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Os_Intelectuais_e_a_Organização_da_Cultura_(Antonio_Gramsci)

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ColeÁ„o PERSPECTIVAS DO HOMEM Volume48 SÈrie Filosofia

%

ANTONIO GRAMSCI

DireÁ„o de MOACYR FELIX

Os Intelectuais e a OrganizaÁ„o da Cultura
TraduÁ„o de

CARLOS NELSON COUTINHO

4. a ediÁ„o

civilizaÁ„o

brasileira

TÌtulo do original italiano:

GLI INTELLETTUALI E L'ORGANIZZAZIONE
DELLA CULTURA Do Autor, publicados por
esta

Õndice

Editora:
HIST”RIA

CONCEP«√O DIAL…TICA
MAQUTAVEL, A POLÕTICA E
O

DA

CARTAS DO C¡RCERE ESTADO MODERNO CONTRIBUI«’ES PARA UMA HIST”RIA DOS INTELECTUAIS

LITERATURA E VIDA NACIONAL

I.

A FormaÁ„o Desenho de capa:
MARIUS LAURITZEN BERN

dos

Intelectuais

3

Notas Esparsas FunÁ„o Cosmopolita dos Intelectuais Italianos Intelectuais Italianos no Exterior 67
Europa, AmÈrica,

25

DiagramaÁ„o e Supervis„o gr·fica:
ROBERTO PONTUAL

Mia

81

II.

A ORG A N IZA «√ O DA CULTURA A OrganizaÁ„o da Escola e da Cultura

Direitos para a lÌngua portuguesa adquiridos pela EDITORA CIVILIZA«√O BRASILEIRA S.A. Rua Muniz Barreto, 91-93 — Botafogo

117 Para a InvestigaÁ„o do PrincÌpio Educativo 129 Notas Esparsas 141
JORNALISMO

III.
IV.

161

Rio de Janeiro — RJ

AP NDICE

que se reserva a propriedade desta traduÁ„o

Lorianisnlo

207 239

Indice Onom·stico

1982
Printed
Brazil Impresso
no

Brasil
in

I

ContribuiÁıes para uma HistÛria dos Intelectuais

de um modo org·nico. atÈ nossos dias. cria para si. ao mesmo tempo. nascendo no terreno origin·rio de uma funÁ„o essencial no mundo da produÁ„o econÙmica. ou cada grupo social possui sua prÛpria categoria especializada de intelectuais? O problema Í complexo por causa das v·rias formas que. As mais importantes destas formas s„o duas: 1) Cada grupo social.A FormaÁ„o dos Intelectuais constituem um grupo social autÙno mo e independente. mas tambÈm no social e no politico: o empres·rio capitalista cria consigo o tÈcnico da ind˙stria. de S INTELECTUAIS O 3 . o cientista da economia politica. n„o apenas no campo econÙmico. assumiu o processo histÛrico real de formaÁ„o das diversas categorias intelectuais. uma ou mais camadas de intelectuais que lhe d„o homogeneidade e consciÍncia da prÛpria funÁ„o. o organizador de uma nova cultura.

de Anrama CASncr. em todo o seu complexo organismo de serviÁos. encontrou -pelo menos na histÛria que se desenrolou atÈ aos nossos dias categorias intelectuais preexistentes. pelo menos uma elite deles -. etc. ainda que desenvolva uma funÁ„o essencial no mundo da produÁ„o. a militar. devem ser examinados para esta rubrica. e È precisamente a partir do momento em que a aristocracia perde o monopÛlio desta capacidade tÈcnico-militar que se inicia a crise do feudalismo. O livro de Mosca È um enorme calhamaÁo de car·ter sociolÛgico e positivista.' TambÈm os senhores feudais eram detentores de uma particular capacidade tÈcnica. que monopolizaram durante muito tempo (numa in- press„o do desenvolvimento desta estrutura. no mais das vezes. 1923). que cada nova classe cria consigo e elabora em seu desenvolvimento progressivo. Os empres·rios -. ali·s. ademais. com a qual dividia o exercÌcio da propriedade feudal da terra e o uso dos privilÈgios estatais ligados ‡ propriedade. como representantes de uma continuidade histÛrica que n„o fora interrompida nem mesmo pelas mais complicadas e radicais modificaÁıes das formas sociais e polÌticas. da beneficÍncia. aparece o padre (exorcismo. em certas zonas: hospitais na m„o de religiosos no que toca a certas funÁıes de organizaÁ„o. a filosofia e a ciÍncia da Època. assistÍncia de v·rios tipos. devem possuir a capacidade de escolher os "prepostos" (empregados especializados) a quem confiar esta atividade organizativa das relaÁıes gerais exteriores a f·brica. etc. talvez. de todos aqueles que lutam ou parecem lutar contra a morte e as doenÁas para isso. da justiÁa. as quais apareciam. depois da "eclesi·stica". embora outros grupos sociais extraiam da massa dos camponeses muitos de seus intelectuais e grande parte dos intelectuais tradicionais seja de origem camponesa. outra tentativa de interpretar o fenÛmeno histÛrico dos intelectuais e sua funÁ„o na vida estatal e social. intelectual): ele deve possuir uma certa capacidade tÈcnica.. etc. s„o. isto È. n„o somente na esfera restrita de sua atividade e de sua iniciativa. hou- 5 . e foram concebidas. Durante muito tempo. onde aparece o mÈdico. etc. o que o toma menos indigesto e lite4 ve conex„o entre a religi„o e a medicina e que esta conex„o continua ainda a existir. pelo menos. da instruÁ„o. de MoscA (nova ediÁ„o aumentada. Deve-se anotar o fato de que empres·rio representa uma elaboraÁ„o social superior. A mais tÌpica destas categorias intelectuais È a dos Èclesi·sticos.. da moral. por este monopÛlio) alguns serviÁos importantes: a ideologia religiosa.). Assim.se n„o todos. alÈm do fato de que. A cham ada "classe polÌtica" de Mosca n„o È mais do que "a categoria intelectual do grupo social dominante: o conceito de classe politica" de Mosca deve se avizinhar ao conceito de elite de Pareto. pelo menos nas mais prÛximas da produÁ„o econÙmica (deve ser um o cabe observar que a massa dos camponeses. pelo prestigio e pela funÁ„o 2 ali·s.ronr. isto È. etc. atravÈs da escola. "es" pecializaÁıes de aspectos parciais da atividade primitiva do tipo social novo que a nova classe deu ‡ luz. contudo. em vista da necessidade de criar as condiÁıes mais favor·veis ‡ expans„o da prÛpria classe: ou. etc. Recorde-se que cial desenvolvida nas sociedades primitivas — a categoria dos mÈdicos so- rariamente mais vivo. j· caracterizada por uma certa capacidade dirigente e tÈcnica (isto È. Mas a formaÁ„o dos intelectuais no mundo feudal e no mundo cl·ssico precedente È uma quest„o que deve sÈr examinada ‡ parte: esta formaÁ„o e elaboraÁ„o segue caminhos e modos que È preciso estudar concretamente. mas ainda em outras esferas. A categoria dos eclesi·sticos pode ser considerada como a categoria intelectual org‡nicamente ligada ‡ aristocracia fundi·ria: era juridicamente equiparada ‡ aristocracia. que È uma em sentido lato.). dever-se-È consultar a HistÛria da Medicina. Pode-se observar que os intelectuais "org·nicos". inclusive no organismo estatal. permaneceu a crenÁa de que os reis curavam pela colocaÁ„o das m„os. a mais im portante.2 Mas o monopÛlio das superestruturas por parte dos Para o estudo de uma categoria desses intelectuais. com a tendenciosidade da polÌtica imediata.um novo direito. da assistÍncia. — Muitas grandes figuras religiosas eram tambÈm. 2) Cada grupo social "essencial". Os Elementos de CiÍncia PolÌtica. r teira fase histÛrica que È parcialmente caracterizada. como grandes "terapeutas": a idÈia do milagre que chegou atÛ ‡ ressurreiÁ„o dos mortos. surgindo na histÛria a partir da estrutura econÙmica anterior e como ex- organizador de massa de homens: deve ser um organizador da "confianÁa" dos que investem em sua f·brica. n„o elabora seus prÛprios intelectuais "org„nicos" e n„o "assimila" nenhuma camada de intelectuais "tradicionais".devem possuir a capacidade de organizar a sociedade em geral. dos compra- dores de sua mercadoria.

6 . Dado que estas v·rias categorias de intelectuais tradicionais sentem com "espÌrito de gripo" sua ininterrupta continuidade histÛrica e sua "qualificaÁ„o " eles consideram a si mesmos como sendo autınomos e independentes do grupo social dominante. notadamente. Assim. bem como uma camada de administradores. que se o Papa e a alta hierarquia da Igreja se crÍem mais ligados a Cristo e aos apÛstolos do que aos senadores Agnelli e Benni.essencial.. precisamente nisto deve ser procurada a caracterÌstica mais marcada da filosofia de Croce. dos outros agrupamentos sociais? O erro metodolÛ- eclesi·sticos' n„o foi exercido sem luta e sem limitaÁıes. autınomos. atravÈs do latim eclesi·stico. em muitas Ifnguas de origem neolatina ou fortemente influenciadas. consiste em se ter buscado este critÈrio de distinÁ„o no que È intrÌnseco ·s atinasceu a acepÁ„o geral de "intelectual" ou de "especialista". Quais s„o os limites "m·ximos" da acepÁ„o de "intelectual"? $ possÌvel encontrar um critÈrio unit·rio para caracterizar igualmente todas as diversas e variadas atividades intelectuais e para distingui-las. o mesmo n„o ocorre com Gentile e Croce. outras gico mais difundido. revestidos de caracterÌsticas prÛprias. catego- n„o-especialista. foi-se formando a aristocracia togada. filÛsofos n„o eclesi·sticos. ao mesmo tempo e de modo . teÛricos. ao que me parece. favorecidas e ampliadas · medida em que se reforÁava o poder central do monarca. etc. porÈm. pelas lÌnguas neolatinas. Deve-se notar. Esta autocolocaÁ„o n„o deixa de ter conseq¸Íncias de grande import‚ncia no campo ideolÛgico e polÌtico: toda a filosofia idealista pode ser facilmente relacionada com esta posiÁ„o assumida pelo complexo social dos intelectuais e pode ser definida como a express„o desta utopia social segundo a qual os intelectuais arceditam ser "independentes". sente-se fortemente ligado a AristÛteles e a Plat„o. etc. e nasceram. e tambÈm cientistas. etc. com seus prÛprios privilÈgios. mas n„o esconde que esteja ligado aos senadores Agnelli e Benni. atÈ chegar ao absolutismo. Croce. com seu correlativo de "laico" no sentido de profano. a partir da palavra "clÈrigo". conseq¸entemente. de s Disso rias. por exemplo. em v·rias formas (que devem ser pesquisadas e estudadas concretamente).

Todos os homens s„o intelectuais. existe um mÌnimo de qualificaÁ„o tÈcnica. existem graus diversos de atividade especÌfica intelectual. mesmo no mais mec‚nico e degradado. Em suma. isto È. por exemplo. por isso. se na elaboraÁ„o intelectual ou se no esforÁo muscular-nervoso. ou seja. portanto. participa de uma 4 Do mesmo modo. E j· y e observou que o empres·rio. Na verdade. n„o se pode separar o homo faber do homo sapiens. . "gorila amestrado". porque n„o existem n„o-intelectuais. isto È. um homem de gosto. pelo fato de que al Èm possa em determinado momento fritar dois ovos ou costurar um buraco do paletÛ. mas por este trabalho em determinadas condiÁıes e em determinadas relaÁıes sociais (sem falar no fato de que n„o existe trabalho puramente fÌsico e de que mesmo a express„o de Taylor. N„o existe atividade humana da qual se possa excluir toda intervenÁ„o intelectual. n„o se caracteriza especificamente pelo trabalho manual ou instrumental. poder-se-ia dizer ent„o: mas nem todos os homens desempenham na sociedade a funÁ„o de intelectuais. n„o quer dizer que todo mundo seja cozinheiro ou alfaiate. Isto significa que. faz-se referÍncia. deve possuir em certa medida algumas qualificaÁıes de car·ter ln electual.vidades intelectuais.* grupos que as personificam) se encontram. desenvolve uma atividade intelectual qualquer. t„o-somente · imediata funÁ„o social da categoria profissional dos intelectuais. . tema de relaÁıes no qual estas atividades (e. se se pode falar de intelectuais. um artista. pela sua prÛpria funÁ„o. na realidade. se bem que sua figura social seja determinada n„o por elas. fora de sua profiss„o. os Quando se distingue entre intelectuais e n„o-intelectuais. ao invÈs de busc·-lo no conjunto do sis- mas pelas relaÁıes sociais gerais que caracterizam efetivamente a posiÁ„o do empres·rio na ind˙stria. o oper·rio 6u prolet·rio. leva-se em conta a direÁ„o sobre a qual incide o peso maior da atividade profissional especÌfica. È um "filÛsofo". um mÌnimo de atividade intelectual criadora). È impossÌvel falar de n„o-intelectuais. Mas a prÛpria relaÁ„o entre o esforÁo de elaboraÁ„o intelectual-cerebral e o esforÁo' muscular-nervoso n„o È sempre igual. todo homem. no conjunto geral das relaÁıes sociais. È uma met·fora para indicar um limite numa certa direÁ„o: em qualquer trabalho fÌsico.

estreitamente ligada ao trabalho industrial. sem a qual se permanece "especialista" e n„o se chega a "dirigente" (especialista mais polÌtico). t„o mais complexo ser· o mundo cultural. possui uma linha consciente de conduta moral. Trata-se de mn periÛdico socialista. s visando a desenvolver certas formas de novo intelectualismo e a determinar seus novos conceitos. torne-se o fundamento de uma nova e integral concepÁ„o do mundo. que inova continuamente o mundo fÌsico e social. A mais refi- Neste campo. O paÌs que possuir a melhor capacitaÁ„o para construir instrumentos para os laboratÛrios dos cientistas e para construir instrumentos que fabriquem estes mo modo ocorrÍ na preparaÁ„o dos intelectuais e nas escolas destinadas a tal preparaÁ„o. historicamente. como construtor. portanto. isto È. para promover novas maneiras de pensar. em todos os campos da ciÍncia e da tÈcnica. Neste sentido trabalhou o seman·rio Ordine Nuouo. O modo de ser do novo intelectual n„o pode mais consistir na eloq¸Íncia. contribui assim para manter ou para modificar uma concepÁ„o do mundo. enquanto elemento de uma atividade pr·tica geral. "persuasor permanente". filÛsofos. assimilaÁ„o e conquista que s„o t„o mais r·pidas e eficazes quanto mais o grupo em quest„o elaborar simultaneamente seus prÛprios intelectuais org‚nicos. de um determinado Estado. artistas — crÍem tambÈm ser os "verdadeiros" intelectuais. etc. $ este o resultado das instituiÁıes escolares de graus diversos. Pode-se ter um termo de comparaÁ„o na esfera da tÈcnica industrial: a industrializaÁ„o de um paÌs se mede pela sua capacidade de construir m·quinas que construam m·quinas e na fabricaÁ„o de instrumentos cada vez mais precisos para construir m·quinas e instrumentos que construam m·quinas. e essa n„o foi uma das razıes menores de seu Íxito. etc. este pais pode ser considerado o mais complexo no campo tÈcnico-industrial. a civilizaÁ„o. O enorme desenvolvimento alcanÁado pela atividade e mento das formas reais de vida. pelo artista. j· que n„o apenas orador puro — e superior. instrumentos. o mais civilizado. buscou-se igualmente multiplicar as especializaÁıes e aperfeiÁo·-las. mas especialmente em 6 dade das escolas especializadas e pela sua hierarquizaÁ„o: quanto mais extensa for a "·rea" escolar e quanto mais numerosos forem os "graus" "verticais" da escola. C) tipo tradicional e vulgarizado do intelectual È fornecido pelo literato. Uma das mais marcantes caracterÌsticas de todo grupo social que se desenvolve no sentido do domÌnio È sua luta pela assimilaÁ„o e pela conquista "ideolÛgica" dos intelectuais tradicionais. A escola È o instrumento para elaborar os intelectuais de diversos nÌveis. pelo filÛsofo. mas num imis- cuir-se ativamente na vida pr·tica. deve constituir a base do novo tipo de intelectual. Do mes- redator (Nota do Tradutor). igualmente. a educaÁ„o tÈcnica. e sofrem elaboraÁıes mais amplas e complexas em ligaÁ„o com o grupo social dominante. modificando sua relaÁ„o com o esforÁo muscular-nervoso no sentido de um novo equilÌbrio e conseguindo-se que o prÛprio esforÁo muscular-nervoso. O problema da criaÁ„o de uma nova camada intelectual. eleva-se ‡ tÈcnica-ciÍncia e ‡ concepÁ„o humanista histÛrica. de cuja seÁio turinesa Gramsci foi tidade n„o pode ser destacada da qualidade. consiste em elaborar criticamente a atividade intelectual que existe em cada um em determinado grau de desenvolvimento. todavia. inclusive dos organismos que visam a promover a chamada "alta cultura". os jornalistas — que crÍem ser literatos. Formam-se assim. ao espÌrito matem·tico abstrato. motor exterior e moment‚neo dos afetos e das paixıes. categorias especializadas para o exercÌcio da funÁ„o intelectual. da tÈcnica-trabalho. a quan- 8 nada especializaÁ„o tÈcnico-cultural. A complexidade da funÁ„o intelectual nos v·rios Estados pode ser objetivamente medida pela quanti- conex„o com os grupos sociais mais importantes. mesmo ao mais primitivo e desqualificado. pois uma tal colocaÁ„o correspondia a aspiraÁıes latentes e era adequada ao desenvolvi- pela organizaÁ„o escolar (em sentido lato) nas sociedades que surgiram do mundo medieval indica a import‚ncia assumida no mundo moderno pelas categorias e funÁıes intelectuais: assim como se buscou aprofundar e ampliar a "intelectualidade" de cada indivÌduo. n„o pode deixar de cor9 .concepÁ„o do mundo. Por isso. formam-se em conex„o com todos os grupos sociais. organizador. No mundo moderno. escolas e instituiÁıes de alta cultura s„o similares.

na realidade concreta n„o ocorre num terreno democr·tico te. evidentemente. sua mais ou menos estreita conex„o com um grupo social fundamental. indo ponto de vista intrÌnseco. nem ativa nem passivamente. mas de acordo com processos histÛricos tradicionais muito concretos. por todo o contexto social. na previs„o dos momentos de crise no comando e na direÁ„o. È preciso fazer esta distinÁ„o. como È preciso fazer tambÈm qualquer outra. portanto. etc. de dar ‡ alta cultura e ‡ tÈcnica superior uma estrutura democr·tica — n„o deixa de ter inconvenientes: cria-se. Este modo de colocar a quest„o entra em choque com preconceitos de casta. na It·lia. tradicionalmen" isto È. em diversos graus. ou d„o forma. em algumas das quais n„o mais aparece nenhuma atribuiÁ„o diretiva e organizativa: no aparato da direÁ„o estatal e social existe toda uma sÈrie de empregos de car·ter manual e instrumental (de ordem e n„o de conceito. muito freq¸entemente.). que. nos momentos de extrema oposiÁ„o. pelo conjunto das superestruturas. È verdade que a prÛpria funÁ„o organizativa da hegemonia social e do domÌnio estatal d· lugar a uma certa divis„o do trabalho e. mas È "mediatizada". da filosofia. que correspondem ‡ funÁ„o de "hegemonia" que o grupo dominante exerce em toda a. . uma ampliaÁ„o muito grande do conceito de intelectual. Formaram-se camadas que. a possibilidade de vastas crises de desemprego nas camadas mÈdias intelectuais. devem ser colocados os criadores das v·rias ciÍncias. especializaram-se na "poupanÁa". consenso que nasce "historicamente" do prestÌgio (e. produzem" intelectuais. como resultado. a toda uma gradaÁ„o de qualificaÁıes. Naturalmente.. Deve-se notar que a elaboraÁ„o das camadas intelectuais vados") e o da "sociedade polÌtica ou Estado". abstrato. 2) do aparato de coerÁ„o estatal que assegura "legalmente" a disciplina dos grupos que n„o "consentem". de agente e n„o de oficial ou funcion·rio. deste modo.responder a maior ampliaÁ„o possÌvel da difus„o da instruÁ„o prim·ria e a maior solicitude no favorecimento dos graus intermedi·rios ao maior n˙mero. no mais baixo. mas que È constituÌdo para toda a sociedade. etc. mas socreta ‡ realidade. estes graus. d„o lugar a uma verdadeira e real diferenÁa qualitativa: no mais alto grau. A diversa distribuiÁ„o dos diversos tipos de escola (cl·ssicas e profis" " sionais) no territÛrio econımico e as diversas aspiraÁıes das v·rias categorias destas camadas determinam. De fato. pode-se fixar dois grandes "planos" superestruturais: o que pode ser chamado de "sociedade civil" (isto È. tal como realmente ocorre em todas as sociedades modernas. esta necessidade de criar a mais ampla base possÌvel para a seleÁ„o e elaboraÁ„o das mais altas qualificaÁıes intelectuais — ou seja. mas. trata-se das mesmas camadas portanto. isto È: 1) do consenso " espont‚neo" dado pelas grandes massas da populaÁ„o ‡ orientaÁ„o impressa pelo grupo fundamental dominante ‡ vida social. Poder-se-ia medir a "organicidade" dos diversos estratos intelectuais. que se expressa no Estado e no governo "jurÌdico". os "administradores" e divulgadores mais clusive 11 mente assim torna-se possÌvel alcanÁar uma aproximaÁ„o con- A relaÁ„o entre os intelectuais e o mundo da produÁ„o n„o È imediata. da confianÁa) que o grupo dominante obtÈm. da arte. Estas funÁıes s„o precisamente organizativas e conectivas Os intelectuais s„o os "comiss·rios" do grupo dominante para o exercÌcio das funÁıes subalternas da hegemonia social e do governo polÌtico.funÁ„o no mundo da produÁ„o. ao passo que a burguesia urbana produz tÈcnicos para a ind˙stria: por isso. a It·lia setentrional produz notadamente tÈcnicos e a It·lia meridional notadamente funcion·rios e profissionais. a burguesia rural produz notadamente funcion·rios estatais e profissionais liberais. a atividade intelectual deve ser diferenciada em graus. Assim. do qual os intelectuais s„o precisamente os "funcion·rios". Esta colocaÁ„o do problema traz. como È o caso nos grupos sociais fundamentais. sociedade e ‡quela de domÌnio direto" ou de comando. ‡ produÁ„o dos diversos ramos de especializaÁ„o intelectual. o conjunto de organismos chamados comumente de "pri10 turas de baixo para cima (da base estrutural para cima). fixando uma gradaÁ„o das funÁıes e das superestruPor enquanto. por causa de sua posiÁ„o e de sua . nos quais fracassa o consenso espont‚neo. a pequena e mÈdia burguesia fundi·ria e alguns estratos da pequena e mÈdia burguesia das cidades.

Os intelectuais de tipo urbano cresceram juntamente com a ind˙stria e s„o ligados ‡s suas vicissitudes. A sua funÁ„o pode ser comparada ‡ dos oficiais subalternos no exÈrcito: n„o possuem nenhuma iniciativa autınoma na elaboraÁ„o dos planos de construÁ„o.) possui um padr„o de vida mÈdio superior. isto È. em sua maior parte. por vezes. N„o se compreende nada da vida coletiva dos camponeses. O camponÍs acredita sempre que pelo menos um de seus filhos pode-se tornar intelectual (notadamente padre). bem como dos germes e fermentos de desenvolvimento aÌ existentes. pelo menos. atÈ um certo ponto. oficiais superiores. etc. e n„o se deve esquecer as praÁas graduadas. um modelo social na aspiraÁ„o de sair de sua condiÁ„o e de melhor·-la. O ponto central da quest„o continua a ser a distinÁ„o entre intelectuais como categoria org‚nica de cada grupo social fundamental e intelectuais como categoria tradicional. por esta mesma funÁ„o. AlÈm disso: no campo. mÈdico. pelo menos atravÈs de seus prÛprios intelectuais org‚nicos. Os intelectuais de tipo rural s„o. ligados ‡ massa social camponesa e pequeno-burguesa das cidades (notadamente dos centros menores). EstadoMaior. PosiÁ„o diversa dos intelectuais de tipo urbano e de tipo rural. se n„o se estuda concretamente e n„o se aprofunda esta subordinaÁ„o efetiva aos intelectuais: todo desenvolvimento org‚nico das massas camponesas. os altos intelectuais urbanos confundem-se cada vez mais com o autÈntico estado-maior industrial. colocam em relaÁ„o. professor. ainda n„o elaborada e movimentada pelo sistema capitalista: este tipo de intelectual pıe em contato a massa camponesa com a administraÁ„o estatal ou local (advogados. ocorre precisamente o contr·rio. na qualificaÁ„o intelectual e na psicologia. ou antes. isto È. para este camponÍs. tabeli„o. Na mÈdia geral. do qual resulta uma "vaidade" que freq¸entemente os expıe aos gracejos e Ës tro a 12 . isto È. assim entendida. os intelectuais urbanos s„o bastante estandartizados. pelo sistema social democr·tico-burguÈs. se n„o se levam em consideraÁ„o. que os estratos inferiores manifestam um "espÌrito de grupo" m ais evidente. A atitude do camponÍs diante do intelectual È d˙plice e parece ser contraditÛria: ele admira a posiÁ„o social do intelectual e do funcion·rio p˙blico. "tradicionais". Foram elaboradas.acumulada? No mundo moderno. oferece um modelo destas complexas gradaÁıes: oficiais subalternos. emigraÁ„o.) e. sua admiraÁ„o mistura-se instintivamente com elementos de inveja e de raiva apaixonada. ou. diverso daquele do mÈdio camponÍs e representa. determinando os mesmos fenımenos que ocorrem em todas as outras massas estandartizadas: concorrÍncia (que coloca a necessidade da organizaÁ„o profissional de defesa). tabeli„es. E modestos da riqueza intelectual j· existente. imponentes massas de intelectuais. ampliou-se de modo inaudito. pelo menos. controlando suas fases executivas elementares. que poderia ser parcialmente justificada se se levasse em conta que estas massas exploram sua posiÁ„o a fim de obter grandes somas retiradas ‡ renda nacional. elevando o nivel social da famÌlia e facilitando sua vida econÙmica pelas ligaÁıes que n„o poder· deixar de estabelecer com os outros senhores. elaboram a execuÁ„o imediata do plano de produÁ„o estabelecido pelo estado-maior da ind˙stria. articulando-a. a categoria dos intelectuais. ainda que justificadas pelas necessidades polÌticas do grupo fundamental dominante. em geral. superproduÁ„o escolar. advogado. E in teressan te notar que todas estas partes se sentem solid·rias. ou. mas finge ‡s vezes desprez·-la. tradicional. etc. dis13 O organismo militar. possui uma grande funÁ„o polÌtico-social. tambÈm neste caso. est· ligado aos movimentos dos intelectuais e dele depende. È esta uma fase j· superada. j· que a mediaÁ„o profissional dificilmente se separa da mediaÁ„o polÌtica. exerÁam uma influÍncia polÌtica sobre os tÈcnicos. O caso È diverso no que diz respeito aos intelectuais urbanos: os tÈcnicos de f·brica n„o exercem nenhuma funÁ„o polÌtica sobre suas massas instrumentais. desemprego. nem todas justificadas pelas necessidades sociais da produÁ„o. DaÌ a concepÁ„o loriana do "trabalhador" improdutivo ( mas improdutivo em relaÁ„o a quem e a que modo de produÁ„o?). que as massas instrumentais. cuja import‚ncia real È superior a o que habitualmente se crÍ. a massa instrumental com o empres·rio. tornar-se um senhor. etc. por isso. o intelectual (padre. A formaÁ„o em massa estandartizou os indivÌduos. ou seja.

isto È. comerciante. a funÁ„o. e j· n„o mais no campo da tÈcnica produtiva? 2) o partido politico. civil e polÌtica. do camponÍs. No partido politico. È precisamente o mecanismo que representa na sociedade civil a mesma funÁ„o desempenhada pelo Estado. Esta funÁ„o do partido polÌtico apareceria com muito maior clareza mediante uma an·lise histÛrica concreta do modo pelo qual se desenvolveram as categorias org·nicas e as categorias tradicionais dos intelectuais. ‡s suas origens reais. do camponÍs possam ser satisfeitos no partido polÌticos Para estas finalidades. aos seus desenvolvimentos. se considerado deste ponto de vista. 14 ganhar. do industrial. dado o imenso n˙mero de componentes da categoria. ou seja. Dever-se-· fazer uma distinÁ„o de graus. no qual a atividade econÙmico-corporativa do comerciante. na sociedade polÌtica. O problema mais interessante È o que diz respeito. nem um industrial para produzir mais e com custos reduzidos. que È a de elaborar os prÛprios componentes. os parceiros e colonos no campo. formam-se os estratos que correspondem. educativa. do industrial. Um comerciante n„o passa a fazer parte de um partido politico para poder comerciar. se pensarmos bem. ocorre que muitos intelectuais pensem ser o Estado: crenÁa esta que. organizadores de todas as atividades e funÁıes inerentes ao desenvolvimento org·nico de uma sociedade integral. que È diretiva e organizativa. aos "praÁas graduados" no exÈrcito. A opini„o geral contradiz esta afirmaÁ„o.e os intelectuais tradicionais. para todos os grupos. ao dizer que o o industrial. fato que pode ser dis- 15 . dadas as caracterÌsticas gerais e as condiÁıes de formaÁ„o. o partido politico desempenha sua funÁ„o muito mais completa e org·nicamente do que. tanto no terreno das v·rias histÛrias nacionais quanto no do desenvolvimento dos v·rios grupos sociais mais importantes no quadro das diversas naÁ·es. A formaÁ„o dos intelectuais tradicionais È o problema histÛrico mais interessante. um partido poder· ter uma maior ou menor composiÁ„o do grau mais alto ou do mais baixo. Que todos os membros de um partido polÌtico devam set considerados como intelectuais. e n„o podem deixar de se formar. o que n„o ocorre atravÈs de participaÁ„o na vida estatal sen„o mediocreNo campo da tÈcnica produtiva. ainda que alguns aspectos destas exigÍncias do comerciante. o partido politico n„o È sen„o o modo prÛprio de elaborar sua categoria de intelectuais org·nicos (que se formam assim. pode-se dizer. contudo. que È o oper·rio qualificado de uma economia medieval. elementos de um grupo social nascido e desenvolvido como "econÙmico". isto È. proporciona a fus„o entre os intelectuais org·nicos de um dado grupo -. de um modo mais vasto e mais sintÈtico. existe o sindicato profissional. no seu ·mbito. mas n„o È isto que importa: importa. encontra sett quadro mais adequado. Ali·s. os elementos de um grupo social econÙmico superam este momento de seu desenvolvimento histÛrico e se tomam agentes de atividades gerais. eis uma afirmaÁ„o que se pode prestar ‡ ironia e ‡ caricatura. intelectual. de car·ter nacional e internacional.o grupo dominante -. o camponÍs "politiqueiros" perdem ao invÈs de cutido. Ele se liga certamente ‡ escravi8 e. notadamente daqueles grupos cuja atividade econÙmica foi sobretudo instrumental. de vida e de desenvolvimento do grupo social dada) diretamente no campo politico e filosÛfico. nem um camponÍs para aprender novos mÈtodos de cultivar a terra.tinÁ„o da qual decorre toda uma sÈrie de problemas e de possÌveis pesquisas histÛricas. atÈ transform·-los em intelectuais polÌticos qualificados. tem por vetos not·veis conseq¸Íncias e leva a desagrad·veis complicaÁıes para o grupo fundamental econÙmico que È realmente o Estado. de modo mais complexo. sim. num ·mbito mais vasto. ‡s suas formas. e que s„o os piores de sua categoria. ao partido politico moderno. o Estado desempenha a sua: um intelectual que passa a fazer parte do partido politico de um determinado grupo social confunde-se com os intelectuais org·nicos do prÛprio grupo. pois o parceiro e o colono correspondem geralmente ao tipo artes„o. Ali·s. dirigentes. veremos que nada È mais exato. os oper·rios qualificados e especializados na cidade 9 mente ou mesmo nunca. dentro de certos limites. Liga-se estreitamente ao grupo. e esta funÁ„o È desempenhada pelo partido precisamente em dependÍncia de sua funÁ„o fundamental. pode-se dizer que. O que È que o partido politico se torna em relaÁ„o ao problema dos intelectuais? … necess·rio fazer algumas distinÁıes: 1) para alguns grupos socias.

continuadores da categoria dos libertos. que conferiu a cidadania aos m Èdicos e aos mestres das artes liberais. Farei referencia ‡s diferenÁas que saltam imediatamente ‡ vista no desenvolvimento dos intelectuais em toda uma sÈrie de paises. mais ou menos intenso de acordo com a Època. Assim. com sanÁıes penais para quem se opusesse. o CÈsar. com sua caracterÌstica de "cosmopolitismo" atÈ ao sÈculo XVIII. a fim de que habitassem com mais satisfaÁ„o em Roma e de que outros para aÌ se dirigissem: medicinam professos et artium doctores. portanto. monopÛlio. da funÁ„o cosmopolita dos intelectuais peninsulares. ou mesmo ignorasse. por muitos sÈculos. promovendo uma centralizaÁ„o de grande amplitude. XLII). est· ligado a CÈsar. pois sem a permanÍncia n„o se podia criar uma organizaÁ„o cultural. "Omnesque liberalium Romae romanizadas. n„o apenas social mas racial. A mudanÁa da condiÁ„o da posiÁ„o social dos intelectuais em Roma. Na It·lia.d„o do mundo cl·ssico e ‡ posiÁ„o dos libertos de origem grega e oriental na organizaÁ„o social do ImpÈrio Romano. criando assim uma categoria permanente deles. entre grandes massas de intelectuais e a dominante do ImpÈrio Romano se reproduz apÛs a queda do entre guerreiros germ‚nicos e intelectuais de nacional. classe ImpÈrio origens . Existia anteriormente uma flutuaÁ„o que era preciso deter. etc. que continuar· no clero catÛlico e deixar· tantos traÁos em toda a histÛria dos intelectuais italianos. origina-se a categoria de intelectuais "imperiais" em Roma. Mistura-se com estes fenÙmenos o nascimento e desenvolvimento do catolicismo e da organizaÁ„o eclesi·stica que. verifica-se o fenÙmeno.. absorveu a maior parte das atividades intelectuais e exerceu o monopÛlio da direÁ„o cultural. Vida de CÈsar. com a advertÈn16 Esta separaÁ„o. se propıe: 1) a estabelecer em Roma os intelectuais que j· residiam nela. do tempo da Rep˙blica ao ImpÈrio (de um regime aristocr·tico-corporativo a um regime democr·tico-burocr·tico). 2) a atrair para Roma os melhores intelectuais de todo o ImpÈrio Romano. quo libentius et ipsi urbem incolerent et coeteri appeterent civitate donavit" (SUETONIO. pelo menos nos mais importantes. Nota.

suborindinando-as ‡s prÛprias finalidades. mas engatinha no campo intelectual-polÌtico. Quando. mas. Í 17 muito diversa da italiana. mas. Esta maciÁa construÁ„o intelectual explica a funÁ„o irradiacultura francesa nos SÈculos XVIII e XIX. pletamente apto para todas as suas sociais e. o fato central È precisamenNo que diz respeito ‡ It·lia. em outros paises. te a funÁ„o internacional ou cosmopolita de seus intelectuais. dos intelectuais nascidos no mesmo terreno elevaindustrial do grupo econÙmico. que perde a ponÙmica mas conserva por muito tempo uma supremacia lÌtico-intelectual. mas — na esfera mais da -encontramos conservada a posiÁ„o de quase-monopÛsupremacia ecolio da velha classe territorial. muito ampla a categoria dos intelectuais org‚nicos. em histÛria. o desenvolvimento È muito sobre da Na a base FranÁa. perque que È causa e efeito do estado de desagregaÁ„o em Romano manece a peninsula. particularmente. e È assimilada como "intelectuais tradicionais" e como camada dirigente pelo novo grupo que ocupa o poder. pelo contr·rio. concorre constituiÁ„o de uma sÛlida base nacional. que n„o reflui sobre a para base impossibilitarpara a ponacional tenci·-la. pelo contr·rio. conseq¸entemente e desagregado. O novo agrupamento social nascido do industrialismo moderno tem um surpreendente desenvolvimento econÙmico-corporativo.une se aos industriais atravÈs de um tipo de junÁ„o que. funÁ„o de imÁ„o internacional e cosmopolita e de expans„o de car·ter perialista e hegemÙnico de modo org·nico. funÁıes sem efetivar compromissos luta pelo com dominio total da essenciais as velhas classes. lutas muito precoces entre Igreja da do).influÈne Estacia (galicanismo.um ele novo est· agrucom‡ pamento social aflora politicamente isso. harmÙnico de todas as energias nacionais 1789. por naÁ„o. desenvolvimento A FranÁa fornece um tipo completo de e. A velha aristocracia fundi·ria preci. das categorias intelectuais. As primeiras cÈlulas cÈlulas ecotelectuais a do novo tipo nascem com as primeiras nÙmicas: prÛpria organizaÁ„o eclesi·stica sofre sua. diferente do Inglaterra. desde a queda do ImpÈrio atÈ 1870.cia de que estas observaÁıes dever„o ser verificadas e aprofundadas. isto È. de car·ter imigratÛrio pessoal .

seja a base da import‚ncia obtida pelo centro catÛlico e pela social-democracia.talvez precisamente por isto — assimilam completamente as influÍncias estrangeiras e os prÛprios estrangeiros. ocorre o fenÛmeno inverso: uma elite de pessoas entre as mais ativas. o Grande. 'dos paÌses mais desenvolvidos do Ocidente. diluindo-a no tempo e no espaÁo. passivas e receptivas. e os Junkers mantiveram uma supremacia polÌtico-intelectual bem maior do que -a mantida pelo mesmo grupo inglÈs. mas' com um ritmo incomparavelmente mais r·pido do que na velha Europa. baseada sobre o fato de que detinham um not·vel poder econÙmico sobre a terra. supernacional (Sacro ImpÈrio Romano da NaÁ„o Alem„). retomam ao paÌs. mas que possui ao mesmo tempo uma base econÛmica prÛpria e n„o depende exclusivamente da liberalidade do grupo econÙmico dominante. os s alem„es e franceses levam a experiÍncia europÈia ‡ R˙ssia e emprestam um primeiro esqueleto 'consistente ‡ gelatina histÛrica russa. mais "produtiva" do que na Inglaterra. protagonistas das lutas religiosas e politicas inglesas.samente aquele que une os intelectuais tradicionais ‡s novas classes dominantes. emigra. a ausÍncia dos intelectuais tradicionais e. A Alemanha. 18 isso perder as caracterÌsticas mais essenciais da prÛpria nacionalidade. e. O fenÙmeno inglÈs manifestou-se tambÈm na Alemanha. que possui um quase-monopÛlio das funÁıes diretivoorganizativas na sociedade polÌtica. mas --. diversas tendÍncias: a organizaÁ„o polÌtica e econÛmico-comercial foi criada pelos normandos (varegos). assimila a cultura e as experiÍncias histÛricas 'sem. a religiosa pelos gregos bizantinos. nos Estados Unidos. enÈrgicas. politicos. como a It·lia. mas nem humilhados nem rebaixados em sua p·tria de origem. depauperando as prÛprias energias internas e provocando lutas que desviavam dos problemas de organizaÁ„o nacional e mantinham e desagregaÁ„o territorial da Idade MÈdia. consigo mesmos. C) desenvolvimento industrial ocorreu sob um invÛlucro semifeudal. para o exterior. que durou atÈ novembro de 1918. Deve-se notar. complicado por outros elementos histÛricos e tradicionais. este fenÛmeno russo pode ser comparado ao nascimento da naÁ„o americana (Estados Unidos): os emigrantes anglo-saxıes s„o tambÈm uma elite intelectual. incorporados em determinados grupos da populaÁ„o. reliquias dos regimes passados que n„o querem desaparecer) que se opıem a um processo r·pido e limitam na mediocridade qualquer iniciativa. os Junkers constituÌam a oficialidade de um grande exÈrcito permanente. mas particularmente moral. Os Junkers prussianos assemelham-se a trina casta sacerdotalmilitar. diferentemente dos nobres fundi·rios ingleses. sem romper as ligaÁıes sentimentais e histÛricas com o prÛprio povo. um certo grau de civilizaÁ„o. uma certa fase da evoluÁ„o histÛrica europÈia. A diferenÁa entre esta elite e aquela alem„ importada (por Pedro.continua a desenvolver as forÁas implÌcitas em sua natureza. russificando-os. Refiro-me. econÙmicos. isto È. As forÁas nacionais s„o inertes. aos primeiros emigrantes. Eles foram os intelectuais tradicionais dos industriais alem„es.. portanto. feita assim sua aprendizagem intelectual. em certa medida. o que Lhes fornecia sÛlidos quadros organizativos. o diver19 . No perÌodo histÛrico mais recente. queimando as etapas. derrotados. naturalmente. que conseguiram — durante o periodo imperial — elaborar uma cama- da parlamentar e diretiva prÛpria bastante numerosa. e forneceu uma certa quantidade de pessoal ‡s metrÛpoles medievais. obrigando o povo a um despertar forÁado. e em condiÁıes bem diversas de tempo e lugar. AlÈm disso. favor·veis ‡ conservaÁ„o do espÌrito de grupo e do monopÛlio polÌtico! Na R˙ssia. foi a sede de uma instituiÁ„o e de uma ideologia universalista. mas com privilÈgios especiais e com uma forte consciÍncia de ser um grupo social independente. Num outro terreno. intelectuais. j· que ela mesma È uma enÈrgica reaÁ„o russa ‡ prÛpria inÈrcia histÛrica. onde existe toda uma sÈrie de freios (morais. Eles trazem para a AmÈrica. aos pioneiros. empreendedoras e disciplinadas. conseq¸entemente. por max weans. a uma marcha acelerada para a frente. alÈm da energia moral e volitiva. num segundo momento. que — transplantada no solo virgem americano por tais agentes -. por exemplo) consiste em seu car·ter essencial nacional-popular: n„o pode ser assimilada pela passividade inerte do povo russo.Ppodem-se encontraro nmuitosvaelementosaque permitem boraÁ„o de um ssoafÛpoliticoitiburguÍs numeroso e experimentadola-e forme a base des continuas crises parlamentares e da desagregaÁ„o dos partidos liberais e democriticos.

n„o tendo desenvolvido superestruturas complicadas: a maior parte dos intelectuais È de tipo rural e." Na AmÈrica do Sul e na AmÈrica Central. sobre a base industrial. provocado pela luta que os brancos empreendem no sentido de isol·los e rebaix·-los: mas n„o foi este o caso dos judeus atÈ todo o SÈculo XVIII? A LibÈria.lidade ser facilmente reduzidos a um sÛ (cf. 2) se as lutas pela unificaÁ„o do povo americano se agudizassem a tal ponto que determinassem o Íxodo dos negros e o retorno ‡ Africa dos elementos intelectuais mais independentes e enÈrgicos e. Nasceriam duas questıes fundamentais: 1) da lÌngua. de todas as superestruturas modernas. com extensas propriedades eclesi·sticas. 21 u Gramsci refere-se ‡ posiÁ„o dos judeus "sionistas " . como ocorreu nos paÌses de civilizaÁ„o antiga. Parece-me que. diversos tipos de cultura trazidos pelos imigrantes de origens nacionais variadas. j· americanizada e com o inglÈs como lingua oficial. com a FranÁa. que poderiam na rea- saber se esta camada intelectual poderia ter a capacidade assimiladora e organizadora em tal medida que pudesse converter em "nacional" o atual sentimento primitivo de raÁa desprezada. por enquanto. com a tendÍncia a se converter no Piemonte africano. isto È. Ocorreu uma formaÁ„o maciÁa. ainda hoje resistentes nesses paises.. A necessidade de um equilÌbrio n„o È dada pelo fato de que seja necess·rio fundir os intelectuais org„nicos com os tradicionais. De fato. portanto. unificadora da existente pulverizaÁ„o de dialetos? 2) a quest„o de ro so equilÌbrio dos intelectuais em geral. menos propensos a sujeitar-se a uma possÌvel legislaÁ„o ainda mais humilhante do que o costume atualmente difundido. num ˙nico cadinho nacional de cultura unit·ria. A composiÁ„o nacional È muito desequilibrada mesmo entre os brancos. ro Uma manifestaÁ„o interessante deve ainda ser estudada nos Estados Unidos. a quest„o dos intelectuais. j· que domina o latif˙ndio. com parar 20 . A ausÍncia de uma vasta sedimentaÁ„o de intelectuais tradicionais. encontramos na base do desenvolvimento desses paÌses os quadros da civilizaÁ„o espanhola e portuguesa dos SÈculos XVI e XVII. o inglÍs poderia se tornar a lingua culta da Africa. s„o o clero e uma casta militar. mas ignoro em quais proporÁıes). caracterizada pela Contra-Reforma e pelo militarismo parasit·rio. ao que me parece. mas pelo fato •de que seja necess·rio fundir. os negros da AmÈrica devem ter um espÌrito racial e nacional mais negativo do que positivo. (Nota do Tradutor). ao inverso. duas categorias de intelectuais tradicionais fossilizadas segundo o modelo da m„e-p·tria europÈia. explica parcialmente tanto a existÍncia de somente dois grandes partidos politicos. tais intelectuais s„o ligados ao clero e aos grandes propriet·rios. que absorvem a cultura e a tÈcnica americanas. que n„o existem como categoria cristalizada e misoneÌsta. As cristalizaÁıes. quanto. deve ser examinada levando-se em conta estas condiÁıes fundamentais: tambÈm na AmÈrica do Sul e na AmÈrica Central inexiste uma ampla categoria de intelectuais tradicionais. elevando o continente africano ao mito e ‡ funÁ„o de p·tria comum de todos os negros. e na influÍncia direta que se verificaria se ocorresse uma destas hipÛteses: 1) se o expansionismo americano se servisse dos negros nacionais como seus agentes na conquista dos mercados africanos e na extens„o a eles do prÛprio tipo de cultura (algo similar j· ocorreu. a multipicaÁ„o ilimitada de seitas religiosas. e n„o somente com a do apÛs-guerra. por sua vez. que de- com a FranÁa e com as encarniÁadas lutas empreendidas para que se mantivesse a unidade religiosa e moral do povo francÍs. quando a multiplicaÁ„o dos partidos se tornou um fenÙmeno universal). Ao que me parece. A base industrial È muito restrita. trata-se da formaÁ„o de um n˙mero surpreendente de intelectuais negros. isto È. mas complica-se ainda mais pela imensa quantifendem a emigraÁ„o maciÁa dos judeus para uma p·tria origin·ria. foram catalogadas mais de duzentas. como foi o caso do Piemonte nas lutas pela unificaÁ„o da It·lia. Transformar a LibÈria num "Piemonte africano". no sÈculo passado. significa transform·-la num modelo de progresso e de d em o cracia na Luta pela unidade africana. poderia se tornar a Sion dos negros americanos. mas o problema n„o se apresenta nos mesmos termos que nos Estados Unidos. Pode-se pensar na influencia indireta que estes intelectuais negros podem exercer sobre as massas atrasadas da Africa. isto È.

Outros tipos de formaÁ„o da categoria dos intelectuais e de suas relaÁıes com as forÁas nacionais podem ser encon- burocr·tico. Torna-se absurdo na Asia Oriental. ‡s insurreiÁıes militares-populares na Argentina. na Bolivia -. se bem que. que em alguns paÌses formam a maioria da populaÁ„o. ‡ polÌtica laica do Estado moderno. secular e o do povo.demonstram precisamente a exatid„o destas observaÁıes. particularmente no Mezzogiorno e nas ilhas. manifeste-se do modo mais extremo. Nos paises catÛlicos. o que reproduz na esfera da organizaÁ„o superior todas as escabrosidades da concepÁ„o real das massas populares). temos uma formaÁ„o do tipo inglÍs e alem„o. ser estudado. deveria diversas crenÁas e do diverso modo de conceber e praticar mesma religi„o entre os diversos estratos da sociedade. onde È preciso falar de trÍs graus da mesma religi„o: o do alto clero e dos monges. a diferenÁa Í relativamente pequena (a multiplicaÁ„o das seitas È ligada ‡ exigÍncia de uma fus„o completa entre in- telectuais e povo. no MÈxico. ademais. Na China. imensa na peninsula ibÈrica e nos 22 23 . existe ainda nessas regiıes americanas uma situaÁ„o tipo Kulturkampf e tipo processo Dreyfus. ocorre que. No Jap„o. a referida diferenÁa È muito grande. isto È. O fenÙmeno cresce de import‚ncia nos paÌses ortodoxos.dade de indios. Na India e na China. uma civilizaÁ„o industrial que se desenvolve dentro de um invÛlucro feudal- mas particularmente entre clero e intelectuais e povo. no Chile. nos paises da Asia Oriental. no campo religioso. paÌses da AmÈrica Latina. isto È. Os eventos dos ˙ltimos tempos (novembro de 1930) -. Assim.do Kulturkampf de Calles. Pode-se dizer que. existe o fenÙmeno da escritura. a enorme distancia entre os intelectuais e o povo manifesta-se. dos interesses e da influÍncia clerical e militarista. em geral. no Brasil. express„o da completa separaÁ„o entre os intelectuais e o povo. no Jap„o. na oposiÁ„o ao jesuitismo. com inconfundÌveis caracterÌsticas prÛprias. no Peru. mas com diversos graus: menor na Alemanha catÛlica e na FranÁa. O problema das a tradas na India. uma situaÁ„o na qual o elemento laico e burguÍs ainda n„o alcanÁou o est·gio da subordinaÁ„o. Nos paÌses protestantes. na China. j· que se manifesta por toda parte em certa medida. possui ainda grande influÍncia a MaÁonaria e o tipo de organizaÁ„o cultural como a "Igreja positivista". no geral. maior na It·lia. se bem que se dÍ ‡s duas o mesmo nome. o do clero onde a religi„o do prÛprio povo nada tem em comum com a dos livros.

Notas Esparsas FunÁ„o Cosmopolita dos •Intelectuais Italianos QUEST√O DA LÕNGUA. Constantin le Grand. Spes (s/d). Para o desenvolvimento do conceito de que a It·lia realiza o paradoxo de um pais mocissimo e velhÌssimo ao mesmo tempo (como Lao-Tse. Paris. fala-se de livro de de pobtos vista interessantes sobre o primeiro contato oficial entre o ImpÈrio e o 25 . L'origine de la civilisation chrÈtienne. Nele. o artigo "A polÌtica religiosa de Constantino Ma na Ciod- um MAURICE. ed. estudadas sob o aspecto da lÌngua escrita pelos intelectuais e usada em suas relaÁıes e sob o aspecto da funÁ„o desempenhada pelos intelectuais italianos na CosmÛpole medieval graÁas ao fato de que o papado era sediado A na It·lia (o uso do latim cosmopolitismo catÛlico)? ed como lingua douta È ligado ao 3 Cf. onde s„o expostos alguns JULES Cattolica de 7 de setembro de 1929. que nasceu com oitenta anos): as relaÁıes entre os intelectuais e o povo-naÁ„o.

viva. nos campos. as pregaÁıes eram feitas em latim aos clÈrigos. na FranÁa. O latim era a lÌngua corrupÁ„o sÈculo desconcertava aud·cia de seu cristianismo. Latim liter·rio e latim vulgar. Do alto de seus p˙lpitos. entre o povo e a cultura. o povo real vÍ os ritos e sente as prÈdicas exortativas. enchia os monastÈrios. de da assim. mesmo ‡s monjas. para os laicos. ainda que n„o deva tampouco ser confundido com um jarg„o ou com uma lingua artificial como o esperanto. os pregadores eram os dirigentes p˙blicos da consciÍncia dos homens e da multid„o. dos intelectuais. tudo e todos passavam pela sua ·spera censura e pelas abertas recriminaÁıes das mulheres. ativa.secreta visÌvel ou vulgar.mÈdio). A pregaÁ„o em lÌngua vulgar reporta-se. n„o sÛ na It·lia como em toda a ·rea europÈia romanizada. nacional. de modo que mesmo as. discussıes religiosas escapam ao povo. do se ao latim . "De qualquer modo. Mas. ‡s prÛprias origens da lingua. Do latim desen- volvem-se os dialetos neolatinos. nenhuma parte Reims . historicamente viva. os concflios de Tours e Igreja. ordenaram aos padres que instruÌssem o povo na lÌngua do povo. o latim liter·rio se cristaliza no latim dos doutos. ˙teis da do a rubrica causas pelas quais para esta (que trata das histÈricas grau cristianismo dando lugar lÌngua o latim ocidental. No SÈculo XII. "Desde o SÈculo IX. que arrastava grandes e pequenos para a cruzada. tambÈm o "perfil" de Constantino. Cf. Nota. se bem que a religi„o seja o elemento cultural que prevalece: da religi„o. lanÁava de joelhos e nos excessos da penitÍncia cidades inteirm. houve uma pregaÁ„o em vulgar. poderosa. Isto era necess·rio para que eles fossem entendidos.2 que n„o pode ser comparado absolutamente com uma lÌngua falada. mas n„o pode acompanhar as discussıes e os desenvolvimentos ideolÛgicos. aos frades. as pregaÁıes eram feitas em francÍs. existe uma fratura entre o povo e os intelectuais. (TambÈm) os livros religiosos s„o escritos em latim mÈdio. nas praÁas. que s„o monopÛlio de uma casta". o chamado "latim mÈdio" .

Formiggini). do mesmo modo que se havia cristalizado o latim liter·rio. 1879 — Cf. maio de 1928. 1 Histoire de ta littÈra- As lÌnguas vulgares s„o escritas quando o povo ganha import‚ncia: o juramento de Strasburgo (apÛs a batalha de Fontaneto entre os sucessores de Carlos Magno) se manteve porque os soldados n„o podiam jurar numa lingua desconhecida.e au Moyen Age. O florescimento das Comunas faz com que as lÌnguas vulgares se desenvolvam..aco lt DB Deux r.ediÁ„o. n a Nuoca A ntologia de de I. quando comeÁa o florescimento do vulgar. ‡ exceÁ„o dos poetas e dos artistas em geral. durante mais de 600 anos — o povo n„o compreendia os livros e n„o podia participar no mundo da cultura. ture franÁaise. a propriedade dos fundos de conventos (Mon- De qualquer modo. o 18 (ed. mas È um latim em sintaxe. cria uma lÌngua vulgar ilustre. bibliogr·ficos: "A sa % L. O italiano È novamente uma lingua escrita e n„o falada. artigo de nunPO eanmu. escreviam para •a Europa crist„ e n„o para a It·lia. A queda das Comunas e o advento do Principado. as primeiras marcas de lÌngua vulgar s„o juramentos e prestaÁıes de testemunhos do povo para estabelecer tecassirio). Hachette. Ademais.A ><AACHE. quando se pode presumir que o povo n„o pais compreendesse o latim dos doutos. p·gs. sdeLjaneiro ede 1893 ". isto È. atÈ 1250. pode-se dizer que na It·lia -. Mondes.. isto È. sem com isso retirar a validade do juramento.Ëme Èd. Paris. dos doutos e n„o da naÁ„o. TambÈm na It·lia. 2. 27 Rime des 26 . eram uma concentraÁ„o de intelectuais cosmopolitas e n„o nacionais. enquanto a hegemonia de FlorenÁa empresta unidade ao vulgar. 9 .C.e siËcle. Paris. 160-161).de 600 D. La Chofre franÁaise au XR. nouacAnc. 1 . Existem na It·lia duas lÌnguas doutas. a vitÛria do vulgar sobre o latim n„o era f·cil: os doutos italianos. La Chofre franÁaise au 0 M oyen Age.. Mas o que È esta lÌngua vulgar ilustre? L o florentino SALVATORELLI 2 elaborado pelos intelectuais da velha tradiÁ„o: È florentino em vocabul·rio e tambÈm em fonÈtica.pensamento ou de sua lÌngua" (LANSON. Lanson fornece os seguintes dados . o latim e o italiano. a criaÁ„o de uma casta de governo destacada do povo. cristaliza esta lÌngua vulgar.

afas- MORE veo. a retÛrica nacional do sÈculo passado e os preconceitos por ela encarnados n„o permitiram que se fizessem nem mesmo as ver. o vulgar. que assimila aos seus quadros indivÌduos singulares (o tÌpico exemplo disto È dado pela organizaÁ„o eclesi·stica). Parece-me justo reportar o "latim mÈdio" ao primeiro surgimento de literatura crist„ latina. crie seus intelectuais (o que ocorreu no. apÛs 1870 È a arma dos clericais. "popularnacional" de cultura. O saque de Roma encontra escritores em dialeto. como acontece. acredito que. acredito) . ao que me parece. conseq¸entemente da histÛria geral. num artigo da Ntrm:a A n to lo g ia . em concord‚ncia com a sua atual polÌtica das nacionalidades). a lingua de governo continuou a ser o veneziano. por exemplo. creio. com base em pes- port„ncia que assumiu o estudo do "latim mÈdio" (esta express„o. mas o modo de expor sua gÈnese. este estudo n„o È nem ocioso nem puramente erudito. Por exemplo: qual foi a area exata da difus„o do toscano? Em Veneza. Em suma: n„o se trata de um estrato da populaÁ„o que. de fato. no qual ocorreu um florescimento de intelectuais saÌdos das classes populares (burguesas). "‡ teoria dos dois mundos separados.e este ˙ltimo termina por preponderar e por triunfar completamente no SÈculo XIX. j· foi introduzido o italiano elaborado pelos doutos de acordo com o esquema latino. houve uma reabsorÁ„o da funÁ„o intelectual na casta tradicional. com a separaÁ„o entre os intelectuais laicos e os eclesi·sticos (os eclesi·sticos continuam ainda hoje a escrever livros em latim. como em Roma e em N·poles. nota como o romanesco — durante m uito tem po — perm aneceu restrito ao ‚m bito do vulgar. mas o car·ter de casta prevalece neles sobre suas origens. ao que me parece. quando uma "nobre plÍiade de escritores. que surge e se faz vivo. do latim que est· no meio entre o cl·ssico e o humanista. Isto pode significar t„o-somente que a nova cultura neolatina sentia fortemente as influÍncias da cultura anterior. deve-se Levar em conta outros elementos. entendida a lÌngua como elemento da cultura. jamais tendo penetrado o florentino origin·rio (no sentido de que os mercadores floren- investigaÁıes preliminares. talvez "latim mÈdio" tenha precisamente o significado literal. ao passo que o "latim mÈdio" tem caracterÌsticas prÛprias. o dialeto È a arma dos liberais. mas particularmente a 29 28 . e do neolatino.e de LittrÈ -.parece-me ser do tipo a que me refiro. e assim terminar· por fazer em relaÁ„o aos 9utros paises. Para a lingua francesa. busca passar — ou se faz passar — ao primeiro plano". Parece-me que. que assinala indubitavelmente um retorno ao cl·ssico. quando se verifica a alianÁa entre a cultura (1) cl·ssica e a religi„o crist„. de 1928 "Roma em seus troncos dialetais". que È dominado somente pelos doutos e entra em decadÍncia. a fortuna "escrita" do romanesco e o florescimento dialetal que culmina no perÌodo liberal de Pio IX atÈ a queda da Rep˙blica Romana. a gram·tica histÛrica ainda n„o È isso. existem destas histÛrias (a de Brunot -. que deveria significar "latim medieval". mas hoje inclusive o Vaticano usa cada vez mais o italiano quando trata de coisas italianas. Numa an·lise completa. [Daqui comeÁa. deve-se fixar. o seguinte ponto: que a cristalizaÁ„o do vulgar ilustre n„o pode ser separada da tradiÁ„o do "latim mÈdio" e representa um fenÙmeno an·logo. e como manifestaÁ„o precipua da "nacionalidade" e "popularidade" dos intelectuais. isto È. Para Ermini. mas n„o me lembro).4 Uma histÛria da lingua italiana ainda n„o 4 quisas. RevoluÁ„o Francesa os encontra. mas de um organismo tradicionalmente selecionado. existe. deste modo. entretanto. onde os ele- os n„o-especialistas) — Ermini afirma que. Em seu artigo — interessante como informaÁ„o da im- De qualquer modo. O mesmo ocorreu com outros centros: GÈnova. parece-me bastante imprÛpria e possÌvel causa de erros entre mentos singulares s„o de origem popular. sente o vivo desejo de juntar a nova fÈ ‡ beleza (!) antiga e. "Mas IA em movimentos revolucion·rios. por exemplo. chegando ao poder. È preciso substituir a teoria da unidade latina e da continuidade perene da tradiÁ„o cl·ssica". ApÛs pm breve parÍntese (liberdades comunais). a meu tinos n„o fizeram ouvir a viva voz florentina. mas n„o que tenha havido uma unidade. neste sentido: ali·s. d e 18 de junho tado do latim. do latim.] Em 184749. no que toca a muitas questıes. saindo das escolas' de retÛrica e de poÈtica. inconfundÌveis: Ermini data o nascimento do "latim mÈdio" na metade do SÈculo IV. SÈculo XIV). dar vida ‡ primeira poesia crist„".

no qual a ligaÁ„o entre o velho e o novo. ‡ morte de Carlos. verdadeira Època de transiÁ„o na continua e progressiva la- as ciÍncias. como tambÈm e particularmente o direito.È vago e arbitr·rio. se destacara tambÈm do jus publicara e as escolas n„o se preocupavam com sua ordenaÁ„o: o novo jus sacrum tornou-se a ocupaÁ„o especial das escolas inteiramente prÛprias da sociedade religiosa. emers„o do direito canÙnico. nos sÈculos das perseguiÁıes e das toler‚ncias. de FRANCESCO BEMOL . atÈ o pontificado de Silvestre II. pois inicia um dualismo de poder que se ∞ Sobre o problema geral do obscurecimento do direito romano e seu renascimento. que se prolonga atÈ o fim do SÈculo XII. surgiu um novo jus sacrum. em Berito. que passa de direito particular. CrrESr. primeiro reconhecido. isto È.tudo isso d· lugar ao nascimento e ‡ estratificaÁ„o dos intelectuais italianos cosmopolitas. cf. um quarto: da literatura feudal. renascimento do direito romano e sua expans„o atravÈs das Universidades. G. lenta transformaÁ„o de ordenamentos preexistentes. O desenvolvimento do direito canÙnico e a import‚ncia que ele assume na eco- nomia jurÌdica das novas formaÁıes estatais. È preciso levar em conta n„o sÛ tudin·rio. nem tampouco simultaneamente. que vai de 799 a 888. um segundo perÌodo: da literatura b·rbara. ( Este fato È muito importante na histÛria do Estado Romano e È pleno de graves conseq¸Íncias.‡queles que se preocupavam com a continuidade da tradiÁ„o italiana. o da hegemonia do direito germ‚nico. a formaÁ„o da mentalidade imperial.. mas est„o ligados ao desenvolvimento histÛrico geral (fus„o dos b·rbaros com as populaÁıes locais. a 799. sobre este assunto.EONe 5 ( Nueva Antologia de 16 de julho de 1928). em comparaÁ„o com o direito longobardo. Estes mil anos. diversa da sociedade polÌtica. O problema desta interrupÁ„o interessou ‡ ciÍncia e. contudo. Houve um perÌodo. durante o perÌodo em que o paganismo foi religi„o tanto dos s˙ditos quanto do Estado.∞ O "latim mÈdio" ocuparia cerca de um milÍnio. a direito estatal. de MAE- 31 30 . Estes fenÙmenos n„o ocorrem subitamente. Com o aparecimento do Cristianismo e com sua ordenaÁ„o. Esquema extraÌdo do ensaio de Brandileone:∞ Nas escolas do ImpÈrio Romano em Roma. no jus publicam. entre a metade do SÈculo IV e o fim do SÈculo XIV. estava compreendido o jus sacrum pag„o. desde a antiga Roma. um terceiro periodo: do renascimento carolingeo. medieval cosmopolita. que vai da morte de Constantino ‡ queda do ImpÈrio Romano do Ocidente 337-476). nas duas positiones de jus publicum e de jus privatum. o Gordo.no princÌpio do SÈculo XIX -. naturalmente. as grandes histÛrias do direito. que vai de 476 ( tinizaÁ„o dos b·rbaros (exagerado: da formaÁ„o de um estrato de intelectuais germ‚nicos que escreviam em latim A. a HistÛria da Literatura Latina. mas n„o foi t„o coneiderado quanto o antigo. atÈ a restauraÁ„o do ImpÈrio por Carlos Magno. como sociedade em si. depois elevado pelo Estado a fÈ ˙nica do ImpÈrio. dividem-se do seguinte modo: um primeiro perÌodo: das origens. o "latim mÈdio". quando o saber se recolhe nas grandes escolas e o pensamento e mÈtodo filosÛficos fecundam todas cÌpio do SÈculo XIII ao fim do XIV e que j· anuncia a decadÍncia. para Ermini. Cf. o que È importante. em Constantinopla. mas ver. quando o feudalismo. seus escritos sobre as relaÁıes entre romanos e longobardos a respeito do Adelchi). abre uma nova era. e um sexto: da literatura erudita. o desenvolvimento do direito romano adaptado e interpretado pelas novas formas de vida -. interessou -. etc. interessou tambÈm a intelectuais como Manzoni (cf. entre o inÌcio da inspiraÁ„o crist„ e a difus„o do Humanismo. ensinava-se somente o direito romano. o novo jus sacrum teve certamente apoio e reconhecimento por parte do legislador laico. Queda do direito romano apÛs as invasıes b·rbaras e sua reduÁ„o a direito pessoal e consue- po. bem como do florescimento do direito canÙnico. Para estudar a formaÁ„o das classes intelectuais italianas na Alta Idade MÈdia. um quinto: da literatura escol·stica. visando a constituir a nova consciÍncia nacional. a fim de ter algumas idÈias gerais. "Os dois direitos e seu moderno ensino na It·lia". que vai do prin- FormaÁ„o das classe· intelectuais italianas na Alta Idade MÈdia. Pois o Cristianismo se separara ada vida social polÌtica. de gru- a lingua (quest„o do 'latim mÈdio"). que vai de 888 a 1000.). era quase unicamente a lingua.). isto È. Depois que o Cristianismo foi.

realizada por Carlos Magno. uma modificaÁ„o. ou porque continuassem as antigas escolas ou porque tivessem surgido naquela Època. posteriormente. no Ocidente. Ao contr·rio. apÛs o advento dos Otınios. n„o foram vistas como direito geral obrigatÛrio para todos. n„o sÛ na It·lia como em todos os paÌses que se tornaram crist„os e catÛlicos. sendo ele o direito de uma sociedade diversa e distinta da sociedade polÌtica. n„o ocorre a reduÁ„o a direito pessoal. TambÈm o direito canÙnico sofre. ao passo que isso n„o ocorrera com o direito canÙnico. sem interrupÁ„o do SÈculo VI ao XI. As novas leis promulgadas pelos novos Imperadores n„o foram acrescentadas. mas como indivÌduos singu32 lares e. Deste modo. 33 . mas tambÈm e principalmente das assemblÈias dos povos aos quais pertenciam.) Durante os sÈculos da Alta Idade MÈdia. mas ao Èdito longobardo.desenvolver· na Idade MÈdia: mas Brandileone n„o o explica: coloca-o como conseq¸Íncia lÛgica da separaÁ„o origin·ria entre Cristianismo e sociedade polÌtica. dirigida pelo Imperador no plano temporal e pelo Papa no espiritual. mas como direito pessoal prÛprio dos que viviam sob lei longobarda. Na It·lia longobarda. Para o direito romano. na It·lia. Africa. n„o se reconstituiu a unidade forpolÌtico-religiosa? Este È o problema. Com o direito canÙnico. como È atestado pela escassa. gentes no territÛrio do ImpÈrio do Ocidente. princÌpios e institutos romanos foram aceitos pelos vencedores. Irlanda. na medida em que continuara a ser aplicado no Ocidente e na It·lia. A renovaÁ„o do ImpÈrio. na qual a participaÁ„o n„o era baseada na nacionalidade: ele possuÌa nos concilios e nos papas seu prÛprio poder legislativo. quando o Cristianismo se tomou religi„o do Estado como o fora o paganismo. atÈ o SÈculo XI. particularmente romano. mas somente mais tarde e graÁas a outras causas. continuou a ser direito pessoal. apÛs o SÈculo XI. o direito romano foi reduzido a um mero direito consuetudin·rio. mas a posiÁ„o do direito romano n„o se modificou. se existiram. Alemanha. sÛ existiam. as scholae liberalizam artium e se nelas (tal como nas correspondentes italianas) se aprendiam noÁıes elementares de direito laico. Ao contr·rio. ‡ medida em que. Escolas especiais romanistas. ter-se tornado direito pessoal significa ter sido colocado numa posiÁ„o inferior ‡ que cabia ‡s leis populares ou Volksrechte. FranÁa. È concebida a monarquia universal abarcando toda a humanidade. Espanha. na It·lia. ou pelo menos n„o somente dele. dedicadas ao ensino e ao estudo dos dogmas de fÈ. e os imperadores omnium generalist •pÙde surgir e svevos encararam o Corpus justiniano como o seu cÛdigo. Esta reafirmaÁ„o do direito romano n„o se deve a fatores pessoais: liga-se ao reflorescer. da vida econÙmica. fragment·ria. do tr·fico marÌtimo. porÈm. PossuÌa. o impÈrio È concebido mais clara e explicitamente como a continuaÁ„o do antigo. os s˙ditos romanos dos reinos germ‚nicos e. n„o tiveram uma assemblÈia particular. e ao mesmo tempo do direito canÛnico. do comÈrcio. mesmo fora da It·lia. autorizada a manifestar sua vontade coletiva acerca da conservaÁ„o e da modificaÁ„o do prÛprio direito nacional. conseq¸entemente. rÈgio ou imperial. Foi a escola pavense que se fez intÈrprete deste fato e o ambiente no qual preparando que proclamou a lei romana florescer a escola de Bolonha. mas por que. n„o foram considerados como uma unidade em si. degradara-se a direito pessoal. Inglaterra. de atividade. Todo monastÈrio e toda catedral de alguma import‚ncia tiveram sua prÛpria escola: È testemunha desta atividade a riqueza de coleÁıes canÛnicas. a atividade desenvolvida foi algo muito pobre. intermitente e freq¸entemente equivocada produÁ„o que delas provinha e que chegou atÈ nÛs. cuja conservaÁ„o e modificaÁ„o era tarefa n„o j· do poder soberano. Tomase obrigatÛrio ou porque È aceito espontaneamente. o novo jus sacrum — chamado tambÈm jus canonicum ou jus ecclesiasticism e o jus mal romanum foram ensinados em escolas diversas e em escolas de di- versa import‚ncia numÈrica de difus„o. vi- Com os carolÌngeos aliados ao papado. ao qual fizeram acrÈscimos. uma esfera de obrigatoriedade restrita. do ImpÈrio. Muito bem. A explicaÁ„o deste formigar de direito canÙnico em contraste com o romano liga-se ao fato de que o direito romano. ao Corpus justiniano. as escolas eclesi·sticas. apÛs o SÈculo XI. da ind˙stria. O direito germ‚nico n„o se prestava a regular juridicamente a nova matÈria e as novas relaÁıes. pelo contr·rio. foram in˙meras. A posiÁ„o do direito romano modifica-se radicalmante na It·lia. portanto. na It·lia. atÈ todo o SÈculo XI. n„o retirou o direito romano de sua posiÁ„o de inferioridade: ela foi melhorada. no conjunto. ou porque È acolhido entre as leis do Estado.

como express„o essencialmente nacional. mas esta linha de desenvolvimento n„o È absolutamente nacional: o fato leva a um desequilÌbrio interno na composiÁ„o da populaÁ„o que vive na It·lia.durante sÈculos e sÈculos. Segundo Rostagni. mesmo que se admita terem as primeiras guerras p˙nicas modificado algo nas relaÁıes entre Roma e a It·lia. "com o instinto do progresso. j· que estava excluÌda a Alta It·lia. pois era impossÌvel falar nessa Època de fenÙmeno "nacional". etc. por ter Roma em seu territÛrio.em sua forma genuina ou atenuada -. atravÈs desta investigaÁ„o. isto È. leva a que nos reportemos atÈ a Època do ImpÈrio Romano. mas se mantÈm dominante -. na resoluÁ„o continua da casuÌstica jurisprudencial. que tem hoje uma import‚ncia n„o pequena no conceito de It·lia). torna-se o cadinho das classes cultas de todos os territÛrios imperiais. e quando o Estado revelou tender ‡ absorÁ„o da hierarquia eclesi·stica no Estado. Ademais. de sustentar que esta È autÙnoma com relaÁ„o ‡ literatura grega. o sacramental e o n„o-sacramental. da codificaÁ„o bizantina do mÈtodo romano de resolver as questıes de direito. precisamente quando a funÁ„o da It·lia torna-se cosmopolita. assim. Esta passagem de um "mÈtodo" a um "cÛdigo" permanente pode tambÈm ser compreendida como o fim de uma Època.Mas esta concepÁ„o n„o podia delimitar a priori o campo submetido a cada poder. como a passagem de uma histÛria em desenvolvimento r·pido e continuo a uma fase histÛrica relativamente estagnada. uma linha unit·ria no desenvolvimento das classes intelectuais italianas (que operam no territÛrio italiano). Ver o ensaio de Augusto Rostagni sobre a "Autonomia da Literatura Romana". a literatura latina surge inicialmente das guerras p˙nicas. Quando as finalidades do ImpÈrio. etc. num mÈtodo de criaÁ„o do dipreito. "estatal" no sentido governamental. o elemento territorial teve uma import‚ncia que n„o fusse meramente jurÌdicomilitar. Os bizantinos (Justiniano) recolheram a massa dos casos de direito resolvidos pela atividade jurÌdica concreta dos romanos. È algo que pode ser aceito: mas. publicado em quatro partes na Italia Letteraria de 21 de maio de 1933 e ss. em toda sua complexidade. isto È. O pessoal dirigente torna-se cada vez mais imperial e cada vez menos latino. etc. sem conte˙do Ètico-passional. Que Rostagni tenha raz„o ao falar de "autonomia" da literatura latina. o problema da relaÁ„o entre Roma e a It·lia. isto È. Car·ter cosmopolita da literatura italiana. como causa e efeito da unificaÁ„o da It·lia. com o impulso das mais altas e vigorosas afirmaÁıes". n„o como documentaÁ„o histÛrica. mas como cÛdigo coagulado e permanente. isto n„o altera o fato de que este perÌodo seja muito breve e tenha escassa import‚ncia liter·ria: a literatura latina floresce apÛs 34 CÈsar. j· sob os prÛprios carolingeos e cada vez mais em seguida.. mas entre Direito romano ou direito bizantino? O " romano" consistia. essencialmente. existia mais "nacionalidade" no mundo grego do que no romano-it·lico. na realidade. etc. deste modo. portanto. Esta concepÁ„o teocr·tica foi combatida teÛrica e praticamente. A investigaÁ„o da formaÁ„o histÛrica dos intelectuais italianos. quando n„o mais se coloca Roma-It·lia e o ImpÈrio. havia dois tribunais. deixando ao imperador uma Larga margem de intervenÁ„o nos negÛcios eclesi·sticos. mas t„o-somente de romanismo que unifica juridicamente a It·lia (e uma It·lia que ainda n„o corresponde ao que hoje entendemos por It·lia. isto È. com o ImpÈrio. O renascimento do "direito romano" . mostraram-se em discord‚ncia com as da Igreja. comeÁou a luta terminada no princÌpio do SÈculo XII com a vitÛria do Papado. O problema daquilo que s„o os intelectuais pode ser revelado. Deste modo. etc. quando a It·lia. os dois direitos foram casados. torna-se cosmopolita: mesmo os imperadores n„o s„o latinos. coincide com o florescimento de um grupo social que pretende uma "legislaÁ„o" 35 direito . Conceito antihistÛrico. utrumque jus. bem como ter-se verificado uma maior unidade inclusive territorial. H·. N„o se pode falar de nacional sem territorial: em nenhum desses perÌodos. da conquista. Foi proclamada a primazia do espiritual (sol-lua) e a Igreja readquiriu a liberdade para sua aÁ„o legislativa.

Idade MÈdia. A avers„o 37 . Salvatorelli escreve: "Uma comunidade. para minha investigaÁ„o. A intenÁ„o de Benedito se realiza: o orbis latins. Naturalmente. E o prestigio do mosteiro. Cassiodoro divulgou este programa nos dois livros de Institutiones e o realizou no Vivarium. escrevendo sobre Cassiodoro. Luigi Nota. em meio dos campos espremidos que ameaÁavam se tomar um deserto. que eram. alÈm de conceder import‚ncia ao conte˙do especÌfico da intelectualidade.. o mosteiro surgia. em certa medida. AMATUCCI (Laterza. devia ser o fundamento da sagrada. S„o Benedito. Menos importante. "Be- Alta Idade Media (fase cultural do advento do "latim mÈdio") . Em seu volume S„o Benedito e a It·lia de seu tempo (Laterza. seu orgulho de casta. pois somente num quadro permanente de "concÛrdia discorde". cuja atividade tinha um car·ter de religiosidade. o tipo de intelectual de seu tempo. ( Cassiodoro "afirmou que a cultura cl·ssica. pode ele desenvolver as forÁas implÌcitas em sua funÁ„o histÛrica. e alÈm disso uma comunidade religiosa. contra a rapacidade do fisco e as incursıes dos bandos armados legais e ilegais. o mosteiro ser· a oficina de toda escritos dos autores cl·ssicos e crist„os. fora de qualquer mistura com o mundo decrÈpito que insistia em ser designado pelo grande nome de Roma. mas olhando para o passado. novo n˙cleo social que extraia o seu ser do novo princÌpio crist„o. alÈm de Salvatorelli. que hoje deveria ser traduzido por "intelectuais". sua tradiÁ„o de abusos seculares. e esta deveria ser adquirida nas escolas p˙blicas". Plat„o referia-se aos "grandes intelectuais". categoria intelectual daquela fase do desenvolvimento histÛrico-social. diz: ". verdadeiramente. Segundo Ermini. mesmo antes de se concentrar em privilÈgios legais. protegia os colonos. ademais. realizou uma obra de reforma social e de verdadeira criaÁ„o. de elevaÁ„o e educaÁ„o (e direÁ„o intelectual — e. entendida no sentido geral da Època e no sentido especial de Plat„o — e. afirmar que a "utopia" de Plat„o antecipa o feudalismo medieval. È a quest„o da cultural desse perÌodo. ". Sobre esta conex„o de problemas. que poderia concretamente chamar-se de "religiosidade": os intelectuais de governo eram aqueles intelectuais determinados mais prÛximos da religi„o. em meio ao qual se erguia a gigantesca figura de Gerolamo". era um patr„o muito mais humano do que o propriet·rio individual. guiada pelo es-j pinito beneditino. As p·gs. recompıe-se em unidade e tem assim inÌcio. sem propÙ-Io 36 Bari.. Ao que me parece. Papa Agapito 535-536) teria realizado este programa se n„o tivesse sido impedido pelas guerras e pelas lutas de facÁ„o que devastavam a It·lia. A cultura na Alta import‚ncia de S„o Benedito e de Cassiodoro na inovaÁ„o nedito de Norcia". Ainda menos premeditada foi sua obra de cultura". Longe das cidades em plena decadÍncia. Poder-se-ia talvez. È preciso entender "historicamente" o termo "filÛsofos". com seu egoÌsmo pessoal. a biblioteca conservar· para os pÛsteros os mais do que o castelo. com funÁ„o de hegemonia) da polis. pois n„o era talento para fazer descobertas. diretamente. a admir·vel civilizaÁ„o da Idade MÈdia". Bani). Amatucci. Ver a HistÛria da literatura latina crist„... Assim. p·gs.. para explicar historicamente o feudalismo.. 170-171). convento por ele fundado em Squillace. com a funÁ„o que neste È prÛpria da Igreja e dos eclesi·sticos. portanto. com a obra do gÈnio e da m„o. um asilo de saber. destruido pela ferocidade dos invasores. O beneditinas tornaram-se. isto È. Um outro ponto a ser estudado È a importancia desempenhada pelo mosteiro na criaÁ„o do feudalismo. Quando se diz que Plat„o desejava uma "rep˙blica de filÛsofos". G. por isso. por isso. Nele. sobretudo de seus seguidores. nos Perfis de Formiggini.as casas e. de A. ciÍncia.Sem nada descobrir. negativqs e positivos. 343-344. nesta passagem de Salvatorelli existem todos ou quase todos os elementos fundamentais. atividade de certo modo "social". com uma bibliografia sobre o assunto. o que para ele era sinÙnimo de cultura romana. superior aos arbitrios dos magistrados (movimento que culmina no "constitucionalismo").permanente. de luta dentro de uma moldura legal que determine os limites do arbÌtrio individual. deve-se consultar o pequeno volume de Filippo Ermini.

responde ‡ pergunta: como se formaram os agrupamentos culturais-religiosos durante a queda do ImpÈrio Romano e o inÌcio da Idade MÈdia? Evidentemente. A partir do livro de Lanzoni. "a-sociais". encontrar-se no convento para praticar os ritos. n„o sÛ no que diz respeito ‡ origem dos centros de civilizaÁ„o medievais.) que determinavam um agrupamento de elementos laicos em tomo dos religiosos (esta origem "religiosa" de uma sÈrie de cidades medievais n„o È estudada por Pirenne. deve prevalecer o voto dos que se julgam mais s·bios e prudentes. Os monges no convento mudam de "trabalho": trabalho industrial (artesanal) e trabalho intelectual (que contÈm uma parte manual. desde as origens atÈ o principio do SÈculo VII (ano 604). portanto. que tendem ao "particular" e que s„o. como tambÈm. TambÈm s„o importantes lombarde. a qualquer momento. Para o regime interno do mosteiro. 38 . mas n„o t„o graves que possam justificar urna consulta a toda a congregaÁ„o. Tais investigaÁıes s„o interessantes. pelo respeito religioso. Studio e Testi n9 35. que se dedicavam aos oficios correspondentes ‡s finalidades da instituiÁ„o. Desenvolvimento pr·tico centros de cultura medieval. e È ligada n„o sÛ ‡ elaboraÁ„o interna que ocorre no trabalho dos monges. foi desenvolvido e interpretado um princÌpio da Regola. copistas. Barbadoro. pelo menos no pequeno livro que possuo. Assim.) Obra fundamental para o estudo da vida histÛrica local na It·lia desses sÈculos. artes„os. conseq¸entemente. foram-se distinguindo dos outros sacerdotes que continuavam a realizar os serviÁos da casa. Faenza. Uma importante sede episcopal n„o podia prescindir de certos serviÁos (defesa militar. este processo de agrupamento n„o pode ser separado da vida econÙmica e social e fornece indicaÁıes para a histÛria do nascimento das Comunas. Outro desenvolvimento È dado pelo sacerdÛcio: os monges servem como sacerdotes em territÛrio circunvizinho e sua especializaÁ„o aumenta: sacerdotes. a funÁ„o de copista). os monges sacerdotes. como avers„o ‡s atividades. "a-religiosas". oper·rios. F. em f arte de car·ter dedutivo. Cf. no que toca ‡ histÛria real do Cristianismo. O labora j· era submetido ao ors. para a origem das cidades mercantis. Lega. Ele reproduz e desenvolve o regime da "vila" romana patricia. A relaÁ„o entre colonos e convento È a relaÁ„o feudal. (Em apÈndice. ou seja. torna-se possÌvel reconstruir as questıes ais importantes de mÈtodo na crÌtica desta investigaÁ„o. com concessıes niveladoras. a fim de que os monges pudessem. Sobre a tradiÁ„o nacional italiana. intelectuais de conceito. a finalidade principal era evi- munir do conselho deles quando tiver que decidir sobre assuntos graves. XVI-1122.de Plat„o aos "artistas" deve ser entendida. os monges-camponeses s„o substituidos pelos colonos. 125 L. um Excursus sobre os sanCESCO LANZONI. bem como os estudos de Harnack sobre as origens crist„s. e outra È a polÌtica italiana do segundo Svevo: dono do Mezzogiorno da It·lia. As Dioceses da It·lia. 1927. ver na bibliografia de suas obras completas): a prÛpria escolha da sede episcopal È uma indicaÁ„o de valor histÛrico. dentemente o serviÁo divino. Origem dos FRAN - da Mosteiro e regime feudal.espirituais "individualistas". Estab. a respeito da segunda Liga lombarda e de sua exaltaÁ„o como "primeiro germe da independÍncia da estirpe. na eleiÁ„o do abade. naturalmente. O convento È a "corte" de um territÛrio feudal. da opress„o estrangeira que prepara os faustos do Renascimento". o artigo de B. tos africanos adorados na It·lia. onde se diz que. dizendo-se ainda que o abade se deve regra beneditina e do principio Ora et labora. pois subentende uma funÁ„o organizadora e centralizadora do local escolhido. bem como a bibliografia. 39 os estudos de Duchesne sobre o cristianismo primitivo (no que toca ‡ Italia: Les ÈvÍchÈs d'Italie et l'invasion e As sedes episcopais do antigo Ducado de Roma) e sobre as antigas dioceses da Galia. Mons. mais do que pelas armas. Gr·f. no Marzocco de 26 de setembro de 1926. notadamente Die Mission und Ausbreitung des Christentums. Barbadoro punha-se em guarda contra esta interpretaÁ„o e observava que "a prÛpria fisionomia histÛrica de Frederico lI È muito diferente da de Barbarruiva. defendido. Estudo critico. como ao crescimento da propriedade fundi·ria do mosteiro. abastecimento. p·gs. industriais. Deste modo. etc.

cuja histÛria h· sÈculos separara da histÛria do resto da peninsula, parecia em certo momento que a restauraÁ„o da autoridade imperial no centro e no norte conduzisse finalmente ‡ constituiÁ„o de uma forte monarquia nacional". No Marzocco de 16 de dezembro de 1928, Barbadoro — numa breve nota -- recorda esta sua afirmaÁ„o, a respeito de um amplo estudo de Michelangelo Schipa, publicado no Arquivo histÛrico para as provincias napolitanas, no qual o tema È amplamente demonstrado. Esta corrente de estudos È muito interessante, pois permite compreender a funÁ„o histÛrica das Comunas e da primeira burguesia italiana, que teve um papel desagregador da unidade existente, sem saber ou sem poder substitui-la por uma nova e prÛpria unidade: o problema da unidade territorial n„o foi nem sequer colocado ou suspeitado; este florescimento burguÍs n„o teve continuaÁ„o; foi interrompido pelas invasıes estrangeiras. O problema È muito interessante do ponto de vista do materialismo histÛrico e, ao que me parece, pode ser relacionado com o problema da funÁ„o internacional dos intelectuais italianos. Por que os n˙cleos burgueses formados na It·lia, que atingiram a completa autonomia polÌtica, n„o tiveram a mesma iniciativa dos estados absolutistas na conquista da AmÈrica e na abertura de novas frentes? Afirma-se que um dos elementos da decadÍncia das rep˙blicas italianas foi a invas„o turca, que ini terrompeu ou, pelo menos, desorganizou o comÈrcio com o Levante, e a modificaÁ„o do eixo histÛrico mundial, que passou do Mediterr‚neo para o Atl tico graÁas ‡ descoberta da America e ‡ circunavegaÁ„o da Africa. Mas por que CristÛv„o Colombo serviu ‡ Espanha e n„o a uma rep˙blica italiana? Por que os grandes navegadores italianos serviram a outros paises? A raz„o disso tudo deve ser buscada na prÛ-

polita. Enquanto isso, os grupos burgueses h„o italianos, muito facilmente, pois absorveram os prÛprios intelectuais italianos. Esta tradiÁ„o histÛrica explica, talvez, o car·ter mo-

atravÈs do Estado absolutista, alcanÁaram esta finalidade

narquista da burguesia italiana moderna e pode contribuir
para uma melhor compreens„o do Risorgimento.

Desenvolvimento do espirito burguÈs na It·lia. Cf. o artigo "No centen·rio da morte de Albertino Mussato", de Manlio Torquato Dazzi, na Nuova Antologia de 16 de julho de 1929. Segundo Dazzi, Mussato destaca-se da tradiÁ„o da histÛria teolÛgica para iniciar a histÛria moderna ou humanista, mais do que qualquer outro de sua Època (ver os tratados de histÛria da historiografia, de Croce, de Lisio, de Fueter, de Balzani, etc.); em Mussato, as paixıes e os motivos utilit·rios dos homens aparecem como motivos da histÛria. Para esta transformaÁ„o da concepÁ„o do mundo, contribuÌram as ferozes lutas das facÁÛes comunais e dos primeiros signorotti. O desenvolvimento pode ser acompanhado atÈ Maquiavel, GuicciardinI, L. B, Alberti.
Nora. Na parte de seu estudo sobre a "LÌrica do SÈculo

T

X VI" publicada na Critica de novembro de 1930, B. Croce escre-

ve do Galateo: "... Ele nada tem de acadÍmico e de pesado; È
7

Para o estudo da formaÁ„o e da difus„o do espÌrito burguÈs na It·FRANCO

pria It·lia, e n„o nos turcos ou na AmÈrica. A burguesia
desenvolveu-se melhor, nesse perÌodo, com os estados absolutistas, isto È, com um poder indireto, n„o tendo todo o poder. … este o problema, que deve ser relacionado com o dos intelectuais: os n˙cleos burgueses italianos, de car·ter comunal, tiveram condiÁıes de elaborar uma categoria prÛpria de intelectuais imediatos, mas n„o de assimilar as categorias tradicionais de intelectuais (notadamente o clero), as quais, pelo contr·rio, mantiveram e acresceram seu car·ter cosmo40

lia (trabalho tipo Groethuysen), cf. tambÈm os Sermıes de

SACHEM (ver o que Croce escreve a respeito deles, na CrÌtica de marÁo de 1931; "Boccaccio e Franco Sachettr). — Sobre L.B. Alberti, cf. o livro de PAm-HENat MnCn, U n idÈal humain au XV.e siËcle

649, Paris, Soc. Ed. Les Belles

La

pensÈe de L. B.

Alberti (1404-1472), in -8P , pip.

Lettre.,,

1930. An·lise detalhada do pensamento

de L.B. Alberti, mas — ao que parece ppoor algumas recensıes — nem

sempre ereta, etc. EdiÁ„o Utet do Nooe¸ino, cuidada por Letterio di Francia, que determinou ter sido o n˙cleo original da colet‚nea comtiva ao modo pelo qual se refletiu na literatura a passagem da econoraÁ„a catÛlica.

posto nos ˙ltimos anos do SÈculo XIII por um burguÈs guibellno. Ambos os livros deveriam ser analisados para a pesquisa j· referida, relamia medieval i economia burguesa das Comunas e, conseq¸entemente, ‡

queda — na It·lia — do espirito empresarial econÛmico e ‡ restau41

sÈrie de gentis advertencias sıbre o modo agrad·vel de se comportar em sociedade e um dos livros iniciadores que a It·lia do SÈculo XVI deu ao mundo moderno" (p·g. 410). E correto " dizer que se trata de um livro "iniciador" dado ao mundo moderno"? Quem È mais "iniciador" para o "mundo moderno", Casa e Castiglioni ou Leon Battista Alberti? Quem se ocupava das relaÁıes entre cortesıes ou quem dava conselhos para a edificaÁ„o do tipo do burguÍs na sociedade civil? Todavia, nesta investigaÁ„o, deve-se levar Casa em conta; È correto, por certo, n„o consider·-lo apenas "acadÍmico e pesado" (mas, neste juÌzo sobre "o mundo moderno", n„o est· implÌcito um afastamento, ao invÈs de uma relaÁ„o de iniciador, entre Casa e o mundo moderno?). Casa escreveu outras pequenas obras polÌticas, oraÁıes e, alÈm disso, um tratado em latim: De oficlis in ter potentiores et tenuiores amitos, "a respeito da relaÁ„o existente entre amigos poderosos e inferiores, entre os que — impelidos pela necessidade de viver e de crescer — passam a servir como cortes„os e os que empregam estes; relaÁ„o que ele julga, tal como È, de car·ter utilit·rio e n„o pretende converter em ligaÁ„o regulada por uma lei de justiÁa, mas que deve ser aceita — argumenta-se — por ambas as partes, tentando-se introduzir nela lume de bondade, mediante a explicaÁ„o, a uns e a outros, da realidade de suas respectivas posiÁıes e do tato que elas requerem".

uma

muito vulgares, que eram estimuladas pelos interesses Imediatos de sua arte (cf., para a Rep˙blica Florentina, o livro de Giuseppe Lensi sobre o Palazzo della Signoria, onde deveriam existir muitas anedotas sobre estas reuniıes de governo e sobre a vida dos senhores durante a clausura). A outra corrente tem seu coroamento em Maquiavel∞ e na colocaÁ„o do problema da Igreja como problema nacional negativo. A esta corrente pertence Dante, que È advers·rio da anarquia comunal e feudal, mas que busca para ela uma soluÁ„o semimedieval: de qualquer modo, coloca o problema da Igreja como problema internacional e salienta a necessidade de limitar-lhe o poder e a atividade. Esta correrte È guibelina em sentido lato. Dante È verdadeiramente uma transiÁ„o: existe uma afirmaÁ„o de laicismo, mas ainda com a linguagem medieval.∞
a

A Contra-Reforma sufoca o desenvolvimento intelectual. Parece-me que, neste desenvolvimento, poder-se-ia distinguir duas correntes principais. Uma tem seu coroamento liter·rio em Alberti: ela volta st atenÁ„o para o que È "particular",

para o burguÈs como inivÌduo que se desenvolve na sociedade civil e que n„o concebe sociedade polÌtica alÈm do „mbito de seu "particular"; liga-se ao guelfismo, que poderia ser chamado de sindicalismo teÛrico medieval. … federalista sem centro federal. Para as questıes intelectuais, confia na Igreja, que È o centro federal de fato, graÁas ‡ sua hegemonia intelectual e tambÈm polÌtica. Deve-se estudar a corstituiÁ„o real das Comunas, isto È, a atitude concreta que os
representantes assumiam em face do governo comunal: o poder durava pouquÌssimo (dois meses somente, no mais das vezes) e, durante este perÌodo, os membros do governo eram submetidos ‡ clausura, sem mulheres; tratava-se de pessoas
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de 1927, Um esquecido intÈrprete de Michelangelo" d(Emilio Ol ivier ): 'Tara ele ( Michelangelo), neo existia sen„o a arte. Papas, principes, rep˙blicas, eram a mesma coisa, contanto que lhe dessem meios de trabalhar; para o fazer, ter-se-ia entregue ao Grande Turco, como ameaÁou de certa feita; e nisto C ellin i se aproximava dele". E n„o apenas Cellini. E Leonardo? Mas por que isto ocorre? E por que tais caracteres existiam somente na It·lia? Este È o problema. Observar, na vida desses artistas, como se manifesta sua anacionalidade. E em Maquiavel, o nacionalismo era suficientemente forte p a ra superar o "amor ‡ arte pela arte"? Uma investigaÁ„o desta natureza seria muito interessante: o problema do Estado italiano ocupava Maquiavel sobretudo como "elemento nacional" ou como problema polÌtico interessante em si e p a ra s i, notadamente sendo dada a sua dificuldade e a g r a n d e h is tÛ 9r ia p a s s a d a d a I t·lia ? Foi publicada a colet„nea completa das Poesias provenÁais h is tÛ ricas relativas „ Italia (Roma, 1931, na sÈrie das Fontes do Instituto
abril
" PALA= a anuncia, no M arzocco de 7 de fevereiro de 1932. De cerca

"

de 2.600 poesias provenÁais que chegaram atÈ nÛs, 400 fazem parte da histÛria da It·lia, ou porque tratem de assuntos italianos, se bem que sejam de poetas que jamais estiveram na It·lia, ou ent„o porque escritas por italianos. Das 400, cerca de metade s„o puramente amorosas, as outras s„o histÛricas, e oferecem — umas mais, outras menos — testemunhos ˙teis para a reconstruÁ„o da vida e, em geral, da his"

zentas poesias de cerca de oitenta poetas eEsses trovadores, pr o venÁais ou italianos, viviam nas cortes feudais da It·lia setentrional, ‡ sombra das pequenas senhorias ou nas Comunas, participavam da vida e das lutas locais, defendiam os interesses deste ou daquele Senhor,
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Humanismo e Renascimento. Cf. Luigi Aa.EZio, "Renascimento, Humanismo e espirito moderno", in Nuova Antologia de 19 de julho de 1930. Arezio ocupa-se com o livro

de G. Toffanin, Que foi o Humanismo (Sansoni, FlorenÁa, 1929), que revela ser, pelas referÍncias feitas, muito interessante para o assunto que me ocupa. Farei referÍncia a alguns motivos. (Voigt e Burckhardt acredrtaram que o Humanismo era dirigido contra a Igreja; Pastor — ser· necess·rio ler seu livro sobre a HistÛria dos Papas, que se refere ao Humanismo — n„o crÈ que o Humanismo fosse inicialmente dirigido contra a Igreja.) Para Toffanin, o principio da irreligiosidade ou da nova religi„o n„o È a chave-mestra para
penetrar no segredo dos humanistas; nem tem sentido falar do individualismo deles, j· que "os presumÌveis efeitos da revalorizaÁ„o da personalidade humana" por obra de uma cultura seriam muito mais surpreendentes numa Època que ficou famosa, por sua vez, por ter "aumentado a dist‚ncia entre o resto dos homens e os homens de gabinete". O fato verdadeiramente caracterÌstico do Humanismo "È a paix„o pelo mundo antigo, atravÈs da qual — quase de improviso — tenta-se suplantar uma lÌngua popular e consagrada pelo gÈnio mediante uma lingua morta, inventa-se (podemos dizer assim) a ciÍncia filolÛgica, renova-se gosto e cultura. O mundo pag„o renasce". Toffanin sustenta que n„o È necess·rio confundir o Humanismo com o progressivo despertar ocorrido depois do SÈculo XI; o Humanismo È um fato essencialmente italiano, "independente destes press·gios falazes", e a ele chegaram — para se fazerem cl·ssicos e cul-

XIII, que se manifesta numa irrupÁ„o de sentimentos e pensamentos refinadÌssimos, em formas plebÈias, e ""inicialmente herÈtico foi o impulso ao individualismo, ainda que — entre o povo — tenha se tomado consciÍncia da heresia menos do que, ‡ primeira vista, se possa crer". A literatura vulgar que irrompe do seio da civilizaÁ„o comunal e independentemente do classicismo È Ìndice de uma sociedade "na qual a levedura herÈtica fermentou"; levedura que, se debilitava nas massas o respeito ‡s autoridades eclesi·sticas, tornava-se em pouco um aft jamento aberto das romanitas, caracterÌstico
tes desta descontinuidade histÛrica; pretendem ser cultos sem

do periodo que decorre entre a Idade MÈdia propriamente dita e o Humanismo. Alguns intelectuais parecem conscienter lido VirgÌlio, isto È, sem os estudos liberais, cujo abandono geral justificaria, segundo Boccaccio, o uso do vulgar, ao invÈs do latim, na Divina ComÈdia. Guido Cavalcanti È o maior destes intelectuais. Em Dante, ""o amor pela lingua plebÈia, alimentado por um estudo de espirito comunal e virtualmente herÈtico", devia contrastar com um conceito de sabedoria quase humanista. "Caracteriza os humanistas a consciÍncia de uma separaÁ„o irremedi·vel entre homem de cul-

paraÁ„o entre cultura e povo iniciada com o retorno do latim, considerando-a como sadia reaÁ„o a toda indisciplina mÌstica. O Humanismo, de Dante a antes de Maquiavel, È uma Època

tura e massa; ideais abstratos s„o, para eles, os do poderio imperial e papal; real, pelo contr·rio, È sua fÈ na universalidade cultural e nas razıes dela". A Igreja •favoreceu a se-

tos -- a FranÁa e o resto do mundo. Num certo sentido,

pode se chamar de herÈtica a civilizaÁ„o comunal do SÈculo
desta ou daquela Comuna, com poesia de v·rias formas, das quais È rica a lÌrica provenÁal: poesias polÌticas, morais, satÌricas, de cruzada,
de lamentaÁ„o, de conselho; canÁıes, disputas, etc., as quais — apare-

cendo de vez em quando e circulando noa ambientes interessados —

preenchiam a funÁ„o hoje desempenhada pelo artigo de fundo dos jornais. De Bartholomaeis procurou datar essas poesias, o que n„o È dificil por causa das alusıes que contÍm; ele as libertou de todos os sub-

sidios que dificultavam a leitura, e as traduziu. E dada, de cada trovador, uma breve informaÁ„o biogr·fica. Para a leitura do texto original, È fornecido um gloss·rio das palavras mais dificeis de entender. Sabre a poesia provenÁal na It·lia, deve-se cf. o volume de moro searoxr,—Trovadores da It·lia.

que se mantÈm nitidamente para si; e, ao contr·rio do que muitos pensam, possui uma afinidade n„o-superficial com a Escol·stica por causa do impulso comum antidemocr·tico e anti-herÈtico. Deste modo, Toffanin nega que o Humanismo desemboque vivo na Reforma, j· que esta — com sua separaÁ„o da romanidade, com a nova vitÛria rebelde dos idiomas vulgares e com muitas outras coisas renova as orientaÁıes da cultura comunal, vigorosa heresia, contra a qual surgira o Humanismo. Com o fim do Humanismo, nasce a heresia; e est„o fora do Humanismo: Maquiavel, Erasmo (I), Lutero, Giordano Bruno, Descartes, Jansenio. Estas teses de Toffanin coincidem freq¸entemente com as notas que j· redigi em outros cadernos. Mas Toffanin se
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e negativamente. obrigando a qu-vs intelectuais que n„o queriam se submeter ‡ disciplina da Contra-Reforma emigrassem. sucessivamente. n„o nos locais em que foi sufocado sem que restasse outro resÌduo alÈm do retÛrico e verbal e onde se tomou. se bem que ele reconheÁa que. de Giordano Bruno. de GmoLAMO VrrELLr. Os processos de Galileu. Como se explica o fato de que o Renascimento italiano tenha encontrado estudiosos e divulgadores bastante numerosos no exterior e que n„o exista um livro de conjunto escrito por um italiano? Ao que me parece. ele n„o teve resson‚ncia na consciÍncia nacional. Cosmopolitismo liter·rio italiano no SÈculo XVIII. era Contra-Reforma em relaÁ„o ao periodo comunal). Trecho do artigo "Nicolino e Algarotti". e a efic·cia da Contra-Reforma em impedir o desenvolvimento cientifico na It·lia. A Contra-Reforma influiu? etc. pelo que È ele acusado de ter empobrecido a It·lia em beneficio de 47 . ao que me parece. a indicaÁ„o nas RecordaÁıes de um velho i1 segunda metade do SÈculo XIX). Sysmonds. holandeses. Por que esta ausÍncia dos italianos? Vitelli n„o a explica sen„o com o "mercantilismo". O Renascimento È vivo nas consciÍncias nos locais em que criou novas correntes de cultura e de vida. Os humanistas se opunham ‡ ruptura do universalismo medieval e feudal que estava implÌcita nas Comunas e que foi sufocada. na Nuova Antologia de 19 de abril de 1930: a filologia cl·ssica na It·lia. durante trÍs sÈculos (atÈ nor- estudos coube. no Marzocco de 29 de maio de 1932: "Uma valorizaÁ„o' equ‚- nime dos escritos de arte de Algarotti È freq¸entemente obstaculizada. ingleses. A verdade È que se tratou do primeiro fenÛmeno "clerical" no sentido moderno. Nora. nos locais em que operou em profundidade. Burckhardt. de curiosidade exterior. pois devia entrar tendencialmente em luta com o papado e tornar-se independente dele. De Nolhac. mas elas s„o tolices perficialidades. etc. n„o lhe agrada que Toffanin considere todo o Humanismo como sendo fiel ao cristianismo. foi completamente negligenciada: "Quando se conhecer melhor a histÛria destes nossos estudos.mantÈm sempre no campo cultural-liter·rio e n„o relaciona o Humanismo com os fatos econÛmicos e politicos que se desenvolviam na It·lia no mesmo perÌodo: passagem aos principados e '‡s senhorias. isto È. objeto de "mera erudiÁ„o". perda da iniciativa burguesa e transformaÁ„o dos burgueses em propriet·rios territoriais. A Contra-Reforma e a ciÍncia. os Etiennes eram huguenotes) mantenham o estudo do mundo antigo em destaque. de Carlo Calcaterra. A Igreja teria contribuÌdo para a desnacionalizaÁ„o dos intelectuais italianos de duas maneiras: positivamente. com tendÍncias mais ou menos di- Renascimento. mas quem mais mercantilista do que os holandeses e' os ingleses? E curioso que precisamente as naÁıes protestantes (e na FranÁa. enquanto organismo universal que preparava pessoal para todo o mundo catÛlico. Assim. . Arezio e subusca fazer objeÁıes a Toffanin. C). alem„es". È algo que Arezio n„o pode aceitar. por isso. que foi e continua a ser dominada pela Contra-Reforma. O Humanismo foi um evento reacion·rio na cultura porque toda a sociedade italiana estava se tornando reacion·ria.. Desenvolvimento da ciÍncia nos paÌses protestantes e onde a Igreja era menos imediatamente forte do que na It·lia. com a ˙ltima grande escola de Pier Vettori). 46 versas. Mas a Comuna era uma heresia em si mesma. etc. a hegemonia de tais malista". Que a Època comunal seja todo um fermento de heresias. apÛs os italianos do SÈculo XV (e mesmo atÈ o fim do SÈculo XVI. Jebb. saber-se-· tambÈm que do Renascimento em diante. j· que considera heresias t„o-somente o averroÌsmo e o epicurismo. pela consideraÁ„o de que ele foi o conselheiro e o provedor de Augusto III da SaxÛnia nas aquisiÁıes para a galeria de Dresden. Arezio segue as velhas concepÁıes sobre o Humanismo e repete as afirmaÁıes que se tornaram cl·ssicas de Voigt. no espÌrito de muitos. o Renascimento È a fase culminante moderna da "funÁ„o internacional dos intelectuais italianos". uma Contra-Reforma por antecipaÁ„o (alÈm disso. Seria necess·rio observar a organizaÁ„o desses estudos nessas naÁıes e comparar com os centros de estudo na It·lia. ostentavam religiosidade. portanto. Rossi. aos franceses. inclusive os cÈticos.

outros paÌses. enquanto beleza pertencente a toda a Europa. È este o traÁo mais caracterÌstico. FormaÁ„o e difus„o da nova burguesia na It·lia. No desenvolvimento de uma classe nacional. Por que. positivamente. por certo. nacionaliza seu pessoal dirigente e este vÍ cada vez mais o aspecto nacional da funÁ„o histÛrica da It·lia coma sede do papado. a necessidades internas de defesa e de desenvolvimento da Igreja e da sua independÍncia diante das grandes monarquias europÈias. suas Foi a partir dai que se desenvolveram as correntes neoguelfas do Risorgimento. uais. isto È. isto È. Ele se deveu. etc. atravÈs das diversas fases (a do sanfedismo italiano. Poderse-ia fazer uma pesquisa "molecular" nos escritos italianos da Idade MÈdia para captar o processo de formaÁ„o intelectual da burguesia. interessa n„o somente ‡ rubrica dos intelectuais. com o regalismo e o jurisdicionalismo (donde a import‚ncia de Giannone). o pessoal de seu aparelho organizativo. A Igreja se nacionaliza na It·lia sob formas bem diversas das ocorridas na FranÁa com o galicanismo. pois deve ao mesmo tempo permanecer universal: enquanto isso. como tambÈm ‡quela do Risorgimento e ‡quela das origens da AÁ„o CatÛlica "italiana". Mas cada movimento da relaÁıes exatas com as classes dirigentes e com o Estado. da classe dominante (liberdade de ensino -organizaÁıes juvenis — organizaÁıes femininas -. intelectual. n„o proposto. Esta nota.cortes estrangeiras. religioso. num certo ponto.. filosÛfico: ali·s. Na It·lia. ‡ diferenÁa dos outros paises. Esta luta teve car·ter diverso nos diversos perÌodos histÛricos. Clero e intelectuais. por isso. cada vez mais. por exemplo) mais ou menos atrasadas e primitivas. a It·lia È concebida como complementar de todos os do que aquele que pode lhe ser facilmente atribuido". que — no cosmopolitismo do SÈculo XVIII — a obra de difus„o da arte italiana. como produtora de beleza e de cultura para toda a Europa. suas condiÁıes e funÁıes econÛmicas. Mas foi dito justamente. que È exata. tambÈm È certo — negativamente — que as necessidades de de48 "tese" leva ao movimento da "antÌtese" e. mas sua import‚ncia nos reflexos italianos n„o È diminuida por isso. Portanto. cujo desenvolvimento histÛrico culminar· nas Comunas. ao lado do processo de sua formaÁ„o no terreno econımico. tem um aspecto menos odioso observaÁ„o do cosmopolitismo do SÈculo XVIII. bem como a buscar. Existe algum estudo org‚nico sobre a histÛria do clero como classe-casta? Ele seria indispens·vel. a maioria dos cardeais foi composta por italianos e os papas foram sempre escolhidos entre italianos? Este fato possui certa import‚ncia no que toca ao desenvolvimento intelectual-nacional italiano e alguÈm poderia ver nisso a origem do Risorgimento. pode-se dizer que o Risorgimento comeÁa com o inÌcio das lutas entre Estado e Igreja. ela È luta pela hegemonia na educaÁ„o popular. como preparaÁ„o e condiÁ„o para todo o restante estudo sobre a funÁ„o da religi„o no desenvolvimento histÛrico e intelectual da humanidade. para sofrer posteriormente uma desagregaÁ„o e uma dissoluÁ„o. pelo menos. portanto. nos italianos. deve-se dizer que n„o existe desenvolvimento no terreno econÛmico sem estes outros desenvolvimentos paralelos. ‡s diretivas do Estado. parece-me. luta para subordinar o clero. a "sÌnteses" parciais e provisÛrias. como tÌpica categoria de finte. deve-se levar em conta o desenvolvimento paralelo nos terrenos ideolÛgico. a Igreja se nacionaliza de uma maneira "italiana". etc.organizaÁıes profissionais). È Iuta en- tre duas categorias de intelectuais. o cosmopolitismo dos È aprofundada e especificada: intelectuais italianos È exatamente similar ao cosmopolitismo dos outros intelectuais nacionais? Este È o problema: para os italianos. A fesa da sua independÍncia levaram a Igreja a buscar na It·lia. O movimento de nacionalizaÁ„o da Igreja na It·lia È imposto. Na fase moderna. isto È. a base da sua supremacia. por Panzochi e por outros estudiosos. o cosmopolitismo est· em funÁ„o de uma 'posiÁ„o particular que È atribuida ‡ It·lia. com a reivindicaÁ„o de um poder governamental puramente laico e. A precisa situaÁ„o jurÌdica e de fato da Igreja e do clero nos v·rios pedodos e paises. A mesma pesquisa poderia ser feita 49 . portanto. jurÌdico. ao qual todos os outros se subordinam. Se.

na CrÌtica Fascista de 15 de dezembro de 1931) . Representantes desta tendÍncia s„o os moderados.] (Nota da EdiÁ„o Italiana). refleNo Risorgimento. Sua funÁ„o ao lado de Foscolo. tanto os neoguelfos (neles — em Gioberti — revela-se o car·ter universalista-papal dos intelectuais italianos. N. desconhecem a aud·cia dos navegadores. em sua Època. L'…glise et la Bourgeoisie) poderia servir. fez declaraÁıes muito explÌcitas na carta ao amigo Fauriel. FRANELLI. 1967 — T. TambÈm aqui o mo- delo de GROETHUYSEN in- France: I. Cartas a Fauriel. que È colocado como premistas-pr·ticos. existem trechos em que Manzoni lamenta a unilateralidade dos poetas que desprezam a "sede de ouro" dos comerciantes.na corrente moderada -. Quanto aos poetas. SoluÁ„o formal n„o sÛ do maior problema polÌtico-social. atualmente. manos. Livro de Anzilotti sobre Gioberti. "Manzoni e a idÈia do escritor". Import‚ncia de Gioberti na formaÁ„o do car·ter nacional moderno dos intelectuais italianos. o universalismo maz- missa do fato nacional) quanto os cavourianos (ou econo- da vida contra a qual deve combater o espÌrito burguÍs na It·lia n„o s„o similares ‡s que existiam na FranÁa. As concepÁıes do mundo. objetivamente. Franelli observa: "Ele ( Manzoni) pıe os trabalhos de histÛria e de economia polÌtica acima de uma literatura predominantemente (?1) ligeira. como um fermento de sectarismo ideolÛgico e. mas ‡ cultura da humanidade?" (cf. ocorreu o ˙ltimo o moderno. como "classicidade nacional". os Sepulcros. Sobre a qualidade da cultura italiana de ent„o. A diferenÁa entre o fenımeno italiano e o de outros paÌses consiste. enquanto falam de si como se fossem seres sobre-hu- Gioberti. esta retÛrica tinha uma efic·cia pr·tica atual e. n„o ter ela re50 Estado S. sua tradicional megalomania lhe ofende. sobre a polÌtica e sobre zavam no passado. Foscolo È o exaltador das glÛrias liter·rias e artÌsticas do passado (cf. publicada pela Editora CivilizaÁ„o Brasileira. etc. do 51 . Em Manzoni. Einaudi. 195. de Luis M·rio Gazraneo. pelo contr·rio.1 [H· traduÁ„o brasileira. em certo sentido. conseq¸entemente.er. determinando seu fracasso politico. para as finalidades deste estudo. Mas as marcas do universalismo medieval existem tambÈm em Mazzini. observaÁıes sobre a soluÁ„o formal dada por Gioberti ao problema nacionalpopular como conciliaÁ„o de conservaÁ„o e inovaÁ„o. a sua concepÁ„o È essencialmente "retÛrica" (ain- ziniano no Partido da AÁ„o n„ foi superado praticamente por nenhuma formaÁ„o polÌtica o‡nica." E necess·rio rever. repetidamente. quando ocorre uma nova formaÁ„o burguesa. escreve: "Imagine o que implicaria em perda maior para o mundo: ficar sem banqueiros ou sem poetas. os escritos contra os jesuÌtas (os Prolegomeni e o Gesuita moderno). portanto. Manzoni exalta o comÈrcio e rebaixa a poesia (a retÛrica). mais estrita- mente burguesas (tecnicamente burguesas) . Observa que.o cavourianismo. Numa nota anterior. os Discursos civis. ( Origines de ('esprit bourgeois en solvido a quest„o agr·ria È a prova deste fato. se ao neoguelfismo sucedeu -. no seguinte: ro Gramsci refere-se a urna nota contida em outro caderno e inserida no volume Notas sobre Maquiavel. isto È. xo da "tendÍncia histÛrica" da burguesia italiana no sentido de se manter nos limites do "corporativismo". qual destas duas profissıes serve mais. encontramos novas tendÍncias. Nas Obras inÈditas. do Estado. Efic·cia alcanÁada pelo movimento oper·rio socialista na criaÁ„o de importantes setores da classe dominante. como tambÈm dos problemas derivados. e isto porque. as maiores publicaÁıes polÍmicas de Gioberti: o Primato e o Rinnovamento. Risorgimento. perdem todo aquele grande crÈdito que go- CARLO como o de uma literatura nacional-popular. mas ao modo do homem de Guicciardini. era "realista"). que culmina no Risorgimento. Recorda. da que se deva observar que. voltados somente para oseu "particular": daÌ o car·ter da monarquia italiana) .no periodo 1750-1850. Omovimento socialista. que gostou da poesia quando era 'jovem"'. n„o digo ao bem-estar. podem fornecer os-tipos italianos. de dissoluÁ„o. permanecendo. tegrado naturalmente pelos motivos que s„o peculiares ‡ histÛria social italiana. Numa carta a Fauriel.). Foscolo e Manzoni.

ideologia. n„o lhes deixa "horizontes abertos".). elaborou ent„o renÁas de temperamento e vivacidade acima recordadas. entre as classes altas critic·-la e o povo: na luta das geraÁıes. e super·-la (n„o de um modo conceitual e abstrato. ao que me parece. enquanto nos outros paises o movimento oper·rio e socialista elaborou personalidades polÌticas singulares que pasisto saram para a outra classe. Este transformismo esclarece o dirigir estes jovens.. ocorreram fenÙmenos que an·logos. deve ser buscada suas nisto: na escassa aderÍncia. liga-se como A burguesia n„o consegue educar os seus jovens (luta de ge. ReferÍncia ‡quela cor- A quest„o dos jovens. A luta. n„o se revela abertamente a interferÍncia de classe. mas. debiraÁ„o): os jovens deixam-se atrair culturalmente pelos ope. L o caso dos socialismos nacionais dos paÌses eslavos (ou social-revolucion·rios. Os "jovens" em estado de rebeli„o permanente. e chegam mesmo a se tornar -. 2) Quando o fenÛmeno assume um car·ter dito "nacional". etc. È. Existem muitas "questıes" dos jovens. etc. tais jovens retornam ‡ sua tÛrico e real). de sensualismo. de mis- r·rios. mas povo. A velha contÈm e n„o consegue satisfazer as novas exigÍncias: o histÛricas — retornam ‡s origens. na It·lia. A causa.que. j· que persistem as causas profundas. nas crises de mudanÁa. e a forÁa de classe. O transforas condiÁıes para que os "velhos" de uma outra classe devam mismo "cl·ssico" foi o fenımeno pelo qual se unificaram os razıes partidos do Risorgimento. Duas delas me parecem particularmente importan- .ou buscam fazÍ-lo -degeneresseus lÌderes (desejo "inconsciente" de realizarem a hegemoestrutura n„o nia de sua prÛpria classe sobre o povo). pelo contr·rio. esta situaÁ„o leva aos "quadros fechados" de car·ter feudal-militar. de cÍncias patolÛgicas psÌquicas e fÌsicas. Ademais. que realizaram esta passagem est„o como grupos. ou narodniki. classe (foi o que ocorreu com os sindicalistas-nacionalistas e moi le dÈluge. de indiferenÁa moral. n„o conseguem educar os jovens e prepar·los com os fascistas) .nas crises de- ticismo. que nos paises onde a situaÁ„o È an·loga.uma gangrena dissolutora ‡ estrutura da velha classe. Este fenımeno de "grusemprego permanente e semipermanente dos chamados inpos" n„o ter· ocorrido.litando-a e apodrecendo-a: assume formas mÛrbidas. grupos intelectuais inteiros. apenas na It·lia: tambÈm telectuais È um dos fenÙmenos tÌpicos desta insuficiÍncia. por certo. mas -. No fundo. trata-se do mesmo fenımeno para a sucess„o. sem que eles possam analisa-la. na medida em resolver. expressıes normais exteriores s„o sufocadas. assume car·ter agudo nos mais jovens. agudiza ela mesma os problemas que n„o pode Sobre o protestantismo na It·lia. isto È. Por quÍ? Isto significa que existem todas geral do transformismo em condiÁıes diversas. os "velhos" dominam de fato. os jovens se aproximam do hisaprËs a quest„o se complica e se torna caÛtica. da qual as contraste entre civilizaÁ„o.. sem que possa fazÍ-lo graÁas a extrÌnsecas de press„o polÌtico-miiAr. na It·lia.

haver· conflito. A traduÁ„o 53 . a ser traduzido por Missiroli e publicado por Laterza.1) A geraÁ„o "antiga" realiza sempre a educaÁ„o dos "jovens". corrente representada particularmente por Missiroli. n„o sÛ econÙmico como tambÈm politico-moral) se rebelam e tes: in- rente intelectual contempor·nea que defende o principio de que as fraquezas da naÁ„o e do Estado italiano se deveriam ‡ ausÍncia de uma reforma protestante. adaptada ‡ FranÁa e mais complexa. Germanismo e his"jovens" que deixam de ser dirigidos pelos "velhos" de uma toricismo de Ernest Renan. inerentes a toda obra educativa e de refreamento. Missiroli. de qualquer modo. Na Critica de 1931.telectual e moral) . toma esta sua tese de emprÈstimo a Sorel. a menos que estejam em jogo interferÍncias de classe. escrito ( datado) em maio de . trata-se de foi publicado um ensaio inÈdito de Sorel. que se tornou historica. os "jovens" (ou uma pequena parcela deles) da classe dirigente (entendida no mais amplo sentido. em seu livro A reforma passam para a classe progressista. neste caso. mente capaz de tomar o poder: mas. ao que parece. permanece a subordinaÁ„o real dos "jovens" aos "velhos" como geraÁ„o. em diversas partes. que a havia tomado de Renan (pois Renan havia defendido uma tese similar. mas se trata de fenÙmenos superficiais. classe para serem dirigidos pelos "velhos" de uma outra classe. isto È. n„o obstante as dife52 1915 e que deveria servir como introduÁ„o ‡ vers„o italiana do livro de Renan A reforma intelectual e moral. discÛrdia.

342-344. que Missiroli conhecesse tambÈm as idÈias de Masaryk sobre a cultura russa (ele conhecia. segundo 1899). seja como evas„o do campo confessional no sentido de uma concepÁ„o moderna do mundo.) Ao contr·rio. como diz ele). em sua obra. · mais diletante e desprezÌvel pela pessoa de seu RÈvolu11 A corrente Missiroli È a menos sÈria de todas. tomo V. Die pphilosophischen und soziologischen gen des Marxismus — Studien zur sozialen Frage. isto È. em 1918. no povo francÈs. por exemplo serviram-se do espantalho protestante para pressionar o Papa a respeito do poder temporal e de Roma. que È um papelcarbono de alguns elementos culturais franceses. As crÌticas feitas a Masaryk nesse ensaio aproximam-se. No ensaio de Sorel. MASABYX. com a linguagem e o simbolismo religiosos. publicado na Rivista italiana de sociologia (fasc. com o pref·cio de Sorel. por um lado. que Renan havia conhecido esta posiÁ„o de Proudhon e havia sido por ela influenciado: as teses de Proudhon est„o contidas na obra La Justice dans la tion et dans "laicas" da RevoluÁ„o. deve-se distinguir cronologicamente entre v·rias Èpocas: a do Risorgimento (com o liberalismo laico. entre duas ordens fundamentais de fatos: 1) a real. e por mim traduzido precisamente no Grido (este ensaio era conhecido tambÈm por Gobetti) . n„o obstante suas bizarrias. deve-se confirmar. pelo menos. efetiva. por outro). que se aproxima da de Renan no que diz respeito ao povo. numa an·lise do problema religioso na deve-se distinguir: em primeiro lugar. foi publicado pelo Kampf de Viena. concretizado e garantido as verdades Deste modo. o ensaio de Antınio Labriola sobre Masaryk:" mas Labriola refere-se a esta tese "religiosa"? creio que n„o) e. com o 55 que antes era unido colocado filosofia. Sorel sustenta. a que vai de 1870 a 1900. A posiÁ„o de Sorel È tambÈm estranha nesta quest„o: sua admiraÁ„o por Renan e pelos alem„es faz com que veja os problemas como puro intelectual abstrato. teria aparecido como um ato de germanofilia.os da Perseveranza. Laterza. que ele quereria ver "reproduzida" na FranÁa. mas n„o sabe encontrar outro meio did·tico alÈm da mediaÁ„o do clero. G. quando muitos liberais -. de acordo com a qual se verificam nas massas populares movimentos de reforma intelectual e moral. foi como apÍndice ‡ terceira ediÁ„o do volume: Sabre socialismo e 1939 (Nota da EdiÁ„o Italiana). metodologicamente. N„o est· excluÌdo. seja como . o fato de que a posiÁ„o de Missiroli sobre a quest„o do "protestantismo na It·lia" È uma deduÁ„o mec‚nica das idÈias crÌticas de Renan e de Sorel sobre a formaÁ„o e as necessidades da cultura francesa. oportunista. [0 ensaio de AntÙnio Labriola. a respeito de reforma intelectual e moral do povo francÈs (Renan. o modelo È o protestante. em 1914. III. a mais corifeu. p·gs. estar convencido de que È necess·ria uma reforma intelectual em sentido laico ("filosÛfico". e o catolicismo liberal. It·lia l'…glise. mas com maior respeito histÛrico pela tradiÁ„o histÛrica fran gi a que est· contida na RevoluÁ„o.] . o titulo da ediÁ„o alem„ conhecido por Labriola. ao que parece. das que Croce fizera aos defensores de "reformas protestantes" e È estranho que isto n„o tenha sido visto por Gobetti (sobre o qual. De qualquer modo. atravÈs do Grido del Popolo. certamente. como È demonstrado pelas suas simpatias polÌtico-pr·ticas. TambÈm para Proudhon.de Missiroli n„o foi publicada e se compreende porquÍ: em maio de 1915. ao contr·rio de Missiroli. 54 Bari. ademais. tomou conhecimento do ensaio sobre Masaryk. Este problema do protestantismo n„o deve ser confundido com o problema "polÌtico" que se apresentou na Època do Risorgimento. a reforma intelectual e moral ocorrida na Alemanha com o protestantismo. Proudhon È mais concreto do que parece: ele aparenta. dever-se-ia desancar Missiroli. dever-se-ia alcanÁar uma reforma intelectual e moral do povo francÍs com a ajuda do clero. V iena. 2) as diversas atitudes dos grupos intelectuais diante de uma necess·ria reforma intelectual e moral. no qual havia referÍncia ‡ tese religiosa e que. Grundla- TH. para cada uma destas ordens de fatos. Assim. passagem do catolicismo ortodoxo e jesuÌtico a formas religiosas mais liberais. È impossÌvel dizer que n„o compreendesse este problema de uma maneira concreta. porÈm. que teria. ali·s. segundo elas. a It·lia intervÈm na guerra e o livro de Renan. No fundo. ‡ ConcepÁ„o materialista da histÛria. aparece tambÈm uma estranha tese defendida por Proudhon. interessa-se pelas altas classes de cultura e tem para o povo um programa particular: confiar sua educaÁ„o aos p·rocos rurais).

A . a que vai atÈ a concordata. ao ceticismo elegante. uma nova colocaÁ„o do problem a. pois n„o consegue controlar estas transformaÁıes moleculares: ao lado de uma nova forma de anticlericalismo. A filosofia e a ciÍncia destacaram-se e os 56 Os intelectuais e o Estado hegeliano. mais refinada e profunda do que a do SÈculo XIX. a concepÁ„o que Hegel deve destruir (polÈmicas irÛnicas e sarc·sticas contra von Haller). a que vai de 1900 atÈ a guerra. raizes heresia. mas em toda concepÁ„o da vida cultural e espiritual. que deve ser cuidadosamente estudada.positivismo e anticlericalismo maÁÛnico e democr·tico. quanto para o povo. ineg·vel. n„o obstante o maior poder da organizaÁ„o catÛlica e o despertar de religiosidade nesta ˙ltima fase. As correntes filosÛficas idealistas ( Croce e Gentile) determinaram um primeiro processo de isolamento dos cientistas (ciÍncias naturais ou exatas) do mundo da cultura. existe um maior interesse pelas coisas religiosas por parte dos laicos. Com Hegel. com a organizaÁ„o po- e a pÛs-concordata. e que a hierarquia eclesi·stica est· alarmada com isso. teve imensa import‚ncia a posiÁ„o assinalada por Hegel para os intelectuais. mas segundo o "Estado". portanto. de imediato. Sem esta "valorizaÁ„o" dos intelectuais feita por Hegel n„o se compreende nada (historicamente) do idealismo moderno e de suas sociais. Troppa grazia! para os jesuÌtas. que muitas coisas est„o mudando no catolicismo. com o modernismo e o filosofismo idealista. que levam para a an·lise um espÌrito n„o educado pelo rigor hermenÈutica dos jesuitas e. ao contr·rio. comeÁa-se a n„o mais pensar segundo as castas ou os "estados". ao modernismo. tendente com freq¸Íncia · concepÁ„o "patrimonial" do Estado (que È o modo de pensar por "castas") È. Na concepÁ„o n„o apenas da ciÍncia polÌtica. A ciÍncia e a cultura. n„o se interessassem por religi„o sen„o para acompanhar o culto. tanto para os intelectuais lÌtica com dos catÛlicos italianos. cuja "aristocracia" s„o precisamente os intelectuais. que prefeririam que os laicos.

com poucos meios. Afirmou-se que se Centralismo nacional e associaÁıes regionais ocorrido 12 burocr·tico. ao que parece. que n„o pode se desenvolver isolada do mundo da cultura geral. (Deve-se investigar a atividade organizadora do Conselho Nacional de Pesquisas e a efic·cia que teve no sentido de desenvolver a atividade cientÌfica e tecnolÛgica. Mas È evidente que se trata de construÁıes exteriores extrÌnsecas. est· Cf. que ameaÁa absorver muito da atividade cientÌfica. os cientistas "laicos" tem contra si a religi„o e a filosofia mais difundida: n„o pode deixar de ocorrer sua perda de capacidade e uma "desnutriÁ„o" da atividade cientÌfica. da teoria. como reaÁ„o ao idealismo gentileano. O perigo maior. estreitamente ligada ao orÁamento do Estado. · atrofia de um desenvolvimento do "pensamento" cientifico. mas sem efic·cia pr·tica. n„o pode ocorrer como compensaÁ„o nem sequer um desenvolvimento da "tÈcnica" instrumental e experimental. do pensamento geral.cientistas perderam muito de seu prestigio. È representado pelo grupo neo-escol·stico. Esta desagregaÁ„o da unidade cientÌfica. a recens„o publicada na Educazione Fa:elate de 1932 e o artigo de Sebastiano Timpanaro na Italia Letteraria de 11 de setembro e 16 de outubro de 1932). boas para congressos e celebraÁıes oratÛrias. de um "nacionalismo" cientÌfico. Um o˙tro processo de isolamento ocorreu graÁas ao novo prestÌgio dado ao catolicismo e · formaÁ„o do centro neo-escol·stico. Assim. o volume publicado por Bargagli Petrucci de (na editora cientistas italia- 57 . entretanto. no qual s„o recolhidos os discursa nos na ExposiÁ„o de histÛria das ciÍncias de 1929. deve-se cf. isto È. Ver quais as reaÁıes que isto suscitou na Època. indicador da autoconfianÁa assumida por eases fradecos (sobre esse discurso. que n„o È dos maiores. Nesse volume. que requer facilid e& de meios e de dotaÁıes. È sentida: buscou-se remedi·-la pela elaboraÁ„o. em agosto Gino incluido um discurso do Padre Gemelli que È um sinal dos tempos. na It·lia. defendendo a tese da "nacionalidade" da ciÍncia. s„o valorosos e realizam. Le Monnier). tambÈm neste campo. Mais ainda: dado que a atividade cientÌfica È. sacrifÌcios inauditos e obtÈm resultados admir·veis. esterilizando-a. Os cientistas italianos. bem como a das seÁıes cientÌficas da Academia da It·lia)? s O fechamento das de 1932.

n„o ocorreu o mesmo processo nacional. a burocracia centralizada tinha a finalidade. a tardia obtenÁ„o da unidade nacional e estatal (semelhanÁa extrÌnseca porq'NAo regionalismo italiano teve origens diversas da do alem„o. A diferenÁa parece ser evidente: na FranÁa. hoje.A universidade popular -. algumas semelhanÁas extrÌnsecas interessantes: 1) A tradiÁ„o localista e. O alem„o sente mais a raÁa do que o italiano. partid·ria. com Napole„o.).os mÈdicos. mas todas de car·ter liter·rio e abstrato. Seria interessante observar quais as forÁas unit·rias que se formaram. pouco sentido fora da literatura. recordar. portanto. os hospitais) -. etc. e que È t„o diferente da retÛrica romana. e eram pouco lidos. A monarquia -. os veterin·rios. nos Sepulcros de Foscolo.na It·lia ela se alimenta pouco. mas a luta entre Igreja e Estado fazia dela um elemento mais de desagregaÁ„o do que de unidade: e. mas com relaÁıes muito diversas. a instituiÁıes objetivas. Na It·lia. as dominaÁıes estrangeiras depois. ocorrera um movimento nadonal unit·rio. um sentimento puramente "subjetivo". as coisas n„o se modificaram muito pelo fato de ter-se modificado toda a colocaÁ„o do problema moral-popular. Existe um "racismo" na It·lia? Muitas tentativas foram feitas. ˙nica categoria que teve uma histÛria ininterrupta. Os partidos politicos: eram pouco sÛlidos e n„o tinham vitalidade permanente. atuando apenas no periodo eleitoral. Roma antiga tem 59 .tratava de um movimento da consciÍncia nacional cada vez mais sÛlida.A cidade -. inebriando-se com aquela poesia da Urbe que Goethe difundiu entre os alem„es. de obstaculizar este processo. pois s„o de tipo "burocr·tico" (burocracia sindical. do qual a centralizaÁ„o fora a express„o burocr·tica.O parlamento A universidade e a escola -. que sentem a continuidade de sua categoria e de sua histÛria. mas ela È muito restrita e possui car·ter de casta: as camadas intelectuais s„o pequenÌssimas e estreitas. durante a Reforma. ao lado da burocracia tradicional: o que se deve notar È que estas forÁas. em seu desenvolvimento. nos quais est„o contidos. ali·s. O estranho È que seja Kurt Erich Suckert quem defende hoje o racismo (com a It·lia B·rbara arqui-italiana e o supra-regionalismo): trata-se de um nome evidentemente racista e supra-regionalista. tantos motivos da mentalidade e da ideologia do intelectual italiano dos SÈculos XIX-XX. Sentimento nacional. Mas a ilaÁ„o È justificada? Comparar com o movimento de centralizaÁ„o ocorrido na FranÁa apÛs a RevoluÁ„o e. as relaÁıes internacionais influÌram. ainda que existam. ExaltaÁ„o genÈrica da estirpe.O teatro — O livro. Arturo Foi e suas exaltaÁıes da estirpe it·lica. mas -. A Igreja era o elemento popular-nacional mais v·lido e amplo.O exÈrcito — Os sindicatos oper·rios — A ciÍncia 58 A ideologia "romana". se ainda. do poder. durante a guerra. isto È. onde o ImpÈrio e o laicismo triunfaram muito antes do que na It·lia. particularmente. n„o ligado ‡ realidade. Um elemento objetivo È a lÌngua. no apÛs-guerra. n„o possuem um car·ter de homogeneidade e de sistematicidade permanente. Outro elemento È a cultura. nos tempos modernos. 2) O universalismo medieval influiu mais na It·lia do que na Alemanha. por isso. de um sentimento de "intelectuais". Deste ponto de vista. ao passo que existem os dialetos. Os jornais: n„o coincidiam com os partidos sen„o debilmente. filha em grande parte das escolas jesuÌticas e corrente entre nÛs. O racismo. " Deve-se notar que. Sentimento nacional. da lÌngua popular que n„o existe (exceto em Toscana). n„o obstante. etc. as c·tedras ambulantes. entre os dois paÌses. Omodeo afirma (Critica de 20 de setembro de 1931): "(B¸lov) busca confortar-se na luminosa atmosfera de Roma. contribuÌram dois elementos principais: a) o renascimento das raÁas locais apÛs a queda do ImpÈrio Romano. Racismo: o retırno histÛrico ao romanismo.OrganizaÁıes privadas como a maÁonaria -. b) as invasıes b·rbaras primeiro. na It·lia. t„o congruentes quanto em Suckert. das classes propriet·rias rurais. a fatores. Trata- (para o povo -. mas n„o com a ocupaÁ„o direta de estrangeiros). ainda que relativamente numerosas. Na Alemanha. a It·lia se diferencia da Alemanha. precisamente. 3) 0 dominio. n„o popularnacional: isto È.

tanto teÛrica como pr·tica. alÈm do elemento romano e do elemento franco. O assunto deveria ser estudado de um modo despreconcebido: que coisa permanece atÈ hoje. imponente pelo tamanho. mas. p·g. autorizada pelo nome do escritor".) enquanto oposiÁ„o ‡ retÛrica tradicional e acadÈmica. ampliando a vis„o histÛrica mundial com a histÛria da China. existe um terceiro e talvez mesmo um quarto elemento. a negar que a It·lia moderna seja herdeira da tradiÁ„o romana (a express„o de Lessing sobre os "vermes saÌdos da decomposiÁ„o do cad·ver romano") ou a negar a prÛpria import‚ncia desta tradiÁ„o. (O prÛprio Primate. Desta natureza. o que È mais importante. Esta reaÁ„o tem v·rios aspectos. sendo "necess·rio que saibamos nos desembaraÁar dos modos de sentir e de pensar que s„o heranÁas do ImpÈrio Romano. nada continua o mundo romano. ademais. de car·ter misto histÛrico e popular. grande. A respeito do elemento g·lico na formaÁ„o da civilizaÁ„o francesa. substituiu estes preconceitos por outros (a celtomania). dado pela autÛctone populaÁ„o g·lica. tambÈm ele. de Gioberti. e. obra afortunada pela difus„o. Breve histÛria do mundo (ed. No livro de Wells se È exato 0 primeiro ponto. No livro de Wells. onde (no vol. Aos preconceitos histÛricos que combate. para alguns. È a referida Histoire de la Gaule. uma forma desta reaÁ„o. de prÛprio e inconfundÌvel. existe ainda. na It·lia. Roma. de qualquer modo.na It·lia — era estreitamente ligada ‡ tradiÁ„o de Roma ( A terra dos mortos. PorÈm. por exemplo. -. de Giusti: "…ramos grandes e l‡ n„o haviam nascido". Registrar as diversas reaÁıes (e o diverso car·ter delas) ‡ ideologia ligada ‡ tradiÁ„o de Roma. esta A tradiÁ„o de Roma. com apÈndice polÍmico do tradutor Lorizio). augusto. desde seus inÌcios. ainda que Gioberti tenha sido antijesuÌtico. e acredita ainda que. mediante os quais saimos da educaÁ„o cl·ssica. podemos observar que Julien. O futurismo foi. 311) pode-se ler que È tempo de acabar com a "obsess„o da histÛria imperial". publicado na Nuova Antologia de 16 de marÁo de 1929. houve sempre toda uma literatura. revela-se tambÈm na simpatia com a qual s„o acolhidas no exterior as publicaÁıes que. na formaÁ„o dos Estados romano-germ‚nicos. e esta -. alÈm do elemento romano e do germ·nico. quase de toda parte. seus prÛprios preconceitos. Barocelli substitui. existe o elemento cÈltico. na FranÁa. em que relaÁ„o exata se encontra Ú romanismo com as contribuiÁıes do germanismo e com as 61 . ele È romano ainda". Mas. Pelo artigo "A *gura de Roma num historiador celtista". foi sempre It·lia". Os preconceitos quase insuper·veis. na Es60 Outro aspecto que deve ser observado È a valorizaÁ„o panha. mesmo no campo do direito. buscam diminuir o nome de Roma e da It·lia. membro da Academia. da tradiÁ„o romana? Muito pouco. o historiador deve saber vence-los". reaÁ„o assume diversos aspectos: 1) nega que a histÛria mundial antiga se unifique no ImpÈrio Romano. enquanto momento "moderno" desta retÛrica). Na Època mais recente. de Carducci -. È talvez de origem "jesuÌtica". do elemento n„o-romano na formaÁ„o das naÁıes modernas: elemento germ‚nico na formaÁ„o dos Estados romano-germ„nicos: este aspecto È cultivado pelos alem„es e prossegue na polÈmica sobre a import‚ncia da Reforma como premissa da modernidade. ao que parece. o elemento ·rabe com sua influÍncia cientÌfica na Idade MÈdia. concretamente: a atividade mais especificamente moderna È a econÛmica. emprestalhes uma roupagem polÌtica.um Lugar mÌnimo e quase nulo. de Camille Julien. bem sabemos que Roma senhora e mestra de povos tem sobre. bem como a cientÌfica: delas. VIII. tenha dedicado um escrito t„o monumental a defesa de suas teses e tenha ganho o prÍmio da Academia.dependentes dos Sepulcros de Foscolo. Laterza. deve-se examinar a Histoire de la Gaule. "quanto aos esfregıes que hoje se tenta sobre a figura de Roma antiga. o segundo sofre de nova projeÁ„o de ele= mentos ideolÛgicos e È moralista. precisamente. de uma ou de outra maneira. È not·vel o fato de que um historiador acreditado como Julien. da India e dos mongÛis. 2) tende a desvalorizar em si a grandeza da histÛria romana e de sua tradiÁ„o."Tudo que no mundo È civilizado. tanto como tendÍncia polÌtica (Sacro ImpÈrio Romano) quanto como tendÍncia cul- tural (Igreja CatÛlica). si. Tende. com o qual se encara hoje nosso PaÌs. alÈm de diversas caracterÌsticas. Barocelli acredita que "o crome. de Pietro Barocelli. uma grave culpa.

com extens„o conjunta de 540. de Felice conduzia a passeata aos portıes de Rapisardi). o heroÌsmo seria quase como uma forma que se enche do conte˙do herÛico que prevalece numa Època ou ambiente de- Pode-se afirmar. raz„o pela qual seria absurdo "reprovar" aos americanos por n„o possuÌrem grandes artistas j· que eles possuem "grandes tÈcnicos".anglo-saxÛnicas mais recentes? e qual È a ·rea geogr·fica na qual o direito romano teve maior difus„o? Deve-se ainda notar que. ali·s de sicula Atene Celebridade de Catania: Domenico Tempio. HistÛria liter·ria e da cultura. 29. Vincenzo Bellini. se fosse obrigado a desenvolver sua personalidade num momento de necessidade militar. Em 1929. Metastasio n„o pode ser Dante ou Alfieri. teria sido grande do mesmo modo. o direito romano foi elaborado em Constantinopla. Lorenzoni assinalava 1. n„o pode existir grande artista. Intelectuais sicilianos. Na Sardenha. em geral. portanto.055 latif˙ndios de mais de 200 ha. ou seja. mesmo porque eram ligados ‡s correntes continentais e eram amigos de Carducci. Sicilia e Sardenha. apenas 18% do territÛrio pertence a entidades p˙blicas. o que explica o car·ter diverso dos movimentos polÌtico-culturais. n„o existe nada disso. De Roberto. Sicilia: em 1907. apÛs a queda de Roma.vida — destruiÁ„o -. de esmagamento. Acompanhar as publicaÁıes de Ezio Levi sobre o arabismo espanhol e sobre a import‚ncia dele para a civilizaÁ„o moderna. n„o me parece sÈria. poeta licencioso.. Quanto ‡ tradiÁ„o estatal romana. que porÈm n„o s„o considerados "sicilianÌssimos".morte -. com uma extens„o de 717.Ao Lado de Rapisardi — Verga. Pode-se julgar. cuja atividade se d· apÛs o terremoto de 1693 que destruiu Catania (Antınio Prestinenza relaciona o tom licencioso do poeta ‡ ocorrÍncia do terremoto -. todavia. Rivalidade entre Palermo e Catania na disputa do primado intelectual da ilha -.. -. È verdade que a It·lia enquanto tal (isto E. se for colocada sobre a necessidade de que apareÁam grandes gÈnios. pretendeu-se que ele retornasse ‡ igreja: "Assim viveu Argante.MXIX.Populismo socialista misturado com o culto supersticioso de Santa Agata: quando Rapisardi estava na hora de morrer. isto È. do mesmo modo como seria absurdo reprovar ao Renascimento por ter possuÌdo grandes pintores e escultores mas n„o grandes tÈcnicos -. Onde prospera Ojetti pode existir um Dante? Talvez um Michele Barbil Mas a quest„o. mais ou menos. 50% compreende propriedades inferiores a 10 ha. Onde o grande car·ter moral È combatido. para a diversa posiÁ„o relativa dos intelectuais.. È impossÌvel qualquer forma de "grandeza". isto È. M·rio Rapisardi È a gib62 terminado. o resto È propriedade privada. nÛs lhe seguiremos". que em Èpocas de envilecimento p˙blico.. 22% da ·rea agr·ria e florestal (mas se trata de um verdadeiro fracionamento do latif˙ndio?). na figura que hoje assumiu) n„o lhe deu continuidade (observaÁ„o de Sorel). e Victor Hugo: "Voos Ítes un prÈcurseur" Rapisardi — Garibaldi Victor Hugo — PolÈmica Carducci-Rapisardi. isto È. — RapisardiDe Felice (em 1 9 de maio. A origem da teoria americana (referida por Cambon em seu pref·cio a um livro de Ford) segundo a qual. Garibaldi lhe escreve: "Na vanguarda do progresso.729. valem as seguintes cifras: na Sardenha. em cada Època. 200 ha. os grandes homens s„o grandes na atividade fundamental da prÛpria Època. Para o diverso peso que exerce a grande propriedade na Sicilia e na Sardenha e. Carlyle deve afirmar. 63 .fecundidade) . de- ve-se levar em conta a diferenÁa histÛrico-social-cultural dos grandes propriet·rios sicilianos em relaÁ„o aos sardos: os sicilianos tem uma grande tradiÁ„o e s„o fortemente unidos. Capuana. e morreu assim como viveu".700 ha. 16 ha. que se Dante tivesse tido de agir como guerreiro. MolÈ constatava 1.as origens desta teoria podem ser encontradas em Carlyle (Sobre os herÛis e o heroÌsmo) . na forma sob a qual se tornou tradicional. contraposto a Tempio por sua melancolia rom·ntica.79% da extens„o cadastral da ilha era possuÌdo por 787 propriet·rios. Por outro lado.400 propriedades de mais de ria moderna de Catania. da ·rea cultiv·vel. e apenas 4% possui mais de 200 ha. disse Rapisardi -. t„o-somente.Catania È chamada de Atenas siciliana. Catania e Abruzzo na literatura italiana do SÈcu.

