Fechado

Ricardo Barras

Grilhetas nos pés Para que não andes.

Grilhetas nas mãos Para que não faças.

E, lentamente Tapam-te os olhos Para que não vejas O que a tua boca Quer denunciar.

1

Medo
2

Foram eles que te pintaram a noite Cerraram-te com a maior escuridão Com uivos desconhecidos Para que quebres a todos os passos.

Foram eles que criaram o teu bem-estar Imaginado. Para que te sintas sempre Pisar, sempre assente no chão Que eles construíram para te proteger.

Não te esqueças que tu és Apenas Uma carga que eles transportam E vendem E trocam E compram E que se te iludes a achar que não És apenas um escravo Dos piores que há: Um escravo ignorante Um escravo feliz.

3

Respeito
4

Deixaste de te respeitar Quando aprendeste Que já não podes ser criança.

Quando te lavaram a cabeça Para pensar Que tinhas que fazer o que te mandassem Para que fizesses por ti.

Deixaste de te respeitar Quando puseste de parte o respeito Pelo próximo Em prole do teu.

Deixaste de te respeitar Quando acreditaste que isso viria De grandes festas e grandes bodegas De grandes ordenados e grandes ignorâncias.

Deixaste de te respeitar Quando perdeste a tua opinião E te abaixaste para engolir sapos Antes de dares a ouvir a tua voz.

Precisas de respeito Porque pões comer, talheres e pratos na mesa Porque pões roupa, cama e almofadas nos quartos
5

Porque ainda te lembras De que tens Opinião E voz.

6

Ignorância
7

A maior arma Daqueles que sabem É exactamente O que tu não sabes.

Porque se sabem E tu não Tu achas que não podes criticar Tu achas que não podes mudar.

Tu Achas Que felicidade É Apenas Pôr O pão Na mesa E os lençóis Na cama.

Mas Sempre Quiseste Mais.

8

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful