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Direito Processual Penal Apontamentos

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Direito Processual Penal

2008/2009

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Capítulo I
O DIREITO PROCESSUAL PENAL ENQUANTO CIÊNCIA 1. O direito processual penal no âmbito das ciências jurídico-criminais: o problema da realização do direito através do processo penal; 2. A relação entre direito processual penal e direito processual civil; 3. O direito processual penal como direito público; 4. A conformação jurídico-constitucional do direito processual penal; 5. As finalidades do processo penal; A. O direito processual penal no âmbito das ciências jurídico-criminais Quando se fala em direito penal, normalmente, associamos ao direito penal substantivo, mas, numa acepcao mais ampla, nos estamos a incluir o direito processual penal, isto é, o direito penal é composto por direito penal substantivo e por direito penal adjectivo. Contudo, nao é muito correcto, nem muito normal, dizer direito penal adjectivo, porque há uma expressão própria para nos referirmos a este que é direito processual penal. Falamos em direito processual penal para nos referirmos ao conjunto de normas juridicas que regulam o processo através do qual se averigua quem terá cometido a infracção, que tipo de infracção e se deve ser punido ou absolvido em julgamento, com todas as garantias processuais que isso deve implicar. Não podemos nem devemos considerar o direito processual penal sem o ter enquadrado no âmbito das ciências juridico-criminais, sem estabelecer uma relação entre o direito processual penal e outras ciencias criminais, ou seja, temos de ter sempre presente a ideia da ciência conjunta do direito penal, onde englobamos, por um lado, a criminologia, por outro, a politica criminal e, finalmente, a dogmatica juridicopenal. Deste modo, quer se fale em direito penal substantivo, quer se fale em direito processual penal, adjectivo estamos a inclui-los no âmbito da ciência conjunta do direito penal. De facto, existem algumas relações entre estas ciencias, pois as soluções que estão positivadas no direito processual penal não são totalmente indiferentes aos estudos que tem sido feitos e as conclusoes que tem sido alcancadas pela criminologia, uma vez que esses estudos influenciam as soluções que vem ser consagradas no direito processual penal. O mesmo acontece com a politica criminal: quando se esta a pensar em encontrar solucoes do ponto de vista processual, temos em consideracao as orientacoes da politica criminal nestas materias. E, depois, ganha relevo a própria relação entre o direito processual penal e o direito penal: há aqui uma relação de reciproca e mutua complementaridade, ou seja, quer um quer outro se influenciam reciprocamente e se complementam mutuamente. Por exemplo, algumas solucoes que estao vertidas no Codigo Penal carecem de alguma complementaridade a nivel do processo penal, isto é, só adquirem alguma realização/concretização quando são viabilizadas através do direito processual penal. E algumas solucões do Codigo de Processo Penal tem como pressuposto aquilo que no proprio Codigo Penal esta determinado. O exemplo mais flagrante desta relacao pode ser encontrado, muito recentemente, atraves do crime de violencia domestica (antes denominado de crime de maus tratos) que se pode expor do seguinte modo: Inicialmente o crime de violencia domestica era um crime semi-publico, ou seja, as vitimas tinham de apresentar uma queixa para que pudesse haver um processo-crime contra o agressor. Isto significa que a falta de queixa fazia com que o processo nunca chegasse a existir, nao havia a possibilidade de perseguir criminalmente esse infractor. Ora, chegou-se a conclusao de que isto era propiciador da existência desta criminalidade. Os infractores viviam numa certa impunidade porque sabiam que as vitimas (muitas vezes seus conjuges) nao apresentavam queixa, uma vez que a condicao para que houvesse processo era que houvesse uma queixa. Portanto, chegou-se a conclusao, atraves dos estudos efectuados pela criminologia, que esta solucao nao era favoravel. Havia necessidade de alterar a natureza deste crime e, assim, entendeu-se que uma das formas de combater o crime (aqui ja estamos a falar numa demanda da politica criminal), era tornar o crime publico, porque assim qualquer pessoa – por exemplo, um vizinho – podia apresentar queixa e isso fazia e faz com

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que a justica o persiga criminalmente. Por tudo isto e em termos de politica criminal foi aconselhavel que o crime de violencia domestica se tornasse num crime publico. Porém, logo se verificou que, havendo processo, muitas vezes, as vitimas nao queriam que os agressores fossem punidos, nomeadamente com uma pena de prisao, por se tratar do pai dos seus filhos, do seu esposo, o unico sustento da propria casa, etc. E, portanto, os efeitos negativos que porventura pudessem decorrer de uma punicao seriam superiores aos beneficios que essa punicao podia trazer para aquela situacao. Entao houve quem constatasse (e bem!) que o facto de o crime ser publico, sem possibilidade de haver uma desistencia, talvez nao fosse uma boa solucao. Ao ser publico isso implicava que nao havia possibilidade de desistencia de queixa e que o crime podia ser perseguido independentemente de queixa. Era necessario encontrar uma solucao que não colocasse em causa os fins do direito penal substantivo e que resolvesse este impasse. A solucao encontrada do lado do direito processual penal foi permitir que se aplicasse o mecanismo da suspensão provisória do processo a pedido da vitima. Este mecanismo, que é diferente da desistência de queixa a pedido da vitima, visa permitir que seja aplicado ao arguido um conjunto de injuncoes e regras de conduta, durante um periodo que vai ate dois anos. Se o arguido respeitar essas regras de conduta e essas injuncoes, o processo pode vir a ser arquivado. Esta solucao nao choca com os fins do direito penal e contribui para a solucao do proprio Codigo Penal, complementando-o. Existem imensos exemplos mas, para perceber esta relacao, o que importa e compreender que existe uma relacao dentro da ciencia conjunta do direito penal entre a criminologia, a politica criminal e a dogmatica (aqui incluindo tanto o direito penal substantivo como o direito processual penal) e, depois, esta relacao de mutua complementaridade entre o direito penal e o direito processual penal. Pode dizer-se que, apesar de tudo, ambos tem alguma autonomia teleologica, sao independentes, mesmo o direito processual penal, apesar de se poder assestar uma certa posicao de instrumentalidade em relacao ao direito penal, pois ele é um instrumento para a aplicacao do direito penal adjectivo. Mesmo assim, ele existe autonomamente e pode dizer-se que o direito processual penal tem uma certa funcao co-criadora na resolucao de casos concretos. A.1. O problema da realização do direito (penal) através do direito processual penal O direito penal realiza-se quando se decidem casos juridicos concretos atraves de uma decisao judicativa, uma vez que, antes, temos um conjunto de normas e, tendo um conjunto de normas, nao temos necessariamente direito, porque essas normas so sao direito e so se realizam quando sao aplicadas na resolucao do caso. Esta resolucao acontece no processo penal e, assim, este contribui para a realizacao do proprio direito penal. E, neste processo de realizacao, o proprio direito processual penal contribui com solucoes autonomas, como sao exemplos o caso da suspensao provisoria do processo, o caso do processo sumarissimo, o do arquivamento com dispensa de pena, entre outros. Sao exemplos em que o processo penal oferece uma solucao para o caso sem que esta esteja prevista no tipo legal de crime do Codigo Penal. Está aqui presente a autonomia teleologica do direito processual penal e, ao mesmo tempo, a sua contribuicao para a realizacao do direito penal, porque é através do processo que nos conseguimos solucoes justas para os casos é, atraves da decisao judicativa do caso, que o direito se realiza, se transforma a partir do conjunto de normas, de uma prescrição normativa, numa concretizacao da prescrição através da resolução de concretos casos juridicos. Isto, claro, sem prejuizo para a função instrumental que normalmente o processo penal tem, através da aplicação dos tipos legais de crime, na resolução desses casos. B. O direito processual penal e o direito penal O direito penal é o conjunto das normas jurídicas que ligam a certos comportamentos humanos (os crimes) determinadas consequências privativas deste ramo de direito (as penas e as medidas de segurança). Neste sentido, o direito penal é só o direito penal substantivo. O direito penal em sentido amplo ou o “ordenamento jurídico-penal” abrange, para além do direito penal substantivo, o direito processual penal (adjectivo ou formal) e o direito de execução de penas e medidas de segurança (ou direito penal executivo). O direito penal substantivo visa a definição dos pressupostos do crime e das suas formas concretas de aparecimento, bem como a determinação das consequências ou efeitos que se ligam à verificação de tais pressupostos, isto é, das penas e das medidas de segurança.

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qual a justa punição a aplicar ao sujeito em causa. aplicar o direito penal casuisticamente. podemos afirmar uma certa subsidiariedade entre o processo civil e o penal (art. para além de ser subsidiária. No seio desta relação de instrumentalidade/autonomia está a ciência conjunta do direito penal: direito penal. concluímos que o processo penal é autónomo do processo civil. exige uma regulamentação complementar para a sua concretização. Vigora aqui um principio basilar do monopólio estadual do exercício da função jurisdicional. isto é. ou seja. Só podemos utilizar o processo civil quando existe uma lacuna no direito processual penal mas. o direito penal cumpre-se através do direito processual penal. não perdem a sua autonomia própria por prosseguirem interesses e finalidades próprias. retirando-se às partes a decisão concreta do caso em apreço.2CPP). O processo penal visa . tendo uma conformação especial com regras próprias e institutos particulares. O direito penal. só ao Estado compete a aplicação da justiça. portanto. Assim. O direito penal concretiza esta solução da política criminal. A função essencial deste cumpre-se na decisão sobre se. justificadas pela diversidade de objectos a que se dirigem.Há uma necessária intrumentalidade entre os dois mas. saber quem é o agente. Este é consequência e pressuposto (art. em caso afirmativo. mesmo assim. que crime praticou e como. é também lesada toda a sociedade. ninguém é obrigado a provar sob pena de perder o direito. Apenas quando falamos de lacunas e atendendo aos princípios da razão de ser do processo penal. na decisão sobre a consequência jurídica que dali deriva. se realizou em concreto um tipo-legal de crime e.Ao direito processual penal a regulamentação jurídica do modo de realização prática do poder punitivo estadual. através da investigação e valoração do comportamento do acusado da prática de um facto criminoso. O processo penal é autónomo relativamente ao direito substantivo. criminologia e política criminal. Direito processual penal como direito público Só o Estado tem competência para julgar os processos entre as partes – Princípio do Monopólio do Estado no exercício do poder jurisdicional. distintas pelo seu objecto e regras. nomeadamente através da investigação e da valoração judicial do comportamento do acusado do cometimento de um crime e da eventual aplicação de uma pena ou medida de segurança. a competência para a regulamentação dos conflitos. A política criminal interessa-se com os objectivos a prosseguir na perseguição do crime. O processo penal não tem um objecto de partes. podemos dizer que a relação entre o direito penal e o direito processual penal é uma relação de mútua complementariedade funcional: só através do direito processual penal logra o direito substantivo. adaptando-se ao caso concreto e concluindo pela aplicação da punição mais justa ao agente. D. ramo do direito que disciplina a investigação e esclarecimento do crime concreto e permite a aplicação da consequência jurídica àquele que realizou um tipo de crime. Esta regulamentação complementar pode definir-se como a regulamentação jurídica da realização do direito penal substantivo. o direito processual penal surge como o conjunto das noras jurídicas que orientam e disciplinam o processo penal. Apesar de haver também uma certa instrumentalidade funcional mas tal não pode pôr em causa autonomia teleológica por lhe corresponder um interesse material específico: a realização concreta da própria ordem jurídica. saber da prática ou não de determinado crime e. Não tem também o ónus da prova. em caso afirmativo. ao aplicar-se aos casos reais da vida a realização ou concretização para que tende. Formalmente considerado. Quando é lesado um bem jurídico. C.8º e 4º CPP). A lesão do bem jurídico é do 4 . para além do lesado directamente. apesar disso. na realidade. Por isso o direito processual penal é público. em sentido estrito. na sua veste de ius imperium. ou seja. Assim. Portanto. Concluímos então que o direito penal e o direito processual penal são regulamentações jurídicas autónomas. Ambos são independentes com regulamentação própria. Esta será a tarefa do direito processual penal. Direito processual penal e o direito processual civil Existe uma autonomia entre ambos. O direito processual penal tem especificidades que não são compatíveis com o processo civil. Conclusão: O processo penal visa instrumentalizar. remetendo-se para o Estado. essa decisão civil tem de ser compatível com os princípios do CPP.

O direito processual penal tem na sua base o problema fulcral das relações entre o Estado e a pessoa individual e da posição desta na comunidade. Por tudo isto se tem dito que o direito processual penal é um direito constitucional aplicado ou espelho da realidade constitucional ou sintoma do espírito politico-constitucional de um ordenamento jurídico. a obtenção da verdade material. G. Só através da CRP e pelos seus princípios se pode recorrer a um processo justo que leve a uma decisão válida. Finalidades do Processo Penal Será a realização da justiça e a descoberta da verdade material.27 e ss. 1. A protecção dos direitos fundamentais das pessoas A protecção perante o Estado dos direitos fundamentais das pessoas é também uma das finalidades do processo penal. que vão impedir. art32. em geral. portanto. a função jurisdicional. isto é. São precisamente estas regras. O DPP é o ramo do direito que mais afecta os DLG’s dos indivíduos. ofensa à integridade física ou moral das pessoas (art. Daí dizermos que o CPP é o direito constitucional aplicado. a protecção perante o Estado dos direito fundamentais das pessoas e o restabelecimento da paz jurídica posta em causa pelo crime e a consequente reafirmação da validade da norma violada. 2. É. O Estado é detentor do ius puniendi e é ele que tem os meios para que o processo penal decorra. com a proibição da valoração das provas obtidas mediante tortura. A justiça penal é incompatível com um principio de verdade formal.20 e ss. O CPP relaciona-se intrinsecamente com a protecção e concordância prática entre os indivíduos e os seus direitos. Ela tem de ter sido lograda de modo processual válido e admissível. Esta é matéria da comunidade. art. A descoberta da verdade não deve estar condicionada com a verdade formal. ela não pode ser admitida a todo o custo. A realização da justiça e a descoberta da verdade material O processo penal não pode existir validamente se não for presidido por uma directa intenção ou aspiração de justiça e de verdade.ex. com o que as partes oferecem no processo. Há todo um conjunto de princípios e garantias que estão no CPP e que decorrem da própria Constituição. O direito processual penal é porduto de uma longa evolução dirigida à escolha dos meios conducentes à realização óptima das tarefas próprias da administração da justiça penal e na sua base estão sempre os alicerces constitucionais do Estado. Acaba por afectar os interesses dos sujeitos em momento prévio à descoberta da verdade material. Visa-se proteger o interesse da comunidade de que o processo penal decorra segundo as regras do Estado e Direito. necessário encontrar uma concordância prática ente a perseguição do crime e a protecção dos interesses dos indivíduos. O Estado intervém no exercício das suas funções. Não obstante a descoberta da verdade material ser uma finalidade do processo penal. pretendendo ir ao encontro da 5 .. P.interesse de toda a comunidade. tudo isto tem vindo a ser relativizado. e na perseguição e condenação dos criminosos. coacção ou. liberdades e garantias sentido na CRP. A conformação jurídico-constitucional do direito processual penal Todo o processo penal é uma concretização do direito constitucional. Artigos da CRP importantes: arts. O juiz tem aqui também uma função de investigação durante o julgamento. No entanto. F. O Estado de Direito não exige apenas a tutela dos interesses das pessoas e o reconhecimento dos limites inultrapassáveis dali decorrentes à prossecução do interesse oficial na perseguição e punição dos criminosos.126). Ele exige também a protecção das suas instituições e a viabilização de uma eficaz administração da justiça penal. com respeito dos direitos fundamentais das pessoas que no processo se vêem envolvidas. em certas situações.. que se prendem com os direitos fundamentais das pessoas e que exigem que a decisão final tenha sido lograda de modo processualmente válido. No processo haverá verdadeira liberdade de investigação.

126) pensados a partir da necessária protecção dos direitos fundamentais das pessoas. Há-se salvar-se. 2. Mas também aqui existem limitações. inquisitória mitigada ou moderada 5. Com isto não haverá a validação da finalidade preponderante à custa da de menos hierarquia mas sim uma optimização das finalidades em conflito. com institutos como o recurso de revisão (arts. há situações em que se torna necessário eleger uma só finalidade por estar em causa a dignidade da pessoa humana. nenhuma transacção é possível uma vez que está em causa a protecção da dignidade humana. bem como a detenção são um exemplo de matérias onde é patente a tarefa de concordância prática levada a cabo pelo legislador. 4. Esta situação ocorre em nome da descoberta da verdade material. As partes têm de sentir que a paz jurídica foi restabelecida e para isso o processo tem de ser justo.449º e ss) que contém na sua própria razão de ser um atentado frontal àquele valor de segurança. teremos de operar uma concordância prática das finalidades em conflito. tendo então de dar prevalência à finalidade do processo penal que dê total cumprimento àquela garantia constitucional. Isto acontece com maior probabilidade e eficácia quanto menor for o tempo que medeie entre a prática do crime e a realização do processo penal. EM PARTICULAR. em certas circunstâncias para que este interesses se concretizem. Restabelecimento da paz jurídica Pretende-se restabelecer a paz jurídica posta em causa pelo crime (ou até pela suspeita da prática do crime). perturbando de novo a paz jurídica do arguido como a da própria comunidade. Assim. há uma impossibilidade da sua integral harmonização na generalidade dos problemas concretos do processo penal.2CRP. Este restabelecimento incide tanto no plano do arguido (que nos termos do art32. 4.. Assim. O processo penal inquisitório ou de estrutura inquisitória O processo penal reformado O processo penal de estrutura mista. p. em grande parte. 3. O processo penal de estrutura acusatória integrado por um princípio de investigação e o actual processo penal português 6 . As medidas cautelares e de policia. A concordância prática Apesar de se reconhecer todas estas finalidades. Capítulo II A EVOLUÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL. em cada situação. o máximo conteúdo possível. Já em relação aos métodos proibitivos de prova (art. Daí que as provas obtidas através de tais métodos não possam ser valoradas ainda que dessa forma contribuíssem para a descoberta da verdade material. O processo penal acusatório ou de estrutura acusatória. Assim. quando em qualquer altura da regulamentação processual penal esteja em causa a garantia da dignidade da pessoa. torna-se necessário pôr em causa os direitos fundamentais das pessoas. A paz jurídica pode ser posta em causa. Em conclusão. A ESTRUTURA DO PROCESSO PENAL 1. pretende-se por termo ao conflito entre o agressor e a sociedade e o lesado. optimizando-se os ganhos e minimizando-se as perdas axiológicas e funcionais.ex. nenhuma transacção é possível. que reforça a sua fidelidade aos bens jurídico-penais. Contudo. Isto implica atribuir a cada finalidade a máxima eficácia possível. deverá ser julgado no mais curto prazo possível) como no plano da comunidade jurídica. Esta finalidade liga-se.verdade material. 3. aos valores de segurança. apesar do crime.

da autoresponsabilidade probatória das partes e da presunção de total inocência do acusado até à condenação. Ele cumpria a ordem do juiz de acusar. Consequências estruturais: • Ilegitimidade da prisão preventiva e. O processo penal de estrutura mista. Além disso abre caminho a todos os modos de extorquir ao arguido a confissão. conseguia-se que pertencesse ao julgador também a competência para a instrução preparatória e que. dando origem à perda real do direito de defesa do arguido. é visto. o MP não passava de um ordenança do juiz. pelo interesse do Estado. quem dizia se devia ou não acusar era o juiz. 3. • Total observância do principio do contraditório. acusar e julgar. • Asseguramento a este de um direito de defesa tão amplo como o direito de acusação. dotado dos seus direitos naturais originários e inalienáveis. sem independência perante o poder político. compete simultaneamente inquirir. uma total supremacia da força estadual perante os destinatários dos seus comandos. Esta competiria ao ministério público. • Criação de um sistema estrito de legalidade da prova. pelas partes. do objecto do processo. por seu turno. O Estado assume. enquanto que o julgamento seria da competência do juiz. Mas. Valem praticamente sem limites os princípios do dispositivo. Há. O processo penal de estrutura inquisitória Trata-se de uma concepção autoritária do Estado. Deste modo. não participando no processo activamente. o processo penal seria dominado.XVII e XVIII. o direito processual penal torna-se numa ordenação limitadora do poder do Estado em favor do indivíduo acusado. inquisitória mitigada ou moderna Vigorava num Estado autoritário mas em termos diferentes do Estado absolutista do séc. do juiz passivo. XVII e XVIII. O juiz está muito subordinado ao poder político. de quaisquer meios coercivos contra o arguido. uma posição de supremacia total e ilimitada sobre o indivíduo. Do que se trata neste processo penal é de uma oposição de interesses entre o Estado que quer punir os crimes e o indivíduo que quer afastar de si quaisquer medidas privativas ou restritivas da sua liberdade. Apenas se alcança a verdade formal que resulta do carácter puramente inquisitório. A lide para ser justa supõe a utilização de armas e meios iguais. O arguido. ou seja. Estado absolutista que vigorou na generalidade dos países europeus do séc. A ele pertence o domínio discricionário do processo. da verdade formal. • Reconhecimento de uma certa disponibilidade. então. 2. escrito e secreto de todo o processo. transformando este princípio em princípio da forma acusatória. Ao juiz. em geral. • Estrita ligação do juiz pela acusação e pela defesa. como único juiz do bem-comum. Este reconhecia o princípio da acusação. uma vez terminada. burocrata da justiça. que não concede ao interesse das pessoas qualquer consideração autónoma e encontra-se ligado a uma liberdade discricionária do julgador (embora exercida sempre em favor do poder oficial). 7 . Tratava-se de um processo inquisitório camuflado. Aqui acontece outra estruturação do processo penal. Assim. • Estruturação do processo penal como processo de partes. não como sujeito co-actuante no processo mas como um mero “objecto” de inquisição.1. O indivíduo surge como um verdadeiro “sujeito” do processo com o seu direito de defesa e com as suas garantias individuais. o juiz pudesse ordenar ao ministério público que acusasse ou não acusasse. O processo penal de estrutura acusatória e o processo penal reformado O Estado liberal conduz a outra estruturação do processo penal. Em nome da soberania do Estado minimiza-se ou ignora-se os mais elementares direitos do suspeito à sua protecção perante abusos e parcialidade dos órgãos estaduais. No centro da consideração está agora o indivíduo autónomo. exclusivamente. Assim.

Assim. e esta é uma fase anterior ao julgamento. 2. Com este principio pretende-se acentuar convenientemente o carácter indisponível do objecto e do conteúdo do processo penal. que há uma distinção entre quem investiga e quem acusa e depois entre quem julga. Âmbito material Âmbito espacial Âmbito pessoal 8 . As fontes do direito processual penal 1. Em regra. isto é. a não ser que os sujeitos concordem.4. Aqui assegura-se os direitos de defesa do arguido. o facto sujeito a julgamento. ou seja. A estrutura processual que melhor dá cumprimento ao critério da concordância prática. Dá-se a possibilidade também ao juiz de investigar sempre que ele possa intervir no processo. Assim. Em fase de recurso apenas se transfere as gravações que serão ouvidas no tribunal. Na grande parte o processo é oral mas reduzido a escrito e público. buscando a verdade material. Âmbito de aplicação do direito processual penal 1. Daqui deriva o princípio da acusação. da harmonização dos interesses em conflito é uma estrutura acusatória integrada pelo princípio da investigação. 1. O princípio da investigação traduz-se no poder. dever que pertence ao tribunal de esclarecer e instruir autonomamente. 3. Poderá existir desistência mas apenas se for homologada. o juiz que intervém na fase de acusação não pode julgar. Lei Direito judicial Doutrina Interpretação e integração das normas processuais penais Interpretação Integração III. Apenas poderá julgar depois do despacho de pronúncia ou não pronúncia. ou seja. Quem fixa o objecto do processo é a acusação que é titulada pelo MP. não vigora o princípio do dispositivo. as limitações indispensáveis à liberdade do arguido que não ponham em causa a sua dignidade nem o seu direito de defesa. o juiz não pode decidir sob factos que não constam na acusação. Nesta fase. O arguido não é parte mas um sujeito processual com direitos e deveres. Não existe ónus da prova mas existe presunção de inocência. Sendo o MP a fixar o objecto do processo. para termos um processo imparcial quem acusa não julga. II. Capítulo III APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS PENAIS I. as partes não podem dispor livremente do objecto processual. 2. Não temos um processo de partes mas um processo em que o MP representa os interesses de toda a comunidade. a sua intenção dirigida à verdade material. criando ele própria as bases necessárias à sua decisão. 2. 3. então. o arguido não tem de provar a sua inocência. Concluímos. Exceptuando tudo isto. O processo penal de estrutura acusatória integrado por um princípio de investigação Este é o processo próprio do Estado social dos nossos dias e que temos em Portugal. o juiz é livre de investigar depois de lhe serem entregue os factos (mas apenas aqueles que são objecto de julgamento). independentemente das contribuições da acusação e da defesa. o juiz pode investigar mas não pode julgar por ser uma fase preliminar ao julgamento.

Âmbito temporal I.1. nao se consiga resolver o problema.3. ao contrário do que estudamos em direito penal.4. Há aqui este limite. se a situação não estivesse prevista num tipo legal de crime. É o CPP que está em questão e não outras normas. diremos que se aplicam ao processo penal as mesmas regras de interpretacao juridica que se aplicam aos restantes ramos de direito. 1. Contudo. Portanto. remetemos para as regras de interpretação juridica que estão fixadas no Codigo Civil art. É um meio através do qual conseguimos aplicar as normas. porque aqui nao se trata de incriminar ou nao incriminar – isso está na lei substantiva. 2. Primeiro. em termos de lei processual. aqui é possível recorrer a analogia. Compete-lhe a construção dogmática jurídico-processual penal. Ao lado desta fonte existe legislação extravagante que regula os mais diversos âmbitos particulares do direito processual penal. Fontes do direito processual penal 1. Interpretação Quanto a interpretação. se nao for para incriminar é possivel. um novo tipo legal que nao existia. ou porque a lei não sé aplicável analogicamente. Podemos utilizar a analogia. nao há nenhum limite à analogia. 4º do CPP diznos como se resolve o problema das lacunas. uma função “criadora” do direito. ou seja. mesmo com recurso a analogia. O art. Integração Quanto a integracao de lacunas temos especificidades no Direito Processual Penal. Lei A mais importante fonte do direito processual penal vigente é o CPP. II.No Direito Penal não podemos recorrer a analogia quando esse recurso serve para incriminar. pois. “quando as disposições deste código não puderem aplicar-se por analogia”. em certa medida. 9º CC. Portanto.3 CPP. nao se podia incriminar com recurso a analogia. exige-se uma interpretação feita de acordo com a unidade do processo penal. 4. que não colida com os seus principios básicos. Ou seja. O que aplicamos analogamente sao as normas do Codigo e nao outras normas. ou seja. Doutrina É a fonte mais relevante entre nós depois da lei. 1. Ja a analogia.2. Trata-se de encontrar soluções justas e adequadas para os concretos problemas da vida. no direito penal. devido ao princípio da legalidade “nullum crimen sine lege”. seria como se estivessemos a criar uma nova lei. o principio da legalidade. Mas pode acontecer que. A alternativa serão as normas do processo civil desde que se harmonizem com o processo penal. nao basta ir ao Processo Civil buscar normas que sejam 9 . Cabe-lhe. De ressalvar a diferença existente entre interpretação e discricionariedade. No entanto.o do CPP diznos que podemos utilizar a analogia a partir das disposições do próprio Codigo. No CPP esse problema nao se coloca. O art. É através das normas do DPP que se dá a aplicação ao caso concreto. Isto é. Interpretação e integração das normas processuais penais 1. ou porque não há caso análogo. por ser demasiado forçada a aplicação. ela não deve nem pode pôr-se ao mesmo nível de obrigatoriedade que cabe à lei. criado por via jurisprudencial.2º CPP e art. vamos aplicar analogicamente as mesmas normas do CPP a situações analogamente identicas (se ali aplicamos esta norma. no fundo. Art. Estariamos a violar o principio da tipicidade. aqui tambem aplicamos porque a situacao e identica). Direito Judicial Ao lado do “direito legal” tem um lugar de relevo o direito judicial. aplicando-se normas do CPP.

Em relacao a esta materia ha duas posicoes: umas defendem que o processo penal e genericamente absoluto. decisivos para descoberta de um crime. Ou seja. O proprio processo penal pode dar a solucao para o caso sem ser preciso aplicar nesse caso a lei substantiva. quais as garantias em termos de efeitos de processo? Sera que a decisao previa nao penal faz caso julgado relativamente aos outros processos? A partida. Analogia CPC Princípios do processo penal III.1CPP. De facto. com os principios do Processo Penal. se o processo penal resolve uma questao que nao se inclui no seu ambito. segundo a qual haveria um onus da prova para um dos sujeitos. Ha ainda que focar o problema do efeito interno/externo da decisão penal relativamente a estas questoes. É preciso que essas normas se harmonizem com o Processo Penal. Ou seja. Âmbito material A lei processual penal versa sobre a existencia dos crimes e aplicacao das respectivas sancoes em geral. O Processo Penal tambem tem um espaco de resolucao autonoma de algumas questoes que sao suscitadas no processo. previo ao proprio raciocinio (ex: saber quem pode ser considerado funcionario publico). A primeira constitui um problema processual sem a resolucao do qual o processo penal nao pode prosseguir. controlando todos os outros processos envolvidos no seu ambito. essas normas não serão aplicaveis. porque eles tambem sao emanação da Constituicao – trata-se de direito constitucional aplicado. O principio da suficiencia do processo penal. quer os que possuam uma relacao meramente indirecta. Contudo convem focar alguns aspectos em particular neste dominio. a segunda tem um cariz substantivo. tudo é aferido atraves dos princípios que são fundamentais para a aplicação prática do processo penal. 10 . nomeadamente atraves do recurso aos principios gerais de processo penal. quer os que tenham uma relacao directa com o crime.7º. Em processo penal os principios sao de aplicacao constante. Nao se pode aplicar normas de processo penal sem ter em conta os principios de processo penal. E. por ultimo. tem que ver com a estrutura do processo penal. outras defendem que o juiz penal resolve a questao penal. previsto no art. nao poderia ser aplicado porque em Processo Penal o objecto não é disponível. Por exemplo. caso contrário. 1CPP) e questoes penais em processo nao penal (reguladas no CPC). 2CPP fala-nos nas questoes prejudiciais. embora admita a intervencao de outras entidades com relevancia para o caso. O processo pode terminar sem que se tenha aplicado a sanção prevista no tipo legal de crime. 3. 7o.aplicaveis ao caso. Eles caracterizam o processo penal. o art. Por exemplo. se fossemos buscar uma norma ao processo civil que determinasse que o objecto do processo é disponivel. Convem ainda distinguir questão prévia de questão prejudicial. relacionadas com assuntos nao penais. 7º. As questoes prejudiciais podem ser de tres tipos: questoes penais em processo penal. de materia. pelo que quando ha decisoes de outros tribunais que contrariem a decisao penal tem lugar o recurso de revisao de sentenca. É a terceira hipotese. nao havendo a possibilidade de resolver o caso atraves da analogia. Contudo.1. tratando-se de um problema de conteudo. 2. nao seria aplicável porque em Processo Penal não há onus da prova. Âmbito de aplicação do direito processual penal 3. diaria. com os principios de processo penal. so se reconhecem meros efeitos internos a decisao. então aplicam-se os Principios gerais do Processo Penal. a todos os casos. no caso da suspensao provisoria do processo. Ou se fossemos buscar uma norma ao Processo Civil que tivesse implicacoes no Processo Penal. diz-nos que é no processo penal que se resolvem todos os seus problemas. nao havendo normas do Processo Civil aplicaveis que se harmonizem com o Processo Penal. o que obriga a execucao deste assunto no tribunal competente. Em síntese: 1. terão de ser sempre normas que a harmonizarem-se com o processo penal. questoes nao penais em processo penal (as que trata o art. com a aplicacao das normas do CPP. Esta distinção releva porque se a questao prejudicial for tambem uma questao previa ha uma prejudicialidade propria.

Noutros casos, ha uma questao prejudicial, mas esta e resolvida dentro do proprio processo (prejudicialidade impropria, prevista no art. 7o, 1 CPP). Porem, este art.7,o1 apresenta as excepcoes do no 2. Assim, quando se tratem de questoes nao penais dentro do processo penal e a sua resolucao se apresente problematica, suspende-se o processo e remetem-se tais questões para o tribunal competente, a fim de se averiguar da existencia de um crime (elementos constitutivos do tipo legal de crime). O art. 7o, 3 foca as entidades com competencia para a suspensao e o no 4 frisa que, esgotado o prazo sem a resolucao da questao prejudicial, a questao regressa ao processo penal para ai ser resolvida. Uma das questoes nao penais mais relevantes no processo penal prende-se com a responsabilidade civil, que, segundo o art.71o CPP, se resolve no ambito do processo penal, salvo excepcao em contrario. As normas de direito processual penal aplicam-se a todos os casos de natureza penal para os quais, nao havendo outra lei especial, seja aplicavel o CPP. Nao se aplica, portanto, a materia que nao seja de natureza penal. Nao se aplica ao ilicito disciplinar, ao ilicito de mera ordenacao social, embora se aplique subsidiariamente as contra-ordenacoes. No Regime Geral das Contra-ordenacoes esta previsto que o CPP se aplica subsidiariamente ao processo das contra-ordenacoes. O ambito material de aplicacao e o da materia de natureza penal para a qual seja preciso um processo. E ai que se aplicam as normas de processo penal. 3.2. Âmbito temporal Nos termos do art. 5.o do CPP: “1 - A lei processual penal é de aplicação imediata, sem prejuízo da validade dos actos realizados na vigência da lei anterior. 2 – A lei processual penal não se aplica aos processos iniciados anteriormente à sua vigência quando da sua aplicabilidade imediata possa resultar: a) Agravamento sensível e ainda evitável da situação processual do arguido, nomeadamente uma limitação do seu direito de defesa; ou b) Quebra da harmonia e unidade dos vários actos do processo.” Portanto, esta primeira nota é importante: “aplicacao imediata”. Nao é preciso esperar que o processo termine para se poder aplicar esta nova norma, isto é, as normas processuais nao se aplicam aos novos processos apos a vigencia da entrada em vigor da norma do processo penal. Elas aplicam-se imediatamente aos casos que estao a ser decididos nos tribunais. Se está um caso a correr e entra em vigor uma norma processual penal, essa norma processual aplica-se imediatamente a esse caso, a esse processo. Nao se aplica apenas aos casos que vao ter inicio apos a entrada em vigor dessa norma processual – regra da aplicacao imediata. Mas isto tem limites. Um dos limites é de eventualmente isto poder enfraquecer ou prejudicar o arguido, e sé o arguido. Isto e, se, ao aplicarmos imediatamente a norma aos processos que estao a correr, aos processos que ja se iniciaram antes de a norma ter entrado em vigor, e ao aplicar-se a norma imediatamente a esses casos, resultar que a posicao do arguido saia enfraquecida no processo, nomeadamente, o seu direito de defesa ficar diminuido, entao não se aplica. Por exemplo, se a nova norma diz que o prazo para apresentar contestacao passa a ser de 5 dias e não de 20, como era ate aqui, a norma não se aplica, porque estamos a prejudicar o arguido, estamos a enfraquecer a sua posicao. Se, por exemplo, se diz que passa a ser possivel utilizar um determinado meio de prova, que incrimine o arguido, que antes não ra possivel, tambem se enfraquece a posicao do arguido. Ou seja, tudo o que concretamente limite o direito de defesa do arguido ou que venha a enfraquecer em geral a sua posicao juridica nao pode ser aplicado. Tem de ser um agravamento, como diz a lei, sensivel e ainda evitavel. Se houver um agravamento que nao seja sensivel, que nao se possa dizer que de facto vem afectar o direito de defesa, ou que seja inevitavel, entao, aplica-se na mesma a lei imediatamente ao arguido. Portanto, tem de se tratar de um agravamento sensivel, por um lado, evitavel, por outro, que enfraqueca a posicao do arguido, nomeadamente que diminua o seu direito de defesa. Quando isso acontece, não se aplica a nova norma. Por outro lado, o legislador preocupou-se com a questao da economia processual, a questao da harmonia dos actos processuais. O processo penal tem uma certa sequencia, e se da aplicacao imediata da lei resulta uma quebra da harmonia dos actos, ir atras e repetir desnecessariamente as coisas ou inverter a

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ordem normal, quando nao e necessario para a formacao da decisao, entao, não se aplica tudo o que vai quebrar a harmonia e unidade dos actos processuais,ou seja , se nao ha um resultado essencial para o processo nao vale a pena ser aplicado. Portanto, respeitando-se estes dois limites, sempre que uma norma processual é aprovada e entra em vigor, aplica-se imediatamente. Temos de ver art. 5º, 2 do CPP, em consonancia com o art. 32º, 5 CRP, como forma de proteger o arguido.

3.3. Âmbito espacial Em processo penal vigora o principio da territorialidade (art. 6o CPP), salvo as excepcoes previstas nos Tratados, Convencoes e regras de Direito Internacional (ex: normas de harmonizacao europeia, de cooperacao judicial, mandado de detencao europeu...). Uma pessoa comete um determinado crime em determinado lugar. Teremos então, primeiro, de aplicar o Codigo Penal, para saber qual a lei penal aplicável. Depois de saber qual a lei aplicável podemos partir para a norma processual penal, nos termos do art.6.o do CPP: “A lei processual penal é aplicável em todo o território português e, bem assim, em território estrangeiro nos limites definidos pelos tratados, convenções e regras do direito internacional.” Ou seja, no fundo é o principio da territorialidade com, eventualmente, excepcoes a esse principio tendo em conta as pessoas envolvidas. Nao se podem aplicar normas processuais penais no estrangeiro sem serem situacoes previstas nos tratados, convencoes e regras de direito internacional, como tambem nao e possivel que se apliquem normas processuais penais estrangeiras aqui em Portugal. Por exemplo, nao podemos mandar uma equipa de policias a um pais estrangeiro deter um portugues que cometeu um crime aqui em Portugal e traze-lo algemado. Seria a aplicacao das nossas normas processuais penais fora do nosso pais, fora do nosso território, não sendo permitido. Mas podemos pedir a extradicao de um individuo, por exemplo, e ai o direito que esta a ser aplicado e o direito desse pais e nao o nosso, e se esse pais entender que sim, o individuo é extraditado, é-nos entregue e,então, aplicamos as nossas normas processuais penais. Tambem temos de cumprir, aqui, as regras da Uniao Europeia (UE), nomeadamente a questao do Mandado de Detencao Europeu (MDE), que permite que haja alguma reciprocidade em relacao a aplicacao de normas processuais dos diversos paises da UE, atraves de um regime especifico onde as nossas decisoes sao aplicadas em paises da EU. Mas ai, como está salvaguardado no CPP, eé preciso que haja tratados ou convencoes que o prevejam, como é o caso do MDE, uma Decisao-quadro instituida pela UE, e que depois se tera transposto para os Estados-Membros. Tirando isso, não podemos aplicar as nossas normas processuais fora do pais, e assim como dentro do nosso pais aplicam-se as nossas normas processuais penais. Por exemplo, tambem nao pode vir aqui alguem de outro pais deter um individuo e leva-lo. Se alguem quiser levar um individuo que está em Portugal para ser julgado num outro pais tem de respeitar as normas do nosso pais, tem de requerer atraves dos instrumentos proprios previstos na nossa lei (detencao, extradicao, etc.), caso contrario não é possível.

3.4. Âmbito pessoal O ambito de aplicacao da lei processual penal coincide com o da lei substantiva, aplicando-se a todos os intervenientes no processo, portugueses ou nao. Ex: um estrangeiro que comete um crime em Portugal vai ser julgado em Portugal, embora o tribunal da sua nacionalidade possa requerer que a execucao de pena se processe no seu pais de origem. Em principio as pessoas que estao sujeitas as normas processuais penais sao todas aquelas que tambem estao sujeitas ao direito penal. Se, pelo Codigo Penal, uma norma for aplicada a uma pessoa, a regra é que tambem seja aplicada ao direito processual penal. Há uma dependencia em termos de aplicação entre direito penal e direito processual penal. Por isso, e mais simples no direito processual penal determinar o

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ambito pessoal do que no direito penal, porque primeiro temos que saber qual o ambito de aplicacao da lei penal para depois aplicar o direito processual penal. No entanto, ha algumas limitacoes e isencoes que tem que ver com questoes de natureza processual penal. Mesmo que certa pessoa seja responsabilizada pelo direito penal isso pode nao significar que aconteca no direito processual penal. Vejamos. 1a) – Esta isencao esta relacionada com o direito internacional. Neste há um conjunto de regras que nao permite que sejam aplicadas normas processuais penais a determinadas pessoas mesmo que tenham cometido crime no territorio portugues. Temos, como exemplos, Chefes de Estado, consules, diplomatas, agentes equiparados e sua familia e agentes administrativos. 2a) - Convencao de Viena: esta regula, entre outros aspectos, as relacoes diplomaticas e consagra limitacoes às normas processuais no que toca a pessoas que façam parte do corpo diplomatico de determinado pais. 3a) - No direito interno temos um conjunto de limitacoes que provêm do proprio direito constitucional. Estas referem-se ao Presidente da Republica (art.130o da C.R.P.), ao Primeiro-Ministro, aos deputados da Assembleia da Republica (art.157o da C.R.P.), aos membros do Conselho de Estado, aos membros do Governo (art.197o da C.R.P.) e ao Provedor de Justica. Trata-se de imunidades que impedem que sobre estas pessoas possa correr um processo-crime. Para que se possa perseguir criminalmente um deputado é preciso levantar essa imunidade e para tal e preciso uma autorizacao, a qual é pedida a Assembleia da Republica, sem a qual nao se verifica o pressuposto processual de perseguir o deputado. Isto aplica-se a todas as pessoas mencionadas anteriormente. 4a) – Garantia politica, tambem designada de garantia administrativa,isto é, os deputados no exercicio das suas funcoes, sempre que emitirem alguma opinião, nao devem ser responsabilizados civil, disciplinar e criminalmente. Eles são livres de se pronunciar pois, caso contrário,os deputados estariam limitados nas suas funcoes de representacao democratica. Visto que eles sao os representantes do povo que os elegeu democraticamente, eles nao devem estar limitados pelo temor de sofrer represalias, devem agir com inteira liberdade. Esta garantia politica nao se deve de confundir com a disciplina partidaria ou de voto ou de “bancada”; esta é interna, de cada partido.

Caso prático n.º 1 Imagine que o legislador foi agravando por diversas vezes o prazo maximo de duracao maxima da prisao preventiva em processo penal. Assim:  Em Janeiro de 1997, o prazo legal era de 12 meses;  Em Janeiro de 1998, o prazo legal passou para 15 meses;  Em Janeiro de 1999, o prazo legal passou a ser de 18 meses;  Em Janeiro de 2000, o prazo legal foi alargado para 21 meses;  Em Janeiro de 2001, o prazo legal foi fixado em 2 anos. Imagine, agora, que A pratica um crime em Julho de 1998. O respectivo processo penal, todavia, so e aberto em Julho de 1999 e o arguido e preso preventivamente em Julho de 2000.Qual o prazo maximo da sua prisao preventiva?

Resolução: Estamos perante um caso de aplicacao da lei processual penal no tempo. Segundo o n.1 do art.5º do CPP, a lei processual é de aplicação imediata, ou seja, entra em vigor logo. Aplica-se aos processos que irão iniciar a sua marcha e aqueles que ainda estão a decorrer. Por ser de aplicacao imediata, levanta dificuldades de aplicacao nos processos que ja estao a decorrer. O n.1 do art.5º do CPP contem a regra: a lei processual e de aplicacao imediata. O n.o 2 do mesmo artigo contem duas excepcoes a regra, ou seja, a lei processual nao se aplica aos processos iniciados anteriormente a sua vigência quando da sua aplicabilidade imediata possa resultar um

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Tal lei foi admitida. ou seja. Não há receio que se afecte a posicao juridica do arguido. Quando o arguido vai a tribunal é em Julho de 2000. Este agravamento pressupoe uma alteração significativa da situação processual do arguido.202oCPP e art. pois o arguido ja se encontra condenado nessa altura. apesar de ai se ter iniciado o processo penal. é que por regra as normas processuais penais sejam de aplicacao imediata. 2. efectivamente ele ainda não está em prisao preventiva. A excepcao contida no art. Quando o legislador muda uma norma. e deu origem a um acordao do STJ de fixacao de jurisprudencia. porque se entendeu que nao agravava de forma sensivel a situacao do arguido. em Julho de 1999. a) todas as hipoteses que n. em principio. No caso sub judice está em analise saber qual a lei que vamos aplicar ao arguido. Esta ultima lei nao e relevante.agravamento sensível e ainda inevitavel da situacao processual do arguido.5 do CPP. Essa nova lei era desfavoravel ao arguido. que estipula um prazo maximo de 15 meses. Por outro lado.o2 al. porque isso iria fazer que com que se invocasse (por exemplo). Por isso é que nao admitimos a lei de Janeiro de 2001. mas sim do Direito Penal. trata-se de um agravamento da situacao processual do arguido. lei essa que determina o periodo maximo de prisao preventiva.o1 do art. Este raciocinio nao é do processo penal.2 seria a regra e o n.o2 do art. 5o. porque ele só é condenado em Julho de 2000. ele ainda nao tem expectativas formadas. Ele vai ser condenado a uma prisao preventiva que tem como período máximo 21 meses.o2. e nao um agravamento do direito penal ou da situacao individual do arguido. O delito ocorreu em Julho de 1998. E é avaliado em concreto. contudo o processo so foi iniciado em Julho de 1999. Portanto nao ha agravamento da situacao processual do arguido. e quando essa aplicacao imediata implica uma quebra da harmonia e unidade dos varios actos do processo. A prisão preventiva é uma medida de coaccao aplicavel ao arguido subsidiariamente. E quando lhe é aplicada tal medida. a qual nao relevante. O n. pois se o legislador criou uma regra em que a lei processual penal e de aplicacao imediata. Em Janeiro de 2000. De seguida temos a lei de Janeiro de 1998. ele ainda não é arguido. é porque quer obter esse efeito quando publica uma nova lei. 5 seria a excepção. a). n. o qual nos diz que já depois da decisao do tribunal. Assim. pois diminuia a sua possibilidade de recurso. Este exemplo é para salientar que nao pode a excepcao ser maior do que a regra. e porque a lei processual penal é de aplicacao imediata. Alem disso. o raciocinio de que uma lei prejudicial ao arguido nao lhe pode ser aplicada. Assim sendo. é para melhorar a dinamica do processo. a al. alteraram-se as regras do recurso. Antes. 28oCRP).5o pretende vedar. está errado. o prazo foi alargado para 21 meses. porque é anterior à pratica do crime e anterior ao inicio do processo. pois essa agrava o periodo máximo da prisão 14 . e em Janeiro de 2001 o prazo ja era de 2 anos. Quando se cria esta norma de aplicacao imediata. nao nos choca que possa ser aplicada a lei de Janeiro de 2000. quando se considerem inadequadas todas as outras medidas ou insuficientes. é para melhorar uma situacao juridica. só porque nessa altura a medida de prisao era inferior a actual. em 2009 uma lei publicada em 1989. é ai que ele pode criar expectativas que lhe vai ser aplicada uma prisão preventiva de 21 meses. a defesa do arguido nao pode ser levada tao longe de maneira a protege-lo de uma coisa que ainda não existe. so se aplicando o nº2 al. Num caso de aplicacao da lei no tempo. Questao primordial é saber se aplicamos a lei de Janeiro de 1999 ou de Janeiro de 2000. A situação processual dele não é de sujeito a uma aplicacao de medida preventiva. A materia de aplicacao da lei no tempo ja foi debatida varias vezes. Caso contrário o n.2 é uma cláusula de salvaguarda que funciona em situações de extrema injustica. temos uma lei em Janeiro de 1997. e ainda quando ha fortes indicios da pratica de um crime doloso punivel com pena de prisao de maximo superior a tres anos (art. pois nao podemos deixar entrar pelo art. embora a jurisprudencia tenha alguns criterios proprios. Para regular tal medida foram publicadas sucessivamente varias leis que determinavam o periodo maximo da prisao preventiva.a) em situações excepcionais. e ai ja estava em vigor a lei de Janeiro de 2000. al.1 do art. Isto é avaliado casuisticamente pelo juiz. a) fala num “agravamento sensivel” e “evitavel”. pois sao as que estao em contacto com o processo penal. 5o n. pois ele nem sequer sabe se vai ou nao ser condenado a prisao preventiva. ainda não está em prisao preventiva. do n. Se no momento ele ainda nem eé arguido entao não podemos dizer que as suas expectativas ou que a sua posicao é agravada. A regra da aplicabilidade imediata resulta de dois motivos: 1. e essa nova lei foi aplicada ao arguido. o que o legislador pretende e de acordo com o espirito do CPP. temos que ter em consideração o momento processual em que o arguido se encontra. e como consequencia nao se preenche.

