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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DA 36ª VARA DO TRABALHO DE SALVADOR/BA.

RECLAMAÇÃO TRABALHISTA Processo nº 01253-2008-036-05-00-9 Reclamante: EDGAR ALVES NETO Reclamadas: SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA e OUTROS

SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, pessoa jurídica de direito privado, devidamente inscrita no CNPJ/MF sob o nº ???61410/0001-04, com endereço comercial na Av. Dorival Cayme 2777, Itapoá, Salvador/BA, ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR, brasileiro, casado, empresário, portador do RG nº ????522 SSP/CE e CPF nº ???.094.???-72, residente e domiciliado na Av. Senador Virgílio Távora, ????? – Aldeota, Fortaleza/CE e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, brasileiro, casado, empresário, portador do RG 26.??? SSP/CE e CPF nº ???.457.???-10, residente e domiciliado na Manoel ???? Soares ???, Bairro Água Fria, ????/CE, vêm respeitosamente por conduto de seu advogado signatário, devidamente qualificado no incluso instrumento procuratório, com escritório na cidade de Fortaleza/Ce à Rua Manoel Lima Soares nº 788, Água Fria, local onde deve ser remetida todas as comunicações processuais, apresentar CONTESTAÇÃO à reclamação trabalhista que lhe promove EDGAR ALVES NETO, o que faz pelas razões fáticas e jurídicas a seguir aduzidas:

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PRELIMINARMENTE

DA CARÊNCIA DA AÇÃO

O reclamante deverá ser julgado carecedor da ação, pois que, lhe falta um dos principais requisitos essenciais para a sua propositura, qual seja: ser possuidor de interesse e legitimidade para agir na presente relação processual.

DA ILEGITIMIDADE PASSIVA “AD CAUSAM” DA RECLAMADA SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA - INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DE EMPREGO

O reclamante alega que possuía vínculo empregatício com a SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, o qual ocupou o cargo de GERENTE GERAL, todavia, na instrução processual será demonstrado que o reclamante na verdade era sócio- proprietário da reclamada. Daí a impossibilidade de existência de qualquer vínculo empregatício existente entre as partes.

Ora, se o Reclamante mantinha vínculo empresarial com a reclamada a título de sócio-proprietário, como poderia o mesmo também exercer atividades de empregado como falsamente afirmou? Entretanto, "data maxima venia", do nobre patrono "ex-adverso", tudo quanto postula não faz o Reclamante o mais remoto jus, estando o presente feito fadado ao mais cediço e rotundo insucesso. É o que demonstrará o litisconsorte no decorrer destas razões defensivas.

Assim, requer a SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, que este MM. Juízo se digne determinar a extinção

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da presente relação processual, vez que a reclamada não é parte legítima para integrar o pólo passivo desta reclamação trabalhista, já que em momento algum firmou qualquer espécie de contrato trabalhista com o reclamante.

Estabelece o Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao procedimento obreiro, as condições inerentes ao desenvolvimento válido da ação, em seu art. 3º, vejamos:

“Art 3º - Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade”.

Sobre o assunto, inevitável trazermos à lume, a lição proferida com aquilatada maestria pelo ilustre processualista Moacyr Amaral Santos (in, Primeira Linhas de Direito Processual Civil, vol. I, 14 ª Ed., Ed. Saraiva – 1990):

“(…) o autor deverá ser titular do interesse que se contém na sua pretensão com relação ao réu. ASSIM, À LEGITIMIDADE PARA AGIR EM RELAÇÃO AO RÉU DEVERÁ CORRESPONDER A LEGITIMAÇÃO PARA CONTRADIZER EM RELAÇÃO ÀQUELE. Ali, legitimação ativa, aqui legitimação passiva”. (grifo nosso).

Assim, é o reclamante carecedor de ação, devido a ilegitimidade passiva ad causam da SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA. para compor a lide, posto que a mesma nunca firmou contrato a título de emprego com o reclamante, pelo que incorre o pedido das hipóteses prescritas nos arts. 267, inc. VI e 301, inc. X do CPC, devendo essa MM. Vara do Trabalho excluir a empresa requerida da relação processual em apreço, declarando extinto o processo sem julgamento de mérito em relação à mesma.

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DA ILEGITIMIDADE PASSIVA “AD CAUSAM” DOS SÓCIOS ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR E MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA

Como afirma o reclamante em sua peça inaugural, o mesmo teria pactuado relação de emprego com a reclamada SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, para exercer as funções de GERENTE GERAL. Daí, por si só, já se conclui pela inexistência de qualquer vínculo de emprego com as pessoas de ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, razão pela qual, devem os mesmos serem excluídos da relação processual em apreço, uma vez que não possuem legitimidade passiva para compor a presente lide.

Como se observa do contrato social da reclamada em anexo, as pessoas de ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, são apenas sócios da reclamada. Assim, apenas a título de argumentação, se algum vínculo trabalhista existiu, o que não é o caso, esse apenas ocorreu com a pessoa jurídica da empresa, qual seja, SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, razão pela qual devem ser excluídos dessa reclamação os sócios da empresa, haja vista a inexistência de vínculo trabalhista com os mesmo.

Neste sentido, torna-se abusiva a pretensão do reclamante de que os réus ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIR, estejam no pólo passivo desta querela reclamatória.

A propósito, o Código de Processo Civil em seus artigos 3º e 267, aplicados subsidiariamente ao Direito do Trabalho desenha que:

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“Art. 3º - Para propor ou contestar ação é necessário interesse e legitimidade. “ “Art. 267 - Extingue-se o processo sem julgamento do mérito:

VI - quando não concorrer qualquer das condições da ação, como a possibilidade jurídica, a legitimidade das partes e o interesse processual;“

Ante ao quanto exposto, está mais do que caracterizado a inexistência de relação de emprego do reclamante com as pessoas de ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, razão pela qual deverá ser extinta a presente relação processual por falta de interesse e legitimidade dos mesmos.

