1

CETÉS – Análise Química C

Índice
Experimento 01: Determinação da Dureza da água 02 Experimento 02: Abrandamento 06 Experimento 03: Determinação da Alcalinidade da água 09 Experimento 04: Determinação da matéria orgânica (DQO) 12 Experimento 05: Identificação e Separação de cátions 14 Ensaio de Chama 14 Separação e Identificação dos cátions do grupo I 15 Separação e Identificação dos cátions do grupo II 16 Separação e Identificação dos cátions do grupo III 23 Separação e Identificação dos cátions do grupo IV 26 Experimento 06: Cinética Química 29 Experimento 07: Equilíbrio Químico 33 Experimento 08: Preparação do Iodofórmio 36 Experimento 09: Preparação do ácido pícrico 38 Experimento 10: Preparação e propriedades do ácido clorídrico 40

2

CETÉS – Análise Química C Experimento 11: Bromatologia 45 Experimento 12: Análise do leite 52 Análise Instrumental: Espectrofotometria 61 Como e para que medir a absorção da luz 61 Lei de Lambert-Beer 64 Curva de calibração 66 Espectrofotômetro 67 Referências Bibliográficas 69

EXPERIMENTO 01

DETERMINAÇÃO DA DUREZA DE ÁGUAS
INTRODUÇÃO TEÓRICA Águas duras são aquelas que exigem consideráveis quantidades de sabão para produzir espuma de modo que, no passado, a dureza de uma água era considerada como uma medida de sua capacidade de precipitar sabão. Esse caráter das águas duras foi, por muito tempo, para o cidadão comum o aspecto mais importante por causa das dificuldades de limpeza de roupas e utensílios. Com o surgimento e a determinação dos detergentes sintéticos ocorreu também a diminuição os problemas de limpeza doméstica por causa da dureza. A dureza é devida à presença de cátions metálicos divalentes, os quais são capazes de reagir com sabão formando precipitados e com certos ânions presentes na água para formar crostas. Os principais íons causadores de dureza são cálcio e magnésio tendo um papel secundário o zinco e o estrôncio. Algumas vezes, alumínio e ferro férrico são considerados como contribuintes da dureza.

3

CETÉS – Análise Química C Dureza é um parâmetro característico da qualidade de águas de abastecimento industrial e doméstico sendo que do ponto de vista da potabilização são admitidos valores máximos relativamente altos, típicos de águas duras ou muito duras. A despeito do sabor desagradável que referidos níveis podem suscitar elas não causam problemas fisiológicos. No Brasil, o valor máximo permissível de dureza total fixado pelo padrão de potabilidade, ora em vigor, é de 500mgCaCO3/l. Na prática do tratamento de esgotos a dureza é um parâmetro de utilização limitada a certos métodos baseados em reações de precipitação como é o caso do tratamento com cal. Em situações específicas convém conhecer-se as durezas devidas ao cálcio e ao magnésio, individualmente. Este é o caso do processo cal-soda de abrandamento de água no qual tem-se necessidade de conhecer a fração da dureza de magnésio para estimar a demanda de cal. Quando a dureza é numericamente maior que a alcalinidade total a fração da dureza igual a esta última é chamada de dureza de carbonato e a quantidade em excesso é chamada de dureza de não carbonato. Quando a dureza for menor ou igual à alcalinidade total toda a dureza presente é chamada de dureza de carbonato e a dureza de não carbonato estará ausente. Os dois métodos determinação de dureza: seguintes são recomendados para a

1. método do cálculo - baseado na análise completa dos cátions divalentes presentes na amostra é o mais acurado dos métodos, mas raramente análises completas não feitas em trabalhos de rotina; 2. método titrimétrico do EDTA - é o método mais comumente empregado na determinação de dureza sendo baseado na reação do ácido etilenodiaminatetracético (EDTA) ou seus sais de sódio que formam complexos solúveis quelados com certos cátions metálicos. EDTA [e(thylene)d(iamine)t(etraacetic) a(cid).] é um ácido cristalino, C10H16N2O8, que age como um agente quelante. O sal de sódio EDTA é usado como um antídoto para envenenamentos com metais, um anticoagulante e um ingrediente em uma larga variedade de reagentes na indústria. A reação que ocorre num pH = 10 ± 0,1, necessita de um indicador (preto de eriocromo T ou calmagita) para assinalar o ponto final da reação. O M. preto de eriocromo T é um complexo vermelho vinho. Quando os íons causadores de dureza tiverem sido complexados a solução muda da cor vermelha vinho para azul.

4

CETÉS – Análise Química C A nitidez do ponto final da titulação aumenta com o pH, mas este não pode ser aumentado indefinidamente para não ocorrer precipitação de CaCO3 ou Mg(OH)2. Além do mais, o complexo muda de cor em valores de pH elevados. O outro fator que melhora a nitidez do ponto final é a presença de magnésio que deve ser adicionada em pequena quantidade na forma de um sal complexometricamente neutro de EDTA. Alguns metais interferem no método causando um enfraquecimento do ponto final tornando-o, às vezes, indistinto. Esta interferência pode ser reduzida pela adição do inibidor MgCDTA (1,2 ciclohexonodiaminatetracetato de magnésio), o qual tem vantagem de não ser tóxico e/ou malcheiroso, mas libera algum magnésio na solução contribuindo para a dureza. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL 1 – Preparação do padrão de 1000 ppm CaCO3 Num béquer de 500 mL de forma alta, colocar 1 g de CaCO3 puro e seco a 110ºC (por 3 horas). Cobrir com vidro de relógio e adicionar com cuidado 10 mL de HCl 6N. Esperar que termine a efervescência, lavar o vidro de relógio com 20 mL de água destilada e retira-lo. Aquecer o béquer em banho de água ou banho de areia (sem calcinar). Dissolver o resíduo com água destilada e passá-lo quantitativamente para um balão aferido de 1L; completar com água destilada até o traço de referência; homogeneizar. Obtém-se assim água dura padrão com o equivalente a 1000 mg/L de CaCO3.

2 – Preparação do sal dissódico do ácido EDTA 0,01 M. Pesa-se 3,7225 g do sal dissódico de EDTA (titriplex III) e passase para um balão aferido de 1L; ajusta-se o volume com água destilada; homogeneíza-se. 3 – Preparação da solução tampão pH = 8 a 10 Pesar 13,5 g de NH4Cl; passar para um balão aferido de 250 mL; adicionar 88 mL de NH4OH concentrado; completar o volume com água destilada. 4 – Preparação do indicador negro de eriocromo-T Pesar 10 mg de negro de eriocromo-T e misturar num almofariz com 990 mg de NaCl puro e seco.

5

CETÉS – Análise Química C 5 – Determinação do título da solução de sal dissódico do EDTA 0,01 M. Medir com pipeta volumétrica 25 mL de solução-padrão de cálcio. Passar para um erlenmeyer de 300 mL. Adicionar 25 ml de água destilada. Adicionar 1,0 mL de NH4OH concentrado para neutralizar o excesso de acidez e 4 mL de solução tampão. Acrescentar uma ponta de espátula do indicador negro de eriocromo-T; a solução ficará vermelho vinho. Adicionar o sal dissódico de EDTA 0,01 M, de uma bureta, até a solução ficar de cor azul puro, sem traços de violeta. Anotar o volume de sal dissódico de EDTA gasto.

f = 25 / V
6 – Determinação da dureza total da água Medir com pipeta volumétrica 25 mL de água dura e passar para um erlenmeyer de 300 mL. Seguir exatamente o processo do item anterior. Seja V1 o volume gasto de sal dissódico de EDTA 0,01 M.

Dureza =

V1 . f . 1000 25

(ppm de CaCO3)

QUESTÕES 1) Defina Dureza. Qual a sua unidade? 2) Cite pelo menos 5 problemas que o uso de uma água dura poderia causar em indústrias. 3) Em um erlenmeyer foram adicionados 50 mL de amostra, 5 mL de solução tampão pH 10 e 0,3 g do indicador preto de eriocromo T. Titulou-se com 5,4 mL de EDTA 0,01M até completa complexação dos metais. Na padronização do EDTA 0,01M, 21,05 mg de CaCO3 consumiu 18,3 mL do reagente. a) Escreva a equação química envolvida. b) Calcule a dureza da amostra de água. 4) Cite as funções de: a) CaCO3 b) EDTA c) Preto de Eriocromo T d) Solução tampão 5) Quais os sais mais comuns que dão dureza à água? 6) Explique por que a água dura não pode ser usada em caldeiras.

6

CETÉS – Análise Química C 7) Por que algumas indústrias adicionam sulfato de magnésio nos resíduos de bases fortes jogados nos esgotos que são despejados nos rios? 8) Por que a água próxima de regiões onde existem cavernas com estalactites e estalagmites é muitas vezes consideradas duras? 9) Que tipo de substâncias são utilizadas pelos fabricantes de xampus para amenizar os efeitos da água dura?

EXPERIMENTO 2

ABRANDAMENTO
INTRODUÇÃO TEÓRICA O tratamento da água dura para a retirada de Ca 2+ e Mg2+ é conhecido por abrandamento e pode serrealizado de duas maneiras: Precipitação química e troca iônica. Abrandamento por precipitação química. Metodologia:

7

CETÉS – Análise Química C O processo se dá por adição de cal (CaO) e carbonato de sódio (Na2CO3). A cal é utilizada para elevar o pH da água fornecendo a alcalinidade necessária, enquanto ocarbonato de sódio pode fornecer a alcalinidade para a reação e também os íons carbonato necessários. Reações: CaO + H2O  Ca(OH)2 Ca(OH)2 + H2CO3  CaCO3 + 2H2O Ca(HCO3)2 + Ca(OH)2  2CaCO3 + 2H2O Mg(HCO3)2 + Ca(OH)2  CaCO3 + MgCO3 + 2H2O MgCO3 + Ca(OH)2  Mg(OH)2 + CaCO3 MgSO4 + Ca(OH)2  Mg(OH)2 + CaSO4 CaSO4 + Na2CO3  CaCO3 + Na2SO4 Vantagens: _ Geralmente aplicado para águas com dureza elevada; _ Possibilita remover da água contaminantes tais como metais pesados e outros _ Tecnologia bem estabelecida. Desvantagens: _ Utilização de produtos químicos; _ Produção de lodo; _ Necessidade de ajustes finais, pois a água abrandada ainda possui dureza-cálcio em torno de 30 ppm de CaCO3. Abrandamento por Troca catiônica: Metodologia: Consiste em fazer a água atravessar uma resina catiônica que captura os íons Ca2+ e Mg2+,substituindo-os por íons que formarão compostos solúveis e não prejudiciais ao homem, tais como o Na+. As reações seguem abaixo. R(-SO3Na)2 + Ca2+  R (-SO3)2Ca + 2Na+ R(-SO3Na)2 + Mg 2+  R (-SO3)2Mg + 2Na+ As resinas possuem limites para a troca iônica, ficando saturadas de Ca2+ e Mg2+ . Estasaturação recebe o nome de ciclo. Após, completado o ciclo, deve ser feita a regeneração da resina, que acontece com a adição de solução de Cloreto de Sódio (NaCl). As reações seguem abaixo. R(-SO3)2Ca + 2Na+  R(-SO3Na)2 + Ca 2+ R(-SO3)2Mg + 2Na+  R(-SO3Na)2 + Mg 2+ Vantagens: _ Alta eficiência para remoção dos íons responsáveis pela dureza. Para remoção de Ca2+ adureza resultante atinge valores menores que 1mg/L de CaCO3; _ As resinas podem ser regeneradas; _ Não há formação de lodo no processo. Desvantagens: _ Requer um pré-tratamento da água;

8

CETÉS – Análise Química C _ Ocorre saturação da resina, exigindo a sua regeneração; _ Requer o tratamento do efluente da regeneração. A escolha entre os processos depende das características da água a ser tratada, das necessidades e da disponibilidade de recursos de cada empresa. Vale ressaltar que a Kurita detém atecnologia e comercializa resinas catiônicas para o abrandamento de água. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Processo com carbonato de sódio a frio. Coloca-se a massa de carbonato de sódio calculado no béquer com 200 mL de solução problema. Mistura-se e filtra-se. Descarta-se o resíduo. Com a pipeta volumétrica, pegar 25 mL da solução filtrada e colocá-la no erlenmeyer. Coloca-se 1 mL de solução de NH4OH, 5 mL de solução tampão e uma pitada do indicador negro de eriocromo-T. Agita-se e titula-se com solução de EDTA 0,01 mol/L. Processo com carbonato de sódio a quente Coloca-se a massa de carbonato de sódio calculada no béquer com 200 mL de solução problema. Mistura e ferve-se. Filtra-se descartando o resíduo. Com uma pipeta pegar 25 mL da solução filtrada e coloca-la no erlenmeyer. Coloca-se 1 mL de solução de hidróxido de amônio, 5 mL da solução tampão e 1 pitada do indicador negro de eriocromo-T. Agita-se e titula-se com solução de EDTA 0,01M. Efetuar o abrandamento pelo processo carbonato de sódio a quente e a frio e comparar os dois resultados.

QUESTÕES 1) Qual o processo mais eficiente? Por que? 2) Escreva as equações químicas das reações ocorridas no abrandamento. 3) Indique os cálculos efetuados para a determinação da dureza da amostra de água e para os processos de abrandamento. 4) Cite e comente sobre 2 outros processos de abrandamento. 5) O que é complexometria?

9

CETÉS – Análise Química C 6) Explique por que, se a água dura apresentar cálcio e magnésio juntos, além do carbonato de cálcio, também se adiciona cal ao processo de abrandamento. 7) Que tipos de resinas são usadas no processo de abrandamento? 8) O que é eluição? E sorção? 9) Qual a vantagem do processo de abrandamento fosfato à ebulição? 10) A dureza pode ser totalmente eliminada? Explique.

