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Tratamento de Solos Moles

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Índice
1. Introdução ....................................................................................................................... 1
PARTE 1 COMPORTAMENTO DOS SOLOS MOLES .......................................................... 2
2. Resistência e deformabilidade ........................................................................................ 4
3. Fundações em solos moles ............................................................................................ 4
3.1. Assentamento de solos moles ................................................................................. 4
3.1.1. Assentamentos imediatos .................................................................................... 7
3.1.2. Teoria da consolidação unidimensional ................................................................ 8
3.1.3. Teorias da consolidação multidimensional ......................................................... 20
3.1.4. Previsão do assentamento ................................................................................. 23
3.2. Considerações finais ............................................................................................. 32
PARTE 2 PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SOLOS MOLES ....................................... 33
4. Estabilização de solos .................................................................................................. 34
4.1. Estabilização de solos por mistura de aditivos químicos ........................................ 34
4.2. Estabilização térmica de solos ............................................................................... 40
5. Reforço de solos ........................................................................................................... 46
5.1. Injecção de solos ................................................................................................... 47
5.2. Estacas de brita ..................................................................................................... 50
5.3. Micro-estacas ........................................................................................................ 61
5.4. Pregagem de solos ................................................................................................ 64
5.5. Terra armada ......................................................................................................... 69
6. Compactação profunda ................................................................................................. 70
7. Aceleração da consolidação ......................................................................................... 79
7.1. Aceleração da consolidação por electro-osmose ................................................... 81
7.2. Pré-cargas ............................................................................................................. 85
7.2.1. Pré-cargas por vácuo ......................................................................................... 87
7.2.2. Pré-cargas com aterros ...................................................................................... 89
ii
7.3. Drenos verticais ..................................................................................................... 94
7.3.1. Introdução .......................................................................................................... 95
7.3.2. Métodos de cálculo ............................................................................................ 95
7.3.2.1. Hipóteses de cálculo ....................................................................................... 95
7.3.2.2. Teorias de consolidação radial ....................................................................... 95
7.3.2.3. Métodos numéricos ........................................................................................ 95
7.3.2.4. Métodos probabilísticos .................................................................................. 95
7.3.2.5. Resultados práticos ........................................................................................ 95
7.3.3. Dimensionamento prático de drenos verticais .................................................... 95
7.3.4. Experimentação em verdadeira grandeza .......................................................... 95
7.3.5. Tipos e modos de execução de drenos .............................................................. 95
7.4. Outros métodos ..................................................................................................... 95
PARTE 3 CONCEPTUALIZAÇÃO DE UM MODELO A UTILIZAR ...................................... 96
8. Métodos de tratamento de solos considerados ............................................................. 96
9. Modelos de análise a adopter ....................................................................................... 96
10. Calibração dos modelos a aplicar.............................................................................. 96
PARTE 4 ANÁLISE DO CASO DO TERMINAL DE MATÉRIAS PRIMAS DA SIDERURGIA
NACIONAL .......................................................................................................................... 97
11. Objectivos da obra .................................................................................................... 97
12. Caracterização da situação de referência ................................................................. 97
13. Concepção da solução. Métodos aplicados. ............................................................. 97
14. Execução e observação do aterro experimental ........................................................ 97
15. Comportamento do terrapleno ................................................................................... 97
PARTE 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 98
16. Conclusões ............................................................................................................... 98
Bibliografia ........................................................................................................................... 99

iii
Índice de Figuras
Figura 1 – Comparação da previsão e observação das pressões intersticiais da água (segundo
(Tavenas, et al., 1980)) ........................................................................................................................... 5
Figura 2 – Análise convencional unidimensional para 0 calculo dos assentamentos: a) erros
cometidos; b) importância relativa dos assentamentos imediatos (segundo da consolidacão,1968) .... 6
Figura 3 – Ensaio edométrico esquemático. Notação e terminologia................................................... 10
Figura 4 - Curvas tempo assentamentos para aterros em argilas moles: A) altura do aterro 0.30m; B)
altura do aterro 6.0m, segundo Olson e Ladd, (1979). ......................................................................... 13
Figura 5 - Esquematização do método de Bjerrum para cálculo dos assentamentos primário e
secundário segundo BJERRUM (1973). ............................................................................................... 14
Figura 6 – Cálculo comparativo, usando a teoria de Terzaghi e o método CONMULT, de: a)
assentamento total; b) tensões verticais na base do provete (segundo LEROUEIL e TAVENAS, 1981).
............................................................................................................................................................... 15
Figura 7 – Assentamentos observados e calculados pelo método CONMULT sob o aterro
experimental de St. Alban (segundo Leroueil e Tavenas, 1981). ......................................................... 16
Figura 8 – Análise gráfica de assentamentos baseada no modelo auto-regressivo de Asaoka: a)
discretização da curva de assentamentos; b) dados usados na construção de Asaoka; c) Diagrama da
construção de Asaoka (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980). ........................................................... 19
Figura 9 – Resultados típicos da análise de Asaoka no caso de carregamento em duas fases de um
estrato compressível do solo, com consolidação secundária (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980). 20
Quadro 1 – Resumo das equações da consolidação básicas, para as teorias de Terzaghi-Rendulic e
de Biot. .................................................................................................................................................. 22
Figura 10 – Comparação dos resultados das teorias de Terzaghi-Rendulic, e de Biot: a) evolução do
excesso de tensão intersticial; b) evolução da tensão octaédrica efectiva (segundo VIGIANI, 1970). 23
Figura 11 – Exemplo elementar do método do caminho das tensões. K1 representa a envolvente de
rotura. .................................................................................................................................................... 25
Figura 12 – Coeficiente de assentamento de Skempton-Bjerrum, em função do coeficiente de pressão
neutra, para sapatas contínuas e circulares (segundo SCOTT, 1963)................................................. 27
Figura 13 – Exemplo de aplicação da teoria do estado crítico. Caminho de tensões efectivas possível
pelo carregamento com um aterro. ....................................................................................................... 29
Figura 14 — Limites de aplicacao 00s varios twos de tratamento em funcao da granulometria dos
solos (segundo Mitchell 1981)............................................................................................................... 34
iv
Figura 15 – Execução de uma estaca de cal pelo método sueco: a) Execução da estaca; b) Estaca
pronta; c) Misturador. ............................................................................................................................ 36
Figura 16 – Esquema do cálculo de assentamentos, para cargas elevadas, no caso de estacas de cal
(segundo BROMS, 1985). ..................................................................................................................... 37
Figura 17 – Esquema do cálculo dos assentamentos em solos tratados com estacas de cal, para
cargas reduzidas (segundo BROMS, 1985). ........................................................................................ 38
Figura 18 – Condutividade térmica do solo (segundo Mitchell, 1981, adaptado de Kersten, 1949). ... 41
Figura 19 – Esquema para tratamento térmico em profundidade (segundo Litvinov, 1960, citado por
Mitchell, 1981). ...................................................................................................................................... 42
Figura 20 – Efeito da heterogeneidade dos estratos geológicos na forma da zona congelada (segundo
Schuster, 1972). .................................................................................................................................... 43
Figura 21 – Curvas de fluência para uma argila siltosa orgânica (segundo Sanger e Sayles, 1979). . 45
Figura 22 – Métodos correntes de congelação de solos (segundo Schuster, 1972). ........................... 46
Figura 23 - Limites de aplicacao de varios tipos de calda em função da granolometria dos solos e
propriedades dos solos tratados (segundo mighell,i981) ..................................................................... 47
Figura 24 – Tipos de injecções ............................................................................................................. 48
Figura 25 – Tipos de malhas de distribuição de estacas: a) malha hexagonal; b) malha triangular; c)
malha quadrada (segundo Cristóvão, 1985). ....................................................................................... 52
Figura 26 – Tipos de rotura de estacas de brita (segundo Bergado et al,, 1984). .............................. 53
Figura 27 – Curvas tensões – deformações radiais, determinada com base em ensaios
pressiométricos (adaptado de Bergado et al., 1984). .......................................................................... 53
Figura 28 – a) Deslocamento vertical, em profundidade; b) Deslocamento radial do perímetro da
estaca/raio inicial da estaca, com a profundidade (segundo Hughes e Withers, 1974). ...................... 54
Figura 29 – Comparação da tensão máxima, numa estaca de brita, em função do ângulo de atrito
interno (segundo Cristóvão, 1985). ...................................................................................................... 56
Figura 30 – Curvas carga assentamento para várias estacas de brita, e para o solo sem tratamento
(segundo Bergado et al., 1984). ........................................................................................................... 58
Figura 31 – Comparação dos factores de melhoramento do solo de acordo com vários autores
(segundo Cristóvão, 1985). ................................................................................................................... 58
Figura 32 – Factor de redução das deformações em regime elástico (segundo Goughnour, 1983). . 61
Figura 33 – Factor de redução das deformações em regime plástico: a) Ф
estaca
=45º, K
o
=0.4 e 0.5; b)
Ф
estaca
= 40º, K
o
= 0.4 e 0.5 (segundo Goughnour, 1983). ................................................................... 61
Figura 34 – Curvas de tensão deformação para sapatas em solo virgem, e sobre grupos de estacas
verticais ou inclinadas com base de areia ou tout-venant (segundo Plumelle, 1984). ......................... 63
v
Figura 35 – Esquema conceptual da instalação dos pares de micro estacas e nodo de funcionamento
dessas micro estacas (segundo Pitt e Rhodes, 1984). ........................................................................ 64
Figura 36 – Execução de pregagens estabilizando um talude de escavação (segundo Stocker et al.,
1979). .................................................................................................................................................... 65
Figura 37 – Mecanismos de rotura possíveis num muro de escavação pregado (segundo Stocker et
al., 1979). ............................................................................................................................................... 66
Figura 38 – Esquema de cálculo de estabilidade de um muro de suporte pregado (segundo Stocker
et al., 1979). ........................................................................................................................................... 66
Figura 39 – Ábacos de pré dimensionamento de pregagens (segundo Bangratz e Gigan, 1984). .... 69
Figura 40 – Relação entre o peso e a alyura da queda, na compactação dinâmica (segundo Mayne
et al., 1984). ........................................................................................................................................... 72
Figura 41 – Representação do comportamento do solo: a) quando sob a aplicação de uma carga
estática; b) quando sob a acção de carga repetida na consolidação dinâmica. (segundo Ménard e
Boise, 1975). ......................................................................................................................................... 75
Figura 42 – Dissipação das tensões intersticiais. Exemplo de Botlek (segundo Ménard e Boise,
1975). .................................................................................................................................................... 75
Figura 43 – Relação entre a profundidade aparente máxima de influência e a energia por pancada
(segundo Mayne et al., 1984). ............................................................................................................... 76
Figura 44 – Esquema de ábaco de dimensionamento de compactação dinâmica para espessura
constante da camada a tratar (segundo Jesseberger e Beine, 1981). ............................................... 77
Figura 45 – Velocidade das partículas em função de um factor de energia (segundo Mitchell, 1981).
............................................................................................................................................................... 79
Figura 46 – Tratamento por electro-osmose sobre a argila mole de AS: ............................................. 84
a)variações do teor em água ................................................................................................................. 84
b) variação da coesão não drenada ...................................................................................................... 84
(segundo Bjerrum et al, 1967). .............................................................................................................. 84
Figura 47 – melhoria da coesão não drenada Cu de uma argila remoldada tratada por electro-
osmose: ................................................................................................................................................. 85
a) electro-drenagem; b) electro-injecção de silicato de sódio (35%); c) electro-injecção de cloreto de
amónia (10%); (segundo Caron, 1971). ............................................................................................. 85
Figura 48 – Tipos de précarga: a) Construção com sobrecarga; b) Construção por fases. ................. 86
Figura 49 – Método de pré carga por vácuo: a) Processo de Kjellman (1952); b) Processo do poço. 88
Figura 50 – Compensação do assentamento devido à consolidação primária numa aplicação de
sobrecarga. ............................................................................................................................................ 91
vi
Figura 51 – Cálculo do grau de consolidação sob a sobrecarga necessária para compensar o
assentamento da consolidação primária sob a carga de serviço (segundo PILOT, 1977). ................. 92
Figura 52 – Distribuição das tensões intersticiais da água após a remoção da sobrecarga, para o
momento t=t
1
(segundo MITCHELL, 1981). .......................................................................................... 93









1


1. Introdução


2

PARTE 1 COMPORTAMENTO DOS SOLOS MOLES
A noção de "solo mole" não tem, até ao momento, uma definição quantitativa precisa. De um
ponto de vista qualitativo, podemos dizer que solos moles serão aqueles em que qualquer
construção - aterro, edifício ou outro -, mesmo transmitindo cargas reduzidas ao solo de
fundação, pode provocar roturas ou assentamentos importantes, sendo necessário tomar
em conta estes factos a nível de projecto.
Apesar de, até ao momento, não haver uma definição quantitativa precisa, há várias
características geralmente reconhecidas aos solos moles. Assim, os solos moles são solos
de formação muito recente, de origem sedimentar em meio aquoso, (por via mecânica ou
química) constituídos essencialmente por partículas finas, classificando-se, do ponto de
vista granulométrico, em argilas, argilas siltosas ou no extremo, siltes argilosos; a sua
formação recente leva as que sejam solos normalmente consolidados, ou ligeiramente sobre
consolidados, eventualmente ainda sub consolidados, à excepção da crosta superficial,
onde os ciclos de molhagem e secagem provocaram geralmente uma camada apresentando
forte sobre consolidação; são solos apresentando elevado grau do saturação, baixo indice
de consistência (I
c
< 0.5, podendo eventualmente apresentar valores negativos); apresentam
elevada deformabilidade, e baixa permeabilidade.
Esta última característica, elevada deformabilidade associada a baixa permeabilidade, faz
com que os grandes assentamentos que se verificam neste tipo de solos se processem em
geral ao longo de espaços de tempo bastante dilatados, corn os inevitáveis inconvenientes
para a construção e exploração de obras de engenharia civil.
Por último, outra das importantes características apresentadas por este tipo de solos é a sua
baixa resistência ao corte, com os inevitáveis problemas de estabilidade das obras a
construir. No entanto, quanto a esta característica, a escola "ocidental" a a escola russa
diferem nos limites considerados. Assim, para a escola russa, solo mole será todo aquele
que apresentar uma pelo menos das seguintes características ( (Evgeniev, et al., 1976) e
(Abelev, 1977)):
1) Resistência ao corte determinada por ensaio de molinete "in situ" menor que 75
KPa;
2) Deformação sob uma carga de 250 KPa superior a 50 mm/m.
3
A escola "ocidental" define, do ponto de vista de resistência ao corte sem drenagem o limite
de 25 KPa (CORREIA, R.P., 1982, FLODIN, N. e BROMS, B, 1981). De acordo com esta
definição podemos sub dividir estes solos, quanto a consistência, em moles a muito moles
(LNEC 1968 a, b).
A particularidade da génese dos solos moles reflecte-se na sua localização. Assim,
podemos estar confrontados com fundações em solos moles em praticamente qualquer
região, junto a rios, pântanos, lagos, planícies aluvionares, junto à linha da costa de mares
existentes, ou nas zonas até recentemente ocupadas por mares.
Como se disse atrás, os problemas postos pelos solos moles, quando servem de fundação a
obras de engenharia, são essencialmente de dois tipos:
- assentamentos excessivos
- capacidade de carga insuficiente.
Verifica-se um outro problema, nas que poderemos considerar relacionado com o primeiro
dos problemas referidos: as deformações no tempo darem-se em prazos demasiado longos.
A dificuldade de tratar estes problemas deve-se essencialmente ao modelo de
comportamento das argilas demasiado simplista, que serve de base ao projecto de aterros e
outras fundações, neste tipo de solo. Este modelo, apresentado inicialmente por
SKEMPTON (1948) considera duas fases de comportamento distintas, para as argilas
moles. Na primeira fase, correspondente a fase de construção da obra, devido à rapidez de
colocação das cargas, em conjunção com a permeabilidade reduzida das argilas, teremos
uma resposta não drenada do solo. Na segunda fase, após a construção, desenvolve-se a
consolidação da camada argilosa, associada à variação das tensões intersticiais da água,
tensões efectivas, deformações, e resistência disponível.
Poderemos dizer que a aceitação desta dualidade da análise - análise "não drenada" e
análise "drenada" - foi facilitada pelo facto de o comportamento não drenado e drenado
corresponderem a tipos de ensaios laboratoriais ou "in situ" específicos: ensaio triaxial não
drenado ou ensaio molinete (Vane test) no primeiro caso, e ensaio triaxial drenado e ensaio
edométrico no segundo caso. Ainda teremos que considerar a facilidade de usar a teoria da
elasticidade para análise das tensões e deformações, no caso do comportamento "não
drenado", com ν= 0.5, e a deformação lateral nula, como é representado no ensaio
edométrico, para a análise da consolidação.


4
2. Resistência e deformabilidade

3. Fundações em solos moles
3.1. Assentamento de solos moles
Nesta dissertação, a preocupação dominante é relativa às fundações em solos moles, de
aterros, tal como referido no Capítulo 1. Vai portanto ser dada especial ênfase aos
problemas relacionados com este tipo de obra.
Tal como referimos acima, a questão das deformações da fundação é uma questão de
particular relevância na análise de aterros em argilas moles. Distinguem-se, no
assentamento global de uma estrutura, três componentes: o assentamento imediato,
também chamado inicial ou não drenado, e que, de acordo com os princípios clássicos da
resposta "não drenada", é uma deformação a volume constante provocada pela tensão de
corte sob a área carregada; o assentamento provocado pela consolidação, também
designada por consolidação primária, provocada pela drenagem da água do solo, como
consequência do gradients hidraulico do excesso de pressão intersticial da água provocado
pelo carregamento; e o assentamento devido à consolidação secundária, também
designado por consolidação secular, que se dá, na sua quase totalidade, após a dissipação
das tensões neutras, a tensão efectiva constante.
5

Figura 1 – Comparação da previsão e observação das pressões intersticiais da água (segundo (Tavenas,
et al., 1980))

0 assentamento imediato dá-se, como foi referido, com um comportamento não drenado,
isto segundo a análise clássica. No entanto, LEROUEIL (1978) e (Tavenas, et al., 1980)
mostraram que logo no início da construção, e devido ao facto de as argilas moles
apresentarem usualmente sobreconsolidação, a resposta inicial desses solos é uma
consolidação primária, de modo a que a argila se tome normalmente consolidada durante a
construção. Só então é que estes solos apresentam um comportamento não drenado.
(Tavenas, et al., 1980) pensam que este facto poderá justificar a sobre estimação do valor
das tensões intersticiais da água, usualmente verificada (Veja-se Figura 1).
Quanto aos assentamentos por consolidação primária, e por consolidação secundária, não
há unanimidade quanto ao modo de as separar. A pratica corrente consiste em considerar
que a consolidação secundária se inicia unicamente após a conclusão da consolidação
primária.
Como é lógico, a análise bi ou tridimensional do fenómeno da consolidação será uma
aproximação mais correcta do que a consideração do fenómeno como unidimensional. No
entanto, a dificuldade de cálculo, bem como a falta de modelos de comportamento bi ou
6
tridimensionais levaram a que, durante largos anos, se estabelecesse o uso generalizado da
teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi. No entanto, o aparecimento de meios de
cálculo mais potentes, facilitou a introdução da resposta bi e tridimensionais nos cálculos.
No entanto, e considerando as incertezas na caracterização correcta dos solos de fundação
muitas vezes ocorrente, a sofisticação do cálculo tem reduzido interesse prático.


Figura 2 – Análise convencional unidimensional para 0 calculo dos assentamentos: a) erros cometidos;
b) importância relativa dos assentamentos imediatos (segundo da consolidacão,1968)
Aliás, DAVIES e POULOS (1968), considerando uma sapata circular a superfície de um solo
de fundação com duas camadas, demonstraram que os erros da utilização de teorias
unidimensionais aumentam rapidamente com a espessura do estrato compressível, mas
unicamente para coeficientes de Poisson, com drenagem, ν’ >0.3 (Figura 2a); demonstraram
ainda que a percentagem do assentamento imediato, relativamente ao assentamento total,
aumenta com a espessura do estrato compressível, e com o aumento de ν’ (Figura 2b).
No entanto, podemos dizer que a maior influência da consideração de soluções bi ou
tridimensionais verifica-se na taxa de consolidação, devido à consideração da drenagem
lateral.
Até muito recentemente, isto é, até ao desenvolvimento e aplicação generalizada à
geotecnia do Método dos Elementos Finitos, procedia-se à análise dos assentamentos em
duas fases:
- em primeiro lugar procedia-se à determinação do aumento de tensão provocado no
estrato compressível pela aplicação da carga;
7
- seguidamente procedia-se ao cálculo dos assentamentos provocados por esse
incremento da tensão, aplicando uma relação tensões - deformações conveniente
(por exemplo, a lei deduzida do. ensaio edométrico).
Aliás, este continua a ser o processo mais vulgarmente usado para o cálculo de
assentamentos. O Método dos Elementos Finitos, permitindo analisar o desenvolvimento
das tensões e das deformações em qualquer ponto de um solo quando carregado,
permitindo ainda considerar qualquer geometria, condições de carregamento, e
propriedades do material complexas, é um utensílio valiosíssimo para o engenheiro. No
entanto, a sua aplicabilidade está grandemente limitada, presentemente, por dois
condicionalismos:
1. Para aplicação do FEM é necessário conhecer o estado de tensão no solo,
anteriormente a ser carregado;
2. A utilidade e aplicabilidade do FEM são bastante reduzidas pela falta de um
modelo do comportamento do solo suficientemente correcto.
Isto é, os métodos actualmente disponíveis, e essencialmente o "dogma" em que todos se
baseiam - a dualidade de comportamento não drenado durante o carregamento, e drenado a
longo prazo -apresenta deficiências graves, podendo-se dizer quo os bons resultados que
alguns desses métodos fornecem se devem a séries de erros que se compensam entre si (
(Tavenas, et al., 1980), LEROUEIL e TAVENAS, 1981). Assim, pode-se ser levado a
considerar o Método dos Elementos Finitos, no estado actual de conhecimentos, coma uma
ferramenta muito útil na investigação essencialmente na aplicação e verificação de novas
modelos reológicos pare comportamento dos solos moles, mas de reduzido interesse para o
engenheiro na análise dos casos correntes que tem que resolver.


3.1.1. Assentamentos imediatos

Num carregamento rápido do solo, os assentamentos imediatos são calculados com uma
teoria elástica linear. No entanto, no carregamento de um solo, em fase não drenada, pode-
se dar início a cedências locais (escoamento plástico contido), desde que as tensões de
corte nesses pontos sejam relativamente elevadas quando comparadas com as resistências
ao corte nos mesmos pontos. Ora o problema da aplicação da teoria elástica linear ao
cálculo dos assentamentos imediatos reside no facto de, após o início de cedências locais,
8
não ser possível calcular as redistribuições de tensões e deformações. D'Appolonia (1971)
desenvolveu, pare sapatas, a partir de uma análise por elementos finitos, um método
simplificado para ter em conta esse fenómeno (Veja-se, por exemplo, (Balasubramanian, et
al., 1981)).
Para o caso de aterros, em que a espessura do estrato compressível seja inferior a metade
da largura do aterro, os dados existentes levam a considerar que o início de cedências
locais se dá quando a carga aplicada ultrapasse 50% da carga de rotura do solo. Por
exemplo, TAVENAS et al (1974) observaram no aterro experimental de St.Alban, .Quebec,
que os assentamentos deixaram de obedecer ao comportamento elástico linear quando o
nível de tensões locais ultrapassam 60% de tensão de rotura no mesmo ponto, o quo
corresponde a uma altura do aterro experimental (logo de carga aplicada) de 50% da altura
em que se verificou a rotura do aterro. No entanto, posteriormente este autor considerou que
o comportamento dos solos, quando carregado, não segue imediatamente um
comportamento não drenado, desde que as argilas moles sejam sobre consolidadas, - como
aliás sucede com a grande maioria desses solos - mas antes haveria um comportamento
drenado, devido a passagem da argila de sobre consolidada a normalmente consolidada,
passando então a comportar-se como uma argila normalmente consolidada "desestruturada"
(Veja-se (Tavenas, et al., 1980), LEROUEIL et al 1979, LEROUEIL e TAVENAS 1981).


3.1.2. Teoria da consolidação unidimensional

Apesar de haver indícios de que já nos primórdios da História o homem se debatia com o
problema dos assentamentos ao longo do tempo dos solos argilosos moles, quando
carregados, só em 1923 foi apresentada por TERZAGHI (1923a, 1923b) uma formulação de
uma teoria coerente do fenómeno da consolidação. Para o êxito desta teoria, que hoje é
correntemente aplicada, apesar de reconhecidamente incorrecta, teve importância
fundamental a enunciação por TERZAGHI do princípio das tensões efectivas. Como é
conhecido, foi esta data geralmente reconhecida como a do início da Mecânica dos Solos,
como disciplina autónoma e teoricamente suportada.
As hipóteses simplificativas em que se baseia a teoria unidimensional de consolidação de
TERZAGHI são, resumidamente (TAVENAS, 1979; (Seco e Pinto, 1983)).
- saturação total do meio;
9
- incompressibilidade das partículas sólidas, e da água;
- fluxo unidimensional;
- validade da lei de DARCY;
- coeficiente de permeabilidade independente do índice de vazios;
- linearidade das relações tensões - deformações do material;
- inexistência da fluência do esqueleto sólido;
- hipóteses dos pequenos deslocamentos (linearidade geométrica).
Após TERZAGHI, vários autores têm apresentado teorias da consolidação
unidimensionais, actuando sobre alguma ou algumas das hipóteses simplificativas atrás
referidas. Na realidade, podem-se considerar como extensões, ou adaptações, da teoria
básica de TERZAGHI.
A formulação matemática baseada na teoria da consolidação de TERZAGHI, para o cálculo
dos assentamentos, é relativamente simples, e poderá ser expressa por:

Para considerar o significado desta fórmula, comecemos por referir que, para o estudo da
deformação unidimensional o assentamento imediato, ρ
i
é nulo. Assim, na expressão (1), ρ
T

representa o assentamento total, ∆h a espessura inicial do estrato, ∆σ’
v
o incremento da
tensão efectiva vertical no centro do estrato devida a carga aplicada, ρ
ed
é o assentamento
medido no ensaio edométrico, e m
v
o coeficiente de compressibilidade volumétrica, definido
por:

Nesta equação, ∆ε
v
é a deformação vertical, provocada pelo acréscimo de tensão ∆σ’
v
. e
o

é o índice de vazios inicial, e ∆e a variação do índice de vazios.
Generalizando esta expressão para o calculo de assentamentos, ao caso do carregamento
de uma argila sobre consolidada, onde teremos por tanto recompressão até ao estado de
normalmente consolidada, e enunciando-a em termos de índices de compressibilidade e de
recompressibilidade, C
c
e C
r
, respectivamente, poderemos escrever:

10
onde σ’
vo
é a tensão efectiva vertical inicial, σ’
vf
é a tensão vertical final, σ’
vp
é a tensão de
preconsolidação, e e
p
e o índice de vazios correspondente à intersecção da linha de
recompressão e de linha virgem. Esta terminologia, bem como o significado dos símbolos
usados, estão esquematizados na Figura 3, representando esquematicamente um ensaio
edométrico.

Figura 3 – Ensaio edométrico esquemático. Notação e terminologia.
Este método "convencional" de cálculo dos assentamentos foi desenvolvido por BUISMAN
(1936) e por KOPPEJAN (1948), para permitir analisar a consolidação secundária ou
secular. BUISMAN estabeleceu que assentamento de um estrato originado pelo fenómeno
da consolidação secundária varia linearmente com o logaritmo do tempo, e é independente
da espessura e do estrato; KOPPEJAN estabeleceu que o assentamento relativo uma
função linear do logaritmo de carga aplicada. Considerando o fim da consolidação primária
como início dos tempos para a consolidação secundária, e considerando um solo
normalmente consolidado, podemos escrever para exprimir os assentamentos provocados
pela consolidação secundária:

C
1
e C
2
são coeficientes a determinar a partir de ensaios edométricos de longa duração. t
s
é
o tempo para o qual se está a calcular o assentamento. Para aterros em solos moles,
11
MAGNAN et al (1979) propõem que se faça a comparação de expressão acima com a
expressão de TERZAGHI, de modo a que se tem e .
A escola americana propõe uma solução mais simples, para a análise do assentamento
devido a consolidação secundária:

Cα é o coeficiente da compressão secundária, definido pela variação do índice de vazios por
variação unitária do logaritmo dos tempos, após o fim da consolidação secundária. Como já
referimos, uma questão importante, não resolvida até ao presente, é a determinação de
quando se inicia realmente a consolidação secundária: se após a conclusão da
consolidação primária, se ainda durante o desenvolvimento desta.
Consideremos agora a teoria de consolidação de TERZAGHI, que serve de base ao método
"convencional" para c4lculo de assentamentos de estratos argilosos moles acima
apresentado. Já indicámos, de modo sumário, as hipóteses simplificativas nas quais se
baseia esta teoria de consolidação. A derivação da equação de consolidação de
TERZAGHI pode ser feita pela combinação da equação da continuidade para o
assentamento de um fluído, com a lei das tensões – deformações do esqueleto sólido,
considerando constante a tensão total (para esta derivação, veja-se (Lambe, et al., 1969)). A
equação de consolidação de TERZAGHI pode-se escrever na forma:

onde u
e
é o excesso de tensão neutra, h é a coordenada especial com origem no topo da
camada compressível, t é o tempo, e C
v
é o coeficiente de consolidação.
Matematicamente, a solução desta equação pode ser escrita como uma série de Fourier
(Veja-se (Balasubramanian, et al., 1981)):

H é o comprimento da drenagem; T
v
é um factor de tempo adimensional, definido por
. Pode eventualmente, nas tabulações e gráficos para solução da equação de
TERZAGHI, ter outras definições. Nesta teoria, o grau de consolidação U
s
é idêntico ao grau
de dissipação das tensões intersticiais da água, U
p
. É dado por:

12
Onde ρ
c
, é o assentamento final devido a consolidação, e ρ
c
(t) é o assentamento no
instante t.
As várias soluções disponíveis destas equações são em geral dadas em forma de gráfico de
U
s
ou U
p
em função de T
v
. A partir desses gráficos, o assentamento em qualquer instante t
pode ser obtido através de .
Como já referimos atrás, foram apresentadas, desde a apresentação por TEPZAGHT da sua
teoria de consolidação, várias teorias de consolidação unidimensional, que na realidade são
simples extensões de teoria primitiva de TERZAGHI. Essas teorias baseiam-se nas
hipóteses que suportam a teoria de TERZAGHT, com algumas alterações. Assim, temos
teorias em que se faz entrar o carregamento dependente do tempo, e não instantâneo. (
(Schiffman, 1958) e OLSON 1977, por exemplo).
Outros autores, considerando a lei da tensão - deformação linear como não realista
(TERZAGHI tinha usado a expressão , introduziram na
formulação da teoria de consolidação leis não lineares de tensão - deformação. (Gibson,
1967), (Mesri, et al., 1974), por exemplo exprimiram o índice de vazios como função do
logaritmo da tensão efectiva. No entanto, só é possível integrar esta formulação na solução,
por meio de métodos numéricos.
Outros autores ( (Poskitt, 1969) (Mesri, et al., 1974)) apresentaram soluções considerando a
variabilidade da permeabilidade e da compressibilidade. (Olson, et al., 1979) consideraram
um coeficiente de consolidação variável.
(Hansbo, 1960) considerou uma variação não linear do escoamento da água intersticial com
o gradiente da forma , aplicando-a ao problema dos drenos de areia. Alterando
assim a lei de DARCY, HANSBO verificou experimentalmente uma melhor concordância
com os dados de observação em algumas argilas suecas, com o expoente n>1. Este
comportamento poder-se-ia dever à obstrução de canais de escoamento por partículas. Este
facto foi observado por microfotografia electrónica (Hansbo, 1973).
Como referimos atrás, na teoria de TERZAGHI uma das hipóteses de base é a assunção de
que as deformações são suficientemente pequenas para poderem ser consideradas,
matematicamente, como infinitesimais, que equivale a dizer que o caminho de drenagens
permanece invariável durante o desenvolvimento do fenómeno. Recentemente, vários
autores abordaram o problema considerando uma deformação de consolidação finita e não
infinitesimal. Temos, por exemplo, o trabalho de MONTE e KRIDEK, 1976, (Mesri, et al.,
1974), etc..
13
\
'
) 2
Vários autores, entre os quais recentemente SCHIFFMAN e STEIN (1970), tentaram
generalizar a teoria clássica de TERZAGHI à modelização de sistemas estratificados do
solo. No entanto estas soluções são bastante complicadas, sendo geralmente preferidas
técnicas numéricas. Outros autores, entre os quais (Olson, et al., 1979) introduziram
correcções à teoria clássica para incluir o efeito de submergência dos terrenos.


Figura 4 - Curvas tempo assentamentos para aterros em argilas moles: A) altura do aterro 0.30m; B)
altura do aterro 6.0m, segundo Olson e Ladd, (1979).

Na Figura 4 apresenta-se um exemplo, para a influencia da submergência na relação
tempo-assentamento numa camada de 6 metros de espessura de argila, provocada por dois
aterros, de 0.3 m e 6 m de altura. A análise apresentada, elaborada por (Olson, et al., 1979),
utilizou um processo por diferenças finitas.
Ainda dentro do caso das teorias unidimensionais que temos estado a apresentar, de modo
muito reduzido, temos que considerar ainda os modelos de (Mesri, et al., 1974),
GARLANGER (1972) e MAGNAN et al (1979), que, relativamente A teoria de TERZAGHI,
têm a particularidade numa relação tensões - deformações dos solos mais desenvolvida, de
modo a incluir o efeito do tempo, ou seja, de modo a considerar a taxa de deformação,
ae/df. Estas teorias, bastante avançadas, têm a vantagem de se basearem em parâmetros
dos solos facilmente obtidos a partir do ensaio edométrico tradicional. Têm todos eles, no
entanto, o inconveniente de necessitarem de técnica de tratamento numérico para resolução
14
das equações que apresentam. Só como nota, uma das particularidades do método de
GARLANGER e considerar em simultâneo os efeitos combinados das consolidações
primária e secundária.

Figura 5 - Esquematização do método de Bjerrum para cálculo dos assentamentos primário e secundário
segundo BJERRUM (1973).

Os laboratórios de Ponts et Ghaussées, em Franca, em cooperação com a Université Laval,
no Quebec, apresentaram um modelo de consolidação unidimensional muito elaborado
(MAGNAN, 1979a, 1979b; TAVENAS et al, 1979), que mantém, das hipóteses iniciais de
TERZAGHI, Unicamente a deformação unidimensional. Este modelo pode considerar solos
estratificados, variações de e, C
v
e k com , consolidação secundária, situações de não
saturação do solo, e compressibilidade do fluido intersticial. O modelo obedece à lei de
tensões - deformações - tempos proposta por BJERRUM (1967, 1972, 1973) e
GARLANGER (1972), expressa na Figura 5, à excepção do facto de considerar
equidistantes as linhas de tempo constante, de acordo com .

15

Figura 6 – Cálculo comparativo, usando a teoria de Terzaghi e o método CONMULT, de: a) assentamento
total; b) tensões verticais na base do provete (segundo LEROUEIL e TAVENAS, 1981).

A permeabilidade, neste modelo, segue a lei de DARCY com coeficiente da permeabilidade
vertical, k
v
, variável, de acordo . A solução do modelo é obtida por cálculo
automático, usando o método das diferenças finitas. Este programa tem a designação de
CONMULT (consolidation des multicouches). Este modelo tem permitido um estudo
sistemático da influência de vários factores, como por exemplo da sobre consolidação, na
evolução de dissipação das tensões intersticiais, a do assentamento com o tempo. Por
exemplo, TAVENAS at al (1979) mostraram que a consolidação rápida junto às fronteiras de
drenagem leva à formação de uma zona, menos permeável, que atrasa a consolidação
média, e modifica as isócronas; mostraram igualmente que C
v
tem uma grande variação ao
longo do tempo, no processo de consolidação de uma argila normalmente consolidada,
provocando um assentamento muito mais lento do que a consideração de c
v
constante. A
Figura 6 apresenta um exemplo de utilização, num provete em laboratório, do método
CONMULT, comparado com a solução de TERZAGHI. A Figura 7 apresenta a aplicação do
CONMULT, em "back analyses", aos assentamentos do aterro D de St. Alban.
16


Figura 7 – Assentamentos observados e calculados pelo método CONMULT sob o aterro experimental de
St. Alban (segundo Leroueil e Tavenas, 1981).

Como se pode ver da Figura 7, há uma excelente concordância entre a previsão pelo
CONMULT, e a observação da obra. A Figura 6 mostra-nos as diferenças nítidas, a nível de
distribuição de tensões, entre os resultados do CONMULT, e os da teoria de TERZAGHI.
LEROUEIL e TAVENAS (1982) mostraram, com estas e outras comparac5es, que os
resultados, por vezes aproximados, da teoria de TERZAGHI se devem a erros sistemáticos
que se compensam entre si.
Outras teorias envolvendo a viscosidade do esqueleto sólido são as que fazem uso de
modelos reológicos, isto e, fazem uso de analogias mecânicas do comportamento
constitutivo teológico do material "solo". São baseados, na associação de elementos
simples, como por exemplo, dos corpos de HOOKE, NEWTON e SAINT-VENANT. De entre
os inúmeros modelos reológicos que tem sido propostos para representar o comportamento
viscoso do esqueleto sólido de um solo, sofrendo um processo unidimensional de
consolidação, poderemos referenciar o de TAYLOR-MERCHANT (MERCHANT, 1939,
TAYLOR e MERCHANT, 1940), e o modelo de GIBSON e LO (1969), como exemplos de
modelos de viscosidade linear; o de BARDEN (1965, 1968) e o de WU et al (1966), como
exemplos de modelos de viscosidade não linear.
Por último, no que diz respeito aos modelos unidimensionais de tratamento dos
assentamentos, vamos considerar, com particular atenção, um método relativamente
17
recente, apresentado por ASAOKA (1978). Este método não é, na realidade, um método
"previsional" pois ele vai-se servir assentamentos medidos em obra, em intervalos de tempo
iguais. Permite determinar a amplitude final e a velocidade dos assentamentos de uma
camada de solo, e baseia-se na equação diferencial parcial da consolidação, expressa em
termos de deformação vertical volúmica, tal como derivada por MIKASA (1963).

onde c
v
e o coeficiente de consolidação, ε(t, z) é a deformação vertical relativa, t é o tempo e
z é a profundidade a partir do topo da camada compressível. Esta equação pode ser
aproximada pela equação diferencial da forma:
b
dt
s d
a
dt
s d
a
dt
ds
a s
n
n
n
= · · · + + · · · + + +
2
2
2 1

Nesta equação, s representa o assentamento da camada compressível, e os a
n
e o b são
coeficientes constantes, dependentes do coeficiente da consolidação c
v
e das condições de
fronteira. Estes últimas são supostas constantes durante a consolidação. O processo de
ASAOKA baseia-se na observação para determinar estes parâmetros a
n
e b, pare a partir
deles prever os assentamentos futuros.
Para o caso clássico da consolidação unidimensional de uma camada de solo drenada de
um único lado, a Ultima equação toma a forma (MAGNAN a MIEUSSENS, 1980):
0
12
5
c H
dt
ds
C
H
s
v
= · · · + +
Onde ε
o
designa a deformação relativa final no topo da camada compressível de espessura
H.
ASAOKA, considerando desprezáveis os termos de ordem elevada desta equação
diferencial, tome como equação de consolidação unidimensional a equação aproximada de
ordem n seguinte:
b
dt
s d
a
dt
ds
a s
n
n
n
= + · · · + +
1
*
Discretizando a relação s(t) em ordem ao tempo t :
t j t
j
A = j=0,1,2,3,…, Δt=constante
) (
j j
t s s =
poderemos escrever a equação * sob a forma:
18
1
1
0 ÷
=
¿
+ =
j
n
i
i j
s s | | **
que é uma equação de recorrência da ordem n, com o tratamento matemático clássico de
um problema de valores aos limites.
Quando é suficiente uma aproximação da 1ª ordem, as equações * e ** reduzem-se a:
b
dt
ds
a s = +
1
***
e

1 1 0 ÷
+ =
j j
s s | | ****
Considerando estas duas equações, o coeficiente β
1
é dado por:
t
H
C
a
t
v
A ÷ =
A
÷ =
2
1
1
5
12
ln |
expressão que só é válida se 1
1
<
A
a
t
, A solução da equação *** é:
( ) ( )
|
|
.
|

\
|
÷ ÷ ÷ =
· ·
1
0
exp
a
t
s s s t s
e a da expressão de recorrência ****:
( )
j
j
s s
1 0
1
0
1
0
1 1
|
|
|
|
|
(
¸
(

¸

÷
÷ ÷
=
em que s
o
é o assentamento imediato da camada compressível, e S

o assentamento final
da mesma camada.
ASACKA sugere um tratamento gráfico para a resolução da equação ****, registando num
mesmo diagrama os pontos (S
j
, S
j-1
) correspondendo a duas leituras S
j-1
e S
j
, espaçadas do
intervalo de tempo Δt. A inclinação da recta passando por asses pontos permite calcular o
coeficiente de consolidação c
v
; o ponto de intersecção duma recta com a bissectriz do plano
(S
j
= S
j-1
) corresponde ao assentamento final S

. A ordenada na origem β
o
, e a inclinação β
1

permitem ainda prever o assentamento S
j
= s( j.Δt), para qualquer valor de j . Como é lógico,
num processo desta natureza, a precisão da estimativa aumenta com o intervalo de tempo
Δt considerado.
ASAOKA indica no seu trabalho citado (ASAOKA, 1978) que a aproximação de primeira
ordem permite tratar não somente os problemas da consolidação unidimensional, mas
19
também os de fluência, e da consolidação radial para drenos verticais. Voltaremos a este
método, com maior pormenor, no capítulo
Na Figura 8 está exemplificada a aplicação deste método. Na Figura 9 apresenta-se um
caso típico de um carregamento em duas fases, com consolidação secundária.



Figura 8 – Análise gráfica de assentamentos baseada no modelo auto-regressivo de Asaoka: a)
discretização da curva de assentamentos; b) dados usados na construção de Asaoka; c) Diagrama da
construção de Asaoka (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980).
20

Figura 9 – Resultados típicos da análise de Asaoka no caso de carregamento em duas fases de um
estrato compressível do solo, com consolidação secundária (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980).

3.1.3. Teorias da consolidação multidimensional

RENDULIC (1936) apresenta a primeira teoria de consolidação multidimensional da
consolidação que, é, na realidade uma extensão da teoria unidimensional de TERZAGHI.
Esta teoria é habitualmente designada teoria de TERZAGHI – RENDULIC; é ainda
designada muitas vezes por teoria da pseudo-consolidação de TERZAGHI - RENDULIC, ou
teoria da difusão (BALASUBRAMANIAN e BREUNER, 1981) ou ainda por teoria pseudo-
multidimensional (SCHIFFMAN et al, 1969).
A teoria de TERZAGHI - RENDULIC aventa uma hipótese que não é válida: considera que
as tens3es totais em cada ponto podem ser obtidas directamente, para cada instante, a
partir da lei da aplicação da solicitação que actua no meio poroso. A partir daqui é possível
deduzir uma equação de difusão, representativa do fenómeno da consolidação
multidimensional em que o excesso de tensão intersticial da água é a única incógnita,
dissociando portanto o problema da dissipação das tensões intersticiais da água da
deformação do esqueleto sólido. Apesar disto, esta teoria tem duos grandes vantagens:
primeiro, tem uma formulação matemática simples; segundo, por analogia com a
transmissão do calor, utiliza soluções já determinadas para outros problemas. Tem ainda
que se considerar que, apesar de não ser correcta, esta teoria dá uma aproximação boa dos
casos reais, sobretudo se considerarmos os erros prováveis, por exemplo, na determinação
das características de deformabilidade e de permeabilidade dos solos.
21
E de realçar que a teoria de TERZAGHI - RENDULIC serve de base à generalidade dos
métodos para dimensionamento dos drenos verticais, e para a consideração da
consolidação de solos tratados com drenos verticais; teremos, pois, oportunidade de nos
debruçarmos com mais cuidado sabre esta teoria no Capitulo 3.
A segunda teoria multidimensional foi derivada directamente por BIOT (1941) a partir da
teoria de elasticidade, sendo designada habitualmente por teoria de BIOT. Esta teoria,
considerada ainda hoje a mais correcta, tem o inconveniente de ter uma formulação
matemática bastante complexa. Tem, no entanto, a grande vantagem de associar a
amplitude com a velocidade de assentamento, e ainda, para qualquer ponto do estrato em
consolidação, relacionar a dissipação do excesso das tensões intersticiais da água com a
variação da tensão total. BIOT apresenta a sua teoria, originalmente, para meios isotrópicos,
homogéneos, e totalmente saturados.
No entanto, a teoria foi sucessivamente alterada, para ter em conta a compressibilidade dos
fluidos, a viscoelasticidade e a anisotropia (BIOT, 1955, 1956a, 1956b). Até agora, no
entanto, esta teoria tem visto a sua aplicação restringida quase exclusivamente à
investigação. Uma das vantagens peculiares da teoria de BIOT é a possibilidade de ter em
conta o efeito de MANDEL - GRYER, detectado pela primeira vez por MANDEL (1953,
1959) e por GRYER (1963). Este efeito consiste em, com solicitação exterior constante, a
pressão intersticial aumentar em certas zonas do domínio em estudo, e antes do início da
sua dissipação, sem variação de volume aparente.
No Quadro 1 resumem-se as equações da consolidação básicas para as teorias de
TERZAGHI - RENDULIC, e de BIOT. Com a teoria de TERZAGHI - RENDULIC, tanto
podem ser usados os coeficientes unidimensionais de consolidação, para cada direcção do
espaço, C
x
, C
y
e C
z
(ou C
v
e C
h
em problemas bidimensionais), como um único valor do
coeficiente, que diferirá com o número de dimensões do espaço. Os três coeficientes da
consolidação indicados no Quadro 1 estão relacionados pela equação:
( )
3 2 1
' 1
' 1
3 ' 1 2 c c c
|
.
|

\
|
+
÷
= ÷ =
v
v
v
As equações da teoria de BIOT contem um termo adicional apresentando a derivada em
ordem ao tempo da tensão total média. É este o termo que considera a variação da tensão
total no interior da massa de solo e, nas condições não drenadas, com ν' = 0.5, tem-se que
cl = c2 = c3, não havendo variação na tensão total média. Para este caso, as duas teorias
são idênticas.
É do notar também quo, na teoria de BIOT, e para o caso de duas ou três dimensões, o grau
de assentamento da consolidação não é igual ao grau de dissipação da tensão intersticial,
22
devido a esta teoria considerar a redistribuição de tensão. Isto já não é assim para a teoria
pseudo-multidimensional (DAVIS e POULOS, 1972).
Os estudos comparativos realizados entre as soluções obtidas, para os mesmos problemas,
com as teorias de TERZAGHI - RENDULIC, e de BIOT (por exemplo, veja-se SCHIFFMAN
et al, 1969, DAVIS e POULOS, 1972), permitem concluir que as diferenças entre os
resultados das duas teorias, são nítidas, mas não excessivas, tanto no que diz respeito aos
assentamentos, como a dissipação das tensões intersticiais. A Figura 10 apresenta um
exemplo comparativo dessas teorias.