A jurisprudência já se posicionou nesse sentido,

se não vejamos:

ILEGITIMIDADE PASSIVA "AD CAUSAM". EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. Restando demonstrado que a reclamada é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da demanda, mesmo de ofício, deve o juízo extinguir o feito sem julgamento do mérito, nos termos do art. 267, VI, § 3º, do Código de Processo Civil subsidiário. PROCESSO: 00583.2005.031.14.00-3, Classe: Recurso Ordinário, Origem: Vara do Trabalho de Ariquemes (RO), Relatora: Juíza Maria do Socorro Costa Miranda.

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DO VALOR DA CAUSA

A reclamada requer, ainda, preliminarmente a extinção da presente reclamatória sem julgamento de mérito, vez que a mesma não obedece aos requisitos do art. 282, V do CPC, se não vejamos:

Art. 282. A petição inicial indicará:

( ) V - o valor da causa;

Mesmo inexistindo previsão da CLT sobre o valor da causa, é necessário indicá-lo na inicial. O valor da causa é fundamental na petição inicial, para que a reclamada possa saber quanto o autor pretende receber, proporcionando defesa à ré e inclusive facilitando a conciliação em audiência, que é o fim primordial da Justiça do Trabalho. Dessa forma, seria de se observar os artigos 258 ss do CPC, quanto ao valor a ser dado à causa.

O valor da causa no processo do trabalho deve corresponder àquilo que realmente o autor pretende receber da reclamada, incluindo-se correção monetária e juros, até por força do princípio da lealdade processual e da boa-fé ao se ajuizar uma ação. É como já julgou a 2ª Turma do extinto TFR: “para traduzir a realidade do pedido, necessário que o valor da causa corresponda à importância perseguida, devidamente atualizada à data de ajuizamento da ação (AI 49.956-MG, vu, Rel. Min. Otto Rocha, j. 12-09-86, DJU, 16-10-86, p.

19.477).

Nesse sentido já decidiu o Tribunal Regional do

Trabalho de São Paulo:

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“O valor não poderá ser lançado aleatoriamente pela parte. Deverá refletir aquilo que economicamente se pleiteia. Não existe valor para simples alçada ou custas. Ainda que não impugnado o valor, pode e deve o juiz intervir de ofício para corrigir defeitos de estimativa, pois que envolve matéria de ordem pública não sujeita à vontade das partes” (TRT SP 02890187513 – Ac 4ª T. 4603/91 – Rel. Juiz Francisco Antonio da Oliveira – DJ, 12-04-91, in Boletim do TRT da 2ª R., nº 9/91, p.

121).

Diante do exposto, requer o litisconsorte se digne V. Exa. que o reclamante atribua valor à causa em dez dias, sob pena de extinção do processo sem julgamento de mérito.

DA LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ

Reputa-se litigante de má-fé o reclamante, uma vez que altera a verdade dos fatos, usando do processo para conseguir objetivo ilegal, uma vez que nunca foi empregado da reclamada, bem como dos seus ócios, ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, é o que dispõe o art. 17 do CPC, vejamos:

Art. 17 — Reputa-se litigante de má-fé aquele que:

( ) II — alterar a verdade dos fatos; III — usar do processo para conseguir objetivo ilegal;

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O reclamante camuflado sob as vestes da defesa do seu suposto direito agride sem qualquer piedade o próprio ordenamento jurídico e como conseqüência, em não sendo adotadas as providências legais cabíveis, e que se destinam a corrigir tal rumo, chega mesmo a corromper a integridade do processo como instrumento de justa composição do litígio.

De acordo com o nosso sistema jurídico- processual, aquele que provoca um dano processual deve, certamente, responder pelas conseqüências que a lei prevê. Não se trata, pois, de faculdade do magistrado, mas dever seu enquanto representante do Estado no exercício do Poder Jurisdicional.

Esse

entendimento

nos Tribunais Superiores, in verbis:

encontra-se

sedimentado

EMENTA: LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ – Aplicação de Multa. A parte ao utilizar-se do processo tem o dever de agir com lealdade e probidade. Ao deduzir perante a Justiça do Trabalho direito manifestamente inexistente, em alteração à verdade dos fatos, age com má-fé e, por isso, sendo correta a aplicação da multa correspondente (CPC, arts. 17 e 18). (TRT 10ª R. – RO 1.783/2000 – 1ª T. – Rel. Juiz Geraldo Vasconcelos – DJU 15.12.2000).

Trabalho decidiu:

No

mesmo

sentido

o

Tribunal

Superior

do

“As partes devem proceder com lealdade e boa- fé, sob pena de, causando dano à outra parte,

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aquela que for responsável por má-fé, responder por perdas e danos. Recurso Ordinário a que se nega provimento” (Ac. Da SDI do TST, RO MS 81287, Rel. Min. Barata Silva, DJU, 27/07/1990, p. 3.463).

A condenação no ônus da litigância de má-fé deve ser encarada como fato processual, objetivamente verificar como decorrência direta e inevitável da prática pela parte e seu interveniente, de determinados atos processuais, que a lei define como ilícitos.

Para coibir os abusos processuais, o legislador pátrio considerou várias hipóteses, reproduzidas nos incisos do art. 17 do CPC, com a finalidade de dar ao Juiz elementos suficientes para avaliar a concreta ocorrência do dano processual com uma longa margem de discricionariedade inclusive, necessária ao desempenho deste mister.

Permitir a impunidade por parte do reclamante que age em flagrante desrespeito ao ordenamento jurídico é incitar o descrédito da jurisdição, e, pior, um forte estímulo à desnaturação do processo como instrumento de realização da justiça. A litigância de má- fé interfere de forma nociva no correto desenvolvimento da relação jurídica processual estabelecida, e os meios postos à disposição do magistrado, para coibi-la, são antes de mais nada, instrumentos destinados à preservar a dignidade de justiça, sem a qual o processo jamais atinge a sua finalidade.

Sendo o Magistrado o representante do Estado no exercício do poder jurisdicional, a condenação da parte que pratica atos ilegítimos é dever que se lhe impõe, independentemente de provocação neste sentido, posto que a pacificação do conflito instalado, com justiça, é o seu sagrado mister, que jamais será

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alcançado se permitir a impunidade do reclamante que atua com evidente má-fé. Pelas razões expostas e diante da ocorrência de atos reputados ilegítimos pela nossa legislação processual, deve o reclamante ser condenado como litigante de má-fé.

