EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA MOÇAMBICANA

1. Evolução Histórica Os Portugueses chegaram a Moçambique nos finais do século XV (1498), chefiados por Vasco da Gama a procura de ouro e marfim. Desembarcaram pela primeira vez no rio Inharrime (Inhambane), Quelimane e Ilha de Moçambique. A primeira forma de ocupação foi a fundação de feitorias quer para a pratica do comercio, quer para a defesa de ataques árabes e dos chefes locais rebeldes, em Sena (1530, Tete. 1537 e Quelimane, 1544. No século XVI tiveram contactos com os chefes dos impérios de Mutapa e Marave. Assim, a colonização de Moçambique foi feita em tres fases distintas: a) Periodo do Ouro: XIV-XVII Os portugueses fixaram-se no litoral de Moçambique, primeiro como mercadores e depois como colonizadores efectivos. A fixação fez-se primeiro no litoral: Sofala em 1505, na Ilha de Moçambique em 1507. Em 1530 e 1537 penetraram no vale do Zambeze e fundaram Sena e Tete respectivamente e em 1544 fundaram Quelimane. Em 1607 obtiveram do muenemutapa reinante a concessão de todas as minas de ouro do Estado vigente na altura. b) Periodo do Marfim: XVII-XIX Com as revoltas ocorridas em 1693 foi gradualmente abandonada a produção do ouro e os mercadores passaram a interessar-se mais pelo marfim. c) Periodo dos escravos: XVII-XIX De 1750-60 até 1836 a procura de escravos superou a procura de ouro e marfim. Os escravos eram vendidos aos franceses para as plantações de cana do açucar e café nas ilhas Mascarenhas no Indico e numa segunda fase começaram a ser enviados para o Brasil, S. Tomé, Cuba, América do Norte, Comores e Madagáscar. A penetração colonial na maior parte do território de Moçambique foi feita através de Companhias as quais ocupavam cera de 2/3 do território. Portugal não conseguiu ocupar, dominar e administrar sózinho o país. Assim, a administração do território foi atribuida em 1892 à Companhia de Moçambique
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que compreendia uma área de 134.822 km2 limitada entre o rio Zambeze (norte e noroeste) e o paralelo 22º (sul) e entre o Indico (este) e a Rodésia do Sul (oeste). Esta concessão durou cerca de 45 anos (1897-1942). A companhia tinha o direito de explorar os territórios e a população que estavam no seu domínio, praticar o monopólio do comércio, fazer concessões mineiras e de pesca costeira, colectar taxas e impostos de palhota e de capitação (mussoco), exploração de mão de obra para os paises vizinhos, construir e explorar vias de comunicação, stradas, portos, pontes, caminhos de ferro, conceder terras a terceiros emitir moedas e selos. Como dever a companhia tinha o dever de pagar 10% dos dividendos distribuidos e 7,5% dos lucros liquidos totais, manter a sua sede em Lisboa, manter o estatuto de companhia portuguesa e entregar os territórios ocupados no fim do contrato. Em 1891 surge a Companhia do Niassa (2ª companhia majestática), com privilégios de ocupação, administração e exploração da área ocupada. 25% do território na zona norte entre os rios Rovuma (norte) e Lúrio (sul), o oceano Indico (este) e Lago Niassa (oeste). Em 1892 surge a Companhia da Zambézia (3ª companhia majestática), que ocupava as áreas de Chire, limite com a Niassalandia, Zumbo e Luenha, fronteira com a Rodesia do Norte. Esta companhia não tinha privilégios porque era concessionária. A estrutura administrativa colonial foi assegurada efectivamente em toda a extensão do territorio a partir do estabelecimento de contratos de concessão pelo governo portugues de zonas do território a grandes companhias que tinham interesses em Moçambique para desenvolverem actividades económicas e assegurarem igualmente o exercício delegado da autoridade administrativa nos territórios concessionados à excepção da zona sul do país que foi considerada reserva de mão de obra para as minas de ouro na vizinha Africa do Sul. A zona sul do País foi administrada de forma directa pelos portugueses e serviu como reserva de mão de obra para as plantações de cana do açucar e exploração mineira na vizinha Africa do Sul. Com o Golpe de Estado ocorrido em Maio de 1926 em Portugal, nasceu o Estado Novo, o qual ganhou vulto a partir de 1930 e consolidou-se em 1932, com o desenvolvimento do Nacionalismo Económico.

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2. Delimitação do Território e Administração Pública Colonial em Moçambique O Governo de Portugal iniciou o processo de delimitação do território de Moçambique depois da realização da Conferência de Berlim que decorreu no periodo de 15 de Novembro de 1884 a 26 de Fevereiro de 1885. A partir deste periodo tiveram lugar conversações entre Portugal e outras potencias coloniais interessadas na colonização do continente africano as quais só terminaram a 29 de Julho de 1869 com a delimitação das actuais fronteiras de Moçambique iniciando desta forma a ocupação efectiva do território sob a forma de colónia. Após a delimitação das fronteiras a organização administrativa da colonia acomodou duas estruturas de administração territorial, nomeadamnete a estrutura administrativa colonial e a estrutura de administração tradicional. A administração tradicional implicou o estabelecimento de regras de submissão à autoridade colonial mantendo-se contudo a natureza matriarcal ou patriarcal na respectiva linhagem conforme os usos e costumes das regiões do País. No período que decorreu desde o inicio da ocupação efectiva até aos anos 60 Moçambique era designado por colônia de Moçambique. A partir deste período passou a designar-se província de Moçambique e nos anos 70 passou a designar-se por Estado de Moçambique. Em todas as fases o governo colonial Português caracterizou-se por uma postura centralizadora do processo decisório e as relações com as designadas províncias ultramarinas eram estabelecidas através do Ministério das Colónias e mais tarde Ministério do Ultramar. No processo de organização da administração pública Portuguesa podem distinguir-se quatro fases que influenciaram a administração pública em Moçambique no período anterior à independência nacional: a) Até 1820, vigorava a Administração da Monarquia tradicional caracterizada por indiferença entre a administração e a justiça. Assim, havia concentração no monarca das funções de administração e de justiça, fraca intervenção da administração na vida económica, cultural e social da nação e atribuição de grande importância à administração municipal, forte carácter discricionário na actuação da administração, o que caracterizava uma Administração Pública Centralizada. b) O período de 1820 a 1926, que incluiu as fases da Monarquia Liberal e da 1ª. República caracterizou-se por uma administração liberal, pois ocorreu o processo de separação entre a administração e a justiça, o reforço das garantias dos cidadãos consagradas nas sucessivas constituições e cartas constitucionais,
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de 15 de Novembro de 1933. e o incremento do autoritarismo políticoideológico do Estado. pelo incremento do poder intervencionista do Estado na economia e pelo restabelecimento dos direitos.229/33. 3. O Artigo 3 da Constituição definia que “A FRELIMO traça a orientação política básica do Estado e dirige e supervisa a acção dos órgãos estatais a fim de assegurar a conformidade da política do Estado com os interesses do povo” 4 . e entrou em vigor a nova Constituição da República Popular de Moçambique (RPM). por imperativos ideológicos. uma reforma administrativa para as colónias. A RAU tinha por objectivo a regulação e controle da organização e funcionamento da administração pública nas colónias. d) Com o golpe de Estado ocorrido a 25 de Abril de 1974. que ficou conhecida por Reforma Administrativa Ultramarina (RAU). inicia a 2ª. O Estado nesta fase é caracterizado pela separação das funções administrativa e jurisdicional. Neste período foi incrementada a descentralização da Administração Pública. c) Entre 1926 e 1974. A Administração Pública depois da Independência Com a proclamação da independência nacional a 25 de Junho de 1975. nasceu a República Popular de Moçambique. pelo reforço da administração local.na criação do Conselho do Estado em 1845 e do Supremo Tribunal Administrativo em 1870. caracterizada administração social e econômica. o reforço da administração central em detrimento da administração municipal. Neste deu-se primazia à centralização da administração pública. Em Dezembro de 1933. na fase do Estado Novo. intervenção crescente da administração na vida económica e social. Esta definia Moçambique como um Estado de Democracia Popular. o governo colonial Português introduziu através do Decreto nº 23. República.se mais ênfase na descentralização da Administração Pública. onde o Poder pertencia aos operários e camponeses unidos e dirigidos pela FRELIMO. diminuição das garantias dos particulares em todas as matérias. liberdades e garantias dos cidadãos na constituição. culturais e sociais. políticos e econômicos. Neste período deu. Portugal adoptou a Administração Corporativa caracterizada pela separação entre a administração e a justiça. na extensão da administração municipal e no abstencionismo do Estado e da Administração em matérias económicas.