Maquiavel poderia ser um deles. Que tristeza! Reynaud escreve: "Les anglais.ele se tomou o espÌrito das revoluÁıes sucessivas. ‡s de. …pocas progressistas no campo pr·tico podem n„o ter tido ainda tempo de se manifestarem no campo da criaÁ„o estÈtica e intelectual. filistÈias. ignora que o livro de Reynaud È mais polÌtico do que liter·rio. com muita freq¸Íncia e de modo absoluto. metastasiana ou alfieriana. n„o somente colaborando com as formas de vida oficial. Ora. se n·o supera. de 1789 em diante. formantes (sic) traduÁıes de Leipzig " -. escreveu um livro. O Romantismo È uma infecÁ„o de origem germ‡nica. a partir deste ponto de vista. Nuova Antologia. sobre o SÈculo XVI (o que n„o È de espantar. Ademais. Deus meu! A It·lia n„o existe. com as naÁıes catÛlicas em geral. o que certamente n„o È pouca coisa. num artigo ("O romantismo francÍs e a It·lia") publicado nos Libri del giorno de junho de 1929. Giovanni Rizzi.neste campo — atrasadas. autor de um livro ultramediocre. È francÍs. onde a tradiÁ„o deixou um largo estrato de intelectuais e um vivo ou prevalecente interesse por certas atividades. a It·lia n„o existe nem jamais existiu: n„o dezembro de 1928 (o trecho citado est· na p·g. "A expans„o da cultura italiana". a It·lia È e deve estar com a FranÁa (ou melhor. tendo cursado as escolas cl·ssicas!) a FranÁa do SÈculo XVII deve ‡ It·lia do SÈculo XVI? Mas a It·lia n„o existe para os nossos bons irm„os transalpinos". Louis Reynaud. dado o sentido de toda a frase! E Virgili È professor universit·rio. etc. puis (es allemands. os traÁos da It·lia no livro. elas s„o solid·rias contra as naÁıes protestantes. o que È ministrado nos gin·sios e liceus italianos. "O latim È estudado obrigatoriamente em todas as escolas superiores da AmÈrica do Norte. A histÛria romana È ensinada em todos os institutos. vÍ o livro de Reynaud. que foi sua grande vitima: em seus paÌses de origem. E. pode existir muito de verdade na afirmaÁ„o americana. nous communiquent leur "superstition" de ranti- Giovanni Rizzi ou do italiano mesquinho. e este ensino rivaliza. ln64 que". o quanto ( Reynaud). Le Romantisme (Les origines anglo-germaniques. esque- ce-se que toda Època ou ambiente È contraditÛrio e que alguÈm expressa e corresponde ‡ prÛpria Època ou ambiente. mais ou menos conformista ou herÛica. para Maurras e sem d˙vida tambÈm para Reynaud. N„o se deve excluir o fato de que. 346). Nesta proposiÁ„o. (È impossÌvel ser erro de impress„o. eis como o Prof. etc. mas ‡quelas nas quais vivem "ideal" ou culturalmente. com sua lanterninha de italiano mesquinho. Inglaterra e Alemanha. enquanto na It·lia recorre-se. o Romanti. a It·lia È descurada. Rizzi ignora os "antecedentes". que deve ser um discÌpulo de Maurras. O italiano mesquinho. Ao que parece. como tambÈm combatendo-as implacavelmente. Colin. para ele obstante. na civilizaÁ„o europÈia.* foi e ser· algo sem conseq¸Íncias.Filippo Virgili. ignora as proposiÁıes do nacionalismo integral de Maurras no campo da cultura e vai buscar. 1 9 de fluentes ÈtrangËres et traditions nationales. de onde a FranÁa toma a adoraÁ„o pelos antigos! da Inglaterra e da Alemanha! E o Renas65 . para a FranÁa. mas — na FranÁa -. Reynaud recorda que o SÈculo XVII. desenvolvam-se "gÈnios" que n„o correspondam ‡ Època em que vivem concretamente. tambÈm neste assunto deve-se levar em conta a quest„o dos intelectuais e de seu modo de selecionar-se nas v·rias Èpocas de desenvolvimento da civilizaÁ„o. com o catolicismo). E Rizzi: "Oh! Vejam. infecÁ„o para a latinidade. a julgar pelo modo como ele trata das correntes de pensamento e de sentimentos). portanto. de Sal˙stio e de Tito Livio. È desconhecida! "E verdadeiramente singular o silÍncio quase absoluto no que se refere ‡ It·lia. germ‚nica e anglo-alem„. ele deve te-la encontrado diante dos olhos a cada " momento . Paris. Dir-se-ia que. E Rizzi: "Seria preciso um esforÁo herÛico para notar. destruiu ou devastou a tradiÁ„o. Le rÈveil du gÈnie franÁais). pelo menos de passagem. o latinismo contra o germanismo. ao que parece.. etc. ou podem ser -.da atitude diante da vida. a fim de expor amplamente e de demonstrar uma tese prÛpria do nacionalismo integral: a de que o Romantismo È contr·rio ao gÈnio francÍs e È uma importaÁ„o estrangeira. j· que nas escolas americanas a histÛria cl·ssica de Roma antiga È traduzida fielmente de t·cito e de CÈsar.

nÛs somos senhores de raÁa e n„o praticamos pequenas vinganÁas". À um artigo superficial. ensaios. HistÛria nacional e histÛria da cultura (europÈia ou mundial). precisamente ai -. que a obra de Reynaud È ordenada. Um estado-maior organiza as f orÁas armadas de um outro paÌs. Gioda escreveu sobre Botero. de EMU. Ele fala da It·lia como de qualquer outro paÌs. portanto. tÌpica do nobre decadente. influÍncia devida ‡s ligaÁıes entre a FranÁa e o Vaticano. com seu maravilhoso poder de difus„o na Europa e — sim. deve-se falar t„o67 66 . para o italiano mesquinho: ele n„o percebe. "O 19 de setembro de 1930. pensamento de Cf. do tipo jornalÌstico de ocasi„o. como express„o da influÍncia polÌtica do paÌs de origem. Se assim n„o ocorre. p·gs. mantendo suas ligaÁıes nacionais e estatais origin·rias. de seus aspectos presentes e de suas raÌzes histÛricas " . muito l˙cida. A forÁa expansiva. e os problemas politicos dela n„o o interessam particularmente.tambÈm na FranÁa? Cancelado da histÛria. "mas. n„o pode ser medida pela intervenÁ„o individual de pessoas singulares. por causa de sua mania de grandeza. mais recentemente. de seu ponto de vista. Mas a Rizzi importa o fato de que Manzoni sÛ tenha sido lembrado numa notinha de pÈ de p·gina! n˙mero como torÁa no de Giovanni Botero". contudo. que somos os filhos primogÍnitos (ou melhor. reconhecendo. a atividade de elementos similares em outras condiÁıes. encarregando do trabalho tÈcnicos militares dÈ seu grupo.sua nacionalidade. O significado da import‚ncia dada por Botero ao "fato" da populaÁ„o n„o tem o mesmo valor que poderia ter atualmente. 19-36. um articulista recordava que um antepassado do herÛi fora lembrado por Dante na Divina ComÈdia. Urna classe de um paÌs pode servir num outro pals. segundo o pensamento de Balbo. Recordo este episÛdio: falando de um Tizio. segundo Rizzi. n„o podem ser incorporadas ‡ histÛria nacional. "este livro de ouro da nobreza italiana". De fato. etc. a influÍncia histÛrica de uma naÁ„o. muito o atenua e diminui". Uma emigraÁ„o de trabalhadores coloniza um paÌs sob a direÁ„o direta ou indireta de sua prÛpria classe econımica e polÌtica dirigente. era lembrado. sob certos aspectos. Regionalismo. LEONARDO OISCHKI. aguda. O Leonardo de fevereiro de 1927 o julga: "Vivaz e muito bem feito estudo do regionalismo italiano.. etc. ainda que este clero apenas parcialmente fosse constituido por cidad„os franceses." Outros exemplos s„o. Botem È um dos escritores da Època da Contra-Reforma mais tipicamente cosmopolita e a-italiano. erudita.pretendeu fazer a ela a maior homenagem. ha Nuova Antologia Nota. divertidos: "Ostentada ou inconsciente indiferenÁa ou ignor‚ncia com relaÁ„o ‡ It·lia". bem como a atividade da emigraÁ„o moderna. a qual. que Reynaud n„o phie Italiens".. ao contr·rio. Os intelectuais de um paÌs influenciam a cultura de um outro pals e a dirigem. Cf. A atividade dos elementos dirigentes que operaram no exterior. "Kulturgeogra- Intelectuais no Exterior Italiano: falando da It·lia em seu livro -.to ZANETrE. Critica a "vaidade" dos italianos que se consideram superiores a outros paÌses e demonstra que esta pretens„o È infundada. que n„o perdem — muito pelo contr·rio -. Durante um certo tempo. janeiro de 1927. mas num abismo profundo do Inferno: isto n„o importa. como o deve ser. isto È. in Preussische Iahrb¸cher. n„o acrescenta valor ‡ obra. mas pelo fato de que estas pessoas singulares expressem consciente e organicamente um bloco social nacional. Por causa deste artigo. Zanette poderia entrar no par·grafo dos "italianos mesquinhos". os mission·rios ou o clero nos paises do Oriente exprimiam a influÍncia francesa. etc. Deve-se estud·-lo por v·rios motivos (raz„o de Estado — maquiavelismo — tendÍncia jesuÌtica). pelo contr·rio. Conclus„o: "Mas nÛs..cimento italiano. filhos ˙nicos) de Roma. Rir ou chorar.

ibi patria. deve-se Levar em conta que o centro romano tem-se internacionalizado relativamente. l'intellectuel est 'chez lui'. afastando-se do territÛrio e agrupando-se no exterior. mais l‡ o˘ lui-mÍme engendre pËre." a Desaparecimento da FunÁ„o cosmopolita dos intelectuais italianos. num certo momento. iniciou-se a emigraÁ„o do povo trabalhador. 69 . Intelectuais estrangeiros na It·lia. c'est de ihistoirÈ ). o˘ et met au monde: Uber pater sum. n„o mais fornece tÈcnicos ‡ Europa — ou por j· terem as outras naÁıes elaborado uma classe culta prÛpria. Ela n„o emprestou disciplina nacional ao povo. a cosmÛpole medieval entra em decadÍncia. n„o criou uma situaÁ„o econÙmica que reabsorvesse as forÁas de trabalho emigradas. neste caso. ApÛs a formaÁ„o de uma burguesia nacional e do advento do capitalismo. n„o o fez sair do municipalismo no sentido de uma unidade superior. esta funÁ„o internacional foi a causa da debilidade nacional e estatal: o desenvolvimento das capacidades n„o ocorreu em funÁ„o das necessidades nacionais. Nouvelles LittÈraires. num certo momento. "Influence du Sud sur Nietzsche". de modo que estes elementos se perderam. mas de uma comunidade mais ampla que queria "integrar" seus quadros nacionais. mas seus intelectuais continuam a desempenhar a funÁ„o cosmopolita. element que enriqueceram os Estados europeus com sua contribu o. talvez. por isso. incorporando-se ‡s naÁıes estrangeiras em funÁıes subalternas. a imigraÁ„o para assimilar a cultura viva sob a guia dos intelectuais italianos vivos. assim. antes que se constituÌsse org‚nicamente uma classe dirigente nacional.somente de fenÙmenos de uma certa import‚ncia cultural pertencentes a fenÙmenos histÛricos mais complexos. que ia aumentar a mais-valia dos capitalismos estrangeiros: a debilidade nacional da classe dirigente. em grande parte. Neste fenÙmeno de imigraÁ„o de intelectuais estrangeiros para a It·lia. sejam os italianos a emigrar e n„o os estrangeiros a vir para a It·lia? (Com a relativa exceÁ„o dos intelectuais eclesi·sticos. ou pelo menos referido. deve-se distinguir dois aspectos: imigraÁ„o para ver a It·lia como territÛrio-museu da histÛria passada. cujo ensino na It·lia continua a atrair discÌpulos para nosso PaÌs atÈ hoje. de um capitulo de um livro traduzido por A1zir Hella e Olivier Bounrac). como o que "territorial" de elementos dirigentes cosmopolitas e de continuar parcialmente a sÈ-lo pelo fato de que a alta hierarquia catÛlica È italiana em sua maior parte. Poder-se-ia. 'l‡ o˘ je suis zamia. e os caminhos tradicionais de "fazer fortuna" no exterior s„o peril " "Pour Nietzsche. durante muitos sÈculos: o de ser a origem nacionaliza por si mesmo. n„o se 68 ocorre na It·lia. os outros paises adquirem consciÍncia nacional e querem organizar uma cultura nacional. talvez. Antes da RevoluÁ„o Francesa. havia uma emigraÁ„o de elementos italianos representantes da tÈcnica e da capacidade diretiva. o processo de especializaÁ„o tÈcnica dos intelectuais seguiu caminhos anormais do ponto de vista nacional. E esta segunda que interessa para a investigaÁ„o em pauta. Um outro aspecto da funÁ„o cosmopolita dos intelectuais italianos que deve ser estudado. ou pelo fato da It·lia n„o mais produzir capacidades ‡ medida em que nos afastamos do SÈcluo XVI. Debilidade nacional da classe dirigente. com precis„o e exatid„o. S19 de julho de 1930 (trata-se. Como e por que ocorre que. È o que se desenrola na prÛpria It·lia. non pas l‡ o˘ est nÈ (la naissance. fazer coincidir o desaparecimento da funÁ„o cosmopolita dos intelectuais italianos com o florescimento dos aventureiros do SÈculo XVIII: a It·lia. atuou sempre negativamente. que foi permanente e que ainda dura com maior ou menor amplitude. atraindo estudantes para as universidades e estudiosos que pretendiam se aperfeiÁoar. Este ponto deve ser bem desenvolvido. Historicamente. mas das internacionais. isto È. j· que serviu para criar o equilibrio de atividades e de ramos de atividades n„o de uma comunidade nacional. a Italia como territÛrio perde sua funÁ„o de centro internacional de cultura. porÈm. a depender da Època.) Este ponto histÛrico È da m·xima import‚ncia.

chamar de "nacional" o individuo N„o vejo porque este fato deva diminuir sua grandeza ou minimizar a histÛria italiana. trata-se de uma literatura completamente in˙til e ociosa. chegarse-ia ‡ conclus„o de que nunca se inventou nada. o elemento "nacional" da descoberta da AmÈrica? O nascimento de CristÛv„o Colombo neste e n„o naquele ponto da Europa tem um valor episÛdico e casual. que foi aquilo que foi. do SÈculo XV ‡ RevoluÁ„o Francesa. mas sim cosmopolita. O particular chauvinisme italiano tem uma de suas manifestaÁıes na literatura que reivindica as invenÁıes. pode-se reunir toda a literatura sobre a p·tria de que È conseq¸Íncia da realidade concreta nacional ou que inicia uma fase determinada da operosidade pr·tica ou teÛrica nacional. cientistas. estes especialistas (como È o caso de Savorgan de Brazz‡) de glÛrias nacionais n„o percebem que est„o emprestando ‡ It·lia a funÁ„o da China. ociosas. em ˙ltima an·lise. pois. travada pelos espanhÛis no fim do SÈ- . pois ele prÛprio n„o se sentia ligado a um Estado italiano. ou quando a invenÁ„o for aprofundada. Na guerra de Flandres. em "desenvolver" e em "socializar". A quest„o. e o s„o freq¸entemente. Por isso. e o sÛ isso. Os intelectuais e os especialistas italianos eram cosmopolitas e n„o italianos. Falo do "espirito" com o qual estas reivindicaÁıes s„o feitas. ou por que Colombo n„o se dirigiu a nenhum Estado italiano? Em que consiste.. Ranuccio Far71 TÈcnicos militares italianos e arte militar italiana. Pode-se. precisamente nestes campos. A quest„o deveria ser colocada do seguinte modo: por que nenhum Estado italiano ajudou CristÛv„o Colombo. duque de Parma. que pode descobertas e invenÁıes. casuais. isto È.. que È coletiva. De outro modo. com a chamada natureza humana". navegadores fantasia doh poetas ou a retÛrica dos declamadores.corridos agora por charlat„es que exploram a tradiÁ„o. deveria ser definida historicamente. uma funÁ„o internacional-europÈia. pode-se observar ainda o seguinte: que as invenÁıes e descobertas podem ser. almirantes. mas que os inventores individuais podem ser ligados a correntes culturais e cientificas que tiveram origem e desenvolvimento em outros paises. Seria necess·rio. culo XVI.. Deve-se examinar este problema e coloc·-lo em termos exatos. Homens de Estado. aplicada. as descobertas cientÌficas. manifesta-se a energia nacional. portanto. n„o nacionais. em transformar em elemento de cultura universal. que È o conjunto das relaÁıes internas de uma naÁ„o. A respeito da quest„o das glÛrias nacionais ligadas ‡s invenÁıes de individuos geniais. mas de "fragmentos" jornalÌsticos de cor chauvinista. cujas blema. de contribuiÁıes ‡ histÛria da tÈcnica e da ciÍncia. porÈm. apÛs isso. durante muitos sÈculos. no sentido de que n„o È suficiente ter dado o impulso inicial. como Alessandro Farnese. desenvolvida em todas as suas possibilidades pela organizaÁ„o cultural da Individuos e naÁıes. naÁ„o de origem. em outras naÁıes. os chineses j· conheciam tudo. mas. portanto. ademais ser reivindicada por todos os paises "e que se confunde. em suma. No que toca a muitas reivindicaÁıes. n„o resta sen„o o elemento "raÁa". uma invenÁ„o ou descoberta perde o car·ter individual e casual e pode ser julgada nacional quando o individuo fır estreita e necess‡riamente ligado a uma organizaÁ„o de cultura que tenha car·ter nacional. eis a caracterÌstica do "gÈnio italiano". Penso que muitas reivindicaÁıes s„o. uma grande parte do elemento tÈcnico-militar e do gÈnio era constituida por italianos. Capit„es de grande fama. se conserva cÛmo algo inerte n„o È um valor: a "originalidade" consiste tanto em "descobrir" quanto em "aprofundar". e n„o a 70 italianos n„o tinham um car·ter nacional. estabelecendo-se que a It·lia desempenhou. n„o do fenÛmeno em si: n„o se trata. A p·tria de CristÛv„o Colombo. Ao que me parece. ressaltar o fato de que uma nova descoberta que. capit„es. n„o tiveram aplicaÁ„o ou reconhecimento no paÌs de origem.. uma entidade imponder·vel. sendo necess·rio saber tirar dele todas as conseq¸Íncias e aplicaÁıes pr·ticas. isto È. ter uma funÁ„o europÈia. a meu ver. Fora destas condiÁıes. Em torno deste proCristÛv„o Colombo.

' s quando ela transforma o prÛprio povo e lhe imprime um movimento que forma precisamente a tradiÁ„o. conseguiu tomar o poder. de na Nuooa Antologia de 18 de agosto de 1928. Napole„o corso ou Rothschild judeu. as inovaÁıes trazidas por estes tÈcnicos militares ‡ sua arte incorporaram-se na tradiÁ„o francesa. da FranÁa e da T ansilv„nia. "Em 1563. Ambrogio Spinola. Cristoforo Giambattista del Monte. Onde existe um· continuidade deste tipo entre Farnese e hoje? As transformaÁıes. por causa do valor mais estri- tamente "nacional" que sempre teve o serviÁo militar. no assÈdio de OrlÈans — empreendido pelo Duque de -Guisa — o engenheiro militar Bartolomeo Campi de Pesaro. pode ser interessante saber que Farnese era italiano. no sentido de que sua organizaÁ„o de classe foi originariamente tambÈm militar. que foi retomada por Montecuccoli. por quÍ? Como se formaram as companhias aventureiras. Mas pode-se falar neste caso de uma arte militar italiana? Do ponto de vista da histÛria da cultura. "Um not·vel aspecto das campanhas de CÈsar nas G·lias". como mercen·rios internacionais. A quest„o se liga a outras pesquisas: como se tinham formado estas capacidades militares? A burguesia das Comunas teve tambÈm uma origem militar. Paciotto da Urbino. mas de que nobreza? Da feudal ou da mercantil? Como se haviam formado estes chefes militares do fim do SÈculo XVI e dos sÈculos posteriores? Naturalmente. espanhola ou austrÌaca: na It·lia. etc. de boa propaganda solÌcita de nossas tradiÁıes. eram os condottieri? Ao que me parece. Nueva Antologia. 1∞ de janeiro de 1929). polÌtica e socialmente. historicamente. enquanto esperavam o momento de atacar. depois que a Comuna aristocr·tica se tornou Comuna burguesa. "Um general de cavalaria (talo-albanÈs: Giorgio Basta". que tinha no exÈrcito atacante o car- (Cf. Esta tradiÁ„o militar se quebrou depois da chegada ao poder. suas atividades individuais foram incorporadas ao Estado no qual serviram ou ‡ sociedade na qual atuaram. as quais afirmam a indiscutida e luminosa prioridade da arte militar italiana nos grandes exÈrcitos modernos". deve-se levar particularmente em conta a contribuiÁ„o de tÈcnicos militares. isto È. mas participaram tambÈm na defesa dos protestantes? N„o se deve confundir esta contribuiÁ„o de tÈcnicos militares com a funÁ„o desempenhada 14 EUGENIO BAEBAEICH. Mondragone e muitos outros menores. em sua maioria. A cidade de Namur foi fortificada por dois engenheiros italianos: Gabrio Serbelloni e Scipione Campi. que os italianos n„o forneceram apenas tÈcnicos militares. Recordar hoje uma e outra È obra de reivindicaÁ„o histÛrica devida. 72 necer muitos elementos de car·ter teÛrico para esta investigaÁ„o. bem como no sentido de que. mas sÛ atÈ um certo ponto: na realidade. contudo. Giorgio Basta. cheios de terra. mandou fabricar uma grande quantidade de pequenos sacos que. 15 po uma barricada e. O exemplo dos judeus pode fornecer um elemento de orientaÁ„o para julgar a atividade destes italianos. os assaltantes permaneceram protegidos das ofensivas dos que se defendiam" ( ENmco aneen." pelos suÌÁos. Pompeo Giustiniano. por exemplo. ‡ naÁ„o da qual saiu o indivÌduo. as atualizaÁıes. tornaram-se n˙meros de cat·logos bibliogr·ficos. eram pequenos nobres. da diplo- Nesta pesquisa sobre a funÁ„o cosmopolita das classes cultas italianas.nese. atravÈs de sua funÁ„o militar. proporcionaram a Giorgio Basta uma extraorct ria confirmaÁ„o pr·tica · sua l˙cida e clara teoria. o fato de que os italianos tenham participado com tanta validade na guerra da Contra-Reforma tem um significado particular.) go que ora chamarÌamos de `comandante da engenharia'. os judeus tiveram um car·ter nacional maior do que estes italianos. ou pelos cavaleiros alem„es na FranÁa (reitres) ou pelos arqueiros escoceses na prÛpria FranÁa. Como. durante a guerra civil contra os huguenotes. Os estudos sobre o judaÌsmo e sua funÁ„o internacional podem for- 73 . mas tÈcnicos do gÈnio (engenheiros). Pode-se falar de tradiÁ„o nacional quando a genialidade individual È incorporada ativamente. foram conduzidos nas costas dos soldados atÈ formarem em pouco tem- Barbarich (creio mesmo que ele seja general) conclui seu artigo sobre ' Basta com este perÌodo: "A longa pr·tica de quarenta anos de campanhas nas ·speras guerras de Flandres. no sentido de que existia na aÁ„o daqueles uma preocupaÁ„o de car·ter nacional que n„o existia nestes italianos. da polÌtica. e mediante quais origens neccss·rias? De que condiÁ„o social. e isto precisamente pormacia.

No artigo sobre "Petrarca em Montpellier". Carlo SegrË recorda como ser Petracco. Todos estes fenÙmenos devem ser estudados. isto È. alÈm disso. por parte de prÌncipes e de governos municipais.).ademais. na Nuova Antologia de a SÈ- era das melhores. muitos italianos foram 74 16 julho de 1929. porÈm. deve-se levar em conta o fato de que os prÌncipes italianos casavam suas filhas com prÌncipes estrangeiros. porÈm: que se recorde AntÙnio Panizzi. de banido de FlorenÁa e estabelecido em Carpentras. pois na It·lia e no sul da FranÁa era ent„o enorme a procura de juristas. restavalhes franqueado o exercÌcio privado da advocacia. Por certo. elementos de protestantismo. pois os exilados s„o nacionalistas e n„o se deixam absorver pelos paÌses para os quais emigram (nem todos. medida O exÌlio polÌtico na Idade MÈdia. artistas. alÈm de se tornarem um centro de atraÁ„o depois da subida ao trono. Assim. atÈ 1848.. o exÌlio politico muda de car·ter. mas ele n„o È certamente o que prevalece no fenÙmeno geral. menos honorÌfico mas sempre vantajoso para quem n„o carecesse de desembaraÁo". embaixadores ou assessores. A Universidade de Montpellier foi fundada em 1160 pelo jurista Piacentino. lutas contra os principados. que se tomou diretor do British Museum e bar„o inglÍs). "A escolha. pois os nomes italianos podem ser apelido ou italianizaÁıes). preciso sempre investigar. etc. de modo a dar o valor merecido ao fato fundamental. cientistas italianos (para a FranÁa com as MÈdices. . no culo XIX.. pretendeu que seu filho freq¸entasse a Universidade de Montpellier a fim de aprender a atividade jurÌdica. era italiano?. devendose ainda fixar exatamente sua import‚ncia relativa. e cada nova rainha de origem italiana levava consigo um certo n˙mero de literatos. ao exÌlio polÌtico? Este fenÙmeno foi persistente apÛs a segunda metade do SÈculo XIII: lutas comunais com dispers„o das facÁıes vencidas. para a Hungria. Deve-se levar em conta este elemento. que se havia formado em Bolonha e tinha levado para a ProvenÁa os mÈtodos de ensino de Irnerio (este Piacentino. que lhes empregavam como juÌzes. etc. Em que atraÁ„o para toda a Europa de personalidades italianas eminentes e medÌocres (mas de um certo vigor de car·ter) deveu-se aos resultados das lutas internas das facÁıes comunais. para a Espanha com a Farnese. num certo periodo. magistrados.

ao passo que na It·lia inexistia precisamente uma classe nacional. n„o seria possÌvel ir alÈm de um indice. como obra pÛstuma de Leo Benvenuti (um estudioso modesto). antiqu·rios. cantores. soldados (marÌtimos e terrestres). engenheiros (civis e militares). naturalistas. mÈdicos e cirurgiıes.requisitados ido exterior para organizarem aÌ universidades baseadas nos modelos bolonhÍs. A meu ver. mission·rios. que n„o conseguia se formar: È esta emigraÁ„o de elementos dirigentes que representa um fato histÛrico peculiar. arquitetos. historiadores. geÛgrafos. Um "Dicion·rio dos italianos no exterior". que deveria servir para quem pretendesse escrever a histÛria. coreogr·ficos. dadas as condiÁı&*las pesquisas biogr·ficas em sua Època. acrobatas). Como se observa. foi publicado um esboÁo de Dicion·rio dos italianos no exterior. professores de m˙sica. escultores e poetas. teÛlogos. juristas. fÌsicos. As categorias nas quais Benvenuti subdivide o elenco onom·stico (as principais) s„o: embaixadores. paduano. etc. Benvenuti n„o tinha outro ponto de vista alÈm do da nacionalidade. Cesare Balbo escrevera: "Uma histÛria inteira. os quais contribuÌram para criar uma civilizaÁ„o nacional de tais paÌses. n˙ncios apostÛlicos. com a colaboraÁ„o do Real Instituto de Arqueologia e HistÛria da Arte. viajantes. eclesi·sticos. pintores. ling¸istas. isto È. intitulada A obra do gÈ75 . confiada ao MinistÈrio dos NegÛcios Exteriores. gravadores. correspondente ‡ impossibilidade italiana de utilizar e unificar seus cidad„os mais enÈrgicos e empreendedores. deve estudar como as classes dirigentes (polÌticas e culturais) de uma sÈrie de paÌses foram reforÁadas por elementos italianos. artistas (dram·ticos. matem·ticos. eruditos. filÛsofos. Benvenuti observava que. bot‚nicos. comerciantes. estatÌsticos. est· em preparaÁ„o uma volumosÌssima publicaÁ„o. magnÌfica e peculiar ‡ It·lia deveria ser feita a respeito dos italianos fora da It·lia". professores. Em 1890. astrÙnomos. a pesquisa deve ser de car·ter qualitativo.se completa teria sido um recenseamento dos italianos no exterior. soberanos. Promovida pelo chefe do governo. Benvenuti partia do ano 1000. e sua obra -. No pref·cio.

7) Exploradores e Viajantes. na p·g. e de onde resulta a moderna unidade da alma e da p·tria italianas. reaÁ„o antiitaliana. assim. os tradutores. depois. (Estas notÌcias s„o extraÌdas do Marzocco. Nem Croce nem Provenzal entendem o que poderla ser esta pesquisa. A obra ser· ricamente ilustrada. Num discurso da Academia. os divulgadores. etc. 1932. a respeito da obra re Gioacchino Volpe. parece. os grupos. 8) Principes: 9) PolÌticos.neo italiano no exterior. 2) Musicistas. 12) Banqueiros. 'Estrangeiros na It·lia'. entre os livros de histÛria que a Academia (SeÁ„o de CiÍncias MoraisHistÛricas) desejaria que fossem escritos. no artigo (discurso) " demia Italiana" (Nuooa Antologia. os materiais da 'hegemonia' liter·ria italiana. S„o fornecidos. XXXII-304): "E o primeiro volume de uma sÈrie. ao contr·rio. uma histÛria do pensamento e do trabalho italianÛs". ao . quando comeÁou a. pois os intelectuais italianos n„o exerceram influÍncia como grupo nacional. que deve ter escrito o programa da obra. s„o polÌticos "europeus". mas cada indivÌduo diretamente. in 80. A ediÁ„o ser· de 1000 exemplares. por S. Depende de como se compreenda o problema: È. as correntes. Vallerini. Marzocco. isenta de antagonismos e de polÈmicas. documentadas. 5) Pessoas ligadas ‡ guerra. 'Os caminhos de difus„o do italianismo'. Sera uma obra objetiva. que obser- o car·ter cosmopolita dos intelectuais italianos e sua separaÁ„o da vida nacional: Botero. mas de justa celebraÁ„o. da It·lia para a Europa. 11) Cientistas. 3) Literatos. os imitadores de nossa literatura. distribuidos em princÌpio de acordo com o critÈrio geogr·fico. de 6 de marÁo de 1932. amplas. CapÌtulo por capitulo. A express„o "hegemonia" È aqui errada. Pisa. diz que esta n„o seria uma histÛria da Italia. e. autor por autor. atingiu (ainda que com altos e baixos) nossos dias. O livro È composto de trÍs longos capÌtulos: 'Os italianos no exterior'. È certo que precisamente a Contra-Reforma devia acentuar automaticamente lianos sempre possuÌram de divulgar idÈias e de construir obras em todas as partes do mundo. ao passo que partiam da pa para a It·lia as novas invasıes e domÌnios". A idÈia. revelaria um lado ainda desconhecido da aptid„o que os ita- va o fenÛmeno. 1 8 No programa. como recorda Croce em sua recente HistÛria da Època barroca na It·lia. por certo. foi sugerida por Gioacchino Volpe. n„o por emigraÁ„o de 77 Trecho de um artigo de Arturo Pompeati ("Tres sÈ- . advertindo-se que cada sÈrie compreender· um ou mais volumes. iniciada apÛs o SÈculo XI. renovada por conquistas ideais e polÌticas. Volpe anunciou previamente este trabalho. 16 de junho de 1930).na rubrica "Libri da fare" -. no ˙ltimo capÌtulo. 6 de marÁo de 1932) sobre o livro de Antero Meozzi. seguras.. j· que o gÈnio italiano -. dos quais 50 de luxo. os escritores e n„o-escritores emigrados da It·lia ou imigrados para a It·lia. 6) Pessoas ligadas ‡ navegaÁ„o marÌtima. e escreve: "Exigia-o Cesare Balbo h· muitas anos. todas as artes. E. ocorrida entre os SÈculos XV e XVII. 494. indica: O primeiro ano da Aca"Livros dedicados ‡quela admir·vel irradiaÁ„o de nossa'cultura. O livro tem o andamento de um repertÛrio de nomes. negligencia os tempos antigos que nÛs destacamos de sÈculos obscuros e pane da civilizaÁ„o que. Ora. ou simplesmente emigrados. p·gs. as subdivisıes s„o metÛdicas: pals por pals. Campanella. 76 Euro- culos de italianismo na Europa". n„o mais se pode falar de influÍncias italianas na Europa". O Secret·rioGeral da Comiss„o È o Bar„o Giovanni Di Siura. colonizadores. ao recordar o projeto de Balbo. as quais s„o indicadas em ordem progressiva. etc. Corrado Ricci. comerciantes. Vincenzo Lojacono e pelo Sen. 10) Santos sacerdotes mission·rios. gÈnero por gÈnero. A Comiss„o Diretora È composta pelo Prof. Croce. que pretendemos narrar. Dino Proven- zal -.) Na Italia che scrive de outubro de 1929. As doze sÈries seriam: 1) Artistas de de nossos Ëonterr·neos exilados. Giulio Quirino Giglioli. Quem colhesse dos notÌcias. que durou precisamente trÍs sÈculos. aos quais corresponde — nas notas -a bibliografia relativa.considerado em seu conjunto — operou no mundo para o bem de todos". do XV ao XVII. A obra ser· dividida em doze sÈries. AÁ„o e difus„o da literatura italiana na Europa (SÈculos XV-XVII. se lÈ: "A histÛria do gÈnio italiano no exterior. ao que parece. Ver e estudar esta parte de Croce. como estreitamente ligado (ou exclusivamente ligadÍ) ‡ Contra-Reforma e ‡s condiÁıes da Italia no SÈculo XVII. 4) Arquitetos militares.propıe Uma histÛria intelectuais italianos fora da It·lia.

Muito severo. que — de acordo com seu interesse -. de uma dinastia ˙nica. Conde de Temesvar. compilou sem discernimento". Pippo Spano Nrreu em 27 de dezembro de 1426. Meozzi se coloca problemas inexistentes ou retÛricos. um MarquÈs de Monte. pelo qual cada pessoa que fosse dotada de capacidades polÌticas e diplom·ticas as considerava como um talento pessoal. o Cardeal Mazzarino". do mesmo modo como os capitani di ventura dispunham de sua espada. agentes comerciais e fornecedores das coroas da FranÁa e da Borgonha. que foi "uma das mais caracterÌsticas figuras entre os italianos que levaram extraordin·rias energias para longe da p·tria conquistando postos eminentes nos paises em que escolheram viver". "Inclusive a exatid„o material das colet‚nea de nomes e de informaÁıes nem novas nem originais: "O autor compilou de livros e artigos conhecidissi- publicado n‡ illustrazione Toscana. encontramos diplomatas italianos a serviÁo de outros Estados. A diplomacia. informaÁıes e das citaÁıes deixa muito a desejar". Pompeati elogia o livro de Meozzi. Ladislao Holik-Barab‡s. tinham contraÌdo casamenPor isso. das habilidades diplom·ticas dos italianos. Na PolÛnia. o livro de Meozzi poderia ser ˙til para esta rubrica como material para uma primeira aproximaÁ„o. que se dirigisse ao rei da FranÁa no sentido de solicitar que todo origin·rio de Lucca fosse reconhecido como "burguÍs" de Paris. Comerciantes de Lucca na FranÁa. via a Paolo Guinigi para que este pedisse ao novo Papa. dito Pippo Spano. ainda que a nobreza polonesa tivesse 79 A diplomacia. sob muitos aspectos. o livro de Meozzi È uma futilidade in˙til. No Bolletino storico lucchese de 1929 ou dos inicios de 1930. que dava lugar a contrastes e lutas polÌticas e comerciais. do qual o mais cl·ssico exemplo È. os grandes mercados urbanos e as famosas feiras de Flandres e da FranÁa. um prelado florentino. È Croce na Critica de maio de 1931. profiss„o liberal. sucessivamente. pelo contr·rio. freq¸entemente. criava assim nos SÈculos XVII e XVIII o tipo do diplomata sem p·tria. Os habitantes de Lucca. funcion·rios e contratantes nas administraÁıes civis e financeiras. uma ·rida mos e. intendente das minas. haviam-se tomado propriet·rios de amplas glebas. no fim do SÈculo XVIII. 78 Antologia de P de julho de 1930: "A falta de uma unidade nacional. apareceu um estu- do de Eugenio Lazzareschi sobre as relaÁıes dos mercadores de Lucca com a FranÁa. Todavia. foi embaixador da FranÁa em VarsÛvia. teria encontrado na It·lia um terreno natural para nascer e se desenvolver: 1) velha cultura. "Embaixadores venezianos na PolÙnia". posteriormente libertador do soberano (Rei Sigismundo da Hungria). considerada como uma profiss„o liberal. Galvano Trenta. criava entre os italianos um estado de espirito independente. O Marzocco de 4 de outubro de 1931 resume um artigo do Dr. Scolari foi. n„o tendo realizado pesquisas originais em alguns dos v·rios campos que aborda. na Idade MÈdia. A diplomacia. Pippo Spano na Hungria. Os reis da PolÙnia serviram-se. freq¸entando ininterruptamente. de 1664 a 1669. RENAUD PRZEZDZIEcm. Monsenhor Bonzi. um deles. governador geral da Hungria e comandante militar dos h˙ngaros contra os turcos.podia colocar a serviÁo de qualquer causa. recÈm-eleito.massa. no inicio de 1411. segundo Przezdziecki. seja pela coleta dos materiais. escre- tos ilustres e eram t„o bem aclimatados na FranÁa que podiam dizer agora que tinham duas p·trias: Lucca e a FranÁa. Croce indica uma sÈrie de erros de fato e de mÈtodo bastante graves. Nueva . n„o sendo especialista neles. a partir do SÈculo XII. bolonhÍs. 2) fracionamento "estatal". provavelmente. seja pelos critÈrios de pesquisa e pela ideologia moderada. foi embaixador de Luis XV junto a Stanislau Lesczynski. sobre Fillipo Scolari. Cf. um MarquÈs Lucchesini foi ministro plenipotenci·rio do rei da Pr˙ssia em VarsÛvia. E evidente que. favorecendo portanto o desenvolvimento das capacidades diplom·ticas. Segundo Croce.

Andrea Bollo foi ministro da PolÙnia junto · Rep˙blica de GÍnova e um certo Dall'Oglio foi encarregado de negÛcios em Veneza no fim do SÈculo XVIII. encontramos tambÈm — na segunda metade do SÈculo XVIII -. inclusive pelos dos paises que sÛ recentemente entraram na vida cultural. Asia Povo e intelectuais modernos nos v·rios paÌses. da FranÁa. o fato d· lugar a atritos. acredita trabalhar para a uni„o dos povos em virtude de um pensamento de AndrÈ Gide. de superstiÁ„o? Este fato n„o poder·. Quando principia a vida cultural nos v·rios paÌses do mundo e da Europa? O que nÛs dividimos em "histÛria antiga". foi ·rbitro em grande parte da polÌtica mundial. foram embaixadores poloneses.um Cardeal Antici e um Conde de Lagnasco. J£ havia declinado a import‚ncia dos intelectuais italianos e se iniciava a Època dos aventureiros. os irm„os Magni de Como. Um artigo de JULIEN nas Nouvelles LittÈraires de 2 de novembro de 1929. As civilizaÁıes da India e da China resistem · introduÁ„o da civilizaÁ„o ocidental. da Inglater a. sem indicaÁ„o de fontes no que toca ‡s informaÁıes prestadas. convida os alem„es a n„o esquecerem deste particularismo de seu cÈrebro e. almirantes para a armada. Mil„o e Mantova. acelerar a ruptura entre povo e intelectuais. terminar· por vencer. Nunziante escreve sobre a R˙ssia do SÈculo XVIII: "Da Alemanha. como seu embaixador em Veneza. a Santa SÈ. e a Rep˙blica de Veneza foi o primeiro Estado a organizar um serviÁo diplom·tico regular. Cf. Podem-se tirar dele motivos e indicaÁıes genÈricas. Ladislau Jagellone. Refere-se a uma obra recente. na qual se busca demonstrar a nacionalidade do pensamento e explicar que o Geist alem„o È muito diferente do esprit francÍs. tornou-se embaixador desse que os Panini (brigin·rios de Lucca) foram o tronco da famÌlia dos condes Panin. AmÈrica. todavia. no principio do SÈculo XV. a qual. segundo o qual se serve melhor ao interesse geral na medida BENDA 80 81 . vinham engenheiros e generais para o exÈrcito. cozinheiros e enciclopedistas. Pietro degli Angeli. ‡ Rep˙blica de Veneza e ao Sult„o. em v·rios Estados. a Inocencio VIII. artigo de FERDINANDO NUNZIAN"Os italianos na R˙ssia durante o SÈculo XVIII". Luigi del Monte. È um corol·rio do livro A traiÁ„o dos intelectuais. da It·lia. foi a primeira a instituir nunciaturas est·veis. Ele recorda Nacionalismo e particularismo. Todavia. durante muitos sÈculos. como se pode aplicar aos diversos paÌses? Estas fases diversas da histÛria mundial foram absorvidas pelos intelectuais modernos. Esprit und Geist de Weschseler. TE.aprovado leis que vetavam aos soberanos confiar funÁıes p˙blicas a estrangeiros. bem como a express„o por parte do povo de novos intelectuais formados na esfera do materialismo histÛrico? principalmente pintores. Artigo medÌocre e superficial. Entre os representantes poloneses junto ‡ Santa SÈ. dito Callimaco. mestres de capela e cantores". Italianos na R˙ssia. Domenico Roncalli foi ministro de Ladislau IV em Paris e negociou o casamento daquele soberano com Luisa Maria Gonzaga. Podem aquelas civilizaÁıes originais decair subitamente ‡ condiÁ„o de folclore. "medieval" e "moderna". n„o obstante. intitulado "Comment un Ècrivain sert-il l'universel?". porÈm. rei junto a Sisto IV. Os italianos criaram a diplomacia moderna. sob uma ou outra forma. No SÈculo XVI. havia encarregado um certo Giacomo de Paravesino de missıes diplom·ticas. Francesco Bibboni foi embaixador polonÍs em Madri. bailarinos e filÛsofos. No SÈculo XVI. O humanista florentino Filippo Buonaccorsi da Fiesole. na Nuova Antologia de 16 de julho de 1929. r Europa. apÛs ter sido pedagogo dos filhos de Cassimiro III.

tal tendÍncia ‡ distinÁ„o nacional tornou-se uma guerra de almas nacionais. s„o muitos 82 os que afirmam ser escritores francesissimos. em sua fidelidade. 'È justo que se serve melhor ao universal na medida em que se È mais particular. de maniËre ‡ prÈparer pour le mieux nos crenÁa de que o espÌrito È bom na medida em que adota uma Mas. Benda recorda o manifesto dos 54 escritores franceses publicado no Figaro de 19 de julho de 1919. Mas uma coisa È ser particular. como explicÛ-la nas grandes personalidades? Talvez a explicaÁ„o seja coordenada: as grandes personalidades dirigem os mediocres e transferem para eles.) . "Manifeste du parti de l'Intelligence". ele È. . Deste modo. tendia precisamente que seu dever. Benda conclui observando que toda esta trabalheira para manter a nacionalizaÁ„o do espirito significa que o espÌrito europeu est· nascendq. mesmo sendo homem. Renan permanece francÈs. dos mestres. certa maneira coletiva de pensar. mas o grande escritor se particulariza ainda entre seus conterr·neos e esta segunda "particularidade" n„o È o prolongamento da primeira. un interÈs plus humainement gÈnÈralt' Segundo Benda. e mau quando busca se individualizar.em que se È mais particular. outra È pregar o particularismo. pelo que termina-se sempre por ter raz„o). que -. Goethe era ""nacional" alem„o. bem como o dos pensadores franceses dignos deste nome. Aqui reside o equÌvoco do nacionalismo. se conduzida fora de uma 83 en- nasceu. artisticamente. um evento original. n„o È absolutamente uma conseq¸Íncia necess·ria do espÌrito francÍs. em muitos.na base deste equivoco -pretende freq¸entemente ser o verdadeiro universalista. Quando BarrËs escrevia que "c'est le rÙle des maÓtres de justifier les habitudes et prÈjugÈs qui sont ceux de la France. que se foi tomando cada vez mais precisa graÁas ‡ enorme difus„o do livro e da imprensa periÛdica. o verdadeiro pacifista. de Nietzsche) sabia o que fazia quando afirmava que sua arte era express„o do gÍnio alem„o. isto È. n„o obstante. Wagner (cf. enquanto Renan. reside precisamente na sua diferenÁa para com o grupo de onde … isto que. o Ecce homo. Mas. elas eram e s„o ligadas a um determinado perÌodo histÛrico. os nacionalistas n„o aceitam. arbitr·rio. consistia em entrar tambÈm nesta prociss„o. Mas um espÌrito È particular na medida em que È nacional? A nacionalidade È uma particularidade prim·ria. Esta tendÍncia teve efeitos desastrosos na literatura (insinceridade) . Stendhal "nacional" francÍs. no qual somente a uni„o de todos os elementos nacionais pode ser uma condiÁ„o de vitÛria. Benda vÍ como raz„o de tal fato a enfants ‡ prendre leur rang dans la procession nationale". em relaÁ„o com este espÌrito. precisamente. como o do homem. continua a ser um mamÌfero. Na politica. alguma coisa: sou um contempor‚neo!" Assim. nacional È diferente de nacionalista. Renan. dos mestres. Uma idÈia n„o È eficaz se n„o for expressa de alguma maneira. em sua imediaticidade na express„o deste espÌrito (o qual. Pois bem. entretanto. È definido como o espÌrito dos grandes intelectuais. com suas caracterÌsticas de profundidade passional e de ferocidade. A guerra demonstrou. mas seu valor. mas nenhum dos dois era nacionalista. sou. Ou seja. como Croce. para eles. precisamente. decretar que o essencial È ser nacional. Mas se esta posiÁ„o È ex. Por que tantos escritores modernos atÈm-se t„o intensamente ‡ "alma nacional" que afirmam representar? … ˙til. imprevisÌvel (como diz Bergson) . que estas atitudes nacionalistas n„o eram casuais ou devidas a causas intelectuais (erros lÛgicos. Max Nordau escreve sobre alguÈm que exclamou: -Dizeis que nada sou. necessariamente. etc. constitui-se uma hierarquia e uma organizaÁ„o de fato e isto È o essencial de toda a quest„o: Benda.i*·vel nos mediocres. particularmente. consiste em sua semelhanÁa com o espirito de seu grupo. o valor dos grandes intelectuais. ademais. bem como que È no sentido do espirito europeu que o artista dever· individualizar-se se quiser servir ao universal. do mesmo modo como o homem. para quem n„o tem personalidade. determinados preconceitos pr·ticos que n„o causam dano ‡s suas obras. convidando assim toda uma raÁa a se aplaudir a si mesma em suas obras. no qual se afirmava: "N'est-ce pas en se nationalisant qu'une littÈrature prend une signification plus universelle. A luta intelectual. examina a quest„o dos intelectuais abstraindo a situaÁ„o de lasse dos prÛprios intelectuais e a sua funÁ„o.

de uma crise dos intelectuais. ‡s "palavras" [mas isto È verdade? v·rios fatos seguiram tambÈm o romantismo: 1830. dos quais tÍm horror: predomina o tÈdio. porque se est· no mundo. È estÈril. na Mort de la pensÈe bourgeoise. na FranÁa. È verdade que o espirito europeu est· nascendo. existe um pais onde o prolet·rio È ditador. trata-se do seguinte: n„o foi tanto a guerra que mudou o mundo. pelo contr·rio. Mille escreve que È muito "oportuno" o que pergunta Emmanuel Berl. graÁas ao lirismo. 1831. no passado. classes que eram dirigentes. mas precisamente isto agudiza o car·ter national dos intelectuais. este estado de espirito se assemelha ‡quele de onde nasceu o romantismo. Hoje. mas n„o apenas ela]. que antes pareciam dominar. RevoluÁ„o Russa aceleraram A guerra e a o movimento que j· existia antes de agosto de 1914. "L'Esprit de la littÈrature moderne". no na efus„o verbal. num artigo intitulado "Deux littÈraires et d'angoisse: 1815-1830 et 1918-1930". trata-se de uma revoluÁ„o social: formou-se um "supercapitalismo" que. particularmente do estrato mais elevado. com a seguinte diferenÁa: os rom‚nticos se libertavam dele graÁas ‡ efus„o liter·ria. as jovens geraÁıes n„o crÍem mais na literatura. mÈdia burguesias. Para Mille. e n„o somente europeu. o desgosto. inclusive desespero. Crise econÙmica das classes Èpoques Os intelectuais franceses. aliado tacita- mente ‡ classe oper·ria e aos camponeses. os oper·rios que pensam: l·.e luta real que tenda a subverter esta situaÁ„o. portanto. 1848. est„o em crise. no Leste. mal-estar. Nas Nouvelles LittÈraires de 12 de outubro de 1929. na RÈvue des Deux Mondes. Mille. Mille quer dizer que. quando pretendia que os escritores. sabe porque mÈdias que "n'arrivent mÍme pas ‡ concevoir que vingtcinq francs ne valent plus que cent sous" e "voudraient que ce soit comme avant". 84 Segundo se vive. trata-se. existiu a efus„o liter·ria. na Pierre Mille cita um artigo de AndrÈ Berge qual se assinala a inquietaÁ„o das jovens geraÁıes liter·rias frann„o mais se cesas: desilus„o. e que por isso sonham com a It·lia fascista. lirismo. existiu um ulterior desenvolvimento intelectual e banc·rio e que a pequena . e agora n„o mais dirigem. ataca a velha burguesia.

Ècrit 85 . "n'est plus fondÈ en dignitÈ" (perde sua dignidade) [È verdade que a literatura se afasta do povo e se toma fenÙmeno de casta.90% dos quais s„o burgueses. n'en retrouve point l'accËs". Jeunesses laÔques et rÈpublicaines. que se tornou literatura de estetas. A literatura. um certo momento da cultura francesa por volta de 1848 e atÈ 1870. Margueritte È lido pelo povo. tivessem simpatia por aqueles que pretendem desapropri·-los! Alguns traÁos do quadro me parecem exatos e interessantes. etc. Pierre Hamp fala do povo. Tellement sÈparÈs que l'intellectuel. On dirait que les usines gÈantes dÈterminent une zone de silence de laquelle l'ouvrier ne peut plus sortir et o˘ l'intellectuel ne peut plus entrer. "La fidÈlitÈ difficile. que ainda È mais moral. o romance popular [que entende ele por romance popular?] separa-se cada vez mais da literatura propriamente dita. excluido da vida espiritual (!). "Et autour de nous. V. pronunciou em MÈdan — na casa de Zola um discurso por ocasi„o da peregrinaÁ„o anual "Ami(creio) dos gos de Zola" (democratas. nous sentons croÓtre cette famine du peuple. que provocou. a tradicional "fraternidade" n„o foi sen„o a express„o da bohËme liter·ria francesa. morre -o proletariado. e nossa `literatura de estetas' morre por causa de seu egocentrismo". qui nous presse sans que nous puissons le satisfaire. Emmanuel Berl. qui nous interroge sans que nous puissons lui rÈpondre. teve um certo renascimento com Zola]. mas seus livros s„o lidos pelos literatos. qui rÈclame une justification de sa peine sans que nous plissons la lui donner. mas n„o fala do povo.) . issu du milieu ouvrier. do que imediatamente polÌtica. mas isto leva a uma maior dignidade do povo. separada do povo. Atualmente. ao que um certo rebuliÁo. A velha FranÁa pequeno-burguesa atravessa uma crise muito profunda. de Henri Barbusse. entretanto. O ˙nico livro francÍs que continua Zola È Le feu. Mort de la pensÈe bourgeoise. parece. pois a guerra fizera renascer na FranÁa uma certa fraternidade. Em 1929. Escreveu um livro. Zola na literatura e JaurËs em polÌtica foram os ˙ltimos representantes do povo. "ApÛs a morte de Zola e de JaurËs ninguÈm mais sabe falar do povo ao povo.

un pont entre le prolÈtariat et la bourgeoisie. culpa È dos intelectuais. a dura lex. Mas seus irm„os deixam de reconhecÍ-lo. Sue. O exame pessoal. n„o reencontra de modo algum o caminho para ele". de uma justiÁa abstrata que generaliza e codifica. define o direito e pronuncia a sanÁ„o. como se podia esperar. de Madariaga. Alto capitalismo: o oper·rio taylorizado substitui o velho povo. mas a prÛpria noÁ„o de norma jurÌdica. Un bourgeois de plus. Mas se a tarefa do escritor È agora mais difÌcil. aos cuidados de Alessandro Schiavi.) o "Portanto. 1) HANS FRANK. "A fidelidade difÌcil — escreve Jean GuÈhenno — pode ser a fidelidade impossÌvel. Mas os autores alem„es a entendem antes como a restauraÁ„o de uma ordem natural sobre as ruÌnas de uma ordem artificiosa. Telle est notre devise. Laterza. do T. Este È nosso drama. que aparece em Zola. i[ faut.** interroga sem que possamos lhe responder. n„o deve por isso ser ne- donc ou avec rien. e. em volta de nÛs. que reclama uma justificaÁ„o de seu sofrimento Portanto. "Avec Zola o "E. ou cJue ele n„o tenha linguagem alguma e caia numa espÈcie de barb·rie'. Mais ses frËres cessent de le reconaitre. Dado que o povo n„o participa absoluta- principio da autoridade. Um burguÍs a mais. Tel notre drame. se opıe ao Intelectuais alem„es.funÁ„o desempenhada pelos intelectuais na Espanha antes da queda da monarquia. que nos pressiona sem que o possamos satisfazer. Mas o mundo se modificou. W32. et c'est bien. que nos sem que possamos dar-lha. do T. pelo menos. estado militar. que ainda n„o se distinguia muito bem da pequena-burguesia. summa injuria. ou bien qu'il s'oppose ‡ eux. sentimos crescer esta fome do povo. a justiÁa que protege estas instituiÁıes caducas. escritores de di·rios Ìntimos. saÌdo do meio oper·rio. a funÁ„o 'dos intelectuais na polÌtica tem um car·ter que È inconfundÌvel e cujo estudo pode valer a pena. O homem È infeliz e mau en87 publicada uma antologia de seus relatos de histÛria alem„ para as escolas. N„o mais vÍem nele um dos seus. deformaÁ„o arbitr·ria da vida p˙blica e da natureza humana. ensaio de histÛria contempor·nea. Nove relatos que s„o nove exemplos visando a demonstrar que summum jus.) 86 .Jean GuÈhenno. da anarquia sentimental contra a regra da inteligÍncia. Zola descreve a ind˙stria nascente. determinadas pela situaÁ„o particular das massas camponesas na Espanha. Comme le peuple ne participe nullement aux modes d'expression des intellectuels. que se tornaram conformistas. press„o. O fenÙmeno espanhol tem caracterÌsticas prÛprias. Frank n„o È um jovem que queira armar paradoxos: tem cinq¸enta anos e foi mente dos modos de express„o dos intelectuais. Contudo. eis tudo. T„o separados. que È combatido em todas as suas formas: dogma religioso. a fraternidade ou a morte. n„o tem mais a gligenciada.* A Os intelectuais na Espanha. a qual n„o È sen„o coerÁ„o. E esta È nossa lei". na Espanha. uma ponte entre o proletariado e a burguesia. ensino oficial. Homem de fortes convicÁıes. dos intelectuais alem„es sob o dominio francÍs e dos enciclopedistas do SÈculo XVIII. prestÌgio paterno e. Mas. Dir-se-ia que as f·bricas gigantes determinam uma zona de silÍncio. rep˙blica 'tse apresenta como uma rep˙blica de intelectuais. retorno ao povo. que se tornaram refinados e preciosos no estilo. O direito È a injustiÁa. peculiares. ao passo que Zola era revolucion·rio (I). qu'il constitue une sorte de nationalitÈ avec son langage propre. em Victor Hugo. la fraternitÈ ou la mort. liame conjugal. na Espanha. deve-se aproximÛ-lo da funÁ„o da intelligentzia russa. Deve existir. Esta È nossa divisa. da qual o oper·rio n„o pode mais sair e onde o intelectual n„o pode mais entrar. que Íle constitua uma espÈcie de nacionalidade com sua linguagem prÛ ria. poder mon·rquico. retorno a Zola. novamente. (N. ao passo que Zola era Èpico. bem como hoje n„o existe mais. O rentista n„o estabelece absolutamente. sobretudo. Et telle notre loi". comme on pouvait °espÈrer. ou que. O caso de Hans Frank n„o È um caso individual: È o sintoma de um estado de espÌrito. Ils ne voient plus en lui un des leurs. Le boursier n'Ètablit nullement. em George Sand. Sobre a•. em E. que o intelectual. da funÁ„o dos intelectuais italianos no Risorgimento. ou com Zola ou com nada. Combate o direito romano. deve-se ver o livro do S. Espanha. Zola conhecia um povo que mesma import‚ncia. peut-Ítre la fidelitÈ impossible. Bari. (N. e n„o apenas esta ou aquela lei inumana e antiquada. ou bien qu'il n'ait pas de langage du tout et s'enlise dans une sorte de barbarie". È necess·rio ou que ele se oponha a tais modos. Um defensor do Ocidente poderia ver nisso a revolta da "desordem alem„" contra a ordem latina. em Proudhon.

