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Fertilidade Do SoloApostila

Fertilidade Do SoloApostila

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O cálcio (Ca), o magnésio (Mg) e o enxofre (S) são chamados
macronutrientes secundários. Isto não significa que eles tenham um papel
secundário no crescimento das plantas. Eles são tão importantes para a nutrição
das plantas quanto os nutrientes primários, apesar das plantas, de modo geral,
não os exigirem em grandes quantidades.

3.4.1 Cálcio

Uma vez que o cálcio existe como cátion, ele é governado pelo fenômeno
de troca de cátions. Assim, como os outros cátions, é retido como Ca+2

trocável

nas superfícies com cargas negativas das argilas e da matéria orgânica.
Apesar do Ca ser um nutriente bastante exigido pelas plantas, sendo o
terceiro em exigência, sua deficiência não é muito comum, mesmo em solos
ácidos ou solos arenosos.

Todavia, para várias espécies, tais como tomate, repolho, beterraba, citros,
maçã e batata, pode haver necessidade de adubação específica de Ca, por
tratarem-se de espécies muito exigentes neste nutriente.
O cálcio é absorvido pelas plantas como cátion Ca+2

. Uma vez dentro da
planta, o Ca funciona de várias maneiras: estimulando o desenvolvimento das
raízes e das folhas; ativando vários sistemas enzimáticos; influenciando
indiretamente a produção por diminuir a acidez do solo; ajudando indiretamente a
produção e melhorando as condições para o desenvolvimento das raízes.

3.4.1.1 Sintomas de deficiência nas plantas

O pouco crescimento do sistema radicular é um sintoma comum da
deficiência de cálcio. As raízes deficientes em cálcio geralmente escurecem e
apodrecem.

As folhas jovens e os outros tecidos novos desenvolvem sintomas porque o
cálcio não é translocado dentro da planta.

40 UFLA/FAEPE interpretação de análise de solo e manejo da adubação

As deficiências de Ca raramente aparecem no campo porque os efeitos
secundários de deficiência, como a acidez elevada, geralmente limitam primeiro a
produção. As deficiências são mais comuns em culturas como o amendoim e as
hortaliças.

3.4.2 Magnésio

O magnésio é absorvido pelas plantas como cátion Mg+2

e apresenta, à

semelhança do cálcio, uma dinâmica muito simples.
Sendo um cátion, ele está sujeito à troca de cátions. Ele é encontrado na
solução do solo e é adsorvido nas superfícies com cargas negativas das argilas e
da matéria orgânica.

Uma vez dentro da planta, ele exerce várias funções. O magnésio e o
nitrogênio são os únicos nutrientes do solo que são constituintes da clorofila. O
magnésio atua também na respiração e na ativação de vários sistemas
enzimáticos.

O Mg é pouco exigido pelas plantas, com exigência similar ao P e enxofre.
Com isto, considera-se que a disponibilidade de Mg é satisfatória em boa parte
dos solos e a deficiência deste nutriente não é muito comum.
Entretanto, podem surgir problemas com o suprimento de magnésio nas
seguintes situações: em solos altamente intemperizados, em solos arenosos, em
solos ácidos cultivados com aplicação de altas doses de calcário pobre em
magnésio; em cultivos com adubações pesadas de K; ou no cultivo de espécies
mais exigentes em Mg, como o milho, batata, algodão, citros e fumo.

3.4.2.1 Sintomas de deficiência nas plantas

Os sintomas de deficiência de Mg geralmente aparecem primeiro nas folhas
mais velhas, porque o Mg é translocado dentro da planta. A deficiência aparece
como uma cor amarelada, bronzeada ou avermelhada, enquanto as nervuras das
folhas permanecem verdes. As folhas de milho ficam com faixas amarelas e com
as nervuras verdes.

O desequilíbrio entre o Ca e o Mg no solo pode acentuar a deficiência de
Mg. Quando a relação Ca/Mg torna-se muito alta, as plantas podem absorver
menos magnésio.