analizou e identificou as características do Estado colonial implantado em Moçambique e concluiu que o mesmo estava orientado para as cidades e para a população das zonas urbanas. O primeiro instrumento normativo aprovado para organizar a Administração Pública foi o Decreto nº. Para assumir o controlo das empresas abandonadas pelos proprietários foram criadas Unidades de Direcção e Conselhos de Produção nas empresas. a fim de proporcionar a criação de novos esquemas mentais e regras de funcionamento. a Comissão Permanente da Assembleia Popular. era necessário empreender uma profunda transformação dos métodos de trabalho e de estruturação do aparelho do Estado. Para este objectivo. revolucionarizar o aparelho de Estado era uma das tarefas fundamentais do Governo o que impunha uma mudança radical que pusesse o Estado ao serviço das massas operárias e camponesas. A administração pública devia ser “um instrumento para a destruição de todos os vestígios do colonialismo e do imperialismo. e para a edificação da base política. Em matéria de organização do Estado era necessária a criação dos Governos Provinciais e a criação das Assembleias do Povo. Sessão após a proclamação da independência (de 9-25 de Julho de 1975). para a eliminação do sistema de exploração do homem pelo homem. 1/75. o Presidente da República e o Conselho de Ministros) e órgãos Locais (Assembleias Provinciais. Para reflectir sobre a organização das cidades foi realizada uma Reunião Nacional sobre Cidades e Bairros Comunais e para reflectir sobre as acções que deveriam ser levadas a cabo no quadro da edificação da Administração Pública foi realizada uma Reunião Nacional da Função Pública que ficou como mais conhecida como Seminário de escangalhamento do aparelho do Estado colonial. bem 5 .O Artigo 4 estabelecia que a nova administração pública a instalar tinha por objectivos “a eliminação das estruturas de opressão e exploração coloniais e tradicionais e da mentalidade que lhes está subjacente”. Para inverter esta situação. O Conselho de Ministros da República Popular de Moçambique. cultural e social da nova sociedade”. para o Aparelho de Estado Central que definia as principais funções e tarefas de cada Ministério na realização do Programa Geral de actividades do Conselho de Ministros. ideológica. de 27 de Julho. Governador Provincial e Governo Provincial). material. A Constituição da República Popular de Moçambique estabelecia que os órgãos do Estado se subdividiam em órgãos Centrais (Assembleia Popular. na sua 1ª.

6 . Para. combinada com a participação colectiva dos trabalhadores na tomada. decisão e controlo. o qual passou a designar-se por Normas de Organização e Direcção do Aparelho de Estado Central (NODAEC). exercendo as suas actividades mandatados pelas respectivas Assembleias do Povo. tarefas. órgãos estes que observam o princípio de dupla subordinação no seu funcionamento. 2. Assim. dos quais o Centralismo Democrático era o princípio de organização e funcionamento mais importante. de 22 de Abril. c) Direcções Provinciais e Comissões Provinciais. Direcção e planificação unitárias da economia e da actividade social do Estado.como delimitar as competências de cada Ministério. criava os Conselhos Executivos das Assembleias Distritais e Conselhos Executivos das Assembleias de Cidade com funções de execução. 4/81. foi aprovado o Decreto nº. técnica e administrativa no dirigente e sua responsabilização individual. económica. decisão e controlo no escalão provincial. execução e controlo de decisões. 5/78. Este Decreto definia os órgãos centrais do Aparelho de Estado como instrumento unitário do poder para a direcção. composição e funcionamento dos governos provinciais foi aprovada a Lei nº. O Governo Provincial era definido como um órgão de direcção estatal com funções de execução. Para assegurar o papel directivo e centralizador do Estado. O Aparelho de Estado ao nível provincial era constituído pelos seguintes órgãos: a) Gabinete do Governador Provincial. os órgãos centrais do Aparelho de Estado deveriam aplicar os seguintes princípios: 1. Eles subordinavam-se à Assembleia Popular e eram dirigidos pelo Presidente da República e pelo Conselho de Ministros. de 10 de Junho. 7/78. regulamentar as funções. com base no centralismo democrático. planificação e controlo da acção governamental. estabelecendo a relação hierárquica dos diferentes serviços existentes ou a criar. Os princípios de orientação do Aparelho de Estado foram derivados dos Estatutos da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO). Unidade e concentração da direcção política. b) Direcção Provincial de Apoio e Controlo. de 22 de Abril. A Lei nº.

Orientação e apoio ao desenvolvimento planificado do sector cooperativo em recursos humanos. Dupla subordinação dos órgãos locais do Aparelho de Estado e promoção da iniciativa local do aparelho estatal e instituições subordinadas. objectivos. bem como no trabalho das suas comissões. salários e preços. técnicas e culturais internacionais como implementação dos princípios definidos na Constituição. especialistas e técnicos. finanças.3. Promoção da crítica e auto-crítica. actividades bancária e seguradora. Participação na preparação. de acordo com o quadro classificativo de funções. 10. estilo e métodos de direcção e trabalho. 11. metodologias e procedimentos fundamentais nas seguintes áreas: 1. as NODAEC definiam como competência exclusiva dos órgãos centrais do Aparelho de Estado a definição de princípios. Formação. bem como de elevação da produção e da produtividade. elevando-se a sua responsabilidade e disponibilidade em meios para a realização de tarefas estatais. da aplicação de estímulos materiais e de avanços tecnológicos como instrumentos de melhoria da organização. técnicos e materiais. Manter relações económicas. científicas. Participação nas tarefas de defesa e segurança e vigilância popular. 9. 5. colocação e gestão de quadros dirigentes. execução e controlo das decisões da Assembleia Popular. Desenvolvimento. Como forma de garantir uma direcção centralizada. 4. 8. 6. 7. Planificação. e 12. 7 . Integração e controlo da actividade do sector privado no quadro da política de desenvolvimento do País. Participação organizada das massas nas tarefas estatais. protecção e plena utilização da propriedade estatal. Observância permanente da legalidade. das decisões do Partido FRELIMO e dos órgãos superiores do Estado. 2. normas.

