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Consolidação do circuito espacial da produção da complem no sul goiano resultados preliminares

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CONSOLIDAÇÃO DO CIRCUITO ESPACIAL DA PRODUÇÃO DA COMPLEM NO SUL GOIANO: RESULTADOS PRELIMINARES

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PROF. DRA. MAGDA VALÉRIA DA SILVA2
(UEG/UnU Morrinhos) (magdaueg@yahoo.com.br)
III SEMANA DE PESQUISA E EXTENSÃO DA UEG UnU. MORRINHOS - 25 a 27 de outubro de 2011

DÉBORA RODRIGUES DAS NEVES3
(UEG/UnU Morrinhos)

RESUMO
O presente texto visa apresentar resultados parciais do desenvolvimento do projeto de pesquisa intitulado “Consolidação do Circuito Espacial da Produção da COMPLEM: tramas espaciais e espaços de fluxos no Sul Goiano”. O objetivo principal é compreender o processo de estruturação e consolidação do circuito espacial da produção da agroindústria Cooperativa Mista dos Produtores de Leite de Morrinhos no Sul Goiano. Nesse intento, objetiva ainda levantar as redes que formadas pela empresa nos processos à montante através das relações com os produtores de leite e sua estrutura produtiva e fornecedores de produtos e insumos; nas etapas que envolvem a produção strictu sensu nas fábricas considera-se o processo de industrialização de produtos lácteos e não lácteos e; as etapas entendidas como processo a jusante são representadas pelas filiais, empresas terceirizadas e distribuidores dos produtos lácteos da marca Compleite. A partir do conhecimento geográfico, busca entendê-las como elos que possibilitem a formação de um espaço de fluxos material e imaterial que culmina na formação do circuito espacial desta agroindústria. Como suporte teórico, usa-se os conceitos geográficos de redes e de circuito espacial da produção. Em termos de procedimentos metodológicos, utiliza-se da aplicação de roteiros de entrevista semi-estruturados (diretores e gerentes das filiais) e de questionários (empresas distribuidoras). Contudo, propõe-se um aprofundamento das discussões sobre o circuito espacial da produção e aplicação das diretrizes teórico-metodológicas desenvolvidas por Silva (2010) para estudo deste conceito no âmbito da Geografia. O uso destes procedimentos visa reforçar a produção científica que envolve os conceitos de

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Texto baseado em resultados parciais obtidos até setembro/2011 pelo Projeto de Pesquisa “Consolidação do Circuito Espacial da Produção da COMPLEM: tramas espaciais e espaços de fluxos no Sul Goiano”, com vigência (2011-2012). 2 Professora do Curso de Geografia e Coordenadora do Projeto de Pesquisa em questão. 3 Bolsista PBIC/UEG - Programa de Bolsas de Iniciação Científica da UEG e Acadêmica do Curso de Geografia.

redes e circuitos espaciais da produção e almeja aprimorar bases para a criação de linhas e rede de pesquisadores que abordem trabalhos e pesquisas que retratem destes conceitos geográficos.

Palavras-chave: Redes; Circuito Espacial da Produção; Fluxos
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1. INTRODUÇÃO
O presente texto baseia-se nas discussões e resultados parciais apresentados pelo projeto de pesquisa - em desenvolvimento - intitulado “Consolidação do Circuito Espacial da Produção da COMPLEM: tramas espaciais e espaços de fluxos no Sul Goiano”. Dessa forma este visa compreender o processo de estruturação e consolidação do circuito espacial da produção da agroindústria Cooperativa Mista dos Produtores de Leite de Morrinhos (COMPLEM) no Sul Goiano, enfocando-o através das redes que são formadas pelos segmentos produtores de leite, fornecedores de insumos e produtos, filiais, distribuidores, empresas terceirizadas e outros.

