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Programa iconográfico apresentando mimeses transversais entre leituras contemporâneas de obras do século XVIII e
Programa iconográfico apresentando
mimeses transversais entre leituras
contemporâneas de obras do século
XVIII e discutindo a invenção
Palácio das Artes, 2008

Proposta de exposição apresentada ao Palácio das Artes, para o ano de 2008, segundo o Edital Artes Visuais 2008 -Seleção para ocupação das galerias da Fundação Clóvis Salgado

para ocupação das galerias da Fundação Clóvis Salgado baseada em emulações sobre As Quatro Estações ,

baseada em emulações sobre As

Quatro Estações, de Antonio Vivaldi.

um conjunto pictórico capaz de

representar simultaneamente as

Quatro Estações como ciclo

temporal e metáfora das fases da

vida. A composição integra

elementos formais da iconografia

antiga a elementos da linguagem

plástica contemporânea

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1 Memorial descritivo

O Programa Iconográfico a ser exposto é um conjunto cuja arte, retórica e poética,

representará simultaneamente as Quatro Estações como ciclo temporal e metáfora das fases da vida, juntando os elementos universais do mote à visão contemporânea sob o ponto de

vista dos autores. O núcleo da mostra será composto por 12 painéis a óleo de 122cm×197cm,

de Públio Athayde e por quatro painéis a óleo 96cm×520mm, de Will Oliveira. Essa pintura é, a um só tempo, produto da mimese de obras literárias e musicais e expressão de análise visual das metáforas naquelas obras. A amplitude da proposta reside em ela incluir, na construção do discurso iconográfico, aspectos transdisciplinares entre poesia, música e pintura. A retórica do Programa é pautada pelos concertos grossos As Quatro Estações, de Antônio Vivaldi, como eixo, subsidiado pelos quatro sonetos atribuídos a esse mesmo autor e que teriam precedido e inspirado a composição musical, cada um como referência para uma das Estações. Subsidiariamente ainda, mas vistos como roteiro do subtexto, serão apresentados 12 sonetos de Públio Athayde, também intitulados As Quatro Estações, compostos há pouco mais de uma década, assim como os referidos sonetos de Vivaldi. Cada soneto plotado em

dimensão áurea: 841mm×520mm. Como a própria proposta de Vivaldi, a do Programa Iconográfico teve o propósito de fazer Il Cimento dell’Armonia e dell’Invenzione, mas desta vez com diferente carga interpretativa e expressiva, o que não descarta o fato de que, em qualquer desempenho

estético contemporâneo ocorre o mesmo – apenas que a interpretação aqui se dá pela expressão plástica estendida em um Programa Iconográfico dotado de discurso próprio, mas completamente conectado às obras emuladas.

A questão que inquietou e motivou a criação deste Programa Iconográfico foi a

submeter a necessidade (re)interpretativa, pelo o domínio da técnica e dos recursos e conhecimentos disponíveis, à capacidade para recriar uma obra de arte já tão explorada, tão difundida. Fazer isso guardando simultaneamente a conexão com o discurso retórico, discreto, e a linguagem poético-visual contemporânea.

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2 Projeto expográfico

2.1 Elementos a serem expostos

a) Doze painéis de 122cm×197cm, óleo sobre telas de diferentes fibras sobre Eucatex, quatro trípticos representando as Quatro Estações - segundo os doze movimentos de que se compôem os quatro concertos de Vivaldi. Emoldurados. Autoria de Públio Athayde.

b) Quatro painéis de 96cm×122cm, óleo sobre tela de TNT sobre Eucatex, representando as Quatros Estações - quadros de Jean von Blasenberghe - que teriam sido expostos na primeira audição da respectiva obra de Vivaldi. Emoldurados. Autoria de Will Oliveira.

c) Quinze estudos gráficos, em formato A4, sobre os retângulos áureos que cosntituem a base da composiçãodo grupo de doze painéis acima. Emoldurados entre vidros. Autoria de Públio Athayde.

