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Projeto de Pesquisa - Gestão em Educação (FICTICIO)

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FACULDADE INTEGRADA DE DIAMANTINO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO ESCOLAR

CONTROLE SOCIAL E EDUCAÇÃO: Os Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar do município de Nortelândia-MT

PROJETO DE PESQUISA

Cecília Carrijo Irineu

Diamantino - MT 2007

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CECÍLIA CARRIJO IRINEU

CONTROLE SOCIAL E EDUCAÇÃO: Os Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar do município de Nortelândia-MT

Projeto de Pesquisa apresentado ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade Integrada de Diamantino como requisito para obtenção do título de Especialista em Gestão Escolar, sob a orientação dos professores Bruna Andrade Irineu e Josiley Carrijo Rafael.

Diamantino – MT 2007

...........................................................................................................................................24 X – Cronograma de Atividades.........26 .........................06 V – Hipótese..................05 IV – Problematização do Tema..................................................12 IX – Procedimentos Metodológicos.................................................................................................04 II – Tema........................................05 III – Delimitação do Tema...........................07 VI – Objetivos.....................................08 VII – Justificativa................................................................................................................................................................................................25 XI – Referências Bibliográficas...................3 SUMÁRIO I – Introdução.......................................................................................................................................................................................................................09 VIII – Abordagem Teórica..................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................

que consistiu na autogestão operária por meio de conselhos populares durante o período de dois meses na França. Dessa forma o presente projeto procura verificar a atuação dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar da rede estadual do município de Nortelândia. apresenta-se. Na atualidade a discussão sobre o papel dos Conselhos Gestores. A Gestão Participativa por via dos Conselhos. Dentre as conquistas advindas.4 I – INTRODUÇÃO O processo de redemocratização decorrente da distensão do regime militar vivenciado na década de 1980 no Brasil oportunizou a retomada da organização da classe trabalhadora e dos movimentos sociais. através dos Conselhos Gestores que representam sobretudo uma forma específica de participação sociopolítica. Atrelado aos direitos sociais estabelecidos na Constituição Federal (CF) de 88. destacam-se o reconhecimento da igualdade independentemente da cor. o cidadão brasileiro adquire também o direito de participação no processo de elaboração. raça. assim como também as preconizações no tocante a aplicação de políticas sociais publicas por parte do aparelho estatal. os objetivos. articulando representantes da sociedade civil e membros do poder público estatal no processo de gestão das diversas políticas setoriais públicas. cidade pertencente a região do médio-norte do Estado de Mato Grosso. os procedimentos metodológicos. a seguir. e a bibliografia que dará suporte teórico à pesquisa. não é algo desencadeado somente a partir da CF de 88. mas sim. em 1871. sexo e idade. religião. privilegiando sobretudo a investigação acerca da atuação dos seus respectivos conselheiros no processo de luta pela implementação e efetivação da Política de Educação Pública. aplicação e fiscalização das políticas publicas. . definindo as mesmas como direito do cidadão brasileiro e dever do estado. Essas questões influenciaram diretamente na construção da Carta Constitucional aprovada em 1988 e denominada como Constituição Cidadã. e se tornou conhecida principalmente através da Comuna de Paris. Delimitado o tema. e sobre a participação da sociedade civil no processo de implementação de um Estado verdadeiramente democrático ainda tem sido temática de debate e investigação por parte das ciências. a estrutura. em especial das ciências humanas e sociais. a problematização. Gratuita e de Qualidade. possui antecedentes históricos em Portugal nos séculos XII e XV.

.5 II – TEMA O Controle Social na política de educação III – DELIMITAÇÃO DO TEMA O papel dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar da rede estadual do município de Nortelândia-MT.

Gratuita e de Qualidade? Questões Norteadoras Quais as estratégias e alternativas utilizadas para a efetivação da Política Pública de Educação? Como os conselhos vêm desenvolvendo o processo de fiscalização e implementação da Política de Educação no município de Nortelândia? De que forma os agentes representativos da sociedade civil percebem a implementação e efetivação da cidadania por meio do Controle Social e das Políticas Sociais? .6 IV – PROBLEMATIZAÇAO DO TEMA O projeto toma como problema de pesquisa e procura investigar: Qual a relevância dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar da rede estadual do município de Nortelândia. para a implementação e efetivação da Política de Educação Pública.

que acabam por atuar de forma apolítica e descompromissada com os direitos preconizados na Constituição Federal de 1988. em decorrência das graves alterações sofridas pelo mundo do trabalho. Gratuita e de Qualidade. desconstruindo o verdadeiro papel da gestão participativa quando não conseguem por via da representação garantir a implementação e efetivação da Política de Educação Pública. a participação sociopolítica em Conselhos Gestores recebeu reflexo direto da crise em forma de despolitização da sociedade civil.7 V – HIPÓTESE Diante das transformações societárias ocorridas nos últimos anos. . essa questão acaba por refletir também na atuação dos membros dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar no município de Nortelândia.

8 VI – OBJETIVOS GERAL:  Identificar as atribuições e complexidade das atividades desencadeadas pelos conselheiros do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar no município de Nortelândia. ESPECIFICOS:  Conhecer as estratégias e alternativas utilizadas para a efetivação da Política Pública de Educação. .  Analisar a importância desses conselhos na fiscalização e implementação da Política de Educação no município de Nortelândia.  Conhecer como os agentes representativos da sociedade civil percebem a implementação e efetivação da cidadania por meio do Controle Social e das Políticas Sociais.

