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Revista Tce-rj N_61

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REVISTA DO TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

61

Revista do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro

2005 N° 61

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
REVISTA 61 MARÇO 2006

REVISTA DO

TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

R. Tribunal de Contas Est. R. Janeiro

Rio de Janeiro

ano 25 nº 61

p.1-353

março/2006

CAPA Fotolito:Engenho & Arte Impressão: Coordenadoria Setorial de Gráfica e Reprografia do TCE-RJ

Revista do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro V. 1, n. 1 (dez. 1975) - Rio de Janeiro: TCE 1975 - V.: 23 cm. Semestral. Continuação de: Revista do Tribunal de Contas do Estado da Guanabara ISSN0103-5517 1. Administração Pública - Controle - Periódicos - Rio de Janeiro (Estado). CDD 351.007505098153 CDU 35.078.3(815.3)(05)

Conselho Deliberativo: Presidente José Gomes Graciosa Vice-Presidente Marco Antonio Barbosa de Alencar Conselheiros Aluisio Gama de Souza José Leite Nader José Maurício de Lima Nolasco Jonas Lopes de Carvalho Junior Julio Lambertson Rabello

Ministério Público Especial Horácio Machado Medeiros Secretária-Geral de Controle Externo Maria Luiza Bulcão Burrowes Secretário-Geral de Administração Carlos César Sally Ferreira Secretário-Geral de Planejamento Horácio de Almeida Amaral Secretário-Geral das Sessões Mauro Henrique da Silva Procurador-Geral Sylvio Mário de Lossio Brasil Chefe de Gabinete da Presidência Maria Veronica de Souza Madureira Diretor da Escola de Contas e Gestão José Augusto de Assumpção Brito Coordenador de Comunicação Social Imprensa e Editoração Álvaro Miranda

www.tce.rj.gov.br

Editor Responsável Álvaro Miranda Editor Executivo Eduardo Pinheiro Produção e Logística Márcia Maria de Aguiar Ramos Diagramação Fátima S. V. de Jesus Margareth Peçanha Capa Adelea Neves Gonzaga Barbosa Inês Blanchart Arte-Final Marcio Ercilo Gonçalves Oliveira Impresso na Coordenadoria Setorial de Gráfica Repr TCE-RJ e R epr ografia do TCE-RJ Coordenador: Jorge Lopes Guerra

NOTAS 1 - A correspondência para esta Revista deve ser dirigida ao Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro - Coordenadoria Geral de Comunicação Social, Imprensa e Editoração - CCS - Praça da República 70 - 2° andar - Tel.: 2224-3650 - CEP 20211351 - Rio de Janeiro - RJ. Endereço na Internet: http://www.tce.rj.gov.br. 2 - Os conceitos emitidos em trabalhos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores.

SUMÁRIO .

...................... Relator: Conselheiro JOSÉ MAURÍCIO DE LIMA NOLASCO ...................... Edital de Licitação – Revogação de certame licitatório – Ausência de motivação do ato – Necessidade de comprovação do fato superveniente de interesse público – Voto pela comunicação ao Prefeito Municipal para que demonstre o fato superveniente que motivou a revogação da concorrência...... auditoria financeira e treinamento de pessoal.. Relator: Conselheiro JULIO L.................................... 25.. o caso do Estado do Rio de Janeiro....................... É inconstitucional Lei Municipal que...... Inexigibilidade de Licitação – Ato de inexigibilidade de licitação (II.... NEILTON FERREIRA MACHARETE – Prestação de serviço público através de organizações sociais e organizações da sociedade civil de interesse público .................. pelo Tribunal de Contas...... permite que sejam compensados tributos com a dação de bens móveis... Despesas com a prestação de serviços de consultoria............................................. * COLABORAÇÕES MARCELO MARTINELLI MURTA – Balanços patrimoniais governamentais.......SUMÁRIO * EDITORIAL Presidente JOSÉ GOMES GRACIOSA ..... Aplicação da Súmula 347 do STF........666/93).................................... com o fito de 179 190 11 ............... dispondo diferentemente do CTN.. SABRINA NUNES IOCKEN – A tributação pelo ICMS e o regime de substituição tributária . assessoria................. Competência exclusiva de Lei Complemantar................. RABELLO .... que instituiu o Código Tributário Nacional para dispor de normas gerais.................... Lei 8.... 15 19 102 117 * VOTOS Contrato de Locação – Dação em pagamento como forma de extinção de crédito tributário...

por inexigibilidade....................... Extinção da punibilidade do jurisdicionado............ 42 da LRF – Voto por acolhimento das razões apresentadas pelo Prefeito..... Voto revisor............ pela ciência e arquivamento do processo.... Falta de escrituração do passivo atuarial do Instituto no Passivo Permanente do Balanço Patrimonial.. pela comunicação ao Prefeito para que providencie imediatamente a realização de processo licitatório e pela expedição de ofício ao ProcuradorGeral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro... pela ilegalidade do ato de inexigibilidade de licitação..... Pelo conhecimento e provimento do recurso....... Inexigibilidade de Licitação – Aquisição de sistemas aplicativos de informática – Ausência de comprovação da singularidade do objeto contratado – Voto pela rejeição das razôes de defesa........ Inspeção Especial – Inspeção especial realizada na Prefeitura do Município de Duque de Caxias...... 193 199 207 221 234 238 12 . do Banco do Brasil para a prestação de serviços na gestão financeira dos recursos previdenciários municipais...2003.............. Revisor: Conselheiro JOSÉ LEITE NADER..... Revisor: Conselheiro JOSÉ LEITE NADER .....9. Diligência externa...... Revisor: Conselheiro MARCO ANTONIO BARBOSA DE ALENCAR ............ Relator: Conselheiro JOSÉ MAURÍCIO DE LIMA NOLASCO ........... Relator: Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR ... elidindo a multa aplicada e reformando-se a decisão de 9. Inspeção Ordinária – Inspeção ordinária no Instituto de Previdência do Município de São Sebastião do Alto...................... ...... Voto revisor. Inspeção Extraordinária – Prefeitura Municipal de Sumidouro – Inspeção extraordinária referente ao exercício financeiro de mandato integralmente cumprido na vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal – Observância à regra insculpida no art.... pela aplicação de multa ao Prefeito. Relator: Conselheiro JOSÉ LEITE NADER ...... Contratação direta. Inspeção Ordinária – Jurisdicionado condenado em multa.. referente à aplicação das receitas provenientes dos royalties de petróleo e gás natural..... Apresente razões e esclarecimentos e cumpra as determinações... Voto revisor.........................................implementar o Plano Diretor de Execução Orçamentária da Prefeitura.... tendo falecido depois de prolatado pelo TCE-RJ o acórdão condenatório. Exigências........... com efeito sobre a pretensão executória.. Pelo conhecimento do presente ato e arquivamento do processo.....

........ 245 256 276 319 326 348 13 ........... comunicação ao atual Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico e retificação do ato de fixação de proventos..... Prestação de Contas – Prestação de Contas de Gestão do Município de Mangaratiba... Recurso de reconsideração............. com ressalvas e determinações................... Voto revisor pela comunicação.... Serviços de "planejamento. Recurso de Reconsideração – Contrato oriundo de licitação por tomada de preços. Relator: Conselheiro ALUISIO GAMA DE SOUZA... Revisor: Conselheiro ALUISIO GAMA DE SOUZA ... contrato e subvenção – Peculiar interesse da Administração – Análise do caso concreto – Voto revisor pela comunicação...... Relator: Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR .. relativa ao exercício de 2003....... programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas" são serviços de engenharia sanitária............. Pedido de Vista – Edital de licitação por concorrência – Critério de reajustamento de preços – Legalidade da adoção da data do orçamento elaborado pela Administração como data-base para o cálculo do reajustamento de preços de contratos.............. com resslava e determinações.... Relator: Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR .. 1º da Emenda Constitucional 11/99......... alterado pelo art...... Prestação de Contas – Prestação de contas de Ordenador de Despesas e de Tesoureiro..... Poderes Executivo e Legislativo................ Pagamento aos Vereadores em desacordo com o que estabelece o inciso I. art..... 347 da Constituição Estadual..... Revisor: Conselheiro MARCO ANTONIO BARBOSA DE ALENCAR ...... Relator: Conselheiro ALUISIO GAMA DE SOUZA . e de parecer prévio contrário às Contas de Gestão do Poder Legislativo..Pedido de Vista – Convênio para a execução de obras e serviços de engenharia – Distinção entre convênio.. Recurso de Reconsideração – Aposentadoria e fixação de proventos.... e de parecer prévio favorável a comprovação das Contas de Gestão do Poder Executivo............. Voto pela diligência interna......... Diligência externa... exercício de 1999..... Voto pela emissão de parecer prévio favorável à aprovação das Contas de Gestão do Poder Executivo... Voto pelo conhecimento do recurso e pelo provimento quanto ao mérito........................

operacional e patrimonial exercida pelo Tribunal de Contas implica. apresentando ressalvas e determinações que resultem. com PIB anual superior ao de diversos países latino-americanos. em síntese. uma espécie de monstro de mil cabeças – a sociedade encontre um retrato fiel desse ente que obtém receitas e realiza despesas anuais da ordem de dezenas de bilhões de reais. são concretos. financeira. apresentada ao Programa de Mestrado em Ciências Contábeis da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). o autor expõe os significativos progressos alcançados na correta retratação do patrimônio público. A comprovação está neste número da nossa Revista. a Corte de Contas não mede empenho para aperfeiçoar esses balanços. que tal evolução ocorreu com expressiva colaboração do Tribunal de Contas. materializada nas ressalvas e determinações contidas em seus pareceres. ainda. entre outras coisas. Nesse sentido. A cada ano. ao examinar as prestações de contas anuais do governo. com grande benefício para a sociedade fluminense. Os resultados dessa ação do TCE-RJ. orçamentária. com a publicação da dissertação do técnico de controle externo Marcelo Martinelli Murta.EDITORIAL A fiscalização contábil. Conclui. um esforço sistemático e contínuo para identificar com exatidão ativos e passivos das entidades e garantir sua correta expressão nos balanços patrimoniais. 15 . felizmente. em mais transparência. Ao examinar cientificamente os balanços do Estado desde 1996 até o fim do primeiro semestre de 2001. Ou seja: que em face do Balanço Patrimonial do Estado – à primeira vista. em sua maior parte oriundos de impostos. enorme e complexo desafio é constituído pelas contas do Estado do Rio de Janeiro – entidade que constitui a segunda maior economia do país.

Se o fato.2 bilhões para um passivo real descoberto de R$ 52. Alerta também que ainda há um caminho a ser percorrido até o encontro com a realidade patrimonial. JOSÉ GOMES GRACIOSA Presidente 16 . entre dezembro de 1996 e junho de 2001. atribui a maior parte dessa enorme diferença à redução de ativos superavaliados e à inclusão de passivos antes omitidos. intitulado “Balanços Patrimoniais Governamentais: o caso do Estado do Rio de Janeiro”.4 bilhões. A participação do TCE-RJ neste processo será cada vez mais decisiva. sobretudo no que diz respeito à contabilização dos passivos previdenciários e dos saldos da Dívida Ativa. não parece auspicioso – declínio do patrimônio estadual expresso nos balanços do período examinado – devemos compreender que somente através do constante aperfeiçoamento desses documentos poderemos ter uma Administração Pública capaz de fazer frente aos desafios e traçar metas realistas e adequadas para o desenvolvimento. em si. Como as receitas e despesas não oscilaram muito no período. o patrimônio do Estado passou de uma situação líquida de R$ 5. relata como.O trabalho.

COLABORAÇÕES .

registrado em 31/12/96. 2.4 . 3.4 milhões de habitantes.5 . exercícios findos em 31 de dezembro de 1996 a 2000 e semestre encerrado em 30 de junho de 2001 . RESUMO O Estado do Rio de Janeiro é a segunda maior economia brasileira.3 .Hipóteses. 5 . 1. respectivamente.Hipótese 1: Correta Retratação do Patrimônio Público. 1. 3.2 . já que durante o período examinado houve um equilíbrio entre as receitas e despesas estaduais. atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais. ocorrida em apenas quatro anos e meio.2.Ativo Real Líquido e Passivo Real Descoberto.Sugestões para pesquisas relacionadas a Balanços Patrimoniais Governamentais.Delimitação do estudo. 2. Ou seja.Análise dos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. a situação patrimonial do Estado experimentou um expressivo declínio entre o final de 1996 e meados de 2001. 1. transformouse num Passivo Real Descoberto de R$ 52. equivalente a R$ 57.1 . Apesar desta destacada posição.Questões a investigar.2 . basicamente. 1.3 .1 . aos capítulos 1. * O presente artigo corresponde.4 .Objetivo da pesquisa.Hipótese 4: Cooperação do Controle Externo. quando o Patrimônio Líquido de R$ 5.Introdução.3 .2 bilhões.Relevância da Pesquisa. 1.Mop/Rev61 BALANÇOS PATRIMONIAIS GOVERNAMENTAIS. majoritariamente.6 .1 . em apenas um ano movimentou recursos superiores ao PIB de diversos países da América Latina.Hipótese 3: A Atuação da Auditoria Geral do Estado (AGE). O CASO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO* MARCELO MARTINELLI MURTA Técnico de Controle Externo SUMÁRIO: Resumo.Metodologia empregada. 1. 1 . é o terceiro ente mais populoso da Federação.4 bilhões. 3.Situação-problema. No exercício de 2001. pela redução do valor de ativos superavaliados e pela incorporação de diversos passivos omitidos. observado em 30/06/01. 3 Avaliação das hipóteses.Hipótese 2: Os Princípios de Contabilidade Aplicados. 2 .4 .2 bilhões e R$ 18. Com 14. tendo sido promovida. 2.7 . 4 .6 bilhões. 1.Ativo. A significativa variação passiva. Bibliografia. obteve receitas e realizou despesas orçamentárias de aproximadamente R$ 18.0 bilhões.Balanços Patrimoniais Sintéticos. não foi ocasionada por déficits orçamentários. 3.Passivo. 19 .2 .Conclusão. 3 e 5 da dissertação apresentada no Programa de Mestrado em Ciências Contábeis da Faculdade de Administração e Finanças da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Mop/Rev61 Conseqüentemente. relacionados aos benefícios previdenciários de responsabilidade do Tesouro Fluminense. referentes aos exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 e ao semestre encerrado em 30/ 06/01. bem como suas Notas Explicativas. principalmente aqueles trazidos pela 1 . Salienta-se que. bem como em função da superavaliação do saldo da Dívida Ativa do Estado. apesar dos avanços ocorridos desde a edição da Lei nº 4. Lei Federal nº 4. com base na variação do IGP-DI. e. para fins de melhor comparabilidade. 1. que incluiria em seu âmbito a CGE e a Auditoria Geral do Estado (AGE). dos estados. todos os valores utilizados para o estudo de caso foram atualizados para moeda de 30/06/01. são relacionados diversos ativos e passivos que. a criação de uma Controladoria hierarquicamente ligada diretamente ao Governador. de maneira complementar. em conjunto com a melhoria dos sistemas de controles internos. estavam super e/ou subavaliados. bem como as suas Notas Explicativas. as avaliações levadas a efeito buscaram identificar se as informações qualitativas e quantitativas fornecidas pelos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro.320/64 1. Outros fatores também prejudicaram a correta evidenciação do patrimônio estadual. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle de orçamentos e balanços da União. Em face das análises realizadas. em razão da omissão da escrituração de passivos atuariais.BRASIL. esforços no sentido de aperfeiçoar o Balanço Patrimonial Consolidado. os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs) consagrados na literatura e pela classe contábil. em geral não evidenciam adequadamente a real situação patrimonial dos governos brasileiros. no âmbito da Contadoria do Estado do Rio de Janeiro (CGE). ao final de determinado período. o estudo conclui que – apesar das limitações impostas pela legislação que trata de Contabilidade Governamental no país – é recomendável que sejam adotados. principalmente no que concerne aos de informação. os efeitos trazidos para os Balanços Patrimoniais de competência posterior. principalmente. De fato. Os estudos realizados concluíram que o expressivo decréscimo patrimonial ocorreu. Ademais. foram fidedignas e suficientes para que seus usuários pudessem interpretálos de maneira adequada. distinguindo-se a utilização de critérios contábeis questionáveis e as falhas existentes nos sistemas de informação.INTRODUÇÃO Os Balanços Patrimoniais elaborados nos diferentes níveis da Administração Pública. aumentariam a qualidade e a confiabilidade dos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. dos municípios e do Distrito Federal. de 17 de março de 1964. 20 . Após proceder aos exames considerados necessários nas circunstâncias.320.

Estima-se que a absorção. e. sob determinadas condições.Situação-Problema Ao longo da década de 90 diversos passivos não registrados. fidedignos. pelo Tesouro Federal. 1. Lei Complementar Federal nº 101. o Supremo Tribunal Federal julgou o mérito da ação apresentada por 30 (trinta) trabalhadores filiados ao Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul (RS). em valores atualizados em moeda de 30 de junho de 2001. dos estados. Estima-se que os gastos do Governo com esses pagamentos devam atingir R$ 50 bilhões. do Distrito Federal e dos municípios. Destas obrigações. obrigações e o saldo patrimonial da entidade. 4 . de sua finalidade. destacam-se as dívidas absorvidas de empresas públicas ou de economia mista (extintas. direitos. para fins de melhor comparabilidade com os números recentes.BRASIL. os débitos remanescentes dos bancos federais e estaduais alienados para o setor privado.Mop/Rev61 Lei Complementar nº 101/00 2._______. as diferenças nos saldos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) decorrentes dos expurgos nos indexadores promovidos pelos Planos “Verão” e “Collor I” 4. o estudo procura oferecer sugestões para a melhoria das informações por parte da Contabilidade Governamental. de 04 de maio de 2000. por conseguinte. os valores apresentados não são. também chamados de “esqueletos”. o presente estudo utiliza o exame dos saldos contabilizados nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro nos exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 e no semestre encerrado em 30/06/01 (cut-off da amostra). em sua maioria. liquidadas ou privatizadas). Para corroborar o exposto. desde que desistam da ação. de acordo com o estabelecido na Lei Complementar nº 110 de 29 de junho de 2001. mais recentemente.1 . mesmo daqueles trabalhadores que não recorreram à Justiça.br/Temas/FGTS/Complementos/default. o complemento a todas as contas vinculadas.mtb.asp Em agosto de 2000. portanto. Em vista do teor da decisão o Governo Federal decidiu estender. apurado pela Fundação Getúlio Vargas. se deu em razão deste ser o deflator comumente utilizado pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). 21 . Em razão da pesquisa empreendida. Distanciam-se. de forma geral reconhecidas pelo “Sistema de Caixa” e. reconhecendo o direito dos trabalhadores a complemento de atualização monetária no saldo das contas vinculadas ao FGTS referente ao período de dez/ 1988 e fev/1989 (Plano Verão) e ao mês de abr/1990 (Plano Collor I). Estabelece normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências. 3 . numa determinada data. Ministério do Trabalho e Emprego. os bens. não provisionadas nos Balanços Patrimoniais dos governos. bem como os benefícios já concedidos e a conceder relacionados à Seguridade Social. os precatórios judiciais provenientes de sentenças judiciais já tramitadas em julgado. objetivando que os demonstrativos contábeis das entidades públicas venham a exprimir com qualidade e confiabilidade a situação patrimonial das entidades públicas. Tribunal de Contas da União e pelos Tribunais de Contas dos Estados para se proceder à atualização de valores de períodos anteriores. qualitativa e quantitativamente. qual seja: evidenciar. HTTP://www. com base na variação do Índice Geral de Preços ao Consumidor – Disponibilidade Interna (IGP-DI 3). de diversos 2 .A escolha do IGP-DI. causaram danos às finanças da União.

ocorreu em face da incorporação de passivos até então não escriturados – destacandose os assumidos quando da alienação da participação acionária do Estado no Banerj e as obrigações já assumidas e a assumir do Sistema de Previdência Estadual –. equivalente a R$ 5. com base na variação do IGP-DI). o presente estudo visa identificar quais são as principais causas do problema exposto. em 30 de junho de 2001. visando manter o equilíbrio da situação financeira e patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. o Ativo Real Líquido do Estado registrado em 31/12/96. tais como a Dívida Ativa Tributária. foi o principal fator para o crescimento da Dívida Pública da União de R$ 208 bilhões para R$ 660 bilhões. À guisa de exemplificação.Mop/Rev61 passivos próprios. os mais recentes Balanços Patrimoniais e suas Notas Explicativas ainda não oferecem elementos suficientes para que se possa proceder à adequada avaliação da situação patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. bem como em razão da diminuição do valor contábil de bens e direitos anteriormente superavaliados – principalmente nas contas de Dívida Ativa e Investimentos. tendo em vista que a apresentação fidedigna e consistente do mesmo poderá fornecer aos usuários da Contabilidade Governamental informações úteis e auxiliar na formulação de políticas públicas de curto. Portanto. Mesmo com a observada melhora na evidenciação dos bens.4 bilhões. médio e longo prazos. O decréscimo patrimonial de R$ 58 bilhões. os investimentos em empresas de economia mista e públicas e os créditos mantidos com partes relacionadas também promovem danos às finanças públicas. observada entre o início de 1996 e o final de 2001. acarretaram uma expressiva retração do patrimônio do Estado do Rio de Janeiro. à medida que estes bens e direitos normalmente apresentam valores escriturados superiores ao real montante de realização.6 bilhões (atualizado para moeda de 30 de junho de 2001. 1. destaca-se que a simples correção de algumas destas distorções contábeis. O estudo também tem por finalidade detectar possíveis limitações nos Controles Interno e Externo do Estado que trazem limitações para a Contadoria Geral 22 .2 . Da mesma forma. através da diminuição do valor de ativos e do reconhecimento de passivos omitidos. Desta maneira. a falta de adequada avaliação contábil de alguns ativos. como também quais são as medidas que devem ser adotadas para saneá-las. prejudicando a gerência e a análise das demonstrações contábeis dos governos. registrado num período de apenas 4 anos e meio. dos estados e dos municípios.Objetivos da Pesquisa O presente estudo objetiva enfocar a importância do Balanço Patrimonial. direitos e obrigações ao longo dos últimos exercícios. transformou-se em um Passivo Real Descoberto de R$ 52. denotando os prejuízos que a omissão do registro dos passivos no momento oportuno traz para as gestões posteriores.

A presente pesquisa. Legislativo e Judiciário. destacando-se os ativos e passivos sub ou superavaliados. 23 . da mesma forma. f) situação patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. 1. exercícios financeiros findos em 31 de dezembro de 1996 a 2000 e semestre encerrado em 30 de junho de 2001. serão apresentados as normas e os procedimentos adotados em outros países para a elaboração de seus Balanços Patrimoniais.3 .Delimitação do Estudo No âmbito governamental. de forma adequada. Para atingir os objetivos propostos. ainda. os Balanços Patrimoniais são elaborados pelos Poderes Executivo. e) Notas Explicativas. 1. sejam brasileiras ou internacionais. O estudo ficará concentrado no exame dos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. comparando. e pelos Tribunais de Contas.4 . autarquias. buscará avaliar a fidedignidade e a clareza dos saldos reportados nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. d) Controles Interno e Externo. estados. fundos. c) importância da correta evidenciação contábil.Questões a Investigar A investigação empreendida concentra-se nas seguintes questões: a) a qualidade e a quantidade dos valores registrados nos ativos. Distrito Federal e municípios. passivos e os saldos patrimoniais dos exercícios findos em 31 de dezembro de 1996 a 2000 e do semestre encerrado em 30 de junho de 2001. Para subsidiar esses exames. as técnicas utilizadas para a sua elaboração com aquelas facultadas pela legislação e com as usualmente disseminadas pela Teoria da Contabilidade e pelos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs).Mop/Rev61 do Estado (CGE) registrar. Serão analisados aspectos quantitativos e qualitativos das informações. serão levadas a efeito avaliações sobre: a) normas e procedimentos da Contabilidade. comparando-os com aqueles praticados pelo Governo fluminense. b) usuários da Contabilidade. Ministério Público. fundações. diversas operações efetuadas no âmbito da Administração Pública fluminense. empresas públicas e pelas sociedades de economia mista da União.

Mop/Rev61 b) a legislação que trata de Contabilidade Governamental e os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs). apurando-se. BID etc. 24 .9% do PIB fluminense apurado em 2001 6).4 milhões de habitantes 5 –. FMI.) por análises que apontem mecanismos para o equilíbrio fiscal e patrimonial dos governos. tendo sua população estimada. denotam a relevância de um exame analítico da composição dos elementos patrimoniais.0 bilhões e passivos estimados em R$ 84. em 14. Anuário Estatístico do Estado do Rio e Janeiro 1999-2000. OCDE. Estes montantes.com. Adicione-se que o estudo enfoca um tema que já vem sendo abordado em exames recentemente elaborados por entidades internacionais que fomentam pesquisas no segmento de finanças públicas.5 .cide. 1. fornecer transparência a suas contas. 6 ______. um Passivo Real Descoberto de R$ 52. citada. O PIB do Estado é estimado em R$ 159 bilhões em 2000 de acordo com o Centro de Informações e Dados do Estado do Rio de Janeiro – CIDE. promover a atração de investimentos e ajudar na obtenção de financiamentos dos organismos nacionais e internacionais de fomento e desenvolvimento. d) as medidas que devem ser introduzidas para promover a melhoria dos Balanços Patrimoniais das entidades governamentais. apresentou.br. a elaboração de Balanços Patrimoniais fidedignos pode representar para o Estado uma importante ferramenta gerencial. 1. no ano 2000.4 bilhões (equivalente a 32.6 . à medida que fornece subsídios para a adoção de medidas que promovam a sustentabilidade financeira e patrimonial do Estado? 5 .Hipóteses As hipóteses aventadas são: a) a correta retratação do Patrimônio Público pode ser útil ao desenvolvimento.CIDE.Relevância da Pesquisa O Balanço Patrimonial do Rio de Janeiro – Estado com a segunda economia da Federação. portanto. Op. em 30 de junho de 2001. Rio de Janeiro. por sua magnitude.4 bilhões. tem havido um interesse crescente por parte de organismos internacionais (CEPAL. 2001. c) as causas das incorreções dos Balanços Patrimoniais porventura identificadas. ativos da ordem de R$ 32. http://www. Não obstante. Desta maneira. De fato. BIRD.rj. o estudo de caso relativo à situação patrimonial do Estado do Rio de Janeiro se insere em um tema que vem merecendo destaque no Brasil e em outros países.

5ª ed. e amp. 49. Gildásia.7 . Rio de Janeiro: Editora FGV. utilizando ainda a literatura aplicável. 7 . Como fazer monografia na prática. p. com fulcro nos conhecimentos teóricos consagrados nas publicações técnicas. rev.TACHIZAWA. de acordo com a descrição a seguir: 7 Figura 1 – Modelo metodológico empregado Escolha do assunto/Delimitação do tema Bibliografia pertinente ao tema (área específica sob estudo) Levantamento de dados Fundamentação teórica Caracterização institucional Análise e interpretação das informações Conclusão e resultados O método utilizado é o dedutivo. partindo do estudo de caso dos recentes Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro para. direitos e obrigações do Estado? c) a Auditoria Geral do Estado (AGE) e os controles internos fornecem garantia de melhor qualidade e confiabilidade dos saldos registrados no Balanço Patrimonial do Estado? d) o Controle Externo coopera para a melhoria da evidenciação do Balanço Patrimonial fluminense? 1. se inserir no segmento de pesquisa exploratória. 2000. 25 .Metodologia Empregada O modelo metodológico adotado é aquele sugerido por Tachizawa & Mendes para monografias de estudo de caso. Takeshy e MENDES.Mop/Rev61 b) os Princípios de Contabilidade adotados pela Contadoria Geral do Estado (CGE) encontram-se em conformidade com a legislação e são suficientes para a obtenção da necessária evidenciação dos bens. em conjunto com observações realizadas durante o processo de investigação.

c) Passivo Financeiro d) Passivo Permanente. Salienta-se. direito e finanças públicas. Salienta-se. destaca-se que foram obtidos através de consulta ao Sistema Integrado de Administração Financeira do Estado (SIAFEM). que só serão objeto de análise os saldos de contas relevantes ou que contenham falhas ou omissões expressivas. e f) As Contas de Compensação. Quanto aos valores do Balanço Patrimonial do semestre encerrado em 30/06/01. manuais técnicos e publicações de periódicos de natureza informativa. Destaca-se que os valores estão evidenciados em milhões de reais e. ainda. Todos os dados referentes aos exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 foram extraídos das Contas da Gestão do Governo do Estado.320/64. nos grupos de contas determinados pelo artigo 105 da Lei 4. EXERCÍCIOS FINDOS EM 31 DE DEZEMBRO DE 1996 A 2000 E SEMESTRE ENCERRADO EM 30 DE JUNHO DE 2001 O presente capítulo busca avaliar quantitativa e qualitativamente os saldos escriturados nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. compreendendo os exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 e o semestre encerrado em 30/06/01. compreendendo: a) Ativo Financeiro b) Ativo Permanente. que o estudo utilizou-se de outros elementos. contabilidade. ainda. administração.ANÁLISE DOS BALANÇOS PATRIMONIAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.Mop/Rev61 A presente investigação utilizou as informações contidas nos Balanços Patrimoniais do Estado e em suas Notas Explicativas. em âmbito nacional e internacional. também. com base nos seguintes procedimentos: a) pesquisa documental: exame da legislação. 26 . e) Saldo Patrimonial. b) pesquisa bibliográfica: exame de obras e publicações nos segmentos legislação. 2 . normas. que os valores correntes registrados nos Balanços Patrimoniais do Estado foram atualizados. relatórios da Auditoria Geral do Estado (AGE) e Pareceres Prévios do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ).

começando pelos montantes registrados no Ativo: Tabela 2 – Ativo Sintético O Passivo. os saldos dos ativos. apresentou os seguinte montantes: Tabela 3 – Passivo Sintético 27 . por outro lado. passivos.Balanços Patrimoniais Sintéticos De maneira sintética. de acordo com os índices a seguir apontados: 2. apurado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). nos períodos avaliados. para moeda com poder aquisitivo de 30 de junho de 2001.Mop/Rev61 objetivando melhor comparabilidade. ativos reais líquidos e passivos reais descobertos do Estado do Rio de Janeiro.1 . corrigidos com base na variação do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI). são relacionados a seguir.

0479 - Tabela 2 – Ativo Sintético (em R$ milhões.780 35. 28 .374 31/12/97 7.404 31/12/98 8.237 13.335 76.066 31.1501 1.Mop/Rev61 Tabela 1 – Índices de atualização Período Contábil findo em: 31/12/1996 31/12/1997 31/12/1998 31/12/1999 31/12/2000 30/06/2001 Nota: Cálculos elaborados com base nos índices do IGP-DI divulgados pela FGV.730 9.440 7.163 27.700 6.616 31.091 7. em moeda de 30/06/01) 31/12/99 31/12/00 30/06/01 4.684 24.724 28.404 52.074 9.225 13.016 23.368 13.587 17.136 27.5084 1.006 53.866 Fonte: Balanços Gerais do Estado.650 26.884 27.845 4.253 ATIVO Financeiro Ativo Permanente Soma do Ativo Real Saldo Patrimonial – Passivo Real Descoberto Compensado TOTAL 31/12/96 1.368 20.950 52.3799 1.447 4.4034 1. Índice de Correção 1. Tabela 3 – Passivo Sintético Fonte: Balanços Gerais do Estado.863 92.674 31.313 35.232 31.

000 80. transformouse em um Passivo Real Descoberto de R$ 52.Mop/Rev61 A evolução do Ativo.000 R$ M IL HÕES 40. 2.4 bilhões. O Ativo Real Líquido de R$ 5. PASSIV O (NÃO INCLUI ATIV O E PASSIV O COM PENSADO) E SALDO PATRIMONIAL .2 bilhões. em 30/06/01.000) (60. As causas que originaram este vultoso declínio serão avaliadas adiante. do Passivo (não incluídos os ativos e passivos compensados) e do Saldo Patrimonial pode ser melhor visualizada graficamente: Gráfico 1 – Evolução do Ativo.000) (40. Passivo e Saldo Patrimonial EV OLUÇÃO DO ATIV O.31/12/96 A 31/12/00 E 30/06/01 100. registrado em 31/12/96. iniciando-se pela análise da evolução do Ativo.000 (20.000 20.2 .000) Dez/96 Dez/97 Dez/98 ANO Dez/99 Dez/00 Jun/01 Soma do A tivo Real Soma do Passivo Real Saldo Patrimonial Houve um vigoroso declínio no saldo patrimonial do Estado no período sob exame.Ativo O comportamento das principais contas do Ativo do Estado ao longo do período analisado é detalhado a seguir: 29 .000 60.

Mop/Rev61 Tabela 4 – Ativo Analítico Fonte: Balanços Gerais do Estado. Ao longo do período a distribuição dos ativos por grupo de contas pode ser melhor observada graficamente: 30 .

5% 0.2% 0.0% 4.5% 8 .1% 1.0% 0. apresentou a seguinte distribuição percentual em relação ao total do Ativo (excluídos o Passivo Real a Descoberto e o Ativo Compensado): Tabela 5 – Participação percentual das contas do Ativo Financeiro Descrição Financeiro Disponível Bancos Cta.5% 0.F Conta "B" – C.2% 13.7% 0.1% 0.2% 0.0% 0.Ativo Financeiro O Ativo Financeiro.1.E.9% 0.0% 4.6% 0.1% 26.1% 0.0% 0.2% 32.0% 0.0% 6. Ind.Mop/Rev61 Gráfico 2 – Ativos por grupo de contas DISTRIBUIÇÃO DOS ATIVOS POR GRUPO DE CONTAS 22.9% 0.3% 0. em Circulação Outros 31/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 4.2% 0.500 10.0% 0.0% 0.0% 21.8% 0.000 2.0% 5.F Fundo da Dívida Pública Outros Realizável Créditos Diversos a Receber Diversos Responsáveis Valores em Trânsito Adm. p.2% 0.5% 0. – Créd.2.3% 1.000 7.5% 1. Movimento Aplicações Financeiras Administração Indireta Rede Arrecadadora Valores Vinculados Conta "A" – C. A composição e as mutações sofridas pelas contas que compõem o Ativo são dissecadas a seguir: 2.4% 0.500 20.6% 0.6% 2.4% 0.0% 0.0% 7.0% 4.3% 0.6% 0.6% 0. 4ª ed.1% 3.7% 3.0% 4.1% 0.0% 0.0% 5.0% 2.7% 2.0% 4.5% 0.0% 0. Contabilidade Governamental.E.1% 15.8% 0.2% 0.000 17.0% 3.0% 0.3% 2. 31 . que de acordo com o Professor Silva 8 “compreende os créditos.7% 13. São Paulo: Atlas.2% 4.0% 2.9% 0.1% 0.7% 15.0% 1.000 12. 324.7% 0.0% 1. valores realizáveis e valores numerários.9% 0.500 R$ MILHÕES 15.1% 0.1% 5.SILVA.0% 0.0% 1.0% 4.4% 0. um enfoque administrativo.2% 3.6% 0.8% 17.9% 3.500 5.0% 19.5% 4.0% 0.0% 0.1% 6.1% 4.2% 0.500 Disponível Valores Vinculados Realizável Bens Móveis e Imóveis Créditos do Estado Valores do Es tado 1996 1997 1998 1999 2000 jun/01 Os Ativos do Estado concentraram-se principalmente em Créditos do Estado e Valores do Estado.0% 2.9% 0.7% 0.1% 2.0% 0.0% 0.3% 2. movimentados independentemente de autorização legislativa”.1% 0.0% 1. 2000.2% 0.4% 0.4% 0.6% 0.1% 1.0% 2. Lino Martins da.

). São Paulo: Atlas. Obtidas em 01/06/97. são avaliadas as contas que compõem o Ativo Financeiro. equivalente a R$ 4. 13. observa-se que o Ativo Financeiro representou 4. descrito por Kohama 9 como “o numerário que se encontra disponível.867 314 394 31/12/98 1.2.2%. 32 . chamadas de “Conta A” e “Conta B”.475 59 873 543 31/12/99 659 45 470 131 13 31/12/00 916 183 707 11 14 30/06/01 1. também. para a cobertura de passivos atuariais e contenciosos trabalhistas. assumidos pelo Estado do Rio de Janeiro durante o processo de privatização do mencionado banco.A.Bancos Conta Movimento A conta de Banco Conta Movimento teve um crescimento explosivo entre 31/12/96 a 31/12/97. respectivamente.45 bilhões em moeda de 30/06/01. 89. Balanços públicos. 1999.1 bilhões (ou R$ 4.Mop/Rev61 A partir do exame desta tabela.1%. 26. ocorrida em meados de 1997. exatorias e bancos e correspondentes”. sendo destinadas. totalizaram R$ 3. tesourarias. é explicado pela renegociação da dívida do Estado junto à União.1% e 15. Estas linhas de crédito. as referidas linhas de crédito subdividiram-se em duas contas. cedidas pela Caixa Econômica Federal ao Governo do Estado em meados de 1997. O expressivo crescimento verificado entre 31/12 de 96 a 97 é explicado principalmente por linhas de crédito. 2. chamadas “Conta A” e “Conta B”. Heilio.KOHAMA. classificados no grupo do Ativo Permanente – Títulos e Valores Mobiliários.775. 2.1. quando a quase totalidade do saldo da "Conta A" foi convertida em Certificados Financeiros do Tesouro (CFTs). Adiante.2%. 32. 9 .088 bilhões em moeda de jun/97. Por outro lado.3% nas datas indicadas. o forte declínio da participação do Disponível em relação ao total do Ativo.1 . p.01%. 13. consignou os seguintes saldos nos exercícios findos em 31/12 de 96 a 00 e no semestre findo em 30/06/01: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) DESCRIÇÃO Disponível Bancos Cta. ou seja 2. originalmente. em poder de caixas.1. concedidas para viabilizar a desestatização do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj S. e.1.5 bilhões em moeda de 30/06/01). em decorrência da obtenção de linhas de crédito junto à CEF (conforme já destacado). equivalentes a R$ 3.Disponível O Disponível. observado a partir de 1999. Movimento Aplicações Financeiras Administração Indireta Rede Arrecadadora 31/12/96 486 27 120 339 31/12/97 5. inicia-se o exame das contas de Ativo pela rubrica Disponível. em moeda nacional e estrangeira. teoria e prática. pela elevação do saldo de outras contas. fiscais e outras avenças.1 .500 669 818 13 A seguir.575 4.2.7%.

