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Caderno de Direito Constitucional

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CADERNO DE DIREITO CONSTITUCIONAL

ÍNDICE
(clique no capítulo desejado para ir diretamente até ele)

INTRODUÇÃO Direito Constitucional e Constituição - Conceito, objeto,
Conteúdo E Fontes Do Direito Constitucional

Capítulo I Capítulo II Capítulo III Capítulo IV Capítulo V Capítulo VI -

Direitos, deveres e garantias fundamentais constantes no artigo 5º da Constituição Federal brasileira de 1988 Direitos trabalhistas, sindicais e sociais Direitos relativos à nacionalidade, direitos políticos e partidos políticos Da organização política e administrativa do estado e da divisão de competências Da organização dos poderes e da divisão de competências e funções Da defesa do Estado e das instituições democráticas. As intervenções

Capítulo VII - Da tributação e do orçamento Capítulo VIII Da ordem econômica e financeira e da ordem social

INTRODUÇÃO • Conceito Como falar em Direito Constitucional sem antes relembrarmos o que é o Direito? Segundo as noções mais básicas, mais primárias, temos que o Direito é um sistema de comandos, de normas impositivas, obrigatórias, que orientam os homens que vivem em sociedade e que são acompanhadas de sanções para o caso de eventual nãocumprimento das mesmas. Esse complexo conjunto de regras impostas aos indivíduos (que se denomina ordenamento jurídico do Estado) possui caráter de universalidade e de generalidade, sendo emanado dos órgãos competentes, segundo os ditames da Constituição. Relembradas estas obviedades, já podemos falar especificamente a respeito do Direito Constitucional. Tendo firmado-se como disciplina acadêmica autônoma em 1834, na Faculdade de Direito de Paris, o Direito Constitucional é o principal ramo do Direito Público Interno que estuda a lei definidora e regulamentadora da estrutura jurídico-política de um Estado; esta norma fundacional do Estado recebe o nome genérico de Constituição. Na órbita do Direito Constitucional gravitam todos os demais ramos do Direito Público1 (Direito Administrativo, Penal,

Tributário, Financeiro, Processual, Internacional Público e Privado, Econômico, Urbanístico, Militar, Eleitoral, Marítimo) e também do Direito Privado2 (Civil, Comercial), bem como daquelas áreas do Direito tidas como Direito Social ou Misto (Direito do Trabalho e Direito Previdenciário). Quer dizer, o Direito Constitucional é a base, é o fundamento, o tronco de todos os demais ramos do Direito. Para o constitucionalista pátrio José Afonso da Silva, o Direito Constitucional é o ramo do Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os princípios e normas fundamentadoras do Estado (1997, p. 38). Aqui é pertinente fazermos uma observação: de todas as disciplinas jurídicas, a de Direito Constitucional é a menos jurídica! E justamente pela influência que recebe dos fatores sociológicos e políticos, prestase a análises conjunturais, pois, do contrário, não seria possível abordar amplamente o fenômeno Estado ou, conforme Pedro Salvetti Netto (1975, p. 11), sem aqueles fatores não se explica a organização e a estrutura do Estado, ainda que formalizada em um código de leis. É a disciplina que mais próxima está da Ciência Política. Em função disso, Maurice Duverger nos passa a lição de que o estudo do Direito Constitucional não deve limitar-se tão somente a uma análise jurídica das instituições políticas, mas abarcar também aquelas instituições que o Direito ignora, mais ou menos completamente, como os partidos políticos, a imprensa, a propaganda, os grupos de pressão, etc. E, para além disso, o estudo isolado do fenômeno político sob o único prisma do fenômeno jurídico também deixa de oferecer a visão completa da organização da sociedade política, da criação e do exercício do poder político. • Objeto do Direito Constitucional O objeto de estudo do Direito Constitucional é a própria Constituição. Antecipamos que o conceito de Constituição abrange tanto normas (estas sempre escritas) quanto princípios constitucionais (sendo que estes podem ser escritos e também, eventualmente, não-escritos). • Conteúdo do Direito Constitucional A disciplina Direito Constitucional subdivide-se em Direito Constitucional Geral ou Teoria Constitucional, Direito Constitucional Positivo, Particular ou Especial, e Direito Constitucional Comparado. Ressaltamos de antemão, no entanto, que nenhuma destas três subdivisões sobrevive ou é estudada puramente, de maneira rigorosamente isolada; o que há é uma interpenetração dos conteúdos. Dito isto vemos, a seguir, a que se referem e o conteúdo científico abrangido por cada uma destas subdivisões: Direito Constitucional Geral ou Teoria Constitucional - como já diz o nome, nesta matéria tratam-se das teorias gerais constitucionais, aquelas que podem ser utilizadas como instrumento de análise de

qualquer ordenamento jurídico constitucional, que podem ser aplicadas em relação a qualquer Constituição. É a disciplina que fornece os parâmetros para a interpretação das Constituições, que classifica as normas constitucionais, que diz de quem é a titularidade do poder constituinte originário, etc. Direito Constitucional Positivo, Particular ou Especial - trata especificamente do Direito de um determinado Estado, ou seja, estuda a organização e o funcionamento dos poderes constitucionais específicos. É disciplina que pertence ao Direito Positivo, ao Direito posto de um dado Estado, tendo por objeto a análise e a interpretação de sua Constituição, de forma tanto dogmática quanto jurisprudencial. Direito Constitucional Comparado - tem por objeto de estudo várias Constituições, e não apenas uma, como o faz o Direito Constitucional Positivo. Podem ser feitos estudos comparativos entre as Constituições de um mesmo Estado, usando-se o critério da confrontação temporal para verificar as evoluções ou os retrocessos constitucionais, assim como se podem realizar estudos comparativos do Direito Constitucional no espaço, com a análise das Constituições de vários Estados. Esta segunda possibilidade, qual seja, a comparação do Direito Constitucional nacional com o Direito Constitucional estrangeiro, tem merecido mais larga aplicação pelos estudiosos. O grande mestre italiano, Biscaretti di Ruffia (1975, p. 13) esclarece que, servindo-se do método comparativo, ao comparar os vários textos constitucionais, do presente e do passado, tem-se o propósito de pôr em evidência, além das características mais significativas, as semelhanças e as diferenças entre os ordenamentos constitucionais. Em geral, no entanto, realizar estudos comparativos não é atividade comum em cursos de graduação, e sim nos de pósgraduação, até porque muitas vezes exige o conhecimento de vários outros idiomas. • Fontes do Direito Constitucional Seguindo os ensinamentos do constitucionalista pátrio Paulo Bonavides (1996, p. 36), a partir de Xifra Heras e Biscaretti di Ruffia, tem-se que as fontes aparecem como "formas de manifestação" da norma jurídica constitucional, assumindo duas modalidades: Fontes escritas: estas abrangem as leis constitucionais propriamente ditas; as leis complementares ou regulamentares (que servem para auxiliar a aplicação das Constituições); as prescrições administrativas, contidas em regulamentos e decretos, de importância para o Direito Constitucional, desde que o governo tenha entrado no exercício da delegação legislativa; os regimentos das Casas do Poder Legislativo, ou do órgão máximo do Poder Judiciário; os tratados internacionais; as normas de Direito Canônico; a legislação estrangeira; as resoluções da comunidade internacional

dadas pelos seus órgãos representativos, sempre que o Estado as aprovar ou reconhecer internamente; a jurisprudência e a doutrina, sendo que esta última é, na verdade, fonte "auxiliar", funcionando como técnica de "conhecimento" das normas constitucionais e não de criação destas. Fontes não-escritas: os usos e os costumes constitucionais. Estes, de enorme importância para o Direito Constitucional, são de criação pública e baseados no consentimento tácito que o uso reiterado autoriza. Aqueles, possuem maior relevância nos países desprovidos de Constituições escritas ou que, em as possuindo, têm-nas em textos sumários; na Inglaterra, por exemplo, certos usos constituem matérias constitucionais de fundamental importância, o mesmo ocorrendo nos Estados Unidos. 2 Um Intróito Necessário: Histórico Evolutivo Do Estado E Do Constitucionalismo 2.1 Delimitação dos conceitos de Estado e de Estado Constitucional de Direito Como a Constituição "cria" toda a estrutura político-jurídicoadministrativa e confere a vocação ideológica de um Estado, não podemos estudá-la dissociada deste. Assim, necessário faz-se um exame preliminar da natureza e das principais características do Estado, o que podemos brevemente fazer por meio do resgate de suas fases históricas. É muito provável que os alunos já tenham visto algo do que agora trataremos em Ciência Política; ainda assim, válido é retomar. Mas, de início, faz-se necessário delimitarmos o entendimento acerca de duas categorias fundamentais para este estudo, quais sejam, Estado e Estado Constitucional de Direito. Em primeiro lugar, o que entendemos por Estado? Trazemos um conceito de Estado dado por Max Weber, para quem o Estado é o detentor do monopólio da força legítima, isto é, do monopólio da Justiça (punição), da cobrança de tributos fiscais, de cunhar moeda, etc. Verdadeiramente, um dos mais antigos preceitos da Filosofia Política diz que o Estado tem o monopólio do uso da força, isto é, apenas o poder público pode usar a violência (e mesmo assim, na medida necessária) para garantir o cumprimento da lei e evitar que surja a guerra de todos contra todos. Logo, o Estado é a Instituição com poderes para organizar a sociedade em um dado território, coercitivamente, isto é, para disciplinar o convívio social humano através do Direito, por meio de normas jurídicas obrigatórias, acompanhadas de sanções. Já quanto ao caráter a um só tempo abstrato e concreto do Estado, Georges Burdeau nos diz que "ninguém jamais viu o Estado, porém, quem se atreveria a negar sua existência?"

submisso ao Papa. cujo poder se baseia no respeito a uma Constituição. portanto. tomou força a evasão dos servos para os "burgos". de regra. Para o declínio do sistema feudal contribuiu o início das Grandes Navegações (o que originou a fase "metalista" do mercantilismo. Itaca. a qual. para que os alunos possam facilmente localizá-los. os Estados eram caracterizados pela debilidade do poder central e pela dispersão do poder público entre inúmeros senhores feudais. Europa Medieval. a fragmentação da autoridade. ao indivíduo. Cartago. em pouco tempo. exércitos próprios. de uma esfera de liberdade intangível pelo próprio Estado. para os quais o exercício da função estatal confundia-se com o interesse privado. etc. Estados de tipo escravistas.prisões e tribunais -.Histórico de sua formação Procuramos. aparelhos jurídicos . tributação e administração próprias. conforme os contextos históricos que serão referidos ao longo desta obra. o poder era fragmentado. Tebas. sedas e outras mercadorias. que o auto-limita. ou seja. o que é? É o Estado limitado pelo Direito. Estados Escravistas Caracterizava-se a organização política da Antigüidade Clássica pela multiplicidade de Cidades-Estados gregas (polis). A principal característica do Estado feudal era. Estado Feudal O Feudalismo foi o sistema social que vigiu na Europa durante quase toda a Idade Média. Todos eram. e pela Civitas Romana. dando origem à incipiente burguesia. neste item. país rico seria aquele que lograsse possuir metal precioso) e o conseqüente comércio de especiarias. Cada feudo fazia as vezes de um Estado (exatamente porque todas as tarefas e funções hoje centralizadas no Estado eram realizadas por cada feudo. que era um Estado-Cidade. 2. b) Feudalismo.) e. eis que possuíam poder local autônomo economicamente. assim. as guerras internas entre senhores feudais. tais como Atenas.E Estado Constitucional de Direito. a) Antigüidade Clássica. Com a desvalorização fundiária. É importante frisar que o Estado. passou a ter a proeminência econômica. Nele. mas mesmo assim é importante que se tenha uma visão panorâmica de como se organizava o poder político desde a Antigüidade Clássica. verdadeiro poder temporal e representante do poder espiritual na Terra). Esparta.2 Estado . reconstruir minimamente os vários tipos de Estado e suas fases históricas correspondentes. marcado pela preocupação com a limitação do poder soberano. O Estado em si era descentralizado em relação ao Rei (este revelava-se fictício. que adveio com o surgimento dos grandes Estados-Nações. significando o reconhecimento. como o conhecemos. Mas faltava-lhe a centralização econômica . as pestes. Este Estado foi o resultado dos processos revolucionários dos séculos XVII e XVIII. é uma invenção moderna. o que deu destaque aos mercadores e artesãos e fez cair radicalmente o preço da terra.

notadamente para destruir alguns obstáculos às suas atividades. e sim algumas tolerâncias por parte do monarca. já que. em um regime de privilégios. Para além . não havia um Estado de Direito. c) Idade Moderna. a teoria do Governo Absoluto. E. na verdade. Estado Absolutista ou Absolutismo Monárquico Por fim o Rei. cumpriu a tarefa de unificar o Estado e passou a governar de forma absoluta. tinha-se como base e justificativa dos mandos e desmandos o Poder Divino dos Reis. eram os habitantes do reino apenas "súditos" e não titulares de direitos. Maquiavel. e é por isso que nestes Estados Absolutos Unificados. para ele. tendo sido o francês Luis XIV o paradigma dos monarcas absolutistas (foi ele. o Rei Sol. após. No Absolutismo Monárquico (muitas vezes "Despotismo Esclarecido").total. como por exemplo a necessidade de pagar tributos aos feudos para transportar as mercadorias de um burgo para outro. pelo qual os súditos contratavam a própria submissão perante o Estado. Como já adiantado anteriormente. desenvolvida pelo florentino Maquiavel (1469-1527). conforme sua única e exclusiva vontade. em seu famoso livro "O Príncipe". mas se encontrava na força. pois. que proferiu a célebre frase L'État c'est moi: "o Estado sou eu"). a falta de um exército nacional. sendo que estes poderiam a qualquer momento ser violados ou derrogados pelo próprio monarca. para evitar um estado de permanente violência. o que passava pela centralização do poder político. que foi o primeiro grande pensador da Idade Moderna. essa mesma burguesia aliou-se ao Rei para absolutizar o poder na figura deste. inclusive desprezava o pensamento deísta da Idade Média e proclamava que a origem do poder não era divina. assim. o domínio do indivíduo pelo Estado. então. Para isso. revelando a completa identificação entre o Rei e o Estado. etc. O poder centralizado nas mãos do monarca substituiu de vez a fragmentação da autoridade que caracterizava o Estado medieval. que serviu de nome à sua obra fundamental. o totalitarismo. em 1440. o filósofo moderno Thomas Hobbes representava o reacionarismo. também contribuiu a nova ideologia nacionalista pró-unificação dos Estados Nacionais. e assim fazia-se o "Pacto Social". representado este pela figura do Leviatã. os direitos do homem enquanto indivíduo não tinham condições de ser exigidos. Hobbes defendia. contribuiu também o inicial esclarecimento das pessoas por meio da invenção da imprensa. Aliás. aliado à burguesia. em fins da Idade Média e primórdios da Idade Moderna. a necessidade de moeda única. por Gutemberg. a apologia do Absolutismo Monárquico feita por Thomas Hobbes (que viveu de 1588 a 1679). o poder deveria ser centralizado no monarca. escrito em 1513. os homens eram maus por natureza (lobos entre si) e.

de equilíbrio. isto é. do Antigo Regime. d) Início da Idade Contemporânea. entidade abstrata e indefinível. Gendarme (Estado Polícia. procurando proteger o homem contra os abusos do Estado e os abusos do poder. Rousseau apregoava que o soberano não era o representante de Deus na terra. Aqui importa frisar que Locke. mas que se concretizava na representação do povo e da burguesia. que havia lutado pela unificação dos Estados Nacionais. isto é. com seis meses de antecedência à Revolução Francesa. A partir daí vêm os desdobramentos da Revolução Francesa. pois o monarca. a soberania popular seria a expressão da vontade soberana de todos os homens. . ficou de fora do poder político. Estado Liberal Clássico. a burguesia decide tomar de assalto aquele mesmo poder que ajudou a construir e investe contra o Rei. o outro grande filósofo da época moderna. a burguesia. não deu lugar de destaque aos burgueses. Jean-Jacques Rousseau. Sua obra fundamental recebe o nome de "Dois Ensaios sobre o Governo Civil" e nela vamos encontrar a filosofia política do princípio de Liberdade. inspirado no liberalismo inglês. Montesquieu (que viveu de 1678 a 1755) e Emmanuel Joseph Sieyès. da gestão pública. Nãointerventor No início da Idade Contemporânea. com destaque para John Locke. o famoso abade Sieyès (que será melhor estudado quando formos tratar do Poder Constituinte Originário) havia lançado. advogou o regime de liberdade individual e de equilíbrio político. porém. outro discurso passa a justificar e a fundamentar o exercício do poder político: da teoria da Soberania Divina dos Reis passa-se à teoria da Soberania Popular. o pressuposto da liberdade era a propriedade.disso. Nascem aí os Estados Constitucionais limitados pelo Direito. considerados livres e iguais por natureza. juntamente com Hobbes. na hora de compor sua corte. que constitui a base do Regime Democrático. o que pode ser visto com bastante didática em análises ao filme "Danton". a sua não menos famosa obra "Que é o Terceiro Estado?". Para Sieyès. Para derrubar a Teoria do Direito Divino dos Reis. que consegue recriar a época em que se bradava a "morte ao Rei"! Ressaltamos que John Locke (que viveu de 1632 a 1704) foi. Descontente com este estado de coisas. indo buscar os membros nos antigos feudos. Estado Segurança ou Estado Guarda-Noturno). Do mesmo modo. movidos por espíritos diferentes. na aristocracia. o Terceiro Estado representava a Nação. Para ele. E a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. de idéias contrárias. Assim. mas que deveria ser o representante do povo. tendo para isso contribuído as formulações teóricas de grandes ideólogos. que acabou se traduzindo na grande palavra de ordem destruidora da monarquia tradicional. já que Hobbes era absolutista e Locke anti-absolutista.

isto é. bem como proibido limitar o direito de propriedade. devendo a ela subordinar-se e somente teria legitimidade o Estado que fosse representativo. pela intervenção na economia. enunciou solenemente: "O princípio de toda soberania reside essencialmente na nação". aquele Estado que apenas fazia as vezes de um "Guarda Noturno". Estado-Providência. deixando isso para a "mão invisível do mercado". em jornadas diárias trabalhistas em torno de 12 a 18 horas. isto é. transformou-se em uma força conservadora. cujos órgãos dirigentes fossem eleitos pelos cidadãos. o aforismo econômico laissez faire. tão logo realizada a Revolução e ter ascendido ao poder. especialmente em relação à propriedade privada. iriam culminar com a imperativa necessidade de entrar em cena um Estado que. Nasceram aí as desigualdades fáticas. titular do poder supremo. Passou a ser a nação. as explorações cometidas aos seres humanos pelo regime capitalista foram se acirrando. isto é. garantia a ampla liberdade dos cidadãos perante seu poder. laissez passer (deixai fazer. por conseguinte. É este o Estado Liberal Clássico: aquele que governa e administra. pudesse corrigir esses defeitos de origem do Estado liberal individualista. Estado Intervencionista Como já adiantamos acima. que não intervinha neste tipo de relações privadas (entre trabalhadores e patrões) passou a não dar conta da crescente situação de extrema . Para os ideólogos da burguesia revolucionária o Estado era uma criação da sociedade civil. Diz-se liberal clássico porque foi centrado no valor "liberdade".acolhendo as teorias de Sieyès. passou a receber a designação de Estado Gendarme. devendo os trabalhadores laborarem sem qualquer proteção social ou legal. contrária a qualquer outro avanço revolucionário fazendo com que. por salários miserentos e inclusive diminuindo sobremaneira a expectativa de suas vidas. Welfare State. isto é. porém não interfere nas atividades econômicas privadas. 3 E o Estado Liberal Clássico. Estado do Bem-Estar Social. sendo defeso ao Estado intervir na ordem econômica. que. Este modelo de Estado dos primórdios da Idade Contemporânea. tempos mais tarde. era não-intervencionista. dentre todas as camadas sociais que integravam o Terceiro Estado. muitas vezes chegando a 20. deixai passar) traduziu o ditames da escola liberal: liberdade de produção e liberdade de circulação. Início do século XX. com o incremento do liberalismo e da Revolução Industrial. Mas ocorre que a alta burguesia. tivesse sido a que colheu os melhores frutos da Revolução. ou seja. nas relações contratuais dos indivíduos. no sentido de que se limitava a policiar a ordem pública. e) Idade Contemporânea. Naquele contexto. logo após os feitos revolucionários franceses de 1789. com o acirramento das exclusões e das explorações sociais.

A partir daí. Em suma. esta teoria do Intervencionismo estatal ganhou mais um aliado. de 1917 e a de Weimar. Gestor ou Gerencial Após o já referido crack da Bolsa de Nova Iorque. foi preciso apelar para o Plano Marshall de reconstrução do continente europeu. No início do século XX ocorrem duas revoluções de cunho socialista (a Revolução Russa e a Revolução Mexicana. que retiraram o Estado daquela passividade em que se viu imerso ao longo de quase dois séculos. nasce o que se passou a chamar Estado Social. Foram estas complexidades da sociedade contemporânea. Foi o Estado obrigado a dirigir. aqui sumariamente referidas. os trabalhadores. com a quebra quase total da Europa. o teórico economista John Keynes (Keinesianismo = Intervencionismo). aquele Estado que se obrigou a implementar um sistema de previdência e de seguros sociais. Este movimento acaba por retirar o Estado da economia. entre 1914 e 1918 ocorreu a Primeira Guerra Mundial e tudo isso fez com que o Estado. após o crack da Bolsa de Nova Iorque. Mais tarde. em 1848. f) Fase atual. o que demandou novamente uma forte intervenção dos Estados de cunho social. esse encolhimento do Estado (teoria do Estado mínimo) está sendo efetivado por meio de uma onda de . através da intervenção nas atividades econômicas. foi preciso que os horrores da I Guerra Mundial alterassem profundamente as condições econômicas e políticas do Estado para que se realizassem reformas de base e estrutura. de mero espectador passasse a ator. recorreram à violência como represália às relações trabalhistas não-regulamentadas e a todas as demais injustiças cometidas à época. com previdência social. em 1929. ou Welfare State. O grande marco do surgimento deste modelo de Estado são as Constituições Mexicana. Neste contexto é escrito por Marx e Engels. nas décadas de 80 e 90. Atualmente. veio a II Guerra Mundial e. Com o passar do tempo. mas como o processo assume novas feições. de seguro desemprego. providente. Globalização. ao mesmo tempo restringindo um tanto o indivíduo em sua autonomia contratual e contemplando interesses sociais. de 1919. ou Estado do Bem-Estar Social.pobreza e desigualdade social. todos sinônimos para designar um Estado intervencionista. ou seja. conclamando os "trabalhadores do mundo inteiro" para unirem-se na defesa de seus interesses. Estado Neoliberal. a traçar normas. o Manifesto do Partido Comunista. de habitação e educação às suas populações pauperizadas. sem a proteção do Estado ausente. daí "neoliberalismo". de 1917). etc. denomina-se neo. passasse a atuar a serviço do bem comum. A partir daí. como se estivéssemos voltando ao liberalismo clássico. foi-se percebendo que este tipo de Estado onerava muito os cofres públicos e teve início uma "campanha" para enfatizar a idéia da necessidade de diminuir gastos com seguro-desemprego.

embora com outras características.privatizações e por um processo de "Desregulamentação" das relações trabalhistas. nos países que viveram sob a égide do regime monárquico absolutista. a jornadas menores. já que passa a garantir a sobrevivência dos grandes na área econômica. nas cidades gregas da época clássica. da intervenção econômica e passa a ser um mero "Gestor". 154-157). na Alemanha nazista. na Itália fascista. 2. o que acaba sendo uma regulamentação por outros meios. Bresser Pereira. pois. etc. 16) que o Direito Constitucional parte da existência das Constituições. escritas ou não. lamentavelmente. este é o modelo do Estado gerencial apregoado pelo Ministro brasileiro da Administração e Reforma do Estado. procuraremos dar. fazendo com que os trabalhadores cheguem ao cúmulo de se submeterem a salários menores (o que inclusive é inconstitucional para nós brasileiros). iniciaremos pela Antigüidade Clássica. que. incluindo flexibilização para as contratações trabalhistas (contratações e dispensas temporárias). ao tratar justamente da evolução histórica do Constitucionalismo. Neste sentido. muito antes que isso acontecesse (no ambiente racionalista da Ilustração. Assim. um aluno prontamente respondeu: "em estado de necessidade". pois lá já havia Constituições. Embora o Constitucionalismo dito "moderno" só tenha iniciado em fins do século XVIII. Karl Löewenstein (1976. sugiro a leitura da obra "O Horror Econômico". esclarece Pedro Salveti Netto (1975. E. organizações políticas viveram sob um governo constitucional.3 Histórico do Constitucionalismo Como a cada tipo de Estado corresponde um tipo de Constituição. parece que esse processo globalizador neoliberal veio para ficar. Sr. esclarece que a existência de uma Constituição escrita não se identifica com o constitucionalismo. sem . século XVIII). aos poucos. na democracia inglesa. tudo para poderem manter um emprego. E. uma visão a respeito do nascimento do que se chamou "constitucionalismo". haja vista que o próprio modelo de Estado de antanho possuía características bem diversas das que modernamente se firmaram. indo mais além. é possível fazer-se um levantamento do Direito Constitucional na Roma Antiga. quando em sala de aula perguntei em que Estado estávamos vivendo. E como diz Joan Robinson. dos oligopólios. deram forma a um Estado específico em um certo tempo. p. p. na abertura da obra "Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano": "Só há uma coisa pior do que ser explorado pelo imperialismo: é não ser por ele explorado". Para se ter uma idéia básica e geral a respeito desse processo de globalização e das nefastas conseqüências disso nas vidas dos trabalhadores. da francesa Viviane Forrester. em rápidas pinceladas. A propósito. O Estado sai. à desproteção legal.

mas sim da Biologia. o primeiro povo que praticou o constitucionalismo. eis que tais limitações estavam tão profundamente enraizadas nas convicções das comunidades e nos costumes nacionais.em diante) A grande maioria dos autores de Direito Constitucional não menciona a existência de Constituições na Antigüidade Clássica. pois esta submetia igualmente a governantes e governados. a própria gênese da palavra CONSTITUIÇÃO demonstra que a mesma não vem da Ciência Política. a idéia era a de uma relação natural. Sua forma de sociedade teocrática (sistema político em que os súditos vivem ou pretendem viver sob o domínio de uma autoridade divina). Naquela época. montada sobre a infra-estrutura de uma economia de escravos.C. Afirma. Isto teria se dado no século V a. a de uma constituição para o perfeito funcionamento do corpo social. da idéia de Natureza. e isto nos atesta o próprio Aristóteles. chegando a dizer que a nação grega alcançou o mais avançado tipo de governo constitucional: a democracia constitucional. . confiado por Deus aos detentores do poder na terra) através da lei moral..C. como algo natural. que as mulheres e filhos fossem considerados res nulius ("coisas de ninguém") e que obedecessem aos patriarcas e livres fossem apenas estes. 4 Porém. é dizer: o dominador. havia. E é por isso que era natural que existissem escravos.século VIII a. para ele. estava também limitado pela Lei do Senhor. em que a democracia direta das Cidades-Estados gregas é o único exemplo conhecido de um sistema político com plena identidade entre governantes e governados. Mas Karl Löewenstein afirma que durante dois breves e brilhantes séculos existiu na Grécia um regime político absolutamente constitucional. relativamente reduzida. com outras funções e características. tendo devoção quase .sentir a necessidade de articular os limites estabelecidos ao exercício do poder político. E ressalta que todas as instituições políticas gregas refletiam uma profunda aversão a todo o tipo de poder concentrado e arbitrário. o exemplo dos hebreus. Mas que as havia. frente ao permanente impacto que os gregos ocasionaram na evolução política do mundo ocidental. comum nos impérios orientais da Antigüidade. Aliás. que eram respeitadas tanto por governantes quanto pelos governados. a Constituição apenas organizava a Sociedade. tem pouca importância o fato de que a polis-Estado fosse o domínio oligárquico de uma classe ociosa. a) Antigüidade Clássica (época da fundação de Roma . que buscou estudar as Constituições gregas. longe de ostentar um poder absoluto e arbitrário. Assim. caracterizouse pela limitação do poder secular (poder religioso. e não o poder na Sociedade. que obedeciam apenas a Deus. no qual o poder político estava igualmente distribuído entre todos os cidadãos ativos. eis que não havia distinção entre Estado e Sociedade Civil. inclusive que. de constituição física de um corpo. E cita o grande constitucionalista.

sendo esse o primeiro documento em defesa das liberdades. que tantas anarquias. como o exemplo clássico de uma sociedade estatal que. em 1689 (logo após a Revolução Inglesa. há que se destacar. É por isso que se considera a Inglaterra o berço do Liberalismo. João Sem-Terra violou por várias vezes essa declaração de 1215. o fato de o poder dos magistrados ser restringido por engenhosas instituições de controle (dentre as quais: os detentores dos cargos eram nomeados por sorteio. Cita. Os acontecimentos que marcam o que chamamos "Constitucionalismo Moderno" tiveram vez nos últimos quartéis dos séculos XVII e XVIII. Karl Löewenstein refere a República Romana. a afirmação do Bill of Rights. Depois de outorgada. com a assinatura da Magna Cartha Libertatum. havia prescrição de curtos períodos e rotações nos cargos. 11-4) que. sucedeu-lhe no trono da Inglaterra seu tio João. não poderiam os detentores dos cargos ser reeleitos). não cometeu o erro de uma excessiva democratização. dado que não se exigia nenhuma qualificação especial. em protesto às tiranias do Rei João Sem-Terra. por seus representantes mais tradicionais. Na seqüência. p. Do mesmo modo. sendo fundamentalmente constitucional. exceto para certos postos encarregados de tarefas técnicas. morto Ricardo I [Ricardo Coração de Leão]. que foi uma Declaração de Direitos para limitar o Poder Absoluto. desastres e arbitrariedades cometeu no novo governo até que a nação. resultado da marcha dos barões ingleses sobre Londres. tem-se a Declaração de Independência de . Conta-nos Pontes de Miranda (1955.). o que aconteceu a 19 de junho de 1215. em que as diferentes funções estatais eram acessíveis a todos os cidadãos ativos.século XIII Podemos dizer que a Inglaterra escreveu um primeiro capítulo na história do Constitucionalismo dito "moderno". que durou muito mais tempo (desde o século V até o final do século II a. c) Idade Moderna Um segundo capítulo na história do Constitucionalismo tem como protagonistas novamente a Inglaterra e suas ex-colônias na América do Norte.fanática pelos princípios do "Estado de direito" de uma ordem que era regulada democrática e constitucionalmente. no entanto. reagiu: os barões acordaram que era preciso obter do rei uma carta de liberdades. Primeiramente. de 1688). o que se deu em 1215. como exemplo.C. Em Roma. b) Idade Média . em 1776. a organização estatal republicana foi um sistema político com complicados dispositivos de freios e contrapesos para dividir e limitar o poder político dos magistrados estabelecidos.

em Filadélfia. marcando o início da Idade Contemporânea. pela teoria clássica elaborada por Montesquieu5 "todo aquele que exerce o poder tende a dele abusar" e "só o poder freia o poder" (le pouvoir arrête le pouvoir). operários e camponeses) e excluído das benesses do Reino a nobreza parasitária que às suas custas vivia. formando a Confederação dos Estados Norte-Americanos. eclodida em 1789. a separação entre a Igreja e o Estado) e registrando em seu texto outras tantas vitórias das idéias democráticas. Assim. vivia na miséria e não participava no plano governamental. ainda no mesmo ano. Igualdade. Esta Constituição Liberal Clássica continha como conteúdo básico. Fraternidade. em 1787. a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão e. logo após. Legislativo e Judiciário. É interessante ressaltar que a Revolução Inglesa. A Nova Ordem foi instituída sob a tríade Liberdade. assina-se a primeira Constituição escrita da história do Constitucionalismo. já que. o clero e o povo. . de 1688. d) Idade Contemporânea. sendo que este compunha o que se denominava Terceiro Estado. b) a declaração dos direitos fundamentais do homem. não tem Constituição". a Primeira Constituição escrita da Europa. 16 da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão: "Toda a sociedade na qual a garantia dos direitos não estiver assegurada nem determinada a separação dos poderes. por fim.Virgínia. sequer para fiscalizá-lo. Constitucionalismo Liberal Clássico Na França. E foi em tal contexto que. embora o Poder Executivo tenha continuado a ser exercido pelo Rei (a República só foi proclamada em 1792) e houvesse sido instituído o voto censitário. a Monarquia Absolutista dos Bourbons mantinha a divisão social em três classes: a nobreza. com a literal queda da Bastilha (símbolo maior do poder monárquico). em 1791. Sobreveio-lhe. após a rebelião das 13 colônias de origem britânica. Tal Constituição ainda está em vigor. um importantíssimo passo foi dado na erradicação dos resquícios do poder feudal e do absolutista monárquico: a Revolução Francesa. de forma popular representativa. E. criou-se. tendo sido capitaneada pelo assim denominado Terceiro Estado (burguesia. marcando a criação da Federação dos Estados Unidos da América do Norte. seu duplo conteúdo essencial era: a) a tripartição do Poder em Executivo. visando com isso limitá-lo. limitação feita através do sistema de cheks and balances: "freios e contrapesos". contemplando a laicização do Estado (isto é. sendo a francesa a mais radical revolução anti-feudal. artesãos. em fins da Idade Moderna. exatamente o teor do art. justamente o lema da bandeira francesa. a revolução que marcou a independência norte-americana e a Revolução Francesa formam o conjunto das assim denominadas grandes "Revoluções Burguesas". conforme veremos a seguir.

onde nos incluímos. teve um programa que contemplava esses direitos. ou seja. de 1917 (que ainda está em vigor). O Estado foi. com o coletivo. e isto deu-se grandemente por meio das assim denominadas Normas Programáticas. Nasceram. por intermédio de representantes eleitos para tal. assim. foi a do México.realizou. a partir de então o "contrato social" seria redigido entre o povo e o Estado. muito mais e prioritariamente o valor "liberdade" (e por isso institui direitos que os chamamos "negativos". Por isso tais direitos são tidos como "positivos". Constitucionalismo Social Esta fase do constitucionalismo tem como principal característica a entrada de direitos sociais e trabalhistas nos textos constitucionais. assim. "de oposição ao Estado". na disciplina das relações entre capital e trabalho. Mas importa ressaltar que. É nesta fase do constitucionalismo que efetivamente o Poder Divino dos Reis cedeu por completo ao Poder Soberano do Povo.o liberal clássico . no direito à saúde e à previdência social. a Constituição de Weimar. com a ascenção de Hitler ao poder (o período da história alemã denominado . a primeira Constituição que teve essas preocupações com o social. Esta Constituição regeu a vida da Alemanha do imediato pós-guerra até 1931. as Constituições. deixando em segundo plano o valor "igualdade". imprescritíveis. E isto significou uma guinada daquele individualismo clássico do Liberalismo Clássico para o coletivismo. de 1919. para o socialismo. pois impõem obrigações positivas ao Estado. este modelo de constitucionalismo . E este modelo de Constituição escrita espraiou-se para outros países europeus continentais (isto porque a Inglaterra seguiu na sua tradição de Constituição não-escrita) e por suas colônias americanas. a idéia de "contrato social" passa a coincidir com a idéia de Constituição. Aí começou-se a falar em "função social da propriedade". com a fundamental função de proteger a pessoa humana contra os abusos de poder dos governantes. e) Idade Contemporânea. chamado a efetivar direitos que até então só existiam nos textos das leis. e de Constituição escrita. Após. anteriores e superiores ao próprio Estado. principalmente as de Portugal e Espanha. dentre o tripé que sustentou o movimento revolucionário.que haviam sido negados durante séculos e que agora passaram a ser exigidos como inatos. normas portadoras de programas para tentar realizar na prática o valor/direito "igualdade". embora tenha representado um avanço grandioso na conquista e no reconhecimento de direitos e na limitação do poder político. ou seja. inalienáveis. Em nível mundial ocidental. o que era necessário justamente para o exercício da ampla liberdade dos indivíduos). em direitos educacionais e habitacionais. especificamente todos aqueles direitos ligados ao Direito à Igualdade. Assim.

especialmente no que se refere às imposições dos programas de privatizações e descentralizações.em sentido sociológico."República de Weimar" foi de 1918 a 1931). no regime administrativo brasileiro. as atribuições da União e de cada Estado-membro da Federação. isto é. tanto aos indivíduos quanto à coletividade. o Consenso de Washington dita aos países "periféricos" (dentre estes o Brasil) atitudes a serem tomadas pelos governos de plantões. Legislativo e Judiciário). a lei magna. sob pena de a mesma não resultar . a Constituição de 1934 é tida como a versão sul-americana da Constituição de Weimar. cada segmento da sociedade deve ser representado em sua criação. Direitos sociais e preocupações coletivistas seriam retomados. o Estado retira-se da economia. as reformas à Constituição visam retirar do seu texto aquelas normas que sustentam a tese da ingovernabilidade: em não havendo como cumpri-las. pouco a pouco. através dos quais a nação há de ser governada e ainda marca e delimita. passando para a iniciativa privada o patrimônio que sempre foi público e que foi construído com os tributos pagos pela população trabalhadora do País. o conjunto daquelas normas que fundam um Estado. as competências dos três Poderes Constituídos (Executivo. na Constituição de 1946. que retrata a forma de ser de um Estado e que confere direitos e garantias fundamentais. O Sociológico (Ferdinand Lassalle) .1 Conceito de Constituição Podemos dizer. Além disso. No Brasil. a Constituição indica os poderes do Estado. 3 Constituição 3. que a Constituição é o documento político-jurídico por excelência de um Estado. deixando tudo mais uma vez nas "mãos invisíveis do mercado" e esse processo passa necessariamente por reformas às Constituições. tira-se-as da Constituição. após. bem como dos Municípios e do Distrito Federal. em linguagem simples e corrente. o grande mestre francês afirmou ser a Constituição uma "folha de papel" que deve ser criada pela soma dos "fatores reais de poder" que regem um país. dentre os quais citamos: 1. aprovado e publicado por uma Assembléia Constituinte eleita pelo povo. é a obra fundacional de um Estado. que nos regimes democráticos é redigido. 6 E neste contexto de Nova Ordem Mundial. Assim. ou seja. É a lei fundamental. Conforme José Joaquim Gomes Canotilho. Fase de "Desconstitucionalização" Como reflexo direto da Globalização e do Neoliberalismo. Vários podem ser os sentidos dados às Constituições. ou seja. f) A Constituição no Neoliberalismo. por exemplo.

Esta verticalidade fundamentadora do ordenamento jurídico com base na Norma Fundamental (que não é escrita.o mestre austríaco dá para a Constituição um fundamento puramente jurídico. conforme a construção escalonada do ordenamento jurídico do jurista austríaco. "obedeçam a tudo o que está na Constituição".legítima. tem-se que Constituição é a "decisão política fundamental sobre a forma de ser de um Estado". garante-se. em que a Norma Hipotética Fundamental. são aquelas Constituições que abrangem o conteúdo básico. uma vez que a Constituição está no topo da pirâmide e é justamente esta verticalidade que confere validade a todo o sistema normativo infraconstitucional. conforme desdobramentos de sua teoria feitos por Norberto Bobbio. às formas de governo (monarquia ou república). por outro lado. o mais importante. Hans Kelsen. • O Princípio da Supremacia da Constituição Como já adiantado. estrutura e elementos da Constituição • Conteúdo da Constituição Quanto ao conteúdo costuma-se fazer uma classificação das Constituições em materiais e formais. o primado da Constituição. à distribuição das competências. mas apenas pressuposta. ou seja. O Jurídico (Hans Kelsen) . por este princípio. cuja teoria prevê que cada comando normativo encontra respaldo naquele que lhe é superior e lhe deve obediência. o único merecedor de ser reduzido a MATÉRIA CONSTITUCIONAL. ao exercício da autoridade. 3. O Político (Carl Schmitt) .2 Conteúdo. sob pena de incorrer em inconstitucionalidade da espécie normativa e conseqüente retirada do ordenamento jurídico. o famoso professor de Viena. Assim: Materiais . Partindo-se da idéia de que o Direito é composto por comandos emanados do Estado para organizar a vida em sociedade. 3. 2.em sentido político. São as normas referentes à composição e ao funcionamento da ordem política-estatal (aquelas referentes à organização do poder.Sob o aspecto do conteúdo material. o princípio da supremacia da Constituição faz com que a mesma esteja no ápice das leis. teria o seguinte conteúdo: por um lado "faça o poder constituinte originário uma Constituição" e. . cujo maior expoente foi o mestre alemão. a sua superioridade em relação a qualquer outra norma. às formas de Estado (Federação ou Estado Unitário) ao sistema de governo (Presidencialismo ou Parlamentarismo) e as relativas aos direitos e garantias fundamentais das pessoas. uma abstração) justifica a existência do Princípio da Supremacia da Constituição.

Outros exemplos poderiam aqui ser citados. Ressaltamos que é justamente a entrada de normas de qualquer conteúdo nas Constituições. 5º. haver uma Consolidação das Leis Trabalhistas que poderia pormenorizar tais direitos trabalhistas.Normalmente as Constituições que contemplam apenas este conteúdo básico são de textos extremamente curtos. como é o caso de. que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado Federal". Formais . o que significa que poderiam muito bem estar presentes em leis ordinárias. mais demorado (como por exemplo a exigência do quórum qualificado de 3/5. apenas FORMALMENTE. mais difícil. mas estes já são suficientes para comprovar que os conteúdos veiculados pelas normas não são da organização do Estado. Porém.art. tampouco a garantia em si de direitos fundamentais das pessoas. enquanto que para a alteração ou aprovação de lei ordinária basta o quórum de maioria simples . XXX: "é garantido o direito de herança". especificamente para gozar da garantia e do valor superior conferidos pelo texto constitucional quanto à ALTERAÇÃO: ou seja. que acarreta o inchaço dos textos constitucionais. Exemplos de normas puramente materiais na Constituição Federal de 1988: . sozinho. . ou • uma norma trabalhista: art. mais solene. visando uma maior garantia quanto à mutação e. por conseguinte. qualquer norma que esteja na Constituição deve atender a processo diferente de modificação. 5º (que trata da maior parte dos direitos fundamentais) possui.conforme art. em relação ao segundo exemplo. 217.art. importa ressaltar que mesmo que a nossa atual Constituição só fizesse constar em seu texto o conteúdo puramente material. haja vista que o art. ainda assim seria um texto bastante extenso. 233. setenta e sete incisos. infraconstitucionais. 44: "O Poder Legislativo é exercido pelo Congresso Nacional. Exemplos de normas apenas formalmente constitucionais na CF/88: • uma norma sobre desportos: art. buscando a longevidade. que aí ingressa de MODO IMPRÓPRIO.Quando as Constituições inserem em seu corpo textual matéria apenas de APARÊNCIA CONSTITUCIONAL. 47 do Regimento Interno do Senado Federal). • Estrutura da Constituição .

restando apenas como parte histórica no texto da Constituição.ADCT. os quais. cada um deles representando um assunto específico. e.Da Organização do Estado •Título IV . tendo 250 destes em sua parte fixa e 74 dispositivos denominados de "Disposições Constitucionais Transitórias" .Dos Princípios Fundamentais •Título II . p. 204) que os Preâmbulos Constitucionais têm "eficácia interpretativa e integrativa. faz parte do caput (cabeça) desse art. Frisa José Afonso da Silva (1998. e estes em SEÇÕES e SUBSEÇÕES.Das Disposições Constitucionais Gerais • Elementos da Constituição O poder constituinte sistematiza em um todo unitário as normas constitucionais que julga fundamentais para a coletividade estatal. de regra. após o qual os 250 artigos referidos encontram-se divididos em 9 grandes TÍTULOS. eficácia plena e aplicabilidade imediata. valem como regra de princípio programático.Da Organização dos Poderes •Título V . cumpridos.Dos Direitos e Garantias Fundamentais •Título III . conforme o conteúdo que agrupam. Os nove Títulos referidos são: •Título I .. que agrupam os ARTIGOS. Seções e Subseções. os quais por sua vez dividem-se em Capítulos. a Constituição Federal de 1988.Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas •Título VI . Antes da numeração sucessiva dos seus 324 artigos. perdem seu valor enquanto ordem.Da Ordem Social •Título IX . Convém salientar que inciso de art. Já as normas Transitórias possuem o mesmo valor das Permanentes. possui a CF/88 um Preâmbulo. pelo menos". já o parágrafo (§) possui uma certa autonomia em relação ao caput.Geralmente as Constituições trazem suas normas agrupadas em TÍTULOS. pois uma vez desenvolvidos. em função da conexão do conteúdo específico que as vincula.Da Ordem Econômica e Financeira •Título VIII . Quanto à estrutura de nossa Lei Maior. com seus INCISOS (algarismos romanos) e ALÍNEAS (letras minúsculas do nosso alfabeto). se contêm uma declaração de direitos políticos e sociais do homem. Estes dispositivos possuem vida útil curta. . é composta por 324 arts. de maneira sistematizada.. são divididos em CAPÍTULOS. porém temporária.Da Tributação e do Orçamento •Título VII . mas.

5) Elementos Formais de Aplicabilidade: normas que estatuem regras de aplicação das Constituições. Na CF/88 encontram-se no Capítulo II do Título II ("Direitos Sociais"). arts. I. 3. Na CF/88 aparecem no art. contra o Estado. e os direitos sociais são direitos positivos. exceto o Capítulo II ("Dos Direitos Sociais"). 102. 47) divisa cinco categorias de elementos: 1) Elementos Orgânicos: referem-se a normas que regulam a estrutura do Estado e do poder. a defesa do Estado e das Instituições Democráticas.1 Quanto à forma como se apresentam . p. IV ("Da Organização dos Poderes"). I e 60 (processo de emendas à Constituição). Por que os direitos sociais não entram aí? Porque os elementos limitativos tratam de direitos negativos. Na CF/88 concentram-se nos Títulos III ("Da Organização do Estado"). 3) Elementos Sócio-ideológicos: revelam o caráter de compromisso das Constituições modernas. 59. a defesa da Constituição. a (Ações Diretas de Inconstitucionalidade). que requerem prestações concretas do Estado. 5º. não-intervencionista) e o Estado Social/ Providente/Intervencionista. que por sua vez limitam a ação dos poderes estatais e dão a tônica do Estado de Direito. pactuado entre o Estado Individualista (o Liberal Clássico. especialmente em seu Capítulo I ("Do estado de defesa e do estado de sítio"). José Afonso da Silva (1997. Na CF/88 estão no Título II ("Dos Direitos e Garantias Fundamentais"). Capítulos I ("Do estado de defesa e do estado de sítio") e II ("Das Forças Armadas") do Título V ("Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas") e VI ("Da Tributação e do Orçamento"). no Título VII ("Da Ordem Econômica e Financeira") e no Título VIII ("Da Ordem Social"). no art. 4) Elementos de Estabilização Constitucional: normas destinadas a assegurar a solução dos conflitos constitucionais. bem como § 1º do art. nos arts. 3. 2) Elementos Limitativos: normas que consubstanciam o elenco dos direitos e garantias fundamentais. 102 e 103 (jurisdição constitucional) e no Título V ("Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas"). segundo o qual "as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata".3 Classificação das Constituições Trazemos aqui as quatro grandes classificações em que comumente são as Constituições enquadradas. o dispositivo que contém as cláusulas de promulgação e as Disposições Constitucionais Transitórias.mas a doutrina constitucional diverge quanto ao número e à caracterização desses assim denominados elementos constitucionais. 34 a 36 (da intervenção nos Estados e Municípios).3. como o Preâmbulo.

c) a concepção firmada desde o século XVIII de que não há melhor instrumento de educação política do que o texto de uma Constituição. etc.3. Predominaram até os fins do século XVIII. não podiam ser modificadas sob pena de maldição dos deuses. todas as do Brasil.2 Quanto à origem a) Democráticas. exprimindo o princípio político e jurídico de que todo o governo deve ser legitimado pelo consentimento dos governantes. como o Código de Hamurabi e a Lei das XII Tábuas. aquelas que se baseiam nos costumes e nas tradições observadas espontaneamente por um povo. b) Não-escritas. as Constituições dos Estados modernos são escritas e codificadas. Atualmente são em número muito reduzido e podemos dizer que são "impostas" pela prática. conforme Paulo Bonavides (1996. como expressão do Poder Constituinte Originário. a da Hungria e a da Nova Zelândia. da Argentina. por meio de sufrágio universal e direto. Costumeiras ou Consuetudinárias: por não serem escritas. mais especificamente referindo-se às Leis Fundamentais antigas. que. do Paraguai. São elaboradas pelas Assembléias Nacionais Constituintes. embora seja esta última questionável quanto à legitimidade de sua origem. mas isto possui apenas valor histórico. 3. b) a imagem simbólica de que quando se criasse uma Constituição estar-se-ia renovando o "contrato social".a) Escritas ou Positivas: aquelas postas em documentos formais. de 1934. Exemplos: o exemplo clássico vem da Inglaterra (que entretanto também se baseia em alguns textos fundamentais escritos7). de 1946 e de 1988. secularmente transmitidas. da Itália. tendo surgido com a pretensão de eternidade. em grande parte coincidindo com os regimes absolutistas. a da França. por pelo menos três razões comprovadas. Populares ou Promulgadas: aquelas que têm origem em órgão constitucional eleito especialmente eleito pelo povo para tal finalidade. Acompanharam o processo de racionalização do Direito e tiveram origem no "Contrato Social" de Rousseau. da Espanha. são praticamente auto-explicativas. É importante ressaltar que em relação às Constituições Escritas poderia haver ainda uma classificação que as dissessem Imutáveis ou Fixas. uma vez que os Deputados Federais e os Senadores da . só podendo ser modificadas pela soberania popular. 69): a) crença na superioridade da lei escrita sobre o costume. Em geral. em um corpo textual único. p. Exemplos: As brasileiras de 1891. Aqui fazemos uma crítica: esta última razão só se justifica onde a população à Constituição tem acesso! Exemplos: a Constituição dos EUA. isto é.

havia Senadores eleitos em 1982 (cujo cumprimento do mandato de 8 anos dar-se-ia em 1990). Assim. mas em função ordinária. pois dificilmente as veremos nos dias atuais. Assim. como por exemplo. os quais. Esta diferença no processo de reforma visa a proteger a Constituição dos golpes de força das maiorias partidárias. como a renovação do Senado Federal se dá de quatro em quatro anos. Exemplos: o já mencionado documento constitucional Bill of Rights. até porque em 1982 ainda nem se cogitava uma efetiva feitura de novo texto constitucional. referindo-se à maior ou menor facilidade para a modificação dos textos constitucionais. Pedro I). sempre em relação às leis ordinárias. à estabilidade ou à mutabilidade Esta classificação deve-se a James Bryce. de 1967 (esta é também denominada "Atípica".3. quanto à mutabilidade as Constituições podem ser: a) Rígidas: as que exigem a observância de procedimento diferenciado e mais complexo para sofrerem alterações em seus textos. pois requerem debates mais amplos. não podemos nos esquecer que. por um e dois terços. Exemplos: as brasileiras de 1824 (imposta por D. Formam uma categoria de Constituições históricas. sempre tendo como parâmetro de comparação as leis ordinárias. a realeza absoluta debilitada e a nobreza de um lado e. firmada entre os barões e o Rei João Sem-Terra. de outro. com certeza não foram eleitos para o fim de elaborar a nova Constituição. c) Pactuadas: aquelas que exprimem um compromisso entre duas forças políticas rivais. A outorga aproxima-se das formas totalitárias de governo. de 1937 (imposta pelo ditador Getúlio Vargas).República eleitos em 1986 não o foram com a exclusiva finalidade de criação da Constituição e. isto é. 3. não podem ser alteradas pelo processo comum de elaboração das leis ordinárias. sem delegação constituinte. Desse pacto resultou a Monarquia Limitada ou Monarquia Constitucional. além disso. na época dos primórdios do constitucionalismo. prazos dilatados e quóruns qualificados. não resultam da manifestação da soberania popular. por ter sido outorgada pelo Congresso Nacional. através de seus representantes eleitos. a burguesia em franca ascenção. Assim. o que não lhe retira o caráter de outorga) e a de 1969. de 1689 e a Magna Cartha inglesa.3 Quanto à consistência. São adotadas pela maioria dos países contemporâneos. de 1215. b) Outorgadas: são aquelas impostas pelo detentor eventual do poder. uma vez que suprime do povo o exercício do poder de fazer a Constituição. de tendências .

vindo a ser semirígida. b) Flexíveis ou Plásticas: aquelas que sofrem alterações da mesma maneira pela qual se elabora ou modifica qualquer espécie normativa. b) Prolixas: são aquelas ditas inchadas. Exemplos: a dos EUA. deixando as pormenorizações à legislação complementar ou ordinária e. Também chamadas "Analíticas" por alguns autores. bem como regras básicas de organização e fundamento dos sistema político-jurídico estatal.oportunistas de grupos políticos predominantes e da exaltação dos ânimos em momentos de crise nacional.3. pela regra do art. breves.4 Quanto à extensão a) Concisas: são as sintéticas. 3. o que varia apenas é o grau de dificuldade ou de facilidade para tanto. as que apresentam texto enxuto. e parte requer para sua mutação os procedimentos rigorosos e difíceis próprios das Constituições rígidas. Abrangem somente direitos e princípios gerais. sucinto. parte do texto é modificado como o são as leis ordinárias. não exigem nenhum requisito especial de reforma. 16 da Declaração Universal dos Diretos do Homem e do Cidadão. onde o Parlamento tem função de Poder Constituinte Originário permanente. São as Constituições do tipo "clássicas". que. c) Semi-rígidas: aquelas que possuem parte de seu texto rígido. nas semi-rígidas. exceto a Imperial. 178 criou uma terceira categoria de Constituições. Exemplo: o exemplo clássico é da Constituição da Inglaterra. Cada vez mais numerosas. sumárias. Exemplo: a dos EUA. todas as brasileiras. por isso mesmo. mas isto não quer dizer que não possam ser modificadas. parte flexível. Assim. como se suas regras básicas fossem as poucas varetas que o compõem. parte flexíveis. qual seja. devido justamente à sua extensão. geralmente contemplam regras programáticas e apresentam caráter polifacético por albergarem normas não apenas . desde 1787. extensas. Certo é que só servem para nações democráticas evoluídas e de alto nível cultural. longas. integrando parte de dispositivos rígidos. aquelas que contemplam apenas o conteúdo básico apregoada pelo já conhecido art. Exemplo: a Constituição Imperial brasileira (de 1824) que. Todas as Constituições podem sofrer alterações. isto é. atendem à metáfora do "guarda-chuva". isto é. que apresentam texto amplo. possui apenas 7 artigos e 26 emendas.

temos que a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é: escrita quanto à forma como se apresenta. de 1923. rígida quando à sua alteração e prolixa ou analítica quanto à sua extensão. de ser Constituições "Clássicas". para elaborá-la. já que nossa primeira Constituição. Iniciamos a história constitucional de forma pouco ou nada democrática. Exemplos: a brasileira de 1988 . Longe estão. fortalece aqueles ataques à Constituição que afirmam que é impossível governar com uma Constituição tão inchada e isso vem.materialmente. democrática ou popular quanto à sua origem. após este ter dissolvido a "Assembléia Geral Constituinte e Legislativa". sendo composta exclusivamente por membros da elite agrária brasileira) e que efetivamente possuía um "Projeto de Constituição". Até parece que o que não está na Constituição não está no mundo. surgida no imediato pósIndependência. 3. 4 Breve Apanhado Sobre A História Constitucional Brasileira O Brasil tem uma História Constitucional dolorosa. mas sobretudo formalmente constitucionais. mas isso tem uma razão de ser: as matérias de natureza alheia ao Direito Constitucional propriamente dito adentram nos textos das Constituições. promulgada. se de um lado realmente elevou vários direitos à categoria de constitucionais.originalmente contendo 315 artigos. oferecida e jurada por Sua Majestade o Imperador. apressar a sua reforma. a da Espanha (de 1978). Ocorre que isto configura uma "faca de dois gumes".8 Assim. pois. por outro lado. visando garantias que só as próprias Constituições proporcionam em toda a amplitude. em que poucas vezes se conheceu uma verdadeira democracia.3. com 311 artigos e a da República da Índia. como vemos. a de Portugal (de 1976).5 Classificação da Constituição Federal brasileira de 1988 Aplicando as tipologias a respeito das Constituições acima vistas. a Constituição da República do Paraguai. ou seja. que possui 296 artigos mais a Lei do Tribunal Constitucional. havia se reunido naqueles anos (fora convocada para tanto antes mesmo da Proclamação da Independência. dá azo aos argumentos de "ingovernabilidade". a "Constituição Política do Império". acabou sendo outorgada pelo Imperador Dom Pedro I. com 395 artigos. que. atualmente está com 324. paradoxalmente. o que fez com que se quisesse pôr o máximo de direitos nos textos constitucionais justamente para que aí desfrutassem da garantia de não serem suprimidos com tanta facilidade. Aqui vale uma observação: praticamente todas estas Constituições extremamente extensas surgiram em contextos de larga desconfiança em relação a recém-extintos regimes militares ditatoriais. a Imperial de 1824 (outorgada em 25 de março daquele ano). perdurou por todo o .

em 15 de novembro de 1889. a Constituição.Império e conferiu ao Estado então Unitário características centralizadoras (as Províncias não gozavam de autonomia para autoorganização. coadunar em seu texto as idéias liberais derivadas das Revoluções Americana e Francesa. c) Lei nº 105. eis que instituiu o voto censitário). os interesses particulares dos grandes proprietários rurais. com correções que julgava necessárias. Ademais. o Judiciário e o Moderador). Com a exacerbação do Poder Moderador (desde há muito não exercido por D. em determinado momento da monarquia implantou-se uma prática parlamentarista. em realidade. passando o Estado brasileiro a ser laico a partir de então. enfim. a saber: a) Lei. em 7 de abril de 1831) apressou-se o declínio do Império. de 12 de agosto de 1834 . nos termos da Lei. a partir da criação jurídica do teórico francês Benjamin Constant. Traduziu. concentrava o exercício de dois desses poderes: o Executivo e o Moderador. de 23 de novembro de 1841 . b) Lei nº 16. muda por completo sua estrutura: de um Império unitário e centralizador. de 12 de outubro de 1932 . o Príncipe D. Operou também a separação entre Igreja e Estado. após longa "Campanha Federalista" de inspiração norte-americana. Após as longas décadas de vigência da Constituição Imperial (dentre todas as Constituições brasileiras foi a que teve mais longa duração) podemos dizer que uma segunda fase de nossa história constitucional iniciou com a Proclamação da República. Inicialmente tivemos a "Constituição . eis que foi inspirada na "Constituição da Mandioca". que havia renunciado em nome de seu filho. na qualidade de Chefe Supremo da Nação. Procurou. Pedro I. À primeira e única Constituição do Brasil Imperial seguiram-se algumas leis que com ela mantinham estreita relação. um Legislativo bicameral (dividido em Câmara dos Deputados e Senado Federal) e um Judiciário independente. d) Lei nº 234."Criando um Conselho de Estado". Pedro de Alcântara. de 12 de maio de 1840 "Interpreta alguns artigos da reforma constitucional". de 12 de outubro de 1832" (denominado "Ato Adicional"). sendo que o Rei. passamos a uma República presidencialista. com novas funções e prerrogativas. previu uma divisão quadripartite do poder: única fase histórica constitucional em que tivemos quatro Poderes Constituídos (o Executivo. vedada pelo texto constitucional. com um Executivo presidencialista. Adotou-se a teoria tripartite de divisão do poder elaborada por Montesquieu. autogoverno e auto-administração) e."Faz algumas alterações e adições à Constituição Política do Império. mediante algumas concessões à soberania popular (malogradas. caracterizando o autoritarismo político que marcou o Império brasileiro. com a manutenção da monarquia."Ordena que os eleitores dos Deputados para a seguinte Legislatura lhes confiram nas procurações faculdade para reformarem alguns artigos da Constituição". federativa e descentralizadora (autonomia política e administrativa dos Estados-membros da Federação). o Legislativo. quando nosso Estado.

o que foi feito. É importante observar que na Constituinte de 1934 foi apresentado projeto de instituição de uma Corte Constitucional. derrogada por ato do então Presidente da República. por ter pela primeira vez entre nós incorporado direitos sociais. que pôs termo à Primeira República e instituiu o "Governo Provisório dos Estados Unidos do Brasil". período da efêmera vigência da nossa terceira Constituição. de 22 de junho de 1890) e. capitaneado pelo então Presidente Getúlio Vargas. pela previsão de "normas programáticas". durante toda a chamada República Velha. culturais. em sua grande maioria. Ao golpe seguiu-se a imposição da nossa quarta Constituição . o que não foi acolhido pela Constituição. em 1937. econômicos. Esta. de 16 de julho de 1934). pela inexistência ou difícil implementação da "verdade eleitoral" (uma vez que as eleições foram. trabalhistas. sindicais e previdenciários. mediante a decretação do "estado de sítio". onde se reconheceu o voto feminino. com a implantação do Estado Novo. que acabou derrogando a Constituição de 1891. A partir daí. Essa Constituição sofreu emendas em 1926. bem como se incluiu a proteção à família. a definitiva . de vida curta. se instituiu o voto secreto e a Justiça Eleitoral. através do Decreto Legislativo nº 6/1935 e acabou sendo abolida. portanto. de caráter marcadamente democrático. até 1930. mecanismos pelos quais até defuntos votavam e que.Provisória"."Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil". Essa novel inclusão da "ordem econômica" como matéria constitucional deve-se também ao exemplo da Constituição Mexicana de 1917. sendo esta a segunda brasileira e a primeira republicana. a de 1934 ("Constituição dos Estados Unidos do Brasil".nos Estados e pelas suspensões das liberdades públicas ante qualquer ameaça de desordem. marcadas e definidas por "votos de cabrestos". pelo Decreto nº 19. foi uma das mais belas Constituições que já tivemos. esta Constituição teve muitos de seus princípios violados. que suspendeu o curso da formação e afirmação de nossas instituições democráticas. Outra fase deu-se entre entre 1934 e 1937. ou melhor. das oligarquias locais no cenário político-econômico). em síntese. de 1890 (publicada pelo Decreto nº 510. Foi emendada em 18 de dezembro de 1935. pela primazia dos Estados economicamente mais fortes na condução do poder político público (Minas Gerais e São Paulo: "Política do cafécom-leite" e "Política dos Governadores"). pelas freqüentes intervenções . evento relevante foi a chamada "Revolução de 1930". de 24 de fevereiro de 1891. de 11 de novembro de 1930. fraudes nas urnas por meio dos "bicos de penas". evidenciam o predomínio do "coronelismo". Na prática.398. após.muitas vezes abusivas . tida como a versão sul-americana da Constituição Alemã de Weimar (de 1919). Uma quarta fase iniciou-se com o golpe de Estado de 1937. inspirada no modelo austríaco.

a pedido do ditador Vargas. Como resultou praticamente em uma cópia literal desta última. ficou alcunhada como sendo a "Constituição Polaca". dito de outra maneira. a fase da nossa história que ficou conhecida por "Estado Novo" teve uma Carta Constitucional que para muitos não passou de um engodo. Por fim. 23). não foi respeitada . mormente em seu aspecto social. de 18 de setembro de 1946). que viria a ser agora democrática. Não se realizou. afirmando que nenhuma lesão de direito individual poderia ser subtraída à sua apreciação. chegando-se a dizer que tão violada foi que sequer os privilégios que a si mesmo o governo havia inserido no texto constitucional foram observados. pelo menos. no campo dos direitos individuais. a Constituição de 1937 foi emendada pelo próprio Governo que a editou por inúmeras vezes. praticamente não foi executada. 1. destinado. ou. Previa. A partir daí. do regime do General Pilsudski. Alguns autores lhe atribuem inspiração fascista. logo depois. De cunho autoritário. alijaram-se da vida política os partidos políticos. que foi redigida por Francisco Campos.("Constituição dos Estados Unidos do Brasil". Prestigiou grandemente o municipalismo. alargou a competência do Poder Judiciário e. o regime autocrático fundado na Constituição de 1937 teve seu termo com a eleição de uma Constituinte para elaborar uma nova Constituição. Certo é. Assim. a Carta de 1937 "foi solapada.quase toda nem. o Parlamento e o povo. que traduziu-se em uma ruptura com a história constitucional do Brasil. marcando a superação dos anos ditatoriais de Getúlio Vargas e lembrando em muito o texto constitucional de 1934. uma quinta fase constitucional iniciou-se com o advento democrático da igualmente democrática Constituição de 1946 ("Constituição dos Estados Unidos do Brasil". outorgada em 10 de novembro de 1937). sequer. a disfarçar um regime ditatorial em toda a amplitude do conceito. chegava a registrar em seu Preâmbulo que ela haveria de conter meios extraordinários para combater o Comunismo. assim. existiu". (Comentários à Constituição de 1946. 80) que deveria ser submetida a um plebiscito nacional para ser aprovada. em seu texto (art. Conforme Pontes de Miranda. para além de retomar o rol já contemplado pela Constituição de 1934. acresceu a garantia de acesso incondicionado ao Poder Judiciário. para alguns historiadores de nossa constitucionalidade. até a queda de Vargas em 1945. E. p. bem como inovou com o princípio da liberdade de criação de partidos políticos (pluralismo partidário baseado na garantia de direitos fundamentais e . tendo ela sido elaborada pela Assembléia Constituinte convocada para tal em 2 de fevereiro de 1946. pelos seus próprios autores. tendo o apoio das forças armadas e como "modelo" a Constituição polonesa de 1935. reimplantou o bicameralismo no Poder Legislativo. mas tal plebiscito nunca se realizou. v. Apenas para termos um exemplo disso. a Carta de 1937 operou uma "deformação democrática". por meio de "Leis Constitucionais". pura e simplesmente.

inseriu-se o Ato Complementar n° 40/1968 que. já que este afirmava manter "em vigor a Constituição de 1946". extinguiu os partidos políticos. pelo reconhecimento do direito de greve. 26. por conta das modificações então introduzidas. ainda que tecnicamente tenha vigorado por praticamente 21 anos (de 1946 a 1967). Está em vigor uma Constituição outorgada pelo movimento revolucionário cujo conteúdo corresponde ao da Constituição de 1946. em 24-1-1967. embora inicialmente "respeitada pelo regime militar". a partir do Ato Institucional de 9 de abril de 1964. distorção contornada com a expedição do AI nº 6/1969. tendo inclusive a Emenda nº 4/61 instituído o sistema parlamentar de governo que. Muito discute-se a respeito do exato momento em que a Constituição de 1946 deixou de vigorar. "não é propriamente a Constituição de 1946. da primeira Constituição do Regime Militar entre nós implantado desde 31 de março de 1964 ("Constituição do Brasil"). Para a feitura da Carta de 1967 o Congresso Nacional foi convocado para "discussão.com restrições de não serem contrários ao regime democrático). 133) Assim. que com vários Atos Institucionais (de números 5 a 17) e entre estes. 99 e 136 daquele texto constitucional. mais quinze. pela coibição do abuso do poder econômico. diz Manoel Gonçalves Ferreira Filho. que está em vigor. na prática. ou ainda. 1997. instrumento que ratificou as emendas operadas através do referido Ato Complementar. desde 1961 as diversas emendas operadas em seu texto denunciavam uma série de crises institucionais que se davam no Brasil. mais apropriadamente com o impacto que sofreu pelo Ato Institucional nº 2. 24. após o AI n° 5/1968. p. após plebiscito desaprovando-o. Uma sexta fase iniciou-se com a outorga. ao "arrepio da técnica legislativa". que. Na verdade. foi substituído pelo já entre nós tradicional presidencialismo. com as modificações por ele introduzidas. de 9 de abril de 1964. dentre outras medidas. o que se pode verificar pela subsunção da propriedade privada ao "bem-estar social". Os valores coletivos nela também tiveram destaque. dentre outros direitos trabalhistas e previdenciários. de 7 de dezembro de 1966. certo é que o movimento militar de 1964 rompeu com a ordem constitucional de 1946.Ato Institucional nº 4. estabelecida pela Constituinte de 46. através da Emenda nº 6/63." (apud BASTOS. com as alterações que ele próprio introduz. A Constituição de 1967 teve cunho centralizador no âmbito federal e fortalecedor do Poder Executivo (inclusive com poderosas . é possível dizerse que tenha sido superada já com a edição do primeiro Ato Institucional (de 9 de abril de 1964). fez acréscimos aos artigos 13. Entre 1950 e 1963 recebeu seis Emendas Constitucionais e. eis que. sob o ângulo jurídico. De todos os modos. após o Ato Institucional nº 1. votação e promulgação do Projeto de Constituição apresentado pelo Presidente da República" .