prejudicando diretamente os segmentos desfavorecidos da nossa sociedade. desencadeado no final da década de 1980 e principalmente nos anos 90. Um dos principais exemplos dessa caótica proposta governamental pode ser evidenciado na crescente proliferação das unidades de ensino privado. suprimindo a qualidade em detrimento da quantidade. Essa problemática acaba por se agravar principalmente nas regiões periféricas. em virtude do ajuste neoliberal e da sua avassaladora proposta de redução do Estado Social e consolidação do Estado Mínimo. do paternalismo e clientelismo. da formação profissional acadêmica à distância. e não como construção e obtenção de conhecimento. o recente aparecimento da modalidade virtual de ensino superior. por via do discurso liberal que entende que essas propostas “alternativas” de formação acadêmica representam sobretudo o favorecimento de acesso da camada popular ao ensino superior. Os estudos e pesquisas sobre o papel dos conselhos de política. . tem demonstrado que nos municípios pequenos e periféricos a questão da participação sociopolítica ainda se mostra de forma completamente equivocada. acaba por ser substituída pela ideologia do favor. em virtude do descompromisso. fortalecendo ainda mais o entendimento equivocado que traduz a educação enquanto obtenção de título. Possibilitando a inversão da gestão democrática em detrimento da gestão autocrática e de interesse da lógica dominante. Podemos destacar também. O panorama da realidade educacional evidencia ainda certa descompatibilidade no tocante ao papel da sociedade civil no processo de participação sociopolítica nos espaços que devem ser ocupados pelos agentes representantes dos interesses da classe trabalhadora. representado pelo grande número de escolas e universidades que começaram a surgir a partir da década de 1990. ou seja.9 VII – JUSTIFICATIVA Com o processo de reforma do Estado. sendo que na grande maioria a cooptação dos conselheiros mostra-se como algo determinante dentro dessas esferas de participação. com pouca participação popular e total descaso por parte dos gestores governamentais em efetivar a gestão democrática. da desmotivação e até mesmo da desinformação sobre os direitos e deveres do cidadão brasileiro. O que acaba desencadeando essas “reformas” no âmbito da política de educação. de direito e dos conselhos gestores em geral. a política educacional acabou por sofrer reflexos diretos na sua condução e implementação. onde o acesso a uma formação crítica e questionadora sobre o papel do Estado na implementação e efetivação das políticas sociais públicas.

a população total do município era de 7. assim como também denunciar as supostas e comprovadas irregularidades. tendo recebido anteriormente o nome de Santana dos Garimpeiros. e assim. Essas escolas contam com a participação da sociedade nos processos de gestão e tomadas de decisões. constituídos pelos segmentos: Gestor/Diretor da Unidade Escolar (membro nato). podendo assim atender a população moradora das diversas regiões urbana. através dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar (CDCEs). fortalecer a proposta de democracia participativa. ou seja. acompanhamento e avaliação do Projeto Político-Pedagógico. com propósito de contribuir com os profissionais da educação e com a comunidade geral. investigar a realidade dos Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar do município de Nortelândia. Administrativos. com destaque principal às atividades garimpeiras. Pai e Aluno. subsidiando e instrumentalizando por meio da realidade identificada o desenvolvimento e realização de ações que divulguem o papel e a importância do Controle Social. com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) correspondente à 0.718. desencadeando a necessidade de . Atualmente Nortelândia possui em funcionamento o total de três escolas estaduais.246 habitantes. principalmente se levarmos em consideração as particularidades que envolvem o processo histórico do referido município. verificar por via da pesquisa cientifica a realidade sociopolítica dos conselhos do município de Nortelândia. Frente ao exposto. De acordo com o ultimo Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizado em 2000. acompanhamento e aprovação de questões que envolvem o orçamento financeiro das escolas e divulgação e prestação de contas de todos os recursos que forem repassados à unidade escolar. O município foi criado em 16 de dezembro de 1953. fica evidenciada a necessidade de uma investigação sistemática sobre as atividades desenvolvidas pelos Conselheiros do CDCEs. do Plano de Desenvolvimento da Escola. das deliberações necessárias sobre os problemas de rendimento escolar. no sentido de incentivar e construir uma cultura de participação e emancipação humana. Professores.10 Dessa forma. A origem do município de Nortelândia está diretamente relacionada com o desencadeamento do processo de exploração do solo na região do médio-norte do Estado. Os membros dos CDCEs tem como competências e atribuições a participação nos processos de elaboração. da aprovação do Calendário Escolar. localizadas em bairros estratégicos e diferenciados. representa uma verdadeira sintonia com as discussões contemporâneas acerca da democracia participativa. conforme Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD (2000). participar dos processos de análise.

11 organização da sociedade civil na construção e implementação de um projeto societário transformador. .

baixas taxas de crescimento com altas taxas de inflação. que havia corroído as bases de acumulação capitalista com suas pressões reivindicativas sobre os salários e com sua pressão parasitária para que o Estado aumentasse cada vez mais os gastos sociais. de maneira mais geral. nos escritos de O caminho da Servidão. advindo da lógica neoliberal e de seu projeto que fragmentaliza e despolitiza as contradições oriundas da antagonica relação Capital X Trabalho. como temos verificado nas mais diversas políticas sociais. 1995. o autor destaca que inicialmente a força do projeto neoliberal foi contida pelas políticas keynesianas e sociais-democratas. Mas a partir da crise do petróleo de 1973. precisamente na Inglaterra e nos Estados Unidos. sem garantia de efetiva qualidade e acesso universal. então. As raízes da crise. de forma setorializadas e fragmentadas. como é o caso da saúde. sim. mas parco em todos os gastos sociais e nas intervenções econômicas (ANDERSON. afirmavam Hayek e seus companheiros. Porém. denunciado como uma ameaça letal à liberdade. tem se reafirmado principalmente em decorrência daquilo que comumente costumados denominar de Estado Mínimo. pela primeira vez. era claro: manter um Estado forte. O neoliberalismo surgiu após a Segunda Guerra Mundial. da habitação. O agravento dessa questão. da assistência social e também da educação. é claro que. 1995. nas regiões onde o capitalismo imperava. combinando. destacando o posicionamento totalmente contrário a “qualquer limitação dos mecanismos de mercado por parte do Estado. do movimento operário.12 VIII – ABORDAGEM TEÓRICA As políticas sociais e os padrões contemporâneos de proteção social são desdobramentos e respostas de enfrentamento às mais variadas refrações e expressões da Questão Social no modo de produção capitalista. não somente econômica. Esses dois processos destruíram os níveis necessários de lucros das empresas e desencadearam processos inflacionários que não podiam deixar de terminar numa crise generalizada das economias de mercado. implementadas em geral. 10-11). 9). p. de Friedrich Hayek. estavam localizadas no poder excessivo e nefasto dos sindicatos e. . Sua filosofia foi inicialmente manifestada em 1944. mudou tudo”. mas também política” (ANDERSON. O remédio. que impulsionaram por 40 anos o crescimento. como proposta “teórica e política veemente contra o Estado intervencionista e de bem-estar”. o neoliberalismo gradativamente voltou à cena. p. em sua capacidade de romper o poder dos sindicatos e no controle do dinheiro. “quando todo o mundo capitalista avançado caiu numa longa e profunda recessão.