EXPERIMENTO 3

DETERMINAÇÃO DA ALCALINIDADE
INTRODUÇÃO TEÓRICA

10

CETÉS – Análise Química C Entre as impurezas encontradas na águas, existem aquelas que são capazes de reagir com ácidos, podendo neutralizar certa quantidade desses reagentes. Essas impurezas conferem às águas a característica de alcalinidade. Por definição,alcalinidade de uma água é a sua capacidade quantitativa de neutralizar um ácido forte, até um determinado pH. Para medir alcalinidade em laboratório, utiliza-se ácido sulfúrico. A alcalinidade é devida principalmente à presença de bicarbonatos, carbonatos e hidróxidos. Os compostos mais comuns são os seguintes: - hidróxidos de cálcio ou de magnésio; - carbonatos de cálcio ou de magnésio; - bicarbonatos de cálcio ou de magnésio; - bicarbonatos de sódio ou de potássio. Mesmo as águas com pH inferior a 7,0 (5,5 por exemplo), podem, e, em geral, apresentam alcalinidade, pois normalmente contém bicarbonatos. Dependendo do pH da água, podem ser encontrados os seguintes compostos: - valores de pH acima de 9,4: hidróxidos e carbonatos (alcalinidade cáustica); - valores de pH entre 8,3 e 9,4: carbonatos e bicarbonatos; - valores de pH entre 4,4 e 8,3: apenas bicarbonatos. Na prática, a determinação de alcalinidade e verificação da sua forma se faz com ácido sulfúrico, como citado, e utilizando como indicadores fenolftaleína e metilorange, cujos pontos de viragem correspondem aos valores de pH de 8,3 e 4,9, respectivamente. A alcalinidade medida utilizando-se como indicador a fenolftaleína é denominada alcalinidade parcial, enquanto a alcalinidade mensurada utilizando-se como indicador o metilorange é denominada alcalinidade total. Valores muito elevados de alcalinidade podem ser indesejáveis em uma água a ser utilizada para fins industriais, uma vez que podem ocasionar problemas de formação de depósitos e corrosão, de acordo com a utilização desta água. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Em um erlenmeyer adicionar 50 mL de amostra, 3 gotas do indicador fenolftaleína. Aparecendo coloração que caracterize o meio alcalino, titular com solução de H2SO4 0,01M fatorada. Em seguida, adicionar 3 gotas de indicador metilorange. Titular com a solução de ácido sulfúrico 0,01M fatorada até completa neutralização.Aquecer a amostra até ebulição. Se a cor do indicador retornar ao alaranjado, voltar a titular novamente com a solução ácida até o ponto de viragem, anotando o volume gasto. Determinar o teor de alcalinidade da amostra em hidróxido, carbonatos e bicarbonatos expressando em mg CaCO3/L (ppm CaCO3) utilizando a tabela a seguir:

11

CETÉS – Análise Química C

Resultado titulação P=0 P<½T P=½T P>½T P=T Onde: Hidróxido 0 0 0 2P – T T

ALCALINIDADE Carbonato 0 2P 2P 2(T – P) 0

Bicarbonato T T – 2P 0 0 0

P = volume de H2SO4 0,01 M fatorado consumido na presença do indicador fenolftaleína. M = volume de H2SO4 0,01 M fatorado consumido na presença do indicador alaranjado de metila. T=P+M Observações: • Considerando que o resultado deve ser expresso em ppm CaCO3, para efeito de cálculo, a reação que está ocorrendo será: H2SO4 + CaCO3  CaSO4 + H2CO3. • A tabela inicialmente informa o “volume” de solução ácida que está sendo necessário para a neutralização dos álcalis de hidróxidos, carbonatos e bicarbonatos em 50 mL de amostra. • Como o pH da água corresponde a uma mistura de hidróxidos, carbonatos e bicarbonatos, o uso de dois indicadores em faixa de pH distinto caracteriza os meios de bases mais fortes (hidróxidos) e mais fracas (carbonatos e bicarbonatos). A curva de titulação correspondente a essa análise está representada abaixo. Observam-se 2 pontos de viragem, um identificado na presença do fenolftaleína e outro na presença do alaranjado de metila.

Exemplo de aplicação:

12

CETÉS – Análise Química C Em um erlenmeyer foram colocados 50 mL de amostra, 3 gotas de fenolftaleína. Titulou-se com 0,8 mL de H2SO4 0,01M , fc = 1,02266. Em seguida, adicionou-se 3 gotas do indicador metilorange. Titulou-se com o mesmo ácido até gastar-se um volume de 2,3 mL (completa neutralização). Determinar o teor de alcalinidade total, alcalinidade a hidróxido, a carbonato e a bicarbonato da amostra, expresso em ppm CaCO3.

QUESTÕES: 1) Defina alcalinidade. Qual a sua unidade? 2) Por que os íons que dão alcalinidade à água são considerados bases? 3) Por que no final da titulação com metilorange há necessidade de aquecimento da amostra? 4) Pesquise sobre os problemas que poderiam causar no emprego de uma água alcalina.

13

CETÉS – Análise Química C 5) Explique qual a diferença entre alcalinidade a fenolftaleína e alcalinidade a alaranjado de metila?

EXPERIMENTO 4

DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA (D.Q.O)
Objetivos: Determinar a demanda química de oxigênio, devida principalmente ao teor de matéria orgânica existentes na água, informativo ao seu grau de poluição. INTRODUÇÃO TEÓRICA
A Demanda Química de Oxigênio, identificada pela sigla DQO, é um parâmetro indispensável nos estudos de caracterização de esgotos sanitários e de efluentes industriais, ela avalia a quantidade de oxigênio dissolvido (OD) consumido em meio ácido que leva à degradação de matéria orgânica. A análise dos valores de DQO em efluentes e em águas de superfície é uma das mais expressivas para determinação do grau de poluição da água, esta análise reflete a quantidade total de componentes oxidáveis, seja carbono ou hidrogênio de hidrocarbonetos, nitrogênio (de proteínas, por exemplo) ou enxofre e fósforo de detergentes. A DQO pode ser considerada como um processo de oxidação química, onde se emprega o permanganato de potássio (KMnO4). Neste processo, o carbono orgânico de um carboidrato, por exemplo, é convertido em gás carbônico e água. Sabe-se que o poder de oxidação do permanganato de potássio é maior do que o que resulta mediante a ação de microrganismos. A resistência de substâncias aos ataques biológicos levou à necessidade de fazer uso de produtos químicos, sendo a matéria orgânica neste caso oxidada mediante um oxidante químico. É justamente aí que a DQO se diferencia da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), onde é medida a quantidade de oxigênio necessária para ocorrer a oxidação da matéria orgânica biodegradável, ou seja, na DBO não é necessário fazer uso de produtos químicos. A DQO é muito útil quando utilizada juntamente com a DBO para observar a biodegradabilidade de despejos. O método químico é mais rápido que o da DBO, tem duração de 2 a 3 horas enquanto que o outro equivale ao tempo de cinco dias.

Procedimento: 1) Pipetar 100 mL da amostra, em um erlenmeyer de 250 mL e adicionar 10 mL de ácido sulfúrico 1:3 e 10 mL de permanganato de potássio 0,0125 N.

14

CETÉS – Análise Química C 2) Em outro erlenmeyer, colocar 100 mL de água destilada, 10 mL de ácido sulfúrico 1:3, 10 mL de permanganato de potássio 0,0125 N. 3) Colocar em digestão a aproximadamente 90ºC, durante meia hora. Caso o permanganato descore, adicionar mais quantidade de permanganato. 4) Adicionar por meio de uma bureta 10 mL de solução de oxalato de sódio a 0,0125 N a cada frasco. A solução ficará incolor. Titular em seguida com solução de permanganato de potássio 0,0125 N até que a primeira cor rósea persistente apareça. Anote o volume gasto. Cálculo:

OC = [(K – N) – (k – n)] x 100 Volume da amostra
Onde: K = volume total em mL de permanganato de potássio N = volume em mL de oxalato de sódio usado na amostra k = volume em mL de permanganato de potássio usado na prova em branco n = volume em mL de oxalato de sódio usado na prova em branco.

QUESTÕES: 1) Esquematize o ciclo do nitrogênio 2) O que é eutrofização? Quais as suas conseqüências? 3) Uma água poluída com excesso de matéria orgânica pode se despoluir sozinha? Explique. 4) Qual a diferença entre DBO e DQO? 5) Por que a matéria orgânica contida numa amostra de água pode ser determinada pela quantidade de oxigênio consumido? 6) O que se entende como matéria orgânica numa água? 7) Qual a diferença de uma água poluída de uma água contaminada? 8) Por que o conceito de pureza de uma água é relativo? 9) Pesquise sobre os inconvenientes causados em uma água industrial com excesso de matéria orgânica. 10) Qual a finalidade do permanganato de potássio nessa análise? E do oxalato de sódio?

15

CETÉS – Análise Química C

EXPERIMENTO 5

IDENTIFICAÇÃO E SEPARAÇÃO DE CÁTIONS
ENSAIOS DE CHAMA Introdução Teórica: Neste ensaio, ocorrem as interações atômicas através dos níveis de energia quantizada. Considerando o átomo de potássio, onde 19K = 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s1, o elétron 4s1 é o mais externo, sendo que esse pode ser facilmente elevado para o 4p, ocorrendo a excitação eletrônica. O elétron excitado apresenta tendência a voltar ao seu estado normal, 4s1, emitindo um quantum de energia (fóton), que é uma quantidade de energia bem definida e uniforme. Neste caso obtemos uma coloração violeta na chama. Nem todas as transições previstas são possíveis, algumas não são permitidas pelas regras de seleção da mecânica quântica. Como o elétron 3s não pode ser elevado ao 4s, o 4s ao 5s, etc. Procedimento Experimental: Previamente, neste ensaio, deve-se limpar bem o fio de platina ou níquel-cromo com ácido clorídrico, molhando a sua extremidade no HCl concentrado, contido em um vidro de relógio e, então, aquecer na zona mais quente da chama do Bico de Bunsen, até obter uma chama limpa, sem cor característica. A análise da amostra é desenvolvida, mergulhando-se o fio de platina no ácido clorídrico e, após, numa porção da substância a ser analisada, levando-se na zona oxidante inferior da chama. Através da coloração adquirida na chama, podemos caracterizar o tipo de cátion existente na amostra.

16

CETÉS – Análise Química C Para analisar outra amostra, deve-se limpar bem a platina novamente, seguindo os procedimentos acima, após analisar a outra amostra. TABELA 1 Cátion Coloração da chama Sódio Amarela Potássio Violeta Lítio Vermelho-Carmim Cálcio Vermelho-Tijolo Estrôncio Verde-Amarelado Bário Verde-Azulado Cobre Verde-Azulado Bismuto Azul pálido

SEPARAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DOS CÁTIONS DO GRUPO I: Ag+, Pb2+ e Hg22+ Os íons deste grupo são precipitados na forma de cloretos insolúveis pela adição de um ligeiro excesso de HCl. O cloreto mercuroso é o menos solúvel dos três. O cloreto de chumbo, entretanto, tem apreciável solubilidade em água, e por isso não é completamente removido na precipitação do grupo I. Procedimento Experimental: 1) Colocar 10 gotas de solução de cátions em um tubo de ensaio e adicionar 10 gotas de HCl 6 mol/L. 2) Centrifugar. Verificar se a precipitação foi completa pela adição de 1 gota de HCl 6 mol/L ao sobrenadante, caso positivo, adicionar mais HCl e centrifugar novamente.

17

CETÉS – Análise Química C 3) Adicionar 2 mL de água destilada contendo 3 gotas de HCl 6 mol/L. 4) Agitar bem, centrifugar e separar o sobrenadante para análise dos demais cátions (grupos II, III e IV), caso necessário, se não, deve desprezá-lo. 5) Ao precipitado, repetir o procedimento de lavagem (água + HCl) do mesmo modo, centrifugar. O precipitado será denominado Precipitado I. 6) Ao Precipitado I, adicionar cerca de 4 mL de água destilada e aquecer em banho-maria durante 3 min, agitando constantemente. 7) Centrifugar, decantar e separar o líquido sobrenadante (que pode conter Pb2)em um tudo de ensaio, do precipitado (denominado Precipitado II) (que pode conter Ag+ ou Hg22+). Ao tubo de ensaio, adicionar 2 gotas de ácido acético 6 mol/L e 4 gotas de K2CrO4 1 mol/L. Observar e anotar. 8) No tubo de ensaio, após a centrifugação, o aparecimento de um precipitado amarelo indica a presença de Pb2+. 9) Ao Precipitado II, lavar com 4 mL de água destilada e aquecer em banho-maria, centrifugar, descartar o sobrenadante. 10)Ao precipitado lavado, adicionar 2 mL de NH4OH 6 mol/L e agitar bem. 11)Centrifugar: separar o sobrenadante (que pode conter Ag+) do precipitado. Se no precipitado aparecer uma coloração preto ou cinza escuro indicam a presença de mercúrio. 12) Ao líquido sobrenadante, retirado do item 11, adicionar 3 mL de HCl 6 mol/L e o aparecimento de um precipitado branco indica a presença da prata.