d) Quatro sonetos intitulados Le Quattro Stagioni que teriam sido expostos na primeira audição da respectiva obra de Vivaldi. Cada um plotado em dimensão áurea: 841mm×520mm. Autoria presumida de Antônio Vivaldi.

e) Doze sonetos representando as Quatro Estações (segundo os doze movimentos de que se compôem os quatro concvertos de Vivaldi). Cada um plotado em dimensão áurea: 841mm×520mm. Autoria de Públio Athayde.

f) A exposição será feita acompanhada de performances dos concertos As Quatro Estações, em audição instrumental ou eletrônica, segundo possibilidades operacionais.

2.2 Disposição dos elementos

Os doze paineis (item a) se disporão simetricamente, metade em cada uma das paredes

longitudinais da galeria, segundo melhor disposição posível, observadas as disposições

específicas que se seguirão. Entre eles se intercalarão os sonetos respetivos (itens d e e). Ao

fundo da galeria, em disposição compativel com o espaço, os quatro paineis restantes (item b).

A parede restante, a menor do espaço, fica reservada para os estudos gráficos (item c).

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2.2.1 Os quatro trípticos

Os painéis dos trípticos As Quatro Estações delimitam planos, tanto quanto são

superfícies pictóricas, são planos que discursam em sua articulação plana. São planos que

significam pela razão (áurea) de sua dimensão, pela escala (amplitude – grandeza

aqui as

palavras se confundem, mas a referência é ao tamanho dos objetos), são ainda planos que têm

característica bidimensional à primeira vista, mas há aspectos que trazem o Programa para o

universo fronteiriço entre a escultura e a pintura em que se situa grande parte da poesia visual

até estes primórdios de século: um é o fato de que a terceira dimensão é antecedida de duas

dimensões,

necessariamente

(a

bidimensionalidade

é

conteúdo

da

tridimensionalidade

continente); outro é que a disposição ideal do Programa seja em ambiente do qual o

espectador possa ver cada tríptico isoladamente e completar o périplo visual entre elas pelo

giro em torno de si, reforçando a noção cíclica do discurso proposto e criando a necessária

terceira dimensão espacial do distanciamento existente entre a obra e o expectador.

Nas imagens das telas em preparação – suportes montados e estratos de fundo

aplicados – a programação visual para a exposição dos trabalhos já está prevista, feita a

articulação entre as telas concernentes a cada Concerto, tal como devem ser apresentadas.

Os trípticos se alinharão na horizontal pela mediana dos painéis horizontais (linha

tracejada) e, entre si, segundo a sintaxe das imagens e dos campos áureos (linhas pontilhadas),

guardada a distância entre os quadros de cada tríptico entre 60cm e 120cm. Essa disposição é

essencial, pois ela possibilita a leitura entre as telas, para tanto que foram concebidas.

5

2.

2.

2.

2.

2.1.1

Pri mavera

5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no
5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no
5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no

Ver ão

5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no
5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no
5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no

2.1.2

2.1.3

Out ono

5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no
5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no
5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no

2.1.4

Inve rno

5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no
5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no
5 2. 2. 2. 2. 2.1.1 Pri mavera Ver ã o 2.1.2 2.1.3 Out o no

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2.2.2 Os estudos gráficos

Na programação visual dos painéis trípticos foram adotados campos áureos em

composição que representa os andamentos dos concertos, sua dinâmica e seu afeto. O

grafismo na composição do Programa Iconográfico integra os quadros em discurso lógico,

simbólico e icônico; o planejamento de sua posição relativa, cada um em função dos demais,

em cada um dos trípticos, e deles entre si, funciona como rubrica da exposição quase tanto

quanto a própria seqüência das Estações (como música, poesia ou fases do ano) o faz

naturalmente. Todos esses elementos foram articulados com coerência retórica, apresentando-

se em conjugação alguns dos princípios mais clássicos e outros dos contemporâneos.