NO MÉRITO

SÍNTESE DA INICIAL

A Reclamada discute o mérito "ad cautelam", uma vez que conforme já esclarecido na fase preliminar desta CONTESTAÇÃO, a mesma é parte ilegítima para figurar no pólo passivo desta lide, uma vez que o Reclamante não possuía nenhum vínculo empregatício com a mesma, por total inexistência dos requisitos dos arts 2º e 3º da CLT, assim, outra sorte não restará à presente ação, senão a decretação da sua IMPROCEDÊNCIA.

O Reclamante, na ânsia de ver seus supostos direitos trabalhistas reconhecidos por esta Justiça Especializada, "ajustou" os fatos ao seu alvedrio e manipulou as informações quando declarou ao seu Causídico que manteve relação empregatícia com a Reclamada.

Alega o autor, que teria sido admitido pelos reclamados na data de 03/01/2008 (sem o devido registro) e demitido em 22/07/2008, mediante remuneração alegada de R$ 6.000,00 (seis mil reais), mais um valor correspondente a 5% (cinco por cento), por cada veículo blindado, conforme cópia de relatório do próprio reclamante, o que de pronto já é impugnado através dessa defesa, uma vez que tal prova foi produzida unilateralmente pelo autor.

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Alega ainda, que laborava em horas extraordinárias, laborando de segunda a sexta feira das 07:00 às 20:00, com uma hora para almoço e descanso, e aos sábados das 07:00 às 18:00, rogando o pagamento das horas excedentes com os percentuais de 50% sobre o valor da hora normal, mais 100% sobre os dias de sábado e feriados.

Pede também, 13º salário e férias do pretenso período laborado, folgas semanais e feriados não pagos, FGTS, verbas rescisórias, multa do art. 477, indenização do seguro desemprego não concedido, reflexos nos DSRs, reconhecimento do vínculo empregatício, com as devidas anotações na CTPS.

DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO ENTRE A RECLAMADA SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA E O RECLAMANTE EDGAR ALVES NETO.

De início a reclamada CONTESTA, com toda veemência que lhe é peculiar, a alegação de contrato de trabalho e vínculo de emprego.

Cabe asseverar, que o reclamante nunca manteve vínculo empregatício com a reclamada, ou com qualquer um dos seus sócios, razão pela qual deve ser julgada totalmente improcedente a presente reclamatória.

A reclamada, SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, que atua com a bandeira da franquia PIQUET BLINDAGENS DE AUTOMÓVEIS, foi criada no inicio do ano de 2008, com a união de capital dos sócios, ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR,

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MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA e EDGAR ALVES NETO, esse último reclamante na presente ação.

Desta feita, para a reclamada usar o nome da PIQUET BLINDAGENS DE AUTOMÓVEIS, foi pactuado um Contrato Particular de Licença de Uso de Marca, onde os sócios, ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR, MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, e EDGAR

ALVES

mesmo

registrado no Cartório João Paraíba (doc. em anexo).

NETO,

assinaram

o

referido

contrato,

tendo

sido

o

Dessa forma, os três sócios no sentido de legalizar as atividades da empresa, se reunirão e tomaram todas as medidas legais necessárias junto a Junta Comercial do Estado da Bahia, para registro da empresa. Acontece, que tal prática não pode ser concluída de início, haja vista, que a pessoa de EDGAR ALVES NETO, reclamante na presente ação, encontrava-se com restrições nos órgão de proteção ao crédito, a saber SERASA, CADIN e afins.

Nesse sentido, o senhor EDGAR ALVES NETO, para entrar como sócio da empresa teria primeiramente que regularizar a sua situação junto àqueles órgãos de proteção ao crédito, caso contrário, o mesmo não poderia constar no contrato social da empresa.

Diante disso, o reclamante resolveu junto aos sócios remanescentes, que enquanto regularizava a sua situação junto aos órgãos de proteção ao crédito, colocaria em seu lugar como sócio- proprietário a sua sogra, MARIA LEDA FREITAS DA COSTA, em vista da urgência na abertura da empresa, com a devida regularização na Junta Comercial, uma vez que a reclamada já tinha assinado com a PIQUET BLINDAGENS o contrato de uso da marca, bem como já estava realizando todo o treinamento profissional com os empregados.

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Tal fato seria provisório, pois logo que o reclamante regularizasse a sua situação juntos aos órgãos restritivos, esse entraria com um aditivo ao contrato social na Junta Comercial, entrando como sócio-proprietário no lugar da sócia e sogra, MARIA LEDA FREITAS DA COSTA.

Cabe acrescentar, que mesmo sendo cobrado quase que diariamente pelos sócios, ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, para que o reclamante regularizasse a sua situação, o mesmo sempre afirmava que já estava gerenciando nesse sentido.

Por fim, depois das sucessivas cobranças, o reclamante informou aos seus sócios que não lhe interessava constar no contrato social da empresa como sócio, haja vista, que existia contra a sua pessoa na Comarca de Fortaleza uma Ação de Execução de Alimentos, tombada sob o número 2007.0009.0170-7/0, movida pela sua ex-mulher, bem como uma Ação de Busca e Apreensão movida pelo Banco Safra, (processo nº 2006.0030.6269-4) (docs. em anexo).

Assim, o reclamante estava temeroso que essa execução recaísse sobre o seu capital aplicado na empresa, bem como nas suas retiradas a título de pró-labore.

Como se percebe, fica claro que o reclamante desde o início sempre agiu de forma ardilosa, não só contra os seus credores, como também contra os seus sócios.

Há de se observar, ainda, MM Juiz, que o reclamante desde o início das atividades empresariais da reclamada sempre se apresentou como sócio-proprietário da empresa, dando inclusive entrevistas nesse sentido na imprensa escrita e televisiva.