A. o real saldo de disponibilidades.A.A. sendo destes R$ 630 milhões relativos ao valor registrado em Banco do Brasil – Fundo da Dívida Pública (FDP). em 31/12/97. da Dívida Mobiliária do Estado do Rio de Janeiro.Determinação nº 16..A. quando da emissão de Parecer Prévio às Contas da Administração Financeira. em moeda de 30/06/01) Descrição Bancos Conta Movimento (-) Saldo com a CEF (-) Saldo com o Banco do Brasil = Bancos Conta Movimento Ajustada R$ milhões 4. eram recursos vinculados. herdados após a alienação da participação acionária do Estado no Banco Banerj S. Desta sorte. à época. relacionadas a seguir: (em R$ milhões correntes) CONTA “A” TIPO DE PASSIVO Passivo atuarial a descoberto para cobertura de planos previndenciários dos funcionários do Banerj cobertos pela PREVI-BANERJ Possíveis contenciosos. o Disponível era também composto por outros R$ 732 milhões. (privatizado) TOTAL R$ milhões 2. à medida que representavam um estoque de Dívida Mobiliária Estadual destinado ao resgate de Títulos da Dívida do Estado (LFTRJs) vincendos. 33 . uma vez que estes valores eram destinados ao pagamento de determinados passivos. e. os saldos das Contas “A” e “B” foram reclassificados em 1998 para a conta Valores Vinculados. em 31/12/97.Mop/Rev61 sendo destinadas a cobertura de passivos remanescentes específicos.) foi cindido em dois bancos: O Banco do Rio de Janeiro S.146 “B” 942 3. Por conseguinte. estavam vinculados à chamada “rolagem automática” da Dívida Mobiliária Estadual. era de: (saldos em 31/12/97. multas e ressarcimentos relacionados ao processo de privatização do Banerj S. alienado para a iniciativa privada (Conglomerado Itaú) em junho de 1997. (Banerj S.A. do voto prolatado pelo Conselheiro Relator José Gomes Graciosa.088 A contabilização das Contas “A” e “B” no Disponível foi inadequada.A. portanto. sendo destinados a obtenção de numerário no mercado a ser utilizado no resgate de LFTRJs que seriam resgatadas em futuro breve. Destaca-se que. (atualmente em liquidação extrajudicial) e o Banco Banerj S. exercício de 1997. Ou seja.867 (4. Em razão da determinação do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) 11. 11 . representando os valores de Letras Financeiras do Tesouro Estadual (LFTRJs) sob custódia do Banco do Brasil.O antigo Banco do Estado do Rio de Janeiro S. 10.135) (630) 102 10 . gestor. os R$ 630 milhões não poderiam ser classificados como recursos disponíveis.

2. grande parcela dos valores registrados como Aplicações Financeiras de 31/12/98 adiante pode ser considerada virtual (sic) pois. alguns índices de liquidez apresentariam indicadores positivos. Movimento.1% do total. Na verdade. R$ 470 milhões.1 8. Indireta e Fundacional junto ao Fundo da Dívida Pública (FDP). por exemplo.1. os valores atingiram R$ 669 milhões em decorrência da melhoria da situação fiscal do Estado.0 0. sem que se procedesse aos necessários ajustes. o que na prática não estava ocorrendo.Mop/Rev61 Por conseqüência. 34 . apesar da relevância dos saldos das Contas “A” e “B”. salienta-se que a conta Bancos Cta. os outros valores contabilizados na conta são efetivamente disponíveis. ocorrida em julho de 2001.Aplicações Financeiras Os montantes contabilizados na conta de Aplicações Financeiras mantiveram-se em patamares próximos findas as datas examinadas (exceto 31/12 de 96 e 97): R$ 873 milhões.1. Com efeito. como o apresentado: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Aplicações Financeiras Órgãos Participantes do Fundo da Dívida Pública Administração Direta Banco do Brasil – C/ SELIC Depósitos em Conta de Poupança Saldo R$ bilhões em 31/12/98 873 787 78 8 0 % Total 100. pouco expressiva em 31/12 de 99 e 00. Exceto pelos saldos de 31/ 12/96 e 1997.9 1.0 90. seria distorcida. que a partir de 1999 começou a ser formado. Nesta data. devido à suposta posse de recursos para a cobertura de passivos de curto prazo. Por fim. por exemplo.0 Exceto pelo valores do Fundo do Judiciário. destino e composição das referidas linhas de crédito. em 31/12 de 1998/1999/2000 e 1º semestre de 2001. possibilitando a constituição de reservas destinadas ao pagamento de metade do 13º salário dos servidores.2. dos R$ 873 milhões contabilizados como Aplicações Financeiras em 31/12/98. qualquer análise das disponibilidades do Estado que considerasse os valores escriturados no Balanço Financeiro. respectivamente. referiam-se a saldos de aplicações no FDP. R$ 707 milhões e R$ 818 milhões. Destaca-se também que. R$ 787 milhões. teve destacada participação em 30/06/01. estes saldos até 31/12/99 não refletiam a real situação financeira do Estado. ou 90. a CGE e AGE não elaboraram Notas Explicativas detalhadas sobre a origem. considerando que incluíam valores relativos a créditos de Órgãos da Administração Direta.2 .

a inexistência de data predeterminada para quitação dos referidos débitos. Indireta e Fundacional devidos pelo Tesouro do Estado ao FDP. sem que existisse um lastro financeiro correspondente no Tesouro do Estado do Rio de Janeiro. conforme exposto na análise da Dívida Fundada) foi convertido para Dívida Contratual. em razão das limitações de caixa do Governo do Estado. Naquela ocasião. e assim cumprir o pactuado. os R$ 787 milhões registrados na conta Aplicações Financeiras caracterizavam-se por serem valores escriturais (tendo como contrapartida um passivo). não existindo perspectivas de efetivo ressarcimento pelo Tesouro do Estado dos valores devidos aos credores.U. em razão da não eliminação dos saldos do FDP. permaneceram distorcendo o Balanço Patrimonial do Estado ao longo do exercício de 1999. Por conseguinte.Mop/Rev61 Em 31/12/98. a Dívida Mobiliária Estadual. Cessadas as operações do FDP. utilizava recursos do DETRAN. Nesta ocasião. à medida que referiam-se a créditos de Órgãos da Administração Direta. comprometia-se a restituir os valores captados com base na variação da taxa Selic 12. ocorrida em outubro de 1999. na prática. Indireta e de Fundos Estaduais. tendo em vista. os valores registrados como aplicações financeiras do Fundo da Dívida Pública são ativos de órgãos da Administração Direta. todo o montante devedor apurado como saldo devedor em LFTRJs (recalculado. por conseqüência. Estes saldos. criado para financiar a Dívida Mobiliária do Estado. pois é a sua taxa diária que regula os preços unitários (P. nunca ressarciu os valores obtidos. LOTERJ etc. especificamente a conta Créditos Diversos a Receber a partir do exercício de 2000. 12 .. ainda. 35 . todo o saldo devedor relacionado às LFTRJs foi assumido pela União. os montantes devidos tornassem-se de caráter permanente.É a taxa prime do mercado que regula as operações diárias com títulos públicos federais. meramente escriturais. Entretanto. Em outras palavras. o saldo contabilizado no Ativo do Estado foi superavaliado em alguns dos períodos sob exame. O improvável reembolso dos valores devidos pelo FDP a Órgãos Estaduais tornou-se mais claro com o advento da renegociação da dívida do Estado junto à União. por não possuir os recursos necessários para o reembolso. O FDP. restaram saldos credores da Administração Indireta resultantes das práticas contábeis adotadas ao longo dos anos. extinguindo.) dos títulos públicos. devedor destas quantias. o Tesouro Estadual. fazendo com que.

A partir de 31/12/98 há predominância dos valores relativos às Contas “A” e “B”.2. Atlas.2 . Vinculadas.Administração Indireta e Rede Arrecadadora Em razão da irrelevância.LOPES DE SÁ.974 1. acordemente ao apresentado na tabela: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Valores Vinculados Conta "A" . a partir de 1998.697 3. destacadamente. Dicionário de Contabilidade. Quanto à questão das Contas “A” e “B”.3 .1. ou vincula”.296 1. p. os saldos do FDP. única e exclusivamente para a cobertura de passivos trabalhistas.2. a conta de Credores Entidades e Agentes. em garantia de uma transação. conforme destacado anteriormente. 2.2. sendo considerados como créditos meramente escriturais. 2.1. 13 .1. 1995.723 31/12/99 1. na data do contrato.1.2. Destarte. referem-se a valores devidos pelo Tesouro a órgãos da Administração Direta e Indireta tendo.438 230 1. os valores registrados nas contas de Administração Indireta e Rede Arrecadadora não serão objeto de análise.490 277 1.295 31/12/00 1.F. sufixo que indica dependência de uma conta. esses créditos não possuem lastro financeiro. 468. Fundo da Dívida Pública Outros 31/12/96 461 300 161 31/12/97 740 723 17 31/12/98 5.Mop/Rev61 2. como contrapartida no Passivo.E. 36 .280 - Os saldos da conta Fundo da Dívida Pública foram transferidos.Valores Vinculados De acordo com citação de Lopes de Sá 13 aqui reproduzida: “Vinculados é um sufixo de conta que indica que seus valores se encontram presos. contabilizadas indevidamente no grupo de Disponível em 31/12/97. se comparados com o valor total do Ativo.C. São Paulo. para a conta Aplicações Financeiras e.1 . adiante se procederá a uma descrição detalhada da evolução de seus saldos.F. Os valores que apresentavam tal características em 31/12/96 e 97 eram. Antônio. Conta "B" – C. 9 a ed.213 30/06/01 1.E.Contas “A” e “B” O saldo das Contas “A” e “B” refletem os montantes de linhas de crédito obtidas junto à Caixa Econômica Federal (CEF) em 06 de junho de 1997.

Promessa de Assunção. Consolidação e Refinanciamento de Dívidas. as seguintes quantias: (valores de 31/12/98.996 de 30 de junho de 1998. que entre si celebram o Estado do Rio de Janeiro e a Caixa Econômica Federal. entre o Estado do Rio de Janeiro. (Em Liquidação Extrajudicial). a União e a CEF. estes montantes foram sofrendo acréscimos. que. 15 _________. 80/97 e 102/97. de 11 de novembro de 1997. com interveniência de Banco do Brasil S. de 26 de outubro de 1999. mesmo que utilizadas parcelas das linhas de crédito. entre si. ocorrida em outubro de 1999. Segundo Termo Aditivo ao Contrato de Abertura de Contas. alterada pela Lei nº 2.. 37 . nomeação de Agente Fiduciário e outros pactos. em 31/12/98.BRASIL.674.088 Em razão dos valores disponibilizados serem corrigidos pelas taxas de juros praticadas no mercado aberto (open-market). 175/ 95. firmado em 10 de junho de 1997 e aditado em 8 de julho de 1997. do Conselho Monetário Nacional.723 5.900-43. compreendiam os seguintes valores na data de sua liberação: (em valores correntes de jul/97) CONTA “A” “B” Total = R$ milhões 2. 14 . Contrato de Confissão.146 942 3. nos termos do disposto na Lei nº 9.A. na Medida Provisória nº 1.496. em moeda de 30/06/01) CONTA “A” “B” Total R$ milhões 3.Mop/Rev61 previdenciários e tributários provenientes do Banco do Estado do Rio de Janeiro S. o Segundo Termo Aditivo ao Contrato de Abertura de Contas – Contas “A” e “B” 15. na Lei Estadual nº 2. foi firmado.974 1. celebram a União e o Estado do Rio de Janeiro. atingindo.A. de 27 de janeiro de 1997.697 Em razão dos acordos que envolveram a viabilização da renegociação da Dívida do Estado com a União 14. estabelecendo-se outras formas de uso aos recursos remanescentes da “Conta A” (originalmente destinados exclusivamente à cobertura dos passivos atuariais decorrentes de déficits de Reservas Técnicas para pagamento de compromissos previdenciários da PREVI-BANERJ). com base nos Votos 162/95. entre as mesmas partes. para as finalidades pactuadas.

Outrossim.000. o pactuado neste Termo Aditivo trouxe expressivas modificações no saldo da conta de Valores Vinculados. em 30/06/01.000. Considerando ainda que a maior parte do valor.000. em outubro de 1999 o saldo apurado na “Conta A”. fiscais. anteriormente integralmente vinculado. relativas aos valores disponibilizados à vista e em CFTs. há uma grande elevação dos saldos da conta de Ativo Permanente – Títulos e Valores Mobiliários. Por derradeiro. apenas o saldo da “Conta B”.287. foi transformado em títulos federais. vencíveis mensalmente até 15 de dezembro de 2001. o Estado contraiu obrigações junto à União. observa-se que restou na conta Valores Vinculados.00. que somados perfizeram um total de R$ 1. se comparados os dados de 31/12/98 e 31/12/99.000.00. De fato.00 liberados para o Tesouro do Estado em moeda corrente. 38 . houve uma grande redução dos montantes escriturados na conta Valores Vinculados – “Conta A”. e corrigidos pela variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano.00 convertidos em 2. equivalente a R$ 3. em 30/ 06/01. de R$ 320 milhões.Mop/Rev61 Muito embora não evidenciado detalhadamente em Notas Explicativas ao Balanço Patrimonial do exercício findo em 1999. R$ 349 milhões.000.287 Certificados Financeiros do Tesouro. incluindo a liberação. Valores em Trânsito. Em contrapartida à diminuição muito expressiva do saldo da conta de Valores Vinculados. vencíveis mensalmente até 15 de dezembro de 2014. Como se vê.4 bilhão. com valor de emissão unitário de R$ 1. II) R$ 798. representados por CFTs destinados à capitalização do RIOPREVIDÊNCIA.9 bilhões. à vista. com saldo de R$ 154 milhões.00 convertidos em 797. chamada de “Reserva Monetária”. retidos na Conta “A”. equivalente a R$ 1. restando. destinados a capitalização do RIOPREVIDÊNCIA. contabilizadas no Passivo – Dívida Fundada.500. foram dadas novas destinações aos recursos da “Conta A”.000. destinados a capitalização do RIOPREVIDÊNCIA. corrigidos pela variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano. e IV) R$ 312. apenas R$ 230 milhões relativos à conta da chamada “Reserva Monetária”.000. representada pelos títulos federais (CFTs) utilizados para capitalizar o RIOPREVIDÊNCIA. e Outros Valores Vinculados. III) R$ 2. teve a seguinte destinação: I) R$ 320.500.000.889 Certificados Financeiros do Tesouro com valor de emissão unitário de R$ 1.889. cíveis e outras avenças remanescentes do processo de privatização do Banerj).2 bilhão (destinado exclusivamente ao pagamento de contenciosos trabalhistas. equivalentes a 12 (doze) vezes o valor médio de benefícios previdenciários pagos aos participantes da PREVI-BANERJ nos últimos 12 (doze) meses anteriores à data de assinatura do Segundo Termo Aditivo.

1993.Fundo da Dívida Pública e Outros Os saldos registrados em Fundo da Dívida Pública (FDP) já foram analisados quando tecidos comentários sobre a conta Aplicações Financeiras. em decorrência ao crescimento progressivo dos valores contabilizados na conta Créditos Diversos a Receber.1. merecendo comentários adicionais quando do exame das contas de Incorporação da Administração Indireta e Créditos Diversos a Receber.179 13 2. em Circulação Outros 31/12/96 69 57 12 31/12/97 1. geralmente a curto prazo”. também.1. Ind.443 349 154 Descrição Realizável Créditos Diversos a Receber Diversos Responsáveis Valores em Trânsito Adm. teoria e prática. em 31/12/99.1.3 .2. – Créd.Realizável Os valores realizáveis. p. apresentou o seguinte comportamento ao longo dos períodos que compõem a amostra: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 1.182 587 55 1. 2.053 125 59 842 26 A composição do Realizável experimentou uma importante alteração em face da extinção do saldo da conta Administração Indireta – Incorporação e. Outros valores que compunham o saldo total da conta.946 1.2 . em 31/12/99.Créditos Diversos a Receber O montante escriturado em Créditos Diversos a Receber elevou-se de R$ 125 milhões.KOHAMA.3. 16 . Estas alterações serão examinadas adiante. para R$ 587 milhões. relativos a Créditos Oriundos do Fundo da Dívida Pública (FDP). 2. os saldos devidos do FDP não deverão se materializar. Conforme já exposto. São Paulo: Atlas.570 53 80 55 1.Mop/Rev61 2. 89. Hélio. Restos a Receber e Outros Créditos a Receber. relacionavam-se aos Royalties de Petróleo a Receber. em razão da contabilização de R$ 350 milhões (equivalentes a R$ 402 milhões em moeda de 30/06/01).2. 39 . que nas considerações de Kohama 16 “representam a soma dos créditos financeiros junto a pessoas de direito público ou privado e que deverão ser convertidos e realizados em dinheiro.2.415 158 65 1. Balanços Públicos. em 31/12/96.2.529 11 1.1 .758 1.

885 (113.758.713 73.486 7.880.853. 15.03.940) (118.00 15.464 7.892.99 15. em moeda de 31/12/00) VENC.813 IGP-DI ÍNDICE 1.08.872.774.135 37.01572 1.572 7. Indireta e Fundacional seriam eliminados entre si.00305 1.281 38.318) (114.875.0 bilhões – em valor histórico (ou R$ 7.713 73.713 73. de acordo com tabela a seguir: (em R$ mil.870 7.7 bilhões.154 7.556 908 1672 1818 1956 2053 2284 2933 4138 5996 6918 7228 7461 38.725 38.00 15.00854 1.911) (118.10. Deve-se ressaltar.792.154) (115.674 7.02654 1.761 7.640.02268 1. O dispositivo mencionado dispõe que o Tesouro deve repassar anualmente 2% da receita tributária prevista à referida Fundação.00 15.806) 40 .125 7.922) (1. pois se somado aos R$ 7. a contabilização da quantia superavalia o Ativo do Estado.570) (117.560 37. além da remota possibilidade da FAPERJ vir a receber tais valores.11.994.902. devidos pela União ao Estado.01232 1.629. A contabilização de valor devido à FAPERJ.254 7.891 73.020 7.713 73.853.02466 1.524 7.125 7.581) (113. o que não foi sendo observado ao longo dos anos.508 37.00 15.00 15. se deu com base nas diferenças de valores repassados para aquela entidade e o que determina o artigo 332 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro.08134 1.433 38.01023 1.044 7.00 15.671.09805 1.09385 1.713 73.03979 1.713 73. O valor contabilizado pode ser considerado.696 38.03099 1.00 TOTAL SALDO.743. Desta forma.748 456.673.01157 1.713 73.02785 1.786.717 7.719 38.110) (113.3 bilhões em moeda de 30/06/01) – que estão registrados na conta de Títulos e Valores Mobiliários – CFTs. 1. o valor a receber da FAPERJ seria suprimido contra o montante a pagar do Tesouro.097 7.558) (114. relacionados ao resgate de parcela de CFTs de titularidade do RIOPREVIDÊNCIA vincendos em 2001.6 bilhão em 31/12/00. em valor histórico (ou R$ 744 milhões em moeda de 30/06/01).713 73.713 73.02386 1.806.575 7.10958 JUROS AMORT+JUROS SALDO FINAL 7.851.00 15. validando a quantia total dos CFTs mantidos pelo RIOPREVIDÊNCIA em 15/12/00.07.05.00128 1.12.713 73.198 7.02.12.386. foi ocasionado pela contabilização de créditos a receber da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) em conjunto com a escrituração de valores a receber provenientes dos CFTs.601 7.00760 AMORT.820. os saldos de créditos e débitos intragovernamentais mantidos entre as Administração Direta.693.806 7.754.191 7. CORREÇÃO IGP-DI ACUM.786 7.05614 1. Outro importante valor na composição da conta Créditos Diversos a Receber refere-se ao saldo de R$ 710 milhões.10121 1.00 15.974) (118.934.465 7.964) (113.00 15. para R$ 1.09.804) (113.Mop/Rev61 O vigoroso crescimento do saldo. INCIAL 7.783.988. Entretanto.713 73.815 37. ainda. por se tratar de crédito de difícil realização. pois se o Balanço Patrimonial fosse adequadamente consolidado. adequado.01.769 7.732.00183 1.00194 1.00384 1. que o montante não repassado à FAPERJ deveria ser escriturado no Ativo e Passivo Compensados.00 15.00 15.00288 1.034 37.252 7.713 884. totalizariam a importância de R$ 7.06. equivalente a R$ 612 milhões em moeda corrente (ou R$ 641 milhões em moeda de 30/06/01).04.231 38. em parte.

338 7.159. os Balanços do Estado eram apenas combinados.00000 1.656 33.713 73. até 31/12/00.5 bilhão em 31/12/99.10958 JUROS 37. relacionavam-se à incorporação dos valores realizáveis da Administração Indireta do Estado. os valores a receber dos CFTs em 2001. 73.09.905 7.10958 1.01 15.567 CORREÇÃO 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8078 8079 IGP-DI ACUM.713 73.061) (1.10958 1.914.01 15.527 7.10958 1.00000 1.305 6.849 7. à medida que não se procediam às necessárias eliminações visando apurar os valores consolidados.258 7.437) (117.750.637 37. entretanto. ou seja. a partir de 2001.01 15.00000 1. equivaliam a R$ 1.095 6.00000 AMORT.4 bilhão. que somavam-se a outros Ativos do Estado. os valores registrados nesta conta foram extintos.716 7.11. não restando claro. conforme tabela: (em R$ mil.713 73.01 15. em moeda de 31/12/00) VENC.405.947.713 73.01 15.05.282 7.421 7. é superior ao valor contabilizado no Ativo Financeiro – Realizável.452 34.446) (115. Os lapsos identificados evidenciam a existência de fraquezas no controle interno e nas classificações das contas patrimoniais do Estado.841 36.713 73.01.771 IGP-DI ÍNDICE 1.10958 1.01 15. que somaram R$ 1.568.054 33.241. 2.713 73.00000 1.149 6. foram redistribuídos para outras rubricas.10958 1. resta comprovado que.996.835) (117.00000 1.01 TOTAL SALDO.194.030.468 7.01 15.03.049 7.631) (118. 98 e 99. os montantes de recebíveis em 2001 provenientes dos CFTs.769. A partir do exercício de 2000 estes saldos.10958 1.713 73.523.00000 1.077.471 7.713 73.258 425.01 15.840 7.1.960 6.443 36.01 15. antes da incidência das correções mensais com base na variação do IGP-DI. 1.10958 1.07. INCIAL 7.039) (116.845) (115. se a mudança de critério contábil promoveu a melhoria da Consolidação do Balanço.233) (117.00000 1.10.2.243) (115.3.01 15.650.428) (119.660 7.094 7.713 73.358.12.832.00000 1.10958 1. já que não há Nota Explicativa que evidencie a eliminação de todos os valores intragovernamentais.10958 1.02.605.01 15.2 .724 884.713 73.044 35.406.030) (118.239 36.631 7.10958 1.04.367 AMORT+JUROS SALDO FINAL (119.514 6.248 34.486. Desta maneira.850 34.00000 1.641) (116. 15.711 O desbalanceamento dos saldos de curto e longo prazo provoca distorções em análises que não procederem às devidas reclassificações. distorcendo os montantes reais que deveriam estar apontados nos Ativos Financeiro e Permanente.441.646 35. Seus montantes.865.00000 1. em 360 dias.276.10958 1. de acordo com o demonstrado a seguir.886 6.08. De fato.Administração Indireta – Créditos em Circulação Os valores contabilizados nesta conta apresentaram saldos relevantes em 31/12/97.Mop/Rev61 Porém.687.713 73. Portanto.323. 41 .00000 1.112.06.677 7.869) 7.

8% 2.0% 0.4% 0.3% 3. 23.1.6% 2. Ativa Trib.4% 67. citada.6% 22. Regime de Exec.Silva.8% 30/06/01 84.6% 0.5% 2. Outros e Bens e Vals.3% 14. 4ª ed.4% 5.3% 17. que para serem movimentados dependem de autorização legislativa. 223. – Incorp. e Não Tributária Concessão de Serviços Públicos Sociedade de Economia Mista Outros Valores do Estado Participações Societárias Títulos e Valores Bens a Incorporar Almoxarifados Inv.2% 5.9% 29.1% 30.3% 2. com indicação dos elementos necessários para a perfeita caracterização de cada um deles e dos agentes responsáveis pela sua guarda e administração. Em Circ.6% 0. portanto.3..4% 0. 2.7% 13. 41 .3% 3.2% 31/12/00 86. p. na tabela a seguir serão apuradas as participações percentuais das contas que compõem Ativo Permanente em relação ao total do Ativo (excluídos o Passivo Real a Descoberto e o Ativo Compensado): Tabela 6 – Participação percentual das contas do Ativo Permanente (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Ativo Permanente Bens Móveis e Imóveis Créditos do Estado Dív.Mop/Rev61 2.320/64 dispõe.9% 16.1% 1.8% 2.1% 38.6% 23.9% 3.3% 2.4% 4.1% - 17 .0% 55.Ativo Permanente A Lei nº 4.4% 31/12/99 86.3% 31/12/97 73.9% 1.2% 32.2.9% 18.4% 44.7% 2.3 . critérios e valores não incluídos no ativo financeiro. não serão analisados.” Contribuindo para elucidar o conceito de Ativo Permanente na Contabilidade Governamental.7% 0.” Para fins de análise.3% 69.1% 31/12/96 95.0% 33.5% 37.0% 31/12/98 67.8% 0.3% 20.2 .4% 8.1% 0.4% 44. 2000.0% 37.5% 13.Diversos Responsáveis.1% 69.0% 12.2.9% 33.3% 0. Silva 17 discorre: “compreende bens.6% 0. Valores em Trânsito e Outros Os valores contabilizados nesta conta no período avaliado são irrelevantes e. Ind.4% 2. em seu artigo 94: “Haverá registros analíticos de todos os bens de caráter permanente.1% 23.8% 0. Op.6% 6.7% 2.8% 41.7% 3.9% 5.5% 0.7% 5. Especial Órgãos da Adm.7% 0.

42 . artigo 65. podendo-se distinguir os bens móveis dos imóveis pelos seguintes aspectos: • Bens Móveis: registram os bens de utilização geral. semoventes. ferramentas.solo com sua superfície. em 31/12/96. permuta etc. 2. ou seja.1 . e as ações que os assegurem.tudo quanto o homem incorporar permanentemente ao solo. veículos. o contábil e o jurídico.Bens Móveis e Imóveis Este grupo caracteriza-se na Contabilidade Governamental por registrar os bens de caráter permanente. os seus acessórios e adjacências naturais. e um máximo de 95. se comparados ao total do grupo do Ativo (excluídos o Passivo Real Descoberto e o Ativo Compensado). . aformoseamento. adquiridos por compra.direitos reais sobre imóveis. do Código Civil Brasileiro. . . objetos de arte. não utilização da sistemática da correção monetária na época em que a espiral inflacionária atingiu índices expressivos e.Mop/Rev61 Os saldos do Ativo Permanente participaram com um mínimo de 67. rios. à medida que o segundo é influenciado pelo estabelecido na Constituição Federal (artigo 20 para a União e artigo 26 para os estados) e também pelos artigos 65 a 68 do 18 . materiais diversos etc. ruas e praças. são os mares. bibliotecas.De acordo com o inciso I. • Bens Imóveis: são aqueles imóveis por sua natureza ou por destino. ou pelo objeto a que se referem. estradas. em 31/12/98.3%.2. inclusive penhor agrícola. Muito embora os bens que formam o patrimônio do Estado estejam classificados segundo dois critérios.apólices da dívida pública oneradas com cláusula de inalienabilidade. em face da não evidenciação contábil dos bens de uso comum do povo 18. os valores escriturados nos grupos Bens Móveis e Bens Imóveis carecem de informações quantitativas e qualitativas. bens com duração superior a 2 (dois) anos. doação. ou seja. ou comodidade. . .2.tudo quanto no imóvel o proprietário mantiver intencionalmente empregado a sua exploração industrial.9%.direito à sucessão aberta. também. os seguintes: . A seguir são avaliadas individualmente as contas que compõem o Ativo Permanente. Formam o grupo móveis e utensílios. Em decorrência da inexistência de cálculos de depreciação.

630 Para fins de verificação da adequação dos valores contabilizados como Bens do Estado. cumpre destacar a subavaliação dos Bens do Estado.Mop/Rev61 Código Civil Brasileiro. pois em todos os outros períodos examinados as deficiências de evidenciação foram idênticas: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Bens Móveis e Imóveis Bens Imóveis Bens Móveis 31/12/00 1. Os terrenos possuem valor contábil de apenas R$ 51 milhões. de acordo com seu Balancete Geral do exercício findo em 31/12/00. o Estádio Mário Filho e seu complexo desportivo. não estando mais subavaliado graças às recentes incorporações de gastos relacionados a reformas feitas naquele estádio. é composto.584 30/06/01 1. aliada a não ter sido procedida a reavaliação de diversos bens imóveis do Estado. responsável pela administração do Maracanã. As limitações de evidenciação das referidas contas serão observadas a seguir. os edifícios R$ 355 milhões e “bens imóveis a classificar” R$ 578 milhões. representada pelo alto valor atribuído à conta “bens imóveis a classificar”. em decorrência da não adoção da sistemática da correção monetária da demonstrações contábeis.142 442 O saldo dos Bens Imóveis.584 1. está registrado por apenas R$ 15 milhões 19 em 31/12/00. Por exemplo.1 bilhão em 31/12/00. 43 . pode-se utilizar alguns casos emblemáticos para ilustrar as limitações das informações contidas nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. conhecido nacionalmente pelo nome de Maracanã. 19 . iniciando-se evolução dos valores registrados nos períodos sob exame: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Bens Móveis e Imóveis 31/12/96 761 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 806 904 901 1. a Contabilidade Governamental deveria. Apesar de não serem depreciados. o valor dos bens imóveis do Estado como um todo está aviltado.320/64. elaborar demonstrativos adicionais para evidenciar o valor desses Bens Móveis e Imóveis. edifícios etc. de acordo com o Balancete Geral do Estado. pois é pratica na Contabilidade Governamental não fazê-lo com base na inexistência de previsão na Lei 4. mesmo que em afronta aos Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos. ao menos. Além da nítida falha de controle. por terrenos. observada de forma geral. serão considerados apenas os montantes do exercício findo em 31/12/00. instalações. equivalente a R$ 1. De fato.Valor de todo imobilizado da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (SUDERJ).

vale a pena registrar o exposto pelo Dr. do Túnel Rebouças. os que constituem o patrimônio da União. Nelson. 1987. Da mesma maneira. a Constituição Federal estabelece: 'I . rios. mas também para que sejam aumentados os controles visando salvaguardar o patrimônio estadual.PETRI. Desta forma. II . Análise de Resultados do Setor Público. estadual ou municipal. não só para se obter uma melhor avaliação da situação patrimonial. ou dos municípios.os lagos e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio. urge que se elaborem informações complementares sobre os bens de uso comum do povo. Nelson Petri 21. ou real de cada uma dessas entidades. ruas e praças. o qual excede os contornos econômicos e jurídicos. III . estradas.A porção de terras devolutas indispensáveis à segurança e ao desenvolvimento nacionais.“Poderão ser feitas reavaliações dos bens móveis e imóveis.os de uso comum do povo. torna-se necessário que se deixe de lado o conceito amplo de Patrimônio Público indicado anteriormente. na forma prevista no § 3º. para que se possa chegar mais próximo do que interessa à Contabilidade. ou que banhem mais de um Estado. na extensão e limitações que a Contabilidade permite. das estradas e dos monumentos estaduais. II . constituam limite com 20 .” 21 . do artigo 106 da Lei 4.Mop/Rev61 O fato indica que é necessário se proceder à reavaliação de todos os bens imóveis do Estado do Rio de Janeiro. serão disponíveis quais são os valores.os de uso especial.' Especificamente em relação à União. São Paulo. Tese de Doutorado apresentada ao Departamento de Contabilidade e Atuária da Faculdade de Economia e Administração da Universidade do Estado de São Paulo. da Linha Vermelha. isto é. tais como os mares.320/64 20. por exemplo. dos estados.os dominicais. como objeto de direito pessoal. quando na defesa de sua tese de doutoramento: “O aspecto importante estará em que as informações contenham todo o conteúdo do Patrimônio. Agora. 44 . Sobre a contabilzação dos bens de uso comum do povo. O Código Civil classifica os bens públicos da seguinte maneira: 'I . tais como os edifícios ou terrenos aplicados a serviço ou estabelecimento federal.

V . As leis que antecederam a atual Lei 4. porquanto redisciplinou a matéria.. VI . desde que tenham representado uma aplicação de recursos financeiros. os Bens Móveis do Estado. esta última lei que revogou todas as anteriores da espécie. estabelecia que os bens indicados no inciso I acima. motivo pelo qual podese agora tomar decisões sem qualquer limitação de ordem jurídica.A Plataforma Continental. que caiu em desuso. A eles não deve ser dispensada atenção por constituírem problemas relacionados com a execução dos registros contábeis necessários.320/64 mantiveram e até ampliaram essa restrição. e seus respectivos valores.' Pergunto: quais desses bens são suscetíveis de serem registrados pela Contabilidade? Seriam todos? O Código de Contabilidade da União. o problema estará voltado exclusivamente aos aspectos de 'exequibilidade' e 'avaliação econômica' para fins de registro contábil.O mar territorial. exceto quando fosse exigida qualquer retribuição pelo seu uso.As terras ocupadas pelos silvícolas. não contém qualquer restrição nesse sentido. Todavia.). por parte do Estado. as ilhas oceânicas. 45 . Por esse motivo. IV . presente ou futura. (.Mop/Rev61 outros países ou se estendam a território estrangeiro. impossibilitando avaliações mais aprofundadas do patrimônio estadual mantido nestas áreas de governo consideradas essenciais. Quanto aos demais que não tenham sido objeto de aplicação de recursos..Os que atualmente lhe pertencem.” Da mesma maneira que os Bens Imóveis. registrados por R$ 442 milhões em 31/12/00. e não se encontram envolvidos diretamente com o tema que está sendo abordado. escolas e no aparato de segurança pública. A inexistência de Notas Explicativas detalhadas sobre os itens que compõem o total da conta não permite que seja avaliado quais são os bens. alocados em hospitais. não deveriam ser objeto de registro contábil. e isso deveria ser feito à luz das normas contábeis. assim como as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países. carecem de melhor evidenciação. III . desde já pode-se concluir pela ativação de todos os bens públicos.

provenientes de responsabilidades não financeiras e não inscritos ou registrados em contas financeiras e aqueles inscritos para cobrança executiva.747 3. Heilio.215 1.13. – incluindo aí a valiosa pinacoteca herdada pelo Estado do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.107 31/12/97 9. 23 . além de outras peças de arte e equipamentos musicais.. para a construção da Companhia de Transportes sobre Trilhos de Estado do Rio de Janeiro. composta por obras de Rugendas. teoria e prática.2. o Ativo Imobilizado do METRÔ totalizava R$ 3.De acordo com o Balanço Patrimonial da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro (METRÔ). 2.A.Dívida Ativa Tributária e Não Tributária De acordo com o artigo 39. São Paulo: Atlas. que nas colocações de Kohama 23 “compreendem os recebíveis por fornecimento e serviços prestados. Desta forma. apresentaram os seguintes montantes no Balanço Patrimonial do Estado do Rio de Janeiro: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Créditos do Estado Dív. considerando a relevância de seus totais. o valor atribuído à subconta Museus Estaduais é de apenas R$ 308. 104. sendo avaliadas a seguir: 2.306 816 130 31/12/00 11. Debret. Desta feita. data de cissão da Cia.320/64: 22 . 46 .2.613 185 7. os vultosos bens imobilizados do METRÔ 22 e da CEDAE estão omitidos do Balanço Patrimonial do Estado.2. Balanços públicos. em 31/ 12/00. Outrossim. Por fim. todo acervo de pinturas.4 bilhões.2. § 2º da Lei 4. relativos a cobrança da dívida ativa”. e Não Tributária Concessão de Serviços Públicos Sociedade de Economia Mista Outros Fonte: Balanços Gerais do Estado 31/12/96 17.249 4.261 31/12/98 2.2. Di Cavalcanti.922 194 7.221 988 6 31/12/99 5.Mop/Rev61 Ressalta-se também que parcela dos Bens Móveis do Estado está contabilmente subavaliada em face da falta de reavaliações.107 17.208 243 Os saldos da Dívida Ativa e das Participações em Sociedades de Economia Mista são as contas que mais se distinguem neste grupo. 1999.1 . tendo em vista que o exame do Balanço Patrimonial demonstra que não estão incorporados os móveis e imóveis das empresas públicas e de economia mista.261 9. a análise da conta de Bens Móveis e Imóveis deixa claro que a Consolidação de Balanços é incompleta. entre outros renomados artistas –. gravuras etc.Créditos do Estado Os Créditos. têm valor contábil de apenas R$ 2 milhões.515 115 30/06/01 12.KOHAMA.2 . p.252 4. Ativa Trib.

reposições. objetivando oferecer aos usuários informações que não distorcessem quaisquer avaliações procedidas. sobre o prazo médio da respectiva cobrança. foros. tais como os provenientes de empréstimos compulsórios.Mop/Rev61 “Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza. os montantes a serem escriturados no Balanço Patrimonial devem também.” Muito embora este dispositivo da Lei 4. convém destacar as considerações do Conselheiro Sergio Quintella 24 . laudêmios. 24 . exceto as tributárias. apresenta um estoque da ordem de R$ 11. proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas. bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira. na ausência de provisão para créditos duvidosos. mas também ocorrem na União e em outros estados e nos municípios. indenizações. maio de 1997. o que inviabiliza qualquer estudo exploratório sobre o fluxo de caixa futuro. e Dívida Ativa Não Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública. Não há qualquer esclarecimento.3 bilhões (valor histórico) ao final do exercício de 1996. multas de qualquer origem ou natureza. 47 . aluguéis ou taxas de ocupação. Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Quanto a este problema. sendo de concluir que. fiança. observar o Princípio Contábil da Prudência. exercício findo em 31/12/96. Desta maneira. aval ou outra garantia. custas processuais. tais valores são plenamente realizáveis. exercício de 1996. representada pela conta Créditos do Estado. A falta de análises aprofundadas visando provisionar os montantes inscritos na Dívida Ativa não se restringem ao Estado do Rio de Janeiro. expostas em seu relatório opinando sobre as Contas de Gestão do Estado do Rio de Janeiro. de contratos em geral ou de outras obrigações legais. ou deveriam.QUINTELLA. contribuições estabelecidas em lei.1 bilhões registrados no Ativo – Dívida Ativa do Estado: “A Dívida Ativa. preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos. seria adequado constituir provisões para a cobertura de créditos de difícil realização. de sub-rogação de hipoteca. entretanto.320/64 deva ser considerado na contabilização dos créditos da Dívida Ativa. sobre R$ 17. restituições. As demonstrações contábeis e os relatórios da Contadoria e da Auditoria Geral do Estado não esclarecem o grau de realização dos referidos valores. alcances dos responsáveis definitivamente julgados. Sergio F. Voto em separado nas Contas da Administração Financeira do Estado do Rio de Janeiro.

48 .” Embora nos anos posteriores o valor registrado na conta Dívida Ativa tenha sido reduzido em razão de estudos realizados pela Procuradoria Estadual da Dívida Ativa.2. ainda. no caso da concessão METRÔ-BARRA. à medida que a administração destes créditos do Estado cabe à Procuradoria da Dívida Pública. deste modo. inexistindo garantias de que será realizado pelo Tesouro Estadual. Estranhamente. só foi realizado o valor de R$ 8 milhões. permanece elevado. nos termos do art.2 . a presunção de liquidez e certeza e. A Dívida Ativa tem. condicionados à consecução do firmado contratualmente. o que contraria os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos e a boa técnica contábil. o Estado passou a deter créditos.1% do estoque da dívida.Concessão de Serviços Públicos Os problemas nos saldos desta conta começaram quando o Estado acelerou seu processo de desestatização (iniciado ao final de 1995) em 1997.2. decorrentes das deficiências do sistema de informação. Em razão das licitações ocorridas para a concessão de serviços públicos.Mop/Rev61 No presente exercício (1996). só pode aparecer no Ativo ou nas Contas de Resultado mediante provisionamento de valores inscritos mas considerados incobráveis. sendo de responsabilidade da Contabilidade registrar apenas os dados fornecidos por esta subdivisão da Procuradoria Geral do Estado (PGE). aparece nas Contas de Compensação – a título de Créditos Fiscais Inscritos (Dívida Ativa) – a significativa parcela de R$ 4 bilhões. ensejando a realização de novas análises visando constituir provisões para os créditos que venham a ser considerados de difícil realização.2. 204 da Lei 5. há que se proceder a estudos sobre probabilidade de recuperação dos valores inscritos. compromisso de contrapartida financeira do Tesouro estadual.172/66. registrado em 31/06/01. visando minimizar os efeitos que a superavaliação contábil traz para os que formulam análises financeiras e patrimoniais do Estado. 2. havendo. demonstrando que grande parcela do saldo não é realizável e que o Ativo Permanente está superavaliado.6 bilhões (em sua quase totalidade provenientes de créditos tributários). resta claro que o montante de R$ 4. já que as Contas de Compensação são contas de ordem que não integram o conjunto das contas integrais de Ativo e Passivo. segundo opinião avalizada do órgão responsável pela respectiva cobrança. Mesmo que sejam nítidos os problemas relacionados ao saldo contábil da Dívida Ativa. o que representa menos de 0.

o que foi inviabilizado 25 . originaram-se das seguintes concessões de serviços públicos: (Balanço Patrimonial de 31/12/98. ou seja. orçada no montante de R$ 880. R$ milhões correntes) R$ milhões 488 392 880 Como demonstrado na tabela supra. ou 68. Independentemente das falhas já apresentadas. Ou seja. foram contabilizados como ativos os compromissos de investimento do consórcio vencedor da licitação de concessão.18 (valor histórico). em função da alta representatividade desta. precedida de execução de obras públicas. da exploração dos serviços públicos de transporte metroviário através da utilização da Linha 4. e dos problemas contábeis a ela relacionados. conforme discriminação abaixo: ESPECIFICAÇÃO Recursos da Concessionária Recursos do Estado TOTAL (Valores de 31/12/98. Porém. não se contabilizaram no Passivo os valores que o Tesouro teria que arcar para implantar o projeto licitado.Linha 4 25 – Concessão.9 % 27 2.2 % 998 100. em 31/12/98.295. R$ 392 milhões (ou R$ 540 milhões em moeda de 30/06/01). em razão de falhas nos sistemas de informação. posteriormente restou claro que os valores a receber do METRÔ-BARRA (Linha 4) só seriam efetivados caso iniciadas as obras.Dados obtidos no Processo TCE-RJ nº 109. 49 .079. em moeda de 30/06/01) R$ MILHÕES % TOTAL 281 28.2% do total. ou seja. possibilitando a futura exploração da linha. Porém.582-7/98. em contrapartida o Estado deveria investir R$ 392 milhões.Mop/Rev61 Os valores registrados no Ativo do Estado. referente ao Contrato de Concessão da linha METRÔBARRA.7 % 680 68. o consórcio vencedor se comprometeu a aplicar R$ 488 milhões. representadas pela não disponibilização à CGE de dados suficientes para que a operação fosse escriturada corretamente. A referida concessão foi revestida das seguintes características: • Metrô .00 % CONCESSÃO METRÔ CONERJ FLUMITRENS METRÔ-BARRA TOTAL A avaliação dos saldos da conta Concessão de Serviços Públicos ficará adstrita à subconta METRÔ-BARRA. R$ 488 milhões (equivalentes a R$ 680 milhões em moeda de 30/06/98).2 % 10 0. omitiu-se o valor das obrigações do Estado.

6 62.As Contas da Gestão de 2000.00 – Sociedades de Economia Mista. A conta em referência assim se desdobra: ÓR GÃOS C IA . 2000 e 30/06/01. 77 7. do artigo 2º. D E T R A N S P O R T E S C O L E T IV O S D O B A N C O D O E S TA D O D O R J S /A B A N E R J ERJ C ON TR ATAÇ ÃO 24 /07 /1 997 1 5 /0 7 /1 9 9 8 -0 2 / 0 5 /2 0 0 0 R$ 3 .5 9 Fonte: Superintendência do Crédito Público / SIAFEM/RJ Apesar de intencionar melhorar a qualidade das informações do Balanço Patrimonial.º 10. do artigo 4º. 03 4. procedendo à contabilização da inscrição do direito da Assunção da Dívida na UG 200. de 15 de março de 1975. que trata do Regimento Interno do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. 50 .º 167.00.8 19 .9. obedecendo a mesma paridade dos contratos firmados. os critérios adotados para escrituração dos créditos a receber de Sociedades de Economia Mista são questionáveis em alguns aspectos.7 3 02 /05 /2 000 5 12. são apresentadas para efeitos do artigo 36.4 6 6 .2 49 .A.º 287.1 73 .2. bem como considerando-se o inciso I. 26 .399 conta 1. Desta sorte.2.94 2. foi incluída no Balanço Patrimonial uma nova conta chamada Sociedades de Economia Mista.2.3 . 340 .2 01 .Mop/Rev61 pela descontinuidade do Contrato de Concessão. observada a insubsistência do crédito. do Decreto-Lei n. 89 6. R$ R$ 5.8 6 7 . provocando as distorções relacionadas a seguir: a) Crédito a receber do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A.6 bilhões.9 2 C IA E S T A D U A L D E H A B IT A Ç Ã O D O R J C IA .6 31. Desta forma acompanha-se o ressarcimento das dívidas assumidas. D O M E T R O P O L IT A N O D O R J U G 200. o saldo da conta METRÔ-BARRA foi baixado contabilmente no exercício de 1999.9 8 5 10.5 35 .2. registrando de acordo com o exposto pela CGE 26: “No exercício de 2000 esta Contadoria Geral do Estado introduziu rotina de registro contábil do reconhecimento de compromissos assumidos pelo Governo do Estado. – Banerj S. 63 8.3 7 5 . (Em Liquidação Extrajudicial).2. 13 7.1 75. 2.8. bem como são procedidas as atualizações dos saldos. da Lei Complementar n. de 10 de dezembro de 1992.º 63. 53 8. provocando expressiva redução da conta Concessões de Serviços Públicos nos Balanços encerrados em 31/12 de 1999. mantido em virtude das normas do artigo 183 e artigo 292.199 02 /05 /2 000 30 /06 /1 992 5 16. prestadas em cumprimento ao inciso XI.7 13 . de 01 de agosto de 1990. da Deliberação n.399 C IA E S T A D U A L D E H A B IT A Ç Ã O D O R J ( * ) U G 200. da Lei n.Sociedades de Economia Mista A partir do exercício de 2000. de 04 de dezembro de 1979.

A. para fins de consolidação. os saldos devedores do banco e os credores do Estado deveriam eliminados entre si. Metropolitano do Estado do Rio de Janeiro (METRÔ) equivalente a R$ 510 milhões.A (Em Liquidação Extrajudicial). títulos e documentos representativos do Estado. (Em Liquidação Extrajudicial). em 1997. c) Valor registrado como devido pela Cia. Tesouro do Estado e METRÔ. não serão avaliados.A (Em Liquidação Extrajudicial) não era suficiente para restituir o valor assumido pelo Estado. envolve 3 (três) entidades estaduais: Banerj S. junto ao Banerj S.4 .Valores do Estado Este grupo de contas registra os valores relativos a participações acionárias. O valor registrado no Passivo refere-se ao reconhecimento e assunção de dívida junto ao Banco Central. A operação. 51 . Refere-se a dívidas da empresa junto à CEF. Almoxarifado. informando a origem do saldo e as dificuldades a serem enfrentadas para a restituição do valor devido. Conforme pode ser observado na tabela a seguir. as contas de Bens a Incorporar.2. Órgãos da Administração Indireta – Incorporação e Outros Bens e Valores em Circulação. Para fins de consolidação. – Banerj S. o Governo do Estado absorveu a dívida junto ao Banerj. tornando ainda mais improvável o ressarcimento ao Estado. portanto. Sendo assim. b) Crédito do Estado com a COHAB. no Passivo – Dívida Fundada.2.Mop/Rev61 O crédito também é registrado.A.2. O valor é proveniente de financiamentos obtidos pelo METRÔ na década do 80.Outros Em razão da irrelevância.2. estes saldos deveriam ser eliminados no Balanço Consolidado do Estado do Rio Janeiro. para fins de consolidação. Entretanto. 2. por 20 (vinte) anos.A. considerando que o patrimônio remanescente do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.3 . e ainda que o METRÔ teve seus serviços concedidos. complementando as informações em Nota Explicativa própria. assumidas pelo Governo do Estado e igualmente contabilizadas no Passivo – Dívida Fundada. seria recomendável a baixa do crédito para o Ativo e Passivo Compensados. 2.2. não apresentaram saldos expressivos em 31/12/00 nem em 30/06/01. Devido à inadimplência do METRÔ. R$ 517 milhões. Considerando que. decorrente de deficiências de Reservas Bancárias cobertas por aquela Autoridade Monetária durante o processo de privatização de parcela do Banerj S. em montante idêntico. não serão analisados os saldos destas contas. o saldo também deveria ser eliminado.

492 603 312 31/12/98 14.Mop/Rev61 (R$ milhões em moeda de 30/06/01) ATIVO Valores do Estado Participações Societárias Títulos e Valores Bens a Incorporar Almoxarifados Inv.531 11. porquanto a aplicação do critério de Equivalência Patrimonial em conjunto com a Consolidação de Balanços pressupõe a eliminação dos saldos da conta de Investimentos (no caso Participações Societárias) contra a conta de Patrimônio Líquido. não tinha obtido êxito no tocante à Consolidação dos Balanços Estaduais. mas seu Patrimônio Líquido era negativo em R$ 5.A.299 212 105 889 13 30/06/01 13. quando da emissão do Parecer Prévio das Contas de Gestão. Conselheiro José Leite Nader. por exemplo. adicionalmente.5 bilhões (principalmente em razão do saldo negativo das Reservas Bancárias.285 5. pois Patrimônio Líquido (no caso Ativo Real Líquido ou Passivo Real Descoberto) já refletiria a situação patrimonial das empresas em que o Estado possui participação acionária majoritária. possuía um Capital Social de R$ 124 milhões em 31/12/98. expressivas distorções. o Ativo estava inflado em valores muito significativos.768 7. Especial Órgãos da Adm. até 31/12/00.598 1. em Circ.513 160 641 619 31/12/99 21. A partir de 2000. os valores das participações eram superavaliados.306 468 161 672 9.610 8 31/12/97 10. os procedimentos adotados provocaram.472 31/12/00 14.541 6.249 1. 52 . a CGE. 31/12/96 5. caso fosse adotado o procedimento correto. exercício 1999. tendo em vista que. haveria a eliminação da conta de Participações Societárias. do Governador do Estado do Rio de Janeiro. Restando claro que a CGE.816 3.657 8.187 5. restando apenas apurar o saldo da conta de Participações Minoritárias. a seguir é transcrito o Relatório da Contabilidade Geral do Estado. – Incorp. Ou seja.3.Participações Societárias Os critérios contábeis utilizados para registrar as participações do Estado em empresas públicas e nas de economia mista sofreram importantes alterações no período pesquisado. em função de determinações do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro 27.Determinação contida no voto do Relator. cobertas pelo Banco Central do Brasil). o que será comentado.2.2. quando analisada a conta de Passivo – Perdas e Deságios. os saldos destes investimentos eram registrados pelo valor do Capital Social das empresas. Ind. Desta forma. no caso Perdas e Deságios. o Banerj S. Outros e Bens e Vals.079 10.1 . Ou seja. em vez de pelo montante registrado no Patrimônio Líquido das mesmas (método da Equivalência Patrimonial). Até 31/12/99. Todavia. equivocadamente.526 19 103 995 3 - 2. passou a avaliar estes investimentos pelo Método da Equivalência Patrimonial.392 661 145 1. Ressalta-se ainda a adoção de outro procedimento pouco ortodoxo relacionado ao lançamento dos resultados negativos de Equivalência Patrimonial em conta de Passivo. quando da Prestação das Contas da Administração Financeira do 27 . Regime de Exec.

5 6 1 6.C .5 5 2 7.1 4 20 7.8 51 .13 .9 10 .71 1.11 7.44 1.89 1.0 1 TE L E R J TE L E B R ÁS TE L E R J TE L E R J IE E A SU D ER J IP E R J LOTER J D E T R AN DRM D ER C ID E FE E MA SOMA TO T AL 1.S .03 27 .38 2.19 7.4 6 98 .7 2 18 7.2 2 1.4 51 . DE CAPITAL JÁ INTEGRALIZADO Esta rubrica representava até o exercício de 1999 a Participação Acionária do Estado no Capital Social das Sociedades de Economia Mista.223.3 4 2.8 1.75 9.15 0.8 6 11 0.7 35 .8 1.9 71 .19 7.4 8 0 .19 7.9 1 6.9 47 .00 -3 .52 0.13 4.63 1.0 3 0 .0 3 0.89 1.1 8 52 1.6 06 .17 6. a qual estabeleceu que a Contadoria Geral do Estado procedesse à modificação do critério de contabilização dos Investimentos.22 5.3 3 1.3 04 .2 3 IN V ES T IM E N T O S R E L EV A N T E S FL U MITR E N S I.4 3 96 .50 5.7 03 .4 6 62 .83 2.1 0 15 8.1 3 17 4.4 0 1 1.5 79 .52 8.9 2 62 .0 62 .9 31 .45 3.20 4.60 9. C AS E R J B AN E R J C E D AE C E H AB ME T R Ô C E AS A C O D E R TE - O U T R O S IN V ES T IM E N T O S Z.1 75 .72 4.66 5.0 1 1.7 6 4 9.11 1.67.rj.5 6 1 8.52 -5 .Mop/Rev61 Estado do Rio de Janeiro.6 0 1 0.7 8 9.T.9 6 4.9 38 .0 7 EQ U IV AL.9 0 6.2 2.10 7.3 1 *5.0 0 2 .1 17 . Entretanto.0 0 1 02 .5 0 12 3.8 42 .2 15 .4 4 60 1.20 4.br 53 .1 3 22 3.2 1 1 3.5 17 .9 77 .9 0 2.21 2.5 79 .4 40 .3 31 .568 .08 4.32 0.84 2.00 5.2 35 .5 49 .8 09 .17 1.ADM INDIRETA - AQ UIS IÇÕ ES BA IX AS S AL DO EM 3 1 /1 2 /2 0 0 0 1.3 2 2.64 8.34 9. C EL F TU R IS R IO D IVE R J C O D IN B D R IO C .7 75 .86 3.1 75 .3 42 .8 51 .00 7.5 53 .6 8 3.3 1 3 1.0 7 10 1.5 5 1 02 .8 78 .00 49 . demonstrados a seguir em conjunto com os demais registros inerentes à conta: ENTIDA DES S A LDO EM 3 1 /1 2 /1 9 9 9 1.4 25 .6 24 .8 81 .22 6.9 0 16 3.813.4 51 .6 8 2.30 5.22 3.23 5.21 7.75 8.2 08 .26 2.4 6 1 6.gov.05 6.73 -1 53 .4 98 .00 16 .2 13 .46 -1 . exercício de 2000 28.B . P AT RIM O NIA L .3 27 .99 3.3 94 .46 6.Obtido no site http//www.2 38 .2 6 1 . TE L E R J TE L E R J TELERJ CEL UL A R 9 0.14 6.2 68 .14 0.92 0.2 6 9.9 0 2.5 1 8.14 9 6.00 0.91 9.5 53 .3 1 9.66 -2 39 .7 92 .64 5.9 1 27 .04 8.6 2 3.N .6 0 * C o n ta C o n tá b il 1 4 1 1 1 0 0 0 0 Fonte: Prestação de Contas da Administração Financeira do Estado do Rio de Janeiro. onde o Estado.4 1 6.9 0 1.E .4 53 .1 0 4.88 1.06 2.532.8 6 1.549 . 28 .9 94 .8 13 .99 3.6 7 .3 2 1 0.02 7.79 7.0 00 .87 1.0 0 2 .57 4.65 9.53 2.04 8.54 2.5 01 .60 9.V.2 6 1. C .5 01 .0 00 .1 7 2 07 .22 -9 .0 17 .72 1 .59 -3 . detinha Investimentos da ordem de R$ 8.11 3. na qualidade de acionista majoritário.3 2 3.4 3 0.2 1 16 3. exercício 2000.33 89 .P .8 4 12 3.9 47 .7 6 4 9.17 27 .4 8 0.0 62 .sef.16 5.7 17 .9 38 .0 70 .22 5.00 0. efetuamos a avaliação dos Investimentos tomando por base o valor do Patrimônio Líquido das Sociedades.5 83 .28 9 .96 5. em conformidade com a Determinação nº 8 do TCE – Tribunal de Contas do Estado às Contas da Gestão de 1999.7 17 .6 8 1 4.7 38 .3 3 1.11 3. D O C AS P E U G E O T -C IT .97 5.15 6.41 0.4 4 5.91 9.36 8. destacando que os valores de 31/12/99 e 31/12/00 encontram-se em moeda corrente dos respectivos exercícios: “VALORES DO ESTADO – PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS – TÍTULOS REPRES.60 9.30 2.79 2.6 0 8.00 .84 INCO R P .4 4 1 1.3 7 5.21 -3 .3 7 1.4 5 57 1.5 07 .38 2.00 8.01 0.568 .1 8 76 0.7 2 18 7.76 .07 9.23 .

491. neste caso. anteriormente regido por um regime de repartição simples. Portanto. em vez do Capital Social.000.5 bilhões no valor contábil desta conta entre 31/12/99 a 31/12/00 (valores correntes). de 22 de fevereiro de 1999.760.2. através das operações discriminadas a seguir 29: royalties. ou seja. o RIOPREVIDÊNCIA terá disponíveis R$ 31. consecutivamente. através da emissão de 797. vencíveis em 15 de dezembro de 2001.737.000. Cumpre destacar que.519. passou a adotar o regime de capitalização.316 Certificados Financeiros do Tesouro com valor de unitário de R$ 1. instituído pela Lei Estadual nº 3. foram elaborados cálculos para apurar o Passivo Atuarial relativo aos benefícios já concedidos e a conceder.00 por mês. R$ 383.2000.00 por ano. Com a criação do Fundo.01. nos termos da legislação. e destinados à capitalização do RIOPREVIDÊNCIA.Cálculos apontados no trabalho intitulado: Renegociação da Dívida do Estado do Rio de Janeiro.316. 29 .480. representada pela adoção do valor do Patrimônio Líquido. Rio de Janeiro: TCE-RJ.2. equivalente em valores presentes a R$ 3.00. vencíveis mensalmente a partir de 15.Títulos e Valores Mobiliários Os valores registrados em Títulos e Valores Mobiliários são provenientes de Certificados Financeiros do Tesouro Federal (CFTs). como base de avaliação das participações acionárias. sujeitos a variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano.287 Certificados Financeiros do Tesouro com valor unitário de R$ 1. a mudança de critério contábil. tendo como atribuição efetuar pagamentos de proventos de aposentadorias.00.196. corrigidos pela variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano. da liberação dos valores da "Conta A" mantida junto à Caixa Econômica Federal (CEF) –. Visando capitalizar o RIOPREVIDÊNCIA. royalties excedentes e participações governamentais • R$ 4.21. promoveu uma redução de R$ 3.Mop/Rev61 De acordo com o quadro. também. prazo de 15 anos e 1 mês.14. nos anos de 2000 e 2001. 2. valores da “Conta A” • R$ 798. fev/2000.833. reformas. pensões e outros benefícios devidos.177.00. 54 . os títulos serão resgatados em 25 meses.189. foram cedidos os CFTs – obtidos pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro em face da conversão de valores provenientes da antecipação de royalties. obtidos pelo Estado quando da renegociação de sua dívida junto à União. o Sistema Previdenciário do Estado. royalties excedentes e participações governamentais e.287.000.196.3.2 . Por conseqüência.864. mediante emissão de 4.

560 37.769.940 118.725 38.748 456.815 37.318 114.5 bilhões respectivamente.956 2.053 2.02268 1.732. sendo os mesmos resgatáveis mensalmente até 2014.03.418 10.330 7.01157 1.668.00800 1.00305 1.575 7.713 73.743.284 2.853.613 119.994.01 15.11.125 7. INCIAL R$ mil 7.629.758 9.000.713 73.461 1.774.198 7.486 7. observar-se-á uma diferença significativa. os resgates dos títulos ocorrerão ao longo de 15 (quinze) anos.10121 1.00 15.386.00340 1.170 121.974 118.806 119.597.00.14552 1.933 4.428 119. 55 .00183 1.893.00 15. R$ 166.696 38.500.933.601 7.713 73.605.786 7.105 7.01 Fonte: Gabinete e Assessoria do GC-1 do TCE-RJ.00 15.01460 73.465 7. em outubro de 1999 o RIOPREVIDÊNCIA recebeu CFTs avaliados em R$ 7.889 Certificados Financeiros do Tesouro com valor de emissão de R$ 1.04. ou 180 meses.713 73. R$ mil ÍNDICE JUROS R$ mil AMORT+JUROS R$ mil SALDO FINAL R$ mil 7.918 7.725.01 15.650.727 1.000.870 7.754.78 mensalmente.526.00384 1.880.034 37.556 7.640.769 7.713 884.00490 1.252 7. corrigidos pela variação do IGP-DI mais juros de 6% ao ano.154 115.026 AMORT.125 7.10.717 7.00 15.570 117.786.00 15.078 8.813 IGP-DI ÍNDICE 1.637 37.03.01232 1. através de 2.889.99 15.00 15. consecutivamente.806.11881 1.09805 1.891 15.723 7.191 7.254 7.12.911 118.902.674 7.12.801 113. Ou seja.04.110 113.713 73.853. o RIOPREVIDÊNCIA receberá R$ 13.922 1.713 73.988.671.00 TOTAL 15.357 10.345 7.097 7.508 37.044 7.713 73.1 bilhões.2 bilhões e R$ 6.00 15.135 37.713 73.07.713 73.758.527.00 15.01 15.02.11502 1.479 8.01.713 8.725. com os valores constantes na tabela a seguir.885 37.713 73.761 7.05.875.713 73.646.820.01 15.119 121.464 7.00194 1. SALDO.849 7.549.367 7.717 7.00128 1.00 15. nos anos de 2003 até 2014.06.892.10958 38.713 73.673.851.Mop/Rev61 • R$ 2.02466 1.040 37.02654 1.672 1.03979 1.12776 1.138 5.01 15.464 7.996 6.00760 73.00288 1.818 1.01.804 113.01023 1.05614 1.618 120.00440 1.693.08134 1. Desta maneira.03099 1.40 por ano. Neste caso.00.02785 1. vencíveis em 15 de dezembro de 2014.09.713 73.581 113.872.421 37.08.806 7.049 36.00 15.147 37.01130 1. ou seja.241 7.00 15.228 7.792.934.267 1.827.538 7.020 7.09385 1.719 38.713 73.14051 1. R$ mil IGP-DI CORREÇÃO ACUM.281 38.783.154 7.524 7.06.648.476.713 73.00854 1.231 38.572 7.02386 1.05.713 73. Caso confrontados os valores contabilizados nos Balanços Patrimoniais do Estado em 31/12/00 e 30/06/01.01572 1.500.964 113.421 7.02.16225 908 1.433 38. R$ 7. que deverão ser corrigidos pela variação do IGP-DI plus juros de 6% ao ano. principalmente em 30/06/01: (em R$ mil de 30/06/01) VENC.558 114.

2. poderão vir afetar o patrimônio. Almoxarifado. 107. principalmente em razão dos R$ 7. valores.2.4 bilhões em 30/06/01. mediata ou imediatamente. a composição do Ativo Compensado nos períodos sob análise é relacionada a seguir: 30 . Heilio. alcançando a cifra de R$ 9.KOHAMA.5 bilhões em 31/12/99. e. totalizavam R$ 7.4 . teoria e prática. não haverá análise aprofundada do saldo desta conta.Ativo Compensado Nas contas de Compensação.2. Outros Bens e Valores em Circulação Em razão da irrelevância dos valores registrados. já descrita no presente estudo. p.5 bilhões constantes no Balanço Patrimonial. a fidedignidade do valor registrado não será avaliada. São Paulo: Atlas.3 . 2. o saldo de Órgãos da Administração Indireta foi eliminado a partir de 31/12/00. A partir do exercício de 2000 houve mudança de critério contábil. 1999. de acordo com Kohama 30.2. Desta maneira. 2. está registrada na conta do Ativo Realizável – Créditos Diversos a Receber. reclassificando os valores que compunham a conta para outras rubricas.Bens a Incorporar.3. ainda não concluídos. representando uma subavaliação contábil de R$ 900 milhões. destacando-se que inexiste Nota Explicativa própria oferecendo uma melhor evidenciação dos ativos do Estado relacionados a direitos a receber provenientes dos CFTs.8 bilhões em CFTs registrados no Balanço Patrimonial do RIOPREVIDÊNCIA.Mop/Rev61 De acordo com a tabela. representados pelos CFTs.3. portanto. em vez dos R$ 6.3 . são registrados os bens. 2. os Títulos e Valores Mobiliários do RIOPREVIDÊNCIA. 2. Balanços Públicos. não classificados em rubrica Bens Móveis e Imóveis.2. tais como os Programas de Despoluição da Baía de Guanabara e o Programa Estadual de Transporte. Devido à limitação de escopo.Investimentos em Regime de Execução Especial O saldo registrado nesta conta refere-se a soma de investimentos vultosos.5 .2.2. A diferença apontada.3. No caso do Estado do Rio de Janeiro.Orgãos da Administração Indireta – Incorporação Esta conta registrava os saldos de Valores da Administração Indireta. obrigações e situações não compreendidas nas outras partes do Balanço Patrimonial e que. 56 .

500 15.000 32. Contabilidade Governamental.086 218 29 274 2.3 .000 R$ MILHÕES 22. 2000. sendo a contra-substância patrimonial.674 31/12/97 7.404 2.553 31/12/00 9.500 25. Em pr es a s Re se a da id rv a M 57 .500 In te rn a a ul aç ão O br ig aç õe s te rn De pó s -D ive rs rs o at em Ex át ica it o s os s 1996 1997 1998 1999 2000 jun/01 Fu nd ad a Fu nd ad a C Di ve irc em Pú bli ca s ig aç õe s O ut ra s D ív D ív i O br 31 .Mop/Rev61 Tabela 7 – Ativo Compensado (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Compensado Execução de Restos a pagar Responsabilidades por Títulos e Valores Concessão de Serviços Públicos Direitos e Obrigações Contratuais Créditos Fiscais Inscritos Outras Compensações Disponibilidades Financeiras Contra-Partida de Obrigações a Pagar 31/12/96 6. São Paulo: Atlas.500 30.677 31/12/99 9.Passivo De acordo com Silva 31.SILVA.000 27.290 Fonte: Balanços Gerais do Estado Os saldos.255 315 853 31 6.000 12.000 17.030 30/06/01 7. p. 2.500 10.318 396 988 25 9.863 55 1. quanto do Passivo Compensado. 4ª ed.911 3. Lino Martins da.211 31/12/98 13. “a análise do Passivo possibilita o conhecimento da expressão monetária do total dos componentes negativos do patrimônio: dívida flutuante e dívida fundada.000 2. não serão objeto de análise mais detalhada em razão de não fazerem parte do escopo do presente estudo.006 1. um enfoque administrativo. a distribuição das contas do Passivo do Estado é composta por: Gráfico 3 – Passivos por grupo de contas DISTRIBUIÇÃO DOS PASSIVOS POR GRUPO DE CONTAS 35.829 3.” Graficamente. 226.381 5.500 20.313 273 3.500 5.335 125 877 228 30 663 2. tanto do Ativo Compensado.000 7.

951 3.294 497 246 29 222 7.836 255 7.404 31/12/99 5.560 6 3.006 31/12/00 5.339 45 7.830 270 249 20 5.090 29.026 25.616 2.384 527 488 611 744 14 81. – Incorporação Outras Entidades Credoras Total do Passivo Permanente (c) + (d) + (e) + (f) + (g) + (h) Dívida Fundada Interna (c) Em Títulos Por Contratos Dívida Fundada Externa (d) Outras Obrigações (e) Cessão de Direitos – Royalties do Petróleo Obras Paralisadas Provisões Certificados de Privatização Perdas e Deságios Emp.629 1.234 12.542 19.833 28.Diversos (f) Diversos (g) Reserva Matemática (h) Sub -Total Saldo Patrimonial. Públicas . Ind. Outras Obrigações (registrado a partir de 31/12/00) e Reserva Matemática (contabilizada inicialmente em 30/12/00).845 92.374 35.462 13. A iniciativa de registrar os dois últimos grupos promoveu uma sensível melhora de evidenciacão do Patrimônio do Estado.026 1.543 0 754 499 0 19. ou seja.341 10.390 7.377 26.533 21.866 53.126 26. os saldos dos exercícios findos em 31/12/96 até 31/12/00 e o semestre encerrado em 30/06/01.128 744 649 95 2.192 98 5 62.198 40 113 0 44.547 8.612 25.078 5.394 67.042 26.791 109 0 14.968 6 5. atualizados para moeda de 30 de junho de 2001.042 1.977 32. A partir da tabela a seguir.568 79 0 471 13.722 859 130 1 39.262 26.Ativo Real Líquido Compensado 30/12/96 5.273 246 1.325 20.404 52.593 122 9.506 10.441 9.660 276 1. conforme poderá ser melhor observado quando da apresentação detalhada dos mesmos.577 258 160 27.313 31/12/98 9.510 9.863 Total 31. Tabela 8 – Passivo Analítico (R$ milhões em moeda de 30/06/01) PASSIVO Total do Passivo Financeiro (a) + (b) Depósitos (a) Consignações Depósitos e Outros Débitos em Tesouraria Obrigações em Circulação (b) Outras Obrigações em Circ.353 1.696 1 623 1.664 12.843 13.035 977 38.126 1.121 15.113 78 46 127 10.133 518 457 60 4.253 58 .124 10.447 76. com base na variação do IGP-DI.622 6.500 43 1.Mop/Rev61 Os Passivos do Estado concentraram-se principalmente nos grupos de Dívida Fundada Interna. ao longo da série histórica proposta pelo presente estudo. representadas pelos compromissos exigíveis de curto e longo prazo. serão pormenorizadas as contas que compõem o Passivo Estadual.414 295 268 27 5.262 84.455 8.674 31/12/97 8.503 111 1.238 12. Restos a Pagar Serv. da Dívida Interna a Pagar Sentenças Judiciais Credores Entidades e Agentes Adm.098 19.335 30/06/01 3.119 4.797 0 6.

2% 0.0% 0.8% 0. de acordo com Andrade 32.8% 0. se comparados ao montante total do Passivo (não incluindo o Ativo Real Líquido nem o Passivo Compensado).3. compromissos exigíveis cujo pagamento independa de autorização orçamentária.6% 13.4% 0.7% 1.0% 2.Passivo Financeiro O Passivo Financeiro é representado.9% 4.1% 26.1 . destacando-se que posteriormente serão avaliadas individualmente as rubricas que a compõem: Descrição Depósitos Consignações Depósitos e Outros Débitos em Tesouraria 30/12/96 295 268 27 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 497 246 29 222 1.6% 0.7% 3.0% 0.1 .4% 0.7% 4. “pelas dívidas de curto prazo ou dívidas flutuantes.4% 2.1% 0.7%. que incluem as antecipações de receitas orçamentárias – AROs.4%. De fato. Ind. 2. pela inclusão de passivos no grupo do Passivo Permanente que serão particularizados doravante.4% 13. as contas do Passivo Financeiro apresentaram os seguintes percentuais sobre o total do Passivo (não incluindo o Ativo Real Líquido nem o Passivo Compensado): Tabela 9 – Participação percentual das contas do Passivo Financeiro Descrição Total do Passivo Financeiro Depósitos Consignações Depósitos e Outros Débitos em Tesouraria Obrigações em Circulação Outras Obrigações em Circ.0% 23. em 30/06/01.4% 7.2% 0.660 276 1.9% 0.Depósitos O saldo da conta Depósitos apresentou a seguinte evolução no período examinado.7% 0.1% - De acordo com esta tabela.1% 0.1% 20. – Incorporação Outras Entidades Credoras 30/12/96 28.9% 0.9% 2.9% 0. p.0% 0. ou melhor.ANDRADE.1.1% 7. 2000. 59 .339 45 270 249 20 518 457 60 30/06/01 744 649 95 - 32 . principalmente. Contabilidade Pública na Gestão Municipal.0% 0. Tal fenômeno é explicado pela diminuição dos montantes registrados em Restos a Pagar e.” No âmbito do Estado do Rio de Janeiro.8% 2.8% 23. para 3.3% 1. Restos a Pagar Serv.7% 0.0% 0.0% 2.5% 6.6% 0.9% 0.6% 0.8% 2.2% 12.5% 31/12/97 29.8% 0.6% 0.8% 0.5% 0.4% 1.8% 0. São Paulo: Atlas. em 31/12/96. da Dívida Interna a Pagar Sentenças Judiciais Credores Entidades e Agentes Adm.5% 1.3.8% 3.8% 28.Mop/Rev61 2. 257. pode-se constatar que houve constante e abrupta queda de representação dos saldos das contas que compõem o Passivo Financeiro.8% 1.1% 0.0% (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 24. Nilton de Aquino.6% 3.4% 0. essa representação decresceu de 28. com exceção dos débitos de tesouraria.1% 0.