De 189 artigos a Constituição passou a ter 200. podendo sua principal peculiaridade ser resumida na enorme preocupação que dispensou à "segurança nacional" (conceito jurídico indeterminado que permitiu diversas posteriores manipulações no texto constitucional) e na restrição à autonomia individual que acarretou. Isto faz com que muitos doutrinadores afirmem não ser a Constituição de 1969 uma nova Constituição. Embora não tendo vencido no Congresso Nacional a emenda (de autoria do deputado Dante de Oliveira) que propugnava eleições diretas. Seguiram-se à mesma. através da possibilidade de suspensão de direitos e garantias constitucionais. o texto constitucional "continuava a conviver com os atos institucionais. No dizer de Celso Bastos. Para o advento do novo texto constitucional contribuiu em muito a situação de instabilidade política vivida pelos brasileiros nos anos de 1967. Foi após o pleito de 1982 (primeira eleição direta para Governadores havida naqueles últimos anos) que mais se fortaleceram o movimento em prol de eleições diretas para a Presidência da República e a corrente em defesa da convocação de uma Constituinte para o País. ou seja. intensificando-se a campanha da oposição parlamentar. o que não se efetivou. Então. foi imposta por uma junta militar. a sétima brasileira.competências legislativas). a Carta de 1969 teve sua redação conferida pela Emenda nº 1/1969. afora as inúmeras alterações feitas na ocasião em seu texto. conseguiu-se. destacando-se a criação de nova causa de perda de mandato parlamentar e o alargamento da possibilidade de censura em relação a publicações "contrárias à moral e aos bons costumes". E. p. "promulgaram" a nova redação da "Constituição da República Federativa do Brasil". 1968 e 1969. por fim. neste particular. pela qual os Ministros da Marinha de Guerra. desprezando-se por completo. eleger-se um civil em 15 de janeiro de . em 17 de outubro de 1969. uma sétima fase de nossa história constitucional é marcada pela publicação da "Emenda Constitucional nº 1". do clero mais "progressista" e dos movimentos estudantil e dos trabalhadores contra o governo militar e o brado pela convocação de uma Assembléia Constituinte. a partir do processo de redemocratização do País e do conseqüente abandono de práticas ditatoriais no comando do Estado e no trato da coisa pública. mesmo através do Colégio Eleitoral. a teoria do Direito Constitucional. o que enfraquecia brutalmente a parte aproveitável do seu conteúdo" (1997. mas como tal Carta alterou substancialmente a Constituição então emendada. 27 Emendas Constitucionais (de 1/1969 a 27/1985). mas apenas uma Emenda à Constituição de 1967. forma especialmente anômala de nascimento de uma Constituição. temse que configura uma nova Constituição. do Exército e da Aeronáutica Militar. promulgada em 5-10-1988. estando decretado em recesso o Congresso Nacional. temos a oitava Constituição brasileira. 139). Verdadeiramente. em ordem numérica.

o relator apresentou um substitutivo ("Cabral zero").320 emendas apresentadas a este substitutivo.790 emendas de plenário e 122 "populares". continuando em um segundo turno de votação a partir do final de julho. enfim. depois passou para 8 Comissões temáticas que elaboraram anteprojetos à Comissão de Sistematização. Embora o governo havia convocado uma comissão ("Afonso Arinos") para elaborar um projeto de Constituição. capitaneada pelo "Centrão" (grupo de parlamentares interpartidário contrário aos critérios regimentais). antecipando as dificuldades com que o andamento dos trabalhos iria se deparar na seqüência. A partir daí. após duas décadas de restrições e cerceamentos no exercício dos mesmos e de supressão de liberdades públicas em . Esta última corrente saiu vencedora e os próprios congressistas foram os constituintes. o qual também recebeu 20. o mesmo não foi remetido à Constituinte. e nisto assemelhou-se à feitura da Constituição de 1946. denunciando a fragmentação e a falta de sistematização dos trabalhos constituintes. a Constituição recebeu imediatamente a alcunha de "Cidadã" por parte de seu idealizador. Teve seu regimento interno aprovado apenas em 24 de março. Tal alcunha deveu-se à restituição ou ao resgate que em seu texto se fez da ampla cidadania e dos direitos humanos fundamentais. já que todas as aprovações teriam que se dar pela maioria absoluta dos constituintes. sendo que uns a queriam autônoma e independente e outros desejavam a conversão do próprio Congresso Nacional a ser eleito em novembro de 1986 em Assembléia Constituinte. frustrando a expectativa da maioria do povo. Iniciou a ser redigida em 24 Subcomissões. em 27 de janeiro de 1988 o plenário reuniu-se para iniciar as votações. então Presidente de Supremo Tribunal Federal. sendo que já no dia seguinte foi eleito seu Presidente o Deputado Ulysses Guimarães. desejosa de uma Constituinte Exclusiva. em 5 de outubro de 1988. recebeu 5. Houve muitas divergências sobre o caráter desta. assim. Promulgada. os trabalhos não partiram de um pré-projeto. houve insurgência da maioria dos parlamentares contra dispositivos regimentais e encaminhou-se em 10 de novembro uma mudança nos mesmos. Diante disto. agora com 374 artigos ("Cabral I"). novo substitutivo. sendo que este. por sua vez. o relator elaborou outro substitutivo com 336 artigos ("Cabral II"). que começou a ser votado pela Comissão de Sistematização em 24 de setembro de 1987. Após novas 14. Mas como a Comissão de Sistematização não poderia fazer as vezes do plenário. sob a presidência do Ministro José Carlos Moreira Alves. Após esta vitoriosa iniciativa. A Assembléia Nacional Constituinte foi instalada em 1º de fevereiro de 1987. o que foi usado como estratégia para uma próxima convocação da Assembléia Nacional Constituinte.615 emendas. A reunião destes anteprojetos em um único texto resultou em uma peça com 551 artigos (alcunhada de "Frankenstein").1985. Ulysses Guimarães.

no artigo 5º. República Presidencialista. tal conteúdo acaba por repetir-se direta ou indiretamente quando a Constituição trata de direitos e garantias fundamentais. Há que se relembrar. que no . Ademais. Esclarecimentos Prévios Iniciamos a análise do texto constitucional diretamente em seu artigo quinto. Ditadura Civil. em 1934 a influência de cunho social alemã. Adiantamos. na seqüência as idéias federalistas e presidencialistas dos Estados Unidos da América do Norte. sempre com Constituições que pouco refletiram a verdadeira pauta de valores desejada pelo povo. Como corolário deste item sobre o histórico de nossas Constituições. também. em 1988. e estes são tratados por excelência. podemos afirmar que aparecem nítidas influências teóricas e textuais de Constituições de outros países influenciando nossos textos: inicialmente as idéias liberais da França. o único detentor legítimo daquele poder capaz de criar uma Constituição. pois enquanto há mais de duzentos anos os Estados Unidos da América do Norte mantêm a mesma Constituição republicana e presidencialista. forte inspiração buscada no texto constitucional português. República Parlamentarista e até Democracia. Não queremos com isso fazer um balanço dicotômico no sentido de ser produtivo ou não. em 1937 "transplante" de princípios vigentes na Polônia e. acatadas como se sempre vestíssemos "manequins emprestados". a perspectiva descentralizadora da CF/88 e o fato de a mesma ter instituído um Estado Democrático de Direito. apenas demonstrar que refletem-se aqui as correntes de pensamento de outros centros. uma vez que o constante no Preâmbulo e nos artigos primeiro ao quarto já foi abordado na Primeira Parte desta obra. Capítulo I Direitos.geral. deveres e garantias fundamentais constantes no artigo 5º da Constituição Federal brasileira de 1988 . Ditadura Militar. por ora. em igual e mesmo período o Brasil já foi de tudo: Colônia. Império. mais especificamente quando tratamos dos "Princípios Constitucionais Fundamentais". bom ou mau. mas deixamos a análise das inovações trazidas em seu texto para a segunda parte desta obra: Direito Positivo Constitucional. embora não exclusivamente. E sempre é bom que os estudantes reflitam em cima destes dados.Desdobramentos 1.

Essa igualdade máxima entre todas as pessoas deve ser observada na lei e também perante a lei. dentre todos os demais. além de formal. conta com a mais extensa abordagem nesta obra. sem distinção de qualquer natureza. que não são mais do que promotores da igualdade concreta. E essa abordagem a fazemos sob a forma de desdobramentos dos significados dos respectivos direitos e garantias. de gênero. nenhum texto legal infraconstitucional ou mesmo qualquer outra regra constitucional pode produzir ou reproduzir desigualdades. sendo essa a igualdade de cunho econômico. também conhecido como Princípio da Isonomia. E. etc. ainda.112/90) ou mesmo no setor privado (diz a Lei nº 8. isto é.213/91. poderiam ser tomadas como privilégios ou agressões à essa regra isonômica de que falamos. para tentar igualizar as pessoas na prática é que existem tais mecanismos. na realidade concreta.). pela Lei nº 8. em um primeiro momento. mas quase sempre em grau de acesso e participação.artigo 5º existem direitos. 2. em seu artigo 93. assim. como por exemplo a previsão de reservas de vagas para os portadores de deficiência física nos concursos que se realizam para a admissão nas empresas públicas (20%. isto é. existem no próprio ordenamento jurídico como um todo algumas regras que. que a tão sonhada igualdade entre os seres humanos pudesse ser. também material...1 ou ainda as chamadas "Ações Afirmativas". isto é. em nível de escolaridade. afirma-se óbvio que um tal entendimento amplo desse Princípio de primeira grandeza exige interpretação constitucional compatível. buscando com isso ampliar ao máximo o entendimento acerca dos mesmos. . justamente por ser o mais longo da Constituição e por tratar dos principais direitos e garantias fundamentais que possuímos. figurando como justa e legítima reivindicação de parcelas significativas da população. Cabe observar. na materialidade da vida. então. que pudesse deixar de apenas estar registrada nos textos das leis para efetivamente se fazer verificar no mundo real. À Igualdade E À Segurança Inicia o caput do artigo 5º dizendo que todos "são iguais perante a lei. à análise dos 77 incisos do artigo em pauta. Mas também desejou o constituinte originário de 1988. À Liberdade. deveres e garantias tanto individuais quanto coletivos. que o artigo 5º. Então. Temos aí a consagração constitucional do Princípio da Igualdade.)". para dar-lhe a maior aplicação possível. ou ainda como Regra Isonômica. E para tentar maximizá-lo. Direitos À Vida. Esse é o conteúdo da igualdade jurídica. (. através da garantia da indistinção das pessoas. que costumam ser direcionadas a parcelas minoritárias da sociedade (seja racial. nem sempre em número. Passamos. que toda a empresa com 100 ou mais funcionários deve ter de 2 a 5% de seus cargos ocupados por portadores de deficiências físicas).

Por fim. portanto. incluindo os réus. porque o mesmo significa a descida do Princípio da Igualdade na historicamente discriminatória e polêmica seara dos gêneros humanos: o masculino e o feminino. A igualdade em direitos e obrigações era requisitada pelas mulheres já há muito tempo. por posse de deficiência física. 6º. embora estas duas últimas sejam de difícil erradicação.121/62 (Estatuto da Mulher Casada) a mulher era considerada relativamente incapaz (art. No presente inciso o constituinte originário reforçou a idéia da igualização dos gêneros já anunciada no caput do artigo. a excepcionalidade do juízo corporativo. raça. são iguais perante a lei. que até o advento da Lei do Divórcio (Lei nº 6. já que é princípio pétreo da Constituição que todos. etc. mormente nas relações trabalhistas. enfim. se extinguisse a Justiça Militar estadual. e quiçá morais e sociais entre ambos os sexos. seja por orientação ou opção sexual. sexo. a Constituição veda distinções de qualquer natureza entre as pessoas. Código Civil de 1916). quando se grafa "nos termos desta Constituição". para que. que até o advento da Lei nº 4. jurista e humanista que ocupou a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo."). significa . citamos exemplos para demonstrar que todas essas gradativas conquistas possuem como corolário a constitucionalização expressa do Princípio da Igualdade entre os gêneros. Nunca será demais recordar que. sem preconceitos de origem. Aqui importa trazermos a importante proposta feita pelo constitucionalista José Afonso da Silva. Ingressamos também já no primeiro inciso do artigo 5º ("I . em que é muito comum a percepção de salário diferente para função igual.515/77) vigia entre nós o Princípio da Indissolubilidade do Casamento. na tradição do modelo patriarcal de família no Brasil implantado (por grande influência do Código Civil Napoleônico de 1804). por reforma constitucional.homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. o voto feminino só foi conquistado em 1932. principalmente no campo dos direitos de família. 3º da CF/88: "promover o bem de todos. necessitando da autorização (se casada) do marido para comerciar (conforme artigos 1º e 27 do Código Comercial) ou trabalhar fora de casa e. do trabalho e dos negócios. eleitoral. há que se relembrar o conteúdo do inciso IV do art. prevalecia a decisão do pai em caso de divergência. que ao longo dos séculos tiveram a si associada uma carga culturalmente elaborada para determinar o espaço de um e de outro na sociedade (esferas pública e privada). salvo para a apuração e punição de faltas disciplinares. nos termos desta Constituição. embora pelo texto dessa Lei o pátrio poder passou a ser exercido em colaboração. idade e quaisquer outras formas de discriminação". cor. com o intuito de impossibilitar diferenciações jurídicas. Ou seja.Ainda em relação ao Princípio da Igualdade. não se justificando.

. 2º) o direito à sobrevivência. por exemplo. a eutanásia (o homicídio eutanásico. também amplamente considerada como valor supremo. supranacionais. 1997. impedindo torturas ou tratamentos desumanos ou degradantes (art. à liberdade. de banimento ou cruéis (art. como por exemplo o previsto no inciso XX do art. em que esta. recebe atenuantes. enquadrando-se na definição de homicídio simples. Importa observar que a Constituição. tal prisão será passível de correção por intermédio de um hábeas corpus). 5º. nem o consentimento lúcido do doente exclui o sentido delituoso da eutanásia. "morte bela". devido à característica de serem as garantias constitucionais em sua grande maioria também direitos humanos fundamentais e. o que sói acontecer quando. uma vez que se tem que o direito à vida consagrado na Constituição Federal não permite às pessoas da vida disporem. pressupondo o cumprimento de todos os direitos e garantias sociais e trabalhistas previstos nos artigos 6º e 7º da Constituição Federal. desde que em situação regular (assim. Do mesmo modo. E a Constituição efetivamente faz algumas distinções entre os gêneros sem que isso configure um atentado ao Princípio da Igualdade. previsto no artigo 184 do Código Penal Brasileiro). inciso III) e penas perpétuas. 5º. continua sendo homicídio doloso.. à igualdade. por isso. E segue o caput do artigo 5º: ". por serem estas efetivamente os sujeitos de direitos. devendo aqui apenas relembrarmos que. 3º) o direito a tratamento digno. inciso XLVII. ainda que em situações dramáticas [SILVA. "homicídio piedoso". 7º (que prevê a proteção do mercado de trabalho da mulher). que vem a ser a vedação a qualquer forma de homicídio.. (. tutela o direito à vida das pessoas. 198] e. as mesmas alcançam aqueles estrangeiros nãoresidentes no Brasil. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. não há que se falar em violação da Regra Isonômica quando a discriminação quanto ao sexo é necessária. inciso XLVII. 5º. p.)". mas como a .que só a Constituição pode estabelecer distinções (e nunca as leis infraconstitucionais de per si). A situação dos estrangeiros que não residem no Brasil já foi abordada em Direito Constitucional I. cuja pena é de 6 a 20 anos) e o aborto (exceto o "aborto legal". alínea "a"). tais como a pena de morte (art. porém. também conhecido como "morte branda". "c". portanto. à segurança e à propriedade.. alíneas "b". um concurso para selecionar mulheres a vagas na Polícia Feminina só admita inscrição de mulheres. se um francês em férias pelo Brasil é preso ilegalmente. Continuamos agora com a abordagem do direito à vida. que no Brasil não é disciplinada autonomamente. para não agredir a vida. "d" e "e"). em primeiro lugar. de trabalhos forçados. não admite ser violada e pode ter no mínimo os seguintes desdobramentos: 1º) o direito a não sermos mortos. por exemplo.

37 da Constituição Federal e possui um significado diverso. pois sem condições mínimas de vida digna as pessoas não podem ser livres. etc. 3. 4º) o da liberdade de associação (art. para os cidadãos em geral. bem como o de transportar seus bens. 5º. XXIII. Quanto ao direito à propriedade. aliás. circunstância em que o Poder Público poderá até impedir a entrada e a saída de pessoas do território nacional. Por sua vez o direito à segurança compreende não somente o dever de o Estado tutelar os bens públicos e a vida privada (e seus respectivos bens) por meio da segurança pública. 5º. mandado de segurança (individual e coletivo). os que auferem rendas pagam antecipadamente. 2 em tempo de paz. é crescente a defesa do direito à vida bem como a mais ampla proteção também para plantas. dentre outros. ficar e permanecer. 2º) o da liberdade de consciência (art. 5º. possibilita a Constituição Federal vários instrumentos-garantias contra atos abusivos do Poder Público em geral. continuam oprimidas pelas desigualdades fáticas. XXIV e XXV do mesmo artigo. animais. etc. a liberdade humana garantida na Constituição deve ser compreendida como ampla. VI). tais como habeas corpus. Já o direito à liberdade em sua acepção mais lata tem como pressuposto a igualdade material-econômica que mencionamos acima. IV). Significa. quando formos abordar os incisos XXII. englobando também a livre escolha da profissão. conforme o disposto no inciso XV do artigo em pauta). mas também a segurança jurídica. XVII). o Princípio da Legalidade está previsto no caput do art. que é permitido tudo aquilo que não for proibido. embora esteja elencado como um dos invioláveis direitos previstos no caput do art. 3º) o da liberdade de expressão (art. 5º) o da liberdade de exercício de profissão. para os administrados. isto é.vida no meio ambiente é indispensável para a sobrevivência dos seres humanos. recursos hídricos. habeas data. Princípio Da Legalidade O Princípio da Legalidade está consagrado no inciso II do art. 5º. deixamos para tratá-lo em separado. ao contrário. projetando-se. no sentido de que os órgãos e agentes públicos só podem fazer aquilo . isto é. Assim. que vem a ser o direito que a pessoa possui de. sem qualquer autorização ou interferência. configurando a chamada "legalidade estrita". ir e vir. pela qual os destinatários de um ordenamento jurídico gozam de certas garantias que os protegem contra as arbitrariedades legislativas ou mesmo judiciais. que pode ser restringida em tempo de guerra. 5º: "Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". nos seguintes aspectos: 1º) o da liberdade física (também dita liberdade de locomoção e de circulação. Já para a Administração Pública. pela qual. em relação ao território nacional.

que assegura aos presos "o respeito à integridade física e moral". exercem atividade sub lege. Assim. algum tipo de confissão das pessoas torturadas. por uma simples e básica razão: é crime em si! Por sua vez. é dizer. como os exemplos clássicos utilizados pelos "donos do poder" nos regimes ditatoriais ("pau de arara". também dizendo respeito à maneira de aplicação das penas permitidas constitucionalmente. A respeito da tortura. que proíbem as penas: "a) de morte. Por tortura devemos entender a prática de medidas de cunho físico.). 84. que agrediriam a dignidade da pessoa humana.que está previsto na lei. bem como ao inciso XLVII e suas alíneas. na Favela Naval. hipnoses. sob a lei. 5º: "Ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante". Na verdade. 5º) e pela lei que a regulamentou neste particular. senão reabilitadora. quase sempre para obter. forçosamene. até o advento da Lei nº 9. 4. enquadrava-se a mesma no tipo penal "lesões corporais". mais especificamente. após quase oito anos. de 7 de abril de 1997. o tratamento desumano ou degradante proibido pelo texto constitucional refere-se a todas as garantias de bons tratos que deve ter tanto um acusado quanto uma pessoa que esteja recolhida aos manicômios. evitando que violência gere mais violência. o que só veio a acontecer em 1997. ligando-o diretamente ao inciso XLIX. cumpre informar que desde 1989 tramitava em nosso Congresso Nacional um projeto de lei visando transformá-la em crime autônomo. até porque a "missão" do sistema penal não é vingativa. Salientamos que. choques elétricos. c) de . XIX. ainda que posteriormente se comprove que um acusado efetivamente cometeu os crimes pelos quais sofreu acusações e por mais que possa parecer uma pessoa extremamente desumana aos olhos das vítimas ou da população em geral.455. etc. b) de caráter perpétuo. Assim. A Tratamento Desumano Ou Degradante E Proibição De Certos Tipos De Penas Que Atentam Contra A Dignidade Humana Diz o inciso III do art. devemos realizar a interpretação sistemática do inciso em comento. o tratamento digno é o único merecido por qualquer ser humano. bem como à vedação de alguns tipos de penas. uma semana após as imagens de torturas e homicídios cometidos por policiais na caso da truculência policial filmada e televisionada em rede nacional. em Diadema/SP. moral ou psicológico ofensivas à integridade humana. por esta Constituição (incisos III e LVI do art. nos termos do art. Vedação À Tortura. a confissão obtida sob tortura não vale como prova de crime. isto é. Estas vedações são garantias penais máximas às pessoas. salvo em caso de guerra declarada. ainda assim deve merecer todo o tratamento digno possível. percebendo seus autores penalização bem mais leve. Logo. que tipificou o crime de tortura.

já aludida acima: a de que o sistema penal tem por função reintegrar o indivíduo à sociedade. esta era admitida em nosso Código Criminal Imperial de 1830. tendo sido abolida pela Constituição Federal de 1934. que o condenado carregasse. pela Lei de Execução Penal. Pode até ser que em algum caso um condenado já em idade avançada e que seja condenado a uma pena longa. Para iniciarmos. Seja qual for a conotação adotada. como Amaral Netto e Farabuline Júnior. o teto máximo que poderá cumprir será o de 30 anos. considera que a sobrevivência da nacionalidade é um valor mais importante do que a vida individual de quem porventura venha a trair a pátria em momento crucial (SILVA. seja qual seja a condenação (exemplificando: uma pessoa pode ser condenada por 120. por exemplo. mas isso não significa que a pena que lhe foi aplicada seja perpétua. embora a mesma tenha tido defensores renitentes no Brasil. implicaria. conforme seu art. d) de banimento. temos que o trabalho realizado inerente ao cumprimento da pena é atividade ocupacional do presidiário com finalidade educativa e produtiva. uma quantidade exagerada de pedras. a única exceção que se admite é no caso de traição à pátria em caso de guerra externa declarada. p. enquanto pena. 1997. pois assim estabelece o art. Foram épocas cruéis e irracionais. 75 máximo diploma Penal brasileiro em relação às penas privativas de liberdade.". A pena de trabalhos forçados pode ter duas conotações. até porque nem em teoria existiam. uma que toma o termo "forçados" stricto sensu. A pena de morte é a dita pena capital. e como o fará se este indivíduo for morto inicialmente ou restar na prisão até a morte? Ainda quanto à pena de morte. um pouco de História: o Código Penal brasileiro de 1830 registrava a pena de morte (que era dada na forca. Tanto ela quanto a pena perpétua basicamente são rechaçadas pelo nosso ordenamento constitucional penal por uma mesma e fundamental razão.trabalhos forçados. venha a encontrar a morte na prisão. diariamente. e uma segunda conotação. Quanto à pena de caráter perpétuo. a de galés perpétuas. é aquela que implicaria que o trabalho imposto ao condenado devesse ser realizado gratuitamente. conforme ensinamentos de José Afonso da Silva. 34). a de banimento. 45). e) cruéis. de prisão perpétua com ou sem trabalho. 198). significa apenas que a pena ultrapassou a expectativa de vida daquele apenado. de desterro e de degredo (art. como por exemplo a vinte e cinco anos. de maneira que tal tarefa lhe demandasse um esforço físico exagerado. que parece ser a mais visada pelos constituintes e pelos pensadores do Direito Penal e da Criminologia. Neste sentido. Pelo Código Penal em vigor. por 30 ou por 250 anos). onde os direitos humanos da pessoa acusada e punida não eram respeitados na prática. expressando a exacerbação do poder de punir. resta terminantemente proibida. está vedada a pena de trabalhos forçados. 3 quando a Constituição. evidentemente .

remunerada porque vedado o trabalho forçado (o piso da remuneração é fixado em seu art. 29). Também o Código Penal em vigor no Brasil (art. 39) diz que o trabalho do preso será sempre remunerado, sendo-lhe garantidos os benefícios da Previdência Social, e tudo encontra fundamento na superação do trabalho gratuito desde que extinta a escravatura, não fazendo sentido o trabalho gratuito, ainda que imposto pelo Estado, mesmo na execução da pena criminal, pois o trabalho tem uma expressão econômica. Por outro lado, apesar da gratuidade, a prestação de serviços à comunidade não se confunde com os trabalhos forçados. Aqui abrimos um pequeno parênteses para comentar um paradoxo: o de que temos vedados trabalhos forçados nas prisões, enquanto penas, mas temos na prática, para os homens livres, isto é, para aqueles que não sofreram qualquer condenação, o trabalho escravo, como é sabidamente praticado em alguns pontos do Brasil, assim como sabida é a ocorrência do trabalho infantil. A pena de banimento, por sua vez, consistiria na expulsão de um nacional de seu País, ou seja, no envio compulsório de brasileiros para o exterior, o que não se admite, uma vez que, se acaso o brasileiro tenha cometido aqui algum delito, o próprio País dispõe de meios penais e processuais penais para processá-lo e puni-lo, sendo esta a mesma justificativa que impede a extradição de brasileiro nato. Ademais, existem várias outras penas às quais pode ser submetido um brasileiro, mas não o banimento, o que seria muito duro, já que o colocaria em situação desfavorável ao ter que viver em outro País onde não teria a nacionalidade e a cidadania, além de estar afastado de seus familiares, de suas atividades profissionais, etc. Mas a História prova que tivemos a pena de banimento no regime militar, criada que foi pelos Atos Institucionais de números 13 e 14, de setembro de 1969, tendo também existido e sido aplicada pelo Código Criminal do Império (de 1830), pela qual se privava para sempre os réus dos direitos de cidadão brasileiro e se os inibia perpetuamente de habitar território do Império (art. 50). E, por fim, as penas cruéis seriam todas aquelas que causassem sofrimentos físicos ou que, de alguma ou de outra forma, ofendessem a integridade física do condenado, como por exemplo receber "tantas" chicotadas todos os dias (açoite), ou as irracionais ordálias vigentes na Idade Média, ou ainda a marca de ferro quente que, dentre outras penas cruéis, foi abolida no Brasil pela Constituição Monárquica de 1824. De todos os modos, diz Luiz Vicente Cernicchiaro, a pena, em si mesma e na sua execução, não pode ofender a dignidade do homem, e chegar-se-á a essa situação sempre que o condenado for submetido física e moralmente a tratamento degradante, como o era a obrigação de o condenado sair à rua portando capela de chifres, disposição do Livro V das Ordenações Filipinas, ou o amarramento dos seus pés com barras de ferro a fim de impedir-lhe os

movimentos, a provocação de marcas no seu corpo (CERNICCHIARO, 1995, p. 142) e tantos outros exemplos que ficam para trás no transcurso da história penal e constitucional. Observamos ainda que, em relação ao inciso XLIX, o "respeito à integridade física e moral" dos presos é principalmente uma obrigação imposta ao Estado, significando que os órgãos públicos responsáveis pelo encarceramento (provisório ou definitivo) ou pela administração de qualquer outra pena aos condenados devem destinar-lhes tratamento digno, sob pena de, em falhando neste preceito constitucional, sofrer o dever de indenizar o próprio preso ou seus familiares. Por exemplo: já houve decisão judicial (e inclusive há jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça a respeito) condenando o Estado por responsabilidade civil, devendo indenizar familiares de um preso que foi assassinado na prisão por outro preso, colega de cela; considerou-se, no caso, que a sentinela estatal falhou no cumprimento de seus deveres de guardar a convivência pacífica em um presídio, já que o Estado tem a obrigação de oferecer aos detentos vigilância constante e eficiente. 5. Liberdade De Expressão, Direito De Resposta, Dano Moral E Vedação À Censura A liberdade de expressão é amplamente considerada em vários pontos do artigo 5º da Constituição Federal, iniciando pela expressão do pensamento, isto é, pela sua exteriorização, nos seguintes termos do inciso IV: "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato" e, na continuação, o inciso V garante: "é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem". O pensamento humano, enquanto não exteriorizado, é indevassável, isto é, não há como nele se penetrar, pois uma vez não sendo conhecido não poderá ser indagado, tampouco invadido. Assim, as pessoas podem pensar coisas terríveis, imorais, ilegais, ofensivas, etc. e nunca ninguém vir a saber, assim como nunca o autor de tais pensamentos virá a ser punido por tê-los pensado. Mas uma vez exteriorizado, poderá sofrer restrições, e por isso há que se cuidar muito bem o conteúdo que se externa e os termos com que se o faz, porque, em sendo obrigatório assumir a autoria do que se diz, se mostra ou se escreve, está o autor sujeito a receber compulsoriamente uma resposta, concedida como direito a um hipotético ofendido, ou ainda, e o que é mais grave, sujeito a ter que indenizar pecuniariamente os danos causados à imagem, à moral ou ao material de outrem. Já dizia um brocardo latino que "o homem é o senhor do seu silêncio, mas escravo de suas palavras". Ou seja: temos que assumir o que dizemos, ou melhor ainda, assumir a autoria de tudo o que expressamos de uma ou outra maneira, e justamente para isso mesmo é que a Constituição prevê a vedação ao

anonimato, possibilitando a identificação do responsável pelas opiniões emitidas. O impedimento do anonimato é, assim, um dever que existe de forma simétrica à plena liberdade de manifestação do pensamento. Logo, não terá liberdade de manifestação aquele que quiser ocultar a própria identidade. Por fim, o direito de manifestação do pensamento engloba os direitos de manifestação da opinião, de discurso e de imprensa. O direito de resposta o vemos sendo exercido muito seguidamente em nosso País em épocas de campanhas eleitorais. De um modo geral, esse direito possibilita a defesa do ofendido contra qualquer imputação que lhe tenha sido feita de modo ofensivo e/ou prejudicial, não isentando, porém, o responsável pelas conseqüências de seu ato, ou seja, além do direito de resposta, o ofendido possui também o direito de pleitear indenização pecuniária, vindo o ofensor a responder judicialmente pelos seus excessos. Há que se ter em conta, por fim, que o direito de resposta é concedido "proporcionalmente ao agravo" sofrido, ou seja, de forma a não gerar novo direito de resposta, vedando-se, com isso, a tréplica. Cabe aqui, no âmago da liberdade de expressão, não só do pensamento como também das idéias, inserirmos a ampla discussão que se travou nos meios jurídicos quanto à constitucionalidade ou não da Lei nº 9.434/97, que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento. Não se questionava, ou tampouco se questiona, o seu significado humanitário, mas, sim, o fato de ter criado a presunção da anuência, introduzindo, assim, no direito brasileiro, a vontade presumida às avessas, pois que autoriza a retirada, depois da morte, de órgãos do corpo com a destinação de serem transplantados em corpos alheios, salvo se a pessoa, em vida, tiver documentado a sua recusa. Do ponto de vista de Walter Ceneviva, a regra constitucional é afrontada pela presunção de uma vontade não-manifestada, pois "a imposição da disponibilidade presumida do corpo ofende, durante a vida, os direitos da pessoa, pelo simples fato de impor que ela manifeste vontade que não queira manifestar".4 O direito à liberdade de expressão como já dissemos, é amplo e inclui também o previsto no inciso X do art. 5º: "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação". Os conceitos de "intimidade" e "vida privada" são muito próximos, correspondendo ao direito que a pessoa tem de não ser molestada, de viver por suas próprias escolhas, de acordo com o seu livre-arbítrio, não permitindo a intromissão de estranhos em sua intimidade e privacidade, ficando livre de qualquer forma de publicidade ou divulgação a respeito de sua pessoa que não queira suportar; por seu turno, também a "honra" e a "imagem" são conceitos interligados, referindo-se a imagem tanto ao domínio físico

das pessoas (suas representações concretas) quanto a "todo e qualquer modo pelo qual são conhecidas (a representação moral que têm de si mesmas, aferível objetivamente)" (CENEVIVA, 1991, p. 52). Podemos lembrar, ainda, que a ofensa à honra das pessoas pode dar lugar aos chamados "crimes contra a honra": calúnia (atribuição falsa de crime), injúria (ofensa à dignidade e decorro) e difamação (ofensa à reputação). Disciplinados pelo Código Penal Brasileiro, em relação a eles vige a regra de que cabe a quem alega provar o alegado, ou seja, não cabe ao ofendido provar que é mentira o que se disse a seu respeito, mas sim ao ofensor provar que é verdade o que disse. O dano moral, previsto nos incisos V e X já referidos, é novidade consagrada na Constituição Federal de 1988 e representa a ofensa aos valores éticos de alguém. É indenizável, tratando-se pois da "responsabilidade civil", sendo que pela reparação monetária do dano moral e da imagem pretende-se resguardar a dignidade e a privacidade das pessoas. O valor da indenização é arbitrado pelo juiz da causa, seguindo-se as determinações do art. 1.553 do Código Civil Brasileiro. A liberdade de expressão encontra, por fim, eco profundo no conteúdo do inciso IX, onde é amplamente garantida para as atividades intelectual, artística, científica e de comunicação, mas é óbvio que, por mais amplas que sejam estas garantias, deverão sempre ser exercidas levando-se em consideração o disposto no inciso X, acima visto, visando a manter um equilíbrio interpretativo a respeito de vários direitos e garantias constitucionais de igual importância e hierarquia. Há que se fazer, no entanto, uma ressalva em relação à expressão realizada por meio da comunicação, para a qual a liberdade não é absoluta, uma vez que sofre algumas limitações, impostas pela própria Constituição, determinadas nos artigos 220 a 224, constantes no Capítulo da Ordem Social. Precisamos recordar, por outro lado, que de 1964 a 1985, nos 21 anos de Regime de Exceção no Brasil, o regime militar acabava por decidir que notícias os brasileiros podiam ou não ler, que canções podiam ou não cantar, que filmes podiam ou não assistir; também decidia que brasileiros deveriam ser ou não torturados, mortos, exilados, banidos, cassados, sem o menor respeito à lei e à Constituição do País. Partimos dessas lembranças para vangloriar o feito de que na Constituição Federal de 1988 a censura foi completamente eliminada, nos termos do inciso IX do art. 5º: "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença". Podemos considerar como "censura" todo o procedimento por meio do qual os Poderes Públicos visam a impedir a circulação de certas idéias, seja de conteúdo político, sexual, religioso, etc. Amplamente

a vigente Lei de Imprensa (Lei nº 5. Neste quadro. Urge. as matérias produzidas pelos jornalistas iam para a análise da Polícia Federal antes de serem publicadas. A liberdade de consciência é inserida no contexto da liberdade de opinião e tem por objeto a moral e a religião. na forma da lei. Explica-se: elaborada em uma época de total e irrestrito domínio dos militares é. desde que não vedado por lei". como forma de protesto. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida.250 de 1967) é por muitos considerada incompatível com o Estado de Direito que vige a partir da Constituição Federal de 1988.falando. não era vazia de sentido. sua reformulação e adequação ao espírito libertário e democrático da nova Constituição. Tudo isso é uma pequena amostra que nos permite crer que a frase "a caneta é livre. muito dura nas penalidades e proibições que impõem àquelas pessoas que exercem profissões ligadas à expressão do pensamento. muito se usou da censura para cercear a liberdade de expressão em nosso recente regime militar. que funcionou de 1972 a 1977. naquela época. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias". uma vez que uma consciência livre pode mesmo não ter crença alguma. Normalmente. por vezes. atribuída ao jornalista Samuel Weiner. podemos dizer que seria uma espécie de patrulhamento ideológico. portanto. Estado Laico E Excusa De Consciência Estes assuntos estão contemplados basicamente em três incisos do art. porque terminava com a frase "as pretas ganharam". 6. alguns jornais convencionavam publicar aí receitas culinárias. mais especificamente à imprensa. Para Walter Ceneviva. Como já mencionado. em branco ou. revelando uma evidente preocupação do regime ditatorial também com a questão racial. Diz-se que até um artigo sobre xadrez foi cortado pelo censor. principalmente para impedir a disseminação de idéias contrárias ou. Mas há que se observar que a liberdade de consciência é distinta da liberdade de crença. tendo sido o mais censurado de todos. pelo menos. podemos citar o caso do "Jornal Opinião". sem restrição. Liberdade De Consciência E De Crença. mas o papel tem dono". se assim não fosse. ao passo . o certo e o errado. 5º: o VI. causando-lhes muitos embaraços no exercício profissional. como por exemplo ser adepta dos movimentos ecologistas ou dos movimentos pacifistas. ou aderir a valores morais e espirituais que não sejam religiosos. Como um dos exemplos históricos. a liberdade de consciência corresponde ao "direito de fazer e de pensar. Quando havia cortes. o VII e o VIII. o espaço saía em preto. o primeiro de oposição ao regime militar. Diz o inciso VI: "é inviolável a liberdade de consciência e de crença. os censores ou censoras trabalhavam nas redações dos próprios jornais ou. críticas e de oposição à oficialidade de plantão.

para que prestem tais assistências religiosas (desde que de aceitação voluntária). enquanto espaços para a exteriorização da crença. mas que servem para balizar amplamente o respeito aos direitos humanos fundamentais. uma vez que os cultos somente poderiam ser realizados nos templos pelos católicos. Mas. pois isso fere frontalmente a dignidade da pessoa humana. por viger entre nós o Princípio da Separação entre o Estado e a Igreja. inclusive queimando nas fogueiras da Santa Inquisição os hereges e todos aqueles que discordavam de suas orientações. o que implica respeito a outras crenças que não aquelas geralmente padrões na cultura ocidental (por exemplo. a igreja católica teve intenso predomínio. durante todo o Império os arcebispos e bispos eram nomeados pelo governo e faziam-se restrições políticas aos não-católicos. Porém. Estamos diante de uma faculdade que a Constituição reconhece aos particulares. "a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva". embora o texto constitucional não restrinja. é óbvia a necessidade de todas as crenças e de todos os exercícios de cultos religiosos observarem "a ordem" e os "bons costumes". "às outras religiões apenas era permitido o culto doméstico ou particular". uma vez que o Estado não pode se imiscuir em questões religiosas por ser laico. que a garantia de liberdade religiosa é uma aquisição evolutiva da humanidade. Em consonância com este Princípio está o disposto no art. É dizer: a Constituição não ampara. também da CF/88. por fim. enquanto um direito individual. No mesmo inciso vemos a proteção aos locais de culto e suas liturgias. p. que são conceitos indeterminados (o que por si só é um perigo). ao Distrito Federal e aos Municípios o estabelecimento de cultos religiosos ou igrejas. 1998. 1991. há . 51). por exemplo. Já o Brasil admitiu a liberdade religiosa em sua primeira Constituição.que crença tem para este autor o sentido de "fé religiosa ligada ou não a uma denominação organizada" (CENEVIVA. a Constituição assegura às pessoas ampla liberdade de consciência e de crença. proibindo também a manutenção com eles ou com seus representantes. 103). contemplando integralmente a liberdade de crença. mas apenas parcialmente a liberdade de culto. de relações de dependência ou aliança. nos termos da lei. como bem lembrado por Pinto Ferreira. Ademais. isto é. sua subvenção ou a criação de embaraços ao seu funcionamento. uma religião ou uma seita religiosa que exija o sangue obtido através do sacrifício de vítimas. Pelo inciso VII a Constituição assegura. impedindo então a liberdade de crença e de culto. cultos e religiões afros como o Candomblé ou mesmo seitas do tipo "Santo Daime"). aos Estados. eis que. na de 1824. ou seja. 19. no mundo ocidental da Idade Média. por ato administrativo ou por lei. p. Em qualquer caso. Importa observar. que veda à União. já que apenas os católicos eram elegíveis à Câmara dos Deputados (FERREIRA.

se não as cumprirem. especialmente o serviço militar) sob a alegação de uma crença religiosa ou de uma convicção filosófica ou política. uma vez que reconhece o que no Brasil se chama "escusa de consciência". caso em que o ministro da organização religiosa envolvida assume a função civil do juiz de casamentos. no lugar daquela obrigação rejeitada. uma pessoa que faça parte da religião dos "sabatistas" e que seja convocada pela Justiça Eleitoral para trabalhar como mesária em um pleito eleitoral que se realiza justamente em um sábado. Em todos esses exemplos a "escusa de consciência" evita a suspensão de direitos às pessoas. salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa fixada em lei". desde que as mesmas cumpram as obrigações alternativas fixadas em substituição mas. da CF/88. pois a anterior Constituição não oferecia a possibilidade de prestação alternativa. ninguém nela . explicando suas razões. uma vez que a Constituição manteve o casamento religioso com efeitos civis. e que onde esta não existe. como se depreende do art. E pelo inciso VIII temos que "ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. 15. 7. de que são vítimas inúmeras pessoas. poderão ter suspensos seus direitos políticos. É o que se depreende do art. gostaríamos de frisar que as liberdades de consciência e de crença pressupõem também o direito de liberdade de expressão. um jovem que se recuse a cumprir o serviço militar obrigatório porque sua religião não permite pegar em armas. não aceita servir como jurada no Tribunal do Júri. desde que se cumpra. 5 instituto que possibilita o não-cumprimento de uma obrigação (a negativa em realizar determinados atos ou a prestar determinados serviços. vindo a atuar por delegação do Estado. sem com isso perder direitos. desatendendo ao chamado da Justiça. uma prestação alternativa. Como exemplos. § 2º. inciso IV da CF/88. 226. Por último. ou "objeción de conciencia" entre os espanhóis. Trata-se da garantia que coroa o Princípio da Liberdade de Crença e Consciência. Temos aqui uma inovação constitucional. assunto a ser aprofundado no Capítulo III desta obra. Direito À Inviolabilidade Da Casa Diz o inciso XI: "a casa é asilo inviolável do indivíduo. podemos citar os seguintes casos hipotéticos: uma pessoa que. por exemplo.que se atentar que a separação entre o Estado e as igrejas não chega a ser absoluto. principalmente em Estados fundamentalistas religiosos. diz-se que os seres humanos são "prisioneiros de consciência". que bem pode ser a prestação de serviços à comunidade. situações constantemente denunciadas pela organização não-governamental Anistia Internacional. por razões religiosas ou filosóficas.

Vedação Da Obtenção De Provas Por Meios Ilícitos E Proteção Do Sigilo Das Comunicações A vedação da obtenção de provas por meios ilícitos está intimamente relacionada com uma outra garantia. Em vista disso. de um modo geral. considerando-se dia judiciário o período que vai das seis às dezoito horas. A palavra casa deve aqui ser entendida como aquele lugar de domicílio ou residência com caráter permanente. 8. c) houver necessidade de se prestar socorro (ato indispensável e urgente para garantir a segurança da pessoa e/ou da própria casa). durante o dia. sendo tais exceções mais amplas durante o dia. mais privado das pessoas. se: a) houver alguma situação em que se configure um flagrante delito. como por exemplo um incêndio ou um desmoronamento. nele não podendo entrar ninguém que não haja sido convidado pelo morador. Perspectiva distinta e mais ampla é a durante o dia quando. que é uma conseqüência imediata da segurança pessoal e também uma manifestação do direito de propriedade. que acaba por gerar "noites diferentes" (mais longas ou mais curtas) conforme o ponto do País em que nos encontrarmos. esta inviolabilidade já vem sendo garantida desde a Carta Imperial. dizendo ser esta todo o período em que não houver luz do sol. temos que durante a noite (ou seja. E ela excepciona tanto durante o dia quanto durante a noite. por determinação judicial". No regime constitucional brasileiro. aquele lugar que é o recanto mais íntimo. sem o consentimento do morador. a não ser nos casos em que a Constituição excepciona. pelo texto do inciso em comento. ou para prestar socorro. mas no Brasil esbarramos com as peculiaridades dos fusos horários e do freqüente "horário de verão". e já que o ordenamento jurídico deve ser aplicado de maneira a ser o mais uniforme possível. b) estiver ocorrendo algum desastre (evento danoso e inesperado).podendo penetrar sem consentimento do morador. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. após às dezoito horas e antes das seis horas da manhã) só é possível penetrar-se em qualquer casa. podendo este estar em sua própria casa ou ter invadido casa de outrem no processo de fuga). garante a inviolabilidade de domicílio. prevista . material e processual. também é possível fazê-lo em qualquer situação. Há autores que dão o conceito de noite. ou. seja por crime ou por contravenção (a flagrância subordina-se aos momentos imediatamente seguintes ao do cometimento do delito ou da perseguição do suspeito/acusado. Assim. desde que por determinação judicial. preferível é adaptarmos a delimitação conceitual dada pelo "dia judicial". uma vez que nenhuma determinação judicial neste sentido poderá ser executada durante a noite. O inciso todo. além dessas hipóteses acima elencadas que permitem a penetração na casa sem o consentimento do morador.

o que causou estranheza e inquietude no famoso processualista brasileiro José Carlos Barbosa Moreira. de dois a quatro anos. a garantia do sigilo das comunicações. embora o mesmo fosse. após a denúncia). mesmo cumpridas todas estas formalidades.pelo inciso XII do art. Em seu artigo 10. que trata da interceptação de comunicações telefônicas e do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. sem autorização judicial ou com objetivos não-autorizados em lei. na prática. citamos o caso da Magna Carta de 1967. para posterior divulgação. em tendo sido restabelecida a democracia. e multa". cremos. por telex. O sigilo de correspondência. sem autorização do interlocutor. 5º. a Lei dá o novo tipo penal: "constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas. como vemos a regra é a do sigilo. É ele também que nos traz a notícia das últimas tendências neste campo. de informática ou telemática. por fac-símile. qual seja. de 14 de abril de 1997.). em questionar por que esta cláusula de exceção só vale para o juízo criminal.296. que fez bem. tais como as efetivadas por cartas. desde que feitas por uma das partes interlocutoras. apresentando apenas uma exceção. por telegrama. violado constantemente. que só poderão ser interceptadas em casos criminais (não importando se no curso do inquérito policial ou se já no processo. a qual deverá ser cumprida em seus estritos termos (é o chamado "grampo oficial"). apenas para dar um exemplo de previsão constitucional acompanhada de constante violação pelo próprio Estado. 6 A decisão proferida no acórdão nº 4. Pena: reclusão. pela simples . salvo. sendo sua concretização final. de dados e das comunicações telefônicas. jamais poderá ser para processos cíveis. de 24 de julho de 1996. no último caso. ainda que a outra parte não o saiba. Note-se que. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal". acompanha a liberdade de expressão do pensamento. o Princípio da Inviolabilidade das Comunicações é absoluto (pondo a salvo de violações as várias formas de comunicações em geral. se e quando expedida ordem judicial autorizatória. no tocante às comunicações telefônicas. Mas agora. nos seguintes termos: "é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. por computadores em rede. etc. que estabelecia teoricamente o sigilo de correspondência. como qualquer outro segredo no inciso protegido. principalmente no que diz respeito à possibilidade de se admitirem gravações telefônicas sem autorização judicial. ou seja. Importante salientar que a parte final deste inciso foi regulamentada pela Lei nº 9. ou quebrar segredo da Justiça. Aqui.503. eis que gravar sons ou imagens pode constituir direito daquele que participa do fato porque em tal ato não está havendo invasão de privacidade. por ordem judicial. pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma que não é agressão à Constituição a gravação de conversa própria.

as provas obtidas por meios ilícitos são aquelas "colhidas com infringência a disposições de direito material e. muito se discute a respeito da quebra do sigilo bancário em nosso País. O exercício de qualquer atividade profissional é por este inciso garantido. ao lado do fiscal. 58. por sua vez. uma carta furtada. Quanto ao sigilo de dados. Direito A Exercício De Trabalho De Livre Escolha Pelo inciso XIII do art. Na decisão referida o STJ considera legítima a gravação. células de terrorismo). um entendimento que diz que quando a quebra de um sigilo bancário for solicitada por uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). o suborno ou a ameaça a testemunhas. apenas. à única limitação feita pelo próprio texto . 1997. corrupção. § 3º da CF/88 têm "poderes de investigação próprios das autoridades judiciais". o será sob pena de tornar-se uma desculpa para o crime e a impunidade. a pessoa tem a liberdade de informar sobre seus atos ou fatos da sua vida a quem quiser ou a ninguém. como uma manifestação. por fim. as provas obtidas por meios ilícitos". extratos de movimentações bancárias. neste contexto. já que. no processo. uma vez que as CPIs.razão de que a pessoa que grava participa da conversa. "é livre o exercício de qualquer trabalho. o inciso LVI é claro e taxativo: "são inadmissíveis. para o acobertamento de um sem-número de transações irregulares que podem fazer parte da macrocriminalidade (esta configurada pelo entrelaçamento de atividades de tráfico de entorpecentes. Deve-se atentar. por exemplo. No que diz respeito à vedação de utilização judicial de provas obtidas ilicitamente. em sentido amplo faz parte da vida e está ligado a outro direito fundamental constitucionalmente assegurado que é o direito à privacidade. Outros meios ilícitos de obtenção de provas seriam. 21). do direito de liberdade. por exemplo. se o sigilo bancário continuar absoluto. uma vez que este sigilo. Há. ofício ou profissão. Mas por outro lado. feita por mãe solteira. p. podem haver muitas irregularidades fiscais. muitas vezes envolvendo crianças. de conversa com o pai da criança em processo de reconhecimento de paternidade. do telefônico e de outros. prevalecendo o interesse individual sobre o interesse coletivo. sobretudo. como gigantescas sonegações ao fisco. constituindo crime de lesa coletividade. É bem possível que a forma mais ilícita de se obter provas seja a tortura. firmam-se alguns entendimentos no sentido de que sigilo não deve acobertar crime e aí. uma gravação telefônica efetuada sem autorização judicial. 9. desde que não seja a mesma criminosa. por exemplo. já abordada em outro item. não necessitará de prévia autorização judicial. a princípios ou normas constitucionais" (GRINOVER. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer". aí incluídos. redes de prostituições. ou seja. pelo disposto no art. 5º. Conforme o entendimento de Ada Pellegrini Grinover.

De todas as formas. o mesmo não ocorrendo em relação ao advogado. dos médicos. tal atividade só poderá ser exercida por aqueles profissionais que os possuírem. pois o exercício da medicina só é permitido aos médicos de formação. isto é. Isto fica claro na redação do art. 1991. ou. o médico pode revelar o que sabe sobre seu estado de saúde. intencional). procura evitar a imperícia. já que "não há direito à informação pública sobre a vida privada das pessoas em geral" (CENEVIVA. 10. Dizem alguns doutrinadores que a garantia do acesso à informação é um dos aspectos do que se convencionou chamar de "transparência governamental". conforme Walter Ceneviva. p. Assim. pelos legisladores e até pelos membros do Poder Judiciário. pois. por exemplo.constitucional. dizendo também que a estes o dispositivo se refere. dos padres confessores. Somente lei federal pode definir as qualificações profissionais requeridas para o exercício das profissões. dos psiquiatras. 22. o resguardo do sigilo da fonte tem especial importância para o exercício de algumas profissões. eis que a própria lei estabelece exceções. o segredo profissional não é ilimitado. dos advogados. ao dizer que "compete privativamente à União legislar sobre condições para o exercício de profissões". um açougueiro ou um veterinário não poderá realizar uma intervenção cirúrgica em um ser humano.. Esta restrição é também uma garantia aos tomadores dos serviços. casos em que a violação do segredo profissional constitui crime doloso (isto é. 53). quando necessário ao exercício profissional". Direito De Petição E Habeas Data Diz o inciso XIV: "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte. quando autorizado pelo paciente. tais como médicos. Direito À Informação. Mas em relação aos médicos. Pelo texto do inciso XXXIII "todos têm direito a receber dos órgãos . e acreditamos ser esta a hipótese guarnecida pelo inciso em pauta. inciso XVI da CF/88. Sigilo Da Fonte. uma vez que visa a impedir que atos ou atividades sejam realizados sem a devida competência teórica ou prática. etc. dos psicólogos. Significa que se uma dada atividade exige conhecimentos técnico-científicos ou culturais específicos e regulamentados. dos juízes de direito. o povo tem o direito de conhecer as razões pelas quais as decisões são tomadas pelos governantes. como é o caso de algumas doenças que são de notificação compulsória às autoridades sanitárias. Mas pensamos haver interesse da pessoa individual em relação a informações sobre aspectos de sua vida privada que estejam sob guarda de outras pessoas privadas. tais como a dos jornalistas. quando determina o atendimento das qualificações exigidas por lei para cada profissão. mormente profissionais liberais. por exemplo.

CF/88). Amplamente falando. bem como pelo Poder Judiciário (o art. IX. pois seguidamente as pessoas acabam tendo que pagar para exercê-las. tanto física quanto jurídica. Pois bem. que deve ser observado pelo governo em geral e por seus agentes (consoante o art. Mas pode haver informações que constituam segredos de Estado e que. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado". o direito de petição pode ser exercido por qualquer pessoa. De acordo com o inciso XXXIV: "são a todos assegurados. sob pena de responsabilidade. que serão prestadas no prazo da lei. pelo Princípio da Publicidade. independentemente do pagamento de taxas. com o Exército no caso dos homens. possam interessar sobremaneira a outro Estado em caso de guerra externa envolvendo a ambos. O direito de petição é uma das mais sagradas garantias de que todos dispomos. 93. como por exemplo certidões de estarmos em dia com a Justiça Eleitoral. CF/88 diz que o Princípio da Publicidade deve presidir todos os julgamentos. e pode visar a defesa de direitos tanto particulares quanto públicos. para defesa de direitos e esclarecimento de situação de interesse pessoal". Na mesma esteira está a possibilidade de obtenção de certidões em repartições públicas. as informações solicitadas devem ser prestadas. estaríamos imobilizados e não poderíamos exercer a ampla gama de direitos de que somos titulares. Aqui sim cremos que são cabíveis as explicações relativas à "transparência governamental" de que falava o professor Walter Ceneviva a respeito do inciso XIV. por exemplo. que é o meio hábil para se fazer as denúncias dos abusos de autoridades. Sem ela de nada adiantaria termos todas as outras. b) a obtenção de certidões em repartições públicas.públicos informações de seu interesse particular. sob pena de nulidade). Tais informações estão fora do alcance dos particulares e a sua negativa não constituiria uma inconstitucionalidade e tampouco daria azo a que o solicitante impetrasse ação de habeas data para consegui-las. com todas as decisões devidamente fundamentadas. mas não é isso que vemos ocorrer na prática.. etc. abrangendo ainda o direito de representação. o inciso acima reproduzido assegura ambas as garantias a todos. Então. necessárias para a defesa de nossos direitos e para o esclarecimento de qualquer situação de interesse pessoal que as exija. Certidões Negativas Criminais. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder. . 37. diríamos que são necessárias para o exercício amplo de nossa cidadania. ou de interesse coletivo ou geral. justamente porque se não pudéssemos ter o direito de pedir o cumprimento de direitos aos Poderes Públicos.

que formalizou a propositura e. O habeas data foi outro grande avanço democrático conquistado na Constituição Federal de 1988. as normas do mandado de segurança. em seu art. que trata do instituto habeas data. enquanto não editada legislação específica". § único que "no mandado de injunção e no habeas data. constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público. O instituto é cabível contra a autoridade detentora das informações. diz a Lei nº 8. porque permite ao cidadão obter informações relativas à sua pessoa. no que couber. E como em estreita relação com tudo o que vimos até agora neste item está o instituto habeas data. quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso. 24. Em princípio. significando que quem tem condições financeiras. usualmente. com informações que podem ser transferidas a terceiros. seja meramente para conhecê-las. deve pagar. judicial ou administrativo". veio a lume a Lei nº 9. mais especificamente em 12 de novembro de 1997. seja para retificá-las. serão observadas. por ser o remédio constitucional de primeira aplicação em qualquer caso de violação de qualquer uma das garantias acima enunciadas. passamos a vê-lo também neste espaço. endossada que foi pelo então senador paulista Mário Covas. de caráter público.038. etc. dando margem a erros que podem originar conseqüências graves para os titulares de tais dados. tais como as autarquias. portanto. Novidade da Constituição Federal de 1988.507/97. após. e "entidades de caráter público" são aquelas que mantêm. de 28-5-1990. constantes de registros estatais oficiais ou de caráter público. b) para a retificação de dados. sendo que "entidades governamentais" são órgãos do Estado. em que dados essenciais sobre a vida das pessoas são acumulados em bancos de dados de computadores. os dados que são objeto de conhecimento e/ou de posterior correção por via do habeas data são aqueles ditos dados sensíveis. Posteriormente. nem sempre com os cuidados necessários. Diz o inciso LXXII: "conceder-se-á habeas data: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante. Constitui importante instrumento de defesa do cidadão. sabe-se que esta garantia foi sendo acatada por vários outros países da América Latina. ajustado que está à era da informática.daí que alguns autores interpretam a regra do inciso como não sendo uma imunidade genérica. bancos de dados. serviços de proteção ao crédito. como financeiras. nela ingressou por proposta do ilustre publicista pátrio José Afonso da Silva. Quanto ao seu processamento. assim entendidos os dados ou informações pessoais .

11. é possível dar-se uma outra interpretação extensiva ao instituto habeas data. bem como sobre as respectivas fontes". admitindo-o aos herdeiros legítimos do morto ou ao cônjuge supérstite. fichas. tratando-se os SPCs (Serviços de Proteção ao Crédito). 238). como já adiantado anteriormente. Tais liberdades surgiram historicamente pela Emenda nº 1 da Constituição norte-americana e pela Constituição francesa de 1791. não poderá a entidade ou repartição pública demandada em uma ação de habeas data esquivar-se a revelar a informação solicitada sob o pretexto de ser a mesma sigilosa. e isto porque simplesmente não pode haver informação sigilosa em relação à pessoa do próprio impetrante: "a informação registrada sobre qualquer pessoa dá-lhe direito a conhecê-la" (PACHECO. por exemplo. etc. por exemplo. desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local. também. vemos que não apenas se aplica o habeas data para dados guardados em registros oficiais. isto é. à orientação sexual. amplamente consideradas. 5º. que se refere ao direito de . Finalmente. No Brasil foram consagradas pela primeira vez na Constituição Republicana de 1891. Porém. previsto no inciso XVI: "todos podem reunir-se pacificamente. Liberdades De Reunião E De Associação As liberdades de reunião e de associação. A regra é a de que o direito ao habeas data é personalíssimo. do titular dos dados. p. Por outro lado. a opiniões ou opções políticas. registros e dados pessoais e de consumo arquivados sobre ele. Isso é possível pelo conhecimento e aplicação. existindo jurisprudência do antigo Tribunal Federal de Recursos (atual Superior Tribunal de Justiça) nesse sentido. mas. englobam os incisos XVI ao XXI do artigo 5º. em locais abertos ao público. 43 diz: "O consumidor terá acesso às informações existentes em cadastros. da Lei nº 8078/90 (Código de Proteção e Defesa do Consumidor). filosóficas ou religiosas. sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente". Iniciamos com o direito de reunião. à filiação partidária ou sindical. senão também em relação a algumas pessoas já falecidas.relativos à origem racial. independentemente de autorização. De um modo geral. conforme o disposto no inciso LXXVII do art. de "institutos de deduração rápida". sem armas. Ou seja. em relação àqueles dados armazenados por órgãos que prestam informações a um determinado público. 1990. ainda que reduzido. E já transcrevemos em seguida o inciso XVII. contra a negativa em revelar os dados que armazenam ou contra a correção dos mesmos. analisando com rigor a questão. cabe habeas data. cumpre observar que a ação de habeas data é gratuita. no sentido de ele não apenas amparar o conhecimento e/ou a correção de informações relativas à própria pessoa. que em seu art.

§ 4º da CF/88). tendo um propósito determinado. podendo um encontro ser realizado em locais abertos ao público. na forma da lei. há que se lembrar que a proibição do paramilitarismo alcança. porque amparadas por outros direitos fundamentais. por exemplo. não são inconstitucionais. a Constituição proíbe expressamente as de caráter paramilitar. portanto. sobretudo. a liberdade de reunião algumas pequenas restrições em dias de eleições. No inciso XIX vemos garantida a existência e permanência de uma associação: "as associações só poderão ser compulsoriamente . é ampla. mas há em relação a elas a necessidade de lei ordinária para regulamentar a forma de criação. ou. como o são as que congregam vigias e seguranças privados. Quanto às associações. os sindicatos. inclusive em dias de eleições. É óbvio que esses exemplos não configuram associações de caráter paramilitar e. a de cooperativas. A liberdade de reunião. desde que não autenticamente esportivas. por exemplo. como por exemplo providenciar iluminação. como o da inviolabilidade do domicílio ou a liberdade de associação em cuja sede se realizem. A reunião caracteriza-se pela pluralidade de participantes. vedada a de caráter paramilitar". sem necessitar de autorização do Poder Público. por exemplo. A possibilidade de criar associações decorre da liberdade associativa e não depende de autorização estatal. como por exemplo associações de pessoas que praticam tiro ao alvo. etc. ou que lutem esgrima. 17. notadamente em relação às cooperativas de crédito. ainda. Sofre. que seriam aquelas destinadas ao treinamento de seus associados no manejo de armas e que adotam rigidez hierárquica com semelhança militar (com comandos e subordinados). etc. garantir a segurança. Pelo inciso XVIII "a criação de associações e. como se vê. A criação de cooperativas também não depende de autorização. em que são proibidas reuniões públicas. Já a associação é caracterizada por por ser uma reunião estável e permanente de pessoas que visam a um fim comum como. os partidos políticos (conforme veremos no art. Mas para ambos os tipos de instituições é proibida a interferência do Estado. a fim de que tome as providências que dele dependam. associações de profissionais que portam e eventualmente usam armas pela atividade-fim da profissão. Por outro lado. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento". no que concerne ao funcionamento. no entanto. os clubes desportistas. apenas este deve ser previamente avisado. independem de autorização. mas as reuniões privadas são amplamente livres. sendo que ao término. embora interligados. como praças. Ambos os direitos são distintos.associação: "é plena a liberdade de associação para fins lícitos. desviar o trânsito. desaparece o laço existente entre os participantes.

regime em que a propriedade seria estatizada para o uso comum de todos. têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente". Reforma Agrária Todos têm garantido o direito à propriedade privada (inciso XXII). Pelo teor do inciso XX temos que "ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado". Desapropriação. por exemplo. Segundo o inciso XXI "as entidades associativas. embora aí trate-se do instituto da substituição processual. Servidão Administrativa E Uso. A impossibilidade de obrigar uma pessoa a associar-se. por este dispositivo. onde a Constituição autoriza a partidos políticos e entidades associativas a defender os direitos homogêneos de toda uma categoria de pessoas mediante uma só iniciativa em juízo. trazidos por Pinto Ferreira. o conceito constitucional de propriedade é amplo. porém. quando expressamente autorizadas. o que normalmente se dá pela assinatura de uma procuração e que. Pelos ensinamentos de Orlando Gomes. conforme explicita-se no item infra que trata especificamente do Mandado de Segurança Coletivo. desde que estes lhes dêem autorização expressa. Direito À Propriedade Privada E Limitações Estatais. 12. também decorrem da liberdade associativa.dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial. costuma acontecer em suas assembléias gerais. no primeiro caso. bem como a impossibilidade de não lhe conceder a desvinculação de uma associação quando for de seu desejo. por exemplo. As associações podem. que acreditamos ser mais amplo do que o instituto da representação processual. Quer dizer. sendo que em caso de dissolução a decisão judicial que a ordena deve não ser mais passível de recurso. e uma sociedade com fins científicos não poderá representar um filiado seu em uma ação de divórcio. Interesse Ou Utilidade Pública E Necessidade Social. em relação aos sindicatos. representar seus filiados. A imposição de vincular-se a uma associação ou a de nela permanecer não são admitidas nem de forma velada ou disfarçada. ainda em relação ao inciso XXI. o trânsito em julgado". tanto a dissolução quanto a suspensão das atividades de maneira compulsória dependem de ordem judicial. diferentemente seria se entre nós reinasse o socialismo. não lhe podendo mais caber discussão alguma. Aqui estamos tratando do instituto da representação processual. Por fim. exigindo-se. isto porque na República Federativa do Brasil adota-se o liberal capitalismo. um sindicato de trabalhadores deve defender os direitos trabalhistas de sua categoria. Sua Função Social. há que ser restrita à matéria-objeto do próprio fim social da entidade. abrangendo o . previsto no inciso LXX do mesmo artigo 5º. Tal autorização. Assim. temos que interpretá-lo em consonância com o instituto Mandado de Segurança Coletivo.

Tais restrições giram em torno da regra de que toda a propriedade privada deve observar uma função social (art. e agora acha-se bastante relativizada pela Constituição Federal de 1988. "as coisas. frisando que os mesmos. os quais podiam ser vendidos. é importante esclarecermos que o domínio eminente que o Estado tem sobre todas as coisas que se encontram em seu território não é domínio patrimonial. principalmente da propriedade fundiária. devendo ter um aproveitamento racional. 170. significando que o Estado não tem direito de propriedade . além de dar-lhe uma função social. evitando. Clóvis Beviláqua ainda inclui a posse entre os direitos patrimoniais (FERREIRA. os créditos e os débitos. III. alcançando. 1998. 5º. assim. não há usucapião de bem público como direito de posseiro. CF/88).760/46 dispõe sobre os bens imóveis da União. p. pois é necessário também exercer essa propriedade. 5º) e pelo direito à não-violação do domicílio (inciso XI do mesmo artigo 5º). Segundo Pinto Ferreira. Importa ressaltar que o Decreto-Lei nº 9. podendo o patrimônio ser considerado como o conjunto de direitos e obrigações economicamente apreciáveis. 110-111). mas não somente. herdados ou hipotecados). caracterizando-se como uma forma de interferência estatal. foi igualmente reconhecida como totalmente absoluta pelo Código Civil de 1916/17 (arts. da Universidade de São Paulo. enfim. XXX e XXXI do art. torná-la produtiva. faculdade que o Poder Público possui em relação à propriedade. ativa ou passivamente". A propriedade. 524 a 673). inciso XXIII). sofre a propriedade algumas restrições. Importa observar que uma tal extensão no conceito de propriedade gera conseqüências quanto ao alcance da desapropriação. já que tal cláusula também atinge imóveis urbanos e empresas. Ainda quanto à função social da propriedade. ou seja. que são limitações ditadas pela própria Constituição Federal. embora mantenha a sua força enquanto direito fundamental. com base no texto constitucional há decisões judiciais que dizem não bastar ao proprietário ter o título de propriedade (escritura pública passada no Registro de Imóveis) para não perder sua propriedade. providência que se harmoniza com o preceito constitucional da função social da propriedade (art. a utilização especulativa dos bens. Mas. garantida de um modo absoluto desde nossa Constituição Imperial de 1824 (que garantia inclusive o direito de propriedade sobre os escravos. mas sim reconhecimento do Poder Público da conveniência de legitimar determinadas ocupações. o que vem inclusive reforçado pelo direito à herança (incisos XXVII. inclusive. seja qual for a sua natureza. Assim.complexo de direitos patrimoniais traduzíveis economicamente. Conforme ensinamentos do professor Dalmo de Abreu Dallari. todas as relações jurídicas de conteúdo econômico das quais participe a pessoa. não são sujeitos a usucapião. fundamentalmente em razão da supremacia do interesse público sobre o interesse do particular.

ordena socialmente o uso da propriedade privada.365. Entramos. não a propriedade. Servidão administrativa ou pública é a medida mais atenuada de limitação à propriedade privada. mediante justa e prévia indenização em dinheiro. qualquer que seja ele. Para o uso e o gozo dos bens e riquezas particulares o Poder Público impõe normas e limites e. Assim entendida. e ainda por interesse social. ressalvados os casos previstos nesta Constituição". . III). no tema da desapropriação e da servidão. Em outros casos. e art. na servidão. Assim. pelos Estados. exercida pela empresa. quando o interesse público o exige. como instrumento da iniciativa privada. tomar-lhe um bem. através da desapropriação. através de atos de império tendentes a satisfazer as exigências coletivas e a reprimir a conduta anti-social da iniciativa privada. Distrito Federal e territórios" (FERREIRA. por utilidade ou interesse social. com justa e prévia indenização (art. 5º. 111). através de desapropriação. 1998. ou retirá-la compulsoriamente de seu dono. consistindo no ônus real de uso imposto pela Administração Pública à propriedade particular para assegurar a realização e conservação de obras e serviços públicos ou de utilidade pública. pelo inciso XXIV do art. Observamos que na desapropriação indeniza-se sempre. que com ele continua). p. nem sempre (e indeniza-se o dono. XXIII. e pode ser por necessidade ou por utilidade pública. art. isto é. A intervenção na propriedade incide sobre os bens. CF). citando o Decreto-Lei nº 3. mediante indenização dos prejuízos efetivamente suportados pelo proprietário. ressalvadas algumas exceções.sobre todos os bens de seu território. Nessa intervenção estatal já vimos que o poder público chega a retirar a propriedade privada para dar-lhe uma destinação pública ou de interesse social. tendo em vista a necessidade desse bem na persecução dos fins sociais a que se destina o Estado. ou por interesse social. Municípios. configura-se como uma discricionariedade do poder público administrativo. Então. assim. a desapropriação ou expropriação é um instituto que significa expropriar alguém de algum bem. tirar-lhe a propriedade. por meio de servidões administrativas. 5º "a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública. de forma compulsória. intervém na propriedade privada e na ordem econômica. Diz Pinto Ferreira. de 1941. 5º. 170. mas pode condicionar o uso da propriedade particular para o cumprimento de uma função social (CF/88. Não se confunde com a servidão civil de Direito Privado. XXIV. que todos os bens poderão ser desapropriados pelo Poder Público: "Mediante declaração de utilidade pública todos os bens poderão ser desapropriados pela União. que merecem algum aprofundamento. a intervenção no domínio econômico incide sobre a atividade lucrativa.

quando em conflito com os direitos individuais. de caráter executório). ou no interesse social (da coletividade).A desapropriação é a mais drástica das formas de manifestação do poder de império. Poderiam os leitores perguntar: para que se fazem desapropriações? O Estado delas se vale por constituírem eficaz instrumento para remover obstáculos para a construção de obras e serviços públicos. conforme a regra esclarecida acima. para propiciar a implantação de planos de urbanização. vedada a ascendente. São características da desapropriação: é forma originária de aquisição da propriedade. isto é. indestacáveis do indivíduo ou irretiráveis de sua condição física e a moeda corrente do País. mediante prévia e justa indenização em dinheiro. mas só pode ser exercido nos limites traçados pela Constituição Federal e nos casos expressos em leis. o interesse ou a utilidade pública. O poder expropriatório é discricionário quanto às opções de utilidade pública e de interesse social. Cumpre observar que a desapropriação para fins de Reforma Agrária é privativa da União. e os Municípios de nenhuma) para o Poder Público ou seus delegados. a intervenção pública na propriedade particular pode ter fundamento na necessidade ou na utilidade pública. por utilidade ou necessidade pública. para indicar a necessidade. mas nunca no interesse privado. da Soberania Interna do Estado no exercício do seu domínio eminente sobre todos os bens existentes no território nacional. ressalvadas as exceções constitucionais. é um procedimento (e não um ato) administrativo que se realiza em duas fases (a primeira é de natureza declaratória expropriatória. consiste a desapropriação na transferência compulsória da propriedade particular (ou pública de entidade de grau inferior para superior. face à regra da liberdade expropriatória. base do regime democrático adotado pelo nosso País. e a segunda. Os interesses coletivos representam o direito do maior número e. ou. Logo. por interesse social. ou seja. Como já mencionado previamente. estes cedem àqueles. os bens públicos são passíveis de desapropriação. a União pode desapropriar bens de qualquer entidade estatal. para realizar a justiça social. Passamos agora a algumas noções acerca de interesse social. Inciamos por dizer que os fundamentos da intervenção na propriedade e na ordem econômica repousam na necessidade de o Estado proteger os interesses da comunidade. ainda. não pode haver desapropriação indireta. em atenção ao Princípio da Maioria. todos os bens e direitos patrimoniais prestam-se à desapropriação. necessidade e utilidade pública. feita por lei ou decreto expropriatório. por isso. para preservar o meio ambiente contra devastações e poluições. excluindo-se os direitos personalíssimos. com a redistribuição de bens inadequadamente utilizados pela iniciativa privada. Quando o interesse for .

segurança nacional.132/62. 2º da Lei nº 4. A mudança de destinação ou o desvio de destinação indica o mau emprego do bem expropriado. sendo que os bens expropriados. de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal. 1. a proteção do solo. socorro público em caso de calamidade. Daí por diante o que pode haver é retrocessão. quando não lhe der o destino declarado no ato expropriatório. alínea "e". em que a indenização não será por dinheiro. E tresdestinação é o desvio de finalidade do bem desapropriado (conceituado no § único. Pela regra constitucional. São exemplos de casos de utilidade pública: defesa do Estado. A desistência da desapropriação é possível até a incorporação do bem ao patrimônio do expropriante. Quando o interesse for da coletividade. etc. analisamos a possibilidade de desistência da mesma. Ainda em estreita relação com o instituto da desapropriação.. subutilizada ou não-utilizada). para o imóvel. § 4º. condicionar o uso da terra à sua função social. até o trânsito em julgado da sentença ou o registro do título resultante do acordo.150 do Código Civil Brasileiro. como causa de nulidade de atos lesivos ao patrimônio público. e pelo Estatuto da Terra. o fundamento da desapropriação será o de necessidade ou o de utilidade pública (interesses esses enumerados no art. e. 2ª) a do art. mas sim por títulos da dívida pública.do Poder Público. mediante a devolução do valor da indenização. inciso III. preservação e conservação dos monumentos históricos e artísticos. 184. casos em que os bens desapropriados são destinados à Administração expropriante ou a seus delegados. na desapropriação ocorre desvio de finalidade quando o bem expropriado para um fim é empregado noutra sem utilidade pública ou interesse social. etc.. a desapropriação será por interesse social (determinados pelo art. 2º da Lei nº 4. Como exemplos podemos citar: construção de casas populares. A finalidade pública tem que ser observada. para o móvel. são destinados a particulares que irão explorá-los conforme as exigências da coletividade. 182. e em que o pagamento também não se efetuará em dinheiro. geralmente. do art. que são as seguintes: 1ª) a do art. retrocessão é a obrigação que se impõe ao expropriante de devolver/oferecer o bem ao expropriado. através de Ação Popular). isto é. Conforme o art.504/64). senão que em títulos da dívida agrária.717/65. que se refere à desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária. Mas há exceções consagradas pela própria Constituição Federal de 1988. . O ato expropriatório fica sujeito à retrocessão quando o Poder Público ou seus delegados não derem ao bem expropriado sua destinação legal. Lei nº 4.365/41). até a tradição. que se refere à desapropriação da propriedade urbana (no caso de área urbana não-edificada. a desapropriação há que ser precedida de pagamento em dinheiro. 5º do Decreto-Lei nº 3.

digamos. a partir de julho de 1989. pelas leis do mercado de valorização imobiliária. Nesses casos as indenizações são feitas com base no valor dos imóveis a serem desapropriados. prevenção e repressão do crime de tráfico dessas substâncias. para o pagamento de . A outra reflexão parte de Walter Ceneviva. Por outro lado. se em um desses casos hipotéticos o mesmo proprietário desapropriado quisesse readquirir o seu antigo imóvel ou algum outro das cercanias. a mesma exceção atinge qualquer bem apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. e sim confisco. propriedades estas que devem ser imediatamente expropriadas. 185. não importando que extensão tenham as propriedades destas últimas. E. Esta modalidade não é considerada desapropriação. controle. dizendo ter se desmoralizado ao introduzir uma possibilidade de "calote oficial" por meio do art. hipótese prevista no Parágrafo único do mesmo art. 5º. Por fim. não contemplando o valor que será agregado ao imóvel pela própria obra pública a ser realizada. existindo a vedação constitucional do art.3ª) a do art. É dizer: indenizase o proprietário por "x" e dois meses após a construção da obra o mesmo imóvel já estará valendo "4x"." Gostaríamos que ficasse bem claro. ainda devêssemos aqui abrir um espaço para uma crítica a respeito de como o Poder Público fixa o valor e o modo pelo qual paga as indenizações decorrentes de desapropriações. que a desapropriação não é ilimitada. 243: "Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de fiscalização. 57). talvez. segundo o administrativista Hely Lopes Meirelles. Uma primeira reflexão que se pode fazer é no tocante àquelas desapropriações realizadas com o fito de construção de uma obra pública. assim. XLV)" (CENEVIVA. não poderia fazê-lo com o montante recebido pela indenização. devendo ainda ser destinadas ao assentamento de colonos para o cultivo de plantas medicinais e alimentícias. a qual "pode atingir os sucessores do cultivador (art. caput. que se refere às glebas rurais que contêm culturas ilegais de plantas psicotrópicas. em que foi previsto o prazo de oito anos. que critica o constituinte de 1988. 1991. I e II. pelo qual se proíbe a desapropriação para fins de reforma agrária de pequenas e médias propriedades rurais (assim definidas em lei e desde que seus proprietários não possuam outras) e de todas as terras produtivas. 33 do ADCT. no entanto. por ter muito apego ao lugar. 243. Walter Ceneviva lembra-nos que essa desapropriação possui "caráter acessório de natureza penal". sem que seus proprietários recebam qualquer indenização. p. pela simples razão de que seria insuficiente.

para a compra de insumos e de máquinas agrícolas). apenas para superar o perigo ou a ameaça e o bem continua com o seu titular. 8. 57). a autoridade competente poderá usar de propriedade particular. e nunca o que deixou de ganhar). poderá o Estado utilizar-se de força policial.437/92. Dando seguimento à análise do texto constitucional. passamos a tratar do uso da propriedade particular pelo Poder Público.precatórios pendentes. o inciso XXVI trata da pequena propriedade rural. que regulou o processo de desapropriação de imóveis para fins de reforma agrária. Quanto à "política" governamental de reforma agrária.629/93 e acrescentou artigo à Lei nº 8. Ainda neste item relacionado à propriedade material. Nestes casos. A esse respeito. o qual segue rito especial e sumário. enquanto que no uso a indenização só será cabível em caso de dano. não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva (por exemplo aquelas dívidas contraídas para o financiamento do plantio. p. que alterou a Lei n. e será sempre posterior. através de órgão federal competente. sendo que para a realização da vistoria e avaliação do imóvel rural para fins de reforma agrária. segundo as normas da Administração Pública. hipótese que vem prevista no inciso XXV do art. é autorizada a ingressar no imóvel de propriedade particular para levantamento de dados e informações. Fazemos ainda neste item um breve comentário a respeito da Reforma Agrária. Lei nº 8. é interessante consultar também a Lei Complementar nº 76/93. preposto ou representante. desde que trabalhada pela família (ou seja. enquanto que a desapropriação transfere o bem do particular para o poder público. mediante comunicação escrita ao proprietário. desde que seus donos não contratem empregados para trabalhá-la).629/93). podemos citar . dizendo que a mesma. 1991. nos seguintes termos: "no caso de iminente perigo público. que é o Estatuto da Terra. na desapropriação sempre há indenização (salvo as hipóteses anteriormente abordadas) e a mesma é prévia.504/64. Tem-se que a União. Gostaríamos de frisar as principais diferenças do uso em relação à desapropriação: o uso é temporário. Estas são determinações dadas pela Medida Provisória nº 1577-2. correspondendo ao efetivo prejuízo que o proprietário teve (indeniza-se apenas o que o proprietário efetivamente perdeu. de 7-8-97. 5º. devendo a lei dispor sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento. de resto abrangendo débitos de qualquer natureza do Poder Público (CENEVIVA. se houver dano". e da Lei do Rito Sumário. assegurada ao proprietário indenização ulterior. o juízo para aferir a iminência do perigo público é da autoridade competente. assim definida em lei (definição esta que resulta diferente para cada região e que é feita a partir da Lei nº 4. menos os alusivos a alimentos.

