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REDAÇÃO – TEORIA/TÉCNICA/TEMAS/MODELOS

APOIO GRAMATICAL

TEORIA/TÉCNICA

Resumir um texto é exercício de grande validade para aprendermos a diferenciar uma informação básica de um aspecto menos significativo, que acaba por constituir mero detalhe (por isso mesmo, às vezes, dispensável). Procure identificar, em cada uma das passagens abaixo, a informação básica dos fatos ali mencionados: a) “Quando eu tinha quatro anos de idade eu morava com uma tia viúva e já idosa, que passava a maior parte do dia acariciando um gatarrão peludo sentada numa velha e rangente cadeira de balanço, na sala de jantar da nossa casa, que ficava nos subúrbios, próximo ao hospital São Sebastião, já era louco por futebol.” b) “Ao compararmos a excelência de dois times de futebol, não devemos dizer simplesmente que é melhor aquele que obtém um maior número de vitórias em um determinado período de tempo, principalmente se essa diferença não foi numericamente significativa. O que devemos comparar é a infra-estrutura de cada equipe, capaz de assegurar a permanência dos resultados positivos, afastando da análise fatores enganosos, porque casuais – a sorte numa partida, o auxílio do juiz em outra, que podem nos levar a uma conclusão falsa.” c) “O tom tem por função valorizar determinadas palavras, precisando-se melhor, indicar como devemos recebê-las do expositor e revelar toda uma gama de sentimentos deste em referência ao que nos diz. É tal a sua importância na linguagem que na linguagem escrita, na qual ele não pode figurar, temos de recriá-lo na leitura mesmo mental, para podermos apreciar e até compreender o texto. A leitura em voz alta na escola primária tem principalmente por fim dar-nos a capacidade de espontaneamente emprestar o tom adequado às palavras escritas que temos diante de nós e sem o qual ficam irremediavelmente mutiladas.” (Mattoso Câmara) d) “Direitos políticos sem direitos civis e desportivos de convicção cívica da liberdade individual e dos limites do poder do Estado redundam numa cidadania incompleta. Daí o trágico descompasso entre formalismo eleitoral e as velhas mazelas anacrônicas, como o clientelismo, a irresponsabilidade da coisa pública, o paternalismo, o empreguismo e a impunidade. Tudo isto estaria na base do desencanto com as instituições democráticas, com os partidos políticos, com o Congresso e com os representantes do povo.” (JB, 20/09/1992) Temos certeza de que, se temas polêmicos forem propostos a um grupo, as opiniões vão divergir consideravelmente. Sendo assim sugerimos que, diante de uma proposta de tema polêmico, analisemos a proposição de maneira equilibrada, ponderada, apresentando os prós e os contras, o que em nada irá tornar nossa relação desprovida de posicionamento, bastando que deixemos claro que se trata de assunto de difícil conclusão. Então, sugerimos o esquema que se segue: 1º Parágrafo (Introdução) Apresentação do tema através de uma tese + Posição genérica

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2º Parágrafo (Desenvolvimento): Discussão dos aspectos favoráveis 3º Parágrafo (Desenvolvimento): Discussão dos aspectos contrários 4º Parágrafo (Conclusão): Retomada do posicionamento + Consideração final CONSIDERAÇÕES: 1) É comum a pergunta sobre a validade de expor a tese através de uma frase interrogativa. Nesse caso, há validade, e será um bom recurso estilístico. 2) No desenvolvimento, você tanto poderá iniciar a discussão pelos aspectos favoráveis como pelos aspectos contrários. 3) É possível que, a despeito de encontrarmos prós e contras quanto à discussão de temas polêmicos, você tenha uma posição firmada, ou tenha uma ligeira inclinação para uma ou outra postura; dessa forma, não há necessidade de que você conclua, afirmando que “diante dos fatos tão divergentes fica fácil assumir uma posição definitiva”. Você pode, e deve, se assim tiver razões estabelecidas, definir uma posição, já que alguns aspectos se sobrepõem a outros. Vejamos, agora, uma dissertação-exemplo. Procure assinalar os elementos apresentados no esquema e encontrados no texto. A IMPLANTAÇÃO DA PENA DE MORTE NO BRASIL Não é de hoje que, no Brasil, vem-se discutindo acaloradamente sobre a implantação da pena de morte, sem que se tenha posição firmada, já que se trata de questão bastante polêmica. Os que defendem a pena de morte argumentam a partir do fato de ser o nosso país detentor de um alto índice de criminalidade de diversas naturezas. Essa legislação viria intimidar os assassinos perigosos, impedindo-os de cometer os crimes denominados hediondos. Acrescentam, ainda, a certeza de, com ela, vermos resolvido o problema da superlotação dos presídios. Outros, no entanto, não aceitam a idéia de um ser humano tirar a vida de um semelhante, por mais tenebroso que seja o delito cometido. Argumentam que injustiças seriam cometidas nos julgamentos de cidadãos inocentes, em um país onde o sistema judiciário é tão falho. Apoiam-se, além disso, em princípios religiosos que desdenham a idéia e ainda citam que em algumas partes do mundo onde a pena de morte foi implantada crimes bárbaros não deixaram de acontecer. Diante do que foi exposto, percebemos o quanto é difícil estabelecer uma posição definitiva sobre o assunto, mas o que todo nós gostaríamos de ver acontecer é que o país passasse por uma profunda reformulação, atingindo o combate às causas de tantos crimes violentos que fazem parte do nosso diaa-dia. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 1- Qual o ponto de vista do autor? 2- Que argumentos foram utilizados para defender a implantação da pena de morte? 3- Que argumentos contrários foram utilizados? 4- Qual a conclusão apresentada? 5- Apresente o seu ponto de vista. 6- Exponha argumentos: Favoráveis:

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Contrários: Temas de Debate Apresentamos, a seguir, alguns temas de caráter polêmico, que permitem abordagens, por isso mesmo, diametralmente opostas, conforme o posicionamento do redator a respeito. Nosso exercício consiste em levantar um ponto de vista para o tema e três argumentos que permitam o seu desenvolvimento. TEMA Nº 1 Países do terceiro mundo devem exercer controle sobre a natalidade? Ponto de vista: Argumentos: 1, 2 e 3

TEMA Nº 2 As novelas de televisão exercem influências negativas ou positivas? TIRANDO A ROUPA NO AR Sexo na televisão tem-se mostrado o recurso mais comum para levantar a audiência. Desde que a censura foi extinta, em 1988, as redes de TV não cessaram de testar a tolerância dos telespectadores com cenas e temas cada vez mais ousados. A tal ponto que a então polêmica minissérie Malu Mulher (1979) parece um folhetim água-com-açúcar se comparado às cenas de nudez e à temática de Engraçadinha (1995), dramatização do romance homônimo de Nelson Rodrigues. Ponto de vista: Argumentos: 1, 2 e 3 TEMA Nº 3 Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és. Ou não? Ponto de vista: Argumentos: 1, 2 e 3 TEMA Nº 4 As invasões dos sem-terra: condenáveis ou justificáveis. Ponto de vista: Argumentos: 1, 2 e 3 TEMA Nº 5 Deve-se condenar o profissional por uma atitude de âmbito pessoal? Ponto de vista: Argumentos: 1, 2 e 3 TEMAS EM DEBATE / CONSTRUÇÃO DE PARÁGRAFOS / APOIO GRAMATICAL

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Dados os temas, construa o parágrafo de abertura de uma redação, evidentemente já apresentando o seu ponto de vista. TEMA Nº1 A publicidade, com seu fascínio, é fator de alienação social? TEMA Nº2 O jovem é um alienado social na sua irreverência. TEMA Nº3 O Brasil fica a cada dia mais racista.

Proposta de Redação A criminalidade e a violência urbana são alguns dos principais problemas das grandes cidades brasileiras na atualidade. Esses temas ocupam boa parte do noticiário da TV e das páginas dos jornais, veículos que procuram conferir objetividades às informações apresentadas, mas que, na maioria das vezes, ignoram as dimensões humanas e históricas do assunto. A partir da leitura dos trechos reproduzidos a seguir, elabore um texto que discuta: (1) o problema da violência urbana e (2) as diferentes abordagens com que a literatura e a grande mídia (TVs, jornais e revistas) tratam o crime e a desigualdade social. Poesia, minha tia, ilumine as certezas dos homens e os tons de minhas palavras. É o verbo, aquele que é maior que o seu tamanho, que diz, faz e acontece. Aqui ele cambaleia baleado. (...) Falha a fala. Fala a bala. (Cidade de Deus, Paulo Lins) Rápido procurei um modo para que parassem de bater. Fingi que desmaiava. Deram mais umas cacetadas, como não reagi, agüentei firme travando os dentes, passaram a fúria para minhas coisas. Meus livros tomaram borrachas qual estivessem sendo surrados. Meu radinho de pilhas espatifou-se na parede, tudo foi para os ares. Depois de pisarem em cima de tudo, fecharam a porta e foram embora. Do jeito que me largaram, fiquei. A pancadaria continuou, um a um, com dois turnos de guardas, até chegar ao porão. Então fizeram festa com os companheiros já arrebentados pelos guardas do presídio. (Memórias de um sobrevivente, Luiz Alberto Mendes) Pássaro, Ceará, Nana e Dinas tinham dado entrada no Instituto Médico Legal às seis horas da tarde, deram muito trabalho para os médicos. Resolveram não tirar todas as balas, já haviam tirado mais de cinqüenta e precisavam dar baixa em mais três que tinham vindo do Capão também. Foi uma das maiores chacinas da região, saiu nos jornais de manhã e entrou na estatística à noite. (Capão pecado, Ferréz) CONSTRUÇÃO DO PARÁGRAFO – TÓPICO FRASAL 1. Leia o texto a seguir. O PLANETA ESQUENTA

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Verões tórridos com temperaturas próximas a 50ºC nos Estados Unidos, fortes chuvas e enchentes na Europa Ocidental, invernos quentes e ensolarados no Sudeste do Brasil. O rosário de alterações no clima e na temperatura causa nos desavisados a sensação de que o clima do planeta enlouqueceu. Pior: produz o medo de que a Terra seja conduzida a uma sucessão de tragédias. Os pesquisadores são menos alarmistas, mas, diante da carência de dados para analisar essa variedade tão complexa de fenômenos, se dividem e permanecem mergulhados em uma atmosfera de incertezas. “Infelizmente, ainda não é possível afirmar se o aquecimento do planeta é anormal ou se o clima na atmosfera terrestre irá mudar de forma preocupante nas próximas décadas”, admite o chefe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre. As Informações confiáveis sobre alterações de clima só começaram a ser registradas nos últimos 125 anos. “O prazo é pequeno”, afirma Nobre. “O planeta pode estar respeitando um ciclo de 300 ou 500 anos, impossível de ser mapeado com exatidão.” Nesse período, pode-se constatar, no entanto, que a temperatura média da Terra aumentou 0,5º, passando de 15,5º para 16º. Parece pouco. Mas para os especialistas é alarmante. A explicação mais aceita é a de que esse acréscimo se deve ao efeito estufa, o aquecimento gradual da atmosfera terrestre provocado pelos gases liberados com a queima de combustíveis fósseis, como gasolina e óleo diesel, e queimadas em florestas tropicais como as da Amazônia ou da Malásia. [...] Tal ocorrência poderá provocar um degelo descontrolado nas calotas polares e conseqüentemente interferir de forma decisiva nas marés, inundando enormes áreas em todo o planeta. (Eduardo Marini e Liana Mello. Isto É, 27-09-1995.) 2. Faça agora o que se pede. a) Copie o tópico frasal do texto lido. b) Identifique as três partes principais (introdução, desenvolvimento e conclusão), dando um título a cada parte. c) Escreva um outro parágrafo para esse texto, como conclusão. 3. Escolha alguns títulos e temas apresentados e redija um parágrafo sobre eles. Superávit de mulheres é de 1,8 milhão