18

CETÉS – Análise Química C

SEPARAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DOS CÁTIONS DO GRUPO II: Bi3+, Pb2+, Hg2+, Cu2+,Cd2+, As3+, As5+, Sb3+, Sb5+, Sn2+ e Sn4+. Os cátions de metais do grupo II apresentam como característica importante, o fato de seus sulfetos serem insolúveis em ácidos minerais diluídos, ao contrário dos sulfetos do grupo III que são solúveis nesse meio. Essa diferença de comportamento é usada para separar os cátions deste grupo dos íons dos demais grupos. Os cátions do grupo II são divididos em dois subgrupos: a) Grupo IIA ou subgrupo do cobre: Bi3+, Pb2+, Hg2+, Cu2+,Cd2+. b) Grupo IIB ou subgrupo do arsênio: As3+, As5+, Sb3+, Sb5+, Sn2+, Sn4+. Os sulfetos do subgrupo do cobre são insolúveis numa solução de hidróxido de sódio, enquanto os sulfetos do subgrupo do arsênio são

19

CETÉS – Análise Química C solúveis. Essa diferença de comportamento é usada para separar os cátions do grupo do cobre dos cátions do grupo do arsênio. Procedimento para separação de cátions do grupo IIA dos cátions do grupo IIB: 1) Colocar 10 gotas da solução de cátions em duas cápsulas de porcelana e aquecer a mistura até a secura. 2) Adicionar 10 gotas de HCl concentrado, 10 gotas de HNO3 concentrado e aquecer até a secura. 3) Adicionar cerca de 2 mL de água e depois juntar solução de HCl 6 mol/L, gota a gota, até ajustar o pH em 1,0 (conferir com papel universal). 4) Adicionar 1 mL de tioacetamida 1 mol/L, aquecer em banhomaria durante cerca de 5 minutos então, ocorrerá formação de um precipitado claro que escurece com o tempo. 5) Se houver a formação de um precipitado marrom ou amarelo indicará que a precipitação não foi completa. Neste caso, ajustar o pH para 1,0 e adicionar mais 1 mL de tioacetamida 1 mol/L. 6) Aquecer por mais 3 minutos em banho-maria, centrifugar e retirar o líquido sobrenadante (pode conter os demais cátions do grupo III e IV – caso necessário, guarde em outro tubo de ensaio se não, descartá-lo). 7) Lavar o precipitado com 1 mL de NH4Cl 1 mol/L e a seguir com água. 8) Centrifugar e o precipitado deve conter HgS, PbS, Bi2S3, CuS, CdS, Ag2S5, Sb2S5 e SnS2. 9) Adicionar ao precipitado, depois de lavado, 10 gotas de NaOH 3 mol/L e agitar vigorosamente por cerca de 1 minuto. 10) Centrifugar e retirar o líquido sobrenadante (grupo IIB) e reservar em outro tubo de ensaio para a próxima prática. 11) O precipitado contém os cátions do grupo IIA e será usado na parte II do próximo experimento.

20

CETÉS – Análise Química C

21

CETÉS – Análise Química C Procedimento para a separação de cátions do subgrupo IIA: 1) Adicionar, ao precipitado da prática anterior, cerca de 1 mL de NH4Cl 1 mol/L e 3 mL de água destilada. 2) Centrifugar e separar o precipitado, chamado de Precipitado I, do sobrenadante que pode ser descartado. 3) Adicionar ao Precipitado I cerca de 10 gotas de HNO3 4 mol/L e aquecer em banho-maria para a dissolução do mesmo. 4) Centrifugar e retirar o sobrenadante, chamado Sobrenadante I. 5) Deverá restar um precipitado de HgS (preto) ou Hg(NO3)2 (branco) indicando a presença de mercúrio. 6) Adicionar ao Sobrenadante I cerca de 0,5 g de (NH4)2SO4, agitar e deixar em repouso por 5 minutos. 7) Na presença de chumbo deverá haver um precipitado branco de PbSO4 então, centrifugue, retire o Sobrenadante II e lave o precipitado (Precipitado II) com água quente 3 vezes. Dissolva o precipitado com NH4Ac 3 mol/L e adicionar cromato de potássio (um precipitado amarelo confirma a presença de chumbo). 8) Ao Sobrenadante II adicionar um excesso de NH4OH concentrado, precipitando o bismuto na forma de Bi(OH)3 (Precipitado III). Centrifugue e separe o sobrenadante, chamado de Sobrenadante III. 9) Se o Sobrenadante III apresentar coloração azul, isso servirá para identificar o cobre. 10)Dividir o Sobrenadante III em duas partes, chamando de Sobrenadante III-A e Sobrenadante III-B. 11)Ao Sobrenadante III-A, acidule com ácido acético e adicione algumas gotas de K4[Fe(CN)6]. Um precipitado castanho confirma a presença de cobre. 12)No caso de ausência de cobre: Ao segundo tubo, (Sobrenadante III-B), adicionar algumas gotas de tioacetamida 1 mol/L e aquecer em banho-maria e passar para o item 14. 13)Na presença de cobre: Adicionar HCl concentrado gota a gota até o meio ficar ácido, que se observa pelo descoramento da solução e passar para o item 14. 14)Centrifugar e separar o precipitado (chamado Precipitado IV) do sobrenadante que pode ser descartado. 15) Adicionar cerca de 10 gotas de glicerina 1:1 (v/v). Adicionar NaOH 6 mol/L até alcalinizar a solução (tornará novamente azul), e a seguir mais 15 gotas em excesso. 16) A formação de um precipitado branco indica a presença de cádmio. Centrifugue, retire o sobrenadante e lavar o precipitado 3 vezes com cerca de 1 mL de água contendo cerca de 5 gotas de glicerina 1:1.

22

CETÉS – Análise Química C 17) Dissolver o precipitado com HAc e adicionar cerca de 0,5 mL de tioacetamida 1 mol/L. A formação de um precipitado amarelo confirma a presença de cádmio.

23

CETÉS – Análise Química C Procedimento para a separação dos cátions do subgrupo IIB: 1) Tomar a solução do sobrenadante d prática anterior numa cápsula de porcelana e aquecer até secura (tampe a cápsula com um vidro de relógio). Adicionar 10 gotas de HCl concentrado e 10 gotas de HNO3 concentrado. E aquecer novamente até secura. Cuidado!!! 2) Adicionar cerca de 2 mL de água, com cuidado, e juntar a solução de HCl 6 mol/L gota a gota até ajustar o pH da solução para 1,0. Adicionar 1 mL de tioacetamida 1 mol/L e aquecer em banho-maria durante 5 minutos. Retirar o sobrenadante (descarte) e lavar o precipitado com 1 mL de NH4Cl 1 mol/L e a seguir com água. 3) Adicionar ao precipitado que deverá conter As2S5, Sb2S5 e SnS2, cerca de 10 gotas de HCl concentrado. Aquecer em banho-maria até eliminar o gás sulfídrico. Esse aquecimento deve ser realizado em cápsula de porcelana para maior rapidez na eliminação do gás sulfídrico. 4) Centrifugar e retirar o líquido sobrenadante. O resíduo deve conter As2 S5 enquanto que o SbCl3 e SnCl4 devem estar em solução. 5) O resíduo deve ser tratado em cápsula de porcelana com cerca de 10 gotas de HNO3 concentrado e aquecido até secura em banho-maria. Adicionar 1 mL de água e algumas gotas de solução de NaAc 0,2 mol/L. Adicionar gotas de uma solução de AgNO3 0,2 mol/L. Deverá aparecer um precipitado castanho de Ag2AsO4. 6) O sobrenadante que contém SbCl3 e SnCl4 em solução deverá ser dividido em duas partes (colocar em dois tubos de ensaio). Numa parte da solução adicionar um prego limpo. O prego deve ser tratado com HCl 6 mol/L e lavado com água antes de ser mergulhado na solução. 7) Após o prego ter sido mergulhado na solução ela deve ser aquecida em banho-maria durante 5 minutos. A formação de um precipitado preto na superfície do prego serve para identificar o antimônio. Esse precipitado preto é o Sb metálico formado da redução de SbCl3 pelo ferro elementar. 8) A existência de Sn2+ pode ser comprovada tratando a solução sobrenadante com solução de HgCl2. Deverá haver formação de um precipitado branco de Hg2Cl2 e a seguir um precipitado preto de mercúrio metálico.

24

CETÉS – Análise Química C

25

CETÉS – Análise Química C

SEPARAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DOS CÁTIONS DO GRUPO III: Fe3+, Al3+, Cr3+, Ni2+, Co2+, Zn2+ e Mn2+. O grupo III, grupo do sulfeto de amônio, compõe-se de sete metais que são precipitados como hidróxidos ou sulfetos numa solução tamponada de NH4OH/NH4Cl, contendo (NH4)2S. Cinco desses metais são de transição e por essa razão pode-se esperar que suas propriedades sejam aquelas de elementos que tem uma camada interna de elétrons incompleta, isto é, valência variável, íons coloridos e uma forte tendência para formar cátions complexos. Procedimento para a separação de cátions do cátion do grupo III: 1) Colocar 5 gotas de solução de cátions em um tubo de ensaio. 2) Adicionar 10 gotas de HCl 6 mol/L e em seguida NH4OH 6 mol/L gota a gota e com agitação até o meio ficar alcalino, adicionar mais 2 gotas de NH4OH 6M para excesso e aquecer, COM CUIDADO, durante 1 minuto. 3) Centrifugar e retirar o líquido sobrenadante RAPIDAMENTE, colocando-o em outro tubo de ensaio, chamando-o de sobrenadante I (colocar num tubo de centrífuga) e Precipitado I. 4) Lavar o Precipitado I duas vezes com NH4Cl 2 mol/L, centrifugar e descartar o sobrenadante. 5) O Precipitado I pode conter os hidróxidos: férrico, cromo, alumínio e manganês II (item 6) e o Sobrenadante I pode conter níquel, cobalto, zinco e manganês II (item 14 ). 6) Adicionar ao Precipitado I 1 mL de NaOH 4 mol/L e 1 mL de H2O2 3%, agitar bem e aquecer em banho-maria por 5 minutos até cessar o desprendimento de O2. 7) Centrifugar e retirar o líquido sobrenadante e reservar em outro tubo de ensaio (Sobrenadante II) e o precipitado denominar de Precipitado II. 8) O Precipitado II contém Fe(OH)3 (guarde para o item 12) e o líquido deve conter CrO42- e/ou Al(OH)4.

26

CETÉS – Análise Química C 9) Sobrenadante II poderá conter cromo e alumínio, podendo ser identificados no líquido onde uma cor amarela indica a presença de cromo. 10)Para identificar o alumínio, adicionar HCl 6 mol/L até acidificação do meio e em seguida, adicionar NH4OH 6 mol/L até o meio ficar alcalino, agitar bem e aquecer com cuidado. 11) A formação de um precipitado branco gelatinoso confirma a presença de alumínio. 12) Ao Precipitado II, que contém ferro, lavar duas vezes com água destilada quente e desprezar o sobrenadante. 13)Adicionar 3 gotas de HCl 6 mol/L ao precipitado e mais 2 gotas de NH4SCN 1 mol/L e o aparecimento de uma cor vermelha indica a presença do ferro III. 14) O Sobrenadante I (obtido no item 3) deve ser aquecido cuidadosamente e adicionar 10 gotas de sulfeto de amônio 1 mol/L com agitação, e aquecer novamente em banho-maria durante 10 minutos. 15) Centrifugar e adicionar ao sobrenadante 2 gotas de sulfeto de amônio para verificar se a precipitação foi completa. 16) Se houver análise do grupo IV, o líquido deve ser guardado, caso contrário deve ser descartado. 17)Lavar o precipitado 2 vezes com NH4Cl 2 mol/L e o precipitado deve conter os sulfetos de níquel, cobalto, zinco e manganês, que será chamado de Precipitado III. 18) Ao Precipitado III, adicionar 1 mL de HCl 1 mol/L, agitar bem e deixar em repouso por 5 minutos. 19)Centrifugar e transferir o líquido sobrenadante para outro tubo (chamado Sobrenadante III) e o precipitado será Precipitado IV. 20) Ao Precipitado IV juntar algumas gotas de ácido nítrico concentrado e aquecer em banho-maria até dissolução. 21)Dividir a solução em duas partes (dois tubos, denominados Tubo A e Tubo B). No tubo A adicionar com agitação NH4OH 6 mol/L até o meio ficar alcalino, e em seguida, adicionar algumas gotas de dimetilglioxima. A formação de um precipitado vermelho indica a presença de níquel. 22)Ao tubo B adicionar 5 gotas de NH4SCN 1 mol/L e 10 gotas de acetona. O aparecimento de uma coloração azul indica a presença do cobalto. 23)Ao Sobrenadante III, aquecer em uma cápsula de porcelana para eliminar o H2S. Resfriar e adicionar 1 mL de NaOH 4 mol/L em excesso.

27

CETÉS – Análise Química C
24)Centrifugar. O líquido pode conter zinco. Então adicione ao

líquido HCl 6 mol/L até o meio ficar ligeiramente ácido e adicionar 3 gotas de K4[Fe(CN)6] 0,2 mol/L. Um precipitado branco indica a presença de zinco.

28

CETÉS – Análise Química C

29

CETÉS – Análise Química C SEPARAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DOS CÁTIONS DO GRUPO IV: Mg2+, Ca2+, Ba2+ e Sr2+. Os elementos magnésio, cálcio, bário e estrôncio pertencem ao grupo IIA da tabela periódica apresentando configurações eletrônicas similares. Disso decorre a semelhança de suas propriedades. O magnésio é o metal que apresenta propriedades mais diferenciadas do resto do grupo, devido ao seu pequeno tamanho e por essa razão, às vezes não é classificado junto com esses elementos no procedimento de separação analítica. Procedimento para a separação e identificação dos cátions do grupo IV: 1) Colocar 10 gotas da solução de cátions em um tubo de ensaio. 2) Adicionar 10 gotas de solução de HCl 6 mol/L e em seguida NH4OH concentrado gota a gota e com agitação até o meio ficar alcalino, aquecer em banho-maria e adicionar 15 gotas de carbonato de amônio 1,5 mol/L, agitar o tubo vigorosamente para homogeneizar e aquecer, COM CUIDADO, durante 2 minutos. 3) Centrifugar e no tudo de centrifugar adicionar mais algumas gotas de carbonato de amônio 1,5 mol/L para verificar se ocorreu precipitação total dos cátions. Observar a formação de precipitação, repetir o item 2, até não mais ocorrer precipitação. 4) Separar o sobrenadante que deve conter magnésio (Sobrenadante I) do precipitado (Precipitado I), e sua presença deve ser confirmada pela reação com fosfato de sódio, com conseqüente formação de um precipitado branco cristalino. 5) O Precipitado I pode conter os carbonatos de: cálcio, bário e estrôncio. Este precipitado deverá ser lavado com água quente, centrifugar e desprezar o sobrenadante. 6) Ao Precipitado I, adicionar HAc 6 mol/L gota a gota até completa dissolução e, em seguida, juntar 5 gotas de NaAc 3 mol/L e 10 gotas de dicromato de potássio 0,2 M e agitar a solução. 7) Aquecer em banho-maria, centrifugar e retirar o líquido sobrenadante e reservar em outro tubo de ensaio. 8) O precipitado amarelo indica a presença de bário. Lave o precipitado várias vezes com água destilada, centrifugar e desprezar o sobrenadante. 9) Dissolver o precipitado com algumas gotas de HCl concentrado e confirmar o bário pelo teste de chama, cuja coloração deverá ser verde-amarelada.

