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Cultura da cebola

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CULTURA DA CEBOLA

Marcos Takumi Okuno 071742

Introdução
A espécie cultivada – Allium cepa – originou-se das regiões asiáticas correspondentes aos atuais Irã e Paquistão. A cultura é praticada há milênios. Trata-se de condimento cosmopolita, também muito utilizado na culinária brasileira. A planta é tenra, atinge 60 cm de altura e apresenta folhas tubulares, cerosas. O caule verdadeiro é um disco comprimido, na base da planta, de onde partem folhas e raízes. As bainhas foliares formam um pseudocaule, cuja parte inferior é um bulbo. As raízes crescem no sentido predominantemente vertical, concentrando-se em um cilíndrico de 60 cm de altura por 25 cm de diâmetro, aproximadamente. A parte utilizável é um bulbo tunicado, compacto, originado pela superposição de bainhas foliares carnosas. Aquela bainha mais externa constitui uma película seca, com coloração típica da cultivar. As flores estão reunidas em uma inflorescência tipo umbrela simples na ponta do escapo floral. São hermafroditas, porém predomina a polinização cruzada. O fruto é uma cápsula contendo seis sementes de coloração negra.

Substancias químicas utilizadas
No sistema de produção da cebola a utilização de produtos químicos inicia desde antes do plantio até a colheita. Entre eles se destacam o uso de do calcário para correção do solo, adubação, aplicação de herbicidas, fungicidas e inseticidas e entre outros.

Calagem A cebola é uma cultura sensível à acidez do solo, desenvolvendo-se melhor em solos com pH de 6,0 a 6,5. Em solos ácidos, a utilização da calagem é essencial para promover a neutralização do alumínio trocável, que é um elemento tóxico às plantas, e aumentar a disponibilidade de fósforo, cálcio, magnésio e molibdênio. Mesmo em solos que não apresentem problemas de acidez, mas que contenham teores baixos de cálcio e magnésio é necessário a aplicação de calcário para correção dos níveis destes nutrientes para que se obtenha uma maior produtividade e melhor qualidade de bulbos. Riscos – Os riscos deste produto (calcário) ao consumidor final são praticamente desprezíveis caso o manejo seja realizado de forma correta, por se tratar de um produto de pouca toxicidade química, o risco maior (rico físico) fica por conta do

a adubação orgânica é sempre recomendada. Adubação Adubação de plantio – A recomendação de adubação para a cebola deve ser feita com base nos resultados da análise de solo. Em solos muito arenosos. Adubação orgânica – Independente da região. em situações de baixos teores de matéria orgânica no solo deve-se acrescentar de 30 a 50 kg por hectare de S juntamente com a adubação NPK. pode não só contaminá-los como também contaminar as ressurgências ou fontes utilizadas para abastecimento d'água pela população (EGLER e TAVARES. muitas vezes este nutriente é esquecido. o que não atrai pragas (DANTAS. A acumulação desses metais nos lençóis freáticos. 1984). Porém. o Cobalto (até 9 mg/kg de adubo). Entretanto. por longo tempo.2 mg/kg de adubo). respectivamente. por bulbinhos e por bulbos de soqueira. Portanto. o Cádmio (50 a 170 mg/kg de adubo). 2010). sendo sugerido aplicar. a adubação em cobertura com N e K deve ser fracionada em duas (30 e 50 dias após o plantio . as mais freqüentes são: o Arsênio (1. por mudas. independente do sistema de plantio. O uso de adubos químicos faz com que os aminoácidos (proteínas) se apresentem em forma livre. entre outros. 70% e 50% do total destes nutrientes em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Geralmente. o enxofre (S) tem função especial por ser constituinte dos compostos responsáveis pela pungência. Adubação com enxofre e micronutrientes – Para a cebola. Riscos – Adubos sintéticos utilizados na lavoura da contém uma gama de impurezas. devido à presença de S na composição do superfosfato simples e do sulfato de amônio.aplicador que pode ocasionar problemas respiratórios por se tratar de um pó de origem mineral. Adubação em cobertura – A adubação em cobertura é recomendável com N e K no período de 30 a 40 dias após o plantio. o Cromo (66 a 243 mg/kg de adubo). Portanto tal fato intensifica o uso de agroquímicos nas lavouras. No caso dos superfosfatos. deve-se considerar a quantidade de N do adubo orgânico a fim . ao contrário da adubação orgânica na qual os aminoácidos formam cadeias complexas. 30 e 50 DAP) para maior aproveitamento dos adubos.2 a 2. o Cobre (7 a 92 mg/kg de adubo).DAP) ou três vezes (15. utiliza-se a mesma recomendação de adubação para os quatro métodos de cultivo: semeadura direta.