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Nesse sentido, abaixo, transcrevemos um trecho da entrevista dada pelo reclamante no dia 19/05/2008 em alguns sites da internet, onde o mesmo se apresenta como sócio-proprietário da reclamada, a saber:

JORNAL

FOCO

REGIONAL

-

“Mas as encomendas confirmam o crescimento. Não é por acaso que a primeira empresa de blindagem da Bahia foi inaugurada recentemente em Salvador, fruto de uma franquia da Piquet Blindagens Especiais, do piloto Nelson Piquet, em Itapuã, que já abriu as portas com 14 encomendas, sendo oito da capital e seis de outros municípios e estados do Nordeste. Edgard Alves Neto, sócio do empreendimento, diz que o investimento, em torno de R$ 800 mil, justifica-se pelo aumento da

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demanda. “Antes de abrir uma franquia, a Piquet faz pesquisa de mercado e constatou que Salvador já tinha demanda suficiente para isso”, revela, acreditando que, nos seis primeiros meses a média será de dez a 12 carros por mês.”

Como se percebe, através dos fatos narrados e da farta documentação acostada aos autos, nunca houve pessoalidade no contrato de emprego entre o reclamante e a reclamada, haja vista, que o reclamante na verdade era sócio da empresa-ré.

Dessa maneira, fica fácil confirmar tal fato quando analisamos as matérias anexadas a essa defesa, extraídas da internet, onde o Sr. Edgard Alves Neto confirma claramente a sua condição de sócio da reclamada, (docs. em anexo).

Em vista dos fatos acima narrados e da farta documentação, conclui-se, que são inverídicos os fatos articulados pelo reclamante em sua peça inaugural, e desde já o litisconsorte passivo rechaça a tese de que o reclamante teria criado vínculo empregatício com a reclamada no período de 03/01/2008 à 22/07/2008.

O reclamante chega ao absurdo de afirmar em sua exordial que teria acordado com a reclamada que receberia mensalmente o valor de R$ 6.000,00 (seis mil reais), mais 5% por cento por cada carro blindado, ora Excelência, tal fato não se justifica por si só, haja vista, a condição de sócio-proprietário do reclamante, ademais apenas a título de argumentação, caso existisse vínculo de emprego entre as partes, o que não é o caso, quem deveria fixar o salário do reclamante era a reclamada e não o reclamante.

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Noutro passo, reforçando a tese de que o reclamante era sócio da reclamada e não GERENTE como falsamente afirma em sua peça inaugural, noticiamos o fato de que o mesmo juntamente com os demais sócios foram notificados pessoalmente no mês de dezembro de 2008, pela PIQUET BLINDAGEM, por não estarem cumprindo o que determinava as cláusulas do Contrato Particular de Licença de Uso de Marca, como está devidamente comprovado em notificação extrajudicial em anexo.

Assim, infere-se, confrontando as alegações do Reclamante com as provas ora carreadas aos autos pelo litisconsorte Reclamado, que aquele age de má-fé quando distorce os fatos e tenta impingir responsabilidades de um negócio jurídico que jamais ocorreu, qual seja, contratação e relação empregatícia entre as partes litigantes, Reclamante e a Reclamados.

Por fim, diante da total ausência de vínculo empregatício entre o Reclamante e a Reclamada e sócios, o litisconsorte não tem como apresentar defesa específica às verbas, fatos e pedidos da exordial. Assim, impugna expressamente as datas de admissão e demissão, salário, jornada declinada, horas extras e reflexos, adicionais de intervalo e reflexos, trabalhos em feriados e sábados.

e

correção monetária, posto que não existem verbas devidas ao

Reclamante, pelos motivos supra-citados.

Impertinentes,

ainda,

os

pedidos

de

juros

Quanto ao pedido do Reclamante de Justiça Gratuita, incabível o mesmo, pois o Reclamante pôde arcar com os custos da contratação de seu advogado, não estando assistido pelo Sindicato de sua categoria, tal pedido não pode ser concedido ante a ausência dos requisitos legais para tanto.

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DA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO ENTRE O RECLAMANTE E OS RECLAMADOS - ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR

E MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA

Como se observa do contrato social da SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, os reclamados, ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, são sócios da reclamada, assim, o reclamante resolveu também entrar com a presente reclamação contra esses, alegando que supostamente esses também poderiam ser seus empregadores.

Assim, temos que distinguir as pessoas físicas dos sócios, da pessoa jurídica da empresa, para que numa improvável condenação não venham os sócios a serem condenados injustamente, ante a total inexistência de vínculo trabalhista com o reclamante.

O reclamante alega em sua resenha fática que era empregado da SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, ocupando o cargo de GERENTE GERAL. Portanto, esse fato já é suficiente para que sejam os reclamantes ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA, excluídos da presente demanda, ante a total ilegitimidade passiva “Ad Causam”.

Assim deve o MM Juiz acatar o que se requer preliminarmente, ou seja, deve extinguir a presente ação no que concerne a responsabilidade dos sócios ANTÔNIO DE PÁDUA NEVES JÚNIOR e MARCOS CÉZAR BARREIRA OLIVEIRA.

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DO CHAMAMENTO AO PROCESSO DA SÓCIA-PROPRIETÁRIA

MARIA LÊDA FREITAS DA COSTA

Como já citado anteriormente, o reclamante na impossibilidade de constar como sócio-proprietário no contrato social da SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA, registrado na Junta Comercial da Bahia, em vista das restrições de crédito existentes em seu nome na SERASA, SPC, CADIN e afins, resolveu colocar em seu lugar a sua sogra, MARIA LÊDA FREITAS DA COSTA.

No entanto, ao promover a presente reclamação trabalhista, o reclamante não acionou no litisconsorte passivo a sócia MARIA LÊDA FREITAS DA COSTA. Com certeza tal fato não ocorreu em vista dessa pessoa ser a sogra do reclamante, daí já se conclui, que o reclamante em sua aventura jurídica tenta ludibriar a justiça, uma vez que silencia tal fato.

Como se percebe, é imprescindível que a Sra. MARIA LÊDA FREITAS DA COSTA, venha compor a presente lide, pois a mesma é sócia da reclamada, e numa possível condenação, o que se cogita aqui apenas a título de argumentação, a mesma deverá ser solidariamente responsável pelo pagamento da dívida juntamente com os demais reclamados.

Assim, o chamamento ao processo é o ato com que o réu pede a integração de terceiro ao processo para que, no caso de ser julgada procedente a demanda inicial do autor, também aquele seja condenado e a sentença valha como título executivo em face dele".

Trata-se de uma modalidade de intervenção de terceiro provocada, não cabendo, segundo posição majoritária, ao

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chamado a possibilidade de recusa. É exclusiva do processo de conhecimento, sendo incompatível com o executivo e o cautelar porque visa sempre a obter a condenação do terceiro na sentença, o que só corre no processo de conhecimento.

Passou a ser possível na Justiça do Trabalho depois da edição da Emenda 45, com uma flexibilidade maior que a denunciação a lide, pois o chamamento visa a uma maior garantia de pagamento do crédito do reclamante.

As hipóteses mais comuns de chamamento no processo do trabalho são a do sócio quando a empresa está insolvente, empresa do mesmo grupo econômico da reclamada, do subempreiteiro, quando a demanda é proposta em face do empreiteiro principal; da empresa tomadora dos serviços, quando se postula o vínculo de emprego em face da cooperativa, ou da empresa prestadora, quando se postulam verbas trabalhistas em face da tomadora de serviços em hipótese de terceirização (Súmula 331 do C. TST).

A doutrina processual trabalhista vem evoluindo no sentido da admissibilidade do chamamento ao processo no Direito Processual do Trabalho.

Destaca-se a posição de Wagner D. Giglio 1 :

“Revertendo posição adotada nas edições anteriores desta obra, novos estudos nos convenceram de que a razão está com C. P. Tostes Malta. Com base na lição deste, transcrita por Coqueijo Costa (Direito judiciário do trabalho, cit., p.

1 GIGLIO. Wagner D. Direito Processual do Trabalho, 15ª Edição, São Paulo, LTr, 2005, p.154.

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166), passamos a admitir o cabimento do chamamento ao processo nos casos de o empregador ser uma sociedade de fato ou um condomínio irregular, ainda inexistente síndico ou administrador, a fim de que venham a integra al ide todos os sócios ou condôminos, se apenas um deles foi citado ou se somente alguns o foram”.

O entendimento do Tribunal Superior do

Trabalho, na ordem constitucional vigente antes da Emenda Constitucional 45, estava calcado na Orientação Jurisprudencial 227 da Seção I de Dissídios Individuais, a qual estampava a incompatibilidade

da denunciação da lide com o processo do trabalho.

A OJ 227 da SDI-1 do TST foi cancelada na mais recente revisão da iterativa e notória jurisprudência daquela Corte. Com isso, os Ministros daquela Corte expressaram sensibilidade, lançando a pedra fundamental da adequação do normativo trabalhista ao novo sistema que emergiu com a Emenda 45. Caso contrário, como atribuir à Justiça do Trabalho competência para julgar demandas de natureza civil sem aparelhá-la com os instrumentos processuais condizentes?

Por óbvio que ao ampliar a competência da

Justiça do Trabalho para apreciar e julgar demandas antes afetas à jurisdição civil da Justiça Comum, o novel artigo 114 da Lei Maior trouxe a reboque a necessidade de importar institutos de natureza processual civil inerentes à resolução de tais demandas; institutos estes sem normatização expressa na CLT e, portanto, aplicáveis em sede laboral porquanto autorizado pelos artigos 8º e 769 deste diploma legal.

DA ANÁLISE DO ARTIGO 3º CONSOLIDADO

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é

improsperável. Em verdade, os créditos trabalhistas surgem necessariamente do desenvolvimento da relação de emprego estabelecida entre empregado e empregador, cuja existência depende da ocorrência dos pressupostos contidos no artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho.

A

pretensão

veiculada

na

inicial

Dispõe a referida norma celetizada:

“Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário”.

A relação de emprego é, dessa forma, conceituada como uma modalidade de prestação de serviços de caráter não ocasional desenvolvida sob subordinação e mediante a percepção de salários.

Além do mais, para configurar a existência de vínculo empregatício, devem ser preenchidos todos os requisitos do artigo 3º da Consolidação das Leis do Trabalho.

Tribunais, “in verbis”:

Nesse

sentido

a

jurisprudência

de

nossos

“VÍNCULO EMPREGATÍCIO - CONFIGURAÇÃO. Necessário o atendimento de todos os requisitos do artigo 3º da CLT para a configuração do vínculo empregatício. (TRT/SP n.º 649/91-7 - 2ª Região,

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acórdão n.º 00138/93, Recurso Ordinário da 32ª JCJ de São Paulo)”.

VÍNCULO EMPREGATÍCIO - CARACTERIZAÇÃO – REQUISITOS. Inexistindo os elementos básicos para a caracterização do vínculo de emprego - prestação de serviços e salário, não há que se falar em contrato de trabalho (TRT-11ª R. - Ac. unân. 5.843 publ. no DJ de 19-12-94 - RO 326-Manaus/AM - Rel. Juiz David Alves de Mello Júnior - Advs.: Jurandir Almeida de Toledo e Carlos Alberto Rodrigues).

VÍNCULO EMPREGATÍCIO - AUSÊNCIA DE REQUISITOS – INVIABILIDADE. Não havendo prova do preenchimento dos requisitos formadores da relação de emprego, inviável concluir pelo vínculo empregatício perseguido (TRT-1ª R. - Ac. unân. da 5ª T. publ. no DJ de 4-7-97 - RO 6620/95-RJ - Rel. Juiz Nelson Tomaz Braga;

Da análise do supracitado artigo decorre ser impossível enquadrar o reclamante na definição ali contida, como restará provado no transcurso da peça contestatória, posto que a ausência de qualquer um dos requisitos inviabiliza a aplicação das disposições contidas na Consolidação das Leis do Trabalho.

DA AUSÊNCIA DE SALÁRIO

Como já demonstrado anteriormente, não houve qualquer pactuação de salários entre o reclamante e a reclamada, uma vez que o reclamante era sócio-proprietário da empresa-ré.

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Contrário ao afirmado na inicial, o reclamante não recebia salário, mas sim, pró-labore, uma vez que era sócio- proprietário da reclamada, fato esse que, por si só, deixa evidenciada a inexistência de relação empregatícia.