Quadro 1 – Resumo das equações da consolidação básicas, para as teorias de Terzaghi-Rendulic e de
Biot.

23

Figura 10 – Comparação dos resultados das teorias de Terzaghi-Rendulic, e de Biot: a) evolução do
excesso de tensão intersticial; b) evolução da tensão octaédrica efectiva (segundo VIGIANI, 1970).
De referir, em termos de aplicação, que a teoria pseudo-multidimensional de TERZAGHI -
RENDULIC serve de base à generalidade das teorias que analisam a consolidação de
estratos lodosos drenados por drenos verticais; por este motivo, será mais tarde esta teoria
desenvolvida convenientemente.
Quanto à teoria de BLOT, existem poucas soluções analíticas, de vido a natureza complexa
do problema. São actualmente mais comuns as soluções através da formulação das
equações de BIOT pelo método dos elementos finitos. Neste ponto é de referir a extensão
da teoria de BLOT, pare incluir solos não totalmente saturados, realizada por SECO PINTO
(1983), e aplicada à análise dos núcleos argilosos de barragens de aterro.


3.1.4. Previsão do assentamento
Nas secções 2.2.2 e 2.2.3 analisou-se o assentamento da camada compressível
considerando as leis tensões-deformações-tempos que as várias teorias consideram reger
esses fenómenos. No ponto 2.2.1 já analisámos o caso dos assentamentos imediatos.
Vamos agora debruçarmo-nos sobre os vários métodos existentes para calculo dos
assentamentos, isto é, considerando o fenómeno tensões - deformações, não considerando
portanto o factor tempo. Neste aspecto, no ponto 2.2.2 já foi referido o problema da analise
dos assentamentos, considerando o fenómeno unidimensional.
Apercebendo-se da natureza essencialmente tridimensional da maioria dos fenómenos,
SKEMPTON e BJERRUM. (1957), apresentaram um método pare cálculo do assentamento
24
final devido à consolidação primária, em quo este era deduzido a partir das tensões
intersticiais tridimensionais obtida no ensaio triaxial não drenado (condições de tensão axi-
simétricas não drenadas). A expressão apresentada por estes autores foi:
( )
i
n
i
v c
h u m
¿
=
A A =
1
µ
Nesta expressão, e para solos saturados:
( )
3 1 1
o o o A ÷ A A + A = Au
Nesta última expressão, Δσ
1
e Δσ
3
são os incrementos das tensões principais máxima e
mínima, respectivamente, e A é o parâmetro das tensões intersticiais de SKEMPTON
(1954). A partir do ensaio edométrico, esta teoria tomará a forma:
ed c
µµ µ =
O factor da correcção μ é função do parâmetro A e da geometria do problema.
Considerando o assentamento total, incluindo o assentamento imediato, será':
ed i T
µµ µ µ + =
O parâmetro μ foi apresentado por SKEMPTON e BJERRUM e modificado por SCOTT
(1963) quo o apresentou graficamente. Este método tem considerações de base bastante
contestáveis:
1. relaciona tensões intersticiais obtidas a partir de uma situação de tensão triaxial com
a equação da consolidação unidimensional;
2. pressupõe que a distribuição de tensões totais imposta nas fundações permanece
invariável durante o processo de consolidação, independentemente da variação do
coeficiente de Poisson, da situação drenada para a não drenada.
O método do caminho das tensões impostas (Streth-path method), apresentado por LAMBE
(1964) permite, de um modo muito mais satisfatório, que o método de Skempton - Bjerrum
tomar em consideração a influência da deformação lateral no assentamento vertical. Assim,
neste método prevêem-se quais são os caminhos das tensões que vão seguir elementos
seleccionados do solo, e reproduzem-se esses caminhos de tensões, o mais fielmente
possível, laboratorialmente. Dum modo ilustrativo simples, a Figura 11 representa o caso do
carregamento instantâneo de um solo (instantâneo é, aqui, tornado com o sentido de muito
rápido, comparativamente à velocidade a que se processa a consolidação). Nessa figura
representam-se as condições verificadas num ponto, in situ, pelo ponto A. O carregamento
imediato é um caminho de tensões não drenado, e é representado na Figura 11 por AB.
25
Neste troço não há variação de volume (condição de não drenagem). Como é lógico, o
assentamento imediato corresponderá à deformação entre A e B. O caminho BC
corresponderá ao fenómeno da consolidação. 0 traço BC é paralelo ao eixo 1/2 ( σ’
1
+ σ’
3
),
pois sendo representativo do fenómeno da consolidação representa a dissipação do
excesso da tensão intersticial da água, sob tensão deviatórica constante. A deformação
volumétrica correspondente a este processo pode ser obtida laboratorialmente pelo ensaio
edométrico. De notar que, no método dos caminhos de tensões este ensaio corresponde ao
caminho de tensões AD.

Figura 11 – Exemplo elementar do método do caminho das tensões. K1 representa a envolvente de
rotura.

Há duas técnicas para, a partir do método dos caminhos de tensões, prever as deformações
verticais. Uma usa os contornos das tensões-deformações; a outra usa resultados de
ensaios laboratoriais que tentam reproduzir o melhor possível o caminho de tensões real. Na
primeira destas técnicas são executados vários ensaios triaxiais não drenados, de modo a
permitir o traçado de uma família de contornos tensões - deformações. Em seguida
sobrepõe-se a esse gráfico o caminho de tensões previsto. Com o apoio de um ensaio
edométrico, pode-se determinar então assentamento total, tendo em conta a espessura da
camada. Esta técnica, segundo LAMBE (1964), particularmente adequada A execução de
análises preliminares. Na outra técnica executam-se ensaios triaxiais reproduzindo o
caminho das tensões efectivas, nas suas componentes drenada a não drenada, o que
permite, pela deformação vertical do provete, e tendo em atenção a espessura da camada
compressível, determinar o assentamento correspondente. Igualmente segundo LAMBE
(1964), este processo a aconselhável para uma fase final do projecto.
Outro método, que poderemos considerar como uma extensão do método acima exposto, e
o método elástico, apresentado por DAVIS e POULOS (1963), EGOROV (1957) e KÉRISEL
26
e QUATRE (1968). Este método tem a vantagem de poder incorporar correcções para tomar
em consideração cedências locais. Esta teoria elástica permite calcular tanto os
assentamentos imediatos como os devidos a consolidação, sendo necessário determinar as
constantes elásticas necessárias à sua aplicação em ensaios laboratoriais. Neste método, o
assentamento total é dado por um assentamento imediato elástico, corrigido por um factor
dependente da possibilidade de cedência local, e um assentamento total elástico. Estes dois
valores parciais podem ser determinados quer pela soma das deformações verticais sob a
fundação, quer pela teoria do deslocamento elástico. GIROUD (1973) e POULOS e DAVIS
(1964) apresentam ábacos bastante completos para a aplicação pratica desta teoria.
O método de BJERRUM (1972, 1973), um dos mais aplicados na prática para a
determinação dos assentamentos, representa uma evolução qualitativa relativamente ao
método de SKEMPTON - BJERRUM, já anteriormente referido. Este método dá um ênfase
especial a importância da tensão de preconsolidação, na determinação dos assentamentos.
Considerando σ’
vo
a tensão vertical "in situ", Bjerrum propõe, para o caso da tensão vertical,
após aplicação da carga, não ultrapassar a tensão de preconsolidação, a seguinte
expressão, para o cálculo dos assentamentos:
( )
i
n
i
v v oc c
z m S
¿
=
A A =
1
1
' o µ

e para o caso de ser ultrapassada essa tensão de preconsolidação, Bjerrum considera duas
componentes, S
c1
e S
c2
, determinadas pelas expressões seguintes:
( ) | |
i
n
i
v vc v oc c
z m S
¿
=
A ÷ =
1
'
0
'
1
o o µ
( )
i
n
i
vc
v v
c
c
op c
z
e
C
S
¿
=
(
¸
(

¸

A
A +
+
=
1
'
' '
0
2
log
1 o
o o
µ
onde μ
oc
é o factor μ de SKEMPTON - BJERRUM, definido pela Figura 12, no domínio da
sobre consolidação, e μ
cp
corresponde a cargas no ramo "virgem”.
Para a previsão dos assentamentos devidos à consolidação secundária, BJERRUM,
baseando-se em TAYLOR (1942), propôs uma relação única tensões - deformações,
representada na Figura 5. 0 gráfico dessa Figura 5 representa os valores de equilíbrio dos
índices de vazio, para vários valores das pressões verticais efectivas, para um período sem
carregamento. Este diagrama é difícil de construir na prática. No entanto, a partir dele pode-
se determinar o limite superior do assentamento devido a consolidação secundária usando a
expressão:
27
i
n
i
v
vc
c
c
s
z
e
C
S
¿
=
(
¸
(

¸

A
+
=
1
'
0
'
log
1 o
o
para ( )
'
0
' '
v vc v
o o o ÷ > A
É de notar que este assentamento corresponde teoricamente à compressão secundária que
se desenvolveria no mesmo tempo que levou a desenvolver-se a tensão de preconsolidação
σ’
vc
. BJERRUM apresentou outra expressão, para o caso da tensão vertical aplicada não
ultrapassar a tensão de preconsolidação:
) log (
'
' '
1
1
h S
vo
v vo
o
c
n
i
e
C
s
A =
A +
=
+
¿
o
o o

para ( )
' ' '
vo vc v
o o o ÷ < A



Figura 12 – Coeficiente de assentamento de Skempton-Bjerrum, em função do coeficiente de pressão
neutra, para sapatas contínuas e circulares (segundo SCOTT, 1963).

De acordo com a teoria exposta por BJERRUM, e esquematizada na Figura 5, a tensão de
preconsolidação
'
vc
o , para um solo carregado durante um período suficientemente longo,
deveria diminuir com o tempo, e eventualmente desaparecer esse efeito de
preconsolidação. LEONARDS (1972, 1977), baseado em ensaios laboratoriais, discorda
totalmente desta teoria.
28
Relativamente a métodos para a determinação dos assentamentos, temos ainda três grande
correntes: métodos probabilísticos de determinação de assentamentos e métodos baseados
em ensaios "in situ"; destes métodos ocupar-nos-emos com mais pormenor noutros
capítulos deste trabalho, motivo pelo qual não os abordaremos aqui; e métodos de previsão
de assentamento baseados nos modelos do estado critico. Destes, o exemplo mais
conhecido a utilizado, apesar de essencialmente na investigação, é o vulgarmente
designado modelo Cam-Clay, da Universidade de Cambridge. Vamos agora tentar dar uma
ideia genérica dos fundamentos deste método.
A teoria do estado critico foi desenvolvida, para argilas normalmente consolidadas, ou
ligeiramente sobre consolidadas, tratadas como material isotrópico, elasto-plástico, com
endurecimento, como uma teoria geral de tensões - deformações. Supõe que o solo possui
uma "superfície" de cedência, bem como uma lei de escoamento satisfazendo a condição de
normalidade. Esta teoria, bem como o modelo Cam-Clay foram apresentados por ROSCOE
e SCHOFIELD (1963), tendo sido o modelo posteriormente modificado com uma nova
equação de dissipação de trabalho com o incremento de tensão, por ROSCOE e BURLAND
(1968), sendo esta versão designada habitualmente por modelo Cam-Clay modificado. Este
modelo modificado tem fornecido previsões de melhor qualidade para deformações em
ensaios laboratoriais do que o modelo original.
A superfície de cedência forma uma fronteira de estado de tensão tal que as deformações,
correspondentes a caminhos de tensão totalmente incluídos dentro dessa fronteira, são de
amplitude reduzida, e recuperáveis. Os estados de tensão que atravessam uma superfície
de cedência irão provocar grandes deformações plásticas irrecuperáveis. Este modelo foi
verificado para argilas remoldadas, a para algumas argilas naturais. Aplicando este modelo
a argilas, temos também uma redefinição dos conceitos de argila normalmente consolidada,
e argila sobre consolidada. Assim, uma argila normalmente consolidada será uma argila que
se encontra numa situação de cedência tal que um pequeno aumento de tensão provocará
grandes deformações irreversíveis; uma argila sobre consolidada será aquela que está num
estado tal que aumentos significativos da tensão provocarão, até certo limite, deformações
pequenas, e quase totalmente recuperáveis.
Quanto à formulação matemática do método, vamos seguir, dum modo resumido, a
apresentação de ROSCOE e BURLAND (1968), para o modelo Cam-Clay modificado.
A superfície de cedência, para simetria axial, σ
2
= σ
3
, é dada pela equação:
( )
|
|
.
|

\
|
+ =
2
'
' '
1
M
q q
p p
oy

29
Nesta expressão, p'
oy
é a intersecção da superfície de cedência com a linha de
consolidação isotrópica (
'
3
'
2
'
1
o o o = = ) no piano (p’,q); p’ e q são definidas por:
( )
'
3
'
1
'
2
3
1
o o + = p
'
3
'
1 3 1
o o o o ÷ = ÷ = q

M é o quociente de tensões q/p' na rotura, e para uma argila normalmente consolidada, com
coesão efectiva nula, está relacionada com o ângulo do atrito interno, em termos de tensões
efectivas, pela expressão:
'
'
'
sin 3
sin 6
u ÷
u
=
|
|
.
|

\
|
=
f
p
q
M
É de chamar ainda a atenção para o facto de p'
oy
poder ser determinado laboratorialmente
através de um ensaio de consolidação triaxial, isotrópico. A Figura 13 esquematiza as
noções que estão a ser expostas.
O incremento da deformação volumétrica total, Δv, resultante de um incremento de tensão
provocando cedência, é a soma de uma componente recuperável, e de uma componente de
deformação permanente. A componente recuperável, provocada por um incremento de
tensão normal Δp', é:
( )
'
'
1
p
p e
K
v
r
A
+
= A

Figura 13 – Exemplo de aplicação da teoria do estado crítico. Caminho de tensões efectivas possível pelo
carregamento com um aterro.

30
A componente irrecuperável é dada por:
'
' '
' 2
'
2
'
1
2
1 p
p p
q
q
q
p
q
M
p
q
e
K
v
p
(
(
(
(
¸
(

¸

A +
|
|
.
|

\
|
A ÷ A
|
.
|

\
|
+
+
÷
= A
ì

Consequentemente, o aumento da deformação volumétrica é dado por:
( )
(
(
(
(
¸
(

¸

A
+
|
|
.
|

\
|
A ÷ A
|
.
|

\
|
+
÷
+
= A
'
'
'
'
' 2
'
2
'
1
2
1
1
p
p
p
p
q
q
q
p
q
M
p
q
K
e
v ì ì
Neste teoria, os parâmetros λ e k são as inclinações da linha de compressão isotrópica, e da
linha de expansão, respectivamente. Normalmente, e para todos os problemas práticos, são
considerados os seguintes valores para estes coeficientes:
c
C 434 . 0 = ì
s
C K 434 . 0 =
Com C
s
representando o índice de expansibilidade obtido no ensaio edométrico. De notar
que esta teoria, para q/p’ constante (compressão unidimensional) conduz à equação de
TERZAGHI.
Para o incremento da deformação do corte, o modelo Cam-Clay pressupõe que toda a
deformação é irreversível,
p
c c A = A , composta de duas componentes, uma
representando a distorção plástica de corte devida a mudança da superfície de cedência a q
consta4ara um caminho de tensões abaixo da superfície de estado limite, e a segunda é
devida pelo caminho de tensões na superfície de estado limite, quando a superfície de
cedência é mudada. Estas duas componentes permitem escrever a expressão do
incremento da deformação de corte do seguinte modo:
( ) ( )
'
q
q
p
v
p p
p c c c A + A = A
ou
( )
p
p
q
p
p
v
p
p
v
dv
d
p
q
p q d
d
p
A
|
|
.
|

\
|
+ A
|
|
.
|

\
|
= A
'
' '
c c
c
A primeira componente, como se pode ver das expressões acima, é independente da
variação de volume plástico, dependendo unicamente do quociente de tensões q/p' . A
31
segunda componente, quo se pode descrever matematicamente com base as lei de
escoamento:
( )
( )
2
' 2
'
2
'
p q M
p q
dv
d
p
q
p
÷
=
|
.
|

\
| c


permite escrever a equação do seguinte modo:
( )
( )
( )
( )
( )
'
' '
' 2
' 2
'
2
' 2
'
1 2 2
1
'
p
p p
p
q
q
p q M
p q
p q M
p q
e
K
p
q
p
(
(
¸
(

¸

A +
|
|
.
|

\
|
A ÷ A
|
|
.
|

\
|
+
|
|
.
|

\
|
÷
|
.
|

\
|
+
÷
= A
ì
c
Para o caso especial da deformação plena, ROSCOE e BURLAND(1968) mostraram que os
incrementos da deformação plástica podem ser aproximadamente expressos por Δv = Δv
p
,
isto e, supondo K = 0 e logo Δv
r
=o
BURLAND (1971) deu exemplos práticos de aplicação deste modelo a previsão das
pressões intersticiais sob aterros, deformações horizontais e verticais, a partir de ensaios
laboratoriais. Esta teoria também permite prever o aumento de resistência durante a
consolidação.
Convêm referir que a experiencia até ao momento leva a considerar como, no mínimo,
problemática a obtenção de todos estes parâmetros a partir de ensaios laboratoriais.
Após a apresentação por ROSCOE e SCHOFIELD (1963) do modelo Cam-Clay, surgiram
vários desenvolvimentos do método. OHTA e HATA (1973), por exemplo, apresentaram um
método semelhante, mas com possibilidade de considerar a anisotropia. Posteriormente foi-
lhe incluída a dilatância por SEKIGUCHI e OHTA (1977).
Para concluir esta secção, não se pode deixar de referir o método dos elementos finitos. A
base deste método consiste na representação de uma estrutura ou corpo (no nosso caso,
um maciço terroso), por um conjunto de "elementos finitos", isto e, discretiza-se o domínio
em estudo num conjunto de elementos que o preenchem totalmente, sem sobreposições. As
intersecções das linhas que separam os elementos são designados por pontos nodais. As
soluções são obtidas em termos de deslocamentos, nesses pontos nodais, e em termos de
tensões médias nos elementos. É formulada uma matriz de rigidez para cada elemento
individual, usando uma relação tensões - deformações que caracterize o material - solo no
nosso caso. O agrupamento de todas as matrizes de rigidez de cada elemento dá a matriz
de rigidez global do corpo em estudo, com a fronteira especificada. Esta matriz de rigidez
correlaciona os deslocamentos nodais ao vector de carga. De notar, no entanto, que o
método dos elementos finitos não é, na realidade, um método de previsão ou análise de
32
assentamentos, antes uma ferramenta de calculo que permite resolver o problema de
resolução do modelo adoptado - linear elástico, não linear, etc. - e que é introduzido no
processo na definição da matriz de rigidez de cada elemento. É um método de cálculo
poderosíssimo, mas na realidade não é um modelo de comportamento, antes poderá utilizar
qualquer modelo de comportamento. Acerca da aplicação deste método à análise de
problemas em argila, veja-se CORREIA (1982) e SECO e PINTO (1983).


3.2. Considerações finais
Neste capitulo introduziu-se de modo geral o problema do comportamento de fundações em
solos moles, com especial ênfase na abordagem das teorias de consolidação, e de previsão
dos assentamentos, por ser este assunto o tema principal desta dissertação. Pensamos ter
deixado claro alguns pontos:
- As teorias usualmente aplicadas pelo engenheiro, na resolução dos problemas
concretos são em geral reconhecidamente errados;
- As teorias mais correctas actualmente disponíveis ou são de elevada complexidade
matemática, dispondo-se de muito poucas soluções concretas dessas teorias, e para
casos muito simples, ou caracterizem-se por dificuldade de obtenção dos parâmetros
cor -rectos, tanto laboratorialmente como "in situ".
- 0 método dos elementos finitos a uma ferramenta poderosíssima, e como tal cara de
aplicação, sendo a sua aplicação prática muito limitada, devido ao grau de incerteza
existente habitualmente na caracterização geotécnica dos solos em estudo. Muitas
vezes, essa incerteza tira todo o significado à utilização de métodos de cálculo
sofisticados.


33

PARTE 2 PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SOLOS MOLES
Apesar de não ser exclusiva do tempo presente, a utilização de solos de fundação com
características deficientes, quer do ponto de vista de deformabilidade, quer do ponto de vista
de resistência, sofreu um grande incremento nos últimos decénios, devido essencialmente a
dois factores: por um lado, a grande utilização de solos que se tem verificado levou a que
fossem ocupados, inicialmente, aqueles que apresentam melhores características; por outro
lado, a especificidade cada vez maior de certas actividades do homem impõem a
localização das instalações necessárias, cabendo à engenharia criar as condições para que
se possam executar, em segurança e economia, as estruturas necessárias.
Com a ocupação crescente de solos de ma qualidade geotécnica, tornou-se imperiosa a
necessidade de proceder a investigação e experimentação de métodos de tratamento, que
permitissem "dar" ao solo de fundação as características necessárias, e que ele não tinha.
Surgiram assim os primeiros métodos de tratamento de solos.
Considerando a divisão tradicional dos solos em solos coesivos e solos
não coesivos, podemos dizer que qualquer um destes tipos de solos e susceptível de
necessitar de tratamento. Como e lógico, atendendo a denominação genérica desta
dissertação, vamo-nos ocupar unicamente com o problema do tratamento de solos coesivos.
Apesar de se tentar dar, no presente capitulo, uma panorâmica muito geral acerca das
diversas teorias de tratamento e suas técnicas, vamo-nos debruçar com particular atenção
nos métodos que constituem o grupo que designamos por "aceleração da consolidação". De
facto, no capítulo 4 teremos oportunidade de analisar a aplicação concreta de alguns destes
métodos, bem como algumas das suas vantagens e limitações.
De um modo muito genérico, e com o fim de facilitar a exposição, agruparam-se os métodos
de tratamento dos solos moles em: injecção de solos, estabilização de solos, reforço de
solos, compactação profunda, aceleração da consolidação e outros métodos. Pensamos
que, com esta esquematização, se consegue agrupar, de modo coerente, o conjunto de
métodos actualmente disponível.
Na figura 14 apresenta-se um esquema de aplicabilidade dos vários tipos de tratamentos
aos diferentes tipos de solos.
Convém salientar que vários dos métodos que serão abordados neste capítulo ou não são
os mais adequados aos solos coesivos, ou são também aplicáveis a solos não coesivos.
34
Optou-se, no entanto, por tentar abordar todos os métodos de aplicação possível a solos
coesivos. Como dissemos acima, entrar-se-á com mais pormenor nos métodos de
aceleração da consolidação.

Figura 14 — Limites de aplicacao 00s varios twos de tratamento em funcao da granulometria dos solos
(segundo Mitchell 1981).

4. Estabilização de solos

4.1. Estabilização de solos por mistura de aditivos químicos
Dos muitos métodos de estabilização de solos, o use de misturas de vários tipos com solo e
o mais antigo, e também o mais divulgado e utilizado. Os aditivos químicos, dos quais os
mais usuais são a cal e o cimento, têm sido usados para melhorar as propriedades dos
solos por troca iónica e reacções de cimentação, e têm sido usados nas estruturas de
pavimentos rodoviários há vários séculos. Sobre esta estabilização de solo clássica, sobre a
melhoria dos materiais grosseiros de base e sub-base de pavimentos, existe uma numerosa
bibliografia, de entre a qual citaremos WINTERKORN (1975), MITCHELL (1976) e INGLES
e METCALF (1973). Sendo esta aplicação clássica da estabilização de solos
35
essencialmente virada para o tratamento de materiais não coesivos, e havendo, como
referimos, numerosa bibliografia sobre a aplicação destes métodos, não nos vamos
debruçar sobre eles. No entanto, convém chamar a atenção para o facto de, nos últimos
anos, se ter verificado uma tendência para aplicação destes métodos a outros tipos de obra.
De notar, por exemplo, o use do solo-cimento, na de cada de 60, na execução da protecção
dos taludes de montante de barragens de aterro (HOLTZ e HANSEN; 1976), e os estudos
com vista à execução de barragens inteiramente em solo-cimento (ROBERTSON e BLIGHT,
1978).
Os avanços verificados durante a década de 70, no use de mistura de solo para a
melhoria das suas propriedades, incluiu essencialmente a investigação e a aplicação de
novos materiais, bem come a utilização dos materiais clássicos com novas finalidades. Um
dos casos mais notáveis, e que não podia ser esquecido, é o da utilização da cal e do
cimento com o método da mistura em profundidade (HOLM et al, 1981).
De facto, o tratamento tradicional à superfície, com cal, apesar de bem conhecido, e
regulamentado inclusivamente põe alguns organismos, limita-se a uma camada superficial
de cerca de 30cm de espessura. Convém referir o processo de actuação da cal no reforço
de solos. Assim, uma das acções da cal e provocar uma diminuição muito rápida do teor em
agua das argilas, devido a rápida reacção de hidratação da cal, com formação de Ca(OH)
2
.
Decresce também o índice de plasticidade, devido à entrada no solo de iões Ca, e a
floculação das partículas de argila. Posteriormente, dá-se ainda uma reacção lenta com a
argila, de modo a que a estrutura desta e alterada com a formação de aluminatos e silicatos
de cálcio hidratados. Trabalhos recentes provaram que estas reacções, e essencialmente a
última, estão grandemente dependentes da importância dos materiais amorfos presentes
(QUEIROZ DE CARVALH0,1981, BRANDL, 1981). Isto justificara a grande eficiência do
tratamento com cal nos materiais de elevada plasticidade, devido a serem estes que
possuem maiores quantidades de constituintes amorfos (BRANDL, 1981). O "nascimento"
das estacas de cal deu-se na década de 60, nos EUA e na Alemanha, com a execução de
"estacas” de 1m, à superfície do solo, através do enchimento com cal de furos de 100 mm
de diâmetro previamente abertos. Na Suécia foram introduzidas recentemente as estacas de
cal propriamente ditas (BROMS e BOMAN, 1977, 1978), consistindo a técnica na mistura "in
situ" de cal viva, numa percentagem de cerca de 6%, com argilas moles existente no local,
por meio de um trado, tal como representado na figura 15. As estacas de cal executadas por
este processo possuem cerca de 50 vezes a resistência do solo não tratado, ao fim de um
ano. 33% da melhoria e obtida num mes, e 50% ao fim de dois meses. Outra característica
destas estacas de cal é serem mais permeáveis que o terreno natural, comportando-se
também, em consequência desse facto, como dreno vertical (HOLM et al 1981).
36
No entanto TERASHI e TANAKA (1981) afirmam que a permeabilidade das estacas de cal e
muito baixa, não se podendo portanto considerar as estacas como dreno. Alias, esta é
também a posição de KAWASAKI et al (1981), mas no que respeita a estacas com solo-
cimento.
Atendendo a que o objective principal desta dissertação e a análise da deformação dos
solos moles, e dos solos moles tratados, vamos tecer ainda algumas considerações acerca
das características de deformabilidade de solos moles, tratados com estacas de cal.
A observação das obras executadas lava a concluir que as estacas
de cal, e o solo entre elas, se deformam como um todo. Isto observou-se, mesmo para
espaçamentos de estacas de 20 m. A observação também mostrou que, para o solo e as
estacas se deformarem como um todo, quando aumenta a profundidade das estacas, pode
também aumentar o espaçamento entre elas. BROMS (1985) chama a atenção para o facto
de a ductilidade das estacas de cal ser afectada pela tensão de confinamento, logo pelas
características geotécnicas das argilas moles não tratadas entre estacas. De facto, segundo
aquele autor, a argila misturada com a cal apresenta, para baixas tensões de confinamento,
um comportamento frágil. Com tensões de confinamento moderadas e elevadas, as estacas
de cal têm comportamento dúctil, sem redução de capacidade de carga, mesmo para
grandes deformações. Segundo BROMS (1985), a tensão de confinamento usualmente
existente a 1 – 2 m de profundidade garante um comportamento dúctil da estaca, estando
portanto, em geral, o comportamento frágil restringido ao topo da estaca.

Figura 15 – Execução de uma estaca de cal pelo método sueco: a) Execução da estaca; b) Estaca pronta;
c) Misturador.
37
Consideram-se, habitualmente, dois tipos de cálculo possíveis para a previsão dos
assentamentos em estacas de cal. Para níveis de carga reduzidas, a carga axial nas
colunas depende da rigidez das colunas, comparativamente a rigidez do solo entre colunas.
Normal manta a carga aplicada e suficiente para provocar a cedência das colunas. Alias, o
dimensionamento de um tratamento por estaca de cal ou seja, o seu número, espaçamento
e diâmetro, e determinado na major parte dos casos, pelos assentamentos totais e
diferenciais admissíveis. Excepcionalmente, podem ser dimensionadas à rotura. Assim, as
estacas de cal poderão ser consideradas como reduzindo o assentamento do solo a níveis
compatíveis com a operacionalidade da estrutura a construir. No case de a carga ser su-
ficiente para provocar a cedência das estacas, o inúmero de estacas pode ser calculada,
segundo BROMS (1981), e de acordo com a Figura 16, pela expressão:
cedência
est
g
Q
BL q W
N
.
2
÷
=
Onde W
g
é o peso da estrutura a fundar, q
2
é a carga que o solo sem tratamento pode
suportar sem assentamento excessivo, e
cedência
est
Q
.
é a tensão de cedência da estaca de cal.
Considera-se usualmente esta tensão de cedência sensivelmente igual a 70% de tensão de
rotura. Evidentemente, será necessário verificar se as deformações axiais das estacas são
suficientes para se verificar a fluência do material.

Figura 16 – Esquema do cálculo de assentamentos, para cargas elevadas, no caso de estacas de cal
(segundo BROMS, 1985).

No caso das cargas serem relativamente reduzidas, os assentamentos, bem como a
distribuição das cargas dependerão do módulo de compressão do solo não estabilizado M
solo

38

= dε /dσ , e do módulo do material da estaca, E
est
. M
solo
e E
est
deverão ser determinados
laboratorialmente em ensaios edométricos.
De acordo com o esquema de calculo da Figura 17, o assentamento total será a soma de
1
h A
e
2
h A
, respectivamente o assentamento devido à compressibilidade do conjunto solo e
estacas, até uma profundidade correspondente ao comprimento das estacas, e
2
h A

representa a contribuição da compressibilidade dos solos abaixo do extremo das estacas. O
modo tradicional de cálculo de distribuição das tensões, conservativo, pressupõe que a
totalidade da carga e transmitida ao solo, à cota da extremidade das estacas. Não se
considera, portanto, habitualmente, a distribuição de cargas, até essa profundidade, por
atrito lateral com o solo circundante. Considera-se ainda a degradação da carga, abaixo
daquela cota, segundo uma inclinação de 2/1 (veja-se Figura 17).


Figura 17 – Esquema do cálculo dos assentamentos em solos tratados com estacas de cal, para cargas
reduzidas (segundo BROMS, 1985).

O assentamento
1
h A
pode ser calculado pela expressão:
( )
solo est
M a aE
q
h
÷ +
= A
1
1

onde H é o comprimento das estacas, e a é a área relativa das estacas ou seja, NAest +/BL.
A
est
é a seccao recta de cada uma das estacas de cal (em geral 0.2m2). 0 assentamento
2
h A
pode ser calculado pelos metodos tradicionais do cálculo do assentamento, de
fundações directas.
39
BROMS (1982) refere que, no total, foram instalados, desde 1977, cerca de 500.000m de
estacas de cal, e essencialmente em estradas, parqueamentos, áreas de carga, valas
profundas, e para fundação de construções ligeiras. BROMS (1982) refere ainda que dois
aterros experimentais executados nos mesmos solos, um sobre estacas de cal, e o outro
sobre o solo não tratado, indicaram que este tipo de tratamento reduziu os assentamentos
em 70%, tendo ainda acelerado a consolidação: os assentamentos verificaram-se nos dois
primeiros meses.
Este caso reforça a indicação atrás enunciada de que as estacas de cal funcionariam como
drenos verticais.
Convém salientar que o tipo de tratamento que aqui se descreveu – estacas de cal – tem
sido aplicado com igual sucesso com cimento. Em qualquer dos casos, é imperioso que o
equipamento usado seja capaz de distribuir o aditivo uniformemente em toda a profundidade
de desejada, e que garanta uma mistura homogénea em toda a estaca. Além da Noruega e
Suécia (método sueco), este método tem sido utilizado intensivamente no Japão, Franca,
URSS. (SOKOLOVIC et al, 1976, PILOT, 1977; BROMS e BOWMAN, 1979a, 1979b).
Nos últimos anos tem surgido novos aditivos, e novas técnicas, que completam, ou
substituem com vantagem os métodos clássicos de estabilização de solos (cal e cimento).
Assim, e de notar que se começou a aplicar com sucesso o gesso combinado com a cal,
especialmente em solos orgânicos. De notar: que alguns compostos orgânicos retardam ou
mesmo impedem as reages da cal com o solo. Também pode ser prejudicial a presença de
alguns sulfatos nos solos. SHERWOOD (1962) e INGLES e METCALF (1973) chamaram a
atenção para o facto de os resultados iniciais poderem ser satisfatórios, mas com molhagem
dar-se uma expansão com quebra da estrutura cimentada.
Parece que o gesso evita este fen6meno (HOLM et al, 1983, KUJALA, 1983), tendo ainda a
vantagem de, excepto nos primeiros 10 dias, acelerar o ganho de resistência do solo
tratado, dando-lhe uma maior resistência final. Segundo HOLM et al, (1983), as
percentagens ideais, para um tratamento a longo prazo, são de 75% de cal para 25% de
gesso. Para tratamentos provisórios dever-se-á usar 50% de cal para 50% de gesso; esta
mistura da maior aumento das resistências nos primeiros meses, mas apresenta uma
resistência final cerca de 50% inferior à mistura anterior.
Como aditivos não tradicionais, há alguns novos produtos, essencialmente ainda em fase de
investigação e aplicações experimentais, que apresentam um grande potencial. Um destes
"métodos" é o designado "ferroclay" (INGLES e LIM, 1980, 1982). Este processo pretende
"imitar" os processos naturais de formação das rochas sedimentares, par exemplo, areias
cimentadas com sílica, laterites, etc., através do use de Oxido de ferro, e do aquecimento
40
moderado do solo. Em linhas gerais, o solo é aquecido até à temperatura 20-30°C,
misturado com Oxido de ferro, e uma solução de silicato de sódio, compactado por camadas
de modo à mistura ocupar o máximo de vazios, e, em cerca de 4 dias, o tratamento este
completo, com um material rijo e durável. Um outro método envolve uma mistura de gesso,
cal e hidróxido de alumínio. Este método tem a vantagem de poder aproveitar estes
materiais a partir de resíduos de várias naturezas. Obtêm-se com este método resistências
à compressão da ordem dos 100 KPa, após 8 dias. Este método, coma fixa uma grande
quantidade de água, permite tratar, na sua execução, águas tóxicas e poluídas. Testes de
lixiviação efectuados sobre solos tratados em que se usaram águas com metais pesados
mostraram que os metais pesados ficavam ligados a estrutura de cimentação, dando
indicações que este processo poderá ser usado para armazenar de modo seguro detritos
tóxicos como materiais de aterro. Idênticos estudos foram apresentados pelos Japoneses.
(MATSUO e KAMON, 1981).
4.2. Estabilização térmica de solos
Outros métodos de estabilização de solos, usados unicamente em certos casos específicos,
devido ao seu elevado custo, são os chamados métodos de estabilização térmica, tanto por
aquecimento como por congelação.
De um modo muito geral, pode-se dizer que um aquecimento moderado do solo até uma
temperatura da ordem dos 100°C provoca a secagem do solo, e aumento da sua
capacidade resistente, desde que não se permita nova molhagem. Se se usarem
temperaturas da ordem dos 600°C a 1 000°C podem-se obter melhorias permanentes das
características dos solos, como par exemplo diminuição de sensibilidade à água,
compressibilidade e expansibilidade, e melhoria das propriedades resistentes. Se se usarem
temperaturas mais elevadas provoca-se a fusão das partículas, podendo-se verificar o
fenómeno de vitrificação.
Par outro lado, e no que diz respeito à congelação do solo, sabe-se que um solo congelado
é muito mais resistente e impermeável, pelo que a congelação dos solos é por vezes
utilizada em obras de tratamento temporário de solos, por exemplo, como estabilização
temporária para execução de escavações a céu aberto, de túneis, etc. (FOUGEOT e
ROUAULT, 1969, POTEVIN, 1972). Em cases especiais, sobretudo nas regiões árcticas,
tem sido usado como método de tratamento permanente, por exemplo para garantir a
estabilidade de estacas, e manutenção do solo congelado sob edifícios aquecidos. Para
executar um tratamento térmico de um solo, é necessário executar uma análise térmica do
escoamento do calor, bem como dos sistemas a adoptar, e uma análise cuidada da
resistência e propriedades tensão-deformação-tempo do solo tratado. A análise ter mica tem
41
que ser feita, para se poder determinar aquecimento ou refrigeração necessária, as zonas
de influência, tempo de tratamento e distribuição da temperatura. Esta análise é efectuada
de modo similar à percolação e consolidação, mas com a condicionante que o
comportamento pode ser condicionado pela água, através da sua temperatura de fusão e de
vaporização. Outra influência determinante, muitas vezes, é a percolação de água
subterrânea na zona a tratar.
Existem bastantes processos para analisar do ponto de vista térmico a propagação do calor)
essencialmente para o caso da congelação (SANGER, 1968, SCHUSTER, 1972,
TSYTOVICH, 1975). Desde que se estabeleça a diferença entre “calor latente" e "calor de
vaporização", e que se tenha em atenção a complicação adicional que representa o
transporte na fase vapor de calor e água, é possível aplicar os mesmos métodos à análise
do aquecimento de solos. A Figura 18 representa, para dois tipos de solos, a condutividade
térmica, para os casos de solos congelados, e não congelados.


Figura 18 – Condutividade térmica do solo (segundo Mitchell, 1981, adaptado de Kersten, 1949).

42
Segundo se depreende da bibliografia consultada a maior parte das aplicações da
estabilização térmica de solos, por aquecimento, tem sido realizada na Europa de Leste e
na União Soviética; foi utilizado para estabilizar solos colapsíveis sob estruturas, estabilizar
taludes (BELES e STÂNCULESCU, 1958), construir um ensoleiramento geral para fundação
de edifícios, para executar estacas vitrificadas "in situ", etc. Para provocar o aquecimento,
têm sido usados tantos métodos de combustão, como métodos eléctricos. Recentemente,
têm sido inclusivamente utilizados os raios laser para provocar a fusão do solo (ROM e al
1977, citado por MITCHELL, 1981). A major parte das aplicações bem sucedidas do
aquecimento de solos tem sido em solos parcialmente saturados, de grão fino, sendo
vantajosa uma certa permeabilidade ao gás, afim de permitir a saída de vapor de água, e
introdução de certos componentes estabilizadores por vezes usados. A escola soviética
considera o aquecimento de solos tão eficaz, e mais económico, do que fundações em
estacas e caixões, em solos loéssicos, até profundidades da ordem dos 12m. A grande
limitação na aplicação deste método é o custo da energia necessária.

Figura 19 – Esquema para tratamento térmico em profundidade (segundo Litvinov, 1960, citado por
Mitchell, 1981).
Na Figura 19 representa-se um método de campo, desenvolvido por LITVINOV (1960) para
a estabilização de solo por aquecimento. Posteriormente, LITVINOV (1979) modificou o seu
processo, de modo aque a câmara de queima seja descida ao longo do furo, afim de evitar
perdas de calor, acidentes, e limitações de profundidade (veja-se MITCHELL, 1981). Um
sistema alternativo usa aquecedores eléctricos.
O método de congelação pode ser um método bastante útil e versátil, em casos em que se
necessita de estabilização temporária do solo, ou em controlo temporário da percolação. É
43
necessário, para ter êxito com um projecto de congelação do solo, ter em atenção os
seguintes aspectos: posicionamento correcto dos elementos de congelação; padrão de
escoamento e qualidade da água subterrânea; movimentos potenciais e pressões do solo,
em consequência da congelação; resistência a longo termo, e propriedades de tensão-
deformação do solo congelado. Na Figura 20 representa-se um tipo muito corrente de
problema que pode surgir num processo de congelação do solo, devido a heterogeneidade
do terreno. Outro problema, que pode ocorrer em solos finos, argilosos, de baixa
permeabilidade, e a variação de volume, considerável, devido ao aumento de volume da
água ao congelar, ou ainda um assentamento importante devido à consolidação provocada
pelo degelo. Deste modo, é necessário ter em atenção estes problemas, em solos siltosos e
argilosos, e analisar previamente a amplitude possível dosmovimentos dos terrenos. Vários
autores propuseram métodos pare efectuar essa estimativa (SCHUSTER, 1972 ; RADD e
WOLFE, 1978; JONES e BROWN, 1978).

Figura 20 – Efeito da heterogeneidade dos estratos geológicos na forma da zona congelada (segundo
Schuster, 1972).
No que se refere a capacidade resistente, é de salientar que o solo congelado apresenta
elevadas perdas de resistência por fluência. Assim, em ensaios rápidos, a baixas
temperaturas, pode apre sentar resistências até 20 MPa. No entanto, pode baixar de
resistência, sob carga aplicada longamente, cerca de 10 vezes. Além disso, a direcção de
propagação das ondas térmicas tem importância na variação direccional da resistência
(KNUTSSON, 1981).
44
A deformação de um solo congelado e uma deformação visco-plástica, sendo altamente
dependente da tensão e da temperatura. Na Figura 21 apresentam-se curvas típicas de um
solo congelado (argila siltosa) segundo SANGER e SAYLES, 1979. A terceira fase
representa, para a curva T = 0°C, o início da rotura.
Na pratica, a analise de estabilidade de massas de solo congelado, a previsão da
deformação por fluência e a analise da possibilidade de rotura, é um problema complexo,
não só devido a heterogeneidade das formações, e a sua geometria irregular, como também
devido as variações de temperatura e das tensões na massa de solo congelado (veja-se
SCHUSTER, 1972, TSYTOVITCH, 1975, SANGER e SAYLES, 1979, TAKEGAWA et al.,
1979).
Na prática, podem ser utilizados vários métodos para provocar congelamento do solo, tal
como foi apresentado esquematicamente por SCHUSTER, 1972 (veja-se Figura 22). No
entanto, e de um modo resumido, esses métodos agrupam-se em dois grandes grupos.
Num primeiro grupo, temos sistemas de refrigeração usando nitrogénio líquido, ou dióxido
de carbono sólido, num sistema aberto, onde o elemento de refrigeração e perdido para a
atmosfera, depois de ter absorvido energia, e ter passado ao estado de vapor. Estes
sistemas podem provocar a congelação do solo de modo muito rápido, algumas horas,
sendo no entanto difícil de controlar o seu resultado, e sendo extremamente caros. Assim,
são usados geralmente como método de recurso, para emergências. O segundo grupo inclui
os métodos envolvendo a circulação de um fluido de refrigeração, em circuito fechado, e
uma instalação de refrigeração mecânica convencional. Estes sistemas provocam a
congelação do solo mais lentamente, de alguns dias ate semanas, mas são os mais
económicos. O espaçamento mais habitual entre os tubos de refrigeração e de 1 a 2 m.
45

Figura 21 – Curvas de fluência para uma argila siltosa orgânica (segundo Sanger e Sayles, 1979).