Conselheiro Sergio F. ajustando os bens e direitos do Estado sem causar distorções nas receitas. ocorrido em razão do citado critério contábil adotado. no caso do Estado do Rio de Janeiro.729-0/99. Entretanto. quando da emissão do Parecer Prévio favorável às Contas da Gestão do Governo do Estado. relativos a importâncias recebidas ou retidas. Tendo em vista que os rendimentos auferidos nestas contas distorciam em muito a Receita do Estado. anteriormente lançadas a débito no Ativo e a crédito nas Receitas Orçamentárias. provocando uma distorção de R$ 970 milhões (em moeda corrente daquele ano) na conta de Depósitos e Outros. apresentando. A elevação dos saldos nesta última fase é creditada ao aumento dos Descontos Previdenciários de planos previdenciários do RIOPREVIDÊNCIA (criado no primeiro semestre de 1999) e do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre a folha de pagamentos. Desta forma. não se revestem de características de Passivo. entretanto.Mop/Rev61 2. quase a totalidade dos montantes escriturados em Depósitos e Outros. quando atingiram R$ 1.Nos termos do voto do Relator. mas apenas ampliavam o valor das linhas de crédito. 33 .1. O acréscimo do Passivo do Estado. Estas obrigações.2 .3. adotado ao longo do exercício de 1998.1. foi decidido expurgar da Receita Orçamentária quaisquer acréscimos ocorridos nas Contas “A” e “B”. a superavaliação do Passivo atingiu R$ 1. Se atualizada para valores de 30/06/01. mantiveram-se pouco representativas em todos os períodos examinados. 2. ajustando o saldo da conta de Depósitos e Outros a partir deste exercício. deve-se creditar Variações Ativas.4 bilhão.Consignações A conta Consignações. retenções e desconto feitos em favor de pessoas jurídicas de direito público ou privado.3. refletindo o critério utilizado para se proceder ao estorno de Receitas de Rendimentos das Contas “A” e “B”. Processo TCE/RJ 102. os acréscimos financeiros de valores referentes a linhas de crédito (Contas “A” e “B”). cessou em razão de determinação do TCE-RJ 33.3 bilhão. Apesar de ser apropriado não contabilizar os rendimentos como Receita Orçamentária.Depósitos e Outros A conta Depósitos e Outros usualmente contabiliza apenas depósitos de diversas origens. mas sim como Variação Patrimonial Ativa. 60 . decorrentes atualizações monetárias.1. Quintella. ou seja. considerando que estes não se materializavam no Caixa do Tesouro. o critério de contabilização dos rendimentos no Passivo. Ou seja. exceto em 31/12/98. uma expressiva evolução em 31/12/00 e 30/06/01. mantevese estável ao longo dos exercícios findos em 31/12 de 96 a 99. representada por consignações em folhas. os valores foram estornados em 1999. exercício de 1998.1 . em contrapartida ao débito no Ativo – Contas “A” e “B”. promoveu a superavaliação das obrigações do Estado.1.

após analisados e conciliados os saldos.2 .353 1. – Incorporação Outras Entidades Credoras 30/12/96 5.2.090 31/12/99 5. a Administração financiou seu déficit de caixa com recursos de terceiros (fornecedores de bens e serviços).1. Restos a Pagar Serv.119 4. b) havia um descontrole dos saldos em Restos a Pagar à medida que.1 . não sendo conciliados. individualmente.Débitos em Tesouraria Esta conta apresentou saldos apenas em 31/12/97 e em 98 em razão da existência de resíduos em operações de empréstimos por Antecipação de Receitas Orçamentárias (AROs).3. 2.1.568 79 0 471 31/12/97 7.3 . Tal fato é comprovado no exercício de 1999. muitos valores permaneciam nessa conta sem que necessariamente se materializassem como obrigações líquidas e certas.192 98 5 30/06/01 2. que possibilitou o pagamento de diversas dívidas acumuladas.273 246 0 1.968 6 5. houve uma sensível melhora da situação fiscal. da Dívida Externa a Pagar Sentenças Judiciais Credores Entidades e Agentes Adm. Ind.696 1 0 623 1.Restos a Pagar Os valores escriturados em Restos a Pagar apresentam saldos sobremaneira elevados até 31/12/00. em conjunto 61 . foram baixados R$ 2. a partir de 2000.560 6 3.543 0 0 754 499 0 31/12/98 7. Este fato. os montantes contabilizados findos os períodos. da Dívida Interna a Pagar Serv. em razão dos seguintes fatores: a) o Estado atravessou uma grave crise financeira até o final de exercício de 1999.797 0 6.384 527 488 611 744 14 A seguir serão avaliados.3.Obrigações em Circulação Este grupo de contas apresentou a seguinte distribuição de saldos ao longo do período analisado: (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Obrigações em Circulação Outras Obrigações em Circ.Mop/Rev61 2. não merecendo maiores comentários por terem sido cessadas todas as operações por esta modalidade de crédito.1.035 977 31/12/00 4.4 bilhões desta conta. Devido a este quadro. quando.500 43 0 1. 2. logo após a renegociação da dívida do Estado junto à União.3. Deve-se ressaltar ainda que.616 2.1.

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com a contínua depuração de saldos não devidos, promoveu a diminuição do estoque de obrigações registrado em Restos a Pagar. Desta maneira, observou-se um vigoroso declínio desta conta, ficando seu montante inferior a R$ 500 milhões em 30/06/01. Em razão do exposto, os valores inscritos em Restos a Pagar nos últimos períodos examinados passaram a apresentar saldos mais fidedignos, trazendo avanços consideráveis para a correta evidenciação do Balanço Patrimonial do Estado. 2.3.1.2.2 - Credores, Entidades e Agentes Em 31/12/00, a composição desta conta em valores correntes nesta data era formada por:
(em R$, em moeda de 31/12/00)
CONTA 21220.00.00 21221.00.00 21223.00.00 21224.00.00 21225.00.00 21227.00.00 21229.00.00 21228.00.00 DESCRIÇÃO Credores, Entidades e Agentes União, Estados e Municípios Credores, Entidades e Agentes-FDP CEF – Projeto Lixão Cessão de Direitos –Royalties Petr. CEF - Proj. Pro Infra Outras Entidades Credoras Diretor de Terc. Por Decisão Judicial VALOR 1.138.521.235,39 34.470.662,65 625.056.247,81 1.773.592,27 476.258.991,09 526.200,00 47.336,46 388.205,11 % 100,00% 3,03% 54,90% 0,16% 41,83% 0,05% 0,00% 0,03%

Fonte: Prestação de Contas da Administração Financeira do Estado do Rio de Janeiro, exercício de 2000.

Esta conta, que reflete as obrigações do Estado a curto prazo para com terceiros, totalizava R$ 1,1 bilhão em 31/12/00 – em valores correntes, equivalentes a R$ 1,2 bilhão em moeda de 30/06/01. Os saldos mais representativos eram os advindos de Cessão de Direitos, relativos a operação de antecipação de royalties do petróleo (esta será avaliada em detalhes quando examinado o Passivo Permanente), e por saldos do Fundo da Dívida Pública (FDP). Os valores devidos à Administração Indireta e aos Fundos, relativos a numerários obtidos de outros órgãos do Estado para a manutenção do Fundo da Dívida Pública do Estado, declinaram em 30/06/01 em decorrência da adoção de uma nova metodologia para a apuração dos valores devidos. O novo método adotado, pelo qual os débitos passaram a ser recalculados retroativamente, com base na variação da taxa da inflação, em vez daquela anteriormente aplicada até o início de 2001, ou seja, a taxa Selic. Deve-se destacar que estes montantes, devidos pelo Tesouro do Estado à Administração Indireta e aos Fundos, não deverão ser efetivamente pagos pelo

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Tesouro a outros órgãos da Administração Direta, Indireta e Fundacional do Estado pois, de acordo com o já detalhado quando do exame dos saldos das contas do Ativo, referem-se a débitos e créditos intragovernamentais e dependem de disponibilidades que dificilmente serão conseguidas pelo Estado. Outrossim, de acordo também com o já anteriormente explicitado, caso houvesse uma consolidação completa dos Balanços das entidades do Estado, os montantes devedores e credores provenientes do Fundo da Dívida Pública poderiam ser eliminados do Balanço Patrimonial Consolidado, evidenciando-se tais eliminações em Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis. 2.3.1.2.3 - Sentenças Judiciais A contabilização destas obrigações, ocorrida a partir de 31/12/00, resultou em um expressivo avanço na apresentação adequada da situação patrimonial do Estado. Com razão, os montantes devidos a pessoas físicas e jurídicas, em face das decisões judicias já tramitadas em julgado, foram gerados ao longo de décadas, mas eram omitidos do Balanço Patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. De acordo com Nota Explicativa contida na Prestação de Contas da Gestão do Estado do Rio de Janeiro, exercício de 2000, as sentenças judiciais julgadas, desfavoráveis ao Estado, totalizavam R$ 595 milhões em moeda corrente de 31/12/00 (equivalentes a R$ 623 milhões em moeda de 30/06/01), como se pode visualizar na tabela, a seguir:
(em R$, em moeda de 31/12/00)

ÓRGÃO
Tribunal de Justiça - UG 030400 IPERJ - UG 123100 PRODERJ - UG 123200 SERLA - UG 244300 FLXIII - UG 324200 UERJ - UG 404310 DER - UG 044100 TOTAL

VALOR
488.341.799,72 67.393.129,65 119.401,79 2.609.398,73 7.544.601,14 6.067.830,21 22.746.726,09 594.822.887,33

Fonte: Prestação de Contas da Administração Financeira do Estado

Apesar do avanço apresentado, restou contabilizar os valores de contenciosos ainda não julgados, mas que representam um risco real de se tornarem obrigações do Estado. Ou seja, até 30/06/2001, ainda não tinha sido adotada a prática de se estimar o valor provável das lides em que o Estado é o réu. Muito embora a CGE não tenha jurisdição sobre o controle das ações movidas na Justiça contra o Estado, a cargo das procuradorias jurídicas da Administração

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Direta e Indireta, estudos estimativos sobre estes montantes deveriam ser solicitados pela CGE, ao menos à Procuradoria Geral do Estado (PGE) e a outras assessorias equivalentes de outros órgãos da Administração Direta e Indireta, visando aferir quais os montantes contigenciais que deveriam ser provisionados no Passivo do Estado. Salienta-se que tais estudos aumentariam o relacionamento da CGE com os responsáveis pela defesa judicial dos contenciosos estaduais, trazendo, em seu bojo, a melhora dos controles internos e dos sistemas de informação. 2.3.1.2.4 - Administração Indireta – Incorporação Da mesma maneira que a conta de Ativo – Administração Indireta – Créditos em Circulação, os valores contabilizados nesta conta, que apresentou montantes relevantes em 31/12 de 1997, 1998 e 1999, relacionavam-se à incorporação dos valores devidos registrados nos balanços da Administração Indireta do Estado. A partir do exercício de 2000 implantou-se novo critério de alocação destes valores, passando-se a contabilizá-los em outras rubricas. Ressalta-se que, para fins de Consolidação de Balanços, deveriam ser eliminadas as operações intragovernamentais, procedimento este que não pode ser validado pelo presente estudo em decorrência da falta de maiores informações sobre os critérios utilizados para a elaboração do denominado Balanço Consolidado do Estado. 2.3.1.2.5 - Outras Obrigações em Circulação O valores registrados nesta conta em 30/06/01, único período em que o saldo apresentou-se relevante, relacionam-se a:

(em moeda de 30/06/01)

Descrição Fornecedores e Credores Pessoal a Pagar Total

R$ milhões 76 451 527

As obrigações registradas na rubrica de Pessoal a Pagar, totalizando R$ 451 milhões, são provenientes de proventos e encargos da folha de pagamentos do pessoal civil e militar do Estado. Destaca-se que a contabilização levada a efeito a partir do exercício de 2001, no que tange ao registro dos valores a pagar provenientes da folha de pagamento em conta própria, representa significativo progresso contábil, pois promove a contabilização por competência de exercícios, já que os salários, encargos atrasados etc., a serem efetivamente desembolsados posteriormente, passaram a ser evidenciados na data da ocorrência do fato gerador.

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2.3.1.2.6 - Serviço da Dívida Interna e Outras Entidades Credoras O presente estudo não fará análise destes saldos em decorrência da irrelevância. 2.3.2 - Passivo Permanente O Professor Silva 34 presta a seguinte contribuição quando conceitua o Passivo Permanente: “O Passivo é representado por contas que representam as obrigações e dívidas conforme a seguir: Passivo Financeiro, (...) Passivo Permanente, que compreenderá as dívidas fundadas e outras que dependam de autorização legislativa para amortização e resgate.” A composição do Passivo Permanente do Estado do Rio de Janeiro foi influenciada, ao longo do período analisado, em função das seguintes operações: • renegociação da dívida do Estado junto à União; • operação de antecipação dos royalties do petróleo; • criação do RIOPREVIDÊNCIA; • assunção de dívidas oriundas do Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A.; • contabilização de provisões para perdas em participações acionárias. Alguns destes acontecimentos fizeram surgir novas contas com montantes muito relevantes. As modificações na composição do Passivo Permanente podem ser melhor observadas caso apuradas as participações percentuais das contas que o compõem em relação ao total do Passivo (excluídos os montantes do Ativo Real Líquido e Passivo Permanente):

34 - SILVA. Lino Martins da. Contabilidade Governamental, um enfoque administrativo. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. p. 350.

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Tabela 10 – Distribuição percentual das contas do Passivo Permanente
(R$ milhões em moeda de 30/06/01)
Descrição Total do Passivo Permanente Dívida Fundada Interna Em Títulos Por Contratos Dívida Fundada Externa Outras Obrigações Cessão de Direitos – Royalties do Petróleo Obras Paralisadas Provisões Certificados de Privatização Perdas e Deságios Emp. Públicas – Diversos Diversos Reserva Matemática 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01

71,6% 65,3% 46,9% 18,4% 0,6% 5,8% -

70,2% 68,7% 37,9% 30,8% 0,9% 0,6% -

75,6% 73,1% 33,2% 39,8% 2,2% 0,3% 0,0% -

86,9% 56,3% 56,3% 2,8% 27,5% 27,4% 0,1% 0,3% 0,0% -

92,4% 38,6% 38,6% 2,0% 30,4% 15,7% 0,2% 14,5% 0,2% 21,3%

96,3% 31,0% 31,0% 1,8% 25,3% 12,0% 0,1% 0,1% 0,2% 13,0% 38,2%

O expressivo aumento percentual do Passivo Permanente sobre o total do Passivo (excluídos os montantes do Ativo Real Líquido e Passivo Permanente) ao longo dos períodos sob exame, elevando-se de 71,6% em 31/12/96 para 96,3% em 30/06/01, ocorreu em razão da diminuição da representatividade das contas do Passivo Financeiro e da incorporação de passivos, principalmente aqueles relativos a Cessão de Direitos – Royalties do Petróleo, Reserva Matemática e Provisão para Perdas e Deságios. A evolução dos saldos das contas do Passivo Permanente será a seguir avaliada. 2.3.2.1 - Dívida Fundada Interna A Dívida Fundada Interna é caracterizada por Andrade 35 como: “a correspondente às dívidas contraídas pelo tesouro mediante emissão de títulos ou contratos com instituições financeiras, para poder suportar compromissos de exigibilidade de caixa superiores a 12 meses, tais como: equacionamento de desequilíbrios orçamentários, financiamentos ou custeio de obras e programas de média ou longa duração, inclusive garantias de compromissos para resgate em exercício subseqüente”. Os Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro apresentaram os seguintes valores para a Dívida Fundada Interna nos períodos sob exame:
Descrição Dívida Fundada Interna (c) Em Títulos Por Contratos 30/12/96 12.455 8.951 3.503 (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 19.124 10.547 8.577 28.843 13.121 15.722 25.026 25.026 26.042 26.042 26.126 26.126

35 - ANDRADE, Nilton de Aquino. Contabilidade Pública na Gestão Municipal. São Paulo: Atlas, 2000, p. 149.

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Para melhor análise dos dados acima, as avaliações da Dívida em Títulos e da Dívida por Contratos serão subdivididas adiante. 2.3.2.1.1 - Em Títulos A Dívida em Títulos do Estado, composta por Letras Financeiras do Estado do Rio de Janeiro (LFTRJs), emitidas inicialmente pelo Tesouro Fluminense para a cobertura do déficit orçamentário do Estado e, posteriormente, para o resgate dos títulos vincendos (chamada “rolagem automática” da Dívida Pública Mobiliária, ou seja, emitiam-se novos títulos para o resgate dos que estavam vencendo), sofreu uma profunda modificação no período analisado. Embora desde 1993 não houvesse emissão de novas LFTRJs para a cobertura de déficits (devido às limitações de endividamento impostas aos estados e municípios por Resoluções próprias do Senado Federal, não houve emissão de dívida nova, mas apenas lançamento de novas séries de LFTRJs oferecidas ao mercado para viabilizar o resgate da dívida vincenda), foi observado um explosivo crescimento do estoque da Dívida Mobiliária Estadual. A vertiginosa expansão da referida dívida, também observada nas dívidas mantidas por outros estados da Federação, foi ocasionada pela política de taxa de juros crescentes, operada pelo Governo Federal com o intuito de manter a estabilidade econômica preconizada pelo Plano Real. A elevação das taxas de juros fez com que as dívidas fundadas dos estados e municípios se elevassem vertiginosamente, levando o Governo Federal a introduzir um programa de renegociação de dívidas dos estados, Distrito Federal e municípios. No caso do Estado do Rio de Janeiro, a assunção de sua dívida pela União ocorreu em 29 de outubro de 1999, quando, através de termo próprio celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro, com interveniência do Banco do Brasil S.A. e do Banco Banerj S.A. 36, foram acordados os montantes e os encargos que passariam a ser devidos ao Governo Federal e a seus agentes financeiros. No caso da Dívida Mobiliária Estadual, em razão da renegociação da dívida, houve um expressivo decréscimo do montante devido em decorrência do recálculo do saldo devedor previsto na legislação. De fato, o novo saldo devedor foi aferido de acordo com o previsto na Lei nº 9.496/97 37, com base no saldo devedor apurado em março de 1996, atualizado pela variação do IGP-DI, acrescido de juros de 6% ao ano até a data da renegociação. O fator de correção da Dívida Mobiliária apurado para fins de renegociação foi significativamente menor do que as taxas praticadas neste período
36 - BRASIL. Contrato de Confissão, Promessa de Assunção, Consolidação, e Refinanciamento de Dívidas, que, entre si, celebram a União e o Estado do Rio de Janeiro, com interveniência de Banco do Brasil S.A., nos termos do disposto na Lei nº 9.496, de 11 de novembro de 1997, na Medida Provisória nº 1.900-43, de 26 de outubro de 1999, na Lei Estadual nº 2.674, de 27 de janeiro de 1997, alterada pela Lei nº 2.996 de 30 de junho de 1998. 37 - Estabelece critérios para a Consolidação, a Assunção e o Refinanciamento, pela União, da Dívida Pública Mobiliária e Outras que especifica, de responsabilidade dos estados e do Distrito Federal.

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pelo Mercado Aberto, ou seja, entre março de 1996 a outubro de 1999. Desta maneira o Estado confessou-se devedor de R$ 9,2 bilhões 38, corrigidos para moeda de poder aquisitivo de outubro de 1999. Desta maneira, todo o saldo da Dívida Mobiliária do Estado foi assumido pela União, sendo convertidos os valores anteriormente devidos ajustados e posteriormente convertidos para Dívida Contratual (conforme avaliado no tópico a seguir), encerrando-se assim o saldo da conta Dívida Mobiliária. 2.3.2.1.2 - Em Contratos A Dívida Contratual do Estado sofreu um expressivo crescimento em razão da conversão da Dívida Mobiliária para esta modalidade de dívida, e também em função da assunção de dívidas do Banerj S.A. (Em Liquidação Extrajudicial), principalmente aquela representada pelo déficit de Reservas Bancárias junto ao Banco Central do Brasil, absorvida pelo Tesouro Estadual em termo próprio, firmado em conjunto com o Governo Federal em 15/07/98. Em Relatório elaborado pelo Conselheiro Relator 39, quando da análise das Contas da Gestão do Estado do Rio de Janeiro, exercício de 1999, foi apontado que apesar de reconhecidos pelo Estado, foram omitidos diversos passivos advindos do Banerj S.A., como exposto, verbis: “DÍVIDA FUNDADA COM A UNIÃO Em 15/07/98, foi celebrado Contrato de Assunção de Dívida e Outros Pactos, entre o Banco do Estado do Rio de Janeiro S.A. (Em Liquidação Extrajudicial) e o Estado do Rio de Janeiro, com Interveniência do Banco Central do Brasil. Dentre outros termos, o contrato pactuado trazia os seguintes compromissos, in verbis: '1 - Do Objeto (Cláusula Primeira) Mediante o presente Termo, o Estado assume a dívida do BANCO BANERJ S.A. para com o Interveniente-Anuente, BANCO CENTRAL DO BRASIL, no valor de R$ 3.879.682.828,82 (três bilhões, oitocentos e setenta e nove milhões, seiscentos e oitenta e dois mil, oitocentos e vinte e oito reais e oitenta e dois centavos).

38 - Cláusula Primeira do referido contrato. 39 - Relatório e voto do Conselheiro Relator Sergio F. Quintella, quando do exame da Contas da Gestão do Estado do Rio de Janeiro, exercício findo em 31/12/98.

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a contar da data da assinatura do presente Instrumento. até a data da assinatura deste Contrato. e o BANCO CENTRAL DO BRASIL a receber. Durante o período de carência.879. 3 .Da forma de pagamento (Cláusula Terceira) O ESTADO DO RIO DE JANEIRO se obriga a pagar. e as demais em igual data nos meses subseqüentes. a correção monetária e os juros serão incorporados ao saldo devedor. acrescido de juros nominais de 6% (seis por cento) ao ano. 06): O descumprimento das obrigações. inclusive atraso no pagamento. Naquela ocasião. apenas veio corroborar as conclusões que expus em meu relatório acerca das Contas da Gestão do Estado do Rio de Janeiro.1 .Da atualização do Saldo Devedor: (parágrafos 1º e 2º) Será mensal. O pagamento da última prestação deverá ocorrer no mês de julho de 2028.682. a dívida assumida no prazo de 30 (trinta) anos. referentes ao exercício de 1997 (Processo TCE-RJ nº 105.Disponibilidade Interna – IGP-DI. oitocentos e setenta e nove milhões. através de 342 (trezentas e quarenta e duas) prestações mensais e consecutivas calculadas pela Tabela Price.Das penalidades (Cláusula Quinta. estando omitidos do Passivo dívidas de aproximadamente R$ 5. oitocentos e vinte e oito reais e oitenta e dois centavos). às fls. vencendo a primeira em 15 de fevereiro de 2000. e pela variação positiva do Índice Geral de Preços . divulgado pela Fundação Getúlio Vargas. ou por outro que o venha a substituir.0 bilhões (cinco bilhões de reais). seiscentos e oitenta e dois mil. com carência de 18 (dezoito) meses. implicará a substituição dos encargos financeiros mencionados no § 1º da Cláusula Terceira por encargos equivalentes ao custo médio de captação da dívida mobiliária interna do Governo Federal. acrescido de juros moratórios de 1% a.Mop/Rev61 2 .82 (três bilhões. demonstrei que o Balanço Patrimonial do Estado não apresentava fidedignamente os montantes devidos pelo Estado do Rio.829-5/98). cabe destacar que a assunção da dívida de R$ 3.a (um por cento ao ano). 2.828. capitalizáveis mensalmente.” A omissão de registro das dívidas já reconhecidas pelo Governo do Estado em documento firmado com a União comprova que os sistemas de informação do Estado 69 . ou outro indexador que a substituir oficialmente. pelo índice de variação da TR.' Inicialmente.

614 11.8% 2.2% 52. que.900-43.2% 44.710 746.0% 2. Contrato de Confissão.996 de 30 de junho de 1998.0% 2.214 656. o Contrato de Refinanciamento de Dívidas do Estado. sem ser cientificada.366.166 88. entre si.1% 44.825. nos termos do disposto na Lei nº 9. 40 . na Lei Estadual nº 2. corrigidos com base na variação anual do IGP-DI.Mop/Rev61 eram frágeis. Para melhor avaliar a evolução da Dívida Contratual antes e após a sua renegociação junto à União.0% Fonte: Balanços Gerais do Estado em 31/12/98.490 2. com interveniência de Banco do Brasil S. alterada pela Lei nº 2.098 1. 41 .A. antes da renegociação da Dívida do Estado.674.276 2. celebram a União e o Estado do Rio de Janeiro. A Contadoria Geral do Estado e a Auditoria Geral do Estado não foram instadas a participar das negociações do Estado com o Governo Federal. de 11 de novembro de 1997. em moeda de 31/12/99. PRIVATIZAÇÃO ESTADUAL POR CONTRATOS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL UNIÃO (BACEN/BANERJ) BANCO DO BRASIL BNDES BANERJ S/A MUNICÍPIO DO RIO/ PREVI-RIO INSS – PARCELAMENTO/CTC-RJ DÍVIDA EXTERNA (2) EM TÍTULOS TÍTULOS POR CONTRATOS BID e BIRD OECF – BAÍA DE GUANABARA TOTAL GERAL (1 + 2) Em 31/12/98 25.5% 0. Tese aprovada no XXI Congresso dos Tribunais de Contas.9% 21. Promessa de Assunção.2% 0.5% 2.638 11. realizado em Cuiabá.552. Renegociação da Dívida do Estado do Rio de Janeiro.684 71. era o apresentado a seguir: (Em R$ mil de 31/12/99) SALDO ESPECIFICAÇÃO DÍVIDA INTERNA (1) EM TÍTULOS EMPRÉSTIMOS EM LFTRJ CERTIF.3% 0.078.105 % 97.053 715..809. de 27 de janeiro de 1997. convém transcrever o estudo 40 que abordou o tema: “I . Consolidação.496.417 575. 1º semestre de 2002.0% 0.976 5. em valores de 31/12/99.6% 7.669.276 744. na Medida Provisória nº 1.3% 100.41 O estoque da Dívida Fundada do Estado em 31/12/98.BRASIL.9% 0.5% 18. ficando as informações decorrentes desses entendimentos restrita à área executiva da Secretaria de Fazenda (SEF).408.TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.057 4. de 26 de outubro de 1999.580 42.9% 2. e Refinanciamento de Dívidas. foi celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro.956 4. 70 .941.Introdução Em 29 de outubro de 1999.058 13. a CGE não procedeu à contabilização do valores devidos.049 25. só realizando os lançamentos a partir do exercício de 1998. com interveniência do Banco do Brasil S/A e do Banco BANERJ S/A. Desta maneira.0% 0.

atualizados pela variação do IGP-DI para 31/12/99.091. 43 .802.57 438.622.67 111. precatórios já tramitados em julgado e contenciosos diversos.536.558.Cláusula Primeira do contrato. que também afetarão as finanças estaduais durante prolongados exercícios financeiros. Dentre estes passivos não evidenciados destacavam-se: passivo atuarial por deficiência de ativos para a cobertura de benefícios previdenciários já concedidos e a conceder ao funcionalismo.277.826. e criação e capitalização do RIOPREVIDÊNCIA.Mop/Rev61 Cumpre ressalvar que a Dívida Fundada registrada no Balanço Patrimonial do Estado em 31/12/98. em moeda de outubro de 1999. quais sejam: Contrato de Cessão de Créditos celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro (antecipação dos “Royalties do Petróleo”).212.86 18.808.874.449.441. inativos e pensionistas do Estado.5 bilhões 43.De acordo com o exposto no Relatório do Conselheiro Sergio F. II . Segundo Termo Aditivo do Contrato das Contas "A" e "B".995. passase a discorrer sobre os principais aspectos da renegociação de parcela da Dívida Fundada do Estado. 71 . o valor registrado como Dívida Fundada do Estado em 31/12/98 (em moeda de 31/12/99). que deverá ser analisada em conjunto com operações concomitantes à mesma. R$ 25. trazia em seu bojo os seguintes pactos: O Estado confessou-se devedor de R$ 18.58 466.Contrato de Renegociação de Parcela da Dívida Fundada do Estado com a União O Contrato de Refinanciamento da Dívida Estadual com a União.9 bilhões. originados das seguintes dívidas que foram objeto do processo de renegociação: DESCRIÇÃO Dívida Mobiliária Estadual Caixa Econômica Federal – Empréstimos Caixa Econômica – Empréstimos BNDES – Financiamento da Linha Vermelha Caixa Econômica Federal – Contas A e B TOTAL R$ 11. referentes às linhas de créditos abertas pela Caixa Econômica Federal para o Estado suprir os passivos remanescentes do processo de privatização do Banerj.61 42 .93 6.070. consignado em 29 de outubro de 1999. exercício de 1998. ou seja.658. Quintella que fundamenta seu voto como Conselheiro Relator das Contas da Gestão do Governo do Estado do Rio de Janeiro. omitia diversos passivos 42. Estabelecido este marco.

conforme memória de cálculo: DESCRIÇÃO Dívida Mobiliária Estadual Caixa Econômica Federal – Empréstimos Caixa Econômica – Empréstimos BNDES – Financiamento da Linha Vermelha TOTAL 20 % do Total R$ 9.613.375.105. Desta maneira.039.Cláusula Quarta do contrato.27 10. o montante a ser refinanciado.36 Os recursos oferecidos para pagamento da Conta Gráfica originaram-se da antecipação de R$ 2.539. a Assunção e o Refinanciamento.5 bilhões. de responsabilidade dos estados e do Distrito Federal.539.062.066.333. 45 .265. Apurado o saldo a ser refinanciado. Neste caso.05 434.642.097.062.Estabelece critérios para a Consolidação.173.265.172. o saldo devedor foi aferido.423.333.549. da Dívida Pública Mobiliária e Outras que específica.05 434. as quais eram aplicadas às Letras Financeiras do Estado do Rio de Janeiro – LFTRJs. em moeda de 29 de outubro de 1999.77 15.40 112.196. com base no saldo devedor apurado em março de 1996 atualizado pela variação do IGP-DI acrescido de juros de 6% ao ano até a data da renegociação.549. pela União. Cláusula Quarta do contrato. 72 .246.58 O saldo devedor da Dívida Mobiliária Estadual caiu expressivamente em função da forma de recálculo.496/97 45.40 112.0 bilhões 46 à União para abater a chamada “Conta Gráfica” (montante a ser pago à vista ou como garantia sobre o valor total a ser refinanciado pela União).097.626.050.642.Mop/Rev61 A dívida confessada foi recalculada com base em índices diferentes dos pactuados. 46 . assim distribuídos: DESCRIÇÃO Dívida Mobiliária Estadual Caixa Econômica Federal – Empréstimos Caixa Econômica – Empréstimos BNDES – Financiamento da Linha Vermelha Caixa Econômica Federal – Contas A e B TOTAL R$ 9.Parágrafo Primeiro.09 475. passou a ser equivalente a R$ 15.27 5.209. O fator apurado para a correção da dívida foi significativamente menor do que as taxas praticadas neste período pelo Mercado Aberto.173.81 2.2 bilhões 44. ou seja 20% do valor total da dívida renegociada (excluída a dívida referente às Contas "A" e "B" – linhas de crédito para cobertura de passivos atuariais e outras avenças do Banerj). equivalentes 44 .048. de acordo com o previsto na Lei nº 9. o Governo do Estado pagou R$ 2.09 475.626.

3% 2. Entretanto.0 bilhões (Método do Valor Presente).Parágrafo Primeiro ao Parágrafo Terceiro do Artigo Quinto do contrato.172. 49 .0 bilhões. 73 .1% 73. se fosse paga nos termos pactuados. A Dívida Refinanciada. de 26 de outubro de 1999.232 5. equivalentes a R$ 950 milhões anuais. em moeda de 29/10/99.Dispõe sobre operações financeiras entre o Tesouro Estadual e as entidades que menciona e dá outras providências.606 42.5 milhões em 2000 e 845 milhões a partir do ano de 2001.125. em 360 prestações mensais e consecutivas. Saldo em 30/06/01 % 26. especificada adiante: (Em R$ mil de 30/06/01) ESPECIFICAÇÃO DÍVIDA INTERNA EM TÍTULOS POR CONTRATOS CAIXA ECONÔMICA FEDERAL UNIÃO (BACEN/BANERJ) BANCO DO BRASIL (Dívida Renegociada junto à União) BNDES BANERJ S/A MUNICÍPIO DO RIO/ PREVI-RIO Fonte: Balanço Patrimonial de 30/06/01. adquiridos pela União do Estado com base no art. de R$ 79 milhões. a Dívida Renegociada totalizou R$ 13.429 19.932 29. SIAFEM/RJ.Idem. o presente estudo passará a avaliar a composição da Dívida Contratual Interna do Estado em 30/06/01. Conforme cálculos preliminares.2 bilhões 48.125. 16 da Medida Provisória nº 1868-20 47.4% 2. 48 . incidindo sobre o montante da dívida a variação do IGP-DI mais 6% de juros ao ano.Mop/Rev61 economicamente a R$ 2. o Estado deverá desembolsar aproximadamente R$ 812. 50 .722 588.0% 0. Face ao pagamento de R$ 2. 50 Verificado o processo de renegociação da sua dívida com a União. referente a recebíveis do Estado em “Royalties do Petróleo”. o acordo limita os pagamentos a um percentual da chamada Receita Líquida Real .0% 0.154 100.932 26. devendo ser amortizada em 30 anos (início em fevereiro do ano 2000).789 513.779.0% 100.Valor estimado. demandaria pagamentos mensais.RLR 49. Esta operação será detalhada no Capítulo III. Vide capítulo VI.1% 22.2% 47 .

3. Deve-se destacar.Dívida Fundada Externa (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Dívida Fundada Externa 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 111 258 859 1.2. e Município do Rio de Janeiro/PREVI-RJ. a rubrica Cessão de Créditos totalizou R$ 10. em junho de 2001.341 10. conforme detalhado a seguir: Descrição Outras Obrigações Cessão de Direitos – Royalties do Petróleo Obras Paralisadas Provisões Certificados de Privatização Perdas e Deságios 30/12/96 (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 12.3. composta quase que na totalidade por Dívida Contratual em moeda estrangeira. dos R$ 26.234 1. Banerj S.3. ambas em 30/06/01.1 . ocorrida em janeiro de 1999.Outras Obrigações Neste tópico destacam-se os saldos de contas recentemente escrituradas no Balanço Patrimonial do Estado. R$ 5. relativos a dívidas refinanciadas pela União. BNDES.Cessão de Direitos Os montantes registrados nesta conta advêm do Contrato de Cessão de Créditos celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro – “Royalties do 74 . Tal acréscimo é justificado pelo ingresso de novos empréstimos para o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara e para o Programa Estadual de Transportes.113 78 46 127 10. 2.1 bilhões ao Banco do Brasil.506 10.198 40 20.533 A Dívida Fundada Externa do Estado. que a repentina elevação do saldo devedor entre os exercícios de 1998 e 1999 se deu em função da forte desvalorização cambial. Agente Financeiro do Tesouro Nacional. 2. restando ainda montantes menores devidos à CEF. enquanto as demais apresentaram saldos irrelevantes.3. sofreu uma significativa evolução desde 31/12/96 até 30/06/01.791 21. e R$ 19.2.593 122 9. Com razão. se comparados com o valor total do Passivo.325 30/06/01 1.2. em função da renegociação da dívida do Estado. também. ao passo que Perdas e Deságios montou a R$ 11.977 2.1 bilhões.2 .0 bilhões.1 bilhões registrados contabilmente como Dívida Fundada Interna – Dívida Contratual.A.8 bilhões eram devidos à União em razão da assunção do déficit de Reservas Bancárias do Banerj.Mop/Rev61 Como pode-se depreender.238 12.3 .

de 11 de setembro de 1997.426 362. A operação de antecipação das participações governamentais na exploração e produção de petróleo e gás natural. com interveniência da Agência Nacional de Petróleo. o Estado deveria auferir R$ 10. gerou recursos para a capitalização inicial do RIOPREVIDÊNCIA. Fonte: Gabinete e Assessoria do GC-1.132 364.607 (a) .713 215.389 602.218 311.439 195.204 985.100 183.702 678.Mop/Rev61 Petróleo” 51.834.324 558. royalties excedentes e participações especiais. 21 anos e 3 (três) meses.884 333. (b) .942 278.563 135. de 26 de outubro de 1999. representadas por royalties.907 288.591 186.389 195. regulamentado pelo Decreto nº 2.903 1.163 79.576 271.183 376.equivale também ao que o Estado deverá pagar anualmente à União pela antecipação dos royalties.667 320.612 301. 75 .173 106. em moeda de 29/10/99) ANO 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019 2020 2021 TOTAL ROYALTIES R$ MIL 11.705/98.916 261.896 236.245 112. nos termos da Lei nº 9.Idem.521 560.537 664.359 25. 51 .8 bilhões em “Royalties” 52 e em “Participações Especiais” 53.868-20.478/97.085 576. também.903 TOTAL R$ MIL (b) 11.923 427.375 494.835 175. conforme indicado na tabela seguinte. corrigidos pela variação do IGP-DI. (em R$ mil.681 256.000 51.refere-se às indenizações pagas sobre poços de petróleo/gás de alta rentabilidade.347 155.496.842 95.272 10.988 234.291 756.201 243. Os valores adiantados pela União ao Tesouro do Estado tiveram como base estudo elaborado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). 53 .939 175.BRASIL.488 923.873 134.230 169. do Banco do Brasil e do Banco BANERJ S.245 163.704 PARTICIPAÇÃO ESPECIAL (a) R$ MIL 80.860 3. Os cálculos da ANP estimaram que ao longo de 255 meses.466 616.977 42.825 155.451 87.979 16. TCE-RJ.806 441.127 949.918.Previsto no inciso II do artigo 45 da Lei nº 9.231 847.076 14.A.131 296.808 496.869 321.620 241. ou seja.. e da Medida Provisória nº 1.915. viabilizou a renegociação da Dívida do Estado junto à União e.412 6.099 320.583 755.753 401.452 459. 52 .873 215. Contrato de Cessão de Créditos celebrado entre a União e o Estado do Rio de Janeiro em 29 de outubro de 1999.909 637.618 17.

sendo a fórmula: Onde: VPR = Valor Presente dos Royalties R n = Valor mensal dos Royalties a serem recebidos pelo Estado k = Taxa de desconto aplicada 76 . em 20/10/99.Mop/Rev61 De acordo com o visualizado no gráfico a seguir.0 910. Com base nesse método. o Valor Presente Líquido (VPL). ROYALTIES RECEBÍVEIS EM ROYALTIES PARTICIPAÇÃO ESPECIAL TOTAL 1060. foi expressivamente superior ao que seria aferido caso a previsão de recebimento de royalties se desse em uma série mais uniforme. concentram-se entre os anos de 2000 a 2010. concentrados após o ano de 2010. apurou-se que o valor econômico dos “Royalties do Petróleo” equivalia.0 1999 2000 2005 2010 2015 2020 2021 ANO Em função da projeção da ANP concentrar os recebíveis entre os anos 2000 a 2010.0 760. apurado em 29/10/99. caso os recebíveis estivessem distribuídos de forma mais equânime ao longo dos anos ou então. o valor econômico dos mesmos.8 bilhões.0 10. estimados pela ANP a partir da curva de produção prevista dos poços conhecidos até a data do cálculo.0 460. em virtude da utilização de uma taxa de desconto superior à aplicada sobre os recebíveis concentrados na primeira década de 2000. seria bem inferior ao apurado. devendo ser decrescentes findo o ano de 2005.0 310.0 160. De fato. os recebíveis do Estado. conforme definido na legislação vigente. de acordo com a metodologia de distribuição dos royalties e da participação especial aos beneficiários dos créditos.0 R$ MILHÕES 610. em 29/10/99. a R$ 5.