5. 4. Estatística e contabilidade nacional. que constituiu um marco importante para a mudança do sistema político de governação e a substituição do modelo de desenvolvimento com base na economia planificada para a economia de mercado em Moçambique.3. 7. o Governo da República Popular de Moçambique teve que tomar medidas rápidas e profundas para manter a organização e funcionamento do Estado aos vários níveis. 6. mas também em instituições de extensão do aparelho do Estado. 8 . A falta de condições de realizar acções de formação fez com que os novos funcionários aprendessem a gerir gerindo no próprio processo de trabalho. em Abril de 1983. Um movimento similar de transformações seguiu-se nos anos 80. realizado em Fevereiro de 1977. foram recrutados muitos Moçambicanos para integrarem o Aparelho do Estado e outros para gerirem empresas que haviam sido intervencionadas devido ao abandono das mesmas pelos respectivos proprietários. Investigação e experimentação científica. Assim. Defesa e segurança. em 25 de Junho de 1975 e a adopção do modelo socialista. Relações internacionais Antecedentes da Reforma do Estado em Moçambique Com a proclamação da independência. Nesta fase os Grupos Dinamizadores criados e em funcionamento nos locais de trabalho e de residência transformaram-se em verdadeiros centros de formação político-ideológico. a partir da realização do IV Congresso da Frelimo. Inspecção e controlo. Como consequência da fuga de um número significativo de colonos. a Aministração Pública teve que se adequar para responder a necessidade de uma máquina administrativa que se ajustasse aos interesses nacionais no quadro do cumprimento dos objectivos de desenvolvimento e para o cumprimento das Directivas Económicas e Sociais do III Congresso da Frelimo.

Moçambique foi aceite como membro do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) em 1984. A revisão da Constituição A Constituição da República de 1990 veio consagrar muitas das mudanças políticas e económicas até aí experimentadas. Após as primeiras eleições gerais e multipartidárias foi aprovado pelo Governo o 1º. a excessiva burocracia. Programa Quinquenal do Governo para dar inicio ao processo de reconstrução nacional. Com efeito. materiais. várias reformas foram implementadas dentre as quais a privatização das empresas estatais. acesso a crédito e outros incentivos e falta de fiscalização e acompanhamento pós-privatizações. A fraca expressão quantitativa e qualitativa do sector privado. para em 1987. a falta de mecanismos para garantir a força e efectividade dos contratos e a falta de mecanismos de garantia de transparência e prestação de contas e a existência de corrupção são as razões que ditaram o lançamento da Estratégia Global da Reforma do Sector Público. recursos humanos. A revisão da Constituição levada a cabo e que terminou com a sua aprovação em 30 de Novembro de 1990 trouxe muitas modificações com implicações na Administração Pública entre as quais a introdução do multipartidarismo e a recente revisão pontual para incorporar a existência das autarquias locais. por força 9 . a morosidade nos procedimentos de licenciamento comercial e industrial. que contrariamente ao que era esperado teve algum impacto negativo na economia devido à paralização e encerramento de muitas das empresas. Em 1986 foi adoptado e iniciada a implementação do Plano de Acção Económica (PAE). a fraca capacidade de gestão de políticas públicas. não permitiu o exercício de uma pressão para adequação da organização e funcionamento do Estado às mudanças políticas e económicas que se iam operando em Moçambique. Naquela época a administração pública foi caracterizada de alguma forma pelo surgimento de uma dupla administração pois. financeiros. por falta de capacidade técnico-financeira do novo empresariado ou por falta de um ambiente institucional propício desigandamente de políticas públicas apropriadas. nomeadamente o abandono do sistema de economia centralmente planificado e a introdução do pluralismo político e da economia do mercado em Moçambique. implementar-se o Programa de Reabilitação Económica (PRE).Na sequeência das deliberações do IV Congresso. A baixa qualificação profissional dos funcionários públicos. A situação prevalecente no País na época permitiu que estes programas fossem elaborados debaixo das condicionalidades das instituições de Bretton Woods.

eram definidos como Órgãos Centrais do Estado os órgãos de soberania. nomeadamente. A revisão pontual da Constituição realizada em Novembro de 1996 destinada a introduzir princípios e disposições sobre o Poder Local. A Constituição apenas faz a definição de que o Governador Provincial é o representante da autoridade central a nível da Província mas não esclarece que Província é territorialmente nível local. e ao referir que “Nos diversos escalões territoriais. das primeiras eleições multipartidárias em 1994. mas não se debruçou sobre os órgãos locais do Estado. A Administração Pública Moçambique à luz da Constituição de 2004 Da nova Constituição destacam-se alguns aspectos fundamentais com respeito à organização e funcionamento da Administração Pública em Moçambique designadamente: Organização do Poder Político 10 .do Acordo Geral de Paz as zonas outrora sob controle da Renamo deveriam ser administradas por funcionarários nomeados pelo Governo sob indicação daquela organização política. os órgãos locais do Estado asseguram a participação e decisão dos cidadãos em matéria de interesse próprio da respectiva comunidade”. e de toda uma série de mudanças políticas no contexto da democratização. Por outro lado. coloca o Governo Provincial numa situação de não ser nem Órgão Central do Estado nem Órgão Local. ao nível provincial. Quanto às competências e formas de organização do Aparelho do Estado. o Presidente da República. 112 e 113. a emenda constitucional que levou à introdução do Poder Local na lei fundamental do País. não trouxe modificações quanto à definição dos órgãos locais do Estado. encontram-se nos Artigos 111. a Assembleia da República. destaca-se a introdução dos Órgãos de Soberania. Constata-se uma falta de clareza na definição dos Órgãos Locais do Estado. Por sua vez. Em consequência dessa revisão. Ao definir que o Governo Provincial é o órgão encarregado de garantir a execução. o conjunto dos órgãos governativos e as instituições centrais a quem cabe garantir a prevalência do interesse nacional e a realização da política unitária do Estado (Artigo 110). o Conselho de Ministros. os Tribunais e o Conselho Constitucional (Artigo 109). da política governamental centralmente definida (Artigo 114). Moçambique está a caminhar para uma efectiva implantação de um Estado de Direito. Na primeira Constituição multipartidária. do Acordo Geral de Paz de Roma de 1992. incorporou uma nova redacção dos artigos 185 e 186.

implementa a acção social do Estado. aderir e denunciar acordos internacionais. h) dirigir a política laboral e de segurança social. Os órgãos de soberania assentam nos princípios de separação e interdependência de poderes consagrados na Constituição e devem obediência à esta e às leis (artigos 133 e 134). b) assegurar a ordem pública e a disciplina social. a Assembleia da República. O Conselho de Ministros assegura a administração do país. d) aprovar decretos-leis mediante autorização legislativa da Assembleia da República. o Presidente da República. g) preparar a celebração de tratados internacionais e celebrar. vela pela ordem pública e pela segurança e estabilidade dos cidadãos. são os órgãos de soberania. 11 . i) dirigir os sectores do Estado. c) preparar propostas de lei a submeter à Assembleia da República. em especial a educação e saúde. garante a integridade territorial. A formulação de políticas governamentais pelo Conselho de Ministros é feita em sessões dirigidas pelo Presidente da República. em matérias da sua competência governativa. promove o desenvolvimento económico. São competências do Conselho de Ministros (Artigos 203 e 204): a) garantir o gozo dos direitos e liberdades dos cidadãos. f) promover e regulamentar a actividade económica e dos sectores sociais. O Conselho de Ministros é composto pelo Presidente da República que a ele preside. desenvolve e consolida a legalidade e realiza a política externa do país. o Conselho de Ministros observa as decisões do Presidente da República e as deliberações da Assembleia da República. o Governo. os Tribunais e o Conselho Constitucional. Podem ser convocados para participar em reuniões do Conselho de Ministros os Vice-Ministros e os Secretários de Estado. Na sua actuação. pelo Primeiro-Ministro e pelos Ministros. Governo da República de Moçambique O Governo da República de Moçambique é o Conselho de Ministros. e) preparar o Plano Económico e Social e o Orçamento do Estado e executá-los após aprovação pela Assembleia da República.De acordo com o Título V. ratificar.