DESCRIÇÃO Consiste na caracterização de um objeto, ser ou paisagem, ou seja, é o tipo de redação na qual o autor se preocupa, sobretudo, em fornecer um “retrato verbal” daquilo que se propôs descrever, fazendo observar a seqüência de aspectos e características que o compõe. Vale ressaltar que uma descrição pode se basear em qualquer elemento existente no universo real ou imaginário. Uma mulher, por exemplo, pode ser descrita em seus aspectos físicos ou em sua dimensão existencial e subjetiva – ainda que, nesse caso, o texto descritivo se invista de uma atitude mais literária (é o que chamamos de descrição literária, em oposição à descrição técnica, mais fria e objetiva). Você vai ler um texto humorístico de Jô Soares. Reflita sobre o que ele diz, depois faça uma descrição pessoal, procurando criar um auto retrato em que se possa identificar suas características físicas e, mais importante ainda, psicológicas. Dê um título a seu texto. Oh. quanta insegurança existe no mundo em relação ao próprio aspecto físico! “Espelho meu, espelho meu, existe alguém no mundo mais lindo do que eu?” Se você é desses ou dessas que têm esse tipo de dúvida, saiba: VOCÊ SÓ É FEIO MESMO SE:

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Você mandou um retrato seu para o “Acredite se quiser” e o enviaram de volta com um bilhete que está escrito: “Eu não acredito!” Ao assistir um filme de terror, as pessoas ao seu lado se assustam mais com você do que com Freddy Krueger. Quando você se olha no espelho, a imagem do espelho vira de costas. Você resolve brincar o Carnaval usando uma fantasia de Frankenstein e as pessoas só gritam se você tirar a máscara. Quando você nasceu o médico o empurrou de volta dizendo; “Fica aí mais um pouquinho que você não está pronto ainda”. Numa ida a um barbeiro que ainda não o conhece, ele pergunta: “É pra cortar só o cabelo ou a cabeça toda?” Alguém se refere a você explicando que sua beleza é interior e você descobre que estão

Tem de cobrir o rosto, colocando a máscara de oxigênio num vôo, e todos os passageiros aplaudem. Ao vê-lo pela primeira vez, todo enroladinho na manta no colo da enfermeira, sua mãe exclamou: “Vira ele de cabeça pra cima”. Você dá conta, depois de anos de tentativas inúteis para, arranjar uma namorada, de que só quem deseja mesmo o seu corpo são os pernilongos. As autoridades foram obrigadas a lhe conceder uma licença especial para usar a foto de outra pessoa na sua carteira de identidade. Quando criança, você saiu para passear carregando um bonequinho do Baby Sauro e um desconhecido perguntou para a babá: “São gêmeos?”

NARRAÇÃO Ao encadear uma seqüência de fatos (reais ou imaginários) em que personagens se movimentam num certo espaço à medida que o tempo passa, você está assumindo a atitude lingüística da narração. Em outras palavras você está usando a linguagem verbal para construir um universo dinâmico, sujeito a constantes transformações. Escrevendo a sua historia, você está produzindo uma narrativa escrita, que, justamente por ser escrita, deve prender-se às formas específicas que nossa língua assume nessa modalidade. Fique atento, pois importantes diferenças entre o que se narra oralmente e o que se narra por escrito. Numa narrativa, costuma-se passar de um estado inicial de equilíbrio para um estado final em que, depois de uma série de fatos e acontecimentos, se restabelece o equilíbrio (diferente ou não do equilíbrio inicial). Dessa forma, é comum que um texto narrativo apresente a seguinte estrutura: Apresentação: É a parte do texto em que são apresentados alguns personagens e expostas algumas circunstâncias da história, como o momento e o lugar em que a ação se desenvolverá. Cria-se, assim, um cenário e uma marcação de tempo para os personagens iniciarem suas ações. Atente para o fato de que nem todo texto narrativo tem esta primeira parte: há casos em que já de início se mostra a ação em pleno desenvolvimento. Complicação:É a parte do texto em que se inicia propriamente a ação: por algum motivo, acontece alguma coisa ou algum personagem toma uma atitude que da origem a transformações no estado inicial, expressas em um ou mais episódios. Encadeados, esses episódios se sucedem, conduzindo ao clímax. Clímax: É o ponto da narrativa em que a ação atinge seu momento crítico, tornando inevitável o desfecho. Desfecho ou desenlace: É a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens. Restabelece-se o equilíbrio, podendo haver espaço para uma avaliação de tudo o que foi narrado. Os episódios que compõem a narrativa costumam seguir uma seqüência cronológica. No entanto, se você optar por apresentar o desfecho antes da complicação e do clímax, deve ficar sempre atento ao uso adequado dos tempos verbais. Os verbos (e suas marcas temporais) e os advérbios e conjunções que indicam tempo é que irão garantir a coesão entre as várias partes da narrativa. Os personagens têm muita importância na construção de um texto narrativo. Basicamente, podemos falar que há um protagonista (personagem principal) e um antagonista (personagem que tenta impedir o protagonista de realizar seus propósitos). Ao lado deles agem os adjuvantes ou coadjuvantes personagens secundários em alguns casos, e protagonista e antagonista não são indivíduos, mas sim grupos. Um outro elemento fundamental para o sucesso de um texto narrativo é o narrador. De acordo com suas intenções, você terá de criar um narrador capaz de fornecer ao leitor mais ou menos informações sobre os fatos narrados. É ele que mostra o que está acontecendo, atuando como intermediário entre a ação narrada e o leitor. O narrador pode ser um dos personagens, expondo o que presencia em primeira pessoa (eu, nós). Pode expor a ação como quem a observa de fora (como uma câmera de cinema), utilizando para isso a terceira pessoa (ele, ela, eles, elas). No primeiro caso, o narrador apresenta apenas

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aquilo que testemunha ao participar dos acontecimentos. No segundo caso, pode ser onisciente (chegando a expor até mesmo pensamentos de personagens) e onipresente. Em ambos os casos, pode fazer comentários endereçados ao leitor. De qualquer forma, nunca esqueça que o narrador não é você mesmo mas um elemento da narrativa criado pelo produtor de textos que há em você. CARACTERÍSTICAS DO TEXTO ARGUMENTATIVO/PERSUASIVO O que diferencia a proposta de carta argumentativa da proposta de dissertação é o tipo de argumentação que caracteriza cada um desses tipos de texto. O texto dissertativo é dirigido a um interlocutor genérico, universal. Por outro lado, a proposta de carta argumentativa pressupõe um interlocutor específico para quem a argumentação deverá estar orientada. Essa diferença de interlocutores deve necessariamente levar a uma organização argumentativa diferente, nos dois casos. Até porque, na carta argumentativa, a intenção é freqüentemente a de persuadir um interlocutor específico (convencê-lo do ponto de vista defendido por quem escreve a carta ou demovê-lo do ponto de vista por ele defendido e que o autor da carta considera equivocado). Tal modelo de texto apresenta algumas vantagens. O pressuposto é o de que, se é definido previamente quem é seu interlocutor sobre um determinado assunto, você tem melhores condições de fundamentar sua argumentação. Exemplificamos, mais ou menos concretamente, algumas situações argumentativas diferentes, para que fique claro que tipo de fundamento está por trás desta proposta. Imagine-se um defensor ardoroso da legalização do aborto. Perceba que sua estratégia argumentativa seria necessariamente diferente se fosse solicitado a: • escrever uma dissertação sobre o assunto, portanto, escrever para o nosso “leitor universal”; • escrever ao Papa, para demonstrar a necessidade da Igreja Católica, em alguns casos, rever sua postura frente ao aborto; • escrever a um congressista procurando persuadi-lo a apresentar um anteprojeto para a legalização do aborto no Brasil; • escrever ao Roberto Carlos procurando persuadi-lo a incluir, em seu CD de final de ano, uma música em favor da descriminação do aborto. Não fica mais fácil decidir que argumentos utilizar conhecendo o interlocutor? É por isso que é tão importante que você, durante a elaboração do seu projeto de texto, procure representar da melhor maneira possível o seu interlocutor, uma vez conhecido. Modo Agente Conteúdo Tempo Classes palavras Tempos Verbais DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS ENTRE ESSES TRÊS MODELOS Descritivo Narrativo Dissertativo/Argumentati vo Observador Narrador Argumentador Seres, objetos Cenas, processos Momento único Substantivos e Adjetivos Presentes ou Imperfeito indicativo (preciso/precis ava) Ações Acontecimento s Sucessão Verbos, advérbios Pretérito Perfeito do indicativo (precisei) Opiniões Argumento Ausência Verbos Conectores Presente do (PPS) (precisamos)

de

indicativo

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TIPOS TEXTUAIS TEXTO Normativo Informativo Didático Fático Divinatório Exortativo Expressivo FUNÇÃO Regulamentar Informar Ensinar Relacionar-se Prever Convencer Expressar-se MODELOS Leis, portarias, regulamentos, estatutos Notícias, avisos, comunicações, bulas Livros escolares, Conferências Correspondência, cumprimentos Horóscopos, Oráculos Requerimentos, textos publicitários Diários, confissões

Embora o foco desta proposta seja um determinado tipo de argumentação, o fato de que o contexto criado para este exercício é o de uma carta implica também algumas expectativas quanto à forma do seu texto. Por exemplo, é necessário estabelecer e manter a interlocução, usar uma linguagem compatível com o interlocutor (por exemplo, não se dirigir ao Papa com um E aí, Santidade, tudo em cima?, muito menos despedir-se de tão beatífica figura com Pó, cara, tu é do mal!). Mas que fique bem claro: no cumprimento da proposta em que é exigida uma carta argumentativa, não basta dar ao texto a organização de uma carta, mesmo que a interlocução seja natural e coerentemente mantida; é necessário argumentar. Atenção! 1. Fica valendo, para todos os temas propostos, o texto dissertativo-argumentativo; para as turmas de EsPCEx, os outros tipos de texto, inclusive. 2. Todos os seus trabalhos redacionais deverão apresentar título, preferentemente criativo. 3. Seu trabalho não poderá apresentar menos de 15 (quinze) linhas, para que seja corrigido. Estaremos cobrando sempre de 25 a 30 linhas. 4. Os esquemas apresentados em aula são uma sugestão e não uma obrigação.

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5.