19 3.247. não sendo em momento algum detalhada em Nota Explicativa.20 Valor Econômico em 29/10/99 R$ 2.414. o Estado autorizou o Banco do Brasil (Agente Financeiro) a creditar à União.130.108. cumpre destacar que o saldo devedor apontado no Balanço Patrimonial diverge do apurado a seguir.607 (1. • 80% (oitenta por cento) da parcela correspondente aos royalties excedentes da parcela correspondente a 5% (cinco por cento). 77 .741.764) 1.Índice (=) Saldo devedor corrigido (-) Valor contabilizado no Passivo Financeiro (-) Valor contabilizado no Permanente (=) Subavaliação do Passivo R$ mil de 30/06/01 10.030. mensalmente: • 60% (sessenta por cento) da parcela correspondente aos royalties de 5% (cinco por cento).720 Por fim. A diferença decorre da não atualização da dívida do Estado pela variação do IGP-DI.322. de acordo com o cálculo Descrição Valor histórico em out/99 (-) Valor histórico pago até 30/06/01 (=) Saldo devedor histórico restante (x) Variação do IGP-DI de out/99 a junho de 01 . • 80% (oitenta por cento) da parcela correspondente à participação especial.113.768. a antecipação dos “Royalties do Petróleo” envolveu os seguintes valores: Valor Estimado R$ 2.833.737.512.1938 12.14 5.82 8.939.073.519.33 DESCRIÇÃO Abatimento do Saldo da Conta Gráfica Capitalização do RIOPREVIDÊNCIA Total Para ressarcimento dos valores antecipados.082.5 bilhão.525.38 10.834. na verdade.764 1. cumpre destacar que a operação de antecipação de royalties constitui-se. Desta maneira o montante devido em 30/06/01 estava subavaliado em aproximadamente R$ 1.873) 10.462.Mop/Rev61 Em resumo. a partir de dezembro de 1999.197.588.113. em uma operação de securitização de recebíveis estaduais.811 (494.834.607.327) (10. Avaliados os montantes envolvidos na operação. impondo restrições às avaliações levadas a cabo pelos usuários das Demonstrações Contábeis do Estado.

22 14.00) (22233.15 \\\\\\\\\\\\\\\ A B C D Resultado da Investimentos Prov.004.219.891.775.372.04 * (9.268.3.33% 110.269.48 100.45 100.490.281.451.46 -63.84 -18.00) 101.528.796.757.00) 9.507.3.78 14.931.53 100.975.97% 5.10 99.731.912.58 -4.349.53 INVESTIMENTO INVESTIMENTO (14111.35 80.60 -241.45 5.111.931.99% 571.00% 3.281.176.07 1.402.665.60 3.400.3% do total de 9.349.Econ.573.235.911. inicialmente.301.94% -63. Sem aprofundar o mérito de como tais valores deveriam ser contabilizados.673.403.08 4.046.2 .467.070.789. Desta maneira.606.738.342.56 -18.56 99.485.00.150.225.219.10 ------------------------521. somente as rubricas Banerj e Companhia de Transportes Coletivos (CTC).00.90% -5.235.721.95 -4.68 3.938.217.145.44 123.729.832.8 bilhões.682.750.26% 305.44 123.631.23 (14112.00.278.84 110.895.7 bilhões (em moeda de poder aquisitivo de 30/06/01) registrados em 31/12/00.831.176.39 99.792.62 -4.919.42 -5. totalizou R$ 9.205.369.579.249. NO RESULTADO EQUIVALÊNCIA PATRIMÔNIAL 1.62 101.39 99.58 -4.225.467.111.10 99.394.383.005.750.04 68.320.81 99.95 -4.22 601.p/Perdas Perdas e Deságios Equivalencia Soc.919.177.352.00) -63.775.00% 877.047.490. causando espécie.606.86 62. a base de apuração dos valores para o Balanço de 31/12/00 é a demonstrada a seguir: Sociedades de Economia Mista 1 CEHAB 2 CASERJ 3 CEASA 4 CTC 5 CODIN 6 TURISRIO 7 IVB 8 CODERTE 9 CEDAE 10 FLUMITRENS 11 METRO SOMA TOTAL % PART.517.631. que.19 99. Com efeito.507.45 5. serão tecidos comentários apenas sobre as rubricas mais representativas para a composição do saldo da conta Perdas e Deságios.99 92.37 571.90) Para fins de simplificação.634.891.911.822.274.482.056.301.90 62.763.90% 1.047.03 \\\\\\\\\\\\\\\ -5.857. principalmente considerando que os Balanços Patrimoniais do Estado são apresentados como consolidados.62 ------------------------110.048.70 10.224.066.038.977.86 -5.056.814.90% -5.00) (14112.775.37 601.Mop/Rev61 2.48% 14.53 4.00.070.46 9.2. serão abordadas a seguir: 78 .516.281.757.82 82. em conjunto.130. o critério adotado para contabilizar o Patrimônio Líquido Descoberto de empresas públicas ou de economia mista no Passivo não é usual.938.38 75.382.030.348.579.56 10.455. perfazem 95.792.262.37 SOCIEDADES NÃO INTEGRANTES DO ORÇAMENTO DO ESTADO A SOCIEDADES ECONOMIA 12 13 14 15 MISTA DIVERJ BDRIO CELF BANERJ SOMA TOTAL TOTAL DO % PART.537.68 1.832.Perdas e Deságios Esta conta começou a apresentar saldos no exercício de 2000 quando.001.348.975.70 B C D INVESTIMENTO (22233.10 18.07 521.005.47 10.032.78 18.62 PATRIMÔNIO CAPITAL 1.607.368.792.00.368.319.797.386.517. DO NO PATRIMÔNIO CAPITAL 123.61% 18.342.00% -18.18 140.90 571.892.150.382.18 133.35% -5.Mista Investimentos Investimentos Patrimonial (14111.88 \\\\\\\\\\\\\\\ 143.268.527.154.00% 521.00) 1.00.675.738.394.47 -5.451.834.

já que a mesma não realizou nenhuma amortização da dívida. ainda.047.3 .0% Caso avaliada a consistência dos saldos das rubricas Banerj e CTC identificam-se duas distorções. em razão de estar indexado à variação da TR plus juros de 12% ao ano.320 % s/ total 43. o montante apontado originou-se de um financiamento contratado junto ao Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro (BD-RIO – Em Liquidação Extrajudicial). bem como da limitação de escopo. estas contas não serão examinadas.Demonstrações Financeiras da CTC-RJ. o Governo do Estado decidiu assumir a dívida com o BD-RIO.812 9. Estes valores foram assumidos pelo Governo do Estado quando concluído o processo da renegociação com a União. Registrado no Passivo da Companhia como devido ao Estado do Rio de Janeiro 54.7% 100.0 bilhões em razão da existência de uma dívida superior a R$ 4. 79 .3. A segunda relaciona-se ao Patrimônio Líquido da CTC (Em Liquidação Extrajudicial).791.751 5. Provisões e Certificados Em razão da irrelevância. que o valor a receber não está registrado no Ativo do Estado. Desta forma.757 461. que cresceu.281.7% 51.3.Obras Paralisadas. obtido em 1983 para a aquisição de 125 (cento e vinte e cinco) ônibus. A primeira refere-se ao Patrimônio Líquido do Banerj estar negativo no montante indicado em razão do déficit de Reservas Bancárias junto ao Banco Central. exercício findo em 31/12/98. tendo em vista a relevante superavaliação provocada no Passivo do Estado.2. 54 .Mop/Rev61 Descrição Banerj CTC Outros Total R$ mil 4. o montante negativo está sendo registrado em duplicidade (considerando que também está registrado na Dívida Contratual). 2. que os saldos dos débitos e créditos porventura originados pela dívida são intragovernamentais. superavaliando o Passivo do Estado em R$ 4. Considerando que as possibilidades de algum dia a CTC-RJ quitar tal dívida é por demasia remota.5 bilhões contabilizada.6% 4.8 bilhões. restando à CTC-RJ um débito com o Tesouro estadual. que o valor devido ao BD-RIO também não está registrado no Passivo do Estado e. em proporções estratosféricas. cabe observar que deveriam ser elaborados estudos visando a eliminar este montante. Devido à inadimplência da CTC-RJ. negativo em R$ 5.

Autarquia responsável pelo sistema de previdência dos servidores. e regulamentado pelo Decreto nº 25. Quanto aos saldos registrados no Balanço do Estado. bem como aos ex-participantes e ex-beneficiários da Caixa de Previdência dos Funcionários de Sistema Integrado Banerj . a União.189. A contabilização destes passivos foi iniciada no exercício de 2000. técnica. 80 . o pioneirismo do Estado do Rio de Janeiro no registro de passivos previdenciários apurados atuarialmente. A CGE inicialmente interpretou que a conta Reserva Técnica – Reserva Matemática deveria ser contabilizada no Patrimônio Líquido Estadual. III.3 bilhões em 30/06/01.262 Descrição Reserva Matemática Cumpre destacar que a escrituração desta conta representou um grande avanço de evidenciação contábil na Contabilidade Governamental. de 22/02/99. de 17/03/99. inativos e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro. (R$ milhões em moeda de 30/06/01) 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 14. considerando que.5 . ao menos até 31/12/00.Reserva Matemática A conta de Reservas Matemáticas registra os valores atuariais provenientes de obrigações já assumidas e a assumir. também. 2. e aos antigos beneficiários dos Planos de Incentivo à Aposentadoria II. suas Autarquias e Fundações. patrimônio e receita próprias. das pensões e outros benefícios. dotada de personalidade jurídica de direito público. os Estados de São Paulo e Minas Gerais e. cabe distinguir que estão classificados em conta de Passivo Permanente. é uma autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Administração e Reestruturação do Estado – SARE. ou seja. criado pela Lei Estadual nº 3.394 32.Mop/Rev61 2.4 bilhões em 31/12/00.2. patrimonial e financeira descentralizada. quase todos outros estados. pelo Estado do Rio de Janeiro. não registravam os montantes de benefícios concedidos pelos seus sistemas previdenciários.PREVI-Banerj. R$ 14. concedidos e a conceder a servidores estatutários e seus beneficiários.2. Distrito Federal e municípios brasileiros. apresentando os seguintes saldos em 31/12/00 e 30/06/01. tal qual as contas de Reservas de 55 . provavelmente.4 .Empresas Públicas e Diversos Em razão da irrelevância e o encerramento de seu saldo. a conta Empresas Públicas não será avaliada no presente trabalho.217. considerou que os valores apurados na conta Reserva Matemática equivalia a uma conta de Patrimônio Líquido. assegurar e administrar recursos financeiros e outros ativos para o custeio dos proventos de aposentadoria ou reforma.3. IV e outros instituídos pelo Banerj e subsidiárias. e R$ 32. O RIOPREVIDÊNCIA tem a finalidade de arrecadar. gestão administrativa. relativas aos benefícios previdenciários de responsabilidade do RIOPREVIDÊNCIA 55 .3.O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro – RIOPREVIDÊNCIA. Saliente-se.

os cálculos atuariais visam identificar qual é o montante de benefícios previdenciários já concedidos e a conceder.Mop/Rev61 Capital. As Reservas Matemáticas são apuradas através de cálculos atuariais e. da mesma forma que nas empresas do ramo de seguros.162 PASSIVO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO Reservas Matemáticas .116 56 .Benefícios a Conceder DEFICIT TÉCNICO (Patrimônio Líquido) Total R$ 206. exercício de 1999.278.098.287 7.071.426 24.287 7.735-4/00 .026.125 10.682 (16.759.116 CONTABILIZAÇÃO EFETUADA NO SIAFEM (em R$ mil de 31/12/99) BALANÇO PATRIMONIAL DO RIOPREVIDÊNCIA Em 31/12/99 ATIVO CIRCULANTE PERMANENTE . 81 .278.Certificados Financeiros .Benefícios a Conceder Deficit Técnico Total R$ 206.278.481) 8.338.116 Total 8.116 Total 8.489 7.171 16.026.829 7.426 8.853.098.863.Processo TCE-RJ 102.690 24. Caso os ativos da entidade previdenciária sejam menores do que as Reservas Matemáticas haverá um Déficit de Reservas Técnicas.Outros R$ 414.171 24. CONTABILIZAÇÃO CORRETA DOS ATIVOS E PASSIVOS (em R$ mil de 31/12/99) BALANÇO PATRIMONIAL DO RIOPREVIDÊNCIA Em 31/12/99 ATIVO DISPONÍVEL PROGRAMA DE INVESTIMENTOS .Benefícios Concedidos .171 16. cabe destacar os comentários contidos no relatório que acompanha o voto 56 do Conselheiro Sergio F.853. Lucros etc.338.098. Sobre esta classificação inadequada.481) 8.125 10.162 PASSIVO OPERACIONAL RESERVA TÉCNICA Reservas Matemáticas .759.863.Outros R$ 14.Certificados Financeiros .682 (16.Trata o presente processo de inspeção ordinária realizada no Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro – RIOPREVIDÊNCIA.278.489 7.Benefícios Concedidos .829 7. Ou seja. registrado-os no passivo. Quintella. quando submetida ao Plenário do TCE-RJ a primeira inspeção ordinária realizada no RIOPREVIDÊNCIA por técnicos daquela Corte de Contas: “2) Escrituração das Reservas Matemáticas A Conta de Reservas Matemáticas é um passivo e não uma conta de Patrimônio Líquido. são aferidas nas entidades de previdência para fins de evidenciação do passivo atuarial.

A Portaria nº 4. deverão ser acrescidos expressivamente. ao longo do período analisado.3. apesar dos avanços trazidos para evidenciação.Ativo Real Líquido e Passivo Real a Descoberto Os saldos patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro.2.074) (21. 2. no qual se enquadra o RIOPREVIDÊNCIA. apesar de extremamente elevados. são relacionados a seguir. considerou-se um Passivo (Reservas Matemáticas) como Patrimônio Líquido. estabelece: Reservas Matemáticas: registram os passivos atuariais da entidade. na medida em que. para assim poder apresentar de maneira fidedigna o real Passivo resultante dos planos previdenciários mantidos no âmbito da Administração Fluminense.992/99) do Ministério de Previdência e Assistência Social.Ativo Compensado.” Por derradeiro.858/98 (4. deduzidos das fontes de recursos existentes para a garantia daqueles passivos. Tabela 11 – Saldo Patrimonial (R$ milhões em moeda de 30/06/01) Descrição Saldo Patrimonial 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 5. 2.4 . em razão do critério contábil adotado.336) (52. (..3 . A incoerência da contabilização adotada pelo RIOPREVIDÊNCIA pode ser facilmente evidenciada. qualquer acréscimo do Passivo Atuarial (Reserva Matemática) automaticamente aumenta seu Patrimônio Líquido. Deficit Técnico: registra a insuficiência patrimonial no exercício atual em relação aos compromissos totais.).440) 82 . Desta maneira.622 255 (13. representados pela diferença entre os ativos e os passivos. onde são estabelecidas as normas gerais de contabilidade para Entidades de Previdência Fechadas. sendo os montantes escriturados no Passivo Compensado idênticos aos já apresentados no tópico 3.Passivo Compensado De acordo com o já destacado.3 . cumpre destacar que os valores já apurados ainda não incluem todos os participantes do RIOPREVIDÊNCIA. a análise dos ativos e passivos compensados não fazem parte do escopo do presente estudo.Mop/Rev61 Como se observa.. os valores escriturados até 31/12/01.225) (13.

710) As alterações dos saldos patrimoniais foram decorrentes. observa-se melhor o constante declínio da situação patrimonial. Estas variações são resultantes da execução orçamentária – representadas por receitas e despesas orçamentárias.622 Saldo Patrimonial Os acréscimos e Tabela 12 .074) (35.622 255 (13.440) decréscimos (13. destacando-se também 83 . atingindo uma situação negativa de R$ 52.440) Variação entre os Períodos (5.367) (13.000) (40. Considerando que o trabalho não examinou o comportamento das receitas e das despesas orçamentárias do Estado do Rio de Janeiro.000) 30/12/96 31/12/97 31/12/98 31/12/99 31/12/00 30/06/01 255 (13.730) (52.225) patrimoniais entre os períodos são os demonstrados na tabela a seguir: 5.656) (16.730) (52.480) 151 (22.4 bilhões em 30/06/01: Gráfico 4 – Evolução do Saldo Patrimonial Evolução do Saldo Patrimonial 10.000) R$ milhões (30.000) (50.Variação Patrimonial (Em R$ milhões.000) (60.000 (10.000) (20.Mop/Rev61 Graficamente.225) (13.074) (35. em moeda de 30/06/01) Período Dez/96 Dez/97 Dez/98 Dez/99 Dez/00 Jun/01 Saldo no Final do Período 5. mutações patrimoniais e variações independentes da execução orçamentária. das Variações Patrimoniais contabilizadas nos exercícios e semestre examinados. principalmente.

a diminuição do Ativo Real Líquido observada. permaneciam elevados. relacionados a seguir: Tabela 13 – Variações Patrimoniais do exercício de 1997 84 .6 bilhões para R$ 255 milhões entre 1997 e 1996.1 bilhões para R$ 9. que o montante registrado na conta de Bancos Cta.Variações Patrimoniais do exercício de 1997 A redução de R$ 5.5 bilhões para R$ 8. os valores registrados na referida conta em 31/12/97.8 bilhões na conta de Ativo – Participações Societárias. apenas as contas de Restos a Pagar e Dívida Fundada em Títulos (em decorrência das altas taxas de juros praticadas no Mercado Aberto) sofreram acréscimos de R$ 2. ainda. anulando. Por outro lado. adiante serão avaliadas apenas as principais razões para o acréscimo ou decréscimo dos saldos decorrentes apenas da inclusão ou exclusão de Ativos e Passivos. em razão do equilíbrio orçamentário observado nos períodos sob exame. pela baixa de R$ 7. foi ocasionada. ocorrida entre os exercícios findos em 31/12/96 e 31/12/97.1 . é evidenciada pelos seguintes acréscimos e decréscimos patrimoniais. Em contrapartida.6 bilhões. De fato. A diminuição do Ativo Real Líquido foi minimizada pelo acréscimo de R$ 4.0 bilhões e R$ 1.6 bilhão. Em resumo.8 bilhões da Dívida Ativa. Destaca-se. por conseqüência. reduzindo o saldo desta conta de R$ 17. Tal fato ocorreu devido à inclusão de novos saldos de empresas até então não contabilizadas no Balanço Consolidado. de R$ 5. elevando o saldo desta rubrica de R$ 3.Mop/Rev61 que as mesmas tiveram pouca influência sobre os saldos patrimoniais. Mesmo com a redução. 2. respectivamente. pois ainda exigiam a constituição de provisões para créditos não realizáveis.4. a conta de Dívida Fundada – Dívida Contratual foi acrescida em montante similar.8 bilhões devido à classificação inadequada dos valores representados pelas Contas “A” e “B”. notadamente. diversas contas do Passivo tiveram seus montantes acrescidos. como verificado adiante. a melhoria promovida pelo acréscimo observado na conta de Participações Societárias.3 bilhões do Ativo Real Líquido.3 bilhões neste período. Movimento elevou-se em R$ 4.

4 bilhões).Mop/Rev61 As variações patrimoniais ativas e passivas. corroboram a constante mudança de critérios contábeis e expõem as deficiências encontradas para se proceder ao reconhecimento dos Ativos e dos Passivos com base no Regime de Competência de Exercícios.1) (4. O acréscimo da Dívida Fundada em Títulos. pela redução dos saldos da conta Dívida Ativa.2 bilhão. algumas sobremaneira expressivas.1) (0.3) 3. e.3 bilhão. de R$ 8.6 bilhões (elevando o saldo desta rubrica em R$ 3. foram outras mutações importantes.6 bilhões). equivalentes a R$ 1. também.4.Variações Patrimoniais do exercício de 1998 Entre os exercícios de 1997 e 1998. a situação patrimonial do Estado passou de um Ativo Real Líquido de R$ 255 milhões para um Passivo Real Descoberto de R$ 13.2) (-) Incorporação da Dívida remanescente do Banerj na Dívida Fundada Contratual (Passivo) (-) Aumento da Dívida Fundada em Títulos (Passivo) (-) Lançamento inadequado dos rendimentos das Conta “A” e “B” na Conta Depósitos e Outros (Passivo) (+) Aumento de Títulos e Valores Mobiliários (Ativo) (=) Subtotal (-) Outras Variações Ativas e Passiva Passivo Real Descoberto em 31/12/98 85 .2 bilhões para R$ 11. De maneira sintética. 2.3 bilhões para R$ 1.6) (1. em moeda de 30/06/01) R$ bilhões 0. relativos ao déficit de Reservas Bancárias do Banerj junto ao Banco Central (ressaltase que esta dívida era proveniente de exercícios anteriores a 1998). sendo influenciada. o comportamento do saldo patrimonial entre os exercícios findos em 31/12/97 e 31/12/98 é o demonstrado a seguir: Tabela 14 – Variações Patrimoniais do exercício de 1998 Descrição Ativo Real Líquido em 31/12/97 (-) Valores baixados da Dívida Ativa (Ativo) (Em bilhões de R$.2 . principalmente. o lançamento inadequado dos rendimentos das Contas “A” e “B”.2 bilhões (denotando um acréscimo do Passivo de R$ 2.8) (2.5 bilhões para R$ 13.5 bilhões.1) (13. pela incorporação de R$ 4.8 bilhões ao Passivo.4 (13. de R$ 9. A variação negativa atingiu R$ 13.3 (8. e o acréscimo da conta de Ativo – Participações Societárias. na conta de Passivo – Depósitos. de R$ 10.2 bilhões.

3 bilhões para R$ 3.4. ao longo do exercício de 1998.5 bilhões. qual seja. 2. O abrupto crescimento dos valores registrados nesta conta. em função do recálculo do montante devido quando firmada a renegociação da dívida do Estado junto à União.1 bilhões.1 bilhões anteriormentes contabilizados no Ativo Compensado. Destaca-se ainda que apesar da assunção de dívida de R$ 12. Teve seu saldo reduzido de R$ 4.3 bilhões em razão da transferência de R$ 3. d) Depósitos e Outros. c) Órgãos da Administração Direta – Incorporação.8 bilhões em CFTs. também. é explicado pela obtenção de R$ 7. as principais mutações identificadas no Ativo e no Passivo entre 31/12/98 a 31/12/99 originaram-se: a) Valores Vinculados – “Conta A”. e) Restos a Pagar. A partir do exercício de 2000 os montantes representados pelos CFTs foram reclassificados para a conta Títulos e Valores.5 bilhões.Variações Patrimoniais do exercício de 1999 O Passivo Real a Descoberto. a situação patrimonial manteve-se estável em face da conversão de parcela das participações governamentais na exploração e produção de petróleo e gás natural. gerando a diminuição dos saldos de R$ 5. Diminuiu de R$ 28. bem como o reconhecimento extemporâneo de passivos gerados em exercícios anteriores. Em razão da correção do critério adotado em 1998. f) Dívida Fundada Interna. os valores registrados decresceram de R$ 1. de R$ 619 milhões para R$ 9. O retorno de valores antes considerados de baixa liquidez para a conta de Dívida Ativa comprova a constante mudança de critério contábil para os montantes desta rubrica. e. Seu saldo foi acrescido de R$ 1. em razão do saldo remanescente da "Conta A" ter sido convertido em CFTs.0 bilhões para zero em função da conversão de seus valores em CFTs. lançar a contrapartida dos rendimentos das Contas “A” e “B” nesta conta de Passivo.0 bilhões. sofreu ligeiro decréscimo até 31/12/99. relativa à operação de antecipação de royalties. A estabilização do saldo patrimonial se deu principalmente em razão da renegociação da Dívida Fundada do Estado junto à União. 86 .Mop/Rev61 As grandes variações patrimoniais apresentadas.2 bilhão para R$ 4. Caso analisadas individualmente.3 .3 bilhão para R$ 20 milhões. herdado do exercício de 1998. deixam evidentes as constantes mudanças de critérios contábeis. como também prejudica a adequada evidenciação patrimonial do Estado. b) Dívida Ativa.8 bilhões para R$ 25. considerando a redução do estoque da dívida promovido pelo recálculo dos saldos devedores. Devido à melhora de análise dos valores registrados nesta conta foram cancelados inúmeros restos a pagar processados e não processados.

Antes de analisar outros fatores que influenciaram os montantes registrados no Passivo Real Descoberto do Estado.5) (13. em razão da elaboração de cálculos atuariais mais abrangentes que apontaram a necessidade de constituição de Reservas Técnicas mais elevadas. em face do adiantamento de receitas futuras de royalties. os valores registrados nesta rubrica equivaleram a R$ 14.8 1. ou seja.4.2 1.1) 2. possui junto aos participantes de seus planos de previdência. Ou seja.6 bilhões. royalties excedentes e participações especiais. apesar de possuir aproximadamente R$ 7.0) (12. ainda.1 bilhões em 31/12/99.Mop/Rev61 g) Cessão de Direitos – Este passivo originado em outubro de 1999. que a situação patrimonial do Fundo agravou-se em 2001. Salienta-se.1) 3. em moeda de 30/06/01) Descrição Passivo Real Descoberto em 31/12/98 (-) Valores baixados da “Conta A” (Ativo) (-) Assunção de Dívida – Cessão de Direitos (Passivo) (+) Valores acrescidos a Dívida Ativa (Ativo) (+) CFTs registrados em Órgãos da Administração Direta (Ativo) (+) Estorno na conta Depósitos e Outros (Passivo) (+) Diminuição dos saldos de Restos a Pagar (+) Diminuição da Dívida Fundada Interna (Passivo) (=) Subtotal (-) Outras Variações Ativas e Passivas Passivo Real Descoberto em 31/12/99 R$ bilhões (13.6) (1. pode-se destacar as elencadas a seguir: 87 .8 3. refletindo os montantes relacionados às obrigações já assumidas e a assumir pelo RIOPREVIDÊNCIA.2) (4. os compromissos que a Autarquia. registrava um Déficit Técnico.Variações Patrimoniais do exercício de 2000 Um dos fatores preponderantes para a expansão do Passivo Real a Descoberto ocorrida neste exercício foi a contabilização da conta de Reservas Matemáticas. ativas e passivas.8 (11.4 . inativos e pensionistas do Estado. cumpre salientar que o RIOPREVIDÊNCIA.1 7. um déficit de ativos para arcar com os passivos de aproximadamente R$ 6. As principais modificações supramencionadas são resumidas na tabela a seguir: Tabela 15 – Variações Patrimoniais do exercício de 1999 (Em bilhões de R$. registrou um saldo de R$ 12. responsável pelo pagamentos dos benefícios previdenciários dos servidores. Quanto a outras variações patrimoniais.8 bilhões em CFTs em 31/12/00. Apurados atuarialmente.4 bilhões em 31/12/00.

e da melhora da situação financeira do Estado.5 0.5 bilhões. computados em dobro.4) (4. d) Sentenças Judiciais. a partir de 2000.8 bilhões.8) 7. passando. em 31/12/99. o saldo desta conta decresceu de R$ 3. O efeito das mencionadas alterações nos saldos das contas de Ativo e Passivo elevou o Passivo Real a Descoberto do Estado a R$ 35.8 34.1) (14.1 (1.Mop/Rev61 a) Sociedades de Economia Mista. em 31/12/00. A sensível redução no valor desta conta.7 bilhões. b) Participações Societárias. a serem apreciadas pelo método de Equivalência Patrimonial. Em função das conciliações. Até 1999 as empresas eram avaliadas pelo seu Capital Social. Destaca-se que o critério utilizado pela CGE é passível de questionamentos. estes valores nunca devam ser pagos ao Tesouro Estadual. que eliminaram saldos registrados. e) Perdas e Deságios. em 31/12/99. em moeda de 30/06/01) Descrição Passivo Real Descoberto em 31/12/99 (-) Constituição da conta de Reservas Matemáticas (Passivo) (-) Redução do valor de Participações Acionárias (Ativo) (-) Contabilização de Sentenças Judiciais (Passivo) (-) Constituição da Conta Perdas e Deságios (Passivo) (+) Contabilização da conta Sociedade de Economia Mista (+) Diminuição dos saldos de Restos a Pagar (=) Subtotal (-) Outras Variações Ativas e Passivas Passivo Real Descoberto em 31/12/00 R$ (13.6) (35.7 bilhões. por conseqüência.3 bilhões. No exercício de 2000 foram incorporados ao Ativo R$ 7. decorre da mudança de critério contábil aplicado à avaliação das participações mantidas em empresas públicas e de economia mista. conforme pode ser observado na tabela adiante: Tabela 16 – Variações Patrimoniais do exercício de 2000 (Em bilhões de R$.5) (0. estes expressivos montantes passaram a ser registrados. para R$ 5. aumentando o Passivo em R$ 611 milhões. No exercício de 2000 iniciou-se a contabilização desta conta. de R$ 10. uma melhora aparente da situação patrimonial fluminense.7) 88 . ocasionaram um efeito demasiadamente negativo no saldo patrimonial do Estado. considerando que parcela destes passivos já estão registrados na Dívida Fundada Estadual. estando. c) Restos a Pagar. promovendo. A escrituração dos valores correspondentes aos Patrimônios Líquidos Descobertos. para R$ 2. em 31/12/00.6) (9. conforme já avaliado. equivalente a R$ 9. principalmente aqueles provenientes do Banerj e da CTC-RJ. portanto. Muito embora.8 bilhões.5 bilhões relativos a dívidas assumidas pelo Estado em decorrência do inadimplemento de suas empresas públicas e de economia mista.

7 bilhões.AVALIAÇÃO DAS HIPÓTESES Neste capítulo são avaliadas as hipóteses apresentadas no seu congênere de nº 1 (tópico 1.A partir do 2º semestre de 2000 foi progressivamente extinta a cobrança das contribuições dos inativos e pensionistas em atendimento à decisão do Supremo Tribunal Federal que. 3 . enfocando os registros.3 bilhões. relacionados aos Balanços Patrimoniais dos exercícios encerrados em 31/12 de 1996 a 2000 e do semestre findo em 30/06/ 01. considerou inconstitucional a incidência de cobrança de contribuições previdenciárias sobre aposentadorias e pensões.5 . 89 . observada entre 31/12/00 a 30/06/01. que acarretaram a redução das expectativas de receitas futuras do Fundo. originou-se do aumento do número de beneficiários do plano de seguridade considerados nos cálculos atuariais.9 bilhões. com base na Emenda Constitucional nº 20/99 (em especial quanto à redação dada ao inciso II.4. foi a expansão da conta de Reservas Técnicas. relacionadas a seguir: 57 . o presente estudo tece as seguintes considerações sobre as hipóteses levantadas. do artigo 195 da CF).7 bilhões para R$ 52. que elevou-se de R$ 14. direitos e obrigações do Estado? c) a Auditoria Geral do Estado (AGE) e os controles internos fornecem garantia de melhor qualidade e confiabilidade dos saldos registrados no Balanço Patrimonial do Estado? d) o Controle Externo coopera para a melhoria da evidenciação do Balanço Patrimonial Fluminense? Em razão dos trabalhos realizados. A necessidade da ampliação das Reservas Matemáticas também foi influenciada pela extinção da cobrança das contribuições previdenciárias dos inativos 57 . a saber: a) a correta retratação do Patrimônio Público pode ser útil ao desenvolvimento.4 bilhões para R$ 32. Tal acréscimo.6).Variações Patrimoniais do primeiro semestre de 2001 A principal razão para a elevação do Passivo Real a Descoberto de R$ 37. equivalente a R$ 17. à medida que fornece subsídios para a adoção de medidas que promovam a sustentabilidade financeira e patrimonial do Estado? b) os Princípios de Contabilidade adotados pela Contadoria Geral do Estado (CGE) encontram-se em conformidade com a legislação e são suficientes para a obtenção da necessária evidenciação dos bens. as Notas Explicativas e os exames da AGE e do TCE-RJ.4 bilhões. totalizando uma variação negativa de R$ 14.Mop/Rev61 2.