30

CETÉS – Análise Química C
10)Ao sobrenadante do item 7, adicionar 3 gotas de NH4OH 6 mol/L,

10 gotas de sulfato de amônio 2,5 mol/L, agitar e aquecer até ebulição. 11) Centrifugar e testar se a precipitação foi completa. 12)O precipitado branco (Precipitado II) indica a presença de estrôncio e o líquido (Sobrenadante II) deve conter cálcio. Separá-los. 13) Lavar o Precipitado II diversas vezes com água quente, centrifugar e desprezar o líquido. Dissolver o precipitado com gotas de HCl concentrado e fazer o teste de chama, cuja coloração vermelho-carmim confirma a presença do estrôncio. 14) Ao líquido Sobrenadante II (item 12), adicionar 3 gotas de oxalato de amônio 0,25 mol/L, agitar e deixar em repouso por 2 minutos. 15) A formação de um precipitado branco indica a presença de cálcio. 16) Centrifugue e despreze o líquido. Lave o precipitado várias vezes com água destilada e desprezar o sobrenadante. 17) Dissolver o precipitado com algumas gotas de HCl concentrado e fazer o teste de chama, cuja coloração vermelhotijolo confirma o cálcio.

QUESTÕES
1) Para verificar a presença do íon Cu2+ num sal duplo seguiu-se o

procedimento abaixo descrito: Dissolver cerca de 0,5 g de amostra em 25 mL de água. Colocar 20 gotas dessa solução num tubo de ensaio. Adicione a solução de hidróxido de sódio, gota a gota, até verificar alguma alteração. a) Escreva a reação química entre o íon cobre II e o hidróxido de sódio. b) Como se pode confirmar a presença do íon cobre II? c) A detecção do cobre II poderia ser feita via seca? Explique como. 2) Para verificar a presença do íon potássio num adubo líquido, seguiu-se o procedimento abaixo: 1 – À solução do adubo adicionar solução de NaOH e levar à ebulição. 2 – Acidular com ácido acético para eliminar o excesso de NaOH. 3 – À solução obtida em (2), adicionar solução de ácido tartárico 4 – Observar os resultados.

31

CETÉS – Análise Química C OBS: Os passos 1 e 2 são feitos para eliminação do interferente íon amônio e os passos 3 e 4 para identificar o íon potássio. a) Escreva a reação que ocorre no item 2. b) Indique, justificando, o que se pode esperar caso exista o íon potássio no adubo (item 4). c) A eliminação da interferência do íon amônio é fundamental para a pesquisa do íon potássio. Explique o que são “interferentes” na análise química qualitativa. 3) Para se proceder à análise de uma amostra contendo uma mistura de cátions, utiliza-se a marcha analítica representada abaixo:

Depois do ensaio de cada um dos reagentes indicados acima, faz-se a filtração de modo a separar os precipitados eventualmente formados. a) Por que motivo é necessário filtrar os precipitados à medida que esses vão se formando? b) Que outra técnica laboratorial poderia utilizar-se para separar os precipitados formados? c) Para que servem os reagentes gerais na análise de cátions? d) Suponha que uma solução de estudo contenha sulfato cúprico e cloreto de cálcio. Escreva as reações químicas envolvidas na precipitação dos cátions a serem identificados.

32

CETÉS – Análise Química C

EXPERIMENTO 6

CINÉTICA QUÍMICA
INTRODUÇÃO TEÓRICA As reações químicas têm permitido à humanidade resolver muitas das questões que a desafiam. No entanto, para que isso fosse possível, foi necessário aprender como alterar a velocidade das reações seja acelerando as excessivamente lentas ou retardando as muito rápidas. O conhecimento e o estudo da velocidade das reações químicas, além ser muito importante para a indústria, também está relacionado ao nosso cotidiano. Por exemplo, quando guardamos alimentos na geladeira para retardar as reações que levam a decomposição ou usamos uma panela de pressão para aumentar a velocidade de cozimento dos alimentos. Uma reação química é um rearranjo de átomos provocado pelas colisões (choques) entre as partículas dos reagentes. Para que ocorra uma reação química duas condições são necessárias: • haver afinidade química entre as substâncias • haver colisões entre as moléculas dos reagentes que levem a quebra de suas ligações para formação de novas ligações (rearranjo dos átomos dos reagentes para formação dos produtos). Em alguns casos, as reações são resultado de colisões entre íons e moléculas, íons e íons e íons e átomos neutros. Alguns fatores alteram a freqüência de colisões entre os reagentes de uma reação química, aumentando ou diminuindo a velocidade com que ela ocorre. Tais fatores podem ser: • temperatura • pressão • concentração de reagentes • superfície de contato • catalisadores ou inibidores Assim, algumas reações são extremamente rápidas como a reação de combustão instantânea entre os gases hidrogênio e oxigênio (gases utilizados como propulsores no lançamento de ônibus espaciais, por

33

CETÉS – Análise Química C exemplo) enquanto que outras extremamente lentas como fermentação do suco de uva para a produção do vinho, o que pode demorar meses para ocorrer. PARTE I: 1 - Temperatura Em cada béquer de 100 mL, colocar água até a marca de 50 mL de acordo com a temperatura: no primeiro quente, no segundo à temperatura ambiente e no terceiro gelada. Adicionar simultaneamente, em cada béquer, ½ comprimido de Sonrisal®. Observar e comparar a ordem em que terminam as reações nos três béqueres, registrando na tabela. Água Sequência Ordem de término de reação Fria Temperatura Ambiente Quente

Responda como a temperatura influência na velocidade da reação. 2 - Superfície de Contato Utilizando papel toalha, limpar 2 béqueres de 100 mL e colocar água até a marca de 50 mL. Em um potinho, triturar ½ comprimido de Sonrisal® com o auxílio do bastão de madeira. Adicionar simultaneamente em um dos béqueres, ½ comprimido de Sonrisal® sem triturar e ao outro ½ comprimido de Sonrisal® triturado. Em qual caso a reação terminou primeiro? Qual sua conclusão sobre a influência da superfície de contato na velocidade da reação? 3 - Concentração Em três béqueres de 50 mL colocar 20 mL de solução de sulfato de cobre, conforme a sequência: a) 1,0 mol/L no primeiro; b) 0,1 mol/L no segundo e c) 0,01 mol/L no terceiro. Megulhar em cada béquer, ao mesmo tempo, um prego amarrado a um pedaço de linha e deixá-los mergulhados por aproximadamente 60 segundos. A seguir, retirar os pregos puxando-os pela linha e colocá-los sobre o placa plástica branca tomando o cuidado de não misturá-los. Comparar os três pregos e anotar suas observações. Como a concentração da solução influenciou na velocidade da reação? Após o experimento, limpe os pregos retirando a camada de cobre com auxílio da esponja de aço. 4 – Catalisador

34

CETÉS – Análise Química C Em um vidro de relógio colocar 10 gotas de água oxigenada e em um outro vidro de relógio uma fatia fina de batata crua, cortada no momento do experimento. Gotejar de três a cinco gotas de água oxigenada sobre a batata. Depois de alguns segundos, o que você observou? Peça ao professor para colocar, utilizando o misturador plástico, uma pequena porção de dióxido de manganês no vidro de relógio que continha apenas água oxigenada. Anotar suas observações e explicar o que ocorreu. Como o catalisador influenciou na velocidade da reação? Identificar o catalisador nesse experimento. 5 - Inibidor Cortar uma fatia do meio da berinjela e colocá-la sobre o vidro de relógio. Logo a seguir, espalhar ácido ascórbico na metade da superfície da berinjela e deixar em repouso por alguns minutos. Anotar suas observações e explicar o que ocorreu. Como o inibidor influenciou na velocidade da reação? Identifique o inibidor nesse experimento. QUESTÕES 1. Com os resultados dos experimentos realizados, resuma como cada fator estudado influenciou na velocidade das reações. 2. Considerando os conhecimentos adquiridos durante o experimento, responda novamente a questão prévia. PARTE II: 1) Influência da temperatura Objetivos: Reconhecer que a temperatura dos reagentes influi na velocidade da reação. Relacionar a temperatura dos reagentes com a possibilidade de ocorrência de colisões entre suas partículas, átomos, moléculas ou íons. Procedimento: 1 – Coloque água no béquer até preencher pouco mais da metade de sua altura. 2 – Aqueça a água do béquer, sem fervê-la. Enquanto a água está sendo aquecida, realize os procedimentos 3, 4 e 5. 3 – Faça com o lápis um ponto do tamanho bem visível na folha de papel. 4 – Coloque em um dos tubos de ensaio 40 gotas de solução de tiossulfato de sódio e 20 gotas de água.

35

CETÉS – Análise Química C 5 – Tampe o tubo com a rolha e agite-o fortemente. 6 – Remova a rolha e coloque o tubo de ensaio na água quente, durante 3 min. Ao final desse tempo, retire o tubo do béquer e enxugue-o por fora com um pedaço de pano. 7 – Verifique se o aluno encarregado de medir o tempo está preparado, ele deverá dar um sinal de realização do procedimento. 8 – Acrescente 2 gotas de solução de HCl ao tubo e agite-o. 9 – Repita os procedimentos 4 ao 9 com outro tubo de ensaio. 10 – Tome o terceiro tubo de ensaio e repita os procedimentos 4 e 5. 11 – Coloque água e gelo no béquer e mergulhe o tubo nessa mistura durante 3 minutos. Transcorrido o tempo, retire o tubo do béquer e enxugue-o por fora com um pano. 12 – Repita os procedimentos 8 e 9. Complete a tabela:

Estado dos reagentes Tempo Aquecidos Temperatura ambiente Resfriados Examine a tabela e construa o gráfico. 2) Influência do catalisador Objetivos: Diminuir o tempo de reação através do uso de um catalisador. Procedimento: 1 – Colocar nun tubo de ensaio 25 gotas de solução de oxalato de sódio, 20 gotas de ácido sulfúrico diluído e 1 gota de solução de permanganato de potássio. Anote a tabela o tempo de reação. 2 – Colocar em outro tubo de ensaio, 25 gotas de solução de oxalato de sódio, 20 gotas de ácido sulfúrico diluído e 1 gota de solução de permanganato de potássio e 1 gota de solução de sulfato de manganês. Anotar o tempo de reação na tabela. 3 – Colocar no terceiro tubo, 25 gotas de solução de oxalato de sódio, 20 gotas de ácido sulfúrico diluído, 1 gota de permanganato de potássio e 5 gotas de solução de sulfato de manganês. Anotar o tempo de reação.

Tubo

Solução de Na2C2O4

H2SO4

MnSO4

KMnO4

Tempo

36

CETÉS – Análise Química C 1 2 3 25 25 25 20 20 20 1 5 1 1 1

QUESTÕES: 1) O que é catalisador? 2) Qual a função do catalisador?

EXPERIMENTO 7

EQUILÍBRIO QUÍMICO
Equilíbrio líquidos. Químico Homogêneo: Reação reversível entre

Objetivos: Observar uma reação reversível e compreender o Princípio de Lê Chatelier. Procedimento: 1 – Colocar 2 mL de solução de cromato de potássio em três tubos de ensaio, etiquetar com as letras A,B e C. 2 – Colocar 2 mL de solução de dicromato de potássio em outros três tubos de ensaio. Etiquetar com as letras D, E e F. 3 – Deixar os tubos de ensaio no suporte e anotar as cores das soluções. 4 – Os tubos C e F serão os tubos de controle (referência cromática). 5 – Pingar 10 gotas de NaOH nos tubos A e D. Agitar e observar. Escrever as equações da reação nos tubos A e D. 6 – Pingar 10 gotas de ácido clorídrico nos tubos B e E. Agitar e observar. Escrever as equações de reação nos tubos B e E. 7 – Pingar 10 gotas de NaOH no tubo B. Agitar e observar. Escrever a equação da reação no tubo B.

37

CETÉS – Análise Química C 8 – Pingar 10 gotas de ácido clorídrico no tubo B. Agitar e observar. Escrever a equação de reação no tubo B. 9 – Colocar as cores observadas nos espaços em branco do quadro abaixo: A K2CrO4 Amarela B K2CrO4 Amarela C K2Cr2O7 Alaranjada D K2Cr2O7 Alaranjada

Tubo inicial NaOH HCl NaOH HCl QUESTÕES:

1) Analisando as observações do item 5 do procedimento, explique a alteração de cor da solução do dicromato de potássio. 2) Analisando as observações do item 6 do procedimento, explique a alteração de cor da solução do cromato de potássio. 3) Analise as observações dos itens 7 e 8 do procedimento. O que se pode concluir sobre a reversibilidade da reação? Escreva a equação do equilíbrio observado. 4) Explique como o equilíbrio é deslocado em meio ácido e básico, discutindo o Princípio de Le Chatelier. Equilíbrio químico heterogêneo: Reação reversível entre sólidos e líquidos 1) Colocar 5 mL de solução de sulfato de cobre em dois tubos de ensaio. Etiquetar com as letras A e B. O tubo B será o controle. Deixar os tubos no suporte. Observar a cor da solução. 2) Adicionar 2 mL de solução de NaOH ao tubo A. Agitar e observar. 3) Adicionar 2 mL de solução de HCl ao conteúdo do tubo A. Agitar e observar. 4) Adicionar novamente 2 mL de solução de NaOH ao tubo A. Agitar e observar. QUESTÕES 1) Escreva a equação química que representa a reação entre sulfato de cobre aquoso e NaOH aquoso. Identifique o precipitado. 2) Esta reação é reversível? Explique. 3) O Princípio de Le Chatelier é confirmado nesta reação? Explique. Reação reversível entre gases 1) Colocar duas pontas de espátula de nitrato de chumbo em cada um dos tubos de ensaio.