Assim, e sintetizando o que acabamos de ver, os métodos térmicos da estabilização do solo
apresentam perspectivas francamente boas, e têm tido alguma aplicação. No entanto,
convém salientar que o método de congelação é utilizado habitualmente como um método
de estabilização temporária, ao passo que o método do aquecimento é utilizado como
tratamento definitivo. Este Ultimo tipo, de aquecimento1 tem sido bastante usado na URSS;
no entanto, o elevado consumo de combustível e de energia, aliado à subida do custo dos
combustíveis no último decénio, põe em sério risco a sua viabilidade na maior parte dos
países. Apesar de ainda estar numa fase experimental, há boas perspectives quanta à
utilização, para este método de aquecimento, dos raios laser.
46

Figura 22 – Métodos correntes de congelação de solos (segundo Schuster, 1972).


5. Reforço de solos
Alguns dos métodos já referidos, para tratamento dos solos mole, bem como parte dos que
serão desenvolvidos posteriormente, podem também ser considerados como reforço de
solos. Por exemplo, as estacas de cal, anterior mente referidas, são também um método de
reforço dos solos, bem como as estacas de areia, que serão desenvolvidas adiante, quando
tratarmos dos drenos verticais.
No entanto há alguns métodos que são especificamente métodos de reforço de solos.
Podem agrupar-se em dois grandes grupos, com filosofias e modo de funcionamento
bastante diferentes. Por um lado, temos a terra armada, que tem como características
únicas o facto do reforço apenas suportar esforços de tracção, bem coma o facto de ser um
material composto, executado pela construção alternada de uma camada de solo, e uma
camada de reforço. O outro grupo envolve três processos, a saber, estacas de brita, micro-
estacas e pregagens, tendo como características comuns o facto de reforçarem o solo "in
situ", e dos elementos de reforço resistirem as tensões pelo menos de dais modos.
Vamos abordar, de modo sintético, estes métodos de tratamento de solos, tentando avaliar,
em cada caso, a sua aplicabilidade ao tratamento de solos argilosos moles. De notar que
estes métodos têm sofrido um grande incremento nas três últimas décadas, tendo-lhes sido
consagrado um esforço de investigação considerável.

47
3
5.1. Injecção de solos
Citando MITCHELL (1981), podemos dizer que a injecção de solos começou em 1802, com
CHARLES BÉRIGNY. Este engenheiro francês reparou, nesse ano, uma comporta em
Dieppe, injectando uma massa de argila e cal hidráulica por baixo da referida comporta. A
partir dessa data, a injecção de solos desenvolveu-se enormemente, passando a ser um
método largamente usado na estabilização e tratamento de solos. E, no entanto, um método
bastante dispendioso, o que o limita ao tratamento de zonas muito localizadas, e
unicamente quando não foi viável a execução de outro tipo de tratamento.
A utilização inicial deste tratamento – injecção – foi no controle e limitação da percolação,
continuando, alias, a ser largamente empregue com essa finalidade. Mais recentemente
começou-se a aplicar este tipo de tratamento para o reforço (veja-se BRANDL, 1983, BALLY
e KLEIN, 1983, VAUGHAN, 1983) bem coma para controlar e limitar movimentos de solos.
No âmbito desta dissertação, são estas últimas aplicações dessa tecnologia que serão mais
atentamente analisadas. No entanto, convém desde já fazer realçar o facto de que este
método só raramente é utilizado em solos coesivos. De facto, quer se trate de injecção de
cimento, de silicatos, de resinas ou outros, a baixa permeabilidade das argilas quase
sempre impede a injecção nestes solos. Na figura 23 representam-se os limites de aplicação
dos vários tipos de substâncias que podem ser utilizadas na injecção de solos.

Figura 23 - Limites de aplicacao de varios tipos de calda em função da granolometria dos solos e
propriedades dos solos tratados (segundo mighell,i981)
No entanto há relatos de tratamento de solos coesivos através de injecção. Como exemplo,
podemos citar ANAGNOSTI (1983) relatando o caso de injecção em margas decompostas e
argilas sobre consolidadas fissuradas. Pretendia-se evitar o amolecimento destas
formações, e bem assim limitar a escavação à geometria pretendida, pois a desagregação
das formações, com formação de cavernas seria grandemente prejudicial para os edifícios
48
sobrejacentes. A obra foi bem sucedida, tendo sido utilizada uma solução química aquosa.
ANAGNOSTI chegou à conclusão de que este tipo de tratamento era viável tanto técnica
coma economicamente neste tipo de formação – margas alternadas e argilas sobre
consolidadas fissuradas – sendo no entanto de notar que, para análise do problema, não é
relevante a determinação laboratorial de permeabilidade, mas sim a determinação "in situ",
por ensaios "Lugeon". Ou seja, o maciço de argila fissurada 6 tratado, para analise e
projecto, como um maciço rochoso fissurado.
De um modo geral, podemos considerar que há, quanto a execução e modo de "ocupação"
no solo, três tipos de injecções: o que poderemos designar por injecção de "permeação", a
injecção por deslocamento, e a injecção por "encapsulação". Na figura 16 representam-se
estes três tipos de injecção. O 1º é caracterizado pelo preenchimento dos vazios pelo
produto injectado, mantendo-se no entanto a estrutura sólida do solo. Usam-se para este
tipo de injecção caldas relativamente fluidas. No 2º tipo, por deslocamento, método utilizado
nos solos coesivos, e injectada uma pasta bastante espessa e viscosa, que aperta o solo,
por compressão. O 1º tipo referido só pode ser aplicado, em solos coesivos, no caso de
argilas 'sabre consolidadas muito fissuradas. Pode-se obter, um resultado semelhante, a
altas pressões, provocando a rotura do solo, sendo as fissuras e superfícies de fractura
preenchidas com a calda.
A injecção de solos tem sido, devido à dificuldade de êxito, considerada como uma arte,
mais do que uma técnica. No entanto, pode-se dizer que nos últimos anos já foram
estabelecidos os conceitos de base, e enunciados os princípios orientadores da sua
aplicação e concepção (CARON et al (L975), CAMBEFORT (1973)). Vamo-nos debruçar
portanto, sobre essas bases da técnica de injecção.

Figura 24 – Tipos de injecções

49
Do ponto de vista em que analisamos este problema, a utilização tradicional das injecções –
controle de percolação – não tem interesse, pois em geral os materiais considerados nesta
dissertação são "impermeáveis". Assim, para solos coesivos, as aplicações por excelência
das injecções são o preenchimento de vazios, de modo a reduzir assentamentos
excessivos; reforço da capacidade resistente de solos; controle dos deslocamentos de solos
sujeitos a escavação; aumento da resistência por atrito lateral de estacas; reforço de
fundações; estabilização de taludes e ainda controle das variações de volume de solos
expansivos.
Esta última utilização das injecções e normalmente executada com uma calda de cal. No
entanto esta técnica é controversa considerando certos autores que só em condições
especiais a efectiva, (WRIGHT, 1973 THOMPSON e ROBNETT, 1976). Mas JOSHI et al
(1985) mostraram que a cal é boa para estabilizar solos, pois não só reage com o solo
adjacente à furação, mas também a certa distancia, por migração do cálcio. KURDENOV
(1983) dá exemplos de aplicação ao controle d assentamentos diferenciais.
Em geral, podem ser usadas dois tipos de caldas: caldas de particulas1as primeiras a serem
usadas, e as caldas químicas. As primeiras são constituídas por cimento, solo ou argila, ou
suas misturas. As caldas químicas são constituídas por soluções de varias matérias. Os
mais usados, na ordem dos 90%, são os silicatos. Mas também se utiliza a cal, resinas, etc..
No entanto a preferência pelos silicatos deve-se a dois factores: custo e grau de toxicidade
baixos.
As caldas químicas tem ainda a vantagem de conseguirem penetrar em poros de dimens6es
mais reduzidas, coma se pode ver na figura 15, devido a sua mais baixa viscosidade, e a
dimensão coloidal das suas partículas. No entanto, é necessário ter em atenção, nestas
injecções, que as condições químicas locais podem influenciar a actividade do produto.
Outros factores, coma a temperatura, diluição pela água subterrânea, etc., podem também
actuar sabre as características finais da injecção. Convirá, portanto, uma cuidada análise
prévia, completada sempre por ensaios preliminares.
Quanto a caldas "de partículas", as mais usuais são as caldas de cimento ou solo-cimento,
apesar de, por vezes, se usarem caldas de solo ou argila pura. Este tipo de calda e tratado,
muitas vezes, com aditivos químicos, visando a diminuição de viscosidade, permitindo assim
uma melhor penetração, bem como com aditivos visando evitar a floculação do cimento. Os
aditivos químicos permitem ainda controlar o tempo de presa da calda. Este tipo de injecção,
em solos moles, tem uma aplicação restrita, mais usualmente provocando a rotura do
material, ou compactando-o. Como se pode observar na figura 15, este tipo de calda não
50
penetra em areias finas. Como regra geral, podemos estabelecer o seguinte critério de pos-
sibilidade de injecção em solos com caldas de partículas (MITCHE11,1981):
( )
( )
calda
solo
D
D
N
85
15
=

: 24 > N injecção possível
: 11 < N injecção impossível

( )
( )
calda
solo
c
D
D
N
95
10
=
: 11 >
c
N injecção possível
: 6 <
c
N injecção impossível
Além do processo tradicional de cimentação de solos que é a injecção, me todo que temos
vindo a referir, apareceram recentemente outros processos, entre os quais podemos citar a
cimentação com jacto. Ao contrario da injecção de calda convencional, a cimentação com
jacto e uma técnica de substituição do solo, sendo esta removida por jacto de água ou ar, a
alta pressão, sendo o vazio imediatamente preenchido com argamassa de cimento.


5.2. Estacas de brita
Desde a década de 30 que tem sido usada, como técnica de melhoria de areias soltas, a
vibro compactação. Consiste este método na introdução de um cilindro vibrador no solo,
transmitindo-lhe uma energia, através da vibração que provoca o adensamento da areia,
melhorando deste modo as suas características geotécnicas. Este método não é em geral
aplicável a solos argilosos moles pois devido a baixa permeabilidade que eles apresentam
não se dá a dissipação das tensões intersticiais da água, e acaba por ser à água
intersticial que toda a energia e transmitida, ou seja, a vibro compactação traduz-se nos
solos moles, num aumento das tensões intersiciaisd4 água e consequentemente, uma
diminuição das tensões efectivas; em consequência, em vez de se melhorar as
características dos terrenos, diminuem-se as suas propriedades resistentes.
51
Desde o fim da década de 50 começou a desenvolver-se na Alemanha, um método
baseado, em parte, na vibrocompactação para tratamento de solos argilosos moles. A
introdução do vibrador abre uma cavidade em profundidade, cheia posteriormente com brita,
que em seguida é compactada por meio do vibrador. Estas estacas, que funcionam
razoavelmente como dreno, são também usadas para resistir ao corte na horizontal, ou
numa superfície inclinada. No Japão desenvolveu-se uma técnica semelhante, com o use de
areia em vez de brita – método Compozer (ABOSHI etal., 1979).
Podem-se usar, com o método da vibrocompactação, duas técnicas a técnica a seco, em
que a introdução do vibrador no solo se faz unicamente com base na sua energia de
vibração; e a técnica com jacto de agua, em que se utiliza água sob pressão para cortar o
solo, facilitando a introdução de vibrador (CRISTOVAO, 1985). Em qualquer dos modos,
após a abertura do furo, o vibrador era retirado para a introdução de brita. A baixa
rentabilidade que este processo provocava levou ao desenvolvimento, na Alemanha, de um
método em que a brita e introduzida por um tubo soldado ao vibrador, sem ser portanto
necessário retirá-lo. A introdução da brita é facilitada pela utilização de ar comprimido. O ar
comprimido tem ainda a função de evitar a instabilização do furo, que é provocada pela
sucção quando o vibrador é retirado ou subido.
Uma das desvantagens que tem a utilização da furação com o auxílio de jactos de água é a
quase inevitável contaminação da estaca de brita, por materiais finos do solo, reduzindo ou
anulando o seu efeito de dreno. A execução a seco tem ainda a vantagem de provocar uma
compressão do solo mole em torno da estaca de brita, não só por não haver extracção de
material na execução do furo, como ainda por a brita, ao ser compactada, ser apertada con-
tra o terreno envolvente. Assim, em nossa opinião, e em absoluto, pensamos ser preferível,
do ponto de vista técnico, a execução de estacas de brita a seco.
As estacas de brita, executadas tanto a seco como com jactos de água, podem ter
diâmetros variáveis, entre 60cm e lm, dependendo o diâmetro final da energia de vibração
aplicada, e das características geotécnicas do terreno "in situ". Com os equipamentos
disponíveis de momento, é possível executar estacas de maiores diâmetros, acoplando
vários vibradores.
É tradicional, na analise de estacas de brita, essencialmente na consideração da sua
interacção com o solo, basear o raciocínio numa "célula unitária”, composta pela estaca de
brita e por um cilindro de solo envolvente, que se sup3e ser o solo influenciado pela
presença da estaca de brita. O diâmetro deste cilindro exterior, definidor da "célula unitária",
depende do tipo de malha de estacas utilizado, e do espaçamento entre estacas.
52
CRISTOVÃO, 1985, dá alguns exemplos dessa determinação, para malhas hexagonais,
triangulares e quadradas, tal como está representado na figura 25.


Figura 25 – Tipos de malhas de distribuição de estacas: a) malha hexagonal; b) malha triangular; c) malha
quadrada (segundo Cristóvão, 1985).

Quando se carrega unicamente a cabeça de uma estaca de brita, só em profundidade é que
a estaca irá mobilizar a resistência do solo envolvente, estando sujeita, por exemplo, a uma
rotura por cor to generalizado, ou a uma rotura da estaca (Figura 26c e 26b). A rotura da
estaca pode ser facilmente obviada, dando à estaca um comprimento superior ao
comprimento crítico. A rotura generalizada por corte é evitada, desde que se execute, a
superfície, uma distribuição da carga pela estaca e pelo solo envolvente. É, alias, assim que
funcionam quase todas as estacas de brita até hoje realizadas. Deste modo, o tipo de rotura
mais geral é o representado na figura 26a, e que poderemos designar por rotura por
deformação radial da estaca (BERGADO et al, 1984). Considerando a estaca de brita como
incompressível, qualquer variação do volume da "célula unitária", por aplicação de uma
carga, obrigara a que a deformação vertical da estaca seja compensada por uma expansão
radial, sendo a diminuição global de volume suportado pelo solo argiloso envolvente da
estaca. Se não se ultrapassar determinado valor da carga, a deformação da estaca será
uma deformação elástica e o assentamento total é relativamente pequeno. Se esse limite for
ultrapassado, a estaca de brita entra em deformação plástica, com expansão radial. Isto não
implica instabilidade, desde que se estabeleça um estado de equilíbrio de tensões entre a
estaca e o solo, ou seja, uma deformação plástica aumenta a participação do solo na
resistência global, devido ao aumento das tensões horizontais de confinamento da estaca
53
que se origina. A figura 27 mostra o aumento da tensão efectiva radial, em função da
deformação radial.

Figura 26 – Tipos de rotura de estacas de brita (segundo Bergado et al,, 1984).

HUGHES e WITHERS (1974) mostram que a deformação radial diminui em profundidade, e
sugerem, baseados na sua experi2ncia (veja -se figura 28), que abaixo da profundidade
correspondente a dois diâmetros de estaca as deformações radiais são negligenciáveis.
Este facto poderá indicar da boa adaptabilidade deste tipo de reforço, em solos moles, com
uma camada superficial sobre consolidada, logo podendo desenvolver, na zona de maiores
deformações laterais, uma maior tensão de confinamento, aumentando a resistência global
do conjunto solo-estaca de brita. No entanto, NAYAK (1982) apresenta resultados em
contradição com os anteriores, sugerindo profundidades mais elevadas.

Figura 27 – Curvas tensões – deformações radiais, determinada com base em ensaios pressiométricos
(adaptado de Bergado et al., 1984).
54


Figura 28 – a) Deslocamento vertical, em profundidade; b) Deslocamento radial do perímetro da
estaca/raio inicial da estaca, com a profundidade (segundo Hughes e Withers, 1974).

De qualquer modo, podemos dizer que a capacidade de carga de estacas de brita, ou
estacas granulares, em geral, em solos moles, é devida essencialmente à expansão radial
no troço superior da estaca, mobilizando a resistência lateral do solo envolvente.
De um modo muito geral poderemos dizer que as condições de tensão a que esta sujeita
uma estaca de brita são muito semelhantes as que se verificam no ensaio triaxial
estandardizado. Assim, tem -se que, ao ser aplicada uma tensão vertical efectiva
'
v
o
, pela
carga à superfície do terreno, resulta uma tensão radial efectiva,
'
r
o
, devida à reacção
horizontal do terreno envolvente. Para se proceder ao dimensionamento de estacas de brita,
isto g, para analisar o seu comportamento, ter-se-á que ter em consideração a resistência
ao corte não drenado do solo, a tensão horizontal "in situ" do solo, as características
tensões-deformações radiais do solo, as dimensões iniciais da estaca e as características
tensão-deformação e ângulo de atrito interno,
'
|
, do material da estaca. Normalmente
despreza-se a consolidação do solo devido ao carregamento à superfície.
A tensão vertical efectiva máxima que uma estaca de brita pode suportar,
'
vf
o
atinge-se
quando o solo rompe radialmente, por se ter atingido a tensão radial máxima, que pode
suportar,
'
rf
o
. A condição de rotura que relaciona
'
vf
o
com
'
rf
o
é:
55
'
'
'
'
sin 1
sin 1
rf vf
o
|
|
o
÷
+
=
o valor de
'
rf
o
pode ser expresso em função da tensão radial inicial,
'
ro
o
:
u ro rf
KS = ÷
' '
o o
podendo portanto escrever
( )
u ro vf
KS u + ÷
÷
+
= o
|
|
o
'
'
'
sin 1
sin 1


Nesta expressão, Su é a resistência ao corte não drenado da argila,
ro
o
é a tensão radial
total inicial, u é a pressão intersticial da água,
'
|
o ângulo de atrito interno do material da
estaca. Segundo HUGHES e WITHERS (1974), K terá um valor de 4. No entanto, outros
autores apresentam outros valores.
No entanto, a partir desta fórmula, digamos que clássica, vários outros autores
apresentaram métodos para a determinação da capacidade de carga das estacas de brita.
Assim, GIBSON e ANDERSON (1961) apresentaram o seu método, em que se basearam
na expansão de uma cavidade cilíndrica, com um material ideal elasto-plástico. Estes
autores admitiram um estado de deformação radial piano. VESIC (1972) partindo dos
estudos anteriormente feitos por GIBSON e ANDERSON (1961), desenvolveu o estudo
sobre a expansão de cavidades esféricas e cilíndricas, considerando na zona plastificada
coesão, atrito e deformações volumétricas. A partir daqui, e dos parâmetros E,
µ
e Cv,
define um coeficiente de rigidez Ir representando a relação entre o modulo de
deformabilidade transversal e a resistência ao corte não drenado. Para argilas saturadas
VESIC (1972) apresenta valores de Ir entre 10 e 300.
A partir deste índice de rigidez, VESIC (1972) deduz a capacidade de carga das estacas.
HUGHES e WITHERS (1974), e HUGES, WITHERS e GREENWOOD (1976) substituem a
equação básica de GIBSON e ANDERSON (1961):
( )
|
|
.
|

\
|
|
|
.
|

\
|
+
+ + =
v
v ro r
C
E
C
µ
o o
1 2
ln 1

pela equação atrás apresentada:
u o ro r
C u 4
'
+ + = o o

56
2.g
em que se supõe que o coeficiente de impulso em repouso do solo é 4. BRAUNS (1978)
considera os métodos anteriores como incorrectos, por considerarem a estaca a funcionar
em estado de deformação radial piano. Ora, considerando que o estado de tensão é um
estado tridimensional, este autor considera a semelhança com o ensaio triaxial, e uma
superfície de rotura inclinada relativamente à horizontal. VAN IMPE e DE BEER (1983)
voltam a considerar o estado de deformação plana, mas considerando as estacas de brita,
sob a acção das cargas, em equilíbrio limite, e com deformação a volume constante.
Na figura 29 apresenta-se uma comparação da tensão máxima, em função do ângulo de
atrito interno, calculada por vários métodos.
Têm ainda sido apresentadas algumas tentativas de apresentar modelos constitutivos do
conjunto solo reforçado com estacas de brita, como por exemplo GERRARD et al (1984),
que apresentam um modelo constitutivo de um material equivalente a um estrato de argila
com uma malha de estacas de brita homogénea e uniformemente distribuídas. No seu
modelo, eles supuseram que a argila e a brita têm um comportamento elasto plástico,
assumindo como critérios de rotura, o de TRESCA para a argila, e o de MOHR-COULOMB
para a brita. Esse modelo foi incorporado num programa de elementos finitos, tendo as
primeiras comparações com a observação sido bastante animadoras.


Figura 29 – Comparação da tensão máxima, numa estaca de brita, em função do ângulo de atrito interno
(segundo Cristóvão, 1985).

57
Anteriormente a estes autores, SALAAM e POULOS (1982) tinham apresentado um modelo
em que consideravam tanto a argila como a brita coma materiais elasto plásticos, seguindo
ambos o critério de rotura de MOHR-COULOMB. Mas este modelo ainda considerava o
conceito de "célula unitária", facto que não acontece no modelo de GERRARD et al, (1984).
LE BUHAN (1984) e SALENÇON e LE BUHAN (1985) baseados na ideia
de que seria possível tratar um solo reforçado como um meio homogéneo anisótropo a
escala macroscópica da obra a analisar, apresenta um método de "homogeneização" para
analise do comportamento desses solos reforçados, numa tentativa de 9eneralizacao de
trabalhos anteriores de MATAR e SALENÇON (1979). No seu trabalho e comparando com
outro método, LE BUHAN (1984) concluiu que seu método de homogeneização constitui
uma abordagem racional eficaz dos problemas de dimensionamento de obras em solos
reforçados. Segundo aquele autor, a eficácia do seu método deve-se essencialmente à
noção de critério de resistência macroscópica que permite considerar correctamente a
anisotropia de rotura do material "solo reforçado".
Todos os métodos anteriormente referidos, para determinação da capacidade de carga de
estacas de brita, supõem que o solo foi submetido a uma tensão que o levou à rotura. No
entanto, na maior parte dos problemas relativos a estacas de brita, essa carga de rotura
corresponde a assentamentos excessivos para a estabilidade ou o bom funcionamento da
estrutura que suportam. Isto é, normalmente, o determinante, no dimensionamento de um
reforço com estacas de brita, é o dimensionamento aos assentamentos, e não o
dimensionamento à rotura. E não há dúvida que o reforço com estacas de brita reduz
bastante a amplitude dos assentamentos, coma se vê na figura 30. Os métodos actualmente
existentes, para previsão dos assentamentos de fundações em solos argilosos moles
reforçados com estacas de brita baseiam-se na generalidade no conceito "factor de
melhoramento do solo", ou seja, na relação entre o assentamento que se verifica sem
reforço com estacas de brita, e o que se verifica com o solo reforçado. Numerosos autores
apresentam, com base nas respectivas teorias de comportamento do solo reforçado com
estacas de brita, a evolução dos factores de melhoramento em função das propriedades de
solos, da geometria da carga, e da geometria das estacas de brita. A figura 31 apresenta
uma comparação gráfica entre vários desses autores, para o caso de cargas de grandes
dimensões (aterros, por exemplo) e considerando uma superfície "infinita" tratada com
estacas de brita.
58

Figura 30 – Curvas carga assentamento para várias estacas de brita, e para o solo sem tratamento
(segundo Bergado et al., 1984).

BARKSDALE e GOUGHNOUR (1984) fizeram um estudo comparativo entre três dos
métodos mais recentes para determinar os assentamentos de solos reforçados com estacas
de brita, aplicando-os a três casos reais.

Figura 31 – Comparação dos factores de melhoramento do solo de acordo com vários autores (segundo
Cristóvão, 1985).
59
Assim, analisaram o método do equilíbrio, usado habitualmente no Japão, o método
incremental proposto por GOUGHNOUR e BAYUK (1979), e o método dos elementos
finitos desenvolvidos par BARKSDALE e BACHUS (1983).
O método do equilíbrio é usualmente usado no Japão para prever os assentamentos que se
verificarão em solos moles reforçados com estacas de areia compactada, podendo ser
igualmente aplicado quando o reforço é feito com estacas de brita. Este método considera
igualmente o conceito de célula unitária. Define um factor de concentração de tensões, n,
coma a tensão existente na estaca de brita,
s
o
, a dividir pela tensão no solo envolvente,
c
o

(com
c s
n o o =
). Para que exista equilíbrio das forças verticais dentro da célula unitária, a
tensão no solo envolvente da estaca terá de ser:

( ) | |
o µ
o
o
c
s
c
a n
=
÷ +
=
1 1


onde σ é a tensão media aplicada em toda a superfície da célula unitária, e as o coeficiente
de substituição de área, definido como o quociente da secção da estaca de brita, pela área
total da célula unitária. Para calcular o assentamento selecciona-se um valor de n, e a
tensão no solo envolvente da estaca calcula-se pela equação acima. Usualmente aplica-se
a teoria unidimensional da consolidação, para estimar os assentamentos da argila) podendo,
no entanto, ser utilizada outra teoria. Este método, que usa parâmetros convencionais de
mecânica dos solos directamente na sua formulação, e é simples de aplicar, tem a
vantagem de dar uma sensibilidade física do problema.
No entanto, tem o inconveniente de o factor n ter que ser escolhido com base na
experiência. E é este factor, neste método, que incluiu a influência da deformação radial do
material, as características tensão-deformação da brita, e o aumento da tensão de
confinamento com a profundidade. Um erro de escolha no coeficiente n é da maior
importância. Na analise feita par BARKSDALE e GOUGHNOUR (1984), este método sobre
estimou, nos três casos em analise, o valor dos assentamentos.
O método incremental, proposto par GOUGHNOUR e BAYUK (1979), analisa
individualmente elementos com a forma de disco da célula unitária. O material da estaca é
suposto elastoplástico, e incompressível no estado plástico. O solo envolvente da estaca de
brita, e confinado dentro da célula unitária, segue a teoria da consolidação de TERZAGHI,
alterada de modo a incluir tanto as deformações horizontais como verticais. Para ter em
conta a variação da tensão de confinamento com a profundidade, a analise é executada
60
sobre sucessivos elementos circulares da célula unitária. Permite variar as propriedades do
solo e as condições de tensão de elemento para elemento. GOUGHNOUR (1983)
apresentou ábacos que facilitam a aplicação desta teoria. Na figura 32 apresenta-se, desse
trabalho, o gráfico que dá o valor do factor de redução da deformação em regime elástico,
em função do coeficiente de rigidez, definido em termos das características de consolidação
das argilas. O valor de Re é pouco sensível ao valor de ν, na figura 32 tomado como ν=0.3.
Na figura 33 apresenta-se, como exemplo, o gráfico de GOUGHNOUR (1983), para o factor
de redução das deformações, em regime plástico, e para os casos Ф
estaca
=45º, K
o
=0.4 e 0.5,
e Ф
estaca
= 40º, K
o
= 0.4 e 0.5.
Como conclusões da aplicação deste método aos mesmos casos reais, pode-se dizer, como
BARKSDALE e GOUGHNOUR, (1984), que o método usa os parâmetros convencionais da
mecânica dos solos na sua formulação. Tem, relativamente ao método anterior, o
inconveniente de a sua resolução exigir uma calculadora programável, ou um computador, a
não ser que se usem os gráficos elaborados por GOUGHNOUR, (1983). Tem a vantagem
de considerar, na sua formulação, tanto a compressão vertical como a radial do solo "in
situ”; considera tanto o material com comportamento elástico como plástico, e tem ainda em
conta o aumento da tensão de confinamento em profundidade. Com este método, pode-se
fazer variar tanto as propriedades dos solos, como os estados de tensão com a
profundidade. Os resultados que BARKSDALE e GOUGHNOUR obtiveram nas aplicações
já referidas, tiveram uma excelente compatibilidade com as observações.


61
Figura 32 – Factor de redução das deformações em regime elástico (segundo Goughnour, 1983).


Figura 33 – Factor de redução das deformações em regime plástico: a) Ф
estaca
=45º, K
o
=0.4 e 0.5; b)
Ф
estaca
= 40º, K
o
= 0.4 e 0.5 (segundo Goughnour, 1983).

Por ultimo, destes três métodos, o método desenvolvido por BARKSDALE e BACHUS
(1983) usa o conceito da célula unitária, e a teoria de elementos finitos, não lineares, para
calcular a compressão vertical e radial do solo; considera tanto o comportamento e1ástico
como o plástico dos vários materiais, e considera também o efeito do aumento de tensão de
confinamento em profundidade. Este método é muito versátil, e tecnicamente correcto, se se
aplicar uma solução por computador a cada problema individual. Pode ter facilmente em
conta variações dos parâmetros do solo e do estado de tensão em profundidade. Se se
usarem os gráficos de cálcu1o, tem-se uma solução fácil de aplicar, mas perde-se em
versatilidade. Com este método, o módulo de elasticidade da argila é muito sensível ao
coeficiente de Poisson.
Com os gráficos, só é possível ter em conta as variações das propriedades e do estado de
tensão em profundidade utilizando valores médios. Finalmente, os autores consideram os
resultados bons, desde que a análise seja executada muito cuidadosamente.


5.3. Micro-estacas
As micro-estacas tiveram o seu início em 1952, e foram durante largo tempo usadas
essencialmente como escoras. Esta sua aplicação sai fora do âmbito deste trabalho. No
entanto, aplicadas como "Reticulo de Micro-estacas" ou "Reticulo de Estacas Raiz" (Reticolo
62
di Pali Radice), isto é como grupo, com as micro-estacas inclinadas entre si, podem ser
utilizadas para formar uma espécie de massa do solo reforçado. Com esta finalidade, as
micro-estacas podem ser utilizadas em qualquer tipo de solo, e aplicadas na estabilização
de encostas, coma reforço de fundação de estruturas de suporte, e em construção de
túneis.
A execução das micro-estacas é feita pela furação entubada, com diâmetros, entre 75 e
250mm. O reforço, que pode ser um varão, uma barra ou um tubo metálico, é introduzido no
interior do entubamento. O furo é então cheio com um betão rico em cimento de agregados
finos, de elevada plasticidade. Quando se retira o entubamento introduz-se mais betão, ou
com bomba, ou à pressão de ar, de modo a que essa pressão garanta um contacto entre o
betão e o solo envolvente. No caso de solos compressíveis a micro-estaca fica com um
diâmetro superior ao do entubamento.
As micro-estacas podem ter capacidades de carga, individualmente, variáveis entre 8 e 50
toneladas.
É evidente, quanto ao modo de funcionamento destas micro-estacas, que cada estaca,
individualmente, pode estar sujeita a tracção, compressão ou flexão; mas a interacção das
estacas num "reticulado" com o solo é complexo. LIZZI (1983), que é o "pai" da micro-
estaca, bem como do "Reticolo di Pali Radice", apresenta um esquema geral de cálculo,
baseado nos parâmetros geotécnicos dos solos. No entanto, ele próprio reconhece que só a
experiencia, e ensaios "in situ", em verdadeira grandeza, permitem um dimensionamento
seguro deste tipo de reforço.
Têm aparecido, no entanto, tentativas para uma análise com bases mais sólidas,
simultaneamente que com novas aplicações, como seja para fundação de edifícios. Assim,
recentemente, PLUMELLE (1984) apresentou ensaios em verdadeira grandeza sobre micro-
estacas isoladas, grupos de micro-estacas verticais e "retículos" de micro-estacas. A figura
34 esquematiza alguns dos resultados por ele obtidos. Assim, foram executados ensaios
representando uma sapata sobre solo virgem, e sobre grupos e retículos de micro-estacas;
nestes dois últimos casos, foram utilizados, entre a base da sapata e o solo, quer uma
camada de areia compactada, quer uma camada de tout venant. As conclusões gerais a que
PLUMELLE (1984) chegou foram: o reticulo de micro-estacas é mais eficaz que o grupo de
estacas verticais; não se consegue mobilizar nem aproximar a tensão de rotura da micro-
estaca; as características da camada de aterro entre as micro-estacas e a sapata são
importantes. Não sendo possível compactar um solo mole, pode-se jogar com a
granulometria havendo uma nítida melhoria com a utilização de "tout-venant".

63

Figura 34 – Curvas de tensão deformação para sapatas em solo virgem, e sobre grupos de estacas
verticais ou inclinadas com base de areia ou tout-venant (segundo Plumelle, 1984).

PITT e RHODE (1984) apresentam uma nova aplicação da micro-estaca, com novos
produtos. Levados a analisar a necessidade de reforço dos caminhos de ferro dos EUA,
para os adaptar às novas cargas rolantes, chegaram à conclusão que mais importante do
que a mudança sistemática dos carris e do balastro, eram as características da sub base.
De notar que os problemas relacionados com a qualidade da sub base tem sido bastante
bem estudados para o caso das estradas, mas praticamente não têm sido considerados no
que diz respeito aos caminhos-de-ferro. Analisando portanto este problema, aqueles autores
chegaram à conclusão da inviabilidade da recompactação das sub bases, o que equivaleria
a refazer todo o sistema de caminhos-de-ferro americano, solução economicamente
inviável. Analisando o conjunto de problemas, sugeriram a utilização de micro-estacas, mas,
coma existe no médio oeste americano o grave problema económico que é a destruição ou
armazenamento das cinzas de carvão (lenhite de baixo teor em enxofre) das centrais
térmicas, cinzas essas que apresentam a característica de serem auto-cimentantes, PITT e
RHODE (1984) propuseram a execução das micro-estacas, com cinzas de carvão, a
reforçar a sub base, e simultaneamente a suportar o balastro e os carris.

64

Figura 35 – Esquema conceptual da instalação dos pares de micro estacas e nodo de funcionamento
dessas micro estacas (segundo Pitt e Rhodes, 1984).

A figura 35 representa esquematicamente a concepção da execução e o modo de
funcionamento destas micro-estacas.
Com bastante interesse também, ASTE e MESSIN (1984) apresentam o problema, com
condicionantes bastante grandes, da execução das fundações de estruturas da estação de
montanha de um teleférico. A solução adoptada, por permitir resolver todos os problemas,
foi a da execução de micro-estacas em rocha.

5.4. Pregagem de solos
A pregagem de solos designa um método de reforço do solo natural com barras de aço, ou
de outro material, com a finalidade de aumentar a resistência à tracção e ao corte do solo.
Esta técnica tem sido usada para consolidar taludes maturais e de escavação, bem como,
mais raramente, para melhorar a capacidade de carga dos solos de fundação. As pregagens
são, em geral, simples barras de aço de diâmetros de 20 a 30 mm, introduzidas no terreno
ou em furos abertos por sondas, ou à percussão.
O seu comprimento é da ordem dos 50% da altura da escavação a consolidar. Para garantir
uma boa ligação do varão ao terreno, o pequeno espaço em anel, entre o varão e o solo, é,
normalmente, injectado com uma argamassa de cimento. Usualmente também as
pregagens são solidarizadas com um revestimento de betão projectado, revestindo o talude.
Na figura 36 apresenta-se de forma esquemática a execução de uma pregagem, em talude
de escavação. Este sistema de pregagem de solos pode ser usado em muitas das situações
65
em que uma massa de solo tem que ser estabilizada, ou tem que ter a sua estabilidade
reforçada. Pode ser utilizado para reforçar ou reduzir assentamentos de solos argilosos
moles debaixo de aterros de estadas ou caminhos-de-ferroo, debaixo de tanques de
armazenamento, etc., alem das já referidas utilizações para estabilização de taludes
naturais e de escavação.

Figura 36 – Execução de pregagens estabilizando um talude de escavação (segundo Stocker et al., 1979).
O dimensionamento de sistemas de pregagem envolve a determinação do tamanho,
espaçamento, orientação e comprimento das barras a usar. A análise global da estabilidade
da massa de solo pregado pode ser executado segundo os métodos usuais. Tendo
começado como uma técnica semi-empírica, tem havido um certo esforço, na última década,
para a compreensão e modelização do comportamento das pregagens, e do solo pregado.
Assim, JURAN et al (1981), para tentar compreender o comportamento ao corte de um solo
reforçado com pregagens, realizaram uma serie de ensaios laboratoriais, com caixa de corte
de grandes dimensões, que permitiu pôr em evidencia algumas facetas daquele
comportamento. Assim, mostrou-se que havia, no corte de um solo pregado, transferência
de esforços entre o solo e as pregagens, transferência essa que se efectiva essencialmente
por um impulso lateral e pelo efeito abóbada, obrigando as pregagens a entrar em flexão. A
tensão de corte que assim se origina traduz-se pela mobilização de uma coesão aparente
do solo pregado. Esta coesão depende principalmente do deslocamento, e em
consequência da rigidez relativa das pregagens e do solo, segundo aqueles autores. O
limite desta "coesão" atinge-se quando se alcança o deslocamento necessário para
mobilizar o impulso activo do solo.
Os ensaios realizados por STOCKER et al (1979) têm como grande vantagem, para a
compreensão do mecanismo de funcionamento das pregagens, o facto de terem sido
realizados sabre modelo reduzido e em verdadeira grandeza, apesar de terem incidido, na
quase totalidade, sobre solos não coesivos. Com estes ensaios, STOCKER et al (1979)
pretendiam determinar um método correcto, ou pelo menos regras, de dimensionamento.
66
Com o trabalho que apresentam, chegam à conclusão que tal não era ainda possível,
continuando a desenvolver o respectivo programa de investigação. No entanto, apresentam
no seu trabalho algumas "notas" com interesse prático. Consideram, em primeiro lugar, que
na análise da estabilidade de um solo pregado, tanto a estabilidade global, como a
estabilidade interna têm que ser analisadas. De um modo resumido, STOCKER et al (1979)
consideram quatro tipos de rotura possíveis, esquematizados na figura 37. Face às suas
experiencias, apresenta como tipos de rotura mais prováveis os casos c. e d.. O esquema
de cálculo apresentado por aqueles autores está representado na figura 38.

Figura 37 – Mecanismos de rotura possíveis num muro de escavação pregado (segundo Stocker et al.,
1979).

Figura 38 – Esquema de cálculo de estabilidade de um muro de suporte pregado (segundo Stocker et al.,
1979).
67
GASSLER e GUDEHUS (1981), desenvolvendo os trabalhos que tinham realizado com
STOCKER et al (1979), avançam com a preparação de alguns ábacos de cálculo, para
alguns casos estandardizados. GASSLER e GUDEHUS (1981) chegaram à conclusão que
os cálculos de estabilidade se podem basear na translação de dois corpos (semelhantes,
mas não iguais, aos apresentados na figura 38). O método de cálculo apresentado por estes
autores considera as forças axiais nas pregagens; no entanto, ao contrário de JURAN et al
(1981), não consideram os esforços de carte. GUDEHUS (1982) apresenta o método de
cálculo anteriormente apresentado (GASSLER e GUDEHUS, 1981), com maior
pormenorização, essencialmente ao nível técnico. CARTIER e GIGAN (1983) analisam e
observam o caso de duas estruturas reais, um muro de suporte pregado, e uma encosta
natural com pregagens verticais, que foram devidamente instrumentadas. Estes autores
concluíram, no caso da estrutura de suporte da escavação, que o comportamento da massa
de solo pregada apresenta uma analogia clara com o comportamento de uma estrutura de
terra armada. Quanto à encosta, chegaram à conclusão que uma pequena melhoria no
factor de segurança, através da execução de pregagens verticais, de execução bastante
económica, era suficiente para estabilizar uma massa previamente em instabilidade.
Muito importante é o trabalho de GASSLER e GUDEHUS (1983), em que estes autores, na
continuação dos trabalhos anteriormente referidos – STOCKER et al (1979), GASSLER e
GUDEHUS (1981) e GUDEHUS (1982) – apresentam a analise da estabilidade de um corte
vertical em solo não coesivo, suportado par uma estrutura de betão projectado e pregagens,
com base num mecanismo de translação de dois corpos, tal coma anteriormente já tinha
sido apresentado, que baseou a formulação de uma equação simplificada de estado limite.
Considerando o peso unitário e o ângulo de atrito interno do solo, a resistência ao
arrancamento das pregagens e a sobre carga como variáveis estocásticas, aqueles autores
apresentam uma análise probabilística da estabilidade da obra. Esta análise, bastante
completa, permitiu-lhes concluir que a principal contribuição para a probabilidade de rotura
era a variação do ângulo de atrito do solo, e a resistência das pregagens. Aqueles autores
consideram o método por eles apresentado como um método de calculo mais simples que
os métodos convencionais, e objectivo.
Vários outros autores se têm debruçado sabre o dimensionamento de pregagens. No
entanto, a major parte dos trabalhos que se encontram na bibliografia lidam essencialmente
com a análise de casos reais e só alguns poucos tentam aprofundar os métodos de cálculo
ou os modelos de comportamento. Um destes casos será o de GUILLOUX (1984), que
analisa os principais fenómenos actuando no atrito solo-pregagem. MARCHAL (1984)
analisa em laboratório o comportamento de uma única pregagem, essencialmente a
influênciaa da inclinação. BANGRATZ e GIGAN (1984), por aplicação e adaptação de um
68
programa de cálculo automático, apresentam um método rápido de cálculo de maciços
pregados. O estudo paramétrico efectuado por estes autores refere como características
principais da pregagem o comprimento e a inclinação das pregagens, e a sua resistência ao
arrancamento. O método apresentado por estes autores permite ter em conta,
indirectamente, a flexão dos varões de pregagem. No entanto, eles consideram que abaixo
do limite de plastificação, o ganho de estabilidade que se obtém pela flexão das barras é
negligenciável. Na figura 39 apresenta-se um ábaco de pré dimensionamento apresentado
por estes autores.
Por último, BEECH e JURAN (1984) apresentam um modelo teórico, baseado na análise do
comportamento de modelos reduzidos tridimensionais de solos reforçados, quer por
pregagem, quer pelo método da terra armada. O desenvolvimento deste método deve-se ao
facto das teorias clássicas -Rankine, Coulomb – subestimarem muito a altura critica. O
método apresentado por estes autores, apesar de ter a vantagem de poder tomar a
consideração a variação de vários parâmetros, dá unicamente um limite inferior para a altura
critica da obra, com desvios, relativamente ao observado nos modelos, inferiores a 25%. De
qualquer modo este método tem o inconveniente de permitir considerar unicamente o
reforço de solos granulares, não coesivos, homogéneos, e com hipóteses de cálculo válido
unicamente para a ruptura.
JURAN et al. (1985) apresentaram, no seguimento de anteriores trabalhos, um estudo com
modelos numéricos, em que uma malha de elementos finitos é aplicada a um solo elasto-
perfeitamente plástico, com um critério de plasticidade de Coulomb. As conclusões tiradas
por estes autores confirmam a linha que tem vindo a ser apresentada. O modelo de JURAN
et al (1985) tem o inconveniente de só ser aplicável para pequenas deformações.
69

Figura 39 – Ábacos de pré dimensionamento de pregagens (segundo Bangratz e Gigan, 1984).


5.5. Terra armada
A terra armada, na sua concepção genérica, é um maciço de terra, com inclusões de
reforços resistentes à tracção. Deste modo, para certo tipo de solos, e para certas condições
de compactação, o solo resiste à compressão e ao corte, e os respectivos reforços resistem
à tracção. O reforço pode ser de dois tipos essencialmente distintos: ou materiais
idealmente inextensíveis, como o aço, por exemplo, ou por materiais idealmente extensíveis,
como fibras ou geotexteis. Numa obra deste tipo, o parâmetro fundamental é o atrito solo-
reforço. Por esse motivo, os reforços têm quase sempre a forma em banda de modo a, para
a mesma resistência à tracção, poderem apresentar o maior atrito possível com o solo.
O modo de funcionamento da terra armada, segundo levam a crer alguns dos trabalhos
referidos na secção anterior, é muito semelhante ao do funcionamento de maciços tratados
com pregagens. No entanto, há uma diferença, para nós fundamental: enquanto que a terra
armada representa um maciço totalmente executado, isto é, são executados alternadamente
camadas de solo compactado, e camadas de reforço, os maciços pregados são utilizados
para estabilizar, ou aumentar a resistência, de solos "in situ". Esta diferença é importante,
porque o método de terra armada, sendo um método aplicado com aterros compactados,
não se aplica a solos argilosos moles. A curta referência que aqui se faz deve-se
70
exclusivamente à semelhança de comportamento com as pregagens, pelo que o
acompanhamento dos avanços recentes numa das técnicas pode fornecer informações
importantes para aplicação da outra técnica. No entanto, convém chamar a atenção para o
facto de BATTELINO (1983) ter apresentado um caso de execução de terra armada em
siltes argilosos, tendo obtido resultados aceitáveis. MAJES e BATTELINO (1985) analisam
igualmente um caso de solo mole, reforçado superficialmente com geotexteis, utilizando o
método dos elementos finitos.

