumidor e repassá-lo à União.

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débito da saída, assim como todos os demais componentes da cadeia de consumo. Ex.: alíquota de 4% sobre o produto que sai de “A”, cujo valor é de R$ 100; “B”, o adquirente, processou o bem e o vendeu por R$ 200; na primeira etapa, o IPI devido será de R$ 4; “A”, então, realiza a venda por R$ 104, repassando o tributo para “B” e escriturando o débito correspondente (R$ 4); “B” escritura o crédito consectário (R$ 4); supondo que “B” venda o produto processado a “C”, com alíquota também de 4%; “B” aplica o preço completo de R$ 208, escriturando R$ 8 como débito; consequentemente, “C” escritura crédito decorrente (R$ 8); na compensação, “A” recolhe R$ 4, “B”, R$ 4 (8-4); “C” só teve crédito de R$ 8, não devendo nada ao fisco, ficando acumulado para o próximo mês. Querela relevante se coloca quanto à alíquota zero atribuída ao IPI em determinadas operações. O ICMS usa, atualmente, as mesmas regras de nãocumulatividade do IPI (art. 155, § 2º, I, CF/88). No entanto, o constituinte expressamente determinou que a isenção ou não-incidência de ICMS, ressalvada previsão contrário do legislador, não implicará em crédito para operação seguinte, quando houver isenção ou não-incidência na entrada (art. 155, § 2º, II, “a”, CF/88). Em melhores palavras, a operação de saída, quando isenta ou quando não haja incidência de ICMS, não levará a direito ao crédito correspondente na próxima etapa da cadeia. O crédito está condicionado à incidência integral da exação na operação anterior. Nesse contexto, a Constituição de 1988 nada dispôs sobre o IPI, suscitando dúvida sobre a aplicação analógica ou não da mesma regra. Os contribuintes passaram a defender que o direito a crédito é incondicionado, independentemente da incidência ou não nas operações posteriores e anteriores, já que, no ICMS, o constituinte expressamente falou, e no IPI, silenciou. Por volta de 1998 e 2000, o Pleno do STF firmou entendimento a favor do sujeito passivo, fundando-se na ausência de ressalva expressa, ao contrário do que fez o constituinte quanto ao ICMS. Em meados de 2005, a querela foi trazida à baila novamente. Ao revés da orientação anterior, o STF, no início de 2007, operou mutação constitucional154. Segundo o Excelso Pretório, para produtos tributados com alíquota zero (espécie de isenção, segundo o próprio Supremo) ou não tributados, inexiste direito a crédito na operação seguinte dentro da cadeia comercial. Na ocasião, em questão de ordem (QO), o Ministro Ricardo Lewandowski, em nome da segurança jurídica, propôs a aplicação prospectiva do novo entendimento, operando efeitos “pro futuro”. Por dez votos a um, a QO foi rejeitada, conferindo efeitos “ex tunc” à interpretação. No entanto, o STF nada falou sobre produtos imunes e isentos “em sentido estrito”, pairando querela sobre a matéria. Advogando em prol da União, a PGFN levanta interpretação literal do art. 153, § 3º, II, CF/88, uma vez que o constituinte fala em compensação de créditos mediante “montante cobrado” nas operações anteriores. Não havendo cobrança, não há de se falar em crédito na operação seguinte de saída. Quando ocorre situação inversa, em que há crédito na entrada (matériaprima, material de embalagem ou intermediário), mas o produto é isento ou contemplado com alíquota zero na saída, o art. 11, Lei 9779/99, autoriza a
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STF, RE’s 370682 e 353657.

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manutenção do crédito em IPI (adquirido na entrada), bem ao inverso do que ocorre no ICMS (art. 155, § 2º, II, “b”, CF/88). Descabe analogia na aplicação do comando em tela, não atingindo produto, na saída, imune ou não tributado. Da mesma forma, o bem da entrada deve ser matéria-prima, material de embalagem ou intermediário, não alcançando qualquer outro. Ocorrendo qualquer dessas hipóteses, em face da interpretação restritiva do dispositivo legal em tela, o crédito anterior deve ser anulado. Essa visão decorre do que já disse analogamente o STF, quanto às entradas com alíquota zero ou não tributados. Em verdade, o precedente do STF tem o condão de dar o mesmo tratamento entre ICMS e IPI, o que permite postular em favor da Fazenda federal155. O inciso III estabelece que não haverá incidência de IPI na exportação156. Deste modo, a legislação permite que o contribuinte mantenha um crédito tributário para com o fisco federal, com o fim compensar em outros tributos de competência da União. O dispositivo tem por fim incentivar a atividade de exportação. Crédito prêmio – era dirigido àqueles industriais que desejassem adquirir novas tecnologias em produtos industrializados importados, a título de melhoria do maquinário. Eles teriam isenção de IPI. Previa assim, o legislador, que os apontamentos desta conta gráfica fossem lançados à parte. Todavia, a despeito de conceder um benefício para a economia, haveria uma majoração grande na ponta da linha, incidente sobre o consumidor final, porquanto houve incremento dos custos. Entretanto, o legislador extinguiu o respectivo crédito sem a necessária contraprestação por parte do governo. As empresas, então, foram a juízo para requerer o devido. A ação encontra-se em trâmite no STF. Fato gerador – o IPI incide no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado importado, da saída de produtos industrializados do estabelecimento manufatureiro (emissão da nota fiscal) e da arrematação de produtos industrializados abandonados ou apreendidos, acordo com o art. 46, I a III, CTN. Em verdade, as operações delineadas trazem a lúmen os sujeitos passivos do imposto. Aspecto subjetivo – o SUJEITO PASSIVO será o importador, os estabelecimentos industriais, os comerciantes e o arrematante, além dos equiparados (art. 51, I a IV, CTN). Em melhores palavras, os contribuintes do IPI são o arrematante em hasta pública, os industriais (ou equiparados) e o importador, bem como o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos industriais contribuintes. Equiparação tributária instrumento meramente fiscal que só pode ser determinado em lei. O fato de um comerciante ser equiparado, não significa que se tornou industrial, mas que passa a ser tratado da mesma forma que este. O comerciante atacadistas de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem) são equiparados, facultativamente, aos industriais (art. 11, I, RIPI). Se optarem pela equiparação, nos termos do art. 14, I,
STF, RE 353657/PR, rel. Min. Marco Aurélio, j. 25.6.2007, Informativo do STF nº 473; RE 370682/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, j. 25.6.2007. 156 Para alguns autores, o dispositivo é entendido como imunidade. Em contrário senso, para a maioria da doutrina, é caso de não incidência.
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“a” a “c”, RIPI, destacarão o IPI relativo à saída na nota fiscal. Tal equiparação objetiva possibilitar o crédito do IPI pelos estabelecimentos industriais que adquirirem insumos de comerciantes atacadistas. Se o comerciante atacadista não optar pela equiparação industrial, mesmo assim é possível ao adquirente efetuar o crédito do IPI mediante a aplicação de alíquota a que estiver sujeito o produto sobre 50% do valor constante na nota fiscal (art. 165, RIPI/02) Base de cálculo – na importação, o valor da operação, acrescido de eventuais taxas aduaneiras, será a base de cálculo (art. 47, I, CTN). Na saída da indústria, é o valor do produto acabado (art. 47, I, “a”, CTN). Sendo este desconhecido, será tomado o seu valor da praça local de um produto similar (art. 47, I, “b”, CTN), isto é, no mercado atacadista. No arremate, será o valor da arrematação (art. 47, III, CTN). Em resumo, com relação à base de cálculo do IPI, temos: • Na importação = valor de base para o II (preço livre do produto + frete + seguro) + II + taxas de entrada + encargos cambiais157. • Nas operações internas = valor da operação158 ou do produto na praça. O ICMS é parte integrante do preço de saída do produto, sendo que o seu destaque na nota fiscal é meramente indicativo do valor que o comprador, se contribuinte do ICMS, pode creditar-se. • Na arrematação = valor do arremate. Alíquotas – atendendo o critério constitucional (art. 153, § 3º, I, CF/88) e legal (art. 48, CTN) da seletividade pela essencialidade, a Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) apresenta duas regras de hermenêutica para sua aplicação: a posição mais específica na tabela prevalece sobre as mais genéricas; os produtos misturados e compostos, cuja classificação não possa ser efetivada, serão considerados segundo a matéria ou o artigo que lhe confira característica essencial. Prazo de pagamento – o decurso para recolhimento do referido tributo tem algumas características relevantes: É decendial, ou seja, é apurado e recolhido a cada dez dias; Admite venda de produtos com prazo de pagamento dilatado; Quando existe pagamento de duplicata pelo comprador, só no efetivo adimplemento é que o empresário receberá o total do crédito do IPI contido na nota fiscal/fatura extraída da duplicata.
No desembaraço aduaneiro, a base de cálculo do IPI é complexa, sendo formada por vários componentes. O seu preço em moeda estrangeira, mais seguro e frete, ou seja, o preço CIF (Cost, Insurance and Freight) convertido em moeda nacional, pela cotação do câmbio fiscal divulgada pela SRF mediante ato declaratório do Executivo (ADE), acrescido de II, taxas exigidas na entrada do produto (taxa de armazenagem, capatazias, serventias, etc.) e de encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis (variação cambial entre a data da emissão da licença de importação e o efetivo desembaraço aduaneiro) a compõe. O montante resultante da soma de todos os itens é, portanto, a base de cálculo do IPI, sobre a qual se aplicará a alíquota para apurar o imposto devido. 158 Para Paulsen, op. cit., a desconsideração de descontos concedidos no momento da operação e a estipulação de pautas fiscais pela Secretaria da Receita Federal do Brasil não coadunam com a disposição do art. 47, CTN, conquanto não se observa o ditame da legalidade tributária (art. 97, CTN) e da hierarquia de diplomas normativos. De igual forma, o referido autor cita decisões do STJ e do TRF/4 no sentido de não reconhecer a inclusão de juros – na venda realizada a prazo – e de frete por empresa coligada na base de cálculo da exação do art. 153, IV, CF/88.
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Se o sujeito passivo do IPI deve pagar em 10 dias e receberá, por exemplo, em média, em 60 dias, na verdade ele (o responsável tributário) está antecipando o imposto e financiando o governo federal. Logo, não existe a possibilidade de enquadrar o responsável como depositário infiel (Lei 8866/94) ou apropriação indébita antes que seja recebido pelo contribuinte o valor do IPI. Portanto, apurar o imposto pela data do recebimento das duplicatas é contrário à lei do IPI. Por essa razão, muitos artigos da Lei 8866/94 estão suspensos por ADIn. Lançamento – o IPI é um imposto que se sujeita ao lançamento por homologação, cabendo ao contribuinte realizar todas as obrigações acessórias impostas por lei. O Fisco só atuará de ofício no não-recolhimento da exação ou no seu pagamento a menor. A partir de 1º de janeiro de 2005, a apuração passou a ser mensal, devendo-se recolher o tributo até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários) – o objeto incide sobre crédito, câmbio, seguro, títulos ou valores mobiliários. O crédito é sempre representado por títulos. É imprescindível, para o seu estudo, o conhecimento prévio do universo da mercancia de títulos. A receita para o Fisco é quase que irrelevante. Toda vez que o Estado disponibiliza ao cidadão uma utilização de crédito (disponibilidade imediata para pagamento futuro) oficial, incide o IOF. Trata-se de uma ferramenta de controle gerencial do meio circulante, assim como é a taxa SELIC, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (COPOM), o que caracteriza autêntica finalidade extrafiscal, porém sem perder de vista a função arrecadatória (SABBAG, 2004, p. 329). A sociedade, por meios contratuais, consegue expandir tal base oficial. A arrecadação do IOF forma um fundo que visa garantir, de um modo geral, o sistema financeiro nacional, a ser tutelado pelo próprio BACEN. Não se confunde com o crédito comercial, tido através de operações de compra e venda a prazo. O IOF está regulamentado pelo D. 4494/02. O sujeito passivo pode ser: o As pessoas físicas ou jurídicas tomadoras de crédito (art. 4º, “caput”, D. 4494/02); o Os compradores e vendedores de moeda estrangeira,nas operações referentes à transferência financeira para o exterior (art. 12, “caput”, D. 4494/02); o As pessoas físicas e jurídicas seguradas (art. 20, D; 4494/02); o Os adquirentes de títulos ou valores mobiliários, incluindo instituição financeiras (art. 26, I e II, D. 4494/02). O fato gerador será: Operação de crédito – será a efetiva entrega, total ou parcial, do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, bem como a colocação à disposição do mutuário interessado (art. 3º, “caput”, D. 4494/02), lembrando-se que saque em caderneta de poupança não é

21. j. 4494/02. 29. de moeda estrangeira ou de documento representativo. entendo-se como efetivado o negócio no momento da liquidação do contrato ou câmbio (art. 4494/02). em que pese sua natureza de mercadoria. 13. D. transmissão. 1º. D. 4494/02). D. rel. 4494/02). que institui a incidência do imposto nas operações de crédito câmbio e seguros – IOF. “caput”. “caput” e § 2º. § 5º. I a IV. 14. sendo entendido como objeto de incidência do IOF (art.1999. 4494/02. na conformação do que der a lei (art. I a VII. a depender da hipótese de incidência (SABBAG. devendo incidir somente um a vez se ocorrer simultaneidade entre elas (MACHADO. sobre saques efetuados em caderneta de poupança”. Sepúlveda Pertence. “caput”. 333): Operação de crédito – a base de cálculo é o principal mais os juros efetivos (art. esculpida em contornos especiais pelo constituinte. entregue ou posto à disposição do contratante (art.98. determina que a alíquota máxima diária será de 1.08. j. sob os auspícios da 159 Súmula 664 do STF: “É inconstitucional o inciso V do art. Para a base de cálculo. Operação de seguro – emissão da apólice ou recebimento do prêmio (art. 4494/02). Operação com títulos e valores mobiliários – a alíquota máxima é de 1. . 160 STF. 28. 331) deixa claro que a mera posse dos documentos mencionados não é fato gerador do IOF. A alíquota será de 25% (art. D. D. D. 159 124 . 27. Operação com títulos e valores mobiliários – é a emissão. Min. 6º. recebido. 11. computando-se o ágio ou deságio. A base de cálculo e as alíquotas do IOF são dadas por diversos dispositivos do D. RE 232467. Na transmissão – será o preço. CF/88).fato imponível da exação em comento (Súmula 664 do STF) apesar do “factoring” sê-lo160. como é o cheque de viagem. D. valor nominal ou valor da cotação em bolsa.9.5%. “caput” e § 1º. com alíquota de 25% (art. rel. ADI-MC 1763/DF. Ele tem um valor cambiário. Operação de câmbio – a base de cálculo será montante da operação em moeda nacional. Operação de câmbio – entrega ou colocação à disposição de moeda nacional. O ouro é um valor de referência mundial. D. 4494/02). 22. enquanto ativo financeiro. 19. D. 1993). 25. pagamento ou resgate deles (art. 4494/02). “caput” e parágrafo único. 153. 4494/02). 7º.033/90.5% ao dia (art. “caput”. Desta feita. “caput”. por exemplo. Sabbag (2004. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. da Lei n° 8. D. Trata-se de imunidade parcial. distinguem-se três situações. 4494/02): Na emissão – é o valor nominal. Operação de seguro – a base de cálculo é o prêmio efetivamente pago (art. O art. No pagamento ou no resgate – é o preço. “caput”. 4494/02). O verbete ficou cristalizado a partir de reiterada jurisprudência do Supremo: STF. p. D. Min. Ilmar Galvão. p. 20. 2004. 4494/02.

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unicidade – incidência uma única vez na origem, na extração, em que pese o fato imponível ser sua negociação posterior (SABBAG, 2004, p. 336). Será incidente na extração da matéria-prima, segundo alíquota mínima de 1%, a ser divida de acordo com o art. 150, § 5º, I e II, CF/88: 70% para o Município de origem e 30% para o Estado de origem (ou DF). Atualmente, a alíquota é exatamente de 1%, tal qual estabelece o art. 41, D. 4494/02, tendo como base de cálculo o preço de aquisição do ouro por instituição financeira (arts. 39 e 40, “caput”, D. 4494/02). No entanto, se o ouro for importado, a base de cálculo será arbitrado, tendo como referência o valor de mercado doméstico no desembaraço aduaneiro, calculado em moeda nacional (art. 40, parágrafo único, D. 4494/02). Em contrário senso, uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira, entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI, ICMS, ISS, etc.). A disciplina do ouro, como ativo financeiro, está na Lei 7766/89. Antigamente, todo meio circulante tinha lastro metálico, cotado em outro depositado em agências oficiais (Casa da Moeda). Hodiernamente, isto continua ocorrendo em parte, porquanto somente parcela da reserva metálica equivale ao numerário circulante. A doutrina qualifica o IOF como gravame “flexível”, conquanto suas alíquotas podem ser estabelecidas pelo Executivo sem observância da anterioridade ordinária e da noventalidade, a teor dos arts. 153, § 1º, e 150, § 1º, CF/88 (SABBAG, 2004, p. 335). Sobre o IOF, recai a imunidade recíproca do art. 150, VI, “a”, CF/88. Ademais, a Súmula 185 do STJ161 determina sua nãoincidência no caso de depósitos judiciais. IR (Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza) – renda e proventos são espécies do gênero acréscimo patrimonial. Renda é resultante do capital (aluguéis, lucros, rendimentos financeiros, “royalties”, etc.), do trabalho (remuneração do labor humano) ou da combinação de ambos (honorários advocatícios, pagamento pela prestação de serviços, etc.), como prevê o art. 43, I, CTN. Já os proventos são todos os outros acréscimos não previstos na categoria anterior. O critério residual também foi adotado pelo constituinte originário de 1988, dada a UNIVERSALIDADE162 e a GENERALIDADE163 do IR (art. 153, § 2º, I, CF/88). Para Cassone (2004, p. 373), “a tributação do IR alcance [sic!] a tudo e a todos, sem ater-se ao critério da seletividade ou distinção entre pessoas ou profissões”. Todavia, NEM TODA RENDA OU PROVENTO implicará em IR, posto que ficou relegado ao legislador infraconstitucional a conferência de alíquota zero, de isenções, de não-incidência, etc., isto é, a seara de abrangência da hipótese de incidência do IR não é total. Outrossim, a jurisprudência tende a extrair do manto do fato imponível algumas condutas,
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Súmula 185 do STJ: “Nos depósitos judiciais, não incide IOF”. A universalidade é um critério do IR que se refere à extensão da base de cálculo, a qual englobará todas as rendas e proventos, independentemente de origem, considerando-as como unidade, desde que se subsumam à hipótese de incidência. 163 Segundo Difini e Renck, citados por Paulsen, op. cit., a generalidade é um critério que diz respeito à sujeição passiva da exação. Por ela, o IR abrange todos os contribuintes que pratiquem os atos previstos na hipótese de incidência, de modo indistinto e “geral”, não se admitindo tratamento diferenciado. Contudo, deve-se observar a progressividade, o que permite, de certa feita, atingir o ideário da capacidade contributiva individual (alíquotas por classe e restituição do IR), segundo a previsão do preâmbulo constitucional tributário (art. 145, § 1º, CF/88). Com efeito, a progressividade pode permitir que alguns – os menos capazes economicamente – não fiquem abrangidos pela incidência do IR, o que relativiza a princípio da generalidade, previsto no art. 153, § 2º, I, CF/88.
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como o pagamento de indenização por férias não gozadas (Súmula 125 do STJ)164 e a licença-prêmio indenizatória não gozada por necessidade do serviço (Súmula 136 do STJ)165. Também não se deve confundir renda ou provento com entrada pecuniária. De fato, em regra, não é o movimento de caixa o fato gerador do IR, porque não se aplica o regime de caixa na exação em comento. O que o legislador vislumbrou atingir é o regime de competência, em que a aquisição de disponibilidade jurídica é suficiente para configurar a hipótese abstrata de incidência do imposto. Na espécie, aplica-se o disposto no art. 116, II, CTN, de sorte a configurar a renda ou o provento auferido desde a constituição da situação jurídica tributável. Ex.: em venda à prazo, o fato gerador do IR se aperfeiçoa desde a celebração do negócio, não havendo qualquer relação entre o pagamento do tributo e o recebimento das parcelas avençadas. Excepcionalmente, o legislador permite que o IR se sujeite ao regime de caixa, quando se dá o recolhimento pelo lucro presumido. No contexto, a hipótese de incidência e a base de cálculo do IR não se confundem com aqueles afetas à CONFINS e ao PIS-PASEP, os quais tributam o faturamento e a receita, apesar de haver autêntico “bis in idem” com a CSLL das pessoas jurídicas, referendada pela jurisprudência do Supremo166. Não existe mais que um IR, porque ele é único. Para cada tipo de fato gerador, há uma incidência diferenciada. Este tratamento diverso para cada um deles determinará a forma de incidência do IR, dado o fenômeno econômico tributável (salário, grande capital, operação financeira, etc.). Portanto, a natureza do acréscimo patrimonial determinará o modo da exação denominada IR. Entretanto, uma renda não englobada na legislação extravagante poderia ser tributada pelo IR, dada a regra geral do art. 150, § 1º, I, CF/88, uma vez que é impossível ao legislador prever todos os fenômenos de acréscimo patrimonial? A resposta para o quesito é bem mais complexa. Por força do princípio da legalidade, é possível observar que quase todas as situações estão abarcadas na legislação infraconstitucional, inclusive no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), veiculado pelo D. 3000/99. Todavia, uma vez que a hipótese de incidência não esteja abarcada pela estipulação do legislador, há de se perguntar se incide ou não o IR. Ex.: participação real nos lucros e resultados (PLR) da empresa, distribuída aos empregados pelo patrão (art. 7º, XI, CF/88, regulamentado pela Lei 10101/01). O resultado de uma empresa é gênero do qual implica duas espécies: lucro e prejuízo. Quando a organização tivesse prejuízo, deveria ela repassá-lo aos obreiros. Isto, de fato, não acontece, persistindo somente os lucros. Para fins de IR, não há previsão de incisão, apesar de poder ser classificada como renda (concorrência de capital e trabalho). Outro exemplo: plano de demissão voluntária (PDV). A empresa abre a oportunidade para a demissão voluntária de seus empregados, mediante corresponde estímulo pecuniário ou congênere (plano de saúde estendido, por exemplo). Esta também não está prevista em leis ordinárias relativas a IR. Algumas empresas recolhem o
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Súmula 125 do STJ: “O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do Imposto de Renda”. 165 Súmula 136 do STJ: “O pagamento de licença-prêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda”. 166 STF, RE 146.733-9/SP.

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IR, alegando o instituto da responsabilidade; alguns contribuintes contestam judicial ou administrativamente (por ocasião da declaração anual). Neste sentido, faltam as hipóteses de incidência perfeitamente delineadas, dado que o Fisco não pode subsumir o caso concreto a um delineamento incompleto da norma, realizada de modo genérico. Em regra, a JURISPRUDÊNCIA É VACILANTE, salvo o caso de PDV, em que a indenização respectiva não fica sujeita à tributação pela via do IR (Súmula 215 do STJ)167. Entretanto, em face de julgamento realizado pelo próprio STJ recentemente168, parece que o verbete poderá ser remodelado pela 1ª Seção da corte, o que ainda resta nebuloso por ausência de pronunciamento peremptório. Questão de ordem foi suscitada e, por conseguinte, remetida à apreciação do órgão competente169. Desta feita, o art. 150, § 1º, I, CF/88, e o art. 43, § 1º, CTN, são apenas instrutores da legislação infraconstitucional objetiva, conquanto evidenciam os critérios da universalidade e da generalidade. É cediço que o legislador especifique o caso concreto, sob pena de não-incidência do IR. Sujeito passivo – é aquele que recebeu o acréscimo patrimonial, tendo sua definição dirigida pelo princípio da generalidade. Na impossibilidade de se identificar perfeitamente o devedor, aplica-se o art. 45, “caput”, CTN. É um comando também genérico, o qual pode ser estendido por lei ordinária. Uma vez que se observe o acréscimo patrimonial, incide o IR, cabendo ao contribuinte a prova em contrário. A dificuldade reside em se identificar quem é o verdadeiro contribuinte. Inclusive, aquele que auferir renda ou proventos de natureza ilícita também será tributado pelo fisco, dado o desiderato “non olet”, o qual confere uma interpretação objetiva do fato imponível (art. 118, I e II, CTN). Para Godoy (apud PAULSEN, 2001), as pessoas físicas que recebam renda ou proventos acima dos limites de isenção da tabela do IR, devem recolher o tributo por meio de carnê-leão, aconselhando-se o uso de livro caixa para abater as deduções. Também serão considerados passivos, na relação jurídico-tributária, aqueles que tenham ganhado renda ou proventos no exterior – pessoas físicas ou jurídicas – desde que tenham sua residência ou seu domicílio tributário, respectivamente, estabelecidos em território nacional170. É o que se denomina de EXTRATERRITORIALIDADE. Para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88), o que faz nascer outra espécie de sujeito passivo da obrigação tributária: o responsável (art. 45, parágrafo único, CTN). Fato gerador – o momento de sua ocorrência vem especificado no art. 43, “caput”, CTN. A expressão “disponibilidade econômica ou jurídica” da renda
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Súmula 215 do STJ: “A indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária não está sujeita à incidência do imposto de renda”. 168 STJ, 1ª T., AgRg no REsp 883.678-SP, DJU 29/6/2007. 169 STJ, 1ª T., REsp 940.759-SP, rel. Min. Luiz Fux, j. 18/9/2007, Informativo do STJ n° 332. O argumento maior para a edição do verbete 215 do STJ foi a aplicação analógica do art. 14, Lei 9468/97, no caso do PDV. Contudo, a 1ª Turma firmou entendimento de que o diploma regula situação referente a servidores públicos civis, insertos no Programa de Desligamento Voluntário de servidores civis do Poder Executivo Federal, o que não coaduna com a generalidade conferida pela posição sumulada. 170 No cômputo no lucro, os rendimentos auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Devem ser convertidos em reais de acordo com a taxa de câmbio para a venda e caso a moeda não tiver cotação no Brasil, será convertida em US$ e, em seguida, em R$. Prejuízos e perdas decorrentes de operações não serão compensados com lucros auferidos no Brasil.

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ou do provento representa o cerne da querela. Estando disponível a riqueza para o contribuinte, perfaz-se o fato gerador. A disponibilidade econômica é facilmente identificável. Já a jurídica, pode antecedê-la. Ex.: salário de um empregado; no dia 10 do mês seguinte, ele recebe seu pagamento referente ao mês anterior (disponibilidade econômica); porém, ao longo desse período, ele já tem o direito ao pagamento a cada jornada de trabalho completa (disponibilidade jurídica). Disponibilidade jurídica é direito de usar a renda definitivamente constituído na forma da lei, alcançando os atos e operações colhidos pelo direito, inclusive resultantes da aplicação de capital. Ex.: lucro nas operações imobiliárias ou mobiliárias. Disponibilidade econômica é situação de fato irrelevante ao direito ou até mesmo a atividade lícita. Ex.: jogos, contrabando, juros usurários,etc. A disponibilidade jurídica sempre será econômica, mas nem sempre a econômica será jurídica. Destarte, lembra-se que disponibilidade econômica não pode ser confundida com a financeira. Disponibilidade financeira é o ingresso de dinheiro no patrimônio particular, independentemente do acréscimo patrimonial. Dependendo do fenômeno de renda ou provento a ser tributado, o legislador estabeleceu se o momento da ocorrência do fato gerador será da disponibilidade jurídica ou econômica. Ex.: salário (econômica); capitalização de rendimentos mensais, com permanência do montante até um período estipulado (jurídica); antecipação do 13º salário integral (econômica). A disponibilidade econômica ou jurídica diz respeito ao aspecto TEMPORAL do IR. O fato gerador complessivo (formado por vários atos) será regulado também por estipulação do legislador. Por exemplo, para rendimentos de pessoas físicas, pagos por pessoas jurídicas (o que inclui o salário), a retenção será mensal e realizada na fonte (art. 7º, § 1º, Lei 7713/88). Aliás, como bem assevera Paulsen (2001), o IR apresenta um fato gerador complessivo, em que se deve determinar, via legislativa, o exato momento de sua ocorrência. Assim sendo, será possível fazer incidir a exação nesse ínterim. Apesar da idéia de fato complessivo ser recorrente e bastante prevalente na doutrina, a jurisprudência do STF não a acolhe. Consoante comentário supra aduzido, o Supremo, por meio de sua Súmula 584 (já comentada), perfilha a chamada Teoria da Retrospectiva, a qual provém do estruturalismo alemão. Com efeito, para a corte, o fato gerador do IR é pontual, ocorrendo no último dia útil do exercício considerado, aplicandose a legislação tributária vigente à época da declaração, não aquela atinente ao momento de efetivação da hipótese de incidência. Com referência às importações, a parcela dos custos que exceder ao valor determinado como referência fiscal deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. Somente serão dedutíveis ou custos, despesas e encargos até o valor que não exceda o preço determinado por um dos seguintes métodos (arts. 241, I a III, RIR, e 18, I a III, Lei 9430/96): PIC (Método dos Preços Independentes Comparados) – é a média aritmética dos preços dos bens, serviços ou direitos, idênticos aos similares apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda.

CTN. acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação. 44. Não sendo possível. ficando o seu arbítrio legal como disposição válida para a base de cálculo. é encaminhado expediente ao Ministério Público. o legislador ordinário criou mecanismos para substituir a impossibilidade de aferição da renda ou provento real pela metodologia tradicional. CPL (Custo de Produção Mais Lucro) – é o custo médio de produção de bens. Estas duas categorias são incluídas em dois cadastros unificados: CPF e CNPJ respectivamente. Ademais. serviços ou direitos idênticos aos similares no país onde tiverem sido originalmente produzidos. O legislador ordinário vai dar os critérios para sua aferição. a base de cálculo é substitutiva da base de cálculo primária (XAVIER apud PAULSEN. seis anos para fins de comprovação do IR. com o fim de oferecimento de denúncia pelo delito de evasão de divisas. então. 1º. as contribuições incidentes na venda. dimensionado. os impostos. arbitrado ou presumido. Se convincentes os argumentos exprimidos. com margem de lucro de 20% calculada sobre o custo apurado. Por fim. § 3º. arbitra a renda ou o provento do sujeito passivo (lançamento de ofício). calculada sobre o preço da revenda. constitui uma ferramenta totalitária de controle social. pelo art. em um primeiro momento. Do contrário. portanto precisamente legal. cujo procedimento é vulgarmente conhecido como “malha fina”. Por meio da instituição da Contribuição Provisória de Movimentação Financeira (CPMF). pode ser realizada sem a inclusão nos mencionados bancos de dados. recusa todo o procedimento operado pelo contribuinte de modo justificado. de modo geral. ficou possível ao Fisco erigir um sistema eficaz na perfeita fiscalização das rendas e proventos.129 PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) – é a média aritmética dos bens ou direitos dos quais são deduzidos os descontos incondicionais concedidos. nos estritos ditames da norma positiva. a comissão de corretagem paga e a margem de lucro de 20%. O fisco. a SRFB chama o contribuinte para prestar esclarecimentos administrativamente. LC 105/01). sendo. Na aferição do lucro presumido ou arbitrado. Nenhuma transação. o que. aos olhos do poder tributante. III. há três categorias possíveis de renda ou proventos a serem tributados: real. incidindo uma multa de 75% sobre tais valores. CALCULADO. Entretanto. não há nenhuma conseqüência jurídica. lembra-se que quaisquer documentos de prova perante o Fisco devem ser guardados por. no mínimo. No terceiro. Administração tributária (controle de rendas e proventos) – a primeira preocupação do legislador foi dividir os contribuintes em dois grupos: pessoas físicas e jurídicas. dado o declarado anualmente para com o recolhido do citado tributo no mesmo período (art. O fisco deve seguir rigorosamente o estabelecido para medir a base de cálculo presumida. a aferição REAL OU PRESUMIDA – as quais cabe ao contribuinte (lançamento “por homologação”) – o fisco. como bem diz o citado autor. recolher-se-á a diferença entre o declarado e o levantado pelo órgão (lançamento de ofício). 2001). Caso seja identificada uma discrepância entre os dados apresentados e aferidos. aos olhos de alguns juristas. no Brasil. O primeiro é o “quantum” preciso. por opção do . De fato. Base de cálculo – é exprimida.

incide ALÍQUOTA ZERO. esta será a base de cálculo.00.00. deve-se comprová-las documentalmente. de combustíveis derivados de petróleo. e para as prestadoras de serviço com receita bruta anual não superior a R$ 120. O lucro operacional é o faturamento menos custos e despesas operacionais. DE 15% OU DE 27. operam-se as DEDUÇÕES. O critério temporal é o lapso de 12 meses. o legislador criou um mecanismo análogo ao simples da pessoa física. relacionadas no art. sobre a renda. já mencionadas). subtraímos-se 20% por presunção (guardado o limite máximo estipulado anualmente).6%: receita proveniente de revenda. locação ou cessão de bens móveis ou imóveis. Há atividades com percentuais específicos: 1. alienação de bens de pequeno valor. pela autoridade tributária. Não conseguindo fazê-lo. forma o resultado final.: contribuinte que declara não ter renda. o fisco arbitrará a base de cálculo. A regra geral determina uma alíquota de 8% sobre a receita bruta. Ex. a renda corresponde ao lucro. tomando por paradigma o aluguel a ser eventualmente auferido com o aluguel. Para as PESSOAS JURÍDICAS. para consumo. A escrituração contábil deve ser rigorosamente observada. ao lucro presumido. sobre os quais pende comodato para com amigos em dificuldade – o fisco arbitra a base de cálculo da renda. . mas é proprietário de vários imóveis. É aplicado um percentual sobre o faturamento171. tomando-se por referência a receita bruta (faturamento). alienação de um único imóvel. Toda vez que o lucro anual da pessoa jurídica ultrapassa R$ 240. cobra-se 15% sobre este valor e 10% sobre o excedente (tabela progressiva). encontrando-se a base de cálculo. IV. O IRPF não incide sobre diversos rendimentos brutos. Ante a inexistência deste último dado. poupança. afere-se a base de cálculo pelo lucro real. levada a cabo. etc. através de registro. 262. chamado de lucro – quando positivo – ou de prejuízo – quando negativo. bolsas de estudo. a partir da renda tributável. mesmo com receita bruta anual não superior a R$ 120.000. Uma vez que o contribuinte optante pelo completo caia na “malha fina”. os custos e as despesas que excederem os limites contábeis serão adicionados ao lucro contábil. 8%: serviços hospitalares e transportes de carga. Caso o contribuinte opte pelo LUCRO PRESUMIDO. Já no primeiro. em um segundo momento. administração. ele deverá apresentar os documentos comprobatórios das deduções. Optando pelo segundo. Sobre esta. Com outros resultados. por meios indiciários.5%. intermediação de negócios.00. 647 RIR. alimentação. sendo que tal percentual varia de acordo com o tipo de atividade. indenização de férias ou de licença-prêmio não-gozadas por necessidade do serviço (Súmulas 125 e 136 do STJ.000. 32%: profissões regulamentadas. cálculo e demonstração no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) para fins puramente tributários (art. chegando-se à base de 171 Lucro presumido consiste em presumir ou estimar o lucro como um percentual sobre a receita bruta. Para efeitos do IR. RIR).000. recorre-se ao arbitramento fiscal da base de cálculo (lançamento de ofício). recorre-se. como ajuda de custo. No simplificado. A partir daí. Havendo lucro. encontrando a base de cálculo. segue-se o mesmo trâmite da declaração completa.130 contribuinte. Ainda por opção do sujeito passivo ou ante a impossibilidade de apurar daquela maneira. álcool etílico carburante e gás natural. O contribuinte do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) pode optar pelo modelo simples ou completo para a declaração anual. 32%: para atividades de prestação de serviços em geral. PRESCINDE-SE desta exigência. de acordo com a tabela progressiva estipulada. 16%: atividades de prestação de serviços de transporte. excetos os de carga. Nas deduções do modelo completo. referente ao exercício financeiro e coincidente com o ano civil.

Além disso. a retenção na fonte é uma obrigação jurídica de quem é fonte pagadora (necessariamente uma pessoa jurídica). Como o fato gerador do IR é complessivo. etc. a fiscalização é materialmente mais facilitada. É também uma forma de amortizar as dívidas e de diminuir a inadimplência (sonegação) para com o poder tributante. empresas com capital estrangeiro ou que possuam sócios residentes no exterior devem sempre fazer a declaração pelo lucro real. o contribuinte pode incluir os quesitos educação e saúde. será feita a apuração e a prestação de contas correspondente. determina que as seguintes pessoas jurídicas são obrigadas a recolher o IRPJ pelo sistema de lucro real: com receita superior ao limite de R$ 48 milhões. Ainda mais: por até 30% de prejuízo. O fisco sempre prefere a declaração por lucro presumido. além de deduzir os custos de previdência. logo depois. de modo a ser apurado um eventual saldo positivo (restituição do IR) ou negativo (pagamento do IR) para eles. Em face do Direito Tributário. A opção por lucro real. bastando meros cálculos matemáticos. Só depois do exercício financeiro anual. Entretanto. por meio do CARNE-LEÃO. I a VI. RIR. 42 e ss. Antecipação do IR – o carnê-leão é uma forma de retenção de IRPF na fonte. Neste sentido. quer seja em uma empresa. sociedades de crédito imobiliário. Para resolver o entrave. porque. Na prestação de contas anual. o legislador criou o sistema de antecipação mensal do IR. Desse modo. Na realidade. Lei 8981/95). instituições financeiras.. A declaração do IRPJ deve ser optada no primeiro mês do exercício financeiro. Vale . 246. independentemente da sorte financeira da empresa (lucro ou prejuízo). Ele configura uma obrigação mensal para o IR. de dependentes (também previstos para as fontes pagadoras pessoas jurídicas) e de empregados. No tocante ao IRPF. valem as consultorias. empresas de seguros. “factoring”. o histórico da empresa e as projeções para o futuro. Esta determinação decorre da dificuldade em se precisar o exato instante da majoração patrimonial (renda). os quais só serão aplicáveis – no primeiro caso – por ocasião da prestação de contas anual. o empresário deve planificar o lucro real primeiramente. quer seja quanto a uma pessoa natural. então. para. Neste caso. ao contrário do IRPF. sempre haverá recolhimento de tributo. esta não tem a obrigação de fazer o recolhimento. Desta feita. quando se tem fonte pagadora pessoa física. decidir por qual modo de declaração do IR lhe é mais favorável. o empresário pode abater de lucro nos exercícios seguintes(art. preenche o DARF e recolhe a quantia aduzida. empresas de arrendamento mercantil. o art. em contrário. Todavia. há OBRIGATORIEDADE para todos os contribuintes (pessoas físicas e jurídicas). Entretanto. De fato.. favorece sempre o contribuinte. o beneficiário desses rendimentos deve fazer o recolhimento de uma maneira específica. o erário necessita de entradas regulares ao tempo de suas necessidades. as que tiverem lucros. bancos de investimento. bancos comerciais. rendimentos ou ganhos do exterior. é possível dividir a obtenção de acréscimo patrimonial em vários momentos. o Fisco passou a determinar que a APURAÇÃO fosse ANUAL. Nesta situação. que será feito no ano seguinte.131 cálculo. esta obrigação não é facultativa. Em qualquer dos casos de incidência. o contribuinte calcula o seu imposto mensalmente. mas decorre de lei (“ex lege”). o período de apuração do IR é de 12 meses. nesta modalidade.

A MP 219914/01. ADIn 2747/DF. 6. ADI 2377 MC/MG. Uma vez que. DJU 8. O DL 406/68 traz normas gerais de natureza financeira para a referida exação.2007.2001. ainda pelo o lucro real: o recolhimento antecipado dar-se-ia por LUCRO ESTIMADO. j.9. elemento essencial para concretizar a atividade mercantil. porque o constituinte deferiu ao legislador decorrente a competência para tal. rel. . XII. em um balanço parcial do ano (seis meses). Para ela..5.95. o ATO DE MERCÂNCIA173 é o que genuinamente caracteriza o ICMS. sendo fonte pagadora pessoa jurídica ou pessoa física. Hipóteses de incidência – ele não incide propriamente sobre “venda de mercadorias”. ICMS (Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) – o ICMS é um imposto de grande magnitude normativa e econômica. incidindo o 172 STF.11. Min. arremata o conceito pelo termo “habitualidade”. O recolhimento pelo lucro real pressupõe contabilidade referente a um trimestre. 102/00 e 114/02). direta ou indiretamente. ou seja. a norma constitucional mencionada é tido como inconstitucional pelo STF172. Gilmar Mendes. ADI 3936 MC/PR. O fisco deu uma terceira alternativa. Portanto. 173 Para Sabbag. 99/99. Marco Aurélio. cit. 450.2003. Informativo do STF n° 478. Min. a aferição e. Plenário. O modo como se estima é idêntico ao lucro presumido. consubstanciando um tributo importantíssimo para o Fisco. exclusivamente. 6.9.9. encontra regulamentação geral nas LC’s federais 24/75 e 87/96 (Lei Kandir. 155. Estatisticamente. op. II. caso a pessoa jurídica verifique que há prejuízo no período. Min. p. DJU 25.. 155.9. LC 24/75 (art. DJU 17. DJU 7. por conseguinte. ADI 2021 MC/SP. CF/88. DJU de 27.) [compreende] o trajeto de mercadoria da produção até o consumo”. Liga-se à atividade de mercância.circulação de mercadorias – implica em mudança de titularidade ou em alteração física da mercadoria. § 2º. ADI 1247 MC/PA. O carne-leão não é possível para a pessoa jurídica. nos termos do art.2007. rel. j. 19. Nesse sentido. Joaquim Barbosa.: qualquer isenção a ser concedida por lei estadual ou distrital deverá ser precedida de convênio no âmbito das demais unidades parciais da federação. Min. o art.132 ressaltar também que a forma de contribuição por carnê-leão cabe quando há mais de uma fonte de renda e somente é aplicável à pessoa física. CF/88). Joaquim Barbosa.2007. RMS 17949/ES. a antecipação é diversa.. alterada posteriormente pelas LC’s 92/97. cit.68. p. op. Lei ou ato normativo estadual que venha a contrariar. produtos que estão na linha da circulação. Regência legal – a lei instituidora advém de diplomas estaduais. Desta feita. “caput”. Ademais. Obs. rel. j. traz comandos sobre a isenção e redução quanto a fundos de investimentos regionais. comporta vários núcleos do tipo tributário (hipóteses de incidência): .9. é a principal fonte de receita derivada das unidades federadas. ADI 3389/RJ. pode haver mudança física de mercadoria sem a alteração de titularidade ou vice-versa.2007. fazendo os ajustes necessários por ocasião da declaração anual. com a correspondente antecipação neste período. “g”. ela poderá solicitar a SUSPENSÃO DAS ANTECIPAÇÕES POR LUCRO ESTIMADO no semestre posterior.. a antecipação são MENSAIS. a “circulação de mercadorias (. rel. Pelo lucro presumido. 1º. No diapasão. Informativo do STF n° 480. ADI 3673/RJ. 291. Cassone. Informativo do STF n° 478.8.

34. IX. 29. DJU 7. 175 STJ..prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal – para Cassone (2004. consuma-se o fato gerador. . j. carga. RJ/IOB 1/11.. CF/88). o conceito de serviço. ínsito no art.612-RJ. 2004)177. deixa de ser mercadoria logo que sai da circulação e se acha em poder do consumidor (RE 79. Min.737. tal qual já se fez no capítulo sobre IPI. 452). perfilhando a regra geral da nãocumulatividade pela compensação – “a cada saída. CTN. p. porquanto os produtos retornarão para o estabelecimento original do comerciante. 2ª T. 449: “a coisa. Min. Nesse passo.1997. Não importa se há efetivamente o transporte. v. p. CF/88.951-SP.u. 452). a aplicação do verbete independe de as coisas pertencerem ao ativo fixo da empresa. que a adquire para revender a outro comerciante ou a consumidor. o qual será objeto de tributação pela via do ISSQN (CASSONE. o comodato de máquinas e equipamentos não caracteriza fato gerador da exação em tela (Súmula 573 do STF)178. 155. no momento do negócio jurídico. 1ª T. Basta que o serviço seja prestado. II. p.133 ICMS. .1997. neste caso. op. 2004)176. 19. o qual destina-se ao comércio (SABBAG. Outro exemplo: o agricultor vende antecipadamente sua safra inteira de milho.300-9/SP. a cada entrada. rel. § 2º. RTJ 78/215)”. Marco Aurélio. porque há mudança de titularidade. não existir a movimentação física do produto. Ex. Desta feita. perfilhando as lições de Carvalho de Mendonça e Fran Martins. p. rel. p. apesar da plantação ainda não estar completamente maturada. Min. utensílios e implementos a título de comodato”. citados por Cassone. Está fora o transporte intramunicipal.. A mudança da titularidade é jurídica e independe de movimentação física do bem (SABBAG. João Otávio de Noronha. não há transmissão da titularidade. Havido o transporte mediante pagamento. ou pessoa – fretamento). j. REsp 756. rel. cit. 177 STF. incide o ICMS. O núcleo do tipo independe da natureza do que está sendo transportado (passageiro – transporte regular. apesar de.633. 2004. considerado produto.. A atividade comercial só é dispensada no caso de importação de produtos ou de prestação de serviços no exterior. que a produz. O fato gerador está ligado ao SERVIÇO DE TRANSPORTE. Diz-se que é toda coisa ou bem móvel. um crédito”. 2ª T. pressupõe a existência de dualidade de figuras: um prestador e um tomador. 155. RE 194.5. apesar de haver movimentação de mercadoria. O ICMS é devido na saída da mercadoria do estabelecimento. desde que se trate de operação de mercado. 2004). o empresário emite a nota fiscal e registra-a com suspensão do ICMS. Ilmar Galvão. “a”.u. é o mesmo caso da movimentação física de bens entre matriz e filial (Súmula 166 do STJ)174.4. a alienação de bens do ativo imobilizado de empresa não configura o fato gerador do ICMS (SABBAG. RE 200379-4/SP. segundo leitura do próprio STJ acerca de seu posicionamento sumulado175. um débito. de haver alto valor envolvido ou do fato do translado não ser habitual. 43.1998. chama-se produto manufaturado ou artefato. 176 A jurisprudência do STF já assentou entendimento sobre os conceitos de produto e de mercadoria. passa a ser mercadoria logo que é objeto de comércio do produtor ou do comerciante por grosso ou a retalho. segundo entendimento do STF.9. 178 Súmula 573 do STF: “Não constitui fato gerador do ICM a saída física de máquinas.: fabricante de roupas movimenta suas mercadorias para participação de uma exposição do setor em outra cidade – não há mercância. De outra sorte.. É também cediço definir “mercadoria”. Informativo do STJ n° 332. 116. situações em que fazem incidir o tributo em tela mesmo que não haja habitualidade por parte do adquirente ou do prestador (art.1998. enquanto se acha na disponibilidade do industrial.8. 18/9/2007. v.: 174 Súmula 166 do STJ: “Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento da mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte”. aplicando-se o art. Ex. DJU 12. II..

Não estarão incluídos nos fatos geradores os transportes por dutos e por vácuos. Além disso. STJ. REsp 726. 454). 179 180 A LC 87/96 é conhecida como “Lei Kandir”. conquanto o legislador não a distinguiu. 2004). a movimentação é obstada. inclusive a geração.. Emissoras radiofônicas e de televisão abertas não estão sujeitas à tributação do ICMS. No critério espacial. “d”. a emissão. II. desde que a empresa não se volte a esta atividade como principal. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. pois houve contrato. É interessante também destacar que a prestação deve ser onerosa. não pode ser tributado pela via do ICMS. o VALOR DO FRETE ESTARÁ EMBUTIDO NO PREÇO da mercadoria. III – prestações onerosas de serviços de comunicação. Incidências (elemento objetivo) – o imposto incide sobre (art. j. o fato gerador se configura com o efetivo transporte da primeira parte. LC 87/96): I – operações relativas à circulação de mercadorias. a transmissão. o transporte aéreo também pode ser abrangido pelo ICMS. Caso a própria empresa disponha de frota para fazer a distribuição de suas mercadorias. por alguma razão. 2º. de pessoas. Informativo do STJ n° 325. Apesar da Lei 8977/95 falar em serviços de TV a cabo. Graças ao art. 2004. e § 1º. pois se gratuita for. fato este que acaba não reduzindo a receita do Fisco. Geralmente. porque são consideradas essenciais e de utilidade pública pela Constituição (art. o trabalho da produtora de programas para a emissora paga (televisão fechada). CF/88. inclusive o fornecimento de alimentação e bebidas em bares. X. I a V. não há prestação de serviço de transporte. João Otávio de Noronha. IV – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios.103-MG. 26/6/2007. 2004). § 2º. 2º. não há incidência da exação (SABBAG. não importa que a comunicação se dê no âmbito de um só município. desde que não propague o sinal por qualquer meio. como o fez no transporte interestadual e intermunicipal (CASSONE. . as alíquotas sobre o frete são menores que aquelas para a operação de circulação de mercadorias. p. referendando a previsão do Convênio ICMS 66/88 (SABBAG. I a III. restaurantes e estabelecimentos similares. com transporte de várias peças ou componentes.134 transportadora é contratada para fazer a mudança de uma família. Min. por qualquer meio. Nesse caso. a recepção. . rel. pagamento e emissão do “conhecimento de transporte”. por qualquer via. o serviço de transporte deve ser efetivado por empresa que o preste em favor de terceiro. II – prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. cabendo tão-só a exação do ISSQN municipal180. incide o ICMS onde a operação começou a ser prestada. 2ª T. mercadorias ou valores. bens. 155. incide o ICMS. ainda que iniciado no exterior – o exemplo mais comum versa sobre a telefonia.prestação de serviço de comunicação. LC 87/96179. Quando a prestação se dá em parcelas. a retransmissão. Neste caso. acrescida pela EC 42/03).

II. .). de fato. utilizou-se da regra prevista no art. decorrentes de operações interestaduais.). ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo permanente do estabelecimento. § 3º... O constituinte derivado foi “atroz” ao instituir o citado dispositivo. VII – o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. § 1º. p. 155. 155.. mas aquele o fez. pois faz parte de um preceito secundário. ao considerá-la como mercadoria. o ICMS prescinde de LC regulamentadora para tal (art. sendo chamada de insumo público. CF/88) . CF/88. I. 155. CF/88). op.. A energia elétrica é atualmente tributada pelo ICMS. de petróleo. § 1º. p. Características – o ICMS apresenta não-cumulatividade (art. cit. por pessoa física ou jurídica. Todavia. quando a lei complementar aplicável expressamente o sujeitar à incidência do imposto estadual. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. 155. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. O imposto incide também: (. em que a não-cumulatividade foi determinada diretamente pelo constituinte (art. de competência dos Municípios. CF/88. a primeira parte do dispositivo em comento é inconstitucional. Alguns a consideram insumo de produção. CF/88). Controvérsia também se estabelece sobre o art. 155.. § 2º. à exceção do art. Para Cassone (2004. XII. apesar de não constar do rol do art. mesmo porque é tida como essencial e vital para as condições mínimas de dignidade humana. II. pende uma dúvida. § 3º. 2º O imposto incide sobre: (.. porquanto estabelece regra de incidência tributária extraterritorial. seletividade em função da essencialidade (de acordo com o arbítrio do 181 181 Ao contrário do IPI. II.sobre o serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. (. Este não incluiu a energia elétrica no rol dos núcleos dos tipos tributários do ICMS. II. 453). e de energia elétrica. quanto ao consumo residencial. § 2º. 155. cabendo o imposto ao Estado onde estiver localizado o adquirente.). 298. 153.135 V – fornecimento de mercadorias com prestação de serviços sujeitos ao imposto sobre serviços. VI – a entrada de mercadoria importada do exterior. não prevista no texto do art. II. II . porquanto seria intrínseca no preço final de todos os produtos. CF/88. VIII – a entrada. CF/88. em contrário à vontade do constituinte originário. “c”.. 2º. O legislador infraconstitucional. no território do Estado destinatário. LC 87/96: Art. por intermédio da EC 33/01. como não deixa de se ressaltar o mestre Sabbag.

enquanto ativo financeiro. jornais. . p. O ouro é um valor de referência mundial. De outra feita. Rememora-se que a primeira hipótese constituirá fato gerador da CIDE-remessas para o exterior (Lei 10168/01) caso a cessão. a licença ou transferência de tecnologia se dê em proveito de adquirente. ICMS. 2004. sendo entendido como objeto de incidência única do IOF (art. “d”. caso haja destinação da produção em massa para o comércio (“software de prateleira”). 150. devem ser preenchidos três pressupostos cumulativos para que isso ocorra: a operação de circulação deve ser realizada entre contribuintes. X. § 2º. em que pese sua natureza de mercadoria. CF/88: 70% ao Município de origem e 30% ao Estado de origem ou ao DF. 182 STF. 153. 288).). esse não integrará a base de cálculo do ICMS (art. § 5º. uma vez que o metal seja extraído da natureza e utilizado em uma escala de produção diversa da atividade exclusivamente financeira. 458-480)182. II – operações interestaduais relativas a energia elétrica e petróleo. entender-se-á como objeto material de outra tributação (IPI. “b”. “a”. Os programas de computador sofrem dupla disciplina. etc. CF/88). CF/88) e alíquotas variáveis de Estado para Estado.464/SP. quando destinados à industrialização ou à comercialização (art.626-3/SP e 199. inclusive lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. 155. proporcional (não há progressividade nas alíquotas) e fiscal (não é exação regulatória da economia). 150. a Resolução 22/89 estabelece as alíquotas para operações interestaduais. devendo ser observados os limites mínimos estabelecidos em Resolução do Senado (art. Em contrário senso. RE’s 176. Nesse caso. XI. Ele tem um valor cambiário. ISSQN. não incide o ICMS. Desta feita. segundo alíquota mínima de 1%. cabe a tributação por via do ICMS (CASSONE. licenciado ou contratante localizado no estrangeiro. 155. I e II. 155. Nas palavras de Sabbag (2004. 155. p. § 2º. 3º. CF/88). inclusive produtos primários e produtos industrializados semi-elaborados. X. ou serviços (art. Será incidente na extração da matéria-prima. § 2º. LC 87/96): I – operações com livros. Atualmente. CF/88). Caso o produto a ser comercializado também seja objeto de IPI. § 2º. periódicos e o papel destinado a sua impressão (art. Em se tratando de licença ou cessão do direito de uso (propriedade imaterial). I a IX. “a”. CF/88). há configuração do fato gerador de ambas exações.136 legislador estadual – art. CF/88). § 5º. III. o produto deve ser destinado ao comércio ou à industrialização. o imposto em questão pode ser classificado como gravame plurifásico (incide sobre o valor agregado). Não-incidências (isenções) – o imposto não incide sobre (art. § 2º. para transporte aéreo. 155. o ouro não se sujeita à tributação sobre produto ou mercadoria. a ser divida de acordo com o art. enquanto a Resolução 95/96. VI. CF/88). V. II – operações e prestações que destinem ao exterior mercadorias. real (as condições pessoais do contribuinte são irrelevantes para o cálculo do devido).

inclusive a operação efetuada pelo credor em decorrência do inadimplemento do devedor. mesmo sem habitualidade (art. “caput”. com habitualidade ou em volume que caracterize intuito comercial. LC 87/96). pelo próprio autor da saída. estabelecimento da mesma empresa. parágrafo único. V – operações relativas a mercadorias que tenham sido ou que se destinem a ser utilizadas na prestação. do total da operação (100%). 2º. deve ser abatida a . quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial (art. I. inclusive “tradings” ou outro b) armazém alfandegado ou entreposto aduaneiro. IX – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de bens móveis salvados de sinistro para companhias seguradoras. com alíquota de ICMS de 12%. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (art. VI – operações de qualquer natureza de que decorra a transferência de propriedade de estabelecimento industrial. “c”. com base no art. § 2º. não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. de serviço de qualquer natureza definido em lei complementar como sujeito ao imposto sobre serviços. p. que realize. parágrafo único. LC 87/96): I – importe mercadorias do exterior. ainda que as destine a consumo ou ao ativo permanente do estabelecimento. p. Equipara-se às operações de que trata o item II a saída de mercadoria realizada com o fim específico de exportação para o exterior. I a IV. § 7º. Contribuinte (elemento subjetivo passivo) – contribuinte é qualquer pessoa. VII – operações decorrentes de alienação fiduciária em garantia. II – seja destinatária de serviço prestado no exterior ou cuja prestação se tenha iniciado no exterior. 3º. comercial ou de outra espécie. física ou jurídica.137 IV – operações com ouro. 155.: mercadoria custa R$ 500. 306) e Cassone (2004. X. É o que a doutrina denomina ICMS “por dentro”. 4º. I e II. É também contribuinte a pessoa física ou jurídica que. § 1º. IV – adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. CF/88). a alíquota incidirá sobre o total da operação (art. segundo dizem Sabbag (2004. 4º. III – adquira em licitação de mercadorias apreendidas ou abandonadas. operações de circulação de mercadoria ou prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. 462). LC 87/96. de competência dos Municípios. Cálculo do ICMS – no caso de saída de mercadoria. LC 87/96): a) empresa comercial exportadora. Ex. DL 406/68). 3º. destinada a (art. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. ressalvadas as hipóteses previstas na mesma lei complementar. VIII – operações de arrendamento mercantil.

p. Cesar Asfor Rocha.18 (12% de 568.. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhado de documentação inidônea. 1ª T. Tratando-se de frutos decorrentes de financiamento. Informativo do STF n° 154. ou seja. como dispuser a legislação tributária. STF. Julgados menos hodiernos do STF propugnavam pela sua inclusão no montante para o cálculo da exação. os encargos relativos ao financiamento não são considerados no cálculo do ICMS”. 30. LC 87/96. pelo fato do financiamento constituir operação distinta daquela relativa à mercância (Súmula 237 do STJ)185. Min. a do estabelecimento onde ocorrer a entrada física. de mercadoria por ele adquirida no País e que por ele não tenha transitado. No mesmo sentido. isto é. No mesmo comando.13636). d) importado do exterior. 13. § 1º. Segundo o art. 462). julgados mais recentes do STJ determinam a exclusão dessa espécie de juros da base de cálculo. STF. sendo tributada por meio do IOF (art. integram a base de cálculo do ICMS. RE 212209/RS. multiplica-se o valor da mercadoria (R$ 500) pelo coeficiente (1. o do domicílio do adquirente. f) aquele onde seja realizada a licitação. I a IV. à vista do adquirente (CASSONE. STJ. REsp 67947/MG. “a”. Essa ginástica aritmética foi considerada constitucional pelo STF183. RJ/IOB 1/9. CF/88. c) o do estabelecimento que transfira a propriedade. j. obtendose o valor total (mercadoria + imposto). 1. 64. 2004. obtém-se o coeficiente dividindo-se o total (100%) pela percentagem real (88%). Local da operação ou da prestação (elemento espacial) – o local da operação ou da prestação. LC 87/96): I – tratando-se de mercadoria ou bem: a) o do estabelecimento onde se encontre. I. Em contrário senso. os descontos concedidos sob condição (pagamento a prazo. 13. considerando a base de cálculo o valor total da nota fiscal184. é (art. com fulcro no art. o legislador complementar determinou que os juros devem integrar a base de cálculo também. ficando R$ 500 para o comerciante e R$ 68. no momento da ocorrência do fato gerador.18: o contribuinte de fato paga esse valor. rel. obtendo-se a percentagem real (88%). a própria jurisprudência não encontra melhor pacificação.138 alíquota (12%). e) importado do exterior. 185 Súmula 237 do STJ: “Nas operações com cartão de crédito. b) onde se encontre. Essa disposição não atinge o preço da mercadoria no caso de desconto concedido diretamente no momento da operação.826. R$ 568. para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável. Ex. ou o título que a represente. RE 101103-3/RS. II.1999. por exemplo). “a”.6. II. § 1º. quando não estabelecido. 184 183 .: financiamento de parte do preço por meio de cartão de crédito. CTN). no caso de arrematação de mercadoria importada do exterior e apreendida.18) para o fisco.13636.

LC 87/98): I – da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte.139 g) o do Estado onde estiver localizado o adquirente. de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. quando não considerado como ativo financeiro ou instrumento cambial. ampliação e recepção. transmissão e retransmissão. I a XIII. inclusive consumidor final. III – tratando-se de prestação onerosa de serviço de comunicação: a) o da prestação do serviço de radiodifusão sonora e de som e imagem. III – da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado. lubrificantes e combustíveis dele derivados. ou assemelhados com que o serviço é pago. b) onde se encontre o transportador. assim entendido o da geração. por contribuinte. 12. por contribuinte. bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento. Ocorrência do fato gerador (elemento temporal) – considera-se ocorrido o fato gerador do imposto no momento (art. ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular. nos demais casos. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. na hipótese da utilização. na hipótese de captura de peixes. na hipótese da utilização. cartão. IV – tratando-se de serviços prestados ou iniciados no exterior. como dispuser a legislação tributária. no Estado do transmitente. d) onde seja cobrado o serviço. II – do fornecimento de alimentação. nas operações interestaduais com energia elétrica e petróleo. . de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. crustáceos e moluscos. o do estabelecimento ou do domicílio do destinatário. d) o do estabelecimento ou domicílio do tomador do serviço. repetição. quando não destinados à industrialização ou à comercialização. quando prestado por meio de satélite. quando em situação irregular pela falta de documentação fiscal ou quando acompanhada de documentação inidônea. II – tratando-se de prestação de serviço de transporte: a) onde tenha início a prestação. b) o do estabelecimento da concessionária ou da permissionária que forneça ficha. i) o de desembarque do produto. c) o do estabelecimento destinatário do serviço. emissão. h) o do Estado de onde o ouro tenha sido extraído.

correspondente ao fato gerador presumido. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à . LC 87/96). a retransmissão. crédito e estorno de ICMS – o imposto é nãocumulativo. a recepção. LC 87/96). VII – das prestações onerosas de serviços de comunicação. 10. que não se realizar (art. a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza. Substituição tributária – a Lei estadual poderá atribuir a contribuinte do imposto ou a depositário. § 1º. inclusive ao valor decorrente da diferença entre alíquotas interna e interestadual nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final localizado em outro Estado. VIII – do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios. 6º. “caput”. que seja contribuinte do imposto (art. XIII – da utilização. a emissão. hipótese em que o contribuinte assumirá a condição de substituto tributário (arts. ou de título que a represente. XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado. a responsabilidade pelo seu pagamento. sejam antecedentes. a transmissão. VI – do ato final do transporte iniciado no exterior. concomitantes ou subseqüentes. A responsabilidade poderá ser atribuída em relação ao imposto incidente sobre uma ou mais operações ou prestações. LC 87/96). como definido na lei complementar aplicável. É assegurado ao contribuinte substituído o direito à restituição do valor do imposto pago por força da substituição tributária. a qualquer título. § 2º. A atribuição de responsabilidade dar-se-á em relação a mercadorias ou serviços previstos em lei de cada Estado (art. XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias importadas do exterior apreendidas ou abandonadas. de qualquer natureza. LC 87/96). de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. 6º. b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto da competência estadual. de serviço prestado no exterior. X – do recebimento. quando não destinados à comercialização ou à industrialização. IX – do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas do exterior. quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente. pelo destinatário. por contribuinte. V – do inicio da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. Não-cumulatividade. “caput”. feita por qualquer meio.140 IV – da transmissão de propriedade de mercadoria. 5º e 6º. inclusive a geração.

141 circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado (art. não permitiu a compensação na cadeia mercadológica se alguma de suas fases goza de alguma espécie de não-incidência ou de isenção. 21. “caput”. Salvo prova em contrário. LC 87/96). § 2º. Quando a operação subseqüente for de exportação. quando a saída ou a prestação subseqüente não forem tributadas ou estiverem isentas do imposto. 20. não há de argüir a regra da não-cumulatividade. 20. o art. § 2º. § 1º. caso a operação for isenta ou não tributada. II. o crédito não vige.R$ 10. a jurisprudência tranqüila apregoa que descabe incidência de correção monetária. parágrafo único. real ou simbólica. É vedado o crédito relativo à mercadoria entrada no estabelecimento ou a prestação de serviços a ele feita (art. 20. decorrentes de entradas de mercadorias – R$ 10. 19.000. 33. exceto as destinadas ao exterior.00. LC 87/96). LC 87/96). 20. § 2º. I a IV. Do contrário. § 3º. permitiu o crédito de ICMS em favor do contribuinte a partir da escrituração de entrada de ativo financeiro no estabelecimento – “a cada entrada. LC 87/96): I – para integração ou consumo em processo de industrialização ou produção rural. O direito de utilizar o crédito extingue-se depois de decorridos cinco anos contados da data de emissão do documento (art. . II – para comercialização ou prestação de serviço.00 = R$ 40. o que não configura violação da não-cumulatividade e da isonomia. valor do imposto anteriormente cobrado. o contribuinte deverá estornar à Fazenda o valor à razão de 20% ao ano ou proporcionalmente em 1% ao mês (art. Com efeito. 155. LC 87/96). não dão direito a crédito as entradas de mercadorias ou utilização de serviços resultantes de operações ou prestações isentas ou não-tributadas. De outra sorte. exceto se se tratar de saída para o exterior. a LC 87/96. o crédito será definitivo. Entretanto.000.00. presumem-se alheios à atividade do estabelecimento os veículos de transporte pessoal (art. LC 87/96). devendo o contribuinte também realizar o estorno (art.00 . LC 87/96). 21. No creditamento de ICMS. LC 87/96). não haverá estorno do crédito à Fazenda em qualquer hipótese (art. diga respeito à operação estranha à empresa.000. CF/88. I e II. ou que se refiram a mercadorias ou serviços alheios à atividade do estabelecimento (art. no estabelecimento (art.000. § 1º. Nessas hipóteses. “a” e “b”. II. com as devidas alterações da LC 102/00. um crédito”.00. Exemplo: total do ICMS devido pelo sujeito passivo – R$ 50. É assegurado ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria. De fato. valor do ICMS a pagar – R$ 50. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. perecer ou perder-se. Crédito semelhante é garantido quanto à energia elétrica consumida pelo estabelecimento (art. LC 87/96). LC 87/96). seja consumida em processo que leve a produto não tributo pelo imposto ou venha a deteriorar-se. 21.000. 23. Sendo o ativo alienado em até cinco anos.

2ª parte.. § 2º. do valor objeto do pedido. confere prerrogativa para os Estados estabelecerem redução da base de cálculo do tributo no tocante a serviço de radiochamada (cláusula 2ª. LC 87/96). I e II. geralmente também envolve a comercialização de aparelhos. j. . a diferença será transportada para o período seguinte (art. rel. LC 87/96). LC 87/98). Se o montante dos créditos superar os dos débitos.142 O sujeito passivo deverá efetuar o estorno do imposto de que se tiver creditado sempre que o serviço tomado ou a mercadoria entrada no estabelecimento (art. procederá ao estorno dos créditos lançados. LC 87/96): I – sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado. também devidamente atualizados. devidamente atualizado segundo os mesmos critérios aplicáveis ao tributo (art. Sobrevindo decisão contrária irrecorrível. Min. 20/9/2007. A Lei estadual poderá. o contribuinte substituído poderá se creditar. II – for integrada ou consumida em processo de industrialização. com o pagamento dos acréscimos legais cabíveis (art. Com base nessa interpretação. popularmente conhecida como “pager”. 10. 186 STJ. Formulado o pedido de restituição e não havendo deliberação no prazo de noventa dias. o estorno deverá ser feito à razão de 20% ao ano ou fração que faltar para completar o lustro (art. No entanto. REsp 805. versando sobre ICMS. Quando houver incorporação do bem ao ativo permanente do contribuinte antes de passados cinco anos contados da aquisição. § 1º. Informativo do STJ n° 332. parágrafo único. o contribuinte substituído. em sua escrita fiscal. 20. IV – vier a perecer. 2ª T. o STJ pronunciou o descabimento de não-creditamento nas operações que envolvam a mercância dos equipamentos mencionados. O Convênio 115/96. no prazo de quinze dias da respectiva notificação. As obrigações consideram-se liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de períodos ou períodos anteriores (art. nos casos de saldos credores acumulados. III – vier a ser utilizada em fim alheio à atividade do estabelecimento. deteriorar-se ou extraviar-se. Convênio 115/96). 10. porquanto não abrangidos pela norma convencional esculpida186. LC 87/98). A prestação em comento. 20. 21. quando a saída do produto resultante não for tributada ou estiver isenta do imposto. 24. 25. sendo esta circunstância imprevisível na data da entrada da mercadoria ou da utilização do serviço. se for o caso. e I. permitir que (art. LC 87/96). LC 87/96). “caput”.795-RJ. III. § 1º. 24. Eliana Calmon. I a IV. § 2º. não se estornam créditos referentes a mercadorias e serviços que venham a ser objeto de operações ou prestações destinadas ao exterior (art. LC 87/96): I – for objeto de saída ou prestação de serviço não tributada ou isenta. fato esse que não está abarcado expressamente pela norma. § 1º.

Pleno. DJU 16/8/2004. o STF vinha entendendo diferente. O Pretório Excelso passou a acatar como inaplicável o ICMS também na operação de alienação dos salvados pela seguradora194. Ilmar Galvão. DJU 28.. RMS 12. RE 193817/RJ.143 II – sejam transferidos.97. Min. nas condições que definir. no tocante ao diferencial de alíquotas da exação. “in fine”. segundo já disse o Supremo191. Com base no entendimento do Supremo. Também TJRJ.223-MT. j. 194 STF. Operações com salvados de sinistros – o art. mas contando com cinco votos pela exclusão das operações com salvados da incidência do ICMS. 193 Súmula 152 do STJ (CANCELADA): “Na venda pelo segurador. não aquela determinada para operações interestaduais.062-GO. DJU 1º/7/2002. RT 726/383. o qual tinha por fulcro a CF/69 e o art. a outros contribuintes do mesmo Estado.10. STF. Todavia. Construção civil – é fato gerador de ISSQN. EREsp 149. rel.99. LC 87/96. ADInMC 1648/MG. REsp 564..9. REsp 23533/SP. cancelando o referido verbete195. Em que pese a cristalina e consentânea disposição das cortes. rel.769-DF. 13. 189 Súmula 661 do STF: “Na entrada de mercadoria importada do exterior. 1º. Min. decorrente de operação de importação de mercadoria187.08. Min. REsp 919. esses não sofrerão tributação pela via do ICMS quando adquiridos de outro Estado. Tratando-se de diferença cambial na cobrança do imposto em comento. 13/6/2007.. j. Informativo do STF n° 478. 1ª Seç. rel.05. 191 STF. j. à materialidade do fato.96. j.2007. rel. nos exatos termos de jurisprudência até então dominante (Súmula 152 do STJ)193. essa atuação se presta à identificação do contribuinte. a alíquota a incidir é a interna. Gilmar Mendes. o STJ resolveu alterar sua posição. 2ª T. 6. não ficando abarcada pelo ICMS.. Informativo do STJ nº 331. Essa prática é STF. Dessa feita. em substituição ao seu enunciado 577. A posição ficou sedimentada por meio de outros julgados188. o STJ entende que há de se tomar como balizas referenciais a data do registro da importação e a entrada da mercadoria no território nacional190. Informativo do STJ n° 323. Os insumos devem ser utilizados na atividade-fim do administrado para não sofrerem a incidência do tributo. DJU 20/3/2000. 11/9/2007. Min. Nas operações de importação. 192 STJ. Com essa idéia. Ilmar Galvão. 190 STJ. 23. II. rel. v. rel. determina a não-incidência de ICMS em operações de aquisição de salvados por seguradoras. RJ/IOB 1/11. Castro Meira. dando azo à edição da Súmula 661 do STF189. u. incidia a referida exação. Néri da Silveira. Castro Meira. fato que sugere a apreensão como modo de coerção para o pagamento da exação. CC). 188 187 . RE 192711/SP. incide o ICMS”. 3º. Desembaraço aduaneiro – mesmo antes da LC 87/96. e § 1º..084. DL 406/68. lavrando-se o auto de infração devido. a jurisprudência do STJ fixou entendimento192. 195 STJ. v. o STF entendia como legítima a cobrança de ICMS no desembaraço aduaneiro. com julgamento ainda pendente até a data indicada. Não pode a autoridade tributária permanecer “ad eternum” com as coisas. Apreensão de mercadorias – nada obsta que o fisco empreenda a apreensão de bens sujeitos a ICMS e desacompanhados da correspondente nota fiscal.552-RJ. em face de previsão de empreitada com o emprego de materiais a serem fornecidos pelo empreiteiro (art. ADI 1648/MG. Min. REsp 73. Dessarte. IX. m. RE 172282-7/SP. Min. de bens salvados de sinistros. é legítima a cobrança do ICMS por ocasião do desembaraço aduaneiro”. 1ª T. 610. “caput”. quando a adquirente realizava a alienação deles. bens decorrentes de sinistro.946-MS. j.