A aplicação deve ser feita com antecedência de pelo menos 15 dias da semeadura ou transplante das mudas. linuron. nos estádios iniciais de crescimento das plantas originadas de semeadura direta. os métodos de controle de plantas daninhas em cebola podem ser cultural. dentre as mais comuns são: Tripes. do tipo de solo. Larva minadora. Mosca da cebola. do programa de rotação de culturas. . das condições climáticas. da natureza e interação das plantas daninhas. pois um material orgânico também pode estar quimicamente contaminado.de evitar desequilíbrios na cultura por excesso deste nutriente e problemas ambientais em decorrência da lixiviação de nitrato. porém é importante lembrar que caso o manejo seja realizado de maneira indevida os riscos de uma contaminação biológica pode aumentar. principalmente. da disponibilidade de herbicidas e de equipamentos. As plantas de cebola no sistema de semeadura direta (campo e sementeira) são muito sensíveis aos herbicidas nas primeiras semanas de vida. A escolha e a eficiência de uso de cada um desses métodos dependem do sistema de cultivo (convencional. da disponibilidade de mão-de-obra. Controle de pragas – As pragas que atacam a cultura da cebola são várias em diferentes estágios da cultura em diferentes partes da planta. plantio direto ou orgânico). ioxynil-octanato. Controle fitossanitário Controle de plantas daninhas – Basicamente. dos tratos culturais. mecânico ou químico. Riscos – Para a adubação orgânica os perigos são menores quando se trata de contaminação química. Ácaro da cebola. Lagarta da rosca. especialmente no esterco de matrizes. presente em quantidades elevadas em alguns tipos de adubos orgânicos. é importante destacar boa procedência dos adubos orgânicos e caso o material seja de procedência duvidosa é recomendado que não se faça tal operação. o fracionamento e escalonamento das doses dos herbicidas oxyfluorfem. da época de execução do controle. Entre as técnicas de manejo mais eficientes e seguras. oxadizona e diuron têm contribuído para aumentar a seletividade de cebola.

a incidência de doenças de pós-colheita em bulbos de cebola está relacionada ao sistema de cura. Em quinze das vinte culturas analisadas foram encontrados. sem levar em consideração a existência ou não de autorização do Governo Federal para o uso em determinado alimento. bacteriológica. O processo de cura é muito eficiente como medida preventiva de controle de doenças pós-colheita. virótica e por nematóides de raiz dentre ele são: • Mancha púrpura. As doenças podem ser de origem fúngica.Controle de doenças – As doenças fúngicas são as de maior número e geralmente mais destrutivas. • Queima das pontas. • Raízes rosadas. Riscos de contaminação por agrotóxicos . • Ferrugem. • Antracnose. ingredientes ativos em processo de reavaliação toxicológica junto à Anvisa. Controle de doenças de pós-colheita Além do efeito direto das condições ambientais e dos tratos culturais durante o período vegetativo. das condições ambientais. Estas doenças podem provocar desde danos leves até perdas muito grandes. dependendo do patógeno envolvido.Agrotóxicos que apresentam alto risco para a saúde da população são utilizados. • Podridão basal. entretanto. armazenamento e comercialização. • Podridão branca. porque a desidratação das camadas externas impede a penetração de fungos e bactérias e ao mesmo tempo evita a perda de água dos bulbos. • Míldio. segundo dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). no Brasil. podem ser mais fáceis de controlar. de forma irregular. do nível de resistência da planta. devido aos efeitos negativos desses agrotóxicos para a saúde de trabalhadores rurais e dos . do tipo de manejo dado à cultura e mesmo da eficácia das medidas de controle empregadas.