38

CETÉS – Análise Química C
2) Aquecer, usando adequadamente a pinça de madeira, um dos

3) 4) 5)

6)

tubos contendo nitrato de chumbo, em chama branda, mantendo o tubo inclinado e em movimento. Em poucos instantes haverá a produção de um gás castanho-avermelhado dentro do tubo. Cuidado, o gás produzido é tóxico. Retirar do aquecimento e tampar o tubo com a rolha de borracha, assim que houver quantidade perceptível de gás. Repetir os itens 2 e 3 com outro tubo. Colocar água até a metade de um béquer de 100 mL e adicionar sal (aproximadamente uma colher de sopa). Acrescentar algumas pedras de gelo. Colocar água em outro béquer até ¾ do seu volume. Aquecer até a ebulição.

7) Colocar os tubos de ensaio preparados em cada béquer. Observar após 2 minutos. 8) Inverter a posição dos tubos (colocar o tubo da água quente na água gelada e o tubo da água gelada na água quente). Observar após 2 minutos. QUESTÕES 1) Escreva a equação química que representa a decomposição do nitrato de chumbo. 2) Analisando as suas observações e sabendo que o gás produzido está em equilíbrio com o seu dímero, segundo a equação abaixo, relacione as cores observadas ao reagente e ao produto.

3) A temperatura influencia o equilíbrio químico entre os gases? Explique. Reação Reversível entre o íon férrico e o íon tiocianato 1) Meça 60 mL de água destilada em uma proveta e transfira-a para um béquer.

39

CETÉS – Análise Química C
2) Adicione a esta água uma ou duas gotas de solução saturada de

3) 4)
5)

6) 7)
8)

FeCl3 e NH4SCN. Agite o béquer e observe. Escreva a equação ocorrida dentro do béquer. Com uma pipeta, transfira 15 mL da solução do béquer para o tubo de ensaio 1. Adicione a este tubo de ensaio duas gotas de solução saturada de FeCl3. Agite o tubo e compare a cor da solução contida nele com a cor da solução contida no béquer. Anote sua observação, explicando para que lado o equilíbrio se deslocou e porquê. Repita o passo 4 transferindo 15 mL da solução do béquer para o tubo de ensaio 2. Adicione ao tubo de ensaio 2 duas gotas da solução saturada de NH4SCN. Agite o tubo e compare a cor da solução contida nele com a cor da solução contida no béquer. Anote sua observação, explicando para que lado o equilíbrio se deslocou e por quê.

EXPERIMENTO 8

PREPARAÇÃO DO IODOFÓRMIO
Introdução Teórica: A formação do iodofórmio é uma reação característica para as metilcetonas e alcoóis secundários do tipo metilcarbinol; o etanal e o etanol também dão essa reação.
a) ClO- + I-  IO- + Clb) 2 ClO-  I2 + O2 c) 2 CH3 – C – CH3 + 3 I2 + O2  CHI3 + 2 CH3 – COO- + 2 H+

|| O

40

CETÉS – Análise Química C Introdução Teórica: Pesquisar sobre produção, usos e mecanismos de obtenção dos halometanos. Procedimento Experimental da preparação do iodofórmio: 1) Preparar 50 mL de uma solução de KI a 6% e transferir essa solução para um erlenmeyer de 250 mL. 2) Acrescentar 1 mL de acetona e, em seguida, adicionar aos poucos e com agitação, 60 mL de uma solução alcalina de hipoclorito de sódio. 3) Deixar a mistura em repouso até que todo o precipitado formado (iodofórmio) fique depositado no fundo do erlenmeyer. 4) Filtrar à vácuo, tendo o cuidado de lavar o iodofórmio no funil por duas vezes com pequenas quantidades de água. 5) Secar em estufa e pesar em balança analítica. 6) Guardar o produto em um frasco com tampa para uso posterior (não esquecer de rotular o frasco). 7) Determinar a massa teórica de iodofórmio obtida e comparar com a massa prática. Procedimento Experimental da recristalização do iodofórmio: 1) Transferir o produto obtido na preparação do iodofórmio para um balão de fundo chato de 250 mL com vara de refluxo. 2) Juntar 25 mL de álcool metílico e colocar no balão sob refluxo, em banho-maria, até quase total dissolução do material. 3) Filtrar, imediatamente, ainda a quente em funil comum, contendo uma camada de algodão – é necessário que essa filtração seja rápida para que não haja tempo de o iodofórmio recristalizar por resfriamento no meio da filtração (algodão). 4) Deixar a solução atingir a temperatura ambiente e então colocála no congelador por 20 minutos (tempo necessário para a recristalização do iodofórmio). 5) Filtrar os cristais à vácuo, em papel previamente pesado, transferindo todo o material para o funil, tendo o cuidado de lavar os cristais por duas vezes, usando para isso o álcool metílico da filtração (líquido-mãe). 6) Secar em estufa (50ºC), pesar em balança analítica e calcular o rendimento. 7) Há diferença entre as massas do iodofórmio bruto e o cristalizado? Explique essa diferença, caso exista. 8) Qual a importância do processo de recristalização?

41

CETÉS – Análise Química C

EXPERIMENTO 9

PREPARAÇÃO DO ÁCIDO PÍCRICO
Objetivo: Preparar o 2,4,6-trinitrofenol, conhecido como ácido pícrico através de reações de eliminação e de substituição. Introdução Teórica O ácido pícrico é um composto altamente explosivo utilizado na fabricação de armamentos, principalmente na produção de granadas mas também, na produção de fármacos contra queimaduras. Esse ácido reage com a creatinina do sangue(a reação produz um tom amarelado). Com isso pode se medir a quantidade de creatinina no sangue.

42

CETÉS – Análise Química C Subproduto residual da fabricação do ácido adípico pela oxidação do ciclohexanol e ciclohexanona com ácido nítrico. Tambem conhecido como trinitrofenol, sólido de cor amarela, altamente tóxico e de forte acidez, é sensível ao choque, explode a 300oC. Usos: na medicina; na indústria para tingimentos, baterias elétricas, ataque químico a amostras de metais para análise metalográfica. Irritante para a pele, olhos e trato respiratório. A inalação pode causar danos aos pulmões. A exposição crônica pode causar danos hepáticos ou renais. Procedimento: 1 – Pese cerca de 4 g de fenol e coloque num balão comum, seco, de 500 mL. Adicione cerca de 5 mL de ácido sulfúrico concentrado e agite a mistura antes de aquece-la. Aqueça o frasco sobre o banho de água em ebulição por 30 minutos para completar a sulfonação; resfrie o frasco num banho de água e gelo. 2 – Coloque o balão sobre um pedaço de madeira, no interior da capela e acrescente imediatamente 15 mL de ácido nítrico concentrado, agitando o balão por alguns segundos. Deixe a mistura em repouso sem agitação; normalmente após 1 minuto ocorre uma reação vigorosa e fumos vermelhos se desprendem do balão. Assim que a reação se acalmar, aqueça a mistura num banho de água em ebulição por 90 minutos, com ocasionais agitações. 3 – Durante este período, um óleo pesado que está presente no início desaparece formando uma pasta de cristais. Assim que o aquecimento se complete, adicione 5 mL de água gelada, misture bem e resfrie o balão em banho de água e gelo. 4 – Filtre os cristais amarelos por sucção em funil de Gooch e lave-os com água para eliminar todo o ácido inorgânico. Recristalize o ácido pícrico em um amistura de água-álcool (1:2); cerca de 4,5 mL de mistura são suficientes. O ácido pícrico é obtido sob forma de escamas amarelas. Seque-os por compressão entre folhas de papel de filtro, ou no dissecador. Pese-os e determine o rendimento. OBSERVAÇÕES: 1 – Não deixe o ácido fenolsulfônico tornar-se muito viscoso. 2 – para guardar o ácido pícrico, por precaução, umedeça-o. Pequenas quantidades podem ser guardadas sem perigo ainda secas porém o frasco deve ser fechado com rolha de cortiça ou borracha; o atrito entre o frasco e rolhas de vidro esmerilhadas podem provocar a explosão do mesmo. QUESTÕES: 1) Explique por que o trinitrofenol é explosivo.

43

CETÉS – Análise Química C 2) O que é T.N.T. ? 3) Que são picratos de bases inorgânicas? 4) Quais as reações químicas envolvidas? 5) Calcule a massa teórica obtida de ácido pícrico. 6) Calcule o rendimento do ácido pícrico obtido. 7) Pesquise pelo menos 1 aplicação do ácido pícrico. 8) Qual a função do ácido sulfúrico? Como se chama a reação de substâncias orgânicas com ácido nítrico? 9) O que são radicais orto-para dirigentes? E orto-meta dirigentes? 10) O que são reações de eliminação? E reações de substituição?

EXPERIMENTO 10

PREPARAÇÃO E PROPRIEDADES DO ÁCIDO CLORÍDRICO
O cloreto de hidrogênio, ou gás clorídrico, cuja solução aquosa é o ácido clorídrico, é um gás incolor de odor forte e irritante, de sabor azedo, que fumega ao ar úmido para formar uma névoa de ácido; ele forma uma mistura azeotrópica com a água de composição 20,2% em massa de HCl e ferve a 108,6°C na pressão de 1 atm. O gás clorídrico é

44

CETÉS – Análise Química C muito solúvel em água, sendo sua solubilidade nas condições normais de pressão e temperatura de 506 litros de cloreto de hidrogênio por litro de água. O gás clorídrico é obtido em pequena escala pelo método de deslocamento, fazendo-se agir um ácido fixo como o sulfúrico sobre um cloreto, como o cloreto de sódio, por exemplo; utilizando o ácido sulfúrico concentrado e o cloreto de sódio sólido, a reação ocorre em duas etapas: NaCl (s) + H2SO4 (aq)  HCl (g) + NaHSO4 (aq) Reação I NaHSO4 (l) + NaCl (s)  HCl (g) + Na2SO4 (s) Reação II A segunda etapa só ocorre em temperaturas superiores a 750°C e não é efetuada em laboratório. Preparação: Você vai obter o gás clorídrico fazendo reagir cloreto de sódio seco e ácido sulfúrico concentrado, a frio, conforme a reação I. Determinar a molaridade do ácido sulfúrico concentrado, conhecendo as informações do rótulo (densidade). Determine o volume desse ácido sulfúrico que reage com 20 gramas de cloreto de sódio seco e acrescente um excesso de 10%. O gás clorídrico formado será recebido em água destilada de modo a formar o ácido clorídrico. Calcule a quantidade de água necessária para solubilizar o HCl de modo que o ácido resultante tenha uma concentração de 22° Bé. ° Bé = 145 . [(d – 1)/d] Onde d = densidade. Ponha a água num erlenmeyer de 125 mL e pese o conjunto na balança analítica; a seguir, coloque o cloreto de sódio num balão de fundo chato ou kitassato de 500 mL e o ácido sulfúrico num funil de separação de 250 mL. Monte o aparelho esquematizado na figura abaixo:

45

CETÉS – Análise Química C

Deixe o ácido sulfúrico gotejar lentamente de modo a evitar a formação de espuma e permitir que o gás clorídrico seja totalmente absorvido pela água sem perdas.. Observe a variação de temperatura que o conteúdo do erlenmeyer sofre. Terminada a adição de ácido sulfúrico, feche o registro do funil de separação e aqueça o fundo do balão com chama pequena para expulsar o residual de gás clorídrico formado. Se usar o kitassato não efetuar o aquecimento. Deixe esfriar, desmonte o sistema, dissolva o resíduo em água e lance a solução na pia, com bastante água corrente. Pese o erlenmeyer com o seu conteúdo na balança analítica. Titulação do ácido clorídrico: Homogeneíze seu ácido clorídrico por agitação: pipete 5 mL (pipeta volumétrica), transfira para um balão aferido de 250 mL e complete o volume com água destilada. Homogeneize a solução. Titule o ácido clorídrico diluído com solução de NaOH 0,1N fatorada. Calcule a normalidade do ácido produzido e sua concentração em g/L e a sua porcentagem (teor). Compare o valor obtido com aquele calculado a partir das massas do gás clorídrico e da solução. Propriedades: 1 – COM METAIS: Coloque cerca de 2 mL de ácido clorídrico que você preparou em um tubo de ensaio e acrescente um pequeno pedaço de fio de magnésio. Observe. Repita o procedimento usando zinco granulado e cobre; nesse caso, aqueça suavemente o tubo. 2 – COM DIÓXIDO DE MANGANÊS: Coloque uma pequena quantidade de MnO2 num tubo de ensaio e acrescente cerca de 2 ml de

46

CETÉS – Análise Química C ácido clorídrico produzido; aqueça brandamente e observe o comportamento do sistema. Identifique o gás que se forma na reação. 3 – COM CARBONATO E TIOSSULFATO: Coloque um pequeno pedaço de mármore num tubo de ensaio e acrescente cerca de 2 mL do seu ácido clorídrico; observe o comportamento do sistema e identifique o gás que se desprende. Repita, substituindo o mármore por 3 mL de solução aquosa de tiossulfato de sódio a 5%. 4 – COM OS SAIS SOLÚVEIS DOS CÁTIONS PRATA, CHUMBO E MERCÚRIO I: Verifique o comportamento do íon cloreto: use alguns poucos mL do seu ácido clorídrico diluído, em relação aos que contenham os íons prata, chumbo e mercúrio I. Observe como os precipitados se comportam na presença de amoníaco concentrado. Importante: Escreva as equações químicas de todas as reações que você realizou no experimento, sempre balanceando-as. Questões: 1) Como você poderia obter o ácido clorídrico a partir de cloreto de sódio, água e energia elétrica? Escreva as equações das reações. 2) Suponha que, por distração, você dissolva o NaCl em água antes de colocá-lo no balão de fundo chato. Explique como sua distração afetaria o resultado do experimento. 3) O que é ácido muriático? Como se poderia obter o ácido clorídrico partindo dele? 4) O fato da solução aquosa de HCl ser uma mistura azeotrópica interfere no processo de destilação? Explique. 5) Justifique a diferença de comportamento do ácido clorídrico em relação ao zinco e ao cobre. Como ele se comportaria frente ao níquel e á prata? 6) Calcule o rendimento da reação.