os interesses e visões de mundo do capital. as idéias dominantes. apontamos a contribuição de Marx e Engels (1977). p. o Estado foi desmontado e gradativamente desativado. a classe que é o poder material dominante da sociedade é. enfraquecendo a classe trabalhadora e diminuindo ou neutralizando a força dos sindicatos. dessa forma. mas antes de tudo. e menos desigual. na medida. pelo que lhe estão assim. 56-57). que. influenciam e determinam as políticas públicas. 1999. dominam também como pensadores. como produtores de idéias. ético-político e educacional. Trata-se de uma crise que está demarcada por uma especificidade que se explicita nos planos econômico-social. pois. Sobre essa influência exercida pela lógica do capital. ao mesmo tempo. na construção de uma sociedade mais politizada. o que tem culminado no esfacelamento de propostas realmente eficientes no combate ao analfabetismo. 1995. as suas idéias são as idéias dominantes da época (p. em todas as épocas. precisamente na década de 1980 na Inglaterra. 12). regulam a produção e a distribuição de idéias do seu tempo. a aliança existente entre o Estado de Bem-Estar Social e os sindicatos foi suprimida.13 Assim. cuja análise fica mutilada pela crise teórica (FRIGOTTO. “Esse pacote de medidas é o mais sistemático e ambicioso de todas as experiências neoliberais em países de capitalismo avançado” (ANDERSON. acaba por sofrer drasticamente com a reforma estatal. entre outras coisas. Essa consideração pode ser explicitada fundamentalmente através dos distantes extremos da régua econômica determinada pela divisão de classes sociais. concomitante às crises vivenciadas pela política educacional. sob o governo Thatcher. Os indivíduos que constituem a classe dominante. o seu poder espiritual dominante. 78-79). As idéias dominantes não são mais do que a expressão ideal das relações que precisamente tornam dominante uma classe. em especial no campo educativo. com a diminuição dos tributos e a privatização das empresas estatais. A classe que tem à sua disposição os meios para a produção espiritual. critica. também têm. Buscar entender adequadamente os dilemas e impasses do campo educativo hoje é. e. ou seja. entre outras coisas. p. é evidente que o fazem em toda a sua extensão. submetidas em média as idéias daqueles a quem faltam os meios para a produção espiritual. inicialmente dispor-se a entender que a crise da educação somente é possível de ser compreendida no escopo mais amplo da crise do capitalismo real deste final de século. portanto. em que dominam como classe e determinam todo o conteúdo de uma época histórica. Nesse contexto. e daí que pensem. no plano internacional e com especificidades em nosso país. portanto. consciência. o campo da educação pública. portanto. portanto as idéias do seu domínio. ao destacarem que: as idéias da classe dominante são. nos primeiros anos de implementação da política respaldada nos princípios neoliberais. . ideológico. enquanto os sindicatos foram esvaziados pela retomada política do desemprego. ao mesmo tempo.

A argumentação é poderosa: após décadas de gestão estatal. favorecimento. corrupção. insistir na receita? Melhor não seria experimentar uma estrutura alternativa a um sistema educacional unanimemente reconhecido como fracassado? (COSTA. já que esse repúdio era a forma de impedir que a burguesia contasse. que há muito vem determinando a condução das políticas dos países periféricos. onde nichos de razoável qualidade canalizam recursos públicos desproporcionais para o atendimento de estratos já bem aquinhoados da sociedade. p. não podemos pensar na política educacional. farta politicagem deforma o caráter presumivelmente democrático do serviço público. 45). o tema do desenvolvimento aparece como problema mundial. ciência e cultura. então. espelho de uma sociedade absurdamente desigual. explicitadas fundamentalmente através das ações governamentais. sem levarmos em consideração as transformações societárias e econômicas desencadeadas particularmente pela chamada globalização do mercado. em conluio com o uso político menor de um sistema gigantesco e tão fundamental para as famílias em geral. eis o quadro presente da escola no Brasil. onde as lacunas da ação estatal podem ser melhor verificadas na realidade escolar. além dos outros poderes de que já dispunha. Além disso. que ainda caracteriza-se por uma pedagogia da exclusão. Os interesses e os ideais da classe dominante.14 Uma outra reflexão sobre a possível influência burguesa na política educacional é destacada na “Crítica da educação e do ensino”. e consequentemente pelo predominio. Ao final da década de 1940. A segunda com suas ações voltadas especificamente para as áreas de educação. a grosso modo. capitaneados pelos organismos internacionais do capital. clientelismo. Em suma. o que se encontra é um sistema escolar sofrível em todos os termos. A primeira instituiu-se com o objetivo de implementar e acompanhar políticas econômicas e sociais na América Latina. Ciência e Cultura (UNESCO). mau uso de recursos públicos. dentre os quais podemos destacar: Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). beneficiando setores intermediários do sistema educacional (burocratas). Grupo Banco Mundial (BM). É neste momento que são criadas a CEPAL e a UNESCO. na qualidade de organismos integrantes da Organização das Nações Unidas. refração a controles democráticos. inépcia. pelos interesses e hegemonia dos países desenvolvidos. onde apontam a necessidade da responsabilidade estatal pela educação. com todo o aparato escolar posto a seu serviço. Dessa forma. 1999. A criação destes . podem ser melhor entendidas se tomarmos como exemplo a política educacional vigente no Brasil. mas advertem e repudiam o controle do Estado exercido sobre ela. Organização das Nações Unidas para a Educação. Organização Mundial do Comércio (OMC) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Por que. de Marx e Engels (1978).

