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Antropologia e Pedagogia – interdisciplinaridade e educação.

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- Antropologia e Pedagogia – interdisciplinaridade e educação.Peterson S. Mattos1

Este trabalho foi desenvolvido a partir da leitura do artigo "Um saber de fronteira – entre a Antropologia e a Educação" de Tânia Dauster. Pretende-se com este trabalho um diálogo interdisciplinar entre Antropologia e a Pedagogia. Busca-se, com isto, o enriquecimento teórico-metodológico na prática pedagógica a partir das contribuições oriundas da Antropologia enquanto conhecimento acadêmico-científico. Iniciaremos com a observância de alguns conceitos, objetos de estudo da antropologia, para depois percebermos a metodologia. De acordo com a autora Tânia Dauster (2003, p. 3) o termo cultura:
“tendo em vista a questão dos valores e a sua relevância quando se quer entender o dilema constitutivo da Antropologia, que assim pode ser resumido: compreender a unidade biológica da espécie humana e a sua diversidade cultural, pode ser percebido resumidamente através da pluralidade de costumes, atitudes, concepções, práticas, em suma, de múltiplos modos de vida.”

A cultura está relacionada a nossa forma de viver. Se refere as crenças, comportamentos, instituições, regras morais e sociais, modos de agir, pensar e refletir, valores que "preenchem" nossa sociedade.
“Cultura é termo polissêmico. Não se trata, contudo, de percebê-lo dentro da lógica do senso comum que dá margem a declarações sobre os grupos que diferem de nós, em tons que podemos identificar nas seguintes expressões: 'eles não têm cultura, são selvagens, sem moral, têm costumes bárbaros'. Estas são afirmações que revelam posturas etnocêntricas.” (Dauster, 2003, p. 4)

Ao se entender na relação cultural com o outro a partir apenas de uma validação cultural própria, o etnocentrismo é fonte da intolerância sobre os costumes e hábitos diferentes, pois cada pessoa tem sua cultura e sua forma de se expressar, jeito, costumes, crenças e etc. O etnocentrismo parte de um determinado grupo de pessoas, ou indivíduo, que têm hábitos e caráter social, que discriminam outros de cultura e costumes diferentes, julgando-se melhores. Para estas pessoas acaba sendo difícil ver o mundo com outros olhos e compreender que todos somos diferentes de alguma forma e que devemos respeitar o outro. O conceito de etnocentrismo:
“trata-se da centração nos próprios valores e na própria cultura ou etnia. Tal tendência, se bem que universal, é a lente que nos impede de olhar o “outro” na sua dignidade e positividade, é o que alimenta as ideologias sobre a carência cultural como explicações sobre os modos de vida alheios.” (Dauster, 2003, p. 4)

1 Aluno do Curso de Pedagogia EAD – UDESC – Polo Joinville – Turma C.

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No senso comum, pode-se incorrer no erro de apenas ser rotulado como conhecimento válido, o que é transmitido pelo professor. relativismo cultural. Diferentemente das sociedades simples, no mundo globalizado, as fronteiras e espaços não são bem delineados, esta construção se dá em mistura sobreposta de experiências culturais, podendo ser percebido na mídia. Um mundo variado de linguagens, texturas, símbolos, imagens, ritos, modas, culinárias, tecnologias, mobiliários, o que era exótico e longínquo agora pode estar próximo. As diferenças dão lugar a uma colagem cultural e a cultura da mistura. Diante desta heterogeneidade social Gilberto Velho sinaliza para uma questão crucial: 'Como localizar experiências suficientemente significativas para criar fronteiras simbólicas?' (VELHO apud, Dauster, 2003, P.6). Estudos da pesquisadora Margaret Mead, demonstraram a influência das gerações mais velhas sobre as novas, como a formação da personalidade e formas de aprendizagem existentes. “A pesquisadora demonstrou que a adolescência, com as características conhecidas por nós, é um fenômeno sociocultural e não uma questão fisiológica” (DAUSTER, 2003, P.7). A pesquisadora aponta ainda no sentido da contribuição etnográfica para uma menor atitude de repressão face às crianças e adolescentes. Já a Escola Sociológica Francesa, especificamente Pierre de Bourdieur, trabalha a noção de habitus: o processo educativo inculca “disposições duráveis, matriz de percepções, juízos e ações que configuram uma 'razão pedagógica'”. Na década de 50, Claude Lévi-Strauss, descreve em poucas palavras e de forma simples o que vem a ser Antropologia e nos agraciou com a descrição do método etnográfico:
“Ao definir o que é Antropologia, Lévi-Strauss explica que ela emerge de uma forma específica de colocar problemas, a partir do estudo das chamadas sociedades simples, tendo, no seu desenvolvimento, voltado-se para a investigação das sociedades complexas, para entender a cultura e a vida social. Uma das vias para a construção deste conhecimento é a etnografia concebida como descrição, observação e trabalho de campo a partir de uma experiência pessoal. Segundo o autor, o antropólogo visa elaborar a ciência social do observado, a partir desse ponto de vista, ultrapassando suas próprias categorias. Construindo um conhecimento fundado na experiência etnográfica, na percepção do “outro” do ângulo das suas razões positivas e não da sua privação, buscando o sentido emergente das relações entre os sujeitos, ele estaria transpondo as suas próprias referências com aquelas do contexto observado.” (Dauster, 2003, p. 7 e 8)

Segundo a autora, o próprio

professor lucraria com a abordagem antropológica ao olhar seu aluno com outras lentes do

A partir do exercício de investigação metodológica, em que o pesquisador-aluno ao mesmo tempo que relativiza o outro, também é co-participante de sua própria história. Cria-se uma perspectiva dialética numa práxis antropológica, com ferramentas que não deixam perder

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o olhar de estranhamento, esta característica é o instrumento revelador do resultado científico. Com isso os temas não são esgotados. Dentro das escolas encontram-se tudo o que há na sociedade, porém em menor escala: pluralismo cultural, relações interculturais, multiculturalismo, aculturação, etnocentrismo e o seu oposto o relativismo, manifestações culturais, direitos e deveres, políticas públicas. Enfim, todos temos cultura. O fato de alguns grupos ou membros de um grupo desenvolverem habilidades específicas mais qualificadas, não os diferenciam em valores culturais. Não se escolhe ter mais ou menos cultura, ter ou não ter cultura. A cultura é intrínseca ao ser humano. Devemos respeitar a diversidade cultural e criar mecanismos para as suas manifestações.

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Referências DAUSTER, Tânia. Um Saber de Fronteira – Entre a Antropologia e a Educação. Poços de Caldas: 26ª REUNIÃO ANUAL DA ANPED, 2003. 15p. (mimeo) REIS, Marilise Luiza Martins dos. Antropologia: Caderno pedagógico. Design instrucional Melina de la Barrera Ayres. Florianópolis: UDESC/CEAD, 2011. 124p.

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