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Casa Grande e Senzala - Resenha

Casa Grande e Senzala - Resenha

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Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Resenha do cáp. I do livro Casa-Grande e Senzala de Gilberto Freyre

Alexandre Suzuki Bruno Ortega Cássia de Mores Daniela Mares Ive Godoy AN5PP

2008

Resenha: Casa Grande e Senzala
Antes de chegar ao Brasil, os portuguêses já haviam demonstrado interesses pelos trópicos, tanto na Índia quanto na África, a tendência da colonização híbrida, explica o pasado étnico com influência cultural, sexual, religiosa, etc., adquirida desses povos. Mas foi no Brasil que os portugueses encontraram base sólida para formar uma sociedade firmada na agricultura, onde podiam explorar os habitantes locais para trabalho escravo, além da união sexual com as índias que aqui viviam. As diferenças se misturavam entre as raças. Já não era possível encontrar um tipo físico unificado, a raça já não tinha mais papel decisivo. A mistura cultural e genética, já não era presente somente em Portugal, mas também em outras partes da península. É certo que os portugueses são muito mais suscetíveis a miscigenação que os outros europeus, as sociedades coloniais formadas pelos portugueses são todas híbridas. No início da colonização no Brasil, São Paulo e Pernambuco foram locais de foco de energia criadora, com poucas mulheres brancas e com uma grande mescla de sangue indígena. Já não era convencional dizer que eram genuinamente europeus. O que não impediu que os portugueses triunfassem no domínio da terra, onde tudo ocorreu rapidamente, com qualidades de permanência. Para os portuguêses, a mistura de raças e culturas foi uma vantagem para sua melhor adaptação, não só biológica como social. Pois isso foi uma forma de povoar os territórios brasileiros, além de fortalecer os aspectos físicos da raça branca. A união com a mulher índia, trouxe a multiplicação do colonizador mestiço, que além de povoar as terras, a mistura de raças formava seres mais resistente ao clima. O clima de um lugar exerce influência na formação da sociedade, pois ele determina a produtividade da terra como fonte de nutrição e também como recurso de exploração econômica. Porém, o português teve que mudar bruscamente seu modo de alimentação e comportamento. Tudo mudou: o clima, o solo, o ambiente. O trabalho agrícola era feito pelo negro, porém coordenado pelo europeu. O português sofreu as novas circunstâncias de vida física, além da vida econômica e social. Aqui tudo era diferente, uma terra em que o solo era fértil, mas não podia plantar tudo o que quisesse. Os rios também não podiam ser aproveitados economicamente na lavoura, ocorriam enchentes e em outras épocas, secas. Havia muitas larvas, insetos e vermes nocivos ao homem. Os portugueses foram também os primeiros colonos que tiveram a disposição de povoar e defender militarmente o Brasil. Criaram colônias e deixaram seu país para imigrar com suas famílias. “Leroy-Beaulieu assinala como uma das vantagens da colonização portuguêsa da América tropical, pelo menos, diz ele, nos dois primeiros séculos, “a ausência completa de um sistema regular e complicado de administração”. A “liberdade de ação” característica do começo da vida brasileira, observa o economista francês no seu estudo sobre a colonização moderna”. (1) A partir de 1532, a colonização portuguesa, caracterizou-se pelo domínio da família rural ou semi-rural. Houve a colonização por indivídios (soldados, aventureiros, cristãos-novos fugidos à perseguição religiosa, náufragos, traficantes de escravos, de animais, madeira, etc.), porém, durou tão pouco que chegou a ser quase indiferente política e economicamente e não chegou a ser definido como sistema colonizador. Haviam leis nos séculos XVI e XVII que condenava ao exilio eterno a ser pago no Brasil, os portugueses que cometiam crimes previstos pela lei de Portugal. Essa ação visava também interesses genéticos e de povoamento. Mas os condenados também eram atraídos pela possibilidade de uma vida livre e com muitas opções de mulheres (índias) nuas no Brasil. A família rural foi um forte elemento ponderador na colonização do Brasil. Foi graças a ela que o país ganhou aspectos sociais. Muitos colonos que se tornaram grandes proprietários rurais, não tinham nenhum gosto pelo trabalhos agrícola e nenhum apego com a terra e a cultura. Pois em Portugal eles eram um povo mais comercial e menos rural. A lavoura era um serviço escravo executado pelos negros. Para os portugueses do século XVI, a vida rural era fácil e baseada no cultivo da oliveira e da vinha. Porém, no Brasil a colonização se firmou em base rural. Tudo isso ocorreu de forma imposta, devido as circunstâncias físicas do lugar. Na verdade, os portugueses gostariam de ter encontrado uma terra cheia de pedras preciosas e especiarias.