145). na qual se insere a reforma educacional” (IDEM. p. fizeram com que o BM e o FMI impusessem programas de estabilização e ajuste na economia brasileira. entendido em uma perspectiva de passagem progressiva do subdesenvolvimento para desenvolvimento. BM. A autora continua. “na essência deste processo estava a reforma do Estado brasileiro. Assim. no sentido de garantir estabilidade econômica e segurança ao movimento internacional do capital. 1). A cada empréstimo. O Banco Mundial/BM e o Fundo Monetário Internacional/FMI nascem também na década de 1940 com a finalidade de articulação de uma nova ordem mundial no pós-guerra. apontando o papel desempenhado pelos outros organismos internacionais do capital: A atuação da CEPAL durante as décadas de 1940 e 1950 foi marcada pela teoria do desenvolvimentismo. 2005. ao controle econômico. ao apontar que: O poder dos centros financeiros sobre os devedores amplia-se na razão direta da deterioração dos termos de troca para estes últimos e da dependência cada vez mais acentuada de “favores” frente a débitos que não podem ser honrados. De acordo com Lima (2005). sob a aparência de assessorias técnicas. p. fundamentalmente críticas dos arranjos compensatórios dos Welfare States. ou simplesmente democratização. inclusive com “condicionalidades cruzadas” – ou seja. a articulação entre os vários organismos (BID. por razões que estão longe das pretensões deste artigo explicar. ao fornecimento de empréstimos aos países periféricos. mas. utilizando a Teoria do Capital Humano para nortear suas ações na área educacional. os governos de países sede das instituições financeiras passam aceleradamente a mãos de coligações conservadoras. Nessa mesma direção. A partir da década de 1960. destacamos a contribuição de Costa (1999). p. sobretudo. A história destas organizações está ligada ao aspecto financeiro. como conseqüência da adaptação dos vários países periféricos ao projeto dominante de industrialização mundial. no período de redemocratização. 2005. FMI) para concessão dos empréstimos (LIMA. o pais tomador está mergulhado em condicionalidades que expressam a ingerência do BM e do FMI nas políticas macroeconômicas e nas políticas setoriais dos países devedores. Simultaneamente.15 organismos é atravessada por dimensões econômicas – pela necessidade da crescente expansão do capital – e também por dimensões políticas e culturais – no sentido de garantir a segurança e a legitimidade necessárias a esta expansão (LIMA. As respostas para a crise consubstanciadas em . 1). a crise brasileira e de outros países periféricos que construíram seus processos de desenvolvimento respaldados na fartura de capitais disponibilizados no mercado internacional. atrelando a renegociação da dívida externa ao aval destes organismos. a interferência dos organismos internacionais na definição da política educacional brasileira se desencadeia na passagem da década de 1970 para a década de 1980. a CEPAL passa a trabalhar com a estratégia do planejamento como instrumento deste desenvolvimento. cultural e político que exercem a partir da exigência de cumprimento de condicionalidades.

Desta idéia-chave advém a tese do Estado mínimo e da necessidade de zerar todas as conquistas sociais. sendo fortemente percebida através do sucateamento das universidades públicas. pelo privilégio. da crescente oferta de escolas privadas e. 1999. terceirização de serviços prestados e outras ações com o objetivo de transferir a responsabilidade do Estado. etc. 50). A idéia-força balizadora do ideário neoliberal é a de que o setor público (o Estado) é responsável pela crise. 52). soberania do mercado e esvaziamento da intervenção dos estados nacionais (COSTA. sua privatização desencadeia-se a passos largos. Percorrendo sobre as questões implicadas na ordem comercial mundial. Na realidade. altamente interventor. Tudo isto passa a ser comprado e regido pela férrea lógica das leis do mercado. em especial a educação. educação. e sobre os impactos causados pelos organismos internacionais na política educacional brasileira. [. 83-84).. e que o mercado e o privado são sinônimo de eficiência. Acompanha este processo o avanço da corrente teórica posteriormente identificada como neoliberal – cujo prefixo neo vem do paradoxo entre a preconização de esvaziamento da esfera de ingerência do estado sobre o mercado e a necessidade de que um estado forte. p. 1999. acaba por caracterizar-se na redução da responsabilidade estatal na aplicação das políticas públicas. desencadeie tal processo (p.] um elemento de novidade está na busca de caracterizar como conservadores os projetos e discursos que defendam políticas conduzidas por um estado preocupado em corrigir as desigualdades sociais. Lima (2005) destaca: . Um exemplo desse fenômeno pode ser melhor explicado partindo da inúmera multiplicação do Terceiro Setor. como o direito a estabilidade de emprego. pela ineficiência. o direito à saúde. gerando na sua proposta um certo equívoco sobre as diversas manifestações da questão social. A educação acaba por assumir integralmente o papel de serviço e mercadoria.16 políticas econômicas ortodoxas assumem preponderância cada vez maior. a idéia de Estado mínimo significa o Estado suficiente e necessário unicamente para os interesses da reprodução do capital (FRIGOTTO. A ofensiva se dá sob condições sócio-políticas consideravelmente adversas para os defensores de que a desigualdade é o problema central de nossas sociedades. da caótica situação do ensino público em geral. transportes públicos. num mundo cada vez mais bombardeado pelas idéias de competitividade. apontado como uma grande novidade para as diversas problemáticas. O caminho adotado para a superação da crise. em virtude da ordem comercial mundial. principalmente. manifestada através da desregulamentação. privatização de empresas públicas. p.. qualidade e equidade. As próprias bases culturais sobre as quais tal pensamento se estabeleceu parecem esvanecer.

O prrimeiro diz respeito à globalização crescente dos sistemas educacionais na América Latina. acompanhou os processos das lutas de classe. e como expressão dessa lógica podemos destacar a estagnação da resistência social e dos movimentos sociais. de civilização. O segundo refere-se à constituição das universidades corporativas implementadas nas ou pelas empresas. Esta visão de mundo difundida pelo ideário burguês acaba sendo enraizada e materializada na sociedade brasileira. transmitindo a idéia de que a igualdade e a justiça social são elementos nocivos à eficiência econômica. sendo norteada particularmente pelos interesses econômicos internacionais. como de controlar a liberdade dos . de racionalidade e de submissão suportáveis pelas novas formas de produção industrial e pelas novas relações sociais entre os homens. e seu desenvolvimento em todos os âmbitos e espaços. capaz tanto de tornar súditos cidadãos livres. O terceiro se expressa no incentivo ao investimento na educação à distância. a concepção da educação enquanto estrutura norteadora na construção de uma sociedade justa e cidadã perpassa pelos mecanismos e intenções na qual sua interferência será utilizada. sendo cada vez mais significativos na região os incentivos para que universidades públicas e privadas associem-se às universidades estadunidenses e européias. O elemento de continuidade é garantido pelo reforço à concepção de educação como estratégia de qualificação da força de trabalho para o mercado e também de dominação ideológica. no sentido de despertar maior resistência da classe trabalhadora contra a histórica subalternidade e injustiça que o capitalismo lhes remetem. 6). Nos moldes contemporâneos. da participação e da cidadania. O elemento de novidade é o crescente empresariamento da educação. ora como um dos mecanismos para controlar e dosar os graus de liberdade. Assim. Percebe-se uma constante: a educação passa a ser encarada como santo remédio. se considerarmos que a educação é algo que pode ser conduzido para ajudar na libertação ou na dominação dos seus sujeitos. Justamente porque a educação no Brasil é gerenciada pela lógica do capital. com três aspectos importantes. remetem à mercantilização da educação desencadeada pelo complexo movimento do capital em busca de novos mercados para exploração lucrativa. na aprendizagem promovida pela educação está implicada antes de tudo. os valores e os interesses de quem a direciona. através da visão da difusão da concepção de mundo burguesa.17 Nos últimos anos da década de 1990. a educação não tem possibilitado o que denominamos como processo de formação da consciência política. impulsionada pelo desenvolvimento das inovações tecnológicas (p. ora como um dos instrumentos de conquista da liberdade. dessa forma. elementos de continuidade e novas expressões vêm à tona no que tange ao processo de abertura do setor educacional como opção de investimentos de grupos privados. Os reflexos causados no cenário nacional através da concepção de mundo burguesa. A lógica neoliberal acaba por situar o mercado como fundamental regulador e definidor das relações humanas. A educação moderna vai se configurando nos confrontos sociais e políticos.

sejam eles escolares ou não-escolares. pois. Nos últimos séculos. devendo ser compreendido dentro de uma totalidade histórica. da política. Afinal. seja em seu nascedouro. destacando que os mesmos são uma construção que se faz e se reconfigura sem cessar. Araújo (2005).18 cidadãos. guarda estreitas relações com a questão educativa. considerando que a mesma se constitui na consciência dos problemas enfrentados pelos homens. e remetendo ao marxismo uma específica visão de mundo. servindo como referência para compreensão e análise do mundo em períodos históricos diferentes. destaca também. A contribuição sobre o papel da educação em nossa sociedade remete-nos a questionamentos sobre o verdadeiro posicionamento dos mecanismos educacionais. da moral. E a visão de mundo marxista. 2003. bem como a possibilidade de superá-los com o máximo de consciência possível.36). pois estruturam-se vinculadas a concepções antropológicas: estão implícitas nessas. Dessa forma. e sua sobrevivência e viabilidade será sancionada diante das possibilidades interventiva nos projetos que visam a “superação de problemas de ordem societária” (ARAUJO. da cultura. em . as visões de mundo podem sobreviver ou não frente as suas possibilidade de interpretação e intervenção de determinada realidade. dada a sua preocupação com o ser do homem no interior da sociedade capitalista. p?). É evidente que a visão marxista sobre a educação tem um potencial apontado a uma fecunda transformação da sociedade capitalista e de sua superação. enfim. do trabalho. colocando-se esta como uma dimensão irredutível da mesma (ARAUJO. O autor percorre ainda. p. da existência. entre outras. p. da sociedade. posturas a respeito da história. 2005. constituem-se respaldadas em um processo histórico. que os pensadores que atingem essa consciência conseguem ultrapassar as “questões relativas às gerações com as quais conviveu”. pela concepção e definição do que é uma visão de mundo. seja em seu processo de explicitação desde o final do século XX. remetendo ao marxismo e sua visão de mundo a essa condição. em nossa sociedade capitalista e fortemente marcada pela desigualdade social. 2005. a distribuição da dose de educação passa a estar condicionada ao destino de cada individuo na nova ordem social e à dose de poder que os diversos grupos sociais vão conquistando (ARROYO. 41). da economia. As visões de mundo têm nas concepções educativas um significativo ancoradouro. a existência humana implica sua educação. pontua algumas questões referentes ao posicionamento de Marx a respeito do campo educativo e dos sistemas educacionais. com suas vertentes e tendências. essas são dimensões que expressam o ser do homem.