Os estudos gráficos foram compostos como estratégia de aproximação das formas e

relações entre os campos dos painéis, determinados pela progressão áurea, pelas espirais

logarítmicas e pelas respectivas diagonais. Eles se integram à mostra como elemento da

geometria sacra profanado pela leitura e expressão neoconcreta que assumiram nas torções de

suas projeções tridimensionais.

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2.2.3 Os sonetos de Vivaldi

2.2.3.1 La primavera

Giunt'é la Primavera e festosetti

La Salutan gl'Augei con lieto canto,

E i fonti allo Spirar de'Zeffiretti

Con dolce mormorio Scorrono intanto:

Vengon' coprendo l'aer di nero amanto

E Lampi, e tuoni ad annuntiarla eletti;

Indi tacendo questi, gl'Augelletti Tornan' di nuovo al lor canoro incanto:

E quindi Sul fiorito ameno prato

Al caro mormorio di fronde e piante

Dorme'l Caprar col fido can' à lato.

Di pastoral Zampogna al Suon festante

Danzan Ninfe e Pastor nel tetto amato

Di primavera all'apparir brillante.

2.2.3.2 L'estate

Sotto dura Staggion dal Sole accesa Langue L'huom, langue 'l gregge, ed arde il Pino; Scioglie il Cucco la Voce, e tosto intesa Canta la Tortorella e'l gardelino.

Zeffiro dolce Spira, mà contesa Muove Borea improviso al Suo vicino;

E piange il Pastorel, perche Sospesa

Teme fiera borasca, e'l Suo destino;

Toglie alle membra lasse il Suo riposo

Il

timore de'Lampi, e tuoni fieri

E

de mosche, e mossoni il Stuol furioso!

Ah che pur troppo I Suoi timor Son veri Tuona e fulmina il ciel e grandinoso Tronca il capo alle Spiche e a'grani alteri.

2.2.3.3 L'autunno

Celebra il Vilanel con balli e Canti Del felice raccolto il bel piacere

E del liquor di Bacco accesi tanti

Finiscono col Sonno il lor godere.

Fà ch'ogn'uno tralasci e balli canti

L'aria che temperata dà piacere,

E

la Staggion ch'invita tanti e tanti

D'

un dolcissimo Sonno al bel godere.

I cacciator alla nov'alba à caccia Con corni, Schioppi, e canni escono fuore Fugge la belua, e Seguono la traccia;

Già Sbigottita, e lassa al gran rumore De'Schioppi e canni, ferita minaccia Languida di fuggir, mà oppressa muore.

2.2.3.4 L'inverno

Aggiacciato tremar trà nevi algenti

Al Severo Spirar d'orrido Vento,

Correr battendo i piedi ogni momento;

E pel Soverchio gel batter i denti;

Passar al foco i di quieti e contenti Mentre la pioggio fuor bagna ben cento; Caminar Sopra'l giaccio, e à passo lento Per timor di cader gersene intenti;

Gir forte Sdruzziolar, cader à terra,

Di nuovo ir Sopra 'l giaccio e correr forte

Sin ch'il giaccio Si rompe, e Si disserra;

Sentir uscir dalle ferrate porte Sirocco, Borea, e tutti i Venti in guerra Quest'è 'l verno, mà tal, che gioja apporte

2.2. 4 Soneto s de min ha autori a

Estes

sonetos, p recedentes

ao Progra ma Iconogr áfico, fora m compost os, cada

u m deles ins pirado em u m dos mov imentos do s concertos

do ciclo A s Quatro

Estações

d e Vivaldi,

como foi m encionado , guardand o com eles

relação de

proporção

métrica

c orresponden te aos resp ectivos and amentos.

Assim , aos alle gros, corr espondem

versos oct ossílabos,

aos largos , versos

d odecassílab os (alexan drinos, em

alguns c asos); aos

adágios v ersos dec assílabos

(h eróicos); o s prestos,

versos hex assílabos; o

allegro n on molto f oi represen tado por

v erso eneass ílabo.

Quadr o Sinótico– Q uatro Estaç ões: movime ntos e métric a.