j) dirigir e promover a política de habitação.  Principio da transparência da Administração Pública. O Decreto nº 30/2001 de 15 de Outubro que aprova as Normas de Funcionamento dos Serviços da Administração Pública estabelece os seguintes princípios da actuação da Administração Pública:  Principio da legalidade.  Principio da justiça e da imparcialidade. promovendo a modernização e a eficiência dos seus serviços sem prejuízo da unidade de acção e dos poderes de direcção do Governo. da imparcialidade. l) dirigir e coordenar as actividades dos ministérios e outros órgãos subordinados ao Conselho de Ministros. 12 . k) garantir a defesa e consolidação do domínio público do Estado e do património do Estado. m) analisar a experiência dos órgãos executivos locais e regulamentar a sua organização e funcionamento e tutelar. os órgãos das autarquias locais. n) estimular e apoiar o exercício da actividade empresarial e da iniciativa privada e proteger os interesses do consumidor e do público em geral. A Administração Pública promove a simplificação de procedimentos administrativos e a aproximação dos serviços aos cidadãos (artigo 250). nos termos da lei. o) promover o desenvolvimento cooperativo e o apoio à produção familiar. Administração Pública A Administração Pública serve o interesse público e na sua actuação respeita os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. Os órgãos da Administração Pública obedecem à Constituição e à lei e actuam com respeito pelos princípios da igualdade.  Principio da colaboração da Administração com os particulares. A Administração Pública estrutura-se com base no princípio de descentralização e desconcentração.  Principio da prossecução do interesse público e protecção dos direitos e interesses dos cidadãos. da ética e da justiça (Artigo 249 da Constituição da Republica).

 Principio da fundamentação dos actos administrativos. os poderes do delegante. Na sua actuação. culturais e sociais de interesse local e nacional. sem prejuízo da unidade de acção e dos poderes de direcção do Governo.  Principio da decisão. a escusa e suspeição. os órgãos locais do Estado.  Principio da celeridade do procedimento administrativo.  Principio da igualdade e da proporcionalidade. os órgãos locais do Estado respeitam as atribuições. a delegação de competência. promovem a utilização dos recursos disponíveis e garantem a participação activa dos cidadãos e incentivam a iniciativa local na solução dos problemas das comunidades. a substiuição ou acumulação de funções e a extinção da delegação entre outras disposições inerentes à organização e procedimentos administrativos. da argüição e declaração do impedimento. A organização e o funcionamento dos órgãos do Estado a nível local obedecem aos princípios de descentralização e desconcentração. sem prejuízo da autonomia das autarquias locais. observando o 13 . competências e autonomia das autarquias locais. a publicidade do acto de delegação ou subdelegação. 263 e 264 da Constituição da República têm como função a representação do Estado ao nível local para a administração e o desenvolvimento do respectivo território e contribuem para a integração e unidade nacionais. No seu funcionamento. Principio da participação dos particulares.  Principio da responsabilidade da Administração Pública. a realização de tarefas e programas económicos. a competência. O Decreto nº 30/2001 estabelece igualmente no domínio das garantias de imparcialidade as condições de impedimento. Órgãos Locais do Estado Os órgãos locais do Estado conforme os Artigos 262. Os órgãos locais do Estado garantem. no respectivo território.

que é gerido pelos Governos Distritais. Para assegurar a participação das comunidades na definição das prioridades nas acções de desenvolvimento econômico local. garantem a participação activa dos cidadãos. A organização e funcionamento dos órgãos locais do Estado obedecem aos principios da desconcentração e da desburocratização administrativa. No âmbito da aplicação da Lei dos órgãos locais do Estado . Os Órgãos Locais do Estado têm a função de representação do Estado ao nível local para a administração do desenvolvimento do respectivo território e contribuem para a unidade e integração nacionais. Postos Administrativos e Localidades. nas deliberações da Assembleia da República. Os órgãos locais do Estado nos termos estabelecidos no Decreto 15/2000 de 20 de Junho articulam com as autoridades comunitárias no processo de auscultação de opiniões sobre a melhor maneira de mobilizar e organizar a participação das comunidades locais na concepção e implementação de programas e planos econômicos. sociais e culturais em prol do desenvolvimento local. de modo a garantir a celeridade e adequação das decisões às realidades locais. visando o descongestionamento do escalão central e a aproximação dos serviços públicos as populações. observam os princípios da boa administração.estabelecido na Constituição. aplicando os recursos ao seu alcance. No seu funcionamento. 14 . do Conselho de Ministros e dos órgãos do Estado do escalão superior. Poder Local O Poder Local tem como objectivos organizar a participação dos cidadãos na solução dos problemas próprios da sua comunidade e promover o desenvolvimento local.lei nº8/2003 de 19 e Maio foram criados os governos distritais. Os órgãos locais do Estado observam o principio da estrutura integrada verticalmente hierarquizada. do respeito pelos direitos subjectivos e pelos interesses legítimos dos administrados. os quais são constituídos pela Secretaria do Governo Distrital e por 4 a 5 Serviços Distritais. o aprofundamento e a consolidação da democracia no quadro da unidade do Estado Moçambicano conforme os Artigos 271 e 272 da Constituição da República. foi instituído um fundo de investimento de iniciativa local. a par das Normas de Funcionamento dos Serviços da Administração Pública legalmente definidas. que estão em funcionamento nos Distritos. incentivam a iniciativa local na solução dos problemas das comunidades. A utilização deste fundo é concertada pelo Governo Distrital com os Conselhos Consultivos Locais.

as razões de ordem histórica e cultural e a avaliação da capacidade financeira para a prossecução das atribuições que lhe estiverem acometidas nos termos da Lei nº. sexo. CRM). 7/97. económico. social. raça. As autarquias locais estão sujeitas à tutela administrativa do Estado.O Poder Local apoia-se na iniciativa e na capacidade das populações e actua em estreita colaboração com as organizações de participação dos cidadãos.732 (66. dotadas de órgãos representativos próprios. demográfico.74%) são homens e 55.408 mulheres estão afectos aos orgãos centrais . perfazendo 15 . As autarquias locais são pessoas colectivas públicas. religião. que visam a prossecução dos interesses das populações respectivas. o acesso à Função Pública e a Progressão nas Carreiras Profissionais não podem ser prejudicados em razão da cor. de 31 de Maio. cultural e administrativo. A eleição dos titulares e membros dos órgãos autárquicos. de 18 de Fevereiro. A tutela administrativa sobre as autarquias locais consiste na verificação da legalidade dos actos administrativos dos órgãos autárquicos. CRM). Os funcionários e demais agentes do Estado. nos termos da Lei nº. dos quais 111. devem obediência aos seus superiores hierárquicos (Artigo 252. Função Pública Conforme a Constituição da República aprovada em 2004.202 homens e 9. Os factores que são considerados no processo de decisão para a criação de novas autarquias são de carácter geográfico. O exercício do poder tutelar pode ser ainda aplicado sobre o mérito dos actos administrativos.420 funcionários e agentes do Estado. os interesses de ordem nacional ou local.26%) são mulheres. designadamente o Presidente do Conselho Municipal e os membros da Assembleia Municipal ocorre de cinco em cinco anos num processo designado por eleições autárquicas. no exercício das suas funções. apenas nos casos e nos termos expressamente previstos na lei. 2/97. 16. sem prejuízo dos interesses nacionais e da participação do Estado. Conforme o censo dos funcionários e agentes do Estado realizado pelo Ministério da Função Pública no periodo de Fevereiro a Julho de 2007 e actualizado no periodo de Agosto de 2007 a Agosto de 2008 a Função Pública moçambicana é constituida por 167. Destes.688 (33. O Poder Local compreende a existência de autarquias locais. origem étnica ou social ou opção políticopartidária e obedece estritamente aos requisitos de mérito e capacidade dos interessados (Artigo 251.