Nesse escopo, o texto aponta alguns resultados sobre as redes que são formadas pela agroindústria nos processos a montante da fábrica, como: fornecedores de leite e de insumos/mercadorias; os processos quem envolvem a produção strictu sensu nas fábricas, com a industrialização de produtos lácteos e não lácteos e; referente à etapa a jusante traz-se algumas informações sobre filiais da agroindústria, as empresas terceirizadas e distribuidoras dos produtos lácteos. A partir do conhecimento geográfico, busca-se entender as redes como elos que possibilitem a formação de um espaço de fluxos materiais e imateriais que por sua vez, culminam na formação do circuito espacial desta empresa agroindustrial. Como balizamento teórico, adota-se como conceitos geográficos: redes e circuito espacial da produção, e como suporte metodológico, utiliza-se da aplicação de roteiros de entrevista semi-estruturados aos diretores e gerentes das filiais da COMPLEM e de questionários para empresas distribuidoras e terceirizadas. Contudo, propõe-se um aprofundamento das discussões sobre o circuito espacial da

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produção e aplicação das diretrizes teórico-metodológicas desenvolvidas por Silva (2010) para estudo deste conceito no âmbito da Geografia. A aplicação das diretrizes propostas por esta autora visa reforçar a produção científica que envolve os conceitos de redes e

circuitos espaciais da produção e almeja aprimorar bases para a criação de linhas e redes de pesquisadores que abordem trabalhos e pesquisas que retratem estes conceitos como balizadores de estudos geográficos.

A COMPLEM é uma agroindústria que atua no setor de lácteos, especificamente, na transformação de leite in natura em produtos derivados de leite através de processos industriais. Entre os produtos tem-se: leites pasteurizados e Ultra High Temperature (UHT) ou longa vida, iogurtes, queijos, requeijões, doces e outros.

A empresa foi fundada em 1978 por um grupo de aproximadamente 200 produtores de leite, cuja matriz encontra-se sediada em Morrinhos, na microrregião Meia Ponte integrante da região de Planejamento Sul Goiano. Porém, suas atividades se iniciaram em 1975, quando a Cooperativa Central de Laticínios do Estado de São Paulo, conhecida como Paulista, comprou um galpão onde funcionavam máquinas de arroz e um armazém de grãos, pertencentes a uma antiga cooperativa local, chamada Capsul. Deuse início à construção de um posto de resfriamento de leite, que entrou em funcionamento em agosto de 1976. No início do ano de 1978, a Diretoria da Capsul vendeu o imóvel de sua sede para a Paulista. Dá-se início à mudança da razão social de Capsul para COMPLEM, que se acontece exatamente no dia 26 de junho de 1978. (COMPLEM, 2010a). A COMPLEM perdurou como afiliada da Paulista até dezembro de 2002, quando os associados decidiram pelo rompimento da parceria. O produto que marca sua entrada na industrialização de leite e derivados é o leite pasteurizado em embalagem sachet (saquinho plástico), com a marca Compleite, em abril de 1990. (COMPLEM, 2010a). Desde então, a marca de produtos Compleite ganha mercado e espaço no Sul Goiano e no mercado de derivados lácteos, através da abertura de novas filiais e revendas e diversificação de produtos, bem como expansão de sua area de atuação em Morrinhos, não ficando restrita a produção strictu sensu de produtos lácteos, mas partindo para setores que subsidiem os cooperados (produtores de leite in natura).

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2. BREVE HISTÓRICO DA COMPLEM

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3. DA REDE AO CIRCUITO ESPACIAL DA PRODUÇÃO DA COMPLEM
Com base na estrutura de produção da COMPLEM, recorre-se ao uso do conceito geográfico circuito espacial da produção para entender como se forma e segmenta sua cadeia produtiva. Acredita-se que este consegue compreender através do ponto de vista
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geográfico todas as etapas, processos, fases e atores que compõem e/ou formam sua cadeia produtiva, bem como aponta para questões relativas à reprodução de capitais e transformações espaciais proporcionadas pelos fluxos materiais e imateriais promovidos por ações diretas e indiretas desta agroindústria.
Ressalta-se que o caminho teórico para compreender o circuito espacial da produção de uma determinada empresa perpassa pelo conhecimento dos segmentos que o forma, todavia, a compreensão das redes que são firmadas entre a empresa central e as que lhe dão suporte sejam através do fornecimento de materiais, distribuição de produtos ou parcerias diversas se faz necessária. Nesse escopo, tanto as redes que são originadas a partir desta agroindústria empresa como as que convergem para ela assumem papéis fundamentais no movimento contínuo deste circuito. Por ora, cabe esclarecer, primeiramente, que o entendimento de redes está pautado no contexto histórico-geográfico, abordado em uma literatura que se fundamenta nas bases do desenvolvimento capitalista com ênfase em leituras sobre a importância das redes no contexto atual. Engels e Marx (2000) já afirmam à tendência a expansão é inerente ao sistema capitalista. Estes autores ao abordarem o capitalismo no século XIX, no Manifesto Comunista, apontam as necessidades deste modo de produção em expandir, conquistar novos mercados e criar vínculos, conforme:

Impelida pela necessidade de mercados sempre novos, a burguesia invade todo o globo. Necessita estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda parte. Pela exploração do mercado mundial a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países.