988/73). interessante seria que. 42. juntamente com o título de posse. necessitariam os mesmos também receber instruções adequadas. 13. estes últimos pelo menos com venda subsidiada pelo próprio governo. Mas os efeitos surtidos foram no sentido de tornar tais propriedades produtivas. Também é deferido aos herdeiros testamentários e vige "pelo tempo que a lei fixar". menos aos Estados.610/98 (que de 19 de fevereiro de 1998. 42. em cinco anos as propriedades poderiam vir a ter seus valores transferidos ao Estado (5X20% = 100%). cabendo aos herdeiros descendentes. poderia configurar confisco. o que é diferente de ser incorporada ao patrimônio do Estado. conforme art. mas é claro que para isso. ficando pendente. de acordo com a ordem de vocação hereditária estabelecida na lei civil. o que não faz ingressar receitas aos cofres públicos. o que é constitucionalmente vedado. aos assentados fosse imposta a obrigatoriedade de zelo pela questão ambiental e da busca do desenvolvimento auto-sustentável. cônjuge e colaterais. transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar". Se o autor morrer sem deixar testamento (ab intestato) e sem deixar herdeiros. conforme art. E agora. § 1º da antiga lei). a considerar que se aplicada realmente. a contar de 1º de janeiro do ano seguinte ao do falecimento do titular dos direitos. esse grave problema social brasileiro. Por outo lado. a obra cai em domínio público. fixado em 20% ao ano para aquelas propriedades improdutivas com área de mais de cinco mil hectares. Direito Hereditário À Propriedade Intelectual E Novas Leis Protetoras Dos Direitos Autorais Em primeiro lugar. O direito hereditário à propriedade intelectual é também uma expressão do direito de propriedade e vem previsto no mesmo inciso. observamos o reconhecimento e a proteção dos direitos do autor sobre suas obras. Por um lado. pais ou cônjuge. tampouco realiza reforma agrária. com a recente nova Lei dos Direitos Autorais. que foi o aumento da alíquota do ITR (Imposto Territorial Rural). ademais. ascendentes. tal iniciativa surtiu algum efeito pois. § 2º daquela lei) ou vitalício (que eram os direitos transmitidos por sucessão mortis causa aos filhos. Pela antiga Lei dos Direitos Autorais (Lei nº 5. 5º: "aos autores pertence o direito exclusivo de utilização. quando o governo desapropriasse terras com o intuito de promover a reforma agrária. publicação ou reprodução de suas obras. portanto. a partir de 1996. o que. a Lei nº 9. por outro lado. insumos e máquinas. só entrou em vigor 120 . o grande problema é que o ITR costuma ser um dos impostos mais sonegados no Brasil (em torno de 70% não é recolhido).um exemplo que se configurou em uma tímida tentativa de realização da tão almejada e necessária reforma em nosso País. o gozo deste direito poderia ser temporário (até 60 anos para os colaterais. Distrito Federal ou União. o que vem positivado no inciso XXVII do art.

Cumpre ressaltar que a Lei referida trata da questão civil e penalmente. estar sujeito a sofrer uma ação judicial.609/98. Por outro lado. O advento da nova Lei dos Direitos Autorais serviu para atualizar uma lei que não contemplava a informática. nem tanto por máfé). acrescendo os "programas de computador" aos 12 grupos de obras já existentes. a nova Lei dos Direitos Autorais ampliou o rol das obras intelectuais protegidas em nosso País pela anterior lei. a Lei nº 9. exceto seu art. aumento dos riscos de contaminação de seu equipamento (por meio de "vírus"). etc. a transmissão a cabo.. obedecida a ordem sucessória da lei civil".dias após sua publicação. o legislador de 1973 nem sonhava com a revolução tecnológica desencadeada nos últimos anos no campo das . conforme a alínea "a" do inciso XXVIII. temos no Brasil duas recentes e inovadoras leis infraconstitucionais em defesa do autor. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. que vem a ser a reprodução de cópias dos programas de computador além do número autorizado por lei. a respeito do tema dos direitos autorais. as mudanças operadas quanto ao prazo de gozo destes direitos foram efetuadas pelo seu artigo 41. ocasionando perda de dados e. principalmente para evitar o fenômeno "pirataria". em fevereiro de 1998. mais conhecida como Lei do Software. que igualizou as categorias de herdeiros e também o prazo de desfrute dos direitos herdados em 70 anos. A partir daí surgiu. ou seja. por fim. como o de não contar com a assistência ou o suporte técnico da empresa. Dizemos que a "pirataria" é um "fenômeno" porque pesquisas revelam que em torno de 70% dos softwares utilizados em nosso País são pirateados (muitas vezes por desinformação. 17 e §§ 1º e 2º). sempre tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. em junho de 1998 e revogou expressamente a anterior lei. assim como a "reprodução da imagem e voz humanas. a tecnologia digital. e com isso o usuário possui alguns riscos. a fibra ótica. surgiu com o condão de proteger o produtor do software. Ainda a respeito dos direitos do autor. Já o inciso XXIX diz que por lei se assegura aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. não contar com manuais corretos e completos. pois em sua feitura. assim como proteção às criações industriais. à propriedade das marcas. inclusive nas atividades desportivas". nos seguintes termos: "Os direitos patrimoniais do autor perduram por 70 anos contados de primeiro de janeiro do ano subseqüente ao de seu falecimento. Assim. aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas". as redes de computadores. 7 Esta nova lei. Já pela alínea "b" do mesmo inciso assegura "o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores. a Constitutição de 1988 protege as "participações individuais em obras coletivas". que é aplicável a qualquer usuário de software.

sem ser previstos em um testamento). Herança tem o sentido de universalidade de bens. o de "distribuição".comunicações. fio. sem dúvida. 2º) ascendentes. pela nossa lei civil. cumprindo a Constituição de 1988. até chegar-se ao quarto grau dos parentes colaterais e nenhuma pessoa for encontrada. cabo ou outro condutor. quando se tratar de casamentos com regime de comunhão parcial ou total de bens) e pela existência de herdeiros necessários (descendentes e ascendentes). A lei ampliou. 4º) colaterais (até o quarto grau). dividem-se os herdeiros testamentários (aqueles nomeados por ato de última vontade do titular dos bens) ou ab intestato ou legítimos (aqueles que obedecem a uma ordem legítima de sucessão. porque são os primeiros na ordem. Também. o conceito de "transmissão". assim como conferiu ao autor um novo direito. Entramos nestes detalhes para demonstrar que. previstos naquela antiga lei. por outro lado. E a respeito destes últimos. o Estado (aqui considerado lato sensu). o conjunto dos . a herança não passará dos filhos. E. quando da morte do titular. dificultando a apropriação dos bens da pessoa falecida pelo Estado. se vivos. a lei autoral expurgou resíduos do autoritarismo dos anos setenta. além de meios óticos ou qualquer outro processo eletromagnético. tomada de posição que. Direito De Herança O inciso XXX garante o direito de herança. bem como. dentre outras novidades. originará extraordinários desdobramentos na doutrina e na jurisprudência. se por exemplo alguém além de filhos ainda possuir pais vivos. direitos e obrigações cuja posse e domínio são deixados aos herdeiros e legatários. também ocasionou mudanças nos conceitos de "reprodução". o que vem a reforçar o direito de propriedade. por fim. embora o direito de herança exista para perpetuar a propriedade privada na linhagem daquela família que a iniciou e que a acumulou. se esgotadas as buscas dos herdeiros pela ordem vista. sua herança irá diretamente para seus pais. 3º) cônjuge supérstite (sobrevivente). nele incluindo a difusão por sinais de satélite. ainda que remotamente. Já vimos em outra parte desta obra que no Brasil a sucessão a título universal é limitada pela meação (a parte do cônjuge que sobrevive. possui a chance de herdar bens dos particulares pois. regulou a intervenção de sindicatos e associações profissionais de artistas na fiscalização das sociedades arrecadadoras. como conseqüência do falecimento deste último. atribuiu exclusivamente à pessoa física a condição do autor. ou seja. atendendo a velha aspiração dos intelectuais brasileiros. 5º) Estado. 14. por exemplo. se alguém morre solteiro e sem filhos. valendo sempre a regra de que os mais próximos excluem os mais distantes. Ampliando um pouco este quadro. a ordem da vocação legítima na sucessão universal é a seguinte: 1º) descendentes. que previam intervenção da polícia na autorização de espetáculos.

conforme o art. deixando bens situados no País em sucessão. dentro de cento e vinte dias da promulgação da Constituição. Já o inciso XXXI trata de proteger o cônjuge ou os filhos brasileiros daqueles estrangeiros que faleçam. É neste momento que tais bens serão incorporados pela Fazenda Pública. na forma da lei. Todos nós o somos. se não aparecer ninguém para herdá-los. uma vez que a Lei nº 8. interesses ou direitos coletivos . inclusive enquanto defesa da cidadania. de uma ou outra maneira. nos seguintes termos: "o Congresso Nacional. os nossos legisladores federais não o cumpriram. Assim. um prazo para que o Congresso Nacional criasse a referida lei. 15.078/90 só veio a lume em 11 de setembro de 1990. .bens passa a ser tido como bens "jacentes". Veio com atraso. quando não houver herdeiros para a herança. interesses ou direitos difusos . E o artigo 48 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias previa. pois provocou modificações (juntamente com o Estatuto da Criança e do Adolescente) na Lei da Ação Civil Pública. Mas mesmo tendo um prazo limite constitucionalmente imposto. inclusive as empresas e o próprio Estado ao adquirir mercadorias. os bens passarão a ser "vagos". o Código de Proteção e Defesa do Consumidor (CPDC) revelou-se em um de nossos mais importantes diplomas legais. Na defesa do consumidor. dentre outras razões porque deve instituir Promotorias de Justiça de Defesa de Consumidor para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo. 81. ampliando o tipo de direitos a serem protegidos. surgiu um ano e nove meses depois e entrou em vigência em 11/03/91. dizendo que a situação de tais bens será regulada pela lei brasileira sempre que a esses herdeiros não for mais favorável a lei pessoal do de cujus. Inicialmente. § único do CPDC: . Ou seja: temos na Constituição assegurado o juízo sobre a lei mais favorável ao cônjuge e aos filhos brasileiros. Consumidor é aquele que consome. quando o patrimônio achar-se sem titular. O Estado E A Defesa Do Consumidor O inciso XXXII diz: "o Estado promoverá. é importante observar que a filosofia do Código do Consumidor é a da inarredável proteção e defesa do consumidor a ser promovida pelo Estado.também são transindividuais e . a defesa do consumidor". elaborará código de defesa do consumidor". por sua vez.são aqueles transindividuais e indivisíveis. quando sobre eles pairar a incerteza a respeito de quem serão os herdeiros. isto é. obviamente. mas uma vez criado. isto é. visando a beneficiá-los. importante é o papel do Ministério Público. ou seja. passando a fazer parte do patrimônio do Estado. titularizados em pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato.

o administrador. dada à auto-executoriedade do ato de polícia administrativa. com sanções administrativas precedidas de processo administrativo com amplo direito de defesa. que possam causar prejuízo aos consumidores. no entanto.indivisíveis. estabelecendo que quando houver. e o fez em seu art. infração da lei. coercibilidade e discricionariedade) e impõe medidas fiscalizadoras e punitivas. em princípio. Para além disso. o sócio majoritário. Pelo art. categoria ou classe. excluindo o intermediário na consideração de consumidor. inclusive a concorrência desleal e a utilização indevida de inventos e criação industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos. o controle prévio do Poder Judiciário. a teoria da despersonalização ou da desconsideração da personalidade jurídica. que devem ter . o acionista controlador. quer dos Estados. Código) são órgãos administrativos destinados à atividade de polícia judiciária. fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social". 6º. interesses ou direitos individuais . 28. Uma das mais importantes inovações processuais do CPDC foi a possibilidade de inversão do ônus da prova (art. mas titularizados em um grupo. sem vinculação a grupo.aqueles em que o interesse se particulariza em uma determinada pessoa. auxiliares do Poder Judiciário. do Distrito Federal ou dos municípios (estes não têm. Importante também é sabermos algumas informações sobre a relação entre os direitos do consumidor e a Administração Pública. etc. As Delegacias de Polícia de Defesa do Consumidor (art. 5º. III. excesso de poder. mas integrantes da Administração Pública. interesses ou direitos individuais homogêneos . O poder de polícia só pode ser exercido por órgão da Administração Pública (possuindo características de auto-executoriedade. Pelo poder de polícia pode-se fiscalizar e coibir todos os abusos praticados no mercado de consumo. competência para legislar sobre consumo). o juiz pode desconsiderar a pessoa jurídica e responsabilizar civilmente o sóciogerente. quer no plano da União. por inteiro. o Código de Proteção e de Defesa do Consumidor adotou. categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica. 56 do CPDC as sanções administrativas. o que depreende dos artigos 55 a 60 do próprio CPDC.são aqueles individuais que resultam de origem comum. Em primeiro lugar. . a tutela administrativa nas relações de consumo não exige. . "abuso de direito. VIII) a favor do destinatário final de bens e serviços. em detrimento do consumidor.

dentre outras. Do Devido Processo Legal E Do Contraditório Importa esclarecer. o princípio significa. Do Ato Jurídico Perfeito E Da Coisa Julgada. podem ser aplicadas aos fornecedores de bens ou serviços. participação em licitações. etc. é novidade em nosso Direito. também. pelo art. E. cassação do registro junto ao órgão competente. Uma última observação: o Código é o nosso manual básico de regência das relações de consumo e também do exercício da cidadania. contínuos. intervenção administrativa. que . Ao elencar tal princípio. umas aplicadas tanto no Processo Civil quanto no Penal. § único temos que é direito básico a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos. parcelamento. interdição total ou parcial de estabelecimento. Princípios Do Juiz Natural. revogação de concessão ou permissão de uso. por outro lado. há grande divergência a respeito). que neste amplo item agrupamos várias garantias e/ou princípios-garantias. E por fim. proibição de fabricação do produto. podendo ser: multa. suspensão temporária de atividade. obra ou atividade. apreensão do produto. 22. imposição de contrapropaganda. inicialmente. seguros e. assim como o fisco pode negar o número do cadastro de Identificação (mas como esta matéria é muito nova. XII). Princípios-Garantias Da Inafastabilidade Do Controle Jurisdicional.prévia previsão legal. o fato de que as Certidões Negativas serão "positivas". Quanto à última (art. O Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional está expresso no inciso XXXV: "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão". combinado com o art. determinando que os órgãos públicos ou suas concessionárias e permissionárias são obrigados ao fornecimento de serviços adequados. armando a coletividade de ação para exigir o cumprimento total ou parcial dessas obrigações e reparação de danos causados por seu descumprimento. o constituinte determinou a possibilidade de todos buscarem socorro junto ao Poder Judiciário. tudo isso visando a impedir que os faltosos possam obter do poder público subsídios. eficientes. Vedação De Juízo Ou Tribunal De Exceção. a inclusão do nome do violador das regras de proteção ao consumidor no CADIN (Cadastro de Inadimplentes. Do Direito Adquirido. outras de aplicação exclusiva no Processo Penal. cassação de licença do estabelecimento ou de atividade. Também fazem parte das sanções. a inscrição do nome na "lista negra do PROCON". quanto aos essenciais. sempre que houver alguma lesão ou alguma ameaça de lesão a direito. mas todas com status constitucional. inciso X do Código. 6º. subvenções. 56. 16. a "contrapropaganda". publicado no Diário Oficial da União). contra propaganda enganosa ou abusiva. recomendamos a sua dedicada e cuidadosa leitura. compensações. por isso.

argumentarem. Em estreita ligação e quase como um antecedente do princípio assegurado no inciso XXXV está a garantia prevista no inciso XLI: "a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais". uma punição por indisciplina que uma escola básica ou uma instituição de ensino . E todas as fases de um processo devem estar permeadas pela garantia do contraditório. por exemplo. O Princípio do Devido Processo Legal. Mas. foi entre nós repetido quase ipsis literis. todas previstas nos códigos processuais. isto é. mas. Importa salientar que esse processo visa a proteger as pessoas contra arbitrariedades taxativamente impostas. se isso acontecer. por si só. defenderem-se. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. abrangendo não só os processos judiciais ou administrativos. Engloba assim o princípio em análise. a parte interessada poderá contra ele impetrar um Mandado de Segurança. do direito a ter acesso à Justiça. qualquer pessoa. paradoxalmente. Mas a garantia do contraditório vai ainda um pouco mais longe. ao sentirse lesada ou ameaçada em seus direitos pode submeter a questão à apreciação do Judiciário e este não pode se recusar a fornecer a prestação judicial que lhe foi devidamente pedida. lá utiliza-se a pena de morte. esquivar-se de apreciar e de se pronunciar sobre os feitos que lhe chegam. o coroamento da matéria. também. da liberdade e da propriedade sem o devido processo legal". previsto no inciso LIV: "ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem devido processo legal" e do subseqüente Princípio do Contraditório. para os casos de eventual perda da liberdade ou dos bens. que é a possibilidade de as partes envolvidas fazerem provas de seus direitos. com os meios e recursos a ela inerentes". de inspiração no due process of law do direito constitucional norteamericano. o chamado direito de Ação Judicial. assegurado no inciso LV: "aos litigantes. pois. ainda. por ele. que é feito por meio do Princípio do Devido Processo Legal. esgotar o debate sobre qualquer lesão já sofrida ou em vias de ser sofrida por uma pessoa. E. prevê que antes aconteça um processo formal. em processo judicial ou administrativo. as situações daquelas pessoas que são acusadas em outras esferas. é possível que mesmo não a tendo prevista no enunciado do Princípio do Devido Processo legal. E. exceto no que diz respeito à "vida". e aqui não! Ou seja. com várias fases sucessivas.juiz algum poderá negar-se. já que. por derradeiro. corresponde o dispositivo em pauta à afirmação do direito à jurisdição. como. que vem a ser praticamente um outro nome para significar a mesma garantia pois. a protegemos bem mais amplamente que os norte-americanos. no que diz respeito à vida. lá expresso "ninguém será privado da vida. de maneira que a lei infraconstitucional está impedida de criar qualquer órgão de tipo administrativo contencioso que possa.

em última análise. para evitar mal-entendidos em relação ao direito adquirido. serão imediatamente reduzidos aos limites dela decorrentes. não se admitindo. que visam a dar segurança jurídica aos destinatários do ordenamento jurídico. de uma regra de direito intertemporal. O inciso XXXVI garante: "a lei não prejudicará o direito adquirido. §§ 1º a 3º) e que visam a conferir estabilidade ao direito. No Brasil foi a Constituição de 1934 que constitucionalizou o "direito adquirido". O ato jurídico perfeito é aquele consumado de acordo com a lei vigente na época. conferem segurança às relações jurídicas impedindo que uma espécie normativa infraconstitucional altere situação estável. poderá ser exercido. É o único caso em que a própria Constituição veda a invocação da garantia do direito adquirido. invocação de direito adquirido ou percepção de excesso a qualquer título" (grifamos). A coisa julgada significa a impossibilidade de alteração de decisão judicial. Assim. enfim. neste caso. o que está previsto no inciso XL da CF/88: "a lei penal não retroagirá. § único). em última instância. salvo para beneficiar o réu". e que não foi exercido antes da vigência de nova lei advinda para regular a mesma matéria em sentido diverso. a remuneração. provando. que vem da Teoria Civilística do Direito Privado. salvo para beneficiar os réus. São três fundamentais garantias que estão presentes também na Lei de Introdução ao nosso Código Civil (Decreto-Lei nº 4. estas três básicas garantias estão atreladas uma a outra.de nível superior queira aplicar a um aluno. seja pedindo. contestando. as partes participam intensamente dos processos em que estão envolvidas. julgamos interessante termos presente o conteúdo do artigo 17 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. as vantagens e os adicionais. significando o Princípio da Irretroatividade da Lei Penal. bem como os proventos de aposentadoria que estejam sendo percebidos em desacordo com a Constituição. O direito adquirido é aquele que se perfecionou sob a égide de uma dada lei. garantir a justiça no processo.657/42. o inciso XXXVII diz: "não haverá juízo ou . por exemplo. até porque uma pessoa pode ser culpada mas ter direito à exclusão da punibilidade. em razão de. pelo que as leis penais não devem retroagir. Em suma: os Princípios do Devido Processo Legal. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada". 2º. o qual. Dando continuidade. findos todos os prazos para tal. No entanto. que diz: "Os vencimentos. sendo aplicadas também especificamente no campo do Direito Penal. artigo 6º. mesmo advindo essa nova lei. não mais caber qualquer espécie de recurso contra a mesma. Esta é uma garantia que já vinha prevista em nosso Código Penal (art. tratando-se. do Contraditório e da Ampla Defesa existem para. que é a regra geral. Ou seja. neste caso.

por exemplo. também por as ter. assegurados: a) a plenitude de defesa. Esta garantia existe com dupla razão: uma que protege os próprios juízes de carreira. garante a validade e a legitimidade dos feitos. finda a Segunda Guerra Mundial. A instituição Tribunal do Júri constitui momento de oxigenação da . por seu turno. positivado no inciso LIII. Juiz Natural é o juiz constitucionalmente previsto. outra que protege aqueles que serão julgados. juízo ou tribunal competentes são aqueles constitucionalmente previstos. para julgar criminosos de guerra. uma vez que tem como principal escopo evitar que os julgamentos sejam feitos de maneira parcial. d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida". se não observado. estabelecido em 1946. Na esteira desta garantia aparece o Princípio do Juiz Natural. e outra que se destina à proteção dos demais membros da sociedade em geral. a criação de tribunais ad hoc.tribunal de exceção". 17. inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos) e que. Agora comentamos as demais. Em suma. àquelas pessoas que são as vítimas em potencial dos criminosos. aquele que goza das garantias asseguradas no artigo 95. nos seguintes termos: "é reconhecida a instituição do júri. 17. I. de modo geral. Assim. Muitas dessas garantias penais e processuais penais já foram por nós abordadas nos itens antecedentes. que seriam aqueles constituídos apenas para o julgamento de um caso judicial específico. II e III (vitaliciedade. com a organização que lhe der a lei. As garantias processuais penais. dirigem-se basicamente aos acusados ou aos já condenados. ou seja.1 Da instituição do tribunal do júri e do princípio da reserva legal e da anterioridade da lei penal O Tribunal do Júri é garantido pelo inciso XXXVIII. assim como. nos seguintes termos: "ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente". o princípio-garantia em comento impede. Ao estabelecer tal regra. causa a nulidade do feito. Consagrado constitucionalmente este princípio. b) o sigilo das votações. como o foi o histórico e polêmico Tribunal de Nüremberg. Outras Garantias Penais E Processuais Penais Podemos dizer que as garantias penais têm duas faces principais: uma que é dirigida aos criminosos. a imparcialidade no exercício da jurisdição. c) a soberania dos veredictos. o constituinte originário impossibilitou a criação de juízos ou tribunais fora da estrutura do Poder Judiciário.

ou utilizando veneno. pelos seus pares. tem direito à ampla defesa e ao contraditório. que são aquelas duas hipóteses em que a sua realização não configura crime: caso de gravidez resultante de estupro e caso de risco de vida para a gestante). mais um corpo de vinte e um jurados. a condição de o agente querer o resultado ou assumir o risco de produzi-lo. passando a ser. o Tribunal do Júri é um órgão de decisão judicial em que os veredictos são dados pelos sete jurados. para diminuir a influência do Rei sobre os julgamentos. pelo menos deverá a condenação ou a absolvição do réu dar-se por 4 votos x 3 votos). Diferentemente. ou seja. ou por motivo torpe. mas naquela época era utilizado somente para julgamento dos crimes de imprensa. nos Estados Unidos da América do Norte atuam doze jurados e aceitamse apenas decisões unânimes. Os jurados possuem a garantia do segredo das votações. por maioria simples (isto é. 8 O que caracteriza o dolo em qualquer um destes quatro crimes é a vontade. não no sentido de serem os jurados também delinqüentes. Estes crimes são em número de quatro: a) homicídio (que pode ser qualificado. sejam consumados ou meramente tentados. tal garantia visa a resguardarlhes a segurança. Em Direito Penal a culpabilidade é o gênero de que são espécies o dolo e a culpa. que é o Presidente da sessão. A decisão proferida em um júri deve automaticamente ser revista por novo júri quando a pena ultrapassar vinte anos. dos quais são sorteados sete para formar o Conselho de Sentença de cada sessão. instigação e auxílio ao suicídio. c) infanticídio (quando a mãe mata sua própria prole no período do estágio puerperal. parte do princípio do julgamento do delinqüente pelos seus iguais. já que nomeava os juízes a seu bel-prazer. então. através da participação do senso comum dos cidadãos. é a intenção. d) aborto (exceto o aborto legal. ou seja. surgiu na Inglaterra medieval. A composição do Tribunal do Júri brasileiro é dada pelo artigo 433 do nosso Código de Processo Penal: um Juiz de Direito. evidenciando o prazer do homicida em cometer o mal). mesmo antes da Independência de nosso País. mas sim no sentido de não serem pessoas com formação técnico-jurídica. devendo a decisão ser. pelo menos. obviamente. Assim. situação em que recebe abrandamento da pena. . sendo conhecido apenas o resultado final. b) induzimento. Em nível mundial ocidental. se realizado com emboscada ou traição. Em qualquer dos casos o réu. pois é cientificamente comprovado que em tal período pós-parto a mulher pode agir sob influência de perturbações psíquicas). Juízes de Fato.Justiça. O júri é um juízo colegiado que tem competência para julgar apenas os crimes dolosos contra a vida. por exemplo. Surgiu no Brasil em 1822.

Exemplificando: tortura já é crime. nos termos da lei". (grifamos) E também em consonância com mais dois dispositivos da Constituição. 17. raça. sexo. Estes dispositivos foram colocados na Constituição como uma iniciativa em sanar um pouco o forte racismo (tratamentos desiguais atribuídos pelo agente a uma pessoa ou grupo de pessoas em função da raça ou da cor da pele) praticado no Brasil. nulla poena sine lege) está positivado no artigo 1º do Código Penal Brasileiro.2 Dos crimes inafiançáveis e imprescritíveis A Constituição eleva dois crimes à categoria de imprescritíveis. sem preconceitos de origem. 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. quais sejam: o art.O inciso XXXIX prevê o Princípio da Reserva Legal e da Anterioridade da Lei Penal. § 1º das Disposições Constitucionais Gerais. deve ser lido conjugado com o inciso IV do art. sujeito à pena de reclusão. nos seguintes termos: "não há crime sem lei anterior que o defina. ainda que muitas vezes de forma velada. no inciso XLII: "a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. nem pena sem prévia cominação legal". poderão passar cinco. que contempla a velha máxima cunhada por Feuerbach (nullum crimen. Ser inafiançável significa que o acusado não poderá aguardar o julgamento em liberdade pelo pagamento de uma dada quantia em dinheiro. O mesmo princípio. devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. O racismo tem a seguinte previsão constitucional. 242. cor. não se caracteriza crime um fato praticado no dia de hoje se a lei que o prevê enquanto crime entrar em vigor apenas no dia de amanhã. uma vez que. ainda assim seus agentes poderão ser responsabilizados e pagar por tê-los cometido. por exemplo. que trata dos remanescentes das comunidades dos quilombos. faz-se necessária uma lei que o considere como tal e essa lei que prevê o crime há que ser anterior ao fato. além de inafiançáveis. 3º da Constituição Federal de 1988 que. São eles: o racismo e a "ação de grupos armados civis ou militares. algo que nos parece inadmissível em um País com tantos descendentes afros! . reconhecendo àqueles que estejam ocupando suas terras a propriedade definitiva. ou seja. que reforça o já abordado Princípio da Isonomia. como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil elege "promover o bem de todos. que prevê de uma certa forma a revisão do ensino da disciplina História do Brasil. idade e quaisquer outras formas de discriminação". vinte ou cinqüenta anos do cometimento do crime. já a imprescritibilidade é uma característica que aumenta a possibilidade punitiva. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático". pois há lei nesse sentido. Este inciso. eis que o seu ministrar deverá levar em conta "as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro" e o art. demonstrando que são delitos que mereceram agravantes constitucionais. significando que para que um fato seja considerado crime. dez.

latrocínio. envenenamento de água potável ou de substância alimentícia ou medicinal. atentado violento ao pudor. Crimes inafiançáveis são aqueles em que os acusados não têm direito a pagar uma fiança (uma quantia "x" em dinheiro) para aguardarem o julgamento em liberdade. Tão graves são que. Por fim.459/97. praticados pelos meios de comunicação ou por publicação de qualquer natureza. A pena passou a ser reclusão de 1 a 3 anos e multa ao injuriador por cor. etnia. lamentavelmente. uma vez que estabelece os crimes e as penas aplicáveis aos atos discriminatórios ou de preconceito de raça. Esta Lei passou a punir também a divulgação do nazismo. qualificado pela morte. na época do Governo Collor de Mello. genocídio. fazendo cessar o poder de punir do Estado. frisamos que qualquer ação armada contra a ordem imposta pela própria Constituição e o Estado Democrático também é fortemente punida. não podemos nos furtar de fazer uma observação: o que se observa é que. a Lei nº 8. que é específica. religião ou origem. tráfico de entorpecentes. religião.081/90. 17. que não trata apenas do crime de racismo. sofreu alterações pela Lei nº 8. o tráfico ilítico de entorpecentes e drogas afins. funcionando os institutos da graça e da anistia no direito penal como imperativos de política criminal que acarretam a extinção da punibilidade. dentre outros: extorsão qualificada pela morte ou mediante seqüestro. para eles. raros são os casos de condenação por esse crime. existem três leis que tratam do assunto do racismo: a Lei nº 7. já que a lei de 1989 só os previa por raça e cor.3 Dos crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia Diz o inciso XLIII: "a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. pois trata dos crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. se omitirem". os crimes por racismo tiveram expandidas suas hipóteses. depois. Já crimes não suscetíveis de graça ou anistia são aqueles que não admitem essas espécies de "perdões". deve a pena ser integralmente cumprida no regime .No plano normativo infraconstitucional. A chamada Lei dos Crimes Hediondos. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. raça. bem como a pena aumentada. e recentemente. devido à dificuldade na obtenção de provas da discriminação ou do preconceito racial.. etc. os executores e os que. Mas embora existam estas três leis regulamentando o crime de racismo. Lei nº 8. podendo evitá-los. sendo que a característica que os une é a da gravidade. mais especificamente em maio de 1997.716/89.072/90 surgiu no contexto do então seqüestro do empresário brasileiro Abílio Diniz. estupro. por eles respondendo os mandantes. etnia ou procedência nacional. o que se deu pela Lei nº 9. São classificados como crimes hediondos.930/94. cor.

455/97). nos seguintes termos: "nenhuma pena passará da pessoa do condenado. também denominado Caráter Personalíssimo da Pena. transformando-a em castigo. com as freqüentes falsificações de remédios. o significado de evolução. Em consonância com o inciso que acabamos de ver é que deve ser . É dizer. Iniciamos pelo inciso XLV que diz respeito ao Princípio da Pessoalidade da Pena. assim como também aos seus agentes é proibida a concessão de liberdade provisória. uma vez que a Lei que tipificou a tortura enquanto crime autônomo admite a progressão de regimes no cumprimento da pena. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento dos bens. que o regime fechado integral fere o utilitarismo da pena. representando lenta e penosa conquista política. Ainda um último comentário a respeito dos crimes hediondos: nos últimos meses de 1998. sob o argumento de que a lei pode retroagir se for para beneficiar o réu. em sendo a tortura um crime assemelhado aos crimes hediondos. 17. em que esta era grupal. pelo princípio em pauta nenhuma pena passa da pessoa do condenado. isto é. coletiva. o Congresso Nacional aprovou projeto de lei de autoria do Poder Executivo tornando crime hediondo a falsificação. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. que teve no Iluminismo. neste ponto específico deveria também aquela Lei ser aplicada aos crimes hediondos. até o limite do valor do patrimônio transferido". o que veio em boa hora. pagando todo o grupo a que pertencia o ofensor por condutas repreensíveis deste.4 Da pena e do seu cumprimento Há vários incisos no artigo 5º referentes à pena e aos critérios utilizados para o cumprimento da mesma. A concretização da personalidade como referência para a aplicação da sanção penal foi extremamente importante para centralizar a pena apenas no agressor. não se admite progressão. Há quem diga. 2º. na época da Revolução Francesa. que trata deste aspecto específico na Lei dos Crimes Hediondos tenha sido revogado tacitamente pela Lei da Tortura (Lei nº 9. adulteração e corrupção de medicamentos e alimentos. O raciocínio que se faz é que a Lei da Tortura é mais benéfica ao réu e. E ainda é possível dizer-se que o art. o que seria um absurdo! O que importa assinalar aqui é que a responsabilização pessoal (e unicamente esta) está diretamente associada ao direito penal liberal. como antes acontecia no período da vingança privada.fechado. no entanto. e não mais no seu grupo social. Pelo menos não herdamos penas privativas de liberdade. ser. nos termos da lei. embora preveja o início de tal cumprimento no regime fechado. ou ainda Princípio da Responsabilidade Pessoal. face aos vários episódios que a população brasileira estarrecidamente assistiu. mas pode ter efeito econômico extensivo.

sendo que o condenado trabalha durante o dia e fica isolado no "repouso noturno". a prestação de serviços à comunidade. eis que o espólio e os herdeiros ficam a salvo de arcar com o ônus personalíssimo do morto (CERNICCHIARO. portanto. caso contrário. em novembro de 1998 foi sancionada nova lei relativa às penas alternativas. hospitais. cumprida em regime semi-aberto (em colônia agrícola. 49. escolas. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. mas como obrigação exclusiva do condenado (art. podendo englobar. por exemplo. de crime. podendo depois progredir para o regime semi-aberto ou aberto. ninguém senão o delinqüente poderá ser acionado para pagá-la e no caso de sua morte. E. A respeito da pena de multa. O inciso XLVI contempla o critério da individualização da pena. assim como a interdição temporária de direitos pode ser a proibição de freqüentar determinados lugares. uma conquista inafastável. Código Penal) pois. (art. etc. ou seja. entre outras. c) multa. pelo qual os filhos ilegítimos foram equiparados aos legítimos. autônomas e substitutivas das penas privativas de liberdade. p. 100). a pena restritiva da liberdade é a detenção. A pena privativa da liberdade é a reclusão. aplicada para condenado a pena superior a oito anos. orfanatos. A pena de prestação social alternativa pelo disposto no Código Penal (art. cujo cumprimento inicia em regime fechado (o que pressupõe estabelecimento de segurança máxima ou média). seria uma obrigação transmissível. quanto à ampliação dos tipos de penas. não os filhos. os sucessores não estarão obrigados a resgatar a multa. a mais severa de todas. 1995. ou seja. fazendo uma relação não taxativa das penas que são adotadas em nosso ordenamento. criando . A suspensão temporária de direitos pode ser a suspensão da habilitação para dirigir veículos. 46 do Código Penal). por último. 44) corresponde substancialmente às penas restritivas de direitos. vedada a herança de pena e. assim. 227 da Constituição de 1988. permitindo que a lei crie outras: "a lei regulará a individualização da pena e adotará. e) suspensão ou interdição de direitos". não há porque os filhos pagarem pelos atos ilícitos dos pais (o que se dava por possuírem uma defasagem de direitos em relação aos filhos havidos dentro do casamento): adúlteros são os pais. industrial ou similar) ou aberto (em casa de albergado ou estabelecimento adequado).interpretado o § 6º do art. b) perda de bens. d) prestação social alternativa. como a realização de tarefas gratuitas junto a entidades assistenciais. o seu recolhimento é feito ao fundo penitenciário.

se houver aceitação do beneficiário. também já foi tratado em outro item. advertência. aqueles cometidos sem a intenção de causar o dano. ficando sem o leite materno. praticado antes da naturalização. a indenização pode ser convertida em prestação de outra natureza como. a pena alternativa pode ser usada qualquer que seja o tamanho da pena aplicada). Na seqüência. a entrega de cesta básica). por exemplo. 17.5 Da extradição Diz o inciso LI: "nenhum brasileiro será extraditado. o inciso L garante às presidiárias "condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação". O objetivo da nova lei é o de minimizar a superlotação das prisões e diminuir o índice de reincidência. Por este inciso também fica obrigatória a existência de presídios femininos. principalmente para que os criminosos mais experientes e perigosos não tenham a possibilidade de passar seus "ensinamentos" aos delinqüentes principiantes. for de até quatro anos e desde que o delito não tenha sido cometido mediante grave ameaça ou violência. A extradição consiste . o que antes só era possível em condenações de até um ano e. já que devem os apenados ser separados conforme o grau de periculosidade. ou pelo menos de celas exclusivamente femininas nos presídios que são gerais. obrigação de freqüentar curso. na forma da lei". o dispositivo acaba por ter caráter humanitário. a idade e o sexo. alimento de fundamental importância nos primeiros meses de vida. é um direito voltado para as crianças. em se tratando de crimes culposos. sempre de não-reincidente. já o analisamos em outro item. salvo o naturalizado. ou comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. Aqui temos também uma manifestação do Princípio da Individualização da Pena. Quanto ao inciso XLII. Pelo inciso XLVIII: "a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. assim como ampliando os casos em que podem ser aplicadas (agora um juiz pode substituir a pena de prisão quando a condenação. Assim. Mais do que um direito das mães presidiárias. perda de bens e valores. que não devem pagar pelos crimes das mães. não permitindo que a pena imposta à mãe atinja os seus filhos. o que torna o Brasil um dos países mais avançados na área. que diz quais as penas que são proibidas em nosso ordenamento jurídico. a idade e o sexo do apenado". em caso de crime comum. proibição de freqüentar determinados lugares e.oito novos tipos de penas alternativas à prisão (pagamento de indenização à vítima ou a seus familiares. que assegura aos presos o respeito à integridade física e moral. recolhimento domiciliar. principalmente em um País que possui tantas crianças desnutridas e subnutidas. submissão a tratamento. de acordo com a natureza do delito. O inciso XLIX.

poderá ser extraditado. para que lá responda a processo ou cumpra pena por delito cometido. 22. por exemplo. CF/88. pelo menos) concederá extradição quando o pedido se referir a crimes políticos ou . a liberdade de opinião e de manifestação do pensamento. mas como brasileiro nato nunca poderá ser extraditado e os naturalizados apenas nas hipóteses do inciso anterior. ou em qualquer tempo em se tratando de delitos relativos ao tráfico de entorpecentes e drogas afins. Quanto à competência constitucional em relação à extradição.25. nega a possibilidade de extradição por crimes políticos ou de opinião. Ainda quanto à extradição. já o brasileiro naturalizado poderá sê-lo. nos anos de 1995 e 1996 o Supremo Tribunal Federal acolheu setenta e oito solicitações. o Brasil costuma negar o pedido de extradição caso a pena a ser aplicada pelo país autor do pedido seja a de morte ou a de prisão perpétua (na China. conclui-se que o Brasil nunca (enquanto estiver em vigência esta Constituição. desde que requerida por esse outro Estado. sendo que a maioria dos foragidos é de traficantes de drogas. feitas por dezoito países. coerente com seu espírito democrático. A regra destina-se diretamente aos estrangeiros. conforme o disposto no art. quais sejam. mais especificamente um mapeamento a respeito da extradição no Brasil. alínea "g". No Brasil compete à União legislar sobre extradição. 9 Como regra geral. 102. o crime de "colarinho branco" é punido com pena de morte). Atualmente vigoram a respeito os artigos 76 a 94 da Lei n° 6.964/81). e os países que lideram os pedidos são Itália e Alemanha. o que dá uma média mensal de 3. nossa Constituição. não importando se tenham sido cometidos antes ou depois da naturalização. Este assunto merece uma pequena reflexão.no ato pelo qual um Estado entrega à Justiça de outro Estado um indivíduo que esteja em seu território nacional.815/80 (alterada pela Lei n° 6. pois nos regimes democráticos os atos ideológicos não possuem caráter criminoso. seguida de homicidas. cabe ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar originariamente a extradição solicitada por Estado estrangeiro. inciso XV. ou por crime comum que o tenha praticado antes da naturalização brasileira. É precisamente este o conteúdo do inciso LII: "não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião". pelo art. Para termos uma idéia. mas apenas nas restritas hipóteses enunciadas no dispositivo. I. pois a quantidade de pedidos de extradição feitos à Justiça brasileira revela que o País é um dos refúgios prediletos de criminosos internacionais. que pressupõe e exige a liberdade de consciência. sendo o Estado requerente o competente para julgá-lo e puni-lo. o que se explica por uma fama de impunidade de que gozamos no cenário internacional. em hipótese alguma. Por este inciso vemos claramente uma diferença que a Constituição faz entre brasileiros natos e naturalizados: o brasileiro nato nunca.

conforme consta no Código Penal. dentro dos 30 dias seguintes à entrada ou à concessão do asilo e a identificar-se pelo sistema datiloscópico.]. Uns dizem que não se necessita de lei porque a polícia.. de carteiras de ordens profissionais que se prestem para tal. observadas as disposições regulamentares". toda e qualquer pessoa só poderá ser considerada culpada após decisão judicial da qual não caiba mais nenhum recurso. constituindo-se a garantia na vedação da identificação criminal dactiloscópica (por meio de impressões digitais. os verdadeiros infratores. que não é específica sobre o assunto. ou seja. identificaram-se com seus documentos. da Certidão de Nascimento. 10 Muitos desses erros poderiam ser evitados se o nosso Poder Público não tivesse demonstrado sua omissão ao nunca ter criado um Instituto Nacional de Identificação.. nenhuma outra lei foi criada até hoje. da Carteira de Trabalho e da Previdência Social. o que divide a opinião dos especialistas. Aí está a consagração constitucional do Princípio da Presunção da Inocência ou também conhecido como Princípio da Presunção de Não-culpabilidade do Acusado. ou seja.de opinião. não é absoluta. Quando isso ocorre. aquela feita com os dedos da pessoa que está sendo identificada. A vedação como se vê. tem por dever fazer a identificação criminal. é aquela prevista no inciso LVII. mesmo a indenização que o Estado deverá ao inocente não será capaz de reparar sequer um dia que tenha passado na prisão. Outros avaliam que não raro são processadas e presas pessoas inocentes porque terceiros. ou seja. pois todos somos considerados inocentes até provado o contrário. Uma das hipóteses previstas em lei é a apresentada pelo Estatuto dos Estrangeiros. Lei nº 6. como por exemplo a da Ordem dos Advogados do Brasil. ou de asilado é obrigado a registrar-se no Ministério da Justiça. quando já realizada a identificação civil (que pode ser feita por meio da Cédula de Identidade. 17. salvo nas hipóteses previstas em lei".6 O princípio da presunção da inocência Uma outra garantia que assiste aos acusados. sempre que tiver suspeitas quanto à identificação civil. (grifamos) Mas afora essa lei. o inciso visa a impedir a dupla identificação. que em linguagem policial é conhecida . 17. que fosse conectado em rede no País inteiro e que centralizasse todas as informações sobre identificações civis. senão parcial.) não se pode submeter a pessoa também à identificação criminal. de temporário [. que em seu artigo 30 diz: "o estrangeiro admitido na condição de permanente.815/80. etc. Aparte a polêmica. pela qual "ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória".7 Vedação parcial à identificação criminal Diz o inciso LVIII: "o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal.

por exemplo. de que são membros os Promotores de Justiça (na esfera estadual) e os Procuradores da República (na esfera federal). Esta garantia existe para impedir que o criminoso possa se livrar dos atos que cometeu. por meio de seus representantes legais. ofereçam a queixacrime sustitutiva (nome que recebe a peça inicial de uma ação penal privada subsidiária da pública). é a de que o Estado é o titular do direito de punir. Assim. até . Mas como muitas vezes. bem como a possibilidade do exame de autos por qualquer pessoa. se esta não for intentada no prazo legal". E pelo inciso LX. deve ser intentada pelo Ministério Público. perdem o prazo para iniciar a ação. a titularidade da ação penal é pública. Diz o texto do inciso ora em comento: "a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem". Pela regra. fazendo valer o brocardo que diz que "o povo é o juiz dos juízes". isto é. sem que tenha ele tomado qualquer iniciativa para a propositura da ação. a regra. garante a presença do público nas audiências. isto é. Também conhecido como Princípio da Publicidade do Processo. ou como nos casos em que o documento civil apresentado levante suspeitas quanto à veracidade. por razões políticas. a pretensão punitiva dos agentes delituosos. em nosso Direito. como o enunciado acima.8 Da possibilidade de ação privada subsidiária da pública e do princípio da publicidade dos atos processuais Diz o inciso LIX: "será admitida ação privada nos crimes de ação pública.vulgarmente como "tocar piano"). os membros do Ministério Público não entram com a ação penal pública no prazo legal (sendo que no caso do crime de furto. temos reconhecido o Princípio da Publicidade dos Atos Processuais. e isto é assim desde que a Justiça deixou de ser privada. pois somente o Estado detém. Então. naqueles casos em que os representantes do Ministério Público. Mas é preciso que o prazo legal de que dispõe o Ministério Público seja expirado em inércia. ou por excesso de trabalho. estando solto o indiciado é de 15 dias e estando preso é de 5 dias). conquista histórica que marcou o processo de racionalização do Direito e que vem desde os marcos constitucionais delimitados pelo início do constitucionalismo. assinalando a reação. titulares da ação penal pública. nãoracionais e de caráter inquisitório do Ancien Règime. contra os juízos secretos. o prazo para o oferecimento da "denúncia". A explicação existente para que a maior parte dos delitos seja de ação pública é muito plausível. sendo este o mais seguro instrumento de fiscalização popular em relação à atuação da Justiça. à época da Revolução Francesa. casos em que pode ter sido furtado e falsificado. ou seus parentes. a regra é a da publicidade. oferece a Constituição essa garantia para que a própria vítima. por exemplo. 17. como um monopólio. a não ser nos casos previstos em lei.

é ilegal. que diz que a ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça.9 Prisão ilegal.porque a Justiça é pública. ser imediatamente relaxada pela autoridade judiciária (este é o texto do inciso LXV). tudo. etc. incluindo a responsabilidade do Estado em relação ao condenado. comumente por intermédio do instituto habeas corpus. cujos fatos expostos. garantias contra prisões arbitrárias e a favor da mais ampla defesa possível aos detidos. como veremos na seqüência dos incisos. devendo. Inicia pelo inciso LXI: "ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. a própria Constituição faz pelo menos uma. definidos em lei". segundo o Código de Processo Penal brasileiro (art. Pois. em que por qualquer motivo detiamse as pessoas para "averiguações". uma vez que o anterior texto constitucional apenas fazia referência a "autoridades". . Quanto ao flagrante delito. este inciso deu fim às prisões efetuadas por ordem da autoridade policial. caracteriza-se o mesmo pela certeza visual do crime. com os ares democráticos de volta.). flagrante delito e habeas corpus. Maximização do direito de liberdade física das pessoas e responsabilidade objetiva do Estado para com o condenado O artigo 5º apresenta pelo menos oito incisos diretamente relacionados ao preso e à prisão. que acabam sendo. permeado por uma proposta humanitária e democrática em prol da maximização do direito de liberdade física das pessoas. ou em que se faz necessário o segredo para proteger menores envolvidos (separações de casais que envolvem filhos ainda crianças ou incapazes. provavelmente as vítimas não processariam seus ofensores (por exemplo os casos de estupro. Para além das restrições à publicidade do processo. e em que. Em primeiro lugar. qual seja. Sob tortura. o que se dá quando o comportamento lesivo atinge a esfera íntima do ofendido. não menos seguidamente. muitos presos poderiam confessar crimes não-cometidos. Por isso avançou em muito a Constituição atual ao especificar que as únicas autoridades que podem ordenar prisões são as judiciárias. praticavam-se atos de torturas contra essas pessoas detidas ilegalmente. muito freqüentes nos anos ditatoriais. 17. as audiências das ações de divórcios. 14. se antes isso não for feito espontaneamente pela autoridade coatora ilegal. a prevista no § 11 do art. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. Mas a Constituição admite que a lei faça exceções. em sua grande maioria. e não privada. pois. que podem ser feitas por lei infraconstitucional. bem. pois casos há em que se as ações respectivas não corressem em segredo de justiça. se ouvidos por terceiros poderiam causar graves danos às partes). temos que qualquer prisão de civis efetuada sem que seja em flagrante delito ou sem que tenha uma ordem judicial.

CF/88. A prisão de militares segue outras regras. no entanto. Aqui podemos inserir uma análise ao inciso LXXV: "o Estado indenizará o condenado por erro judiciário. Há erro judiciário indenizável quando ficar comprovado que o condenado é inocente do crime de que o acusaram. em situação que faça presumir ser o autor da infração. dizem os penalistas (como por exemplo Luiz Flávio Borges D'Urso). a pessoa deve ficar presa o menor tempo possível. ainda assim. possui 150 mil presos acomodados em 70 mil vagas. em seu artigo 302. o Brasil é um País que. alegando por exemplo. Vemos no texto uma das manifestações da responsabilidade objetiva do Estado e do conseqüente dever de indenizar o condenado por erro judiciário que. logo após. nos dá a caracterização de quando o agente de uma ilicitude penal está em "flagrante delito": quando está cometendo a infração penal (e aqui devemos atentar para aqueles crimes que são "instantâneos". mas pode se dar por deserções. que se passou em Minas Gerais a partir do ano de 1939. etc. o qual. Em se tratando de prisão ilegal. Talvez na história penal e processual penal brasileira. Quanto à segunda parte do inciso. por ofensa a símbolo nacional (como por exemplo uma cuspida na Bandeira Nacional). poderá pleitear indenização por erro do Estado. e aqueles "continuados". pelo ofendido ou por qualquer pessoa. e para que os familiares do preso ou outras pessoas próximas possam providenciar a constituição de advogado e ir reunindo provas. Já o erro judiciário civil é indenizável na forma do art. § 6º. neste inciso. 37. como o seqüestro. assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença". aqueles que são "permanentes". e. o erro judiciário mais grave e mais célebre tenha sido aquele cometido em relação aos "irmãos Naves". e conta ainda com aproximadamente mais 200 mil aguardando para "entrar no sistema prisional". Para quê? Para que o juiz possa averiguar se não se trata de uma prisão ilegal. pela autoridade. em que o momento consumativo se protrai no tempo. ou quando é perseguido. Com números tão alarmantes e com um sistema carcerário mal gerido e praticamente falido. que visa a resguardar o status libertatis da pessoa. não importando quando tempo dure a perseguição. como por exemplo o homicídio. é muito provável que muitos desses presos . É o texto: "a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada". Não há. parece referir-se exclusivamente ao erro na esfera penal.265). como por exemplo o rufianismo). o seu estado de liberdade. quando acaba de cometê-la. danos à imagem e/ou à integridade física. O inciso LXII traz uma inovação da Constituição de 1988. tendo em vista a sua liberação. erro judiciário quando o condenado for beneficiado por redução da pena ou por indulto. definidas em leis que costumam ser diferentes entre os Estados da Federação. ou seja.

pelo seu art. possibilitando a responsabilização por eventuais abusos. O direito de permanecer calado é uma tutela constitucional contra a auto-incriminação. Para finalizar. com ou sem o pagamento de uma fiança. baseado na referida garantia constitucional.503/97) que. na filosofia do sistema penal constitucional vigente é tida como medida de exceção. sendo que por essa corrente interpretativa. ganham "hospedagem" nas prisões brasileiras. A afiançabilidade do delito. Pelo inciso LXIII "o preso será informado de seus direitos. neste caso. A liberdade provisória e a fiança são institutos do Direito Processual Penal que possibilitam ao acusado ou ao réu aguardar o julgamento final em liberdade. ou seja. portanto. em aparelhos homologados pelo Contran. podemos inserir a discussão que se trava a respeito do novo Código Brasileiro de Trânsito (Lei nº 9. só é possível quando no caso não couber a liberdade provisória. A assistência da família tem inspiração humanitária e é uma tentativa de minorar o sofrimento e os transtornos causados pela prisão. Diz o inciso LXVI: "ninguém será levado à prisão ou nela mantido. como bafômetros e exames de sangue. lhes resultando ferido. o motorista pode se recusar a passar por esses exames. ou pelo menos coibir arbitrariedades e ilegalidades no ato da prisão ou do interrogatório. é uma garantia que tem sua base na caução do direito anglo-saxão e foi admitida entre nós já pela Carta Monárquica de . tem o objetivo de impedir. um direito fundamental. quando a lei admitir a liberdade provisória. qual seja. cremos que o Estado nunca conseguirá ressarcir o sofrimento e o desconforto causados àqueles que. Dizem os especialistas do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais que. no qual um médico constata se há sinais claros de embriaguez. pode negar-se a soprar no bafômetro e a colher sangue para exames. A prisão. 277 obriga os motoristas suspeitos de terem cometido infrações a submeterem-se a testes para medir a dosagem alcoólica. sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado". o único exame a que o motorista pode ser obrigado a se submeter é o clínico. do dever de vedação do anonimato que. com ou sem fiança". entre os quais o de permanecer calado. uma reflexão crítica: embora exista essa garantia de indenização por erro judiciário. ensina-nos Pinto Ferreira. Decorre esta garantia de outra. arriscados a ser estúpida e traumaticamente violentados pela selvagens regras que vigem nas celas nacionais.encontrem-se nas prisões "além do tempo fixado na sentença". quanto à assistência de advogado. E. isto é. inocentemente. 11 No inciso LXIV aparece a seguinte garantia: "o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial". Neste ponto em que a Constituição garante o direito das pessoas de não fabricarem provas contra si mesmas. é direito que decorre do Princípio da Ampla Defesa.

O direito aos alimentos (ou a chamada "pensão alimentícia") é irrenunciável. Os parentes devem-se. a expressão habeas corpus é latina. onde não se encontra o critério sangüíneo que. já que ele quebra a confiança que dá a base ao contrato de depósito. há algumas exceções. tendo as condições para cumprir a obrigação. p. Pelo inciso LXVII "não haverá prisão civil por dívida. Ainda assim. foi recuperado pela tradição jurídica inglesa. as Constituições garantem ao máximo possível a liberdade pessoal. como estes dois casos registrados em nossa Constituição. Diz o inciso LXVIII: "conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção. ou seja. mais precisamente no interdictum de libero homine exhibendo. alimentos. O habeas corpus tem origem no Direito Romano. mas como primeira e principal garantia de todos os direitos vistos até agora neste item. . A dívida de alimentos que possibilita a prisão civil deve ter origem em sentença judicial. tomar) e corpus (corpo). convém consultar o texto do artigo 1. está a previsão constitucional do instituto habeas corpus. E. frisando que já na Magna Charta Libertatum de 1215 os ingleses o haviam previsto. por último. mas Pontes de Miranda nos traz seus sábios ensinamentos. sendo que. pelo qual se poderia reclamar a exibição de homem livre detido ilegalmente. de habeo (ter. Para um maior aprofundamento da matéria. E também só será admitida a prisão do devedor se ele. Atualmente. reciprocamente. Para maiores esclarecimentos. por ilegalidade ou abuso de poder". o instituto existe na Inglaterra apenas desde 1679. sendo que no conceito "alimentos" incluem-se alimentos propriamente ditos. tradicionalmente. Foi-se o tempo em que por dívidas patrimoniais se pagava com o cerceamento da liberdade física. faz-se necessário o tratamento excepcional. porém. é uma modalidade de coerção ao pagamento. vestuário e educação.12 Após. é possível no Brasil pleitear-se alimentos também no seio das uniões estáveis.265 do Código Civil Brasileiro. salvo a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel". mas sim o intuito de obrigar o devedor a pagar. é este o sentido da expressão "inadimplemento voluntário e inescusável". abrigo. a obrigação alimentícia é tratada no artigo 400 do Código Civil Brasileiro. Modernamente. Com efeito. para alguns autores. Mas vale observar que tais prisões civis não possuem o caráter de pena. Quanto ao depositário infiel. confere o direito a alimentos. podendo-se traduzir: "ande com o corpo" ou "tenha o corpo". 1998.1824 (FERREIRA. compondo-se de habeas. 134). não o faz.

já que qualquer pessoa pode impetrá-la). grifado no original). No regime da Constituição de 1988 o habeas corpus tem natureza de ação constitucional penal (ou por outros dita "ação penal popular". servia para tutelar qualquer direito. portanto. assim se pronunciava: "o que particularmente o distingue é a celeridade com que êle (sic) restitui à liberdade aquêle (sic) que é vítima de prisão ou constrangimento ilegal. isto é. e ainda que ilegalidades qualquer pessoa as possa cometer. No entanto. Lafaiete Rodrigues Pereira. the power of locomotion. No Brasil. 654 do Código de Processo Penal.Quanto às características do instituto. Foi aquela Reforma que o restringiu à proteção do direito de locomoção. isto é. da "pretensão". Como já visto. a coação (vis . § 22). Atenção. existia no Brasil desde 1891. que embora não tenha sido então regulado. p. 1955. vir. há alguns autores do Direito Penal que dizem que o instrumento também pode ser impetrado contra particular. interpreta-se no sentido de que não se pode impetrar habeas corpus contra atos de ilegalidade advindos de "autoridade" particular (se é que possa existir autoridade particular) no que tange à liberdade pessoal. eis que a Constituição não faz restrição expressa. citado por Pontes de Miranda. mas a ele fez alusão o Código Criminal de 1830. desde então há acionabilidade do "remédio" com fundamento na Constituição (art. por fim. mas desde seu ingresso entre nós até a Reforma Constitucional de 1926. então. criou a ação e. admitindo. ou melhor. Como se pode ver no texto do inciso em comento. conferiu o direito subjetivo constitucional à liberdade. para o detalhe de que as arbitrariedades (ilegalidades ou abuso de poder) que justificam o pedido de habeas corpus devem ser provindas de autoridades públicas. ficar ou permanecer) contra violência ou coação ilegal de autoridade. em seu art. na esteira do Decreto de 23 de maio de 1821. o Código do Processo Criminal (Lei de 29 de novembro de 1832). 72. passemos aos seus desdobramentos. O habeas corpus é o "remédio" jurídico que visa a tutelar a liberdade individual de locomoção. 340. Daí a necessidade de fazer cessar prontamente a ofensa de direito tão sagrado" (Apud PONTES DE MIRANDA. conforme o texto constitucional de 1891. Pois bem. causa danos e sofrimentos que não admitem reparação condigna. mas não consagrou diretamente o habeas corpus. da liberdade física. a liberdade pessoal. a Constituição do Império. sendo seu processamento previsto no art. pois isso configura modalidade penal autônoma (seqüestro ou cárcere privado). interpretação extensiva. como outros a denominam. a liberdade física (ir. ou. desde 1891 o instituto é consagrado constitucionalmente. teve nos artigos 183 a 188 o foco criador do instituto. 184-185. o ius ambulandi. as únicas que podem cometer abusos de poder. A violação da liberdade pessoal.

desde que nunca para si. ou que já se encontra presa. isto é. O habeas corpus preventivo previne. ou seja.compulsiva: pressão psicológica) e a coerção (coercitio: vis materialis. um inquérito policial arbitrário). 160-161) e precisamente porque. principalmente enquanto fiscal da lei (custus legis). por constituírem crimes. isto é. Também pode ser impetrado pelo Ministério Público. Quanto à coação. precisamente porque a medida sempre tem caráter de urgência. o status libertatis. e cabe quando o indivíduo acha-se na iminência de sofrer uma coerção. quando alguém estiver ameaçado de sofrer um constrangimento ilegal. Quanto às formalidades. ou seja. p. em um papel qualquer (inclusive . 648 do Código de Processo Penal brasileiro enumera os casos em que a mesma é considerada ilegal (por exemplo. um constrangimento ilegal (que não necessariamente precisa ser uma prisão. por maiores que tenham sido não encontram nenhum amparo no remédio do habeas-corpus" (PONTES DE MIRANDA. equivalendo à violência física) ensejam a invocação do habeas corpus. em seu favor ou de outrem. quando alguém estiver preso por mais tempo do que determina a lei). qualquer pessoa ameaçada de ser presa. pode pedi-lo. conclui Pontes de Miranda que o passado não importa ao instituto. com ou sem capacidade postulatória). o art. o habeas corpus pode ser impetrado por qualquer pessoa (nacional ou estrangeira. Nele poderá ser expedido salvo-conduto em favor do paciente. O instituto apresenta-se sob duas formas: preventiva e repressiva. 1955. as futuras. se houver grave risco de consumar-se a violência. já que o remédio heróico visa a proteger a liberdade de locomoção. A partir das duas modalidades possíveis de impetração do remédio. por exemplo. "Violências que passaram. Quanto à legitimidade ativa. ou seja. O habeas corpus repressivo ou também dito liberativo ou liberatório é aquele invocado quando o paciente já está sofrendo a coerção. é aquele destinado a assegurar a liberdade do indivíduo contra violências que se temem. Mas é preciso que fique bem claro que pessoa jurídica também pode impetrar habeas corpus. até decisão do feito. já que esta é uma exclusividade dos seres humanos. e obviamente que pessoa jurídica não possui liberdade física. isto é. a liberdade física. podendo ser até mesmo na própria prisão. sempre em benefício de algum paciente que seja pessoa física. já que é meio cabível para libertar alguém que se acha ilegitimamente detido ou para impedir que isso ocorra. Assim. podendo ser. de maneira manuscrita. em benefício próprio ou de terceiro. No dizer de Pontes de Miranda. conforme as previsões de suas atribuições. sendo utilizado para que cessem violências atuais. por exemplo. praticamente não se as exigem. tais violências passadas podem ser punidas pelo Código Penal e também pelo juízo cível (enquanto reparação de perdas e danos). desde que o paciente seja sempre pessoa física. sem advogado.

E a explicação para isso tem um fundamento imperativo. Iniciamos pelo Mandado de Segurança. a Constituição Federal assegura a gratuidade do habeas corpus (conforme o art. sem grandes formalidades. quando o executor da medida comunicar-lhe a prisão de alguém e esta resultar ilegal (art. defendendo então todo e qualquer "direito certo e incontestável". que relate o fato arbitrário e que apresente o pedido de liberação. ao lado das ações de inconstitucionalidade. embora sem exigir muitas formalidades. configuram as ditas ações constitucionais típicas. em outros itens. 17. o habeas corpus poderá ser concedido mesmo no estado de defesa. Cabe ressaltar que muitas delas. o habeas corpus é uma ação judicial e. por razões que estão ligadas aos conceitos de disciplina e de hierarquia. Agora cabe-nos ver as outras ações que são também garantias de estatura constitucional.10 Outras garantias de status constitucional: mandado de segurança (singular e coletivo). diz o art. com previsão constitucional. podemos dizer ainda que o art. de ofício. Por direito líquido e certo devemos entender o direito documentado. assim.906/94. direito líquido e certo é o que se apresenta manifesto na sua existência. ação popular e ação civil pública Já vimos. telegrama. § 1º da Lei nº 8. 5º. Para torná-lo acessível a todos. com a sua prova pré-constituída ou. as ações habeas data e habeas corpus. qual seja: o exercício estrito da cidadania não pode ser mediado por representação profissional. Mas por outro lado. mandado de injunção. inciso I. Cumpre observar que esta garantia foi suprimida em 1937. a decisão não fará coisa julgada. § 2º da CF/88 o excetua para os casos de punições disciplinares militares. pois segundo a Súmula 423 do Supremo Tribunal Federal. É criação genuína do direito brasileiro e foi constitucionalizada em 1934.papel de pão). Quanto à não-necessidade de advogado. 142. Como palavras derradeiras a respeito do habeas corpus. É a única exceção mencionada na Lei à obrigatoriedade da presença e da intervenção do advogado. em tais casos não terá cabimento. recorre de ofício. O juiz que concede a ordem. delimitado na . CF/88). inciso LXXVII). denominação alterada em 1946 para "direito líquido e certo". bastando que seja em duas vias (uma que ficará para o juiz de direito decidir e outra que irá para a autoridade coatora para que se explique). pelo juiz competente. deve ser requerido a um juiz de direito e só poderá por ele ser concedido. ou por fax. via on line. se tal recurso não for interposto. que é o Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil: "Não se inclui na atividade privativa de advocacia a impetração de habeas corpus em qualquer instância ou tribunal" (grifamos). 136. isto é. 1º. Mas há que se prestar atenção para o fato de que. § 3º. que tem natureza de ação civil de rito sumaríssimo. em outra acepção mais ampla.

entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano. Entre ambos. em defesa dos interesses de seus membros ou associados". etc. nos seguintes termos: "conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo. São equiparados a "autoridade". nem por habeas data. ou melhor. quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público". reitores de Universidades. serventuários titulares de serventias do foro extra-judicial (tabeliães e registradores). o que diferencia é a legitimidade ativa já que o motivo que fundamenta o pedido é o mesmo. sendo este segundo uma novidade da Constituição Federal de 1988. são dadas por exclusão. etc. A primeira peculiaridade que se nos apresenta é que o conceito de Mandado de Segurança. enquanto o habeas corpus é uma garantia que somente tutela os interesses da pessoa física viva. podendo ser impetrado tanto por umas quanto por outras. contra atos que pratiquem podem figurar na legitimidade passiva de ações de Mandado de Segurança. cabe para proteger direito líquido e certo que não seja amparado nem por habeas corpus. diretores de estabelecimentos de ensino superior. Na ordem constitucional vigente. Com o Mandado de Segurança Coletivo permitiu a Constituição que o mesmo possa ser proposto por pessoas diferentes daquelas que efetivamente lesadas. Com relação às entidades particulares. O inciso LXIX prevê o Mandado de Segurança Singular. E. o singular ou individual. por exemplo. o inciso LXX apresenta o Mandado de Segurança Coletivo: "o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional. as hipóteses em que pode ser solicitado. segundo opinião de José Rogério Cruz e Tucci. e não quando forem apenas autorizadas (exemplos: hospitais particulares. isto é. assim como idênticos o processamento e os legitimados passivos. estabelecimentos bancários. companhias de seguro. serviços de táxi. à qual nos .). b) organização sindical. Trata-se do instituto da substituição processual que.sua extensão e apto a ser exercido no momento da impetração. e o coletivo. cabe Mandado de Segurança quando atuarem por delegação. na seqüência. o Mandado de Segurança se presta a assegurar direitos tanto de pessoas físicas quanto de jurídicas. Há que se observar que. o Mandado de Segurança aparece em duas modalidades. não amparado por habeas corpus ou habeas data. Como estes são exemplos de exercentes de atribuições públicas.

a eventual autorização. a disponibilidade da ação é da entidade legitimada. Todavia. assegurandolhes. da comunidade partidária. p. mas sim a atuação em nome de outrem" (TUCCI. 5º. conforme Lourival Gonçalves de Oliveira. contado de sua efetivação e prorrogável por mais 30 dias. não deve ser confundido com outro instituto. onde não mais se dará a defesa de interesse alheio em nome próprio. isto é. se os integrantes das entidades em comento não necessitarem conceder autorização expressa para a atuação de seus substitutos processuais e como eles também não participam do contraditório. para confundi-la com a representação processual. ainda. não dependendo ela da autorização de qualquer interessado" (TUCCI. conforme o autor (a partir das lições de Calmon de Passos e de Ernane Fidélis dos Santos).533. p. ao contrário do que recentemente foi asseverado. assim como ocorre em todos os casos excepcionais de defesa de pretensão alheia. 1990. não necessita de autorização expressa dos membros ou filiados das entidades autorizadas a agir em seus nomes. 43). como também. vigorará pelo prazo de 90 dias." (TUCCI. o direito de pedir a "segurança" extingue-se após 120 dias da ciência. o direito a se auto-excluírem (TUCCI. ao contrário do que ocorre em relação à representação processual prevista no inciso XXI. O Mandado de Segurança é regido pela Lei nº 1. ou seja. 1990. neste caso. 1990.. com representação no Congresso Nacional. "não só em defesa de interesses de seus filiados. O mesmo autor entende. é justamente o detalhe de que a substituição processual. 1990. E cita Ernane Fidélis dos Santos para dizer: "a legitimação que se dá às pessoas referidas no art. pois. de 31/12/51 (que "altera disposições do Código de Processo Civil.348. desde que pertencentes a determinada categoria . assim como é de 10 dias o prazo para a prestação de informações da autoridade apontada como coatora. para a proteção dos membros da comunhão social. diferencia as duas hipóteses. seja legal.filiamos. A medida liminar.. anômala ou extraordinária como se pretenda chamá-la. pelo interessado. deverão sempre ser cientificados da impetração da ação. grifado no original). p. inclusive. 42). 41. 50). se o acúmulo de serviço o justificar. quando concedida. já abordado em outro item. o da representação processual (inciso XXI da CF/88). a fim de que não se lhes viole a garantia do "devido processo legal". do ato impugnado (a Petição Inicial é feita nos moldes dos arts. que é possível a impetração de Mandado de Segurança Coletivo por partido político. Para ele. é absoluta. LXX. da Constituição Federal. p. o que deve ficar bem claro é que. 158 e 159 do Código de Processo Civil). "desnaturaria a finalidade" do Mandado de Segurança Coletivo. A . de 26/6/64 (que "estabelece normas processuais relativas a mandado de segurança"). revestida de natureza de mandato. Por elas. E o que. ao "admitir esta exigência estaríamos descaracterizando a substituição processual. relativas ao Mandado de Segurança) e pela Lei nº 4.

a Constituição da República Portuguesa de 1976 teve marcante influência em sua adoção brasileira. Apesar disso. 5º. salvo os relativos ao habeas corpus. não se dará mandado de segurança quando estiver em causa: I. 5º determina que as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. ou que seja suscetível de correição. Já o analisamos em um item da Primeira Parte desta obra. procedendo de injungere (ordenar. A legitimidade passiva para ambas também é a mesma. a palavra injunção procede do latim (injunctio. onis). de que caiba recurso. Ressaltamos. agora somente relembramos que a própria Constituição Federal adverte (art. Embora historicamente o instituto Mandado de Injunção tenha raízes no direito anglo-americano. o Mandado de Injunção originou-se na Inglaterra. III. mandar. independente de caução. impor uma obrigação). que os processos de mandado de segurança têm prioridade sobre todos os atos judiciais. Vem previsto no inciso LXXI do art. pelo quê. nos termos seguintes: "conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade.ato de que caiba recurso administrativo com efeito suspensivo. Em sua origem. inciso XXXV) que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito e no § 1º do mesmo art.concessão ou a denegação de segurança na vigência de medida liminar será imediatamente comunicada à autoridade apontada como coatora. 5º. A competência para julgar qualquer uma das modalidades do Mandado de Segurança é definida em razão da autoridade que praticou o ato e de sua sede funcional. Pelo art. seria contraditório . Então. II. significando "ordem formal". Aplicam-se ao processo do mandado de segurança os arts. "imposição". bem como brevemente na abordagem da inconstitucionalidade por omissão. 88 a 94 do Código de Processo Civil. 201 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. mais especificamente quando tratamos dos "instrumentos disponíveis para os casos de não-efetivação das normas constitucionais".ato disciplinar. ainda. tendo adentrado em nossa Constituição Federal de 1988 por proposta do senador Virgílio Távora. salvo se praticado por autoridade incompetente ou com inobservância de formalidade essencial.despacho ou decisão judicial. à soberania e à cidadania". O Mandado de Injunção é outra novidade da Constituição Federal de 1988. no século XIX.

pela Constituição Federal a competência originária é apenas do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. à moralidade administrativa. Sua previsão constitucional encontra-se no inciso LXXIII: "qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe. p. visto de outro ângulo. Quanto à legitimidade ativa. sendo que a competência para o Poder Judiciário Estadual (geralmente recai sobre o Tribunal de Justiça) depende de que seja fixada pelas Constituições Estaduais. não alcançando a justiça federal. implícita ou expressamente. salvo comprovada má-fé. A Ação Popular. embora não seja tipicamente constitucional. o rol de possibilidades foi ampliado pela inclusão da proteção da moralidade administrativa. mas sim da comunidade. à soberania e à cidadania.717. que se torna lesiva. pode ser impetrado por qualquer cidadão que sinta-se prejudicado e quanto à legitimidade passiva. já que toda a competência desta está posta no texto constitucional. cujo exercício deseja fazer prevalecer. 1990. teve pelo texto constitucional em vigor ampliadas suas possibilidades de propositura.vedar o exercício imediato dos direitos por falta de norma regulamentadora. prevista na Constituição Federal. 2º) o óbice que a tal exercício se apresenta a lacuna da legislação ordinária. pode ser substituído pela demonstração das prerrogativas inerentes à nacionalidade. tampouco novidade da Constituição Federal de 1988 (uma vez que a lei que a rege data de 1965. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência". mais conhecida como a Lei da Ação Popular). já para os demais ramos do Poder Judiciário poderá vir a ser fixada por normas infraconstitucionais. marcadamente pela inclusão do ataque à "moralidade administrativa" ou. qual seja. asseguradas na Constituição. ficando o autor. No que se refere à competência para o seu processamento e julgamento. o interesse geral (patrimônio público e moralidade administrativa) ou determinados interesses difusos (patrimônio histórico e cultural e meio ambiente). A petição inicial. cujo gozo pretende que venha a se tornar eficaz. pela Ação Popular. 253). no Mandado de Injunção. . deve demonstrar: "1º) o direito ou liberdade. sendo que no que se refere ao item primeiro. e 3º) o interesse e legitimidade do impetrante" (PACHECO. desde que dependa de tal órgão a emissão da norma que dá razão ao pedido. recai sobre qualquer órgão dos Poderes Públicos. de 29 de junho de 1965. apontando com clareza e precisão a falta ou carência de lei. ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural. Protege-se. mas o povo enquanto titular do direito subjetivo ao governo honesto. a Lei nº 4. Tem fins repressivos e preventivos da atividade administrativa lesiva ao patrimônio público. Por ela não se amparam interesses próprios. O beneficiário direto e imediato da ação não é o autor popular.

a nulidade do ato lesivo. constituindo-se em garantia ativa de direitos individuais e difusos. provocando a iniciativa do Ministério Público que. É o instrumento processual adequado para impedir danos ao patrimônio público e social. eis que apenas a acompanha. 129. Assim o determina o art. a expressão qualquer cidadão quer dizer apenas o nacional no gozo de seus direitos políticos. ao consumidor. conquanto possa prestar-se a evitar o dano. acarretando. ingressará com a demanda. os interesses difusos da sociedade. esta. basicamente. ou com documento que a ele corresponda".347/85. . Aquela persegue. 5º da Lei nº 4. são institutos diferentes. 1º. se procedente. Mas o que importa é frisar que uma (Ação Popular) é aplicada sem prejuízo da outra (Ação Civil Pública). § 3º da já mencionada Lei nº 4. da condenação em dinheiro ou do cumprimento de obrigação de fazer ou não-fazer (em caso de condenação em dinheiro. para tanto. histórico. ao meio ambiente. paisagístico. somente podendo fazê-lo por via indireta. Inicia-se com inquérito civil. Quanto à legitimidade passiva para a Ação Popular. visa. aos Municípios. Note-se. pois têm finalidades diversas. a legitimação para deflagrar a Ação Civil Pública somente é deferida a determinados órgãos: ao Ministério Público. pois contra atos de particulares há a Ação Civil Pública. ao patrimônio estético. cuja titularidade é conferida exclusivamente ao cidadão. sociedades de economia mista ou associação. vem a mesma tratada pelo art. não se prestando a amparar direitos individuais. CF/88. ou a suspensão liminar do ato lesivo impugnado. o Fundo de Defesa de Direitos Difusos). variando de acordo com a parte passiva. onde geralmente acontecem acordos.717/65: "A prova da cidadania. Embora existam pontos de contato entre a Ação Popular e a Ação Civil Pública. autarquias. sendo regida pela Lei nº 7. também a condenação em perdas e danos.Trata-se de uma "ação de conhecimento" em que se pleiteia sentença para anular atos diretos ou indiretos da Administração Pública. aos Estados. III. à reparação do fato consumado. a mesma possui previsão constitucional no art. para ingresso em juízo. fundações. a indenização reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal. Em relação à Ação Civil Pública. à União. visando a recomposição do patrimônio público lesado. Quanto à legitimidade ativa. Interpreta-se que apenas atos desta. em nome do órgão. basicamente. será feita com o título de eleitor. Além disso. empresas públicas.717/65. valendose. Protege os direitos coletivos individualizáveis e os direitos individuais homogêneos. assim. que o cidadão não detém legitimidade ativa para sua propositura. O Ministério Público não tem legitimidade ativa própria para entrar com Ação Popular.

bem como o art. Mas Walter Ceneviva levanta um paradoxo: o de que inclusive para provar a insuficiência de meios é necessária assistência jurídica. 1991. de marginalidade. Por fim. que é a Lei nº 1. na forma da lei: a) o registro civil de nascimento. 76) Consultar. p. dizendo que no Brasil já é possível "nascer" e "morrer" juridicamente de graça! É pouco. para maiores informações sobre os critérios que definem a insuficiência de recursos.. e assim não são computadas nos índices oficiais de pobreza. (CENEVIVA. que é a Lei nº 9. em nossas aulas. realizada em novembro de 1996. embora havendo essa previsão constitucional. Mas como.060/50. demonstrou que em torno de 30% da população brasileira não possui registro de nascimento. para um País que se responsabiliza tão minimamente pelo destino de seus filhos mais pobres.17. em setembro de 1996 foi encaminhado projeto de lei do Poder Executivo visando a tornar essa isenção universal. há uma recente lei dispondo sobre o assunto. a situação resolve-se. Já o inciso LXXVI diz: "são gratuitos para os reconhecidamente pobres. publicada no Diário Oficial da União . etc. b) a certidão de óbito". 90 do Estatuto da Advocacia e da OAB. Reza o inciso LXXIV: "o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos". o que dificulta em muito a organização de políticas públicas na área social. os artigos 1º e 2º da Lei da Assistência Judiciária. muitas vezes a determinação do critério para aferir os "reconhecidamente pobres" acabava sendo uma decisão pessoal dos tabeliães.465/97. de analfabetismo. Esta garantia aos menos favorecidos economicamente deve ser entendida como possibilidade de acesso à Justiça àqueles que por ela não puderem pagar. é como se essas pessoas não existissem. havendo alguns Estados da Federação em que este índice sobe para 80%. a favor do indivíduo que necessita comprovar a insuficiência de recursos. Ambos procuram garantir a tutela do Estado em relação àquelas pessoas que não dispõem de recursos financeiros para encampar a defesa de seus direitos ou o credenciamento para o exercício básico da cidadania. o que tem um custo. Mas é muito se contarmos que uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). o que está de acordo com a realização do Princípio da Isonomia. sendo que este responderá pelo prejuízo se se evidenciar a falsidade de sua declaração de que os recursos são insuficientes. Brincamos.11 Tutela estatal aos que comprovarem insuficiência de recursos Temos aqui dois incisos do artigo 5º interligados pelo assunto que apresentam: o LXXIV e o LXXVI. no entanto. abandonados à própria sorte. Para os rigores da lei.

nem sempre resgatáveis. sem dúvida. e que "dispõe sobre o fornecimento gratuito de registro extemporâneo de nascimento". mas com um grande número dos mesmos já reconhecidos na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) e que são agora repetidos no texto da Constituição. protegê-los contra as reformas constitucionais (se tiverem força para configurarem-se como direitos fundamentais e. há por trás disso um grande e nobre objetivo. No Brasil os direitos sociais compõem a grande parte do substrato social da Constituição de 1988. Aliás. natureza humanitária e de solidariedade. possuindo. inicialmente. que é a tentativa de. o "núcleo absoluto" dos direitos fundamentais não está à disposição do legislador reformador) ou pelo menos dificultar ao máximo as suas modificações e. enquanto há louváveis propostas de emendas constitucionais visando a expandir os direitos sociais. principalmente por carência de meios e recursos. através da constitucionalização desses direitos. Não seria preciso. sendo que desde a Carta Magna de 1934. Mas não como apenas uma inconseqüente repetição de direitos. com algumas inovações constitucionais. os direitos sociais nasceram sob a invocação do princípio da igualdade. portanto. como por exemplo uma de autoria do Senador Mauro Miranda-GO. Capítulo II Direitos trabalhistas. Incluídos nos direitos ditos de "segunda geração". há inúmeras outras propostas tendentes a modificar tais direitos. que inclui a moradia no Capítulo dos Direitos Sociais garantidos pela Constituição. que os direitos sociais são em sua grande maioria direitos trabalhistas. sem retrocesso. É preciso esclarecer. mas recordamos mais uma vez que tudo isso vem . Mas registramos que. também reconhece direitos e deveres individuais e coletivos. sindicais e sociais 1. cláusulas pétreas. quiçá. irremovíveis da Constituição.em 8 de setembro de 1997. compõem a base teórica positiva de nossa modalidade de "Estado social". pela evolução do constitucionalismo brasileiro durante os últimos cinqüenta anos. já que pela garantia da perpetuidade. do qual não se podem separar e exigem determinadas prestações materiais do Estado. consagrados. muitas vezes tratando-se de modificações que com sutileza provocam danos irreversíveis ao patrimônio dos direitos e garantias dos trabalhadores. Considerações Iniciais Este Capítulo (Capítulo II do Título II) da Constituição. as suas remoções. é a primeira vez que um texto constitucional brasileiro utiliza a expressão "direitos sociais". o dos Direitos Sociais.

e não apenas aos trabalhadores. conforme o constitucionalista Paulo Bonavides. portanto. sobretudo em países de economia frágil. 307). concentrando 54% do Produto Interno Bruto da América Latina. embora seja o quarto bloco comercial mais importante do mundo. 2. são também direitos de cunho social. . mas são displinados em outra parte da Constituição. a histórica advertência de Lacordaire é sempre atual: "entre o forte e o fraco. praticamente nenhuma resolução de âmbito social foi aprovada. perante a onda de desregulamentação das relações trabalhistas para fazer valer o dogma do mercado livre. embora com os efeitos perversos que podemos assistir dia após dia. até porque o "trabalho" é um direito social. no Título da Ordem Social. apenas tentaremos comentar os pontos mais importantes e apontar as principais inovações registradas pela Constituição Federal de 1988. apresenta um nível de descumprimento da legislação trabalhista para os que estão no mercado formal que ultrapassa de longe os padrões internacionais. o grande problema do momento constitucional é o de como aplicar a Constituição. vemos que embora o artigo tenha destinação restrita. o Mercosul. E por falar em mercados globalizados. após mais de seis anos de negociações entre os representantes dos países integrantes. já que há um "clima" contrário ao espírito da Constituição nas cúpulas empresariais mais retrógradas e em algumas lideranças políticas que resistem à aplicação dos direitos sociais básicos (BONAVIDES. Para piorar. Reflexões Cabíveis E Principais Inovações Constitucionais Na Seara Dos Direitos Sociais E Trabalhistas Não seremos exaustivos. os direitos trabalhistas assegurados no artigo 7º são desdobramentos das metas fixadas no artigo 6º da Constituição. Os direitos sociais são enumerados no art. trata de direitos que visam à melhoria da condição social dos trabalhadores e. No Brasil. p. sempre em crise. quando desatendidos. é a lei que salva". introduzi-lo na realidade nacional. Mas se olharmos o intróito dos direitos trabalhistas (caput do artigo 7º). no campo dos direitos sociaistrabalhistas. a liberdade oprime. E não podemos nos esquecer que. que lhes dá os aspectos organizacionais. 6º.ocorrendo para atender a exigências internacionalmente impostas pelos círculos neoliberais para que o Brasil possa ingressar na era da globalização. 1993. como concretizar seu texto. tornam-se os grandes desestabilizadores das Constituições. Uma rápida leitura dos artigos 6º e 7º já permite-nos dizer que os direitos sociais (reconhecidos no artigo 6º) dirigem-se a todas as pessoas. A importância dos direitos sociais básicos é a de realizar a igualdade material na sociedade e. por somente alcançar os trabalhadores. Dito de outro modo.

tanto para o trabalhador urbano quanto para o trabalhador rural só começa a contar a partir do momento da extinção dos respectivos contratos de trabalho. quinze. direitos e garantias dos trabalhadores. se quiser. um urbano e outro rural. vinte anos pretéritos. dez. já o rural não tem limite algum. a prescrição não corre durante o contrato. que vem estipulada no inciso XXIX. Esta diferença foi constitucionalizada porque. inclusive no que toca ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). determinando a extinção da possibilidade de se ajuizar uma ação judicial. Diferença há é no número de anos a que terão direito reclamar seus direitos. engloba também os avulsos. com prazo prescricional de: a) cinco anos para o trabalhador urbano. por meio do caput do art. E quatro são os elementos integrantes. podendo reclamar cinco. ou seja. Algumas palavras iniciais acerca da prescrição. ou também podemos dizer condições elementares da prescrição. quais sejam: a existência de uma ação exercitável. o número de . a primeira grande novidade: a Constituição. Pois bem. p. sob relação de emprego ou não. estabelece uma relação jurídica entre duas partes e opera efeitos distintos entre elas: o da extinção do direito em relação ao titular. de forma não exaustiva. condensando neles. a ausência de algum fato ou ato a que a lei atribua eficácia impeditiva. 78). e o da extinção da obrigação relativamente ao sujeito passivo. até o limite de dois anos após a extinção do contrato. a continuidade dessa inércia durante um certo lapso de tempo.O artigo 7º possui 34 incisos. quanto a créditos resultantes das relações de trabalho. Observamos que quando a Constituição emprega o termo "trabalhadores". nos seguintes termos: "ação. Tomando dois trabalhadores. 1991. instituto que. em geral. autônomos e eventuais (CENEVIVA. 7º equiparou os trabalhadores urbanos e rurais. suspensiva ou interruptiva do curso prescricional. para o trabalhador rural". Quanto a isso não há diferença alguma entre ambos: o direito de entrar com a ação prescreve para ambos após o transcurso de dois anos da extinção do contrato. a inércia do titular da ação pelo seu nãoexercício. Na seqüência. o prazo de dois anos para dar entrada nas ações. A única diferença entre ambas as categorias de trabalhadores que ainda persiste é aquela relativa ao prazo prescricional para as ações trabalhistas. refere-se a todas àquelas pessoas que possuem um trabalho remunerado. quer dizer. digamos que nenhum dos dois tenha perdido o prazo para entrar com a ação: o urbano poderá reclamar direitos relativos a cinco anos pretéritos. b) até dois anos após a extinção do contrato. sendo o segundo artigo mais longo da Constituição. nesses dois casos trazidos pelo inciso XXIX.

pois lá a contratação por toda a vida é habitual. Caso o empregado e seu representante não concordem com a comprovação do empregador. nos termos de lei complementar. a critério do empregador". 7º. Pois bem.855. § 2º. 2º e 3º. Seu texto causou grandes discussões sindicais e jurídicas e doutrinárias. relativamente aos últimos cinco anos. tendo sido publicada no Diário Oficial da União por meio do Decreto n° 1. 233. §§ 1º. até porque a tal lei complementar nunca foi criada (embora exista projeto para isso) e. aplicavam-se as disposições da Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). em qualquer hipótese. 10. Fica ressalvado ao empregado. O inciso I do art. conforme os ditames do art. trata-se de uma providência que pode ser tomada pelo empregador rural. do Ato das Disposições Gerais: "Para efeito do art. partiu do princípio de que toda despedida tem de ser justificável. o empregador rural comprovará. fica o empregador isento de qualquer ônus decorrente daquelas obrigações no período respectivo. judicialmente. em junho de 1996 o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo e Santos) decidiu que a Convenção era constitucional. o governo brasileiro acabou cedendo e . prevendo indenização compensatória e outros direitos. os créditos que entender existir. § 1º.reclamatórias trabalhistas rurais é bem menor em relação ao número das urbanas. Mas face às fortes pressões por parte dos sindicatos de empregadores. Mas existe uma prevenção que pode evitar que o trabalhador rural pleiteie um número indefinido de anos. de 10/4/96. bem como a própria distância física dos centros judiciais. A comprovação mencionada neste artigo poderá ser feita em prazo inferior a cinco anos. 7º. enquanto isso. Uma vez comprovado o cumprimento das obrigações mencionadas neste artigo. o cumprimento das suas obrigações trabalhistas para com o empregado rural. XXIX. a Convenção é de 1985 e entrou em vigor no Brasil apenas em 1996. § 3º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. o direito de postular. o que se explica pelo alto índice de analfabetismo e de desinformação que costuma reinar no meio rural. na presença deste e de seu representante sindical. que estava em vigor e que tinha plena eficácia. ao proteger a relação de emprego contra despedida arbitrária ou sem justa causa. uma explicação: o texto do inciso e o espírito que norteia todo o texto da Convenção da OIT são de inspiração japonesa. de cinco em cinco anos. perante a Justiça do Trabalho. Observar também a esse respeito o disposto no art. Pois aí está então uma faculdade de que dispõe o empregador rural em relação à prestação de contas de suas obrigações trabalhistas. § 3º. caberá à Justiça do Trabalho a solução da controvérsia. Antes de entrarmos na polêmica.

mas tudo resultando em aumento do mesmo. vale apenas a regra do artigo 10. o lazer. sobre os cálculos e valores.75). para agravar. No inciso IV temos a previsão do salário mínimo que. visando a acabar com o desemprego. a qual deixou de vigir no Brasil em novembro de 1997.00. luz. a título de indenização. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. E de que adianta ter uma indenização (que em poucos meses será gasta na subsistência do trabalhador desempregado e de sua família) e não ter emprego? A esse respeito ainda. sim. como é que ficam? Terão que ser realizadas com o "excedente" da cesta básica? Apenas este simples raciocínio comprova de pronto que não é possível sobreviver com o valor que o salário mínimo possui no Brasil. pelo qual se prevê. a novidade está na ampliação das necessidades tidas como vitais e básicas previstas pela lei ordinária. ainda mais que o mesmo não só deve atender às necessidades vitais básicas do trabalhador como também às de sua família! De que adianta termos uma previsão constitucional tão ampla. educação. Se dele subtrairmos o valor da cesta básica (R$ 127. Razão de toda a polêmica: a Convenção previa a reintegração aos respectivos postos de trabalho daqueles trabalhadores demitidos arbitrariamente ou sem justa causa. vestuário. em que uma das bandeiras dos empregadores é justamente a flexibilização das normas trabalhistas. restarão ao trabalhador apenas R$ 2. a educação e a previdência social. tudo com o argumento de não gerar desemprego. enfim. está começando a ser aplicado no Brasil o "contrato de trabalho por tempo determinado". pois. moradia (e aluguel. que era tudo o que os sindicatos dos trabalhadores queriam (ter emprego) e tudo o que os sindicatos patronais não queriam. as contratações temporárias. como ainda não temos a referida lei complementar e como não temos mais a Convência em vigor. embora não seja uma novidade. remédios. parece que mais contribuirá para o desemprego e para a precarização das relações de trabalho. Atualmente. tão abrangente e tão bem-intencionada. um acréscimo de quatro vezes os 10% (totalizando 40%) sobre os depósitos do FGTS a ser levantado. higiene. Ao revés. é claro) de que "ninguém" vive de . Atualmente é de R$ 130. E as despesas de água. principalmente em épocas de globalização. ou seja.25. teve o mesmo ampliada a nomeação dos itens a que deve se prestar.cancelou ("denunciou" é o termo técnico) a adesão à mesma. estimulando a troca de trabalhadores formalmente contratados por um contingente com data marcada para perder seu emprego. e lazer. se os parlamentares que fixam o valor do salário mínimo a anulam? E ele não tem um valor maior porque sempre impera o argumento (contrário à ampliação do valor. a redução da jornada de trabalho. mas ocorre que os R$ 130.00 constituem o valor bruto. transporte. inciso I. Raciocinemos. tendo sido acrescentado a saúde. sem os compulsórios descontos da Previdência Social. porque dificilmente um trabalhador mal remunerado terá casa própria).

A regulamentação do inciso tem se dado por Medida Provisória (a MP de n° 794. por produção ou por tarefas e recebem seus salários conforme o rendimento dos seus trabalhos. (art. que geralmente são aqueles trabalhadores que laboram em regime de comissões. portanto. o que pressupõe e obriga a intermediação de sindicatos. pelo menos um salário mínimo deve ser pago pelo empregador todos os meses. 82. Por óbvio. pois o é para "qualquer fim". Será? A Constituição de 1988 veda a utilização do salário mínimo como indexador econômico ou como índice de reajuste de qualquer preço. A garantia significa. A qualquer um deles. nunca inferior ao mínimo. de 30-12-94. Pela primeira vez. podendo o restante ser pago in natura. embora a vedação seja bem mais ampla. existindo há decênios em nosso direito. art. não haverá participação dos empregados nos resultados negativos da empresa. por exemplo. sob a forma de alimentação.salário mínimo no País. isto é. No inciso VII vemos a novidade de elevação a nível constitucional do preceito que prevê a garantia de salário. ainda que em algum mês algum empregado tenha a hipotética má-sorte de não vender nenhum par de sapato. passando a ser crime a retenção efetivado dolosamente (inciso X). Lembramos ainda que a CLT prevê que no mínimo 30% do valor do salário mínimo deve ser pago em dinheiro. disposta no inciso VI não dispunha. uma vez que isso implicaria em transferir-lhes os riscos e ônus do empreendimento. portanto. previsto no inciso V não existia na Constituição de 1969 e a CLT é omissa a respeito. 468). A garantia da irredutibilidade de salário. Mas a Constituição inovou em tratar o tema com mais objetividade e clareza no inciso XI. assegurando a referida participação desvinculadamente da remuneração. § único. significando o mínimo que cada categoria de trabalhadores pode ganhar em início de contrato. estando até então prevista apenas em lei ordinária (CLT. no caso de um comissionado que venda calçados. que se o empregado não atingir com a produção mensal o valor equivalente ao salário mínimo. CLT). Salientamos que piso salarial é diferente de salário mínimo. o instituto da retenção do salário é tratado em nível constitucional. A participação nos lucros. até o advento da Constituição de 1988. Trata-se. por exemplo. Apenas em uma hipótese pode vir o salário a ter seu valor reduzido: quando isto for disposto em convenção ou acordo coletivo. de novidade da Constituição de 1988. habitação. etc. que são exclusivos do empresário. ou resultados da empresa empregadora não é novidade constitucional. O piso salarial. aos que percebem remuneração variável. constantemente reeditada). . o empregador está obrigado a pagar a diferença até o seu limite. de respaldo constitucional.

286). a nosso ver. idade. "isso tem por fim dar à mulher condições de competitividade no mercado de trabalho. até outrora sufocadas pela milenar estrutura patriarcal. Cumpre observar que pela Emenda Constitucional Nº 20/98. possui ainda o agravante de não alcançar os trabalhadores domésticos. Existem pelo menos quatro projetos de lei tramitando no Congresso Nacional para regulamentar o inciso. a proteção do mercado de trabalho da mulher. o qual traz o Princípio da Isonomia para o campo do trabalho. Para José Afonso da Silva. o texto do inciso XII do art. ou melhor. é a do inciso XX. de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo. de que com isso se gerariam mais empregos. torna-se mais viável ao empregador pagar horas-extras ao empregado que já está em seu quadro funcional. pois não querem ter que arcar com o que representa uma licença-maternidade em termos de ficar privados dos serviços realizados pela empregada (e isto que o salário-maternidade é um ônus estatal. passando a ser: "salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei". de uma "ação afirmativa" em favor das mulheres. de ato irrisório que é seu valor quase não paga o recibo que o emite. p. A primeira que aparece. aliás. em uma demagógica esmola governamental. mais parecendo uma gorjeta oficial. sem discriminações" (SILVA. mediante incentivos específicos. constitui-se o salário-família em um "tapinha nas costas". cor ou estado civil". Previsto no inciso XII. embora discute-se muito atualmente a respeito de propostas de redução dessa jornada de 44 horas para 40 horas semanais.14 Para tentar coibir este tipo de prática por parte das empresas .266/63)13 com o objetivo de auxiliar os trabalhadores no sustento e na educação de seus filhos até 14 anos ou inválidos de qualquer idade.O salário-família merece um comentário. que. já que. Após intensos debates entre os constituintes que desejavam a continuidade do sistema anterior de 48 horas e os que defendiam a redução para 40 horas. 7º sofreu uma modificação. prevendo "proibição de diferença de salários. 1997. tendo em vista o argumento patronal. 7º. na ordem do art. mas parece ser um argumento falacioso. embora vedado pela interpretação desses dois incisos da Constituição. É muito comum. A Constituição ampliou as hipóteses de proteção dos trabalhadores. Trata-se. ao invés de contratar um novo empregado com todos os encargos sociais que isso implica. deve ser lido em conjunto com o inciso XXX. nos termos da lei. que de certa forma coincide com as opiniões governamentais. qual seja. No dizer da professora Maria Garcia. ou menos ainda. uma vaia! Criado em 1963 (pela Lei nº 4. não mais patronal). que os empregadores exijam atestado de gravidez ou de esterilização para as mulheres que se candidatam aos empregos. a jornada semanal de trabalho foi fixada em 44 horas no inciso XIII.

só para termos um idéia. passou a ser garantido a todo e qualquer trabalhador urbano e rural. 15 mas seria interessante que essa azáfama atingisse também uma espécie de "qualidade total" nos equipamentos e nas condições de trabalho em geral. perda ou diminuição. 18. Quanto à previsão de assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até os seis anos de idade em creches e préescolas (previsão do inciso XXV). sob o argumento de que tal dedo era de pouca utilidade e que tenderia a desaparecer com a evolução da espécie humana. em que foi negado o pedido de indenização a um metalúrgico pela perda de seu dedo mínimo. tanto na iniciativa privada como na pública. Acidente de trabalho é todo aquele que ocorre no exercício laboral ou a caminho do local do emprego. A respeito deste assunto. por exemplo. a ser atendida concorrentemente pelo regime geral de previdência social e pelo setor privado". higiene e segurança. para minorar os riscos inerentes ao trabalho. 201 da Constituição Federal prescreve: "Lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do trabalho.agenciadoras de empregos. que prevê "seguro contra acidentes de trabalho. no inciso XXVI. 16 A esse respeito trazemos o exemplo de uma decisão judicial trabalhista que pode falar por si próprio: trata-se de uma sentença proferida em março de 1997 em Cotia. a Constituição positivou uma ampliação do direito. no Brasil o número de mortos em acidentes de trabalho é. O episódio serve para ilustrar o descaso com que são tratados os acidentes de trabalho no País. sem excluir a indenização a que está obrigado. O inciso XXII diz que é um direito dos trabalhadores a redução dos riscos inerentes ao trabalho por meio de normas de saúde. pela Emenda Constitucional nº 20/98 o § 10 do art. Em épocas de globalização e neoliberalismo. dez vezes superior ao dos Estados Unidos. é grande a corrida atrás os Certificados da "família" ISO. da capacidade laborativa.263/96. tipifica como delito a exigência de atestado de esterilização para qualquer fim e confere para a violação da regra uma pena de reclusão de um a dois anos e multa. eis que os mesmos tinham sido "postergados" pelas Constituições de 1967 e 1969. e isso que muitas empresas evitam registrar os acidentes que ocorrem com seus empregados. Em total sintonia com o inciso que acabamos de comentar deve ser lido e interpretado o inciso XVIII. Embora a boa intenção da norma. a cargo do empregador. a fim de evitar danos à saúde e à integridade física dos trabalhadores. ainda que temporária. pouco vemos sendo feito. a partir de 1988. devemos mencionar que. . a Lei nº 9. quando incorrer em dolo ou culpa". independentemente de sexo. em seu art. região da Grande São Paulo. que venha a provocar lesão corporal ou perturbação funcional que cause morte. as convenções e os acordos coletivos de trabalho. que antes era restrito apenas às trabalhadoras mulheres e. Também inovou o texto constitucional ao reconhecer.

Mais uma vez adentra na Constituição uma norma extremamente humanitária. etc. em razão de sua fraqueza ou inexperiência. inclusive havendo muitos debates a respeito da constitucionalidade . de alguns setores da igreja. como por exemplo. o que vemos é que a crescente atualização tecnológica (pela informatização. portanto. O que nos falta é ação efetiva para pôr fim a essa mácula indelével provocada na vida de milhares. com ênfase na robótica) está despejando na rua milhares de operários. perigoso ou insalubre aos menores de dezoito anos e qualquer trabalho a menores de dezesseis anos (esta foi uma alteração provocada pela Emenda Constitucional nº 20/98. falta-lhes ler a Constituição. até o crime. Ao contrário do que ordena a Constituição. de inspiração indígena. da imprensa. aplicando-se a determinação do § 1º do artigo 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. o que resultou de enorme importância para estes últimos. É encargo trabalhista do empregador. que antes eram muito marginalizados. de alguns juristas. eis que antes do seu advento aí constava "quatorze anos"). seja por parte do braço para a infância da ONU (UNICEF). pelo artigo 80 da CLT. E mesmo como aprendiz. E esta vedação ingressou na Constituição no interesse do menor. a partir de quatorze anos. Neste particular pensamos que mais importante tivesse sido que a Constituição pudesse ter assegurado a garantia de emprego ao pai enquanto contasse com filhos pequenos para manter. pois o Brasil a viola sistematicamente através da utilização e da exploração do trabalho infantil. E onde está a fiscalização que poderia evitar que essas atrocidades acontecessem? Denúncias não faltam. "benefício" para os fins previdenciários. e não do INSS. No inciso XIX temos a novidade da licença-paternidade. O objetivo da inclusão de tal garantia ao trabalhador que venha a ser pai foi o de possibilitar-lhe pelo menos o acompanhamento do parto e a realização do registro de nascimento do filho no período imediatamente seguinte. de pequenos brasileiros. 17 No mínimo.O inciso XXVII prevê como outro direito dos trabalhadores a "proteção em face da automação". eis que tinham direito apenas a férias e a 13° salário. que até que não venha norma regulamentadora. O inciso XXXIII proíbe o trabalho noturno. seja de Organizações Não-Governamentais. é de cinco dias. não sendo considerado. Pelo inciso XXXIV a Constituição inovou registrando o reconhecimento da igualdade de direitos entre os trabalhadores com vínculo empregatício permanente e os trabalhadores avulsos. mas que raramente é cumprida. a não ser que seja na condição de aprendiz. de alguns parlamentares comprometidos com a defesa dos direitos humanos. aos que "contratam" o trabalho de crianças. só poderá ser desde que cumpridos os requisitos que estão elencados nos artigos 60 e 62 do Estatuto da Criança e do Adolescente. muitas vezes. cuja opção geralmente passa a ser a economia informal e. continuar os estudos. na forma da lei. talvez milhões.

expressão do servilismo que os sindicatos deviam aos interesses do Estado. mais precisamente pelo Decreto nº 19. E. aposentadoria e integração à previdência social. que tiveram garantidos pelo Parágrafo único do artigo 7º os seguintes direitos: salário mínimo. inclusive os trabalhadores em estiva de carvão e minérios. Na Constituição Federal de 1988 foi rompido o sistema de sindicalismo corporativismo e estatal herdado do Estado Novo. onde são fixados alguns preceitos que deverão ser observados em relação a tal liberdade. No entanto. 3. São avanços. Ademais. os trabalhadores domésticos continuam sem ter direito a salário família. nestas duas últimas Constituições. resultando tolhida. E as Cartas de 1967 e de 1969 se por um lado mantiveram tais orientações. Em seguida. etc. assim. os sindicatos foram declarados órgãos que exerciam funções delegadas do Poder Público. o que foi subtraído pela Constituição de 1937. aviso prévio. pelo qual a constituição dos mesmos foi subordinada à prévia aprovação governamental. estivadores. pois as práticas foram bastante autoritárias. dentre outros. o fizeram somente na letra da lei. Na nova Constituição o assunto dos direitos ligados à liberdade de criação e de associação profissional ou sindical é tratado no artigo 8º. a seguro contra acidente de trabalho. conferindo aos sindicatos total autonomia. um dos mais importantes direitos trabalhistas que. fazemos um último comentário a respeito dos trabalhadores domésticos. Direito À Organização Profissional E Sindical No direito brasileiro a existência de sindicatos data do início deste século. a horas extras. a adicional noturno. a Constituição de 1934 consolidou os princípios da pluralidade sindical e da associação livre. mas a grande batalha deste setor laboral brasileiro junto aos legisladores atualmente é pela conquista do seguro-desemprego. sem dúvida. não foi estendido aos trabalhadores domésticos pela Constituição. a autonomia sindical.271/77. dentre outros: vigias portuários. licença-paternidade. Além de não desfrutarem do seguro-desemprego. só foram oficializados após a Revolução de 1930.770 de 1931. quando em 1903 o Decreto nº 979 instituiu os sindicatos agrícolas. etc. licença à gestante. artigo 11. o respeito à liberdade de que dispõem os interessados tanto para . constitucionalizando também o direito de greve. por fim. Pelo Decreto n° 80. salário família e seguro relativo a acidentes de trabalho. Já a Constituição de 1946 retomou a constitucionalidade dos sindicatos.da legislação que lhes havia estendido o direito a Fundo de Garantia. conferentes de carga e descarga. consideram-se trabalhadores avulsos. repouso semanal remunerado. décimo terceiro salário. férias anuais. como por exemplo a obrigação da participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho. irredutibilidade do salário.

portanto. 42. exercendo assim. opondo-se frontalmente ao pluralismo sindical. E está implícito no conceito de greve lícita (não-abusiva) que o trabalhador não pode ser punido por ter parado de trabalhar. deve ser exonerado dos prejuízos que advenham de sua inação. por fim. No Brasil. Mas além de ser um direito coletivo. Observamos. no sentido de que só é possível ser exercido coletivamente. Com esta última conotação demonstra que um País é democrático. sendo tal decisão uma ação). § 5° da Constituição. p. comprova-se ter sido o direito de greve um dos meios mais eficazes na melhoria das condições de vida do trabalhador. Historicamente. Talvez a maior inovação ocasionada pelo texto constitucional de 1988 em relação à organização sindical seja a libertação desta da tutela do Ministério do Trabalho. Não há essa unicidade imposta por lei. inclusive em questões judiciais ou administrativas. A respeito da vencedora unicidade sindical nos trabalhos constituintes. também conhecida como Princípio da Unidade Sindical. pois a partir do momento em que um trabalhador resolve aderir a uma greve realizada por sua categoria. a greve é também um direito individual. que a liberdade de associação sindical restou excluída aos militares. no sentido de ser assegurado aos trabalhadores considerados enquanto indivíduos. significando que no mesmo Município ou grupo de Municípios pode existir apenas um sindicato por categoria profissional. em nenhum país. 4. muito menos pela Constituição. 135).associarem-se como para desassociarem-se. decidir paralisar as atividades. é porque quer expressar o seu descontentamento com alguma coisa relacionada ao seu trabalho. A imposição de sindicatos únicos é um retrocesso legal. O Direito De Greve O direito de greve está diretamente associado às atuações sindicais e. conforme o disposto no art. a incumbência dos sindicatos de defender os direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria. contraria a Convenção n° 87 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) . para aumentos salariais e para várias outras conquistas que estão os trabalhadores a merecer e a reivindicar. ao seu emprego. assim se pronunciou o professor Amauri Mascaro Nascimento: "Não há nada igual no mundo inteiro. a Constituição de 1934 omitiu-se em relação à greve e pela Constituição de 1937 foi a greve considerada um recurso . sua liberdade de expressão e de ação (esta última aqui interpretada como o direito de agir em direção à inação. isto é. que se completa com a possibilidade de realização de greves. ao sindicalismo. 1989. isto é. etc. embora tenha sido mantida a unicidade dos sindicatos.ratificada por mais de cem países e é uma reminiscência do corporativismo" (Apud CHEIB. pois que estas são uma legítima forma de pressão para a barganha de melhorias nas condições de trabalho.

uso e controle de substâncias radioativas. Como antecipado acima. Municípios e Distrito Federal) é permitida. os sindicatos.assistência médica e hospitalar. a Constituição de 1946 reconheceu o direito de greve.transporte coletivo. disciplinada pela Lei nº 7.783/89. isto é. por fim. que nomeia aqueles serviços ou atividades ditos essenciais. Após. ainda não foi elaborada (notar que antes da . em consonância com o § 2° do art. proibida. ou em relação aos quais pelo menos há que haver um sistema de plantões ou revezamentos durante o período de greve. O movimento grevista geralmente conta com uma comissão de negociação que empreende diálogos e busca algum acordo com os representantes da classe empregadora. tanto a oportunidade de exercer tal direito quanto a definição acerca dos interesses que serão defendidos pelo movimento são de exclusiva competência dos trabalhadores. X . VII . indireta ou fundacional da União. 37.tratamento e abastecimento de água. VIII . portanto.telecomunicações.controle de tráfego aéreo. VI .processamento de dados ligados a serviços essenciais. dizendo respeito à atividade privada. que até hoje. A mesma Lei de Greve. V . XI . III .captação e tratamento de esgoto e lixo. na forma da lei e as Constituições de 1967 e de 1969 tornaram a restringir o direito. Estados. em tais serviços ou atividades. Pelo art. Será constitucional toda aquela greve que imponha pré-aviso de quarenta e oito horas à entidade patronal correspondente ou aos empregadores diretamente interessados. E. passados dez anos da promulgação da Constituição Federal. mais conhecida como Lei de Greve. pois constituem necessidades inadiáveis da sociedade. IV . pela Constituição brasileira de 1988. pela Constituição de 1988 a greve passou a ser compreendida não como delito ou simples fato social. a prestação dos mesmos. XI compensação bancária". 9° da Constituição. durante a greve. inciso VII da Constituição Federal a greve para os funcionários públicos civis (aqueles que exercem atividades em órgãos da administração direta.distribuição e comercialização de medicamentos e alimentos. mas como direito a ser exercido pelos trabalhadores. produção e distribuição de energia elétrica. proibindo a greve nos serviços públicos e essenciais. São os seguintes os serviços ou atividades essenciais que pela Lei (artigo 30) devem ser protegidos: "I .funerários. que não podem parar. equipamentos e materiais nucleares. 9º. sendo que. Assim. sujeita a apenamentos os dirigentes e participantes por abusos que vierem a cometer no exercício do direito de greve. os empregadores e os trabalhadores devem garantir.guarda. II .anti-social e nocivo à produção e. temos que a greve consiste em uma paralisação total ou parcial do trabalho. mas depende de lei específica. Na Constituição Federal de 1988 o direito de greve aparece previsto no art. gás e combustíveis.

concentra-se basicamente no artigo 12 da Constituição Federal de . a lei "específica". direitos políticos e partidos políticos 1. muito mais armada. § 5° do texto constitucional. adiantamos desde já que não houve alteração no sistema eleitoral por parte do novo texto constitucional de 1988. trataremos em itens próprios os três grupos de direitos anunciados acima. Mas para surpresa geral. Capítulo III Direitos relativos à nacionalidade. quanto a indireta e representativa. caso não se quisesse permitir a realização de greve pelos servidores públicos. em que os supostos agentes da ordem foram os próprios violadores da Constituição. mas há divergências quanto à possibilidade de tais greves serem realizadas já que falta a norma regulamentadora. assunto que. a greve para os servidores públicos militares é terminantemente proibida. Pensamos se aí não seria o caso de Mandado de Injunção. para além de concepções teórico-doutrinárias. Ainda assim assistimos a algumas greves realizadas neste âmbito. 42. mantendo-se a proporcionalidade para os cargos legislativos. Aliás.reforma administrativa. Considerações Preliminares Neste Terceiro Capítulo de nossa obra agrupamos os direitos relativos à nacionalidade. é introdução da Emenda Constitucional nº 19/98). que neste caso passa a ser a ordinária. Por outro lado. relacionam-se com a titularidade e o exercício ampliado da cidadania. Já pelo art. direta ou indiretamente. iniciando pelos direitos relativos à nacionalidade. para que se pudesse exercer o direito assegurado pela Constituição. o que serve para viabilizar tanto a democracia direta e participativa. principalmente daqueles que têm a Constituição na mais alta conta. os direitos tipicamente políticos e aqueles que dizem respeito aos partidos políticos. avanços democráticos concretizados no texto constitucional nesta seara propiciaram justamente uma ampliação da cidadania. o texto original do inciso exigia lei "complementar". em 1997 o País inteiro acompanhou a exibição de uma greve armada realizada pelas polícias estaduais de Minas Gerais. Assim o fazemos porque todos. uma vez que em relação aos policiais militares está proibida toda espécie de greve. Não obstante. mas salientamos que a criação de novos partidos foi praticamente liberada. confirmando a regra democrática do multipartidarismo. com a extensão do voto aos analfabetos e aos maiores de 16 anos e com a possibilidade de apresentação de projetos de iniciativa popular. como aquela realizada em 1998 pelos professores das Universidades Federais.

nem do direito de mudar de nacionalidade". ou seja. isto porque decorre do fato natural nascimento. São basicamente dois os critérios utilizados pelos países para a determinação da nacionalidade primária: o jus solis e o jus sanguinis. ao passo que a expressão cidadão aparece para designar o nacional no gozo dos seus direitos políticos. não importa que critério utilize o Estado (se o sangüíneo ou o do lugar do nascimento). Pelo critério do jus solis. que é aquela que se adquire depois. por ato voluntário. a nacionalidade costuma ser a expressão do elemento humano dos Estados. natos. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade. tendo os Estados soberania para determinar quem ou quais nascidos são seus nacionais originários. A nacionalidade primária caracteriza-se por ser involuntária. Das relações do elemento humano (povo) com o território decorre o vínculo de nacionalidade.1 Tipos de nacionalidade. por exemplo. critérios para a aquisição da nacionalidade originária e opção adotada no Brasil Existem dois tipos de nacionalidade: a Primária ou Originária e a Secundária ou Adquirida. que peça e consiga a nacionalidade brasileira. Por esse tipo de nacionalidade. Todo e qualquer assunto relativo à nacionalidade diz respeito a uma questão de soberania. Equivale a dizer: todos têm direito a tê-la e a mesma não pode ser arbitrariamente suprimida.1988. Na ordem constitucional brasileira a nacionalidade tem um sentido diverso daquele da cidadania estrita. as pessoas são consideradas natas. Direitos Relativos À Nacionalidade A nacionalidade é um dos direitos fundamentais da pessoa humana. pela origem territorial. eis que a expressão nacional abrange tanto o brasileiro nato quanto o naturalizado. 2. Nas Constituições. assim como toda a nação soberana tem a prerrogativa de decidir a quem concede ou não a sua nacionalidade. frisamos que todo o assunto relativo à nacionalidade na Constituição Federal de 1988 deve ser estudado sempre tendo em vista as significativas mudanças operadas pela Emenda Revisional n° 3/94. rechaçando por si só qualquer arbitrariedade. 15 da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948: "Todos têm direito a uma nacionalidade. isto é. . Este é precisamente o conteúdo do art. Já pelo segundo tipo de nacionalidade (a secundária ou também denominada adquirida). aqueles vinculados ao território brasileiro seja por nascimento seja por naturalização. pelo solo. ou seja. as pessoas passam a ser naturalizadas (um italiano. Antes de seguirmos. 2.brasileiro naturalizado). por exemplo. passa a ser um nacional . bem como um visto de entrada no país.

e isto porque o Brasil adota o critério territorial. mas tambem não terá a nacionalidade brasileira porque ninguém é considerado brasileiro só porque é filho de brasileiros. Logo. E pelo critério do jus sanguinis a nacionalidade é determinada em função do vínculo de sangue. o que visa justamente a garantir o direito fundamental de que estamos tratando a todas as pessoas. Como exemplo podemos citar o caso que pode suceder com um filho de brasileiros que nasça na Alemanha. casos que podem configurar o polipátrida. é aquela prevista no art. por isso. então. é muito interessante para uma pessoa poder desfrutar de duas nacionalidades ao mesmo tempo. expressão alemã que a rigor serve para designar aquele que não tem pátria. I. se seus pais não estiverem a serviço do Brasil: não terá a nacionalidade alemã porque a Alemanha não adota o critério territorial. já que a Alemanha adota o critério sangüíneo. decorre do parentesco que a pessoa mantém com os seus ascendentes e. São nações que possuem muitos filhos espalhados por outros países. "c". ao contrário. Por exemplo: uma pessoa nascida em solo brasileiro é uma pessoa brasileira nata. que é aquele que goza de mais de uma nacionalidade em função da co-existência dos critérios de sangue e solo.temos que a nacionalidade é determinada em razão do local do nascimento. precisamente porque se encontra em alguma situação em que não incida sobre ele qualquer dos dois critérios para a aferição da nacionalidade. desde que seus pais não estejam a serviço da Alemanha. na prática algumas situações curiosas podem acontecer. 12. será brasileiro nato de maneira natural e involuntária. pois acarreta muitas conseqüências negativas à pessoa (onde quer que viva. a Alemanha. Embora existam estes critérios para a definição da nacionalidade originária. etc. Geralmente. Citamos um caso hipotético: o filho de alemães que nasce no Brasil. em princípio a criança será um heimatlos e a solução apontada pelo texto constitucional para que tal situação não perdure. isto é. não importa em que lugar do mundo estejam. para preservar o sentimento de nação e o vínculo com as pátrias-mães. ainda que não o queira ser. O critério adotado pelo Brasil para a definição da nacionalidade . Neste caso não há problemas. ou seja. e sim porque nasce em seu território. e também será alemão nato. viverá sempre com grandes restrições jurídicas e políticas). A situação mais estranha é a do heimatlos. este é o critério adotado pelos países europeus de emigração. por aqueles que perderam para outros países grande contingente populacional nas épocas das Grandes Guerras. Por exemplo: como a Itália adota o critério de sangue. isto é. é considerado italiano nato o filho de italiano ou de italiana nascido em qualquer parte do mundo. a Itália. como por exemplo a França (que inclusive utiliza os dois critérios). muitos doutrinadores o nominam "critério de filiação". do local do nascimento. os filhos que nascerem dessas pessoas terão a nacionalidade do país de origem dos seus pais. que é apátrida.

dos Territórios (se algum for criado) e até de entidades da administração indireta. que não sabia sua língua. opta se quiser e quando quiser. b) os nascidos no exterior. o do território. Talvez tenha sido justamente este um dos motivos que contribuíram para a extinção do registro consular. Mas. que não conhecia sua cultura. faz-se necessário uma vinculação territorial real para a aquisição da nacionalidade brasileira nata. e não existe um período determinado de dias. de pai brasileiro ou de mãe brasileira. que não conhecia seu País. que beneficiava os brasileiros nascidos no estrangeiro. vinculação esta por mínima que seja. podendo ser da União. meses ou anos para que no Brasil permaneça. dos Municípios. c) os nascidos no estrangeiro. em qualquer tempo. O certo é que após a modificação feita pela reforma constitucional. pois ocorre que com tal favorecimento. Por outro lado. Quer dizer: desde que os pais estejam no Brasil por conta própria (trabalhando ou não) ou a serviço de um outro País que não o seu de nascimento. também. Antes. isto é. podendo até viver sua vida toda sem nunca optar. 12 da Constituição Federal de 1988 consideram-se brasileiros natos: a) os nascidos na República Federativa do Brasil. isto é. desde que qualquer um deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil. ou melhor. uma vez manifestada tal opção. o que foi extinto pela Emenda Constitucional de Revisão n° 3 de 1994. pela nacionalidade brasileira. o que se considera como sendo . pelo inciso I do art. a extensão do conceito de domínio territorial desta. não importando se a pessoa tenha cinco. poderia ser comum existir um brasileiro que fosse nato mas que nunca havia vindo ao Brasil. o do solo. a exigência para que o pretendente à nacionalidade originária viesse residir no Brasil tinha limitação de idade e de tempo de permanência. os filhos dessas pessoas serão brasileiros natos. isto é. Agora isto pode dar-se a qualquer tempo. Ressaltamos que os estudiosos devem ter em conta o que se entende por República Federativa do Brasil.originaária (relembrando que é aquela adquirida pelo fator nascimento) é o do jus solis. quinze ou trinta anos. desde que venham a residir na República Federativa do Brasil e optem. não poderá deixar de ser reconhecida. Aqui importa observar que a redação original desta alínea previa para este caso a possibilidade de registro consular da criança. de pai brasileiro ou mãe brasileira. do Distrito Federal. é uma faculdade da pessoa. apresentando algumas variações. etc. salvo se estiverem a serviço do governo dos seus países de origem. Estar a serviço do Brasil significa estar a serviço de ou estar trabalhando em alguma agência no exterior de qualquer entidade de Direito Público brasileira. sem nunca pedi-la. a partir das quais. mesmo que de pais estrangeiros. dos Estados.

que as naturalizações cresceram no Brasil após a . encontra fundamento constitucional no inciso II do art. seu filho será brasileiro nato. Moçambique. exemplificando. pelo Departamento Federal de Justiça. originários das colonizações portuguesas. Goa. o Estatuto do Estrangeiro. Os requisitos para a sua concessão são a residência por mais de quinze anos ininterruptos na República Federativa do Brasil e não ter condenação penal. Assim. há a publicação de uma Portaria de Naturalização no Diário Oficial da União. no caso de o filho de uma alemã nascer em um vôo internacional realizado por alguma aeronave brasileira com essas características.2 Aquisição de nacionalidade secundária no Brasil: os brasileiros naturalizados O modo secundário de aquisição de nacionalidade brasileira. só permitindo que viagem até um limite de meses da gestação.815/80. os quais não são previstos na Constituição Federal. ou prevê prazo reduzido (art. corresponde ao brasileiro naturalizado. ainda. por exemplo. II. etc. A obtenção da nacionalidade brasileira secundária pode ocorrer de duas maneiras: a ordinária e a extraordinária. como Angola. um certificado relativo a cada naturalizando. 12. dispensa o requisito de residência.) apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral. se deferido. A naturalização secundária extraordinária é aquela concedida segundo os moldes do art. Frisamos. já que abrange. Macau.715/81). 112) se o naturalizando tiver filho ou cônjuge brasileiro. que inclusive fez cair de 30 para 15 anos o prazo mínimo de residência no Brasil para que estrangeiros de qualquer nacionalidade possam ser considerados brasileiros. O Decreto nº 86. Timor. 12. A ordinária é a possível de ser obtida pelo estrangeiro residente no Brasil que preencha determinados requisitos. quando esta é concedida. "b". 12. de pleitear a naturalização. 2.território brasileiro. conforme o disposto no art.964/81. "a". atualizada pela Lei n° 6. certificado esse que será remetido ao juiz federal da cidade onde tenha domicílio o interessado. ou seja. Cabo Verde. requerendo o pedido expresso do interessado que. para entrega solene em audiência pública. devendo a naturalização sempre ser requerida expressamente pelo interessado. mas na Lei de Naturalização ou no Estatuto do Estrangeiro (Lei n° 6. Por outro lado. prevendo que. em seu art. ou de passagem por espaços aéreos estrangeiros.715/81 trata da naturalização nos seus artigos 119 a 134. exigindo-se apenas a estada no Brasil por 30 dias. quando se tratar de cônjuge estrangeiro casado há mais de cinco anos com Diplomata brasileiro em atividade. ainda que seja remota tal possibilidade eis que as companhias aéreas possuem ressalvas em relação às gestantes. II. regulamentadas pelo Decreto n° 86. 113. sendo emitido. exigidas àqueles originários de países de língua portuguesa (isto é. aeronaves civis brasileiras em vôo sobre o alto mar.

a brasileira.675/98. 12. Esta vedação a que brasileiro nato possa ter duas nacionalidades. pela norma estrangeira. se nelas incidirmos. preceitos pelos quais o "reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira". 12. o aumento se deve principalmente à permissão para que estrangeiros morando em nosso País há mais de 15 anos possam se naturalizar. I.tiver cancelada sua naturalização. de 8 de setembro de 1998. isto porque o Brasil não admite. já foi absoluta. "a" e "b".3 Manutenção e perda da nacionalidade brasileira Para a manutenção de nossa nacionalidade não temos que fazer nada especial. 18 tratando-se de quase todos os casos de aquisição consciente e voluntária de outra nacionalidade. por último. CF/88. II. em seu art. por laços sangüíneos. 5º da Constituição Federal". o fez na forma do art. como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis". as duas únicas possibilidades de aquisição de outra nacionalidade sem . Estas são. E a segunda parece dizer respeito somente aos brasileiros natos. Assim.771. mencionamos o Decreto nº 2. nos seguintes termos: "Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I . Tal Decreto. atesta o Ministério da Justiça (encarregado dos processos). mas existem duas regras que.Emenda Constitucional de Revisão nº 3/94. § 4°. a dupla nacionalidade (art. passando a Constituição a permitir duas hipóteses de dupla nacionalidade. no entanto. Nos últimos anos. Essa modificação feita no texto original da Constituição aumentou o interesse pela naturalização da parte daqueles imigrantes que vivem basicamente em comunidades formadas por pessoas da mesma origem (dos países asiáticos. § 4°. em virtude de atividade nociva ao interesse nacional". quando em 1994 o Congresso Revisor brasileiro mudou os critérios para a manutenção da nacionalidade brasileira. é dizer. foi relativizada. A primeira refere-se somente aos brasileiros naturalizados. Após a já referida Emenda Constitucional n° 3/94. por exemplo) e que não aprenderam o português o suficiente para serem aprovados no exame feito pelo Ministério da Justiça. 2. mesmo sem atender às exigências de saber ler e escrever na língua portuguesa. que regulamenta a Lei nº 9. não acarreta a perda da nacionalidade atual. como regra. fazem com que a percamos. por sentença judicial. que dispõe sobre o registro provisório para o estrangeiro em situação ilegal no território nacional. 12. portanto. E. qual seja. estando positivada no art. bem como a segunda hipótese de manutenção da nacionalidade brasileira é a "imposição de naturalização. ao brasileiro residente em Estado estrangeiro. 3º diz que a concessão do registro provisório assegura aos estrangeiros residentes no País "os direitos e deveres previstos no art. que é a legislação mais recente a respeito do assunto. inciso II). § 4º.

. faz-se necessário que a outra nacionalidade seja involuntária. Afora isso. conforme disposto no art. por Decreto do Presidente da República. para permanecer no país em que o brasileiro esteja residindo ou.perder a brasileira: ou quando a outra nacionalidade desejada e reconhecida seja originária. 89. . Também é privativo de brasileiro nato determinado número de ocupantes (seis) da função de membro do Conselho da República. poder trabalhar ou poder ingressar e estudar em Universidade. a não ser que o cancelamento seja desfeito por meio de ação rescisória. O constitucionalista José Afonso da Silva afirma que nos casos de reaquisição e de recuperação da nacionalidade. por conseguinte.de Presidente do Senado Federal. os naturalizados. ainda. ou seja. ou quando se trata da única maneira. se era brasileiro nato voltará a ser brasileiro nato (SILVA. qualquer outro caso de aquisição de outra nacionalidade implica a perda da brasileira. 12 o texto constitucional impede que toda e qualquer lei infraconstitucional faça distinções entre os brasileiros natos e os naturalizados. exclusivos para brasileiros natos. não deve ser desejada pela pessoa. se demonstrar que possui animus definitivo de permanecer em nosso País. mormente no que diz respeito à possibilidade de acesso a alguns cargos. para poder lá exercer direitos civis. não possuindo efeito retroativo. Mas a própria Constituição reserva a si a realização de algumas distinções. 1997. . isto é.de Presidente da Câmara dos Deputados. 320).19 Já aquele brasileiro que tiver perdido sua naturalização não poderá recuperar sua nacionalidade brasileira. . ou seja.de Ministro do Supremo Tribunal Federal.4 Distinções constitucionais entre brasileiros natos e naturalizados Pelo § 2° do art. 2. como por exemplo. Os cargos privativos de brasileiros natos. pelo § 3° do mesmo art. . isto é. operando. o que esta deve desejar é trabalhar. Aquele brasileiro que perdeu a sua nacionalidade por naturalização voluntária poderá readquiri-la.de Presidente e Vice-Presidente da República. . inclusive os portugueses. ademais imposta. CF/88. excluindo-se. mas não ter a nacionalidade do outro País. 12 são: . o readquirente recupera a condição que perdera. estudar. se estiver domiciliado no Brasil. Em qualquer dos dois últimos casos. porém. p. a partir do decreto que a concede. no entanto. de acordo com o art. residir. inciso VII.da carreira diplomática.de oficial das Forças Armadas. 36 da Lei n° 818/49.