12. DJU 1º/3/2007. Exsurgiram sucessivos embargos de declaração. consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91. j. Eliana Calmon. por força do artigo 102. MS 38. “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo. já citada). contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença.543-PR. rel. Marco Aurélio sobre a matéria. parágrafo único. 2º.785-2 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. insistindo-se na inconstitucionalidade do artigo 2º. reafirme-se.631-96. da citada lei complementar. lei esta. LC 70/91. inciso I. 7/8/2007. p. DJU 15/9/2003. rel.371-CE. o qual fixou a jurisprudência do Supremo no sentido de não fazer incidir o ICMS sobre a base de cálculo da COFINS: 24/08/2006 TRIBUNAL PLENO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240. DJU 3 30. 2ª T. com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional. “caput”. REsp 789. o voto do Min. STJ: REsp 493. no que autorizada a inclusão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços na base 196 196 144 TJDF. j.04. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1-1/DF. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118. Min. na íntegra. 02. articula-se com a ofensa ao artigo 195.ELYADIR FERREIRA BORGES RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – o recurso extraordinário foi interposto.96. Nas razões do recurso. . REsp 513.97. Veja. Informativo do STJ n° 326.. Getúlio Moraes Oliveira. § 2º. REsp 700.repudiada pela jurisprudência . do Diploma Maior. cuja constitucionalidade foi declarada e que.316-DF. no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90).781-RS. 8078 – ementa oficial. não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116). nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação. Des. da Constituição Federal. DJU 2/6/2003. ICMS – inclusão na base de cálculo da COFINS – STF – interpretação do art. sendo objeto de posição firme na própria corte máxima (Súmula 323 do STF. MARCO AURÉLIO RECORRENTE : AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADVOGADO : ROQUE ANTONIO CARRAZZA ADVOGADOS : RAQUEL CRISTINA RIBEIRO NOVAIS E OUTROS RECORRIDA : UNIÃO ADVOGADA : PFN . relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (RELATOR) – Na interposição deste recurso. deverá. decorrendo o processamento do recurso do provimento dado a agravo. As conclusões do acórdão prolatado nos embargos foram veiculadas no Diário da Justiça de 23 de maio de 1995 (folha 102). Confira-se com o acórdão publicado na Revista Trimestral de Jurisprudência nº 156. Em 29 imediato. de 30 de dezembro de 1991. foram observados os pressupostos de recorribilidade. Noutro passo. acaso esta Corte conclua pela falta de prequestionamento. 2º. o Relator. 9º. Salienta-se que se desvirtuou o conceito técnico de faturamento. não foi objeto de deslinde a circunstância de o artigo 2º. na base do cálculo da COFINS. assevera-se que. A recorrente protocolou embargos de declaração em 4 de outubro de 1994 (folha 92). A referência feita no voto do ministro Sepúlveda Pertence ganhou contornos de simples opinião de Sua Excelência a respeito da matéria. A Procuradoria Geral da República emitiu o parecer de folha 166 a 169. nos termos do artigo 321 do Regimento Interno da Corte. preconizando o não-conhecimento do recurso. Os documentos de folhas 33 e 135 revelam a regularidade da representação processual e do preparo. parágrafo único. segunda- . na espécie. já que o dia 3. antes. Por isso mesmo. ao incluir-se o referido tributo na base de cálculo. questão que não teria sido apreciada na ação declaratória de constitucionalidade. o acórdão proferido na apelação restou publicado no órgão oficial de imprensa do dia 27 de setembro de 1994 (folha 91). página 722 a 755. É o relatório. em face da recusa do Tribunal de origem de analisar a controvérsia (folha 120 a 134). terça-feira. o tema está a merecer o crivo de Colegiado desta Corte. segunda-feira. oportunidade na qual consignei: Quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1. A União apresentou as contra-razões de folha 137 a 140. afirmou estar a definição de faturamento no âmbito da legislação infraconstitucional. da mencionada lei englobar. apenas dos artigos 1º. Por outro lado. A recorrente indicou o permissivo constitucional à folha 120. aludindo a memoriais distribuídos.145 de cálculo da Cofins. foi feriado forense. O Juízo primeiro de admissibilidade disse da natureza infraconstitucional da discussão (folha 140). 10 e 13 da Lei Complementar nº 70. ressaltando o envolvimento de matéria legal e a harmonia da conclusão adotada com a “jurisprudência de nossos Tribunais”. o ICMS. terça-feira. terça-feira. ministro Moreira Alves. Quanto à oportunidade. apontou para o envolvimento. no que. declarar a nulidade do julgado por ofensa aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal (incisos LIV e LV do rol das garantias constitucionais). definindo-se o alcance do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal.

950/94. da Constituição Federal. O que sustenta a recorrente é que o decidido pela Corte de origem discrepa da tipologia do tributo. na citada alínea. reclamando manifestação sobre a inconstitucionalidade de incluir-se. mais uma vez reclamando prequestionamento explícito do tema (folha 104 a 112). Portanto. sendo que o acórdão daí resultante foi publicado no Diário da Justiça de 22 de agosto de 1995 (folha 119). na base de incidência da Cofins. Aí. portanto. a óptica de que a Cofins incide sobre o ICMS. exsurge a tempestividade deste recurso. de interpretação de norma estritamente legal. anterior à Emenda Constitucional nº 20/98. Também não vinga o óbice relativo ao envolvimento. o ICMS (folha 92 a 94). ou seja. Se é certo que o acórdão inicialmente prolatado mostrou-se de simplicidade franciscana. Pois bem. exigir mais do que isso é adotar o fetichismo da forma. Mesmo assim. a receita. inciso I. atenta ao passo que se avizinhava. Portanto. a violência ao artigo 195. Protocolou-se o extraordinário em 4 seguinte (folha 120). Já aqui entendeu. apenas consignando que esta Corte assentou a constitucionalidade da Cofins. o Colegiado concluiu que seria de se presumir o exame do tema no julgamento da declaratória de constitucionalidade. a Turma julgadora pela inexistência da pecha quanto à inclusão combatida (folha 99 a 101). utilizando a adjuntiva “ou”. assim. nas razões do recurso. na forma do acórdão de folha 115 a 117. Há de se examinar. Resta examinar o específico. Sob o ângulo do prequestionamento. tem-se como prequestionada a matéria. da Constituição Federal. considerado o teor primitivo do preceito. aludindo à eficácia vinculante do pronunciamento. a recorrente interpôs novos embargos de declaração (folha 104). tudo a partir. da premissa de que assim o teria feito este Plenário ao apreciar a Declaratória nº 1. fez inserir como base de incidência da contribuição devida pelo empregador. isso ao apreciar a Ação Declaratória nº 1-1/DF (folha 88 a 90). protocolou os embargos declaratórios de folha 92 à 94. a encerrar o debate e a decisão prévios do tema jurígeno explorado. alínea “b”. refutou a argüição de inconstitucionalidade. A Corte já assentou que o prequestionamento. voltou a empresa a protocolar novos embargos declaratórios. terça-feira. a utilização de formas sacramentais.146 feira. não procede o óbice apontado pela Procuradoria Geral da República. juntamente com o faturamento. A defesa sustentada pela recorrente foi rechaçada pela Corte de origem. como causa de pedir. no sentido de adentrar a sede extraordinária. analisando estes embargos. tal como prevista no artigo 195. prescinde de referência a artigo. não menos correto é que a recorrente. na espécie. no que.519-2/DF. que deu nova redação ao artigo 538 do Código de Processo Civil. consagrando-se. inciso e alínea – Recurso Extraordinário nº 128. parágrafo. inciso I. Sob o ângulo do prequestionamento. considerada a interrupção instituída pela Lei nº 8. segunda-feira. se a conclusão a que chegou a Corte de origem. a viabilizarem o cotejo. destarte. a Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. é certo. ou seja. refutando a defesa sobre a inconstitucionalidade de ter-se a incidência do tributo sobre .

Óptica diversa não pode ser emprestada ao preceito constitucional. A conclusão a que chegou a Corte de origem. então. Este decorre. por tal motivo. na redação primitiva da Carta. em voto proferido no Recurso Extraordinário nº 71. pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea “b” do inciso I do artigo 195 da Constituição Federal. mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. servir à incidência da Cofins. na base de incidência da Cofins. importando. os encargos ditos trabalhistas resultantes do pagamento efetuado. o faturamento e o lucro. como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. com o dispositivo constitucional. sob o ângulo do faturamento. o que percebido por aquele que a realiza. em si. assim. Jamais imaginou-se ter a referência à folha de salários como a apanhar. afastou a possibilidade de incluir-se. ou seja. muito embora com a transferência do ônus para o contribuinte. incluindo este no que se entende como faturamento. o ICMS. revelador da incidência sobre o faturamento. ainda que mediata. a parcela percebida com a operação mercantil ou similar. a prevalecer o que decidido. em si. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. ter-se-á. a partir de premissa errônea. isto sim. quantia que tem ingresso nos cofres de quem procede à venda de mercadorias ou à prestação dos serviços. um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo.758: “se a lei . Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem. implicando. esta Corte glosou a possibilidade de incidência da contribuição. foi prevista tendo em conta a folha dos salários. para o contribuinte. conflita. Cumpre ter presente a advertência do ministro Luiz Gallotti. o envolvimento de noções próprias ao que se entende como receita bruta. da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei. considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviços. A base de cálculo da Cofins não pode extravasar. Por isso mesmo. de uma operação. O conceito de faturamento diz com riqueza própria. No caso dos autos. de um negócio jurídico. o que se dirá quanto a um ônus. ao vocábulo “salários”. As expressões utilizadas no inciso I do artigo 195 em comento hão de ser tomadas no sentido técnico consagrado pela doutrina e jurisprudencialmente. a incidência de contribuição sobre imposto. quando a própria Lei Complementar nº 70/91. A tríplice incidência da contribuição para financiamento da previdência social. ou não. emprestando. os acessórios. desse modo. Não pode. a incidência da Cofins sobre o ICMS. ou seja. Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam. sobre o que pago àqueles que não mantinham vínculo empregatício com a empresa. ou seja. não sobre o faturamento. fiel à dicção constitucional. por isso mesmo. o valor do negócio.147 o ICMS. de remuneração feita com base no contrato de trabalho – Recurso Extraordinário nº 128. por exemplo.519-2/DF. importa na incidência do tributo que é a Cofins. o valor devido a título de IPI. O valor deste revela. a cargo do empregador. o sentido técnico-jurídico.

por isso mesmo. a cobrança da contribuição sem ingresso efetivo de qualquer valor. qualquer valor diverso deste não pode ser inserido na base de cálculo da Cofins. em “CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – PROBLEMAS JURÍDICOS”. Da mesma forma que esta Corte excluiu a possibilidade de ter-se. conforme visto. adentrando-se a seara imprópria da exigência da contribuição. entender que a expressão “faturamento” envolve. como é o relativo ao ICMS. esse alguém é o Estado e não o vendedor da mercadoria. o conteúdo e o alcance de institutos. na expressão “folha de salários”. pela Constituição Federal. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios para definir ou limitar competências tributárias. é o somatório dos valores das operações negociais realizadas”. alterando. implica manipulação geradora de insegurança e. ao sentido próprio que eles possuem. Por isso mesmo. Conforme salientado pela melhor doutrina. sob pena de desprezar-se o modelo constitucional. conceitos e formas de direito privado utilizados. tendo em vista o que assentado pela doutrina e pela jurisprudência. não pode. pelas Constituições dos Estados. a cobrança considerado. a base de cálculo é única e diz respeito ao que faturado. Admitir o contrário é querer. a Lei Maior e com isso afastando a supremacia que lhe é própria. expressa ou implicitamente. como salientado por Hugo de Brito Machado em artigo publicado sob o título “Cofins .RTJ 66/165.148 pudesse chamar de compra e venda o que não é compra. um desembolso. a revelar que: Art. não englobando. de expressões e de vocábulos. julgar parcialmente procedente o pedido formulado na ação declaratória . o artigo 110 do Código Tributário Nacional conta com regra que. de renda o que não é renda. Olvidar os parâmetros próprios ao instituto. A lei tributária não pode alterar a definição. em si. mais do que isso. ao valor da mercadoria ou do serviço. a inclusão do que satisfeito a administradores. de exportação o que não é exportação. ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição” . quer de serviço. surge simplesmente pedagógica. Conforme previsto no preceito constitucional em comento. “a Cofins só pode incidir sobre o faturamento que. Se alguém fatura ICMS. com sentido didático. relativamente a valor que não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria. assim. que é o faturamento. parcela diversa. autônomos e avulsos. no emprego de institutos. Por tais razões. reformando o acórdão proferido pela Corte de origem. 110. Há de se atentar para o princípio da razoabilidade.Ampliação da base de cálculo e compensação do aumento de alíquota”. isso sim. como é o relativo ao ICMS. para mim. A contrário sensu. pressupondo-se que o texto constitucional mostre-se fiel. a duplicidade de ônus fiscal a um só título. conheço deste recurso extraordinário e o provejo para. ônus fiscal. que a lei ordinária redefina conceitos utilizados por norma constitucional. com razão maior.

155. II. 155. quando o destino comportar nãocontribuinte do ICMS. LC 87/96). I a III. 3º. tais como fixados na sentença prolatada. § 2º. Com isso. o valor correspondente ao ICMS. bem próxima do . consoante art. A partir da disposição do art. como diz Rui Barbosa Nogueira. em operações entre contribuintes do ICMS. na qual o constituinte erige um “muro de contenção” fora do universo de incidência do tributo. não há incidência de ICMS somente nas operações interestaduais (art. X.149 intentada. porquanto o ICMS não inclui os fatos geradores referidos no dispositivo. pois a Resolução 22/89 do Senado Federal estabelece as alíquotas para operações interestaduais. Atualmente. DL 406/68? Resposta: o ICMS segue um sistema de não-cumulatividade por compensação entre créditos e débitos tributários. CF/88? Resposta: quando não destinado à comercialização ou à industrialização. CF/88 configuram não-incidência ou imunidades. a exação será devida ao Estado de origem. LC 87/96. § 3º. inclusive lubrificantes. Não tendo tal destino. tal diploma inexiste. por que o contribuinte é aquele do estabelecimento de destino. 2º. Pergunta: as regras do art. nos termos do art. 1ª parte. assentando que não se inclui na base de cálculo da contribuição. § 1º. 155. 2º. o imposto em tela incide quando não for destinado à comercialização ou industrialização. segundo entendimento doutrinário? Resposta: são regras de “não-incidência constitucional”. LC 87/96). A Resolução 95/96 do Senado Federal estabeleceu alíquota para prestação de transporte interestadual aéreo. na mesma proporção de outras mercadorias. Essa regra. Pergunta: o art. § 2º. § 2º. § 4º. Pergunta: no caso do art. quem as determina então? Resposta: errado. É o que a doutrina chama de imunidade. derivados de petróleo e energia elétrica (art. as situações abrangidas pela primeira hipótese (de incidência do ICMS) serão assim definidas quanto ao direito de cobrança do tributo: em se tratando de combustíveis e lubrificantes derivados de petróleo. em se tratando de gás natural. o ICMS é devido no local onde houve o consumo. I. inverto os ônus da sucumbência. o legislador complementar erigiu uma não-incidência legal sobre tais produtos (art. o imposto será dividido entre o Estado de origem e de destino. se o fato gerador é a saída de mercadoria do estabelecimento de origem. III. IV. 155. Entretanto. CF/88)? Resposta: consoante resposta do item anterior. Pergunta: por que o legislador ainda não estabeleceu ICMS sobre combustíveis e minerais. seus derivados e outros combustíveis não derivados do petróleo. o ICMS incide sobre combustíveis. CF/88 (“circulação de mercadorias”). Pergunta: quanto aos combustíveis derivados de petróleo. 155. X. determina que resolução do Senado deve estipular alíquotas nas operações interestaduais. CF/88. 155. “b”. III. 1º. na situação anterior. CF/88. III. considerado o faturamento. dado o permissivo do art. § 1º.

o tributo passou a existir desde a vinda da família real lusa para o Brasil. 2004. I. CF/88. III e IV. ITCMD (Impostos sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos) – segundo Sabbag (2004. p. já que tem essa incumbência “ex vi” do art. sendo de competência dos Municípios. j. o obrigado fiscal pode ser: herdeiro ou legatário (na transmissão “mortis causa”). CTN. por exemplo. do notário que não verificar o recolhimento dos tributos. Assim. 134. 2004. 197 TJSP. Dessa feita. Com o advento da atual CF/88. 431). a qual implicará em um débito fiscal por parte do empresário. no entanto. I. deverá abater o crédito decorrente da entrada do insumo tributado pela mesmo imposto. m. 289 da Lei 6015/73. CTN. Dessarte. estando presentes em todas suas subseqüentes. No entanto.150 que existe no IPI. onde era aplicada a chamada “vigésima” sobre heranças e doações. CSM. Nos termos do art. DOE-PJ 23-6-95. É o caso. CF/67. atribuindo subsidiariedade de algumas pessoas no caso de inadimplemento do tributo por parte do contribuinte originário. a hipótese de incidência é a saída. previam o impostos de transmissão como único. 155. Trata-se do mesmo imposto do art. caso o donatário não recolha a exação. No Brasil. p. o ITBI (art. um dos fatos geradores realmente é a saída da mercadoria do estabelecimento. desdobrado em duas espécies (SABBAG. 314). o qual tem por base a transmissão onerosa de bem imóvel. 314). p.v. mas contribuinte de direito é o empresário que recebeu o insumo. 11-5-95.: doador. previsto no art. 23.. a norma estadual pode eleger qualquer dos sujeitos passivos como responsáveis pelo recolhimento do ITCMD. Sua constitucionalização. em 1810 (CASSONE. . quando ele realizar o recolhimento. o ITCMD encontra suas raízes na antiguidade clássica romana. um crédito. 314. 42. CF/88). no caso do cessionário não arcar com o imposto. 155. “a” e “b”. e CASSONE. o sistema congrega outras regras. Lei 8927/88 do Paraná. além do cancelamento do crédito de operações anteriores quando houver quaisquer das intributalidades citadas (art. 432). possuidor. como bem lembra Sabbag (2004. Sujeito passivo – deverá ser estipulado pela LO estadual ou distrital competente. doador ou donatário (nas doações “gratuitas”). Dessa feita. por fato “causa mortis” ou por ato gratuito (doação). no seu mister. caso não verifique corretamente o recolhimento dos tributos antes de efetivar o ato de transcrição. I. Além do comando geral da substituição tributária por compensação. p. o oficial registrador não deve perquirir sobre o quantitativo recolhido. A Constituição de 1967. um débito. do oficial de registro. o constituinte houve por bem cindi-lo em duas outras exações: o ITCMD. § 2º. p. a cada saída. II. mas sim pela efetivação do ato197. seguem um mandamento geral: a cada entrada. a incidir sobre transmissão de quaisquer bens ou direitos. válido para atos “inter vivos” e “mortis causa”. como é o caso do art. só ocorreu a partir da Carta de 1891. 6º. p. Ex. como previsto no art. assim como sua EC 1/69. sendo de competência dos Estados e do DF. como o não-creditamento da operação anterior quando a subseqüente é isenta ou acobertada pela nãoincidência. No entanto. VI. 156. o legislador estadual pode optar pelo sistema de responsabilidade tributária. 2004. CF/88). II. 53-4.

III. I e II. CTN). tratando-se de morte presumida (art. com autorização judiciária das cortes. Quando a operação implicar em incorporação de patrimônio à pessoa jurídica. nos termos do art. Por derradeiro. 35. Esse fato deve se dar de forma não-onerosa. com a homologação do juiz. p. em posição minoritária. CF/88). quer em decorrência da morte. isto é. Cassone (2004. haverá tantos fatos geradores quanto forem os herdeiros e legatários. em que pese a previsão expressa do constituinte no art. Elemento espacial – o imposto será devido ao Estado ou DF onde se situam os bens imóveis (e respectivos direitos) ou onde se procede a ação de partilha de bens (art. que o imposto deverá ser recolhido na ocorrência do fato imponível. No entanto. 22 e 23. CF/88) ainda é o CTN. . não atingindo outros situados além de sua competência territorial. 155.151 Fato gerador – é a transmissão de quaisquer bens ou direitos a título do falecimento de alguém ou em decorrência de ato gratuito (SABBAG. Nesse caso. CTN. ou quando houver incorporação ou fusão de empresas. Vale também lembrar que o recebimento de honorários pelo advogado em ação de inventário não perfaz fato gerador do ITCMD (Súmula 115 do STF)198. CC) ou de ausência (arts. III. cabe ao Estado de sua sede o recolhimento do ITCMD respectivo (Súmula 435 do STF)200. “caput”. Entende-se por transmissão a passagem de propriedade de bens ou direitos sob o aspecto jurídico. era residente ou domiciliado ou teve o inventário aberto no estrangeiro. no momento da transmissão 198 Súmula 115 do STF: “Sobre os honorários do advogado contratado pelo inventariante. I e II. 146. impõe-se ressaltar que. cessão e locação de imóveis (art. § 1º. CF/88. no caso de transmissão por fato “causa mortis”. 37. não contemplando os móveis e demais direitos correlatos (art. 315). CTN). se o doador tiver domicílio ou residência no exterior. parágrafo único. “a”. 199 Súmula 331 do STF: “É legítima a incidência do Imposto de Transmissão. Causa Mortis no inventário por morte presumida”. 36. 2004. que a LC hábil a estabelecer o fato gerador (art. 7º. “caput”. ou se o autor da herança tinha bens. 155. No caso de doações feitas por sociedades por ações. decorremnte de capital anteriormente subscrito. o ITCMD é exigível (Súmula 331 do STF)199. o legislador de 1966 só previu a incidência do ITCMD para bens imóveis. 35. 200 Súmula 435 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis pela transferência de ações é devido ao Estado em que tem sede a companhia”. Nesse passo. não incide a exação em comento (art. 35. Observa-se. Nesse caso. I. p. CF/88). o autor até mesmo admite que as unidades federadas possam instituir o ITCMD para móveis e direitos consectários internamente situados. também não haverá incidência do ITCMD (art. § 1º. 36. “caput”. Entretanto. compra. Na primeira hipótese. 155. parágrafo único. Não é o que vem fazendo os Estados. I e II. quer por ato de liberalidade. na medida em que estipula a exação em tela para bens móveis e seus respectivos direitos. Elemento temporal – estatui o art. não incide o Imposto de Transmissão Causa Mortis”. CTN. visto que inexiste outro diploma específico. CC). CTN). “a” e “b”. Ademais. 433) defende que o legislador não poderia inovar na ordem jurídica sem a competente LC autorizadora. CTN). caso haja reversão do valor da integralização por liquidação de cota ou por extinção da pessoa jurídica. LC deve estabelecer os critérios de competência tributária (art. as isenções referidas não são aplicáveis se a atividade da pessoa jurídica for preponderantemente venda.

205 TJSP. “in casu”. Para essa linha de pensamento.152 (CASSONE. § 1º. Aplica-se. XLV. desde que dotados de força motriz própria. 38. 204 STJ. “caput”. Elemento quantitativo – a base de cálculo é o valor venal do bem ou direito.546-RJ. a exigibilidade da exação só se perfaz no momento do registro imobiliário. 1ª T. 436). não cabe recolhimento do tributo por ocasião do inventário (Súmula 114 do STF)203. 5º. CTN). 2ª T. Ap. sobre o qual o cálculo do ITCMD deve ser feito (Súmula 113 do STF)202. a alíquota aplicável é aquela vigente à época da abertura da sucessão. 155. oportunidade em que a correção deve incidir sobre todos os bens do espólio. e REsp 253. e 155. Lançamento – é feito na forma mista.u. Não é o que apregoa o referido autor. 1034. § 3º. 150.. IPVA (Impostos sobre Propriedade de Veículos Automotores) – nos termos do art. o diploma competente é a Resolução 9/92. de Direito Privado. A alíquota será fixada pela LO do Estado ou DF. entendimento ressonante no STJ204. Obs. 21. englobando meios de transporte terrestre. III. mas sim a via administrativa. Informativo do STJ n° 328.. 203 Súmula 114 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis não é exigível antes da homologação do cálculo”. Aliás. aéreos e aquáticos. 21/8/2007. Com fulcro no art. antes da homologação judicial do cálculo. no qual são exigidas informações por parte do contribuinte e a atuação do fisco para calculá-lo (art. tido no momento da transmissão (art. a qual estipula o percentual teto de 8%. o indigitado tributo tem como fato gerador a propriedade de veículo automotor de qualquer natureza. pelo qual o foro para discussão da dívida tributária não é a ação de arrolamento. j. Nesse caso. Contudo. CF/88) é setorial. 147. podendo prever o fenômeno da substituição tributária (art. operando-se desde o ajuste de vontades na doação ou a morte do inventariado no fato “mortis causa”. 201 202 STJ. parte da doutrina entende que o fato gerador da transmissão se dá mediante um complexo de atos. o formal ou a carta de adjudicação só será expedida com a prova de quitação de todos os tributos.: havendo multa fiscal a ser rocada aos herdeiros. v. 1245.777-1/6. a decisão judicial é interlocutória.01. rel.96. 2004. CC. CTN. Nota-se que o legislador complementar autorizou seu similar estadual a estatuir de outra forma. tratando-se de transmissão “causa mortis” (Súmula 112 do STF)206.3540-DF. 39. a jurisprudência prevalente tem entendido que ela é transmitida. muito pelo qual o princípio da intranscendência (art. observado o limite máximo de Resolução do Senado Federal (arts. p.10. 245. o ITCMD deveria ser recolhido desde tal momento. apesar de homologados e transitados os cálculos. 316). 206 Súmula 112 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é devido pela alíquota vigente ao tempo da abertura da sucessão”. Assim como a base de cálculo. Min.530-SP. “caput”. p. CTN).. CPC. CF/88. O domicílio do proprietário é indiferente ao aspecto espacial do gravame. Castro Meira.4. Segundo Sabbag (2004. 9. . atacável por agravo e não por apelação205. Súmula 113 do STF: “O Imposto de Transmissão Causa Mortis é calculado sobre o valor dos bens na data da avaliação”. j. CTN). EDcl no REsp 927. Atualmente. Civ. 13. quer seja ela para frente ou para trás. tendo vez somente no terreno do Direito Penal. REsp 12. 1ª C. ocorrência a caracterizar o fato gerador do ITCMD. IV.02. CF/88). o art. porquanto o registro do imóvel é o último ato da complexidade citada.92. e em jurisprudência do STJ201.

ou seja. . ainda que complementar ou alternativa à natural. 146. STF. A partir desses critérios objetivos. Marco Aurélio. a partir de 1º de janeiro. Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA. “caput”. nos exatos termos do comando do art. 150. Min. Não se incluem os veículos movimentados por tração animal. 106. É a posição assentada no Pretório Excelso207. 2004. quis imprimir 207 208 STF. são de propriedade da União. Lei 7565/86) não coaduna perfeitamente com o desenhado pelo CTB.931-SP. O preço estabelecido na nota fiscal ou no formulário de importação é hábil a determinar a base de cálculo. É possível também recorrer a órgãos especializados particulares. Quanto à aeronaves. É provado por meio do CRLV (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo). Com efeito. 311). que possa sustentar-se e circular no espaço aéreo. Segundo Sabbag (2004. Ademais. CBA define que os aeroportos. mediante reações aerodinâmicas. falecendo competência estadual para a tributação. I. CF/88). O sujeito passivo é o proprietário do veículo automotor. Acerca da alíquota. CF/88). IV. CF/88). por meio da EC 42/03. 38. § 3º. é possível que o legislador estadual estabeleça a forma temporal de recolhimento do tributo. 10. desde que observe a vedação ao confisco (art. p. No aspecto temporal. 310). Não foi o que acolheu o STF. Considera-se aeronave todo aparelho manobrável em vôo. a lei instituidora do IPVA pode optar entre o valor venal ou o preço de mercado. as aeronaves são veículos destinados a circular entre Estado e Municípios. j. dada pelo art.1999. locais onde elas manobram. 155. Art. tratando-se de veículo novo. CF/88). porquanto não fala em força motora própria. o legislador estadual fica livre para estabelecê-la. p. rel. o art. III. 312).153 porquanto vale o local de registro do bem. § 3º. apto a transportar pessoas ou coisas. 2004. O fato gerador é a propriedade do bem e não o mero uso ou detenção. RE 134509/AM. em essência. No tocante à base de cálculo. Min. questão polêmica se coloca sobre sua natureza jurídica. devendo ser regulado por LC (art. “caput”. AG (AgRg) 167777/DF. 34. sua definição. aquele do qual consta o título de registro do bem (SABBAG. há de ter força-motriz própria. p. como jornais e revistas que militam na área. É tributo de competência estadual e distrital. § 6º. RE 236.8. Ilmar Galvão. Na ausência do referido diploma federal. “a”. DJU 9-5-97. Visto que esse atualmente falece à existência. 24. No tocante ao conceito de veículo. a lei estadual pode estabelecer a cobrança da exação em tela. ADCT. rel. O momento de aquisição do veículo também pode ser objeto do IPVA. pessoa natural ou jurídica. o constituinte derivado. Código de Trânsito Brasileiro – CTB). cujo valor mínimo há de ser estabelecido por Resolução do Senado Federal (art. os Estados e o DF exercem a competência plena (art. entendendo ser constitucional a cobrança do IPVA sobre aeronaves208. 106. a ser estabelecido em tabela oficial fiscal. o IPVA é de base proporcional (SABBAG. incluindo-se os veículos conectados à linha elétrica (Anexo I da Lei 9503/97. bem como o desembaraço aduaneiro é o fato imponível hábil para veículos importados. No entanto.

não pressupõem pagamento de ITBI. de partidos políticos (inclusive suas fundações). “a” a “c”. porque limita indevidamente a circulação de pessoas (art. CF/88). o titular do domínio útil (enfiteuta ou usufrutuário) – de acordo com a Súmula 326 do STF209 – e o possuidor “ad usucapionem”. é exação que decorre do poder de polícia da autoridade de tráfego e tributária. VI. incide a exação. aqueles cuja instituição foi conferida aos municípios: IPTU. O lançamento é feito por homologação. I a III. apesar de comportar viés extrafiscal quando possui alíquotas diferenciadas pelo tipo de combustível. Trata-se de comando reduzido. Caso o proprietário transmita a propriedade. ITBI. ISS (de qualquer natureza). Mesmo assim. metade fica com o Estado e a outra com o Município onde está registrado o bem (art. 148) assevera que o IPVA é exação eminentemente fiscal. 156. isto é. Estarão imunes os veículos de pessoas jurídicas de Direito Público. o ato 209 210 Súmula 326 do STF: “É legítima a incidência do imposto de transmissão inter vivos sobre a transferência do domínio útil”. a legislação do caso concreto é aquela instituída pelo município. § 6º. podem ser sujeitos passivos do IPTU: o proprietário. cabendo a modalidade “ex officio” caso o contribuinte falte à sua obrigação. O fato gerador é a propriedade. e § 2º. Diz-se que seu fato gerador é continuado: enquanto houver a posse do bem. . elenca os impostos municipais. de instituições de ensino e assistência social. CF/88. sob pena de inconstitucionalidade. posse ou domínio útil de bem imobiliário dentro do limite urbano do município (art. Chimenti (2002. 2004. Na realidade. de entidades sindicais de trabalhadores. “caput”. RDA 73/160 e RTJ 117/652. Sabbag (2004. reporta-se ao chamado IPTU: Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana. CF/88). podem gozar de isenção (SABBAG. CF/88). fica impossível analisar cada um. Impostos dos Municípios – o art. CF/88. STF. o que lhe dá um certo ar de extrafiscalidade. Para Sabbag (2004). 313) entende ser inconstitucional. Veículos de interesse socioeconômico específico. É cobrado ano a ano. Quanto à taxa de licenciamento. 158. No inciso I do art. como agroindústria. não se englobando o mero detentor (comodatário e locatário). Dessa feita. p. transporte público de passageiros e terraplenagem. como já disse o STF210. cada uma correspondente a um dos diferentes municípios do país. CF/88. 313). de templos. 156. III. 32. nos exatos termos do art. 155. 150. CTN). sem fins lucrativos. Por imperativo lógico-jurídico. Na repartição de receitas. p. Pelo grande número. pode a lei ordinária instituidora determinar a diferenciação de alíquotas em função do tipo e utilização do veículo. 150. Usucapião e desapropriação. por serem formas de aquisição originária da propriedade. a qual terá o condão de instituir e de disciplinar cada uma das exações. é interessante destacar que o legislador municipal (infraconstitucional) não pode colidir com a CF. O Brasil comporta hodiernamente cerca de 5564 leis municipais.154 progressividade facultativa ao IPVA (art. II. porque abrange só atribuição de competência. p. desde que o legislador estadual assim acate. VI. exação que exige transmissão.

parágrafo único. Alguns prefeitos aumentam o valor da base de cálculo por decreto. 33. CF/88. sistema de esgotos sanitários. Em conseqüência. inclusive a ocorrência de mais de um deles. para permitir o aumento da arrecadação. a base de cálculo é o valor venal ou o valor da operação. computando-se tão-só as acessões (art. Lei 10257/01). Em tese. com ou seu postes para distribuição domiciliar. pois não existe aferição para corrigir a planta dos valores venais do imóvel. integrantes de área de interesse turístico ou ambiental (art. o valor venal não tem nenhuma relação com o correspondente no comércio. Na maioria das vezes. 4º. I a V. no ano subseqüente. CC). Para o ITBI. “f”. CTN. Lei 10257/01). seja quais forem. 33. escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado. Já o ITBI só é aplicável para transmissões onerosas (predomínio de venda).: na cidade de Paraibuna. 150. CF/88. § 2º. aplicam-se os critérios de diferenciação entre imóvel urbano e rural atinentes ao Estatuto da Cidade e à própria Constituição. 33 e 38. a teor do que dispõe o Estatuto da Terra (Lei 4504/64). quando se intente usar instrumentos para assegurar a função social da propriedade. I a V. integrantes de regiões metropolitanas ou de aglomerações urbanas. será urbana a propriedade incluída no plano diretor. descontínua a esta. § 1º. Por deficiência da Administração Pública. Relevante também ressaltar que as pertenças e as benfeitorias. I. parágrafo único. valor venal não é valor de venda. o que não ocorre com o ITBI. 41. Uma vez que se destine a fins agrários. pecuários. No entanto. o imóvel será considerado rural. é possível o estabelecimento de zona equiparada à urbana. 182. rede de iluminação pública. o qual ainda abriu a possibilidade do plano estabelecer distrito rural dentro do perímetro urbano (art.155 deve ser averbado para que. nos termos do art. ficou conhecido pelo valor do cadastro. Todavia. até a CF/88. CTN). Com efeito. o novo senhor receba o carnê fiscal. há uma discrepância entre valor venal (maior) e valor de mercado. onde existe o plano. não integram a base de cálculo do IPTU (art. V. Tanto o IPTU quanto o ITBI possuem base de cálculo igual: o valor venal do imóvel (arts. a definição de zona urbana deve encontrar guarida em no mínimo dois dos melhoramentos previstos no art. “caput” e § 1º. preconiza que só se poderá aumentar ou instituir tributos por lei. atribuindo índice para a atualização. 32. No IPTU. com canalização de águas pluviais. Com a promulgação da atual Carta. elegendo-se sempre o maior. Ex. o qual é determinado por lei local. a base de cálculo não abrange as benfeitorias. nos termos do art. a instituição de plano diretor é obrigatória somente para municípios com mais de vinte mil habitantes. permanecem os referenciais anteriores (Estatuto da Terra e CTN). Em verdade. respectivamente). CTN. Contudo. onde inexiste. pertenças e móveis atinentes ao prédio. o art. Neste sentido. A norma constitucional foi efetivada por meio do Estatuto da Cidade (Lei 10527/01). 32. esculpindo o princípio da legalidade. de acordo com o que dispuser a norma municipal: meio-fio ou calçamento. Se isto for feito por decreto . abastecimento de água. a disposição do CTN era tida como residual em relação ao critério da finalidade do bem imóvel. o legislador houve por bem alterar o referencial. extrativistas vegetais ou agroempresariais. CTN.

com quatro imóveis de R$ 50 mil cada. § 1º. O extinto 1º TAC denegou a progressividade. uma vez que pode vir a estabelecer 211 Súmula 160 do STJ: “é defesa ao Município atualizar o IPTU mediante Decreto. estava em julgamento a constitucionalidade dessa progressividade em função do uso e da localização. ocorre que a diferença majorada por ato administrativo não é tão expressiva. a atualização monetária regular do valor imobiliário – mera correção monetária – pode ser efetivada por decreto. 156.156 administrativo. Ex. incisiva. Ex. não propriamente à adequada capacidade econômica do proprietário. Não há consenso nem pronunciamento dos tribunais superiores. CF/88 (princípio da capacidade contributiva). § 1º. como lembra Sabbag (2004). de acordo com a localização e o uso do imóvel. O novo proprietário não pode vendê-lo se não possui condições de recolher o ITBI. O constituinte quis permitir variação crescente de imposto em relação ao bem. CTN. § 1º. como bem ventila a Súmula 160 do STJ211. não se restringindo ao valor venal do imóvel.: o ITBI normalmente tem alíquota de 4%. consoante o disposto no art. 156. ou seja. Sua alíquota pode oscilar entre 0. Desta feita. O Poder Público não pode simplesmente conferir capacidade contributiva ao possuidor em razão do imóvel. estabelece princípios a serem seguidos. Diz respeito sim à sua forma de incidência. por inconstitucionalidade. Alguns doutrinadores falam que a hipótese de incidência deve ser precisa. Na prática. O STF já dizia que poderia ser progressivo nesse sentido. dada a inexistência de previsão para tal na CF/88. Essa progressividade é diferente daquela prevista pelo art. surge uma polêmica. É importante também destacar algumas particularidades do IPTU.: Fulana tem um imóvel de R$ 200 mil. é cediço verificar se o valor da operação e o valor venal estão consoantes. porquanto este aponta uma flagrante incongruência entre um princípio inerente a exações pessoais aplicado a um tributo de clara base real. 97. 212 Súmula 656 do STF: “é inconstitucional a lei que estabelece alíquotas progressivas para o ITBI com base no valor venal do imóvel”. editando a Súmula 656212. a progressividade do art. por herança. o valor de seu IPTU será maior em relação àquele de Cicrano. I.5%. aplicada ao ITBI. CF/88. 145. elas dependem do critério a ser usado. O inciso II constitui ferramenta para o administrador diferenciar as alíquotas. não havendo qualquer relação com o potencial tributário do sujeito passivo. O art.5 a 1. O STF corroborou com a posição. CF/88 não se refere à capacidade contributiva do preâmbulo constitucional tributário. entretanto. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. concordar com as posições de Sabbag (2004). há inconstitucionalidade. § 2º. isto é.: posse de imóvel. os tribunais locais não têm admitido a existência de mais de uma base de cálculo para o ITBI – a exação incide sobre o valor real da venda. ficando mais barato e simples pagar que discuti-la nos tribunais. não podendo haver dispositivo que preconize uma ou outra base de cálculo. Ex. consoante reiterado posicionamento do Excelso Pretor. o Pretório Excelso garantia a competência para isso. Com relação à possibilidade de estabelecer duas bases de cálculo diferenciadas para o ITBI. considerando sempre a maior. Entretanto. É necessário. De uma forma geral. . O inciso I afirma que o IPTU deve ser progressivo. Esta assimetria fere os princípios da igualdade tributária. da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Por conseguinte. Na cidade de São Paulo.