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Para desespero dos reacionários, ela retirou à indústria sua base nacional. (ENGLES; MARX, 2000, p. 26).

A afirmação dos autores aponta para uma expansão desenfreada do capitalismo em busca da conquista de novos espaços, criação e reforços de vínculos, que levam ao aumento da produção e do consumo, cuja face mais atual é marcada pelos postulados do meio técnico-científicoinformacional. Dessa forma, os vínculos entre os segmentos econômicos e sociais são essenciais para a
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consolidação do capitalismo em termos mundiais. E tal expansão em contexto recente (meio técnico-científico-informacional) culmina no aprofundamento de laços e no desenvolvimento de técnicas e tecnologias que levam o mundo a conviver com informações diversas, de direções variadas e intencionalidades ímpares. Assim, os laços e elos estabelecidos pelos segmentos econômicos e sociais podem ser compreendidos analiticamente no contexto das redes, como Castells (2000, p. 498) afirma:

Rede é um conjunto de nós interconectados [...]. Concretamente, o que um nó é depende do tipo de redes concretas de que falamos. São mercados de bolsas de valores e suas centrais de serviços auxiliares avançados na rede dos fluxos financeiros globais. São conselhos nacionais de ministros e comissionários europeus da rede política que governa a União Européia. São os campos de coca e de papoula, laboratórios clandestinos, pistas de aterrissagem secreta, gangues de ruas e instituições financeiras para lavagem de dinheiro [...].

Ainda a respeito do conceito de redes, Corrêa (2001, p. 107) diz:

Por redes geográficas entendemos “um conjunto de localizações geográficas interconectadas” entre si “por um certo número de ligações”. Este conjunto pode ser constituído tanto por uma sede de cooperativa de produtores rurais e as fazendas a ela associadas, como pelas ligações materiais e imateriais que conectam a sede de uma empresa, seu centro de pesquisa e de desenvolvimento, suas fábricas, depósitos e filiais de venda [...]. Há, na realidade, inúmeras e variadas redes que recobrem, de modo visível ou não, a superfície da terra. (destaques do autor).

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O cruzamento e entrelaçar de mercadorias, informações, intencionalidades, ordens e normas entre os segmentos da economia já fazem parte da construção do espaço geográfico no contexto do meio técnico-científico-informacional. De acordo com Santos (2002) as redes revelam outras situações na construção espacial, pois, “mediante as redes, há uma criação paralela e eficaz da ordem e da desordem no território, já
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que as redes integram e desintegram, destroem velhos recortes espaciais e criam outros”. (SANTOS, 2002, p. 279). Com referência a essa afirmação, constata-se que as redes têm o poder social de incluir e excluir segmentos da sociedade, assim como parcelas territoriais, mas podem ainda modificar espaços e mudar a realidade dos lugares. Entretanto, aqueles lugares que interagem e tem acesso as técnicas e condições criadas pelo meio técnico-científico-informacional acabam se beneficiando de alguns favorecimentos e, podendo se tornar “espaços luminosos”. (SANTOS; SILVEIRA, 2001, p. 264). As redes são essencialmente “excludentes e seletivas”, pois possuem o poder de excluir ou incluir lugares na era informacional. (ANDRADE, 2008, p. 2). Mesmo com a exclusão e/ou inclusão os lugares estão integrados a uma totalidade. Todavia, é necessário atentar para a complexidade do jogo das redes, elas tem o poder de transformar lugares, através da criação de algumas infraestruturas, além disso, apresentam, conforme apontam Santos (2002), Corrêa (2001) e Castells (2000) uma realidade material e outra imaterial. A realidade material é apresentada pelos fluxos materiais, como de mercadorias, produtos, componentes e insumos e, a imaterial pelos fluxos de capitais, valores, intencionalidades, ordens e normas. Pensar sobre os vários tipos de redes que partem da COMPLEM com direções diversas e as que chegam a esta empresa também oriundas de lugares diferentes, permite-se entender, que uma empresa ligada ao setor pecuário, especificamente, fabricação de produtos derivados de leite, também cria um arranjo espacial complexo, devido à materialidade, a densidade e a complexidade dos fluxos que em um movimento difuso e uno culmina na formação de seu circuito espacial da produção, respaldado pelos círculos de cooperação. Nesse escopo, ressalta-se que o conceito de circuito espacial da produção na Geografia ainda é