Outra falha identificada relaciona-se ao descontrole dos bens imóveis. a capacidade de obtenção de novos financiamentos para projetos de desenvolvimento. Apesar da preocupação com a gerência de receitas e despesas na organização governamental. o correto controle dos bens e direitos. Publicada no D. Não reavaliados na maioria dos casos. em valores correntes de 1997. fiscais e outras avenças.1 bilhões. representando aproximadamente um quarto do PIB fluminense. sobremaneira. pode-se citar alguns casos em que o descontrole de ativos e passivos gerou danos para as suas finanças.0 bilhão. nunca se buscaram soluções para enfrentar um problema de grandes repercussões. porém somente foram reconhecidas no Balanço Patrimonial a partir de 1997. não resultando. aumentando. que equivalem. destinados à apuração do custo da concessão de benefícios previdenciários aos servidores. ainda.0 bilhões. (Banerj) não privatizada. assim como o das obrigações. e contenciosos trabalhistas. Portanto. em decorrência dos fatos administrativos de ordem financeira.Mop/Rev61 3. Deste modo e.Demonstrações Contábeis do RIOPREVIDÊNCIA. o patrimônio sofre mutações variadas. No caso específico do Estado do Rio de Janeiro.Hipótese 1: Correta Retratação do Patrimônio Público Muito embora a Administração Pública opere. 78 a 80. R$ 1.R. restringindo de alguma maneira o desenvolvimento de sua economia. em moeda de 30/06/01. em razão da inexistência anterior de cálculos atuariais. p. R$ 3. a R$ 10. O Deficit Técnico do Fundo. O primeiro caso refere-se aos passivos remanescentes da parcela do Banco do Estado do Rio de Janeiro S. os dirigentes fluminenses já poderiam ter posto em prática ações para minimizar o déficit do Sistema de Seguridade Social do Estado. inativos e aos pensionistas. do déficit de Reservas Bancárias junto ao Banco Central (BACEN). em razão dos Balanços Patrimoniais e as suas Notas Explicativas não fornecerem adequadas 58 .A. Caso este passivo tivesse sido apurado e contabilizado há mais tempo. tanto nos elementos ativos. as limitações de seus controles são recorrentemente apontadas pela AGE e pelo TCE-RJ. estas obrigações foram se materializando ao longo de anos. fundamentalmente.O. mas só evidenciados após a criação do RIOPREVIDÊNCIA. na obtenção de recursos financeiros que permitam o atendimento das necessidades públicas. o grau de endividamento do Estado e comprometendo. não se pode esquecer que.8 bilhões.1 . atingiu R$ 33. porém. passivos atuariais. por conseqüência. que reflete a insuficiência de ativos para garantir os benefícios já concedidos e a conceder. Oriundos.J de 01 de abril de 2002. como nos elementos passivos. no completo saneamento das falhas identificadas. R$ 2.8 bilhões em 31/12/01 58. deve ser considerado para fins de adoção de políticas públicas. O segundo relaciona-se aos passivos previdenciários do Estado formados no decorrer de décadas. 90 .

a correta evidenciação do Balanço Patrimonial é prejudicada. De fato. vêm apresentando constantes avanços. a CGE. exigem Demonstrações Contábeis cada vez mais fidedignas dos governos que pleiteiam financiamento. d) adoção do critério de Equivalência Patrimonial (Equity) para as participações societárias. permitindo que os resultados das empresas públicas e de economia mista sejam refletidos no patrimônio do Estado. por seguir basicamente o previsto na Lei nº 4. b) contabilização do passivo atuarial do RIOPREVIDÊNCIA. não havia incluído o valor de seus passivos previdenciários. Por conseqüência. nunca atualizaram o valor de seus móveis e imóveis com base na sistemática de correção monetária de balanços. Não obstante os avanços. em seu Balanço Patrimonial. sendo esta uma iniciativa adotada por poucos estados e municípios. c) reconhecimento. mesmo no período de alta inflação. ao menos até 31/12/00. 3. destacando-se: a) incorporação paulatina dos saldos da Administração Indireta e Fundacional. por exemplo.2 . e e) ampliação das informações fornecidas através de Notas Explicativas. tais como BIRD e BID. não calculam a depreciação. em conta própria.320/64. Destarte. direitos e obrigações. relativos a benefícios já concedidos e a conceder. ao observar estritamente o Princípio da Legalidade. os Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro não contabilizam diversas provisões. e. não há dados precisos dos imóveis que poderiam ser alienados pelo Governo do Estado para a obtenção de recursos destinados a fornecer benefícios à sociedade fluminense.Hipótese 2: Os Princípios de Contabilidade Aplicados Ao longo deste estudo observou-se que os critérios contábeis utilizados pela CGE. além do já mencionado. trabalhistas e outras avenças. dos passivos decorrentes de decisões judiciais já tramitadas em julgado. aumentando a transparência das obrigações do Estado. Este modo de se pautar faz com que os avanços da Ciência Contábil não sejam implementados em razão da falta de previsão legal. e considerando ainda que os Organismos Internacionais de Desenvolvimento. 91 . Deste modo. a própria União. não constitui provisões para valores não realizáveis (como.Mop/Rev61 informações qualitativas e quantitativas. para a Dívida Ativa) e não estima os passivos que deverão se materializar em razão de contenciosos cíveis. pode-se concluir que a correta evidenciação dos ativos e passivos no Balanço Patrimonial é uma importante ferramenta para o desenvolvimento. fornecendo uma visão mais abrangente da situação patrimonial do Estado como um todo. no que se refere àqueles adotados para o registro de bens.

por sua vez. 2002. a um Balanço Combinado. na visão de Silva. por exemplo. que. incluindo também a análise dos aspectos finalísticos. em face da avaliação procedida. Destarte. a AGE está vinculada ao Secretário de Fazenda. Outro fator prejudicial para a adoção dos PCGAs advém das falhas do sistema de informação. na verdade. um enfoque administrativo. pois a falta de dados prejudica o trabalho de escrituração de ativos e passivos executado pela CGE.3 . 3. muitas das operações que envolvem saldos patrimoniais. não são levadas à ciência e à análise da CGE. destacando-se a aplicada na conta de Investimentos (no caso. os critérios adotados pela CGE não contemplam todas as técnicas de consolidação usualmente aplicadas. Restam ainda outras eliminações necessárias. a soma dos ativos e passivos da Administração Direta. os Padrões de Contabilidade adotados pela CGE devem ser aprimorados para obtenção de uma melhor evidenciação do Balanço Patrimonial do Estado. O chamado Balanço Consolidado do Estado do Rio de Janeiro assemelha-se. apesar dos avanços.Mop/Rev61 Da mesma maneira. Contabilidade Governamental. restando claro que a AGE vem identificando e apontando falhas nos controles internos do Estado. apesar de não existir regulamentação detalhada para a Consolidação de Balanços Governamentais. Participações Societárias) contra o Ativo Real Líquido ou o Passivo Real a Descoberto. poderá minimizar sensivelmente o problema dos sistemas de informação. possibilita o abandono gradual do exame feito apenas nas formalidades. principalmente aquelas relacionadas às deficiências dos sistemas de informação e aos controles dos bens imóveis e da dívida ativa. pois apresenta. Entretanto. p. Indireta e Fundacional sem que se proceda às devidas eliminações a débito e a crédito nas contas das entidades intragovernamentais. 92 . Ademais. São Paulo: Atlas.O que. se reportando diretamente ao Chefe do Poder Executivo.Hipótese 3: A Atuação da Auditoria Geral do Estado (AGE) Ao longo do presente estudo foi demonstrada a atuação do Órgão Central de Controle. 209. Vide: SILVA. Lino Martins da. pode-se concluir que. já que até o momento ainda não se conseguiu implantar os Grupos de Revisão de Relatórios e de Trabalhos nas Contas do Governador. 5ª ed. operadas por diversos órgãos do Governo. Neste aspecto. salienta-se que a criação de uma Controladoria 59 (abarcando também a AGE). à medida que este órgão teria mais facilidade para se comunicar com a estrutura administrativa do Estado. Assim sendo. quando o mais recomendável seria estar subordinada ao Governador. visando coletar informes sobre todos os eventos que afetassem ou pudessem afetar o patrimônio. os serviços desenvolvidos pela AGE têm seus esforços prejudicados por falta de estrutura adequada. cria um sistema de controle interno-integrado. pois os trabalhos de auditoria provavelmente gozariam de maior independência. 59 .

para promover o saneamento de questões que apresentam reflexo no Balanço Patrimonial. tais como: exame das licitações. d) adotar o método de Equivalência Patrimonial como critério para a avaliação das Participações Societárias. 3. apesar das inúmeras competências legais que lhe são atribuídas. do controle orçamentário. 93 . exarando diversas ressalvas e determinações. tais como as elencadas a seguir: a) proceder à Consolidação dos Balanços. órgão que em conjunto com a ALERJ forma o Sistema de Controle Externo do Estado. o estudo conclui que o Controle Externo coopera expressivamente para a melhoria de evidenciação do Balanço Patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. relacionados aos ativos e passivos do Estado. patrimonial e operacional. restando ainda outras. incluindo as novas e amplas advindas da Lei de Responsabilidade Fiscal. f) registrar os passivos omitidos identificados. restou comprovado que o TCE-RJ exerce o controle patrimonial. direitos e obrigações do Estado do Rio de Janeiro. e g) adotar controles internos. restou comprovada a preocupação da AGE em relação ao correto registro dos saldos de contas patrimoniais. dos atos de pessoal.Hipótese 4: Cooperação do Controle Externo De acordo com o avaliado ao longo do estudo. c) sanear os problemas de controle e saldos que envolvem a dívida interna e os bens imóveis do Estado. destacando-se a revisão dos critérios de Consolidação de Balanços adotados pelo Estado. trazendo reflexos sobremaneira positivos para a correta evidenciação do Balanço Patrimonial. não podendo deixar de mencionar. bem como melhorar os já existentes. que deve aperfeiçoar o controle de algumas questões.Mop/Rev61 Embora possua limitações organizacionais. entretanto. Não obstante. o TCE-RJ. demonstrando que este órgão de auditoria é imprescindível para o aperfeiçoamento do Balanço Patrimonial e o correto registro dos bens. financeiro. quando da emissão de seus pareceres prévios. e) reclassificar contas escrituradas em rubricas indevidas. contábil. vem envidando especial atenção à fiscalização dos ativos e passivos do Estado.4 . b) elaborar estudos e contabilizar o Passivo Atuarial. Desta maneira.

não contempla os recentes progressos da Contabilidade. é essencial que a nova norma legal a ser editada em substituição à Lei nº 4. De fato. sugiro a elaboração de um estudo destinado à avaliação dos Balanços Patrimoniais da União em conjunto com os de alguns estados e grandes capitais. da Constituição da República Federativa do Brasil é um dos obstáculos para a melhoria qualitativa e quantitativa dos Balanços Patrimoniais Governamentais.320/64. incluir em seus ditames a obrigatoriedade de aderência aos Padrões de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs). Controle Interno. passivos e situação patrimonial. vigentes no país. a exemplo da Argentina.Mop/Rev61 4 . da 94 . mutatis mutandis. independentemente de estarem contemplados ou não na legislação pátria. inicialmente foi revista a literatura relacionada à Contabilidade Governamental. bem como apontar as técnicas de evidenciação mais adequadas e qual é a extensão necessária das Notas Explicativas. restou claro que a legislação que trata da matéria no Brasil precisa evoluir para. No intuito de atingir o escopo proposto. todos apresentados em moeda de poder aquisitivo de 30/06/01. princípios e normas contábeis não contempladas pela legislação deve merecer. por já vigorar a quase 40 (quarenta) anos. Porém. além da necessidade premente quanto à edição de nova Lei Complementar. em razão da avaliação das normas que regem o ramo da Contabilidade enfocada. usuários da Contabilidade. Com efeito. evidenciação. para fins de melhor comparabilidade. importância idêntica ao arraigado apego aos aspectos estritamente legais que se observa no momento. A pesquisa teria como escopo identificar os melhores métodos adotados para o registro dos ativos. 5 . Considerando o exposto. a defesa de critérios. no Estado do Rio de Janeiro e no exterior. artigo 165. à medida que forneceria elementos para a adoção das melhores práticas aplicáveis para a elaboração e apresentação dos Balanços Patrimoniais. México. até o presente o Congresso Nacional não editou nova lei para substituir a Lei nº 4. O estudo sugerido poderá ser de grande valia para os diversos governos nacionais. ao menos.320/64 que. mesmo considerando os avanços já trazidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Outrossim. cumprindo o previsto no § 9º. Controle Externo e Balanço Patrimonial. corrigidos com base na variação do IGP-DI. Espanha e Estados Unidos.SUGESTÕES PARA PESQUISAS RELACIONADAS A BALANÇOS PATRIMONIAIS GOVERNAMENTAIS O estudo em tela apontou que a não regulamentação do previsto no § 9º. é essencial que a cultura dos profissionais que atuam na Contabilidade Governamental evolua. Nesta etapa. exercícios findos em 31/12 de 1996 a 2000 e semestre encerrado em 30/06/01.CONCLUSÃO O presente estudo chega ao fim relacionando as principais conclusões resultantes dos exames dos valores contabilizados nos Balanços Patrimoniais do Estado do Rio de Janeiro. artigo 165.

Por sua vez. Posteriormente. Cumpre destacar. iniciado o estudo de caso. criando uma Controladoria do Estado do Rio de Janeiro subordinada diretamente ao Governador. e f) melhorar os controles internos e os sistemas de informações. com fulcro nos exames levados a efeito.Mop/Rev61 Constituição Federal. o estudo considera que algumas decisões. prejudicando o desempenho de suas funções de registro de ativos e passivos. Estes foram os principais fatores para que o Ativo Real Líquido de R$ 5.4 bilhões em 30/06/01. registrado em 31/12/96. direitos e obrigações. super ou subavaliação de bens. a saber: a) observar os Princípios de Contabilidade Geralmente Aceitos (PCGAs) na elaboração dos Balanços Patrimoniais. As análises levadas a efeito concluíram que embora a CGE observe as normas legais. c) reavaliar os critérios de consolidação aplicados ao Balanço Patrimonial. diversas falhas identificadas no estudo foram apontadas pela AGE e pelo TCE-RJ. direitos e obrigações do Estado do Rio de Janeiro. considerando que diversas operações que afetam ou podem afetar o patrimônio do Estado em muitas ocasiões não são informadas à CGE. o trabalho avaliou a quantidade e a qualidade das informações contidas nos Balanços Patrimoniais fluminenses. d) modificar a atual estrutura de Contabilidade e Controle Interno. bem como o reconhecimento contábil de passivos gerados em determinado exercício. visando melhor informar à CGE sobre quaisquer operações que possam resultar em modificações patrimoniais do Estado. As análises identificaram a omissão de passivos. mas escriturados apenas em períodos posteriores aos de sua competência. De fato. contenha dispositivos que ampliem a evidenciação e atendam aos diversos usuários da Contabilidade Governamental. À guisa de conclusão. se adotadas. poderão melhorar qualitativa e quantitativamente o Balanço Patrimonial do Estado do Rio de Janeiro. o exame das ressalvas exaradas pelo Controle Interno e pelo Controle Externo demostrou a importância destes sistemas para o adequado cumprimento da legislação e a correta retratação dos Balanços Patrimoniais do Estado. 95 . que os sistemas de informação do Estado devem ser aperfeiçoados. se transformasse em um Passivo Real Descoberto de R$ 52. identificando que as mesmas não eram suficientes e adequadas. é necessário que sejam adotados procedimentos adicionais objetivando melhor apresentar os bens.2 bilhões. entretanto. b) elaborar Notas Explicativas mais abrangentes. e) valorizar os serviços de Contabilidade e Auditoria do Estado.

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ou desativadas ou subutilizadas por falta de equipamentos e até mesmo de pessoal necessário para o seu funcionamento. Para esta “parceria”. Assim. que tenham sua atuação voltada para a prestação de serviços de saúde. como serviço público. Para o desenvolvimento das ações de saúde. mormente no atendimento hospitalar. sob a forma não exclusiva. os serviços prestados pelo Estado. para nele instalar um hospital. naquele hospital. mormente em áreas municipais. vamos partir de uma hipótese fática. o que reclama constantemente a parceria com o setor privado. ou seja. Para uma delimitação desse estudo. 102 . e que a partir de então passariam a realizá-los de forma universal. é necessário dotá-lo de toda uma equipe de profissionais. assim construída: um Município recebe do Estado um prédio preparado e equipado. têm tido a sua execução cada vez mais transferida ao setor privado. cada vez mais requisitados pela população e que vêm demonstrando a deficiência estatal em sua consecução.PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PÚBLICO ATRAVÉS DE ORGANIZAÇÕES SOCIAIS E ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO NEILTON FERREIRA MACHARETE Técnico de Controle Externo A reforma administrativa do aparelho do Estado. tem na introdução e alteração de normas no âmbito da Constituição da República e das leis uma de suas etapas necessárias. Nesse sentido. partimos da possibilidade desses hospitais (imóveis e equipamentos) serem encampados ou transferidos para setores privados. Dentre esses serviços públicos não exclusivos. surgindo daí a indagação para qual se busca uma solução nos diversos institutos jurídicoadministrativos colocados à disposição do intérprete. vemos com destaque neste estudo os de prestação de saúde. vêm ganhando contorno de modernidade as chamadas organizações sociais – OSs e as organizações da sociedade civil de interesse público – OSCIPs. no Brasil. a par de diversas figuras já utilizadas para a “privatização em sentido amplo” dos serviços públicos não exclusivos. Não é raro observar-se unidades hospitalares.

X (serviço postal e correio aéreo nacional). Curso de direito administrativo. Entretanto. inc. a auto-executoriedade. fluviais e lacustres). aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária). Obra citada. que segundo Celso Antônio Bandeira de Mello é “toda a atividade de oferecimento de utilidade ou comodidade material fruível diretamente pelos administrados. art. 2001. são necessárias algumas digressões. que se dá com a submissão ao princípio da legalidade. a resposta que inevitavelmente aflora é de que. 205 e 208 (educação). Tem-se.MELLO. inclusive buscando a correta conceituação do serviço a ser prestado. 21. 2 . a questão não deve ser respondida de forma açodada. e de caráter permanente. sob um regime de Direito Público – portanto. “de nada adiantaria qualificar como serviço público determinadas atividades se algumas fossem regidas por princípios de Direito Público e outras prestadas em regime de economia privada”. a presunção de legitimidade dos atos praticados. E ainda: “É por isso que noções como ‘serviço público econômico’. alínea “e” (transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros). a continuidade. serviço público estatal prestado sob regime fundamentalmente de Direito Privado). por ser a atividade de prestação de saúde (hospitalar) pelo Município típica de Estado. alínea “d” (transporte ferroviário e aquaviário). a revogabilidade e a unilateral declaração de nulidade. 597. 13a ed. mas ao contrário. que devem ser criados por lei específica.MELLO.” 1 Um ponto importante nesta definição é o termo “regime de Direito Público” ou “regime administrativo”. Celso Antônio Bandeira de. instituído pelo Estado em favor dos interesses que houver definido como próprios no sistema normativo. 1 . p. prestado pelo Estado ou por quem lhe faça às vezes. São Paulo: Malheiros Editores. XI (telecomunicações). p.Quais são os instrumentos postos à disposição do Município para. alínea “b” (energia elétrica). por exemplo (isto é. Celso Antônio Bandeira de. inc. alínea “a” (radiodifusão sonora e de sons e imagens). alínea “c” (navegação aérea. a possibilidade de constituir obrigações por ato unilateral. não servem para nada. portanto. consagrador de prerrogativas de supremacia e de restrições especiais –. utilizandose do imóvel cedido pelo Estado (a que título for). há que ser realizado concurso público para provimento dos cargos.” 2 Alguns serviços são públicos por determinação constitucional (para a União): art. que tal deve ser tido como sendo um “serviço público”. 194 (seguridade social) e arts. XII. 103 . inc. Segundo o mesmo autor acima citado. dotá-lo do pessoal técnico e administrativo capaz de prestar os serviços públicos de saúde? Numa primeira análise. 601. alínea “f” (portos marítimos.

23. e serviços públicos quando exercidos pelo Poder Público (em regime de Direito Público). sempre através de licitação. Como regra. São os serviços públicos não privativos (não exclusivos). São Paulo: Malheiros editores.Muitos são de alçada dos Estados. p. inc. dispõe sobre a possibilidade da permissão ser “revogada” pelo poder concedente a qualquer momento. V (cultura e educação). Celso Antônio Bandeira de. por meio da concessão de serviços públicos. chamados também de serviços públicos sociais. inc.Eros Roberto Grau entende que o termo atividade econômica em sentido amplo é subdividido em serviços públicos e atividade econômica em sentido estrito (A ordem econômica na Constituição de 1988. a prestação de serviços públicos. há serviços públicos que podem ser prestados por particulares sem a necessidade de concessão do Estado. 3 .987/95. que não serão. inc. 175 da Constituição dispõe que: Art. art. IX (construção de moradias. 5a ed.incumbe ao Poder Público. Os serviços públicos privativos (exclusivos do Estado) são prestados diretamente ou mediante concessão de serviços públicos. diretamente. Obra citada. 104 . na forma da lei. A Lei 8. mas sob garantia contratual de um equilíbrio econômico-financeiro. remunerando-se pela própria exploração do serviço. 4 . Todavia. habitação e saneamento básico). atividades econômicas em sentido estrito. que “é o instituto através do qual o Estado atribui o exercício de um serviço público a alguém que aceita prestá-lo em nome próprio. Mesmo não havendo total liberdade. inc. p. então. II (saúde). do Distrito Federal e dos Municípios: art. o terceiro. ou sob regime de concessão ou permissão. pode existir ainda a permissão de serviços públicos. como a educação e a saúde. 4 O caput do art. à sociedade. nas condições fixadas e alteráveis unilateralmente pelo Poder Público.MELLO. 2000. Nesse ponto surge a diferenciação que os autores não se cansam de ensinar: o Estado é o primeiro setor. 175 . que podem ser considerados como atividades econômicas em sentido estrito quando executadas por particulares. 622. o legislador ordinário pode qualificar certas atividades como “serviços públicos”. 3 Certos serviços públicos podem ter sua gestão repassadas para particulares. 134). que tem caráter mais precário que a concessão e é utilizada normalmente em casos onde o permissionário não tem que se comprometer com investimentos de grande monta e nem alocar muito capital. 2º. por fim. em geral e basicamente mediante tarifas cobradas diretamente dos usuários do serviço”. IV. por sua conta e risco. cabendo ao mercado o segundo setor e.

entende-se o terceiro setor como o conjunto das entidades da sociedade civil. ao longo do tempo. É importante saber que o projeto federal. muitas vezes inseridas no âmbito das políticas públicas. g.637. reconhecidas. convertido em medida provisória e depois em lei (Lei 9. sem fins lucrativos. que independem de concessão ou permissão do Poder Público. de 15 de maio de 1998 Trata-se de um mecanismo novo no Brasil. São pessoas jurídicas estruturadas sob a forma de fundação privada ou associação sem fins lucrativos.. Essas entidades são percebidas como uma forma de parceria do Estado com as instituições privadas de fins sociais ou. de 15 de maio de 1998.027/97. de 15 de maio de 1998). mas este pode ser titularizado. devidamente organizada. sob outro ângulo. O projeto elaborado pelo Poder Executivo Federal. Lei 5. servirá de fundamento para as definições e afirmações adiante expostas.Assim. Pará. Lei 7. Uma definição operacional das organizações sociais pode ser formulada nos termos seguintes: as organizações sociais são pessoas jurídicas de Direito Privado. Aqui cabe um alerta: o interesse público não é monopólio do Estado. Como exemplo de entidades não estatais. voltadas para atividades de relevante valor social. Bahia. vamos tratar das chamadas organizações sociais e das organizações da sociedade civil de interesse público – OSCIP. revogada).637. de conteúdo e forma. para o desenvolvimento de ações de interesse público. uma forma de participação popular na gestão administrativa. sob critérios específicos. adotado em diversos Estados da Federação e transformado em lei estadual com algumas alterações (v. dentre as existentes. Por natural. Não existe uma definição legal das organizações sociais no plano federal no Brasil. Ser 105 . que lhe alteraram profundamente a compostura. sofreu reformulações. sem embargo de uma continuidade firme nos propósitos básicos. sempre do interesse geral. cujos objetivos refletem-se na execução de atividades meritórias e de alcance coletivo. a cargo de uma esfera federada. Organizações Sociais – Lei 9. por entidades não estatais. criadas por iniciativa de particulares segundo modelo previsto em lei. uma vez que nos parecem as que mais se aproximam da solução que buscamos. fiscalizadas e fomentadas pelo Estado.980/96. também. O texto final da Lei 9. O modelo brasileiro das organizações sociais representa uma das respostas possíveis à crise do aparelho do Estado no âmbito da prestação dos serviços sociais.637. não contempla conceituação sintética de organização social. cabe ao Poder Público velar pela primazia. Não são um novo tipo de pessoa jurídica privada nem entidades criadas por lei e encartadas na estrutura da administração pública.

os traços diferenciais básicos são os seguintes: 106 . São traços comuns às duas entidades: a) a iniciativa privada voluntária na sua criação e na sua constituição. mas possuir um título jurídico especial. as organizações sociais são juridicamente entidades bastante semelhantes às tradicionais entidades privadas declaradas de utilidade pública. isenções e contribuições do Estado.organização social. mas com elas não se identificam de modo completo. g) a necessidade de reconhecimento formal por parte do Estado. d) o recebimento de favores especiais. As organizações sociais. i) a submissão ao regime jurídico das pessoas de Direito Privado. f) sujeição ao controle do Tribunal de Contas e à supervisão do Ministério Público. no entanto. com derrogações de Direito Público. Esses requisitos são de adesão voluntária por parte das entidades privadas e estão dirigidos a assegurar a persecução efetiva e as garantias necessárias a uma relação de confiança e parceria entre o ente privado e o Poder Público. apresentam também características especiais que as distinguem de modo parcial das tradicionais entidades privadas declaradas de utilidade pública. De fato. h) a destinação legal do patrimônio social a outra entidade de mesma natureza. não significa apresentar uma estrutura jurídica inovadora. não sendo permitido seja o patrimônio repartido entre os membros da instituição. e) a submissão a uma vigilância especial e a limitações de ordem administrativa que vão além do simples poder de polícia exercido sobre as demais pessoas privadas. b) a existência de limites gerais à livre constituição e funcionamento dos órgãos de direção ou gerência como requisito para o exercício de ato posterior de reconhecimento ou qualificação. c) a afetação a uma finalidade de interesse público ou socialmente relevante. conferido pelo Poder Público em vista do atendimento de requisitos gerais de constituição e funcionamento previstos expressamente em lei. segundo um procedimento especial regulado em lei. por isso. Em resumo. subsídios. em caso de extinção da entidade.

Não serão instituídas por lei nem custeadas na sua integridade. sujeição da entidade à publicação anual no Diário Oficial da União do relatório de execução do acordo ou contrato de gestão (relatório gerencial das atividades desenvolvidas. respondendo apenas pela execução e regular aplicação dos recursos e bens públicos vinculados ao acordo ou contrato de gestão que firmarem com o Poder Público. devendo sua constituição jurídica à iniciativa voluntária de indivíduos. também como um requisito da qualificação. b) o trespasse de bens e recursos públicos nelas está condicionado à assinatura de contratos de gestão com os órgãos competentes da administração pública federal. e) o estatuto ainda deve prever que a entidade estará sujeita a controle externo de resultados. como requisito de qualificação. como requisito para permitir o ato posterior de qualificação pelo Poder Público. e não apenas do relatório formal da contabilidade da entidade). g) as entidades poderão também absorver atividades e contratos de entidade extintas. Serão entidades privadas reconhecidas pelo Estado. inclusive prevendo a participação necessária de representantes do Estado. desde que a extinção tenha sido realizada por lei específica. também quando autorizados por lei. 107 . bem como os seus símbolos designativos. regras rígidas de reforma das finalidades sociais. especialmente destinado à verificação do cumprimento do contrato ou acordo de gestão firmado com o Poder Público. pelo Poder Público. no modelo proposto. nem sucessoras necessárias de entidades públicas extintas. realizado por comissão de avaliação composta por especialistas de notória qualificação. apoiadas pelo Poder Público. As organizações sociais. de modo necessário. Não estarão sujeitas à supervisão ou tutela da administração pública direta ou indireta. periódico e “a posteriori”. nem titularizarão qualquer espécie de prerrogativa de Direito Público. Podem ser reconhecidas ou qualificadas como tais independentemente da extinção de qualquer ente público existente. bem como regras para a definição impessoal das regras a serem adotadas para a remuneração do pessoal da entidade e para o sistema de compras. c) o estatuto deve prever. desde que estes sejam seguidos obrigatoriamente do símbolo OS.a) os seus estatutos devem prever e adotar determinado modelo de composição para os seus órgãos de deliberação superior. Não serão criaturas do Estado. à semelhança das atuais entidades de utilidade pública. Não gozarão de prerrogativas processuais especiais ou prerrogativas de autoridade. f) as entidades poderão utilizar bens materiais e recursos humanos de entidades extintas do Estado. não serão autarquias veladas. d) o estatuto deve prever.

Quarto. Poderão ainda ser operados em regime de co-gestão. Segundo. sempre sob a fiscalização e supervisão imediata do Estado. dos serviços públicos e dos serviços de assistência social de interesse coletivo. Terceiro.As organizações sociais tampouco serão forma de privatização de entes públicos. públicos ou privados. mas não deter o domínio de todos os hospitais necessários. continuando os bens a integrar o patrimônio da União. Nesta nova ordem de idéias. assegurados de forma imparcial pelo Estado. No modelo das organizações sociais esses pressupostos não comparecem. demandará do Poder Público apoios e subvenções. tem-se que o Estado não deve nem tem condições de monopolizar a prestação direta. mediante a formação de consórcios intergovernamentais ou entre o Poder Público e pessoas jurídicas privadas. Precisa garantir a prestação de serviços de saúde de forma universal. Neste contexto. porque o ato de qualificação de uma entidade como organização social independe de qualquer extinção prévia ou posterior de ente público. o trespasse de um ente do domínio estatal para o domínio particular empresarial. patrimonial ou de pessoal quando vier a qualificar ou permitir o uso de bens públicos por organização sociais. O Estado deve permanecer prestando-os diretamente quando não encontre na comunidade interessados que os efetivem de modo mais eficiente ou econômico ou quando razões ponderáveis de justiça social ou segurança pública determinem sua intervenção. Privatização pressupõe uma transferência de domínio. porque os contratos ou acordos de gestão que o Estado firmar com as entidades qualificadas não terão nem poderão ter finalidade ou natureza econômica. mas não necessariamente realizados pelo aparato do Estado. convergindo para uma finalidade de natureza social e de interesse público. tendo em vista o objetivo comum de persecução do interesse público. uma transação de natureza econômica e uma retração do Poder Público em termos de inversão de recursos e em termos quantitativos de pessoal. Não prover diretamente não quer dizer tornar-se irresponsável perante essas necessidades sociais básicas. porque quando as entidades qualificadas recebem prédios ou bens públicos como forma de apoio ou fomento por parte do Estado não há transferência de domínio. mas não estatizar todo o ensino. “O Estado deve ser regulador e promotor dos serviços sociais básicos e econômicos estratégicos. isto é. A instituição qualificada. Os serviços sociais devem ser fortemente financiados pelo Estado. porque o Estado não apresentará qualquer retração financeira. precisa assegurar o oferecimento de ensino de qualidade aos cidadãos. como associações ou consórcios de usuários. inclusive públicos não estatais. executiva. A relação entre as organizações sociais e o Poder Público deve ter fundamento numa ética da solidariedade e numa ética do serviço. Primeiro. Estes podem ser geridos ou executados por outros sujeitos. pelo contrário. Não se trata de reduzir o Estado a mero ente regulador. mas simples permissão de uso. crescem 108 . fundações e organizações não governamentais sem fins lucrativos. cuja realização obrigatoriamente não pode objetivar o lucro ou qualquer outro proveito de natureza empresarial.

Ademais.790. a denominação de “Lei do Terceiro Setor”. que recebeu. o primeiro passo no procedimento de instituição de uma entidade que se pretende qualificar como OSCIP será o de bem delinear o seu objeto de atuação. que. que a torna apta a celebrar o termo de parceria. 3º. organizada sob a forma de associação.de importância os denominados entes 'públicos não-estatais' . enquadrando-o com precisão no âmbito do mencionado art. (BRESSER PEREIRA. O ato de qualificação tem natureza vinculada. uma vez atendidos os requisitos formais. de 30 de junho de 1999). em 23 de março de 1999. o art. 4º. cujo regramento jurídico encontra-se traçado na referida norma e em seu decreto regulamentador (Decreto 3. Acrescente-se que não há exigência de interstício para a qualificação. recebeu do Poder Público uma qualificação especial. sem desnaturar o seu caráter de gestão privada. sociedade civil ou fundação. pelo qual pode receber recursos públicos para o desenvolvimento de suas atividades de interesse público. ou seja. não se vinculará 109 . CUNIL GRAU. 1997: 25-31. A seguir.100. ou não. a organização da sociedade civil de interesse público – OSCIP. 2º da lei veda a concessão do título a um elenco de categorias institucionais. em seu artigo 3º. coloquialmente. entre elas as entidades criadas pelo Poder Público. de 23 março de 1999 No bojo do movimento de prestígio do terceiro setor. arrola as áreas de atuação das entidades que podem receber a qualificação de OSCIP. deve-se cuidar de verificar se não se trata de uma entidade que possa estar incluída na lista do art. 1996: 126-137)” (grifei) Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIPs – Lei 9. deve-se requerer ao Ministério da Justiça a qualificação como OSCIP. deve-se cuidar para que o ato estatutário da entidade atenda aos requisitos impostos pela Lei 9. em virtude de seu objeto institucional. conforme o seu art.790. e os seus dirigentes podem ser. Assim. remunerados. sem qualquer interferência estatal em sua gestão. Desse modo o seu pessoal será o da CLT. a autoridade não pode deixar de conceder o título e respectiva qualificação. implementando a institucionalização de uma nova categoria de entidade. 2º. Uma vez criada a instituição. Para tanto.790/99. A lei citada. O regime jurídico de funcionamento da OSCIP é o de Direito Privado. A OSCIP conceitua-se como uma entidade de Direito Privado sem fins lucrativos. atendidos esses requisitos e cautelas. isto é. a entidade recém-criada pode requerer a titulação. a Lei 9. o Governo Federal editou. sem obrigatoriedade de concurso público para o seu ingresso. 1996: 285-87.

por natural. no nível federal. em suma. compromete-se ao desempenho de certas tarefas. pois a Lei n. nada se lhe aplica do regime juridico-administrativo próprio das entidades que integram a administração pública. que serão acompanhadas e avaliadas. 9º e seguintes do diploma legal aludido e. de forma a se ter o velamento constante da sociedade. representa uma evolução do antigo convênio. Mas.º 9. têm no interesse público o móvel de suas atividades. no modelo atual. mas sim a conjugação de esforços para a realização de um objetivo altruístico comum.790/99 tem caráter nacional. Mediante o termo de parceria. é obrigação de todos que porventura tenham gestão de recursos desta natureza. mais importante.º 9. com os convênios. o que pode ocorrer ou não.790/99. pois não se trata de um contrato. a OSCIP pode receber recursos financeiros do orçamento da pessoa política. pelo que não há necessidade de lei estadual ou municipal para se autorizar a celebração do termo de parceria. bem como cessão de recursos materiais e humanos. que sempre integra esses órgãos colegiados. Ressalva-se. para a verificação do alcance das metas acordadas e do nível de desempenho da OSCIP.790/99 alude a um concurso de projetos. seus contratos são de Direito Privado. 110 . Nesse passo. Estados federados e Municípios. o título de OSCIP tem validade perante toda a estrutura federal nacional. este concebido para órgãos ou entidades do Poder Público. Assim já ocorre. estão aptos. o termo de parceria é um ajuste bilateral entre o Poder Público e a entidade privada para a consecução de finalidades comuns. reitera-se que para a celebração do termo de parceria não se impõe o prévio procedimento licitatório. tendo em vista que ambos os parceiros. que a OSCIP deverá prestar contas dos recursos públicos recebidos. no desenvolvimento cooperado de objetivos comuns. Esse instrumento encontra-se municiado nos arts. assim qualificadas. o decreto regulamentador da Lei n. pelo respectivo Conselho de Política Pública. Ainda que qualificada na órbita do Ministério da Justiça. À semelhança deste. nos termos da Constituição da República. em síntese. a sua contabilidade é a geral privada. Estado e OSCIP. o relacionamento entre o Poder Público e a OSCIP foi concebido para se operar mediante o denominado termo de parceria. como aliás.ao procedimento licitatório para as suas contratações e compras. e Distrito Federal. Portanto. desde logo. Contudo. Não se trata de um contrato. a celebrarem termos de parceria com as OSCIPs. ao arbítrio da autoridade. A idéia nuclear é a de cooperação. Para a celebração do termo de parceria não há necessidade de licitação. pois não há aquisição de um bem ou serviço. há muita semelhança entre o termo de parceria e o contrato de gestão. O que se exige é o acompanhamento da execução do termo de parceria pelo órgão público e. Em contrapartida. Nos termos da Lei 9. vale dizer.

criadas por iniciativa do Poder Público. Para solucionarmos o problema temos de citar um fenômeno que atinge o mundo do Direito já há algum tempo: a aproximação dos campos do Direito Público e do Direito Privado. são profundamente similares. aproxima-se no campo do Direito o público do privado. podem se beneficiar da transferência de recursos públicos. b) As OSCIPs são a publicização do privado. e. Atualmente. sem fins lucrativos. Pois bem. É como se estivéssemos olhando uma estrada de mão dupla: a estrada é a mesma. Contudo. embora formalmente as organizações sociais e as organizações da sociedade civil tenham a mesma natureza. ano 5 . Levam conceitos de Direito Público ao campo tradicional do Direito Privado: as relações e pessoas privadas.org.790/99. observando-se a mistura de conceitos e princípios antes considerados incompatíveis. Isso não se deve a nenhum programa governamental de privatizações. mas os carros vêm e vão para lados opostos. A Lei 9. As OSs. Não é à toa que esses dois modelos são confundidos: são carros da mesma marca. afinal. exemplificando o fenômeno de privatização do Direito Público. atuam no mesmo campo. www. por outro lado. é algo muito anterior.rits. de alguma forma.br 111 .637/98 e 9. Ao lermos as duas leis. Mas. basta falar do simples fato de que se manifesta. Trata-se das organizações sociais – OSs e das organizações da sociedade civil de interesse público – OSCIPs. Não precisamos gastar muito latim ou tempo explicando o quê e o porquê do fenômeno. não têm a mesma feição em origem e espírito. por estranho que pareça.790 é clara ao dizer que as organizações sociais não podem se qualificar como organizações da sociedade civil de interesse público. são entidades privadas. as OSs o contrário As OSCIPs “materializam” as teses de publicização do Direito Privado. pelas Leis 9. Os nomes das duas são parecidos. indicam a mesma idéia. Rede de Informações para o Terceiro Setor. vemos que são sociedades civis ou fundações. respectivamente. têm as mesmas limitações genéricas. em que são diferentes essas entidades? a) Um fenômeno do mundo do Direito: Direito Público e Privado se atraem. é comum se ouvir falar da publicização do Direito Privado e da privatização do Direito Público — fenômeno mundial —.MARTINS. duas leis criaram figuras jurídicas inéditas. têm objetivos que se não são idênticos. Entre os juristas. Paulo Hans. Aparentemente. não se confundem. nem como se manifesta. previstas.Diferença entre Organizações Sociais e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público 5 Recentemente.

substituindo os tradicionais convênios por um novo instrumento mais transparente e menos burocratizado. Ele terá a gestão da casa. d) Objetivos sociais de ambas Quanto aos objetivos sociais que possibilitam às entidades sem fins lucrativos se qualificarem como OSs ou OSCIPs. O motivo é simples: na prática. mas avançam em direções opostas. nasce para e por ele. entidades privadas previamente existentes. mantido. Na verdade. outra vez somos tomados por surpresas. 9º – Fica instituído o Termo de Parceria. É mais ou menos como se fossemos viajar por algum tempo e deixássemos nossa casa para ser cuidada por um irmão. Para as OSs. Veja o que diz a Lei 9. Ele indica que recursos públicos podem ser destinados a uma entidade. nas OSCIPs como se comportar Em relação à estrutura. que é cedido a ela pelo Estado. é passível de ser firmado. assim considerado o instrumento passível de ser firmado entre o Poder Público e as entidades qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (. mas..e cor que estão nesse momento no mesmo local da estrada. As OSCIPs têm que respeitar regras duras de caráter ético e comportamental. criadas espontaneamente na sociedade.637/98 com atenção verá que não há nela qualquer termo que se assemelhe ao “passível” da Lei 9. o contrato de gestão. a lei estipulou outra coisa. A OS tem a gestão de certo patrimônio público. a gestão do patrimônio público. O termo de parceria expressa outro ponto de vista. As normas que regulam a estrutura organizacional das entidades são poucas. é de se notar que as OSs têm objetivos bem mais limitados que as OSCIPs. e) Diferenças estruturais: para as OSs a lei diz o que se deve fazer.790/99: Art.790/99. não é para ser vendido. mas o bem não é transferido para ele. c) Termo de parceria e contrato de gestão Para as OSCIPs. sim. a lei instituiu o chamado termo de parceria.. a lei tenta regulamentar e dar nova forma às relações entre Poder Público e as organizações do terceiro setor.) O termo de parceria. 112 . mas essas regras são genéricas. mas. Quem ler a Lei 9. a entidade já nasce com o contrato de gestão. atuando em menos áreas e tratando de menos temas. não. O conceito de gestão é diferente daquele que deu origem ao termo de parceria. como diz a lei.

por incrível que pareça. devem ser representantes do Poder Público. à sua feição. Em resumo: os sócios são minoria ao decidir. É por isso que. se não estiver em jogo um interesse do Poder Público. iniciativas privadas que se aproximam do Poder Público e suas regras. as OSs podem ser entidades já existentes. para gerir patrimônio que continuará público. onde somente 10% a 20% são eleitos. a princípio. Calcule que isso possa ser feito. o “conselho de administração”. Como uma OS poderia funcionar. seriam de validade no mínimo duvidosa. na prática. os não sócios. minoritários no conselho de administração. por exemplo.Já na lei das OSs é marcante a presença de estipulações sobre o funcionamento. as OSCIPs seriam. financiado para que suportem iniciativas sem retorno econômico. Já a categoria de OSCIPs foi criada com a pretensão de tornar-se expressiva. e existem muito poucas ainda hoje em dia. elas dependem de iniciativa do Poder Público. a princípio. é formado obrigatoriamente por membros do Poder Público e representantes da sociedade civil. o patrimônio dela sendo gerido por uma entidade privada sem fins lucrativos. f) A presença do Poder Público: os sócios são minoria nas decisões das OSs A composição do corpo decisório da OSCIP é aquele definido nos seus estatutos. entidades privadas sem fins lucrativos. Mas. mesmo a simples composição do conselho de administração já seria de grande dificuldade de se tornar factível. Já as OSs seriam. De 20% a 40%. de fomentar a formação de um grupo numeroso de entidades a portar essa qualificação. representantes do Poder Público. O Poder Público somente está presente quando a lei manda ou quando o Poder Público decide estar presente. sendo formado normalmente pelos associados. antes do contrato de gestão? As decisões dos sócios. e o interesse social que despertam merece ser. Se assim não fosse. em grande parte. com alguma universidade federal. se não comparecessem o Poder Público e os “representantes” da sociedade civil. São entidades privadas que atuam em áreas típicas do setor público. No caso das OSs. g) Conclusão Claro que na lei das OSs não há referência à obrigaritoriedade de que a entidade deva ser criada. convenhamos. o conceito de OS foi criado como exceção. eventualmente. teoricamente. Assim. Dessa forma o Estado 113 . o corpo decisório. É curiosa também a composição percentual dos membros desse “conselho de administração”. criadas pelo Poder Público. Resumindo. de que ela seja nova. Por fim. mandam. órgãos da entidade e deliberações obrigatórias. não seria possível na prática (ou no Direito) contar com a presença do próprio Poder Público no conselho de administração.

através de programas. planos de ação. pois o Estado abandona o papel de executor ou prestador direto de serviços. sendo chamadas a atuar na melhoria da eficiência e eficácia dos serviços oferecidos ao cidadão. ao mesmo tempo. sem correr o risco de perder o poder sobre seu patrimônio. Constituem uma inovação institucional. independentemente da titularidade do hospital (imóvel).” Por outro lado. 114 . podemos ainda concluir que. bem como da responsabilidade pelo seu funcionamento e gerenciamento. que conforme acima já dito é de fácil solução política. Uma é o espelho da outra: o que para uma é o braço direito. é prevista a “promoção gratuita da saúde. as chamadas “organizações sociais” gozam de uma autonomia administrativa maior do que aquela possível dentro do aparelho do Estado. O controle social.. por outro lado. torna-se mais fácil e direto por meio da participação nos conselhos de administração dos diversos segmentos representativos da sociedade civil. Esse processo configura um marco na transição de atividades estatais para o terceiro setor. mantendo-se entretanto no papel de regulador e provedor ou promotor destes. uma interpretação que se pode tirar é que tais se prestam ao cumprimento de uma atividade complementar.. elas se obrigam a celebrar um contrato de gestão. passando a subsidiálos e buscando. podemos concluir que o modelo de gestão pode ser realizado através de uma organização social ou de uma OSCIP especialmente criada para tal finalidade. Pela leitura detida da legislação que cria as chamadas OSCIPs. criar-se uma “associação” com fins específicos e estatutos adaptados ao que se pretende. E no caso que nos interessa (saúde). observando-se a forma complementar. devendo ser qualificadas como tal mediante decreto para se habilitarem a receber recursos financeiros e a administrar bens e equipamentos do Estado. inicialmente.está sem dúvida alguma tentando ganhar maior agilidade ao fugir de sua própria burocracia. Por tudo já exposto até então. Em contrapartida. seja qual for a esfera administrativa em que se enquadre. há que. o controle social direto e a participação da sociedade. O controle da aplicação dos recursos públicos que estão sendo transferidos a essas instituições se faz por meio da verificação dos resultados alcançados em relação às metas estabelecidas no contrato de gestão. por meio do qual são acordadas metas de desempenho que buscam assegurar a qualidade e a efetividade dos serviços prestados ao público. se estadual ou se municipal. A implementação de organizações sociais permite incentivar a produção pela sociedade de bens ou serviços públicos não-exclusivos de Estado. Seja qual for a forma escolhida. para outra é o esquerdo.

através de contratos de gestão. com vistas à prestação de serviços de saúde. A opção por qual entidade deverá ser utilizada para os objetivos que se pretende deve ser objeto de um maior estudo. nos termos autorizados por lei do Município de Jaguariúna-SP. sem fins lucrativos. mas também e fundamentalmente aos posicionamentos políticos. administram estabelecimentos hospitalares. cujos modelos devem merecer atenção especial. mas também de convênios ou contratos com instituições governamentais e/ou privadas. Como exemplo podemos citar a qualificação da Associação Santa Maria de Saúde como organização social. Por fim. firmados com o Poder Público.Nada impede ainda que a “associação” criada preveja em seus atos constitutivos que os recursos financeiros necessários à sua manutenção serão obtidos não só de “contrato de gestão” (se for o caso). para custeio. que não pode se restringir apenas aos aspectos técnicos. as quais. com foco especial nas ações de prestação de saúde. bem como do Serviço Social Autônomo Associação das Pioneiras Sociais (Rede Sarah). uma vez que sua atuação haverá de ser intermunicipal. deixamos claro que tal estudo teve como objetivo traçar uma visão do chamado terceiro setor. desenvolvimento e/ou execução de projetos de interesse na área de atuação da associação. 115 .

rits.306. 2001 11 . 2 .Ministério da Ciência e Tecnologia. de 19 de julho de 1996 – dispõe sobre as entidades qualificadas como Organizações Sociais (Estado do Pará) 4 .Estatuto Social da Associação Santa Maria de Saúde 8 . www.Lei 8.Lei 9. Eros Roberto.Lei 9.MELLO. Organizações Sociais e Contratos de Gestão.Ata de Constituição da Associação Santa Maria de Saúde 7 .mct. de 23 de março de 1999 – Dispõe sobre a qualificação de pessoas jurídicas de direito privado.br 116 . Celso Antônio Bandeira de. de 15 de maio de 1998 – Dispõe sobre a qualificação de entidades como Organizações Sociais.980. www.br 13 . 13a ed.org. A ordem econômica na Constituição de 1988. São Paulo: Malheiros Editores. Rede de Informações para o Terceiro Setor.790.637. Curso de direito administrativo.246.Lei 1.GRAU.Lei 7.027.gov.BIBLIOGRAFIA 1 . 5a ed. sem fins lucrativos.MARTINS. como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP 3 . de 22 de outubro de 1991 – autoriza o Poder Executivo a instituir o Serviço Social Autônomo “Associação das Pioneiras Sociais” (Rede Sarah) 9 .Lei 5.Contrato de Gestão celebrado entre a União e a Associação das Pioneiras Sociais (Rede Sarah) 10 .647/03 5 . revogada pela Lei 8. Paulo Hans. de 29 de janeiro de 1997 – Institui o Programa Estadual de Incentivo às Organizações Sociais e dá outras providências (Estado da Bahia). São Paulo: Malheiros Editores 12 . de 16 de janeiro de 2001 – Dispõe sobre a qualificação de entidades como organizações sociais e demais providências do Município de Jaguariúna-SP 6 .

5 .Previsão no ordenamento jurídico. 5 . 1 .1 .2 .4 .2 .6 .Capacidade contributiva.Não-cumulatividade.4.Circulação de mercadorias.3 .3.3.Considerações iniciais. 4.Alcance do instituto.Efeitos econômicos da tributação pelo ICMS. 3.3 . que pode ocorrer com ou sem *Professora Substituta da Faculdade de Direito da Universidade Federal fluminense 117 .1 . 5.Reflexões sobre a possibilidade de violação do pacto federativo.1 . 3. 4. 4.Alíquota aplicável na tributação pelo ICMS. 7 .Evolução do ICMS.4 . 5.4. 5.Convênio entre os Estados como requisito específico.Fator gerador.1 . 3.Princípio da seletividade.Princípio da vedação ao confisco. 5.As questões controvertidas da substituição tributária. 4. com retirada da autonomia financeira. 5. sendo seu objetivo precípuo a demonstração de como se adotar esse mecanismo verificando a sua compatibilidade constitucional refletida nos seus múltiplos aspectos legais doutrinários e jurisprudenciais. 3.INTRODUÇÃO O presente estudo se propõe a desenvolver uma análise reflexiva em torno da tributação do ICMS e das conseqüências da aplicabilidade do regime da substituição tributária.2 . 4.1 .2.Posicionamento jurisprudencial.Perfil constitucional do ICMS no sistema tributário nacional.Interpretação evolutiva.2 .3 . 3.Base do cálculo para fins de substituição.4 Entrada de bem ou mercadoria do exterior por pessoa física ou jurídica.2 .Prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal.A controvertida constitucionalidade da substituição "para frente". 3. 3 . 4.Autonomia: necessidade do exercício da competência tributária.Instituto da substituição tributária. 3. 4.Princípio da igualdade. 3. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto.7 .O Estado Federal.Conclusão.3.3 Elemento pessoal. 4 . 3.2 .3.Não incidências contitucionais do ICMS.1 .Prestação de serviços de comunicação. 6 .Modalidades de substituição.Legitimidade para promover a restituição.3 . 3.Bibliografia I . 3.Introdução.3.4. 5. 5.Evolução do regime de substituição tributária. 3.3.1 . Objetiva-se inserir no sistema de antecipação.Princípios constitucionais. 2 .3.4 .1 .2.3 .4 .2.A TRIBUTAÇÃO PELO ICMS E O REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA SABRINA NUNES IOCKEN SUMÁRIO: Resumo. 5.2. 3.2 . 3.

segundo o qual a obrigação tributária não existe enquanto não ocorrido o fato gerador. e a partir dela. portanto. o modelo obrigacional seria a única maneira de viabilizar a arrecadação fiscal. visto que o regime de substituição é aplicado extensamente na tributação do ICMS. mostrando o mecanismo de seu funcionamento e a legislação pertinente e suas modificações. citando conceitos básicos. sua evolução no ordenamento jurídico. a cláusula constitucional de repetição do excesso à luz dos princípios da capacidade contributiva. em especial. a tributação pelo ICMS. Assim. fazendo referência ao sujeito passivo e demais categorias imprescindíveis à melhor compreensão do tema desenvolvido. além das modalidades de substituição. há de ser balanceada a necessidade do Estado em simplificar e garantir o recolhimento do imposto. entretanto. A escolha do tema fez-se pela sua importância no âmbito jurídico nacional. É óbvio que não nos propusemos. surgiu o conceito de fato gerador. na qual o peso de cada princípio deve ser identificado pela ponderação. ou seja. além das hipóteses de incidência dos efeitos econômicos que dele decorrem. passou a ser visto como uma relação de direito. que outrora decorria de uma relação de força. o tributo. da isonomia e da vedação do excesso. esgotar a complexidade do importante assunto tratado. estamos conscientes de termos prestado uma colaboração para o seu entendimento.substituição.CONSIDERAÇÕES INICIAIS Ao final do século XIX. uma relação jurídica resultante das normas que disciplinariam a obrigação de entregar certa quantia de dinheiro aos cofres públicos. De acordo com esta linha de pensamento. Dentro de uma visão pós-positivista. Apresentamos. Este é o modelo clássico. A noção de obrigação tributária passou a assumir grande relevância. verificando. compreendida como mecanismo de garantia do pacto federativo. principal fonte de receita do Estado e através do qual este assegura a sua autonomia financeira. Enfocamos elementos técnicos que servem para a compreensão da substituição tributária. o perfil constitucional do ICMS. oferecendo novas linhas para futuras discussões doutrinárias. nesta análise. com as garantias do contribuinte estabelecidas constitucionalmente. 118 . II .

O fato imponível só ocorreria a posteriori. constata-se a relevância na aplicação do regime da substituição na tributação pelo ICMS. O objetivo é reduzir os locais que devam sofrer a ação da fiscalização. e o termo "fato legitimador" seria empregado no sistema de antecipação. plurifásico. é notória sua utilidade na aplicação do regime de substituição. uma vez que. o sistema da antecipação é opção legislativa. como Marco Aurélio Greco1. sem que. Entretanto. poder-se-ia utilizar o sistema de antecipação (com ou sem substituição). Sendo o ICMS um imposto que incide sobre a circulação de mercadorias. Logo. contudo. a adoção do regime da substituição em tributos plurifásicos facilita a fiscalização do Poder Público. Com efeito. deve fiscalizar o recolhimento do tributo em cada etapa do ciclo econômico. nasce a obrigação tributária. A expressão “fato gerador” seria apropriada para o sistema obrigacional.Greco. Substituição Tributária. a Constituição Federal. Este momento pode ser antecedente. alguns autores. o fato gerador tivesse ocorrido. São Paulo: IOB 119 . elege-se o momento no qual o tributo deva ser recolhido. Assim. o que na prática é inviável. ao atribuir competência em matéria tributária. Por isso. utilizam a nomenclatura de fato imponível para se referir ao gênero. de maneira que sua ocorrência legitimaria o recolhimento realizado anteriormente. pela via legal. ao adotar o regime obrigacional. no exercício desta competência. de maneira que a Administração possa efetivamente verificar se houve ou não o devido recolhimento do tributo. Mar5co Aurélio. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto.praticado o fato descrito pela lei tributária. que incide não apenas sobre a circulação de mercadorias. de forma a facilitar a apuração de eventual evasão fiscal. não exige que. mas também sobre a prestação de serviços de comunicação e de transporte interestadual e intermunicipal. em decorrência de tal fato surgirá a obrigação tributária. o qual comporta duas espécies: fato gerador e fato legitimador. pois. 1 . cabe ao legislador optar pelo modelo operacional arrecadatório que mais se coadune com os objetivos pretendidos pelo ente federativo. concomitante ou mesmo subseqüente ao fato gerador. o modelo criado seja exclusivamente o obrigacional. modelo operacional de arrecadação de tributos. imposto de competência estadual. através do mecanismo da substituição é possível eleger etapas do ciclo econômico em que o recolhimento deva ser efetuado. O fisco. De fato. de maneira que legitimaria a cobrança já realizada. Conforme doutrina Sampaio Dória. promulgada em 1988. e sobre a entrada de bens ou mercadorias importadas do exterior por pessoa física ou jurídica. quando da exigência do tributo. Assim.

alvo de grandes debates doutrinários. da igualdade tributária. visto que a hipótese de incidência passou a ser um indicativo da capacidade contributiva. viabilizou o desenvolvimento de uma política tributária. que ocorreu sob a égide do Ato Institucional nº 5. industriais e produtores.1 . A tributação.PERFIL CONSTITUCIONAL DO ICMS NO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL III. patrimônio e renda. Posteriormente. mister se faz a análise do perfil constitucional do ICMS. consultar Clarides Rahmeir. mas sim. foi. de tal sorte que os Estados deviam obediência às normas gerais de Direito Financeiro. produção e circulação. A edição do Decreto nº 406/68.RE 76. sobre todas e quaisquer operações relativas à circulação de mercadorias. estabelecidas no Decreto 406 de 1968. da vedação aos tributos confiscatórios entre outros. sobreveio o enquadramento de todos os impostos em três categorias econômicas: comércio exterior.11. a seu tempo. no contexto do Direito Tributário Nacional. III . De certo. em Estudo Técnico sobre a Lei Kandir.EVOLUÇÃO DO ICMS 2 Com o advento da Emenda Constitucional nº 18 de 1965 houve uma profunda transformação no sistema tributário brasileiro. O campo de abrangência do ICM foi ampliado. o que se observa ao constatar que a hipótese de incidência de tal tributo não mais se restringia ao conceito jurídico de vendas e consignações. cabendo ao pleno do Supremo Tribunal Federal3 pacificar o entendimento de que o respectivo decreto devia ser considerado como lei complementar em sentido material.1974. com base nestas categorias econômicas. a promulgação da Constituição Cidadã representou um aperfeiçoamento no sistema tributário nacional. Rel Aliomar Baleeiro. estadual e municipal).Sobre o tema. publicado em 29. ao unificar os sistemas tributários autônomos (federal. para posteriormente tecer considerações acerca do regime de substituição. que.723-SP Min. Inseriu-se entre as competências dos Estados o “Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias”– denominado ICM. 2 . na medida em que foram inseridas no corpo constitucional mudanças significativas como a inclusão do princípio da capacidade contributiva. este tributo veio em substituição ao “Imposto de Vendas e Consignações” – IVC. Nesta oportunidade. 120 . realizadas por comerciantes. 3 .Desta forma. criou um sistema nacional.

II.Redação determinada pela Emenda Constitucional 33/2001. o denominado ICMS. no que não for incompatível com a Lei Complementar 87 de 1996 (alterada recentemente pelas Leis Complementares 102. até a edição da Emenda Constitucional 18.Cabe observar que a Constituição Federal é redundante no emprego das expressões “transporte intermunicipal” e "interestadual” pois o que é interestadual é necessariamente intermunicipal. desde que em conjunto com o fornecimento de mercadoria. 5 . Depois disso. 155. com a promulgação da Constituição Federal de 1988. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto. art. pelo Decreto 406 de 1968 por força do art.Art. o ICMS é disciplinado pela CRFB. verifica-se a tributação pelo IVC. Em síntese. de 1965. Há de se considerar que ao campo de incidência do ICM foram acrescidos três impostos únicos federais: (a) energia elétrica. 6 . 4 . 155. 155. 114 e 115). surge o ICMS. conforme será analisado. já que não existe município situado em dois Estados da Federação brasileira. (b) combustíveis e lubrificantes líquidos e gasosos e (c) minerais do país. 34 § 5º do ADCT. Hodiernamente. criando o ICM – “Imposto sobre operações relativas à Circulação de Mercadorias”. 121 . para instituir o ICMS sobre as seguintes hipóteses de incidência: – Circulação de Mercadorias – Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal5 – Prestação de Serviços de Comunicação – Entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica. que será objeto de nosso estudo.No que permeia a repartição de competência para o exercício da tributação. II. coube aos Estados-membros e ao Distrito Federal o “Imposto sobre as Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação.6 Cabe esclarecer que também há previsão constitucional para a incidência do imposto na prestação de serviços não incluídos na competência municipal. II da Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 1988. ainda que as operações e as prestações iniciem-se no exterior” 4. em seu art. e dois impostos sobre serviços também foram deslocados da esfera federal: (a) serviço de transporte intermunicipal e interestadual (b) serviço de comunicação em geral. “Imposto sobre Vendas e Consignações”. A Constituição Federal prevê a competência dos Estados. que unificou o sistema tributário.

é a definição abstrata da situação necessária ao nascimento da obrigação tributária. prevê. de 1996. especificando como fato gerador a realização dos elementos abstratos no plano fático. foi promulgada a Lei Complementar 87. O fato gerador abstrato pode tornar-se concreto se todos os elementos descritos na norma acontecerem na realidade. em seu art 2º.1. p.Circulação de Mercadorias A Constituição Federal. portanto.2 . sendo. ordinários.2. Conforme lição de Roque Antonio Carraza. originando a obrigação tributária. Ed Renovar. Na primeira hipótese o fato gerador concreto se subsume na hipótese de incidência. é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. que deve ser empregado quando o mecanismo operacional utilizado for o obrigacional. 122 . com todos os seus elementos”7.Curso de Direito Financeiro e Tributário. 216. Diante da conceituação de fato gerador. prevê como hipótese de incidência do ICMS “as operações relativas à circulação de mercadorias”. como fato imponível. 7 . Com a sua realização se legitimará a cobrança já realizada. “o fato gerador no plano da norma. já no regime da antecipação. Ricardo Lobo . orientando os legisladores. Com este propósito. estabelecendo. que ao tratar da matéria. utilizado quando o mecanismo empregado for o da antecipação.TORRES. das várias pessoas políticas. a utilização do termo “fato legitimador”. cabe à lei complementar a sistematização dos princípios e normas constitucionais que regulam a tributação. consoante previsto no art 114 do Código Tributário Nacional.III. Doutrina Marco Aurélio Greco que o fato gerador é gênero. cabe a análise específica das hipóteses de incidência do ICMS. oportuna. ainda. o tributo é devido antes da ocorrência do fato imponível. as operações relativas à circulação de mercadorias. previstas constitucionalmente: III. I. que comporta duas espécies: (1) o fato gerador. Há autores que utilizam o termo “hipótese de incidência” para designar o fato gerador abstrato. II. No entender de Ricardo Lobo Torres. em seu art 155. (2) e o fato legitimador.FATO GERADOR O fato gerador da obrigação principal. a competência da lei complementar para dispor sobre normas gerais com finalidade tributária.

devendo ser entendida a titularidade de uma mercadoria à circunstância de alguém deter poderes jurídicos de disposição sobre a mesma. É necessário. o 123 . circular significa mudança de titularidade do bem. que ocorre quando há a circulação de fato do bem. Nesse sentido. desprovida de outras conseqüências. esta não seria adequada para averiguar a realização do fato gerador. A saída jurídica se dá quando a mercadoria sai do patrimônio de uma pessoa física ou jurídica e ingressa no patrimônio de outra pessoa física ou jurídica. Para Hugo de Brito8. industrial e comerciante. Cleber Giardino. Este conceito se ajusta melhor às exigências constitucionais. “a operação há de ser relativa à circulação de mercadorias. prevista constitucionalmente. tanto do STF. qualquer retirada física da mercadoria poderia caracterizar a realização do fato imponível. não se exige que a operação transfira a propriedade ou a posse da mercadoria. De acordo com Aliomar Baleeiro. é a econômica. por óbvio. não tem conteúdo para a incidência do ICMS. produz para vender ou compra para revender. No que permeia o conceito de circulação deve-se observar a existência de três espécies de circulação. Na concepção de Aliomar Baleeiro. apesar de ter havido saída física. Isso corrobora o entendimento de que a saída física. Neste caso. A despeito da posição majoritária. não incidiria o ICMS. Em outras palavras. que a tem por objeto e (b) a destinação comercial que a ela dá o seu titular. Salienta Geraldo Ataliba que não é qualquer bem que pode ser. que alguém. por exemplo. segundo este ilustre doutrinador. a saber. a conjugação de dois fatores: (a) a natureza do promotor da operação. qualificado como mercadoria. quanto do STJ. não necessariamente uma operação de circulação. em sua maior parte.O termo mercadoria pode ser compreendido como bem móvel destinado ao comércio. é o bem corpóreo da atividade empresarial do produtor. Paulo de Barros Carvalho. Tradicionalmente. como Geraldo Ataliba. a mercadoria pode ser definida como bem econômico. Neste caso. A questão se põe entre a circulação jurídica e a circulação econômica. Os doutrinadores brasileiros. há decisão dos Tribunais Superiores. Marco Aurélio Greco e Hugo de Brito Machado defendem que a circulação. com o propósito deliberado de lucro. tendo como finalidade a sua distribuição para o consumo. entendem ser importante a saída jurídica. quando houvesse a subtração de uma mercadoria do estoque da empresa por um ladrão. pois seria descaracterizada. juridicamente. cuja circulação envolva habitualidade. A circulação física. Para tal corrente. mas apenas que seja relativa à circulação.

Em todas as situações.p. sendo o ICMS um imposto plurifásico. Desse modo. sem que houvesse a mudança de titularidade. jurídica. 124 . Não importa quantos estabelecimentos a empresa tenha. defende a tributação pelo ICMS por ocasião da circulação econômica da mercadoria . Respeitando o princípio da não-cumulatividade. A circulação de mercadoria entre estes estabelecimentos é econômica. em algumas hipóteses.Hugo de Brito Machado. Assim. pois foram percorridas duas etapas distintas do ciclo econômico. para o empresário. muitas vezes o fato gerador do ICMS é a saída da mercadoria do estabelecimento empresarial.x. 8 . do comerciante atacadista para o varejista. dono do estabelecimento. ou uma vez sobre x e outra sobre x’ . da Lei Complementar 87). pagar uma vez só sobre x’. Por isso. de forma que a lei Kandir estabelece momentos temporais para a incidência do ICMS. É a mesma coisa. e.que vale dizer. o que evidencia que a referida lei adota a tese da circulação econômica. ou seja. A circulação econômica se dá independentemente de haver negócio jurídico. e assim sucessivamente. 12. de 1996). o legislador elegeu a saída da mercadoria como situação necessária e suficiente para o surgimento da obrigação tributária. o produtor e o comerciante. Portanto é apenas uma questão de controle administrativo dos estoques em cada estabelecimento. Esta saída física não terá relevância se não se traduzir também em uma circulação econômica. Ocorre que. pois cada estabelecimento é um contribuinte diferente na legislação do ICMS. mas o aspecto temporal utilizado pelo legislador muitas vezes é físico ou jurídico. não. a mesma empresa é dona dos dois estabelecimentos. é indiferente. Neste caso. ser capaz de realizar o trajeto da mercadoria da produção até o consumo. do produtor para o comerciante atacadista. há incidência do ICMS nesses casos. Lei Complementar do ICMS (Lei Complementar 87. a circulação econômica é difícil de ser visualizada. Segundo a Lei Kandir. a saída física ou a saída jurídica só vai revelar o núcleo de uma operação que tenha conteúdo econômico. ainda que permanecendo no patrimônio da mesma pessoa jurídica”. há o direito de se creditar da operação anterior. Como salienta Hugo de Brito. editora Dialética. em seu livro “ICMS – Aspectos Fundamentais”. fato gerador é necessariamente econômico. incide nas operações de circulação da mercadoria pelas várias fases da cadeia econômica. Por exemplo. No ICMS impera o princípio da autonomia dos estabelecimentos (art. 25/28. Circulação econômica é justamente a passagem de uma fase para outra da cadeia econômica.

também contemplou a entrada da mercadoria como fato gerador do ICMS. assim estabelece: “Art. em que há a antecipação do recolhimento do tributo. na hipótese. Neste caso é preciso estabelecer uma regra que possa dirimir o potencial conflito de competências entre o Estado e o Município. sem constituir. poderia alegar que a hipótese de incidência do ICMS seria a saída da mercadoria. A Constituição Federal no inciso IX. Este dispositivo tem por finalidade apenas possibilitar o instituto da substituição. Desta forma. fato gerador autônomo do ICMS. como será explicado. permitindo que o adquirente seja o responsável pelo recolhimento do tributo devido na primeira e na segunda circulação. ou seja. já que o alimento é consumido dentro do estabelecimento comercial. é o caso do fornecimento de mercadoria em conjunto com a prestação de serviço. O objetivo é viabilizar a cobrança do ICMS por substituição. não constituindo esta hipótese. Existe uma série de serviços em que há ao mesmo tempo a prestação de serviço e o fornecimento de mercadoria. fato gerador autônomo deste imposto. restaurantes e similares. já que a entrada da mercadoria não constitui hipótese de incidência do ICMS. adiante analisado. a tributação da entrada da mercadoria visa apenas a solidificar a aplicabilidade do regime. o adquirente da mercadoria. ocorre um diferimento no recolhimento do tributo. na primeira circulação. em seu art. 155. Há. o tributo devido em determinada etapa do ciclo econômico deverá ser arrecadado pelo fisco na próxima etapa deste ciclo. Na substituição ‘para trás’. a Lei Complementar 87. definiu como fato gerador a entrada de mercadoria. artigo 155. de 1996. contudo. de maneira que se vincularia apenas com o adquirente. a prestação de serviço e a circulação da mercadoria. Outra hipótese. Entretanto. no caso da substituição “para frente”. para dar aplicabilidade ao regime da substituição e evitar o seu questionamento em sede judicial. o fornecimento de alimentos e bebidas em bares. a Lei Complementar 87. a ser averiguada. alínea "b". 7º. por exemplo. Da mesma forma. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II .Contudo. pois somente neste caso esta ocorreria. por derradeiro. tendo em vista o regime da substituição. como.operações relativas à circulação de mercadorias e sobre 125 .

será cobrado ICMS sobre o valor total da operação. na legislação.incidirá também: b) sobre o valor total da operação. quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência tributária dos Municípios”. como ocorre. se tal serviço estiver contemplado na lista de serviços.05 da lista anexa ao Lei Complementar 116. Se o serviço for tributável no âmbito da competência municipal.2 . para a discriminação do valor devido a titulo de prestação de serviço e a título de mercadoria. apenas nos casos em que tal prestação for onerosa. caso contrário.Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal Haverá incidência na prestação de serviço de transporte intermunicipal. estradas. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior. mas apenas o imposto municipal (ISS) sobre o valor total da operação. pontes. anexa à Lei Complementar 116. não será cobrado ICMS. apesar do serviço se encontrar previsto na lista. na reparação. III. que fica sujeito ao ICMS) – item 7. por exemplo. é devido o recolhimento do tributo municipal sobre todo o valor. porque é devido o ICMS sobre o valor daquelas e o imposto municipal sobre o valor do serviço prestado (mão-de-obra). No caso acima devem ser discriminados o valor das mercadorias e o valor da mão-de-obra.prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação. de 2003. Se este não estiver na lista. atenderá ao seguinte: IX . Nesses casos. a hipótese em que. Deve haver a ressalva expressa.2. Apesar da Constituição não restringir a 126 . conservação e reforma de edifícios. inclusive a parcela relativa a serviços. Há. uma vez que previsto na lista de serviços. haver ressalva para a cobrança de ICMS sobre as mercadorias. fora do local da prestação dos serviços. Isto se justifica na medida em que não há discriminação da parcela referente ao valor do produto e a referente à prestação do serviço. portos e congêneres (exceto o fornecimento de mercadorias produzidas pelo prestador do serviço. 2º O imposto previsto no inciso II. ainda. o prestador vai destacar na nota fiscal o valor da mão-deobra e o valor das mercadorias.

III. que trata de livros. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto À época da Constituição passada. 132.na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.2.2. 13.Entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica. III.Prestação de Serviços de Comunicação O ICMS também incide sobre a prestação de serviços de comunicação. expressamente esclarece que a incidência do ICMS ocorrerá. ICMS. “Não é simplesmente realizar a comunicação.3 .4 . No caso de prestação serviço de transporte intramunicipal não incide ICMS. periódicos e papel destinado a sua impressão. quando a prestação do serviço for onerosa. A base de cálculo do imposto é: III . VI. confirmando tal entendimento. quando esta se der em regime de direito privado (prestado por particulares. 127 . ou seja. publicado em 9 de outubro de 2003. empresas privadas. na vigência do ICM. é prestar serviço de comunicação. mediante contraprestação econômica um serviço de comunicação” 9. de 1996. gravadas em fita de videocassete. empresas públicas e sociedades de economia mista). sendo a tributação de tal serviço restrita à competência municipal. do STF. A imunidade prevista no art 150. tão-somente. não há que se cogitar na incidência do referido imposto quando tal prestação for gratuita. Assim.incidência à prestação de serviço oneroso. considerava-se a ocorrência de circulação de mercadoria quando da importação desta. consoante verbete de súmula n° 662. 6ª edição. inviabilizou a incidência sobre a prestação gratuita. A Lei Complementar 87. p. Portanto o tributo só pode nascer do fato de uma pessoa prestar a terceiro. não alcança a comercialização de exemplares de obras cinematográficas. No entender de Roque Antonio Carrazza a hipótese de incidência do ICMS.Roque Carrazza. 13. neste caso. Assim. alínea “d”. em seu art. quando 9 . jornais. a Lei Complementar 87 assim o fez quando disciplinou que a base de cálculo seria o preço da mercadoria. o preço do serviço. Art. III.

assim como sobre serviço prestado no exterior. dispunha: IX . alínea "a". era no sentido de que só haveria incidência de ICMS sobre a importação de bem.incidirá também: a) sobre a entrada de mercadoria importada do exterior. quando o Supremo estabeleceu que para haver incidência essa pessoa jurídica teria que ser comerciante e não prestadora de serviço. por si só. Em outra hipótese. A exegese deste dispositivo. §2o. inciso IX. A CRFB de 88. cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o estabelecimento destinatário da mercadoria ou do serviço. se esse fosse destinado a um estabelecimento comercial. há uma distinção que não se extraía dos dispositivos constitucionais. na redação originária do artigo 155. mas não fazia referência a “estabelecimento comercial”).Bens do ativo fixo devem ser compreendidos como bens de consumo. se uma clínica médica importasse o mesmo computador. incidiria o ICMS. formava-se um novo elo da cadeia econômica. não constituía impedimento para incidência do ICM na importação. Contudo. O problema se dava quando uma pessoa jurídica importava um bem de consumo ou do ativo fixo10 e quando uma pessoa física importava um de consumo. 128 . porque o bem do ativo fixo estava sendo destinado a um estabelecimento comercial (a Constituição até utilizava a expressão “estabelecimento”. foi afastada a interpretação 10 . Por uma interpretação literal é até possível identificar uma distinção de tratamento entre a pessoa física e a jurídica. Do mesmo modo. Então. Este fato. conforme interpretação do Supremo Tribunal Federal. por exemplo. já que aquela não tem estabelecimento como se refere a Constituição. ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo fixo do estabelecimento. segundo o Pretório Excelso. se uma empresa de eletrodomésticos importasse um computador. Com o advento da Emenda Constitucional 33.alguém importava um produto para revender. em que os anteriores se deram em outro país. o Supremo Tribunal Federal entendia não incidir a tributação. se o sócio gerente da empresa de eletrodomésticos ou médico da clínica importasse o computador para sua residência não ocorreria a incidência do ICMS. da pessoa jurídica. para idêntica finalidade.

o ônus dessa tributação. ou. qualquer que seja a sua finalidade.3 . respectivamente. dos Ministros Cezar Peluso e Sepúlveda Pertence. destinada ou não.” Os novos enunciados. A alteração promovida por esta lei se coaduna com o previsto pela Emenda Constitucional 33. bem como as alterações.EFEITOS ECONÔMICOS DA TRIBUTAÇÃO PELO ICMS Imposto plurifásico. na forma prevista no § 3º. cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria. III.3. para evitar o conflito entre os Estados. incide o ICMS na importação feita pela pessoa física ou jurídica. dada pelo Supremo Tribunal. do STF11. nos seguintes termos: Enunciado 660: “Até a vigência da EC 33/2001. o ICMS incide. Contudo. ao comércio.1 . não incide ICMS na importação de bens por pessoa física ou jurídica que não seja contribuinte do imposto. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto. inciso IX. a Constituição Federal estabelece certos limites na imposição dessas alíquotas. o STF deliberou alterar a redação do Enunciado 660. imperioso a análise dos aspectos relevantes deste imposto. do art. por ser tal tributo privativo da competência estadual. à primeira vista. §2o. Desta forma. 102. do RISTF. 129 . 11 . Desta forma. com ou sem habitualidade. bem ou serviço. alínea "a" (dada pela Emenda 33/01): a ) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica. III. que passará a vigorar. Com a redação nova não há mais dúvidas.9.deste dispositivo. de maneira que se torna irrelevante a entrada de mercadoria. até a alteração promovida pela Emenda Constitucional 33. sobre a circulação da mercadoria dentro do ciclo econômico. não incide ICMS na importação de bens por pessoa física ou jurídica que não seja contribuinte do imposto. só passarão a integrar a Súmula daquele Tribunal após numerados e publicados (por três vezes consecutivas) no Diário da Justiça. com ou sem habitualidade. A vontade original do constituinte de 1988 foi restabelecida pela Emenda 33. cuja aprovação foi concluída em 24.ALÍQUOTA APLICÁVEL NA TRIBUTAÇÃO PELO ICMS Não compete à lei complementar definir a alíquota aplicável no ICMS. como se depreende da nova redação do artigo 155. suportando. Também houve alteração na Lei Complementar 87.Acolhendo sugestão. pela de número 114. como constatado. conforme a nova redação do Verbete de Súmula 660.2003. o consumidor final. assim como sobre o serviço prestado no exterior.

estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações. Entretanto.resolução do Senado Federal. O inciso IV não prevê que a resolução fixará alíquotas máximas e sim que será competente para fixá-las. Outra hipótese a ser analisada é com relação à operação interestadual. há uma regra específica. sendo irrelevante o local do seu domicílio. ou não. de 1989. quando um consumidor adquire uma mercadoria cuja procedência é de outro Estado não se caracteriza. Para o vendedor é importante saber se o comprador é. foi elaborada a Resolução 22. inscrito como contribuinte do ICMS. da Constituição. 1°. por via de resoluções. benefício surgido com a nova redação do art. Caso o seja. aos produtos semi-elaborados e não-industrializados. uma operação interestadual. No que concerne à fixação de alíquota de exportação. são definidas pelo Senado Federal. a alíquota do imposto será sempre a aplicável às operações internas. de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos Senadores. no caso de uma mercadoria 130 . Se não o for. prevê atribuição do Senado Federal para fixar a alíquota na exportação e nas operações interestaduais: IV . que era concedida apenas para os produtos industrializados. alinea “a”12. através do estímulo à exportação. No entanto. X. Estas alíquotas. aplicáveis nas operações interestaduais e nas exportações. sendo de iniciativa do Presidente da República ou de 1/3 dos senadores e aprovada por maioria absoluta. foi estendida a imunidade. Assim. dessa resolução fixou a alíquota de exportação em 13%. Para que seja efetivada é preciso que se concretize entre dois comerciantes. torna-se importante salientar que. nas operações de exportação para o exterior. atualmente. o imposto será calculado mediante a alíquota interestadual. cujo teor é o seguinte: Art. torna-se nítida a intervenção governamental na economia. O artigo 2o. 2° A alíquota do imposto de que trata o art. será de treze por cento.O inciso IV. de 2003. através da Emenda Constitucional 42. 150. aprovada pela maioria absoluta de seus membros. § 2º. não incide ICMS na exportação. § 2º. do art 155. Nas operações interestaduais. interestaduais e de exportação. Nesta hipótese. a regra geral é a da adoção de uma alíquota de 12%. nos termos constitucionais. porque. estabelecida.

empregada para determinado produto. “g”. a alíquota mínima não pode ser inferior 12 .salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Federal. nesse artigo encontra-se disciplinada a alíquota mínima: “salvo disposição em contrário em convênio. as alíquotas internas. sendo que a Constituição. § 2º. não poderão ser inferiores às previstas para as operações interestaduais. especificamente. mas. existe uma alíquota mínima que deve ser respeitada pelos Estados-membros e pelo Distrito Federal. Por tal motivo essa resolução ainda não foi nem elaborada. Na verdade. A questão é que o quorum necessário para a aprovação desta resolução é maior do que o previsto para a da Emenda Constitucional: a iniciativa é de maioria absoluta e a aprovação é por 2/3 do Senado. que trata das operações interestaduais e da exportação. antes. Cabe ao fisco de cada Estado fiscalizar se o recolhimento do tributo observou a alíquota adequada. e. nos termos do disposto no inciso XII. CRFB. também não sofriam tributação. qual seja. em decorrência da isenção concedida pela Lei Complementar 87. Nordeste ou Centro-Oeste. nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços. Assim. define a finalidade de tal medida. que. quando aplicar-se-á a alíquota de 7%. Implicitamente. expressamente. por uma via oblíqua.sair de um Estado da região Sul e Sudeste (exceto Espírito Santo) e for para outro das regiões Norte. somente na situação acima referida será aplicada esta alíquota. §2o. 155.A Emenda Constitucional tornou imunes os produtos semi-elaborados e não-industrializados. ou. do art 155. nem na alínea “b”). o inciso V. a faculdade é para fixar a alíquota máxima em operações internas. evitar conflito entre Estados. Ao contrário do inciso IV. alínea “a”. A fixação da alíquota máxima é. nas demais operações interestaduais a alíquota utilizada será a de 12%. VI . faculta ao Senado estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas para preservar o equilíbrio federativo. 131 . Art. Na alínea “b”. Não é possível a elaboração de uma alíquota máxima genérica. não foi editada nenhuma das duas resoluções (nem a prevista na alínea “a”. do mesmo dispositivo. para o Estado do Espírito Santo. inciso VI.

como visto. ou seja. repercute diretamente na economia. Quando a compra foi realizada pelo consumidor final diretamente.à alíquota interestadual”. A primeira medida. De fato. utilizar-se uma regra excepcional como critério para definir a alíquota interna. Assim. é de 12%. através de empresa filial”13. a alíquota interna mínima também será de 12%. Deve ser considerada a regra. cabendo. A alíquota interestadual. Os Estados beneficiados com a aplicação. no Estado onde saiu a mercadoria para o consumidor final. Este tratamento desigual constitui um dos fundamentos da República 132 . privilegia o estado consumidor. ao Estado da localização do destinatário o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual. aplicada a alíquota interestadual quando o destinatário for contribuinte do imposto. A segunda medida. esta tese não encontra respaldo constitucional. com a aplicação de uma alíquota interestadual de 7%. quando for consumidor final. No entanto. e não a exceção. através da aplicação de alíquotas interestaduais diferenciadas. privilegia mais ainda. Para o consumidor final não haverá qualquer alteração. O objetivo é promover um equilíbrio na arrecadação dos Estados. oportuna manifestação do STJ no sentido de que “o ICMS deve ser recolhido pela alíquota interna. Como se verifica. sendo que tal medida tem por fim promover um equilíbrio na arrecadação dos Estados. já que toda vez que se diminui a alíquota da operação de origem. principal fonte de receita do Estado. contudo. a regra proposta pelos ditames constitucionais é a adoção da alíquota interna não inferior à alíquota interestadual. o ICMS deve ser arrecadado pelo Estado em cujo território efetivamente se deu a saída da mercadoria. Será. a tributação do ICMS. a alíquota mínima em todos os Estados é de 12%. Quando a operação ou prestação de serviço destinar-se a outro Estado deverá ser aplicada a alíquota interna quando o destinatário não for contribuinte do imposto. da alíquota de 7% entendem que sua alíquota interna mínima deve se basear na mesma porcentagem. se diminui o crédito que essa operação causa e aumenta-se o débito da operação subseqüente (o que aumenta a arrecadação na operação subseqüente). Portanto. após a sua fatura. contudo. Somente através de convênio poderá reduzir a porcentagem desta alíquota. nas operações interestaduais. nesta hipótese. ainda que tenha sido negociada a venda em outro local. Neste sentido. Não se pode. com a aplicação de uma alíquota interestadual de 12%. beneficiando os Estado consumidores. conseqüentemente.