Outras distinções constitucionais entre ambos estão nos seguintes dispositivos: a) art. 5°, inciso LI, pelo qual brasileiro nato nunca poderá ser extraditado, e o brasileiro naturalizado sim, em hipóteses que já estudamos em outro item; b) art. 222, quanto à propriedade de alguns meios de comunicação de massa, impossibilitando a propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens aos naturalizados há menos de dez anos. Aqui importa registrar a especial condição jurídica dos portugueses no Brasil, pois a atual Constituição favorece os portugueses residentes no Brasil, o que, aliás, já era feito pela Constituição revogada. Pelo § 1° do art. 12 (acrescentado pela Emenda Constitucional de Revisão n° 3/94): "Aos portugueses com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição". Esse especial tratamento deve-se à identidade da língua e às origens históricas de nosso País ("descobrimento" e colonização pelas mãos dos portugueses), além de os portugueses comporem o maior contingente de estrangeiros no Brasil. Mas, ocorre que as reciprocidades em favor dos brasileiros que residem e trabalham em Portugal parece que não estão sendo observadas, o que se evidenciou em alguns episódios diplomáticos envolvendo dentistas brasileiros, casos que derivaram da aplicação de uma lei aprovada em 24/4/97 pelo Parlamento Português, que rebaixou os cirurgiões dentistas brasileiros à categoria de "odontologistas" (que é formada pelos dentistas práticos portugueses, que não possuem curso superior). Como retaliação à aprovação dessa lei, ainda em maio de 1997 foi apresentada no Congresso Nacional brasileiro uma Proposta de Emenda à Constituição visando a suprimir o § 1° do art. 12 de que tratamos neste espaço. 3. Direitos Políticos Tratados primordialmente no artigo 14 do texto constitucional atual, os direitos políticos são expressão e aquisição da soberania popular, só sendo eficazes quando puderem ser praticados pelo exercício do voto. São também denominados direitos de participação e compreendem o próprio direito ao voto, enquanto expressão do sufrágio universal, mas também o direito de sermos votados (direito à elegibilidade), bem como o direito às expressões diretas da soberania popular, por meio do plebiscito, do referendum e da iniciativa popular de lei. Em relação a este último direito vale ressaltar que na Assembléia Nacional Constituinte propôs-se, também, a possibilidade de "veto popular", o que não passou nas votações. Além desses, também são direitos políticos a filiação partidária e o alistamento eleitoral, embora este último tenha muito

mais feição de um dever do que de um direito, ou melhor, de um prérequisito para o exercício de outros direitos políticos. Quando se usa a expressão "estar no gozo dos direitos políticos", devemos saber que a mesma significa que a pessoa está habilitada a alistar-se eleitoralmente, a participar amplamente de sufrágios (votar em eleições, em plebiscitos ou em referendos), a aderir com assinatura na apresentação de projeto de lei por meio de iniciativa popular, a propor ação popular, a habilitar-se a candidaturas para cargos eletivos ou a nomeações para certos cargos públicos que não sejam eletivos. E, pela via inversa, quem não estiver no pleno gozo de seus direitos políticos não poderá filiar-se a partidos políticos, não poderá ser investido em qualquer cargo público, ainda que não eletivo (art. 5º, II, da Lei nº 8.112/90), não poderá ser diretor ou redator-chefe de jornal ou periódico (Lei de Imprensa, art. 7º, § 1º), tampouco exercer cargo em entidade sindical (CLT, art. 530, V). Vemos assim, o quanto ganhamos e o quanto perdemos conforme estejamos ou não em plena posse e gozo de nossos direitos políticos. E, repetimos, pela ordem constitucional, só é considerado cidadão aquele nacional que estiver no pleno gozo dos seus direitos políticos, e nacional é todo o brasileiro (nato ou naturalizado). Portanto, nacionalidade é um conceito mais restrito do que o de cidadania. Feitos estes esclarecimentos iniciais, começamos a desvendar os direitos políticos, a começar pelo sufrágio e pelo voto. 3.1 Sufrágio e voto Primeiramente, uma distinção básica entre sufrágio e voto, já que não são exatamente a mesma coisa e muitas vezes as palavras acabam sendo usadas como sinônimos. E não representam a mesma coisa até porque a própria Constituição lhes dá sentido diverso, dizendo, no caput do art. 14, que o sufrágio é universal e que o voto é direto, secreto, e tem valor igual. O sufrágio normalmente é conceituado pela doutrina como sendo o direito subjetivo de natureza política que os cidadãos possuem de votar, ser votados, bem como de participar da organização do poder estatal. Já o voto seria a forma de exercício do sufrágio, isto é, sua definição geralmente é dada como sendo a manifestação do direito de sufrágio. O sufrágio é, assim, mais amplo do que o voto, este sendo o seu exercício. O sufrágio vem do latim (sufragium), significando "aprovação", "apoio" e é direito que decorre diretamente do Princípio da Soberania Popular, pelo qual todo o poder emana do povo, que o exerce ou por meio de representantes eleitos ou diretamente (art. 1º da CF/88). Como lembrado por José Afonso da Silva, o sufrágio constitui "a instituição fundamental da democracia representativa e é pelo seu exercício que o eleitorado, instrumento técnico do povo, outorga legitimidade aos governantes. Por ele também se exerce diretamente o poder em alguns casos: plebiscito e referendo. Nele consubstancia-

se o consentimento do povo que legitima o exercício do poder" (SILVA, 1997, p. 334). O sufrágio entre nós é universal. Mas nem sempre foi assim, isto porque no Império brasileiro o sufrágio era censitário (eleitor e candidatos dependiam de possuir certa renda), sendo que só passou a alcançar as mulheres após longa luta sufrágica encerrada em 1932 e, quanto aos analfabetos, só lhes foi estendido em 1985, mediante Emenda à Constituição. Com isso, afirmamos que o sufrágio só universalizou-se de fato e de direito no Brasil no ano de 1985. A partir de tal data, todos, indistintamente, alcançaram a condição de Homo suffragans, na expressão de Condorcet. O voto é, a um só tempo, um direito e um dever do cidadão, por vigir no Brasil, com algumas exceções, o princípio da obrigatoriedade do mesmo. Pela Constituição, deve o voto ser direto, secreto e com igual valor para todos sendo, inclusive, protegido contra modificações constitucionais, já que constitui uma das cláusulas pétreas do artigo 60. Afirmar que o voto é direto é dizer que temos o direito de votar diretamente nas pessoas que queremos eleger, e não por meio de votações em dois níveis ou via colégios eleitorais, que suprimem do povo um direito tão sagrado, já que poder votar significa também poder expressar o nosso pensamento, as nossas idéias, as nossas convicções políticas, filosóficas e, sobretudo, ideológicas. O voto direto é posto como um "princípio" pela Constituição, com uma única exceção: a da eleição de Presidente e Vice-Presidente da República pelo Congresso Nacional no caso de vacância de ambos os cargos nos dois últimos anos do mandato presidencial. Quando a Constituição faz menção ao voto secreto, não é ao seu conteúdo que se refere e, sim, ao ato de votar, isto é, se quisermos revelar o conteúdo do nosso voto, somos totalmente livres para fazê-lo, mas o que não nos pode ser suprimida é a garantia de que se não o quisermos revelar nada nos fará revelar, e assim o é, até porque o segredo do voto é tido como uma aquisição evolutiva, pois permite que se exerça um direito sem sofrer-se qualquer tipo de perseguição posterior. Em suma: não há voto livre se não for secreto. Sampaio Doria, citado por Rosah Russomano, diz que o voto secreto "não é a rolha à boca do eleitor", referindo-se apenas à votação com sigilo (RUSSOMANO, 1997, p. 76). Registramos que José Afonso da Silva pensa em sentido diverso, ou pelo menos mais amplo, afirmando que o segredo do voto consiste em que não deve ser revelado nem por seu autor, nem por terceiro, fraudulentamente, com o que estamos de acordo, pois não se admitiria fraude em tais situações; segue o doutrinador dizendo que o eleitor "é dono do seu segredo após a emissão do voto e a retirada do recinto de votação", mas que no momento de votar "nem ele próprio pode dizer em quem votou ou como votou" (SILVA, 1997, p. 344). Ter igual valor para todos quer dizer que não existem distinções quanto aos votos, pois todos os cidadãos possuem (ou devem

possuir) um mesmo peso em se tratando de voto, não existindo voto qualificado que possa valer mais do que o de outros, não importando se a pessoa que o exerce, por exemplo, é um abastado empresário ou um catador de papel nas ruas. Trata-se da aplicação do Princípio da Igualdade e do princípio que embasa o próprio sufrágio universal: one man, one vote ("um homem, um voto"). Como já mencionado, o direito ao voto engloba a capacidade eleitoral ativa (votar) e a passiva (ser votado). O voto é o direito político que mais freqüentemente assegura a participação do indivíduo no governo do seu país, seja votando ou sendo votado. O voto é obrigatório para os brasileiros que tenham entre dezoito e setenta anos, sendo facultativo para os analfabetos, para os maiores de setenta anos e para aqueles que estão em uma faixa etária entre dezesseis e dezoito anos, tudo de acordo com o disposto no art. 14, § 1°, I e II, CF/88. 3.2 Plebiscito, referendum e iniciativa popular de lei Estas três garantias ou instrumentos de exercício da soberania popular em sua modalidade direta, estão previstas no art. 14, I, II e III e dão à nossa democracia um matiz de democracia semi-direta, por mesclarem a democracia representativa com a democracia direta. Com algumas peculiaridades entre si, tanto o plebiscito quanto o referendo caracterizam-se por ser o pronunciamento direto do povo em algumas deliberações a que é submetido. Assim, ambos são exercidos por meio do voto, pressupondo a cidadania. A grande diferença entre ambos é que o plebiscito é uma consulta ao eleitorado no qual este aceita ou recusa determinada proposta, em geral sendo realizado antes de a lei ser aprovada, ao passo que o referendum é uma consulta popular feita após a criação de uma lei, que é, então, homologada ou recusada. O referendum é de autorização exclusiva do Congresso Nacional, conforme o previsto no art. 49, XV e embora a Constituição não fixe nenhum caso específico em que se deva realizar um referendo, inexistindo, portanto, regulamentação precisa sobre o instituto, certo é que sempre que for utilizado, só se processará mediante prévia autorização do Congresso Nacional. Ainda quanto ao plebiscito, este sempre deverá ser convocado privativamente pelo Congresso Nacional, conforme disposto no art. 49, XV. Notemos a diferença: embora o dispositivo constitucional seja o mesmo, em relação ao referendum trata-se de autorização; em relação ao plebiscito, de convocação. Para além disso, a Constituição registrou três casos obrigatórios de realização de plebiscito, quais sejam: a criação de Estados e Territórios Federais (art. 18, § 3º), a criação, incorporação, fusão e desmembramento de Municípios (art. 18, § 4º) e sistema e forma de governo (art. 2º do ADCT - Ato das Disposições Constitucionais Transitórias).

com pelo menos três décimos por cento dos eleitores de cada um desses Estados. por exemplo. ao alistamento e à elegibilidade casos de inelegibilidade (absoluta e relativa) Em decorrência da liberdade de associação. porém facultativo para os analfabetos (de qualquer idade). todos da Constituição Federal. sem o direito de votar. dispõe o art. 14. e por argumentos defasados. também dita iniciativa legislativa popular. ou seja. estando previsto nas modalidades federal. E assim ficam sem o direito a alistarem-se e. 3. estadual e local. Então votar. Mas para além de ser um direito que possuímos. Para o caso de iniciativa de lei federal. O alistamento eleitoral (condição para sermos eleitores) corresponde ao ato de natureza administrativa pelo qual são registrados os que reúnem condições para serem eleitores). XIII. Quanto à filiação de militar. ou seja. Os requisitos. o projeto de lei terá entrada na Câmara dos Deputados e exige o texto constitucional seja o mesmo subscrito por. no mínimo. mas que exige sempre o afastameno das atividades. 42. o que pode parecer muito. todos temos direitos à filiação partidária. 14. em se tratando de lei estadual no art. § 1°. V. 27. isto é. bem como do partido de que fazemos parte nos desassociarmos quando bem o quisermos. 14 são inalistáveis. para os maiores de setenta anos e para os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos (art. § 3º. que são os mesmos que por muitos anos não permitiam o direito de voto às mulheres. 29. pois se é permitido o alistamento e o voto a partir dos dezesseis anos. porque não permiti-lo aos que já têm dezoito anos completos? Parece-nos que se avulta aí o ferimento ao Princípio da Igualdade. por conseguinte. 1% do eleitorado nacional. excetuando-se os conscritos (já . a concepção obtusa de que tais pessoas por estarem sob os mandos hierárquicos de superiores não teriam autonomia de vontade para a livre escolha dos candidatos em quem votar. II). § 4º e no caso de lei municipal no art.A iniciativa popular de lei. é mais um importante instrumento que está à disposição dos cidadãos para tentar fazer valer sua vontade no campo legislativo. significando ir para a reserva ou ser agregado. mas não o é face ao grande colégio eleitoral brasileiro. os encontramos no art. 61. 14. devendo esse número ser distribuído pelo menos por cinco Estados da Federação. Neste último caso parece haver uma inconstitucionalidade. I). Isto dá em torno de um milhão de assinaturas. significando portanto que não podem votar os estrangeiros e os conscritos durante o período do serviço militar obrigatório. a filiação partidária é uma condição de elegibilidade. § 2°. Pelo § 2° do art. conforme disposto no art.3 Direitos à filiação partidária. um dos requisitos para que a pessoa possa vir a candidatar-se e estar apta a ser eleita. em se tratando de lei que se queira ver encaminhada na esfera federal. § 1°. § 6º da CF/88 que a mesma é possível. é proibido o alistamento eleitoral. é igualmente obrigatório20 para os maiores de dezoito anos (art.

que sejamos eleitores. aspirantes a oficiais. automaticamente. desde que atendidos os limites mínimos de idade exigidos pela Constituição conforme os cargos almejados. 5° do Código Eleitoral: "os militares são alistáveis. Explicitando.se contar mais de dez anos de serviço. terá seu nome retirado temporariamente da escala numérica do corpo ou quadro a que pertence. quer dizer. subtenentes ou suboficiais. 42 e seguintes). guardasmarinha. por dedução lógica do texto constitucional. conforme o § 8° do art. bem como outros requisitos. 14. Logo. A elegibilidade é proibida aos analfabetos e aos inalistáveis (estrangeiros. pelo § único. No segundo caso.que esta é a única exceção que a Constituição faz). se não eleito. § 6° da CF/88 existe a reserva de que "o militar. conforme o tempo de serviço. os de carreira. 14 e. art. enquanto em efetivo serviço. será agregado pela autoridade superior e. passará para uma inatividade transitória. não pode estar filiado a partidos políticos". voltará às suas atividades. II. se eleito. art. e isto já no momento da filiação partidária. conscritos durante o serviço militar obrigatório) conforme o § 4°. no ato da diplomação. todos os militares podem. dentre outras coisas. ao ser agregado. uma vez que pelo art.737/65 (arts. A elegibilidade pressupõe. inelegíveis são esses expressamente nomeados pela Constituição (nos §§ 4º ao 7º). São duas situações distintas. sargentos ou alunos de ensino superior para formação de oficiais". Elegibilidade significa a possibilidade de postularmos sermos eleitos a um mandato no Poder Legislativo ou no Poder Executivo.se contar com menos de dez anos de serviço. mas o certo é que em atividade os militares não podem disputar eleições. está o alistamento eleitoral regulado pela Lei n° 4. isto porque é líquido e certo que ninguém é elegível se não for eleitor (isto é. são alistáveis (como abaixo podemos ver em disposição do Código Eleitoral neste sentido) e elegíveis. 42. Os demais militares. passará. desde que oficiais. aos menores de 16 anos. de . deverá afastar-se da atividade. se não puder se alistar eleitoralmente). isto é. para a inatividade". se eleito. todos presentes no § 3° do art. vindo a nela não ocupar vaga e. De maneira geral. sempre terão que se afastar das mesmas. No primeiro caso o militar passará espontaneamente para a reserva. que é o Código Eleitoral em vigor no Brasil. desde que atendidas as seguintes condições: "I. 14 da CF/88.

Assim. As inelegibilidades absolutas implicam que a pessoa está impedida eleitoralmente para qualquer cargo eletivo. mais os menores de 18 anos que não estiverem alistados e os que estiverem temporariamente ou definitivamente privados dos seus direitos políticos. e que já foi modificada pela Lei Complementar n° 81/94. ou de parentesco ou de domicílio que inviabiliza sua candidatura na situação vinculada" (SILVA. também por motivos funcionais). Também existem outros casos de inelegibilidades relativas fixados pela Lei das Inelegibilidades. os analfabetos e os inalistáveis (aí entrando os conscritos enquanto estiverem prestando o serviço militar obrigatório. São os casos que na Constituição aparecem no art. 14. § 6º (inelegibilidade para concorrer a outros cargos desde que não tenha havido a desincompatibilização exigida. e outros casos estabelecidos pelo art.eficácia plena e aplicabilidade imediata. tratamos já dos casos de inelegibilidades. "O relativamente inelegível é titular de elegibilidade. 14. por motivo de domicílio. que atuou por ordem do disposto no § 9° do art. 14. a novidade constitucional que foi a constitucionalização do direito de voto aos analfabetos. conquista efetivada em 1985. apenas. que pela sua abrangência podem ser considerados absolutos ou relativos. que. por fim. art. § 7º (por motivo de parentesco). mas o poderia relativamente a outros. embora lhes reste afastada a possibilidade de serem eleitos. pelo que recomendamos a sua consulta. 14. a Lei das Inelegibilidades. pela Emenda Constitucional n° 25. os estrangeiros. sendo aqui motivo funcional). art. do Presidente da República. 14. art. 1997. bem como dos . o que pode dar lugar aos casuísmos). e os menores de 16 anos). 1° da Lei Complementar n° 64/90. conforme José Afonso da Silva. no período subseqüente. abrangendo. Destacamos. § 5º (inelegibilidade para um terceiro período em relação aos mesmos cargos. não podendo concorrer a eleição alguma. como já mencionamos. São aquelas estabelecidas na própria Constituição. não pode ser exercida em relação a algum cargo ou função eletiva. 372). IV (inelegibilidade para mandato ou cargo eletivo em circunscrição em que não seja domiciliado pelo tempo exigido em lei. ou seja. Já as inelegibilidades relativas. constituem restrições à elegibilidade somente em relação a determinados mandatos. Neste item sobre as inelegibilidades não podemos nos furtar de fazer uma necessária observação ao teor do § 5° do art. embora o tempo do domicílio seja fixado pelas leis ordinárias que regem cada eleição. só desaparecendo tal impedimento quando a situação que o produz for definitivamente eliminada. p. que originalmente previa a impossibilidade de reeleição para os mesmos cargos. exatamente por estar sujeito a um vínculo funcional. dos Governadores dos Estados e do Distrito Federal. § 3º. 14. conforme algumas situações especiais em que se encontre o cidadão no momento da eleição.

mas admite a Constituição a perda ou a suspensão dos mesmos. 5°. § 2º. gerando o risco de poderem. justificam a suspensão dos direitos políticos os casos de recusa a cumprir obrigação a todos imposta ou a prestação alternativa (hipótese analisada há pouco). somos da opinião que as demais deveriam. § 4. 15. 3. portanto. à suspensão dos direitos políticos decorrente da recusa. E por considerarmos plausível a medida. 4º. pela primeira vez consignada como causa de suspensão de direitos politicos. ou seja. Assim o dispositivo constitucional. da CF/88. Mas como a Lei nº 8. ou deverão. sem a desincompatibilização. inciso VIII. Quanto à improbidade administrativa. passando a admitir. eis que aprovada em meio a denúncias de compras de votos. 37. fazer suas campanhas eleitorais utilizando-se dos benefícios proporcionados pela "máquina administrativa" que está em suas mãos. A Emenda. que sofreu uma radical modificação pela Emenda Constitucional n° 16/97. Assim. foi bastante criticada e gerou várias polêmicas em torno de sua constitucionalidade ou não. nos termos do art. uma proibição.429/92 . mas principalmente por ter permitido a possibilidade de reeleição sem renúncia ao cargo. Embora a Constituição não tenha distinguido nos cinco incisos do art. 15 quais são os casos de perda e quais são os de suspensão.239/91 que regulou o cumprimento de prestação alternativa ao serviço militar obrigatório referiu-se. nos termos do art. não prevendo a perda. que continha uma inelegibilidade. tem-se que dá azo à perda de direitos políticos apenas o cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado. a Regra Isonômica. isto é. ter o mesmo tratamento. a Lei n° 8. uma causa para a perda de direitos políticos. 1°. de alguma maneira. o que deixa em franca desigualdade os demais candidatos. ferindo. os ocupantes dos cargos não precisam deles se afastar para concorrer à reeleição.Prefeitos. com este entendimento ficamos aguardando algum pronunciamento do Supremo Tribunal Federal a respeito. se assim entendeu o legislador para uma das hipóteses de recusa de cumprimento de prestação alternativa. sob seu comando. em seu art. tais reeleições. a regra é a da vedação absoluta à cassação de direitos políticos. que ficou conhecida como "Emenda da Reeleição". pelo seu art. os casos de incapacidade civil absoluta. o que poderia eliminar a dúvida que persiste.4 Suspensão e perda dos direitos políticos Pelo art. o inciso I. enquanto medidas excepcionais quando se configurarem alguns casos. Inicialmente concordávamos com José Afonso da Silva e outros autores que também vêem na recusa a cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa fixada em lei. passou no mesmo lugar a admitir uma permissão. de condenação criminal transitada em julgado (enquanto durarem seus efeitos) e improbidade administrativa. violando toda a tradição republicana brasileira.

prevê figuras de infração ético-políticas e consagra como ato de improbidade. Vale dizer que em razão de improbidade. teve seus direitos políticos suspensos por oito anos. Como derradeira observação sobre o assunto em pauta. outras privilegiando sua inserção no contexto social)21 e que há estudiosos que as agrupam em orgânicas e tradicionais. os partidos políticos são instituições de precípua importância para a manutenção do status democrático. III IV e V do art. pelo menos os mais importantes aspectos relacionados ao tema nos itens que se seguem. ainda que com efeitos políticos. nosso Direito cominava sanções de natureza penal. o art. É esta mesma lei que estabelece o tempo de duração da suspensão dos direitos políticos por improbidade administrativa. onde os partidos ditos da situação desempenham a função governamental e os de oposição. Direitos Relativos Aos Partidos Políticos Os partidos políticos são expressão da liberdade de associação dos cidadãos. 4. Indiscutivelmente. procuraremos abordar. mas sempre em ação penal. embora sem prejuízo da ação penal cabível. Os partidos políticos são fenômenos da democracia representativa já que a democracia direta. A novidade agora é que a ação é político-civil. Na Constituição Federal de 1988 estão previstos em apenas um artigo. o recebimento de vantagens. 15). compondo o Capítulo V do Título II do texto constitucional. basicamente a de fiscalização. 4. Enfim. por exemplo.1 Importância dos partidos políticos no sistema da democracia representativa e constitucionalização dos mesmos É salutar iniciarmos frisando que existem várias concepções acerca dos partidos políticos (algumas analisando sua forma organizacional. não necessitava de . Já a suspensão é temporária (incisos II. o direito de outras pessoas a filiarem-se a partidos. o direito de os próprios partidos agirem processualmente perante o Poder Judiciário em nome de seus filiados em dadas circunstâncias constitucionalmente previstas. se não todos. como por exemplo. podendo ser citado como exemplo o caso do ex-Presidente da República Fernando Collor de Mello que. tradicionalmente. por óbvio. por improbidade administrativa. devemos frisar que a perda de direitos políticos caracteriza-se por ser definitiva. 17. etc. 22 Aqui interessa realçar o papel dos mesmos no domínio da democracia representativa. o direito de as pessoas criarem partidos. Existem diversos direitos relativos aos partidos políticos. iniciando-se pela construção teórico-doutrinária a respeito dos partidos políticos. gratificações e presentes ofertados por quem tenha interesse junto à administração pública ou a esta encontre-se submetido.

23 Então. "o partido político é uma forma de agremiação de um grupo social que se propõe organizar. bem adverte Celso Fernandes Campilongo que "o principal canal de comunicação entre o Estado e a sociedade. as Constituições Federais de 1824 e 1891 não incluíram uma só palavra quanto aos partidos políticos e a de 1934. Isso porque. assim.. 1988. o de que os partidos políticos como entidades jurídico-políticosociais são fenômenos do século XIX para cá. antes disso. todos os países ocidentais que elaboraram novas Constituições dedicaram aos partidos normas especiais.. 1997. apesar de . No dizer de José Afonso da Silva. 1997. 1997. apenas demonstra que sempre foram considerados à margem da lei e bem assim um tema descurado pelos especialistas. No Brasil.]" (SILVA. Especificamente quanto à constitucionalização dos partidos políticos.organizações intermediárias entre o povo e os que exerciam o poder e tomavam as decisões . p. p. 1992. na Época Moderna. 388). qual seja. uma vez que. Mas isso não significa que os partidos políticos não existiam antes. coordenar e instrumentar a vontade popular com o fim de assumir o poder para realizar seu programa de governo" (SILVA. tema fundamental para o Direito Constitucional e para a Ciência Política. quando se reconheceu a legitimidade para a realização de uma oposição ao Governo). só obtiveram o reconhecimento jurídico-formal a partir do século passado. E arremata o doutrinador pátrio: "O sistema eleitoral forma com o sistema de partido os dois mecanismos de expressão da vontade popular na escolha dos governantes" (SILVA. "todos aqueles que se opunham à orientação política da Corôa eram considerados inimigos do Estado" (REIS. canais por onde se realiza a representação política do povo [. entre o direito e a política.e constituem-se no liame entre a sociedade e o Estado. há um ponto em que a doutrina converge. finda a II Guerra Mundial. diz ainda José Afonso da Silva que os partidos "destinam-se a assegurar a autenticidade do sistema representativo. p. a representação política democrática resulta do livre embate eleitoral. Assim. apesar de que. Nesse sentido. 389). 375). p. 90). p. e é critério básico de legitimação das regras jurídicas e dos comandos políticos. Embora existam muitas dissensões quanto a vários aspectos nas análises do tema. ainda é ocupado pelas entidades de representação" (CAMPILONGO. Eles são. os partidos políticos tiveram suas origens a partir do século XVII (na Inglarerra. Segundo nosso Direito positivo. Compreensível essa demora histórica quanto ao reconhecimento. importa deixarmos claro que os partidos políticos são importantíssimos para a participação e representação políticas e suas atuações constituem um dos elementos mais significativos do sistema político como um todo. 45).

Como já anunciado no início deste tema. passaram a ter existência consagrada nos textos constitucionais. a que mais interessa a este trabalho é a que leva em consideração o sistema dos . regra geral. p. Chegou mesmo a haver. apenas há menos de 50 anos os partidos foram aceitos nos textos constitucionais. multipartidarismo ou polipartidarismo" (SILVA. uma verdadeira aversão aos partidos políticos (os primeiros pensadores do século XIX os consideravam um mal). após passaram a ter existência legal supervisionada pelos Poderes Executivos e só na última fase de sua história. Prosseguimos lançando mão dos ensinamentos do jusfilósofo e cientista político italiano Norberto Bobbio. 379. Os partidos políticos demoraram. mas não de direito. composto pelo art. durante um longo período histórico. (b) o de dois partidos. Concepções doutrinárias e opção atual no Brasil O sistema de partido . sendo novamente tratados como pessoas jurídicas de direito público interno. sendo que por longo período histórico existiram de fato. denominado pluripartidário. do ponto de vista jurídico. 48. ou unipartidário. ou simplesmente pluripartidarismo. 17. foram institucionalizados em quatro artigos (a saber: 40. ou bipartidarismo. 119 e 141. pelo menos. se não contestada a existência dos partidos era. Inicialmente organizaram-se como associações de direito comum. 24 A Constituição Federal de 1967 reservou-lhes todo o Capítulo III do Título II. (c) ou o de três. até o início do século XIX. quatro ou mais partidos. ou multipartidário. grifamos). Trazemos ao texto a concisa e límpida explicação de José Afonso da Silva.a presença de um. a ser acolhidos pelo Direito Positivo (não só pelas Constituições como pela legislação ordinária). segundo a qual os diferentes modos de organização partidária possibilitam o surgimento de três tipos de sistemas: "(a) o de partido único. não reconhecida pelo próprio sistema político. como se vê.2 Sistemas partidários: unipartidarismo. Deste modo.é de suma importância para a definição e o funcionamento do regime político de um determinado país. A aceitação constitucional dos mesmos em um texto magno pátrio deu-se apenas em 1946. Conforme já dito. Dentre as tipologias que adota para designar regimes políticos democráticos. dentro do Título "Dos Direitos e Garantias Fundamentais".incorporar as conquistas do Código Eleitoral de 1932. unipartidarismo. tendo nosso País aberto tal precedente na América do Sul. 4. 1997. bipartidarismo e pluripartidarismo. a Constituição Federal de 1988 reservou-lhes um capítulo próprio. Assim. apenas os mencionou no art. como pessoas jurídicas de direito público. dois ou mais partidos ou mesmo de nenhum deles . § 13) da Constituição Federal de 1946. ainda. 170 (e o fez para punir funcionários que os protegessem). ou.

149. o pluripartidarismo. é certo que a unificação ou a ausência de partidos descaracteriza os regimes democráticos. 327). trata-se de um grupo de indivíduos selecionados que promovem a cooptação para se revezarem no Poder". 17. É livre a criação. como é o caso dos partidos do tipo comunista. nos termos do artigo 17 da Constituição da República do Brasil promulgada em 5 de outubro de 1988. porém.. dos povos subdesenvolvidos. já que exclui previamente toda a possibilidade de uma oposição organizada. a missão do partido único "é diferente da dos partidos em regime multipartidário.)". não pode ser incluído entre as formas democráticas de Governo" (BOBBIO. ou pluripartidarismo. para a qual sistemas bipartidários e sistemas multipartidários caracterizam formas democráticas de Governo. Muito comum em processos ditatoriais.) pelo menos em suas formas mais rígidas. é apenas na clandestinidade. Já o sistema bipartidário não é o processo no qual existam exclusivamente dois partidos. etc. "o companheiro predileto das ditaduras. não sendo uma técnica democrática. 1992. atualmente a democracia formal/instrumental brasileira . ainda. isto é. incapazes.partidos. p. grifamos).. com orientações internas. a Espanha falangista e Portugal corporativista" (MENDONÇA.27 (grifamos) Portanto.. 25 Quanto ao sistema unipartidário. pois o que o caracteriza é a possibilidade de haver alternância de dois grandes partidos no Poder. sendo que. nos quais é proibida a presença do partido político. a opção atual é pelo sistema pluripartidário. existem diversos tipos de partidos únicos. E no sistema pluripartidário há a necessidade de existirem mais de dois partidos capazes de efetivamente participar do processo de Poder. o pensador italiano manifesta-se no sentido de que o mesmo "(. mesmo que não seja absoluta a liberdade partidária. os regimes autocráticos. Seus casos típicos foram a Alemanha nazista. conforme Otávio Mendonça. quando este funciona. podendo existir um número de partidos menores. Efetivamente. de modificar o jogo político entre as duas agremiações dominantes.. Assim reza o texto constitucional referido: "Art. 1980. O partido único é. Convém mencionarmos.26 No entanto. há sistema de partido único quando o Poder só permite a existência de um partido. p. Pelo sistema constitucional vigente no Brasil. fusão. Assim. estrutura e método de funcionamento diferentes entre si. nos regimes democráticos. incorporação e extinção de partidos políticos resguardados a soberania nacional. o regime democrático. os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos (. do tipo fascista. a Itália fascista. Por fim.

ainda na fase do Brasil Colônia de Portugal. Descontentes com tal domínio. Por ora adiantamos que. primeiramente. 20-21). coroadas por elites urbanas estamentais.3 Visão histórica e atualizada sobre os partidos políticos brasileiros Esclarecemos. isso não se verificou no sistema bipartidário vigente no período nominado acima. o Partido Republicano teve vida forte até 1930. blocos políticos somente foram organizados em partidos por volta de 1834 (por meio do Ato Adicional durante a Regência de Feijó).. com a criação do Partido Liberal (o qual propugnava maior autonomia das Províncias) e do Partido Conservador (o qual pretendia o sistema unitário do Império). período em que vigiu o bipartidarismo compulsório. a partir de 1849. em 1868. em 1870. ou seja. Os prenúncios da queda do Império fizeram com que os liberais descontentes fundassem oficialmente. 28 Veremos a seguir. os quadros partidários não foram . muitos liberais (e conservadores dissidentes) formaram a "Liga Progressista". num quadro político marcado pelas revoluções civis entre 1832 e 1849. Com a incipiente prática do regime parlamentar. ambos não tinham diferenças ideológicas e governaram o País até 1889. expressando as oligarquias rurais dos Estados. no retrospecto histórico acerca dos partidos políticos brasileiros. tendo sido dissolvida. já que o mesmo se caracterizou por ter sido mero expediente fictício de legitimação do regime militar. 1981. tendo o sistema bipartidário permanecido sem modificações até que. No entanto. estes foram. embora Norberto Bobbio enfatize que sistemas bipartidários possam compor regimes democráticos de governo. organizadas em verdadeiros clãs locais. ausente no lapso temporal de 1965 a 1979. 29 4. os partidos alternavam-se no poder. "[. pois em janeiro de 1822 falava-se no primeiro partido brasileiro de fato: o Partido da Independência. terminando com o dualismo partidário até então vigente. Após isto. que no atinente à gênese e fundamento dos partidos brasileiros.] de início meras projeções de alianças familiares rurais. que houve outro período em que entre nós reinou o bipartidarismo e que houve até um período em que sistema partidário algum vigiu.30 o Partido Republicano. as quais obstaculizaram a consolidação dos partidos políticos. p. Pode-se dizer que a pré-história dos partidos políticos brasileiros começou antes da Independência.contempla o pluralismo partidário.. a qual permaneceu no poder enquanto existiu (de 1862 a 1867). De 1889 a 1930 (República Velha) prevaleceram os partidos regionais. com treinamento em Coimbra e nas Faculdades de Direito do Recife e São Paulo" (CHACON. Identificado com os interesses da economia cafeeira. durante o chamado "período de conciliação" (de 1853 a 1862) quem teve de fato o domínio das forças foi o Partido Conservador. pelo Imperador.

. embora os partidos continuassem a ser estaduais. O golpe militar de 1964 encontrou 13 partidos registrados na Justiça Eleitoral e os extinguiu em 1965 pelo Ato Institucional nº 2.12. esbarradas em forças intransponíveis: o voto não era autêntico (tampouco secreto ou proporcional. A vitória da oposição nas eleições de 1974 passou a dar às eleições um caráter eminentemente plebiscitário (sim ou não ao regime ditatorial) e iniciou-se o processo de deslegitimação do autoritarismo. o Partido Trabalhista Brasileiro e o Partido Social Democrático. sendo que esse dispositivo tinha endereço certo: o Partido Comunista. os partidos não possuíam outra influência além da "emprestada" pelo governo (a ponto de um dos postulados da Revolução de 1930 ter sido a legitimidade representativa). encontrando. Os partidos foram regulamentados em 1932. possibilitando fraudes de todos os tipos). Quando este findou.785. sendo os primeiros a União Democrática Nacional. Em 1902 fundou-se o Partido Socialista e em 1922 o Comunista que.32 Sucederam-se Atos Institucionais e cassações de mandatos parlamentares. já que em agosto do mesmo ano foi novamente tornado ilegal pela chamada "Lei Celerada". 21. De 1945 a 1965 tivemos vinte anos de pluripartidarismo. do Tribunal Superior Eleitoral.076. tendo sido fundado em março. em 1947.80. O retorno ao pluripartidarismo deu-se pela Lei nº 6. com as máquinas clientelísticas dominando o interior do País.767. de 15. de 20. estabelecendo o bipartidarismo de forma indireta (ARENA e MDB). Os partidos foram fechados e tiveram sua reorganização proibida. No ano de 1946 foi vetada a formação de partidos considerados "antidemocráticos". salvo raras exceções. Em tal contexto a história partidária brasileira foi marcada pela fragilidade de suas organizações. Partidos Nacionais realmente só surgiram em 1945 (instituídos pelo novo Código Eleitoral). por intermédio do nosso primeiro Código Eleitoral . Houve vagas tentativas de organizar partidos nacionais. pois o Código Eleitoral daquele ano fazia várias exigências para a legalização. porém. a reforma partidária de 1979 alterou as regras eleitorais e substituiu o sistema bipartidário pelo pluripartidário. 33 Por fim. A Carta de 1937 ignorou-os e o golpe que implantou o Estado Novo extinguiu-os no mesmo ano.79.31 sendo que a Constituição Federal de 1934 incorporou as conquistas do mesmo. a apuração não era honesta.Decreto-Lei n. só reaparecendo em 1945. com a decretação do estado de sítio.2. restrições à sua organização. em 1927. sendo posteriormente regulamentada pela Resolução nº 10. quando o mesmo teve o seu registro cassado. foi considerado ilegal três meses depois. voltou à legalidade. que fossem filiados a organizações internacionais e recebessem dinheiro do exterior.ajustados às exigências políticas de caráter nacional. porém apenas por sete meses. e contra ele foi usado.

ações privadas. isto porque já tivemos no Brasil os integralistas. como houve. como várias vezes aconteceu em nossa história políticopartidária. o pluripartidarismo (durante a República Velha. Assim. principalmente os de extrema direita. através da Emenda Constitucional nº 25. nunca tivemos o momento histórico do partido único (pelo menos não formalmente). A partir daí. com a imposição de vedação à utilização de organização paramilitar. p. De costume. 4. tinham como saudação o "anauê" e se assemelhavam muito às organizações paramilitares. o controle financeiro sobre os partidos políticos (significando o resguardo da soberania nacional. em Portugal. 60). somente usam organizações paramilitares os partidos extremistas.35 Cumpre ressaltar. Por fim. porém.Em 1985. o pluripartidarismo. sendo que esta ampla liberdade de criação de partidos foi também assegurada pela Constituição Federal de 1988. Também é importante chamar a atenção para o fato de que. o candidato à Presidência da República deve necessariamente ser filiado a um partido político para vir a ocupar o referido cargo. Quiçá seja este o aspecto mais importante da autonomia e da liberdade partidárias: a estrutura de poder estatal não mais poderá interferir nos partidos para os extinguir.3. há que se frisar que nossa Constituição vigente alude ao caráter nacional dos partidos políticos. tem-se que o Brasil já conheceu o bipartidarismo (no Império. A Constituição Federal manteve. já na Nova República. os direitos fundamentais da pessoa humana. portanto. para tanto possuindo autonomia organizativa. confere aos mesmos natureza jurídica de direito privado (constituem os mesmos.1 A Lei nº 9. Com todas essas garantias os partidos colocam-se entre o governo e o povo.100/95 e a mais recente Lei Eleitoral . que na vigência da Carta de 1937 tentou-se fundar um partido único. e a partir de 1980) e mesmo a ausência de partidos (de 1937 a 1945). outrossim. CF/88). como instrumento deste no exercício de mandato político para a consecução das funções públicas que outorga a seus representantes. liberou-se a criação e a organização de partidos políticos. com o principal fito de evitar tendências fascistas). de 1945 a 1965 período apontado por muitos analistas políticos como o mais estável e bem-estruturado de nossa história -. então. surgiram em torno de 31 partidos. 17. e 14 anos no regime militar). que se chamaria "Legião de Outubro". que usavam camisas verdes. a Constituição patrulha-os ideologicamente. tendo varrido a possibilidade de extinção governamental dos mesmos. por exemplo. 34 Como um apanhado geral. no Brasil. assegurada pelo § 1º do art. o que acabou não se concretizando (SARAIVA. tendo em vista o regime democrático. através da vedação ao recebimento de recursos finananceiros de grupos ou governos estrangeiros e da imposição do dever de prestar contas de suas administrações financeiras à Justiça Eleitoral) e o controle ideológico (isto é. 1995. até 1870.

De início severamente criticada pelos setores mais machistas da sociedade. dispôs: "Nas eleições a serem realizadas no ano de 1998. em nosso direito como um todo. nas Disposições Transitórias. setenta e cinco por cento do número de candidaturas que puder registrar" (grifamos). o que deve permanecer até que estas possam por si sós firmar-se no espaço da política. quiçá. vinte e cinco por cento e. quando então não serão mais necessárias as "ações afirmativas" evitando. A mais recente Lei Eleitoral é a Lei nº 9. assim. Possui em sua epígrafe: "Estabelece normas para as eleições". Inaugurou. cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de trinta por cento e o máximo de setenta por cento para candidaturas de cada sexo". que sejam traduzidas por ações de tipo paternalista. outra norma para outro candidato e assim por diante. Assim. Como não devemos olvidar. aquela velha mania brasileira de querer inserir uma regra que beneficia a situação de um dado candidato. Por outro lado. no máximo. Assim. a lei em epígrafe foi a Lei que disciplinou o pleito de outubro de 1998 e deveria ter sido promulgada antes de outubro de 1997. de 30 de setembro de 1997. assim. diferentemente do tratamento destinado . o estabelecimento das normas eleitorais para uma eleição deve ser feito mais de um ano antes da data de realização da eleição. estabeleceu no Parágrafo Terceiro de seu artigo 10 o seguinte: "Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo. Com isso temos que não apenas regeu as eleições proporcionais de outubro próximo passado. Registro provisório e registro definitivo Quanto à natureza jurídica.4 Natureza jurídica. Pois isso está vedado pela Constituição. de maneira a mudar as regras com o processo já em andamento. cada partido ou coligação deverá reservar. no mínimo. tradicionalmente tido como espaço público dos homens e onde a presença da mulher era irrisória. destinando às candidaturas para as eleições de 1996 um percentual de 20% para as mulheres. como também já estabeleceu algumas regras para as eleições que deverão ser realizadas em 2000. garantindo a participação das mulheres nos pleitos eleitorais. em seu artigo 80. significativamente por ter sido aquela que por primeira vez em nosso País instituiu o sistema de cotas eleitorais. regra existente para tentar evitar os "casuísmos" de última hora. Segue. criação. para candidaturas de cada sexo.100/95 merece um comentário especial. o tema das "ações afirmativas" em nosso Direito Eleitoral e. gerou muita polêmica mas resultou em um importantíssimo passo dado pelo ordenamento jurídico em prol da efetivação do Princípio da Igualdade no campo da política.A Lei nº 9. conforme disposição constitucional do art. 4. assim. o que realmente ocorreu. ou seja. ao tratar do "registro de candidatos". incorporação e extinção dos partidos políticos. 16.504/97. fusão.

Quanto à criação. mas não participar de eleições. em seu art. sendo que os mesmos registram seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral "após adquirirem personalidade na forma da lei civil". como por exemplo os professores Maria Helena Diniz e Arnoldo Wald (CARVALHO. § 1º podemos verificar claramente que a Constituição criou o instituto da fidelidade partidária. difundir seus programas. a regra é a de que seja um registro permanente. e o fez no Parágrafo Segundo de seu artigo 17. diz o caput do art. não há muito o que dizer. 17. qual seja. o que se dá. ou melhor. mas como .5 O dever da fidelidade partidária e o direito à participação nos recursos do "fundo partidário". Essa liberdade tanto para criar quanto para extinguir partidos políticos faz parte e ao mesmo tempo deriva da liberdade de expressão do pensamento. Sobre esse assunto da natureza jurídica dos partidos políticos convém informar que. Seja qual for o processo utilizado para a criação de novo partido político. A incorporação significa a absorção de um por outro. há doutrinadores que oferecem resistência ao caráter privatístico dos partidos políticos. a partir apenas das idéias e dos ideais dos seus criadores. para aqueles partidos que fossem criados nos seis meses posteriores à promulgação da mesma. a fusão. O registro provisório foi apenas uma facilidade que a Constituição estabeleceu. deverá este ser registrado. existência. A reforma política Pelo teor do texto do art. os partidos podem existir. de convicções. A criação. aquele realizado nos Cartórios de Registros de Títulos e Documentos. §§ 1º e 2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. a incorporação e a extinção dos partidos políticos são livres. Assim. segundo José Afonso da Silva. pois significa o surgimento de novo partido a partir do nada. fazer arregimentação e movimentação política. 70). que é a eleitoral (para poder participar de eleições). apesar de sua cristalinidade. Quanto ao registro dos partidos políticos no Tribunal Superior Eleitoral. 4. das idéias. diferente. a Constituição Federal de 1988 enquadrou-os formalmente como pessoas jurídicas de direito privado. A fusão requer a extinção de pelo menos dois partidos para fazer nascer um terceiro. 17. ou seja. O primeiro registro referido. 6º. mas não lhes confere simultaneamente a capacidade jurídica específica.aos partidos políticos pela Magna Carta de 1946. p. de associação. desde que observados alguns princípios e preceitos já comentados em outro item. 1994. por meio de registro no Cartório de Registros de Títulos e Documentos. pois isso só é possível com o registro dos respectivos estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. confere personalidade jurídica aos partidos políticos. de opinião. o qual seria perdido se no prazo de vinte e quatro meses contados da formação dos partidos estes não obtivessem o registro definitivo.

e não meramente de uma faculdade. ou seja. previsto na Lei Orgânica dos Partidos Políticos. onde reina uma profunda indisciplina neste campo. pois já havia sido introduzida em nosso ordenamento constitucional pela Emenda Constitucional nº 1/69. a única penalidade geral que existe. com menor patrimônio. para fazer valer o Princípio da Igualdade.682/71. valendo uniformemente para todos os partidos e para todos os parlamentares. Chama-se "Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos". 17 da Constituição prevê que os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão. estamos diante de um dever. Mas notem bem: perde a função ou o cargo. o que parece ter sido uma liberalidade excessiva. Mas como o instituto havia sido suprimido pela Emenda Constitucional nº 25/85. seria o dever de os parlamentares federais. sendo constituído por: multas e penalidades pecuniárias aplicadas nos termos do Código Eleitoral e leis conexas. O fundo partidário existe por uma sábia razão. uma vez que poucos são os partidos que efetivamente estabelecem e cumprem essas regras exigidas pela Constituição. bem como regulamentada pela Lei nº 5. dizendo que perde automaticamente a função ou cargo que exerça. na forma da lei. significa que os parlamentares não podem trair a vontade dos que os elegeram. estaduais e municipais de não deixarem o partido pelo qual foram eleitos. pois os eleitores escolhem "aquela" pessoa para executar "aquele" programa "naquele" partido. é a disposta no artigo 26 da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (Lei nº 9. sob pena de perda do mandato por decisão proferida pela Justiça Eleitoral. Pensamos que no Brasil. recursos financeiros que lhe forem destinados por lei. de uma obrigação. E o que vem a ser a fidelidade partidária? Conforme ensinamentos condensados por Celso Ribeiro Bastos. ou de não se oporem às diretrizes legitimamente estabelecidas pelos órgãos da direção partidária. não o mandato! Pelo § 3º do art. Na verdade. foi revigorado pela atual Constituição. Por fim. Mais do que isso. O texto constitucional diz que os estatutos "devem" e não que "podem" estabelecer normas de fidelidade partidária. . qual seja.quis respeitar a autonomia dos partidos políticos. na respectiva casa legislativa. o parlamentar que deixar o partido sob cuja legenda tenha sido eleito. destinando-lhes um amplo repúdio nas eleições seguintes. ao nosso ver. senão por ela ressuscitada. a fidelidade partidária não foi criada pela Constituição Federal de 1988. deixou para estes preverem em seus estatutos as tais "normas de fidelidade e disciplina partidárias". isto é. para fazer com que os partidos políticos menos favorecidos economicamente.096/95). aí disciplinado nos artigos 38 a 44. os próprios eleitores podem dar uma punição aos parlamentares "infiéis". também possam atuar. e modificar essas equivalência ou associações significa trair a confiança e a vontade dos cidadãos.

no dizer de Franco Montoro. pois pode fazer com que um candidato bem votado fique de fora e que um outro. como por exemplo o do "quociente eleitoral". Aguardemos para ver o que resultará da reforma política que. que nas eleições é o índice que acaba sendo o terror dos pequenos partidos. Cremos que outros assuntos também deverão ser tocados. na verdade. os outros 99% do total serão distribuídos aos partidos que tenham preenchido as condições do art. assegurando-se a ampla defesa. ou se o parlamentar ingressar em nova legenda como fundador. obedecendo os seguintes critérios: 1% do total do fundo partidário será entregue. mas sempre em prejuízo dos pequenos partidos que. Câmaras de Vereadores e Câmara dos Deputados). Mensalmente o Tesouro Nacional fará o depósito em conta especial à disposição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). embora não apenas refira-se ao particular ponto referente à fidelidade partidária. em partes iguais. distribuídos em pelo menos 1/3 dos Estados. a desproporcionalidade da representação política dos Estados no Poder Legislativo. tais como: centralização unipessoal do poder. assim. poderia haver perda de mandato quando o parlamentar ou chefe do Poder Executivo cometesse violação grave de disciplina partidária. assim. eis que provavelmente atacará alguns defeitos fundamentais de nossa estrutura político-representativa que vêm de "longa tradição autoritária.em caráter permanente ou eventual. a todos os partidos que tenham seus estatutos registrados no TSE. nunca chegarão a ser grandes! Sobre alguns outros . dotações orçamentárias da União. a má organização partidária. especificamente nesse prevê a perda de mandato para o parlamentar que trocar de partido. a perda se daria automaticamente. significando. há de ser muito mais ampla. sendo que este fará a respectiva distribuição aos órgãos nacionais dos partidos. De acordo com a proposta do relator da comissão. aquele que elegeu representante para a Câmara dos Deputados com o apoio de no mínimo 5% dos votos válidos apurados. com um número não inferior a 2% do total de cada um deles). o número mínimo de votos que o partido ou coligação deve fazer para eleger algum de seus candidatos. Há no Congresso Nacional proposta de mudança constitucional que. do mesmo modo. sendo que em 1998 a matéria já foi analisada no Senado Federal pela Comissão Especial da Reforma Política. 13 da Lei Orgânica dos Partidos Políticos (ou seja. doações de pessoas físicas ou jurídicas. o quociente eleitoral é que determina a distribuição das vagas em disputa nas eleições proporcionais (para as Assembléias Legislativas. É a regra da proporcionalidade. o sistema eleitoral defeituoso. feitas por depósitos bancários em conta bancária de titularidade do Fundo. aliás. salvo no caso de fusão ou incorporação de partido. centralizadora e elitista". na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados. com a metade ou até um terço do número de votos dele seja eleito.

é preciso ter-se bem clara a lembrança de que o nosso Estado é de tipo federativo. o que geralmente vem definido pelas extensões territoriais (países com grandes extensões territoriais costumam adotar o federalismo. Daí a conseqüência das particularidades da sua organização como um todo. implícita ou explicitamente.8 Representação proporcional em mesas e comissões do Congresso Nacional É esta outra garantia de que dispõem os partidos políticos. Diz a teoria que a organização política fundamental de um Estado pode prever que um Estado seja Federal. México.7 Limitações ao poder de tributar Dentre as limitações ao poder de tributar. § 1º da CF/88. inciso LXX. conforme verifica-se no art. inciso VIII. 4. utilizando a técnica da Substituição Processual. Isso é uma novidade da Constituição Federal de 1988. assim como novo é o "remédio constitucional". Capítulo IV Da organização política e administrativa do estado e da divisão de competências 1. inciso VI. os partidos políticos possuem legitimidade ativa coletiva (conferida a todo e qualquer partido político que tenha representação no Congresso Nacional) para impetrar Mandado de Segurança Coletivo. como ocorre com Venezuela. vide nota de rodapé n. incluindo a divisão de competências. § 4º. da CF/88.6 Legitimidade ativa e substituição processual Pelo artigo 5º. Considerações Iniciais Acerca Do Federalismo E De Suas Formas De Criação. Ter prevista a forma federativa é prever também. alínea "c". Também possuem legitimidade ativa para a propositura de Ação Direta de Inconstitucionalidade. justificam-se algumas linhas acerca do Federalismo em geral. Mas antes de vermos as especifidades da República Federativa do Brasil. convém que já adientemos uma que possui fundamental importância em relação aos partidos políticos. 103. a vedação de impostos sobre os seus patrimônios.aspectos da Reforma Política. e com o próprio Brasil). 34. 4. e que vem prevista no art. 4. qual seja. Estados Unidos da América do Norte. conforme o disposto no artigo 150. sobre as suas rendas ou os seus serviços. que as . alínea "a" da CF/88. como conseqüência. 58. Argentina. Aspectos Históricos Do Federalismo Brasileiro Em primeiro lugar.

Isto porque previu. se auto-organizem. em que os Estados-membros mantêm autonomia executiva e legislativa nas esferas administrativas. sendo assim. Gostaríamos de ressaltar que há duas espécies de formação do federalismo: uma por segregação e outra por agregação. e mesmo a autonomia que possuem é limitada pela Constituição Federal. a transformação (. "É.. Foi exatamente o que aconteceu no caso do Brasil. ficam constituindo os Estados Unidos do Brasil". como também de Estado Unitário em Estado Federal. se transformavam. por força da Constituição Federal. dando uma dimensão trilateral ao novo modelo de federação). expressamente. 3º: "Cada um desses Estados. 1974. em seu art. reunidas pelo laço da federação."). que as províncias do Estado Unitário. 2º: "As províncias do Brasil. . Título dos Princípios Fundamentais de nossa atual Constituição Federal: "A República Federativa do Brasil. decretará oportunamente a sua constituição definitiva elegendo os seus corpos deliberantes e os seus governos locais". mas subordinamse ao Governo Federal nas relações externas. sob certa medida. no sentido de maior autonomia municipal.unidades federadas (inicialmente os Estados Federados. de 15 de novembro de 1889. formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. portanto. para exigir a observância dos princípios constitucionais da União. O Decreto referido dispunha. no exercício de sua legítima soberania. Isto é. A Federação é o sistema político que une diversos Estados em um só Estado soberano.. financeiras. o direito constitucional federal brasileiro é incorporado ao direito constitucional dos Estados. 178). cada um dos quais iria ser regido por uma Constituição que ele próprio haveria de estabelecer. p. 34.. O federalismo que se dá por segregação tem sua maior característica no fato de que um Estado unitário transforma-se em Estado federal. em Estados Federados.) de províncias desse Estado unitário. E em seu art. o qual transformou o País não só de Monarquia em República. com o Decreto nº 1. constitui-se em Estado Democrático de Direito. daquele momento em diante. que era o Império Brasileiro. mas carecem de soberania. bem como foi repetida a previsão de intervenção federal nos Estados-membros diante de algumas situações. mas a forma de Estado permaneceu inalterada (lê-se no primeiro art. o que estipula o texto constitucional em seu art... Muita coisa mudou desde a nossa primeira Constituição Republicana até os dias atuais (como por exemplo as inovações introduzidas no sistema federativo pela Constituição de 1988. no que couber e. as partes constitutivas do todo têm autonomia interna. em Estados componentes de uma federação. Do mesmo modo. também ditos Estados-membros da Federação). relativa. em última instância. cabível. jurídicas e outras atinentes à ordem interna (embora tudo a partir de regras básicas constitucionalmente determinadas). em Estados federados" (FERREIRA FILHO.

moldadas nos pressupostos liberais e. p. os Estados devem respeitar certos princípios constitucionais limitativos. p. com a independência das treze Colônias inglesas na América do Norte. 1956. Vale lembrar. todas as colônias já tivessem suas cartas. e em caso contrário (como sucede na Carolina do Norte e na Pensilvânia) dos senhores. Porém. num verdadeiro ato internacional. para produzir um novo Estado" (FERREIRA NETO. privilégios nos quais são consignados os princípios fundamentais do seu govêrno e organização administrativa" (apud FERREIRA. 1974. já organizados. não possuía uma "declaração de direitos". Historicamente analisando. foi o aconteceu no caso dos Estados Unidos da América. 179). ao lado dos seus direitos públicos. as eventuais modificações operadas na Constituição do todo podem reclamar a convocação de Poder Constituinte nos Estados. Isto fez com que o regime constitucional americano nascesse com características de uma perfeição no gênero (compunha-se de duas partes principais: uma declaração dos direitos individuais dos cidadãos. transmudando-se em Estados soberanos. nem sequer há necessidade do Poder Constituinte derivado para organizar constitucionalmente Estados já pré-existentes. Jellineck pesquisou a origem histórica das Constituições de tais Colônias emancipadas. "permitindo simultâneamente a transformação da antiga confederação de Estados em um Estado Federal" (FERREIRA. a Constituição Federal Americana de 1787 consagrou os princípios fundamentais do novo direito público. Já o federalismo por agregação é aquele que "se verifica quando Estados pré-existentes. 46). portanto. as suas Constituições. achando-se as partes que o . Assim. Porém. e um plano governamental. se unem. o importante é que fique bem claro que a principal diferença existente entre os Estados de tipo Unitário e os Estados Federativos é que naqueles ressalta a centralização. para finalizar este item e ingressarmos no próximo que. com vistas à adaptação de suas Constituições às normas daquela. dotado do "conteúdo mínimo" exigido no moderno Estado de Direito. Isto fez com que. p. à época da revolução americana. o ano de 1776 marcou a fase áurea do constitucionalismo. pois tais direitos já estavam presentes nas Constituições dos Estados-membros. segundo Pinto Ferreira. se são da Coroa. por oposição à política colonial britânica. a respeito: "Estas colônias. 1956. já federados. 48). estuindo os princípios fundamentais da divisão e equilíbrio dos poderes). a despeito de qual seja a forma de criação de uma federação. já com sua Constituição. estatuídos pela vigente Constituição Federal. cartas de liberdade. os velhos núcleos da colonização inglesa adquiriram maioridade política. escrevendo.ademais. ao estabelecerem suas Constituições Estaduais. vindo a publicar em 1776. com a independência. recebem dos reis da Inglaterra. em que. Neste caso. e nos anos seguintes. se a êstes pertencem.

De maneira um pouco mais ampla. diferentemente. auto-organização e auto-administração).integram vinculadas ao centro. são os seguintes: 1º) a participação da "vontade" dos Estados Federados na formação da "vontade" nacional. bens e competências tanto administrativas quanto legislativas de cada um dos entes federativos. o que se costuma chamar de "pacto federativo" engloba. embora possam acontecer modificações internas. . no entanto. o que se dá em nossa Federação por meio do Senado Federal. não exclui. sobretudo econômico. o que se aperfeiçou ainda mais após o advento da Constituição Federal de 1988. Federalismo Brasileiro Atual: Federação De Equilíbrio Como já mencionado acima. O marco federativo. que é a autonomia e a descentralização dos entes que compõem a federação total. a forma do nosso Estado é a de uma Federação de Equilíbrio. cujos membros são eleitos enquanto representantes dos interesses dos Estados. a garantia de que. não pode ser criado novo Estado Federal. do seu artigo 18 ao seu artigo 36. 2. plenamente verificáveis no modelo brasileiro. sendo-lhes garantida autonomia (significando esta a possibilidade de gestão dos próprios interesses. em razão do maior grau de desenvolvimento. devendo o presente ser preservado. mais especificamente no item sobre os Princípios Constitucionais Fundamentais. Inexiste entre nós o dito "federalismo hegemônico". O traço principal de uma federação de equilíbrio é o estabelecimento de igualdade políticajurídica entre as unidades federadas do mesmo nível. através de autogoverno. sendo despidas de autonomia. em nossa Constituição Federal. caracterizado pela supremacia de algumas unidades federativas sobre outras. como já tivemos a oportunidade de tratar na Primeira Parte desta obra. um traço unitário geral. isto é. a impossibilidade de extinção da Federação. Nos Estados federados. destaca-se a descentralização. incluindo aí disposições gerais sobre a federação. dentro de um sistema estabelecido por entidade superior: a Constituição Federal. como ocorre no caso brasileiro. 2º) a divisão de competência entre as respectivas entidades que compõem a Federação. Sem excluir outros. os traços típicos de uma Federação (que asseguram a sua existência). o respeito à soberania e à autonomia. A organização político-administrativa do Estado brasileiro é definida. que vem a ser o Princípio da Indissolubilidade. sob a égide da Constituição da República Federativa do Brasil: a indissolubilidade do Estado Federal enquanto um dos princípios fundamentais do Estado brasileiro. já que é protegida contra modificações que se queiram realizar na Constituição Federal (é cláusula pétrea).

É. os Estados. identificando-se com a própria FEDERAÇÃO. seria um entre abstrato). tem-se uma regra geral para os entes federativos. 3.1 A União e os Territórios Federais De início. 18 da Constituição Federal não é coincidente com a divisão geográfica (até porque a União. se ocorrer. ressalvada. estes sempre deverão ser aceitos com a presunção de veracidade. a começar pela União e suas autarquias territoriais (os Territórios Federais). O Estado Federal total. Não. b) "recusar fé aos documentos públicos". 5º. fazendo valer o Princípio da Igualdade. considerada uma das entidades que compõem a República Federativa. 1º da CF/88. justamente por isso. E embora as relações externas. o Distrito Federal e os Municípios. ao Distrito Federal e aos Municípios: a) "estabelecer cultos religiosos ou igrejas. sim. isto é. Pelo art. mas feita para fins de possibilitar a organização política e a administração da Federação como um todo. ou seja. dar-lhes auxílio pecuniário]. inciso XLI. coincidem os órgãos públicos na esfera federal com os órgãos da . Vejamos agora as especificidades de cada um desses entes autônomos. as relações internacionais do Estado brasileiro constituam competência exclusiva da União. aqui o termo aparece em sentido distinto daquele empregado no art. estando absolutamente proibido à União. do Distrito Federal e dos Municípios. pelo Distrito Federal e pelos Municípios). convém explicitar que o artigo 18 da Constituição desfaz a impressão de que o termo "União" que aí aparece represente a "soma". Diz o mencionado art. Aqui UNIÃO não é a mesma coisa que República Federativa do Brasil. com personalidade jurídica de Direito Público Internacional. com o nome de República Federativa do Brasil é o todo (formado pela União. sem o que não seria possível a sobrevivência da própria. subvencioná-los [isto é. nos termos desta Constituição". 19. embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança. Neste último caso. aos Estados. c) "criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si". a "congregação" dos Estados Federados. por este critério. na forma da lei. a "reunião".3. Entes Federativos Que Compõem A República Federativa Do Brasil Para Fins De Organização Político-Administrativa Importa destacarmos que a divisão contemplada pelo art. pelos Estados Federados. sendo que esta vedação é devida à natureza laica do Estado brasileiro. o ato discriminatório será nulo e a autoridade responsável poderá incidir na inconstitucionalidade prevista no art. todos autônomos. 18: "A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União. isto só ocorre porque o Presidente da República é a um só tempo Chefe de Estado (do Estado brasileiro) e Chefe do Governo Federal (Governo da União) e. a colaboração de interesse público".

para um mandato de quatro anos. no âmbito das respectivas autonomias. 18. tem o mesmo domínio territorial físico do que o Estado Federal. E se forem criados. etc. a identificação errônea entre União e Estado Federal ocorre. de simples descentralizações administrativas da União. sendo que a escolha dos Deputados Estaduais é feita nos termos do art. caput. 25. mas não possui o mesmo domínio da ordem jurídica. por sua vez. Executivo e Judiciário. 3.União.2 Os Estados Federados Os Estados Federados. prevendo que os Estados disponham sobre os Poderes Legislativo. por lei complementar. não mais serão considerados componentes da Federação. em primeiro turno. verificado nos artigos 27. o Império do Brasil. mas terão natureza de meras autarquias federais. não possuirão autonomia política. pela Constituição atual. como por exemplo "Províncias" na Argentina. também. embora atualmente não existam. claro fica que não é o nome que lhes dá a natureza. às vezes. para o mesmo período sendo eleito o Executivo Estadual (cuja eleição para Governador e ViceGovernador realiza-se no primeiro domigo de outubro. já que foram extintos ou agregados por outros Estados por determinação do atual texto constitucional. 28 e 125. mas em um Estado que não era Federal. 27. mas o regime de autonomia. "Cantões" na Suíça. prevista no art. do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores. e sim Unitário. 28 da CF/88 pelo texto da Emenda Constitucional nº 16/97. integrantes desta. porções do território nacional destacadas. é entidade de Direito Constitucional. portanto. já que preside os fatos apenas de sua competência. os Territórios Federais pessoas jurídicas de Direito Público Interno. Por fim. Integrantes da União. se houver. E a autonomia dos Estados Federados. pode ser verificada da seguinte maneira: a) autoorganização. Quanto aos Territórios Federais. em segundo turno. poderão vir a existir. b) autogoverno. Serão. administrativa e judiciária. de um ou mais Estados-membros ou de território. Note-se que já tivemos províncias. a mesma que passou a permitir a reeleição dos Governadores de Estado e do Distrito Federal . Assim. pois. mudança esta provocada no art. por alguns autores também chamados Estados-membros. A União. são instituições típicas do Estado Federal e podem assumir outros nomes. A Constituição Federal reconhece a possibilidade de sua criação no § 2º do art. mas ocorre que isto acontece em relação aos demais entes do Estado Federal. Pessoa Jurídica de Direito Público Interno. porque a Constituição do Estado Federal é simultaneamente a Constituição da União. e no último domingo de outubro. sendo. assegurando aos Estados organizarem-se e regerem-se de acordo com Constituições e leis próprias. para fins de desenvolvimento e segurança nacional.

39. 25. mediante aprovação da população interessada.por um único período subseqüente). que acontecem os fatos decisivos para o destino do País. ou formarem novos Estados ou Territórios Federais. e 153. 3. renomeando o seu Parágrafo Único para § 1º e acrescendo um § 2º. enfim. do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa [. também constante no art.. o § 2º do art. setenta e cinco por cento daquele estabelecido. é importante relembrarmos a regra do § 3º do art. É em Brasília. e do Congresso Nacional.3 O Distrito Federal É no Distrito Federal que se situa Brasília. observado o que dispõem os arts. ressalvada a posse. I. nos seguintes termos: "§ 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta. observado o mesmo quanto ao estabelecimento dos subsídios dos Deputados Estaduais. em espécie. aí instalada em 21 de abril de 1960. a principal função do Distrito Federal é a de ser a sede política e administrativa do Governo da União. que é possível a intervenção federal nos Estados Federados. Notemos. passando a dizer o seguinte: "O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa. § 7º. § 4º. § 2º. IV e V".. "§ 2º Os subsídios do Governador. isto é. 57. É dizer: só não podem separar-se ou agrupar-se para formarem novo País. 38. Dizemos anômalo porque não é propriamente um Estado. Elevado a ente federado. A atual composição territorial brasileira indica a existência de vinte e seis Estados Federados. em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 27 foi modificado pela Emenda Constitucional nº 19/98. a capital da República. da CF/88. Quanto ao Poder Legislativo Estadual. II. dizendo que aos Estados serão reservadas competências. 153. por último. III. na razão de. através de plebiscito. para os Deputados Federais. Ainda em relação aos Estados Federados. 18. o Distrito Federal é uma espécie de Estado Federado "anômalo". cumpre observarmos que em relação à remuneração (agora atendendo pelo nome genérico "subsídios") dos Deputados Estaduais. a mesma Emenda Constitucional efetuou modificação no art. entidade federal e não apenas autarquia territorial. desde que não lhes tenham sido vedadas pela Constituição Federal. pela qual podem "incorporar-se entre si. 150. .]". assunto que trataremos em item específico. no máximo. mas agora no § 1. c) auto-administração. subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros. Dessa forma. do governo federal. 28 da Constituição Federal. I". por lei complementar". E quanto ao Poder Executivo Estadual.

tampouco um município, embora mais daquele se aproximando. Não possui municípios pois vedada lhe é sua divisão em Municípios, constituindo a cidade de Brasília uma das oito regiões em que foi dividido para fins administrativos. Podemos dizer que o Distrito Federal não é Estado, nem Município porque possui características de ambos, para além de algumas muito peculiares, próprias suas. Sua auto-organização pode ser percebida no art. 32, caput, regendo-se por Lei Orgânica (o que é uma característica de município). Seu autogoverno está contemplado no art. 32, §§ 2º e 3º, onde notamos possuir Governador (e não Prefeito Municipal, sendo, portanto, uma característica de Estado Federado, inclusive podendo o Governador do Distrito Federal ser reeleito por um período subseqüente, por força da nova redação do art. 14, § 5º da CF/88), sendo que seu Poder Legislativo é composto por Deputados Distritais (nomenclatura sui generis), bem como possui uma Câmara Legislativa (nomenclatura diferente das utilizadas nos Municípios e nos Estados Federados). A função jurisdicional é prestada pelo Poder Judiciário da União (o que mais uma vez o difere dos Municípios e dos Estados Federados). Por fim, sua autoadministração indica que possui competência exclusiva, ou seja, as mesmas definidas aos Estados Federados e aos Municípios. 3.4 Os Municípios Nunca é demais lembrar que a autonomia municipal no Brasil antecede à própria autonomia dos Estados Federados, porém os Municípios só foram elevados à categoria de entes federados com a atual Constituição Federal. Em estudo comparativo interno e externo verificamos que, dentre os países que adotam sistemas federativos, poucos elevam o município à altura federativa e, dentre os que o fazem, em menor número ainda, ou talvez mesmo nenhum nenhum ousou conferir à autonomia municipal o grau culminante registrado no Brasil. O federalismo tridimensional brasileiro institucionalizado pela CF/88, no dizer de Paulo Bonavides, não encontra paralelo "em qualquer outra forma contemporânea de organização do Estado" (BONAVIDES, 1994, p. 322). Mas o fato de o município fazer parte do pacto federativo, esbarra em uma dificuldade, qual seja, a de que os municípios não participam da formação da vontade federal, como o fazem os Estados Federados e o Distrito Federal por meio da eleição de representantes para o Senado Federal. A autonomia municipal pode ser verificada no texto da Constituição Federal de 1988 da seguinte maneira: a) auto-organização, no art. 29, caput, prevendo que são regidos por meio de Leis Orgânicas próprias, embora o Município não tenha um poder constituinte municipal; b) autogoverno, previsto no art. 29, I e II (Poder

Executivo, sendo que o Prefeito passou a poder ser reeleito para um período subseqüente, conforme disposto na nova redação do § 5º, art. 14, CF/88, dadas as modificações operadas pela Emenda Constitucional nº 16/97, a qual prevê segundo turno nas eleições para aqueles municípios onde a maioria não seja alcançada no primeiro turno, desde que tenham mais de 200 mil eleitores) e no art. 29, IV (Poder Legislativo), sendo que não possui o Poder Judiciário, sendo a função jurisdicional prestada pelo Poder Judiciário Estadual; c) auto-administração, significando a possibilidade de prestação e manutenção de serviços de interesse local, como por exemplo o serviço de coleta de lixo, ou o de limpeza urbana. Apenas duas observações quanto aos cargos máximos do Poder Executivo dos Municípios. Em primeiro lugar, observamos que os Prefeitos Municipais desfrutam de privilégio de foro, cabendo ao Tribunal de Justiça do Estado respectivo, conforme o art. 29, VIII. Mas tal prerrogativa não atinge os Vice-Prefeitos. A segunda observação é chamar a atenção para as alterações que sofreu o art. 29, inciso V da Constituição pelo texto da Emenda Constitucional nº 19/98, no que se refere à remuneração, passando a dizer que os "subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais" serão fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 150, III, e 153, § 2, I. Quanto à fixação da remuneração dos membros do Poder Legislativo Municipal, também o inciso VI do mesmo artigo acima visto foi modificado, dizendo que os subsídios dos Vereadores será fixado por lei de iniciativa da Câmara Municipal, na razão de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Estaduais, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. Importa ressaltar, também, que o número de edis (vereadores) é definido pela Constituição para cada Município, proporcionalmente ao número de habitantes, fixando um mínimo de nove e um máximo de cinqüenta e cinco vereadores (art. 29, IV). Quanto às garantias constitucionais, os vereadores são invioláveis (art. 29, VI), mas não imunes, ou seja, não desfrutam da imunidade que alcança os Deputados Estaduais e os Deputados Federais. São invioláveis por opiniões, palavras e votos no exercício do mandato proferidos na área territorial de sua circunscrição municipal, mas não fora dela. As proibições e incompatibilidades a que são submetidos são similares às impostas aos parlamentares estaduais e federais, mas como são desprovidos da imunidade, são processáveis em juízo, por crimes comuns, independentemente de autorização da respectiva Câmara Municipal de Vereadores. Atualmente existem no Brasil 5.507 Municípios, os quais não devem ser confundidos com as Comarcas, que fazem parte da divisão

judiciária. Pela regra do art. 18, § 4º da Constituição Federal é admitida a criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios, o que deverá ser feito por lei estadual, dentro de período determinado por lei complementar federal, e dependerá sempre de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. Importa ressaltar que este parágrafo 4º sofreu duas modificações pela Emenda Constitucional nº 15/96, quais sejam, a lei complementar referida antes era estadual e não federal, e a exigência de realização de prévios estudos sobre a viabilidade municipal. Esta última alteração foi feita para evitar a proliferação desenfreada de Municípios para depois constatar-se que os mesmos não têm condições de manteremse economicamente. Basta vermos que, dos mais de 5.500 municípios hoje existentes no País, em torno de 1.600 apareceram nos últimos dez anos, ou seja, após a promulgação da Constituição Federal. E a primeira modificação indicada foi realizada para fazer jus ao fato de o Município ser ente federativo, pois se compõe a Federação é natural que uma lei complementar que fixe regras gerais sobre sua existência ou transformação deva ser federal, e não estadual. 4. Dos Bens E Da Repartição De Competências PolíticoAdministrativas E Legislativas Entre As Entidades Federativas Nesta parte há que se atentar para a peculiaridade de que primeiro a Constituição Federal apresenta os bens de cada unidade federada, para depois oferecer as respectivas competências. 4.1 Bens e domínio públicos Bens públicos são aqueles que pertencem à União, ao Distrito Federal, aos Estados Federados e aos Municípios. Em sentido amplo, bens públicos são todas as coisas, corpóreas ou incorpóreas, imóveis, móveis ou semoventes, créditos, direitos e ações, que pertençam a qualquer título, às entidades estatais, autárquicas, fundacionais. Todos os bens públicos são nacionais, podendo ser federais, estaduais ou municipais. A administração e a proteção desses bens cabe unicamente ao Poder Público, podendo valer-se dos meios administrativos e judiciais comuns e especiais para a garantia da propriedade e a defesa da posse. No conceito de administração de bens, normalmente compreende-se o poder de utilização e conservação das coisas administradas e, em sentido amplo, também a alienação dos bens que se revelarem inúteis ou inconvenientes ao domínio público, e a aquisição de novos bens, necessários ao serviço público. O conjunto de bens sujeitos ou pertencentes ao Estado, decorrente da soberania, constitui o domínio público. A expressão ora significa o

poder que o Estado exerce sobre os bens próprios e alheios, ora designa a condição desses bens, ou ainda pode designar o regime a que se subordina esse complexo de coisas afetadas de interesse público. Vale lembrar que os bens públicos apresentam as características da imprescritibilidade (é conseqüência lógica de sua inalienabilidade originária: se os bens públicos são originariamente inalienáveis, segue-se que ninguém pode adquiri-los enquanto guardarem essa condição, daí não ser possível a invocação de usucapião sobre eles), da impenhorabilidade (decorre do preceito constitucional que dispõe sobre a forma pela qual serão executadas as sentenças judiciárias contra a Fazenda Pública, sem permitir a penhora de seus bens, admitindo, no entanto, o seqüestro da quantia necessária à satisfação do débito, conforme CF/88, art. 100) e da não-oneração (a não possibilidade de oneração dos bens das entidades estatais, autárquicas e fundacionais decorre da inalienabilidade e da impenhorabilidade). Os bens da União vêm definidos no art. 20, I, inicialmente por sua própria definição, pois diz a Constituição que são os que "atualmente lhe pertencem" e os que lhe vierem a ser atribuídos. Após, enumera mais dez incisos nomeando os bens da União, como por exemplo "as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios" (inciso XI), terras essas das quais os índios possuem a posse permanente. Os bens dos Estados Federados são determinados (embora de maneira não taxativa) no art. 26 da Constituição Federal. E os bens dos Municípios são determinados por exclusão, ou seja, serão aqueles que não pertencerem à União, aos Estados Federados ou a terceiros. Esse regime de divisão de bens pode, na prática, gerar situações um tanto estranhas, como por exemplo em relação ao solo e ao subsolo, em que o subsolo pertence à União, assim como o direito de explorar as riquezas minerais, mas o solo pertence ao Município. Neste caso, conforme Ives Gandra Martins cabe, portanto, à União, respeitar a propriedade do solo que pertence ao município para fins de não degradá-lo quando da exploração do subsolo (não afetar a riqueza do solo, nem a paisagem, nem o meio ambiente).