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pouco pesquisado, com destaque para Milton Santos (1994, 2002, 2008), María Laura Silveira (2001), María Mónica Arroyo (2006) e Silva (2010). Porém, algumas questões devem ser consideradas para que o uso deste conceito não seja aleatório no caso do objeto de estudo proposto, tais como: Qual a dimensão espacial (local,

regional, nacional e internacional) das redes que formam o circuito espacial da produção da COMPLEM? Quem são e onde estão os fornecedores de leite, insumos/mercadorias da COMPLEM? Qual o tamanho da estrutura produtiva (armazéns, fábricas e filiais) da COMPLEM? Onde estão os mercados consumidores (estabelecimentos comerciais

distribuidores) dos produtos lácteos da COMPLEM? Como se dá o processo de distribuição dos produtos Compleite ao mercado consumidor? Pautado nessas questões e no caminho metodológico referenciado na introdução, propõe-se entender o processo de formação e consolidação do circuito espacial da produção da COMPLEM, compreendido através de movimentos contínuos das redes que o forma. Por ora, salienta-se que por circuito espacial da produção entende-se:
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Mas para entender o funcionamento do território é preciso captar o movimento, daí a proposta de abordagem que leva em conta os circuitos espaciais da produção: Estes são definidos pela circulação de bens e produtos e, por isso, oferecem uma visão dinâmica, apontando a maneira como os fluxos perpassam o território. (SANTOS; SILVEIRA, 2001, p. 143).

Se os circuitos espaciais da produção dependem da circulação de bens e produtos, desse modo, eles estão essencialmente ligados a uma base material, que por sua vez, depende das redes técnicas (rodovias, aeroportos, portos, sistemas de comunicação etc.) para que a circulação ocorra e seu movimento seja contíguo. As diversas redes que formam o circuito espacial da COMPLEM se configuram espacialmente com raízes escalares diversas - presente em diferentes lugares - possibilitando uma dispersão espacial, conforme afirmam Homiak e Silva Júnior (2009, p. 1, destaque dos autores): “os circuitos espaciais, por sua vez, dão conta de explicar que a produção já não se realiza somente na unidade de produção strictu sensu, mas em uma territorialidade ampliada”. Essa afirmação pode ser comprovada através de relações que esta agroindústria mantém com empresas além das fronteiras brasileiras, como é o caso da Sig Cambibloc. Cujo relacionamento será aprofundado a seguir. A partir da abrangência espacial e os tipos de segmentos que formam este circuito é possível determinar se ele é complexo ou não. Muitas vezes uma única empresa estabelece um espaço de

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fluxos que permite a cidade em que está sediada realizar relações impares e singulares com lugares distantes, integrando hierarquicamente em redes urbanas de médias e grandes cidades. O espaço de fluxos deve ser analisado na perspectiva material e imaterial, formando um tecido articulado, conforme afirma Santos (2008, p. 55) ao relatar sobre os laços de solidariedade, “o mundo encontra-se organizado em subespaços articulados”.
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Destarte, os circuitos espaciais da produção possibilitam uma integração dos processos, etapas e segmentos produtivos de uma determinada empresa, principalmente, as grandes. A respeito disso, Santos e Silveira (2001, p. 153) dizem: “as grandes empresas organizam suas atividades criando circuitos espaciais de produção. Para funcionar, elas devem regular seus processos produtivos – hoje dispersos no território – sua circulação, sua contabilidade etc”. A priori, o circuito espacial da produção da COMPLEM está formado pelos produtores de leite, empresas fornecedoras de insumos e mercadorias, filiais, armazéns e fábricas, empresas parceiras e mercado consumidor (empresas que vendem produtos lácteos). Dessa forma, as variáveis que o formam possuem uma base material, mas conta com uma base imaterial formada pela circulação de capitais, valores, intencionalidades, ordens, normas e informações, sendo regida pelo círculo de cooperação, conforme relata Santos (1994, p. 128):

Criam-se, desse modo, circuitos produtivos e círculos de cooperação, como forma de regular o processo produtivo e assegurar a realização do capital. Os circuitos produtivos são definidos pela circulação de produtos, isto é, de matéria. Os circuitos de cooperação associam a esses fluxos de matéria outros fluxos não obrigatoriamente materiais: capital, informação, mensagens, ordens. As cidades são definidas como pontos nodais, onde estes círculos de valor desigual se encontram e superpõem.

Desse modo, o circuito espacial da produção da COMPLEM pode possibilitar de um lado, uma interação de Morrinhos com diversos lugares, mas por outro, assegura a reprodução do capital no lugar, representado pelos laços e conexões realizadas com empresas locais, possibilitando a 8 sustentação de um poder gerado localmente. Com referência a essa situação, é importante salientar que as empresas usam o território conforme sua capacidade produtiva, as grandes possuem condições de criar e modificar

estruturas, outras usam as que estão prontas, dessa maneira, “a dimensão espacial de cada firma não é idêntica, variando com a capacidade de cada qual em transformar as massas produzidas em fluxos”. (SANTOS, 1994, p. 128). As capacidades de transformação espacial e de uso territorial de uma determinada empresa podem ser diagnosticadas, a partir do momento, que se tenha a noção da sua capacidade
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produtiva, de sua dispersão espacial, da sua inserção no mercado e estabelecimentos de relações com segmentos diversos. Segundo Arroyo (2006, p. 79):

Um circuito espacial envolve diversas empresas e ramos e, também, diversos níveis (local, nacional, internacional). Há uma topologia da empresa, enquanto há uma topografia do circuito – e dos círculos de cooperação. Isso significa que o circuito permite agregar a topologia de várias empresas em um mesmo movimento, ao mesmo, permite captar uma rede de relações que se dão ao longo do processo produtivo, atingindo uma topografia que abrange uma multiplicidade de lugares e de atores. Ou seja, circuito espacial e topologia de uma empresa poucas vezes se superpõem plenamente, poucas vezes se confundem, a menos que se trate de uma única empresa comandando todas as atividades.

Verticalizando, nesse caso, a dispersão espacial da COMPLEM pelo Sul Goiano, denota que a mesma consegue através de suas relações e ações atingir vários lugares, que por sua vez, se torna única ao comandar esta cadeia produtiva, mesmo que, diversificada devido à presença de empresas pertencentes a vários ramos da economia. Para Silva (2010, p. 397):

Entende-se que o circuito espacial da produção abrange os diversos processos de uma cadeia produtiva, processos que acontecem a montante da empresa, os processos produtivos que ocorrem dentro da fábrica e os que ocorrem em sua cadeia a jusante. Envolvendo laços e conexões concentrados e dispersos pelo território através de relações comerciais e interempresariais que almejam a reprodução capitalista através de um movimento uno.

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Assim, o circuito espacial de produção abrange várias redes que formam a cadeia produtiva de uma dada empresa. Portanto, é nesse limiar que este artigo se constitui - a partir de resultados parciais do projeto de pesquisa mencionado - através de abordagens sobre os tipos de redes que formam o circuito produtivo da COMPLEM, culminado na produção de um espaço de fluxos que
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viabiliza a reprodução capitalista em Morrinhos e Sul Goiano. Concernente ao exposto, nota-se que a empresa mantém laços e vínculos fortes tanto com os lugares em que está presente, como com outras regiões do país e do mundo. Tais relações reforçam a ideia de que a COMPLEM forma um circuito espacial da produção ao desenvolver suas atividades. Portanto, torna-se um objeto de análise promissor do ponto de vista científico e o qual deve ser avaliado e tratado no escopo do conhecimento da Geografia. Dessa forma, as discussões e apontamentos que envolvem o circuito espacial da produção da COMPLEM vêem sendo analisados através dos resultados preliminares da pesquisa de campo e aplicação dos procedimentos teórico-metodológicos apontados. Cujas análises e resultados encontram-se consubstanciados a seguir.