Os descobridores do Brasil encontraram por aqui, um povo nú, que se alimentava de mandioca, frutos e peixe. Eles não tinham pedras preciosas nas mãos, nem uma agricultura era boa. Era uma terra de rios volumosos, onde não era possível fazer lavoura nem se dedicar à pecuária nas margens, pois em épocas de cheias tudo era destruído pelas águas. O Brasil agrário utilizava os rios menores e regulares para moer cana, transportar o açucar, madeira e posteriormente café, servir as necessidades da população que morava as margens, assim, a lavoura, a agricultura e a pecuária prosperaram. Os rios Iguaçu, ipojuca e Paraíba foram grandes colaboradores para organização da economia agrária e sociedade esgravocrata. Os bandeirantes, sertanistas que, a partir do século XVI, penetraram nos sertões brasileiros em busca de riquezas minerais (2), tornaram-se fundadores de subcolonias, ou seja, espalhavam-se antes mesmo do desenvolvimento em “densidade e profundidade” do local já habitado. Os padres Jesuítas também, moviam-se por todo território, visando catequisar índios e escravos. Para tornar-se colonizador no Brasil, a única exigência era que fosse cristão, para os portugueses, Católico. Fazia-se questão somente da saúde religiosa, enquanto doenças como sífilis, a bouba e a lepra, eram trazidas livremente por europeus e negros. O português esquecia a raça e considerava igual o indivíduo que tem a mesma religião que ele. O clima estável de norte a sul, trouxe uma tendência a uniformização. A cana-de-açucar começou a ser cultivada tanto em São Vicente quanto em Pernambuco, Bahia, Maranhão, o que formou consequentemente uma sociedade com tendências aristocrátas e escravocrata. Os homens de maior capital da época, conseguiam arcar com os custos da agricultura e indústria da cana, porém os menos favorecidos, foram obrigados a se espalhar pelo sertão em busca de escravos, trazendo assim, principalmente no Ceará, um Brasil indiferente aos interesses da escravidão, eram os sertanejos e vaqueiros. Nos séculos XVI e XVII predominou o cultivo da cana-de-açucar pela colonia. Porém, a economia da aristocracia colonial migrou da cana para o ouro e mais tarde para o café, e o trabalho continuou a ser executado pelo braço escravo. É ilusão acreditar que a sociedade colonial era uma sociedade de gente bem alimentada, no sentido nutricional, pois nossos recursos naturais não eram bem aproveitados. A quantidade era grande, considerando que os escravos precisavam comer bastante para suportar o trabalho duro. Atribue-se a deficiência de nossa sociedade no aspécto intelectual e físico, não somente ao clima e a miscigenação, mas também a dieta da época. Faltava na mesa colonial legumes, carne fresca e leite, pois era comum a monocultura. Mas ao receber visitas dos padres, os senhores serviam-lhes os melhores alimentos e ofereciam-lhes os melhores leitos. Porém, o luxo era mórbido, excessivo em algumas coisas e deficientes em outras. ...“terra de alimentação incerta e vida dificíl é o que foi o Brasil dos três séculos coloniais. A sombra da monocultura esterilizando tudo. Os grandes senhores sempre endividados. As saúvas, as enchentes, as secas dificultando ao grosso da população o suprimento de víveres”.
(3)

Havia também a pobreza quimica do solo, que não prosperou o plantío do trigo. O cultivo da cana contribuia para que o solo não continuiasse a ser fértil. Os senhores dos engenhos mandavam importar vinho, azeite, queijos, vinagre, tecidos finos, porém era um povo desprestigiado e comprometido na sua capacidade economica pela deficiência de alimento. Não havia leite, o gado era magro, pois os pastos não eram fartos, os frutos eram colhidos ainda verdes para que não fosse consumidos por passáros e bichos. No planalto paulista houve a concentração das atividades agrícola e pastoril. Por isso foi um lugar que se desenvolveu com melhor equilibrio. São Paulo se diferenciava das condições patológicas observadas no Rio. A alimentação em São Paulo era melhor, devido também a maior divisão de terras e melhor coordenação das atividades. O escravo parece ter sido o elemento melhor nutrido na sociedade patriarcal, não faltava milho, toucinho e feijão. Eles eram comprados por um alto preço e os senhores tinham como objetivo tirar o melhor rendimento do seu trabalho. Tinham uma boa expressão de vigor e de beleza física no país. Na época da colonização, os filhos dos senhores de doze ou treze anos aproveitavam-se das negras ou mulatas nas senzalas. Assim, muitas vezes contraiam sífilis, que para muitos era motivo de orgulho, já que mostrava que o garoto havia iniciado sua vida sexual. A miscigenação trouxe ao Brasil a sífilis. Uma formou o brasileiro a outra o deformou. Acredita-se que a sífilis entrou no Brasil através dos portugueses e franceses, que eram os degredados, cristãos-novos, traficantes de madeira e tinta, que chegavam aqui e se agradavam das mulheres fáceis.

A relação sexual entre o branco e a mulher índia ou negra não foi arriscado apenas pela sífliis, mas também pelo sadismo do homem e do masoquismo da mulher. Uma relação de submissão, maus tratos e abuso de poder. Esse fato não parte somente do homem branco sobre a mulher negra, mas também dos meninos filhos da família com seus empregados, seguindo o exemplo que cresceu assistindo dentro de casa; e das grandes senhoras sobre os escravos e escravas por ciúme ou inveja sexual. Porém, no íntimo, o povo brasileiro ainda gosta de ter um governo aristocrata e dominante. Devemos destacar que a formação brasileira não se baseou puramente na Europa, pois a cultura européia fundiu-se também com a indigena e além de ter sido influenciada pela africana. O sistema jesuítico, tenha sido talvez, a força de europeização mais eficiente, de cultura moral e intelectual, porém também chegou aqui amolecida pelos costumes da África. A interferência africana no Brasil, fez com que houvesse um melhor entendimento entre a cultura européia e a indigena. Todos esse fatos introduziram o Brasil nessa atmosfera de diferenças culturais e sociais, onde a dominação europeia, a miscigenação de culturas e raças, a hospitalidade, a reciprocidade de culturas, religiões, etc, caminham juntas nessa nação sofrida e pouco desenvolvida.

Bibliografia: Freyre, Gilberto; Casa-Grande e Senzala 1. Freyre, Gilberto; Casa-Grande e Senzala – pág. 92 2. http://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeirantes - definição de “bandeirantes” 3. Freyre, Gilberto; Casa-Grande e Senzala – pág. 110

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