6. Compactação profunda
A compactação profunda de um solo, tomando à letra a sua designação, pode ser levada a
cabo tanto por cargas estáticas, coma por cargas dinâmicas. No entanto, no presente
subcapítulo, não nos vamos debruçar sobre a compactação provocada por cargas estáticas.
De facto, a sua importância, bem como a aplicação muitas vezes em conjunção com
métodos de drenagem para aceleração da consolidação, faz com que seja tratada à parte,
no subcapítulo 3.6. Vamos aqui debruçarmo-nos unicamente sobre a compactação
profunda, utilizando solicitações dinâmicas.
No âmbito da compactação profunda, assim limitada, é habitual incluir quatro técnicas de
tratamento: vibro flutuação, que é um tipo de vibro compactação, com a vibração
estacionária emitida por um vibrador de agulha, que liquefaz o solo não coesivo, localmente,
e o densifica depois de um rearranjo dos grãos; a vibro-substituição, utilizada na execução
de estacas de brita ou areia; a compactação dinâmica, que consiste no fornecimento de
energia ao solo através de da pancada de uma massa em queda livre, de uma certa altura;
e a compactação por deflagração de uma carga explosiva em profundidade, no interior da
massa do solo a compactar. Destes quatro métodos, só dois são aplicáveis a solos
argilosos: a vibro substituição, e a compactação dinâmica. A vibro substituição, por executar
uma estaca de brita, ou de areia no interior do estrado argiloso mole a tratar, pode também
ser considerado um método de reforço de solos, tal como nós o considerámos na secção
5.1..
Em consequência, vamos aqui debruçarmo-nos unicamente sobre o método da
compactação dinâmica, na sua aplicação aos solos argilosos moles.
A densificação de areias soltas pela queda de pesos sobre a sua superfície é uma técnica
que vem da antiguidade, mas só nos princípios do século XX aparece a primeira referência
71
escrita a esta técnica (LOOS, 1936, referido por MAYNE et al, 1984). Mas só em 1969 Louis
Ménard introduzia esta técnica como método de rotina de tratamento de solos.
Aplicada a solos não saturados e a solos granulares soltos a aplicação desta técnica não
apresenta grandes problemas conceituais, sendo o processo essencialmente o mesmo do
ensaio de compactação Proctor. SCOTT e PEARCE (1975) apresentaram um tratamento
teórico quantitativo aplicável a este tipo de solos. No entanto, não é fácil analisar a eficácia
desta técnica em solos argilosos com os conceitos tradicionais da Mecânica dos Solos,
sendo a sua aplicação com êxito incerta. De um modo geral, pode-se dizer que o método é
frequentemente uma solução economicamente atractiva para permitir a utilização de
fundações directas, e preparar sub-bases para a construção, comparativamente às soluções
convencionais (estacas, substituição de solos, etc.).
Esta técnica, na sua forma actual, constituiu um trabalho pioneiro de MÉNARD (MÉNARD,
1973, MÉNARD, 1974, MÉNARD e BROISE, 1975), tendo sido aplicado ao melhoramento
das características de camadas compressíveis com possanças até 30 metros. De um modo
muito genérico, poderemos dizer que este método, consistindo na queda livre sistemática de
um determinado peso de uma certa altura, visa melhorar a capacidade resistente e
diminuir os assentamentos totais e diferenciais até uma determinada profundidade.
Normalmente, são usados blocos de betão ou aço, de 5 a 29 t de peso, largadas de alturas
até cerca de 30 metros. Como ordem de grandeza, estas quantidades de energia permitirão
tratar o terreno até cerca de 15 metros de profundidade. No entanto já foram utilizados
pesos de 190t, caindo de uma altura de 23 metros, no aeroporto de Nice (GAMBIN, 1983). A
altura de queda de 23m, resultou de uma limitação imposta pela segurança do tráfego
aéreo.
A distribuição espacial e a sequência cronológica de aplicação da energia de compactação
são críticas para se alcançar a compactação pretendida, de modo muito especial nas zonas
onde o tratamento tem que atingir maiores profundidades. Na primeira fase de trabalhos, os
impactos são aplicados segundo uma malha, definida em função da espessura a tratar, da
profundidade do nível freático, e da granulometria do solo. Proceder-se-á a várias
passagens. A malha inicial é, em geral, pelo menos igual à espessura do estrato
compressível, podendo ser utilizados, nesta fase, até 50 impactos em cada ponto. Esta
primeira passagem tem como função tratar as camadas mais profundas. Uma definição
incorrecta do espaçamento dos pontos de impacto, ou a utilização de uma energia não
adequada, pode resultar na formação de um "ensoleiramento" de material denso, numa
profundidade intermédia, inviabilizando eventualmente o tratamento dos solos subjacentes
(MAYNE et al, 1984). Nos solos finos saturados o processo de consolidação dinâmica é
complicado pelo aumento das pressões intersticiais da água, durante a compactação,
72
diminuindo a eficiência das passagens seguintes. É, portanto, necessário estabelecer um
intervalo suficiente entre passagens sucessivas, de modo a permitir a dissipação desse
excesso de pressão.
Após cada passagem, as depressões criadas pela queda dos pesos são preenchidas com o
material circundante. Assim, de um modo geral, a plataforma sujeita a tratamento vai
baixando de um determinado valor, proporcional ao adensamento conseguido em cada
passagem. As passagens iniciais denominadas geralmente de "passagens de elevada
energia", são completadas no fim por uma passagem de baixa energia, designada
habitualmente no calão técnico por "passagem a ferro", destinada a adensar a camada
superficial, até metro e meio de profundidade.
Devido a condicionalismos económicos, o peso usado, e a altura de queda, não são
parâmetros independentes. A figura 40 apresenta graficamente a relação entre o peso e a
altura de queda, para um número bastante grande de dados, em escala bi-logarítmica.
O peso pode ter uma forma em planta circular, octogonal ou quadrada, segundo MAYNE
(1984) para as passagens de alta energia e aconselhável usar pesos circulares ou
octogonais, pela melhor transmissão em profundidade das cargas. O mesmo autor
considera a forma quadrada mais indicada para a "passagem a ferro".


Figura 40 – Relação entre o peso e a alyura da queda, na compactação dinâmica (segundo Mayne et al.,
1984).
73
40
Na aplica4ao deste método a solos argilosos, tem havido sucessos, e insucessos. Segundo
MENARD e BROISE (1975), o método é aplicável a solos argilosos, apesar do cepticismo
com que é encarado. Segundo estes autores, há quatro mecanismos que são responsáveis
pela possibilidade de aplicação da compactação dinâmica a solos argilosos: um solo
saturado é compressível, devido à presença de bolhas gasosas microscópicas; sob os
impactos repetidos, o solo entra em liquefacção; há variação da permeabilidade do solo,
devido ao aquecimento de fissuras, e o possível papal desempenhado pela água absorvida,
próximo da liquefacção; e a recuperação tixotrópica. De notar que, no seu artigo, MÉNARD
e BROISE (1975) dão uma interpretação qualitativa da aplicação da consolidação dinâmica
a solos coesivos, mas, apesar de apresentarem inclusivamente equipamento laboratorial
especialmente desenvolvido para o efeito, como seja o "edómetro dinâmico", não
apresentam uma interpretação qualitativa, que permita elaborar um estudo de consolidação
dinâmica de solos argilosos.
Segundo a interpretação de MÉNARD e BROISE (1975), a teoria da consolidação clássica,
de Terzaghi, que prevê a necessidade da drenagem da água do solo, para que se dê o
assentamento, o que se verificará passado um certo intervalo de tempo, devido à baixa
permeabilidade dos solos argilosos, não é aplicável, pais a observação mostrava, mesmo
neste tipo de solos, que a queda do peso resultava num assentamento imediato conside-
rável. A investigação levada a cabo por aqueles autores mostrou então que a quase
totalidade dos solos quaternários contêm gás na forma de "micro-bolhas" variando entre 1 e
4%, em volume. Consideram então que estas bolhas gasosas, com comportamento regido
pelas leis de BOYLE-MARIOTTE e de HENRY, bem como fenómenos menos conhecidos
como a variação mais ou menos irreversível do estado de equilíbrio dessas bolhas devido a
vibrações ou choques, desempenham um papel importante no assentamento imediato
verificado na compactação dinâmica. Assim, aplicando energia ao solo, através de impactos
repetidos, o gás vai sendo comprimido, aproximando-se o seu volume de zero. Então, o solo
passa a comportar-se como incompressível, iniciando-se, por aumento da energia fornecida,
através de novos impactos, a liquefacção. MÉNARD e BROISE (1975) designam a energia
necessária para se atingir esta fase como "energia de saturação", isto apesar de, na prática,
a liquefacção ocorrer de modo gradual. Segundo aqueles autores, este nível de energia não
deve ser ultrapassado, para não se dar a remoldagem do solo. A utilização do edómetro
dinâmico, em laboratório, permite precisamente determinar este patamar de energia a não
ultrapassar. Verifica-se, posteriormente a esta fase, que a dissipação dos excessos das
tensões intersticiais da água se dá muito mais rapidamente do que seria de esperar, com
base na permeabilidade dos solos "in situ". Os autores referem a formação de fissuras, tanto
provocadas pelos elevados gradientes hidráulicos, como pela concentração dos impactos,
74
na criação de uma rede de drenagem completa, que acelerará a drenagem. Além disso,
aumentando a permeabilidade da massa do solo, com a diminuição das tensões efectivas, a
permeabilidade do solo será máxima quando se atinge a liquefacção. Eles referem ainda,
como hipótese, que as ondas de choque poderão transformar a água adsorvida em água
livre, aumentando consequentemente a secção dos tubos capilares entre partículas. O
fenómeno contrário verificar-se-ia devido à tixotropia.
MÉNARD e BROISE referem ainda a diminuição apreciável de resistência que se sucede à
compactação dinâmica, e, como é 1ógico, o facto do valor mínimo ser atingido quando o
solo se aproxima da liquefacção. À medida que se dissipam as tensões intersticiais da água,
verifica-se um grande aumento da resistência ao corte, e do módulo de deformação, devido
ao maior contacto entre partículas, bem como a gradual fixação de novas camadas de água
adsorvida. Este fenómeno da tixotropia, mais nítido nas argilas sensíveis, verifica-se em
todos os solos finos, segundo aqueles autores, e prolonga-se por vários meses.
Comparativamente ao processo de aplicação de uma pré carga estática, o fenómeno da
variação das propriedades do solo no processo da consolidação dinâmica pode-se
representar, esquematicamente, tal como se apresenta na figura 41. Na figura 42, apre-
senta-se um exemplo, também segundo MÉNARD e BROISE (1975), da dissipação das
tensões intersticiais da água.
Para se proceder à análise de um projecto de compactação dinâmica, é necessário efectuar
uma campanha cuidada de prospecção e ensaios laboratoriais e "in situ". Como já foi
referido, um erro, por falta de dados, na definição da energia a aplicar pode provocar a
formação de uma camada compactada no interior do estrato a tratar, impedindo o
tratamento conveniente do solo subjacente (MAYNE et al, 1984). Essa campanha de
prospecção e ensaios iria permitir determinar o assentamento imediato a verificar, a energia
de saturação em cada fase, o número de fases, a energia total a aplicar, a profundidade a
tratar, etc..
A profundidade a tratar está relacionada com a energia que se aplica, e é um dos pontos
fulcrais de um estudo de consolidação dinâmica. MÉNARD e BROISE (1975), indicaram,
como primeira aproximação, que a profundidade a tratar poderia ser dada por:
WH D =

75

Figura 41 – Representação do comportamento do solo: a) quando sob a aplicação de uma carga estática;
b) quando sob a acção de carga repetida na consolidação dinâmica. (segundo Ménard e Boise, 1975).

Figura 42 – Dissipação das tensões intersticiais. Exemplo de Botlek (segundo Ménard e Boise, 1975).

onde D é a profundidade a tratar, W é o peso e H a altura de queda. De notar que a
consideração de uma profundidade de influência, onde se sentirá o efeito da melhoria, é
algo de subjectivo.
76
LEONARDS et al (1980), analisando vários casos, concluíram que a expressão de MÉNARD
e BROISE é demasiado optimista, propondo:
WH D
2
1
=

LUKAS (1980), por seu lado, considerou que seria mais correcto considerar:
( ) WH a D 80 . 0 65 . 0 =

Deve-se notar que a profundidade de influência deve depender de outros factores, e não só
da energia aplicada: o tipo de so1o, a presença de estratos mais moles, etc.. MAYNE et al
(1984), pela análise de cerca de 100 casos, análise essa sistematizada na figura 43,
concluíram que uma hipótese conservativa seria considerar
WH D 2 1 =
. No entanto, mos-
traram haver casos em que
WH D 3 . 0 =
, concluindo finalmente que cada caso tem que ter
um tratamento pontual) sendo necessário uma campanha de ensaios posterior ao
tratamento (e posterior à dissipação das tensões intersticiais) para aferir da melhoria real e
efectiva obtida. A figura 43 mostra, no entanto, uma ligação clara entre a profundidade
tratada, e a energia por pancada aplicada.

Figura 43 – Relação entre a profundidade aparente máxima de influência e a energia por pancada
(segundo Mayne et al., 1984).
77
Convém ainda referir que os casos existentes levam a crer que há um limite máximo para a
melhoria dos terrenos, que será dupla nos solos arenosos, relativamente ao que ocorrerá
nos solos argilosos. Além disso, convém ainda referir que a melhoria verificada é máxima à
superfície, diminuindo em profundidade, até ao valor original à profundidade D. Re-
lativamente ao desenvolvimento de relações que sirvam para seleccionar o valor do peso a
utilizar, dimensões respectivas, e altura de queda para se obter o adensamento desejado,
há que referir o trabalho muito interessante de JESSBERGER e BEINE (1981), baseado em
ensaios laboratoriais especialmente desenvolvidos para o efeito, e que permitem medir as
tensões dinâmicas no solo após o impacto. Pode-se assim determinar a altura de queda e a
massa para provocar o aparecimento de uma condição de rotura no solo. JESSBERGER e
BEINE (1981) mostraram, com base nos seus ensaios, que a tensão dinâmica à superfície
do solo a tratar,
din o,
o
se relaciona com a área A da secção do peso a utilizar, com a massa
m desse peso, e com a altura de queda h, pela equação:

gh
A
m
din o
2
,
o o =


Figura 44 – Esquema de ábaco de dimensionamento de compactação dinâmica para espessura constante
da camada a tratar (segundo Jesseberger e Beine, 1981).

sendo α uma constante de proporcionalidade, e g a aceleração da gravidade. Para se obter
o adensamento do solo a uma profundidade Z, será necessário desenvolver, a essa
profundidade uma tensão dinâmica
din z,
o para quebrar a estrutura do solo. Aqueles autores,
78
para determinação do valor de
din z,
o , apresentam duas equações, uma em função de um
factor de concentração, ν, e outra em função do ângulo de distribuição de cargas,
o
u :

|
|
.
|

\
|
|
|
.
|

\
|
+
÷ =
v
o o
2 2
,
1 2
r Z
Z
gh
A
m
din z


2
,
1 2
÷
|
.
|

\
|
+ =
o din z
tg
r
Z
gh
A
m
u o o


Nestas equações, Z é a profundidade à qual se esta a estudar o nível de tensão dinâmica, e
r é o raio da área carregada. Em princípio, a constante α pode ser determinada
laboratorialmente, e, desde que se conheça a envolvente de rotura do solo, e as tensões "in
situ" iniciais, bem como a percentagem de
din z,
o que é transmitida à água intersticial, pode-
se estimar o valor de
din z,
o necessário para criar uma situação de rotura. No entanto, é
difícil conseguir estabelecer na prática todas estas condições, motivo porque JESSBERGER
e BEINE (1981) apenas apresentam uma base qualitativa (veja-se figura 44) para relacionar
A, h e m. Teria um certo interesse conseguir comparar esta formulação com a expressão
empírica WH D 2 1 = .
Convém ainda referir que é necessário ter em conta a propagação das ondas de choque, e
seus efeitos em construções existentes na área. As frequências habituais das vibrações
provocadas pela compactação dinâmica variam entre 2 e 20 Hz, em geral. Na figura 45
apresenta-se uma relação entre velocidades de partículas, e a energia, sob a forma de um
factor de energia. As linhas representadas para a areia molhada, areia seca e argila foram
obtidas não de ensaios de compactação dinâmica, mas de cravação de estacas. A última
linha é de LUKAS (1980). Os pontos referentes à compactação dinâmica levam a crer que a
velocidade das partículas, para uma dada energia, é inferior, na compactação dinâmica, do
que se verifica na cravação de estacas. Este gráfico tem um certo interesse, pois pode
permitir fazer uma primeira estimativa da distância ao ponto de impacto a que se verificarão
estragos nas construções existentes.
79

Figura 45 – Velocidade das partículas em função de um factor de energia (segundo Mitchell, 1981).

Em conclusão, poderemos dizer que o método de compactação dinâmica, que
tem dado excelentes resultados em solos granulares, e apesar de poder dar bons resultados
em solos coesivos, necessita ainda de investigação profunda afim de determinar, de modo
mais correcto, o modelo de comportamento desse tipo de solos, sob a acção de cargas
repetidas, de modo a permitir estudar convenientemente os casos de aplicação concreta
deste método a solos coesivos. As interpretações qualitativas de MÉNARD e BROISE,
apesar do esforço desenvolvido, incluindo o desenvolvimento do edómetro dinâmico, e a
utilização sistemática do pressiómetro de MÉNARD, não permitem, em nossa opinião,
prever com suficiente exactidão o comportamento do solo.

7. Aceleração da consolidação
Neste subcapítulo, designado genericamente por "aceleração da consolidação" vão ser
englobados métodos que não correspondem exactamente àquela designação. De facto, os
métodos englobados na secção 3.6.3. – Pré-cargas, não são métodos de aceleração de
consolidação, mas métodos que simplesmente vão provocar a consolidação dos solos de
fundação. No entanto, coma as pré – cargas são muitas vezes aplicadas conjuntamente
com métodos de aceleração de consolidação, optámos por englobá-los num subcapítulo.
80
Além disso, ao contrário dos outros métodos já analisados, todos os métodos englobados
neste subcapítulo têm como fundamento da sua actuação a teoria da consolidação.
Pensamos, portanto, que a opção aqui tomada é aceitável.
Podemos dizer que a realização de pré -cargas, previamente à execução de uma obra, para
o aumento da resistência e pré – consolidação de solos moles compressíveis, é um dos
métodos mais antigos, e dos mais usados no tratamento e melhoria de solos. De um modo
geral, pode-se dizer que estes métodos são aconselháveis para solos que apresentem
grandes variações de volume, e aumentos de resistência, quando carregados
estaticamente. Para acelerar o processo, e desde que o solo tenha a resistência suficiente,
podem-se realizar sobre cargas, ou seja, cargas superiores às que irão ser aplicadas na
obra.
As pré cargas e sobrecargas utilizam-se muitas vezes em conjunção com drenos verticais,
para acelerar o processo de consolidação, diminuindo assim o período de tempo necessário,
desde que se trate de acelerar a consolidação primária. Os solos para os quais é indicada a
utilização de pré-cargas são as argilas moles saturadas, os siltes compressíveis, as argilas
orgânicas e as turfas. Considera-se, em geral, que os drenos verticais são aconselháveis
em argilas inorgânicas e siltes que apresentem uma consolidação secundária reduzida.
Podemos dizer, de um modo geral, que estas técnicas podem ser usadas para o tratamento
das fundações de qualquer tipo de obra, desde aterros de estrada, parques de minério, ou
fundações de edifícios.
Dos métodos que abordaremos neste subcapítulo, podemos dizer que a pré – carga por
vácuo, o rebaixamento do nível freático e a electro osmose têm a grande vantagem de não
criarem problemas de estabilidade. Por outro lado, são de execução mais complexa que os
outros métodos, podendo mesmo dizer-se que a execução de um rebaixamento do nível
freático, em solos argilosos moles é complexa, dispendiosa, de aplicação demorada, e de
resultados difíceis de prever.
Devido ao interesse especial que tem para esta dissertação os métodos da pré – carga e os
drenos verticais, serão estes métodos tratados por ultimo, em secções individuais. Assim,
não se englobarão na mesma secção os drenos verticais e a electro osmose, apesar de
ambos os processos provocarem a aceleração da consolidação, por aceleração da
drenagem da água intersticial. Será pelo método de electro osmose, por ser o menos
aplicado, e por ter aqui unicamente interesse documental, que vamos iniciar a abordagem
destes métodos.

81
7.1. Aceleração da consolidação por electro-osmose
A electro-osmose é um fen6meno conhecido há largo tempo, e que consiste na circulação
da água do ânodo para o cátodo, quando num solo húmido se faz passar uma corrente
eléctrica. Este fenómeno é acompanhado da circulação, para o ânodo, dos aniões dos sais
dissolvidos na água, e dos iões dos mesmos sais para o cátodo.
Estes fenómenos) cuja solução aproximada foi apresentada por CASAGRANDE (1937)
(citado por PILOT, 1981), e cujo mecanismo mais ou menos correcto foi apresentado por
GRAY e MITCHELL (1967), são as bases de dois métodos de tratamento de solos: a
electro-drenagem e a injecção eléctrica, também designada por tratamento electroquímico.
A electro-drenagem utiliza o escoamento da água do ânodo para o cátodo, normalmente
com o fim de, diminuindo o teor em água do solo, acelerar a consolidação deste, bem como
aumentar a sua coesão não drenada. Pode ser utilizada para acelerar os assentamentos e
aumentar a estabilidade, e pode ainda ser utilizado, quando se colocam os ânodos em
estacas, para aumentar a capacidade de carga destas. Mas a electro-drenagem, sem
extracção da água, pode ser utilizada com um fim exactamente contrário: aumentar o teor
em água do solo, junto ao cátodo, de modo, por exemplo, a diminuir o atrito negativo em
estacas.
Convêm referir, desde já, que, apesar de haver alguma bibliografia acerca do fundamento
teórico da electro-osmose, a bibliografia acerca de aplicac3es praticas e rara. Quanto a este
ponto, convém referir o trabalho de PILOT (1977). Após este trabalho apareceu nova
bibliografia, mas bastante reduzida. PILOT (1977) refere a nova aplicação de electro-
osmose a obras de engenharia, nas quais só numa o tratamento é considerado como
alcançado, sendo na grande maioria os resultados satisfatórios. Posteriormente,
CASAGRANDE et al. (1981) apresentaram dois casos de aplicação da electro-drenagem,
com sucesso, de modo a estabilizar taludes a escavar. Um dos casos referidos por estes
autores indica profundidades estabilizadas da ordem dos 60m, que possivelmente, seria
sem precedentes.
O movimento da água e dos ii3es nos tubos capilares do solo, verificado na electro-osmose,
tem tido como explicação fundamental a teoria da dupla camada. A partir daqui, vários
modelos teóricos, com utilização adicional de una ou outra teoria, tem surgido.
Nos últimos vinte anos tem aparecido novas teorias, generalizando e completando os
trabalhos anteriores. Podem-se considerar como fundamentais, deste ponto de vista, os
trabalhos de ESRIG e MAJTENYI (1965) e de GRAY e MITCHELL (1967). Mais
recentemente, BANERJEE e MITCHELL (1980) apresentam uma nova técnica, respectiva
teoria, para análise "in situ" (e laboratorialmente), da consolidação, usando a electro-
82
osmose. MITCHELL e BANERJEE (1980) apresentam o modo de cálculo para aplicação
dessa teoria. BANERJEE e VITAYASUPAKORN (1984), considerando as limitações das
teorias existentes, apresentam uma nova teoria para interpretação da electro-osmose, mas
restringida à aplicação aos ensaios Laboratoriais.
Num plano prático, continua a ser bastante usada a solução apresentada por
CASAGRANDE (1937):
, com
onde K
e
será um "coeficiente de permeabilidade electro-osmótica"; i
e
o gradiente de
potencial eléctrico, D é a constante dieléctrica do electrólito, r é o raio dos poros do solo, η é
a viscosidade do liquido e ζ é o potencial zeta. O valor médio de K
e
é de 5x10
-9
m/s por
volt/metro. É evidente a analogia entre esta lei, e a lei de escoamento de um fluido num
meio poroso de Darcy.
Assim, quando um solo é carregado a superfície, resulta um aumento das tensões
intersticiais da água, tensões essas que se dissipam quando a água se escoa de acordo
com a lei de Darcy, com uma velocidade v = K
H
i
H
( K
H
- permeabilidade hidráulica do solo, i
H

- gradiente hidráulico), e dá-se o fenómeno da consolidação do solo.
Normalmente, admite-se, quando se considera o efeito conjunto da consolidação e de
electro-osmose, o princípio da sobreposição dos efeitos. Assim, ter-se-á, considerando a
consolidação unidimensional:

e

Para se obter uma melhoria dos solos a tratar, quer a nível de
resistência, quer a nível de assentamento, é muito importante o quociente K
e
/K
H
. Para
analisar essa importância, basta considerar que o escoamento do cátodo para o ânodo, na
electro-osmose, vai provocar uma diminuição da tensão intersticial da água no cátodo, e um
aumento dessa mesma tensão intersticial no ânodo. Isto vai provocar um gradiente
hidráulico, que tende a provocar um escoamento segundo a lei de Darcy, do ânodo para o
cátodo. Temos assim que, desde que não se retire a água do solo, no ânodo, o caudal
escoado, num processo de electro-osmose, do cátodo para o ânodo vai diminuir no tempo,
até se anular, quando os dois gradientes, eléctrico e hidráulico, se compensarem. Nesta
83
situação, no cátodo, o aumento da tensão efectiva , desde o início do tratamento será
(veja-se ESRIG, 1968):

Com , peso específico da água, e V é a voltagem, função da posição do ponto
considerado. Pode-se a partir daqui estimar o aumento da resistência, e os assentamentos.
A velocidade com que se processa a consolidação é obtida do mesmo modo que para o
caso de uma sobrecarga directa. Assim, o tempo t necessário para se obter um determinado
grau de consolidação é dado por:

onde L é a distância entre eléctrodos) C
v
é o coeficiente de consolidação, e T é o factor
tempo para o grau de consolidação desejado. MITCHELL (1981) apresenta uma tabela para
o parâmetro T, para vários graus de consolidação, para o caso de dois eléctrodos, paralelos,
em forma de placa. De notar que a velocidade de consolidação é independente de K
e
,
dependendo sim de C
v
.
Há que ter em atenção, na análise de um fenómeno de electro-drenagem, que o quociente
K
e
/K
H
varia durante a consolidação, causando, como é lógico, desvios relativamente aos
valores calculados.
Segundo MITCHELL (1981), usam-se normalmente um maior número de ânodos do que de
cátodos, devido a serem mais baratos e, sobretudo, devido ao facto de se decomporem
durante a processo, permitindo um endurecimento electroquímico dos solos, isto e, dando
aos solos uma maior resistência do que a que seria garantida unicamente pela electro-
osmose.
Um dos casos bem documentados de tratamento por electro-osmose e o de argilas moles,
com 10m de espessura, em AS, na Noruega, e foi relatado par BJERRUM et al (1967). Na
figura 46 apresenta-se o resultado do tratamento por electro-osmose sobre o teor em água,
e sobre a coesão não drenada.
84

Figura 46 – Tratamento por electro-osmose sobre a argila mole de AS:
a)variações do teor em água
b) variação da coesão não drenada
(segundo Bjerrum et al, 1967).
Na injecção eléctrica, ou tratamento electroquímico, utiliza-se a electro-osmose para fazer
migrar através do solo, iões que, de outro modo, não poderiam ser introduzidas, devido a
baixa permeabilidade do solo. Neste método o ânodo é dissolvido, ou então é alimentado
com uma solução iónica, e modifica-se a composição química do solo, permitindo introduzir-
lhe iões que reforcem a sua capacidade resistente, e sem praticamente causar perturbações
nesse solo. A complexidade dos fenómenos de um processo de electro-injecção, bem como
a natureza essencialmente química, e não propriamente de engenharia geotécnica, levam a
que a sua análise seja feita, essencialmente, por via experimental. Assim, para se analisar a
melhoria introduzida num solo por electro-injecção de vários produtos, ensaiam-se esses
produtos, e a sua introdução no solo, em amostras intactas (ou remoldadas, de modo a
reproduzir a situação), em laboratório, ou ensaia-se mesmo em verdadeira 9ravIclea,a) no
campo. Um exemplo interessante do estudo deste tipo e dado por CARON (1971). Este
autor analisou, em laboratório, os tratamentos por electro-drenagem, e por electro-injecção
com vários produtos, sobre argila remoldada. Na figura 47 está uma comparação
interessante, sobre a mesma argila, da variação da coesão não drenada, por electro-
drenagem, por electro-injecção com silicato de sódio, e por electro-injecção com cloreto de
amónia. Estes resultados mostram bem a diferença do resultado obtido, consoante o
produto electro-injectado e o método utilizado.
85


Figura 47 – melhoria da coesão não drenada Cu de uma argila remoldada tratada por electro-osmose:
a) electro-drenagem; b) electro-injecção de silicato de sódio (35%); c) electro-injecção de cloreto de
amónia (10%); (segundo Caron, 1971).
No entanto, apesar de complexos, já alguns autores começaram a analisar os processos
químicos envolvidos na electro-osmose. Por exemplo, SEGALL et al (1980) analisam os
fenómenos químicos envolvidos na electro-osmose, bem como a qualidade da água. Uma
das conclusões interessante destes autores é que a água subterrânea, depois de participar
num processo de electro-osmose, pode ser um grave agente poluidor do meio ambiente,
devido ao facto de ser altamente alcalina, e de possuir elevada percentagem de matéria
orgânica, e de metais pesados, que são libertados pelo solo no processo. KATTI et al (1981)
realizaram experiências sobre a argila marinha de mas, para que o processo de
endurecimento electroquímico se processasse tanto no ânodo como no cátodo, usaram um
método de inversão da polaridade. Concluíram que esta técnica é efectiva no tratamento
tanto da zona do ânodo como do cátodo, e em profundidade. As experiencias foram levadas
a cabo num tanque de dimensões variáveis, entre 30 x 49 cm até 85 x 45 cm, em
laboratório.

7.2. Pré-cargas
O uso de pré-cargas, na melhoria das características de resistência e de deformabilidade de
solos, é um dos métodos de tratamento mais utilizados, e também um dos mais antigos.
Este método, consistindo na aplicação, à superfície do terreno, uma carga repartida
pretende acelerar os assentamentos devidos à consolidação primária, acelerar igualmente o
86
desenvolvimento da consolidação secundária, e assentamentos por ela provocada, e
aumentar a coesão não drenada dos solos. Com um tratamento por pré-carga, pode-se
pretender obter um, ou a totalidade destes resultados.
Normalmente, visa-se a aceleração da consolidação primária e secundaria em casos em
que se pretende reduzir os assentamentos sob a obra definitiva a valores aceitáveis,
segundo critérios que variam com o tipo de obra. Neste caso, habitualmente, usa-se um
valor da sobre carga superior à carga final a que o terreno de fundação irá estar sujeito,
sobrecarga essa que é retirada após ter provocado os assentamentos desejados. Como
consequência lógica do facto de se aplicar uma sobrecarga superior à carga final a que o
solo estará sujeito, não se pretende neste caso obter uma melhoria de coesão não drenada
do solo. Não quer isto dizer, evidentemente, que não se verifique uma melhoria, unicamente
que ela não é necessária.
Pretende-se obter uma melhoria dos valores da coesão não drenada do solo quando este
não apresente os valores mínimos para garantir a estabilidade da obra a construir. Neste
caso usa-se geralmente o método da construção por fases: quando se atinge um
determinado valor do grau de consolidação do solo, e consequentemente um valor da
coesão não drenada que permita continuar a construção, aplica-se nova carga, aguardando-
se a consolidação sob o novo carregamento. Na figura 48 apresenta-se um esquema de
relações carga - assentamento elucidativo dos dois processos de sobrecarga, e
carregamento por fases.


Figura 48 – Tipos de précarga: a) Construção com sobrecarga; b) Construção por fases.

87
De notar que quando se pretende obter uma melhoria das coesões não drenadas de um
solo, e se aplica a pré-carga pelo método de vácuo, não e necessário proceder por fases,
como referimos com um pouco mais de pormenor adiante.
De um modo geral, e apesar de haver referencias a outros métodos, como o uso de
ancoragens (PILOT, 1977), podemos considerar que há três processos "tradicionais" de
aplicar uma pré-carga: o método mais vulgarmente utilizado e aplicado geralmente em áreas
extensas, é o da construção de aterros; um outro método, com algumas aplicações práticas,
mas a áreas reduzidas, e em condições especiais, é a da utilização de reservatórios com
água; por fim, o terceiro método, apresentado por KJELLMAN (1952), depois de
experiencias realizadas em 1948, é o do uso da pressão atmosférica, como sobrecarga, e
pela aplicação de vácuo ao aterro. Um outro método de aplicação da pré-carga é o
rebaixamento do nível freático. No entanto, como a sua aplicação se restringe a solos mais
ou menos permeáveis, não sendo geralmente viável em solos argilosos moles, não nos
alongaremos sobre ele.
Como já foi referido, o método de KJELLMAN (1952) tem vantagens, quando se pretende
uma melhoria da coesão, por não necessitar de ser aplicado por fases, não pôr em risco a
estabilidade da fundação e, pelo contrário, aumentar, só pela sua aplicação, a estabilidade
global. Além disso, não necessita da aplicação de uma grande quantidades de materiais de
aterro, por vezes difíceis de obter. No entanto, há poucos relatos de aplicações práticas
deste método. Quanto à utilização de aterros e de reservatórios com água, a sua base de
aplicação é muito semelhante. Vamos, assim, abordar a utilização das pré-cargas em duas
secções, a primeira, por aplicação do vácuo, e a segunda por aterros.


7.2.1. Pré-cargas por vácuo
Como já referimos, este método foi apresentado por KJELLMAN (1952) depois de ensaios
de campo, por volta de 1948. 0 método tem uma concepção que poderemos dizer simples:
se conseguirmos isolar uma massa de solo a tratar, e lhe podermos aplicar o vácuo, o
tratamento, teoricamente segundo o processo da pré carga apresentado adiante, será
provocado pela acção da pressão atmosférica, sobre o solo, pressão atmosférica essa que
assim funcionará de sobre carga. Com base nesta ideia simples, KJELLMAN desenvolveu o
processo representado na figura 49 a), e aplicável a solos relativamente impermeáveis.
88

Figura 49 – Método de pré carga por vácuo: a) Processo de Kjellman (1952); b) Processo do poço.

A zona a tratar é coberta com um tapete de material muito permeável, pouco espesso (30-
50 cm), que por sua vez é recoberto com uma membrana impermeável, bem encastrada -
para garantir a estanquidade - no solo natural muito impermeável. Com uma bomba, é
aplicado o vazio ao tapete permeável. Para garantir o efeito do vácuo até profundidade
elevada, será necessário executar drenos verticais, sob o tapete de material permeável.
Quando apareceu, este método apresentava o inconveniente da pouca durabilidade das
membranas, que actualmente já não se põe. Uma variação deste método consiste na
execução de poços preenchidos com material muito permeável, selados à superfície,
aplicando-se o vácuo directamente no poço. Este método parece dar bons resultados
quando as camadas inferiores forem suficientemente permeáveis para permitir o
rebaixamento do seu nível freático.
Apesar de não pôr problemas de estabilidade na sua aplicação, e de não necessitarem de
um grande dispositivo para a sua aplicação, há muito poucos casos relatados de aplicação
destes métodos (PILOT, 1977, ARUTIUNIANi1983). No entanto, há indícios recentes que
levam a crer num futuro desenvolvimento do método. De facto, têm aparecido ultimamente
alguns artigos de índole teórica referentes ao comportamento do solo sujeito a tratamento
por pré carga por vácuo. Assim, HUAN e XIU-CHING (1983) analisam o comportamento de
um solo sujeito a um tratamento por vácuo, apresentando um modelo das tensões de
consolidação de um solo sujeito a pressões negativas. Este modelo permite determinar o
aumento das tensões efectivas sob várias condições de pressão negativa aplicadas. Os
resultados obtidos com este modelo foram comparados com os resultados de experiencias
laboratoriais, e de campo, mostrando uma concordância bastante razoável.
TER-MARTIROSYAN e CHERKASOVA (1983) analisam as relações da tensão -
deformação de um maciço de solo compactado por uma membrana de dimensões
89
limitadas, com base na solução da equação de Laplace. Consideram que a solução
apresentada permite prever os assentamentos num tratamento por vácuo de grandes áreas,
bem como a determinação dos parâmetros de deformabilidade do solo por ensaios com a
membrana e o método de vácuo.


7.2.2. Pré-cargas com aterros
A aplicação de pré cargas com aterros, ou com reservatórios de água é fundamentalmente a
mesma: aplicação à superfície do solo a tratar de uma determinada carga, de modo a
provocar a sua consolidação. A diferença é que os reservatórios de água se aplicam quase
que exclusivamente a áreas relativamente reduzidas, e na maior parte dos casos em fases,
para a melhoria das características geotécnicas dos solos de fundação de reservatórios. Por
uma questão económica, este método é aplicado nestes casos, pois evita perder tempo com
tratamentos antes da construção dos reservatórios, servindo estes de uma primeira fase de
pré carga, e sucessivos níveis de água funcionam como as restantes fases necessárias,
antes da entrada em funcionamento pleno dos reservatórios. Um destes casos, bastante
interessente, é o dos reservatórios da central termoeléctrica do “Vale do México”, relatado
por MARSAL e MORENO (1982).
Como, no entanto, do ponto de vista de funcionamento do solo de fundação, o
comportamento é idêntico, vamo-nos debruçar unicamente sobre pré cargas com aterros.
A aplicação de uma sobre carga ao solo vai, como já dissemos, provocar o assentamento do
solo, devido ao desenvolvimento da consolidação primária e da consolidação secundária, e
o aumento da sua coesão não drenada. Vamos tentar apresentar o modo tradicional de
analisar estes três efeitos, no dimensionamento de uma sobre carga a aplicar.
Após a aplicação da sabre carga, o assentamento total, S
t
, pode ser dado, em qualquer
momento, por:
s c i t
S S u S S + + =
_

onde S
t
é o assentamento total no momento t, S
i
é o assentamento imediato,
_
u é o grau de
consolidação médio, S
c
é o assentamento final devido a consolidação primária, e S
s
é o
assentamento até ao momento, t, devido à consolidação secundária.
Normalmente, no estudo da aplicação de uma sabre carga, pode-se pretender determinar
qual a sobre carga p
s
a aplicar, de modo a que os assentamentos a provocar pela futura
90
carga de serviço, p
f
, se tenham verificado, no todo ou em parte, um dado espaço de tempo,
ou então determinar o tempo necessário para que se processe o assentamento sob uma
determinada sobre carga.
O modo mais correcto é separar os fenómenos da consolidação primária e secundária,
considerando-os isoladamente.
O modo tradicional de analisar a questão dos assentamentos sob uma sobre carga por
aterro baseia-se na teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi, que permite, de
modo simples, relacionar o valor da sobre carga aplicada com o tempo necessário para
compensar o assentamento que provocaria a carga de serviço,
f
S A . Este modo de calculo
foi muito bem apresentado por JOHNSON (1970). Para o exemplificar, consideremos a
figura 50. Sob a acção exclusiva da carga final, p
f
, o assentamento devido consolidação
primária relaciona-se esquematicamente com o tempo pela curva (f) da figura 50,
representando
f
S A o assentamento final. Sob a acção conjunta da carga final e da sobre
carga, a relação assentamento - tempo será representada pela curva a cheio (f + s), e, caso
se mantivesse essa carga, ter-se-ia um assentamento final de
s f
S
+
A . O assentamento
f
S A ,
assentamento final no caso de aplicação unicamente da carga final, será atingido, sob a
aplicação conjunta da carga final e de sobre carga, ao fim do tempo t
1
. Será este tempo t
1
,
no caso de um tratamento do solo de fundação com pré cargas, que indicará a altura em
que se poderá retirar a sobre carga p
s
, visto ter-se atingido o assentamento final sob a carga
de serviço. Considerando a teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi, os
assentamentos finais, sob a acção da carga final, e sob a acção da carga final e da sobre
carga serão dados, para o caso de solos normalmente consolidados por:
'
0
'
0
0
log
1 o
o
f
c f
p
C
e
H
S
+
+
= A
'
0
'
0
0
) (
log
1 o
o
s f
c s f
p p
C
e
H
S
+ +
+
= A
+


onde H é a espessura do estrado compressível, e
0
o índice de vazios inicial desse estrato, e
C
c
é o coeficiente de compressibilidade do mesmo estrato. No caso de uma argila
apresentando alguma sobre consolidação,
'
c
o , como é lógico, as equações anteriores
seriam em função de ( ) ( )
' '
0
/ log
c
p o o + .
91

Figura 50 – Compensação do assentamento devido à consolidação primária numa aplicação de
sobrecarga.

Voltando à figura 50, quando actua a sobre carga, no momento t
1
em que o assentamento é
igual ao que se verificaria no fim da consolidação sob a carga final p
f
, a consolidação ainda
não se processou totalmente, isto é, ter-se-á um determinado grau de consolidação u
f+s
.
Assim, poderemos escrever:
s f s f f
S u S
+ +
A = A
Esta relação permite-nos determinar para que grau de consolidação se pode retirar a sobre
carga, tendo-se atingido os assentamentos finais que se verificariam sob a carga final p
f
.
Assim:

(
(
¸
(

¸

|
|
.
|

\
|
+ +
|
|
.
|

\
|
+
=
A
A
=
+
+
f
s
f
f
s f
f
s f
p
p
p
p
S
S
u
1 1 log
1 log
'
0
'
0
o
o

Esta fórmula está representada graficamente na figura 51. O grau de consolidação u
f+s
está
relacionado com o tempo t
1
pelo factor tempo T
V
da teoria da consolidação unidimensional
de Terzaghi.
92
No caso em que as propriedades do solo ou as condições das tensões variarem com a
profundidade, será necessário considerar a camada compressível dividida em várias sub
camadas.


Figura 51 – Cálculo do grau de consolidação sob a sobrecarga necessária para compensar o
assentamento da consolidação primária sob a carga de serviço (segundo PILOT, 1977).
Tal como foi convenientemente exposto por JOHNSON (1970), a tensão efectiva, bem como
o excesso de tensões intersticiais da água, têm uma distribuição, em profundidade, do tipo
esquematizado na figura 52, para o caso de drenagem pelas fronteiras superiores e
inferiores, e para a situação da remoção da sobre carga.
Como se depreende facilmente da figura 52, haverá uma parte importante de camada
compressível que continuará a assentar, por continuar a consolidar, mesmo após a remoção
da sobre carga Assim, apesar de se ter verificado que a descarga não provoca grandes
empolamentos, nas duas camadas extremas sobre consolidadas, pode-se estar ainda
sujeito a assentamentos importantes devido à zona intermédia, sub consolidada. Assim,
para se eliminar totalmente novos assentamentos após a retirada de sobre cargas, será
necessário deixar esta actuar o tempo suficiente para que, no ponto mais crítico, a tensão
intersticial da água tenha atingido um valor compatível com o grau de consolidação
previamente definido.

93

Figura 52 – Distribuição das tensões intersticiais da água após a remoção da sobrecarga, para o
momento t=t1 (segundo MITCHELL, 1981).
Este método de tratamento, de aplicação muito simples se se considerar a teoria da
consolidação unidimensional de Terzaghi, que como se sabe, não é correcta, torna-se de
aplicação mais complexa devido a certos factores, como a já referida necessidade de deixar
actuar a pré carga mais tempo do que o necessário, para atingir o assentamento S
f
. De
facto, atingindo-se então o grau de consolidação pré determinado sob a carga p
s
+p
f
, no
ponto mais desfavorável, isto é, tendo-se o ponto mais desfavorável consolidado a 100%
sob a carga p
f
, tem-se a parte restante da camada compressível sobre consolidada, o que
quer dizer que tiveram que ser produzidos assentamentos maiores do que o necessário S
f
.
Atendendo a que sabemos que o comportamento tensões - deformações dos solos não é
um comportamento linear, será difícil prever correctamente qual o valor de sobre carga a
utilizar, e qual o tempo de aplicação necessário. Pode-se considerar que o método que
exige que o grau de consolidação, no ponto mais desfavorável, atinja o valor u
f+s
é um
método bastante conservativo, que se traduz em geral pela aplicação de sobre cargas mais
elevadas, e durante mais tempo, do que seria necessário.
94
Relativamente a este assunto, apareceram recentemente dois artigos interessantes. Num
deles (ABOSHI et al, 1981), apresenta-se um ensaio edométrico especial, consistindo numa
bateria, ligada em série, de 5 edómetros, que, segundo aqueles autores, permite analisar o
comportamento do estrato compressível em toda a sua espessura e, consequentemente, um
dimensionamento mais correcto das sobre cargas a aplicar. No outro artigo, de WATSON et
al, (1984), os autores analisam o método da sobre carga e do carregamento por fases, não
com base no método clássico que, como referimos, não é correcto, nem com os métodos
numéricos incorporando um dos vários modelos tensões – deformações – tempo, que
também não dão resultados satisfatórios (TAVENAS e LEROUEIL, 1980). Assim, WATSON
et al (1984) aplicaram o método do caminho das tensões efectivas, conjugado com o da
envolvente de cedência, para analisar o problema da pré carga com sobre carga,
desenvolvido por FOLKES (1980), e com carregamento por fases. Aqueles autores
consideram que esse método é extremamente útil, no caso dos carregamentos por fases, no
controle do ritmo de aplicação das fases, de modo a minimizar deformações laterais.
Conseguiram ainda controlar o caminho das tensões efectivas em toda a fundação sob a
zona carregada, conseguindo, com base em bons ensaios laboratoriais, uma boa execução
da obra.
Podemos portanto considerar o caso corrente da previsão de um tratamento com sobre
cargas como uma estimativa aproximada, não só dos assentamentos, como do tempo t
1
de
aplicação da sobre carga, obtendo unicamente uma ordem de grandeza daqueles valores.
Como consequência, é importante que obras deste tipo sejam devidamente instrumentadas,
de modo a que se possa controlar o desenrolar da consolidação, e assim aferir e corrigir as
previsões de cálculo.
Nos solos compressíveis, nomeadamente em argilas orgânicas, a consolidação secundária
pode ser responsável por uma parte importante dos assentamentos. A pré carga permite,
alem da actuação acima referida sobre a consolidação primária, minimizar também os
efeitos da compressão secundária sob as cargas permanentes. A base da análise é
proceder à previsão do assentamento total a verificar-se, durante a vida útil da obra, sob a
carga permanente, incluindo portanto o assentamento devido à consolidação primária, S
f
, já
analisada, e o assentamento, S
sec
, devido à consolidação secundária, que se verificará
durante o período útil da obra. Habitualmente S
sec
determina-se por:

7.3. Drenos verticais

95
7.3.1. Introdução

7.3.2. Métodos de cálculo

7.3.2.1. Hipóteses de cálculo

7.3.2.2. Teorias de consolidação radial

7.3.2.3. Métodos numéricos

7.3.2.4. Métodos probabilísticos

7.3.2.5. Resultados práticos

7.3.3. Dimensionamento prático de drenos verticais

7.3.4. Experimentação em verdadeira grandeza

7.3.5. Tipos e modos de execução de drenos

7.4. Outros métodos




96

PARTE 3 CONCEPTUALIZAÇÃO DE UM MODELO A UTILIZAR
8. Métodos de tratamento de solos considerados

9. Modelos de análise a adopter

10. Calibração dos modelos a aplicar

97

PARTE 4 ANÁLISE DO CASO DO TERMINAL DE MATÉRIAS
PRIMAS DA SIDERURGIA NACIONAL
11. Objectivos da obra

12. Caracterização da situação de referência

13. Concepção da solução. Métodos aplicados.

14. Execução e observação do aterro experimental

15. Comportamento do terrapleno
98

PARTE 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
16. Conclusões





99

Bibliografia
Abelev, M.Yu. 1977. Construction d'ouvrages sur les sols argileux mous saturés. [trad.]
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Seco e Pinto, Pedro Simão. 1983. Fracturação Hidráulica de Barragens de Aterro
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Tavenas, F. e Leroueil, S. 1980. The behaviour of embankments in clay foundations.
Canadian Geotechnical Journal. Maio de 1980, Vol. 17 nº2, pp. 236-260.
100


7.3. 7.3.1. 7.3.2.

Drenos verticais ..................................................................................................... 94 Introdução .......................................................................................................... 95 Métodos de cálculo ............................................................................................ 95 Hipóteses de cálculo....................................................................................... 95 Teorias de consolidação radial ....................................................................... 95 Métodos numéricos ........................................................................................ 95 Métodos probabilísticos .................................................................................. 95 Resultados práticos ........................................................................................ 95 Dimensionamento prático de drenos verticais .................................................... 95 Experimentação em verdadeira grandeza .......................................................... 95 Tipos e modos de execução de drenos .............................................................. 95 Outros métodos ..................................................................................................... 95

7.3.2.1. 7.3.2.2. 7.3.2.3. 7.3.2.4. 7.3.2.5. 7.3.3. 7.3.4. 7.3.5. 7.4.

PARTE 3 CONCEPTUALIZAÇÃO DE UM MODELO A UTILIZAR ...................................... 96 8. 9. 10. Métodos de tratamento de solos considerados ............................................................. 96 Modelos de análise a adopter ....................................................................................... 96 Calibração dos modelos a aplicar.............................................................................. 96

PARTE 4 ANÁLISE DO CASO DO TERMINAL DE MATÉRIAS PRIMAS DA SIDERURGIA NACIONAL .......................................................................................................................... 97 11. 12. 13. 14. 15. Objectivos da obra .................................................................................................... 97 Caracterização da situação de referência ................................................................. 97 Concepção da solução. Métodos aplicados. ............................................................. 97 Execução e observação do aterro experimental ........................................................ 97 Comportamento do terrapleno ................................................................................... 97

PARTE 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 98 16. Conclusões ............................................................................................................... 98

Bibliografia ........................................................................................................................... 99

ii

Índice de Figuras
Figura 1 – Comparação da previsão e observação das pressões intersticiais da água (segundo (Tavenas, et al., 1980)) ........................................................................................................................... 5 Figura 2 – Análise convencional unidimensional para 0 calculo dos assentamentos: a) erros

cometidos; b) importância relativa dos assentamentos imediatos (segundo da consolidacão,1968) .... 6 Figura 3 – Ensaio edométrico esquemático. Notação e terminologia................................................... 10 Figura 4 - Curvas tempo assentamentos para aterros em argilas moles: A) altura do aterro 0.30m; B) altura do aterro 6.0m, segundo Olson e Ladd, (1979). ......................................................................... 13 Figura 5 - Esquematização do método de Bjerrum para cálculo dos assentamentos primário e secundário segundo BJERRUM (1973). ............................................................................................... 14 Figura 6 – Cálculo comparativo, usando a teoria de Terzaghi e o método CONMULT, de: a) assentamento total; b) tensões verticais na base do provete (segundo LEROUEIL e TAVENAS, 1981). ............................................................................................................................................................... 15 Figura 7 – Assentamentos observados e calculados pelo método CONMULT sob o aterro experimental de St. Alban (segundo Leroueil e Tavenas, 1981). ......................................................... 16 Figura 8 – Análise gráfica de assentamentos baseada no modelo auto-regressivo de Asaoka: a) discretização da curva de assentamentos; b) dados usados na construção de Asaoka; c) Diagrama da construção de Asaoka (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980). ........................................................... 19 Figura 9 – Resultados típicos da análise de Asaoka no caso de carregamento em duas fases de um estrato compressível do solo, com consolidação secundária (segundo ASAOKA e MATSUO, 1980). 20 Quadro 1 – Resumo das equações da consolidação básicas, para as teorias de Terzaghi-Rendulic e de Biot. .................................................................................................................................................. 22 Figura 10 – Comparação dos resultados das teorias de Terzaghi-Rendulic, e de Biot: a) evolução do excesso de tensão intersticial; b) evolução da tensão octaédrica efectiva (segundo VIGIANI, 1970). 23 Figura 11 – Exemplo elementar do método do caminho das tensões. K1 representa a envolvente de rotura. .................................................................................................................................................... 25 Figura 12 – Coeficiente de assentamento de Skempton-Bjerrum, em função do coeficiente de pressão neutra, para sapatas contínuas e circulares (segundo SCOTT, 1963)................................................. 27 Figura 13 – Exemplo de aplicação da teoria do estado crítico. Caminho de tensões efectivas possível pelo carregamento com um aterro. ....................................................................................................... 29 Figura 14 — Limites de aplicacao 00s varios twos de tratamento em funcao da granulometria dos solos (segundo Mitchell 1981)............................................................................................................... 34

iii

..... 1983)........ ....... e para o solo sem tratamento (segundo Bergado et al..... ........ c) Misturador... 1984)... ... . 53 Figura 27 – Curvas tensões – deformações radiais........ em profundidade.............. para cargas elevadas... .......... ........ 1960................................... 45 Figura 22 – Métodos correntes de congelação de solos (segundo Schuster.................................................... 1985)..5. Ko=0.......................................... Ko = 0........... 58 Figura 31 – Comparação dos factores de melhoramento do solo de acordo com vários autores (segundo Cristóvão...................................... .......... 63 iv ............ 42 Figura 20 – Efeito da heterogeneidade dos estratos geológicos na forma da zona congelada (segundo Schuster..................... 1981.............. ........................................ 46 Figura 23 ....... .......... 1985)................ 58 Figura 32 – Factor de redução das deformações em regime elástico (segundo Goughnour........ 38 Figura 18 – Condutividade térmica do solo (segundo Mitchell........................ 1972)......... 1983)................................ 1972)..5 (segundo Goughnour......... ...... b) Фestaca = 40º........................................ 36 Figura 16 – Esquema do cálculo de assentamentos. 1984)........................ no caso de estacas de cal (segundo BROMS..................... 61 Figura 34 – Curvas de tensão deformação para sapatas em solo virgem.......4 e 0.................. 53 Figura 28 – a) Deslocamento vertical...............Figura 15 – Execução de uma estaca de cal pelo método sueco: a) Execução da estaca... ........... e sobre grupos de estacas verticais ou inclinadas com base de areia ou tout-venant (segundo Plumelle........................ 1985)....................... b) malha triangular........................Limites de aplicacao de varios tipos de calda em função da granolometria dos solos e propriedades dos solos tratados (segundo mighell................ b) Deslocamento radial do perímetro da estaca/raio inicial da estaca... adaptado de Kersten......................................i981) ................................................................... 1981)........ ............... 1949).............................. 1985).......... 41 Figura 19 – Esquema para tratamento térmico em profundidade (segundo Litvinov... 48 Figura 25 – Tipos de malhas de distribuição de estacas: a) malha hexagonal....... b) Estaca pronta............... ..........................4 e 0............................... 1984)....... 47 Figura 24 – Tipos de injecções ...................... com a profundidade (segundo Hughes e Withers.......................................... 1974)............................... citado por Mitchell..................................................... em função do ângulo de atrito interno (segundo Cristóvão............... 1985).. ....... 52 Figura 26 – Tipos de rotura de estacas de brita (segundo Bergado et al........................... c) malha quadrada (segundo Cristóvão....... 1984). para cargas reduzidas (segundo BROMS................................................ 54 Figura 29 – Comparação da tensão máxima............................ 61 Figura 33 – Factor de redução das deformações em regime plástico: a) Ф estaca=45º............................................................................ 37 Figura 17 – Esquema do cálculo dos assentamentos em solos tratados com estacas de cal........ numa estaca de brita.... ...................................... 1979)...................................... 43 Figura 21 – Curvas de fluência para uma argila siltosa orgânica (segundo Sanger e Sayles....... determinada com base em ensaios pressiométricos (adaptado de Bergado et al.. .. 56 Figura 30 – Curvas carga assentamento para várias estacas de brita....................... ................................. .............

..... 84 Figura 47 – melhoria da coesão não drenada Cu de uma argila remoldada tratada por electroosmose: ... 1979)................................ 1981)...... b) electro-injecção de silicato de sódio (35%).................................................... 1984)............................................ 1984).................................. ..................... (segundo Caron.............................................................................................................................................. 66 Figura 39 – Ábacos de pré dimensionamento de pregagens (segundo Bangratz e Gigan............................... ........................................................................................................................... 91 v ........................................................................ (segundo Ménard e Boise........................................................................................ b) Construção por fases................................. 64 Figura 36 – Execução de pregagens estabilizando um talude de escavação (segundo Stocker et al....... 75 Figura 42 – Dissipação das tensões intersticiais................ 1984)..................Figura 35 – Esquema conceptual da instalação dos pares de micro estacas e nodo de funcionamento dessas micro estacas (segundo Pitt e Rhodes............. 75 Figura 43 – Relação entre a profundidade aparente máxima de influência e a energia por pancada (segundo Mayne et al................. ...................................................................................... 65 Figura 37 – Mecanismos de rotura possíveis num muro de escavação pregado (segundo Stocker et al.... 69 Figura 40 – Relação entre o peso e a alyura da queda............................................................................... 84 a)variações do teor em água.......... 85 Figura 48 – Tipos de précarga: a) Construção com sobrecarga.............................................................. . 79 Figura 46 – Tratamento por electro-osmose sobre a argila mole de AS: ........................................................................................................................ 86 Figura 49 – Método de pré carga por vácuo: a) Processo de Kjellman (1952)............................. na compactação dinâmica (segundo Mayne et al................................ 1975).............................. 72 Figura 41 – Representação do comportamento do solo: a) quando sob a aplicação de uma carga estática..................... 1984).......... 84 b) variação da coesão não drenada ......... ................................................... .................................................................. 1967)................. ... 66 Figura 38 – Esquema de cálculo de estabilidade de um muro de suporte pregado (segundo Stocker et al...................................... 85 a) electro-drenagem.............................................................. 1979)........... 1975)......................... 77 Figura 45 – Velocidade das partículas em função de um factor de energia (segundo Mitchell................ 84 (segundo Bjerrum et al................................................................................................................................................................................................................................................................... 1981).... 88 Figura 50 – Compensação do assentamento devido à consolidação primária numa aplicação de sobrecarga......................................................................... ............................. .......... Exemplo de Botlek (segundo Ménard e Boise..................... b) Processo do poço........ c) electro-injecção de cloreto de amónia (10%)........................ 1971)..................................................................... 1979)................ 76 Figura 44 – Esquema de ábaco de dimensionamento de compactação dinâmica para espessura constante da camada a tratar (segundo Jesseberger e Beine.. b) quando sob a acção de carga repetida na consolidação dinâmica..

................. 93 vi ................ para o momento t=t1 (segundo MITCHELL................................... 92 Figura 52 – Distribuição das tensões intersticiais da água após a remoção da sobrecarga............ ..... 1981)..Figura 51 – Cálculo do grau de consolidação sob a sobrecarga necessária para compensar o assentamento da consolidação primária sob a carga de serviço (segundo PILOT............... 1977)...... .....

1. Introdução 1 .

não haver uma definição quantitativa precisa. podendo eventualmente apresentar valores negativos). Esta última característica. 2) Deformação sob uma carga de 250 KPa superior a 50 mm/m. são solos apresentando elevado grau do saturação. solo mole será todo aquele que apresentar uma pelo menos das seguintes características ( (Evgeniev. edifício ou outro -. os solos moles são solos de formação muito recente.5. à excepção da crosta superficial.. De um ponto de vista qualitativo. quanto a esta característica. em argilas. onde os ciclos de molhagem e secagem provocaram geralmente uma camada apresentando forte sobre consolidação. (por via mecânica ou química) constituídos essencialmente por partículas finas. No entanto. a escola "ocidental" a a escola russa diferem nos limites considerados. Assim. elevada deformabilidade associada a baixa permeabilidade. com os inevitáveis problemas de estabilidade das obras a construir. 1977)): 1) Resistência ao corte determinada por ensaio de molinete "in situ" menor que 75 KPa. 1976) e (Abelev. uma definição quantitativa precisa. faz com que os grandes assentamentos que se verificam neste tipo de solos se processem em geral ao longo de espaços de tempo bastante dilatados. Assim.PARTE 1 COMPORTAMENTO DOS SOLOS MOLES A noção de "solo mole" não tem. et al. do ponto de vista granulométrico. corn os inevitáveis inconvenientes para a construção e exploração de obras de engenharia civil. 2 . até ao momento. eventualmente ainda sub consolidados. outra das importantes características apresentadas por este tipo de solos é a sua baixa resistência ao corte. Apesar de. classificando-se. siltes argilosos. Por último. baixo indice de consistência (Ic< 0. e baixa permeabilidade. sendo necessário tomar em conta estes factos a nível de projecto. argilas siltosas ou no extremo. podemos dizer que solos moles serão aqueles em que qualquer construção . até ao momento. ou ligeiramente sobre consolidados. mesmo transmitindo cargas reduzidas ao solo de fundação. pode provocar roturas ou assentamentos importantes.aterro. há várias características geralmente reconhecidas aos solos moles. para a escola russa. a sua formação recente leva as que sejam solos normalmente consolidados. de origem sedimentar em meio aquoso. apresentam elevada deformabilidade.

. associada à variação das tensões intersticiais da água. pântanos.P. para as argilas moles. teremos uma resposta não drenada do solo. deformações. Poderemos dizer que a aceitação desta dualidade da análise . Este modelo.foi facilitada pelo facto de o comportamento não drenado e drenado corresponderem a tipos de ensaios laboratoriais ou "in situ" específicos: ensaio triaxial não drenado ou ensaio molinete (Vane test) no primeiro caso. em moles a muito moles (LNEC 1968 a. De acordo com esta definição podemos sub dividir estes solos. Como se disse atrás. são essencialmente de dois tipos:   assentamentos excessivos capacidade de carga insuficiente. e BROMS. e ensaio triaxial drenado e ensaio edométrico no segundo caso. Na primeira fase. apresentado inicialmente por SKEMPTON (1948) considera duas fases de comportamento distintas. desenvolve-se a consolidação da camada argilosa. para a análise da consolidação.A escola "ocidental" define. lagos. Assim. devido à rapidez de colocação das cargas. A dificuldade de tratar estes problemas deve-se essencialmente ao modelo de comportamento das argilas demasiado simplista. junto a rios. junto à linha da costa de mares existentes. quando servem de fundação a obras de engenharia. podemos estar confrontados com fundações em solos moles em praticamente qualquer região. planícies aluvionares.análise "não drenada" e análise "drenada" . Verifica-se um outro problema. correspondente a fase de construção da obra. FLODIN. do ponto de vista de resistência ao corte sem drenagem o limite de 25 KPa (CORREIA.5. após a construção. em conjunção com a permeabilidade reduzida das argilas. neste tipo de solo. os problemas postos pelos solos moles. Na segunda fase. B. 1982. Ainda teremos que considerar a facilidade de usar a teoria da elasticidade para análise das tensões e deformações. no caso do comportamento "não drenado". 1981). R. 3 . quanto a consistência. b). como é representado no ensaio edométrico. e resistência disponível. N. e a deformação lateral nula. que serve de base ao projecto de aterros e outras fundações. tensões efectivas. com ν= 0. ou nas zonas até recentemente ocupadas por mares. nas que poderemos considerar relacionado com o primeiro dos problemas referidos: as deformações no tempo darem-se em prazos demasiado longos. A particularidade da génese dos solos moles reflecte-se na sua localização.

provocada pela drenagem da água do solo. também designada por consolidação primária. de acordo com os princípios clássicos da resposta "não drenada". Vai portanto ser dada especial ênfase aos problemas relacionados com este tipo de obra.2. é uma deformação a volume constante provocada pela tensão de corte sob a área carregada. e que. Resistência e deformabilidade 3. tal como referido no Capítulo 1. 4 . no assentamento global de uma estrutura. também chamado inicial ou não drenado. também designado por consolidação secular. três componentes: o assentamento imediato. que se dá. Assentamento de solos moles Nesta dissertação. de aterros. Tal como referimos acima. a preocupação dominante é relativa às fundações em solos moles. a tensão efectiva constante. na sua quase totalidade. após a dissipação das tensões neutras. a questão das deformações da fundação é uma questão de particular relevância na análise de aterros em argilas moles. Fundações em solos moles 3. e o assentamento devido à consolidação secundária. o assentamento provocado pela consolidação. como consequência do gradients hidraulico do excesso de pressão intersticial da água provocado pelo carregamento.1. Distinguem-se.

usualmente verificada (Veja-se Figura 1). 1980)) 0 assentamento imediato dá-se. e por consolidação secundária. Quanto aos assentamentos por consolidação primária. 1980) pensam que este facto poderá justificar a sobre estimação do valor das tensões intersticiais da água. No entanto... Como é lógico. e devido ao facto de as argilas moles apresentarem usualmente sobreconsolidação.Figura 1 – Comparação da previsão e observação das pressões intersticiais da água (segundo (Tavenas. et al. LEROUEIL (1978) e (Tavenas. como foi referido. isto segundo a análise clássica. não há unanimidade quanto ao modo de as separar. bem como a falta de modelos de comportamento bi ou 5 . 1980) mostraram que logo no início da construção. A pratica corrente consiste em considerar que a consolidação secundária se inicia unicamente após a conclusão da consolidação primária. a dificuldade de cálculo. No entanto. a resposta inicial desses solos é uma consolidação primária. et al. com um comportamento não drenado. de modo a que a argila se tome normalmente consolidada durante a construção. a análise bi ou tridimensional do fenómeno da consolidação será uma aproximação mais correcta do que a consideração do fenómeno como unidimensional.. et al. Só então é que estes solos apresentam um comportamento não drenado. (Tavenas.

demonstraram que os erros da utilização de teorias unidimensionais aumentam rapidamente com a espessura do estrato compressível. a sofisticação do cálculo tem reduzido interesse prático. procedia-se à análise dos assentamentos em duas fases:  em primeiro lugar procedia-se à determinação do aumento de tensão provocado no estrato compressível pela aplicação da carga. e com o aumento de ν’ (Figura 2b). facilitou a introdução da resposta bi e tridimensionais nos cálculos. com drenagem. No entanto. isto é. Figura 2 – Análise convencional unidimensional para 0 calculo dos assentamentos: a) erros cometidos. demonstraram ainda que a percentagem do assentamento imediato. o aparecimento de meios de cálculo mais potentes. durante largos anos.1968) Aliás. relativamente ao assentamento total. No entanto.tridimensionais levaram a que. b) importância relativa dos assentamentos imediatos (segundo da consolidacão. mas unicamente para coeficientes de Poisson. No entanto. considerando uma sapata circular a superfície de um solo de fundação com duas camadas. até ao desenvolvimento e aplicação generalizada à geotecnia do Método dos Elementos Finitos. se estabelecesse o uso generalizado da teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi. aumenta com a espessura do estrato compressível. ν’ >0. DAVIES e POULOS (1968). devido à consideração da drenagem lateral. Até muito recentemente. e considerando as incertezas na caracterização correcta dos solos de fundação muitas vezes ocorrente. 6 . podemos dizer que a maior influência da consideração de soluções bi ou tridimensionais verifica-se na taxa de consolidação.3 (Figura 2a).

por dois condicionalismos: 1. e essencialmente o "dogma" em que todos se baseiam . Para aplicação do FEM é necessário conhecer o estado de tensão no solo. coma uma ferramenta muito útil na investigação essencialmente na aplicação e verificação de novas modelos reológicos pare comportamento dos solos moles. 1981). os assentamentos imediatos são calculados com uma teoria elástica linear. e propriedades do material complexas. em fase não drenada. Assim. et al. os métodos actualmente disponíveis. No entanto. a lei deduzida do. a sua aplicabilidade está grandemente limitada. Aliás. 3.. 7 . no carregamento de um solo.1. desde que as tensões de corte nesses pontos sejam relativamente elevadas quando comparadas com as resistências ao corte nos mesmos pontos. mas de reduzido interesse para o engenheiro na análise dos casos correntes que tem que resolver. podendo-se dizer quo os bons resultados que alguns desses métodos fornecem se devem a séries de erros que se compensam entre si ( (Tavenas. anteriormente a ser carregado.deformações conveniente (por exemplo. seguidamente procedia-se ao cálculo dos assentamentos provocados por esse incremento da tensão. ensaio edométrico). após o início de cedências locais. este continua a ser o processo mais vulgarmente usado para o cálculo de assentamentos. Assentamentos imediatos Num carregamento rápido do solo. pode-se ser levado a considerar o Método dos Elementos Finitos. 2.1. aplicando uma relação tensões . O Método dos Elementos Finitos. permitindo analisar o desenvolvimento das tensões e das deformações em qualquer ponto de um solo quando carregado. LEROUEIL e TAVENAS. presentemente. é um utensílio valiosíssimo para o engenheiro. no estado actual de conhecimentos.a dualidade de comportamento não drenado durante o carregamento. e drenado a longo prazo -apresenta deficiências graves. condições de carregamento. No entanto. Ora o problema da aplicação da teoria elástica linear ao cálculo dos assentamentos imediatos reside no facto de. Isto é. A utilidade e aplicabilidade do FEM são bastante reduzidas pela falta de um modelo do comportamento do solo suficientemente correcto. permitindo ainda considerar qualquer geometria. 1980). podese dar início a cedências locais (escoamento plástico contido).

D'Appolonia (1971) desenvolveu. 1983)). 1979. que hoje é correntemente aplicada.  saturação total do meio. Como é conhecido. 3. foi esta data geralmente reconhecida como a do início da Mecânica dos Solos. quando carregados. TAVENAS et al (1974) observaram no aterro experimental de St. posteriormente este autor considerou que o comportamento dos solos. 8 . (Seco e Pinto. Para o êxito desta teoria. (Balasubramanian.como aliás sucede com a grande maioria desses solos .mas antes haveria um comportamento drenado. et al. 1923b) uma formulação de uma teoria coerente do fenómeno da consolidação. a partir de uma análise por elementos finitos.. em que a espessura do estrato compressível seja inferior a metade da largura do aterro. .Alban. et al. desde que as argilas moles sejam sobre consolidadas. apesar de reconhecidamente incorrecta. No entanto.2. que os assentamentos deixaram de obedecer ao comportamento elástico linear quando o nível de tensões locais ultrapassam 60% de tensão de rotura no mesmo ponto. um método simplificado para ter em conta esse fenómeno (Veja-se. passando então a comportar-se como uma argila normalmente consolidada "desestruturada" (Veja-se (Tavenas. Para o caso de aterros. pare sapatas. Por exemplo. teve importância fundamental a enunciação por TERZAGHI do princípio das tensões efectivas. Teoria da consolidação unidimensional Apesar de haver indícios de que já nos primórdios da História o homem se debatia com o problema dos assentamentos ao longo do tempo dos solos argilosos moles. por exemplo. devido a passagem da argila de sobre consolidada a normalmente consolidada. quando carregado. como disciplina autónoma e teoricamente suportada. LEROUEIL et al 1979. resumidamente (TAVENAS. não segue imediatamente um comportamento não drenado.não ser possível calcular as redistribuições de tensões e deformações. só em 1923 foi apresentada por TERZAGHI (1923a. os dados existentes levam a considerar que o início de cedências locais se dá quando a carga aplicada ultrapasse 50% da carga de rotura do solo. As hipóteses simplificativas em que se baseia a teoria unidimensional de consolidação de TERZAGHI são. . 1980). LEROUEIL e TAVENAS 1981)..Quebec. 1981)). o quo corresponde a uma altura do aterro experimental (logo de carga aplicada) de 50% da altura em que se verificou a rotura do aterro.1.

onde teremos por tanto recompressão até ao estado de normalmente consolidada. respectivamente. da teoria básica de TERZAGHI. ρT representa o assentamento total. poderemos escrever: 9 . validade da lei de DARCY. e da água. e mv o coeficiente de compressibilidade volumétrica. ρed é o assentamento medido no ensaio edométrico. na expressão (1). e poderá ser expressa por: Para considerar o significado desta fórmula. provocada pelo acréscimo de tensão ∆σ’v. Na realidade. e enunciando-a em termos de índices de compressibilidade e de recompressibilidade. inexistência da fluência do esqueleto sólido. comecemos por referir que. ρi é nulo. Generalizando esta expressão para o calculo de assentamentos. actuando sobre alguma ou algumas das hipóteses simplificativas atrás referidas. hipóteses dos pequenos deslocamentos (linearidade geométrica). fluxo unidimensional. definido por: Nesta equação. ∆σ’v o incremento da tensão efectiva vertical no centro do estrato devida a carga aplicada. vários autores têm apresentado teorias da consolidação unidimensionais. para o cálculo dos assentamentos.deformações do material. TERZAGHI. e ∆e a variação do índice de vazios. para o estudo da deformação unidimensional o assentamento imediato. podem-se considerar como extensões. Cc e Cr. ao caso do carregamento de uma argila sobre consolidada. eo é o índice de vazios inicial. ∆h a espessura inicial do estrato. ou adaptações. linearidade das relações tensões .       Após incompressibilidade das partículas sólidas. é relativamente simples. coeficiente de permeabilidade independente do índice de vazios. ∆εv é a deformação vertical. A formulação matemática baseada na teoria da consolidação de TERZAGHI. Assim.

BUISMAN estabeleceu que assentamento de um estrato originado pelo fenómeno da consolidação secundária varia linearmente com o logaritmo do tempo. representando esquematicamente um ensaio edométrico. KOPPEJAN estabeleceu que o assentamento relativo uma função linear do logaritmo de carga aplicada. para permitir analisar a consolidação secundária ou secular. ts é o tempo para o qual se está a calcular o assentamento. estão esquematizados na Figura 3. Este método "convencional" de cálculo dos assentamentos foi desenvolvido por BUISMAN (1936) e por KOPPEJAN (1948). σ’vp é a tensão de preconsolidação. Notação e terminologia. Esta terminologia.onde σ’vo é a tensão efectiva vertical inicial. e ep e o índice de vazios correspondente à intersecção da linha de recompressão e de linha virgem. Para aterros em solos moles. bem como o significado dos símbolos usados. 10 . σ’vf é a tensão vertical final. Considerando o fim da consolidação primária como início dos tempos para a consolidação secundária. podemos escrever para exprimir os assentamentos provocados pela consolidação secundária: C1 e C2 são coeficientes a determinar a partir de ensaios edométricos de longa duração. e é independente da espessura e do estrato. Figura 3 – Ensaio edométrico esquemático. e considerando um solo normalmente consolidado.

Tv é um factor de tempo adimensional. 1981)): H é o comprimento da drenagem. Pode eventualmente. é a determinação de quando se inicia realmente a consolidação secundária: se após a conclusão da consolidação primária. t é o tempo.. se ainda durante o desenvolvimento desta. et al. definido pela variação do índice de vazios por variação unitária do logaritmo dos tempos. para a análise do assentamento devido a consolidação secundária: Cα é o coeficiente da compressão secundária. após o fim da consolidação secundária. de modo sumário. É dado por: 11 . ter outras definições. a solução desta equação pode ser escrita como uma série de Fourier (Veja-se (Balasubramanian. uma questão importante. nas tabulações e gráficos para solução da equação de TERZAGHI. Up. Já indicámos. Consideremos agora a teoria de consolidação de TERZAGHI. 1969)). de modo a que se tem e . A derivação da equação de consolidação de TERZAGHI pode ser feita pela combinação da equação da continuidade para o assentamento de um fluído. A equação de consolidação de TERZAGHI pode-se escrever na forma: onde ue é o excesso de tensão neutra. Como já referimos. e Cv é o coeficiente de consolidação. com a lei das tensões – deformações do esqueleto sólido.. as hipóteses simplificativas nas quais se baseia esta teoria de consolidação. h é a coordenada especial com origem no topo da camada compressível. considerando constante a tensão total (para esta derivação. que serve de base ao método "convencional" para c4lculo de assentamentos de estratos argilosos moles acima apresentado. et al. definido por .MAGNAN et al (1979) propõem que se faça a comparação de expressão acima com a expressão de TERZAGHI. Matematicamente. A escola americana propõe uma solução mais simples. Nesta teoria. não resolvida até ao presente. o grau de consolidação Us é idêntico ao grau de dissipação das tensões intersticiais da água. veja-se (Lambe.

é o assentamento final devido a consolidação. Como referimos atrás. et al. o trabalho de MONTE e KRIDEK. que na realidade são simples extensões de teoria primitiva de TERZAGHI. com algumas alterações. e ρc(t) é o assentamento no instante t. por exemplo exprimiram o índice de vazios como função do logaritmo da tensão efectiva. Assim. Essas teorias baseiam-se nas hipóteses que suportam a teoria de TERZAGHT. etc. HANSBO verificou experimentalmente uma melhor concordância com os dados de observação em algumas argilas suecas. desde a apresentação por TEPZAGHT da sua teoria de consolidação. 1974). introduziram na formulação da teoria de consolidação leis não lineares de tensão . Como já referimos atrás. 1973). e não instantâneo. (Mesri. (Mesri. Outros autores ( (Poskitt. (Gibson. et al. o assentamento em qualquer instante t pode ser obtido através de . vários autores abordaram o problema considerando uma deformação de consolidação finita e não infinitesimal. aplicando-a ao problema dos drenos de areia. 12 . 1967). com o expoente n>1. foram apresentadas. só é possível integrar esta formulação na solução. que equivale a dizer que o caminho de drenagens permanece invariável durante o desenvolvimento do fenómeno. como infinitesimais.Onde ρc.deformação linear como não realista (TERZAGHI tinha usado a expressão .. 1974). considerando a lei da tensão .. por exemplo. 1969) (Mesri. Alterando assim a lei de DARCY.. et al. Temos. (Olson. 1976.. Outros autores. No entanto. temos teorias em que se faz entrar o carregamento dependente do tempo. na teoria de TERZAGHI uma das hipóteses de base é a assunção de que as deformações são suficientemente pequenas para poderem ser consideradas.deformação. Este comportamento poder-se-ia dever à obstrução de canais de escoamento por partículas. A partir desses gráficos. 1958) e OLSON 1977.. (Hansbo. várias teorias de consolidação unidimensional. et al. por meio de métodos numéricos. 1974)) apresentaram soluções considerando a variabilidade da permeabilidade e da compressibilidade. matematicamente. 1960) considerou uma variação não linear do escoamento da água intersticial com o gradiente da forma . Recentemente. As várias soluções disponíveis destas equações são em geral dadas em forma de gráfico de Us ou Up em função de Tv. ( (Schiffman. Este facto foi observado por microfotografia electrónica (Hansbo. por exemplo). 1979) consideraram um coeficiente de consolidação variável.

1979). Figura 4 . Ainda dentro do caso das teorias unidimensionais que temos estado a apresentar. et al. (1979). sendo geralmente preferidas técnicas numéricas. Na Figura 4 apresenta-se um exemplo. temos que considerar ainda os modelos de (Mesri.. bastante avançadas. que.) 2 Vários autores. utilizou um processo por diferenças finitas.30m.deformações dos solos mais desenvolvida. ou seja.Curvas tempo assentamentos para aterros em argilas moles: A) altura do aterro 0. ' ae/df. B) altura do aterro 6. entre os quais (Olson. de modo muito reduzido. GARLANGER (1972) e MAGNAN et al (1979). Têm todos eles. Outros autores. et al. provocada por dois aterros.. o inconveniente de necessitarem de técnica de tratamento numérico para resolução 13 . A análise apresentada. 1979) introduziram correcções à teoria clássica para incluir o efeito de submergência dos terrenos. No entanto estas soluções são bastante complicadas.3 m e 6 m de altura. de 0. no entanto. elaborada por (Olson. Estas teorias. para a influencia da submergência na relação tempo-assentamento numa camada de 6 metros de espessura de argila. de modo a incluir o efeito do tempo. têm a vantagem de se basearem em parâmetros \ dos solos facilmente obtidos a partir do ensaio edométrico tradicional. têm a particularidade numa relação tensões . de modo a considerar a taxa de deformação..0m. entre os quais recentemente SCHIFFMAN e STEIN (1970). relativamente A teoria de TERZAGHI. et al. tentaram generalizar a teoria clássica de TERZAGHI à modelização de sistemas estratificados do solo. segundo Olson e Ladd. 1974).

Esquematização do método de Bjerrum para cálculo dos assentamentos primário e secundário segundo BJERRUM (1973). uma das particularidades do método de GARLANGER e considerar em simultâneo os efeitos combinados das consolidações primária e secundária. TAVENAS et al. Figura 5 . no Quebec. apresentaram um modelo de consolidação unidimensional muito elaborado (MAGNAN. Cv e k com . variações de e.tempos proposta por BJERRUM (1967. 1979). Este modelo pode considerar solos estratificados. Unicamente a deformação unidimensional. expressa na Figura 5. de acordo com . que mantém. Os laboratórios de Ponts et Ghaussées. 1973) e GARLANGER (1972). 1979b. consolidação secundária. 1972. das hipóteses iniciais de TERZAGHI. em cooperação com a Université Laval. 14 . 1979a.deformações . situações de não saturação do solo. Só como nota. e compressibilidade do fluido intersticial. O modelo obedece à lei de tensões .das equações que apresentam. em Franca. à excepção do facto de considerar equidistantes as linhas de tempo constante.

segue a lei de DARCY com coeficiente da permeabilidade vertical. provocando um assentamento muito mais lento do que a consideração de cv constante. kv. A permeabilidade. usando o método das diferenças finitas. comparado com a solução de TERZAGHI. A Figura 7 apresenta a aplicação do CONMULT. Este programa tem a designação de CONMULT (consolidation des multicouches). 1981). que atrasa a consolidação média.Figura 6 – Cálculo comparativo. num provete em laboratório. A Figura 6 apresenta um exemplo de utilização. do método CONMULT. b) tensões verticais na base do provete (segundo LEROUEIL e TAVENAS. e modifica as isócronas. de acordo . de: a) assentamento total. na evolução de dissipação das tensões intersticiais. A solução do modelo é obtida por cálculo automático. variável. TAVENAS at al (1979) mostraram que a consolidação rápida junto às fronteiras de drenagem leva à formação de uma zona. 15 . menos permeável. Este modelo tem permitido um estudo sistemático da influência de vários factores. mostraram igualmente que Cv tem uma grande variação ao longo do tempo. como por exemplo da sobre consolidação. no processo de consolidação de uma argila normalmente consolidada. aos assentamentos do aterro D de St. em "back analyses". neste modelo. Alban. Por exemplo. usando a teoria de Terzaghi e o método CONMULT. a do assentamento com o tempo.

com estas e outras comparac5es. isto e. que os resultados. TAYLOR e MERCHANT. 1939. e o modelo de GIBSON e LO (1969). com particular atenção. o de BARDEN (1965. entre os resultados do CONMULT. Como se pode ver da Figura 7. Outras teorias envolvendo a viscosidade do esqueleto sólido são as que fazem uso de modelos reológicos. como exemplos de modelos de viscosidade linear.Figura 7 – Assentamentos observados e calculados pelo método CONMULT sob o aterro experimental de St. no que diz respeito aos modelos unidimensionais de tratamento dos assentamentos. fazem uso de analogias mecânicas do comportamento constitutivo teológico do material "solo". vamos considerar. dos corpos de HOOKE. na associação de elementos simples. e os da teoria de TERZAGHI. a nível de distribuição de tensões. Alban (segundo Leroueil e Tavenas. sofrendo um processo unidimensional de consolidação. há uma excelente concordância entre a previsão pelo CONMULT. NEWTON e SAINT-VENANT. LEROUEIL e TAVENAS (1982) mostraram. São baseados. De entre os inúmeros modelos reológicos que tem sido propostos para representar o comportamento viscoso do esqueleto sólido de um solo. um método relativamente 16 . 1968) e o de WU et al (1966). como exemplos de modelos de viscosidade não linear. poderemos referenciar o de TAYLOR-MERCHANT (MERCHANT. 1940). A Figura 6 mostra-nos as diferenças nítidas. da teoria de TERZAGHI se devem a erros sistemáticos que se compensam entre si. como por exemplo. por vezes aproximados. Por último. 1981). e a observação da obra.

1. z) é a deformação vertical relativa.recente. tal como derivada por MIKASA (1963). considerando desprezáveis os termos de ordem elevada desta equação diferencial. Para o caso clássico da consolidação unidimensional de uma camada de solo drenada de um único lado.…. pare a partir deles prever os assentamentos futuros. onde cv e o coeficiente de consolidação. ASAOKA. Este método não é. a Ultima equação toma a forma (MAGNAN a MIEUSSENS. expressa em termos de deformação vertical volúmica. Esta equação pode ser aproximada pela equação diferencial da forma: s  a1 ds d 2s d ns  a2 2      an n      b dt dt dt Nesta equação. Permite determinar a amplitude final e a velocidade dos assentamentos de uma camada de solo. e os an e o b são coeficientes constantes. s representa o assentamento da camada compressível. um método "previsional" pois ele vai-se servir assentamentos medidos em obra. apresentado por ASAOKA (1978). Estes últimas são supostas constantes durante a consolidação. dependentes do coeficiente da consolidação cv e das condições de fronteira. O processo de ASAOKA baseia-se na observação para determinar estes parâmetros an e b. em intervalos de tempo iguais. Δt=constante s j  s (t j ) poderemos escrever a equação * sob a forma: 17 .2.3. na realidade. ε(t. t é o tempo e z é a profundidade a partir do topo da camada compressível. tome como equação de consolidação unidimensional a equação aproximada de ordem n seguinte: s  a1 ds d ns      an n  b dt dt * Discretizando a relação s(t) em ordem ao tempo t : t j  jt j=0. e baseia-se na equação diferencial parcial da consolidação. 1980): s 5 H ds      H 0 12 C v dt Onde εo designa a deformação relativa final no topo da camada compressível de espessura H.

ASAOKA indica no seu trabalho citado (ASAOKA. a precisão da estimativa aumenta com o intervalo de tempo Δt considerado. mas 18 . as equações * e ** reduzem-se a: s  a1 e ds b dt *** s j   0  1 s j 1 Considerando estas duas equações. para qualquer valor de j . e S∞ o assentamento final da mesma camada. o coeficiente β1 é dado por: **** ln 1   t 12 C v  t a1 5 H2 expressão que só é válida se t a1  1 . e a inclinação β1 permitem ainda prever o assentamento Sj = s( j. A solução da equação *** é:  t  st   s  s  s0  exp    a   1 e a da expressão de recorrência ****: sj   0  0 j  s0 1   1  1 1  1  em que so é o assentamento imediato da camada compressível. A inclinação da recta passando por asses pontos permite calcular o coeficiente de consolidação cv.s j   0    i s j 1 i 1 n ** que é uma equação de recorrência da ordem n. Quando é suficiente uma aproximação da 1ª ordem. espaçadas do intervalo de tempo Δt. o ponto de intersecção duma recta com a bissectriz do plano (Sj = Sj-1) corresponde ao assentamento final S∞. Como é lógico. registando num mesmo diagrama os pontos (Sj. 1978) que a aproximação de primeira ordem permite tratar não somente os problemas da consolidação unidimensional. A ordenada na origem βo. num processo desta natureza.Δt). com o tratamento matemático clássico de um problema de valores aos limites. Sj-1) correspondendo a duas leituras Sj-1 e Sj. ASACKA sugere um tratamento gráfico para a resolução da equação ****.

Figura 8 – Análise gráfica de assentamentos baseada no modelo auto-regressivo de Asaoka: a) discretização da curva de assentamentos. 19 . Voltaremos a este método. b) dados usados na construção de Asaoka. e da consolidação radial para drenos verticais. no capítulo Na Figura 8 está exemplificada a aplicação deste método. 1980). com maior pormenor.também os de fluência. c) Diagrama da construção de Asaoka (segundo ASAOKA e MATSUO. Na Figura 9 apresenta-se um caso típico de um carregamento em duas fases. com consolidação secundária.

ou teoria da difusão (BALASUBRAMANIAN e BREUNER.RENDULIC. representativa do fenómeno da consolidação multidimensional em que o excesso de tensão intersticial da água é a única incógnita. na determinação das características de deformabilidade e de permeabilidade dos solos. esta teoria tem duos grandes vantagens: primeiro. A partir daqui é possível deduzir uma equação de difusão. 20 . a partir da lei da aplicação da solicitação que actua no meio poroso.Figura 9 – Resultados típicos da análise de Asaoka no caso de carregamento em duas fases de um estrato compressível do solo.1. com consolidação secundária (segundo ASAOKA e MATSUO. dissociando portanto o problema da dissipação das tensões intersticiais da água da deformação do esqueleto sólido. Teorias da consolidação multidimensional RENDULIC (1936) apresenta a primeira teoria de consolidação multidimensional da consolidação que. 1981) ou ainda por teoria pseudomultidimensional (SCHIFFMAN et al. apesar de não ser correcta.3. é. por analogia com a transmissão do calor. Apesar disto. Esta teoria é habitualmente designada teoria de TERZAGHI – RENDULIC. 3. utiliza soluções já determinadas para outros problemas.RENDULIC aventa uma hipótese que não é válida: considera que as tens3es totais em cada ponto podem ser obtidas directamente. sobretudo se considerarmos os erros prováveis. Tem ainda que se considerar que. esta teoria dá uma aproximação boa dos casos reais. segundo. 1980). é ainda designada muitas vezes por teoria da pseudo-consolidação de TERZAGHI . 1969). na realidade uma extensão da teoria unidimensional de TERZAGHI. tem uma formulação matemática simples. A teoria de TERZAGHI . para cada instante. por exemplo.

sem variação de volume aparente. na teoria de BIOT. Esta teoria.E de realçar que a teoria de TERZAGHI . detectado pela primeira vez por MANDEL (1953. Os três coeficientes da consolidação indicados no Quadro 1 estão relacionados pela equação:  1  '  c1  21   'c 2  3 c 3  1  '  As equações da teoria de BIOT contem um termo adicional apresentando a derivada em ordem ao tempo da tensão total média.GRYER. A segunda teoria multidimensional foi derivada directamente por BIOT (1941) a partir da teoria de elasticidade. Uma das vantagens peculiares da teoria de BIOT é a possibilidade de ter em conta o efeito de MANDEL . No Quadro 1 resumem-se as equações da consolidação básicas para as teorias de TERZAGHI . No entanto. esta teoria tem visto a sua aplicação restringida quase exclusivamente à investigação. as duas teorias são idênticas. e de BIOT. 1956a. com ν' = 0. como um único valor do coeficiente. o grau de assentamento da consolidação não é igual ao grau de dissipação da tensão intersticial. 1956b). nas condições não drenadas. e totalmente saturados. sendo designada habitualmente por teoria de BIOT. 1959) e por GRYER (1963). 21 .5. 1955. no entanto. Cy e Cz (ou Cv e Ch em problemas bidimensionais). com solicitação exterior constante. BIOT apresenta a sua teoria. no entanto. para meios isotrópicos. e para o caso de duas ou três dimensões. que diferirá com o número de dimensões do espaço. homogéneos. pois. tem-se que cl = c2 = c3. Este efeito consiste em. teremos.RENDULIC. É este o termo que considera a variação da tensão total no interior da massa de solo e. tem o inconveniente de ter uma formulação matemática bastante complexa. originalmente.RENDULIC serve de base à generalidade dos métodos para dimensionamento dos drenos verticais. Com a teoria de TERZAGHI . É do notar também quo. relacionar a dissipação do excesso das tensões intersticiais da água com a variação da tensão total. não havendo variação na tensão total média. para cada direcção do espaço. a grande vantagem de associar a amplitude com a velocidade de assentamento. tanto podem ser usados os coeficientes unidimensionais de consolidação. Para este caso. a viscoelasticidade e a anisotropia (BIOT. considerada ainda hoje a mais correcta. e ainda. Tem. para ter em conta a compressibilidade dos fluidos. Até agora. a pressão intersticial aumentar em certas zonas do domínio em estudo. para qualquer ponto do estrato em consolidação. e antes do início da sua dissipação.RENDULIC. Cx. a teoria foi sucessivamente alterada. oportunidade de nos debruçarmos com mais cuidado sabre esta teoria no Capitulo 3. e para a consideração da consolidação de solos tratados com drenos verticais.

tanto no que diz respeito aos assentamentos. 1972). DAVIS e POULOS. para os mesmos problemas. 1972). Quadro 1 – Resumo das equações da consolidação básicas. Isto já não é assim para a teoria pseudo-multidimensional (DAVIS e POULOS. 22 . para as teorias de Terzaghi-Rendulic e de Biot.RENDULIC. Os estudos comparativos realizados entre as soluções obtidas. A Figura 10 apresenta um exemplo comparativo dessas teorias. e de BIOT (por exemplo. permitem concluir que as diferenças entre os resultados das duas teorias. mas não excessivas.devido a esta teoria considerar a redistribuição de tensão. são nítidas. 1969. veja-se SCHIFFMAN et al. com as teorias de TERZAGHI . como a dissipação das tensões intersticiais.

Neste aspecto. realizada por SECO PINTO (1983). Quanto à teoria de BLOT. apresentaram um método pare cálculo do assentamento 23 . Previsão do assentamento Nas secções 2. por este motivo. pare incluir solos não totalmente saturados. será mais tarde esta teoria desenvolvida convenientemente.1. Vamos agora debruçarmo-nos sobre os vários métodos existentes para calculo dos assentamentos. e aplicada à análise dos núcleos argilosos de barragens de aterro.2 e 2.deformações. SKEMPTON e BJERRUM.Figura 10 – Comparação dos resultados das teorias de Terzaghi-Rendulic. De referir. existem poucas soluções analíticas.2.1 já analisámos o caso dos assentamentos imediatos.2. que a teoria pseudo-multidimensional de TERZAGHI RENDULIC serve de base à generalidade das teorias que analisam a consolidação de estratos lodosos drenados por drenos verticais. considerando o fenómeno tensões . e de Biot: a) evolução do excesso de tensão intersticial. 1970). de vido a natureza complexa do problema. isto é. 3. no ponto 2. São actualmente mais comuns as soluções através da formulação das equações de BIOT pelo método dos elementos finitos.3 analisou-se o assentamento da camada compressível considerando as leis tensões-deformações-tempos que as várias teorias consideram reger esses fenómenos. Apercebendo-se da natureza essencialmente tridimensional da maioria dos fenómenos. Neste ponto é de referir a extensão da teoria de BLOT. No ponto 2. considerando o fenómeno unidimensional. (1957). b) evolução da tensão octaédrica efectiva (segundo VIGIANI.2. em termos de aplicação.2. não considerando portanto o factor tempo.4.2 já foi referido o problema da analise dos assentamentos.

A expressão apresentada por estes autores foi:  c   mv uh  i 1 i n Nesta expressão. em quo este era deduzido a partir das tensões intersticiais tridimensionais obtida no ensaio triaxial não drenado (condições de tensão axisimétricas não drenadas). O carregamento imediato é um caminho de tensões não drenado. respectivamente. aqui. a Figura 11 representa o caso do carregamento instantâneo de um solo (instantâneo é. incluindo o assentamento imediato. Este método tem considerações de base bastante contestáveis: 1. e reproduzem-se esses caminhos de tensões. Nessa figura representam-se as condições verificadas num ponto. e para solos saturados: u   1   1   3  Nesta última expressão. 2. laboratorialmente. Considerando o assentamento total. neste método prevêem-se quais são os caminhos das tensões que vão seguir elementos seleccionados do solo. 24 . independentemente da variação do coeficiente de Poisson. pressupõe que a distribuição de tensões totais imposta nas fundações permanece invariável durante o processo de consolidação. comparativamente à velocidade a que se processa a consolidação). Dum modo ilustrativo simples. tornado com o sentido de muito rápido. O método do caminho das tensões impostas (Streth-path method). Δσ1 e Δσ3 são os incrementos das tensões principais máxima e mínima. relaciona tensões intersticiais obtidas a partir de uma situação de tensão triaxial com a equação da consolidação unidimensional. Assim. de um modo muito mais satisfatório. esta teoria tomará a forma:  c   ed O factor da correcção μ é função do parâmetro A e da geometria do problema. e é representado na Figura 11 por AB.Bjerrum tomar em consideração a influência da deformação lateral no assentamento vertical. o mais fielmente possível. apresentado por LAMBE (1964) permite. da situação drenada para a não drenada.final devido à consolidação primária. A partir do ensaio edométrico. será':  T   i   ed O parâmetro μ foi apresentado por SKEMPTON e BJERRUM e modificado por SCOTT (1963) quo o apresentou graficamente. pelo ponto A. in situ. e A é o parâmetro das tensões intersticiais de SKEMPTON (1954). que o método de Skempton .

o assentamento imediato corresponderá à deformação entre A e B. Em seguida sobrepõe-se a esse gráfico o caminho de tensões previsto. pela deformação vertical do provete. de modo a permitir o traçado de uma família de contornos tensões . Esta técnica. De notar que. apresentado por DAVIS e POULOS (1963). nas suas componentes drenada a não drenada. segundo LAMBE (1964). que poderemos considerar como uma extensão do método acima exposto. O caminho BC corresponderá ao fenómeno da consolidação. A deformação volumétrica correspondente a este processo pode ser obtida laboratorialmente pelo ensaio edométrico.Neste troço não há variação de volume (condição de não drenagem). e tendo em atenção a espessura da camada compressível. particularmente adequada A execução de análises preliminares. pode-se determinar então assentamento total. este processo a aconselhável para uma fase final do projecto. Como é lógico. tendo em conta a espessura da camada. Com o apoio de um ensaio edométrico. Na outra técnica executam-se ensaios triaxiais reproduzindo o caminho das tensões efectivas. Há duas técnicas para. a outra usa resultados de ensaios laboratoriais que tentam reproduzir o melhor possível o caminho de tensões real. K1 representa a envolvente de rotura. pois sendo representativo do fenómeno da consolidação representa a dissipação do excesso da tensão intersticial da água. prever as deformações verticais. no método dos caminhos de tensões este ensaio corresponde ao caminho de tensões AD. Na primeira destas técnicas são executados vários ensaios triaxiais não drenados. o que permite. determinar o assentamento correspondente. 0 traço BC é paralelo ao eixo 1/2 ( σ’1 + σ’3). Figura 11 – Exemplo elementar do método do caminho das tensões. Igualmente segundo LAMBE (1964). Uma usa os contornos das tensões-deformações. EGOROV (1957) e KÉRISEL 25 . a partir do método dos caminhos de tensões. sob tensão deviatórica constante. e o método elástico.deformações. Outro método.

representada na Figura 5. propôs uma relação única tensões . Considerando σ’vo a tensão vertical "in situ". já anteriormente referido. no domínio da sobre consolidação. quer pela teoria do deslocamento elástico. sendo necessário determinar as constantes elásticas necessárias à sua aplicação em ensaios laboratoriais. baseando-se em TAYLOR (1942). após aplicação da carga. Bjerrum propõe. para um período sem carregamento. Este método tem a vantagem de poder incorporar correcções para tomar em consideração cedências locais. representa uma evolução qualitativa relativamente ao método de SKEMPTON . e um assentamento total elástico. para o cálculo dos assentamentos: S c1   oc  mv  v ' z  i 1 i n e para o caso de ser ultrapassada essa tensão de preconsolidação. BJERRUM. Neste método.BJERRUM. GIROUD (1973) e POULOS e DAVIS (1964) apresentam ábacos bastante completos para a aplicação pratica desta teoria. Sc1 e Sc2. Bjerrum considera duas componentes. para o caso da tensão vertical. Este diagrama é difícil de construir na prática. 1973). 0 gráfico dessa Figura 5 representa os valores de equilíbrio dos índices de vazio. na determinação dos assentamentos. Para a previsão dos assentamentos devidos à consolidação secundária. definido pela Figura 12. para vários valores das pressões verticais efectivas. e μcp corresponde a cargas no ramo "virgem”. corrigido por um factor dependente da possibilidade de cedência local.e QUATRE (1968). Este método dá um ênfase especial a importância da tensão de preconsolidação. No entanto. a partir dele podese determinar o limite superior do assentamento devido a consolidação secundária usando a expressão: 26 . o assentamento total é dado por um assentamento imediato elástico. Esta teoria elástica permite calcular tanto os assentamentos imediatos como os devidos a consolidação. não ultrapassar a tensão de preconsolidação. um dos mais aplicados na prática para a determinação dos assentamentos. O método de BJERRUM (1972. a seguinte expressão. determinadas pelas expressões seguintes: ' S c1   oc  mv  vc   v' 0 z i 1 n     i Sc2 onde μoc  Cc   v' 0   v'   op   log z  '  vc i 1 1  ec i n   é o factor μ de SKEMPTON .deformações. Estes dois valores parciais podem ser determinados quer pela soma das deformações verticais sob a fundação.BJERRUM.

De acordo com a teoria exposta por BJERRUM. 27 . para sapatas contínuas e circulares (segundo SCOTT. e eventualmente desaparecer esse efeito de preconsolidação. a tensão de ' preconsolidação  vc . discorda totalmente desta teoria.'  Cc  vc  Ss    log ' z   v0  i i 1 1  ec n ' para  v'   vc   v' 0   É de notar que este assentamento corresponde teoricamente à compressão secundária que se desenvolveria no mesmo tempo que levou a desenvolver-se a tensão de preconsolidação σ’vc. deveria diminuir com o tempo. para o caso da tensão vertical aplicada não ultrapassar a tensão de preconsolidação: Ss   ( i 1 n Cc 1 e o log ' '  vo   v '  vo h) ' ' para  v'   vc   vo   Figura 12 – Coeficiente de assentamento de Skempton-Bjerrum. 1963). BJERRUM apresentou outra expressão. baseado em ensaios laboratoriais. em função do coeficiente de pressão neutra. para um solo carregado durante um período suficientemente longo. 1977). LEONARDS (1972. e esquematizada na Figura 5.

Este modelo foi verificado para argilas remoldadas. bem como o modelo Cam-Clay foram apresentados por ROSCOE e SCHOFIELD (1963). tratadas como material isotrópico. Quanto à formulação matemática do método. Assim. correspondentes a caminhos de tensão totalmente incluídos dentro dessa fronteira. e métodos de previsão de assentamento baseados nos modelos do estado critico. é o vulgarmente designado modelo Cam-Clay. e argila sobre consolidada. A superfície de cedência.deformações. dum modo resumido. Aplicando este modelo a argilas. como uma teoria geral de tensões . apesar de essencialmente na investigação. σ2 = σ3. elasto-plástico. destes métodos ocupar-nos-emos com mais pormenor noutros capítulos deste trabalho. Supõe que o solo possui uma "superfície" de cedência. ou ligeiramente sobre consolidadas. sendo esta versão designada habitualmente por modelo Cam-Clay modificado. bem como uma lei de escoamento satisfazendo a condição de normalidade. para argilas normalmente consolidadas. uma argila normalmente consolidada será uma argila que se encontra numa situação de cedência tal que um pequeno aumento de tensão provocará grandes deformações irreversíveis. Os estados de tensão que atravessam uma superfície de cedência irão provocar grandes deformações plásticas irrecuperáveis. para o modelo Cam-Clay modificado. o exemplo mais conhecido a utilizado. temos também uma redefinição dos conceitos de argila normalmente consolidada. até certo limite. e quase totalmente recuperáveis. tendo sido o modelo posteriormente modificado com uma nova equação de dissipação de trabalho com o incremento de tensão. A superfície de cedência forma uma fronteira de estado de tensão tal que as deformações. vamos seguir. Destes. uma argila sobre consolidada será aquela que está num estado tal que aumentos significativos da tensão provocarão. Este modelo modificado tem fornecido previsões de melhor qualidade para deformações em ensaios laboratoriais do que o modelo original. é dada pela equação:  q q '   '  poy  p ' 1   M2    28 . da Universidade de Cambridge. Vamos agora tentar dar uma ideia genérica dos fundamentos deste método. Esta teoria. são de amplitude reduzida. a apresentação de ROSCOE e BURLAND (1968). e recuperáveis. a para algumas argilas naturais. motivo pelo qual não os abordaremos aqui. temos ainda três grande correntes: métodos probabilísticos de determinação de assentamentos e métodos baseados em ensaios "in situ". deformações pequenas. com endurecimento.Relativamente a métodos para a determinação dos assentamentos. para simetria axial. por ROSCOE e BURLAND (1968). A teoria do estado critico foi desenvolvida.

com coesão efectiva nula. resultante de um incremento de tensão provocando cedência. é: v r  K p ' 1  e  p ' Figura 13 – Exemplo de aplicação da teoria do estado crítico. em termos de tensões efectivas. 29 . A Figura 13 esquematiza as noções que estão a ser expostas. Caminho de tensões efectivas possível pelo carregamento com um aterro. é a soma de uma componente recuperável.Nesta expressão. está relacionada com o ângulo do atrito interno. provocada por um incremento de tensão normal Δp'.q). p’ e q são definidas por: p'  1 '  1  2 3' 3   ' q   1   3   1'   3 M é o quociente de tensões q/p' na rotura. A componente recuperável. isotrópico. e para uma argila normalmente consolidada. pela expressão:  q  6 sin  ' M  '  ' p    f 3  sin  É de chamar ainda a atenção para o facto de p' oy poder ser determinado laboratorialmente através de um ensaio de consolidação triaxial. Δv. p'oy é a intersecção da superfície de cedência com a linha de ' ' consolidação isotrópica (  1'   2   3 ) no piano (p’. O incremento da deformação volumétrica total. e de uma componente de deformação permanente.

é independente da variação de volume plástico. o aumento da deformação volumétrica é dado por:  2q '  1  p   K  v  2 1 e    M2  q '   p       1 q p  q  ' p '  '   '   p q p      ' Neste teoria. respectivamente. como se pode ver das expressões acima. e da linha de expansão. os parâmetros λ e k são as inclinações da linha de compressão isotrópica.434 C s Com Cs representando o índice de expansibilidade obtido no ensaio edométrico. para q/p’ constante (compressão unidimensional) conduz à equação de TERZAGHI. dependendo unicamente do quociente de tensões q/p' . são considerados os seguintes valores para estes coeficientes:   0. Normalmente.    p . quando a superfície de cedência é mudada.434 C c K  0. uma representando a distorção plástica de corte devida a mudança da superfície de cedência a q consta4ara um caminho de tensões abaixo da superfície de estado limite. Estas duas componentes permitem escrever a expressão do incremento da deformação de corte do seguinte modo:  p   p ou   vp   p   q q'  d p  p    d q p'     q  d p    '   p  v p     v p p  dv  q ' p A primeira componente. De notar que esta teoria. e para todos os problemas práticos.A componente irrecuperável é dada por:  2q '  K  p v p  1  e  2  q 2 M   '  p       q 1  q  ' p '   p '  '   p q     Consequentemente. Para o incremento da deformação do corte. e a segunda é devida pelo caminho de tensões na superfície de estado limite. composta de duas componentes. o modelo Cam-Clay pressupõe que toda a deformação é irreversível. A 30 .

discretiza-se o domínio em estudo num conjunto de elementos que o preenchem totalmente. sem sobreposições. isto e. por exemplo. no mínimo. As soluções são obtidas em termos de deslocamentos. Convêm referir que a experiencia até ao momento leva a considerar como. supondo K = 0 e logo Δvr=o BURLAND (1971) deu exemplos práticos de aplicação deste modelo a previsão das pressões intersticiais sob aterros. mas com possibilidade de considerar a anisotropia. problemática a obtenção de todos estes parâmetros a partir de ensaios laboratoriais. OHTA e HATA (1973). na realidade. quo se pode descrever matematicamente com base as lei de escoamento:  d   p  dv  q  p' 2 q p' 2  M  q p'    2 permite escrever a equação do seguinte modo:   p q p' '    K  2 q p     1  e  M 2  q p '       2 q p '  2   2 '  M  q p         q  q p '   p '  1  2  '  p' p    Para o caso especial da deformação plena. As intersecções das linhas que separam os elementos são designados por pontos nodais. ROSCOE e BURLAND(1968) mostraram que os incrementos da deformação plástica podem ser aproximadamente expressos por Δv = Δvp. com a fronteira especificada. apresentaram um método semelhante. De notar. por um conjunto de "elementos finitos".segunda componente. Esta teoria também permite prever o aumento de resistência durante a consolidação. que o método dos elementos finitos não é. deformações horizontais e verticais. Posteriormente foilhe incluída a dilatância por SEKIGUCHI e OHTA (1977). no entanto. Esta matriz de rigidez correlaciona os deslocamentos nodais ao vector de carga. não se pode deixar de referir o método dos elementos finitos. Após a apresentação por ROSCOE e SCHOFIELD (1963) do modelo Cam-Clay. um método de previsão ou análise de 31 . surgiram vários desenvolvimentos do método. um maciço terroso). isto e. a partir de ensaios laboratoriais.solo no nosso caso. Para concluir esta secção. A base deste método consiste na representação de uma estrutura ou corpo (no nosso caso. O agrupamento de todas as matrizes de rigidez de cada elemento dá a matriz de rigidez global do corpo em estudo. e em termos de tensões médias nos elementos. É formulada uma matriz de rigidez para cada elemento individual.deformações que caracterize o material . nesses pontos nodais. usando uma relação tensões .

tanto laboratorialmente como "in situ".e que é introduzido no processo na definição da matriz de rigidez de cada elemento. dispondo-se de muito poucas soluções concretas dessas teorias.assentamentos. Muitas vezes. e para casos muito simples. antes poderá utilizar qualquer modelo de comportamento. devido ao grau de incerteza existente habitualmente na caracterização geotécnica dos solos em estudo. ou caracterizem-se por dificuldade de obtenção dos parâmetros cor -rectos. e como tal cara de aplicação. com especial ênfase na abordagem das teorias de consolidação. e de previsão dos assentamentos. . por ser este assunto o tema principal desta dissertação.  As teorias mais correctas actualmente disponíveis ou são de elevada complexidade matemática. Pensamos ter deixado claro alguns pontos:  As teorias usualmente aplicadas pelo engenheiro. Acerca da aplicação deste método à análise de problemas em argila. antes uma ferramenta de calculo que permite resolver o problema de resolução do modelo adoptado . 32 . essa incerteza tira todo o significado à utilização de métodos de cálculo sofisticados. na resolução dos problemas concretos são em geral reconhecidamente errados. veja-se CORREIA (1982) e SECO e PINTO (1983). sendo a sua aplicação prática muito limitada.linear elástico. mas na realidade não é um modelo de comportamento. É um método de cálculo poderosíssimo. não linear. Considerações finais Neste capitulo introduziu-se de modo geral o problema do comportamento de fundações em solos moles. etc.2.  0 método dos elementos finitos a uma ferramenta poderosíssima. 3.

com esta esquematização. inicialmente. atendendo a denominação genérica desta dissertação. a utilização de solos de fundação com características deficientes. Pensamos que. uma panorâmica muito geral acerca das diversas teorias de tratamento e suas técnicas. Convém salientar que vários dos métodos que serão abordados neste capítulo ou não são os mais adequados aos solos coesivos. devido essencialmente a dois factores: por um lado.PARTE 2 PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SOLOS MOLES Apesar de não ser exclusiva do tempo presente. aqueles que apresentam melhores características. 33 . no capítulo 4 teremos oportunidade de analisar a aplicação concreta de alguns destes métodos. aceleração da consolidação e outros métodos. agruparam-se os métodos de tratamento dos solos moles em: injecção de solos. De facto. vamo-nos debruçar com particular atenção nos métodos que constituem o grupo que designamos por "aceleração da consolidação". no presente capitulo. as estruturas necessárias. compactação profunda. que permitissem "dar" ao solo de fundação as características necessárias. o conjunto de métodos actualmente disponível. Apesar de se tentar dar. Considerando a divisão tradicional dos solos em solos coesivos e solos não coesivos. tornou-se imperiosa a necessidade de proceder a investigação e experimentação de métodos de tratamento. De um modo muito genérico. por outro lado. bem como algumas das suas vantagens e limitações. em segurança e economia. e que ele não tinha. e com o fim de facilitar a exposição. Com a ocupação crescente de solos de ma qualidade geotécnica. quer do ponto de vista de deformabilidade. Na figura 14 apresenta-se um esquema de aplicabilidade dos vários tipos de tratamentos aos diferentes tipos de solos. reforço de solos. se consegue agrupar. cabendo à engenharia criar as condições para que se possam executar. de modo coerente. quer do ponto de vista de resistência. podemos dizer que qualquer um destes tipos de solos e susceptível de necessitar de tratamento. Surgiram assim os primeiros métodos de tratamento de solos. estabilização de solos. Como e lógico. a especificidade cada vez maior de certas actividades do homem impõem a localização das instalações necessárias. vamo-nos ocupar unicamente com o problema do tratamento de solos coesivos. a grande utilização de solos que se tem verificado levou a que fossem ocupados. sofreu um grande incremento nos últimos decénios. ou são também aplicáveis a solos não coesivos.

Optou-se. Sobre esta estabilização de solo clássica. por tentar abordar todos os métodos de aplicação possível a solos coesivos. MITCHELL (1976) e INGLES e METCALF (1973). de entre a qual citaremos WINTERKORN (1975). o use de misturas de vários tipos com solo e o mais antigo. e também o mais divulgado e utilizado. Figura 14 — Limites de aplicacao 00s varios twos de tratamento em funcao da granulometria dos solos (segundo Mitchell 1981). Como dissemos acima. no entanto. sobre a melhoria dos materiais grosseiros de base e sub-base de pavimentos. Os aditivos químicos.1. 4. têm sido usados para melhorar as propriedades dos solos por troca iónica e reacções de cimentação. e têm sido usados nas estruturas de pavimentos rodoviários há vários séculos. Sendo esta aplicação clássica da estabilização de solos 34 . dos quais os mais usuais são a cal e o cimento. Estabilização de solos por mistura de aditivos químicos Dos muitos métodos de estabilização de solos. entrar-se-á com mais pormenor nos métodos de aceleração da consolidação. Estabilização de solos 4. existe uma numerosa bibliografia.

numa percentagem de cerca de 6%.essencialmente virada para o tratamento de materiais não coesivos. nos EUA e na Alemanha. uma das acções da cal e provocar uma diminuição muito rápida do teor em agua das argilas. Outra característica destas estacas de cal é serem mais permeáveis que o terreno natural. O "nascimento" das estacas de cal deu-se na década de 60. Assim. De facto. De notar. ao fim de um ano. consistindo a técnica na mistura "in situ" de cal viva. bem come a utilização dos materiais clássicos com novas finalidades. Decresce também o índice de plasticidade. é o da utilização da cal e do cimento com o método da mistura em profundidade (HOLM et al. tal como representado na figura 15. e os estudos com vista à execução de barragens inteiramente em solo-cimento (ROBERTSON e BLIGHT. de modo a que a estrutura desta e alterada com a formação de aluminatos e silicatos de cálcio hidratados. e regulamentado inclusivamente põe alguns organismos. na de cada de 60. na execução da protecção dos taludes de montante de barragens de aterro (HOLTZ e HANSEN. o tratamento tradicional à superfície. com cal. Posteriormente. o use do solo-cimento. 1981). e que não podia ser esquecido. no use de mistura de solo para a melhoria das suas propriedades. 33% da melhoria e obtida num mes. devido a serem estes que possuem maiores quantidades de constituintes amorfos (BRANDL. Um dos casos mais notáveis. As estacas de cal executadas por este processo possuem cerca de 50 vezes a resistência do solo não tratado. e havendo. comportando-se também. Trabalhos recentes provaram que estas reacções. devido a rápida reacção de hidratação da cal. numerosa bibliografia sobre a aplicação destes métodos. 35 . com argilas moles existente no local. Na Suécia foram introduzidas recentemente as estacas de cal propriamente ditas (BROMS e BOMAN. Convém referir o processo de actuação da cal no reforço de solos. em consequência desse facto.1981. e a floculação das partículas de argila. convém chamar a atenção para o facto de. e essencialmente a última. 1981). através do enchimento com cal de furos de 100 mm de diâmetro previamente abertos. com formação de Ca(OH)2. apesar de bem conhecido. 1977. não nos vamos debruçar sobre eles. nos últimos anos. 1981). 1976). limita-se a uma camada superficial de cerca de 30cm de espessura. 1978). por meio de um trado. como dreno vertical (HOLM et al 1981). BRANDL. e 50% ao fim de dois meses. devido à entrada no solo de iões Ca. estão grandemente dependentes da importância dos materiais amorfos presentes (QUEIROZ DE CARVALH0. Os avanços verificados durante a década de 70. à superfície do solo. com a execução de "estacas” de 1m. dá-se ainda uma reacção lenta com a argila. No entanto. por exemplo. incluiu essencialmente a investigação e a aplicação de novos materiais. Isto justificara a grande eficiência do tratamento com cal nos materiais de elevada plasticidade. 1978). como referimos. se ter verificado uma tendência para aplicação destes métodos a outros tipos de obra.

mas no que respeita a estacas com solocimento. estando portanto. A observação também mostrou que. para o solo e as estacas se deformarem como um todo. pode também aumentar o espaçamento entre elas. Isto observou-se. a tensão de confinamento usualmente existente a 1 – 2 m de profundidade garante um comportamento dúctil da estaca. um comportamento frágil. sem redução de capacidade de carga. b) Estaca pronta. BROMS (1985) chama a atenção para o facto de a ductilidade das estacas de cal ser afectada pela tensão de confinamento. De facto. Atendendo a que o objective principal desta dissertação e a análise da deformação dos solos moles. Figura 15 – Execução de uma estaca de cal pelo método sueco: a) Execução da estaca. tratados com estacas de cal. Com tensões de confinamento moderadas e elevadas. não se podendo portanto considerar as estacas como dreno. segundo aquele autor. logo pelas características geotécnicas das argilas moles não tratadas entre estacas. em geral. 36 . mesmo para espaçamentos de estacas de 20 m. c) Misturador. o comportamento frágil restringido ao topo da estaca. e o solo entre elas. mesmo para grandes deformações. quando aumenta a profundidade das estacas. para baixas tensões de confinamento. Segundo BROMS (1985). se deformam como um todo. vamos tecer ainda algumas considerações acerca das características de deformabilidade de solos moles. Alias. as estacas de cal têm comportamento dúctil. e dos solos moles tratados. A observação das obras executadas lava a concluir que as estacas de cal. a argila misturada com a cal apresenta. esta é também a posição de KAWASAKI et al (1981).No entanto TERASHI e TANAKA (1981) afirmam que a permeabilidade das estacas de cal e muito baixa.

Consideram-se, habitualmente, dois tipos de cálculo possíveis para a previsão dos assentamentos em estacas de cal. Para níveis de carga reduzidas, a carga axial nas colunas depende da rigidez das colunas, comparativamente a rigidez do solo entre colunas. Normal manta a carga aplicada e suficiente para provocar a cedência das colunas. Alias, o dimensionamento de um tratamento por estaca de cal ou seja, o seu número, espaçamento e diâmetro, e determinado na major parte dos casos, pelos assentamentos totais e diferenciais admissíveis. Excepcionalmente, podem ser dimensionadas à rotura. Assim, as estacas de cal poderão ser consideradas como reduzindo o assentamento do solo a níveis compatíveis com a operacionalidade da estrutura a construir. No case de a carga ser suficiente para provocar a cedência das estacas, o inúmero de estacas pode ser calculada, segundo BROMS (1981), e de acordo com a Figura 16, pela expressão:

N

Wg  q2 BL
cedência Qest.

Onde Wg é o peso da estrutura a fundar, q2 é a carga que o solo sem tratamento pode suportar sem assentamento excessivo, e
cedência Qest.

é a tensão de cedência da estaca de cal.

Considera-se usualmente esta tensão de cedência sensivelmente igual a 70% de tensão de rotura. Evidentemente, será necessário verificar se as deformações axiais das estacas são suficientes para se verificar a fluência do material.

Figura 16 – Esquema do cálculo de assentamentos, para cargas elevadas, no caso de estacas de cal (segundo BROMS, 1985).

No caso das cargas serem relativamente reduzidas, os assentamentos, bem como a distribuição das cargas dependerão do módulo de compressão do solo não estabilizado Msolo

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= dε /dσ , e do módulo do material da estaca, Eest. Msolo e Eest deverão ser determinados laboratorialmente em ensaios edométricos. De acordo com o esquema de calculo da Figura 17, o assentamento total será a soma de

h1 e h2 , respectivamente o assentamento devido à compressibilidade do conjunto solo e
estacas, até uma profundidade correspondente ao comprimento das estacas, e h2 representa a contribuição da compressibilidade dos solos abaixo do extremo das estacas. O modo tradicional de cálculo de distribuição das tensões, conservativo, pressupõe que a totalidade da carga e transmitida ao solo, à cota da extremidade das estacas. Não se considera, portanto, habitualmente, a distribuição de cargas, até essa profundidade, por atrito lateral com o solo circundante. Considera-se ainda a degradação da carga, abaixo daquela cota, segundo uma inclinação de 2/1 (veja-se Figura 17).

Figura 17 – Esquema do cálculo dos assentamentos em solos tratados com estacas de cal, para cargas reduzidas (segundo BROMS, 1985).

O assentamento h1 pode ser calculado pela expressão:

h1 

aEest

q  1  a M solo

onde H é o comprimento das estacas, e a é a área relativa das estacas ou seja, NAest +/BL. Aest é a seccao recta de cada uma das estacas de cal (em geral 0.2m2). 0 assentamento

h2 pode ser calculado pelos metodos tradicionais do cálculo do assentamento, de
fundações directas. 38

BROMS (1982) refere que, no total, foram instalados, desde 1977, cerca de 500.000m de estacas de cal, e essencialmente em estradas, parqueamentos, áreas de carga, valas profundas, e para fundação de construções ligeiras. BROMS (1982) refere ainda que dois aterros experimentais executados nos mesmos solos, um sobre estacas de cal, e o outro sobre o solo não tratado, indicaram que este tipo de tratamento reduziu os assentamentos em 70%, tendo ainda acelerado a consolidação: os assentamentos verificaram-se nos dois primeiros meses. Este caso reforça a indicação atrás enunciada de que as estacas de cal funcionariam como drenos verticais. Convém salientar que o tipo de tratamento que aqui se descreveu – estacas de cal – tem sido aplicado com igual sucesso com cimento. Em qualquer dos casos, é imperioso que o equipamento usado seja capaz de distribuir o aditivo uniformemente em toda a profundidade de desejada, e que garanta uma mistura homogénea em toda a estaca. Além da Noruega e Suécia (método sueco), este método tem sido utilizado intensivamente no Japão, Franca, URSS. (SOKOLOVIC et al, 1976, PILOT, 1977; BROMS e BOWMAN, 1979a, 1979b). Nos últimos anos tem surgido novos aditivos, e novas técnicas, que completam, ou substituem com vantagem os métodos clássicos de estabilização de solos (cal e cimento). Assim, e de notar que se começou a aplicar com sucesso o gesso combinado com a cal, especialmente em solos orgânicos. De notar: que alguns compostos orgânicos retardam ou mesmo impedem as reages da cal com o solo. Também pode ser prejudicial a presença de alguns sulfatos nos solos. SHERWOOD (1962) e INGLES e METCALF (1973) chamaram a atenção para o facto de os resultados iniciais poderem ser satisfatórios, mas com molhagem dar-se uma expansão com quebra da estrutura cimentada. Parece que o gesso evita este fen6meno (HOLM et al, 1983, KUJALA, 1983), tendo ainda a vantagem de, excepto nos primeiros 10 dias, acelerar o ganho de resistência do solo tratado, dando-lhe uma maior resistência final. Segundo HOLM et al, (1983), as percentagens ideais, para um tratamento a longo prazo, são de 75% de cal para 25% de gesso. Para tratamentos provisórios dever-se-á usar 50% de cal para 50% de gesso; esta mistura da maior aumento das resistências nos primeiros meses, mas apresenta uma resistência final cerca de 50% inferior à mistura anterior. Como aditivos não tradicionais, há alguns novos produtos, essencialmente ainda em fase de investigação e aplicações experimentais, que apresentam um grande potencial. Um destes "métodos" é o designado "ferroclay" (INGLES e LIM, 1980, 1982). Este processo pretende "imitar" os processos naturais de formação das rochas sedimentares, par exemplo, areias cimentadas com sílica, laterites, etc., através do use de Oxido de ferro, e do aquecimento

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em cerca de 4 dias. é necessário executar uma análise térmica do escoamento do calor. usados unicamente em certos casos específicos. permite tratar. Em cases especiais. após 8 dias. podendo-se verificar o fenómeno de vitrificação. sabe-se que um solo congelado é muito mais resistente e impermeável. coma fixa uma grande quantidade de água. pode-se dizer que um aquecimento moderado do solo até uma temperatura da ordem dos 100°C provoca a secagem do solo. Par outro lado. Obtêm-se com este método resistências à compressão da ordem dos 100 KPa. e melhoria das propriedades resistentes. Estabilização térmica de solos Outros métodos de estabilização de solos. tanto por aquecimento como por congelação. por exemplo para garantir a estabilidade de estacas. tem sido usado como método de tratamento permanente. misturado com Oxido de ferro. De um modo muito geral. 1972).moderado do solo. 1981). devido ao seu elevado custo. como estabilização temporária para execução de escavações a céu aberto. e manutenção do solo congelado sob edifícios aquecidos. o solo é aquecido até à temperatura 20-30°C. o tratamento este completo. bem como dos sistemas a adoptar. 1969. compactado por camadas de modo à mistura ocupar o máximo de vazios. Para executar um tratamento térmico de um solo. e. Em linhas gerais.2. são os chamados métodos de estabilização térmica. e aumento da sua capacidade resistente. águas tóxicas e poluídas. Um outro método envolve uma mistura de gesso. Idênticos estudos foram apresentados pelos Japoneses. compressibilidade e expansibilidade. com um material rijo e durável. pelo que a congelação dos solos é por vezes utilizada em obras de tratamento temporário de solos. Se se usarem temperaturas da ordem dos 600°C a 1 000°C podem-se obter melhorias permanentes das características dos solos. de túneis. por exemplo. como par exemplo diminuição de sensibilidade à água. A análise ter mica tem 40 . (MATSUO e KAMON. desde que não se permita nova molhagem. na sua execução. sobretudo nas regiões árcticas. (FOUGEOT e ROUAULT. e uma análise cuidada da resistência e propriedades tensão-deformação-tempo do solo tratado. 4. dando indicações que este processo poderá ser usado para armazenar de modo seguro detritos tóxicos como materiais de aterro. e no que diz respeito à congelação do solo. etc. Testes de lixiviação efectuados sobre solos tratados em que se usaram águas com metais pesados mostraram que os metais pesados ficavam ligados a estrutura de cimentação. Este método. Este método tem a vantagem de poder aproveitar estes materiais a partir de resíduos de várias naturezas. e uma solução de silicato de sódio. POTEVIN. Se se usarem temperaturas mais elevadas provoca-se a fusão das partículas. cal e hidróxido de alumínio.

adaptado de Kersten. é a percolação de água subterrânea na zona a tratar. Esta análise é efectuada de modo similar à percolação e consolidação. 1981. para se poder determinar aquecimento ou refrigeração necessária. 1975). Existem bastantes processos para analisar do ponto de vista térmico a propagação do calor) essencialmente para o caso da congelação (SANGER. Figura 18 – Condutividade térmica do solo (segundo Mitchell. mas com a condicionante que o comportamento pode ser condicionado pela água. através da sua temperatura de fusão e de vaporização. as zonas de influência. A Figura 18 representa. muitas vezes. TSYTOVICH.que ser feita. 41 . a condutividade térmica. Outra influência determinante. para dois tipos de solos. para os casos de solos congelados. Desde que se estabeleça a diferença entre “calor latente" e "calor de vaporização". 1949). e não congelados. tempo de tratamento e distribuição da temperatura. SCHUSTER. é possível aplicar os mesmos métodos à análise do aquecimento de solos. 1968. e que se tenha em atenção a complicação adicional que representa o transporte na fase vapor de calor e água. 1972.

desenvolvido por LITVINOV (1960) para a estabilização de solo por aquecimento. 1981). 1981). etc. afim de evitar perdas de calor. e introdução de certos componentes estabilizadores por vezes usados. O método de congelação pode ser um método bastante útil e versátil. citado por MITCHELL. LITVINOV (1979) modificou o seu processo. A escola soviética considera o aquecimento de solos tão eficaz. É 42 . até profundidades da ordem dos 12m. afim de permitir a saída de vapor de água. Para provocar o aquecimento. por aquecimento. A grande limitação na aplicação deste método é o custo da energia necessária.Segundo se depreende da bibliografia consultada a maior parte das aplicações da estabilização térmica de solos. Na Figura 19 representa-se um método de campo. Posteriormente. para executar estacas vitrificadas "in situ". A major parte das aplicações bem sucedidas do aquecimento de solos tem sido em solos parcialmente saturados. foi utilizado para estabilizar solos colapsíveis sob estruturas. 1981). sendo vantajosa uma certa permeabilidade ao gás. tem sido realizada na Europa de Leste e na União Soviética. estabilizar taludes (BELES e STÂNCULESCU. citado por Mitchell. e mais económico. e limitações de profundidade (veja-se MITCHELL. 1960. em casos em que se necessita de estabilização temporária do solo. em solos loéssicos. construir um ensoleiramento geral para fundação de edifícios. ou em controlo temporário da percolação. de modo aque a câmara de queima seja descida ao longo do furo. têm sido inclusivamente utilizados os raios laser para provocar a fusão do solo (ROM e al 1977. do que fundações em estacas e caixões. Figura 19 – Esquema para tratamento térmico em profundidade (segundo Litvinov. de grão fino. Recentemente. acidentes. como métodos eléctricos. têm sido usados tantos métodos de combustão. 1958). Um sistema alternativo usa aquecedores eléctricos.

em ensaios rápidos. ter em atenção os seguintes aspectos: posicionamento correcto dos elementos de congelação. ou ainda um assentamento importante devido à consolidação provocada pelo degelo. 1981). RADD e WOLFE. 1978. devido a heterogeneidade do terreno. Deste modo. 1978). que pode ocorrer em solos finos. Além disso. em consequência da congelação. movimentos potenciais e pressões do solo. é de salientar que o solo congelado apresenta elevadas perdas de resistência por fluência. Assim.necessário. em solos siltosos e argilosos. Vários autores propuseram métodos pare efectuar essa estimativa (SCHUSTER. de baixa permeabilidade. pode baixar de resistência. para ter êxito com um projecto de congelação do solo. No que se refere a capacidade resistente. sob carga aplicada longamente. e a variação de volume. No entanto. a direcção de propagação das ondas térmicas tem importância na variação direccional da resistência (KNUTSSON. Outro problema. argilosos. pode apre sentar resistências até 20 MPa. é necessário ter em atenção estes problemas. Figura 20 – Efeito da heterogeneidade dos estratos geológicos na forma da zona congelada (segundo Schuster. considerável. padrão de escoamento e qualidade da água subterrânea. 1972). e analisar previamente a amplitude possível dosmovimentos dos terrenos. 1972 . e propriedades de tensãodeformação do solo congelado. a baixas temperaturas. 43 . cerca de 10 vezes. resistência a longo termo. Na Figura 20 representa-se um tipo muito corrente de problema que pode surgir num processo de congelação do solo. devido ao aumento de volume da água ao congelar. JONES e BROWN.

em circuito fechado. 1972. depois de ter absorvido energia. é um problema complexo. são usados geralmente como método de recurso. num sistema aberto. o início da rotura. Na Figura 21 apresentam-se curvas típicas de um solo congelado (argila siltosa) segundo SANGER e SAYLES. sendo no entanto difícil de controlar o seu resultado. esses métodos agrupam-se em dois grandes grupos. temos sistemas de refrigeração usando nitrogénio líquido. Assim. para emergências. e uma instalação de refrigeração mecânica convencional. No entanto. e de um modo resumido. Na pratica. Estes sistemas provocam a congelação do solo mais lentamente. 1975. podem ser utilizados vários métodos para provocar congelamento do solo.A deformação de um solo congelado e uma deformação visco-plástica. como também devido as variações de temperatura e das tensões na massa de solo congelado (veja-se SCHUSTER. ou dióxido de carbono sólido. 1979). mas são os mais económicos. Estes sistemas podem provocar a congelação do solo de modo muito rápido. TAKEGAWA et al. Na prática.. a analise de estabilidade de massas de solo congelado. algumas horas. para a curva T = 0°C. e sendo extremamente caros. A terceira fase representa. Num primeiro grupo. de alguns dias ate semanas. SANGER e SAYLES. TSYTOVITCH. 1979. e ter passado ao estado de vapor. não só devido a heterogeneidade das formações. e a sua geometria irregular. a previsão da deformação por fluência e a analise da possibilidade de rotura. onde o elemento de refrigeração e perdido para a atmosfera. O espaçamento mais habitual entre os tubos de refrigeração e de 1 a 2 m. 44 . 1979. 1972 (veja-se Figura 22). O segundo grupo inclui os métodos envolvendo a circulação de um fluido de refrigeração. tal como foi apresentado esquematicamente por SCHUSTER. sendo altamente dependente da tensão e da temperatura.

põe em sério risco a sua viabilidade na maior parte dos países. e sintetizando o que acabamos de ver. 45 . Este Ultimo tipo. o elevado consumo de combustível e de energia. 1979). no entanto. No entanto. aliado à subida do custo dos combustíveis no último decénio. há boas perspectives quanta à utilização. Apesar de ainda estar numa fase experimental. dos raios laser. de aquecimento1 tem sido bastante usado na URSS. Assim. ao passo que o método do aquecimento é utilizado como tratamento definitivo. convém salientar que o método de congelação é utilizado habitualmente como um método de estabilização temporária.Figura 21 – Curvas de fluência para uma argila siltosa orgânica (segundo Sanger e Sayles. os métodos térmicos da estabilização do solo apresentam perspectivas francamente boas. para este método de aquecimento. e têm tido alguma aplicação.

estes métodos de tratamento de solos. estacas de brita. Reforço de solos Alguns dos métodos já referidos. em cada caso. que tem como características únicas o facto do reforço apenas suportar esforços de tracção. microestacas e pregagens.Figura 22 – Métodos correntes de congelação de solos (segundo Schuster. De notar que estes métodos têm sofrido um grande incremento nas três últimas décadas. O outro grupo envolve três processos. temos a terra armada. a sua aplicabilidade ao tratamento de solos argilosos moles. quando tratarmos dos drenos verticais. tentando avaliar. tendo-lhes sido consagrado um esforço de investigação considerável. e uma camada de reforço. que serão desenvolvidas adiante. Podem agrupar-se em dois grandes grupos. bem coma o facto de ser um material composto. são também um método de reforço dos solos. para tratamento dos solos mole. Vamos abordar. Por um lado. Por exemplo. bem como as estacas de areia. a saber. 46 . 5. podem também ser considerados como reforço de solos. com filosofias e modo de funcionamento bastante diferentes. e dos elementos de reforço resistirem as tensões pelo menos de dais modos. de modo sintético. No entanto há alguns métodos que são especificamente métodos de reforço de solos. bem como parte dos que serão desenvolvidos posteriormente. anterior mente referidas. as estacas de cal. 1972). executado pela construção alternada de uma camada de solo. tendo como características comuns o facto de reforçarem o solo "in situ".

Na figura 23 representam-se os limites de aplicação dos vários tipos de substâncias que podem ser utilizadas na injecção de solos. podemos citar ANAGNOSTI (1983) relatando o caso de injecção em margas decompostas e argilas sobre consolidadas fissuradas. Pretendia-se evitar o amolecimento destas formações. a injecção de solos desenvolveu-se enormemente. e bem assim limitar a escavação à geometria pretendida. injectando uma massa de argila e cal hidráulica por baixo da referida comporta. podemos dizer que a injecção de solos começou em 1802. E. A partir dessa data. Como exemplo. De facto. a baixa permeabilidade das argilas quase sempre impede a injecção nestes solos. 1983) bem coma para controlar e limitar movimentos de solos.5. o que o limita ao tratamento de zonas muito localizadas. No âmbito desta dissertação. continuando. VAUGHAN. alias.i981) No entanto há relatos de tratamento de solos coesivos através de injecção.Limites de aplicacao de varios tipos de calda em função da granolometria dos solos e propriedades dos solos tratados (segundo mighell. pois a desagregação das formações. a ser largamente empregue com essa finalidade. Injecção de solos Citando MITCHELL (1981). Mais recentemente começou-se a aplicar este tipo de tratamento para o reforço (veja-se BRANDL. quer se trate de injecção de cimento. de resinas ou outros. no entanto. uma comporta em Dieppe. passando a ser um método largamente usado na estabilização e tratamento de solos. Este engenheiro francês reparou. com formação de cavernas seria grandemente prejudicial para os edifícios 47 . e unicamente quando não foi viável a execução de outro tipo de tratamento. A utilização inicial deste tratamento – injecção – foi no controle e limitação da percolação. convém desde já fazer realçar o facto de que este método só raramente é utilizado em solos coesivos. No entanto. com CHARLES BÉRIGNY. 1983. são estas últimas aplicações dessa tecnologia que serão mais atentamente analisadas. BALLY e KLEIN. nesse ano.1. 3 Figura 23 . um método bastante dispendioso. de silicatos. 1983.

mais do que uma técnica. três tipos de injecções: o que poderemos designar por injecção de "permeação". sobre essas bases da técnica de injecção. Na figura 16 representam-se estes três tipos de injecção. e enunciados os princípios orientadores da sua aplicação e concepção (CARON et al (L975). mas sim a determinação "in situ". um resultado semelhante. em solos coesivos. CAMBEFORT (1973)). o maciço de argila fissurada 6 tratado. sendo as fissuras e superfícies de fractura preenchidas com a calda. ANAGNOSTI chegou à conclusão de que este tipo de tratamento era viável tanto técnica coma economicamente neste tipo de formação – margas alternadas e argilas sobre consolidadas fissuradas – sendo no entanto de notar que. podemos considerar que há. por ensaios "Lugeon". A obra foi bem sucedida. tendo sido utilizada uma solução química aquosa. O 1º tipo referido só pode ser aplicado. e a injecção por "encapsulação". A injecção de solos tem sido. No entanto. O 1º é caracterizado pelo preenchimento dos vazios pelo produto injectado. no caso de argilas 'sabre consolidadas muito fissuradas. provocando a rotura do solo. pode-se dizer que nos últimos anos já foram estabelecidos os conceitos de base. Ou seja. Vamo-nos debruçar portanto. devido à dificuldade de êxito. por deslocamento. para análise do problema. não é relevante a determinação laboratorial de permeabilidade. considerada como uma arte. a altas pressões. a injecção por deslocamento.sobrejacentes. De um modo geral. Usam-se para este tipo de injecção caldas relativamente fluidas. Figura 24 – Tipos de injecções 48 . como um maciço rochoso fissurado. por compressão. para analise e projecto. quanto a execução e modo de "ocupação" no solo. Pode-se obter. No 2º tipo. mantendo-se no entanto a estrutura sólida do solo. método utilizado nos solos coesivos. e injectada uma pasta bastante espessa e viscosa. que aperta o solo.

estabilização de taludes e ainda controle das variações de volume de solos expansivos. mas também a certa distancia. portanto. coma a temperatura. ou suas misturas. na ordem dos 90%. reforço da capacidade resistente de solos.Do ponto de vista em que analisamos este problema. e a dimensão coloidal das suas partículas. Esta última utilização das injecções e normalmente executada com uma calda de cal. este tipo de calda não 49 . As caldas químicas tem ainda a vantagem de conseguirem penetrar em poros de dimens6es mais reduzidas. pois em geral os materiais considerados nesta dissertação são "impermeáveis". 1976). em solos moles. Convirá. resinas. apesar de. aumento da resistência por atrito lateral de estacas. mais usualmente provocando a rotura do material. controle dos deslocamentos de solos sujeitos a escavação. para solos coesivos. as aplicações por excelência das injecções são o preenchimento de vazios. uma cuidada análise prévia. pois não só reage com o solo adjacente à furação. etc. Mas também se utiliza a cal. ou compactando-o. com aditivos químicos. As caldas químicas são constituídas por soluções de varias matérias. Como se pode observar na figura 15. Quanto a caldas "de partículas". (WRIGHT. Outros factores. Os mais usados. se usarem caldas de solo ou argila pura. visando a diminuição de viscosidade. são os silicatos. devido a sua mais baixa viscosidade. que as condições químicas locais podem influenciar a actividade do produto. podem ser usadas dois tipos de caldas: caldas de particulas1as primeiras a serem usadas. é necessário ter em atenção. No entanto. 1973 THOMPSON e ROBNETT. As primeiras são constituídas por cimento. tem uma aplicação restrita. podem também actuar sabre as características finais da injecção. No entanto a preferência pelos silicatos deve-se a dois factores: custo e grau de toxicidade baixos. Este tipo de calda e tratado. Este tipo de injecção. e as caldas químicas.. completada sempre por ensaios preliminares. diluição pela água subterrânea. Em geral. de modo a reduzir assentamentos excessivos. KURDENOV (1983) dá exemplos de aplicação ao controle d assentamentos diferenciais. Os aditivos químicos permitem ainda controlar o tempo de presa da calda. Assim. bem como com aditivos visando evitar a floculação do cimento. Mas JOSHI et al (1985) mostraram que a cal é boa para estabilizar solos. por vezes. nestas injecções. muitas vezes. as mais usuais são as caldas de cimento ou solo-cimento. permitindo assim uma melhor penetração. coma se pode ver na figura 15. No entanto esta técnica é controversa considerando certos autores que só em condições especiais a efectiva. por migração do cálcio. a utilização tradicional das injecções – controle de percolação – não tem interesse. reforço de fundações.. solo ou argila. etc.

transmitindo-lhe uma energia. ou seja.penetra em areias finas. sendo esta removida por jacto de água ou ar. sendo o vazio imediatamente preenchido com argamassa de cimento. Consiste este método na introdução de um cilindro vibrador no solo. podemos estabelecer o seguinte critério de possibilidade de injecção em solos com caldas de partículas (MITCHE11. Ao contrario da injecção de calda convencional. como técnica de melhoria de areias soltas. através da vibração que provoca o adensamento da areia. em vez de se melhorar as características dos terrenos. apareceram recentemente outros processos. em consequência.2. a alta pressão. a cimentação com jacto e uma técnica de substituição do solo.1981): N D15 solo D85 calda N  24 : injecção possível N  11 : injecção impossível Nc  D10 solo D95 calda N c  11 : injecção possível N c  6 : injecção impossível Além do processo tradicional de cimentação de solos que é a injecção. 5. Como regra geral. entre os quais podemos citar a cimentação com jacto. num aumento das tensões intersiciaisd4 água e consequentemente. 50 . Estacas de brita Desde a década de 30 que tem sido usada. diminuem-se as suas propriedades resistentes. a vibro compactação. uma diminuição das tensões efectivas. Este método não é em geral aplicável a solos argilosos moles pois devido a baixa permeabilidade que eles apresentam não se dá a dissipação das tensões intersticiais da água. me todo que temos vindo a referir. e acaba por ser à água intersticial que toda a energia e transmitida. melhorando deste modo as suas características geotécnicas. a vibro compactação traduz-se nos solos moles.

Em qualquer dos modos. são também usadas para resistir ao corte na horizontal. em que se utiliza água sob pressão para cortar o solo. ao ser compactada. 51 . A execução a seco tem ainda a vantagem de provocar uma compressão do solo mole em torno da estaca de brita. basear o raciocínio numa "célula unitária”. cheia posteriormente com brita. depende do tipo de malha de estacas utilizado. dependendo o diâmetro final da energia de vibração aplicada. é possível executar estacas de maiores diâmetros. não só por não haver extracção de material na execução do furo. na analise de estacas de brita. No Japão desenvolveu-se uma técnica semelhante. com o método da vibrocompactação. Estas estacas. em nossa opinião. a execução de estacas de brita a seco. O ar comprimido tem ainda a função de evitar a instabilização do furo. que em seguida é compactada por meio do vibrador. É tradicional. que é provocada pela sucção quando o vibrador é retirado ou subido. na vibrocompactação para tratamento de solos argilosos moles. e a técnica com jacto de agua. e do espaçamento entre estacas. o vibrador era retirado para a introdução de brita. facilitando a introdução de vibrador (CRISTOVAO. ser apertada contra o terreno envolvente. As estacas de brita. A introdução do vibrador abre uma cavidade em profundidade. 1985). 1979). sem ser portanto necessário retirá-lo. Podem-se usar. e em absoluto. O diâmetro deste cilindro exterior. do ponto de vista técnico. na Alemanha. Uma das desvantagens que tem a utilização da furação com o auxílio de jactos de água é a quase inevitável contaminação da estaca de brita. que funcionam razoavelmente como dreno. após a abertura do furo. em que a introdução do vibrador no solo se faz unicamente com base na sua energia de vibração. composta pela estaca de brita e por um cilindro de solo envolvente. entre 60cm e lm. Com os equipamentos disponíveis de momento. reduzindo ou anulando o seu efeito de dreno. em parte. definidor da "célula unitária". que se sup3e ser o solo influenciado pela presença da estaca de brita.. com o use de areia em vez de brita – método Compozer (ABOSHI etal. podem ter diâmetros variáveis. A baixa rentabilidade que este processo provocava levou ao desenvolvimento.Desde o fim da década de 50 começou a desenvolver-se na Alemanha. ou numa superfície inclinada. essencialmente na consideração da sua interacção com o solo. Assim. um método baseado. de um método em que a brita e introduzida por um tubo soldado ao vibrador. como ainda por a brita. e das características geotécnicas do terreno "in situ". duas técnicas a técnica a seco. executadas tanto a seco como com jactos de água. por materiais finos do solo. pensamos ser preferível. A introdução da brita é facilitada pela utilização de ar comprimido. acoplando vários vibradores.

desde que se estabeleça um estado de equilíbrio de tensões entre a estaca e o solo. A rotura da estaca pode ser facilmente obviada. Isto não implica instabilidade. c) malha quadrada (segundo Cristóvão. desde que se execute. A rotura generalizada por corte é evitada. o tipo de rotura mais geral é o representado na figura 26a. tal como está representado na figura 25. uma deformação plástica aumenta a participação do solo na resistência global. Se esse limite for ultrapassado. Quando se carrega unicamente a cabeça de uma estaca de brita. estando sujeita. a estaca de brita entra em deformação plástica. para malhas hexagonais. É. Considerando a estaca de brita como incompressível. alias. uma distribuição da carga pela estaca e pelo solo envolvente. a superfície.CRISTOVÃO. sendo a diminuição global de volume suportado pelo solo argiloso envolvente da estaca. Figura 25 – Tipos de malhas de distribuição de estacas: a) malha hexagonal. assim que funcionam quase todas as estacas de brita até hoje realizadas. dá alguns exemplos dessa determinação. Deste modo. a uma rotura por cor to generalizado. obrigara a que a deformação vertical da estaca seja compensada por uma expansão radial. com expansão radial. 1984). a deformação da estaca será uma deformação elástica e o assentamento total é relativamente pequeno. devido ao aumento das tensões horizontais de confinamento da estaca 52 . b) malha triangular. qualquer variação do volume da "célula unitária". e que poderemos designar por rotura por deformação radial da estaca (BERGADO et al. Se não se ultrapassar determinado valor da carga. por aplicação de uma carga. ou a uma rotura da estaca (Figura 26c e 26b). 1985). 1985. dando à estaca um comprimento superior ao comprimento crítico. ou seja. por exemplo. só em profundidade é que a estaca irá mobilizar a resistência do solo envolvente. triangulares e quadradas.

em função da deformação radial.. HUGHES e WITHERS (1974) mostram que a deformação radial diminui em profundidade. 1984). com uma camada superficial sobre consolidada. na zona de maiores deformações laterais. aumentando a resistência global do conjunto solo-estaca de brita. 53 . baseados na sua experi2ncia (veja -se figura 28).que se origina. Figura 26 – Tipos de rotura de estacas de brita (segundo Bergado et al. 1984). A figura 27 mostra o aumento da tensão efectiva radial. em solos moles. logo podendo desenvolver. NAYAK (1982) apresenta resultados em contradição com os anteriores. que abaixo da profundidade correspondente a dois diâmetros de estaca as deformações radiais são negligenciáveis. No entanto.. e sugerem. Este facto poderá indicar da boa adaptabilidade deste tipo de reforço. determinada com base em ensaios pressiométricos (adaptado de Bergado et al. Figura 27 – Curvas tensões – deformações radiais. sugerindo profundidades mais elevadas. uma maior tensão de confinamento.

as características tensões-deformações radiais do solo. tem -se que. resulta uma tensão radial efectiva. De qualquer modo. b) Deslocamento radial do perímetro da estaca/raio inicial da estaca. é devida essencialmente à expansão radial no troço superior da estaca. em solos moles. ao ser aplicada uma tensão vertical efectiva  v' . isto g. por se ter atingido a tensão radial máxima. do material da estaca. A condição de rotura que relaciona com é: 54 . devida à reacção horizontal do terreno envolvente. Normalmente despreza-se a consolidação do solo devido ao carregamento à superfície. A tensão vertical efectiva máxima que uma estaca de brita pode suportar. '  rf '  vf '  rf '  vf atinge-se quando o solo rompe radialmente. com a profundidade (segundo Hughes e Withers. as dimensões iniciais da estaca e as características ' tensão-deformação e ângulo de atrito interno.  r . 1974). De um modo muito geral poderemos dizer que as condições de tensão a que esta sujeita uma estaca de brita são muito semelhantes as que se verificam no ensaio triaxial estandardizado. Para se proceder ao dimensionamento de estacas de brita. que pode suportar. podemos dizer que a capacidade de carga de estacas de brita. para analisar o seu comportamento.Figura 28 – a) Deslocamento vertical. ou estacas granulares.  . em geral. . ter-se-á que ter em consideração a resistência ao corte não drenado do solo. Assim. em profundidade. mobilizando a resistência lateral do solo envolvente. pela ' carga à superfície do terreno. a tensão horizontal "in situ" do solo.

VESIC (1972) deduz a capacidade de carga das estacas. HUGHES e WITHERS (1974). e HUGES. No entanto. Assim. GIBSON e ANDERSON (1961) apresentaram o seu método. ' '  rf   ro  KSu : podendo portanto escrever  ' vf 1  sin  '  ro  u  KS u   1  sin  ' Nesta expressão. Estes autores admitiram um estado de deformação radial piano. WITHERS e GREENWOOD (1976) substituem a equação básica de GIBSON e ANDERSON (1961):  r   ro  C v 1  ln     pela equação atrás apresentada:   E  21   C v     '  r   ro  u o  4C u 55 .  e Cv. total inicial. em que se basearam na expansão de uma cavidade cilíndrica. A partir daqui. e dos parâmetros E. '  rf ' vf 1  sin  ' '   rf 1  sin  ' '  ro o valor de pode ser expresso em função da tensão radial inicial. a partir desta fórmula.  ro é a tensão radial ' o ângulo de atrito interno do material da estaca. outros autores apresentam outros valores. com um material ideal elasto-plástico. considerando na zona plastificada coesão. A partir deste índice de rigidez. vários outros autores apresentaram métodos para a determinação da capacidade de carga das estacas de brita. u é a pressão intersticial da água. No entanto. atrito e deformações volumétricas. Para argilas saturadas VESIC (1972) apresenta valores de Ir entre 10 e 300. desenvolveu o estudo sobre a expansão de cavidades esféricas e cilíndricas. define um coeficiente de rigidez Ir representando a relação entre o modulo de deformabilidade transversal e a resistência ao corte não drenado. digamos que clássica. Segundo HUGHES e WITHERS (1974). K terá um valor de 4. VESIC (1972) partindo dos estudos anteriormente feitos por GIBSON e ANDERSON (1961). Su é a resistência ao corte não drenado da argila.

No seu modelo. mas considerando as estacas de brita. eles supuseram que a argila e a brita têm um comportamento elasto plástico. numa estaca de brita. e com deformação a volume constante. assumindo como critérios de rotura. Têm ainda sido apresentadas algumas tentativas de apresentar modelos constitutivos do conjunto solo reforçado com estacas de brita. este autor considera a semelhança com o ensaio triaxial. 1985). por considerarem a estaca a funcionar em estado de deformação radial piano. considerando que o estado de tensão é um estado tridimensional.2. Esse modelo foi incorporado num programa de elementos finitos. em equilíbrio limite.g em que se supõe que o coeficiente de impulso em repouso do solo é 4. Na figura 29 apresenta-se uma comparação da tensão máxima. e uma superfície de rotura inclinada relativamente à horizontal. Figura 29 – Comparação da tensão máxima. em função do ângulo de atrito interno. como por exemplo GERRARD et al (1984). BRAUNS (1978) considera os métodos anteriores como incorrectos. em função do ângulo de atrito interno (segundo Cristóvão. que apresentam um modelo constitutivo de um material equivalente a um estrato de argila com uma malha de estacas de brita homogénea e uniformemente distribuídas. e o de MOHR-COULOMB para a brita. 56 . Ora. VAN IMPE e DE BEER (1983) voltam a considerar o estado de deformação plana. o de TRESCA para a argila. tendo as primeiras comparações com a observação sido bastante animadoras. calculada por vários métodos. sob a acção das cargas.

com base nas respectivas teorias de comportamento do solo reforçado com estacas de brita. para previsão dos assentamentos de fundações em solos argilosos moles reforçados com estacas de brita baseiam-se na generalidade no conceito "factor de melhoramento do solo". é o dimensionamento aos assentamentos. E não há dúvida que o reforço com estacas de brita reduz bastante a amplitude dos assentamentos. na maior parte dos problemas relativos a estacas de brita. Segundo aquele autor. coma se vê na figura 30. numa tentativa de 9eneralizacao de trabalhos anteriores de MATAR e SALENÇON (1979). e o que se verifica com o solo reforçado. (1984). LE BUHAN (1984) e SALENÇON e LE BUHAN (1985) baseados na ideia de que seria possível tratar um solo reforçado como um meio homogéneo anisótropo a escala macroscópica da obra a analisar. para o caso de cargas de grandes dimensões (aterros. ou seja. facto que não acontece no modelo de GERRARD et al.Anteriormente a estes autores. No entanto. e não o dimensionamento à rotura. Os métodos actualmente existentes. 57 . A figura 31 apresenta uma comparação gráfica entre vários desses autores. da geometria da carga. na relação entre o assentamento que se verifica sem reforço com estacas de brita. supõem que o solo foi submetido a uma tensão que o levou à rotura. por exemplo) e considerando uma superfície "infinita" tratada com estacas de brita. LE BUHAN (1984) concluiu que seu método de homogeneização constitui uma abordagem racional eficaz dos problemas de dimensionamento de obras em solos reforçados. Mas este modelo ainda considerava o conceito de "célula unitária". o determinante. No seu trabalho e comparando com outro método. apresenta um método de "homogeneização" para analise do comportamento desses solos reforçados. para determinação da capacidade de carga de estacas de brita. no dimensionamento de um reforço com estacas de brita. e da geometria das estacas de brita. SALAAM e POULOS (1982) tinham apresentado um modelo em que consideravam tanto a argila como a brita coma materiais elasto plásticos. essa carga de rotura corresponde a assentamentos excessivos para a estabilidade ou o bom funcionamento da estrutura que suportam. a evolução dos factores de melhoramento em função das propriedades de solos. Numerosos autores apresentam. Isto é. seguindo ambos o critério de rotura de MOHR-COULOMB. normalmente. a eficácia do seu método deve-se essencialmente à noção de critério de resistência macroscópica que permite considerar correctamente a anisotropia de rotura do material "solo reforçado". Todos os métodos anteriormente referidos.

aplicando-os a três casos reais.Figura 30 – Curvas carga assentamento para várias estacas de brita. Figura 31 – Comparação dos factores de melhoramento do solo de acordo com vários autores (segundo Cristóvão. 58 . 1984). e para o solo sem tratamento (segundo Bergado et al. 1985). BARKSDALE e GOUGHNOUR (1984) fizeram um estudo comparativo entre três dos métodos mais recentes para determinar os assentamentos de solos reforçados com estacas de brita..

Assim. e a tensão no solo envolvente da estaca calcula-se pela equação acima. Na analise feita par BARKSDALE e GOUGHNOUR (1984). segue a teoria da consolidação de TERZAGHI. O material da estaca é suposto elastoplástico. Para que exista equilíbrio das forças verticais dentro da célula unitária. o método incremental proposto por GOUGHNOUR e BAYUK (1979). a tensão no solo envolvente da estaca terá de ser: c  1  n  1a s     c onde σ é a tensão media aplicada em toda a superfície da célula unitária. e o aumento da tensão de confinamento com a profundidade. proposto par GOUGHNOUR e BAYUK (1979). e as o coeficiente de substituição de área. coma a tensão existente na estaca de brita. neste método. tem o inconveniente de o factor n ter que ser escolhido com base na experiência. e o método dos elementos finitos desenvolvidos par BARKSDALE e BACHUS (1983). usado habitualmente no Japão. Para ter em conta a variação da tensão de confinamento com a profundidade. Este método. O método incremental. as características tensão-deformação da brita. Para calcular o assentamento selecciona-se um valor de n. que usa parâmetros convencionais de mecânica dos solos directamente na sua formulação. este método sobre estimou. definido como o quociente da secção da estaca de brita. e é simples de aplicar. Define um factor de concentração de tensões. e incompressível no estado plástico. n. a analise é executada 59 . e confinado dentro da célula unitária. tem a vantagem de dar uma sensibilidade física do problema. E é este factor. (com  s . No entanto. Usualmente aplica-se a teoria unidimensional da consolidação. O método do equilíbrio é usualmente usado no Japão para prever os assentamentos que se verificarão em solos moles reforçados com estacas de areia compactada. analisa individualmente elementos com a forma de disco da célula unitária. nos três casos em analise. pela área total da célula unitária. no entanto. que incluiu a influência da deformação radial do material. podendo ser igualmente aplicado quando o reforço é feito com estacas de brita. o valor dos assentamentos. alterada de modo a incluir tanto as deformações horizontais como verticais. a dividir pela tensão no solo envolvente. ser utilizada outra teoria. analisaram o método do equilíbrio. Um erro de escolha no coeficiente n é da maior importância. O solo envolvente da estaca de brita. para estimar os assentamentos da argila) podendo. Este método considera igualmente o conceito de célula unitária.  c n s c ).

em regime plástico. como BARKSDALE e GOUGHNOUR. que o método usa os parâmetros convencionais da mecânica dos solos na sua formulação. Na figura 33 apresenta-se. Como conclusões da aplicação deste método aos mesmos casos reais. e Фestaca = 40º. o gráfico que dá o valor do factor de redução da deformação em regime elástico. (1984). a não ser que se usem os gráficos elaborados por GOUGHNOUR.4 e 0. o gráfico de GOUGHNOUR (1983). Ko=0. Tem. para o factor de redução das deformações. Ko = 0. considera tanto o material com comportamento elástico como plástico. tiveram uma excelente compatibilidade com as observações. pode-se fazer variar tanto as propriedades dos solos. relativamente ao método anterior. Com este método. como os estados de tensão com a profundidade. Tem a vantagem de considerar. Na figura 32 apresenta-se. desse trabalho. na sua formulação. pode-se dizer. e tem ainda em conta o aumento da tensão de confinamento em profundidade. tanto a compressão vertical como a radial do solo "in situ”.4 e 0. ou um computador. Os resultados que BARKSDALE e GOUGHNOUR obtiveram nas aplicações já referidas. (1983). O valor de Re é pouco sensível ao valor de ν. 60 . como exemplo. na figura 32 tomado como ν=0. o inconveniente de a sua resolução exigir uma calculadora programável.3. definido em termos das características de consolidação das argilas.5. GOUGHNOUR (1983) apresentou ábacos que facilitam a aplicação desta teoria. em função do coeficiente de rigidez. Permite variar as propriedades do solo e as condições de tensão de elemento para elemento. e para os casos Фestaca=45º.sobre sucessivos elementos circulares da célula unitária.5.

destes três métodos. Ko=0. Finalmente. aplicadas como "Reticulo de Micro-estacas" ou "Reticulo de Estacas Raiz" (Reticolo 61 . 1983). mas perde-se em versatilidade. Este método é muito versátil. só é possível ter em conta as variações das propriedades e do estado de tensão em profundidade utilizando valores médios. desde que a análise seja executada muito cuidadosamente. não lineares. e considera também o efeito do aumento de tensão de confinamento em profundidade. Pode ter facilmente em conta variações dos parâmetros do solo e do estado de tensão em profundidade. Esta sua aplicação sai fora do âmbito deste trabalho. o método desenvolvido por BARKSDALE e BACHUS (1983) usa o conceito da célula unitária. Figura 33 – Factor de redução das deformações em regime plástico: a) Фestaca=45º. Com este método.5 (segundo Goughnour. 1983). os autores consideram os resultados bons.5. tem-se uma solução fácil de aplicar. Por ultimo.4 e 0. Ko = 0. Se se usarem os gráficos de cálcu1o. 5. No entanto. para calcular a compressão vertical e radial do solo. b) Фestaca = 40º.3. Com os gráficos.4 e 0. e a teoria de elementos finitos. o módulo de elasticidade da argila é muito sensível ao coeficiente de Poisson. considera tanto o comportamento e1ástico como o plástico dos vários materiais. e foram durante largo tempo usadas essencialmente como escoras. se se aplicar uma solução por computador a cada problema individual. Micro-estacas As micro-estacas tiveram o seu início em 1952. e tecnicamente correcto.Figura 32 – Factor de redução das deformações em regime elástico (segundo Goughnour.

e ensaios "in situ". Com esta finalidade. entre 75 e 250mm. uma barra ou um tubo metálico. que cada estaca. pode estar sujeita a tracção. Assim. ou com bomba. e em construção de túneis. nestes dois últimos casos. simultaneamente que com novas aplicações. ou à pressão de ar. Quando se retira o entubamento introduz-se mais betão. podem ser utilizadas para formar uma espécie de massa do solo reforçado. grupos de micro-estacas verticais e "retículos" de micro-estacas. tentativas para uma análise com bases mais sólidas. LIZZI (1983). em verdadeira grandeza. A execução das micro-estacas é feita pela furação entubada. permitem um dimensionamento seguro deste tipo de reforço. É evidente. de modo a que essa pressão garanta um contacto entre o betão e o solo envolvente. individualmente. mas a interacção das estacas num "reticulado" com o solo é complexo. variáveis entre 8 e 50 toneladas. quanto ao modo de funcionamento destas micro-estacas. não se consegue mobilizar nem aproximar a tensão de rotura da microestaca. recentemente. que é o "pai" da microestaca. No caso de solos compressíveis a micro-estaca fica com um diâmetro superior ao do entubamento. apresenta um esquema geral de cálculo. as características da camada de aterro entre as micro-estacas e a sapata são importantes. O reforço. bem como do "Reticolo di Pali Radice". no entanto. quer uma camada de tout venant. as micro-estacas podem ser utilizadas em qualquer tipo de solo. foram utilizados. Não sendo possível compactar um solo mole. individualmente. O furo é então cheio com um betão rico em cimento de agregados finos. pode-se jogar com a granulometria havendo uma nítida melhoria com a utilização de "tout-venant". com as micro-estacas inclinadas entre si. A figura 34 esquematiza alguns dos resultados por ele obtidos.di Pali Radice). entre a base da sapata e o solo. isto é como grupo. como seja para fundação de edifícios. e sobre grupos e retículos de micro-estacas. Assim. As conclusões gerais a que PLUMELLE (1984) chegou foram: o reticulo de micro-estacas é mais eficaz que o grupo de estacas verticais. e aplicadas na estabilização de encostas. de elevada plasticidade. compressão ou flexão. foram executados ensaios representando uma sapata sobre solo virgem. As micro-estacas podem ter capacidades de carga. com diâmetros. ele próprio reconhece que só a experiencia. No entanto. coma reforço de fundação de estruturas de suporte. baseado nos parâmetros geotécnicos dos solos. 62 . Têm aparecido. que pode ser um varão. quer uma camada de areia compactada. é introduzido no interior do entubamento. PLUMELLE (1984) apresentou ensaios em verdadeira grandeza sobre microestacas isoladas.

63 . mas praticamente não têm sido considerados no que diz respeito aos caminhos-de-ferro. eram as características da sub base. sugeriram a utilização de micro-estacas. PITT e RHODE (1984) apresentam uma nova aplicação da micro-estaca. chegaram à conclusão que mais importante do que a mudança sistemática dos carris e do balastro. aqueles autores chegaram à conclusão da inviabilidade da recompactação das sub bases. e simultaneamente a suportar o balastro e os carris. Analisando portanto este problema. 1984). coma existe no médio oeste americano o grave problema económico que é a destruição ou armazenamento das cinzas de carvão (lenhite de baixo teor em enxofre) das centrais térmicas.Figura 34 – Curvas de tensão deformação para sapatas em solo virgem. mas. cinzas essas que apresentam a característica de serem auto-cimentantes. Analisando o conjunto de problemas. solução economicamente inviável. e sobre grupos de estacas verticais ou inclinadas com base de areia ou tout-venant (segundo Plumelle. Levados a analisar a necessidade de reforço dos caminhos de ferro dos EUA. De notar que os problemas relacionados com a qualidade da sub base tem sido bastante bem estudados para o caso das estradas. PITT e RHODE (1984) propuseram a execução das micro-estacas. o que equivaleria a refazer todo o sistema de caminhos-de-ferro americano. para os adaptar às novas cargas rolantes. com cinzas de carvão. com novos produtos. a reforçar a sub base.

Com bastante interesse também. é. com condicionantes bastante grandes. Esta técnica tem sido usada para consolidar taludes maturais e de escavação. injectado com uma argamassa de cimento. A figura 35 representa esquematicamente a concepção da execução e o modo de funcionamento destas micro-estacas.Figura 35 – Esquema conceptual da instalação dos pares de micro estacas e nodo de funcionamento dessas micro estacas (segundo Pitt e Rhodes. O seu comprimento é da ordem dos 50% da altura da escavação a consolidar. ou à percussão. introduzidas no terreno ou em furos abertos por sondas. simples barras de aço de diâmetros de 20 a 30 mm. em talude de escavação. para melhorar a capacidade de carga dos solos de fundação. ASTE e MESSIN (1984) apresentam o problema. As pregagens são. 1984). em geral. Para garantir uma boa ligação do varão ao terreno. mais raramente. da execução das fundações de estruturas da estação de montanha de um teleférico. Na figura 36 apresenta-se de forma esquemática a execução de uma pregagem. ou de outro material. com a finalidade de aumentar a resistência à tracção e ao corte do solo. entre o varão e o solo. Este sistema de pregagem de solos pode ser usado em muitas das situações 64 . A solução adoptada. Pregagem de solos A pregagem de solos designa um método de reforço do solo natural com barras de aço. normalmente. por permitir resolver todos os problemas. foi a da execução de micro-estacas em rocha. 5. bem como. o pequeno espaço em anel. revestindo o talude. Usualmente também as pregagens são solidarizadas com um revestimento de betão projectado.4.

Pode ser utilizado para reforçar ou reduzir assentamentos de solos argilosos moles debaixo de aterros de estadas ou caminhos-de-ferroo. Assim. para a compreensão e modelização do comportamento das pregagens. espaçamento. sobre solos não coesivos. alem das já referidas utilizações para estabilização de taludes naturais e de escavação. ou tem que ter a sua estabilidade reforçada. STOCKER et al (1979) pretendiam determinar um método correcto. JURAN et al (1981). Assim. O limite desta "coesão" atinge-se quando se alcança o deslocamento necessário para mobilizar o impulso activo do solo. na última década.. para a compreensão do mecanismo de funcionamento das pregagens. 65 . apesar de terem incidido. transferência de esforços entre o solo e as pregagens. o facto de terem sido realizados sabre modelo reduzido e em verdadeira grandeza. transferência essa que se efectiva essencialmente por um impulso lateral e pelo efeito abóbada. com caixa de corte de grandes dimensões. na quase totalidade. etc. Tendo começado como uma técnica semi-empírica. Com estes ensaios. A análise global da estabilidade da massa de solo pregado pode ser executado segundo os métodos usuais. Figura 36 – Execução de pregagens estabilizando um talude de escavação (segundo Stocker et al. Os ensaios realizados por STOCKER et al (1979) têm como grande vantagem. mostrou-se que havia. A tensão de corte que assim se origina traduz-se pela mobilização de uma coesão aparente do solo pregado.. segundo aqueles autores. ou pelo menos regras. orientação e comprimento das barras a usar. e do solo pregado. no corte de um solo pregado. e em consequência da rigidez relativa das pregagens e do solo. para tentar compreender o comportamento ao corte de um solo reforçado com pregagens. realizaram uma serie de ensaios laboratoriais. tem havido um certo esforço. de dimensionamento. obrigando as pregagens a entrar em flexão. debaixo de tanques de armazenamento. 1979). que permitiu pôr em evidencia algumas facetas daquele comportamento.em que uma massa de solo tem que ser estabilizada. O dimensionamento de sistemas de pregagem envolve a determinação do tamanho. Esta coesão depende principalmente do deslocamento.

continuando a desenvolver o respectivo programa de investigação. tanto a estabilidade global. esquematizados na figura 37. Figura 37 – Mecanismos de rotura possíveis num muro de escavação pregado (segundo Stocker et al. apresenta como tipos de rotura mais prováveis os casos c. 1979).. Face às suas experiencias. STOCKER et al (1979) consideram quatro tipos de rotura possíveis. O esquema de cálculo apresentado por aqueles autores está representado na figura 38. apresentam no seu trabalho algumas "notas" com interesse prático. No entanto. chegam à conclusão que tal não era ainda possível. 1979). 66 .. que na análise da estabilidade de um solo pregado. como a estabilidade interna têm que ser analisadas. Consideram. e d.Com o trabalho que apresentam.. De um modo resumido. Figura 38 – Esquema de cálculo de estabilidade de um muro de suporte pregado (segundo Stocker et al. em primeiro lugar.

No entanto. aqueles autores apresentam uma análise probabilística da estabilidade da obra. no entanto. a major parte dos trabalhos que se encontram na bibliografia lidam essencialmente com a análise de casos reais e só alguns poucos tentam aprofundar os métodos de cálculo ou os modelos de comportamento. em que estes autores. mas não iguais. Esta análise. GUDEHUS (1982) apresenta o método de cálculo anteriormente apresentado (GASSLER e GUDEHUS. 1981). e uma encosta natural com pregagens verticais. e a resistência das pregagens. um muro de suporte pregado. que o comportamento da massa de solo pregada apresenta uma analogia clara com o comportamento de uma estrutura de terra armada. chegaram à conclusão que uma pequena melhoria no factor de segurança. e objectivo. bastante completa. com maior pormenorização. com base num mecanismo de translação de dois corpos. CARTIER e GIGAN (1983) analisam e observam o caso de duas estruturas reais. Vários outros autores se têm debruçado sabre o dimensionamento de pregagens. ao contrário de JURAN et al (1981). GASSLER e GUDEHUS (1981) chegaram à conclusão que os cálculos de estabilidade se podem basear na translação de dois corpos (semelhantes. avançam com a preparação de alguns ábacos de cálculo. através da execução de pregagens verticais. de execução bastante económica. essencialmente ao nível técnico. O método de cálculo apresentado por estes autores considera as forças axiais nas pregagens. Estes autores concluíram. que analisa os principais fenómenos actuando no atrito solo-pregagem. na continuação dos trabalhos anteriormente referidos – STOCKER et al (1979). a resistência ao arrancamento das pregagens e a sobre carga como variáveis estocásticas. suportado par uma estrutura de betão projectado e pregagens. desenvolvendo os trabalhos que tinham realizado com STOCKER et al (1979). no caso da estrutura de suporte da escavação. Muito importante é o trabalho de GASSLER e GUDEHUS (1983). era suficiente para estabilizar uma massa previamente em instabilidade. MARCHAL (1984) analisa em laboratório o comportamento de uma única pregagem. tal coma anteriormente já tinha sido apresentado.GASSLER e GUDEHUS (1981). que foram devidamente instrumentadas. por aplicação e adaptação de um 67 . que baseou a formulação de uma equação simplificada de estado limite. aos apresentados na figura 38). BANGRATZ e GIGAN (1984). Um destes casos será o de GUILLOUX (1984). Aqueles autores consideram o método por eles apresentado como um método de calculo mais simples que os métodos convencionais. para alguns casos estandardizados. permitiu-lhes concluir que a principal contribuição para a probabilidade de rotura era a variação do ângulo de atrito do solo. Considerando o peso unitário e o ângulo de atrito interno do solo. essencialmente a influênciaa da inclinação. Quanto à encosta. não consideram os esforços de carte. GASSLER e GUDEHUS (1981) e GUDEHUS (1982) – apresentam a analise da estabilidade de um corte vertical em solo não coesivo.

68 . apresentam um método rápido de cálculo de maciços pregados. (1985) apresentaram. com desvios. JURAN et al. O método apresentado por estes autores. em que uma malha de elementos finitos é aplicada a um solo elastoperfeitamente plástico. indirectamente. homogéneos. Por último. baseado na análise do comportamento de modelos reduzidos tridimensionais de solos reforçados. no seguimento de anteriores trabalhos. e com hipóteses de cálculo válido unicamente para a ruptura. o ganho de estabilidade que se obtém pela flexão das barras é negligenciável. com um critério de plasticidade de Coulomb. dá unicamente um limite inferior para a altura critica da obra. O método apresentado por estes autores permite ter em conta. Na figura 39 apresenta-se um ábaco de pré dimensionamento apresentado por estes autores. De qualquer modo este método tem o inconveniente de permitir considerar unicamente o reforço de solos granulares. O modelo de JURAN et al (1985) tem o inconveniente de só ser aplicável para pequenas deformações. As conclusões tiradas por estes autores confirmam a linha que tem vindo a ser apresentada. e a sua resistência ao arrancamento. a flexão dos varões de pregagem. O estudo paramétrico efectuado por estes autores refere como características principais da pregagem o comprimento e a inclinação das pregagens. relativamente ao observado nos modelos. No entanto. BEECH e JURAN (1984) apresentam um modelo teórico. Coulomb – subestimarem muito a altura critica. quer pelo método da terra armada. quer por pregagem.programa de cálculo automático. não coesivos. um estudo com modelos numéricos. eles consideram que abaixo do limite de plastificação. O desenvolvimento deste método deve-se ao facto das teorias clássicas -Rankine. apesar de ter a vantagem de poder tomar a consideração a variação de vários parâmetros. inferiores a 25%.

