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Escola Secundária Dr. Francisco Fernandes Lopes – Olhão

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06/14/2009

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Os professores da Escola Secundária Dr.

Francisco Fernandes Lopes – Olhão, reunidos em 19 de Novembro de 2008 vêm, por este meio, na sequência da exposição dirigida aos órgãos directivos e de gestão da Escola, no passado dia 30 de Outubro do ano corrente, em consonância com as decisões do Plenário Nacional de Professores do passado dia 8 do mês em curso e em conformidade com as tomadas de posição dos docentes de centenas de escolas e agrupamentos de escolas em todo o país, apresentar as razões que os levam a decidir suspender a sua participação na aplicação do novo modelo de Avaliação de Desempenho: 1. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 não considera a natureza e complexidade da função docente, estabelecendo um modelo de avaliação baseado numa perspectiva burocrática/administrativa, assente numa multiplicidade de grelhas, fichas e outra documentação conexa. 2. O modelo introduzido pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008 não respeita o carácter eminentemente científico-pedagógico da actividade profissional dos professores, não propicia as condições necessárias para o cabal cumprimento das práticas lectivas, que lhes competem no processo ensino – aprendizagem, atentando grosseiramente contra os princípios de uma avaliação formativa, geradora de mais valias pessoais e técnico – profissionais para os docentes. 3. O Decreto Regulamentar nº 2/2008, ao impor quotas para as menções de “Excelente” e “Muito Bom”, inviabiliza, desde logo, a justa aspiração de muitos docentes verem reconhecidas as suas capacidades, competências e investimento na carreira, fazendo prevalecer uma visão meramente economicista, em detrimento do mérito e da equidade. 4. O Decreto Regulamentar nº 2/2008 faz depender significativamente a avaliação do docente de dois indicadores de medida, em contexto sócio – educativo; o progresso dos resultados escolares e a redução das taxas de abandono dos alunos. Para além de se tratar de duas realidades extremamente complexas, comportando na sua génese, razões familiares, económicas, sociais, profissionais e/ou culturais, cujas variáveis o professor não domina, não podendo por isso ser responsabilizado, a inclusão do primeiro indicador, configura uma violação primária do Despacho Normativo, regulador da avaliação dos alunos no ensino secundário, que estabelece, no nº 35 do seu Capitulo II, ” ser a decisão final quanto à classificação a atribuir, da competência do Conselho de Turma, que, para o efeito, aprecia a proposta apresentada por cada professor, juntamente com as

informações justificativas da mesma e tomando em consideração a situação global do aluno”. 5. A aplicação do Decreto Regulamentar nº 2/2008 é susceptível de originar a deterioração da atmosfera pedagógica e profissional da escola, por via da degradação das relações entre os docentes, pelo facto de não terem sido acauteladas situações aberrantes e de melindre, designadamente, a existência de avaliadores com formação académica e científico – pedagógica de nível inferior à dos avaliados, ou serem avaliadas práticas docentes, por avaliadores, com habilitação científica diferente e oriundos de grupos disciplinares distintos daqueles a que pertencem os avaliados. 6. Este modelo de avaliação de desempenho, propugnado pelo Decreto

Regulamentar nº 2/2008 está em rota de colisão com normativos legais, nomeadamente, com as disposições do Código do Procedimento Administrativo, no que concerne a situações que configuram conflitos de interesses e incompatibilidades, como por exemplo, o interesse directo do professor para efeitos da sua avaliação, nos resultados dos alunos; o facto dos professores a quem foram delegadas competências de avaliação, concorrerem às mesmas quotas de acesso ao Excelente e Muito Bom, das dos avaliandos; a delegação de competências dos professores avaliadores, cuja função só terá base legal após publicação no Diário da República ou, em sua substituição, após entrada em vigor do Orçamento Geral do Estado para o ano 2009. Os professores concordam com um modelo de avaliação do seu desempenho, que seja justo, sério, rigoroso e que contribua para o aperfeiçoamento do seu perfil profissional. Contudo, este modelo de avaliação que a tutela pretende impor a todo o custo é sentido pelos docentes como propiciador de injustiças, de desigualdades e da degradação do ambiente de trabalho nas escolas, não contribuindo para a desejada melhoria do sistema de ensino e da qualidade da escola pública em Portugal. Face ao exposto, os professores abaixo-assinados decidem suspender a sua participação neste processo de Avaliação de Desempenho, até que um novo modelo expurgado das desconformidades apontadas e resultante de um amplo debate nacional entre professores, actores políticos e a tutela, possa ser gerador de consensos e legalmente implementado. Os docentes abaixo – assinados advogam o direito de divulgar publicamente esta tomada de posição.

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