4. RESULTADOS PRELIMINARES: ALGUMAS DISCUSSÕES
Os resultados parciais apresentados pelos levantamentos junto a COMPLEM demonstram que, atualmente, cerca de 70% do leite in natura captado é industrializado em sua fábrica de laticínios - formada pelas indústrias de laticínios e de leite UHT ou longa vida - e os outros 30% são vendidos a terceiros como leite resfriado (spot). (COMPLEM, 2010a). A cooperativa se estrutura em uma matriz formada por um centro administrativo; posto de combustível; boutique; supermercado, loja agropecuária e loja de ração e sais mineralizados, sediados na area urbana de Morrinhos/GO. As fábricas de sais e ração, indústria dos produtos Compleite e laticínios e armazém de grãos - em construção formam o Complexo Industrial da COMPLEM com sede no Distrito Industrial de

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Morrinhos (DAIMO). (COMPLEM, 2010b, 2010c). Constatou-se que em 2011 a COMPLEM tem 11 filiais, localizadas em: Água Limpa, Aloândia, Buriti Alegre, Caldas Novas, Corumbaíba, Edeia, Edealina, Indiara, Itumbiara,

Pontalina e Rio Quente, essas cidades são pertencente ao Sul Goiano. Além de duas filiais de vendas, fixadas em Aparecida de Goiânia/GO e em Brasília/DF. (COMPLEM, 2010c)
Possui aproximadamente 4 mil associados entre ativos (cerca de 1.700) e inativos (por volta de 2.300). Entretanto, alguns estão organizados em associações e/ou cooperativas menores, que
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lhes representam junto a COMPLEM, como é o caso da Cooperativa Agropecuária dos Produtores Rurais de Corumbaíba (COOPAC) que fornece cerca de 25 mil litros/dia e a Cooperativa da Associação dos Produtores Familiares do Assentamento Tijuqueiro

(COOPERFAT). (COMPLEM, 2011a). A COOPAC capta leite in natura no município de Corumbaíba/GO, pertencente a microrregião de Catalão/GO. Cuja ação se dá em território comandado por uma das maiores indústria láctea brasileira, a Italac, onde está sediada sua maior fábrica de leites e derivados, como: leite UHT, leite condensado, creme de leite, achocolatados, leite em pó e outros. A COOPERFAT está sediada no município de Morrinhos, sendo formada por produtores rurais assentados, cuja origem advém da luta pela terra empreendida pelos movimentos sociais do campo brasileiro. Entre os municípios fornecedores o que mais tem produtores de leite é o de Morrinhos, por conseguinte, a maior parte do leite recebido pela COMPLEM advém deste município.

A cooperativa emprega, atualmente, mais de 700 trabalhadores na matriz, filiais e complexo industrial, além de gerar inúmeros outros empregos indiretos nas cidades em que está presente. (COMPLEM, 2010b).
Nota-se que toda essa infraestrutura permite à cooperativa receber diariamente cerca de 250 mil litros de leite in natura, cuja média mensal fica em torno de 7.500 (sete milhões e quinhentos mil) litros. Desse total de leite captado, parte é remetido para o fabrico dos produtos Compleite e cerca de 30% é vendido apenas como resfriado. Somente o centro distribuidor em Aparecida de Goiânia no mês de agosto/2011 atingiu a marca de 1 milhão de litros de leite vendidos na região metropolitana de Goiânia, cujo carro-chefe da venda foi o leite UHT/longa vida. (COMPLEM, 2011a). Conforme já informado a COMPLEM atualmente disponibiliza no mercado uma série de produtos derivados de leite e que são fabricados na própria cidade de Morrinhos, sob a designação de produtos Compleite. Ao todo são 37 produtos diferentes posto no mercado diariamente, tais como: 6 tipos de leites; 4 variedade de bebidas lácteas em dois tipos de embalagens; 6 tipos de derivados de leite; 6 tipos de queijos com pesos diversos e três sabores de