Entende-se por salário o valor pago ao empregado referente, tão-somente, a utilização de sua força de trabalho em benefício do empregador, ou seja, o resultado do trabalho não tem relevância. É a chamada “locatio operarum”, diversa do trabalho autônomo chamado de “locatio operis”, onde o resultado do serviço tem fundamental importância, sendo devido o pagamento após a efetivação do resultado ajustado entre as partes.

Improsperável, portanto, a pretensão de relação de emprego, pois se assim fosse, a remuneração seria devida em razão da força de trabalho do reclamante e não condicionada a execução do trabalho.

O pagamento condicionado a determinadas obrigações aponta para o fato de que o reclamante era TRABALHADOR AUTÔNOMO, de acordo com o entendimento de ARNALDO SUSSEKIND e DÉLIO MARANHÃO, in Instituições de Direito do Trabalho, ed. Biblioteca Jurídica Freitas Bastos, 9ª edição, vol. 1, página 204:

“A distinção entre o trabalho autônomo e trabalho subordinado prende-se a duas categorias de locação de serviço, vindas do direito romano:

"locatio operis" e "locatio operarum". Na primeira, é o resultado do trabalho que importa; na segunda, a própria força do trabalho”.

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Inexistindo salário, requisito fundamental para a caracterização do vínculo de emprego, não há que se falar em contrato de trabalho, mas em mera relação comercial entre as partes.

 

Sob

a

ótica

do

requisito

salário,

é

forçoso

concluir

que

inexistiu

relação

de

emprego

entre

as

partes

demandantes.

O reclamante como devidamente comprovado na resenha fática, e na documentação em anexo, a saber, contrato de uso da marca Piquet Blindagens, reportagem em TV, Jornais e sites da internet, sempre assumiu a sua condição de sócio-proprietário da reclamada, sendo incontroverso tais fatos.

Neste diapasão:

“ O fato de prestar informações, assistir a reuniões ou ter zona exclusiva para vendas e exercer o trabalho com pessoalidade são fatores encontráveis também nas exigências da Lei n. 4.886/65 que rege o autônomo. O autônomo corre o risco do seu próprio

vendas

empreendimento,

efetuadas não assegurando a empresa qualquer

valor fixo. E a subordinação do empregado é de

todos os momentos, não só quanto à produção e

horas

produtividade,

trabalhadas em cada dia do mês” (2.930.127.982, Francisco Antônio de Oliveira, Ac. 5ª T. 41.440/94). TRT - São Paulo - DJU - 1994 (grifei)

recebendo

sobre

as

mas

também

quanto

às

O reclamante nunca exerceu os seus serviços para a reclamada na qualidade de empregado, pelo contrário, todo o

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serviço foi realizado de forma empresarial e autônoma, portanto, toda a sua renda mensal dependeria do faturamento da empresa, sendo, flexíveis tais retiradas a título de pró-labore.

nunca

exerceu as funções de empregado para a reclamada, inexistindo portanto, qualquer espécie de vínculo trabalhista entre as partes.

Assim,

é

patente

que

o

reclamante

DA REMUNERAÇÃO

É improsperável a pretensão do Reclamante no que diz respeito à sua remuneração, posto que nunca recebeu qualquer espécie de salário ou comissão de vendas.

São inverídicas as afirmações de que recebia mensalmente um salário de R$ 6.000,00 (seis mil reais), mais uma comissão de 5% (cinco por cento) por cada veículo blindado.

De fato, o que ocorria, eram retiradas em dinheiro a título de pró-labore, valores esses que variavam de acordo com o faturamento da empresa reclamada.

Por ocasião do rompimento da sociedade, o reclamante se achou no direito de pleitear na Justiça Laboral o recebimento de verbas trabalhistas às quais não faz o menor jus, devendo esse D. Juiz indeferir toda e qualquer verba nesse sentido.

DA AUSÊNCIA DE SUBORDINAÇÃO

As alegações constantes da inicial dão conta de que jamais houve qualquer espécie de subordinação do reclamante

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em relação à reclamada, seja quanto as atividades desenvolvidas, seja em relação ao controle de jornada de trabalho.

De fato, o reclamante na condição de sócio- proprietário, era o senhor de suas atividades, desenvolvendo-as da forma que melhor lhe aprouvesse, não havendo qualquer forma de ingerência da reclamada nas atividades por ele desenvolvidas, pelo contrário, esse poderia faltar ao trabalho, chegar fora do horário, ir embora mais cedo, pois como sócio não estava obrigado a cumprir jornada de trabalho, nem tão pouco era sobordinado a qualquer pessoa.

Assim, devido a relação havida entre as partes é incompatível a existência de subordinação hierárquica alegada na peça inaugural.

Não havendo subordinação, inexiste relação de emprego entre as partes, de acordo com o julgado abaixo transcrito:

“A subordinação é condição "sine qua non" para a configuração de relação empregatícia (TRT/SP, 2.940.108.417, Ildeu Lara de Albuquerque, Ac. 9ª T.

19.313/95)”.

EMENTA: RELAÇÃO DE EMPREGO - AUSÊNCIA DE UM DOS REQUISITOS - INEXISTÊNCIA. O reconhecimento da existência de relação de emprego só ocorre na presença conjunta dos requisitos elencados nos arts. 2° e 3°, da CLT, ou seja, pessoa física, serviços de natureza não eventual, subordinação, onerosidade e pessoalidade na prestação dos serviços. Faltando

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qualquer deles, ainda que estejam presentes os demais, a relação havida é outra, não a de emprego juridicamente protegida. (TRT-24ª Região - RO - 556/2001 - Relator: Juiz NICANOR DE ARAÚJO LIMA - publicada no DO-MS nº 5791, 11/07/2002).

Desta feita, o reclamante, não integrando o quadro funcional da reclamada, não se subordinava ao poder disciplinar desta, sendo, portanto, incompatível a sua qualidade de empregado.

DA INEXISTÊNCIA DE DEPENDÊNCIA ECONÔMICA

É inconteste a inexistência de subsidiariedade econômica do reclamante para com a reclamada, mormente se considerarmos sua condição de SÓCIO-PROPRIETÁRIO, não havendo jamais qualquer espécie de remuneração que pudesse se enquadrar como salário.