4.2 O sistema constitucional brasileiro de repartição de competências Mas afinal o que é competência? A competência corresponde à possibilidade jurídica de emitir decisões e legislar. Na repartição de competências está a essência do princípio federal, diz Rosah Russomano, afirmando que a mesma pode ser competência horizontal (quando o Estado Federal insere "estas ou aquelas

§ 3º. que também não o seja municipal ou federal. 4. A competência exclusiva dos Estados Federados aparece nos artigos 18. que a competência vertical engloba também o Distrito Federal e os Municípios.1 Competência Exclusiva É aquela que não admite delegação. p. § 1º.2 Competência Privativa É aquela que. assim se dá a atual repartição de competências: 4. no entanto. A competência que é exclusiva dos Municípios está determinada no art. § 3º.2. por exemplo.2. pela disposição constitucional atual. tudo quanto concerne ao País em sua totalidade. 21. A da União. a competência é definida em razão do interesse predominante! Assim: à União competem as matérias de interesse nacional. Não podemos nos olvidar. por fim. ou seja. e 25. Sempre. Em todo o caso. delimitando as suas próprias fronteiras normativas) ou competência vertical (quando o Estado Federal distribui igual matéria legislativa entre União e Estados Federados).2. a competência que é exclusiva do Distrito Federal está positivada no art. admite delegações. 22. 30. 1997. sendo que pelo seu § Único pode ser delegada por lei complementar aos Estados Federados (e tão somente a eles). sendo que em relação à segunda modalidade de competência o Estado fixa o que se chama "condomínio legislativo" (RUSSOMANO. 32. A competência exclusiva da União está prevista nos 25 incisos do art. em nosso regime constitucional atual. É o que acontece quando os Estados Federados recebem uma competência a partir do disposto no . aos Estados Federados competem as matérias de que se vinculam a seu próprio território e de interesse predominantemente regional e aos Municípios as de interesse local. E.3 Competência Delegada Ocorre quando a entidade recebe sua competência por delegação daquela que a tem originariamente. Mas é bem verdade. e aqui acolhemos uma crítica efetuada por José Afonso da Silva. sendo atribuída a uma entidade com exclusão das demais. que cada vez está mais difícil e mais problemático discernir o que seja um interesse apenas estadual. enumerada como própria de uma entidade. 4.matérias no âmbito de atuação desta ou daquela entidade federada". 93-94). está prevista no art. por exemplo. abrangendo obviamente o domínio das suas relações externas.

Sendo o Brasil uma Federação formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal. com . os Estados Federados e o Distrito Federal. 24. em que os traços básicos. é o complexo de funções estatais básicas. de 4 de junho de 1998. em sentido formal. devido à descentralização territorial político-administrativa. Entretanto. que assegura autonomia políticoadministrativa aos entes federados.5 Competência Concorrente É aquela utilizada em setores concorrentes. Princípios Constitucionais Regentes Da Administração Pública Como Função Do Estado Antes de iniciarmos o tratamento dos princípios constitucionais informativos das atividades da Administração Pública. que são termos que andam juntos e muitas vezes confundidos. meramente administrativa. 23. Já Administração Pública. em sentido material. desde que não contrariem a espécie normativa federal. 4. visto acima. sofreu recentemente várias e profundas modificações pela Emenda Constitucional nº 19/98. deixando de fora os Municípios! 5. algumas palavras sobre Governo e Administração. em cada um deles. Daí a partilha de atribuições entre a União.2. em sentido material. E. soberania e de manutenção da ordem jurídica vigente. mas expressam conceitos diversos. o comando da administração ao respectivo chefe do Poder Executivo. as linhas gerais devem ser estabelecidos através do Poder Legislativo da União. a sua administração corresponde. é expressão de comando. é o conjunto de Poderes e órgãos constitucionais. é o conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do Governo. 22. em sentido formal. convém registrarmos que o Capítulo VII da Constituição. A Organização Administrativa brasileira mantém estreita correlação com a estrutura do Estado e a forma de governo adotadas. Estados Federados. pelo que aconselhamos pesquisa atenta e estudo comparativo entre o texto constitucional original e o reformado.§ Único do art. justamente o que se refere à Administração Pública. Distrito Federal e Municípios têm atuação paralela e concomitante em áreas gerais. os Estados Federados e os municípios cabendo. frisamos que engloba apenas a União. há também uma descentralização institucional. 4.2. em pé de igualdade. pela qual União. competindo aos Estados Federados e ao Distrito Federal suprir as lacunas existentes na lei. estruturalmente a esses postulados constitucionais. Governo. Prevista no art. para começarmos. é o conjunto das funções necessárias aos serviços públicos em geral.4 Competência Comum É aquela prevista no art.

bem como norteia entidades e órgãos (estrutura). Segundo o Princípio da Moralidade o ato e a atividade da Administração Pública devem obedecer não só à lei. 37. e com os cidadãos. por mínima que seja. em toda sua atividade. e ainda assim. até prova em contrário (presunção juris tantum ou relativa. é a Administração Pública que aparece como sujeito de direitos porque é ela que aplica a lei aos casos concretos para a consecução imediata das necessidades coletivas. Ainda pelo Princípio da Legalidade. dos Estados. mas à própria . moralidade. diversamente da área privada. impessoalidade. Não possui ela o mesmo grau de liberdade de ação que os administrados. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. dentro da organização estatal. o interesse público informa todo o sistema jurídico-administrativo. CF/88. Por outro lado.. "e". que admite prova em contrário). Se a lei nada dispuser. edita atos e celebra contratos. É determinação constitucional que a instituição e a alteração da estrutura da Administração Pública só podem ser feitas por Lei. publicidade. sob pena de invalidade do ato e responsabilidade de seu autor. os quais podem tudo fazer desde que não exista vedação legal. Pelo Princípio da Legalidade a Administração Pública. eficiência [. de qualquer dos Poderes da União. Tanto a Administração Pública quanto seus agentes estão sujeitos. já que tem que ser sempre impessoal quanto aos beneficiários de sua atividade. aos mandamentos da lei. O interesse público constitui limitação à atuação administrativa. públicas ou privadas. Pois bem.distribuição de funções públicas e de interesse coletivo a entes Autárquicos e Paraestatais. aos cidadãos em geral. criando relações jurídicas com outras pessoas. Ela é que presta serviços.]" (grifamos). deve obedecer aos princípios constitucionais previstos no art. incentiva. deles não podendo se afastar. Pelo Princípio da Impessoalidade tem-se que a atividade administrativa deve ser destinada a todos administrados. quando e como autorizada. da Constituição Federal de 1988. para essas finalidades. É um campo de ação bem menor que o do particular. Qualquer ação estatal só pode ser feita se autorizada por lei. não pode a Administração Pública agir. sem discriminação de qualquer natureza. salvo situações excepcionais. conforme o disposto no art. E ocorre que qualquer atividade que realize. 61. agentes públicos (pessoas físicas) e atividades públicas (funções a serem desempenhadas). na tarefa de realizar os fins desejados pelo Estado. in verbis: "A administração pública direta e indireta. os atos administrativos presumem-se verdadeiros e conformes ao Direito.. fiscaliza e intervém e. fica integralmente submetida à norma legal. não por decretos ou outro ato infralegal. caput. § 1º.

Modificações Introduzidas Pela Reforma Constitucional Administrativa De 1998 A Emenda Constitucional nº 19/98. trata-se aqui dos Crimes de Responsabilidade. A Administração Pública E Os Servidores Públicos Civis E Militares. como o Princípio da Finalidade. A moralidade administrativa está ligada ao conceito do bom administrador. não vamos exaurir o assunto. sem prejuízo da ação penal cabível. § 4º. Lei nº 4. que é aquele que faz o melhor e o mais útil para o interesse público. a perda da função pública. Enfim. . os atos de improbidade administrativa importam suspensão dos direitos políticos. que impõe à Administração Pública apenas a prática de atos voltados para o interesse público. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. explicando a vedação de greve aos militares (art. Ato que favorece ou persegue interesses particulares é nulo por desvio de finalidade. 6. Por fim. conforme a Lei da Ação Popular. introduzido que foi pela Emenda Constitucional nº 19/98. aplicando a relação custo-benefício. o Princípio da Eficiência. também ditos Crimes Políticos. 42. embora sem previsão diretamente constitucional. o Princípio da Moralidade Administrativa significa que a conduta do administrador ou do servidor público deverá ser de acordo com a moral social. por meio da qual foi realizada a Reforma Constitucional Administrativa. 37. porque não param os anseios da coletividade. que ainda está por ser regulamentada. sobretudo a partir dos avanços ou retrocessos ocasionados em tal seara pela referida Emenda Constitucional. na Administração Pública. CF) e a demora histórica na permissão do direito de greve aos servidores civis. Pelo Princípio da Publicidade é obrigatória a divulgação oficial dos atos praticados pela Administração Pública. Todo o ato administrativo deve ser publicado porque pública é a Administração que o pratica. pelo qual os serviços públicos não podem parar. os desejos dos administrados são contínuos e a atividade da Administração Pública é ininterrupta. o que acabou por afetar também algumas cláusulas constitucionais que regiam a organização e o funcionamento dos três Poderes. Pelo art.717/65. Existem outros princípios que norteiam a atuação da Administração Pública. CF/88. com o intuito de a Administração Pública buscar resultados satisfatórios em suas atividades com o menor custo possível. provocou inúmeras modificações no seio da organização administrativa do Estado Federal como um todo. que é novidade em nosso Direito Constitucional Administrativo. § 5º. Dada a extensão da matéria a respeito dos servidores públicos.moral. Há também o Princípio da Continuidade. apenas elencaremos alguns tópicos que julgamos mais importantes.

condições e percentuais mínimos previstos em lei. A acumulação remunerada de cargos. sendo que para os dois casos (funções de confiança ou cargos em comissão) o exercício somente poderá ser nas atribuições de direção. e em maior número no Executivo. A inovação acarretada pela Emenda Constitucional no inciso em comento foi a inserção da ressalva de que os concursos públicos serão realizados "de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego. contando também com a inclusão em seu texto de mais três parágrafos (7º. Para qualquer caso. na forma prevista em lei". 50/113). Entretanto. onde foram introduzidas duas importantes regras: uma dizendo que as funções de confiança são exercidas exclusivamente por servidores que ocupem cargos efetivos. a fim de seja arquivada no Serviço de Pessoal.São servidores públicos todos os que mantêm com a Administração Pública. da CF/88.429/92. uma relação de trabalho de natureza profissional e perene. é ilegal se ocorrer sem motivação (STF. ressalvados os cargos em comissão. contanto que haja disponibilidade de horários. A Emenda Constitucional nº 19/98 estendeu. 37 da CF/88 teve vários incisos modificados. No inciso V do art. Pelo art. que trata do enriquecimento ilícito. como a avaliação sigilosa de conduta do candidato. permitindo-a expressamente quanto: . nos casos. Em termos penais são considerados "Funcionários Públicos". empregos e funções públicas é proibida. 37. 37. chefia e assessoramento. Antes de continuarmos é preciso ressaltar que o art. II. no Judiciário. outra dizendo que os cargos em comissão são preenchidos por servidores de carreira. Em face do art. Existem no Legislativo. a própria Constituição Federal. 37. CF temos a previsão da obrigatoriedade de concurso público para ingresso no serviço público. 13 da Lei 8. abriu algumas exceções à regra de não-acumulação. na forma da lei. a posse e o exercício de agente público ficam condicionados à apresentação de declaração de bens e valores (cujo conteúdo deve ser constantemente atualizado). sob um regime de dependência. XVI e XVII. entende o Supremo Tribunal Federal que a exclusão ou reprovação em concurso público com base em critério subjetivo. empregos e funções públicas também aos estrangeiros. no inciso I do art. conforme o inciso VIII do art. os cargos. 37. CF). reconhecendo a conveniência de melhor aproveitamento da capacidade técnica e científica de determinados profissionais. 37 fez-se uma modificação referente às funções de confiança e cargos em comissão. Devemos observar ainda que a reserva de percentual de cargos para as pessoas portadoras de deficiência não afasta da exigência de caráter geral relativa ao concurso público. tanto na Administração Direta quanto na Indireta (art. RDA. 8º e 9º).

no entanto. A estabilidade é uma garantia constitucional de permanência no serviço público outorgada ao servidor que. dever-se-á observar o disposto no inciso XI do mesmo art. remuneração. Em qualquer dos casos permitidos. da Câmara dos Deputados e do Senado Federal (Poder Legislativo) e do Supremo Tribunal Federal (Poder Judiciário). 37. 37. De acordo com as mudanças ocasionadas pela Emenda Constitucional nº 19/98 no inciso XVII do art. o teto máximo remuneratório. passando a incluir também "subsidiárias" das sociedades de economia mista e "sociedades controladas. aos limites decorrentes da Constituição Federal. tenha transposto o estágio probatório de três anos. da Administração direta. direta ou indiretamente. foi previsto no art. A partir disso. não pela modificação dos cargos. além de as possíveis irregularidades atualmente existentes necessitarem correção. a Constituição Federal declarou estáveis. que não poderá ser ultrapassado com a soma das remunerações dos dois cargos acumulados. De forma excepcional. pelo poder público". c) a dois cargos privativos de médico. 48. tenha transposto três anos de efetivo serviço (CF/88.a) a dois cargos de professor. Salientamos que o teto. autárquica e fundacional públicas. ninguém dentre os agentes públicos poderá perceber mais do que um Ministro do Supremo Tribunal Federal. XI. Ou seja. vencimentos. técnico ou científico. nomeado por concurso para cargo de provimento efetivo. a partir da sua promulgação. foram ampliadas as possibilidades de proibição de acumulação. dos Estados. ou seja. dependendo a fixação do mesmo de lei de iniciativa conjunta dos chefes máximos dos Poderes: dos Presidentes da República (Poder Executivo). em exercício na data de 5/10/88. 41. 29 da Emenda que os subsídios. art. diz o art. quando de sua promulgação. os servidores públicos civis da União. há pelo menos 5 anos . inciso XV. e consiste no subsídio fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal. do Distrito Federal e dos Municípios. b) a de um cargo de professor com outro. mas pelo aumento do rol dos entes onde os agentes públicos detêm cargos públicos. ou seja. 37. ou seja. As principais modificações introduzidas pela Emenda Constitucional nº 19/98 no tocante à remuneração dos servidores e agentes públicos dizem respeito aos "subsídios" e ao "teto salarial". conforme art. proventos da aposentadoria e pensões e quaisquer outras espécies remuneratórias deverão adequar-se. aquele limite remuneratório que deverá valer para todo e qualquer agente público da República Federativa do Brasil. caput). não se admitindo a percepção de excesso a qualquer título.

existe uma terceira hipótese. 95. outra regra que diz respeito à estabilidade é a que assegura o prazo de dois anos de efetivo exercício para aquisição da estabilidade aos atuais servidores em estágio probatório. de 3/5/95 que até que surja tal lei complementar (lei "específica". por ser um princípio desnecessário ao serviço público. 19. na forma de lei complementar.480. CF (conforme o disposto no art. mas de forma a permitir a perda do cargo pelo servidor público estável. 39 instituiu o "regime jurídico único e planos de carreira" para os servidores civis da Administração Direta. aos Ministros do Tribunal de Contas da União (art. I. pelo texto atual pós Emenda Constitucional nº 19/98). Autárquica e Fundacional. após a reforma. 41 da CF/88 (conforme o disposto no art. compensação ou cômputo para fins de contagem de tempo de serviço ou de qualquer vantagem que o tenha por base. são aqueles investidos em caráter perpétuo no cargo. Na redação original da Constituição de 1988 o seu art. 37. sendo-lhe exigida uma "avaliação especial de desempenho por comissão instituída para essa finalidade" (§ 4º do art. temos que as principais modificações efetivadas pela Reforma Administrativa no que diz respeito à estabilidade e ao estágio probatório foram: o estágio probatório que era de dois anos passou a ser de três. diz o Decreto nº 1. 128. a estabilidade não lhe será conferida automaticamente. VII. Assim. vem sendo vedada nos textos constitucionais. . a Constituição continua a garanti-la após a Emenda Constitucional que realizou a Reforma Administrativa. 37. 28 da Emenda). ADCT). Quanto ao direito de greve. qual seja. 41). 247 e seu Parágrafo Único. na União. ordinária portanto. § 3º) e aos membros do Ministério Público (art. na hipótese de insuficiência de desempenho. "a"). Mas isto já é passado! Quanto à estabilidade nos dias atuais. e que não tivessem sido admitidos na forma regulada no art.continuados. "mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho. foram ampliadas as possibilidades de servidor estável perder o cargo. o que somente se dará mediante processo administrativo em que lhe sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa. acrescentado à Constituição pela Emenda Constitucional nº 19/98. Mas a vitaliciedade. as faltas decorrentes da participação de servidor público federal em greve não poderão ser objeto de abono. 73. Pela mesma Emenda. mesmo o servidor tendo cumprido os três anos de efetivo exercício. assegurada ampla defesa" (inciso III do § 1º do art. o que antes da reforma só se daria em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou mediante processo administrativo em que lhe fosse assegurada ampla defesa e. previsto no art. sendo que a CF/88 só a concede aos Magistrados (art. 41). conforme o disposto no art. Quanto aos servidores vitalícios. sem prejuízo da avaliação a que se refere o § 4º do art. I). § 5º.

114. insalubres ou perigosas (CF art. deveres e direitos dos servidores. a Administração deve sempre ter em vista o interesse coletivo na obtenção dos serviços públicos. adicionais. mas na imposição dos deveres e na concessão dos direitos. nos vencimentos. ou não. das Autarquias e das Fundações Públicas Federais está consubstanciado na Lei nº 8. Entende. a serem observados pelos estatutos das entidades estatais e de seus desmembramentos autárquicos e fundacionais. o administrativista Hely Lopes Meirelles reconhece que tal não condiz com a realidade. salário-família para os seus dependentes. A par destes existem outros direitos decorrentes da função pública. embora não se cuida de pura extinção do regime até então aplicado. em seu art. consubstanciando-se no exercício do cargo. o Regime Jurídico dos Servidores Civis da União. em seu art. § 2º) estendeu diversos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais aos servidores públicos civis. adicional de atividades penosas. 39. garantia de salário.112/90. a situação prática pode parecer um pouco confusa. remuneração do trabalho noturno superior à do diurno. O regime estatutário existente. 39) não o exige mais. Quanto aos direitos a CF/88 (art. Distrito Federal e Municípios. por lei. irredutibilidade do salário (garantia que. planos de carreira. ainda. Apesar de a Constituição Federal. os agentes são servidores do público. assim. que dispõe preceitos sobre o ingresso no serviço (por concurso público).Estados. antes do advento da Constituição Federal de 1998. 13º salário. estão os mesmos detalhadamente estabelecidos na Constituição Federal (muitos dos quais já vimos acima). combinado com o art. caput. que as reivindicações de servidores públicos não-regidos pela . nunca inferior ao mínimo. tendo o tornado de opção facultativa para a Administração Pública. só era assegurada aos magistrados). investiduras em cargos em comissão e funções de confiança e. ampliando suas vantagens. vale dizer. Especificamente quanto aos direitos e deveres dos servidores. § 2º. casos de contratação por tempo determinado. o que significa ter afastado o regime trabalhista até então utilizado por algumas Administrações para a contratação de seu pessoal para certas atividades. dizer que compete à Justiça do Trabalho conciliar e julgar reivindicações dos servidores públicos. licenças. XXIII). Os direitos foram detalhados. gratificações. férias. para os que percebem remuneração variável. não permitindo que outros lhes sejam acrescentados: salário mínimo. já que se faculta à administração a sua adoção. etc. etc. forma e limites de remuneração. pois o tratamento legal aplicável aos mesmos é muito específico e diferente da legislação aplicada aos trabalhadores urbanos e rurais. Mas como a Reforma Administrativa (Emenda Constitucional nº 19/98. 39. aposentadoria. 7º. excluídas desse regime as empresas públicas e as sociedades de economia mista.

resulta da subordinação hierárquica e assenta no princípio disciplinar. como requisitos para o bom desempenho de seus encargos e regular funcionamento dos serviços públicos. pelo qual o servidor está obrigado a cumprir as ordens legais. Se fundamentados na CLT. que são a matriz dos demais. Pleno. parece-nos que os servidores passam a ter o dever da competência. diz o art. 42. o zelo. do Distrito Federal ou dos Municípios. o decoro. Quanto aos servidores públicos militares. nessa . Quanto aos deveres dos servidores públicos. E agora. impedindo que o mesmo atue contra os fins e os objetivos legítimos da Administração Pública. a competência é da Justiça do Trabalho. a dignidade. a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear a atuação do servidor público. 7º do Decreto nº 2. Quanto à aposentadoria. bem como o das respectivas autarquias e fundações. Territórios e Distrito Federal os integrantes de suas polícias militares e de seus corpos de bombeiros militares".172/97 estipula: "O servidor civil ou militar da União. dos Estados. e a filiação partidária enquanto em efetivo serviço. O art. 11.93. caso contrário. Outros deveres são comumente especificados nos estatutos. o de conduta ética (decorre do princípio constitucional da moralidade administrativa (inovação da Constituição Federal de 1988) e impõe ao servidor público a obrigação de jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. o de obediência (impõe ao servidor o acatamento às ordens legais de seus superiores e sua fiel execução. ensejadora de demissão . E assim têm entendido os tribunais: "a causa de pedir e o pedido" definem a competência.desligamento compulsório do serviço público). sendo que o nãocumprimento destas. os estatutos modernos lhes impõem uma série de deveres. que lhes proíbem. pois se assim agisse incorreria em infidelidade funcional. Em relação a eles gostaríamos de destacar apenas o conteúdo dos §§ 5º e 6º do art. nº 1. vindo do sistema inglês. respectivamente. da Justiça Comum (STF. é excluído. da CF/88: "São servidores militares federais os integrantes das Forças Armadas e servidores militares dos Estado.10. 42. e Súmula 97). mas já se acham compreendidos nos deveres de fidelidade e obediência. ou o cumprimento de ordens ilegais acarretalhe responsabilidade disciplinar e criminal). Salientam-se os deveres de lealdade ou de fidelidade (exige de todo servidor a maior dedicação ao serviço e o integral respeito às leis e às instituições constitucionais. a sindicalização e a greve.171/94). após a inclusão do princípio da eficiência dentre os que regem toda a atuação da Administração Pública por força da Emenda Constitucional nº 19/98.Consolidação das Leis Trabalhistas devem ser julgadas na Justiça Comum. os servidores públicos estão sujeitos a outro regime Previdenciário que não o Regime Geral da Previdência Social. De acordo com o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil Federal (Dec.

II. para o qual os servidores recolhem contribuição enquanto segurados. ou se tornaram incapacitados para suas funções. e não mais ao tempo de serviço. para depois dizer. de 15 de dezembro de 1988. 40. art.condição. 40. 40 inverteu a ordem das duas modalidades de proventos.. Aposentadoria é a garantia de inatividade remunerada reconhecida aos servidores que já prestaram longos anos de serviço com paralela contribuição. Regra geral. "b". E o regime próprio a que pertencem é o Plano de Seguro Social de Servidor. três espécies de aposentadoria: por invalidez permanente. II. 40. c) voluntária: prevista no art. § 1º. contagiosa ou incurável. aos 65 anos de idade para homens e aos 60 para mulheres. e proporcionais nos demais casos). para além disso. passou a ter proventos proporcionais à contribuição. especificadas em lei. Assim: a . combinando os requisitos de idade e tempo de contribuição. iniciando pela regra de que os "proventos são proporcionais ao tempo de contribuição". 40. desde que esteja sujeito a regime próprio de previdência social". os proventos serão integrais. após 30 anos de efetivo exercício de magistério para homens e 25 para mulheres. CF/88 (sendo os proventos integrais quando decorrentes de acidente em serviço. Mas ocorre que esta matéria toda sofreu profundas modificações por conta da Emenda Constitucional Nº 20/98. em seu texto original. I. após 30 anos de serviço para homens e após 25 anos para as mulheres. "d". art. na seqüência. como sucedia antes. do art. com proventos integrais. Agora as possibilidades vigentes são aquelas que partem de um tempo mínimo de efetivo exercício no serviço público. com proventos integrais. com as seguintes modificações: a) por invalidez: agora a Constituição especifica que a proporcionalidade (cabível nas mesmas hipóteses anteriores à Reforma) é relativa ao tempo de contribuição. com proventos proporcionais ao tempo de serviço) e voluntária. do Regime Geral de Previdência Social-RGPS [. mais conhecida como Emenda da Reforma Previdenciária. art. III. § 1º.. agora passa a ser fixada por apenas dois critérios. o inciso I do § 1º. os três tipos ou espécies de aposentadoria continuam a existir. moléstia profissional ou doença grave.]. CF/88 (quando requerida pelo servidor após 35 anos de serviço para homens e após 30 anos de serviço se mulher. A Constituição Federal de 1988 estabelecia. "a". compulsória. 40. b) compulsória: agora prevista no art. III. com proventos proporcionais ao tempo de serviço). e não mais por três. CF/88 (aos 70 anos de idade. que nos casos de exceção. com proventos proporcionais ao tempo de serviço. O critério que não existe mais é aquele que possibilitava a aposentadoria voluntária unicamente por tempo de serviço. e isto quer dizer que tampouco estes dois critérios possam ser aplicados de maneira isolada. porém. "c". após a Emenda Constitucional Nº 20/98.

III.aposentadoria do tipo voluntária que se dava apenas pelo critério do tempo de serviço. do Distrito Federal e dos Municípios. Transcrevemos. observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo" (. se homem. garantia que continua mantida. em relação ao disposto no § 1º.).) § 5º Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos. que a Constituição Federal (na redação antiga: art. E também não existe mais a possibilidade de aposentadoria pela soma apenas dos critérios idade e tempo de serviço. originariamente. calculados os seus proventos a partir dos valores fixados na forma do § 3º: (. porém com modificações efetuadas pela Emenda Constitucional nº 20/98: a partir dela a garantia não . abaixo. § 2º) assegurava.. com proventos integrais ou proporcionias a esse tempo. dos Estados. a. o leitor possa ter maior clareza das mudanças ocorridas especificamente quanto à aposentadoria voluntária. 40: "Aos servidores titulares de cargos efetivos da União. Note-se. o novo texto constitucional. b) sessenta e cinco anos de idade.. sua situação não se alterará pela edição de lei modificadora. 202. ainda. Art. também modificaram-se as regras relativas à aposentadoria de professores. se mulher. é assegurado regime de previdência de caráter contributivo. conforme decisão reiterada do Supremo Tribunal Federal. e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição. se homem. desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria.voluntariamente. A despeito das modificações ocorridas. o direito à aposentadoria.. e sessenta anos de idade.). (. de modo que. para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio". a contagem recíproca do tempo de atividade privada e pública para efeitos de aposentadoria. § 1º "Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de que trata este artigo serão aposentados. se mulher. com proventos proporcionais ao tempo de contribuição. adquire-se com o preenchimento dos requisitos exigidos pela lei da época. se o servidor não a requereu na vigência desta. não existe mais... incluídas suas autarquias e fundações. Em função disso. com estas explicações. III . para que. observadas as seguintes condições: a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição..

por empresas privadas e particulares individualmente (concessionários. 40. 21. Em quaisquer dos últimos casos. segundo critérios estabelecidos em lei". arts. a indenização devida em decorrência da atividade legítima do Poder Público. 7. 202. rural e urbana. previsto no inciso XI do art. desse modo. § 5º. 37 da Constituição Federal. por meios de entes paraestatais de cooperação que não compõem a Administração Direta nem a Indireta (serviços sociais autônomos e outros) e. fundações públicas. empresas públicas e sociedades de economia mista). de ressarcir os danos causados a terceiros por suas atividades. ou. sendo desta responsabilidade que trataremos a seguir. a responsabilidade civil do Estado pode ser entendida como sendo a obrigação legal. a atuação dos particulares sempre dá-se mediante regulamentação e controle do Poder Público. hipótese em que os diversos regimes de previdência social se compensarão financeiramente. 201. não abrangendo. correspondendo o benefício à totalidade dos vencimentos ou proventos do servidor falecido ou ao valor dos proventos a que teria direito o servidor em atividade na data de seu falecimento. conforme o texto constitucional: "Para efeito de aposentadoria. em sua redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98. conforme CF/88. XII e 175). Por fim. tendo sido o tempo de serviço substituído pelo tempo de contribuição. que estava previsto no art. 40. os prestadores de serviços públicos respondem diretamente pelos danos que vierem a causar a terceiros (art. O direito à Pensão por Morte. relembramos a existência do teto remuneratório a todos aqueles que percebem remuneração da Administração Pública (direta ou indireta. § 6º). Tradicionalmente. é assegurada a contagem recíproca do tempo de contribuição na administração pública e na atividade privada. através das entidades autárquicas.1 Responsabilidade civil do estado No contexto colocado anteriormente. E.está mais prevista no § 2º do art. o qual também deve ser observado no que se refere à percepção de proventos de inatividade. mas sim no § 9º do art. de . 37. autárquica ou fundacional). pela CF/88. de requisição. ou prestá-los descentralizadamente. compreende a reparação dos danos causados pelos atos ilícitos. como sucede nos casos de desapropriação. finalmente. 7. que lhe é imposta. por meio dos órgãos da Administração Direta. está agora previsto em seu § 7º. Responsabilidades Das Pessoas Jurídicas Públicas E Dos Agentes Públicos O poder público pode realizar centralizadamente seus próprios serviços. ainda. fundacionais e paraestatais que integram a Administração Indireta (autarquias. permissionários e autorizatários. conforme disposição expressa do § 11 do art.

Atualmente. Significa. o dever de indenizar não se sujeita ao elemento subjetivo. que a vítima fica dispensada de provar a culpa da Administração. contudo. à consideração de falha da máquina administrativa. Como elementos. em sentido lato. Segundo o sistema objetivo.execução compulsória de medidas sanitárias. é a diminuição ou subtração de um bem jurídico) e o nexo de causalidade material (entre o ato administrativo . a teoria da responsabilidade objetiva do Estado. A grande novidade da CF/88 foi estender essa responsabilidade às pessoas de direito privado prestadoras de serviços públicos (empresas concessionárias. que se cogitar de responsabilidade do Poder Público se a vítima da lesão não comprovar o nexo causal entre o serviço público e o prejuízo sofrido. subconcessionárias. O risco administrativo (fundamento constitucional da responsabilidade civil na espécie) não significa. Nada mais. pela qual correu a despersonalização da culpa. para satisfazer necessidades sociais de progresso e bemestar. sem se indagar se o ato ou omissão (atividade comissiva ou omissiva) de agente administrativo provém do jus imperii ou do jus gestionis. nas quais o Estado estaria livre de qualquer reparação mesmo quando danosos aos súditos) e os de gestão/jure gestionis (funções facultativas. através da citada regra constitucional. permissionárias. uma vez que ambos são formas da atuação administrativa. pelo anonimato do agente. Neste assunto atualmente vige a teoria publicística da responsabilidade do Estado. que a Administração deva indenizar sempre e em qualquer caso o dano sofrido pelo particular. nenhum escritor autorizado contesta a responsabilidade do Estado pelos atos de seus representantes estando até mesmo nas legislações o princípio da irresponsabilidade superado (EUA e Inglaterra foram os últimos países a abandoná-la. não fica na dependência da comprovação da culpa do agente. segundo a jurisprudência. agindo como gestor de interesses coletivos). passando a compreender também os danos injustos causados por uma atividade lícita da Administração. transformando-a. em 1946 e 1947). além das empresas públicas e das sociedades de economia mista). Há consenso dos autores e também na jurisprudência quanto a entender que o Direito brasileiro adotou. apenas requer-se o dano sofrido pelo particular (dano. Não há. Substituiu-se a culpa civilística (não bastava para explicar o dano oriundo de falha da máquina administrativa) pela noção de culpa publicística e a responsabilidade do Poder Público não mais baseia-se nos critérios preconizados pelo Direito Civil (privado). por isso mesmo. É efetivamente objetiva a responsabilidade do Estado pela obrigação de indenizar. ou seja. ao mesmo tempo em que a doutrina aboliu a distinção entre os atos de império/jus imperii (funções essenciais para manter a ordem constitucional e jurídica. embora atualmente a responsabilidade desfruta de maior amplitude.

em qualquer caso: prescinde-se. consenso quanto à forma de exercício do direito de regresso contra o funcionário responsável. CF) apenas para assegurar a ação regressiva das pessoas jurídicas contra os funcionários causadores do dano quando tiver havido dolo ou culpa deles. se a execução de ato abusivo de poder causar dano ou prejuízo para o ofendido. Código de Processo Civil. discutese a eventual instauração de litisconsórcio passivo. do mesmo Código. porém. conforme art. 37. CF/88. A individualização da culpa ou dolo do agente público interessa apenas para fins de regresso. a ação do administrador deve consubstanciar-se na correta gestão dos negócios públicos e no manejo dos recursos públicos (dinheiro. mas a responsabilidade civil do servidor é subjetiva. O elemento culpa é previsto constitucionalmente (na segunda parte do § 6º. ou se poderá a Fazenda Pública chamar ao processo o funcionário faltoso. nos termos da parte final do mesmo dispositivo constitucional.e o prejuízo causado). 37. Estado federado ou município) restaurar o patrimônio diminuído. III. que deve ser efetuada no curso da ação) a que se refere o art. 37. § 5º. sendo que essa recomposição não prescreve. Essa obrigatoriedade de indenizar decorre do art. Na relação Estado-funcionário quanto ao encargo ressarcitório. o direito de regresso contra o servidor que executou certo ato com abuso de poder. em seu contexto individualista.2 Tutela da probidade e responsabilidade administrativa. entre os doutos. III. 15 do Código Civil que. que é a regra geral da responsabilidade objetiva civil do Estado em face do dano que seus funcionários. recomposto o patrimônio do lesado. só a reconhecendo quando tivesse havido dolo ou culpa do funcionário-representante. enquanto ação do Estado. assim. não ultrapassou os limites da teoria civilística da responsabilidade do Estado. na forma do art. cabe ao Estado. As entidades devem reparar o dano mesmo sem culpa. desse elemento subjetivo para a obrigação de indenizar. Então. O que importa frisar neste item é que a CF/88 alargou consideravelmente o conceito de responsabilidade civil em relação ao dado pelo art. possam causar a terceiros. sem que afete a responsabilidade objetivo do Estado perante terceiro prejudicado. Como a ação da Administração Pública. 7. 70. art. eliminada a perquirição de qualquer elemento psíquico ou volitivo: o prejuízo sofrido é conseqüência do funcionamento (regular ou irregular) do serviço público (Teoria do Risco Administrativo). 77. cabe ao Estado (União. nessa qualidade. § 6º da CF. a denunciação da lide (o Supremo Tribunal Federal tem entendido que o caso é de denunciação à lide. traduz-se em atos de seus funcionários. Não há. bens e serviços) no interesse . civil e penal do servidor público Pelo Princípio da Tutela da Probidade.

a responsabilização dos servidores públicos. direta ou indiretamente. do Distrito Federal. estão sujeitos às penalidades da lei os atos de improbidade praticados contra o patrimônio de entidade que receba subvenção. emprego ou função em qualquer dos níveis da Administração Pública direta. c) os que atentam contra os princípios da Administração Pública (art. dos Estados. A improbidade administrativa (dos agentes públicos) é regulada pela Lei 8. fiscal ou creditício. com ou sem remuneração. à prática da improbidade. seja pela via eletiva. tenham concorrido ou induzido. o controle da imoralidade administrativa até pela sobrevivência do Estado Democrático de Direito. perda da função pública. indireta ou fundacional de qualquer dos poderes da União. designação. assim. 11). Fora do campo penal. . indisponibilidade dos bens e ressarcimento do erário. de qualquer modo. vínculo ou mandato.429/92. que disciplina as hipóteses e comina as respectivas sanções. que exerce. em empresa incorporada ao patrimônio público ou em entidade para cuja criação haja concorrido capital público com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual. de órgão público bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário haja contribuído com menos de 50% do patrimônio. O agente ativo é o agente público. Também são abrangidos pela legislação aqueles que. com o que também assegura-se aos administrados o seu direito a práticas administrativas honestas e probas. embora transitoriamente. assim. ou seja. mesmo não sendo agentes públicos. Passemos. contratação ou qualquer outra forma de investidura.coletivo. sendo imprescritível a ação de ressarcimento por ilícitos que causem prejuízo ao erário). o que permite a instauração do processo respectivo mediante comunicação de qualquer pessoa à autoridade competente e denúncia do Ministério Público. benefício ou incentivo. ou dela se beneficiado. 9º quando desproporcional. Do mesmo modo. no qual os interesses coletivos devem prevalecer sobre os interesses particulares. 10).429/92 classifica e define os atos de improbidade administrativa em três espécies: a) os que importam enriquecimento ilícito (pelo seu art. a Lei 8. com a inversão do ônus da prova). a lei em pauta não necessita de processo criminal para aplicação de suas sanções. o enriquecimento ilícito é presumido. Todos os crimes funcionais e os de responsabilidade são delitos de ação pública. eis que foi prevista ação civil de improbidade para imposição das penas (suspensão dos direitos políticos. Impõe-se. cargo. Sem prejuízo da ação penal. ainda. dos Territórios ou dos Municípios ou. por nomeação. servidor ou não. b) os que causam prejuízo ao erário público (art. à segunda parte deste item. cabendo ao agente público a prova de que foi lícito. qual seja.

passando a existirem. responsabilidade objetiva ou sem culpa. 8º). a teoria clássica da separação dos poderes. § 6º) é a civil. art. como uma garantia contra as arbitrariedades e para evitar a ingerência descontrolada de uma função sobre a outra. três Poderes Constituídos. quais sejam. o poder é uno. Capítulo V Da organização dos poderes e da divisão de competências e funções 1. aprimoramentos ou até corrupções.Os servidores públicos. uma vez que a administrativa decorre da situação estatutária. um atributo do Estado. devendo ser independentes entre si. 312 a 327). constitucionalmente. com o fito histórico de limitar o Poder Absoluto das Monarquias. A responsabilidade civil não impede a deflagração das responsabilidades administrativa e penal se a atuação dos servidores públicos configurar ilícitos dessa natureza. Essa responsabilidade independe das demais (administrativa e penal) e se apura na forma do direito privado. sendo possibilitada a divisão do aspecto funcional do poder estatal. e ainda assim o fazemos brevemente. sendo. A responsabilidade de que cuida a CF/88 (art. por culpa ou dolo no desempenho de suas funções. para o servidor. diferenciações. o Legislativo e o Judiciário. aquela concebida pelo gênio do Barão de Montesquieu em seu Do Espírito das Leis foi sofrendo. e a penal está prevista no Código Penal. Em si. podem cometer infrações de três ordens: administrativa. em capítulo dedicado aos crimes funcionais (arts. Não há. o Executivo. Mas como já visto no Capítulo sobre os Princípios Fundamentais da República Federativa do Brasil. Essencial para a existência da responsabilização civil é que o ato culposo do servidor cause dano patrimonial à Administração. que tem direta previsão constitucional e que é a obrigação que se impõe ao servidor. proposta pela pessoa jurídica de direito público. e se exaure com a indenização em dinheiro. Nasce esta com o ato lesivo e culposo. Assim. portanto. Considerações Gerais Sobre O Princípio Da Separação Dos Poderes O Poder é uma manifestação da soberania. de reparar (reparação material. 37. Originariamente. dividiu-se o Poder em três funções típicas. Aqui tratamos. da Primeira Parte desta obra. em sua doutrina a noção de "lei" é o elemento fundamental que . apenas da Responsabilidade Civil. perante a justiça comum (depende da comprovação da sua culpa em ação regressiva.027/90. pecuniária) o dano causado à Administração. no desempenho de suas funções ou a pretexto de exercê-las. ao longo do tempo. civil e criminal (Lei federal nº 8.

em qualquer caso. sob pena de inconstitucionalidade. 2). mas não sem antes delimitarmos desde já as principais modificações provocadas pela Reforma Administrativa. Estas são.norteia a separação dos poderes. No Brasil. manteve nele muitos institutos jurídico-políticos próprios de sistema Parlamentarista. 39. ou seja. mormente à fixação do quantum remuneratório. embora tendo estabelecido um sistema Presidencialista. portanto. Legislativo e Judiciário publicarão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos cargos e empregos públicos". pela Emenda Constitucional nº 19/98. a Emenda fixou um teto remuneratório. embora tendo substituído a figura autoritária do Decreto-lei. adicional. Assim: no que diz respeito especificamente à remuneração. o terceiro também a aplica. passamos diretamente a uma visita panorâmica para vermos como os Poderes do Estado estão previstos e organizados no texto da Constituição da República Federativa do Brasil. Executivo e Judiciário" (FERREIRA FILHO. previsto no inciso XI do art. porém. obedecido. proibido o acréscimo de qualquer gratificação. pois aí é o lugar onde são dadas linhas gerais para o tratamento do assunto. É Manoel Gonçalves Ferreira Filho quem explica como a visão clássica erigiu três poderes em torno da noção de lei: "Um faz a lei.36 No entanto. prêmio. apesar de os constituintes terem conduzido os trabalhos com o firme propósito de criar um Sistema de Governo Parlamentarista. outro a executa. na prática. a Constituição. 2. O Poder Legislativo No texto da Constituição Federal de 1988 o Poder Legislativo é . Após esse esclarecimento inicial. 37 (tendo por base o subsídio remuneratório dos Ministros do Supremo Tribunal Federal). X e XI". o disposto no art. verba de representação ou outra espécie remuneratória. contenciosamente: Legislativo. o texto final da Constituição de 1988 manteve o Sistema de Governo Presidencialista e a Forma Republicana. § 4º da CF. como é o exemplo das Medidas Provisórias as quais. o que mais tarde foi confirmado pelo Plebiscito de 21 de abril de 1993. o "membro de Poder. o qual deve ser analisado sempre em conjunto com o disposto no art. regras comuns aos três Poderes e que deverão. em um uso abusivo. o detentor de mandato eletivo. no que diz respeito a assuntos comuns dos três Poderes. obviamente ser pelos três executadas. fixado em parcela única. o que a leva a centrar-se em um Estado de Direito. os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio. 37. E cumpre observar também o disposto pelo § 6º do mesmo artigo 39: "Os Poderes Executivo. p. 1998. Como já visto em outro item. abono. também possam estar resultando.

da regra que estipulava que a sua fixação deveria ser sempre para o ano subseqüente. estadual e municipal). quais sejam: as meramente deliberativas. Prerrogativas dos parlamentares: inviolabilidade e imunidade Diferentemente de países que adotam o unicameralismo para estruturar o poder legislativo. sendo. as de fiscalização e controle. 44 ao 75. ou também denominadas Câmaras. ambos da CF/88).tratado no Capítulo I do Título IV. Trata-se. 29. exerce também outras. Na composição do Congresso Nacional a Câmara dos Deputados representa muito mais a soberania popular. Mas a Presidência do Congresso Nacional é exercida pelo Presidente do Senado Federal. eis que nas esferas municipais e estaduais os poderes legislativos respectivos possuem estrutura e funcionamento unicameral. por Deputados Federais e Senadores da República. V. § 2º. Chamamos a atenção para o detalhe de que o bicameralismo no Brasil é adotado apenas na esfera federal do Poder Legislativo. VII da Constituição Federal. típico da Federação. 27. Assim. a Câmara dos Deputados goza de certa primazia relativamente à iniciativa legislativa (o que se pode verificar no art. § 2º e no art. pois. Adiantamos. portanto. Notamos que o art. respectivamente. composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. todas as Câmaras Legislativas podem alterar seu subsídio durante o ano em curso. No entanto. não dependendo mais. porém além de suas atribuições legislativas. e as constituintes. Congresso Nacional e bicameralismo. portanto. indo dos arts. e 49. o Congresso Nacional é a soma das suas duas Casas. introduzidas pela Emenda Constitucional nº 19/98. 49 da CF/88 é pródigo em inovações. apresentando um total de 594 congressistas. integrados. Ambas as Casas que compõem o Congresso Nacional são dirigidas pelos seus respectivos Presidentes e demais membros das Mesas Diretoras. No bicameralismo brasileiro não há predominância substancial de uma Câmara sobre a outra.1 Estrutura e funções. no Brasil a organização estrutural do Poder Legislativo é de sistema bicameral. de uma permissão que atinge o Poder Legislativo como um todo. ampliando . as de julgamento de crimes de responsabilidade. O órgão legislativo da União é o Congresso Nacional. desde já. ao passo que o Senado Federal representa muito mais aos Estados Federados e ao Distrito Federal. o representante da Autonomia dos entes federados no Poder Legislativo central. sendo a função legislativa de competência da União exercida pelo Congresso Nacional. em suas três esferas (federal. que pelas modificações nas regras do art. 2. 61. 64. sendo o ramo popular do Poder Legislativo.

até porque. convém esclarecer que a mesma não exclui o crime. qual seja. eliminando-se. Parlamento quer dizer "lugar onde se fala". Quanto a esta última prerrogativa. e a segunda própria do Direito Processual Penal. por outro lado. a imunidade. . cargo de Ministro de Estado) ficará a descoberto. etimologicamente. na escolha de membros do Tribunal de Contas da União. cuja fórmula atual é fruto de um período em que se acreditava que o Poder Judiciário pudesse ser utilizado para perseguições políticas. como acontecia na vigência da Constituição de 1934. E. Outra prerrogativa dos parlamentares é o privilégio de foro. desde que proferidos no desempenho das funções) e de imunidade processual (pela qual o congressista só pode sofrer processo-crime. E como o indeferimento do pedido de licença ou a ausência da deliberação a respeito suspendem a prescrição apenas enquanto durar o mandato. 53. e onde se fala. por meio de atribuições exclusivas no que diz respeito à autorização de referendos e plebiscitos. a sinonímia que a prática brasileira acabou estabelecendo entre imunidade e impunidade (sim. Salientamos que pela vigente ordem constitucional tais prerrogativas não são extensíveis aos suplentes dos parlamentares.o poder do Congresso Nacional. retornando o parlamentar à condição de cidadão comum reabre-se o processo. A respeito de sua atual configuração constitucional. Abordamos. para que possam desenvolver suas atribuições com independência e sem correr o risco de sofrer quaisquer perseguições políticas por manifestações que façam. na autorização para exploração mineral nas terras indígenas e na alienação de terras públicas. conforme o disposto no art. § 1º e § 2º. palavras e votos sem que haja configuração delituosa. por exemplo. Ambas as prerrogativas são institutos correlatos. desta forma. se emitem opiniões. por fim. apenas impede o processo sem licença. eis que as garantias lhe são oferecidas pela Constituição Federal exatamente em função de sua atividade legislativa. o parlamentar que se afastar da sua atividade (para assumir. é um privilégio constitucional. porque é possível que um parlamentar acusado criminalmente tente a reeleição e assim vá postergando a sua presumível punição). no controle das atividades nucleares. A atividade parlamentar é garantida pela Constituição Federal através das prerrogativas de inviolabilidade no exercício do mandato (que vem a ser a possibilidade de opiniões. se a casa à qual pertence conceder-lhe licença para tal). e notemos que a proteção não vale para a esfera civil. e até no acompanhamento dos resultados das viagens presidenciais. aquelas garantias oferecidas pela Constituição aos parlamentares. a primeira relacionada com o Direito Penal. pelo menos em relação ao primeiro suplente. na concessão e renovação de canais de rádio e televisão.

§ 1º). cujo critério de fixação. 2. Convém lembrar que antes do advento desta Lei. de acordo com o art. 53. Ora. qual seja. § 4º da Constituição Federal. Assim. eleitos nos Estados. Assim. o Superior Tribunal de Justiça e os cidadãos promovem a iniciativa no . esse critério da proporcionalidade continua sendo muito criticado.1. equivalendo a um deputado para cada 428. conforme art.1 A Câmara dos Deputados A Câmara dos Deputados é composta pelos representantes do povo. e um Estado que tenha 30 milhões de habitantes terá 70 deputados eleitos. ferindo com isso outras disposições constitucionais relativas às características do voto. E para concordar com as críticas. 45. p. em qualquer matemática isso não é proporção. o máximo permitido pela Constituição. tendo ela aumentado em dez cadeiras a representação do Estado mais populoso do País. o Supremo Tribunal Federal. é a população. de modo a nenhum dos Estados ou o Distrito Federal terem menos de 8 ou mais de 70 Deputados (conforme art. pois não possibilita o voto com igual valor para todos. São Paulo. mas é ela quem determina reajustes a serem feitos pela Justiça Eleitoral em cada ano anterior às eleições. quanto à iniciativa legislativa. equivalendo a um deputado para cada 50 mil habitantes. 45. 45. já vistas anteriormente. 484): um Estado que tenha 400 mil habitantes terá 8 deputados eleitos. 1997. que até então só poderia eleger até 60 Deputados Federais.competindo ao Supremo Tribunal Federal julgar os deputados federais e os senadores. pois perante ela é que o Presidente da República. para legislaturas (período do mandato parlamentar) com a duração de 4 anos. conforme o previsto no art. veio a Lei tentar corrigir algumas distorções no sistema proporcional brasileiro. O número de deputados federais é estabelecido por Lei Complementar (a LC nº 78/93). escolhidos pelo sistema proporcional. basta apresentarmos um simples exemplo montado pelo constitucionalista José Afonso da Silva (SILVA.571 habitantes. § 1º da Constituição Federal. fixando a Lei Complementar referida o número máximo de 513 Deputados Federais. que permitia (e talvez ainda permita) uma super-representação dos Estados menos populosos. o número máximo era de 503. o número total de membros da Câmara dos Deputados não é fixado pela Constituição. Mas embora a mudança operada pela Lei Complementar nº 78/93. arremata o autor. § 2º). mas brutal desproporção! Pode-se dizer que a Câmara dos Deputados goza de certa primazia sobre o Senado Federal. no Distrito Federal e nos Territórios Federais (caso houvesse algum. já que é o mínimo exigido pela Constituição. sendo que já nas eleições de 1994 a bancada do Estado de São Paulo na Câmara foi elevada de 60 para 70.

a Constituição de 1891 fixou em nove anos o tempo de permanência de um parlamentar no Senado. por dois terços de seus membros. por outro lado. A razão apontada para a duração diferenciada do mandato dos senadores é a de dar ao Senado maior estabilidade. sendo que cada um elege três Senadores (com dois suplentes para cada um). permanecendo assim até hoje. Existem. 46. CF. veremos que este mandato dos senadores nem sempre foi de oito anos. não raro. conforme previsão do art. significando que em relação a eles não se obedece o . para um mandato de 8 anos. Dessa forma. sendo três representantes para cada um dos vinte e seis Estados e mais três para o Distrito Federal (27x3 = 81). já que não admitem delegação. críticas que são dirigidas à essência da vocação dos Senadores da República. § 2º e 64 da CF/88.2 O Senado Federal O Senado Federal é composto por representantes dos Estados Federados e do Distrito Federal. de os Senadores de um Estado serem de um partido adversário ao do Governo Estadual. e na prática dá-se o caso. pelo princípio majoritário. 61. sendo a representação renovada de 4 em 4 anos. Já na República. haja vista que no Império Brasileiro os senadores eram vitalícios. em 1998 cada Estado e o Distrito Federal elegeram um senador. época em que a legislação estabelecia que a cada três anos seria eleito um senador por Estado. e outras constantes no art. Mas se formos nos debruçar um instante sobre a história das nossas instituições político-jurídicas. vindo a defender programas diversos aos interesses do Estado. Observamos que o caput deste artigo se refere a competências "privativas". 51 da CF/88). mas na verdade são "exclusivas". por um e dois terços. Foi em 1934 que o mandato sofreu a redução de um ano.1. alternadamente. também são eleitos diretamente pelo povo. Fica a pergunta: como conciliar a tese da representação do Estado com situações como esta? Já dissemos que os Senadores da República são eleitos pelo princípio majoritário. quando os outros dois senadores que foram escolhidos em 1996 serão substituídos (ou reeleitos). Esta sistemática de renovação faz com que sempre existam no Senado Federal 81 Senadores da República. como mantenedor da Federação. tal como os Deputados Federais. 2. pois ocorre que embora sejam os representantes das entidades federativas mencionadas. conforme arts.processo de elaboração das leis. diferentemente do que ocorrerá em 2002. A Câmara dos Deputados possui atribuições exclusivas (como autorizar. a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-presidente da República e os Ministros de Estado.

quando a Constituição exige maioria absoluta de votos. mais uma manifestação do grande poder que tem o Senado Federal. de elaborar as leis que regem o País. chefes de missão diplomática (Embaixadores). de maneira a garantir-lhes a constitucionalidade formal. Pelo mesmo art. salvo no caso do Procurador-Geral da República e dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. I (pelo qual a Câmara dos Deputados autoriza a instauração de processo contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado) e 52. não tomam posse em seus cargos. são-lhe atípicas. . portanto. Precisam ser aprovados pelo Senado Federal: Ministros dos Tribunais superiores. Assim como em relação à Câmara dos Deputados. I (pelo qual o Senado Federal processa e julga o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado nos crimes de responsabilidade).2 Funções típicas e atípicas Sabidamente. acaba por realizar outras funções que. existem algumas atribuições que são privativas do Senado Federal (como por exemplo processar e julgar o Presidente e o Vice-presidente da República nos crimes de responsabilidade e os Ministros de Estado nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles. e outras dispostas no art. bem como os Ministros do Supremo Tribunal Federal. como administrar. inciso III. e a aprovação dá-se por maioria simples com a presença da maioria absoluta dos membros da comissão. havendo um mesmo número (três) fixo para cada ente federado que pode elegê-los (a partir desse número determinado. em tese. nos termos dos arts. 2. sendo esta. sem desprezar a constitucionalidade material. 52. Procurador-Geral da República. no entanto. o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União também nos mesmos crimes. 2. somente seu resultado. desempenhada pelo processo legislativo. Em todos os casos. e que se sucedem na elaboração das espécies normativas. sua função típica. ou seja. como ocorre também com os outros Poderes. 51. os Anais do Senado não registram quais os senadores que votaram contra ou a favor do candidato. quando é secreta. a exemplo do que ocorre pelo disposto no art. a votação é secreta. No entanto. também exemplificativamente. IV (pelo qual dispõe sobre sua organização) e julgar.critério populacional. 51. 52 da CF/88). Presidente e diretores do Banco Central. é eleito quem fizer mais votos). do contrário. vemos. salvo no caso dos embaixadores. Ministros do Tribunal de Contas da União.3 O processo legislativo Por processo legislativo podemos entender o cumprimento de todos os ritos necessários. A sabatina é pública. pois várias autoridades indicadas pelo Presidente da República devem ser argüidas (sabatinadas) e aprovadas por esta Casa do Congresso Nacional. o Poder Legislativo tem como principal e básica função a de legislar.

§ 2º). Por sua vez. a eliminação da irreformabilidade da República. parágrafo único. 59. Há sempre uma estrutura básica em torno da qual dão-se os ritos do processo de elaboração legislativa. com força de lei. como a localização do Poder Constituinte da Revisão no domínio comum do processo legislativo. a ampla iniciativa privativa deste e a legislação pelas Comissões. no aguardo da reformulação dos novos regimentos das Casas do Congresso. o regime de urgência na apreciação dos projetos de iniciativa do Presidente da República. a iniciativa popular das leis complementares e ordinárias. redação. O novo texto constitucional brasileiro vinculou o processo legislativo à elaboração de emendas à Constituição. o qual certamente atenuaria o autoritarismo do processo legislativo. A atual Constituição Federal conferiu às Comissões Permanentes e Temporárias do Congresso Nacional (art. fases que veremos a seguir. prevê lei complementar a dispor sobre a elaboração. análise e deliberação das mesmas. leis complementares. leis delegadas. tratamento diferenciado em relação à Constituição de 1967. na Constituição Federal de 1988. 58. de modo geral. a delegação legislativa ao Presidente da República. a adoção das medidas provisórias. a redução do quorum na deliberação sobre o veto presidencial (a derrubada de um veto presidencial dar-se-á não mais por voto qualificado de dois terços) e a inclusão da matéria reservada à lei complementar no elenco da indelegabilidade. adotando a terminologia que surgiu na Constituição de 1967. sendo que é a primeira vez que uma Constituição Federal prevê a extensão da iniciativa legislativa aos cidadãos. como o restabelecimento da iniciativa de proposta de emenda à Constituição Federal pelas Assembléias Legislativas dos Estados (participação dos Estados na vontade federal). Esta consagrou o procedimento autoritário do decreto-lei e não se utilizou do procedimento legislativo descentralizado. decretos legislativos e resoluções. dando tratamento constitucional às regras que comandam a formação dos atos legislativos. A Constituição Federal de 1988 manteve no Capítulo do Poder Legislativo a Seção dedicada ao processo legislativo.O processo da elaboração legislativa anterior à Constituição de 1988 prevaleceu mesmo depois dela durante quase um ano. A Constituição Federal manteve soluções acolhidas pela Constituição de 1967. Mas introduziu relevantes inovações. a competência . leis ordinárias. Em seu art. a ampliação dos casos de irreformabilidade constitucional. medidas provisórias. acentuando o formalismo do processo. a delegação de competência legislativa às Comissões é uma modalidade de descentralização legislativa e recebeu. e não à Comissão Especial. alteração e consolidação das leis. mas de maneira geral o processo formal sobre propostas de legislação gira em torno da apresentação.

Feitas essas considerações de cunho geral. Por fim. Com a introdução da competência concorrente. menores. ao contrário. a competência concorrente não se confunde com a competência comum. penitenciário. vejamos agora algo sobre o "como" da criação legislativa. previdenciário. tendo alterado o modelo clássico do federalismo dual. consumidores. após. Pois bem. complementares ou suplementares. que a Constituição Federal de 1988 introduziu. como o decreto-lei e a aprovação dos projetos por iniciativa do Presidente da República por decurso de prazo. em favor dos Estados Federados e do Distrito Federal. A Constituição de 1988 eliminou manifestações autoritárias do processo legislativo. ainda. caracterizada pelo comando constitucional à atuação cooperativa de todos os entes político-administrativos com relação às matérias enumeradas. É a chamada "decisão terminativa". tributário. manteve inclusive o seu fortalecimento. Tratamos aqui do que se chama teoria das normas. educação. já que a composição das comissões e a escolha dos seus relatores obedece à proporcionalidade das bancadas existentes nas casas legislativas. a de aprovar ou rejeitar projetos de lei sem a necessidade da anuência do plenário. vermos as várias fases do mesmo. deu às Comissões do Senado Federal e da Câmara dos Deputados uma nova responsabilidade. econômico. a competência concorrente com a União.para discutir e votar projeto de lei que dispensar. que prestigia o trabalho das comissões e imprime maior rapidez à tramitação de projetos. qual seja. a Constituição Federal deu um importante passo para o fortalecimento de um federalismo de equilíbrio no Brasil. É preciso mencionar-se. não exaustivas. colocando à disposição do Presidente da República a adoção de "medidas provisórias com força de lei" (concebidas em função do regime parlamentar de governo) e a solicitação de urgência legislativa para apreciação de projetos de sua iniciativa. na forma do Regimento. procedimentos em matéria processual e direitos ou interesses coletivos como saúde. isto é. pois através dela que é definida a forma de aprovação de cada espécie normativa. e os Estados Federados editam as normas específicas. para legislarem sobre diversas matérias enumeradas (incluindo os direitos financeiro. meio ambiente. para. Mas isso não conduziu ao enfraquecimento da iniciativa presidencial. Assim. patrimônio histórico e cultural) conforme o Título "Da Organização do Estado". por tal teoria temos que quórum é o número mínimo necessário . algumas regras relativas à forma com que o processo legislativo é desenvolvido. mencionamos que a legitimidade de tais decisões não é prejudicada. especialmente os de autoria dos senadores. Porém. a deliberação do plenário. em que a União edita normas gerais. urbanístico. processual de pequenas causas.

§ 2º (Propostas de Emenda à Constituição). no art. visto que por esse entendimento será impossível apurá-la quando a casa se compuser de um número ímpar de membros. I e art. E é esta precisamente a regra do art. sendo errôneo considerá-la como metade mais um. deve ser calculada sempre em relação aos votos daqueles presentes em uma sessão. a maioria qualificada já indica em seu nome a exigência de uma qualificação no quórum. Por maioria devemos entender sempre mais da metade. a previsão de dois tipos de maioria qualificada: a) a de 3/5 (três quintos) dos membros da casa. 66. no art. 60. sendo prevista constitucionalmente para as deliberações mencionadas no art. 51. as deliberações de cada Casa e de suas Comissões serão tomadas por maioria dos votos. prevista no art. de maioria absoluta ou de maioria qualificada. alínea "b" (fixação de alíquotas pelo Senado Federal). 69 (leis complementares). há que entender-se que está se tratando de maioria simples. e não em relação ao número de membros de uma casa deliberativa. ou nada dispuser a respeito. que diz: "Salvo disposição constitucional em contrário. E. b) e a de 2/3 (dois terços). A maioria simples. cujo quórum não está explicitado na Constituição. § 4º (rejeição de veto presidencial). isto é. mas é possível confirmar que é de maioria simples pela consulta aos Regimentos Internos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. para que a sessão deliberativa possa ter início. 55. presente a maioria absoluta de seus membros". e ainda no art. prevista no art. Os quóruns podem ser de maioria simples. § único (casos de julgamento de impeachment). sendo que em todas as vezes em que o texto constitucional não dispuser de forma contrária. ou relativa. que é justamente o que se passa com nossas duas casas legislativas federais: o Senado Federal é composto por 81 senadores. por último. Constitui-se a partir do primeiro número inteiro acima da metade.de integrantes de uma casa legislativa para o início de uma deliberação. todos da Constituição Federal. desde que presente a maioria absoluta dos membros da casa. faz-se o arredondamento da medade. . Já a maioria absoluta leva em conta o número dos membros efetivos. no art. Esta é a regra. 155. Temos. § 2º (perda de mandato de parlamentares). Nestes casos. 86 (admissão de acusação da Câmara dos Deputados contra o Presidente da República nos crimes de responsabilidade) e no campo do Direito Tributário. inciso V. e a Câmara dos Deputados por 513 deputados. 52. § 2º. Diz-se relativa por tratar-se de maioria que é calculada relativamente aos presentes. 47 da Constituição Federal. como é o caso da aprovação das leis ordinárias. na Constituição Federal de 1988. uma exigência de maior número de votos para as deliberações.

quais sejam: a da iniciativa. por fim. é o mesmo discutido e posteriormente votado.1. podendo ser aprovado ou rejeitado. pelo menos do ponto de vista da semântica e da propriedade de linguagem.3. a da discussão. emenda e votação Apresentado um projeto de lei. Que disposições? Não se costuma indicá-las na nova lei. embora não seja diretamente aplicado ao processo legislativo. Dependendo da espécie normativa as votações são feitas em cada casa separadamente ou em conjunto. A votação é o ato de decisão que se toma sempre por maioria de votos. como muitas vezes aos próprios doutrinadores e aplicadores do Direito. em que pese existirem essas regras todas.1 Fases do processo legislativo Vistas as regras e os conceitos básicos que regem as deliberações constitucionalmente previstas. objetivas. o mais difícil de ser conseguido. passemos às várias fases que compõem o processo legislativo. gostaríamos de enfatizar que todas as fases a serem vistas adiante pressupõem a observação de regras e "técnicas legislativas" para o aperfeiçoamento da criação normativa. Compreende a competência atribuída pela Constituição Federal a alguém ou a algum órgão para apresentar um projeto de lei. conforme os quóruns exigidos. isto sem falar naqueles diplomas legais que terminam com a pouco esclarecedora e tradicional frase "revogam-se as disposições em contrário". se não do ponto de vista ideológico. a sanção ou o veto. podendo ser leis inteiras ou mesmo artigos de leis esparsas que passam a perder a eficácia. já que é o maior quórum que temos previsto no ordenamento constitucional.Ressaltamos. 2.3. A casa que dá início ao processo legislativo é chamada Casa . funcionando o Congresso Nacional em votação unicameral ou bicameral. que dá início ao processo de elaboração de uma espécie normativa. das emendas e da votação.2 Discussão. parece que seguidamente a redação das leis mais serve para confundir do que para esclarecer os destinatários das normas jurídicas. que o quórum de dois terços é o mais severo. 2. e a da publicação. a da promulgação. 2. acréscimo ou supressão a projeto de lei em tramitação). e em ser a esmagadora maioria dos nossos legisladores bacharéis em Direito.3. Entre uma e outra destas duas fases há a possibilidade de serem feitas emendas (proposta de modificação. com vistas à elaboração de normas claras. Mas antes disso.1 Iniciativa legislativa A iniciativa legislativa é o ato que deflagra.1. Dizemos isso porque.

de regra. Sanção é a concordância expressa (quando apõe "sanciono") ou tácita (que se dá após 15 dias a partir do recebimento do projeto) do Presidente da República com os termos do projeto de lei que lhe chega do Poder Legislativo federal. podendo ser derrubado pelo voto da maioria absoluta dos membros Congresso Nacional. 51 e 52 da Constituição Federal. devendo a Casa na qual tenha sido concluída a votação enviar o projeto de lei ao Presidente da República. nem pelo do Senado. que há nova norma. 2.3 Sanção ou veto Sanção ou veto somente recaem sobre projetos de lei e são atos legislativos de competência exclusiva do Presidente da República.1. Em nosso sistema constitucional a promulgação é obrigatória e cabe. porém. Mas se o projeto de lei for rejeitado (derrotado). em sessão conjunta. deverá o Vice-Presidente do Senado fazê-lo. no prazo de 30 dias. que em regra é a Câmara dos Deputados. em um só turno de discussão e votação. em seu caput. Pode o veto ser total ou parcial e deve ser oferecido no prazo de 15 dias a contar do recebimento do projeto. pelo Presidente da Câmara dos Deputados.1. na Casa iniciadora. ao Presidente da República. É sempre expresso e motivado por inconstitucionalidade ou interesse público.4 Promulgação É o ato que transforma o projeto de lei em lei. nos casos em que são previstos sanção ou veto deste. 2. Veto é a negativa de aquiescência do Presidente da República aos termos do projeto de lei. Caso não o faça no prazo. Em não havendo promulgação nem pelo Presdidente da República. e sim será arquivado na primeira.iniciadora. e a segunda casa é a chamada Casa revisora. nunca o será. 49. não seguirá para a Casa revisora. se não conseguir os votos mínimos necessários para a sua aprovação.3. Se não apreciado no prazo. será colocado na ordem do dia. no prazo de 48 horas. o projeto de lei aprovado por uma das Casas sempre sempre revisto pela outra.3. tendo em vista que o próprio artigo. possui preferência em relação à apreciação de outras proposições). 48 da Constituição. necessário não olvidar que pelas regras dos artigos 65 e 66 da Constituição Federal. não exige sanção do Presidente da República para as matérias tratadas nos arts. Só são obrigatoriamente sancionáveis ou vetáveis os projetos de lei que recaiam sobre as matérias indicadas no art.3. sobrestadas as demais proposições até sua votação final (isto é. o Presidente do Senado o fará. No sistema constitucional brasileiro o veto é relativo.5 Publicação . Promulgar é declarar que a ordem jurídica foi inovada. isto é. 2.1. também em 48 horas. tampouco pelo Vice-Presidente da República. Neste particular.

veremos que hierarquicamente superior mesmo são apenas as "emendas à Constituição". com prevalência das Leis Complementares. (sendo que a de nº 20 realizou a Reforma Previdenciária. sem falarmos daquelas outras seis recebidas sob a forma de Emendas Constitucionais de Revisão.2. Decorrem da atuação do Poder Constituinte Reformador e. 61 da CF/88.3. sendo que no processo legislativo é o maior quórum constitucional. formais e circunstanciais que devem ser obedecidas na sua propositura já foram analisadas na Primeira Parte desta obra. incisos I a VII. após a promulgação (que deve dar-se pelas duas Mesas das Casas do Congresso Nacional. importando controle da constitucionalidade destes. passam a integrar o próprio texto constitucional. já recebeu vinte Emendas Constitucionais. que oportuniza a diferença entre Poder Constituinte Originário e Poder Constituinte de Reforma. Quando há necessidade. ao observarmos as espécies normativas aí previstas. tais casos sempre são expressos na Constituição Federal. Ao todo. quando tratamos amplamente do processo de reforma constitucional.1 Emendas Constitucionais As Emendas Constitucionais demandam a forma de maior complexidade na elaboração legislativa do nosso ordenamento constitucional.3. o da rigidez da Constituição escrita. em sessão conjunta). 2. 59. por outro lado.3.2 Leis Complementares Lei Complementar é espécie normativa destinada à complementação do próprio texto constitucional. A legitimidade ativa. pois uma vez aprovadas e promulgadas passam a fazer parte do texto magno.2. A esse respeito poderíamos dizer que.2 Espécies Normativas A enumeração das espécies normativas de nosso regime constitucional está prevista no art. as restrições materiais (cláusulas pétreas). desde que a Constituição de 1988 foi promulgada. necessariamente temos que obedecer três princípios constitucionais: o da supremacia da Constituição Federal sobre os demais atos normativos.É o ato pelo qual se leva ao conhecimento de todos ("todos" os que lêem o Diário Oficial da União!) a existência de uma nova espécie normativa. Sua iniciativa está regulada pelo art. se tomamos o sistema vertical de construção escalonada do ordenamento jurídico. Quanto às fases de discussão e . temporais (inexistentes para este caso). não existindo consenso entre os doutrinadores se tais espécies guardam ou não relação de hierarquia entre si. diferentes entre si. porque justamente visam a complementar o texto da própria Constituição. tendo sido promulgada no dia 15 de dezembro de 1998). 2. tudo o mais seriam normas infraconstitucionais. Mas. e o da hierarquia vertical das leis. 2.

após ter solicitado e obtido delegação do Congresso Nacional para tal.3 Leis Ordinárias Têm seu campo de aplicação definido por exclusão.2. § 1º.5 Medidas Provisórias Previstas no art. é que deve ser aprovada por maioria simples. pois que espécies normativas cabíveis nos casos onde não haja previsão expressa de lei complementar.3. nos limites por este impostos. conforme o art. conforme previsão do art. não são leis mas têm força de lei. de maneira que a única diferença formal existente em relação à Lei Complementar. segue para a promulgação e publicação pelo Presidente da República. pois são simplesmente editadas pelo Presidente da República. 64. mas vem. terão que ser realizadas em separado pelas duas Casas do Congresso Nacional. Os projetos de leis delegadas poderão ou não ser apreciados pelo Congresso Nacional. 69 da CF/88. CF/88).4 Leis Delegadas Disciplinadas no art. § 1º. devendo a aprovação ser por maioria absoluta.2. enquanto um ato unilateral. Uma vez aprovado o projeto de lei complementar. fica a critério subjetivo do Presidente da República decidir a respeito da . A competência para a iniciativa é a mesma que para a Lei Complementar. caput. Admitem regime de urgência. O poder dado aos Presidentes da República por meio do instituto Medida Provisória pode fazer dele um verdadeiro déspota.votação. o que é feito por resolução. são espécies normativas elaboradas pelo Presidente da República. 68 e seus parágrafos da Constituição Federal.3. CF/88. 62 e seu parágrafo único da Constituição Federal.3. conforme seja a delegação plena ou restrita. ressuscitando assim um problema detectado há séculos por Montesquieu e que se julgava contornado historicamente.2. já que seu conteúdo é previamente limitado. Na verdade. Para as leis delegadas não há a fase de veto ou sanção. Hoje. 2. 2. 2. CF/88. vem com novas feições (inclusive democráticas). conforme disposto no art. A discussão e a votação também dar-se-ão separadamente. 61. tampouco a de emendas. 68. suas formações não se dão por autêntico processo legislativo. A indelegabilidade atinge projetos que cuidam de assuntos nos quais a discussão e a votação do Congresso Nacional são essenciais (conforme art. Mas podemos dizer que são as que existem em maior número. mas como estes acabam sendo conceitos jurídicos indeterminados. As Medidas Provisórias só podem ser adotadas quando estiverem presentes os requisitos de relevância e urgência. em se tratando de projeto de iniciativa do Presidente da República.

