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Os_Afro_Sambas_de_Vinicius_e_Baden

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Estudo acerca dos elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e de seu parceiro Baden

Powell: os Afro-Sambas
Frank Michael Carlos Kuehn (UFRJ)

Resumo: Este estudo tem como propósito enfocar a parte da obra de Vinícius de Moraes que está vinculada a identidade e temas afro-brasileiros do candomblé. No exemplo dos Afro-Sambas, compostos em parceria com o violonista Baden Powell e lançados em disco em 1966, alguns aspectos históricos, estéticos e religiosos dessas canções serão analisados. O mergulho nas raízes negras da religiosidade mística e mitológica afro-brasileira confessadamente representou, para Vinícius de Moraes, algo como “a busca pela própria alma”. Para alcançar esse seu objetivo, Vinícius de Moraes não poupou esforços e idealizou “uma forma de sincretismo novo”, embasado na apropriação de elementos musicais afro-brasileiros adaptados a ambiente e meio social cariocas. Com a adaptação do mito grego de Orfeu, criou uma versão personalizada e, ao mesmo tempo, mais universal do gênero. Com efeito, os Afro-Sambas representam uma recriação peculiar do samba carioca com elementos religiosos do candomblé, canções em que as referências a símbolos e entidades religiosas do candomblé são uma constante, ganhando, ainda, em importância pelo fato Vinícius de Moraes ser uma espécie de mentor e catalisador de toda uma geração vindoura de compositores e músicos brasileiros. Sem dúvida, os Afro-Sambas de Moraes e Baden Powell ocupam hoje uma posição de destaque na história da música popular brasileira, particularmente para a MPB dos anos 1970 e 1980. Tanto a poesia de Moraes quanto a criatividade ao violão de Powell transformaram o samba e projetaram a música brasileira para o exterior como nunca antes. Apesar disso, tudo indica que o papel de catalizador de Moraes ainda não esteja bem elucidado pela pesquisa musicológica. Palavras-chave: Vinícius de Moraes; Baden Powell; Afro-Sambas; candomblé; (etno-) musicologia.

1. Apresentação 1 Em 1888, Sílvio Romero já afirmou, em seus Estudos sobre a poesia popular do Brasil, a necessidade de se realizar estudos científicos sobre o negro e a cultura negra no Brasil, as bases étnicas de sua origem e os fatores sociológicos e históricos que se resumem na imagem do mestiço ou mulato brasileiro: “È uma vergonha para a ciência do Brasil que nada tenhamos consagrado de nossos trabalhos ao estudo das línguas e das religiões africanas (Romero, 1977, p.34). Em seus estudos, Romero defende o ponto de vista de que o elemento negro seja, principalmente na cultura popular e, em especial, na
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Este estudo em forma de monografia foi desenvolvido em função do Seminário em Etnomusicologia: “Música e ritual: a etnomusicologia do Candomblé”, ministrado por Dr. Gérard Béhague (University of Austin, Texas, EUA), no segundo período de 2001 no Curso de Pós-Graduação da Escola de Música da UFRJ. Depois, a primeira versão foi presentada no 3o Colóquio de Pesquisa da UFRJ (2001), Rio de Janeiro, e publicada nos Anais do evento (2002). A presente versão representa a edição revisada e atualizada da versão impressa, substituindo-a.