3.4.3 Enxofre

O enxofre, em vários aspectos, assemelha-se ao N, principalmente por
apresentar-se no solo quase que totalmente em formas orgânicas e por sofrer
várias transformações em reações mediadas por microrganismos.
Diferentemente do Ca e do Mg, que são absorvidos pelas plantas como
cátions, o S é absorvido principalmente como ânion SO4-2
.

Furtini Neto, Tokura e Resende

41

O enxofre é exigido pelas plantas em quantidades aproximadamente iguais
ao P. Entretanto, diferentemente do P, trata-se de um nutriente que, na maioria
das vezes, não faz parte das principais recomendações do agricultor e, até
mesmo, do técnico. A razão é muito simples e está ligada ao fato do enxofre
apresentar muito menor tendência de reagir com componentes do solo.
Enfim, apesar de pouco exigido, é um nutriente que pode, em várias
situações, estar limitando a produção vegetal, principalmente para espécies mais
exigentes em enxofre, como o milho, cana-de-açúcar, leguminosas e crucíferas.
O enxofre é parte de cada célula viva e é constituinte de dois dos 21
aminoácidos que formam as proteínas.
A matéria orgânica do solo já foi mencionada como a principal fonte de S no
solo. Mais de 95% do S encontrado no solo estão ligados à matéria orgânica.

3.4.3.1 Sintomas de deficiências nas plantas

As plantas deficientes em S apresentam uma cor verde pálida nas folhas

novas, embora a planta inteira possa ser pálida e “atarracada” nos casos severos

de deficiência. As folhas tendem a se enrugar à medida que a deficiência se
acentua.

O enxofre é imóvel na planta e, assim, os pontos de crescimento recentes
sofrem primeiro quando os níveis de S não são adequados para atingir a demanda
da cultura.

As plantas deficientes podem apresentar o caule delgado e fraco.

3.5 MICRONUTRIENTES

Os micronutrientes são ferro, cobre, manganês, zinco, molibdênio, boro e
cloro. É impossível que novos elementos sejam acrescidos a esta lista, com o
avanço no estudo do metabolismo das plantas.
Os micronutrientes ocorrem em teores muito baixos no solo. O ferro pode
ser considerado como exceção e também o manganês em alguns solos.
A razão da pouca exigência está ligada ao fato de que a principal função de
quase todos é a de atuarem como catalisadores de reação enzimática.
Em função da pequena exigência, as deficiências são menos comuns que
as de macronutrientes. As deficiências que mais têm sido constatadas no Brasil
são as de zinco e boro.

No entanto, a preocupação é cada vez maior com a disponibilidade de
micronutrientes no solo. Entre as principais razões:
- cultivo intensivo em solos com alta fertilidade natural, levando-os à
exaustão;
- uso inadequado da calagem, com elevação excessiva do pH do solo;

42 UFLA/FAEPE interpretação de análise de solo e manejo da adubação

- uso de genótipos com alto potencial de produção e grande demanda em
nutrientes;
- uso crescente de fertilizantes mais concentrados, com menores
quantidades de micronutrientes como impurezas.

44 CCAALLAAGGEEMM

A calagem é a prática da aplicação e incorporação ao solo de calcário ou de
qualquer outro material com o objetivo de neutralizar a acidez do solo para
elevação do pH.

Como efeito do uso do calcário têm-se, além da correção da acidez do solo,
o estímulo a atividade microbiana, a melhoria da fixação simbiótica de N pelas
leguminosas e, ainda, a calagem torna a maioria dos nutrientes mais disponíveis
para as plantas.

A calagem é, então, uma prática fundamental para a melhoria do ambiente
radicular das plantas e, talvez, a condição primária para ganhos de produtividade
nos solos das regiões tropicais. Quando executada de forma correta, permite a
exploração racional de uma área, uma vez que reduz os efeitos nocivos da acidez,
diminuindo a concentração, na solução do solo, de elementos como ferro, alumínio
e manganês que possam estar em níveis tóxicos às culturas.
No Brasil, têm sido usadas, anualmente, cerca de 12 milhões de toneladas
de calcário. Esta quantidade é no mínimo, cinco vezes menor que a necessária
(Malavolta, 1992). Tal fato, sem dúvida, representa um dos importantes fatores
condicionantes da baixa produtividade vegetal em nosso país. Relacionado a isto,
muito infelizmente, o que se observa no campo é que os agricultores valorizam
muito mais a prática da adubação do que a calagem (Carniel, 1994). É um grande
engano, pois, a prática da calagem apresenta uma série de benefícios, inclusive,
ao corrigir a acidez do solo, aumenta-se a eficiência dos fertilizantes,
consequentemente, aumentando o retorno econômico da adubação.
Dentre os benefícios de uma correta prática da calagem, destacam-se:
- diminuição da toxidez por H+