5 do CPP.3. ac. STJ n.1. 2. Mesmo nesta situacao. Princípios relativos à prossecução processual Princípio da investigação Princípio da contraditoriedade Princípio da suficiência e o problema das questões prévias Princípio da concentração 3. Depois desse momento ja nao se aplica. que é o pressuposto maior de um Estado de Direito Democratico como o nosso. e viola o n.2.2. e ac. do STJ de 18 de Fevereiro de 2009. Princípios relativos à prova 3. Princípio da oficialidade 1. Se argumentarmos no sentido que a prisao preventiva é a mais grave medida de coacção.1.2. Esta situacao conduz-nos a uma espiral de leis infinita. Princípios relativos à promoção ou iniciativa processual 1. aos art. podemos admitir que se aplica a lei de Janeiro de 1999. Nesse acordao o sujeito ja tinha recorrido da decisao da 1a instancia para a Relacao e queria recorrer para o Supremo. Admitimos as duas hipoteses. 2. Capítulo IV PRINCÍPIOS GERAIS DO PROCESSO PENAL 1. entao era ate ai tinha que haver a mudança de lei.o2 do art. so ai e que surgia a expectativa de haver ou nao recurso. que ele vai ver a medida de prisao preventiva agravada em 3 meses (21 meses – 18 meses). A lei de 2001 ja cabe na excepcao de salvaguarda da al. a) do mesmo artigo. Esta lei mexe com a posicao processual do arguido. então temos fundamentos bastante para aplicar a lei de Janeiro de 1999. Numa outra decisao o STJ entendeu que nao.3. Princípio da acusação 2. a) do n.o 70/90 de 15 de Marco. São só mais tres meses.4.3. da Relacao de Evora n.o 179/97 de 15 de Julho. Princípio da investigação ou da verdade material 3. 432o e 401o do CPP. e que esse agravamento é evitavel. entao preenche a al. por exemplo a lei de 1999. Temos como referencias os seguintes acordaos: ac. a qual tem um prazo maximo de prisão preventiva mais favoravel para o arguido (18 meses).o2 do art.preventiva. porque senao o arguido vai poder dizer que era a primeira lei do processo. al. 2. que o arguido vai ficar mais tres meses privado da sua liberdade.1. que vai ser aplicada em 2009. Princípio "In dubio pro reo" 4. Princípio da livre apreciação da prova ou sistema da prova livre 3. também encontramos quem sustente tal aplicacao. Princípios relativos à forma 15 . Durante esse periodo acabou a instancia do Supremo. e o arguido ja criou expectativas que o prazo maior será de 21 meses. Contudo. invocando como argumentos que não é particularmente grave aumentar de 18 para 21 meses o periodo maximo de prisao preventiva.2. se pensarmos que a lei de 2000 agrava a situacao processual do arguido de forma sensivel. Numa primeira decisao o STJ entendeu que como a decisao ja tinha sido apreciada duas vezes e como a lei processual é de aplicação imediata entao o sujeito ficou sem a possibilidade de recorrer para o STJ. Quanto a nos estes argumentos nao nos convencem e como tal rejeitamos aplicacao da lei de Janeiro de 2001. Entendeu que a situacao processual dele se configurava quando ele fosse condenado. 5o do CPP. porque a própria jurisprudência também a admite. 2. a) do n. Princípio da legalidade 1. Este ultimo acordao diz respeito a materia de recurso. Se a mudanca de lei ocorrer ate ai era aplicada imediatamente. e tudo sera descontado na aplicacao de uma pena.

nao interessa se tomou conhecimento por denuncia ou porque viu na televisao. principios referentes à prossecução processual. alusao a estes principios.48 do CPP. sendo necessario a queixa.P. temos questões problematicas do processo penal.P. a resposta do nosso sistema. Estes estao sistematizados de acordo com a estrutura do processo penal. os crimes semi-publicos e os crimes particulares strcito sensu. Por outro lado. temos. A partir do momento em que é apresentada a queixa o MP avanca sem ter de consultar o particular. 16 . há aqui uma limitacao no sentido de que o MP nao pode por si so dar inicio à investigacao. Este principio tem uma limitacao que tem que ver com os crimes semipublicos..2. para que a infracção seja investigada. porque a partir daqui o MP ja tem poder para dar seguimento ao processo sem estar dependente da consulta e da vontade do particular. Crimes públicos: são aqueles em que. Existem três tipos de crimes quanto a sua natureza: os crimes publicos.1. com as restrições constantes dos artigos 49º a 52º “. o qual ao dizer que “[o] Ministério Público tem legitimidade para promover o processo penal. por um lado. Entao. Sempre que se resolve um caso.4. só interessa que ele tenha conhecimento desse facto. que contém o principio do monopolio estadual da funcao jurisdicional: é o Estado que tem esse monopólio e nao os particulares.1. É necessário que o particular queira que o crime seja investigado para se produzir a acusacao. a comunidade entregou ao Estado o poder de aplicar o direito penal e de realizar a justica penal (o mesmo nao se passa no direito processual civil). princípios ligados à prova. A queixa é uma manifestação de conhecimento e de vontade. se o MP tem conhecimento que foi cometido um homicidio. cabe a uma entidade publica – M. teríamos um processo de partes tipico de uma estrutura acusatoria pura. Nao e necessario que o particular apresente uma acusacao. por regra. O principio da oficialidade em Portugal significa que. Esta nao é. Por exemplo. permite saber que é uma entidade publica que tem competencia para investigar a pratica de uma infraccao e saber tal deve ser submetida a julgamento. Princípio da publicidade 4. Princípios relativos à promoção ou iniciativa processual 1. Encontramos uma manifestacao do principio da oficialidade no art. nao é necessário que exista queixa nem acusação. uma vez que vigora uma estrutura acusatória mitigada pelo principio do inquisitorio. do seu art. Este principio decorre da C. por outro. esta sera formulada pelo MP. principios ligados à forma e. Assim. faz-se. Princípio da oralidade e da imediação Introdução Os principios gerais do processo penal são principios constitucionais aplicados a todo o processo penal. Mas é só esta limitacao. 1. Sendo o Estado o detentor do “ius puniendi”. bastando que o MP tome conhecimento da noticia do crime por qualquer meio previsto na lei para dar inicio a investigação. Princípio da Oficialidade Neste principio pretendemos saber quem tem competencia para investigar a pratica de uma infracção e saber quem tem competencia para leva-la a julgamento. a tramitacao e. – o poder de investigar se determinado crime foi cometido e averiguar se existem indicios suficientes que permitam conduzir o processo a julgamento. contudo. Se fosse. O MP é a entidade que tem o poder de investigar a pratica de uma infraccao e de decidir se deve levar tal conduta a julgamento. directa ou indirectamente. o ofendido ou a vitima.R. por ultimo. por exemplo. temos a figura do MP que acaba por representar toda a comunidade. Tendo em conta tal sistematizacao temos: principios ligados a promoção ou iniciativa processual. e tem uma excepcao que esta relacionada com os crimes particulares stricto sensu. 205. Crimes semi-publicos: são aqueles em que é necessario apresentar uma queixa pelo titular do exercicio do direito de queixa para que o MP possa promover o processo.

compete ao juiz de julgamento. A razao de ser desta medida é o facto de estarem em causa crimes cuja natureza envolve relevante gravidade. Se estivermos na fase de inquerito. a intervencao do MP cessa com a homologacao da desistencia da queixa ou da acusacao particular. 103o SS. O art. O MP recebe a queixa. consequentemente. Quem apresenta a queixa e genericamente o ofendido (art. A oficialidade remete para a entidade que tem esse poder de promocao processual. a lei nao admite a desistencia. pois se podem decidir em apresentar ou nao queixa. nao permitindo que os particulares disponham do processo. tratando-se de um crime de natureza publica. Nos crimes particulares e necessario apresentar uma queixa. mas quando chega ao fim do inquerito tem de ser o particular a formular a acusacao. aquilo que em processo civil conhecemos por impulso processual. Isto significa que a investigação ira ser feita de acordo com as directrizes do MP. Nao fazia sentido deixar nas maos dos particulares a iniciativa de um processo-crime. no art. aqui sao os particulares que tem o poder de iniciativa processual. pode desistir da queixa. CP) ou outras pessoas que em concretas circunstancias a lei designa como tais. Princípio da Oficialidade Estamos a falar do poder de iniciativa processual. A intervencao da entidade particular difere consoante o tipo de crime. ela compete ao juiz de instrucao e se for na fase de julgamento. que envolve na maior parte dos casos os orgãos de policia criminal que actuam sob direccao funcional do MP. Mas ainda antes do particular partir para a acusacao e necessario que 17 . o ofendido nao pode desistir. daqui concluimos que quando se trate de crimes particulares stricto sensu é preciso que os titulares do direito de queixa exercam esse direito e que procedam à acusação. pois no nosso sistema e o Estado que tem de assegurar a realizacao da justica. é o MP que tem competencia para investigar o crime e promover o processo. No nosso regime temos uma entidade estadual que e o MP. 49 CPP que nos diz que “quando o procedimento criminal depender de queixa. Nos crimes semi-publicos e necessario apresentar uma queixa. A estes tres regimes se liga. do ofendido ou de outras pessoas. nao ha livre disponibilidade do processo. para alem de o MP nao estar dependente de queixa nem de acusacao. 284o e 285o do CPP). Por isso. o MP recolhe indicios da pratica do crime e quem foi o seu agente. do ofendido ou de outras pessoas. Pela analise do art. querendo este. tambem tem a possibilidade de decidir se querem continuar com o processo. No caso dos crimes publicos. Isto vai de acordo com a nossa propria concepcao de processo penal. No caso dos crimes semi-publicos tal já é possivel. notifica o particular findo o inquerito dando-lhe a conhecer os resultados da investigacao. e a entidade que estiver a presidir a esse momento pode proceder à homologação. 50CPP ao dizer que “[q]uando o procedimento criminal depender de acusação particular. se constituem assistentes e deduzam acusação particular”. Em suma. porque. significa que estamos a fazer depender a investigacao criminal de queixa exercida por quem tem o direito de a exercer. pode desistir da acusacao particular. se a ele cabe essa tarefa entao nada mais logico do que atribuir a uma entidade publica a iniciativa processual. Este principio conhece algumas limitacoes que estao relacionadas com aquilo que chamamos de crimes particulares em lato senso e com os crimes semi-publico. se decorrer na fase de instrucao. o problema da desistência ou nao da queixa e da acusacao. Tratando-se da acusacao particular. esta é homologada. Compete sempre a entidade que estiver a presidir a respectiva fase. para que este promova o processo”.Crimes particulares stricto sensu: o detentor do exercicio do direito tem de apresentar uma queixa e uma acusacao particular. apresentando a desistencia de queixa. justamente porque o particular pode chegar à conclusao de que nao lhe interessa continuar o processo e. esta homologacao compete ao MP. O MP pode acompanhar a acusacao. A excepção ao principio da oficialidade reside nos crimes particulares stricto sensu e a limitacao nos crimes semi-publicos. se o particular apresentou a queixa e ainda nao apresentou a acusacao.51CPP. é necessário que essas pessoas se queixem. Essa entidade pode ser de dois tipos: estadual ou particular. a fazer a acusacao particular (a acusação segue os termos do art. Neste tipo de crimes limitamos a accao do MP. pois a perseguição de um crime é do interesse da comunidade. Ha aqui um interesse publico que se impoe a toda a comunidade. E convida o particular. é necessário que essas pessoas dêem conhecimento do facto ao Ministério Público. se apresentou a queixa e a acusacao.

se ela entender que não isso afecta mais a vitima do que a comunidade. Desta forma se ve que os crimes particulares tem caracteristicas muito especificas que os diferenciam dos restantes tipos de crime. uma caracteristica marcante nos crimes particulares e o facto do arguido se constituir assistente. Ao passo que um ofendido nao. Outra doutrina entende que esta a entrar na esfera privada das pessoas. temos a questão de proteger um conjunto de aspectos da vida familiar e da vida intima da vitima. Temos aqui uma cedencia ao principio da oportunidade onde os crimes particulares e os semi-publicos assumem um certo compromisso com regras de oportunidade. Os fundamentos da existencia dos crimes particulares estão relacionados com duas razoes: por um lado. do CPP. Nos crimes publicos qualquer pessoa pode apresentar uma denuncia. mas nao tem representacao. porque e necessario a queixa. E o juiz que vai averiguar se tal pessoa tem ou não legitimidade para se constituir ou nao assistente. A figura do assistente vem regulada nos art. E de cuidar que quando dizemos que a diferenca entre o crime particular e o semi-publico e o facto de o primeiro depender de queixa e acusacao e o segundo necessitar so de queixa. A exposicao a que se obriga a vitima num julgamento. podendo ser assistente todo o ofendido. A noticia do crime adquire-se por qualquer meio. o facto de ter que olhar para o agressor…tudo isto nao se justifica a nao ser que a vitima assim o entenda. o agente. temos uma manifestacao deste principio no art. A denuncia facultativa cabe a todos os cidadaos desde que tenham conhecimento. Nos crimes particulares ou semi-publicos se for outra pessoa que nao o ofendido apresentar a denuncia essa nao serve. a que o direito penal reconhece validade. Isto significa que se o advogado do assistente faltar ao julgamento o processo termina.ele se constitua assistente (este e um pressuposto processual essencial nos crimes particulares). e uma testemunha qualificada. faz com que o ofendido assuma uma posicao de sujeito processual. isto significa que o MP adquire a noticia do crime por conhecimento proprio. dando inicio ao processo. 262o.48º do CPP. Temos que distinguir a queixa da denuncia. pode nomear um advogado…). Esta e uma figura que não existe so no nosso direito. nos termos do art. pode fornecer meios de prova. Por outro lado. nao esta totalmente correcto. E obrigatoria para as entidades policiais de todos os crimes que estes tenham tomado conhecimento.49o do CPP). Ser um ofendido e uma mera qualidade de facto. o ofendido nao se constitui assistente no momento da queixa. tal declaracao fica lavrada em auto. e também nao tem disponibilidade do processo. De acordo com este artigo e o MP que deve promover o processo. pois é necessario que o ofendido se constitua assistente. n. o facto de afectacao dos bens juridicos nesse crime nao e tao directa e imediata. Em termos de CPP. mas que tem particular relevancia. 242o do CPP. A denuncia pode ser facultativa ou obrigatoria. 68o SS. e pressupoe esta doutrina que as pessoas tem discernimento suficiente para decidirem se querem ou nao apresentar queixa. o facto de ter que repetir a historia vezes sem conta. o que pode ele fazer? Algumas pessoas sustentam que o MP deve perguntar ao ofendido se quer ou nao apresentar uma queixa. 241o do CPP). Geralmente e o advogado do assistente que faz a acusacao e e ele quem a organiza. 18 . como tal a lei concede-lhe um prazo de 8 dias para se constituir assistente. e de seguida paga uma taxa. Da conjugacao destes artigos encontramos o principio da oficialidade. Esta cedencia e mais clara quando se fala no principio da oportunidade. aqui. os quais estao obrigados a comunicar ao MP. A denuncia e uma mera declaracao de conhecimento. como tal entende-se que se deve dar a vitima o direito de dizer se quer ou nao perseguir aquele agente. mas aqui levanta-se outra questao: e se a policia tiver conhecimento de um crime particular atraves de qualquer meio. O auto de noticia e a descricao lavrada pelo proprio agente de um crime que ele presenciou.386o do CP). Ao passo que a queixa e uma declaracao de conhecimento juntamente com uma declaracao de vontade. e a descricao dos factos por essa pessoa. 50o do CPP) e semi-publicos (art.o2 do CPP diz-nos que a noticia do crime da sempre lugar a abertura do inquerito. e para os funcionarios (art. sao crimes menos significantes para comunidade. tem poderes dentro do processo tem uma intervencao activa no processo penal (pode arrolar testemunhas. Muitas vezes. pode ser atraves dos OPC. Nos crimes particulares o ofendido apresenta a queixa e diz que se quer constituir assistente. por isso e que nos formularios da policia quando vamos apresentar uma queixa ja consta nele uma frase a dizer se e da vontade da pessoa proceder a queixa. se tal nao se verificar isso equivale a desistencia do processo. Assim. e independente de qualquer pessoa. por intermedio dos orgaos de policia criminal (OPC) ou mediante denuncia (art. Assim o conhecimento pode ser proprio do MP. Da mesma maneira temos o art. e nao o MP. A presenca do advogado é condicao para que o processo se cumpra. Neste caso ha uma participacao feita aos OPC. As restricoes de que fala o art. quanto aos crimes que tomarem conhecimento no exercicio das suas funcoes e por causa dessas funcoes.48o CPP dizem respeito aos crimes particulares (art.

o qual é confundido com o principio do direito penal e do direito constitucional quando o enunciamos da seguinte maneira: “nulla poena sine lege” e “ nulleum crimem sine lege”. nao pode decidir se vai ou nao investigar e se vai ou nao acusar. aplica-se a diversas entidades quanto à denuncia. nao podendo deixar de o fazer. vigora o principio da legalidade. isto é. a denuncia anonima. nao basta dizer que A matou B (por exemplo) Antes da alteracao. Por exemplo. n. Daqui se ve o sentido proprio do principio da legalidade em processo penal. O MP rege-se por criterios de estrita legalidade. o MP não tem a liberdade de decidir pelo arquivamento ou pela acusacao com base em criterios definidos por ele.2g/l.Outro problema levanta-se quando se apresenta uma denuncia mas não faz a queixa (num crime semipublico). de um modo geral. Esta situacao verifica--se quando a denuncia e caluniosa. Este artigo sofreu uma alteracao com a reforma de 2007. o MP tem de deduzir acusacao. tem a possibilidade de fazer acordos ou negociar com o arguido (por exemplo. onde o MP. Princípio da Legalidade O principio da legalidade em processo penal tem um sentido muito próprio. existe uma estrita vinculação à lei. pois o artigo diz-nos que a noticia de um crime dá sempre lugar à abertura de inquerito.386CP. O mesmo se diga ao contrario. se nao recolher indicios suficientes esta obrigado a arquivar. no prazo de 10 dias. de acordo com este principio nao pode fazer um juizo de oportunidade. e o crime semi-publico. o que fazer no seguinte caso: A vizinho de B. deduz acusação contra aquele”. o qual se encontra de ferias na Australia ve C a partir as janelas da casa do seu vizinho. No caso do nosso ordenamento e nos europeus continentais. n2 do CPP temos a manifestacao deste principio.262. presencia a seguinte cena: o condutor B atropela o peao C. mas esta posicao e muito forcada. ou se constituir ela propria um crime. agente do Ministerio Publico. obrigatória para as entidades policiais quanto a todos os crimes de que tomem conhecimento. desde logo. tendo respeitado o principio da oficialidade. E preciso indicar provas. Ha algumas decisoes do STJ a dizer que se aceita a denuncia. e se recolher indicios da prática do crime tem de acusar sempre. de estrita vinculação à lei. A lei diz que se o MP tiver conhecimento de um crime. ou seja. Actualmente. porque se admitisse tal deixaria de haver diferencas entre o crime publico. Com a nova redaccao. mas sera que tal admissao e permitida pelo direito? Estas sao questoes que ficam em aberto. ou seja. O alcance deste principio abrange as entidades publicas e nao so o MP. o Ministério Público. negociar uma pena). conhecido por Promotor Publico.2. o MP tem de investigar sempre que tem noticia de um crime. existem algumas nuances que tem que ver com a suspensão provisoria do processo e com o arquivamento em caso de dispensa de pena. e para os funcionarios nos termos do art. desde que preencha os requisitos do art. n. causandolhe ofensas graves a integridade fisica. documentos…indicios fortes da pratica do crime. Assim. entretanto. sera que isso basta para iniciar o processo? A doutrina maioritaria tem entendido que nao. Analise a questao da legitimidade de A para exercer a accao penal. No art. Pode A apresentar queixa? E ser o A tiver uma procuracao? E se esta so tiver poderes gerais? A queixa constitui um acto pessoalissimo ou nao? No caso da queixa atraves de representante com poderes específicos tem sido admitida pelo MP. Isto é o que se passaria nos paises anglo-saxonicos onde vigora o principio da oportunidade. Ainda quanto a queixa.o5 do CPP. Contudo. por regra. O MP. 283o. Este principio. B revela uma taxa de alcool no sangue de 1. A obrigação do MP de acusar quando sao recolhidos indicios suficientes da prática de um crime e de quem é o agente consta no art.1 do CPP: “ se durante o inquérito tiverem sido recolhidos indícios suficientes de se ter verificado crime e quem foi o seu agente. 246o. a denuncia é. C dirige a B palavras altamente injuriosas. Quanto às denuncias anonimas estas podem dar origem a um processocrime. ou seja.º 3 Imagine que A. ele deve investigar sempre. Caso prático n. Este significa que o MP está obrigado a promover o processo penal e se recolher indicios suficientes da prática do crime e de quem foi o seu agente está obrigado a acusar. quando passeava na Rua do Raio. so pode determinar a abertura de inquerito se dela se retirarem indicios da pratica do crime. quanto aos crimes de que tomem conhecimento no exercicio das suas funções e 19 . em que basta a denuncia. 1. submetido a teste adequado. a denuncia anonima e de mais dificil sucesso. a propria denuncia era o suficiente para se proceder a investigacao por parte do MP.

pode o tribunal declarar o arguido culpado. se deve ou não levar o processo a julgamento. o MP.280o do CPP. mas nao recolhe indícios suficientes da pratica do crime e nao sabe quem foi o seu agente. 244CPP. 242. por isso. recolhe indicios da pratica do crime de quem foi o seu agente e acusa.280CPP Suspensão provisória do processo Art.74 do CP pode acontecer que em fase de julgamento o juiz chega à conclusao que se praticou um crime. semi-publico ou particular stricto sensu. aqui com a concordância do MP e do arguido. pois a analise da natureza do crime consta no tipo legal de crime. mas nao aplicar qualquer pena se o facto. actualmente. Sobretudo por que não se pode confundir denúncia – que e uma manifestacao de conhecimento – com queixa – que é uma manifestacao de vontade. O que poderá suceder é que essa denuncia nao dê lugar a uma investigacao. tem uma redaccao diferente da que existia antes da revisao de 2007. o artigo 242. O arguido tem todo o interesse em participar. 280 do CPP. Os funcionarios tambem têm a obrigação de denunciarem um crime. Tal como o MP está vinculado à lei no que toca a obrigatoriedade de investigar e acusar. e arquiva em vez de acusar. De qualquer dos modos. a) e b) do CPP. desde logo. o MP investiga. É como se o MP antevisse o desfecho do julgamento. e 244o do CPP) levantam problemas que tem que ver com o modo com o se interpreta o direito de queixa. Temos também a hipótese da suspensão provisória do processo. no 3. tambem as entidades publicas estao obrigadas à lei e a denunciarem os crimes (art. denunciar o crime. Ou seja. quando recolhe indicios suficientes da pratica de um crime. e entao dispensa a pena. MP Fase de Inquérito Acusação (há indícios) Arquivamento (não há indícios) Arquivamento com dispensa de pena (recolheu indícios mas não pode acusar) Art. Também pode suceder que mesmo que venha a ser deduzida a acusação o juiz de instrução pode decretar o arquivamento com dispensa de pena. para que não restem duvidas de forma publica e solene. Por isso. Nao se trata de uma absolvicao. e isto é feito com a concordância do juiz. Nao estamos a dizer que se aplica a dispensa de pena sempre que esta esteja prevista no tipo legal de crime preenchido pelo agente. n. Estes artigos (242o.acusação. de quem foi o seu agente. Em termos processuais. Os particulares podem. por causa dos requisitos: crimes puníveis com pena não superior a cinco anos ou com sanção 20 . não estamos a dizer que se vai aplicar o instituto da dispensa de pena. e se nao se opuserem razoes de prevenção. Para as percebermos. vejamos o seguinte esquema. O MP faz um juízo de oportunidade.por causa delas. As entidades policiais tem de comunicar sempre a denuncia do crime. o MP pode arquivar.1. porque pode querer que seja declarada a sua inocência. mas que estao preenchidos os pressupostos do art. na situação prevista no art. não estamos na presença de um princípio da oportunidade puro.). pode optar pelo arquivamento se se verificarem os pressupostos daquela. No art. aqui estamos perante a figura do arquivamento em caso de dispensa de pena do art. porque a esse caso em sede de julgamento se poderia aplicar a dispensa de pena. na fase de inquérito. Se o processo for por crime relativamente ao qual se encontra expressamente previsto no direito penal a possibilidade de dispensa de pena. se o dano tiver sido reparado. Quando o MP investiga. a culpa e a ilicitude do agente forem diminutas. mesmo que seja um crime publico. 74o do CP. em concordancia com o juiz de instrucao. No arquivamento. o particular nao está obrigado a denunciar o crime. O principio da legalidade tem limitações: que sao afloramentos do principio da oportunidade.281CPP No primeiro caso. 243o. de se poder arquivar o processo quando estamos na presença de um caso que admitiria a dispensa de pena em termos de direito penal substantivo. 74 do CP verificamos que está prevista a possibilidade de quando o crime for punivel com pena de prisao não superior a seis meses ou pena de multa nao superior a 120 dias. pois pode tratar-sede um crime particular ou semi-publico. justamente no sentido de resolver alguns problemas que se levantavam a este proposito e de distinguir a denuncia da queixa. recolhe indicios suficientes da pratica do crime. De resto. sempre que esteja relacionada com as suas funções. a saber. o MP investiga. e é dá responsabilidade do MP determinar qual o tipo de crime em causa. Quanto aos particulares. temos de procurar a resposta no art. Nos casos do art. Esta é de maior aplicabilidade.

Chegou a discutir-se. alíneas a) a f) do CPP. devido ao sentido convergente entre o dito sistema continental e o anglo-saxonico. n. logo no inicio do decurso do prazo.262o e claro e indica-nos as funcoes do MP.281o do CPP) . pois este só será analisado na fase de julgamento.“ser de prever que o cumprimento das injunções e regras de conduta responda suficientemente às exigências de prevenção que no caso concreto se façam sentir” -. atenta a alinea seguinte (al. O nosso processo penal vincula o MP. Nos casos em que exista uma culpa grave. o crime de ofensa a integridade física. por exemplo. são muitos os crimes que cabem nesta possibilidade. O CPP no seu art. Este arquivamento tambem e uma imposicao legal. f. por sua iniciativa ou a requerimento do arguido ou do assistente. que permite que esse prazo se prolongue ate cinco anos. nao faz sentido que se de tanto valor a alinea e) do referido artigo.281o do CPP) e o arquivamento com dispensa de pena (art. Da mesma maneira. se a nossa CRP imporia ou nao uma opcao pelo principio da legalidade. Esta questao levantou-se na entrada em vigor do CPP de 1987. Isto decorre do art. Mas esta suspensão vai ser feita mediante a imposição de injunções e regras de conduta ao arguido. e que este ultimo esta a importar caracteristicas do principio da legalidade. o MP.283o. do n. entao se este pressuposto se verificar. pois se. A diferenca do nosso sistema para o sistema anglo-saxonico. cometido posteriormente.1 do art. nem sequer deve requerer a suspensao provisoria do processo. 281o do CPP.283 do CPP diz-nos que recolhidos indicios suficientes ele acusa.o 5 deste artigo. nao da outra oportunidade ao MP. Alem do mais.o 1 do art. a também duvidas. quando lhe foi submetida fiscalizacao da constitucionalidade do CPP de 87. Este principio da legalidade tem sido muito discutido versus principio da legalidade. Sendo assim. visto que nesta fase não e exigível ao MP demonstrar com precisão tal gravidade. estes tanto podem ser processuais como substantivos.281o do CPP). não cumprindo a suspensão provisória do processo as exigências de prevenção. Princípio da legalidade E um principio que vincula a actuacao do MP a regras estritas. cumulativa ou alternativamente.277o do CPP diz que sempre que MP recolha indicios de que nao houve crime ou quando não recolhe indicios suficientes e obrigado a arquivar. 281 n1. Esta decisão do MP de acusar ou arquivar pode não ser no fim do prazo dos dois anos. Esta suspensão provisória do processo consiste na possibilidade de o MP. que e o instituto da suspensao provisoria do processo (art. isto quer dizer que o sistema continental esta a adquirir laivos do sistema anglo-saxonico. com a excepcao do n. o arguido desrespeitar alguma regra de conduta que lhe tenha sido imposta. “Indícios suficientes” sao aqueles que resultarem num possibilidade razoavel de ao arguido vir a ser aplicada uma pena ou medida de seguranca (art. nesta disputa entre principio da legalidade e principio da oportunidade. é necessário preencher os requisitos do art. O Tribunal Constitucional pronunciou-se sobre esta materia. todos os crimes punidos com pena de multa). 219o da CRP.diferente da pena de prisão (por exemplo. as injuncoes ou regras de conduta que constam no no 2 do art. porque não fazia sentido que um sujeito que tivesse cometido. findo o qual o MP arquiva (quando o arguido cumpre essas regras ou injunções) ou acusa (quando há incumprimento das regras de conduta ou injunções). embora ainda seja um processo ha ja uma desjudicializacao. diz-nos que o MP esta obrigado a promover todos os processos de que tenha conhecimento e a acusar por todas as infraccoes cujos pressupostos estejam preenchidos.o2 do CPP). O primeiro crime só devia ser relevante caso o crime cometido posteriormente fosse da mesma natureza. em principio. determinar a suspensão do processo. durante o prazo maximo de dois anos. que impedisse a suspensão provisória num crime de burla. Quanto ao requisito ausência de um grau elevado de culpa (alínea e). Existem no nosso sistema aberturas ao principio da oportunidade? Hoje em dia abre-se um conjunto de instrumentos que pretendem ter um lugar no principio da oportunidade. mas muito antes disso o CPP ja tinha uma marca que e de conhecimento internacional. e nao lhe da margem de arbitrariedade para negociar ou tentar acordos. por um prazo não superior a dois anos. e o que se passa com a mediacao penal. sao oponiveis ao arguido. ademais porque vigora durante todo o processo o principio da presuncao de inocencia. Quando se fala em oportunidade referimo-nos ao poder do MP de acusar ou nao. O art. O constitucionalista Vital Moreira pronunciou-se num sentido afirmativo. aqui já pode proceder à acusação. porque na fase de inquérito e muito difícil apurar o grau de culpa. Assim. o art. e que este e um processo de partes e o MP nao esta obrigado a acusar por todos os crimes. com o acordo do juiz. Recentemente essa discussao voltou a baila devido a aproximacao dos dois sistemas. no. Nao pode optar por nao acusar quando recolhe indicios da pratica de um crime e quem foi o seu agente.280o do 21 . este pressuposto era muito forcado. vigora naquele sistema um principio da oportunidade. dizendo que a CRP impoe um respeito claro pelo principio da legalidade. Para alem do requisito do tipo de crime que admite a suspensão provisória do processo. Na anterior redacção deste artigo exigia-se que não houvesse antecedentes criminais. tal como vigora no sistema anglosaxonico.

P. por uma medida privativa da liberdade? Nestes casos o juiz deve remeter para a forma de processo adequada. os elementos de prova constam na acusacao. vai ter como consequencia um inquerito mais ligeiro. agora tambem se aplica aos crimes e violencia domestica e ao crimes contra a liberdade e autodeterminacao sexual.392º ss. que nos diz que o tribunal apenas pode investigar e julgar dentro dos limites postos pela acusacao. porque quem decide aqui e o MP. e esta delimita o ambito do processo. porque de acordo com o art. sempre que se verifiquem” os pressupostos das alineas do n. Contudo. com a concordância do juiz de instrução. a culpa e diminuto e as exigencias de prevencao nao se sentem. vai remeter para o processo competente. Esta previsto na C.o1 do mesmo artigo. Neste tipo de crimes era frequente a vitima desistir com medo das represalias que iria sofrer por parte do conjuge. no seu n. Atraves deste mecanismo a vitima fica protegida. nao ha duvidas que este processo sumarissimo corresponde a uma abertura ao principio da oportunidade. Se durante esse periodo o arguido desrespeitar essas injuncoes ou se voltar a delinquir. produzida pelo MP ou pelo despacho de pronuncia. o crime e menor. consequencia da instrucao aberta por um dos sujeitos processuais. Ja o art. vai no sentido de que quem investiga nao julga. O MP. nao ha a partida um arquivamento. amplo de pressupostos. por se tratarem de coisas minimas. 32o. porque e um agente primario. relativamente. Neste caso. 280o do CPP o MP embora tenha fundamentos pode decidir arquivar o processo. verificados os pressupostos o MP pode entender que naquele caso concreto nao deve ser aplicada uma pena privativa da liberdade aquele agente. o Ministério Público. porque a partir do momento em que acusa o processo passa para as maos do juiz de instrucao.R. Entao se o juiz achar que aquele processo nao e ao adequado. e mais elaborado. e nao ha razoes de prevencao. As garantias do processo sumarissimo sao diminuidas. Diz o art. Por isso nao faz sentido ocupar os tribunais com tal processo. igualmente. e assim ja nao ha necessidade de tal processo ir a julgamento. E se o juiz do processo sumarissimo. e porque a estrutura do nosso processo penal e toda ela acusatoria. mas o processo fica suspenso durante um determinado periodo de tempo com a condicao de o arguido ficar sujeito a regras de conduta. ou companheiro. pode decidir-se pelo arquivamento do processo. recorrendo a este instituto ele faz uma antevisao do que seria o desfecho daquele processo caso ele fosse a julgamento. o MP. 281o do CPP. O facto de o MP decidir por um processo sumarissimo. e a tramitacao e diferente. onde o MP verifica que estao preenchidos os seus pressupostos.3. contudo o inquerito ja terminou. E preciso que se verifiquem um conjunto. E tambem nao obriga a vitima a ir contra o seu conjuge. a suspensão do processo. oficiosamente ou a requerimento do arguido ou do assistente. Na suspensao provisoria do processo temos requisitos de ordem material. Isto levanta muitas questoes. Aqui. e um instituto especial. O processo sumarissimo e considerado. porque sabe que o processo esta em aberto e caso o agressor infrinja alguma injuncao. Permitir ao MP decidir qual a forma do processo e entrar nas funcoes jurisdicionais. 22 . determina. Princípio da Acusação O principio da acusacao e um principio muito importante no processo penal.” Este mecanismo funda-se no facto de o proprio CP prever a dispensa de pena. Uma norma como esta levanta duvidas devido ao principio da separacao de poderes. ele nao devia ter esta funcao. n. se se verificarem os pressupostos daquela dispensa. Ha uma suspensao do processo. a suspensao do processo cessa. em que o bem juridico e de diminuto valor. Estes dois mecanismos sao as aberturas mais significativas ao principio da legalidade e sao motivo de louvor do nosso CPP. Trata-se de uma cedencia ao principio da legalidade obvia. optar no caso em concreto. mediante a imposição ao arguido de injunções e regras de conduta. Estes institutos criam uma margem de manobra ao MP.o1 que “ se o processo for por crime relativamente ao qual se encontre expressamente prevista na lei a possibilidade de dispensa de pena. no art. um instituto de abertura ao principio da oportunidade.o 5. que do ponto de vista da aquisicao de provas para submeter a julgamento e muito mais fragil. do CPP. ele proprio aplica o arquivamento do processo com dispensa de pena. aqui e o MP que decide como vai ser o processo. pois existe o acordo das partes bem como existe a concordancia entre o MP e o juiz de instrucao. Este processo vem regulado nos art. ha uma especie de liberdade para prova. a censura ao agente existe mas nao e significante. este artigo estava pensado para os crimes contra a liberdade sexual.CPP). o processo retomase. tal como sucede no caso de arquivamento com dispensa de pena. com a concordância do juiz de instrução. 1. Ao contrario da dispensa de pena onde temos uma transposicao da lei penal para o processo penal. Inicialmente. reza este artigo que “ se o crime for punível com pena de prisão não superior a cinco anos ou com sanção diferente da prisão.

fora dos limites estabelecidos pela acusacao. entao vai emitir o despacho de pronuncia e fixa o objecto do processo a partir daqui. A acusacao ao fixar objecto do processo. ele tera sido julgado dentro do processo. nao podia ser outra a solucao senao a de que. ja contendo o crime de difamacao. nao e possivel julgar. uma pequena alteracao no objecto do processo. e aplicando o principio da unidade.Tendo em conta que estamos perante um processo de estrutura acusatoria. Nao se pode julgar por factos que nao constem da acusacao. ha. e pelo assistente no caso dos crimes particulares em stricto sensu. se na acusacao consta a pratica do crime de ofensas corporais e se quem abre a instrucao entende que tambem houve crime de difamacao. havendo abertura da instrucao. havendo um sujeito que investiga e acusa. temos uma parte que investiga e acusa e outra que julga. problema que se levanta é o de saber se é possivel. ou nao são substanciais e como tal nao alteram o objecto do processo. se no julgamento se veio a verificar que. e e punido com pena de prisao ate 5 anos. entende-se como “alteração substancial dos factos aquela que tiver por efeito a imputação ao arguido de um crime diverso ou a agravação dos limites máximos das sanções aplicáveis”. O que o juiz nao pode fazer e ele proprio investigar por novos factos e pronunciar por esses factos. O que. entao e como consequencia disto. atraves da acusacao define-se o objecto do processo. diz-nos que a primeira e aquela que define o objecto do processo. o que julga nao pode alterar a acusacao. 1o. porque continuamos a ter um crime de furto simples. porque isso e competencia de uma outra entidade que e o MP. O principio da acusacao. vale como se tivesse sido julgado de forma indivisivel. aqui. se determinado facto levado a julgamento que não tenha obtido uma decisao sobre ele. nao e possivel investigar. nao chega a haver um crime diverso e nem ha alteracao do limite maximo da pena aplicavel.Principio da identidade: isto significa que o objecto do processo deve manter-se o mesmo desde a acusacao ate ao transito em julgado da sentenca. e e este que ira ser conduzido a julgamento. pois ele fazia parte da acusacao. se o individuo esta a ser acusado de ter cometido o furto do relogio de marca “Omega”.Principio da unidade ou da invisibilidade: deve ser conhecido e julgado na sua globalidade de modo unitario. sem acusacao nao pode haver despacho de pronuncia ou julgamento. a nao ser nas situacoes de excepcao que a lei preve. nao pode e alterar o objecto do processo em sede de julgamento. ou seja. e durante o julgamento se concluiu que o relogio era da marca “Tissot”. ou o assistente no caso dos crimes particulares stricto sensu. Por exemplo. e quando. que passamos a enumerar: . 303o do CPP. . ainda assim. este novo facto transforma o crime de furto simples em crime de furto qualificado. É permitido ao juiz fazer alterações. a acusacao e pressuposto da existencia destes. porque este se considera como um todo. Pode suceder que. ou seja. 23 . . Esta é a primeira limitacao ao principio da acusacao. ou seja. mas das duas uma: ou essas alteracoes sao substanciais e ha acordo dos sujeitos processuais. refere-se a situacao em que. Claro que o tribunal pode comunicar ao MP a existencia desse novo facto. Portanto. se o juiz de instrucao verifica que o crime de difamacao foi efectivamente cometido. a partir daqui. no caso dos crimes publicos e nos crimes semi-publicos. O art. Aqui chama-se a colacao um conjunto de principios. portanto. Deste modo. Temos de saber o que sao alteracoes substanciais do objecto. Aqui o crime ja e diverso. alterar o objecto do processo.Principio da consumpcao do objecto do processo penal: caso o processo nao tenha sido julgado como um todo. apos a acusacao e na fase de instrucao surgem novos factos. Agora. Ou seja. por principio. para proceder ao furto. Ha. alínea f) do CPP. da-se como analisado. porque ele ja esta fixado pelo MP. estamos perante uma alteracao substancial dos factos. Em segundo lugar. temos alteracao do limite maximo da pena de prisao. Costuma dizer-se que o tribunal fica vinculado tematicamente ao objecto do processo fixado pela acusacao. logo. uma limitacao do tribunal de nao poder investigar determinado facto que nao conste na acusacao. ao passo que o crime de furto simples e punido com pena de prisao ate 3 anos. o objecto do processo venha a ser fixado pelo despacho de pronuncia mas tendo em conta o que vem enunciado no requerimento de abertura de instrucao. existe o principio da acusacao que nos diz que. ao dizer que ha uma entidade que investiga e acusa e outra que julga. Formulado o principio. sem ser fraccionado ou dividido. decorrentes do principio da acusacao. esta a ditar a uma vinculacao tematica. o individuo se introduziu ilegitimamente na habitacao do ofendido. No art. mas essa alteracao nao e substancial. isto e.

2. quando a alteracao nao e substancial. a requerimento. e pronuncia-se de acordo com este. mas prossegue-se. porque esse facto nao e autonomizavel do restante processo. a qual e possivel. o juiz. por sua vez. com o consequente adiamento do debate. e que o requerimento de abertura de instrucao esta bem feito. Este principio e relevante na questao do objecto. podemos pensar que por erro do MP esse novo facto nao consta do processo. Recorrendo ao exemplo do furto simples. esta assim descrito na acusacao. 358o do CPP tem um limite. se concluir que o MP classificou mal aqueles factos. faz-se a comunicacao ao MP que vale como denuncia para que ele proceda penalmente. 1 deste artigo diz respeito aos casos em que a alteracao dos factos nao e substancial (no exemplo anterior. Nestes casos. a comunicacao da alteracao substancial feita ao MP vale como denuncia pelos novos factos. se subdivide em três principios: 1. e tambem nao pode dar lugar a uma nova investigacao. (que e identico ao no. porque os factos sao os mesmos. e esta ligado ao principio da vinculacao tematica. no julgamento. Isto tem uma ressalva: quando a acusacao tenha derivado de factos alegados pela propria defesa. por exemplo. nao pode avancar. não permite avancar com um novo inquerito apenas sobre essa circunstancia que veio alterar a base do furto. 24 . quer na instrucao. Este novo facto pode fazer parte deste processo? Com a acusacao fixamos o objecto do processo. Aqui estamos a partir do pressuposto que estes novos factos que alteram a acusacao nao são factos que estao no requerimento de abertura de instrucao. porque sendo factos que estao no requerimento nao se pode falar de alteracao substancial dos factos. Todos os factos sobre os quais o juiz vai poder incidir o seu poder de investigacao. O no. e pode fazer-se essa alteracao. nem implica a extincao da instancia. tendo de comunicar ao MP. n. porque a lei assim o permite. sao so os factos que constam no despacho de acusacao.O no. estamos a falar do motivo/causa da instrucao. O n. 303o. e o objecto furtado era de valor elevado. Isto e uma desvantagem do principio da acusacao.o4 do CPP). 4 do art. ou seja. Aqui. Princípio da Acusação O principio da acusacao diz-nos que recolhendo o MP indícios durante a investigacao. Relativamente ao julgamento de instrucao. este facto nao pode ser tido em conta no processo. Isto tem uma nuance no que toca a instrucao que ira ser tratada adiante. Principio da Unidade. Principio da Identidade. esta situacao esta regulada no art. so se pode comunicar ao MP os novos factos para serem perseguidos criminalmente se eles forem separaveis do resto do processo. a existencia de um facto que qualifique o facto. e o MP designou tal facto como furto simples e nao como furto qualificado. e por tal o agente nao vai ser devidamente julgado. Podemos pensar que isto e uma injustica. se a alteracao nao e substancial o juiz pode avancar. o qual. dando um prazo ao arguido para preparar a sua defesa. E passa a ser julgado por um crime qualificado. ele tem que acusar. Se a alteracao e substancial. nao existe alteracao do objecto do processo. esses factos nao serao investigados. ou seja. nao pode ser tomada em conta pelo tribunal. interroga o arguido sobre ela sempre que possivel e concede-lhe. o qual expressa a vinculacao tematica do tribunal ao objecto do processo. pois nao afecta o principio da acusacao. e o caso do relogio furtado ser da marca “Tissot” e nao da marca “Omega”).o2 do art. o juiz pode trazer mais factos para o processo? O juiz. comunica a alteracao ao defensor. da-se um prazo para ele preparar a sua defesa. 303o d CPP): a expressao “ se estes forem autonomizáveis em relação ao objecto do processo”. Se. se o juiz considerar que de facto e assim que esta no requerimento de abertura de instrucao. oficiosamente ou a requerimento. existe apenas a comprovacao judicial de que a acusacao esta mal feita. No despacho de pronuncia ira aparecer este novo facto. Caso contrario. se eles forem autonomizaveis. nestes casos. se necessario. Temos e uma alteracao da qualificacao juridica dos factos. um prazo para preparacao da defesa nao superior a oito dias. ao fazer inquiricoes as testemunhas descobre um novo facto. se nao puder ser autonomizada do furto simples. esta e a regra. nao existe alteracao. Neste caso. 358o do CPP: comunica-se ao arguido. Se a alteracao for substancial. Depois desta acusacao. O individuo tem um prazo para preparar a sua defesa em funcao da nova qualificacao juridica dos factos. Portanto. para efeito de abertura de um novo processo relativamente a esse facto (art. muito importante que esta a dar azo a criticas. 3 do mesmo artigo indica que uma alteracao substancial dos factos descritos na acusacao ou no requerimento para abertura da instrucao nao pode ser tomada em conta pelo tribunal para o efeito de pronuncia no processo em curso. quer no julgamento.

os quais vao alterar o tipo legal de crime. Por consumpcao quer-se dizer que todos aqueles factos devem ser julgados irrepetivelmente naquele processo. B apresenta queixa contra A. em julgamento. e o direito pressupoe que havendo uma diminuicao sensivel da culpa do agente. e considerado como consequencia de todos os factos. eles consideram-se julgados. define tambem os poderes dos tribunais (o poder de julgar). Isto vai a julgamento. de modo. mesmo que o juiz nao se pronuncie sobre eles (por lapso). ele pode ser julgado pelo por um crime so. pretende demonstrar que a fixacao do objecto tem toda a relevancia. que no crime continuado se trata de um unico facto. funciona como o principio “casum sentit dominus”. no mapa da imprensa cor-de-rosa. mais tarde. com a concordancia do juiz de instrucao. Indignada com o escrito. Este e o caso mais gritante do principio da consumpcao. o Ministerio Publico. a responsabilidade e imputada ao MP e nao ao arguido. Principio da Consumpcao. 283o. mas aqui ja envolve a questao do caso julgado. Os factos posteriores ao crime continuado o juiz aceita que e um crime autonomo. n. e por consequência reflecte-se no resultado do processo. e. Indicios suficientes sao nos termos do art. um conjunto de factos que deviam estar naquela acusacao e nao estavam. Caso prático n.o2 do CPP aqueles dos quais resultar uma possibilidade razoavel de ao arguido vir a ser aplicada. e nenhum deles poder ser repetido. Durante o julgamento o juiz descobre novos factos. considerando-se julgados findo aquele processo. se num conjunto de factos fazem parte um conjunto de circunstancias submetidas a julgamento. e particularmente no crime continuado. Neste ultimo. aquilo que ele pode investigar. uma pena ou medida de seguranca. ou quando haja mais probabilidades de 25 . Outro problema que se levanta e a questao da alteracao substancial dos factos. a lei ficciona um conjunto de factos individuais que se repetem todos os dias. Ha indícios suficientes quando na fase de inquerito se tiverem recolhidos provas bastantes. promovendo o inicio do respectivo inquerito. 5 e 6 furtou outros objectos. Assim a acusacao define quer o objecto do processo bem como a defesa do arguido.3. Encerrado o inquerito. ele esta cristalizado no despacho de acusacao. Aquilo que advier enquanto consequência juridica daquele processo. entao aplica-se a nova moldura e substitui-se a moldura anterior. e conduz a questao mais debatidas no processo penal. passamos de homicidio simples. Quanto ha identidade significa que e na acusacao que se identifica o objecto do processo. O que se passa com estes novos factos? Nao dao origem a um novo processo devido a consumpcao daquele processo. por forca deles. Isto pode levantar problemas quando um conjunto de factos passou em” branco” no processo. havendo uma probabilidade seria do arguido vir a ser condenado. No que diz respeito a unidade queremos dizer que sao todos aqueles factos que devem ser apreciados e submetidos a julgamento. para saber do que que esta a ser acusado e para preparar a sua defesa. decide o arquivamento por dispensa de pena. tambem entrou em casa do B no dia 3. A impossibilidade de voltar a imputar. no dia 4 furtou uma maquina de cafe. no dia 2 furtou 50 sacos de farinha. Estes factos constam na acusacao. O MP tem a obrigacao de acusar por todos os inqueritos. Supondo que o MP descreve o seguinte: o senhor A no dia 1 furtou 5 cadernos. Eles consideram-se julgados naquele processo mesmo que não tenham sido objecto de avaliacao por parte do juiz. para defesa do arguido. sobre a alteracao substancial dos factos. faz publicar um panfleto onde conta as ultimas aventuras intimas de B. Mais complicado sao os factos anteriores a acusacao. a que o crime passe para furto qualificado. se tais factos nao constam na acusacao consideram-se perdidos. nos quais consiga indicios suficientes da pratica do crime e quem foi o seu agente. Pode o juiz proceder a tal alteracao? Isto exemplo. no decurso deste o juiz verifica que o A. Ha doutrina que entende que se tratando de factos sucessivos esses devem considerar-se como se fossem um crime continuado. afamada viuva la da terra. Pois a lei ficciona. juridicamente.º 4 A decidido a colocar Vila do Tedio. considera-se que este nao pode ser prejudicado devido a ma investigacao do MP. Nao pode surgir um novo processo para julgar partes processuais que estavam inseridas dentro de um processo. para homicidio qualificado. Quis iuris? Resolucao: Esta em causa o principio da legalidade e uma excepcao a este principio. E se um desses factos constituir um furtou mais elevado.

o MP inicia o procedimento criminal contra A.n. Nao se constituindo assistente. aqueles interesses que visem concretizar um direito essencial ou uma formacao da cidadania das pessoas. e necessario o acordo do juiz de instrucao. E nos termos do n. so quando se diz coisa em contrario e que o crime e semi-publico ou particular. O MP pretende arquivar o inquérito por julgar serem inexistentes as necessidades de prevencao especial. logo no inicio. o MP nao tem legitimidade para prosseguir com uma investigacao contra um crime particular. Para tal temos que recorrer ao C. e nao se consideram interesses legitimos. Assim sendo. Esta obrigacao do MP deduzir acusacao. por este ter subtraido de um cemiterio um crucifixo em bronze. Em primeiro lugar. nao se pronuncia sobre o facto de ser necessario ou nao queixa.182o do CP). p. tendo sido publicado um artigo na Revista Legislacao e Jurisprudencia.280o do CPP.180o. pois este nao necessita de qualquer procedimento para dar inicio ao procedimento. o panfleto. significa que estamos perante um crime de natureza publica. previsto no art. Pode a imprensa publicar todo o direito informado para o cidadao. Atraves da leitura do art. temos uma causa de exclusao da culpa. a difamacao e a injuria sao equiparadas as feitas por escrito. temos que saber qual a natureza do crime de difamacao. gestos. Encerrado o inquerito. o MP arquivou com dispensa de pena. mas para a sua formacao individual.ele vir a ser condenado e nao absolvido. o processo terminava. porque nao se constituindo o ofendido assistente. a viuva B apresentou queixa. Por ultimo. no caso. mas pretende arquivar o inquerito por julgar serem praticamente inexistentes as necessidades de prevencao especial. pelo Prof. esta preenchido o primeiro pressuposto. quando a imputacao for feita para realizar interesses legitimos e o agente provar a veracidade dos factos. nao satisfaz nenhum interesse legitimo e como tal.182o do CP.1. Foi analisado em ultimo lugar para se proceder a avaliacao do arquivamento em caso de dispensa de pena. encontramos no fim do capitulo a natureza do crime. Este artigo e insuficiente e como tal temos que recorrer ao art. Se tratasse este assunto. Quanto a natureza do crime. Para tal temos que ver se estao preenchidos os pressupostos do art. Caso prático n. assimsendo.o1 do mesmo artigo. temos que saber o que se entende por interesses legitimos. Nos termos do art. o A ira ser punido pelo crime de difamacao (art. ao principio da oportunidade. e acusacao particular. como tal estamos perante um crime particular. este principio faz algumas cedencias ao principio da oportunidade. no prazo de 10 dias. Ficando assim outro requisito preenchido. 204o do CP. Em segundo lugar. Contudo. entendendo estes que sao interesses legitimos. pois a regra e o crime ser publico. no enunciado e dito que o juiz de instrucao concordou. o MP entende que recolheu indícios suficientes de que o A praticou o crime. Desta forma. Nos termos do n. Al. Sao exemplos dessa abertura. o MP iniciou bem o inquerito. nem sequer ha abertura de inquerito. e uma manifestacao clara do principio da legalidade.o2 do mesmo artigo. segundo este. Figueiredo Dias e Costa Andrade. e encerrado este. Este conceito indeterminado fez correr muita tinta entre a doutrina. Quando nada se diz o crime e publico. o procedimento criminal nao depende de queixa. Pode faze-lo? Qual seria a sua decisao? Resolucao: No caso. admite a dispensa de pena. nos termos do art. E o MP quem tem a 26 . 180o do CP. estamos perante um crime de difamacao. estamos perante um crime de difamacao. n.P. por suspeita de este ter subtraido de um cemiterio um crucifixo em bronze. Desta forma. 281o do CPP).º 5 O MP inicia procedimento criminal contra A. o caso do arquivamento com dispensa de pena (art.p no art. Por vezes. 204. Aqui ja cabe o panfleto do nosso caso pratico. De acordo com o enunciado. c) do CP. 186o do CP esta prevista a dispensa de pena. Apresentar queixa nao e a mesma coisa que dizer que ela se constituiu assistente e que deduziu acusacao. concluimos que o procedimento criminal depende de acusacao particular. temos que ver se o crime. Quanto ao tipo legal de crime estamos perante um furto qualificado. Este ultimo paragrafo deve ser analisado em primeiro lugar. como o art. sempre que o MP recolha indicios suficientes da pratica de um crime e quem foi o seu agente esta obrigado a deduzir acusacao contra esse sujeito. substantivamente. o MP entende ter recolhido indicios suficientes de que A praticou o crime. No caso. imagens ou qualquer outro meio de expressao. aqueles que visam apenas um interesse lúdico ou de entretimento.o1 do CP. 188o do CP. 280o do CPP) e o caso da suspensao provisoria do processo (art. No caso sub judice.