Incontroversa a variação dos honorários, conforme a realização de serviços. Ainda que o reclamante dependesse economicamente da reclamada, o que não é o caso, ainda assim não haveria que se falar em vínculo empregatício ou subsidiariedade, diante da evidente relação comercial existente entre as partes.

Não há razão, portanto, para se justificar o pretendido vínculo, diga-se mais, sequer há embasamento jurídico do pedido.

Em síntese, o reclamante não recebia ordens de nenhum empregado ou sócio da reclamada, não estando

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subordinado ao seu poder de direção em sua tríplice dimensão: poder de organização, poder de controle e poder disciplinar.

Do exposto, restou devidamente demonstrada a inexistência de vínculo empregatício entre o reclamante e a reclamada, bem como seus sócios, tendo em vista a manifesta ausência de subordinação hierárquica, subsidiariedade e configuração de salário, mas apenas uma relação estritamente comercial, caindo por terra os pedidos lançados pelo reclamante na prefacial.

DA IMPROCEDÊNCIA DOS VALORES COBRADOS

Ante ao que restou explicitado nos tópicos anteriores, infere-se que os valores cobrados na inicial são indevidos, ante inexistência de vínculo empregatício existente entre as partes, se não vejamos:

HORAS EXTRAS

Ante a inexistência de relação jurídica entre a SALVADOR BLINDAGEM AUTOMOTIVOS LTDA. e o reclamante, não há que se falar em pagamento de adicional de horas extras, que somente é devido quando há prestação de serviço extraordinário.

Na espécie, o postulante não prestou quaisquer serviços a reclamada na qualidade de EMPREGADO, seja em caráter normal ou extraordinário, o que impede o pagamento de verbas de natureza trabalhista, mormente as atinentes ao citado adicional.

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Cumpre aduzir ainda, que o reclamante era sócio da reclamada e não empregado, como afirma em sua peça inicial.

O reclamante alega que teria laborado em

sobrejornada durante a suposta relação empregatícia, sem que a

reclamada

sua

jornada regular.

lhe

pagasse

as

horas

trabalhadas

excedentes

da

Inverídicas

tais

alegações,

uma

vez

que

o

reclamante não era empregado da reclamada, mas sim, sócio.

da

Consolidação das Leis do Trabalho, é claro ao preconizar que “ A PROVA DAS ALEGAÇÕES CABE À PARTE QUE AS FIZER”, desse entendimento, sendo as horas extras fato constitutivo de direito, o ônus de provar compete única e exclusivamente à parte que as alega.

Lembre-se,

ainda,

que

o

artigo

818

Ademais, apenas à título de argumentação, caso fosse reconhecido o vínculo empregatício, o próprio reclamante alega que exercia as funções de gerente, daí, enquadra-se o mesmo na exceção de que trata o art. 62, II, da CLT, não fazendo jus a horas extras.

Há de se ter nessa perspectiva, que o gerente é um empregado como outro qualquer, mas que, dada a natureza da função desempenhada, em que o elemento fiduciário, existente em

todo contrato de trabalho, assume especial relevo, não se beneficia da proteção legal com a mesma amplitude atribuída aos demais ”

(Maranhão, Délio, Instituições de Direito do Trabalho,

vol. 1 19ª ed. Editora LTr, pág. 316).

empregados

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Os Tribunais reiteradamente já decidiram nesse

sentido:

HORAS EXTRAS – GERENTE – O gerente de departamento, ainda que com limitados poderes de representação do empregador, não sujeito a controle de horário e que se diferencia dos demais empregados da empresa pelo padrão salarial mais elevado, enquadra-se na exceção de que trata o art. 62, II, da CLT, não fazendo jus a horas extras. (TRT 12ª R. – RO-V . 7928/2001 – (02198/2002) – Florianópolis – 1ª T. – Rel. Juiz Gerson Paulo Taboada Conrado – J. 27.02.2002).

HORAS EXTRAS – GERENTE – Não faz jus a horas extras o empregado que, no exercício da função de Gerente de Departamento, ocupava cargo de confiança, nos moldes do art. 62, II, da CLT. Férias – Deve ser excluída da condenação a parcela relativa a férias quando comprovadamente paga e em dobro. Recursos conhecidos. Não provido o apelo do reclamante. Provido integralmente o adesivo. (TRT 11ª R. – RO 1917/01 – (617/2002) – Rel. Juiz Othílio Francisco Tino – J. 07.02.2002).

Dessa feita, verifica-se como inaceitável o pagamento de horas extras elencadas na peça vestibular, bem como o seu reflexo em quaisquer outras parcelas rescisórias.

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AVISO PRÉVIO

Tal verba é indevida, posto decorrer da prestação de serviço com vínculo empregatício, o que conforme já demonstrado e provado nunca existiu, conseqüentemente não faz jus ao pedido supra. Portanto, pugna-se pela sua total improcedência deste juntamente com os demais pedidos.

DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO, FÉRIAS PROPORCIONAIS + 1/3, FGTS + 40%

No que pertine aos pleitos referentes às férias proporcionais adicionadas do 1/3 Constitucional, Gratificação Natalina e depósitos fundiários, é inquestionável que o Obreiro não tem direitos legais a perceber quaisquer dessas parcelas, haja vista que o mesmo não mantinha nenhum vínculo empregatício com a reclamada.

Ademais, é inconteste, que o pedido feito de forma genérica fere o princípio do contraditório e da ampla defesa do contestante, bem como impede esse MM. Juízo de declarar quais verbas poderão ser procedentes. Vê-se, assim, mais um motivo para se propugnar pela total improcedência da exordial.

DA MULTA DO ARTIGO 477 DA CLT

Uma vez que jamais houve vínculo empregatício entre o Reclamante e a Reclamada, não há razão para pleitear qualquer tipo de verba salarial ou indenizatória. Portanto, este pedido, juntamente com os demais, deverá ser julgado totalmente improcedente.

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Por conseguinte, existindo discussão a respeito da relação jurídica ensejadora da rescisão, inaplicável a multa prevista no art. 477 da CLT.