ANÁLISE DO ÁCIDO CLORÍDRICO IMPURO
1) Determinação de ácido sulfúrico

Pipete 50 mL da amostra, transfira para uma cápsula de porcelana e evapore-os em banho de vapor, até que todo HCl seja expelido (ou até secagem). Após frio, adicione algumas gotas de água destilada e torne a evaporar em banho de vapor, até secagem da amostra.

47

CETÉS – Análise Química C Retome o resíduo com água destilada, junte 3 gotas de metilorange e titule com NaOH 0,1N fatorado. Calcule o teor de ácido sulfúrico livre, na amostra. 2) Dosagem de sulfatos totais Pipete 50 mL de amostra, transfira-os para um béquer de 400 mL, e evapore até 5 ou 10 mL. Dilua até 200 mL, ferva a solução e adicione 10 mL de solução fervente de cloreto de bário a 10%. Ferva, por mais alguns minutos, deixe em digestão em banhomaria, por 1 hora e filtre em papel lento. Lave com água quente até eliminação de cloretos (20 gotas do filtrado não devem turvar com adição de solução de nitrato de prata 0,1N). Transfira o papel de filtro com o precipitado para um cadinho previamente seco e tarado e calcine o conjunto. Esfrie em dessecador, pese e calcule o teor de sulfatos totais, expressos como ácido sulfúrico, em peso por volume, pela expressão:

% H2SO4 = (A – B) . 0,4202 . 2
Onde: A = massa do papel de filtro com precipitado B = massa do precipitado calcinado 3) Determinação de ácido nítrico e nitratos Coloque 75 mL de ácido sulfúrico a 95% em um erlenmeyer de 250 mL. Pipete 5 mL da amostra e introduza lentamente sobre a superfície do ácido sulfúrico contido no erlenmeyer. Deixe escorrer o conteúdo da pipeta, lenta e cuidadosamente, deslocando-a em movimento circular, a fim de evitar aquecimento localizado muito intenso (resfrie externamente o erlenmeyer, com água corrente). Adicione, de uma bureta, como fino jato, a solução padrão de sulfato ferroso, até que a cor amarela que se forma inicialmente se torne amarelo sujo (ou marrom pálido). Introduza novamente a pipeta no erlenmeyer, aspire um pouco de solução, agite-a para lavagem da pipeta e retorne o líquido para dentro do mesmo. Complete agora a titulação adicionando cuidadosamente, gota a gota, a solução de sulfato ferroso até que a cor marrom avermelhada volte a desaparecer. Observe que:

48

CETÉS – Análise Química C Uma gota de excesso de FeSO4 produz apreciável escurecimento da solução. • Um grande excesso de FeSO4 produz uma cor marrom avermelhada. • Com pequenas quantidades de ácido nítrico uma cor rósea será obtida em substituição à cor marrom avermelhada. Para melhor exatidão da análise (acerto final da titulação), faça a titulação em duplicata. Calcule o teor de nitratos totais, expressos como HNO3, em peso por volume, pela expressão:

% HNO3 = (Volume FeSO4 – 0,2) . 0,02 . 20
Onde: 0,2 = volume de FeSO4 gasto devido ao ácido sulfúrico nas condições de análise. 0,02 = Equivalente de FeSO4 em HNO3 20 = fator de aferição para 100 mL de amostra.

49

CETÉS – Análise Química C

EXPERIMENTO 11

BROMATOLOGIA
INTRODUÇÃO TEÓRICA
A Bromatologia é a disciplina científica que estuda integralmente os alimentos. Permite conhecer a sua composição qualitativa e quantitativa; o significado higiênico e toxicológico das alterações e contaminações, como e porque ocorrem e como evitá-las; qual é a tecnologia mais apropriada para tratá-los e como aplicá-la; como utilizar a legislação; segurança alimentar; proteção dos alimentos e do consumidor; quais os métodos analíticos a aplicar para determinar a sua composição e para determinar a sua qualidade.

CARBOIDRATOS Objetivo Identificar e diferenciar a glicose de sacarose em alimentos. Procedimento 1 – Identificação da glicose Colocar em um tubo de ensaio uma ponta de espátula de glicose e acrescentar 1 mL de água. Agitar e observar a cor da solução. Acrescentar 1 mL de reagente de Benedict. Observar a cor da solução. Em outro tubo de ensaio, colocar 1 mL de água e 1 mL de reagente de Benedict. Preparar o banho-maria colocando água no béquer até ¾ do seu volume e aquecer até a ebulição. Mergulhar os dois tubos de ensaio preparados na água quente por 2 a 3 minutos. Guardar os tubos na estante para tubos de ensaio. Observar as cores das soluções. 2 – Identificação da sacarose Colocar em um tubo de ensaio uma ponta de espátula de sacarose, 1 mL de água e 1 mL de reagente de Benedict. Agitar e observar. Introduzir o tubo de ensaio no banho-maria por 2 a 3 minutos. Observar. Guardar o tubo na estante.

50

CETÉS – Análise Química C Em outro tubo de ensaio, colocar uma ponta de espátula de sacarose, 1 mL de água e três gotas de HCl. Aquecer durante 3 minutos, em banho-maria. Retirar o tubo do banho-maria e resfriar em água corrente. Acrescentar, aos poucos, bicarbonato de sódio até cessar a efervescência. Adicionar 1 mL de reagente de Benedict. Observar comparando com os tubos anteriores. 3 – Identificação de glicose e sacarose em alimentos Triturar um pequeno pedaço de fruta, ou outro alimento, em um almofariz. Transferir duas pontas de espátula do alimento triturado para um tubo de ensaio e acrescentar 1 mL de água. Agitar. Adicionar 3 mL de reagente de Benedict, agitar e aquecer em banho-maria, durante 2 minutos. Observar. DISCUSSÃO O reagente de Benedict é uma solução constituída por Cu(OH)2 em equilíbrio com um sal complexo que, sob a ação de calor e presença de um redutor, sofre reação de redução. A glicose, apresenta as funções aldeído e álcool, que sofrem reações de oxidação em presença de um oxidante. 1) Escreva as equações químicas que representam as diversas reações observadas com o reagente de Benedict: a) Redução de hidróxido de cobre II (azul) a hidróxido de cobre I (amarelo). Os outros produtos são água e oxigênio. b) Transformação de hidróxido de cobre I a óxido de cobre I (vermelho). Há formação de água também. 2) O reagente de Benedict é capaz de detectar monossacarídeos ou dissacarídeos? 3) Interprete os resultados obtidos na etapa 2 do procedimento. 4) Qual a função do bicarbonato de sódio na etapa 2 do experimento? Observação: Reagente de Benedict: dissolver 173 g de citrato de sódio e 100 g de carbonato de sódio anidro em 800 mL de água quente, e diluir a 850 mL de volume total. Acrescentar a solução de sulfato de cobre (17 g dissolvidos em 100 mL de água) agitando continuamente. Completar o volume com água destilada até 1 litro. Substituto para o reagente de Benedict: dissolver 1 comprimido de Sonrisal em 10 mL de água, acrescentar cinco gotas de hidróxido de

51

CETÉS – Análise Química C sódio a 25% (25g de NaOH e água, até 100 mL) e alguns cristais de sulfato de cobre. Determinação do amido Pesar 5 g da amostra e transferir para um erlenmeyer de 500 mL com auxílio de 150 mL de água. Agitar por 15 min. Filtrar, lavando com aproximadamente 500 ml de água destilada e dispensar o filtrado. Furar o papel de filtro com o bastão de vidro e recolher a amostra em um erlenmeyer de 500 mL com aproximadamente 150 mL de água. Adicionar 10 mL de HCl concentrado à amostra. Tampar com condensador de refluxo e levar ao banho-maria fervente por 50 min. Esfriar e neutralizar com NaOH concentrado (aproximadamente 10 mL), completar o volume para 500 mL e filtrar. Prosseguir como na determinação de açúcares redutores totais.

% amido = [(1000 . T) / tomada de ensaio)] . 0,9
VITAMINAS Determinação da vitamina C (ácido ascórbico) A vitamina C ou ácido L-ascórbico é encontrada principalmente nas frutas cítricas. Tomate, batata e em várias outras frutas e verduras. Pode ser adicionado a alimentos ou medicamentos, como aditivo ou como nutriente. Pesar em um béquer de 250 mL uma quantidade de amostra, de tal forma que contenha ao redor de 5 mg de vitamina C. Filtrar a amostra e receba o filtrado em um erlenmeyer de 250 mL. Pipete 10 mL do filtrado. Adicionar 10 mL de solução de ácido sulfúrico a 20%. Adicionar 1 mL de solução de KI a 10%. Adicionar 1 mL de solução de amido a 1%. Titular com solução de iodato de potássio até coloração azul.

Massa de vit. C em mg (%) = (100.V.F) / P
Onde: V = volume de KIO3 gasto na titulação F = 8,806 se for a 0,1N e 0,8806 se for 0,01N. P = número de amostras.

52

CETÉS – Análise Química C OBS: dependendo da quantidade de vitamina C contida na amostra, utiliza-se a solução de iodato de potássio a 0,1N ou 0,01N. PROTEÍNAS Objetivo Reconhecer proteínas utilizando reações de caracterização. Princípio: Reação de Heller ou Xantoprotéica: Caracteriza aminoácidos com Grupo R aromático. O ácido nítrico ( HNO3 ) reage com os aminoácidos fenilalalina, triptofano ou tirosina, formando compostos nitro ou nitrosos de cor amarela.

O benzeno reage lentamente com o ácido nítrico (HNO3) concentrado para dar o nitrobenzeno. Essa reação pode ser acelerada mediante aquecimento. Assim, aminoácidos que apresentem anel benzênico em sua cadeia lateral (assim como proteínas ou peptídeos que possuam esses aminoácidos em sua constituição) podem reagir com o ácido nítrico originando um composto amarelo. Observação: a coloração amarela existe em meio ácido. Se deixarmos o meio mais alcalino, será observada uma coloração vermelho-alaranjada.

53

CETÉS – Análise Química C Reação de Biureto: Caracteriza cadeias polipeptídicas. O Reativo de Biureto contém Cu2+ que se liga com os grupos amina das cadeias peptídicas.

Procedimento 1 – Preparação da solução de albumina Colocar uma clara de ovo no béquer e bater com o bastão de vidro até formar uma espuma. Adicionar água até 50 mL. Filtrar a mistura usando um pedaço de gaze. O filtrado obtido será usado nos testes. 2 – Reação xantoprotéica Colocar 2 mL da solução de albumina em um tubo de ensaio. Adicionar 1 mL de ácido nítrico concentrado. Aquecer com cuidado durante 1 minuto, segurando o tubo com a pinça de madeira. Observar. Deixar esfriar e adicionar lentamente 1 a 2 mL de solução de NaOH. Observar. 3 – Reação de biureto Colocar 3 mL da solução de albumina em um tubo de ensaio. Adicionar 0,5 mL de solução de NaOH e agitar suavemente. Agregar 4 gotas de solução de sulfato de cobre. Agitar e observar.

4 – Reconhecimento de proteínas em alguns alimentos

54

CETÉS – Análise Química C Colocar 5 mL de água em seis tubos de ensaio. Acrescentar uma ponta de espátula de carne moída a dois tubos de ensaio. Agitar vigorosamente. Em dois outros tubos de ensaio acrescentar vários grãos de arroz e agitar vigorosamente. Nos tubos restantes, adicionar cubinhos de batata e agitar vigorosamente. Determinar a presença de proteínas nos tubos de ensaio, fazendo o teste da reação xantoprotéica e da reação de biureto. Anotar seus resultados. QUESTÕES 1) No esquema seguinte mostra-se um diagrama de testes químicos que permitem classificar e identificar açúcares:

a) Pretende-se rotular 3 frascos, A, B e C contendo os açúcares sacarose, glicose e lactose. Para isso fizeram os seguintes testes:

Teste Teste de Benedict Teste de Fehling

Teste de Barfoed

55

CETÉS – Análise Química C Frasco A B C + + + + +

Com base nos resultados obtidos, como você rotularia os 3 frascos? 2) Como são obtidos os carboidratos? Qual sua importância para os seres vivos? 3) Qual a origem da palavra vitamina, do ponto de vista da química? 4) Explique como são obtidas as proteínas e qual a sua importância para os seres vivos. 5) Diferencie ligações glicosídicas de ligações peptídicas. 6) O que ocorre durante a hidrólise do amido? 7) Diferencie amido de glicogênio. 8) Explique como ocorre a reação xantoprotéica na identificação das proteínas. 9) O que é Bromatologia? 10) Qual a composição básica dos alimentos? 11) Como se pode identificar a presença de proteínas, usando a reação xantoprotéica? 12) Como se pode identificar a presença de proteínas, usando a reação de biureto? 13) Por que a intensidade das cores obtidas varia para alimentos diferentes?