Formação em Administração Publica A formação para o fortalecimento da capacidade técnico-profissional dos funcionários e agentes da Administração Publica em Moçambique sempre mereceu uma atenção especial para se assegurar a implementação eficiente e eficaz das politicas de desenvolvimento do País. O homens na função pública ocupam 78. A primeira instituição de formação para a Administração Pública foi criada em 1977 e designava-se Centro de Formação de Quadros 1º de Maio e tinha como vocação a formação de administradores distritais. Em termos de formação 42% do contingente tem nível básico.87% e 34.688 mulheres estão nas provincias. quando não houver na instituição pessoas com os requisitos necessários para o exercicio da mesma função. altura que foi criada Escola de Estado e Direito. Contudo. Centro e Sul do País e o Instituto Superior de Administração Pública 16 .3. No quadro da implementação do SIFAP foram criados os Institutos de Formação em Aministração Pública e Autárquica (IFAPA). Em 1994 foi criado o Sistema de Formação em Administração Pública (SIFAP) mas que só foi possível iniciar a sua operaracionalização a partir de 1998.47% e da Agricultura . perfazendo 84.44% com nível elementar enquanto que as mulheres com formação básica e média ocupam 35. Este centro funcionou até 1980.93%.78%. 25% nível elementar e médio e 8% nivel superior. com responsabilidade de formar técnicos básicos e médios em Administração Pública. Nos termos definidos no Estatuto geral dos funcionários do Estado o ingresso na Administração Pública é por concurso público. Os outros sectores no conjunto ocupam 19. ou seja 72. do total.62. Em 1994.15. o Dirigentes com competencia para nomear podem designar por escolha um cidadão para exercer por contrato funções de direcção e chefia na Função Pública.44% com formação superior e 77. que funcionam nas zonas Norte. a Escola de Estado e Direito foi transformada em Instituto Médio de Administração Pública. administradores distritais e iniciou a oferta de cursos de graduação básica e média em Administração Estatal.7%.530 homens e 55.18% do universo de funcionários e agentes. respectivamente.14. A Escola de Estado e Direito dedicou-se á formação de directores provinciais.56%. As idades dos funcionários estão no intervalo de 26 e 48 anos num total de 121. da Saúde .525.58%.3% enquanto 95. Em termos de concentração a maior parte dos funcionarios do Estado está concentrada nos Sectores da Educação .

a mudança de atitudes e comportamentos de agentes e funcionários públicos através dos seguintes objectivos:  Melhorar a qualidade da prestação de serviços aos cidadãos.(ISAP).  Alterar a imagem da Administração Pública.  Reforçar o papel da Administração Pública enquanto agente de transformação da sociedade. através da melhoria do ambiente de trabalho. Ao nível da cooperação regional destacam-se os cursos oferecidos iniacialmente pelo Projecto de Formação em Administração Pública (FAP). da formação contínua dos seus funcionários e da dignificação do seu papel. universidades e institutos superiores que oferecem cursos de graduação e pós graduação em Administração Pública. que foi substituido pelos Projectos PIR-PALOP I e PIR-PALOP II voltados para o fortalecimento das capacidades das Administrações Públicas dos Países Africanos de Língua Portuguesa (PALOP). 17 . a profissionalização da administração. A acção de formação desenvolvida por esta rede de instituições é complementada pela intervenção de outras instituições de formação. divulgando os seus direitos e melhorando as condições do seu atendimento. criando condições técnicas e organizacionais para a instituição de uma administração para o desenvolvimento. quer de capacitação de funcionários públicos a vários níveis. Programa Quinquenal do Governo Reforma do Sector Público para 2000-2004 no domínio da Em 1999 tiveram lugar as 2ªs Eleições Gerais e Multipartidárias as quais contribuíram para a consolidação do clima de paz prevalecente no País e a aprovação do 2º Programa Quinquenal do Governo. Estas instituições oferecem cursos de formação quer de graduação. O Governo prosseguirá o processo de reforma da administração pública dando ênfase aos sistemas de gestão.

que vão desde o intervencionismo quase irrestrito. económica e social. isso não implica que o Estado fica mais fraco. ficando mais voltado a funções de regulamentação e definição de políticas públicas. Reduzir os custos administrativos. O Estado empresário também cumpre uma forte função social. ao liberalismo económico.  Promover a coordenação da construção e reabilitação de infraestruturas da administração dos distritos e postos administrativos. mesmo com qualificações técnico-profissionais abaixo das que seriam requeridas no mercado. ocorre apenas um redimensionamento do seu papel. próprio das economias planificadas. muitas vezes deixando o âmbito de implementação para outros actores. Por outro lado. educação e infra-estruturas. nem sempre existente. como o sector privado. normalmente nas arenas política. A capacidade do Estado torna-se um elemento crucial porque é através dele que os poderes públicos conseguem cumprir com os seus papéis. espera-se que o Estado tenha os recursos necessários para se fazer presente de forma efectiva nas diversas áreas que define como sendo o seu âmbito de actuação. de inspiração liberal. nas economias planificadas. através da provisão de serviços básicos como defesa.  Consolidar o processo da reforma dos órgãos locais. através da formação e/ou capacitação dos funcionários das autarquias locais. Ademais. de forte intervencionismo estatal e inspiração socialista. saúde. A experiência de vários países do mundo na prossecução de estratégias de desenvolvimento económico revela claramente a centralidade do papel do Estado neste tipo de processos. Assim. em detrimento da intervenção em outras áreas. através da elevação dos níveis de eficiência e qualidade de serviços. a questão que é sempre equacionada é a capacidade do Estado. ao providenciar emprego a muitos cidadãos. que exige do mesmo uma forte capacidade gerencial. 18 . o papel do Estado tende a ser menos intervencionista e mais regulador. próprio das economias de mercado. A despeito das diversas abordagens inerentes ao lugar que as instituições estatais ocupam na economia. nas economias de mercado. No entanto. cabe ao Estado a criação de condições para o florescimento do sector privado. Traço distintivo neste tipo de economias é o papel empresarial do Estado. o que acaba sendo colmatado pela alocação de recursos para mitigar eventuais fracassos das empresas estatais. segurança. deixando para os agentes privados o papel empresarial. política e institucionalmente definidos.

mas sim que elas se restringem ao último aspecto da reforma do Estado: o aparelho de prestação de serviços. Os pressupostos da modernização da administração pública são a criação de uma estrutura normativa necessária à adequação da administração ao novo quadro institucional e o desenvolvimento de acções de formação e selecção com o objectivo de profissionalizar a Função Pública e de institucionalizar mecanismos de controlo do méirto técnico-profissional e do cumprimento das regras éticas e deontológicas por parte dos funcionários. a administração pública. implicando reformas profundas nos órgãos de soberania (Executivo. uma Reforma do Estado. em menor grau não implica que as reformas tenham pouco impacto. a Administração Pública. nem sempre os dois tipos de reformas são estanques. No entanto. lato senso. em maior ou menor grau. associações. é indissociável de um processo de reformas do Estado. a criação de uma capacidade estatal. Em maior grau quando envolve. de reformas do sector público ou reformas administrativas que podem ser alargadas ao sector empresarial do Estado. principalmente a segunda. Por sua vez. Isto normalmente requer um exercício de diagnóstico e redefinição das funções correntes que o Estado até então desempenha. strictu senso. são importantes para se entender os desafios do Estado em Moçambique. dependendo das estratégias de desenvolvimento económico escolhidas e/ou definidas politicamente. Estas reformas podem ser chamadas. embora aparentemente abstractas. no sistema de representação política (sistema eleitoral e de Governo) e no aparelho de prestação de serviços em si. Os Pressupostos. 19 . que é apoiada por uma Unidade Técnica da Reforma do Sector Público. Determinantes e Objectivos da Administrativa no quadro da Reforma do Sector Público Modernização Para a coordenação política da Reforma do Sector Público foi criada uma Comissão Inter-ministerial da Reforma do Sector Público (CIRESP).organizações não governamentais. Por conseguinte. cooperativas e até mesmo comunidades locais organizadas. esta porque sempre envolve algum tipo de reformas além das de âmbito administrativo. fundamental à prossecução do desenvolvimento económico. Estas considerações preliminares. Judiciário). Portanto. unidade subordinada ao Ministério da Função Pública. através de implementação de reformas em maior ou menor grau. é fundamental a correspondente definição do papel do Estado no processo e a identificação das capacidades fundamentais para a sua prossecução. Legislativo.