. de o arguido nao o ter praticado a qualquer titulo (art. 281 do CPP. No caso do arquivamento para dispensa de pena ha indicios. O inquerito e. pedindo o Requerimento de Abertura de Instrucao (RAI). este requisito esta preenchido. aqui o MP sustem o processo por um periodo probatorio. Podemos dizer que o nosso CPP. o MP nao pode arquivar o processo. do CP. todavia.277o do CPP. porque ele recolheu indicios da pratica do crime e quem foi o seu agente. 3. tipicas e as maioritarias. Estas sao duas eventuais e segmentarias formas de conclusao do processo de inquerito. n. Restantes alineas do n.Suspensao provisoria do processo (art. nao faz sentido estar a perseguir com aquele processo. classicas. ele no prazo de 10 dias. Concordancia do arguido e do assistente: este e o mais dificil de obter.1 do CPP).Arquivamento para dispensa de pena (art.direccao do processo. As duas primeiras formas de encerramento do inquerito sao as duas formas tradicionais. Se ele tiver indicios. 4. deduz acusacao contra aquele (art. O MP oficiosamente ou a requerimento do arguido ou do assistente determina com a concordancia do juiz de instrucao. 277º DO CPP) ACUSAÇÃO (ART.283o do CPP. consagra duas formas particulares que sao uma cedencia ao principio da oportunidade.277o. Crime punivel com pena de prisao nao superior a cinco anos ou com sancao diferente da prisao. FORMAS POSSIVEIS DE ENCERRAMENTO DO INQUÉRITO: ARQUIVAMENTO (ART. mas se se verificarem os pressupostos da dispensa de pena. No caso. mas estas funcoes estao imperativamente determinadas na lei. se ele infringir alguma regra de conduta o processo retoma-se. 27 . Na suspensão provisoria do processo este pode acabar em arquivamento (quando o arguido respeita as regras de conduta). 280º DO CPP) SUSPENSÃO PROVISÓRIA DO PROCESSO O MP procede ao arquivamento do processo quando recolhe prova bastante de se nao ter verificado crime. 2. onde nos diz na sua alinea i) que o crime de furto qualificado e punível com pena de prisao ate cinco anos ou com pena de multa ate 600 dias. igualmente.o1 do art. ou em acusacao (quando o arguido desrespeita as regras de conduta).o1 do CPP).277o. Ao lado destas. Isto e o que resulta do principio da acusacao e do principio da legalidade. arquivado se nao tiver sido possivel ao MP obter inicios suficientes da verificacao do crime e quem foi o seu agente (art. Se ele as cumprir o processo cessa. n. 280o do CPP): o primeiro requisito desta e que a dispensa de pena esteja prevista na lei substantiva. se nao há indicios.283º DO CPP) ARQUIVAMENTO COM DISPENSA DE PENA (ART.280o do CPP).1. Assim temos que voltar ao art. Estas duas solucoes saem do vector da acusacao. Como tal nao se encontra. nos termos do art. impoe um conjunto de regras e injuncoes ao arguido.o 2 do CPP). Assim. entao consideramos que o juiz de instrucao esta de acordo. Solucao distinta e muito mais frutuosa e o da suspensao provisoria do processo. e de acordo com o principio da legalidade o MP so pode acusar. No caso nada nos e dito. Do despacho de arquivamento do MP nao ha possibilidade de recurso. pois se ha acordo pode prosseguir para o arquivamento com dispensa de pena (art. n. ha duas saidas que sao o arquivamento para dispensa de pena e o caso da suspensao provisoria do processo. este instituto nao se vai aplicar. por se tratar de coisas bagatelares do ponto de vista juridico. partindo do art. porque e dificil o assistente estar de acordo com o arguido.283o. que sao: . cabendo-lhe arquivar ou acusar. Quando o MP recolhe indicios suficientes de se ter verificado o crime e quem foi o seu agente. o MP so tem uma opcao que e arquivar. Os sujeitos processuais podem impugnar o despacho de arquivamento do MP.n.281o do CPP): requisitos: 1.204.

e que esta contestacao nao tem tanta relevancia pratica como tem no processo civil. pode e deve investigar livremente. a todo o processo penal. No processo civil. esse seria do tribunal. para poder decidir com conviccao o caso concreto. no processo penal as provas sao plasmadas na acusacao. porque o MP esta a entrar na esfera juridica do juiz. Isto sucede assim tanto na instrucao como no julgamento. quando preenchidos os ditos requisitos. tal como sucede em direito processual civil. no fim do inquerito tendo por base as finalidades das penas.o2 do art. isto e. tambem. aqui ele conduz a prova. Há quem diga que. há uma contestacao. sendo o seu papel mais acentuado na ultima fase. e chamado de principio da verdade material. assistente e arguido. quando o faz ele “oferece o merecimento dos autos”. Este principio. e dificil o MP decretar a suspensao provisoria do processo. e alem disso ja estamos a fazer consideracoes de culpa sobre o arguido. optar pela suspensao provisoria do processo (art. ele pode faze-lo. sobretudo. podia. pode inquirir testemunhas. Princípio da investigação O principio da investigacao consiste no poder-dever que o tribunal tem de esclarecer e investigar autonomamente o facto trazido a julgamento. Em suma. mas tem matrizes particulares em algumas fases. o juiz.340o do CPP uma manifestacao deste principio. Este principio e corolario do principio da verdade material. pois ai o juiz tem um poder que nao estamos habituados a ve-lo noutros processos. 283o do CPP. 281o do CPP). porque duas razoes: 1) O arguido nao tem nenhum onus da prova. Para alem desta formulacao do conteudo do principio da investigacao. nao e aquele que apenas recebe aquilo que a acusacao e a defesa levam. porque o juiz pode requerer certa producao de prova. aos meios de obtencao de prova e a sua admissibilidade. porque este tem que decidir na base das provas que são carreadas para o processo e como os sujeitos processuais nao tem onus de prova e como o juiz nao esta limitado aos contributos dos sujeitos processuais. 2. as provas sao indicadas nos respectivos articulados.Devido a necessidade de concordancia entre o MP. genericamente. porque e um artigo que permite requerer ou ordenar diligencias probatorias estando ja o julgamento a decorrer. por isso na maior parte dos casos o arguido nao contesta. e recebido pelo juiz de julgamento o qual agenda uma data para audiencia. 281o do CPP.1. o qual ainda nao foi julgado. Encontramos no art. isto e estranho ao nosso sistema. Preenchidos estes pressupostos. pois e dificil obter o acordo destes sujeitos processuais. aqui. Estas injuncoes sao muitos semelhantes as medidas de coaccao. de modo proprio praticar esses actos. Este principio esta intimamente ligado a prova. o MP podia concluir pela suspensão provisoria do processo. Princípio da investigação Estes principios aplicam-se. requerer a entrega de certo documento… O juiz pode por si. o MP nao podia arquivar. se assim nao fosse so lhe resta acusar nos termos do art. visto que eles perseguem objectivos diferentes. o juiz tem um poder-dever de investigacao autonoma dos factos (que constem na acusacao). Quem tem que provar tudo e o MP. para alem das contribuicoes que os sujeitos processuais possam fornecer. pois ele faz um juízo imparcial. o juiz. O tribunal nao esta dependente dos contributos que os sujeitos processuais possam trazer para o processo. se existisse algum onus de prova no processo penal. e por isso pode e deve investigar o caso autonomamente. O que se passa no processo penal. O nosso modelo e acusatorio mitigado com o principio do inquisitorio. para alcancar a verdade material. A mesma coisa tambem se aplica em defesa do arguido. do juiz. durante o 28 . este artigo e essencial para qualquer jurista. Marcada a data para julgamento. juiz de instrucao. Do lado do arguido. se o juiz entende que para defesa do arguido tem que ser produzidas as provas A e B. Esta medida e decretada pelo MP. na fase de julgamento. porque o processo penal nao e um processo de partes. Princípios relativos à prossecução processual 2. e a partir desse momento o arguido e notificado e tem um prazo para contestar. ele sera mais trabalhado quando estudarmos os principios relativos a prova. note-se que o MP teria que apor ao arguido cumulativa ou separadamente as injuncoes previstas no n. Por isso e considerada uma forma lateral de encerramento do inquerito.

Face ao arquivamento a pessoa que cria o procedimento criminal fica descontente. de contrapor. 298o do CPP. E na fase de julgamento. que lhe confere a possibilidade de intervir quer no inquerito quer na instrucao para exercer o contraditorio. no. Quando falamos em principio da investigacao. isto e. E para impugnar esta decisao que surge Requerimento de Abertura de Instrucao (RAI).5 da C. 2. 2) Se tal e permitido ao arguido tambem se estende ao assistente e ao MP. nao nos estamos a referir a investigacao do MP.o 4 do CPP. Este requerimento funciona como uma antecamara de defesa.R. pode faze-lo durante o julgamento. resultam indícios de facto e elementos de direito suficientes para justificar a submissão do arguido a julgamento”. onde sao esgrimidos os argumentos pro e contra a tese da defesa e da acusacao. al. Antecipa a defesa do arguido no julgamento para a fase da instrucao. ao outro sujeito assiste o direito de contradizer. que e uma fase assumidamente de investigacao. sempre que possivel. e muito claro o principio do contraditorio. No caso do assistente. quando temos uma acusacao o arguido fica insatisfeito.o4 do CPP. o principio do contraditorio esta presente. A fase em que este principio e mais fertil e na fase de julgamento. que o principio do contraditorio assume um papel de alto relevo.1 do CPP). Temos o principio da investigacao na fase de instrucao. quais as consequencias. A instrucao e uma fase facultativa que surge entre o inquerito e o0 julgamento que serve icara sindicar a decisao do MP de submeter ou nao o processo a julgamento (art. E uma forma de sindicancia da decisao do MP atraves do tribunal.1. na fase de inquerito. por exemplo. A instrucao nao serve para investigar outros factos e nem serve para alargar o objecto do processo. que diz que “ as questões incidentais no decurso da 29 .P. e ao poder –dever do juiz poder investigar novos factos.286o. Contudo. tal como esta previsto no art. o juiz pode investigar autonomamente os factos. c. incluindo a decisao de enviar ou nao a decisao para julgamento. mas sim a investigacao noutras fases processuais. tendo em conta a indicacao.julgamento se provara aquilo que o MP entende. no. o juiz investiga autonomamente o caso submetido a instrucao. mas mesmo aqui. Assim a um despacho como este tem que haver uma forma de reaccao que nao e um recurso. Serve apenas para verificar se o MP decidiu bem ou mal na forma como decidiu. e no seu no. como. E o mesmo se passa com o art. porque aqui tem de haver um contraditorio assumido. O art. no art. temos 288o. Muito embora o juiz de instrucao deve ter como indicativo este requerimento. a) do CPP. O arquivamento para dispensa de pena e a suspensao provisoria do processo sao formas de encerramento de inquerito que nao permitem impugnacao. mas na generalidade dos casos nao tem sucesso. No arquivamento e na acusacao ha sempre alguem que nao esta contente. Para que se garanta. n. nos termos do 288o. n. Pois a unica finalidade da instrucao e verificar se existem ou nao indicios suficientes que aquele arguido cometeu ou nao aquele crime. se analisarmos o art. o qual nos diz que o juiz investiga autonomamente o caso submetido a instrucao.2. Princípio da contraditoriedade O principio da contraditoriedade ou principio do contraditorio significa que. Este requerimento e o articulado que da inicio a instrucao porque um dos sujeitos nao concorda com uma questao. que todo o processo. temos o art. em que o contraditorio estara um pouco prejudicado. a dizer que: discorda com a decisao do MP. tendo em conta o referido no RAI. pois de acordo com art. Basta recorrer ao art.o4 do CPP. sempre que um sujeito processual invocar algo no processo. relativamente ao debate instrutorio. que fala nos poderes de direccao e de disciplina do processo. mas se o nao fizer. constante do requerimento da abertura de instrucao. e permitido arrolar testemunhas. Na fase da instrucao. O arguido deve arrolar previamente algumas testemunhas. 340o do CPP da a possibilidade que alegando a descoberta da verdade material. 69o. e que provas nao foram tomadas pelo MP. Temos tambem o art. Na instrucao. 288o. Ate aqui e o MP que procede a todas as diligencias. E um requerimento dirigido ao juiz (na maior parte das vezes o pedido e deferido). pode suceder em outras fases. Este e um articulado feito por um dos sujeitos (que da origem a instrucao).2. 61o. porque eles partem do acordo dos sujeitos processuais. a. do decurso do inquérito e da instrução. por forma oral e contraditória. b. g do CPP.323o do CPP. 290o do CPP. sobre se.1. no. e o art. 327o do CPP que tem logo como epigrafe “Contraditoriedade”. d. Este articulado e usado para indicar algumas provas. n. 32o. n. que as partes tenham direito de se oporem ao que foi dito pelo outro sujeito processual. pois diz o artigo que “o debate instrutório visa permitir uma discussão perante o juiz.. al. decorra de acordo com principio do contraditorio. 328o que fala da contrariedade dos meios apresentados na audiencia.

o principio do contraditorio tem de ser observado sob pena de haver algumas situacoes de nulidade. onde nao ha um contraditorio puro. pode o arguido durante o inquerito exigir que lhe seja comunicada o andamento do processo? Entendemos que nao. no art. sao so aqueles que a lei determinar. o arguido. Com a reforma do CPP 2007. pois seria uma desigualdade de armas tanto relativamente a defesa como a acusacao que poderia por em causa a decisao final do juiz. Antes da reforma de 2007. e no seu no.o5 da CRP. Dai que nao se admita outra coisa. Este principio e particularmente relevante quanto a defesa. 290o do CPP. Com a reforma de 2007. 297o do CPP. a fase de inquerito ja nao e secreta. n. O juiz assegura. a regra e que todo o processo penal e publico. o qual nos diz que “o debate decorre sem sujeicao a formalidades especiais. ouvidos os sujeitos processuais que nelas forem interessados”. O principio do contraditorio e muito mais estreito no inquerito.32o. tem direito ao contraditorio. e ele que os considera relevantes ou nao. e absoluto no julgamento. a contraditoriedade na producao da prova e a possibilidade de o arguido ou o seu defensor se pronunciarem sobre ela em ultimo lugar. o problema que se levantava. n. a nao ser que no inquerito o MP. pois e uma medida fortemente restritiva dos direitos fundamentais. As pessoas viam os seus direitos restringidos e nao sabiam porque. ou o juiz o requeiram. que e o debate instrutorio.301o. Com a reforma do CPP de 2007. porque ha a necessidade de assegurar sempre a defesa do arguido. isto para afastar a imputacao penal. Não sao todos os actos que estao submetidos ao contraditorio. Agora.o2 do CPP. mesmo que tenham sido oficiosamente produzidos pelo tribunal. todavia. e como tal era um absurdo recorrer de uma coisa que nao se sabe quais os seus fundamentos. a regra e que a fase de inquerito nao esta submetida ao segredo de justica. antes da reforma do CPP de 2007. era que para aplicar uma medida de coaccao ao arguido. o qual vem regulado no art. Aqui havia divergencias. introduziu-se o n. nao e um principio do contraditorio pleno. porque o MP entendia que não devia contar nada ao arguido. e especialmente.2 e-nos dito que os meios de prova apresentados no decurso da audiencia sao submetidos ao principio do contraditorio. ou da aplicacao de uma medida de coaccao ai ja e assegurado o direito ao contraditorio. Na fase de inquerito. e havia jurisprudencia e doutrina que ia no sentido oposto. e isso percebese pela fase de inquerito em que o MP domina e que tem como objectivo investigar a pratica de um crime e quem foi o seu agente. era que na fase da instrucao. Princípio da Contraditoriedade E uma questao de conhecimento e discussao das provas tanto pela acusacao como pela defesa. Da leitura destes artigos. Na instrucao situase no meio-termo. Este debate e uma manifestacao clara do principio do contraditorio. 289 do CPP. o MP tinha que contar aquilo que ele estava a fazer. Um problema que se colocava.audiência são decididas pelo tribunal. Este principio esta assegurado constitucionalmente. de acordo com o art. A aplicacao das medidas de coaccao e da competencia do juiz. porque a propria natureza desta fase nao se compatibiliza com tal principio. Esta interpretacao decorria do facto de o unico acto obrigatorio sujeito ao contraditorio ser o debate instrutorio. havia quem entendesse que nao era possivel estar presente o defensor quando o juiz interrogava as testemunhas. a regra era que o inquerito estivesse sob segredo de justica. temos alguns afloramentos deste principio. o qual permite a participacao dos advogados na producao de prova durante a instrucao. Com esta solucao o problema continua a colocar-se. 290º do CPP dizia que o “juiz ordena as diligencias necessarias”. esta questao ficou resolvida. Da aplicacao de uma medida de coaccao cabe recurso. No julgamento. como tal os restantes actos ficavam na livre conviccao do juiz. senao de submeter esta fase ao principio do contraditorio. ha um momento imprescindivel. no art. mesmo que se diga que o processo penal portugues nao e todo ele regido pelo principio do contraditorio. e em qualquer contraditorio a ultima palavra e da defesa. como tal o advogado de defesa ha-de estar presente. pois agora o juiz de instrucao tem que fundamentar a decisao de decretamento da medida de coaccao. mas a requerimento do MP. pois e limitado ao facto de os advogados poderem pedir 30 . todos os actos anteriores dependem da consideracao do juiz. Como o art. mas se estivermos a falar de direitos fundamentais. pois tal fuga de informacao pode inviabilizar a perda de indicios suficientes. porque este principio tem densidades diferentes consoante a fase de processo em que nos encontramos. O debate instrutorio sendo o unico acto obrigatorio da fase instrutoria. Isto passasse dentro da fase de inquerito. nao temos o principio do contraditorio. para conhecer os factos e as provas pelas quais o sujeito foi submetido a uma medida de coaccao.o2 do art. Contudo. agora. mesmo assim.

e se. se perder o efeito util pretendido. No processo penal a prova e difícil de se realizar e na maior parte das vezes assenta na prova testemunhal. existem questoes que. Princípio da suficiência O principio da suficiencia diz-nos que o processo penal e regra geral.esclarecimentos e a formular sugestoes. 7o. e preciso saber se determinado documento e falso para apurar se o agente praticou o crime de falsificacao. a decisao final sera muito mais adequada. 2 deste artigo.se tudo puder ser resolvido no processo penal ganha-se em termos de tempo e de concentracao. sendo normal que as pessoas se esquecem de alguns factos. Na fase de julgamento.3 e 4 do art.7o. assim. ele avoca para si o processo. se for uma questao que nao seja importante para a resolucao do problema penal. faz-se isso para depois voltar ao processo penal. e nele que se decidem todas as questoes. Portanto. o processo penal tem de se apresentar como insuficiente para aquele litigio. por regra.. e sao as chamadas questoes prejudiciais. Com o principio da suficiencia. Pergunta-se: e sempre assim.no2 do CPP preve um conjunto de possibilidades de o juiz do processo penal remeter o processo aos tribunais competentes se entender que existe uma manifesta complexidade da matéria nao e conveniente que seja ele a julgar. sao os seguintes: 1o) Tem de se reconhecer que essa questao e necessaria para a resolucao do problema penal. ha questoes que sao resolvidas fora do processo penal. for preciso ajuizar o caso a parte do processo penal. o advogado nao pode interrogar as testemunhas directamente. isto e. ela pode ser tratada fora do processo penal. directamente. entao a questao passa a ser resolvida dentro do processo penal com os meios que este tem ao seu dispor. Se. nao devendo ser desrespeitado nem pela defesa nem pela acusacao. sejam elas penais ou nao penais. no seu no. assim como ha questoes que sao de tal importancia e que sao alheias ao processo penal.7o do CPP. uma maior celeridade e benefica para o processo. O art. evitando-se descontinuidades no processo. para conseguir resolver o problema. fa-lo por intermedio do juiz ou do MP. isto e. Por exemplo. O processo penal e tendencialmente universal. 7o. nao e preciso suspender o processo para se resolver. o qual. Princípio da suficiência Esta relacionado com o art. para saber isso. Os requisitos para que se possa aplicar o no. queremos dizer que todas as questões necessarias a decisao da causa devem de ser decididas no processo. As descontinuidades sao prejudiciais. 2 do CPP. Findo os prazos (que sao estritos). Nesses casos submete durante um determinado periodo de tempo.3. 3o) Deve ser resolvida o mais rapido possivel para nao perder o efeito útil no processo penal.7o do CPP. 2o) Tem de se verificar que ela nao pode ser resolvida convenientemente no processo penal. do CPP.1 diz que no processo penal se resolvem todas as questoes que interessarem a decisão da causa. o advogado nao pode. ou dos seus contornos exactos e. Este requisito decorre do no. tem que ser resolvidas fora do processo penal (por exemplo. desde logo. porque se entende que os sujeitos tem um estatuto. a indemnizacao civil emergente de facto penal). no. pela sua natureza. 2. mas o facto de resolvermos o maior numero de questoes no processo penal traz vantagens. 31 . Por vezes. se o tribunal puder avaliar todo o arsenal de provas com uma certa continuidade e unidade temporal. nao ha questoes que sao resolvidas fora do processo penal? Sim. porque pode nao haver condicoes no processo penal. o processo para o tribunal competente. com a questao da subsidiariedade do processo civil face ao processo penal. Este principio esta enunciado no art. por uma questao de economia processual . contraditar a testemunha. o processo penal nao se afigura como a instancia adequada para resolver a questao. o lugar adequado para resolver todas as questoes que sejam levantadas ou cujo esclarecimento seja necessario para conformar a decisao final. Estas situacoes estao enunciadas no art. que nos conduzem a aplicar outros processos que nao de natureza penal. Por outro lado. ou seja. ao ser resolvida fora do processo penal.

3 do art. n. O principio da concentracao e um principio favoravel a producao de prova e e muito importante para descobrir a verdade material. dormir…). pois que. Estes aspectos sao importantes para avaliar se o depoimento e prestado com espontaneidade e com veracidade. Exige-se esta concentracao. Ha pormenores que nao sao tao clarividentes. o hiato temporal e tão grande que implica que se volte a ouvir a testemunha x porque ja nao esta claro o que foi dito no seu depoimento.4. isso faz com que haja uma quebra no proprio raciocinio e. se a testemunha esta a transpirar demais. Se exceder perde-se toda a prova produzida. Contudo. se há uma certa sequencia de actos e se ha uma quebra temporal. pois as pessoas nestas quebras podem dialogar entre si e fazer conluios. O n.o 2 do mesmo artigo diz que sao admissiveis as interrupcoes estritamente necessarias. 328o do CPP temos o principio da continuidade da audiencia. . A concentracao espacial tem interesse nao so para o juiz. No que toca a concentracao espacial. Um julgamento em processo penal deve fazerse continuamente. E importante que as testemunhas prestem o depoimento na presenca do arguido. uma interrupcao pode modificar todo o desenrolar da accao. decorrendo sem qualquer interrupcao ou adiamento ate ao seu encerramento”. por vezes. tanto espacial como temporalmente. O julgamento em processo penal e continuo.Princípio da concentração Temos o art. 32 . isto e muito relevante. em termos de julgamento. devendo a sua sequencia ser a mais concentrada possivel.328o do CPP. esta e a regra. acontece que nao ha condicoes fisicas e. elas devem de ser marcadas no mais pequeno espaco de tempo. Por exemplo. para garantir a eficacia dos actos processuais. por vezes. Ha excepcoes a este principio da concentracao. Quando o julgamento se faz atraves de varias sessoes. O n. se tenha de recorrer a videoconferencia. ou seja. se as testemunhas estao a assistir ao julgamento e de seguida vão prestar o seu depoimento. este poder estar inquinado pela sugestao de alguns dos sujeitos processuais. pode ser um sinal de que esta a mentir. Diz-nos o art. porque. Por vezes. 328o. Obviamente que isto e impraticavel em termos de processos de maior dimensao. Outra excepcao prende-se com o adiamento da audiencia. mas tambem. Existe concentracao tanto no tempo como no espaco. Concentrar e fazer tudo num lapso de tempo menor possivel. tanto quanto possivel. e em termos espaciais pretende-se evitar que as questoes sejam apreciadas em locais diferentes (isto nao significa que tal nao aconteca). o processo deve decorrer com uma certa continuidade temporal. por um lado. sem interrupcoes. Depois. onde se marcam varias sessoes de julgamento. Isto nao invalida que. .2. Princípio da concentração O principio da concentracao esta relacionado com o principio anterior e diz-nos que no processo penal exige-se uma prossecucao unitaria e continuada de todos os termos e actos processuais. no que diz respeito a continuidade temporal a sua inexistencia provoca uma certa falta de celeridade a qual e importante para garantir que o efeito util da decisao seja o maior possivel. para satisfazer as necessidades basicas. Outras vezes. Uma delas decorre da interrupcao normal da audiencia para satisfacao de necessidades básicas (comer. a qual pode acontecer nas situacoes previstas do no. de uma so vez. para assegurar a presenca de todos os intervenientes. Isto e.3 consagra a possibilidade de adiamento.328o do CPP onde esta expresso o principio da concentracao. pois ja ha estudos que demonstram que certos sinais visiveis sensiveis presencialmente são importantes para a conducao dos actos e apuramento da verdade. Sendo de salientar que o adiamento nao pode exceder os 30 dias. Ha aspectos que as pessoas evidenciam quando estao frente a frente com outras e que podem ajudar a formar a conviccao do juiz. para os proprios sujeitos processuais. por exemplo. sob pena de se perder tudo o que foi feito ate entao. esta tem as suas limitacoes. Nos art. e favoravel a decisao processual que as testemunhas sejam ouvidas na presenca do juiz. O julgamento deve-se fazer. Deve ser feito no mesmo espaco. nunca podendo exceder os 30 dias.355o e ss do CPP temos varias manifestacoes deste principio.o1 do CPP que “a audiencia e continua. de forma unitaria e continua. No art.

uma replica. Tal pode suceder ate ao ultimo minuto do julgamento. nao ha qualquer onus de prova (principio de auto-responsabilizacao probatoria). 3. uma contestacao. ou seja. havendo total liberdade de investigacao. esta ultima significa que e a propria lei que diz qual o valor da propria prova. Por um lado. privilegia-se a descoberta da verdade. uma treplica). pelo que se vai para julgamento sem subordinacao a qualquer forma especifica. tudo comeca com a noticia do facto (que pode ser atraves de uma queixa. se nao houver contestacao. Dai que o que se leva a julgamento e aquilo que o juiz considera que ainda nao esta provado. Podemos encontrar afloramentos deste principio no art. em que. que fala sobre os principios gerais da prova. sendo no despacho saneador que se fixa o que se da como provado e não provado ficando o julgamento dependente desse despacho em termos probatorios. nao significa que em termos de investigacao este esteja totalmente subordinado. Para isto nao existe qualquer forma. Ora. Princípio da investigação ou da verdade material Este principio tem manifestacoes em varias materias. e com isso atingir a verdade material e o restabelecimento da paz juridica. por isso pertence a varios nucleos de principios. ate se costuma dizer que. na maior parte dos casos ate nem ha contestacao. no processo penal. pois. ou nao. em principio. pois. O juiz apenas nao pode estender o objecto do processo. se existisse algum onus de prova. se assim o entender. Princípio da livre apreciação da prova Este principio e mais recente. Nao vigora. Em processo civil temos um leque de artigos que nos dizem qual o valor das provas. Em processo penal. consoante estejamos na presenca de crimes semi-publicos ou particulares stricto sensu e crimes publicos) e a partir dai há uma investigacao que e levada a cabo pelo MP. Em termos de producao de prova este principio e fundamental e essencial. Alem disso. Prova livre significa que o juiz aprecia a prova de acordo com a sua livre conviccao. o juiz pode investigar livremente. em processo penal nada disto existe. ao contrario do processo civil (em que ha uma peticao. a ausencia de contestacao nao implica qualquer efeito negativo para o arguido. por outro lado. no qual os sujeitos processuais intervem. investigar autonomamente o facto. 340o do CPP. opondo-se ao principio da verdade formal. em nome da descoberta da verdade material. podendo ele proprio.1. Nesta perspectiva. Ao sistema da prova livre contrapoe-se o sistema da prova legal. independentemente do meio formal concretamente utilizado. O juiz e que tem de realizar todas as diligencias que lhe sao propostas/oferecidas pelos sujeitos processuais. Por exemplo. 33 . bem como todas aquelas que considere conveniente para atingir a verdade material. Em processo penal. a ideia de que o ofendido. se o juiz no momento em que vai proferir a sentenca tiver alguma duvida e entender que por causa disso ainda deve levar a cabo mais diligencias de investigacao. o proprio juiz pode investigar autonomamente o caso. O juiz nao esta subordinado a nada. sendo ai o lugar indicado para os sujeitos processuais fazerem a s suas propostas e darem os seus contributos. Princípios relativos à prova 3. de modo a alcancar sucesso na lide. nada sendo dado como provado. posteriormente constituido assistente. Nos limites oferecidos pelo objecto do processo. ao contrario do processo civil. Princípio da investigação/verdade material Este principio e muito importante no direito processual penal. Nao ha. Mas o facto de existir um principio da acusacao que vincula tematicamente o juiz. E se entender que deve investigar coisas que nao foram carreadas pelos sujeitos processuais pode faze-lo.3.2. tenha de provar aquilo que esta a imputar ao arguido. pode faze-lo livremente. que depois desencadeia um processo. este seria o do proprio juiz. o reu e condenado. de acordo com a sua experiencia e bom senso. pois esta vinculado pelo principio da acusacao. utilizado em direito processual civil. Alias. de modo a formar a sua própria conviccao. o juiz nao esta dependente daquilo que os sujeitos processuais trazem ao processo. a ideia subjacente ao processo civil segundo a qual quando alguem invoca um direito/facto tem de o provar (principio da auto-responsabilizacao probatoria). sob a forma de questionario. Em processo penal e fundamental atingir a verdade sem subordinacao a qualquer forma especifica.

quando dita a sentenca. necessitando de fundamentar a sua divergencia convenientemente 34 . perante um juiz que nao sera o de julgamento. uma limitacao prevista no art. 271o CPP. 127o CPP. Esta e valorada livremente pelo juiz. encontrando-se previsto no art. existem algumas limitacoes a este principio. e faz com que o resto da prova nao se produza (a nao ser que seja necessario provar circunstancias especiais do caso). quando ha recurso a pareceres de peritos. Sao situacoes especiais previstas no art. Este principio apresenta. mas como esta previsto neste artigo. de acordo com as regras da experiencia. a passagem de imediato as alegacoes finais do julgamento. 163o CPP estabelece um criterio de valoracao da prova pericial que funciona como limitacao a livre apreciacao do juiz. a livre conviccao do juiz fica reduzida. Quanto a prova pericial temos.169o do CPP). Pois. Este verifica-se quando alguem que depoe em julgamento diz que ouviu dizer de outra pessoa aquilo que esta a dizer. Uma outra limitacao ao principio da livre apreciacao da prova reside na declaracao para memoria futura.No processo penal. apesar de nao o ter presenciado. ultrapassando o impasse a favor do arguido. que fala do depoimento indirecto. Trata-se de uma presuncao elidivel. Esta excepcao tem um desvio que consta no n. Esta prova esta subtraida a livre conviccao do juiz. com reducao do imposto de justica em metade (art. e culpado e deve ser condenado. Por exemplo. pelo que esta apenas tem o valor que a lei lhe confere. O art. Princípio da livre apreciação Este principio esta intimamente ligado ao principio da investigacao/verdade material. Na confissao. no entanto. o processo seguira um rumo completamente diferente. O juiz nao pode estar sujeito a uma valoracao que lhe e imposta pelo CPP.344o. Caso tenha duvidas.163o do CPP.o2 do dito artigo. como o arguido confessa. o juiz pode decidir por factos contrarios. 344o CPP. a determinacao imediata da sancao. em materia de facto. este ultimo. muita embora vigore o sistema da prova livre. se o tribunal suspeitar do caracter livre da confissao ou se o crime for punivel com pena de prisao superior a cinco anos art. Mas mesmo aqui ha limites a confissao (ex: se houver co-arguidos e nao se verificar a confissao para todos. em que alguem presta declaracoes na fase de inquerito. sao os documentos autenticos e autenticados (art. um criterio preestabelecido para valorar a prova. so valem com meio de prova as declaracoes que tiverem sido prestadas na audiencia de julgamento. 129o CPP. Assim. devendo ser absolvido. CPP. e como tal o juiz fica vinculado a prova pericial. Regra geral. algumas limitacoes. nomeadamente. Finalmente. Ora. pois a confissao integral e sem reservas implica uma renuncia a producao da prova relativa aos factos imputados e a consideracao destes como provados. o juiz tem de estar completamente convencido de que o arguido tera cometido a infraccao. Uma outra excepcao a este principio. os seus juizos se sobrepoem a livre conviccao do julgador. tem algumas caracteristicas especificas quanto ao modo como e feita a confissao. tambem. presume-se que o perito domina aquela materia. O sistema da prova livre significa que nao existe. 2 CPP). este depoimento tem de ser valorado pelo juiz tal como preve o art. a qual apesar de nao estar totalmente afastada da livre conviccao do juiz. 3 CPP). 129o CPP. outra limitacao ao principio de que falamos prende-se com a prova pericial. Trata-se de um depoimento prestado fora da fase de julgamento.344o do CPP). Se o arguido confessar. Na pratica. A excepcao verifica-se no caso das declaracoes para memoria futura. os casos da confissao (art. ha regras para a sua valoracao previstas no art. a menos que sejam impugnados na sua autenticidade. de valorar tal depoimento de acordo com o juizo do art. logo. isto quer dizer que o juiz nao valora a confissao como quer. A confissao traz uma atenuacao da pena do arguido. o qual nos diz que quando o juiz tambem domina aquela materia. vindo essas declaracoes a valer em julgamento.127 oCPP. ou de que e inocente. as quais esta subordinado. pode suceder que apos ficar lavrado no processo o juizo de um perito sobre determinado assunto. prevista nos art.344o. ja que. tera de se socorrer do principio “in dubio pró reo”. pois isso poderia nao contribuir para a livre conviccao do julgador. no que diz respeito a confissao. 151o e ss. ou tambem conhecido como depoimento “de ouvir dizer”. No final do processo. a menos que este seja tambem um “perito” na materia. tendo. no CPP. Outra limitacao ao principio da livre apreciacao da prova esta prevista no art. Estes documentos presumem-se verdadeiros. o juiz nao concorde com ele.

se ha um problema de analise e interpretacao de direito. se o juiz chegar a uma situacao de impasse. Antes da reforma de 2007. dai que este principio vigore em toda a extensao do processo penal. tem sempre que tomar uma posicao. Logo. abria uma excepcao muito lata na fase de inquerito. o juiz nao pode decidir por um “non liquet”. porque vem encurtar as funcoes do MP durante a fase de inquerito. portanto. Princípio “ In dubio pro reo” Este principio significa que qualquer duvida probatoria deve ser decidida a favor do arguido.o 4 permite o levantamento do segredo de justica. do assistente ou do ofendido. e quase sempre possivel o recurso. em que não consegue formar uma livre conviccao num sentido claro de condenacao ou de absolvicao. de modo a obter uma resposta. tem de estudar a situacao. quem alega e o MP. As normas relativas ao segredo de justica estao previstas no art. Conclui-se. publico. ainda que a decisao que venha a tomar seja sindicavel por via de recurso. nao pode invocar este argumento em relacao a materia de direito. e uma excepcao muito mitigada na instrucao. quer-se com isto dizer que se o juiz tem duvidas sobre se se verificou ou nao certo facto. e obrigado a tomar uma posicao de direito. ele deve decidir a favor do arguido. Em seguida.o2 e decretada por despacho irrecorrivel do juiz de instrucao.o1 do CPP. Princípio da publicidade Ate a reforma do CPP de 2007 vigorava ja vigorava a publicidade. Quer-se com isto dizer que a lei afirmou. Agora. Isto. quando era pedida a publicidade do inquerito. o poder de decidir como corre o inquerito. que não e legitimo invocar o principio “in dubio pro reo” para materia de direito. So em circunstancias excepcionais e que sera secreto. tal decisao cabia ao MP. serao muito superiores. Contudo. e o artigo mais polemico saido da reforma. O arguido nao tem que provar que e inocente. pois e um principio que tem implicacoes formais. Esta posicao esta errada. Quer queira. porque vigora sempre o principio “in dubio pro reu”. No n. a qual podia ser secreta se o individuo entendesse que a sua publicidade o prejudicava. temos os principios relativos a forma: o principio da publicidade e o principio da oralidade/imediacao. Mais vale não condenar um culpado do que condenar um inocente. Em caso de duvida o juiz considera nao provada a acusacao do MP.o3 do dito artigo criou-se um mecanismo que em ambos os casos se retira do MP o poder de decidir o segredo de justica do inquerito. quer nao queira. Nas questoes de direito. por regra. por isso e que existem recursos. o MP tem que provar para la da duvida do razoavel que o arguido e o culpado. Princípio “in dubio pro reo” Este principio significa que exclusivamente em materia de facto e nunca em materia de direito. por isso cabe-lhe provar o que invoca. embora o mesmo nao se possa dizer sobre a materia de facto. “pro reo. isto significa que estamos a subtrair ao MP (que e o dominus do inquerito). Princípios relativos à forma O principio da concentracao tambem cabe aqui.3. ai nasce um onus da prova sobre o arguido. O n. que pode ser atacavel.86o do CPP. o juiz nao. O n. o qual pode ser feito oficiosamente ou a requerimento do arguido. encontrando-se numa situacao de impasse e decidindo a favor do arguido. pode ter duvidas. mesmo durante o inquerito. neste ultimo caso. que pretende que o inquerito seja. Se o juiz chegar a um ponto em que nao sabe como decidir a questao de direito. decide a favor do arguido. A unica fase inteiramente publica era a fase de julgamento.n. Este principio vigora quanto a questao de facto. Este art. Fruto da apresentacao de provas e contraprovas nao concludentes. pois ele sabe que vai ser o MP ater que provar em julgamento os factos por ele invocados. Pelo facto de o arguido nao ter nenhum onus da prova ele submetese ao julgamento. 4. 4.o2 do artigo supra indicado constam as excepcoes a regra da publicidade. o juiz nao tem a certeza do modo exacto da ocorrencia dos factos. Mas porque apenas em materia de facto? Porque so ai se admite que haja duvidas. pro libertate”. inequivocamente. A excepcao do n.1. Ha quem entenda que quando o arguido invoca uma causa de exclusão (da ilicitude ou culpa). A partir de 2007 a regra e o oposto: o processo penal e publico sob pena de nulidade. tratando-se de materia de direito. porque nao existe onus da prova. pois os custos axiologicos.86o. Nesta fase o MP pode requer ao juiz a declaracao de segredo. O facto de se retirar ao MP o poder de efectiva direccao do inquerito ao MP e a 35 . Alem disso.

86o. 321o. acessivel aos sujeitos processuais e o que nele se passa pode ser conhecido do publico. o MP. publico. dependente da vontade do arguido. A diferenca entre este “ou”. o inquerito. porque. nem nos casos em que processo decorra sob o segredo de justica. em que se da possibilidade ao juiz de instrucao.. sob pena de nulidade insanavel. e antes da reforma do CPP de 2007. levada a cabo durante o inquerito e a instrucao. 3 CPP). Assim. a instrucao deixou de poder ser secreta. submetendo a uma pena quem violar o segredo de justica. a fase dita de investigacao. O inquerito. A primeira excepcao esta logo no no 2. que era sempre secreto. O problema que levanta o segredo de justica e a publicidade do processo passa pelos meios de comunicacao social. Contudo. Ora. em regra. Apesar de nao ter a experiencia do juiz. Este principio tem. Alem disso. e evidente que o publico possui a intuicao e sensibilidade suficientes para apreciar se o que foi dito na sala de audiencias foi bem ou mal valorado em relacao aos factos em si. de modo a averiguar se ha indicios para levar o caso a julgamento. Este pode servir varios interesses. isto tem sido alvo de durissimas criticas por parte do MP e do Procurador-geral da Republica. e do artigo 321ºdo CPP. porque antes era preciso que eles tivessem tomado contacto com o processo. pode ele proprio determinar que o inquerito decorra sob segredo de justica. Mas se o MP nao proceder a este levantamento. os media nao estavam vinculados ao segredo de justica. O que se passava era que o jornalista tinha conhecimento dos elementos. ficando tal decisao sujeita a validacao pelo juiz de instrucao no prazo maximo de 72 horas.371º do CP. Nem se diga que o publico em geral nao tem competencia para fazer essa sindicancia. actualmente. Alem disso. que se prendem com a fundamentacao do segredo de justica. mas nunca tinha tido contacto com o processo. a noticia de um crime.n. Por forca deste artigo. pois nao queremos que no decurso desta algo que. pois. publico. seria secreto se torne do conhecimento de todos. e como a divulgacao pressupoe a tomada de conhecimentos dos elementos. 86o. 36 . Antes da ultima revisao do CPP que ocorreu em 2007. esta relacionado com a presuncao de inocencia. momento em que esta a decorrer a investigacao dirigida pelo MP. antes dizia “e”. passando a ser sempre publica. se nao existir uma razao legal valida para impedir a publicidade da audiencia. Por isso e que o art. mediante requerimento do arguido. em regra. ofendido ou assistente. na fase de inquerito. Ate aqui. para a qual nao tem habilitacoes necessarias. desde logo. passou a ser. podendo ele proprio levantar o segredo. vigorando. 86o CPP diz que o processo penal e. Esta violacao consta no art. onde agora se diz “ou”. maior aplicabilidade na fase de julgamento. devido a problematica do segredo de justica.o 6 diz-nos quais as consequencias da publicidade do processo. oficiosamente ou a requerimento do arguido. o art. da CRP. pode determinar o seu levantamento em qualquer momento do inquerito. se o MP entender que os interesses da investigacao. e conhecimento dos elementos dele constantes. ao contrario da matéria de direito. este paradigma sofreu algumas alteracoes. decorria obrigatoriamente sob segredo de justica. os da investigacao. a partir da publicacao eles tornam-se violadores do segredo de justica. porque esta em causa a realizacao da justica. de grande importancia. com a possibilidade de ser secreto.o8 do CPP tinha uma redaccao diferente. quando entender que a publicidade prejudica os direitos daqueles sujeitos processuais. os autos podem ser remetidos ao juiz de instrucao. o que interessa a toda a comunidade. O problema e que. visto que o requerimento para submeter o processo a segredo de justica bem como para o levantamento desse mesmo segredo passa a ser da competencia do juiz de instrucao. assistente ou ofendido e ouvido o MP. Princípio da publicidade Este principio revela-se. O n. ou os direitos dos sujeitos processuais o justifiquem. este tem a possibilidade de sujeitar o processo a segredo de justica. a partida. Tradicionalmente. pelo menos em relacao a materia de facto. Na fase de inquerito ha uma denuncia. e o MP chama os orgaos de policia criminal para investigarem o caso. Na ultima revisao ocorrida em 2007. regra geral. embora se deva aplicar tendencialmente a todo o processo penal. pois. de sujeitar o processo a segredo de justica durante o inquerito. (art. tem toda a legitimidade para o fazer. esta tem de ser publica. Assim.questao de toque deste artigo. Decorre. O processo penal e. sendo este despacho irrecorrivel. artigo 206o. no entanto. pois agora a direccao do inquerito ja nao e integralmente do MP. a partir de agora basta o conhecimento de elementos do processo. tem sido encarada com algum secretismo.. desde logo. ressalvadas as excepcoes previstas na lei. o segredo de justica. um processo publico. uma queixa. Desde logo. A alteracao a este numero foi direccionada aos jornalistas. e “e” e fundamental no que toca aos jornalistas. podendo ver negada esta possibilidade se os outros sujeitos processuais assim o entenderem. CPP determina que a audiencia de julgamento e publica. o segredo de justica existia facultativamente na fase de instrucao. Por isso e que o art.

Por isso e que a prova testemunhal. Deixou de haver a necessidade de se requerer a documentacao da prova ou deixou de haver a necessidade de a pessoa se pronunciar sobre a (in)dispensabilidade de documentacao da prova. De tal maneira que quando se recorria para um tribunal superior. a prova testemunhal e. aceder ao processo quando este decorre e segredo de justica (arts. i . inadmissiveis. em contacto directo e imediato com o juiz. A imediacao esta relacionada com a concentracao espacial. para que possa avaliar a propria veracidade do depoimento atraves da imediacao.2. Princípio da oralidade e da imediação O principio da oralidade e sobretudo aplicavel na fase de julgamento. pela sua natureza. Contudo. pese embora as reservas que possam ser feitas a uma tal opcao politica. criou-se uma conviccao geral (errada) na comunidade de que aquela pessoa teria cometido um crime.. Isto tem que ver com o valor da espontaneidade na producao de prova. Isto sucede porque durante toda a fase de inquerito. Dai que seja muito importante que a declaracao da testemunha seja espontanea e prestada o mais proximo possível do juiz. Agora a prova e sempre documentada da mesma forma: atraves de gravacao magnetofonica ou audiovisual (art. sob pena de nulidade. na maior parte das vezes. 4.88o CPP) e para o segredo interno diferente do segredo externo. estao sujeitas a requisitos muito apertados. Em 2007. ele e que sabe se a testemunha e credivel ou nao. materia a aprofundar nas aulas praticas. que normalmente sao escritos e secretos). as vezes irreversivelmente. filmagens. devendo ser condenada. do modo como se fala. dos gestos. Princípio da oralidade /imediação O nosso processo penal assenta na oralidade e na imediacao (ao contrario dos processos de estrutura inquisitoria. com mencao das partes relevantes para o objecto de recurso. quanto aos meios de obtencao. alias tem sido sustentado por muitos acordaos de recurso que como eles nao tem a imediates propria do processo.se o inquerito decorre com publicidade. sem duvida. etc. O regime do segredo de justica tem ainda uma serie de pormenores que se relacionam com o seu conteudo. 89o. as declaracoes prestadas em audiencia. Sera seguramente. perante o juiz. atraves da sua transcricao. pois acaba por ser decisiva para o desfecho do processo. logo. sobretudo porque. Ate ai. nao impede a sua reducao tal como ocorreu na revisao de 2007. 364o. o que significa que os sujeitos processuais oferecem as suas provas e elas sao produzidas diante do tribunal. 90o CPP). o que os obriga a ver ou ouvir tudo aquilo que interessa para o recurso. a prova mais importante. Desta forma. o que ia para la era o resultado da transcricao. ele sim tem a sua conviccao bem formada. a prova e sempre gravada magnetofonica ou audiovisualmente e e isso que será enviado para os juizes do Tribunal ad quem. Oralidade e imediacao significam que os actos processuais sao feitos de forma directa e avaliados naquele momento pelo juiz. documental e pericial acabam por ser as mais utilizadas. reforcou-se o principio da oralidade.87o. Ha uma imediaticidade da prova. as pessoas tinham sempre de se pronunciar sobre a possibilidade de documentacao de prova ou a sua dispensabilidade. Com a reforma de 2007. Ate 2007. Todas as demais provas (fotografias. pelo que correm o risco de nao serem licitas. 363o CPP vem dizer que indistintamente do tipo de processo. Ate ha estudos feitos por especialistas em materia probatoria que averiguam a veracidade dos testemunhos atraves de alguns sinais exteriores da face. pois uma possivel decisao de absolvicao nao chega para reparar os danos provocados. da transpiracao. sob certas condicoes. sao sempre documentadas na acta. porque o art.1 CPP). previsto no artigo 20o da CRP. permitindo aos sujeitos processuais. apesar de sempre ter vigorado em Portugal o principio da oralidade. mas tambem porque depois se documenta através de gravacao ou filmagem. Mas o regime do segredo de justica. este principio da oralidade e da imediacao esta sujeito a algumas limitacoes. Isto e muito importante. não so porque a audiencia e oral. anterior ao julgamento. consideram que como o juiz presenciou toda a producao de prova. com ressalva para a prova testemunhal. tem um regime proprio para os meios de comunicacao social (art. Ate a revisao de 2007. escutas telefonicas). Dai que haja uma tendencia generalizada para considerar que a justica não funcionou quando os tribunais tomam uma decisao nao condenatoria. A producao de prova e feita oralmente. veem o seu bom nome posto em causa. havia um pendor muito grande para a documentacao escrita da prova. 37 . produziu-se uma alteracao significativa nesta materia.e. as pessoas que estao a ser objecto de um processo e que ate podem ser inocentes. a prova era gravada apenas em algumas situacoes e se houvesse necessidade de recorrer tinha de se mandar transcrever as partes que queriamos ver objecto de recurso. o que pode ou nao ser publicitado.

318o. exceptuando-se os casos das declaracoes para memoria futura e da prestacao de declaracoes fora da comarca ou no domicilio. meros participantes processuais e auxiliares dos sujeitos processuais ou sujeitos processuais acessórios Capítulo VI Os sujeitos e seu estatuto 1. o arguido pode reservar-se ao silencio. foca as situacoes em que se permite a visualizacao ou a leitura de meios de prova produzidos antes da audiencia. Órgãos de polícia criminal 2. das partes civis. 5 CPP). a possibilidade de serem feitas declaracoes atraves de teleconferencia (art. A necessidade de distinguir sujeitos processuais e participantes processuais de partes 2. 355º CPP. ainda. contudo. Caracterização genérica. Nesta materia. peritos ou consultores tecnicos. ou oficiosamente. ha tambem algumas limitacoes importantes previstas nos arts. no 2 do CPP. vera ressalvado o seu direito ao silencio. Assim. como os peritos. a audicao de declaracoes proferidas anteriormente ao julgamento que o incriminem. 318o e 319o CPP. O arguido e seu 38 . a requerimento do assistente. uma vez que vigora no processo penal o principio do direito ao silencio do arguido. havendo. evitando. etc. defensor Capítulo VII Outros participantes 1. mas nao e aqui que vamos tratar. O Ministério Público 4. pois o proprio arguido pode nao querer que seja feita leitura de declaracoes suas produzidas no inquerito. Parte II OS SUJEITOS PROCESSUAIS Capítulo V Considerações genéricas 1. das testemunhas. ao principio da livre a apreciacao da prova. com isso. Qualquer alteracao nesta materia deve procurar uma certa concordancia dos dois interesses. Deste modo. sobretudo quando essas declaracoes o incriminarem. e tambem fundamental atentar no disposto no art. 355o. O Tribunal 3. Mas ha excepcoes. 319o CPP preve. tendo em conta a distinção entre sujeitos processuais. Partes civis 3. O art. quando razoes de celeridade o justifiquem. sujeitos. a prestacao de declaracoes pode nao ser feita presencialmente. que nos fala do principio da imediacao em audiencia. O art. as testemunhas. apenas sendo obrigado a facultar os seus elementos de identificacao.Em relacao a imediacao. a possibilidade de estas mesmas entidades serem ouvidas no seu domicilio. 356 e ss. quando estas entidades residem fora da comarca. Outros participantes. em audiencia. e procurar ao mesmo tempo garantir o silencio. Assim. que remete para os art. Seria descabido permitir essa leitura sem a sua autorizacao. O assistente (e seu advogado) 2. ainda.

que equivale as varas. Em algumas circunstancias entendese que essa consciencia comunitaria deve intervir directamente e nao por intermedio do juiz na administracao da justica. numa primeira linha. o MP e o tribunal. a semelhanca do que acontece na cultura anglo-saxonica. O nosso processo penal cria nos arts.esta previstas na Lei de Organizacao e Funcionamento dos Tribunais Judiciais. que tem uma relacao com o processo. o assistente. 13o e ss.A. . Como se distinguem as competencias entre estes tribunais? Qual sera a competencia do tribunal de juri? O art. Os sujeitos processuais sao aqueles que. O juri e composto por pessoas sem formacao juridica. Em determinados casos.por oposicao aos Tribunais Administrativos e Fiscais. Em processo civil. qual a razao para atribuicao de competencia a cada um dos tribunais de competencia especifica? E valor do processo. constituindo-se. participantes em sentido lato no processo. que equivale. a existencia de um tribunal diferente: o tribunal de juri. Sujeitos processuais no direito processual português: O arguido. Mas nao faria sentido que o juri participasse no julgamento de todo o tipo de crimes. o art. por isso temos de criar um criterio qualitativo ou quantitativo. Ora. regulados na LOFTJ e la se diz que ha tribunais de competencia generica. sendo obviamente. Ora. de competencia especializada e de competencia especifica. Os sujeitos processuais Como sabemos o nosso processo penal nao é um processo de partes. CPP. juizos e varas. Mas uma testemunha tem intervencao no processo e nao e um sujeito processual. obviamente. escolhidos de entre os cadernos eleitorais. Existe depois o tribunal colectivo. tem direitos e deveres autonomos. só em determinadas materias. pois e um juiz apenas a julgar. ainda. Os tribunais de competencia especifica dividem-se em juizos de pequena instancia. civeis ou criminais ou aos juizos. O tribunal de juri só funciona se for requerido pelo MP. Com a instituicao destes tribunais pretendese aproximar a justica dos cidadaos. Os tribunais criminais estao. Tribunal Qual e a distribuicao de competencias no processo penal? Que tribunal tem competencia para julgar que processo? Isso aparece regulado na LOFTJ. a delimitacao das competencias. Normalmente. No processo penal a. 1 CPP refere que sao julgados pelo tribunal de juri os crimes contra a identidade cultural e contra o Estado e os crimes relativos a violacoes do Direito Internacional Humanitario. portanto. o da medida da pena. as pequenas instancias. que decidem sobre materia de facto. referindo que este tribunal e apenas subsidiario. pelo menos do ponto de vista generico dos tribunais judiciais. o assistente ou o arguido e mesmo assim. a chamada alcada. Esta divisao também existe em processo penal e esta prevista nos arts. Seriamos tentados a dizer. No processo penal temos o tribunal singular. 8o e ss. a sua intervencao no processo vai para alem daquela que os demais participantes tem. E preciso que a comunidade compreenda que participa na administracao da justica. mas historicamente ja teve alguma relevancia entre nos. 13o. que sao sujeitos processuais aqueles que intervem. e um criterio quantitativo. como verdadeiros “motores do processo”. que estao previstos no ETAF. no processo penal não a alcadas. Dai 39 . O tribunal de juri nao tem grande tradicao em Portugal. que mexem mais com a sensibilidade das pessoas estas dificilmente conseguiriam manter a isencao necessaria que tem de caracterizar o juri. 13o CPP preve a sua competencia. um sistema de atribuicao de competencias relacionado com um criterio qualitativo. em que o CPP escolhe um determinado tipo de crimes para atribuir a determinado tribunal porque entende que materialmente aquela materia exige a intervencao de um tribunal colectivo singular.

so que aqui nao ha a possibilidade de julgamento a requerimento. que se traduz na atribuicao a este tribunal de crimes com penas graves. 27o CPP). Isto agora ja vai sendo ultrapassado. 13o. Trata-se. Num caso de competencia por conexao ha varios tribunais que teriam a competencia originaria para julgar. pois e este tribunal que tem a competencia originaria para julgar o tipo de crimes que podem ser atribuidos ao tribunal de juri. a sua existencia significa que o legislador equacionou a hipotese de haver um crime que tenha uma pena maxima. Se ele quisesse apenas que fosse o criterio quantitativo a mandar. Assim. 2 CPP). Qualitativamente. superiores a oito anos de prisao (art. penais em processo penal ou penais em processo nao penal. quantitativamente. 19o e ss CPP.1 CPP preve todos os casos em que ha conexao de processos. A competencia do tribunal colectivo esta prevista no art. sob pena de nao se justificar a insercao nestes preceitos de uma alinea que escolha um tipo de crimes especialmente atribuidos a determinados tribunais. entao. sao atribuidos aos tribunais singulares os crimes contra a ordem tranquilidade publica. podemos ter o mesmo agente a cometer na mesma ocasiao varios crimes. Se se tratar de dois tribunais da mesma hierarquia ou especie aplicam-se os 40 . De referir que nos crimes eleitos por forca do art. o seu no 2 preve tambem alguns criterios especificos. quando for elemento do tipo a morte de uma pessoa (ex: homicidio privilegiado). Ex: A comete 25 furtos ate ser apanhado. igual ou inferior a cinco anos de prisao. a requerimento. 14º CPP? Se estivessemos apenas a falar de moldura de crimes esta alinea nao faria sentido. Qual e. desde. postulando o numero dois que a conexao so se pode verificar se os processos estiverem na mesma fase. Estes 25 crimes vao ser julgados todos num processo so ou em 25 processos diferentes? E se forem cometidos por todo o pais? O art. Ja falamos na competencia por conexao a proposito do principio da suficiencia penal. a primeira hora. omitiria pura e simplesmente o criterio qualitativo e estabeleceria apenas uma linha assente nas molduras abstractamente aplicaveis. qual o tribunal competente para o julgamento? Importa aqui referir estes aspectos porque a redaccao acerca da competencia dos tribunais suscitou. O tribunal singular e aquele que tem entre nos a competencia residual para o julgamento dos crimes (art. mas que interessam a comunidade pois contendem com a defesa do proprio Estado. deve estar aqui incluida. Dai que o criterio qualitativo tenha de prevalecer. pois. A competencia por conexao esta prevista nos arts. dada a sua gravidade. Ex: se um crime contra a ordem e a tranquilidade publica tiver uma pena de seis a oito anos de prisao.que o legislador tenha seleccionado um conjunto de bens mais abstractos. 14o. Mas a escolha pelo tribunal de juri tambem depende de um criterio quantitativo. 16o. 13o. E obvio que o legislador quis que os crimes contra a ordem e a tranquilidade publica fossem julgados pelo tribunal singular. que tem um numero um igual ao do art. porque se assim nao fosse nao faria sentido que ele utilizasse um criterio qualitativo. E o caso dos crimes dolosos ou agravados pelo resultado. 14o CPP. As questoes previas podem ser nao penais no processo penal. os crimes ate cinco anos de prisao sao julgados pelo tribunal singular e os com pena superior cabem ao tribunal colectivo. se forem crimes com pena superior a oito anos podem ser julgado pelo tribunal de juri. 1 CPP). Contudo. mas simplesmente porque uns processos andaram mais depressa do que outros. 2 CPP utiliza um criterio quantitativo (alinea b) e um criterio qualitativo (alinea a). Esta em causa a defesa de bens juridicos que sao mais da comunidade do que dos individuos. com a nota de que. O art. 24o. mas que. Qual a razao de ser para a alinea a) do no 2 do art. 1 CPP nao existe uma limitacao quanto a moldura. gracas ao nosso sistema de informatica mais moderno. Logo. A competencia territorial esta prevista nos arts. o tribunal competente? Se estivermos a falar entre juizos e varas vai ser competente a vara (art. 13o CPP. Assim. vai ser julgado varias vezes e nao uma vez so. 24o e ss. abstractamente aplicavel. duvidas interpretativas serias a doutrina. de uma questao de gravidade qualitativa do bem protegido no tipo incriminador.

53o CPP refere as posicoes e atribuicoes do MP. 57o e ss. dai a cinco anos descobrem-se novos factos que provam que A matou B. Mas sera que alguem pode so adquirir a qualidade de arguido depois de encerrada a fase de inquerito? O 41 . 49o e 50o CPP. este tem o dever de informar o assistente das conclusoes obtidas. ele tem de decidir se que aquele arguido deve ser acusado ou nao. O art. Em primeiro lugar. seja qual for a conclusao a que o MP tenha chegado. para perseguir os crimes e descobrir a verdade material. Na maior parte das vezes. constituicao de assistente e acusacao particular) quem tem competencia para acusar e o assistente. E se o agente do MP do julgamento nao concordar com a acusacao feita pelo outro agente do MP na fase de inquerito? Como o MP e um orgao hierarquizado. Encerrado o inquerito. 34o a 36o CPP). com poderes de direccao e tutela. Sera que o arquivamento em processo penal faz caso julgado? Produz um efeito consumptorio semelhante a sentenca? Arguido e ao seu defensor. 48o e ss CPP). O MP tem uma grande caracteristica. corre o inquerito e A e constituido arguido. embora tambem o faca na fase de instrucao e julgamento. Nos artigos seguintes suscitam-se situacoes de declaracao de incompetencia (arts. 28o CPP. em julgamento tanto tem o dever de pedir a condenacao do arguido. recusas e escusas (arts. O MP e os OPC sao aqueles que tem. por forca da distribuicao de competencias. por regra. Ja falamos muito nele a proposito do principio da legalidade e da oficialidade. Por regra. de impedimentos. tendo o o dever de sustentar essa acusacao. Ja sabemos que o MP intervem particularmente na fase de inquerito. 39o a 47o CPP). conflitos de competencia (arts. o MP termina a investigacao do crime particular. notifica o assistente de que nao se recolheram indicios suficientes e o particular acusa na mesma. como de pedir a absolvicao se nao for feita prova dos factos constantes da acusacao. o que e que o MP deve fazer? Ele esta neste processo. o que normalmente acontece. Ele tem um particular dever de descoberta da verdade material que funciona para ambos os lados. Face a essa acusacao particular. o MP encerra o inquerito e conclui que nao se reuniram indicios suficientes que provem que A matou B e arquiva o inquerito. O agente do MP que faz a acusacao. pode se-lo em momentos anteriores. Dai que em Portugal o MP nao seja um acusador publico com e no modelo anglo-saxonico. 32o e 33o CPP). relativamente aos crimes semi-publicos e particulares. tem o dever funcional de sustentar a acusacao do colega. ha um novo inquerito contra A? Tendo em conta os principios do processo penal podera isto ser possivel? Qual e o problema juridico que podera estar aqui em causa? E o problema de “ne bis in idem” ou de caso julgado. Portanto. determinada posicao processual. suspeito ou agente vai uma diferenca que e a de adquirir. ou nao. pois o MP tanto tem o dever de acusar o arguido como o dever de arquivar o processo se chegar a conclusao de que nao ha indicios de que ele cometeu o crime. Se se tratar do caso de um crime particular (que depende de queixa. Quando e que se adquire a posicao de arguido? A regra subsidiaria e que se um individuo nao for constituido arguido ate a fase de acusacao e-o na acusacao. figura central de todo o processo penal (arts. ele tem a legitimidade para a prossecucao do processo penal. pois e o “dominus” do inquerito. na instrucao e no julgamento? Pode haver processo penal sem representante do MP? O MP tem algum dever em relacao a essa acusacao particular? Deve manifestar a sua opiniao a respeito daquele processo? Ex: A e investigado pelo homicidio de B. MP (arts. a legitimidade para promover o processo penal. nao e o mesmo que esta na instrucao e no julgamento. com as restricoes previstas nos arts. CPP) Entre arguido. Mas isto nao e encarado numa perspectiva somente acusatoria ou persecutoria. e o investigador. logo.criterios do art.

59o.art. e de respeito pelo principio da nao auto-incriminacao. o no 2 consagra uma excepcao. sucedia muitas vezes que o OPC ou o MP chamava a pessoa como testemunha e a medida que lhe ia fazendo as perguntas ia encaminhando o inquerito no sentido de lhe perguntar coisas como suspeita. pois se a constituicao nao for comunicada e/ou validada dentro dos dez dias pode cair. Em que medida pode o arguido ser obrigado a participar na prova requerida pelo MP? Isso nao contraria o direito a nao auto-incriminacao? A necessidade. e obrigatoria a constituicao de arguido logo que. em relacao a qual haja suspeita fundada da pratica de um crime. pois trata-se de uma materia de direitos fundamentais. o que se traduz no seu direito pleno a nao auto-incriminacao. Esta constituicao tem de vir acompanhada de um conjunto de factos de ordem formal e material. Isto e o que nos diz o art. os arguidos nao. 1. Quais sao os direito e deves processuais do arguido? Estao previstos nos arts. tem tambem o direito de comunicar em privado com o advogado. as testemunhas inquiridas durante o inquerito nao se podiam fazer acompanhar por advogado. 58o. Sera possivel obrigar o arguido a aceder uma amostra de ADN para a prossecucao das diligencias? Sera que o direito a nao auto-incriminacao so abrange o não falar? Em relacao a recolha de ADN. 61o. ha um determinado conjunto de momentos do processo em que tem de lhe ser nomeado um oficiosamente (art. postulando que so as perguntas sobre a sua identidade deve responder com verdade. 3 CPP. Os deveres do arguido estao tambem previstos no art. O art. a constituicao pelo OPC nao e absolutamente eficaz. Alem destas. 62o CPP). pois enquanto as testemunhas estao obrigadas a falar com verdade. por um lado. A alinea d) preve o dever do arguido em sujeitar-se as diligencias de prova. Ate aqui entendia-se que o MP ou os OPC tinham de explicar convenientemente os direitos e deveres ao arguido. comecando-se-lhe a fazer perguntas que permitam concluir que estao a ser inquiridas como suspeitas. 61o e ss. as pessoas tem o direito de requerer que sejam constituidas arguidas. Ora isto parece entrar em contradicao com o art. CPP. mas isso quase nunca acontecia. pelo que o art. 2 CPP veio clarificar tal exigencia caso seja necessario. Alias. mas se falar tambem se reserva no direito de nao explicar. utilizando-se da vantagem de ela nao estar acompanhada de um advogado. Assim. sob pena de ser punido por um crime de falsas declaracoes. 2 CPP. Agora as testemunhas tambem podem fazer-se acompanhar por advogados durante inquiricoes. esta prestar declaracoes perante qualquer entidade judiciaria ou OPC. A constituicao de arguido traduz-se na entrega de umas folhas as pessoas que dizem os seus direitos e deveres processuais. mesmo preso. entre eles a informacao sobre os direitos e deveres. Se as pessoas forem inquiridas como testemunhas. o art. o tribunal da Relacao do Porto veio sistematicamente proibir a recolha coerciva de ADN. A alinea d) do no 1 do art. circulo minimo de defesa da pessoa. Quem e que pode constituir alguem arguido? O MP ou os OPC. O no 3 chama a tencao para um aspecto importante: se e certo que a constituicao pode ser feita pelo MP ou por um OPC. 61o CPP refere que o arguido tem o direito de nao falar. dependendo de comunicacao e validacao pelo MP dentro do prazo de dez dias. correndo inquerito contra pessoa determinada. Tudo isto para concluir que estas questoes ligadas a nao cooperacao do arguido e aquilo que ele e obrigado a permitir aos OPC e ao MP levanta ainda muitos problemas. 42 . O arguido pode ainda constituir advogado em qualquer altura do processo e se nao constituir. nem sempre e facil de conjugar. 64o CPP refere a obrigatoriedade de assistencia do defensor. 57o. Ate 2007. por outro lado. Os artigos referentes a constituicao de arguido foram muito alterados pela revisao de 2007. quando razoes de seguranca o exijam (“guarda-a vista”). 58o CPP preve as hipoteses tipicas de constituicao de arguido. 2a parte CPP diz-nos que se o inquerito tiver sido encerrado e o assistente tiver requerido a abertura de instrucao ainda pode haver a constituicao de arguido. 1CPP. Ora. de equilibrar as diligencias do inquerito. a prova e a utilizacao de ADN para criacao de uma base de dados esta a ser regulamentada por forca de comissoes da AR. 57o.

Alteração dos factos. Do encerramento da instrução 3. 5.6.5. Do debate instrutório 3.2.4. entre a intervenção do MP e do Juiz de instrução 3. 5.Tendo o arguido direito a nomear defensor ou ser-lhe nomeado.5. Dos actos do inquérito.7. Dos actos preliminares 4. Da produção de prova 4. não substancial e substancial. Da audiência 4. Intervenção dos órgãos de polícia criminal e das medidas cautelares e de polícia 1. Arquivamento em caso de dispensa e suspensão provisória do processo 2. Parte III O PROCESSO PENAL Capítulo VIII 1. Do encerramento do inquérito 2. Do julgamento 4. pelo Juiz de instrução e pelos órgãos de polícia criminal 2. Da Instrução 3. Da detenção 2. Considerações gerais 2. Da sentença com relevância para a questão da «cesure» 5.4.5.2.6. 5. Requerimento de abertura de instrução 3.1. Acusação pelo assistente em crimes cujo procedimento depende de acusação particular 3.6.3.3.3.1.6. pode ele dispensa-lo? Segundo este artigo. a praticar pelo MP. so nas situacoes aqui previstas e que existe esta obrigatoriedade (ex: quando o arguido e menor de 21 anos ou quando e estrangeiro). Da documentação da audiência 4.3.3.4. Os recursos Princípios gerais Da tramitação unitária Do recurso para as relações Do recurso para o STJ Dos recursos extraordinários Da revisão 43 . Do Inquérito 2. Duração do inquérito 2. Duração da instrução 4. Da notícia do crime 1.3.a relação entre o inquérito e a instrução.2.1. 5.1. Dos actos introdutórios. Despacho de pronúncia e de não pronúncia 3.4. com relevância para a presença/ausência do arguido 4. Considerações gerais . Despacho de acusação ou de arquivamento 2. Nulidade da decisão instrutória e recursos 3. Dos actos de instrução 3.2.2. O objecto do processo 3.3.2.6.1.2.5. 5. 5.1. O processo comum Fase preliminar 1.1.

Realizada a instrução.A. segue-se a Fase do Julgamento. se tenta descobrir quem é o autor da infracção e se existem indícios desta ter sido cometida. Ou não pronuncia. 44 . e se for um crime particular strcito sensu são necessárias queixas e acusação). e para compreendermos como é diferente a tramitação do processo penal em relação ao processo civil. e pronuncia. mas não é a única que existe. Esta é a Fase da Instrução. é a tramitação que se aplica nos casos de processo comum. aqui inicia-se a intervenção dos órgãos de polícia criminal. e ele que vai dirigir esta fase. o juiz. dando razão ao MP por não acusar. decisão esta tomada pelo MP e acontece porque o arguido ou o assistente não estão satisfeitos com a decisão. Esta é a fase em que o MP é o “dominus”. e teremos aqui de saber quais são as medidas cautelares e de polícia que se podem aplicar nesta fase. Estes processos tem uma tramitação ligeiramente distinta. Na fase do recurso. considera que há realmente indícios e concorda com a acusação ou considera que há indícios e não concorda com o arquivamento. por não haver indícios. Esta visa a comprovação judicial da decisão de acusar ou de arquivar. pode chegar por qualquer via. portanto. no caso de pronúncia. diz que o processo deve de ir a julgamento. Esta tramitação é simplista. Temos ainda o processo sumario. esta há-de terminar ou com um despacho de pronúncia ou um despacho de não pronúncia. A tramitação penal (processo comum) Breve esquema da tramitação processual penal comum Normalmente. consoante a natureza do crime (se for um crime público. uma fase facultativa. ou seja. concordando antes com o requerimento de abertura de instrução por parte do assistente. ou seja. pode ter lugar a abertura da instrução. ou dá razão ao arguido ao dizer que não existem indícios. a ultima fase chama-se a Fase da Execução da pena. De seguida. Se o processo culminar com a condenação. e requerem a abertura da instrução para que haja intervenção do juiz que vai verificar se realmente essa decisão foi bem tomada ou não. o processo sumaríssimo e o processo abreviado. Havendo acusação ou arquivamento. esta chega ao MP por diversas vias. Independentemente do desfecho do julgamento. que é. podemos ter a Fase de Recurso. passamos para a Fase do Inquérito. Quando a noticia do crime chega ao conhecimento do MP. ou seja. se for um crime semipúblico chega obrigatoriamente através da queixa. Esta fase pode terminar com uma acusação ou com o arquivamento (se não encontrarmos indícios) ou com a suspensão provisória do processo com futuro arquivamento ou com o arquivamento em caso de dispensa de pena (apesar de existirem indícios). Esta fase pode terminar com duas hipóteses possíveis: ou termina com a condenação ou com a absolvição. ou se mantém a decisão anterior do juiz no sentido de proceder a condenação ou se altera para a absolvição ou vice-versa. É onde se procedem as investigações. Havendo despacho de pronúncia. tudo começa com um facto que dá origem à notícia do crime.

aquela que seria a preliminar das preliminares. portanto. E. essa é a fase mais importante: a fase do julgamento. No CPP não chegam a ter uma distinção como tem a fase do julgamento. Normalmente diz-se que há uma fase preliminar após a qual existe o inquérito.para o nosso modelo processual penal existe. tudo isso numa parte que designa fases preliminares. instrução. do que em fases preliminares. Das medidas cautelares e de polícia 1. assim. digamos assim.o inquérito. Seja como for. Da notícia do crime Costuma dizer-se que o Ministerio Publico (MP) toma conhecimento da noticia do crime (vide art. por exemplo. Aqui se decide. portanto. que e a aquisicao da noticia do crime. 241. Mas podemos identifica-la: é todo um conjunto de actos que e possível levar a cabo antes ainda de se dar inicio ao inquérito. uma concepção segundo a qual a fase mais importante do processo é o julgamento. na pratica. portanto. recursos e execução de penas. antes de começar o inquérito – fase absolutamente preliminar de actuação dos órgãos de policia criminal – e que não chega a ter uma designação própria. neste âmbito decide-se muita coisa que determina o proprio decurso do processo penal. Comecamos entao pela primeira questao que se coloca. seriam um conjunto de fases preliminares após as quais se segue o julgamento. julgamento. a natureza publica ou nao do crime. Introdução O CPP inclui esta fase preliminar juntamente com o inquérito e com a instrução. quer se vá por uma via ou outra. É no julgamento que se busca a verdade material. e muito mais usual falarmos em inquérito.o CPP) por meio próprio (qualquer meio: porque viu nos orgaos de comunicacao social. porque são apenas actos. Portanto. E. recursos e execução de pena. mesmo depois de se dar a intervenção do MP. do arguido. depois a instrução e depois o julgamento. teremos que começar pelo conjunto de medidas cautelares e de policia que compõe. ou entao no seu decurso. acaba por assumir uma importância muito grande em termos de tramitação.Fases preliminares Existem quatro fases: · Fases preliminares · Fase do julgamento · Fase do recurso · Fase da execução da pena. Seja como for. 2. aprecia-se da inocência ou da culpa do suspeito. No entanto. Tudo o que esta antes do julgamento são fases preliminares. julgamento. não se pode dizer que a pratica de actos que consubstanciam as medidas cautelares e de polícia sejam concretamente uma fase em si. esses actos podem-se realizar por órgãos de policia criminal. E também se pode dizer que mesmo depois de se abrir o inquérito. já no âmbito do inquérito → Medidas cautelares e de polícia. que se podem realizar antes do inquérito começar. porque foi uma das testemunhas ou porque 45 . que se produz a prova. Por isso.

veio ao conhecimento por qualquer meio que nao a policia ou outro determinado pelo CPP). Desde que tenham conhecimento. Denúncia obrigatória: a denuncia é obrigatoria para as entidades policiais sempre que tenham conhecimento de um crime. So que ha uma diferenca entre os particulares e as entidades policiais. Se se tratar de crime semi-publico é necessaria a manifestacao de vontade (que e diferente da manifestacao de conhecimento). sendo para eles facultativa.o do CP abrange os professores e funcionarios em geral da universidade. Tambem a denuncia é obrigatoria para os funcionarios (acepcao propria nos termos do art.o 244. Mas se for crime que dependa de queixa ou acusacao particular. qualquer tipo de crime (pode ate ser semipublico). Esta acepcao do art. Sempre que uma autoridade judiciária. Por isso. Guarda Nacional Republicana (GNR)). Manifestacao de vontade ≠ Manifestacao de conhecimento Do art.o). O MP tambem pode ter conhecimento da noticia do crime por intermédio dos órgãos de polícia criminal (denuncia obrigatoria – art. o MP pode conceder um prazo para apresentar a queixa ou pode dar-lhe o encaminhamento que quiser. um órgão de polícia criminal ou outra entidade policial presenciarem qualquer crime de denúncia obrigatória. por intermédio dos particulares (denuncia facultativa – art. 244 que esta errada. nem a distinguir queixa de denuncia. 386. nem a saber aqueles que dependem de queixa.o Codigo Penal) que tomem conhecimento do crime no exercicio das suas funções ou por causa delas. qualquer orgao de policia criminal que esteja habilitado a receber a denuncia.o CPP: Auto de denúncia “1. nao sendo obrigatoria. 242. embora nao produza qualquer efeito se se tratar de um crime que dependa de queixa e o titular do direito de queixa nao exercer esse direito. 243. Os orgaos de policia criminal. o aceitavel é que qualquer pessoa possa denunciar um crime. sou obrigado a denunciar o crime. basta que o MP tome conhecimento de que existiu crime. Para os crimes pubicos nao faz sentido exigir esta manifestacao de vontade. so os titulares desse direito de queixa podem apresentar denuncia. podem apresentar a denuncia directamente nos servicos do MP (delegacoes do MP nos tribunais). Denúncia facultativa: os particulares nao estao obrigados à denuncia. Se se tratar de um crime publico esta correcto. Segundo a jurisprudencia. a qualquer outra entidade judiciaria ou orgaos de policia que a possam receber (Policia judiciaria (PJ). Enquanto para os cidadaos comuns a denuncia nao e obrigatória mas facultativa. mas o cidadao comum nao sabe.. A professora não faz essa leitura do art. isto é. Se nao. levantam ou mandam levantar auto de notícia. Não se pode inibir os particulares de apresentar denuncia e admitir que eles sabem fazer essa distincao e em funcao desta saberem como devem optar. Policia de Seguranca Publica (PSP). Em qualquer situacao nao somos obrigados a apresentar denuncia. ha quem diga que qualquer pessoa pode apresentar denuncia.o). as autoridades policiais devem apresentar denuncia ao MP. em principio. mas se se tratar de crime que depende de queixa (crimes semi-publicos ou crimes particulares stricto sensu) e eu for titular do direito de queixa. onde se mencionem: 46 . manifestacao de conhecimento. 244. Para que isso aconteca é necessario que o queixoso se queixe. o MP sabem fazer. Os cidadaos em geral nao sao obrigados a saber como se distingue os crimes publicos dos crimes semi-publicos e dos particulares stricto sensu. Nos termos do art. nao basta que haja denuncia. se nao encontrar razoes suficientes para notificar o eventual titular do exercicio de queixa. 386. Art. em ligacao às funcoes que desempenham. 244CPP tambem decorre que tratando-se de um crime que dependa de queixa. Ha determinadas entidades para as quais a denuncia é sempre obrigatoria.

faz sentido que se particularize o auto de denuncia como no art. e quando nao tiverem presenciado e for de denuncia obrigatoria? No caso de processo sumario faz sentido que se particularize o auto de denuncia porque é um crime presenciado. Entao. que esta a ser investigado pela pratica de um crime. temos a denúncia anónima: segundo o art. inclusivamente atraves de uma denuncia anonima. 243 para a acusacao formulada pelo MP (dizer os factos. a hora e o local. a denuncia anonima so pode determinar a abertura de inquerito se contiver indicios da pratica de um crime ou a propria denuncia for crime (crime de denuncia caluniosa). que presenciam e ate podem deter em flagrante delito. que. e depois envio isto para um jornal. olhava para a denuncia e dava-lhe o seguimento que devia. o processo passa a ter a forma de processo sumario. 47 . 242). 389 n. 243 que um orgao de policia criminal ou outra entidade policial que tiverem presenciado qualquer crime de denuncia obrigatoria elaboram um auto de noticia. Entao. o problema que se levanta é que o art. al. mas deve ler-se de que “tomaram conhecimento”. pode acontecer que processo siga a forma de processo sumario e nao o comum. ou seja. etc. Imaginemos que alguem viu. Os orgaos de policia criminal devem apresentar sempre denuncia. Antes de 2007. Durante meses ou anos esse cidadao tem a vida destruida. No entanto. 381CPP. a hora. as autoridades policiais devem elaborar auto de noticia: o titular do direito de queixa nao sabe que foi vitima de crime. Visto nesta perspectiva.o. praticado em flagrante delito. 53. todos os crimes de que as autoridades policiais tenham conhecimento (art.”. porque é que o CPP diz no art. nao sabe. a). se e assim. que foi vitima de furto. aquilo que normalmente faz parte de uma acusacao formulada pelo MP no processo comum. que obrigatoriamente tem que denunciar) pergunta-se como é que os orgaos de policia criminal podem transmitir o conhecimento do crime sem ser atraves de um auto de denuncia? Nao é que tiverem “presenciado”. Mas isso é outra questao. 246. Depois o particular saberá se deve ou nao apresentar queixa. Porque a vitima pode nem saber. por exemplo.). Esta norma não seria necessária porque o MP toma conhecimento dos crimes por qualquer meio. A partir da reforma de 2007. e c) Tudo o que puderem averiguar acerca da identificação dos agentes e dos ofendidos. n. e depois vai servir como acusacao no processo sumario (art. o MP apreciava e. Mas a questao que se coloca e esta: Tratando-se de um crime de denuncia obrigatoria (recapitulando. eu nao gosto de um fulano e escrevo as coisas mais escabrosas. Ou seja. O que provavelmente queria o legislador dizer é que estas chamadas anonimas nao devem dar azo a nenhum processo.o 2 do CPP). nao sendo necessario o MP formula-la (art. e só em certas situacoes devem dar origem à abertura de inquerito. uma especie de fase preliminar para ver se ha alguma coisa substancial que justifique um inquerito. apreciar da idoneidade da denuncia – e nao e isto que esta no CPP. 243 so manda elaborar auto de noticia quando se trate de crime de denuncia obrigatoria e desde que seja presenciado pelos orgaos de policia criminal – o que nos leva a pensar que estamos em presenca de um crime em flagrante delito. tudo o que puderem acerca da identificacao. vai apresentar denuncia ao MP. o local e as circunstâncias em que o crime foi cometido. Se temos um crime semi-publico.o 2. nomeadamente as testemunhas que puderem depor sobre os factos. b) O dia. ao tomar conhecimento. nos termos do art. um crime de denuncia obrigatoria. n. n.2 CPP). O que e que pode acontecer a uma pessoa vitima de uma denuncia anonima? Por exemplo. quando havia uma denuncia anonima. Neste momento alguem tem de lhe dizer que ele foi vitima de um crime. bem como os meios de prova conhecidos.5.a) Os factos que constituem o crime. 389. Neste caso. apresentou denuncia na GNR.o. Se o juiz verificar que estao criadas as condicoes do art. O auto de noticia que é apresentado a uma autoridade judiciaria vale como acusacao. porque ele é “apanhado” pelos orgaos de policia criminal.

Isto é. ha uma violacao dos direitos fundamentais. esta previsto no CPP que os orgaos de policia criminal podem levar a cabo determinadas medidas sem necessidade de comunicacao ao MP. fragmentos de municoes. isolando a area. Porque se for possivel deixar passar o tempo. Quais sao essas medidas? Para alem da comunicacao da noticia do crime logo que possivel. e vai por agua abaixo toda a investigacao criminal. A identificacao do suspeito e feita nos termos dos n. aberto ao público ou sujeito a vigilância policial. saliva. neste momento. O periodo maximo de detencao e de 6 horas. Medidas relacionadas com a identificação do suspeito e pedido de informações (art.º) “1 – os órgãos de polícia criminal podem proceder à identificação de qualquer pessoa encontrada em lugar público. fragmentos de tecido. sempre que sobre ela recaiam fundadas suspeitas da prática de crimes. Ha um problema: os orgaos de policia criminal nao podem deter uma pessoa por tempo indeterminado. do art. os vestigios desaparecerao. A eficacia do orgaos de policia criminal. de que tenha penetrado ou permaneça irregularmente em território nacional ou de haver contra si mandado de detenção”. colher informacoes de eventuais testemunhas. proibindo a entrada de gente estranha. semen. Medidas relacionadas com a prova (art. tem que actuar antes e transmitir depois. 250. Intervenção dos órgãos de polícia criminal e das medidas cautelares e de polícia Em primeiro lugar. Ha um processo proprio para realizar a identificacao do suspeito. 48 .o 3. proceder a apreensao de objectos do crime. 171. os orgaos de policia criminal que tiverem noticia de um crime. ou seja. faca. 173. pistola. recolhendo logo os vestígios do crime (sangue.2 e art. Art. pode acontecer que em certos tipos de crimes (crimes violentos. que se nao for integralmente respeitado.3. .) – diligencias previstas no art. Está previsto no CPP que os orgaos de policia criminal podem realizar um conjunto de accoes – as chamadas medidas cautelares e de polícia – sem que tenha havido ainda intervencao do MP. etc. e fundamental para o sucesso da intervencao.º) . Estas medidas tem em vista a manutencao dos meios de prova. devem transmiti-lo imediatamente ao MP.Proceder a exames dos vestigios do crime. seja por que meio for. da pendência de processos de extradição ou de expulsão. 248. sendo ele que decide se ha ou nao inquerito. n. 249. 4 e 5. bem como adoptar as medidas cautelares necessarias a conservacao ou manutencao dos objectos apreendidos. 250.o do CPP. sob pena de ser considerada uma detencao ilegal (podendo processar o Estado e pedir uma indemnizacao). No entanto.Colher informacoes das pessoas que facilitem a descoberta dos agentes do crime e a sua reconstituicao. nunca excedendo o prazo de 10 dias para o fazer – porque o MP é o dominus do inquerito. isto e.Proceder a apreensoes no decurso de revistas ou buscas ou em caso de urgencia ou perigo na demora. assegurando que ninguem mexe nos objectos e no lugar do crime. criminalidade organizada) os orgaos de policia criminal nao tenham tempo para transmitir a noticia do crime ao MP sem que tenham que realizar previamente certas medidas cautelares. .o e ss do CPP.

º.177.º Busca domiciliária 1 – a busca em casa habitada ou numa sua dependência fechada só pode ser ordenada ou autorizada pelo juiz e efectuada entre as 7 e as 21 horas. é ordenada revista. sob pena de nulidade. fotográficas ou de natureza análoga e convidando o identificando a indicar residência onde possa ser encontrado e receber comunicações. susceptíveis de servirem a prova e que de outra forma poderiam perder-se.” Ex: X vem de uma noite do Enterro da Gata e houve qualquer problema naquela zona.º Revistas e buscas 1 – Para além dos casos previstos no n. mas com um limite quanto as buscas domiciliarias. sempre que tiverem fundada razão para crer que neles se ocultam objectos relacionados com o crime. No art. no seu mínimo.º 5 do artigo 174.o 2 do art.” Dispoe o n. 4 e 5. sempre que houver razões para crer que ocultam armas ou outros objectos com os quais possam praticar actos de violência”. é ordenada busca.o do CPP que diz: “Art. ou quando haja fuga ou perigo de fuga iminente do suspeito. c) Flagrante delito pela prática de crime punível com pena de prisão superior. 251. b) Consentimento do visado. das revistas e buscas enquanto meios de obtencao de prova. “Art. os órgãos de polícia criminal podem proceder.“6 – na impossibilidade de identificação. se encontram em lugar reservado ou não livremente acessível ao público.o e seguintes (para qualquer fase do processo). os orgaos de policia criminal podem imediatamente proceder a revista e busca sem autorizacao judiciaria.º 3. previstos no art. 251 prevê-se revistas e buscas sem previa autorizacao judiciaria. ou o arguido ou outra pessoa que deva ser detida. realizando. Em situacao de emergencia da pratica de um crime. provas dactiloscópicas. A policia pergunta-vos pela vossa identificacao e X recusa-se a identificar-se. devam ser conduzidos a posto policial. em caso de necessidade. aqui. nos termos dos n.o: “ Entre as 21 e as 7 horas. salvo tratando-se de busca domiciliária. 2 – Quando houver indícios de que os objectos referidos no número anterior.” Alguem ordena a revista ou a busca. 174. documentado por qualquer forma. a 3 anos. em caso algum superior a seis horas. a busca domiciliária só pode ser realizada nos casos de: a) Terrorismo ou criminalidade especialmente violenta. So que depois vamos ao art. Medidas cautelares e de polícia: revistas e buscas (art. “Art. 251.” 49 .º) Nao falamos. na qualidade de suspeitos. A policia leva-o ao posto policial ficando detido mas no maximo seis horas. b) À revista de pessoas que tenham de participar oi pretendam assistir a qualquer acto processual ou que. 177. sem prévia autorização da entidade judiciária: a) À revista de suspeitos em caso de fuga iminente ou de detenção e a buscas no lugar em que se encontrarem. X nao vai identificado. os órgãos de polícia criminal podem conduzir o suspeito ao posto policial mais próximo e compeli-lo a permanecer ali pelo tempo estritamente indispensável à identificação. 174. quando se acabou de cometer. 251.º Pressupostos 1 – Quando houver indícios de que alguém oculta na sua pessoa quaisquer objectos relacionados com um crime ou que possam servir de prova.

o. Aqui e o contrario: uma situacao em que os orgaos de policia criminal se apercebem que alguem se esta a preparar para cometer um crime. 252. o 177. E preciso relacionar muito bem estes tres artigos: o 174. 252. porque em causa estao direitos fundamentais. Um bar tinha uns anexos nas traseiras onde decorriam praticas de prostituicao e praticas ilicitas. n. A busca foi feita nos anexos. e. 252. E tratando-se deste tipo de crime. e aqui sublinho esta parte. desde que o facam entre as 7 e as 21 horas. e ha necessidade de efectuar buscas e revistas. uma vez que se tratava de uma busca domiciliaria e dadas as circunstancias da busca. Portanto. durante uma semana e o nosso domicilio.” E preciso nao confundir isto com as escutas telefonicas. “3 – As buscas domiciliárias podem também ser ordenadas pelo MP ou ser efectuadas por órgão de polícia criminal: a) Nos casos referidos no n.” Ha situacoes em que os orgaos de policia criminal fazem buscas e revistas mesmo nao sendo. Nos vamos estudar as escutas telefonicas mais adiante.o . porque pode nao haver tempo). “localizacao celular”. quando haja fundados indicios da pratica iminente de crime que ponha em risco a vida ou integridade da pessoa. Porque se vamos uma semana para um hotel.º. Porque entre as 21 e as 7 horas so com autorizacao do juiz. passo a redundancia. E aqueles anexos seriam um domicilio porque quem la ia. O TC deparou-se com duas teses: _os anexos nao podem ser considerados domicilio. _esse local era um domicilio (um santuario proprio que garante a reserva da intimidade da vida das pessoas).º 5 do art. entre as 21 e as 7 horas.o e o 251. nao estamos a falar de um crime acabado de cometer em que haja perigo de fuga. enquadradas nas medidas cautelares e de policia (o crime e cometido e ha perigo de fuga. b) Nos casos referidos nas alíneas b) e c) do número anterior. O que esta aqui em causa e a possibilidade de localizacao de uma pessoa atraves da chamada.174.A) Art.o. Entre as 21 e as 7 da manha tem que haver sempre autorizacao do juiz. os orgaos de policia criminal podem actuar de imediato. nao havia autorizacao judicial. terao mesmo de actuar. Argumentou-se que a busca era ilegal porque. Entre as 7 e as 21 horas. Estamos a falar de situacoes em que esta em causa terrorismo. a policia entrou num estabelecimento comercial. nao e isso. Esta busca era ou nao permitida? Medidas cautelares e de polícia: localização celular (art. entre as 7 e as 21 horas. entao. 50 . ia no pressuposto de que estava garantida a reserva da intimidade da vida privada.º) NOTA: Caso que foi ao Tribunal Constitucional (TC): Foi uma situacao de busca domiciliaria sem autorizacao do juiz.o 1: “As autoridades judiciárias e as autoridades de polícia criminal podem obter dados sobre a localização celular quando eles forem necessários para afastar perigo para a vida ou de ofensa à integridade física grave.A.Entre as 21 e as 7 horas tem que haver autorizacao do juiz – e um limite constitucional. Se nao e escuta telefonica.º . criminalidade violenta ou altamente organizada. Medidas cautelares e de polícia: apreensão de correspondência (art. se for mesmo perigo iminente da pratica de um crime. se nao e um meio de obtencao de prova. O que esta em causa nao e a intercepcao de chamadas telefonicas.

? Como e que ele sabe isso Como e que ele sabe uma coisa dessas? Ora. que o legislador dissesse: “Sempre que exista a possibilidade de serem cometidos crimes contra a vida.grave. a PSP ou a PJ vai fazer a localizacao celular de m individuo para prevenir a pratica de um crime porque ja tem a certeza de que o que ele vai cometer e um crime de ofensa a integridade fisica grave. a intervencao do juiz impoe-se quando se trata de um processo que nao esta em curso. a nao ser que tenha uma informacao tao clara. que consiga qualificar como e que vai ser um crime que ainda nao se deu! Nao e? Quer dizer. Como e que a PSP consegue provar isso? Bem.. estas opcoes do legislador deixam-nos a pensar… Isto nao faz sentido! Eu admitia. a GNR. E. isto pode causar problemas serios aos orgaos de policia criminal. tambem a necessidade de respeitar os direitos fundamentais e. a nao ser que os suspeitos estejam a dizer “vamos mutila-lo. aqui. saltamos agora para uma questao que e bem mais complicada e bem mais interessante: a questao da detencao. Agora. ou autodeterminacao sexual”. vamos arrancar-lhe uma perna”. por exemplo. pode dizer-se assim: “Como e que os senhores sabiam que ia ser mutilado um braco?” Ou o contrario: “Porque e que nao fizeram a localizacao celular se mutilaram o braco ao tipo?” Isto obriga a provar e a comprovar coisas que sao em principio completamente impossiveis! Mas. e ate vai ser de ofensa a integridade fisica . coisas assim genericas que nao nos obriguem a dizer se o crime e qualificado ou e simples! Nao ha nenhum orgao de policia criminal. E possivel deter alguem – quem pode deter? 51 . Mas como e que se sabe isto? Ate pode saber-se. Esta incerteza nao faz sentido. isto e uma coisa completamente inacreditavel! Mas e o que esta na lei.sova. por exemplo? Quer dizer. enfim.” – como e que um GNR ou um PSP sabe que determinado individuo esta a preparar-se para cometer um crime. Mas a questao e esta: nao havera muitas situacoes em que nao se consegue saber e que sao igualmente importantes? Quando se diz assim “vamos apanhar fulano em tal sitio e vamos dar-lhe uma sova” – e a PSP: “. por isso. porque nao aos crimes sexuais? Porque nao aos crimes de terrorismo? Porque nao aos crimes violentos? Porque nao a criminalidade organizada? Porque nao? Porque razao e que isto so se aplica aos crimes que constituam perigo para a vida ou para a integridade fisica grave? E depois outra coisa que aqui nos faz pensar: “ofensa a integridade fisica . sera ofensa a integridade fisica simples ou grave?. so se tiver a certeza absoluta porque gravou uma conversa… mas como e que gravou uma conversa se nao houve escuta telefonica autorizada previamente. Ha uma obrigacao de dar conhecimento ao juiz de que se fez uma utilizacao desses dados. E essa a funcao da localizacao celular. Bem.. As autoridades judiciarias e orgaos de policia criminal podem utilizar os dados para a localizacao celular com vista a afastar o perigo para a vida ou ofensa a integridade fisica grave. alias.grave. Nao se consegue saber. e partiram-lhe uma perna. Ha. tao concreta. tao indiscutivel.visa o que? Visa prevenir crimes. Se o crime ja aconteceu. ou integridade fisica. e o que esta na lei. e ofensa a integridade fisica grave. arrancaram-lhe um braco. Porque. Ha uma questao que eu queria colocar: por que razao e que isto so se aplica ao crimes contra a vida e a integridade fisica grave? Porque? Por exemplo. imaginem. E capaz de ser grave… mas pode se simples…”.

E porque? Porque o facto de esse individuo ter sido apanhado com vestigios “que mostrem claramente que o acabou de cometer ou nele participou” nao quer dizer que a GNR tenha presenciado. Quando se da a detencao em flagrante delito tera que haver uma entrega imediata do detido a uma autoridade judiciaria. e isto: nao tem que ser necessariamente aquando da pratica do crime. nos termos do art.caca ao homem. ainda. 255. n. o arguido ainda esta ali. mesmo que logo a partir da pratica do crime tenha havido uma . O indicio tem que ser muito forte. com vestigios de sangue fresco. nao sendo possivel. se logo apos a pratica do crime ha uma “operacao stop” e a GNR verifica que o individuo tem ao seu lado uma faca. E e isso que vamos saber: quem pode deter? Quando se pode deter? E por quanto tempo? Os orgaos de policia criminal podem deter sempre que exista mandado de detencao (sempre. e. No art. mas sem nunca exceder 24 horas.o. portanto. sempre que seja necessario apresentar a julgamento sob forma sumaria ou ser presente ao juiz competente para primeiro interrogatorio judicial ou para aplicacao ou execucao de uma medida de coaccao.4. se formos nos a deter.o como sendo “todo o crime que se está cometendo ou se acabou de cometer”. no mais curto prazo. Da detenção Podem deter os orgaos de policia criminal. por exemplo. a realizar-se – pode nao ser assim. ou uma semana depois do crime. e. mas que interceptou um individuo com um objecto que indicia claramente que alguma coisa tera acontecido muito pouco tempo antes. portanto. logo apos a realizacao do crime. do detido perante a autoridade judiciaria em acto processual. isto e. O vestigio em que mostrar que algo sucedeu muito pouco tempo antes. os cidadaos. no fundo. ou tres dias ou quatro. Se fosse ha muito tempo. quando passa assim tanto tempo sobre a pratica do crime.o 1 52 . digamos. como e evidente. ao contrario do que muitas vezes os vossos colegas nas provas orais respondem. E no art. ja nao estamos em presenca do flagrante delito. esta ainda tudo muito fresco. logo após o crime. No primeiro caso (art. pode dete-lo por suspeita de pratica de crime e se verificar que afinal se cometeu mesmo um crime de homicidio pouco antes daquilo. nao e necessario que os orgaos de policia criminal tenham.” Por exemplo. 255. perante esta situacao? Quando e que estamos perante uma detencao em flagrante delito. E. 256. por exemplo.o 2 diz: “Reputa-se também flagrante delito o caso em que o agente for. 24 ou 48 horas. temos limites. estamos ainda na presenca de um flagrante delito. presenciado o crime a cometer-se. Estamos em presenca do flagrante delito quando ele se esta a cometer ou se acabou de cometer. se a detencao e feita. o que a lei quer dizer. e por isso e que e detido. curiosamente. O CPP da-nos essa possibilidade de procedermos a detencao de outra pessoa. podemos deter nos. mas tambem nao pode ser muito depois da pratica do crime. em principio nao era possivel dete-lo de imediato. ou. Portanto.o esta a detencao em flagrante delito. “acabou de cometer” tem de ser um espaco de tempo relativamente curto em que se permita dizer que o crime foi algo que aconteceu antes.o do CPP estao as finalidades da detencao e a detencao fora das situacoes de flagrante delito. o n. 254. entao. mas no momento em que se possa dizer que o crime acabou de se cometer. imediatamente antes a esse momento da detencao. E. por exemplo.. e o que e que se deve fazer em seguida? O que e que se deve fazer quando se prossegue a uma detencao em flagrante delito? O flagrante delito esta descrito no art. perseguido por qualquer pessoa ou encontrado com objectos ou sinais que mostrem claramente que acabou de o cometer ou nele participar. 254. So que. para assegurara a presenca imediata ou.o do CPP). O que e que temos que saber. como e evidente!) e podem deter sempre que aconteca uma situacao de flagrante delito. E por isso. Os orgaos de policia criminal podem chegar depois.