Primavera Verã o Outono Inv erno • Allegro: • A lleg ro: • Presto: •
Primavera
Verã o
Outono
Inv
erno
Allegro:
A lleg
ro:
Presto:
octossílabos.
octas sílabos.
exassílabos.
A ll egro non
m o lto:
Largo:
A dag io:
Alegro:
en eassílabo.
dodecassílabo s.
deca ssílabos.
octossílabos
.
La r go:
Alegro:
Prest o:
Adagio:
do d ecassílabo.
octossílabos
hexa ssílabos.
decassílabos .
A ll egro:
oct ossílabo.
Ilustrações: François BOUCHER, 1775.

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2.2.4.1 Soneto I/XII Primavera: Allegro

2.2.4.3 Soneto III/XII Primavera: Allegro

Que lúdico existir sem prova Cantar estes versos e amores,

Só sabe o futuro que tem Quem conhece dia de amanhã.

Proveito de vida em cores,

Que problema e dúvida insã:

Delícia de gozo na trova.

A

sina não informa ninguém.

Feliz de viver pela vida,

A

dúvida o tédio destrói,

Tão simples e leve cantiga

E

que drama de amor tecer

Seduz, que se espera prossiga,

É

possível que venha a ser

Em versos de rima incontida.

A

roda que o destino mói.

Que vaga de prazer, cantei-a,

O

fado que concerne a mim,

Com graça de amores ferazes,

Não importa que sorte se leu,

Desperto, entre o sonhar das frases,

É

ver que o lucro seja meu.

Na dúvida que hora permeia, Mas bem certo de ser indene, Pois não ouvirei quem me condene.

Belo Horizonte, 3 de agosto de 1996.

Não espero pela hora do fim:

Seja lá o destino o que diz,

O que interessa é ser feliz.

Belo Horizonte, 5 de agosto de 1996.

2.2.4.2

Soneto II/XII

2.2.4.4

Soneto IV/XII

Primavera: Largo

Verão: Allegro

Horizonte aberto para ilusão que inunda, Um mar de desejo muito tempo frustrado Encara o destino qual sempre foi mostrado:

Vaga de esperança pela paixão profunda.

Saberes ocultos descobertos em breve, Quando tais amores alcançarem a carne, Poderão decerto acalmar o duro farne Que tanto tormenta quem inda não atreve.

Meu sonho de musas que me fazem cativo Deste amor platônico somente cantado,

Separa-se o certo do errado, Não tem motivo que confunda Quem neste quesito se funda, Cria juízo e se torna honrado.

A enseada da ciência é segura,

Quando diz que sim é bem certo, Quando não, nem passa por perto, Saber e erro não se mistura.

Eu, para mim, tudo que almejo

É segurança e a luz que existe,

O

grande suplício por eu ser recatado.

Clareia trevas e vida triste.

fico contente sem ter bem um motivo,

Sei bem quem sou, sei meu desejo,

Pois será logo em breve que tal desidério, Deixará para mim de ser grande mistério.

Que desta vida terei tudo Estou tranqüilo, não me iludo.

Belo Horizonte, 4 de agosto de 1996.

Belo Horizonte, 5 de agosto de 1996.

10

2.2.4.5

Soneto V/XII

2.2.4.7

Soneto VII/XII

Verão: Adagio

Outono: Allegro

Fogo de indústria dos deuses roubado É nova ciência para as mesmas artes; Dobre-se engenho todo de outras partes, Que se fará aqui mais que foi cantado.

De saber novo nem sempre se alcança Toda beleza que, é certo, se espera, Conta-se então com o que o tempo opera:

Perfeição plena ao conhecer que avança.

Torno-me ativo sujeito e trabalho, Com esperança em cada novidade; Aprendo e faço da maior qualidade.

Aí, dou-me conta de tudo que valho, Cobro da vida por meu desempenho, Que sorte minha, boa paga que eu tenho.

Belo Horizonte, 4 de agosto de 1996.