Os determinantes da modernização da administração pública são a implementação de medidas que assegurem o respeito e a segurança de bens e pessoas. b) c) d) e) Reforma do Sector Público em Moçambique As crises económicas e orçamentais em muitos países. a fim de permitir a transparência e a eficácia da actividade administrativa. Criar um melhor ambiente na ecologia administrativa. com o objecvtivo de tornar mais céleres os processos da sua aplicação e a promoção da participação dos cidadãos na administração pública através de mecanismos de consulta e concertação. a desburocratização dos procedimentos da administração pública e consequente mudança de atitude dos funcionários. divulgando os seus direitos e melhorando as condições do seu atendimento. desinteressados e incompetentes'. com novos processos. se possível com redução de custos. a institucionalização de critérios de transparência no funcionamento do Estado. Contribuir para a melhoria da imagem da Administração Pública e dos servidores. Reforçar o papel da AP enquanto agente da transformação da sociedade. promovendo maior justiça relativa. motivando e mobilizando para o processo de mudança. dignificando o seu papel. a adopção de técnicas modernas na realização da actividade administrativa. pressionaram muitos governos a embarcar em reformas económicas e sociais na busca de um caminho para a autoestima e 20 . através do estabelecimento e divulgação de um código de procedimentos e da normalização dos formulários. portanto. permitindo que se faça mais e melhor. mas de maneira diferente. a clarificação de procedimentos administrativos. Os objectivos da modernização da Administração Pública são: a) Melhorar os níveis e qualidade de prestação directa de serviços aos cidadãos passando a considerá-los como clientes. a regulamentação dos procedimentos da administração pública. superando gradualmente a imagem generalizada de que os funcionários são 'burocratas. Promover a elevação dos níveis de eficiência e qualidade dos serviços e assegurar a redução dos custos administrativos. nos finais dos anos 70 e nos princípios dos anos 80. criando condições técnicas e organizacionais para a instituição de uma administração para o desenvolvimento. formando servidores. são obstáculos ao processo de modernização da sociedade.

ao mesmo tempo que se fortalece o sector privado. estão previstas mudanças profundas na gestão e capacitação dos recursos humanos. mas custando menos”. na redução dos custos dos cuidados primários de saúde e na promoção de uma educação universal básica. A Estratégia Global da Reforma do Sector Público preconiza a criação e/ou consolidação de estruturas e procedimentos eficientes e eficazes. promoverão o desenvolvimento económico que é a aspiração de todos os moçambicanos. os dois sectores em parcerias inteligentes. começando por factores de eficiência interna como a redução de custos.confiança nacional e internacionalmente. as mudanças que vinham sendo sectoriais e isoladas passam a ser integradas e interdependentes. Com estes elementos. No caso de Moçambique. Para o alcance desses objectivos. Os constrangimentos financeiros obrigam os Governos a racionalizar as suas despesas. com uma única direcção. o sector público estará em melhores condições para oferecer um ambiente institucional propício ao desenvolvimento do sector privado e consequentemente. na protecção dos consumidores e das camadas mais vulneráveis. os governos enfrentam problemas de escassez de recursos financeiros e de acesso a créditos e investimentos internacionais. e da disseminação das tecnologias de informação e comunicação. e na necessidade de restabelecer um novo contrato entre os governos e as respectivas sociedades. na protecção do ambiente e na prevenção e combate de calamidades. Esta lista cresce ainda mais se nos recordarmos do impacto da globalização da economia. Cada vez mais fica consensual para as sociedades que se está perante um cenário em que se exige que “os Governos façam mais. A Estratégia Global da Reforma do Sector Público é um programa do Governo integrando todas as reformas em curso nos ministérios e governos provinciais. sistemas de gestão adequados e mecanismos de prestação de contas. nas estruturas e procedimentos de 21 . Precisamente hoje em que as necessidades das populações são cada vez mais crescentes em quantidade e qualidade. a Reforma tem como objectivo a consolidação das reformas rumo à uma economia de mercado. visando a melhoria da prestação de serviços públicos ao cidadão e o desenvolvimento de um ambiente favorável ao crescimento do sector privado. Os Governos são esperados a prestar um papel fundamental na segurança alimentar. a produtividade e a qualidade. na promoção e protecção do sector produtivo e da competição. Com esta nova abordagem. Isso passa pela criação de um ambiente institucional que permita o Governo implementar políticas estratégicas para o desenvolvimento como o PARPA. entre muitas responsabilidades.

uma vez que impulsiona a revitalização dos órgãos e instituições do Estado. a Análise Funcional e Reestruturação dos Ministérios é a principal actividade. de forma eficiente e eficaz. o Plano Económico e Social (PES).prestação de serviços. permitirá aos ministérios reflectirem sobre a sua missão e objectivos estratégicos. suas funções e estruturas que melhor possam permitir o cumprimento da finalidade e razão da sua existência. a privatização e/ou contratação de algumas funções do Estado abre espaço a uma maior competitividade na prestação de serviços 22 . os recursos humanos. e sobre o destino a dar às funções actualmente existentes: se serão mantidas a nível central ou provincial. A ocasião faz o ladrão. A Análise Funcional é uma oportunidade para os ministérios alocarem funções e recursos de forma mais efectiva em prol da criação de uma capacidade maior de resposta às demandas da sociedade. as políticas públicas. Por outro lado. privatizadas ou transferidas para outros sectores incluindo agências ou ONG´s. ao aumentar a capacidade de resposta do sector público às demandas dos cidadãos. especialmente o Programa de Redução da Pobreza Absoluta (PARPA). A Estratégia Global da Reforma do Sector Público. a gestão financeira do Estado e o combate à corrupção. Este exercício. Estas reformas contribuirão consideravelmente para a promoção da boa governação e combate à corrupção. a reforma terá um impacto económico evidente. melhorando o funcionamento do sector público como um todo. Componentes da Estratégia Geral da Reforma do Sector Público a) Racionalização e Descentralização de Estruturas e Procedimentos de Prestação de Serviços Nesta componente. se serão abolidas. Ocorrendo isto. através da criação de mecanismos de prestação de contas e transparência e pela redução de oportunidades de acesso ilícito aos recursos públicos. Isto pode ser melhor visualizado tendo em conta as principais acções previstas nas áreas de foco da Reforma: as estruturas e procedimentos de prestação de serviços. é um instrumento essencial para a consolidação das reformas económicas em curso no país e para a implementação dos programas do Governo. porque permitirá ao Estado criar as condições necessárias para que os agentes económicos tenham as suas iniciativas implementadas. É preciso reduzir senão eliminar os espaços para a corrupção. no processo de gestão de políticas públicas e na programação orçamental e gestão financeira. Um sector público forte e a funcionar bem cria condições para o florescimento e fortalecimento do sector privado. proporcionando um ambiente para o desenvolvimento económico do país.

