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Bianca - 309 - Victoria Glen - O Canto Da Sereia

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  • CAPÍTULO I
  • CAPÍTULO II
  • CAPÍTULO III
  • CAPÍTULO IV
  • CAPÍTULO V
  • CAPÍTULO VI
  • CAPÍTULO VII
  • CAPÍTULO VIII
  • CAPÍTULO IX
  • CAPÍTULO X

O CANTO DA SEREIA

Bianca nº309 Copyright: Victoria Glenn Título original: "Mermaid" Publicado originalmente em 1985 Digitalização/ Revisão: m_nolasco73

Ele passou cinco anos em busca de um louco sonho perdido! Contra capa: Diana poderia mesmo acreditar no amor de um playboy milionário? O luar iluminava o corpo de Diana, que, feliz, deixava-se levar pelas ondas suaves do lago. De repente, porém, um ruído a assustou: um barco se aproximava, e de dentro dele um homem tentava alcançá-la. Mas tudo que conseguiu foi cair na água, ei teria ficado ali para sempre se ela não o tivesse salvo para depois sumir no meio da noite, na mata... Cinco anos depois, o homem voltou ao lago, em busca da sereia que não conseguira esquecer. E Diana quis fugir de novo. Que futuro teria ao lado do playboy Charles Winfield?

CAPÍTULO I
As notícias a respeito de Charles Winfield espalharam-se pela vila de Silverwood Lake em questão de horas. E isso era perfeitamente natural, pois Miriam MacPhee, funcionária do correio, contava a novidade para quem quisesse ouvir: - O fechamento do negócio aconteceu esta manhã. Eu estava lá na hora em que ele assinou os papéis. - Ouvi dizer que pagou quase o dobro do valor da propriedade - comentou William Sutherland, dono de uma loja de antiguidades, a William's Roadside Antiques. Miriam voltou-se para Diana com um sorriso malicioso, enquanto lhe entregava um pacote de cartas. - Não é uma notícia fabulosa, especialmente para as moças solteiras? - Por favor, Miriam! - Imagine ter um milionário simpático e solteiro justamente aqui, em nossa pequena cidade! Já estou prevendo algumas atividades interessantes!

Miriam costumava considerar-se a casamenteira da vila nos últimos trinta anos. Diana dirigiu-lhe um sorriso forçado e, saindo do correio, ganhou a rua. Ao virar a esquina de Main Street, foi cumprimentada por três homens idosos que, sentados em cadeiras de madeira, aproveitavam o sol de setembro. Aquele trio fazia parte da paisagem da rua há anos, diferindo apenas nas rugas, que aumentavam a cada ano. - Alô, garota! - gritou um deles. - Como vai, tio Jim? O homem sorriu. Sempre o haviam chamado de "tio", embora ele não tivesse parentes vivos. - Aposto como você já ouviu a novidade! - disse Arthur, um homem de cabelos brancos, muito elegante em sua velha jaqueta xadrez. - Que novidade? - perguntou Diana, com ar de inocente. Os três homens riram. - Parece que há um bom partido para você, agora. Dizem que ele vale mais do que duzentos milhões de dólares, lady Di! Ela suspirou, aborrecida. Quando isso iria terminar? - Mas é melhor que você ande depressa ou será vencida por Sara Lee Hutchins ou Helga Schuyler. Lembre-se do ditado: “Deus ajuda quem cedo madruga!" - disse tio Jim. O trio ria no prazer da conspiração. Diana sorriu sem vontade, porque fazia parte de sua educação não desrespeitar os mais velhos. Embora tivesse vinte e um anos, era ainda tratada como adolescente. Afinal, conheciam-na desde que nascera. Além disso, pelo costume dos moradores da vila, as pessoas não eram consideradas adultas até que fossem casadas e tivessem pelo menos três filhos. - Estamos todos torcendo por você. Mal posso esperar para comemorar o seu casamento, lady Di! - observou Arthur. Os outros concordaram com gestos de cabeça e sorrisos que deixavam transparecer a sinceridade de suas intenções. Diana finalmente conseguiu escapar e chegou a seu carro. Virou a chave na ignição e dirigiu vagarosamente ao longo de uma série de pequenas lojas, na área chamada zombeteiramente de "centro comercial". Tinha que acenar para quase todas as pessoas por quem passava. Parou num posto de gasolina para abastecer o carro e logo pensou que Miles, o frentista, iria se referir à notícia. - Aposto como você está toda excitada por causa do novo vizinho, não é? Meu conselho é que vá até lá hoje mesmo para pedir uma xícara de açúcar emprestada, se é que entende o que quero dizer! - Você poderia verificar a calibragem dos pneus, por favor? Acho que estão um pouco baixos. Enquanto Miles trabalhava no carro, Diana balançou a cabeça, resignada. Estava tão certa de que algo assim nunca iria acontecer! Há quinze anos os proprietários de Grey House recusavam-se terminantemente a vendê-la. Agora, numa ação inesperada, a grande casa de campo em estilo vitoriano às margens do lago era propriedade de Winfield Enterprises Incorporated. Pertencia àquele homem! Quem saberia o que ele tinha em mente? Ela o havia conhecido numa ocasião, e não tinha sido um encontro no sentido normal da palavra. Devido às estranhas circunstâncias que cercaram o acontecimento, apenas uma pessoa na vila tinha ciência das coisas que ocorreram naquela noite, há cinco anos. Sua apresentação ao sr. Charles Winfield, certamente, não fora adequada. Ela contava dezesseis anos na época e a experiência havia sido, por assim dizer, desastrosa. - Acho bom completar o óleo - disse Miles. - Está certo. Há cinco anos, o mundo parecia bom e seguro. Tudo o que ela conhecia estava confinado ao perímetro urbano de Silverwood Lake. Devido à ausência de qualquer grande cidade numa área de muitos quilômetros, a pequena vila permanecera relativamente isolada de influências externas. Hospedava, principalmente, homens de negócio em passagem e viajantes a caminho de outro destino. Havia pouco fluxo turístico, apesar da bela paisagem de pinheiros, porque o lago era privativo. O acesso a ele era restrito aos habitantes da cidade ou aos que possuíssem propriedades no local. O pequeno hotel nunca ficava lotado, exceto em julho e agosto, quando pais vinham às montanhas do Estado de Nova York para visitar as crianças nos dois acampamentos de férias. Era nessa estação quente que o lago limpo, quase cristalino, e os bosques que o cercavam enchiam-se do movimento e da algazarra dos jovens em suas atividades ao ar livre. Mas, no

fim de agosto, os pequenos campistas barulhentos voltavam a suas casas nas cidades e, uma vez mais, o lago pertencia aos moradores locais. E havia sido numa noite enluarada de setembro, há cinco anos, que Diana encontrara um intruso em seu paraíso quase perfeito. No fim das férias de verão, como de hábito, os acampamentos ficaram desertos. As poucas casas de veraneio em frente ao lago foram fechadas, exceto Grey House. Localizava-se nadas extremidades do lago e ninguém prestava muita atenção a ela ou a seus moradores. Isso porque estava quase sempre vazia, exceto nas férias, quando era alugada a veranistas. Houve uma época em que conhecera intensa atividade, quando a família Grey, que a construíra, ainda morava lá. Mas a tragédia acontecera há aproximadamente vinte anos. A única filha do rico casal Grey saíra sozinha para nadar no lago e morrera afogada. Era apenas uma adolescente e seus pais ficaram arrasados. Fecharam a alegre casa e voltaram para Albany, capital do Estado, incapazes de suportar a simples visão do local. Algumas pessoas achavam estranho que o casal, apesar disso, se recusasse a vender a propriedade; mas outras achavam bastante compreensível. A filha deles havia sido feliz lá e talvez achassem, num sentimento um tanto sinistro, que ela ainda se encontrava na casa. De qualquer modo, os verdadeiros motivos dos Grey nunca foram revelados. A partir da época da mudança, a mansão começou a ser alugada por breves períodos, a preços bastante elevados. Os locatários eram, geralmente, esportistas ricos que escolhiam aquele local ao acaso para férias ou festas de fim de semana. Foi numa dessas festas que Charles Winfield surgiu em Silverwood Lake. A mãe de Diana, viúva há vários anos, necessitava passar uma semana em Monticello, cuidando de uma irmã mais velha. Deixara a filha sozinha na confortável casa à margem do lago, após obter dela uma longa lista de promessas: não deveria em hipótese alguma permitir a entrada de rapazes na residência, não vestiria os terríveis jeans na escola e sob nenhuma circunstância pensaria em nadar sozinha, principalmente à noite. Bem, regras existem para serem desrespeitadas... Foi o que Diana decidiu dois dias depois, na beira do lago, ao sentir a areia fria e úmida sob os pés, enquanto já retirava as roupas. Havia sido criada de maneira tão rígida que esta era a reação natural a ser esperada de uma adolescente que, repentinamente, via-se sozinha. O primeiro gosto da liberdade era muito tentador para Diana, que sempre se ressentia de ser conhecida por seus colegas de escola como uma garotinha comportada. E aquela era sua grande chance de fazer algo proibido. Saber que seu pequeno ato de desafio nunca seria descoberto fez do acontecimento algo excessivamente atraente. Iria não apenas nadar sozinha à noite, mas sem roupa. Seria seu pequeno segredo. Ela chegou a hesitar por um momento antes de tirar a calcinha e o sutiã de algodão branco, pois, mesmo aos dezesseis anos, seu corpo já era bem desenvolvido. Deixou de lado as fivelas prateadas que lhe prendiam os longos cabelos castanhos e andou sem constrangimento até a beira da água. Estremeceu quando as ondas frias começaram a bater-lhe nos pés, mas seu corpo não tardou a acostumar-se àquela temperatura. Caminhou até sentir a água em seus joelhos. Então parou e, colocando as mãos nos quadris, suspirou de satisfação. Naquela noite, o lago era seu mundinho particular, sua piscina privativa. A hora era tardia e todos os moradores das proximidades dormiam há muito. Os únicos ruídos que ouvia, além das corujas, vinham de Grey House, abafados pela distância. Mal, podia avistar as luzes nas janelas, embora pudesse distinguir o som de risadas e de um piano. Lembrou-se, vagamente, de ter ouvido dizer que a casa estava sendo usada por um jovem homem de negócios bem-sucedido, para uma festa de despedida de solteiro. Diana entreabriu os lábios num sorriso de prazer. Estariam, provavelmente, vendo filmes pornográficos, bebendo em excesso ou qualquer outra coisa que homens ricos e sofisticados costumavam fazer nessas festas. Não tinha importância. Estavam muito distantes para vê-la e todos permaneciam dentro da casa. Tentou esquecer o barulho. Enquanto entrava mais profundamente na água, sentia o solo mudar para uma consistência mais pastosa. Nadou até o centro do lago e sentiu como era gostoso flutuar serenamente, cercada pela tranqüilidade da noite. O brilho da lua cheia ajudava a tornar o clima ainda mais íntimo e místico. Diana ria em voz alta do prazer que aquilo lhe dava. Por causa do barulho que fazia na água, não percebeu um barco aproximando-se, nem notou a expressão de assombro na face do homem que remava.

- Ora, o que temos aqui? Uma sereia? - perguntou uma voz profunda. Espantada, ela olhou para a direção do som e só então viu um homem com cerca de trinta anos, com a camisa desabotoada e a gravata frouxa no pescoço. Era bonito, mas havia algo duro em seu rosto. Seu modo de falar indicava que tinha bebido bastante. Apertava os olhos para vê-la melhor. Seguiu-a com o barco até chegar a seu lado. - Sim, é uma sereia! Diana entrou em pânico. Esperava que, na penumbra, ele não pudesse ver que estava completamente nua. A lua cheia, porém, frustrou seus planos e ela mergulhou, para que a água a cobrisse até o queixo. - Uma sereia sem roupas! Para onde está indo, peixinho? Volte aqui ou vou precisar pegála! O tom de voz começava a assustá-la. Tentou nadar, mas a embarcação era mais rápida. Só faltava essa! Ser caçada por um bêbado num barco a remo, que acreditava que ela fosse uma sereia! Estava suficientemente perto para tocá-la, e Diana sentia-se apavorada. -Volte aqui, sereia! Ah! Peguei! - disse ele, inclinando-se para levantá-la nos braços. Num último esforço, Diana deslocou-se o bastante para fugir das mãos que a prendiam. Ele riu e ficou em pé no pequeno barco, sem firmeza, sem perceber como balançava. - Criaturinha arisca! Ainda vou alcançá-la. Inclinou-se e esticou os braços outra vez. - Linda sereiazinha... Por que foge de mim? Diana perguntou-se por que não ouvira sua mãe. No final, ela sempre estava certa. Por que fora tão inacreditavelmente ingênua e descuidada a ponto de nadar nua e sozinha daquela maneira? Havia um tubarão no lago, naquela noite... De um metro e oitenta de altura, devorador de mulheres. E ela era uma péssima nadadora. Não seria capaz de fugir. - Só mais um pouco e logo alcanço - falou o desconhecido, triunfante. Diana nunca se sentira tão amedrontada na vida. O tom de confiança daquela voz lhe trazia à lembrança a dos caçadores, quando já haviam mirado a presa e estavam prestes a atirar. Batia os pés na água com desespero, tentando escapar. Não chegou a ver o homem embriagado cambaleando na borda do barco, nem a ouvir seu grito, quando a pequena embarcação inclinou-se até virar completamente. O que ouviu foi o grande barulho da queda na água e uma tosse de quem estava tentando expulsar da boca grandes quantidades de água. Diana olhou para trás e viu o homem lutando para manter-se na tona. Seu primeiro sentimento foi de alívio. "Gostaria que se afogasse", pensou, enquanto nadava para mais longe. A voz dele, porém, logo lhe chegou aos ouvidos: - Sereia! Esqueci de dizer que não sei nadar! Ele tinha que estar mentindo! Só poderia ser um truque, e ela não cairia na armadilha. Mas após um segundo parou, com os ouvidos em alerta. O estranho falava coisas sem sentido, arfando. Foi quando o viu afundar pela primeira vez e percebeu que o maluco não estava brincando. Nadou rapidamente até ele e alcançou-o no momento em que afundava de novo. Segurouo pela gola do paletó e começou a puxá-lo. Era um homem forte e as roupas molhadas aumentavam-lhe o peso, tornando a tarefa de salvá-lo terrivelmente difícil. Diana levantou-lhe a cabeça sobre a superfície do lago, já que ele parecia inconsciente. Ela própria engolia água, lutando para chegar à parte mais rasa. Pareciam horas, mas na verdade foram poucos minutos até seu pé tocar, finalmente, o chão barrento da margem. Cansada, ofegante, ela deitou-o na areia fria. O homem tinha os olhos fechados e a água escorria de sua boca. Rapidamente, Diana sentou-se sobre o estômago dele para tentar fazê-lo respirar. Conseguiu o intento segundos depois. O estranho abriu os olhos devagar, tentando focalizá-la com a vista embaçada. - Sereia... - Você estará bem agora - disse Diana, afastando-lhe os cabelos escuros do rosto. Apenas agora notava que seus olhos tinham um estranho brilho prateado, talvez por causa do reflexo da lua. O rosto era duro, mas os olhos a encaravam com uma inacreditável ternura. - Sereia, você é tão bonita! E seu toque é tão suave! A realidade a atingiu como um raio. Suas atitudes para acalmá-lo haviam sido meramente instintivas. Tocava-o da maneira como faria para confortar uma criança chorando ou um animal perdido. Agora se dava conta de que ele era um homem adulto, passava da meia-noite num lago deserto e ela estava completamente nua! Levantou-se rapidamente e correu para longe, ocultando-se no escuro.

. . começou a latir. vestiu o jeans. Diana.Bem. A pequena companhia. direi que andou imaginando coisas. não a deixarei ir embora. com um estranho sorriso nos lábios.Foi uma atitude infantil.Por que contaria? Você aprendeu a lição.. a camiseta e calçou os tênis.Mas você não compreende! . Logo estava profundamente adormecido. Mas o que o fazia especialmente interessante para a população feminina de Silverwood Lake eram seus famosos casos com várias modelos famosas e belas atrizes de cinema e televisão. Sossegue. Pegando a lanterna que ficava pendurada num prego sobre a porta. Enrolou as meias. Diana escondeu-se atrás de uma rocha. Isto é. Charles Winfield era um milionário que havia construído sua fortuna com computadores. onde o cachorro míope.. Dizia-se que o homem tinha sorte e talento acima do normal.Não se preocupe.. A Winfield Enterprises Incorporated expandira-se em vários outros ramos de negócios. Quer acordar todo mundo? .Eu sei. além disso.Pete. Sua foto está nos jornais e. com aquelas roupas molhadas! Num instante tomou a decisão.Você não vai contar a ela. a calcinha e o sutiã e colocouos no bolso. Agora que a encontrei. Duvido que ele se lembre de qualquer coisa que tenha acontecido nas duas últimas horas. Quando chegaram ao local. . ainda arrumando a camisa dentro da calça.. você não sabe mas. . por favor. Ela suspirou. voltou totalmente vestido..E deveria saber? . seguiu-a através do bosque. havia apenas uma pessoa com a qual poderia contar. O velho tirou as roupas molhadas do corpo inerte.Pete. Mas. . se lembrar. Sabe quem ele é? . praticamente tão velho quanto o dono.Pegue as pernas. ouvi quando o chamaram uma ou duas vezes. sempre bem-sucedidos. mesmo depois de sua mãe ter dito.Vai contar? . . sem que o homem acordasse.Aonde você vai? O estranho levantou-se com uma energia inesperada e moveu-se pela areia. Numa situação daquelas..Diana? Está tudo bem. Você estava nadando no lago. Pete abaixou-se e segurou o homem sob os braços. era agora uma das mais importantes na indústria da informática. Correu ao longo do bosque até o quintal de Pete Turner. que lhe tapava o corpo da cintura para baixo. É Charles Winfield. não mergulhe novamente.Linda sereia. Um verdadeiro playboy! Diana sentiu um peso no coração.Diana chegou à porta e bateu levemente.Posso imaginar o que aconteceu. impaciente. Logo a porta se abriu e um homem com olhos sonolentos a encarou. Não se precisa contar. o braço caiu amortecido. Ele percorreu-a com o olhar e estendeu a mão para tocá-la. . com alguns colegas. que ele fundara há apenas dez anos na Califórnia. em direção a ela.Fique quieto.. em questão de momentos. Apenas uma coisa: é melhor que este sujeito não faça perguntas. Este era um nome bem conhecido pelos habitantes locais.. Ele estava naquela festa. Voltou depressa ao lugar onde tinha deixado suas roupas. eu não estava vestida. querida. aliviada. . cobriu-o com vários cobertores quentes e acomodou-o sobre o sofá. Vi quando ele chegou à vila esta tarde. que liam vorazmente as revistas que tratavam de personalidades da alta sociedade. E se os jornais descobrissem o incidente no lago? Não era muito difícil de acontecer e ela não poderia suportar a publicidade: “Adolescente nua salva playboy de afogamento!” Como sobreviveria ao escândalo? . sempre amplamente divulgados. Pete desapareceu dentro da casa e. minha querida? Ela contou-lhe rapidamente sobre o homem que jazia inconsciente no lago. não é? . Hans. bebeu demais e resolveu passear de barco.. O que faria agora? Não poderia deixá-lo ali a noite inteira. . a sua. pulando vivamente em volta das pernas de Diana. . . Diana! Vagarosamente. Mas. voltaram à casa. você está acordado? Luzes acenderam-se dentro da pequena casa enquanto Hans continuava a latir. justamente no momento em que seus dedos se aproximavam da pele de Diana. os olhos começaram a virar e ele caiu inconsciente sobre a areia.