Triste encanto assola o coração, Toda alma a querer, só desejo, Mas nenhum sentimento ou pejo, Nada excita o ser, amor não.

Vale a carne pelo seu gosto, Supre a vontade de ter sexo, Não mais se suspira em amplexo, Põe-se a gemer, e mostra o rosto.

Neste tempo, só penso em mim, Descri de outro afeto que existe, Que só na renúncia consiste.

Eis-me, que agora agindo assim, Quase me completo sozinho, Mesmo acompanhado no ninho.

Belo Horizonte, 2 de agosto de 1996.

2.2.4.6

Soneto VI/XII

2.2.4.8

Soneto VIII/XII

Verão: Presto

Outono: Adagio

Febril amor, que cálido, Chamando o corpo estúrdio, Deseja, estapafúrdio, Gozar que seja válido.

Mas é prazer sintético, Assume tom hilário, Anula-se contrário Ao motivo dianético.

Não quero ser enérgico Com toda minha glória Na fricação corpórea,

Serei apenas sinérgico Neste instante magnífico, Dubiamente letífico.

Belo Horizonte, 3 de agosto de 1996.

Fogo de indústria dos deuses roubado É mesma ciência para as outras partes; Pobre de engenho, todo de mesmas artes, Nunca fará aqui mais que foi cantado.

De saber velho tem sempre quem cansa, Nula beleza que nada mais gera, Nem se conte com o que o tempo opera:

Conhecer pleno nunca que se alcança.

Fico passivo, sujeito, e trabalho Sem esperança em cada novidade; Faço que aprendo, não tem qualidade.

Aí, tomam conta de tudo que valho, Cobram da vida por meu desempenho. Tenho que paga Deus teve no Lenho.

Belo Horizonte, 4 de agosto de 1996.

11

2.2.4.9

Soneto IX/XII

2.2.4.11

Soneto XI/XII

Outono: Allegro

Inverno: Largo

No pleito de dúvida faz-se Verso e mote para a cantiga,

Vem com a sorte, velha amiga,

E cada rima é assim que nasce.

Glosa o destino num soneto Com uma quadra benfazeja, Outra muito dura que seja, Mas puro azar cada terceto.

No universo tão deplorado, De meu trabalho e minha sina, Não tem poesia, caí na rotina.

Cansado de ser explorado, Volto cedo a vida privada, Impeço à musa que ela evada.

Belo Horizonte, 5 de agosto de 1996.

Vê-se a morte, encontra-se este último prazer, Alegria final de quem vive no que aprende,

E encontra o nada, que da salvação depende,

Onde, em geral, a esperança tende a jazer.

Nada mais resta, para esta vida malsã, Que morte inglória daquele que tudo sabe, Mesmo que não há Deus, e nenhum apelo cabe, Morre feliz, na alegre certeza pagã.

Porque parei de aprender, eu morro feliz,

E porque fui o mesmo por quase dois segundos.

É sem receio que cruzo a ponte entre tais mundos:

Qual de certeza, tédio este que eu nunca quis, Tal de dúvida, último prazer sempre incerto, Esta alegria, novidade que está mais perto.

Belo Horizonte, 2 de agosto de 1996.

2.2.4.10

Soneto X/XII

2.2.4.12

Soneto XII/XII

Inverno: Allegro Non Molto

Inverno: Allegro

Os prazeres se esvaindo diluem, Num correr ondas de baixa-mar,

O que restou de aprender e amar:

São sonhos e quimeras que ruem.

Cada delícia de outrora é má,

E polui a saudade sem perdão,

Consome a memória de emoção, Pois pouca novidade agora há.

Acabou tudo, tudo mesmo. Nem o alívio, nada mais resta. Havendo algo, luz, uma fresta, Não é morrer, porém viver a esmo.

Não há qualquer sinal, sensação, Nenhuma ciência existe mais, Nem enseada, nem outro cais; Caos de querer, de sim, de não.

Engodo de certezas que sou eu,

Ainda bem! Era o meu desejo.