Este

entendimento

por este Regional, se não vejamos:

encontra-se

sedimentado

“ÔNUS DA PROVA. MULTA RESCISÓRIA – O ônus da prova dos fatos constitutivos do direito que pleiteia é do reclamante. A DIVERGÊNCIA ACERCA DAS VERBAS AFASTA A CONDENAÇÃO DO RECLAMADO NA MULTA RESCISÓRIA PREVISTA NO ART. 477 DA NORMA CONSOLIDADA”.(Ac. 3868/97, Rel. Juiz Raimundo Feitosa de Carvalho, DJ. 26/09/97).

pátria:

Neste

sentido,

também,

é

a

jurisprudência

“Art. 477 da CLT. Em sendo discutível a relação jurídica, não há que se falar em multa do art. 477, da CLT, instituída tão somente para os casos regulados pelo artigo em questão, onde pressuposto é a relação de emprego incontroversa e a intenção deliberada do empregador de não quitar os títulos reconhecidamente devidos”.(TRT, 2ª R., 3ª T., RO 02930479242, Ac. 025082991, Rel. Maria de Fátima Ferreira dos Santos, DOE - SP 25/07/95, p. 27).

Assim, evidencia-se a improcedência da multa perquerida e objeto deste tópico, dada a inexistência de relação de emprego, falindo, assim, a intenção de receber o seguro desemprego, devido tão somente, ao trabalhador empregado, com existência de

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contrato de trabalho, nos termos do artigo transcrito, o que não se aplica ao caso do REQUERIDO.

DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 467 DA CLT

Destarte, é irretorquível a inaplicabilidade do artigo 467 da CLT pois, contestada a existência da relação empregatícia, não há dúvidas quanto a improcedência da dobra salarial. Neste sentido, cabe analisar o disposto no artigo citado:

“Art. 467. Em caso de rescisão de contrato de trabalho, havendo controvérsia sobre o montante das verbas rescisórias, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador, à data do comparecimento à Justiça do Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas, sob pena de pagá-las acrescidas de cinqüenta por cento.”

Ora, não se está discutindo o montante das verbas rescisórias, mas a própria inexistência do vínculo empregatício, o que não apenas torna indevidas alusivas verbas, mas notadamente, torna injusta a sua paga em dobro, nos termos do artigo transcrito, eis que não se trata de negativa de pagamento, girando a discussão em torno da própria descaracterização do vínculo empregatício.

DO FGTS

Sabe-se que as parcelas pleiteadas neste item do pedido são direitos atribuídos àquelas pessoas conceituadas como empregadas pela CLT. O que não ocorre na espécie, porquanto, como já asseverado, a Reclamada jamais possuiu essa relação e/ou conceito. Fica desde já igualmente impugnada.

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DAS GUIAS DO SEGURO DESEMPREGO

Não há que se falar em liberação de guias de seguro desemprego, nem tão pouco em indenização por omissão na liberação das mesmas, ante a total inexistência de relação de emprego entre o reclamante e a reclamada.

DA ANOTAÇÃO E BAIXA DA CTPS DO RECLAMANTE

Como não existiu relação empregatícia que ensejasse a anotação na CTPS do reclamante, tal pleito também é indevido.

DOS DANOS MORAIS

DA AUSÊNCIA DE PROVA E DE DANO

“O dano, para ser indenizado, há de ser alegado e provado na fase probatória que antecede à sentença. Não pode ser relegado para apuração posterior em fase de liquidação de julgamento. O que se apura em liquidação é apenas o quantum, nunca a existência mesma do prejuízo.”(TAMG, Ap. 60.348, Rel. Dês. Humberto Theodoro Jr., in Responsabilidade Civil, Ed. Aide, Vol. I, pg. 218)

Desnecessário sublinhar que a comprovação das alegações cabe à parte que as fizer, incumbindo ao autor demonstrar os fatos constitutivos de seu direito (art. 333 da Lei de Ritos).

Contudo, uma análise perfunctória dos autos resulta suficiência para dessumir-se não haver qualquer evidência de veracidade dos fatos articulados, uma vez que o reclamante não comprovou nenhuma conduta ilegal da reclamada.

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Ademais, sequer enquista qualquer instrumento comprobatório de inflicção de dano sofrido.

Donde

se

infere,

com

nitidez

solar,

ser

absolutamente indevido o requesto consignado na peça vestibular.

DA IMPUGNAÇÃO DOS DOCUMENTOS

Ficam de logo impugnados todos os documentos por ventura anexados ao termo de reclamação, por imprestáveis à prova das alegações neles expendidas, uma vez que foram produzidos unilateralmente reclamante ao seu alvedrio, os quais não condizem com as realidades fáticas – a inicial é omissa quanto à juntada de quaisquer documentos de comprovações do quanto alegado e de suas possíveis autenticações - muito menos terá o condão de provar o suposto vínculo empregatício viciosamente almejado.

DOS PEDIDOS

a)

extinta a ação, dada a inexistência de vínculo empregatício, a ensejar

a carência da ação.

Seja acolhida a preliminar alegada, julgando-se

b)

sentido contrário, não acolhendo a preliminar aduzida, sejam consideradas as razões de mérito, julgando-se integralmente improcedente a presente reclamação.

Entrementes, caso V. Excelência entenda em

c)

acordo com art. 77, III do CPC, a sócia-proprietária e sogra do reclamante, MARIA LÊDA FREITAS DA COSTA, devendo ser a mesma

Seja chamada a compor a presente lide, de

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notificada no endereço Rua Ana Bilhar, 867, apto. 1501, Bairro Meireles, Fortaleza/CE, CEP: 60160-110.

Protesta e requer provar o alegado por todos os

meios de prova admitidos em direito, como juntada posterior de documentos, oitiva de testemunhas, perícia e outras que o caso

necessite, tudo de logo requerido.

d)

Pede deferimento. Salvador/BA, 12 de janeiro de 2009.

CARLOS César de Carvalho LOPES Advogado – OAB/CE 13587

Documentos em anexo:

01. Contrato Social

02. Minuta de Contrato de Licenciamento

03. Notificação Extrajudicial

04. Matéria em Site do Jornal Foco Regional

05. Matéria em Site da Abrac Notícias

06. Matéria em Blog da Internet JB Tecidos

07. Informativos de processos em nome do reclamante