Teria que pedir a escada emprestada a Pete. Felizmente. que o portão de entrada necessitava de uma pintura nova antes do inverno.Claro que sim. ela pensou. empurrando-a. O milionário nunca mais cruzara a vida de Diana. bêbado. Não viu um rapaz cair no barco e não o levou até a areia. com seus altos pinheiros. Parou diante da casa branca de dois andares. vestida em seda azul. havia apenas participado de uma festa de despedida de solteiro. desculpe. Era o padrinho. por gratidão. pareceu mesmo acreditar que tudo fora um sonho. Quem poderia culpá-los? Não havia muito a fazer por ali. . buscando melhores oportunidades. mas não proporcionavam muitos empregos. suspirou. Que dia feliz tinha sido aquele! Usava um vestido branco e abraçava sua orgulhosa mãe. pegou as sacolas de compras e saiu do carro. e era-lhe difícil manter a velha casa em boas condições. Carreguei-o até aqui e fim de história. Observou. na escola.. está bem? "Tente sorrir"'. Foi tudo um sonho. Além disso.Ouça. tire o cabelo dos olhos! Diana. Pete depois lhe contou que Charles Winfield estava muito confuso ao acordar. principalmente quando estava longe de casa.Mas. entende? Você não foi nadar esta noite.Por quê? Nada aconteceu. Sentia-se mais solitária do que nunca. Abriu a porta e. Quando acordou. Existia algumas pequenas indústrias nas vizinhanças. quantos homens desejariam ardentemente trabalhar numa fábrica de bonecas? Diana estava em casa desde maio e trabalhava numa clínica. Agora vá! Saia daqui! . E não se esqueça do meu conselho sobre a xícara de açúcar! CAPÍTULO II Diana saiu da estrada do lago para entrar no caminho que levava à sua casa. para a porta. aceitara a versão do velho para os acontecimentos da noite anterior e até mesmo lhe oferecera uma boa recompensa.. como ela soube mais tarde por uma revista de variedades. o mesmo que fizera seu . A velha enfermeira que ajudava o dr. entrou e fechou a porta. Pete.disse Diana.Desculpe. eu gostaria muito. na manhã seguinte. O velho sorriu. bem-humorado. Diana empurrou o pacote de roupas íntimas para escondê-lo..Oh. na segunda-feira de manhã.disse ela. E o incidente foi desaparecendo de sua memória..Obrigada! .. Diana voltou para casa. mamãe . Afinal. quando o grupo de amigos que havia dado a festa já estava longe da vila. Mas Pete não estava interessado nisso. Diana! . Eu saí para um passeio com Hans pelo lago e vi este rapaz na margem.repetiu Miles. A maioria de seus amigos havia casado e estavam construindo suas próprias famílias. querida. o que é esse volume saindo de seu bolso? Envergonhada. Isso era algo que nunca havia sido fácil para Diana. Para não falar na pilha de pratos sujos sobre a pia. Certo? .Eu disse que são dez dólares pela gasolina. .disse ele.Linette. criticamente. Nos últimos anos até fizera um esforço. Entregou algumas notas ao jovem frentista e esperou pelo troco.Esqueça isso. há quatro anos. . Dinheiro nunca significara nada para ele. Morava numa república de estudantes. olhando a foto colorida que ela e sua mãe haviam tirado quando terminara o segundo grau. um pouco distante.. mas agora não parecia ver muitos motivos para estar alegre. Quem veste roupa de banho para nadar escondido à meia-noite? Além disso. . gritando: . Aquela era a profissão com que sempre sonhara. . tente sorrir. a menos que a pessoa quisesse trabalhar nas fazendas de leite da família ou num dos muitos pomares de macieiras da região. Não se cansava de admirar a beleza natural do lugar. Outros simplesmente mudaram-se de Silverwood Lake.Nada de "mas". Myers. . Ainda se lembrava de ver Miriam MacPhee com a máquina fotográfica nas mãos. Volte para a cama. o fogão pedia uma limpeza e há um ano ninguém olhava debaixo dos móveis. Não saiu até a hora de ir para a escola. Diana cursava a faculdade de enfermagem. .Aqui está. impaciente. Quando sua mãe morrera.. colocando os pacotes sobre a mesa da cozinha. . . de volta ao presente. O chão precisava ser encerado. há dois anos.

o que tinha ela a ver com o que Charles Winfield faria? Contanto que não começasse a promover orgias em Grey House. não estava em casa. Hans recebeu-a com a alegria de sempre. Que. Mas. De fato. mesmo empalidecidas pelo tempo. Myers fosse uma ótima pessoa. Trazia. Diana pensava. Após três meses. Enquanto andava pela margem do lago. Diana vestiu uma camiseta velha. . Como poderia evitar encontrá-lo? Ele se lembraria dela? Provavelmente não. Naquela tarde. que tal pegar alguém para me ajudar com essa escada? . com a qual já estava tão habituada. com certo cinismo. Estatura média. Logo teriam o grande e poderoso Charles Winfield ocupando as águas calmas. tivera um total de sete encontros desde o segundo grau. Mas como poderia lutar contra um homem tão poderoso? Lembrava-se da figura fascinante de cinco anos atrás. uma calça jeans e saiu para pegar a escada com Pete antes que escurecesse. Nunca precisaria pintar a casa. olhos de cor comum. Imaginava como deveria intimidar as pessoas quando sóbrio. não pôde evitar dirigir o olhar à distante mansão vitoriana. a inquietação transformou-se rapidamente num aperto no coração. Andou mais alguns metros antes que um ramo de árvore a atingisse em cheio no rosto. e cinco deles no primeiro ano de faculdade. Na verdade. Bem. afinal? Diana Mueller. tudo bem. Todas as bonecas que ganhara enfileiravam-se nas prateleiras do armário embutido.Precisa de ajuda? . embora sendo uma sensação em Silverwood Lake. continuava virgem. mas gostaria que o amigo estivesse lá para ajudá-la a carregar a escada. De qualquer modo.Droga! Isso vai ser mais difícil do que pensei! . Era um dos mistérios da vila o fato de a linda jovem ainda ser solteira. tirando a areia da roupa. Não permitiria que aquele estranho perturbasse o sossego da pequena vila. Provavelmente. Como qualquer outro homem. cabelos castanhos claros de comprimento médio. Enquanto puxava a escada desajeitadamente pelo caminho de volta. de que nunca pôde se esquecer. quando após cinco anos voltou a ouvir o nome de Charles Winfield. Tudo nela era mediano. Agora já começava a soltar as bordas. O simples pensamento de um novo encontro a amedrontava.murmurou ela. com irritação: . Sabia que era bem-vinda e que poderia pegar o que necessitasse. Abriu a grande porta da garagem e encontrou o que queria. uma autoridade. um graveto na boca. Hans. que havia seguido Diana. Helga jamais teria esses problemas. começou a ficar estranhamente inquieta. Já estava quase cego. mas Diana nunca mudaria aquele aposento. perdeu o equilíbrio e escorregou. afetuosamente. agora. Tinha irmãos grandes e fortes para fazer isso. nem todas poderiam ser como Helga Schuyler.disse ela. que desde aquela manhã as perspectivas de Helga começavam a brilhar. mas algo naquele homem transmitia um dinamismo. Muitos rapazes dessa idade deixavam a vila em busca de melhores perspectivas de vida. com seus longos cabelos loiros. mesmo assim. Quem era ela. após todo aquele tempo. em direção à cabana de seu vizinho. Respirou fundo e pegou a escada novamente. Desanimada. mas o cheiro de Diana lhe era muito familiar. Embora gostasse de sua função e o dr. aspecto comum. Ou então. seria embaraçoso vê-lo. Ele representava a sofisticação do mundo social e isso a intimidava. . Charles Winfield provavelmente se impressionaria com a beleza da jovem. Olhou em volta e não viu o velho carro de Pete. havia pouca escolha para moças solteiras por volta dos vinte anos. Diana tirou as roupas e foi até o espelho examinar seu corpo. mesmo após quatro anos numa movimentada faculdade na cidade. Havia muito carinho em cada rosa na parede. sentia-se com mais idade do que realmente tinha. apesar de considerada razoavelmente bonita. Ela acariciou-lhe o pêlo. Helga não passasse de mais um rosto bonito entre o de tantas mulheres fabulosas que já haviam partilhado a cama do milionário. Seria intolerável se algo viesse a alterar a vida pacífica e simples do lago. ela subiu a escada até o quarto que havia sido seu desde a infância. que. como se o lugar fosse seu há anos. O papel de parede florido tinha sido pregado por seu pai quando ela contava apenas seis anos. acabara de se aposentar e ela logo entrou na rotina de trabalho que sua antecessora deixara. na ocasião ela era uma adolescente apavorada. pulava em torno dela a cada parada.Se você quer brincar de apanhar coisas. nada verdadeiramente excepcional. Um vistoso barco a motor evidenciava a presença de um morador na casa.parto.

. Era um homem alto e magro. levando a escada aos ombros com um movimento ágil. Diana ficou irritada. tirando um lenço do bolso para lhe oferecer. afastando as mechas castanhas para avaliar o ferimento.Ouça.Diana. . . Evitou-lhe o olhar e inclinou-se rapidamente para pegar a escada. que lhe caíam pelo rosto. . Aquele homem a havia desarmado no início. .Quem você pensa que é para vir chegando e comprando tudo por aqui? É inacreditável! Seguiu-se um longo e incômodo silêncio. Como se chama ? .Para que veio então? O que havia de errado com ela? Nunca fora tão rude em sua vida! . Que tal me indicar a direção? . apenas a ajudei com essa escada e. Quem ele achava que era? Mas. Ele a seguiu e parou em frente ao portão dos fundos. Não vim até aqui para ser insultado. a daquele homem! Diana surpreendeu-se tanto que a habitual timidez desapareceu por completo.Não. Mas.Estou bem.Diana olhou. Respondeu de maneira tão brusca que o homem a olhou com curiosidade. . Voltou a oferecer-lhe o lenço de algodão. sr. com sua aparente gentileza. .falou ela. E muito obrigada. com um brilho prateado no olhar. sentindo o toque suave. encontravamse no mesmo local onde Pete a ajudara a carregá-lo. está um pouco maltratada. não é? . . . .Pode deixar isso em qualquer lugar. .Está tudo certo . Winfield.Esqueça o que falei. vestindo jeans e camisa.. Olhou para o lenço que ainda tinha nas mãos e num dos cantos viu as iniciais dele. para a direção de onde vinha aquela voz profunda. . Certamente era por isso que tinha uma vida social tão "agitada" e "ativa"! Sabia mesmo como "ganhar" amigos! Entrou em casa e sentou-se no sofá da sala. . Ambos estavam muito diferentes.Acertou em cheio. Olhou a casa e os altos pinheiros que a rodeavam. eu não deveria ficar surpreso com isso.Acho que sua família nunca pensou em vender a propriedade.Por que veio para Silverwood Lake.Você não me parece tão bem . Estou apenas dando um passeio em torno do lago. . . Charles encostou a escada na parede e limpou as mãos no jeans. ..Não é necessário. .Como sabe meu sobrenome? Bem. mesmo que se lembrasse do que ocorrera há anos atrás.. Que ousadia.Mas eu daria um bom preço por ela. Aquela voz só podia ser de. . . me mostre o caminho . sr.disse.Não sejamos ridículos. Diana percebeu que ele jamais poderia reconhecê-la. Acho que somos vizinhos.Para ser franco. deixe-me ajudá-la. mãos fortes seguraram-lhe o braço e aliviaram-na do peso que carregava. .Ora. Ele aproximou-se. finamente bordadas. Ela olhou-o através dos cabelos. Vamos.Muito obrigada.E eu.Por aqui . Virou-se rapidamente e sumiu no escuro da noite. por coincidência.falou Diana.disse ele. Alguma coisa em suas faces bronzeadas e duras era perturbadoramente familiar..Não acho que seja de sua conta. Esta cidade é muito pequena e as notícias devem correr por aqui. ..disse ele. que era de uma marca bastante cara.Estou tentando ser um bom vizinho. Winfield? Ele encarou-a com irritação. .Você cortou o rosto . na verdade. .Maltratada? . Charles Winfield! No mesmo instante. jovem. nunca. Ele pareceu espantado com a franqueza da resposta. que ela aceitou dessa vez. atônita. Tinha um ar de quem confiava estar sempre com uma ótima aparência. Charles. sentia-se mais zangada pelo seu próprio comportamento grosseiro.

levando a tranqüilidade do lago para sempre. Seus pensamentos voltaram-se para Grey House e seu novo proprietário.. Afinal. Agora. sentia falta de um marido. Após engolir um pedaço de pão e um pouco de leite gelado. mas sabia que existiam vários outros lugares tão lindos como aquele no Estado de Nova York. Lembrou-se de que precisava pintar a velha casa e. talvez porque ela pensasse nunca tornar a vê-lo. com um céu límpido e claro. Não precisaria sair pela casa falando com cachorros. irônica. Se assim era. Talvez estivesse ficando sentimental. A paisagem inteira parecia uma pintura impressionista.. devido à velha timidez. examinou criticamente a própria aparência. porque esse não era um traje muito adequado para uma enfermeira. claro. uma vez que ele não era de forma alguma conhecido como uma pessoa dada a essas emoções. . Ela própria considerava a residência muito bonita e o cenário espetacular. Detestava essas divagações. CAPÍTULO III O sábado amanheceu radiante. E se o propósito fosse outro? Diana sempre temera que o progresso chegasse. A menos. mas agora ela não queria incomodá-lo mais. mesmo sem ser chamado. mas sempre que fazia tarefas consideradas masculinas pensava em como seria ter um marido para fazê-las. Charles havia estado lá apenas uma vez. E na certa não teria razões sentimentais para ter voltado. Por que tinha que inventar tarefas tão ingratas para um fim de semana? Nessas horas. espreguiçou-se e saiu da cama. Grey House era mais que suficiente. enterrou a cabeça no travesseiro. aquele homem charmoso a havia chamado de "linda sereia. para ser honesta. Por que queria mais terras? Se sua intenção era apenas ter um local para as férias. O velho Pete sempre ajudara. Diana desejou ardentemente que nada ou ninguém viesse a destruir tamanha beleza. pegou os grandes óculos de sol e dirigiu-se para o carro. tentara adquirir sua propriedade. manobrou e foi para o centro da vila. Rindo de si mesma. naquele fim de semana desastroso. por que não conseguia esquecê-lo? Ao chegar à estrada do lago. quase colidiu com um enorme caminhão de mudanças. Lembrava que. .Elegante como sempre! .Ele falara com sinceridade sobre ser um bom vizinho e. Teria que começar o trabalho de pintura naquele dia. E isso em qualquer circunstância. Suspirando. não havia um homem na casa desde a morte de seu pai. e ela vira um lado do milionário que poucas pessoas conheciam.. O lago estava magnífico naquela manhã. Diana entrou no carro e bateu a porta. há dez anos. que nunca variava: camisetas e jeans. Diana acordou com o sol de setembro inundando o quarto de luz. uma memória nebulosa e romântica. fotografias e travesseiros. Pelo menos teria alguém com quem conversar e dividir os afazeres domésticos. aborrecida. Tornara-se. Afinal. se não tinha nada que o ligasse à vila? Pelo que sabia. Então dera-se conta de que aquela figura poética e apaixonada que a perseguira durante anos não existia mais. os amigos costumavam brincar com seu modo de vestir-se. Pisou com força no acelerador. desanimada.. tinha de admitir que aquele encontro a incomodara muito. Via-o em suas fantasias como uma pessoa muito autoritária. Os pinheiros conservavam-se altos e verdes como sempre.disse." Ele a desejara sem que Diana tivesse falado uma só palavra. observando a imagem refletida. Por que Charles teria comprado aquela casa? Era um multimilionário e poderia viver onde desejasse. Nunca se sentira à vontade entre os homens. sem arrumar outras desculpas.. Mas. mas estranhamente terna. Diana vestiu sua camiseta mais velha e um macacão desbotado. sem a influência do álcool para deixá-lo mais desinibido. Por que ele escolhera um recanto tão isolado. com o passar dos anos. o homem real estivera à sua frente. Era fácil saber para onde ia. e seu novo vizinho a perturbava muito. Não deveria ter falado com Charles daquela maneira rude. As árvores já se tingiam dos tons amarelos e alaranjados do outono e refletiam-se nas águas brilhantes. Parou em frente ao espelho para prender os cabelos sedosos com duas fivelas e. Ao menos tinha pele bonita e olhos amendoados. na faculdade. O orgulho mandava que fizesse tudo sozinha. que estivesse trabalhando.. de repente.

Aleluia! . Estou certa de que ele é perfeito para minha Helga . Pete havia tomado o lugar da falecida Linette Mueller.Diana. sob o olhar apreensivo da jovem. Costumava sair com sua mãe para distribuir pessoalmente os convites.objetou a mãe ofendida.Quero ouvir tudo sobre seu novo vizinho. .comentou Miriam. Diana.Você está insinuando que eu iria enganar uma freguesa? . .Como? . na faculdade. O carro de Pete estava parado em frente à mercearia de Miriam.observou Katrina Schuyler. mas gosto de confirmar meus pares com antecipação. a pedisse em casamento.Não há muito para contar. A mulher olhou-o. você não deveria ter carregado sozinha aquela escada. .Charles Winfield me ajudou.Eu não disse que não gostaria. Que situação vergonhosa! Toda a vila sabia que sua casa precisava de uma pintura.Não achei que ele faria isso. Diana assentiu com um gesto de cabeça. já que Diana estava fora. ontem. e o dos Schuyler incluía a região das fazendas.pediu Diana. Se fechasse os olhos.Não carreguei sozinha. Schuyler. querida. A proprietária da loja tirou do bolso uma calculadora para fazer as contas.Lady Di! Então você vai finalmente pintar a velha casa? .Absurdo! Helga parece uma deusa! E não estou dizendo isso apenas porque é minha filha.disse Miriam. O que a está incomodando? . Talvez um dia.Fascinante! Conte mais detalhes. Pete seguiu Diana e Miriam à prateleira das tintas. . não! Este é um evento histórico! Ouviram todos? Diana decidiu. ela retomaria a tarefa. Todos os fregueses assíduos estavam lá e cumprimentaram-na com cordialidade. . felizmente. . . Katrina .E por que ele não gostaria de Helga? . Diana sentia pena da bela Helga. querida.Alguns homens preferem morenas às loiras. Diana! Espero que se lembre de me reservar uma dança! . . enquanto a observava entrando na mercearia. finalmente. . A mãe nunca a deixava em paz.Nem em um milhão de anos! Todos sabiam que não havia nada que o velho Pete mais gostasse de fazer do que amolar Miriam. tio Jim. .Ei. . mas apenas que poderia preferir moças de cabelos castanhos. ficaria contente ao ver a filha fazendo esse trabalho. que Deus a tenha. Nos últimos dois anos. o Baile da Colheita será daqui a três semanas! .disse a sra. sorrindo. Um costume especialmente desenhado pelo melhor costureiro da cidade de Nova York não faria tanta sensação quanto um vestido que se pudesse dizer ter pertencido à bisavó. hoje é o dia. . ao sul. . Miriam.interveio Pete. Seu território cobria toda a vizinhança do lago. ofendida. Ele insistiu em colocar as latas em seu próprio carro e começaram a transportá-las para o bagageiro. Agora. para ajudá-las a carregar as latas. O Baile da Colheita era uma tradição em Silverwood Lake há duzentos anos. O dinheiro andava parco nos últimos tempos. . Diana poderia sentir o aroma das tortas de maçã e dos doces de abóbora arrumados de modo tentador sobre as mesas. ainda pensando no baile. .Oh.A Main Street ficava relativamente cheia de gente aos sábados pela manhã. vou precisar de cerca de sete galões de tinta branca .Ei.Não se esqueça de pegar os convites para o baile . piscando para Diana. Sei que teria ganho o concurso para Miss Estado de Nova York. pois esse era o dia em que todos saíam para um bate-papo ou uma cerveja com os amigos.Sim. . . .Eu sei. Ela gostava tanto daquela casa! . não se esqueça do desconto de dez por cento .Miriam. . não fosse aquela torção no dedo que a impediu de vencer a competição de habilidades.Linette. com rendas e outros adereços. . finalmente! .William. Ele não me reconheceu.advertiu Pete. As mulheres aprontavam seus vestidos com muita antecedência e a maioria das pessoas usava trajes de época. Ele sacudiu a cabeça calva. Ia quase todo para as prestações do carro e para o empréstimo que ela havia feito para cursar a faculdade.gritou o velho Jim. onde funcionava também a pequena agência do correio. e não havia outra ocasião que se aguardasse com tanta ansiedade. Num certo sentido.

por que acha que ele comprou Grey House? .Por que ficaria feliz com uma coisa dessas? . .Não é nada disso. Colocou tudo num grande balde e caminhou em direção ao lago. Charles Winfield não é má pessoa. que estivera ancorado em Grey House e agora se aproximava dela.Como? . Nunca admitiria que sentia solidão de vez em quando. Pete. . mas acertaria tudo com um belo jantar.Isso não lhe interessa.Sim. O sol se punha no horizonte quando ela resolveu dar por encerrada a tarefa do dia. Além do mais. quando ele acordou em meu sofá..Nossa conversa não foi muito amigável. agora. .Eles estão mortos. . Winfield mais uma vez. . espantada.disse ele. poderia ver um lado bom no que estava acontecendo. comecem a ter um pouco de vida.Querida. enquanto acabava de colocar as latas no carro. você acha que ele comprou a casa para passar férias? Eu gostaria de acreditar nisso! Pete sorriu. dezoito? . Winfield. Não sou tão criança como você parece pensar. ora! . Estou preocupada. Valorizamos muito a privacidade aqui. sorrindo. levou o balde de volta para a margem.Se me chamar de sr. Fez um intervalo para beber um pouco de água. . . Afastou-se um pouco para avaliar o resultado de quatro horas de trabalho. Poderia passar sem a amolação de preparar um sanduíche. A casa é minha! A dureza do rosto de Charles pareceu suavizar-se levemente. vou ficar muito bravo! . como todos na vila. nada mau.disse Charles. . Para uma enfermeira. Ela o encarou. .Porque as coisas estão muito paradas por aqui e talvez.Então você mora sozinha? . . otimista como era. sentindo pena dela. Agora. enquanto trabalhava com o rolo de tinta na frente da casa.É óbvio que andou pintando a casa. Falou a seus pais sobre a minha oferta? .Não estou interessada no valor dela. . Estava mais embaraçada por seu aspecto do que irritada pela aparição inesperada. ainda mais com as unhas cheias de tinta como estava.De maneira alguma. sr. e Charles encontrou o dele. . com um suspiro de frustração. É um lar! O meu lar! . entrou no lago e lavou o rolo de pintura até uma névoa branca tingir as águas frias. Ele tentou comprar minha propriedade. Diana enrolou as pernas do macacão. Isto certamente aumenta o valor da propriedade. Tivemos uma conversa bastante agradável naquela distante manhã. e trabalhasse até o anoitecer.Fico feliz em ouvir isso. atraente como nunca em seus óculos escuros. teria que lavar os pincéis e o rolo para que não estivessem duros e inutilizados pela manhã. Winfield! . sr. tirando os óculos para vêIa melhor sob o sol fraco do fim da tarde. .Quantos anos você tem? Dezessete. principalmente aquele homem. . Um barulho que se tornava cada vez mais forte a fez olhar na direção do barco a motor. poderia terminar a pintura da casa. Mais tarde.Creio que todos precisam de um local que sirva de refúgio..Vinte e um.Que tipo de vida é essa para uma jovem? Deve sentir-se terrivelmente solitária! Diana pensou captar uma nota de simpatia naquela voz. olhando para o macacão e o rolo de pintura.Beijem-se e façam as pazes. sr.perguntou Diana.Você não aparenta a idade que tem. mas imaginou que isso seria impossível.Isso foi há cinco anos! Pete.. Diana pensava que só o velho Pete. Vejo que está seguindo o meu conselho . Não está em jogo no mercado imobiliário.Então. tinha hábitos alimentares bem ruins. . no rosto e nos braços.perguntou ele. Então se deu conta de que estava poluindo as águas e. em Silverwood Lake! . Winfield. tirou os sapatos e as meias. Diga-me. Havia tinta em seus cabelos. a última coisa que queria era alguém. Caso se levantasse cedo no domingo.E o que faz numa típica noite de sábado? Ou isso é uma indicação? . Diana cruzou os braços e caminhou em direção a ele até a água atingir-lhe as coxas. Apenas enxaguaria o rolo e a si própria.