Critérios de Avaliação Adequação do Adequação do tipo de texto tema Coerência Coesão Adequação ao padrão culto da língua

Zero

0,5

1,0

1,5

2,0

Total deFuga total aoFalta de divisão desarticulação Fuga Total. tema proposto. entre as partes. textual. Falta de Abordagem Texto sem domínio de superficial, Falta de divisão de dois dos três Menos de 15 comprovando a articulação parágrafos, níveis: linhas. falta de entre os faltando uma semântico, entendimento do parágrafos. das partes. morfossintático tema. e ortográfico. Apresenta as Apresenta o três partes, mas Inadequação Apresenta o ponto de vista os argumentos Falha no uso vocabular e problema e não sem não contribuem dos conectores. desvios de dá sugestões. argumentações. para a tese registro. defendida. Não cumpriu Apresenta totalmente a Ocorrência de Apenas alguns apenas um solicitação da Inteligibilidade um erro de problemas sem argumento ou abordagem levemente regência, prejuízo do redundância temática comprometida. colocação e entendimento. argumentativa. (tangenciamento concordância. ). Atendimento do Adequada tema proposto, exposição dos Presença das Perfeita apresentação de argumentos para três partes do articulação e Domínio total sugestões, o ponto de vista texto, com uso correto de da norma culta confronto e apresentado, argumentos elementos e da ortografia. articulação de com "provas" e coerentes. coesivos. conhecimento de conclusões. outras áreas. Outro texto. tipo

Coerência deve ser entendida como unidade do texto. Um texto coerente é um conjunto harmônico, em que todas as partes se encaixam de maneira complementar de modo que não haja nada destoante, nada ilógico, nada contraditório, nada desconexo. No texto coerente, não há nenhuma parte que não se solidarize com as demais.

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Coesão é a conexão interna entre os vários enunciados presentes no texto. Diz-se, pois, que um texto tem coesão quando seus vários enunciados estão organicamente articulados entre si, quando há concatenação entre eles. A coesão de um texto, isto é, a conexão entre os vários enunciados obviamente não é fruto do acaso, mas das relações de sentimento que existe entre eles. Essas relações de sentido são manifestadas sobretudo por certa categoria de palavras, as quais são chamadas conectivos ou elementos de coesão. Sua função no texto é exatamente a de pôr em evidência as várias relações de sentido que existem entre os enunciados. São várias as palavras que, num texto, assumem a função de conectivo ou de elemento de coesão: - as preposições: a, de, para, com, por, etc.; - as conjunções: que, para que, quando, embora, mas, e, ou, etc.; - os pronomes: ele, ela, seu, sua, este, esse, aquele, que, o qual, etc.; - os advérbios: aqui, aí, lá, assim, etc. O uso adequado desses elementos de coesão confere unidade ao texto e contribui consideravelmente para a expressão clara das idéias. O uso inadequado sempre tem efeitos perturbadores, tornando certas passagens incompreensíveis.

Elementos de coesão textual INTRODUÇÃO 1ªfrase 1 – É notório que... 2 – Todos sabemos que... 2ª frase 1 – Dentre tantos fatores, temos... 2 – Entre tantos motivos relevantes, temos... 3 – Comenta-se que um dos maiores problemas... 3 – De acordo com o problema mencionado... 4 – Observa-se que... 4 – Esta irresponsabilidade pode ser vista... 5 – Tem sido generalizada a opinião de que... 5 – Esta é uma questão que deve ser avaliada... 6 – Tornou-se comum a afirmação de que... 7 – É consenso que... 8 – Todos conhecimentos que... 9 – É preciso, inicialmente, observar que... 10 – Deve-se analisar, primeiramente, que... DESENVOLVIMENTO 1 – Não podemos esquecer que... 2 – É preciso frisar que... 8 – Ao examinarmos algumas causas... 9 – Podemos mencionar, por exemplo, que... 3 – É necessário frisar, por outro lado que... 10 – Outro fator indispensável... 4 – Ainda podemos analisar que... 11 – Por outro lado... 5 – Ainda convém lembrar que... 12 – Além disso... 6 – Pelo simples fato... 7 – Ademais... CONCLUSÃO 1 – Diante disso... 2 – Desse modo... 13 – Finalmente... 14 – Observa-se que... 6 – Dessa forma... 7 – Portanto,...

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3 – Em vista dos argumentos mencionados... 4 – Em suma... 5 – Como se vê...

8 – Em vista do que foi mencionado... 9 – Sendo assim...

A – CRITÉRIOS

CRITÉRIOS

E

DICAS1

1. Linguagem clara: geralmente compreendida como o uso da habilidade de comunicação escrita do autor, sem “rodeios”, a fim de expor seu ponto de vista. 2. Obediência à norma culta da língua: uso do vocabulário sem expressões coloquiais (gírias ou outros termos pejorativos), observando o padrão gramaticalmente aceito, sob a ótica denotativa. 3. Adequação ao tema proposto: observação atenta do enunciado e desenvolvimento do texto partindo do que foi proposto; as aproximações e/ou relações são bem aceitas, desde que haja pertinência com o tema. 4. Capacidade em adequar repetições e novidades: habilidade em repetir e criar palavras (neologismos), respeitando o universo semântico (sentido) das palavras. 5. Texto objetivo: texto que se mostra sucinto e direto, sem ser prolixo (escrever muito e não falar nada, “cachorro cotó que quer morder o próprio rabo”). 6. Não copiar o enunciado: caso o autor deixe de cumprir esse critério, fica exposta sua nãohabilidade em dissertar sobre o assunto, pois o enunciado serve para ambientá-lo na área temática proposta. 7. Capacidade em argumentar: habilidade em refletir sobre o tema proposto, conjugando o princípio da criatividade (universalização das idéias), demonstrando atualização e informações, ao menos, aproximadas do problema levantado, parte mais privilegiada dos concursos vestibulares. 8. Ritmo: faz parte da estrutura do texto e se resume na capacidade em ordenar (esteticamente) as palavras, ou seja, fazer com que o texto expresse uma idéia de coesão vocabular, com atenção ao significado dado às palavras (sentido conotativo) e sua utilização em determinados contextos. 9. Seqüência: atenção para com a estrutura textual (Introdução, Desenvolvimento e Conclusão), respeitando o estilo e ritmo percebidos no texto, sob a ótica linear da escrita, também, conhecido como coesão. 10.Hierarquia: na composição do texto as idéias seguem uma ordem designada pelo autor, todo texto contém essa referência. Se você determinou que valer-se-á de uma idéia geral (universal) para uma específica (particular) há de seguir até o fim tal determinação, ou seja, partindo em forma crescente ou decrescente. 11.Musicalidade: tal idéia é comumente vista em estudos de textos poéticos e/ou em verso. Atentando para tal tradição convém clarear que se trata, exclusivamente, da sonoridade (melodia) das palavras, obtidas na composição do texto (há palavras que não se combinam) e, não-necessariamente, são capturáveis pela revisão gramatical tomada pela idéia de morfologia, sintaxe, fonologia ou fonética; resume-se à fluidez das palavras. 12.Sintaxe: ordenação/colocação das palavras no corpo do texto. 13.“Lugar comum”: uso excessivo de uma idéia e/ou justificativa que já está devidamente desgastada com o tempo e/ou apresenta pouca profundidade, o que “todos” falam. 14.Não ultrapassar o número de linhas: o enunciado pede um determinado número de linhas, não seja tão econômico e/ou ultrapasse, pois o leitor poderá prejudicá-lo. 15.Diminutivos e adjetivos: são formas que empobrecem o discurso escrito e não se “encaixam” na norma culta da língua. Caso não tenha como evitá-los, procure não exceder.

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Todos os quesitos aqui dispostos devem ser conjugados pela lógica do “bom senso”, pois a redação, no vestibular, é gestada pequeno (25 a 30 linhas) para o desenvolvimento de uma idéia.

em um espaço relativamente

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16.Pergunta no texto dissertativo: é uma questão polêmica, atentando mais para a estilística. Há grupos que defendem o uso (de acordo com estilo e desde que seja respondida), outros abominam. Na dúvida evite. 17.Letra legível: escrita com caracteres claros que possibilitam, ao leitor, compreensão imediata. Caso você não escreva normalmente em letra de fôrma (importante diferenciar as caligráficas e as tipográficas), não o faça na hora, mantenha seu estilo. Não é proibido o uso da letra de forma, a não ser quando indicado no edital e/ou enunciado do tema. 18.Contradição semântica: não apresentar elementos semânticos que contradigam um conteúdo expresso ou subtendido anteriormente. 19.Concordância: geralmente se observa as tradicionais (nominal e verbal), mas também se concentra no uso correto de conexões (articulação de sentidos) utilizadas no interior do texto. 20. Linguagem oral ≠ linguagem escrita: aprendemos desde as séries iniciais que não se fala como se escreve e nem se escreve como se fala, principalmente em um texto gerido pela norma “culta” da língua. Mas é um dos maiores erros cometidos no processo de construção de textos. Há de observar o fato de que o mesmo não se dá apenas pelo uso da linguagem coloquial, mas pela caracterização do discurso utilizado na argumentação. * Na mensuração/medição do texto (nota) é observado, atentamente, os itens elencados, “checando” as informações dadas pelo autor, assim como questionando, a partir da opinião do autor, a coerência com o tipo de mundo representado e a pertinência dos argumentos. Costuma-se ler, dependendo do peso que a redação tem na configuração de médias e/ou notas, 02 (duas) vezes o mesmo texto a fim de não haver prejuízo para o autor, assim como realizar uma aproximação, qualitativa (dentro da universalidade de estilos), dos textos. * ao anotar (no texto) “estrutura”, refiro-me aos itens 4, 8, 9, 10 e 11. B – “DICAS”2 1. Visão crítica não é “falar mal de...”, mas desvelar o que está contido em uma idéia e/ou argumento, procurando desenvolver uma idéia que envolva o leitor e que mostre conhecimento de causa pelo autor. 2. A leitura enriquece o vocabulário e melhora a escrita. Cultive esse hábito. 3. Só comece a escrever depois de ter certeza do conteúdo que quer transmitir. Para isso, faça um planejamento mental. 4. Prefira as frases curtas. 5. Leia algumas vezes o tema. 6. Sublinhe as palavras-chave caso haja coletânea de textos e/ou fragmentos. 7. Apreenda a idéia comum dos textos oferecidos, caso haja. 8. Não fuja do tema proposto. 9. Não utilize palavras “difíceis” sem conhecer o significado delas. 10. Não seja radical na exposição das idéias. 11. Não fique no senso comum nem utilize apenas argumentos prontos. 12. Não copie trechos da coletânea de textos apresentados, caso haja. 13. Não perca a lógica da argumentação. Desenvolva uma linha de raciocínio. 14. apresente grafia legível e de preferência cursiva; 15. faça margens regulares; 16. Releia a redação depois de pronta. 17. Não esqueça do título, caso seja exigido. 18. Muitos dos temas são “polêmicos”. Explore as diversas interpretações possíveis, fazendo análises e correlações. 19. Tire suas próprias conclusões e siga um desenvolvimento próprio. 20. Leia várias vezes o que escreveu. Alguns erros passam despercebidos em uma primeira leitura. 21. Não se deixe levar pelas emoções. Mantenha uma postura racional.
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Não encare esse item como “fôrma” e/ou “receita de bolo”, mas como orientações básicas e/ou “formas”.

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22. Um texto simples, claro e objetivo causa melhor impressão que uma erudição forçada. 23. Foque o texto em um assunto. Falar de muitas coisas ao mesmo tempo atrapalha o desenvolvimento das idéias. 24. Evite termos da moda (alavancar processos, otimizar resultados, desenvolver atitudes proativas), chavões (antes de mais nada, a nível de, luz no fim do túnel, fazer uma colocação, avançada tecnologia) e estrangeirismos ("feeling”, “full-time”, “feedback”). 25.Não se valha de conselhos e/ou previsões, tipo: “quando nos conscientizarmos..., quando dermos as mãos...”; isso indica que você não tem muita visão crítica do assunto abordado ou esgotou seus argumentos e não tem força para concluir. 26.Não faça um texto demasiadamente explicativo, pois esse tipo de linguagem cansa o leitor, valha-se da sugestão de idéias, permitindo ao leitor uma interação maior e fazendo com que as idéias fiquem mais sedutoras, mais convincentes. 27.Transforme informações em argumentos, ou seja, valha-se insistentemente de informações veiculadas – ou não –, a fim de que sua argumentação paute-se pela qualidade. 28. Leia sempre o manual do candidato – o da UERJ, normalmente, traz as várias etapas a serem seguidas no processo de construção do texto. 29. Leia atentamente os enunciados e tente compreender o que se pede, pois a forma de estabelecer o problema já denuncia um possível caminho de seu desenvolvimento, eleja seu ponto de partida. 30.Linguagem oral é muito diferente de linguagem escrita, ou seja, não se escreve como se fala e não se fala como se escreve, não se escrevendo (em alguns casos) o que se fala e nem se falando o que se escreve, ex: comumente você ouve ou pronuncia a expressão “çangui bão”, escreve-se “sangue bom”, mas a “língua padrão” (?) exige uma outra expressão fora essa, pois é um maneirismo – ou gíria. Você pode até valer-se de tal expressão no texto, desde que entre aspas (“”), mas com o devido cuidado de não fazer um texto todo “aspado”. Como já foi dito, essa discussão você tem acesso já nas séries iniciais, mas é um erro/vício muito comum, também observado entre estudantes do ensino superior. 31.Faça sempre perguntas ao enunciado, diferenciando nelas a idéia de tema e título (eleja um número básico de perguntas centrais a serem respondidas/enfrentadas por você, lembre-se que a pergunta já demonstra o possível percurso de uma resposta). 32. A dissertação é um ato que desenvolvemos todos os dias, é o tipo de texto no qual expomos idéias gerais, seguidas de apresentação de argumentos que se comprovem. Está dito que o mesmo compõe-se de introdução (I), Desenvolvimento (D) e Conclusão (C), mas não está dito que tenha que, necessariamente, obedecer a tal ordem. Caso siga a linearidade (ou simetria) do I D C “cegamente”, você poderá estar matando toda uma tradição de escrita que se pauta por outra ordem, além de repetir o que já se esgotou nos vestibulares: o “formato padrão” dos textos. Evite as cansativas conclusões, tais como: “Por tudo que foi dito acima...”, “Como dito anteriormente...”, “Ademais...”, “A título de conclusão...”, “Por fim...”. Não está dito que você não possa repetir palavras (na UFRJ isso é muito claro!), mas convém perceber que, dependendo do seu estilo de escrita, muitas repetições, sem a observação do ritmo, podem compor um texto repleto de “vícios de linguagem” ou um “texto tosse”. 33. “Chame” o problema a ser enfrentado para si, associe-o ao seu universo de significados e a seu estilo vocabular; insira-se na discussão de forma responsável, tentando não expor idéias ostensivamente abstratas e que permitam dubiedade na interpretação (apesar de polissêmica); texto reflexivo não quer dizer, necessariamente, “dadaísmo de imagens”. Não “enfeite”, use sempre o “bom senso”. 34.Construir argumentos sobre idéias abstratas conjugando objetos representativos de sua materialidade histórica é um excelente exercício para dispor-se de sua base teórica. 35.Quando se fala de contradição semântica (ver manual do candidato da UFRJ) vê-se o não percebido – inicialmente – pela gramática. Valer-se da “substituição” de palavras não demonstra seu argumento teórico, mas sim sua recorrência retórica com base ”dicionarista”, beirando o prolixo. As palavras, em suas essências, são insubstituíveis, vão na ordem da natureza de seu discurso (conotação), atentando para a idéia de campo

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semântico. Ex.: texto, textura, têxtil, tessitura, tecido, tecer; são palavras do mesmo âmbito, mas não dizem, necessariamente, a mesma coisa. 36.A sedução é fundamental ao ato de escrever, logo, a primeira e a última preocupação que há de ser observada é com o (s) leitor (es), lembrando-se que ele (s) pode (m) ficar cansado (s) com o “lugar comum” dos argumentos. 37. Desenvolva seu texto pensando no leitor a que se destina. A linguagem deve ser adequada ao fim a que você se propõe. O leitor é o “pré-requisito” para se obter êxito na comunicação. Uma redação escolar e/ou no vestibular tem como alvo o professor ou a banca examinadora, logo, deve ser escrita em linguagem culta, sem gírias e/ou coloquialismos, sem lugares-comuns, de preferência na primeira ou terceira pessoas do plural. Hoje é comum encontrar textos dissertativos/argumentativos na primeira pessoa do singular. Porém é necessário cuidar-se para os “eu acho”, “eu penso”, “do meu ponto de vista”. As intervenções, mesmo em um texto argumentativo/opinativo, devem ser discretas/ponderadas. Ao terminar de escrever seu texto, dê-lhe um título – ou vice-versa. Faça depois uma revisão rigorosa. Veja se: no primeiro parágrafo ficou claro o que você quis discutir, seus argumentos respondem ao pressuposto inicial; seus argumentos vão em uma mesma direção; o último parágrafo tem estreita relação com o primeiro, fechando o texto; há coesão entre as frases e os parágrafos; as frases estão bem ajustadas e têm boa extensão (um ponto a cada duas ou três linhas); não há lugares comuns, assonâncias ou palavras gratuitamente repetidas. DICAS PARA INTERPRETAR TEXTOS 1- A primeira - e melhor - "dica" é: leia, leia, leia, leia... 2- Atente para a hierarquia das idéias no texto. 3- Atente para alguns operadores lógicos do discurso: tese, antítese, síntese, premissa, hipótese, tese, axioma, silogismo, sofisma, inferência, recorrência, dedução, indução, paradoxo. 4- Identifique, no texto: TEMA, TÍTULO, TESE, TÓPICO FRASAL, PARÁGRAFO CENTRAL, PALAVRAS-CHAVE (3 ou 4), tipo e modo de texto. 5- Todo processo interpretativo, tal como a leitura, é uma atribuição de significados, procure tomar posse do contexto do texto. 7- O processo interpretativo segue a mesma lógica de construção de textos onde você deve mostrar para o leitor sua capacidade em objetivar seu discurso, fazendo-o de forma simples e direta -, mas a principal diferença encontra-se na desconstrução semântica e/ou ressignificação dos múltiplos sentidos de uma palavra (polissemia) que é próprio do processo interpretativo. 8- Ao responder uma questão, lembre-se de que as mesmas dificilmente têm obedecido à lógica da evidência, ou seja, das ditas "questões burras", onde a resposta correta e/ou incorreta "salta aos olhos", caso apareça esqueça da "teoria da conspiração". 9- As provas, insistentemente, têm variado o nível de dificuldade das questões, provocando desconcentração, não menospreze e/ou supervalorize a questão. 10- A tendência de valorizar a semântica, partindo da norma culta da língua, é cada vez mais visível, o que exige uma excelente base vocabular; cabe a você apropriar-se de autores, principalmente os que têm maior visibilidade na imprensa, como os de crônicas, contos e artigos vários; isso pode, inclusive, captar determinados estilos, dando-lhe um pouco mais de segurança no momento de julgar uma assertiva, o mesmo pode ocorrer quando o texto não vem assinado, mas identificada a fonte. 11- A noção de parágrafo corresponde ao estágio de uma tese (argumentação) defendida pelo autor; tratando-se de um texto de estrutura linear, os parágrafos são interdependentes, têm seqüências, na maioria das vezes, claras, mas é importante que você siga as indicações dos enunciados, pois a

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forma de "recortar" o texto pode inverter o sentido de uma palavra e/ou de todo o período. 12- Geralmente os textos de estrutura linear (prosa) dividem-se em Introdução, Desenvolvimento e Conclusão; partes que normalmente os parágrafos se encarregam de definir, mas às vezes não são claras; a necessidade de perceber tal divisão encontra-se no ato de compreensão de um determinado vocábulo ou período. 13- Leia, no máximo, duas vezes o texto e as questões, tal procedimento auxilia na captura da macroestrutura textual. 14- Tema = assunto do texto, problemática geral levantada pelo autor; normalmente vem acompanhado de uma oração, esfera maior da abordagem. 15- Título = "recorte" do tema, "batismo" do texto pelo autor; geralmente retrata o ponto específico do tema.

16- Tópico Frasal = frase central do texto, normalmente apresentada na introdução; freqüentemente é a tese central apresentada pelo autor. 17- Tese = idéia que é defendida e/ou refutada pelo autor. 18- Parágrafo = estágio de desenvolvimento de uma idéia; encadeamento lógico das idéias. 19- Argumento = apresentação das razões que levaram o autor afirmar/defender uma determinada idéia. 20- Tipo de conclusão = em um texto em prosa, normalmente, a conclusão é uma proposta de resolução do problema apresentado pelo autor, porém há de considerar, também, as conclusões "finalizadoras" ou as mais subjetivas, normalmente vistas em contos e/ou romances: proposta, finalizadora, pergunta. 21- Tipo de texto = há de se destacar que não existe texto em "estado puro", ou seja, não há unicamente dissertativo, narrativo ou descritivo, mas uma junção dos três. Dissertação é o tipo de texto no qual apresentamos teses seguidas de argumentos que se comprovem. Narração é o tipo de texto no qual encadeamos uma seqüência de fatos (reais ou imaginários) em que personagens se movimentam num certo espaço à medida que o tempo passa. Descrição é a apresentação das características físicas e/ou comportamentais de ambientes e pessoas. 23- Modo de texto = prosa, discurso que vai em linha reta do início ao fim (linear); verso, o contrário da prosa, onde o discurso se desenvolve com um "vai e vem" contínuo, onde a principal referência é a produção de imagens, ao passo que a prosa é com a produção de argumentos objetivos. 24- Palavras-chave = palavras que retratam as idéias centrais de um parágrafo e/ou texto. 25- Discurso direto = é a reprodução direta da fala dos personagens. É um recurso que imprime maior agilidade ao texto, permitindo ao autor mostrar o que acontece em lugar de simplesmente contar. Ex: Lavador de carros, Fernando das Couves, 27 anos, ficou desolado, apontando para os entulhos: "Alá minha frigideira, alá meu escorredor de arroz. Minha lata de pegar água era aquela. Ali meu outro tênis". 26- Discurso indireto = neste a fala dos personagens são adaptadas e incorporadas pelo narrador. Dessa forma, conta-se mais do que se mostra. Ex: Fernando das Couves, desolado, dizia que não tinha tempo de apanhar suas coisas e que agora não possuía mais nada. 27- Discurso indireto livre = É uma combinação do direto e do indireto, confundindo as intervenções do narrador com as dos personagens. É uma forma de narrar econômica e dinâmica, pois permite mostrar e contar os fatos

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a um só tempo. Ex: O desolado Fernando tinha perdido tudo. E agora, cadê dinheiro para comprar tudo de novo? Lista de clichês a serem evitados está na crista da onda ser a tábua de salvação elencar os fatores agarrar com unhas e dentes a duras penas ao apagar das luzes aparar as arestas cair como uma bomba carro-chefe chegar a um denominador comum chover no molhado colocar um ponto final condição sine qua non conjugar esforços dar a devida atenção de vento em popa depois de um longo e tenebroso inverno dispensa apresentações encerrar com chave de ouro esforço sobre-humano faca de dois gumes fazer das tripas coração incansáveis esforços inspirar cuidados jogo de vida ou morte lamentável equívoco literalmente lotado (ou tomado) lugar ao sol mola mestra Lista de tautologias (pleonasmos) proibidos auto avaliação de si mesmo a partir de agora elo de ligação última versão definitiva acabamento final obra-prima principal certeza absoluta gritar/bradar bem alto número exato Propriedade característica quantia exata comparecer em pessoa sugiro, conjecturalmente colaborar com uma ajuda/auxílio nos dias 8, 9 e 10 inclusive matriz cambiante juntamente com com absoluta correção/exatidã o em caráter esporádico colocar algo em seu respectivo lugar expressamente proibido escolha opcional terminantemente proibido continua a permanecer em duas metades iguais passatempo passageiro destaque excepcional atrás da retaguarda sintomas indicativos planejar antecipadamente há anos atrás repetir outra vez vereador da cidade sentido significativo relações bilaterais entre dois voltar atrás países outra alternativa abertura inaugural detalhes minuciosos Pode possivelmente ocorrer a razão é porque interromper de uma vez anexo (a) junto a carta de sua livre escolha superávit positivo vandalismo criminoso todos foram unânimes a seu critério pessoal palavra de honra

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página virada pano de fundo passar em brancas nuvens petição de miséria pôr a casa em ordem por força das circunstâncias reta final ruído ensurdecedor sólidos conhecimentos tábua de salvação tecer comentários(ou considerações) trazer à tona via de regra voltar à estaca zero

conviver junto exultar de alegria encarar de frente comprovadamente certo fato real multidão de pessoas amanhecer o dia criação nova retornar de novo freqüentar constantemente empréstimo temporário compartilhar conosco surpresa inesperada completamente vazio

TEMAS Concurso Público de Admissão ao Curso de Formação de Soldado PM Classe “C” PROVA DE REDAÇÃO Leia, abaixo, o fragmento de texto retirado do artigo “Polícia: anticorpo ou corpo estranho?”, de autoria do Tenente da Polícia Militar Ronilson de Souza Luiz, publicado na Folha de São Paulo do dia 05 de janeiro de 2004. “Imaginemos a sociedade como um organismo vivo; vamos procurar seu coração, seus olhos, sua cabeça e suas mãos. Quando pensarmos no mecanismo de defesa desse organismo, a referência mais sensata irá representá-lo por um órgão que exerce funções semelhantes às da polícia. Urge alertamos o coração, a cabeça, os olhos e as mãos de que, se os anticorpos, os mecanismos de defesa, não tiverem funcionando com excelência, o enorme organismo corre perigo. Utilizo-me dessa analogia para mostrar que um organismo vivo e inteligente cuida de proteger aquela parte que irá preservá-lo quando for necessário.” PROPOSTA: Com base nessa analogia, elabore um texto dissertativo/argumentativo, de 15 a 20 linhas, demonstrando de que forma a polícia deve preservar a sociedade e fazer-se prestigiar por ela. Agente (PF – 2004) A importância da atuação da Polícia Federal Brasileira na preservação do direito à vida.

2º Questão Valor: 6,0

IME – 2004

Escolha uma das opções apresentadas a seguir e redija um texto dissertativo em torno de 40 linhas. Texto para os temas 1 e 2. O presidente da República recebeu na tarde desta terça-feira (06), no Palácio do Planalto, um documento com propostas para a valorização da cultura nacional, discutidas em um seminário promovido por uma universidade de São Paulo e por uma emissora de televisão, em fevereiro deste ano.

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O documentário foi entregue por um ator da referida emissora, que leu a lista de reivindicações de profissionais de áreas como televisão, cinema, publicidade, música e literatura. Os artistas pedem que a cultura seja reconhecida como setor estratégico para o desenvolvimento do país, com direito a empréstimos e subsídios. “Todas as propostas serão encaminhadas para os ministérios encarregados de cada assunto”, afirmou o presidente, que agradeceu a iniciativa dos intelectuais e artistas. Segundo o presidente, “boa parte das reivindicações fazem parte do que o ministério da Cultura já vem tentando colocar em prática”. (Correio Web – Correio Braziliense – Da agência Brasil, 07-07-04, 11h 32 In: <http://divirtase.correioweb.com.br/>- texto adaptado – capturado em 08-07-04). Tema 1 Dê a sua opinião sobre a consideração da cultura como setor estratégico para o desenvolvimento do país. Tema 2 Se for admitido o real sentido estratégico da cultura, diga que tipos de projetos poderiam ser realizados pelas instituições de ensino e telecomunicações para a consecução deste objetivo. Texto para tema 3. “A vida na fazenda se tornara difícil. Sinhá Vitória benzia-se tremendo, manejava o rosário, mexia os beiços rezando rezas desesperadas. Encolhido no banco do copiar, Fabiano espiava a caatinga amarelada, onde as folhas secas se pulverizavam, trituradas pelos redemoinhos, e os garranchos se torciam, negros, torrados. No céu azul, as últimas arribações tinham desaparecido. Pouco a pouco, os bichos se finavam, devorados pelo carrapato. E Fabiano resistia, pedindo a Deus um milagre. Mas quando a fazenda se despovoou, viu que tudo estava perdido, combinou a viagem com a mulher, matou o bezerro morrinhento que possuíam, salgou a carne, largou-se com a família, sem se despedir do amo. Não poderia nunca liquidar aquela dívida exagerada. Só lhe restava jogar-se ao mundo, como negro fugido.” (RAMOS, Graciliano. Vidas Secas) Tema 3 Os movimentos migratórios são tratados na literatura brasileira desde o romance indianista até o modernismo. Disserte sobre as movimentações espaciais e psicológicas do homem brasileiro nos dias de hoje. PF (Delegado) Regional – 2004 O Fortalecimento das redes de relações sociais como forma de redução da violência urbana. PF (Escrivão) Regional - 2004 A influência da televisão no imaginário social. CEFETEC – 2004 Elementos que impossibilitam o exercício da cidadania plena. PF (Perito) 2004 O avanço da tecnologia da informação e o respeito à privacidade do indivíduo. CAP (Marinha – 2004)

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A presença Brasileira no Haiti. PF (Escrivão) “A sociedade não é o retrato apenas de seus governantes, é o retrato de seus cidadãos, em destaque, de suas elites. É o nosso retrato, do Brasil todo, de todos nós.” ESA – 2004/2005 “Apesar da importância da comunicação na convivência, nota-se que falar é fácil, mas ouvir e dialogar é uma prática que não se encontra com facilidade.” EFOMM – 2004/2005 “O peixe se vendia em pedaços à pobre população. As facas afiadas dos sacrificadores cortavam em pedaços aquela matéria divina das profundezas marítimas para transforma-la em mercadoria...” Pablo Neruda – EFOMM – 2005 ( 2º prova, pois a 1º foi anulada) “... O pobre não sabia que essa ridícula quantia que recebia era parte do jantar daquele que a dava e que, nesse dia, talvez, o mendigo tivesse melhor refeição do que o homem a quem pedira esmola...” (José de Alencar) _______________________________________________________________________________ CN – 2004/2005 A Importância do mar para o Brasil. EN – 2004/2005 O papel da marinha na defesa dos interesses brasileiros no mar e nas vias navegáveis. ESPCEX – 2004/2005

PROPOSTA DE REDAÇÃO: A partir das idéias extraídas dos quadrinhos, redija um texto dissertativo. OBSERVAÇÕES: 1234Texto de aproximadamente 25 (vinte e cinco) linhas. Dê um título interessante ao seu texto. Não transcreva partes do texto de apoio no seu trabalho. Invalidação de redação (grau zero): a) Mudança na modalidade de texto solicitada.

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b) Fuga total à proposta. c) Texto incompreensível e/ou ilegível. d) Texto com qualquer marca que possa identificar o candidato. 5- Use apenas caneta esferográfica de tinta azul ou preta para redigir o texto.

UFRJ – 2004 Redação Leia com atenção os trechos abaixo: 1 Agora, na cultura urbana[...], você tem uma divisão porque o que você vê exibido como modelo de identidade e de felicidade e de norma corpórea é transmitido maciçamente para todo mundo. Agora, existe uma lacuna real entre quem pode imitar ou não. [...] No caso, de classe média para cima, ela viaja, ela consome produto da moda, para a boate e restaurantes, onde toda essa preocupação está presente. As pessoas exibem. As mais famosas, para tomar o caso das garotas, são as mais magras. Quando você chegar no restaurante, vai estar em questão um cardápio que não engorde, você precisa ter bastante dinheiro para fazer exames freqüentes e para saber suas taxas sangüíneas, para ir nas melhores academias, para variar o cardápio de exercícios que você pode fazer. Em suma, você opta por ginástica, depois por massagem, por tensão, relaxamento, isso movimenta uma economia e exige uma disponibilidade financeira que só a concentração de renda no Brasil explica. (Entrevista com Jurandir Freire Costa, publicada em O Pasquim, nº 21, 23/07/2002) 2 Bom, o que me chama atenção em termos físicos especialmente uma pessoa que tem proporções nas diferentes partes do corpo humano. Não necessariamente tem que ser uma pessoa com, muito bonita, mas que dá, transmite, com a impressão de harmonia [...] Então, eu acho que, realmente, o principal, pra mim, do ponto de vista da aparência física de uma pessoa, é ela transmitir essa idéia de harmonia, de equilíbrio e que, de proporção entre diferentes partes do corpo humano e que, portanto, dá à gente a impressão de algo que é fruto não só de uma mera característica externa, que possa ter uma pele assim, ou um cabelo desse modo, mas é realmente expressão de uma realidade pessoal mais profunda. Então, eh, acho que uma pessoa é uma pessoa na sua totalidade, no que ela é, e na aparência. Mas aquilo que ela aparenta não deve estar dissociado do que ela é. (Fala carioca NURC – Documentos: Corpo humano – inq. 0360/M2A) 3 Em nossa sociedade de consumo, a fonte vital de todas as energias é o corpo. Para se ter saúde, é preciso ter um corpo saudável; e, para tanto, é necessário obedecer a inúmeras regras, leis de medida, peso e volume. (Rosy Feros, em “A metáfora do corpo (II): beleza se põe à mesa”. Revista eletrônica interNeWWWs, jan. 2000) A partir das reflexões propostas nos trechos acima, produza um texto dissertativo-argumentativo em que você apresenta suas idéias acerca da valorização do corpo humano. ORIENTAÇÕES

1. 2. 3. 4. 5.

Evite copiar passagens dos fragmentos apresentados. Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta da língua. Redija um texto de 25 a 30 linhas. Atribua um título ao texto. Escreva o texto definitivo a caneta.

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Delegado de Polícia Federal – 2004 ATENÇÃO! Na folha de texto definitivo, identifique-se apenas no cabeçalho, pois não será avaliado texto que tenha qualquer assinatura ou marca identificadora fora do local apropriado. Leia os textos a seguir. Texto I A onda de violência que vivemos hoje deve-se a incontáveis motivos. Um deles parece-me especialmente virulento: o desenvolvimento cultural na idéia do “próximo”. Substituímos a prática de reflexão ética pelo treinamento nos cálculos econômicos; brindamos alegremente o “enterro” das utopias socialistas; reduzimos virtude e excelência pessoais a sucesso midiático; transformamos nossas universidades em máquinas de produção padronizada de diplomas e teses; multiplicamos nossos “pátios dos milagres”, esgotos a céu aberto, analfabetos, delinqüentes e, por fim, aderimos à lei do mercado com a volúpia de quem aperta a corda do próprio pescoço, na pressa de encurtar o inelutável fim. Voltamos as costas ao mundo e construímos barricadas em torno do idealizado valor de nossa intimidade. Fizemos de nossas vidas claustros sem virtudes; encolhemos nossos sonhos para que coubessem em nossas ínfimas singularidades interiores; vasculhamos nossos corpos, sexos e sentimentos com a obsessão de quem vive um transe narcísico e, enfim, aqui estamos nós, prisioneiros de cartões de crédito, carreiras de cocaína e da dolorosa consciência de que nenhuma fantasia sexual ou romântica pode saciar a voracidade com que desejamos ser felizes. Sozinhos em nossa descrença, suplicamos proteção a economistas, policiais, especuladores e investidores estrangeiros, como se algum deles pudesse restituir a esperança no “próximo” que a lógica da mercadoria devorou. Jurandir Freire Costa Folha de S. Paulo, 22/09/96 (com adaptações). Texto II Inesgotável, o repertório do tráfico para roubar-nos a dignidade revive as granadas. Três delas ganharam a rua no curto intervalo de cinco dias, atiradas com a naturalidade de estalinho junino. Não explodiram por sorte, inabilidade ou velhice. Mas detonaram em nossas barbas o deboche repetido com a métrica cotidiana da violência: é guerra. Uma de suas raízes alimenta-se da disseminação de armas de fogo entre os traficantes, ferida aberta à sombra de varizes socioeconômicas, cuja cicatrização agoniza no mofo de desencontros e desinteresses políticos. Como o natimorto dueto entre os governos estadual e federal para reaver armamento militar em favelas do Rio: muita encenação, nenhuma palha movida. Doutor em combate, não precisa sê-lo para ver: urge desarmar o adversário. (Um adversário aparelhado até os dentes, cujo desplante avança como formiga no açúcar.) Caminho que exige a orquestração entre força e inteligência, prevenção e ataque – regidos pela convergência de esforços políticos, indispensável para se vencer uma guerra. Editorial Jornal do Brasil, 16/09/2004 (com adaptações) Redija um texto dissertativo a respeito da violência, estabelecendo relações entre as idéias expressas nos textos I e II acima. UNICAMP-2005 ORIENTAÇÃO GERAL: LEIA ATENTAMENTE. Tema:

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O tema da prova de redação é o Rádio. Coletânea: É um conjunto de textos de natureza diversa que serve de subsídio para a sua redação. Sugerimos que você leia toda a coletânea para depois selecionar os elementos que julgar pertinentes à elaboração da proposta escolhida. Um bom aproveitamento da coletânea não significa referência a todos os textos. Esperamos, isso sim, que os elementos selecionados sejam articulados com a sua experiência de leitura e reflexão. Se desejar, você pode valer-se também de elementos presentes nos enunciados das questões da prova. ATENÇÃO: a coletânea é única e válida para as três propostas.

Proposta: Escolha uma das três propostas para a redação (dissertação, narração ou carta) e assinale sua escolha no alto da página de resposta. Cada proposta faz um recorte do tema da prova de redação (o Rádio), que deve ser trabalhado de acordo com as instruções específicas. ATENÇÃO – Sua redação será anulada se você: a) fugir ao recorte do tema na proposta escolhida; b) desconsiderar a coletânea; c) não atender ao tipo de texto da proposta escolhida. APRESENTAÇÃO DA COLETÂNEA O rádio demonstra constantemente sua condição de veículo indispensável no cotidiano das pessoas, ao contrário do que muitos podem pensar, quando o consideram um meio de difusão ultrapassado. Desde sua invenção, na passagem para o século XX, época em que era conhecido como “telégrafo sem fio”, o papel que exerce na sociedade vem se reafirmando. Nem o advento da televisão, nem o da Internet, determinou o seu fim. Por isso, o rádio é um objeto de reflexão instigante. COLETÂNEA 1. A primeira transmissão de rádio realizada no Brasil ocorreu no dia 07 de setembro de 1922, na cerimônia de abertura do Centenário da Independência, na Esplanada do Castelo. Foi um grande acontecimento. O público ouviu o pronunciamento do presidente da República, Epitácio Pessoa, a ópera O Guarani, de Carlos Gomes, transmitida diretamente do Teatro Municipal, além de conferências e diversas atrações. Muitas pessoas ficaram impressionadas, pensando que se tratava de algo sobrenatural. (...) Os primeiros a utilizar o rádio na publicidade foram grandes empresas, como Philips, Gessy e Bayer, que patrocinavam programas de auditório e radionovelas. Na política, o rádio também exerceu enorme influência: a propaganda eleitoral, pronunciamentos do presidente e a Hora do Brasil faziam parte da programação e alcançavam milhares de ouvintes. A partir de 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial, o rádio se transformou em um importante veículo para difundir fatos diários e notícias do front. Surgia o radiojornalismo, sendo o Repórter Esso marco dessa época. (Adaptado de “Rádio no Brasil”, em www.sunrise.com.br/amoradio, 29 de agosto de 2004). 2. Ligada à política de integração nacional do governo Getúlio Vargas, em 1935 era criada a Hora do Brasil, programa obrigatório de notícias oficiais. O programa existe até hoje, de segunda a sexta-feira, com o nome de A Voz do Brasil. A partir dos anos 90, sua obrigatoriedade tem sido contestada por várias emissoras e algumas têm conseguido, por medidas judiciais, não transmiti-lo ou, ao menos, não no horário das 19h00 às 20h00. (Adaptado de Gisela Swetlana Ortriwano, “Radiojornalismo no Brasil: fragmentos de história”, Revista USP, n. 56, dez.jan.fev. 2002/2003, p. 71).

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3. Ao Pequeno Aparelho de Rádio Você, pequena caixa que trouxe comigo Cuidando que suas válvulas não quebrassem Ao correr do barco ao trem, do trem ao abrigo Para ouvir o que meus inimigos falassem Junto a meu leito, para minha dor atroz No fim da noite, de manhã bem cedo, Lembrando as suas vitórias e o medo: Prometa jamais perder a voz! (1938-1941) (Bertold Brecht, Poemas 1913-1956. Seleção e tradução Paulo César de Souza. São Paulo: Ed. 34, 2000, p. 272). 4. Eu ouvia o rádio com avidez de quem gosta muito dele. Outras pessoas ouviam-no comigo. Mas ... quem ouvia a minha rádio? Ainda não tinha sido inventado o transistor, essa maravilha da tecnologia que em certo sentido revitalizou a vida do rádio depois do advento da televisão. Rádio a pilha ainda não existia. Só os de imensas e custosas baterias ou então os que eram movidos a geradores acoplados, ou mesmo movidos a acumuladores de autos em geral. (Flávio Araújo, O rádio, o futebol e a vida. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2001, p. 37). 5. A Internet como meio de comunicação prevê a coexistência e complementaridade de diversas mídias. O rádio da Internet já nasce buscando em outros meios recursos que possam ser agregados à mensagem radiofônica. Isso significa a possibilidade de criação de produtos radiofônicos numa seqüência particular para cada ouvinte, inclusive com a opção de suprimir trechos ou escolher entre dois enfoques de interesse. Essa possibilidade oferecida pela Internet atua fortemente sobre o rádio e sobre uma de suas principais características como meio de comunicação: a instantaneidade. Em relação ainda ao público, a capacidade de agregar audiências de regiões antes inacessíveis possibilita a existência e sobrevivência de projetos voltados a determinados segmentos de público, que podem ser pequenos localmente mas não globalmente. (Adaptado de Lígia Maria Trigo-de-Souza, “Rádios.internet.br: o rádio que caiu na rede...”, Revista USP, n. 56, dez.jan.fev. 2002/2003, p. 94-5). 6 . Rumo Oeste O rádio no carro canta pelas cidades. Já sei onde está a melhor garapa de Araras, o melhor algodão em Leme. Em Pirassununga o hábito do Ângelus ainda veste de santa qualquer tarde. O locutor e seu melhor emplastro para curar no peito aquela velha aflição. Todas as rádios abrem para o mundo o coração do largo e um recado de Ester: esta canção vai para W.J. que ainda não esqueci. O céu de todas as rádios se estende para a capital: o que se dança em New York direto para São Simão. Para você, Lucinha, mexer o que Deus lhe deu. A velha teia das cidades enleia agora as estrelas. ao som da sétima badalada do coração da Matriz desligue o rádio! e respire