da suite para orquestra. da Série brasileira) e Alexandre Levy (Samba. entre eles Carlos Gomes (O Guarani. estão entre os primeiros estudos referentes à influência africana no folclore musical brasileiro. Edson Carneiro. Camargo GUARNIERI (1907-1993). Oneyda Alvarenga e Roger Bastide. em fins do século XIX. canções. Dança negra. Todavia. Cântico do Obaluayé e Dona Janaína. Jaime OVALE (1894-1955). os elementos indígenas e negros de caráter profano ou religioso já foram referência dos chamados compositores precursores (ou inspiradores) da corrente nacionalista. 2 Existem inúmeros exemplos. Rio de Janeiro: UFRJ. de Mário de Andrade. o oratório Candomblé. além de Senzala (bailado) e Carnaval em Recife. Batucajé e Babalorixá (poemas sinfônicos). o diferencial cultural fundamental do brasileiro (hipó/tese confirmada apenas décadas depoispor uma série de intelectuais brasileiros). Guerra-Peixe. Alberto Nepomuceno (Batuque. citados por Vinícius de Moraes na contracapa do Lp dos Afro-Sambas como sendo “uma experiência camerística muito bem sucedida e com temas negros do candomblé”. Macumba do pai José e Ogum. ganharam força ao revelar as muitas influências do negro brasileiro nos mais variados aspectos da vida social brasileira. da Suite brasileira). Citando-se apenas alguns dos mais importantes: Luciano GALLET (18931931). 2 música brasileira. inúmeros outros compositores brasileiros de música de concerto ou não buscaram inspiração em ritmos ou referências de aspecto religioso do candomblé ou recorreram a outros elementos afro. Danças africanas. e de Radamés GNATTALLI (1906-1988). Heitor VILLALOBOS (1887-1959). de Luciano Gallet. Bazzum. da ópera O contratador de diamantes. O reisado do pastoreiro. de caráter nativista. Estimulados pela Semana de Arte Moderna de 1922. para piano solo. Gilberto Freyre. das Canções Típicas Brasileiras. C. . para orquestra. para coro misto a cappella. Francisco MIGNONE (1897-1986). Batuque. empreendidos por Nina Rodrigues. Maracatu do Chico Rei e Congada. Xangô e Estrela é lua nova. Três pontos de santo e Xangô. Os Estudos de folclore. Arthur Ramos. Lorenzo FERNANDEZ (1897-1948). entre outras. e algumas peças de inspiração negra para piano solo). Renato Almeida. Acalanto ingênuo e Canção ritual de macumba. canções. o Jongo. e Música de feitiçaria no Brasil e Ensaio sobre a música brasileira. Contudo. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. Jongo). Itiberê da CUNHA (1846-1913). Acalanto. Despertar do matuto. das Três Miniaturas para Orquestra. 2 Essa fase é especialmente intensa durante o chamado período modernista brasileiro e se prolonga por praticamente toda a primeira metade do século XX. 2002. para piano e orquestra.brasileiros. Frank M. somente a partir do século XX pesquisas e estudos científicos. da Série Brasileira. Renato Mendonça. Suite sobre temas negros brasileiros (movimentos: Macumba.Kuehn. José SIQUEIRA (1907-1985).

De acordo com as pesquisas científicas. 4 “O sincretismo religioso consiste em se unir os pedaços das histórias míticas de duas tradições diferentes em um todo que permanece ordenado por um mesmo sistema. de acordo com a sua origem natal. ou seja: uma “Fusão de diferentes cultos ou doutrinas religiosas. Frank M. tambor-de-mina no Maranhão. Rio de Janeiro: UFRJ. havia então também na música peculiaridades que caracterizam os diferentes grupos. p. Nisto. com os rituais religiosos originados em mitologias cosmogônicas. O aspecto religioso do afro-brasileiro A exemplo de Cuba. 2001). e do norte de Togo foram escravizados e trazidos em grande quantidade pelo comércio do tráfico negreiro ao Brasil. Destarte. principalmente de matriz afro-católica: para todos os orixás existirem também analogias com santos católicos. Os orixás – o que significa na língua iorubá algo como “divindade” – 3 representam as diferentes entidades divinas. onde recebeu o nome de santeria. a música introduzida pelos escravos africanos no Brasil teve a sua origem ligada à vida religiosa e práticas de magia. C. que se manifestam através dos elementos da natureza. .. foi possível as cerimônias religiosas do culto religioso assumirem denominações diferentes: candomblé na Bahia. Se os diferentes grupos étnicos se distinguiam pela linguagem. provindas da vida tribal de origem africana. babacuê no Pará.100). xangô em Recife e Alagoas. sudoeste de Nigéria. 3 Os negros oriundos da região do golfo de Benin. o nagô na Bahia e o quimbundo e variantes nos outros estados brasileiros. 2002. Todas essas formas praticam o sincretismo religioso. originários de diferentes visões do mundo ou de doutrinas distintas” (Houaiss. diferenciando-se de acordo com a distribuição geográfica e as peculiaridades regionais. com reinterpretação de seus elementos [.] síntese de elementos díspares.” (Bastide apud Ortiz. macumba no Rio de Janeiro e batuque no Rio Grande do Sul. havendose certo consenso de que o candomblé baiano seja talvez um dos rituais religiosos que melhor conservaram as características originais africanas e existem ainda hoje locais com comunidades cujo idioma é o nagô. tal sincretismo deve-se ao domínio centenário / secular colonial do branco. 4 Segundo Gilberto Freyre (2001). Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. 3 2. Objetiva.. estão exercendo uma função intermediária entre o mundo dos homens e as forças sobrenaturais do mundo espiritual. os idiomas falados pelos africanos em sua terra de cativeiro foram. Os ritmos – também chamados “pontos” –. 1980.Kuehn. as cantigas e as danças desses rituais representam um meio de chamada e comunicação com as divindades religiosas.

o diretor francês Marcel Camus para a versão cinematográfica. entre outros. dizer que sua busca por identidade e temas negros. C. Por ironia da história. ou seja. Na peça Orfeu da Conceição.. vale lembrar que talvez a música de maior sucesso mundial do filme foi a canção Manhã de carnaval. 2002. Com estréia no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. cumpriu missões diplomáticas em Los Angeles. Segundo sua própria definição. de Luis Bonfá e Antônio Maria. 6 Com cenários de Oscar Niemeyer. Com passagem por Oxford (1938). Vinícius de Moraes estava com 43 anos. O filme e as músicas – que depois se tornariam sucessos internacionais duradouros. Rio de Janeiro: UFRJ. o escritor norte-americano Waldo Frank] em todas as incursões por favelas. Vinícius de Moraes A qualidade poética. Em sua maior parte. Montevidéu e Roma. portanto. quando lhe tinha ocorrido a idéia de escrever uma peça de teatro. foi intensa. já gozava fama e reconhecimento como uma estranha(?) mistura de poeta e intelectual. saravá!” (Samba da bênção. em 1943. independentes do filme – renderiam a seus autores enorme fama e projeção para o exterior. O interesse de Vinícius de Moraes na cultura negra na verdade já vinha de longa data. 6 inspiraria. 4 3. onde estudou Língua e Literatura Inglesa. entre eles: A felicidade e Se todos fossem iguais a você. Paris. foi justamente: .5 Pode-se. ganhador do prêmio do Festival de Cannes e também o ganhador do Oscar da categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Frank M. adaptou o mito grego de Orfeu a ambiente e paisagem carioca. clubes e festejos negros no Brasil que me sentia particularmente impregnado do espírito da raça [. saravá. adaptando-se o personagem da mitologia clássica grega de Orfeu a realidade e ambiente social de um morro carioca. de autoria de Vinícius de Moraes e Baden Powell).. destarte. versatilidade e grande musicalidade sempre foram a marca de Marcus Vinícius da Cruz de Melo Moraes (1913-1980). sobretudo afro-brasileiros. preparando. para o Itamarati. pouco tempo depois.. as músicas da peça foram compostas por Vinícius de Moraes e seu na época novíssimo parceiro Antônio Carlos Jobim (1927-1994). exatamente desde 1942. era “o branco mais preto do país”.Kuehn. macumbas. boêmio e diplomata.] criou-se subitamente em nós um processo por “Eu como exemplo / o capitão do mato Vinícius de Moraes / poeta e diplomata / o branco mais preto do país / na linha direta de Xango. 5 . em 1956. o sucesso da Bossa Nova. Ao longo da sua carreira.. 7 À parte das canções da dupla. intitulada de Orfeu negro ou Orfeu do carnaval. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. entrou.7 Na época da estréia da peça Orfeu da Conceição. tornando-se funcionário do Ministério das Relações Exteriores.quando acompanhava o autor de América Hispana [isto é.

mas marcado pelo sentimento dionisíaco da vida. de inferioridade). 1937). como ele se expressa na dicotomia entre o “civilizador” (de superioridade) e o “não-civilizado” (ou seja. teria também um fundo político – um aspecto. o negro carioca. 1946)9 e João Bosco (n. 1956 (reproduzido por Chediak. entretanto. “a poesia e a musicalidade de Vinícius transformaram o samba. de acordo com Vinícius de Moraes. Rio de Janeiro: UFRJ.. Toquinho (n. 1966). 1993). negro e/ou mestiço. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. 8 9 Do Caderno de Programa da peça Orfeu da Conçeição. europeu. 2002. 1944). Não devemos. Jobim (n. Frank M. C. De Moraes também ocupa uma posição de destaque na história da música brasileira. fosse um negro em canga – um grego ainda despojado de cultura e do culto apolíneo à beleza. do exótico e onírico da força vital da vida.. o aspecto apolíneo (e nietzschiano) estaria representado pelo elemento branco.. de afirmação e sensualidade. Segundo Toquinho. Ele é social. 1946). “estaria inteiramente em nagô”.. 8 É interessante constatar como Moraes se refere ao grego e ao negro brasileiro. 2000). Carlos Lyra (n. cristão. representando um divisor de águas na história da MPB” (Costa. afirma Mário de Andrade. “o lado obscuro” (Moraes. Ao analisar a produção prolífica e as parcerias de Vinícius de Moraes. contudo. como este a abordada n‟A origem da tragédia (. onde foi mentor e catalisador de toda uma geração de músicos-letrista e compositores multifacetados. De acordo com essa associação. p. Edu Lobo (n. o “sentimento dionisíaco da vida” e o “culto apolíneo à beleza”. percebe-se nitidamente sua preferência por jovens músicos violonistas e compositores no início de carreira. mulher de Vinícius. formando o núcleo da MPB dos anos 1970 e 1980.C. de religião naturalista e politeísta. e o aspecto dionisíaco estaria coberto pelo elemento afro-brasileiro.] como se o negro. 1927). Temos de nos perguntar também se o postulado ainda atualmente ainda está em vigor ou não. racional. Parecem mesmo existir paralelos concretos entre a música brasileira e a filosofia estética de Friedrich Nietzsche. Baden Powell (n. incorrer numa redução da dualidade do conceito helênico a um clichê. é “um engano imaginar que o primitivismo brasileiro de hoje é estético [anos 1930]. 1939). como no caso de A. . científico e principalmente o elemento trágico.. 1943). O samba Na tonga da mironga do kabuleté de Vinícius de Moraes e Toquinho (1970) chama a atenção por seu título-refrão. 1981.44). Chico Buarque (n. inspirado por Gesse.Kuehn. Em relação de estética de música brasileira. romântico. contudo. Em suma.” (Andrade apud Neves. Apesar do tom aparentemente descontraído e brincalhão. Tudo indica que Vinícius de Moraes tenha exercido um papel ainda não completamente elucidado pela pesquisa musicológica. 5 associação caótica [. ainda a ser confirmado.).