Clama pela dúvida qualquer

O

desejo também morreu,

Que minore o sofrer se puder.

E

não sei nem se sou mesmo eu.

Da mesma forma que a alma morreu, Encontra-se este meu corpo vil Sem as forças que eram mais de mil.

Belo Horizonte, 3 de agosto de 1996.

Ainda bem! Aproveito o ensejo, Não questiono agora mais nada:

Não há questão certa, nem errada.

Ouro Preto, 6 de agosto de 1995.

12

2.2.5 Os Concertos As Quatro Estações

As Quatro Estações foram publicadas em Amsterdã, em 1725, com mais oito

concertos em volume denominado Opera Ottava (Opus 8). Esse conjunto concertístico

foi denominado Il Cimento dell’Armonia e dell’Invenzione; um testamento artístico, tal

o teor de técnica intelectual e fantasia inventiva de Vivaldi. As Quatro Estações são,

acima de tudo, a celebração da rica impressão individual das mudanças de estações,

inspirando a evocação do universo inteiro de emoções associadas a elas. Vivaldi

esforçou-se para completar a experiência de seu público exibindo pinturas e sonetos

para os músicos e para a platéia. O tema das Quatro Estações é simples, popular, dado

que se refere à nossa Terra e a todos os habitantes, mas ao mesmo tempo, amplia-se

simbolicamente de maneira rica e complexa, pois que está ligado a tudo que se refere ao

número 4, às quimeras, às visões bíblicas, aos elementos, aos evangelhos, às fases da

lua, ao Tarô. O significado elementar desse símbolo é: refere-se às quatro fases de

qualquer ciclo. E o ciclo das estações é exemplo cheio de sentidos. A popularidade

destes concertos grossos de Vivaldi fizeram deles uma das obras de música erudita mais

gravadas: 475 registros, contra 275 da Quinta Sinfonia de Beethoven, por exemplo.

2.2.6 Croquis da Galeria Genesco Murta

Os trípticos e sonetos Estudos gráficos Quatro painéis de Will Oliveira
Os trípticos e sonetos
Estudos gráficos
Quatro painéis
de Will Oliveira

13

3

Curricula

3.1 Públio Athayde

Públio Athayde, residente à rua Venezuela, 634, Sion; telefones (31)3244-1245 e (31)9191-5091, email publio.athayde@gmail.com ; foi professor universitário nas áreas de História, Sociologia, Política e Educação. Graduou-se em História em 1987, pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, onde depois lecionou. Ainda em Ouro Preto, onde nasceu, participou de Festivais de Inverno, cursos e eventos nas áreas de Museologia, Arquivística, História de Minas Gerais e da Arte - conhecendo bastante de perto os acervos históricos documentais e artísticos da região de Ouro Preto e Mariana.

Atualmente exerce a atividade de revisor acadêmico e literário em paralelo à pintura. Tem formação em Ciência Política pela UFMG e em Cultura e Arte Barroca

pela UFOP. É poeta, autor de diversos livros e artigos amplamente publicados. O projeto das Quatro Estações, em desenvolvimento, nasceu de trabalho de pós-graduação

e está prestes a ser concluído. Expôs na Galeria de Arte da FAOP (hoje Nello Nuno),

quando aluno daquela instituição; mais recentemente teve trabalhos expostos na Galeria Bar`Rabás e no Restaurante Cozinha de Minas, ambos em Ouro Preto. A proposta atual

é enveredar pela seara das poéticas visuais, este báratro de polissemias.

3.2 Will Oliveira

Wilerson Jorge de Oliveira, residente à rua Alvarenga, 550, Ouro Preto, telefone (31)9272-9110, email wilerson86@yahoo.com.br . Nascido em Mariana e criado em Ouro Preto, desde sempre gostou de arte; estudou desenho, pintura e teatro, mas a opção pelas tintas e pinceis tem se manifestado.