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de passagem tudo o que fica: são ondas soltas no ar. (Alcides Villaça, Viagem de Trem. São Paulo: Duas Cidades, 1988, p. 80). 7. Para aqueles que pensam em mídia globalizada no Brasil, basta uma viagem exploratória pelas cidades de interior para perceber que a história não é bem assim. Existem lugares em que as pessoas ainda se comunicam com recados afixados em árvores da Praça Central. Não acredita? Pois o maior grupo de cutelaria do Brasil escolheu o rádio como forma de alcançar seu público alvo. O objetivo é divulgar a marca de ferramentas e equipamentos, cuja distribuição é pulverizada em milhares de pequenos pontos-de-venda e cooperativas, através de programações especiais. (Adaptado de “Ao pé do rádio”, Revista Grandes Idéias de Marketing, n. 46, junho de 2000). 8. Navegando pelo site www.radiolivre.org encontramos informações sobre duas novas rádios: “Estão abertas as inscrições para a rádio Interferência. O prazo vai até 20 de agosto. A rádio interferência é um coletivo horizontal e heterogêneo que busca possibilitar a comunicação de uma forma aberta, sem controle ou reivindicações. É uma rádio livre. Um espaço onde não há patrulhas estéticas ou ideológicas. Um lugar onde todos os discursos podem existir. É uma forma diferente de ver o mundo e que tenta ser alternativa aos grandes meios de comunicação e às tentativas de se construir um discurso contra-hegemônico baseadas no pensamento único e na representação. Um grupo onde todos têm autonomia, mas onde, ao mesmo tempo, há uma construção coletiva”. (17 de agosto de 2004). “Rádio Uhmmmmm... Agora pode ser conectada em grande parte da área central de Porto Alegre, na freqüência 105,7 FM, a mais nova rádio livre da cidade. Informando, debatendo, confundindo e questionando pelas ondas de rádio. Ainda em fase experimental, a rádio Uhmmmm... é tocada no maior amadorismo, mas com muita paixão e convicção de que o acesso a informações diferenciadas realmente faz a diferença”. (6 de junho de 2004). 9. As manifestações da presença do rádio como elemento de construção da história individual se dão de diversas maneiras. Vinculações são estabelecidas através de identificações com tipos de programas em que estão presentes o musical, o jornalístico, a publicidade. Da escuta radiofônica guardam-se recordações que acabam sendo recriadas, repetidas, reconfiguradas com o passar dos anos. (Adaptado de Graziela Soares Bianchi, “A participação do rádio nas construções e sentidos do rural vivido e midiatizado”, em www.bocc.ubi.pt, 15 de agosto de 2004). PROPOSTA A Trabalhe sua dissertação a partir do seguinte recorte temático: A permanente reconfiguração do rádio, com suas mudanças na forma de transmissão e de recepção, mostra-nos a força desse meio de informação, divulgação, entretenimento e contato. Instruções: • Discuta o rádio como meio de difusão e aproximação; • Argumente no sentido de demonstrar sua atualidade; • Explore argumentos que destaquem as várias formas de sua presença na sociedade. PROPOSTA B Trabalhe sua narrativa a partir do seguinte recorte temático: Ouvir rádio é uma prática comum na sociedade moderna. O rádio é um veículo que atinge o ouvinte em muitas situações: o radinho na cozinha que acompanha as refeições, o rádio no ônibus, no campo de futebol, no carro, na lanchonete, o rádiorelógio no quarto de dormir, o walkman na caminhada, o rádio na Internet. O rádio é o companheiro de toda hora. Instruções: • Imagine a história de um(a) ouvinte para quem o rádio é essencial;

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• Narre as circunstâncias em que o rádio se tornou importante na vida desse(a) personagem; • Construa sua narrativa em primeira ou em terceira pessoa. PROPOSTA C Trabalhe sua carta a partir do seguinte recorte temático: Atendendo aos vários segmentos do público em diferentes horários, as emissoras de rádio definem sua programação em torno de um leque variado de opções: programas de música, esportes, informação, religião, etc. Programas que um dia fizeram muito sucesso já não existem mais, como a rádio-novela e os programas de auditório. Instruções: • Imagine um programa de rádio que, em sua opinião, deva sair do ar; • Argumente pela retirada desse programa da grade de programação; • Dirija a carta a um interlocutor que possa interferir nessa decisão. Processo Seletivo Discente 2004 - UNIRIO/ENCE 1) Leia as propostas e, dentre elas, escolha uma para sua Redação. Ao desenvolver o tema proposto, você deverá utilizar os conhecimentos adquiridos ao longo de sua formação, depois de selecionar, organizar e relacionar os argumentos, fatos e opiniões apresentados em defesa de seu ponto de vista. 2) Faça sua redação em prosa, de caráter dissertativo-argumentativo, com o mínimo de 20 e o máximo de 30 linhas. 3) Dê um título à sua redação, que deverá ser elaborada com caneta azul ou preta, segundo os padrões da norma culta da língua portuguesa. 4) Atenção: Em situações formais de interlocução, é importante a compreensão do ato discursivo, para não “fugir do assunto”, como diz o senso comum. Nos casos de “fuga”, será atribuída a nota zero. PROPOSTA 1 Reinvenção A vida só é possível Reinventada. (Cecília Meireles) PROPOSTA 2 "O relógio tem corda mas não amarra o tempo." (Legendas de Caminhão - Abeylard Pereira Gomes)

CEFET-2004 Em texto intitulado “O Planeta Perfeito”, publicado na Revista JB Ecológico, Ano 3, Nº 34, novembro de 2004, o ecologista Hiram Firmino escreveu: “o nosso planeta é perfeito, sim. Tudo que tiramos dele, com a nossa ignorância, pode ser reposto com inteligência – e para mais, graças à tecnologia que temos. Em se plantando nele, tudo dá. Até justiça social e direitos humanos.”

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Relacione as palavras do ecologista com a situação da cidade do Rio de Janeiro, considerada por muitos uma das cidades de maior beleza natural do mundo. Olhando para a cidade com olhar crítico, o carioca terá motivos para concordar com a as palavras do ecologista? Escreva um texto dissertativo sobre o tema, em cerca de 25 linhas, definindo com clareza seu ponto de vista e defendendo-o com argumentos convincentes. TRT – Analista Judiciário – Área Judiciária – (NCE)/2004A partir do tema abaixo, redija um texto dissertativo, entre 15 a 20 linhas, em linguagem culta, de modo a expressar com clareza os argumentos apresentados em defesa de sua posição. As perguntas apresentadas têm somente a intenção motivadora: você pode traçar um novo roteiro para a discussão do tema, mostrando novos problemas e soluções. O que fazer com as favelas? Urbaniza-las ou acabar com elas, desmontando-as e transferindo-as de lugar? O que é melhor para os favelados e para os demais cidadãos? As favelas são, de fato, locais de moradia de trabalhadores ou abrigos de bandidos? A culpa da violência urbana está nas favelas? Qual será o futuro da cidade do Rio de Janeiro, com tantos morros ainda por serem ocupados? _________________________________________________________________________________________________ Modelos de Redação Anderson Cardoso de Magalhães Tema: Violência Violência: drama social A violência no Brasil, alvo de promessas eleitorais que valorizam o uso da repressão policial como solução definitiva para o problema, parece ser mais complexa, conforme se verifica, por exemplo, na cidade do Rio de Janeiro, lugar onde a violência pode ser associada à atuação do crime organizado em comunidades marcadas pela precariedade da ação do Estado. Entendendo a violência como conseqüência de nossa desigualdade social, não tem que se desculpar os criminosos, e sim refletir sobre uma maneira (que produza efeito real) de se enfrentar o problema, sem no entanto incrementá-lo como ocorre quando emprega-se meios repressivos, tais como é feito quando das invasões a latifúndios ou grupos de estudantes que saem em passeata. Não faz sentido deixar de mencionar o papel dos meios de comunicação no processo de incentivo e disseminação da violência, através de programas e notícias. Sendo um organismo altamente infiltrante e significativo na vida da maioria das pessoas, a televisão pode ser apontada como uma das principais causadoras deste malefício à sociedade, quando ela deveria ser um mero veículo informativo. Ao expor as pessoas à constantes ataques à sua integridade física e moral, a violência começa a gerar expectativas e provocar padrões de resposta, tornando-se habitual, tendendo a transformar-se em um “jogo”, em que a maioria, coagida, está sendo obrigada a “jogar”. Anderson Cardoso de Magalhães Tema: A negação do outro pode provocar reações de violência descomedida. Disparidade Social Julgar o próximo mediante o prisma de que somos “a imagem e semelhança de Deus”, em sociedades marcadas pela atrofia dos valores éticos é, invariavelmente, um obstáculo, um sacrifício. O limiar dessa análise pode ser feita considerando a maior potência econômica e militar do planeta que, de quando em quando, subjuga as demais nações a interesses próprios, mesquinhos. Transcorrendo os caminhos da História, configuramos um misto de certezas e incertezas, alegrias e frustrações pelas quais passou a humanidade. Essa, que não caminha sem os recursos criados pela tecnologia, é possuidora de diversos contrastes. Há muito encontra-se um abismo no corpo social, que no Brasil vem do período colonial, da qual herdou-

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se uma sociedade dualista e uma estrutura fundiária perversa, com o monopólio da terra por uma elite privilegiada. A segregação sócio-espacial está em vigor. Basta considerarmos o conflito Norte x Sul. A palavra “individualismo” nunca foi tão inserida numa sociedade tal como o é na contemporânea: Ricos e pobres se apropriam do espaço e dos recursos urbanos de forma heterogênea. Contudo, a distinção e repulsa aos mais miseráveis provoca padrões de resposta, que vêm sob o signo da violência. Não basta cair no “assistencialismo social” sem antes penetrar nos conceitos básicos que regem as relações entre os indivíduos e analisar as maneiras pelas quais a humanidade utiliza-se do Capitalismo e as conseqüências disso para aqueles que são, sob todos os aspectos, vitimados pela sordidez de uma dada nação. Leonardo de Mello Nunes Tema: A imagem quando vista não é mais. Sistema óptico Certas discussões são fascinantes quando vistas aos olhos de grandes nomes. Na física também. O que diriam grandes nomes a respeito do que é visto? Será que vemos o que achamos que vemos? “Newtonianos”, discutiriam ao sim, vemos o mesmo, porém quando nosso sistema opera uma imagem, esta não é mais a mesma que estava onde olhamos novamente, explica-se facilmente, pois os raios de luz utilizam um mínimo, porém considerável intervalo de tempo, até que saiam do sistema óptico ao qual estávamos observando e cheguem ao seu destino, os olhos, viajando a uma velocidade finita, de 3.108 m/s, defasando as imagens que vemos. Já “einsteinianos”, justificam esta traçando um paralelo com o mundo micro, pois tudo é feito de átomos, que estão sob incessante movimento, e estes contém elétrons, então, tudo o que vemos é uma representação do que pode ter acontecido em um tempo anterior indeterminado, ademais, pela incerteza de Heisenberg, não podemos saber onde um elétron se situa nem sua velocidade. “Hawkinianos”, tenderiam para o lado universal, pois não sabemos o que realmente existe além do que enxergamos a olhos nus. Os raios luminosos que vêm de encontro à retina, viajam vários anos luz até chegarem ao destino e nada garante que ainda estarão lá após todo esse trajeto e após terem sido modificados pelos instrumentos. Realmente é fascinante o cérebro dos gênios, e mais ainda, o fato de nenhum de nós, “normais”, conseguirmos contrariar suas idéias. Tais pensamentos, solidificam uma só idéia em nossa cabeça: a imagem quando vista não é a mesma, e só seria se nos fosse possível o “congelamento do tempo”, o que seria impossível, já que nos congelaríamos também. TEMAS DE REDAÇÃO EsPCEx Tomando a frase abaixo como tema, escreva uma DISSERTAÇÃO de aproximadamente vinte linhas. Dê um título ao texto. Evite rasuras. “O presente é a bigorna onde se forja o futuro” Vítor Hugo Bigorna. [Do lat. Bicornia.] S. f. 1. Peça de ferro, com o corpo central quadrangular e as Extremidades em ponta cilíndrica, cônica ou piramidal, sobre a qual se malham ou moldam metais. (Novo Dicionário da Língua Portuguesa – 1a edição – Aurélio B. de H. Ferreira 1994

1992

Redija um texto dissertativo de aproximadamente 20 (vinte) linhas, manifestando a sua opinião a respeito das influências da televisão – positivas e/ou negativas – na formação de um jovem como você. 1996

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Tomando o pensamento abaixo por tema, escreva uma DISSERTAÇÃO de aproximadamente vinte linhas, atribuindo-lhe um título adequado. “A DERROTA É, ANTES DE TUDO, UM SENTIMENTO INTERIOR; É NA ALMA DE CADA UM QUE SE GANHA OU SE PERDE ALGUMA COISA.” 1997 Baseando-se na idéia principal do poema abaixo, escreva um texto dissertativo de 20 a 30 linhas, atribuindo-lhe um título adequado. A TEMPESTADE “Para que os cajueiros possam florir caiu esta chuva que apagou as estrelas e encharcou os caminhos. Água e vento derrubaram as cancelas antigas, quebraram telhas, vergaram árvores, suprimiram cercas, desalojaram abelhas e marimbondos, enxotaram os pássaros predatórios, e o galinheiro é um cemitério de pintos amarelos. Este é o regimento do mundo: relâmpagos e raios antes da flor e do fruto.” (Lêdo Ivo)

1999 Redija um texto narrativo, em 1a pessoa, com aproximadamente 25 linhas e que atenda, também, às seguintes orientações: Vistos com os olhos de hoje (em que estamos mais crescidos), muitos fatos que ocorreram em nossa infância são avaliados, por nós mesmos, de maneira diferente. E não poderia ser de outra forma, faz parte de nosso processo de crescimento, de aquisição de novas consciências em relação ao mundo e a nós mesmos. Com base nisso, relate um fato que tenha acontecido com você que ilustre uma transformação ou uma nova maneira de analisar a realidade. Relate sua experiência em forma de um texto narrativo literário em que o como dizer (a apresentação de uma história interessante para o leitor) seja tão importante quanto o que dizer (a própria história que, nada impede, seja fruto de sua imaginação). Mas não se esqueça de que tão importante quanto o fato a ser relatado é a impressão que você teve dele no momento em que aconteceu; e tão importante quanto isso é a avaliação que você tem dele hoje. 2002 Crônica é uma narrativa condensada, que focaliza um flagrante da vida, pitoresco e atual, real ou imaginário, com ampla variedade temática. Redija uma crônica sobre um fato ocorrido em sua vida, em um lugar que você tenha achado “maravilhosos” e que lhe tenha trazido uma decepção. OBSERVAÇÕES:

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1– 2– 3– 4–

Texto de aproximadamente 25 (vinte e cinco) linhas. Dê um título interessante ao seu texto. Não transcreva partes do texto de apoio no seu trabalho. Invalidação da redação (grau zero): a) Mudança na modalidade de texto solicitada. b) Fuga total à proposta. c) Texto incompreensível e/ou ilegível. d) Texto com qualquer marca que possa identificar o candidato.

2003 Leia com muita atenção a coletânea de textos apresentada abaixo: Texto 1 MENINOS CARVOEIROS Os meninos carvoeiros Passam a caminho da cidade. - Eh, carvoero! E vão tocando os animais com um relho enorme. ........................................................................ Quando voltam, vêm mordendo um pão encarvoado, Encarapitados nas alimárias, Apostando corrida, Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados! (BANDEIRA, Manuel. Estrela da vida inteira. 20ª ed. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1993). Texto 2 As meninas domésticas não estão nas fábricas e nas lavouras. Estão invisíveis, dentro das casas. E quase todo mundo considera isso normal. Até a maioria de seus pais acredita que é justo que trabalhem. (...) Estudos mostram que 36% das meninas envolvidas com trabalho doméstico no país afirmam ter sofrido algum acidente de trabalho ou apresentam algum sintoma relacionado a ele. Queimaduras, cortes com facas e acidentes com produtos químicos estão entre os mais comuns. Depoimentos de meninas trabalhadoras registram abusos e violações de direitos por parte das famílias que as empregam, que vão de agressões verbais e físicas até assédio sexual. As meninas constroem uma imagem distorcida de si mesmas, de alguém com pouco valor e poucos direitos. A separação precoce de seu ambiente social impede que construam sua identidade e tenham seus vínculos afetivos fortalecidos, junto a sua família e amigos. (...) Ao serem transformadas em força, crianças e adolescentes deixam de ser tratados como pessoas em condição peculiar de desenvolvimento. (BARROS, Âmbar de; PEREIRA, Armand e MATTAR, Hélio. Dentro de casa e dentro da lei. In Folha de São Paulo, Opinião. 30.04.2003). Texto 3 Um jovem que acessa a internet em casa, vai ao cinema e pode comprar histórias em quadrinhos não deve ter a dimensão do valor da leitura de um simples bilhete para uma criança com dificuldades de aprendizado. Colocar as crianças na escola, fazer com que elas aprendam de verdade, distribuir livros e alimentação adequada, podem virar “um milagre”. (Folha de São Paulo. Folhateen, 28 de abril de 2003). Texto 4 Em todas as sociedades letradas, aprender a ler tem algo de iniciação, de passagem ritualizada para fora de um estado de dependência e comunicação rudimentar. A criança, aprendendo a ler, é admitida na memória comunal por meio de livros, familiarizando-se assim com um passado comum que ela renova, em maior ou menor grau, a cada leitura. (MANGUEL, Alberto. Uma história da leitura. Trad. Pedro Maia Soares. São Paulo, Companhia das Letras, 1997).

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PROPOSTA Com base nas idéias presentes nos textos reproduzidos, escreva um TEXTO DISSERTATIVO de aproximadamente 25 (vinte e cinco) linhas. OBSERVAÇÕES 1) Os textos apresentados devem servir como orientação para a sua redação. Deles você deve extrair o tema para a produção do seu texto. 2) Procure observar o que há de comum entre os diversos textos e qual o tema central que os une, estabelecendo seu projeto de texto. 3) Não transcreva partes dos textos de apoio no seu trabalho. 4) Serão anuladas (NOTA ZERO) as redações: a) fora do tema proposto; b) em outra modalidade, que não a dissertativa; c) com letra ilegível; d) em linguagem incompreensível ou vulgar; e) com alguma marca que possa identificar o seu produtor. 5) Seu texto deve ser claro, correto, preciso, conciso, coeso, coerente. 6) Sua argumentação deve ser sólida e bem estruturada, com introdução, desenvolvimento e conclusão. 7) Por último, não se esqueça de atribuir à sua redação um título adequado e sugestivo. ITA 2003 Leia os seguintes textos e, com base no que abordam, escreva uma dissertação em prosa, de aproximadamente 25 (vinte e cinco) linhas, sobre: A importância da ética nas atividades e relações humanas. 1. “O que se deve fazer quando um concorrente está se afogando? Pegar uma mangueira e jogar água em sua boca”. (Ray Kroc, fundador do McDonald’s, em Tudo, n.11, 15/04/2001, p.23) 2. “Temos de dar os parabéns ao Rivaldo. A jogada dele foi a mais inteligente da partida contra os turcos. São lances como esses que te colocam na Copa do Mundo. Tem de ser malandro. Só quem joga futebol sabe disso.” (Roberto Carlos, jogador da seleção brasileira de futebol, comentando a atitude de Rivaldo, que fingiu ter sido atingido no rosto pela bola chutada por um adversário. Folha de S. Paulo, 06/06/2002) 3. Ética. s.f. Estudo dos juízos de apreciação que se referem à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto. (Dicionário Aurélio Eletrônico. Versão 2.0 [199] Rio de Janeiro: Lexikon Informática, Nova Fronteira, CDROM) 4. Como toda descoberta científica exige que o pesquisador suspenda seus preconceitos, ela comporta riscos éticos. Mas a ciência não produz automaticamente efeitos nocivos no plano ético. A aplicação da ciência ao mundo prático nunca é mecânica ou automática. Ela depende das escolhas humanas. (Renato Janine Ribeiro. In Pesquisa: clonagem. FAPESP, n. 73, março 2002. Suplemento Especial) ITA - 2004 INSTRUÇÕES PARA REDAÇÃO Redija uma dissertação (em prosa, de aproximadamente 25 linhas) sobre o tema: Produção e consumo de bens tecnológicos geram relações sociais mais justas? Para elaborar sua redação, você poderá valer-se, total ou parcialmente, dos argumentos contidos nos excertos abaixo, refutando-os ou concordando com os mesmos. Não os copie nem os parafraseie. (Dê um título a seu texto. A redação final deve ser feita com caneta azul ou preta.) 1) As sociedades modernas também se medem pela justiça na distribuição da riqueza. Isso não significa apenas tomar dinheiro dos ricos para dar aos pobres, através dos impostos, por exemplo, mas oferecer oportunidades para que um número cada vez maior de pessoas possa ter acesso à riqueza e melhorar o padrão de vida, via educação, saúde e outros serviços. (Veja, 12/7/2000.)

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2) (...) a noção de qualidade de vida envolve duas grandes questões: a qualidade e a democratização dos acessos às condições de preservação do homem, da natureza e do meio ambiente. Sob esta dupla consideração, entende-se que a qualidade de vida é a possibilidade de melhor redistribuição – e usufruto – da riqueza social e tecnológica aos cidadãos de uma comunidade; a garantia de um ambiente de desenvolvimento ecológico e participativo de respeito ao homem e à natureza, com o menor grau de degradação e precariedade. (SPOSATI, Aldaíza. Políticas públicas. http://www.comciencia.br, 14/10/2002.) 3) (...) a tecnologia deve ser entendida como resultado e expressão das relações sociais, e as conseqüências desse processo tecnológico só podem ser entendidas no contexto dessas relações. Em nossa sociedade, as relações sociais são relações entre classes sociais com diferentes interesses, poderes e direitos. As tecnologias são, portanto, fruto do conhecimento científico avançado aplicado à produção e à cultura, de maneira a atender aos interesses das classes dominantes. (SAMPAIO, Marisa N.; LEITE, Lígia S. Alfabetização tecnológica do professor. Petrópolis: Vozes, 1999.) 4) Muita gente se espantou com a modesta 43a posição que o Brasil ocupa no ranking mundial de desenvolvimento tecnológico, elaborado pela ONU. (...) [O Brasil] inclui-se entre as nações que absorvem tecnologias de ponta, mas está fora do grupo de líderes em potencial. Não poderia ser diferente. Basta cruzar o Índice de Avanço Tecnológico (IAT) com outro levantamento divulgado pela ONU: o Índice de Desenvolvimento Humano. Em termos de IDH, o Brasil não passa do 69º lugar. Pior ainda: segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, existem no país 50 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza absoluta, com renda mensal inferior a 80 reais. (...) Enquanto não avançar em desenvolvimento humano, o Brasil dificilmente conseguirá galgar posições no ranking tecnológico. Os dois indicadores são interdependentes e agem como vasos comunicantes. Tome-se o exemplo da Argentina, que ocupa a 34ª posição em ambos levantamentos. Ou então países da Ásia como a Coréia, Cingapura e Hong Kong, que surpreendem com o avanço tecnológico e também se juntam aos líderes de desenvolvimento humano. (Jornal do Brasil, 11/07/2001.) ___________________________________________________________________________________________________________ _________

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