56

CETÉS – Análise Química C

EXPERIMENTO 12

ANÁLISE DO LEITE
Objetivos: - conhecer os métodos de separação dos componentes, etapa fundamental na análise de alimentos. - realizar a pesquisa de componentes bioquímicos de alimentos de consumo comum através das técnicas estudadas durante o curso prático de bioquímica. Introdução Teórica: O leite apresenta-se praticamente indissociável da alimentação humana desde o nascimento. Por esse motivo, o estudo da química do leite assumiu grande importância para a garantia de qualidade desse produto e contribui decisivamente no desenvolvimento de novos produtos em laticínios. O leite bovino é um fluido complexo que contém água, lipídeos, proteínas, carboidratos e sais minerais. O conhecimento dessa composição química é determinante na definição da qualidade nutricional e adequação para processamento e consumo humano. Observe abaixo o esquema que representa a distribuição dos nutrientes no leite:

57

CETÉS – Análise Química C

* OBS: essa composição pode variar em função da raça, alimentação e outros fatores. Água É o constituinte quantitativamente mais importante. Isso faz com que o leite apresente propriedades físicas semelhantes às da água, sendo que essas são modificadas pela concentração de solutos e pelo estado de dispersão dos outros componentes. A água pode ser encontrada livre ou ligada quimicamente a outros componentes como proteínas, lactose e substâncias minerais.

Gordura (matéria graxa) O leite é um dispersão natural de gordura em uma fase aquosa. A gordura está presente no leite na forma de gotículas ou glóbulos contendo, principalmente, triglicerídeos (existem cerca de 440 ésteres de ácidos graxos, com destaque para o ácido palmítico e oléico). Esses glóbulos encontram-se revestidos por uma película, cuja composição ainda não está muito bem definida, mas que contém fosfolipídios (principalmente lecitina e cefalina), proteínas e vitamina A.

Observando a estrutura dos fosfolípides e baseando-se nos seus conhecimentos sobre proprie moléculas anfipáticas, você poderia explicar o papel da lecitina e da cefalina no leite?

A gordura do leite rica em ácidos graxos insaturados (AGI). Que considerações você pode faze índice de iodo dessa gordura?

Proteínas O leite bovino contém vários compostos que possuem nitrogênio em sua composição, dos quais 95% ocorrem como proteínas. As proteínas quantitativamente principais estão agrupadas em duas grandes classes: caseínas (80%) e proteínas do soro (albuminas - 16% e globulinas - 4%). O que difere essas duas classes é, principalmente, a

58

CETÉS – Análise Química C solubilidade em água. Enquanto as albuminas e globulinas são solúveis em água (e por isso são denominadas proteínas do soro), as caseínas são insolúveis e apresentam-se em suspensão, formando uma fase coloidal. As enzimas também são importantes enquanto constituintes do leite. Estão presentes lipases, proteinases, óxido-redutases, fosfatase, catalase e peroxidase. Carboidratos O carboidrato característico do leite é a lactose. Além dela, existem alguns oligossacarídeos, mas que não são quantitativamente representativos. A lactose (C6H22O11) é um dissacarídeo constituído por galactose +glicose :

Como podemos observar, existem a hidroxila (-OH) livre na posição 1 da glicose não é alterada durante a formação da lactose. Isso faz com que a lactose, assim com a glicose, também, seja uma açúcar redutor. Sais Minerais O leite contém quantidades significativas de cloro, fósforo, potássio, sódio, cálcio e magnésio. Além disso, possui pequenas quantidades de ferro, alumínio, bromo, zinco e manganês. Esses elementos encontram-se na forma de sais orgânicos e inorgânicos, podendo estar totalmente solúveis ou formando uma suspensão coloidal. Os minerais também podem ser encontrados em associação com proteínas, fator que contribui para a manutenção da estabilidade de algumas proteínas, como a caseína. Além desses componentes, quantitativamente mais relevantes, podemos encontrar, ainda: Vitaminas O leite bovino contém praticamente todas as vitaminas conhecidas, mas em quantidades extremamente reduzidas. Disso podemos concluir que o leite não pode ser considerado fonte de vitaminas. Essa situação

59

CETÉS – Análise Química C é agravada pelo tratamento térmico ao qual o leite é submetido, que interfere, principalmente, nas quantidades de vitamina B1, B12 e C. Pigmentos O principal pigmento presente no leite é o caroteno, que pode chegar a conferir coloração amarelada ao leite. A figura abaixo representa o beta-caroteno.

1 – Acidez em graus DORNIC A determinação da acidez do leite permite avaliar o estado de conservação do produto. Se o leite não for estocado adequadamente após a ordenha, o número de microrganismos presentes será bastante elevado. Como resultado do metabolismo dos microrganismos, teremos um aumento da acidez do produto. A acidez do leite pode ser expressa de diferentes maneiras: em solução normal, em porcentagem de ácido lático, em graus Dornic. Nessa atividade, daremos ênfase à acidez em solução normal. Transferir com uma pipeta volumétrica, 10 mL da amostra homogeneizada para um erlenmeyer ou béquer. Adicionar 3 gotas de fenolftaleína. Titular com solução de NaOH 0,111N fatorada (solução DORNIC) até o aparecimento de coloração levemente rósea persistente. Fazer a leitura direta e expressar em graus DORNIC (°D). Acidez em graus DORNIC = Cada grau DORNIC é equivalente a 0,1 mL da solução de NaOH 0,111N. 2 – Densidade Transferir para uma proveta de 250 mL a amostra previamente homogeneizada, à temperatura de 15°C ou próxima dela. Introduzir lentamente o densímetro evitando mergulhá-lo além do ponto de afloramento e também que encoste nas paredes da proveta. Efetuar a leitura na altura do nível do líquido. Procurar fazer a leitura a 15°C, se não for possível, fazer a correção acrescentando 0,0002 para cada grau abaixo. Esta correção não deve ser feita em temperaturas inferior a 10°C ou superior a 20°C.

60

CETÉS – Análise Química C

3 – Separação e identificação dos componentes do leite Separação dos componentes do leite 1. Colocar, em um béquer de 250 ml, 50 ml de leite e 50 ml de água destilada; 2. aquecer até 38ºC; 3. adicionar HCl 2% gota a gota, sob agitação constante, até que seja atingida a coagulação; 4. deixar em repouso por 10 minutos; 5. filtrar, obtendo: filtrado (F1) e precipitado (P1); 6. lave duas vezes o P1 com 5 ml (por vez) de etanol absoluto (CH3CH2OH 100%); 7. colocar o P1 (lavado com álcool) em um erlenmeyer de 50 ml e adicionar 20 ml de éter; 8. agite e espere alguns minutos até decantar; 9. separe sobrenadante (F2) e precipitado (P2). 10. Quanto ao F1, concentre esse filtrado através de fervura até que seja alcançado um volume de aproximadamente 40 ml, quando será observada a formação de precipitado (isso ocorrerá depois de 20 a 30 minutos de fervura) 11.filtre o concentrado acima e, novamente, separe: filtrado (F3) e precipitado (P3).

O esquema abaixo resume as etapas do procedimento descritas até aqui:

61

CETÉS – Análise Química C

Pesquisa da composição bioquímica do leite a) Proteínas a.1. Pesquisa de proteínas 1. Prepare cinco tubos de ensaio (numerados) de acordo com o que segue: (1) pequena porção de P2 + 1 ml de solução salina * (2) pequena porção de P3 + 1 ml de solução salina (3) 1 ml de F2 (4) 1 ml de F3 (5) 1 ml de água destilada * A salina corresponde a uma solução de NaCl 0,9% em água. É conhecida comercialmente como soro fisiológico. 2. Submeter todos os tubos ao teste do biureto. b) Carboidratos b.1. Caracterização de carboidratos 1. Numerar três tubos de ensaio e adicionar:

62

CETÉS – Análise Química C (1) 1 ml do F2 (2) 1 ml de F3 (3) 1 ml de água destilada 2. submeta os tubos à reação de Molisch. b.2. Pesquisa de açúcares redutores 1. Numerar três tubos de ensaio e adicionar: (1) 1 ml do F2; (2) 1 ml de F3; (3) 1 ml de água destilada 2. submeta os tubos à prova de Benedict. c) Lipídios c.1. Verificação da presença de lipídios no leite 1. Colocar, aproximadamente, 5 mL do F2 em um vidro de relógio e esperar a evaporação do éter (esse processo pode ser acelerado pelo uso de uma chapa quente); 2. observe a separação do material gorduroso, semelhante a um precipitado. A foto abaixo demonstra um resultado positivo para a presença de lipídios na amostra:

d) Enzimas

63

CETÉS – Análise Química C Algumas enzimas estão presentes naturalmente no leite. Outras, decorrem unicamente da presença de microrganismos, o que faz com que essas macromoléculas assumam papel relevante no controle de qualidade do leite. A pesquisa de fosfatase e peroxidase é útil porque fornece informações a respeito da pasteurização, indicando se o processo foi realizado de maneira satisfatória. Vejamos como: - a peroxidase é destruída a temperaturas de 70 a 80oC. Se a temperatura da pasteurização for ultrapassada, então, não encontraremos tal enzima no leite. O uso de temperaturas excessivamente altas torna o leite impróprio para o consumo. - a fosfatase é inativada na temperatura de pasteurização e não deve ser encontrada no leite devidamente pasteurizado. Caso essa enzima seja encontrada no leite comercializado, deve-se suspeitar que a pasteurização não foi adequada ou, ainda, que o leite pasteurizado foi misturado com leite cru. Existe, ainda, mais uma enzima importante na determinação da qualidade higiênico-sanitária do leite. A pesquisa da redutase é utilizada para classificar o leite em tipo A, B ou C. Essa classificação baseia-se no grau de contaminação microbiana do produto. d.1. Prova da Peroxidase 1. transfira 10 mL de leite para um tubo de ensaio; 2. adicione 2 mL de uma solução de gauaiacol 1% (ver prática Caracterização de enzimas); 3. goteje água oxigenada (H2O2) 10 volumes* ; 4. aguarde alguns minutos e observe os resultados.

O desenvolvimento de coloração salmão indica corresponde a prova positiva peroxidase, indicando que o leite não foi submetido a temperaturas excessivam elevadas. d.2. Prova da Redutase 1. Em um tubo de ensaio, coloque 20 mL de leite; 2. adicione 0,5 mL de uma solução aquosa de azul de metilieno 2,5%; 3. feche o tubo e misture; 4. deixe em banho-maria a 37°C e observe o tempo decorrido desde a mistura do leite com o corante até o descoramento completo; 5. qualificar o leite de acordo com a tabela: Excelente Bom Aceitável conserva a cor por mais de 7 horas conserva a cor por mais de 5 horas conserva a cor por mais de 4 horas

64

CETÉS – Análise Química C Médio Mau Péssimo conserva a cor por mais de 2 horas conserva a cor por menos de 2 horas perde a cor em, aproximadamente, 30 minutos

Com base no resultado, o leite pode ser classificado em A, B ou C: Leite tipo A: coloração se mantém por um mínimo de 5 horas Leite tipo B: coloração se mantém por um mínimo de 3,5 horas Leite tipo C: coloração se mantém por um mínimo de 90 minutos 4 – Determinação da gordura Preparar o ácido sulfúrico com densidade 1,820 misturando 120 mL de água com 925 mL de ácido sulfúrico a 1,840. Resfriar e conferir com o densímetro. Colocar no butirômetro 10 mL de ácido sulfúrico densidade 1,820. Adicionar 11 mL de leite, com cuidado para não misturar com o ácido, em seguida, 1 mL de álcool amílico. Enxugar com papel de filtro as bordas da boca do butirômetro e fechar com rolha apropriada. Colocar o butirômetro dentro de um protetor e agitar vigorosamente para que os 3 líquidos se misturem. Tomar cuidado, pois há violento aquecimento, logo deve-se segurá-lo com flanela. Centrifugar durante 5 min a 1000 – 1200 rpm. Efetuar a leitura e calcular a porcentagem de gordura. Se não tiver bem delineada a coluna, centrifugar novamente. 5 – Determinação de amônia (urina) Em 10 mL de leite, acrescente 5 mL de álcool a 90º, 10 mL de HCl e 20 gotas de ácido sulfúrico. Aquecer. Resultado: Positivo: cor rósea. Negativo: cor amarela. 6 – Determinação de formol Em 5 mL de leite, acrescente 2 mL de ácido sulfúrico a 50%, 0,5 mL de FeCl3 a 2%. Aqueça até ebulição. Resultado: Positivo: coloração violácea. Negativo: coloração amarela. 7 – Determinação de água oxigenada Em 5 mL de leite, acrescente 2 mL de HCl. Homogeneizar. Junte 1 gota de formol 30%. Aquecer e agitar. Resultado positivo: coloração violácea.

65

CETÉS – Análise Química C

QUESTÕES 1) Pesquise sobre a composição básica do leite. 2) O que é colostro? 3) A composição básica do leite de todas as fêmeas é igual? Dê 3 exemplos que justifiquem a sua resposta. 4) O que é um leite pasteurizado? Quem inventou tal método? 5) Pesquise sobre o processo de pasteurização do leite.