Frank M. emigrou para os EUA. Powell. Powell criou uma batida de samba inconfundível. 2002. o violão de Baden Powell cativa por sua exímia habilidade de virtuose e pela dimensão musical do seu estilo de tocar o samba brasileiro. Só por amor e Labareda. Noutra entrevista. Vinícius de Moraes e Baden Powell de Aquino (1937-2000) já estavam compondo e gravando há alguns anos. esse tempo costuma ser lembrado pela boemia e as muitas caixas de uísque que a dupla teria consumida. onde fixou residência até a sua morte.10 Essa época ficou conhecida como uma espécie de “clausura musical” de ambos. Garoto e Bola Sete (Costa. onde ambos compuseram em poucos meses os Afro-Sambas. Rio de Janeiro: UFRJ. ano quando as músicas Canto do caboclo Pedra Preta. poucos anos depois. Carlos Coquejo. Deixa. Quincas Laranjeiras.11 10 11 Samba da bênção. conhecida por ficarem trancados no apartamento do poeta. Samba em prelúdio. A parceria de Vinícius de Moraes e Baden Powell Na época do lançamento do disco dos Afro-Sambas. Berimbau. Astronauta. Com os Afro-Sambas. entretanto. 1966). sambas-de-roda e cantos do candomblé baiano (Moraes. estava de passagem por Rio de Janeiro. aparentemente se contradiz (Folha. Essa época entrou para a história da música popular brasileira como uma das mais inspiradas. em 2006: “Moacir [Santos] me passava exercícios de composição em cima dos sete modos gregos. Reza a lenda que Powell estava fascinado em ouvir um disco gravado ao vivo que um amigo de Moraes. 13 de julho de 1999). Consolação foram feitas. naquela época. arranjador e saxofonista pernambucano Moacir Santos que. Nas anedotas. 2000). na contracapa do disco dos Afro-Sambas. João Pernambuco. também Baden Powell se qualificou como compositor inédito ao lado do parceiro Vinícius de Moraes. 6 4.Kuehn. Foram esses exercícios que viriam a se tornar mais tarde os afro-sambas”. Disse de Moraes. um casamento perfeito entre a poesia e a música. C. . 24 de março de 2000. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. Herdeiro importante da tradição violonística brasileira de Sátiro Bilhar. os modos litúrgicos do canto gregoriano. A parceria deve ter começada por volta de 1962. Caderno Ilustrada. Foi por volta dessa época que Baden Powell afirma ter estudado com o compositor. que “a Bahia fez-lhe [a Baden Powell] uma impressão enorme”. de onde. Segundo Caderno. Baden Powell em depoimento ao O Globo. no luxuoso condomínio Parque Guinle. trouxera da Bahia e que continha diversas faixas de berimbau.

