A criança na sociedade contemporânea

adolescência e juventude que tende a igualá-las à idade adulta Segundo a Convenção sobre os Direitos da Criança ³criança é todo o ser humano menor de 18 anos´ . adolescente e adulto estava firmemente estabelecida Hoje há uma nova forma social de reconhecimento social da infância.O que é ser criança O conceito de criança tal como muitos outros é um conceito construído socialmente Na Modernidade a diferença entre criança.

Os direitos da criança ± um historial A preocupação e cuidados com a infância surgem de forma definitiva nos finais do século XIX com as mudanças operadas com a Revolução Industrial Com o final da I Guerra Mundial é aprovada em 1924 pela 5ª Assembleia da Sociedade das nações a Carta da União Internacional de Protecção à Infância ± Declaração de Genebra É após a II Guerra Mundial que se criam vários organismos entre os quais a UNICEF em 1947 Em 1948 é aprovada a Declaração universal dos Direitos do Homem .

Os direitos da criança ± um historial A 20 de Novembro de 1959. a Assembleia geral das Nações Unidas aprova a declaração dos Direitos da Criança Em 1989 as Nações Unidas aprovam a Convenção dos Direitos da Criança .

Os direitos da criança em Portugal Portugal é pioneiro nesta matéria já que é um dos primeiros países a aprovar uma Lei de Protecção à Infância em 1911 Com a Revolução do 25 de Abril estes direitos são consagrados na Constituição da República como direitos fundamentais No entanto só nos anos 90 é que se verifica o surgimentos de políticas sociais com vista ao acompanhamento das situações da infância. . Em 1991 são criadas as comissões de Protecção aos menores Em 1999 surge um Diploma Legal de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo.

é obrigada a actividades ou trabalhos excessivos e inadequados à sua idade.Menores em perigo Se em 1962 se considerava que a situação de perigo tem a ver com os menores de 16 anos que ³sejam sujeitos a maus tratos ou se encontrem em situação de abandono. desamparo ou semelhante«´ Em 1999 esta situação é consideravelmente alargada e há situação de perigo quando ³está abandonada ou vive entregue a si própria. dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação e desenvolvimento. não recebe os cuidados ou afeição adequados à sua idade e situação pessoal. está sujeita(«) a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança e o seu equilíbrio emocional («)´ . sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais.

O conceito de maus tratos O conceito de maus tratos sofre. linguagens e objectivos diferentes. técnicos de serviço social. assim. assim. uma evolução e tem a ver com  As relações pais-filhos  Funcionamento da sociedade  Funcionamento das suas instituições Não há uma definição universal de maus tratos já que tem a ver com os valores dos indivíduos e das comunidades O que determina a classificação do carácter maltratante depende. médicos e psicólogos com perspectivas. mais do juízo subjectivo dos profissionais envolvidos do que com critérios objectivos até porque há uma diversidade de profissionais envolvidos que vão dos juízes aos advogados. .

O conceito de maus tratos É só na última década que a definição operacional de mau-trato inclui  O dano demonstrável (abuso físico)  Perigo/risco de danos futuros (negligência) Consideram-se. pela primeira vez os danos potenciais que por vezes não são visíveis mas afectam o desenvolvimento em várias dimensões como  A auto-estima  Auto-conceito Com repercussões no desempenho de funções na vida adulta .

E aí vemos o trabalho infantil. os seus direitos sociais reconhecidos. na maior parte dos casos. Temos adultos com dificuldade em sair do que vulgarmente se chama adultocentrismo  Pensam o mundo à sua medida e ao recordarem as suas memórias e lembranças não olham as crianças no presente e continuam a ver os mesmos como algo de seu que podem tratar como lhes apetecer. os abusos. Vivemos num paradoxo. da família ou do Estado. . as exigências. Por um lado Há alguma dificuldade em interiorizar que as crianças não são propriedade dos pais. o tratar da criança como se de um adulto se tratasse.De que sociedade estamos a falar Somos um país que tanto defende as crianças como as maltrata. É o adulto que assinala o espaço da criança de acordo com as classes sociais e género a que pertencem e esta não têm .

ditador . Segundo Lash o século XXI glorifica a juventude e diminui a autoridade dos pais que está a ser questionada. Os pais sentem-se inseguros e hesitam em impor os seus padrões ao mesmo tempo que as crianças não só adquirem o direito de ser respeitados como também exigem cada vez mais Criança . questionando o que fazem de errado A criança quer apenas ter direitos sem ter deveres. Já não se sabe mais o que está certo ou errado se se deve ou não impor disciplina aos filhos.De que sociedade estamos a falar Por outro lado Vivemos numa sociedade em que as relações entre pais e filhos se transformam Os pais perdem autoridade.

Os novos valores Há uma liberalização dos costumes que traz reflexos na educação dos filhos que se torna menos rigorosa e por vezes completamente ausente A cultura de hoje é a de evitar conflitos e suavizar o que possa ser penoso. A relação criança-adulto é permeada pela cultura do consumo na qual a felicidade se iguala à posse de bens materiais. A criança torna-se quase que um modelo para as diferentes faixas etárias principalmente se falamos de crianças a partir dos 14/15 anos. .  Os objectos que possuímos servem para demarcar relações sociais. definirem o estilo e hierarquizarem e discriminarem grupos.

. E as crianças sentem essa falta de regras e normas de conduta já que quanto mais o mundo está em mudança maior é a necessidade de se estabelecerem balizas ou mesmo rituais que os façam ancorar no mundo em que vivem. E embora seja importante a igualdade entre os indivíduos também é importante o respeito.Os novos valores Podemos inclusive dizer que há hoje um imaginário social de juventude que leva os pais a demitirem-se do seu papel de pais para passarem a ser ³os amigos dos filhos´. regras e imposição de limites. normas de conduta.

Conclusão Podemos pois concluir dizendo que há ainda muito trabalho a fazer no que respeita à mudança de mentalidades dos pais. . que saibam exprimir as suas opiniões e sejam independentes e não peter pans eternamente crianças.  Se há pais que têm de deixar de ver os filhos como objectos que se manipulam a seu belo prazer ou que sejam vistos como fonte de rendimento  Também há pais que têm que assumir o seu papel de pais e pensar que os seus filhos precisam de regras. criativos. normas de conduta e ajuda no sentido de se tornarem adultos abertos.

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