Mas condicao basica para ser processo sumario e ter havido detencao em flagrante delito. porque os orgaos de policia criminal podem deter uma pessoa que tenha cometido um crime que nao seja publico.” Portanto. isso da possibilidade. Por exemplo um crime de difamacao: a GNR esta num sitio ou a PSP e ve/constata que um cidadao esta a injuriar ou difamar outra pessoa. Mas pode identificar o infractor nos termos do artigo 250. Na aula anterior falamos do problema do exercicio do direito de queixa. teria de haver uma detencao geral. Tambem aqui e preciso ter em conta os numeros 3 e 4 do artigo 255.º Quando tem lugar 1 – São julgados em processo sumário os detidos em flagrante delito. mesmo em caso de concurso de infracções: a) Quando à detenção tiver procedido qualquer autoridade judiciária ou entidade policial. e.o. caso nao consigam faze-lo. nos termos dos artigos 255. E se nao vai haver processo a detencao ja nao faz sentido. O proprio art.o. a uma entidade policial. por um orgao de policia criminal e tenha sido feita em flagrante e delito. Pode proceder a identificacao do infractor e nada mais do que isso. confrontada com a situacao diz: “eu nao quero exercer o direito de queixa” – nao vai haver processo porque e um crime semipublico. Se o titular nao o fizer e evidente que os orgaos de policia criminal nao podem manter a detencao da pessoa. E se for um crime particular stricto sensu. A partir dai tera que ser o particular ofendido a exercer o direito de queixa e depois de acusacao do particular (nos estadios de futebol. a cada Domingo. e portanto nao faz sentido uma coisa dessas). como dizem os números 3 e 4 do artigo 255. muitas vezes por serem ultrapassados os prazos. A detencao so faz sentido se for para entregar essa pessoa a uma autoridade judicial para iniciar o primeiro interrogatorio e a partir dai o processo sumario. Porque se nao o fizerem e evidente que estarao a cometer um crime de sequestro. Porque? Porque a detencao nao faz sentido. o comandante da GNR ou da PSP mandaria os seus soldados deter todos os espectadores do estadio. Mas. se a pessoa que deve exercer o direito de queixa. terao de proceder a sua libertacao. Essa entrega e feita mediante um auto de noticia e isso acontece porque se da inicio com esse auto de noticia e com a entrega desse detido a um processo sumario.o. porque na verdade todos estariam a ofender o arbitro (a chamar-lhe nomes feios).o e por uma autoridade judiciaria ou entidade policial.º. da a possibilidade de avancar com o processo sumario. entao. por crime punível com pena de prisão cujo limite máximo não seja superior a 5 anos.do CPP. Ele e imediatamente libertado. Mas tambem porque se nos formos consultar as normas relativas ao processo sumario verificamos que logo no inicio se diz assim: “Art. desde que a detencao tenha sido feita por uma entidade policial. se for um crime semipublico essa detencao so se mantem quando o titular do direito de queixa o exercer imediatamente. Ha muita gente que e objecto de identificacao por parte dos orgaos da policia criminal justamente por cometer crimes particulares 53 . ou b) Quando a detenção tiver sido efectuada por outra pessoa e. E preciso que se respeitem determinadas condicoes para manter o processo sob a forma sumaria e.o nos refere essa possibilidade. tendo esta redigido auto sumário da entrega. o detido tenha sido entregue a uma das entidades referidas na alínea anterior. ha apenas identificacao do infractor. pode suceder isso. que alem de dependente de queixa tambem depende da acusacao particular. ele acaba por ser remetido para a forma de processo comum. E obvio que nao vai deter a pessoa porque se trata de um crime particular stricto sensu (depende de queixa e de acusacao particular). So que. por exemplo. O que nao quer dizer que o processo decorra sobre a forma de processo sumario.º e 256. nos termos dos artigos 255. 255. se o crime nao for punivel com uma pena superior a 5 anos. num prazo que não exceda 2 horas. Mas. nem sequer ha detencao em flagrante delito.o e 256. os particulares nao podem tambem deter? Os particulares podem deter mas tem imediatamente de entregar a pessoa a um orgao de policia criminal. 381.

todavia. Vindo o MP a acusar Antonio por factos subsumiveis ao crime de homicidio privilegiado. aos beijos e abracos com um antigo namorado vem. Caso prático n. decidindo o JIC nao pronunciar Antonio. normalmente os policias fazem de conta que nao viram quem foi ou entao teriam que constantemente identificar pessoas). 133. durante o qual foram observadas devidamente todas as normas processuais. 194. Ja o filho de Celso. Tendo Antonio sido condenado a 16 anos de prisao.º 8 Antonio. e a irma daquele.o do CPP. ordenou a sua imediata conducao ao TIC para 1. pretendem ambos constituir-se como tal. O juiz. Bernardo. verifica que deles consta a transcricao de um e-mail. 1. consideram que Antonio deveria ter sido 4. acabando Celso por morrer. o juiz. vendo-se ele. Face a isto. contando-lhe que descobriu que a sua mulher o trai com Celso e dando-lhe conta de que prepara a morte daquele. Esta. pelo que.o do C. Daniel. constituiu-o como arguido e apresentou-o de seguida ao MP. a matar aquele. agora.o interrogatorio judicial. ninguem parece estar contente com tal desfecho. Quem pode faze-lo e em que termos? 4. agente da PSP que passava no local. o que fez. portanto. A mulher. apos sumaria inquiricao onde esteve tambem presente o defensor. Suponha que o antigo namorado. Suponha que os autos seguem para julgamento e Antonio arrola como testemunha a sua mulher. era casado e tinha um filho de 22 anos. Antonio entende que o juiz nao poderia ter levado em linha de conta o e-mail referido. mas que este avancou para si com uma faca. dizendo que so pretendia confrontar Celso verbalmente. Aprecie a legalidade da detencao de Antonio. constituir-se assistente. (injuriar. em 1.stricto sensu.P. acontece muitas vezes.o interrogatorio judicial e aplicacao de medida de coaccao. e portanto. por sua vez. para prova de que Celso avancou para si empunhando uma faca. por exemplo. obrigado a defender-se. considerou estar-se em face de um crime de homicidio privilegiado (art. assistiu a tudo e procedeu a imediata detencao de Antonio. compreende a atitude de Antonio e nao pretende. porque ve a sua mulher que muito ama. Ester. 2. enviado por Antonio a um seu amigo de longa data. Quem pode reagir e em que termos? 5. aplicou a Antonio a medida de coaccao de Prisao Preventiva.). Durante o julgamento. por isso. Celso. dois meses antes da ocorrencia dos factos submetidos a julgamento. promovendo desde logo a aplicacao da prisao preventiva. e cumprindo todas as regras constantes do art. Poderia o juiz sujeitar Antonio aquela medida de coaccao? 3. 54 . normalmente aqui tambem entra em linha de conta aquilo a que se chama acto da accao social ou os costumes. consultando os autos. este pretende reagir. O que deve fazer? Durante a instrucao apura-se que os factos alegados por Antonio correspondem a verdade. recusa-se a depor. como deve agir o juiz de julgamento? 7. Podera faze-lo? 6. Este magistrado validou a constituicao de Antonio como arguido e. entendendo tambem existir perigo de fuga. ao saber que ele a traia. O MP e o Assistente. por motivos de ciumes e num impulso de momento.

tomar conta da ocorrencia. estamos de acordo. eventualmente. O que e que os Srs. que estava a passar. obstar a continuacao da actividade. Pode cada um deles reagir?De que forma e com que fundamento? Resolução 1. se calhar.condenado a. que o processo se inicia na fase de inquerito. como eles costumam dizer. E. E. pode haver necessidade de tomar um conjunto de providencias quando ainda nao existe processo. normalmente. em primeiro lugar.Concretamente. em segundo lugar. que pode ser feita por um orgao de policia criminal ou por 55 . vai calmamente no seu caminho e assiste a pratica do crime? O que e que pode estar em causa nesta fase preliminar? Ja falamos de que maneira e que pode haver o conhecimento de um crime. a parte estas questoes atinentes a aquisicao da noticia do crime. de tudo aquilo a instruir no processo. em que circunstancias? Em flagrante delito. Estamos habituados a dizer. assistiu a todo e deteve o Sr. seja ela denuncia. nos crimes puniveis com prisao. Policias chegam la e fazem? Nada. pelo menos. portanto. existe um momento antes de existencia propriamente do processo que ja interessa a discussao dos factos que estao em causa – aquilo a que chamamos as fases preliminares. ha um conjunto de outras circunstancias que podem estar em causa aqui. ver quem sao as testemunhas. porque nao ha processo-crime? Ainda nao ha inquerito. real. Antonio. o orgao de policia criminal se tiver competencia delegada para isso. que sao. a partir do momento em que se passa um determinado facto susceptivel de ser criminoso. Reparem que. obviamente. uma vez que so existe processo a partir do momento em que existe inquerito. do ponto de vista ontologico. como se adquire a noticia do crime: a noticia do crime e denuncia obrigatoria para autoridades.. vem-se embora? Obviamente. no nosso caso pratico. fase preliminar. se quiserem. e a partir daqui e que o processo existe. eles tem de ter a capacidade de para praticar um conjunto de factos para. Muito embora isso seja verdade do ponto de vista formal.o e ss do CPP. 20 anos de prisao. E o caso tipico de acidente de viacao. O processo so existe a partir do momento em que ha noticia do crime. as chamadas medidas cautelares e de policia – a necessidade de tomar providencias para o estado de coisas em que se encontra o momento em que se inicia um certo tipo de crime nao seja mexido por forma a nao comprometer as provas. fazer as medidas. Imaginem que os entes policiais sao chamados a casa de alguem porque a mulher A esta alegadamente a bater no marido B. nomeadamente. Sao essas materias que vem previstas nos artigos 241. E eu pergunto-lhes: tendo em atencao as regras que os senhores conhecem de direito processual penal parece-lhes que esta detencao vai funcionar como? Como regra? Como excepcao? Num conjunto amplo de casos? Num conjunto restrito? Em que circunstancias e que os senhores acham que a detencao pode ser feita? Em que casos e que as pessoas podem ser detidas? Nos crimes puniveis com prisao. como aqui. que tipos de detencao e que os senhores conhecem? Esta e uma detencao em flagrante delito. meus senhores? Que tipo de detencao? Ou. Mas so existe a partir do momento em que ha essa reflexao sobre a noticia do crime. precisamente. Antonio matou o antigo namorado da mulher (vao ver adiante que se chama Celso) e o agente da PSP. Nos. a noticia do crime vai ao MP e o MP abre o processo ou. E mais? A detencao esta prevista nos artigos 254. naqueles casos em que. Reparem que existem aqui duas circunstancias concretas: a primeira e a circunstancia do flagrante delito. A parte estas questoes atinentes propriamente a denuncia ou a noticia do crime. identificamos a fase de inquerito como os primeiros actos processuais. de que nos ja tinhamos falado.o e ss. obviamente. o Sr. conservar a necessaria prova existente para depois instruir no processo. O que e que esta aqui em causa. Aprecie a legalidade da detenção de António. do ponto de vista factico e ate do ponto de vista normativo. sobre a susceptibilidade de ela conter elementos suficientes para dar inicio ao inquerito. O Sr. agente da PSP. lavrar o auto. está em causa a detenção. queixa ou participacao.

do detido perante a autoridade judiciária em acto processual. e depois. Detidas – com base em que? Com base numa destas normas que aqui estao. que a actividade criminosa nao continua. de acordo com o art.o do CPP: “1. Portanto. E se ele nao as conseguir ouvir na segunda-feira? E tiver que passar para terca ou quarta-feira? Ficam detidas? Nao podem ficar! Nao podem ficar! Houve algumas decisoes um bocadinho estranhas e algumas posicoes curiosas que diziam que o que interessava era o inicio da inquiricao: comecavam a inquiri-las na segunda-feira. 40. ainda que demorassem quarta.qualquer pessoas (qualquer um de nos pode deter em flagrante delito). E fora do flagrante delito? Que razoes poderao justificar que. com estas historias das inquiricoes. Suponham. podem ir para casa e receber uma notificacao para comparecer na proxima segunda-feira no tribunal. o senhor vem imediatamente para casa. Sera a necessidade de assegurar a cooperacao do arguido com a autoridade judiciaria? Os casos de detencao terao que corresponder a crimes em que seja possivel aplicar a medida de detencao preventiva? O Antonio foi validamente detido? Porque? Ora. Nao podemos andar para ai a deter pessoas. Sao detidas 12 pessoas. porque. ou podem ser detidas. Ha uma norma constitucional que impoe a liberdade das pessoas e que impede a restricao desse direito a nao ser em circunstancias particularmente delimitadas. Ora bem. A partir dai. não sendo possível. pode ser aplicada uma medida de coaccao de prisao preventiva. estamos a falar aqui de uma detencao que e por um prazo muito estreito. ainda que elas sejam arguidas em processos – elas sao inocentes ate transito em julgado. o detido ser apresentado a julgamento sob forma sumária ou ser presente ao juiz competente para primeiro interrogatório judicial ou para aplicação ou execução de uma medida de coacção. depende do que se trate. uma operacao stop). elas poderiam continuar detidas. e apenas no prazo de 48 horas. nao e essa a razao de ser da lei. mas sem nunca exceder vinte e quatro horas. obviamente. no prazo máximo de quarenta e oito horas. Tem que haver uma justificacao suficiente para a detencao fora do flagrante delito. nao tendo alguem visto ou concluido de forma muitissimo directa a existencia de um crime. E reparem que. ou b) Para assegurar a presença imediata ou. dependendo dos casos. 2. nao e dificil ultrapassar-se o prazo de 48 horas. 254. Obviamente. em que circunstancias e que alguem pode ser detido? Porque entre nos a detencao ha-de ser excepcionalissima. no mais curto prazo. alem de que para assegurar. por exemplo. se podem ou nao continuar no dia seguinte. quinta. nao tendo havido flagrante delito. eventualmente. suponham uma rusga. 48 horas. Nao e uma detencao sem mais. em que ha muita gente detida (e sucede muitas vezes. Reparem. e depois 56 . Essas pessoas. sexta a terminar a inquiricao das pessoas. dete-lo. Nao faz sentido deixar ir o suspeito quando se pode parar o sujeito ali. mas caso nao seja. e e apenas para assegurar que o individuo e apresentado junto do juiz para qualquer uma destas finalidades. sendo correspondentemente aplicável o disposto no artigo 141.º”. agora. nem que seja so por um determinado periodo de tempo. O arguido detido fora de flagrante delito para aplicação ou execução da medida de prisão preventiva é sem+pré apresentado ao juiz. em 48 horas elas tem que estar frente ao juiz: 48 horas e na segunda-feira! Sucede que elas sao 12! Podem ser 15. E apenas para assegurar que vai la estar para que se possa cumprir a diligencia. reparem. quais sao as razoes que conduzirao a necessidade de detencao? Razoes de prova e perigo de fuga. em casos como estes. A detenção a que se referem os artigos seguintes é efectuada: a) Para. o caso tipico das operacoes stop na sexta-feira a noite. exactamente na mesma. se sao durante o dia e ou tambem podem ser durante a noite. 20. E o juiz tem todas essas pessoas para ouvir. E por isso esta norma cria. E cuidado com este prazo. para fazer as primeiras diligencias probatorias. portanto. no caso de flagrante delito.

Este arguido correctamente notificado falta as diligencias. na segunda-feira. portanto. nomeadamente. Neste caso é sempre obrigatoria a presenca de advogado. pode julgar. Ele nem sequer pode ser sujeito naquele processo. nem para ser condenadas). o julgamento pode ser feito na ausência. E podem ver ai exactamente isso: “se o arguido regularmente notificado” – se ele nao estiver notificado. marcada neste dia. entao. e arguido. e nao aparece. com prisao e sem prisao. a partir de agora o processo pode seguir”. mas apresentar-se para dizer “eu estou aqui. de alguma maneira.o juiz. como vimos na aula passada. qualquer que seja o crime. Portanto. Em algumas circunstancias. coisa diferente e este arguido faltar. Se a pessoa nao indica um defensor. nao tem morada ou esta é muito antiga e o arguido ja nao vive la). que passou pelo termo de constituicao de arguido. se o arguido faltar a discussao de audiencia e julgamento. no momento da acusacao. Coisa diferente e um arguido. pode ser feito na ausencia.o do CPP. Os crimes sem prisao podem eventualmente nao ter advogado. nao se consegue sequer informar o arguido de que o é. porque ele nem sequer sabe que é arguido. Mas. falta ao julgamento. o arguido nao aparece. para que aquela pessoa possa ser notificada. E. carta de conducao – nao podem renovar. era sempre obrigatoria a gravacao. O que e que se passa ai? Vamos deixar o prazo correr para prescrever? Vamos fazer um julgamento na ausencia? Nao podemos. para assegurar que vai estar o detido no acto processual que lhe diz respeito. sou esta pessoa. tenho esta morada. nunca se conseguiu encontrar. desapareceu simplesmente. portanto. o juiz nao faz isso automaticamente. chega a segunda-feira. A falta e julgamento na ausencia do arguido esta prevista no art. a apresentar-se. Por exemplo: bilhete de identidade – deixam de poder tirar. é automaticamente nomeado um defensor oficioso. A contumacia é um regime em que. na maior parte dos casos. ele faz sempre uma diligencia na tentativa de que o 57 . Agora é sempre obrigatoria. quando se apresentem. vamos dizer assim. se sintam constrangidas a apresentar-se (e nao e para ser presas. Porque a minha pergunta era a seguinte: suponham que na audiencia de discussao e julgamento. Porque se ha o risco de o mandar para casa e ele. passaporte – nao podem sair do pais. quando o MP acusa. Restringe-se-lhes um conjunto de direitos civis por forma a que as pessoas. nos casos em que o arguido nao estivesse. constituido enquanto tal. pode haver logo a notificacao de que elas apareceram e. e e onde mora (nao se esquecam que a partir do momento em que alguem se constitui arguido e obrigado a dar uma morada para a qual se notifica a partir dai por mera carta (e se ele nao recebe as cartas. o juiz pode fazer a audiencia sem o arguido? Reparam que ha dois casos distintos: que é o caso da contumácia. O que e que faz o juiz? Julga. por exemplo. sao as duas hipoteses de detencao em prazos curtos. mas tem de ter defensor! É um dos casos de presença obrigatoria de defensor. So para que se saiba quem é e onde está. se marca a audiencia de julgamento e o arguido falta a primeira sessao da audiencia de julgamento – o que e que faz o juiz quando o arguido falta? Pode fazer o julgamento na ausencia? Tudo isto sao pequenos pontos processuais. que e o regime que. porque certa pessoa é arguido num processo e nunca foi tido em achado. presume-se que recebeu). esta aflito para cumprir o prazo das 48 horas. dizia. aqui. nao se aplica isto mas o regime da contumacia. nao se respeitando o minimo do contraditorio Para esses casos existe o regime da contumacia. muito curtos. nem notificado pode ser (desaparece. Sem arguido. suspende um conjunto de direitos das pessoas para que elas se sintam coagidas. De preferencia convem que esteja o arguido. Tambem e comum aquela circunstancia em que. estas duas hipoteses. Portanto. por outro. susceptiveis se serem questionados a qualquer momento. nomeadamente quando ele nao apareça na data marcada para a audiencia e o juiz entenda que nao ha perigo grave em o julgamento seja feito sem arguido. É como na gravacao – dantes. se nao antes. sabe-se quem. entao estamos a garantir que ele se vai apresentar. 333. em primeiro lugar. o problema e dele. Neste caso.

Por exemplo. logo apos o crime. esta aqui previsto. isso exige um conjunto de formalidades acrescidas.presos. eu vou ali a passar e assisto a um senhor aluno (A) a partir a cara a outro (B). obstar a que aquela pessoa fuja e identificar o agente. e . Estas..detidos. em que se assiste aos actos de execucao do crime. De acordo com o art.o. Os policias comecaram a ir no dia anterior.º”. as duvidas. Isto e uma detencao em flagrante delito? Ou isto pode ser uma detencao em flagrante delito? Pois.detido. Encontrar alguem com objectos e vestigios.30 horas. E. quando lhes perguntar: “Em que casos. nao e a toa – “que se esta cometendo” ainda esta em acto de execucao. Imaginem que o julgamento estava marcado para as 9. como todas as ofensas a integridade fisica. Por isso se preve no art. portanto. nao e a mesma coisa que um crime publico. Quando e que estamos perante flagrante delito? Diz claramente no art. as 7 ou as 8 horas. quer dizer… isso e um flagrante delito muito rebuscado. Reparem. Porque . tambem quanto a mim. ha um prazo maximo de 24 horas. mas nesse dia o arguido ja nao estava em casa. Do ponto de vista cientifico parece-me pouco flagrante delito. ou uma calamidade… nao pode ser chamada a policia em tempo util. do ponto de vista dogmatico. o cafe. as policias (PSP ou GNR) iam de manha. porque as razoes para a detencao que apontamos ha pouco sao as mesmas: impedir a continuidade da actividade.injuria ou difamacao ou a uma ofensa a integridade fisica simples. Obviamente. 256. visivelmente transtornadas.arguido esteja – qual e essa diligencia? E aquela detencao que estava prevista na alinea b) do art. Por isso. nao e . depois. ha dois tipos: presos preventivos e presos em execucao de pena. Aqui. vao procurar o senhor e apanha-lo para o apresentar a julgamento).. Cuidado com os crimes semipublicos e particulares. so com vista a estas finalidades ou em casos de flagrante delito. Mas do ponto de vista pratico. Posso deter o aluno agressor. 254. Porque se entende que se encontraram vestigios evidentes de que se acabou de cometer um crime. 255. a casa da mae. se levantam.detido. Mas isto nao interessa para aqui. Posso deter o senhor aluno que esta a bater? Houve um grande acidente ali em baixo. E um crime semipublico. aqui. Mas. No caso de ser uma qualquer pessoa exige-se. mas neste caso apenas se nao puder ser chamado em tempo util uma entidade policial ou autoridade judiciaria. pode dar origem a detencao em flagrante delito. E esse tipo de exigencia mantem-se nos crimes semipublicos e particulares. e quanto a . No caso de ser uma entidade policial ou uma autoridade judiciaria.o do CPP: “E flagrante delito todo o crime que se esta cometendo ou se acabou de cometer” – reparem que a utilizacao do gerundio. os “quase-flagrante” delitos: reputa-se tambem flagrante delito o caso em que o agente for tambem. e utiliza-se efectivamente esse caso das operacoes stop em que se encontram pessoas com vestigios de cometerem crimes.o “qualquer autoridade judiciária ou entidade policial pode proceder à detenção em flagrante delito”.o2: “Tratando-se 58 . em Portugal. a qual redige auto sumário de entrega e procede de acordo com o estabelecido no artigo 259. de acordo com o n. e que as pessoas podem ser detidas? Os senhores tem que ter cuidado com as palavras .preso. 255. n. esta terceira hipotese ja levanta muitas duvidas a respeito de se poder configurar propriamente um flagrante delito. e por isso e que ha este prazo de 24 horas. que e deter a pessoa (manda os policias da area ou a GNR a casa ou a morada conhecida.o 2: “ a pessoa que tiver procedido à detenção entregue imediatamente o detido a uma das entidades referidas na alínea a).o. Nos casos em que seja uma qualquer pessoa a proceder a detencao. Ex. eles ja saberao realmente como proceder. sao as finalidades normais da detencao. com armas ensanguentadas. a mesma coisa para qualquer pessoa. mas pode.. perseguido por qualquer pessoa ou encontrado com objectos ou sinais que mostrem claramente que acabou de o cometer ou de nele participar – e o caso jurisprudencial da operacao stop feita a sexta-feira a noite e um dos condutores que e parado leva uma arma que esta toda ensanguentada.

a constituicao do arguido implica a entrega. a nao ser que aquela pessoa manifeste a vontade de que assim seja. constitui-o imediatamente arguido e nao tem o documento para dar ao senhor. Ora. o Bernardo que e agente da PSP estava no local. Portanto. pode apresenta-lo directamente a policia. se ainda nao a tem. 256. no art. se este tiver sido nomeado. diz-se “sempre que possivel. notem que nos termos do n. a detenção só se mantém se. Porque sao os orgaos de policia criminal que lidam de imediato com os suspeitos. obviamente. em acto a ela seguido. os agentes. os direitos e os deveres processuais. acuse. as pessoas tem que adquirir a qualidade de arguido. porque nao se entregava este documento conforme devia ser. c) “é obrigatória a constituição de arguido quando um suspeito for detido. Portanto.” So que nesse caso o que e que se passa? E uma constituicao de arguido sujeita a validacao.º a 261. n. do documento que constitui a definicao do processo. mas pode nao ser no proprio acto. ha que cumprir apenas uma regra: a identificacao do agente. E se o prazo for desrespeitado? Obviamente. de acordo? Agora. ha-de receber o documento. E se for um caso de crime particular? Nao ha lugar a detencao em flagrante delito. o senhor nao e arguido – o que levanta aquele problema de que ja falamos na aula anterior. Ora. estao estabelecidas as circunstancias em que as pessoas adquirem a qualidade de arguido. nos termos e para os efeitos previstos nos artigos 254. A quem e que B apresenta a queixa? A autoridade. o senhor pode esperar 20 dias ate saber se e ou nao efectivamente arguido. de acordo com o artigo 58. De acordo com a redaccao anterior a 2007. Mas. alinea a). al.o e seguintes. mas apenas a identificacao do infractor. depois da constituicao como arguido. 256. “A constituicao de arguido feita por orgao de policia criminal e comunicada a autoridade judiciaria no prazo de 10 dias e por esta apreciada. E vimos que. o papel onde conste o 59 . sempre que possivel no proprio acto. o senhor esta detido – e depois? Tenho de entrega-lo imediatamente as autoridades. tenham cuidado. O processo nao existe em absoluto. constituir alguem como arguido. parece que e um destes casos. quem e que constitui arguido? E como? Por forca do n.o. desde 2007. por comunicacao oral ou escrita. 58. nomeadamente num caso como este: o senhor agente da PSP deteve o agente em flagrante delito. Portanto. assistiu ao crime. quanto a detencao em flagrante delito. Pode faze-lo? Pode e deve (art. no prazo de 10 dias” – art.o”. e ainda por cima e um crime publico e nenhuma das outras coisas se poe aqui em causa.o 1. nao e? O suspeito foi detido. no nosso exemplo? Cumpre ou nao cumpre estes requisitos? Foi um crime em flagrante delito. O que e que ele ha-de fazer? Diz aqui que ele o constituiu como arguido e o apresentou de seguida ao MP. constitua assistente. 255. portanto. Portanto. em ordem a sua validacao. e claro que aqui as razoes sao as mesmas. n. E no caso de Antonio. o orgao de policia criminal pode. Esta e uma inovacao de 2007.o. mas pressupoem os fundamentos que presidiram a escolha do crime particular. Se o foi pelo orgao policial. e flagrante delito por forca do n. De acordo? Agora.o 1 do art. porque o crime tem uma relevancia menor. Mas isto e o prazo maximo. no proprio acto”. alias de muitas invalidades na constituicao do arguido. foi detido em flagrante delito. e era causa. quer dizer. Ora. era obrigatorio sempre na constituicao de arguido. Obviamente.o 2 do art. nem se poe quase a hipotese de flagrante delito. Agora.o 4. que diz que a validade se adquire e se mantem durante todo o processo.o esta previsto um conjunto de circunstancias especificas em que. entende-se que nao foi validado. com estas normas dos crimes particulares em sentido amplo. o defensor. o titular do respectivo direito o exercer”.o 1. depois.o. n.o 3 do CPP. Portanto.o.de crime cujo procedimento proceda de queixa. Portanto. Fez bem? Fez mal? De acordo com os artigos 57. pelo menos ai.o: ele assiste ao crime e procede a imediata detencao de Antonio. deve ser constituido arguido. 58.

deduzir acusacao. O nosso processo e por regra publico. 53.o.”. interpor recursos.o – outros interrogatorios: “Os subsequentes interrogatórios de arguido preso e os interrogatórios de arguido em liberdade são feitos no inquérito pelo Ministério Público e na instrução e em julgamento pelo respectivo juiz. todavia. pelas regras gerais. 254. os meios de obtencao de prova permitidos no CPP. Aqui. alias assinado pelo arguido. elas tambem tem um tratamento estatico. e ordenou-se a imediata conducao ao TIC (Tribunal de Instrucao Criminal) para 1. o termo propriamente de constituicao de arguido.o. no nosso caso. 259.o.o 6 do art. Temos o art. como ja vimos. Devia. Quanto ao MP os artigos 48. b) Ao Ministério Público.o. inquiriu. E voces podem ver. a não ser que. promovendo desde logo a aplicacao de prisao preventiva. 86. 144. e secreto. previsto no art. receber as denuncias. o MP validou a constituicao. E a seguir o que e que fez Bernardo? Apresentou ao MP. se esta tiver a finalidade referida na alínea b) do art. A regra do nosso processo penal e a publicidade. 143.o – Primeiro interrogatorio nao judicial do arguido detido: “O arguido detido que nao for interrogado pelo juiz de instrucao em acto seguido a detencao e apresentado ao Ministerio Publico competente na area em que a detencao se tiver operado.º. aqui. a nao ser que nas circunstancias do art. promover a execucao das penas. que e. Onde estao? Nos artigos 140. As normas estaticas que regulam direitos. do assistente e das partes civis. garantias contrapoem-se as “normas dinamicas”. o juizo que o juiz pode fazer a respeito deles. eu ja lhes disse que. segundo o art. direitos e deveres.o.o tem legitimidade para promover. em tudo quanto for aplicável. o MP deve inquirir. com assistência do MP e do defensor e estando presente o funcionário de justiça. As declaracoes do arguido tem um papel particularmente importante dentro do processo penal. as queixas e as participacoes e apreciar o seguimento a dar-lhes. compete ao MP em processo penal colaborar com o tribunal na descoberta da verdade e na realizacao do direito.o esteja previsto especificamente o segredo. obedecendo. Entao. ha-de ser a alinea b). 86. Entao. nos casos restantes”. Mas o artigo fala nos detidos. Deixem-se so sublinhar o n. 143. O que e que ele fara na direccao do inquerito? Interrogara arguidos? Onde encontramos o fundamento legal? Muito embora as . desde 2007. e compete. o caso.o e seguintes.º Dever de comunicação Sempre que qualquer entidade policial proceder a uma detenção comunica-a de imediato: a) Ao juiz do qual emanar o mandado de detenção. em especial. “Art. nos termos do art. qual o valor que eles tem e quais sao. n. que sao a tramitacao propriamente dita. Diz o art. Nos termos do art. 141. podendo este ouvi-lo sumariamente”. por motivo de segurança. deveres. Esta e uma norma que e uma excepcao a publicidade prevista no art.: “O interrogatório é feito exclusivamente pelo juiz. E o que e que o MP fez? Validou a constituicao de arguido. o detido deva ser guardado à vista”.o.o interrogatorio judicial. uma norma importantissima. as chamadas “normas estaticas”. com as suas regras formais. que o primeiro interrogatorio judicial do arguido vem regulado no art. Não é admitida a presença de qualquer outra pessoa. Ha-de haver um sitio onde diz quais sao os meios de prova.o e seguintes: regulam as declaracoes do arguido.o 2. 141. E as declaracoes do arguido sao um meio de prova. 141. Tem o MP poderes ou deveres de inquirir arguidos? Nao se esquecam das normas que atribuem competencias aos diversos sujeitos – a primeira parte do CPP. e os arguidos nao detidos? Estao no art. como nao havia processo e nao havia juiz. porque se produzem nas varias fases processuais. dirigir o inquerito. E ao MP que se tem de dar conhecimento.o. havia a 60 . Toda esta parte regula as provas: quais sao os meios de prova admitidos. 48.processo. O interrogatorio judicial de arguido. Mas nao e. a indicacao do defensor.provas. aqui. e aplicacao de medida de coaccao. depois. E inquiriu-o. sejam uma materia dinamica. às disposições deste capítulo. 141. qual e a validade deles.

uma data de duvidas em relacao a presenca do defensor em actos de inquerito e instrucao. se o requerimento háde ser feito na presença do arguido e sobre a relevância das perguntas”. aqui.o preve condicoes gerais de aplicacao. que me parece mais uma tipicidade – “as medidas cautelares sao estas. que nao e medida de coaccao a obrigacao de identificacao perante a identidade competente. As medidas de coaccao estao previstas nos artigos 191. Sempre que possivel. Cuidado que umas sao as medidas de coaccao e outras sao as de garantia patrimonial. Portanto. se quiserem. abstêm-se de qualquer interferência. sendo estas ultimas menos usadas em processo penal. reparem.o e seguintes. O MP promoveu a aplicacao desta medida. sem prejuizo das medidas especificas que vao encontrar em cada uma das medidas de coaccao e. o que e que o defensor e o MP fazem no 1. Mas isto exige um juizo previo do juiz a este respeito. do ponto de vis ta verificacao da descricao ou da verificacao de uma causa de exclusao.o 6: “Durante o interrogatório. ele nao deve aplicar a medida de coaccao. o MP e o juiz de instrucao impediam o defensor de estar presente. Chega o juiz e avalia que houve uma amnistia ou uma prescricao dentro de tres. E preciso que haja um crime ou se nao ha. e o que o MP ou o defensor podem fazer e pedidos de esclarecimento ou sugestao de perguntas. do ponto de vista da natureza cautelar tem essa semelhanca. Portanto. o MP e o defensor. E. em função de exigências processuais de natureza cautelar. pelas medidas de coacção e de garantia patrimonial previstas na lei”. para aplicar medida de coaccao tem que verificar se efectivamente estao preenchidos os pressupostos positivos e negativos da punicao. em caso de prisao preventiva. Nao ha duvida de que no primeiro interrogatorio judicial o defensor tem que estar presente. ainda lhe somam uns outros requisitos especialissimos. por despacho irrecorrível.o do CPP. 399. 192. os senhores quando aplicarem medidas de coaccao vao ter de fazer isto em varios passos. e nao o art. E depois. Foi pedida a medida de coaccao de prisao preventiva. podem requerer ao juiz que formule àquele as perguntas relevantes para a descoberta da verdade. Entao diz-se que a aplicacao de medidas de coaccao e de garantia patrimonial depende da previa constituicao como arguido. mas impoe-lhe um juizo previo a respeito. O juiz. para que nao existam duvidas. 191. sem prejuízo do direito de arguir nulidades. mas sempre atraves do juiz. podendo o juiz permitir que suscitem pedidos de esclarecimento das respostas dadas pelo arguido. ha uma legalidade e uma tipicidade das medidas cautelares. Reparem no que e que se impoe aqui: quando o juiz entender que aquele processo nao seguira por falha de um pressuposto substantivo. nao deve. neste caso. nomeadamente. da propria viabilidade do processo penal. umas muito especifica que vao poder encontrar na prisão preventiva. deve aplicar a medida de coaccao? Muito embora se possam cumprir os demais pressupostos. O juiz decide. por serem mais pecunia. portanto. uma causa de isencao ou extincao – e o caso tipico da prescricao. Findo o interrogatório. Primeiro sao estas regras gerais.o comeca logo por dizer que “a liberdade das pessoas só pode ser limitada. depois sao os requisitos de cada medida de coaccao e depois. nos termos do n2 do art. e se ele nao tem um. Mas. inquirir? E preciso ter cuidado com o que diz o n. O art.o interrogatorio? Podem fazer perguntas. impoe-se. parece que so os arguidos podem ser alvos de medidas de coaccao. alem dos principios da legalidade e 61 . Cuidado que nestes casos a inquiricao e toda feita pelo juiz. Nenhuma medida de coaccao ou de garantia patrimonial e aplicada quando houver fundados motivos para crer na existencia de causas de isencao da responsabilidade ou de extincao do procedimento criminal. por serem menos nobres.luz do Codigo anterior a 2007. apenas estas e nao mais do que estas”. nomeia-se-lhe um defensor. ou de outros pressupostos negativos. E o artigo 191. O que e que sao medidas de coaccao e para que e que servem? A quem sao aplicadas as medidas de coaccao? So ao arguido? As medidas de coaccao equivaleriam aquilo em que em processo civil entendem por medidas cautelares. Um dos casos em que e a propria norma que estabelece um despacho irrecorrivel. total ou parcialmente. Afirma logo uma legalidade.

b) A enumeração dos elementos do processo que indiciam os factos imputados. especificos principios de necessidade. d) A referência aos factos concretos que preenchem os pressupostos de aplicação da medida. reparem que o legislador e tao cuidadoso que na prisao preventiva e na obrigacao de permanencia na habitacao obriga a fazer dois juizos: um juizo positivo. Mas primeiro aplica-se a mais leve. a prisao preventiva. Em que fases processuais e que podem ser aplicadas as medidas de coaccao? Pode aplicar-se no inquerito. de que a medida cabe.º”. Ao despacho que aplica a prisao preventiva pode o arguido reagir.o 3: “Quando couber ao caso medida de coacção privativa da liberdade. à excepção do termo de identidade e residência.o 1:”as medidas de coacção e de garantia patrimonial a aplicar em caso concreto devem ser necessárias e adequadas às exigências cautelares que o caso requerer e proporcionais à gravidade do crime e às sanções que previsivelmente venham a ser aplicadas”. e fundamentar. especialmente detalhado nos seus tres sub – principios para que duvidas nao restem. ou seja. 194. de adequacao e de proporcionalidade. o principio da proporcionalidade em sentido amplo. A aplicacao das medidas de coaccao e um dos actos do inquerito que esta subtraido ao dominio do MP.o. Muitas duvidas se suscitaram a respeito dos despachos que aplicavam medidas de coaccao. Portanto. uma medida de pisao preventiva cuja aplicacao esta no limite. para cumprir este requisito. Diz especificamente:”a prisão preventiva e a obrigação de permanência na habitação só podem ser aplicadas quando se revelarem inadequadas ou insuficientes as outras medidas de coacção”. incluindo os previstos nos artigos 193. e um juizo negativo de que as outras nao bastam. Mas e notoria a excepcionalissima excepcionalidade da prisao preventiva. Na revisao de 2007 o legislador vem estabelecer no n. nos termos do número anterior. n. Quando nao existia esta norma assim tao clara. Primeiro aplica-se a medida de coaccao mais leve do que a prisao preventiva. especificamente. lugar e modo. O legislador nao deixa margem para duvidas.o 4: “A fundamentação do despacho que aplicar qualquer medida de coacção ou de garantia patrimonial. o que e dizia o juiz – dava a decisao e apenas dizia que estavam preenchidos os pressupostos. e importa a todos nos e outros agentes e operadores judiciarios. pois quem aplica a medida de coaccao.o foi profundamente alterado na redaccao de 2007.da tipicidade que vimos.. porque isto tem que reflectir-se na fundamentacao do juiz no despacho que da. sob pena de nulidade: a) A descrição dos factos concretamente imputados ao arguido incluindo. sempre que forem conhecidas. Dependendo do caso em concreto. O juiz tem que equacionar isto e tem que afastar todas as outras medidas de coaccao. Nao se pode justificar dizendo que o crime e grave ou gera grande alarme na ordem publica ou social. No n. a integridade física ou psíquica ou a liberdade dos participantes processuais ou das vítimas do crime. com excepcao do TIR.º e 204. impossibilitar a descoberta da verdade ou criar perigo para a vida. 194. muda-se. em principio deve ser afastada. Isto importa ao juiz porque tem que fazer uma decisao em consciencia. O art. nomeadamente a medida de prisao mais grave. E nao nos dizia quais eram os factos que preenchiam os pressupostos. sempre que a sua comunicação não puser gravemente em causa a investigação. Ele quer que a prisao preventiva seja efectivamente a ultima ratio. Se for preciso mudar. 193. e o juiz de instrucao.o regula todas as regras processuais e formais desta materia. Este e um principio fundamental de todo o nosso sistema de medidas de coaccao: a prisao preventiva so em casos muitos excepcionais. c) A qualificação jurídica dos factos imputados. contém. na instrucao e no julgamento. deve ser dada preferência à obrigação de permanência na habitação sempre que ela se revele suficiente para satisfazer as exigências cautelares”. Art. desde que 62 . as circunstâncias de tempo. O art.

Pode o juiz aplicar uma medida de obrigacao de permanencia na habitacao? O juiz de instrucao. Este juizo de . ele e que conhece melhor a situacao.o preve os requisitos gerais das medidas de coaccao: “Nenhuma medida de coacção. O termo de identidade e residencia e por muitos considerado. a revogacao. Suponham que o MP propoe a aplicacao de uma medida de caucao.o do CPP. muito embora seja ele quem tem competencias para aplicar medidas de coaccao. legalmente ou em concreto? Nos termos do art. entao. n.o. n. Pode? O legislador fala em . No nosso caso o juiz entendeu aplicar a medida de prisao preventiva. dogmaticamente uma nao – medida de coaccao.mais grave. e nao ha justificacao para o juiz aplicar a medida mais grave. E foi aqui inserida o perigo em razao da natureza do agente perturbe a ordem publica. conservação ou veracidade da prova.o. e nao o crime em si. e dos requisitos gerais do artigo dos artigos 204. 194. E no capitulo terceiro.o e seguintes. 204. Em primeiro lugar temos que ver se se verificam os requisitos gerais 63 . Podem ver regras quanto a caucao: reforco. O juiz de instrucao ouviu Antonio em interrogatorio e decidiu aplicar uma medida de coaccao de prisao preventiva. nomeadamente. e pode sera aplicado directamente pelos orgaos de policia e os outros nao pode. podia faze-lo? Para a medida de prisao preventiva. 201. alem dos principios estreitos dos artigos 191. Na instrucao e no julgamento e o juiz que decide. cumulacao. portanto.o preve a sua razao de ser. aplicam-se requisitos especificos previstos no art. e pelo juiz. A prisao preventiva tem um requisito especifico. 194.o 2? Suponham que o MP promove a proibicao de permanencia em determinada freguesia (art. As medidas de coaccao existentes estao previstas nos artigos 196. quebra. e nao em . e o juiz decide que deve ser todas as semanas. Entende que se for uma caucao ou uma obrigacao de apresentacao periodica ja esta bem. Senao corremos o risco de estar a penar o arguido. em razão da natureza e das circunstâncias do crime ou da personalidade do arguido. 196. Ele e o juiz das liberdades. b) Perigo de perturbação do decurso do inquérito ou da instrução do processo e. à excepção da prevista no art.o. 204. Alem das normas e requisitos gerais e alem dos requisitos especificos. O termo de identidade e residencia e so para cumprir a notificacao e e a unica medida cumulavel com todas as outras medidas. 212.o.o 2. perigo para a aquisição. previsto no art. Suponham que o MP requer a apresentacao periodica do arguido a policia mais proxima de 2 em 2 semanas.o). obviamente. previstas por ordem crescente de gravidade. art. Mas isto e so no inquerito. O juiz nao concorda.o e seguintes. ha-de fazer-se abstractamente.mais grave. o art.diferente. durante o inquerito o dominus e o MP. O art.1. alteracao e extincao das medidas.o e seguintes. 9ª Aula teórico-prática (Continuacao da aula anterior) 2. A medida de coaccao nao serve uma antecipacao da pena. se o juiz quiser aplicar uma medida menos grave pode faze-lo. fundamentando. 202. Poderia o juiz sujeitar António àquela medida de coacção? Iam.se preencham os pressupostos.º. no momento da aplicação da medida: a) Fuga ou perigo de fuga. E mais grave? Viola o art. pela sua caracteristica de automaticidade que nao e um requisito partilhado pelas outras medidas de coaccao. dizer-me os senhores se a actuacao do juiz de instrucao que aplicou a medida de prisao preventiva ao Antonio foi uma boa ou ma decisao. de que este continue a actividade criminosa ou perturbe gravemente a ordem a tranquilidade públicas”. n. pode ser aplicada se em concreto se não verificar.! Quando e dentro da mesma medida ou cumulacao de medidas inferiores e que as duvidas se geram. ou c) Perigo. 200.

tambem. no caso. ela faz referencia a tipos de crimes particulares. E ao definir o legislador esta a tomar uma opcao.o estara preenchido? “1. Quando o art. e nao a circunstancias ou molduras. e um homicidio privilegiado. Excluimos tambem a alinea c). para os tipos de ilicito concreto previstos na lei substantiva (crimes de organização terrorista.o. e na al. Tinha que dizer especificamente quais eram os elementos do processo que justificavam a sua crenca de que havia perigo de fuga (ja contactou a familia na Australia. tráfico de pessoas. Porque “definir e limitar”. uma certa indecisao. e uma lei que faz aquilo que nunca deveria ser feito. que ha perigo de fuga. ou contra a qual estiver em curso processo de extradição ou de expulsão”. m) «criminalidade altamente organizada» as condutas que integrarem crimes de associação criminosa. Esta aqui a fazer aquela clausula uma equivalencia entre o conceito material e o conceito processual.o. terrorismo e terrorismo internacional).o do CPP preve um “dicionariozinho”. E nao se esquecam que no despacho o juiz nao podia dizer so isto. tráfico de armas. Quer dizer. as medidas referidas nos artigos anteriores. Onde e que nos encontramos isso? Nao se consegue definir muito bem o que seja. na al. b). al. que se ver os requisitos especificos. como a norma fazia ate aqui. i) diz “as condutas que integrarem os crimes” faz uma remissao expressa para a ordem substantiva. 1. al. corrupção. prevista na al. 1. A realidade e sempre mais criativa do que a cabeca de alguem. 202. O art. porque nao se trata de cidadao estrangeiro a permanecer irregularmente em territorio nacional.o 1. por forca do art. tarefa que cabe a doutrina e nao propriamente ao legislador. Fica-nos a hipotese da alinea b). e uma lei que da conceitos. Por isso mesmo e que o art. tráfico de estupefacientes ou de substâncias psicotrópicas. terrorismo e terrorismo internacional. l «criminalidade especialmente violenta» as condutas previstas na alínea anterior puníveis com pena de prisão de máximo igual ou superior a 8 anos. Para aplicar a prisao preventiva temos que ter em conta os seus fundamentos e o caracter de ultima ratio.o. criminalidade violenta ou altamente organizada punível com pena de prisão de máximo superior a três anos. j) – prisão de máximo igual ou superior a 5 anos. O raciocinio nao e aquele “desde que 64 . e vai de encontro ao conceito de criminalidade violenta. como dissemos a bocado. Esta alinea foi introduzida em 2007 e utiliza uma estrategia normativa que nao era a constante da norma. ou c) Se tratar de pessoa que tiver penetrado ou permaneça irregularmente em território nacional. Numa boa tecnica legislativa nao deve ser o legislador a preocupar-se com os conceitos. ja fez diligencias).o. 1.das medidas de coaccao – art. tráfico de influência ou branqueamento”. n. a integridade física ou a liberdade das pessoas e forem puníveis com pena de prisão de máximo igual ou superior a 5 anos. O juiz de instrucao podia ou nao podia aplicar a Antonio uma medida de prisao preventiva? Podia porque e um crime contra a vida. a). Se considerar inadequadas ou insuficientes. com pena de prisao aplicavel ate 5 anos. 202. Nao se aplica a alinea a) porque o crime de homicidio privilegiado tem uma moldura de 1 a 5 anos. O CPP diz-nos no art. ja comprou um bilhete. porque o juiz aplicou a prisao preventiva com base em perigo de fuga. al. na al. al. o juiz pode impor ao arguido a prisão preventiva quando: a) Houver fortes indícios de prática de crime doloso punível com pena de prisão de máximo superior a 5 anos. j) «criminalidade violenta» as condutas que dolosamente se dirigirem contra a vida. b) Houver fortes indícios da prática de crime doloso de terrorismo. i) “ «terrorismo» as condutas que integrarem os crimes de organização terrorista. 204. Mas basta estar preenchido este requisito? Tem. O que se pretende ao tomar estes conceitos e evitar uma incerteza. Esta relacao maias estreita do que e normal entre o processo penal e o Penal suscita alguns problemas. nomeadamente o de saber se os conceitos sao os mesmos em Penal e em processo penal – o que se entende por criminalidade violenta ou altamente organizada e por terrorismo.