ao procurar trazer. Participação do Quarteto em Cy. Bongô – Alexandre Martins. Frank M.Kuehn.12 O objetivo da análise que se segue é localizar esses elementos afro-brasileiros do samba e do candomblé e analisar de que forma eles estão se manifestando. Pandeiro – Gilson de Freitas. Companhia Brasileira de Discos. Afoché – Adyr Raymundo. Quarteto em Cy e côro misto. dentro do espírito do samba moderno. Bateria – Reisinho. idealizado para funcionar sem os terreiros de candomblé per se. Flauta – Nicolino Cópia. em combinação com os “sete modos gregos”. no entanto. Atabaque pequeno – Nelson Luiz. sendo. desta vez. O objetivo é algo como a realização de um “novo sincretismo”. Contrabaixo – Jorge Marinho. C. Rio de Janeiro: UFRJ. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. . Seja como for. ganha certo ar de manifesto. 2002. emerge aqui novamente o grego. os elementos afro-brasileiros do candomblé. Com as palavras de Moraes: “Carioquizar [sic]. Agogô – Mineirinho. Baden Powell afirmou a mesma pessoa ter sido o maestro e compositor Guerra-Peixe. Atabaque – Alfredo Bessa. Rio de Janeiro. entretanto. o disco dos Afro-Sambas representa de certa forma a continuação de Vinícius de Moraes na busca do elemento negro. O disco dos Afro-Sambas Lp. afro-brasileiro. Violão – Baden Powell. 1966. Arranjos e regência: César Guerra-Peixe. 5. Desta vez. o 12 Vale lembrar que na esfera da música popular o emprego da terminologia costuma ser de maior liberdade. para a música popular urbana. Sax-tenor – Pedro Luíz de Assis. iniciada com a peça Orfeu da Conceição. Ficha técnica: Vocais – Vinícius de Moraes. 7 Em outra reportagem. Sax-barítono – Aurino Ferreira. 1) Canto de Ossanha 2) Canto de Xangô 3) Bocoché 4) Canto de Iemanjá 5) Tempo de Amor 7) Tristeza e Solidão 8) Lamento de Exu (Baden/Vinícius) (Baden/Vinícius) (Baden/Vinícius) (Baden/Vinícius) (Baden/Vinícius) (Baden/Vinícius) (Baden/Vinícius) samba candomblé candomblé candomblé samba samba samba balada 6) Canto do Caboclo Pedra Preta (Baden/Vinícius) De acordo com esta análise. Todas as músicas do disco são de autoria da dupla Baden Powell e Vinícius de Moraes. mais precisamente para o samba carioca. Produção e direção artística: Roberto Quartin e Wadi Gebara.

1966). Para cada entidade existem variantes em nome e grafia. Outras lendas contam que Ossanha roubou de Xangô o fogo. portanto. a força sagrada. sendo esse o motivo da rivalidade entre ambos. traidor Coitado do homem que vai atrás de mandinga de amor como é aqui. ao mesmo tempo. perdeu uma perna. além de ser um importante defensor das causas nacionais. o orixá portador de axé e se manifesta através da magia do toque e do ritual candomblé. também energia cósmica da natureza. além de serem “sem modismos. Guerra-Peixe. não dá. juntamente com aquela parte necessária para manter íntegra a compreensão da leitura do texto poético. Rio de Janeiro: UFRJ. regente e arranjador foi também um pesquisador dos elementos africanos da música brasileira.. 8 candomblé afro-brasileiro. A análise que se segue se refere como única fonte de consulta ao registro sonoro em fonograma. Da letra foram selecionados (e transcritos) somente aqueles trechos com referência direta ao candomblé. portanto. 13 Segundo a mitologia.13 O homem que diz „dou‟. dando-lhe. As “faixas [eram] mais longas do que gostam os homens de rádio”.Kuehn. dando-o aos homens.. 1966). segundo o próprio poeta.1 Canto de Ossanha Ossanha ou Ossain é o orixá da terra. o maestro. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. porque quem dá mesmo. C. 2002. das folhas e da medicina. .] Coitado do homem que cai no canto de Ossanha. Frank M. arranjador e regente de todas as faixas. um projeto bastante ousado para a época. As folhas são portadoras de axé. Ossanha é rival de Xangô. Ossanha é. projeto e concepção do disco resultaram num trabalho coletivo considerável. Especificamente a influência de César Guerra-Peixe (1914-1993). no resultado musical do disco bem pode resultar em outro estudo não menos produtivo e revelador. uma dimensão mais universal” (Moraes. representando. nem sofisticações” (Moraes. de quem dizem que tentou roubar Oba. indicando primeiramente apenas alguns aspectos de interesse geral. tendo que enfrentar por isso a ira de Xangô. feito. Visto de forma geral. Na luta. 5. mulher deste. com um “máximo de liberdade criadora e um mínimo de interesse comercial”. não „diz‟ [.

saravá.] Amigo sinhô. que muito vai se arrepender Pergunte pro seu orixá . Canto de Ossanha é certamente o mais conhecido dos Afro-Sambas... meu rei Senhor Salve meu orixá [... Ao compor a música. mas tudo é só amor [. Percebe-se que o arranjo de Guerra-Peixe é particularmente rico em contrapontos rítmicos e melódicos [um exemplo inserir aqui?]. com seu encadeamento harmônico cromático descendente: Dm/fm – E7 – EbM7 – Dm. Baden Powell tinha atingido “o máximo de profundidade em sua carreira de compositor” (Moraes.. contrastando fortemente com a primeira parte.2 Canto de Xangô Xangô faz referência ao fundador da dinastia nagô e uma espécie de antepassado mítico da nação. 5.Kuehn. saravá 14 – Xangô me mandou lhe dizer Se é canto de Ossanha não vá. salve Xangô.] amar .. dotado de extraordinário poder. Por analogia. tanto no Brasil quanto no exterior... sofrer .. salavá. de movimento primordialmente ascendente. o orixá do fogo e do trovão.. Xangô é a entidade da justiça... 1966). 2002.] Xangô meu Senhor Saudação – forma como os escravos pronunciavam a palavra portuguesa “salvar”. A segunda parte modula para o tom relativo maior Ré. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas.. Frank M. fazendo ainda na sua progressão nos interlúdios instrumentais do naipe e nas improvisações da flauta lembrar elementos do jazz estadunidense. Ritmo: samba..amor só é bom se doer [. dizer Compasso: binário.] Xangô agodô... 9 [. [. 2001). C.] Eu sou negro de cor. A primeira parte da composição se desenvolve basicamente com base em uma linha cromática de baixo descendente marcante: Fá-Mi-Mib-Ré. devido influências fonológicas dos bantu (Houaiss. chorar . Por sua origem de realeza. o Santo católico seria o lanceiro São Jorge. Rio de Janeiro: UFRJ. 14 .