Nesse sentido. por conseguinte. defende os interesses do Estado. Essa perpetuação pode ser melhor compreendida se considerarmos que: Quando estudamos a educação em Roma. 182). O autor evidencia o papel da educação em qualquer tipo de sociedade. com um gesto digno dele. A atividade intelectual tem seu momento. pois “a classe detentora do poder na sociedade é também detentora do controle . a visão de mundo marxista mostrar-se-á integramente em consonância com seu projeto “a favor da libertação das classes populares. porém nunca desligado de proposições concretas que devem apontar para a transformação (ARAUJO. p. “como se tratasse de escolher o chefe de um esquadrão de cavalaria.] (PONCE. destaca “que a educação é processo mediante o qual as classes dominantes preparam na mentalidade e na conduta das crianças as condições fundamentais da sua própria existência”. é invocada como instrumento de transformação das relações de produção vigentes” (ARAUJO. trata de encaminhar as reflexões tendo em vista a prática. 2005. demonstrando sua relação com o Estado através da institucionalização do ensino. na tentativa de modificar a realidade. ou seja. nomeou como Diretor do Ensino Primário [. o Senhor Restaurador pensou ver nas poucas escolas que havia autorizado a funcionar focos de agitação e de rebeldia. Mais franco do que todos os seus predecessores. Então. Tal argumentação remete ao entendimento da educação como processo de perpetuação e indução de cultura que se dá no convívio entre gerações em uma sociedade. no modelo educacional. A comparação não perdeu nada de sua terrível exatidão. Aníbal Ponce (2001.. começou a oposição contra a tirania. que. A educação. devendo ser posta em ação. uma locução contemporânea que tem concreção vinculada às relações e aos meios de produção. 2005. A operacionalização através da ação da teoria torna-se característica fundamental da proposta educativa marxista.] nada menos do que o seu Chefe de Polícia [. o exercício teorizante só pode ser verdadeiro se se tornar ação. em 1842.. a escola continuará sendo uma simples engrenagem dentro do sistema geral de exploração. apesar do decorrer dos séculos. Quando. pois.. vimos que Eumenes elogiava o zelo com que o Imperador escolhia os professores. ao estabelecer que a teoria apenas possibilita dentro desse espaço a interpretação da realidade.19 relação a outras concepções educacionais. 46). Enquanto a sociedade dividida em classes não desaparecer. 44). do ambiente escolar. o tirano argentino Juan Manuel Rosas deixou bem esclarecidas as relações efetivas que existem entre o Estado e a Escola.. 2001. somente assim. como os outros. Fortalecendo a discussão sobre o papel da educação na sociedade de classes.169). ou de uma corte pretoriana. e o corpo de mestres e de professores continuará sendo um regimento. p. considerando a influência exercida pelas classes detentoras do poder. p. E isso advém primeiramente de sua própria natureza epistemológica e metodológica: situando a educação como prática social. p.

uma educação como ação estratégica que merece ser sonhada e efetivada. Paulo Freire (1993). A criticidade elimina a alienação para ser uma força de mudança. No cerne dessa educação está o homem na postura de auto-reflexão e de reflexão sobre seu tempo e espaço (FREIRE.. 1999. Para Paulo Freire. a da classe trabalhadora. As condições para a hegemonia dos trabalhadores passam pela apropriação da capacidade de direção. aponta o caminho a ser seguido na prática educativa: .44).. de modo organizado. significa direção cultural. desencadeada no cotidiano de forma não isolada. A educação nessa perspectiva: [. livre de dentro para fora. Contrapondo a centralização e o autoritarismo da educação.. a conquista de um mundo solidário. como medida de combate à opressão. p. sendo ela escolar ou não escolar. A educação é projeto e processo. fortalecimento da consciência de classe para intervir de modo criativo. poder decidir sobre a sua vida social. Hegemonia implica o direito de todos participarem efetivamente da condução da sociedade.. mas verdadeiramente pautada na participação dos sujeitos. 18). que: [. política. p. 36). e conseqüentemente a transformação dessa sociedade é o enfoque primordial da educação libertadora. na transformação estrutural da sociedade. ideológica. Liberdade que ganha sentido mediante a participação livre e crítica dos educandos. p. Sobre essa participação encontramos o posicionamento de Freire (1974). Seu projeto histórico é explícito: criação de uma nova hegemonia.20 cultural dos aparatos educativos. 1988. Isto explica o porquê desses aparatos constituírem o campo de batalha que consolida o tipo de sociedade que se quer reproduzir e perpetuar” (GUTIÉRREZ. Sendo assim. 1974. Paulo Freire (1994) na obra Pedagogia da Esperança aponta para uma educação pautada na criação de um homem novo. A educação dialética é processo de formação e capacitação: apropriação das capacidades de organização e direção. libertado da opressão e da desigualdade.] defende uma educação libertadora da opressão da exploração do homem. vista como “projeto e processo”. Contribuindo ainda sobre o processo de participação. esta educação é libertadora na medida em que tiver como objetivo a ação e reflexão consciente e criadora das classes oprimidas sobre seu próprio processo de libertação (VALE.] tem a função política de criar as condições necessárias à hegemonia da classe trabalhadora. possibilitando a transformação social.