Convidado a participar do Projeto As Quatro Estações, abraçou com entusiasmo

a idéia, dedicando-se a recriar obras perdidas no tempo das efemérides. Deste projeto,

passou a partilhar com Públio Athayde o espaço do atelier que recebeu o nome do trabalho coletivo e no qual se propõe também a ensinar pintura para crianças, além de

dar continuidade aos projetos plásticos.

14

4 Fotos das obras desta proposta

14 4 Fotos das obras desta proposta A THAYDE , Públio. Primavera I – Allegro. 2007.

ATHAYDE, Públio. Primavera I – Allegro. 2007. Óleo sobre tela de algodão sobre Eucatex, 122cm X194cm.(Inacabada)

15

15 A THAYDE , Públio. Primavera II – Largo. 2007. Óleo sobre tela de algodão sobre

16

16 A THAYDE , Públio. Primavera III – Alegro. 2007. Óleo sobre tela de algodão sobre

17

17 A T H AYDE , Públio. P ina c abado). rimavera I e II. 2007.
A T H AYDE , Públio. P ina c abado). rimavera I e II. 2007.

AT HAYDE, Públio. P ina cabado).

rimavera I e II.

2007. Óleo sobr

Públio. P ina c abado). rimavera I e II. 2007. Óleo sobr e tela de algodão

e tela de algodão sobre Eucatex, 1

22cm X194cm c

ada.(Perspetiva

do tríptoco

18

18 A THAYDE , Públio. Verão I, II e III. 2007. Óleo sobre tela de linhagem

19

19 A THAYDE , Públio. Verão II, Adagio. 2007. Óleo sobre tela de linhagem sobre Eucatex

20

20 A THAYDE , Públio. Verão I, Allegro. 2007. Óleo sobre tela de linhagem sobre Eucatex

21

21 A THAYDE , Públio. Verão II, Adagio. 2007. Óleo sobre tela de linhagem sobre Eucatex

22

22 A THAYDE , Públio . Verão II - Ad agiol. 2007. Óleo sobre tela de

A

THAYDE, Públio

A THAYDE , Públio . Verão II - Ad agiol. 2007. Óleo sobre tela de lin

. Verão II - Adagiol. 2007. Óleo sobre tela de lin

. Verão II - Ad agiol. 2007. Óleo sobre tela de lin h agem sobre Eu

hagem sobre Euc

atex, 122cm X19

4cm cada.(Inaca

bada).

23

23 O LIVEIRA , Will. As Quatro Estações: O Ve rão. 2007. Óleo sobre tela sobre

24

24 O LI V EIRA , Will. As Quatro Estações: A Primavera. 2 0 07. Óleo
O LI V EIRA , Will. As Quatro Estações: A Primavera. 2 0 07. Óleo

OLIVEIRA, Will. As

Quatro Estações:

A Primavera. 20

07. Óleo sobre te

la sobre Eucatex

, 96cm X 123cm

(Esboço).

O LI V EIRA , Will. As Quatro Estações: A Primavera. 2 0 07. Óleo sobre

25

5 Outros trabalhos dos mesmos autores

25 5 Outros trabalhos dos mesmos autores A THAYDE , Públio. Torre do Rosário. 2007. Óleo

26

26 O LIVE I RA , Will. Natur eza morta . 2006. Óleo Sobre tela ,

OLIVEI

RA, Will. Natur

eza morta. 2006. Óleo Sobre tela

O LIVE I RA , Will. Natur eza morta . 2006. Óleo Sobre tela , 40cmX50cm

, 40cmX50cm

O LIVE I RA , Will. Natur eza morta . 2006. Óleo Sobre tela , 40cmX50cm
O LIVE I RA , Will. Natur eza morta . 2006. Óleo Sobre tela , 40cmX50cm
O LIVE I RA , Will. Natur eza morta . 2006. Óleo Sobre tela , 40cmX50cm
O LIVE I RA , Will. Natur eza morta . 2006. Óleo Sobre tela , 40cmX50cm
O LIVE I RA , Will. Natur eza morta . 2006. Óleo Sobre tela , 40cmX50cm