Por essa razão. C. no Brasil a orixá das águas salgadas (na África também da água doce). 10 Saravá! Xangô agodô! Compasso: composto.. Ritmo inspirado em toques do candomblé. Composição e arranjo procuram recriar um ambiente de terreiro..Kuehn.4 Canto de Iemanjá Procura musicalmente evocar a imagem de Iemanjá. O agogô. aparece em praticamente todas as faixas do disco. Ritmo inspirado em toques do candomblé. Muito popular em todo o Brasil. os “Four brothers”.. A melodia principal é ricamente ornamentada por contracantos melódicos e variações rítmicas inteiramente pentatônicas que impressionam por sua beleza singela. É representada como Como os saxofonistas norte-americanos Al Cohn.. 15 Interessante são os meios e os recursos singelos de Guerra-Peixe na instrumentação e no arranjo da canção. instrumento que tem. tem uma função fundamental no candomblé. O violão mantêm a marcha harmônica e a linha de baixo do início até o final. Frank M. Iemanjá é considerada a mãe de todos os demais orixás. seu culto se tornou bastante independente dos rituais nos terreiros.3 Bocoché (Segredo) nhen-nhen-nhen [. O tratamento rítmico é de candomblé principalmente em termos de percussão (agogó e afoché) e no fraseado do naipe de sopros. 15 . junto com os atabaques. Rio de Janeiro: UFRJ. Lee Konitz e Gerry Mulligan. 2002.] Compasso: composto. no caso com elementos de west-coast jazz. 5. Zoot Sims.] Menina bonita que foi para o mar Menina bonita que foi para o mar Dorme meu bem que você também é Iemanjá [. 5. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. demonstrando a riqueza rítmica da percussão afro-brasileira. podendo ser encontrada em locais distantes.

em nossa análise auditiva da faixa.] Pandeiro quando toca faz Pedra Preta chegar Viola quando toca faz Pedra Preta sambar [... Iemanjá arrasta a vítima através dos sentidos para as profundezas do mar. capaz de seduzir feito as seréias do épico de Homero. como elementos do samba:     canto responsorial (refrão).] Se você quiser amar. 11 uma sereia de cabelos longos. é dona Janaína que vem Iemanjá. 5. tendo “no samba sua estrutura autenticamente negra”. 5. regendo a maternidade. se você quiser amor Vem comigo a Salvador. breques de samba. por analogia. 2002. Iemanjá. levada de samba com os acentos rítmicos de tamborim ao violão.. compasso binário. tudo termina em samba). Rio de Janeiro: UFRJ.. Música e o arranjo de Guerra-Peixe procuram reproduzir esses efeitos. Sem querer tocar na questão da autenticidade.5 Tempo de amor De acordo com Vinícius de Moraes (1966). é muita tristeza que vem [. modulação harmônica com bordados de samba-choro ao violão.  batucada final (ou seja.6 Canto do caboclo Pedra Preta [. Ritmo: inspirado em toques do candomblé.. Iemanjá. este samba não tem uma relação direta com o tema e o ritmo do candomblé. Iemanjá.] Compasso: composto. Iemanjá. à Virgem Maria. Frank M. Na representação sincrética afro-católica corresponde. pois o canto de Iemanjá é lento. há uma alternância entre o solista e o coro. para ouvir Iemanjá [. Iemanjá... C.. Nas lendas. identificamos.Kuehn.] . hipnotizante e um poderoso sonífero. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas.