37-38). irrefutáveis de que respeitamos suas opções em oposição à nossa (FREIRE. ao mesmo tempo dando-lhes provas concretas. Uma das bonitezas da prática educativa está exatamente no reconhecimento e na assunção de sua politicidade que nos leva a viver o respeito real aos educandos ao não tratar. étnicos e culturais são cada vez mais perceptíveis. Tanto nos longos períodos de exclusão do povo da participação. Arroyo (2003) contribui com essa discussão ao destacar que: A tese da imaturidade e do despreparo das camadas populares para a participação e para a cidadania é uma constante na história do pensamento e da prática política. Os longos períodos de negação da participação são justificados porque o povo brasileiro não está. onde os conflitos sociais. 1993. que devem ser entendidos . Porém. a própria diretividade da prática educativa faz transbordar sempre de si mesma e perseguir um certo fim. quanto na sua interlocução com outros mecanismos que desencadeiam a informação. não permite sua neutralidade. intelectuais e educadores. um sonho. uma utopia. político e democrático. não pode distanciar-se da sua potencial e relevante possibilidade de intervenção dessa realidade.21 Não pode existir uma prática educativa neutra. de impor-lhes nossos pontos de vista. o ideal republicano volta. o ensino e aprendizagem. crítico. participarem: o dia em que essas elites as julguem capacitadas (p. essa democracia participativa não tem encontrado espaço de efetivação por meio do discurso burguês que remete a sociedade civil a identidade de despreparo e incompetência para lhe dar com a gestão dos bens públicos. as elites autoritárias das liberais é que estas se declaram a favor de educar as camadas populares para. e o tema educar para a cidadania passa a ser repetido por políticos. como nos curtos de abertura. mas. o exercício da cidadania não é permitido porque o povo não está preparado. 33). É justamente essa possibilidade de formação para cidadania que a CF de 1988 vai possibilitar com a institucionalização dos Conselhos Gestores. não possibilitando uma educação para a cidadania e para uma postura e atuação política que possa contribuir com o processo de transformação da realidade social. a educação de forma geral. Tanto no possível processo de instrumentalização do indivíduo para que ela os torne cidadão participativo. p. ainda. educado para a cidadania responsável. as razões porque pensamos desta ou daquela forma. de forma sub-reptícia ou de forma grosseira. nesse caso especificamente a educação não-escolar. Não pode haver caminho mais ético. um dia. Nos curtos momentos de abertura. neste particular. apolítica. descomprometida. O que diferencia. os sonhos porque brigamos. em especial o processo educativo proporcionado pela democracia participativa. os nossos sonhos. Com a política neoliberal refletida num mundo de desigualdade crescente. mais verdadeiramente democrático do que testemunhar aos educandos como pensamos.

entendidas nesse trabalho como processo de efetivação da democracia participativa e viabilizadas principalmente pelos conselhos e fóruns. Contudo. de forma que respeite a diversidade. mas também como espaço de construção de uma educação verdadeiramente cidadã. assim. Desenhar espaços participativos e construir a institucionalidade correspondente. cujo poder reside na força da mobilização e da pressão e. pois. p. A educação e a formação permanente se fundam aí (FREIRE. 20). não se limitando exclusivamente ao período escolar. esse processo é permanente: A educação é permanente na razão. 2003b. da consciência que ele tem de sua finitude. exige articulações políticas que superem os faccionismos e costurem alianças objetivando atingir determinadas metas (GOHN.. de um lado. seja plural. da finitude do ser humano. em que o erro é (ou deveria ser) tão pedagógico quanto o acerto. institucionalizados principalmente através da Constituição Federal de 1988. oportunizando e assegurando os espaços para a participação das organizações da sociedade civil. que transcende os muros escolares. 64). ou seja. 1993. Diante do exposto. Embasados na perspectiva da junção entre educação e formação permanente. ele demanda tempo. Como tal. como espaço democrático de ocupação para acompanhamento dos investimentos públicos. tal projeção deve-se principalmente à contribuição de Paulo Freire (1993). é construído por etapas de aproximações sucessivas. Entretanto. [. porque estes últimos são compostos exclusivamente de representantes da sociedade civil. não possuem assento . de outro. ao longo da história. em nome da cidadania de todos. usualmente. que tomamos como objeto de estudo as práticas participativas da sociedade civil. Os conselhos gestores são diferentes dos conselhos comunitários populares. “o ser humano jamais para de educar-se”. não uma engenharia de regras. p. é um processo. ao definir a educação como um processo que se perdura por toda a vida. pelo fato de. aberto às identidades de cada grupo/organização/movimento. é preciso destacar as devidas distinções que diferenciam os Conselhos Gestores dos Conselhos Comunitários. que acabamos por denominar como Controle Social. Mais ainda. ou seja. cujo reconhecimento tem se fortalecido nas últimas vinte décadas. é importante destacar o papel da educação informal. o exercício da democracia.] ou dos novos fóruns civis não governamentais.. saber que podia saber mais. ter incorporado à sua natureza não apenas saber que vivia mas saber que sabia e.22 também em uma perspectiva maximizadora.

sobretudo a contraditoriedade no movimento da sociedade civil. demonstram. objeto de investigação desse estudo. que é colocada como meta primordial aos seus respectivos representantes. pois as competências atribuídas aos seus membros refletem diretamente na condução da gestão socioeconômica da unidade de ensino. em virtude da frágil condição de reconhecimento político e jurídico desses direitos para segmentos expressivos dessa sociedade. p. ora como conquista dos segmentos organizados da classe trabalhadora (BIDARRA.23 institucionalizado junto ao poder público. pois apesar de ser constituídos por membros da comunidade escolar. com a defesa da proposta de gestão democrática “dos negócios públicos” fazia-se uma importante aposta política nas atuações dos conselhos gestores de políticas públicas. – pelo fato de eles serem formas de assessoria especializadas e incidirem na gestão pública de forma indireta (GONH. Os conselhos gestores são diferentes também dos conselhos de “notáveis” existentes em algumas áreas do governo – como educação. mediante essa participação. devendo ser levado em consideração principalmente as condições objetivas para a efetivação da cidadania. A intenção é que. Nesse contexto. a mesma não pode ser entendida como intervenção indireta. saúde etc. 85). também fazem parte representantes do poder público. haja vista a possibilidade de esses conselhos funcionarem como mecanismos de ampliação da participação popular. os direitos sociais ora poder ser assimilados como fonte de legitimação política dos interesses das elites dominantes e dos setores governantes. No tocante a incidência de suas ações na gestão pública. 2006. Essa dualidade de caracterização dos Conselhos Gestores. que ora se mostram inteiramente cooptados pelos interesses burgueses e ora evidenciam a autonomia das classes populares. 2003. Na cultura política brasileira. p. como a direção escolar e os demais funcionários da instituição de ensino. os conselhos gestores podem pôr freio às ações que pretendem desrespeitar os direitos sociais. . 43). Tal diferenciação remete-nos a concepção de que os Conselhos Deliberativos da Comunidade Escolar acabam se inserindo dentro da definição de Conselhos Gestores.