, Al+3

e Mn+2
;
- aumento da mineralização da matéria orgânica, conseqüentemente
aumentando a disponibilidade de nutrientes, notadamente N, S, P e B;
- aumento da disponibilidade de cálcio e magnésio, por adição direta ao

solo;

- aumento da disponibilidade de P e Mo, presente em formas fixadas e de
menor disponibilidade em solo ácido;
- aumento da fixação não simbiótica e simbiótica do N2;
- aumento da atividade de bactérias nitrificadoras;

Furtini Neto, Tokura e Resende

43

- aumento da CTC do solo, reduzindo problemas de salinidade e de
lixiviação de cátions;
- aumento da eficiência da adubação;
- aumento da preservação de áreas de floresta ou de áreas menos
vocacionadas para a agricultura.

Em geral, solos mais argilosos necessitam de mais calcário para aumentar
o pH do que os solos arenosos.
O sucesso da calagem, como importante prática de manejo da fertilidade,
depende de três aspectos técnicos: características do corretivo utilizado, dose de
corretivo utilizada e a forma e época de aplicação do corretivo. Depende também
de aspectos de ordem econômica, relacionados com o preço dos corretivos, com o
custo do transporte, aplicação e de incorporação dos corretivos.
Na seleção do material calcário, verifique seu valor neutralizante, seu grau
de finura e sua reatividade. Onde o magnésio do solo for baixo ou deficiente, como
em muitos solos altamente intemperizados dos trópicos, o teor deste nutriente no
calcário deverá ser um fato determinante na seleção do material, isto é, deve-se
usar calcário magnesiano ou dolomítico. Quando isto não é possível, o magnésio
deve ser suprido de outra fonte.

4.1 Características dos corretivos

4.1.1 Natureza química

Os materiais corretivos comumente usados na calagem são óxidos,
hidróxidos e carbonatos ou silicatos de cálcio e/ou magnésio. É a união do útil ao
agradável. Tanto o cálcio quanto o magnésio são essenciais para as plantas e,
normalmente, se apresentam em baixa disponibilidade nos solos ácidos. Por outro
lado, são compostos químicos que diminuem a atividade dos íons H+

e Al+3

na

solução do solo, o que é benéfico para as plantas e microrganismos.

a) Calcário

É o corretivo mais indicado e, portanto, mais usado na prática da calagem.
É simplesmente obtido pela moagem de rochas calcárias, cujos constituintes
químicos básicos são CaCO3 e MgCO3. A ação neutralizante do calcário se deve
às seguintes reações:

Ca(Mg)CO3 + H2O Ca+2

(Mg+2

)sol + CO3-2

sol

44 UFLA/FAEPE interpretação de análise de solo e manejo da adubação

CO3-2

+ H2O HCO3-

+ OH-

sol (kb = 2,2 . 10-4

)

HCO3-

+ H2O H2CO3 + OH-

sol (kb = 2,2 . 10-4

)

H+

sol + OH-

sol H2O

Portanto, o ânion acompanhante do cálcio ou do magnésio é o responsável
pela neutralização. Deve-se observar que o valor da constante de ionização (Kb)
indica que o CO3-2

é uma base fraca , isso é, a formação dos íons neutralizantes

OH-

é lenta. Esta é a razão da necessidade de se aplicar calcário com a devida
antecedência ao plantio. Ademais, deve-se destacar a importância de um
adequado teor de água no solo para reação do calcário e de todo e qualquer
corretivo.