65 . Nomeadamente.o 1 do CPP: “Só o arguido e o MP em benefício do arguido podem interpor recurso da decisão que aplicar. aplicou uma medida de coaccao e nao a devia ter aplicado. 194. que seja a obrigacao de permanencia na habitacao. ou porque a comida estava mal feita. Por forca das exigencias do art. 204. mantiver ou substituir medidas previstas no presente título”. Estatisticamente. estava casada com o respectivo marido ha mais de 50 anos.o. Nao e certo! Nao e isso que se faz na medida de coaccao. art. prestem atencao aos pontos mais relevantes. que nao seja a prisao preventiva. o juiz pode aplicar a medida de prisao preventiva”. com o desrespeito pelos pressupostos formais de aplicacao da medida. naquela manha o marido se dirigia a ela para lhe dar mais uns estalos ou murros. Ha algumas especialidades. previsto nesta parte.o. portanto. entre nos. este recurso so existe em funcao do arguido. nao existe aqui nenhuma norma especifica em relacao ao recurso. um machado ou uma foice. Este caso que e excessivo serve. passou-se da cabeca. So o arguido ou entao o MP em seu interesse e que podem recorrer. mas o inverso: so aplica a prisao preventiva se nao couber nas outras medidas de coaccao! Voces tem que fundamentar a subsidiariedade da prisao preventiva. nomeadamente. E o que diz o art. mas e para quando haja efectivamente a perturbacao da ordem publica.fundamente. O habeas corpus serve apenas a prisao ou a detencao manifestamente ilegais. o que e diferente! Portanto. quando se dedicarem a fundamentacao de despachos. A validade disso nao e o alarme social.o e seguintes – dos modos da impugnacao. Matou-o. dessa longa vida casada com o marido. Quando. E como vem. Estes artigos tem alguma especialidade do ponto de vista da urgencia. levava do dito cujo. Se não estivermos no ambito do art. O juiz aplicava a medida como se aplicasse uma pena. ela e a excepcao. nao utiliza o habeas corpus mas a via do recurso normal para a Relacao. ou que ele aplicou uma muito leve e devia ter aplicado uma mais pesada. uma senhora velhinha. 204. e acertou no marido. Vai-se aos art. nao chegamos a aplicar o habeas corpus. olhava para a gravidade o crime e entao decidia pela aplicacao da medida de coaccao. E todos os dias. tenham cuidado com esta fundamentacao. Criminologicamente. que devia ser outra e nao a prisao preventiva. Qual e o problema? Vinha o juiz dizer que havia um grande alarme social – o que e uma mentira. Portanto. quando os senhores aplicam uma prisao preventiva voces tem que justificar particularmente a aplicacao da prisao preventiva – ela e a ultima ratio. porque para aplicar a prisao preventiva tem que afastar as outras medidas. o crime do catalogo mais grave entre nos e o crime de homicidio. as pessoas entendem as medidas de coaccao da mesma maneira que entendem as penas. os crimes de homicidio sao aqueles em que menos se precisam de prisao preventiva. voces tem que fundamentar tudo direitinho. e. obviamente. uma fuga ou perigo de fuga ou perigo de perturbacao de inquerito E isto porque? Porque nenhum destes pressupostos se preenche particularmente. de uma aldeia do interior. n. os senhores quando me fundamentarem. Portanto. A nao ser que se verifique. pressupostos muito particulares.o. mas o juiz assim nao entendeu e pos a velhinha de 70 e tal anos em prisao preventiva. porque e que aplicam. com 70 anos ou mais. Eu so quero chamar a atencao. Qualquer um de nos diria que era justissima legitima defesa. mas nao me e possivel analisar todas elas. Se os senhores fazem isso sem equacionar as outras medidas esta mal feito. para um recurso especial. previsto nos artigos 219. 219. Do despacho que aplica medidas de coaccao cabe recurso. pegou nalguma coisa que estava ali a mao. ou porque bebia… um caso tipico de maus-tratos. O MP nao pode recorrer de uma decisao do juiz para agravar a situacao do arguido. que e o habeas corpus. na prova ou um dia. Ha uns anos atras. obviamente para mostrar como e que isto era aplicado. Depois tem aqui o habeas corpus em virtude de prisao ou detencao ilegal. a maior parte dos crimes de homicidio entre nos sao crimes de que tipo? Sao crimes passionais. E uma coisa. 220. E isso e muito comum na aplicacao de medidas de coaccao a crimes de homicidio.o e seguintes. aqui. Se tiver que ser uma medida de privacao da liberdade. era um objecto cortante.o. Este nao e muito usado entre nos porque tem. Se a pessoa so discordar da medida.

ascendentes e adoptantes. na falta deles. desde que maiores de 16 anos.o do CPP: “1. que com o ofendido vivesse em condições análogas à dos cônjuges. com extensoes e mais curto do que no Codigo anterior a 2007. previstos no art. tenha sido proferida decisao instrutoria. Esta nocao de constituicao de assistente. dos animais. tambem esta prevista uma norma.Porque ao recurso se aplicam os artigos 399. havendo lugar a instrucao. além das pessoas e entidades a quem leis especiais conferirem esse direito: a) Os ofendidos. segundo a ordem aí referida. 215. 68. a vitima. constituir-se assistente. Mas tambem me disseram que pode nao ser. b) As pessoas de cuja queixa ou acusação particular depender o procedimento. abuso de poder e de fraude na obtenção ou desvio de subsídio ou subvenção”. participação económica em negócio. prevaricação. E o exemplo de um crime ambiental – uma associacao que defende o ambiente pode. constituir-se assistente. do consumo).o 4 do art. d) No caso de o ofendido ser menor de 16 anos ou por outro motivo incapaz. 3 e 4. bem como nos crimes de tráfico de influência. Ha uma norma que diz expressamente que as associacoes se podem constituir assistentes nas accoes que lhes digam respeito. genericamente o ofendido. c) No caso de o ofendido morrer sem ter renunciado à queixa. irmãos e seus descendentes. Para orgaos politicos. salvo se alguma destas pessoas tiver comparticipado no crime. Os prazos sao de 4 meses. Já o filho de Celso. ao saber que ele a traía. as pessoas indicadas na alínea anterior. nao tem nada de particular em relacao as medidas de coaccao. Portanto. Nao e a partir da interposicao do recurso. nomeadamente aquilo a que se chama a declaração de excepcional complexidade. corrupção. e) Qualquer pessoa nos crimes contra a paz e a humanidade. pretendem ambos constituir-se como tal. peculato. muito ligada a nocao de vitima e a nocao de 66 . mas quando sobe a relacao. Podem constituir-se assistentes no processo penal. o representante legal e.o do CPP. era casado e tinha um filho de 22 anos. em que em caso de declaracao de excepcionalidade o prazo maximo era de 4 anos e meio. 1 ano e seis meses sem que tenha havido condenacao com transito em julgado. enquanto tal. encurtados com a revisao de 2007.o 2. Ainda assim. compreende a atitude de António e não pretende. denegação de justiça. alguma consideracoes mais a respeito do assistente.o: “O recurso e julgado no prazo maximo de 30 dias a partir do momento em que os autos forem recebidos”. ou. nem em todos os crimes pode haver constituicao de assistente. Pergunto: em todos os crimes pode haver assistente? Nao. na sua falta. salvo se alguma delas houver comparticipado no crime. se for perante o inquerito ate a acusacao. A mulher. a atencao para os prazos maximos da prisao preventiva. Quem pode fazê-lo e em que termos? Sobre o assistente. Quero chamar-vos. Quando os processos sejam particularmente complexos pode haver uma declaracao de excepcional complexidade.o e seguintes. considerando-se como tais os titulares dos interesses que a lei especialmente quis proteger com a incriminação. 219. nos ja falamos em algumas das nossas aulas. Um exemplo em que uma lei especial confere o direito de ser constituido assistente em processo penal: as associacoes (defesa do ambiente. ainda. e a irmã daquele. Daniel. de outro ou do mesmo sexo. por isso. 8 meses sem que. Quem e que e o assistente? Disseram-me que era. favorecimento pessoal praticado pelo funcionário. Suponha que o antigo namorado. e e a partir deste momento que comeca a contar o prazo. que faz alargar o ambito destes prazos. os descendentes e os adoptados. 3. Estes sao os prazos gerais que podem ser agravados por forca do n. 1 ano e dois meses sem que tenha havido condenacao em primeira instancia. Ester. a nao ser duas coisas: so em beneficio do arguido e o n. Celso. autarquicos e outros. mas vamos concretizar aquilo de que falamos na semana passada. e o direito de peticao e accao popular. o cônjuge sobrevivo não separado judicialmente de pessoas e bens ou a pessoa. O art.

o. um interesse difuso/colectivo. Ora. entregamos o requerimento ao MP. passa a outra pessoa que muda a fotografia e tira uma fotocopia para dizer que e o senhor “X”. com juncao dos elementos necessarios a decisao”. nem utilizar prova particularmente limitativa de direitos fundamentais). menos margem de manobra ele tem. al.o. que nao visam directamente a defesa de um bem juridico pessoal. a constituicao de assistente e os incidentes a ela respeitantes podem correr em separado. 70. porque e preciso que o juiz decida a respeito da constituicao de assistente e dos seus elementos. nem aplicacao de medida de coaccao. Mas sim defender a veracidade dos documentos e a sua credibilidade. Parece que a vitima e a pessoa real dona do BI. E claro que quanto mais tarde for a intervencao do assistente. Estamos perante uma falsificacao de documento. um senhor intercepta um bilhete de identidade. A constituicao de assistente tem de ser requerida. dependendo da fase. desde que o requeira ao juiz. Quem decide e o 67 . E. Nao ha uma vitima concreta.o 3 diz que o assistente pode intervir a qualquer altura do processo. Mas. E preciso ter cuidado porque depende do bem juridico que e alvo de proteccao. no prazo estabelecido para a pratica dos respectivos actos. na falsificacao de documentos. Agora. E nos outros casos? Isto esta previsto no n. no caso de requerimento de abertura de instrucao. Ou nos casos do art. A alinea e) preve um conjunto de casos em que o bem juridico nao e individual. um concreto titular de um interesse. mas remetemos ao juiz. A jurisprudencia ia neste sentido. portanto. Na fase de inquerito. e nos casos em que o ofendido queira acusar com o MP o arguido. tenho a impressao que ja ha alguma abertura. e qualquer pessoa pode ser assistente num crime dessa natureza. e se o processo estiver no inquerito e eu quiser me constituir assistente? Nos crimes dependentes de queixa. aceitando-o tal como esta. se permite que a pessoa mediatamente ofendida pelo crime se possa constituir assistente. A instrucao e uma fase facultativa (nao ha requerimento de instrucao. Para que este prazo de 5 dias? Para o conhecimento dos outros intervenientes. Mas o crime de falsificacao nao visa proteger determinada pessoa. Mesmo assim ele so pode fazelo ate 5 dias do inicio do debate instrutorio ou da audiencia do julgamento. uma vez que ainda nao existe tribunal. de instrucao ou julgamento. Sao prazos especificos de intervencao para. quem e que se pode constituir assistente? Quem sao os ofendidos? Sao os titulares dos interesses que a lei quis especialmente proteger com a incriminacao proteger. desde que maiores de 16 anos. Tenho que dirigir o meu requerimento ao juiz. …). b) (que preve o requerimento de abertura de instrucao). isto se nao estivermos na fase facultativa da instrucao. E preciso ter cuidado porque ha um conjunto de crimes em que isso e muito pouco visivel. no dia-a-dia das pessoas. tem que ser representado por um advogado e participa no processo de forma natural (arrola testemunhas. Quem e que decide o requerimento do assistente? O requerimento e dirigido ao juiz. Por exemplo.o 2. E quando e que a pessoa se pode constituir assistente? O n. 284.o (acusacao pelo assistente) ou 287. “Durante o inquerito. Neste conjunto. Ha crimes que nao tem do lado de la directamente uma pessoa.ofendido. que nos conseguimos determinar quem e a outra pessoa que esta do outro lado da ofensa. podia levar-nos a considerar aqueles crimes que os senhores conhecem como “crimes sem vitima”. porque? Para que isto chegue ao juiz antes do resto do processo. os crimes particulares. o que e que faz o assistente? Colabora com o MP na acusacao. faz perguntas. a constituicao de assistente nao e permitida. Porque ela afinal tem um interesse. e dirigido ao juiz do julgamento. Agora a pergunta e: quando e que alguem se constitui assistente? No caso de crimes particulares tem que haver queixa e a tem que se constituir assistente no prazo de 10 dias. Durante muito tempo a jurisprudencia nao permitiu a constituicao de assistente da pessoa “falsificada” digamos assim. o que tera de ser necessariamente na fase de inquerito. o prazo e de 10 dias apos a queixa. Isto porque perante um crime que visa a proteccao de um bem comum. mas sempre ao juiz). segundo o art.

Diz logo o art. em parte: a mulher do Celso nao se que constituir assistente.juiz. A Ester e irma do Celso.o porque o ofendido morreu. De acordo? Mas resta-nos um problema. pode haver mais do que 1 assistente? Efectivamente. a pessoa que com ele viva em condicoes analogas a dos conjuges.o 3 que “qualquer das pessoas pertencentes a uma das classes pode apresentar queixa independentemente das restantes”. diz-se num sentido muito amplo. nos seriamos levados. A aplicacao da al. que so entram se nao entrarem os outros do primeiro conjunto. sem ele ter podido manifestar-se na accao penal. Pela aplicacao da al. ou. “Quando o procedimento criminal depender de queixa tem legitimidade para a apresentala. Celso tem uma mulher. portanto. diz la “sem ter renunciado a queixa”. o crime nao depende de queixa porque e um homicidio.o “Os assistentes sao 68 . porque se esta e a ordem para os casos de queixa. numa primeira analise. so existia a mulher do Celso e a irmao do Celso. A Ester e maior. c) nao tem nada a ver com os crimes particulares ou semipublicos. c) por uma aplicacao extensiva. Portanto. do ponto de vista sistematico.. e. a)? A familia tambem tem este interesse que a lei quis proteger.o e seguintes do Codigo Penal. e claro que isto nao resolve todos os problemas porque as pessoas na al. ha uma ordem de preferencia entre as classes. E. O que quer dizer que a mulher pode apresentar queixa e o filho pode tambem apresentar queixa. salvo se alguma delas tiver comparticipado no crime”. Mas. depois de ter dado a oportunidade de se pronunciar ao MP e ao arguido. quem e que se constitui assistente? Podem ser os dois? Os assistentes podem ser varios. e e preciso distinguir dois segmentos: estao na primeira linha: o conjuge sobrevivo. b). Entao. a pensar na alinea c) do art. Outra solucao. ou seja. considerando-se como tal o titular dos interesses que a lei quis proteger com a incriminacao. que nos falam da queixa e da acusacao particular. o direito de queixa pertence as pessoas a seguir elencadas. parece dirigir-se especificamente a vitima e nao a familia da vitima.queixa. Por outro lado. e nao para a constituicao de assistente. porque para esses existe a al. entra a primeira classe e so se ela nao se preencher e que entra a segunda. ai. os irmaos e os seus descendentes. Se o ofendido morrer sem ter apresentado a queixa. por forca das circunstancias. a) parece forcar um bocadinho o alcance dos interesses que a lei quis especialmente proteger com a incriminacao. O Daniel e maior. no nosso caso. salvo disposicao em contrario. Ja nao me parece que o filho possa apresentar queixa e a irma possa tambem apresentar queixa – porque. A este respeito regulam tambem os artigos 113. quando aqui se diz . Entrava a irma do Celso. em crimes como o homicidio. b) tambem podem morrer. no nosso caso. porque e que nao ha-de ser a ordem para os casos de nao-queixa? O caso de ter morrido sem ter renunciado a queixa so interessa e para a presentacao da queixa. nem ter renunciado a ela. quer-se dizer. na falta daquele conjunto. 70. nao estamos em presenca de um crime dependente de queixa. Esta alinea tem um conjunto de classes. qual e? E que diz: “se o crime depender de queixa”. c) por uma interpretacao extensiva. E diz no n. e defendida por quem diz que. defendem que a al. ou nao? E na falta de constituicao e nao na falta das pessoas que vamos o segundo conjunto. Ha quem entenda que se isto existe para quando ha queixa tambem se deve entender que deve existir quando nao ha queixa. Estas sao as tres solucoes que efectivamente se tem dado ao problema. Porque? Porque os crimes semipublicos e particulares estao previstos na al. de facto. O Daniel e filho do Celso. Noutro sentido ha quem defenda que cabe na al. os ascendentes e os adoptantes. e se houver e os outros nao quiserem constituir-se assistentes? E o caso. os descendentes e os adoptados. Agora. sem ter havido accao penal. mas a mulher nao se quer constituir assistente. c). Suponham que nao existia o filho. Mais alguma solucao para o nosso problema? Porque e que nao cabe na al. 68. e todos estes estao num primeiro conjunto. o ofendido. e capaz de fazer bastante sentido. aplicar-se as mesmas regras em termos de classes e de preferencia entre elas. Mas. b) e nao na al.

aqui. O que e que ele deve fazer? Deve dar origem a fase facultativa do processo que e o requerimento de abertura de instrucao. Portanto. e o assistente nao concorda: ele acha efectivamente que ha os factos A. o procedimento nao depender de acusacao particular e relativamente a factos pelos quais o MP nao tiver deduzido acusacao. Estamos no caso de constituicao de assistente e nao de apresentacao de queixa. presidido pelo MP. em termos de factos. em caso de crime dependente de acusacao particular. B e C. Nesse caso o assistente pode requerer abertura de instrucao. vendo-se ele. pelos factos contados acima. se existem primeiros. e C. Para os outros factos ha outros meios. Antonio foi acusado de homicidio privilegiado. a possibilidade de se inaugurar uma nova fase processual (facultativa): a fase da instrucao.? Porque nos crimes particulares quem faz a acusacao e o proprio assistente. parece obvio que o que o legislador o que aqui pretende e criar uma ordem. Acusa pelos factos A. B. . a primeira pergunta que lhes faco e a seguinte: porque e que diz. No casos de serem comparticipantes. Vindo o MP a acusar António por factos subsumíveis ao crime de homicídio privilegiado. onde a lei e mais clara. nem no despacho de acusacao. Perguntolhes: suponham um caso em que o MP acusa. aqui. Quem pode requerer a abertura da instrucao? Obviamente.nao estiver dependente de acusacao particular. o arguido so contra a acusacao. O que deve fazer? Ora. acusacao. e. So na falta deles (e nao e se eles nao quiserem) e que entram os segundos. Aqui requer instrucao dos actos do MP. portanto. mas 69 . dizendo que só pretendia confrontar Celso verbalmente. o MP faz a acusacao. Se houvesse so a mulher que nao quer ser assistente e a irma. pergunto eu agora. e a minha opiniao. temos. os segundos nao entram. A instrucao so pode ser requerida pelo arguido ou pelo assistente. o que fez. Encerrado o inquerito. So entra o segundo grupo se faltar alguem do primeiro. A instrucao foi pensada para ser uma fase facultativa excepcional. o MP nunca pode requerer a abertura da instrucao. previstas nos artigos 280. Porque pode haver acusacao e ela pode ser por menos factos do que o assistente acha que deveria la estar. por uma daquelas formas que ja vimos. este pretende reagir. suspensao provisoria do processo). E se nao houvesse filho. tiverem deduzido acusacao. mas que este avançou para si com uma faca. arquivamento para dispensa de pena. e a de serem elas as que estao mais conscientes da vontade do de cuius. Por isso e que o legislador da preferencia aos parentes mais proximos. acabando Celso por morrer. 4. tanto pode ser do arquivamento como da acusacao. seja ela do MP ou do assistente. So deve existir quando algum deles queira fazer uma alteracao substancial do objecto do processo. Neste caso. Reparem: cada um deles so pode requerer a abertura de instrucao dos actos do outro. assistente so pode ser o filho. mas faz uma acusacao menor. Em que casos? Quando seja o arguido. uma vez que a instrucao e a comprovacao judicial do inquerito. que quer ser assistente? A razao pela qual o legislador da a possibilidade de exercicio aos parentes mais proximos tanto da queixa como da assistencia.o. nao vai ser ele a requerer a instrucao. nao concorda. A eles importa-lhes a perseguicao criminal. 287. E se ele tem um filho que se quer constituir assistente.o e seguintes (arquivamento. pelo factos pelos quais o MP ou o assistente.sempre representados por advogado. No arquivamento o processo morre para o arguido. Havendo varios assistentes sao todos representados por um so advogado”. parece-me que a ratio e essa. factos que nao estejam nem no despacho de arquivamento. obrigado a defender-se. deve este prevalecer em exclusao da irma. Ou seja. Nao ha instrucao contra arquivamentos. Porque quer em funcionamento desta norma. Quando seja o assistente. quer em funcionamento da do CP. no art. sao afastados e entram os segundos. mas que nao querem ser assistentes. mas ele quer reagir. Ora. Portanto. Tanto aqui como no CP.

isso e seguro. tem que requerer sempre a abertura da instrucao. E no caso do arguido? No caso do arguido. a).o: “ate 10 dias apos a notificacao da acusacao do MP. requerimentos probatorios. al. Mas quando e que ele a deve requerer? No nosso caso pratico cabe a abertura da instrucao. al. Isto por causa das restritas causas da recusa do RAI. n. porque o assistente tem sempre a possibilidade de acompanhar a acusacao do MP. o juiz pode indeferir. nao existe nada. nessas circunstancias. vai apreciar as diligencias requeridas pelo requerente. b) e c) do CPP. O mesmo se diga para as situacoes em que ele nao concorda com a qualificacao juridica. que constam no art. por isso e que e um meio comummente utilizado. porque o requerimento vai ser semelhante a uma acusacao. cabe no art.que C nao se passou efectivamente assim. e o advogado do assistente. Quando temos um despacho de arquivamento. O juiz pode pronunciar-se em dois sentidos. Todavia. extemporanea ou manifesta improcedencia do pedido. como uma verdadeira excepcao. Isto decorre do art. Deve-se indicar as razoes de facto e de direito que conduzem o sujeito processual a nao concordar com a decisao que foi tomada em sede de inquerito. por exemplo. n. tem e que as indicar no RAI. O que e que o assistente deve fazer? O assistente quer juntar um facto que nao altera substancialmente a acusacao. 257o. na maior parte dos casos faz-se uma impugnacao dos factos e 70 .o3. quando o assistente considere que ha outros factos que nao foram acusados e que deveriam ter sido. O que ele deve fazer e a sua propria acusacao. por parte deles ou por outros que nao importem a alteracao substancial daqueles”. e o assistente abre a instrucao. 4. E o que esta previsto no art. pode faze-lo na audiencia de julgamento. De seguida o juiz pronuncia-se. …) sao facultativos.o2 do CPP. e que alteram substancialmente o objecto do processo. e fazer a qualificacao juridica desses (esta qualificacao dos factos nao vincula o juiz). 283o. n. a sua intencao e fazer uma acusacao. Pode requerer qualquer meio de prova que o CPP admite. E preciso ter algum cuidado quando o requerimento e feito pelo assistente face a um despacho de arquivamento do MP. 287. O debate instrutorio e oral e obrigatorio. n. No caso do arquivamento. tem que se articular os factos que se imputam ao arguido. porque assim o processo e mais celere. ainda que seja para dizer que acompanha o MP. Em principio sera uma impugnacao de facto ou uma excepcao de direito. Requerimento de Abertura de Instrução (RAI) Muito embora a instrucao tenha sido pensada como uma fase facultativa. acha que e um homicidio normal e nao privilegiado – deve acusar. ai nao existe objecto. Ele nao deve requerer a abertura de instrucao. e em segundo lugar. O assistente deve sempre tomar posicao.o2 do CPP que remete para o art.o 1. tem que estar la o defensor e o MP. se existir. mas deve? Ele nao precisa de ir discutir isto para a instrucao. A instrucao so pode ser recusada por ser ilegal. so nesse caso e que o assistente deve requerer a abertura de instrucao. Ele pode requerer a abertura de instrucao.o e seguintes e so tem um acto obrigatorio: o debate instrutorio. Assim como as diligencias probatorias. O RAI nao esta sujeito a formalidades especiais devendo conter uma sintese com os motivos da discordancia com o despacho de arquivamento ou de acusacao do MP. primeiro pronunciase sobre a admissibilidade do RAI. inquiricoes de facto. o assistente pode tambem deduzir a acusacao pelos factos acusados pelo MP. como tambem pode ser uma mera discordancia de direito. ele so pode requerer a abertura da instrucao. ela tem sido aplicada como regra. identifica-los. e podem discutir oral e sucintamente a causa. todos os outros (diligencias.o. Ou seja. face a uma acusacao. Neste caso o RAI tem uma especificidade: e preciso um conjunto de formalidades. 257o. No caso de acusacao pelo MP. inquiricao de testemunhas. que o requerente entende que devem de ser feitas durante a instrucao. Nao deve requerer a instrucao. 294. A instrucao esta regulado nos artigos 286.

inconvenientes. 118o e 119o e ss do CPP. Portanto a nulidade em processo penal e excepcao. Esta ultima corresponde a anulabilidade que conhecemos de processo civil. Ha um conjunto de metodos de obtencao de prova que sao as formas atraves das quais se chega aos meios de prova. quando o juiz indefere as diligencias pedidas no 71 . 119o e ss do CPP temos as nulidades insanaveis e as sanaveis. A solucao ira passar por duas vias: recurso ou arguir a nulidade. podem ser arguida a todo o tempo.291o do CPP). O n. Sobre as diligencias probatorias o JIC tem uma especial particularidade que e de decidir se acha ou nao que tais provas devam de ser produzidas. pode considerar que elas sao dilatorias. 118o e ss do CPP. O art. 119o e 120o tem a diferenca entra as nulidades insanaveis e as nulidades dependentes de arguicao. As previstas no art. Arguir um vicio e a solucao quando nao temos outra. 119o do CPP contem falhas tao graves dai que culmine com a nulidade absoluta.como tal o requerente vai querer apresentar prova. 124o e ss do CPP e art. aqui temos uma nulidade que esta prevista numa norma do codigo. O juiz decide dessa reclamacao e essa decisao e irrecorrivel. 119o e ss do CPP. Esta questao levantava muitas duvidas. acareacao… Estes meios de prova nao sao particulares do processo penal. 120o do CPP sao dependentes de arguicao. A nulidade prevista no art. As primeiras cabem nos art. as escutas telefonicas e um meio para obtera aprova documental. Regime das nulidades Este regime vem regulado nos art. 126o do CPP indica os metodos proibidos de prova. O art. diz-nos que a violacao ou a inobservancia das disposicoes da lei de processo penal so determina a nulidade do acto quando esta for expressamente culminada na lei. 194o do CPP. 35o da CRP. sao as nulidades tipicas do catalogo. temos as nulidades de prova previstas nos artigos 124o e ss do CPP. pericial. art. a prova documental. Antes de mais temos que fazer uma distincao entre meios de prova e meios de obtencao de prova. e um regime muito diferente do regime de processo civil. e evitar que se possam invocar nulidades sucessivas e uma das formas de obviar a tal. e que nao trazem nada de novo… Aqui indefere este requerimento. Resta-nos a nulidade. Do despacho do juiz que defere ou indefere a pretensao cabe apenas reclamacao. estas nao sao tao graves. As nulidades do processo penal estao divididas em tres grupos. e se o juiz por seu livre arbitrio decide praticar ou nao um acto isso e um pouco dificil de entender. Quando estamos a falar do processo ou diz na norma ou entao vamos ao art. por exemplo. sao aquelas que quando procuramos atacar uma decisao tem que caber aqui senao vai ser dificil invocar a nulidade. prova testemunhal. por exemplo. porque se ao arguido e conferido um amplo meio de defesa. aqui a propria morna diz que a prova e nula. Meios de prova sao. Num segundo grupo temos as nulidades que estao dispersas pelos artigos do codigo. no momento do transito em julgado nao mais podem ser invocadas. Da decisao do juiz apenas cabe reclamacao para o proprio juiz. E assim. No art. Ao lado testa. E a propria norma que culmina a consequencia do incumprimento do acto com a nulidade. 118o e 119o do CPP. 119o do CPP sao as mais graves. esta nulidade nao e igual a nulidade do art. esta faz sempre cair por terra um vicio. porque o juiz tem este poder e a sua decisao e irrecorrivel (art. Ele pode decidir nao as praticar. Esta pode ser aquela que foi produzida durante a fase de inquerito mas que nao foi devidamente apreciada como pode ser uma nova prova. e por sua vez estao divididas em nulidades absolutas e em nulidades relativas. O art.o1 do dito art. A primeira nao e possivel. e sao invocadas ate ao termino do processo. Chegamos a estas provas atraves de certos meios. porque o processo penal deve ser celere visto que estao em jogo direitos fundamentais do arguido. por exemplo. Isto e particularmente sensivel no processo penal. Quando falamos de prova vamos aos art. podem ser de conhecimento oficioso. No nosso caso.

podemos invocar a nulidade do art. a nulidade convalida-se e a alteracao substancial dos factos vai para julgamento. O debate decorre sem formalidades especiais. Este debate so pode ser adiado por absoluta impossibilidade do advogado. Se o MP nao fizer uma boa investigacao ha muitos factos que pura e simplesmente nao vao ser tidos em conta no processo. Quanto aos recursos. 283o e 284o.o4 do CPP. A grande diferenca da alteracao dos factos na instrucao e no julgamento. pois se se diz que o despacho e irrecorrivel quer-se estabilidade da decisao do juiz. 399o e 400o do CPP que temos as causas que sao passiveis ou nao recurso. 5. 118o do CPP. mas ninguem pode vedar o conhecimento das nulidades. Esta decisao e desfavoravel ao assistente (Daniel) e ao MP. Ele pode fazer alguma coisa? Qual a forma de reagir? Temos o art. esta no art. 308o do CPP vemos as situacoes em que o juiz emite o despacho de nao pronuncia. Se durante a instrucao o juiz conhecer novos factos que alterem substancialmente a acusacao. Se nao forem autonomos caem. 310o. ele nao pode conhecer deles. Um despacho de pronuncia consiste na remessa do processo para julgamento.n. a partida o despacho instrutorio e recorrivel. n. Durante a instrucao ha apenas um acto que e obrigatorio que e o debate instrutorio. e se esta nao existir e fixada no RAI). 310o do CPP que diz que a decisao instrutoria que pronunciar o arguido pelos factos constantes do MP e irrecorrivel quando se trata dos casos previstos nos art. 310o. Nao sao tidos em consideracao. e que no primeiro caso a nulidade tem de ser arguida apos a notificacao da decisao. sentencas e dos despachos cuja admissibilidade esteja prevista na lei. Um despacho de nao pronuncia equivale a um arquivamento (art. decidindo o JIC não pronunciar António. sendo esta a solucao que desde sempre os advogados encontraram para a obstar que nao podessem discutir uma decisao do juiz que indeferisse a audicao de uma testemunha ou a pratica de uma prova. 400o do CPP temos um 72 . O juiz pode conhecer desses factos? Se o juiz durante a instrucao conhecer factos que alterem substancialmente o objecto do processo (este e fixada na acusacao. do CPP. Este vem regulado no art. Se forem autonomos ele extrai certidao e envia para o MP e este faz um novo processo. Durante a instrução apura-se que os factos alegados por António correspondem à verdade. temos o art.RAI. 399o do CPP temos a regra geral: e permitido recorrer dos acordaos. mas diz respeito a alteracao substancial de factos. Nos podemos presumir a partir do art. Isto vigora assim para o julgamento e como tal tambem se vai aplicar a instrucao. Assegurando-se todavia a producao da prova e a possibilidade de o arguido ou o seu defensor se pronunciarem em ultimo lugar. Esta nulidade pode ser invocada no proprio acto ou ate ao encerramento do debate instrutorio.o1 do CPP que a decisao instrutoria nunca e recorrivel? No art. No art. 307o do CPP). 209o do CPP que diz que a decisao instrutoria e nula por factos que constituem alteracao substancial da acusacao do MP ou do assistente. Trata-se de uma nulidade que tem de ser arguida num prazo muito curto. E nos art. Ha quem entenda que esta solucao faz entrar pela janela aquilo que se proibiu que entrasse pela porta. Quem pode reagir e em que termos? A instrucao pode encerrar de duas maneiras: podemos ter um despacho de pronuncia ou um despacho de nao pronuncia.n. So que a nulidade tem que ser arguida no prazo de 8 dias contados da notificacao da decisao. Isto faz pressupor quer nos outros casos e recorrivel. Assim. 297o e ss. 310o do CPP que e uma norma especifica sobre os recursos que esta inserido na fase de instrucao. Neste caso.o1 do CPP. A decisao e ditada para a acta. Isto resulta claramente do art. Se nao for arguida. como tambem no RAI. No art. depois desta prazo a nulidade convalida-se.

do CPP. 134o do CPP e mais extenso. Suponha que os autos seguem para julgamento e António arrola como testemunha a sua mulher. as decisoes que ordenam actos dependentes da livre resolucao do tribunal (esta tambem se admite nos mesmos termos que no processo civil). Um do tribunal de 1a instancia para o tribunal da Relacao. Ha um conjunto de pessoas que pelas suas relacoes especiais com as partes podem recusar-se a depor. e 73 . recusa-se a depor. so que aqui temos uma decisao judicial e outra do MP. 399o e 401o do CPP. Temos tambem acordaos preferidos pela relacao que apliquem pena nao privativa de liberdade. Inicia-se com a prova testemunhal. isto da-se nos casos de dupla conforme. que e a normal. Isto esta previsto no art. Nos tribunais penais temos tres graus jurisdicionais. esta e muito parecida com o processo civil. e o proprio processo que as impede para garantir a defesa. 285o/4 do CPP. e se o juiz nao se pronunciar ja ha recurso. para prova de que Celso avançou para si empunhando uma faca. 134o do CPP. nos termos normais do art. a verdade. 6. e outro do tribunal da Relacao para o STJ. ai vai ser tudo apreciado. E principio constitucional que no processo penal tem sempre que haver um grau de recurso. e as partes civis que tiverem sido condenadas. E quando a decisao do tribunal da relacao confirma a decisao integralmente do tribunal de 1a instancia. todavia. 310o do CPP e mais ou menos isto que sucede. e temos dois graus de recurso. Admitindo que estamos numa situacao tipica. Temos dupla conforme quando a decisao do tribunal de 2a instancia e exactamente igual a decisao do tribunal de 1a instancia. Pois sao sujeitos e participantes do processo penal. 133o do CPP temos um nucleo de pessoas que estao impedidas de depor. de acordaos absolutorios preferidos em recurso que confirme a decisao da 1a instancia (isto e dupla conforme). sera que todas as causas podem chegar ao STJ? No processo penal nao existem alcadas nem valor de accoes. 399o e 400o do CPP.conjunto de situacoes em que a dupla conforme obsta ao recurso. Se o juiz de instrucao acusar por outros factos que nao constem na acusacao. 283o do CPP. Se o despacho de pronuncia confirmar a acusacao do MP. Esta. partes civis. Nao e liquido que elas nao testemunhem. seja a feita pelo art. 400o do CPP estabelece quais as decisoes que nao admitem recurso. a seguranca e a estabilidade do processo. Poderá fazê-lo? Os meios de prova estao regulados no art. As testemunhas estao obrigadas a responder com verdade. assistentes e peritos. se o MP acusou mas o assistente nao acompanhou. em ultima instancia o juiz pode mandar a pessoa testemunhar. Transpondo para o art. ou seja recurso do tribunal de 1a instancia para o tribunal de 2a instancia. e quando se trata de crimes com pena de prisao ate 8 anos. Aqui ha uma dupla conforme condenatoria. a diferenca e que o art. O art. entao esse despacho e irrecorrivel daqui vamos para julgamento. e segue os mesmos termos do processo civil. No art. Portanto no caso face a nao pronuncia do JIC tanto o MP como o Daniel podiam recorrer nos termos do art. 401o do CPP estabelece quem tem legitimidade para recorrer. Segue-se os acordaos condenatorios proferidos pela relacao que confirmem a decisao do tribunal de 1a instancia e que apliquem pena nao superior a 8 anos. aqui podemos encontrar os despachos de mero expediente. E o caso de arguidos e co-arguidos. Ainda temos outro nucleo de testemunhas que esta relacionado com as pessoas que estao sujeita ao segredo profissional. seja a que e feita por forca doa art. o arguido e o assistente de decisoes proferidas contra eles. assim tem legitimidade o MP de quaisquer decisoes. Podendo ainda configurar-se uma situacao de recurso “ per saltum”. depois temos acordaos preferidos em recurso pelas relacoes que nao conhecam a final do objecto do processo (e aquilo que nos conhecemos em processo civil por recurso interlocutorios). 128o e ss. Ha situacoes em que o recurso para o tribunal da relacao basta. O art.

depois os do assistente e do lesado. mesma hora. e no decorrer da audiencia os advogados chamam os documentos. para se pronunciar sobre as nulidades que podem obstar ao merito da causa (art. depois constarem na sentenca. Face a isto. como deve agir o juiz de julgamento? Quanto ao julgamento e nos art. Em primeiro lugar temos as declaracoes do arguido. No art.311o do CP vemos as situacoes em que a acusacao e manifestamente infundada. pois pode acontecer que o juiz decida indeferir o rol. no geral sao situacoes gritantes. n. 74 . e temos a falta justificada para o processo civil. apresenta-se essa testemunha no momento por apelo art. Se esse prazo for ultrapassado ou se durante o julgamento aparecer uma testemunha fundamental. da contrariedade. Ele aqui procede a um saneamento do processo. essas folhas contem as provas que o MP recorreu. do CPP que vem regulado. bem como a consequencia da falta do defensor nos crimes particulares. 330o do CPP). O arguido tem 20 dias a contar da notificacao da data da audiência (art. E as normas do art. nao necessitando de ir a julgamento. A atitude mais comum do arguido e ficar calado durante todo o processo so aparecendo no julgamento. Durante o julgamento. 332o do CPP sem prejuizo do disposto no art. no processo penal o arguido nao tem nenhum onus da prova.o 3 do art. Devemos ter em consideracao as regras da publicidade. O MP. Assim sendo a esposa pode recusar-se a depor. 7. No julgamento o momento mais crucial e a producao de prova. 329o e ss.o4 o do CPP. contando-lhe que descobriu que a sua mulher o trai com Celso e dando-lhe de que prepara a morte daquele. dois meses antes da ocorrência dos factos submetidos a julgamento. porque todo ele esta orientado por uma ideia de celeridade. geralmente. Isto de acordo com o art. verifica que deles consta a transcrição de um e-mail. no fim da acusacao temos a indicacao: “folhas x a y”. porque ao contrario do processo civil. enviado por António a um seu amigo de longa data. 311o e ss. fiscaliza o processo. O processo penal so para quando o juiz nao comparece. Se faltar o assistente ao julgamento ou o seu advogado o processo continua nao para (art. nos termos do art.se a pessoa recusar incorre em crime de desobediencia. consultando os autos. De resto toda a prova tem de ser produzida no julgamento para se proceder a imediacao do juiz e ao contraditorio. 340o do CPP. No n. Quando vamos consultar os processos. O arguido. Aqui nao ha regras particulares. 341o do CPP temos a ordem por que sao chamadas as provas. n. dai que se estivermos numa situacao de termos um julgamento civil e um julgamento penal marcados para o mesmo dia. para estes. esta existe em processo penal so que e muito rara e quando e feita tem pouca importancia. o assistente. 311o do CPP). Quanto ao arguido e obrigatoria a sua presenca na audiencia de julgamento. pois um juiz serio jamais recusa uma testemunha que e fundamental para a descoberta da verdade material. O JIC ou o MP envia os autos para o juiz de julgamento.o 1 a 3 do CPP. usa a contestacao para apresentar o seu rol de testemunhas e outras provas. n. Quanto a marcacao das audiencias temos regras no CPP.315o do CPP). O juiz pode recusar a acusacao se a achar manifestamente infundada. se seguida os meios de prova que sao apresentados pelo MP. o juiz. Um elemento importante a referir e a contestacao.o1 e 285o. por ultimo os meios de prova do arguido e dos responsaveis civis. 333o. e o arguido podem alterar o rol de testemunhas contando que a alteracao possa ser comunicada ate tres dias antes da audiencia de julgamento. primeiro vamos ao julgamento do processo crime. por isso nao tem que provar nada. Isto e raro acontecer devido ao principio da descoberta da verdade material. do CPP sobre a audiencia e os actos da audiencia. O processo crime nao pode parar. Durante o julgamento tem que se fazer mencao dos documentos.284o. o qual vai proceder a uma primeira avaliacao deles. Devido a este artigo nao e pratica dos advogados fazer rol de testemunhas.

fruto do Antigo Regime. e uma nova investigacao para o MP. a fase do julgamento e do recurso. a estas perguntas o arguido tem de responder com verdade. Antigamente. obviamente.359o do CPP). de seguida le a acusacao. A alteracao substancial dos factos so pode ser conhecida quando ha acordo do arguido. E o arguido que decide se quer ou nao prestar declaracoes. porque ele pode confessar. porque depois o arguido deixa de ter provas para se defender. No nosso caso temos uma transcricao de um e-mail (este e um meio de prova). Se o facto fosse autonomo ia dar lugar a uma nova denuncia. pode optar por so fazer declaracoes e por nao responder as perguntas. onde consta um facto novo o qual e apreciado durante a leitura dos autos no julgamento. com e o caso de Espanha. ele tem a obrigacao de proceder a uma correcta investigacao. Esta tem como primeiro pressuposto a existencia de uma alteracao dos factos. Se optar por confessar e-lhe perguntado se o faz de livre vontade. pois nao podemos prejudicar o arguido por actos que competem ao Estado. e e sociavel. Assim o MP. Este novo facto pode ser conhecido? E substancial? De acordo com a nocao do art. 1o.O juiz comeca por perguntar os dados pessoais ao arguido. De seguida passamos para a inquiricao de testemunhas. Dai que. a sua ma investigacao não pode prejudicar o arguido. e como as quer prestar. esta e uma das fases mais delicada. isto e errado. so serao ouvidas aquelas testemunhas que podem atenuar a medida da pena. o qual pode conduzir a descoberta de um novo facto. Agora temos que avaliar os factos em si. O email por si so e um meio de prova. nao e considerado. Quando temos processos feitos em varias sessoes. Em primeiro lugar temos que ter factos que alterem substancialmente nos factos. Nao sendo um facto autonomo. para vincar esta alteracao plena de modelo houvesse necessidade de alterar tambem a designacao. e iniciam-se as declaracoes do arguido. sem esquecer. porque ja sabe que o arguido nao vai pode contradizer. Do ponto de vista processual nao e chocante. e o assistente dispensam as suas testemunhas. dado que normalmente aqui se poem em causa alguns dos principios fundamentais do processo penal. sem qualquer coaccao. f) do CPP temos a nocao de alteracao substancial de factos. produzir toda a sua prova antes do arguido. e-lhe perguntado se ele quer responder a materia da acusacao. e se faz uma confissao integral e sem reservas. Considerações gerais Fase mais crucial para a investigacao criminal. O MP tem por obrigacao. al. com a revisao do CPP de 1987 houve uma alteracao de designacao. ao MP. 75 . se e boa pessoa. Do inquérito 1. No art. Pode responder parcial ou integralmente. temos que ver se sao substanciais ou nao. as primeiras a serem ouvidas sao as do MP. por vezes o MP pede para comecar com as testemunhas do arguido. O MP passa a ter conhecimento da prova do arguido e ele fica com a possibilidade de apresentar qualquer prova. se o fizer a restante prova ja nao sera necessaria. a esta fase chamava-se instrucao. f) do CPP e um facto substancial. uma vez que o termo instrucao estava conotado com uma ideia ultrapassada e mal conotada. e as testemunhas abonatorias que sao aquelas que vao testemunhar acerca da personalidade do arguido. Comeca-se por aqui.1o. Temos aqui em causa uma questao do objecto do processo. ele fica precludido. al. Do e-mail releva que o crime e premeditado e nao e privilegiado. Nao podendo ser conhecida o facto vai cair. tal como ainda acontece em alguns paises actualmente. Entretanto. Em termos de interesses controversos. como tal nao pode ser conhecido (art.

mas funcionalmente. ouve-se falar bastante nesta questao: qual e o papel e qual e a relacao que se estabelece entre Ministerio Publico e os orgaos de policia criminal no processo penal? Esta fase e dirigida pelo MP. nao dependencia organica. como nao existe um agente do MP para cada processo. Este e. nao tem nenhuma dependencia do Ministerio Publico alem da dependencia funcional. nao dependencia financeira). pelo juiz de instrução e pelos órgãos de polícia criminal Que relacao e que existe entre os orgaos de policia criminal e o Ministerio Publico? Esta questao e muito interessante. dependem sempre do MP. portanto. Por homenagem ao principio da acusacao. porque o MP praticamente nao exerce funcoes de investigacao no terreno. So que a magistratura do MP nao realiza a investigacao isoladamente. em que os OPC podem tomar a iniciativa de realizar algumas diligencias de investigacao. E porque estou a dizer isto? E porque parece que tem havido muitos equivocos na pratica. considerado o “dominus do inquerito”. em termos de pratica e de operacionalidade. e. tem competencias para investigar criminalmente. quando e como. existe uma dependencia funcional entre estes dois orgaos. O MP nao pode queixar-se do protagonismo que tem os orgaos de policia criminal. sobretudo na comunicacao social. com o auxilio e com a ajuda dos orgaos de policia criminal. o Ministerio Publico e quem detem o exercicio da accao penal. ja que estes tem uma relacao de dependencia funcional em relacao ao MP. De facto. em vez de ser o MP a assumir a direccao da investigacao. E o que e que se faz no inquerito? Realiza-se um conjunto de diligencias necessarias a determinar necessariamente isso. porque se nao fosse esse protagonismo nao haveria investigacao criminal na maior parte dos casos. Os OPC nao dependem hierarquica ou organicamente do MP. pois tem os seus comandos e direccoes proprias. mitigada por um principio de investigacao. Dos actos do inquérito a praticar pelo MP. Exceptuando aqueles casos. porque ja devem ter ouvido muitas vezes falar sobre isto. nao mais do que isso. a entidade que investiga e que acusa e uma entidade diferente daquela que vai julgar. nomeadamente os recursos humanos. n. tambem e preciso dizer que quando se trata de investigacao criminal os orgaos de policia criminal dependem mesmo do MP. havendo necessidade de racionalizar os meios. ultimamente. Mas. nao dependencia administrativa.O inquerito visa a investigacao criminal de um facto e de quem tera sido o seu autor. como e o caso das medidas cautelares e de policia. Quem o faz? Quem faz e o Ministerio Publico (MP). e uma vez que os OPC tem competencias de investigacao muito proprias. no que diz respeito a investigacao criminal. e o MP que dirige o inquerito e decide o que se deve fazer. Tirando os actos que sao proprios e exclusivos do juiz de instrucao porque ha actos realizados no inquerito da exclusiva competencia do juiz de instrucao. A verdade e que contra o MP se podera dizer que a investigacao criminal em Portugal e no terreno normalmente feita pelos orgaos de policia criminal. Todavia.o. dependem do MP nas funcoes de investigacao criminal. Na maior parte dos casos essa investigacao e quase totalmente delegada nos OPC.o 2 que os orgaos de policia criminal actuam sob a direccao directa do Ministerio Publico e na sua dependencia funcional (so dependencia funcional. 2. e a entidade que em Portugal de acordo com o nosso processo penal de estrutura acusatoria. acaba muitas vezes por serem os orgaos de policia criminal a fazerem isso e o MP a funcionar como uma especie de espectador ou como alguem que ratifica os actos realizados pelos orgaos de policia criminal. Quais sao? Aqueles que contendam directamente com direitos 76 . isto e. Porem. diz o artigo 263. nao dependencia politica. O MP queixa-se de que muitas vezes sao muitos os processos e os orgaos de policia criminal assumem um protagonismo que nao lhes e concedido pelo proprio MP. Ou seja. Ou seja.

fundamentais. O juiz funciona no processo penal como .juiz das garantias. ou .juiz das liberdades., aquele que garante que os direitos fundamentais sao respeitados e, por isso, no artigo 268.o ha actos que tem que ser praticados pelo juiz de instrucao, como por exemplo proceder ao primeiro interrogatorio judicial do arguido/detido – tem de ser o juiz a faze-lo e nao o MP, e porque? Porque o juiz e a figura imparcial e nao tem interesse directo no processo. Por exemplo, ao aplicar uma medida de coacao, uma medida de prisao preventiva, ou proceder a buscas ou a apreensoes ou, enfim, a todo um conjunto de actos que estao previstos no art. 268.o, que sao da exclusiva competencia do juiz de instrucao. Na verdade, nesta fase de inquerito, assim como em todo o processo penal, todos os actos processuais que contendam directamente com direitos fundamentais e que possam comportar uma restricao a esses direitos, so podem ser praticados pelo juiz de instrucao (art. 268o CPP). E o caso, por exemplo, do primeiro interrogatorio judicial do arguido detido, que tem de ser pelo juiz de instrucao. Trata-se de apelar a intervencao de uma entidade que, em principio, e completamente imparcial, e que nos termos da CRP, e o garante das liberdades e das garantias dos cidadaos. E por isso que todas as medidas de coaccao (excluindo o TIR, que ate um OPC pode aplicar) tem de ser decididas por um juiz de instrucao, ainda que sejam propostas pelo MP. Isto tambem pode levantar alguns problemas, senao vejamos: o MP propoe que se aplique a determinado individuo a prisao preventiva e o juiz de instrucao acha que se deve aplicar a obrigacao de permanencia na residencia. Ha quem diga que isto nao esta certo porque e o MP quem sabe qual a medida que melhor se adequa aos interesses da investigacao. No entanto, e preciso entender que ainda que a investigacao criminal seja um interesse importante, pois esta em causa a realizacao da justica, o respeito pelos direitos fundamentais esta acima de tudo isso, dai que nas situacoes em que haja a restricao de direitos fundamentais e necessario que intervenha uma entidade constitucionalmente preparada para operar tal restricao segundo os criterios da necessidade e da proporcionalidade do art. 18o CRP. Por outro lado, no art. 269o CPP estao os actos que tem de ser ordenados ou autorizados pelo juiz de instrucao, como e o caso das buscas domiciliarias, e no art. 270o CPP estao presentes os actos que podem ser delegados pelo MP nos OPC. Tirando esses actos, todos os outros actos sao, em principio, da competencia exclusiva do MP. O que e que pode ser feito, entao, pelos orgaos de policia criminal sem ofender esta competencia exclusiva do MP? Por um lado, aqueles actos que ja vimos, que se chamam medidas cautelares e de polícia que podem suceder antes ou ate durante, sobretudo, na fase inicial do inquerito (quando nao ha tempo, por exemplo, de comunicar a autoridade judiciaria). Mas por outro lado, e, sobretudo, aqueles que estao previstos no art. 270.o, ou seja, o MP pode delegar nos orgaos de policia criminal uma serie de diligencias que normalmente deviam ser feitas pelo MP e que sao feitas pela policia. – E e aqui que entra a questao fulcral, pois, normalmente, o MP delega toda a investigacao nos orgaos de policia criminal e depois vem a questao do maior ou menor protagonismo dos orgaos de policia criminal em relacao ao MP. O mesmo sucede nas relacoes com o JIC, o que levanta algumas dificuldades de relacionamento a certos niveis. Por exemplo, o levantamento ou nao do segredo de justica, entendido como forma de salvaguardar os interesses da investigacao, devia caber ao MP, pois e ele que sabe se aquele caso em concreto exige ou nao tal secretismo para o sucesso da investigacao. Mas com a ultima revisao do CPP o processo passou a ser publico, sendo secreto apenas se o MP quiser, com a possibilidade de recusa por parte dos outros sujeitos processuais, sendo que a ultima palavra cabe sempre ao juiz de instrucao. Dai que haja vozes discordantes que afirmam que se e o MP quem dirige o inquerito e sabe quais os interesses em causa na investigacao, a ultima palavra devia ser sempre dele e nao do juiz de instrucao. Ha uma coisa que e importante ter em conta: quem dirige o inquerito e efectivamente o MP. Isto e fundamental para se compreender a estrutura do processo penal portugues. Nao e o juiz de instrucao que dirige o inquerito e tambem nao e a policia criminal. As vezes a impressao que nos temos, quando ouvimos falar de algumas investigacoes, e de que quem dirige o inquerito