66

CETÉS – Análise Química C

ANÁLISE INSTRUMENTAL
ESPECTROFOMETRIA
É o método usado para análise de tabela periódica dos elementos químicos, elementos simples, da estrutura da Química Inorgânica, compostos inorgânicos ou grupos funcionais de Química Orgânica utilizando radiação eletromagnética. O exame pode ser destrutivo ou não destrutivo, sendo os destrutivos os mais interessantes e mais precisos. Quando se excita uma substância com uma fonte de energia, essa pode emitir ou absorver radiação em determinado comprimento de onda, permitindo observar o comportamento do material em estudo. Os resultados da análise espectroscópica de uma amostra providenciam dados sobre a estrutura do analito, tais como a geometria de ligação, natureza química das ligações, comprimento das ligações, etc. Os tipos de espectroscopia são: • Espectroscopia de Absorção: Correlaciona a quantidade de energia absorvida também em função do comprimento de onda da radiação incidente. • Espectroscopia de emissão: Analisa a quantidade de energia emitida por uma amostra contra o comprimento de onda da radiação absorvida. Consiste basicamente na reemissão de energia previamente absorvida pela amostra. • Espectroscopia de espalhamento: Determina a quantidade da energia espalhada (dispersa) também em função dos parâmetros como comprimento de onda, ângulo de incidência, ângulo de polarização da radiação incidente. A espectroscopia no ultravioleta visível envolve a espectroscopia de fótons (espectrofotometria). Ela utiliza luz na faixa do visível, do ultravioleta próximo e do ultravioleta próximo. Nessas faixas de energia as moléculas sofrem transições eletrônicas moleculares. COMO E PARA QUE MEDIR A ABSORÇÃO DE LUZ Cada faixa de comprimento de onda origina um tipo de informação diferente. A intensidade de absorção nos diferentes comprimentos de onda na faixa do microonda e no infravermelho dá informações sobre a estrutura molecular (quem está ligado com quem e com que tipo de ligação química). O visível não é tão rico de informações estruturais, mas pode dar valiosas informações quantitativas. Do ultravioleta em diante, podemos obter informações

67

CETÉS – Análise Química C sobre a composição elementar (pois são as camadas internas do átomo, não-ligadas, que absorvem). Vamos nos deter sobre a análise da absorção no visível. Num raciocínio intuitivo, a concentração de uma substância colorida, dissolvida num solvente incolor como a água, é proporcional á intensidade de cor da solução. Desse modo, a intensidade de cor é uma medida da concentração da solução. Como medir quantitativamente a intensidade de cor de uma solução? Como é a relação exata disso com a concentração? Analisemos por que certas substâncias são coloridas e também por que as substâncias podem ter cor diferentes: As substâncias são coloridas porque absorvem luz visível. Desse modo, a luz que emerge de uma substância só vai ter comprimentos de onda que ela não absorveu. A retina verá, então, mais fortemente as cores que deixaram de ser absorvidas. O preto existirá quando a substância absorve todas as cores do visível.

Cada substância, pela sua estrutura molecular, absorve um padrão de cores específico. Desse modo, o padrão de cores refletido e absorvido determinará a cor final da substância. Pode-se concluir que a cor da substância é a luz que ela não absorveu. A luz que interage e tem relação com a estrutura eletrônica é a cor que não se vê. Por exemplo, uma substância que é amarela aos olhos humanos tem como cor mais fortemente absorvida o azul. Uma substância azul tem como cor complementar o amarelo, que é a cor mais fortemente absorvida.

RELAÇÃO APROXIMADA ENTRE ABSORÇÃO DE LUZ E COR λ (nm) Cor visível Cor da radiação absorvida < 400 Ultra-violeta 400 – 435 Verde, verde-amarelado Violeta 435 – 480 Amarelo Azul 480 – 490 Laranja Azul esverdeado 490 – 500 Vermelho Verde azulado 500 – 560 Púrpura Verde 560 – 580 Violeta Amarelo esverdeado 580 – 595 Azul Amarelo 595 – 650 Azul esverdeado Laranja

68

CETÉS – Análise Química C
650 – 750 > 750 Verde azulado Vermelho Infravermelho

Para medir a concentração mede-se a luz absorvida e não refletida. Melhor ainda, incide-se sobre a amostra apenas a luz que interessa (absorvida) e exclui-se os outros comprimentos de onda. O que se mede diretamente não é a quantidade de luz absorvida. Só se poderia fazer isso se houvesse um detector junto a cada molécula, para ver se ela absorveu ou não o fóton. O que se faz normalmente é medir a luz que consegue passar, e não a luz que é absorvida. Se incide-se um feixe de luz com intensidade Po, após passar pela amostra ele terá uma nova intensidade P, menor que Po, pois uma parte da luz foi absorvida. A nova intensidade detectada.

A intensidade de P depende da intensidade de Po, da concentração do analito (C), do diâmetro do tubo, do λ que incide e, é claro, de que espécie é a amostra.

Para medir concentração, os outros fatores não podem variar e deve-se manter. • O mesmo comprimento de onda para o mesmo tipo de amostra. • A mesma espessura de cubeta. • A mesma intensidade de Po. Como P depende de Po, há de se garantir que Po é sempre igual nas diferentes medições. Para escapar desse problema, mede-se a razão P/Po, e não P sozinho. Essa razão é chamada de Transmitância (T), definida como:

T = P/Po
Essa razão independe da intensidade isolada de P ou de Po. Utiliza-se a porcentagem de transmitância (%T), onde %T = 100.T. Os valores de T vão de 0 a 1, e a porcentagem de T de 0 a 100. A medida

69

CETÉS – Análise Química C de Po é medida com a cubeta contendo só solvente, por exemplo. Dessa forma, o decréscimo de transmitância será devido única e exclusivamente à ação da substância absorvente. Pode-se tentar imaginar um aparelho que fosse concebido para medir a transmitância. Haveria uma fonte de luz. Após essa fonte de luz, haveria um monocromador, um dispositivo que selecionasse o comprimento de onda que incide sobre a amostra. Depois do monocromador, existiria a amostra propriamente dita. Após a cubeta com a amostra, existiria um detector que gerasse um sinal elétrico proporcional à intensidade de luz percebida. Esse sinal elétrico seria repassado a um registrador qualquer (voltímetro, amperímetro, etc.), dependendo do tipo de sinal elétrico gerado.

Os aparelhos mais simples que medem a transmitância, utilizam como fonte de luz uma lâmpada de tungstênio similar àquela utilizada na iluminação residencial. O monocromador mais simples é o filtro, isto é, uma película que só deixa passar uma certa faixa de comprimento de onda e aparelhos com essa construção são chamados de fotocolorímetros. Os monocromadores mais sofisticados são aqueles que contém prisma ou rede de difração como elementos de dispersão. Um monocromador com prisma teria o seguinte esquema:

Para intensificar e obter um feixe de luz branca, pode-se utilizar um conjunto de fendas e lentes entre lâmpadas e o prisma. Desse modo pode-se separar uma faixa de comprimento de onda com maior seletividade que usando um filtro. Para selecionar uma outra faixa de comprimento de onda, basta que o prisma esteja montado em uma base giratória. Ao girar o prisma, a fenda ou mudar-se o ângulo de incidência do feixe de luz branca. Todo o conjunto fonte/monocromador/amostra tem que estar fechado para evitar a interferência da luz ambiente.

LEI DE LAMBERT-BEER

70

CETÉS – Análise Química C A absorbância depende da concentração e do caminho óptico percorrido na cubeta. Pode-se definir uma equação para a absorbância levando em conta essa dependência e o fato de que, quando o caminho óptico é zero (ou a concentração é zero), a absorbância também é zero. Essa equação tem a forma:

A = ε.b.C
Essa é a Lei de Lambert-Beer, onde ε (épsilon) é a constante de proporcionalidade. Para saber o significado dessa constante, constróise o gráfico A x λ (comprimento de onda), mantendo todas as outras variáveis (b, C, tipo de amostra) constantes. Tomando uma substância púrpura, como o permanganato de potássio, sua intensidade máxima de absorção é no verde. O gráfico é da forma:

Esse é o gráfico de varredura da amostra (pois varre-se todos os λ). Repetindo o gráfico A x C para os comprimentos de onda λ1, λ2 e λ3, nas mesmas condições de análise, e colocando-se as 3 retas no mesmo par de eixos, vê-se que λ1 > λ2 > λ3. O gráfico resultante será:

71

CETÉS – Análise Química C

Qual a melhor reta para a análise quantitativa? É a que fornece melhor sensibilidade. Ou seja, é a que melhor distingue entre duas concentrações muito próximas e que dá maior sinal para amostras diluídas. Claramente vê-se que λ1 atende a esses requisitos, sendo, portanto, o comprimento de onda de absorção máxima para a substância, simbolizada como λmáx. Agora pode-se definir claramente qual o significado da constante ε. Se b e C são os mesmos para cada reta, ε tem que ser diferente, para que o valor de A se modifique. ε é uma constante que só depende da amostra, do solvente e do comprimento de onda. Não depende do caminho óptico ou da concentração, é uma propriedade daquela substância em relação ao meio em que está dissolvida e ao comprimento de onda usado. ε é chamada de absortividade molar, quando a concentração é expressa em mol/L (seria a absorbância por mol e por centímetro). A unidade de ε é L/mol.cm. Quando a concentração é expressa em g/L, o símbolo se modifica, passa a ser a, chamada absortividade específica (absorbância por grama e por centímetro). A lei de Lambert-Beer nesse caso será escrita como: A = a. b. C Onde a concentração está expressa em g/L e a unidade é L/g.cm.

CURVA DE CALIBRAÇÃO
Procedimento para calibrar aparelhos para análise em espectrofotometria: • Primeiramente ajustar o 100%T do aparelho com uma cubeta contendo o solvente utilizado. • Ajustar o 0 (zero)%T com o feixe de luz totalmente obstruído. • Fazer a varredura da solução da substância em questão. • Com o comprimento de onda escolhido, fazem-se as medidas de transmitância de uma série de padrões da substância. • Calculando as absorbâncias, constrói-se o gráfico A x C, que servirá de base para a análise da amostra desconhecida.

72

CETÉS – Análise Química C

• De posse do gráfico (ou da equação da reta calculada a partir dos pontos experimentais), pode-se fazer, por interpolação, a leitura da amostra, ou calcular pela equação. A absorbância da amostra desconhecida permitirá a obtenção da concentração desejada. • A amostra pode conter mais de um cromóforo (substância que absorve luz). • As condições de pH, agentes complexantes, solventes, etc. podem não ser reprodutíveis nos padrões, e por esses fatores podem afetar a absortividade das substâncias. • A amostra pode estar diluída demais e fora da faixa ótima de leitura. O uso de vários padrões para fazer uma curva de calibração diminui a possibilidade de erros grosseiros que poderiam acontecer com o uso de um só padrão. A curva de calibração permite também o cálculo de ε para o comprimento de onda utilizado, pois ε é o próprio coeficiente angular da reta de calibração. Para calcular ε, basta dividir o calor do coeficiente angular pelo valor de b. ESPECTROFOTÔMETRO O instrumento usado na espectroscopia é chamado de espectrofotômetro. Para se obter informação sobre a absorção de uma amostra, ela é inserida no caminho óptico do aparelho. Então, a luz UV e/ou visível de um certo comprimento de onda (ou uma faixa de comprimento de onda) é passada para a amostra. O aparelho mede o quanto de luz foi absorvida pela amostra. A intensidade da luz antes de passar pela amostra é simbolizada por Po e a intensidade de luz depois de passar pela amostra é simbolizada por P. A relação entre essas duas

73

CETÉS – Análise Química C grandezas (P/Po), a qual normalmente é expressa em porcentagem chamamos de transmitância (%T). A partir dessa informação, a absorbância da amostra é determinada para vários comprimentos de onda. Os espectrofotômetros mais sofisticados normalmente fazem isso automaticamente. Existem dois tipos de espectrofotômetros, os de feixe simples e de feixe duplo. Apesar das amostras serem sólidas (ou mesmo gasosas), as mais usuais são líquidas. Uma célula transparente, chamada de cubeta é preenchida com a amostra e colocada no espectrofotômetro. As cubetas podem ser cilíndricas ou retangulares. Para espectroscopia no visível, cubetas de vidro são usadas, porém para espectroscopia no ultravioleta requer cubetas especiais, feitas de um material que não absorva luz UV, como o quartzo. APLICAÇÕES DA ESPECTROFOTOMETRIA DE ABSORÇÃO ATÔMICA A alta potencialidade de determinação direta e indireta de metais, de certos compostos orgânicos e alguns íons é muito grande. Atualmente, qualquer metal da tabela periódica pode ser determinado por absorção atômica, com maior ou menor dificuldade. Muitas das aplicações da absorção atômica na determinação de traços de elementos em vários sistemas orgânicos, inorgânicos e biológicos foram desenvolvidos e estão sendo lentamente substituindo técnicas convencionalmente muito demoradas. Com isso, a determinação de zinco no fertilizante pode ser citada como exemplo. O método usado para aplicação de fosfatos pode influenciar a disponibilidade do zinco. Em solos de baixo teor de zinco disponível a aplicação de fertilizantes fosfatados em sulcos ou ao lado das fileiras das plantas induzem a uma deficiência de zinco, enquanto que a aplicação do fertilizante em cobertura total não afetou a disponibilidade. Exemplo de Aplicação Teórica: Determinou-se a absorbância de uma série de permanganato de potássio, em espectrofotômetro fornecendo os seguintes resultados na tabela abaixo: Concentra Absorbâ ção ncia (ppm de Mn) 1,0 0,014 2,0 0,032 5,0 0,108 10,0 0,216

padrões de a 525 nm,

74

CETÉS – Análise Química C 20,0 0,444 25,0 0,544 35,0 0,754 Uma amostra de 2,53 g de aço foi dissolvida em 20 mL de ácido nítrico 1:3, tratada com agente oxidante para que o manganês fosse a permanganato e diluída a 50 mL com água destilada. 2 mL dessa solução foram avolumados a 50 mL com água destilada. A transmitância, lida nas condições dos padrões, foi de 55,2%. Faça o gráfico da curva de calibração do manganês e determine a absortividade do permanganato e o teor de manganês no aço.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
• • • •

BACCAN, N.; Godinho, O.; Introdução à semimicroanálise qualitativa, 7ª edição, editora UNICAMP, 1997. OHWEILER, O. A., Fundamentos de Análise Instrumental, editora LTC, Rio de Janeiro, 2ª edição, 1972. VOGEL. Análise Química Quantitativa. Editora LTC, Rio de Janeiro, 5ª Edição, 1992. KOSTIUKOFF, João Alexandre. Química Orgânica Experimental. São Paulo, 1992.

75

CETÉS – Análise Química C

HARRIS. Análise Química Quantitativa. 5ª Edição, editora LTC, Rio de Janeiro, 2000.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful