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GESTÃO DE CUSTOS

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I UNIDADE – CONTABILIDADE DE CUSTOS

Apesar de a contabilidade de custos ter sido criada para atender a objetivos contábeis, sua função mais nobre talvez seja a de apoio à tomada de decisão gerencial. ORIGENS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS A contabilidade de custos nasceu no século XVIII para atender às novas demandas de informação exigidas pela Revolução Industrial. Até essa época, só existia a contabilidade financeira. A apuração do custo das mercadorias vendidas – necessária à apuração do resultado nos balanços – era extremamente simples. A produção ficava a cargo dos artesãos, que não constituíam pessoas jurídicas e não precisavam apurar custos. Nos relatórios financeiros, as empresas comerciais apontavam os custos como sendo o valor pago pelas compras, já que os produtos que seriam comercializados já estavam, geralmente, prontos para sua comercialização. Empresas comerciais As empresas comerciais constituíam a grande maioria das pessoas jurídicas da época da Revolução Industrial. MODIFICAÇÕES NA APURAÇÃO DE CUSTOS As indústrias que começaram a nascer no século XVIII trouxeram escala ao trabalho que, anteriormente, era exclusividade dos artesãos. Dessa forma, o trabalho de apuração de custos começou a ficar muito mais complexo. O processo de apuração de custo do produto vendido na indústria não é tão simples quanto na empresa mercantil, e sua apuração é formada pela utilização dos fatores de produção (Elementos que atuam no processo de produção, tais como recursos naturais, capital e mão-de-obra). Para esse fim, o trabalho dos contadores de apuração do custo dos produtos vendidos passou a ser muito mais complexo e uma contabilidade específica passou a ser desenvolvida. Criar métodos para apuração de custos passou a ser importante também porque o advento da produção em massa criado pela Revolução Industrial (Processo que teve início no século XVIII, na Inglaterra, e logo se espalhou por toda a Europa. A expressão Revolução Industrial foi difundida a partir de 1845, por Engelf, um dos fundadores do socialismo científico. O termo foi usado para designar o conjunto de transformações técnicas e econômicas que caracterizam a substituição de energia física pela energia mecânica; da ferramenta pela máquina e da manufatura pela fábrica no processo de produção, o que, consequentemente, transformou a economia rural em economia urbana),levou à formação de grandes estoques sobre regras padronizadas – princípios da contabilidade geralmente aceitos (Preceitos resultantes do desenvolvimento da aplicação prática dos princípios técnicos emanados da Contabilidade, de uso predominante no meio em que se aplicam, proporcionando interpretação uniforme das demonstrações financeiras.

São duas as condições básicas para que um princípio supere a fase de tentativa e se transforme em geralmente aceito e, portanto, incorporado à doutrina contábil...

Deve ser considerado praticável pelo consenso profissional;

Deve ser considerado útil.

...que precisavam ser custeados sob pena de sua mensuração provocar distorções nos resultados, afetando todos os stakeholders – acionistas, bancos, fisco (Conjunto de órgãos da administração pública que cuidam da arrecadação tributária e da fiscalização dos contribuintes)... Custos logísticos II Para atingir a vantagem competitiva, esforços têm sido concentrados na melhoria das atividades logísticas, tanto a nível interno como nas atividades que permeiam toda a sua cadeia de suprimentos, como fonte de redução de custos ou de diferenciação para obterem vantagem competitiva. Uma vez que o gerenciamento logístico é um conceito orientado para o fluxo, com o objetivo de integrar os recursos ao longo de todo o trajeto compreendido entre os fornecedores e clientes finais, é desejável que se tenha uma forma de avaliar os custos e o desempenho desse fluxo. Pode-se então, definir logística como sendo o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo e o armazenamento, eficiente e eficaz em termos de custo, de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e as informações correlatas desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de obedecer às exigências dos clientes. A evolução do processo de logística alcança atualmente a fase de gerenciamento da cadeia de suprimentos. O aumento da complexidade e da interdependência organizacional também está levando as empresas a adotarem estratégias que aumentem a flexibilidade organizacional e, ao mesmo tempo, permitam integrar toda a organização em um objetivo comum, como as estratégias competitivas orientadas pelo/para o cliente (KOTLER e ARMSTRONG, 1995). O valor total de determinado produto é composto pela margem e pelas atividades de valor. As atividades de valor são as atividades físicas e tecnologicamente distintas, desempenhadas por uma empresa para a criação de um produto com certo valor no mercado. Para Porter (1989), as atividades de valor são classificadas em duas categorias: atividades primárias - logística de suprimentos, operações, logística de distribuição marketing e vendas, assistência técnica - e atividades de apoio - infra-estrutura da empresa, gerenciamento de recursos humanos, desenvolvimento de tecnologia, aquisição de insumos e serviços. A cadeia de suprimentos é formada por uma seqüência de cadeias de valor, cada uma é correspondente a uma das empresas que formam o sistema (NOVAES, 1999). Seu gerenciamento estende o conceito de integração além da empresa, para todas as empresas que compõem a cadeia. Ela engloba os fornecedores de matéria-prima de determinado produto, até o consumidor final, passando pela manufatura, centros de distribuição, atacadistas e varejistas. Ela é composta pelos elementos: suprimento da manufatura, manufatura, distribuição física, varejo, transporte e consumo. Atualmente, considera-se que a cadeia de suprimentos vai além da etapa de consumo, expandindo-se seu conceito para a reciclagem dos materiais consumidos - logística reversa ou verde.

No contexto de que o controle tem passado das mãos do fornecedor à do cliente, as empresas desenvolveram novas formas se gerenciamento - TQM - melhoria contínua e GP - gerenciamento de processos. A definição de cada etapa do processo como atividades que agregam ou não valor possibilita o melhor entendimento entre processos e custos. Os métodos tradicionais da contabilidade de custos têm sido questionados, pois confiam em métodos arbitrários para a alocação de custos indiretos e, portanto geralmente distorcem a lucratividade verdadeira dos objetos de custo - produtos, clientes, canais de distribuição. Uma evidência da falta de comprometimento dos dados contábeis com os custos logísticos é observada na elaboração dos planos de contas (LIMA, 1998). Os custos dos transportes de suprimentos compõem o custo do produto vendido, como se fosse custo de material. Os custos de distribuição aparecem como despesas de vendas, outros custos aparecem como despesas administrativas. Nenhuma afirmação referente às atividades logísticas é evidenciada. A falta de informações de custos que sejam úteis ao processo decisório e ao controle das atividades torna necessário o desenvolvimento de ferramentas gerenciais com objetivos específicos. O gerenciamento dos custos logísticos pode ser focado de acordo como objetivo desejado. Pode-se desenvolver um sistema para atender uma atividade, um conjunto de atividades ou, até mesmo, todas as atividades existentes na cadeia de suprimentos. A gestão de custos logísticos deve extrapolar os limites da empresa. Consideram-se, assim, as atividades desenvolvidas por outros componentes da cadeia logística. O enfoque da gestão integrada dos custos relacionados à cadeia de suprimentos se contrapõe à análise tradicional da logística. A análise dos custos sob a ótica da logística consiste na avaliação do custo total logístico e no conceito de valor agregado. Ballou (1995) afirma que o custo total logístico é a soma dos custos de transporte, estoque e processamento de pedido. Sob a perspectiva da cadeia de suprimentos, decisões tomadas com base no conceito de custo total logístico não conseguem enxergar os custos existentes fora da empresa. Esse tipo de análise torna-se um tanto quanto restritiva por não conseguir gerenciar os custos gerados pelas atividades desempenhadas por uma cadeia de suprimentos. Pelo fato de estar restrita a aspectos internos da empresa, tal análise não permite uma visão estratégica dos custos. Muitas empresas utilizam o conceito de valor agregado na avaliação de seu desempenho. Gerenciar os custos com eficácia exige uma abordagem mais ampla externa ao ambiente da empresa. Deste modo o conceito de valor agregado, interno à empresa é posto em xeque, pois este começa muito tarde e termina muito cedo. Ele inicia a análise de custos com as compras, deixando de fora todas as oportunidades de explorar elos com fornecedores e determina com as vendas, deixando novamente de explorar elos com os consumidores (SHANK e GOVINDARAJAN, 1997 apud FREIRES, 2000). Sob a ótica da análise convencional, os custos são decorrentes do volume de produção. Em um enfoque estratégico dos custos este conceito é abandonado e procura-se levantar quais são os fatores que efetivamente provocam os custos, tais fatores são chamados de direcionadores de custos. Com o advento da globalização e da competitividade os sistemas de custos tradicionais foram revisados devido ao aumento da importância dos custos indiretos nas empresas e a necessidade de se utilizar a análise de custos como avaliação de desempenho das empresas. A principal ferramenta tradicional de apuração de custos é o método dos centros de custos, no qual a empresa é dividida em centros de custos. Esse método é direcionado para o objetivo fiscal, de tal forma que não há compromisso dessa metodologia com os custos logísticos (LIMA, 1998).

permite que se verifique a lucratividade direta por produto . Fundamentado na estrutura de atividades de uma organização e não no modelo departamental tradicional. que diretamente interferem na lucratividade dos produtos. Outro fato é que. O custo padrão se aplica para a identificação das diferenças nos custos de matéria-prima e mãode-obra direta.TCO . a organização pode conhecer e tomar medidas para a redução de custos das atividades de distribuição mais onerosas ou não agregadoras de valor. direcionar e estabelecer o relacionamento entre empresa e fornecedores.Uma das grandes dificuldades. com base no princípio do custeio variável. Depois de definidas as atividades da cadeia logística e de distribuídos a ela os gastos. a partir daí. aqueles relacionados com transporte são considerados despesas variáveis em relação à quantidade vendida e associados aos produtos. com o objetivo de identificar gastos gerados por cada um deles e. O caráter quantitativo do método ABC torna-se. Com essa ferramenta. definições e procedimentos. O TCO reconhece que os custos de aquisição de um item não são somente aqueles do item propriamente dito. dentro deste contexto. percebe-se que novamente o custeio baseado em atividades pode ser empregado para sua operacionalização. identificar produtos. se o objetivo for o custeamento da cadeia logística. Entretanto. porém os demais classificam-se como gastos fixos. um sistema que equilibre o custo dos erros decorrentes de estimativas incorretas e o custo de medição.e análise da lucratividade de clientes . com os quais. a maior dificuldade no uso do custeio baseado em atividades advém da grande variedade de práticas e métodos de implantação. clientes e canais lucrativos. estando fora da área de abrangência do custeamento. é apurar custos que não sejam aqueles de produtos ou dos centros de custos. a visão fragmentada do processo logístico torna difícil a execução dessa tarefa. determinar o custo relativo de várias atividades e o efeito potencial de mudanças. dos custos logísticos. Quando se fala sobre o TCO. O método ABC inicialmente tinha como foco eliminar as distorções causadas na apuração dos custos dos produtos e serviços causados pelos métodos tradicionais de custeio. além de melhorar a qualidade das decisões.CPA .DPP -. a compreensão das atividades relativas à distribuição que podem ser associadas diretamente aos produtos. com a utilização do método dos centros de custos. custeio total de aquisição . o método ABC contribui para o gerenciamento dos custos logísticos na medida em que fornece informações quantitativas baseadas em atividades para: avaliar o fluxo de determinados processos. as atividades envolvidas no recebimento podem ser associadas aos vários fornecedores da empresa. mas de todas as atividades executadas para que o item seja adquirido e utilizado. Dessa forma. os dados resultantes podem ser pouco confiáveis.e resposta eficiente ao consumidor . analisar o fluxo de processos alternativos baseados em informações econômicas. O objetivo deve ser o melhor sistema de custeio para os processos logísticos. mas para as demais categorias de gastos seu emprego é questionado em virtude de possíveis rateios que têm que ser realizados e. . basicamente objetiva-se uma melhor precisão do custeio de produtos e serviços. esses gastos podem ser utilizados para a avaliação desses fornecedores.ECR. a partir do confronto da receita gerada pelo produto com os gastos variáveis e diretos que podem ser apropriados a eles. Os esforços empreendidos para aumentar a visibilidade dos custos envolvidos na cadeia logística levaram à criação de ferramentas tais como lucratividade direta por produto . um componente-chave para a análise e avaliação de processos logísticos.ou DPP -. Assim.

O ECR ou resposta eficiente ao consumidor também pode valer-se das informações do ABC para melhorar o modo de executar atividades. com o intuito de reduzir custos. Engenharia. Administração. A definição de atividades mais onerosas e a identificação de atividades não agregadoras de valor mais uma vez podem ser empregadas para o redesenho de processos e a implantação de inovações no modo de desempenhar as tarefas.. Contabilidade de custos usada para fins de apuração de resultado A contabilidade de custos usada para fins de apuração de resultado foi engessada pelos princípios da contabilidade geralmente aceitos. que tem como palavras de ordem inferência futura. Gerenciar custos com eficácia exige uma visão ampliada. visando acompanhar as rápidas mudanças do mundo moderno para fornecer feedback para os gerentes. relevância das decisões. lógica e feedback. diferentemente da contabilidade de custos usada para fins de apuração de resultado.. podem ter seu desempenho financeiro melhor analisado.. Isso faz a contabilidade gerencial diferir muito da contabilidade financeira. A gestão de logística deve extrapolar os limites da empresa..) à contabilidade de custos foi muito importante para evitar distorções nos relatórios financeiros das empresas que. São duas as condições básicas para que um princípio supere a fase de tentativa e se transforme em geralmente aceito e. A visão fragmentada da logística dificulta seu custeamento. Contudo... • • FINS GERENCIAIS DA CONTABILIDADE DE CUSTOS A incorporação dos princípios da contabilidade geralmente aceitos (Preceitos resultantes do desenvolvimento da aplicação prática dos princípios técnicos emanados da Contabilidade. flexibilidade. incorporado à doutrina contábil. sua função mais nobre talvez seja a de apoio à tomada de decisão gerencial. de uso predominante no meio em que se aplicam. entre outros. e os diferentes caminhos que a contabilidade de custos seguiu – visando atender a essas duas ciências –. sob regras rígidas. • • • O processo de logística envolve gerenciamento da cadeia de suprimentos. proporcionando interpretação uniforme das demonstrações financeiras. Deve ser considerado útil. Para entendermos melhor as diferenças entre as contabilidades financeira e gerencial. velocidade de mudança.a contabilidade de custos para fins gerenciais incorporou conceitos de Economia... . CONTABILIDADE FINANCEIRA VERSUS GERENCIAL A contabilidade de custos para fins gerenciais tornou-se então a ferramenta básica para a contabilidade gerencial. Apesar de a contabilidade de custos ter sido criada para atender a objetivos contábeis. vamos analisar o seguinte quadro comparativo. que usa a contabilidade de custos para apuração de resultado. • • Deve ser considerado praticável pelo consenso profissional. portanto. que constitui o seu objetivo. O gerenciamento de custos envolve integração. .

explica o sócio da Integral Consultoria Empresarial. contabilidade geral ou financeira. orientada para o futuro. fornecedores e competidores. • • • • • Natureza da informação mais subjetiva. contratar com proprietários e credores. muito agregada. ou seja. surge novamente a contabilidade como uma ferramenta de utilização para os modelos de gestão. sujeita a juízo de valor. autoridades tributárias • Propósito • contratar com proprietários e credores. a gerar informação ao usuário externo. administradores. houve a necessidade de que a contabilidade reportasse informações para esses novos usuários. atrasada. então. Saiu-se da contabilidade inicial. histórica. Com o advento da tecnologia da informação dando velocidade na apuração dos dados. Surge então a contabilidade geral. para prestar informações aos usuários externos. confiável. A contabilidade gerencial é a reunião dos quatro cômputos empresariais. contabilidade de custos. Escopo • Habilidades para adicionar valor à companhia A contabilidade surgiu para prestar informação ao dono da empresa. reporta toda a empresa. a de custos e a contabilidade financeira. Paulo Roberto Pinheiro. • Data • Restrições regulamentada – dirigida por regras e princípios fundamentais da contabilidade. auditável. das auditorias.orçamento empresarial . que se distanciavam da figura do administrador. e passou-se. reportar o desempenho passado às partes externas. feedback e controle sobre desempenho operacional. Tipo de informação somente para mensuração financeira • • • • • • • objetiva. executivos informar decisões internas tomadas pelos funcionários e gerentes. e por autoridades governamentais desregulamentada – sistemas e informações determinados pela administração para satisfazer necessidades estratégicas e operacionais • mensuração física e operacional dos processos.e as estatísticas . que era a de apenas informar aos gestores da empresa para tomada de decisão. consistente. informa as decisões e ações locais. • • • • • Contabilidade Gerencial interna – funcionários. precisa. desagregada.Contabilidade Financeira Clientela externa – acionista. credor. atual. a de planificação . tecnologia. relevante e acurada. Com o advento do mercado de capitais.

O contador que se limitava aos conhecimentos contábeis. Raul Alves Cortepasse. ela é uma gestão de custos e receitas. como em finanças.empresariais. devem utilizar a contabilidade gerencial para direcionar seus negócios. está centrado no conceito de criação de valor. afirma Pinheiro. surgem os sistemas de informação gerenciais. Todas as empresas. a necessidade de um sistema contábil nas empresas é uma realidade. na qual é possível encontrar profissionais de diversas áreas. Um verdadeiro parceiro. como da administração de produção e de tecnologia da informação. Assim. O atual estágio da contabilidade gerencial está centrado no processo de criação de valor por meio do efetivo uso dos recursos empresariais. associado ao processo de informação gerado pela contabilidade para que as entidades possam cumprir adequadamente sua missão. a importância da . o esforço de diminuir inventários. A contabilidade gerencial não se preocupa apenas com a gestão dos recursos. causando forte influência no processo de planejamento estratégico empresarial e no orçamento. que pensa e age. ainda. Implicação das mudanças na contabilidade gerencial A contadora e professora Maria Elisabeth Pereira Kraemer. afirma Pinheiro. a contabilidade gerencial é hoje uma área extremamente atrativa. desenvolvidas para atender as necessidades de seus usuários. Os novos tempos requerem um novo perfil de profissional. Mas quem teria plenas condições de levar a concepção de um sistema de gestão utilizando essa ferramenta são os profissionais da contabilidade. Suas técnicas são personalizadas para atender a cada tipo de empresa. Seus relatórios abrangem os diferentes níveis hierárquicos e funcionam como ferramentas indispensáveis nas tomadas de decisões. ressalta o gerente de planejamento tributário da Dana Albarus. utilizando-a também como um instrumento de análise de desempenho e de monitoramento dos resultados auferidos. preocupa-se com o resultado. de custos e gerencial. podendo ser voltada para a entidade como um todo ou em partes. que se contentava com a formação média e que só fazia para o cliente o que a legislação fiscal determinava. bem como a necessidade de eliminar atividades que não adicionam valor aos produtos. fizeram com que alguns conceitos e técnicas de custeio viessem a ser contemplados como mais capazes de evidenciar os custos de produção e de produtos do que as tradicionais técnicas de custeio. Cabe ressaltar. Ela surge como uma ferramenta que está atrelada aos modelos de gestão. explica Cortepasse. Realiza. Hoje. O sistema deve possibilitar um controle eficaz e fornecer à administração todas as informações concernentes à situação patrimonial e financeira e aos resultados obtidos. independentemente de seu porte. É uma ferramenta que permite aos gestores do negócio saberem se têm capacidade ou não de competitividade no mercado. Pinheiro explica que hoje existe uma grande confusão acerca da contabilidade financeira. A visão da empresa como um todo e a definição das necessidades representam as premissas básicas para a eficácia do processo. mais compromissado com o sucesso dos resultados de seus clientes. em um artigo científico sobre a contabilidade gerencial. está ligado ao processo de geração de lucro para os acionistas. controles específicos como o controle de custos de produção para formação do preço de venda. pois tal prática proporcionará segurança nas operações presentes e futuras. interagindo com as contabilidades financeira e de custos. está definitivamente condenado ao desaparecimento. escreve Maria Elisabeth. afirma que mudanças importantes na tecnologia. Unindo tudo isso. O atual foco das pesquisas sobre a missão das entidades empresariais. o conceito de criação de valor na contabilidade gerencial. Para os especialistas. A contabilidade gerencial é um dos instrumentos mais poderosos para subsidiar a administração de uma empresa.

a evolução tecnológica e as ameaças dos concorrentes. destaca. pode monitorar adequadamente o processo de geração de valor dentro da empresa. Os informes da contabilidade gerencial. o legislador fiscal busca. tais como: cálculo das depreciações pelo método mais simples método linear -. com freqüência. o fato de que. através das áreas de controladoria. em muitos casos. sem considerar a verdadeira estimativa de vida útil dos bens. Isso conduziu os profissionais da contabilidade a redesenhar seus sistemas de informações gerenciais. O gerente da Dana Albarus afirma que esse sistema de informações funciona a partir dos seguintes elementos: sistema de custeio. a ética dos negócios. Nesse ambiente acirrado de competição. e trabalha dentro de uma filosofia de qualidade gerencial e de produtos. são de pouca valia para os gerentes operacionais. não é suficiente a produção de lucros. a preservação do meio ambiente. administrando-os dentro de conceitos que julga mais adequados a sua realidade produtiva. todas as áreas da companhia. Além desses tradicionais inconvenientes. sua tecnologia de produção. ensina. a contabilidade gerencial está voltada ao gerenciamento das operações presentes e também das operações no futuro. pouco a ver com a realidade econômica e tecnológica de suas operações. ainda. não raras vezes. as expectativas dos acionistas. através do sistema de informação contábil gerencial. mapeamento de processos e programas de valorização de idéias. cada qual com um nível de agregação diferente. . por demandarem tempo os gerentes operacionais. explica o especialista. contabilização de algumas formas de imobilizado. destaca Cortepasse. no seu empenho de reduzir custos e melhorar a produtividade. Nesse cenário. mas também com a continuidade da companhia. no exercício da função contábil gerencial. temos. a contabilidade gerencial deve consistir de um sistema de informações atualizadas. controle orçamentário e programas de melhorias contínuas -benchmarking. Porém. Raul Alves Cortepasse. tentando entender e explicar divergências apresentadas. pois os lucros precisam ser gerados considerando as estratégias de médio e longo prazos. Cada empresa tem seus produtos. aumentar a receita do governo. a cada ano. Tais informes afetam. a satisfação dos clientes. a cada ano. pois irá subsidiar e monitorar as decisões que serão determinantes para a obtenção de maiores ou menores lucros para a organização. como despesa e alto custo com impostos e juros embutidos no custo de produção. por ser a contabilidade uma área de alto grau de interação com as demais. a produtividade. essa é uma tarefa mais desafiadora pelas dificuldades impostas por nossa cultura. Para o gerente de planejamento tributário da Dana Albarus. ataca. a contabilidade gerencial ganha destaque.participação do contador. Como cada nível de administração dentro da empresa utiliza a informação contábil de maneira diversa. é de fundamental importância para as empresas poderem tomar decisões. o sistema de informação contábil deverá providenciar que a informação contábil seja trabalhada de forma específica para cada segmento hierárquico da companhia. através de manobras tributárias e fiscais. sem se importar se essas mediadas estão de acordo com as normas internacionais de contabilidade ou. Portanto. A contabilidade gerencial deve suprir. incorporando novos conceitos que melhor retratam as alterações nos métodos de administração de produção. orçamento plurianual. se estão ou não de acordo com a nossa constituição. Mesmo em uma economia altamente competitiva. preocupando-se com a geração de lucros. na qual muitas vezes o preço de venda é determinado pelo mercado. Assim. que deve permear por toda a empresa. Controladoria voltada para o futuro da empresa A controladoria. a contabilidade gerencial. a motivação dos colaboradores. é de suma importância a determinação adequada de quanto custa produzir uma mercadoria ou qual o custo de aquisição de um bem para ser usado no processo de industrialização ou para ser revendido.

. .. a parte dessa ciência que estuda a formação do estoque e a apuração de resultados tem sua importância muito bem definida. desde que os retornos estejam garantidos. por exemplo. de forma confiável. Formação de estoque É preciso destacar que. explica o sócio da Integral Consultoria Empresarial.A contabilidade ainda é vista como um mal necessário dentro da empresa. lucro operacional (Resultado do lucro bruto diminuído das despesas operacionais. PÚBLICO-ALVO DA CONTABILIDADE FINANCEIRA O público-alvo da contabilidade financeira – público externo – precisa ter condições de avaliar a saúde financeira das empresas de que é stakeholder. para o público externo. A contabilidade é vista hoje como o maior vaso comunicante dentro da organização. atendendo a clientes que demandam diferentes esforços financeiros.. afirma. LÓGICA GERENCIAL As regras rígidas expressas nos princípios contábeis geralmente aceitos são necessárias para que a comparação entre empresas possa ser feita sem que o resultado seja. Reportar. Ao contrário dos gerentes. de marketing e de produção.. por exemplo. Se existe um lugar em que estão centralizados todos os atos da gestão.... influenciado pelo uso de diferentes metodologias de apuração – alterando o pagamento de impostos e os indicadores financeiros. . não é tão importante entender como o administrador obtém os retornos que os acionistas exigem.. . Quando um investidor constrói um portfólio composto de ações do Wal-mart. os contadores precisam ver a contabilidade como geradora de informações para o planejamento e controle das operações para a maximização do lucro da empresa. fortemente.. Além disso. como retorno sobre os investimentos. cada administrador tem uma visão diferente de. Para Pinheiro. ele está dentro da contabilidade.como superar as expectativas do cliente – ser eficaz.como racionalizar os recursos necessários ao cumprimento desse objetivo – ser eficiente. esses resultados é função da contabilidade financeira. provocará um efeito – positivo ou negativo – não planejado nos objetivos de um projeto ou de uma atividade..). da Coca-Cola e da Microsoft. . as empresas criam produtos e serviços novos. Dessa forma. Cabe à contabilidade gerencial estudar os melhores caminhos para chegarmos lá.. Idéias completamente diferentes podem levar empresas distintas a terem rentabilidades espetaculares ou medíocres.) e risco (Evento ou condição incerta que. Paulo Roberto Pinheiro.ele está preocupado com indicadores globais. apesar de haver um enfoque da parte gerencial da contabilidade de custos. esse público não precisa de informações detalhadas e específicas de linha de produtos. se ocorrer. Todos os dias..

caso investissem seus recursos em outras opções do mercado financeiro. o método mede o desempenho com ênfase no custo do capital. mas sim destruindo. De tempos em tempos. a empresa não vem agregando valor. a fórmula é relativamente simples. o que não invalida o propósito de mensuração quanto a agregar ou destruir valor ao negócio.. fazendo com que os primeiros busquem em todas as suas ações a geração de valor para os proprietários e estes. a empresa também tem de criar valor para seus proprietários. para observamos se a criação de valor está se confirmando ou se seu capital vem sendo destruído. . Todavia. substituindo o modelo familiar que premia colaboradores mais por sua lealdade e obediência do que por desempenho financeiro. porém reciclados. mesmo que dividendos venham sendo pagos continuadamente. E partindo da premissa de que o objetivo da administração é criar valor para o acionista. nos deparamos com novos conceitos em administração e finanças. A metodologia contempla de forma objetiva o quanto está sendo remunerado o capital do acionista. É o caso do EVA® .A sua empresa está criando ou destruindo valor? A questão aparentemente complexa na verdade deveria estar presente no dia a dia de todas empresas. para mensurar o quanto de valor está sendo criado ou destruído pela empresa. se apropriou do conceito dessa sigla. não passam de conceitos já utilizados. Esse modelo de gestão alinha interesses dos gerentes com o dos proprietários. característica típica de vários países emergentes. Trata-se de uma medida de desempenho. expressão inglesa que significa Economic Value Added ou em português Valor Econômico Adicionado ou Agregado. e aí me incluo. registrou a marca e vem já há algum tempo espalhando a boa nova pelo mundo. cuja aplicação nos remete a conceitos já conhecidos. pois parte do princípio de que o capital empregado no negócio deve ser remunerado. Uma empresa de consultoria americana. precisamos determinar o valor da empresa e monitorá-lo permanentemente. Na verdade. Olhando para as empresas brasileiras. pois como veremos mais adiante. que tão habilmente vem difundindo o conceito pelo mundo. se apresentam como conhecimento técnico moderno. aproveitando-se do esquecimento dos profissionais da área. econômico ou aluguel econômico. por sua vez. Esse conceito está sendo reciclado com esta nomenclatura EVA®. mas que sob nova roupagem. não posso deixar de dizer que se trata de uma idéia antiga com uma roupagem moderna. Essa característica vem sendo alterada pelo ingresso no país de grupos econômicos com sede em economias mais desenvolvidas e com modelos de gestão que estabelecem compromissos de seu corpo diretivo com a criação de valor para a empresa. a remunerar seus principais executivos pela contribuição de cada um na geração de valor. quando na verdade. não for superior à expectativa de remuneração do capital investido pelo acionista no negócio. Criar valor para o acionista em essência significa elevar o valor da empresa. portanto o termo adicionado está empregado no sentido de algo mais. constatamos que a grande maioria está calcada num modelo de gestão com controle familiar. analisar e implantar projetos que adicionem valor para os acionistas. ou maximização da riqueza dos proprietários. e se o resultado gerado na operação.Valor Econômico Agregado. Os economistas. Em síntese. Projetos que ofereçam uma taxa de retorno superior ao custo de oportunidade que esses acionistas teriam. a criação de valor para o acionista é uma batalha que se ganha no dia a dia com muita criatividade para identificar. Sem querer tirar o mérito da empresa de consultoria americana. chamam isso de lucro residual. não basta apenas gerar lucro. a Stern Stewart & Co. depois de descontados custos e despesas operacionais.

operando de forma mais eficiente para garantir um retorno maior sobre o capital investido no negócio. (CT) ROL é o Resultado Líquido Operacional depois dos impostos.. Eficiência operacional Cortar custo e reduzir a carga tributária para aumentar o resultado operacional líquido. a empresa tem EVA® positivo e criou valor durante o período analisado. EVA® = ROL . o EVA® não leva em conta o risco em uma operação desenvolvida no mercado financeiro. multiplicados por uma taxa de juros . analisar e implantar projetos que criem valor para os acionistas. Dessa forma. . então a empresa destruiu valor e seus proprietários estão perdendo dinheiro. São quatro os direcionadores para criação de valor para os acionistas.000 para seus proprietários. então. se o capital aplicado num negócio é da ordem de US$ 1. Obviamente.. seu EVA® será de US$ 100. Podemos concluir.. outros fatores contribuem para o sucesso das empresas. ativo permanente e outros ativos operacionais. seu retorno esperado será de US$ 150. Se o resultado for positivo. mas o enfoque de geração de valor pressupõe que os criadores de valor na empresa necessitam ter criatividade para identificar. O cálculo é simples: deduz-se do lucro operacional líquido uma cobrança pelo volume de capital empregado no negócio / empresa. Se o lucro operacional líquido apurado for de US$ 250. Se partirmos do princípio que uma empresa é o conjunto de projetos em operação. que o objetivo da administração de uma empresa é de elevar seu valor para os acionistas através da melhoria e implantação de projetos que ofereçam um retorno superior ao custo do capital. A essa taxa chamamos de custo médio ponderado do capital . empreender projetos cujo fluxo de caixa a valor presente seja positivo.CMPC% . financeira e racionalizar o uso do capital visando aumentar sua geração de valor..custo de capital de terceiros .000.e uma taxa de risco .000.000. CMPC% é o Custo Médio Ponderado de Capital e CT é o Capital Total. devemos trabalhar para melhorar sua eficiência operacional.CMPC.000 e o custo atribuído a esse capital for de 15%. Ou seja. a título de exemplo. Esse capital corresponde à soma do capital de giro.000. Se for negativo.Por ser um cálculo financeiro.custo do capital próprio. Eficiência financeira Efetivar investimentos nos quais o resultado operacional líquido seja maior do que o aumento de encargos de capital. e que uma empresa bem administrada deverá ter sempre calculado e monitorado seu valor. A formula é a seguinte. significa que ela agregou valor em mais US$ 100. Crescimento rentável Não investir em ativos e atividades que não estejam gerando retornos iguais ou maiores do que o custo de capital.

Esse conceito de criação de valor está cada vez mais presente nas empresas. pois atualmente muitas empresas estabelecem remuneração variável em função da geração de valor obtida. deve ser inserido no sistema de gestão financeira e monitorado permanentemente. E agora você poderia responder a questão inicial: A sua empresa está criando ou destruindo valor? Espero que os responsáveis pela gestão das empresas estejam preocupados em responder a essa questão. Não se trata de uma panacéia. mas como medida de desempenho. O EVA® é uma maneira fundamental de medir e gerir o desempenho empresarial que tem raízes tão antigas quanto o próprio capitalismo.Racionalização do capital Estruturar as finanças da empresa de forma tal que minimizem o custo de capital. nem a razão de seu sucesso. É uma tendência irreversível que nos obriga incondicionalmente a exercermos nossa criatividade como agentes criadores de valor para a empresa e por conseguinte aumentando a riqueza de seus proprietários / acionistas. II UNIDADE – CONCEITOS BÁSICOS .

... • CUSTOS • DESPESAS • INVESTIMENTOS Cedeplar desenvolve banco de dados sobre gastos da educação no país A gestão pública na área de educação vai ganhar um novo aliado: um grande banco de dados com os gastos referentes à educação em todo o Brasil. com o objetivo de auferir rendimentos) ou operações financeiras. O trabalho é financiado pelo INEP/MEC e conta com gerenciamento da Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da UFMG FUNDEP. O primeiro é referente à consolidação do SIOPE e o segundo. se refere à análise de dados do Sistema Informacional Custo-Aluno . temos receitas obtidas com produtos vendidos ou com serviços prestados. Os gastos se dividem em. Essa é a característica que diferencia os ganhos das receitas. está auxiliando o MEC na definição dos gastos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica . coordenado pela professora Ana Flávia Machado.podendo também derivar de remunerações sobre aplicações (Emprego da poupança na aquisição de títulos. . temos os ganhos cambiais (Diferença entre os valores recebidos em dólares e convertidos em reais e o valor em dólar obtido quando da aplicação do mesmo em reais).e do Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública SIMAVE -..RECEITAS Receitas são ingressos de recursos para o patrimônio (Conjunto de bens e direitos de uma pessoa ou empresa) de uma entidade sob a forma de bens ou direitos correspondentes normalmente à venda de mercadorias e de produtos ou à prestação de serviços. denominada SIOPE . A criação dessa ferramenta. Essa análise vai possibilitar criação de indicadores de eficiência para as escolas públicas do país e. GASTOS Gastos são os sacrifícios financeiros com que uma entidade arca para a obtenção de produtos ou serviços. coordenado pelo professor Mauro Borges Lemos.SICA . temos os danos causados por uma enchente.FACE. custo-aluno. ambos da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais. As perdas são os bens ou serviços consumidos de forma anormal ou involuntária.. Como exemplo de ganhos. é o principal objetivo do projeto Economia da educação: orçamento público em educação. além disso. GANHOS E PERDAS Os ganhos são os bens e serviços obtidos de forma anormal ou involuntária. desempenho e proficiência escolar desenvolvido pelo Cedeplar.. . é dividido em quinze metas reunidas em dois grandes blocos. Como exemplo de perdas. O projeto. Como exemplo.FUNDEB. da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG .Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação -. O projeto permite o acompanhamento e fiscalização dos gastos em educação e servirá como instrumento para formação de políticas públicas nessa área.

Segundo os trabalhos acadêmicos mais recentes. do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa . diz o especialista. revela que uma mudança do pior para o melhor nível de governança resulta em um aumento de 85% a 100% na capitalização de mercado da companhia. É um indicador que representa o valor das empresas listadas. No entanto. de Alexandre di Miceli. começa a se consolidar a primeira leva de trabalhos que mostra uma relação concreta e forte entre a boa governança e a valorização da companhia. que é o aumento do valor da empresa.juros – seja contabilizado. Pesquisas feitas com as empresas que efetivamente foram negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo nos anos 2003 e 2004 tiram o ponto de interrogação do título. que elaborou um quadro no qual listava as principais boas práticas e verificou que cada ponto que a empresa cumpria equivalia a um aumento de 6. para efeitos gerenciais. Agora. foram animadores. o temor era de que as evidências encontradas em outros mercados entre as boas práticas de governança corporativa e o aumento do valor da companhia não se repetissem no Brasil. Os estudos locais que avaliaram os efeitos das primeiras evoluções das empresas brasileiras. diz Miceli. A governança compensa? Para quem ainda tinha dúvidas se a governança realmente valoriza as companhias e ainda temia que os bons resultados inicialmente encontrados em função das boas práticas fosse uma maré passageira.ESQUEMA DE CONCEITOS IMPACTO NO RESULTADO POSITIVO GASTOS NEGATIVO INVESTIEMNTOS – DESPESAS – CUSTOS PERDAS NORMAL VOLUNTÁRIO RECEITAS GANHOS ANORMAL INVOLUNTÁRIO RESULTADO CUSTO DE CAPITAL Apesar de a legislação brasileira só permitir que os custo do capital de terceiros m. os mais recentes estudos não deixam dúvida. o custo do capital próprio também é mum importante item de custo. A capitalização corresponde ao valor da cotação multiplicado pelo número de acionistas. é possível concluir que a evolução das práticas de governança também leva ao aumento do mercado como um todo. da Coppead UFRJ. Um dos primeiros estudos que mostraram essa ligação foi o do professor Ricardo Leal. rumo a um melhor relacionamento com os acionistas. o respeito aos acionistas já oferece com certeza uma recompensa. No começo. Um dos trabalhos.8% no valor de mercado das ações.IBGC -. a maior parte dessas primeiras pesquisas só analisavam a correlação entre alguns aspectos isolados de governança e seu impacto na geração de valor para a companhia. . Por conta disso.

Estou analisando não apenas o custo de capital próprio mas também de terceiros. sendo que algumas podem ter sinergias. a boa comunicação com o mercado por meio do Índice de Governança Corporativa . tomando como parâmetros as recomendações presentes nos códigos de boa governança. por exemplo. diz. compreendendo gastos com pessoal. em 2004. a maior parte dos trabalhos anteriores procurava averiguar se o valor de mercado das empresas era determinado por mecanismos internos ou externos . por outro. conta ele. e a redução do custo do capital.A pesquisadora Flavia Padilha também acaba de concluir um trabalho de mestrado pelo IAG PUC-Rio no qual buscou verificar quais seriam os benefícios obtidos com a adoção de boas práticas de governança corporativa no caso das empresas brasileiras. é possível encontrar indícios da redução do custo de captação de recursos no mercado e pode-se verificar que os novos aspectos trazidos pela bom tratamento aos acionistas minoritários influenciam a dinâmica empresarial no Brasil. . ou seja. e precisam sair da conta de custeio (Na contabilidade. segundo a pesquisadora. o pesquisador di Miceli. Ao analisar os aspectos isoladamente. O trabalho enfatizou a transparência dada pela companhia e as características do Conselho de Administração. nesse trabalho. não fazem mais parte do processo de produção de produtos e serviços. Os resultados para essa amostra de empresas. apesar de ainda terem impacto contábil e afetarem os resultados. conta que se volta para a manutenção das atividades. financiar). Isso faz com que a discussão da governança passe a ser mais relevante porque os diversos controladores precisam de mecanismos para monitorar o desempenho dos gestores da companhia. Em seu estudo. Apesar disso. Segundo Miceli. o impacto da governança nos custos de captação. Os principais focos da tese foram justamente a relação entre boas práticas e o aumento do valor. Para Flavia. que já está em fase final. no entanto. Novas formas de governança. explica Miceli.de governança. Para isso. por exemplo. procurou testar a influência dos mecanismos de governança agrupados e não isoladamente. acrescentando. a relação com custo de capital menor parece existir. SUNK COST OU CUSTO AFUNDADO Sunk cost ou custo afundado são valores que. procurou testar a hipótese em diversos modelos econométricos. disse Flavia. conclui. que o assunto deverá ser tema de outros estudos. Significa cobrir despesas. Existe uma correspondência entre as estruturas de governança corporativa e financeira decorrentes das mudanças sofridas pelas empresas na economia brasileira.IGC -. por um lado. diz a pesquisadora. mas esse é o tema de um outro estudo. não se podia verificar uma influência isolada de cada prática. Uma parte da pesquisa avalia a relação entre a qualidade da governança e os ratings de crédito da companhia. apresentam uma relação estatisticamente significante entre o valor das companhias e os aspectos relacionados às práticas de governança como. no entanto. a análise quantitativa dos dados foi pouco conclusiva. Com relação ao custo de capital próprio. para financiar os investimentos. mas terei em breve um embasamento mais concreto sobre isso. O especialista não analisou. material de consumo e serviço de terceiros. Ele analisou 154 companhias não financeiras que tinham liquidez em 2002. já em um momento mais recente. do IBGC. completa. Importante ressaltar que o estudo da pesquisadora toma como base dados de cerca de 200 empresas listadas e negociadas em bolsa no ano de 2004. especialmente as decorrentes do controle acionário compartilhado têm ocupado espaço crescente no país. Intuitivamente. o capital de risco tende a se tornar uma fonte de recursos não apenas menos onerosa mas também mais adequada do ponto de vista da governança financeira. diz Flavia.

. teremos acordos específicos que atendem aos interesses brasileiros. definida em grande medida pelos Estados Unidos e tendo como [denominador] comum a geléia geral latino-americana e caribenha. ao se referir à polêmica em torno da criação da Área de Livre Comércio das Américas . em termos de comércio exterior.Qual a vantagem desse tipo de acordo? REINALDO GONÇALVES . Em entrevista ao Globo Online. Os americanos tratam o assunto no gênero colar o selo. pode ser depreciada em 10 anos. Rússia e.ALCA. GLOBO ONLINE . O economista também não poupou críticas ao Mercosul. Índia. mais de 300 acordos bilaterais deverão ser registrados junto à OMC. Reinaldo Gonçalves. se colar. a máquina nova ou as duas? Para efeito gerencial. Estados Unidos. que era apoiada pela Fazenda.. ou seja.Esse é um argumento muito usado pelos defensores do bloco. Vamos supor que uma empresa tenha uma máquina que. Indústria e Comércio Exterior. . O próprio Bush não parece muito interessado. E também não é para o governo americano. mostrava-se dividido em relação à ALCA.. para se tornar competitiva. Depois.A vantagem é que em vez de termos uma agenda prêt-a-porter. classificado por ele como um projeto moribundo. Três anos depois...A criação da ALCA é fundamental? REINALDO GONÇALVES . Os americanos têm priorizado acordos bilaterais com países da América Central e do Sul e acho que essa deveria ser a estratégia do Brasil: abandonar esquemas plurilaterais ou multilaterais e partir para acordos bilaterais. O próprio governo.mesmo que a empresa possa se beneficiar da redução de imposto por mais sete anos.específicos e que preservam os interesses brasileiros -. Saída para o Brasil são os acordos bilaterais O Brasil não deveria perder tempo com um bloco que não é importante nem prioritário para o país. E essa é uma tendência: até o fim deste ano. mas que não tem fundamento.Não. uma máquina mais moderna começa a ser vendida no mercado e. Na origem. o governo passou a exigir melhores condições de acesso ao mercado de produtos agrícolas. seriam os acordos bilaterais .Não aderir à ALCA . se a máquina antiga não participa mais dos recursos utilizados pela empresa. causada pela apropriação restante da depreciação da máquina antiga. Qual item de custo participa da equação de custos – a máquina antiga. segundo os princípios da contabilidade geralmente aceitos. andou meio esquecida e foi retomada pelo Clinton. Depois. e Agricultura. GLOBO ONLINE . a exemplo do que fazem China. . colou. GLOBO ONLINE . GLOBO ONLINE . inclusive. George Bush. essa empresa precisa adquiri-la.O Brasil tem interesse no bloco? REINALDO GONÇALVES . a ALCA foi uma idéia do pai. e chamava-se Iniciativa das Américas. Gonçalves sustenta que a saída mais vantajosa para o Brasil. um exército de Brancaleone. no início. os principais defensores são grupos do setor privado.No Brasil. A opinião é do professor titular de Economia Internacional da UFRJ. ela deve sair de sua conta de custo.seria prejudicial para o Brasil? REINALDO GONÇALVES .ou ser o último a aderir .

como já expusemos.Sem dúvida. Rússia. com a Alemanha e com a França. Corresponde ao Patrimônio Líquido da empresa. Apesar de esse custo ter um impedimento legal para sua contabilização. seria preciso denunciar esse acordo. que é avançar com acordos bilaterais. As economias de seus membros são distintas.ALCA e MERCOSUL seriam. inviáveis? REINALDO GONÇALVES . como em um contrato de aluguel de uma casa. em termos de relação custo-benefício.Os defensores da ALCA alegam que o Brasil poderia sair do bloco. acho que. O custo imputado é representado pelos valores que são usados nas equações de custos gerenciais. o que não é possível porque toda a parte comercial do bloco está centralizadada em Bruxelas. mas não tem sustentabilidade. é cobrada uma multa altíssima. Em Economia. Um exemplo de capital próprio é o capital obtido pela venda de ações da empresa no mercado acionário. E isso sem contar que a saída do bloco poderia provocar uma espécie de retaliação. Mas insistem que estar na ALCA seria importante. deveríamos sair na frente e apresentar ativamente uma proposta. Por isso. GLOBO ONLINE .GLOBO ONLINE . com a acusação de que o país não cumpre acordos. caso as condições não fosse favoráveis. sou um crítico do Mercosul. CUSTOS NA GESTÃO ESTRATÉGICA DE CUSTOS A diferença entre os custos e as despesas é importante porque muitos relatórios financeiros são compartilhados tanto pela contabilidade financeira quanto pela gerencial – na Demonstração do Resultado do Exercício. Aliás. faz todo sentido gerencial e. a ALCA definitivamente não é favorável para o Brasil. mas não são usados nas equações de custos contábeis – de contabilidade financeira. Outro exemplo é o capital aportado pelos sócios em uma empresa limitada. Chile. mesmo que alguns conceitos sejam aqui abordados por uma ótica diferente. um exército de Brancaleone.sunk cost. então. na realidade. portanto. em vez de esperarmos passivamente uma proposta bilateral. reinveste-os em ampliações). Mas isso tem um custo. Foi idéia do Collor. está focada na área comercial da política externa brasileira.Esse é um argumento falacioso porque. mas minha crítica é mais abrangente. o . Então. particularmente. que ao invés de distribuí-los aos sócios. Ou seja. Eu. assim uma agenda bilateral do Brasil com a Argentina obrigatoriamente será diferente de uma agenda com o Paraguai e com o Uruguai e com os Estados Unidos. em relação aos Estados Unidos. faz parte da equação de custo gerencial.Via MERCOSUL? REINALDO GONÇALVES . abandonando de vez a ALCA. Mas um acordo com a União Européia é possível e viável.O ideal seria podermos fazer acordos. que considero um projeto moribundo. Um terceiro exemplo são os lucros retidos pela empresa. poderia ser boa. o acordo é protegido pelo direito internacional público. um acordo bilateral Brasil-UE. é o que se chama de custo de saída .E como proceder em relação à União Européia? REINALDO GONÇALVES . Precisamos fazer o que fazem China. por exemplo. O senhor concorda? REINALDO GONÇALVES . Índia. CUSTO IMPUTADO Um exemplo é o custo do capital próprio (Pertencente aos sócios de um investimento ou uma empresa.Não. por exemplo. GLOBO ONLINE . GLOBO ONLINE .

para auxiliarem nas tomadas de decisões em suas atividades. internet e 'call center'. por meio da análise do processo de geração de valor. e não apenas os gastos relacionados à produção. desde a apuração. o Banco ABN Amro Real está apurando a rentabilidade de produtos. É um modelo que começou a ser desenhado há quatro anos. prática e confiável e ao conhecê-los. de rentabilidade e operacionais. serviços e clientes. Portanto.. Para o gestor. envolvimento da equipe e atualização das etapas.. Um exemplo de como a posse dos custos ajuda no planejamento estratégico é a avaliação da rentabilidade das transações efetuadas nos diferentes canais. na opinião de Merschman.custos são todos os gastos necessários à geração de valor para o cliente.. gerando valor para os acionistas e funcionários. a separação dos gastos entre custos – gastos relacionados à produção – e despesas – gastos não relacionados à produção – não faz muito sentido. explica. E uma das conseqüências positivas de todo esse trabalho. para apurar custos de forma inteligente. chamaremos de custo todos os gastos necessários à geração de valor. foi a mudança do comportamento dos gestores que passaram a usar as informações disponíveis e análises sobre os custos de processos.. que a missão maior do gestor é a geração de valor para o cliente – seja ele interno ou externo. Os ganhos podem . Um cenário altamente competitivo exige rapidez na tomada de decisão para garantir não somente a sobrevivência da empresa como seu lugar no ranking. É mais caro para o banco usar o canal de atendimento agência. . de acordo com Ralf Merschmann. foram investidos R$5 milhões em todas as fases do projeto. Em 2001. A migração do atendimento nas agências para o autoatendimento ou outros canais eletrônicos pode gerar economia significativa . o Banco ABN Amro Real criou uma saída inteligente baseada em um modelo inovador de gestão de custos. Adotamos o SAS ABM. aquisição de ferramentas. serviços e transações. para a gestão estratégica de custos. foi a saída acertada para viabilizar a apuração correta dos custos. alinhada à metodologia de custeio. entre os estudiosos da Administração. Dessa forma. demandando a criação de critérios e o uso de ferramentas adequados à estratégia do grupo. minimizando os gargalos e melhorando o atendimento.uma utilização equilibrada dos canais. contratação de consultores. e também líder do projeto de custos. entrava em vigor uma nova estrutura mundial com foco no aprimoramento do atendimento ao cliente. ampliamos nossa capacidade de gerir questões estratégicas. Resultados no longo prazo Até o momento.. Já é consenso. . definição do tipo de informação.. A tecnologia.entendimento da nomenclatura sob a ótica da contabilidade financeira facilita a comunicação no ambiente empresarial. gerente de Custos do ABN Amro Real. quando decidiu investir em um projeto de custos.. Custo é a chave da estratégia Em busca de resultados que satisfaçam clientes. Por essa razão.. na conquista da liderança em mercados selecionados e na maximização do valor adicionado para o acionista.custos não são apenas os gastos necessários à produção de um produto – como considera a contabilidade financeira. A alternativa é direcionar o cliente para o uso de outros como os caixas eletrônicos. sejam eles relacionados à produção ou não.

que demanda produtos e serviços da instituição. otimizando o consumo de recursos. que visa [ao] aumento da eficiência no uso dos recursos.prestador e consumidor -. Segredo do sucesso O bom desenvolvimento do projeto. Como a abordagem adotada foi a de custeio por processo de negócio. Elas possuem metas. a estrutura de negócios do ABN Amro Real . para manter um nível de serviço adequado. call center. utilizando informações importantes para melhor direcionar os negócios. Assim. O modelo de custos adotado. agências. já estão concluídos os canais agência .grandes empresas e instituições com atuação global -.ABC – custeio baseado em atividades -. por meio da negociação e da formalização de contratos de prestação de serviços entre as áreas. além de venderem e comprarem serviços de outras unidades. Todas as áreas funcionam integradas e usam os recursos disponíveis da melhor maneira possível. por fornecer informações para a tomada de decisão referente ao comportamento dos custos de produtos e serviços. As aplicações práticas estão em andamento. comprometendo as partes envolvidas . Alinhado ao modelo operacional do ABN Amro Real. operações EDI. o dimensionamento de pessoal. Hoje. todos estão a disposição dos clientes e o equacionamento na utilização é o grande desafio. que teve início em 2001. em função da representatividade dos recursos envolvidos. o SLA . consumer finance e cartões de crédito. auto-atendimento. otimizando os preços de produtos e serviços.processamento de transações-caixa e retaguarda -. operações de rede. primeiramente foram custeados os canais de atendimento e as áreas operacionais de produtos . consumer & commercial clients - . 20 milhões nos canais de auto-atendimento e 10 milhões pela internet.funcionam como unidades de negócios independentes. tem hoje como base a disseminação da cultura de gestão. Atualmente. etc. Um modelo de vanguarda Com o projeto a adequação da estrutura da organização às necessidades do mercado foi aprimorada. budget próprios e gerenciam seus custos e receitas. rentabilidade de clientes.quarto maior banco privado brasileiro em depósitos e empréstimos e o quinto maior em ativos . visto que o consumo dos recursos é decorrência do relacionamento com o cliente. foi atribuído a um planejamento coerente e à definição de fases distintas e cuidadosamente direcionadas. o modelo operacional do ABN Amro Real. Trata-se de um ponto importante. a instituição financeira realiza 10 milhões de transações/mês nas agências. Atualmente. É importante reconhecermos que os canais hoje disponíveis se complementam. Tudo isso somado à metodologia Activity-Based Costing . . recursos humanos. departamentos e áreas . assim como a utilização das [informações] para a apuração da rentabilidade de clientes. suporte a operações financeiras. está estruturado sobre três pilares: gestão estratégica de custos. Nesse desenho. A meta é migrar parte do volume de operações nas agências para os canais eletrônicos e obter atendimento de qualidade a um custo menor. descrita por Merschmann. as áreas fazem uso de ferramentas de gestão como gestão de custo e gestão de prestação de serviços internos .SLA -. internet.back office.tecnologia. O SLA é um modelo utilizado para aprimorar a gestão de recursos. produtos e unidades de negócio e gestão operacional. portanto. que oferece atendimento mais rápido com menor custo. exemplifica o executivo. a implementação de novos produtos e as concorrências e terceirizações.ser sentidos pelos clientes e pelo banco.service level agreement -.está dividida em três linhas: wholesale clients .

pessoas físicas e empresas de pequeno e médio portes . a evolução da metodologia ABC/ABM irá proporcionar o desenvolvimento do chamado ABB .orçamento baseado em atividades. Para Merschmann.clientes private e administração de recursos de terceiros.e private clients & asset management .activity based budgeting . .corporações locais. será possível aprimorar o planejamento estratégico do banco. Por meio dele.

Introdução Os custos logísticos representam um tipo de custo muito significativo. é de suma importância para a empresa saber identificar e mensurar esse tipo de custo que pode significar muitas vezes a própria existência da empresa. TRADE-OFF ENTRE PRECISÃO E RELEVÂNCIA Quando desenhamos um sistema de custeio. da produção até a distribuição. planejamento operacional. A seguir falaremos um pouco mais de alguns dos custos logísticos. um conjunto de atividades ou até mesmo todas atividades [logísticas] da empresa. É preciso saber o que [está] sendo considerado no modelo e conhecer suas limitações. . O mais importante é o conhecimento do tomador de decisão sobre a informação disponibilizada. podem ocorrer resultados imprevistos em outras áreas. e os impostos em cascata. Daí a necessidade de direcionar o sistema para o tipo de controle ou decisão que se pretende apoiar. deixando para trás sua metodologia tradicional. transportes e planejamento estratégico. aspectos legais. Desenvolvimento Os problemas surgidos em níveis operacionais resultantes do gerenciamento logístico advêm dos impactos diretos e indiretos de decisões específicas. A ABML estima que o custo logístico em uma empresa pode equivaler a 19% de seu faturamento.III UNIDADE – CONCEITOS DE RELEVÂNCIA O mundo de hoje é extremamente competitivo e melhores informações de custos podem ser muito importantes para dar embasamento às decisões corporativas. influenciando os padrões de pedido dos clientes e provocando custos adicionais. inventário. os grandes empecilhos à produtividade e à conseqüente redução de custos logísticos estão na infra-estrutura do país. acontece que. [Dessa maneira]. é importante perceber que o aumento do escopo pode repercutir na falta de foco. principalmente de transportes. Assim. fluxo de informações. com o objetivo de identificação dos reais custos de produção até sua distribuição final. desencadeou mudanças nos sistemas convencionais da contabilidade de custos. dentro das empresas. A falta de informações sobre custos [é] uma das maiores causas para a dificuldade que muitas companhias [têm] no processo de adoção de uma abordagem integrada para a logística e para o gerenciamento de distribuição. A necessidade de adoção pelas companhias de uma abordagem integrada para o gerenciamento de informações dos custos. No entanto. O gerenciamento de custos logísticos pode ser mais ou menos focado de acordo com o objetivo desejado. armazenagem e serviço ao cliente. [os quais] são identificados nos estoques. existe sempre um trade-off entre precisão e relevância das informações geradas por esse sistema. embalagem. No Brasil. é possível desenvolver um sistema para atender apenas uma atividade. na tomada de uma decisão em uma determinada área. que inviabilizam muitas soluções logísticas. movimentação. até suprimentos. Freqüentemente. portuária e alfandegária.

geralmente. os custos de transportes alcançam cifras consideráveis. administração -. minimizando assim as possibilidades de melhora. [dá] origem às despesas com frete que [estão incluídas] no preço. combustíveis. Para reduzir os custos de armazenagem e estoques [é] necessário: reduzir o lead time de produção e abastecimento. as empresas eram obrigadas a trabalhar com elevados níveis de estoques. Enquadram-se aqui os custos com a depreciação dos veículos. Hoje existe uma transformação conceitual nesse processo. os estoques podem prejudicar o fluxo da produção. e o serviço prestado por esses fornecedores era colocado em segundo plano. A seguir. e outros custos . a função compras era avaliada em função do preço de compra dos insumos. No suprimento. sincronizar as entregas de materiais e componentes com o setor produtivo. custo com pessoal de armazenagem. Existem também outros custos com estoques como as perdas e roubos. dificultar o controle. seguros -. e torná-lo obsoleto. uma ferramenta de custeio pode favorecer no critério de seleção de fornecedores. É importante também que se diga que os custos de transportes representam 59% dos custos logísticos. depreciação. obsolescência. ocultar os desequilíbrios existentes na capacidade das instalações. que mesmo não sendo lideres em preço consigam oferecer um produto a um custo .Custo de armazenagem São aqueles aplicados nas estruturas e condições necessárias para que a empresa possa guardar seus produtos adequadamente. redução dos tempos de planejamento da produção e elaboração de planos a ciclos breves. aquisições de paletes. impostos. Dessa maneira. gerando custo de manutenção do capital. concretização e integração das bases de distribuição física. transporte. a fim de garantir o suprimento da linha de produção. demanda movimentação dentro da [fábrica].juros. seguido pelos custos gerais . Podemos citar como exemplo aluguel de armazenagem. Assim. a própria depreciação dos materiais.armazenagem. é possível identificar fornecedores. Os custos de armazenagem são gerados pela produção que não [é] vendida. uma vez que o preço de compra passa a ser visto apenas como um dos custos de aquisição. etc. No passado. apoio à manufatura e distribuição física. de acordo com os produtos ou clientes. na definição dos tamanhos dos lotes de compras e na determinação da política de estoques. muitas vezes. recebimento e estoque de materiais. sua preocupação estava voltada para obter o menor preço. empata capital e enfatiza a questão do custo de oportunidade. Custos com estoques São aqueles gerados a partir da necessidade de estocar os materiais. Custo com transporte Geralmente. pneus. etc. Dessa forma. que considera os custos de colocação do pedido. com 28%. manutenção. às vezes. Além disso. que nada mais [é] do que o valor que a empresa perde imobilizando o capital em estoque em vez de aplicar no mercado financeiro. despacho. ganhando a remuneração dos juros. pode danificar o material. esse custo incide de 1 a 2% sobre o faturamento total. assim [irá] impactar negativamente o resultado. Em quase todas as empresas. de 13%. etc. serão ilustrados algumas das potencialidades do gerenciamento de custos nos três macros processos logísticos: suprimento. chega-se a 7%. A decisão de manter estoques pode ocultar problemas. O armazenamento consome espaço. Investir em estoque custa dinheiro. Esse custo. maior rapidez no recebimento dos pedidos e criação de um network informativo. Todas as despesas relacionadas à movimentação de materiais fora da empresa podem ser consideradas custos com transportes.

armazenagem e entrega variavam em função da região geográfica. os custos eram alocados de acordo com o volume de produção. alta disponibilidades de produtos e menor índice de devoluções. Essa ferramenta também possibilitou observar que partes dos clientes atendidas por um sistema diferenciado muitas vezes não eram rentáveis para a companhia. principalmente quando e necessário remunerar os transportadores e cobrar a conta do cliente. estoque. Para isso.mais baixo. por oferecer um sistema com maior freqüência de entregas. de maneira que produtos com alto volume de produção subsidiavam os de baixo volume. Assim esse cliente resolveu mudar de fornecedor. do canal de atendimento e também em função do tamanho da encomenda. como também dos clientes. permitiu selecionar quais clientes deveriam ser atendidos diretamente e quais deveriam ser atendidos através de distribuidores. dada [por] seu alto volume de produção. [é] conseguir o rastreamento dos custos através da estrutura logística. processamento de pedido. Dessa maneira. o qual permite observar como os custos de atendimento . Dessa forma.venda. nesse tipo de sistema. O importante. Esta informação [é] primordial para análises de rentabilidade. Como essa empresa não tinha um sistema de custeio eficaz. O problema [é] que seu maior cliente que consumia uma variedade pequena de itens. muitas vezes o transporte tem esse destaque. foi possível estabelecer volumes mínimos de entrega para cada região e canal de atendimento. com uma empresa nacional produtora de bens de consuma não-duráveis: Sua vantagem competitiva estava baseada na economia de escala. [Além] disso. A perda desse importante cliente fez com que a companhia perdesse escala. Uma empresa benchmarking em distribuição física no Brasil desenvolveu um sistema piloto. passou a pagar o custo da grande variedade. o sistema deve possibilitar a simulação de diferentes políticas de produção para perceber como se comportam os custos diante destas modificações. esse sistema deve alocar os custos indiretos de maneira não distorcida para que se possa custear os produtos e assim mensurar a rentabilidade não só dos produtos. a fim de apoiar decisões referentes aos tamanhos de lotes e alocação da produção entre as plantas e as linhas de produção. Buscando manter a liderança. Na distribuição física . Assim [é] possível mensurar custos dos canais de distribuição dos clientes e até mesmo das entregas. .pode ser um sistema abrangendo todas as atividades desde a saída da linha de produção até a entrega.para a logística. aumentando ainda mais seus custos. No caso da distribuição física. Na produção . Vejamos um exemplo desse sistema. evitando o rateio indiscriminado de custos. a ferramenta de custos de produção deve estar voltada às necessidades do planejamento e controle da produção. A relevância de uma atividade no processo logístico e sua necessidade de controle pode fazer com que seja desenvolvida uma ferramenta de custos focada em uma função especifica. o que levou a rever seu sistema de custos e sua política de preços para se manter no mercado. o nível de serviço pode ser estabelecido não só em função da necessidade dos clientes mas também em função da rentabilidade que esses propiciam para a organização. ela começou a aumentar a variedade de produtos. [Além] disso. que por sua vez deve ser utilizada pelo pessoal da área comercial no processo de segmentação da carteira de clientes. Com resultado do aumento de custos os preços foram aos poucos sendo reajustados.

hoje se dá entre as cadeias produtivas. sobrariam R$ 50. e R$ 50. O início do almoço foi muito agradável. menos o vinho. e posteriormente. come pizza e não toma refrigerante. Uma segunda pessoa achava que a sugestão do colega anterior seria muito boa se não houvesse o consumo de vinho. bem como na empresa de forma global.00 das pizzas.. resta para as empresas entender que os custos logísticos devem ser bem dimensionados e controlados. minimizados e/ou eliminados. que é uma bebida bem mais cara. A turma optou por um restaurante que servia comida brasileira à la carte. sugeriram que o rateio com base nas fatias de pizzas incluísse todos os itens da conta.Conclusão [. Como a conta foi de R$ 100. as empresas brasileiras terão de correr mais do que nunca para alcançar um padrão de competitividade que lhes permita sobreviver no novo panorama. Pensando que o mais importante do almoço é a integração. as pessoas que optassem por uma bebida mais barata estariam pagando pelo vinho. já que o vinho estava sendo dividido de forma separada. Em uma pizza com 10 fatias. previamente. ineficiências e redundâncias. Com a ALCA batendo à porta. pois se antes a concorrência se resumia somente entre as empresas. R$ 25.00 – R$ 10. para tentar alavancar e sustentar vantagem competitiva em seus segmentos. . em sistemas que reduzam a possibilidade de erros e avarias.00.00 e que uma garrafa servisse 5 taças. Será mais competitiva aquela que apresentar melhor qualidade e menor preço para o consumidor. vocês acordaram.00 foram consumidos em vinho. Uma pessoa que tivesse consumido uma taça de vinho e 3 fatias de pizza pagaria. todos os desperdícios e custos logísticos escondidos existentes. era justo também que eles dividissem o refrigerante de forma separada. parte do refrigerante de outra pessoa.00 para serem rateados pelo número de pizzas consumido. Havendo o consumo de vinho. No entanto.00. cada fatia custaria R$ 5. Exemplo 1 – à la carte Você e seus colegas de turma resolveram se juntar para fazer um almoço de confraternização. Supondo que o vinho tivesse custado R$ 50. Para resolver esse problema. portanto. cada taça custaria R$ 10. Quem toma vinho. estaria pagando. reduzindo desperdícios. [é] preciso investir em automação.00 do vinho e R$ 15. no decorrer da confraternização. informados. Para que haja eficácia e eficiência no processo. no rateio das fatias de pizza. que seria dividido com base no número de taças de vinho que cada pessoa tivesse bebido. para que.] Além de investir na formação do ser humano. que a conta seria dividida pelos participantes do almoço de forma igual. mensurados.. [é] necessário que haja um trabalho integrado entre as áreas operacionais. uma cena começou a gerar um certo desconforto por parte de alguns participantes.00. Exemplo 2 – divisão de tudo Uma terceira pessoa achava que. Na moderna concepção do gerenciamento da cadeia de suprimentos. sejam identificados. sem preocupação com o que cada um tivesse consumido.

Contudo.e verifiquemos a quantidade de itens que precisam ser atribuídos a produtos. ou custeio baseado em atividades.. ou seja. É o principal instrumento de controle econômico-financeiro e patrimonial das empresas) de nossa empresa.) ou qualquer outro objeto que queiramos custear. pois é com sua utilização que se estabelece o banco de dados com informações para a geração de todos os relatórios. delimitada segundo o aspecto de localização de todos os custos nela verificados. . pareceu ser a mais interessante.fabricação dos produtos e administrativos . a sobremesa.. O mundo hoje é extremamente competitivo e melhores informações de custos podem ser muito importantes para dar embasamento às decisões corporativas. serviços. canais de atuação. os sucos. por exemplo..Uma quarta pessoa argumentou que. o tamanho e a diversidade de negócios representam um grande desafio ao processo . acredita Cláudio Gondim.activity-based costing -.. Imaginemos então uma empresa em que os itens que compõem o custo de um produto ou serviço vão muito além de apenas pizzas e bebidas.. processos e áreas.. já que era para dividir. o couvert. toda divisão deveria ser feita de forma separada. nem todos comem fatias inteiras de pizza. informações mais precisas custam dinheiro. e não pelas fatias. algumas comem duas ou três fatias e meia. Além disso. pessoas que programam e operam esses sistemas. e por meio da ferramenta desenvolvida pelo SAS. canais e segmentos de clientes. com mais de 4 mil pontos de atendimentos e 37 mil terminais de auto-atendimento espalhados por todo o país. Os centros de custos são classificados em produtivos . gerente de custos do Banco do Brasil. tecnologia de medição. Focado na metodologia ABC . resolveram cortar a pizza à francesa e dividir o custo da pizza pelos pedacinhos cortados. o objetivo é embasar melhor as decisões de negócios da instituição financeira. Para que possamos fazer uma reflexão melhor.vamos até o plano de contas (Estrutura básica da escrituração contábil. no calor da discussão.atividades de caráter gerencial.. podemos promover a melhoria dos processos. Um universo de 21 milhões de clientes. Com o cálculo do custo de produtos. a água. Uma quinta pessoa acabou tendo uma idéia que. serviços.. Banco do Brasil busca conhecimento Instituição financeira investe em solução de gestão de inteligência para melhor visualizar sua enorme infra-estrutura e ajustar decisões de negócios.. centros de custos (Seção da empresa. Esse é o tamanho do desafio enfrentado pelo Banco do Brasil ao decidir pela implementação da nova solução. além de cerca de 300 produtos na prateleira... Valor das informações de custo Agora fica mais fácil analisar o conflito entre relevância das informações de custos e precisão... Para resolver isso. Esse custo está relacionado a sistemas de informação. contando com maior conhecimento dos custos de seus produtos. .. Segundo ele.

Mas é apenas o primeiro passo. foram ampliadas. sem dúvida. [por] seu tamanho e complexidade. definir claramente os custos e discutir possibilidades de melhoria. Para o banco. que demandam atualizações freqüentes.de implementação. como quantidade de investimento e renda. afirma José Gilberto Jaloretto. Ao todo. A relação das informações de custo de segmento de clientes com os dados de produtos e canais é um dos destaques do projeto. Vamos acompanhar esses processos. despertado a atenção de instituições financeiras do mundo inteiro. Assim. Com a implementação completa. . podemos refinar a interface com nossos clientes. A controladoria vai prover informações cada vez mais refinadas e importantes. a empresa precisa de um rateio qualquer. tenhamos três máquinas consumindo energia. 18 pessoas internas cuidam da implementação da solução. conta Gondim. por exemplo. e. que permeiam várias áreas. O gerente de custos concorda e acrescenta que não nos arrependemos de termos sido os pioneiros em SAS. O projeto.das atividades. viramos uma página aqui no banco. promover a integração deles. [quando for] possível. melhorando a atuação do banco. com essa situação resolvida. melhorar a precisão do custeamento comprando esses medidores pode ser uma boa opção. diretor de controladoria do banco. que.nos diversos elos da cadeia do banco.da internet ao atendimento nas agências. por enquanto. ainda em curso e com previsão de conclusão para o final deste ano. diz Jaloretto. Se o consumo de energia for um item significativo no custeamento de um objeto de custo. buscando levar a experiência adquirida para seus países. Com isso. Ao criar grupos de clientes. Agora já temos o controle de custos e. Com esse montante de informação. No entanto. a infra-estrutura. cada correntista do Banco do Brasil é alocado em uma categoria. para uma gestão inteligente. focada em obtenção de dados de cada agência e dos diversos segmentos de clientes. conforme uma série de características. as possibilidades de criação de soluções e tomadas de decisão mais corretas. as funcionalidades já implementadas estão modificando a maneira de atuar do banco. relata. enviaram representantes para conhecer e conferir de perto a implementação da solução. esses dados podem ser usados também no auxílio das estratégias de contato com os correntistas. Assim. o Banco do Brasil poderá fazer uma análise de seus macroprocessos corporativos. A possibilidade de ganhos que essa solução proporciona é enorme. portanto. a equipe precisa manter um esforço contínuo com vista à atualização da base de dados. O Banco de Crédito del Perú e o Banco Occidental de Descuento. Uma opção é comprar três medidores de energia que possam mostrar o consumo efetivo de cada máquina. Na visão do gerente. dedicadas especialmente ao levantamento de dados . recursos e direcionadores . vale todo o esforço. Exemplo 4 – custo de energia Imaginemos. Existe um medidor de consumo de energia que mede o consumo de energia do departamento. Precisamos construí-la ao redor do SAS. tem. interessa uma aplicação mais aberta. em um departamento de produção. por meio da solução SAS. é possível buscar maior adequação de recursos com direcionamento inteligente dos grupos de clientes para uma forma de atendimento adequada as suas necessidades . poderemos conhecer as particularidades de cada um. diz Gondim. da Venezuela. Dessa forma. a ferramenta está atendendo nossas expectativas. Mais do que para redução de gastos. por exemplo. para saber quanto cada máquina consome de energia. No entanto. O maior desafio é. acrescenta.

justamente. obviamente apresentando resultados distintos nos balancetes de receitas e despesas. enquanto a outra debita da receita de vendas esses custos.. qualquer que seja o volume da atividade hospitalar. Por série de produção: tipo de produção baseada na fabricação de vários produtos. • Considerar somente os custos diretos. O gráfico seguinte mostra o ponto ótimo (Ponto em que a empresa foca para que esteja em posição de concorrência privilegiada e.. as duas filosofias utilizam-se de princípios diferentes para fazer os custos indiretos chegarem ao produto. que são. sem trazer informação relevante. • Custear a produção por absorção. ao mesmo tempo. se o custo da energia não for significativo. 1quanto a natureza do processo produtivo.. O custo por absorção parte do princípio de que os custos e as despesas indiretas fixas são adicionadas aos estoques e ao custo dos produtos vendidos.. Sistemas de custeio Existem duas filosofias que norteiam os sistemas de custeio. possa se manter generalista para enxergar e investir em novos focos. quanto ao tipo de custo escolhido. Pré-determinados: esses custos são estabelecidos antes de realizar a produção... Uma agrega-os ao custo de produção. • • 2- Ordens específicas de produção: baseia-se na agregação dos custos específicos de cada produto fabricado. os princípios que norteiam a metodologia do custo direto não consideram os custos indiretos como custos de produção.) que devemos buscar em um sistema de custeio ideal. através de estudos de engenharia ou valores escolhidos como amostra de um período. Os sistemas de custeio podem ser classificados. Por sua vez.. Sistema de custeio por ordem de produção ..Contudo. PONTO ÓTIMO DE UM SISTEMA DE CUSTEIO Um dos pontos mais difíceis quando se projeta um sistema de custeio é. Estes custos são lançados nas planilhas de produção como custos inaplicáveis ao processo produtivo. Na verdade. o entendimento de até quando melhorar a precisão do sistema de custeio vale a pena. • • Históricos: tem como pressuposto principal a simplificação e contabilização dos valores tais como ocorreram. a compra dos medidores de energia só aumentaria o custo do produto.

Os custos primários que incidem diretamente ao produto poderão ser obtidos logo que a ordem esteja completamente concluída. Locais distintos para registrar material direto e mão de obra direta. Sistema de custo por processo O sistema de custeio por processo adapta-se a empresas que possuam um sistema de produção contínua. para. são computados a partir da emissão de uma ordem para produção de lotes de um bem ou serviço. um grande número de pessoas dedicadas a esse fim.. produtos químicos. data de emissão e término esperado. com processos consecutivos para produção de produtos padronizados. o formulário de ordem de produção é o centro nevrálgico. as empresas do ramo de eletrodomésticos. o cerne desse sistema passa a ser os centros de custo. pois primeiramente chega-se aos custos por processo ou departamento. tipografias. e não mais o produto elaborado através de uma ordem de produção. Podemos citar como exemplos as empresas de construção civil. Com isto. setor imobiliário. Nesse sistema. a metodologia é inversa. Para isso. Resumo dos custos. os custos são acumulados previamente em ordens de produção. basta subtrair do preço de venda os custos acumulados naquela ordem. Os custos acumulados de matérias-primas. • • Os resultados . freqüentemente. não havendo necessidade de ser feita uma apuração periódica dos resultados. No sistema de custeio por processo. • • • • Modelo e características do produto a ser fabricado.são rapidamente diagnosticados. bem como estimativa dos custos indiretos de fabricação.Esse sistema é característico de empresas que produzem sob encomendas. Pode-se citar como exemplos. . só poderão ser incorporados ao produto quando terminar o período contábil. Já os custos indiretos. sejam essas unitárias ou em lotes. Esse processo difere muito do anterior no que tange a acumulação de custos.. aumentando consideravelmente seu custo operacional. No primeiro sistema. • • • Todo esse processo de detectação e apropriação que caracteriza o sistema requer. estaleiros e produtoras de filmes. mão-de-obra direta e uma estimativa dos custos indiretos relativos a unidade produzida. fazendo com que os fluxos de informações sejam inúmeros. serem aglutinados em seus departamentos produtivos. tendo como objetivo principal apresentar e registrar os gastos com material direto.lucro ou prejuízo . Devem estar contidas no formulário de ordem de produção. para posteriormente distribuí-los aos produtos que passam por esses processos. posteriormente. principalmente na detectação do custo da mãode-obra. etc. hospitais. mão-de-obra e custos indiretos de fabricação.

bimestrais ou trimestrais. através de cinco etapas seqüenciais: fluxo físico . • • • Controle e redução de custos. Custo de produção: [origina-se] na acumulação dos custos dos diversos processos produtivos. Custos históricos obtidos através de gastos médios ou que não levem em conta uma base científica do método de produção. devido ao menor número de detalhamentos e registros. ganha em tempo e economia de custos. • • • • • • Aplicação: são aplicados em empresas que possuam produção contínua e seriada. dividido [por] sua respectiva produção. Estudos de engenharia sobre equipamentos e operações fabris. apresenta-se as características mais relevantes deste sistema de custeio.. . o custo total de cada centro de custo ou departamento. testando as justificativas possíveis para as variações ocorridas.. pois proporcionam um perfil atualizado da estrutura de custos. Os custos padrões são estabelecidos segundo estudos de engenharia e são cuidadosamente apurados. Método do custo padrão: no ramo contábil.Características do sistema A seguir. Transferência de custos: cada unidade produzida. Custo operacional do sistema: é um sistema de custeio menos burocrático do o que apresentado anteriormente. mão-de-obra direta e custos indiretos de fabricação são acumulados durante o processo produtivo nos departamentos ou centros de custo.. que passa de um processo anterior para um seguinte ou para o estoque de unidades acabadas. Acumulação: os custos com material de consumo. Sistema de custo padrão O termo padrão possui inúmeros significados e várias implicações. custo total dos procedimentos e custo médio unitário. e permite uma tomada de decisão a nível gerencial mais rápida e segura. há necessidade de seguir alguns critérios. porém recomenda-se [que sejam] as mais freqüentes possíveis. unidades equivalentes. peso. Estudos de tempo e desempenho das operações produtivas. valor e qualidade. considerou-se apenas as mais importantes. Promover e medir a eficiência do sistema produtivo. levando-se em conta o presente e o passado. • • • Padrão: medida de quantidade. Simplificação dos processos de custo. Todos os custos padrões são oriundos de uma pré-determinação. não podem ser classificados como custos estimados. Freqüência das apurações: essas podem ser mensais. Custo padrão: valor do material. O custo padrão sintetiza.. fluxo monetário. leva consigo uma parcela do custo total dos processos precedentes. estabelecida por uma autoridade.. são colocadas algumas definições que servirão para um melhor entendimento do assunto. com lotes de produtos padronizados. A seguir. necessários a elaboração de um produto ou serviço. Dentre as vantagens desse sistema..produtivo -. Com isto. em seu valor. Para determinação dos custos padrões. • • • Seleção minuciosa do material utilizado na produção. porém nem todos os custos pré-orçados podem ser classificados como tal. dará o custo médio unitário. o custo para se produzir um bem ou serviço. mão-de-obra ou gastos gerais de fabricação cuidadosamente apurados. compara os custos atuais com o custo padrão...

Essa área científica é muito polêmica. 4. Esse esforço. são utilizadas técnicas científicas. Método das equivalências: esse método possui origem francesa. em uma única unidade homogenizadora e equivalente que expresse toda a produção como sendo um único produto. [em que] paralelamente ao empirismo consciente e experiente. em geral. por sua vez. O ABC. e está fundamentado na quantificação da produção diversificada. leva a um rastreamento de dados que. tendo assim uma elevada margem de contestação. Método da hora/máquina: esse método parte do princípio de baixo para cima. por extensão. Medir passo a passo o processo produtivo permite a gerentes e supervisores a quantificação econômica de atrasos e ineficiências do processo produtivo. as unidades produtivas realizam um esforço de produção nessa transformação. caso haja interesse. porém não serão analisados em profundidade. ele ajuda a redimensionar a mentalidade gerencial das empresas [em que] é aplicado.. Somando-se todos os elementos básicos. Parte da premissa que atribui percentagens de algumas despesas sobre outras. com o objetivo básico de transformar matéria-prima e em produto final. na análise mais precisa dos custos de administração e na aferição de propostas mais competitivas em relação aos concorrentes. não são considerados nos sistemas de custeio tradicionais. 1. 3 3. utilizando vetores . porém similar. para alocar as despesas de uma forma mais realista aos produtos e serviços. obtendo uma produção total equivalente. 2.UEP's: esse método identifica a empresa como concebida. a medida que os produtos passam pelas diferentes fases de produção. Calcula-se o custo horário de cada operação produtiva em cada máquina e o tempo necessário para cada produto fabricado. o que poderá ser feito junto a bibliografia citada.ABC ABC é um sistema de custos que visa quantificar as atividades realizadas por uma empresa. Outros sistemas de custeio Os quatro sistemas descritos anteriormente são os mais utilizados e comentados. Esse método de custeio visa basicamente detectar os custos ocultos existentes para produzir bens e serviços. Os sistemas convencionais de gerenciamento de custeio não permitem análises mais consistentes quanto a problemas graves das empresas como re-trabalhos de produtos defeituosos ou gargalos de produção. Para tanto.direcionadores -. está associado a uma série de outros esforços parciais. Esses serão apresentados a seguir. que . percentual de despesas gerais de fabricação somente sobre mão-de-obra direta. chega-se ao custo total. Método das percentagens: é o mais antigo que se conhece. Exemplos: percentual de despesas gerais de fabricação sobre mão-de-obra. porém auxilia no descobrimento de custos reais dos produtos e processos. Método da unidade padrão de esforço . porém existem outros métodos de apuração de custos que merecem ser citados..• Avaliação dos inventários. na prática. nãobaseado em elementos contábeis e escriturais a serem distribuídos entre os produtos fabricados. O princípio básico do ABC é que as atividades são as causas dos custos. Os cálculos levam ao coeficiente de equivalência. de discussões e controvérsias sobre critérios empíricos e não-científicos. por não se tratar. e os produtos incorrem nesses mesmos custos através das atividades que eles exigem. Sistema de custeio baseado em atividades . Os problemas econômicos se assemelham mais a medicina. habitualmente.

isto sim. A MP 242 foi uma das primeiras iniciativas do ministro da Previdência. na maioria dos casos. os custos incrementais (Termo equivalente a custo marginal – marginal cost. a edição da MP 242. o governo Lula demonstra ter entendido algumas lições deixadas pela humilhante derrota que sofreu no episódio da MP 232. o custo das decisões erradas – tomadas com base em informações distorcidas – aumentou muito. Além disso. Os pagamentos mais do que triplicaram entre 2001 e 2004. que se intensificaram nos últimos anos. o surgimento de nenhum fato técnico que justificasse tal aumento. Romero Jucá. a do Imposto de Renda das Pessoas Físicas. de fato. e da maneira mais eficaz possível. Sua edição teve como justificativa o combate às fraudes para a obtenção de auxílio-doença. esforço humano e esforço utilidade. imensamente. Ao mesmo tempo. esforço das máquinas e equipamentos. o custo de medição. como estilo. Esse combate deve ser feito sempre. nesse período. CUSTOS DOS ERROS À medida que a competição se tornou mais vigorosa e global. espantoso. que compensam o custo da medição. que assumiu o cargo em março. entre as quais o maior rigor na análise técnica dos pedidos ou o reforço da fiscalização. mas sim a dificultar enormemente a concessão desses benefícios e reduzir seus valores. não foi à adoção de medidas práticas para conter os atos ilegais. A resposta do governo. Mas não necessariamente impedirá o surgimento de novas modalidades de fraudes. é óbvio. Todo contribuinte honesto exige que isso seja feito. Pode ser classificado quanto à natureza do processo produtivo e quanto ao tipo de custo escolhido) trazem grandes reduções nos erros relacionados à má qualidade do sistema. têm necessidade de recorrer aos benefícios a que legitimamente têm direito. Mas não é assim que o governo vem agindo no caso da Previdência. Foi. Tal expediente impõe prejuízos financeiros e desgaste às pessoas de bem. como o de avaliação médica dos pedidos de auxílio-doença. O crescimento das despesas com esse tipo de benefício foi. que integram a lista de contribuintes do sistema previdenciário e que. entretanto. faltam fiscais e a terceirização de serviços.. a evolução contínua da tecnologia de informação. Não se constatou. que não se destina a atacar frontalmente as fraudes. Faltam peritos. Uma das lições é que a sociedade não aceita mais passivamente arcar com o custo dos erros e da ineficiência do governo. tamanho etc. Os recursos empregados nos esforços para melhorar as medições nos sistemas de custeio (Critério por meio do qual os custos são apropriados à produção. . ou alteração nos fatores que afetam o custo. esforço material. É a alteração no custo total em consequência do acréscimo ou decréscimo de uma unidade de produto. tornou muito mais frouxos os critérios de concessão desses benefícios. por alguma razão. o aumento de despesas [deveu-se] a fraudes. principalmente nos últimos anos. que torna mais rigorosas as regras para a concessão de benefícios previdenciários.são.5 bilhões para R$9 bilhões. É muito provável que ele tenha razão. ) de medir tendem a ser muito menores do que os custos incrementais gerados pelos erros em seu sistema de custeio. reduziu. a necessidade de combater os fraudadores. Não está em discussão. saltando de R$2. A conclusão do ministro foi [de que]. Ao demonstrar intenção de corrigir alguns dos muitos excessos contidos na Medida Provisória 242.

Mas não é com a transferência de responsabilidades e deveres do governo para os ombros da sociedade e dos contribuintes que se realiza o combate efetivo ao rombo da Previdência e de outros setores do Estado brasileiro. o último acordo preparou o Brasil para deixar os contratos com o Fundo. como a do sistema previdenciário.. admitindo que existe no governo uma tendência por essa nãorenovação.2% em 2003 para 51. é a grande ameaça à preservação da política fiscal rigorosa do governo Lula que. estimada em quase 80 milhões de brasileiros. .6 bilhões acima dos R$71. Nada se faz para combater a informalidade. e burro. Sem registro em carteira. A calamidade do sistema público de saúde . justamente para pagar menos tributos. Palocci. Duas razões foram apresentadas pelo ministro para justificar tanta tranqüilidade. que se transformou no maior ralo dos recursos da Previdência Social. até agora.sustentado pelo dinheiro do contribuinte e que. Parece que o governo quer corrigir essa burrice. além de um ato de crueldade social. em artigo publicado no Estado há algumas semanas. como observou o sociólogo e economista José Pastore. Antonio Palocci.empurra cada vez mais brasileiros para a busca de auxílios previstos no regime previdenciário. BUSCA DO PONTO ÓTIMO Achar o ponto ótimo (Ponto em que a empresa foca para que esteja em posição de concorrência privilegiada e. Palocci fez questão de lembrar que. ao mesmo tempo. trabalhavam no mercado informal no ano passado.5 milhões. Essa discussão foi iniciada por dois dos maiores ícones da contabilidade de custos gerencial.FMI.descontados os juros . Essa. De uma população economicamente ativa. fiscal e financeiramente. os resultados da economia brasileira foram muito melhores que os prometidos ao Fundo. deveria prestar-lhe serviços qualitativa e quantitativamente proporcionais ao enorme volume de recursos que tem a sua disposição . por isso.8% no ano passado. tem garantido a estabilidade e o crescimento da economia. possa se manter generalista para enxergar e investir em novos focos) é uma das tarefas mais difíceis do gerente de custos.atingiu R$81. no entanto. Isso sem contar a grande quantidade de trabalhadores registrados com salários inferiores aos efetivamente recebidos. o superávit primário . a relação entre dívida pública e PIB caiu de 57. um método ineficaz. o ministro da Fazenda. pela primeira vez em dez anos. o ministro afirmou que o país não precisa mais renovar o acordo com o Fundo. foi enfático ao frisar que a decisão definitiva sobre o assunto só será tomada em março. A economia nos gastos públicos foi a base dessas conquistas. Tentar combater esse déficit impondo mais dificuldades a contribuintes que já enfrentam problemas de saúde é. Primeiro. R$9.1 bilhões. politicamente. Escudado nessa premissa. ou pelo menos parte dela. garantiu que o Brasil vive período bastante tranqüilo na relação com o Fundo Monetário Internacional .5 bilhões previstos com o FMI. Aí está a grande fonte do déficit da Previdência.. A busca do ponto ótimo nas reservas internacionais Com discurso algo diferente de seus antecessores. cerca de 47. Em números absolutos. na verdade. ou 60%. Depois.Louvável a preocupação do governo com a contenção do déficit do sistema previdenciário. não gozavam de nenhuma proteção legal mas também não recolhiam nenhuma forma de imposto ou de contribuição.

Desse modo. não faz mal nenhum a ninguém se o Brasil renovar o acordo com o FMI.a recomposição das reservas. É prudente e sábia medida. por iniciativa própria. ativando a recomposição das reservas. retirando do mercado US$991 milhões. Vale notar que parte considerável da queda do risco Brasil também [deveu-se] ao fato de que o Brasil. . No dia 10. muitas vezes.BC . Depois do Carnaval. o Brasil continuará defender a criação de instrumentos preventivos para os países sócios do FMI. No dia 5 de fevereiro havia captado US$1. o governo brasileiro emitiu sinais de que pretende manter relações próximas com o FMI.mostrou que o Brasil é um dos países com maior volatilidade cambial: entre 2000 e 2004. acelerando nas duas últimas semanas. não sacou nenhuma das parcelas a que tinha direito no FMI e que somavam mais de US$14 bilhões. essas mesmas reservas eram de US$25. Se é atraente. como. Sem esse processo. portanto.61.3 bilhão do mercado.53 bilhões. de Davos até a do G-7. mas altivo na relação com o Fundo. é claro. sem romper vínculos protetores. no mercado brasileiro o dólar fechava em alta porque o BC retirou em 10 de fevereiro US$1. cauteloso. No mesmo dia em que o dólar no plano internacional revertia a tendência esboçada depois da divulgação do plano do governo Bush de reduzir o déficit fiscal e voltava a cair frente ao Euro. Convém lembrar que.na sexta-feira antes do Carnaval eram de US$28.excluídos os financiamentos do FMI e os depósitos em bancos domiciliados no exterior. o presidente Lula e a equipe econômica também sabem que tais visitas têm ombros largos e. o BC sinalizou o empenho de manter o dólar no patamar mínimo de R$2. obviamente. depois das festas de Momo. mas com sede no Brasil . que também prejudicam as exportações. além da valorização do real. tem razão de ser: como qualquer recém-chegado à vida adulta. Sem esquecer. Por outro lado. essa recomposição foi gradativa. Na queda-de-braço com o BC quanto ao valor do dólar.69 bilhões.2%. Essas oscilações. o dólar oscilou no México 7. No mesmo dia 10. o BC vendeu 20 mil contratos de swap cambial. do ponto de vista político. aliás. que o recurso oferecido pelo FMI é relativamente barato. independente de haver ou não renovação do acordo com o Fundo.está. o processo de recomposição das reservas. o mercado ajudará . Não foi por outro motivo que o ministro Palocci afirmou que. no final de 2004. essas reservas alcançaram US$29. As reservas líquidas ajustadas .FIESP .32 bilhões. indicam certa fragilidade da moeda. A aparentemente ambígua atitude brasileira frente à renovação do acordo com o FMI. a média da diferença entre a cotação mínima e máxima do dólar alcançou 22%. movimento que fortalece. Nos últimos meses. será difícil manter o comportamento. Nas ultimas reuniões internacionais.e muito . No mesmo período. a renovação do acordo representará um colchão suficientemente sólido contra quaisquer solavancos da ordem econômica internacional. O apetite era ainda maior por esses títulos futuros confirmando a impressão de que o mercado acredita que o dólar vai cair mais.25 bilhão.O governo Lula está entrando em uma espécie de segundo estágio em sua estratégia de relacionamento com o FMI. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo . também insinuam autoridades econômicas. em 2004. dispensar as visitas de inspeção do FMI. O Banco Central . o país está avaliando possibilidades. funcionam como diques de contenção para excessos de pedidos para gastos com finalidades políticas.

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