] Ela não sabe quanta tristeza cabe numa solidão Eu sei que ela não pensa quanta indiferença dói no coração [. das casas e das pessoas que ali vivem. é o guardião dos templos. das encruzilhadas. O tempo é lento. Canção-balada em forma de “canto instrumental”. outras composições da dupla como Samba da Bênção. 2002. vou a um babalaô Para pedir ela voltar pra mim [. foi Baden Powell que o incentivou a compor essa música.. Rio de Janeiro: UFRJ. de balada. com trechos em rubato e efeitos percussivos.. Destacam-se ainda a batida de samba de Baden Powell ao violão e a variedade rítmica e contrastante do arranjo de Guerra-Peixe..8 Lamento de Exu Exu é o mais humano dos orixás. sendo isto ainda antes de Berimbau (Moraes.Kuehn.. Ritmo: samba..] Porque assim que vou morrer de dor Balada em ritmo de samba-canção e modulação harmônica. Frank M. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. Observações: Por suas características.. 1966). solitário e melancólico.] Sou da linha de umbanda. A melodia é predominantemente pentatônica e lembra uma toada. C. Esta é a única referência do disco ao caboclo ou indígena brasileiro. 12 Compasso: binário. Berimbau e Consolação também podem ser considerados “afro-sambas”. das cidades. talvez o mais conhecido de todos os AfroSambas. . 5. De acordo com Vinícius de Moraes. 5.7 Tristeza e Solidão [. Por estar relacionado com os ancestrais.

A música se desenvolve alternadamente em trechos de recitação e canto de interpretação contida (ou interpretação cool). Frank M.) Porque o samba nasceu lá na Bahia E se hoje ele é branco na poesia Ele é negro demais no coração Eu como exemplo.) O Brasil de todos os santos.. chegou para lutar Berimbau me confirmou. pandeiros e berimbaus. 2002.) À bênção. 5.. 1966). o branco mais preto do país Na linha direta de Xangô.) É o auto-retrato e o famoso cartão de visita de Vinícius de Moraes. Rio de Janeiro: UFRJ. Baden Powell. 13 Segundo Vinícius de Moraes. à bênção. amigo novo.9 Samba da Bênção É melhor ser alegre do que triste (. inclusive o meu São Sebastião Saravá.. elas não entraram no referido disco por serem “demasiadamente conhecidos” (Moraes. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. saravá! (.10 Berimbau Quem é homem de bem não trai O amor que lhe quer seu bem (. tudo em ritmo de balanço de samba. são entoadas canções.... Senhora. o capitão do mato Vinícius de Moraes Poeta e diplomata. saravá. da dança e da autodefesa e em cuja prática. a capoeira é “uma das manifestações mais expressivas da cultura negra no Brasil”. ... C. sempre em roda. Segundo Sodré (1979). parceiro novo (. vai ter briga de amor Tristeza camará Uma reverência de Baden Powell e Vinícius de Moraes à capoeira.. De forma apenas rudimentar: 5. a arte africana do corpo.. saravá! À bênção. com acompanhamento de tambores.) Capoeira me mandou dizer que já chegou. a maior ialorixá da Bahia Terra de Caymmi e João Gilberto (.Kuehn.

26). via apropriação (ou adaptação) musical ao meio social carioca. entretanto. C. p. ou seja.Kuehn. compostos por Vinícius de Moraes e Baden Powell. critica a apropriação indevida e artificial de um terceiro elemento. do jazz norte-americano. brasileira. Destarte. . como na acepção romântica do conceito a busca da própria alma.. já que o elemento afro-brasileiro nasceu justamente de uma reconstrução de identidades diversas num país de realidade essencialmente mestiça. Para Tinhorão. apenas alguns poucos são relativamente bem conhecidos no Brasil e no exterior. Tinhorão. mais do que eu Melodia puramente pentatônica. se não tivesse essa dor (. Rio de Janeiro: UFRJ. Com isso. 14 5.11 Consolação Melhor era tudo se acabar (bis) Se não tivesse o amor. a pesquisa mostrou que a referência de Vinícius de Moraes a entidades e símbolos religiosos de origem africana e cultuados pelo candomblé baiano é praticamente uma constante em sua obra e estende-se a diversas outras parcerias antes e depois do lançamento do disco dos Afro-Sambas.d. 2002. Nesse sentido. no caso do poeta declaradamente mestiça. Frank M.) É que ninguém nunca teve mais. um resultado “mais universal”. Samba da bênção e Berimbau. Embora Tinhorão não explicite a razão do porquê da sua negatividade.. também tendo se originado no negro. Considerações finais Dos Afro-Sambas. Além disso. os Afro-Sambas são uma recriação artística peculiar do samba carioca fundidas com diversos elementos religiosos do candomblé. a dupla Vinícius de Moraes e Baden Powell viu na interpretação das raízes místicas e mitológicas da religiosidade afro-brasileira uma busca de identidade. sincopada e em movimentos ondulatórios e/ou cíclicos. defende um conceito de “pureza” ilusório e aplicado a manifestações de cultura brasileira restritivo demais. “o afro-samba é uma coisa que não existe” (s. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. visando. fazem parte os Afro-Sambas Canto de Ossanha. Destes.. idealizou um “sincretismo novo”.

CASTELLO. 4ª ed. 1972. Oneyda. A influência negra na música brasileira. Roger. In: Boletim americano de música. Contribuição a uma sociologia das interpenetrações de civilizações. abril 1946. Almir. Na cadência do samba. C. além de pertencer simplesmente ao gênero “samba”. Rio de Janeiro: UFRJ.17:2. mas marcado pelo sentimento dionisíaco da vida”. Chega de saudade. dionisíaco – e muito brasileiro. São Paulo: Livraria Pioneira Editora.Kuehn. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. 1999. p. BASTIDE. BÉHAGUE. E. Gerard. Pequena história da música brasileira. O Poeta da paixão. São Paulo: Perspectiva. . Rosa Maria. 2a ed. Rio de Janeiro: Lumiar. n. As religiões africanas no Brasil. DREYFUS. Ao ver no negro – principalmente no carioca – “um grego ainda despojado de cultura e do culto apolíneo à beleza. 1994. __________. Augusto de. Capellato e O. Balanço da bossa e outras bossas. 1997. ainda contêm outras referências de origem africana. portanto. CAMPOS. Frank M. 1986. Ensaio sobre a música brasileira. apolínea. uma composição que. In: Songbook Vinícius de Moraes. São Paulo: Nova Cultural.17. Entrevistas e músicas cifradas. Mário de. vol. São Paulo: Martins. 2 e 3. com a alma negra. 209-233. portanto. 1991. incorporando o elemento negro como algo essencialmente existencial. Dominique. Referências bibliográficas ALVARENGA. Bossa & bossas: recent changes in Brazilian urban popular music. Rio de Janeiro: Imago. diferenciam-se “dos outros sambas” por suas referências explícitas a entidades religiosas do candomblé e isso apesar de as composições não possuírem nenhum destino ou finalidade religiosa propriamente. 1973. branca e européia. In: Ethnomusicology n. ANDRADE. 1985. na sua concepção estética de beleza. COSTA. Nietzsche e a música. O violão vadio de Baden Powell. 4ª ed. São Paulo: Martins.6. p. 1. embasado no mesmo ritmo brasileiro que se origina em raízes africanas. 1993. Tradução de M. Ruy. 2002. Uma biografia. CHEDIAK. DIAS. sendo eles principalmente religiosos. 15 O Afro-Samba é. 1953. Haroldo. Os afro-sambas. São Paulo: Companhia das letras. José. Krähenbrühl. Vinícius de Moraes. São Paulo: Editora 34. CASTRO. de Moraes (1993) quis fundir. 2000. 2a ed. São Paulo: Companhia das Letras.

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Sua pesquisa enfoca questões relativas à prática musical com seus desdobramentos estéticos e filosóficos para a teoria da interpretação e da performance. 1997. Os orixás. 2002. Salvador: Corrupio. 1976. último acesso fev. Gilberto Mendonça. Pierre F. onde passou a atuar em recitais de música erudita e popular. guitarra elétrica e percussão. Atraído pela música brasileira. Petrópolis: Vozes.ig. com tese sobre a Teoria da Reprodução Musical. 2a ed. s/d. e o legado da tradição musical vienense. em convênio com o Instituto Nacional do Livro.hpg. no magistério e na pesquisa acadêmica. Nóbrega. Alemanha. Revisão de junho de 2011 . Frank Michael Carlos Kuehn é natural de Berlim.. 2000. Estudo sobre os elementos afro-brasileiros do candomblé nas letras e músicas de Vinícius de Moraes e seu parceiro Baden Powell: os Afro-Sambas. Definida em áreas de conhecimento. TRAVASSOS.htm. Atualmente. VERGER. MEC. teoria da interpretação. Rio Janeiro: Jorge Zahar. Modernismo e música brasileira. Estudou violão clássico. Músico. TINHORÃO. manifestos prefácios e conferências vanguardistas. sua pesquisa contempla atualmente: interpretação musical. com dissertação sobre a Sinfonia do Rio de Janeiro. Internet http://www. teoria da performance. José Ramos.com. Deuses iorubás na África e no novo mundo. É Mestre em Música pela UFRJ. de 1857 até hoje. Rio de Janeiro: JMC. de Theodor Adorno. participou de diversas formações musicais. é pesquisador independente. Frank M. de autoria de Antonio Carlos Jobim.Kuehn. É Doutor em Música pela UNIRIO. C.br/index.omundodosorixas. teoria da arte e filosofia da música. Billy Blanco e Radamés Gnattali. Elizabeth. emigrou para a cidade do Rio de Janeiro. 17 TELES. Vanguarda européia e modernismo brasileiro: apresentação dos principais poemas. 5a ed. 2002. Tradução de Maria A. Música popular – um tema em debate. Rio de Janeiro: UFRJ.

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