CF/88. CF/88. O ITBI incide sobre transmissão onerosa de bem imóvel. o remanescente é dividido entre os sócios. nas palavras de Chimenti (2002. “A” passa. como lembra Sabbag. troca. “in fine”. há incidência de ITBI.: sócio “A” e sócio “B” de uma empresa. mas sim de aumento de arrecadação. II. caução. cit. subsistindo somente o aumento do capital imobilizado. op. deve englobar mais de 50% da receita operacional da empresa. 128) e Sabbag (2004). a ter cota com a sociedade no valor do imóvel. p. O art. há transmissão onerosa. cisão. como alienação. Um resumo pode ser aduzido pelo seguinte esquema: Regra – houve transmissão de forma onerosa. Nesta situação. § 4º. o sócio “A” tem sala comercial no valor de R$ 50 mil. então. A segunda parte diz respeito à transmissão de bem imóvel nos casos de incorporação. . acabou corroborando com o constituinte reformador quanto ao IPTU. ele a utiliza para integralizar seu montante no capital social. I. Ex. há incidência do ITBI. Se houver. nessa devolução.: empresa que opera no mercado imobiliário. CTN. O art. 182. caso o sujeito passivo não 213 Preponderância da atividade. etc. lamentavelmente permitindo majoração da carga tributária ao já tão combalido contribuinte. O próprio art. o constituinte derivado estabeleceu outros três critérios para permitir a progressão da exação: o valor. Em que pese o Supremo ter declarado inconstitucional a progressividade para o ITBI por ausência de previsão legal. 156. Ex. o constituinte originária estabelecera a possibilidade de IPTU progressivo para lhe conferir fundo extrafiscal. prevê que a responsabilidade por infrações tributárias independe do “animus” do agente. I. § 2º. A primeira parte do dispositivo visa preservar os negócios de pessoas jurídicas em que há transmissão de imóvel. fusão ou extinção de empresa. É o caso do exemplo retro sobre aquele que recebeu um imóvel a título de herança. 156. 156. Empresa que opera no mercado imobiliário – há incidência da exação. Não incidência – casos do Direito Comercial.: empresa “A” e empresa “B” formam a empresa “C”. 136. A norma em comento não implica em não-incidência de ITBI sobre toda operação desta natureza entre pessoas jurídicas. de acordo com a exegese do art. ao se separar a pessoa jurídica. cada um fica com sua parte. elenca as chamadas “nãoincidências constitucionais”. nos dois anos anteriores e nos dois subseqüentes. Segundo o autor. desde que não penda um efetivo lucro por parte dos adquirentes.157 gravames incompatíveis com a situação do contribuinte. não houve autêntica intenção extrafiscal. um imóvel. na sua parte final. “Ex vi” da EC 29/00. Ex. Na extinção da pessoa jurídica. Nessa situação. I. CF/88. tratando-se de autênticas imunidades. § 2º. mas não há incidência de ITBI. CF/88). forçando o proprietário a adequar seu imóvel à função social (art. § 2º. o capital constitui-se de um imóvel e R$ 500 mil. localização e uso do imóvel. estipula uma exceção à não-incidência constitucional: se a pessoa jurídica tiver como atividade principal compra e venda de imóveis213.

parágrafo único. 155. o art. 156. Aliás. DL 406/68). Já a LC 116/03 reestruturou diversos conceitos do ISSQN.. LC 116/03). CF/88. CF/88. fica sujeito à cobrança pela exação e à imposição de sanção pecuniária. de terceirização de mão-de-obra ou de organização de eventos. determina que os serviços tributados por via do ICMS são residuais em relação ao ISSQN. O sujeito passivo é o prestador (empresa ou profissional autônomo) ou tomador do serviço (contratante dos serviços).8. tal qual o art. desde que este não esteja compreendido na competência do Estado (eletricidade. com referência a serviços de construção civil em geral. Ainda que isento ou imune. III. Segundo o STF. As alíquotas. de limpeza e conservação de imóveis e logradouros públicos. § 2º. § 2º.2007. não havendo ofensa à isonomia tributária (art. LC 116/03. os avulsos e os membros de conselhos fiscais e consultivos de sociedades – arts. Seu fato gerador é a efetiva prestação de serviço. “b”. 8º. . inclusive esgotos. III.158 esteja englobado pelas não-incidências constitucionais. § 3º. enquanto não vier LC específica (art. sob pena de configurar “bis in idem”. O DL 406/68 lista 101 itens de serviços. 2004). 9º. Com referência ao ISSQN. No entanto. “b”. CF/88). Informativo do STF n° 476. III. sendo fixa para os profissionais liberais (vide comentários infra. de coleta e reciclagem de detritos. salvo aqueles expressamente previstos pelo constituinte como hipótese de incidência do primeiro. LC 116/03): Seja proveniente do exterior ou a prestação tenha lá se iniciado. § 2º. sempre será responsável o tomador ou intermediário de serviços quando (art. A base de cálculo é o valor do serviço prestado (art. I. não contidos no DL. contemplando a modernidade. deve ele recolher o ITBI. e § 3º. não sendo abrangidos os empregados. Ex. I e II. Não assim agindo. com o intuito de prever situações que não existiam na época. II. IX. de vigilância e segurança patrimoniais. “caput”. 14. j. É possível que a lei local institua o sistema de responsabilidade tributária por substituição (art. Min. existem alguns aspectos polêmicos. 156. Ilmar Galvão. II. transporte intermunicipal e interestadual. telefonia). não se aplicando a disposição do art. § 1º. CF/88)214.: avanços tecnológicos. A lista é taxativa. a prestação de serviços a título gratuito não enseja a incidência do ISSQN (SABBAG. 7º. D. RE 262598/PR. “caput”. O imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISSQN) está previsto no art. O rol abrange cerca de 230 serviços. LC 116/03). desde que haja o fato gerador da obrigação. 2º. CF/88) nem isenção heterônoma (art. oscilam entre 2 e 5% (art. no tocante à atividade dos advogados). “caput”. 6º. 1ª T. essas não integram a base de cálculo (art. CTN. 155. No caso de subempreitadas. 108. e 10. o comando é constitucional. divididos em 40 itens. 214 STF. 6º. rel. e 5º. 2004). 151. LC 116/88). 150. 406/68 (SABBAG. Alguns opinam que a situação acabou piorando. Desta feita. segundo entendimento do STF. CF/88. conforme reiterados julgados do STF e do STJ. mas admite interpretação analógica naqueles itens complementados com a expressão “congêneres”.

Entretanto. está em vigor integralmente. 3º. “caput”. somente em 2004. Qual é o município competente para instituir e cobrar o ISSQN? O DL 406/68 tinha uma regra e uma exceção. o contribuinte deve recorrer à consignação em pagamento (“depósito” em juízo). criou três possíveis alternativas. Com referência especificamente a estes. não havia competência dos municípios para legislar sobre a matéria. depois do último diploma. I. sendo. “a”. 3º. Outra observação importante diz respeito à alteração de disciplina na execução. “in fine”. em seu art. A segunda preconizava que o ISSQN de empresa construtora seria devido no município da construção (art. I. chamado de “ISS fixo” (SABBAG. Portanto. Havendo a obrigação em mais de um lugar. Neste mister. “b”. 156. é possível afirmar que a LC 116/03 não revogou expressamente todo o DL 406/68. LC 116/03). por conseguinte. Execução Fiscal Legislação aplicável – é a Lei 6830/80. CF/88. . tendo o CPC função subsidiária (art. 12.Domicílio do prestador ou do seu estabelecimento. foi recepcionado como LC. III. 12. segundo já disse o STF. 1º. Segundo Carrazza (1991). até a LC 116/03. CF/88. do contrário. . Logo. alguns municípios abaixaram suas alíquotas relativas ao ISSQN. eles devem editar leis municipais correspondentes. o DL 406/68 continua em vigência. conhecida como LEF (Lei de Execução Fiscal). só puderam iniciar a arrecadação com os novos critérios em janeiro de 2005. podem surgir dúvidas acerca do local onde deverá ser recolhida a exação. ab-rogado nos demais. ressalta-se que o DL 406/68.Domicílio do tomador (art. DL 406/68). Em face do rol taxativo. a regra da anterioridade originária (vigência possível só no exercício seguinte) há de ser observada. II a XXII. adaptandose à LC 116/03. a serem observadas necessariamente nesta ordem: . A LC 116/03.159 O art. A LC 116/03. A primeira previa o recolhimento do tributo no domicílio ou no estabelecimento do prestador (art. Por último. 3º. convivendo com a parte “viva” do citado DL. tal estipulação é inconstitucional. 146. Ela regulou de forma diversa alguns dispositivos deste e tornou outros incompatíveis com suas disposições. reza que compete à LC dispor sobre conflitos ou critérios gerais da legislação tributária. Os municípios que não editaram suas normas de adaptação. é precípuo esclarecer que os advogados e as respectivas sociedades pagam o imposto do art. prestadores de outras regiões abriram sede nesses locais. . A base de cálculo para os serviços prestados por tais profissionais – assim como médicos e dentistas – é estabelecida por um valor único periódico. nos casos por ela abarcados. o ISSQN poderia ser arrecadado segundo a nova legislação. Portanto. conquanto viola o princípio da capacidade contributiva. LC 116/03). DL 406/68). LEF). 2004). Ademais. Assim. Mas acabou não retratando todos.Local da prestação do serviço (art. Entre a vigência do DL 406/68 até a promulgação da CF/88 e.

Curso de Direito Processual Civil. São Paulo. Por conseguinte. insiste a doutrina em afirmar que o rito foi mantido. 2. 208. em coro com a melhor doutrina. Em paralelo. porquanto se trata de procedimento executório especial. 101). o prazo prescricional para a propositura da demanda executória fica suspenso por 180 dias (art. 1997. ao que parece. Câmara (2006. como será demonstrado no delineamento da execução fiscal.. p. 211). para sua validade. será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. outrora denominados dívida ativa. da concordância ou aceitação do sujeito passivo da obrigação. o que constitui o título em tela. 2003. § 1º . cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º. assim como outras processuais. que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União. 585. 215 . Forense. na realidade. dos Estados. Uma vez inscrita a dívida. 130. VII. p. § 3º. sem participação do devedor.. p. 2º. manifestando a potestade administrativa e a presunção de legalidade de seus atos (GRECO FILHO. Segundo Chimenti (2002.320. e Chimenti. v. v. 2º. p. 16ª ed. e Vicente Greco Filho. p. Rio de Janeiro. a execução fiscal tem por objetivo conferir ao Estado um instrumento célere de cobrança de seus créditos. 3. é o ato jurídico de lançamento do crédito (inscrição em dívida ativa) e não o documento que o materializa (respectiva certidão)215. 101. Essa prerrogativa material. dos Municípios e do Distrito Federal. Assis (apud CÂMARA. op. A certidão de dívida ativa (CDA) goza de certeza e liquidez como presunções relativas. Nesse passo. Definição – execução fiscal encontra delineamento pelo próprio legislador da LEF: Art. de 17 de março de 1964. cit. Humberto Theodoro Júnior. tenham eles natureza tributária ou não.Qualquer valor. bastando existência de prévio procedimento administrativo com contraditório. A LEF é claramente prófazendária. sendo formada unilateralmente. 20ª ed. 212) ainda lembra que esse é o único título executivo formado unilateralmente pelo credor. sem demais considerações. 2003.160 mormente operada pelas Leis 11280/05 e 11382/06. 208).. decorre do poder de “imperium” do Estado. Cf. Saraiva. com as alterações posteriores. Direito Processual Civil Brasileiro: Processo de Execução a Procedimentos Especiais. Conseguintemente. Segundo Câmara (2006. 269) assevera que os privilégios da Fazenda Pública são inegáveis e irretorquíveis. O legislador. p. a execução fiscal é o processo idôneo a que a Fazenda Pública satisfaça seus créditos decorrentes de dívida ativa. preservou incólume a regência da execução fiscal. redigida para favorecer a arrecadação fiscal por parte do Estado. p. Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4. CPC). não necessita. desde que seja formado previamente um título executivo extrajudicial específico: a certidão de dívida ativa (art. para quem a certidão de dívida ativa em si é o título hábil a aparelhar a execução fiscal. LEF). 2006.

41. Dessa feita. § 8º. quando há sucessão processual em decorrência da mudança de propriedade do bem tributado (arts. Nessa demanda. LEF. Segundo entendimento prevalente na jurisprudência. rel. p. pois foi ratificada sua natureza autárquica. a qual se liga à decisão de embargos de execução fiscal. é lícito à Fazenda promover a substituição da CDA. como já está pacificado na jurisprudência. RT 697/131. Sendo assim. se um Estado demandar autarquia estadual da mesma unidade federativa. LEF). responsável e sucessor (“causa mortis” ou “inter vivos”. No ponto. No entanto. mas sim da execução contra a Fazenda Pública (arts. por meio da ADIn 3026. falecendo-lhe legitimidade para demandar no modelo da LEF. sendo certo que qualquer alteração do seu conteúdo faz os prazos dos embargos serem devolvidos ao executado. Min. as referidas instituições poderiam ajuizar execução fiscal. posição essa reforçada pelo Supremo na ADIn 1717. § 5º. CPC. empresas governamentais não têm legitimidade para ajuizar execução fiscal. § 8º. 6/9/2007. Legitimidade – a ativa pertence aos entes federados. seguiu os precedentes do STJ. Apesar desse raciocínio. I a VI. universal ou singular). 737/340. afirmando descaber execução fiscal em face de débitos da contribuição de seus filiados. de que essa não possui dívida ativa. CPC). massa (falida ou da insolvência civil). espólio. 1ª T. 721/290. ampliada pela jurisprudência. fiador. há precedentes no STJ. 2º. de certa forma. 730 e 731. massa e espólio. adequando-a ao novo senhor da coisa. O STF. j. 2º. os tribunais aceitam que o fisco se volte contra responsáveis pelo pagamento do crédito independentemente de expressa menção no título217. não havendo de se falar em qualquer ilegalidade nessa prática216. com correlata distribuição de competência do poder de tributar. a qual entende ser prescindível que conste o nome do responsável na CDA. “caput”. Por exclusão. Esse é o termo final para eventual emenda ou substituição da CDA de ofício. A posição do autor é. ou a autarquia especialmente criada para tal fim. 4º. os conselhos de profissões regulamentadas têm natureza autárquica. concernentes à OAB. ficou patente não ser possível pessoa jurídica de Direito Privado exercer poder de polícia. Informativo do STJ n° 330.161 O art. fala em “decisão de primeira instância”.. fiador. LEF: devedor.623-BA. Competência – de acordo com a redação do art. CPC. é feita nova citação ao atual proprietário. por débitos fiscais. I. De outra sorte. o rito a ser seguido não será da LEF. por meio de outorga da capacidade tributária ativa. Luiz Fux. LEF): Obrigatoriedade de constar o nome no título – para sucessor singular e responsável. os legitimados passivos estão expressamente elencados no art. Câmara (2006. REsp 840. . No tocante às exações reais. 369) faz interessante observação (art. Nesse ponto. 578. Prescindibilidade em constar no título – para sucessor universal. competente para processar a execução fiscal será o juízo: 216 217 STJ. e 2º.

a posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada”. CTN). o domicílio será qualquer de suas repartições no território da pessoa política. se o crédito fiscal dele se originar. a qual detém competência tributária (art. I a III. 109. desde que não seja ela sede da Justiça Federal”. Em tese. CF/88. • Foro de qualquer dos domicílios do demandado. CTN). a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) poderá propor a demanda no juízo estadual (Súmula 40 do extinto TFR)218. na ausência da eleição. quando houver mais de um. . o art. § 2º. II. Quando insuscetíveis de aplicação os parâmetros do art. CTN). o centro de suas atividades (art. constante do lugar de situação dos bens do sujeito passivo ou onde se deu o ato ou fato gerador da obrigação fiscal. Inexistente essa no domicílio estabelecido. esculpido no art. 578. se imposto ou contribuição social (arts. CTN). incide na execução fiscal (Súmula 58 do STJ)219. ainda que o demandado não mais tenha residência ali. e 109. III. e 15. CTN). § 3º. • Foro da situação dos bens. • Foro do local onde se deu o fato ou foi praticado o ato que fez originar a dívida. Alteração de domicílio do executado posterior à propositura da ação fiscal não tem o condão de deslocar a competência do juízo. Não importa a natureza do tributo. no aspecto espacial. I a III. Em verdade. 2º) Do foro da residência ou do lugar onde o demandado for encontrado. quando desconhecida ou incerta. Lei 5010/66). CTN. 87. No tocante às pessoas jurídicas de Direito Privado. muito pelo qual o princípio da “perpetuatio jurisdiciones”. parágrafo único. 108. 127. o domicílio será aquele de sua sede ou.162 1º) Do foro de domicílio do executado (foro comum). a execução fiscal será proposta na Vara Federal. quanto a outros estabelecimentos. Quando os tributos forem de competência da União. entre os seguintes (foros eletivos concorrentes): • Foro de qualquer dos devedores. CTN. No entanto. Nessa hipótese. o lugar onde se deu origem às obrigações respectivas (art. II. § 1º. o qual define o domicílio tributário. CPC. o domicílio será o da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos geradores de obrigação tributária (art. 219 Súmula 58 do STJ: “Proposta a execução fiscal. CPC. I e III. 127. 127. I. Quanto às pessoas jurídicas de Direito Público. se não tiver domicílio fixo (foros subsidiários). determina que a Fazenda Pública tem a prerrogativa de escolher o foro. CTN). o domicílio será definido por essa. 127. incluindo empresários individuais. o contribuinte ou responsável pode elegê-lo (art. “caput”. § 4º. 127. 127. 218 Súmula 40 do TFR: “A execução fiscal da Fazenda Pública Federal será proposta perante o juiz de direito da Comarca do devedor. a linha traçada pelo CPC segue a esteira do art. Os recursos serão dirigidos ao TRF enquadrante (arts. desde que não implique em claro embaraço à atividade da autoridade tributária (art. 127. Entretanto. será considerada residência habitual das pessoas naturais ou. 127. quando esse apresentar mais de um. CF/88).

se dessa forma fosse. parágrafo único. Nesse caso. “b”. porque se trataria de um exagero em favor do Estado. a cautelar fiscal sem constituição definitiva do crédito. Dessarte. é permitida. por conseguinte. p. “in fine”. 8397/92). Carmona (2004. pelo qual aquele só pode decidir sobre penhora. LEF). por aplicação analógica do art. pois. a penhora de bens do patrimônio do executado. p. O legislador arremata a questão da competência por intermédio dos arts. será ela aí julgada (art. CPC. . CPC). o juiz recepiendário tem autonomia majorada para resolver as querelas a ele atinentes. parágrafo único. parágrafo único. Ação cautelar fiscal – interessante trazer a definição dada pela doutrina: Instituída pela Lei 8. 2º da Lei n. competente esse para resolver as questões ali suscitadas (art. Sendo a execução fiscal promovida mediante carta precatória. 2º. uma vez notificado para pagar ou submetido a arrolamento de bens (Lei 9532/97). 94. 8. antes ou depois da ação de execução fiscal. CPC. 798. a ação cautelar fiscal pode ser proposta antes da execução fiscal ou no curso desta. no limite do crédito tributário” (FÜHRER e FÜHRER. de insolvência civil ou de inventário. Com efeito. No entanto.163 Caso o exeqüente não tenha conhecimento sobre o paradeiro espacial do executado. o fisco tem preferência no seu juízo privativo – quer seja na Justiça Federal para União e respectivas autarquias. intenta aliená-los. Por óbvio. LEF). CPC. pelos quais a “vis attractiva” de outros juízos não se opera perante a execução fiscal. “caput”. solução mais consentânea que aquela adotada pelo art. como no juízo falimentar e de recuperação de empresas. a Fazenda Pública já poderia propor diretamente a execução fiscal e.937/92) (CHIMENTI. Lei 8397/92). São as hipóteses em que o devedor. § 2º. a medida requerida tem por fundamentos o perigo na demora e os indícios do direito alegado pelo autor. “Pela ação cautelar fiscal (L. não é necessário que a exigibilidade do crédito fiscal esteja perfeitamente plausível. V. A medida só pode ser ajuizada após o lançamento (art. se a matéria trazida à baila disser respeito a vício ou a irregularidade atinente ao juízo deprecado. p. Lei 8397/92). LEF. 747. a Fazenda pode obter a declaração de impenhorabilidade dos bens do devedor. 20. 78). 5º. 207). excepcionalmente. assim como qualquer outra cautelar (art. 2001. “caput”. O objeto da ação é tornar indisponíveis os bens do contribuinte que apresente situação que pode colocar em risco o recebimento do crédito fiscal (art. avaliação ou alienação de bens na execução ordinária. a defesa típica (embargos do executado) será oferecida no juízo deprecado e remetida para o juízo deprecante. Lei 8397/92 (art. e 29. nos termos do art. 2º. “caput”. cristalina é a lei em determinar o foro ao menos pelos parâmetros do art. de liquidação. Nesse passo. e VII. 1º. quer seja nas varas da Fazenda Pública para as demais entidades públicas – e não se submete a concursos de credores. 1700) apregoa que não poderá propor a demanda no seu domicílio.397/92. 20. 2002. 578. Nesse sentido. “in fine”.

dolo ou culpa do acionista controlador. CTN. Nesse ponto. e 15. a petição deve indicar e caracterizar uma das hipóteses do art. exatamente o lançamento definitivo do tributo. podendo a medida ser preparatória ou incidental ao feito principal. o foro ou a subseção judiciária competente é do domicílio eletivo do devedor (art. porquanto há situação de risco para o Estado em não receber seu crédito. competente é a Justiça Estadual. Lei 8397/92. 3º. § 3º. quando houver fundada razão de inadimplência da pessoa jurídica devedora (art. “caput”. I a IX. afirmando que a desconsideração da personalidade jurídica depende dos requisitos esculpidos no art. §§ 1º e 2º. 5º. é possível pedir a indisponibilidade de bens da pessoa jurídica e de sócio. 4º. Prova-se a exigência pela constituição do crédito tributário. De fato. 2º. Na execução fiscal (e na medida cautelar fiscal). o demandante deve solicitar a concessão da respectiva medida cautelar fiscal. CF/88. Lei 8397/92. O STJ não concorda com esse comando. em sua vara de execução fiscal ou mesmo anexo fiscal. o foro da matéria). Sendo tributo federal. I. prevalece a regra do domicílio do contribuinte até mesmo sobre outros critérios. III. Isso não aplica nas ações ordinárias fiscais. CPC. não podendo ir além disso. Poderá haver extensão da constrição sobre os bens pessoais de administrador ou de sócio controlador da empresa (atual ou passado). Lei 8397/92). Como se trata de medida cautelar. I a IX. além dos fatos. 109. mediante medida cautelar fiscal (art. o pleiteante deverá demonstrar. II. No direito. I. Além da prova do perigo na demora (art. a PGFN deverá ajuizar a cautelar fiscal (e a conseqüente execução fiscal) perante o juiz de direito (arts. Lei 8397/92). Tratando-se de tributo estadual ou municipal. Lei 8397/92). Lei 5010/66. como declaratória negativa de débito. No pedido. inclusive quanto à competência da Justiça Federal. A norma não requer má-fé. 109. exige que haja prova literal e documental do crédito fazendário. 4º. Lei 8397/92. e Súmula 40 do TFR. justificando seu pedido nos termos do comando legal mencionado. já mencionada). O efeito da concessão pelo juiz é a indisponibilidade dos bens do requerido até o limite do crédito indicado (art. 3º. Note que os dispositivos permitem até mesmo atingir bens . é interessante que o demandante afirme e prove que o sócio controlador ou o administrador pode frustrar o recebimento do crédito fazendário. o art. 800. do administrador ou de qualquer um que tinha obrigação contratual ou estatutária de cumprir as obrigações tributárias. competente será a Justiça Federal (art. Supondo que haja tributo federal e inexista vara federal no domicílio do devedor (em princípio. Lei 8397/92). §§ 1º e 2º. Lei 8397/92). quando existentes. a regra de competência segue o comando do art. I e III. mais especificamente a vara de execução fiscal ou da Fazenda Pública. Em regra. quando presentes.164 O objeto da restrição é o total da dívida ativada. CF/88). 127. Os requisitos da medida cautelar fiscal estão inscritos no art. devendo ser requerida ao juízo “virtual” da futura execução fiscal. 4º. etc. CTN). “caput”. de repetição de indébito. “caput”. “caput”. De fato. 135. o juízo competente para conhecer a correspondente execução fiscal é o mesmo apto a apreciar o pedido de cautelar fiscal (art. No aspecto formal. 2º.

a medida cautelar fiscal pode ser requerida entre a “constituição do crédito” (lançamento) e a execução fiscal ou após essa última. não havendo contestação. I a IX. Lei 8397/92). 1ª T. Ainda no tocante ao art. o devedor pode requerer a substituição da medida cautelar por uma das garantias previstas no art. a LC 118/05 trouxe o art. provas a serem produzidas. quando esse não pagar nem oferecer bens a penhora em execução fiscal. j. “caput”. o qual previu que o juiz deverá decretar “ex officio” a indisponibilidade de bens do devedor citado (sem perder de vista que o despacho que determina a citação suspende o curso prescricional – art. Informativo do STJ n° 332. 10. o juiz vai designar audiência de instrução e julgamento. Min. “caput”. proferindo o juiz decisão de mérito no lapso impróprio de 10 dias (art. Para suprir a deficiência. O STJ interpreta o dispositivo à luz do art. Lei 8397/92). Lei 8397/92). qualificação e endereço do requerido. a constrição pode abater-se sobre bens do ativo não-permanente da empresa. O art. tem-se a decisão. Concedida ou não a medida “inaldita altera pars”. Exemplo desse entendimento está na autorização judicial de penhora de subsídios governamentais a serem repassados ao executado220. o devedor será citado (art. CTN. REsp 841. Se o devedor contesta. parágrafo único. porquanto a legitimidade do crédito tributário. o rigor da medida.165 daqueles que já foram sócios. dentro do decurso legal de cinco dias (art. 7º. Entretanto. Na contestação ou a qualquer tempo. parágrafo único. 18/9/2007. a medida não é efetivada de plano. requerimento para citação. fica autorizado o magistrado a perpetrar a indisponibilidade do patrimônio do executado. III. 8º. “caput”. . deve estar presente o requisito do receio de frustração da eficácia da medida. aplicando-o restritivamente. excepcionalmente. 9º. 9º. Depois da produção probatória. 9º. LEF. com o objetivo de colher provas sobre o processo (art. 135. LEF). De acordo com a interpretação da corte. § 1º. Quando o devedor não cumpre o despacho judicial inicial. “caput”.173-PB. 174. nos termos do art. Lei 8397/920). quando o devedor não indica bens suficientes e aptos a garantir a execução. Dificilmente a Fazenda conseguia fazer prova das hipóteses do art. “caput”. traz os requisitos formais da exordial: endereçamento. 185-A. Sendo infrutífera a diligência. o STJ relativiza a exigência de que a indisponibilidade de bens recaia sobre patrimônio ativo permanente do executado. CTN. “caput”. I a IV. CTN. diante da não localização 220 STJ. Nesse âmbito. rel. Lei 8397/92). CTN). caso o requerido trave conhecimento com a demanda. 2º. É também plausível o pedido de liminar. I a IV. Lei 8397/92. 4º. Essa atuação é feita por meio eletrônico.. fazendo com que a medida cautelar fiscal fosse praticamente ineficaz. Para tal. a supremacia do interesse público e o princípio de que a execução por quantia certa deve ser em benefício do credor justificam. os fatos alegados pela Fazenda são considerados verdadeiros. porquanto o diploma em tela a possibilita (art. De outra parte. I. Luiz Fux. 8º. observada a ordem de preferência do dispositivo (art. através do convênio BACEN-Jud. Lei 8397/92. “caput”. o meirinho se dirige ao domicílio dele para tentar penhorar bens. Lei 8397/92. 6º. 185-A.

Lei 9532/97). começa a correr o prazo do lustro para prescrição intercorrente (art. e Súmula 314 do STJ. Por óbvio. 40. Depois do decurso de um ano. “caput”. § 4º. Arrolamento fiscal – nos termos do art.00 (art. I a III. processada perante a Justiça Estadual. Lei 9532/97. § 4º. 6º. Não sendo frutíferas novas tentativas. bem como deverá ser cancelada se garantido o juízo da execução fiscal de outra forma (art. o arrolado não poderá alienar. o arrolamento será averbado em todas as repartições onde haja banco de dados continente dos bens do devedor (art. cumpre à Fazenda Pública antecipar o numerário destinado ao custeio das despesas com o transporte dos oficiais de justiça”. Entretanto. prescindindo de requerimento para produção de provas e não se sujeitando a custas e emolumentos.000. I. a Súmula 190 do STJ221 determina que devem ser pagas as despesas do oficial de justiça. A peça vestibular da execução fiscal é um pedido de meios executórios ao Estado-juiz. . com piso de R$ 500. Procedimento – o rito especial segue as seguintes fases: Petição inicial – deve conter endereçamento. O ato de arrolamento é perfeito mediante notificação ao devedor. Com efeito. LEF. Lei 9532/97). tal 221 Súmula 190 do STJ: “Na execução fiscal. não arquivamento ou não ocorrência da prescrição intercorrente. Entretanto. A suspensão e a declaração de ocorrência da morte da pretensão do fisco pelo decurso do tempo são declaradas de ofício pelo magistrado. § 5º. desde que haja prévia manifestação da Fazenda Pública (art. garantindo o prosseguimento da execução fazendária. LEF). §§ 8º e 9º. o juiz manda arquivar o processo. 40. LEF). não é composta tão-só por esses elementos. A reboque do registro da penhora na execução fiscal (art. LEF. porque a indisponibilidade será decretada de ofício pelo julgador. devendo revestir-se de formalidades mínimas. não sendo encontrados bens para o arresto. a autoridade fiscal poderá realizar descrição minuciosa de todo o patrimônio do devedor. I a III. A infringência dessa norma pode ensejar a medida cautelar fiscal supra delineada (art. 64. diz que o feito e a prescrição ficam suspensos por um ano (art. 64. “caput”. LEF). futuramente. O não cumprimento dessa formalidade importa em invalidade na decretação da prescrição intercorrente. LEF). o art. cujo recebimento marca o termo inicial para a restrição administrativa em comento (art. 40. sua não suspensão. Fora essas hipóteses. justamente para evitar a aplicação integral do comando mencionado. 64. já mencionada). 64. não é necessário trazer à baila fatos e seus sucedâneos. § 3º. 14. pedido e requerimento de citação do executado (art. Lei 9532/97). independentemente de manifestação do juízo ou da secretaria. É nesse sentido que se presta a medida cautelar fiscal. porque estão presumidos na CDA. a não citação do devedor não permite o decreto de indisponibilidade patrimonial e. § 3º. § 7º. servir de base para a indicação de bens à penhora pelo exeqüente. 40. quando o crédito tributário for superior a 30% do seu total. Lei 9532/97). comuns a qualquer exordial. transferir ou gravar seus bens sem prévio conhecimento da autoridade fiscal (art.166 e conseqüente não citação do devedor. Lei 9532/97). § 2º. 64. não é adequada a cautelar. § 4º. Lei 9532/97). não se exige o requerimento genérico de prova. Nesse caso. 64. Essa restrição poderá. Com efeito. 64.

aos honorários advocatícios (GRECO FILHO. 282. O legislador permite que a exordial e a CDA consubstanciem documento único. “caput”.167 qual se depreende do confronto entre os arts. preceitua o que o juiz deve dizer na recepção da exordial: o Recebimento da peça. valor inicial da dívida. o Determinação da penhora. se neles expresso o valor da dívida (art. 8º. 8º. p. o Citação do executado. e §§ 1º e 2º. 102). nos termos do art. pois o legislador não exigiu que a carta com mandado seja recebida pelo executado. se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar. § 2º. LEF. O mandado será remetido ao executado por via postal. 2003. I a IV. 102). salvo se o exeqüente requerer de outra forma. LEF. Theodoro Júnior. termo inicial e forma de calcular juros e demais encargos. Ademais. O legislador considera perfeita a citação se a carta for entregue ao próprio executado no endereço indicado222 ou 10 dias depois de retornado o aviso de recebimento na agência postal. I a V. segundo entende a jurisprudência. Se escolhida a forma editalícia. LEF). sendo lícita sua emissão inclusive por meio eletrônico (art. LEF) ou não seja garantido o juízo (pelo depósito). . correção monetária e forma de cálculo – se incidente. 26. se estiver em termos. 6º. fazendo jus o executado. o Efetivação de arresto (pré-executivo – art. “caput”. 7º. Despacho inicial – o art. cit. 2º. data e número de inscrição da dívida ativa.. “d”. 2003. II. sob pena de penhora imediata (art. com o devido aviso de recebimento (AR). 222. I a VI. LEF). VI. CPC. origem. III. “caput”. Greco Filho (2003. O cancelamento da inscrição da dívida ativa implica em extinção da execução sem ônus para as partes (art. 8º. § 5º. 8º. número do processo administrativo ou do auto de infração. caso não seja paga a dívida no decurso estabelecido (cinco dias – art. o Avaliação dos bens constritos. domicílio e residência deles – se possível. sem embargo das custas e demais despesas. o Registro da penhora. contendo: nome do devedor e dos coresponsáveis. p. devendo ser expedido correspondente mandado. op. 102) faz uma crítica à ficção da citação por correspondência. Citação – a lei assina prazo de cinco dias para o pagamento judicial. CPC. fundamento e natureza da dívida. e 6º. LEF). CPC). 653. deverá ser instruída com a certidão de dívida ativa. a citação deverá ser feita por oficial de justiça ou por edital (art. não prevalecendo o estatuído no art. por ser esse norma geral e não especial. Não sendo encontrado o demandado pelos Correios até 15 dias depois. o qual não admite essa colocação feita pelo legislador. 8º. p. LEF). CPC). § 3º. LEF (GRECO FILHO. caso não haja indicação da data do recebimento (art. seus requisitos formais e temporais 222 Cf. LEF).

a execução ficará suspensa. encontrar-se no exterior – art. 174. para permitir harmonia entre o CTN e a LEF. 371). “caput”. CTN. se não houver órgão da procuradoria na comarca. se o executado. 8º. a intimação da Fazenda poderá ser feita por correspondência com AR223. creia-se que voltará a correr a partir de certo momento. haveria autêntica mácula à isonomia. A prescrição intercorrente não tinha previsão legal até 2004 (Lei 11051/04). LEF. 2003. IV. porque nenhum outro credor goza de imprescritibilidade de seu crédito. 371) e por Silva Pacheco (apud CÂMARA. p. No entanto. REsp 914879/SP. LEF). assim como o decurso prescricional (art. sendo certo que o legislador utilizou a expressão “a qualquer tempo” para a efetivação desse ato. CPC. 40. LEF). CTN). passou a considerar que. p. LEF. 8º. p. e 174. se a prescrição foi interrompida. CTN). 40. sob pena de tornar a obrigação fiscal imprescritível. LEF) estão delineados no art. parágrafo único. § 2º. no segundo caso. representada por Theodoro Júnior (apud CÂMARA. 219. p. 371). 372) e por Câmara (2006. parágrafo único. O desarquivamento só será possível se surgirem novos bens passíveis de constrição. A intimação da Fazenda Pública é pessoal em favor do procurador (art. p. 40. “caput”. 103). Caso a situação permaneça assim por mais de um ano. a partir do arquivamento do feito. “caput”. muito pelo qual a LEF. 8º. 25. é a posição defendida por Câmara (2006. Sobre o tema. § 3º. I. e EmbDiv no REsp 743867/MG. formaram-se duas correntes: O termo inicial da interrupção retroage à data da propositura da ação – nos exatos termos do art. segundo Theodoro Júnior (apud CÂMARA. A tese pró-contribuinte. § 1º. permitia o desarquivamento da execução a qualquer tempo (art. LEF). . 2006. LEF). fundando-se no art. A idéia foi albergada pelo STF em homenagem à segurança jurídica. como diploma protetivo do credor fiscal. 2006. A prescrição intercorrente aqui mencionada encontra fulcro em uma hermenêutica sistemática.168 (publicação por 30 ou 60 dias. recorrendo-se ao direito processual comum e aos princípios gerais de direito para resolver a querela (GRECO FILHO. p. Em sentido contrário. § 2º. O termo apontado foi justamente o despacho de arquivamento da execução. Não há retroação – porque a LEF é diploma especial. A melhor doutrina. 372) apregoa que. 174. 2006. Citação e prescrição – a citação tem o condão de interromper a prescrição a partir do despacho do juiz que o determina (arts. 223 STJ. § 1º. Não havendo bens a serem penhorados. volta a correr o decurso prescricional de cinco anos da Fazenda Pública (art. os autos serão arquivados (art.

Havendo conflito entre CPC e LEF. pelo simples decurso do tempo. sempre deverá ser aberto o contraditório para o demandado-contribuinte. § 5º. como norma processual. o magistrado decreta a indisponibilidade patrimonial “futura” do executado.280/2006. IV. “caput” e § 2º. deverá ser veiculado o 224 Enunciado 295 do CJF: “Art. LEF). desde que ouvido previamente a Fazenda Pública (art. A revogação do art. 194 do Código Civil pela Lei n. já mencionada). 2006). O termo “a quo” da prescrição intercorrente ocorre automaticamente. CTN). CPC). porque prescrição é matéria de defesa disponível. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. porque versará sobre a modalidade ordinária da perda da pretensão. pelo princípio da especialidade. Em razão da Lei 11280/06. como é possível aduzir do Enunciado 295 do Conselho da Justiça Federa (CJF)224. é aplicada imediatamente. Nesse caso. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art. mesmo porque há interesse público em jogo. “in fine”. Isso não significa que a prescrição não intercorrente (art. . Nesse caso. Isso não significa que o juízo deverá prescindir de manifestação do executado. 191 do texto codificado”.169 Questão se pôs quando o juiz e a secretaria deixam de efetivar o arquivamento. O reconhecimento “ex officio” da prescrição. Não se manifestando nesse sentido ou silenciando sobre a matéria. A salvaguarda do legislador se deve à potencialidade do instituto em tela. aplica-se a segunda. a disponibilidade do direito correspondente é flagrante para o entendimento majoritário (CÂMARA. a prescrição reconhecida de ofício passou a vigorar no processo civil (art. mesmo porque o primeiro (lei geral) só terá vez na execução fiscal em caráter supletório (art. além de positivar a prescrição intercorrente. § 4º. oficiando todos os órgãos de registro de patrimônio sobre a medida. sem prévia oitiva do fisco. o qual tem o condão de liquidar a pretensão do credor. não configurando direito subjetivo do contribuinte. 191. CPC). Apesar de parte da doutrina entender que a prescrição. porque é possível sua renúncia por razões outras. 269. 11. CPC) – podendo ser chamada de ordinária – não possa ser reconhecida de ofício pelo magistrado (art. § 5º. Para solver o entrave. o juiz então estará autorizado a reconhecer “ex officio” a morte da pretensão pelo decurso do tempo. 185-A. como já disse o STJ. os quais deverão responder ao comando com relação completa dos bens indisponíveis (art. permitiu seu reconhecimento de ofício pelo julgador. Sendo assim. o juiz poderá vislumbrar a prescrição já no despacho citatório da execução fiscal. a Lei 11051/04. atingindo os feitos em curso. LEF). Indisponibilidade de bens – feita a citação e não encontrados bens à penhora. sob pena de nulidade absoluta do ato. 219. a partir da Lei 11280/06. o STJ entendeu que a prescrição intercorrente começa a correr um ano após a suspensão da execução. Observa-se que o ato pode ser efetivado inclusive por meio eletrônico (“penhora on-line”). tornou-se matéria de ordem pública. 40. não sobre a intercorrente. Nota-se que se trata de faculdade do juízo. Entretanto. o que o agiliza e o torna mais eficaz. independentemente do ato formal de arquivamento da execução (Súmula 314 do STJ. 219. 1º.

é “conditio sine qua non” para a propositura de ação anulatória de débito fiscal. Nomeação de bens próprios à penhora. 1: caso seja oferecido bem imóvel. depois da hasta pública. o que ainda não é pacífico. Indicação de bens de terceiros à penhora. apesar do STJ ter apontado nesse sentido. LEF). LEF. LEF): 1. 3. A doutrina ainda não se posicionou sobre o tema.170 valor da dívida. Caso seja ultrapassado o teto. Fiança bancária. op. I a IV. . encargos e custas judiciais (art. juros. no diapasão da Lei 6830/80. LEF. porque. CTN). 8º. trouxe tal previsão na execução ordinária. muito pelo qual o art. cit.: indisponibilidade sobre imóvel é cabível. I a VIII. 11. dada pela Lei 11382/06. desde que incidente correção monetária225. 9º. correção. § 1º. Obs. o Garantir o juízo – a fim de propiciar a discussão da dívida por meio de embargos do executado. de acordo com a ordem sugestiva do art. não há dever processual em fazê-lo novamente. Opções do executado – recebido o mandado de citação. Em contrário senso. LEF): o Pagar a dívida – nesse caso. “caput”. § 1º. na nova redação do art. o cônjuge do executado ou do terceiro proprietário deverá anuir ao ato (arts. preferiu. Vê-se que o excesso de indisponibilidade só pode ser invocado se a constrição recair sobre bem divisível. 8º. Não tendo tais finalidades. 4. 655-A. desde que previamente aceitos pela Fazenda Pública. 2. tendo o decreto limite exatamente nele. pois o saldo resultante da hasta pública será restituído ao executado. 5º. podendo ser feito de várias formas (art. Segundo Greco Filho. o saldo será revertido ao devedor. o julgador deve determinar o levantamento do excedente (art.. O que se discute é a possibilidade ou não de incidir a indisponibilidade sobre faturamento e renda de empresa. a inação do executado não impede a 225 O depósito do montante integral é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 2: o legislador do CPC. Obs. 151. desde que essa tenha por objetivo impedir ou suspender execução fiscal. móveis a imóveis. CPC. pelo fato do instituto harmonizar-se com a regência e com o espírito da LEF. como bem vem entendendo a jurisprudência. CF/88). e 1647. II. Uma vez que o executado ofereça bens à penhora e haja recusa por parte da Fazenda exeqüente. sob pena de macular a inafastabilidade do Judiciário (art. CTN). 185-A. deverá adimplir totalmente o débito. § 3º. não há de se argúi-la. 9º. XXXV. CC). não há de se requisitar o depósito em comento. No ponto. Em princípio. multa de mora. Depósito em dinheiro em estabelecimento oficial de crédito. I. “caput”. de uma forma geral. somando-se o principal. não há óbice à sua efetivação. Ex. mesmo que sobre um montante maior que o débito fiscal. 655. I a XI. o executado tem algumas alternativas durante o interregno dos cinco dias subseqüentes (art.

652. “caput”. dependendo da situação encontrada. Execução provisória e definitiva – o art. a execução prossegue nos moldes provisórios. 13. como bem indica Chimenti (2002. como a Fazenda não pode oferecer caução pela impenhorabilidade de seus bens. O arresto. terá vez quando o executado não tiver domicílio ou se furtar à citação. LEF). 2ª T. 185. o Permanecer inerte – nessa hipótese. a jurisprudência do STJ firmou posição226. Eliana Calmon. CPC. LEF. A certeza e a liquidez do crédito tributário se devem ao controle cognitivo interno 226 STJ. caracterizam fraude à execução. fala em execução provisória ou definitiva. 185. CPC). A primeira será efetivada de sorte a abranger tantos bens quanto sejam necessários para cobrir o total da dívida e todos seus consectários financeiros e judiciais (art. § 3º. 601. o Oferecer exceção de pré-executividade ou objeção de nãoexecutividade – ver comentários abaixo. 13. CPC. LEF). Se os embargos forem recebidos com efeito suspensivo e. § 1º. Fraude à execução fiscal (art. 13. Essa lição foi bem entendida pelo legislador de 2006. dentro do processo civil. I a IV. os atos de alienação que tendem à insolvência do devedor. mas sim pela inscrição da dívida ativa (art. j. pelo juiz. como indisponibilidade de bens. não há de se lhe aplicar as sanções contidas no art. sobre o qual decidirá o julgador (arts. Com esse entendimento. CPC. julgados rejeitados. CTN). 208). 600. provisório ou definitivo são os títulos. será solicitado. Informativo do STJ n° 324. visto que transferência de bens do executado e depósito de dinheiro exigem a garantia. apesar de ficar sujeito a outras medidas constritivas. desde que provado o “eventus damni” (insolvência – elemento objetivo). “caput”. valendo a avaliação do oficial de justiça como parâmetro preliminar (art. inspirando a nova redação do art. CPC. CTN) – depois da citação válida. 587. “caput”. dar-se-á a penhora ou o arresto. No âmbito tributário. nos termos do art. apesar de o agüazil encontrar bens suscetíveis de constrição judicial. Min. porque sua presunção não está adstrita ao chamamento válido do demandado ao processo.339-SP. Conseguintemente.171 qualificação de sua conduta. rel. . qualquer das partes pode impugnar o valor da avaliação até o edital da hasta pública (art. não sendo possível a avaliação pelo meirinho devido a aspectos técnicos complexos. e 680. essa é mais profunda. quebra de sigilo bancário e fiscal e penhora de patrimônio. REsp 787. Em ambos os regimes.. para a ordinária. Nesse passo. ao final. O prazo legal para tal é de 15 dias para execução fiscal e de 10. caso a apelação seja recebida no efeito devolutivo. A rigor. p. porque o regime do procedimento é o mesmo na execução civil ordinária. aguardando o trânsito em julgado. 4º. LEF). a execução fiscal ficará obstada. laudo de avaliador judicial. conquanto já atuará por ordem do juiz na primeira oportunidade. 2º. 19/6/2007. Nesse contexto. 1º. consoante comentário supra já feito.

Câmara (2006) afirma que surgiu. Registro – lavrado o termo ou auto de penhora229. procedimento e ato dotados de presunção de legalidade e de legitimidade. na Junta Comercial. “caput”. LEF). quando esse executa o ato em si ou quando converte o arresto nele. o juiz exara o despacho citatório do sujeito passivo. Ambos documentos são idôneos. A certidão de dívida ativa. determina que seja averbada a penhora dos seguintes bens: 1. 14. “caput”. à guisa das fraudes contra credores. quer seja por meio de depósito integral do valor. a abrir prazo para o oferecimento de embargos por parte do executado. a teor do que vinha apontando a jurisprudência do STJ e do art. no DETRAN. Penhora – uma vez efetivada. de forma a tornar o ato eficaz “erga omnes”. bem como a permitir a averbação da constrição nos órgãos responsáveis pelo registro do bem. da juntada aos autos do processo executivo do auto ou termo de penhora (art. o próprio exeqüente pode averbar a demanda (não a penhora). 3. No caso da execução ordinária. 12 da Lei das Execuções Fiscais”. . para quem ao art. o art. o direito de preferência na penhora se defere àquele que primeiro obteve a penhora ou o arresto executivo. Nesse caso. se estabelecimento comercial. 1º. 12. 2. CPC. 12. se valores mobiliários. sendo ineficaz a alienação entre sujeito passivo e terceiro adquirente. o cônjuge também deverá ser informado (art. op. 655. de fiança bancária ou de indicação de outros bens. Todo esse trâmite demanda muito tempo. 229 Termo de penhora é lavrado quando o próprio executado ofereça a garantia da execução. o oficial de justiça deverá fornecer cópia a repartições e órgãos encarregados do registro do bem constrito. CPC. na execução fiscal (art. Em hipótese de concurso de credores fazendários. Como esse evento prescinde de execução ajuizada. qualquer um que não seja o próprio executado ou seu representante legal (art.. Tratase de presunção relativa227. dispensa-se a publicação exigida pelo art. A intimação só será pessoal caso a citação feita por aviso de recebimento contenha assinatura de terceiro. um novo instituto: fraude à administração fiscal. LEF. LEF). o que sensibilizou o legislador a presumir fraude a partir da inscrição da dívida ativa. 12. 227 228 Cf. § 3º. Havendo constrição sobre bem imóvel. Dessa feita. 185. cit. § 2º. LEF (Súmula 190 do extinto TRF)228. CTN. aplicando-se o art. se imóvel. É perfeitamente possível a penhora de faturamento de empresa em execução fiscal. Câmara. o executado deverá ser intimado. a partir intimação de sua juntada aos autos. LEF). LEF). VII. como título executivo extrajudicial. sociedade comercial e Junta Comercial. Depois de ajuizada a demanda. no CRI. erigindo uma presunção absoluta de conhecimento por terceiros. ou seja. erige uma presunção absoluta de fraude à execução. Auto de penhora é lavrado pelo meirinho. na Bolsa de Valores. mediante publicação em diário oficial. 12. à execução (ordinária) e de bem judicialmente constrito. 612. se veículo. instruirá a inicial da execução fiscal.172 administrativo. I a III. Súmula 190 do extinto TRF: “A intimação pessoal da penhora ao executado torna dispensável a publicação de que trata o art. De fato. 4. “caput”.

a jurisprudência tem entendido que.500-RS. CPC). Recebidos os embargos.. 373) aponta diferença entre os embargos na execução de título extrajudicial e aqueles oferecidos em sede de execução fiscal. Se o executado não aceitar a avaliação feita pelo meirinho. 2ª T. Nesse passo. CPC). LEF). CPC). perigo de lesão de difícil reparação e a própria garantia do juízo (art. traz a possibilidade de averbação da execução em órgãos de registro de bens do executado. 16. LEF. há dois tipos admitidos jurisprudencialmente pelo sistema do CPC e da própria LEF: 230 STJ. § 2º. Câmara (2006. j. consoante entendimento do STJ230. LEF). as alegações do embargante não são restritas a um rol taxativo de defesa (art. 736. 26/6/2007. REsp 729. o oferecimento de embargos. 615-A. “caput”. há de ser observada dentro do possível. REsp 130. Não havendo essa última. Defesa – como defesa típica. não se admite compensação. sua recusa é entendida como requerimento de perícia. rel. I a VIII. I a III. § 1º. LEF. 16. se houver prova oral a ser produzida (art. “caput”. 11. LEF). II. É medida plausível para preservar a eficácia de futura expropriação. posição não pacificada na doutrina. CPC. porquanto o interregno e o termo inicial são diferentes naquele: 15 dias contados da juntada aos autos do mandado de citação (art. Resolvidas as questões. parágrafo único. o executado poderá oferecer embargos no prazo de trinta dias. DJU 18/4/2005. LEF). uma vez seguida a gradação legal.970-SP. a Fazenda Pública é intimada para se manifestar em trinta dias. deverá arcar com os custos da produção probatória. 739-A. . o juiz deverá proferir sentença no prazo impróprio de 30 dias (art. seguindo-se audiência de instrução e julgamento. Marinoni e Arenhart (2007) e Luiz Wambier defendem que esse fenômeno também se dá na execução fiscal. “caput”. Essa disposição é plenamente aplicável à execução fiscal. Como matéria de defesa. o procurador público manifesta-se pelo teor da garantia do juízo (art. O juiz deverá balancear o interesse do credor fiscal com a satisfação do débito e o princípio do menor gravame ao executado. na execução ordinária. LEF). e REsp 611. da juntada da prova da fiança bancária ou da intimação da penhora judicial (art. “caput”. 17 e parágrafo único. 17. LEF). não se confundindo com a presunção relativa de fraude na expedição de CDA. salvo se houver expresso requerimento do embargante. Como defesas atípicas231. 9º. 16. a Fazenda Pública exeqüente não pode recusar título da dívida pública líquido. relevância na fundamentação. 18. bem como é inaplicável reconvenção (art. e 739-A. erige-se presunção absoluta de fraude à execução. 11. A ordem de preferência do art. Informativo do STJ n° 325.173 o art. § 3º. A partir do registro. Ademais. Min. 738. No caso. certo e exigível (art. p. I a IV. LEF). ou pela própria penhora “ex officio”. DJU 29/11/1999.712-SP. Eliana Calmon. uma vez garantido o juízo por alguns dos meios do art. contados do depósito. não obsta o prosseguimento do feito nem requer garantia do juízo (arts. No demais.

pode ser atacada por agravo. O acolhimento depende de prova pré-constituída e de não impugnação por parte do exeqüente. segundo citação de Câmara. cabe agravo de instrumento. com antecedência de dez a trinta dias.174 • Objeção de não-executividade – como trata de matérias de ordem pública. “caput” e 1º. O leilão ou praça será precedido de publicação de edital em diário oficial gratuitamente e por uma única vez. Desafia apelação ou embargos infringentes (causas de alçada). Obs. A perda do prazo dos embargos também pode sugerir o oferecimento da peça. o que configura exceção à irrecorribilidade das interlocutórias na execução.. pode ser atacável por agravo de instrumento. há extinção do processo sem resolução do mérito. O juiz não as pode conhecer de ofício. 209. 1992. cit. em seu Ação Executiva – Necessidade da Penhora para Discutir a Exigibilidade dos Títulos. porque o executado fará uso das defesas típicas a partir de então. • Exceção de pré-executividade – engloba matérias que deveriam ser ventiladas em defesa típica (embargos do executado ou infringentes). op. não há preclusão. provando a relevância da alegação e demonstrando o perigo de lesão grave irreparável ou de difícil reparação. como entende a jurisprudência. 275-290. Como interlocutória. Contudo. Rejeitar a exceção – como decisão interlocutória. p. Forense. o representante da Fazenda Pública deverá ser pessoalmente intimado (art. Durante esse interregno. podendo ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. in: Processo de Conhecimento e Processo de Execução. por se tratar de decisão interlocutória.: tanto a objeção quanto a exceção não ensejam a suspensão do processo. Negar-se a decidir – o juiz alega que não pode decidir sem instrução probatória. Hasta pública – não sendo oferecidos embargos. LEF). LEF). É a linha seguida por Alcides de Mendonça Lima. LEF). Da exceção de préexecutividade.. 466. Havendo rejeição. e de fixação no átrio do fórum por igual decurso (art. não podendo rejeitá-la “in limine”. 23. devendo o excipiente demonstrar seu direito mediante prova pré-constituída. Rio de Janeiro. remetendo decisão para os embargos. podendo ser contestado por apelação ou por embargos infringentes (causas de alçada). op. Há um prazo preclusivo representado pela penhora. o juiz poderá adotar três diferentes decisões: Acolher a exceção – o processo é extinto com resolução de mérito. “caput”. A mera invocação pela parte obriga o juiz a decidir. Caso haja acolhimento. o efeito poderá ser deferido se o excipiente solicitálo expressamente. segue-se hasta pública para venda dos bens penhorados (art. . A Súmula 121 231 Chimenti. 22. sendo esses inadmitidos “in limine” ou rejeitados no mérito. Ambas também não comportam dilação probatória. cit. p. 22. leciona que parte da doutrina refuta a admissão de exceção de pré-executividade e de objeção de não-executividade. p. § 2º.

na segunda hasta (Súmula 128 do STJ)233. “caput”. 146. CPC). Para pagar. 233 Súmula 128 do STJ: “Na execução fiscal haverá segundo leilão. sendo que. desde que a taxa de juros seja aquela atinente à lei tributária aplicável (art. desde que não haja preço vil (arts. em princípio. CF/88. hora e local do ato. 374). LEF): 1. Sendo insuficiente o numerário obtido com a venda judicial. CPC. Havendo débito tributário. CPC). do dia e hora da realização do leilão”. 24. o qual se reporta a eventual lei especial em termos de parcelamento. Atrasando qualquer mensalidade. 161. I e II. II. LEF). Como o legislador complementar (do próprio CTN) deferiu a competência para o legislador ordinário. não há impedimento para alienação por iniciativa particular. § 1º. permite faculdade de parcelamento ao executado. não há qualquer entrave à aplicação na execução fiscal. o regime de parcelamento. 689-A. Nesse caso. 2. Antes da hasta – pelo preço da avaliação. tenham sido rejeitados “in limine” ou desacolhidos no mérito. Depois da hasta – pelo valor da avaliação (caso não haja licitante depois da 2ª hasta) ou pelo valor oferecido pelo maior lançador (em 232 232 175 Súmula 121 do STJ: “Na execução fiscal o devedor deverá ser intimado. CTN). 691 e 692. permite a realização de hasta pública eletrônica. se no primeiro não houver lanço superior à avaliação”. por lanços. incidindo juros de 1% ao mês. incidem juros de 10% e a execução prossegue. CPC). 2006. . Não há infringência ao princípio da licitação (art. porque a impessoalidade e a isonomia ficam garantidas pelo juiz. “caput”. caso os embargos não tenham sido oferecidos. no decurso dos embargos. No caso de empresa governamental. o demandado deve depositar. § 1º. 685-C. Adjudicação – em favor da Fazenda Pública. não haveria qualquer problema em aplicar o direito esculpido no art. promovida pela Fazenda Pública. pagando-se o restante em seis parcelas mensais. tem preferência sobre a arrematação. p. CPC). “caput”. é permitida nova penhora. 647. cabem embargos à arrematação (art. “caput”. dentre outros. 37. O art. XXIV. não é possível. CTN. CPC. não é necessário observar o piso da avaliação. 30% do montante total (incluindo custas e verbas sucumbenciais). “b”. A melhor doutrina entende que a alienação por iniciativa particular (art. Tratando-se de dívida nãotributária. recorre-se ao art. ocorrendo nas seguintes hipóteses (art. 745-A. CPC. A arrematação deverá ser feita nos moldes do CPC (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. O art. o que se aplica sem maiores problemas à execução fiscal. II. “caput”. pessoalmente. ao estabelecer as condições do ato (art. sem outra oportunidade de embargos ao executado. Parcelamento – o art. “caput”. 23. uma vez que reconheça o débito e renuncie ao direito de embargar.do STJ determina que o executado também deve ser pessoalmente intimado do dia. 745-A. CF/88). estabelece que a norma geral há de definir. 155-A. “caput”. 746. à execução fiscal tributária. porque o legislador exigiu a expropriação por leilão público (art.

CF/88 (CHIMENTI. 105. 2002. 211). LEF). o sistema de execução fiscal acolhe a apelação dos embargos e os embargos infringentes nas causas de alçada.. já configura o duplo grau. CPC). o julgador profere decisão no decurso impróprio de 20 dias (art. “a”. perfilhada por Chimenti (2002. Lei de Execução Fiscal Comentada e Anotada. 34. Trata-se de princípio constitucional implícito. 2006. em seguida. 103. quando for o caso. §§ 2º e 3º. p. 34.. 237 Súmula 203 do STJ: “Não cabe recurso especial contra decisão proferida. 225. “a”. LEF). conquanto se aplica o art. cit. 235 Na concepção de Barbosa Moreira e da doutrina prevalente. 24. o recurso contra decisão de primeira instância. muito pelo qual os embargos procedentes se sujeitam ao reexame necessário (art. Obs. RT. 375)236. p. já se pronunciou o STJ quanto às decisões de turmas recursais dos JEC’s (Súmula 203 do STJ)237. Recursos – além do sucedâneo recursal dos embargos (que também admitem a modalidade deferida a terceiros e os de declaração – art. conquanto se trate da Fazenda Pública (art. Câmara (2006. Em contrário à posição explanada. São Paulo. Ademais. devendo ser oferecido em até 30 dias da arrematação. LEF). 475. III. mas não REsp (THEODORO JÚNIOR apud CÂMARA. II. 1997. 375). 188. 234 . Como bem indica Câmara (2006. Recurso de alçada – se o valor da causa não exceder 50 OTN’s (283. p. mas embargos infringentes ao próprio magistrado “a quo” (art.: se o crédito fazendário for inferior ao preço da avaliação ou do maior lanço. CPC (CHIMENTI. 897. Nessa linha. É solução que favorece a celeridade. atualmente. op. 210). 34. 93) nega a natureza de preceito constitucional ao duplo grau de jurisdição. Nessas hipóteses de menor monta. devendo o “ex adverso” ser ouvido no mesmo lapso e.00. “caput”. LEF). “caput” e § 2º. Nelson Nery Júnior considera que o mero reexame por outro órgão. no juízo cognitivo (embargos do executado). parágrafo único. vem Greco Filho. o valor gira em torno de R$ 553. por órgão de segundo grau dos Juizados Especiais”. 188. nos limites de sua competência. diferentemente do que ocorre na Justiça Laboral. p. 102. por meio do seu agravo de petição (art. lembra que. bem como os recursos extraordinários à disposição do sucumbente. p. Carlos Henrique Abrão et al. 2002. a decisão do referido recurso pode desafiar RE para o Excelso Pretório (art. ausentam-se o efeito devolutivo e o duplo grau de jurisdição235. p. CLT). CF/88). III. Observa-se que o prazo recursal para o exeqüente é contado em dobro. 209). O interregno recursal para a Fazenda Pública será de 20 dias. CPC). não é apelação. muito pelo qual a decisão não é prolatada por tribunal. o duplo grau de jurisdição corresponde à reapreciação de uma decisão judicial por órgão hierarquicamente superior. Agravo e duplo grau de jurisdição – não tem sido admitido agravo das interlocutórias ao longo da execução fiscal. a adjudicação só será deferida se o exeqüente depositar previamente a diferença em 30 dias da decisão judicial (art.43 UFIR’s)234. “in fine”. independentemente do grau hierárquico na estrutura do Judiciário. p. Os embargos infringentes devem ser opostos em dez dias a partir da intimação da sentença dos embargos do executado.176 igualdade de condições). afirmando-o como simples disposição do legislador ordinário e complementar. 236 No mesmo sentido. “a” a “d”. p. de acordo com a exigência do art. que pode ser flexibilizado pelo legislador infraconstitucional.

cit. p. não cabe sua incidência nas causas de alçada. a Fazenda Pública faria jus à reapreciação por tribunal “ad quem”238. na execução fiscal.177 Exceção deve ser feita no caso de não acolhimento de exceção de préexecutividade ou de objeção de não-executividade. como lembra Câmara (2006. 238 No mesmo sentido. 209.. 475. op. Chimenti. Quanto ao duplo grau no sentido estrito. haveria bizarra infringência à isonomia: enquanto o executado vencedor nos embargos infringentes teria o reexame perfeito pelo magistrado “a quo”. nas causas de alçada. p. II. não deve haver o reexame necessário. CPC. . 375). De fato. se aplicado literalmente o art. defende que.

o qual designa fim. Ou seja. O direito financeiro trata justamente do regramento jurídico da atividade financeira do Estado (FÜHRER e FÜHRER. Finanças é termo que vem do latim “finis”. 24. obtém suporte para exercer suas atividades. os recursos utilizados eram do próprio ente estatal [receitas originárias]. parágrafo único. 2003. aderindo-se à ciência econômica. Até o Estado absolutista. Distingue-se do Direito Tributário. Em verdade. foi necessário o desenvolvimento pelo Estado da atividade financeira. Consta que. o soberano era único nas decisões acerca das finanças públicas. termo. Envolve fenômenos de ordem social. Foi a primeira idéia de despesa pública. 2001. refere-se ao fim de uma operação que se desenvolve pelo pagamento. nem mesmo havendo entre eles relação de conteúdo e continente (OLIVEIRA e HORVATH. cobrando tributos e tarifas ou confiscando bens [receitas derivadas]. . Tudo lhe pertencia e a idéia de propriedade particular era sempre relativa. as quais se volta eminentemente ao interesse público (OLIVEIRA e HORVATH. a atividade financeira extrapola a seara jurídica. 1996). a ordem jurídica foi sendo erigida em paralelo. valem todas as regras quanto a normas gerais. CF/88). No século XIII. estatística e política. Os institutos da propriedade e da liberdade. 16). p. vez que constitui o sustentáculo material do país. as finanças pertencem ao plano realeano dos fatos (REALE. 24). na Inglaterra. No ponto. econômica. A competência para legislar sobre direito tributário. porque preparar a feitura de normas aplicáveis. financeiro e orçamentário é concorrente entre a União. 2003. de início. O Direito Financeiro é a disciplina jurídica da atividade financeira. de uma forma ou de outra e seja qual for o conceito de necessidade pública no momento. No dizer da teoria geral do direito. p. é fato que para prestar os seus serviços o Estado necessita de recursos financeiros. mas com o aumento das necessidades foi necessário avançar no patrimônio particular. p. Estados e DF (art. As finanças públicas dizem respeito à forma como o Estado. é pré-jurídica. No ponto. ainda eram praticamente inexistentes. entretanto. monetariamente. 24.178 DIREITO FINANCEIRO Introdução – durante o caminhar da evolução estatal. Mas. buscando dinheiro para atender às necessidades públicas. I e II. Dessa feita. Esse afã estatal sobre a acumulação de divisas decorre de sua própria razão de existência: a consecução do bem comum. normas específicas e capacidade legislativa supletiva das unidades-parciais (art. a perspectiva financeira sempre caminhou ao lado. p. da coisa pública. 23). 29). como lembram Oliveira e Horvath (2003. permitiu-se que o cidadão listasse as necessidades básicas da sociedade. À medida que a sociedade foi construindo a possibilidade de influir nos parâmetros financeiros estatais.

Com efeito. Outros exemplos de entradas provisórias citados por Führer e Führer (2001. mas não figurará aí como entrada definitiva (receita pública). 30. Administrativo. p. as receitas podem ser classificadas. Manual de Direito Financeiro. No quadro da ciência jurídica. de seu poder de imposição. 17) as chamam de facultativas. suplementando as leis gerais e regionais naquilo que afeta o interesse local (art. não se confundindo com taxa. devem ser diferenciados os conceitos de lei federal e de lei nacional. 6ª ed. Dentro da distribuição de competência. p. Führer e Führer (2001. na maioria das vezes. sua ligação com o Direito Constitucional é particular. uma vez que há normas específicas contidas no próprio Texto Maior. Relaciona-se também com o Direito Tributário – apesar de guardar campo próprio. Há uma relação de coordenação estabelecida entre Estado e particular. fiança e empréstimos em geral. CF/88). Apesar de admitirem haver doutrina que considera o ingresso como entrada provisória. os Municípios podem legislar sobre tributos de sua competência (art. o âmbito espacial de validade e o âmbito pessoal de incidência das normas. 2003. Revista dos Tribunais. Resultam. Entretanto. Em tese. as entradas (movimento positivo de dinheiro para os cofres públicos) comportam duas espécies: receitas públicas (entradas definitivas) e movimentos de caixa (entradas temporárias). com as derrogações de Direito Público). o qual pode ser feito em um MS e. 17) são caução. Régis Fernandes de Oliveira e Estevão Horvath. simplesmente entrada provisória ou ingresso)239. o que faz excluir o movimento de caixa ou ingressos (fluxos de entrada “temporária”. o valor será transferido para a conta do Tesouro Nacional (TN) “incontinenti”. p. em: o Originárias – correspondem às entradas definitivas não decorrentes do poder de imposição do ente de público. 30. quanto à origem. I e II. têm o primeiro como sinônimo de entrada simplesmente.179 CF/88). Por esse motivo. obsta a exigibilidade do crédito tributário (art. nem todos os ingressos no erário podem ser considerados como receitas. 239 .. CF/88). não fazendo uso. São Paulo. São extraídas quando o próprio Estado explora seu patrimônio. o primeiro.: depósito judicial. 2001. conforme supra mencionado –. sendo integral. Todavia. são diferentes. Preço público e tarifa são formas de receita originária. Doutrinariamente. assim como qualquer outro ramo. deve ser convertido em renda para configurá-la. 151. III. de pare em passo com o particular (contratação em regime de Direito Privado. o Direito Financeiro. Processual Civil e Penal. CTN). tem alicerce fim na CF/88. da atuação estatal como agente privado. Em melhores palavras. Receitas públicas – receita pública representa uma entrada definitiva de valores nos cofres públicos. A norma geral traz princípios para solução de entraves entre os diversos legisladores dentro da matéria de competência comum. o Derivadas – são aquelas que advêm do poder de “imperium” do ente público. sendo certo que essa conversão só é possível se sucumbente o demandante. Ex. sendo portanto compulsórias (FÜHRER e FÜHRER. inclusive de Direito Financeiro. no dizer de Kelsen (1998). II.

a doutrina majoritária tem-nos como tributos. p. “caput”’. São os casos dos impostos residuais e das contribuições residuais. CF/88 – no caso de delegação de capacidade tributária ativa para o Município. porquanto a titularidade do tributo é atinente à União. o que desvirtua.: só será derivada a receita se o poder de imposição for exercido pelo próprio ente que a recebe. o próprio STF. na esteira. a taxa é considerada receita derivada. Oliveira e Horvath (2003. III. III. e sua arrecadação não está sujeita à exigência constitucional da prévia autorização orçamentária”. não cabendo a esse autonomia perante o Leviatã. dada a competência tributária deferida pelo art. como inconstitucional. “caput”. I e II. lei ou destinadas ao SUS – art. 157 a 162. 155. na classificação de receitas derivadas. o caráter tributário colocar-los-ia. pronunciou-se em sentido contrário. § 4º. CF/88 (acrescido pela EC 45/04). No contexto. I. 37). III. as quais têm origem no poder de polícia estatal. apesar de seu teor não ter mais aplicação em face da atual ordem constitucional vigente. 65) consideram o art. 154. Obs. o repasse de metade da renda de IPVA. porquanto o crédito decorrente será resgatado. CF/88. Podem ser obrigatórias (previstas em Constituição. 25. CF/88). Fatia considerável dos jurisconsultos os qualifica como imposto. podendo ser tributárias (na sua maior parte) ou não-tributárias. adotando a natureza dada diretamente pelo constituinte originário. proveniente de veículos licenciados no Município. Quanto aos EMPRÉSTISMOS COMPULSÓRIOS. nos moldes dos arts. CF/88. CF/88). de acordo com o 153. e 195. as transferências correntes não implicam em contraprestação pelo tomador. 148. metade do ITR recolhido em Município continente de seus imóveis. Ex. “in fine”. No entanto. receita não podem ser. o Transferidas – resultam de transferências entre os entes federados. dentro do Direito Financeiro. pende um grande paradoxo. São obtidas a partir de coerção sobre o patrimônio do particular. VI. 153.: apesar de ter origem tributária. perfazendo receita transferida. em parte. 149-A. ressalvadas as hipóteses anterior e originalmente previstas pelo próprio Texto Magno. 240 Súmula 418 do STF: “O empréstimo compulsório não é tributo. acrescido pela EC 39/02. porque o tributo em comento é de competência do Estado (art. 158. encontrar-se exatamente no capítulo sobre a ordem tributária. Em contrário senso.: repartição da arrecadação tributária. CF/88). o constituinte derivado não teria vênia para alargar os fatos geradores já expressos na CF/88. p.180 17). por exemplo (arts. Ao contrário dos empréstimos (ou créditos) públicos. Como lembram Oliveira e Horvath (2003. Não poderia criar mais exações. por meio de sua Súmula 418240. O exemplo típico é o tributo. a receita continua sendo classificada como transferida. Oliveira e Horvath (2003) dizem que as receitas transferidas se resumem nas transferências correntes. § 4º. sua essência de tributo. a esse pertencem (art. Ex. Segundo os autores. Seriam qualificados como entradas temporárias. Sob o aspecto do Direito Tributário. sob pena de configurar receita transferida. Dentre os exemplos mais corriqueiros. LRF) ou voluntárias (por exclusão às anteriores). consoante a disposição do art. assim como o são as penalidades. . CF/88.

considera-se a prestação de serviço público específico e divisível em contrapartida à remuneração por parte de usuário.. presente a autonomia das partes. A taxa não respeita esse mecanismo. Preço público não leva a lucro. porque a coerção no uso concreto ou potencial do serviço só pode ser remunerado por meio de taxa242. Min. CTN. de acordo com o mercado. Tarifas. Ex. existindo taxa se for de Direito Público. No raciocínio.: preço do selo de correspondência. Essa compulsoriedade estaria prevista em lei. j.: herança jacente deferida ao Município (art. 14/8/2007. As segundas advêm de ajuste em que o Estado participa na condição de contratante. A querela se coloca segundo três orientações teóricas. tendo em conta os preços praticados no mercado. haverá preço público. RE 54491-PE. REsp 802. II. segundo entendimento do STJ e do STF241. O STJ adota a última corrente. por exclusão. A tarifa deve ser fixada no menor valor possível. Não tem natureza tributária. Seu valor se deve ao custeio da atividade praticada em favor do usuário. sendo facultativo. a existência de um preço público teria como pressuposto adesão a um contrato. Luiz Fux. Ex.559-MS. como em uma compra e venda. de sorte a garantir. 1844. existiria preço público. a natureza será de taxa. como nos tributos. poderiam ser enquadradas em ordinárias – aduzidas nos momentos de normalidade – e extraordinárias – incidentes em momentos de guerra ou na sua iminência. As terceiras são estatuídas e arrecadadas de forma vinculada. sendo revertido para o próprio Estado. . REsp’s 848. a teor do art. taxas e preços públicos – tarifa é um item obrigatório a figurar em contrato de concessão. 1ª T.: cobrança por serviço de água e esgoto constitui tarifa. destinando-se tanto ao custeio do concessionário quanto a seu lucro. ao contrário da taxa. As primeiras não implicam em qualquer contrapartida por parte do Estado. p. Taxas e preços públicos – para que persista um conflito dessa natureza. porque não se reverte com exclusividade para o erário. 3º. Quanto ao critério da periodicidade. sendo de fruição facultativa. rel. Uma primeira corrente. olhando a figura do prestador. contratuais e obrigatórias (FÜHRER e FÜHRER. entendendo que não há escolha pelo usuário. Essa obrigatoriedade da taxa só é 241 STF. 17). ainda que potencial. Uma segunda corrente observa a compulsoriedade no pagamento da contraprestação: sendo obrigatório.247 e 167. Também não deve ser confundida com preço público. STJ. Isso porque os serviços públicos universais e indivisíveis (“uti universi”) recebem como contraprestação impostos. DJU 15/10/1963. A tarifa ainda permite reversão aos cofres públicos. a atualidade do serviço. deverá ser módica também. dentro de um patamar razoável. CF/88 (imposto especial de guerra). Ademais. porque esse é determinado conforme o valor do serviço prestado. Ex. 2001. 154. desde que haja previsão contratual (ou legal) nesse sentido. sendo único nessa espécie de avença administrativa. como se afigura no art. Oliveira e Horvath (2003) falam em outras classificações das receitas. 242 STJ.181 A doutrina ainda classifica as receitas em gratuitas. CC). Terceira posição assevera que o parâmetro é a compulsoriedade na utilização do serviço: sendo de uso obrigatório. persistirá taxa. entende que haverá preço público se aquele for ente de Direito Privado. Informativo do STJ n° 327.489.

29. seguridade social. 2º. Nelson Jobim. Executando serviço público próprio de Estado ou exercendo poder de polícia. a Súmula 545 do STF (já comentada) materializa. implicando em responsabilidade objetiva por parte do administrador e do agente político. I a III. nesse passo. precatórios não pagos. Destarte. Tribunais de Contas. § 1º. A dívida pública fundada. Mas como foi erigida antes da leitura feita pelo STJ. No entanto. Informativo do STF n° 471. 245 STF. 2003. Municípios. a qual não é obrigatória. CF/88. entendeu que esses últimos não são atingidos pela Lei 8429/92. obrigações cujo prazo para pagamento é menor que 12 meses e estão previstas no orçamento. p. STJ. O STF. §§ 2º e 3º. Tecnicamente. dá margem à cobrança de pedágio por meio de taxa. fundos. j. 5/6/2007. Em suma. 13. Gilmar Mendes. Ademais. “in fine”.002-PR. p. não coincide com o conceito de dívida consolidada. RE 181475. Apesar disso. LRF). DF. valendo os pagamentos tão-só aos juros. Min. é aquela de médio ou longo prazo (FÜHRER e FÜHRER. ou seja. 1ª T. No contexto. o segundo entendimento. LC 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) OBJETO (abrangência) – cumprimento de metas sobre receitas e despesas e observância de limites e condições quanto à renúncia de receita. operações de crédito (incluindo antecipação de receita). V. segundo a doutrina. rel. 150.6. A obrigatoriedade é realmente da fruição do serviço e não do pagamento. a natureza da personalidade jurídica da entidade da Administração Indireta não tem o condão de desnaturar os valores cobrados pelos serviços públicos por ela prestados. dependendo da existência ou não de alternativa na via de acesso. salvo se o legislador dispuser de forma diferente244. 53).2007. orig. Judiciário. cujo principal não é resgatável. rel. porque se refere especificamente à tributação. conquanto fato irrelevante à diferenciação entre preço público e taxa. empresas governamentais e MP (art. CONCEITOS (art. 2001. a LRF erige presunções legais de ao erário. mesmo que inexista rodovia alternativa. ao contrário da flutuante. A cobrança de pedágio por concessionária é lícita. LRF): • Dívida pública fundada – obrigações totais de mais de 12 meses. concessão de garantia e restos a pagar (art. j. LRF).182 excepcionada. o define como tributo da espécie taxa243. porque esse é sempre devido quando há prestação. a natureza do prestador é irrelevante para a determinação da forma de contraprestação. 243 244 STF. em recente julgamento. Estados. José Delgado. em três situações: emissão de passaporte.. . Informativo do STJ 322. p/ o acórdão Min. ASPECTO SUBJETIVO (abrangência) – União. deve ser interpretada à luz da época de sua edição. porquanto configura “bis in idem” com a Lei 1079/50245. a priori. a pessoa sempre receberá taxa como contraprestação (OLIVEIRA e HORVATH. custas judiciais e licenciamento ambiental. aquela considerada perpétua. REsp 617. Rcl 2138/DF. 1º. De fato. despesas com pessoal. o STF. o art. I a V. 23). dívidas consolidada e mobiliária. Min. Juntamente com a Lei 8429/92. rel. autarquias. o valor cobrado em pedágio pode ter natureza de taxa ou preço público.

condicionante para que os mencionados entes recebam transferências voluntárias. LC 101/00. porém constitucional na sanção esculpida no art. LRF: todas aquelas não previstas em Constituição. VII. Oliveira e Horvath (2003. agropecuárias. • Contribuições para RPPS e compensações. 360. transferências correntes e outras receitas também correntes”. de contribuições. aquisição financiada de bens. • Dívida mobiliária – decorrente da emissão de títulos pela União. é inconstitucional quanto à obrigatoriedade de Estados. dada a classificação do art. parágrafo único. 2003. “caput”. 44. à luz do dispositivo em apreço. abertura de crédito. II. usando a terminologia aduzida por Leon Duguit (apud OLIVEIRA e HORVATH. p. A definição de transferências voluntárias está no art. A infringência desse comando com referência a impostos impede as receitas por transferências voluntárias (art. LRF). parágrafo único. passim). CC). 11. orientando o estabelecimento de receitas e despesas públicas. menos (art. Estados e Municípios. 153. • Concessão de garantia – um ente garante outro. 2º. industriais. 11. . DF e Municípios na instituição de todos os tributos. Lei 101/00. • Operações de crédito – mútuo. “caput”. dispõe que os entes da federação são obrigados a instituir e arrecadar todos os tributos de sua competência constitucional.183 o art. De fato. • Receita de capital – é aquela derivada da alienação de patrimônio público. § 4º. LRF). No ponto. característica intrínseca daquela. • Refinanciamento de dívida mobiliária – emissão de novos títulos para pagamentos anteriores (novação objetiva – art. 11. etc. Receitas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF. “caput”. CF/88). I. ou seja. LC 101/00. trata-se de ato-condição. 1º. • PIS/PASEP. a não instituição do imposto sobre grandes fortunas pela União vai de encontro à realidade (art. lei ou destinadas ao SUS. 11. 47) defendem que o art. Não pode ser destinada ao pagamento de despesas correntes (art. patrimoniais. 11. “caput”. “caput”. CF/88). 29. 11. “a” a “c”. de serviços. trata a dívida fundada e a consolidada como sinônimos. • Contribuições previdenciárias. I. “caput”. Receita corrente líquida – total de “receitas tributárias. • Repasse aos municípios e Estados. LC 101/00. em que pese não haver pronunciamento judicial sobre a celeuma. O estabelecimento dessa sanção acaba por retirar da competência tributária a facultatividade do seu exercício. LC 101/01) – o diploma estabeleceu regras sobre a elaboração do orçamento público. LRF) • Repasses constitucionais e legais. Lei 4320/64. é debatida pela doutrina à luz do pacto federativo (art. A constitucionalidade do art. LRF. O art. 25.

p. 14.184 Na receita corrente líquida. educação básica. . “caput”. Apresentam algumas características: . I ou II. como lembram Führer e Führer (2001. FPE. para garantir a extrafiscalidade na União na economia nacional. Sua implementação depende do cumprimento das condições explicitadas no art. • Receitas de ICMS (LC 87/96). IV. como elevação de base de cálculo. 2º. A medida que importe em renúncia em receita só entra em vigor depois que a medida compensatória já tiver sido implementada (art. § 1º. etc. . § 2º. Essas exigências não se aplicam em se tratando de renúncia de II. § 3º.Contrapartida em receita suficiente. o Pagamento de servidores públicos (despesa corrente de custeio). “caput”. o Inexistência de prejuízo aos resultados previstos no Anexo de Metas Fiscais (objetivos de arrecadação). I. de benefícios fiscais. não podendo o ente gastar mais que pode. NE e CO. 60. CF/88). LC 101/00).Documentação. LRF): • Receitas e despesas com ensino (parcela obrigatória para fundo – art. de alíquotas ou criação de impostos ou contribuições. . A regra geral para a determinação da despesa é da não-afetação orçamentária (art. mediante expressa consideração na lei orçamentária. CF/88).Previsão em lei específica. 14. § 3º. o Previsão na LDO. 167. II. representa qualquer evento jurídico que gere a redução das entradas nos cofres públicos. Também não têm vez no caso de cancelamento de débito perante a Administração pelo baixo valor (art. fundo para desenvolvimento do N. LRF: o Projeção do impacto econômico-financeiro no orçamento do mesmo exercício e nos dois posteriores. (art. LRF). § 1º. 25). IE. o Serviço da dívida (cumprimento empréstimos públicos). ADCT). de obrigações adquiridas em o Formação de fundos especiais constitucionais (erradicação e combate à pobreza. ou seja. ou o Compensação por adoção de outras medidas (aumento de receita). de sorte a provar sua origem e destinação. de reduções de base de cálculo. 14. 14. 77. social de emergência). 14. LRF). Despesas públicas – representam todo gasto ou dispêndio público. LRF). ADCT. estão incluídas (art. IPI e IOF (art. Mas há esceções: o Saúde e ensino (arts. A renúncia de receita ocorre basicamente nas hipóteses de isenções tributárias. FPM. e 212.

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A parte de despesas com pessoal está desenhada nos arts. 19 e 20, LRF. DESPESA COM PESSOAL – definição está no artigo 18, “caput”, LRF, incluindo terceirização de mão-de-obra (art. 18, § 1º, LRF). • Para cálculo, somar despesa do mês corrente com os 11 anteriores (art. 18, § 2º, LRF). • Limites: 50% para União e 60% para Estados e Municípios (art. 19, I a III, LRF). • Estão excluídos do limite (art. 19, § 1º, I a VI, LRF): o Indenização por demissão ou voluntária; o Convocação extraordinária do Congresso Nacional; o Precatórios relativos a exercícios anteriores; o Gastos com pessoal do DF e dos Territórios; o Inativos com contribuição em RPPS. • Percentuais por órgãos (art. 20, I a III, LRF): o Federal: 2,5% para Legislativo, 6% para Judiciário, 40,9% para Executivo e 0,6% para MPU; o Estadual: 3% para Legislativo, 6% para Judiciário, 49% para Executivo e 2% para MPE; o Municipal: 6% para Legislativo e 54% para Executivo. AUMENTO DE DESPESA NULO – 180 dias antes do término do mandato no Poder ou em órgão (art. 21, parágrafo único, LRF). O texto do art. 21, “caput”, LRF, fala em ato que importe em aumento de gastos com pessoal sem observar os ditames legais. No ponto, será considerado nulo. No magistério de Oliveira e Horvath (2003, p. 89), o termo “ato”, exprimido pelo legislador, diz respeito aquele concreto. O ato legislativo em sentido estrito (lei, decreto legislativo, resolução, etc.) aqui não se enquadra, porquanto não tem o condão de gerar despesa materialmente. Nesse passo, a criação de cargo, por meio de lei, não importa em majoração de gastos com pessoal. O que provocará o dispêndio é seu provimento, a partir do qual o agente público fará jus a seu vencimento. SE PERCENTAL COM PESSOAL CHEGAR A 95% DO LIMITE – não pode aumentar vencimentos, criar cargos, mudar carreira, contratar mais agentes públicos (salvo educação, segurança, saúde e sessão extraordinária do CN) ou contratação em regime de hora extraordinária (art. 22, parágrafo único, I a V, LRF). Quando o percentual ultrapassar 90%, cabe ao TC alertar o Poder ou órgão sobre a temeridade da situação (art. 59, § 1º, II, LRF). NÃO CUMPRIMENTO DO LIMITE – nos dois quadrimestres seguintes, o administrador deverá levar a cabo as seguintes medidas: • Extinção de cargos e funções ou redução dos vencimentos respectivos;

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• Redução da jornada de trabalho, com respectiva redução de vencimentos; • Redução de despesas com cargos em comissão e funções de confiança, não sendo possível a redução de jornada atrelada à diminuição de vencimento246; • Exoneração de servidores não-estáveis; • Exoneração de servidores estáveis, com extinção dos respectivos cargos, sendo essa medida autorizada somente depois das anteriores (art. 169, § 4º, CF/88), fazendo jus o exonerado a uma indenização de um mês de vencimento por ano de serviço (art. 169, § 5º, CF/88) – o cargo não poderá ser recriado nos próximos quatro anos (art. 169, § 6º, CF/88). A escolha dos estáveis a serem exonerados se dá de acordo com os critérios da Lei 9801/99: menor tempo de serviço, maior remuneração, menor idade, etc. (OLIVEIRA e HORVATH, 2003, p. 92). A lei ainda permite, como medida alternativa, a redução de valores de pagamento ou a redução temporária da jornada de trabalho com a conseqüente diminuição de vencimentos temporariamente (art. 23, §§ 1º, “in fine”, e 2º, LRF), no entanto esses comandos estão suspensos por cautelar ajuizada no STF247. Se ainda o ente não conseguir se adequar às balizas legais, não pode receber transferência voluntária, garantia de outro ente ou contratar operações de crédito (art. 23, § 3º, I a III, LRF), salvo refinanciamento da dívida mobiliária e financiamento de gastos com redução de despesas com pessoal. O art. 169, § 2º, CF/88, ainda fala em impedimento de recebimento de receitas transferidas obrigatórias. O art. 15, LRF, considera a geração de despesas ou assunção de obrigação pelo Estado em desacordo com as condicionantes mínimas dos arts. 16 e 17, LRF, como ato ilícito. O aumento de despesa por criação, expansão ou aperfeiçoamento de ação governamental depende do cumprimento de alguns requisitos (art. 16, I e II, LRF): Demonstração do impacto econômico-financeiro no exercício atual e nos dois seguintes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Compatibilidade com a LDO e com plano plurianual, mediante declaração do ordenador de despesas. A regra do art. 16, I e II, LRF, não se aplica paras despesas públicas irrelevantes, entendidas como aquelas que não oferecem impacto considerável,

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Na ADIn 2238, rel. Min. Ilmar Galvão, o STF suspendeu a eficácia do art. 23, § 1º, “in fine”, e 2º, LC 101/00, com base na irredutibilidade de salários e de vencimentos (art. 37, XV, CF/88). 247 STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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de acordo com a LDO (art. 16, § 3º, LRF). Ex.: aquelas que podem ser realizadas sem licitação. Aumento de despesa do RGPS que importe concessão legal de benefício, expansão quantitativa das prestações e reajuste de valores pagos não precisa ser compensada (art. 24, § 1º, I a III, LC 101/00), o que se aplica em toda seguridade (art. 24, § 2º, LC 101/00). O art. 17, “caput”, LRF, trata das despesas obrigatórias de caráter continuado (despesa corrente ou operacional de mais de um exercício), isto é, aquelas decorrentes de lei, de MP ou de ato administrativo normativo que fixe sua realização em interregno superior a dois anos. Devem atender aos seguintes pressupostos (art. 17, §§ 1º e 2º, LRF): Estimativa de impacto econômico-financeiro pelo exercício presente e dois subseqüentes; Demonstração da existência de receita suficiente a custeá-las; Estar de acordo com os resultados preconizados no Anexo de Metas Fiscais; Compensação por outras medidas a amortizar o débito nos exercícios posteriores, como aumento de tributo ou redução permanente de despesa. Não se aplicam as condicionantes do art. 17, §§ 1º e 2º, LRF, quando se trate de reajuste de vencimento de servidor público ou de despesa relativa ao pagamento da dívida pública (art. 17, § 6º, LRF). Despesas emergenciais ao setor privado só são possíveis mediante: • Prévia autorização legal; • Compatibilidade com a LDO; • Previsão em orçamento ou em crédito suplementar; • Não abrangência de instituições financeiras, incluindo empréstimos para recuperação e troca de controle acionário, salvo operações de desconto e empréstimos realizados pelo BACEN com prazo inferior a 360 dias – nesse último caso, os demais requisitos não precisam ser observados (art. 26, § 1º, LRF). LIMITAÇÃO DE EMPENHO – a cada bimestre, ultrapassado o limite estabelecido no anexo de metas fiscais, deve haver diminuição de gastos na forma da LDO (art. 9º, “caput”, LRF). No entanto, transferências e despesas constitucionais e legais não poderão ser afetadas, o pagamento da dívida pública e outras despesas especificadas na LDO. Se o Judiciário, o Legislativo e o Ministério Público não observarem a limitação de despesas, o Executivo tem franquia para tomar a frente e limitar os repasses de duodécimos (art. 9º, § 3º, LRF). Porém, esse último comando está com a eficácia suspensa pelo STF em sede de cautelar248.
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

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• Não serão limitados os gastos constitucionais, legais e previstos na LDO (art. 9º, § 2º, LRF). Oliveira e Horvath (2003, p. 91) admitem transação dos débitos da Fazenda Pública com condenação transitada em julgado, mesmo que sejam incluídos uns e excluídos outros credores. O fulcro seria a vantagem, porque haveria concessões recíprocas. No ponto, os autores admitem até mesmo a negociação no período eleitoral, ou seja, seis meses antes do término do mandato eletivo, desde que haja um juízo de razoabilidade e de que não exista razão de fundo eleitoreiro. VEDADA TRANSFERÊNCIA VOLUNTÁRIA – a ente estatal que não tenha previsão e execução de todas receitas tributárias cabíveis (art. 11, parágrafo único, LRF). • Receitas de operações de créditos devem ser menores ou iguais às despesas de capital previstas em LO anual (art. 12, § 2º, LRF). No entanto, esse dispositivo encontra-se com a eficácia suspensa pelo Supremo249. TRANSFERÊNCIAS VOLUNTÁRIAS – têm como atendimento dos seguintes requisitos (art. 25, § 1º, I a IV, LRF):
• Condições estabelecidas na LDO; • Existência de dotação específica na LO anual; • Proibição de transferências para pagamento de pessoal da ativa,

pressuposto

o

inativos ou pensionistas dos Estados, DF e Municípios (art. 167, X, CF/88);
• Contas em dia com o órgão transferidor, inclusive com referência a

recursos anteriormente recebidos;
• Aplicação dos percentuais constitucionais quanto à saúde e à educação; • Observância dos limites em operações de crédito (inclusive antecipação

de receita), restos a pagar, total da dívida mobiliária e consolidada e despesa total com pessoal;
• Contrapartida na LO orçamentária.

Obs.: é vedada destinação diferente da pactuada, cujas sanções não se aplicam à saúde, educação e assistência social (art. 25, §§ 2º e 3º, LRF). CAIXA DOS RPPS – não pode ser aplicado na compra de valores mobiliários do próprio ente (Estados e Municípios) nem para empréstimos de qualquer natureza aos segurados e ao Poder Público, incluindo empresas controladas (art. 43, § 2º, I e II, LRF). O art. 24, “caput”, LC 101/00, repete a regra da contrapartida quanto à seguridade social (art. 195, ° 5º, CF/88). Os Municípios com fundo previdenciário de RPPS devem observar o limite de 12% sobre a receita líquida nos gastos com inativos. Quando o percentual for ultrapassado, o TCE (ou TCM) deve alertar (art. 59, § 1º, IV, LC 101/00).
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STF, Plenário, ADI 2238 MC/DF, rel. orig. Min. Ilmar Galvão, rel. p/ o acórdão Min. Carlos Britto, j. 8.8.2007, Informativo do STF n° 475.

12. “caput” e parágrafo único. LRF). 51. 53. • Dívida ativa tributária e não-tributária – a primeira engloba todos os tributos. § 2º. 39. § 1º. 9º. a anualidade na sua instituição não foi ditame observado pelo constituinte nas limitações ao poder de tributar (art. da conversão de bens e direitos em renda ou de repasse de outras pessoas para o pagamento de despesas de capital (art. RECEPÇÃO – em decorrência da disposição do art. DF e Municípios (art. 165. sendo aplicável no que não conflita com a LRF. etc. § 9º. Lei 4320/64). “caput”. multas e créditos da Fazenda Pública lançados e não recolhidos ou cobrados no exercício de origem. 11. • Receitas de capital – são aquelas decorrentes do pagamento de dívidas. Lei 4320/64). Lei 4320/64). limitação de empenho fica dispensada (art. § 2º. 1º. Lei 4320/64). Todavia. 74. a Lei 4320/64. . 66. Lei 4320/64). 60 LRF). • Receitas correntes – são aquelas de origem tributária. patrimonial. LO DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS – poderão estabelecer limites menores para dívida fundada. deve observar a legalidade estrita (art. PIB MENOR QUE 1% – prazos para adequação da despesa com pessoal e da dívida consolidada são duplicados (art. foi recepcionada pela ordem constitucional de 1988 como LC. 65. Estados. “caput”. Sua exigência. sem embargo do controle popular ou privado (art. desde que destinadas a despesas correntes (art. e 71. a segunda compreende as dívidas para com o Estado não sujeitas a lançamento ou não lançadas até então (art. industrial. DEFINIÇÕES: • Tributo – está definido no art. “caput” e § 1º. CF/88). ESTADO DE DEFESA OU DE SÍTIO – prazos suspensos para atendimento dos resultados fiscais. dentre outros princípios. I e II. “caput”. 11. ou proveniente de repasse de outras pessoas. operações de crédito e concessão de garantia (art. 59. II e parágrafo único. Lei 4320/64. LRF). 70. CALAMIDADE PÚBLICA. CF/88). • Lançamento – é o ato de verificação da procedência do crédito tributário e a designação da pessoa devedora.. inscrevendo-se o débito na chamada dívida ativa da Fazenda Pública (art. I. DESTINATÁRIOS – o diploma em relevo deve ser observado por todos os entes políticos: União. CF/88). • Despesas de custeio – destinadas a manter serviços anteriormente criados (art. CF/88. Lei 4320/64). Lei do Orçamento (Lei 4320/64) – também traz regras orçamentárias. mobiliária. 150. LRF. Lei 4320/64). § 1º.189 FISCALIZAÇÃO ORÇAMENTÁRIA (órgãos) – é feita pelo Legislativo (com auxílio do TC) e pelo controle interno de cada órgão (arts. I a VI.

Lei 4320/64). não têm cunho social de atendimento do interesse público na prestação de serviço também público. • Transferências de capital – são empréstimos entre entes da federação (art. Lei 4320/64). 42. • Investimentos – são dotações para o planejamento e a execução de obras. Lei 4320/64). no mesmo raciocínio. ao contrário dos investimento. ficando evidente o caráter social. § 3º. 40. Lei 4320/64). § 3º. e 18. As inversões. comunicando-se . I a III. § 5º. Obs. As primeiras são repasses de verbas destinados a entidades prestadoras de serviços públicos essenciais (sociais – saúde. • Créditos adicionais – são as autorizações de despesa não computadas ou insuficientes na Lei de Orçamento (art. Já os extraordinários seriam abertos diretamente por decreto executivo. 12. 19. “caput”. é vedado auxílio financeiro para investimentos em empresas lucrativas (art. 12. 12.: não haverá subvenção econômica a empresa de fim lucrativo. comoção intestina ou calamidade pública) – art. visto que sua principal finalidade é cobrir seus déficits. • Subvenções – são dotações destinadas a cobrir despesas de custeio de entidades beneficiadas (art. desde fique patente o caráter econômico da operação. Lei 4320/64). aquisição de instalações. § 4º. § 2º. 41. podendo ser sociais ou econômicas (art. 16. Tem por finalidade majorar os meios das entidades estatais de fins econômicos. 12. 12. podendo ser suplementares (para reforço). como guerra. Lei 4320/64). § 6º. Lei 4320/64). Lei 4320/64). “caput”. Os especiais e suplementares dependem de prévia autorização legislativa e de recursos disponíveis. Lei 4320/64). Lei 4320/64. porque aí constituiria subvenção social. educação e assistência social).190 • Transferências correntes – são dotações de despesas das quais não decorra contraprestação direta em bens ou serviços (art. “caput”. Lei 4320/64). • Inversões financeiras – compreendem aquisição de imóveis e bens de capital ou repasse da verba da Administração Direta para Indireta (art. 12. 21. I e II. Em qualquer caso. as subvenções não implicam em contraprestação da entidade beneficiada. Não pode dizer respeito ao custeio do beneficiário. especiais (não constantes do orçamento) e extraordinárias (para despesas urgentes e imprevisíveis. salvo menção expressa em lei (art. ressalvado o custeio de suas atividades. Lei 4320/64). inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à realização destas últimas. bem como para os programas especiais de trabalho. enquanto as segundas são dirigidas a empresas governamentais ou particulares (arts. as quais serão arcadas mediante subvenções econômicas. sendo abertos por meio de decreto do chefe do Executivo (art. equipamentos e material permanente e constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro (art. I a III. Os investimentos representam dotação orçamentária para entidade para maximizar a prestação de serviços públicos.

• Nota de empenho – documento que expressa o ato de assunção da obrigação de pagamento da Fazenda Pública para com credor. • Pagamento de despesa – é o despacho de autoridade competente com ordem para pagar a despesa (art. § 7º. § 3º. É documento que certifica a origem do gasto. estão incluídos . “caput”. Mediante previsão em despesa mensal. com identificação do credor. “Ex vi” dos arts. Lei 4320/64). desde que prevista no orçamento. Toda despesa depende de prévio empenho (art. • Fundo especial – é aquele cuja receita decorre de vinculação prevista em lei (art. Lei 4320/64).191 posteriormente o Legislativo (art. “caput”. § 2º. bem como a dedução do saldo disponível (art. O documento é elaborado pelo setor de contabilidade (art. 98. “caput” e § 1º. Lei 4320/64). Lei 4320/64). parágrafo único. e 30. • Empenho global – é aquele sem discriminação de itens. 15. 64. Lei 4320/64). 59. 44. No entanto. do objeto (motivo) e da quantia a ser paga. Lei 4320/64). de sorte a enquadrá-lo dentro da despesa mensal. 62 e 63. dentro da lei orçamentária anual. o gasto público fica facultado para o administrador. • Unidade orçamentária – é a unidade de bens e serviços subordinada ao mesmo órgão ou repartição (art. • Liquidação de despesa – é a verificação do crédito para com a Fazenda Pública. 60. Lei 4320/64). Lei 4320/64) – ato de autoridade competente que cria obrigação de pagamento para o Estado. Lei 4320/64). 71. § 3º. • Dívida fundada (ou consolidada) – é obrigação estatal com exigibilidade maior que 12 meses (art. sendo permitido para obrigações contratuais de trato sucessivo (parcelamento) – art. além dos precatórios não pagos. 62. “caput”. contendo nome desse. sendo “conditio sine qua non” para o pagamento (arts. segundo dotações de orçamento específicas. “caput”. devendo se restringir ao limite de crédito correspondente (art. 29. Tem por finalidade dar certeza à Administração acerca da despesa. LRF. 60. natureza e valor da despesa. Lei 4320/64). 65. a qual é o único meio hábil instituí-lo (reserva legal). “caput”. • Elemento – é a unidade mínima a ser discriminada na planilha orçamentária (art. Cada categoria de despesa é prevista. a dívida com prazo menor que 12 meses. 14. CF/88. Lei 4320/64). Lei 4320/64). a teor do que dispõe o art. o Presidente da República (e os governadores e prefeitos que têm vênia legal para tal) deve abri-lo por meio de MP. • Empenho (art. Lei 4320/64. “caput”. 60. 58. “caput”. Lei 4320/64). Lei 4320/64). 64. • Empenho por estimativa – é permitido quando não for possível determinar o valor preciso da despesa (art. 61. É efetivado pela tesouraria ou órgão congênere (art.

O Estado de Direito e o princípio republicano mudaram o cenário. 101). p. 23). cit. 2003. I e III. com caráter politicamente neutro (OLIVEIRA e HORVATH. o qual poderá ocorrer no exercício seguinte) ou de caixa (em que a despesa é considerada somente no exercício em que for efetuado o pagamento). • Resultado primário – é a diferença entre receita e despesa. talhada por Silva. por meio de instituições populares. excluindo-se a dívida pública (principal e juros). vinculação do governante às decisões tomadas. 2003.. passa a ser político e extrafiscal (OLIVEIRA e HORVATH. O orçamento é tido como instrumento de intervenção estatal na economia. sob pena de inefetividade do instituto (OLIVEIRA e HORVATH. era mera peça contábil. dentro da idéia de democracia participativa. p. controle de sua execução também pelo povo. outro. depósitos e débitos de tesouraria (art. vigorava a irresponsabilidade do governante (rei). Historicamente. • Dívida flutuante – é formada por restos a pagar (dívidas não pagas até 31 de dezembro do exercício de geração). Passa de diploma a colimar somente equilíbrio financeiro. I a IV. 107). 2003. p. III. e 44. Nesse passo. • Dotação – é a quantia prevista no orçamento para determinado tipo de despesa. op. 2003. Posteriormente. p. como decorrente da democracia participativa (SILVA. 1996. a consulta popular orçamentária. p.. citando Genro. asseveram que há três ordens de mecanismos precípuos a tornar legitimo e efetivo o orçamento participativo: critérios firmes para aferir a verdadeira vontade popular. O orçamento não pode ser mera peça financeira. 1996. III. “f”. 105).192 na dívida consolidada. Para Ricardo Lobo Torres (apud OLIVEIRA e HORVATH. nem apenas simples plano de governo. 4º. 92. . os mesmos autores mencionam a concretização do orçamento participativo municipal. 2003. CF/88). independentemente do efetivo pagamento. p. o orçamento é instrumento de efetivação da dignidade humana e da justiça distributiva (arts. 11ª ed. • Resultado nominal – é o resultado único das receitas menos as despesas. São Paulo. Lei 10257/01250. Curso de Direito Constitucional Positivo. No início. Lei 4320/64). serviço da dívida a pagar. não constitui simples fato opinativo. É exatamente nessa segunda seara que estaria incluído o orçamento participativo. 106). 99). p. os autores afirmam a existência de dois centros de poder: um residente no exercício do voto pelo povo. à luz dos arts. Com efeito. 250 Oliveira e Horvath. Trata-se de dívida de curto prazo (FÜHRER e FÜHRER. passim). O Brasil adota um sistema misto: regime de competência para despesas e de caixa para receita. Malheiros. incluindo a dívida pública. e 3º. fazendo com que o orçamento se limitasse a uma “peça de ficção”. 1º. 23) a definem com dívida de médio e longo prazo. valores magnos da democracia atual. Führer e Führer (2001. 2001. mas representa o compromisso político de cumprimento de promessas sérias levadas ao povo (OLIVEIRA e HORVATH. Para exemplificar a colocação. • Regime orçamentário – pode ser de competência (que observa apenas a data do fato gerador da despesa – empenho –.

Alienações de bens. quanto às despesas. 11 e 12. • Transferências de capital.Transferências de capital (empréstimo a fundo perdido).193 porque é através dele que se concretizam as prestações inerentes aos direitos sociais. Serviços. . Transferidas. § 4º. 11.Amortização de empréstimos. Lei 4320/64): . As despesas de capital são as seguintes (art. As receitas de capital são as seguintes (art. Receitas correntes são as seguintes (art. os autores aceitam a tese da lei em sentido material. Lei 4320/64): De custeio. Despesas de capital são relacionadas com investimentos do Estado em certo setor ou perante determinada necessidade pública. de cunho temporário e de “status” ordinário. As despesas correntes são as seguintes (art. decorrente do seu poder de imposição ou de sua atuação como ente privado. . “caput”. p. A Lei 4320/64 traz a classificação legal de receitas e despesas nos seus arts. Receitas correntes são aquelas que resultam da atividade do Estado de uma forma ampla. . § 4º. Lei 4320/64): Patrimoniais. . “caput”. com o intuito de manter a “máquina estatal”. 12. Despesas correntes são realizadas no custeio do Estado. 11. seria autêntico ato administrativo. Industriais. assim como as despesas. Quanto às receitas. 12.Operações de crédito. Resultantes das transferências correntes. Tributárias. Lei 4320/64): • Investimentos. 10-103) advogam pela natureza de lei em sentido formal do orçamento. Agropecuárias. COntribuições. Receitas de capital são aquelas que têm origem na assunção de dívida. Oliveira e Horvath (2003. As receitas podem ser correntes ou de capital.

17. 167. LRF. consubstancia documento programático. LDO e lei orçamentária anual (art. I a III. do RGPS. “caput”. universalidade e anualidade (FÜHRER e FÜHRER. demonstrando a política econômico-financeira e o programa de trabalho do Governo. . O art. como auxílios e subvenções). do RPPS e do FAT. as quais executam atividade econômica “stricto sensu” – art. I. situação dos fundos. CF/88. ADCT). 2001. demonstrativo de renúncia de receita (art. obedecidos os princípios de unidade. objetivando as intenções da Administração por um período de quatro anos.194 Orçamento – é uma lei em sentido formal. § 2º. É um desdobramento do planejamento programa. vinculando o ente público. 173. I. Plano plurianual – o plano plurianual estabelece um planejamento macro. §§ 1º e 2º. § 1º. contendo a discriminação da receita e da despesa. Obs. § 2º. sob pena de responsabilização do administrador (arts. LRF). qualquer despesa que perdure por mais de um exercício depende de previsão ou compatibilidade com o plano plurianual. fixando as atividades governamentais pelo decurso indicado. São previstas somente despesas de capital (investimento) e obrigatórias de duração continuada (art. com devolução pelo CN até o fim da sessão legislativa (art. Lei de diretrizes orçamentárias – a LDO estabelece as metas e prioridades da Administração pelo decurso de um ano. metas do ano anterior. a LDO estabelece diretrizes para a elaboração do orçamento (lei de orçamentária anual). O plano plurianual é composto por despesas de capital e decorrentes de programas de duração continuada. LRF). § 1º. receitas. LRF). as inversões financeiras (injeção de capital em empresas governamentais. qual seja o Anexo de Metas Fiscais. 4º. traz outros elementos da LDO. correspondente à anualidade do orçamento estabelecido pela lei orçamentária anual.: faz parte da Lei de Diretrizes Orçamentárias (art. tal qual estabelece o art. Anexo de metas fiscais – metas anuais em despesas. resultados nominal e primário e montante da dívida pública nos três anos seguintes. CF/88) e as transferências de capital (receitas transferidas excepcionalmente para outras entidades da Administração. CF/88). § 1º. 4º. 35. LRF). ressalta-se a previsão do art. 4º. p. 165. Dentre eles. As despesas de capital abarcam os investimento (obras realizadas pelo Poder Público). § 5º. estabelecendo o comportamento da Administração perante o dinheiro público. CF/88. estabelecendo as formas como esse será implementado ao longo do exercício seguinte. Configura um planejamento mais imediato que o plano plurianual. Orçamento é a peça técnica que demonstra as contas públicas para um período determinado. Ao mesmo tempo. Deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até o dia 30 de abril do primeiro ao de governo. Há três tipos de lei que o compõem: plano plurianual. as quais serão realizadas em prazo superior a dois exercícios. 165. comparativo com os três anos anteriores quanto ao patrimônio líquido. I a V. Ademais. §§ 1º. LRF. “caput”. e 5º. 18). 3º e 4º. 4º. Por conseqüência.

de obrigação contraída.Critérios para transferências voluntárias (inversões financeiras e transferências de capital). a teor do que determina o Anexo de Riscos Fiscais e outros fatos imprevistos no decorrer do exercício de execução. Justificativa das despesas e receitas. § 2º. contendo receita dos três exercícios anteriores. Exposição e justificação da política econômico-financeira. O Anexo acompanha o projeto de LDO (art. . uma previsão e um diagnóstico em relação a seus itens constitutivos. 165. é um documento que estipula as metas em receitas. o Especificação dos programas especiais de trabalho a figurarem como dotação global (investimentos). suplementares e extraordinários. do ano da proposta e do ano da aplicação.: não é possível a previsão de crédito com finalidade imprecisa ou ilimitado. despesas. além de despesa do exercício anterior. o Tabelas explicativas.Parâmetros das políticas monetária. creditícia e cambial. ou seja.Definição de despesas irrelevantes.Consonância com o plano plurianual. . além de analisar o realizado nos três anteriores.195 De uma forma geral.Previsão de restos a pagar. COMPOSIÇÃO DA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA (art.Créditos adicionais: especiais. cuja competência exclusiva é do chefe do Executivo (art. Lei 4320/64): o Mensagem do chefe do Executivo contendo: Exposição da situação econômico financeira (dívida fundada. item atinente somente à União.Limitação de empenho. consubstancia a realização desse no exercício seguinte. . ADCT). 22. do ano da proposta e do ano da aplicação. o qual deve incluir a reserva de contingência.Anexos de metas e de riscos fiscais. com devolução até o fim do período legislativo correspondente (art. 35. saldos de crédito especial. na verdade. de sorte a orientar a elaboração da lei orçamentária anual. LRF). Podem ser destacados os seguintes elementos componentes: . I a IV. § 1º. . restos a pagar e outro compromissos). flutuante. . “caput”. incluindo metas de inflação. simultaneamente. CF/88). . resultados e montante da dívida pública para o exercício de referência e os dois próximos. Obs. o Projeto de lei do orçamento. . 4º. II. . Traz. O projeto de LDO deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até dia 15 de abril do ano anterior à sua vigência.

166. • Concessão para instalação ou funcionamento de serviço não criado anteriormente. por imperativo lógico. 32. por analogia. O projeto de orçamento anual deve ser apresentado até o final de agosto do ano anterior à sua execução (art. O projeto do plano plurianual. I a III. CF/88. deve ser apresentado pelo chefe do Executivo até quatro meses antes do final do primeiro exercício. • Concessão de dotação para início de obra não aprovada pelos órgãos competentes. § 3º. “a” a “d”. 35. usa-se o orçamento anterior até a aprovação do atual. 166. 35. ou seja. De outra parte. ADCT)251 leva à adoção do compêndio atualmente em vigor (art. ADCT). quando não houver aprovação e o ano de execução já se inicia. p. só sendo possível mediante a anulação de outro gasto. temse aplicado. aplica-se a previsão do art. 137) lembram que devem existir atualizações monetárias para os valores. CF/88. por meio de créditos especiais e suplementares. O projeto da LO anual deverá ser apresentada ao Poder Legiferante até quatro meses antes do encerramento do segundo período legislativo referente ao exercício anterior de sua vigência. • Concessão de dotação superior àquelas fixadas anteriormente por resolução do Legislativo. 35. devendo ser restituído pelo Legislativo até o final do primeiro período legislativo – 17 de julho. tendo em conta o realizado e o saldo restante. QUADRO DE RECURSOS E DE APLICAÇÃO DE CAPITAL – descreve as receitas e despesas de capital para um triênio ou mais (art. CF/88). o art. além de guardar-se juízo lógico quanto a créditos exauridos ou não previstos. sendo certo que o Parlamento deverá encaminhá-lo para sanção presidencial até o final do decurso considerado – 22 de dezembro. 166. Indicação da correspondente receita a custear a despesa. ADCT). Lei 4320/64). 32. Nessas hipóteses.: o não envio da proposta orçamentária no prazo legal (art. III. 35. contidos no orçamento anterior. Que trate de serviço da dívida. devendo ser aprovado até o fim da sessão legislativa. III. 23. § 2º. devendo ser devolvido para sanção até o final da correspondente sessão legislativa (art. § 8º. de acordo com o art. Oliveira e Horvath (2003. I e II. VEDAÇÕES A EMENDAS À LEI DE ORÇAMENTO (art. § 2º. o constituinte estatuiu outros requisitos para emenda à LO anual (art. a teor do mesmo dispositivo já mencionado (art. ADCT). § 2º. 251 . A proposta da LDO deve ser encaminhada ao CN até oito meses e meios antes do exercício financeiro ao anterior de sua vigência. II. 57. o quadro deve ser atualizado. salvo erro material (art. considerando o estimado na proposta inicial. 35. Além dessas previsões. “caput”. dotação de pessoal e correspondentes encargos. de transferências constitucionais da União aos demais entes federados. A cada ano. CF/88): Concordância com o plano plurianual e com a LDO. Lei 4320/64).196 Obs. § 2º. com redação dada pela EC 50/06 (art. 33. I. § 2º. III. a viger durante os quatro anos do mandato eletivo. ADCT). Lei 4320/64): • Alteração de dotação para despesa de custeio já aprovada. “a” e “b”. A inexistência de deliberação do CN pode suscitar convocação extraordinária do Legislativo. “caput”. § 3º. Lei 4320/64. autorizando-se as despesas uma a uma.

LRF). 36. Caso se refira a despesa de plano plurianual. AUTORIZAÇÃO PARA O EXECUTIVO – a lei orçamentária anual poderá conter autorização para a Administração abrir créditos suplementares e realizar operações de crédito para antecipação de receita. demonstrativo de impacto regionalizado de despesas e receitas. o próprio orçamento indicará as fontes de receita.197 EMENDAS À LDO – devem observar o plano plurianual (art. Lei 4320/64). mas não liquidadas até tal data (art. II e § 2º. § 4º. A lei orçamentária anual é regida por princípios. LRF). desde que conste em campo apartado dentro do orçamento e seja observada. Nas operações de crédito. 6º. 37. já comentada). CF/88). A atualização monetária da dívida pública tem como teto a variação preços prevista na LDO ou em lei específica (art. sendo incluída despesa do Banco Central do Brasil (BACEN – art. Lei 4320/64). 7º. Pela universalidade. 3º. 36. dentro do possível. observância do plano plurianual e da LDO (art. Lei 4320/64). há abrangência de todas as despesas e receitas dentro do ente político considerado (arts. LRF). dependendo. são vedados crédito não específico e dotação ilimitada (art. a despesa poderá ser saldada no exercício posterior. Deverão estar previstas e serem pagas no orçamento posterior. parágrafo único. porquanto o princípio da anualidade foi excluído do rol das limitações constitucionais ao poder de tributar (art. 5º. dotação de despesa em LO não pode ultrapassar exercício. 2º “caput”. I a VI. Ademais. tudo dentro de cada elemento (art. sendo certo que a alienação de imóveis depende de prévia autorização legislativa (art. 4º e 57. LRF). § 4º. Lei 4320/64). parágrafo único. I. Na LO. 3º. Lei 4320/64). reserva de contingência de acordo com o anexo de riscos fiscais. nesse último caso. Pelo desiderato em tela. Esse ditame não se aplica integralmente às receitas tributárias. dentre os quais se destacam: Universalidade – todas as receitas e despesas devem estar previstas no orçamento. “caput”. Lei 4320/64). 150. será liquidada no seu último ano de vigência (art. § 3º. 5º. LRF). de déficit de caixa. demonstrativo de medidas de compensação para renúncia de receita e para aumento de despesa. o orçamento incluirá a elaboração de três peças distintas: o orçamento fiscal (da Administração . Entretanto. CF/88). RESTOS A PAGAR – são as despesas empenhadas até 31 de dezembro do exercício previsto. 5º. visto que a instituição ou majoração de tributos não obedece mais. Conteúdo da LO anual – compatibilidade com o anexo de metas fiscais. à anualidade (Súmula 66 do STF. não se incluem no orçamento anual as operações de crédito por antecipação de receita. as emissões de papel-moeda e outras entradas compensatórias (art. 166. Havendo receita específica disponível. Também não se baliza pela universalidade os tributos instituídos durante o exercício de execução do orçamento. § 5º. 5º. salvo se incluído no plano plurianual (art. “caput”. 5º. I a III. desde a promulgação da CF/88. a ordem cronológica.

CF/88. CF/88). Em melhores termos. CF/88. Esse comando não ofende a unidade. Obs. o orçamento da seguridade social (inclusive entidades mantidas pelo sistema). 165. 34. Essa regra é excepcionada no tocante à autorização para concessão ou obtenção de créditos suplementares (art. de sorte a fazer uma projeção estimada desses gastos. há sua divisão em três contas diversas. O orçamento fiscal inclui todas as despesas e receitas da União e de suas entidades correlatas. 5º. A lei orçamentária anual. em que pese o orçamento ser único. 12. “caput” e parágrafo único. assistência social e previdência social) e fiscal (da Administração Direta e Indireta) – art. Entretanto. “caput”. Lei 4320/64) – despesas pertencentes à categoria econômica investimento (art. porque. Anualidade – é lei de vigência temporária. em outras aplicações e em programas especiais de trabalho (art. excetuando-se a seguridade social. salvo no caso de investimentos em projetos de obras. de sorte a corrigir uma dotação orçamentária deficiente ou insuficiente. o orçamento é um só diploma que regula toda a matéria. 20. ou seja. CF/88. Não haverá. não se admitindo dotações globais (art. o orçamento não pode conter matéria diferente daquela atinente à sua essência. da seguridade social (relativa às ações de saúde. § 5º. Exclusividade – no orçamento.: deve haver discriminação da destinação da despesa. de 1º de janeiro a 31 de dezembro (art. Esses são aqueles que visam a redistribuição entre as categorias de despesas. Unidade – a peça orçamentária é única. O orçamento da seguridade social engloba todas despesas e receitas relacionados ao sistema. fez o .198 Direta e Indireta de todos os Poderes). De acordo com a unidade. matéria estranha à sua essência. a incidir no exercício financeiro. englobando todos órgãos e entidades do Estado e aqueles a ele ligados. Lei 4320/64). Lei 4320/64). irá tratar dos orçamentos da seguridade social. 194. o orçamento de investimentos (transferências de capital para empresas governamentais). a peça orçamentária deverá ser dividida em três contas: de investimento (referente às empresas controladas pelo Estado). I a VI. § 4º. A implementação de créditos suplementares depende de pedido do administrador e autorização legislativa. O orçamento de investimento compreende a conta de todas as despesas e receitas das empresas que o Estado detenha a maioria de capital com direito a voto. Essa vênia prévia pode ser incluída na lei orçamentária anual. I a III. 165. somente estarão previstas receitas e despesas. incluindo a saúde. É princípio que diz respeito ao aspecto formal do orçamento. Lei 4320/64). 165. § 8º. a assistência social e a previdência social referente ao RGPS (art. O silêncio do constituinte no art. CF/88). fiscal e de investimento. nele. § 5º. segundo o art. 150.

p. 37. 142) lembram que não seria possível a vinculação de receitas transferidas. essa colocação tem autorizado o Judiciário intervir na seara do Executivo. II e III. § 8º. 108-109) chamam o orçamento de Lei de Meios. Podem integrar essa garantia receitas de impostos estaduais e municipais. CF/88 (serviços públicos essenciais) – e o custeio da máquina administrativa. e no art. CF/88. tal qual já delineado pelo STF na ADPF 45. Apesar de a execução de despesa (e sua previsão em orçamento) ser ato discricionário. XXII. de sorte a demonstrar sua total impossibilidade. § 2º. CF/88. . o administrador pode deixar de executar as despesas vinculadas. 77.199 desiderato não alcançar a instituição de tributos no exercício de execução do orçamento. 212. Oliveira e Horvath (2003. 157 a 159. Em sede de exceção. § 4º. 198. Aliás. verba de repasse do FPE e do FPM e percentual de transferência do IPI sobre expo’tações' (art. serviço da dívida. CF/88. No entanto. II e VII. 167. 116) destacam duas classes de despesas consideradas coercitivas ao administrador: as continuadas de caráter obrigatório – incluindo as incumbências previstas no art. Tanto é assim que Oliveira e Horvath (2003. muito pela jurisdicionalização de políticas públicas. De outra parte. há balizas que relativizam a atuação do administrador: saúde. como a razoabilidade e a proporcionalidade. Porém a discricionariedade do administrador na proposta e na execução do orçamento se baliza pela legalidade em sentido amplo. determina que as entradas definitivas decorrentes de impostos não podem se vincular previamente a despesa. “caput”. 165. etc. CF/88. quando existe situação premente. o mesmo dispositivo ressalva a máxima em estudo: o Repartição constitucional de receitas – estatuída nos arts. o Gastos mínimos com saúde – estabelecidos pelo art. I a XII. Não-afetação – o art. DF e Municípios. educação. Cediço concluir que a proposta orçamentária e sua consectária vênia legislativa acabam vinculando o administrador. verdadeira decisão política. incluindo os ditames do sistema posto. bem como na formação do FUNDEB (art. CF/88). pagamento de servidores. há dever jurídico do buscar-se o interesse público. o Gastos mínimos com educação – 18% para a União e 25% para os Estados. nos termos do art. o Gastos com a administração tributária – de acordo com o previsto no art. 23. CF/88. CF/88. IV. p. p. Além disso. 167. fundo ou programa. o qual deverá atuar dentro das condicionantes que se apresentam no plano fático. ADCT. CF/88). Devem ser obedecidos os parâmetros estatuídos na LRF para a constituição de crédito público. 60. o Garantias em operações de crédito por antecipação de receita – nos termos do art. Oliveira e Horvath (2003.

“caput”. O não exercício desse dever-poder no prazo assinado leva ao estatuído no art. No entanto. forte corrente. é designada comissão mista do CN para analisá-lo e emitir parecer. O art. 32. o chefe do Executivo pode enviar mensagem aditiva para alterá-los. § 2º. 20). o orçamento vigente prorrogar-se-ia para o exercício subseqüente. porquanto componente do projeto da LDO. LRF): • Demonstrativo do cumprimento do Anexo de Metas Fiscais (previsão e diagnóstico). 5º.200 A lei orçamentária observa a LDO e o plano plurianual concomitantemente (art. 212. “caput”. Antes do início da votação para deliberação no colegiado. assim como empenhar mais que o duodécimo da despesa prevista no orçamento vigente (art. LDO e LO anual). p. a jurisprudência tem flexibilizado os percentuais constitucionais obrigatórios em despesas com educação (art. Os projetos de lei da peça orçamentária são de competência exclusiva do chefe do Executivo (art. ficam proibidas operações de antecipação de receita no último ano do governo. ADCT). por analogia. p. 21). 165. operando autêntica ultratividade (OLIVEIRA e HORVATH. Até 30 dias antes de encaminhar o projeto de lei do orçamento anual. o Executivo deve deixar à disposição do MP. veda que prefeito assuma compromissos financeiros para serem cumpridos após o término do mandato. 32. capitaneada por Silva (1996). o art. para que esses elaborem proposta orçamentária própria. Depois de apresentado os PL’s das leis do orçamento (PP. § 2º. § 8º. “caput”. • Reserva de contingência para cobrir passivo contingente de ricos eventuais e fiscais imprevistos (Anexo de Riscos Fiscais. na linha do que determina o art. Lei 4320/64. • Demonstrativo regionalizado sobre o impacto de receitas e despesas (art. 59. I a III. 5º. § 1º. Lei 4320/64: a lei orçamentária vigente é a aplicável. isto é. Parte dos jurisconsultos entende que se aplicaria. No entanto. Lei 4320/54. componente da LDO – art. 2003). CF/88. A doutrina se debate acerca de um possível projeto de orçamento rejeitado na integralidade pelo Legislativo. 198. CF/88). Na esteira. naquilo que ainda não foi . CF/88) e saúde (art. 2001. como lembra Führer e Führer (2001. 165. e 77. 59. além de outros requisitos (art. conferindo-lhes os mesmos efeitos. 4º. CF/88 (FÜHRER e FÜHRER. defende que cada despesa deveria ser autorizada mediante lei específica. LRF). já que inexiste LC reguladora da situação. 166. § 6º. como foi o caso da declaração de inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da PIS/CONFINS. O STF equipara a não-devolução à rejeição total. § 3º. LRF). II e III. Lei 4320/64). • Estabelecimento das medidas de compensação relativas à renúncia de receita (aumento de tributos) e às receitas obrigatórias de duração continuada. A vedação foi estendida aos demais mandatários das demais esferas estatais pela LC 101/00. Legislativa e Judiciário a estimativas de receitas. CF/88).

o externo e o popular. salvo São Paulo e Rio de Janeiro (art. 166. dentro da leitura que o STF do art. CF/88). Terminada a análise pela comissão. 82. é amplo. p. rel. concomitante e subseqüente (art. Lei 4320/64). • Cumprimento do programa de trabalho orçamentário – atribuição da controladoria interna. legitimidade e economicidade (art. I a III. 21-9-94. não poderão versar sobre dotações de pessoal e seus encargos. § 4º. CONTROLE DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA – compreende três aspectos (art. Lei 4320/64). 102. mesmo dentro de projetos de lei de iniciativa exclusiva do Executivo. como já disse o STF. Min. I a III. EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – em vigor a LO anual. CF/88252. “caput” e § 1º. Câmara dos Vereadores pode submeter o documento à perícia prévia de contadores nomeados (art. 2003. 31. como é o caso das leis orçamentárias. § 6º. sendo objeto do balanço orçamentário (art. podendo adequá-lo na medida de sua execução (arts.050-MC. Espécies de controle – existem o interno. porquanto esse não o previu expressamente. Refere-se à aplicação da lei orçamentária. Lei 4320/64): • Legalidade – com controle “prévio”. 147). com a ressalva de que não mais existe o controle prévio). CONTABILIDADE – diz respeito a cinco tipos: • Orçamentária – preocupa-se exclusivamente com a execução do orçamento. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. O segundo pode ser concomitante ou subseqüente (art. O constituinte usou terminologia análoga para estabelecer os parâmetros de controle do orçamento: legalidade. § 5º. Obs. exarando-se parecer prévio do TC (art. 252 253 STF. O controle prévio orçamentário foi tacitamente excluído pelo constituinte. não existe TC nos Municípios. pois. apesar de ser admissível eventual discussão em sede de responsabilidade civil do Estado – art. Lei 4320/64). Lei 4320/64. 82. o PL é levado à apreciação pelo plenário das Casas Legislativa em sessão conjunta. § 3º. • Fidelidade dos agentes públicos responsáveis por bens e valores do erário. o Executivo abre “incontinenti” os créditos às respectivas unidades orçamentárias de forma trimestral. Lei 4320/64). CF/88). apresentadas na comissão mista. “caput”. j. . 166. 47 e 50. O poder de emenda. Lei 4320/64)253.201 peremptoriamente decidido (art. devendo ser observados os limites constitucionalmente previstos na Carta Magna. §§ 3º e 4º.: a previsão orçamentária de auxílio ou de subvenção a certa entidade não lhe garante direito subjetivo à exigência do crédito correspondente. 77. ADIn 1. CF/88). sobre serviço da dívida e sobre transferências voluntárias a outros entes federados (art. Celso de Mello. 77. Emendas aos PL’s. 166. O Executivo remete ao Legislativo a prestação de contas no prazo constitucional ou estabelecido na Lei Orgânica municipal. CF/88). DJU de 23-4-04. § 2º. 70. em regra. 37. 75.

Min. é possível o exame de constitucionalidade de EC254. salvo se lei expressamente determinar sua vinculação à ordem do Legislativo (art. Oliveira e Horvath (2003) substituem essa previsão legal pela fiscalização operacional.5. § 1º. “caput”. “caput” e parágrafo único. a qual é mais abrangente. mormente quanto ao seu trâmite legal. deve ser pago imediatamente e com correção. . 99. ao respectivo chefe do Judiciário enquadrante. 161). Lei 4320/64). 105. É uma análise da execução do orçamento quanto à evolução do patrimônio público. porque o constituinte nada falou sobre lapso de adimplemento. comportando o balanço industrial (art. olha a entrada e a saída de dinheiro do erário. • Industrial – engloba a atividade econômica exercida pelas entidades da Administração Indireta. Com base em pronunciamento do STF. § 4º. 60. Com efeito. “caput”. não sendo propriamente uma espécie de fiscalização. Oliveira e Horvath (2003. ao contrário das verbas não alimentares (art. porque contrariou o art. 191). 107. Tais documentos seguirão o padrão de confecção da própria Lei 4320/64 (art. Lei 4320/64). 100. 160). • Patrimonial – traz o registro analítico de todos os bens permanentes. dando nova conformação ao sistema de pagamento de débitos judiciais da entidades públicas. p. 2003. Lei 4320/64) e serão remetidos às contadorias centrais dos entes políticos de vinculação no prazo legal. 110. Lei 4320/64). consubstanciando o balanço financeiro (art. rel. No diapasão. PRECATÓRIO – as EC’s 30/00 e 37/02 alteraram a redação dos parágrafos do art. não haveria qualquer termo final para apresentação do requerimento para requisição (ofício precatório).202 • Financeira – inclui débitos e créditos incluídos ou não no orçamento. CF/88. DJU 10. Para Oliveira e Horvath (2003. CF/88). I a V. O primeiro inclui o ativo/passivo financeiro (que independe de orçamento) e permanente (cuja mobilização ou alienação dependente de autorização legal). CF/88. Celso de Mello. o constituinte derivado exorbitou sua competência reformadora. trata-se de exame formal das contas públicas. Lei 4320/64). Precatório é o ofício em que o juiz de primeira instância requer. Na RPV. assim como a requisição de pequeno valor (RPV). §§ 1º a 4º. 100. Lei 4320/64). o próprio juiz da execução expede o ofício requisitório à autoridade encarregada do pagamento (OLIVEIRA e HORVATH. p. 104 e 105.2001. ENTIDADES PARAESTATAIS (Administração Indireta) – terão orçamentos e balanços aprovados por decreto do chefe do Executivo. 2003. p. assim como o saldo patrimonial (art. 254 STF. ADIn 4662-600. 164) defendem que o precatório alimentar. Em melhores termos. sendo materializada pelo balanço patrimonial e pelo demonstrativo de variação patrimonial (arts. p. • Contábil – é o meio instrumental para realizar a verificação das contas públicas. 103. requisição para pagamento de débitos judiciais da Fazenda Pública (OLIVEIRA e HORVATH.

Por fim interessante rememorar que os credores alcançados pelo art. será pago o primeiro da fila. o precatório deveria ser pago em parcela 255 STF. p. porque fora da ordem de apresentação dos precatórios. o art. IV. 649. “caput”. com já disse o STF. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. não só aquela objeto da infração constitucional (OLIVEIRA e HORVATH. Oliveira e Horvath (2003.203 não havendo de se falar em qualquer interferência ou controle por parte do tribunal enquadrante. 33. incluindo os honorários dentro dos alimentos impenhoráveis. 2003. além de pela inobservância na ordem de pagamento. 202). 193) defendem a inclusão da verba honorária sucumbencial na relação. IF 139-1/SP. 100. § 2º. 2003. 87. sob pena de seqüestro (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88. mas sim de cautelar (OLIVEIRA e HORVATH. reconhecem a constitucionalidade da moratória estabelecida no art. 33. CF/88. 204). ADCT. No entanto. qualquer crédito alimentar continua preferindo a ambos. Nos créditos sujeitos à moratória do art. . com redação dada pela Lei 11382/06. 100. como já cristalizou entendimento a jurisprudência da Corte Máxima255. na linha do entendimento do Excelso Pretório. Trata-se de comando absoluto. a medida pode recair sobre numerário estatal. pelo não-adimplemento do décimo anual no lapso legal ou pela não-inclusão da dotação no orçamento. I e II. a verba deve ser buscada no patrimônio do beneficiário indevido. para pagamento de precatórios. Dessarte. Nesse sentido. No âmbito da União. não necessariamente o requerente da medida. 2003. Min. “caput”. 166). no exercício do múnus público de autêntico de fiscal da lei na ordem de pagamento. p. porque é norma decorrente do Poder Constituinte originário. pode requerer a cautelar em comento. 78. superado o interregno assinalado de oito anos sem qualquer adimplemento. O seqüestro é autorizado quando existe preterição na ordem de pagamento. a jurisprudência entende que. 192) entendem que o decurso razoável seria de trinta dias. Oliveira e Horvath (2003. p. ADCT. “caput”. O seqüestro não pode ser decretado “ex officio”. § 1º-A. têm preferência sobre o primeiro décimo devido àqueles abarcados pelo art. Oliveira e Horvath (2003. No entanto. descabendo qualquer tentativa de justificar a preterição da seqüência. 177). o seqüestro fica autorizado. não alcançando a mera inadimplência do Poder Público. Lei 10259/01). autoriza o seqüestro de quaisquer verbas públicas. p. ADCT. p. 100. mesmo que à pretensa vantagem da Fazenda em obter descontos. conquanto não se trata de tutela satisfativa. Mas ambos deverão ser pagos até o fim do exercício. p. a constrição engloba qualquer quantia pública. No ponto. ADCT. 2003. Nesse passo. os legisladores locais e regionais poderão estatuir decurso e montantes diferentes daqueles constantes no art. haja vista a cristalina determinação do art. 78. ADCT. § 2º. Não sendo possível. qualquer preterido. “caput”. De fato. O precatório alimentar tem definição no art. com a receita seqüestrada. reforça a tese apresentada. Sepúlveda Pertence. 202) e a própria inércia da jurisdição. “caput”. p. Ademais. como já disse o STF. 17. cujo rol pode ser considerado “numerus appertus”. em primeiro plano. o prazo para adimplemento de RPV é de 60 dias a partir do recebimento do ofício pela Procuradoria da AGU (art. CPC. “De lege ferenda”. rel. O art.

pelo Poder Executivo. O órgão é formado por nove ministros. previsto no art. gozando de um “status” semelhante ao Parquet em relação ao Executivo. 2001. 73. 22). não há controle prévio. O controle interno baseia-se na hierarquia. apesar dessas não ter natureza jurisdicional (Súmulas 6 e 347 do STF)256. observância de documentação e demais formalidades normativas. p. uma vez que o constituinte fala em controle de legitimidade da despesa – art. isto é. Elas podem ser reapreciadas pelo Judiciário. realizando o conseqüente julgamento. o direito adquirido. não podendo ser obstada a despesa antes do início de sua realização. § 2º. ressalvada a competência revisora do Judiciário”. a isonomia. por seu saldo restante (OLIVEIRA e HORVATH. CF/88). Lei 4320/64. Um terço deles é escolhido pelo 256 Súmula 6 do STF: “A revogação ou anulação. CF/88. Além desses. porquanto o legislador optou pela jurisdição una (art. 2003. O controle leva em conta os critérios da legitimidade da receita. O controle externo é realizado durante e após a realização da despesa. Analisa as contas dos administradores públicos. A segunda diz respeito à previsão legal. Controle orçamentário – está previsto. 75. XXXV. p. viola a coisa julgada. no art. 196). pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público”. pode haver controle privado ou popular. p. a fidelidade funcional dos agentes da Administra. Súmulas 347 do STF: “O Tribunal de Contas. 77. não cabendo mais a colocação da fiscalização anterior ao gasto. a disposição do art. CF/88). Dessa forma. com auxílio do TCU – art. e 100. o art. 2001. p. “caput”. 2003. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. 184). o cumprimento do prgrama de trabalho (art. acaba proferindo decisões. Ao contrário do anterior.. CF/88 (OLIVEIRA e HORVATH. No sistema doméstico. A primeira se relaciona ao atendimento do interesse público. mediante o preenchimento dos requisitos do art. Lei 4320/64) (FÜHRER e FÜHRER. de aposentadoria. não produz efeitos antes de aprovada por aquele Tribunal. XXXVI. “caput” e § 3º. o TC pode adentrar ao mérito dos atos por ele fiscalizados. deve ser lido à luz do ordenamento vigorante. “caput”. § 1º. 73. Apesar de não deter jurisdição (força definitiva de decisão). legalidade e economicidade. por ser obra da competência constitucional derivada. Cumpre à autoridade superior verificar a legalidade dos atos. “caput”. ou qualquer outro ato aprovado pelo Tribunal de Contas. segundo os arts. No ponto. 74.204 única. 22). . “caput”. 5º. o princípio do pagamento dos débitos judiciais fazendários pela via do precatório. no exercício de suas atribuições. “caput”. 70. 70. A fiscalização poderá ser interna (pelo próprio órgão) ou externa (pelo CN. CF/88. com prerrogativas inerentes aos congêneres do STJ (art. pois o administrado pode denunciar irregularidades perante TC. CF/88. 213). “caput”. ADCT. Essa prerrogativa não alcança o Judiciário. CF/88). 2003. A terceira determina que o administrador deve realizar a despesa de forma mais otimizada em relação ao custo-benefício. Controle externo – o TCU é órgão auxiliar do CN. ressalvado o sistema de controle interno (FÜHRER e FÜHRER. I a IV. inicialmente e de forma ampla. concomitante e posterior. a justa indenização e a própria segurança jurídica. 78. 5º. p. XXIV. 71.

mas as indicações do chefe do Executivo estadual não precisam ser submetidas à sabatina do Legislativo. CF/88. e 2/3 pela Assembléia Legislativa. I e II. “caput”.8. Nessa última hipótese. Carlos Britto. Na mesma cautelar. 82. rel. lembrase que os TCM’s instituídos antes de 1988 permanecem em funcionamento. No âmbito municipal. § 1º. Ademais. Os TCE’s (e TCM’s. ADI 2238 MC/DF. 73. cabe ao TC comunicar ao Presidente do Legislativo para medidas cabíveis (OLIVEIRA e HORVATH. Plenário. 258 STF. também se encontra com a eficácia suspensa. Súmula 653 do STF: “No Tribunal de Contas estadual. 216). § 4º. 224). 84. j. Apesar de haver vedação à criação de órgão. “caput”. As funções do TC estão enumeradas no art. Trata-se de norma central. 75. 2003. dois dentre auditores e membros do MP junto ao tribunal. No entanto. 71. o STF posiciona-se favoravelmente que TCE crie repartição específica para atuar perante determinado Município.2007. Ilmar Galvão. orig. Governador ou Prefeito não apresentar as contas no interregno assinalado (60 dias a partir do início da sessão legislativa. conselho ou tribunal de contas municipal após a promulgação da CF/88 (art. mediante lista tríplice elaborada pelo próprio TCU e com prévia aprovação pelo SF. a ser obrigatoriamente reproduzida pelo constituinte decorrente (Súmula 653 do STF)257. A discordância exige quorum de 2/3 do Legislativo para aprovação. no caso da União – art. e o restante. os TCE’s limitam-se a prestar auxílio técnico às Câmaras Municipais e a analisar as contas dos prefeitos. Informativo do STF n° 475. Nota-se que o exame realizado pelo TC é técnico e administrativo. 257 . Se o Presidente. 224). 8. 57. inclusive na plenitude das atribuições. quando existentes) observam a composição e formação do TCU. XXIV. sendo formado por sete conselheiros (art. devem ser preenchidos por todos (OLIVEIRA e HORVATH.205 Presidente da República. podendo CE ou lei orgânica municipal dispor de forma contrária (art. CF/88). Segundo o STF. destacando-se as seguintes: • Competência para julgar contas de administradores de dinheiro público. p. LRF). I a XI. § 2º. o qual poderá rejeitar ou aprovar a contabilidade (art. Lei 4320/64). 31. CF/88). Em tese. p. Lei 4320/64). p/ o acórdão Min. atualmente correspondendo às cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Os requisitos subjetivos do art. composto por sete conselheiros. 82. “caput”. CF/88). o qual determina que as contas dos demais Poderes (Legislativo e Judiciário) e do MP sejam apresentadas conjuntamente com o Executivo. que irá acatá-lo ou não. cabendo a este indicar um dentre auditores e outro dentre membros do Ministério Público e um terceiro a sua livre escolha”. quatro devem ser escolhidos pela Assembléia Legislativa e três pelo Chefe do Poder Executivo estadual. rel. o TCU tem função meramente opinativa. cuja gestão será analisada pelo plenário do CN (art. “caput” e parágrafo único. O STF já disse que 1/3 dos conselheiro são escolhidos pelo Governador. CF/88). § 1º. 2003. alternadamente. 56. essa disposição encontra-se obstada por cautelar deferida pelo Supremo258. O documento será encaminhado ao Parlamento. quanto ao chefe do Executivo. Min. o TCU emite parecer. LRF. 2003. o prazo é de 60 dias para emissão do parecer pelo TC. pelo CN (art. com exceção do Presidente da República. não podendo proferir determinações à Municipalidade (OLIVEIRA e HORVATH. 73. CF/88. o art. p.

diretamente pelo Legislativo ou pelo próprio Poder fiscalizado. 71. Ademais. As medidas impostas devem estar previstas em lei. Nessa faina. deve prestar contas de sua atuação ao próprio Poder enquadrante (art. aquele que se beneficiava poderá se defender perante o órgão. partir da comunicação do tribunal. com todos os . • Atendimento a qualquer solicitação do Legislativo. X. o TC susta a execução. quando houver solicitação pela comissão mista de orçamento e finanças no âmbito do Legislativo (art. CF/88). nessa hipótese. em um processo administrativo em que possa haver reforma de ato administrativo. 72. Para Oliveira e Horvath (2003. embargo de obras. só havendo de se falar em fiscalização posterior e concomitante. p. Essas inspeções e auditorias contábeis. 70. de sorte a ratificar aqueles passíveis de revalidação. • Sustar atos que não observem legalidade. quando da responsabilidade de agentes públicos por ilegalidade ou por irregularidade. prescindindo-se de inscrição em dívida ativa. 219). § 4º. da legitimidade e da economicidade das despesas (art. Não sendo possível a convalidação. como multas. preconizando que. Se o TC encontrar entraves.206 não político. com respectivo registro. A Súmula Vinculante 3 do STF trata do TCU. • Fiscalização sobre verbas repassadas a outros entes federados e entidades públicas ou privadas. etc. § 1º. em um típico controle concomitante. sendo certo que contratos devem ser obstados. Deve assinar decurso para retificação da ilegalidade. CF/88). CF/88). porque seu órgão auxiliar (art. § 3º. • Controle sobre atos de admissão de pessoal e de concessão de inatividade remunerada (aposentação. CF/88). CF/88). 71. operacionais e patrimoniais se realizam em qualquer unidade administrativa (UA). 71. • Realizar auditorias a pedido de órgãos ou entidades públicas. não mais existe o controle prévio de despesa. 71. Não é mais necessário registro anterior de ato ou de contrato para a realização do gasto público. Se qualquer desses não se pronunciar a respeito em 90 dias. em princípio. Trata-se da fiscalização propriamente dita. • Aplicar sanções. CF/88). sempre sob os auspícios da legalidade. 217). mormente por intermédio de auxílios e de subvenções. como lembram Oliveira e Horvath (2003. As decisões do TCU que impliquem em imputação de débito ou de sanção terão eficácia de título executivo (art. As multas implicarão em título executivo extrajudicial. comunicando o Legislativo em seguida (art. a decisão se defere a esse. dentro da esfera de atribuições do próprio TC. comunica o Poder enquadrante da UA irregular. legitimidade e economicidade. “caput”. financeiras.. p. reforma ou pensão). “caput”. • Emitir parecer sobre despesa constante do PL de orçamento anula. orçamentárias. deve haver prática de novo ato com efeitos “ex tunc”.

Dentre eles. . podem ser sanados nos três quadrimestres seguintes. Nesse contexto. é publicado o Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREX). CF/88. CF/88. nessa hipótese. p. especial atenção deve ser dada à ação civil pública. é publicado também o Relatório de Gestão Fiscal. p. 223). Os limites da dívida pública são verificados a cada quadrimestre. Esse comando não se aplica quando o ato se refira à legalidade de concessão inicial de aposentadoria ou benefício. e da Lei 8429/92. Ainda dentro do sistema de controle externo. desde que haja redução de 25% no primeiro deles. dos gastos com pessoal. 48. III. Instrumentos de transparência da gestão fiscal (inclusive em meio eletrônico) – art. • Prestação de contas e parecer prévio. das concessões de garantias. Goza de vários instrumentos extrajudiciais e meios judiciais para fazer recompor o erário e para responsabilizar aqueles que o maculam. 37. ao inquérito civil e à própria ação por improbidade administrativa. 22). • Participação popular e audiências públicas. Esse balanço quadrimestral embasará eventuais ações de contenção de gastos. A cada bimestre. nos termos do art. excetuando-se refinanciamento do principal da dívida mobiliária. o Parquet é órgão que tem incumbência de velar pelo patrimônio público de modo amplo. o TCU se limita a aplicar à lei. o qual contém o balanço orçamentário e outros demonstrativos do período. das operações de crédito realizadas e eventuais medidas corretivas levadas a cabo. § 4º. • LDO. como lecionam Führer e Führer (2001. fica autorizada limitação de empenho e proibida operação de crédito. No seu mister fiscalizatório. disparando os diversos sistemas de alerta e de restrição financeira previstos na LRF. • Orçamentos. Trata-se de matéria de direito e não de fato. • Relatório de execução orçamentária e de gestão fiscal. Depois do período legal para saneamento. cumpre destacar o relevante papel desempenhado pelo Ministério Público. segundo advogam Oliveira e Horvath (2003. 129. Com efeito. a partir do art. pois. o TC tem autorização para quebrar sigilo bancário e fiscal por força própria. A cada quatro meses. falecendo direito ao contraditório e à ampla defesa ao beneficiário. além das demandas penais. LRF: • Planos. o qual demonstrará a observância dos limites legais da dívida pública.207 sucedâneos do contraditório e da ampla defesa. Se ultrapassados. “caput”. a existência de situação desfavorável não permite que o ente receba transferências voluntárias.

I a III. Créditos públicos – além das receitas originárias. 165. O Senado controla as operações de crédito. Administração Indireta e previdência (art. finalidade pública devidamente comprovada. 41. derivadas ou transferidas. . parágrafo único. mormente os suplementares. configurando operações de crédito público (captação externa de recursos). demonstrações do exercício anterior (art. 62. fundos. Os limites da dívida mobiliária da União são estabelecidos por meio de lei de iniciativa exclusiva do Presidente da República. Lei 4320/64. . como guerra. ou seja. § 2º. Lei 4320/64): . 49. 51. 40. Estados ou Municípios que eventualmente não tenham competência para elaborar MP pode autorizar créditos extraordinários por meio de decreto. e 53. “caput”. Os extraordinários poderão ser obtidos por meio de MP. autorizando operação de crédito externas e dispondo sobre garantias para a realização dessa última. Apresentam as seguintes características: obrigação bilateral. entre 30 de abril e 31 de maio. atualmente são obtidos por MP. § 1º. Podem ser de três tipos (art. § 2º. não pode receber transferências voluntárias e contratar operações de crédito. Nesse caso. O crédito correspondente deve ser reforçado. . LRF). fazendo surgir a categoria em comento. Apesar do exposto. § 3º. LRF). a MP deve ser “incontinenti” submetida ao Legislativo. previstas no art. comoção intestina ou calamidade pública. seguindo o reexame imediato pelo Poder Legiferante correspondente (Assembléia Legislativa ou Câmara Municipal).Especiais – inexiste previsão de certa despesa no orçamento. CF/88). DF e Municípios. pendendo inconstitucionalidade. ao menos por meio de autorização genérica. o Estado pode obter entradas por meio de endividamento. I e II. de acordo com a tríade das contas orçamentárias (art. podendo estabelecer limites inclusive para o montante da dívida pública consolidada e mobiliária de Estados.Suplementares – a previsão de despesa foi insuficiente. justamente porque presentes os requisitos de relevância e urgência (art. 51. todos os créditos adicionais. De outra parte. I a III. O resultado do crédito público é a dívida pública e a captação de recursos. Créditos adicionais – são autorizações de despesas. NÃO APRESENTAÇÃO DO RELATÓRIO DA EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO OU DA GESTÃO FISCAL – ente fica passível de sanções diferentes daquelas previstas para inobservância dos limites legais. § 5º.208 DEMONSTRATIVOS – deverá haver separação entre órgãos. exceto as destinadas ao refinanciamento do principal atualizado da dívida mobiliária (arts. CF/88). Os créditos especiais e suplementares dependem de autorização legislativa específica. Essa situação corrente não encontra guarida na Carta vigente.Extraordinários – são destinados a despesas urgentes e imprevistas. MUNICÍPIOS E ESTADOS – deverão encaminhar. 52. previsão orçamentária. vênia legislativa específica quanto à operação a ser realizada. LRF). Fá-lo-á por meio de empréstimos.

22. 2003. O mecanismo dos empréstimos públicos. V a VII. a avença celebrada. enquadrar-se-ia perfeitamente na classificação aduzida pelo mestre francês: * O ato-regra é a lei a disciplinar os empréstimos públicos (art. em estabelecer as cláusulas. É a idéia da doutrina majoritária francesa e de Cretella Júnior (apud OLIVEIRA e HORVATH. p. 243) defendem que as operações de antecipação de receita não são empréstimos públicos. CF/88. Léon Duguit (apud OLIVEIRA E HORVATH. 52. . a qual autoriza. que estatui condicionantes para a ocorrência jurídica do fato. p. CF/88). não propriamente a liberdade contratual (ao contratar. p. seria regido pelo Direito Público. sendo possível distinguir três correntes: É ato unilateral de um Estado – decorrente de sua soberania. 232). É a posição prevalente. isto é. o princípio da autonomia da vontade cede lugar à autonomia privada. p. CF/88). em autêntico ajuste consensual). restringe e regula as operações de crédito. ato de soberania do Estado. o empréstimo público seria movimento de caixa. 233). 234). segundo Oliveira e Horvath (2003. 234). porque se balizam pelo direito comum. 238). Dessa forma. o contrato administrativo de empréstimo tem suas cláusulas elementares exprimidas pela lei autorizadora. p. inclusive com cláusulas exorbitantes previstas na lei de autorização. impende a liberdade de contratar. 231). p. VII. a teor dos contratos privados. Oliveira e Horvath (2003. que têm autêntica essência tributária à luz do art. o qual seria regido pelo Direito Privado. O segundo é a celebração do contrato em si. como disse Geraldo Ataliba (apud OLIVEIRA e HORVATH. segundo Oliveira e Horvath (2003. * O ato-condição é a Resolução do Senado (art. 2003. conquanto formam-se crédito e débito co-respectivos (OLIVEIRA e HORVATH. 238) classificou os atos estatais em três categorias: ato-regra. De outra feita. em contratar. Sob o aspecto financeiro. como lembrar Oliveira e Horvath (2003. É contrato administrativo – dentro da mesma idéia anterior dos dois momentos de formação do empréstimo. o qual seria a efetiva ocorrência do fato à luz dos dois anteriores. referente ao segundo momento. o ato-condição. I e II. sendo posição atualmente ultrapassada. 148. limita. 2003. necessário afirmar que os ditames do “pacta sunt servanda” e da boa-fé objetiva estão presentes nos contratos de empréstimos públicos. apesar de não vigorante no âmbito doméstico. o qual estabelece a regência para determinada situação jurídica. ato-subjetivo. 2003. 2003). p. É contrato privado – existem dois momentos para a consubstanciação de crédito público. não poderia ser objeto de execução específica. O primeiro é a autorização legislativa para contraí-lo. a natureza dos empréstimos públicos é motivo de celeuma na doutrina. É a doutrina do argentino Drago (apud OLIVEIRA e HORVATH. Ademais. p.209 Excluindo-se os empréstimos compulsórios.

não se imiscui operação de crédito com transferência voluntária. as quais sempre deverão ser secundadas por renegociação do “debitum”. Não atendidos os requisitos da lei. No ponto. muito pelas quais as fontes do Direito Público Internacional vedam tais práticas. Não se encontra na proibição empréstimo por meio de instituição financeira estatal e ente federado. deverá verificar se as condicionantes legais foram observadas. 32. p. por meio de entidades a eles ligadas. Eles podem ser usados para quitação de tributos. como o embargo comercial. Essa permissão não será aplicada quando o crédito for destinado a pagamento de despesas correntes (custeio) nem a refinanciamento . o que pode sugerir grave prejuízo à financeira. Realizará essa fiscalização por meio de verificação se os patamares foram observados. O agente não tem o poder de impor sanção pelo descumprimento do estabelecido normativamente. os Estados e organizações internacionais credoras podem usar sanções indiretas por força própria. em que pese a existência da Corte Internacional de Justiça e de órgãos da ONU com atribuições correlatas. direta ou indiretamente. Na via jurisdiciona internacional. à luz do parecer do Ministro da Fazenda. 30) lecionam que o legislador criou um sistema difuso de controle das operações de crédito. taxa administrativa. veda operação de crédito entre os entes federados. é permitido indicá-los como garantia em execução fiscal uma vez que tenham cotação em bolsa de valores. Moratória e bancarrota são meios unilaterais que o Estado devedor tem para mitigar o pagamento da dívida. geralmente os entraves são resolvidos por arbitragem. não sendo vinculante em relação à autoridade ou órgão que tem incumbência sancionadora.210 * O ato-subjetivo é a celebração do contrato administrativo pela entidade pública. No ponto. a qual é realizada a fundo perdido. visando garantir equilíbrio e harmonia no âmbito da federação. LRF. De outro lado. 228) lembra que a execução específica e a recorrência a meios militares não mais têm vez para cobrar débitos de operações de crédito externas hodiernamente. incluindo outras pessoas públicas de Direito Público a ele vinculadas (art. Além disso. § 1º. pretensa credora do ente público. 35. Os títulos são colocados à venda. desde que haja previsão legal. Essa operação em particular produz uma categoria específica de dívida pública: a mobiliária. O art. etc. LRF). A forma mais corriqueira de operação de crédito se dá através de emissão de títulos da dívida pública. p. como o próprio FMI e a OMC. diz que o Ministro da Fazenda controlará os limites e condições para realização de operações de crédito dos entes federados. O art.). devolvendo-se o valor ao credor sem qualquer acréscimo (juros. LRF. Amílcar de Araújo (apud OLIVEIRA e HORVATH. inclusive das empresas públicas a eles atreladas. Uma pessoa política não pode fazer empréstimos a outra. recebendo o Estado a contraprestação pecuniária. 35. A instituição financeira. a ser operado pelas próprias instituições financeiras credoras. correção. a despesa é considerada nula. emitindo parecer. O documento tem um caráter técnico. 2003. Führer e Führer (2001. “caput”. “caput”.

premente lembrar que dívidas contraídas anteriormente à LRF podem ser objeto de refinanciamento. LRF): o Requerimento do interessado. § 1º. 167. 35. 31). IV. “a disposição se afigura inconstitucional no que se refere à parte das transferências cujo fim é vinculado”. em crédito adicional ou lei específica. § 1º. 167. LRF). II. Para Führer e Führer (2001. excluindo REFIS (art. § 1º. além das condições para garantia interna. GARANTIA pode vir de contragarantia de transferência constitucional (consignada) pelo garantidor (art. 35. o Expressa autorização em LO orçamentária. o Observância de limites e condições estatuídas pelo SF. III. deverão ser observadas. 40. Obs. LRF). Entre entes federados (inclusive na Administração Indireta) e entre ente e sua instituição financeira (inclusive o BACEN). CF/88). 40. nas operações de crédito. LRF (art. I. São aquelas decorrentes de repasses constitucionais e legais (art. 40. o Outras restrições estabelecidas pelo legislador complementar. Obs. 25. É possível. “b”. salvo autorização do CN por maioria absoluta para inclusão em crédito suplementar ou especial para o caso específico (art. II. 1: é vedada a realização de operação de crédito (art. § 3º. 2: é proibida antecipação de receita no último ano de mandato do Executivo (art. As garantias podem ser: • Pessoais – é o caso de aval de banco ou da União em favor de Estados ou de Municípios. § 1º. “caput”. LRF). Se for prestada pela União em relação a instituições internacionais de financiamento e fomento. Maiores que as despesas de capital (art. salvo antecipação de receita. o Contrapartida em receita prevista na LO ou em crédito adicional. com demonstração contábil e jurídica da viabilidade na relação custo-benefício e no atendimento do interesse social e econômico. 35. os requisitos para o recebimento de transferências voluntárias – art. LRF). § 1º. p. LRF). LRF). I a IV. 35.211 com outra concedente (art. salvo entre aquela e ente federado distinto (art. I a II. As operações de crédito dependem do atendimento dos seguintes pressupostos (art. . 38. I a VI. III. com autorização específica desse no caso de operação de crédito externo. 32. § 1º. LRF). que o ente público ofereça receita pública futura como garantia. Por fim. LRF). § 2º. o Não superação do valor em despesa de capital. CF/88).

e 35. os créditos públicos podem ser federais. o Consolidada – não existe pagamento do principal. comentando essa última hipótese. CF/88). que a LRF trata de dívida fundada e consolidada como sinônimos. realizado até 10 de dezembro do mesmo exercício (art. mesmo que haja vênia judicial. a ser demonstrada pela unidade intervinda. p. o mandatário não está coagido a exarar a medida. . “a”. No tocante à praça de pagamento (ou à localização do credor). caracteriza uma discrepância técnica. consoante comentário já feito anteriormente. não concordam com a leitura feita pelo Excelso Pretório. CF/88). Nesse passo. § 4º. A correção monetária a ser aplicada nos empréstimos públicos depende da lei autorizadora e da disposição do instrumento do ajuste. I.Por conversão – há opção do credor em receber o montante com juros menores ou manter a dívida para recebimento futuro. moeda forte estrangeira. apesar de constituir ato discricionário. Classificações – quanto ao aspecto subjetivo (característica do devedor). a dívida deve ser contraída até 10 de janeiro e o adimplemento.212 • Reais – podem ser constituídas de diversas formas. só incidindo sobre juros. Os motivos espelhados nos arts 34. 244). com mais . Nesse contexto. 34. Oliveira e Horvath (2003. etc. o que. Pode ser índice oficial legal. Dos Estados nos Municípios – quando não pagou a dívida contraída por dois anos consecutivos (art. V. CF/88). porquanto é prerrogativa funcional e política de seu cargo a decisão sobre a oportunidade e conveniência a efetivação. em tese. I. classificam-se em: o Flutuante – o pagamento é previsto para ser feito em curto prazo. emissão de títulos da dívida pública mobiliária. CF/88. LC 101/00). estaduais ou municipais. Extinção do crédito público – pode se dar de quatro formas diversas: .Por resgate – o qual pode ser à vista ou por amortizações. Intervenção e dívida fundada – é permitida pelo não pagamento do débito nas seguintes condições: Da União nos Estado – quando esse estava pagando e suspendeu por decurso maior que dois anos (art. Para eles. Com referência ao prazo de pagamento. os empréstimos públicos podem ser externos (aduzidos por Estados ou por organizações internacionais) ou internos. etc. menos que 12 meses. “a”. V. I e II. cotação do ouro. como já disse o STF. vinculação de receitas de impostos de competência própria do tomador ou decorrente de transferências obrigatórias (art. como: hipoteca sobre bens públicos dominiais. A decretação da intervenção não será feita se houver motivo de força maior. 35. o ato seria vinculado. Observa-se. envolvendo mais de um exercício. pagando-se devidamente o devido. o Fundada – o pagamento é feito em longo prazo. 38. ensejam decreto “ex officio” do chefe do Executivo. 167.

tornando inexigível seu direito de crédito.213 vantagens. Lembre-se que o povo. apenas funcional e administrativa. Ele transporta para um documento escrito – ‘um projeto de lei’ que precisará sofrer a aprovação do Poder Legislativo para que. 88. .Por consolidação – trata-se. p. LC 101/00? Resposta: cuidado. LC 101/00)? Qual o valor? Resposta: os ensinamentos de Régis Fernandes de Oliveira apontam que este critério criado pela lei está inserido ao lado de dois outros: as despesas poderão ser (i) adequadas. a Defensoria Pública não deveria estar incluída expressamente no art. em verdade. em que se transforma dívida flutuante em fundada (OLIVEIRA e HORVATH. 2003. qualquer credor. sob pena de constituir verdadeira moratória. interno ou externo. I. Pergunta: por deter autonomias orçamentárias. a Defensoria Pública não possui autonomia financeira. Pergunta: a proposta constante dos arts. A doutrina não cogita de nenhum ferimento. “caput”. seguindo respectivamente a Constituição Estadual. VI. § 3º. 100. CF/88). LC 101/00. de novação objetiva. § 3º. e 52. financeiras e administrativas. a Lei Orgânica e. Distrito Federal e Municípios. sem perder de visa que o pagamento se dá na forma de precatórios (art. Execução do crédito público – segue o rito ordinário ou o procedimento para títulos executivos extrajudiciais. CF/88. Pergunta: existe a comissão prevista no art. Cada orçamento definirá qual modalidade de classificação a despesa incorrerá. aduz sua pretensão no Judiciário doméstico (art. ao escolher seus representantes também entrega aos mesmos . Pergunta: o que é considerada despesa irrelevante (art. 16. Nos Estados. CPC). tendo em vista estar inserida na Seção “Dos Orçamentos” na Constituição Federal e ser esta Comissão aquela apta a praticar a fiscalização externa orçamentária. Não há de ser imposta pelo devedor. o Texto Constitucional. . Em âmbito federal está vinculada ao Ministério da Justiça. subsidiariamente. 249). com a devida legitimidade. 30. 166. As aferições serão estabelecidas pelas pessoas políticas em face dos valores de despesas apontados pelas leis (orçamentárias) anteriores. 1º. titular do poder. (ii) compatíveis e (iii) irrelevantes. não podendo ser imposta pelo tomador. Deve ser feita efetivada por opção do credor. § 1º. ocorrerá da mesma forma.Por prescrição – a pretensão do credor em receber os valores é perdida em decorrência do decurso temporal. I a III. possa prevalecer. Para entender essa questão é necessário lembrar que o Poder Executivo é aquele que sabe como irá gastar o dinheiro público. CF/88? Ela realmente atua? E nos Estados e Municípios? Resposta: sim. No ponto. não fere o pacto federativo? Resposta: não.

Assim. é possível dizer que a Lei 4320/64 foi recepcionada pela ordem constitucional vigente como lei complementar? Resposta: sim.títulos da dívida pública estadual e municipal. o art. O Presidente precisará encaminhar a sua proposta de gastos. VI da CF explicita que o “P. Os ensinamentos do Prof.214 poderes de gerenciamento da atuação do Presidente da República. 43. 249 e 250 da Constituição. aos segurados e ao Poder Público. Essa é uma das fiscalizações orçamentárias que acontece em face do Direito Financeiro. a teor do art. ficarão depositadas em conta separada das demais disponibilidades de cada ente e aplicadas nas condições de mercado. II . já que proíbe a aplicação das disponibilidades da previdência em títulos da dívida pública municipal e estadual. com observância dos limites e condições de proteção e prudência financeira. As disponibilidades de caixa dos entes da Federação serão depositadas conforme estabelece o § 3º do art. I e II. Legislativo – Senado Federal – disporá sobre limites globais e condições para operações de crédito interno e externo das pessoas políticas. de qualquer natureza. Pergunta: a não aplicação da restrição do art. CF/88. § 2º É vedada a aplicação das disponibilidades de que trata o § 1º em: I . I e II. ainda que vinculadas a fundos específicos a que se referem os arts. deve-se levar em conta o harmonioso relacionamento entre os três poderes. Pergunta: em face do art. 43. a providência.empréstimos. aplicável a todos os entes da Federação. Pergunta: as subvenções econômicas devem ser ressarcidas pelas entidades beneficiadas ou são consideradas como empréstimo a fundo perdido? . à União não gera um contra-senso? Por que os Estado e Municípios não podem e a União pode? Resposta: Texto da LC 101/2000: Art. LC 101/00. § 1º As disponibilidades de caixa dos regimes de previdência social. para que o P. aos segurados’. § 2º. Nesse contexto. autarquias e demais ‘longa manus’”. Régis Fernandes de Oliveira apontam que este parágrafo 2º foi muito bem vindo. § 9º. inclusive a suas empresas controladas. 43. 165. § 2º. Para interpretar esse questionamento. 52. geral e próprio dos servidores públicos. bem como em ações e outros papéis relativos às empresas controladas pelo respectivo ente da Federação. esta lei foi recepcionada como lei complementar. 164 da Constituição. no dizer de Celso Antonio Bandeira de Melo. Legislativo aprove. LC 101/00. evita o risco e aplicação do dinheiro público em títulos de menor expressão e impede que os recursos sejam aplicados em ‘empréstimos de qualquer natureza.

o dispositivo legal em comento não teria sido recepcionado pela ordem de 1988. culturais ou de assistência). “caput”. esta disposição não foi recepcionada pelo Texto Maior. CF/88. morais. incluindo também as autarquias que exercem atividade econômica (art. ter mais ganhos do que gastos. Pergunta: o art. Lei 4320/64). 18. o legislador se refere expressamente a empresas governamentais e particulares como beneficiárias em potencial (art. elas não podem ter caráter econômico. exercer um importante e decisivo papel em face da fundação. Poderiam aí também ser enquadradas as fundações que venham a realizar atividade econômica? Resposta: lembre-se que todas essas figuras apontadas. assim como as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda.215 Resposta: inicialmente. para ser gerada. Pergunta: quando define subvenção econômica. 12. O Ministério Público poderá. No que diz respeito às fundações. são “longa manus” do Estado. Também pode ser a denominação do que corresponderia ao lucro. Régis Fernandes de Oliveira ensina que a despesa deve encontrar respaldo legal ou constitucional para ser gerada. 5º e incisos do Decreto 200/67. 148. em um orçamento. ou seja. Lei 4320/64 deve desprezar esta menção. ela deverá utilizá-lo dando cumprimento de sua finalidade. § 1º. o prefeito não poderia gastar mais do que o previsto no art. O Novo Código Civil restringe a criação de fundações a apenas quatro áreas (para fins religiosos. seja como retribuição a serviços prestados ou compra de . se o orçamento estabelecer este benefício pecuniário a alguma entidade. seja como aumento patrimonial. Assim. A leitura do art. Nesse sentido. no último mês de seu mandato? Resposta: essa é uma hipótese de superávit. já que a CF foi publicada em 1988. correto? Resposta: a CF em seu artigo 148 definiu a natureza jurídica desta exigência fiscal como tributo. 59. é importante frisar que subvenção econômica é a alocação destinada à cobertura dos déficits de manutenção das empresas públicas de natureza autárquica ou não. O oposto seria "déficit". Essa é a razão pela qual podem receber subvenções. Tal orçamento é chamado de superavitário. conforme art. a doutrina tem apontado uma certa dificuldade relacionada às fundações no que diz respeito à captação de recursos e eventuais autorizações para recebimento de subvenção econômica. reza que crédito decorrente de empréstimo compulsório é classificado como dívida ativa não-tributária. é o lucro resultante de. 39 § 2º. § 3º. refletir um benefício ao Poder Público. 39. Em face da localização topográfica do art. Lei 4320/64. em balanços de empresas não econômicas ou "sem fins lucrativos". Lei 4320/64. ou seja. Lei 4320/64). não se falando assim em devolução posterior. II. e segundo a melhor doutrina e a jurisprudência pacífica. § 2º. qualquer despesa deve. referendando o caráter lídimo e escorreito que esta possui para o eventual recebimento de subvenções. configuram estruturas da Administração Pública Indireta – como ensina Celso Antonio Bandeira de Mello. por meio de sua fiscalização. Nesse sentido. Pergunta: caso exista sobra de caixa referente aos meses anteriores do exercício. vinculando-as a fins não-econômicos.

§ 4º. 2003. “caput”. vinculada ao Ministério do Planejamento. 177. Foi extinto em 1971. Repartição de Receitas Tributárias “Prima facie”. auditoria pública. como por exemplo. irregulares e lesivas ao patrimônio público a geração de despesa ou assunção de obrigação que não atendam o disposto nos artigos 16 e 17 da Lei Complementar 101/00. CF/88. 71). I. Caso não cumpram este perfil. II. CF/88). “c”.216 bens ou serviços. 157. Pergunta: o órgão previsto no art. 259 O percentual destinado a um só Estado não pode ultrapassar de 20% do total. correição. essa nomenclatura está atrelada à Administração Direta dos Estados-membros. distribuídos na forma de LO federal. serão consideradas ‘não autorizadas. O Conselho Técnico de Economia e Finanças era um órgão técnico e consultivo do Ministério da Fazenda. sendo criado em 25 de novembro de 1937. Lei 4320/64 (Conselho Técnico de Economia e Finanças do Ministério da Fazenda) ainda continua existindo ou foi substituído pela Secretaria de Orçamento e Finanças? E a Controladoria-Geral da União? Resposta: não. prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. e 157. No que diz respeito à Controladoria-Geral da União (CGU). como órgão central. 111. II. principalmente contidos no ADCT. sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão. Receitas repassadas da União para Estados e DF– são as seguintes: IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Estados (e DF). no âmbito do Poder Executivo. podendo ser denominada “relação jurídica financeira”. precípuo reavivar que a repartição (ou discriminação) de receitas tributas é relação jurídica diferente daquela erigida pelo exrecício da competência tributária (OLIVEIRA e HORVATH. 1. 177. temos a Secretaria de Orçamento Federal. sendo destinados à infra-estrutura de transportes (arts. e 159. A CGU também deve exercer. CF/88). II. 10% do IPI sobre exportações realizadas no território do beneficiário (art. CF/88)259. 159. CF/88). No que diz respeito à Secretaria de Orçamento e Finanças. a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal. além de outros dispositivos esparsos. suas autarquias e fundações públicas (art. § 2º. 159. 157 a 162. p. CF/88). prestando a orientação normativa necessária. Orçamento e Gestão. . É matéria constante dos arts. I. § 4º. Em âmbito federal. CF/88). por meio das atividades de controle interno. este é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que. 154. 29% da CIDE-combustíveis (art. Pará e Paraíba. 25% dos impostos residuais instituídos (arts. III. devendo o restante ser rateado pelos demais (art.

82. segundo o seguinte comando: Regra geral – 50% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. desde que exista LO federal regulamentando (art. . 153.5. I. Min.2007. I. 159. sendo (art. CF/88). 25% da renda recebida da CIDE-combustíveis (art. de acordo com a lei estadual (tratando-se de Estado) ou federal (tratando-se de Território). 158. ADI 1423/SP. “b”.2. não contando o desconto na fonte já realizado pela unidade federada (art.2. segundo já se pronunciou o STF (RE 253906/MG. § 1º. I. III. . .3/4. podem ser destacados os fundos de participação e os programas de fomento e desenvolvimento das regiões Norte. 159. não contando o desconto na fonte já realizado pela pessoa em questão (art. Norte e Centro-Oeste – 3% do IR (art. ADCT). Fundo de Participação dos Estados e do DF (FPE) – 21. I. O montante do ICMS. ADCT). Programas de financiamento do setor produtivo do Nordeste. II. Receitas repassadas da União para os Municípios o IR na fonte sobre rendimentos pagos pelos Municípios. CF/88). CF/88). I. 159.3. “c”. o 70% do IOF sobre ouro vindo de seu território.5% do IR (art. § 5º. CF/88). o ITR. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. e § 1º. 93. § 4º. sobre o valor adicionado260 nas operações realizadas em seu território. § 4º. j. CF/88). II. CF/88): 260 O valor adicionado é definido exclusivamente por via de LC federal (art. Fundos de Distribuição – nesse contexto. 157. 25% do ICMS. CF/88). CF/88). CF/88). 159. Joaquim Barbosa. “a”. DJU 4.217 30% do IOF sobre ouro vindo de seu território. Fundo de Participação dos Municípios (FPM) – 21. quando houver delegação de capacidade ativa (arts. § 5º. 158. I. não considera eventual acréscimo de 2% destinado a Fundo de Combate à Pobreza do Estado ou do DF (art. 161. I. 153. suas autarquias e fundações públicas (art. CF/88).5% do IR (art. 4. valendo as mesmas regras do repasse de ICMS. Parafiscalidade – 100% do tributo cobrado de imóveis localizados em seu território. 16. DJU 2. CF/88).2005. DJU 18. 158. CF/88). 153. 159. e 158. 158. Receitas repassadas dos Estados para os Municípios 50% do IPVA sobre veículos licenciados em seu território (art. IV e parágrafo único. CF/88). ADI 3262/MT. rel. III. no mínimo.Até ¼. CF/88). § 3º.2004. I. Nordeste e Centro-Oeste. 25% da rende recebida do IPI sobre importações (art. quando considerado ativo financeiro exclusivamente (art. 2. ADI 2728/AM. 3. e § 1º. considerado como base de cálculo para o repasse constitucional em tela. Informativo do STF n° 467).2005.

161.218 De acordo com o plano regional de desenvolvimento (previsão em plano plurianual). . o Valores tributários repassados e recebidos. • À aplicação dos recursos mínimos na saúde. “caput”. 5. CF/88): • Ao pagamento de seus créditos. 157. ADCT): Base de cálculo de: IOF sobre ouro. enquanto o legislador complementar for inerte. Desvinculação de receitas da União (DRU) – de acordo com o art. Repasse e fiscalização – em regra. um relatório com os seguintes dados (art. o DF e os Municípios deverão publicar mensalmente. Arrecadação e destinação do salário-educação (art. como ADAM. 25% da receita tributária da União não está vinculada a qualquer órgão. parágrafo único. 76. § 5º. CF/88). permanecendo aqueles estatuídos no art. FPE e FPM (art. § 5º. 6. incluindo das autarquias. A União. os Estados. I. decorrente de repasse. podem ser apontadas duas exceções. CF/88): o Total da arrecadação tributária. nos termos de LO federal. § 2º. cujos percentuais mínimos devem ser fixados por LC. o Recursos não-tributários recebidos. O repasse de verbas dos Estados e Municípios é disciplinado pela LC 63/90 (art.. 153. etc. CF/88). o TCU é responsável por calcular os valores de repasses do FPE e do FPM (art. 161. I. O semi-árido nordestino receberá 50% do total destinado à região NE. é vedada restrição ou retenção de verbas destinadas a repasses constitucionais (art. §§ 1º e 2º. CF/88). “caput”. CF/88). CF/88). 76. III. II e III. e 158. I. entre 2003 e 2007. 77. “caput”. ADCT. o Expressão numérica dos critérios de rateio. I e II. até o último dia do mês subseqüente. Essa regra não abrange os seguintes repasses (art. 162. ADCT. 160. Contudo. 160. O FPE e o FPM são regulados pela LC 62/89 (art. Fomento de instituições financeiras de caráter regional. IR arrecadado por Estados. DF e Municípios (arts. Programas de financiamento do setor produtivo do Norte. parágrafo único. CF/88). ADENE. nas quais é possível que a União e os Estados condicionem a repartição de receitas (art. 159. No tocante à fiscalização. Nordeste e Centro-Oeste (art. fundo ou despesa. II. “a” e “b”. CF/88). 161. CF/88). 198. 159. CF/88). 212. considerado como ativo financeiro (art. I. “c”. a ser revisada a cada lustro (art. CF/88).

I a VI. CF/88). Territórios e Municípios. 9. repasse de IPI sobre exportações. decorrente do IOF sobre ouro como ativo financeiro (art. CF/88). repasse da CIDE-combustíveis (art. ADCT): 0. e 60. ADCT): 1º) Não-vinculação de impostos (art.219 7. É formado pelas seguintes receitas (art. o Outras receitas previstas em lei específica. Outras. Advindas de operações de crédito. Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT – Lei 7998/90). CF/88). 2º) Formação do FPE e do FPM. excluindo-se as hipóteses do art. ADCT): o Parcela do IR na fonte sobre rendimentos pagos pela União. “caput”. Percentuais mínimos destinados à educação (18% para União e 25% para Estados. 206. “caput”. 212. 211. Percentual dos Estado. I a III. § 5º. Provenientes de dotações orçamentárias específicas. definidos nos termos de LO federal (art.38% da CPMF. Produto do ITR. o qual financia o seguro-desemprego e o abono salarial anual decorrente do PIS/PASEP (art. DF e Municípios – art. ADCT. o 20% do total das receitas de impostos e contribuições sociais da União. incluindo suas autarquias e fundações. § 1º. 159. atualmente em 30%. . ADCT: As três situações anteriores. § 5º. 153. I a III. Nordeste e Centro-Oeste. I a VI. Repasse do ITR aos Municípios (art. o 0.75% sobre o PIS/PASEP. 72.: os recursos do citado fundo não se sujeitam a duas regras tributário-financeiras (art. 83. 72. Fundo Social de Emergência – presta-se a fazer frente a imprevistos sociais. o Parcela do IR e do IOF decorrente do Plano Real.08%. financiamento de programas a setores produtivos do Norte. CF/88. 5% do IPI sobre produtos supérfluos. 167. parágrafo único. 23. definidas na LC 111/01. 80. CF/88). É formado pelas seguintes receitas (art. 158. Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza – tem previsão no art. 239. DF. o Parcela da CSLL. II. “caput”. e §§ 3º e 4º. Fundo da Educação Básica (FUNDEB) – de acordo com a EC 53/06 (arts. IV. ADCT). Obs. CF/88). dos 0. 80. 80. sendo regulado pela LC 111/01. ADCT). 8. CF/88). VII.

Direito constitucional. Direito administrativo. V. Curso de processo civil: execução. Miguel. 19 ed. 12 ed. 8 ed. OLIVEIRA. 2002. CARMONA. doutrina. São Paulo: Revista dos Tribunais. Vicente. São Paulo: Saraiva. Maximiliano Roberto Ernesto. v. MARINONI. HORVATH. 2004. Carlos Alberto. Manual de direito financeiro. 4 ed. GRAU. FÜHRER. Coleção sinopses jurídicas. Luciano. 17 ed. prática e jurisprudência. ARENHART. Resumo de direito tributário. Sérgio Cruz. 2007. 2006. Curso de direito constitucional tributário. Direito tributário. São Paulo: Atlas. Livro II. 2. 2001. Direito tributário: fundamentos constitucionais da tributação. 1991. Filosofia do direito. 16. v. São Paulo: Prima Cursos Preparatórios. São Paulo: Atlas. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Malheiros. 6 ed. Luiz Guilherme. Alexandre Freitas. 1671-1770. São Paulo: Saraiva. REALE. 2003. 2 ed. 2006. Direito tributário. interpretação da legislação tributária. Capítulos I a V. Ricardo Cunha. São Paulo: Martins Fontes. classificação dos tributos. PAULSEN. CANOTILHO. Leandro. Régis Fernandes de. Roque Antônio. SABBAG. FÜHRER. Direito processual civil brasileiro: processo de execução a procedimentos especiais. Coimbra: Livraria Almedina. 16 ed. José Joaquim Gomes. São Paulo: Atlas. Hans. v. 3. 2006. de 19-12-2003. . Curso de direito tributário. 2001. In: MARCATO. CÂMARA. São Paulo: Saraiva. 1993. Curso de direito tributário. atualizado até a EC nº 42.220 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AMARO. Conceito de tributo e fontes do direito tributário. Código de processo civil interpretado. Vittorio. Eduardo de Moraes. MACHADO. Rio de Janeiro: Forense. p. Rio de Janeiro: Lumen Júris. 7 ed. 2. Constituição e código tributário à luzo da doutrina e da jurisprudência. 2003. 1975. 6 ed. 1999. 16 ed. NOGUEIRA. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2004. São Paulo: Saraiva. 1998. CASSONE. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Teoria pura do direito. 1993. São Paulo: Saraiva. 13 ed.). Título I. (coord. DI PIETRO. CHIMENTI. KELSEN. 15 ed. CARRAZA. Lições de direito processual civil. São Paulo: Resenha Tributária. 2004. Estevão. Maximilianus Cláudio Américo. Eros. 1986. Maria Sylvia Zanella. Ruy Barbosa. Hugo de Brito. GRECO FILHO. São Paulo: Revista dos Tribunais. Antonio Carlos. 6 ed.

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