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(inquerito aqui com o mesmo sentido de investigacao), quem dirige a investigacao criminal e a policia judiciaria. Nao e verdade. Nunca e a policia judiciaria que dirige a investigacao criminal. E sempre o MP que dirige – e porque? Porque o MP funciona em Portugal como um representante de toda a comunidade, enquanto a policia criminal nao tem esse papel. O representante de todos os cidadaos no processo penal e o MP. De modo que tem de ser o MP a dizer o que se tem de fazer para investigar um crime, como se tem de fazer, quem tem de o fazer, que actos se tem de realizar, e nao os orgaos de policia criminal! A policia criminal nao tem essa competencia porque nao e representante da comunidade na accao penal. Claro que a policia criminal tem um papel muito importante em termos de seguranca para a comunidade – mas nos nao estamos a falar disso, nos estamos a falar do processo penal, da investigacao criminal. Nos estamos a falar de um fenomeno que ocorre apos o crime, e nao antes do crime. Na seguranca e prevencao, a policia tem um papel fundamental para toda a comunidade. Mas nos nao estamos a falar disso. Falamos depois de um crime ser cometido e do papel que as entidades tem na investigacao criminal e em concreto quem deve dirigir a investigacao criminal: dirige quem e representante da comunidade, neste caso, o MP, porque e o representante do Estado e o Estado representa-nos a todos nos. De maneira que nao ha duvidas sobre isto, embora como voces sabem infelizmente muitas vezes por delegacao quase total dos actos de investigacao por parte do MP nos orgaos de policia criminal, o que vem a suceder na parte pratica e que as investigacoes criminais sao realizadas quase exclusivamente pelos orgaos de policia criminal. Não se critica os orgaos de policia criminal, porque existem quer na policia judiciaria, quer na GNR, quer na PSP excelentes agentes preparados e bem formados. Mas a sensibilidade em geral para as questoes de natureza penal nao e a mesma quando falamos do MP ou de um orgao de policia criminal. Salvo muitas excepcoes, e cada vez sao mais as excepcoes, isto e, cada vez encontramos mais gente bem qualificada nos orgaos de policia criminal com sensibilidade para as questoes penais, por exemplo, e preciso dizer que ja existem inclusivamente muitos agentes da PSP, GNR, policia judiciaria (ja nem se fala!), com formacao juridica e nos proprios cursos de formacao da PSP existem nos curricula muitas disciplinas de Direito Penal ou Processo Penal, etc. Mas nao se compara isto, apesar de tudo, a formacao que um agente do MP tem, porque um agente do MP nao estuda so questoes de Direito Penal ou de Processo Penal, estuda Direito Constitucional, estuda Filosofia do Direito, enfim, ha todo um conjunto de disciplinas de formacao basica para um jurista, que permite uma diferente concepcao da realidade. Nos temos uma certa sensibilidade para a questao dos direitos fundamentais que normalmente o cidadao comum nao tem. Nao sei se ja se deram conta de estarem a discutir num grupo de amigos ou na familia um processo mediatico e se deram conta de que voces sao os unicos de que estao a tomar uma posicao “pro libertate”, pro arguido. Temos uma visao diferente, sobretudo quando estao em causa direitos fundamentais. E, portanto, os orgaos de policia criminal, apesar da formacao que tem, actualmente muito boa, mesmo assim nao tem talvez a mesma sensibilidade que tem o MP ou tem o juiz para estas questoes. De modo que nao ha duvida nenhuma de que a direccao teria de ser do MP, e isso e absolutamente claro. Em que consistem os principais actos do inquerito? Como vos disse, quando falamos dos principios, nao existem praticamente limites a descoberta da verdade material, porque e esse o principio que inspira o processo penal, ao contrario do processo civil. O que significa que em principio, exceptuando aqueles casos em que manifestamente for ilegal, a obtencao de um determinado meio de prova (e isso nos vamos aprender) nao tem limites, em obediencia ao principio da descoberta da verdade material. O art. 267.o diz: “Art. 262.º Actos do Ministério Público O Ministério Público pratica os actos e assegura os meios de prova necessários à realização das finalidades referidas no n.º 1 do art. 262.º, nos termos e com as restrições constantes dos artigos seguintes.” O que a seguir vem sao restricoes que tem a ver com as competencias de

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cada orgao. No art. 268.o do juiz de instrucao; no art. 269.o do juiz que pode autorizar ou ordenar que sejam realizados por outros agentes; no 270.o do Ministerio Publico que pode delegar nos orgaos de policia criminal. Mas de resto, nao existem grandes limitacoes. Agora, as limitacoes estao e, por exemplo, quando nos passamos aos artigos, – e aqui sim, as coisas nem sempre funcionam bem – relativos a obtencao de prova, ou seja, os artigos 124.o e seguintes e, sobretudo, os artigos 171.o e seguintes. Aqui e que voces encontram uma serie de restricoes que normalmente quando sao desrespeitadas dao origem as arguicoes de nulidades para o Tribunal Constitucional e que fazem com que um processo fique arruinado. E voces conhecem muitos casos. Basta que num processo se tenha atingido a formacao da culpa atraves de escutas telefonicas nao autorizadas legalmente ou nos termos da lei para que toda essa prova esteja inquinada pelo efeito cascata que a prova produz. Isto e, se a primeira prova, que e a base de toda a prova, e nula, toda a outra cai. E, por isso, basta que nao tenha havido respeito, nos termos legais, para toda essa prova ir por agua abaixo. Tirando esses limites, o MP nao tem restricoes a investigacao criminal e, por isso, pode realizar todos os actos que entender para a descoberta da verdade material. 3. Do encerramento do inquérito 3.1. Despacho de acusação ou de arquivamento; 3.2. suspensão provisória do processo e arquivamento em caso de dispensa de pena; Como e que o MP encerra o inquerito? Qual o prazo que tem para encerrar o inquerito? E o que e que pode acontecer apos o encerramento do inquerito? Os prazos de duracao maxima do inquerito e uma questao importante, ja que uma das cominacoes previstas na revisao de 2007 do CPP para a ultrapassagem dos prazos e a possibilidade do processo passar a ser publico. Os prazos, previstos no art. 276o CPP, diferem em funcao da existencia ou nao de arguidos presos preventivamente. Quem esta preso preventivamente nao esta a cumprir uma pena, ao contrario do que muita gente pensa. Na verdade, a regra e a da liberdade e nao da prisao. Dai que quando se prenda alguem estejamos a restringir a liberdade sem que haja culpa formada (estamos numa altura do processo em que vigora plenamente o principio da presuncao de inocencia, pelo que nao se pode de modo algum presumir que aquele individuo e culpado, ainda que os indicios sejam muito evidentes). Ate ha quem defenda que nao se poderia aplicar a prisao preventiva, o que nao esta certo, pois a prisao preventiva nao e uma pena, servindo outros interesses, que nao os da punicao do individuo. Contudo, uma vez que corresponde a restricao de direitos fundamentais, quando o individuo e condenado efectivamente a uma pena de prisao ha necessidade de descontar na pena o tempo que passou em prisão preventiva. Voltemos aos prazos. O art. 276o, 1 diz-nos que o prazo maximo de inquerito e de seis meses quando houver arguidos presos ou sob obrigacao de permanencia na habitacao, ou de oito meses quando nao os houver. Estes prazos podem ser aumentados consoante o tipo de crime ou a complexidade da investigacao, a luz do art. 676o, 2 CPP. Se forem ultrapassados estes prazos, o art. 289o, 6CPP prescreve que o processo torna-se publico se estiver a decorrer em segredo de justica. Este art. 276.o foi objecto de alteracao na revisao de 2007 porque na altura discutia-se a questao da falta de celeridade processual, e dizia-se, com alguma razao, que havia processos que demoravam imenso tempo logo na fase de inquerito. Os prazos que estao no art. 276.o foram relativamente encurtados. E, mais do que isso, veio estabelecer-se uma coisa, enfim discutivel, que e o facto de apos o prazo de inquerito o segredo de justiça cair obrigatoriamente, quando o processo estiver a decorrer sob segredo de justica. Ou seja, foi uma especie de pressao que o legislador fez sobre o MP dizendo-lhe assim: “Tu tens um prazo para realizar o inquerito. Findo esse prazo, se tu nao conseguires realizar o inquerito, nao vai haver mais segredo de

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o 2. nomeadamente os mais complexos e mediaticos. a maior parte dos inqueritos terminam com arquivamento. nao e preciso demonstrar a culpa tal qual vem a ser necessario na sentenca.o.o 3. continuado. nao ha que acusar. como e que se explica que ele acuse e mais tarde venha a pedir a absolvicao? Porque. com relacoes em paises diferentes. mas tambem de outras entidades. Mas esse e o prazo para o MP produzir acusacao ou arquivamento. 215. Vejamos: a regra e que o prazo para a realizacao do inquerito e de 6 meses. e nao e preciso muito mais do que isso. com um crime. uma acusacao. Ha quem diga que isto foi propositado. isto e. portanto. dizemos:”ha indicios suficientes de que aquele individuo cometeu o crime”? Ao dizer que ha indicios suficientes estamos a presumir que ha culpa. nao e isso que se esta a pedir no art. Em todo o caso e preciso dizer o seguinte: o MP em Portugal nao esta obrigado a manter a sua posicao ate a sentenca final. ou. Entao. e para 12 meses nos casos do art. Uma coisa e dizer que e necessario que existam indicios bastantes.indicios suficientes. o que se exige no final do inquerito nao e que ele tenha uma certeza absoluta da pratica do crime. aqui. n. por exemplo. – porque? Porque nos estamos a trabalhar na base da presuncao da inocencia. da Interpol ou da Eurojust.. como e que nos podemos. justamente.. 215. Porque ou ha realmente um conjunto de indicios que se podem considerar suficientes. se houver arguidos presos preventivamente ou em obrigacao de permanencia na habitacao (o que erradamente se designa por prisao domiciliaria). ao mesmo tempo que afirmamos a presuncao de inocencia. Por forca do principio da legalidade que vigora no ordenamento juridico portugues.o tem a ver com a prisao preventiva. Porque ha um principio de presuncao de inocencia e.indicios suficientes. 212. o que ainda por cima vem dificultar mais as coisas ao MP. entao. Imaginem um processo com muitos arguidos. pedir a absolvicao do arguido. para 10 meses quando houver excepcional complexidade do processo. por isso. Pode e deve se entender que nao ha indicios suficientes em julgamento. E muito dificil em 12 meses produzir uma acusacao ou um arquivamento do processo – e dificilimo! A verdade e que se isso nao acontecer uma das consequencias e a quebra do segredo de justica. Indícios suficientes e o minimo possivel para que o caso seja discutido em julgamento. Pergunta-se: nao e suficiente? O art. de modo a obrigar o MP a trabalhar mais rapidamente. Este prazo de 6 meses pode ser elevado para 8 meses se for um dos crimes previstos no art.o.. Nao e possivel isso tambem. E.justica”. nao sei se sabem. o que se pede nao e que haja . O problema e que os prazos que estao aqui no art.indicios bastantes. se assim o entender. E nao havendo mais segredo de justica a investigacao esta posta em causa. mas simplesmente . o andamento do inquerito nao depende apenas do empenho do MP. Mas tambem nao podem ser indicios tao insuficientes que nao consigam sustentar um julgamento.o. Nao e suficiente? A verdade e que muitas vezes nao e suficiente. Acusacao: quando entender que existem indicios suficientes da verificacao de crime ou de quem foram os agentes. o MP esta obrigado a acusar quando existam indicios suficientes da 80 . Esta medida introduzida em 2007 tem sido objecto de muitas criticas por parte do MP e nao so. uma vez que ha processos. 276. E. ha que arquivar. e 8 meses se nao houver arguidos presos. Entao. ou um crime organizado. em que nao e possivel terminar o inquerito dentro destes prazos. que e saber o que e que se entende por . O que significa que onde havia mais necessidade de perdurar o segredo e onde existe maior possibilidade do segredo cessar. se os indicios sao manifestamente insuficientes. Contudo. em audiencia de julgamento. a insuficiencia deve produzir o arquivamento.o muitas vezes sao insuficientes. temos uma questao complicadissima. Indícios bastantes e ja uma forte aproximacao a uma presuncao de culpa. Nao sei se da para perceber a diferenca. e outra e dizer que e necessario que existam indicios suficientes. 277. n. Arquivamento: quando nao existam esses indicios. como e o caso do Instituto de Medicina Legal. o MP pode. A regra sao os 6 meses.

que nao sao mais do que um equivalente funcional da pena. No entanto. Como sabem. ha casos que podem nao seguir nem a via do arquivamento. Claro que aqui tambem estamos a ter em conta os interesses da vitima e e o proprio art. e um espaco de consenso. o processo ao MP. A maior parte dos processos acaba com o arquivamento. Nao existe. Para tal e necessario a aplicacao ao arguido de injuncoes e regras de conduta. arquiva. pois so faz sentido levar a julgamento aquilo que tem condicoes para ser julgado. ha uma diferenca entre assistente. Assim. este sera devidamente homologado pelo MP e pelo juiz. que nao derroga o principio da legalidade. pois. nao vai ser punido criminalmente. 280o CPP. Neste caso. Em certos casos. que acaba com um acordo. de acordo com o principio da legalidade o MP ter de acusar. acusa-se e vai-se para julgamento. e a vitima do crime. 280o CPP diz-nos que apesar de haver indicios suficientes da pratica de crime. Estamos aqui perante uma situacao em que se apela a uma certa concordancia entre os sujeitos. apesar de cumprir o equivalente a uma sancao. casos que admitam dispensa de pena. se se tratar situacoes enquadraveis no ambito do art. apesar de haver indicios e. Ele nao tem de ficar convencido de que o individuo ira ser declarado culpado. O MP tem de olhar para as provas que tem. o que so acontece no julgamento. o caso sera objecto de dispensa de pena. Se nao considerar que se deve arquivar acusa e o juiz em sede de julgamento pode dispensar a pena. Quer a vitima. pois e um dos casos que permitiria a dispensa de pena em sede de julgamento. voltando. 74o CP. e durante a fase de inquerito o MP entender que se for a julgamento. obrigado a arquivar quando nao existam tais indicios. se nao cumprir. para o resultado da investigacao e decidir se existem indicios suficientes que permitam chegar a julgamento e sustentar a acusacao. o que significa que nao ha consequencias juridicas do crime. 281o CPP). nem registo criminal. de oportunidade. cumprir essas injuncoes e regras de conduta pode arquivar-se o processo.pratica do crime. 74o CP. quer um seu representante legal podem constituir-se como assistente. assistente e o juiz de instrucao no sentido de suspensao do processo quando o crime for punivel com pena de prisao nao superior a cinco anos de prisao. e a mediacao penal. estamos perante um juizo de oportunidade condicionada que apela ao acordo entre o MP. em fase de julgamento o juiz pode dispensar a pena. se for obtido um acordo. mas tem de estar convencido de que com bastante razoabilidade ha materia suficiente para que ele venha a ser julgado e condenado. Se nao se chegar a acordo segue-se a acusacao e o processo vai para julgamento. de modo a intervir no processo e ser sujeito de direitos e deveres. Se acusar. entre as quais se 81 . da qual ja falamos. porque se o arguido nesse prazo. o que lhe permite conformar a decisao final do processo. dentro do nosso sistema em que vigora o principio da legalidade. o MP pode arquivar. Nao sao sancoes porque ainda nao ha uma declaracao de culpa formada. tal como na hipotese do art. Dai que o arquivamento seja a solucao possivel para quando o MP chegue a conclusao de que nao existem indicios suficientes da pratica do crime e de quem foi o seu autor. Ha outras situacoes semelhantes. e a possibilidade de suspensao provisoria do processo (art. 6 CPP que da a vitima a possibilidade de se pronunciar. Se o arguido cumprir as injuncoes ou regras de conduta. Em determinados crimes. que foi como tal constituido. pois esta nao e um sujeito processual. agir por motivacoes politicas ou de qualquer ordem. que pode ir ate dois anos. nem sequer deixa ir a julgamento. mas que constitui uma pequena abertura a oportunidade. o art. um juizo de oportunidade. pode entregar o processo a um mediador penal. 281o. como e o caso do processo sumarissimo. devidamente formado. Sao espacos de consenso que estao a ser incrementados no processo penal por variadissimas razoes. o que e uma vantagem para o arguido. o arguido. e nao propriamente ao assistente. que tenta um acordo entre os sujeitos. mas funcionam como um equivalente. depois. dando alguma relevancia aos interesses da vitima (principio vitimologico). nem a via da acusacao. se o MP assim o entender. Depois temos a hipotese da acusacao quando o MP reunir indicios suficientes da pratica do crime. se se verificarem os requisitos do art. o MP nao pode negociar.

Neste caso. 3 determina a nulidade da acusacao. Da instrução 1. de acordo com o principio da dignidade da pessoa humana rodea-lo de direitos. comecamos a perceber. acabado o inquerito. A acusacao pode ser do MP ou do assistente. relegada para um segundo plano. No caso dos crimes particulares stricto sensu. Se. Esta necessidade. pois. uma peca importantissima no processo penal porque e ela que determina o que vai ser julgado a final na audiencia de julgamento. A nao existencia destes elementos do art. pois. o lugar e a motivacao da sua pratica. sendo que em muitos casos a justica penal nao se realizava porque os interesses das vitimas nao eram tidos em conta. dai o limite de cinco anos de prisao. 3. tambem no caso de crimes publicos ou semi-publicos pode haver acusacao por parte do assistente. Dai que numa situacao em que os dois sujeitos processuais. porque quem fixa o objecto do processo nos crimes publicos e semi-publicos e o MP (principio da acusacao). verificando-se o inverso do que sucede nos crimes publicos e semi-publicos: o MP tambem pode acusar. garantias e de deveres. Considerações gerais . Neste caso. O que nao pode e acusar por factos diferentes dos que constem na acusacao. desde que nao haja uma alteracao substancial dos factos. no todo ou em parte. uma vez que ha indicios. advinda do Estado de Direito Democratico fez com que praticamente se esquecesse a vitima. servem para conferir uma certa importancia aos interesses da vitima. CPP que tem de haver uma narracao. Claro que isto nao pode ser aplicavel em todos os casos. 283o. o MP. ainda que dentro do processo penal. entretanto.destaca a necessidade de conferir relevo a vitima. o MP notifica o assistente desta acusacao. nos casos de crimes particulares “stricto sensu”. 284o CPP. o julgamento depende de acusacao particular e nao do MP. De facto. Nos casos do art. necessario restituir-lhe o estatuto de sujeito processual. que antes da CRP de 1976 era considerado um mero objecto do processo.a relação entre o inquérito e a instrução. o arguido nao cumprir as regras de conduta ou injuncoes. que tem sido esquecida no processo penal. em que o MP acusou. o MP notifica o assistente para que este deduza acusacao particular se assim o desejar. Vigora aqui o principio da acusacao. podendo tambem este acusar. Ora este tipo de solucoes de consenso desjudiciarizadas. o que nao pode e acusar por factos diferentes dos que constem na acusacao do assistente. ainda que sintetica. fruto das advertencias das associacoes de proteccao das vitimas (APAV) que. Por isso se diz no art. que dependem de queixa e de acusacao particular do assistente (esta acusacao do assistente pode ser acompanhada pelo MP ou nao). realiza-se a justica penal. 82 . entre a intervenção do MP e do Juiz de instrução. dos factos que justificam a aplicacao ao arguido de uma pena. A acusacao e. 283o. o processo volta novamente as maos do MP e. porque. Com o decorrer dos tempos. podendo entao este acusar no todo ou em parte. uma vez que o objecto do processo e fixado por este isso comportaria uma alteracao substancial dos factos. Expliquemos este artigo: temos a acusacao por parte do MP em situacoes de crimes publicos ou semi-publicos. sendo. em muitos casos isso se traduz numa injustica para com as vitimas. ultimamente tem havido uma certa tendencia para proteger o arguido. e dado conhecimento ao assistente de que houve acusacao. acusa. pois e esta que vai servir para determinar o objecto do processo. figura imparcial e independente estejam de acordo. da vinculacao tematica e da identidade do objecto. e. representante da comunidade e o juiz. incluindo o tempo. b.

Ora. isto e. ao abrigo do número anterior. por sua iniciativa ou a requerimento do assistente ou do denunciante com a faculdade de se constituir assistente. Entao. neste caso. Estamos a falar da situacao em que o MP arquivou e. E suscitam a intervencao hierarquica.o).o. que e o juiz de instrucao. Estamos a falar. Ou seja. entao.o. Porque se ha requerimento de abertura de instrucao. Desde logo. Diz o art. Ou reaccao do assistente se ele considerar que os factos descritos na acusacao nao sao exactamente aqueles que foram realizados. E o que e que se tem de esperar. tendo arquivado. Nao confundir: nao ha intervencao hierarquica no caso de despacho de acusacao. para o facto de este artigo ter uma redaccao ligeiramente diferente da que tinha antes da revisao de 2007. se o MP acusou por um crime apenas. Se abrirem. Requerimento de abertura de instrução E feito o despacho de acusacao ou de arquivamento. Se eles nao abrirem instrucao no prazo de 20 dias.o: “Art. 284. E depois ha ainda uma outra possibilidade que e a que esta prevista no art.o e um controlo administrativo ou de natureza nao judicial ou hierarquico. Porque? Porque vai haver um controlo judicial do despacho de arquivamento. se optarem por não requererem a abertura da instrução. feita pelo assistente ou pelo ofendido no prazo de 20 dias que lhes e concedido. E um onus que tem que arcar. dando conta justamente da acusacao. neste caso de intervencao hierarquica. o assistente e o arguido fazem este juizo: eu tenho 20 dias para requerer a abertura de instrucao. vamos supor. entao nao faz sentido requerer a este expediente. como e evidente. faz sentido que haja intervencao hierarquica. as diligências a efectuar e o prazo para o seu cumprimento. enquanto na presenca de um despacho de acusacao pode nao ser bom requerer abertura de instrucao. A intervencao hierarquica que esta no art. ou se. 287. entao? Tem de se esperar justamente que passe o prazo dos 20 dias para requerer a abertura de instrucao. o imediato superior hierárquico do magistrado do Ministério Público pode. E e importante porque o alcance nao e exactamente o mesmo.º Intervenção hierárquica 1 – No prazo de 20 dias a contar da data em que a abertura da instrução já não puder ser requerida. determinar que seja formulada acusação ou que as investigações prossigam indicando. atraves do requerimento de abertura de instrucao (art. alem de furto simples acha tambem que houve violacao. nao me interessa. entao o assunto vai ser analisado por quem tem de ser analisado. aqui existem duas hipoteses diferentes: ter havido requerimento para a abertura de instrucao ou nao ter havido requerimento para a abertura de instrucao. pode abrir instrucao – art. sim. o que e que pode suceder? Se for despacho de acusação pode haver reaccao por parte do arguido. acusou por furto simples quando o assistente acha que foi furto qualificado. suscitar a intervenção hierárquica. 2 – O assistente e o denunciante com a faculdade de se constituir assistente podem. Neste caso o que e que acontece? Neste caso prescindem da abertura de instrucao. 278. que e a hipotese de intervencao hierarquica. cujo prazo e de 20 dias a contar da notificacao que lhe tiver sido feita. apenas do despacho de arquivamento. temos que esperar primeiro que decorram 20 dias para saber se o assistente ou o ofendido reagem. 278. mas eu nao vou requerer a abertura de instrucao. entao. Eu vou suscitar ja a intervencao hierarquica. simplesmente. 83 . 278. 278. se abrem instrucao ou nao. ele pode reagir abrindo instrucao. Aceito a acusacao. o advogado pode pensar em guardar alguns trunfos para o julgamento. Tem natureza administrativa porque e um superior hierarquico que vai intervir no processo para verificar se o despacho foi bem feito. havia algo mais grave que nao esta na acusacao – por exemplo. em que situacoes e que e possivel a intervencao hierarquica? Chamo a atencao. A abertura de instrucao e um controlo judicial. So que agora permite-se tambem o seguinte: permite-se que mesmo no prazo dos 20 dias o assistente e o MP suscitem a intervencao hierarquica. e com isto vamos terminar. se a acusacao nao e muito desfavoravel. no prazo previsto para aquele requerimento”.2. Nao quero que o meu adversario conheca os meus trunfos na instrucao. vou para julgamento e la vamos tratar do assunto.

e suscita a intervencao hierarquica. portanto. Para a contagem dos prazos temos de fazer referencia ao art. Este dispoe de um prazo de 20 dias a contar da notificacao do despacho de arquivamento. o assistente. Qual o conteudo da instrucao? Esta traduz-se no conjunto de actos que o juiz entenda que deve levar a cabo para comprovara a decisao de acusacao ou de arquivamento. recordemos que quanto ao arquivamento ha a possibilidade de abrir instrucao por parte do assistente que nao se conforma com a decisao. Porque? Se ha o arquivamento e nao ha abertura de instrucao. se esta nao lhe for favoravel. Isso pode ser feio por iniciativa do MP ou a requerimento do assistente ou do denunciante. Do debate instrutório. mas pode suceder que haja necessidade de realizar novas diligencias. 5. mas nao as partes civis. 84 . 113o CPP. Nao se trata de realizar um novo inquerito. 6. Despacho de pronúncia e de não pronúncia. As probabilidades de se manter o arquivamento sao muito grandes. O prazo de 20 dias do requerimento para abertura da instrucao esta previsto no art. Dos actos de instrução. no caso de arquivamento.2. isto e. a nao ser que houvesse depois provas supervenientes). como ultima hipotese. Do encerramento da instrução. Havendo acusacao. Perante estas duas possibilidades (abertura de instrucao e intervencao hierarquica) o que deve fazer um advogado? A pergunta e pertinente porque a opcao por um destes meios faz precludir a outra. 278. Findo o prazo para requerer a instrucao. Ele pode nao se conformar com parte ou toda a acusacao.o do CPP. perdeu ja o processo. no qual podem participar o MP. queimando a possibilidade de ir para instrucao (terminando o processo. Nao e recomendavel suscitar a intervencao hierarquica no lugar da instrucao. requer a abertura de instrucao quando ha acusacao e se se tratar de crimes publicos ou semi-publicos. Quem acusa e o MP mas o juiz de instrucao tambem pode investigar autonomamente tendo em conta os actos que lhe tenham sido requeridos ou aqueles que ele proprio considere relevantes para o processo. se o superior hierarquico mantiver o arquivamento. Pode ser utilizada a intervencao hierarquica se. 3. se foi carta postal simples considerar-se recebida no quinto dia posterior ao do envio. Primeiro tem de se saber qual a via de notificacao seguida: se foi carta registada considera-se que foi recebida no terceiro dia util posterior ao do envio. 287. 6.1. ha ainda um prazo de 20 dias para suscitar a intervencao hierarquica. deixar passar o prazo para requerer a abertura de instrucao. Tudo isto termina com o debate instrutorio oral e contraditorio. O objecto do processo. 6. Entrando agora um pouco mais na instrucao. E. Ate aqui nao tivemos intervencao judicial. Vide art.278o CPP). ou o seu defensor. que nos ajuda a contar os prazos das notificacoes e quais as dilacoes possiveis. 4. Esses actos podem ser diligencias requeridas por quem abriu a instrucao ou pelo proprio juiz (vigora aqui o principio da acusacao mitigado por um principio de investigacao). ha tambem a possibilidade de um controlo hierarquico (art.o do CPP. Nulidade da decisão instrutória e recursos. por factos que nao constem na acusacao do MP. O assistente pode. por exemplo.Ele ja nao pode fazer este juizo no caso do arquivamento. O que esta em causa na instrucao e uma comprovacao judicial da decisao de deduzir acusacao ou de arquivar. ainda. o arguido. Alteração dos factos. Relativamente ao arquivamento. para um advogado que esta a representar o assistente ou o arguido e completamente absurdo recorrer a intervencao hierarquica. o arguido tambem pode requerer abertura de instrucao relativamente aos factos com os quais nao concorde. não substancial e substancial. em principio.

Ou. perder-se-iam para o processo (art. para ver se existem nulidades ou questoes previas incidentais que devem ser analisadas no inicio. ver isto por sequencia. por um lado. caso contrario ha alteracao substancial de factos. O proprio art. Introdução Temos de ter conhecimento e saber de alguns aspectos que sao importantes para que o julgamento decorra de acordo com os principios do processo penal. porque houve instrucao. recebe despacho de acusacao. 3. se no requerimento de instrucao se invocasse que o arguido tambem tinha cometido um crime de dano. O despacho de pronuncia/ nao pronuncia pode ser em total ou parcial acordo com a acusacao ou o requerimento de abertura de instrucao. digamos. caso nao tenha havido instrucao. Duração da instrução Findo este debate instrutorio. E depois. nao permitir que o assunto prossiga para julgamento. o que o tribunal vai receber e uma dessas duas coisas. Ou recebe o despacho de pronuncia. tal implicaria uma alteracao substancial dos factos que nao podia ser tomada em conta pelo tribunal. Do julgamento 1. e que nele se atinjam verdadeiramente as finalidades do processo penal. se considerar que nao se verificam tais indicios. 1CPP. se nao o fossem. mas o assistente vem requerer abertura de instrucao dizendo que se trata de furto qualificado. Feito isso. faz um despacho nesse sentido. entao notifica os sujeitos processuais do dia. faz aquilo a que chama o saneamento. A decisao instrutoria que pronunciar o arguido pelos factos constantes na acusacao do MP e irrecorrivel (art. verificada essa primeira questao. porque e ai que se concentra. se estes fossem autonomizaveis. tendo esta que ser arguida nos oito dias seguinte a notificacao da decisao. E. pode haver rejeicao da acusacao por estar manifestamente infundada. 303o. tera necessariamente de haver um despacho de pronuncia para chegarmos ao julgamento. ou. 310o CPP).Vamos. neste caso nao ha alteracao substancial dos factos. valeriam com uma denuncia. portanto. o juiz toma uma de duas decisoes: despacho de pronuncia. se houve instrucao. se o tribunal considerar que nao ha nenhuma nulidade ou nenhuma questao previa ou incidental que impeca que o processo continue para a fase de julgamento. Ex: na acusacao o arguido e acusado por furto simples. tera de haver um despacho de acusacao. ha desde logo uma primeira possibilidade. 4CPP).7. Este comunicaria os novos factos ao MP. o mais importante. 2. enfim. pode nao aceitar a acusacao do assistente ou do Ministerio Publico (MP). 303o. como disse. O art. verificando-se o disposto no art. portanto. se considerar que existem indicios da pratica de um crime. O despacho de pronuncia tem de confirmar a acusacao ou o requerimento de abertura de instrucao. Portanto. Mas se nao for o caso. Uma alteracao substancial dos factos nao pode ser levada em conta pelo tribunal no processo em curso. ou despacho de nao pronuncia. pode o tribunal. 309o CPP comina com a nulidade a decisao instrutoria que pronunciar o arguido por factos que constituam alteracao substancial dos descritos na acusacao ou no requerimento de abertura de instrucao. nao havendo instrucao. 303o preve a hipotese de uma alteracao nao substancial dos factos. da hora e do local da audiencia. que esta prevista no 85 . Portanto. Dos actos preliminares Terminada a instrucao.

Quando digo .o. e vai pedi-la no proprio processo-crime atraves deste principio. por exemplo. E porque? Porque. mas vou manifestar a minha discordancia relativamente a acusacao – e faco como? Contesto. Sao casos em que os sujeitos processuais. todavia.ao mesmo tempo. digamos. porque tambem vigora aqui o principio da verdade material. nos termos do art.o permite que seja apresentado no proprio processo penal. ou seja. ha um dano que e o dano da morte e a partir daqui a familia pede indemnizacao. que estao em seguida ai as regras que se aplicam a formulacao e a contestacao do pedido civel. o principio da investigacao. Portanto. 78. uma pessoa mata outra. sao fundados num crime. em seguida. mais complexo do que o processo penal e rege-se por principios proprios (e ai ja entra o principio da auto-responsabilizacao probatoria). em principio. Tudo isto vai ser analisado ao mesmo tempo no julgamento. E ve-se as vantagens para quem apresenta o pedido. 77. portanto. neste caso. E isso vai para o processo penal. Aqui. 215. o que? Podemos ter a acusacao (por exemplo. quando nao ha instrucao. querendo. contestar no prazo de 20 dias”. 71. 78. 215. 71. apesar de tudo. eu nao vou abrir instrucao. como preceitua o art. ha um momento.o. nao existe o principio da auto-responsabilizacao probatoria.art. Ou seja. afinal de contas. E evidente que ha casos em que pode haver um pedido em separado. em que sao produzidas as provas relativas ao pedido civel. Pelo facto de haver uma acusacao e nao existir contestacao nao significa que se deem como provados os factos que estao na acusacao. pode recorrer a um processo civel em separado para pedir a indemnizacao. E.o do CPP. “a pessoa contra quem for deduzido pedido de indemnizacao civil e notificada para. o instrumento mais apropriado para isso e a contestacao. a contestacao acaba por nao ter o relevo que tem no caso do processo civil. E. nao se aplica aquele principio do processo civil segundo o qual quem invoca um direito tem de o provar. 71. e a contestacao ao pedido civel nos termos do art.o do CPP. se foi a acusacao que chegou a julgamento). o 86 . Imaginemos uma situacao em que alguem e acusado e esse alguem entende que nao e necessario abrir instrucao.o. apresento o meu role de testemunhas para mostrar que nao estou de acordo com o que vem a ser dito. Nao ha necessidade de intentar uma accao civel. porque o art. E. isto e. No processo penal a contestacao nao e muito importante porque nao existe no processo penal o principio do onus da prova. quando os danos emergem de um crime. em acto continuo. quando ha um crime pode haver lugar a um pedid0o de indemnizacao civel fundado nos danos emergentes do crime. E isso tanto se aplica para a meteria penal como para a materia civel. E pode ate revelar-se importante. e feito no proprio processo penal.o para discutir a materia civel no proprio processo penal. que e a possibilidade de apresentar contestacao. podemos ter o pedido civel. E esse pedido de indemnizacao civel.o do CPP. mas que e importante.o.o do CPP vigora o chamado Princípio da adesão da materia civel em relacao a materia penal. que e a regra. nos termos do art. e que nem sempre se fala no processo penal. Os casos estao todos elencados no art. Mas. porque como sabem o processo civil e um pouco mais complicado. Tal como esta previsto no art.o. Mas o que e normal. no processo penal podemos ter. a vitima. Isso nao existe aqui. De modo que acaba por ser muito vantajoso usar este Principio da adesao que esta previsto no art. ela existe e esta prevista no art. nao haver lugar a condenacao penal. 71. e claro que ha um momento na audiencia onde sao ouvidas as testemunhas e sao produzidas as provas relativas a materia penal e. nos termos do art. No final. Portanto. 72. portanto. Em todo o caso. mas tambem nao quer ir para julgamento sem manifestar a sua discordancia relativamente aquilo que vem na acusacao. seguindo o processo civel. podemos ter a contestacao a materia penal. Pode suceder isso. Isto e. e ate pode acontecer que nao haja uma condenacao penal e haja uma condenacao civel: os danos podem gerar uma responsabilidade civil e. porque nao acho que haja necessidade de abrir instrucao. e que esses pedidos de indemnizacao civel sejam feitos no processo penal quando se trate de materia penal. logo tudo isto significa que o facto de nao haver contestacao nao tem como consequencia a prova dos factos quer estao na acusacao. 215.

nomeadamente. e que ja sofreu muitas alteracoes: deve ou nao deve estar presente o arguido para se realizar o julgamento? O CPP na sua versao inicial em 1987 tal como nos diz a CRP de 1976 era muito claro no sentido de nao permitir que algum julgamento fosse feito na ausencia do arguido. O arguido perdia uma serie de direitos civicos e isso obriga-lo-ia a ir a audiencia para 87 . sob pena de nulidade insanavel. como ja vimos quando analisamos o principio da publicidade. nao afectar ainda mais as vitimas. moral (do bom nome. foram muitos os casos em que aconteciam coisas como o arguido faltar dez ou quinze vezes ao julgamento. com relevância para a presença/ausência do arguido Depois. com tanta dilacao. Isto tornava muito morosa a justica e as vezes ate podia correr-se o risco de haver prescricao porque entretanto.o – e que ja falamos nele – o Princípio da publicidade da audiência. Isto tambem decorre do senso comum. quando decide. a nao ser os indultos que o PR da normalmente por altura da quadra natalicia. Sobretudo foram decrescendo e chegou-se a conclusao de que nao fazia sentido estar sistematicamente a adiar julgamentos por causa da ausencia do arguido. “Como vai ser a eleicao do PR numa tal data e devera haver uma amnistia. entao vamos tentar que este julgamento seja depois”. Este principio esta correcto. Sendo certo. para que nao haja uma segunda vitimizacao justamente por causa do julgamento. porque havia eleicao do Presidente da Republica e havia uma amnistia. O arguido tinha que estar presente quando fosse julgado. que tem que ver com situacoes em que estao em causa determinados crimes e determinadas pessoas. So o que aconteceu foi que. Esta proibicao de publicidade de audiencia e para. principalmente) das vitimas. onde nao se deve falar de uma pessoa nas costas dela. 327.juiz. e que vem enunciado no art. Como sabem. nao so as amnistias acabaram porque cair praticamente em desuso. no entanto. sobretudo. e onde e permitido que a audiencia funcione “a porta fechada”. 3.o. Ou porque o Papa Joao Paulo II vinha ca e havia uma amnistia. presente no art. 335. Tal como preceitua o art. E isto aconteceu muitas vezes. todas as questoes que normalmente sao levantadas na audiencia do julgamento estao sujeitas ao contraditorio. as audiencias de julgamento sao publicas. a sua identidade. fazendo com que consecutivamente ele fosse adiado (pois a consequencia era o adiamento do julgamento quando o arguido nao estivesse presente). Entao havia assim mais ou menos um costume que era o de ir protelando isto a espera que viesse uma amnistia. 4. decide sobre as duas questoes: sobre a materia penal e sobre a materia cível. Isso e muito importante. Uma outra questao muito relevante para a audiencia do julgamento e uma questao que ha muito tempo tem sido discutida. o prazo de prescricao decorria e podia mesmo ate cair-se na prescricao. Houve tempos em que havia muitas amnistias. portanto. algumas limitacoes a esta publicidade na audiencia. durante a vigencia deste artigo. Devem ser sempre contraditadas. Dos actos introdutórios. A declaracao da contumacia e uma declaracao no sentido de pressionar o arguido a vir a audiencia. Actualmente. ha desde logo que relembrar um principio fundamental que se aplica a audiencia de julgamento. que. neste caso o outro sujeito processual interessado deve poder contraditar aquilo que foi dito. existem algumas excepcoes. a outra parte.o do CPP. um outro principio que e fundamental relembrar e o Princípio do contraditório. que nao seja aberta ao publico para proteccao da integridade fisica e. dos menores vitimas de crimes sexuais. 321. pois praticamente nao existem amnistias. digamos. crimes de natureza sexual que envolvem menores. Da audiência Ora bem. Havia uma coisa que se fazia tambem que era declarar a chamada contumacia do arguido. sem ela se poder defender.

A semelhanca do que acontece com a instrucao. so seria possivel no caso da instrucao. Caso nao fossem autonomizaveis nao podiam ser tidos em conta para efeitos de despacho de pronuncia. desde que continuemos no furto simples. os julgamentos na ausencia do arguido acontecem e e uma possibilidade que existe. isto e. Por exemplo. Se forem factos substancialmente diferentes permite-se que havendo acordo dos sujeitos processuais. Isto foi certamente inspirado no modelo alemao que tinha a contumacia. 5. Se forem não substancialmente diferentes permite-se que dando um prazo ao arguido. por sua propria vontade ele diz “ eu nao vou querer estar presente mas nao me oponho que a audiencia seja feita”. E portanto hoje e possivel que existam julgamentos na ausencia do arguido nos termos do art. umas vezes a pedido do proprio arguido. Mas veio abrir-se um conjunto de excepcoes no sentido de permitir que a audiencia possa ser realizada na ausencia do arguido. pode chegar-se ao momento em que exista a alteracao dos factos relativamente a acusacao ou ao requerimento de abertura da instrucao e ai vimos que se a alteracao for substancial so seria possivel continuar. para que tambem se de uma certa celeridade ao processo. nomeadamente do MP. pois caso nao sejam autonomizaveis nao podem ser tidos em conta no julgamento. Havia uma impossibilidade no inicio de alterar isto porque a CRP obrigava a que o arguido estivesse presente. o julgamento possa prosseguir sobre os novos factos. o arguido preparasse a sua defesa e caso essa alteracao substancial existisse e os factos fossem autonomizaveis isso permitiria ou serviria como comunicacao ao Ministerio Publico para que ele realizasse inquerito relativamente a esses novos factos. Mas. temos costumes diferentes. Aqui o juiz entende. 333. 358.o do CPP. 333. A CRP entretanto foi alterada e veio possibilitar isto. declararem-no contumaz mais grave ainda e.o do CPP. que o caso pode ser julgado sem que ele esteja presente porque nao ha nenhuma razao que obste a isso. Em Portugal isto nao produziu praticamente efeitos nenhuns. no caso de furto simples nao interessa saber se foi furtada uma ou duas canetas. 332. Esses novos factos podem ser de dois tipos de natureza: podem ser substancialmente diferentes ou nao substancialmente diferentes. de acordo com o art. Da produção de prova Ja vimos alguns destes aspectos quando falamos sobre os principios relativos as provas. Isso tinha um certo efeito e as pessoas apareciam ao julgamento. que convem sempre aqui relembrar. E se e certo que para um alemao faltar a um julgamento e uma coisa gravissima. Nao havendo acordo.o do CPP. Uma alteracao substancial nao seria possivel no despacho de pronuncia. Eles faltavam e ainda por cima quando eram declarados contumazes isso nao tinha praticamente nenhum efeito.o do CPP. Ha uma questao. Durante o julgamento pode suceder que aparecam novos factos. Uma alteracao nao substancial podia ser levada em conta dando um prazo para que o arguido. remete-se parte desta materia para aquilo que já foi referido. Entretanto o juiz pode aceitar isto. os novos factos servem para o MP como auto de noticia para que ele avance com um novo inquerito sobre os novos factos apenas no caso de serem autonomizaveis. art. 333. contida no art. Outras vezes a audiencia pode ser realizada sem a presenca do arguido sem que tenha havido um pedido seu.readquirir esses direitos civicos. que esta previsto no art. em alguns casos. temos uma mentalidade diferente.o do CPP. neste caso concreto. que ele prepare a sua defesa e se prossiga o julgamento sobre esses novos factos. Apesar disto nao se tem notado uma celeridade nos processos. os sujeitos processuais preparassem. So que e preciso nao esquecer que nos somos todos diferentes. isto e. Portanto. Com poucas diferencas. Tudo isto para dizer que houve uma alteracao que foi no sentido de ser obrigatoria a presenca do arguido. 88 . que embora ja possamos ter falado quando demos o principio da acusacao. do arguido e do assistente. o mesmo se aplica no julgamento.

como esta provado. e realizacao de actos urgentes.o do CPP diz-nos que so e permitida a leitura em audiencia de autos relativos a actos processuais levados a cabo nos termos dos arts. 356. entao ai. logo passa a ser um crime diferente. por exemplo. O direito ao silencio e um direito constitucional. testemunhas e assistente abre a possibilidade de se fazer a leitura de autos das declaracoes na audiencia de julgamento se ocorrer algumas das situacoes previstas nas alineas: a). o que eu disse esta mal. que haja necessidade de avivar a memoria dessas pessoas.nao ha uma alteracao substancial. Por exemplo.o do CPP. Se invoca o silencio e um silencio que deve ser respeitado nao so na audiencia de julgamento quando lhe perguntam coisas sobre os factos como tambem relativamente aquilo que ele ja falou. se as declaracoes que vao ser ouvidas agora foram produzidas perante um juiz. O art. Sao situacoes onde ha acordo. mas ao falar ha discrepancias. Ou. A pessoa deve nao falarna audiencia de julgamento. e obvio que ele vai ter que falar disso no julgamento. 271. o que e absolutamente ilegal. Mas que essa punicao nao tenha que ser a custa de uma auto-incriminacao. 89 . b) e c) deste artigo. situacoes em que tenham sido obtidas declaracoes mediante interrogatorios. O mesmo nao sucedendo se. por impossibilidade de estar no tribunal. mesmo que haja discrepancias ou contradicoes. por exemplo. do assistente. Ainda uma questao muito importante e muito controvertida relativa ao julgamento esta relacionada com a leitura de autos e declaracoes na audiencia de julgamento. aqui ja nao podem ser ouvidas. ele tem que ser punido. se houver discrepancias ou contradicoes. Relativamente ao no2 do art. podem ser novamente ouvidas na audiencia. perante um orgao de policia criminal. isto e. das partes civis ou de testemunhas. ou.o. Tambem pode suceder. porque o arguido tem o direito de nao se autoincriminar. nao pode ser tido em conta no julgamento. das duas uma: ou vai falar ou invoca o silencio.o CPP. Se tiverem sido ouvidas. entao.o e 294. e isso quebra o direito ao silencio. se aquilo que ele disse no inquerito o incrimina. e esse crime de dano e autonomizavel do furto. ou porque estava a ser coagido. assistente. Mas por exemplo. Ele esta a falar. Portanto. mas esta parte nao e autonomizavel. o que eu queria dizer era…”. autos de instrucao ou inquerito que nao contenham declaracoes do arguido. como diz o no3. Pois se em audiencia de julgamento se vai ouvir o que ele disse no inquerito isso vai provocar necessidade de ele ter que falar. se foi furtado um objecto e no final se descobre que foi por introducao em casa alheia passa a ser qualificado. Claro que. ou perante o MP. nem das partes civis.. Quanto mais nao seja para dizer: “ eu disse isso porque estava mal da cabeca. basta que tenha sido forcado a dizer alguma coisa vai fazer com que quebre o direito ao silencio. ha contradicoes com o que ele disse antes. Relativamente ao arguido isto ja nao e bem assim. Se o arguido esta presente. pois nao invoca o direito ao silencio. A leitura de declaracoes anteriormente feitas so e permitida se ele desde logo solicita. O direito ao silencio e uma maneira de ele nao se auto-incriminar. tambem. pode servir de comunicacao ao MP para ele proceder a investigacao. relativamente as partes sociais. ele esta a declarar e diz: “ eu quero que sejam lidas as declaracoes que eu fiz no inquerito”. nem de testemunhas que testemunhem agora no julgamento. E. ou situacoes em que as declaracoes tenham sido tomadas mediante o art. aquela que e mais frequente. quando tenham sido feitas perante o juiz anteriormente.o do CPP. Estes artigos tem a ver com situacoes de pessoas residentes fora da comarca que tomarem declaracoes no domicilio. Basicamente o que esta em causa e a leitura de declaracoes de co-arguidos e a leitura de declaracoes do arguido. Se alguem conseguir provar que ele cometeu o facto. para alem do crime de furto houver crime de dano. Ouvindo o que o senhor disse no inquerito vamos tomar isso em conta para a decisao final”.o e 320. 318. Ou dizer isto. Se se entender que isso faz parte da sua defesa ele deve fazer isso. nao faz sentido que ele invoque o silencio e a seguir se diga que “agora vamos ouvir aquilo que voce disse no inquerito. 356. houver contradicoes ou discrepancias entre elas e as feitas na audiencia. Neste caso partimos do principio que ele esta a falar na audiencia. declaracoes que foram produzidas durante o inquerito e durante a instrucao mas que nao tenham a ver com declaracoes do arguido. e portanto. 319.

ainda. independencia e liberdade por parte do arguido. podia-se recorrer da materia de facto pois a materia estava documentada e o tribunal superior podia analisar a materia de facto. Pergunta-se em que situacao ela denunciou a policia judiciaria? E sera que essas declaracoes podem valer na audiencia de julgamento? Podem. por exemplo. Por isso e legitimo ouvi-las novamente na audiencia uma vez que se esta a concluir que ha contradicao entre aquilo que esta a dizer e aquilo que disse anteriormente. Ate a revisao de 2007. Parte-se do pressuposto de que se as declaracoes no inquerito ou em qualquer parte do processo foram produzidas perante o juiz foram com total imparcialidade. Isto vai complicar a vida de quem tem eu analisar o recurso. A questao que se coloca e a de saber como sao documentadas. Isto sem prejuizo da documentacao atraves da autorizacao de meios estenograficos ou estereotipos de outros meios tecnicos. Se houvesse documentacao da prova. Mas nao deixa de haver uma ligacao entre a ideia de investigacao e o resultado que se pretende da investigacao. o MP em Portugal nao tem a mesma posicao que tem por exemplo nos EUA. por um lado.o e 365. Ainda que se diga que em Portugal o MP pode. A unica desvantagem que ha e obrigar os desembargadores a ouvirem as gravacoes. Ha situacoes em que pode haver a renovacao de 90 . pedir na audiencia de julgamento a absolvicao do arguido porque nao se consegue provar aquilo de que o arguido foi acusado. pois nao havia prova a ser analisada. independente e e o garante das liberdades. ou seja. Nos arts. pois estao a investigar. por outro lado. principio da oralidade. e diz-se: “como se pode constatar na cassete no1. E por isso adiante na parte relativa ao recurso diz-se que os sujeitos processuais devem indicar as passagens das gravacoes que pretendem que sejam ouvidas pelos senhores desembargadores em sede de recurso. pois tanto os orgaos de policia criminal como o MP. se quiser. se ela solicitar.”. nao tem a obrigacao de ter uma posicao de imparcialidade e independencia que tem o juiz. naquele caso muito mediatico em que os agentes violentaram a arguida (caso Joana).o do CPP simplificou esta questao dizendo que as declaracoes sao documentadas atraves de gravacao magnetofonica ou audiovisual. 6.Conclusao do que acabamos de falar: o juiz e uma figura em principio imparcial. O art 364. a propria audiencia de julgamento. Da documentação da audiência Uma outra questao muito importante a ter em conta no julgamento e a da documentacao da prova. Nao tem o mesmo valor as declaracoes produzidas perante o MP ou perante orgaos diferentes do tribunal. quem vai analisar o recurso vai ter que ouvir as partes do julgamento que estao em causa. Isto nao quer dizer que o julgamento nao possa ser todo repetido.. O que se tem que fazer e: apresenta-se o recurso. 364. isto era um problema. Pois havia necessidade de requerer a documentacao da prova caso contrario nao se podia recorrer a materia de facto. Isto porque senao tinham que ouvir todo o julgamento. aspirando um certo resultado. A vantagem que isto tem e que simplifica. pois sabe que esta a falar para entidades que o estao a investigar e que tem um interesse no resultado da investigacao. Nos temos conhecimento disso. facilita imenso porque pode recorrer sempre da materia de facto.o do CPP. facilitando a vida aos senhores desembargadores. gravacao audio ou gravacao video. Portanto a liberdade do arguido nao e a mesma. Ha aqui realmente vantagens: por um lado documenta-se sempre a prova. as declaracoes prestadas oralmente.. Se nao houvesse documentacao da prova nao se podia recorrer da materia de facto. sao sempre documentadas em acta sob pena de nulidade. E os orgaos da policia criminal a mesma coisa. era o caso de processo comum. por outro lado simplifica-se a audiencia de julgamento e. em termos de recurso. Isto ate que esteja devidamente fundamentado em termos de prova do proprio recurso. dizer porque e que se recorre em termos de materia de facto. permite-se sempre recurso em materia de facto. Actualmente isto esta bastante simplificado. No caso de processo sumario e processo abreviado tinha-se que dizer que nao se prescindia da documentacao porque senao nao havia documentacao da prova.