$ preciso libert·-lo para salv·-lo. quanto a desenvolver o car·ter.quanto È preso pela lei. era reservada a poucos. cuja superioridade moral era instintivamente reconhecida e aceita pelas classes mais humildes. a preparar uma Pequenas notas sobre a cultura inglesa. de abolir as coerÁıes de um dever mentiroso. tÌpico contra a justiÁa. num romance. È evidente que a educaÁ„o inglesa visava n„o tanto a cultivar a mente. de um monstruoso postulado moral. È preciso provir das chamadas public schools. um domÌnio seguro de si mesmo. poder-se-ia quase dizer que atÈ ‡ guerra mundial. atÈ todo o sÈculo passado.. AtÈ algumas dÈcadas atr·s.. nas administraÁıes p˙blicas.patr„o. pelo costume. general imperioso e brutal.A teoria de Freud — o complexo de …dipo -. como todos sabem. destrÛi a vida do filho ao fazer dele um soldado sem vocaÁ„o.. HAUPTMANN. que s„o tudo. -. n„o corresponde ao gentiluomo italiano.. "Na Inglaterra. rival. portanto. mas fundamentalmente tÈcnica e profissional. n„o comete um delito de lesa-humanidade? Deve ser imolado como sendo duas vezes usurpador: como chefe e como pai. mas capacidade de realizar o prÛprio dever e de compreender seus semelhantes. Um pai) .Na Inglaterra. A mais cÈle89 mentos. respeitando todo princÌpio. em prejuÌzo da cultura hu- 2) LEONHARD FRANK. "Novos livros e novas tendÍncias na cultura inglesa"). A raz„o: o herÛi assassina o seu ex-professor. a grande maioria. mann. toda fÈ que seja sinceramente professada". (Cf.colocado na ordem das coisas naturais. A virtude criadora da destruiÁ„o se tornou um artigo de fÈ. ".Oxford. A educaÁ„o superior ou universit·ria. A influÍncia de Freud sobre a literatura ale- Michael Kramer. sem por isso ser vetada aos mais pobres. a enriquecÍ-la com vastos conheciclasse aristocr·tica. de cultura tÈcnica e LhtÌfica. Leonhard no campo editorial e na organizaÁ„o global das instituiÁıes universit·rias do Reino Unido. boa sem d˙vida. desde que obtivessem. Remarque. È a pessoa culta. a finalidade educativa mais alta que as melhores escolas se propunham era a de formar o gentleman. Um pai. Para entrar em Oxford e em Cambridge. Cambridge e Londres — e uma menor em Durham. no comÈrcio. que o assassino n„o È culpado. A palavra gentleman. Glaeser. e n„o pode ser traduzida com precis„o em nossa lÌngua. Os pais abdicam de seu "patriarcado" e fazem autocrÌtica honrosa diante dos filhos.o Ûdio pelo pai -. que os preparava para os ofÌcios n„o diretivos. e a novela de Jakob Wasser- m„ È incalcul·vel: ela est· na base de uma nova Ètica revolucion·ria (I) . que mais tarde seriam chamados a desempenhar nas ind˙strias. Der Fall Mauritius. analisa as modificaÁıes org‚nicas que se est„o verificando na cultura inglesa moderna. se por cultura entendermos n„o simplesmente riqueza de conhecimentos intelectuais. deviam se contentar com uma instruÁ„o. H. e que tem suas manifestaÁıes mais evidentes 88 . porque este tinha desfigurado sua alma: o autor defende a inocÍncia do assassino. cujo senso moral ingÍnuo È o ˙nico capaz de quebrar o contrato social tir‚nico e perverso. 3) FRANZ WERFEL: sustenta. Stefan Zweig. Guido Ferrando. existiam na Inglaterra apenas trÍs grandes universidades completas -. Os outros. num artigo do Marzocco (17 de abril de 1932. Portanto. mas que possua um sentido de equilibrio. Nasce assim o motivo do parricÌdio e sua apologia. Mann. cada vez mais se acentua uma pprientaÁ„o no sentido de uma forma manista". no significado mais nobre do termo. aos filhos de famÌlias grandes pela nobreza ou pelos rendimentos. uma disciplina moral que lhe permita subordinar voluntariamente seu prÛprio interesse egoÌsta aos interesses mais vastos da sociedade em que vive. toda opini„o. 4) WASSERMANN. mas em raz„o de um imperativo categÛrico. express„o primeira do principio de auto- ridade -. O gentleman.. A emancipaÁ„o dos filhos da tutela paterna È a tese em voga entre os romancistas atuais. Freud deu um novo aspecto ao conflito eterno entre pais e filhos. graÁas ao talento. mas sim a vitima: nada existe nele de Quincey: trata-se de um ato moral. n„o em nome da piedade pela culpa tr·gica. uma bolsa de estudos. indica uma pessoa que tenha n„o sÛ boas maneiras. Frank. inclusive porque muito cara. menos p˙blicas. a absolviÁ„o de Orestes. pelas idÈias adquiridas. modelo.

os outros mil. refletindo mais fielmente do que entre nÛs a vida intelectual da naÁ„o" Nesta vida intelectual est· ocorrendo uma modificaÁ„o. "A cultura se democratiza e se nivela fatalmente". Hoje. "Mesmo Oxford e Cambridge tiveram de fazer con90 O movimento no sentido da nova cultura È geral: surgem escolas e instituiÁıes privadas. a de Eton.. sociologia etc. com raenormes. com mais de mil alunos. do homem polÌtico. particularmente os que tem sucursais na AmÈrica. o segundo n„o È mais ocupado pelos livros para crianÁas.bre destas escolas. posteriormente. recebem uma educaÁ„o principalmente moral e se tornar„o. existindo ademais um sensÌvel aumento das obras histÛricas e biogr·ficas e dos volumes de car·ter tÈcnico e cientÌfico. dominadora dos mares e dona dos grandes mercados do mundo. O fenÙmeno È mundial. um tom aristocr·tico. em Southampton. serve para lhes fornecer aquele sentido de equilÌbrio. Liverpool. em Hull. noturnas. surgiram novas universidades nos grandes centros industriais: Manchester. agora. em Reading. atÈ agora dominante na Inglaterra. sobretudo populares. "0 tipo do gentleman n„o tem mais raz„o de ser. "Na Inglaterra. em Exeter. ela se encaminha para uma forma de cultura fundamentalmente tÈcnica. e se anunciam mais duas. Pelos volumes enviados ‡ Feira Internacional do Livro. e nestes ˙ltimos anos. aos rapazes mais estudiosos. toda uma literatura cientÌfica popular. Swansea e Aberystwith. na administraÁ„o p˙blica". A educaÁ„o cientÌfica comeÁa a predominar. cessıes. o PaÌs de Gales quis sua universidade e a fundou em Bangor. As matÈrias que mais interessam s„o. que mesmo os jovens das classes cultas e aristocr·ticas consideram os estudos cl·ssicos como uma in˙til perda de tempo. O livro americano foi comercializado com a cultura. que d„o direito ‡ instruÁ„o e ‡ manutenÁ„o gratuitas e s„o concedidos. representava o ideal da educaÁ„o inglesa quando a Gr„-Bretanha. Sheffield. em Newcastle. a Inglaterra È ameaÁada pela AmÈrica inclusive na cultura. instituÌram os Extention Courses". fundada em 1440 por Henrique VI para receber "setenta alunos pobres e indigentes". Mas a Inglaterra resistira mais tempo do que outros paÌses. em comparaÁ„o com o primeiro trimestre de 1931).to isso. podemos ver que os recentes livros de car·ter cultural s„o mais tÈcnicos do que educativos. Os editores brit·nicos. com um ensino hÌbrido mas essencialmente tÈcnico e pr·tico. na marinha. como medicina. admiraÁ„o pela ciÍncia È t„o grande. aquele refinamento de gosto que s„o elementos integrantes da verdadeira cultura". de harmonia. mediante concurso. existem ainda os setenta lugares para internos.. enqu. atravÈs do crivo universit·rio. 91 . os outros s„o externos e pagam somas "Os setenta colegiais. a fim de satisfazer ‡s necessidades de estudo do grande p˙blico. da fÌsica e da quÌmica. o livro — precisamente porque mais lido e mais divulgado do que entre nÛs -exerce uma efic·cia formativa e educativa not·vel. as universidades multiplicaram-se ainda mais. na vida polÌtica. Birmingham. as profissionais. alÈm das ciÍncias aplicadas. em Nothingam e em Leicester. que em geral estudam menos. Perdida a supremacia naval e comercial. tornando-se um competidor cada vez mais ameaÁador do livro inglÈs. mas por livros pedagÛgicos e educativos em geral. para adultos. o romance conserva o primeiro lugar. que mantiveram a tradiÁ„o da Idade MÈdia e do Renascimento. È de base humanista". tomou-se. ApÛs a guerra. atualmente a mais aristocr·tica escola da Inglaterra. desenvolvendo cada vez mais a parte cientÌfica. Finalmente. Dos volumes publicados no primeiro trimestre de 1932 (que cresceram numericamente. a tendÍncia È a de emprestar · cultura um car·ter fundamentalmente tÈcnico. indubitavelmente. na universidade. s„o os que. economia polÌtica. alÈm disso. a classe dirigente. destinada a ocupar os mais altos postos no exÈrcito. tendem a dis. engenharia. se especializar„o e se tomar„o os futuros professores e cientistas. "o conhecimento dos grandes autores gregos e latinos È considerado n„o somente ˙til. "Esta concepÁ„o da educaÁ„o. Em todos estes centros. Nos ˙ltimos trinta ou quarenta anos. tiveram que adotar os mÈtodos de propaganda e de divulgaÁ„o americanos. como indispens·vel para a formaÁ„o do gentleman. as coisas se modificaram". Leeds. Surge. Na maioria das public schools e nas universidades de Oxford e Cambridge. mificaÁıes em Cardiff. podia se permitir o luxo de uma polÌtica de esplÈndido isolamento e de uma cultura que tinha em si. em FlorenÁa. Bristol.

desde mestres de ensino elementar atÈ professores universit·rios. e -. seja latitudinarista. Cat- De um artigo da Sobre a civilizaÁ„o inglesa.nesta atitude — revela-se extremamente cauteloso. do Canad· e da India. particularmente entre os europeus colonizadores e os africanos e asi·ticos colonizados. deveria acompanh·-los. PublicaÁıes sobre a literatura inglesa de J. etc. 1929). Ele sustenta que a Inglaterra jamais aceitar· uma Igreja governada por italianos". Entre os v·rios temas discutidos. Ferrando assistiu a uma grande convenÁ„o. Johnson È precisamente o convertido: "O ingles mÈdio n„o pensa quase nunca na quest„o da autoridade em sua religi„o. da qual participaram centenas de docentes de todos os nÌveis. A obra de Jusserand È fundamental. desconfiado e arredio na admiss„o da intervenÁ„o de qualquer autoridade. um terceiro volume. Por isso. estava o da lÌngua. Sheed and Ward. Guido Ferrando. E ainda: ". È cada' vez maior o n˙mero dos que acolhem mais intensamente a d˙vida em sua mente: ser· que os Evangelhos s„o verdadeiramente dignos de fÈ.A maior senhor.cutir problemas cientificos e aspectos da vida social ou a fornecer conhecimentos. final. Ele n„o admite nenhuma ingerÍncia. Ele aceita aquela forma de ensino da religi„o anglicana na qual foi formado. n„o querendo professar mais do que realmente crÍ. Jusserand foi di- r Civilt· tolica de 4 de janeiro de 1930. publica um artigo — "EducaÁ„o e colınias" — do qual extraio alguns temas.. tinham sido publicados dois volumes da obra principal de Jusserand. Outros trabalhos sobre a literatura inglesa e sobre a histÛria da cultura inglesa do mesmo autor. da Africa do Sul e da Austr·lia. e que teve lugar em Londres no fim de julho. Histoire littÈraire du peuple anglais. a qual se revela naquele sentido quase de desgosto. Os ingleses e a religi„o. que a religi„o crist„ È obrigatÛria para todo o mundo e que È possÌvel conhecer com certeza qual era realmente a doutrina de Cristo? Conseq¸entemente. Em suma. havia sido aluno de Gaston Paris e de Hyppolite Taine. EducaÁ„o e lÌngua no ImpÈrio InglÈs. extraio esta citaÁ„o do livro de Vernon Johnson One Lord. afasta tudo o que n„o pode aceitar e cria para si uma religi„o pessoal prÛpria". num impÈrio em transformaÁ„o. talvez parafraseando: "Ele (o inglÈs mÈdio) considera a religi„o como um negÛcio exclusivamente privado entre Deus e a alma. Londres. seja evangÈlica. mesmo para os historiadores ingleses. o problema de como promover e desenvolver um melhor entendimento entre as diversas raÁas. tratava-se de decidir se era oportuno ensinar tambÈm 93 . "Era interessante ver com quanta franqueza e com quanta agudeza dialÈtica os representantes da India reprovavam aos ingleses sua incompreens„o para com o espirito indiano. Um dos temas fundamentais do Congresso era o do interracial understanding. one Faith (Um uma fÈ. inclusive. naquela atitude de superioridade e de desprezo.) . estavam presentes muitos conhecidÌssimos educadores dos Estados Unidos. de todas ( as dificuldades para o retomo dos ingleses ‡ inglÍs. O Congresso se propÙs discutir os verdadeiros aspectos do problema educativo in a changing Empire. The British Commonwealth Education Conference. que a maioria do povo brit·nico tem ainda hoje diante dos indianos e que durante a guerra. Por isso. provenientes de todas as partes do ImpÈrio. O instinto de que a independÍncia nacional e a independÍncia religiosa s„o insepar·veis È inato e profundamente radicado em seu espirito. 92 no Marzocco de 4 de outubro de 1931.-J. JUSSERAND ( HistÛria liter·ria do povo inglÈs -Histoire littÈraire. e segue-a atÈ o momento em que comeÁa a n„o satisfazer suas necessidades ou entra em conflito com sua opini„o pessoal. No momento de sua morte (cega de setembro de 1932). hesita em admitir que Jesus Cristo fosse verdadeiramente Deus". do Kenia e da Nova Zel‚ndia. muito menos em Igreja Romana) È o amor pela independÍncia que tem cada religi„o Ë menos ainda por parte de um estrangeiro. seja anglocatÛlica.. "A obra da graÁa numa recente convers„o do anglicanismo". levava os oficiais ingleses a se afastarem da mesa e a deixarem a sala quando entrava um oficial indiano". O escritor da Civilt‡ Cattolica continua. sendo substancialmente honesto e sincero. mais do que a formar o car·ter. plomata francÈs em Londres.

que se obstinou em afirmar que os seus (digamos assim) conterr·neos n„o tinham nenhum desejo de se tornarem europeus. sua influÍncia sobre a coisa p˙blica È quase nula". sem que surja uma nova ordem". AlguÈm que dela faz parte compara-a ao que foi a EnciclopÈdia na FranÁa do SÈculo XVIII. A observaÁ„o de que a InteligÍncia americana tem uma posiÁ„o histÛrica similar ‡ da EnciclopÈdia francesa no SÈculo XVIII È muito aguda e pode ser desenvolvida. entre que se saiba como lutam entre si catÛlicos e protestantes: naturalmente. mas espiritual. Isto mina o antigo equilibrio do Estado americano. em "Estranho interl˙dio" (Corriere della Sera. por isso. na Civilt‡ Cattolica de 18 de outubro de 1930. Borgese. o homem comum. A mesma critica fazem os protestantes aos catÛlicos. o fato significaria t„o-somente que ocorreu uma verdadeira e propriamente dita diferenciaÁ„o. uma alma privada de o tipo de organizaÁ„o eclesi·stica do Isl„ e a import‚ncia cul- 95 . Observa que. A. Onusby Gore. virtualmente seu controle. divide a populaÁ„o dos Estados Unidos em quatro estratos: a classe financeira. isto È.‡s populaÁıes semi-selvagens da Africa a ler tomando por base o inglÈs. concentradas notadamente no Leste. classe financeira e classe polÌtica s„o — na AmÈrica -. O Prof. "O Congresso sustentou o banco e a bolsa. Espiritualmente. AusÍncia de um clero regular que sirva como trait-d'union entre o Isl„ teÛrico e as crenÁas populares. os catÛlicos apresentam as missıes protestantes como vanguarda da penetraÁ„o econÙmica e polÌtica dos Estados Unidos e lutam contra ela. ~jfa realidade. ao invÈs de seu idioma nativo. diretor da Faculdade de Letras de uma universidade sul-africana. atÈ agora. "acredito que um zulu. Pequenas notas sobre a cultura isl‚mica. a classe financeira — que antes dominava a classe polÌtica "sofreu" nestes ˙ltimos meses o socorro desta. 0 artigo È interessante e instrutivo para as quais cerca de um milhar de escritores. se era melhor manter o biling¸ismo ou tender — por meio da instruÁ„o -a fazer com que a lÌngua indÌgena desaparecesse. apresentando a Igreja e o Papa como potÍncias terrestres que se vestem de religi„o. ao passo que eles os sul-africanos — viviam no amanha. Por enquanto. estavam todos de acordo em afirmar esta sua independÍncia. A intelectualidade È min˙scula ao extremo. mas a estrutura econÙmico-corporativa. um leve sentido de orgulho racial". Australianos e canadenses. sustenta que foi um erro tentar desnaturalizar as tribos africanas e se declarou favor·vel a uma educaÁ„o tendente a dar aos africanos o sentido de sua prÛpria dignidade de povo e a capacidade de se governarem por si mesmos. fazia eco o outro grito dos representantes dos Dom inions: "N„o nos sentimos ingleses". CatÛlicos e protestantes na AmÈrica do Sul. que organize permanentemente a massa do Homem comum. "N„o se julgue apenas pelo n˙mero. Os germes deste desenvolvimento j· existiam (partido progressista). que irrompia espontaneamente do peito dos representantes dos nativos das colÙnias brit·nicas da Africa e da Asia. surpreenderam-me as breves declaraÁıes" de um africano. observara argutamente que a Inglaterra tradicionalista e conservadora vivia no ontem. a quem n„o goste de ir alÈm dos fatos. Cf.a mesma coisa. a intelectualidade. ex-subsecret·rio para as colÙnias. a classe polÌtica. 15 de marÁo de 1932). levantando o sentimento nacional. No debate que se seguiu ‡ " conferÍncia de Onusby. Cillie. n„o somente polÌtica. o CapitÛlio de Washington escorou Wall Street. ou dois aspectos da mesma coisa. G. a este grito. que a fase econÛmico-corporativa da histÛria americana est·' em crise e que uma nova fase est· surgindo: isto sÛ se revelar· claramente se se verificar uma crise dos partidos histÛricos (republicanos e democratas) e a criaÁ„o de um poderoso partido novo. "N„o queremos ser ingleses". ela 94 zenas de milhares. ela est· entre as mais capacitadas do mundo. comparada ‡s duas primeiras: algumas de- forÁa operatÛria. apÛs a crise. Pequenas notas sobre a cultura americana. Seria necess·rio estudar bem aparece como um cÈrebro sem membros. sentiase em suas palavras uma ponta de nacionalismo. sempre reagiu eficazmente contra tais germes. cidad„os da Nova Zelandia e da Africa do Sul. o artigo "O protestantismo dos Estados Unidos e a evangelizaÁ„o protestante na AmÈrica Latina".

mas em pequena escala. a ligaÁ„o entre os inteque n„o pode ser sen„o moment·neo. MICHEIANGELO Gmoi. A separaÁ„o entre intelectuais e povo deve ser muito grande. nos ˙ltimos anos. provocavam algo similar. 0 fenÙmeno dos santos È especifico da Africa setentrional. e os "santos" mais populares ainda do que os s˙ficos. MaomÈ. o culto devia ser mais austero. mas que acumula massas psÌquicas de emoÁıes e de impulsos que se prolongam mesmo em Èpocas normais. isto È. um viajante que se estabeleÁa numa localidade para realizar obras de ascetismo e benefÌcios importantes em favor das populaÁıes circunvizinhas. como 97 milagrosa e a capacidade de resolver as d˙vidas e problemas teolÛgicos da raz„o e da consciÍncia. que teve esta linha de desenvolvimento). que podem por especial favor — entrar em contato com Deus. limitado. representado pela uni„o com a divindade lectuais do Isl„ e o povo torna-se t„o-somente o "fanatismo". Mur„bit ( morabiano) quer dizer: que est· no rib„t. tambÈm um desconhecido. que se encontram na cabeÁa das insurreiÁıes contra os europeus. na guerra santa. organizado em sistema e expresso externamente nas escolas s˙96 . para o povo. o artigo "Os santos no Isla". na Nuova Antologia de 19 de agosto de 1929. tornar-se um precioso auxiliar da expans„o euA nova evoluÁ„o do Isl„. ou chefes de confrarias religiosas. conservou-se um especÌfico h·bito religioso. pelas conseq¸Íncias so ciais. contra os infiÈis. O centro do marabutismo È o Marrocos. O sufismo. ao passo que o povo primitivo tende a um misticismo prÛprio. e de uma breve nota introdutÛria do Prof. o problema seguinte: se o Isl„ È. j· que os santos constituem uma potÍncia. A nota de Guidi coloca. ondas de fanatismo. isto È. que exercem a funÁ„o de juÌzes de paz e que foram talvez o veÌculo de uma cultura superior. encontrou substitutos. em escala demasiadamente local. observado mais atentamente. Michelangelo Guidi. mas tem alguma difus„o tambÈm em outras zonas. sem o resolver. isto È. os intelectuais (sacerdotes ou doutores) deveriam manter este liame atravÈs dos livros sagrados. 19 de outubro de 1928. uma extraordin·ria forÁa. que pode ser o maior obst·culo ‡ difus„o da civilizaÁ„o ocidental. adquirindo uma perene virtude plorada. com violentas cenas de penitÍncia]. merece ser estudado melhor. Trata-se de um artigo mediocre do diplomata anglÛfilo do Afganist„o. da mesma maneira que pode. de Bruno Ducati. o ˙ltimo liame vivo entre a divindade e os homens. no lugar fortificado da fronteira de onde se deve irromper.tural das Universidades teolÛgicas (como a do Cair e dos doutores. foi proclamado — proclamou-se — o ˙ltimo dos profetas. entretanto. Santos. Nuova Antologia. insistindo sobre a import‚ncia polÌtica dos atravÈs da mediaÁ„o dos santos (o protestantismo n„o tem e n„o pode ter santos e milagres). Ducati analisa minuciosamente este fenÙmeno africano. "Sirdar Ikbal Ali Shah". mas uma tal forma de organizaÁ„o religiosa tende a se tornar racionalista e intelectualista (cf. No rib„t. as chamadas missıes. graÁas ‡ funÁ„o daqueles soldados presidi·rios. A hagiografia popular È mais simples do que a s˙fica. civilizadoras e politicas que dele derivam. diminuem cada vez mais as tumbas de morabianos. para o leste. Muitos santos recordam os velhos deuses das religiıes derrotadas pelo Isl„. Os santos muÁulmanos s„o homens privilegiados. Durati conclui: "Este culto (dos santos). . [O catolicismo agoniza pela seguinte raz„o: porque n„o pode criar periodicamente. cerimÛnias eucarÌsticas coletivas que se desenvolvem com fabuloso esplendor e provocam relativamente um certo fanatismo: mesmo antes da guerra. Ele encontra sua raz„o de ser na necessidade (existente tambÈm no cristianismo) popular de encontrar intermedi·rios entre si e a divindade. pode ser proclamado santo pela opini„o p˙blica. s„o os mais cÈlebres fundadores ticas e nas confrarias religiosas. desenvolveu uma verdadeira ao quadro geral do monoteÌsmo maometano. mais fan·ticos. como Cristo. as morabianos. freq¸entemente volunt·rios (corajosos do Isl„) : quando a finalidade militar perdeu import‚ncia. como o fez no passado. o protestantismo. O marabutismo depende de uma fonte da santidade muÁulmana diversa do sufismo. apÛs a guerra. se habilmente exropÈia". Ikbal Ali Shah. particularmente em certas zonas do mundo muÁulmano: È assim que se explica o fato de que as tendÍncias politeÌstas do foldore renasÁam e busquem se adaptar teoria da santidade e fixou uma verdadeira hierarquia de santos. Este novo movimento do Isl„ È o sufismo. Cf. cuja atividade culminava na ereÁ„o de uma imensa cruz.

Poder· ser substituido por uma religi„o crist„? Absurdo supı-lo no que toca ‡s grandes mas98 . recordando apenas que pode nos ajudar a opini„o dos prÛprios orientais (mas n„o s„o eles "aparÍncia" que engana. que a ausÍncia de uma maciÁa organizaÁ„o eclesi·stica do tipo crist„o-catÛlico deveria Moderno (de agosto de 1928). R. concili·vel com o progresso moderno e se ele È susceptÌvel de evoluÁ„o. ou pelo menos n„o se tem a coragem de colocar a quest„o existe uma crise determinada precisamente por esta difus„o de elementos modernos). Ao que me parece. que durante a espera amadurecessem nele novos agentes religio- adaptaÁ„o mais f·cil. inclusive que estas discusıes sobre o Isl„ ocorrem porque sos formid·veis. segundo o qual uma breve estada em Anatolia n„o pode ser suficiente para julgar sobre questıes t„o vivas. numa rescensiio publicada sobre o livro de Hartmann no Oriente relaentre e civilizaÁ„o moderna. e reproduz o julgamento formulado pelo Prof. se tomados um por um?). em sua manifestaÁ„o industrial-econÛmicapolÌtica. Por que o Isl„ n„o poderia fazer o que fez o cristianismo? Parece-me. Guidi (pelo menos nessa nota) n„o conclui. e que muitas das fontes de Hartmann s„o de origem liter·ria. bem como que a forÁa implÌcita na concepÁ„o oriental da vida tivesse raz„o diante do materialismo ocidental e reconquistasse o mundo. recente do Refere-se a um pequeno livro Prof.das Áıes cristianismo religi„o. publicado apÛs uma estada em Angora e que responde af irmativamente ‡ quest„o acima referida. mais no Oriente do que em qualquer outro lugar. por que n„o. terminar· por triunfar no tomar a Oriente (e tudo prova que isto ocorre. bem como que as aparÍncias enganam. Se se admite que a civilizaÁ„o moderna. Hartmann. Kampfmeyer. se deve concluir que o Isl„ evoluir· necessariamente? Poder· permanecer tal qual È? N„o: j· n„o È mais o mesmo de antes da guerra. antes. o problema È muito mais simples do que se quer fazer crer. "profundo e diligente estudioso alem„o de lÌnguas e civilizaÁıes orientais". Poder· desaparecer subitamente? Absurdo supo-lo. Die Krisis des Islam. se bem que tenha inicialmente escrito que seria utÛpico supor que o Isl„ pudesse se manter em seu esplÍndido isolamento. j· que se considera implicitamente o "cristianismo" como inerente ‡ civilizaÁ„o moderna.

realizou isto em pequenas etapas. Revela-se. O cristianismo empregou nove sÈculos para evoluir e se adaptar. È o "sentimento nacional" contra o cosmopolitismo teocr·tico. j· que o cristianismo se adaptou O influxo da cultura ·rabe na civilizaÁ„o ocidental. sobre a qual se fundaram as heresias propriamente ditas. na realidade. ‡ pureza dos primeiros textos religiosos contraposta ‡ corrupÁ„o da hierarquia oficial: os wahabitas representam precisamente esta orientaÁ„o. Levi faz a rescens„o da introduÁ„o ao livro A heranÁa do Isla. desenvolviam-se a partir das obras dos arabistas espanhÛis. ocorridas particularmente atravÈs da Espanha. n„o se trata de "novidade".O prÛprio Vaticano percebe como È contraditÛrio pretender introduzir o cristianismo nos paÌses orientais nos quais _penetra o capitalismo: os orientais vÍm o antagonismo que sas. Mil„o). os senhores feudais n„o s„o materialistas!) È colocada. Este Sirdar lkba] Ali Shah demonstra. uma sÈrie de artigos publicados esparsamente em revistas e relativos ‡s ligaÁıes culturais entre a civilizaÁ„o europÈia e os ·rabes. muito bruscamente. ao puro. de Angel Gonzalez 99 . molecularmente e se converteu em jesuitismo. n„o se vÍ em nossos paises. quase sempre. em contato com uma civilizaÁ„o frenÈtica. no volume Castelos da Espanha (Treves. ao que me parece. a dificuldade mais tr·gica para o Isl„ È dada pelo fato de que uma sociedade embrutecida por sÈculos de isolamento e por um regime feudal apodrecido (naturalmente. bem como o escasso valor das conversıes. e Sirdar Ikbal Ali Shah explica mediante este princÌpio as reformas de Kemal Pach· na Turquia. posteriormente. onde os estudos a respeito s„o numerosos e contam com v·rios especialistas. reage precisamente como o cristianismo: a grande heresia. Disto decorrem as dificuldades do trabalho das missıes. precisamente a existÍncia. Ezio Levi publicou. o motivo do retomo ‡s "origens". os ensaios de Levi. isto È. Mas. No Marzocco de 29 de maio de 1932. O Isl„ È obrigado a correr vertiginosamente. numa grande hipocrisia social. de um jesuitismo e de uma casuÌstica t„o desenvolvidos como no catolicismo. que s„o ademais muito limitadas. mas de um retorno ao antigo. que j· est· em sua fase de dissoluÁ„o. Na realidade. tal como no cristianismo. entre os muÁulmanos.

na cozinha. Estas pessoas que se beneficiaram da civilizaÁ„o ocidental s„o todas elas x·t rias ou br‚manes. permane- . On a crÈÈ des hautes universitÈs. com o tÌtulo: El Islam y Occidente. Foi visitando a India que melhor compreendi a diferenÁa que podia existir. On a cru qu'il suffisait de donner des lumiËres ‡ une caste. na quÌmica. 1931) e enumera toda uma sÈrie de emprÈstimos feitos ‡ Europa pelo mundo oriental. (N. Une fois instruits. O livro com- cem sem trabalho e se tornam perigosos. LÈfËvre com Aldous Huxley (publicada nas Nouvelles LittÈraires de 19 de novembro de 1930): Qu'est ce que vous pensez des rÈvoltes et de tout ce qui se passe aux Indes? — Je pense qu'on y a commencÈ la civilisation du mauvais cÙtÈ. entre um vilain e um cardeal. ils demeurent sans travail et deviennent dangereux. on n'a pas fondÈ d'Ècoles primaires. mas je ne vois pas que les rÈsultats obtenus aient ÈtÈ trËs heureux. na idade pleto de Gonzalez Palencia ser· muito interessante para o estudo da contribuiÁ„o dada pelos ·rabes ‡ civilizaÁ„o europÈia. Ce sont eux qui veulent prendre le gouvernement. et qu'elle pourrait ensuite Èlever les masses. do Tradutor). mas n„o me parece que os resultados obtidos tenham sido muito felizes. Acreditou-se Que basta- — va fornecer luzes a uma casta. para um julgamento da funÁ„o desempenhada pela Espanha na Idade MÈdia e para uma caracterizaÁ„o da prÛpria Idade MÈdia mais exata do que a corrente. etc. ta 100 o "Que pensais dos revoltas e de tudo o que se passa na Õndia? Penso que aÌ se comeÁou a civilizaÁ„o pelo lado errado. L'Inde est un pays o˘ la superioritÈ de droit divin est encore acceptÈe par les intouchables qui recconaissent euxmÍmes leur indignitÈ".Palencia (a introduÁ„o saiu em op˙sculo independente. S„o eles que querem tomar ogoverno. e que esta poderia em seguida elevar as massas. mas muito mÈdia. Uma vez instruidos.* Existe algo de verdadeiro. Criaram-se altas universidades. na medicina. Madri. A Õndia È um pals no qual a superioridade de direito divino È ainda aceipelos intoc·veis: eles prÛprios reconhecem sua indignidade". n„o se fundaram escolas prim·rias. Ces gens qui ont bÈnÈficiÈ de la civilisation occidentale sont tous chattryas ou brahmanes. C'est en visitant les Indes que j'ai le mieux compris la diffÈrence qu'il pouvait y avoir au moyen fige un vilain et un cardinal. Pequenas notas sobre a cultura indiana. Trechos da entrÈvista de F.

mas sim dirigidos para finalidades pr·ticas concretas. Como criar as escolas elementares indianas sem ter criado o pessoal adequado? E. Cf. tornaram-se a express„o das classes mÈdias e industriais que o desenvolvimento econÙmico produziu na India? sÈlitos t„o-somente. Estes estudos feitos pelos jesuitas." Os jesuÌtas colocam-se o seguinte problema: o catolicismo na India consegue fazer pro- na Civilt‡ Cattolica limitada. por outro lado. tanto mais porque as massas populares se converteriam se se convertessem n˙cleos intelectuais importantes [o Papa conhece o mecanismo de reforma cultural das massas populares-camponesas mais do que muitos elementos do laicato de esquerda: ele sabe que uma grande massa n„o pode se converter molecularmente. deve-se. para as massas n„o È necess·rio voltar-se inicialmente para as classes intelectuais j· existentes? E. O primeiro elemento desta espÈ101 da cultura assumiu . tÍm uma particular import‚ncia objetiva.pouco. Eles s„o muito ˙teis para conhecer as organizaÁıes de hegemonia cultural e moral nos grandes paÌses asi·ticos. entre s„o refrat·rios indÌgenas]. a sÈrie de artigos publicados de julho de 1930 e dos meses seguintes: "Sistemas filosÛficos e seitas do hinduÌsmo. de pensar por e Pequenas notas sobre a cultura chinesa. conquistar os dirigentes naturais das grandes massas. Os intelectuais indianos ‡ propaganda e o Papa disse que È preciso trabalhar tambÈm entre eles. para cri·-lo. os intelectuais. o simples fato de que grupos intelectuais estejam desocupados pode criar uma situaÁ„o como a indiana? [Recordar a famigerada teoria de Loria sobre os intelectuais desocupados. o que explica a criaÁ„o de bispos isso. ou formar grupos de intelectuais de novo tipo. tais como a China e a India. por isso. para apressar o processo. È necess·rio conhecer exatamente o modo a ideologia destes intelectuais para melhor entender sua organizaÁ„o de hegemonia cultural e moral.] Estes intelectuais est„o "isolados"? Ou. 1) A posiÁ„o dos grupos intelectuais na China È "determinada" pelas formas pr·ticas que a organizaÁ„o material historicamente nesse pais. e mesmo aqui em medida as castas inferiores. pelo contr·rio. isto È. na medida em que n„o s„o "abstratos" e acadÈmicos. a fim de destruÌla ou assimil·-la.

n„o pode ser comparado. levando-se em conta que as lÌnguas chinesas tam uma origem comum. triunfar· uma certa cultura. que È a mesma no inglÍs e nas outras linguas de alfabeto latino.cie È o sistema de escrita. a cultura chinesa pode ser comparada com a da Europa ocidental e central na Idade MÈdia. com a Època na qual o "latim mÈdio" era a lÌngua das classes dominantes e de seus intelectuais: na China. numa certa etapa.). e para o florescimento -. Este fenÙmeno deve ser cuidadosamente estudado. como tam- e o perigo era "meramente" -. ou seja. mas o nexo diacrÌtico de consoantes e vogais que d„o a notaÁ„o dos sons efetivos. t·rtaros. pois a dificuldade n„o È dada somente pela enorme quantidade de sinais materiais. no temor de abandonar as formas tradicionais de unidade chinesa e de mobilizar as massas populares. permite ao governo central chinÍs possuir a disponibilidade financeira e militar minima para resistir · press„o das relaÁıes internacionais e para manter desunidos os seus advers·rios. n„o pode existir na China uma cultura popular de ampla difus„o: a oratÛria e a conversaÁ„o continuam a ser a forma mais popular de difus„o da cultura. isto È. È certo que o alfabeto inglÈs triunfar·. o ideograma tem um valor "esperantistico": È um sistema de escritura "universal" (no interior de um certo mundo cultural). em suma. Isto È. isto È.atravÈs dos deputados eleitos -. Nestas condiÁıes. romper-se-ia a unidade atual de tipo "cosmopolita" e ocorreria um pulular de forÁas "nacionais" em sentido estrito. Ademais. organizar e convocar uma ConvenÁ„o panchinesa por meio do sufr·gio popular (de acordo com os princÌpios de Sun). a funÁ„o do "la102 . em todos os ser examinada a partir deste ponto de vista. Por alguns aspectos. caso haja escolha.ou quase -. A incessante guerra dos generais È uma forma primitiva de manifestaÁ„o do nacionalismo contra o 103 bÈm econÙmica e culturalmente. T„o-somente a unidade "cosmopolita" atual de centenas de milhıes de homens. a AmÈrica.). eram relativamente "menos" organizados e desenvolvidos do que a Europa de ent„o. O traÁo ca- prio alfabeto: o russo ou o inglÈs (entendo por "alfabeto inglÍs" n„o somente a pura notaÁ„o dos signos fundamen- tais. alÈm de tornar difÌcil a hegemonia dos atuais grupos dirigentes se eles n„o efetivarem um programa de reformas populares. a escrita ideogr·fica. mas serve a todas as lÌnguas faladas pelos chineses cultos. tÈcnico-militar. mas esta quantidade complica-se ainda mais por causa das "funÁıes" dos sinais singulares de acordo com o lugar que ocupam.das configuraÁıes nacionais em sentido estrito existentes na cosmÛpole chinesa. O sistema de escrita È ainda mais difÌcil do que comumente se supıe. atualmente. como sh por ch. j pelo g italiano etc. 2) A introduÁ„o do alfabeto sil·bico ter· conseq¸Íncias de grande import‚ncia na estrutura cultural chinesa: desaparecida a escrita "universal". mas no querer conservar a estrutura burocr·tico-militar do Estado: isto È. aflorar„o as lÌnguas populares e. pois pode servir contra os exageros "esperantistas". Pelo contr·rio. ameaÁam a autonomia chinesa. com os perigos que. com o "cosmopolitismo catÛlico". inclusive destas massas. introduzir o alfabeto sil·bico. A convocaÁ„o de uma ConvenÁ„o panchinesa forneceria o terreno para um grande movimento. a Inglaterra. e obrigaria a buscar a unidade numa uni„o federal e n„o no aparato burocr·tico-militar. perigo muÁulmano em geral (·rabes no sul. A diferenÁa fundamental reside no seguinte: o perigo que mantinha unida a Europa medieval. nem sequer longinquamente. o ideograma n„o È org·nicamente ligado a uma determinada lingua. por conseguinte. N„o se deve esquecer que o movimento histÛrico chinÍs est· localizado ao longo das costas do PacÌfico e dos grandes rios que nele desembocam: a grande massa popular do hinterland È mais ou menos passiva. A polÌtica dos sucessores de direita de Sun Yat-Sen deve racterÌstico desta polÌtica È representado pela "n„o-vontade" de preparar. enquanto n„o s„o a express„o histÛrica de condiÁıes adequadas e necess·rias. Arabes. novos grupos de intelectuais sobre esta nova base. serve para demonstrar como as chamadas lÌnguas universais convencionais. prÛprio das classes dominantes e de seus intelectuais. este fato d· lugar a uma sÈrie de dificuldades: 1) a escolha do prÛ- tim mÈdio" È desempenhada pelo "sistema de escrita". tornam-se elemento de estratificaÁ„o social e de fossilizaÁ„o de alguns estratos. turcos. Ser· necess·rio. o Jap„o. e isto se relacionar· com conseq¸Íncias de car·ter internacional: ou seja. s„o superiores · China n„o sÛ "militarmente". t·rtaros e depois turcos no Oriente e no Sudeste. com seu particular nacionalismo de "raÁa" (xenofobia).de natureza aspectos da ·rea social. Mas esta È a linha de desenvolvimento.

È necess·rio um duplo esforÁo. por assim dizer. mas. no qual — segundo Alberto Castellani —condensa-se admiravelmente todo o ciclo cultural chinÍs. "Primeira sinologia". Quanto mais for denso e elevado (no sentido da abstraÁ„o) o texto.] ras noticias sobre a cultura chinesa foram dadas pelos mission·rios. o fato de que a funÁ„o morfolÛgica. livros de viagem e obras de filosofia e. a fim de elaborar um par·grafo sistem·tico da rubrica sobre os intelectuais: o processo de formaÁ„o e o modo de funcionamento social dos intelectuais chineses tÍm caracterÌsticas prÛprias e originais. etc. Couplet. revelam ao Ocidente o universalismo confuciano. notadamente jesuÌtas. que inexiste no chinÈs [parece-me difÌcil aceitar que n„o exista absolutamente a morfologia no chinÍs: nas descriÁıes da lingua chinesa feitas por europeus. o estudo de sua lÌngua È mais difÌcil do que. quase n„o tem limites em comparaÁ„o com as linguas de flex„o. de menos de cem p·ginas. ‡ interpretaÁ„o do texto que le. tanto mais difÌcil ser· traduzi-lo. Fourmont de GlÈmola (1742). como era o caso dos jesuÌtas). isto È. que È a lÌngua real? possÌvel que. tem um valor muito maior do que em outras lÌnguas. Breslau. no Marzocoo de 24 de fevereiro de 1929. e n„o de apostolado catÛlico. tem como origem palavras independentes que se tomaram sufixos. Primate. Chi- 105 . a funÁ„o morfolÛgica seja mais Ligada ‡ fonÈtica e ‡ sintaxe. Rougemont. da mais antiga Època atÈ os dias nesische Literatur. que representa uma fase ling¸Ìstica talvez mais antiga do que as mais antigas lÌnguas das quais se conservou uma documentaÁ„o histÛrica. deve-se coletar e organizar muito material. Herdrich. no chinÍs. È preciso levar em conta o fato de que o "sistema de escrita" ganha necessariamente o primeiro lugar em importancia: mas o "sistema de escrita" coincide perfeitamente com a lÌngua falada. somente uma longa pr·tica com os modos e as cl·usulas da lingua pode servir como orientaÁ„o para a inteligibilidade do texto. traduziu uma enorme quantidade de textos chineses. dignas de muita atenÁ„o. um trabalho de an·lise mais ou menos r·pido. a cultura chinesa passa a ser estudada pelos laicos (com finalidades e mÈtodos cientÌficos. nos SÈculos XVII-XVIII. mais sabe": de fato. romances.cosmopolitismo: ela n„o ser· superada. de memÛria e de inteligÍncia. ao tom dos sons singulares e ao ritmo musical do perÌodo. EDUARD ERKES. para o europeu. mesmo o mais erudito li104 RelaÁıes da cultura chinesa com a Europa. Em 1815. com a formaÁ„o no CollÈge de France da primeira c·tedra de lÌngua e literatura chinesas. As informaÁıes que resumo aqui s„o tomadas de um artigo de Alberto Castellani. A import‚ncia cientÌfica de Julien È dada pelo fato de ter ele conseguido penetrar no car·ter da lingua chinesa e nas razıes de sua dificuldade para os europeus. ainda. Intorcetta. "quem mais lÈ. de inteligÍncia para relacionar tais significados a fim de encontrar em cada um deles a parte conectiva. resumiu sua experiÍncia filolÛgica na Syntaxe nouvelle de la langue chinoise. no final. Trata-se de um pequeno livro. 1926. Entre o vago valor dos ideogramas e a compreens„o integral do texto. esta c·tedra È ministrada por Abel RÈmusat. mesmo nas lÌnguas de flex„o. Recordar. servir para identificar a morfologia do chinÍs.] No chinÍs. parece-me difÌcil excluir uma certa funÁ„o morfolÛgica autınoma: seria necess·rio consultar o livrinho de Finck sobre os principais tipos de lingua.: esta caracterÌstica pode. no que toca ‡ necessidade de adaptaÁ„o lÛgica. deve ocorrer um exercÌcio de inteligÍncia que. o caos militar-burocr·tico n„o ter· fim. que È considerado como o primeiro sinÛlogo de seu tempo. isto È. [Sobre a quest„o dos intelectuais chineses. Mesmo para um chinÍs. comÈdias. sem a intervenÁ„o organizada do povo na forma histÛrica de uma ConvenÁ„o panchinesa. talvez. Ferdinand Hirt. A experiÍncia. mesmo neste caso. desde que tudo se reduz ‡ sintaxe. que permite extrair da conex„o das frases um sentido lÛgico e aceit·vel. As primei- terato chinÍs deve sempre fazer preceder. onde a base primeira para a inteligibilidade È a morfologia. du Halde (1736) escreve a Description de l'Empire de l a Chine. habituados com as lÌnguas de flex„o. considerado hoje como o fundador da sinologia europÈia. DiscÌpulo de RÈmusat foi Stanislas Julien. de memÛria para recordar os m˙ltiplos significados de um ideograma. Urn livro sobre a cultura chinesa. no chinÍs. o que n„o se poderia manifestar na escrita sen„o sob a forma de notaÁ„o musical. o estudo da sua.

do que mediante um conceito exato. assim. japonesas). La Chine ‡ travers les ‚ges. contudo. pode talvez ter obstaculizado a sua transformaÁ„o em ciÍncia. Forke buscou apresentar o pensamento chinÍs de acordo com as formas europÈias. n„o possui tendÍncias metafÌsicas e especulativas (È "pragm·tista" e empirista). N„o se pode compreender o presente chinÍs sem conhecer seu passado. tornou possÌvel. dos quais. isto È justo. Trata da figura e da obra de Chu Hsi (1130-1200). transporte de corujas para Atenas". siÁ„o histÛrica dos intelectuais chineses). M¸nchen-Berlim. portanto. aos olhos do europeu n„o especialista. que certas tentativas recentes de cruzamento euro-asi·tico nos recordam o dos mestres.. Hu Shi -. do taoÌsmo e do budismo. tura). A r·pida invas„o do confucionismo. a partir deste ponto de vista e tal como pode ser reconstruida atravÈs da literatura. que poucos ocidentais sabem ter sido a personalidade mais significativa da China apÛs Conf˙cio.. [isto significa que os japoneses tomaram do 107 . mas de uma histÛria da cul. n„o No —larzocco de 23 de outubro de 1927. e È conhecido como especialista no estudo da filosofia chinesa. Erkes chega atÈ ‡ fase recente da China europeizante e informa tambÈm sobre o desenvolvimento que se est· verificando a respeito da lÌngua e da educaÁ„o. Os filÛsofos chineses traduzidos em japonÍs. Erkes tenta fim de dar a estes momentos maior relevo de necessidade histÛrica (isto È. Ele examina. 2) a filosofia propriamente dita estava ligada. h· muitas dezenas de sÈculos. que n„o se interessam pelos problemas da lÛgica. a lÛgica È menos importante. sem uma informaÁ„o demopsicolÛgica. ou seja. confucionismo. como intuiÁ„o. todavia. "j· que os prÛprios nesa (Xangai.) T„o-somente h· poucos anos È que um escritor chinÍs. juntamente com outras formas de cultura. as ramificaÁıes da filosofia chinesa fora da China. mas È exagerada. busca revelar o ensinamento. extraindo-a dos antigos textos cl·ssicos. "… um fato que os chineses jamais tiveram uma obra como o Ny‡ya de Guatana e como o Organon de AristÛteles". o Prof. tambÈm a filosofia. inclusive. O estudo do pensamento chi- kenwelt des chinesischen Kulturkreises. o conhecimento da verdadeira psicologia das massas populares. 1919) -. adquirem uma maior agudeza. e -. ao contr·rio do chinÍs. libertou a filosofia propriamente dita das mesclas e das promiscuidades heterogÍneas. A literatura chinesa tem caracterÌsticas genuinamente religiosas-estatais. e como que sufocada. cientÌfico" ( Este ponto È muito importante. um certo paralelo entre o pensamento europeu e o pen- ou como possuindo trÍs religiıes filosÛficas (todavia. A …tica È a parte mais vigorosa desta reconstruÁ„o. pelo menos na forma expressa. atravÈs das Èpocas mais representativas. a chineses. Forke È professor de lingua e cultura da China na Universidade de Hamburgo.atuais.— tem um valor primitivo. O japonÍs. confucianamente comunista: de tal modo.j· que se pode faze-la com relaÁ„o a muitos povos . n„o se trata de uma histÛria da literatura no sentido erudito e descritivo. ademais. conceberam-na sempre mais num sentido instintivo. tem grande importancia. budismo. O Jap„o tomou da China. Livro de WIEGER. Esta afirmaÁ„o pode ser feita para todo povo atrasado em face do industrialismo moderno. nÍs È difÌcil para um ocidental por v·rias razıes: 1-) os filÛsofos chineses n„o escreveram tratados sistem·ticos de seu pensamento: foram os discÌpulos que coletaram as palavras 106 sem certo esforÁo. Deste modo. n„o os mestres que as escreveram para o uso de discÌpulos eventuais. particularmente no Jap„o. como momento cultural.confere ‡ lÛgica um posto importante. Forke n„o encontra sen„o tendÍncias de uma tal disciplina. este desconhecimento se deve ao silÍncio calculado dos mission·rios. inexiste na China uma disciplina filosÛfica sobre o "conhecimento" ( Erkenntnistheorie). que viram neste plasmador da moderna consciÍncia chinesa o maior obst·culo a seus esforÁos de propaganda. ainda que lhe tenha emprestado certas caracterÌsticas prÛprias. os chineses passaram freq¸entemente ou como privados de filosofia propriamente dita. taoÌsmo. Alberto Castellani informa sobre o livro de Alfredo Forke: Die Gedan- 1927 (Filosofia chinesa em roupagens europÈias e. ‡s trÍs grandes correntes religiosas.em sua HistÛria da Filosofia Chi- samento chinÍs. a seguinte afirmaÁ„o: "O conhecimento do passado demonstra que o povo chinÍs j· È. este fato — de que a filosofia fosse ligada ‡ religi„o — tem um significado do ponto de vista da cultura e caracteriza a po- uma reconstruÁ„o critico-sintÈtica dos diversos momentos da literatura chinesa.

pensamento chinÍs o que era ˙til ‡ sua cultura, mais ou menos como os romanos fizeram com os gregos.] CASTELLANI publicou recentemente A doutrina do Tao, reconstruida de acordo com os tentos e integralmente
exposta, Bolonha, Zanichelli, e A regra celeste de Lao-Tse, Flo-

renÁa, Sansoni, 1927. Castellani compara Lao-Tse e Contivo;

Lao-Tse, cinq¸enta anos mais velho do que ele, È o chinÍs do Sul, popular, corajoso, fantasista. Conf˙cio È homem de Estado; Lao-Tse desaconselha a atividade p˙blica: aquele sÛ pode viver em contato com o governo, este foge

"Conf˙cio È o chinÍs do Norte, nobre, culto, especula-

È um fenÙmeno de morte e de passividade do povo chinÍs. Evidentemente, mesmo depois de 1912, a situaÁ„o se manteve ainda relativamente estacion·ria, no sentido de que o aparato geral conservou-se quase intacto: os militares tucium substituiram os mandarins, e um deles, de vez em quando, tenta refazer a unidade formal, conquistando o centro.. A import‚ncia do Kuomitang teria sido bem maior se ele tivesse colocado realmente a quest„o da ConvenÁ„o panchinesa. Mas agora, que o movimento foi desencadeado, parece-me difÌcil que se possa reconstituir, sem uma profunda revoluÁ„o nacional de massa, uma ordem duradoura. Os catÛlicos e o nacionalismo chinÍs. Trecho do artigo "O reformador chinÍs Suen Hen e suas teorias polÌticas e sociais", na Civilt‡ Cattolica de 4 de maio e de 18 de maio de 1929: "0 partido nacionalista promulgou decretos e mais decretos para honrar Suen Hen. O mais importante È o que prescreve a 'cerimÙnia da segunda-feira'. Em todas as escolas, escritÛrios, postos militares, em qualquer instituiÁ„o pertencente de qualquer modo ao partido nacionalista, todos se inclinar„o -- em cada segunda-feira — diante do retrato do 'pai da p·tria' e lhe far„o, todos ao mesmo tempo, a trÌplice inclinaÁ„o de cabeÁa. Logo apÛs se ler· seu 'testamento politico', que contÈm a quintessÍncia de suas doutrinas, ao que se seguir„o trÍs minutos de silÍncio a fim de se meditar

ao consÛrcio civil e n„o participa de suas peripÈcias. Conf˙-

exemplo dos antigos bons tempos; Lao-Tse sonha simplesmente com a era da inocÍncia universal e com o estado virginal da natureza; aquele È o homem da corte e da etiqueta, este o homem da solid„o e da palavra brusca. Para Conf˙cio,

cio contenta-se em indicar aos governantes e ao povo o

abundante de formas, de regras, de rituais, a vontade do
da nossa vontade: que todos eles tÍm, em si mesmos, um
ritmo inalterado e inalter·vel por qualquer intervenÁ„o nossa.

homem participa essencialmente na produÁ„o e determinaÁ„o do fato polÌtico; Lao-Tse, pelo contr·rio, acredita que todos os fatos, sem exceÁ„o, se fazem por si mesmos, fora e alÈm

Nada È mais ridÌculo, para Lao-Tse, do que o hom˙nculo confuciano, empreendedor e pertinaz, que crÍ na importancia e qu‡se que no peso especifico de cada um de seus gestos; nada È mais mesquinho do que esta almicula mÌope e pretensiosa, afastada de Tao, que acredita dirigir mas que È dirigida, que crÍ manter mas que È mantida". [Esta passagem È extraÌda de um artigo de A. Faggi, no Marzocco de 12 de junho de 1927, intitulado "Saber chinÍs".] O "n„o fazer" È o princÌpio do taoÌsmo, È precisamente o "Tao", o
"caminho".

sobre seus grandes principios. Esta cerimÙnia se realizar· em todas as ocorrÍncias importantes". Em todas as escolas È obrigatÛrio estudar o Sen-Min-ciu-i (trÌplice demismo), mesmo nas escolas dos catÛlicos e de qualquer outra confiss„o religiosa, como conditio sine qua non de sua existÍncia
ni, numa carta ao Padre Pasquale D'Elia S. J., mission·rio italiano e membro do OfÌcio SinolÛgico de Zi-Ka-Wei, tomou posiÁ„o diante destas obrigaÁıes legais. A carta È publicada

legal. O delegado apostÛlico da China, Mons. Celso Constanti-

1912, apesar das mudanÁas de dinastia, das invasıes estrangeiras etc. Este È o ponto interessante: cada novo dominador encontra o organismo pronto e acabado, o qual ele conquista ao conquistar o poder central. A continuidade, assim,
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dada na China no ano 221 antes de Cristo e durou atÈ

A forma estatal chinesa. A m onarquia absoluta foi fun-

no principio da obra: Le triple dÈmisme de Sun Wen, traduzido, anotado e comentado por Pascal H. D'Elia S. J. (Bureau Sinologique de Zi-Ka-Wei, Imprimerie de Tou-SÈ-WÈ, Chang-Hai, 1929, in 80, p·gs. CLVIII-530, 4 dÛlares chineses). Constantini n„o crÈ que Sun tenha sido "divinizado":
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"Quanto ·s inclinaÁıes de cabeÁa diante do retrato de Sun Yat-Sen, os alunos crist„os n„o se devem inquietar. Por si, por sua prÛpria natureza, a inclinaÁ„o de cabeÁa n„o tem sentido supersticioso. Segundo a intenÁ„o do governo, esta cerimÙnia n„o È mais do que um obsÈquio meramente civil a um homem considerado como Pai da P·tria. Poder· ser excessivo, mas n„o È absolutamente idol·trico (o governo È ateu) e n„o est· ligado a nenhum sacrificio. Se, em algum lugar, abusivamente, se fizessem sacrifÌcios, isto deveria ser
considerado como superstiÁ„o e os crist„os n„o poderiam, de nenhum modo, assisti-lo. N„o È nossa funÁ„o criar uma consciÍncia errÙnea, mas sim iluminar os alunos onde houver qualquer d˙vida sobre o significado de tais cerimÛnias civis". Quanto ao ensino obrigatÛrio do triplice demismo, Constantini escreve: "Segundo minha opini„o pessoal, È lÌcito, se n„o ensinar, pelo menos explicar nas escolas p˙blicas os princÌ-

denciosos e hostis. Ao que parece, È menos perigoso instruÌlos nÛs mesmos, propondo-lhes diretamente a doutrina de Suen Uen. Devemos nos esforÁar para fazer ver como os
chineses podem ser bons catÛlicos, n„o somente continuando a ser chineses, como tambÈm levando em conta algumas teorias de Suen Uen".

Pequenas notas sobre a cultura japonesa. Na Nuova Antologia de l o de junho de 1929, publicou-se a introduÁ„o ("A religi„o nacional do Jap„o e a polÌtica religiosa do Estado japonÍs") ao volume sobre A Mitologia Japonesa, que
Raffaele Pettazzoni publicou na coleÁ„o "Textos e documentos sobre a HistÛria da Religi„o", editada por Zanichelli de Bolonha. Por que Pettazzoni intitulou seu livro de Mitologia? H· uma certa diferenÁa entre "religi„o" e "mitologia", e se-

pios do trÌplice demismo do Dr. Sun Yat-Sen. Trata-se de

matÈria n„o-livre, e sim imposta pelo governo como condiÁ„o sine qua non. V·rias coisas, no trÌplice demismo, s„o boas,

ou pelo menos n„o s„o m·s, e correspondem mais ou menos -- ou podem se acomodar -- ‡ sociologia catÛlica ( Rerum Novarum — immortale Dei — Codice Sociale). Devese procurar, em nossas escolas, delegar a explicaÁ„o desta matÈria a mestres catÛlicos bem formados na doutrina e na sociologia crist„s. Algumas coisas devem ser explicadas e corrigidas..." O artigo da Civilt· Cattolica resume a posiÁ„o dos catÛlicos em face das doutrinas do nacionalismo chinÍs, posiÁ„o ativa como se vÈ — j· que tende a criar uma tendÍncia "nacionalista catÛlica", mediante uma interpretaÁ„o particular das prÛprias doutrinas. Do ponto de vista histÛsobre os eventos chineses posteriores ao ano de 1925. Em seu livro, o Padre D'Elia, prevendo a objeÁ„o que lhe poderia ser feita por parte de alguns de seus leitores, que teriam aconselhado o silÍncio ao invÈs da publicidade destas idÈias novas, responde com raz„o: "N„o falar destas questıes n„o significa resolve-las. Quer queiramos, quer n„o, nossos catÛlicos chineses as conhecer„o por meio de coment·rios ten.110

ria bom manter a diferenÁa entre as duas palavras. A religi„o se tornou no Jap„o uma simples "mitologia", isto È, um elemento puramente "artÌstico" ou "folclÛrico", ou tem ainda o valor de uma concepÁ„o do mundo que se mantÈm viva e operante? Pela introduÁ„o, parece que Pettazzoni d· · religi„o japonesa este ˙ltimo valor; neste caso, o titulo È equÌvoco. Desta introduÁ„o, anoto alguns elementos que poder„o ser ˙teis no estudo de um par·grafo "japonÈs" para a
rubrica dos "intelectuais". IntroduÁ„o do budismo no Jap„o, ocorrida em 552 d. C.

AtÈ ent„o, o Jap„o conhecera uma sÛ religi„o, sua religi„o nacional. De 552 atÈ nossos dias, a histÛria religiosa do Jap„o foi determinada pelas relaÁÙes e pelas interferÍncias entre esta religi„o nacional e o budismo [que È um tipo de religi„o extranacional e supranacional, como o cristianismo e o

rico-polÌtico, seria bom ver como os jesuÌtas chegaram a este resultado, revendo todas as publicaÁıes da Civilt· Cattolica

islamismo]; o cristianismo, introduzido no Jap„o em 1549 pelos jesuÌtas (Francesco Saverio), foi erradicado pela viotade do SÈculo XIX, n„o teve grande import‚ncia no conjunto. ApÛs a introduÁ„o do budismo, a religi„o nacional foi designada pela palavra sino-japonesa Shinto, isto È, "caminho (em chinÍs: Tao) dos deuses (em chinÍs: Shen)", ao passo que butsu-do indicou o budismo (do, caminho: butsu,
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lÍncia nos primeiros decÍnios do SÈculo XVII; reintroduzido pelos mission·rios protestantes e catÛlicos na segunda me-

Buda) . Em japonÈs, Shinto se diz Kami-no-michi ( Kami, divindade); Kami n„o significa "deus" no sentido ocidental, porÈm mais genericamente "seres divinos", incluÌdos tambÈm os antepassados divinizados. [Proveniente da China, foi introduzido no Jap„o n„o sÛ o budismo, mas o culto dos antepassados, o qual, ao que parece, incorporou-se mais intimamente ‡ religi„o nacional.] O shintoismo, porÈm, È fundamentalmente uma religi„o naturista, um culto de divindades (Kami) da natureza, entre as quais est„o, em primeiro Lugar, a deusa do sol Ama-TÈrasu, o deus dos furacıes Susanowo, o casal CÈu e Terra (isto È, Izanagi e Izanami), etc. … interessante o fato de que o shintoismo representa um tipo de religi„o que desapareceu inteiramente no mundo moderno ocidental, mas que era freq¸ente entre os povos civilizados da Antiguidade (religiıes nacionais e politeÌstas dos egÌpcios, dos babilonios, dos indianos, dos gregos, dos romanos, etc.). Ama-TÈrasu È uma divindade como Osiris, Apolo ou Artemes: È interessante que um povo civilizado moderno, como o japonÈs, creia e adore numa tal divindade. (As coisas, contudo, talvez n„o sejam t„o simples como pode parecer.) Todavia, ao lado desta religi„o nacional, subsiste o budismo, tipo de religi„o supranacional, pelo que se pode afirmar que, tambÈm no Jap„o, ocorreu fundamentalmente o mesmo desenvolvimento religioso do Ocidente (com o cristianismo). Ali·s, cristianismo e budismo se difundem nas respectivas zonas de um modo sincrınico; alÈm disso, o cristianismo que se difunde na Europa n„o È o da Palestina, mas o de Roma ou de Bizancio (com a lÌngua latina ou grega para a liturgia), do mesmo modo como o budismo que se difunde no Jap„o n„o È o da India, mas sim o chinÍs, com a lÌngua chinesa para a liturgia. Mas, diferentemente do cristianismo, o budismo deixou subsistirem as religiıes nacionais preexistentes. ( Na Europa, as tendÍncias nacionais se manifestaram dentro do cristianismo.) No inicio, o budismo foi acolhido no Jap„o pelas classes cultas, conjuntamente com a civilizaÁ„o chinesa [mas a civilizaÁ„o chinesa levou apenas o budismo?]. — Sucedeu um sincretismo religioso: budismo, shintoismo, elementos de confucianismo. No SÈculo XVIII, ocorreu uma reaÁ„o ao sincretismo em nome da religi„o nacional, que culminou em 1868 com o advento do Jap„o moderno. Shintoismo declarado re112

ligi„o de Estado. PerseguiÁ„o do budismo. Mas por pouco tempo. Em 1872, o budismo foi reconhecido oficialmente e igualado ao shintoismo, tanto nas funÁıes — entre as quais notadamente a pedagÛgica, de educar o povo nos sentimentos e nos principios do patriotismo, do civilismo e da lealdade — quanto nos direitos, graÁas ‡ supress„o do "OfÌcio de Shinto" e ‡ instituiÁ„o de um ministÈrio da Religi„o, com jurisdiÁ„o tanto sobre o shintoismo quanto sobre o budismo. Mas, em 1875, o governo mudou novamente de polÌtica: as duas religiıes foram separadas, e o shintoismo assumiu uma posiÁ„o especial e ˙nica. V·rios provimentos burocr·ticos se sucederam, culminando na elevaÁ„o do shintoismo a instituiÁ„o patriÛtica e nacional, com a ren˙ncia oficial a seu car·ter religioso [torna-se uma instituiÁ„o, ao que me parece, do tipo da romana do culto ao Imperador, mas sem car·ter religioso em sentido estrito, de modo que mesmo um crist„o pode exercÍ-la]. Os japoneses podem pertencer a qualquer religi„o, mas devem se inclinar diante da imagem do Imperador. Assim, o Shinto de Estado separou-se do Shinto das seitas religiosas. Mesmo burocraticamente, ocorreu uma sanÁ„o: existe hoje um "OfÌcio das religiıes" junto ao MinistÈrio da EducaÁ„o, dirigido para as v·rias Igrejas do shintoismo popular e para as v·rias Igrejas budistas e crist„s, e um "OfÌcio dos santu·rios" junto ao MinistÈrio do Interior, relativo ao shintoismo de Estado. Segundo Pettazzoni, esta reforma se deveu ‡ aplicaÁ„o mec‚nica das ConstituiÁıes ocidentais ao Jap„o: isto È, visando a afirmar o princÌpio da liberdade religiosa e da igualdade de todas as religiıes perante o Estado, e visando a retirar o Jap„o do estado de inferioridade e atraso que o shintoismo, como religi„o, lhe emprestava, em contraste com o tipo de religi„o vigente no Ocidente. Parece-me artificial a critica de Pettazzoni. [Ver tambÈm o que ocorre na China a respeito de Sun Yat-Sen e dos trÍs principios: est·-se formando um tipo de culto de Estado, a-religioso; ao que me parece, a imagem de Sun È cultuada como o È a do Imperador vivo no Jap„o.] No povo, e mesmo nas pessoas cultas, contudo, conserva-se viva a consciÍncia e o sentimento do Shinto como religi„o (isto È natural, mas parece-me ineg·vel a import‚ncia da Reforma, que tende conscientemente ou n„o ‡ formaÁ„o de uma consciÍncia laica,
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ainda que de uma maneira paradoxal.saber se o Shinto de Estado È ou n„o uma religi„o -. toda eleiÁ„o -. conduz a uma A OrganizaÁ„o da Cultura 114 . locadas na pessoa do Imperador. certamente.pareceme a parte mais importante do problema cultural japonÍs: uma tal discuss„o n„o pode.opera ativamente no sentido de dissolver a forma mental "teocr·tica" e absolutista das grandes massas populares japonesas. que tem grande amplitude e que est· ligada ao nascimento e ‡ evoluÁ„o do parlamentarismo e da democracia no Jap„o. conduzindo o povo japonÍs ao nÌvel de sua moderna estrutura econÙmica e subtraindo-o ‡ influÍncia polÌtica e ideolÛgica dos barıes e da burocracia feudal. Esta discuss„o -. mas no povo. A convicÁ„o de que a autoridade e a soberania n„o est„o coverdadeira e autÈntica reforma intelectual e moral.mediante as mudanÁas nas forÁas polÌticas dos partidos e as alteraÁıes que os resultados podem trazer ao governo -. correspondente ‡ que ocorreu na Europa graÁas ao iluminismo e ‡ filosofia cl·ssica alem„. Estudar como nasceu a reforma. ApÛs o sufr·gio ampliado (quando e em que forma?). se estabelecer com relaÁ„o ao cristianismo).

que toda atividade pr·tica tende a criar uma escola para os prÛprios dirigentes e especialistas e. que a crise es- P 117 . Pode-se dizer. na civilizaÁ„o moderna. o poder fundamental de pensar e de saber se orientar na vida. foi-se criando paulatinamente todo um sistema de escolas particulares de diferente nÌvel.A OrganizaÁ„o da Escola e da Cultura ODE-SE OBSERVAR que. todas as atividades pr·ticas se tornaram t„o complexas. que ensinam nestas escolas. em geral. Assim. tende a criar um grupo de intelectuais especialistas de nivel mais elevado. ali·s. ao lado do tipo de escola que poderÌamos chamar de "humanista" (e que È o tradicional mais antigo). e as ciÍncias se mesclaram de tal modo ‡ vida. para inteiros ramos profissionais ou para profissıes j· especializadas e indicadas mediante uma precisa individualizaÁ„o. conseq¸entemente. destinado a desenvolver em cada indivÌduo humano a cultura geral ainda indiferenciada.

foi destruida. Este È um dos me- . torna-se anacrınico e representa um perigo para a vida estatal: o dirigente deve ter aquele mÌnimo de cultura geral 119 canismos atravÈs dos quais a burocracia de carreira terminou por controlar os regimes democr·ticos e os parlamentos: atualmente. ou conservar delas t„o-somente um reduzido exemplar destinado a uma pequena elite de senhores e de mulheres que n„o devem pensar em se preparar para um futuro profissional. mais ou menos "volunt·rios" e desinteressados. nas quais o destino do aluno e sua futura atividade s„o predeterminados. integrando sua cultura de acordo com as novas necessidades. Esta atividade j· criou todo um corpo burocr·tico de nova estrutura. onde as questıes sobre as quais È preciso tomar resoluÁıes s„o inicialmente examinadas por especialistas e analisadas cientificamente. isto È. racionalmente. 118 rem no ramo cientÌfico prÛprio. pois alÈm dos escritÛrios especializados de pessoas competentes. O tipo tradicional do "dirigente" polÌtico. È em grande parte um aspecto e uma complexificaÁ„o da crise org·nica mais ampla e geral. È a de abolir qualquer tipo de escola "desinteressada" (n„o imediatamente interessada) e "formativa". J· que se trata de um desenvolvimento org‚nico necess·rio. a escola tÈcnica (profissional mas n„o manual). A crise ter· uma soluÁ„o que.criase um segundo corpo de funcion·rios. bem como a de difundir cada vez mais as escolas profissionais especializadas. hoje. ram o material tÈcnico para os corpos deliberativos -. ao passo que a cl·ssica destinava-se ‡s classes dominantes e aos intelectuais. preparado apenas para as atividades jurÌdico-formais. atravÈs de repetidas experiÍncias de orientaÁ„o profissional. nos bancos. sem um plano bem estudado e conscientemente fixado: a crise do programa e da organizaÁ„o escolar. que controla assim os regimes e as burocracias. Pode-se observar. e de elaborar novos tipos de funcion·rios especializados. formativa. que equilibre equanimemente o desenvolvimento da capacidade de trabalhar manualmente (tecnicamente. Coloca-se a quest„o de modificar a preparaÁ„o do pessoal tÈcnico polÌtico. o mecanismo vai-se ampliando organicamente e absorve em seu circulo os grandes especialistas da atividade pr·tica privada. industrialmente) e o desenvolvimento das capacidades de trabalho intelectual. escolhidos de vez em quando na ind˙stria. j· que sua capacidade formativa era em grande parte baseada sobre o prestÌgio geral e tradicionalmente indiscutido de uma determinada forma de civilizaÁ„o. segundo a qual cada atividade pr·tica tende a criar para si uma escola especializada prÛpria. Deste tipo de escola ˙nica. o que colocou em discuss„o o prÛprio princÌpio da orientaÁ„o concreta de cultura geral. toda tentativa de afastar de fora estas tendÍncias n„o produz como resultado sen„o pregaÁıes moralistas e gemidos retÛricos. uma vez posta em discuss„o. Esta orientaÁ„o. e o tÈcnico-cultural. A tendÍncia. A divis„o fundamental da escola em cl·ssica e profissional era um esquema racional: a escola profissional destinava-se ‡s classes instrumentais. deveria seguir esta linha: escola ˙nica inicial de cultura geral. pode-se dizer. que prepa- Deve-se levar em consideraÁ„o a tendÍncia em desenvolvimento. que lhes È essencial. sem princÌpios claros e precisos.colar que hoje se agudiza liga-se precisamente ao fato de que este processo de diferenciaÁ„o e particularizaÁ„o ocorre de um modo caÛtico. nas finanÁas. humanista. passar-se-· a uma das escolas especializadas ou ao trabalho produtivo. da orientaÁ„o geral de uma polÌtica de formaÁ„o dos modernos quadros intelectuais. da orientaÁ„o humanista da cultura geral fundada sobre a tradiÁ„o greco-romana. que os Ûrg„os deliberativos " aspectos org·nicos": o deliberativo. provocava uma crescente necessidade do novo tipo de intelectual urbano: desenvolveu-se. ao lado da escola cl·ssica. que asumem a funÁ„o de instituiÁıes pÛs-escolares especializadas em organizar as condiÁıes nas quais seja possÌvel manter-se a par dos progressos que ocor- que tende a integrar o pessoal especializado na tÈcnica polÌtica com o pessoal especializado nas questıes concretas de administraÁ„o das atividades pr·ticas essenciais das grandes e complexas sociedades nacionais modernas. do mesmo modo como cada atividade intelectual tende a criar cÌrculos prÛprios de cultura. O desenvolvimento da base industrial. que integrem — sob forma colegiada -a atividade deliberativa. tanto na cidade como no campo. tambÈm.

crÌtica construtiva e voltada para a educaÁ„o recÌproca). cada trabalho produz novas capacidades e possibilidades de trabalho. sen„o "criar" autonomamente a soluÁ„o justa. Este tipo de trabalho intelectual È necess·rio a fim de fazer com que os autodidatas adquiram a disciplina dos estudos proporcionada por uma carreira escolar regular. do corpo docente etc. do material cientÌfico. indicaÁıes metodolÛgicas. conselhos. isto È. O trabalho deve ser feito especialmente por escrito. A escola unit·ria ou de formaÁ„o humanista (entendido este termo. em sentido amplo e n„o apenas em sentido tradicional) ou de cultura geral deveria se propor a tarefa de inserir os jovens na atividade social. pois somente assim pode ela envolver todas as geraÁıes. o que pode ser obtido mediante a distribuiÁ„o a tempo do material etc. a fim de taylorizar o trabalho' intelectual. 120 . O circulo critica de modo colegiado e contribui assim para elaborar os trabalhos dos redatores individuais. Um ponto importante. Assim. cuja operosidade È organizada segundo um plano e uma divis„o do trabalho racionalmente preestabelecidos. isto È. AtravÈs da discuss„o e da crÌtica colegiada (feita atravÈs de sugestıes. p˙blica. alcanÁar o nÌvel ou a capacidade do mais preparado. escolher a que seja justa do ponto de vista "sintÈtico" da tÈcnica polÌtica. no que toca ‡ manutenÁ„o dos escolares. que funcionam ao mes- mo tempo como redaÁ„o e como circulo de cultura. assegurando ‡ revista uma colaboraÁ„o cada vez mais selecionada e org‚nica. sem divisıes de grupos ou castas. deveria ser aumentado. mediante as quais cada um funciona como especialista em sua matÈria a fim de integrar a competÍncia coletiva. que busca incorporar a competÍncia tÈcnica necess·ria para operar de um modo realista.que lhe permita. A fixaÁ„o da idade escolar obrigatÛria depende das condiÁıes econÙmicas gerais. Um tipo de colegiado deliberativo. de acordo com a idade e com o desenvolvimento intelectual-moral dos 'alunos e com os fins que a prÛpria escola pretende alcanÁar. o que coloca outros problemas de soluÁ„o difÌcil e demorada. È ˙til o princÌpio dos "anci„es de Santa Zita". pois cria condiÁıes de trabalho cada vez mais org·nicas: fichas. pelo menos saber julgar entre as soluÁıes projetadas pelos especialistas e. pois a eficiÍncia da escola È muito maior e intensa quando a relaÁ„o entre professor e aluno È menor. que seja completamente transformado o orÁamento da educaÁ„o nacional. ao invÈs de privada. È o que diz respeito ‡ carreira escolar em seus v·rios nÌveis.. a nota "Tipos de revista". materiais bibliogr·ficos. Solicita-se uma luta rigorosa contra os h·bitos de diletantismo. mas cria-se tambÈm as condiÁıes para o surgimento de um grupo homogÈneo de intelectuais. ‡ criaÁ„o intelectual e pr·tica e a uma certa autonomia na orientaÁ„o e na iniciativa. assim como por escrito devem ser oratÛria. no estudo da organizaÁ„o pr·tica da escola unit·ria. dos quais fala De Saactis em suas recordaÁıes sobre a escola napolitana de Basilio Puoti: ou seja. nesta espÈcie de atividade coletiva. foi descrito em outro local. Mas esta transformaÁ„o da atividade escolar requer uma ampliaÁ„o imprevista da organizaÁ„o pr·tica da escola. pois este tipo de escola deveria 121 requer que o Estado possa assumir as despesas que hoje as criticas. TambÈm a quest„o dos prÈdios n„o È simples. conseq¸entemente. depois de te-los levado a um certo grau de maturidade e capacidade. escrever as notas e as crÌticas È princÌpio did·tico que se tornou necess·rio graÁas ‡ obrigaÁ„o de combater os h·bitos da prolixidade. j· que estas podem obrigar os jovens a uma certa colaboraÁ„o produtiva imediata. da improvisaÁ„o. colet‚nea de obras fundamentais especializadas etc. bem como a formaÁ„o de grupos de trabalho sob a direÁ„o dos mais aptos e desenvolvidos. das soluÁıes "oratÛrias" e declamatÛrias. dos prÈdios. preparados para a produÁ„o de uma atividade "editorial" regular e metÛdica (n„o apenas de publicaÁıes de ocasi„o e de ensaios parciais. A escola unit·ria est„o a cargo da famÌlia. O corpo docente. e n„o se consegue apenas isso. da declamaÁ„o e do paralogismo criados pela 1 Cf. que aceleram a preparaÁ„o dos mais atrasados e toscos. na seÁ„o "Jornalismo". È ˙til uma certa "estratificaÁ„o" das capacidades e h·bitos. particularmente. mas de trabalhos org·nicos de conjunto). "humanismo". em notas resumidas e sucintas. consegue-se efetivamente elevar o nivel mÈdio dos redatores individuais. ampliando-o de um modo imprevisto e tornando-o mais complexo: a inteira funÁ„o de educaÁ„o e formaÁ„o das novas geraÁıes torna-se.' no qual se fala do que ocorre em certas redaÁıes de revistas. Indubitavelmente.

uma grande quantidade de noÁıes e de aptidıes que facilitam a carreira escolar propriamente dita: eles j· conhecem. como tipo de ensino. Assim. 122 O problema fundamental que se coloca diz respeito ‡ fase da atual carreira escolar hoje representada pelo Liceu. isto È.prÛpria de grupos restritos. Na It·lia. como tambÈm no que toca ‡ disposiÁ„o dos v·rios graus da carreira escolar. por instituiÁıes idıneas. coletiva e adquiram noÁıes e aptidıes prÈ-escolares. O problema did·tico a resolver È o de temperar e fecundar a orientaÁ„o dogm·tica que n„o pode deixar de existir nestes primeiros anos. geografia. devida ‡ maioridade e ‡ experiÍncia anteriormente acumulada. que o conjunto da nova organizaÁ„o dever· conter em si mesmo os elementos gerais que fazem com que. fazer contas. ou seja. que em nada se diferencia. histÛria). inicialmente. os alunos urbanos. e n„o uma passagem racional da quantidade (idade) ‡ qualidade (maturidade intelectual e moral).antes dos seis anos — muitas noÁıes e aptidıes que tomam mais f·cil. reorganizadas n„o somente no que diz respeito ao conte˙do e ao mÈtodo de ensino. bibliote- superior aos meios possuÌdos pela mÈdia da populaÁ„o escolar dos seis aos doze anos. como se diz. onde n„o È difundido nas univer123 . dever-se-ia poder concluir todos os graus da escola unit·ria. a n„o ser pela abstrata suposiÁ„o de uma maior maturidade intelectual e moral do aluno. e o estudo deveria ser feito coletivamente. entre liceu e universidade. Quais s„o estes elementos? Numa sÈrie de famÌlias. pelo menos. deveria desenvolver notadamente a parte relativa aos "direitos e deveres". no qual a memÛria desempenha um grande papel. o curso seja muito lento. a escola unit·ria deveria ser organizada como colÈgio. os jovens encontram na vida familiar uma preparaÁ„o.uma rede de auxÌlios ‡ inf‚ncia e outras instituiÁıes nas quais. pelo simples fato de viverem na cidade. atualmente. existe um salto. isto È. as primeiras noÁıes do Estado e da sociedade. se se pretende efetivamente atingir os resultados a que se propıe a atual organizaÁ„o da escola cl·ssica. liberta das atuais formas de disciplina hipÛcrita e mec‚nica. passase ‡ fase criadora ou de trabalho autınomo e independente. uma verdadeira soluÁ„o de continuidade. como elementos primordiais de uma nova concepÁ„o do mundo que entra em luta contra as concepÁıes determinadas pelos diversos ambientes sociais tradicionais. pelo menos para uma parte dos alunos. porÈm. salas aptas ao trabalho de semin·rio etc. alÈm do fato. que se deve dar por suposto. E isto ocorre imediatamente apÛs a crise da puberdade. O resto do curso n„o deveria durar mais de seis anos. A escola unit·ria deveria corresponder ao perÌodo representado hoje pelas escolas prim·rias e mÈdias. o novo tipo de escola dever· ser -e n„o poder· deixar de se-10 -. com a assistÍncia dos professores e dos melhores alunos. particularmente das camadas intelectuais. quando o Ìmpeto das paixıes instintivas e elementares n„o terminou ainda de lutar contra os freios do car·ter e da consciÍncia moral em formaÁ„o. o conhecimento da lingua liter·ria. mesmo antes da ida- isto È. do meio de express„o e de conhecimento. as mais importantes destas condiÁıes. O primeiro grau elementar n„o deveria ultrapassar trÍs-quatro anos e. absorveram j· -. com dormitÛrios. escrever. Por isso. tecnicamente de escolar.cas especializadas. os meninos se habituem a uma certa disciplina vida coletiva diurna e noturna. entre a escola propriamente dita e a vida. hoje. um prolongamento e uma integraÁ„o da vida escolar. e desenvolvem ainda mais. Na organizaÁ„o interna da escola unit·ria. de jovens escolhidos por concurso ou indicados. atualmente negligenciada. de que se desenvolver· paralelamente ‡ escola unit·ria -. Do ensino quase puramente dogm·tico. De fato. aos quinze-dezesseis anos. contra as concepÁıes que poderÌamos chamar de folclÛricas. de modo que. atualmente. mesmo nas horas de aplicaÁ„o chamada individual. ao lado do ensino das " " primeiras noÁıes instrumentais da instruÁ„o (ler. devem ser criadas. com Pode-se objetar que um tal curso È muito fatigante por causa de sua rapidez. mas que n„o s„o atingidos. set uma escola-colÈgio. mais proveitosa e mais r·pida a carreira escolar. das lases escolares anteriores. ademais. etc. De fato. da escola com disciplina de estudo imposta e controlada autoritariamente passa-se a uma fase de estudo ou de trabalho profissional na qual a autodisciplina intelectual e a autonomia moral s„o teoricamente ilimitadas. refeitÛrios. absorvendo no "ar". sob sua responsabilidade. Pode-se dizer.

mas com uma consciÍncia moral e social sÛlida e homogÍnea. Ainda se est· na fase rom‚ntica da es- existente entre a alta cultura e a vida. por isso. Por isso. Estas duas instituiÁıes s„o.). como funÁ„o social org‚nica reconhecida como de utilidade e necessidade p˙blicas) institutos especializados em todos os ra125 Problema da nova funÁ„o que poder„o assumir as universidades e as academias. deve ser uma escola criadora. na qual os elementos da luta contra a escola mec‚nica e jesuÌtica se dilataram morbidamente por causa do contraste e da polÈmica: È necess·rio entrar na fase "cl·ssica". A escola criadora È o coroamento da escola ativa: na primeira fase. mas em toda a vida social. na qual se tende a criar os valores fundamentais do "humanismo". nesta fase. escola criadora n„o significa escola de "inventores e descobridores". mas devem ter ‡ sua disposiÁ„o (por iniciativa coletiva e n„o de individuos. refletir-se-· em todos os organismos de cultura. independentes uma da outra. Deve-se distinguir entre escola criadora e escola ativa. O advento da escola unit·ria significa o inicio de novas relaÁıes entre trabalho intelectual e trabalho industrial n„o apenas na escola. È explic·vel certa influÍncia obtida pelos futuristas em seu primeiro perÌodo de Sturm und Drang antiacadÈmico. entre trabalho intelectual e trabalho industrial. seja ela de car·ter cientÌfico (estudos universit·rios).sidades o princÌpio do trabalho de "semin·rio".). indica que. e no qual o professor exerce apenas uma funÁ„o de guia amig·vel.o dever das geraÁıes adultas. encontrando nos fins a atingir a fonte natural para elaborar os mÈtodos e as formas. È nela que ser„o recolhidas as indicaÁıes org·nicas para a orientaÁ„o profissional. as academias s„o o sÌmbolo. sobre a base j· atingida de "coletivizaÁ„o" do tipo social. da separaÁ„o . Os elementos sociais empregados no trabalho profissional n„o devem cair na passividade intelectual. O estudo e o aprendizado dos mÈtodos criativos na ciÍncia e na vida deve comeÁar nesta ˙ltima fase da escola. tomada autÙnoma e respons·vel. cola ativa. nas bibliotecas. a atividade escolar fundamental se desenvolver· nos semin·rios. tambÈm a nivelar. organizaÁ„o das trocas. tende-se a expandir a personalidade. se bem que seja necess·rio limitar as ideologias libert·- ocorre ou deveria ocorrer na universidade. a obter uma certa espÈcie de "conformismo" que pode ser chamado de "din‚mico". Toda escola unit·ria È escola ativa. sem sugestıes e ajudas exteriores. entre os intelectuais e o povo (por isso. de "formar" as novas geraÁıes. a autodisciplina intelectual e a autonomia moral necess·rias a uma posterior especializaÁ„o. Eis porque. a passagem È ainda mais brusca e mec‚nica. ela indica uma fase e um mÈtodo de investigaÁ„o e de conhecimento. bem como um terreno de encontro entre estes e os universit·rios. Em um novo contexto de relaÁıes entre vida e cultura. do Estado. as academias dever„o se tornar a organizaÁ„o cultural (de sistematizaÁ„o. seja de car·ter imediatamente pr·ticoprodutivo (ind˙stria. isto È. Indica que a aprendizagem ocorre notadamente graÁas a um esforÁo espont‚neo e autÙnomo do discente. racional. expans„o e criaÁ„o intelectual) dos elementos que. nos laboratÛrios experimentais. e n„o um "programa" predeterminado que obrigue ‡ inovaÁ„o e ‡ originalidade a todo custo. mesmo na forma dada pelo mÈtodo Dalton. entrou-se na fase da maturidade intelectual na qual se pode descobrir verdades novas. a ˙ltima fase deve ser concebida e organizada como a fase decisiva. Assim. passar„o para o trabalho profissional. na fase criadora. apÛs a escola unit·ria. como 124 rias neste campo e reivindicar — com certa energia -. O princÌpio unit·rio. tende-se a disciplinar. È criaÁ„o (mesmo que a verdade seja velha) e demonstra a posse do mÈtodo. na escola unit·ria. transformando-os e emprestando-lhes um novo conte˙do. Descobrir por si mesmo uma verdade. etc. atualmente. burocracia. de qualquer modo. etc. ridicularizado freq¸entemente com raz„o. portanto. antitradicionalista. e n„o deve ser mais um monopÛlio da universidade ou ser deixado ao acaso da vida pr·tica: esta fase escolar j· deve contribuir para desenvolver o elemento da responsabilidade autÙnoma nos indivÌduos.

embora elas desempenhem uma funÁ„o na psicologia da classe dominante.. mas sÛ parcialmente nos cÌrculos locais.) . Territorialmente. Controlar-se-„o as conferÍncias industriais. cÌrculos filolÛgicos. Congressos periÛ- dicos de diversos nÌveis fariam com que os mais capazes fossem conhecidos. A finalidade consiste em obter uma centralizaÁ„o e um impulso da cultura nacional que fossem superiores aos da Igreja CatÛlica. Mesmo as iniciativas notoriamente transitÛrias e experimentais deveriam ser concebidas como capazes de ser absorvidas no esque- criar todo o esquema. Cada circulo local deveria possuir necessariamente a seÁ„o de ciÍncias morais e polÌticas. Unificar os v·rios tipos de organizaÁ„o cultural existentes: academias. que deveria ser con- cebido como um embri„o e uma molÈcula de toda a estrutura mais maciÁa. seÁıes regionais e provinciais e cÌrculos locais urbanos e rurais. que s„o hoje sacrificadas e definham em. ao mundo da produÁ„o e do trabalho. institutos de cultura. Construir-se-· um mecanismo para selecionar e desenvolver as capacidades individuais da massa popular. a atividade da organizaÁ„o cientÌfica do trabalho. A organizaÁ„o acadÈmica dever· ser reorganizada e vivificada de alto a baixo. agr·rios. trata-se de cemitÈrios da cultura. possuir· urna centralizaÁ„o de competÍncias e de especializaÁıes: centros nacionais que se agregar„o ‡s grandes instituiÁıes existentes. Dividir-se-· por especializaÁıes cientÌfico-culturais. ao mesmo tempo.erros e tentativas sem perspectiva. cuidadosa2 mente. 126 Este esquema de organizaÁ„o do trabalho cultural segundo os princÌpios gerais da escola unit·ria deveria ser desenvolvido. os gabinetes experimentais das f·bricas etc. Estudar atentamente a organizaÁ„o e o desenvolvimento do Rotary Club. burocr·tico. etc. bem como dos assuntos tratados em seus trabalhos e publicados em suas "Atas": em grande parte. bem como sua colaboraÁ„o com todas as escolas superiores especializadas de qualquer tipo ( militares. agrÌcola.mos de investigaÁ„o e de trabalho cientifico. etc.' te na sistematizaÁ„o do saber passado ou em buscar fixar uma mÈdia do pensamento nacional como guia da atividade intelectual — a atividades ligadas · vida coletiva. para os quais poder„o colaborar e nos quais encontrar„o todos os subsÌdios pretendam empreender. de organizaÁ„o e de racionalizaÁ„o do trabalho industrial. em todas as suas partes e servir de guia na constituiÁ„o mesmo do mais elementar e primitivo centro de cultura. ma geral e. que ser„o representadas em sua totalidade nos centros superiores. Seria ˙til possuir a lista completa das academias e das outras organizaÁıes culturais hoje existentes. e organizar paulatinamente as outras seÁıes especiais para discutir os aspectos tÈcnicos dos problemas industriais. integrando o trabalho acadÈmico tradicional que se expressa principalmen- necess·rios para qualquer forma de atividade cultural que A colaboraÁ„o entre estes organismos e as universidades deveria ser muito estreita. como elementos vitais que tendem a 127 . navais etc.

que a crianÁa absorve do am129 . existia uma separaÁ„o semelhante. por um lado. provocada pela reforma Gentile. As noÁıes cientÌficas entravam em luta com a concepÁ„o m·gica do mundo e da natureza. As noÁıes cientÌficas deviam servir para introduzir o menino na societas ret un.Para a InvestigaÁ„o do Principio Educativo A SEPARA«√O. dois elementos participavam na educaÁ„o e na formaÁ„o das crianÁas: as primeiras noÁıes de ciÍncias naturais e as noÁıes dos direitos e deveres dos cidad„os. ao passo que os direitos e deveres para introduzi-lo na vida estatal e na sociedade civil. t„o marcada. por outro. e a superior. e as escolas mÈdias e superiores. por outro: a escola elementar era colocada numa espÈcie de limbo. graÁas a algumas de suas caracterÌsticas particulares. somente entre a escola profissional. Nas escolas elementares. por um lado. entre a escola elementar e mÈdia. Antes da reforma.

do mesmo modo como as noÁıes de direitos e deveres entram em luta com as tendÍncias mais moderna. a lei civil e estatal organiza os homens do modo historicamente mais adequado ‡ dominaÁ„o das leis da natureza. das relaÁıes sociais tais como elas se concentram na famÌlia. na escola. A escola. $ este o fundamento da escola elementar. ‡s quais È preciso adaptar-se para sem um conhecimento exato e realista das leis naturais e sem uma ordem legal que regule organicamente a vida recÌproca dos homens. o que È absurdo. na vizinhanÁa. O conceito e o fato do trabalho (da atividade teÛrico-pr·tica) È o princÌpio educati- vo imanente ‡ escola elementar. a tornar mais f·cil o seu trabalho. bem como de leis civis e estatais que s„o produto de uma atividade humana estabelecidas pelo homem e podem ser por ele modificadas visando a seu desenvolvimento berdade e n„o por simples coaÁ„o. que se projeta no futuro. mediante o que ensina. na medida em que o mestre È consciente dos contrastes entre o tipo de sociedade e de cultura que ele representa e o tipo de sociedade e de cultura representado pelos alunos. cujos elementos primitivos e fundamentais s„o dados pela aprendizagem da existÍncia de leis naturais como ‡ barb·rie individualista e localista. alÈm de ser "abstratamente" negado pelos defensores da pura educatividade precisamente contra a mera instruÁ„o mecanicista. n„o existe unidade entre escola e vida e. por necessidade reconhecida e proposta pelos prÛprios homens como li- coletivo. da qual o corpo docente È t„o-somente uma express„o. visando a resolver a quest„o do ensino de acordo com esquemas de papel nos quais se exalta a educatividade. ordem que deve ser respeitada por convenÁ„o espont‚nea e n„o apenas por imposiÁ„o externa. na aldeia. por isso. a obra do professor se tornar· ainda mais 131 . etc. ainda que amesquinhada. de todas 130 as geraÁıes passadas. O "certo" se toma "verdadeiro" na consciÍncia da crianÁa. para a concepÁ„o da atualidade como sÌntese do passado. luta contra o folclore. Se o corpo docente È deficiente e o nexo instruÁ„o-educaÁ„o È relaxado. A consciÍncia individual da esmagadora maioria das crianÁas reflete relaÁıes civis e culturais diversas e antagÙnicas ‡s que s„o refletidas pelos programas escolares: o "certo" de uma cultura evoluÌda toma-se "verdadeiro" nos quadros de uma cultura fossilizada e anacrÙnica. isto È. j· que a ordem social e estatal (direitos e deveres) È introduzida e identificada na ordem natural pelo trabalho. e n„o certamente uma vanguarda. que ele tenha dado todos os seus frutos. e fornece o ponto de partida para o posterior desenvolvimento de uma concepÁ„o histÛrico-dialÈtica do mundo. para a valorizaÁ„o da soma de esforÁos e de sacrifÌcios que o presente custou ao passado e que o futuro custa ao presente. um "recipiente mec‚nico" de noÁıes abstratas. que no corpo de professores tenha existido a consciÍncia de seu dever e do conte˙do filosÛfico deste dever. que o princÌpio educativo sobre o qual se baseavam as escolas elementares era o conceito de trabalho. contra todas as sedimentaÁıes tradicionais de concepÁıes do mundo. Pode-se dizer. que È tambÈm um aspecto do folclore. seria preciso que o discente fosse uma mera passividade. que n„o se pode realizar em todo seu poder de expans„o e de produtividade dominÛ-las. O conceito do equilÌbrio entre ordem social e ordem natural sobre o fundamento do trabalho. Mas a consciÍncia da crianÁa n„o È algo "individual" (e muito menos individualizado). Para que a instruÁ„o n„o fosse igualmente educaÁ„o. o nexo instruÁ„o-educaÁ„o somente pode ser representado pelo trabalho vivo do professor. cujos efeitos j· se vÍem na escola reorganizada por esta pedagogia.biente impregnado de folclore. da atividade teÛrico-pr·tica do homem. consciente de sua tarefa. visando transformÛ-la e socializ·-la cada vez mais profunda e extensamente. que consiste em acelerar e em disciplinar a formaÁ„o da crianÁa conforme o tipo superior em luta com o tipo inferior. para a compreens„o do movimento e do devenir. N„o È completamente exato que a instruÁ„o n„o seja igualmente educaÁ„o: a insistÍncia exagerada nesta distinÁ„o foi um grave erro da pedagogia idealista. cria os primeiros elementos de uma intuiÁ„o do mundo liberta de toda magia ou bru- xaria. È um outro problema. por isso. È o reflexo da fraÁ„o de sociedade civil da qual participa. ligado ‡ crÌtica do grau de consciÍncia civil de toda a naÁ„o. a fim de difundir uma concepÁ„o algo objetivo e rebelde. que È a forma prÛpria atravÈs da qual o homem participa ativamente na vida da natureza. n„o existe unidade entre instruÁ„o e educaÁ„o. DaÌ porque È possÌvel dizer que. sendo tambÈm.

Trabalha-se com rapazolas. de intÈrprete ou de correspondente comercial. uma an·lise estÈtica ou filosÛfica? A efic·cia educativa da velha escola mÈdia italiana. isto È. As lÌnguas latina e grega eram aprendidas segundo a gram·tica. que coincidem com uma queda geral do nivel do corpo docente. mas no fato de que sua organizaÁ„o e seus programas eram a express„o de um modo tradicional de vida intelectual e moral. Os novos programas deveriam ter abolido completamente os exames. a formaÁ„o do car·ter atravÈs da absorÁ„o e da assimilaÁ„o de todo o passado cultural da civilizaÁ„o europÈia moderna. prestar um exame. como a antiga lei Casati a havia organizado. agora. e o aluno. Com os novos programas. nos cursos de literatura e filosofia. era um principio educativo na medida em que o ideal humanista. mas de todo o complexo social do qual os homens s„o express„o. mas n„o conseguir· que sejam mais cultos. e que s„o logo esquecidas. os h·bitos psicofisicos apropriados? Se se quer selecionar grandes cientistas. deve-se comeÁar ainda por este ponto e deve-se pressionar toda a ·rea escolar a fim de se conseguir que surjam os milhares ou centenas.deficiente: ter-se-· uma escola retÛrica. simplesmente n„o existir· mais "bagagem" a organizar. um professor medÌocre pode conseguir que os alunos se tornem mais instruidos. para servir de camareiro. o estudo gramatical das lÌnguas latina e grega. retÛrico. mecanicamente. quando o professor deve ser notadamente um filÛsofo e um esteta. quanto mais afirmam e teorizam sobre a atividade do discente e sobre sua operosa colaboraÁ„o com o trabalho do docente. de concentraÁ„o psÌquica em determinados assuntos. e uma "definiÁ„o" È sempre uma definiÁ„o. Um estudioso de quarenta anos seria capaz de passar dezesseis horas seguidas numa mesa de trabalho se. Aprendia-se a fim de conhecer diretamente a civilizaÁ„o dos dois povos. deve ser muito mais um "jogo de azar" do que antigamente. retorna-se ‡ participaÁ„o realmente ativa do aluno na escola. de estudiosos de grande valor. Antes. n„o se tratava de esquemas program·ticos. de um clima cultural difundido em toda a sociedade italiana por uma antiquÌssima tradiÁ„o.— e com a ajuda de seu ambiente social a "bagagem" acumulada. os alunos formavam uma certa "bagagem" ou "provis„o" (de acordo com os gostos) de noÁıes concretas. ele desenvolver· — com escr˙pulo e com consciÍncia burocr·tica — a parte mec‚nica da escola. N„o se aprendia o latim e o grego para saber falar estas lÌnguas. mas a reforma n„o era uma coisa t„o simples como parecia. pois faltar· a corporeidade material do certo. n„o devia ser buscada (ou negada) na vontade expressa de ser ou n„o escola educativa. era difundido em toda a sociedade. por meio da coaÁ„o mec‚nica. se for um cÈrebro ativo. mas e um julgamento. A luta contra a velha escola era justa. na maioria dos casos. que n„o se podem adquirir sen„o mediante uma repetiÁ„o mec‚nica de atos disciplinados e metÛdicos. a fim de ser e de conhecer conscientemente a si mesmo. de exatid„o. tanto mais s„o elaborados como se o discente fosse uma mera passividade. que sÛ pode existir se a escola for ligada ‡ vida. se 132 n„o se levam em conta estas condiÁıes. mas existe muita injustiÁa e impropriedade na acusaÁ„o de mecanicidade e de aridez. O fato de que um tal clima e um tal modo de vida tenham entrado em agonia e que a escola se tenha separado da vida determinou a crise da escola. ou seja. Criticar os programas e a organizaÁ„o disciplinar da escola significa menos do que nada. pois o que contava era o desenvolvimento interior da personalidade. n„o tivesse assumido. aos quais deve-se levar a que contraiam certos h·bitos de diligÍncia. pelo menos. desde menino. pressuposto necess·rio da civilizaÁ„o moderna. Inclusive a mecanicidade do estudo gramatical era vivificada pela perspectiva cultural. Na velha escola. atualmente. era um elemento essencial da vida e da cultura nacionais. qualquer que seja o professor examinador. mas de homens. ne133 . Esta degenerescÍncia pode ser ainda melhor vista na escola mÈdia. que se personifica em Atenas e Roma. e o verdadeiro ser· verdadeiro de palavra. de compostura mesmo fÌsica. e n„o imediatamente dos homens que s„o professores. As noÁıes singulares n„o eram aprendidas visando-se a uma imediata finalidade pr·tico-profissional: esta finalidade n„o se revelava. sem seriedade. Assim. o aluno negligencia as noÁıes concretas e "enche a cabeÁa" com fÛrmulas e palavras que n„o tÍm nenhum sentido para ele. Na realidade. ou mesmo apenas dezenas. Uma data È sempre uma data. organizar· por sua conta . Os novos programas. unido ao estudo das literaturas e histÛrias polÌticas respectivas.

Estuda-se a gram·tica de uma certa Època. estuda-se o latim). Compara-se continuamente o latim e o italiano. artÌsticas. inclusive para o professor. Ele submer- cada fato ou dado o que h· nele de geral e de particular. mas qualquer an·lise feita por uma crianÁa n„o pode ser sen„o sobre coisas mortas.ainda que sÛ materialmente -. Uma lÌngua viva poderia ser conhecida. do ponto de vista educativo. uma abstraÁ„o. O latim n„o È estudado para aprender o latim. ademais. no lugar onde este estudo È feito sob estas formas. È estudado como elemento de um programa escolar ideal. O latim (bem como o grego) apresenta-se ‡ fan- uma das duas lÌnguas comparadas. a analisar um corpo histÛrico que pode ser tratado como um cad·ver que continuamente volta ‡ vida. adquire uma intuiÁ„o historicista do mundo e da vida. a vida dos romanos È um mito que. e bastaria que uma sÛ crianÁa a conhecesse para que o entasia como um mito. estuda-se toda a lÌngua historicamente real. e era feita principalmente uma grande experiÍncia "sintÈtica". pelo fato de que -. como um cad·ver na mesa anatımica. sob a forma de gram·tica: estuda-se desde nio (ou antes. nas pessoas. apÛs te-la visto fotografada num instante abstrato. o que n„o significara a constante comparaÁ„o entre o latim e a lÌngua que se fala?! A distinÁ„o e a identificaÁ„o das palavras e dos conceitos. … toda a tradiÁ„o cultural. (sem que tivesse a vontade expressamente declarada de fazÍ-lo) com a minima intervenÁ„o "educativa" do professor: educava porque instruÌa. sem olharse continuamente no espelho. de modo que est· sempre presente no cess·rios a toda civilizaÁ„o (n„o obstante. assim. Aprende-se o latim (ou melhor. que vive tambÈm (e principalmente) fora 135 . eram feitas sem que "se refletisse sobre". Isto n„o significa (e seria uma tolice pencorreu todo aquele itiner·rio. sem retomar aos mÈtodos escolares dos jesuÌtas). h· muito tempo. as lutas dos homens que falaram aquela lÌngua. quase uma espontaneidade. E. filosÛfica. toda a lÛgica formal. E. tenham qualidades intrinsecamente taumat˙rgicas no campo educativo. analisa-se como uma coisa morta. nas narraÁıes. Estuda-se a histÛria liter·ria dos livros escritos naquela lingua. Nenhuma das crianÁas conhece o latim quando inicia seu estudo com aquele referido mÈtodo analÌtico. Poder-se-ia estudar do mesmo modo o italiano? ImpossÌvel. o latim. com suas etapas. ou de Lat‚ncio e Tertuliano. que o vocabul·rio de Fedro n„o s„o os de CÌcero. que assume nuanÁas diversas nas Èpocas. a fim de habitua-las a raciocinar. desde as palavras dos fragmentos das doze t·buas) atÈ Fedro e os crist„os-latinos: um processo histÛrico È analisado desde seu surgimento atÈ sua morte no tempo. Este estudo educava. alÈm disso. descobre-se. analisa-se esta lingua mesmo em suas partÌculas mais elementares. a fim de ver em tem um devenir e que n„o È t„o-somente estaticidade. podem-se obter grandes melhorias neste terreno com a ajuda dos subsÌdios morto um grande vivo. graÁas a uma tradiÁ„o cultural-escol·stica da qual se poderia pesquisar a origem e o desenvolvimento. com o qual o latim È continuamente comparado. È preciso n„o esquecer que. uma imagem. que se toma uma segunda natureza. j· interessou ‡ crianÁa e ainda a interessa. ExperiÍncias lÛgicas. nem os de canto se quebrasse: todos iriam imediatamente ‡ escola Berlitz. nenhuma lÌngua viva poderia ser estudada como o latim: seria e pareceria absurdo. com o movimento his134 s·-lo) que o latim e o grego. o conceito e o individuo. bem como o significado de cada termo em cada "periodo" (estilÌstico) determinado. que a gram·tica e Plauto. psicolÛgicas. Nos oito anos de gin·sio-liceu. o vocabul·rio de um perÌodo determinado. que se modifica no tempo. mas revive continuamente nos exemplos. em cada tÛrico do conjunto ling¸Ìstico. numa certa medida. È analisada como uma coisa inerte. mas se estuda (por comparaÁ„o) a gram·tica e o vocabul·rio de cada autor determinado. mas cada palavra È um conceito. elemento que resume e satisfaz toda uma sÈrie de exigÍncias pedagÛgicas e psicolÛgicas.ele perge na histÛria. a abstrair esquematicamente (mesmo que sejam capazes de voltar da abstraÁ„o ‡ vida real imediata). È latim moderno. com a contradiÁ„o dos opostos e a an·lise dos distintos. como tais. A educaÁ„o do jovem È determinada por todo este complexo org·nico. È verdade. etc. pois sabe-se que o italiano. que uma mesma conex„o de sons n„o tem o mesmo significado em Èpocas diversas. morte aparente. j· que n„o È pedantemente inculcada pela "vontade" exteriormente educativa. a lingua È morta. a histÛria polÌtica. ele È estudado a fim de que as crianÁas se habituem a estudar de determinada maneira.cientÌficos adequados. de desenvolvimento histÛrico-real. em escritores diversos.

portanto. tomam a frente da escola formativa. mas. Por exemplo: oper·rio manual e qualificado. ainda que "instrutivo". toda a histÛria da filosofia como uma sucess„o de loucuras e de delÌrios. o novo curso pedagÛgico (pelo menos 137 . ainda que "abstratamente". destinado a perpetuar nestes grupos uma determinada funÁ„o tradicional. È uma das mais evidentes manifestaÁıes desta tendÍncia. de estudar. nesse periodo. mas em que cada A multiplicaÁ„o de tipos de escola profissional. o estudo ou a maior parte dele deve ser (ou aparecer como sendo aos discentes) desinteressado. cada vez mais especializadas desde o inicio da carreira escolar. ademais. implicitamente. na realidade. posteriormente. portanto. isto È. pois era destinada ‡ nova geraÁ„o dos grupos dirigentes. deve-se evitar a multiplicaÁ„o e graduaÁ„o dos tipos de escola profissional. O aspecto mais paradoxal reside em que este novo tipo de escola aparece e È louvada como democr·tica. No ensino da filosofia. modificada nal intuiÁ„o da cultura. somente podendo ser reabsorvido e dissolvido no inteiro ciclo do curso escolar (È impossÌvel ensinar a gram·tica histÛrica na escola prim·ria e no gin·sio). Ser· necess·rio substituir o latim e o grego como fulcro da escola formativa. destinada por sua vez a tornar-se dirigente: mas n„o era olig·rquica pelo seu modo de ensino.da escola. como ainda a cristaliz·-las em formas chinesas. precisamente no campo em que um certo dogmatismo È praticamente imprescindÌvel. isto È. rico de noÁıes concretas. num ambiente social polÌtico que restringe ainda mais a "iniciativa privada" no sentido de fornecer esta capacidade e preparaÁ„o tÈcnicopolÌtica. mas n„o ser· f·cil dispor a nova matÈria ou a nova sÈrie de matÈrias ima ordem did·tica que dÍ resultados equivalentes no que toca ‡ educaÁ„o e formaÁ„o geral da personalidade. formando-o entrementes como pessoa capaz de pensar. faz nascer a impress„o de possuir uma tendÍncia democr·tica. preocupadas em satisfazer interesses pr·ticos imediatos. assegurando a cada governado a aprendizagem gratuita das capacidades e da preparaÁ„o tÈcnica geral necess·rias ao fim de governar. tende a eternizar as diferenÁas tradicionais.estas a tradicioconseq¸Íncias. a criar estratificaÁıes internas. intrinsecamente. deve-se observar que a nova pedagogia quis destruir o dogmatismo precisamente no campo da instruÁ„o. esta substituiÁ„o ocorrer·. n„o sÛ È destinada a perpetuar as diferenÁas sociais. Masa tendencia democr·tica. verifica-se um processo de progressiva degenerescÍncia: as escolas de tipo profissional. A respeito do. quando. tenha a escola entrado em crise e tenha o estudo do latim e do grego entrado igualmente em crise. De fato. 136 "cidad„o" possa se tornar "governante" e que a sociedade o coloque. isto È. n„o pode consistir apenas em que um oper·rio manual se torne qualificado. nestas diferenÁas. de dirigir ou de controlar quem dirige. j· que ela cada vez mais se organiza de modo a restringir a base da camada governante tecnicamente preparada. imediatamente desinteressada. deve ser formativo. dogmatismo e do criticismo-historicismo nas escolas elementar e mÈdia. como. Mas o tipo de escola que se desenvolve como escola para o povo n„o tende mais nem sequer a conservar a ilus„o. mas ela È obrigada a ver introduzido o dogmatismo por excelencia. n„o deve ter finalidades pr·ticas imediatas ou muito imediatas. graÁas ‡ crise profunda da tradiÁ„o cultural e da concepÁ„o da vida e do homem. no campo do pensamento religioso e a ver descrita. nas condiÁıes gerais de poder fazÍ-lo: a democracia polÌtica tende a fazer coincidir governantes e governados (no sentido de governo com o consentimento dos governados). diretiva ou instrumental. N„o È a aquisiÁ„o de capacidades diretivas. n„o È a tendÍncia a formar homens superiores que d· a marca social de um tipo de escola. dado que ela tende. A escola tradicional era olig·rquica. de modo que. da aprendizagem de noÁıes concretas. ordem que parta da crianÁa atÈ chegar aos umbrais da escolha profissional. VÍ-se. isto È. camponÍs e agrimensor ou pequeno agrÙnomo etc. Na escola atual. retorna-se ‡s divisıes em ordens "juridicamente" fixadas e cristalizadas ao invÈs de superar as divisıes em grupos: a multiplicaÁ„o das escolas profissionais. na realidade. um tipo ˙nico de escola preparatÛria (elementar-mÈdia) que conduza o jovem atÈ os umbrais da escolha profissional. ao contr·rio. Se se quer destruir esta trama. A marca social Í dada pelo fato de que cada grupo social ten' um tipo de escola prÛprio. que produz — num ambiente determinado -. criando-se.

isto È. etc. que as dificuldades s„o artificiais. aborrecimento e mesmo sofrimento. inclusive. n„o È um recipiente passivamente mec‚nico. s„o uma gram·tica do pensar normal. TambÈm o regime alimentar tem import‚ncia etc.. e devem-se formar t„o-somente com as indicaÁıes que recebem n·s aulas) empobrece o ensino. ser· preciso superar dificuldades inauditas. objetos reais que s„o relaÁıes sociais e que contÈm idÈias implÌcitas. que se submeta a um tirocÌnio psicofisico. e muito fatigante. mas n„o explica como ela deva ser adquirida. Do mesmo modo. Muitos pensam. mas È impossÌvel produzir objetos reais sem a mediÁ„o. n„o obstante. Se se quiser criar uma nova camada de intelectuais. a esmagadora maioria. na familia ou no ambiente familiar. ainda que racionalmente pareÁa bellssimo. j· que est„o habituados a sÛ considerar como trabalho e fadiga o trabalho manual. A filosofia descritiva e definidora pode ser uma abstraÁ„o dogm·tica. È necess·rio estud·-las. parece ser praticamente a melhor coisa. de um belÌssimo utopismo. senhor quer dizer intelectual) realizar com desenvoltura e aparente facilidade o trabalho que custa aos seus filhos l·grimas e sangue.para aqueles alunos. podem se tornar muito ·speras e ser· preciso resistir ‡ tendÍncia a tornar f·cil o que n„o pode se-lo sem ser desnaturado. nas dificuldades do estudo. praticamente. e pensam que exista algum "truque". Eis porque mujtas pessoas do povo penelas (quando n„o pensam que s„o est˙pidos por natureza): vÍem o senhor (e para muitos. possui uma orientaÁ„o j· adquirida por h·bitos familiares: provocar "facilidades". a crianÁa de uma familia tradicional de intelectuais supera mais facilmente 'o processo de adaptaÁ„o psicofisico. 1 = 1 È uma abstraÁ„o. certamente. nalidade lit˙rgica dos exames assim o faÁa aparecer por vezes. A ques- vido pela vida rural. Deve-se convencer a muita gente que o estudo È tambÈm um trabalho. A participaÁ„o das mais amplas massas na escola mÈdia leva consigo a tendÍncia a afrouxar a disciplina do estudo. A relaÁ„o de tais esquemas educativos com o espÌrito infantil È sempre ativa e criadora. 138 139 . A filosofia descritiva tradicional. mas ninguÈm È levado por isso a pensar que 1 mosca È igual a I elefante. È um h·bito adquirido com esforÁo. chegando ‡s mais altas especializaÁıes. Numa nova situaÁ„o. bara- A crianÁa que quebra a cabeÁa com os barbara e lipton fatiga-se. quando entra na classe pela primeira vez. rebaixando-lhe praticamente o nivel. j· que o discente n„o È um disco de vitrola. exista um "truque" contra t„o È complexa. mas È uma necessidade pedagÛgica e did·tica. estas questıes. e deve-se procurar fazer com que ela sÛ se fatigue quando for indispens·vel e n„o inutilmente. n„o sÛ muscular-nervoso mas intelectual: È um processo de adaptaÁ„o. pois tem o h·bito da contenÁ„o fÌsica etc. a concentra a atenÁ„o com mais facilidade. mas È igualmente certo que ser· sempre necess·rio que ela se fatigue a fim de aprender e que se obrigue a privaÁıes e limitaÁıes de movimento fÌsico. especialmente no campo. TambÈm as regras da lÛgica formal s„o abstraÁıes do mesmo gÈnero. reforÁada por vm curso de histÛria da filosofia e pela leitura de um certo n˙mero de filÛsofos. que n„o recebem ajuda intelectual fora da escola. o filho de um oper·rio urbano sofre menos quando entra na f·brica do que um filho de camponeses ou do que um jovem camponÍs j· desenvolsam que. ela È suposta como sendo inata. A lÛgica formal È como a gram·tica: È assimilada de um modo "vivo" mesmo que a aprendizagem tenha sido necessariamente esquem·tica e abstrata. como ativa e criadora È a relaÁ„o entre o oper·rio e seus utensÌlios de trabalho. tambÈm um sistema de mediÁ„o È um conjunto de abstraÁıes. ainda que a convencio- com um tirocÌnio particular prÛprio. O novo curso pressupıe que a lÛgica formal seja algo que j· se possui quando se pensa. devendo ser adquiridas mediante o trabalho e a reflex„o. j· tem v·rios pontos de vantagem sobre seus colegas. como a gram·tica e a matem·tica. Por certo. prÛpria de um grupo social que tradicionalmente n„o desenvolveu as aptidıes adequadas. pois n„o s„o algo inato. portanto.

representam um progresso: mas. a necessidade A LGUNS PRINCÕPIOS DA PEDAGOGIA MODERNA. sob a vigil‚ncia mas n„o sob controle evidente do professor. enquanto tais.). formou-se uma espÈcie de igreja. a escola ao ar livre. graÁas ‡ tradiÁ„o genebrina de Rousseau. esta pedagogia È uma forma confusa de filosofia ligada a uma sÈrie de regras empÌricas. A SuÌÁa deu uma grande contribuiÁ„o ‡ pedagogia moderna (Pestalozzi etc.Notas Esparsas Problemas Escolares e organizaÁ„o da Cultura de deixar livre. o desenvolvimento das faculdades espont‚- gar a origem histÛrica de alguns princÌpios da pedagogia moderna: a escola ativa. na realidade. Investi- neas do escolar. a colaboraÁ„o amig·vel entre professor e aluno. posteriormente. ou seja. N„o se levou em conta o fato de que as idÈias de Rousseau s„o uma violenta reaÁ„o contra a escola e mÈtodos pedagÛgicos dos jesuitas e. que paralisou os estudos pedagÛgicos e deu lugar a 141 .

SPAVENTA. o perÌodo ditatorial servid„o que o acompanha justificam-se t„o-somente enquanto educaÁ„o e disciplina do homem n„o ainda livre. mas tende a se tomar um beige eterno. n„o instruem estes recrutas no emprego do arco. restando ver se para seus netos e bisnetos poder-se-ia comeÁar a utilizar algo da 142 do-Radice) . o qua] entra em contato tanto com a sociedade humana quanto com a societas rerum. numa de suas liÁıes de pedagogia. h· muitos anos. Pam Hegel. Trata-se. desde quando comeÁa a "ver e a tocar". isto È. podem-se coletar v·rios destes elementos e fragmentos. Na realidade.) Nos livros de Benedetto Croce. tambÈm os elementos e fragmentos de conversaÁ„o referidos por seus amigos e alunos. A "espontaneidade". a fim de domin·la e de criar o homem "atual" ‡ sua Època. a "escola" (isto È. toma-se cada vez mais problem·tica. 143 . de um ponto de vista histÛrico. toda geraÁ„o educa a nova geraÁ„o. se analisada. n„o parece ser dialÈtico e progressista. 60-61: "'Como farÌeis para educar moralmente um papuano?'. Assim. nas ConversaÁıes Criticas (segunda serie). portanto. sob o controle do professor. esparsamente. ao mesmo tempo. intelectual e manual.). que n„o È mais do que uma decorrÍncia do conceito de que a "religi„o È boa para o povo" (povo = crianÁa = fase primitiva do pensamento ‡ qual corresponde a religi„o etc. acumula sensaÁıes e imagens. reproduzida no volume dos Escritos diversos sobre filosofia e polÌtica. no momento da autoridade. deve-se levar em consideraÁ„o. ApÈndice. a educaÁ„o È uma luta contra os instintos ligados ‡s funÁıes biolÛgicas elementares. como para Maquiavel. provisoriamente faria dele um escravo. em 1903. (Labriola deixou a fama de ser um excepcional "conversador". talvez poucos dias depois do nascimento. formando-se critÈrios a partir destas fontes "extra-escolares" muito mais importantes do que habitualmente se acredita. entretanto. uma luta contra a natureza. se bem que as normas de instruÁ„o sejam necessariamente adaptadas ‡ "mentalidade" daquele determinado povo primitivo. universalizando e traduzindo de modo adequado sua nova experiencia? Assim. o "novo principado" (isto È.' Parece-me que o problema. tem ainda esta vantagem: a de colocar o menino em contato.quase se chega a imaginar que o cÈrebro do menino È um nÛ que o professor ajuda a desembaraÁar. Alguns gostariam de nos deixar sempre que caracteriza os inicios de qualquer novo tipo de Estado) e a no berÁo". forma-a. Deve-se aproxim·-la tambÈm do modo de pensar de Gentile no que diz respeito ao ensino religioso nas escolas prim·rias. Labriola. trata-se de uma reHegel afirmara que a servid„o È o berÁo da liberdade. por exemplo. alÈm de seus escritos (que s„o escassos e. ao Prof. e esta seria a pedagogia do caso. isto È. apenas alusivos ou extremamente sintÈticos). Outrossim. Esta resposta de Labriola deve ser aproximada da entrevista que ele deu sobre a quest„o colonial (Libia). pode (e. com a histÛria humana e com a histÛria das "coisas". que jamais viram um fuzil moderno. p·gs. que se multiplicam e se tomam complexas com o aprendizado da linguagem. os povos imaturos) e imaginam toda a vida (dos outros) como um berÁo. porÈm comenta oportunamente (PrincÌpios de Ètica. uma naÁ„o ou grupo social que atingiu um grau superior de cultura. Para elaborar um completo ensaio sobre Antonio Labriola. B.'Provisoriamente (respondeu com viquiana e hegeliana aspereza o hebartiano professor). ao que parece. que È sempre propugnado e justificado como 'berÁo". N„o se leva em conta que o menino. quando os ingleses convocam recrutas entre povos primitivos. freq¸entemente. N·poles. que educa para a liberdade. de um mecanicismo bastante empÌrico e muito prÛximo do mais vulgar evolucionismo. mas antes mec‚nico e reacion·rio. Poder-se-ia recordar o que disse Bertrando Spaventa a respeito daqueles que pretendem conservar sempre os homens no berÁo (isto È. perguntou um de nossos alunos. tal como o "pedagÛgico" religioso de Gentile. A "espontaneidade" È uma destas involuÁıes: curiosas involuÁıes (nas doutrinas de Gentile e de Lombar- nossa pedagogia'". Um exemplo tÌpico de berÁo que se converte em toda a vida È oferecido pelo protecionismo aduaneiro. Pedagogia mecanicista e idealista. do boomerang ou da zarabatana. O modo de pensar implÌcito na resposta de Labriola. a atividade educativa direta) È t„o-somente uma fraÁ„o da vida do aluno. de um pseudo-historicismo. deva ser colocado de outra maneira: ou seja. deve) "acelerar" o processo de educaÁ„o dos povos e dos grupos sociais mais atrasados. A escola ˙nica. portanto. mas precisamente no manejo do fuzil. objetando contra a efic·cia da pedagogia. 1904): "Mas o berÁo n„o È a vida.

Possui um certo n˙mero de doutrinas e fatos. Estudar a reforma pedagÛgica introduzida pelo Humanismo: a substituiÁ„o da "composiÁ„o escrita" pela "disputa oral". n„o significa que deva ser reduzido ‡ escravid„o. na medida em que existem determitÛrica" i n„o absoluta: ali·s. um h·bito de ordem e de sistema. De fato. por exemplo.n˙ncia (tendenciosa) a educar o povo. nutre a mais alta opini„o sobre si e se irrita com os que discordam O mÈtodo que a disciplina universit·ria prescreve para cada forma de investigaÁ„o È muito diferente e muito diferente È o resultado: È "a formaÁ„o do intelecto. que determina uma argumentaÁ„o pouco rigorosa e produz a convicÁ„o imediata sobretudo por via emotiva. . O Humanismo. Trechos do livro Lectures and Essays on University Subjects. O fato de. Spaventa -. tal fato È tambÈm filosÛfico-histÛrico: 1) porque connadas condiÁıes. e que se rebele contra esta necessidade. o mecanicismo implÌcito no pensamento de Labriola aparece de um modo mais evidente. Trata-se. mas descozidos e dispersos. 2) porque induzir· os prÛprios papuanos a refleti- rem sobre si mesmos. a n„o ser que se pense que toda coerÁ„o estatal È escravid„o. Percebe mais as objeÁıes do que as verdades. a se auto-educarem. que tÍm para ele o mesmo valor. desprovido de uma sÛlida preparaÁ„o. conversaÁıes e discussıes sem conte˙do: "Um jovem de intelecto agudo e vivo. ade- mais. desdiz e se contradiz.que se colocava do ponto de vista da burguesia liberal contra os "sofismas" historicistas das classes reacion·rias — exprimia. n„o tem mais a apresentar do que um acervo de idÈias. Na entrevista sobre a quest„o colonial. e no plano mais geral. mas n„o È menos necess·rio que alguÈm afirme que isto n„o È necess·rio sen„o contingentemente. sendo precisamente esta luta a condiÁ„o para que os netos e bisnetos do papuano sejam libertados da escravid„o e educados atravÈs da pedagogia moderna. isto È. do Cardeal Newman. de modo sarc·stico. para os quais o knut n„o È um knut quando È um knut "histÛrico". nas escolas prim·rias. O fato de que se afirme ser a escravid„o dos papuanos apenas uma necessidade do momento. o h·bito de relacionar todo 145 dele". ser necess·ria uma exposiÁ„o "dogm·tica" das noÁıes cientÌficas ou ser necess·ria uma "mitologia". atravÈs da oratÛria. O fato de que um povo ou um grupo social atrasado tenha necessidade de uma disciplina exterior coercitiva a fim de ser educado para a civilizaÁ„o. na medida em que se sentirem apoiados por homens de civilizaÁ„o superior: 3) porque apenas esta resistencia revela que se est· realmente num periodo superior de civilizaÁ„o e de pensamento. libertando-o das nÈvoas e do caos nos quais uma cultura inorg‚nica. conferencias mais brilhantes do que sÛlidas. È necess·rio que exista uma luta a respeito. de um modo de pensar muito nebuloso e confuso. (Recordar algumas notas sobre o modo de difus„o da cultura por via oral. n„o significa que o dogma deva ser o religioso e a mitologia aquela mitologia determinada. entrementes. pretensiosa e confusionista ameaÁava submergi-lo. mas muito prÛximo de elementos j· maduros. mas sim a express„o adequada da pedagogia moderna dirigida para a educaÁ„o de um elemento imaturo (que È seguramente imaturo. por discuss„o dialÛgica. Antes tribuir· para reduzir ao tempo necess·rio o perÌodo de escravid„o. Diz. O historicismo de Labriola e de Gentile È de um gÈnero bastante decadente: È o historicismo dos juristas. propıe mil questıes ‡s quais ninguÈm saberia responder: mas.) Ordem intelectual e moral. que se trata de uma necessidade "his- turas). a universidade tem a tarefa humana de educar os cÈrebros para pensar de modo claro. Existe uma coerÁ„o de tipo militar (mesmo para o trabalho) que pode ser aplicada inclusive ‡ classe dominante. que È um de seus elementos "pr·ticos" mais significativos. ao passo que a escravid„o È organicamente a express„o de condiÁıes universalmente ima144 de mais nada. ora verdadeiras ora falsas. uma concepÁ„o bem mais progressista e dialÈtica do que a de Labriola e Gentile. graÁas a leituras mal absorvidas. n„o tendo principios em torno dos quais coleta-los e situ·-los. seguro e pessoal. pode muito bem ocorrer que seja "necess·rio reduzir os papuanos ‡ escravid„o" a fim de educ·-los. isto È. e quando È obrigado a expressar claramente seu pensamento n„o mais se reencontra. e que n„o È "escravid„o".

o contato entre professores e estudantes n„o È organizado. pois completa a funÁ„o das universidades. ‡ massa dos ouvintes. mas parece-me que os semin·rios de tipo alem„o representam esta funÁ„o ou buscam desenvolve-la. Para a massa dos estudantes. o professor realmente guia o seu aluno. Este costume. na prÛpria faculdade. nenhuma hierarquia intelectual permanente entre professores e massa de estudantes: apÛs a universidade. ouvidas com maior ou menor atenÁ„o. facilita-lhe as pesquisas. iniciativa pessoal. aconselha-lhe livros para ler e pesquisas a tentar. j· na universidade. a eloq¸Íncia n„o substitui o pensamento. pede-lhe um tema e conselhos especÌficos sobre o mÈtodo da pesquisa cientifica. s„o marginalizados tanto no ambiente social universit·rio quanto no ambiente de estudo. na constituiÁ„o de um grande centro de vida intelectual nacional. que gostaria de ver defendidos por "seus seguidores ou discÌpulos" Cada . convida-o para casa. por exemplo. Um estudante toma-se assÌduo de um professor. Por isso. na obra que o prÛprio professor escreveu sobre a matÈria ou na bibliografia que indicou. 147 146 . eles lutavam tambÈm contra a insuficiencia da vida universit·ria e contra a mediocridade cientÌfica e pedagÛgica (e mesmo moral. coloca-o em contato com outros especialistas e se apodera dele definitivamente. por vezes) dos professores oficiais. em nosso pais. todas ou apenas uma parte: o estudante confia nas apostilas. Deveria deixar de ser fato pessoal. tem seus pontos de vista determinados (chamados de "teorias") sobre determinadas partes de sua ciencia. O professor ensina. os cursos n„o s„o mais do que uma sÈrie de conferÍncias. inexiste qualquer estrutura cultural que se apÛie sobre a universidade. È benÈfico. a histÛria n„o È mais um livro de novelas. no mais das vezes. de amizade familiar. entre outras coisas. Foi este um dos elementos que determinou a sorte da dupla Croce-Gentile. o que È mais importante. Os primeiros seis meses do curso servem para uma orientaÁ„o sobre o car·ter especÌfico dos estudos universit·rios. particularmente os que vÍm dos liceus provincianos. realiz·vel tambÈm em instituiÁıes n„o "universit·rias" em sentido oficial.. graÁas a causas religiosas. Cada professor tende a formar uma "escola" prÛpria. professor pretende que. nem a biografia um romance. que o encontra na biblioteca. Ele se estabelece. isto È. A disciplina universit·ria deve ser considerada como um tipo de disciplina para a formaÁ„o intelectual. para se tomar funÁ„o org‚nica: n„o sei atÈ que ponto. T„o-somente na Època da apresentaÁ„o da tese È que o estudante se aproxima do professor. Por que n„o exercem em nosso pais aquela influencia de reguladoras da vida cultural que exercem em outros paises? Um dos motivos deve ser buscado no seguinte: nas universidades. ou pelo menos n„o na mesma medida. Existe um maior contato entre os professores individuais e estudantes individuais que pretendem se especializar numa determinada disciplina: este contato se estabelece. os oradores e as publicaÁıes do dia perdem a infalibilidade. existe concorrÍncia entre professores de matÈrias afins na disputa de alguns jovens que j· se tenham distinguido por causa de uma recens„o. de sua universidade. e possui uma imensa import‚ncia para a continuidade acadÈmica e para o destino das v·rias disciplinas. e a timidez nas relaÁıes pessoais nunca deixa de existir entre professor e aluno.conhecimento novo com os que j· se possui e integr·-los em conjunto e. Muitos jovens. mediante suas conversas assÌduas acelera a formaÁ„o cientifica dele.. salvo casos espor·dicos de igrejinhas. de sua c·tedra. Nos semin·rios. faz-lhe publicar os primeiros ensaios nas revistas especializadas. d· a sua liÁ„o e vai embora. aconselha-o no desenvolvimento. indica-lhe um tema. h· uma disputa de pessoas que aspiram atingir mais facilmente uma c·tedra universit·ria. nem as afirmaÁıes corajosas ou as descriÁıes coloridas ocupam o lugar de argumentos". de um artiguinho ou em discussıes escolares (onde elas s„o realizadas). saiam jovens "distinguidos que dÍem sÈrias "contribuiÁıes" ‡ sua ciencia. As universidades italianas. mesmo aquelas escassas ligaÁıes se relaxam e. Neste caso. Quando existe esta faculdade crÌtica. " em concorrÍncia com as outras. esta estrutura geral da vida universit·ria n„o cria. casualmente. Em torno de certos professores. pelo contr·rio. a aceitaÁ„o e o uso de certos principios. De qualquer modo. polÌticas. tal coisa n„o se verificaria. como centro de pensamento. antes da guerra.

uma na FranÁa. Todos os estudantes s„o obrigados a freq¸entar. portanto. inspiradas no princÌpio da autonomia do aluno e da necessidade de satisfazer.] 149 . instituiu cursos manuais e pr·ticos. insiste-se sobre o "difÌcil". Um curso universit·rio È concebido como um livro sobre o assunto. Ferrando examina um trabalho de Carleton Washburne. O estudante absorve um ou dois do cem dito pelo professor: mas se o cem È constituÌdo por cem unilateralidades diversas. e -. New York. carpinteiros. ao lado dos cursos teÛricos de matÈrias cl·ssicas e cientificas.. quando sÛ s„o "repassadas" precisamente as questıes mais difÌceis: o estudante fica como que hipnotizado pelo difÌcil. Quanto mais se aproximam os exames. The John Day Company. Washburne descreve doze escolas. G. Mas alguÈm pode se tornar culto com a leitura de um sÛ livro? Trata-se. Ouve-se dizer de grandes intelectuais que eles se divertem trabalhando como torneiros. o artigo "O f·cil e o difÌcil". encardenadores de livros. na qual o trabalho e a teoria est„o estreitamente ligados: a aproximaÁ„o mec‚nica das duas atividades pode ser um esnobismo. que lhes criou uma psicologia tradicional. as duas deficiÍncias s„o ligadas ao sistema escolar das liÁıesconferÍncias sem "semin·rio" e ao car·ter tradicional dos exames. em algumas mitigado e inserido no velho tronco da escola tradicional. suas necessidades intelectuais ( New School in the old World by CARLETON WASHEURNE. de Metron.mesmo que n„o exista nenhuma relaÁ„o direta entre os dois — o aluno aprende. a aplicar seus conhecimentos e desenvolve suas capacidades pr·ticas. todas diferentes entre si. diferencia-se das escolas do mesmo tipo t„osomente porque. a absorÁ„o n„o pode deixar de ser muito baixa. enquanto em outras assumindo um car·ter francamente revolucion·rio. deve-se estudar ou estudar para saber estudar? Deve-se estudar "fatos" ou o mÈtodo para estudar os "fatos"? A pr·tica do "semin·rio" deveria precisamente complementar e vivificar o ensino oral. uma na SuÌÁa. cada uma delas nos apresenta um aspecto do complexo problema educacional. n„o obstante. Cinco destas escolas s„o na Inglaterra. Apontamentos e apostilas.Questıes escolares. 1930). todas as suas faculdades mnemınicas e sua sensibilidade intelectual se concentram nas questıes difÌceis. Metron n„o analisa exatamente. uma na Holanda. de acordo com sua escolha. Ao que me parece. 2) que. 148 Escolas progressistas. atÈ chegar nas vÈsperas. mas todas animadas por um espirito reformador. tanto mais se resume a matÈria do curso. Cf. uma na Alemanha e duas na Tcheco-Eslov·quia. as razıes destes dois problemas e n„o indica nenhum remÈdio "tendencial". o professor fala cem e o estudante absorve um ou dois. Os apontamentos e apostilas fundam-se especialmente sobre as questıes "difÌceis": no prÛprio ensino. tendo-se como hipÛtese uma atividade independente do estudante no que diz respeito ‡s "coisas f·ceis". que veio ‡ Europa especialmente para ver como funcionam as novas escolas progressistas. uma das mais antigas escolas inglesas. A Public School de Oundle. do problema do mÈtodo no ensino universit·rio: na Universidade. No Marzocco de 13 de setembro de 1931. como conjunto e n„o como individuos singulares. Muitas destas escolas modernas s„o precisamente do tipo esnobe. que as toma unilaterais para o estudante. no Corriere della Sera de 7 de janeiro de 1932. o sistema das liÁıes-conferencias leva o professor a n„o se repetir ou a se repetir o menos possÌvel: as questıes s„o assim apresentadas apenas dentro de um quadro determinado. Visando a uma absorÁ„o minima. que nada tÍm a ver (a n„o ser superficialmente) com o problema de criar um tipo de escola que eduque as classes instrumentais e subordinadas para um papel de direÁ„o na sociedade. etc. Metron faz duas observaÁıes interessantes (referindo-se aos cursos de engenharia e aos exames de Estado para os engenheiros) : 1) que. uma na BÈlgica. durante o curso. os candidatos sabem responder ‡s questıes "difÌceis" e fracassam nas questıes "f·ceis". [Este exemplo mostra como È necess·rio definir exatamente o conceito de escola unit·ria. na medida do possÌvel. porÈm. isto n„o È suficiente para que sejam um exemplo de unidade entre trabalho manual e intelectual. ou uma oficina mec·nica ou um laboratÛrio cientÌfico: o trabalho manual È acompanhado pelo trabalho intelectual. nos exames de Estado. pedagogo americano.

Para Glaser. ao passo que nas primeiras semanas nada tem — ou tem muito pouco — a fazer. que s„o para eles camaradas e n„o autocratas pedagogos e sofrem sua influÍncia moral. o que compromete a seriedade da escola e constitui um sÈrio inconveniente para as professoras. que deixam ao aluno uma total liberdade no estudo: em certas faculdades. A instruÁ„o dos meninos deriva apenas das perguntas que fazem aos professores e do interesse que demonstram por um determinado fato. contra o ensino dogm·tico. por acaso. O professor busca tomar consciÍncia do que os meninos tÍm necessidade de aprender e. portanto. que n„o s„o mais do que "exceÁıes". a ˙nica coisa que o professor sabe È que "possuem uma alma que deve ser desenvolvida" e. contanto que. Em oito anos. na Civilt‡ Cattolica de 6 de outubro. sustenta que o professor n„o tem sequer o direito de estabelecer o que os rapazes devem aprender. assim. Na pequena aldeia de Kearsley. A escola Cousinet. deixa que prossigam por sua conta. que representa uma reaÁ„o contra todas as fÛrmulas. A de Glarisegg. em substituiÁ„o ‡ vida familiar. mais talvez para ver o que n„o se deve fazer do que por qualquer outra raz„o. t„o tendÍncia a tornar mec‚nica a instruÁ„o.] uma escola de elite ou um sistema de "pÛs-escola". na FranÁa. desenvolve o h·bito do esforÁo coletivo. nenhuma distinÁ„o de classe.] dade e da responsabilidade moral de cada aluno etc. deve tentar lhes oferecer todas as possibilidades de manifestaÁ„o. na situaÁ„o atual de divis„o social das funÁıes. se expanda". alguns grupos tÍm limitaÁıes em sua escolha pro151 . a educaÁ„o consiste "em liberar a individualidade de cada aluno. em permitir ‡ sua alma que apareÁa e. os meninos se apaixonam de tal modo pelas liÁıes. Glaser. 3 de novembro e 17 de novembro de 1928: pode-se encontrar. que por vezes permanecem na escola atÈ de noite. n„o existem inconvenientes que n„o s„o referidos.A escola mÈdia feminina de Streatham Hell aplica o sistema Dalton (que Ferrando chama de "desenvolvimento do mÈtodo Montessori") . [O sistema Dalton n„o È sen„o a extens„o ‡s escolas mÈdias do mÈtodo de estudo seguido nas universidades italianas. limitando-se a responder ‡s suas perguntas e a gui·-los em suas investigaÁıes. "deu resultados surpreendentes". O'Neill fundou uma escola elementar na qual foi abolido "qualquer programa e mÈtodo did·tico". O Sr. a disciplina das v·rias classes È confiada ‡s alunas. [L Áoam-se a seus professores. seu progresso È bastante superior ao dos alunos das escolas comuns. comeÁa a falar sobre aquele determinado assunto. diretor dessas escolas. Cf. por exemplo. assim como ignora para que tipo de sociedade devem ser preparados. j· que desenvolvem certos aspectos do problema educacional. O estudo da quest„o È com- plexo: 1) porque. n„o pode saber o que eles v„o ser na vida. da colaboraÁ„o. na SuiÁa. os alunos dessas escolas obtiveram bons resultados. a escola "progressista" da BÈlgica se baseia no princÌpio de que os meninos aprendem entrando em contato com o mundo e ensinando aos outros. mas poderia ser generalizada? encontrar-se-iam bs professores numericamente necess·rios ‡ tarefa? e. como o dos meninos que devem abandonar a escola? Poderia ser 150 logo o consegue. o estudo do Padre Brucculeri. realizam-se vinte exames no quarto ano universit·rio e depois apresenta-se a tese. afeimesmo intelectualmente. que devem ajud·-las e que s„o sobrecarregadas de trabalho. deixam para os ˙ltimos dias do mÍs a execuÁ„o de seu dever. E. no fim de cada mÍs. em geral. contra a As outras escolas das quais fala Washburne s„o interessantes. insiste de modo especial em desenvolver o sentido da liber˙til acompanhar todas estas tentativas. O sistema tem um grave defeito: as alunas. tenham concluido o programa que lhes foi indicado. de modo que o professor nem sequer conhece o aluno. ausÍncia de matÈrias de estudo. em tal estudo. A orientaÁ„o profissional.] Um grupo de escolas elementares de Hamburgo: liberdade absoluta para as crianÁas. F. as moÁas s„o livres para seguir as liÁıes (pr·ticas ou teÛricas) que desejem. buscando despertar a curiosidade e o interesse deles. o primeiro material para uma colocaÁ„o inicial das investigaÁıes a respeito deste assunto. Esta escola. inexistÍncia de ensino no sentido preciso da palavra. posteriormente. [… muito interessante como tentativa.

ServiÁos p˙blicos intelectuais: alÈm da escola. podem tender a "obrigar" todas as especialidades tradicionais a que se deixem racionalizar sem ter obtido as possibilidades salariais para um sistema de vida apropriado. as pinacotecas. ServiÁos p˙blicos. publicaÁıes das bibliotecas populares. 19 de outubro de 1928. as bibliotecas. Por que somente em Mil„o 153 . Pelo contr·rio. etc. ou seja. por categoria e por autores. outros oper·rios davam auxilios de atÈ cem liras ‡s bibliotecas populares. precisamente estes serviÁos. Havia oper·rios que se propunham a pagar a metade dos livros caros a fim de poder l€-los. todavia. rentistas (?). A ind˙stria americana serviu-se dos altos sal·rios para "selecionar" os oper·rios da ind˙stria racionalizada. mas — numa sociedade moderna — devem ser assegurados pelo Estado e pelas entidades locais (comunas e provincias)? O teatro. na It·lia. os museus de v·rios tipos. mas que continuava a ser oper·rio. O nas bibliotecas populares. … preciso fazer uma lista de instituiÁıes que devem ser consideradas de utilidade para a instruÁ„o e a cultura p˙blicas e que s„o consideradas como tais numa sÈrie de Estados. pelo contr·rio. inferior ao de outros paises. Fabietti esclarece como os oper·rios eram os melhores "clientes" das bibliotecas populares: cuidavam dos livros.) O estudo da quest„o deve. instituiÁıes que n„o poderiam ser acessÌveis ao grande p˙blico (e se considera. -. Os teatros existem na medida em que s„o um negÛcio comercial: n„o s„o considerados serviÁos p˙blicos. que foi a mais brilhante ini- gorias de leitores: estudantes.: a quest„o n„o È puramente tÈcnica. empregados. como fatores de hegemonia. mas salarial. mesmo quando ela n„o queira aceit·-lo (este caso deve ser levado em conta apÛs a introduÁ„o da racionalizaÁ„o. os hortos florestais etc. s„o abundantes as obras pias e as doaÁıes beneficentes: talvez mais do que em qualquer outro pais. levando adiante estes esquemas cientÌficos e pseudocientÌficos. por razıes nacionais. os jardins zoolÛgicos. nos v·rios nÌveis.] As bibliotecas populares. decorrentes de condi- tÌpico s„o as bibliotecas e os teatros. de democracia no sentido moderno. Nueva Antologia. suas caracterÌsticas. s„o quase inteiramente negligenciados por nÛs. [Estes elementos devem ser estudados como nexos nacionais entre governantes e governados. pelo menos em certa medida: outras ind˙strias. "Os primeiros vinte e cinco anos das bibliotecas populares milanesas". E verdade que s„o mal administradas e mal distribuÌdas. que permita reintegrar as maiores energias nervosas consumidas. etc. se bem que Fabietti tenha demonstrado n„o ser ele mesmo muito sÈrio. profissionais. Artigo muito ˙til graÁas ‡s informaÁıes que presta sobre a origem e o desenvolvimento desta instituiÁ„o. outrossim. È necess·rio lhe reconhecer muitas benemerÍncias e uma indiscutÌvel capacidade organizativa no campo da cultura oper·ria no sentido democr·tico. o regime salarial atual È baseado principalmente sobre a reintegraÁ„o de forÁas musculares. donas-de-casa. etc. tendÍncias. A literatura sobre as bibliotecas populares milanesas dever· ser estudada a fim de se obter informaÁıes "reais" so- e tradutor do francÈs graÁas ‡s leituras e aos estudos feitos bre a cultura popular: os livros mais lidos.BeneficÍncia È elemento de "paternalismo".. que outros serviÁos n„o podem ser deixados ‡ iniciativa privada. houve um oper·rio tintureiro que se tornou "escritor" artigo È bastante sÈrio. E preciso observar que. serviÁos intelectuais s„o elemento de hegemonia. ALFREDO FAaLE'M. E um fato a escassez do p˙blico teatral e a mediocridade das cidades em decadÍncia. um exemplo 152 fissional (entendida em sentido lato). que devam ser acessÌveis) sem uma intervenÁ„o estatal. A introduÁ„o da racionalizaÁ„o sem uma modificaÁ„o do sistema de vida pode levar a um r·pido esgotamento nervoso e a determinar uma crise inaudita de morbidez. ser feito do ponto de vista da escola ˙nica do trabalho.] As leituras de "belas letras" representavam um percentual relativamente baixo. n„o os destruÌam [ao contr·rio das outras cate- ciativa em favor da cultura popular dos tempos' modernos. 2) porque deve sempre ser levado em conta o perigo de que os institutos chamados a julgar as disposiÁıes da pessoa indiquem-na como capaz de desempenhar um certo trabalho. A possÌvel que se esteja diante de um verdadeiro perigo social.Áıes econÙmicas diversas (a impossibilidade de esperar) e tÈcnicas (cada nova ano escolar modifica as disposiÁıes gerais nas quais deve escolher a profiss„o). E devidas ‡ iniciativa privada. etc.

popular-nacional. mineralogia. etc. espeleologia. em sua cristalizaÁ„o e em sua transformaÁ„o num objeto de museu. Universidades populares. afastada da vida nacional-popular (mas as academias foram causa ou efeito? Sua multiplicaÁ„o n„o ocorreu... O PrÌncipe Carlos As academias. a FederaÁ„o das Uniıes Intelectuais e dirige uma revista ( Europ„ische Gespr„che). Senador Vittorio Scialoja.tal iniciativa foi feita em grande estilo? Por que n„o em Turim. O tema È muito interessante e essencial. em que posiÁ„o se encontra ele em seus trabalhos?). A caracterÌstica mais gia d e 1.. Na Nuova Antologia de 19 de setembro de 1929 (p·g. Os italianos participam desta federaÁ„o: seu Congresso realizado em 1925 teve lugar em Mil„o. Ele conclui que a R˙ssia "seinen Weg gefunden hat". AtravÈs dos insCf. FunÁ„o que desempenharam no desenvolvimento da cultura italiana. Em 1927. especialistas e "diletantes". A Uni„o Italiana È presidida por S. nadas atividades esportivas (turismo = geografia-esporte). reside no fato de que ela agrupa todos os "amigos da ciÍncia". n„o poderia se ligar organicamente aos Institutos de Geografia e ‡s Sociedades Geogr·ficas? 155 O mesmo poderia ser dito do Touring Club. na forma mais popular e diletante do amor pela geografia e pelas ciÍncias que a ela se ligam (geologia. 129). O livro deve ser interessante por causa da personalidade social do autor. que me parece ter sido o protÛtipo deste gÈnero de organizaÁıes privadas. A FederaÁ„o das Uniıes Intelectuais.. como base elementar. para que se desse uma satisfaÁ„o parcial a atividades que n„o encontravam realizaÁ„o na vida p˙blica? etc. portanto. clÈrigos e laicos. Rohan publicou um livro sobre a R˙ssia ( Moskau — Ein Skizzenbuch ans Sowietrussland. talvez. bot„nica. a Academia Francesa possui uma funÁ„o nacional de organizaÁ„o da alta cultura. (qual È a atual posiÁ„o da Crusca? Ela certamente mudou de caracterÌstica: publica textos crÌticos. isto È. Bibliografia. em 1924. Karlsruhe). na medida em que se incorporam em determi- e o trabalho "industrial. aopasso que a Crusca. mas o Dicion·rio. o interessante artigo de ALFREDO FABIErrI. Em outra nota. Exa. Ela fornece o tipo embrional daquele organismo que esbocei numa nota anterior. no qual deveria confluir e solidificar-se o trabalho das academias e das universidades com as necessidades de cultura cientÌfica das massas nacionaispopulares. cristalografia etc.). ou em outras grandes cidades? CaracterÌsticas e histÛria do "reformismo" milanÈs. maÁ„o e da atividade da "Sociedade Italiana para o progresso da CiÍncia". na Nuova Antolo2 - de Rohan fundou. Dever-se-· estudar tambÈm a histÛria fecunda da "Sociedade Italiana". Por isso. È anunciado um livro de E. O estudo da lÌngua est· na base de ambas: mas o ponto de vista da de Crusca È o do "ling¸ista". fiz referÍncia ‡s Academias italianas e ‡ utilidade de ter uma lista documentada delas. que poderia encontrar sua raiz na escola ˙nica . Uma comparaÁ„o das culturas italiana e francesa pode ser feita estabelecendo-se um paralelo entre a Academia da Crusca e a Academia dos Imortais. Cultura italiana e francesa e• academias. "Para a sistematiza_ Á·o das bibliotecas p˙blicas 'nacionais' e 'populares". par assim dizer. A EncyclopÈdie (ediÁ„o de 1778) assegura que a It·lia contava ent„o com 550 academias. O ponto de vista francÈs È o da "lÌngua" como concepÁ„o do mundo. o trabalho intelectual " . que È essencialmente uma grande associaÁ„o de amigos da geografia e das viagens. Estudar a histÛria da for- da "AssociaÁ„o Brit‚nica".2 154 de abril de 1930. onde fora em viagem. reunindo a teoria e a pr·tica. Braun. OrganizaÁ„o da urda cultural. Verlag G. SALARIS.). da unidade da civilizaÁ„o francesa. Humanit·ria. do homem que se preocupa continuamente com a lÌngua. etc. obra de publicaÁ„o prÛxima e que trata das Academias da It·lia.' titutos culturais italianos. Por que o Touring Club.

Neste c·lculo. isto È.300. particularmente no que diz respeito aos jornais e revistas. O Instituto Italiano do Livro comunica que a mÈdia anual da dÈcada 1908-1918 foi exatamente de 7. mas È particularmente verdade no que diz respeito aos livros: pode-se dizer que. tendenciosas.H· o problema internacional: o Touring. assim. etc. como a da colheita do gr„o. portanto. ao passo que as classes populares lÍem muito menos: isto È revelado pela relaÁ„o entre livros. LigaÁ„o do turismo com as sociedades esportivas. a publicaÁ„o de obrinhas sem nenhuma import‚ncia cultural (multiplicaram-se. etc. 3) seria necess·rio observar se e como se modificou a composiÁ„o org‚nica do complexo livreiro: È certo que se multiplicaram as casas editoras catÛlicas.. revistas e jornais. n„o sÛ mudou o tipo de unidade calculada. a estatÌstica livreira era muito aproximativa e in- certa (isto se observa em qualquer estatÌstica. existem mais leitores de livros e revistas). se as excursıes nacionais e internacionais se ligassem a periodos de fÈrias (prÍmio) para o trabalho industrial e agrÌcola. poder-se-ia ligar a todas as atividades pr·ticas. por exemplo e. de lÌngua italiana que n„o fazem parte do Reino). Le-se menos ou mais? E quem lÈ menos ou mais? Est· se formando uma "classe mÈdia culta" mais numerosa do que no passado. dever-se-ia levar em conta as tiragens. hoje. iatismo. Seria necess·rio observar: 1) se as cifras s„o homogÈneas. de San Marino. no passado. excluÌdos os do Vaticano. se n„o mudou o tipo da unidade editorial base. 2) È preciso levar em conta que. mas que nada mais foge ao controle estatÌstico). conseq¸entemente. ou seja. as ediÁıes escolares catÛlicas. Na realidade. excursionismo em geral: ligaÁ„o com as artes fi- lÍem-se mais revistas e livros (isto È.). PublicaÁbes polÈmicas e. com o alpinismo. que lÍ mais. ao passo que as sociedades geogr·ficas ocupam-se de todo o mundo geogr·fico. tem um quadro gurativas e com a histÛria da arte em geral. das colonias e dos territÛrios essencialmente nacional. Os livros. se se calcula hoje como se fazia no passado. Os jornais diminuÌram de n˙mero e imprimem menos exemplares: 156 157 . Comparar a It·lia e outros paises no que diz respeito aos modos de realizar a estatÌstica livreira e na classificaÁ„o por grupos do que se publica. Insiste-se muito no fato de que aumentou o n˙mero dos livros publicados.718 (livros e op˙sculos. por exemplo. Os c·lculos feitos para 1929 (os mais recentes) d„o a cifra de 17.

III Jornalismo .

J ORNALISMO INTEGRAL. Para desenvolver criticamente o assunto e estudar todos os seus aspectos. isto È. O tipo de jornalismo estudado nestas notas È o que poderia ser chamado de "integral" (num sentido que. em geral. criar seu p˙blico e ampliar progressivamente sua ·rea. em certo sentido. o jornalismo que n„o somente pretende satisfazer todas as necessidades (de uma certa categoria) de seu p˙blico. vÍ-se que quais coordenar-se mecanicamente". mas pretende tambÈm criar e desenvolver estas necessidades e. conseq¸entemente. pare- cada uma delas pressupıe outras forÁas a integrar ou ‡s " ce-me mais oportuno (para os fins metodolÛgicos e did·ti- 161 . Se se examinam todas as formas de jornalismo e de atividade publicistico-editorial existentes. no curso das prÛprias notas. adquirir· significado cada vez mais claro).

lingua. devemos pressupor ainda que se pretenda fundar-se em tal agrupamento para construir um edifÌcio cultural completo. ‡ qual ensinar o alfabeto. o fato mesmo desta realizaÁ„o. pelo meio de express„o e de contato reciproco. na realidade. Vemos sua manifestaÁ„o nas empresas "conforme um plano". a existÍncia. compensada com serviÁos (divulgaÁ„o). Por certo. ducteis. as premissas s„o necessariamente modificadas e transformadas. que n„o s„o puros "mecanismos". capazes de adquirir as publicaÁıes e de fazÍ-las adquirir por outros. de um agrupamento cultural (em sentido lato) mais ou menos homogÍneo. na medida em que o elemento ideolÛgico È um estÌmulo ao ato econÙmico da aquisiÁ„o e da divulgaÁ„o. È verdadeira. isto È. capazes. menos di- nais". Uma empresa editorial publica tipos diversos de revistas e livros. na esfera econÙmica. se È verdade que uma certa finalidade pressupıe certas premissas. Deve-se partir do nÌvel mais baixo e. male·veis ‡ transformaÁ„o. conseq¸entemente. sobre ele. como ponto de partida. mas eles tender„o a desaparecer atÈ o limite normal das crianÁas de cinco-seis anos. a previs„o mais realista. particularmente. de atividades a desenvolver. Que uma "turma escolar" aprenda o alfabeto. isto È. aut·rquico. Os dois elementos. deve-se planejar de modo a que seja dada a possibilidade da aquisiÁ„o "indireta". levando-se porÈm em conta que a atividade pode modificar (e deve modificar) as condiÁıes do ponto de partida. … dificil estabelecer quantos "clientes" possÌveis existem em cada nÌvel. isto È. È evidente que. iniciais e. isto È. Mas se as finalidades comeÁam progressivamente a se realizar.. cuja gradaÁ„o varia de acordo com os diversos nÌveis de cultura. mas È tambÈm verdadeiro que as "premissas iniciais se reapresentam continuamente. da efetibilidade alcanÁada. 163 . isto È. com uma certa orientaÁ„o geral.. Outrossim. as premissas necessariamente se modificam.. n„o estimularam as necessidades e n„o organizaram sua satisfaÁ„o. modificam-se tambÈm as finalidades imagin·veis. nem admitir. Todo o edificio deveria ser construÌdo de acordo com princÌpios "racio- isto n„o significa que o analfabetismo desapareÁa subitamen- ser· povoar as escolas elementares em 100%: existir„o sempre analfabetos. n„o somente no sentido de que a esfera da clientela pode (deve) ser ampliada. A existÍncia objetiva das premissas permite pensar em certas finalidades. È necess·rio -. conseq¸entemente. durante a elaboraÁ„o real da atividade determinada. a fim de que os c·lculos sejam realistas e n„o de acordo com os desejos pessoais.cos) pressupor uma outra situaÁ„o: ou seja. na medida em que se tÍm determinadas premissas e se pretende atingir determinadas conseq¸Íncias. raz„o pela qual. ainda que ela possua uma evidencia imediata. portanto. modifica necessariamente as premissas iniciais. todo ano surgir· uma nova "turma". os representantes oficiais da "li- sempre s„o destac·veis. de um certo nÌvel e. Todavia. as premissas dadas sÛ s„o tais em relaÁ„o com certas finalidades imagin·veis como concretas. Todavia. funcionais. comeÁando precisamente pela. fÌcil te e para sempre. que porÈm n„o s„o mais. "transform·veis" filosoficamente. pode-se estabelecer o plano comercial "mÌnimo". Muito raramente se pensa nesta conex„o. as possibilidades n„o correspondem ‡ vontade e ao impulso ideolÛgico. ainda que sob outras condiÁıes. isto È. quanto mais raro se tornar o analfabetismo nos adultos. Os leitores devem ser considerados a partir de dois pontos de vista principais: 1) como elementos ideolÛgicos. e assim por diante. È tambÈm verdade que. durante a elaboraÁ„o do "plano". dado que. precisamente porque se baseiam num modo de pensar no qual a parte da liberdade e do espirito de iniciativa (espÌrito de "combinaÁıes") È muito maior do que querem berdade" e da "iniciativa" abstratamente concebidas (ou Os leitores. e a consciÍncia da finalidade — ampliando-se e concretizando-se . mas tambÈm de que pode (deve) ser determinada uma hierarquia de necessidades a satisfazer e. reage sobre as premissas " "adequando-as cada vez mais.. 2) como elementos "econÙ- micos". de um certo tipo.quando se constrÛi um plano editorial — manter a distinÁ„o entre os dois aspectos. 162 " 8 uma observaÁ„o Ûbvia a de que as empresas atÈ agora existentes burocratizaram-se. por causa do papel de m·scaras da commedia dell'arte que lhes È prÛprio.

a respeito de um sujeito que. deve-se levar em conta os impulsos inovadores que se verificam. 360-361). interessantes. antes de mais nada. 174 — N. talvez mesmo o ˙nico claro. Rio Janei- se vangloriar de outros tÌtulos. e somente os idealistas que souberem levar em conta esta crÌtica". isto È. mas nem por isso devem deixar de ser seguidos e controlados. A qual dos dois tipos pertence a Italia Letteraria? Ela n„o È certamente nem militante nem cl·ssica! Saco de gatos: esta me parece ser a definiÁ„o mais exata e apropriada. neste segundo caso. isto È. brasileira. A Espero. ao invÈs de ser um potenciamento de esforÁos. L'Orto. com o tom que merecerem. Ao contr·rio. nao po- 165 . com a exclus„o apenas se formam num pals. A verdade estava no fato de que. um movimento È sempre incerto. da venda. inclusive um obstrucionismo e uma sabotagem. por exemplo. porÈm. Todavia. e movimentos de retaguarda. exceto talvez uma. devem pelo menos ser registrados. ou tendem a outros fins mais concretos e limitados. com muita freq¸Íncia. de futuro duvidoso etc. No inicio. Mais claro. por exemplo. È inum grande centro e um grande movimento. os quais devem ser levados em conta. L'Italia vivente. p·g. Espero. tinha escrito no cart„o de visitas: contempor‚neo" (Nota da EdiÁ„o Italiana). e n„o somente aquelas que j· se afirmaram e que representam interesses sÈrios e bem estabelecidos. estreitamente ligada ‡ orientaÁ„o ideolÛgica da "mercadoria" vendida. dos que tÍm um car·ter arbitr·rio e amalucado. ed. jornalÌstica (em suas v·rias manifestaÁıes) seguir e controlar todos os movimentos e centros intelectuais que existem e Isto È. Todos. Ottobre. 1 O autor se refere a uma anedota. nem 164 Movimentos e centros intelectuais. tratando-se de um cliente particular (pelo menos em sua massa). a organizaÁ„o do cliente. ser pÛs-idealista È como ser "contempor‚neo". um movimento triunfa precisamente graÁas ‡ sua mediocridade e elasticidade lÛgica: tudo isso pode ocorrer. do Ti. a saber. "propıe-se acolher pela filosofia os pÛs-idealistas. E uma observaÁ„o generalizada a de que. O diretor de Espero È Aldo Capasso. . O catolicismo. a chamada organizaÁ„o. Ler as revistas dos jovens. E dever da atividade sempre tÍm conseq¸Íncias). que nem sempre s„o vitais (isto È. localizar os grandes movimentos de idÈias e os grandes centros (mas nem sempre correspondem os grandes centros aos grandes movimentos. ou de idÈias DistinÁ„o entre movimentos militantes. deve-se "desenhar " intelectual e moral do pais. simplesmente nada. ConcepÁ„o de ro. Il Ventano. burocracia e n„o existia " " mas sÛ "iniciativa nem existia "organizaÁ„o comportamento fatalista. 1966. No mais das vezes. No Almanaque liter·rio Bompiani de 1933 (p·gs. que deveriam representar os impulsos de nossa cultura: Il Saggiatore. s„o indicados os programas essenciais de seis revistas de jovens. Ao o mapa que parece. pelo menos n„o com as caracterÌsticas de visibilidade e de concreticidade que se costuma atribuir a esta palavra: o exemplo tÌpico disto È o centro catÛlico).. dever-se-ia examinar todos estes movimentos. era um narcÛtico. È impossÌvel falar de negÛcio jornalÌstico e editorial sÈrio se n„o existir este elemento. num jornal moderno. um depressor. que empreendem uma aguda crÌtica do idealismo. os compromissos mais evidentes s„o possÌveis e precisamente estes compromissos podem ser a raz„o do triunfo. "endo DialÈtica da HistÛria. por ele mesmo narrada em outro local [cf. Ademais. que s„o os mais adquiridas e tomadas cl·ssicas ou comerciais. ocorreu que a iniciativa individual caÛtica deu melhores frutos do que a iniciativa organizada. se bem que mesmo estes. DistinÁ„o entre centros e movimentos intelectuais e outras distinÁıes e graduaÁıes. o verdadeiro diretor È o diretor administrativo e n„o o diretor da redaÁ„o. h· necessidade de uma organizaÁ„o particular. elas n„o parecem ser muito claras. ser· necess·rio esperar que ele adquira toda sua forÁa e consistÍncia para que nos ocupemos dele? Tampouco È necess·rio que possua traÁos de coerÍncia e de riqueza intelectual: nem sempre s„o os movimentos mais coerentes e intelectualmente ricos os que triunfam. pondo-se o esnobismo de lado. mas em seu terior existem movimentos e centros parciais que tendem a transformar o conjunto. Ademais.freq¸entemente. È o programa de Ottobre.

as revistas s„o estÈreis se n„o se tornam a forÁa motriz e formadora de instituiÁıes culturais de tipo associativo de massa.em dado momento — tornam-se verdadeiramente de todo in˙teis. O mesmo deve ser dito das revistas de partido. num grupo constituÌdo para lutar contra o analfabetismo. era preciso recomeÁar. com capacidade de desenvolvimento. Portanto. a preguiÁa fatalista. revistas etc. entre as geraÁıes de alunos. justifica que se caia no ceticismo e no cinismo esnobista. Isto ocorreria se a associaÁ„o tivesse seu fim em si mesma. N„o pode existir associaÁ„o permanente. seman·rios. o dile- a "moral" polÌtica e a "moral" privada. esta associaÁ„o n„o se considera como algo definitivo e enrijecido. graÁas a uma arbitr·ria ampliaÁ„o ou confus„o entre solicita e favorece todas as m·s tradiÁıes da cultura mÈdia italiana e parece aderir a alguns traÁos do car·ter italiano: a improvisaÁ„o. n„o È preciso crer que o partido constitua. a toda a huma- nidade. Necessidade de uma crÌtica interna severa e rigorosa. D'Ercole e do "ser evolutivo final". o fato de n„o levar em conta esta ordem de exigÍncias explica o trabalho de SÌsifo das chamadas "pequenas revistas". Esta confus„o.O ser evolutivo final. n„o falou sen„o da filosofia chinesa e de Lao-Tse: como a cada ano chegavam "novos alunos" que n„o tinham escutado as aulas do ano anterior. ensina-se a ler e a escrever. Este fato tem graves repercussıes na atividade jornalÌstica em geral. Diletantismo e disciplina. as "instituiÁıes" culturais devem ser n„o apenas de "polÌtica cultural". Outrossim. n„o existia em Maquiavel. La Voce e L'im ita. isto È. numa escola para analfabetos. isto È. Mas uma associaÁ„o normal concebe a si mesma como uma aristocracia. por si mesmo. Assim. Em certos movimentos culturais que recrutam seus elementos entre pessoas que somente ent„o iniciam sua vida cultural. planeja-se todos os meios mais eficazes para extirpar o analfabetismo das grandes massas da populaÁ„o de um paÌs. e a polÌtica cultural do partido È a luta contra o analfabetismo. pode-se dizer que polÌtica e Ètica se confundem.ia como sendo ligada por milhıes de fios a um deteragrupamento social e. estritamente. que se dirigem a todos e a ninguÈm. antes pelo contr·rio. a irresponsabilidade e a deslealdade moral e intelectual. por si mesmas. por causa da r·pida ampliaÁ„o do prÛprio movimento (que conquista sempre novos adeptos) e do fato de que os j· conquistados n„o tÍm auto-iniciativa cultural. Exemplo: num partido existem analfabetos. que n„o seja sustentada por determinados princÌpios Èticos. ao que me parece. Portanto. pois a grandeza de Maquiavel reside no fato de ter distinguido a polÌtica da Ètica. a falta de disciplina intelectual. As direÁıes. todas elas com a tendÍncia a se cindirem infinitamente. tendem ou a se tomarem igrejinhas de "profetas desarmados". mas de "tÈcnica cultural". Um grupo constituÌdo para lutar contra o analfabetismo n„o È ainda. "o ser evolutivo final" tornou-se uma lenda. Nem por isso deixam estes princÌpios de possuir car·ter universal. a fim de obter a compacticidade interna e a homogeneidade necess·rias para alcanÁar o objetivo. que a prÛpria associaÁ„o determina para seus componentes singulares. em tais movimentos parece impossÌvel sair um dia do abc. etc. entre a polÌtica e a Ètica. uma vanguarda. isto È. mas como tendente a ampliar-se a 167 . ou a se cindirem de acordo com os movimentos inorg·nicos e caÛticos que se verificam entre os diversos grupos e camadas de leitores. disciplinado. atravÈs dele. a "instituiÁ„o" cultural da massa da revista. o "genialismo". Durante quarenta anos. cujos quadros n„o s„o fechados. uma 166 "escola para analfabetos". de obrigaÁıes hipÛcritas: mas. O partido È essencialmente polÌtico. e mesmo sua atividade cultural È atividade de polÌtica cultural. uma elite. O materialismo histÛrico destrÛi toda uma sÈrie de preconceitos e de convencionalismos. isto È. precisamente porque o "particular" foi elevado a "universal"). em cotidianos. se fosse uma seita ou uma associaÁ„o de delinq¸entes (somente neste caso. concebe a si me-. parece que jamais se deva superar um certo nÌvel. sem convencionalismos e meias medidas. È necess·rio reconhecer abertamente que. de falsos deveres. nem por isso. O mesmo resultado tivera o maquiavelismo. Existe uma tendÍncia do materialismo histÛrico que tantismo desmiolado. O exemplo mais tipico foi o da Voce.. por certo. que — em dado momento — cindiu-se em Lacerba. Anedota do curso de histÛria da filosofia do Prof. se n„o est„o ligadas a um movimento de base. e -.

e n„o como resultado de um processo fatal estranho aos indivÌduos singulares: daÌ. esta concepÁ„o È muito comum. portanto. da educaÁ„o. pelo tipo de leitor ao qual pretendem se dirigir. transformar. caracterizados de acordo com 168 recordar a atividade jornalÌstica de Carlo Cattaneo. de modo especializado. providenciado tudo. A coletividade deve ser entendida como produto de uma elaboraÁ„o de vontade e pensamento coletivos. entre os trÍs tipos deveria circular um espÌrito comum). Russo. critico-histÛrico-bibliogr·fico". pode-se estabelecer tres ti- pos fundamentais de revista. Croce. tais como o Manchester Guardian Weekly ou o Times Weekly. Se devem existir polÈmicas e isto È. que deve ser concebida como capaz de se tornar norma de conduta de toda a humanidade. j· forem perigosas ou mesmo catastrÛficas. a redaÁ„o deveria ter um estatuto escrito. isto È. O primeiro tipo pode ser definido pela combinaÁ„o dos elementos diretivos que se encontram. portanto. de modo a produzir um trabalho intelectualmente homogÈneo. Mas n„o se pode falar de elite-aristocracia. a revista Scientia fundada por Rignano). nesta passividade dos indivÌduos. Tipo crÌtico-histÛrico-bibliogr·fico: exame analÌtico de obras. impediria os corre-corre. da preparaÁ„o tÈcnica etc. o qual. Reflete-se em pequena escala o que ocorria em es- dade dos sujeitos morais. Somente a partir deste ponto de vista historicista È que se pode explicar a ang˙stia de muitos diante da contradiÁ„o entre moral privada e moral p˙blica-politica: ela È um reflexo inconsciente e sentimentalmente acrÌtico das con- tradiÁıes da atual sociedade.s Cada um destes tipos deveria ser caracterizado por uma orientaÁ„o intelectual muito unit·ria e n„o antolÛgica. isto È. Um organismo unit·rio de cultura. poucos colaboradores "principais" deveriam escrever o corpo essencial de cada fascÌculo. da ausÍncia de igual- outra deidade oculta misteriosa e metafÌsica — penetre a graÁa da inteligÍncia. Todas estas relaÁıes d„o car·ter tendencialmente universal ‡ Ètica de um grupo. daÌ decorre a ausÍncia de uma democracia real. obtidos atravÈs do esforÁo individual concreto. A polÌtica È concebida como um processo que desembocar· na moral. feito do ponto de vista dos leitores da revista que n„o 2 que È mais ativa intelectualmente mas somente no estado po- cisıes. quando o Estado era concebido como algo abstraÌdo da coletividade dos cidad„os. de uma real vontade coletiva nacional e. deveria ter uma redaÁ„o homogÈnea e disciplinada. na Critica de B. pelas finalidades educativas que querem atingir. os conflitos. Grosso modo. na Politics de F. " qual a polÌtica e (conseq¸entemente) a moral ser„o ambas superadas. quando coubesse. fazer com que pense concretamente. pela combinaÁ„o dos elementos que caracterizavam os fascÌculos melhor elaborados do Leonardo de L . na qual -pela graÁa de um misterioso espirito santo. como tendÍncia a desembocar numa forma de convivÍncia na o modo pelo qual s„o compilados. ademais. deve-se te e o Politecnico devem ser estudados com muita atenÁ„o (ao lado do Politecnico. como de uma coletividade indistinta e caÛtica. e n„o apenas da disciplina externa e mec·nica. 169 . O terceiro. as contradiÁıes (por exemplo. da capacidade. ou de qualquer cala nacional. tencial. È necess·rio n„o ter medo de enfrent·-las e super·las: elas s„o inevit·veis nestes processos de desenvolvimento. que oferecesse aos diversos estratos do p˙blico os trÍs tipos supracitados de revista (e. O Archivo Trienna- Para uma exposiÁ„o geral dos tipos principais de revista. A orientaÁ„o redacional deveria ser fortemente organizada. a necessidade de um despotismo mais ou menos aberto da burocracia. ao lado de coleÁıes de livros correspondentes. n„o obstante. apesar da necess·ria variedade do estilo e das personalidades liter·rias. pela combinaÁ„o de alguns elementos do segundo tipo com o tipo de seman·rio inglÈs. homogeneizar de acordo com um processo de desenvolvimento org·nico que eleve do simples senso comum ao pensamento coerente e sistem·tico. satisfaria as exigÍncias de uma certa massa de p˙blico. portanto. a Unit· de Return Scriptor e a Voce de Prezzolini. que È tambÈm considerado como tendente a unificar toda a humanidade. Copgundo tipo. a obrigaÁ„o da disciplina interior. e evit·-las significa t„o-somente adi·-las para quando elas Revistas tipo. e que importa mais elaborar. como um pai eterno que tinha pensado em tudo.. de vanguarda. o conte˙do de cada fascÌculo deveria ser aprovado pela maioria da redaÁ„o antes de ser publicado).todo um agrupamento social.

O leitor comum n„o tem. ou ‡s enciclopÈdias populares mais difundidas (a Sonzogno. isto È. pelo contr·rio. pode ser utiliz·vel para este tipo mÈdio de revista. uma exposiÁ„Û de assuntos interessantes em si mesmos. A uma pessoa de cultura mÈdia. servindo-se de nomes histÛricos para facilitar a compreÈns„o e o julgamento de determinadas situaÁıes atuais. que deve ser entendida em dois sentidos: seja na medida em que toda a vida de um homem pode interessar ‡ cultura geral de uma certa camada social.adequadas ‡ mÈdia dos leitores. mas deveriam ser estabelecidas. introduzindo termos novos. estar informados sobre os erros mais difundidos e reportarse ‡s prÛprias fontes dos erros. nem de acordo com uma economia preestabelecida de espaÁo. que levou ‡quele determinado resultado. a quest„o agr·ria. alÈm do ensaio sintÈtico. assim. deve realizar toda uma sÈrie de investigaÁıes e operaÁıes intelectuais preliminares que sÛ s„o utilizados em pequena parte. em suma. N„o basta lhe fornecer conceitos j· elaborados e fixados em sua express„o "definitiva". mas n„o necessariamente. Bonacci. escapa ao leitor comum: deve-se. e ser no n·rios enciclopÈdicos (Melzi. mas como. a concreticidade de tais conceitos. na medida do possÌvel. deve-se ajude-lo a assimilar pelo menos o "sentido" deste h·bito. visando elaborar um ensaio sintÈtico. deveriam corresponder a exigencia realmente sentidas. por exemplo. etc. 2) Ligada ‡ anterior. n„o de acordo com a import‚ncia intrÌnseca do tema. no paÌs onde este regime parecia ser mais eficiente e substancial. dos quais poder· decorrer um livro. pode ocorrer que seja necess·rio se falar de Lord Carson. que sÛ se adquire com o trabalho especializado: por isso. ou seja. um h·bito "cientÌfico". enriquecendo de conte˙do novo termos j· em uso. a rubrica n„o se deve apresentar como um livro publicado em folhetins. devendo receber o costumeiro gr„o de sal). Nas revistas deste tipo. etc. Esta trabalheira.apresenta grandes diferenÁas (e mesmo contrastes) de atitudes regionais nas diversas Èpocas e de acordo com os problemas particulares que enfrenta (por exemplo. a fim de fazer referÍncia ao fato de que a crise do regime parlamentar j· existia antes da guerra mundial. Estas exposiÁıes n„o deveriam se apresentar de modo org‚nico (por exemplo. mas sim com o interesse jornalÌstico imediato (tudo isto È dito de modo geral. 171 . em 1914. criando met·foras. lhe oferecer toda a sÈrie dos raciocinios e das conexıes intermedi·rias. Assim. por isso. isto È. ou pelas revistas associadas de tipo superior ou mais elementar: a amplitude da exposiÁ„o deveria ser fixada. toda corrente cultural cria a sua linguagem. alÈm disso. interessam apenas dois dados biogr·ficos: a) Lord Carson. etc. toda a atividade analÌtica em seu conjunto. a orientaÁ„o sindical. e que o leitor mÈdio dificilmente compreende ou mesmo deforma. tipo Biblioteca popolare Sonzogno ou dicio- etc. ao contr·rio. Um estudioso que examina um fenÙmeno histÛrico determinado.podem. no seguinte sentido: em cada fascÌculo. nas vÈsperas da guerra. e n„o pode ter. em cada oportunidade. que reside no processo que levou ‡quela afirmaÁ„o. para se desenvolver intelectualmente. isto È. Premoli. As exposiÁıes deveriam ser "pr·ticas". participa do desenvolvimento geral de uma determinada lingua nacional. colocou em Ulster um corpo armado bastante numeroso.). dedicado a um leitor que necessita ter diante de si. etc. a AÁ„o CatÛlica mesmo tendo sempre apresentado uma diretiva ˙nica e centralizada -. em relaÁ„o imediata com os assuntos desenvolvidos pela prÛpria revista. pode decompor-se em diversos planos. ‡s publicaÁıes cientÌficas baratas..). e existia precisamente na Inglaterra. Os compiladores deveriam. seja na medida em que um nome histÛrico pode entrar num dicion·rio enciclopÈdico por causa de um determinado conceito ou evento sugestivo. atravÈs de uma atividade critica oportuna. s„o indispens·veis ou ˙teis algumas rubricas: 1) Um dicion·rio enciclopÈdico politicocientÌfico-filosÛfico. ler as prÛprias obras. vem a rubrica das biografias. deve-se publicar uma ou mais pequenas monografias de car·ter enciclopÈdico sobre conceitos polÌticos. filosÛficos e cientÌficos que apareÁam freq¸entemente nos jornais e nas revistas. em ordem alfabÈtica ou de agrupamento por matÈria). isto n„o quer dizet que se deva fazer toda a biografia de Lord Carson.). Por exemplo: um movimento histÛrico complexo decompıe-se no tempo e no espaÁo e. Na realidade. 170 que toca ‡ forma de exposiÁ„o -. como se j· estivesse em vista uma obra de conjunto. geralmente. em cada oportunidade. de um modo bastante determinado e n„o apenas por indicaÁıes.

o qual -. com particular atenÁ„o para as publicaÁıes pouco comuns ou em lÌngua estrangeira. com breves referÍncias sobre as tendÍncias: esta rubrica bibliogr·fica deveria ser compilada para cada fascÌculo. isto È. menos um homem se tomar mulher". ele n„o È meramente resumido.) 3) Uma outra rubrica pode ser a das autobiografias polÌtico-intelectuais. portanto. etc. de diversos pontos de vista. de um modo de pensar e de agir homogÈneo È a condiÁ„o principal. a fim de atingir uma personalidade historicamente superior — a exposiÁ„o disso pode sugerir. em cada regi„o italiana. pois deve-se levar em conta que — somente atravÈs deste trabalho e desta elaboraÁ„o critica sistem·tica — pode-se chegar ‡ verdadeira fonte de toda uma sÈrie de conceitos errados que circulam sem controle e sem censura. Dois tipos de recens„o. aprovada pelo Parlamento. A elaboraÁ„o nacional unit·ria de uma consciÍncia coletiva homogÍnea requer m˙ltiplas condiÁıes e iniciativas. fornecer o quadro geral de um problema concreto (ou de um tema cientÌfico). etc. Um tipo crÌtico-informativo: supıe-se que o leitor mÈdio n„o possa ler o livro em quest„o. desenvolve-se alguma parte que nele foi sacrificada. dada a riquÌssima variedade de tradiÁıes locais. sob a forma de resenhas bibliogr·ficas. podem ser do m·ximo interesse jornalÌstico e de grande efic·cia formativa. de modo vivo. com os mÈtodos dos intelectuais profissionais. atravÈs da insurreiÁ„o. 5) Um espÛlio sistem·tico de jornais e revistas nas partes que interessam ·s rubricas fundamentais: apenas citaÁ„o dos autores. mas para problemas gerais. como logo depois se tornou ministro. Um tipo teÛrico-critico: supıe-se que o leitor deva ler o livro em quest„o e. a que fosse aplicatudo. $ pueril e ilusÛrio atribuir a todos os homens esta capacidade adquirida e n„o inata. etc. uma orientaÁ„o intelectual e moral. b) Lord Carson n„o somente n„o foi punido por "alta traiÁ„o". Este segundo tipo de recens„o È mais adequado ‡s revistas de nÌvel superior. O modo pelo qual alguÈm logrou da a lei do Home Rule irlandÈs. por um centro homogÍneo. deveria ser tambÈm retrospectiva. os artigos publicados em revistas especializadas.). que sempre interessam muito."pode fazer 6) Recensıes de livros. coloca-se o acento sobre as partes mais importantes. com sinceridade e simplicidade. tem o seu "tirocÌnio" e o seu "sistema Taylor" prÛprios. quando se desencadeou a guerra. seu culto e sua capela". dos tÌtulos. de cultura. mas desenvolvem-se criticamente as objeÁıes que podem ser feitas ao livro em discuss„o. n„o sabem fazer pesquisas nas bibliotecas. por onde comeÁar: n„o conhecem o material bibliogr·fico. da literatura que diga respeito aos autores e ‡s questıes que sejam fundamentais para a concepÁ„o do mundo que est· na base das revistas publicadas. Este trabalho pode ser feito. Umas que lhe seja ˙til conhecer o con- te˙do e as conclusıes de tal livro. mas n„o sabem como fazÍ-lo.a fim de se opor. mas n„o deve e n„o pode ser a ˙nica. O intelectual È um "profissional" (skilled) que conhece o funcionamento de "m·quinas" prÛprias especializadas. n„o sÛ para as regiıes. existem grupos ou grupelhos caracterizados por motivos ideolÛgicos e psicolÛgicos particulares: "cada lugarejo tem ou teve seu santo local e. portanto. Muitos gostariam de conhecer e estudar as situaÁıes locais. A difus„o. tal espÛlio deve ser feito para os autores italianos e para as traduÁıes italianas dos autores estrangeiros. alÈm de ser um documento do desenvolvimento cultural em determinadas Èpocas. Um erro muito difundido consiste em pensar que toda camada social elabora sua consciÍncia e sua cultura do mesmo modo. Dever-se-ia. 4) Uma rubrica fundamental pode ser constituÌda pelo exame critico-histÛrico-bibliogr·fico das situaÁıes regionais (entendendo-se por regi„o um organismo geo-econÛmico diferenciado). ordenado por asunto ou grupo de questıes. para determinados assuntos. 7) Um espÛlio critico bibliogr·fico. conseq¸entemente. com os mesmos mÈtodos. Se bem construÌdas. atravÈs de que impulsos externos e de que lutas interiores. cas. Este espÛlio deveria ser muito minucioso e detalhado. (Pode ser ˙til que as biografias completas sejam apresentadas em rubrica separada. Deve-se tambÈm levar em conta que. indicando os livros que trataram dele. do mesmo modo como seria pueril supor que todo 173 separar-se de um certo ambiente provinciano e corporativo. 172 bem como o material ainda bruto (estatÌsti- .segundo "o modo de dizer" inglÍs -. etc.

por um centro homogÍneo.. sua apresentaÁ„o e reapresentaÁ„o em todos os seus aspectos positivos e em suas negaÁıes tradicionais. A capacidade do intelectual profissional de combinar habilmente induÁ„o e deduÁ„o. n„o obstante. Confunde-se a "explos„o" de paixıes polÌticas acumuladas num periodo de transformaÁıes tÈcnicas. essencial dom do crÌtico das idÈias e do historiador do desenvolvimento histÛrico. insere-se um cri" crenÁas. d· refraÁıes de luz diversas: se se pretende obter a mesma refraÁ„o. O mesmo raio luminoso. e sim concreto.na esfera da cultura — as diversas camadas ideolÛgicas. 174 neste paÌs um progresso tÈcnico. de transferir certos critÈrios de discriminaÁ„o de uma esfera a outra do julgamento. este o mais delicado. oportunamente divulgado. ‡s quais n„o correspondem novas formas de organizaÁ„o jurÌdica adequada. Mas n„o de modo abstrato. nas opiniıes. de generalizar sem cair no formalismo vazio. de acordo com "fÛrs„o "explosiva" nasce da ausÍncia de espirito crÌtico. representando tas para tal elaboraÁ„o. Descobrir a unidade real sob a aparente diferenciaÁ„o e contradiÁ„o bem como descobrir a substancial diversidade sob a aparente identidade: È. esta capacidade È uma " "especialidade . O trabalho educativo-formativo desenvolvido por um centro homogÍneo de cultura. identificaÁ„o e distinÁ„o. se insira nas diversas consciÍncias com os mesmos efeitos "organizadores" de clareza divulgada: este È um erro "iluminista". nos mÈtodos de traÁ„o. assim tambÈm se combinam variadamente -. da diligÍncia puxada por animais aos modernos trens elÈtricos. A ilu- r·- atravÈs de "combinaÁıes sucessivas". pois. Do mesmo modo como n„o se evoluiu. nas Nesta mesma ordem de observaÁıes. passando por prismas diversos. Na esfera da cultura. n„o ocorrem mediante explosıes " pidas. adaptando-os ‡s novas condiÁıes. quase sempre. de um modo de pensar e de agir homogÍneo". $ por isso. incompreendido e. lÛgica formal e lÛgica dialÈtica. È impossÌvel uma "estatÌstica" dos modos de pensar e das opiniıes pessoais individuais (com todas as combinaÁıes que daÌ resultam nos grupos e nos grupelhos) que possa fornecer um quadro org‚nico e sistem·tico da efetiva situaÁ„o cultural e dos modos pelos quais se apresenta realmente o "senso comum". combinada com o estudo e a crÌtica das correntes ideolÛgicas do passado. etc. cada uma das quais "pode" ter deixado um sedimento. pelo menos no plano mais elevado. e isto por- 175 . com relativa rapidez e simultaneidade. etc. E o que se tornou "ferro velho" na cidade ainda È "utensilio" na provÌncia.oper·rio manual possa desempenhar a funÁ„o do maquinista ferrovi·rio. relacionando sempre cada aspecto parcial ‡ totalidade. porÈm. sobre a base do real e da experiÍncia efetiva. mas evoluiu-se atravÈs de uma sÈrie de combinaÁıes intermedi·rias.. mulas" "de autoridade" variadÌssimas e incontrol·veis. a elaboraÁ„o de uma consciÍncia crÌtica (por ele promovida e favorecida) sobre_ uma base histÛrica que contenha as premissas concre- Mas como se pode saber quais s„o os erros mais difundidos e radicados? Evidentemente. È necess·ria a adaptaÁ„o de cada conceito ‡s diversas peculiaridades e tradiÁıes culturais. este trabalho n„o pode se limitar ‡ simples enunciaÁ„o teÛrica de principios "claros" de mÈtodo.). que n„o basta a premissa da "difus„o org‚nica. que em parte ainda subsistem (como a traÁ„o animal sobre trilho. n„o um dado do senso comum vulgar. as "explosıes" s„o ainda menos freq¸entes e menos intensas do que na esfera da tÈcnica. mas sim imediatamente um certo grau de coerÁıes diretas e indiretas. 8 pueril pensar que um "conceito claro". tÈrio mais geral: as modificaÁıes nos modos de pensar. O trabalho necess·rio È complexo e deve ser articulado e graduado: deve haver deduÁ„o e induÁ„o combinadas. que s„o lentas e graduais. etc. uma "qualificaÁ„o". simult‚neas e generalizadas. esta seria uma mera aÁ„o prÛpria de "filÛsofos" do SÈculo XVIII. È necess·rio toda uma sÈrie de retificaÁıes nos prismas singulares. combinando-se de v·rias maneiras com as correntes anteriores e posteriores. sÛ resta mesmo a revis„o sistem·tica da literatura mais difundida e mais aceita pelo povo. "obsessiva". A "repetiÁ„o" paciente e sistem·tica È um principio metodolÛgico fundamental: mas a repetiÁ„o n„o mec‚nica. do mesmo modo como ocorre que o material ferrovi·rio ectvelhecido nos Estados Unidos ainda seja utilizado durante muitos anos na China. na qual uma inovaÁ„o se difunde. ali·s. demonstraÁ„o positiva e destruiÁ„o do velho. mas sim. com as transformaÁıes culturais. material.

nem cientifica nem moralizante: n„o devem ser "filistÈias" e acadÍmicas. se a paix„o È impulsiva. O tipo geral. em condiÁıes de fornecer — com certa regularidade — um material cientificamen- Nota. a seu modo. O tipo de revista "PolÌtica-CrÌtica" exige. escrito por camponeses). uma critica "construtiva" dos costumes: È o caso de publicaÁıes tipo Fantasio. o tipo de revista moralizante do SÈculo XVIII (que atingiu a perfeiÁ„o na Inglaterra.] 3 Atualmente. mas com cordial interesse pela opini„o mÈdia. Poderia ser dedicado a um sÛ assunto.) era forÁada e a originalidade — muito freq¸entemente — era artificial. a polÌtica internacional. a cultura È produto de uma complexa elaboraÁ„o. 283). de acordo com um plano geral. de ime- te elaborado e selecionado. pertence ‡ esfera do "senso comum" ou "bom senso". remoÁando e. n„o deve tampouco ser uma antologia ocasional de escritos muito longos para serem acolhidos noutro tipo de revista. distanciando-se dele o suficiente para permitir o sorriso de burla mas n„o de desprezo ou de altiva superioridade. de Papini. Revistas moralizantes. criticando. de Soffici. as revistas deste tipo podem ter grande difus„o e exercer uma profunda influÍncia. em ˙ltima inst„ncia. participa deste tipo de uma maneira original e fascinante. Cada "anu·rio" deveria ser auto-suficiente (n„o deveria ter escritos que continuassem em outro n˙mero) e deveria conter bibliografias. pode-se dizer. ele se transformou. s„o uma derivaÁ„o da revista moralizante setecentista tanto algumas rubricas da crÙnica citadina e da crÙnica judici·ria dos jornais di·rios. deveria. introduzindo "novos lugares comuns". isto È. onde surgira. Este "anu·rio" n„o deveria em nada se assemelhar " a um "almanaque popular comum (cuja compilaÁ„o È ligada qualitativamente ao cotidiano. Viva o devasso. crÌtica de conte˙do com tendÍncias moralizadoras (critica dos costumes. Contra a famÌlia. nem se revelar f an·ticas ou excessivamente partid·rias: devem se colocar no prÛprio campo do "senso comum".que. o que se tornou "ferro velho" na cidade ainda È "utensilio" na provÌncia pode ser desenvolvida com utilidade. com um certo senso de distanciamento (de modo a n„o assumir tons de pregador). Artigo principal da terceira p·gina dos jornais di·rios" (Paolo Colombo. com o Spectator de Addison). j· que sua finalidade È modificar a opini„o mÈdia de uma determinada sociedade. dos modos de ver. no campo da ci176 177 . etc. corrigindo. Uma revista tÌpica foi o Osservatore de Gozzi.. sugerindo. que tenha atingido entre si um certo grau de homogeneidade cultural. que n„o tÍm correspondentes na It·lia (algo deste gÍnero eram o primitivo Asino. graÁas a algumas qualidades. etc. isto È. por vezes. quanto os chamados "pequenos elzeviros"s ou grifos. vilizaÁ„o moderna. as quais gostariam de ser. Bolonha. incorporando-se ‡s revistas humorÌsticas. em sua parte n„o artÌstica. etc. Elzeviro: "Tipos de imprensa usados pelos Elzeviros. [N. ser preparado de um modo org‚nico. de forma a funcionar como o prospecto de um determinado programa de revista. È planejada tendo-se em vista o leitor mÈdio do jornal cotidiano). os artigos de Italo Tavolato sobre o Elogio da prostituiÁ„o. que — se bem feitos — s„o pequenas enciclopÈdias da atualidade. de Podrecca. Ainda que escritas com brio. N„o devem ter nenhuma "vaidade". a existÍncia deste corpo de redatores. p·g. Em alguns aspectos. ironizando. do T. Vocabolario delta lingua italiana. partindo n„o da vida e da crÙnica. servindo de elo intermedi·rio — para o leitor mÈdio — entre a religi„o e a civilizaÁ„o moderna. trata-se de um ponto de chegada no desenvolvimento de um movimento cultural. (A referÍncia ao fato de que. ou ent„o ser dividido em seÁıes e tratar de uma sÈrie org‚nica de questıes fundamentais (a constituiÁ„o do Estado. um corpo de redatores especializados. dos pontos de vista. 1859.. e o Seme. o Di·rio de bordo. este tipo -. Estudar os diversos tipos de "almanaque" popular.conserva-se especialmente no campo catÛlico.) diato.degenerado -. a quest„o agr·ria etc. pelo contr·rio.). Este tipo de revista teve uma certa significaÁ„o histÛrico-cultural na difus„o da nova concepÁ„o da vida. n„o È absolutamente coisa f·cil. A Frusta Letteraria de Barreti È uma variedade do tipo: revista de bibliografia universal e enciclopÈdica. indices analÌticos etc. tipÛgrafos holandeses. Lacerba de Papini. ao passo que. mas dos livros). mas a tendÍncia "satanista" (Jesus pecador. Charivari. Este tipo de revista pode ser substituÌdo (ou antecipado) pela publicaÁ„o de um "anu·rio".

por assim di179 tido que n„o tem ou nem sabe escolher (o que È a mesma os elementos capazes de bem administrar um jornal . ele se transforma continuamente. compacticidade das colunas. o modo de apresentaÁ„o tem grande import‚ncia para a estabilidade do negÛcio. mas para os jornais di·rios. SÛ em condiÁıes excepcionais. isto È. Mas seria um grande erro crer que este seja o ˙nico elemento e. Movimento dantesco nas rimas da Pietra: "Assim. Estes elementos n„o tÍm import‚ncia somente para as revistas. etc. a ciÍncia. Eis porque o "exterior" de uma publicaÁ„o deve ser cuidado com a mesma atenÁ„o que o conte˙do ideolÛgico e intelectual. em determinados perÌodos de boom da opini„o p˙blica. o elemento fundamental para a sorte de um periÛdico È o ideolÛgico. cujo nome foi posteriormente modificado. Cada camada social tem seu "senso comum" e seu "bom senso". Habitualmente. De uma opini„o cuja manifestaÁ„o impressa n„o custa nada. O "senso comum" È o folclore da filosofia. com quanta inutilidade? L verdade que a educaÁ„o pode ser programada em diversos planos a fim de obter diversos nÌveis. o p˙blico desconfia. nitidez dos caracteres devido ‡ maior ou menor utilizaÁ„o das matrizes ou das letras manuais. O senso comum cria taÁ„o de "senso comum": È este o documento de sua efeti- Por certo. EducaÁ„o PolÌtica. na realidade. tanto comercial como "ideologicamente". polÌticas.). isto È. que saber· administrar bem inclusive organismos mais amplos.). em meu falar. e a import‚ncia pode ser positiva. o fato de que satisfaÁa ou n„o determinadas necessidades intelectuais. enriquecendo-se com noÁıes cientÌficas e com opiniıes filosÛficas que penetraram no costume. isto È. largura das colunas (comprimento da linha). a possibilidade de construir um plano comercial (em desenvolvimento. etc. deixando de lado a honestidade do homem.La Pietra e a Compagnia della Pietra. quero ser ·spero". as duas coisas s„o insepar·veis e assim È que deve ser. para assegurar fidelidade e afeiÁ„o. neste caso. tal como È entendido comumente) e a filosofia. nota- o futuro folclore. È difÌcil distinguir o fato comercial do ideolÛgico. composiÁ„o das margens. vÍ como uma mentira. e os n˙meros editados pela Casa Treves. Educazione PolÌtica. Dar gr·tis ou abaixo do O aspecto exterior. Isto. custo nem sempre È um "bom negÛcio". damente. h· uma not·vel diferenÁa. todavia. e È natural que eles creiam sempre ter o nÌvel mais alto e coloquem sua posiÁ„o como sendo o ideal para a diminuta grei dos leitores. a concepÁ„o da vida e do homem mais difundida. ademais. ocorre que uma opini„o tenha sorte independente da forma exterior na qual seja apresentada. E viceversa: desconfia "politicamente" de quem n„o sabe administrar bem os fundos que o prÛprio p˙blico d·. O problema est· no nÌvel que os "diretores" crÍem ter. Cada corrente filosÛfica deixa uma sedimen- letras por linha e do corpo usado em cada letra. demonstra com isto. O problema fundamental de todo periÛdico (cotidiano ou n„o) È o de assegurar uma venda est·vel (se possÌvel em continuo incremento). assim como n„o È bom negÛcio cobrar muito caro ou dar "pouco" pelo "prÛprio dinheiro". O senso comum n„o È algo rÌgido e imÛvel. Tem grande import‚ncia o aspecto exterior de uma revista. que este seja v·lido tomado "isoladamente".. ou j· com isto. das intercolunas. por si sÛ. Fatores: p·ginas. o que significa. em polÌtica. a faÁa notada e recordada: È uma publicidade gratuita. e ocupa sempre um lugar intermedi·rio entre o folclore propriamente dito (isto È. uma fase relativamente enrijecida dos conhecimentos populares de uma certa Època e Lugar. a Casa Treves n„o È tipograficamente das piores. Como poderse-ia considerar capaz de administrar o poder estatal um parcoisa) mas tambÈm negativa. editada por Sansoni de FlorenÁa. Mas quantas revistas Ghisleri dirigiu e. no fundo. na realidade. Gentile tem uma revista. Um bom princÌpio (mas nem sempre) consiste em dar ao exterior de uma publicaÁ„o uma caracterÌstica que. Entre o primeiro n˙mero da revista Leonardo. pelo menos. do papel e da tinta (beleza dos tÌtulos. a economia dos cientistas. vidade histÛrica. do n˙mero das 178 ou uma revista? Vice-versa: um grupo que — com meios prec·rios — sabe obter jornalisticamente resultados apreci·veis. que s„o. O titulo È velho: Arcangelo Ghisleri dirigiu uma revista com este titulo e que era mais congruente com a finalidade proposta.

mas esta ser· sua tarefa. de p˙blico. os intelectuais alem„es. etc. compilando uma rubrica como a dos "Marginalia" do Marzocco. mas sim sistem·ticas. Fixar· sua tarefa. eram relativamente numerosos. È a prova de que se est· no bom caminho: quando. a limitar·. cialmente para as revistas de tipo mÈdio e elementar. e n„o podem deixar de ser acompanhadas por "resenhas-resumos" retrospectivos sobre os assuntos mais essenciais. Assim como os governantes tÍm uma secretaria ou um gabinete de imprensa que periÛdica e cotidianamente os mentÍm informados sobre tudo o que se publica e que lhes È indispens·vel conhecer. uma organicidade de colaboraÁ„o internacional talvez sÛ tenha se da Època liberal havia exercido uma hegemonia europÈia. pelo contr·rio. De fato. Para que seja org‚nica. a colaboraÁ„o de escritores estrangeiros n„o pode ser abolida: ela tem sua im- Ensaios originais e traduÁıes. ent„o deve-se refletir: 1) porque pode se tratar de uma deficiÍncia real. assim tambÈm deve proceder a revista para com o seu p˙blico. N„o se pode subestimar os colaboradores estrangeiros. mas org·nico e completo. portanto. etc. publicada pelo MinistÈrio do Exterior. porque depende da psicologia especÌfica do p˙blico que se pretende conquistar. 2) resumir os principais escritos da imprensa internacional. porÈm. pode se estar trabalhando para o vazio. No Risorgimento. Todavia. sobre todas as publicaÁıes a respeito do grupo de assuntos quÈ mais possa interessar a este p˙blico È um serviÁo obrigatÛrio. que deveriam tambÈm ser compostas principalmente de escritos originais. ao invÈs. È necess·rio que os colaboradores estrangeiros. 181 sejam capazes de "compar·-las" com as do paÌs no qual a revista È publicada. pois nenhuma publicaÁ„o pode substituir o cÈrebro pensante ou determinar ex novo interesses intelectuais e cientÌficos onde sÛ existir interesse pelos bate-papos de cafÈ ou onde se pensar que se vive para divertir-se e pas- sar bem. e n„o antolÛgica e espor·dica ou casual. que contenha uma seleÁ„o org·nica. InformaÁ„o crÌtica. e o tipo Rassegna della stampa estera. das publicaÁıes teÛricas estrangeiras. isto ocorreu muito raramente. Deve-se reagir contra o h·bito tradicional de encher as revistas com traduÁıes. ser igualmente ˙til a todos. n„o se deve ficar confuso com a multiplicidade de criticas: a multiplicidade de criticas. a revista (ou seja.. Nem sempre. portancia cultural. ninguÈm pode acompanhar toda a literatura publicada sobre um grupo de assuntos e nem mesmo sobre um sÛ assunto. ainda que se trate de escritos devidos a pessoas "autorizadas".zer. As recensıes n„o devem ser casuais e espor·dicas. "para a eternidade". por isso. o importante È que seja um estÌmulo para todos. Diversas soluÁıes: 1) obter uma colaboraÁ„o original. O serviÁo de informaÁ„o crÌtica. como qual- tendo em vista uma determinada mÈdia de leitores.) ColaboraÁ„o estrangeira. n„o pode contentar a todos na mesma medida. da reaÁ„o contra o provincianismo e a mesquinhez. Por isso. mas a colaboraÁ„o estrangeira deve ser org‚nica. (Deve-se observar o tipo Minerva popular. portanto. isto È. como um livro. porque a cultura francesa — j· antes . que sabiam informar sobre a cultura de seus paÌses empregando uma "linguagem" francesa. isto requer. como um jornal. o diretor da revista) deve formar tambÈm seus colaboradores estrangeiros a fim verificado na FranÁa. de ouvintes. para um p˙blico de cultura mediocre ou que se inicia na vida cultural. que se dÍ um corpo org‚nico e completo de informaÁıes: limitado. 3) compilar suplementos periÛdicos apenas com traduÁıes. alÈm de conhecerem as correntes culturais de seu paÌs. for um sÛ o motivo da crÌtica. Portanto. Individualmente. conheÁam tambÈm as correntes culturais deste outro paÌs e compreendam sua "linguagem" nacional. tores aos quais se destina a publicaÁ„o e. com tÌtulo parcialmente independente. crÌtico-informativa. A quest„o coloca-se espe- quer outro modo de express„o did·tica que seja planejado Uma revista. ingleses. n„o bastava que a Antologia de Vieusseux publicasse artigos de "liberais" franceses ou alem„es ou ingleses para que tais artigos pudessem informar de modo ˙til os liberais italianos. a cultura italiana continuou a ser provinciana. Ademais. com numeraÁ„o prÛpria de p·gina. 180 de alcanÁar a organicidade. 2) porque pode se estar enganado a respeito da "mÈdia" dos lei.

N„o se nega a utilidade (notadamente comercial) de se possuir grandes nomes. que em grande parte aprende a lingua atravÈs dos escritos (notadamente dos jornais) e. Car·ter pedante e. n„o sabe acentuar corretamente as palavras (por exemplo: "prof˙go" [exilado] durante a guerra.).isto È. As recensıes.). rico. alÈm disso. para os livros que se acredita n„o poderem ser lidos. a minha atenÁ„o para a utilidade que teria uma rubrica similar nos jornais e nas. isto È. os significados de "vil„o". alÈm de um manzonismo exasperante. mas apÛs ter fixado seus limites e indicado suas deficiÍncias parciais. etc.). do ponto de vista pr·tico da promoÁ„o da cultura. e recensıes-criticas para os livros que se considera necess·rio indicar ‡ leitura. Par· 'a It·lia. Lima rubrica gramatical-ling¸Ìstica. Em suma: h· necessidade de recenseadores especializados e de luta contra a extemporaneidade e a genericidade dos juÌzos crÌticos. O ˙nico exemplo deste gÍnero de literatura na It·lia foi o Idioma Gentile. os grandes teÛricos. cheguei a ouvir um milanÍs pronunciar "roseo" ao invÈs de "rÛseo". ou vice-versa). Poder-se-ia comeÁar com notÌcias curiosas: a origem de "cretino". que sabe traduzir um mundo cultural na linguagem de outro mundo cultural. È mais importante o tipo de colaborador afinado com a revista. cosmopolita. chamou 182 e n„o pedante e gramatical: a lingua deveria ser tratada como uma concepÁ„o do mundo. tambÈm ele bem determinado. etc. a estratificaÁ„o sedimentar das velhas ideologias (por exemplo: desastre. colaboradores capazes de informar ‡ It·lia sobre a FranÁa. portanto. para que tais informaÁÛes pudessem suscitar ou reforÁar correntes ideolÛgicas italianas: o pensamento permanecia genÈrico. A este modo racional de entender a colaboraÁ„o. significa ampliaÁ„o e aprofundamento da concepÁ„o do mundo e da sua histÛria. Mas. seja quantitativo (aquisiÁ„o de novos meios de express„o) seja qualitativo (aquisiÁ„o dos matizes de significado e de uma ordem sint·tica e estilistica mais complexa). que logo desapareceu. de suas correntes intelectuais. 183 ria ser muito despreconceituoso ou sobretudo ideolÛgico-histÛ- . etc. A rubrica "Querelles de langage". a rubrica seria de confecÁ„o muito mais difÌcil. colocando-me do ponto de vista das exigÍncias cultu- te tinha a rubrica iniciada por Alfredo Panzini na primeira Para que a rubrica seja interessante. sancionar tornar sagrado — da concepÁ„o religiosa sacerdotal do Estado. etc. Fracchia. melosamente nauseanFiera Letteraria de U. venga". seu car·ter deve- rais de um p˙blico bem determinado e de um movimento cultural. opÛe-se a superstiÁ„o de possuir entre os prÛprios colaboradores estrangeiros os mestres. Erros muito graves de significado (significado particular ampliado. Este tipo de colaborador n„o existe "espontaneamente". de grandes obras de conjunto sobre a histÛria da lingua (como os livros de LittrÈ e de Brunot na FranÁa e como outros ainda) que pudessem colocar qualquer literato ou jornalista mÈdio em condiÁıes de alimentar a referida rubrica. por "si accomode. Teria sido necess·rio criar colaboradores especializados no conhecimento da It·lia. da astrologia. Fiz referÍncia a diversos tipos de recens„o. erros e equÌvocos sint·ticos e morfolÛgicos muito curiosos (os subjuntivos dos sicilianos: "si accomodasse. por isso. contudo. dada a ausÍncia de grandes dicion·rios modernos e. venisse". revistas italianos. deve ser criado e cultivado. o aperfeiÁoamento tÈcnico da express„o. de seus problemas. de De Amicis (alÈm dos capÌtulos sobre o vocabul·rio nas P·ginas Esparsas). pois sabe encontrar as semelhanÁas mesmo onde elas parecem n„o existir e sabe descobrir as diferenÁas mesmo onde parecem existir apenas semelhanÁas. como a express„o de uma concepÁ„o do mundo. confiada nas Nouvelles LittÈratures a AndrÈ ThÈrive (que È o critico liter·rio do Temps). notadamente. porÈm n„o assim sem mais nem menos. etc. que tinha car·ter muito pedante e retÛrico. abstrato. ao mesmo tempo que eram capazes de informar ‡ FranÁa sobre a It·lia. Dever-se-ia assim corrigir os erros mais comuns do povo italiano. e deve ser concebi- da como uma colaboraÁ„o do recenseador ao tema tratado pelo livro recenseado. que se pretenderia criar: recensıes "resumos". Esta segunda forma È a mais importante e digna cientificamente.

‡ personalidade de Jesus. A It·lia na economia mundial . Pesca nos mares n„o italianos. sobre a salda dos emigrantes (e. Sardenha. sobre os portos e sobre seu hinterland n„o italiano (GÈnova e SuÌÁa. Drews e seu livro Die Marienmythen. . criticar e enquadrar as "idÈias cientÌficas" e suas repercussıes sobre as ideologias e sobre as concepÁıes do mundo. 2) OrganizaÁ„o econÙmica e produÁ„o nacional. ‡s suas diferenÁas. publicaÁıes dos bancos locais. aos evangelhos sinÛpticos e ao de Jo„o. Livros de conjunto sobre a produÁ„o italiana e sobre a polÌtica econÙmica italiana. na Nuova Antologia de 19 de dezembro de 1929. Banco de Roma no exterior. publicaÁıes de observadores econÙmicos como o de Palermo para a Sicilia. did·tico da "histÛria da ciÍncia e da tÈcnica como base da Economia — Resenha de estudos econÛmicos italianos. e para promover o princÌpio pedagÛgico- educaÁ„o formativa-histÛrica na nova escola". deve se referir a estudos que j· est„o superados.) Uma rubrica cientÌfica. ‡s discussıes a respeito de Jesus ser a express„o de um mito. aos evangelhos chamados apÛcrifos. bem como sobre as personalidades de cientistas individuais vivos ou mortos. etc. A esta resenha. o artigo È contra A. o conceito todo italiano de "subversivo") seja muito radicado nas tradiÁıes populares. nova sÈrie. dos ComitÈs Agr·rios e dos Conselhos EconÙmicos provinciais. portanto.). existem muitas citaÁıes bibliogr·ficas.) . sobre o protecionismo e o liberalismo. sobre os tratados comerciais. etc. 1928. sobre o regime dos impostos. dever-se-ia consultar os artigos de Luigi Salvatorelli [por exemplo. isto È. ou o de Bari para a P˙lia. ( Cf.Resenhas crÌticas bibliogr·ficas. sobre o nome e o culto de um divino Joshua]. -. Uma rubrica permanente sobre as correntes cientÌficas. sobre as crises econÙmicas mundiais e sobre seus reflexos na It·lia. 184 . etc. 4) Estudos sobre as economias provinciais ou de zonas provinciais. Perspectivas econÛmicas..).-. sobre o turismo internacional na It·lia e sobre seu significado econÙmico. sobre a emigraÁ„o e suas caracterlsticas). Sobre este assunto. Gori — que pode ser poeticamente (1) comparado (subordinadamente) a Cavallotti — pode-se observar como o espirito libert·rio genÈrico (cf. sobre os portos abertos. VII. etc. etc. Para expor. etc. Lombardia. estudos de investigadores singulares. seu artigo na Revista histÛrica italiana. etc. etc. as coleÁıes de Couchourd na Editora Rieder. ‡ import‚ncia de S„o Paulo e dos apÛstolos.O ponto de partida me foi sugerido pelo artigo de Alessandro Chiappelli. distribuiÁ„o das grandes zonas econÙmicas nacionais e suas caracterÌsticas: It·lia setentrional. Anu·rio econÛmico da Sociedade das NaÁıes. sobre o comÈrcio e seus resultados para a economia italiana. Italia central. Mezzogiorno. sobre os emprÈstimos internacionais. "O culto de Maria e os erros da recente crÌtica histÛrica". sobre as exportaÁıes e importaÁıes. Livros tipo: MORTARA. aos evangelhos. Mas n„o para divulgar noÁıes cientÌficas. capitais estrangeiros na Italia e capitais italianos no exterior. PublicaÁıes da C·mara de ComÈrcio. AtravÈs de um exame das poesias e dos discursos de P. A resenha deve ter car·ter atual. pode-se seguir ou preceder uma outra resenha sobre os estudos e as escolas de ciÍncia econÛmica e as publicaÁıes periÛdicas de economia e de polÌtica econÙmica. Sicilia. Nas notas deste artigo de Chiappelli. Seria importantÌssima uma resenha deste tipo sobre os resultados da critica histÛrica aplicada ‡s origens do cristianismo. os livros de Omodeo.Obras gerais nas quais a economia italiana È comparada e inserida na economia mundial. TradiÁ„o e suas sedimentaÁıes psicolÛgicas. etc. cartÈis e trustes internacionais e seus efeitos para a It·lia: bancos e sua expans„o no exterior (Banco Comercial no exterior. mas nas partes singulares deve ter tambÈm car·ter histÛrico. 3) Estudos sobre as economias regionais (Piemonte. Trieste e os B·lc„s. Existe em Gori todo um modo de pensar e de se expressar que cheira a sacristia e a 185 Dresdner Bank sobre as forÁas econÙmicas mundiais.— Livros sobre o balanÁo comercial. sobre a distribuiÁ„o regional entre ind˙stria e agricultura e atividades econÙmicas menores. boletins municipais para as capitais de provÌncia. publicaÁıes da 1) sobre a frota marÌtima e sobre os fretes.

tais como a estrutura escrita do italiano permite. Eis como. o conceito de "meeiro". 2) uma rubrica na qual se de o significado das palavras especializadas nas v·rias linguagens (filosÛfica. a ignor‚ncia de como devem ser pronunciados determinados nomes e do significado de certos termos. O conjunto destes pequenos manuais poderia formar uma coleÁ„o popular de primeiro grau -. A import‚ncia destes subsÌdios tÈcnicos n„o È costumeiramente valorizada porque n„o se reflete no freio que constitui. SÈrie de guias e pequenos manuais para o leitor de jornais (e para o leitor em geral). Em suma. o reflexo jurÌdico-legislativo do movimento histÛrico real: ver como este reflexo opera. etc. que significam? Que posiÁ„o tem. apesar da qualidade ter decaÌdo.que poderia desenvolver-se numa segunda coleÁ„o de "segundo grau". Ao lado das sentenÁas e dos artigos dessas revistas tÈcnicas. Todavia. Jornais de informaÁ„o e jornais de opini„o. a mais exata possÌvel. etc. tambÈm este È um aspecto (e muito importante) da histÛria do trabalho. multiplicaram-se de modo impressionante.e as duas coleÁıes deveriam funcionar como introduÁ„o ‡s coleÁıes de textos cientÌficos de cultura geral e ‡s coleÁıes para especialistas.) O ponto de referÍncia deveria ser o leitor mÈdio italiano. devem ser atentamente compulsadas. com relaÁ„o ‡ imprensa catÛlica: "Em as figuras econÛmicas de "empregado". todo fascÌculo de revista deveria ter dois apÍndices: 1) uma rubrica na qual todos os nomes e palavras estrangeiras que possam ter sido usados nos v·rios artigos deveriam ser representados numa transcriÁ„o fonÈtica. cada uma em seu gÈnero. na jurisprudÍncia italiana. religiosa. e segue e defende suas normas. a fim de se ver quando certas questıes se colocam e por que razıes.heroismo de papel. nos Annali dell'ltalia cattolica de 1926. isto È. ele estanca. a que sistematizaÁ„o chegam (se chegam). descrevem-se os diversos tipos de jornal. portanto. Por exemplo: o conceito de "empregado" segundo a jurisprudÍncia italiana. ApÈndices. estes modos e estas formas. significa estudar um aspecto da reaÁ„o estatal ao prÛprio movimento.. 'escrito por catÛ- catÛlicas. e por quais razıes pr·ticas? As coleÁıes de revistas como Il Foro Italiano etc. Para ser verdadeiramente acessÌvel ‡ cultura mÈdia do leitor mÈdio. cientifica. o jornal 'catÛlico' (ou antes. quando se recorda e particularmente quando se expressa as prÛprias opiniıes. "chefe tÈcnico". nestes ˙ltimos anos. que em geral È pouco informado sobre estas noÁıes. Guias e pequenos manuais. (N„o devem ser longos e sÛ devem apresentar os dados esquem·ticos fundamentais. econı- 187 . graduadas em mais ou menos elementares. construir com critÈrios pr·ticos e unit·rios. desconfia das prÛprias forÁas e aptidıes. difundidos sem contradiÁ„o e sem crÌtica.) ou especializadas no uso de um determinado escritor. etc.) que. de "chefe tÈcnico".. etc. polÌtica. de textos mais complexos e amplos — ambas de tipo escolar e com186 licos') È o que n„o contÈm nada contra a doutrina e a moral sentido lato. E necess·rio.que as comentam. etc. Dentro de tais diretrizes. o jornal pode defender orientaÁıes polÌticas. penetraram muito profundamente no povo e configuraram um gosto (e talvez ainda o configurem). Para ser lido como se lÈ uma lista da bolsa. Resenhas sobre temas de jurisprudÍncia que interessam a determinados movimentos. da lingua italiana. como se desenvolvem. No fundo. com as sentenÁas publicadas e os artigos de especialistas . pilados como subsidio e hipotÈticas liÁıes -. Temas de jurisprudÍncia. um balanÁo de sociedade industrial. quatro coleÁıes: duas escolares e duas gerais. dever-se-ia ver as outras publicaÁıes de direito (livros. uma tabela de tradutibilidade dos fonemas estrangeiros em fonemas italianos. e n„o se consegue fazÍ-lo sair de um estado de passividade intelectual. Quando o leitor se encontra diante de muitas dificuldades de pron˙ncia ou de significado. "meeiro". revistas. no qual sua inteligÍncia apodrece. etc.

deveria ser esta a tarefa. ‡ ligaÁ„o entre a massa popular nacional e a direÁ„o polÌtica do nacionalismo italiano. em geral. mesmo sendo a maioria entre os intelectuais dirigentes. saindo da indistinÁ„o genÈrica.jamais tenha sido explicitamente ministerial. num plano superior. na histÛria do jornalismo italiano podem-se distinguir dois perÌodos: o "primitivo". durante um certo tempo. os semiprolet·rios e os pequeno-burgueses da cidade e do campo. o chamado jornal de informaÁ„o ou "sem partido" explÌcito. a responsabilidade da autoridade eclesi·stica. expressando assim uma das mais not·veis contradiÁıes da vida nacional. digo 189 . devendo seguir suas normas e diretivas". no Corriere. os pequeno-burgueses. ou seja. que representam todavia a grande massa dos dois campos. existente na FranÁa. no quai — atravÈs do transformismo as forÁas de direita se "nacionalizam" em sentido popular e o Corriere substitui o Secolo na ampla difus„o: o vago laicismo democr·tico do Secolo torna-se. pelo menos implicitamente. de acordo com a autoridade eclesi·stica. pode ser considerado como "exemplar" o Piccolo de Trieste. com abund‚ncia de informaÁıes e de crÙnica europÈia. do jornal de opini„o. onde n„o h· um centro t„o popular e culturalmente predominante como Paris (e onde existe menor "indispensabilidade" do jornal politico mesmo nas classes superiores e chamadas cultas) . pelo Secolo de Mil„o. etc. quase sem luta. a de recriar a unidade. devia quase sempre ser antiministerial. de indistinÁ„o genÈrica polÌtico-cultu188 ral. "distinÁ„o" democr·tica que os direitistas conseguiram subordinar a seus prÛprios programas. t„o diversa da francesa e. daquele jornal dedicado a um p˙blico necessariamente restrito. o laicismo È menos plebeu e excessivo e o nacionalismo menos popularesco e democratizante. controlam os profissionais da polÌtica do Secolo e do Partido Popular. o jornal para as massas populares ou jornal "popular".europeus. ademais. ademais. a saber. entre jornais populares e jornais de opini„o. Na histÛria da tÈcnica jornalÌstica. Ao que parece. que tomou possÌvel a grande difus„o do Secolo mediante um programa de vago "laicismo" (contra a influÍncia clerical) e de vago "democratismo" (contra a influÍncia preponderante na vida estatal das forÁas de direita): o Secolo. do Ûrg„o oficial de um determinado partido. apÛs todo processo de clarificaÁ„o e distinÁ„o. que se rompera no movimento progressista. no campo catÛlico.). exercendo uma funÁ„o de direÁ„o sobre o velho complexo do qual ela se distinguira e destacara. Suplementos semanais. do Fanfulla. e um periodo posterior. da dos demais paises . criar a unidade democr·tica num plano polÌtico-cultural mais Deve-se notar como nenhum dos partidos que se distinguiu do informe populismo do Secolo tenha tentado re- elevado do que o anterior e primitivo. No que toca a outros aspectos. Ele implica. A nÌtida divis„o. Num e noutro caso. esta tarefa foi abandonada. ao legalismo formal das autoridades imperiais ou rÈgias. J· o jornal `catÛlico' em sentido estrito È o que. Que jornais italianos publicaram suplementos do tipo dos jornais ingleses e alem„es? O exemplo cl·ssico È o Fanfulla della Domenica. Deve-se notar. aos conservadores do Corriere. foram controlados pelos elementos da classe fundamental: os industriais do Corriere. muito interessante foi o Corriere della Sera no periodo giolittiano ou liberal em geral. Distingue-se. em alguns aspectos. com serviÁos do exterior. tem como finalidade direta um eficaz apostolado social crist„o. e a burguesia agr·ria unida aos grandes propriet·rios. para ser "estatal". como o Corriere mesmo sendo o jornal mais difundido do paÌs -. conseguira conquistar uma personalidade mais concreta. pelo menos tal como aparece no livro dedicado ‡ histÛria deste jornal por Silvio Benco (com relaÁ„o ‡ legislaÁ„o austrÌaca sobre a imprensa. a serviÁo da Igreja e em ajuda da AÁ„o CatÛlica. a n„o ser por breves perÌodos e de uma maneira inteiramente sua: ali·s. O mesmo processo se repetiu no mundo catÛlico apÛs a formaÁ„o do Partido Popular. em suma. n„o pode existir na It·lia.mico-sociais ou cientÌficas. foi o primeiro jornal italiano "moderno". Seria ˙til investigar na histÛria do jornalismo italiano as razıes tÈcnicas e polÌtico-culturais da influÍncia obtida. unitarismo nacional mais concreto. no campo laico. esta tarefa deveria ter sido executada pela elite que. ‡s lutas internas entre as diversas facÁıes do inconformismo. N„o obstante. se se leva em conta a situaÁ„o jornalÌstica e politico-cultural italiana. ‡ posiÁ„o de inconformismo italiano na Istria.

deve educ·-los: argumento democr·tico que se transforma em justificaÁ„o da atividade olig·rquica. era conden·vel e digno de reclamaÁ„o da polÌcia. recordar o episÛdio do chefe de policia que repreendeu um jornal porque. 250. 3) agrÌcola. seria agrÌcola somente no sentido principal de que È destinado aos camponeses que n„o lÍem os di·rios: seria. com a colaboraÁ„o das mais ilustres penas da Època e com as informaÁıes mais seguras e confirmadas de toda parte do mundo. Todos de formato diverso. que È a escola ver-se-ia tratar tambÈm de filosofia. ter dos adultos? Napole„o argumentava partindo do conceito segundo o qual. o econımico como o Times liter·rio. quais a sociedade civil se confunde com a sociedade polÌtica). o agrÌcola como o Amico delle famiglie.PAUL mdramz. resumir toda a polÌtica da semana e. isto È."cl·ssico" porque o suplemento tinha uma personalidade e uma autoridade prÛprias. ao jornalista inglÍs Mels Cohn* Napole„o quisera fazer do di·rio oficial 4 e n„o apenas conceitua]). com o titulo em epÌgrafe um arti191 de 190 . sindical. atravÈs de suplementos onde dificilmente penetraria como cotidiano. a fim de super·-las (e n„o de perpetuar sua contradiÁ„o). do tipo Amico delle famiglie mais a parte tÈcnica agrÌcola. Na Nuova Antologia de P julho de 1928. Escolas de jornalismo. e o Estado for concebido como super·vel pela "sociedade regulada": nesta sociedade. muito bem realizados para a It·lia. Os suplementos principais. Paris. mas com o titulo do cotidiano seguido pela matÈria especial que pretende tratar. Perrin. La CaptivitÈ de NapoleÛn III en Allemagne. pkg. de- uma folha modelo. excluÌda. deveriam ser: 1) liter·rio. A Gazzetta del Popolo fez tentativas de "p·ginas" dedicadas a um ˙nico assunto. isto contribuÌa para deixar o p˙blico na incerteza e. seria confinada aos jornais particulares. O suplemento liter·rio deveria ter tambÈm uma parte escolar. quer naquelas onde o povo indistinto pretende e acredita ser A concepÁ„o do jornal de Estado È logicamente ligada ‡s estruturas governativas n„o-liberais (isto È. Os tipos de suplemento como a Domenica del Corriere ou a Tribuna Illustrata s„o outra coisa e dificilmente podem ser chamados de suplemento. num artigo sobre fertilizantes. em 1919-1920. e que tenda a introduzir-se verdadeiramente o Estado) . de formato diverso do cotidiano. O mais difÌcil de ser feito È o agr·rio: tÈcnico-agr·rio ou polÌtico-agr·rio para os camponeses mais inteligentes? Este segundo tipo deveria se aproximar de um seman·rio politico. O argumento. sejam elas despÛticas ou democr·ticas (ou seja. CI. a Illustrazione cid Popolo. Cf. se È verdade o axioma jurÌdico de que a ignor‚ncia das leis n„o exime de culpa.) Jornais de Estado. por esta raz„o. e mais popular. (O liter·rio deveria ser como o Ordine Nuovo semanal. mas È instrumento para a passagem da sociedade civilpolÌtica ‡ "sociedade regulada". atualmente.. ‡quelas nas Um cotidiano bem feito. pois. alÈm disso. A polÈmica. Se a escola È do Estado. de arte e de teatro. teve grande aceitaÁ„o o Giornale d'Italia Agricole. de Roma. n„o se afirmava resolutamente qual era o melhor fertilizante: segundo o chefe de polÌcia. uma parte especificamente agrÌcola (n„o do tipo da Domenica dell'Agricoltore). por que n„o ser· do Estado tambÈm o jornalismo. A respeito do regime jornalÌstico sob Napole„o III. deveria ter uma sÈrie de suplementos mensais. segundo o conte˙do. porÈm. e editou a Gazzetta Letteraria e. n„o deixa de ter valor: ele sÛ pode ser "democr·tico" nas sociedades em que a unidade histÛrica de sociedade civil e sociedade polÌtica for dialeticamente entendida (na dialÈtica real. o que Napole„o III disse do jornalismo. como o "econımico" e o "sindical". durante a sua pris„o na Alemanha. distribuida gratuitamente a cada eleitor. quer naquelas onde a minoria olig·rquica pretende ser toda a sociedade. e mensais. isto È. na medida em que absorve ambas em si. A tentativa mais org‚nica foi feita pelo Tempo. Suplemento esportivo etc. o partido dominante n„o se confunde organicamente com o governo. Assim. com suplementos propriamente ditos. 2) econımico industrial. foi publicado. pelo menos. No liter·rio. o Estado deve manter gratuitamente informados os cidad„os de toda a atividade dele.

atravÈs da "pr·tica". o problema da escola profissional deve ser resolvido no ‚mbito da prÛpria redaÁ„o. Os jornais das grandes capitais. isto È. Berlim. O artigo È interessante pelas informaÁıes e indicaÁıes que oferece. constituindo uma verdadeira categona It·lia. 348 e 143. corresponde uma vasta estratificaÁ„o na provÌncia.em livro. ‡ medida que o jornalismo — tambÈm organismo civil mais respons·vel. para assistir a estas reuniıes. eram inscritos 1. etc. Trieste. o evento principal e a relativa semelhanÁa dos outros. Londres. Para certos tipos de jornal. dos quais 800 filiados ao Partido Fascista. em geral. N·poles. 113 e 39. dar toda sua atividade ao jornal. saem numa capital Londres. O pessoal jornalÌstico È muito limitado e. de que o jornalismo deve ser ensinado e que na It·lia se tomar uma ind˙stria mais complexa e um A quest„o. Berlim -. na It·lia. ria profissional difusa. transformando ou integrando as reuniıes periÛdicas da redaÁ„o em escolas org·nicas de jornalismo. na It·lia. todavia. de economia. Problema dos correspondentes locais: eles raramente (sÛ nas grandes cidades e. a It·lia Letteraria de 24 de agosto de 1930 indica os dados de um recenseamento feito pela Secretaria do Sindicato Nacional dos jornalistas: em 30 de junho. que a quest„o. Roma. dado que nenhum jornal cotidiano (especialmente em certos paÌses) È diariamente igual do ponto de vista tÈcnico. seguindo estes critÈrios: 1) exame dos jornais cotidianos que. mas no qual se registra algum evento importante para o paÌs em quest„o). se alimenta atravÈs de suas prÛprias graduaÁıes de import‚ncia: os jornais menos importantes (e os seman·rios) servem de escola para os jornais mais importantes e vice-versa. dever-se-· conseguir de cada um deles os exemplares de toda uma semana ou do perÌodo no qual se tem o ciclo completo de certas rubricas especializadas e de certos suplementos. de modo a ter um quadro da diversa maneira pela qual os partidos e as tendÍncias refletem suas opiniıes e formam a chamada opini„o p˙blica. de imediato. de que os jornais s„o muito poucos e a massa dos leitores È escassa.que contem com milhares de jornalistas. fazendo-se com que elas chegassem a assumir o car·ter de verdadeiras escolas polÌtico-jornalÌsticas. etc. encontra seus limites no fato de que n„o existem grandes concentraÁıes jornalisticas. economicamente importante. Palermo. Mil„o. Micados em todo o paÌs È muito grande: ‡ concentraÁ„o em Berlim. 716 e 259.go de Ermano Amicucci. — a fim de se ter um termo o mais homogÍneo possivel de comparaÁ„o. GÍnova. cujo conjunto permite compreender a sorte que obtiveram junto aos compradores. O principio. 147 e 59. num determinado dia (n„o escolhido por acaso. deveriam ser convidados tambÈm elementos estranhos ‡ redaÁ„o em sentido estrito (jovens e estudantes). e È de crer que os resultados das iniciativas escolares n„o possam ser muito grandes (pelo menos no que diz respeito ao jornalismo tecnicamente entendido. Um redator de segunda ordem do Corriere toma-se diretor ou redator-chefe de um jornal da provincia e um redator que se revela como de primeira ordem num jornal de provincia ou num seman·rio È absorvido por um grande jornal. Roma. assim localizados respectivamente: sindicato de Bari.) confiadas tambÈm a especialistas alheios ao jornal mas que saibam compreender suas necessidades. alÈm disso. em mÈdia. este principio È vital e se impor· cada vez mais. com liÁıes de temas gerais (de histÛria. FlorenÁa.960 jo rn alistas. Paris. portanto. 50 e 17. cada redator deveria adquirir as qualidades do repÛrter. como a Alemanha. Veneza. porÈm. 108 e 40. 30 e 26. 108 e 43. isto È. naquelas onde se publicam seman·rios importantes) podem ser jornalistas profissionais.∞ Em alguns paises. o n˙mero de jornais puA respeito do n˙mero de jornalistas italianos. 193 192 . 5 Bolonha. que talvez tenha sido posteriormente publicado — juntamente com outros -. de direito constitucional. assim como. De- jornalismo ser„o escolas de propaganda polÌtica geral). È muito mais complexa de resolver do que'parece quando se lÈ esse artigo. graÁas ‡ descentralizaÁ„o da vida cultural nacional. as escolas de n„o È racional deixar que o jornalista se forme por si mesmo. Dever-se-ia partir do princÌpio de que cada redator ou repÛrter deveria ser posto em condiÁıes de compilar e de dirigir todas as partes do jornal. casualmente. as remuneraÁıes s„o muito baixas. 144 e 59. ve-se sublinhar. Uma sÈrie de ensaios sobre o jornalismo das mais importantes capitais dos paises do mundo. Mas. N„o existem na It·lia centros — como Paris. Turim. 90 e 62. 106 e 45. Madri.

etc. 3) InformaÁıes sobre a tiragem. sobre os financiadores. Mil„o. por causa da infeliz disposiÁ„o geogr·fica e da ausencia de um centro polÌtico e intelectual nacional. Manchester e Glasgow para a Inglaterra. esta relaÁ„o varia de paÌs para paÌs. Ele deveria (semanalmente.Turim. por exemplo: 1" Roma. mesmo pelos detalhes e pelas min˙cias. Times Sunday. Os tÌtulos.Revistas polÌticas. reli- Seman·rios provinciais. cada semana informa aos leitores que n„o lÍem o jornal.). deveria ter tido grande influencia. 29 -. Grande importancia para a polemica pessoal (de car·ter galhofeiro e provinciano: a finalidade È fazer o advers·rio parecer es194 Precisamente na It·lia. Munique para a Alemanha. anÛdinos e insignificantes. 39 -. de h·bito. nas capitais de regiıes. Bolonha. o conjunto do mecanismo editorial periÛdico que difunde as tendencias ideolÛgicas que operam. N·poles. 5) Para certos paÌses. pretensioso e ignorante. tencia de outros centros alÈm da capital. cada semana. e in- ventar teorias cabeludas em economia. Tendencia a tÌtulos grandiloq¸entes e pedantes. O tipo de seman·rio provincial que era tradicionalmente divulgado na It·lia. A organizaÁ„o territorial da imprensa francesa Í muito diversa da da Alemanha etc.Trieste. deve-se levar em conta a exis- t˙pido. que requeriam o seman·rio. pouco. se bem que fossem industriais e consumidoras de jornais: assim tambÈm Alexandria. um intelectual medÌocre. e mesmo de provÌncias n„o industriais: recordar exemplos como Biella. que os leitores do seman·rio n„o liam e que se supunha precisamente que n„o lessem (por isso È que se fazia o seman·rio para eles). em polÌtica. giosas. tais como a de indicar sinteticamente o assunto central tratado. sen„o enquanto ligada aos interesses locais. e corresponde a um tipo determinado de leitor. Barcelona para a Espanha. FlorenÁa. A informaÁ„o reduzida t„o-somente ‡ correspondencia das v·rias aldeias. sobre a direÁ„o. Como. que completa o exame dos cotidianos. com oposta reaÁ„o de tÌtulos chamados "jornalÌsticos". bi-semanalmente) substituir o jornal di·rio em largas zonas onde este jornal n„o teria as condiÁıes suficientes ( N·poles. etc. ou que querem ter. 4) Estabelecer a relaÁ„o da imprensa da capital com a das provÌncias. dever-se-ia reconstruir. sobre o pessoal. 6) No caso da It·lia. etc. como Mil„o para a It·lia. Palermo. a de desper- tar interesse e curiosidade levando a que se leia a matÈria. o estudo poderia ser estendido a todo o paÌs e a toda a imprensa periÛdica. notadamente eleitorais. graduando a exposiÁ„o pela importancia dos centros. todo o interesse pela vida local. um quadro sintÈtico da vida de toda a semana. Fossano. que È redigido sobre o tipo do jornal di·rio — isto È. sobre a populaÁ„o. Na It·lia. liter·rias. pelo contr·rio. FlorenÁa.2) Exame de toda a imprensa periÛdica de qualquer espÈcie (desde a esportiva aos boletins paroquiais). ridÌculo. cheio de cavilaÁıes e de sofismas banais. Coment·rios polÌticos genÈricos que pressupunham a informaÁ„o dada pelos jornais di·rios. contÌnua e simultaneamente. isto È. sobre a publicidade. Palermo): em geral. o seman·rio assim redigido teria o mesmo papel que os in˙meros pequenos cotidianos provinciais alem„es e suÌÁos. cultivado especialmentepelos catÛlicos e pelos socialistas. GÈnova. representava adequadamente as condiÁıes culturais da provÌncia (aldeias e pequenas cidades). Este tipo ingles deve ser estudado e adaptado tecnicamente ‡s condiÁıes italianas. desonesto). o tipo de seman·rio inglÈs ( Observer. interesse pela prÛpria vida nacional. O tipo de seman·rio polÌtico italiano Í talvez ˙nico no mundo. Cuneo. TambÈm os tÌtulos s„o determinados pelo p˙blico ao qual o 195 . para cada capital. Nenhum interesse pela vida internacional (a n„o ser como curiosidade e exotismo).Imprensa semanal polÌtica. cientÌficas. 59 -. O redator desses seman·rios era. em filosofia. a difus„o dos jornais romanos È muito inferior ‡ dos jornais milaneses. Resumir o• jornal di·rio teria sido para ele uma "vergonha": sua pretens„o era fazer um seman·rio todo com artigos de fundo e com peÁas "brilhantes". Na It·lia. Dificuldade da arte dos tÌtulos: deveriam resumir algumas exigencias. Tortona. 49 -. Em suma.

para dar um ponto de vista compreensivo. como se diz. O cronista estuda o organismo urbano em seu conjunto e em sua generalidade. Cronistas. 1929. jornalistas tecnicamente preparados para compreender e analisar · vida org‚nica de uma grande cidade. n„o È preciso conceber o correspondente do exterior como um mero repÛrter ou transmissor de notÌcias do dia por telegrama ou por telefone. isto È. ou mesmo prefeito. apÛs ter depurado os artigos daqueles elementos de atualidade que devem sempre existir em toda publicaÁ„o jornalÌstica. quando se pretende explorar o sentimento dominante no p˙blico como ponto de partida para sua elevaÁ„o. se se pretende que esta profiss„o saia do estado primitivo e diletante em que hoje se encontra e se tome qualificada e possuidora de uma completa independÍncia. particularmente de New York. Se um cronista informa o p˙blico "jornalisticamente". recenseado no Giomale degli Economisti de janeiro de 1931. devemos dizer que nesses artigos "org‚nicos" o elemento de atualidade deve ser subordinado e n„o principal. ou ainda presidente (efetivo) de um conselho provincial de economia do tipo atual. de196 veria ser possÌvel compilar volumes sobre os aspectos mais gerais e constantes da vida de uma cidade. como um complemento das agÍncias telegr·ficas. na ordem de competÍncia e de amplitude decrescente dos problemas. Em outra nota. n„o devem ser apenas premissas. todavia. No entanto. das cidades mÈdias.jornal se dirige e pela atitude do jornal em face de seu p˙- blico: atitude demagÛgica-comercial quando se quer explorar as tendÍncias mais baixas. dever-se-ia ter uma sÈrie de monografias sobre grandes cidades e sobre o conjunto de sua vida. deste ponto de vista. as funÁıes de um jornal deveriam ser equiparadas ·s funÁıes correspondentes na direÁ„o da vida administrativa e. O tipo moderno mais completo de correspondente do exterior È o publicista de partido. isto È.80 dÛlares. How great Cities are ton. Em relaÁ„o ao tipo org‚nico. O que se diz do cronista pode ser dito igualmente de uma sÈrie de atividades p˙blicas: um bom cronista deveria ter a preparaÁ„o tÈcnica suficiente e necess·ria para se tomar administrador. mas sem superficialidades e sem "brilhantes" improvisaÁıes) todo problema singular · medida em que ele se torna de atualidade. isto È. captando um motivo de atualidade. mas sem pedantismo. O tÌtulo "Breves notas sobre o universo" como caricatura de tÌtulo pretensioso e pedante. mas devem se manifestar tambÈm de um modo imediato. 2. e. a fim de obter sua qualificaÁ„o profissional. Dificuldade de criar bons cronistas. Hedden. Deveriam existir dois tipos de crÙnica: 1) o tipo org‚nico e 2) o tipo de atualidade mais intensa. mas. se se pretende que o jornal esteja em condiÁıes de oferecer ao p˙blico informaÁıes e julgamentos n„o ligados a interesses particulares. P. esses artigos org·nicos n„o devem ser muito freq¸entes. A verdade È que o trabalho de um cronista È t„o amplo quanto o de um redator-chefe. O simples problema do abastecimento de uma cidade È capaz de absorver muito trabalho e muita atividade. o crÌtico polÌtico que observa e comenta as correntes polÌticas mais vie Cf. desse estudo org‚nico n„o devem ser completamente desinteressantes. para que fique claro. (sÛ muito limitadamente pode um cronista mudar de cidade: sua qualificaÁ„o superior n„o pode deixar de estar ligada a uma cidade determinada): os resultados originais. deveria se assemelhar ao correspondente local de uma grande cidade (e paulatinamente. ou ˙teis em geral. O tipo do "correspondente do exterior" de um jornal di·rio È algo diverso. 197 . deveriam ser articuladas as escolas de jornalismo. referimonos aos colaboradores estrangeiros de revistas italianas. atitude educativa-did·tica.∞ Correspondentes do exterior. do ponto de vista jornalÌstico. pequenas e das aldeias). inserindo neste quadro (sem pedantismo. o livro de W. Hedden examina o abastecimento de algumas Bos- fed cidades dos Estados Unidos. algumas observaÁıes da outra nota s„o v·lidas tambÈm para esta atividade. isto significa que o cronista aceita sem crÌtica e sem julgamento independentes informaÁıes e julgamentos — atravÈs de entrevistas e de tuyaux ^ de pessoas que pretendem servir-se do jornal para promover determinados interesses particulares. Em geral. ou de um serviÁo de chefia numa organizaÁ„o jornalÌstica com divis„o org·nica do trabalho. Numa escola de jornalismo. Heath. Por isso.

Serrati que. como o fazem freq¸entemente alguns jornais: ela demanda o m·ximo de responsabilidade politica e intelectual e o m·ximo de capacidade liter·ria e de inventiva nos temas. no corpo do prÛprio jornal e como notÌcias auto-suficientes). a rubrica da "resenha da imprensa" foi sempre pouco desenvolvida. (Exemplo: os Scampoli de G. mas se em outros o progresso foi maior ou menor. Ao que eu saiba. tanto mais se se considera como resenha da imprensa (como o È na realidade) tambÈm o artigo di·rio de Maurras. ocasional. contraditoriamente. ordin·rios e rubricados. CritÈrios para a preparaÁ„o e formaÁ„o de um correspondente: 1) Julgar os eventos no quadro histÛrico do prÛprio paÌs e n„o apenas com referencia ao seu paÌs de origem. (Diverso È o caso do correspondente em viagem. alÈm de internacional: o liberalismo inglÍs n„o È igual ao francÍs ou ao Resenha da imprensa. nos jornais de opini„o. um paÌs pode progredir. Reas vela-se o quanto È ˙til. precisamente. nos tÌtulos. A comparaÁ„o entre Estado e Estado tem importancia. etc. pois mede a posiÁ„o relativa de cada um deles: de fato. pois as repetiÁıes — necess·rias — deveriam ser apresentadas com o m·ximo de variedade formal e exterior. isto È. os jornais italianos d„o estas informaÁıes nos serviÁos de Roma para os jornais da capital. e medir o exterior com um metro que n„o lhe È prÛprio: n„o ver as diferenÁas sob as aparÍncias iguais. se bem que exista muito em comum. entre o escrito de Maurras e a "resenha da imprensa" propriamente dita da Action FranÁaise. para apresentar. todas " suas facetas e toda a casuÌstica.tais de um paÌs estrangeiro e tende a se tornar um "especialista" nas questıes daquele determinado paÌs (por isso. e n„o ver a identidade sob as diversas aparÍncias. talvez fossem a primeira coisa que o leitor buscava todo dia. nela. se bem que o julgamento de comparaÁ„o tenha tambÈm grande import‚ncia: 2) Os partidos em cada paÌs tem um car·ter nacional. n„o podendo ser mecanicamente comparada ‡ posiÁ„o de outros paÌses. a melhor "resenha da imprensa" È a da Action FranÁaise. isto È. 198 Deve-se observar que a resenha da imprensa n„o pode ser deixada a uma mesa qualquer da redaÁ„o. Deve-se distinguir entre a resenha da imprensa dos jornais de informaÁ„o e a dos jornais de opini„o: a primeira È tambÈm um serviÁo de informaÁ„o. os juizos sobre os eventos em curso publicados pelos outros jornais (assim procedem muitos jornais franceses. como obrigaÁ„o de replicar a um advers·rio. ou est„o superados e existe crise? Mas o erro maior e mais co- mum È o de n„o saber sair do prÛprio ambiente cultural. M. No jornalismo tradicional italia- no. Isto significa que a posiÁ„o de um paÌs deve ser mensurada pelos progressos ou regressos verificados naquele mesmo paÌs. a parte polÈmica desempenhou sempre uma funÁ„o exagerada: mas tratava-se.. Observa-se que. etc. se bem que n„o fossem 199 teÛrica. . que vai ao paÌs para informar sobre grandes eventos imediatos que nele se processam). para detalh·-los. modifica-se o julgamento. Se julgamos a Inglaterra pelo que era antes da guerra. modifica-se a posiÁ„o relativa e modifica-se a influencia internacional do referido paÌs. no mesmo momento. existe uma divis„o de trabalho: Maurras toma para si as "peÁas" polÈmicas de maior import‚ncia opiniıes: a " alem„o. a seu modo.. a rubrica tem uma outra funÁ„o: serve para reafirmar os prÛprios pontos de vista. de escrever um livro sobre o paÌs para o qual foi enviado a fim de nele residir permanentemente. didaticamente". eram uma resenha de imprensa: muito lidos. os grandes jornais tem "escritÛrios de correspondencia" nos diversos paÌses. apesar de que. num tempo determinado. ou os velhos possuem um monopÛlio cultural que se tomou artificial e prejudicial? Os partidos respondem aos novos problemas. e o chefe do escritÛrio È o "escritor polÌtico". 3) As jovens geraÁıes est„o em luta contra as velhas na medida normal em que os jovens est„o em luta contra os velhos. este modo de "reperepetiÁ„o" adquire um car·ter quases"dram·ti co" e de atualidade. o diretor do escritÛrio). e n„o pelo que hoje È em comparaÁ„o com a Alemanha. O correspondente deveria colocarse em condiÁıes. ligada mais ao temperamento litigioso do individualismo italiano do que a um objetivo program·tico de prestar serviÁo ao p˙blico leitor. o jornal em quest„o oferece diariamente aos seus leitores. uma obra completa sobre todos os aspectos vitais da sua vida nacional e internacional. de polÈmica mi˙da.

selecionar o conte˙do: 1) as partes que tornam in˙til a aquisiÁ„o de um outro almanaque. Almanaques. modificaram-se neste particular. Massimo Rocca). Deve-se observar o fato de que o jornal italiano. a farsa. ano por ano. tendo em vista orient·-los num sentido preestabelecido. relativamente mais bem feito e mais sÈrio que o de outros paÌses.— para formarmos um juÌzo sobre ela — basta recordar que foi dirigida durante muitos anos por. que possui elementos de "bruxaria" ou È fant·stica. que saÌa em Bolonha. n„o pode gastar duas vezes para uma mesma necessidade. a parte dedicada ‡s ciÍncias era quase nula (as condiÁıes. especializados nas questıes cientÌficas).. Dever-se-·. o drama frenÈtico. o almanaque È uma publicaÁ„o periÛdica anual onde. a "Rassegna della Stampa" na Italia Letteraria. liter·ria e artÌstica. bem como a rubrica do "Frombolieri" do Popolo dItalia. seja como notici·rio cientÌfico-tÈcnolÛgico. 200 . prescindir da publicaÁ„o de um almanaque? No fundo. as "Opiniıes" de Missiroli no Resto del Carlino e na Stampa. O almanaque È o "mÌnimo" de "publicidade" periÛdica que se pode fazer das prÛprias idÈias e dos prÛprios juizos sobre o mundo. Pode-se observar que a crÙnica po- A informaÁ„o cientifica deveria ser parte integrante de qualquer jornal italiano. e para "desprovincianizar" as noÁıes correntes.. fim de controlar e dirigir a cultura de seus leitores.pode-se. deveria ter essa seÁ„o cientifica. O tipo italiano do jornal di·rio È determinado pelo conjunto das condiÁıes organizativas da vida cultural no paÌs: ausÍncia de uma vasta literatura de divulgaÁ„o. Rubricas cientÌficas. das publicaÁıes estrangeiras. tanto atravÈs do livro como da revista. bem como compilar estratos e resumos em apÍndices especiais. a licial dos grandes jornais È redigida como uma perpÈtua Mil e urna noites. mas . Sempre existiram revistas cientÌficas especializadas. muito difundida era a Scienza per tutti da Casa Sonzogno. examina-se a atividade histÛrica global de um ano a partir de um certo ponto de vista. Um jornal popular. a intriga h·bil e inteligente. . deve o almanaque levar em conta determinadas necessidades do grupo de compradores ao qual se dirige. O Corriere della Sera n„o publica romances em folhetim. concebida de acordo com os esquemas do ro- mance em folhetim. grupo que. com a vantagem de ter sempre presente que se trata de fatos verÌdicos. a "Dogana" em Critica Fascista. quer encontrar em sua folha um reflexo de todos os aspectos da complexa vida social de uma naÁ„o moderna. hoje. A primeira parte ser· reduzida ao mÌnimo: o necess·rio para satisfazer a exigÍncia em 201 mais do que os outros. 2) a parte atravÈs da qual se pretende influir sobre os leitores.sistem·ticos e nem sempre possuÌssem alto nÌvel intelectual. e sua variedade mostra quanto se tenha especializado no grupo cada momento singular desta histÛria. bem como a organicidade mostra a medida de homogeneidade que o grupo adquiriu. H· a mesma variedade de esquemas sentimentais e de motivos: a tragÈdia. negligenciou a informaÁ„o cientifica. e o Corriere della Sera tem uma sÈrie de colaboradores. Mesmo nas revistas mais importantes (como a Nuova Antologia e a Rivista d'Italia). Dificuldade de possuir especialistas que saibam escrever popularmente: poder-se-ia fazer o espÛlio sistem·tico de revistas gerais e especiais de cultura profissional. ao passo que existe um corpo not·vel de jornalistas especializados na literatura econÙmica. mas sua p·gina policial tem todos os atrativos deste tipo de romance. o Arduo. seja como exposiÁ„o crÌtica das hipÛteses e opiniıes cientÌficas mais importantes (a parte higiÈnico-sanit·ria deveria constituir uma rubrica autÙnoma). Certamente. portanto. para sua difus„o. dirigida por Sebastiano Timpanaro.) A CrÙnica policial. escolhendo cuidadosamente (e com conhecimento das exigÍncias culturais do povo) os assuntos e o material. mas n„o havia revistas de divulgaÁ„o (deve-se cf. como express„o de um grupo que pretende (atravÈs de diversas atividades publicisticas) difundir uma concepÁ„o integral do mundo. nas notas a ele dedicadas. freq¸entemente. por isso. em volume. O leitor do jornal. muito grande. Dado que o jornalismo foi considerado. por causa disso. das atas acadÍmicas.

popular. do tipo de Lettura. tÈcnica. para a pequena-burguesia e os operarios. de Turim. . a Morgenpost. a terceira de direita (imprensa de Hugenberg). mas a vinheta pode ter tambÈm outros significados. A casa editora Rudolph Mosse publica o grande cotidiano democr·tico Berliner Tageblatt (300.000 exemplares). publicou uma vinheta que representava um burro morto. dirigida por Georg Bernhard (È considerada muito francÛfila). etc.000 leitores. caro e difÌcil para a gente pequena. o Ultu. inglÈs. que se ocupa de questıes urbanas. se apÛia na Ullstein). Os jornais alem„es. apÛia-se sobre a casa Mosse." Twain queria evidenciar a utilidade da rÈclame jornalÌstica. para o p˙blico culto. mas em m„o. com escassa tiragem (40. La Stampa. com a seguinte legenda: "Este burro morreu porque n„o zurrou. A Ullstein È ligada com o Telegraf de Amsterd„o. as duas primeiras democr·ticas. com a Neue Freie Presse (o Corriere della Sera. com o Az East de Budapeste. francÈs.000 exemplares?) mas de import‚ncia europÈia. cujo p˙blico di·rio È de 100. sensacionalista. quando era diretor de um jornal na CalifÛrnia. comÈrcio.202 quest„o. a Berliner Illustrierte (similar ‡ Domenica del Corriere). Mark Twain. para suas informaÁıes de Berlim. È um jornal de import‚ncia europÈia. Scherl.difundido jornal de Berlim e talvez da Alemanha (provavelmente 500. A segunda parte insistir· sobre os assuntos considerados de maior peso educativo e formativo. o Quersschinitt ("A transversal") e Die Koralle.000 exemplares). o mais. publica ainda Berliner Morgenzeitung. Jornalismo. e outras publicaÁıes sobre moda. divulgadissima. Tres grandes concentraÁıes jornalÌsticas: Ullstein. estilo com as mesmas diretrizes polÌticas. a Berliner Allgemeine Zeitung. A Casa Ullstein imprime a Vossische Zeitung. em aleBerliner Volkszeitung. no fundo de um poÁo. dirigido por Theodor Wolf e que possui dezessete suplementos (Beilagen) e ediÁıes especiais para o exterior. Masse. a Berliner Zeitung am Mittag.

importante por ser o jornal oficioso de Stresemann. tambÈm.000) e os Leipziger Neueste Nachrichten (17. o Hannoverscher Kurier. mas pouco difundido. Em do jor- - .000). ultranacionalista. que se mantiveram ricos e sÛlidos porque se 100.50 Le journa Frs. mas muito difundidos s„o os jornais catÛlicos de provÌncia. para um p˙blico mais seleto. da direita ‡ esquerda: Deutsche Zeitung. que est· mas. Lokal-Anzeiger (180.000).Casa Editora Scherl: Lokal-Anzeiger. com ades„o condicional ao atual regime e difundidos entre os industriais.000). Alem„o. Albin Michel. Jornais de centro: o Germania (10. que continua a ser chamado de Kreuz-Zeitung: È o Ûrg„o cl·ssico dos junkers (latifundi·rios prussianos). Deutsche Allgemeine Zeitung. pelo contrario. botiqueiros e da pequena-burguesia nha imperial. ex-oficiais nobres. a Gartenlaube. RIVAL. Os jornais democr·ticos s„o os mais bem feitos: Vossiche Zeitung. de Hitler. Ûrg„o da ind˙stria pesada.000). T„glische Rundschau (30. Ûrg„o Agr·rios). 2) Como se faz um jornal: 203 manual appris en de 18 jornalismo. Vılkischer Beobatcher.000) Deutsche FederaÁ„o dos territorial. Origens 3. Berliner Bırsen Zeitung (jornal banc·rio de direita). s„o: o Magderburgische Zeitung.000) . Um lisme quatro partes: 1) HistÛria do jornalismo: nalismo. Os social-democratas tÍm um jornal humorÌstico: Lachen links ("Riso ‡ esquerda"). Tageszeitung. Frankfurter Zeitung. Berliner Bırsen-Karier.000). do nas Band m„os tira fiel ao antigo regime. isto È. a Woche.000 exemplares der Landwirte ( apÛiam na propriedade a de pequenos propriet·rios e de capatazes. de fama europÈia pela sua autoridade em polÌtica externa. Os grandes jornalistas. e contribui para manter a Nacionais: Schlesische opini„o o Zeitung. Outros jornais alem„es-populares. È o Neue Preussische Zeitung (10. monarquistas e absolutistas. leÁons. p˙blica rural Tag (100. pouco difundido (20. dos fiel leitura ‡ velha predileta Alema- Jornais.000). de direita moderada. Berliner Tageblatt. como a Kılnische Volkszeitung. os Miinchner Neueste Nachrichten (135. o Tag. ALBERT 1931. Pouco difundido. tambÈm alem„o-popular. o Kılnische Zeitung (52.

Como n„o se deve escrever. OrganizaÁ„o de um jornal. 204 . Nuova Antologia. O artigo polÍmico. Esquema elementar e defeituoso. Cf. D de maio de 1931. Jornalismo. A grande reportagem: como È feita. GÍneros de estilo. Qualidades exigidas. O artigo de fundo. revis„o. clicheria. Jornalismo brit‚nico de " ApÍndice ontem e de hoje". 3) Qualidades exigidas a um jornalista: Que È um jornalista? Aptidıes exigidas. A mulher pode aspirar ao jornalismo? 4) O estilo do jornalista: IV Estilo em geral. O artigo de informaÁ„o. Da composiÁ„o.RedaÁ„o-Impress„o: composiÁ„o. tiragem. paginaÁ„o. A descriÁ„o. Falta a referÍncia aos diversos tipos de jornal. LUIGI VILLARI.

da cultura nacional (desorganicidade. negligÍncia no desenvolvimento da atividade cientÌfica. em face da forma Á„o da cultura nacional).Lorianismo Sobre alguns aspectos men- deteriorados e bizarros da talidade de um grupo de intelectuais italianos e. 207 . ausencia de espirito critico sistem·tico. Registro dos principais "documentos". portanto. n„o adequadamente combatidos e rigorosamente condenados: irresponsabilidade. nos quais se encontram as principais "bizarrias" de Aebile'Loria (recordados de memÛria: existe agora a Bibliografia de Achite Leria. ausÍncia de centralizaÁ„o cultural. aspectos que podem ser descritos sob o tÌtulo geral de "lorianismo". debili dade e indulgencia Ètica no campo da atividade cientÌfico cultural. portanto.

Mil„o. in Rassegna Contemporanea (dirigida por Colonna de Cesare) e por V. maio de 1909. de onde se deveria exum·-lo por curiosidade. comunicou-se a Leria que sua "conj· imtribuiÁ„o" tipografia. afirmando seriamente que a natureza providencial cria uma defesa e um antÌdoto contra o envenenamento universal da dor. desenvolvida alhures.compilada por Luigi Einaudi. da.050 p·gs. o ComitÍ n„o podia inserir o artigo na Miscel‚nea. por causa de sua ridÌcula tolice. Este artigo. e publicada em Conference e Prolusioni. incentivando a fantasia graÁas ‡ grande quantidade do "trabalho" feito por Loria: 884 tÌtulos nestes tempos de civilizaÁ„o "quantitativa". como organizador de movimentos culturais. sobre o desencadeamento dos excessos sexuais (adultÈrios sem puniÁ„o. ademais. O trabalho de Einaudi È tambÈm significativo. que tam como tÌtulo prÛprio Na aurora de um sÈculo (1904-1915). Einaudi cita-o no n. È respons·vel pelas "bizarrias" de Loria e. Loria fez entrever a parte positiva do problema. etc. sobre a morte sistem·tica dos porteiros por causa da queda de binÛculos. 2 vols. dada a amenidade do conte˙do.Riforma Sociale). Ao que me parece. n„o se encontra num folheto re uma coluna. dever-se-ia escrever uma nota. mas que seria publicada pelo (periÛdipressa na n„o podia ser publicada na Miscel·nea. e coloca necessariamente diante do leitor-jovem contempor‚neo todos os escritos de Loria num mesmo "plano". n„o existe na publicaÁ„o da Rassegna Contemporanea o subtÌtulo Verdade e fantasia: dever-se-ia ver se a reimpress„o em livro apresenta modificaÁÛes no texto.9 097 e. p·gs.permitiriam a evas„o da presente sociedade graÁas ‡ nutriÁ„o assegurada pelos p·ssaros presos no visgo. Roma. Einaudi merece. in 89. O artigo expıe um aspecto (o ling¸Ìstico) da doutrina lo222. suplemento ao n o 5. co) liter·rio II Palvese. etc. acrescenta: "em MisceMnea de estudos em honra de Anillo Hortis". sobre o grau de moralidade de acordo com a altitude do nivel do mar. 20-28. com a proposta pr·tica de regenerar os delinq¸entes levando-os ‡s altas camadas atmosfÈricas em imensos aeroplanos (corrigindo assim uma anterior proposta de construir os presidios em montanhas eleva208 das). pode se tomar "livro de texto negativo" numa escola de lÛgica formal e de bom senso cientÌfico.do que as recordadas. IX. 1. setembrooutubro de 1932. seduÁıes. evidentemente. editada em Trieste. m 13 de dezembro de 1915 em beneficio dos hospitais territoriais da Cruz Vermelha de Turim. ser inscrito ad honrem na lista dos lorianos. 1915. a respeito deste problema' particular. segundo uma estatÌstica elaborada por Reina (conseq¸entemente: monstruosa dor dos atores). 3) Artigo: "Porque os venezianos n„o duplicam e os valtelinenses triplicam"? O artigo fora enviado por Loria ao ComitÍ triestino para homenagear Attilio Hortis no cinq¸enten·rio de sua atividade liter·ria. com fotografias. Assim. republicado no vol. por este seu trabalho. como se revela pelo fato de que o ˙nico documento concreto por ele exibido a fim de demonstrar uma lei univer- sal da dor foi a lista de quanto custa a claque aos atores de teatro. como se revela pelo fato de que os pobres obrigados a pernoitar no ar livre e na calÁada nua tÍm a pele mais grossa do que os homens que dor- mem em plumas macias. 19 de janeiro de 1910. anotando: "H· a separata. apÛs o titulo. Picardi). E verdade que. O estrato catalogado por Einuadi È do Palvese. deve-se notar que Einaudi. um resumo da teoria. mas por meio dos aeroplanos que oportunamente untados de visgo -. A lista n„o È completa. Os referidos "documentos" principais s„o: I) "As influÍncias sociais da aviaÁ„o (Verdade e fantasia) ". " "A piedade de ciÍncia ipronunciada e.. III fascÌculo. 209 . que era em Trieste um expoente "ilustre" da ciÍncia italiana. 522 p·gs. mas na Miscel4nea.). este artigo". batalhas e apÛstolos). de acordo com seu mÈtodo habitual.. pois valoriza a "dignidade" cientÌfica de Loria. n∞ 1. e talvez faltem "bizarrias" bem mais significativas. Sociedade Editora Livraria. Esse artigo È todo ele uma obra-prima de "bizarrias": aÌ se encontra a teoria da emancipaÁ„o oper·ria da coerÁ„o do sal·rio da f·brica n„o mais obtida por meio da "terra livre". È citada uma conferÍncia. II de Pela justiÁa social (IdÈias. uma teoria sobre a queda do crÈdito banc·rio. e que pode ser aquela ‡ q u a l n o s2 r e f e r i m o s . 2) Uma conferÍncia pronunciada em Turim durante a guerra e publicada logo apÛs na Nueva Antologia? Loria falou da "dor universal" de um modo muito "bizarro". mas tampouco quis desrespeitar Loria.

) Sobre este assunto. suas "bizarrias" n„o s„o casuais e devidas a impulsos de diletantismo improvisador. cita-se um artigo na Bibliografia: "Sensualidade e misticismo". Outro elemento deste gÍnero È a pretens„o infantil e sem critÈrios a uma "originalidade" intelectual a todo custo. isto È. "triplicam" as consoantes. deve-se recordar uma crÙnica da Gazzeta del Popolo de 1918 (ou dos anos subseq¸entes. XV. moralmente mais puros. entre outras coisas. de dois artigos quase similares. Loria recorre ao "testemunho da prÛpria consciÍncia" e afirma que. in Rivista Popolare. na qual Loria fala dos intelectuais como dos que conservam de pÈ a "escada de ouro" pela qual sai o povo. certamente de baixa especulaÁ„o ‡s margens da guerra e do antiderrotismo). no qual ele fala de sua aula inaugural na Universidade de Siena. nos quais a imagem de Macaulay era elaborada. p·gs. e da impress„o causada no p˙blico acadÈmico pela exposiÁ„o de suas "originais" doutrinas materialistas: aÌ se encontra mencionada sua teoria da conex„o entre "misticismo" e "sÌfilis'. O "adocicamento liter·rio" notado por Croce È um elemento secund·rio do desequilÌbrio loriano. Í tambÈm fisicamente degenerada e n„o consegue nem sequer "duplicar". Assim. N„o falta em Loria. ou Carlos) e posititzarismo como de um destino antimistico (no mesmo n˙mero da Prora. com advertÍncias ao povo para que este conserve bons estes intelectuais. na Riforma Sociale de setembro-outubro de 1929. R˙ssia. Nem se pode negar que Loria seja um homem de talento e que tenha juÌzo. apareceu "II vipistrello disfattista" de Esuperanzo Ballerini) . num sentido diametralmente oposto.' A respeito das observaÁıes de Croce sobre a doutrina loriana dos "servos desocupados" e de sua import‚ncia na sociologia loriana. tambÈm uma not·vel dose de "pequeno oportunismo" da de um fil„o "profundo". mas tem uma certa import‚ncia: 1) porque se manifesta continuamente. as "bizarrias e exotismos" aparecem aqui e ali. publicados a breve dist‚ncia de tempo na Gazzeta del Popolo (ultra-reacion·ria) e no Tempo de Pippo Naldi (ent„o nittiano). que n„o falta em Loria espirito de sistema e uma certa coerÍncia. no caso de Loria. etc.mho do mesmo ano. com dupla consoan- do T. etc. dividiam-se os protagonistas da guerra mundial em mÌsticos ( Guilherme e Francisco JosÈ. ligadas a determinadas "conexıes de pensamento". (Por "misticismo". e s„o a origem imevistas ( Clemenceau e Lloyd George) e falava-se do fim do diata de algumas "bizarrias". mas existem as de um certo tipo. in Nuova Antologia de 16 de novembro de 1909. num artigo publicado na Prora. em cada um deles. mas correspondem a um substrato "cultural" que aflora continuamente): os montanheses. n„o se trata de algum caso de "adormecimento" intelectual. Loria entende todas as atitudes que n„o s„o "positivistas" ou materialistas em sentido vulgar. 15 de novembro de 1909. jornaleco um pouco desonesto. Tempo 10 de marÁo de 1918 e na Gazette 211 210 . n„o consegue pedir ‡ camareira mais do que uma simples tazza 4 de sopa. Loria escreveu no de de 1. Por exemplo. 4) 0 pref·cio ‡ 14 ediÁ„o de uma das primeiras obras "cientÌficas" de Loria. vÍ-se a teoria "ala 5) Documentos posteriores em apoio do economicismo histÛrico". que saÌa em Turim durante a guerra (dirigida por um certo CipriRomanÛ. timÈtrica" aparecer na quest„o "carcer·ria" e na "ling¸Ìstica".0 de . pelo contr·rio (e pior ainda se se trata de populaÁıes que est„o ao nivel do mar. a propÛsito. ainda que com recaÌdas nos mesmos delirios: trata-se " mais baixa extraÁ„o: recorde-se. a gente das planicies. extemporaneamente. e que. como os venezianos). 2) porque a imagem e a Ínfase liter·rias conduzem mecanicamente Loria ao grotesco.. mas antes de 1921). e os artigos talvez sejam de 1918: sobre a te. fisicamente mais robustos. Em toda uma sÈrie de artigos. 577-578. escreve-se com dois zz. ( N. Rica de elementos cÙmicos È a poesia "Al mio bastone — Nel XXXV anno di possesso". TaÁa. como nos seiscentistas.riana sobre a influÍncia da "altitude" no desenvolvimento da civilizaÁ„o (o que demonstra. 4 Tratava-se da R˙ssia. " Estes cinco documentos" s„o os mais vistosos que recordo neste momento: mas deve-se recordar que. de uma continuidade bastante sistem·tica que acompanha toda sua carreira liter·ria. portanto. alÈm de moralmente depravada. isto È. em italiano. alÈm do "grande oportunismo". quando doente.).

sob o aparente dominio de um grupo intelectual sÈrio. daquela camada de intelectuais positivistas que se ocuparam da quest„o oper·ria e que estavam mais ou menos convencidos de terem aprofundado. s„o levados ao domÌnio ou "a se ocuparem com interesses privados sem se ocuparem absolutamente com os p˙blicos". diz: "N„o se aflija. de natureza vivaz e aguda. L verdade que Zuccolo fala tambÈm de motivos econÙmicos. Na "utopia" de Ludovico Zuccolo. pois se fala da Rep˙blica de San Marino). isto È. o arcebispo envia uma pessoa de sua confianÁa. como os florentinos. 212 ganizaÁıes de Veneza. em Èpocas anormais. elucubrar e publicar a suas expensas livros e livraÁos. atÈ que -. faz-se referenda ‡ teoria loriana das relaÁıes entre altimetria e costumes humanos. durante tantos sÈculos.em um ou em muitos instantes de sua atividade cientÌfica demonstraram ser o "senhor Netuno". pelo que o mais rico tem "pouca vantagem" e ao mais pobre 213 ou de cÈrebro obtuso unem-se mais facilmente para cuidar dos negÛcios comuns": esta seria a raz„o da solidez das or- . nada de estranho. precisamente. apÛs as manifestaÁıes de brutalidade e de ignominia inauditas da "cultura" alem„ dominada pelo hitlerismo. eu sou Netuno e mandarei chover tanto quanto me der na gana". existiam: deve-se pensar como. j· os homens de natureza vivaz e aguda. que enchem a vida cultural de gases asfixiantes e esterilizadores. Que Loria pudesse existir. mantido arbitrariamente segregado do mundo. T„o-somente hoje (1935). tenham conservado todavia. Mas deve-se notar que cada periodo tem o seu Iorianismo mais ou menos completo e perfeito. a rarefaÁ„o do ar — que torna os corpos bem compostos e vigorosos — produz tambÈm "espÌritos puros e sinceros". alguns intelectuais tomam consciÍncia de quanto era fr·gil a civilizaÁ„o moderna -. em geral. em San Marino. que afirma ser J˙piter. que se convence de estar realmente em face de um homem de mente sadia. Il Belluzzi o la citt‡ Felice.numa carta razoabilissima — ser sadio e. e que tenha encontrado "espontaneamente" um imenso p˙blico. eis algo que nos leva a refletir sobre a debilidade. n„o obstante. Como ent„o explicar que os habitantes de San Marino.apoiados por forÁas interessadas — superar todos os obst·culos e apodrecer por dÈcadas um ambiente de civilizaÁ„o intelectual ainda dÈbil e fr·gil. mas necess·rias em sua contradiÁ„o O senhor Netuno. È o exemplar mais completo e acabado de uma sÈrie de representantes de uma certa camada intelectual de um determinado periodo histÛrico.Loria n„o È um caso teratolÛgico individual: pelo contr·rio. portanto. escrever. existem sempre os descobridores do movimento perpÈtuo e os p·rocos que publicam continuaÁıes de JerusalÈm Libertada. da mediocridade das riquezas individuais. a escritores que -. afirmando -. Um louco. mesmo em Èpocas normais. seja f·cil aos Loria -. reimpresso por Amy Bernardy nas "Curiosidades Liter·rias" da Editora Zanichelli (que n„o È precisamente uma utopia. um governo popular? A raz„o est· no fato de que. de desencadeamento de paixıes. dos suÌÁos e de Ragusa. o amigo.quando o pretenso sadio se despede dos seus amigos do hospicio -. como Spengler. poder· ser citada a novela narrada pelo barbeiro nos primeiros capÌtulos da segunda parte de Don Quixote: o louco que recorre ao bispo para ser libertado do hospicio. um lorianismo monstruoso que rompeu a crosta oficial e se difundiu como concepÁ„o e mÈtodo cientÌfico de uma nova "oficialidade". se o amigo for embora. A altimetria.ocorre a cat·strofe. dos obst·culos crÌticos que. ameaÁa. DaÌ a critica apaixonada de intelectuais como Georges Sorel. Mas que ele se tenha tornado um pilar da cultura. Zuccolo acredita que "os homens de Animo modesto — que tivera suas origens no primeiro Renascimento (depois do ano mil) e se impusera como dominante atravÈs da RevoluÁ„o Francesa e do movimento de idÈias conhecido como "filosofia cl·ssica alem„" e como "economia cl·ssica inglesa".em todas suas expressıes contraditÛrias. de n„o mais fazer chover sobre a terra. um "mestre". os bons costumes e a inteligÍncia. porque se de È J˙piter e n„o quer que chova. estas notas dizem respeito. temendo que o enviado do bispo recue de seu propÛsito de libert·-Io. revisto e superado a filosofia da praxis. — Pois bem. e que cada paÌs tem o seu: o hitlerismo revelou que a Alemanha alimentava. No inÌcio desta sÈrie de notas sobre o lorianismo.

se descobrisse uma marca de aldeia com sua 6 q¸ila. de Alessandra d' Ancona. A respeito das teorias "altimÈtricas" de Loria. Atividades improdutivas.∞ Guglielmo Ferrero. Wagner ou Verdi. È extremamente sintom·tico. que Verdi È um `talento' e n„o um `gÈnio'. Lorianos. nas ConversaÁıes Criticas:∞ "Noto naquela ( memÛria) sobre o centen·rio de Leopardi uma felicÌssima invectiva contra os crÌticos liter·rios da chamada escola lombrosiana: invectiva que. No volume.n„o falta nada. numa comemoraÁ„o de Zola ocorrida em N·poles. poder-seia recordar. se o MinistÈrio do Interior "n„o considera oportuno evitar os espet·culos de equilibrismo. e as planÌcies para os governos democr·ticos". Poder-se-ia fazer ironia barata sobre os espet·culos de equilibrismo do prÛprio Loria. parece que "os espet·culos de equilibrismo fazem parte daquelas atividades improdutivas que o Senador Loria analisou no Tratado de Economia". portanto. que Ferri se considerava o mais capaz de julgar objetiva e desapaixonadamente qual dos dois era um grande gÈnio. as manifestaÁıes "lona- assim que ele costuma manter em perfeita ordem as contas da economia domÈstica!" A anedota foi contada tambÈm de outra forma. seu escrito sobre o capitalismo antigo. publicados por Treves em 190E e que SÈrie II. tanto È nas primeiras ediÁıes de alguns de seus livros de histÛria: 314. uma unidade de medida persa considerada como se fosse uma rainha. Sanna. Zuccolo escreveu uma "Utopia" propriamente dita: La Reppublica di Evandria. a quest„o. publicado pela Uni„o Tipogr·fica Ed. deve-se examinar Enrico Ferri e Lumbroso-Arturo Labriola. que -. na Voce e na Unit‡ florentina. Deve-se ver. na qual est· contida ademais. Pela resposta do Deputado Arpinati. bricas. que n„o preenchem nenhuma funÁ„o educativa. Pode ser que a conferÍncia de Ferri sobre Zola. artista e cidad„o". para rir. que — segundo AristÛteles — "as acrÛpoles s„o oportunas para os governos olig·rquicos e tir·nicos. em Marzocco de 2 de fevereiro de 1930) -teria ligaÁıes com a Utopia de Thomas Mortis e teria originado 1l Belluzzi. Juntamente com Loria. podia por isso pronunciar a respeito 'um juÌzo sincero em sua objetividade' e afirmar. precisamente porque n„o entendia absolutamente nada de m˙sica. No volume. cam a apostila um pouco cÛmica do Prof. n„o entendendo nada de m˙sica. como RecordaÁıes de fonwlismo e A ciÍncia e a vida no SÈculo 215 . poder-se-· talvez encontrar outros temas "lorianos" n„o menos caracterÌsticos que o "musical". que n„o lhe causaram atÈ agora nenhum acidente mortal. poderia ser uma contribuiÁ„o para a soluÁ„o da crise econÙmica. etc. Enrico Ferri. num pequeno capitulo sobre RecordaÁıes e a etos. e nas" s„o talvez mais ocasionais e episÛdicas: n„o obstante.segundo Garg·no ("Um utopista de sentido pr·tico". G. Luzzatti. em 1926. e que s„o com muita freq¸Íncia oportunidade de acidentes mortais". Esta igualdade È assegurada por boas leis: proibiÁ„o da usura. se daqui a mil anos. etc. declarar o seguinte sobre a quest„o de se Verdi È ou n„o um gÈnio: que ele. Achile Loria discute no Senado a respeito de uma sua indagaÁ„o. est„o contidos escritos que ter„o significado para outras ruXIX. segundo Loria. numa Època de puritanismo. O prÛprio Turati poderia proporcionar uma certa dose de observaÁıes e anedotas. publicado na Nuova Rivista Storica de 1929. Enrico Ferri. ou seja. n„o estando exposto ‡s seduÁıes do fascÌnio. em outro campo. com consciÍncia tran- das da It·lia. O modo de julgar a m˙sica e Verdi por Enrico Ferri È contado originariamente por Croce.um destes solenes crÌticos. ou seja. tendo eu escutado h· algumas semanas -. no apogeu da crise mundial. Guglielmo Ferrero. p· apareceu na Critica dos primeiros anos. Muitos documentos do "Iorianismo em sentido 214 a afirmaÁ„o da "objetividade" !baseada na ignor‚ncia. ademais. seja o escrito "Emile Zola. Turinense. E o mesmo que. daquela arte. parece-me atualmente supÈrflua. Ferri. a saber. Corrado Barbagallo (em Barbagallo. inalienabilidade da terra. de quem se escreve a biografia romanceada. situada numa penÌnsula nos antÌpo- amplo podem ser encontrados na Critica. incluÌdo no volume: Os delinq¸entes na arte e outras conferÍncias. Recordar os despropÛsitos contidos por exemplo. que se segue ao artigo). Em 12 de dezembro de 1931.

mas noutro campo e sob outro ponto de vista. Ademais. parece. Estes elementos genÈricos e marginais do "lorianismo" poderiam servir para tomar o assunto agrad·vel. Luzzatti concordou gravemente: "A verdade. que pouco antes havia publicado uma ediÁ„o dos Fioretti na ColeÁ„o Notari. entre outros. Assim. que ocupam muito espaÁo. 216 1913. Luzzatti e o Corriere della Sera. È verdade!". que teve talvez no campo "sociolÛgico" sua express„o mais vistosa. recept·culo de todos os vicios. em 1914. ou de antes). a fim de demonstrar como Loria n„o È uma exceÁ„o. publicado como inÈdito pelo Corriere (de Alberto Lumbroso. v·rios. pois pertencente ‡ tÈcnica clÌnica patolÛgica. tambÈm Kropotkin. CÌcero. Poder-se-ia recordar como caso limite e absurdo. parece-me. acredita-se ser possÌvel voltar ‡ "guerra das rendas" e se exalta a arte militar dos cavaleiros. Deve-se indagar. Os traÁos do "mau gısto" de Turati s„o numerosos em suas poesias. O discurso parlamentar sobre as "assalariadas do amor". n„o se transmite de geraÁ„o em geraÁ„o e nem mesmo pelo contato intelectual mais assÌduo. co letad o s e ordenados por GIOVANNI 217 . Recordar o episÛdio parlamentar Credaro-Luzzatti. em seu campo. mas a me- mo" e a proposta de cortar . que tiveram muitos continuadores mesmo em Èpocas mais recentes. justificou a "filosofia da histÛria" (contra Croce. o volume Escritos MARcHE4nir. neste caso. O Ministro Credaro. a "borracha de Vallombrosa" de Filippo Carli. que foi a origem casual do livro 'de Bachelli.as montanhas italianas. a literatura econÙmica dos protecionistas de tipo antigo È cheia destas preciosidades. como "Quem sabe È o bacalhau". na "luta pelo p„o". do qual È not·vel tambÈm um grande artigo na Perseveranza de 1918-19 sobre o prÛximo triunfo da navegaÁ„o a vela sobre a navegaÁ„o a vapor. quanto da Època posterior ao abandono da batina pelo prÛprio ArdigÛ e de seu 7 Cf. G. Discurso desonroso e abjeto. propıe diminuir as calÁadas para ampliar a ·rea cultiv·vel). uma interessante polÍmica com Luigi De Sanctis. evidente. com um imenso coment·rio econÙmico prÛprio de Luzzatti. Le Monnier. devem ser recordados Tomaso Sillani e sua "casa das partes". porque seu pai (Giacomo) era um erudito de grande nivel.) Roberto ArdigÙ e a filosofia da praxis.. Ferrero n„o mudou: em seu livro Fim das aventuras. por Gugliel- mo Ferrero (em 1911 ou 1912). O mesmo vale para Lona 'e a Riforma Sociale. a candidatura de Lenzi ao IV colÈgio de Turim. o "filopresentaneis- Credaro-Luzzatti. F lo renÁa. todologia da erudiÁ„o (e da seriedade cientÌfica). O caso de Lumbroso È muito interessante. a fim de transportar o seu material para a LÌbia e fertilizar assim o deserto (porÈm. como È que seus dois imensos volumes sobre as Origens diplom·ticas e polÌticas da guerra puderam ser acolhidos na coleÁ„o Gatti: a responsabilidade do sistema È. ao que me Turati. Havia sido proposta uma c·tedra especial na Universidade de Roma de "filosofia da histÛria".. como se pode ver nos escritos de Belluzzo sobre as possÌveis riquezas ocultas nas montanhas italianas e sobre o desencadeamento de simplicidade provocada pela primeira campanha em favor do ruralismo e do artesanato. padre catÛlico que abandonou a batina e se tomou um dos propagandistas mais verbosos e acrÌticos do evangelismo). 1922. o chamado inÈdito era uma variante enviada a Luzzatti por Sabatier. Poder-se-ia fazer uma introduÁ„o geral ‡ rubrica. parece. num artigo do Corriere. deve-se recordar o caso do "fioretto" de S„o Francisco. Lumbroso deve ser incluido na sÈrie loriana. que È de 1930. ao que Sobre Luzzatti. mas trata-se de um fenÙmeno geral de deteriorizaÁ„o cultural. citando como exemplo. Marchesini coleta uma parte dos escritos de ocasi„o∞ tanto da Època em que ArdigÛ era padre (por exemplo. que falara no Senado contra a c·tedra) alegando a import‚ncia que os filÛsofos haviam tido no desenvolvimento da histÛria. no caso de Lumbroso. parece-me."Regia Gabella" e a imagem de moÁa com o cachimbo na boca se tomasse uma "Regina [Rainha] Gabella". com o "aerocisne". (Frases famosas de Luzzatti. para L.

alÈm do sentimento da fome. Entre santes para um biÛgrafo de ArdigÛ e para estabelecer com exatid„o suas tendÍncias polÌticas. Mantendo-se com o movimento um organismo. H· alguns anos. conserva-se um dado organismo. as cartas (4+ seÁ„o). que produz um tapete. Eis o pensamento com- colocar indubitavelmente ao lado do artigo sobre a In- arceol" sabeis. Em junho-agosto de 1883. Mas continuava-se a querer afirmar minha solidariedade com o socialismo anti-social de Mantua. que o leva a buscar o alimento. "A peregrinaÁ„o. renegasse a minha crenÁa polÌtico-social com a referida ades„o. tenho-o sempre expressado de modo muito claro. venero-lhe a memÛria e acalento com toda minh'alma aquelas idÈias e sentimentos que tive em comum com ele. escrita em 1903. alÈm de desanc·-lo brilhantemente. Entre as polÍmicas (1+ seÁ„o) È not·vel a contra a maÁonaria. A carta 218 Bacchiglione. fui amigo de Alberto Mario. ou entendendo-me deformadamente. como dissemos. sem que ArdigÚ busque diferenciar-se das posiÁıes do jornal. n„o agradava a muitos revolucion·rios impacientes. se n„o tem seu alimento. O animal n„o vive. 219 . etc.. os quais tambÈm atuam no sentido de fazÍ-lo operar. Entre os pensamentos. 271). que dela (sic) depende sÛ em parte e sÛ indiretamente. O livro È dividido em v·rias seÁıes. com louvaÁıes que me davam nojo. Muitos se dizem democratas e n„o s„o mais do que tolos rufiıes. o que jamais fui (e eles sabem ou devem sabÍ-lo). etc. para o moinho. porque n„o me encontram disposto a prostituir-me aos seus objetivos parricidas. porÈm. È interessante a que foi republicada na Gazzetta di Mantova (de 10 de dezembro de 1883. De modo que. Hoje. Em julho de 1884. e.determina. porque nele nasce o sentimento da fome. portanto.. mas. querem puxar a minha orelha para que escute e aprenda a liÁ„o que ( muito ingenuamente) pretendem me recitar. assim falei: 'A sÌntese das vossas tendÍncias È o Ûdio. destaca-se aquele sobre o materialismo histÛrico (p·g. Foi por isso que me senti no dever de protestar. a sÌntese da minha È o amor.. As cartas de ArdigÛ s„o enf·ticas e altissonantes: "Ontem. que variam de espÈcie a espÈcie. Estes escritos podem ser interes- foi dirigida · Gazzetta di Mantova a respeito da peregrinaÁ„o ao t˙mulo de Vittorio Emanuele II (na Gazzetta di Mantova de 29 de novembro de 1883). Luzio). deste modo. e faz mover um taÁ„o. que acreditavam que eu pensasse como eles e que. e isto sem entender-me. o ambiente — com suas impor- taÁıes de outro gÈnero (!?) -. ArdigÛ era antimaÁom e em forma vivaz e agressiva. a Gazzetta era um jornal conservador de extrema-direita. jornal democr·tico de Padua. negligenciando outros coeficientes essenciais. o seu mestre. Explico-me. todos triviais e banais. E pode obtÍ-lo. Este meu rep˙dio.".. Oh! quanta raz„o tenho em dizer com Horacio: Odi prolanun valgus et s„o velharias sem nenhum valor e pessimamente escritas. em grande parte. as linhas para tecer conjuntamente. que tem especiais tear. "naturalmente". na qual se afirmava ser ArdigÛ um liberal de data recente. porque supunham fazer-me passar por um dos seus. Uma queda d"·gua faz mover um moinho. ele escreve a Luzio: "Nada me impediria de concordar" com a proposta que lhe fora feita de entrar na lista moderada para as eleiÁıes comunais de Mantua. ArdigÛ aceitara fazer parte de um comitÍ promotor da peregrinaÁ„o. defende ArdigÚ de armas na m„o e o exalta. E. E. que produz a farinha.. relativos a outras operaÁıes. expressaram-se privada e publicamente com as mais ferozes invectivas contra mim" . para o tear.. Escreve tambÈm que acredita ser Luzio "mais radical que muitos dos auto-intitulados democratas. numa reuni„o da Sociedade da Igualdade Social de Mantua.pontificado positivista — que o prÛprio ArdigÛ ordenara e dispusera para publicaÁ„o. repudio sem hesitaÁıes as baixas facÁıes an·rquicas anti-sociais. escreve: "Como Numa carta posterior (de 4 de dezembro de 1883) ao pleto: "Com a ConcepÁ„o materialista da HistÛria. n„o estou convosco'. ent„o dirigido por A. para responder a uma sÈrie de artigos anÙnimos publicados pela liberal (fora conservadora) Gazzetta dell'Emilia de Bolonha. Mas num animal. ele se servia do jornal socialista de Imola. contudo. com um outro final violentissimo. Il Moto. pretende-se explicar uma formaÁ„o natural (!). ainda que com evidente m·-fÈ polÈmica. pois os advers·rios lhe haviam recordado o sacerdÛcio. Com a alimenaptidıes. ". proclamaram-me. produzem-se muitos outros sentimentos. È necess·rio o gr„o para moer. O Moto de Imola. por isso. que se devefluÈncia social do aeroplano de Loria. por conseguinte. alÈm da queda d'·gua.

Neste sentido. … incitado pelo sentimento da fome. A parteto fato de um julgamento "desapaixonado" da obra global de L.E interessante n„o sÛ para demonstrar que ArdigÚ jamais se preocupou em informar-se diretamente sobre o assunto tratado. etc. atÈ se chegar a suportar a morte. em janeiro de 1915. (sic). E os equilibrios que se formam entre o impulso do primeiro e o destes outros. o avaro busca ainda o n„onecess·rio. que se iniciava precisamente com a citaÁ„o da nota croceana. se reduzisse ‡ luz do sol. por exemplo. irresistivelmente. È a da natureza.lanÁava muita ·gua na fogueira. o antagonismo pode ser de tal monta que atuam primariamente os sentimentos diversos do da fome. deste modo. ao invÈs de dever se reduzir ‡ raz„o econÛmica. o ladr„o rouba e o cavaleiro trabalha: possuindo o que lhe È necess·rio para saciar a fome.uma sÈrie de razıes. portanto. que tambÈm a ela se pudesse referir o fato da idealidade impulsiva do homem". ArdigÛ n„o era o primeiro. no op˙sculo de Graziadei. pois serve para desenterrar uma corrente subterr‚nea de romantismo e de fantasias populares. etc. portanto. onde est· e age o animal. A forÁa. mesmo indiretamente? N„o obstante. pela "religi„o do progresso" e pelo otimismo do SÈculo XIX. Portanto. mas n„o desprovida de uma boa dose de jesuitismo politico (croceanismo tardio de um certo grupelho de personagens laschianos — Lasca dizia que o homem È um pedaÁo de bosta sobre dois gravetos). revelam-se muito diversos. de" ou n„o de uma exposiÁ„o do loganismo. que o domina e o leva a agir cm m˙ltiplos sentidos. de acordo com uma infinidade de circunst‚ncias. È incitado em v·rios sentidos. mas. na produÁ„o liter·ria de Graziadei. a pancada fora forte! De qualquer modo.com a lei tendencial da queda da taxa de lucro e com o chamado catastrofismo -. que -. sobre "PreÁo e superpreÁo". deve-se observar se n„o foi legitima e de ampla import‚ncia a reaÁ„o de Marx. em beneficio da Cruz Vermelha. Numa manada de porcos. por outro. com o sentimento da fome. apesar de tudo. etc. expresso com tanta unÁ„o trinta anos. que foi tambÈm uma forma de Ûpio. È incitado por outros sentimentos. Suponhamos que a concepÁ„o materialista da histÛria. Cf. por um lado. produzidos em raz„o da sua estrutura espedal e das sensaÁıes e idÈias que a aÁ„o externa fez nascer nele. como tambÈm porque serve para documentar as estranhas opiniıes 220 difundidas na It·lia sobre a "quest„o do ventre". pela resultante da aÁ„o. cÛmica. o to ‡ autoridade cientifica de Croce. as possÌveis referÍncias a Croce: ele jamais respondeu a Croce. queira ou n„o queira. da nova importaÁ„o) do ambiente. deve-se observar tambÈm em que medida a "opiomania" impediu uma an·lise mais cuidadosa das proposiÁıes de Marx.muitos funcionamentos. e pela domesticaÁ„o recebida. e da aÁ„o (ou seja. A luz do sol entendida de tal modo. Por que somente na It·lia se difundira esta estranha interpretaÁ„o "ventriolesca"1 Ela n„o pode deixar de ser ligada aos movimentos para a fome. enquanto o filÛsofo contenta-se com isto e dedica seu trabalho ‡ ciÍncia. a acusaÁ„o de "ventrismo" È mais humilhante para os dirigentes que a faziam do que para os governados que realmente tinham fome. a primazia cabe ao sentimento da fome. o equilibrio se diversifica de acordo com as disposiÁıes que podem atuar nele e. (sic). e n„o havia lido mais do que um artiguinho de algum jornaleco. foi determinada indubitavelmente pelo ensaio publicado em 1926. pois estes tÍm outras preocupaÁıes alÈm da de engordarem. 221 . a cÛmica resposta ‡ nota de Croce sobre o Eldorado graziadeiano. E. Um homem. E. existe ainda — para justificar estas notas -. È verdadeiramente cÙmico. em todos eles. transformando-se de modo variado em seu organismo. que fazem jogar mais um que outro dos sentimentos incitadores. pela Unter und Banner". MAS DEVE OBEDECER TAMB…M AOS OUTROS. s O motivo do Eldorado indicado por Croce em Graziadei possui um certo interesse geral. alimentada pelo "culto da ciÍncia". atÈ fazÍ-lo calar completamente. quase trinta anos depois. que n„o dependem diretamente da alimentaÁ„o. mas da estrutura especial do aparelho funcionante. Graziadei e o Eldorado. No •prÛprio homem. Capital e Sal·rios. Deve obedecer ao primeiro. a Seria interessante investigar. as coisas s„o muito diferentes. j· numa populaÁ„o de homens.oria e da aparente "injustiÁa" que consiste em destacar apenas as manifestaÁıes exageradas de seu talento. O trecho foi publicado pela primeira vez em um n˙mero ˙nico (impresso talvez pelo Jornal da It·lia). A resposta. etc.

destruir a "fantasia" mediante tipos "grandiosos" de exceÁ„o intelectual. necess·rio criar homens sÛbrios. particularmente pelo an˙ncio feito a um Congresso Internacional de Ling¸Ìstica (de Haia. como se viu experimentalmente em outros campos. Deve-se. -entrementes. mas j· Í premissa necess·ria para instaurar uma indispens·vel ordem intelectual: por isso. com seus op˙sculos neomalthusianos. juntamente com outros idiomas da Asia Menor e prÈ-helÍnicos. mas n„o um glotÛlogo. um episÛdio clamoroso foi o da "Baronata". Outrossim. com maiores afinidades com este ˙ltimo. Recordar alguns episÛdios tÌpicos: A Interplanet·ria de 1916-17. o etrusco continua t„o indecifr·vel como antes e tudo se reduz a mais uma tentativa fracassada. 204. Como reagir? A melhor soluÁ„o seria a escola. (Ademais. que n„o se desesperem diante dos piores horrores e que n„o se exaltem em 222 Bacchelli) . atiram-se sobre todo movimento novo. Trombetti era um formid·vel poliglota. acompanhando-a com o senso do ridÌculo: isto pode ser obtido. com Ad„o e Eva na cabeÁa. a "completa decifraÁ„o" È reduzida todavia a "um passo gigantesco na interpretaÁ„o do etrusco". foi "ligado" · sua teoria por um ponto de honra n„o cientÌfico. a brincar de Eldorados e de soluÁıes f·ceis para todos os problemas. o meio pedagÛgico indicado tem sua import‚ncia. por isso. j· anunciada por ele na ConvenÁ„o Nacional Etrusca de 1926: o etrusco È uma lÌngua intermedi·ria. mesmo que seja inventado) . pelo menos. notadamente. que em seus esconderijos de gÈnios incompreendidos fazem descobertas brilhantÌssimas e definitivas. pacientes. ele pode ser A falta de sobriedade e de ordem intelectual È muito freq¸entemente acompanhada pela desordem moral. Por muitos aspectos. era um iluminado: a teoria da monogÍnese da linguagem era a prova da monogÍnese da humanidade. Figuras como Pozzoni di Como e outras. apareciam de repente os defensores do amor livre. Em muitas cidades. em princÌpios de 1928) sobre a decifraÁ„o do etrusco. seu glotologismo n„o se identificava com seu poliglotismo: o conhecimento material de in˙meras lÌnguas tomava sua m„o no que toca ao mÈtodo cientifico. Por isso. no qual se fala de um modo muito estranho. etc. Na p·g. organizadas com muito esforÁo. Na p·gina 129. da "descoberta" de Trombetti. criar a avers„o "instintiva" pela desordem intelectual. Ademais. obteve reconhecimentos oficiais e foi exaltado pelos jornais como uma glÛria nacional. Todos os mais ridÌculos fantasistas. que È verossÌmil. nas reuniıes femininas. s„o inclinados. mas ideolÛgico. de Rabezzana — o episÛdio do "movimento perpÈtuo" em (parece-me) 1925. Pessimismo da inteligÍncia. os catÛlicos o aplaudiram e ele se tornou popular. etc. pela ausÍncia de uma disciplina critica e cientÌfica.Os "autodidatas". o lÍnio — tal como aparece nas duas inscriÁıes da famosa estrela — e o etrusco s„o quase idÈnticos. Na Nuova Antologia de 16 de julho de 1928. ou. incluÌdo no lorianismo. Nos ˙ltimos tempos. entre o grupo cauc·sico e o grupo ·rio-europeu. etc. e devia-se fazer tudo de novo. Esta avers„o È ainda pouco. persuadidos de poder vender suas tolices.despertado por um oportuno peteleco -. atraÁ„o de meretrizes para iniciativas sÈrias. mas um simples registro de desequilibrio entre a "logicidade" e o conte˙do concreto de seus estudos. mas È soluÁ„o a longo prazo. pois o bom senso -. muita desordem: pouca participaÁ„o das mulheres na vida coletiva. com suas fantasias. Ao que me parece. Esta tese faz parte do sistema geral de 223 . todo colapso traz consigo desordem intelectual e moral.aniquila quase fulminantemente os efeitos do Ûpio intelectual. porÈm. "O primeiro congresso internacional etrusco" (27 de abril-3 de maio de 1928). que ofereceu um motivo ao Diavolo al Puntelungo de face de qualquer tolice. particularmente por causa das grandes massas de homens que se deixam levar pela opiomania. (recordar o episÛdio narrado por Cecilia De Tourmay. publicouse um artigo de Pericle Ducati. de "Alfredo Trombetti". A tese de Trombetti È a seguinte. isto È. A quest„o sexual traz. Alfredo Trombetti. fala-se de "completa decifraÁ„o do etrusco" graÁas sobretudo aos esforÁos de um italiano. inclusive com uma certa facilidade. otimismo da vontade. notadamente meridionais. que resolvÔam tudo partindo do aluguel da casa. mas up to date.. com a advertÍncia de que isso n„o significa um juÌzo global sobre sua obra.

quando n„o s„o simplesmente tudo. Trombetti È " um "bom gigante que indica um caminho direto e seguro . uma: ou Trombetti est· acima da ciÍncia graÁas a seus dotes peculiares de intuiÁ„o. em certas ciÍncias. popularidade. Nas ciÍncias. que saiu logo apÛs. portanto. "Um jovem e agora valoroso glotÛlogo. com um pouco de fantasia. interpreta melhor? Nada disso. preocupouse com o mÈtodo. o que significa esquecer as sutilezas. n„o en- prometido pelas investigaÁıes e pelos resultados de Trombetti".. e ent„o seria licito que todos os estudiosos tentassem o que ele tentou. mas entre os nacionais.. ademais. afirma ter decifrado o etrusco. para os resultados de Trombetti e esqueÁamos as sutilezas". o que lhe disse 'no Congresso um glotÛlogo "muito eminente": "Trombetti È uma exceÁ„o: _le se eleva muito acima de nÛs. pelo contr·rip. Mais ainda: pressupıe certa origem transmarina dos etruscos. esboÁo de seu livro A lingua etrusca. No Congresso Internacional Etrusco. e esta opini„o (ainda que seja a mais difundida) t„o È universal: Gaetano De Sanctis e Luigi Pareti defendem. restrito e n„o homegÈneo. N„o È difÌcil. construir hipÛteses e mais hipÛteses e dar uma brilhante aparÍncia de logicidade a uma doutrina: mas a critica destas hipÛteses derruba todo o castelo de cartas e revela a vacuidade por baixo do brilhantismo." E acrescenta as opiniıes muito profundas do paletnÛlogo Ugo Antonielli: para Antonielli. que pressupıe estar provada a monogÍnese e. "para a supina sensibilidade de alguns. pois. pois o rigor do mÈtodo pareceu-lhe com- tanto. "Curioso isto: entre os glotÛlogos reunidos em FlorenÁa. nota Ducati. ou indica um caminho para todos. aprovando. e o que n„o nos parece licito tentar." J· que a quest„o se colocava assim. Trombetti descobriu um novo mÈtodo? Esta È a quest„o. que devem basear-se necess„riamente sobre um conjunto restrito ds dados positivos. sem perceber as contradiÁıes em que cai: se Trombetti indicasse um caminho direto e seguro. "honrando todavia o excepcional talento de Trombetti". J· se viu. Ducati apÛia esta tendÍncia nacionalista na ciÍncia. Teve grande sucesso. Pisani. a origem transalpina. As palavras singulares tomadas abstratamente. Trombetti passou a uma mais precisa determinaÁ„o da gram·tica e ‡ hermenÍutica dos textos. ter portanto resolvido um dos maiores e mais apaixonantes enigmas da histÛria: aplausos.Trombetti. a ele È possÌvel realizar. Neste caso. Pisani recorda. as questıes de mÈtodo s„o ainda mais importantes. Trombetti mereceu o aplauso mais incondicionado entre os estrangeiros". por- tre os estrangeiros. como argutamente (!) aduz o prÛprio Antonielli. A Nuova Antologia. nas condiÁıes pr·ticas do trabalho cientÌfico. teria precisamente renovado (ou desenvolvido) e aperfeiÁoado o mÈtodo. tem uma base fragilÌssima. Trombetti. pelo contr·rio. em geral. por que Ducati refere-se ao Von Trombetting? Ou isto n„o quer dizer que a glotologia italiana È mais sÈria e avanÁada do que a estrangeira? Pode ocorrer precisamente o seguinte ao nacionalismo cientÌfico: n„o perceber as verdadeiras "glÛrias" nacionais e ser precisamente ele o escravo. Bartoli descobriu um mÈtodo novo. 224 Ducati repete. e conclui: "Olhemos. interpretando o etrusco. o mais supino servo dos estrangeiros! Trombetti e a monogÈnese da linguagem. contra Trombetti. È preciso convir que Devoto e outros opositores foram herÛis e que existe algo sadio na ciÍncia italiana. publica -. que no artigo de Pericle Ducati acima referido exal- uma nota de V. o mÈtodo È a coisa mais importante: alÈm disso. e n„o s„o estudiosos a desprezar.. Contraditores. Ducati faz uma sÈrie de consideraÁıes verdadeiramente brilhantes sobre o mÈtodo da glotologia. alguns c·nones elementares para o estudo critico da ciÍncia das lÌnguas: 1) 0 mÈtodo puramente etimolÛgico carece de consistÍncia cientifica: a lingua n„o È o puro lÈxico. Das duas. Neste ponto. Este novo mÈtodo faz progredir a ciÍncia mais do que o mÈtodo antigo. ajudas econÛmica etc. inteiramente contr·ria a Trombetti. contra Devoto. nosso italianÌssimo Trombetti. "DivagaÁıes etruscas .no n˙mero de 14 de marÁo de 1929 -" . mas ele n„o pode alarde·-lo. Giacomo Devoto. E se. se chamasse Von Trombetting ou Trombety. erro comum e muito difundido. ainda que muito semelhantes numa determinada fase 225 tara a obra de Trombetti no sentido da interpretaÁ„o do etrusco. TambÈm aqui se revela como o nacionalismo introduz desvios danosos na valorizaÁ„o cientifica e.

ph. p·gs. colocam-no nas nuvens. b.histÛrica. th. que È neolatino. Sua interpretaÁ„o pode ser colocada na sÈrie das muitas outras interpretaÁÛes j· dadas: "por acaso" poderia ser verdadeira. v . cl. latino. t. com o mesmo significado: mas em grego o significado È dado por myst. que deveria corresponder. s. Cesseishaft. Assim tambÈm o haben alem„o n„o tem a mesma origem de habere latino. nos cotejos. para cada forma. e ter deixado "palavras".. antes de mais nada por ser um grande poliglota. desembaraÁa-se das outras consoantes eventuais considerando-as como prefixos. da histÛria europÈia.. w. 270 s s . como o faz Trombetti. bh.tambÈm a histÛria sem‚ntica e cotejar com os significados mais antigos. ou de outros continentes. o armÈnio. "Nas vÈsperas do P Congresso Internacional Etrusco. Trombetti È mais apreciado pelos profanos do que por seus colegas de ciÍncia. 226 227 . persa arabizado.e erion È o sufixo dos abstratos. o romeno. LuIGI PARED. "ApÛs o Congresso etrusco". 2) Porque a tese da monogÍnese È defendida pelos catÛlicos. podem: a) ter nascido independentemente uma da outra: exemplo cl·ssico. Os estudos sobre os etruscos. de um verbo de movimento ·rio-europeu cotejado com uma palavra de um dialeto asi·tico que significa "umbigo" ou abaixo dele. 3) A vaidade nacional. ainda que lÈxico seja grego. mysterion grego e hebraico.. etc. por exemplo. tem mÈritos. mas isso n„o exclui. dh. mas n„o se pode demonstrar esta verdade. que È ilÌrico. pelo fato de que o umbigo se "move" continuamente pox Littman publicou. que nas palavras cotejadas se verifique a sucess„o de dois sons con- sonantais semelhantes como. para Trombetti. que contÈm muito irÛnico. italiano. por exemplo: a AmÈrica foi descoberta por CristÛv„o Colombo "apenas" do ponto de vista da civilizaÁ„o europÈia em seu conjunto. que tais formas sejam documentos da monogÍnese? 2) As formas lÈxicas e seus significados devem ser cotejados por fases histÛricas homogÍneas das lÌnguas em quest„o. ainda que em grau menor) . nem „nnlich alem„o pode unir-se a & v & a o y o q grego. f. que elementos europeus. por exemplo. 3) 0 parentesco de duas lÌnguas n„o pode ser demonstrado pela comparaÁ„o. embora o lÈxico seja muito neolatino. inclusive n„o muito afins (algumas vezes espichados de modo ridÌculo: lembro-me de um caso curiosÌssimo.. mesmo fundada. Trombetti n„o respeita nenhum destes c‚nones elementares: a) contenta-se. baseado em n˙meros relativamente escassos de formas lÈxicas (30-40). por isso. ra Recordar os epigramas de Voltaire contra o famigerado etimologista MÈnage (Gilles. com significados genÈricos afins. turco. CristÛv„o Colombo fez com que a AmÈrica entrasse na zona de influÍncia da civilizaÁ„o europÈia. v causa da respiraÁ„o!). evidentemente. 9 b) podem ter sido importadas de uma lÌngua para outra. Por certo. como ent„o È possÌvel afirmar. ou pelo menos Trombetti n„o a provou " O mÈtodo acritico de Trombetti aplicado ao etrusco n„o podia. deve-se "fazer" -. ainda que tenha muitas palavras eslavas. e PARETI. de um n˙mero (ain- da que muito grande) de palavras. ao passo que em hebraico È exatamente o contr·rio: erion (ou tenon) È a radical fundamental. inclusive em grupos relativamente consider·veis. 1633-1692). etc. o albanÈs. Marzocco de 29 de abril de 1928. mas n„o pode tampouco ser provada. mas que continua a ser ·rio-europeu etc. Todavia. Exemplo: o inglÈs.alÈm da histÛria fonolÛgica -. nem to call inglÍs de xaxim grego ou de calare latino (chamar). se faltam os temas gramaticais de natureza fonÈtica ou morfolÛgica (e mesmo sint·tica. um a lista destas aparentes concord‚ncias para demonstrar o absurdo da etimologia anticientÌfica. sobre a etim ologia de alfana e q u a . ou p. b) basta. formas lÈxicas mais ou menos consider·veis. proporcionar resultados corretos. portanto. que vÍem em Trombetti "um grande cientista de acordo com a BÌblia" e. em Èpocas relativamente prÈ-histÛricas. Cf. myst-(ou mys-) È o prefixo genÈrico. isto pode repetir-se no caso da Austr·lia e de qualquer outra parte do mundo. sufixos ou infixos. Por que Trombetti obteve tanta fama? 1) Naturalmente. segundo Trombetti. que È uma lingua germ‚nica. pelo contr·rio. eslavo. pudessem ter estado na AmÈrica. a monogÍnese n„o pode ser excluida a priori. LX X V I. isto È. na Zeitschrift der Deutschen Morgenl. etc.

sobre a significaÁ„o do novo calend·rio instaurado pela RevoluÁ„o Francesa. pois Barbagallo se declara ainda seguidor da filosofia da praxis (cf. deve-se estabelecer a Època e o estrato Ètnico ao qual se relaciona. era justamente o oposto de progressista. da toponom·stica. ao lado das posteriores deformaÁıes. em teoria. em forma de resenha crÌtico-bibliogr·fica. ser· mais f·cil e seguro. mais elas s„o as mesmas". Sua concepÁ„o do mundo È a de que nada È novo sob o sol. sua polÈmica com Croce na Nuova Rivista Storica de alguns anos atr·s) e escreveu um op˙sculo sobre este assunto na Biblioteca da FederaÁ„o das Bibliotecas Populares de Mil„o. quanto mais retrocedamos na histÛria. Marzocco de 20 de maio de 1928. que ent„o se entrara plenamente numa nova fase histÛrica mundial. Laterza). Sobre isto. como proceder de modo histÛrico. a chamada quest„o do capitalismo antigo. Giovanni Sanna e Rodolfo Mondolfo. e tinha uma ponta envenenada contra a religi„o catÛlica. O ouro e o fogo. e a segunda.) e a polÈmica ocorrida h· algum tempo. Em Barbagallo. naturalmente. Pois È indispens·vel. foi a express„o da constiÈncia difusa de que existe um desenvolvimento histÛrico. no que concerne ‡ ling¸Ìstica. deve-se ver o que escreveu Antonio Labriola. com- pletamente renovadora de todos os modos de existÍncia. e "Concord‚ncias e discordancias histÛricas arqueolÛgicas no Congresso etrusco". È indispens·vel que para cada um deles sejam recolhidos os mais antigos testemunhos. a primeira em francÍs (posteriormente traduzida em algumas outras lÌnguas europÈias). ao contr·rio. ao invÈs. Dado que. tanto partir dos termos e dos fonemas mais antigos para cotej·-los com outras lÌnguas que interessem por causa do problema dos parentescos origin·rios. isto È. poder-se-· reelabor·-los. agora. etc. no fragmento pÛstumo do livro n„o escrito De um sÈculo a outro. quanto. Igualmente meticulosa h· de ser. ou pela impossibilidade cronolÛgica. E isto para evitar as perigosas comparaÁıes entre termos cuja incomparabilidade se pode demonstrar. talismo antigo. A an·lise desta posiÁ„o de Barbagallo pode ser interessante. entre Barbagallo. a pesquisa visando a desenterrar os v·rios estratos. os volumes referentes ‡ Època cl·ssica da HistÛria Universal que vai ser publicada pela Utet de Turim. etc. nesta polÈmica. a retirar dos fatos econÛmicos qualquer valor de desenvolvimento e de progresso. Mas Barbagallo liga-se por fortes vÌnculos intelectuais a Guglielmo Ferrero (e È um pouco lo229 O capitalismo antigo e uma polÍmica entre modernos. A respeito das pesquisas ling¸Ìsticas. pois mais prÛximos das comunicaÁıes do homem com Deus. utiliz·veis historicamente. 1) Uma comparaÁ„o entre as duas ediÁıes. deve-se notar particularmente. jamais existira uma t„o profunda consciÍntianismo. com pref·cio de G. tendia a difundir ceticismo. cia de separaÁ„o. Estes artigos de Pareti s„o muito bem feitos e d„o uma idÈia precisa das atuais condiÁıes dos estudos etruscos. de que "quanto mais se modificam as coisas. ser· oportuno redigir lÈxicos e cartas topogr·ficas. A polÈmica parece uma continuaÁ„o farsesca da famosa "polÈmica entre os antigos e os modernos". em italiano. escreve Pareti no primeiro artigo: "Assegurados pela precis„o dos textos transcritos e pela completicidade de nossa colet‚nea. de maneira n„o comum.Marzocco de 13 de maio de 1928. a qual deve defender a teoria de que. bem como registrada a forma inicial precisa. ou pela real disformidade fonÈtica. partir de algumas peculiaridades dos dialetos etruscos em sua ˙ltima fase para aproximar delas termos e fonemas dialetais atuais. e determinando as diferenÁas dialetais de cada regi„o. sobre o assunto. para cada nome. na Nuova Rivista Storica. recente. Mas esta polÍmica teve uma grande import‚ncia cultural e uma significaÁ„o progressista. tanto mais deveremos encontrar os homens perfeitos. de que "todo o mundo È uma aldeia". Pode-se expor. De todo o material coletado. Brindisi (ed. ademais. do livrinho de Salvioli sobre o Capi228 . considerando os termos lÈxicos e os fenÛmenos fonÈticos no espaÁo e no tempo: distinguindo o antigo do recente. 2) artigos e livros de Corrado Barbagallo (por exemplo. n„o sÛ levar adiante as tentativas de interpretaÁ„o. de consulta f·cil e perfeita". Fixada esta base histÛrico-ling¸Ìstica. entre o mundo antigo e o mundo moderno. o tom desencantado de quem sabe demais sobre as coisas deste mundo. nem mesmo quando do advento do crisA polÍmica de Barbagallo.

dano). E curioso que seja professor de histÛria da economia e se empenhe em escrever uma HistÛria Universal quem tem da histÛria uma concepÁ„o t„o pueril e superficialmente acrÌtica; mas n„o seria de espantar se Barbagallo atribuÌsse este seu modo de pensar ‡ filosofia da praxis. G. A. Fanelli. Um livro que pode ser considerado como caso-limite teratolÛgico da reaÁ„o dos intelectuais de provincia ‡s tendÍncias "americanistas" de racionalizaÁ„o da economia Í o de G. A. Fanelli (cujo seman·rio representa a extrema-direita reacion·ria na atual situaÁ„o italiana): O artesanato — SÌntese de uma economia corporativa, ed. Spes,
Roma, 1929, in 80, p·gs. XIX-505, 30 Liras. A Civilt‡ Cattolica de 17 de agosto de 1929 publica uma recens„o deste

na rubrica Problemas sociais (de P. Brucculeri). Deve-se notar que o padre jesuÌta defende a civilizaÁ„o moderna (pelo menos em algumas de suas manifestaÁıes) contra
livro,

Fanelli.

Trechos caracterÌsticos de Fanelli, citados pela Civilt‡ Cattolica: "O sistema (do industrialismo mecanizado) apresenta o inconveniente de reabsorver, por via indireta, neutralizando-a, a maior parte das vantagens materiais que possa oferecer. Dos cavalos-vapor instalados, trÍs quartos s„o utilizados nos transportes r·pidos, tornados indispens·veis pela necessidade de evitar o apodrecimento causado pelas grandes concentraÁıes de mercadorias. Da quarta parte restante, utilizada na produÁ„o de mercadorias, cerca de metade È empregada na produÁ„o das m·quinas; deste modo, feitas as somas, de todo o enorme desenvolvimento mec·nico que oprime o mundo com o peso de seu aÁo, n„o mais do que um oitavo dos cavalos instalados È empregado na produÁ„o das manufaturas e das subst‚ncias alimentares" (p·gs. 205 do livro) . "O italiano, temperamento assistem·tico, genial, criador, avesso ‡s racionalizaÁıes, n„o se pode adaptar aquela metodicidade da f·brica, na qual sÛ conta o rendimento do trabalho em sÈrie. Ali·s, o hor·rio de trabalho para ele torna-se puramente nominal, graÁas ao escasso rendimento que ele d· num trabalho sistem·tico. EspÌrito eminentemente musical, o italiano pode acompanhar com o canto seu trabalho
230

arte, ao passo que -- mortificado em seu espÌrito criador pelo trabalho desqualificado da f·brica -- gasta o sal·rio na aquisiÁ„o de um esquecimento e de uma alegria que lhe abreviam a existÍncia" (p·g. 171 do livro). No plano intelectual e cultural, o livro de Fanelli corresponde ‡ atividade liter·ria de certos poetas de provÌncia que ainda continuam a escrever continuaÁıes, em oitava rima, da JerusalÈm Libertada e Vitoriosa ( Conquistada), para n„o falar de certa vaidade altiva e bufa. Deve-se notar que as "idÈias" expostas por Fanelli tiveram, durante certo tempo, uma grande difus„o, o que estava em curioso contraste com o plano "demogr·fico", por um lado, e com o conceito de "naÁ„o militar", por outro, pois È impossÌvel pensar em canhıes e encouraÁados construÌdos por artes„os ou em motorizaÁ„o com carros de boi, bem como no plano de uma It·lia "artesa" e militarmente impotente em meio a Estados altamente industrializados e bem aparelhados militarmente: tudo isto demonstra que os grupos intelectuais que expressavam estas Iorianadas desprezavam, na realidade, n„o sÛ a lÛgica, mas a vida nacional, a polÌtica e tudo mais. N„o È muito difÌcil responder a Fanelli. O prÛprio Brucculeri observa, corretamente, que o artesanato liga-se agora ‡ grande ind˙stria e dela depende: desta recebe matÈriasprimas semitrabalhadas e utensÌlios aperfeiÁoados. Pode ser verdade que o oper·rio italiano (em mÈdia) dÍ uma produÁ„o relativamente baixa: mas isto depende do fato de que, na Italia, o industrialismo -- aproveitando-se da massa crescente de desempregados (que sÛ parcialmente a emigraÁ„o conseguia eliminar) — tenha sido sempre um industrialismo de rapina que especulou com os baixos sal·rios e negligenciou o desenvolvimento tÈcnico; a proverbial "sobriedade" dos italianos È t„o-somente uma met·fora para significar que n„o existe um padr„o de vida adequado ao consumo de energia requerido pelo trabalho fabril (e que h·, portanto, bai231

livre, obtendo desta recreaÁ„o novas forÁas e inspiraÁıes. Mente aberta, car·ter vivaz, coraÁ„o generoso, levado ao atelier... pode o italiano explicitar suas prÛprias virtudes criadoras, nas quais, por outro lado, apÛia-se toda a economia do atelier. SÛbrio como nenhum outro povo, o italiano sabe realizar, na independÍncia da vida de atelier, qualquer sacrifÌcio ou privaÁ„o para fazer frente ‡s necessidades da

xos rendimentos). O "italiano" tÌpico, apresentado por Fanelli, È coreogr·fico e falso em todos os aspectos: na ordem intelectual, foram os italianos que criaram a "erudiÁ„o" e o
paciente trabalho de arquivo: Muratori, Tiraboschi, Baronia, etc. eram italianos e n„o alem„es; a "f·brica", como grande

festaÁıes org‚nicas e racionais. Outrossim, todo este discurso sobre artesanato e artes„os funda-se num equÌvoco gros-

manufatura, teve certamente na It·lia suas primeiras maniseiro: existe no artesanato um trabalho em sÈrie, estandartizado, do mesmo tipo "intelectual" do da grande ind˙stria racionalizada; o artes„o produz mÛveis, arados, facas, casas camponesas, sempre de um mesmo tipo, que est· de acordo com o gosto secular de uma aldeia, de uma vila, de um distrito, de uma provÌncia, no m·ximo de uma regi„o. A grande ind˙stria busca estandartizar o gosto de um continente ou do mundo inteiro durante uma estaÁ„o ou um ano; o artesanato sofre uma estandartizaÁ„o j· existente e mumificada de um setor ou de um ‚ngulo do mundo. Um artesanato de "criaÁ„o individual" arbitr·ria incessante È t„o restrito, que compreende t„o-somente os artistas no sentido estrito da palavra (mais ainda: t„o-somente os "grandes" artistas que se tornam "protÛtipos" para seus discÌpulos).

Um artigo de P. Orano sobre Ibsen na Nuova Antologia de 19 de abril de 1928. Um aforisma carregado da vacuidade: "O autÍntico (isto È, o sinÛnimo reforÁado do t„o desacreditado 'verdadeiro') esforÁo moderno da arte dram·tica consistiu em resolver cenicamente (I) os absurdos (1) da vida consciente (1). Fora disto, o teatro pode ser um belÌssimo jogo consolador (1), um agrad·vel passatempo; nada
mais".

Outro aforisma similar: "Com ele e por ele (Ibsen), comeÁamos a acreditar na eternidade do instante, porque o instante È pensamento, e tem o valor absoluto da personalidade individual, que È agente e juiz fora do tempo e do espaÁo, alÈm dos fatos temporais e do nada espacial, momento e duraÁ„o inatingÌveis para o critÈrio da ciÍncia e da religi„o". A propÛsito das relaÁıes entre os intelectuais sindicalistas italianos e Sorel, deve-se cotejar os juÌzos que Sorel recentemente publicou sobre eles, recenseando seus livros (no Mouvement socialiste e alhures), e os expressos em suas cartas a Croce. Estes ˙ltimos iluminam os primeiros com uma

Paolo Orano. Duas "esquisitices" de P. Orano (lembradas de memÛria) : o "ensaio" "Ad Metalla", no livro Altorelevos (ed. Puccini, Mil„o), no qual propıe aos mineiros (apÛs uma cat·strofe mineira) abandonarem definitivamente a exploraÁ„o das minas, de todas as minas: propıe isso como

luz freq¸entemente irÛnica e reticente: cf. o juÌzo sobre "Cristo e Quirino", de P. Orano, publicado no Mouvement socialiste de abril de 1908 e o expresso na carta a Croce datada de 2 9 de dezembro de 1907: evidentemente, o juÌzo

produtores modernos, isto È, propıe -- como se isso n„o fosse nada — interromper e destruir toda ind˙stria metal˙rgica e de um cÛmico "liquido ambiente", etc. Nos "medalhıes" (Os

"sindicalista", como representante de uma nova moral dos

mec‚nica; o livrinho sobre a Sardenha (que foi, ao que parece, o primeiro escrito publicado de Orano), onde se fala modernos) e em outras publicaÁıes de Orano, h· muito a
investigar, inclusive em sua mais recente produÁ„o (recordar existe uma teoria do "arbitr·rio", ligada ao bergsonismo, realmente divertida).
232

p˙blico era irÛnico e reticente, mas Orano o reproduz — na ediÁ„o Campitelli, Foligno, 1928 -como se fosse de aprovaÁ„o. Nas cartas de G. Sorel a B. Croce, pode-se desencavar mais de um elemento de lorianismo na produÁ„o liter·ria dos sindicalistaß italianos. Sorel afirma, por exemplo, que na tese de doutoramento de Arturo Labriola este escreve como se O Capital (de Marx) tivesse sido elaborado a partir da experiÍncia econÙmica francesa, e n„o da inglesa.
Benito Mussolini. Na introduÁ„o ao artigo sobre o "Fascismo", publicado pela EnciclopÈdia Italiana, introduÁ„o escrita pelo chefe do governo, pode-se ler: "Uma tal concepÁ„o

o discurso de resposta ‡ Coroa apÛs a Concordata, onde

da vida leva o fascismo a ser a decidida negaÁ„o daquela doutrina que constitui a base do chamado socialismo cientÌfico ou marxismo: a doutrina do materialismo histÛrico, se-

233

gundo a qual a histÛria da civilizaÁ„o humana explicar-se-ia apenas atravÈs das lutas de interesses entre os diversos grupos sociais e atravÈs da modificaÁ„o dos meios e dos instrumentos de produÁ„o. Que os fatos econÙmicos (descoberta de matÈrias-primas, novos mÈtodos de trabalho, invenÁıes cientÌficas) tenham alguma import‚ncia, È algo ineg·vel; mas È absurdo julgar que sejam suficientes para explicar a histÛria humana, excluindo-se todos os demais fatores. O fascismo ainda crÍ, e sempre crer·, na santidade e no heroÌsmo, isto È, em atos nos quais nenhum motivo econÙmico -- prÛximo ou remoto -- exerce influÍncia". A influencia das teorias de Loria È evidente. G. A. Borgese. "Quase todas as guerras e revoltas, em ˙ltima inst‚ncia, podem ser reduzidas a baldes roubados; o importante È ver que coisa raptores e defensores viam no balde"." O ·ureo aforisma de Borgese poderia ser citado como coment·rio autÈntico ao livrinho no qual G. A. Borgese fala das novas correntes de opini„o cientÌficas (Eddigton) e anuncia que elas deram um golpe mortal no materialismo histÛrico. Pode-se escolher: ou a "˙ltima instancia" econÙmica, ou a "˙ltima instancia" do balde roubado." Os livros perdidos de Tito Livio. Deve-se ligar ‡ corrente loriana a famosa controvÈrsia sobre os livros perdidos de Tito Lfvio, que teriam sido encontrados em N·poles, h·
alguns anos, por um professor que adquiriu assim um instante de celebridade que talvez n„o desejasse. A meu ver, as causas desse escandaloso episÛdio devem

Ribezzo durante muitos anos e conheci Ribezzo naquilo que interessa): os dois disputavam entre si por uma c·tedra na Universidade de N·poles. Foi Ribezzo quem anunciou em sua revista a descoberta feita (1) pelo colega, que assim se tornou o centro da curiosidade dos jornais e do p˙blico, e

foi liquidado cientÌfica e moralmente. Ribezzo n„o tem a menor capacidade cientÌfica: quando o conheci, em 1910-11, havia esquecido quase completamente o grego e o latim, t era um "especialista" em ling¸Ìstica comparada ario-europÈia. Esta sua ignorancia era t„o evidente, que Ribezzo teve freq¸entes e violentos conflitos com os alunos. No liceu de Palermo, foi implicado no esc‚ndalo do

assassinato de um professor por um aluno (parece-me que em 1908 ou 1909). Enviado a Cagliari como puniÁ„o, entrou em conflito com os estudantes, conflito que — em Áas de morte a Ribezzo etc., que ele teve de se transferir' para N·poles. Ribezzo devia ser fortemente sustentado pela igrejinha universit·ria napolitana (Cocchia & Cia.). Participou no concurso para a c·tedra de glotologia da Universidade de Turim: porque o nomeado foi Bartoli, publicou uma coisa ridÌcula.
As sementes americanas e o petrÛleo. Numa nota sobre o lorianismo, fiz referÍncia ‡ proposta de um coronel de cultivar com sementes oleoginosas 50.000 km2 a fim de suprir o mercado italiano de Ûleo combustÌvel. Trata-se do coronel de Engenharia Naval Barberis, que falou sobre isso numa conferÍncia, "O combustÌvel lÌquido e seu futuro", no Congresso das CiÍncias ocorrido em Perugia, em outubro de
1927. 13

1912 — se tornou t„o agudo, com polÍmicas nos jornais, amea-

ser buscadas nas intrigas do Prof. Francesco Ribezzo e na

abulia do professor em quest„o, do qual n„o lembro o nome. Este professor publicava uma revista, e o Prof. Ribezzo uma outra, concorrente, ambas in˙teis ou quase (vi a revista de
11
12

Luigi Valli. Sobre as interpretaÁıes sect·rias da ComÈdia de Dante e do dolce stil nuovo por parte de Luigi Valli,

Corriere della Sera,
N. do T.).

8 de marÁo de 1932 (Psicologia da proibiÁ„o).
,

cf. -- para uma informaÁ„o r·pida "Una nuova interpretazione delle rime di Dante e del dolce stil nuovo", de Bela

a economia determinaria, "em ˙ltima instancia" os fenÙmenos h istÈricos.
(

Gramsci refere-se ‡ conhecida express„o de Engels, segundo a qual

tologia de 1 ∞ de

C f. MANFAEDI CRAVINA,

janeiro de 1927, p·g. 71, nota.

"Ûleo, petrÛleo e benzina", na

Nueva A n -

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Parece-me que o livro seja um modelo no gÈnero. todos os aspectos. com ele. em Os Noivos de Manzoni. um artigo em Arte e vita de junho de 1920. mas talvez o cachorrinho seja um animal muito grande e consider·vel: uma barata talvez seja mais adequada para representar Corso Bovio. por D. cf. Corso Bovio. n„o sejais anticrist„os. TambÈm alguns aspectos da atividade intelectual de De Lorenzo fazem parte da categoria do lorianismo. por exemplo. n„o pode ser comparada ‡s ciÍncias naturais. pois sen„o morrereis epilÈpticos e loucos". edificaremos na morte. Nesta rubrica. A. ExposiÁ„o do principio de Cuvier. aproxima-se (atÈ certo ponto) Domenico Giuliotti que. por sua vez. E ainda: "Atentai. terminou epilÈptico e louco". bastante Domenico Giuliotti. Ao que parece. Alberto Magnaghi (fora de comÈrcio) sobre geÛgrafos despropositados. 237 236 . o AnÛnimo. como inventor de pensamentos genialÌssimos e como desconexo e pretensioso erudito de botequim. (De Giulio Salvadori e de sua interpretaÁ„o. O. na Nuova Antologia de 16 de fevereiro de 1928. mas deve-se. de outro modo. Giulio Salvadori — que descobre. ou. Nietzsche È apenas um caso numa sÈrie. devemos ser discretos. No quadro. escreve: "E. rapazes. para os anticrist„os: eles s„o epilÈpticos e loucos" O pref·cio de Giuliotti È publicado na Italia Letteraria de 15 de dezembro de 1929: ao que parece. ao que parece. Recordar o livro do Prof. isto È. que a ela pertence por Giuseppe De Lorenzo. O osso de Cuvier. Treves. Todavia. O. Loria È um "elefante". te.). o ˙ltimo anticrist„o confesso. e "È bom n„o esquecer" a conex„o. todavia. Olivetti.) -. Ao contr·rio. Lorianismo na ciÍncia geogr·fica. bem como o livro pÛstumo Henriqueta Manzoni-Blondel e o Natal de 33.nedetto Migliore. segundo Guiliotti. ao mesmo tempo. fenÛmeno. Condorcet. Olivetti. e a "sociologia". n„o me referi ‡ memÛria de A. n„o esquecer de guardar as dist‚ncias para ter uma boa perspectiva. Nietzsche. 1929). As generalizaÁıes arbitr·rias e "bizarras" s„o nela muito mais possÌveis (e mais danosas para a vida pr·tica. Luigi Valli. o que È Corso Bovio? Certos flamengos colocam sempre um cachorrinho em seus quadros. com sua interpretaÁ„o conspiratÛria e maÁÛnica do dolce stil nuovo (com os precedentes de Rosseti e de Pascoli) deve ser colocado numa determinada seÁ„o do lorianismo. A "doutrina" loriana da conex„o necess·ria entre misticismo e sÌfilis. Corso Bovio deve ser colocado no quadro do lorianismo. editado pela Casa Editora Renascimento do Livro. ou edificamos unicamente em Cristo. Giulia e pelo prÛprio Manzoni (Don Rodrigo. tratase de uma lei. etc. Mas nem todos s„o Cuvier. particularmen- te das teorias de Freud. rapazes.deve talvez ser antes considerado como um "seguidor" inconscien- curioso sob muitos aspectos. Giuliotti diz: "Ficai atentos. o livro È uma colet‚nea de vidas de santos traduzidas por Giuliotti. no pref·cio a Perfis de Santos. o drama de Henriqueta Blondel (Lucia) oprimida pela Sra. È bom n„o esquecer.

Georg — 202 Bertoni. Michele — 63 Bargagli-Petrucci. Henri — 85 Barrett.Ìndice Onom·stico Addison. Antonio — 51 ArdigÛ. G. 234 Basta. Julien — 81ss Benedito de Norcia. Bruno — 39s Barbagallo. Francesco — 47 Barbusse. Barbarich. Vincenzo — 62 Belluzzo. Leon Battista — 41s Alfieri. Maurice — 83 Alberti. Matteo — 224. Emmanuel — 84s Bemardy. AndrÈ — 84 Bergson. Corrado — 169. Gino — 59 Barocelli. Leo — 75 Berge. 107. Ugo — 41 Benvenuti. Santo — 37s Benni. Ermanno — 192 Antonielli. — 176 Agapito I. Ricardo — 217. Eugenio — 73 229s Balbo. — 36 Antici (Cardeal) — Amicucci. A. 46 AristÛteles — 6. Arezio. Henri — 82 Berle. Joseph. Pietro — 61 Barrels. Giulio — 44n Bibboni. Luigi — 44. 214 Arpinati. Cesare — 232 Bartoli. Giovanni — 6 Barberis (Coronel) — 235 Barbi. Giuseppe — 216 Benco. Giuseppe — 177 Amatucci. Papa — 36 Agnelli. Amy — 213 Bernhard. Ugo — 225 Anzilotti. 222 Barbadoro. Cesare — 66. 75s Balzan. Roberto — 217ss 80 Baronio. 214. Leandro — 214 Augusto III de SaxÛnia — 47 Giorgio — 72s Beccaria Manzoni. AntÛnio Stefano — 6 Bacchel i. Francesco — 80 239 . Silvio — 188 Benda. Card. Giulia — 238 Bellini. Vittorio — 63 Algarotti.

Luigi — 217 De Sancti. Pietro — 80 D 'Elia. Francesco — 121 CÈsar. 108 80 Della Casa. Domenico — 236 Giusti. Arcangelo — 178 Erasmo. Ferdinand — 59. 233 Ennini. 169. Alfredo — 106s Foscolo. Karl Ludwig — 58 Hamp. Angelo — 217 Gautana — 107 Cocchia. Gaetano — 224 Descartes. Guglielmo — 214ss. R. 234 Chie — 94 Cipri-Romano — 211 Clemenceau. Pasquale — 168 Francisco de Assis (Santo) — 217 Frank. Scipione — 72 Capasso. — 185 Gozzi. 216 Drew. Enrico — 235 Bovio. Hans — 87 Frank. A. 209n Galilei Galileo — 47 Gargano. Enrico — 214s Finck — 105 Cori. Carlo — 50 Francisco JosÈ (Imperador da Austria) — 211 Guilherme II — 211 Guinigi. 68. 76ss. 47 Brucculeri. 41. Arturo — 5n Cattaneo. Giuseppe — 214 Garibaldi. Francesco —i 31ns Brindisi. Eduard — 41 Hale (du) — 104 Haller (von). 33 Dante — 43. Federico — 63 De Santis. Luigi — 208. Ranuccio — 71 Fauriel. Pierre — 85 Hamack (von). — 108 Fanelli. Luigi — 216 229. Alfred — 22 Ducati. Sigmund — 88. Alberto — 105s. 108 Constantini.. Onusby — 94 Gonzales. Edmondo — 183 Felice. Michelangelo — 97s Carson. Filippo — 80 Burckhardt. Arthur — 234 Einaudi. 93. Manlio Torquato — 41 Ferrero. 64 Di Sium. 183 Billow (Von). Wolfgang — 59. Giordano — 45. Ugo — 50s. G. Elisabetta (Rainha da Espanha) — 74 Famese. Aldo — 165 Calif. Gabrio — 132 Cassiodoro. 63. Giovanni — 129. 37 Fabietti. 149 Dazzi. Alessandro (Duque de 83. Chiappelli. 147. 142ss. Bartolomeo — 72n Campi. F. Guido — 88. Pompeo — 72 Glaeser. 236 Fueter. Claude-Charles — 50 Fedro — 135 Glarisegg — 151 Gl„ser — 151 Cobetti. 183 Gbisleri. — 184 Credaro. — 184 Botero. Filippo — 29s. 70. Palencia Angel — 99 Capuana. Antonio — 221n e Carlos. 143n 240 241 . P. Colonna de Cesaro — 208 Condorcet (de). O Gordo (Imperador) — D De Bartholomaeis. Alessandro — 215n Ferrando. Alfredo — 153n Fabietti. Gerhard — 88 Redden — 197n Hella — 69n Santis. Pierre — 46 FraneM. A. Jacob — 44. — 27n Bournac.Blondel Manzoni Enrichetta — 238 Boccaccio. 59s Carlyle. Giosue — 60. Giambattista — 72 Del Monte. Giuseppe — 236 De Nolhac. Manfredi — 235n Gnaziadei. Georges — 211 Dreyfus. 77 Bourgain. Giovanni — 76 Hegel. Benvenuto — 43 De Roberto. Francesco — 41. Jean — 86 Forke. — 98 Hauptmann. 60 Gioda — 68 Ennio. CristÛv·o — 40. RenÈ — 45 Devoto. 221. Andrea — 80 Bonzi (Monsenhor) — 79 Borgese. e Giuffrida DAncona. Famese. Adolf — 38 Hartmann. Filippo — 216 211 Cambon — 63 Campanella. 178. Louis — 38 Eddington. Giuseppe — 160 Giustiniano. Luigi — 80 Fracehia. Georges — 236 Dall'Oglio — 80 Parma) — 71 Famese. L. Georg Friedrich Wilhelm — 56. Mels — 90 Colombo. Gaio Giulio — 16. L. Bruno — 96s Ducati. Benedetto — 6. Quinto — 135 147. Thomas — 63 Degli Angeli. Giannone. Leonhard — 88 dor) — 39 Castiglioni. G. Giacomo — 224s Francisco Saverio (Santo) — 111 Frederico I. Vincenzo — 43 Giuseppe — Foi. Barba-ruiva (ImperaFrederico II (Imperador) — 39 Freud. 63 Carlos I (Imperador da Austria) — 30 Carlos Magno — 27.. 229 Ferri. A. Henry — 63 Fourmont — 104 GuÈhenno. Paul — 190n Guicciardini. 51 Guidi. Tommaso — 77 Cuvier. Giuseppe — 63 Gatti. — 169 Couchoud. — 183 Casimiro III (Rei da PolÙnia) — Castiglione. Arturo — 59 Groethuysen. Pietro — 48 Gide. — 169n Cavalcanttii. Felice — 185 Cellini. 45. Ettore — 153 Buonarroti. Piero — 54 Goethe. Sophie — 236 ConfÛcio — 106. Flavio Magno Aurelio (senador) — 36s Castellani. DesidÈrio — 45 Erkes. Calles. Luigi — 63 Carducci. 226 Gemel% Agostino (Padre) — 57n Gentile. 54. Gui do — 45 Cavallotti. 142. Vincenzo — 51. — 230s Giovanni (Santo) — 184 Giuliotti. Giulio Quinino — 78 Gioberti. Celso — 109 — 30 Cohn. Marco TÛlio — 135. Gaspare — 176 Gravina. Michelangelo — 43n Cousinet — 151 Faggi. Baldassare — 42 De Lorenzo. 215s. U. Olivier — 89n G.. 235 De Amicis. Bernhard — 59 Buonaccorsi. Eduard — 105s Brunot. 35. 82 Gonzaga. Paolo — 78 Guisa (duque) — 72n D'Ercole. (Padre) — 151. A. AndrÈ — 81 Giglioli. Alessandro — 184 Chu-Mi — 106 Cicero. — 229 230s Bruno. Giovanni — 42s Del Monte. Carlo — 47 Constantino (Imperador romano) Coppola. Plutarco Elias — 22 Campi. Pasquale — 109s GuÈriot. Bernard — 50 Ford. 46 Calcaterra. 30. Ernst — 88 Croce. Edward Henry — 171s Casati. Giovanni — 66. Luisa Maria — 80 Gore. Giovanni — 45 Bollo. Corso — 237 Brandileone. P. Petiole — 223ss Duchesne. — 94.

45. Thomas Bahington 79 Renaud — Jusserand.Henrique VI — 90 Heidrich — 104 Hitler. Alberto — 214. Corrado — 76 Rignano. Max — 82 Nuziante. Albertino — 41 Mussolini. Giacomo — 217 Lutero. J˙lio — 79 Mazzini. Charles — 64s. V. 234 Huxley. Martinho — 45 Muratori. Ugo — 83 Olivetti. 82 Reynaud. — 219 Napole„o I — 58. Concetto — 30n Mario. Abel — 104 Renan. jagellone (Rei da Pol0nia) — 80 Ladislau IV — 80 Lagnasco. Benito — 233 Naldi. Vernon — 92 Julien. Gaston — 93 Pascoli. Vincenzo — 76 Lombroso. Gothold Ephraim — 80 Matron — 148 Metastasio. E. 233 — Madariaga (de). Paul-Henri — 41n Migliore. Achille — 101. Cesare — 214 Lombardo-Radice. Raffaele Piacentino — 74 Petrarca. 191 Newman. FrÈdÈric — 100 Lensi. (Rei da Franca) — 79 Lumbroso. Thomas — 88 Manzoni. Dino — 78s Przezdziecki. Cristoforo — 72 Montecuccioli.j J. Attilio — 209 LittrÈ. Charles-Victor — 27n Lanson. 183 Alfredo — Giovanni Lando — 135 — 74 Papini. John Henry — 145 Nietzsche. Paul — 85 66. Salvador — 87 Magnaghi. Louis — 84ss Ribezzo. Rodolfo — 229 Pastor (von). Ladislao — 78 Leopardi. Eugenio — 78 LÈfËvre. — 238 011ivier. — 150 Orano. Francesco — 234s Ricci. Camille — 61s julien. 207ss. 73. Aldous — 100 Ibsen. Pach· — 99 Kropotkin. Giovanni — 62 Mondragone. Friedrich — Luzzati. jean — 85 jebb. 212. Thomas — 88 Rabezzana — 222 Rapisardi. 237 Lorizio. 166 Lasca — 221 Medid (Catarina e Maria de) Menage. Tito Maccio — 135 Podrecca. Raimond — 73 Montessori. Francesco — 38s Masaryk. Nicolau — 41. Paolo — 232s M·rio — 62s Reina — 209 Remarque. JaurËs. Luigi — 224. 167 OjAodeo. Maquiavel. 200 MolÈ — 62 Mondolfo. Pedro. Henrik — 233 Ikhal Ali Shah — 97. Karl — 221. Carlos de — 155 Rizzi. Lloyd George. Henri — 38 99 InocÍncio VIII — 80 Intorcetta — 104 Irnerio — 74 Loria. Roncalli. 234. — 60 Monti (MarquÍs) — 79 Morus. Gustave — 27n Lanzoni. 227s Pareto. Enrico 242 Rothschild — 73 Rougemont — 104 Rostagni. Giuseppe — 43 Pamvesino (de). Adolf — Lenzi — 217 Leonardo da Vinci — 43n 203 Levi. Pjotr Aleksejevic — 217 Labriola. Antero — 77s Panzini. Adolfo — 59. AntÙnio — 62 Prezzolini. Benedetto — 236 Mille. 86 Provenzal. Giacomo — 80 177 Rosseti. Vilfredo — 4n Paris. 199 Mazzarino. Antonio — 54. 229 Labriola. Lazzareschi. G. Leonardo — 87 64. Olschki. Alberto — 236 Magni (irm„os) — 80 Mann. 216s Macaulay. 88 Hu Shi — 107 Livio. Hor·cio. Alberto — 218 Margueritte. Comelio — 45 214. Flacco Quinto — 218 Hugenberg (von). David — 211 Lojacomo. Giovanni — 236 Rossi. Alfred — 202 183 Holik-Barab·s. A. Giuseppe — 142 Lorenzoni. Ludwig — 44 Paulo (S„o). Ludovico Antonio — 232 Mussato. Giacomo — 215 Lessing. 99 Littman — 228n Hortis. 50. L. — 208 Pio IX (Papa) — 2% Pisani. Giuseppe — 169 Proudhon. 233 La Marche — 27n Langlois. Marchesini. Arturo — 77s Pozzoni — 222 Prestinenza. 219. Conde de — 80 Marx. Francesco — 74 — 111. Thomas — 214 Mortara. Ezio — 62. — 225 Plat„o — 6. 216s Lumbroso. A. Arturo — 214. 236 — 31. D.. Victor — 83. F. Richard — 46 Jonhon. Thomas — 54 Maurice. Stanilas — 104 JansÍnio. 203 74 AntÙnio — Enrico Panzacbi. Lao-Tse — 25. Maria — 150 Pettazzoni. Giorgio — 184 Mosca. Alessandro 211 Nordau. o Grande — 19 74 Hugo. 48 — — Giovanni — 64ss Rocca. Erich Maria — 88 Remusat. 237 Puoti. Guido — 177 Pompeati. Massimo — 200 Razed — 72n Roban. Jules — 25n Maurras. V. Filippo — 211 Napole„o III — 190s Luzio. F. Luigi — 214. — 93 — 35 83. Pierre seph — 54s. Pietro — 63 Michel. 37 Plauto. Albert — Ladislau II. 108. Gaetano — 4n Lucchessini (MarquÍs) — 79 Luis XV. Tito — 6. M·rio — 43n Panini — 80 Panizzi. — 184 Enrico — 141 Petracco (ser) — Pestalozzi. M·rio — 53ss. EugÍnio — 169 Rival. 184 O'Neill. Augusto — 34 — 46 243 . Basilio — 121 Justiniano (Imperador do Oriente) Kampfmeyer — 98 Kemal. 142ss. 43. 216s. Pierre — 84 Missiroli. — 217 Marchesi. EmÌlio — 43n Quincey (de). Gilles — 227n Meozzi. Pirenne. Giuseppe — 51 Paciotto di Urbino — 72 Palaez. Ferdinando — 80 Ojetti. Dante Gabriele — 80 Domenico — 238 Pared. Ernest — 53ss. 113 Picardi. Emile — 29.

238 Timpanaro. 145 Spenpler. 62. Giuseppe — 215 Verga. Giampietro — 181 Villari. Gaio Crispo — 84 Salvadori. — 44ss Trente. 72 Carlo — 74 lloni. Giovanni — 63 Vettori. Pippo — 79 Spaventa. Hyppolite — 93 Tarchiani. Franz Wells. 232 Francesco 70 — Brazza. 111 Sun Yat-Sen — 103. 229 Toffanin. Fillipo — 79 Se Ser Serrati. Bertrando — 143. 113 H. Sebastiano — 57. EugËne — 86 SuetOnio. 88 244 . Jakob — 88 Weber. Michelangelo — Scialoja. Ettore — Valli. Max — 18n Wechseler — 81 Wagner. P˙blio ComÈlio — 84 Taine. Luigi — 189 Sabatier. Mark — 202 87 40 Alessandro — Evangelista — 235s Veo. — 199 Sigismundo. Emile — 85s. Tilisso — 214. rei PoiB- Washbume. Galvano — 78 Trombetti. Marone Publio — 45s Vite)li. Gioacchino — Wien Voltaire (FranÁois-Marie 212.Rousseau. Jean-Jacques — 141 Russo. Tranquilo Gaio — 18 Suen lien — 101. Theodor — 202 Zanette. Franco — 4n Salaris. Georg — 44. Georges — 53ss. Volpe. G. John Addington — 48 T·cito. 237 Turati.: 2247732 (PABX) Rio de Janeiro — RJ 215 Zuccolo. 216 Twain. Stefan — 89. Filippo — 64 Silvestre 30 Sisto IV — Tomaso — 216 II — Vittorio Emanuele II — 218 Voigt. Auguste-Louis — 217 Sacchetti. 200 Tiraboschi. Emilio — 88 Zola. 233 Arouet) — 237 Spano. 184 Salvioli. 151 Wassermann. Ref da Hungria — 79 Sillani. 110. — 154 Sal˙stio. Gerolamo — Sand. Lesczinky. — 88 Wieger — 106 Wolf. Nelo — 43n nia — 79 Stendhal (Henry Beyle) — 82 Suckert Malaparte (Erich Kurt) — 59 Sue. Piero — Schipa. 213s Ludovico — Zweig. Italo — 177 Taylor. Friedrich Winslow — Luigi — 36s. 30 . 173 Tertuliano — 135 ThÈrive. 215 da Symonds. G. Saura G. Carleton — 149. Richard — 83. AndrÈ — 182 7. Luigi — 204 Virgilli.s/loja 201 Tel. Giulio — Tavolato. 80 48 Soffici. i mpresso na PORTINHO CAVALCANTI EDITORA LTDA Rua Irineu Marinho. Ardengo — 177 Sorel. Otto — 212 Spinola Ambrogio — 72 Stanislao. Alfredo — 223. — 80 Werfel. George — 86 di Savorgan Schiavi. Vittorio — 155 Scolari. E. Girolamo — 47 VirOio. 28n Verdi. Giuseppe — 228 Salvatorelli. Cabrio — 47 Vieusseux. G. — 214. M.

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