através da criação de mecanismos de prestação de contas e transparência e pela redução de oportunidades de acesso ilícito aos recursos públicos. previstas sob esta componente e já em curso. A ocasião faz o ladrão.públicos. Ademais. com um impacto positivo na economia. estão previstas mudanças profundas na gestão e capacitação dos recursos humanos. as mudanças que vinham sendo sectoriais e isoladas passam a ser integradas e interdependentes. b) Formulação e Monitoria de Políticas Públicas A melhoria do processo de gestão de políticas públicas é um dos objectivos pretendidos com a Análise Funcional e Reestruturação dos Ministérios. ao aumentar a capacidade de resposta do sector público às demandas dos cidadãos. Os processos participativos. previstos na nova lei dos órgãos locais do Estado. Com esta nova abordagem. Estas reformas contribuirão consideravelmente para a promoção da boa governação e combate à corrupção. visando a melhoria da prestação de serviços públicos ao cidadão e o desenvolvimento de um ambiente favorável ao crescimento do sector privado. implementação e monitoria de políticas públicas contribuirá consideravelmente para o crescimento económico. nas estruturas e procedimentos de prestação de serviços. e terá uma função mais regulatória onde haja perigo de ocorrência de disfunções do mercado e de desequilíbrios na interacção entre os agentes económicos. o sector público terá a capacidade para intervir onde a sua presença se revele necessária para estimular o desenvolvimento. são medidas que estimularão consideravelmente os investimentos tanto internos como externos. A melhoria da capacidade de formulação. na perspectiva de acomodar institucionalmente a governação participativa no nosso país. A Estratégia Global da Reforma do Sector Público é um programa do Governo integrando todas as reformas em curso nos ministérios e governos provinciais. a redução do tempo de resposta bem como da burocracia no funcionamento do sector público e particularmente no licenciamento das actividades económicas. No caso da economia. Para o alcance desses objectivos. É preciso reduzir senão eliminar os espaços para a corrupção. com fortes possibilidades de melhoria de sua qualidade e criação de novas formas de rendimento. porque permitirá dar resposta adequada das demandas existentes na sociedade. serão um insumo necessário a este tipo de intervenção dos poderes públicos. no processo de gestão de políticas públicas e na programação orçamental e gestão financeira. com uma única direcção. 23 .

Este elemento irá introduzir uma maior competitividade pelos recursos humanos qualificados entre o sector público e o sector privado.Um exemplo de suma importância que está a ser implementado neste sentido é o “Observatório do PARPA”. que pelos incentivos existentes tenderão a ser. No presente o SIFAP é implementado e coordenado através de três Institutos de Formação Pública e Autárquica (IFAPAs) existentes em Lichinga (para servir as províncias da zona norte). c) Profissionalização dos Funcionários do Sector Público A melhoria da qualificação dos recursos humanos é fundamental para o sucesso da Análise Funcional. Este aspecto de formação e desenvolvimento de recursos humanos nacionais tecnicamente qualificados é que reduzirá drasticamente o eterno argumento de contratação de mão-de-obra estrangeira preterindo-se a nacional. em certa medida. na Beira (para as províncias da zona centro). porque é o garante de que as novas estruturas a serem criadas serão competente e adequadamente geridas. no âmbito do desenvolvimento dos recursos humanos está prevista a adopção de uma nova política salarial. no âmbito da Lei dos Órgãos Locais do Estado Fóruns Consultivos aos vários níveis como um mecanismo de consulta periódico entre o Governo e a sociedade. de um nível alto. Como resultado global. e na Matola (para as províncias da zona sul. Por outro lado. Um instrumento importante aprovado pelo Governo e em processo de implementação é o Sistema de Formação em Administração Pública (SIFAP). Por outro lado. o país tenderá a ter um padrão comum de qualificação dos recursos humanos tanto no sector público como no privado. que ligará a remuneração ao desempenho e/ou gestão por resultados. Também se encontra já em actividade o 24 . Trata-se de um programa compreensivo de treinamento e formação profissional incorporando métodos formais e não formais de educação. Por isso é que a nossa primeira aposta para o sucesso da reforma está na formação e treinamento profissional porque é um dado adquirido que “a qualidade e riqueza de um País depende dos seus recursos humanos”. através do qual o Governo ausculta a sociedade e incorpora contribuições que visam melhorar os métodos de trabalho na formulação e monitoria de políticas públicas. a crónica fuga de quadros do primeiro para o segundo. pelos menos nas funções estratégicas. na promoção da governação participativa e ampliação da democracia. e reduzirá. que já é uma realidade no País. incluindo o ensino modular e à distância. A economia poderá se beneficiar disso com a tendência a uma busca constante de maior qualificação pelos que pretendem entrar no mercado de trabalho. estão previstos.

e) Boa Governação e Combate à Corrupção O fenómeno da corrupção é outro mal que assola o sector público e tem custos económicos elevados. excessiva burocracia. incorpora em si o fantasma dos déficits públicos. conceitos. no âmbito do sector público ela floresce onde há falta de transparência. o aumento da taxa de juros acaba sendo uma das consequências quase lógicas. cujas formas de financiamento quase sempre se revelam nefastas para a economia. a nova legislação incorpora também mecanismos de prestação de contas que serão a base para uma maior transparência e responsabilização. No entanto. como forma de imprimir maior transparência no relacionamento do Estado com os agentes económicos e outros particulares. Uma má gestão financeira. cursos de pequena duração e investigação aplicada sobre a administração pública em Moçambique.Instituto Superior de Administração (ISAP). A aprovação da Lei da Administração Financeira do Estado e a sua regulamentação. Em suma. porque encerra várias interpretações. com a sua decorrente retracção de investimentos. No entanto. O quadro acirra-se ainda mais quando levamos em conta que na situação actual do País os déficits orçamentários. que rondam cerca de 50%. além de reduzir a capacidade do Estado na provisão de serviços públicos e de sustento do seu próprio funcionamento. porque contribui para a retracção dos investimentos. está para aprovação o Regulamento de Contratação de Empreitadas de Obras Públicas e de Fornecimento de Bens e de Prestação de Serviços ao Estado (O Regulamento do Procurement). percepções e intervenientes. aumento do desemprego e recessão da economia. bem como as reformas tributárias em curso. torna-se necessário aprofundar de forma participativa o tipo de reforma fiscal que não asfixie o desenvolvimento do sector empresarial nas grandes e médias empresas e muito menos prejudicar a emergência e desenvolvimento dos pequenos empreendedores. uma instituição de cariz vocacional de ensino superior destinado a coordenar cursos formais. são financiados por fontes externas. Neste sentido. Tendencialmente. procedimentos e estruturas demasiado 25 . porque eliminará alguns dos elementos que podem prejudicar os esforços de desenvolvimento económico. Este fenómeno consiste no uso ilícito dos recursos públicos para fins privados e é um fenómeno complexo. d) Gestão Financeira e Prestação de Contas A gestão financeira é reconhecidamente um dos aspectos mais críticos do sector público. Além da melhoria na gestão financeira em si. uma maior responsabilidade fiscal terá um efeito positivo na economia. são elementos da Reforma que contribuirão consideravelmente para a melhoria do quadro fiscal.