Todo calcário é, relativamente, rico em cálcio. Todavia, nem todos
apresentam teor adequado de magnésio, ou seja, o teor de MgCO3 é muito
variável. Em função do teor de MgCO3, os calcários são classificados em:
- calcário calcítico: possui menos de 10% de MgCO3 ou menos de 5% de

MgO

- calcário magnesiano: 10% a 25% de MgCO3 ou 5% a 12% de MgO
- calcário dolomítico: mais de 25% de MgCO3 ou mais de 12% de MgO
O teor de magnésio de um calcário é uma característica muito importante a
ser considerada no processo de escolha do mesmo. Caso a interpretação da
análise indicar que o solo está deficiente em magnésio é altamente recomendada
a escolha de um corretivo mais rico neste nutriente.
Quando são necessários tanto o cálcio quanto o magnésio, devem-se usar
materiais calcários que contenham ambos os nutrientes. Alguns calcários contêm
quantidades iguais de carbonatos de cálcio e de magnésio, mas trabalhos de
pesquisa mostram que cerca de 10% de MgCO3 são suficientes para suprir o
magnésio. A necessidade de calcários que contenham magnésio varia entre
regiões. Em solos arenosos há mais probabilidade de deficiência deste nutriente.
Se o teor de magnésio é muito baixo ou baixo, ou se o magnésio trocável
representa menos que 5% da CTC a pH 7,0, é recomendável o uso de calcário
dolomítico. Se isto não for feito, persistirá a necessidade de adubação com
magnésio no plantio ou em cobertura, o que poderá trazer certos problemas –
disponibilidade de fertilizantes magnesiano no mercado, dificuldade de aplicação
e, principalmente, o alto custo do fertilizante em relação ao custo do calcário.
Para cada 1% de MgO em um calcário, quando se aplica 1t/ha, incorporado
de 0 a 20cm, adiciona-se o equivalente a 0,0248 cmolc Mg+2

/dm3

solo. Essa

Furtini Neto, Tokura e Resende

45

informação é de grande aplicação prática, de forma a se calcular a contribuição do
calcário aplicado para elevar o teor de magnésio do solo.

b) Óxidos

Em termos práticos, a cal virgem agrícola representa o principal tipo de
óxido usado na calagem. A cal é obtida pela queima ou calcinação completa do
calcário, conforme mostra a reação:

Ca(Mg)CO3 Ca(Mg)O + CO2
calor

A ação neutralizante dos óxidos se deve à reação abaixo, com a liberação

de OH-

sendo imediata, dado o caráter de base forte do CaO e MgO

Ca(Mg)O Ca+2

(Mg+2

)sol + 2OH-

sol + calor

Apesar de ser corretivo de ação imediata, o que é vantajoso quando se
deseja rápida neutralização, seu uso pode ser problemático, merecendo certos
cuidados. O calor gerado pode danificar sementes, plântulas e microrganismos.
Para evitar danos a sementes e plantas, a cal precisa ser aplicada com certa
antecedência. E, a completa mistura e reação do óxido com o solo pode ser
dificultada, pois, logo após a aplicação, a água absorvida pode gerar a formação
de grânulos endurecidos. Isso nada mais é do que uma capa de Ca(Mg)CO3,
retardando a reação.

c) Hidróxidos

A hidratação da cal virgem resulta na cal hidratada ou cal extinta, formada
por Ca(Mg)(OH)2, conforme a reação:

Ca(Mg)O Ca(Mg)(OH)2 + calor

A sua ação é imediata, pela dissolução do hidróxido. Apesar de ser menos
cáustica, a cal hidratada é um fino pó branco de difícil e desagradável manuseio
durante a aplicação no solo.

d) Escórias de siderurgia

Alguns subprodutos da indústria do aço, contendo silicatos de cálcio e ou
de magnésio, têm valor neutralizante. Sua ação neutralizante se deve ao efeito
dos silicatos de Ca e Mg, além das seguintes reações, muito semelhantes às do
calcário:

46 UFLA/FAEPE interpretação de análise de solo e manejo da adubação

Ca(Mg)SiO3 + H2O Ca+2

(Mg+2

)sol + SiO3-2

sol

SiO3-2

+ H2O HSiO3-

sol + OH-

sol (kb =1,6 . 10-3

)

HSiO3-

+ H2O H2SiO3 + OH-

sol (kb = 3,1 . 10-5

)

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