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requeijões. (COMPLEM, 2011b). Além, de ter criado o Robusto (bebida láctea) para concorrer comercialmente com marcas com qualidades inferiores e embala o leite UHT integral e desnatado Triângulo, sob a marca Alimentos Triângulo Mineiro. A cooperativa possui atualmente uma carta com aproximadamente 6 mil fornecedores, incluso os dos armazéns, supermercados, fábricas etc. Entre esses alguns se destacam, pelo fato de
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serem empresas de capital internacional, como é o caso da Sig Cambibloc, fornecedora de equipamentos de envase assépticos e embalagens cartonadas para armazenamento do leite UHT vitaminado e semidesnatado. Essa empresa possui duas unidades fornecedoras: a de embalagem sedia-se na cidade de Salzfeld/Áustria e a de tampas e envase em Düsseldorf/Alemanha. (RIBEIRO, 2009a, p. 4). Já os leites UHT integral e desnatado e as bebidas lácteas saborizadas são armazenados em embalagens, respectivamente, Tetra-Brik Asseptic e Tetra Rex, fabricadas pela empresa de capital sueco Tetra Pak no Brasil, localizadas nas cidades de Monte Mor/SP e Ponta Grossa/PR. (COMPLEM, 2011b). De um lado, essas relações com empresas de capital estrangeiro demonstram o início de um circuito com abrangência internacional, isto é, a COMPLEM possibilita por via das redes, fluxos materiais e imateriais com lugares distantes, uma interação de Morrinhos com lugares distantes. Esses elos são embriões das relações ampliadas para os âmbitos nacionais e internacionais apontados nas diretrizes desenvolvidas por Silva (2010). Porém, por outro lado, a COMPLEM assegura a reprodução do capital no lugar, representado pelos laços e conexões realizadas com empresas locais onde a cooperativa se faz presente, como é o caso de alguns dos convênios/parcerias firmados. Como exemplos citam-se: Em Morrinhos, são 14 farmácias, três laboratórios, duas borracharias, uma clínica de radiologia, uma psicóloga e um dentista, além dos estabelecimentos comerciais de sua propriedade. Na cidade de Caldas Novas a parceria envolve quatro estabelecimentos comerciais, sendo uma farmácia, uma papelaria e dois postos de combustíveis; já em Pontalina são duas farmácias e dois laboratórios conveniados; e na cidade de Edealina são três laboratórios conveniados. (RIBEIRO, 2009b, p. 8). Nota-se, que as relações mediadas pela COMPLEM com estabelecimentos comerciais nos locais

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onde está presente com infraestrutura (armazéns agropecuários e supermercados) contribuem direta e indiretamente para uma maior circulação de mercadorias, geração de tributos e empregos nestes 11 municípios do Sul Goiano, reforçando a sua importância para a economia regional, uma vez, que a maior parte deles (Água Limpa, Aloândia, Buriti Alegre, Corumbaíba,

Edeia, Edealina, Indiara e Pontalina) são considerados pequenos municípios e as fontes de renda são bastante limitadas, geralmente, as demandas do campo são viabilizadores de seus crescimentos. Portanto, a presença da COMPLEM nessas localidades é um marco na geração de empregos e circulação de mercadorias, capitais e intencionalidades.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este artigo buscou compreender parcialmente o processo de estruturação e consolidação do circuito espacial da produção da indústria láctea COMPLEM no Sul Goiano, enfocando-o através das redes que são formadas pelos seguintes segmentos: produtores de leite in natura, fornecedores de insumos e produtos, filiais, distribuidores, empresas terceirizadas e outros.

Nesse escopo, o texto aponta alguns resultados sobre as redes que são formadas pela agroindústria nos processos a montante da fábrica, como: produtores de leite in natura e de alguns fornecedores de insumos/mercadorias; os processos quem envolvem a produção strictu sensu nas fábricas, através da industrialização de vários produtos lácteos e não lácteos e; referente à etapa a jusante traz-se algumas informações sobre filiais desta cooperativa e as relações, elos e parcerias com os lugares em que estão presentes. Entretanto, os segmentos de distribuidores, empresas terceirizadas e outros serão analisados em momento oportuno.
Espera-se com o desenvolvimento proposta no projeto de pesquisa: “Consolidação do Circuito Espacial da Produção da COMPLEM: tramas espaciais e espaços de fluxos no Sul Goiano” apontar a importância econômica desta cooperativa para os municípios em que está presente, principalmente para Morrinhos, onde mantém toda sua estrutura industrial. Além disso, visa provar que a empresa mantém e forma um espaço de fluxos materiais e imateriais que contribui junto a outros empreendimentos para Morrinhos inserir numa rede de fluxos, urbana, econômica, tecnológica e informacional angariada e comandada por poucos municípios goianos. Dessa forma, o aprofundamento e amadurecimento quanto ao uso do conceito circuito espacial da produção na Geografia, como forma de tratar a realidade material e imaterial presente no sistema capitalista, da produção do espaço, estabelecimento dos espaços de fluxos e a importância das redes e dos circuitos firmados por empresas que atuam em ramos e atividades variadas, independente do porte econômico torna-se-á uma viabilidade para o uso conceitual de

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circuito espacial da produção como categoria norteadora de pesquisas geográficas que envolvem as questões urbanas e econômicas.

REFERÊNCIAS
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