complexas.  Introdução do Balcões Únicos de Atendimento à nível central e nas Províncias.  Aceleração do processo de autorização na emissão de título dos imóveis do Estado em alienação. Em termos de acções levadas a cabo na âmbito da implementação da Estratégia Global da Reforma do Sector Público são de destacar as seguintes acções:  Análise Funcional de alguns Órgãos centrais do Estado. reduz-se o espaço para práticas ilícitas.  Organização de um fiável Sistema de Informação do Pessoal – SIP. Desta forma.  Simplificação de procedimentos administrativos e de licenciamento da actividade industrial e comercial e redução do tempo para criação de empresas. a pesquisa serve de instrumento importante que ajuda o Governo a melhor definir a estratégia para o Combate contra este flagelo. Notar que o Governo realizou já uma Pesquisa Nacional sobre a Corrupção no sentido de compreender a percepção dos cidadãos quanto a este fenómeno. na gestão de políticas públicas e na gestão financeira e melhoria de mecanismos de prestação de contas.  Aprovação do novo regulamento de Procurement.  Implementação do Sistema de Formação em Administração Pública. Portanto. é parte integrante da Reforma porque cada componente da Estratégia Global da Reforma do Sector Público contribui na redução de oportunidades de acesso ilícito aos recursos públicos. 26 .  Definição de funções próprias para os órgãos locais do Estado e autarquias. o combate à corrupção. Por outro lado. na profissionalização da Administração Pública.  Elaboração de planos estrtégicos sectoriais (ministérios e principais programas nacionais). o combate à corrupção estimula o desenvolvimento económico porque reduz os custos de transacção dos agentes económicos e promove o ambiente para uma efectiva boa governação.  Simplificação de Procedimentos administrativos.  Aprovação de uma estratégia nacional de combate contra a corrupção. Ao se melhorar o funcionamento dos elementos acima indicados. Por essa razão.  Aprovação de legislação que moderniza os instrumentos e procedimentos de Gestão Financeira – SISTAFE. o combate à corrupção decorre naturalmente das mudanças positivas que forem operadas nas estruturas e procedimentos de prestação de serviços. e modernização na gestão e desenvolvimento de recursos humanos.

Reformas Complementares A par das reformas em curso nos Ministérios e Governos Locais. 27 .  Implementação de programas de divulgação das realizações no sector publico no quadro da reforma do sector publico para promoção de uma nova imagem da Administração Pública. Autonomia financeira (poder de usufruir de receitas próprias e de as administrar de acordo com os programas orçamentais da sua exclusiva responsabilidade). No quadro da implantação do Estado de Direito é fundamental que sejam criadas condições para que os contratos e acordos tenham força e sejam respeitados por todos os intervenientes como forma de criar um ambiente de responsabilidade e de responsabilização. Autonomia administrativa dos municípios (poderes de decisão sem subordinação aos órgãos centrais.  Promoção do registo civil de crianças recem nascidas com recurso a brigadas móveis. Descentralização em Moçambique A descentralização em Moçambique tem como objectivos o aprofundamento da democracia. garantir a participação dos cidadãos na solução dos problemas próprios das comunidades e promover o desenvolvimento local. 2. A Descentralização em Moçambique assume duas formas: a Desconcentração administrativa (dos órgãos centrais do Estado para os órgãos locais do Estado ) e a Descentralização propriamente dita ou Descentralização política ou Devolução (dos órgãos centrais do Estado para as autrarquias locais).  Redução do prazo de concessão do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT). Redução do tempo de espera para contratação de mão-de-obra estrangeira. A Descentralização propriamente dita obedece os seguintes princípios: 1. é notável o sector da Justiça está empenhado em implementar reformas para assegurar a aplicação do Direito e reduzir o elevado nível de impunidade que afecta a sociedade.  Introdução do visto de entrada na fronteira.  Redução do tempo de emissão de bilhetes de identidade.  Simplificação dos mecanismos de importação de viaturas.

6. Eleição dos Dirigentes Municipais (garantia de autonomia de decisão. Criação de mecanismos de reequilíbrio regional e de solidariedade intermunicipal. Rigorosa garantia da legalidade da actuação dos municípios na gestão do erário público. Sustentabilidade da Reforma A sustentabilidade da reforma impõe que se desenvolvam capacidades nos Moçambicanos de aprender e construir a partir de acções já realizadas como forma de estabelecer sinergias entre os vários intervenientes. Estabelecimento de mecanismos institucionais de enquadramento das autoridades tradicionais.3. agentes económicos. de democracia e da participação dos cidadãos nos assuntos que lhes dizem respeito). partidos políticos e comunidades em geral. 7. A reflexão deverá conduzir à definição da(s) estratégia(s) da reforma que transforme o Estado num órgão orientador e coordenador das 28 . Desenvolvimento de mecanismos de responsabilização dos funcionários perante os municípios. 5. Conclusão A necessidade de um maior desempenho Governo na sua missão de coordenar os esforços de todos os Moçambicanos para a redução da pobreza absoluta que leve ao arranque do desenvolvimento económico e social do País exige uma reflexão imediata e consequente sobre o tipo de Estado que queremos implantar em Moçambique. 4. O gradualismo é um aspecto importante a ser observado porque as reformas devm ocorrer a partir de processos endogenos e ajustados as condições do País com a necessária participação de todos os cidadãos: funcionários. Autonomia patrimonial dos municípios (o direito de ser titular de bens patrimoniais próprios gerados de acordo com os seus interesses e vontade). 8. Entrega aos municípios de atribuições e competências que permitam que se tornem pólos de desenvolvimento e de promoção da melhoria das condições de vida das comunidades. 9. sociedade civil. através da fiscalização e da harmonização com os superiores interesses nacionais quando estes estejam em causa.

e entre estas e os dirigentes dos respectivos sectores. 29 . sendo etapas prioritárias. em primeiro lugar. No entanto. o debate colectivo das propostas entre os funcionários e as chefias intermédias. Seria desejável que este processo fosse complementado pela indicação dos recursos (internos e externos) disponíveis e dos mobilizáveis. não bastam as intenções e programas de combate à pobreza absoluta. Cada sector do Aparelho do Estado deve ser exigido a definir. a bandeira dos dirigentes superiores do Estado pois. de modo que o Estado seja municiado das capacidades adequadas para desempenhar o papel que dele se espera. Um primeiro momento desta reflexão exige a definição de uma visão sobre o tipo de Estado e de sociedade queremos ser à médio e longo prazo pois. tal situação vai certamente transformar-se num elemento mobilizador de todos os trabalhadores. em particular das chefias intermédias.reformas económicas e sociais que propiciem a emergência de um Governo Empreendedor e Catalizador do desenvolvimento. A Agenda 2025 pode ser um importante instrumento para ajudar a formulação da visão sobre o Governo e o processo de governação para Moçambique. assim como a identificação dos indicadores de controlo e impacto do respectivo programa na melhoria de prestação de serviço ao público. A elaboração do programa global de cada sector deve envolver diferentes fases de consulta e discussão. O desenvolvimento económico é indissociável de um processo de reformas visando a modernização e melhoria da capacidade do Estado. estas reformas têm que estar em sintonia com o modelo económico que se pretende seguir. Medidas devem ser tomadas para que o movimento da reforma seja. As reformas do Sector Público iniciadas em Junho de 2001 sob uma estratégia global precisam não só de continuidade e revitalização como também de um maior vigor e determinação. as metas ou resultados a alcançar. as acções concretas a realizar no âmbito da reforma do sector público. na mesma altura que se discute a proposta de plano e orçamento para o ano seguinte.

Bibliografia: 1) Constituição da República aprovada em 1990 2) Constituição da República aprovada em 2003 3) Normas de Organização e Funcionamento dos Serviços da Administração Publica 4) Estatuto Geral dos Funcionarios do Estado 5) Lei dos Orgaos locais do Estado – Lei 8/2003 de 19 de Maio 6) Lei das Autarquias locais – Lei 2/97 7) Decreto 15/2000 que estabele as formas de articulação entre os orgaos locais do Estado e as autoridades comunitarias. 30 . J. publicado pelo Ministério da Função Publica. Conceição. Prof. Dr. 1ª Edição 2008. A. Evolução da Administração Pública 12) Anuário Estatistico dos Funcionários e Agentes do Estado. 8) Decreto que estabelece as formas de articulação entre os orgaos locais do Estado e as Autarquias locais 9) Brochura sobre a Estrategia Global De Reforma do Sector Publico 10) Brochura da Estrategia anti-Corrupção 11) Chichava.

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