O modo de funcionamento da terra armada. isto é. ou por materiais idealmente extensíveis. é um maciço de terra. e os respectivos reforços resistem à tracção. Esta diferença é importante. sendo um método aplicado com aterros compactados.5. como fibras ou geotexteis. para certo tipo de solos. A curta referência que aqui se faz deve-se 69 . Por esse motivo. é muito semelhante ao do funcionamento de maciços tratados com pregagens. e para certas condições de compactação. segundo levam a crer alguns dos trabalhos referidos na secção anterior. porque o método de terra armada. há uma diferença. 1984). como o aço. ou aumentar a resistência. O reforço pode ser de dois tipos essencialmente distintos: ou materiais idealmente inextensíveis.Figura 39 – Ábacos de pré dimensionamento de pregagens (segundo Bangratz e Gigan. Terra armada A terra armada. por exemplo. na sua concepção genérica. 5. para a mesma resistência à tracção. não se aplica a solos argilosos moles. de solos "in situ". o parâmetro fundamental é o atrito soloreforço. Numa obra deste tipo. e camadas de reforço. os reforços têm quase sempre a forma em banda de modo a. No entanto. para nós fundamental: enquanto que a terra armada representa um maciço totalmente executado. são executados alternadamente camadas de solo compactado. com inclusões de reforços resistentes à tracção. Deste modo. poderem apresentar o maior atrito possível com o solo. o solo resiste à compressão e ao corte. os maciços pregados são utilizados para estabilizar.

a vibro-substituição. Compactação profunda A compactação profunda de um solo. pode ser levada a cabo tanto por cargas estáticas. Vamos aqui debruçarmo-nos unicamente sobre a compactação profunda. No âmbito da compactação profunda. na sua aplicação aos solos argilosos moles. no presente subcapítulo. tomando à letra a sua designação. MAJES e BATTELINO (1985) analisam igualmente um caso de solo mole. a sua importância. utilizando solicitações dinâmicas. pelo que o acompanhamento dos avanços recentes numa das técnicas pode fornecer informações importantes para aplicação da outra técnica. vamos aqui debruçarmo-nos unicamente sobre o método da compactação dinâmica. utilizando o método dos elementos finitos. por executar uma estaca de brita. A densificação de areias soltas pela queda de pesos sobre a sua superfície é uma técnica que vem da antiguidade. 6. de uma certa altura. ou de areia no interior do estrado argiloso mole a tratar. no subcapítulo 3. a compactação dinâmica.exclusivamente à semelhança de comportamento com as pregagens. A vibro substituição. convém chamar a atenção para o facto de BATTELINO (1983) ter apresentado um caso de execução de terra armada em siltes argilosos. só dois são aplicáveis a solos argilosos: a vibro substituição. utilizada na execução de estacas de brita ou areia.. faz com que seja tratada à parte. No entanto. localmente. mas só nos princípios do século XX aparece a primeira referência 70 . e a compactação dinâmica. que liquefaz o solo não coesivo. tendo obtido resultados aceitáveis. não nos vamos debruçar sobre a compactação provocada por cargas estáticas. no interior da massa do solo a compactar. é habitual incluir quatro técnicas de tratamento: vibro flutuação. De facto. assim limitada. Destes quatro métodos. bem como a aplicação muitas vezes em conjunção com métodos de drenagem para aceleração da consolidação. Em consequência. e a compactação por deflagração de uma carga explosiva em profundidade. pode também ser considerado um método de reforço de solos. coma por cargas dinâmicas. que é um tipo de vibro compactação. com a vibração estacionária emitida por um vibrador de agulha. No entanto. tal como nós o considerámos na secção 5. que consiste no fornecimento de energia ao solo através de da pancada de uma massa em queda livre. reforçado superficialmente com geotexteis.1.6. e o densifica depois de um rearranjo dos grãos.

são usados blocos de betão ou aço. 71 . tendo sido aplicado ao melhoramento das características de camadas compressíveis com possanças até 30 metros. de modo muito especial nas zonas onde o tratamento tem que atingir maiores profundidades. podendo ser utilizados. 1973. inviabilizando eventualmente o tratamento dos solos subjacentes (MAYNE et al. Como ordem de grandeza. MÉNARD e BROISE. Proceder-se-á a várias passagens. consistindo na queda livre sistemática de um determinado peso de uma certa altura. constituiu um trabalho pioneiro de MÉNARD (MÉNARD. comparativamente às soluções convencionais (estacas. De um modo geral. referido por MAYNE et al. definida em função da espessura a tratar. 1983). durante a compactação. pode resultar na formação de um "ensoleiramento" de material denso. Na primeira fase de trabalhos. 1984). até 50 impactos em cada ponto. Aplicada a solos não saturados e a solos granulares soltos a aplicação desta técnica não apresenta grandes problemas conceituais. A altura de queda de 23m. estas quantidades de energia permitirão tratar o terreno até cerca de 15 metros de profundidade. visa melhorar a capacidade resistente e diminuir os assentamentos totais e diferenciais até uma determinada profundidade. Esta técnica. A distribuição espacial e a sequência cronológica de aplicação da energia de compactação são críticas para se alcançar a compactação pretendida. 1936. No entanto. e preparar sub-bases para a construção. nesta fase.). etc. resultou de uma limitação imposta pela segurança do tráfego aéreo. de 5 a 29 t de peso. largadas de alturas até cerca de 30 metros. No entanto já foram utilizados pesos de 190t. no aeroporto de Nice (GAMBIN. numa profundidade intermédia. MÉNARD. caindo de uma altura de 23 metros. 1984). pelo menos igual à espessura do estrato compressível. Uma definição incorrecta do espaçamento dos pontos de impacto. ou a utilização de uma energia não adequada. na sua forma actual. sendo a sua aplicação com êxito incerta. pode-se dizer que o método é frequentemente uma solução economicamente atractiva para permitir a utilização de fundações directas. e da granulometria do solo. SCOTT e PEARCE (1975) apresentaram um tratamento teórico quantitativo aplicável a este tipo de solos. em geral. De um modo muito genérico. Esta primeira passagem tem como função tratar as camadas mais profundas. Nos solos finos saturados o processo de consolidação dinâmica é complicado pelo aumento das pressões intersticiais da água. substituição de solos. A malha inicial é. poderemos dizer que este método. os impactos são aplicados segundo uma malha. Mas só em 1969 Louis Ménard introduzia esta técnica como método de rotina de tratamento de solos. 1974. da profundidade do nível freático.escrita a esta técnica (LOOS. sendo o processo essencialmente o mesmo do ensaio de compactação Proctor. não é fácil analisar a eficácia desta técnica em solos argilosos com os conceitos tradicionais da Mecânica dos Solos. Normalmente. 1975).

o peso usado. 1984). 72 . Figura 40 – Relação entre o peso e a alyura da queda. necessário estabelecer um intervalo suficiente entre passagens sucessivas. de um modo geral. a plataforma sujeita a tratamento vai baixando de um determinado valor. em escala bi-logarítmica. Devido a condicionalismos económicos. são completadas no fim por uma passagem de baixa energia. na compactação dinâmica (segundo Mayne et al. O mesmo autor considera a forma quadrada mais indicada para a "passagem a ferro". O peso pode ter uma forma em planta circular. as depressões criadas pela queda dos pesos são preenchidas com o material circundante. segundo MAYNE (1984) para as passagens de alta energia e aconselhável usar pesos circulares ou octogonais.diminuindo a eficiência das passagens seguintes. não são parâmetros independentes. Após cada passagem. de modo a permitir a dissipação desse excesso de pressão. A figura 40 apresenta graficamente a relação entre o peso e a altura de queda. É.. As passagens iniciais denominadas geralmente de "passagens de elevada energia". destinada a adensar a camada superficial. designada habitualmente no calão técnico por "passagem a ferro". até metro e meio de profundidade. octogonal ou quadrada. pela melhor transmissão em profundidade das cargas. proporcional ao adensamento conseguido em cada passagem. Assim. portanto. para um número bastante grande de dados. e a altura de queda.

não é aplicável. Segundo estes autores. o gás vai sendo comprimido. devido ao aquecimento de fissuras. em laboratório. 73 . mas. isto apesar de. e o possível papal desempenhado pela água absorvida. e a recuperação tixotrópica. a liquefacção. e insucessos. para não se dar a remoldagem do solo. aplicando energia ao solo. através de impactos repetidos. o solo entra em liquefacção. bem como fenómenos menos conhecidos como a variação mais ou menos irreversível do estado de equilíbrio dessas bolhas devido a vibrações ou choques. Então. que a queda do peso resultava num assentamento imediato considerável. devido à baixa permeabilidade dos solos argilosos. Consideram então que estas bolhas gasosas. que a dissipação dos excessos das tensões intersticiais da água se dá muito mais rapidamente do que seria de esperar. pais a observação mostrava. tanto provocadas pelos elevados gradientes hidráulicos. desempenham um papel importante no assentamento imediato verificado na compactação dinâmica. devido à presença de bolhas gasosas microscópicas. para que se dê o assentamento. a teoria da consolidação clássica. na prática. a liquefacção ocorrer de modo gradual. Segundo aqueles autores. que permita elaborar um estudo de consolidação dinâmica de solos argilosos. De notar que. posteriormente a esta fase. permite precisamente determinar este patamar de energia a não ultrapassar. mesmo neste tipo de solos. o que se verificará passado um certo intervalo de tempo. tem havido sucessos. A utilização do edómetro dinâmico. há quatro mecanismos que são responsáveis pela possibilidade de aplicação da compactação dinâmica a solos argilosos: um solo saturado é compressível. por aumento da energia fornecida. não apresentam uma interpretação qualitativa. como pela concentração dos impactos. sob os impactos repetidos. que prevê a necessidade da drenagem da água do solo. de Terzaghi. iniciando-se. este nível de energia não deve ser ultrapassado. através de novos impactos. próximo da liquefacção. Assim. MÉNARD e BROISE (1975) dão uma interpretação qualitativa da aplicação da consolidação dinâmica a solos coesivos. como seja o "edómetro dinâmico". há variação da permeabilidade do solo. no seu artigo. apesar do cepticismo com que é encarado. A investigação levada a cabo por aqueles autores mostrou então que a quase totalidade dos solos quaternários contêm gás na forma de "micro-bolhas" variando entre 1 e 4%. o método é aplicável a solos argilosos. MÉNARD e BROISE (1975) designam a energia necessária para se atingir esta fase como "energia de saturação". aproximando-se o seu volume de zero.40 Na aplica4ao deste método a solos argilosos. apesar de apresentarem inclusivamente equipamento laboratorial especialmente desenvolvido para o efeito. com comportamento regido pelas leis de BOYLE-MARIOTTE e de HENRY. Os autores referem a formação de fissuras. Segundo MENARD e BROISE (1975). Segundo a interpretação de MÉNARD e BROISE (1975). o solo passa a comportar-se como incompressível. com base na permeabilidade dos solos "in situ". em volume. Verifica-se.

verifica-se em todos os solos finos. que a profundidade a tratar poderia ser dada por: D  WH 74 . a permeabilidade do solo será máxima quando se atinge a liquefacção. da dissipação das tensões intersticiais da água. impedindo o tratamento conveniente do solo subjacente (MAYNE et al. que acelerará a drenagem. o fenómeno da variação das propriedades do solo no processo da consolidação dinâmica pode-se representar. também segundo MÉNARD e BROISE (1975). como hipótese. MÉNARD e BROISE referem ainda a diminuição apreciável de resistência que se sucede à compactação dinâmica. indicaram. Eles referem ainda. À medida que se dissipam as tensões intersticiais da água. o facto do valor mínimo ser atingido quando o solo se aproxima da liquefacção. com a diminuição das tensões efectivas. Além disso. devido ao maior contacto entre partículas. Este fenómeno da tixotropia. é necessário efectuar uma campanha cuidada de prospecção e ensaios laboratoriais e "in situ". que as ondas de choque poderão transformar a água adsorvida em água livre.. Para se proceder à análise de um projecto de compactação dinâmica. etc. a energia de saturação em cada fase. por falta de dados. MÉNARD e BROISE (1975). aumentando consequentemente a secção dos tubos capilares entre partículas. aumentando a permeabilidade da massa do solo. 1984). como primeira aproximação. e do módulo de deformação. tal como se apresenta na figura 41. Comparativamente ao processo de aplicação de uma pré carga estática. segundo aqueles autores. Essa campanha de prospecção e ensaios iria permitir determinar o assentamento imediato a verificar. e é um dos pontos fulcrais de um estudo de consolidação dinâmica. verifica-se um grande aumento da resistência ao corte. Como já foi referido. a profundidade a tratar. Na figura 42. bem como a gradual fixação de novas camadas de água adsorvida. como é 1ógico. o número de fases. O fenómeno contrário verificar-se-ia devido à tixotropia. mais nítido nas argilas sensíveis. a energia total a aplicar. e prolonga-se por vários meses. esquematicamente. e.na criação de uma rede de drenagem completa. um erro. na definição da energia a aplicar pode provocar a formação de uma camada compactada no interior do estrato a tratar. A profundidade a tratar está relacionada com a energia que se aplica. apresenta-se um exemplo.

1975). (segundo Ménard e Boise. Figura 42 – Dissipação das tensões intersticiais. W é o peso e H a altura de queda. é algo de subjectivo.Figura 41 – Representação do comportamento do solo: a) quando sob a aplicação de uma carga estática. De notar que a consideração de uma profundidade de influência. Exemplo de Botlek (segundo Ménard e Boise. 75 . b) quando sob a acção de carga repetida na consolidação dinâmica. 1975). onde D é a profundidade a tratar. onde se sentirá o efeito da melhoria.

a presença de estratos mais moles. Figura 43 – Relação entre a profundidade aparente máxima de influência e a energia por pancada (segundo Mayne et al. propondo: D 1 WH 2 LUKAS (1980). uma ligação clara entre a profundidade tratada.. 76 .80  WH Deve-se notar que a profundidade de influência deve depender de outros factores. No entanto. e não só da energia aplicada: o tipo de so1o.3 WH . por seu lado. concluíram que a expressão de MÉNARD e BROISE é demasiado optimista. no entanto.. etc. 1984). e a energia por pancada aplicada.65 a 0. MAYNE et al (1984). concluindo finalmente que cada caso tem que ter um tratamento pontual) sendo necessário uma campanha de ensaios posterior ao tratamento (e posterior à dissipação das tensões intersticiais) para aferir da melhoria real e efectiva obtida. analisando vários casos. análise essa sistematizada na figura 43.LEONARDS et al (1980). considerou que seria mais correcto considerar: D  0. concluíram que uma hipótese conservativa seria considerar D  1 2 WH . A figura 43 mostra. pela análise de cerca de 100 casos. mostraram haver casos em que D  0.

Pode-se assim determinar a altura de queda e a massa para provocar o aparecimento de uma condição de rotura no solo. baseado em ensaios laboratoriais especialmente desenvolvidos para o efeito.din se relaciona com a área A da secção do peso a utilizar. e altura de queda para se obter o adensamento desejado.din para quebrar a estrutura do solo. que será dupla nos solos arenosos. 1981). e que permitem medir as tensões dinâmicas no solo após o impacto. Aqueles autores. a essa profundidade uma tensão dinâmica  z. e com a altura de queda h. relativamente ao que ocorrerá nos solos argilosos. sendo α uma constante de proporcionalidade. dimensões respectivas. 77 .Convém ainda referir que os casos existentes levam a crer que há um limite máximo para a melhoria dos terrenos.  o.din   m 2 gh A Figura 44 – Esquema de ábaco de dimensionamento de compactação dinâmica para espessura constante da camada a tratar (segundo Jesseberger e Beine. há que referir o trabalho muito interessante de JESSBERGER e BEINE (1981). até ao valor original à profundidade D. com a massa m desse peso. Relativamente ao desenvolvimento de relações que sirvam para seleccionar o valor do peso a utilizar. pela equação:  o. JESSBERGER e BEINE (1981) mostraram. com base nos seus ensaios. que a tensão dinâmica à superfície do solo a tratar. Além disso. diminuindo em profundidade. será necessário desenvolver. e g a aceleração da gravidade. Para se obter o adensamento do solo a uma profundidade Z. convém ainda referir que a melhoria verificada é máxima à superfície.

apresentam duas equações. Convém ainda referir que é necessário ter em conta a propagação das ondas de choque. e seus efeitos em construções existentes na área. As frequências habituais das vibrações provocadas pela compactação dinâmica variam entre 2 e 20 Hz.  o :  z . Este gráfico tem um certo interesse.din   m Z  2 gh 1     Z 2  r2 A             z . e. sob a forma de um factor de energia. h e m. As linhas representadas para a areia molhada. areia seca e argila foram obtidas não de ensaios de compactação dinâmica.para determinação do valor de  z. uma em função de um factor de concentração. e a energia. Teria um certo interesse conseguir comparar esta formulação com a expressão empírica D  1 2 WH . No entanto. bem como a percentagem de  z. Na figura 45 apresenta-se uma relação entre velocidades de partículas.din que é transmitida à água intersticial. Os pontos referentes à compactação dinâmica levam a crer que a velocidade das partículas. e r é o raio da área carregada. 78 .din m  Z   2 gh 1  tg o  A r   2 Nestas equações. A última linha é de LUKAS (1980). e outra em função do ângulo de distribuição de cargas. mas de cravação de estacas. e as tensões "in situ" iniciais. para uma dada energia. podese estimar o valor de  z. pois pode permitir fazer uma primeira estimativa da distância ao ponto de impacto a que se verificarão estragos nas construções existentes. Em princípio. é inferior. desde que se conheça a envolvente de rotura do solo. motivo porque JESSBERGER e BEINE (1981) apenas apresentam uma base qualitativa (veja-se figura 44) para relacionar A. a constante α pode ser determinada laboratorialmente. é difícil conseguir estabelecer na prática todas estas condições. Z é a profundidade à qual se esta a estudar o nível de tensão dinâmica.din necessário para criar uma situação de rotura. na compactação dinâmica. ν.din . em geral. do que se verifica na cravação de estacas.

o modelo de comportamento desse tipo de solos. em nossa opinião. não são métodos de aceleração de consolidação. incluindo o desenvolvimento do edómetro dinâmico. prever com suficiente exactidão o comportamento do solo. designado genericamente por "aceleração da consolidação" vão ser englobados métodos que não correspondem exactamente àquela designação. De facto. e apesar de poder dar bons resultados em solos coesivos. poderemos dizer que o método de compactação dinâmica. – Pré-cargas. não permitem. de modo mais correcto. 7. Em conclusão. 79 . e a utilização sistemática do pressiómetro de MÉNARD. os métodos englobados na secção 3. que tem dado excelentes resultados em solos granulares. mas métodos que simplesmente vão provocar a consolidação dos solos de fundação. coma as pré – cargas são muitas vezes aplicadas conjuntamente com métodos de aceleração de consolidação. As interpretações qualitativas de MÉNARD e BROISE. No entanto. necessita ainda de investigação profunda afim de determinar. de modo a permitir estudar convenientemente os casos de aplicação concreta deste método a solos coesivos. apesar do esforço desenvolvido.Figura 45 – Velocidade das partículas em função de um factor de energia (segundo Mitchell. 1981).6. Aceleração da consolidação Neste subcapítulo. optámos por englobá-los num subcapítulo.3. sob a acção de cargas repetidas.

e desde que o solo tenha a resistência suficiente. quando carregados estaticamente. As pré cargas e sobrecargas utilizam-se muitas vezes em conjunção com drenos verticais. diminuindo assim o período de tempo necessário. em secções individuais. em solos argilosos moles é complexa. que vamos iniciar a abordagem destes métodos. apesar de ambos os processos provocarem a aceleração da consolidação. e de resultados difíceis de prever. Por outro lado. serão estes métodos tratados por ultimo. podem-se realizar sobre cargas. Será pelo método de electro osmose. não se englobarão na mesma secção os drenos verticais e a electro osmose. todos os métodos englobados neste subcapítulo têm como fundamento da sua actuação a teoria da consolidação. parques de minério. as argilas orgânicas e as turfas. desde que se trate de acelerar a consolidação primária. Considera-se. portanto. cargas superiores às que irão ser aplicadas na obra. o rebaixamento do nível freático e a electro osmose têm a grande vantagem de não criarem problemas de estabilidade.Além disso. por ser o menos aplicado. são de execução mais complexa que os outros métodos. de aplicação demorada. Os solos para os quais é indicada a utilização de pré-cargas são as argilas moles saturadas. previamente à execução de uma obra. dispendiosa. pode-se dizer que estes métodos são aconselháveis para solos que apresentem grandes variações de volume. ou seja. De um modo geral. de um modo geral. para o aumento da resistência e pré – consolidação de solos moles compressíveis. os siltes compressíveis. que os drenos verticais são aconselháveis em argilas inorgânicas e siltes que apresentem uma consolidação secundária reduzida. em geral. e aumentos de resistência. podendo mesmo dizer-se que a execução de um rebaixamento do nível freático. que estas técnicas podem ser usadas para o tratamento das fundações de qualquer tipo de obra. para acelerar o processo de consolidação. por aceleração da drenagem da água intersticial. Assim. Podemos dizer. Podemos dizer que a realização de pré -cargas. e por ter aqui unicamente interesse documental. e dos mais usados no tratamento e melhoria de solos. ao contrário dos outros métodos já analisados. que a opção aqui tomada é aceitável. Devido ao interesse especial que tem para esta dissertação os métodos da pré – carga e os drenos verticais. Pensamos. Para acelerar o processo. é um dos métodos mais antigos. Dos métodos que abordaremos neste subcapítulo. podemos dizer que a pré – carga por vácuo. ou fundações de edifícios. 80 . desde aterros de estrada.

junto ao cátodo. e dos iões dos mesmos sais para o cátodo. seria sem precedentes. Podem-se considerar como fundamentais. tem surgido. Aceleração da consolidação por electro-osmose A electro-osmose é um fen6meno conhecido há largo tempo. a bibliografia acerca de aplicac3es praticas e rara. a diminuir o atrito negativo em estacas. para análise "in situ" (e laboratorialmente). Nos últimos vinte anos tem aparecido novas teorias. Mais recentemente. desde já. Após este trabalho apareceu nova bibliografia. de modo a estabilizar taludes a escavar. mas bastante reduzida. dos aniões dos sais dissolvidos na água. normalmente com o fim de. que possivelmente. Posteriormente.7. nas quais só numa o tratamento é considerado como alcançado. e que consiste na circulação da água do ânodo para o cátodo. convém referir o trabalho de PILOT (1977). Um dos casos referidos por estes autores indica profundidades estabilizadas da ordem dos 60m. de modo. da consolidação. PILOT (1977) refere a nova aplicação de electroosmose a obras de engenharia. pode ser utilizada com um fim exactamente contrário: aumentar o teor em água do solo. usando a electro81 . Pode ser utilizada para acelerar os assentamentos e aumentar a estabilidade. Convêm referir. com utilização adicional de una ou outra teoria. para o ânodo. diminuindo o teor em água do solo. bem como aumentar a sua coesão não drenada. Quanto a este ponto. A partir daqui.1. sendo na grande maioria os resultados satisfatórios. A electro-drenagem utiliza o escoamento da água do ânodo para o cátodo. com sucesso. sem extracção da água. CASAGRANDE et al. quando se colocam os ânodos em estacas. verificado na electro-osmose. por exemplo. Este fenómeno é acompanhado da circulação. Mas a electro-drenagem. para aumentar a capacidade de carga destas. (1981) apresentaram dois casos de aplicação da electro-drenagem. também designada por tratamento electroquímico. e cujo mecanismo mais ou menos correcto foi apresentado por GRAY e MITCHELL (1967). vários modelos teóricos. acelerar a consolidação deste. são as bases de dois métodos de tratamento de solos: a electro-drenagem e a injecção eléctrica. quando num solo húmido se faz passar uma corrente eléctrica. 1981). os trabalhos de ESRIG e MAJTENYI (1965) e de GRAY e MITCHELL (1967). tem tido como explicação fundamental a teoria da dupla camada. O movimento da água e dos ii3es nos tubos capilares do solo. respectiva teoria. apesar de haver alguma bibliografia acerca do fundamento teórico da electro-osmose. e pode ainda ser utilizado. que. BANERJEE e MITCHELL (1980) apresentam uma nova técnica. Estes fenómenos) cuja solução aproximada foi apresentada por CASAGRANDE (1937) (citado por PILOT. deste ponto de vista. generalizando e completando os trabalhos anteriores.

Assim. resulta um aumento das tensões intersticiais da água. mas restringida à aplicação aos ensaios Laboratoriais. quando os dois gradientes.permeabilidade hidráulica do solo. com uma velocidade v = KHiH ( KH . O valor médio de Ke é de 5x10-9m/s por volt/metro. admite-se. num processo de electro-osmose. BANERJEE e VITAYASUPAKORN (1984). que tende a provocar um escoamento segundo a lei de Darcy. É evidente a analogia entre esta lei. na electro-osmose. quando um solo é carregado a superfície. ie o gradiente de potencial eléctrico. com onde Ke será um "coeficiente de permeabilidade electro-osmótica". eléctrico e hidráulico. é muito importante o quociente Ke/KH. no ânodo. D é a constante dieléctrica do electrólito. ter-se-á. desde que não se retire a água do solo. η é a viscosidade do liquido e ζ é o potencial zeta. e dá-se o fenómeno da consolidação do solo. Temos assim que. e um aumento dessa mesma tensão intersticial no ânodo. Isto vai provocar um gradiente hidráulico. e a lei de escoamento de um fluido num meio poroso de Darcy. Nesta 82 . considerando as limitações das teorias existentes. se compensarem. basta considerar que o escoamento do cátodo para o ânodo.osmose. até se anular. do ânodo para o cátodo. tensões essas que se dissipam quando a água se escoa de acordo com a lei de Darcy. MITCHELL e BANERJEE (1980) apresentam o modo de cálculo para aplicação dessa teoria. apresentam uma nova teoria para interpretação da electro-osmose. Para analisar essa importância. Normalmente. considerando a consolidação unidimensional: e Para se obter uma melhoria dos solos a tratar. quer a nível de assentamento. do cátodo para o ânodo vai diminuir no tempo. Num plano prático. o caudal escoado. quer a nível de resistência. Assim. quando se considera o efeito conjunto da consolidação e de electro-osmose. vai provocar uma diminuição da tensão intersticial da água no cátodo. r é o raio dos poros do solo.gradiente hidráulico). continua a ser bastante usada a solução apresentada por CASAGRANDE (1937): . iH . o princípio da sobreposição dos efeitos.

o aumento da tensão efectiva (veja-se ESRIG. e os assentamentos. na análise de um fenómeno de electro-drenagem. no cátodo. e T é o factor tempo para o grau de consolidação desejado. desvios relativamente aos valores calculados. em forma de placa. 1968): . MITCHELL (1981) apresenta uma tabela para o parâmetro T. dependendo sim de Cv. Na figura 46 apresenta-se o resultado do tratamento por electro-osmose sobre o teor em água. isto e. e V é a voltagem. Segundo MITCHELL (1981). causando. em AS. e foi relatado par BJERRUM et al (1967). Assim. paralelos. que o quociente Ke/KH varia durante a consolidação. De notar que a velocidade de consolidação é independente de Ke. para o caso de dois eléctrodos. Um dos casos bem documentados de tratamento por electro-osmose e o de argilas moles.situação. Pode-se a partir daqui estimar o aumento da resistência. na Noruega. como é lógico. permitindo um endurecimento electroquímico dos solos. peso específico da água. devido ao facto de se decomporem durante a processo. sobretudo. dando aos solos uma maior resistência do que a que seria garantida unicamente pela electroosmose. desde o início do tratamento será Com . função da posição do ponto considerado. com 10m de espessura. para vários graus de consolidação. e sobre a coesão não drenada. Há que ter em atenção. 83 . usam-se normalmente um maior número de ânodos do que de cátodos. devido a serem mais baratos e. A velocidade com que se processa a consolidação é obtida do mesmo modo que para o caso de uma sobrecarga directa. o tempo t necessário para se obter um determinado grau de consolidação é dado por: onde L é a distância entre eléctrodos) Cv é o coeficiente de consolidação.

da variação da coesão não drenada. utiliza-se a electro-osmose para fazer migrar através do solo. e a sua introdução no solo. e sem praticamente causar perturbações nesse solo. ou ensaia-se mesmo em verdadeira 9ravIclea. consoante o produto electro-injectado e o método utilizado. ensaiam-se esses produtos. sobre a mesma argila. e modifica-se a composição química do solo. sobre argila remoldada. de outro modo. bem como a natureza essencialmente química. por via experimental. Um exemplo interessante do estudo deste tipo e dado por CARON (1971). para se analisar a melhoria introduzida num solo por electro-injecção de vários produtos. Neste método o ânodo é dissolvido.Figura 46 – Tratamento por electro-osmose sobre a argila mole de AS: a)variações do teor em água b) variação da coesão não drenada (segundo Bjerrum et al. 1967). levam a que a sua análise seja feita. iões que. em amostras intactas (ou remoldadas. permitindo introduzirlhe iões que reforcem a sua capacidade resistente.a) no campo. Estes resultados mostram bem a diferença do resultado obtido. não poderiam ser introduzidas. ou então é alimentado com uma solução iónica. e por electro-injecção com vários produtos. por electrodrenagem. Na figura 47 está uma comparação interessante. e por electro-injecção com cloreto de amónia. por electro-injecção com silicato de sódio. e não propriamente de engenharia geotécnica. Este autor analisou. essencialmente. ou tratamento electroquímico. os tratamentos por electro-drenagem. em laboratório. 84 . Na injecção eléctrica. devido a baixa permeabilidade do solo. em laboratório. de modo a reproduzir a situação). A complexidade dos fenómenos de um processo de electro-injecção. Assim.

2. 1971). pode ser um grave agente poluidor do meio ambiente. e também um dos mais antigos. entre 30 x 49 cm até 85 x 45 cm. em laboratório. bem como a qualidade da água. Uma das conclusões interessante destes autores é que a água subterrânea. que são libertados pelo solo no processo. No entanto. (segundo Caron. As experiencias foram levadas a cabo num tanque de dimensões variáveis. KATTI et al (1981) realizaram experiências sobre a argila marinha de mas. usaram um método de inversão da polaridade. na melhoria das características de resistência e de deformabilidade de solos. 7. apesar de complexos. para que o processo de endurecimento electroquímico se processasse tanto no ânodo como no cátodo. e em profundidade. Concluíram que esta técnica é efectiva no tratamento tanto da zona do ânodo como do cátodo. e de possuir elevada percentagem de matéria orgânica. Por exemplo. uma carga repartida pretende acelerar os assentamentos devidos à consolidação primária. depois de participar num processo de electro-osmose. é um dos métodos de tratamento mais utilizados. Este método. à superfície do terreno. já alguns autores começaram a analisar os processos químicos envolvidos na electro-osmose. c) electro-injecção de cloreto de amónia (10%). consistindo na aplicação. b) electro-injecção de silicato de sódio (35%).Figura 47 – melhoria da coesão não drenada Cu de uma argila remoldada tratada por electro-osmose: a) electro-drenagem. e de metais pesados. Pré-cargas O uso de pré-cargas. SEGALL et al (1980) analisam os fenómenos químicos envolvidos na electro-osmose. acelerar igualmente o 85 . devido ao facto de ser altamente alcalina.

b) Construção por fases. pode-se pretender obter um. segundo critérios que variam com o tipo de obra. Neste caso. 86 . habitualmente. Como consequência lógica do facto de se aplicar uma sobrecarga superior à carga final a que o solo estará sujeito. usa-se um valor da sobre carga superior à carga final a que o terreno de fundação irá estar sujeito. sobrecarga essa que é retirada após ter provocado os assentamentos desejados. Normalmente. não se pretende neste caso obter uma melhoria de coesão não drenada do solo. unicamente que ela não é necessária. visa-se a aceleração da consolidação primária e secundaria em casos em que se pretende reduzir os assentamentos sob a obra definitiva a valores aceitáveis. Figura 48 – Tipos de précarga: a) Construção com sobrecarga. aplica-se nova carga. e consequentemente um valor da coesão não drenada que permita continuar a construção. Neste caso usa-se geralmente o método da construção por fases: quando se atinge um determinado valor do grau de consolidação do solo. Com um tratamento por pré-carga. e carregamento por fases. Na figura 48 apresenta-se um esquema de relações carga . e aumentar a coesão não drenada dos solos. Não quer isto dizer. aguardandose a consolidação sob o novo carregamento. Pretende-se obter uma melhoria dos valores da coesão não drenada do solo quando este não apresente os valores mínimos para garantir a estabilidade da obra a construir. ou a totalidade destes resultados.assentamento elucidativo dos dois processos de sobrecarga.desenvolvimento da consolidação secundária. e assentamentos por ela provocada. que não se verifique uma melhoria. evidentemente.

por volta de 1948. não pôr em risco a estabilidade da fundação e. é o do uso da pressão atmosférica. mas a áreas reduzidas. não e necessário proceder por fases. apresentado por KJELLMAN (1952). o tratamento. como a sua aplicação se restringe a solos mais ou menos permeáveis. como o uso de ancoragens (PILOT. Com base nesta ideia simples. é a da utilização de reservatórios com água. No entanto. há poucos relatos de aplicações práticas deste método. Além disso. e aplicável a solos relativamente impermeáveis. e em condições especiais. o método de KJELLMAN (1952) tem vantagens. 1977). por aplicação do vácuo. De um modo geral. e apesar de haver referencias a outros métodos. e se aplica a pré-carga pelo método de vácuo. e lhe podermos aplicar o vácuo. por não necessitar de ser aplicado por fases. Pré-cargas por vácuo Como já referimos. por vezes difíceis de obter. um outro método. com algumas aplicações práticas. não sendo geralmente viável em solos argilosos moles. é o da construção de aterros. depois de experiencias realizadas em 1948. 7. Quanto à utilização de aterros e de reservatórios com água.De notar que quando se pretende obter uma melhoria das coesões não drenadas de um solo.2. 87 . assim. No entanto. será provocado pela acção da pressão atmosférica. e a segunda por aterros.1. por fim. 0 método tem uma concepção que poderemos dizer simples: se conseguirmos isolar uma massa de solo a tratar. o terceiro método. não necessita da aplicação de uma grande quantidades de materiais de aterro. a sua base de aplicação é muito semelhante. e pela aplicação de vácuo ao aterro. só pela sua aplicação. pressão atmosférica essa que assim funcionará de sobre carga. Como já foi referido. como sobrecarga. abordar a utilização das pré-cargas em duas secções. como referimos com um pouco mais de pormenor adiante. quando se pretende uma melhoria da coesão. teoricamente segundo o processo da pré carga apresentado adiante. este método foi apresentado por KJELLMAN (1952) depois de ensaios de campo. a primeira. KJELLMAN desenvolveu o processo representado na figura 49 a). sobre o solo. podemos considerar que há três processos "tradicionais" de aplicar uma pré-carga: o método mais vulgarmente utilizado e aplicado geralmente em áreas extensas. a estabilidade global. Um outro método de aplicação da pré-carga é o rebaixamento do nível freático. aumentar. Vamos. pelo contrário. não nos alongaremos sobre ele.

Figura 49 – Método de pré carga por vácuo: a) Processo de Kjellman (1952); b) Processo do poço.

A zona a tratar é coberta com um tapete de material muito permeável, pouco espesso (3050 cm), que por sua vez é recoberto com uma membrana impermeável, bem encastrada para garantir a estanquidade - no solo natural muito impermeável. Com uma bomba, é aplicado o vazio ao tapete permeável. Para garantir o efeito do vácuo até profundidade elevada, será necessário executar drenos verticais, sob o tapete de material permeável. Quando apareceu, este método apresentava o inconveniente da pouca durabilidade das membranas, que actualmente já não se põe. Uma variação deste método consiste na execução de poços preenchidos com material muito permeável, selados à superfície, aplicando-se o vácuo directamente no poço. Este método parece dar bons resultados quando as camadas inferiores forem suficientemente permeáveis para permitir o rebaixamento do seu nível freático. Apesar de não pôr problemas de estabilidade na sua aplicação, e de não necessitarem de um grande dispositivo para a sua aplicação, há muito poucos casos relatados de aplicação destes métodos (PILOT, 1977, ARUTIUNIANi1983). No entanto, há indícios recentes que levam a crer num futuro desenvolvimento do método. De facto, têm aparecido ultimamente alguns artigos de índole teórica referentes ao comportamento do solo sujeito a tratamento por pré carga por vácuo. Assim, HUAN e XIU-CHING (1983) analisam o comportamento de um solo sujeito a um tratamento por vácuo, apresentando um modelo das tensões de consolidação de um solo sujeito a pressões negativas. Este modelo permite determinar o aumento das tensões efectivas sob várias condições de pressão negativa aplicadas. Os resultados obtidos com este modelo foram comparados com os resultados de experiencias laboratoriais, e de campo, mostrando uma concordância bastante razoável. TER-MARTIROSYAN e CHERKASOVA (1983) analisam as relações da tensão deformação de um maciço de solo compactado por uma membrana de dimensões

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limitadas, com base na solução da equação de Laplace. Consideram que a solução apresentada permite prever os assentamentos num tratamento por vácuo de grandes áreas, bem como a determinação dos parâmetros de deformabilidade do solo por ensaios com a membrana e o método de vácuo.

7.2.2. Pré-cargas com aterros
A aplicação de pré cargas com aterros, ou com reservatórios de água é fundamentalmente a mesma: aplicação à superfície do solo a tratar de uma determinada carga, de modo a provocar a sua consolidação. A diferença é que os reservatórios de água se aplicam quase que exclusivamente a áreas relativamente reduzidas, e na maior parte dos casos em fases, para a melhoria das características geotécnicas dos solos de fundação de reservatórios. Por uma questão económica, este método é aplicado nestes casos, pois evita perder tempo com tratamentos antes da construção dos reservatórios, servindo estes de uma primeira fase de pré carga, e sucessivos níveis de água funcionam como as restantes fases necessárias, antes da entrada em funcionamento pleno dos reservatórios. Um destes casos, bastante interessente, é o dos reservatórios da central termoeléctrica do “Vale do México”, relatado por MARSAL e MORENO (1982). Como, no entanto, do ponto de vista de funcionamento do solo de fundação, o comportamento é idêntico, vamo-nos debruçar unicamente sobre pré cargas com aterros. A aplicação de uma sobre carga ao solo vai, como já dissemos, provocar o assentamento do solo, devido ao desenvolvimento da consolidação primária e da consolidação secundária, e o aumento da sua coesão não drenada. Vamos tentar apresentar o modo tradicional de analisar estes três efeitos, no dimensionamento de uma sobre carga a aplicar. Após a aplicação da sabre carga, o assentamento total, St, pode ser dado, em qualquer momento, por:

St  Si  u Sc  S s
_

_

onde St é o assentamento total no momento t, Si é o assentamento imediato, u é o grau de consolidação médio, Sc é o assentamento final devido a consolidação primária, e Ss é o assentamento até ao momento, t, devido à consolidação secundária. Normalmente, no estudo da aplicação de uma sabre carga, pode-se pretender determinar qual a sobre carga ps a aplicar, de modo a que os assentamentos a provocar pela futura

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carga de serviço, pf, se tenham verificado, no todo ou em parte, um dado espaço de tempo, ou então determinar o tempo necessário para que se processe o assentamento sob uma determinada sobre carga. O modo mais correcto é separar os fenómenos da consolidação primária e secundária, considerando-os isoladamente. O modo tradicional de analisar a questão dos assentamentos sob uma sobre carga por aterro baseia-se na teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi, que permite, de modo simples, relacionar o valor da sobre carga aplicada com o tempo necessário para compensar o assentamento que provocaria a carga de serviço, S f . Este modo de calculo foi muito bem apresentado por JOHNSON (1970). Para o exemplificar, consideremos a figura 50. Sob a acção exclusiva da carga final, pf, o assentamento devido consolidação primária relaciona-se esquematicamente com o tempo pela curva (f) da figura 50, representando S f o assentamento final. Sob a acção conjunta da carga final e da sobre carga, a relação assentamento - tempo será representada pela curva a cheio (f + s), e, caso se mantivesse essa carga, ter-se-ia um assentamento final de S f  s . O assentamento S f , assentamento final no caso de aplicação unicamente da carga final, será atingido, sob a aplicação conjunta da carga final e de sobre carga, ao fim do tempo t1. Será este tempo t1, no caso de um tratamento do solo de fundação com pré cargas, que indicará a altura em que se poderá retirar a sobre carga ps, visto ter-se atingido o assentamento final sob a carga de serviço. Considerando a teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi, os assentamentos finais, sob a acção da carga final, e sob a acção da carga final e da sobre carga serão dados, para o caso de solos normalmente consolidados por:

S f 

' 0  pf H Cc log ' 1  e0 0

S f  s

'  0  ( p f  ps ) H  Cc log ' 1  e0 0

onde H é a espessura do estrado compressível, e0 o índice de vazios inicial desse estrato, e Cc é o coeficiente de compressibilidade do mesmo estrato. No caso de uma argila apresentando alguma sobre consolidação,  c' , como é lógico, as equações anteriores
' seriam em função de log  0  p /  c' .



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a consolidação ainda não se processou totalmente. quando actua a sobre carga. Assim.Figura 50 – Compensação do assentamento devido à consolidação primária numa aplicação de sobrecarga. Assim: u f s  S f S f  s pf  log 1  '   0    pf  log 1  ' 1   0        ps pf     Esta fórmula está representada graficamente na figura 51. 91 . poderemos escrever: S f  u f  s S f  s Esta relação permite-nos determinar para que grau de consolidação se pode retirar a sobre carga. ter-se-á um determinado grau de consolidação uf+s. isto é. no momento t1 em que o assentamento é igual ao que se verificaria no fim da consolidação sob a carga final pf. O grau de consolidação u f+s está relacionado com o tempo t1 pelo factor tempo TV da teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi. Voltando à figura 50. tendo-se atingido os assentamentos finais que se verificariam sob a carga final p f.

têm uma distribuição.No caso em que as propriedades do solo ou as condições das tensões variarem com a profundidade. Assim. mesmo após a remoção da sobre carga Assim. em profundidade. para o caso de drenagem pelas fronteiras superiores e inferiores. haverá uma parte importante de camada compressível que continuará a assentar. e para a situação da remoção da sobre carga. do tipo esquematizado na figura 52. Como se depreende facilmente da figura 52. Tal como foi convenientemente exposto por JOHNSON (1970). a tensão intersticial da água tenha atingido um valor compatível com o grau de consolidação previamente definido. bem como o excesso de tensões intersticiais da água. apesar de se ter verificado que a descarga não provoca grandes empolamentos. será necessário considerar a camada compressível dividida em várias sub camadas. será necessário deixar esta actuar o tempo suficiente para que. no ponto mais crítico. a tensão efectiva. nas duas camadas extremas sobre consolidadas. 92 . Figura 51 – Cálculo do grau de consolidação sob a sobrecarga necessária para compensar o assentamento da consolidação primária sob a carga de serviço (segundo PILOT. pode-se estar ainda sujeito a assentamentos importantes devido à zona intermédia. sub consolidada. 1977). para se eliminar totalmente novos assentamentos após a retirada de sobre cargas. por continuar a consolidar.

como a já referida necessidade de deixar actuar a pré carga mais tempo do que o necessário. tendo-se o ponto mais desfavorável consolidado a 100% sob a carga pf. isto é. atinja o valor uf+s é um método bastante conservativo. atingindo-se então o grau de consolidação pré determinado sob a carga ps+pf.Figura 52 – Distribuição das tensões intersticiais da água após a remoção da sobrecarga. no ponto mais desfavorável. Pode-se considerar que o método que exige que o grau de consolidação. 1981). e qual o tempo de aplicação necessário. não é correcta. e durante mais tempo. de aplicação muito simples se se considerar a teoria da consolidação unidimensional de Terzaghi. que como se sabe. o que quer dizer que tiveram que ser produzidos assentamentos maiores do que o necessário Sf. tem-se a parte restante da camada compressível sobre consolidada. do que seria necessário. será difícil prever correctamente qual o valor de sobre carga a utilizar. para atingir o assentamento Sf.deformações dos solos não é um comportamento linear. torna-se de aplicação mais complexa devido a certos factores. no ponto mais desfavorável. De facto. para o momento t=t1 (segundo MITCHELL. Este método de tratamento. que se traduz em geral pela aplicação de sobre cargas mais elevadas. Atendendo a que sabemos que o comportamento tensões . 93 .

para analisar o problema da pré carga com sobre carga. permite analisar o comportamento do estrato compressível em toda a sua espessura e. A base da análise é proceder à previsão do assentamento total a verificar-se. Assim. um dimensionamento mais correcto das sobre cargas a aplicar. 1980). No outro artigo.Relativamente a este assunto. no controle do ritmo de aplicação das fases. os autores analisam o método da sobre carga e do carregamento por fases. não com base no método clássico que. obtendo unicamente uma ordem de grandeza daqueles valores. de modo a que se possa controlar o desenrolar da consolidação. conjugado com o da envolvente de cedência. sob a carga permanente. Como consequência. (1984). não só dos assentamentos. que se verificará durante o período útil da obra. Habitualmente Ssec determina-se por: 7. e o assentamento. de 5 edómetros. como do tempo t 1 de aplicação da sobre carga. e com carregamento por fases. minimizar também os efeitos da compressão secundária sob as cargas permanentes. a consolidação secundária pode ser responsável por uma parte importante dos assentamentos. que. Conseguiram ainda controlar o caminho das tensões efectivas em toda a fundação sob a zona carregada. Num deles (ABOSHI et al. Nos solos compressíveis. consequentemente. desenvolvido por FOLKES (1980). Podemos portanto considerar o caso corrente da previsão de um tratamento com sobre cargas como uma estimativa aproximada. 1981). como referimos. ligada em série. Drenos verticais 94 . já analisada. uma boa execução da obra. apresenta-se um ensaio edométrico especial. nomeadamente em argilas orgânicas. WATSON et al (1984) aplicaram o método do caminho das tensões efectivas. durante a vida útil da obra. e assim aferir e corrigir as previsões de cálculo. apareceram recentemente dois artigos interessantes. incluindo portanto o assentamento devido à consolidação primária. Aqueles autores consideram que esse método é extremamente útil. no caso dos carregamentos por fases. de modo a minimizar deformações laterais. segundo aqueles autores. Sf. conseguindo. A pré carga permite. que também não dão resultados satisfatórios (TAVENAS e LEROUEIL. alem da actuação acima referida sobre a consolidação primária.3. não é correcto. consistindo numa bateria. nem com os métodos numéricos incorporando um dos vários modelos tensões – deformações – tempo. Ssec. com base em bons ensaios laboratoriais. de WATSON et al. é importante que obras deste tipo sejam devidamente instrumentadas. devido à consolidação secundária.

Hipóteses de cálculo 7.5.3. Introdução 7.2.3. Métodos numéricos 7. Resultados práticos 7.2.1. Métodos de cálculo 7. Teorias de consolidação radial 7.4.2.3.2.3.3.3.2.2. Tipos e modos de execução de drenos 7.3. Outros métodos 95 .7.1. Experimentação em verdadeira grandeza 7.3.3.3.2.4. Métodos probabilísticos 7.5.3.3.4. Dimensionamento prático de drenos verticais 7.

PARTE 3 CONCEPTUALIZAÇÃO DE UM MODELO A UTILIZAR 8. Calibração dos modelos a aplicar 96 . Modelos de análise a adopter 10. Métodos de tratamento de solos considerados 9.

Objectivos da obra 12. Concepção da solução. Métodos aplicados. 14. Execução e observação do aterro experimental 15.PARTE 4 ANÁLISE DO CASO DO TERMINAL DE MATÉRIAS PRIMAS DA SIDERURGIA NACIONAL 11. Comportamento do terrapleno 97 . Caracterização da situação de referência 13.

PARTE 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 16. Conclusões 98 .

A. Soft clay engineering. 1958.E e Kazarnovski. Consolidation of clay.Yu. Vol.Bibliografia Abelev. Highway Research Board. 1977. Proc. The behaviour of embankments in clay foundations.D. Paris : Editions Technique et Documentation. with special reference to influence of vertical sand drains. Journal of the Geotechnical Engineering Division. ASCE. 1981. 1969. Rolf Peter. 584-617. Vol. New York : John Wiley and Sons. e Brenner. Magnan. 889-904. Seco e Pinto. 1979. F.. Influence of mobile particles in soft clay on permeability. 17. Olson. 234-252. Balasubramanian. Vol 19. Vols. [trad. R.l.n. D. 1973. Vols. Some Results Concerning Displacements and Stresses in a NonHomogeneous Elastic Half Space. 1983. [autor do livro] Edward W Brand e Rolf Peter Brenner. Tese de Especialista. 1960. Moscovo : Ed. S. : Elsevier Scientific Pub. Evgeniev. Poskitt. 1973. 100(GT8). Roy E e Ladd. Gholamreza e Rokhsar. 1974. 1976.P. . I. 1979. p. S. pp. e Leroueil. 18. Charles C. Mesri. Gothenburg : s. Of the Swedish Geotechnical Institute. 17 nº2. William e Whitman. 779. 1983. pp. Robert V. V. p. No. pp. 1980. 132-135. pp.] J. Consolidation and settlement of soft clay. nº2. Symp. Vols. 1ª. Vol. 1969. Gibson. One-dimensional consolidation problems. Transports. Canadian Geotechnical Journal. Geotechnique. 1960. Proc. pp. 58-67. 1958. Geotechnique. p. Hansbo. Maio de 1980. 1967. T. 105. Pedro Simão. 1130. ASCE. Schiffman. R E. 1976. T J. 1969. 553. Construction d'ouvrages sur les sols argileux mous saturés. 30. pp. 272. Journal GED. Tavenas. Fracturação Hidráulica de Barragens de Aterro Zonadas. 7. L. 1977. Lisboa : LNEC. s. 1974. 1981. Int. p. Proc. 1969. Edição russa original 1973. Consolidation of soil under time dependent loading and varying permeability. Vol. nº1. 236-260. Soil Structure. Theory of consolidation for clays. S. 1967. M. 99 . Vol. I. The consolidation of clay with variable permeability and compressibility. Co. Les remblais routiers sur sols mous. Hansbo. Soil Mechanics. Lambe. 288. pp.

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