varia de 130 a 180 dias para as cultivares precoces e de ciclo mediano. Colheita manual Arrancam-se as plantas manualmente. Colheita O ciclo da cultura. porém não diretamente. o tombamento do pseudocaule. e pimentão. que já são proibidas na União Européia e nos Estados Unidos. ou cortam-se as raízes com lâminas tracionadas por baixo dos bulbos. Para isso. .consumidores. com bons produtores obtendo 50 – 60 toneladas por hectare de bulbos limpos e curados na região de São Gotardo MG e outras regiões produtoras. recolhem-se os bulbos em galpões bem arejados e secos. as cebolas vão para o final da esteira e caem novamente sobre os canteiros em forma de leiras para receberem a cura no campo. Colheita semi-mecanizada A colheita semi-mecanizada para a cebola consiste no uso de um implemento montado no trator que passa no solo com uma lâmina abaixo do solo e em seguida com uma esteira o solo e as cebolas são elevadas para a parte posterior do implemento. O primeiro sinal de amadurecimento é o estalo. começaram a ser reavaliadas pela Anvisa e têm recomendação de banimento do Brasil. é preciso fazer com que as folhas da planta de uma fileira cubram os bulbos da fileira ao lado. Após essa cura preliminar. neste percurso o solo passando pela esteira caem pela abertura do mesmo pela ação da gravidade. Após a cura as cebolas são recolhidas e separadas manualmente. alface e cebola contaminados com metamidofós. mesmo após serem retirados de forma voluntária em outros países. tomate. por 3 a 5 dias. da semeadura até a colheita de bulbos maduros. Os bulbos podem ser expostos à luz solar. de cebola e cenoura contaminados com acefato. seguindo-se o secamento da planta. Mas há pressões do setor agrícola para manter esses três produtos no Brasil. A produtividade é variável. para uma cura mais lenta. Essas três substâncias. Nas análises observou-se uma grande quantidade de amostras de pepino e pimentão contaminadas com endossulfan.

até seis meses. Entretanto. Somente após completar a cura é que os bulbos devem ser classificados pelo diâmetro e embalados em sacos telados de fibra sintética. com colheita na entressafra. porém sem feri-lo. a Argentina vem exportando volumes crescentes e cebola “cascuda” (Valenciana). com capacidade para 45 kg comumente. a viabilidade econômica dessa prática deve ser cuidadosamente ponderada. deixando-se cerca de um cm de pseudocaule. de alta qualidade. a curva de flutuação tende a ser menos acentuada. preferida pelo consumidor de maior nível se renda. A frigorificação a 4 a 6ºC e com umidade relativa de 70 a 80% pode ser praticada. Com o efetivo funcionamento do MERCOSUL. secos e sombrios. com máximo em junho-julho. Ele pode ser efetuado em ambientes arejados. O beneficiamento consiste em aparar a raiz rente ao bulbo. Beneficiamento e transporte O transporte das cebolas do campo para o local de beneficiamento se dá por meio de caixas plásticas transportadas por tratores ou caminhões. com a importação. .Colheita mecanizada A colheita mecanizada ainda é uma prática pouco difundida. Normalmente ocorrem preços mais elevados de maio a agosto. e as folhas. cultivares desse tipo não bulbificam nas condições agroclimáticas de centro-sul. havendo poucas cultivares nacionais competitivas. de preferência vermelha. Também contribui para isso a cultura de verão. condicionada pela oferta variável ao longo do ano. Comercialização Ocorre ampla flutuação estacional nos preços pagos ao produtor. Armazenamento O armazenamento prolongado pode ser desvantajoso nas condições brasileiras. já que a demanda parece ser constante. As cultivares de ciclo tardio e mediano conservam-se. obtendo-se a conservação por períodos maiores. sob tais condições. Entretanto. frescos. porém é um sistema mais eficiente a desvantagem se dá pela cura inadequada do produto uma vez que os bulbos são arrancados e recolhidos em uma única operação e posteriormente selecionados e beneficiados. Entretanto.

1984. Autor: Ivanildo Pereira Dantas http://www.agricultura. n°. econômicos e ambientais do Proalcool na Paraíba”.ufpb.al. “Novo manual de olericultura: agotecnologia moderna na produção e comercialização de hortaliças” – 3.htm acesso em 11 de maio de 2011. UFV 2007 .Bibliografia EGLER. acesso em 11 de maio de 2011 http://www.geociencias. Fernando Antonio Reis. Ano I.ed – Viçosa Mg. Sérgio.1.gov. João Pessoa: Cadernos Codecit 002. FILGUEIRA.br/logepa/revistas/texto/ano1_n2/ano1_n2_artigo2. “Impactos sociais.br/sala-de-imprensa/noticias/2010/setembro-3/riscos-dosadubos-quimicos. Série Impactos Tecnológicos. Cláudio e TAVARES.

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