    análise de documentos e atas das reuniões do CDCEs (PORQUE?). observação participante nas reuniões do CDCEs. que privilegia uma abordagem amparada pelos referências da teoria social crítica. e aplicação de entrevistas semi-estruturadas junto aos Conselheiros do Conselho Deliberativo da Comunidade Escolar. o levantamento de dados fundamenta-se na tradição da abordagem qualitativa (MINAYO. estudo bibliográfico. A avaliação do rigor dos estudos desenvolvidos na pesquisa decorrerá da relação orgânica entre os fundamentos conceituais e os fatos observados.24 IX – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Em termos teóricos. Serão utilizados os seguintes procedimentos teórico-metodológicos:     levantamento bibliográfico (COMO? PRIVILEGIANDO O QUE? ENFATIZANDO QUAIS CATEGORIAS?). . análise de dados. interpretação de dados. o desenvolvimento do estudo toma por base teóricometodológica o ensaio preliminar que delimita e problematiza o objeto da pesquisa e as obras indicadas nas Referências Bibliográficas do projeto. 1994). desencadeada através de estudos documentais. Em termos empíricos. elaboração de Relatório Final de Pesquisa em formato de Monografia. observação participante nas reuniões do CDCEs (FALAR SOBRE ESSA TÉCNICA: PORQUE UTILIZA-LA? COMO SERÁ UTILIZADA?). elaboração e aplicação da entrevista semi-estruturada junto aos conselheiros do CDCEs (PORQUE A ENTREVISTA? COMO SERÁ APLICADA? ONDE? QUAIS E QUANTOS SUJEITOS?).

Analise e interpretação dos dados Período Abril/2007 Todo período Agosto/2007 Ago/Set/Out/2007 Ago/Set/Out/2007 Setembro/2007 Outubro/2007 Set/Out/Nov/2007 9. Levantamento Bibliográfico 2. Estudo Bibliográfico 3.25 X – CRONOGRAMA DE ATIVIDADES Descrição da Atividade 1. Realização das entrevistas junto aos conselheiros 8. Análise de documentos e atas das reuniões do CDCEs 6. Elaboração do roteiro de entrevista 7. Elaboração do roteiro de observação 4. Observação participante nas reuniões do CDCEs 5. Elaboração do Relatório Final de Pesquisa em formato de Nov/Dez/2007 monografia .

Coleção . FREIRE. Rio de Janeiro: Paz e Terra. p. 2003a. São Paulo: Cortez. Conselhos Gestores e Participação Sociopolítica. Balanço do Neoliberalismo. Paulo. G. O embate marxiano com a construção dos sistemas educacionais. Rio de Janeiro: Edições Grau. Campinas: Autores Associados.23. & PEREIRA. P.) Pedagogia da Exclusão: Crítica ao neoliberalismo em educação. São Paulo: Cortez. 2ª edição. A. Educação como prática da Liberdade. M. Movimentos Sociais no inicio do Século XXI: Antigos e novos atores sociais. E. 1986. Política Social no capitalismo tardio. 2002. Coleção questões de nossa época. In: GENTILI. 2003b. G. A Educação em tempos de Conservadorismo. 2005. Coleção Polêmicas do Nosso Tempo. S. P. ARROYO. ARAUJO. Os delírios da razão: crise do capital e metamorfose conceitual no campo educacional. C. São Paulo: Paz e Terra. 2003. & GENTILI. N°88. In: GENTILI. 1999. de Marco Aurélio Nogueira. Educação e Cidadania: quem educa o cidadão? 11ª edição. Polêmicas do Nosso Tempo. 1993. In: LOMBARDI. __________. 1974. In: BUFFA. Z. BOBBIO. ____________. (Orgs. I. Educação permanente e as cidades educativas. 1995. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Petrópolis: Editora Vozes. Política Social e Democracia. P. NOSSELLA. Educação e Exclusão da Cidadania. D. Ano XXVI. São Paulo: Cortez. M.). (Org. (Org. COSTA. O futuro da democracia. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1999. BIDARRA. ARROYO. Petrópolis: Vozes. Trad.26 XI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS ANDERSON. Marxismo e Educação: debates contemporâneos. Pósneoliberalismo: as políticas sociais e o Estado democrático. M.) Pedagogia da Exclusão: Crítica ao neoliberalismo em educação. P. Política e Educação: ensaios. Pedagogia da Esperança. In: SADER. BRAVO. _____________. J. S. P. GONH. N. In: Revista Serviço Social & Sociedade. v. 2006. O conceito de sociedade civil. BEHRING. uma defesa das regras do jogo. M. (Org. 1982. São Paulo: Cortez. E. C. São Paulo: Cortez. Petrópolis: Editora Vozes. M. S. G. 6ª ed. ____________. J. FRIGOTTO. & SAVIANI. 1994. Conselhos Gestores de políticas públicas: uma reflexão sobre os desafios para a construção dos espaços públicos. 1999. P. Eliane R. P.). 16-26. São Paulo: Cortez Editora.

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Rigor na transcrição das entrevistas. Compromisso com o Projeto Ético-Político.28 Dimensões Éticas do Projeto de Pesquisa         Direitos Autorais/ Referências. Veracidade nas informações. Retorno dos resultados aos sujeitos entrevistados e instituições. . Sigilo de informações/ Proteção à identidade dos sujeitos. Socialização dos resultados em eventos. Termo de Livre Consentimento.

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