73 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. na forma da lei. pelo que podemos facilmente concluir. do Senado Federal e do Congresso Nacional. os serviços locais de gás canalizado.7 Resoluções Espécies normativas que veiculam os atos em regra estabelecidos pelos Regimentos Internos da Câmara dos Deputados. que originalmente aprovou o Regimento Comum do Congresso Nacional. como por exemplo a Resolução nº 1. de 1970-CN (com alterações posteriores). 2.6 Decretos Legislativos Configuram espécie normativa de competência exclusiva do Congresso Nacional. vedada a edição de medida provisória para a sua regulamentação". sobretudo.2. sem controle da constitucionalidade ou não e.700 Medidas Provisórias. Desde o advento da Constituição Federal de 1988 já temos criadas mais de 1. § 2º. Para a sua aprovação requerem maioria simples dos votos. sendo que a promulgação é ato do Presidente do Senado Federal. Independem de sanção ou veto.conveniência ou não de suas edições e. mas tal não costuma acontece. e 3ª) a regra criada pela Emenda Constitucional nº 07/95. o que deve dar-se conjuntamente. a saber: 1ª) a disposição do art. 2ª) a regra do art. os Presidentes da República costumam considerar "bastante conveniente" legislar desta maneira. por maioria simples. que incluiu o artigo 246 às Disposições Constitucionais Gerais.3. matérias que possuem efeitos externos ao Congresso. converte-se em Lei Ordinária.2. 49 (incisos I a V) da Constituição Federal.3. Gostaríamos de salientar. sendo o meio hábil para regulamentar as matérias arroladas no art. 25. que estabelece: "Na regulação do Fundo Social de Emergência não poderá ser utilizado o instrumento previsto no inciso V do art. 59 da Constituição". sobre os mais díspares assuntos possíveis. Vale registrar que os regimentos são atos administrativos normativos de atuação interna. destinados a reger o funcionamento de órgãos colegiados e . ou seja. com o seguinte texto: "É vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada a partir de 1995". que diz: "Cabe aos Estados explorar diretamente. por fim. eis que está prevista a sua aprovação pelo Congresso Nacional. 2. que em todo o texto constitucional existem apenas três regras que reservam matérias que não podem ser tratadas por meio de Medidas Provisórias. Aprovada. ou mediante concessão. que também determina a sua publicação. com a conivência do Poder Legislativo.

O cargo de Presidente da República. exigindo idade mínima de trinta e cinco anos. só se dirigindo aos que devem executar o serviço ou realizar a atividade funcional regimentada. para disciplinar matéria de sua competência específica. CF/88). As resoluções são atos administrativos normativos expedidos pelas altas autoridades do Executivo (mas não pelo Chefe do Executivo. em primeiro turno. 76 e art. conforme o disposto no art. 3. A aprovação dá-se por maioria simples. O Poder Executivo O Poder Executivo. dos três Poderes Públicos constituídos. Assim. 87. ambos convocados e presididos pelo Próprio Presidente da República. tendo sido o mandato de cinco anos suprimido pela Emenda Constitucional de Revisão nº 5/94). pelos Ministros de Estado.de corporações legislativas. § 3º. que só deve expedir Decretos). Também por força desta Emenda o art. na Constituição Federal brasileira é órgão constitucional supremo que tem por função a prática de atos de chefia de Estado. simultaneamente. VI. 82. Ao contrário do sistema de governo parlamentar. sem obrigar aos particulares em geral. mas unicamente complementá-los e explicá-los. 84. no primeiro domingo de outubro. Seu mandato é de quatro anos (conforme o art. como já vimos. XVIII. não dependendo da confiança do Congresso para ser investido no cargo e nem para nele permanecer. sendo permitida uma reeleição em período subseqüente. trata-se de Poder unipessoal. de órgãos legislativos e de Colegiados Administrativos. que são nomeados pelo próprio Presidente e demissíveis ad nutum (art. que são órgãos de consulta (são eles o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. Como o nosso é o sistema de governo presidencialista. 77 da Constituição Federal passou a ter a seguinte redação: "A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República realizar-se-á. o Executivo é o único exercido apenas por uma pessoa. não havendo sanção ou veto. Sempre são atos inferiores aos regulamentos e aos regimentos. ou pelos Presidentes de Tribunais. embora em seu exercício o Presidente da República seja auxiliado pelo Vice-Presidente (são eleitos simultaneamente. não podem invocá-los ou contrariá-los. por obra da Emenda Constitucional nº 16/97. como Chefe do Poder Executivo. temos um Executivo monocrático. e no último . A promulgação e a publicação também dão-se pela casa expedidora. mas este sequer é votado). é privativo de brasileiro nato (art. isto é. 14. nosso Presidente da República enfeixa. "a"). CF/88) e por dois Conselhos. A discussão e a votação ocorrem apenas na casa que irá expedi-las. as funções de Chefe de Estado e as de Chefe de Governo. de Governo e de Administração. embora possa responder por crimes políticos.

A luta por tal princípio no Brasil acentuou-se a partir da eleição de Juscelino Kubitschek de Oliveira para a Presidência da República. na forma da lei. expondo a situação do País e solicitando as providências que julgar necessárias. abaixo enumeradas. se houver. decretar o estado de defesa e o estado de sítio. com audiência. decretar a intervenção federal. com o auxílio dos Ministros de Estado. I). exercer.1 Das atribuições do Presidente da República Federativa do Brasil As atribuições do Presidente da República. nomear. pelo qual haverá segundo turno quando o candidato mais votado não alcançar a maioria absoluta na primeira votação. em segundo turno. disciplinado nos §§ 3º. As regras relativas ao segundo turno no domínio do art. 3. o possuímos como uma garantia. Chefia do Governo e Chefia da Administração Federal. sancionar. . 49. vetar projetos de lei. quando se alegou ser ilegítima a eleição de um candidato sem a maioria absoluta. 77 da CF/88. convenções e atos internacionais. 4º e 5º do art. com uma restrição em relação aos municípios (aplicado apenas naqueles que possuem mais de 200 mil eleitores). manter relações com Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos. celebrar tratados. se necessário. são classificadas conforme as três funções básicas do Poder Executivo: Chefia do Estado. do ano anterior ao do término do mandato presidencial vigente". conceder indulto e comutar penas. Começou a vigorar no País desde a eleição presidencial de 1990. teve opositores constituintes (como por exemplo Humberto Lucena). é princípio democrático que foi inserido no texto constitucional em 1988. bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. sujeitos a referendo do Congresso Nacional (ver art. sob a alegação de que "tumultua" o pleito eleitoral. dos órgãos instituídos em lei. Enfim. quais sejam: nomear e exonerar os Ministros de Estado. no entanto. pois deveria valer para todas as eleições majoritárias. em 1955. Quanto ao segundo turno. alguma campanha para que na Reforma Política seja restringido apenas à eleição presidencial. 77 aplicam-se às eleições de Governadores de Estados e do Distrito Federal e de Prefeitos Municipais. exercer o comando supremo das Forças Armadas. na forma e nos casos previstos na Constituição. promover seus oficiaisgenerais e nomeá-los para os cargos que são privativos. remeter mensagem e plano de governo ao Congresso Nacional por ocasião da abertura da sessão legislativa. promulgar e fazer publicar as leis. total ou parcialmente. dispor sobre a organização e o funcionamento da administração federal. iniciar o processo legislativo. Há. As atribuições privativas do Presidente da República são enumeradas nos vinte e sete incisos do artigo 84 da Constituição da República Federativa do Brasil. a direção superior da administração federal.domingo de outubro.

3. os Ministros do Tribunal de Contas da União. e. autorizado ou com o referendo do Congresso Nacional. o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e as propostas de orçamento previstos na Constituição. por exemplo. convocar e presidir o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional. nomear. os Ministros do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais Superiores. é um dos meios pelos quais exercita-se o poder hierárquico: o órgão superior controla o inferior. 89. dos três. pois justamente é o Poder que. enviar ao Congresso Nacional o plano plurianual. 68. conferir condecorações e distinções honoríficas. VII. consoante o art. permitir. Pelo controle ministerial. os Governadores de Territórios (caso algum Território venha a ser criado). nos casos previstos na Constituição. prestar. o ProcuradorGeral da República. quando determinado em lei. nos casos previstos em lei complementar. elaborar leis delegadas. as contas referentes ao exercício anterior. observado o disposto no art.2 Funções típicas e atípicas As funções típicas do Poder Executivo são aquelas diretamente relacionadas à direção superior da Administração Pública Federal. faz cumprir planos e programas. II. a mobilização nacional. nas mesmas condições. dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa. 62. administra. nos termos do art. 84 da Constituição enumerar as atribuições acima como sendo privativas do Presidente da República. editar medidas provisórias com força de lei. Apesar de o art. à Chefia de Estado e à Chefia de Governo. na forma da lei. autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele. o presidente e os diretores do Banco Central e outros servidores. § 6º. nomear os magistrados. isto é. executa. ressalvados aqueles sob a supervisão direta e imediata do Presidente da República. no caso de agressão estrangeira. quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas. anualmente. os Ministros de Estado detêm o poder-dever de supervisão sobre todos os órgãos da Administração Direta ou Indireta. 73. nos termos do art. Detém também o poder regulamentar. tais como: convocar extraordinariamente o Congresso Nacional. CF/88. conforme o disposto no art. no sentido de conferir o que consta na lei enquanto direitos de seus administrados. 57. sobressaindo-se a primeira. nomear membros do Conselho da República. prover e extinguir os cargos públicos federais. Também é sua função típica o controle interno dos atos da Administração. pelo qual certos .após aprovação pelo Senado Federal. decretar. total ou parcialmente. e o Advogado-Geral da União. enquadrados em suas respectivas áreas de competência. que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. ao Congresso Nacional. declarar guerra. pelo que estes pagam ou não tributos. seu Parágrafo Único permite a delegação de algumas delas. exercer outras atribuições previstas na Constituição. celebrar a paz.

também é reconhecida aos Governadores (dos Estados e do Distrito Federal) e aos Prefeitos. fazer autos conclusos para o Poder Judiciário. como por exemplo: legislar. Mas. para prover. visto acima.agentes públicos têm competência para editar atos normativos. que cuida das Leis Delegadas. ou seja. Poder regulamentar significa. portanto. longe estão os tempos em que o "mandato" de Deus tornava irresponsável o rei! Quanto à responsabilidade do Presidente da República. matéria reservada à lei ou para dispor sobre matérias que. Em qualquer um dos casos. Em relação aos crimes comuns que possa praticar. CF) e. em processo . que são infrações políticas. o Tribunal de Impostos e Taxas. expressa ou implicitamente. da "honestidade". os quais não podem. típicas dos outros dois Poderes. pelo Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional. quando autorizado. Para além dessas funções típicas. da "conveniência". 68. chamados regulamentos. infrações constitucionais. responderá como qualquer cidadão normalmente por eles responderia. da "oportunidade" que devem ser observados no exercício das funções) apuradas em processos político-administrativos realizados pelas Casas do Congresso Nacional. ofensas à Constituição (atentados ao "espírito" da Constituição. em tese. aos dispositivos desta. lhes são. como por exemplo. chamados regulamentos (cujos instrumentos são os Decretos Executivos) compatíveis com a lei e para desenvolvê-la ou para dispor sobre matérias que. este é responsável e sujeito à sanções de perda do cargo por infrações definidas como "crimes de responsabilidade". o Poder Executivo acaba realizando funções que são.3 Responsabilidade do Presidente da República Uma das características do Governo Republicano e do Regime Democrático é justamente a possibilidade de responsabilização dos mandatários. constitucionalmente. expressa ou implicitamente. de acordo com o art. ou melhor. 84. da "lisura". e com o art. compatíveis com a lei e visando a desenvolvê-la. IV. 86. CF/88). 62. a atribuição privativa do Chefe do Poder Executivo para expedir atos normativos. que trata das Medidas Provisórias com força de lei. sãolhes reservadas. em razão da simetria que reina entre as três esferas do Governo. já que o Poder Executivo. privativas. sob o ponto de vista do "decoro". pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. da "sabedoria". atipicamente. embora não tão amplamente como a que ocorre no Parlamentarismo. 3. uma admitindo a acusação e a outra processando e julgando (conforme art. 84. por força constitucional. previstas no art. julgar. Essa competência é conferida privativamente ao Presidente da República (art. da "prudência". existem muitas outras. dentro do âmbito da Administração possui alguns Tribunais Administrativos.

por oito anos. mas todo o processo. O termo impeachment vem do inglês e significa "acusação". inclusive ao Vice-Prefeito. sinal de uma prerrogativa que dispõe em razão da função que exerce. como ocupam cargos de confiança. apenas que com foro privilegiado. bem como os Prefeitos. que não preside apenas a sessão de julgamento. a possibilidade de realização de impeachment fica praticamente esgotada. dos Ministros de Estado. I. Procurador-Geral da República. Ministros do Supremo Tribunal Federal. do Procurado-Geral da República e do Advogado-Geral da União) tem o julgamento realizado pelo Senado Federal. porém. "a" e "b". Deve-se notar. Governadores e Secretários de Estados. demissíveis ad nutum). pelo Supremo Tribunal Federal. com a presidência do Presidente do Supremo Tribunal Federal. Ministros de Estado. tendo estreita ligação com o disposto nos artigos 51. assim. como tal designa a instauração de um processo contra altos dignitários da República. sendo definidos e tendo seu processo regulado pela Lei nº 1. O processo de impeachment do Presidente da República (assim como o do Vice-Presidente da República. 52. Advogado-Geral da União. É esta a previsão do art. 52. Quando se instaura um processo desse tipo. e não simplesmente ser demitido. que por deter mandato conquistado nas urnas. pois não exerce cargo de confiança. "denúncia". objetivando afastá-los de seus cargos pela razão de terem violado a Constituição. ainda. I. Buscamos suas origens na Inglaterra. ao Procurador-Geral da República e ao Advogado-Geral da União. Os crimes de responsabilidade em que pode incorrer o Presidente da República são previstos no art. 102. que regula o impeachment a ser aplicado como penalidades políticoadministrativa. devendo limitar-se à perda do cargo. que em relação aos Ministros de Estado.079/50. das demais sanções judiciais cabíveis. Por este mesmo dispositivo constitucional. deverá a mesma ser proferida por dois terços dos votos do Senado Federal. 85 da CF/88. Elevado a status de instituto jurídico-constitucional. sem prejuízo da ação penal. 102. "c". Além do Presidente da República a Lei do Impeachment alcança também. dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. com inabilitação. sendo processado e julgado. efetua-se nele um julgamento político. em caso de condenação. sendo que em relação a estes últimos aplica-se o Decreto-lei 201/67. conforme o disposto no art. . § único da CF/88. para o exercício de função pública. em caso de crime de responsabilidade deverá sofrer processo de impeachment. em consonância com a Constituição Federal.penal ordinário. podem ser demitidos a qualquer momento pelo Presidente da República (isto é. sem prejuízo. eis que. tendo depois passado para os Estados Unidos da América do Norte.

por funcionários e agentes públicos designados na forma legal. Assim. inerente à soberania. e também fiscalizar algumas transações dos particulares. o único caso envolvendo um Presidente da República. que o fazem por meio da decisão dos conflitos de interesse que se lhes apresentam (jurisdição contenciosa). a ser visto abaixo. III . aliás. o ex-Presidente da República Fernando Collor de Mello sofreu as conseqüências de um impeachment. suspensão esta que foi mantida pelo Supremo Tribunal Federal quando questionada pelo interessado.1 Estrutura. O Poder Judiciário exerce a jurisdição (juris dictio: dizer o direito). estruturado para proteger o direito individual). indo até ao 126. o único que não é eleito é o Poder Judiciário.Se tivermos em vista nossa história político-constitucional recente. a solução dos litígios que lhe são apresentados. ao Poder Judiciário cabe. 4. Pode o Poder Judiciário ter que decidir demandas individuais ou demandas de interesses públicos. 92. o mandado de segurança coletivo e a ação civil pública. que se dá por nomeação do Presidente da República. 92 da Constituição Federal. através da jurisdição voluntária (administração pública do direito privado). ressalvada a ascenção a alguns Tribunais Superiores. haja vista que o Senado Federal decretou a suspensão dos seus direitos políticos por oito anos. II . 4. Sendo assim. a jurisdição é monopólio do Poder Judiciário do Estado.o Superior Tribunal de Justiça. mediante prévia argüição e aprovação do Senado Federal. IV . .os Tribunais e Juízes do Trabalho. como sói acontecer quando são impetradas as ações para a proteção interesses meta-individuais (a ação popular. bem como realizar o controle da constitucionalidade dos atos normativos. mas mesmo assim sofreu os efeitos de um crime de responsabilidade.o Supremo Tribunal Federal. competências e efeito vinculante das decisões Pelo art. que fogem aos esquemas tradicionais do direito de ação. O Poder Judiciário Dos Poderes Constituídos pela Constituição Federal. o qual renunciou37 antes. É regido por um princípio de reserva para a apreciação de lesões a direitos. vindo a ser. bem como os casos de ingresso naqueles Tribunais que admitem se faça o mesmo por meio do que se usa chamar "quinto constitucional". "são órgãos do Poder Judiciário: I . Todas as disposições constitucionais relativas ao Poder Judiciário estão dispostas a partir do art. pelo que vem a ser sua função básica a aplicação das leis aos casos concretos. em linhas gerais. O ingresso na carreira da magistratura dá-se por concurso público de provas e títulos.os Tribunais Federais e Juízes Federais.

desembargadores (nos Tribunais de Justiça estaduais) e Ministros dos Tribunais Superiores. CF).V . pois que vem a ser ocupada por profissionais do Direito membros do Ministério Público e inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil. a Justiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho. o Poder Judiciário estruturado em sete órgãos. VII . 94 encontramos a previsão do que se chama "quinto constitucional". novidade positivada pela Constituição Federal de 1988 em seu art. dos Tribunais dos Estados. 109. conforme disposto no art. ainda.os Tribunais e Juízes Eleitorais. ou seja. ambos com mais de dez anos de carreira e de efetiva atividade profissional. art. I. Mas seja de que tipo ou nível for. CF/88. A Lei que dispõe sobre o Estatuto da Magistratura a que se refere o art. § 4º. A Constituição Federal apresenta.os Tribunais e Juízes Militares. que independe de concurso. a Justiça Estadual Especial abrange os Conselhos de Justiça Militar no 1º grau e o Tribunal de Justiça Militar no 2º grau. Paira sobre todos (no que não for . e do Distrito Federal e Territórios. assim. Lei Complementar nº 35/79). indicados e escolhidos na forma prescrita pelo referido artigo da Constituição. 125. podemos perceber que a Justiça pode ser de 1º ou de 2º grau de Jurisdição. mas a lei os distingue em juízes. A partir do rol dos órgãos do Poder Judiciário. Quanto às competências. No art. esta em razão de matéria especializada (a Justiça Federal Especial abrange a Justiça Militar. os membros que compõem o Poder Judiciário têm a designação genérica de juízes (magistrados).os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios". 38 assim como pode ser Federal ou Estadual. dos Juizados Especiais para Causas Cíveis de menor complexidade e Infrações Penais de menor potencial ofensivo e do Tribunal do Júri Federal (com a organização dada pelo Decreto-Lei nº 253/67. à Justiça Federal cabem as causas em que a União. Pela primeira vez na história nacional uma Constituição assegurou autonomia administrativa e financeira ao Poder Judiciário. e à Justiça Comum Estadual competem as causas não-reservadas à Justiça Federal. ser Comum ou Especial. 4º). A Justiça Federal Comum compõe-se dos Tribunais Regionais Federais. dos Juízes Federais. 99. sendo que os dois primeiros são únicos em sua classe e os outros cinco correspondem a conjuntos judiciais. podendo. aquela quinta parte da composição dos Tribunais Regionais Federais. com competência para o julgamento de policiais militares e bombeiros militares nos crimes militares. Entidade Autárquica ou Empresa Pública Federal forem interessadas. 93 da Constituição Federal é a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN. conforme o art. VI .

compõem o Tribunal no mínimo 33 Ministros (esse número pode vir a ser ampliado por lei ordinária). a composição inicial do Supremo Tribunal de Justiça fez-se pelo aproveitamento dos Ministros do Tribunal Federal de Recursos. o Tribunal do Júri e os Juizados Especiais. composto de 11 Ministros. no prazo de 5 dias. Tribunal que. ADCT). vez que julgam a mesma matéria desta. 104. CF/88. os juízes de direito estaduais. parte do trabalho que cabia ao Supremo Tribunal Federal pelo regime da Constituição de 1969. assim. como. 102. que organiza a Justiça Federal. Promulgada a Constituição. CF). em certas circunstâncias. ainda assim cabe-lhe a função precípua de guarda da Constituição. os Tribunais de Alçada. por meio de sua interpretação construtiva. De regra. já que é seu intérprete definitivo. ou a competência para processos oriundos de Estados Estrangeiros. Os Juizados Especiais. 27. Tanto as causas da Justiça Federal como as da Justiça Estadual podem subir. como nos casos de: a) extradição. não sendo homologada aquela que ofenda a soberania nacional. a ordem pública e os bons costumes). mas à Justiça Comum. c) carta rogatória (compete ao Presidente do Tribunal conceder exequatur a cartas rogatórias de Juízos ou Tribunais estrangeiros sendo que. 104 da CF/88. . o interessado residente no país será intimado. através de julgamento de competência originária (Ações Diretas de Inconstitucionalidade e Ações Declaratórias de Constitucionalidade) ou em grau de recurso ordinário ou extraordinário. podendo. pode o Supremo Tribunal Federal também julgar matéria não-constitucional. o órgão de cúpula do Poder Judiciário é o Supremo Tribunal Federal. aparece como última instância da Justiça Comum em matéria não constitucional. obviamente) a Lei nº 5. não pertencem à Justiça Especializada. além de sua competência originária. No Brasil. Podemos dizer que tem como principal função preservar. Por exceção. que devem ser escolhidos conforme os comandos do art. especialmente no elenco das questões de competência originária (definidas no mesmo art. Sem ser exclusivamente um tribunal constitucional. extinto em 1988 (conforme art. 102). § 2º.inconstitucional. recebida a rogatória. o que se dá através do recurso ordinário ou do recurso especial (art. apesar do nome. impugná-la). o habeas corpus quando o coator for Tribunal. só com a diferença da alçada própria. para o Superior Tribunal de Justiça. Pertencem à Justiça Estadual Comum os Tribunais de Justiça. o "espírito" e os princípios da Constituição Federal. ou por seu Presidente.010/65. b) homologação de sentença estrangeira (esta só terá eficácia no Brasil com a prévia homologação pelo STF. conforme competências amplamente definidas no art. assumindo. por exemplo.

CF/88. e até mesmo os membros do Supremo Tribunal Federal. que pelo texto constitucional vigente (art. conforme art. eis que quase todas as causas que chegam ao Supremo Tribunal dizem respeito a interesses do governo. o juiz pode decidir de forma diferente da prevista em dada súmula). e o fato de o Juiz de Paz tanto poder ser pago pelos cofres públicos quanto pelos interessados.2 Funções típicas e atípicas Também o Poder Judiciário realiza algumas funções que não são de . isso provocaria uma interferência na independência e na autonomia dos magistrados. a súmula vinculante deverá deixar de fora. Por fim. 98. divergem os doutrinadores. eis que grande número de ações propostas perante juízes e tribunais federais são baseadas em pretensões contrárias às decisões reiteradas do Supremo. desejando estender o efeito vinculante às súmulas do STF. pois funcionaria como uma espécie de indexador compulsório de sentenças. Em sentido contrário estão os argumentos que alegam o fato de todos os juízes de 1º grau terem de passar a acatar o conteúdo das súmulas. além do que engessaria a jurisprudência. impedindo a sua renovação. pelo que as decisões tomadas pelo STF vinculariam todos os casos semelhantes. sejam políticos. feita pelo método único das nomeações pelos Presidentes da República. § 2º) só existem para os casos de declarações de constitucionalidade. Longe de ser pacífica a sua adoção. o benefício maior da súmula vinculante seria o descongestionamento da Justiça. o que gera uma situação delicada na atuação do futuro Ministro. mediante sabatina e aprovação do Senado Federal. já que em tal seara cada caso realmente é um caso singular. por exemplo. Em outros casos. evitando repetições e procrastinações dos processos. ao final. algumas reflexões sobre o efeito vinculante das decisões judiciárias. De um lado estão os argumentos dos que desejam a extensão do efeito vinculante. os parlamentares. uma vez que grande parte dos recursos que chegam ao Supremo Tribunal são mera repetição e. algumas outras peculiaridades relativamente ao Poder Judiciário que podemos mencionar são o fato de a Justiça Militar integrar o Poder Judiciário e não as Forças Armadas. o Direito de Família. inciso II. se vier a ser adotada.Uma das maiores críticas que recebe o Supremo Tribunal Federal em sua atuação é relativa à sua composição dita política. sejam administrativos. o Supremo Tribunal Federal edita súmulas. mas há um item de pauta das discussões já em tramitação propostas de Reforma Constitucional do Judiciário. ramo que sempre deve ser tratado com muita particularidade. mas elas funcionam só como orientação (se quiser. Como este item não pretende ser exaustivo. 102. possuindo competência exclusivamente penal. De qualquer forma. 4.

III e 128. para os não oriundos da carreira (Ministros do Supremo Tribunal Federal) e para os Ministros do Tribunal de Contas da União. "f" (dispositivos pelos quais os tribunais organizam suas secretarias. exoneração a pedido ou morte. Vedações Existem garantias constitucionais de que dispõem os membros do Poder Judiciário para que com independência e imparcialidade possam exercer suas atividades na prestação jurisdicional. X e XI. Estas garantias são três. 95 da Constituição Federal de 1998. positivadas no art. CF/88). Mas incorre igualmente em funções atípicas. ressalvado o disposto nos arts. I". salvo interesse público e nas condições dos arts. nas hipóteses dos artigos 96. Outorgada somente aos membros do Poder Judiciário. nos incisos I. "b". concedem licença e férias a seus servidores. CF/88. b. A irredutibilidade dos vencimentos do juiz significa garantia de manutenção do poder . 2ª) inamovibilidade.3 Garantias constitucionais e subsídios dos magistrados. II. é adquirida com a posse. 39. § 4º. Para os membros do Ministério Público. Por existir só um Tribunal de Contas da União (art.sua vocação originária. disposições sobre o Estatuto da Magistratura. como administrar. e 153. em razão da idade. tomando por parâmetros a teoria clássica da Separação dos Poderes. 96. III. transcrita acima. etc. I. I. "a" e 93 (tribunais elaboram seus regimentos internos. 150.). É adquirida pelos juízes de 1º grau após 2 anos de exercício (nesse período a perda do cargo depende da deliberação do Tribunal a que estiver vinculado) e no 2º grau de jurisdição. etc. é alcançada após dois anos de exercício. pois necessariamente o agente terá que se retirar de suas funções públicas. prerrogativa que impede a perda do cargo. sendo que este terceiro inciso foi modificado pela Emenda Constitucional nº 19/98. 4. removê-los para onde? 3ª) irredutibilidade de vencimentos. 73.) e legislar. § 2º. Pela Súmula 36 do Supremo Tribunal Federal. II e III. por exemplo nos casos do art. já que o mecanismo do controle da constitucionalidade faz parte do sistema de freios e contrapesos (controle recíproco entre os Poderes). aos Ministros do Tribunal de Contas da União e aos membros do Ministério Público. 150. 37. As garantias são: 1ª) vitaliciedade. o que significa que completados 70 anos de nada mais vale ter-se a garantia da vitaliciedade. pois. não cabe falar em remoção dos seus membros. devendo ser observada a nova redação do dispositivo. I. o servidor vitalício está sujeito à aposentadoria compulsória. 93. Tipicamente exerce a função de julgar e de controlar a constitucionalidade das leis e dos atos normativos. passando a ser grafado assim: "irredutibilidade de subsídio. aposentadoria compulsória. salvo por sentença transitada em julgado. prerrogativa que impede a remoção do juiz ou do membro do Ministério Público.

obedecido. o disposto nos arts. incisos I. na prestação da jurisdição e no intuito de realizar a justiça. entre os artigos 127 e 135. XV da CF/88. e de dedicar-se a atividades políticopartidárias. não necessitando. não podendo a diferença entre uma e outra ser superior a dez por cento ou inferior a cinco por cento. nos seguintes termos: "o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores corresponderá a noventa e cinco por cento do subsídio mensal fixado para os Ministros do Supremo Tribunal Federal e os subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados. XI). de lei infraconstitucional para a sua efetivação. para todos os demais agentes públicos (art. . a qualquer título ou pretexto. terão seus subsídios fixados em lei e serão escalonados. 5. XI. em nível federal e estadual. Pelo art. 95) de maneira a também garantir a isenção e imparcialidade no desempenho de seu mister. assim. não funcionaria ou funcionaria muito mal. 48.nominal do vencimento (não o poder aquisitivo). E. 37. Ou seja: apenas o subsídio dos Ministros dos Tribunais Superiores possuem vinculação imediata com o dos Ministros do Supremo Tribunal Federal. conforme o disposto no art. Por isso são "essenciais". não teria atuação satisfatória. com redação dada pela Emenda Constitucional nº 19799. a respeito dos magistrados das demais carreiras do Poder Judiciário. ainda que em disponibilidade. em tese. ou mais. outro cargo ou função que não seja de magistério. embora não podemos nos esquecer que a fixação e a alteração do subsídio dos Ministros do STF dependem de lei. custas ou participação em processo. mencionamos brevemente que ao lado das garantias que são oferecidas aos magistrados existem algumas vedações. Tais vedações impedem os juízes de exercer. prevê a Constituição Federal a respeito dos subsídios dos magistrados. mas não impede a incidência de quaisquer tributos sobre os mesmos. 37. Importa relembrar que o subsídio a ser fixado para os Ministros do STF será o teto. por último. Após termos visto as garantias constitucionais dos magistrados. Das Funções Essenciais À Justiça A Constituição Federal de 1988 disciplina as funções essenciais à Justiça no Capítulo IV do Título IV. sem as quais o Poder Judiciário. o limite remuneratório. passemos ao tema remuneratório. nem excede a noventa e cinco por cento dos subsídios mensais dos Ministros dos Tribunais Superiores. que a Constituição lhes estabelece (no § único. e 39. isto é. Ainda podemos concluir que. tanto faz se em nível federal ou estadual. As funções são compostas por todas as atividades profissionais públicas ou privadas. V. em qualquer caso. II e III do art. 93. conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional. § 4º". de receber.

encampado novas funções. incumbindolhe a defesa da ordem jurídica. Pela Emenda Constitucional nº 19/98.1 Do Ministério Público Qualquer que seja a marcha do nosso País à cidadania plena e à consolidação da democracia. de fiscal da lei) e de titular da Ação Penal Pública. observado o disposto no art. propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares. 127 da Constituição Federal: "Ao Ministério Público é assegurada autonomia funcional e administrativa. provendo-os por concurso público de provas ou de provas de títulos. no Ministério Público o principal guardião de tais valores. o Ministério Público é instituição permanente. estendeu-lhe obrigatoriamente a presença nas "ações que envolvam litígios coletivos pela posse da terra rural e nas demais causas em que há interesse público evidenciado pela natureza da lide ou qualidade da parte". o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. de 20. 5. encontrará. há nova redação para o § 2º do art. como por exemplo a Lei nº 9. 169.869/73). sendo o defensor da causa ambiental. a política remuneratória e os planos de carreira. o Ministério Público Militar.97). do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis (art. 83 do Código de Processo Civil (Lei n. isto porque é uma instituição que teve revigoradas suas funções pela Constituição Federal de 1988. 127). essencial à função jurisdicional do Estado.415/96 que. do consumidor. Pela Constituição. discriminadamente: o Ministério Público. a notamos uma peculiaridade em relação aos servidores do Ministério Público da União: são atrelados ao Poder Executivo e não ao Poder . o Advogado e a Defensoria Pública. do idoso. a Advocacia-Geral da União. podendo. inclusive. algumas leis esparsas ampliam-lhe as competências. enquanto defensor da sociedade e enquanto executor de suas funções clássicas de custus legis (isto é. Podemos mesmo dizer que ele é o canal das demandas sociais. Além das atribuições constitucionais. e os Ministérios Públicos dos Estados Federados. o Ministério Público do Trabalho. a defesa do patrimônio histórico.1993 e cujo Regimento Interno está veiculado pela Portaria 221/97 da Procuradoria-Geral da República. 5. dos adolescentes e das crianças tendo. os interesses das populações indígenas. institucionalizadas nos artigos da Constituição já mencionados. E já que estamos tratando de organização funcional-administrativa.7.5. os Procuradores dos Estados Federados e do Distrito Federal. a lei disporá sobre sua organização e funcionamento". dentre outras. da família. ao dar nova redação ao inciso III do art. Diário Oficial da União de 10. Compreende: o Ministério Público Federal (que está organizado pela Lei Complementar nº 75.São funções procuratórias e propulsoras da atividade jurisdicional. como o controle externo da atividade policial.

e suas funções eram exercidas pelo Procurador-Geral da República. passando a vigorar nos seguintes termos: "c) irredutibilidade de subsídio. com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil em todas as suas fases. transcrevemos as novas disposições a respeito: "Os Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. o Ministério Público é chefiado pelo ProcuradoriaGeral da República. referente às "Funções Essenciais à Justiça". § 3º. 153. e ressalvado o disposto nos arts. 128. que foi modificado pela referida Emenda Constitucional nº 19/98. passando o artigo a ganhar inclusive um parágrafo único. 39. na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas e títulos. § 2º. cabendo-lhe as atividades de consultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo. mediante avaliação de desempenho perante os órgãos próprios. Nestes moldes constitucionais é que se dá. Esta foi uma alterações feitas pela Emenda Constitucional nº 19/98. sendo que a esse respeito a alínea "c" do § 5º do art. exercerão a representação judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades federadas. pois antes não existia entre nós. sofreu modificações. judicial e extrajudicialmente. porém agora sob outra denominação: Advocacia Pública. A Advocacia Pública compreende a atuação da Advocacia-Geral da União e dos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. 131 e seus parágrafos. disciplinada em regras básicas nos arts. 37. Assim. fixado na forma do art. III. 150. 131 e 132. I". os membros do Ministério Público também passarão a receber "subsídios". 132. Foi muito benéfica sua criação porque com isso também se possibilitou todo ou reordenamento das funções do Ministério Público.Judiciário. e não mais Advocacia-Geral da União. 5. existe a previsão constitucional do art. Aos procuradores referidos neste artigo é assegurada estabilidade após três anos de efetivo exercício. CF/88. Em nível federal. cuja nomeação se dá na forma do art. o exercício da . sendo a instituição que representa a União. 153. Como todos os demais agentes públicos. 128. II. § 4º.2 Da Advocacia Pública Tratada na Seção II do Capítulo IV. essa "função" continua existindo na Constituição Federal. Quanto aos Procuradores dos Estados e do Distrito Federal. portanto. É novidade da Constituição Federal de 1988. alargando assim a seara de defesa dos interesses da sociedade. após relatório circunstanciado das corregedorias". A Advocacia-Geral da União está prevista no art. Parágrafo único. organizados em carreira. X e XI.

destinada a encaminhar os interesses e defender as causas das pessoas necessitadas. qual seja. ou seja. que é a situação de garantia individual. pela primeira vez. inciso LXXIV. a indispensabilidade conquistada deveu-se principalmente ao forte lobby que a OAB empreendeu durante os trabalhos constituintes. 134. apenas fez uma exceção ao Princípio da Indispensabilidade da Advocacia privada. institucionalizando-a entre as "funções essenciais à justiça". àquela advocacia pública. quanto à remuneração. aquela relativa à impetração do habeas corpus (art. o Supremo Tribunal Federal suspendeu esta regra de indispensabilidade nos Juizados Especiais Civis e Criminais e na Justiça do Trabalho. § 1º). as regras dispostas no art. Da Defesa Nacional. com o objetivo de possibilitar a todos o acesso à Justiça e. já que a defesa dos necessitados é um direito individual assegurado pelo art. o que está positivado no art. Posteriormente. a segurança nacional passou a ser denominada defesa nacional. por último.Advocacia Pública. realizar o Princípio da Igualdade. 5º. como já mencionamos. Do Conselho Da República E Do Conselho De Defesa Nacional Após a Constituição Federal de 1988. CF/88. social e institucional que o Estado assegura a toda a Nação . § 4º. que necessitam da Justiça mas que não possuem meios econômicos para contratar e pagar um advogado privado. estrutura constitucional à advocacia. 5. Enfim. As intervenções 1. que o art. 133 da CF/88 e vem repetido no artigo 2º do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil-OAB (Lei nº 8. Salientamos. Passamos agora à Defensoria Pública.906/94). 1º. Pois é justamente para essas pessoas que a Constituição de 1988 previu. dizendo que aos mesmos se aplicarão. no seu art. com isso. ou seja. 39. CF/88. como uma das "funções essenciais da Justiça". Esta Lei. Capítulo VI Da defesa do Estado e das instituições democráticas. da Advocacia Pública e da Advocacia e da Defensoria Pública. também sofreu modificação em seu texto pela Emenda Constitucional nº 19/98. e cumpre registrar que recebe algumas severas críticas. 135. passando a refererir-se aos servidores integrantes das carreiras disciplinadas nas Seções II e III do Capítulo IV. a Defensoria Pública.3 Da Advocacia e da Defensoria Pública A Constituição Federal de 1988 deu.

dentro da ordem jurídica vigente.180/90. constitucionalmente previstos. transitoriamente. não é inconstitucional justamente porque vem prevista pelos próprios textos constitucionais. tais síncopes constitucionais podem ocorrer em duas hipóteses distintas: no "estado de sítio" e no "estado de defesa". artigos 89 e 90 e Decreto nº 99. como faculdades. nos arts. Em nosso Presidencialismo. art. que são medidas postas à disposição do poder público. que fora criado pelo Decreto-lei nº 348 de 1968. O Conselho de Defesa Nacional é também um órgão de consulta do Presidente da República. por exemplo. 17). mas para os assuntos relacionados com a soberania nacional e com a defesa do Estado Democrático (conforme CF/88. estado de defesa. estando previstas no Capítulo I do Título V da CF/88. Nos períodos anormais. assim considerados os de perigo externo ou de alteração da ordem interna. como se fosse uma espécie de ditadura formal e legal. É dizer: a suspensão das garantias constitucionais é necessária para que o poder de polícia se exerça sem embaraços. pelo regime constitucional vigente. estado de sítio e nas questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas (conforme CF/88. apenas o seu exercício fica temporariamente suspenso. art. Substitui o extinto Conselho de Segurança Nacional. art.180/90. Estado De Sítio E Estado De Defesa: Diferenças Nos regimes constitucionais tem-se que o império da lei corresponde ao estado de normalidade. 17). Extirpadas as circunstâncias motivadoras das medidas. isto é. A diferença básica entre ambas reside no fato de que a medida denominada estado de defesa é tomada tendo por base a justificativa de manter a estabilidade institucional em locais geograficamente restritos (podendo ser decretado pelo Presidente da República. as garantias suspensas voltam a ser restabelecidas. com elas cessam seus efeitos. 136 a 141. O Conselho da República é órgão típico do Parlamentarismo. E essa faculdade conferida aos governos. . não são revogados. No Brasil.para a perene tranqüilidade de seu povo. 2. 91 e Decreto nº 99. quanto aos princípios considerados não-essenciais à sobrevivência do Estado e à defesa do regime. funciona como órgão superior de consulta do Presidente da República em todos os assuntos de intervenção federal.041/90. para o pleno exercício dos direitos e para a realização dos objetivos nacionais. Os assuntos relacionados com a Defesa Nacional competem aos Conselhos da República e de Defesa Nacional. Importa ressaltar que em tais circunstâncias os direitos individuais não desaparecem. de pôr de lado a Constituição em casos extremos. Tem sua organização e funcionamento regulados pela Lei nº 8. em que se suspende a vigência da Constituição. têm lugar as chamadas síncopes constitucionais.

As Intervenções Federais E Estaduais Uma das maneiras de se manter uma Constituição rígida também pode ser por meio de intervenções nos entes que compõem a organização político-administrativa de um Estado. pelo qual a intervenção da União nos Estados e no Distrito Federal somente se dará: para manter a . isto é. quando estes descumprem ou não cumprem por inteiro disposições da Constituição Federal. e é por isso que no texto da Constituição Federal de 1988 vemos expressa a possibilidade de intervenção apenas como medida excepcional. Não é outro o sentido do art. E prestar segurança pública implica assegurar a preservação da ordem pública. Quanto à prestação do serviço segurança pública. a polícia rodoviária federal. importa ressaltar que a Emenda Constitucional nº 18/98. caput) como instrumentos institucionais de defesa do Estado e da democracia. quando utilizadas. Por fim. conforme disposto no art. constitui-se em uma medida constitucional mais rigorosa. a Aeronáutica e a Marinha) têm como comandante supremo o Presidente da República. 34. configuram atitudes de legítima defesa do Estado. as polícias militares e os corpos de bombeiros militares. a polícia ferroviária federal. o que costuma acontecer nos casos de guerra externa ou de comoção interna grave. a segurança pública é apresentada como sendo um dever do Estado. são incumbidos de o fazer as seguintes instituições: a polícia federal. 142. vir a ser justamente o defensor da mesma democracia contra a qual atentou. e ao mesmo tempo um direito e uma responsabilidade de todos. 4.em apenas um Município. ou seja. 144. Mas tanto uma quanto outra. Mas a regra não é esta. de 5 de fevereiro de 1998. e sim a da manutenção da autonomia daqueles entes que compõem uma Federação. bem como a incolumidade das pessoas (integridade física) e do patrimônio (tanto público como das pessoas particulares). as Forças Armadas (reunindo o Exército. Sob um aspecto é curioso ver quem fez tanto mal à democracia em um regime constitucional. 84. dispôs sobre o regime constitucional dos militares. no imediato subseqüente regime constitucional. Das Forças Armadas E Da Segurança Pública Erigidas que foram pela Constituição atual (art. de maneira a preservar a regra. as polícias civis. Prevista constitucionalmente no art. tendo origem histórica na evocação dos plenos poderes nas praças sitiadas da Idade Média. 3. XIII. ou em apenas um Estado da Federação) e o estado de sítio pressupõe uma ameaça generalizada em âmbito nacional.

não tiverem aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino. bem como a duração e o restabelecimento da situação anterior estão previstas no art. incisos e parágrafos. a autonomia municipal. na forma da lei. da Constituição Federal. os direitos da pessoa humana. sem motivo de força maior. só podendo ocorrer (conforme o art. O Sistema Tributário Na Ordem Constitucional Vigente No exercício de suas funções como administrador das finanças . 35. A intervenção nos Municípios é possível (do Estado em seus municípios e da União nos municípios dos Territórios Federais). se não cumpridos podem ensejar uma intervenção federal. ou quando o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual. na manutenção e desenvolvimento do ensino).integridade nacional. a dívida fundada. são os ditos "princípios sensíveis". para repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra. pôr termo a grave comprometimento da ordem pública. dentro dos prazos estabelecidos em lei. ordem ou decisão judicial. a aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais. sistema representativo e regime democrático. garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação. compreendida a proveniente de transferências. para prover a execução de lei federal. As regras necessárias para a decretação das intervenções. reorganizar as finanças da unidade da Federação que suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos (salvo motivo de força maior) ou que deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas na própria Constituição Federal. de ordem ou de decisão judicial. tendo sido introduzido pela Emenda Constitucional nº 14/96. mas também como medida excepcional. por dois anos consecutivos. CF/88) quando os Municípios: deixarem de pagar. e para assegurar a observância de alguns princípios constitucionais (a forma republicana. 36. a prestação de contas da administração pública direta e indireta. ou para prover a execução de lei. dentre os quais o que se refere à aplicação do mínimo exigido constitucionalmente em ensino não estava no texto original da Constituição Federal de 1988. Capítulo VII Da tributação e do orçamento 1. Os princípios constitucionais que. não prestarem as contas devidas.

172/66 que. podemos ver que nos arts. O poder tributário é um monopólio estatal. Na Constituição Federal de 1988. 39 E todas as manifestações. é uma das múltiplas manifestações do poder geral do Estado (função privativa). provêm do exercício de atividades e não são coativas. ou ingressos. art. CF). o Estado desenvolve atividades que se relacionam com a obtenção dos recursos necessários à satisfação das necessidades do grupo social que representa. sobretudo na parte que trata da divisão de competências (art. 48. o sistema constitucional tributário brasileiro foi elaborado com as características da rigidez (o sistema é rígido porque não pode ser modificado da mesma forma que as leis ordinárias. o qual deve ainda ser lido em consonância com as normas sobre a Administração do Estado (Administração Pública. Estados. temos que o Estado não dá nada aos administrados sem que antes tenha deles cobrado. haja vista estar na Constituição Federal e só pode ser modificado por reforma constitucional) e da exaustividade (a Constituição Federal prevê todas as regras e princípios que definem e organizam o sistema tributário constitucional. podem ser originárias (empréstimos. além de trazer disposições sobre a repartição das receitas tributárias. monopólios. seja em relação às limitações ao poder de tributar. em seu art. Todas estas regras compõem esmiuçadamente o nosso Sistema Tributário Constitucional. a principal fonte de receitas do Estado (CRISTANI. características e modo de agir relativas ao poder de tributar têm sua organização prevista no que se costuma chamar sistema tributário. p. no estágio atual. ou receitas.públicas. afirmar ser a mais pormenorizada estrutura tributária constitucional do mundo! Assim. Tais recursos. 145 a 164 da CF/88 estão gravadas as diretrizes-chaves do sistema tributário nacional. Se tem fins a cumprir (promoção do desenvolvimento e do bem-estar social). Lei40 nº 5. atividades industriais e comerciais do próprio Estado. Distrito Federal e Municípios). 3). seja em relação aos princípios gerais e específicos que o informam. à repartição da competência de tributar entre os entes federativos (União. 2º diz que o Sistema Tributário Nacional deve ser entendido como o . Por outro lado. Assim. exploração de bens e serviços. O tratamento dado à matéria tributária pela nova Constituição foi tão exaustivo a ponto de os especialistas da área. ou seja. CF) e sobre a Organização dos Poderes. 1997. sua gestão e aplicação nas finalidades propostas. como Ives Gandra da Silva Martins. interessante é ter em vista o que estatui a respeito o nosso Código Tributário Nacional. porque advêm da relação contratual do Estado) ou derivadas (coativas). logicamente carece de meios para realizá-los e o poder fiscal de tributar é. 43. dentre estas estando as que resultam da imposição de tributos.

desde que. ao tratarmos dos princípios que regem a ordem tributária e dos tipos de tributos existentes. de práticas tributárias aceitas pelos órgãos e entidades da Administração Pública. assim como é fundamental não perdermos de vista aquela sábia e já conhecida lição de Celso Antônio Bandeira de Mello. cada pessoa política. conforme veremos em sua nomeação e significado abaixo mencionados. não importa aplicados a qual área do Direito. no seu relacionamento. Já vimos que uma Federação enseja um "pacto" entre entes que. 2. para não dizer a todo o ordenamento jurídico.conjunto de instituições dotadas de poder conferido pelo Direito Tributário. obviamente. bem como a competência das unidades federativas para instituí-los e cobrá-los. Estas inovações serão vistas na seqüência. aqui em suas especificidades quanto ao Direito Tributário Constitucional. 2. pela qual a desatenção a um princípio implica ofensa não apenas a um específico mandamento obrigatório mas a todo o sistema de comandos. têm suas receitas tributárias próprias. Modificações profundas foram realizadas pela nova Constituição no que diz respeito ao sistema tributário nacional. Assim.1 Princípios da Federação e da República Por estes dois princípios.1. constitucionalmente definidas.1 Princípios gerais Os princípios gerais são aqueles aplicáveis a mais de uma área do Direito. referindose a todos os tributos. porém. 2. possam produzir efeitos na vida econômica das pessoas com conseqüências de ordem tributária. devemos nos recordar que são eles que dão as diretrizes de nível constitucional à matéria. até porque ocasionou inovações de monta na própria Federação. mas sempre com adequações próprias às várias áreas. contemplando de maneira mais ampla. no nosso sistema federativo. . não significando. os entes municipais. com a inclusão dos Municípios entre os entes federativos que desfrutam de autonomia. que o contribuinte tenha tido algum alívio em sua carga tributária. mesmo. novos tributos foram criados e as arrecadações tiveram um rearanjo em sua distribuição. Neste grande item veremos que os próprios Princípios que regem toda a organização tributária já funcionam também como limitadores constitucionais à tributação. estando ou não expressos. de regras tributárias de caráter constitutivo ou interpretativo da legislação e. Princípios Constitucionais Regentes Da Ordem Tributária E Limitações Constitucionais À Tributação Sempre que tratamos de princípios.

significando a vedação de a União.1. necessariamente. tem sua previsão no art. CF. inciso VI. E na área tributária este "pacto federativo" também deve ser respeitado. conforme disposto no art. 150. sujeitam-se à soberania de um poder central para que o todo sobreviva. pelo elevado número de exceções constitucionais e pelo fato de ser possível publicar uma lei em 31 de dezembro do ano em curso criando novo tributo e iniciar a cobrá-lo no dia 1° de janeiro do ano seguinte. 195. 150.2 Princípio da anterioridade Este princípio. Convém mencionar que o doutrinador Sacha Coelho diz que o princípio da Anterioridade. os entes gozam de imunidade recíproca. CF/88. § 6º). no estágio em que se apresenta. b. pois é com uma tributação adequada e com uma repartição equilibrada das competências e divisão das arrecadações que defende uma Federação. II. . No entanto. no art. também impropriamente dito Princípio da "Anualidade". que fez incidir Imposto de Renda sobre os rendimentos de pessoa jurídica imune nas aplicações de fundo de investimento. 150. previsto que está no art. pelo qual não podem os Estados e a União instituir impostos sobre patrimônio. impostos extraordinários. § 1º): importação de produtos estrangeiros. I.1. Significa que para haver a cobrança de um novo tributo ou a majoração de um já existente.3 Princípios da legalidade e da tipicidade O Princípio da Legalidade já foi visto em outro item. foi repetido no Sistema Tributário Nacional. no sentido de que os contribuintes não se surpreendam pela imposição tributária. o que vem estabelecido no art. III. 5. prevê a própria Constituição que este Princípio não se aplica aos seguintes impostos (art.535. produtos industrializados. ser publicada até o final do exercício anterior ao que se inicia a sua cobrança. a lei deverá. trata-se de mero princípio retórico. 2. 2. É direito à segurança jurídica. empréstimo compulsório extraordinário e contribuições sociais (estas últimas estão sujeitas ao período de 90 dias entre a publicação da lei e a eficácia. renda ou serviços uns dos outros. Estados. E é por isso que em nossa Federação. CF/88: "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Além disso. "a" da Constituição Federal. 150. Mas parece que um ou outro ataque ao princípio federativo nesta matéria sempre tornam a ocorrer.preservando suas autonomias. É uma forma de deter a eficácia da lei até o primeiro dia do exercício subseqüente da sua publicação. configurando-se um federalismo cooperativo. Distrito Federal e Municípios cobrar tributos "no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou". Logo. como por exemplo o surgimento da Lei nº 9. em 1997. exportação de produtos nacionais ou nacionalizados. que estabelece ser vedado "exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça".

II. c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". "a". pelo qual "a lei não prejudicará o direito adquirido.só a lei em seu sentido formal e material é que pode dispor sobre a exigência e a majoração de tributos (Nullum tributum sine lege: não há tributo sem lei). desde que mais benigna aos contribuintes ou responsáveis. CF/88: "É facultado ao Poder Executivo. II. qualquer lei que veicular norma tributária deve fazê-lo de maneira expressa. independentemente da denominação jurídica dos rendimentos. III. assim dispõe: "sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. § 1º. Porém.. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada". é vedado à União.. II. aos Estados. câmbio e seguro ou relativos a títulos ou valores imobiliários.. descrevendo integral e exaustivamente os elementos da regra matriz de incidência. 2. atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei. 5º.1 Princípio da capacidade contributiva . 153. alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I. proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida. 5º da CF/88 em seu art. IV e V". Mas tal postulado transcende o Direito posto e faz parte dos princípios gerais do Direito.1. expressamente.5 Princípio da irretroatividade da lei em matéria fiscal Nossa Constituição Federal não prevê. sobre operações de crédito.. Mas existem algumas exceções. 150. O Princípio da Tipicidade. Logo. ao Distrito Federal e aos Municípios [. trazidas no art.. XXXVI. não-expresso. 2. sobre produtos industrializados. 2.] Cobrar tributos [. que diz ser vedado "instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontram em situação equivalente. esse princípio.2 Princípios constitucionais particulares da tributação São aqueles de existência e de aplicação específica na área tributária. 2. CF: impostos extraordinários (caso de guerra externa). impostos sobre importação de produtos estrangeiros.2. o art. reside ao lado do Princípio da Legalidade e serve para evitar que a lei em matéria tributária deixe margem à discricionariedade do intérprete quando da sua aplicação. títulos ou direitos".4 Princípio da igualdade O Sistema Tributário Nacional repetiu o disposto no art. Especificamente em matéria fiscal. 106 que: "A lei aplica-se a ato ou fato pretérito.. sobre exportação de produtos nacionais ou nacionalizados. tem-se em seu art. pelo Código Tributário Nacional. é possível haver a irretroatividade da lei posterior. Portanto.1. tanto é que a Constituição protegeu as situações pretéritas: art. 150. 154. Também não se aplica ao art. quais sejam.] em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado".

Diz o art. I e III (seletividade de alíquotas e a não-cumulatividade do IPI e do ICMS) e do art. quanto à cobrança dos impostos o legislador deve. Distrito Federal ou a Município. 20). os quais são os do art. não tem dinheiro à sua disposição. p. de maneira que sejam mais elevadas em um Estado Federado do que em outro. 2.2. 151. para poder saldar as exações tributárias. tem íntima relação com o respeito ao direito de propriedade (este garantido no art. Assim. Há quem diga que a Constituição Federal confunde os termos "capacidade contributiva" e "capacidade econômica". pois é possível um contribuinte demonstrar capacidade econômica com o fato de ter um patrimônio muito grande que não lhe dá lucro e não ter capacidade contributiva porque não é possuidor de liquidez. pois tributos exorbitantes acabariam por transferir a propriedade do particular para os poderes públicos. à necessidade de tratamento isonômico às pessoas políticas.3 Princípio da vedação à tributação confiscatória Previsto no art. § 2º.2 Princípio da uniformidade geográfica Previsto na Constituição Federal em seu art. § 1º. 153. os dos artigos 153. Existem outros dispositivos constitucionais que prestigiam o Princípio da Capacidade Contributiva. 150. isto é. 150. IV. em detrimento de outro. I e II e 155. ter que desfazer-se de seu próprio patrimônio (bens ou rendas). CF/88. § 2º. admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País". na feitura das leis.instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Estado. mas na medida em que o permita a sua capacidade econômica. CF/88 que sempre que possível. o legislador federal não pode instituir alíquotas diferenciadas do Imposto de Renda. mas o fato de o ônus fiscal tornar-se insuportável para o contribuinte ao ponto de. sem a anuência do primeiro. § 3º. I (progressividade expressa no IR). e a igualdade entre brasileiros e estrangeiros residentes ou em trânsito no País. 5º. I. O que caracteriza um tributo confiscatório não é o percentual (alíquota) adotado. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte.2. . IV (a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco). por exemplo. 1997. utilizando esta última com o significado da primeira. Trata-se de princípio ligado ao pacto federativo. O que se pode afirmar é que. 2. é também conhecido como Princípio da Isonomia das Pessoas Constitucionais. escolher como contribuintes aqueles que demonstrem possuir signos presuntivos de riqueza (CRISTANI. Por ele é vedado à União: "I . 145. Por este Princípio. CF). cada um deve contribuir para atender as necessidades de recursos do Estado.

temos que a União. 2. por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais. 1993. CF/88. A cobrança do pedágio terá o mesmo valor a todos os passantes e não poderá questionar a origem ou o destino dos bens ou pessoas. ao Distrito Federal e aos Municípios "estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens. 1997. por exemplo. pelo qual é inconstitucional ente federativo interferir na competência tributária privativa de outro ente da Federação. não pode ser objeto de delegação.6 Princípio da não-discriminação tributária em razão da origem ou do destino dos bens e serviços É Princípio que bambém afirma o pacto federativo ao não permitir a discriminação em razão da procedência ou do destino dos bens e serviços objetos de tributação. O Princípio permite. . ainda que assim o deseje. no entanto. o fato da transposição da fronteira não é elemento essencial à configuração da obrigação tributária" (CRISTANI. 2. p. compreendida como a prerrogativa para legislar sobre matéria tributária. "tal cobrança também incida na circulação interna.2. ainda que haja anuência. 2. pelo qual: "É vedado aos Estados. a apreensão de mercadorias em situação irregular (como. quando desacompanhadas da competente nota fiscal). 152. 150. Do mesmo modo. 1997.5 Princípio da liberdade de tráfego de pessoas ou bens Pelo art. e tudo isto porque a competência tributária. Mas o comando constitucional não veda. aos Estados. ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo poder público".2. por exemplo. para ser constitucional. 21). encontra-se impedida de transferir a sua competência em proveito do Estado ou do Município" (JARDIM. Equivale dizer: "a pessoa constitucional que recebeu uma determinada competência tributária não pode transferi-la em favor de outra pessoa tributante.4 Princípio da indelegabilidade da competência tributária Trata-se de princípio não-expresso. p. ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços.2. O que se exige é que. Está previsto no art. não afasta a possibilidade de se utilizar a tributação com efeitos extrafiscais. de qualquer natureza. 23). p. bem como ao desejar promover a igualdade na tributação.responsável pelo nascimento do tributo (CRISTANI. que seja cobrado o ICMS de um Estado para o outro ou de um Município para outro Município. em razão de sua procedência ou destino". V é vedado à União. dotada que é da faculdade de legislar sobre imposto de renda. 139). Em exemplo. Quer dizer. bem como a natureza da carga em trânsito ou a naturalidade da pessoa. Mais uma vez estamos diante de um Princípio que decorre do pacto federativo.

por último. em qualquer caso (aplicação do Princípio da Generalidade) deverá contribuir com o Imposto de Renda. que adquira a disponibilidade econômica ou jurídica de renda. isto é. § 2º. aprovada pela maioria absoluta de seus membros. 1º. pelo qual a tributação do Imposto de Renda deve alcançar todos. tendo em vista as desigualdades regionais. a Federação não pode comportar. devendo o desenvolvimento nacional ser. se uma mercadoria tem sua origem no Estado de Santa Catarina e é comercializada com um destinatário do Estado do Paraná. adotou alíquotas diferenciadas em razão da origem e do destino da mercadoria ou do serviço de transporte intermunicipal e interestadual. física ou jurídica. Após. Assim. pois a todos é imposto o sacrifício de co-participarem com os gastos públicos. 22/90). eis que também todos têm direito de receber os bens e serviços prestados pelo Estado. aplicando-se a interpretação lógico-sistemática. 2. coaduna-se com os ditames do Sistema Tributário Nacional e tem-se que. os dois últimos princípios são comuns ao Direito Tributário. pelo qual é necessário aumento quantitativo progressivo da alíquota do Imposto de Renda (IR) na medida em que a base de cálculo também aumentar. a mesma deverá ser tributada. IV (este diz que. § único. em primeiro lugar. segundo o qual a tributação do Imposto de Renda deve alcançar tudo. § 2º. tem-se o Princípio da Universalidade. será aplicada uma alíquota interestadual de 7% (art.Porém. 24). 1997. 1º da Res. Assim. ao passo que se o mesmo comerciante catarinense vender sua mercadoria a um destinatário do Maranhão. de iniciativa do Presidente da República ou de 1/3 dos senadores. diferenças regionais de grande monta. II da Res. Na verdade. Por outro lado. Não obstante. interestaduais e de exportação"). na medida do possível. sob pena de correr sérios riscos de secção. do Senado Federal. fazendo com que os Princípios da Igualdade (no sentido aristotélico) e o da Capacidade Tributária tenham aplicabilidade.3 Princípios específicos do Imposto de Renda Os princípios específicos ao Imposto de Renda são. p. "resoluções do Senado Federal. também contribuinte do ICMS (art. em exemplo trazido por Cláudio Cristani. 155. está se tratando desigualmente os desiguais. estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações. em relação ao ICMS. isto é. tal Resolução não é tida como inconstitucional porque. VII. E. a Resolução nº 22/90. homogêneo (CRISTANI. em todos os casos em que houver a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda. o da Progressividade. 22/90). 150. pelo atendimento dos princípios da Federação e da Igualdade. tem-se o Princípio da Generalidade. que complementou o art. "a") é aplicada uma alíquota interestadual de 12% (art. qualquer pessoa. não é em qualquer situação realizada por qualquer .

CF/88. impostos multifásicos. pelos quais: "será nãocumulativo. § 3º. significa que quanto mais as mercadorias e os serviços forem essenciais ao mínimo vital. 155. o último acaba arcando com o ônus do imposto. b) acarretará anulação do crédito relativo às operações anteriores" (grifamos). na tentativa de dar um caráter pessoal e efetivar os Princípios da Isonomia e da Capacidade Contributiva. ao contrário. II. dizendo que tal imposto "será não-cumulativo. Isto faz com que o IPI e o ICMS. art. o mesmo montante de ICMS que seria devido caso tivesse . mas quem arca com a exação tributária é o adquirente final do produto ou o consumidor final do bem ou serviço) e a esta categoria de impostos adotam-se alíquotas diferenciadas. § 3º. em relação ao IPI está previsto no art. em função da essencialidade do produto"). 2. Os dois casos são de impostos indiretos (aqueles em que há um contribuinte de direito e um outro de fato. 153. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou por outro Estado ou pelo Distrito Federal" e "A isenção ou não incidência. geralmente. isto é. 153. 155. CF/88.4 Princípios específicos do ICMS e do IPI: da seletividade e da nãocumulatividade O Princípio da Seletividade. quanto mais supérfluos forem. O Princípio da não-cumulatividade faz operar uma técnica de política fiscal permitindo o abatimento do imposto anteriormente pago (que funciona como um crédito) no montante a ser pago na próxima operação (que se apresenta como um débito). salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes.pessoa em que houver a disponibilidade jurídica ou econômica de renda que deve incidir Imposto de Renda. Por sua vez o Princípio da não-cumulatividade. específico ao ICMS (CF/88. levando-se em conta a essencialidade do produto. § 2º. pois este não deve incidir sobre a parcela de aquisição de renda indispensável ao suprimento das necessidades básicas da pessoa que a obteve. III . não sejam tributados em cascata."poderá ser seletivo. compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores" e em relação ao ICMS apresenta-se no art. art."será seletivo. a parcela de rendimentos comprometida com o mínimo vital não representa capacidade contributiva para o IR e não deve ser tributada. Assim. o contribuinte do IPI é o industrial e do ICMS o comerciante. sendo que aquele faz repercutir no preço o imposto e. § 2º. em função da essencialidade das mercadorias e serviços") e ao IPI (CF. I . maior a alíquota. por conseqüência. o consumidor final tem o direito constitucional subjetivo de ver embutido. que são. no preço da mercadoria que adquire. I e II. menor a alíquota aplicada e.

. É a exclusão constitucional do poder de tributação que se refere apenas a impostos. Difere a imunidade da isenção. no valor final. Os princípios já foram vistos acima. o princípio da nãocumulatividade não permite que haja "cascata" de imposto sobre imposto (CRISTANI. embora a Constituição apresente enquanto exceção. Importa salientar que a Constituição não usa o termo "imunidade". imunidades a taxas: impossibilidade de cobrança de custas judiciais e de taxas nas ações de habeas corpus. 1997. não é possível prestar serviços sem cobrar pelos mesmos. Agora trataremos das imunidades. 27-28). Ou seja.ocorrido uma única operação mercantil. prevista na CF/88. que são as garantias constitucionais do contribuinte. quanto um outro que sofre várias etapas de industrialização terá.). se pratique o ato ou se celebre o negócio considerado pela Constituição Federal como revelador da aquisição de capacidade econômica do contribuinte. 2. Do mesmo modo. 2. 175.884/89. Isto porque. mas dispensa-se o pagamento do tributo a partir da data do nascimento da obrigação respectiva. e sim "é vedado". sendo esta a modalidade de exclusão do crédito tributário prevista no art. o mesmo encargo tributário. p. sob a forma de norma dirigida ao legislador. habeas data e atos necessários ao exercício da cidadania. a imunidade exclui a própria competência tributária.5. As limitações ao poder de tributar são impostas pelos princípios tributários e pelas imunidades. dele não pode aproveitar-se o legislador para considerá-lo fato gerador do imposto. a eles não correspondendo atividade específica do Estado em relação ao contribuinte. tanto um produto que é industrializado em uma única fase. enquanto a isenção exclui o crédito tributário. a federação. ainda que ocorra o fato. o registro civil de nascimento e a certidão de óbito. com o fim de proteger valores básicos do indivíduo (segurança. previsibilidade da ação estatal. o que poderia ocasionar arbítrio ou exercício abusivo do poder de tributar conferido pela CF/88. a liberdade e o patrimônio. Logo. Quanto às outras espécies de tributos (vinculados à alguma prestação estatal). também devendo ser gratuitos aos reconhecidamente pobres. nos termos da Lei 7. etc. fazendo nascer a obrigação tributária. a igualdade entre os Estados e os Municípios. por serem estes tributos não-vinculados. "não incide".1 As imunidades A imunidade é uma limitação do exercício do poder de tributar.5 Outras limitações constitucionais à tributação O exercício da competência tributária não é ilimitado. CTN: o crédito tributário existiu e o fato gerador ocorreu efetivamente. estabilidade das relações jurídicas. não lhe permitindo exercer a sua competência tributária nos casos que especifica.

a renda ou serviços dos templos (de qualquer culto). Quanto às últimas instituições. e não de simples relações de poder ou de soberania. Discriminar é verbo que significa separar. p. havendo decisão do STF no sentido de que materiais relacionados com o papel (papel fotográfico. CF) e mais o disposto no art. discriminou as competências entre os referidos entes federativos. jornais e periódicos e o papel destinado à sua impressão (art. a técnica da distribuição de competência tributária é denominada "discriminação de rendas tributárias". conforme o poder tributante. 1995. 1995. 150. quando aplicado às rendas tributárias. Assim. Também desfrutam de imunidade de impostos o patrimônio. Além destes casos. Este poder fiscal. 252). Discriminação Constitucional Das Rendas Tributárias: Competência Tributária. Regras De Repartição Das Receitas Tributárias 3. podem existir tributos federais. para que não haja invasão de competências a Constituição Federal. instituições de educação e de assistência social (sem fins lucrativos. 206. de forma exaustiva e rígida. atendidos os requisitos da lei. no nosso sistema tributário nacional. Distrito Federal e Municípios). "d". filmes fotográficos) estão abrangidos por esta imunidade. sendo que. E como o exercício do poder de tributar dá origem a relações obrigacionais de direito público. Rec. uns dos outros. II. 3. VI: vedado à União. manterem seus objetivos institucionais aplicando integralmente no País os seus recursos e guardar as formalidades exigidas para a escrituração fiscal). do Distrito Federal e dos Municípios (art. 14/04/97). Extraordinário n. . em decorrência da federação. configurando o Princípio da Vedação de Tributação.Existem também as imunidades recíprocas das pessoas de Direito Público Interno. Tributos E Espécies Tributárias. p. 150. sindicatos (entidades sindicais dos trabalhadores). Estados. dos partidos políticos (inclusive suas fundações). estaduais e municipais. existem algumas recentes modificações. mas não máquinas e aparelhos importados por empresa jornalística (cf. aos Estados.127-1. VI. refere-se à repartição da competência tributária entre os diversos níveis de governo (MORAES. CF). 14 CTN: não distribuírem lucros. Em Direito Tributário. fornecidos pelo art. há também imunidade para livros. a atuação do Estado no setor tributário faz-se através de relações de direito.1 Discriminação constitucional das rendas tributárias O poder fiscal (poder de tributar) é a faculdade que o Estado possui para criar tributos e exigi-los das pessoas que se encontram dentro do âmbito da sua soberania territorial (MORAES. ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre o patrimônio. da renda das obrigações da dívida pública dos Estados. e. pela União. a renda ou serviços. 151. diferenciar. é distribuído às diversas pessoas políticas (União.

274). A discriminação de competência é prevista na Constituição Federal. Importa observar que a Constituição não cria tributo (o que deve ser feito por lei), mas prevê o caminho para a criação. A atribuição constitucional da competência para instituição de tributos compreende a competência legislativa plena (determinar sua incidência, base de cálculo e alíquota, sujeito passivo da obrigação constituída, formas de lançamento e cobrança e prover os modos de arrecadação e fiscalização) da seguinte maneira: a) todas as pessoas políticas (exceto os Territórios Federais, que não dispõem de Poder Legislativo e não têm competência tributária) podem impor impostos, conforme um regime de competências privativas da União (art. 153), dos Estados e do Distrito Federal (art. 155) e dos Municípios (art. 156); b) todas as pessoas políticas (novamente excetuando-se os Territórios Federais) podem instituir taxas e contribuições de melhoria, sob a sistemática de competência comum, conforme o art. 145, II e III; c) apenas a União pode instituir empréstimos compulsórios (sempre mediante Lei Complementar), assim como também cabe somente à União, com a exceção do § único do art. 149, a cobrança das Contribuições Parafiscais do art. 149 (contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas). Também a competência residual (art. 154, I, CF/88) para instituir outros impostos, desde que nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo coincidentes com os demais impostos e a competência extraordinária ou especial (competência para instituir, na iminência ou no caso de guerra externa, impostos, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, conforme art. 154, II, CF/88, cessadas as causas de sua criação, valendo observar que o Código Tributário Nacional, em seu art. 76, estabelece prazo de 5 anos para a supressão, contados da data da celebração da paz) são privativas da União. Sobre as demais formas de exercício da competência tributária, o art. 7º, CTN proíbe a delegação da competência tributária, admitindo, apenas, a delegação das atribuições de arrecadar ou fiscalizar tributos ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributária, desde que conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra. Esclarecemos que não constitui delegação de competência o que o CTN (art. 7º, § 3º) chama de cometimento a pessoa jurídica de dir. privado do encargo ou função de arrecadar tributos, o que ocorre quando o tributo é

recolhido pela rede bancária autorizada. 3.2 Tributos e espécies tributárias O conceito de tributo dado pelo Código Tributário Nacional está em seu art. 3º: "é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda corrente ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada". Tributo é gênero que comporta espécies. O alcance da palavra tributo, que pelo Código Tributário (art. 5º) abrangia apenas os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria, foi ampliado pela CF/88 que abrange as três espécies citadas (no art. 145) e mais: empréstimos compulsórios (art. 148); contribuições sociais, ditas especiais ou parafiscais (art. 149), a contribuição para a seguridade social (art. 194) e o pedágio (150, V). No entanto, autores como Geraldo Ataliba adotaram a divisão tripartite e há quem diga que os empréstimos compulsórios e as outras contribuições que não as de melhoria não sejam espécies tributárias autônomas pois, pelo fato gerador das mesmas, especialmente do empréstimo compulsório, vêse que apresentam-se como verdadeiros impostos. Vejamos agora o que se entende por cada uma dessas espécies tributárias. Como síntese, podemos adiantar: o imposto é um verdadeiro adiantamento de meios; a taxa, um pagamento mais ou menos contemporâneo à fruição da vantagem ou do serviço, e a contribuição é sempre paga posteriormente. 3.2.1 Impostos Imposto, que pelo art. 16 do CTN: "é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte", é um tributo nãovinculado: tributo cuja hipótese de incidência consiste na conceituação legal de um fato qualquer que não se constitua uma atuação estatal, conforme Geraldo Ataliba (ATALIBA, 1994, p. 121). São tributos destinados a atender indistintamente às necessidades de ordem geral da Administração Pública, distinguindo-se dos demais produtos pelo fim a que se destinam, que não é a necessidade ou o interesse de um indivíduo ou grupo de indivíduos, mas sim o custeio dos serviços gerais da administração. A CF/88 elencou quais os impostos que cada uma das pessoas políticas têm competência para instituir: a) à União couberam os impostos enumerados no art. 153 (e mais os do art. 154): 1. importação de produtos estrangeiros; 2. exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados;

3. renda e proventos de qualquer natureza; (não incidirá, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a pessoa com idade superior a 65 anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho); 4. produtos industrializados; (não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior); 5. operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; (aqui inclui-se o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, com alíquota mínima de 1%, assegurada a transferência do montante da arrecadação na razão de 30% para o Estado, o Distrito Federal ou o Território, conforme a origem, e 70% para o Município de origem); 6. propriedade territorial rural (ITR, que terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular a manutenção de propriedades improdutivas e não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore, só ou com sua família, o proprietário que não possua outro imóvel, conforme disposições do art. 2º da Lei nº 9.393/96 e da CF, art. 153, § 4º; 7. grandes fortunas, nos termos de lei complementar (art. 153, VII; abrangeria grandes fortunas de pessoas físicas, mas a tal lei complementar ainda não surgiu). b) Aos Estados couberam os impostos elencados no art. 155 (redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/94): 1. transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; (relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal; relativamente a bens imóveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se processar o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; terá a competência para sua instituição regulada por lei complementar se o doador tiver domicílio ou residência no exterior, ou se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior; terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal); 2. operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS, que não incidirá sobre operações que destinem ao exterior produtos industrializados, excluídos os semi-elaborados definidos em lei complementar; sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica, sobre o ouro, nas

hipóteses definidas no art. 153, § 5º); 3. propriedade de veículos automotores. c) ao DF couberam os impostos previstos nos arts. 155 e 156. d) aos Municípios os impostos previstos no art. 156: 1. propriedade predial e territorial urbana (IPTU, que poderá ser progressivo, nos termos de lei municipal, de forma a assegurar o cumprimento da função social da propriedade); 2. transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; 3. serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar (ISQN, criado pela EC 3/93 - serviços não compreendidos no ICMS, conforme a lista de tais Serviços veiculada pelo Decreto-Lei nº 834/69, com redação dada pela Lei Complementar nº 56/87: médicos, bancos de sangue, hospitais, planos de saúde, barbeiros, cabeleireiros, contabilidade, auditoria, perícias, traduções, datilografia, advocacia, demolição, reflorestamento, ensino, funerais, dentistas, etc.). Observamos que o Imposto sobre Vendas a varejo de Combustíveis Líquidos e Gasosos, de competência dos Municípios, foi eliminado pela Emenda Constitucional nº 3/93. Registramos, também, que a Lei nº 9.317/96 dispôs sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e instituiu o SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), conforme o art. 179, CF. As empresas mencionadas podem por ele optar, cuja inscrição implicará pagto mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: IRPJ; PIS/PASEP; CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido); COFINS; IPI. E assim, como vimos, os impostos, salvo as exceções do art. 154 (competência residual reservada à União) têm número certo e estão devidamente distribuídos pelos entes da Federação. Afora esses casos, nenhum outro imposto poderá ser criado. 3.2.2 Taxas Podem ser instituídas por todas as pessoas constitucionais, conforme já vimos acima (art. 145, II, CF), "em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização efetiva ou potencial de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos à sua disposição".

CF "as taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos". à ordem. 79. 78 o poder de polícia: "Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que.2. pelos Estados. de utilidade ou de necessidade públicas. à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. de nada adiantaria o rol numerus clausus de todos os impostos no texto constitucional. 81 ("A contribuição de melhoria cobrada pela União. no âmbito de suas respectivas atribuições. limitando ou disciplinando direito.2. separadamente. pelo qual os serviços públicos consideram-se: "I utilizados pelo contribuinte: a) efetivamente. Exemplos de taxas: taxa judiciária.divisíveis. 3. II . § 2º. 145. sejam postos à sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento. à disciplina da produção e do mercado. quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção. taxa de limpeza pública.3. etc. III . Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável. b) potencialmente. sem abuso ou desvio de poder". ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público. tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária. Pelo art. quando.3 Contribuições 3. regula a prática de ato ou abstenção de fato. taxa postal.Sobre a taxa em razão do poder de polícia o CTN define. quando por ele usufruídos a qualquer título. Com este comando visa a Constituição proibir que o legislador ordinário (que é quem efetivamente cria os tributos) institua uma taxa e use uma base de cálculo própria de imposto pois. art. III. taxa de licença. 122). 1994. quando suscetíveis de utilização. é instituída para fazer face ao custo de obras . taxa de pavimentação. os Estados. sendo de utilização compulsória.específicos. 145. à higiene. no art. o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: III Contribuição de melhoria. taxa é "o tributo vinculado cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal direta e imediatamente referida ao contribuinte" (ATALIBA. com observância do processo legal e. decorrente de obras públicas") e no CTN. Conforme Geraldo Ataliba. aos costumes. taxa de resíduos sólidos. em razão de interesse público concernente à segurança. Parágrafo único. se assim fosse possível. Sobre a taxa em razão de serviços importa observar o que diz o CTN em seu art. p. interesse ou liberdade. CF/88 ("A União. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.1 Contribuição de melhoria Prevista no art. por parte de cada um dos seus usuários".

art. 1997. redes elétricas. SENAC. É. reflexivamente. iluminação. O art. CF. alargamento ou pavimentação de vias públicas. A valorização dos imóveis de propriedade privada pode dar-se em virtude das seguintes obras públicas: abertura. túneis. abastecimento de água. Assim. 195. viadutos. para evitar um enriquecimento sem causa dos proprietários ou possuidores dos imóveis que se valorizaram às expensas do dinheiro público (conforme CRISTANI.311/96 que criou a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira). redes telefônicas. 35). O montante não pode ultrapassar nem o custo da obra nem o valor do benefício.2. SENAI. funciona como uma forma de indenização ao Estado pela vantagem econômica especial. criada pela Lei Complementar 70/91) e a Lei nº 9. pontes. SESC. pela utilização da competência residual da União. as contribuições de intervenção no domínio econômico e as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas. 3. Para além disso. construção e ampliação de parques. existem as contribuições sociais. As Contribuições sociais propriamente ditas não devem ser reduzidas às contribuições para o financiamento da seguridade social.3. é o tributo instituído para recuperar o custo da obra pública de que decorra valorização imobiliária particular. tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que resultar para cada imóvel beneficiado"). 212. esgotos. fizer com que os imóveis nas suas proximidades venham a sofrer uma valorização (plus valia). portanto. O conceito de contribuições sociais é mais amplo do que aquele de contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social. p. um tributo vinculado cuja hipótese de incidência consiste numa atuação estatal referida ao obrigado: quando o poder estatal construir uma obra pública e esta. etc. 149 regula o regime tributário das contribuições sociais (de caráter nãoprevidenciário) que custeiam a atuação do Estado em outros campos sociais (salário educação . § 5. 149. arborização.2 Contribuições especiais Pelo disposto no art. De qualquer forma. ainda que o particular não a tenha querido. FGTS no custeio da casa própria) e também as contribuições para SESI. embora não haja consenso na doutrina a respeito de serem tributos ou não. etc. CF. e as primeiras gênero. ampliação do sistema de trânsito rápido.públicas de que decorra valorização imobiliária. haverá a possibilidade da cobrança da contribuição de melhoria. destacamos aqui a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. estão sujeitas ao regime jurídico dos tributos. isto é. visando a destinar . pois estas últimas são espécies. Existem também as contribuições para o financiamento da seguridade social do art. proteção contra inundações.

O que importa é que a Constituição Federal o tratou como verdadeiro tributo. 1995.4 Empréstimo compulsório Não reproduziremos aqui as longas e intermináveis discussões a respeito de o empréstimo compulsório ser mesmo um tributo ou uma espécie de empréstimo forçado. 149. 148. E essa intervenção da União. (MORAES. CF. Arquitetos. p. CF. Pelo art. direta (atuação ou atividade concreta de fomento ao setor produtivo. monopolização da empresa. pode ser. de Economistas. taxa de renovação da Marinha Mercante (receita incorporada ao fundo da Marinha Mercante). reprimindo o abuso do poder econômico. prevista no art. 149. etc. Enquadram-se: contribuição para o Instituto do Açúcar e do Álcool (IDAA). podendo ser: contribuição sindical. por último. de categorias profissionais ou econômicas. de guerra externa ou sua iminência". que não existe mais a possibilidade de instituição de empréstimo compulsório em razão de "conjuntura que exija a absorção temporária do poder aquisitivo".recursos ao financiamento da saúde. 1995. de Profissionais da Enfermagem. 3. Já as contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas são instrumentos de atuação da União. etc. que admite a contribuição especial. 637). de Engenheiros. devendo respeitar as normas constitucionais tributárias.). etc. também de acordo com o art. "investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional".) ou indireta (por via legislativa. decorrentes de calamidade pública. conforme art. conforme Moraes. Agrônomos. mas não-recepcionada pela CF/88 (art. disciplinando a liberdade de iniciativa. . p. contribuição ao Instituto Brasileiro do Café (IBC). III do CTN. é de competência exclusiva da União. Frisamos. exploração de atividade econômica. não estando atualmente mais vinculada à saúde. (MORAES. contribuição aos Conselhos Federais e Regionais de Contadores. da OAB. CF). Atende as seguintes finalidades: "despesas extraordinárias. inclusive para a execução de programas de interesse das mesmas. 15. mediante lei complementar (sua instituição exige quorum qualificado de maioria absoluta conforme já vimos pelo art. contribuição para o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional. etc. destinando-se ao custeio das atividades dos órgãos sindicais e profissionais.2. já que prevê a devolução futura do dinheiro arrecadado. destinando-se ao custeio de serviços e encargos decorrentes da intervenção da União no domínio econômico. do Conselho Regional de Medicina. 69. sendo que a aplicação dos recursos provenientes será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. As contribuições de intervenção no domínio econômico são instrumentos de atuação da União. 148). 637).

proporcionalmente ao valor das respectivas exportações de produtos industrializados.5% como FPM . provenientes dos impostos federais IR e IPI. incidente na fonte. 157 a 162.5%. suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. educação. a qualquer título. Distritos Federais e aos Municípios cabem as receitas tributárias coletadas diretamente (em sua totalidade) ou as que retornam indiretamente (sob a forma de percentuais que incidem sobre tributos cobrados diretamente por outro ente federado) conforme listado na seqüência. sobre rendimentos pagos. I). temos que aos Estados. com o aumento do Fundo de Participação dos Municípios de 17% para 22. Quanto aos municípios. sobre rendimentos pagos. Para fazer face à descentralização administrativa. por eles. provenientes dos impostos federais IR e IPI. suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem. Assim. c) 21. recebendo competências em áreas sociais fundamentais (saúde. CF/88). habitação) que devem ser prestadas em cooperação com a União e o Estado (art. b) 50% do produto da arrecadação do imposto da União ITR. relativamente aos veículos automotores licenciados em seu território. por eles. Pertencem aos Estados e ao Distrito Federal: a) o produto da arrecadação do imposto da União sobre a renda e proventos de qualquer natureza (IR). d) 50% do produto da arrecadação do imposto estadual IPVA. a qualquer título. Aplicando-se as regras aí estabelecidas.4. foram-lhes concedidos mais recursos no Sistema de Partilha. entregues pela União mediante o Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal. d) 10% provenientes do imposto federal IPI. incidente na fonte. constantes nos arts. já vimos que foram erigidos pela CF/88 em entes federativos. relativamente aos imóveis neles situados. que a União lhes entrega.Fundo de Participação dos Municípios. e) 25% do produto do imposto estadual ICMS. b) 20% do produto da arrecadação do imposto que a União venha a instituir mediante lei complementar (art. pertencem aos Municípios: a) o produto da arrecadação do imposto da União IR. . 23. Regras Constitucionais De Repartição Das Receitas Tributárias A repartição das receitas tributárias obedece regras definidas pela CF/88. 154.5% e quota-parte do ICMS de 20% para 25%. c) 22. entregues pela União.

CF/88. no mínimo 18% de suas receitas advindas dos impostos na educação. CF/88 é vedada a retenção ou qualquer restrição à entrega e ao emprego dos recursos acima referidos. que a União e os Estados condicionem a entrega de recursos ao pagamento de seus créditos. Também o orçamento de investimentos das empresas em que a União. de acordo com os planos regionais de desenvolvimento. 165. pelo art. os Estados. ao Distrito Federal e aos Municípios. prevê que os gastos com o pessoal ativo e inativo da União. Pela regra do art. O art. Distrito Federal e Municípios a título de Fundo de Participação (respectivamente 21. CF/88.5% e 22. enquanto . detenha a maioria do capital social com direito a voto deverá constar na lei orçamentária anual. 212 determina que a União aplique. aos Estados. 160. direta ou indiretamente. CF). exclui-se a parcela da arrecadação do IR pertencente aos Estados. até o último dia do mês subseqüente ao da arrecadação. anualmente. na forma que a lei estabelecer. 167. os montantes de cada um dos tributos arrecadados. destina 3% para aplicação em programas de financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte. o Distrito Federal e os Municípios divulgarão.f) 25% dos 10% recebidos pelos Estados da União a título de IPI.5%). contudo. embora esta lei ainda não tenha sido promulgada. Para totalizar os 47% entregues pela União da arrecadação do IR e do IPI (art. ficando assegurada ao semi-árido do Nordeste a metade dos recursos destinados à Região. 169. 165 a 169 da Constituição Federal de 1988. que dispõe sobre a atividade financeira do Estado. do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos em lei complementar. 159. não impedindo. II. prevendo suas receitas e despesas. Qualquer despesa pública deve ser necessariamente prevista no Orçamento. Orçamento Público. O art. inclusive de suas autarquias. dos Estados Federados. § 5º. o que é feito pelo art. os recursos recebidos. 162 a União. Nordeste e Centro-Oeste. Existe inclusive proibição expressa em relação à realização de despesas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais. 5. através de suas instituições financeiras de caráter regional. É disciplinado nos arts. II. Para efeito de cálculo da entrega a ser efetuada pela União aos Estados. os valores de origem tributária entregues e a entregar e a expressão numérica dos critérios de rateio. E por fim. conforme disposição do art. Normas Constitucionais E Processo Legislativo O Orçamento Público é uma peça jurídica aprovada pelo Poder Legislativo. por sua vez. Municípios e ao Distrito Federal (cálculos feitos pelo Tribunal de Contas da União).

6. Mas acima de tudo isso. a) o controle externo . como se depreende do art. 70) é feita com o auxílio do Tribunal de Contas da União (artigos 70 e 71) e se refere fundamentalmente à prestação de contas de todo aquele que administra bens. Toda a administração pública fica sujeita à fiscalização hierárquica. Fiscalização Financeira E Orçamentária. valores ou dinheiros públicos. partido político. A Fiscalização e o controle dos orçamentos públicos estão previstos nos artigo. com validade para o exercício financeiro de um ano). § 2º. 70 a 75 CF/88. bem como autoriza a realização das despesas. na forma da lei. O art. mas certamente por sua repercussão imediata no erário. paira a fiscalização do Poder Executivo como principal responsável pela efetivação/realização do Orçamento Público. os Municípios e o Distrito Federal devem fazê-lo com 25%. É decorrência natural da Administração como atividade exercida em relação a interesses alheios. as despesas de capital para o exercício financeiro subseqüente. A fiscalização financeira e orçamentária da União (art. pelo qual qualquer cidadão. a . 165 traça o regime constitucional do Orçamento Público em três tipos: a) Plano Plurianual (prevê despesas para programas de duração continuada). denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. inciso X. c) o controle particular. previsto no art. b) Lei de Diretrizes Orçamentárias (prevê as metas e prioridades da Administração Pública.que os Estados. 74. compreendendo: a) o controle interno . as orientações para a elaboração do orçamento anual e as alterações na legislação tributária).feito pelos vários escalões hierárquicos dos Poderes (auto-controle). inovação da Constituição Federal. 49.exercido pelo Congresso Nacional com o auxílio do Tribunal de Contas da União. associação ou sindicato é parte legítima para. Os Tribunais De Contas A Constituição Federal de 1988 ampliou significativamente as atribuições do Poder Legislativo para a fiscalização e controle dos atos da Administração em geral (direta e indireta). c) Lei Orçamentária Anual (que de forma estimativa prevê as receitas da União.

valores e dinheiros públicos. 70 a 75). O Tribunal de Contas da União tem uma posição singular na Administração brasileira. assim como a fiel execução do orçamento. Se entrelaçados o são por natureza. relacionadas com a fiscalização da execução orçamentária. aposentadorias e pensões. mesmo . auxiliares do Legislativo e colaboradores do Executivo. importa frisar que os tribunais de contas (Tribunal de Contas da União. Da Vontade Originária De Intervenção Do Estado No Domínio Econômico Às Novas Tendências Dadas Pelas Reformas Constitucionais Por certo que os assuntos tratados em nossa Constituição no Capítulo referente à "Ordem Social" estão intimamente relacionados com os tratados na "Ordem Econômica e Financeira". Ainda assim. mais dando valor ao direito de liberdade do que ao de igualdade. Toda a ação que desenvolvem deve ser a posteriori. § 1º) são órgãos independentes. do Distrito Federal e dos Municípios que os tiverem. Por fim. faz-se necessário recordarmos que o constitucionalismo do século XVIII foi o liberal por excelência. É controle político de legalidade contábil e financeira. Capítulo VIII Da ordem econômica e financeira e da ordem social 1. Inicialmente. que podem ser realizadas a qualquer tempo. não tendo apoio constitucional qualquer controle prévio sobre atos ou contratos da Administração direta ou indireta. com a aplicação dos dinheiros públicos. Tribunais de Contas dos Estados Federados. com a legalidade dos contratos. mas desempenha atribuições jurisdicionais administrativas. conforme o art. aqui os trataremos em abordagem compartida. Julgam as contas e não as pessoas ou seus responsáveis e por isso têm feições de Cortes Administrativas e não Judiciais. embora no texto constitucional apareçam em locais distintos (respectivamente Títulos VIII e VII). 31.administração finananceira e orçamentária submete-se a maiores rigores de acompanhamento. 71). tendo a CF/88 determinado o controle interno pelo Executivo e o controle externo pelo Congresso Nacional auxiliado pelo Tribunal de Contas da União (arts. nem sobre a conduta de particulares que tenham gestão de bens ou valores públicos. com funções técnicas opinativas. salvo as inspeções e auditorias in loco. pois está instituído constitucionalmente como órgão auxiliar do Poder Legislativo (art. O controle externo visa a comprovar a probidade da Administração Pública e a regularidade da guarda e emprego dos bens.

com a criação de "agências executivas" para atuarem através de "contratos de gestão". como por exemplo a Constituição francesa de 1793. principalmente após aqueles conflitos armados que não fizeram mais do que demonstrar a instabilidade e a impotência de um Estado que deixava as principais questões econômicas sob o comando da iniciativa privada. foi chamado a intervir na ordem econômica para. por fim. as Constituições passaram a insertar em seus textos títulos e capítulos específicos dedicados à Ordem Econômica e Social. que tinha preocupações com o abrandar de algumas desigualdades sociais. No Brasil. por exemplo. É dizer: regras desejosas de elevar a dignidade das pessoas ao nível da concretude. já estudadas na Parte I desta obra. Em um tal quadro de redução do tamanho do Estado. com regras programáticas aí postas com boas intenções. 2. ainda recordando. capitaneando. que passam para a iniciativa privada. quebra de monopólios. embebida da ideologia individualista-burguesa. A Constituição Federal de 1988. o fez por meio das normas constitucionais programáticas. nos últimos anos. sobretudo e justamente no campo da Ordem Econômica.antes do advento das Grandes Guerras (Primeira e Segunda Mundiais) e Revoluções (Mexicana e Russa) que obrigaram o mundo ocidental a aceitar a limitação do modelo de Estado e de Constituição até então acatados e a rever seus conceitos e práticas. Mas temos visto. a efetiva necessidade de o Estado intervir na ordem econômica para sanar graves problemas sociais (pauperização extrema de parcelas significativas da população) impôs-se com o desenrolar da Revolução Industrial. já alguns daqueles textos constitucionais liberais contemplavam certos preceitos de conteúdo social. o que pretendia fosse realizado por meio da previsão de socorros públicos e meios de sobrevivência aos que não tivessem condições de trabalhar. não tinha qualquer obrigação de solucionar as mazelas sociais. além da igualdade jurídica. esta. a primeira vez em que isso aconteceu. A partir daí. Princípios Constitucionais Regentes Da Atividade Econômica . o futuro da Administração Pública como função parece ser o de mera gestora. Assim. deu-se com a Constituição de 1934. Mas à parte de tais embriões de cunho social. através de concessões. condensou a vontade do poder constituinte originário de termos no Brasil uma Constituição "Dirigente". por seu turno. fazendo-se uma análise conjuntural de cunho nacional e internacional. tentar estender aos homens a igualdade econômica. tais regras sendo suprimidas ou tendo seu conteúdo socializante amenizado. Quando o Estado. como perspectivas e tendências no contexto da globalização e do neoliberalismo afigurasse-nos um Estado de tipo "mínimo". introduzido passo a passo em nossa realidade brasileira por meio de reformas constitucionais.

§ 4º) e o próprio tratamento em Título separado da Ordem Social. que procuram moderar os excessos do capitalismo. mas que. conforme os ditames da justiça social".). uma reflexão necessária: como vemos.A Constituição Federal brasileira de 1988 dedicou à Ordem Econômica um espaço bem maior do que o fizeram as anteriores. aparentemente.defesa do consumidor. V . condicionadores da atividade econômica (busca do pleno emprego. uma vez que existem inúmeros outros artigos constitucionais em direta ou indireta conexão consigo. Os "Princípios gerais da atividade econômica" acham-se positivados no artigo 170. etc. existem.função social da propriedade.propriedade privada. de forma explícita. aos "Princípios gerais constitucionais da ordem econômica". VI . equivalendo. tendo por fim "assegurar a todos existência digna.busca do pleno emprego. III . pois que. no plano concreto. ao lado de princípios tipicamente liberais (livre iniciativa. como já aludimos acima. ter exigido lei ordinária para a repressão do abuso do poder econômico (art. parecem contraditórias entre si. 174. livre concorrência. etc. IX . IV . Para além das avassaladoras regras impostas pelo neoliberalismo aos países que nele querem se . São eles: "I . VIII . no dizer de Raul Machado Horta. nos nove incisos acima regras que.tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País". lamentavelmente. As principais inovações consumadas pela Constituição nesta matéria foi ter positivado. acabam estes últimos sendo relativizados.livre concorrência.) há aqueles de cunho mais social. uma existência digna a milhões de seres humanos que vivem às margens das benesses do sistema capitalista e dos benefícios econômicos da globalização. II .defesa do meio ambiente. embora suas regras não estejam apenas em tal local específico (Título VII).redução das desigualdades regionais e sociais.soberania nacional. a livre concorrência como princípio da ordem econômica. eis que não logram ter a força suficiente para garantir. no atual contexto neoliberal. Por fim. função social da propriedade. Devemos observar ainda que a Ordem Econômica funda-se "na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa". VII .

incentivo e planejamento. como o nosso. também a possibilidade de o Estado ser "agente normativo e regulador da atividade econômica". Na ordem econômica o Estado brasileiro atua para coibir os excessos da iniciativa privada e evitar que esta desatenda às suas finalidades. do controle dos mercados e do tabelamento de preços. Os trustes (imposição das grandes empresas sobre as concorrentes pequenas. 3.884/94. deve o mesmo ser interpretado em consonância à já anunciada "justiça social". os Estados sociais-liberais. uma parcela de "culpa" que se situa no campo de atuação dos intérpretes e aplicados do texto constitucional. visando sempre à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros. Para além disso. acima de tudo. CF/88).1 Repressão ao abuso do poder econômico O domínio econômico gera poder para seus detentores e o seu abuso pode assumir diversas formas. há também. condicionam o uso dessa mesma propriedade e o exercício das atividades econômicas ao bem-estar social (art. mas sim constitucionais. 173). As normas de intervenção no domínio econômico são privativas da União (podendo ser delegadas). conquanto reconheçam e asseguram a propriedade privada e a livre empresa. Formas De Intervenção Estatal No Domínio Econômico Há várias maneiras de um Estado intervir na sua economia interna. 170. pois se a vontade primeva deste era a de. "as funções de fiscalização. mas os atos interventivos podem ser praticados tanto pela União. promover e preservar a dignidade das pessoas. 8. abrangendo várias variantes de atuação estatal na economia. sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado" (art. 174).inserir. abrangendo. fazendo-a através da repressão ao abuso do poder econômico. como pelos Estados Federados e Municípios. sendo reguladas por leis federais. . Diante dessa realidade e da recomendação constitucional de repressão ao abuso econômico. na forma da lei. quais sejam: a possibilidade de "exploração direta da atividade econômica pelo Estado" (art. na defasagem aqui apontada. 3. e não de forma a mais se distanciar de uma distribuição mais equitativa da riqueza existente. ou para realizar o desenvolvimento nacional e a justiça social. Tais intervenções não são arbitrárias. foi promulgada a Lei n. visando a afastá-las do mercado ou obrigá-las a concordar com a política de preços do maior vendedor) e os cartéis (composição voluntária dos rivais sobre certos aspectos do negócio comum) são as formas mais usuais de dominação dos mercados. No regime constitucional brasileiro de 1988 a intervenção estatal no domínio econômico foi contemplada em acepção lata.

caput. serviço ou atividade que se compra ou utiliza mediante remuneração) privados (aqueles praticados no mercado. que é órgão judicante. 20. precisamente quando diz que "constituem infração da ordem econômica..mais conhecida como a Lei Antritruste. Essa mesma lei de 1994 criou o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). proferindo julgamentos administrativos. IV . visam a evitar um excessivo e injustificável aumento dos preços (ou seja. com funções parajudiciais e jurisdição em todo o território nacional. mas como foi extinta no primeiro semestre de 1997. seja pelo advento de alguma catástrofe . II . em relação às mensalidades escolares. e em consonância com a Constituição Federal.]" (grifamos). ante a lei da oferta e da procura. A SUNAB tinha competência específica e exclusiva para fixar preços e disciplinar o sistema de seu controle. Realçamos que a Lei Antritruste.. como a de fiscalização de preços. em outras versões. passou para o PROCON e seus órgãos de proteção ao consumidor. O contole de abastecimento é outro mecanismo existente para que o Poder Público possa acudir à população quando faltarem produtos de necessidade básica no mercado. por exemplo. e sim controle de preços. [.2 Tabelamentos dos preços e controle de abastecimento Os tabelamentos ou.exercer de forma abusiva posição dominante" (art. 3. aos combustíveis. O tabelamento de preços é feito pela União. falsear ou de qualquer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa. positivou a responsabilidade objetiva em seu texto. que indicou as 4 modalidades mais expressivas de abuso a serem combatidas.). etc.limitar. sob a forma de preço vigiado. no mesmo art. III . da retribuição pecuniária do valor do bem.dominar mercado relevante de bens ou serviços. autarquia federal ligada ao Ministério da Justiça. parte de suas competências. independentemente de culpa. independentemente de culpa dos agentes: "I . os quais podem ser revistos judicialmente.aumentar arbitrariamente os lucros. 20 da lei em pauta). em função privativa. sem qualquer participação do poder público). Na verdade. a cargo da Secretaria de Direito Econômico (como. "congelamentos" de preços. seja por algum tipo de boicote dos produtores ou fornecedores. atualmente não há mais tabelamento ou "congelamento de preços" pelo Poder Público.

ocasionando mudanças na Lei nº 4. deixaria de ser monopólio para ser estatização da economia privada (característica de regimes socialistas). à navegação de cabotagem. 3. Inicialmente previsto pelo constituinte originário em alguns setores estratégicos da economia nacional.). por exemplo.317/96. do orçamento-programa anual e da programação financeira de desembolso.031/90). é a promoção do bem-estar social que a Constituição Federal traduz na elaboração e execução de "planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social" (art. ao redefinir o conceito de empresa nacional. Se a exclusividade fosse sobre todo o domínio econômico. 9 e 13 alteraram as disposições específicas de infra-estrutura e serviços públicos (telecomunicações. resseguros. que são os seus instrumentos básicos.3 Monopólios estatais Monopólio é a exclusividade de domínio.4 O planejamento na ordem constitucional Uma das finalidades precípuas do Estado. através de um plano geral de governo. bem como flexibilizado o monopólio da PETROBRAS (empresa pela qual se exercia o monópolio estatal do petróleo). estiagens. IX e art. etc. § 1º/ADCT da CF/88. atendendo diretrizes do Programa Nacional de Desestatização (Lei nº 8. o que desencadeou o processo das privatizações no Brasil. § 1º). 3. 21. 6. exploração ou utilização de determinado bem. A Emenda Constitucional nº 6/95. estabeleceu tratamento paritário entre as empresas nacionais e as estrangeiras. O tipo de planejamento visto é o "indicativo" e acaba por ser uma modalidade mais suave de intervenção estatal no domínio econômico do que a modalidade do "monopólio estatal". vendavais. para não dizer "quebrado" pelo poder reformador da Constituição. Lei nº 8. Planejamento é o estudo e o estabelecimento das diretrizes e metas que deverão orientar a ação governamental. 174. 7. que instituiu o SIMPLES). transportes.natural (enchentes. O Sistema Financeiro Nacional De acordo com o art. vide art. o monopólio estatal foi "fragilizado". serviço ou atividade.). 192 da Constituição Federal. às telecomunicações.864/94 e Lei nº 9. ao serviço de distribuição de gás canalizado. de programas globais. o sistema . energia. setoriais e regionais de duração plurianual. uma vez que as Emendas Constitucionais de números 5. etc. embora mantendo o regime de proteção às microempresas e empresas de pequeno porte (para saber mais a respeito. 8. 4.131/62. Monopólio estatal é a reserva para o Poder Público de determinado setor do domínio econômico. Por tais Emendas já foram eliminados os monopólios relativos à exploração do subsolo. realizada por meio da Administração Pública. 47. 179 e art.

o Adolescente e o Idoso. a Criança.1 A seguridade social A Constituição Federal abre o Capítulo II do Título VIII (Da Ordem Social) com a invocação da Seguridade Social. Os direitos relativos à seguridade social englobam os direito à saúde. a Comunicação Social. prescrevendo. eqüidade na forma de participação no custeio (atentando aqui para o Princípio da Proporcionalidade). diversidade da base de financiamento (configurando uma espécie de solidariedade financeira: os meios financeiros advêm de contribuições gerais. 5. 194. Isto significa que todos os grandes temas que abarca devem ser interpretados em função destes traços inicialmente definidos. algumas generalidades sobre o que se entende e como se estrutura constitucionalmente a "seguridade social". 193. o direito à previdência social e o direito à assistência social. 195. a Família. uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais (isto porque a própria Constituição já equiparou trabalhadores urbanos rurais. no art. irredutibilidade do valor dos benefícios. mas sim aqueles que julgamos mais importantes. Deve a seguridade social repousar em princípios básicos que. conforme os incisos do art. lá no seu art. porém. e sim a cargo de Lei Complementar. Veremos aspectos de cada um destes direitos na seqüência abaixo. seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços. os Índios. regras gerais quanto a objetivos e financiamento. O que a Constituição faz é traçar as diretrizes que deverão nortear a organização do sistema financeiro. 276). para garantir o bem-estar material. sendo a seguridade financiada por toda a .financeiro nacional deve ser estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos integrantes da coletividade. p. mas tal estruturação não é feita em nível constitucional. moral e espiritual de todos os indivíduos da população" (SILVA. 1994. a Cultura. mas para todos indistintamente). 7º). E os grandes temas por ela abarcados (conforme Capítulos) são: a Seguridade Social. segundo José Afonso da Silva. o Meio Ambiente. dizendo que tem como base o primado do trabalho e como objetivo o bem-estar e a justiça social. "instrumento mais eficiente da liberação das necessidades sociais. Da Ordem Social A Ordem Social é tratada no Título VIII da Constituição Federal. não de contribuições específicas dos segurados. a Ciência e a Tecnologia. 5. A seguridade social constitui. Frisamos que não iremos abordar a todos. e inicia no art. são: universalidade da cobertura e do atendimento (aí significando também que não deve ser só para trabalhadores e seus dependentes. a Educação e o Desporto. Antes.

senão vejamos: "A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade. 194 pela Emenda Constitucional nº 20/98. deve possuir administração com caráter democrático e descentralizado (atentando aqui para a mudança efetuada no inciso VII do art. a proteção social passa a sair dos papéis que aceitaram as leis para servir à vida material que dela necessitava. tendo sido a primeira a ter um caráter mais social do que liberal. quando praticamente se tornaram universais. seguindo-se a do seguro-invalidez e da velhice. vemos que seus objetivos e princípios aproximam-se muito de tais fundamentos. à previdência e à assistência social" (art. CF/88). com a participação dos trabalhadores. 194. sendo a inclusão deste uma novidade).sociedade. um pouco de História nos auxiliará na compreensão do porque existir este tipo de proteção social. Começamos pelo termo "seguridade". assegurando aos destinatários (desamparados) a proteção contra certos riscos da vida. antes de passarmos aos componentes da Seguridade Social. protetor de direitos sociais e econômicos. No Brasil. Nos demais Continentes tais medidas protetivas somente encontram ressonância após a I Guerra Mundial. o que dificultou sobremaneira a exigência concreta do direito. Quando historicamente começam a despontar os primeiros sinais do Estado intervencionista. com o "único" senão de que o modelo de Estado de então era o não-intervencionista. E. Pela concepção de seguridade social acolhida pela nossa Constituição. tendo como fim o bem comum da sociedade. 5. mais especificamente com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 que o auxílio protetivo ao indivíduo economicamente mais fraco passou a ser proclamado como um direito do cidadão.1. destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde. no sentido de amparo destinado às pessoas quando atingidas pelo infortúnio. já em 1883 a Alemanha capitaneava na Europa a adoção da legislação para a cobertura obrigatória dos riscos por acidente de trabalho e a lei do seguro-doença. dos empregadores e dos trabalhadores). de forma direta ou indireta. dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados.1 Direito à saúde . que genericamente consiste em dar às pessoas a segurança contra o infortúnio. o que as sociedades fazem norteadas pelo princípio básico da solidariedade social. providências são adotadas para buscar e garantir a segurança da vida em sociedade. e de lá para cá vem acompanhando a evolução do Direito. Esta proteção social. Assim. Neste processo. pela qual a administração para a ser feita mediante gestão quadripartite. assim como por contribuições dos orçamentos públicos. remonta à Antigüidade Clássica. Mas foi com o advento do Liberalismo. já marcamos em outros pontos a importância da Constituição de 1934 neste assunto. dos empregadores.

e por isso é que existe a saúde pública. podemos dizer sem remorsos que é a primeira e a maior doente do País! A saúde.Quanto à saúde. ou seja. impõe aos entes públicos a realização de determinadas tarefas. sempre adianta. pois em tendo um direito reconhecido. são difíceis de serem cumpridos espontaneamente por quem o deve. A saúde é um direito positivo. assim como existem hospitais. aliás. que exige prestações do Estado (promover. segundo Gomes Canotilho e Vital Moreira: uma de natureza negativa (exigir do Estado ou de terceiros que se abstenham de qualquer ato que prejudique a saúde). o direito à saúde comporta duas vertentes. Como ocorre com os direitos sociais em geral. descentralizado). em caso de doença. isto é. independemente de suas condições econômicas. embora fosse da competência da União "legislar sobre defesa e proteção da saúde". proteção e recuperação. que. mas não enquanto direito fundamental. Agora temos este direito fundamental humano reconhecido pela Constituição Federal. Não que não exista um sistema de saúde. Existir existe. e não são poucos os casos de necessitados de um socorro vital que falecem em filas hospitalares. de natureza positiva (direito às medidas e prestações estaduais visando a prevenção e o tratamento das doenças). tratava-se de uma previsão meramente no sentido de organização administrativa de combate às endemias e epidemias. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção. E parece que alguns direitos sociais. cada um tem direito a um tratamento condigno de acordo com o estado atual da ciência médica. proteger e recuperar. o que faz via "sistema único de saúde". poderemos pleiteá-lo judicialmente. outra. relacionado com a seguridade social. o sistema não dá vazão à procura. Mas pergunta-se: adianta consignar isto em normas constitucionais. e do . como o da saúde. a descentralização. já que pouco é executado na prática? Sim. extremamente importante à vida humana só com a Constituição Federal de 1988 foi elevada à condição de direito fundamental do homem e interesse da coletividade. exigir em juízo o seu cumprimento. positivado. nos seguintes termos: "A saúde é direito de todos e dever do Estado. medicamentos. serviços e ações que são de relevância pública" (art. qual seja. precisamente para amparar aquelas pessoas que não dispõem de recursos financeiros para socorrer-se junto aos profissionais particulares da área médica. O direito igual à vida de todos os seres humanos significa também que. 196). no caso o próprio Estado. mas faltam leitos. desfruta de uma benesse advinda com esta Constituição. Na Constituição anterior.

2 Direito à previdência social Inicialmente convém salientar que a Emenda Constitucional nº 20/98 operou mudanças profundas quanto à Previdência Social. por ele sendo. LXXI). relativamente a um segurado. menor de 21 anos ou inválido. . temos a dizer que o texto constitucional dispõe alongadamente acerca da Saúde em seus arts. 102. quando morre deixando familiares dele dependentes. quando não tenha fonte própria de subsistência). e 103. O descumprimento do direito à saúde dá ensejo a que se acione o direito subjetivo que encerra. a lei confere direitos subjetivos à proteção previdenciária. desde que exista declaração nesse sentido por parte do segurado. a Previdência reforça o salário em alguns casos.cumprimento das mesmas depende a própria realização do direito. tratando da prevenção das doenças e da restauração da saúde por meio de ações e serviços prestados por uma rede regionalizada e hierarquizada em um sistema único de saúde (SUS). tão-somente do segurado e de seus dependentes. sendo que as prestações (benefícios e serviços) destinam-se a cobrir eventos de doença. morte. por estarem ligadas ao segurado por uma relação de dependência econômica. "a". Segurado é aquele que efetivamente contribui à Previdência Social. vigindo a regra de que para os trabalhadores que percebem ou percebiam salários mais altos a substituição não é total. de qualquer condição. o irmão nãoemancipado. 232 a 235. pessoas a quem. velhice e reclusão. I. Para além disso. sendo que ao filho a lei equipara. por meio do salário-família. idade avançada ou incapacidade para manter o próprio sustento ou. ainda. o companheiro ou a companheira. por falta de regulamentação. o enteado. justificada pelo não-cumprimento das tarefas estatais para sua satisfação e Mandado de Injunção (art. Os dependentes são beneficiários indiretos. no todo ou em parte. 5. 2º). A Previdência Social é uma forma de substituição do salário quando o trabalhador deixa de trabalhar por motivo de doença. e o tutelado. Por fim. quanto no regime que rege a previdência para os trabalhadores da iniciativa privada. podendo se dar em duplo sentido: Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (arts. 201 e 202 da Constituição Federal) fundam-se no princípio do seguro social.1. invalidez. Os direitos de previdência social (previstos nos arts. efetivamente ou presumidamente. mantida e sustentada (sendo os pais do segurado. o cônjuge masculino ou feminino. Notemos que para a lei previdenciária "dependência econômica" consiste na situação em que certa pessoa vive. impetrado quando o direito não for atendido in concreto. e o filho menor de 21 anos ou inválido. tanto no regime especial aplicado aos agentes públicos (já analisado). 5º. isto é. o menor de quem o segurado tenha a posse e guarda por determinação judicial.

CF/88). mesmo cada segurado contribuindo. pois é um princípio social o de que o custeio da seguridade social como um todo é financiado por toda a sociedade (conforme art.A base da cobertura da Previdência Social assenta no fator contribuição. por idade. estabeleceu a filiação ao INSS (art. o auxílio-natalidade e o auxílio-funeral existentes no âmbito da Previdência Social.523-5/97). através do que denomina solidariedade social. seja qual for a maneira pela qual se equacione o custeio das prestações previdenciárias.213/91 (que continua em vigor. Ressaltamos. maiores de 14 anos. ao contrário da Assistência Social. empresários. temos a Lei nº 8. 40. Frisamos que o "serviço" assistência médica passou a ser prestado pelo SUS (Sistema Único de Saúde).523/96 e a 1. que regulamenta os Benefícios da Previdência Social. Inicialmente a Lei de que tratamos foi regulamentada pelo Decreto nº 611/92. mas não necessariamente pelas mesmas pessoas. Os benefícios são: a aposentadoria. sempre será da sociedade toda que provirão os recursos destinados ao pagamento das mesmas. diz-se que estes são os segurados obrigatórios. Mas ocorre que. classificando-os em empregados. E os serviços são apenas dois: (o serviço social e a reabilitação profissional). 12) a vinculação voluntária dos que. também. Assim. não se estejam dedicando a atividade pela qual se tornem segurados obrigatórios. 195. mas ao lado deles a Lei admite (art. autônomos. possivelmente o mais importante dentre todos os benefícios (por invalidez. embora já tendo sofrido várias modificações). conforme o disposto na Lei 8. tendo também sofrido alterações por algumas Medidas Provisórias (como as de nº 1. segundo à forma pela qual dão curso às suas atividades.689/93. avulsos e especiais. a partir do adevento da Lei nº 8. auxílio-reclusão. 11) dos trabalhadores vinculados à iniciativa privada. Quanto à Legislação que rege a Previdência Social. Como tal filiação opera-se independentemente da manifestação de vontade do segurado.172/97. primeiro obtêm-se as fontes de custeio através das contribuições. que extinguiu o INAMPS (órgão previdenciário que antes prestava a assistência médica). ao estabelecer o Regime Geral da Previdência Social no Brasil. pensão por morte. As prestações (modalidades de atendimento da Previdência Social) dividem-se em benefícios e serviços. os salários (família e maternidade). por tempo de serviço e especial). que não requer contribuição. . extinguiram-se (art. que com a implantação dos Benefícios Eventuais e do Benefício de Prestação Continuada. os auxílios (doença e acidente). Lei orgânica da Assistência Social) a renda mensal vitalícia.213/91. depois elas são consumidas por meio das prestações. já que as pessoas contribuem socialmente para o sistema. Esta Lei trata dos Planos de Benefícios da Previdência Social e. eis que nem sempre coincidem os contribuintes e os percepientes. sendo que o mesmo foi revogado pelo Decreto nº 2.

A outra alteração é de conteúdo. I). II . convém primeiro que vejamos como a Constituição Federal de 1988 consubstanciou originalmente o regime de previdência social em relação à aposentadoria: a por invalidez (sugerida no art.sessenta e cinco anos de idade.Nos deteremos apenas no benefício aposentadoria. e trinta anos de contribuição. e por ter sido o mais alterado de todos os benefícios com a Emenda Constitucional nº 20/98. reduzidos em 5 anos o limite de idade aos trabalhadores rurais de ambos os sexos. nestes incluídos o produtor rural. pela sua importância. conforme o art. deixa de fora o professor que exerce o magistério em nível superior. "§ 8º Os requisitos a que se refere o inciso I do parágrafo anterior serão reduzidos em cinco anos.trinta e cinco anos de contribuição. obedecidas as seguintes condições: I . e por idade. que o benefício de redução em cinco anos no tempo de contribuição aos professores atinge taxativamente aqueles professores que se dedicam à educação infantil e ao ensino fundamental e médio (comprovadas as exigências próprias). Vejamos na CF/88 os textos integrais para dirimir qualquer dúvida: "§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social. ainda. conforme art. e sessenta anos de idade. como também a proporcional por tempo de serviço. se mulher. o mesmo ocorrendo em relação ao regime previdenciário do funcionalismo público. 201. Mas para que tenhamos uma visão mais límpida das modificações ocorridas. com proventos proporcionais a esse tempo. se mulher. 202. A primeira alteração feita pela já aludida Emenda Constitucional que se nota é de cunho formal: no contexto do regime geral de previdência social as aposentadorias que antes estavam previstas no art. a especial e proporcional (após 30 anos de trabalho ao homem e após 25 anos à mulher. 202). I). a por tempo de serviço (após 35 anos de trabalho ao homem e após30 à mulher. II). o garimpeiro e o pescador artesanal". reduzido em cinco anos o limite para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar. ou seja. nos termos da lei. sendo que esta restou inalterada. conforme art. para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio". pela qual deixa de existir a aposentadoria por tempo de serviço. Ressaltamos. após 30 anos ao professor e após 25 anos à professora. se homem. 201. 202. passando a existir somente duas modalidades: por tempo de contribuição. 202 da Constituição Federal agora passam a estar no § 7º do art. a por idade (aos 65 anos para o homem e aos 60 para a mulher. se homem. .

CMPS e CEPS que têm. dentre outras funções.213/91. 730 e 731 do CPC (regime de precatórios). Este Conselho indicará cidadão de notório conhecimento na área para ser o Ouvidor Geral da Previdência Social. em seu art. sendo que ao INSS cabem as prestações em moeda e os serviços de assistência complementar. em caráter permanente. seis são representantes do Governo Federal e nove são representantes da sociedade civil (3 dos aposentados e pensionistas. separando este do Ministério do Trabalho. pela Lei nº 6.200. Para esclarecer. Por sua vez. os Conselhos Municipais de Previdência Social e os Conselhos Estaduais de Previdência Social . conforme o art. composto por 15 membros. pela mesma Lei. que foi criado em 1974. que a composição destes órgãos colegiados obedece o disposto pelo art. independente de apresentação de precatório. seguem-se alguns esclarecimentos sobre sua sistemática de funcionamento. 3º da Lei nº 8. 3 representantes dos empregados). tratados nos parágrafos 7º e 8º. um limite máximo para o valor de estes benefícios do regime geral de previdência social. também órgãos de deliberação colegiada. em seu art. dos quais. 10. 14. devendo o pagamento das prestações decorrentes de sentença judicial ser imediato. CF/88. pelo qual assegura-se a "participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação". assim. liberando-os da aplicação dos arts. 100 excepciona os credores de verbas de cunho alimentício. Está atrelada ao MPAS (Ministério da Previdência e Assistência Social). a ela cabendo o processamento de dados e tudo o mais relacionado à informática.00 (um mil e duzentos reais). 3 dos trabalhadores em atividade. Ainda quanto à Previdência Social. Subordinados ao Conselho Nacional de Previdência Social foram instituídos. Vemos. o INSS possui o CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social). Também atrelado ao Ministério da Previdência e Assistência Social está a DATAPREV (Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social). 100 da Constituição Federal estabelece o regime de precatórios para a efetivação dos pagamentos devidos pela Fazenda . devendo ser periodicamente reajustado de maneira a preservar. que é órgão superior de deliberação colegiada.036/74. o art.E convém ressaltar também que a mesma Emenda Constitucional fixou. acompanhar e avaliar sistematicamente a gestão previdenciária. A tal Ministério são subordinadas as autarquias e órgãos atuantes nesse ramo da ação estatal. vindo a ser de R$ 1. seu valor real. Ressaltamos que em relação às ações judiciais contra a Previdência Social (que são muitas) a CF/88. cuja escolha será aprovada pelo Congresso Nacional.

Pública. à infância. 203 da Constituição Federal é eloqüente para demonstrar que ela constitui a face universalizante da seguridade social. 204). à adolescência. sendo assim. tratada nos artigos 203 e 204 da Constituição Federal. 33 da Lei nº 8. independentemente de contribuição à Seguridade Social. 18.3 Direito à assistência social A respeito do direito à Assistência Social. As prestações da Assistência Social englobam o Benefício de . A Assistência Social é um direito de todos e um dever do Estado. traduzidas em proteção à família. prestados a quem deles necessitar. isto é. de 11/07/97 deu nova redação a a alguns de seus dispositivos. incluídas aí a proteção à maternidade e à infância e a assistência aos desamparados e desvalidos em geral. portanto. E é justamente pela não-contributividade que ressalta outra característica da seguridade social. "conceder atestado de registro de certificado de entidades de fins filantrópicos" (art. Os seus serviços e benefícios são. qual seja.213/91 como prestações substitutivas do salário ou do rendimento do obreiro). não-contributiva. sendo que a esse Conselho compete. Ficam. vige em relação ao Regime Geral da Previdência Social o Princípio da Universalidade. Dentre outros. vinculado à estrutura do órgão da Administração Pública Federal responsável pela coordenação da Política Nacional de Assistência Social. à maternidade.1. não existe mais). temos a dizer que o seu regime jurídico é dado pela lei mais conhecida por LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social). dentre outras atribuições. resultantes de condenação judicial. IV). entre elas as prestações previdenciárias. sendo que a Medida Provisória nº 1473-33. portanto. que até a CF/88 amparava os rurículas. 17). O texto do art. a da solidariedade financeira. independentemente de contribuição". órgão superior de deliberação colegiada. citadas no art. sujeitas ao regime comum de execução imediata. que prevê o atendimento das necessidades básicas. com membros nomeados pelo Presidente da República (art. pois prestada "a quem dela necessitar. que é a Lei nº 8742/93. à velhice e à pessoa portadora de deficiência. pois os recursos procedem do orçamento geral da seguridade social e não de contribuições específicas de eventuais destinatários (art. 5. significando que todos órgãos e o Regime como um todo abrangem indistintamente atividades urbanas e rurais (o FUNRURAL. Política de Seguridade Social. com expressa exclusão dos créditos de índole alimentar (aí incluídos os salários dos trabalhadores e as parcelas a eles equiparadas. de pronto pagamento. A Lei referida instituiu o CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social).

buscando subsidiar. a nutriz e nos casos de calamidade pública. foi considerado norma de eficácia limitada. financeira e tecnicamente. Tal benefício assistencial. 324. de 15/12/95 estabelece normas e procedimentos para a operacionalização desse benefício. dividida pelo número destes. V da CF.2 A educação.Prestação Continuada. "a garantia de um Salário Mínimo Mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso (com 70 anos ou mais). I e II). Existem ainda os Programas de Assistência Social (ações integradas e complementares destinadas a qualificar. o que só veio a ocorrer com a Lei 8742/93. que são aqueles que visam ao pagamento de auxílio por natalidade ou por morte às famílias cuja renda mensal per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo (denominados auxílio-natalidade e auxílio-funeral). que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção e nem de tê-la provida por sua família". e os indígenas. seja inferior a 1/4 do salário mínimo. dentre outras coisas. capacidade produtiva e de gestão para melhoria das condições gerais de subsistência. que família incapacitada de prover a manutenção da pessoa portadora de deficiência ou idosa. embora outros possam ser estabelecidos para atender necessidades advindas de situações de vulnerabilidade temporária. Salientamos. 5. com ações voltadas às necessidades básicas). 203. e de 1º de jan. estas atividades continuadas que visem à melhoria de vida da população. que são também beneficiários os idosos e os portadores de deficiências estrangeiros naturalizados e domiciliados no Brasil. incentivar e melhorar os benefícios e os serviços assistenciais) e os Projetos de Enfrentamento da Pobreza (investimento econômico-social nos grupos populares. previsto pelo art. por fim. A Resolução do INSS nº. iniciativas que lhes garantam meios./2000 para 65 anos. 204. e os Serviços Assistenciais./98 para 67 anos. desde que não amparados pelo Sistema Previdenciário do País de origem. a idade de 70 anos seria reduzida a partir de 1º de jan. os Benefícios Eventuais. estabelecendo. com prioridade para a criança. a pessoa portadora de deficiência. Damos aqui maior atenção ao acima referido Benefício de Prestação Continuada que. a cultura e o desporto Podemos dizer que existe na Constituição um conjunto de normas que contém referências culturais e disposições que consubstanciam . a família. dependente a exeqüibilidade do benefício de legislação integradora. a organização da Assistência Social obedece às seguintes diretrizes: descentralização político-administrativa e participação da população na formulação das políticas e no controle das ações em todos os níveis. a gestante. é aquela cuja renda mensal de seus integrantes. que pela Constituição Federal (art. elevação do padrão da qualidade de vida. a preservação do meio ambiente e sua organização social). o idoso.

compondo o que se pode chamar de a "Ordem Constitucional da Cultura". o preparo da pessoa para o exercício da cidadania. 766). Aqui observamos que pela Emenda Constitucional nº 19/98. abrangendo a formação educacional do povo. igualdade. valorização dos respectivos profissionais. 206 da Constituição são: universalidade (ensino para todos). Tudo isto está contido em vários artigos da Constituição (no 5º. como titulares do dever. no 24. Os princípios referentes ao direito ao ensino (que deve ser concretizado pela escola formal). VII-IX. pluralismo. sendo direito de todos e dever do Estado e da família. conforme previsão do art. As normas sobre educação e ensino têm. da obrigação. no 30. é um direito público subjetivo. no 23. 205. portadores de referências à identidade. A explicação para que assim tais dieretrizes sejam interpretadas reside no fato de que a função lata dos direitos sociais é diminuir as desigualdades sociais e estas seriam perpetuadas pelos particulares. também. III-V. isto é. quais sejam: o pleno desenvolvimento da pessoa. políticos e profissionais. p. exigível judicialmente se não for prestado espontaneamente. gestão democrática da escola e padrão de qualidade. O termo cultura foi tomado amplamente pela Constituição Federal de 1988. Em relação ao direito à educação. 1997. à ação. portanto. um dos princípios acima referidos sofreu uma modificação. à memória dos diferentes grupos que formam a sociedade brasileira. ampliar cada vez mais as possibilidades de que todos venham a exercer igualmente este direito. liberdade. plenamente eficaz e de aplicabilidade imediata. o qualificação da pessoa para o trabalho. A Constituição Federal de 1988 considerou que o acesso ao ensino fundamental. sendo a iniciativa privada. gratuidade do ensino público. as expressões criadoras da pessoa e das projeções do espírito humano materializadas em suportes expressivos. integrando valores antropológico-culturais. previstos no art. meramente secundária e condicionada.direitos sociais relativos à educação e à cultura. tratando-se do inciso V do art. obrigatório e gratuito. os quais só poderiam oferecer educação aos que tivessem posses. passou a vigorar com a . temos que a educação foi elevada ao nível dos direitos fundamentais do homem. relativo ao ensino. Os objetivos básicos da educação são três. IX e no 205-217). O Estado tem que se aparelhar para fornecer ensino a todos. 206. embora livre. IX. o significado jurídico de elevar a educação à categoria de serviço público essencial que deve ser possibilitado a todos pelo Poder Público (gratuidade obrigatória no ensino fundamental e garantia da progressiva extensão da gratuidade ao ensino médio) e daí a preferência pelo ensino público. como nos lembra José Afonso da Silva (SILVA. instituições estas que figuram.

225). para frisar que os direitos culturais também são informados pelo princípio da universalidade (garantidos a todos) e estão referidos no art. direito de difusão da cultura (especialmente as populares. A alteração percebida é que deixou de prever o regime jurídico único para todas as instituições mantidas pela União. e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais". Eis o texto do art. liberdade de manifestações culturais. veio apenas louvar o Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional. 225: "todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. § 1º garante o ingresso em juízo de ação relativa à disciplina e às competições desportivas após o esgotamento das instâncias da justiça desportiva. não pode haver no País nenhum tipo de processo que se esgote sem que os litigantes possam ter acesso ao Poder Judiciário e à sua prestação. indígenas e afro-brasileiras). O Capítulo que abriga os assuntos relativos ao meio ambiente é um dos mais importantes e avançados da CF/88. 215 da Constituição Federal. como vemos. previsto no art. Quanto ao desporto. com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos". no parágrafo em comento. 215 e 216 e são: direito de criação cultural (abrangendo criações científicas. desde que queiram. a regra do art. obviamente. liberdade de formas de expressão cultural. planos de carreira para o magistério público. como forma de propriedade de interesse público. Retornemos ao direito à cultura. sendo dever estatal e social sua defesa e sua preservação. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. reguladas em lei. pelo qual. direitodever estatal de formação do patrimônio cultural brasileiro e de proteção dos bens de cultura. um capítulo próprio ao meio ambiente. 217.seguinte redação: "valorização dos profissionais do ensino. que até então a Constituição assegurava. mas só admite fazê-lo quando já se tiverem esgotadas as instâncias da justiça desportiva. em síntese. Verdadeiramente. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e . pelo qual "o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional. considerando-o bem público de uso comum do povo (art. artísticas e tecnológicas). garantidos. na forma da lei. Os direitos culturais reconhecidos na Constituição estão nos arts. Esta regra.3 Proteção constitucional do meio ambiente A Constituição Federal de 1988 dedicou. direito de acesso às fontes da cultura nacional. 5. assegurando a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado essencial à qualidade de vida. dentro da Ordem Social. o Poder Judiciário não se nega a apreciar causas relacionadas ao desporto. 5º e já abordado no item próprio.

21. em atendimento aos preceitos constitucionais de que a propriedade deve atender à uma função social e de que o seu uso não deve implicar em degradação do meio ambiente. XXVI). Lazer e recreação são funções urbanísticas (destinam-se a refazer as forças depois da jornada trabalhista diária e semanal e requerem lugares apropriados e tranqüilos). XIII. 22. uma nova disciplina jurídica desponta: o Direito Urbanístico. como por exemplo em relação aos acidentes radiológicos. Portanto. a mesma apóia-se no domínio eminente que ele exerce sobre todas as coisas que se encontram em seu território. neste artigo está bem claro que a concreção do direito ao meio ambiente importa também em prestação do Poder Público. conforme já tivemos a oportunidade de ver em outro item.futuras gerações". fauna e espaço aéreo). Isto faz com que o Estado imponha limitações à propriedade privada urbana. Respondem civilmente (responsabilidade objetiva) as pessoas jurídicas de direito público na ocorrência de dano em acidente ecológico. evoluindo a visão do que seja interesse público e função social da propriedade urbana. que é a . Salientamos que o Estado Brasileiro firma tratados internacionais visando à proteção do meio ambiente com um todo (cuja competência é da Justiça Federal). pela qual velhos temas. ganham novos enfoques. nem retirar a propriedade do particular) ou a desapropriação individual e remunerada de determinado bem. conferindo à União competência privativa para legislar sobre a matéria (art. cujo mote condutor é o avanço do Direito Internacional para o desenvolvimento sustentável). Para a proteção dos recursos naturais (terras. Mas há que se ter em conta que a crescente urbanização das sociedades humanas muitas vezes ocasiona o caos ambiental e. conforme art. relacionando-se também com o direito ao meio ambiente sadio e equilibrado. como o direito de construir. é o direito ao lazer. transferindo-o para o domínio público e impedindo sua destruição ou degradação. águas. Um direito social que está muito associado aos direitos que os trabalhadores têm ao repouso. CF/88. por isso mesmo. E no que diz respeito à preservação do meio ambiente como um dever do Estado. mencionado pelo art. florestas. a Administração Pública pode se valer de dois meios: ou as limitações administrativas de uso (gerais e gratuitas. jazidas. à medida em que se desenvolvem estudos sobre o modus vivendi nas grandes cidades. sem impedir a normal utilização do bem. "c". 6º entre os direitos sociais. assim. possuindo caráter social por decorrerem do fato de constituírem prestações estatais que interferem nas condições de trabalho e na qualidade de vida e. dentre os quais se destaca a "Agenda 21" (cartilha consensual de Cooperação que a Comunidade Internacional acordou.

bem como os ninhos. Estados e Distrito Federal (não incluindo os municípios). Pela CF/88. os princípios constitucionais que iluminam o Direito de Família na Constituição Federal encontram-se presentes no art. E.4 A família. a Lei nº 5. e especificamente nos arts. VI. Mas embora isso. integrantes do meio ambiente e possivelmente dos componentes deste que mais são violados.Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Iniciemos pela família. abrigos e criadouros naturais de seus componentes ao domínio da União. ramo do Direito onde talvez a Constituição tenha introduzido as maiores inovações. 203. os Estados Federados. ao idoso e ao índio. Distrito Federal e Municípios (art. 23. ao adolescente. enquanto resultado da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992. natural ou plantada. no art. visando à sua preservação. assim como de discriminações históricas que estão terminando no texto da lei. Contrariando o Código Civil (artigos 593. que merecem muita delicadeza por parte dos aplicados do Direito. 226 a 230. como riqueza nacional que é. o idoso e o índio Este é o Capítulo (VII) da Ordem Social da Constituição que trata diretamente daqueles setores ou membros mais sensíveis da sociedade. sobretudo no campo do relacionamento familiar. principalmente na Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. à criança. 5. 24. 205. A competência para sobre ela legislar e para a sua preservação são as mesmas que para as florestas. internalizando princípios que já há muito tempo se encontram grafados nas Declarações de Direitos. com o mínimo espaçamento entre si. Floresta é a forma de vegetação. são constantes os danos ocasionados ao meio ambiente em nosso País. a . Quanto à fauna. que considerava os animais silvestres sem donos res nullius. o adolescente. sujeita-se a um regime administrativo especial. o regime jurídico sobre as mesmas está assim organizado: a competência para legislar sobre florestas é concorrente entre a União. quais sejam: o da redução de prazo (diminuiu o lapso temporal de três para um ano. I. conforme o art. constituída por um grande número de árvores. por útimo.197/67 incorporou a fauna silvestre. Quanto à instituição família e sua proteção jurídico-constitucional. Na parte referente à organização da família a Constituição estabeleceu novos princípios para o divórcio. I e 595). A Constituição democratizou e humanizou sobremaneira o tratamento constitucional dado à família. eis que nas normas a eles relacionadas tratam-se de sentimentos. mas que muitas vezes continuam a existir no substrato social. alguns comentários sobre as florestas e a fauna. VII). e a competência para preservá-las é comum entre a União. a criança.

Por fim. repetia a regra em seu art. pelo que o imóvel residencial próprio do casal ou da entidade familiar fica a salvo de execução por qualquer tipo de dívida. 226. o princípio ainda não havia sido varrido do texto constitucional. § 5º). Nossa anterior Constituição. este assunto foi regulado pela Súmula 380 do Supremo Tribunal Federal. regulou este dispositivo. A Constituição também reconheceu o planejamento familiar como "livre decisão do casal". o que agora foi positivado no § 6º do art. assunto que já abordamos em outro item. como por exemplo.contar da obtenção da separação judicial) e o da efetivação mediante simples separação de fato. ou seja. adveio em 1990 a Lei nº 8. o que já é plenamente possível. 5º do seu texto. a tentativa de propor alimentos era sempre frustrada. havendo lei ordinária em consonância com tais inovações (a Lei nº 7. de janeiro de 1996. àquelas exigências de atestado de esterilização. 175. § 4º. CF/88. 226. eis que a maior parte dos processos que chegavam ao Poder Judiciário sobre a temática envolvia concubinas reclamando seus direitos. o que o fez em seu art. antes da inovação constitucional de 1988. . Na mesma esteira de avanços. Por longo tempo. prevendo a impenhorabilidade do bem de família. § 7º. existente em nossos textos constitucionais desde a Constituição de 1934. Anotamos também que a Constituição de 1988 rompeu com o Princípio da Indissolubilidade do casamento. 41 Assim. 226. a de 1969.009. Outra inovação foi o reconhecimento como entidade familiar da comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. que possibilitava a indenização aos serviços domésticos prestados. previdenciária ou de outra natureza. fiscal. a concubina só poderia pleitear a indenização por serviços domésticos prestados e a partilha. seja civil. comercial. estabelecendo inclusive algumas penalidades. a Constituição de 1988 oficializou a igualdade de direitos entre homens e mulheres nas sociedades conjugais (art. § 1º: "O casamento é indissolúvel". fundado nos Princípios da Dignidade da Pessoa Humana e da Paternidade Responsável. E em que pese existir a Lei do Divórcio desde 1977. Salientamos que a Lei nº 9. antes do advento da Constituição de 1988. conforme art. O reconhecimento constitucional das uniões estáveis abriu campo para as discussões doutrinárias e jurisprudenciais em torno da possibilidade ou da impossibilidade de se pleitear prestação alimentícia quando da dissolução de tais uniões.263. visando sobretudo conferir a este tipo de relacionamento a "proteção do Estado". em consonância com o caput e o inciso I do art. de 1964.841/89). enfatizando o Princípio da Igualdade. Do mesmo modo reconheceu a união estável entre homem e mulher (§ 3º). alinhada aos princípios constitucionais de proteção da família. 226.

e com isso dar operacionalidade prática aos novos direitos conferidos às crianças e aos adolescentes em nosso País. Iniciamos pela proteção à maternidade e à infância. no qual estão inseridas crianças que possuam até 12 anos incompletos. assim como desfrutam da sucessão de bens. portanto). à maternidade. à adolescência e à velhice". Aparece como aspectos do direito de previdência social ("proteção à maternidade. assim. 203. I e II). à convivência familiar e comunitária. à educação. embora não tenha sido incluído no . em boa parte. § 6º). em 1990 veio fazer parte do ordenamento jurídico infraconstitucional o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA. I a III). os direitos fundamentais da criança e do adolescente (art. Dentre outras inovações asseguradas pelo Estatuto estão o acesso da criança à Justiça e a criação da Justiça da Infância e da Adolescência (especializada). mormente no que diz respeito àqueles filhos que são crianças. Também encontra-se no Capítulo específico para a família. com "absoluta prioridade". juntamente com o Estado e a sociedade. à alimentação. Lei nº 8. Ainda sobre a criança. necessitando. à infância. 227.069/90). proteções jurídico-constitucionais especiais. "amparo às crianças e adolescentes carentes". o que sem dúvida foi em grande avanço. ao lazer). especialmente à gestante". e adolescentes de 12 a 18 anos de idade. do direito de assistência social ("proteção à família. conforme art. salvo o princípio da prioridade. II). os direitos sociais da criança coincidem. 227. 227. prevista lá no art. bem como a instituição Conselhos Tutelares para assuntos de interesse de crianças e adolescentes. a criança. mas tendo seu conteúdo presente em mais de um dos Capítulos da "Ordem Social". § 3º. de extraordinário alcance prático. uma inovação gigantesca produzida pela Constituição foi a igualização dos filhos. como o direito à profissionalização. importando na paridade de direitos. 6º da Constituição como uma espécie de direito social. Visando a regulamentar. O princípio da prioridade vemos insculpido na Constituição quando diz que são deveres da família. mas não apenas em relação a ela. há que frisar que crianças e idosos são os componentes da família que mais cuidados exigem.Quanto aos direitos sociais da criança e dos idosos. a regras especiais dos direitos previdenciários e trabalhistas (art. assegurar. conforme art. sendo que alguns dos direitos sociais aí presentes são pertinentes só à criança e ao adolescente. não importando se havidos dentro ou fora do casamento. E em regra geral. se naturais ou adotivos (esta é a regra do art. com os de todas as pessoas (direito à saúde. caput). 201. eis que passam a gozar de estatuto idêntico no âmbito familiar (vedadas as discriminações. A respeito do direito dos idosos. o adolescente e o idoso (art. 227).

Não sei porque na Constituição são os últimos se deveriam ser os primeiros. etc.art. tendo a família. Mas não nos esqueçamos da aposentadoria compulsória. Porém o amparo à velhice vai um pouco mais além (art. Este último artigo prevê-lhes uma importante garantia. art. 155 da Constituição Federal. grande parte se deve à invasão abusiva do homem branco em seus costumes. a sociedade e o Estado o dever de amparar as pessoas idosas. dos Estados. quando ele não possuir meios de prover sua subsistência. tem essa natureza. cuja renda total seja constituída. de rendimentos do trabalho". 201. I) e realiza-se basicamente pela aposentadoria e o direito assistenciário (art. isoladamente ou por suas comunidades e organizações estejam pleiteando interesses ou direitos em juízo. II. e se hoje vivem em condições muitas vezes aviltantes. § 1º. 6º como espécie de direito social. a pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos. pagos pela previdência social da União. como forma protetora da velhice. CF/88). em suas terras. pela qual a Constituição presume uma perda da capacidade laboral do agente público aos 70 anos de idade (art. E. sobre rendimentos provenientes de aposentadorias e pensões. I). CF/88). 40. as quais seguidamente escondem riquezas (minérios. composto por dois artigos. assegurando sua participação na comunidade e a convivência em seu lar. haja vista terem sido os primeiros habitantes de nosso País. § 2º).). por último (last but not least). os índios. espécies exóticas de plantas e animais. . o qual previa que o Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza não incidiria: "nos termos e limites fixados em lei. principalmente. do Distrito Federal e dos Municípios. em suas tradições e. 230. qual seja. o 231 e o 232. 203. Integra o direito previdenciário. 230. sob a rubrica "idade avançada". exclusivamente. defendendo sua dignidade e bem-estar. conforme novas disposições na área feitas pela Emenda Constitucional nº 20/98 (art. incluindo a garantia de recebimento de um salário mínimo por mês. Devemos mencionar que a Emenda Constitucional Nº 20/98 revogou expressamente o inciso III do § 2º do art. a intervenção do Ministério Público em todos os atos do processo em que. estando previsto em dispositivos constitucionais que lhe tutelam. A Constituição lhes reservou um Capítulo próprio (o VIII). garantindo-lhes o direito à vida e a gratuidade dos transportes coletivos urbanos (aos maiores de 65 anos.

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