Da tramitacao unitaria. que o arguido participou. 2. dentro dos recursos ordinarios temos um recurso para a Relacao e um recurso para o STJ e. finalmente. perante tudo o que vimos. portanto. se se verificaram os elementos constitutivos do tipo. e a partir dai declara-se a sancao. porque se nao se verificaram tambem nao vale a pena passar adiante. Ha tambem regras para a deliberacao e votacao. ele sera tido em conta. aquelas operacoes. Do recurso para as relacoes. dizer porque razao e que esta a decidir assim. dentro desta segunda hipotese. de forma motivada. eventualmente. sobretudo quando e um tribunal colectivo ou um tribunal de juri.o para esse efeito e que devem ser respeitadas. um recurso “per saltum”para o STJ. perante tudo o que ouvimos. qual o crime. passo a passo. Principios gerais. 3. Porque nao se esquecam de uma coisa: vigora o Principio da livre apreciacao da prova – esse principio significa que o juiz deve apreciar segundo a sua conviccao livre. Perante tudo o que foi produzido. e a fundamentacao da decisao. etc. Da sentença com relevância para a questão da «cesure» Tem algumas particularidades. Nao se confundem as duas coisas. Da revisao Recursos Os recursos como forma de impugnacao de uma decisao da primeira instancia dividem-se em dois grandes grupos: os recursos ordinarios e os recursos extraordinarios. perante tudo o que foi produzido em audiencia. Em processo penal. Temos a medida a medida da pena que nos e dada pelo tipo. Ao contrario do que sucede no processo civil. passa-se a seguinte. ha regras que estao previstas no art. mas de acordo com as regras da experiencia. como e evidente. que voces ja estudaram no 1. depois. E saber. Agora vamos aplicar-lhe a sancao. ou se se verificam os pressupostos para a indemnizacao civil. se se verificaram os elementos constitutivos do crime. se o individuo actuou com culpa. quer sobre o ponto de vista da tipologia. digamos. se exista alguma causa de exclusao que exclua a ilicitude ou a culpa. vamos supor que se trata de um tribunal colectivo. Na sentenca tem de haver essa fundamentacao. Apresenta fundamentalmente duas questoes que tem que ser objecto de decisao: por um lado a questao da culpabilidade que tem de ser objecto de decisao num momento. se o arguido praticou o crime ou nele participou. quando afecta a nulidade de todo o julgamento. se se verificaram quaisquer outros pressupostos de que a lei faca depender a punibilidade do agente ou a aplicacao a este de uma medida de seguranca.o semestre no Direito Penal II. E a questao da sancao que tem de ser objecto de decisao noutro momento. Ja sabemos que ha crime. Actuou com culpa ou nao? Com que culpa? Se sim. 367. 4. em processo penal a materia de recursos e bastante mais simples. Se a resposta for afirmativa passa-se a seguinte. 6. Foi o arguido que praticou o crime ou nao? Se a resposta for afirmativa passa-se a seguinte. com que culpa participou. E. 10ª Aula Teórica Sumário: Dos recursos. Nao ha subdivisoes. 7. 5. dentro 91 . muito importante em tudo isto. Em primeiro lugar. E. o colectivo debruca-se sobre a questao da culpabilidade. 1. fazemos.toda a prova e ate pode acontecer que haja a repeticao de todo o julgamento. tem de fundamentar objectivamente. como e evidente. Do recurso para o STJ. Feita esta analise. primeiro. a pergunta e: ha culpa ou nao ha culpa? – Declaracao de culpabilidade. Dos recursos extraordinarios. A decisao tem que der sempre fundamentada. Depois de assente a questao da culpabilidade passamos a sancao. Se houver relatorio social. quer sobre o ponto de vista da tramitacao.

Sao os despachos de mero expediente. ainda que o seja em parte. um conjunto de casos em que nao ha nenhum grau de recurso. mas apenas de decisoes condenatorias. Assim. alem de. alem da questao da dupla conforme absolutoria. quando e que cabe recurso ate ao STJ? Quando haja uma decisao. Vigora. Este grau de recurso esta pensado para todas as decisoes penais de merito.do recurso para a Relacao. o arguido e o assistente. pelo menos. Dai que. Em circunstancias normais. 399o e 400o CPP). Dentro dos recursos extraordinarios temos o recurso de fixacao de jurisprudencia e o recurso de revisao. Todas as decisoes finais que versam a respeito do objecto do processo hao-de ter. de busca da verdade. aqueles que tiverem sido condenados ao pagamento de quaisquer importancias nos termos do CPP ou tiverem a defenderem um direito afectado pela decisao. seja uma decisao absolutoria. 32o CRP). seja ela uma verdade em beneficio da acusacao ou em beneficio do arguido. quer de Relacao que aplique uma pena de prisao superior a oito anos ou quando haja uma discrepancia entre a decisao da primeira instancia e a decisao da segunda instancia. eventualmente dois. tem sempre legitimidade para recorrer. 400o CPP elenca um conjunto de circunstancias que nao admitem recurso. das imputacoes. Sao decisoes que afectam de forma menos importante o merito da causa. Por isso e que art. este pode recorrer quando o arguido tenha sido absolvido. 401o CPP que tem legitimidade para recorrer o MP de quaisquer decisoes. e portanto. dentro da alinea g). em processo penal o principio constitucional da consagracao de pelo menos um grau de jurisdicao (art. mantendo. defendendo que em algumas hipoteses esta possibilidade devia ser restringida. as decisoes que ordenam actos dependentes da livre resolucao do tribunal e. Ha quem discuta esta necessidade de assegurar sempre pelo menos um grau de jurisdicao. por exemplo. ainda que no exclusivo interesse do arguido. o despacho do juiz de instrucao que decide levar a cabo determinadas diligencias instrutorias. as partes civis da parte das decisoes contra cada uma proferida. de acordo com a alinea g)os demais casos previstos na lei. Quem e que pode recorrer em processo penal? A respeito da legitimidade no recurso penal e do interesse em agir estabelece o art. entao. tambem no caso de decisoes condenatorias de acordaos proferidos pelas Relacoes que apliquem pena nao privativa de liberdade e no caso de recursos pela Relacao que confirmem decisao de primeira instancia e apliquem pena de prisao nao superior a oito anos nao ha possibilidade de recurso para o STJ. eventualmente. seja uma decisao condenatoria. O MP. mas pode recorrer de qualquer decisao condenatoria. quer de primeira instancia. por forca da configuracao das suas funcoes. Por sua vez. Se os dois tribunais nao entenderam da mesma forma aquele caso. o arguido so pode recorrer das decisoes que sejam proferidas contra ele. De acordo com o nosso CPP. De acordo com a tendencia que e generalizada entre nos na nossa legislacao mais recente tem-se entendido que ao STJ deve caber uma competencia maioritariamente residual. um grau de recurso. mas ser condenado num determinado aspecto. ha um conjunto de decisoes que permitem recurso e um conjunto de decisoes que nao o admitem (arts. Mas o que sao decisoes proferidas contra o assistente? Em primeiro lugar. nao cabem dele recurso. dentro de um processo o arguido pode ser absolvido da maior parte dos factos. tambem so pode recorrer das decisoes contra ele proferidas. Se a maior parte delas se refere a segunda instancia de recurso (recurso para o STJ) podemos encontrar nas alineas a) e b). Quanto ao assistente. portanto o direito a recorrer. Mas foi a revisao constitucional de 1997 que ultrapassou definitivamente esta questao consagrando expressamente pelo menos um grau de recurso como garantia constitucional de defesa do arguido. nem dentro do recurso para o STJ em revistas e apelacoes como existe no processo civil. prevista na alinea d). entao justifica-se que ele suba ao STJ para poder voltar a ser avaliado. porque o MP tem um dever de objectividade. como. E se o arguido foi condenado? Se o assistente entender que ha um conjunto de factos pelos quais o arguido nao 92 . das decisoes contra eles proferidas. porque ai pode justificar-se um terceiro juiz a respeito daquela materia. O no 2 diz que nao pode recorrer quem nao tiver interesse em agir.

assistente e arguido. sejam os outros arguidos. ou a parte civil. O recurso subordinado e aquele que e feito apenas em funcao de um recurso que ja esta apresentado. ou num caso de concurso de crimes de se recorrer de cada um dos crimes isoladamente. A tendencia e. E o caso. Cada um destes sujeitos pode recorrer autonomamente. Alem destes sujeitos processuais (assistente.404o CPP. tambem podem ter legitimidade para recorrer. Mas isto pode levantar alguns problemas quando ha varios arguidos. sob o ponto de vista da consequencia juridica nao foi a correcta. se for um recurso a favor de um arguido aproveita sempre aos restantes. mas apenas da parte que contra eles foi decidida. entende-se que. determinada pessoa com interesse em agir recorre de determinada parte da materia de uma decisao por si so. Ha ainda a possibilidade de fazer uma limitacao ao recurso de acordo com o art. por exemplo. Face a este recurso apresentado. ainda que seja interposto por um arguido ou por um responsavel civil. em que e que discordam da decisao proferida. se for um recurso contra um arguido. Esta caracteristica de salvaguardar sempre a posicao do arguido verifica-se em varios aspectos do nosso sistema de recursos. Os recursos podem subir nos proprios autos ou em separado. Face a uma determinada decisao condenatoria. face a um recurso interposto em seu beneficio. no 1 CPP diz-nos que o recurso abrange toda a decisao. dependente do recurso independente. demonstrando. Se no processo penal. em caso de comparticipacao nao aproveita aos restantes. assim. O recurso independente e aquele em que. ao qual se contrapoe o recurso subordinado. conforme os casos. correm todas as outras causas atinentes com a causa penal e devem ali ser resolvidas. cumpridos todos estes requisitos. MP e arguido). So em determinadas circunstancias e que ele pode ser feito de forma espartilhada. quanto a medida da pena entende-se que o assistente nao tem legitimidade para interpor recurso. Aquilo que interessava ao assistente era a condenacao do arguido por um conjunto de factos. o que nao aconteceria se estivessem noutro tribunal. sob pena de verem comprometidos os seus direitos de defesa. Ate agora estivemos a falar do recurso independente. uma tendencia unitaria: o processo e visto como um bloco e a decisao e toda ela entendida de uma forma completa e unificada. E o que nos diz o art. o recurso aproveita sempre. a partida abrange toda a decisao. varios sujeitos processuais podem recorrer independentemente: MP. com as limitacoes que ja vimos. tambem podera recorrer. Mas tambem pode acontecer que apenas um destes sujeitos queira apresentar originariamente um recurso. Qual o objecto do recurso? DE que se pode recorrer? O art. neste caso. Podera tambem recorrer da medida da pena? Resulta da jurisprudencia do STJ que o assistente nao podera recorrer da medida da pena porque nao tem legitimidade em agir. incluindo a parte que respeita aos outros? E se for o MP a recorrer? E evidente que este principio regra comporta um conjunto de excepcoes previstas no no 2. mas apenas um recurso subordinado. a proibicao de agravacao da situacao processual do arguido. se a decisao for em sentido favoravel aos outros arguidos. que podem recorrer de forma relativamente lata. por isso e que o recurso. pode o “contra-sujeito” apresentar um recurso? Pode. com e o caso da “reformatio in pejus”. de se recorrer apenas da materia penal ou da materia civil.foi condenado mas devia se-lo. Sera que o recurso de um arguido num processo com varios arguidos abrange toda a decisao. O no tres faz uma distincao clara. sem previo recurso anterior. se outras pessoas podem ser condenadas no processo. Se ele entender que a ilacao que se retirou de um conjunto de factos. tem legitimidade para recorrer. ou que com ele nada tenha que ver. tambem as partes civis ou quaisquer outros que tiverem sido condenados dentro do processo penal podem recorrer. pois nao e a mesma coisa ser condenado por um homicidio simples ou por um homicidio qualificado. era a imputacao ao arguido do crime x. pois. Sobe nos 93 . no sentido de beneficio de quem possa ser condenado. seja ele o arguido ou o responsavel civil. 403o CPP. 402o. alegando as suas razoes de facto ou de direito. homogenea. limitado pelo objecto do primeiro recurso apresentado (recurso independente). Assim. por forca do principio da adesao e da suficiencia. mas desde que nao prejudique a capacidade de apreciacao de recurso.

Ora. em caso de erro na determinacao da norma aplicavel qual a norma correcta (art. as conclusoes tem ainda de indicar as normas juridicas violadas. Uns defendiam que era o recorrente que tinha de proceder a transcricao e a sua entrega. As situacoes em que o recurso sobe nos proprios autos ou em separado ou as situacoes em que sobe imediatamente ou a final.proprios autos aquele conjunto de circunstancias em que pelo proprio ciclo de desenvolvimento do processo. em caso de multa. uma fase de aceitacao e uma fase de alegacoes. Esta decisao fixa o limite maximo da sancao que pode ser aplicada ao arguido. O art. Na maior parte dos casos em que sobe imediatamente ha-de subir em separado. Questao muito relevante e a da gravacao. 411o no 1. A decisao de primeira instancia e. prevista nos arts. quanto a motivacao penal. Em processo penal os recursos seguem uma tramitacao unitaria. Agora o art. regra geral. estipulando que estes podem ter efeito suspensivo ou devolutivo. apesar de interligadas sao diversas. no1 CPP). se a situacao financeira do arguido melhorar. efeito suspensivo. em que o recorrente resume as razoes do pedido. O art. o tecto. as provas que impoem decisao diversa da recorrida e as provas que devem ser renovadas (art. As conclusoes sao muito importantes pois delimitam o objecto do recurso. no2 CPP). A alinea a) refere que o recurso das decisoes finais condenatorias tem. 407o CPP fala-nos do momento da subida. Ate 2007 nao existia uma norma como a que esta prevista no art. mas em circunstancias gravissimas. pois ha recursos que sobem imediatamente e recursos que sobem a final. De acordo com o art. ou mesmo quando sejam outros recursos interpostos antes da decisao final mas que so devam subir no final. 412o. a fase seguinte e a fase de recurso. no 4 CPP. sendo a audiencia gravada. 410o CPP. o STJ so conhece de materia de direito. O processo penal nao tem uma fase de interposicao. Ja ha uma decisao que poe fim a causa e todo o processo segue para recurso. tambem pode conhecer de materia de facto. Bastava ao recorrente indicar quais eram as passagens das gravacoes que ele queria ver reapreciadas. podendo este abranger qualquer materia decidida ou de que pudesse conhecer a decisao recorrida (art. quando havia recurso da decisao da materia de facto. no 3 CPP). Quando impugne materia de facto o recorrente deve especificar os pontos que considera incorrectamente julgados. 409o CPP fala-nos do principio da “reformatio in pejus”. no 3CPP). outros entendiam que isso era um peso excessivo para o recorrente. O no 2 refere ainda que. portanto. alinea a) CPP). No prazo de 20 dias e necessario interpor um recurso com a apresentacao da motivacao (art. 408o CPP. 411o. 421o. o CPP estabelece regras de forma. 410o e ss CPP. Houve muita discussao ao longo da vigencia desta norma a respeito de saber quem deve proceder a transcricao das gravacoes: era o recorrente ou o tribunal que o fazia? Vigoraram na jurisprudencia opinioes nos dois sentidos. O prazo para a interposicao do recurso e de 20 dias a partir da notificacao da decisao (art. 410o. referindo que sobem imediatamente todos os recursos cuja retencao os tornaria absolutamente inuteis. dizendo que e absolutamente necessario que a motivacao seja uma descricao da materia de facto e de direito relevante. qual a interpretacao que lhe foi dada e. Em regra. 412o. Quanto aos feitos dos recursos rege o art. que impede que a decisao sobre um recurso apresentado por um arguido o possa prejudicar a si ou aos outros co-arguidos. em que o recorrente resume as razoes do pedido. como as das alineas a) e b) do no 2 do art. Mas tem de haver sempre conclusoes da motivacao de deduzidas por artigos. 412o CPP a motivacao enuncia especificamente os fundamentos do recurso e termina com a formulacao de conclusoes deduzidas por artigos. era preciso dizer em que partes das gravacoes estavam os motivos da discordancia da decisao. Versando materia de direito. o limite inultrapassavel que define a punicao do arguido. apenas tem de 94 . que apenas tinha de dizer em que parte das gravacoes estava aquilo que ele queria que fosse ouvido e depois o tribunal e que devia proceder a transcricao das gravacoes. 412o. Isto pode suceder quando se interpoe um recurso da decisao final. Ao contrario do que sucede na maior parte da legislacao civil. o tribunal pode aumentar o valor da multa. no 4 e claro: o recorrente nao tem de fazer nenhuma transcricao das gravacoes.

a par com os art. nomeadamente quando decisoes posteriores. Passemos ao recurso de revisao. aquele que seja afectado por o recurso interposto por um sujeito processual tem o direito de resposta no prazo de 20 dias. se torne definitiva. 416o CPP) e da audiencia propriamente dita (art. 414o CPP). Isto porque o nosso legislador entende que ha uma coesao do ponto vista da propria ordem jurisdicional. 449oCPP. condenado ou seu defensor. 449o a 466o CPP). ha normas genericas e ha uma tramitacao unitaria. certeza e defesa do proprio arguido. relativamente a mesma materia de direito. Por que e que uns recursos sao ordinarios e outros extraordinarios? Os recursos ordinarios interpoem-se antes do transito em julgado e os extraordinarios pressupoem o transito em julgado de uma sentenca. Os recursos extraordinarios dividem-se em recursos de fixacao de jurisprudencia (arts. O art. 432o CPP estabelece. de acordo com o art. Isto nao equivale a dizer que existe entre nos uma regra de precedente. 432o CPP foi tambem alterada na revisao de 2007. e importante que aquela decisao estabilize o mais breve possivel. Depois ha regras acerca da admissao do recurso (art. Falemos agora dos recursos extraordinarios. 450o CPP refere a legitimidade para este recurso de revisao: MP. a segunda decisao vai ser reapreciada para que se atinja um consenso. Para garantir que haja unidade da decisao do STJ. Muito embora nao haja regras de precedente entre nos. Da decisao do tribunal de juri e do tribunal colectivo para que tribunal se recorre? Qual o tribunal “a quo” neste caso? No caso de estarmos perante um tribunal colectivo ou um tribunal de juri que tenha aplicado pena superior a 5 anos de prisao e quando se vise apenas o reexame da materia de direito. depois do transito em julgado da decisao condenatoria pode haver.indicar quais sao as passagens da acta com as quais nao concorda e que pretende ver reapreciadas. Mas quando tal configuracao e em prejuizo do arguido e e injusta por qualquer razao factica. 399o e 400o CPP. em situacoes muito excepcionais uma reavaliacao daquela situacao. mas transitadas em julgado tenham concluido algo que esta em manifesta oposicao com o que foi decidido na decisao alvo de revisao ou que ponha em causa essa decisao. da desistencia (art. por exemplo. 432o a 436o CPP estao prevista normas proprias para o recurso perante o STJ. O no 6 esclarece que e o tribunal que tem por obrigacao proceder a gravacao ou visualizacao das passagens indicadas pelo recorrente ou outras que considere relevantes para a decisao da causa. em principio so conhece de materia de direito. Sao os casos previstos no art. 428o CPP conhecem de facto e de direito. Estão aqui em causa situacoes gravissimas. 434o CPP diz-nos que o STJ. as decisoes transitadas em julgado sao estaveis. em casos muito particulares. assistente. um conjunto de regras acerca do recurso para o STJ. Nos arts. 423º CPP). por razoes de seguranca. 427o a 431o CPP estao previstas normas especificas para o recurso perante as Relacoes. que. tal como existe nos sistemas anglo-saxonicos. Entre nos. O art. da vista ao MP (art. de modo a que o arguido veja a sua situacao particular definitivamente configurada. 95 . Nos arts. quando ja ha uma decisao estabilizada. assentem em solucoes opostas. O processo penal tambem conhece a figura da resposta ao recurso (art. E o caso. Estamos a falar de unidade de julgados. Ha fixacao de jurisprudencia quando no dominio de uma mesma legislacao o STJ proferir dois acordaos que. Em processo penal. e o caso de se ter dado como provado noutra sentenca um facto que entre em manifesta contradicao com aquilo que foi dado como provado no processo. 437o a 448 CPP) e recursos de revisao (arts. A alinea c) do no 1 do art. Deste modo. De referir que todo o recurso e tratado de forma homogenea. 415o CPP). por vezes ha uma necessidade de unificacao por razoes de justica. O art. de fixacao de jurisprudencia como forma de evitar que haja uma vinculacao total a uma decisao anterior do STJ com a qual ele proprio nao concorda posteriormente. Caso seja uma pena inferior ou em caso de recurso da materia de facto recorre-se para a Relacao.413o CPP). Qual a razao de ser deste recurso? Trata-se de uma questao de certeza e seguranca juridica das proprias decisoes judiciais. o recurso e directamente interposto para o STJ. de ter sido afectado um juiz ou um jurado.

124o CPP define o que e objecto de prova e o art. logo. 126o CPP fala nos metodos proibidos de prova. Ora. para que esta transcricao de e-mail fosse valida. tem de dizer respeito a um dos crimes do catalogo presentes nas varias alineas do art. Efectivamente. por um lado. A medida da pena nao e. 127o CPP parece voltar a falar apenas de provas. previstos nos art. ha jurisprudencia uniformizada que diz que o assistente nao pode recorrer da medida da pena.125o CPP considera admissiveis todas as provas nao proibidas por lei. podem ser outros que nao os aqui previstos? O art. Outra coisa nao podia ser num processo que pretende atingir a verdade material. para a prova dos factos. 187oCPP. uma decisao que lhe cabe decidir. nao podendo ser utilizadas em qualquer caso. porque essa decisao nao e contra si proferida e o assistente so pode recorrer de decisoes contra si proferidas. Tendo em conta que e condenado a 16 anos de prisao. a partida. com respeito pela proibicao dos metodos proibidos de prova. Foram tambem criadas um conjunto de normas defensoras dos direitos fundamentais dos intervenientes. Alias. Mas como nao existiam normas a este respeito o legislador entendeu por bem comparar no art. 189o CPP o regime das escutas telefonicas as conversacoes ou comunicacoes transmitidas por qualquer meio tecnico diferente de telefone. a respeito das escutas telefonicas.As escutas telefonicas sao aquelas que levantam maior numero de problemas. 128o e ss CPP. do ponto de vista factico. designadamente por correio electronico. 401o CPP. o e-mail e um meio de obtencao da prova documental. Ja o art. Assim. 188o CPP refere as formalidades apertadas em que se realizam as escutas. Mas rapidamente a doutrina e o legislador colocaram a questao de saber se outros meios mecanicos de obtencao e prova que nao propriamente a escuta telefonica podem estar sujeitos ao seu regime. Mas voltemos a questao do e-mail. nos termos dos arts. se tiver legitimidade e interesse em agir com base no art. estando previstas nos arts. E uma decisao que a ser confirmada pela Relacao ainda da a possibilidade de recurso para o STJ. parece que ha aqui alguma margem. a intercepcao de um e-mail a intercepcao telefonica e forcar um pouco a letra do artigo.no 1 CPP estas so podem ser utilizadas durante o inquerito se houver razoes para crer que a diligencia e indispensavel para a descoberta da verdade material ou que a prova seria de outra forma impossivel ou muito dificil de obter e atraves de despacho fundamentado do juiz de instrucao e requerimento do MP. Sendo uma decisao condenatoria de primeira instancia. De referir que estas devem ser sempre encaradas como ultima ratio. No caso. o assistente nao pode recorrer da medida da pena. agora. terminar o nosso caso com a resposta a pergunta 8. 187o. A revisao de 2007 veio tambem. e meios de obtencao de prova por outro lado. era preciso que preenchesse muitos e apertados requisitos. Os meios de prova. 187o no 1. pois. no no 4 estabelecer um leque fechado quanto as pessoas que podem ser escutadas: suspeito ou arguido. Da decisao final condenatoria pode recorrer o MP. previstos nos arts. o arguido e o assistente. 187o e ss CPP. nomeadamente dando direito ao assistente e ao arguido de ter acesso aos suportes e de garantir a destruicao deles. Equiparar. sera que um e-mail pode ser utilizado como prova no processo penal? Nos ja fizemos a distincao entre meios de prova e metodos de obtencao de prova. intermediario e a vitima quando ela autorize. Os especialistas na materia tem entendido que esta nao e uma boa solucao. Alem disso. o que nos leva a crer que ha uma distincao entre provas. Entende o legislador que desde que seja 96 . Trata-se de uma decisao final condenatoria. tem uma margem ampla de recurso. admite-se o recurso. O art. pode recorrer-se. 400o e 427o CPP. Vamos. De acordo com o art. Os meios de obtencao de prova estao elencados nos arts. O art. 171o e ss CPP .11ª Aula teórico-prática De acordo com a pergunta 7 da hipotese distribuida ha duas aulas atras. 399o.

onde vem a falecer dois meses depois. Contudo. Em Porto Covo. que obstam ao conhecimento do processo. Essas nulidades vao-se arguir em sede de recurso. É transportado de imediato ao Hospital de Santa Maria. podendo estar aqui em causa uma nulidade da prova. regressado a sua casa no Laranjeiro no dia seguinte. Se so se tratar de nulidades e elas forem todas supridas. Face a esta atitude dos dois amigos. A este respeito. tendo de ser motivado. e eu considero que isso e uma nulidade por forca do art.º 6 Determine qual o tribunal competente para julgar os crimes a seguir enumerados: S A. com uma alteracao de factos nao admitida ou com uma alteracao nao substancial de factos que nao tinha sido dada a conhecer e com prazo para defesa. que vai decidir sobre as nulidades e sobre o conteudo do recurso. encontra B. O art. 401o. alinea b) e no2 CPP. 120. Como nos enviamos o recurso para o tribunal ad quem. B e C são amigos. que nao afectam propriamente o conteudo da decisao. o assistente ja nao poderia recorrer pois nao tem interesse em agir. para o proprio decisor. As lesões de F são ligeiras. C tenta efectivamente suicidar-se. Assim sendo. Ao ver que sao arguidas nulidades pode e deve supri-las. por regra. alinea d) CPP quem e que julga esta nulidade? O juiz de instrucao. 358o e 359o CPP estamos perante uma nulidade da propria sentenca. Mas G é transportado para o Hospital de S. João. Esta questao da aclaracao da sentenca e muito utilizada porque muito embora os advogados sejam obrigados a digitalizar os seus textos muitos juizes ainda escrevem os despachos a mao e as vezes acontece que nao se percebe o que la se diz. A incita C a suicidar-se. No caso de uma sentenca que enferma de uma ou mais nulidades o art. Ora. no prazo de 20 dias a contar da notificacao da decisao. 97 . Se ele resolver logo o problema isso ja nao tem de ser reconhecido pela Relacao. Quanto a Antonio tem tambem interesse em agir por forca do art. Em alguns casos. Quando fazemos a interposicao de um recurso e fazemos a motivacao.condenado pelos factos que o assistente pretende. comecamos pela arguicao de nulidades. 379oCPP fala especificamente da nulidade da sentenca. no 2. E o caso. 401o CPP. E o juiz que decidiu que vai voltar a decidir a respeito da nulidade ou nao. As sentencas podem enfermar de lapsos. A arguicao de nulidades e. o juiz pode corrigir oficiosamente a sentenca. Se alem destas ainda houver impugnacao o recurso segue. 379o CPP refere que o tribunal pode suprir as nulidades. 374o CPP que estabelece os requisitos da sentenca. Tudo isto relaciona-se com o art. esta cumprida a sua missao. Sempre que o juiz condene alguem com desrespeito pelos arts. Se o juiz nao suprir as nulidades sobe tudo a Relacao. e o juiz da causa que vai ler o recurso e ver qual e o seu efeito e a sua justificacao. Este recurso ha-de ser interposto na Relacao. Outras vezes. esta correccao da sentenca e utilizada como manobra dilatoria. 380o CPP fala na correccao da sentenca. de ter condenado alguem. por forca do art. neste caso. o art. Caso Prático n. fruto dos “corta e cola” ha nomes. onde vem a falecer. S F e G agridem-se mutuamente em Braga. por exemplo. Vamos falar do sujeito processual tribunal e das suas competencias. acaba-se por aqui. nao justificam um recurso para a Relacao. mas que afectam a sua validade como um todo. Antonio poe em questao a validade da prova. que também o incita ao suicídio. moradas ou artigos errados. o MP poderia recorrer. Ha um conjunto de casos em que a sentenca e nula. de vicios menores. C não se decide nesse momento. Qual a relacao entre as nulidades e o recurso? Se alguem quiser arguir nulidades de uma sentenca e necessario recurso? Se eu arguir uma nulidade de uma decisao proferida por um juiz de instrucao que me indeferiu de inquirir certa testemunha. mas. n 1.

alinea b)CPP. Mas talvez seja forcar um pouco as coisas. 16o.. 135o CP. 19o CPP que diz que e competente para conhecer de um crime o tribunal em cuja area se tiver verificado a consumacao. logo. consuma-se o crime com mera tentativa. alinea b)CPP. podia-se aplicar-se este artigo. Quem se poderá constituir assistente no processo? Poder-se-a constituir assistente a mae em representacao do filho? Estamos falar de um bem juridico que ofende directamente a familia. punido pelo arts. Quanto a competencia territorial rege o art. Sera que o incitamento ao suicidio tem como elemento do tipo a morte de uma pessoa? Para que o incitamento seja punido e preciso que. Quanto a competencia funcional e competente o tribunal de primeira instancia. a pessoa tenha tentado suicidar-se. no 1CPP. E a mulher tambem se pode 98 . Nesta hipotese estao previstos os crimes de incitamento ao suicidio. o que cabera na alinea a) do art. O incitamento ao suicidio basta-se com a tentativa. O nosso CPP. pelo que este crime pode caber no art. Mas podia-se levantar a questao do tribunal colectivo em relacao ao art. funcional. 10o e ss CPP. mas no caso em que se consuma ha morte. 10o e 16o CPP. Caso Prático n. hierarquica. aplica-se o no 1 por se considerar que Laranjeiro foi o sitio em que C tentou efectivamente suicidar-se e era competente o tribunal de Almada. a mae. no2. 14o. Do ponto de vista material temos de fazer a distincao entre tribunais singulares. no 2. alinea a) CPP. 144o e 147o CP com pena de prisao de dois a dez anos.º 7 Imagine um caso de homicídio. Sempre que um crime envolva a morte de alguem entende-se que e suficientemente grave para caber no tribunal colectivo. A regra e a de que os crimes menos graves sao julgados pelo tribunal singular e os mais graves sao julgados pelo tribunal colectivo. Assim. e necessario conhecer o mapa judiciario. desde que o crime seja doloso. Se C so tivesse tentado era competencia do tribunal singular mas como ele morreu podera ser competente o tribunal colectivo? Ora. parece que os autos poderiam ser apresentados em qualquer um destes tribunais. embora nao puna o suicidio ou a sua tentativa. A competencia material e funcional esta prevista nos arts. aos tribunais da Relacao e ao STJ.Que tipo de competencias existem? Existe a competencia material. alinea a)CPP. territorial. logo. o falecido.. 19o e ss CPP). O tipo consuma-se com a mera tentativa da pessoa em matar-se. tribunais colectivos e de juri. que era divorciado. Numa resposta completa sobre competencia e necessario dizer que e competente o tribunal de primeira instancia da area territorial x. por isso e que se criou a hipotese do 14o. no 2. deixou um filho de 15 anos. ainda que a pessoa nao morra. ex-mulher do falecido. Qual o tribunal competente na primeira hipotese? A materia relativa a competencia do tribunal esta vertida nos arts. em relacao a competencia territorial e competente o tribunal de Braga. quanto a competencia material trata-se de um crime de ofensas a integridade fisica grave. deixou ainda a companheira. tambem podemos estar a falar de um caso da alinea c). estamos perante competencia do tribunal singular. por forca dos arts. 68o. Na competencia funcional temos de dizer que materias cabem ao tribunal de primeira instancia. Em relacao a competencia funcional e competente o tribunal de primeira instancia. logo. esta tambem se pode considerar ofendida. Sendo ofensa a integridade fisica grave o limite e de dez anos. que vive com a mãe. O que interessa e que o filho nao pode ser assistente porque tem menoridade penal. A e B podem ser punidos pelo crime de incitamento ao suicidio previsto no art. no 2. colectivo ou de juri? Por forca do criterio quantitativo presente no art. pelo menos. tem uma posicao de defesa da vida. portanto compete ao tribunal colectivo por forca de qualquer um dos dois criterios. 8o e ss CPP. Quando isto acontece representa-o o representante penal. Na competencia territorial temos de conhecer o tribunal competente em razao da area onde foi cometido o crime (arts. que com ele vivia à data da morte. 16o. Esta causa sera julgada pelo tribunal singular. Passemos a segunda hipotese do caso 6. logo.

suspensão do exercício de funções. 3. caução económica 2. de ausência e de contactos 1.7. Dos modos de impugnação e da indemnização por aplicação inadequada Capítulo XI Das medidas de garantia patrimonial 1.2. As medidas de coacção 1. Das medidas de coacção 1. obrigação de permanência na habitação 1.2.2.2.2.2. proibição de permanência.6.1. arresto preventivo 99 . Da revogação.2. termo de identidade e residência 1.2. Parte III Particularidades do processo penal Capítulo IX OS PROCESSOS ESPECIAIS 1.4.5.4. Princípios gerais 1. Dos requisitos gerais para aplicação das medidas de coacção 1. obrigação de apresentação periódica 1. Do processo sumário Do processo abreviado Do processo sumaríssimo Parte IV AS MEDIDAS DE COACÇÃO E DE GARANTIA PATRIMONIAL Capítulo X As medidas de coacção 1.constituir assistente? Sim.3. prisão preventiva (com especial relevância para a comparação desta medida com a anterior) 1. de profissão e de direitos 1. 2. alteração e extinção das medidas 1.1. caução 1. mas neste caso a representacao tem de ser feita por um so advogado.2.5.3.

e quando esses prazos nao sao respeitados a consequencia e a de que o processo passa a ser automaticamente comum. 3. portanto isso acontece muitas vezes. Sendo certo que. Qual e a implicacao que tem tratar-se de um processo sumario? E a seguinte: desde logo. e termos dito que era importante por causa do processo sumario? No art. E. o arguido pede ou entao o MP toma a iniciativa e ouve o arguido e este concorda – o que e que acontece? O MP propoe uma sancao ao arguido. 387. claro. nestes casos de processo abreviado nos suprimimos algumas fases do processo. E estao reunidas as condicoes para que o processo nao tenha de decorrer. nomeadamente a instrucao (tal como tambem acontece no processo sumario). temos. a detencao tiver sido feita por uma autoridade judiciaria ou entidade policial. a audiencia da-se no prazo de 48 horas e a sentenca e lida imediatamente. portanto. tratando-se de processo sumario. E. Do processo abreviado No caso do processo abreviado. e se ele concordar com essa sancao. no final. que a detencao em flagrante delito e feita por uma autoridade judiciaria ou uma entidade policial. Portanto. depois de o ter ouvido. por iniciativa do arguido ou. caracterizado em tracos largos mas suficientemente claros. essa proposta vai ao juiz para ser homologada. nestas circunstancias. a diferenca qual e? Primeiro.o permite que haja prorrogacoes ate ao quinto dia posterior e detencao ou ate 30 dias. se. 387. portanto. o processo sumario e as suas vantagens. Do processo sumaríssimo Tem lugar quando existem crimes com pena de prisao nao superior a cinco anos ou so com pena de multa. mas segundo uma tramitacao que seja mais abreviada. aqui. nao temos de estar em presenca de uma detencao em flagrante delito. Por isso e possivel que o julgamento seja feito no prazo de 48 horas. bastante mais abreviada. E evidente que isso nem sempre sucede assim – porque? Porque o art. 2. digamos que temos indicios muito fortes (muito fortes!) da pratica do crime. Concretamente. e onde o MP. Se for atraves da forma de processo sumario. em que consiste esta abreviacao? Consiste no encurtamento dos prazos que normalmente estao estabelecidos para cada uma das fases. Do processo sumário Recordam-se de termos falado sobre a detencao em flagrante delito. No fundo e isso.o diz-se que os detidos em flagrante delito podem ser julgados em processo sumario quando se trate de um crime punivel com pena de prisao cujo limite maximo nao seja superior a 5 anos. Portanto. se chega a conclusao de que tudo pode acabar com um acordo.Os processos especiais 1. as provas tem de ser simples e evidentes. 381. a moldura penal e esta. e que temos inclusivamente as autoridades que o detiveram que vao prestar depoimento na audiencia de julgamento. isto traduz-se numa realizacao de um julgamento em muitissimo menos tempo do que seria normal atraves de um processo comum. como e evidente. e4stamos em presenca de crimes puniveis com pena de multa ou com pena de prisao nao superior a 5 anos. e se o juiz homologar 100 . a audiencia deve ser realizada no prazo maximo de 48 horas.o. sob a forma comum. O processo passa para a fase comum porque nao se consegue respeitar esses prazos que estao previstos aqui no art. e obvio que o proprio MP aproveita o auto de noticia das entidades policiais como acusacao. Nao se esquecam que ha um flagrante delito.

digamos. a excepcao da primeira que e o termo de identidade e residencia. Princípio da legalidade. Se nao for necessaria nao se pode aplicar. Princípios gerais Muito mais importante e conhecer as medidas de coaccao e os principios que sao aplicaveis. propositos iminentemente processuais. logo a partida. sao coisas completamente diferentes. Para que no fim haja uma verba que ficou devidamente garantida. Princípio da necessidade. E nisto que consiste o processo sumarissimo. do outro lado. Sao duas coisas diferentes e que cumprem objectivos diferentes. servem para obrigar a que o arguido colabore.caucao economica. por exemplo. porque e uma materia importante. Tirando essa. Isso nao e possivel. podem ser as duas aplicadas e. medidas de garantia patrimonial. muito simplesmente. Se o arguido nao concordar. como veem. sao estas e nao outras. isto: nenhuma medida de coaccao pode ser aplicada sem estar prevista na lei.1. ha aqui um Princípio de taxatividade. So se pode aplicar medidas de coaccao previstas na lei. que sao muito importantes. entao o processo e remetido para a forma comum. que significa. ou seja. As medidas de garantia patrimonial servem simplesmente para garantir que no final as custas e as penas. elas estao taxativamente previstas.termina o processo.caucao. como medida de garantia patrimonial. As medidas de coacção e de garantia patrimonial 1. sao coisas completamente diferentes. Nao ha possibilidade de inventar outras. alem de uma medida se afigurar necessaria. se o que esta em causa e a fuga. Ate mesmo. Princípio da adequação. sejam pagas. portanto. evitar que haja fuga do arguido. etc. se calhar 101 . obviamente tem de ser uma medida que impeca a fuga. Portanto. evitar que se criem obstaculos a realizacao do proprio processo. muito falada e sujeita a muito debate: a questao das medidas de coaccao e de garantia patrimonial. Primeiro. sempre automaticamente aplicavel assim que alguem seja ouvido num processo. como medida de coaccao e a . Significa que. 1. todavia. A caução e uma medida de coaccao que visa garantir que o arguido estara presente nos autos processuais. As medidas de coacção Temos de repisar.. No fundo. Vamos aos principios em primeiro lugar. todas as outras nao sao aplicadas nunca se nao forem necessarias. As medidas de coacção tem. Segundo. cada uma tem finalidades totalmente diferentes. no entanto. o juiz nao pode inventar medidas de coaccao (este tipo nao vai ser aplicada medida de obrigacao de permanencia na habitacao. se nao houver acordo.”). E. a medida escolhida tem de ser adequada as exigencias cautelares do processo. temos de um lado medidas de coaccao e. Portanto. por exemplo. Nunca se pode aplicar uma medida de coaccao que nao se afigure necessaria as exigencias cautelares do processo. a obrigacao de permanencia na habitacao ou a prisao preventiva. A medida de caução económica visa garantir que no final serao pagas as custas. mas obrigacao de permanencia na habitacao de pernas para o ar. Por exemplo. Primeiro. existem duas medidas que sao muitos semelhantes no nome: . Mas se nao esta em causa a fuga. evitar que as provas sejam depreciadas. e para isto que servem as medidas de coaccao. etc. E. mas taosomente permitir que o arguido se apresente aos actos processuais.

ou ate um ano. 1. de ausência e de contactos. Proibição de permanência. tem que ser uma medida adequada as exigencias cautelares que o caso requer. de certo modo. Isto quer dizer que em principio o legislador ja fez isso. Alem destes principios. proibição e imposição de condutas (requisitos: o crime tem de ser doloso. caso contrario deve ser imediatamente desaplicada. mas tambem tem de atender aos principios. obrigação de apresentação periódica (o crime tem de ser punivel com pena de prisao de maximo superior a seis meses.2. devendo ser utilizada excepcionalmente.4. E nao o contrario! Nao se parte logo para a mais grave! E relativamente a prisao preventiva. que sao os principios gerais de aplicacao das medidas de coaccao.2.2. Mas e evidente que o legislador nao tem os dados do caso a frente. aos requisitos especificos que estao nas medidas. Porque constitui uma restricao a um direito fundamental. Obrigação de apresentação periódica. 1.3.6. ja atendeu aos principios ao enunciar os proprios requisitos. Obrigação de permanência na habitação. A medida tem de ser proporcional a gravidade do crime e as sancoes que previsivelmente venham a ser aplicadas. portanto. 1.2.5. o legislador. 1. indo degrau a degrau. que. Isto quer dizer o que? Que as medidas devem ser aplicadas subsidiariamente umas em relacao as outras.2 Caução.2. se calhar uma medida ideal e uma medida que o impeca de ir aquele local. de actividade e de direitos (requisitos: crime punido com pena de prisao de maximo superior a dois anos e pode ser cumulada com outra qualquer medida). por um lado. Porque as vezes pode acontecer que. para cada medida.nao e preciso a prisao preventiva e basta a caucao. o que e que tem de fazer o julgador? Tem de atender.7. Princípio da proporcionalidade. 1. duas ou tres ou quatro medidas cumpram os requisitos e ai ele tem de fazer uma escolha e para a fazer tem de atender aos principios para saber qual delas e que deve aplicar. para o mesmo caso. ou ate dois anos. isto e. caução (tem simplesmente o requisitos de o crime ser punivel com pena de prisao. 1. nao vamos aplicar a prisao preventiva a um crime punido com pena de multa ou com pena de prisao ate tres anos.2. de profissão e de direitos.1. Ou se o que esta em causa e evitar que o arguido tenha contactos com determinada pessoa. ja obedecem a estes principios. subsidiariamente. Relativamente a todas as medidas ha o Princípio da subsidiariedade. Termo de identidade e residência. Portanto. se uma nao funciona aplica-se a outra que e um bocadinho mais exigente. da mais leve para a mais grave e perceber quais sao os requisitos especificos de cada uma dessas medidas. Por exemplo. o direito a liberdade. desde logo: a mais leve de todas que e o termo de identidade e residência (que consiste no facto de alguem ter de se apresentar periodicamente numa entidade policial. Das medidas de coacção.2. Tem de haver proporcionalidade entre uma coisa e outra. Suspensão do exercício de funções. ela so deve ser aplicada quando todas as outras nao funcionem e deve ser imediatamente desaplicada quando se verificar que ja nao e precisa. so quando for necessaria. e pode ser cumulada com qualquer medida a excepcao da obrigacao de permanencia na habitacao e da prisao preventiva). 196. suspensão do exercício de profissão. independentemente da medida e e cumulavel com todas as outras medidas). isto e. 1. por exemplo a medida de proibicao de permanencia num determinado local. Prisão preventiva (com especial relevância para a comparação desta medida com a anterior) Temos que percorrer as medidas (art. 1. A gravidade da medida de coaccao e completamente desproporcional a gravidade do crime e a sua sancao.o e ss).2. de função. que o impeca de estar nesse local. ha um Princípio de precariedade. num orgao de policia criminal e que e sempre aplicavel e cumulavel com as outras medidas). o juiz deve fazer uma outra equacao: atender aos requisitos especificos de cada medida. Por exemplo. nas outras medidas pode ser crime 102 . E.

que sao muito importantes e que. 1. 146. 1. com pena de prisao de maximo superior a cinco anos ou quando houver indicios da pratica de crime de terrorismo.o . os bens sao vendidos em hasta publica para as pagar. a excepcao do TIR (termo de identidade e residencia. Obviamente que estas duas medidas. 204. ou tratando-se de pessoas que tiver penetrado ou permaneca irregularmente em territorio nacional ou contra as quais estiver em curso processo de expulsao ou extradicao). O arresto preventivo é feito nos termos da lei processual civil e. ou nao permanecer sem autorizacao. Ha umas certas regras. a obrigacao de permanencia. nesse caso. estao relacionadas com a necessidade de se verificar: “ fuga ou perigo de fuga. entao. e a pena de prisao tem de ser de maximo superior a tres anos. Se no final nao for preciso esse dinheiro e devolvido ao arguido. 103 . Das medidas de garantia patrimonial As medidas de garantia patrimonial sao duas: a caucao economica e o arresto preventivo. A caucao economica serve para os casos em que temos que garantir que vai haver pagamento da pena pecuniaria (da multa). previstas no art. e consiste numa destas medidas que esta no art. 204 e ss.doloso ou negligente. O que e que isto quer dizer? Quer dizer que para se aplicar as medidas de coaccao que estao previstas no CPP. etc. ou perigo. das custas do processo ou de qualquer outra divida para com o Estado relacionada com o crime – art. os bens sao devolvidos ao arguido.o.o. 227. previsto no art.3. o dinheiro e devolvido no fim. quer dizer. que restringem o direito a liberdade. em certos casos. Se forem pagas as custas e as penas. a excepcao do termo de identidade e residencia. nao se ausentar do estrangeiro. 200.5. de que este continue a actividade criminosa ou perturbe gravemente a ordem e a tranquilidade publicas”. criminalidade violenta ou altamente organizada. pode haver. prisão preventiva (que pode ser aplicada a situacoes de crime doloso. nao contactar determinadas pessoas. perigo de perturbacao do decurso do inquerito ou da instrucao do processo e nomeadamente. que pode ser aplicada com ou sem a pulseira electronica. assim como a detencao forem ilegais pode haver um processo de habeas corpus. Dos requisitos gerais para aplicação das medidas de coacção. 1. e para isso ha uma lei propria. logo que se verifique que elas nao devem continuar a ser aplicadas. obrigação de permanência na habitação (aquilo que voces conhecem como “prisao domiciliaria”. alteração e extinção das medidas. considerando-se adequada ou suficiente outra medida estas devem ser desaplicadas.”). perigo para a aquisicao.o). e aplica-se as situacoes onde houver crime doloso punivel com pena de prisao de maximo superior a tres anos). na area de uma determinada povoacao. nao se ausentar da povoacao. conservacao ou veracidade da prova. Dos modos de impugnação e da indemnização por aplicação inadequada. freguesia ou concelho ou na residencia onde o crime tenha sido cometido ou onde habitem os ofendidos seus familiares ou outras pessoas sobre as quais possam ser cometidos novos crimes. se nao. em razao da natureza e das circunstancias do crime ou da personalidade do arguido.“nao permanecer. tendo sido previamente fixada e nao prestada a caucao economica.4. Se a prisao preventiva. Da revogação. aplicam-se estas”. E um arresto de bens que fica a merce do processo. a contrario sensu. e por isso e que se diz “se considerarem adequadas ou insuficientes as outras medidas. para que haja libertacao imediata do arguido e. se se chegar a essa conclusao. inclusivamente. punivel com pena de prisao de maximo superior a tres anos. 2. o MP requer que o arguido preste caucao economica para esse fim. tem de se verificar alguma destas situacoes que estao descritas no art. lugar a indemnizacao.

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