. mirou-se no espelho e admitiu que de maria-chiquinha e macacão largo não parecia exatamente uma pessoa adulta. antes que fique muito frio.Engano seu. . mesmo a alguma distância.. coisa rara nas mulheres modernas. para que a água saísse. não gostou quando Charles a confundiu com uma adolescente.sugeriu ela. Que horror! Aborrecida. Por que não ser honesta consigo mesma? Desde aquela noite no lago. embora a idéia não lhe agradasse.Sei que isso pode parecer loucura. Ele concordou com um gesto de cabeça e. incrédula. com seu arco e sua flecha.. Diana tirou o rolo do lago e começou a agitá-lo. quem disse que uma mulher precisa casar? Diana suspirou. comparava todo homem que conhecia a Charles Winfield. Cedo ou tarde teria que se aventurar pelo mundo. . Como estava certo! Diana abriu as torneiras e entrou no chuveiro. Charles observava-lhe os movimentos. há cinco anos.Diana encarou-o. a água é clara como cristal. Mais tarde. antes do banho. Agora ele estava novamente em Silverwood Lake e Diana dava-se conta de que se enganara ao pensar que conseguira enterrá-lo para sempre no passado. Ela amava Silverwood Lake e não queria deixar a vila.Eu fui rude.Agora você está sendo rude de novo. o lugar onde nasceu e foi criada. o pescoço. ela saiu do chuveiro e enrolou-se numa toalha felpuda. pensativo. naquela casa. dissera ele.Vou experimentá-lo qualquer hora. não irá querer sair de lá. Ele pareceu intrigado. havia permanecido fiel a um voto de castidade.. este lago serve para nadar? . assim como o de Helga ou o de Sara.". mas apenas por um minuto. Eram apenas conjeturas absurdas. sentado no barco com os cabelos escuros esvoaçando e a camisa justa marcando-lhe os braços fortes e bronzeados. não o encontraria naquele lugar isolado. Deixou a ducha forte cair sobre os cabelos. Será que ele possuía mesmo senso de humor? Seus lábios tremeram levemente. se estava à procura de amor. Seu corpo era esbelto. Tão másculo e saudável.. mas acho que já nos encontramos. com um sorriso. Por alguma estranha razão.Foi minha culpa. . Era decididamente atraente... Diana pôde notarlhe o brilho nos olhos. acenou para ela e foi embora. seu nome lembrava a lendária deusa olímpica caçadora que. senhor. Afastou a idéia da cabeça.. No fundo. Só nos vimos ontem. além disso. E ninguém conseguira tomar-lhe o lugar.Você tem mesmo vinte e um anos? . Não precisava ser tão grosseira. A respeito do que aconteceu ontem. à espera do príncipe encantado. mas gostaria de ter alguém para compartilhar as coisas que apreciava. achava-se uma provinciana Cinderela. . . Se tem a sorte de encontrar um emprego de que goste. ficaria cada vez mais sozinha ali.. ligou o motor novamente... Tirou as roupas. não tivera muitas oportunidades de sair com rapazes.A maioria das mulheres consideraria o que eu disse um elogio. Diana sabia que estava perdendo tempo e prazer. . Começava a perceber claramente que. Ela era jovem e tinha todo o tempo do mundo. . as fivelas e examinou-se criticamente.. Senão. Pensava que seu problema. Pensar que aquele homem estava de volta era atordoante! CAPÍTULO IV . ainda era virgem e inexperiente. "Você deve sentir-se solitária..A propósito. enquanto Charles a olhava com curiosidade. Sempre havia sonhado encontrar o amor sem precisar busca-Lo. Além disso. mas havia sido criada de maneira muito rígida e.dizendo isso. Aos vinte e um anos. Charles.. não você. Diana esperou até que o barco se distanciasse e voltou à margem. Ficaram alguns momentos em silêncio. Uma mulher ama seu lar. não era incomum em cidades muito pequenas. elegante e bem-feito. .Por que não dizemos que ambos fomos rudes e esquecemos isso? . as costas.. .Como pode ver.

Não poderia ser algo de sua infância.Eu não quero! . .Você é a enfermeira? .Ele também tomou vacina? .Foi vacinado recentemente? .Quantas vezes tenho que lhe dizer para me chamar de Charles? . enquanto esperavam a vez. notou o corte no braço de Charles e isso salvou-a de uma situação um tanto embaraçosa. debatendo-se. Aquela tonalidade pareceu atingir um ponto distante de sua memória. Qual seria a ligação? Por que parecia sempre faltar uma peça para completar o jogo? Diana saiu da cabine com a criança e surpreendeu-se ao ver Charles ali. . não podia controlar o movimento na sala de espera e. você vai deixar a enfermeira aplicar esta vacina ou eu lhe dou uma palmada! gritou a mãe.Dói apenas um segundo. Queria uma vacina contra tétano.perguntou.reclamou o menino de cinco anos.Vai doer! . Em primeiro lugar. confuso.Charles. Até o Batman sabe disso .Segunda-feira foi o pior dia da semana. estendeu o braço para que ela visse melhor.Não sei. .Perguntei quando foi a última vez em que foi vacinado contra tétano. deixando ver um grande corte que ia do cotovelo até o pulso. chorando copiosamente no colo de suas mães. Você está muito bonita. . Charles Winfield repreendeu-se por ser tão sentimental. não pôde ver um homem alto e elegante entrar. Charles já ouvira aquelas palavras. só pensava em poder descansar um pouco. Era neste sonho que ouvia aquela voz. meias brancas e tinha os cabelos presos num rabo-de-cavalo. . .Só é necessária a vacina. na cabine.falou Diana.Pode apostar que sim! Diana olhou no espelho da pequena cabine.Bobby. Tudo não passava de imaginação. No momento em que vacinava a última criança. . Ele ainda a olhava com uma expressão estranha. da sala de espera. como um sonho mal lembrado. ditas pela mesma voz.Você estará bem agora .Quando obteve o seu diploma de enfermagem. Pronto! Num instante ela aplicou a vacina e o garoto reconheceu que não fora tão ruim. Myers havia sido chamado para atender a uma emergência e a deixara sozinha na clínica. . Além disso. . . examinando o ferimento. Winfield. A manga da camisa estava enrolada. o dr. não era imaginação. O elogio fora totalmente inesperado. De imediato.Primeiro é preciso limpar essa ferida. Winfield? . Diana sentia dores no corpo por ter passado sábado e domingo pintando a casa. a situação já seria bastante difícil. que se repetia com freqüência e se tornara constante nos últimos dias. . . Há alguns anos tinha um sonho fantástico. .disse Diana. assim. Ele podia ouvir a pequena criança chorando na cabine de vacinação e a voz suave e confortadora que procurava acalmá-la. em voz baixa. Não. sr.perguntou Bobby. . Ele a olhava. Parecia-lhe uma recordação bem mais recente e ele sabia de onde vinha.Fui tão valente quanto o Batman? . Ocupada como estava. O calor daquele contato transmitiu-lhe uma sensação nada profissional. Usava um vestido branco justo. . sabia? Ela enrubesceu ao ouvir essas palavras.. .Não precisa ficar tão espantado. sr.É apenas um arranhão. com os olhos brilhando. mas aquele dia em particular estava reservado para a vacinação contra sarampo e a pequena sala de espera encheu-se de crianças.Como? Charles não conseguia tirar os olhos do rosto daquela moça. Havia algo ali que o prendia de maneira incontrolável.. Soava vagamente familiar. Nesse momento. Diana tocou a pele firme e bronzeada.Claro que sim! Ele vem aqui uma vez por ano. Numa manhã qualquer. Faz muito tempo. afinal. ela encontrou um sério problema: tentar convencer o pequeno Bobby Wyler de que aquilo só levaria um minuto.O que aconteceu? . . Tinha de admitir que sua aparência não era nem um pouco atraente. Quase mecanicamente.

protegida por seu uniforme.Estou dizendo apenas que. quando estava na clínica. na cidade. deve fazê-lo. espantada.perguntou ela..disse ele. . deixando de lado todos os negócios? Segundo Miriam. sem poder esconder a irritação. os lucros do Baile da Colheita daquele ano seriam destinados ao dr. Cento e cinqüenta dólares. Isso facilitará o meu trabalho. colocou-a sobre o balcão. Sente-se em cima daquela mesa. Charles.Que sabor? . já que não contava com muito auxílio financeiro.Escute. Diana olhou para o dinheiro com uma mistura de embaraço e desprezo.perguntou Charles.Você não pode levar um negócio adiante se não cobra os clientes. Por que se isolava naquela vila. Afinal. Diana. que ainda esperava condições financeiras para ser construída. Ele obedeceu e observou-a em silêncio. Seu olhar desceu pelo rosto de Diana e pousou-lhe nos lábios. Algo nele ia contra a fama de prepotente que carregava. . .falou Diana. Na certa era porque. . .Não precisamos de sua caridade! . É tão orgulhosa a ponto de dizer que a clínica não tem onde usar um dinheiro extra? . . apesar da expressão altiva. Diana. Felizmente. após a aplicação da vacina. enfermeira Diana. mas acho que. Charles puxou a carteira e. . . Myers.Ouça. .Enrole a outra manga da camisa. Sem mais uma palavra.Esqueça.. . nem mesmo um telefone ainda havia sido instalado em Grey House.Está querendo me ensinar a fazer meu trabalho? .disse ela. apenas tentei tratá-lo como qualquer outro paciente.Não estou usando perfume. .. com uma seringa na mão. sentia-se mais segura. seus olhos eram muito expressivos.Que perfume está usando ? .Já lhe disse que são apenas sete dólares .Tudo bem. teria pago muito mais. a clínica precisava disso. . Ele a observava sem dizer nada. mas uma ponta de orgulho a impedia de fazê-lo. Ela sentia-se estranhamente tímida. como paciente. de uma maneira que ela já havia visto. tirando uma nota de cinqüenta dólares. alguma coisa acontecera. tentando evitar os olhos de Charles.Tem um cheiro delicioso. .pediu ela. O rosto duro daquele homem pareceu suavizar-se. .Como se cortou? . . Diana olhava-o. Como alguém poderia perceber ali algum cheiro que não fosse o do álcool ? Sentiu um aperto no coração.São sete dólares pela vacina .Acho que esqueceu algo. Reparou que.Obrigado. Charles virou-se e saiu.. Pode se levantar.. caminhando em direção ao balcão. Tinha que resolver logo aquela situação. por favor. . quando um paciente como eu pode pagar pelo serviço. Que tal me dar um pirulito agora. por favor .É mesmo? Pois você pareceu pensar que eu precisava da sua. Havia um tom de intimidade na voz daquele homem que a perturbava. Charles. mais exatamente para comprar novos equipamentos. Obrigado por isso. você tem o toque mais delicado que o de qualquer outra enfermeira que já conheci. . . como faz com as crianças? . Quanto lhe devo? . O que teria havido entre eles naquele momento? Sem dúvida.Você escolhe.Se eu tivesse consultado meu médico.Eu acredito. . empurrando o dinheiro em direção a Diana.Claro que tem.Foi uma bobagem.Está pronto. devo pagar pelo serviço. A clínica realmente precisava de dinheiro. senhor. Esbarrei num pedaço de arame que se soltou da cerca. . Ela espantou-se com a pergunta.Oh. Ela pegou a nota de cinqüenta dólares e guardou-a na caixa de metal. Diana terminou de limpar o corte e fez um curativo. esqueça isso. Charles. Espantava-se por ver-se tão calma. e uma aura de mistério o envolvia. E os curativos que fez no corte? .Não estou acostumado a discutir sobre assuntos tão triviais . Esqueça que tentei ser gentil. E havia a enfermaria infantil. Com tudo isso. Diana. Só agora reparava como eram bonitos. mas. por que ela fazia tanta confusão apenas por causa de um ato de generosidade? Gostaria de agradecer a Charles Winfield.

dançando no baile com seu namorado. Fingindo dormir novamente! . havia se esquecido totalmente de distribuí-los. mesmo vestida da maneira como estava. O que isso lhe importava. Havia boatos de que ela se apaixonara apenas uma vez na vida. . Berger também. não devia dar tanta atenção a esse fato. Eram três horas. desses freqüentados apenas por sofisticados milionários. o sr. ele não dera nenhuma indicação de querer integrar-se à sociedade local.Não. Não havia motivo para pensar tanto naquele homem e em suas atividades.Você vai saber quando lhes entregar os convites. . Turner escrito a mão na elegante caligrafia de Mary Gumbler.Eu não estou surpreso. E quer me pagar um bom dinheiro. Belga e sua mãe já haviam terminado a parte que lhes competia. Pelo que havia lido sobre ele nas revistas. O sol brilhava sobre o lago e uma brisa agradável soprava quando ela saiu ao longo do bosque em direção à casa de Pete. Com certeza. Seria ilusão pensar que Charles Winfield se interessara por ela. O som de Pete roncando trouxe-a de volta ao presente e ela começou a ler o cartão em voz alta: .Mas eles nasceram aqui! . Sei que teve melhor sorte com outros vizinhos. Diana sentiu um aperto na garganta.Continue! Termine de me convidar! . Sabe que recebi uma oferta muito boa hoje? . e Hans o acompanhava..Não. sentado num banquinho entre as árvores. Sabia que os homens costumavam fazer esse tipo de elogio sem que houvesse nele nada de especial. Charles Winfield não parecia ser o tipo que gostava de bailes interioranos. Bem. irritada. era uma cortesia entregar os convites com antecedência. por um rapaz que morrera na França durante a I Guerra Mundial. Johann e Gretchen Reiss e.Eles venderam? . Diana sorriu e puxou o cartão que tinha o nome do sr.Ele não insistiu? . quando as mulheres usavam rendas e fitas e os homens sabiam como cortejá-las. Ele cochilava. . não podia esquecer que ele a achara bonita. a eterna presidente do comitê organiza dor do Baile da Colheita.É um televisor portátil.Prefiro o peru. Que idéia absurda! Olhou para o relógio de pulso..resmungou ele. Acha que seria adequado um clima mais quente. este ano. Mary tinha quase noventa anos e era uma personagem tradicional na pequena vila.Alguém está querendo tirar esta pequena propriedade de mim. O segundo prêmio é um peru para o Natal . temos o prazer de convidá-lo a comparecer à nossa festa anual. e ainda lhe restava tempo para distribuir grande parte dos convites. provavelmente. o mais próximo que já estivera de acontecimentos no campo teria sido em algum clube privativo. eu disse ao sr.disse ela.Sr. mordendo os lábios. Talvez pertencesse a tempos mais românticos. afinal? Mesmo assim. .Que tipo de oferta? . Nem quero saber qual o prêmio da rifa. Embora faltassem ainda três semanas para a festa. Na preocupação de pintar a casa. Dirigiu-se rapidamente para casa e trocou o uniforme por jeans e camiseta. É claro. .Diana lembrou-se dos ingressos para o baile. Era pouco provável que comparecesse. Diana tentava reconstituir a imagem de Mary quando jovem. Sem dúvida. devia preferir boates e coquetéis. querida. Será que Pete estava ouvindo? .Logo vi. Supunha que aqueles momentos estivessem para sempre gravados na memória da velha senhora. . no último sábado do mês de setembro. em nome do comitê organizador do Baile da Colheita. . . O novo morador da vila estava em sua lista. Turner. deitado a seus pés. Demorou um pouco para conseguir falar novamente. final de expediente por aquele dia. De resto. Winfield que não estava interessado.disse Diana.É melhor não continuar.Preciso perguntar quem é? . Ela parou.Que quer dizer com isso? . Às vezes pensava se não havia nascido muito tarde. no local e horário de costume. entregandolhe o convite. . Johann queria mudar daqui desde que Gretchen ficou doente.

Desculpe por tê-lo acordado .Os invernos estão muito frios para Gretchen e nós adoramos a Flórida . Você não acreditaria no preço que o sr. sem saber o que pensar.Tem certeza de que não o incomodo? . Alguns estavam firmemente decididos a não vender suas propriedades que. . Charles encarou-a por um instante. Tinha uma estranha sensação de perda e uma leve idéia de traição. . Ela era forçada a admitir ser aquela mansão uma das mais belas que já vira.. Você sabe que sempre sonharam com isso. estavam cansados do isolamento de Silverwood Lake. Grey House situava-se em meio a trinta acres de terra.. . Tinha os pés descalços e os olhos mostravam que estivera dormindo. consideravam seriamente as ofertas recebidas. . Ela não poderia culpar seus vizinhos. Winfield nos ofereceu quase duzentos mil dólares por esta casa tão descuidada e nos disse que poderíamos ficar morando aqui pelo tempo que achássemos necessário. sentiu-se aliviada.exclamou Fred. mostrando o peito musculoso e bronzeado. Muitos pensavam em arrumar melhores empregos em outras cidades e alguns. A última pessoa que esperava ver batendo à sua porta era a encantadora Diana Mueller. Diana entrou. a pintura descascada revelava que era necessário um pouco mais de atenção.Não tem problema. . Havia várias caixas no centro do aposento.O irmão de Johann tem uma casa em St.Nossos problemas terminaram. O rosto de Lola era um retrato de felicidade. vizinha. Talvez aquela estranha sensação de já a ter visto.Diana! O que está fazendo aqui? Ela ficou envergonhada. como se estivesse num barco que começasse a afundar e toda a tripulação e passageiros o abandonassem.Oh. a porta foi aberta e ele apareceu. .Claro que tenho. O ambiente era um tanto sombrio.. Havia algo nela que o intrigava e ele não sabia o quê. baixando a cabeça. Porém. Pete. todas com a etiqueta da Winfield Enterprises Incorporated. tocou novamente. dos quais apenas três ficavam em frente ao lago. mais jovens.disse ela. mas tinha uma sensação inquietante.Querida.Aquele maravilhoso sr. querida. Quando chegou à casa dos Berger. porém. é como um sonho que se torna realidade! . até nos estabelecermos em Greenfield.. olhando-a com surpresa. com os móveis cobertos por lençóis. De certa maneira. Mas claro que isso era impossível. acho que agora já têm dinheiro suficiente para comprar aquele bar em Greenfield. Uma brisa leve soprava e tudo estava tão tranqüilo que. Falou até que nos ajudaria a encontrar um bom local para morar! Ele não é fantástico? Diana concordou com um gesto de cabeça.completou a esposa. Outros. Diana continuou seu roteiro pelo lago. Winfield quer pagar por esta propriedade. Petersburg e faz tempo que o convida para morar lá. . observando-o passar a mão pelos cabelos desarrumados. Se ao menos soubesse o que aquele homem tinha em mente! Olhou para o sol poente e constatou que ainda havia tempo para mais uma entrega. espantou-se com o ar de excitamento que toda a família mostrava. . É que tudo está acontecendo tão depressa! Charles Winfield caiu sobre nós como um raio! Diana saiu de lá apreensiva. relutante.Não estou gostando da história.Eu sei. . Nas duas vezes em que a encontrara. Foi até melhor.disse ele. e o cenário era o mesmo na casa de Johann Reiss. . vira-a como uma garotinha esperta. Talvez ele seja louco! . justamente aquela que estava adiando. O velho homem sorriu e levantou-se. Após vários minutos. Quando já guardava o convite de Charles Winfield. Diana tocou a campainha. Estava sem camisa. . na maioria dos casos. pertenciam à família há várias gerações. Nunca estivera naquela casa. Os Berger estavam mesmo de mudança. Diana aproximou-se da porta da mansão e parou para observar o gramado viçoso. você não pode culpar as pessoas por quererem melhorar de vida.. seria possível dizer que não havia ninguém em casa. se não fosse pelo Mercedes azul parado em frente. Quanto aos Berger.É verdade! . Entre. embora um pouco insolente. sem obter resposta. Com um sentimento de apreensão. . Todos os vizinhos comentavam as últimas atitudes de Charles Winfield.

principalmente com ele. tratava-se de algum assunto de negócios. Você é uma pessoa encantadora. Houve um breve instante de silêncio e Diana o olhou.O que lhe dá essa idéia? Nunca estive num baile como esse. Naquele vestido justo. Tinha um envelope sob o braço e sua expressão mostrava um leve sinal de nervosismo.Ei. percebeu que não era apenas uma menina. Teria mudado de idéia quanto à venda de sua velha casa? Charles sorriu. a dele! Diana fervia por dentro. invejar os rapazes que ela iria conhecer em sua nova vida na cidade. Se ao menos pudesse entender a sensação que tinha ao vê-la! .Claro que não! Sabia que estamos oferecendo um belíssimo prêmio na rifa deste ano? Uma televisão portátil colorida. sendo que todo o lucro irá para a clínica e.O que mais a traria à minha humilde residência. Tirou o cartão do envelope e leu em voz alta: . mas pensei que. satisfeito. Provavelmente. Iria acabar com aquela prepotência em um segundo. ia esquecendo: são cinco dólares como doação. ele a puxou para si e colou os lábios nos dela.Está me convidando para um baile? . Silverwood Lake pode não ter a sofisticação de Manhattan ou San Francisco. tem mais uma coisa: o comitê do Baile da Colheita anuncia os prêmios da rifa..Na clínica.Fique à vontade. mocinha? Diana engoliu em seco. Charles lembrou-se da maneira como ela enrubescera. se comparecer.. . cortesia da Loja Van Peer. vizinha? Posso lhe assegurar de que não se arrependerá pela decisão. a hipótese era bastante remota. ...Acho que devo dizer que estou emocionado. que um braço a segurava fortemente pelo ombro e teve que parar.O que o faz ter tanta certeza disso? . contando até dez. Que presunção. Alguém já lhe disse isso? Com um movimento rápido. inexplicavelmente. de quem não escondia certa antipatia.Sr. diga-se de passagem. Pelo que conhecia dela. porém. que podem ser pagos a mim ou na entrada do salão. Sentiu. fazendo-o.. Diana pôde sentir-lhe o calor do corpo. no último sábado do mês de setembro. temos o prazer de convidá-lo a comparecer à nossa festa anual. com os cabelos presos na nuca. Charles baixou a cabeça e sua boca aproximou-se da dela. Qual seria a última vez em que havia visto uma mulher corar? Voltou à sala e encontrou Diana na mesma posição em que a havia deixado.Está? Eu diria que parece mais é divertido. Ele segurou-a com mais firmeza e puxou-a para perto. Como certas pessoas não sabem ser. Diana não se daria a esse trabalho. espere! Que menina brava! Não precisa ser tão sensível! . Diana. no local e horário de costume. . .. Respirou fundo e dirigiu-lhe um sorriso gentil. É o costume. em nome do comitê organizador do Baile da Colheita. .Eu deveria saber que não estava interessado. Uma visita social. não? Como ousa me acusar de esnobe.Estou deixando você nervosa? . na clínica.Ah. Nada espetacular como as mulheres com quem estava habituado a sair. onde se via uma mala aberta sobre a cadeira.O comitê organizador está convidando! Agora é um morador da vila e está incluído nos eventos locais. Enquanto calçava os sapatos. Imaginava o que Diana Mueller podia querer. . . Dirigiu-se rapidamente ao quarto contíguo. .Não estou sendo tão sensível! Você é que é um esnobe. Aquela pequena vila não era lugar para uma jovem como ela. conforme a tradição da nossa comunidade. mas garanto que o povo daqui é bastante educado. Pegou uma camisa branca e a vestiu. Vou lhe pagar o suficiente para que leve uma vida excelente na cidade.Veio para falar sobre a minha oferta.Esqueça a rifa. . revelava-se uma bela jovem. não fosse rir das nossas tradições. não é? . Voltarei num minuto. Quase soltou uma gargalhada ao ver-lhe a expressão surpresa. mas conseguiu manter a calma.Você é geniosa. quando a vira pela terceira vez. Charles Winfield. . ao menos. não? . . Diana dirigiu a ele os grandes olhos castanhos. Voltou as costas para o milionário e dirigiu-se para a porta. de cortesia? Impossível. mas com um encanto muito especial. .Ah.

. . Diana? . ..Aqui está.Isto é pelo convite e por números da rifa.Diana corou ao responder. Ele pegou a carteira e tirou vinte dólares. sempre que tinha vontade de beijar alguém.Quem é você. . .Por um segundo. Um beijo daquele homem era a última coisa que esperava quando chegara a Grey House.Eu.. mudou o clima da conversa. . eu simplesmente não pude resistir.Não. Diana? . deitado na areia fria. gostoso. . Diana. . .... .Por que tanta pressa? . . Já era quase noite. Charles apertou os lábios e pensou um pouco antes de responder: . Não tinha intenção de continuar a tarefa naquele dia. . por que estamos sempre nos provocando? . eu não sei.Ainda tenho alguns convites para entregar. comportamento grosseiro.O quê? A expressão do olhar daquele homem era exatamente a mesma de cinco anos atrás. .Esqueça isso. Charles deslizou as mãos até a fina cintura e apertou-a ainda mais. quando ele. Nunca na vida havia sido beijada daquela maneira. Nesse momento. .Estou assustando você? Não queria que ficasse com medo de mim. Você deve estar esperando que eu me desculpe pelo.Sabe. com medo. pessoal. certo? Quanto é? . . sobre o que aconteceu agora. vamos dizer. Charles aproximouse dela ao dizer essas palavras e acariciou-lhe o rosto.Não posso dizer.Mas é a verdade! Neste envelope há pelo menos mais vinte cartões! . Ela não acordara antes do beijo. Diga.Já lhe pedi para esquecer o incidente. Seus lábios ainda tremiam. está ficando tarde. Charles pegou os bilhetes que ela lhe entregava e jogou-os sobre uma cadeira. Diana ficou imóvel. Mas aos poucos uma intensa sensação de prazer a dominou e a fez corresponder. Por um momento. ela pareceu acordar para a realidade e soltou-se dos braços poderosos com um grito de protesto.. Bem. não é? .Não vim aqui para isso .Não.. não fora à toa que ganhara a fama de playboy.A voz soou irônica..É. . Diana sentiu-se estremecer. Mas agora fora real. ... Diana.. sem acreditar no que acontecia. Será que ele a reconhecera? Assustada. Diana tremeu ao sentir o toque macio. ainda perturbada. Provavelmente. Quinze excelentes oportunidades para tentar a sorte.Obrigado. então temos o Baile da Colheita por cinco dólares e também a rifa.Porque é. .Também estou confusa a respeito de uma coisa: por que está comprando todas as propriedades em frente ao lago? A pergunta. ..Criança adorável! Bem.. descobri que este é o remédio mais eficaz quando uma mulher começa a ficar brava comigo. Tenho que ir.Quer café.. obrigada. Por outro lado. nenhum dos dois disse palavra. certamente. sempre havia imaginado como seria o abraço do príncipe que habitava seus sonhos nos últimos cinco anos.Bem. Ela evitava o olhar de Charles.disse. ele o fazia.Tenho a impressão de que você não está sendo honesta. . a fitara.. estou. ao menos inconscientemente.Ouça.Um dólar por número.Há algo em você que me confunde.Estou certa de que você tentava apenas ser um "bom vizinho". mudou rapidamente de assunto: . Afinal. . .É uma coisa mais fácil de falar do que de fazer. Mas não havia maneira de Charles lembrar-se daquilo! Ou havia? .Por que não? . acho que não. .

. aquilo a havia perturbado. com seus mistérios. Não conseguiria mesmo dormir. Ficou na varanda por um longo tempo. mas era quase impossível. Além disso. Ele tentou segui-la. a pensar que esta vila saiu de um livro de contos de fadas! -disse ele. Foi então que viu uma silhueta escura. mas.Acha que pode voltar para casa sem problemas? Já está escuro..Não gostaria de falar mais sobre isso. É que há certos assuntos que não gosto de discutir com ninguém. O lago brilhava sob o céu repleto de estrelas e as águas pareciam atraí-la. pensativo. fascinante. embora sua ausência houvesse perturbado seu meio profissional. .Acho que está certa. .. Diana. Vestiu-o com gestos lentos e desceu a escada. do comitê. . Ela caminhou até a margem do lago e molhou os dedos dos pés. . não queria dizer nada. fazendo esvoaçar os longos cabelos castanhos. No entanto. Nem lhe ocorreu a idéia de que alguém poderia estar observando. confuso. eu não quis ser rude. Ela dirigiu-se à porta e Charles a seguiu de perto. Não podia parar de pensar no que acontecera na casa de Charles Winfield. havia o motivo que o trouxera àquele lugar. Charles. tão viril.. Aquele era seu reino encantado e ninguém poderia tirá-la dali. . Com um movimento delicado. para Diana fora uma experiência inesquecível.Eu também gostaria.Obrigada pelo apoio ao Baile da Colheita..Estou começando. . rindo.Espere um pouco. O chefe de polícia acabou prendendo um rato que invadia uma casa por não resistir ao cheiro do bacon e das batatas fritas. .Escute. mas aquilo não poderia repetir-se. Com certeza. O caso mais sensacional foi a descoberta de um roubo há três anos. . Por que teria perdido o controle daquela maneira? Nunca pretendera beijá-la. por favor. ela não passava de uma menina de vinte e um anos.Sr. mágico.Fez uma pausa antes de acrescentar: . somos apenas vizinhos. Mas não devia explicações a ninguém. Dizendo isso. sem noção do tempo. Talvez em épocas passadas um beijo significasse um carinho especial. ele a beijara por impulso. Não o comentara com ninguém. atirou-se para a frente.E o que mais eu poderia pensar sobre alguém que chega aqui e vai comprando tudo? .É quase isso. Nós. Eram duas horas. Pela primeira vez em cinco anos Diana atendeu àquele chamado. Afinal. . Afinal. procurou o maiô azul que comprara na faculdade e que tinha o emblema da escola em cores já esmaecidas. . Já era muito tarde e não havia nenhuma luz nas casas próximas.Ah.Mas é seguro andar sozinha a esta hora? . segurando-lhe o queixo.Deixe-me contar sobre a taxa de criminalidade em Silverwood Lake. não era suficiente para explicar a agitação em que a deixara..Gostaria que confiasse em mim. Diana . Ela tentou adivinhar o que a expressão daquele homem dizia. . É claro que gostara muito de fazê-lo.E não precisa. ela correu pela grama e sumiu entre as árvores. Houvera algo mais. . . Como era bom! Ficou flutuando na superfície.disse ele. Saiu da cama e dirigiu-se à janela. mas percebeu que já era tarde.O senhor não precisa explicar as suas atitudes para mim. suave. Devagar. Já estou indo. aquele era um assunto estritamente pessoal. Devia estar acostumado a fazer isso com qualquer mulher que se aproximasse. Winfield. não é? . Sentindo-se relaxada. Nunca reagira a um beijo daquela maneira e o fato de Charles ser tão atraente. e ele era um homem de trinta e cinco. E logo não importaria mais: o lago seria totalmente dele! CAPÍTULO V Diana não conseguia adormecer naquela noite. ela começou a voltar para a margem. Ela enterrou o rosto no travesseiro e suspirou. . nos dias atuais. Entrou na água vagarosamente.. Era uma agradável noite de setembro e a brisa soprava.É mesmo? Pensei que fosse assunto profissional. então é isso! Você tem medo de que alguém como eu mude sua cidade. E espero que possamos conservá-la desse modo. eu cresci aqui. . contra o luar. aguardamos a sua presença. No entanto. O luar iluminava o relógio sobre a cômoda. mergulhando o corpo todo por um instante.

Contra sua própria vontade. . O beijo foi uma mistura de raiva e desespero.. Charles! .. mas Diana começou a sentir-se inquieta. sereia. Não podia entregar-se a um homem só porque ele vivia em suas fantasias! . enquanto os lábios continuavam a beijá-la. Rodeou com os braços o pescoço do homem que habitava seus sonhos há cinco longos anos.Tão bela! Sabia que era assim! O prazer do toque era infinito. depois as faces. e lhe deve solidariedade por isso. Seus olhos acinzentados percorriam-lhe cada palmo da face e do corpo. Charles baixou-lhe as alças do maiô até expor os seios. mesmo se quisesse. sereiazinha? Porque hoje não estou bêbado.Sabe por que não pode negar.Quero agora.Não! .. por favor.Eu. eu deveria ter ligado as coisas antes. onde havia mais que desejo: havia paixão.. . as orelhas. imóvel. tremendo.. começando nos lábios de Diana. Ele deslizou as mãos até os quadris redondos e apertou Diana de encontro ao corpo. .Pare. sereia? Era você naquela noite .Você não compreende! . não era. rendeu-se à magia daquele instante maravilhoso. sereia? Que nos últimos cinco anos você me deixou acreditar que tudo fora um sonho maravilhoso.. Diana sentia-se enfeitiçar. algo forte. Você é real e posso tocá-la. Era outro Charles Winfield e isso apavorou Diana mais ainda. ... descendo pelo pescoço e parando no profundo decote do maiô.. protestando.Quero tocá-la. . Continuava. É você a minha ninfa! Foi você quem me tirou da água naquela noite.Como pude não perceber? Deveria saber no momento em que a vi! Sem parar de acariciá-la. . Não desta vez. Sempre imaginei que sua pele fosse assim. A boca carnuda moveu-se vagarosamente pela pele úmida do pescoço. bloqueando a passagem. Lutou para desvencilharse daquele corpo forte. . Com um movimento seguro.Sabe o que eu compreendo. Era o mesmo romântico de cinco anos atrás.. Charles andou em sua direção.disse ele. enfeitiçada por aqueles lábios. ...disse ele. Ele levantou a cabeça e a encarou. profundo. ele a deitou na areia e colocou-se em cima dela.Não me toque assim! Diana tentou fugir mas ele já lhe segurava a cintura. Ela estava perdida naquele abraço. com os olhos escurecidos de paixão.Era você o tempo todo. . Sua calça roçava as coxas nuas de Diana. primeiro os lábios.Por favor o quê? . entre os seios.Não estou compreendendo. . Com a diferença de que dessa vez estava sóbrio. a testa. não tenho a menor idéia do que está falando! . Ela não poderia correr. porém. minha linda sereia . O que aconteceu com aquelas fivelas que você usava? .. O velho Pete Turner. nem o playboy. Nenhum dos dois se moveu por um tempo que pareceu eterno. .Por favor! . e seu amigo. prendendo-a entre as pernas. Diana começou a sentir-se em pânico.Oh. Seus dedos percorreram uma linha imaginária.. Quero acariciar estes belos cabelos molhados. Olhava para Diana com surpresa e incredulidade. sereia. não precisa negar mais.Não. Charles a ignorou e desceu a boca até um dos mamilos rosados.Charles Winfield estava parado. . Não era o homem de negócios que falava.Por favor! Não poderia deixá-lo continuar tocando-a de maneira tão íntima. sr. Agora o sonho acabou. sereia.Eu te quero! . quase num sussurro.Então não foi um sonho. Quer ser mais claro? . na areia. Seus olhos brilhavam. os ombros.Deixe-me ir! . Sei que não é alucinação.Você é tão delicada. Aconteceu mesmo. . Diana. é seu vizinho. Ele a puxou com força e procurou-lhe a boca. não? . Winfield.Sabe.Ora. que disse ter-me salvado. Beijava-a com intensa paixão.

Diana sentiu emoção naquelas palavras. Falava da mesma maneira sedutora que usara na ocasião. Não sabia até que ponto poderia resistir. parado entre as árvores e as pedras. . . . Notava que a voz grave adquirira um tom de irritação. tentando controlar o desejo.Diana.Por favor.Não faça isso! .. Dessa vez encontrava-se bem acordado e tinha o controle de seus atos. com beijos apaixonados. por favor. costumava brincar de esconde-esconde nesse mesmo lugar. ele ainda não a tinha visto. na verdade.Espere! Para onde vai? Seus olhos cinzentos percorriam os arredores.Onde está você. num jogo bem mais adulto e perigoso.. . Os passos pararam subitamente. responda! Ele repetiu o chamado várias vezes. não conhecia cada árvore. Mas não havia nascido em Silverwood Lake. . Agiu tão rapidamente que não lhe deu tempo de puxá-la de volta. . com o coração batendo descompassadamente. Pela primeira vez tivera consciência do medo contido naquelas palavras.Está dizendo que não quer? Diana assentiu com um gesto de cabeça e virou o rosto. Ela se escondera atrás de uma grande rocha. . Tinha medo mas. Esse gesto suave causou-lhe mais pânico ainda. cada trilha. Prometo que não vou tocá-la. Homem algum a havia visto seminua antes. Mas. Havia se entregado tão facilmente àquele charme sedutor. porque era mais possessivo do que qualquer outra atitude que ele tivera. um ramo quebrou-se atrás de onde ela se encontrava e logo a voz de Charles se fez ouvir novamente. Ele era tão fascinante. Não iria desmaiar na areia. Charles levantou-se e a seguiu. Como fugir daquele homem? De repente.Não se esconda de mim. Diana escondia-se atrás de uma rocha e Charles a caçava. . mas naquela época de inocência nunca poderia imaginar que viria a usar a pedra. Diana? Ela tentava controlar a respiração acelerada. e quase conseguira subjugá-la.Ouça. tão dominador. espremida contra a rocha protetora. Não sabia o que dizer.. Charles afrouxou o abraço e Diana aproveitou a oportunidade para sair de debaixo dele.. deixe-me olhar para você. Diana! Quero falar com você! Por que está fugindo? O barulho de passos tornou-se mais próximo. Diana desejava ardentemente que ele desistisse e fosse embora. Quando criança. era ainda mais perigoso porque não estava sob o efeito do álcool. . Os passos ressoavam sobre a coberta verde do chão. Diana! Não estou com vontade de brincar esta noite! Se ficar escondida mais tempo.. Ela não respondeu.pediu. Ela percebeu que Charles tinha a intenção de fazer amor ali mesmo.Já passei da idade de brincar de esconde-esconde! Estou perdendo a paciência! Você está brincando comigo? . Charles afastou as mechas de cabelo castanho que caíam sobre atesta de Diana. pode pegar um resfriado! Diana não mexia um músculo. Não deveria deixar que Charles a tocasse novamente. mas ela continuava imóvel. mas nem isso a tranqüilizou. denunciando intensa frustração.Eu a deixei envergonhada. .Com súbita ternura. e isso contava muito.Não! Não olhe para mim! . no lago. Charles esperava em vão por uma resposta. sereiazinha ? – Enquanto falava.. Correu pela areia e sumiu no bosque. cada moita. surpreso. . contudo. Ele a havia seduzido com o calor de suas mãos fortes. ainda. Agora. O que a salvara fora o medo do desconhecido e a inexperiência. anos depois. Sei que você me quer. Diana pôde perceber que. seios nus.. Moveu instintivamente as mãos para cobrir os..Não faça isso. Charles! . Não confiava nele. . Como naquela noite. como Diana.ela repetiu. soluçando. embora estivesse bem perto. mas não se movia. há cinco anos. para evitar-lhe o olhar.Diana? Ele a olhou. Charles respirou fundo.Posso senti-Ia tremer sob minhas mãos. Havia uma assombrosa familiaridade no que estava acontecendo. prateados pelo brilho da lua. . temia mais a si própria.

Já era mesmo hora de tratar desse assunto! Mas isso não parecia preocupá-lo antes. Diana estava acabando de comer seu lanche quando Pete Turner chegou à clínica e contou-lhe que havia pedido uma reunião de emergência à Câmara Municipal. . talvez não tanto quanto devia. Miriam comprava esse jornal no verão para os turistas. Ela ainda podia sentir os lábios quentes sobre sua pele. O texto citava fontes confiáveis relacionadas aos planos secretos de construir um novo centro de operações. mas era Charles o sedutor. O fato de ele ter viajado a fazia sentir-se bem mais sossegada. como para arrancar até mesmo a memória do que ocorrera. que havia sido publicado em Nova York. Um artigo sobre uma grande transação de terras em uma vila isolada no Estado de Nova York. . dono da lanchonete. perplexa. Diana esperou mais dez minutos antes de levantar a cabeça. . vagarosamente. Mais tarde soube que o aparelho pertencia à Winfield Enterprises Incorporated.Foi logo ao nascer do sol. Fechou os olhos com força. Então. Diana arrumou no pacote o recipiente com chá e o bolinho de coco que comia todos os dias. que sabiam como dar prazer a uma mulher. Pagou a compra e acenou para Frank.Diana mordeu o lábio para não gritar de raiva. tocara-a com mãos experientes.. mas tudo que conseguiu foi deixar o corpo vermelho. achara-a bonita. Voltou ao carro e dirigiu-se à clínica. desceram uns homens vestidos com terno e gravata que foram bater à porta. costas. o chefe do conselho de administração e presidente da . .Por que você voltou.Faça como quiser. Como você sabe.. Charles a abraçara. já que o dr. Pegou uma toalha para remover a areia dos braços. O sr. .Página sete.Charles. o sr. Apagou a luz do banheiro e enfiou-se na cama. Com certeza. Leia! O título dizia: "Revelado projeto de expansão da Winfield Enterprises Incorporated". Ela. O que o fez mudar de idéia? Pete inclinou-se sobre o balcão e jogou um jornal em direção a ela. pernas.. a fizera tremer em seus braços. Myers continuava fora. Parecia muito bravo. achava até bom ter tanto trabalho. Por uns poucos momentos Diana soube como era sentir-se bela e desejada. voltou para casa e trancou a porta. Eu vou embora . pairou sobre Grey House por uns minutos e desceu com um grande barulho no gramado em frente à casa. Quem lhe contou foi Frank Ramsey.. Seria outra manhã agitada. seios.. Era um periódico semanal dedicado ao mundo dos negócios. Esfregava a pele com força. despedindo-se. Winfield saiu gritando com eles palavras que não ouvi nem na Marinha! Os homens falavam como se estivessem pedindo alguma coisa e ele só balançava a cabeça. Mais que isso. entrou na casa e trouxe uma maleta.Você vai ver. Charles Winfield.O que devo procurar? . Aí. jogando-o na banheira. nunca pensara que uma mulher poderia rejeitá-lo. Depois. . tentando pensar com clareza. Charles Winfield? O que quer de nós? De mim? CAPÍTULO VI Diana foi acordada às seis e meia da manhã por um helicóptero voando baixo. no entanto. pois assim não teria muito tempo para pensar em Charles.disse Charles. Winfield me contratou para cuidar do jardim e eu estava justamente tirando o cortador de grama do caminhão quando aquele helicóptero chegou não sei de onde. Isso nunca lhe acontecera! . Ele lhe dissera frases apaixonadas. um dos moradores do lago que jurara não ceder às ofertas do milionário para vender sua casa. Ela procurou a página indicada. para discutir a súbita aquisição de propriedades no lago por Charles Winfield. Correu para o quarto e tirou o maiô.. Subiu no helicóptero com os outros e foram todos embora. Era ele quem estava perdendo a paciência e ela quem estava brincado? Que piada! Não fora ele quem acabara de tentar seduzi-Ia? Não fora ele quem sussurrara palavras de paixão em seu ouvido e a atirara na areia? Ela havia resistido. já se afastando do local.

aquela era uma vila sossegada. Na hora marcada. e tudo por culpa de Charles Winfield! . . teve que bater o martelo na mesa várias vezes para que a ordem fosse restabelecida.Não. Afinal. porém. o jovem industrial admitia ter adquirido várias propriedades na área. Talvez.Na mais jovem representante do povo na Câmara Municipal: Diana Mueller. era aberta e qualquer morador poderia assisti-la. Frank Ramsey levantou-se e disse em tom irritado que não queria ver Silverwood Lake transformada num pesadelo industrial. Diana se repreendeu. Ele lhe havia dito que suas razões eram puramente pessoais. pouco à vontade. . Afinal. William Sutherland. Pete. chamando os rumores de "infundados" e "irresponsáveis".. A esse ponto. . Charles Winfield exibe sua habilidade em vencer todos os competidores na corrida frenética pelo crescimento industrial. os ânimos se esquentaram e a confusão começou. ela não ficou muito surpresa com a notícia.Elogios não vão ajudar. talvez para um homem de negócios como Charles Winfield. .Eu não estava mesmo preocupado . se quisesse. Charles Winfield estava acostumado a ter o que queria.Vê agora por que foi necessário convocar a reunião especial? . Por que chegara a duvidar do fato de ele ser um mero manipulador de pessoas? Por que questionara seus motivos? Deveria ter ao menos aprendido alguma coisa da experiência por que passara na noite anterior. no íntimo. Ela é bem ativa. mexia-se na cadeira. O projeto de Silverwood Lake. Nunca havia visto aquelas pessoas tão irritadas. Havia outros que declaravam veementemente ter o direito legítimo de vender suas propriedades e ninguém os iria impedir.Está pensando em alguém em especial? . Quando comprou Grey House e começou a adquirir os terrenos vizinhos. Era a democracia em ação.. embora ainda envolto em segredo. Diana sentia-se quase aliviada por ele não estar por perto no momento da reunião. que a olhava com ar malicioso. Ouvi dizer que está se tornando uma voz muito influente na política local. como conseguiremos impedi-lo de fazer o que quiser com ela? . se pudermos fazê-lo parar.Claro! De um certo modo. onde a vida transcorria sem agitações..Winfield Enterprises Incorporated.Em vez disso. se seus membros agirem depressa. provavelmente andava ocupado em negociações trabalhistas numa de suas instalações na Califórnia. promete agitar o mundo dos negócios. . não podia evitar um certo desapontamento.. sentada à frente.A Câmara Municipal pode colocar alguns impedimentos. . Charles Winfield ainda não havia retornado à vila e. o membro mais velho da Câmara Municipal. embora se recusasse a revelar a razão dessas aquisições. planos para uma expansão industrial fossem assuntos pessoais. Diana. pensei que o pior que poderia acontecer seria ele construir um refúgio para milionários. junto com os outros membros. Winfield.. tivesse a esperança de que os planos de Charles para as propriedades que estava adquirindo fossem mais dignos. – Podia jurar que ele queria se livrar de toda aquela confusão da cidade grande. O artigo citava declarações do sr. Que novos planos o famoso Charles Winfield terá em mente?" . negava categoricamente qualquer plano de construção de um complexo industrial na vila de Silverwood Lake. se a propriedade lhe pertence. No entanto. Todos tinham uma opinião sobre o assunto. talvez tenhamos que conviver com chaminés de fumaça e resíduos químicos. Qualquer pessoa podia falar e ser ouvida.. podemos tentar! A reunião estava marcada para as oito horas da noite seguinte. . Outros preocupavam-se por ver tantas terras nas mãos de um único proprietário. Diana devolveu o jornal a Pete. a cidade em peso lotava as dependências da Câmara Municipal. de acordo com o noticiário do rádio. Você acha que podemos mesmo impedi-lo de concretizar seus planos? Ele é como um grande gato. Por outro lado. Bem. Mulheres ou terras. e nós apenas uns ratinhos. parecia que Silverwood Lake estava se dividindo em duas facções diferentes.Bem.Mas. A notícia terminava com palavras inquietantes: "Mais uma vez. Agora. Era óbvio que falavam línguas diferentes.dizia Pete.

. foi anunciado que a situação teria que ser esclarecida. com ar paciente.Bem. excitada. William! Não sou advogada! .Minha querida. Winfield de fazer o que quiser com suas terras. Sara Lee Hutchins. Temos muito trabalho a fazer. .Quando chegou sua vez de falar. obstruir o desenvolvimento da região fronteira ao lago. às vezes. Nada parecia perturbar o vendedor de antiguidades.. Não encontraram nada que pudesse aplicar-se à situação.gritou Helga.Claro que sim.Oh. Diana ficou encarregada de dirigir um comitê para pesquisar o assunto. enquanto ela se entregava às tarefas.O quê? . comece a se preocupar com o advogado dele. . Se tiver sorte de encontrar algo. Diana. poderemos lançar mão de uma coisa. As restrições de zoneamento atuais não se aplicam às terras do lago. que o lago era uma das poucas belezas naturais do Estado praticamente livre de poluição. sem poder conter uma risada.É uma bela atitude.disse Sara. Pensa que não vi o modo como Miles a olha? .Deixe-me ver isso! É de 1955.Mas isto é sério! ..Morda a língua! Conte-nos sobre Charles Winfield. nunca jogam nada fora. . Diana! Sabia que é contra a lei possuir mais de um peixinho dourado? . esquecido em algum arquivo empoeirado. . Diana. ótimo.disse Diana.. quase atirando uma velha revista sobre ela.Engraçado. . Daquele jeito.Se Charles Winfield quiser continuar comprando nossas terras. você terá que verificar a pilha de velhos registros no arquivo e descobrir se há qualquer decreto obscuro de zoneamento ou acordos locais que possam. .perguntou Diana. o trabalho não andaria. esperançosa.Tudo de que precisa é paciência e um grupo de voluntários para ajudá-la. Pete Turner lembrou os presentes.Isso já está parecendo uma festa. Mas até que o trabalho foi divertido.E por onde devo começar? . para ser sincera.disse William.observou Sara. Diana exasperou-se. Ao abrir a porta. por exemplo. não é? E. . essa é a vida! . No dia seguinte. Você devia tornar as coisas mais leves. Se não.Puxa. Não querem salvar o lago? . não somos? Se acharmos alguma coisa.indagou Helga. aqui! Vocês acreditariam que este velho cartão contém toda a programação de teatro de 1933 em Nova York? . William riscou um fósforo e acendeu o cachimbo. . . quando chegou em casa carregando um pacote de mercearia. duvidava que ele pudesse ter grandes emoções.Cite uma. No fim do dia. eram quase sete e meia. você é sempre tão séria! . outro dia.Não vendam! . Ele é tão bonito quanto nos retratos? . Sara. Diana e vários voluntários passaram quatro horas sobre os velhos registros. Era como na escola: todas conversavam. no momento parece não haver leis que possam impedir o sr. muitos dos quais conhecera desde criança.perguntou ela.Ele riu com vontade e tirou uma longa baforada do cachimbo. . . .Vou citar a mais séria e urgente crise pela qual passamos atualmente: por que nós três não arranjamos namorado? . Somos voluntárias. Muito engraçado .Mas. levantou o rosto sardento com um sorriso. . . . Ouvi dizer que foi à clinica.Poderia repetir isso na minha língua.Quer dizer que se houver qualquer estatuto antigo. . há questões muito mais sérias em jogo além do bem-estar de Silverwood Lake .. ouviu uma voz calma pronunciar. Quando a Câmara Municipal suspendeu a sessão. especificamente.Ele vai ao Baile da Colheita? . William Sutherland guardou os óculos com armação de ouro no bolso e voltou-se para Diana. sacudindo uma folha de papel.disse Sara. divertiam-se. . mas não há razão para parar de sorrir. Olhe só a capa! Marilyn Monroe! . puxando outra caixa.falou Helga. por favor? . . que não estava muito acostumada à burocracia parlamentar.Então você precisa achá-lo! . lentamente: .disse Diana.Vejam só quem fala! Você não tem porque não quer.Olhe.Helga está certa.

Andou vagarosamente até o balcão de fórmica e. não acreditei muito na história de Pete sobre ter-me encontrado na beira do lago. Diana evitou-lhe o olhar. . Quero saber por quê. pegou o pacote das mãos de Diana e levou-o para a cozinha.Já lhe disse que não pretendo discutir esse assunto. voltou a me chamar de "sr. horrorizada.Mas eu quero falar sobre isso.Brava. Não lhe pedi nada. ao mesmo tempo.. Depois. em amor era ainda mais difícil enfrentá-lo.Você é um homem presunçoso.Pode continuar. Ele cruzou os braços e a fitou com intensidade.Estava esperando por você. de repente. . soltar-se.Foi você quem começou. .Pediu sim. . . Winfield? . Cada vez que me fitava com esses seus grandes olhos castanhos. você me pedia amor . em vão. . em tom cínico.Após aquela noite. . .continuou a voz. . .O que está fazendo aqui? . Por que ele não a deixava em paz? Diana não podia suportar a intensidade das emoções que aquela presença perturbadora lhe causava.disse Charles.Às duas da manhã? Deve estar brincando! . Tive uma mulher vibrante e apaixonada em meus braços naquela noite e. Sentia que o olhar quente de Charles acompanhava cada um de seus movimentos. .Já lhe disse: esperando por você . pensei que a palavra amigos nos seria mais do que adequada. . .O que quer de mim. Quando o viu parado tão perto dela na pequena cozinha. .. ela se tornou fria comigo.Por que seria diferente? Só uso o primeiro nome quando me dirijo a amigos.É assim que recebe alguém que não vê há três dias? Sem esperar resposta. .Você queria que eu a visse daquele modo. Estou esperando. Por que fugiu de mim? . batendo a porta do armário.Mas vamos discuti-lo.perguntou ela.reafirmou ele. furiosa. aproximando-se e segurando-a pelo pulso.Estou? Foi o que quis que eu pensasse durante todos esses anos. pensei que estivesse mesmo enlouquecendo. num gesto de indiferença. começou a esvaziar o pacote de compras. . Não vou deixá-la até que o façamos. Ela tentou. Winfield"! Ela deu de ombros. ignorando a presença do invasor. . controlando-se para não atirar um prato na cabeça dele. não era. .disse Diana. . Se nos negócios ele era um grande adversário.Concordo. que combinava com o brilho de seus olhos.Sabia que eu iria vê-la.Como ousa entrar na casa de uma pessoa quando ela não está? Charles tirou as pernas de sobre a mesa e levantou-se.Espere! O que está fazendo em minha casa? .Não quero falar sobre aquela noite. Winfield! .Ah. sr. Diana.O quê? Ela quase tropeçou no abajur quando seus olhos perceberam um fio de fumaça de cigarro subindo da poltrona à sua frente. naquela noite? . Mas não havia como explicar sua presença. Era real e. Por que fugiu de mim. que apesar de tudo estava se apaixonando. Usava terno cinza. sr. E você não é meu amigo. Charles Winfield? Você ainda não viu nada! . Quando a vi pela primeira vez. há cinco anos. Diana dirigiu-se à poltrona e encarou o intruso. Ou talvez estivesse apaixonada desde a primeira vez em que o vira.Por que foi nadar à luz da lua? . na água. Diana percebeu. .Está louco! . sr. Que absurdo descobrir isso no meio de uma briga! . seguindo-o.exclamou Diana.Isso é ridículo. não sabia? .. Winfield .O que acontece com as desta cidade? Ninguém fecha as portas? Assim podem entrar estranhos. apagando o cigarro num pequeno cinzeiro de cristal.. As longas pernas estavam estica das sobre a mesinha de centro e um cigarro pendia de sua boca.Não é problema seu! .Você está mesmo brava ou é só fingimento? .. arrogante e.

quase sussurrando.. diga alguma coisa! Qualquer coisa! Apenas me dê alguma resposta! . com deliberada indiferença. Ela continuou impassível até vê-lo afastar-se. E não fazia o menor esforço para sair deles. não eu! Ela sentiu-se corar à lembrança do prazer que tivera com aquele homem.O que foi.Está corando novamente.O que tem aquela noite? Não seja tão presunçoso! .. . sereiazinha? Ela levantou a mão.. Tentava abrir-lhe os lábios.. protetores e musculosos.Foi por isso que deixou que eu pensasse que tudo não havia passado de uma ilusão? .disse ela.Se você já terminou de brincar de homem das cavernas..Não pare! Por favor! Vagarosamente. sr. ela inclinou a cabeça de Charles até fazer os lábios tocarem os seus. . Aproximou-se de novo e começou a acariciar-lhe o rosto bonito. para cobrir o rosto.Por favor. .disse Charles..Pois demonstrou querer muito mais que isso! . sair. Charles aumentou a intensidade dos beijos.. .Seu. intrigado. "Devo lutar!"..Por favor. fechando os olhos.Pela última vez: foi você quem começou. apenas minutos antes. Sentia-se ao mesmo tempo embaraçada e excitada. seu arrogante! . Diana sentia o coração disparar.. . se cedesse uma única vez. mostrava confiança. O rápido contato foi eletrizante.disse Charles. me deixe em paz.Por favor! . Diana não podia acreditar. Num impulso colocou uma mão no rosto de traços marcantes e pôde sentir os músculos tremendo sob os dedos. Charles sacudiu a cabeça. Estar perto dele era como reagir a uma droga poderosa. . soltando-a. incrédulo. vou começar a fazer o jantar..Por favor. Diana? .Ele levantou o queixo de Diana e beijou-a.Por que insiste em dizer não? Por que não aceita o que seu corpo tanto anseia? Sinto como ele vibra ao meu toque. Então. . percebia que. . Era a primeira vez que tomava a iniciativa . . . querida. em desespero..O que aconteceu? . instintivamente. não é? .. . para induzir um contato mais íntimo. permanecia presa entre os braços fortes. com espanto. Foram feitos para mim . beijando-a com uma violência que ela nunca conhecera.disse ele. os espessos cabelos escuros.Você salvou a minha vida e eu queria agradecer. pensava ela. Ele olhou-a com uma expressão dura e então a abraçou de novo. Winfield. forçando-a a retribuir. Diana sentia-se em meio a uma rede da qual não podia.Não! .Assim.Parece ter dezesseis agora! Por que não me deixou terminar o que havíamos começado? .Nunca provei nada como o sabor dos seus lábios. princesa.pediu ele. me toque! Com mãos inexperientes. Charles afastou-se um pouco. Diana! Não está falando a sério.A voz soou tão meiga. que ele não resistiu..Ainda pergunta? . com inesperada delicadeza. . ela puxou-lhe a cabeça para junto da sua e acariciou. . jamais poderia resistir a ele... E agora que podia sentir-lhe a respiração quente no rosto. mas mantinha o controle e continuava passiva. . deslizando os dedos pelo pescoço macio até alcançar os ombros.Por favor! Eu tinha apenas dezesseis anos! .Não entendo! Aquela noite.Charles! . segurança? .Machista! .Não adianta elogiar. voltando a beijá-la enquanto a apertava cada vez mais. hesitante. Eu tenho mesmo o poder de lhe causar isso. Ver um homem tão seguro falar daquela maneira tocou-lhe o coração.disse isso com um tom de incerteza tão inesperado que ela o encarou. . Sabe que isso me excita? . tão delicada. Apertou-lhe a boca com força e depois deslizou os lábios pelo pescoço. querida. Poderia ele ser o playboy Charles Winfield? Era o mesmo arrogante que..Continue gritando como um gatinho zangado. nem queria.Já acabou? .. "Não posso deixá-lo agir desse modo!" No entanto. .

vagarosamente..Está fazendo tudo certo. . saborear sua pele com crescente confiança. Charles. Ela continuou percorrendo-lhe o rosto com os lábios. roçou os lábios no queixo dele. embora se sentisse um pouco chocada.Você é virgem. . suave. enquanto com as mãos abria os dois botões superiores do vestido branco. Diana não conseguiu resistir mais: seus lábios se abriram. Faça como quiser! Com um atordoante senso de liberdade.Devia estar fora de mim para não ter percebido isso! Não me admira tê-la assustado tanto naquela noite! . tão desejada.disse ele. . sentindo arrepios pelo corpo. O movimento fez com que seus seios tocassem o peito largo e o corpo dele ficou. macio.Isso. O coração de Diana disparou quando ela o viu parar no topo dos degraus e procurar por um interruptor de luz. querida? Esta noite quero provar cada pedaço desse seu corpo gostoso. . valia ter-se guardado para aquele homem e agora gemer de prazer ao sentir as carícias que lábios e mãos incansáveis faziam. Então. para sensações totalmente novas. por favor. . correspondendo à doce carícia. . E a beijou outra vez.Continue. com ternura e fitando o quarto.Mostre-me seu quarto. E não demorou a relaxar nos braços dele. Então os lábios quentes percorreram a trilha que levaria à fenda entre os seios. .. Beijou-lhe levemente os cantos da boca e. com seus eternos problemas. deixou de existir.. . embora sem segurança..de acariciar um homem. imediatamente. Charles continuou beijando-a. segurando-a nos braços... olhando..Quer que a beije aí? Diana concordou com um gesto de cabeça. Por alguma estranha razão. fazer isso. Ela sentia ondas de prazer percorrendo todo o seu corpo e descobriu-se despertando para a vida. cruzou a sala e subiu a escada.Isso importa? . sereiazinha. Quero ir devagar com você. incerta. não é? .. .. Ela enterrou a cabeça no peito largo e pôde ouvir-lhe o coração acelerado batendo sob a camisa fina.ela repetiu. . Não devia tê-la apressado.Claro que importa! . O mundo. meu amor. Como estava feliz por ter esperado até aquele instante! Valia tudo.Charles. coberta por uma delicada colcha cor-de-rosa. sereia. com um tremor na voz.Charles? . Charles gemeu e carregou-a nos braços. até mesmo tantos anos de solidão. Era bom poder senti-lo. .Pequena Diana! Venha mais para perto! As mãos hábeis desceram até os quadris e puxaram-nos possessivamente..Charles! Ele passava a mão pelos cabelos despenteados. eu.Meu Deus! Você é apenas uma criança! . Seria isso errado? Seria frívolo dar-se tão intimamente a um homem? Ou desejar que ele continuasse tocando-a e despertando mil sensações novas? De repente. Todas as suas fantasias românticas estavam se tornando realidade. Nunca em sua vida sentira-se tão bonita.Mas. Diana voltou seus lábios para os de Charles. Ela corou intensamente ao apontar a direção no fundo do corredor. . Quero você inteirinha! Diana tremeu ao ouvir essas palavras..Você gosta quando faço isso. Horas e horas. Parou ali. . pressionando-os ternamente.. mas de forma diferente. tenso. Diana não opôs qualquer resistência.Fui um idiota naquela noite. Com passos lentos. ele atingiu o pequeno dormitório e hesitou antes de atravessar a porta e aproximar-se da estreita cama. Sem uma palavra. para a expressão estranha que se formou de repente no rosto bonito. .Quero beijar a sua alma. Diana procurou conter o nervosismo e envolveu-lhe o pescoço com os braços. colocou-a no chão. expondo a pele alva e delicada. A única coisa que importava era Charles. eu não sei como. .

Ninguém em Silverwood Lake recebe tantas cartas como o senhor. se é que existiam.. Ela nem se importava por todos os presentes estarem observando atentamente o diálogo. desviando o olhar. Diana quase não viu Charles nas duas semanas seguintes.murmurou. .Bem.Você nunca me deu chance.Alô.disse. Era como um objeto. Ele deixara muito evidente que a desejava.Alô! Como vai? . de repente.Nada.Se o quê? . Houve um longo e doloroso silêncio. Tratara-a tão friamente! Um homem que realmente se importasse com sua felicidade respeitaria seus sentimentos.Charles! Por que não me ama também? . Diana ouviu os passos descendo a escada e..respondeu Diana. mas via com uma clareza alarmante que não sabia nada a respeito dos sentimentos dele.Ia dizer-lhe que estava tudo bem. percebeu a enormidade daquela confissão. Só então notou a presença de Diana. -É uma bela manhã... . . . E ali estava ele.perguntou ela.Como andam as coisas na clínica? .Mas.Se duas pessoas. embora ardente e mesmo romântico. estava certa. CAPÍTULO VII Felizmente. Após conseguir o que queria. solícita pronta a espalhar as novidades para toda a vila. um momento depois. Winfield? . tornar-se frio. também a evitava.. Nada em suas experiências passadas a havia preparado para um homem que poderia arder de paixão num momento e. a ser perseguido e ganho. . isso não deveria fazer diferença se. na janela do correio da loja de Miriam MacPhee. Certa manha. Nas poucas ocasiões em que se encontraram na vila.Por favor. que nada importava porque se apaixonara por ele. vagamente. Não fez nada.Não percebe o que quase aconteceu? .Este é o problema. Mas logo resolveu a questão e saiu da loja. e faria dela uma mulher. A única coisa que passava por sua cabeça era o absurdo daquela situação. O que eu fiz? .Isso significa que você não me quer mais? . sr.Se duas pessoas o quê? . Havia uma grande possibilidade de que não fossem muito profundos. . mas sentia que Charles Winfield. . . Como poderia falar de seus sentimentos agora? Era óbvio que ele não queria mais nada. não faça com que isso fique pior do que já é . . obrigada. aparentemente.Como está. não? . Quase dissera: "Se duas pessoas se amam!" Mas. com lágrimas escorrendo pelo rosto amargurado. indiferente e distante. Ele parecia mesmo bravo. a conversa fora forçada e embaraçosa. Charles pegou o envelope destinado a ele e virou-se para sair. balançando a cabeça.perguntou Miriam. Seria infinitamente terno e paciente enquanto lhe ensinava os muitos prazeres do amor. Vinte e um anos e não fez absolutamente nada! Charles andou em direção à porta. Charles. . Diana era ingênua em relação a homens. que não havia problemas. Diana ficou atônita. Um playboy não muda de um dia para outro. repentinamente. poderia não ser capaz de amar. . Charles hesitou por um instante.Acha que eu poderia tocá-la agora? .Não compreendo. . . a porta batendo com força. Ela o amava. inclinando a cabeça num cumprimento. Nenhuma vez ouviu o barulho do barco a motor.Diana calou-se. Diana conversava animadamente com vários freqüentadores quando Charles entrou para pegar sua correspondência. . Ele a fitou e viu dor em seus olhos puros..disse. tudo ficaria diferente. saindo do quarto. . seu desejo. como se estivesse decidindo se deveria ou não falar mais alguma coisa. Raramente ia para as margens do lago e ele.O que acha que sou? Algum tipo de monstro? Devia ter-me dito antes! . em voz baixa.respondeu ele. .

por outro lado. nos “outros planos" que ele mencionara.É claro que não! . A irritação de Charles revelou-se. Que tal às oito horas? . ela ao menos poderia consultar o dr. Ela surpreendeu-se ao atender e ouvir a voz do milionário: . na clínica. e isso ela tinha de sobra. não era possível. sarcástico. não perca o ânimo. . Nunca tivera nenhum encontro naquela pequena vila.Não sei o que você tem a ver com isso! Suas mãos tremiam ao desligar o aparelho com força. Ouviu um longo suspiro do outro lado da linha e não obteve resposta à sua provocação. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz de William Sutherland. como vai a comissão de investigação da Câmara Municipal? . . enquanto batia o fone uma vez mais.A voz soou incrédula. . Provavelmente. .E então. Devia ser imaginação.Disse que era assunto de negócios. Winfield.Eu não. . mas não iria permitir que lhe falassem daquele modo. o encantamento começara a se desfazer. À tarde. Só posso pensar que necessita de cuidados médicos . . Nas últimas duas semanas.disse ela. extremamente formal e seco. instintivamente. . . Ela já não sabia mais o quanto se importava com a salvação do lago. mas não vai ser possível.Passo em sua casa para pegá-la.Sim. Diana? .Você está doente? . Mas a dor do amor era algo que não conhecera até aquele momento.. Winfield? . Onde quer me encontrar? . . sr. . . Não. Diana pensou.. Por que tivera a infelicidade de se apaixonar por um homem que não podia corresponder a esse sentimento? Quanto ainda demoraria para superar a angústia e esquecê-lo? Se aquilo fosse uma doença. .Ainda está aí. Desde o incidente com Charles..Ainda está aí. quero informar que esta é uma chamada de negócios.Mas agora era muito tarde para desfazer a mentira. embaraçada. Ainda não encontramos nada.Amanhã à noite está bem para você? Ou tem algum compromisso? . .Quero combinar um horário para nos encontrarmos e discutir as ações da comissão da Câmara Municipal. . sr. Myers.Devagar.Não é necessário! . . pensou ela com um sorriso amargo.Um simples "sim" ou "não" é suficiente. Ele poderia magoá-la muito.Antes que desligue novamente.Sinto muito.Amanhã está bem .Gostaria de saber se você está livre para jantar comigo hoje.perguntou ele. Diana cuidava de seus afazeres quando o telefone tocou. pela maneira como respondeu: .respondeu Diana.O que quer dizer? . .É claro que esta noite está fora de questão. Diana. . Continue procurando. Podia estar arrasada. Um minuto depois o telefone tocou novamente e Diana ouviu a voz zangada que se dirigia a ela: . Por que ele ligara? Que direito tinha de se intrometer em sua vida depois de ter deixado evidente não querer mais nada com ela? Tinha de admitir que aquele telefonema inesperado alegrara seu coração mas.Ótimo.Tem algum encontro? . e esta é uma clínica.Nunca mais desligue desse jeito! "Já é tempo de alguém dar uma lição nesse homem". Quando seria conveniente para você? . sabia.Diana desejou que ninguém percebesse a dor que sentia. respirando fundo para conter o nervosismo. Ouviu a campainha pela terceira vez.Sim.Certo.. o único remédio seria o tempo.O quê?! .É claro. com o tom mais suave que pôde dar à voz. Você já disse que tem outros planos. O negócio se refere à minha propriedade. começara a sentir-se confinada naquele lugar e se perguntava se haveria futuro para ela na vila.Bem.perguntou ele. . que seria um erro ceder a Charles. Charles parecia estar com ciúme.

perguntou Sara..Não acredito! . Diana estava distraída. Após o trabalho. . Diana? .. Mudou rapidamente de assunto: . . Helga e Sara continuavam a ajudá-la.Mas o que é isso? .É da década de 20. ao menos. “Mas o que está acontecendo. afinal?".Acho que encontramos o que procurávamos. a vida era simples e sem problemas. para testemunhar o olhar daquele homem quando percebesse que o dinheiro nem sempre pode comprar tudo. . Mas o que posso fazer? Minha mãe não me deixa esquecer quanto dinheiro gastou nele! De qualquer modo. com cuidado.Então você quer contar a ele pessoalmente. .. Antes.indagou Sara.Um vestido . E aposto que algumas pessoas vão ficar muito surpresas. Diana. abraçando as duas amigas.perguntou Helga. Após essa conversa.O que você achou? .Por quê? . num tom de voz que não aceitava recusas. estou ficando cansada de usar a mesma roupa todos os anos. .. com curiosidade. enquanto se refrescava com um lenço de papel umedecido em frente ao espelho. .Você vai usar o vestido de festa do concurso de Miss Estado de Nova York outra vez..Um desses trajes delicados. que ela analisou atentamente. Nunca o usei.perguntou Helga. Daquela vez.disse Diana. . não é? Diana corou. Helga. Desde que Charles Winfield retornara a Silverwood Lake.Por que não desiste de tentar encontrar esse maldito registro antigo que sequer sabemos se existe.quis saber Helga. Havia vários papéis dentro.Façam-me um favor. .Porque nós nos conhecemos desde crianças e eu gostaria que. mas ele a ferira tão profundamente que ela queria dar-lhe o troco. Não havia as violentas incursões nas águas obscuras da paixão. além de bonita. no banheiro da clínica. abrindo. . vocês conservassem isso em segredo por algum tempo. .". Diana? . conte sobre o seu vestido. remexendo as velhas caixas empoeiradas.Bondade sua.Sim. bocejando. ao menos seu mundo era seguro e calmo. . Belga? . Não podia esperar até ver a expressão do rosto arrogante de Charles ao descobrir a existência daquele precioso documento. Diana pensou.Mas é um vestido lindo! Você fica tão bonita nele. . . "Principalmente uma..Se quer mesmo algo interessante. . Diana nunca fora vingativa.. ambas tinham horários praticamente iguais aos de Diana.O que você vai vestir no Baile da Colheita. Ela não ouvia a frívola conversa. Olhava.Está brincando! Então ele realmente existe? . . Diana não conseguiu mais concentrar-se no trabalho.Não entendi. perguntava-se ela. Sabe o que é um acordo restritivo? . para um documento amarelado. aproximando-se. ele não iria ter o que queria. Como professoras. em nome dessa amizade antiga. ela não fora capaz de pensar direito. Parece que a tia de minha mãe gostava de andar na moda. Embora às vezes se sentisse sozinha.Disse que vou passar em sua casa amanhã às oito horas! . Aqui está. tentando descobrir o conteúdo do envelope.respondeu ela. O que foi? . alguém está com fome? . Francamente. Desejava ser a portadora das notícias. .Você acha que ele sabe dançar polca. zangada. Diana passou mais tempo que o habitual no escritório de registros. . Nunca vi tantas loiras com sobrancelhas negras! Diana a ignorou. Não falem a ninguém a respeito desse documento até as oito horas de amanhã à noite. atônita. querida? . . vocês duas. era esperta.perguntou Helga. enquanto observava um envelope fechado. veja esta foto das novas estrelas de cinema de 1951. Sara. . quando seu coração ainda estava adormecido. Será que Charles Winfield vai aparecer no baile? . Sim! Conseguimos! .Ei. com decote alto? . Pela primeira vez pensou em como Charles reagiria àquela beleza loira e sentiu uma pontada de ciúme.Ele foi d minha tia-avó.Este pedaço de papel vai salvar o nosso lago! .O que haverá aqui? .Você é professora de estudos sociais.falou Charles.continuou Sara.Acho que vou ter que usar aquele de chiffon azul o resto da vida! . um dos lados do envelope.Parece fabuloso.perguntou Sara.

Responda à minha pergunta. trancado no escritório de registros.E o que veio fazer aqui àquela hora? . Após colocar sobre a cama metade do conteúdo de seu guarda-roupa. Embora soubesse que não se tratava de um encontro. zangada. Diana! Ela deu de ombros. Diana começou a sentir o coração batendo mais forte.Espere até descobrir.Combinaram ir até a lanchonete comer hamburgers com cerveja. caindo em ondas suaves sobre os ombros. por um vestido vermelho de tricô. Sentia-se muito bem ao subir a escada em direção a seu quarto. com indiferença.Essa não é a questão.Boa noite para você também! Charles respirou fundo. Não jantavam juntas desde os tempos de escola e divertiram-se bastante. além do mais.Não posso entender por que isso lhe interessa. um dos seus favoritos. . Diana decidiu-se. Ela. dia marcado para o jantar com Charles. Eu vou lhe contar tudo! . Charles permanecia imóvel. com detalhes contrastantes em branco no decote e nas mangas e comprimento até os joelhos. finalmente. . Charles Winfield. . é melhor deixarmos tudo como está. mas usara-o poucas vezes. Talvez não tivesse escutado bem. com expressão sombria e desconfiada. Charles a visse como uma mulher atraente. . na noite passada? Era a última coisa que Diana esperava ouvir. Charles tocou a campainha exatamente às oito horas.Por que não esquecemos isso? Se quer mesmo sair comigo. uma jaqueta marrom de couro macio e calça bege.Ouça o que eu lhe digo: não lhe devo explicações. Seus olhos fitavam-na duramente.Já lhe disse que não é da sua conta! . . tarde da noite.Ah! Que interessante! E qual é a questão? Diana fez um movimento para pegar o casaco e ele segurou-lhe o braço. . Era justo.exclamou ele. com força. Tinha de admitir que gostaria que. tenso. observando cada detalhe da aparência de Diana.Perguntei onde você esteve na noite passada. cada vez mais nervosa com o jeito dele. O tecido macio delineava perfeitamente suas curvas. . Charles Winfield! Não preciso prestar contas de meus atos a você.Como? Charles apertou os olhos. por favor? Diana pegou o casaco e colocou-o sobre os ombros. Diana voltou mais cedo para casa. Já estou ficando cansada dessa conversa.Aonde você foi. resolveu encará-lo e dizer de maneira sarcástica: . tomou um bom banho e vestiu-se com muito cuidado. Isso era importante para que ela pudesse manter a autoconfiança e.Não vamos a lugar algum até que você me conte o que fez na noite passada! Ela soltou o braço. Tinha-o desde o tempo de faculdade.Seu carro não estava estacionado em frente à casa quando passei por aqui. Entrou relutante e ficou em silêncio. sem os velhos jeans e as eternas camisetas. Charles acendeu um cigarro.Com quem você saiu ontem? Ela voltou-se para ele. Era um desses trajes caros que apenas ele poderia usar com aquele ar de displicência sofisticada. sem intenção de se mover. Helga está certa. mas de um compromisso profissional. fixando-a com ar inquiridor. queria que sua aparência fosse a melhor possível. . naquela noite. . . CAPÍTULO VIII Na sexta-feira. . Vestia. . havia uma questão de orgulho envolvida. Emoções conflitantes dominaram o coração de Diana. Diana perdeu a noção do tempo e à meianoite estacionou o carro em frente a sua casa.Claro que é! . . O valioso documento estava perfeitamente seguro. daquela vez. Já passava muito das onze horas. . .E desde quando isso é da sua conta? . Podemos ir agora. vitoriosa. Decidiu deixar os cabelos soltos.Quem é ele? .disse.

. como você me odiaria por terlhe tirado a inocência! Mesmo contra a vontade. Ele soltava baforadas de fumaça.Sim.Porque essa situação não se repetirá.Você está fazendo muitas suposições.Ele tocou em você? Diana não conseguiu esconder a surpresa.Acredite. sr. Não conseguiu evitar as palavras de dor e frustração que lhe saíram da boca: . Nunca! Charles acariciou-lhe os cabelos. está me ouvindo? Nada! .É o mínimo que você me deve. Nada me faria parar. . Ele segurou-lhe o pulso com força.Você já me ouviu admitir que... Diana.Acha que eu poderia viver em paz comigo mesmo. com ar cínico.Não pôde esperar. . . em desalento.Não é necessário. Com um gesto terno. amargurada. . Sua voz era estranhamente triste: .Não sei se devo acreditar em você.. caminhou para perto dela e segurou-lhe o queixo. limpou uma lágrima que corria pela face.Não seja ingênua! Não vê que é só olhar para você para saber a verdade? Ela tentou.. Ele apagou o cigarro que se consumia entre seus dedos. . que nunca. Nunca quis feri-la. Na verdade. Diana não podia acreditar em seus ouvidos. .. Era demais. Ela desviou o olhar.Por quem você me toma? Nunca havia visto o olhar de Charles tão duro. sereia? Nunca pretendi causar-lhe dor. . Não posso suportar a idéia de fazê-la chorar. querendo saber o que faço e me acusando sem motivos! As lágrimas rolavam pelas faces pálidas. Já não podia mais suportar aquilo. com a expressão ainda sombria. .Como você ousa esperar qualquer explicação de mim? . Furiosa. Não importa mais. Quando Diana finalmente levantou a cabeça. eu nunca afirmei que era virgem. .Vocês fizeram amor? A voz era cortante como uma lâmina. meu amor. . impossível agüentar tamanha arrogância. sabendo ter estado com uma menina virgem? . Sei que a machucaria. Winfield! . Charles deixou a mão cair ao lado do corpo. Você imagina o que uma coisa dessas significaria para mim? Como eu teria me odiado! E. . E me agradeça por isso. Diana fitou-o.. percebeu que a expressão de Charles estava extremamente sombria.. inutilmente.Como pode dizer isso? Não foi suficiente vir até aqui e perturbar a minha vida? Não foi o bastante dizer que me queria e depois me rejeitar? Agora você entra aqui como um louco. . eu não poderia odiá-lo. você me odiaria.Não. . confusa. Eu me importo com a sua felicidade. Não chore.Acha que devo agradecer por isso? . soltar-se.E por quê? A voz de Charles soou distante e tensa: . princesa.O que importa para você? Ele balançou a cabeça..Meu Deus! O que fiz com você.Você não pode saber de nada se foge das coisas. Diana fitou os olhos cinzentos que deixavam transparecer toda a dor do mundo.. não é? Teve que ir correndo para os braços de outro homem! Será que ele pensava mesmo isso? Como se ela pudesse permitir que qualquer outro homem a tocasse após conhecer o intenso prazer dos beijos de Charles! E agora ali estava ele. Eu não teria sido suficientemente carinhoso. . Diana sentiu o corpo todo tremer. Eu fugi.O quê?! . pequena Diana. Houve um longo silêncio. Ele a soltou e afastou-se. .Foi exatamente o que aconteceu. Diana não pensou em contar até dez para evitar a explosão. sereia. Dessa vez. pior ainda. acusando-a de algo que não fizera. não me conteria.O que você está dizendo? . Mais alguns minutos e seria tarde demais.Não lhe devo nada.

Charles observou-a com curiosidade. Além disso. mas não disse mais uma palavra. “Acabou.O que você quer? Ela não tinha muita fome. arrumada com toalha de linho e copos de cristal.. Os contratempos em sua casa haviam-lhe tirado todo o apetite. Ela olhou em volta para os outros freqüentadores. mecanicamente. Tinha que esquecer as palavras de paixão. Lentamente.Pensei em encontrar um local sossegado. . Muito bem. Demoraram quarenta e cinco minutos para chegar a um pequeno restaurante na cidade vizinha de Fralinglitch.. Diana. dali por diante. imaginara que ele só queria conversar brevemente sobre o comitê e apenas isso. Acomodou-se. não é? Diana concordou. agir da forma como Charles agira. com profunda tristeza.. não sentir seu abraço. .Não há razão para não mantermos nosso relacionamento de negócios. prefiro comer mais na hora do almoço. com indiferença.. Ela forçou um sorriso. o ambiente era muito elegante. Ele sorriu. sorrindo. então. Nesse momento. Esqueceria a louca onda de desejo que os havia envolvido.Você não parece à vontade. . mostrava-se um cavalheiro. Estava um pouco surpresa por Charles pretender levá-la para jantar.É bom que se sinta assim. Diana o seguiu até o luxuoso carro prateado que brilhava à luz do luar. Ele lhe dirigiu um olhar ríspido.. as carícias. Embora de um jeito estranho. . Mas a comida aqui é ótima. É o que quero conversar com você hoje. Pouco à vontade. Ela achava-se-:muito envolta nos próprios pensamentos para iniciar uma conversa. todos muito bem-arrumados. ganharam a estrada que margeava o lago. Não vejo razão para que não nos comportemos como adultos. Um maitre com luvas brancas os conduziu a uma mesa. Torna as coisas bem mais fáceis.. Se ele podia ficar sem ela.". o que a fez tremer involuntariamente. Ele apertou as mãos de Diana. mesmo antes de começar.. Na verdade. Ouviu a própria voz. Olhe para as minhas roupas. dizer: . Para seu espanto. calma e controlada. . mas seus olhos continuavam tristes.É melhor assim. sem jeito. Ela deu de ombros. por que Diana não conseguiria continuar a viver sozinha? Deveria. seus beijos? . ele de repente esticou o braço e colocou suas mãos sobre as dela. garanto. “Acabou tudo.Compreendo. . Você gostaria disso. Charles. Embora o local fosse rústico. Amigos! Como poderia suportar estar tão perto e não poder tocá-lo. o garçom chegou com o cardápio e Charles pegou-o.Não sabia que viríamos para um lugar tão fino. Charles encaminhou-se para a porta e a abriu. Foi o que me colocou na posição em que estou hoje.Se você não está mesmo à vontade... Após vários minutos de silêncio. Negócios! Tudo sempre voltava para esse assunto.Claro. . Charles resolveu falar: . Diana sentiu-se um pouco mal vestida para uma noite de sexta-feira.Mas não há razão para que não possamos continuar sendo amigos. podemos ir a outro lugar. na cadeira. . Diana. . Não viu o jeito como o garçom me fitou quando entramos? Passei a vida toda sem me importar com o que as outras pessoas pensam a meu respeito.Algo leve.Eu sei. Charles consultou o relógio de pulso.Você está certo. Por alguma razão. para que ela passasse.Como quiser. Temos que entrar em algum tipo de acordo sobre a comissão da Câmara Municipal. acho que este ambiente combina com você. os beijos. . . . para jantar e conversar. pensava Diana." Como Charles podia julgar-se no direito de decidir aquilo sozinho? Acreditaria mesmo que era o melhor a ser feito? Será que ele era tão sensato e ela tão inacreditavelmente ingênua? O mais triste era que Charles parecia mesmo acreditar que fazia a coisa certa.

é mentira! Diana ficou mais surpresa ainda. mas por alguma razão aquela noite era diferente: a bebida a ajudava a relaxar. uma espécie de solidão. Está tudo nos jornais de Nova York. . A comida.Nós sabemos. .Em que devemos acreditar? Você vem à nossa cidade e começa a comprar cada palmo de terra.Sim. .Ouça.. num gesto que deixava transparecer irritação.Não é segredo.. Estava muito nervosa para ter consciência de qualquer coisa além do fato de que o homem que amava encontrava-se sentado à sua frente e o único assunto pelo qual se interessava era saber se a Câmara Municipal estava em posição de colocar qualquer obstáculo a seus planos de adquirir mais terras. Charles baixou o olhar. Ou está querendo dizer que tudo o que lemos nos jornais é mentira? .Houve uma eleição especial em maio.. certo? Houve uma pausa perturbadora..Sua confiança em mim é comovente! . .E você acredita em tudo que lê? O fato de essa notícia ter sido publicada num jornal faz com que ela seja verdadeira? .Complexo industrial. apoiando o queixo nas mãos. ..Nunca ocorreu a você que posso ter outros planos para as terras? . .Charles continuava a perscrutar o enorme cardápio. . Ele apagou o cigarro com força.O que a faz pensar que eu tenha decidido montar um complexo industrial logo aqui? . Charles. inclinou-se para a frente. após a morte de um dos membros. se pensa que pode levar isso adiante. sr.Não importa. Você está sempre querendo supor o pior e não acreditaria em mim. parecia não ter sabor. Sabemos tudo sobre o complexo industrial que pretende construir aqui.De que planos você fala? . Winfield.Não sabia que você era membro da Câmara Municipal. Sentia um novo tipo de vazio. nossas suposições são extremamente lógicas. Ele a encarou. incrédulo.. . . confuso. finamente preparada. Charles acendeu um cigarro e tragou profundamente. sereia.E então você supõe que eu faria algo tão insensível como destruir a paz dessa cidadezinha. Esperava tudo. Pensaria mesmo que o povo de Silverwood Lake era tão ingênuo a ponto de não descobrir seus planos? Charles balançou a cabeça. tornou-se evidente para Diana. Mas você. Raramente bebia. a diferença entre ser uma pessoa comum e um homem rico e poderoso. subitamente. Por que teria que ser justamente aqui? . . pagando bem mais que o valor de mercado. . . O cigarro caiu dos lábios bem desenhados. acostumado a dar ordens.O que mais motivaria um homem de negócios? .Devo lhe informar uma coisa agora.Frente aos fatos. no lago? Você está louca? . Charles Winfield: a Câmara Municipal nunca aprovará seus planos. sim. Por fim.Não. Diana pensava no que dizer. Diana mal percebeu quantos copos de vinho tomou. há muitos lugares neste mundo onde eu poderia construir meu império. Embora Charles fosse uma excelente companhia e se comportasse de maneira extremamente polida. Diana não podia compreender por que ele parecia tão chocado. Então Charles esperava que ela acreditasse em tudo que dizia? Quem ele pensava que era? E por que a julgava tão ingênua? . Mostrava-se tão à vontade no restaurante que. a tensão entre eles era óbvia.Gostaria que eu escolhesse? Essa era uma coisa que ele sempre parecia fazer.Que tipo de planos? . certo? É isso que pensa de mim? Diana ficou confusa e surpresa com a reação dele. Isso não é incomum para uma pessoa de sua idade? Diana tomou outro gole de vinho. menos aquilo.Então você foi eleita para o cargo. Nada em você parece. Ela nem saboreou o coquetel de camarão e o filé chateaubriand que Charles pediu. .Não sei. coerente.

Tem certeza? Ou estamos discutindo algo totalmente diferente? Não estamos falando cada um de uma coisa? Diana tremeu. . novamente. Só foi acordar quando estavam em frente à sua casa. Só é preciso que acredite em mim. teria esclarecido esse pequeno equívoco há mais tempo. um acordo restritivo.É um prazer ouvir isso. . Felizmente.Está falando a sério? . Diana o olhava com espanto. . A leve melodia orquestrada invadia o ambiente. Charles deu de ombros. Nem mencione esta palavra na minha frente. . . sorrindo de orelha a orelha. a terra foi passada em escritura para uma sucessão de proprietários. Seus lábios tremiam com o esforço. vários advogados me informaram que é perfeitamente válido. Depois. .Mas.Sr.Do que estamos falando agora? Pensei que nossa discussão se relacionasse à Câmara Municipal e à comissão. fitando-a de vez em quando. o vinho já fazia efeito e a deixava descontraída a ponto de manter o controle. . sonolenta. ela não tinha como saber.. que foram deixados de lado especialmente para este propósito. as mãos quentes sobre as dela. Charles havia colocado uma fita cassete onde gravara Debussy. Podia ver Charles do outro lado da mesa. há mais de cem anos. no banco confortável.. Charles inclinou-se para a frente. Charles. .A resposta ríspida assustou até mesmo a ela. Talvez um dia eu lhe conte.. no entanto.Não há o que entender.Como pode ficar satisfeito? Não compreende o que significa? Não poderá mais usar as terras. Charles pousou.corrigiu ele. Pode passar a informação aos membros da Câmara Municipal . em questão de dias! Como se isso não bastasse. Diana.A última coisa que eu teria em você é confiança. . e tentando se controlar ao máximo. tentara embebedá-la e agora ela nem conseguia raciocinar direito! Charles esforçava-se para não soltar uma risada. e com sua própria paz.E é isso mesmo.Encontramos um velho documento. Diana então percebeu o quanto estava tonta. mantinha a atenção na estrada.... O único barulho vinha do equipamento de som do carro. Num desses olhares ela virou a cabeça e concentrou a atenção na paisagem. relaxou e adormeceu. despreocupado. qual seria a razão.Sr. .Você estava dizendo algo sobre um acordo restritivo? Então ele pensava que tudo não passava de brincadeira? Louca da vida.Continue . Diana.ao dizer isso. sabe o que é um acordo? Digo. .. ..Devo assegurar que.pediu ele. Diana concentrou-se para se expressar corretamente: . . Com exceção dos dois acampamentos infantis. . . Quanto a Charles.Seriíssimo. pelo menos aparentemente. Quanto tempo esse efeito ia durar. enquanto Diana se recostava.Mas eu não entendo. Muito particulares para discutir com qualquer pessoa.. Aquele homem tinha acabado com a paz da cidadezinha. Se eu soubesse que todos estavam tão ansiosos. Winfield..Será que posso confiar? . ontem à noite. não pretendo fazer nada para violar qualquer acordo ou beleza natural de seu maravilhoso lago. Diana ficou furiosa. como se achasse estar diante da coisa mais divertida do mundo.Se eu um dia lhe contasse meus verdadeiros motivos para querer as propriedades.. Nunca bebera tanto em toda sua vida. Foi escrito pelo primeiro dono das propriedades. . A maneira como aquele homem parecia capaz de ler sua mente era assustadora.Já lhe disse: meus motivos são pessoais.Garanto que sim. .Charles . Ele a silenciou colocando um dedo sobre seus lábios. embora o documento seja velho. . Voltaram para casa em silêncio. . mas não agora. você não acreditaria.Isso é tudo? . agora. com a condição de que fosse usada apenas para residências particulares. .

Gosto de você? Oh. hein? . tão protegida.Não há de quê. Os lábios de Charles tocavam-lhe o pescoço. Diana tremeu quando ele lhe desabotoou o sutiã.Oh. . . de repente. aprovando. sabe? . . surpreso.Isso significa que ainda gosta de mim? . deslizou as mangas vermelhas sobre os ombros. . provando-lhe a doçura. chegamos! Hora de levantar! Ela voltou a acomodar-se no banco.Ótimo.. tão adorável! Estaria mesmo ele dizendo essas palavras carinhosas ou era tudo parte de um sonho maravilhoso? . ela sentiu um roçar de lábios na testa. O colchão balançou levemente quando ele foi sentar-se a seu lado. liberando os braços e a pele clara do peito. sem ligar muito para as palavras de Charles. Com um movimento suave. . os ombros. Charles levou-a para o quarto.Tão linda! Com as mãos. Mexia-se ritmadamente sobre ela.. E os lábios carnudos desceram sobre os dela com grande ternura.murmurou ele. feliz. Podia sentir que ele a carregava escada acima e. . sedosos.E você beija bem. .. . Livrando uma das mãos. pressionando-a contra o colchão e correndo as mãos pelos quadris bem-feitos. aconchegava-se ainda mais àquele peito forte e quente.Diana.. Envolveu-lhe o pescoço com os braços e ele gemeu. A boca então se apossou de um dos mamilos. . Charles acariciava-lhe os seios até fazê-la gritar de prazer. . querida. Diana continuava sonolenta. . começando a sentir o mundo rodar. a cada passo. pode me ouvir? . para eu levar para casa esta noite. colocou-a na cama e tirou-lhe os sapatos. a curvatura do peito.E precisava? Ela respirou fundo.É mesmo? .Você não trancou a porta de novo. em toda sua vida.Dê-me apenas um beijo. diga isso outra vez! Ele colou os lábios nos cabelos castanhos.. Nunca se sentira tão tranqüila.. Carregoua até a porta da casa. Ela podia sentir o calor daquele corpo contra sua pele macia. mas não ficou embaraçada. é bem mais que isso! Minha linda Diana! Charles inclinou-se sobre ela e a envolveu nos braços protetores. A voz chegou muito perto de seu ouvido e. .Dorminhoca.Acho que vou precisar ajudá-la. Ela continuou.Eu gosto de estar com você.Diana! A voz clara e profunda de Charles tirou-a do sono.Minha linda Diana! Tão suave. . com a falta de inibição que apenas a combinação do vinho com a extrema letargia pode produzir: ..Sereia.. Você está bem? Ele abriu a porta e deu a volta no carro. tão aquecida na força daqueles braços! Sentia o couro macio da jaqueta e o calor da pele dele em seu corpo. procurou o zíper nas costas do vestido e abriu-o. Ela murmurou o nome só para certificar-se de que ele realmente estava ali.. Diana gemeu baixinho e correspondeu sem reservas...Sereia. Charles a pegou nos braços e tirou-a do carro. ..Sereiazinha! Você diz coisas tão doces! . .Posso.É. . sereia. Ela bocejou e fechou os olhos.Acho que foi o vinho que lhe deu tanto sono...Obrigada. Estava tudo tão bem. mas muito mesmo! . tão certo. Gosto muito. .Charles.. Ela sentiu-se tão bem. Antes que ela pudesse protestar.. expondo os seios perfeitos..

Nunca havia prometido nada. a tranqüilidade da cena foi perturbada pelo barulho de um motor. Além disso. notou outro passageiro: uma jovem loira e alta. A língua úmida continuava saboreando o bico do seio.Boa noite. Poucos momentos depois soou o barulho violento do motor do carro.O que estou fazendo?! Com um movimento rápido.. Os raios do sol do meio da tarde eram gostosamente quentes. Diana percebeu vagamente seus passos descendo a escada. como sempre. Aquele sábado foi particularmente agitado. os acontecimentos da noite anterior pareciam sair de um sonho enevoado. causando uma profunda sensação de prazer. nesse exato momento. sereia. se é que isso era recomendável? Ou seria o amor uma ocorrência mútua e instantânea? Ela pensava nessas questões estendida na areia. fazia dois anos que não comparecia à festividade. . você também pode ser tão fascinante quanto eu!" A mulher riu e sua voz soou mais alto que o barulho do motor. Pressionava os cabelos curtos dele contra o peito. Sentia uma emoção diferente quando seus olhares se cruzavam e. Não! Queria acreditar! Mesmo quando a expulsara de seus braços. Mesmo a distância. Com uma exclamação torturada. Seria verdade que nunca tivera a intenção de transformar aquelas terras verdejantes num cinzento e poluído complexo industrial? Ele jamais lhe mentira. Podia lembrar-se da mãe no carro de Pete. de dor. ela passou a achar doloroso participar de acontecimentos em que ambas se haviam divertido tanto. Ela chegou até a duvidar de que havia ocorrido algo. embora aguardasse ansiosamente pelo baile. nunca lhe dera falsas esperanças. de óculos de sol e camiseta esportiva. De repente. Charles levantou a cabeça. vestida. Suspirou e tentou não pensar no assunto. embora ele a rejeitasse. cantando velhas canções a caminho do salão. À tarde. de uma forma ou de outra acabava voltando. o Baile da Colheita. mas. pela primeira vez nas duas últimas semanas.Charles! O que é isso? . mas a memória dos beijos apaixonados voltava à sua mente a cada momento. Não havia mais ninguém para acompanhá-la e. a essa altura. vindo desde a morte de seu pai. ela já estava profundamente adormecida. Diana saiu para andar nas margens do lago. Pete viria para levá-la em seu carro. Era isso que a paixão significava? Sabia agora qual o verdadeiro sofrimento . Alguma coisa especial e rara. mesmo com sua falta de experiência. era bom não ter que se preocupar em voltar para casa sozinha. Saiu do quarto e mergulhou na escuridão do corredor. Aqueles do tipo: "Ao usar este perfume.. Como todos os anos. Não vou deixar nada acontecer. Mas. Então Diana sentiu que seu coração se estilhaçava. Já era um costume antigo. Mas. .Charles? . Diana nunca se sentira assim.. A explosão resultou em fragmentos de desilusão. rolou para longe dela e para fora da cama. mas. CAPÍTULO IX Quando Diana acordou. mas parecia irradiar-se em todas as direções. Então. Pensava no que Charles lhe havia dito no jantar. Seu coração disparou ao vê-lo. Estava um pouco nervosa porque. Diana viu Charles virar-se para ela e fazer um gesto afirmativo com a cabeça. Diana apoiou-se nos cotovelos e avistou o elegante barco de Charles. possessivamente. Que lhe diria acerca de Charles Winfield? Que fazia uma mulher quando estava apaixonada e o sentimento não era recíproco? Quanto se devia esperar. a loira inclinou-se sobre ele e cochichou algo em seu ouvido.Calma. embora tão velha e instintiva como o tempo. com jeans e camiseta. Diana sabia que existia algo entre eles. nunca desejara estar tão perto de alguém. Era o dia do evento mais importante da vila. Durma e esqueça o que aconteceu. ele sempre fora honesto. que ambos podiam ou não decidir procurar e alimentar até o fim. mesmo que houvesse. usando um reduzido biquíni preto. querida. Diana não poderia pensar em alguém melhor que ele. Após a morte da mãe. Gostaria que sua mãe ainda estivesse viva para lhe dar alguns conselhos. desejando uma intimidade nova e misteriosa. envolvendo-o com um braço. com os cabelos escuros despenteados pelo vento. Não sabia ao certo de que parte do corpo vinha aquela vibração. Diana pôde ver que a moça tinha uma beleza estonteante. Parecia ter saído de um anúncio publicitário de revistas femininas.

Mary. era justo e revelava uma boa parte das pernas.O que há de tão engraçado? . Prendeu os cabelos castanhos e os enfeitou com uma faixa prateada em torno da cabeça. tinha os olhos abertos. Como ele podia agir assim? Na noite anterior. com rendas e contas peroladas. Seu destino a fizera envolver-se com um poderoso contrabandista de bebidas no Brooklyn. Casou-se com ele tempos depois e nunca mais voltou para casa. ouvira alguém dizer: "Parecer bonita é a melhor vingança!" Talvez isso estivesse certo. Em certa ocasião. Diana resolveu arrumar-se da melhor maneira possível. porque era muito pequena para a mãe de Diana e também porque era muito sofisticada para que ela o usasse. nunca usara qualquer coisa mesmo remotamente sexy. nunca usara o vestido que lhe deixara sua tia Celeste. explodiu numa gargalhada. para o Baile da Colheita era perfeito! Era a mais elegante peça de vestuário que Diana já vira. Estava terrivelmente decepcionada. Mas. Tentava tirar da cabeça a imagem de Charles e da loira.Bem. apesar da solidão. Sentia um estranho entorpecimento no corpo inteiro. Seus seios delineavam-se claramente sob o tecido fino. Não queria o amor. quase afastando a tristeza. garotinha comportada! Quando Pete. O comprimento acima do joelho e o profundo decote nas costas davam-lhe um charme todo especial. havia fugido atrás das luzes de Nova York numa época na qual esse tipo de comportamento era visto como bastante repreensível para moças do interior. Havia Pete. aquecia-se diante de uma nova chama. Nunca em sua vida experimentara um momento de tamanha tristeza.do amor. estando em companhia de outra mulher. Ela vira apenas o que quisera ver. . Brilhava em centenas de tonalidades azuis e prateadas. todo de seda. .. Diana cobriu o rosto com as mãos e começou a chorar. tomou um longo banho. enfim. uma pessoa muito livre e segura. Agora tinha que encarar a realidade: não significava nada para Charles. Diana olhou seu reflexo no espelho. Era apenas outra diversão entre as muitas do playboy. mais tarde. ao saber que era virgem? Seria por que ele tinha consciência de não poder ligar-se a nada além de umas poucas noites de paixão? O barulho do motor tornou-se mais forte e Diana agradeceu aos céus por haver alguns arbustos ocultando-a. deslumbrada. seria uma bela noite. Quantas dezenas de nomes poderia citar? Sim. Charles Winfield não queria nenhum envolvimento além do físico. o famoso distrito da cidade de Nova York. preparando-se para o baile. agora. Agora. Era difícil acreditar que um vestido de quase sessenta anos pudesse parecer tão novo e tivesse um efeito tão bonito. em voz alta. Em primeiro lugar. Esta. o barco desapareceu de vista. Como pudera acreditar ser diferente? O que a fizera pensar que era importante para aquele homem? Estaria ainda tentando reviver o velho sonho. que também tentavam divertir-se. Miriam. Não podia evitar as lágrimas nem os soluços convulsos que lhe agitavam o corpo. finalmente. Calçou as delicadas sandálias de salto alto que haviam sido de sua mãe e observou-se criticamente no espelho. menos de vinte e quatro horas depois. quando tudo era proibição. vestido com terno bege e chapéu. Como muitos vestidos dos anos 20. a havia acariciado com tanta ternura e quase não conseguira conter o desejo. William. Lembrou-se de Sara e Helga. no qual uma sereia vinha das águas escuras para salvar um príncipe que se afogava? Tudo fora uma ilusão. Às seis horas. Pensou em todas as pessoas de que gostava em Silverwood Lake e em como seria maravilhoso vê-Ias juntas na grande festa. Não podia permitir que nada a estragasse. pois se sentiria humilhada se Charles notasse sua presença. Desejava ardentemente que ele não pudesse vê-Ia. Nunca vestira algo tão sexy em sua vida. Uma sensação agradável começou a dominar-lhe o coração.Não! Isso não vai arruinar minha noite! . Agora. Como a velha tia morrera há apenas seis anos. entrou e olhou para ela. Seria por isso que queria ver-se livre dela com tanta decisão? Poderia ser essa a razão de Charles ter ficado tão relutante em possuí-la. Linette Mueller. enviado a Linette. Aliás. Parecia outra pessoa.disse. tio Jim. no Brooklyn. Diana passou o resto do dia num estado de apatia que só a tristeza podia produzir. já é tempo de ser o assunto da cidade. Fora adolescente na década de 20.. e. a roupa nunca mais fora usada por ninguém. O vestido estava dentro de um baú deixado na casa de Celeste. em vão. sua mãe. O barulho diminuiu e. Iria maquiar-se e fazer tudo para ter uma ótima aparência. .

num gesto cavalheiresco. comandado por Miriam MacPhee. Embora parecesse mais um enorme celeiro do que um salão de baile. Quero lhe apresentar minhas amigas. rígida. o comitê de decoração. notou que uma pessoa conhecida entrava no salão. dava um brilho inesperado ao local. O sangue começou a subir ao rosto de Diana. . .Oh. . Era o homem mais alto do local. desde valsas até rock. Ela viu a expressão espantada do rosto dele quando anotou. Viu-o também desviar o olhar e encará-la novamente.Pertenceu à tia-avó dela! . muito elegante e sofisticado.Diana! Ao som daquela voz profunda. com um sorriso forçado. Diana sentou-se.Veja! É Diana Mueller? . mas não escondia a satisfação de sentirse admirada pelo homem que amava. Olhava-a da cabeça aos pés. os velhos conhecidos paravam para olhar. Aquele ano.exclamou Sara. tocando de tudo.Diana! Que pernas bonitas! .perguntou Helga. que estava por perto. num vestido em cetim púrpura. Sara Lee Hutchins e Helga Schuyler . sem descanso. Já era bem tarde quando.Ei! É ele? . ele vem para cá! . Não queria falar com ele.. embalou-se num foxtrote com Frank Ramsey e num bolero com tio Jim.Que vestido! Viu quem está usando? Foi assim a noite toda. havia realmente se superado. era o centro de todos os eventos comunitários.E riu. Charles a fitava com uma mistura de incredulidade e admiração. . Isso não ocorria por seu vestido ser mais ousado que os outros.Estou rindo porque mal posso esperar para ver quantas pessoas você vai deslumbrar hoje! O salão onde ocorria o baile. Diana teve de admitir que Charles estava mais bonito do que nunca.Miles! Que elogio interessante! Você devia usá-lo mais vezes! . não havia dúvidas.. entre tantos outros..Então por que está rindo? . acariciando cada palmo do corpo feminino com um olhar fascinado. As pessoas nunca a imaginaram de outra maneira que não a de menina recatada. Naturalmente. Pete abriu a porta para ela.comentou Miles. .Quer ver algo novo? Olhe aquilo! .Você está perfeita. Pete estava certo ao achar que a aparência de Diana causaria sensação. Mas era naquela ocasião em especial que revelava toda sua beleza. mas não era por isso que se destacava facilmente na multidão. que homem! Estou apaixonada! .Sara antecipou-se. todos sabiam que Diana nunca se importaria muito em estar bem vestida. Sentiu um nó no peito ao ver muitos dos presentes cumprimentarem Charles Winfield. feita por grande quantidade de lanternas em várias tonalidades. Por todo lugar que ela passava.respondeu ela. desculpe a minha distração. cutucando Diana. Havia três grupos musicais na festa. sentada ao lado de Helga e Sara.disse Sara. Valsou com Pete. A iluminação.Nossa. outra tradição regional. Além disso. ela levantou a cabeça lentamente. . A orquestra demonstrava muita animação. o efeito de centenas de balões e enfeites era sempre muito agradável. ligeiramente intimidada pelo calor que os olhos cinzentos transmitiam. a loira daquela tarde. . mas porque era ela quem o usava. Por que Charles não a levara ao baile? . Ele estava realmente encantado. dirigindo-se para o carro. Diana dançou todas as músicas. . o mesmo há cinqüenta anos.disse ela.Obrigada. . então ela se lembrou da outra mulher. havia enormes abóboras iluminadas e pencas de milho. Usava um terno azulclaro. Sua aparência o surpreendera.Você está linda! . não deixou por menos. . – Você devia mostrá-las sempre! Sara Lee Hutchins. Muitas pessoas estavam realmente satisfeitas em vê-la tão atraente. Centenas de pessoas já enchiam o salão quando Diana e Pete chegaram. embora ainda fosse cedo. . .Oh.Onde arrumou esse vestido? .perguntou Diana.É Diana? . entre outros adornos. querida! Absolutamente magnífica! .

Winfield. sorrindo quando Helga segurou-a por mais tempo que o necessário.. nossa amiga Helga não perde tempo. Quando ela e William começaram a dançar. Eles haviam ganho vários concursos e Diana.. Eles eram o quinto par inscrito. . .disse Diana.Fique com ele . sentindo os pêlos se eriçarem ao contato. . tinha um porte raramente visto em pessoas com um terço de sua idade.Enrubesceu de novo? Nunca conheci alguém tão encantadoramente tímida! As mãos fortes moveram-se pelas costas dela e tocaram a pele nua. atrás dela. . A orquestra começou a tocar uma música lenta e inúmeros casais começaram a encher a pista.É hora do concurso de dança. enquanto aguardava sua vez. Por alguma razão. vendo-o com Helga.Já lhe disse como está linda esta noite? Ela apenas conseguiu concordar com um gesto de cabeça. sabia que não havia motivo para ciúme.Bem.comentou Sara.. vestindo uma roupa maravilhosa que brilhava sob o foco de luz. William ficou visivelmente satisfeito.Vamos dançar um tango. Apertando-a contra si. “É incrível como pequenas coisas podem trazer felicidade a algumas pessoas. Não lhe vinham palavras à boca. Diana concordou. hein? Continua a mesma . ao deixar a pista. . Era uma sensação deliciosa ser o centro das atenções em um salão lotado. Quando a música terminou e William abaixou-a quase até o chão numa apoteose final. Quanto a Charles.disse ela. os aplausos foram estrondosos.Espero que não pense que estou sendo atirada. William. Diana deu-se conta de que nem ela conseguia mais mexer com as emoções daquele homem e seu coração se apertou. ela podia ver a figura alta de Charles observando. Pensando nisso. Antes que Diana pudesse objetar. Mas.Temos que conversar. Não se sabe de onde. muito elegante num formal smoking preto. não gostaria de dançar? Estão tocando a minha canção favorita . não parecia despertar a menor atração em Charles. já tinham em mãos o troféu. Desde criança. simpática e agradável. .. . já que a amiga era muito bonita. Seria um elogio? Ela deveria agradecer? Confusa. No entanto. ouviu-se um rufar de bateria e uma série de toques de trombone. Havia uma expressão surpresa em seu rosto. Quando essa dor iria embora? A música terminou e os dois voltaram da pista de dança. Podia parecer estranho. ele envolveu-lhe a cintura com um dos braços e levou-a silenciosamente para o centro do salão. Enquanto seu parceiro a rodava e a inclinava aos acordes do tango. Eles agradeceram e. É o nosso melhor número. o homem pegou-lhe o braço e conduziu-a à pista. conduziu-a com facilidade aos passos da música. Ela seguia os passos de William com perfeição. como se não esperasse por aquilo. Diana simplesmente corou e baixou os olhos. Contudo. . levara adiante a tradição da família.. Ainda se importava com ele e sentia-se traída pela loira desconhecida. pensou ela.disse Charles.Acho que esta é a nossa dança .Este foi o tango mais sexy que já vi. simpático e elegante nos seus sessenta anos. justamente nesse momento. nenhum tipo de insegurança a atormentava. seus pais lhe ensinaram como era essencial para uma jovem desenvolver a dança como prática social. em voz baixa: . surgiu William Sutherland. querida. no barco. olhou para Diana e falou. Helga estava encantada. . o barulho dos aplausos tornou evidente que todos já sabiam quem iria vencer. em silêncio. A razão pela qual William gostava de dançar com ela era por ser considerada uma notável dançarina na vila.. Diana cruzou os braços e observou os dois dançando. Diana! Com um gesto decidido.Eu fiz isso? .". sr.Charles estendeu a mão formalmente para cada uma das mulheres. E pensava que Charles nunca esperaria que dançasse tão bem. mas. apesar da timidez. já que aqueIa dança e ritmo lhe eram familiares. Charles dirigiu um olhar para Diana e levou Helga para a pista de dança. . sorrindo.

. por favor! . pare com isso! .Sim! A respiração morna dele arrepiava-lhe apele. Mas o que havia de surpreendente nisso? Mulheres de todas as idades o achavam irresistível. Certamente. Quando crianças. Gostaria de ir ao cinema no próximo sábado? . Charles havia parado de dançar e os observava com uma expressão enfurecida. rindo de alguma coisa que ele havia dito. Notou com um certo prazer que Sara. quando cresceram e ele foi estudar fora. Naquela época. as conseqüências serão terríveis! . Fora capitão do time de futebol e dava-se bem em tudo que tentava fazer. querida.Charles! . Se tivesse quinze anos.Claro! Vamos lá! . observando o salão. Tudo em seu corpo é perfeito! Felizmente.Como? . uma voz vagamente familiar interrompeu-lhe os pensamentos: . uma festa para os sentidos.Se você não dançar a próxima comigo. Agora. mas foi abordado por Miriam. Era a maneira de ele olhar. Não podia evitar. .surrou ele em seu ouvido. perderam o contato. aquele cheiro tão masculino que o distinguia de todos. Diana não sentia a menor atração por ele. . Era a versão masculina da irmã: bonito. também estava fascinada por aquele homem. não hesitaria em aceitar. a verdade era que Diana se mostrava relutante em começar qualquer relação com outra pessoa. E vinha dele aquele delicioso perfume.Ora. Charles encostou o rosto nos cabelos de Diana. Os olhos de Diana dirigiram-se para Charles e Miriam. finalmente. Diana finalmente relaxou. por fim. A propósito. . o irmão mais velho de Helga. Sentou-se a um canto.Gostaria de dançar? Ela levantou a cabeça e viu os olhos azuis de Ricky Schuyler. .Como fui tolo! Mas sempre é tempo de corrigir erros. peço a atenção de todos. seria bom que ele tivesse um pouco de ciúme. . Ricky era um rapaz atraente. .Você está linda! .Eu não sei.Senhoras e senhores.. mas.Foi o ar condicionado.Não há ar condicionado aqui. Ela inclinava a cabeça para trás.Eu a embaracei? ..Por que nunca a convidei para sair? Diana sorriu. Ele a segurava muito perto e a garota não parecia fazer qualquer objeção a isso. Ricky era tudo que desejava. Do outro lado do salão. .ele exclamou. a música acabou e Diana pôde sair de perto dele. Diana sorriu e respondeu: . Charles seguiu-a para fora da pista. Por alguns momentos. . minha pequena mentirosa! Puxou-a para mais perto. Ainda assim.É sério. com cabelos loiros encaracolados. sempre foram amigos. o jeito de falar. Charles Winfield era. talvez para suas duas amigas o amor.Enviarei toda a sua correspondência para a China! Diana ficou aliviada por ter escapado. Quanto demoraria para que ela se libertasse do feitiço? De repente. chocada.Não devia sentir-se embaraçada. ela se permitiu levar pela felicidade daquele momento. Diana alegrou-se com essa reação. tivesse aparecido e ela desejava-lhes boa sorte. .A voz aguda de Mary Gumbler soou ao microfone. enquanto rodavam pelo salão. dançava com Miles.respondeu Diana. seu ídolo da adolescência se transformara num homem que não lhe despertava a menor emoção. contudo. Bem.Você está usando alguma coisa sob este vestido? . Ricky havia sido o rapaz mais popular do curso secundário. bronzeado e musculoso. divertida. .Talvez porque não estivesse muito interessado. Apesar de ele ser um ótimo rapaz. Ricky. para colocar tudo em termos simples. o que vai fazer sábado à noite? . Diana. agradável e esperto. Helga estava envolvida nos braços de um jovem alto e loiro. Ela podia sentir os músculos das coxas de Charles junto às suas e ouvir a batida do coração através da fina seda da camisa. .

confuso. Mas acho que todos já adivinharam sua identidade: sr. .Sinto muito. hein? .. como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.Mas. uma voz grave os interrompeu: . continuou: . agradecia aos moradores pelo apoio à festividade e apresentava o dr. onde a presidente do comitê do baile. Ouviram-se aplausos para o médico. Primeiro. O ar da noite tornara-se fresco e. . satisfeita. Parecia uma criança que acabara de ser pega em flagrante em alguma travessura. incapaz de disfarçar o bem que esse pequeno gesto lhe fazia. Um pouco mais tarde. batendo-lhe nas costas ou apertando-lhe a mão. Aquele ato de generosidade fora uma surpresa.E por que você não reclamou na hora que contei essa história? . eu não sabia que o senhor e Diana eram.Que mentirosa! Charles tirou seu casaco e colocou-o nos ombros dela.. O que vou dizer será breve. . para que eu o preenchesse com a soma necessária para. sem se dar por vencido. . mas não foi muito feliz. juntamente com a arrecadação da rifa. . Neste ponto. Graças.Você não mudou nada. Charles Winfield! O foco de luz passeou pela multidão e pousou no rosto viril.A orquestra parou de tocar e todos os olhos voltaram-se para o palco. Diana podia afirmar que Charles estava embaraçado pela atenção e pelos aplausos. que queriam agradecer-lhe pelo gesto.Charles rebateu.Como ousa inventar uma história dessas? . deixando Diana sozinha com o playboy. à maravilhosa contribuição de vocês à rifa. Que tal? . .. que preferiu ficar no anonimato.Eu?! Ela não escondeu o espanto diante da mentira de Charles que. colocou o braço em torno da cintura dela. cessado o barulho.Gostaria de lhes contar algo muito importante. a orquestra terminou seu último número.Sabe por que está com tanto frio? Por não estar usando nada por baixo desse delicioso vestido.perguntou Ricky. . O médico teve que pedir silêncio de novo. Inúmeras pessoas dirigiam-se a ele. Winfield.perguntou ele. . e quanto a Pete? . Diana sorriu. construir a enfermaria. mas muito importante. Diana começou a tremer sob o tecido fino do vestido. . talvez as intenções dele em Silverwood Lake não fossem tão más. . Bem. abraçando-a. . amigos. aproximou-se do microfone. enquanto andavam em direção ao estacionamento. meu jovem.. porque passou a ser abordado por todas as pessoas.Obrigada .Queria agradecer aqui a esse homem tão generoso. . Algumas mulheres mais velhas até mesmo o beijavam. mas eu a levarei para casa.Tem certeza de que não a convencerei a ir embora comigo? De repente. Ricky ficou confuso.ao dizer isso.Obrigado. Há algumas semanas.Querida. levantamos mais de três mil dólares para a clínica! Dessa vez.O rapaz não conseguiu terminar a frase. fui procurado por um novo morador de nossa cidade. Depois.Quer que a leve para casa? Talvez a gasolina acabe e tenhamos que ficar parados no carro. .Já disse a ele que vou levá-la. conduzindo-a à saída. fique sossegada. . Ele levantou as mãos para silenciar a multidão e. Ele me entregou este cheque em branco.Não.. porque Ricky sempre a levava para mais uma dança. Afastou-se. quer dizer. elegante num vestido de seda lilás.Está com frio? . os aplausos foram mais calorosos ainda.. . que expressou interesse em ajudar a fazer com que a nova unidade infantil se torne realidade. você esqueceu que Pete me pediu para acompanhá-la? . Chegaram ao carro e ele abriu a porta.disse Diana. Charles tentou voltar para junto de Diana. Diana me prometeu isso. Passei a noite toda imaginando o que ele esconde! . Myers. parou e observou as pessoas que o ouviam.Sr. que era muito popular na cidade.

deu a volta no carro e abriu a porta para ela.. O calor. mas logo a loira no barco voltou-lhe à mente e ela percebeu que aquele homem. .. . Saiu em velocidade do estacionamento. ajudando-a a descer.. ele lhe comunicara sua intenção de permanecerem apenas amigos. encarando-a com espanto.. . enquanto a mão firme percorria as costas e pousava. Depois. .. Seus dedos mexiam nos botões do casaco. juro que ficarei louco. mas outra vez ela lembrou-se de que havia outras mulheres que ele desejava com o mesmo ardor. Não se deixaria levar por um impulso. .. a queria apenas por uns breves e inconseqüentes momentos. por favor! Diga-me. . No dia anterior. Ouça uma coisa: se eu a vir com ele novamente. Era melhor acabar com tudo antes que fosse tarde demais. fitando-a com ansiedade. Mais um minuto e ele a carregaria escada acima para a cama. Em menos de dez minutos parava em frente à casa de Diana. em silêncio.De quem está falando? . . Não importava o quanto seu coração e seu corpo o desejassem naquele instante. tudo estaria perdido. é? Sei. Segurou o queixo de Diana e começou a sussurrar palavras tão íntimas e sensuais que ela abriu a boca. .Não diga essas coisas! .Não ouse deixar qualquer outro tocar em você. ele a deixou voltar ao assento e virou a chave na ignição. . Sem uma palavra. Conservando uma das mãos sobre a coxa de Diana. sabe disso? A mão forte pousou nas pernas de Diana.disse ele. o homem que amava.Você é minha e pretendo tê-la! Agora! Ela não podia permitir que aquilo continuasse. .Saia de perto de mim! Deixe-me em paz! Eu não te quero! .Daquele garoto com tipo de esportista.. beijando-a com ternura enquanto as mãos procuravam a pele macia das costas nuas.Não fuja de mim. Jamais agüentaria dividi-lo com todas as mulheres que o assediavam. . não suportaria ser abandonada mais uma vez.Veja o que faz comigo.Eu quero você! Vamos embora! Relutante..Não sou como aquela.Venha aqui! Olhe para você! Está me deixando louco. querida! . possessiva.Só mais um instante. por uns momentos. O estacionamento estava totalmente escuro e não havia ninguém por perto. . bem acima dos joelhos. aquela mulher que você tem encontrado! Ele ficou imóvel. parecia querer devorá-la com o olhar.Está envergonhada? Ela não pôde responder. . Havia algo excitante e ao mesmo tempo perturbador na maneira como aquele homem a acariciava. Charles beijou-lhe os lábios e. . Mas Charles não lhe deu tempo para pensar. nervosa.Como pude ser tão tolo aponto de querer afastá-la de mim? Eu te desejo como nunca desejei alguém! A paixão contida naquela voz abalou Diana.. nervosos. Deixe-me apenas segurá-la um pouco. Segurou o rosto delicado entre as mãos. . Repentinamente.gritando. foi com ele que saiu anteontem? .Pensei que você fosse me levar para casa! . E vou puni-la por isso. Isso foi o bastante para fazê-la revoltarse. em sua casa.Está se referindo a Ricky Schuyler? É um velho amigo.Velho amigo.De quem está falando? Diana desviou o olhar. Seus braços a envolveram. Diana baixou os olhos. Charles permaneceu imóvel. Charles puxou-a para o colo e o vestido deixou à mostra quase metade das belas coxas femininas. Agora. sobre as nádegas. . princesa! Diana sorriu e entregou-se à delícia do momento. O comportamento de Charles a confundia.Entraram no veículo. acariciou-lhe a nuca. . ela esforçou-se para soltar-se das mãos de Charles. dissera palavras apaixonadas e a abandonara quando perdera o controle da situação. Afinal. com a outra mão. Sabe como? Assim. algo de momento. sereiazinha.disse. O que não a deixou um só instante na festa. Então. para tentar esconder a dor. corando e fazendo força para livrar-se dele.. do toque quase a fez desfalecer.Sua boca tem um sabor único. chocada.

Analisava a aparência dela. Ela saiu na chuva e suspirou ao pensar em quanto teria que caminhar até chegar em casa.Derrapei quando tentava desviar de você! Ela nunca vira Charles tão irritado. . Deixe-me esquecê-lo.O que queria que eu fizesse? Meu carro quebrou aqui perto. ajudando a limpar os restos da festa da noite anterior. . então. como que para se convencer. esse silêncio significava mais do que mil palavras. Tão aconchegante e tão gostoso que ela nem reparou que o motor começou a falhar e logo depois o carro parava.. Por isso. furiosa. pare com isso! O que estava fazendo no meio da estrada a essa hora? . Essa não era uma tarefa exatamente agradável. não estava surpresa com isso. Ela obedeceu. Mas seus lábios não proferiram uma única palavra.. voltou para o carro. e sua voz traiu uma amargura sem limites. pegou-a nos braços e colocou-a no banco traseiro de seu carro. A chuva caía cada vez mais forte. . Foram feitos. Ela esperou que Charles chegasse ao carro e abrisse a porta. talvez. acho que não .. . Devagar. . molhando-a até os ossos. de seu vestido e do interesse do milionário por ela. Naturalmente. começou a andar rapidamente pelo acostamento. Enrole-se nele antes que pegue uma pneumonia. se é que isso será possível". muitos comentários a respeito de Diana. considerando tudo que acontecera nas últimas semanas. também. Diana repreendeu-se.Você está encharcada! Sem esperar por uma resposta. CAPÍTULO X Diana passou a manhã no salão de baile.. Havia nela algo aconchegante. Isso não a incomodava muito..Vá embora! Charles virou-se. O temporal foi se tornando tão intenso que Diana mal podia enxergar o caminho. após ajudar a encher duas dúzias de sacos plásticos de lixo. não é? Ela não conseguia nem mesmo levantar os olhos.gritou Diana. não conseguiu ver o carro que se aproximava.Então não há mais nada para dizer.Há um cobertor aí. com a cabeça baixa. nunca mais voltasse. Havia começado a chover alguns minutos antes e agora os pingos caíam em grande quantidade.Ora. "Por favor. Viu-o afastar-se e algo dentro dela gritava para que voltasse. Uma porta bateu e logo duas mãos a seguraram pelos ombros. que passasse a noite ali. mas pôde ouvi-lo desviar e brecar com um ruído seco. .Você está maluca? Quase se matou! Se eu não a tivesse visto a tempo. Nunca havia sido tão descuidada a ponto de deixar o tanque vazio. Estava muito molhada e com muito frio para tentar qualquer objeção. que nem me deixa ver onde piso? Ele não disse nada. Para ela. porém. não volte nunca mais. . não é mesmo? Podia-se perceber nos olhos dele uma tristeza indescritível.Acho que explicações não importariam muito agora. gostoso.Eu estava perto do lago! Vi você e sua namorada no barco! Charles não disse nada. Só naquele momento percebeu que estava chorando. . que a amasse. mas esperava-se que todos os membros do comitê colaborassem na retirada da decoração e na arrumação do local. É melhor eu ir.. Diana gostava da chuva. Isso a aborreceu tanto que. duas horas depois.concordou Diana. Abaixando a cabeça para evitar que os pingos lhe atingissem os olhos. . Uma olhada no medidor de gasolina permitiu-lhe saber qual era o problema. . É minha culpa isso ter acontecido bem na hora dessa chuva.Você na certa não acreditaria em nada que eu lhe dissesse. Charles Winfield. Mas. ele soltou-a e deu uns passos para trás. Ela tremeu e apressou o passo. . a conversa girou em torno de um assunto: Charles Winfield e sua grande doação à clínica. Tive que andar. Pôde ouvir o carro partindo e. sentiu algo molhado tocando-lhe os lábios. A água escorria livremente por seu rosto.É.. Diana não respondeu. Foi então que percebeu que ele. . falava baixinho para si mesma.

Charles subiu silenciosamente a escada.Sente-se melhor agora? Estranho.Oh.O quê?! O que você acabou de dizer? Diana desviou os olhos.Esperarei aqui fora. com grande ternura. Então.Estamos mais perto de minha casa que da sua .E a respeito das torturas que eu passei? Ele a abraçou com força. até que elas caíssem naturalmente lisas e brilhantes. de felicidade.Amo você. Chame-me quando terminar. não se importou nem um pouco. depois por outra e então ela se viu num grande quarto. emocionada. vagarosamente. Mas. .. . Passou por uma porta. quase aliviada por ter finalmente revelado seu segredo.confessou ela. . as faces. Ainda estou com frio.Não. num tom indiferente. . Os móveis haviam sido descobertos e os caixotes tinham desaparecido. adornado com tapetes caríssimos e muitas plantas. . quando se lembrou.Vou livrar você dessas roupas molhadas e preparar-lhe um banho quente. . Parou o carro praticamente em frente à porta. . Enxugou os cabelos e. .Tem certeza? Ama de verdade? Colou os lábios nos dela e beijou-a com imensa paixão. Diana! Minha querida sereiazinha! Os olhos acinzentados brilhavam de prazer. e continuou: .Vou pegar um roupão. penteou as mechas com cuidado.. Era ali mesmo que desejava estar..Pois eu te amo desde aquela noite na praia. Começou a tirar-lhe a camiseta.Saiu e fechou a porta. Não houve necessidade de muitas ponderações. Tudo era extremamente simples. . .Você o quê?! Repita isso! . Charles.Está bem. . os olhos.. Charles atravessou o quarto em apenas dois passos e segurou-a pelos ombros nus. Mas ande depressa. Respirando fundo.Charles! . colocando um tampão no escoadouro. querida. Charles inclinou-se sobre a banheira.Eu não poderia fazer amor com você. não disse uma palavra. Ele se levantou. e enrolou-se numa das grandes e macias toalhas brancas que pendiam de um suporte de bronze junto à porta.ela exclamou. Apenas o observava. Apesar das inúmeras dificuldades de seu relacionamento com Charles.Ele segurou o rosto de Diana entre as mãos. sem pudor. esqueceu todos os seus problemas. quando uma criatura saída de um maravilhoso conto de fadas me tirou das águas e entrou em minha vida! Charles beijou-lhe a testa. sereiazinha. Grey House tinha uma aparência diferente da que Diana vira há três semanas. .continuou ele. e logo a levava para dentro da casa. Ela saiu da banheira. . Logo estava num banheiro espaçoso.Não quero um roupão. ao encontrar um pente de tartaruga numa prateleira sobre a pia. Esqueceu-se até de onde estava. antes que fique doente.. abriu a porta devagar e entrou no quarto. por mais que desejasse. mas só agora Diana notava os círculos escuros em torno dos olhos dele. .. percebeu que seria melhor sofrer a seu lado do que viver sem ele. Quanto a ela. . desfrutando a sensação agradável. . Charles levantou os olhos de uma revista que estava lendo. Então a ergueu novamente nos braços e carregou-a para a entrada. Charles. ..Não! Eu posso fazer isso sozinha! .Eu não acredito! Você me ama mesmo? . para que ele não percebesse a vulnerabilidade que transmitiam. Agora parecia um lar. mas ela protestou. Por um momento. Colocou-a no chão por um momento.ela murmurou. sem fôlego. ainda segurando Diana. abriu as torneiras. . enquanto procurava a chave. Após todas as torturas pelas quais me fez passar. . você ainda me quer? .Após tudo que fiz. Sua decisão estava tomada naquele exato momento. . sentado numa cadeira de balanço ao lado da janela. Avançou um passo. Eu te amo demais .Vou beijá-la até que você peça clemência. Diana afundou na água morna e fechou os olhos. Não podia pegar o que me oferecia com tanta doçura.Aqueça-me. Seria um crime me deixar levar pelo que eu tanto .Não posso evitar. A única coisa que me aquece é você.

Foi por isso que comprei Grey House. na noite em que você me tirou da água. Charles? Nunca pensei. querido. . Eu não podia suportar a idéia de que essa mágica fosse. mas não tinha idéia de como agir.disse ela. Esses quinze últimos dias foram um inferno. meu amor. enquanto a chuva caía violentamente lá fora. Coloquei-a de volta no helicóptero cerca de uma hora depois. apreensiva.Não.. Sempre alimentaria a lembrança de Charles abraçando-a e beijando-a com carinho na cama enorme.Calma... adequadas.Ê como desembrulhar um presente de aniversário.desejava antes que você tivesse certeza de seus sentimentos. . colocou-a no colo e apoiou-se na cabeceira.Aonde você vai? . Continuou a passar a boca na pele morna da barriga. poderemos viver no lugar que você escolher. sorrindo. . Charles começou a beijar-lhe os cabelos e foi deslizando os lábios pelo corpo nu. naquela noite.. . . não pude acreditar em minha sorte. não vou fazer mais nada. ele deixou que a toalha escorregasse pelo belo corpo feminino. . Eu te amo tanto. destruída por especuladores. minha sereiazinha.. e sempre terá.. Diana arregalou os olhos.Depois que nós o quê?! Os olhos de Charles brilharam de paixão.Oh. confusa. que você existia de verdade.. Há mais de um ano que nos separamos. Quero que fique sentada aqui enquanto eu lhe conto algo. Diana. De repente. Não queria nada ou ninguém se intrometendo entre nós dois. . . quando descobri que meu sonho era real. Sônia não faz mais parte de minha vida. E nunca mais consegui esquecer o que tinha acontecido.. E se ele fosse falar sobre a outra mulher? Isso destruiria para sempre seus sonhos. comprando-o.Temos tempo de sobra. Isso era muito importante para mim. Várias coisas.Eu disse.ela perguntou. Quando atingiu os seios. Naquela noite maravilhosa na praia. Aquele foi o momento mais feliz da vida de Diana. na verdade.Criaturinha arisca! Você não pode estar pensando que eu a deixarei escapar após ter demorado tanto tempo para encontrá-la. Mesmo assim ela se convidou para vir para cá. não é? Vagarosamente. Eu sabia que estava fazendo tudo errado.Sabe. acredite em mim. O lago passou a representar para mim um sonho perdido. Percebia a incrível atração física entre nós. muito feliz.Bem. Você é tão linda! .Sabe por que a deixei tão abruptamente na noite passada? Diana desviou o olhar. . . . acho que devo falar a respeito de Sônia. . suas ilusões. Não a queria por aqui.Vai brincar comigo agora? . Levei-a para passear de barco e tentei conversar com ela tão gentilmente quanto possível. . ele se afastou e levantou-se. Existem alguns mal-entendidos que devem ser esclarecidos agora. .perguntou Diana. Há cinco anos. mas também sabia que alguém muito especial havia aparecido naquela noite mágica. Este lugar teve. querida. para me salvar a vida e me fazer conhecer o amor. . Nunca estive apaixonado.Você comprou Grey House por causa. Ela envolveu o pescoço forte com os braços e puxou-o para junto da pele nua. pedindo um novo tipo de satisfação. Ele não parou de mexer com os bicos rosados até fazêla se contorcer contra seu corpo forte..Não saia daí! Nem se mova! .Há mais uma coisa a ser esclarecida: a razão pela qual tenho comprado todas as terras ao redor do lago. Eu não me importo.Em primeiro lugar. . . surpresa e fascinada.Ele sentouse na cama.. Sabia que me queria.. depois que nos casarmos. Então resolvi preservar o lago..Você vai voltar para San Francisco? .Você se importa mesmo comigo. Mas tinha que lhe dar tempo para que compreendesse o que realmente sentia.Eu acredito... . uma espécie de encantamento.Fez uma longa pausa. Não deixaria você partir depois daquilo. Charles afagava os cabelos dela. há algumas semanas. Nós vamos! E. .Por sua causa. ela gemeu de paixão. que queria fazê-la feliz. . fiquei encantado. Era ela a mulher com quem eu estava ontem. sentando-se rapidamente. . . querida. minha sereiazinha. como que para escolher as palavras certas. provocando em Diana sensações que ela nunca havia imaginado. um dia. . Diana.. Por favor. Eu sabia que sereias não existiam.

Sentou-se na cama de novo.São lindos! Quer colocá-los para mim? Ele pegou os pentes e deslizou-os com cuidado pelas mechas castanhas. ansiosa. Charles moveu o corpo forte sobre o dela. Já vou lhe dar o segundo . após o baile. mas não houve jeito.É verdade.Abra. . . podia expressar. Eram peças muito finas. . Estava feliz como nunca. Eu ia lhe dar este presente na noite passada. entregando-lhe a caixa embrulhada em papel dourado.Tenho dois presentes para você. .disse.. finalmente.Eu os comprei há três semanas. com um elaborado trabalho de entalhe. Ela sorriu. Charles! Diana levantou em suas mãos dois delicados e antigos pentes de prata.Oh. ajeitando-os.Será que ele a abandonaria de novo? Mesmo depois de todas as juras de amor? Mas Charles voltou em menos de um minuto. . FIM . quando tive que ir a San Francisco. com um pequeno pacote nas mãos. Ela desembrulhou o papel e encontrou uma caixa aveludada.. Pensei em você no momento em que os vi. . Abriu a tampa. beijando-a com todo o amor que. .Você disse que tinha dois presentes.

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