133 . mas sim como não incidências constitucionais. Se for adotada a tese de Ricardo Lobo Torres de que imunidade são as que derivam dos direitos fundamentais. 13 .Teoria e Prática das Isenções Tributárias – 2ª edição.Federativa do Brasil14.3.“Art. pois. III. distinguindo-se das demais isenções por este específico fato de ser a norma jurídica restrita de hierarquia superior às normas jurídicas tributárias”. Esta alínea teve sua redação alterada pela Emenda Constitucional nº 42 de 2003. ressalvando-se a particularidade da imunidade recíproca. “assim. crua) e uma categoria intermediária denominada semi-elaborado.erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. antes.025 – MG Rel. assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores.NÃO INCIDÊNCIAS CONSTITUCIONAIS DO ICMS No inciso X do art 155. Passamos a tecer breves considerações sobre estas não-incidências constitucionais: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior. excluídos os semi-elaborados definidos em lei complementar” A Carta Constitucional havia distinguido os produtos industrializados para fins de ICMS em três categorias: de um lado os industrializados. nem sobre serviços prestado a destinatários no exterior.00.AgRg no Resp 67. a redação concedia a imunidade especifica “sobre operações que destinem ao exterior produtos industrializados. 14 . § 2º da Carta Constitucional encontram-se as imunidades específicas do ICMS. Um produto semi-elaborado é aquele que sofreu um processo incipiente de industrialização na forma prevista em lei complementar.2 . na medida em que tem por objetivo reduzir as desigualdades regionais promovendo a integração nacional. as demais hipóteses de imunidade tributárias não passam de isenções sediadas na Constituição federal. Min.05. de outro os não industrializados (matéria-prima bruta. Para Aurélio Seixas15 há nas hipóteses verdadeiras isenções constitucionais. p.” 15 . obviamente nenhuma delas poderá ser considerada como verdadeira imunidade.SEIXAS FILHO. Aurélio Pitanga . Eliana Calmon 23. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: III . 64.

b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo. nas hipóteses definidas no art 153 . uma vez que não houve nesta a incidência do tributo. há imunidade específica tanto para os produtos industrializados. os produtos industrializados eram imunes. 155 prever hipótese de não incidência constitucional sobre as operações sobre energia elétrica e petróleo. Apesar da alínea “b”. restando o recolhimento. E. A Lei Complementar poderá definir o combustível e lubrificantes sobre os quais o imposto incidirá uma única vez. 134 . Com atual redação. pois quem recolhe todo o ICMS do Estado produtor de combustível e de lubrificante é o Estado de destino. na segunda operação. inclusive lubrificantes. inclusive lubrificantes.§ 5º A terceira não incidência constitucional é sobre o ouro quando este for considerado ativo financeiro. em seu artigo 3º. o Estado produtor restou prejudicado. Isso ocorre porque não há crédito na primeira. combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. mas o Estado que irá arrecadar o tributo devido. “a”. como para os semi-elaborados como para os não-industrializados. o ouro como ativo financeiro não gera a tributação pelo ICMS. poderemos ter uma primeira operação em que há imunidade. Os semi-elaborados e os não industrializados podiam ser isentados por lei complementar. incluiu os serviços prestados a destinados no exterior. por exemplo. ou seja. e energia elétrica. em que o Estado de destino recolhe todo o ICMS incidente sobre a operação que envolva combustível e lubrificante. uma segunda. E ainda. Além de isentar os produtos semi-elaborados e os não-industrializados a lei Kandir confirmou a imunidade dos produtos industrializados. Nesta hipótese haverá tão-somente a incidência do IOF. o que foi feito pela LC 87. A imunidade não beneficia o consumidor final. desde que destinados ao exterior. Assim. Portanto. combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. por inteiro. no exemplo. do inciso X. alínea “e” concedia competência à União para conceder isenção de ICMS na exportação fora dos casos do inciso X.O inciso XII. naquilo que não fosse imune. Assim. a Emenda Constitucional 33 acrescentou uma hipótese sobre a qual não incidirá tal regra. § 2º do art. c) sobre o ouro. II. Isso evidencia que.

pode-se citar a “concentração vertical das empresas”: o mesmo agente econômico realizava várias etapas do ciclo econômico.“Imposto sobre Vendas e Consignações”. do Código Tributário Nacional). o IVC incidia várias vezes. Na esfera estadual. não há incidência fática. no mesmo ciclo econômico. cobrado pelo sistema de cascata no ciclo de fabricação.NÃO-CUMULATIVIDADE O instituto da não-cumulatividade foi introduzido no sistema tributário nacional brasileiro pela Lei 3. 9. em parte. fornecidos por exibidores de espetáculos cinematográficos. Ou seja. exigido em relação a ingressos gratuitos (‘permanentes’). capaz de configurar a hipótese legal de incidência (art. A tributação cumulativa causava vários gravames econômico-sociais. Cobrança indevida. III. em um imposto sobre o valor acrescido. é gratuito. em substituição ao IVC . 135 . ao decidir que não há base de cálculo para a cobrança do ISS em serviço que. Na verdade. A prestação gratuita é desprovida de relevância para o direito tributário. fazendo com que a tributação recaísse sobre o fenômeno da circulação econômica em cada fase deste ciclo.RE 112923 / SP . Evidentemente.SÃO PAULO “Ementa: imposto sobre serviços. cada fase apresentava um signo presuntivo de manifestação de riqueza caracterizador da incidência do tributo. foi criado ICM. 16 .3 . com o intuito de reduzir a carga tributária. já havia sofrido tributação antes. atual IPI.d) nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiofusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita A Emenda Constitucional 42 de 2003 também acrescentou esta alínea. com o advento da Emenda Constitucional 18. A introdução do ICM no ordenamento constitucional tributário objetivou modificar tal sistemática. apesar de integrar a lista de serviços.3. de caráter não-cumulativo. por falta de base de calculo. Recurso extraordinário de que não se conhece”. A exemplo. sobre base de cálculo que. pois a prestação de serviço de comunicação pressupõe a onerosidade. uma vez que não apresenta manifestação de riqueza a ser mensurada.520 de 1968 que transformou o então imposto de Consumo. Era o fenômeno conhecido pela expressão “tributação em cascata”. O Supremo Tribunal 16 já decidiu neste sentido. determinando a não incidência constitucional do ICMS na prestação de serviço de comunicação de recepção livre e gratuita. Era uma das formas encontradas para reduzir o preço final da mercadoria.

Outra questão a ser enfrentada é quanto à extensão do crédito. A identificação do que pode ou não ser deduzido em nome da não-cumulatividade perpassa por dois regimes. apenas sobre o valor nele acrescentado. E conduz a que somente essa agregação de valor. em uma fase do ciclo. II. Unânime é a doutrina ao afirmar que o princípio da não-cumulatividade constitui uma diretriz constitucional imperativa que deva ser observada na tributação do ICMS. dois métodos para aplicação do mecanismo da nãocumulatividade: o base sobre base (base on base) e o imposto sobre imposto (tax on tax). em seu artigo 155. A tributação da agregação de valor implica subtrair. No sistema do imposto sobre imposto. então. o princípio da não-cumulatividade consiste na compensação do valor do ICMS incidente em cada operação com o do incidente nas operações anteriores. ou. contemplado pela Constituição Federal promulgada em 1988. daquilo que será objeto de tributação numa fase. Porém. conforme disposto no Constituição Federal. em outras palavras. o valor do imposto que incidiu na fase anterior é deduzido do que incide na posterior. O mecanismo da não-cumulatividade foi. Desta forma. o que já foi tributado antes. § 2º. basicamente. I. do que incide em uma etapa. de mais de uma operação tributável no processo de circulação. No sistema “base sobre base”. O imposto incide sobre o valor total da operação. faz com que o imposto incida. em cada ciclo. em cada etapa. o que foi tributado antes. ao tratar do ICMS. o sistema da não-cumulatividade supõe a agregação de valor à mercadoria em cada etapa de sua circulação. A não-cumulatividade do ICMS pressupõe a existência de mais de uma fase do ciclo alcançável pelo imposto. Ou seja. Como se averbou. deduz-se. seja objeto de nova tributação nas fases subseqüentes. não há subtração do que foi objeto de tributação na fase anterior do valor da base de cálculo na fase subseqüente. acrescido ou agregado ao bem. em seu art 155. já que a técnica de tributação recaía sobre o valor agregado. Há. o do crédito financeiro e o do crédito físico. se subtrai o valor respectivo da base de cálculo na anterior. Em outras palavras. 136 . O objetivo é evitar que o valor tributado. possa sofrer tributação. a diferença entre o preço de venda e o custo do produto. I. ou seja.Suprimiu-se a superposição da carga tributária. da base de cálculo do imposto devido numa fase. § 2º.

Com base nesta definição grande parte da doutrina considera que o princípio da não-cumulatividade deve ser aplicado tomando por base o crédito financeiro. Assim. 08.168 rel. Pelo exposto. Clarides Rahmeier.Neste sentido RE 200.Aspectos Fundamentais do ICMS.Apud. p.10. 1999. em razão desta autorização concedida pela referida lei complementar. ou de um bem.96. em reiterados pronunciamentos19. com algumas exceções. adota-se o regime do crédito financeiro temperado ou o do credito físico. aplicava o regime do crédito físico. a cláusula da nãocumulatividade constitui uma diretriz constitucional imperativa cuja finalidade é. Min Ilmar Galvão. o ônus do ICMS respectivo configura um crédito deste imposto". Geraldo Atalida . quer seja este destinado à revenda. a Lei Complementar 87 concedeu autorização para a utilização do crédito correspondente às mercadorias adquiridas para uso ou consumo do estabelecimento ou para o seu ativo fixo.O regime do crédito financeiro pressupõe que todos os custos onerados pelo ICMS possam ser creditados. ou mesmo ao consumo ou à imobilização. 18 . independente de sua origem ser decorrente da aquisição de bens de consumo e ativo fixos ou de mercadorias para revenda. Há também o regime do crédito físico que corresponde ao imposto incidente nas operações anteriores sobre as mercadorias empregadas fisicamente na industrialização. Ao contrário da doutrina. produto intermediário. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que a entrada de bens destinados ao consumo ou à integração no ativo fixo do estabelecimento não implica crédito para compensação com o montante do imposto devido nas operações ou prestações seguintes – AI 448413 AgR/SP. à utilização como matéria-prima. acrescido do valor de sua matéria-prima e componentes. Contudo. 137 . o crédito a ser efetuado deve ser o crédito da própria mercadoria. 82. acondicionamento. 131. “sempre que a empresa suportar um custo seja ele consubstanciado no preço de um serviço. Assim. Neste sentido Hugo de Brito17. entre outros18. Preserva-se o direito público subjetivo do contribuinte de abater o montante do imposto cobrado nas operações anteriores. comercialização ou prestação de serviços. percebe-se que na sistemática atual. Filiamse a este entendimento Roque Antonio Carraza. há uma mitigação dos dois regimes. 19 . Assim. embalagem. consoante doutrina José Jayme de Macedo Oliveira. Na prática. impedir que a cobrança do 17 . ao comentar sobre o sistema de créditos Ricardo Lobo Torres “percebe uma certa simbiose entre o sistema do credito físico e do credito financeiro”. Este posicionamento defende a não-vinculação dos créditos de etapas anteriores aos débitos gerados por operações ou serviços da mesma natureza. objeto da operação de saída do estabelecimento. a jurisprudência. p.

Esta faculdade decorre do próprio texto constitucional ao utilizar o verbo “poder” e não “dever”.imposto atinja um valor maior que o maior valor alcançado por todo o processo de circulação de mercadoria. p.ICMS. 104 (apud. Qual seria o seu campo de abrangência? Ao enfrentar a questão Henry Tilbery 21 entendeu “que o conceito de 20 . o valor utilizado como parâmetro é o da última etapa da circulação. p. segundo o qual o ICMS poderá ser seletivo em função da essencialidade do produto. acarretando uma diminuição no valor final da mercadoria em virtude da redução da carga tributária incidente na circulação. III. Questão a ser enfrentada diz respeito à identificação do que é e do que não é essencial. em razão de diferentes produtos. 5ª edição. §2o. cabe à lei do Estado estabelecer alíquotas diferenciadas para certos produtos ou serviços.20 Em se tratando do ICMS. tomando como parâmetro a sua essencialidade. “consiste na distinção entre cargas tributárias. 263). Mercadorias e serviços essenciais requerem alíquotas menores.4 . José Eduardo Soares. torna-se opção legislativa a utilização de alíquotas diferenciadas em razão da essencialidade do produto. traduzidos basicamente em alíquotas descoincidentes”. Assim. É um mecanismo. 265. 155. p. Desta forma. ou seja. o denominado efeito cascata. Dialética. mercadorias e serviços. Com a aplicabilidade da cláusula de não-cumulatividade exclui-se o efeito da cobrança cumulativa. conforme se verifica no art. José Eduardo Soares de Melo. 138 .MELO. 21 . Malheiros. Essencialidade. sem dúvida. o legislador tem a faculdade de estabelecer alíquotas diferenciadas. na lição de José Eduardo Soares de Melo.3. eficiente para interferir no setor econômico. Em regra. ao passo que produtos menos essenciais demandariam alíquotas maiores. Através dele pode-se estimular ou desestimular a circulação de determinado produto ou a prestação de certo serviço. em prol da seletividade. III. São Paulo. ICMS Teoria e Prática. o da entrega ao consumidor final.PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE A Constituição Federal consagra o princípio da seletividade aplicável na tributação pelo ICMS.

que significa aliança. Neste sentido deve a essencialidade transcender o mínimo existencial. p. 139 .4 . pacto. tratamento médico). os Estados devem observar o que dispõe o Senado Federal por meio de resoluções. DA AUTONOMIA FINANCEIRA Sem esgotar o tema. Ressalta-se que há. conforme exposto ao tratar da alíquota aplicável no ICMS. aferida indiretamente. moradia. quer adequando a tributação à capacidade contributiva. cabe verificar a possibilidade de alteração da competência tributária dos Estados sem violação ao pacto federativo. de maneira a permitir a tributação incidente sobre a capacidade contributiva. Defende tal tese Fátima Fernandes Garcia e Maria Omiri 22. verbis: “a seletividade é o meio pelo qual. 265. deve prevalecer a interpretação extensiva do conceito de essencialidade.Apud José Eduardo Soares de Melo. Assim.4. mas deve abranger também aquelas necessidades que sejam pressupostos de um padrão de vida mínimo decente. de acordo com o conceito vigente da maioria”. É certo que no estabelecimento destas alíquotas. efeitos diretos sobre a economia. preservando valores e princípios consagrados pela Magna Carta. III. podendo 22 . Deve ser respeitada acima de tudo a dignidade da pessoa humana. há limites que devem ser respeitados pelo legislador estadual.essencialidade não deve ser interpretado restritivamente para cobrir apenas as necessidades biológicas (alimentação. quer atingindo finalidades extra-fiscais”. III. como conseqüência da utilização deste mecanismo. foedoris. Assim. estimulando o consumo de produtos e a prestação de serviços que possibilitem o exercício digno da pessoa humana. ao passo que com a diminuição de alíquota incentiva-se a sua comercialização.O Estado Federal Federação vem do latim foedus. nos impostos em que a personalização é inviável se realiza a isonomia possível. vestuário. Com a majoração de alíquotas pode-se frenar o consumo de produtos indesejáveis ou menos essenciais.REFLEXÕES SOBRE A POSSIBILIDADE DE VIOLAÇÃO DO PACTO FEDERATIVO. COM RETIRADA. consagrando o entendimento do ilustre doutrinador Henry Tilbery.1. mas com o objetivo de trazer algumas reflexões para suscitar o debate. A seletividade também possibilita a identificação da manifestação de riqueza. nos termos da Constituição Federal.

principalmente. e em face.Editora Saraiva. com a Constituição de 1787.” 24 O modelo norte-americano caracteriza um federalismo por agregação. a ser uma federação. passando a constituir-se em Estados independentes entre si. surgiu nos Estados Unidos da América. Conclui. de aliança. foi aprovada a nova carta. do exposto.. como forma de organização estatal. passando.DALLARI. portanto.ser considerado. Dalmo de Abreu.. surge do Estado Unitário. contudo sua autonomia23. 25 . a fim de rever o pacto formado entre as antigas colônias.. os Estados possuem menor autonomia.’ Percebese. p.. 23 . É o que pode ser considerado de Federação por força centrífuga ou por desagregação. como um processo de integração política.. 140 . 227. Ricardo Lodi. de desagregação. Neste sentido Dalmo de Abreu Dallari.na cidade de Filadélfia. ao contrário. do que no sistema de agregação. 418. pois neste.RIBEIRO. Também podendo ser denominado de Federação por força centrípeta.. A origem do Estado Federal moderno é tipicamente norte-americana: “. Autonomia Local e Reforma Tributária. Assim. apenas a autonomia.. André Luiz.. que por uma decisão constitucional confere autonomia às províncias. Teoria Geral do Federalismo. os Estados perdem sua soberania restando-lhes. ainda... assim.as antigas treze colônias britânicas tornaram-se livres.BORGES NETO. O modelo brasileiro. 24 . permitindo a democratização das decisões que passam a ser tomadas numa esfera mais próxima do cidadão. no caso brasileiro. ‘convocou-se uma convenção. o autor que o federalismo fundamenta a descentralização do poder. em que Estados anteriormente soberanos se unem por um Pacto Federativo. na qual os Estados ao ingressarem na federação perdem sua soberania.. preservando. Como a experiência da criação de uma Confederação não dera certo. p. considera o federalismo como uma aliança ou união de Estados. da necessidade de uma união mais firme e estreita. Como bem salienta Ricardo Lodi Ribeiro 25 a origem histórica de cada federação acaba por influenciar a maior ou menor autonomia dos seus Estadosmembros. que o federalismo. que entrou oficialmente em vigor em 1789. Federalismo Fiscal. Elementos da Teoria Geral do Estado .

Nas clássicas lições de Alexandre de Moraes 26, podemos extrair algumas características fundamentais do Estado Federal: repartição constitucional de competência entre os entes federados; poder de auto-organização (poder de elaborar sua própria constituição e legislação), auto-administração (poder de exercer suas competências administrativas), auto-governo (possibilidade de escolha dos governantes); participação da vontade regional, através do Senado Federal, na vontade nacional; e, por fim, a “necessidade de que cada ente federativo possua esfera de competência tributária que lhe garanta renda própria”. A forma de Estado Federal é assegurada constitucionalmente através de cláusula pétrea que impede a deliberação da proposta de emenda tendente a abolir “a forma federativa de Estado”, art. 60 § 4º da CRFB. III.4.2 - Autonomia: necessidade do exercício da competência tributária No direito brasileiro, há a concentração de competência em favor da União, de tal maneira, que há a exacerbação do poder central, em detrimento dos poderes regionais e locais. Assim, é nítido o caráter devolutivo do federalismo brasileiro 27. Mesmo com a exacerbação do poder central, há a necessidade de garantir a autonomia dos demais entes federativos. Esta autonomia pressupõe uma independência financeira, pois sem recursos não há como o ente desenvolver suas atividades. Não há o exercício das competências constitucionais se o ente federado não possuir um meio próprio de arrecadar recursos. Desta forma, com a promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, em 1988, foi assegurada a cada ente federativo a competência para a criação de seus impostos. No âmbito regional a principal fonte de receitas provém do ICMS, previsto na Constituição no art 155, II. Sendo assim, esta competência atribuída ao Estado pela ordem constitucional é que garante sua autonomia financeira. O cerne da questão situa-se na possibilidade de o poder constituinte derivado, através do seu poder de emenda, retirar parte significativa da competência do Estados para instituir o ICMS, tendo em vista a impossibilidade de violação do pacto federativo. Assim, deve ser analisada, de um lado, a necessidade do combate à guerra fiscal

26 - MORAES, Alexandre – Direito Constitucional, Editora Atlas, 15ª ed, p 269. 27 - Sylvio Motta & William Douglas – Direito Constitucional, Editora Impetus, p.239 e seguintes. Os Autores classificam o federalismo em devolutivo – devolutionary federalis (no qual a ordem constitucional redistribui os poderes de um prévio Estado Unitário) e em integrativo – integrative federalism (decorrente da busca de uma unidade na diversidade entre entidades componentes anteriormente independentes ou confederadas).

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como forma de concretização da justiça tributária e de outro lado a autonomia financeira dos Estados da federação para o exercício de sua competência tributária como forma de garantia do pacto federativo, cláusula pétrea da Constituição Federal. O combate à guerra fiscal possui como fundamento o Princípio da Conduta Amistosa dos Entes da Federação, 28 que segundo Konrad Hesse se traduz na fidelidade para com a Federação. A exegese que se extrai do dispositivo constitucional 29 que veda a proposta de emenda tendente a abolir a forma federativa de Estado não pode ser no sentido de que a única vedação é a do Estado Unitário. Como já fora analisado, irá ferir a cláusula pétrea a emenda que atende contra qualquer de suas características, como no caso, a autonomia financeira. Neste sentido Ricardo Lodi entende que “a proposta que restrinja sensivelmente a competência tributária de um dos entes da Federação, ainda que reserve recursos dos impostos de outros entes para compensar a diferença, também é inconstitucional, pois retira da unidade federada a possibilidade de estabelecer uma política fiscal condizente com os seus objetivos políticos, que numa Federação, não são necessariamente alinhados com o poder central” 30. A autonomia financeira é requisito essencial para que qualquer autonomia se efetive na prática. Silvio Spaventa observa que “para uma pessoa jurídica ser autônoma deve, além dos arcabouços organizacionais adequados possuir as seguintes características: I - que determine o próprio orçamento; II - que as despesas obrigatórias que possuam não dependam do arbítrio de quem quer que seja...” 31

28 - De acordo com Konrad Hesse, o Princípio da Conduta Amistosa dos Entes Federativos se traduz na fidelidade para com a Federação, não só dos estados em relação ao todo e a cada um deles , mas da União em relação aos estados.Segundo HESSE, é inconstitucional a iniciativa que fira essa fidelidade federativa, uma vez que se rompe o dever de boa conduta que deve presidir as relações entre os integrantes da Federação, baseada na colaboração e cooperação recíprocas. (HESSE, Konrad. Elementos de Direito Constitucional da República Federal da Alemanha. Tradução da 20ª edição alemã por Luís Afonso Heck, Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor, 1998 Op. Cit., p. 212/215 apud Ricardo Lodi Ribeiro, Breves considerações sobre a reforma tributária sob a ótica da Justiça fiscal e o pacto federativo – www. aldemario.adv.br. 29 - Art. 60 § 4º, I da CRFB 30 - Ricardo Lodi Ribeiro, Breves considerações sobre a reforma tributária sob a ótica da Justiça fiscal e o pacto federativo – www. aldemario.adv.br. 31 - SPAVENTA, Silvio. La Giustizia nell’ Amministrazione, Giulio Einaudi Editore, 1949, p.151,apud Alexandre de Aragão – Agências Reguladoras e a Evolução do Direito Administrativo Econômico.

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Acentua ainda Flávio Bauer Novelli que o federalismo fiscal se funda “na distribuição da competência legislativa (autonomia normativa) em matéria tributária, ou seja, na atribuição, diretamente pela Constituição Federal, de poderes impositivos próprios e de fontes de receita, independentes e adequadas, respectivamente, à União e às unidades federadas.” 32 Cada Estado possui suas peculiaridades de modo que também deve ter sua independência para o exercício da competência tributária. O poder constituinte originário já estabeleceu algumas restrições para o exercício dessa competência, com o fim de evitar a guerra fiscal, a saber: estabeleceu a possibilidade de o Senado Federal fixar alíquotas mínimas e máximas para operações internas 33, bem como estabeleceu a necessidade de aprovação por convênio para a concessão de isenções, incentivos e benefícios fiscais 34. O que não se pode admitir é o esvaziamento desta competência pelo poder constituinte derivado. O que, contudo, deve ser ponderado com o objetivo da República do Brasil em reduzir as desigualdades sociais e regionais 35. Desse modo, da mesma forma que não se pode esvaziar a competência do ente federado, também não se pode admitir que uma tributação diferenciada fruto de uma guerra fiscal acabe acentuando tais diferenças. Desta forma, a constitucionalidade destas limitações, decorrentes do constituinte derivado, dependerá, segundo Ricardo Lodi, do grau de influência que tais medidas impliquem o equilíbrio federativo, o que só no caso concreto pode ser aferido. Porém, não se pode perder de vista nessa análise, que a competência para os estados legislarem sobre o ICMS já foi originalmente restringida pelo constituinte de 1988. A grande questão que envolve a reforma do ICMS é a supressão da competência tributária dos estados, que passam a ser tão somente titulares da capacidade tributária ativa e destinatários de parte da arrecadação do tributo36. Por

32 -[5] NOVELLI, Flávio Bauer,“Norma Constitucional Inconstitucional? A propósito do art. 2º, § 2º, da Emenda Constitucional nº 3/93”, RDA 199, p. 39. 33 - Art. 155, § 2º, V ,alíneas “a” e “b”:“é facultado ao Senado Federal: a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, mediante resolução de iniciativa de um terço e aprovada pela maioria absoluta de seus membros; b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resolver conflito específico que envolva interesse dos Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por dois terços de seus membros”. 34 - Art 150 § 2º, XII, “g”-“cabe à lei complementar: g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados”. 35 - Art. 3°, III da CRFB 36 - Capacidade tributária ativa é o poder de instituir tributos.

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oportuno, devemos ratificar a distinção entre a capacidade tributária ativa e a competência tributária. A primeira é o poder de exigir o tributo, compreendendo as atividades de fiscalizar. Já a competência tributária encontra seu fundamento de validade na própria Constituição, sendo compreendida como o poder de criar o tributo através de norma infraconstitucional, a qual deve obedecer os limites impostos pelo constituinte originário. E se for, o caso, os limites do constituinte derivado. É através da competência tributária que o ente federativo exerce sua autonomia, podendo definir a alíquota, conceder benefícios, isenções....37 Na clássica doutrina de Aliomar Baleeiro “a isonomia dos entes políticos – em que se baseia a Federação – não é conciliável com a norma de competência derivada de outro ente político” 38. Ou seja, só haverá autonomia se houver competência tributária. Esta violação ao pacto federativo não resta sanada com a capacidade tributária ativa e nem tão pouco com a destinação do produto da arrecadação. Salienta Ricardo Lodi a necessidade da competência tributária para estabelecer uma política fiscal condizente com as prioridades político-administrativas, peculiares de cada Estado-membro. É, neste ponto, justamente, que reside a crítica à proposta de mudança, pois hão de retirar a possibilidade de cada ente agir autonomamente violando decerto o pacto federativo, consagrado como cláusula pétrea. Em seu artigo, Ricardo Lodi traça um paralelo com o Imposto sobre o valor agregado: “tais limitações fazem com que o ICMS passe a ser verdadeiramente um imposto federal em que os estados mantenham a capacidade tributária ativa e a arrecadação. É bem verdade que o IVA (imposto sobre valor agregado), no direito comparado, é de competência legislativa do ente central, quando instituído em regimes federativos. No entanto, a fixação do IVA na esfera da União é compensada por outras competências atribuídas aos estados39”. Assim, reforçamos nossa opinião no sentido de que na colisão entre a necessidade de evitar a guerra fiscal, em decorrência do princípio da conduta amistosa dos entes federados, e a necessidade de garantia do pacto federativo, deve esta última prevalecer, de forma que qualquer emenda que o viole deve reputar-se como inconstitucional.
37 - Lembramos ao leitor a restrição específica do ICMS, prevista no art. 150, § 2º, XII, “g”. 38 - BALEEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro – Editora Forensem, 11ª edição, revista e complementada pela professora MISABEL ABREU MACHADO DERZI - 1999, p. 76. 39 - Comentários do Autor: na Alemanha, por exemplo, o artigo 106 da Lei Fundamental atribui aos landers (estados-membros), além da participação na receita de vários impostos da União, como o de renda e o incidente sobre as sociedades, a competência, exercida sem interferência do legislador central, para a instituição dos impostos sobre o patrimônio, sobre as sucessões e transmissões a qualquer título, sobre os veículos automotores, sobre a cerveja e as casas de jogo.

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IV - INSTITUTO DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA IV.1 - EVOLUÇÃO DO REGIME DE SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A substituição tributária foi introduzida no nosso direito positivo por meio do Código Tributário Nacional, Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966, em seu art. 58, § 2º, II, já revogado, segundo o qual “a lei pode atribuir a condição de responsável: II - Ao industrial ou comerciante atacadista, quanto ao imposto devido pelo comerciante varejista, mediante acréscimo, ao preço da mercadoria a ele remetida, de percentagem não excedente a 30% (trinta por cento) que a lei estadual fixar” O Ato Complementar 34, de 30 de janeiro de 1967, substitui o inciso II do § 2º pelo seguinte: II - Ao industrial ou comerciante atacadista, quanto ao imposto devido por comerciante varejista, mediante acréscimo: da margem de lucro atribuída ao revendedor, no caso de mercadoria com preço máximo de venda no varejo marcado pelo fabricante ou fixado pela autoridade competente de percentagem de 30% (trinta por cento) calculada sobre o preço total; cobrado pelo revendedor, neste incluído, se incidente na operação, o art. 46, nos demais casos.” O Decreto-Lei 406, de 31 de dezembro de 1968, revogou expressamente os referidos dispositivos, em seu artigo 13. A Lei Complementar 44, de 7 de dezembro de 1983, acrescentou parágrafos aos artigos 2º, 3º e 6º do Decreto-Lei 406, de 31 de dezembro de 1968, regulando a substituição tributária para frente, expressamente estabelecendo: “Art. 2º §9º Quando for atribuída a condição de responsável ao industrial, ao comerciante atacadista ou ao produtor, relativamente ao imposto devido pelo comerciante varejista, a base do imposto será: a) o valor da operação provida perlo responsável, acrescido da

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margem de lucro do comerciante varejista obtida mediante aplicação de percentual fixado em lei sobre aquele valor; b) o valor da operação promovida pelo responsável, acrescido da margem de lucro atribuída ao revendedor, no caso de mercadorias com preço de venda, máximo ou único, marcado pelo fabricante ou fixado pela autoridade competente. §10º Caso a margem de lucro efetiva seja normalmente superior à estimada na forma da alínea “a” do parágrafo anterior, o percentual ali estabelecido será substituído pelo que for determinado em convênio celebrado na forma do disposto no parágrafo 6º do artigo 23 da Constituição Federal. Art. 3º §7º A lei estadual poderá estabelecer que o montante devido pelo contribuinte, em determinado período, seja calculado com base em valor fixado por estimativa, garantida, ao final do período, a complementação ou a restituição em moeda ou sob a forma de utilização como crédito fiscal, respectivamente, às quantias pagas com insuficiência ou em excesso. Art. 6º §3º A lei estadual poderá atribuir a condição de responsável: ao industrial, comerciante ou outra categoria de contribuinte, quanto ao imposto devido na operação ou operações anteriores promovidas com a mercadoria ou seus insumos; ao produtor, industrial ou comerciante atacadista, quanto ao imposto devido pelo comerciante varejista; ao produtor ou industrial, quanto ao imposto devido pelo comerciante atacadista e pelo comerciante varejista; aos transportadores, depositários e demais encarregados da guarda ou comercialização de mercadorias.

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§4º Caso o responsável e o contribuinte substituído estejam estabelecidos em estados diversos, a substituição dependerá de convênio entre estados interessados.” A Constituição em vigor acolheu o instituto (art. 155, §2º, XII “b”), tendo o Convênio nº 66, de 1988, incluído no seu texto as normas da Lei Complementar nº 44, de 1983. Logo após, a Emenda Constitucional nº 3, de 17 de março de 1993, acrescentou o parágrafo 7º, ao art. 150, da Carta Magna: “§7º - A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido”. Em substituição ao Convênio ICMS 66, de 1988, editou-se a Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996, que regula a tributação pelo ICMS, tratando nos arts. 6° ao 10 do regime da substituição tributária. Recentemente, a Lei Complementar 87, de 1996, sofreu alterações em virtude da promulgação das Leis Complementares 102, de 2000; 114, de 2002; 115, de 2002. IV.2 - PREVISÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO Assim sendo, tem-se que o instituto da substituição tributária possui sede constitucional (1) no art. 146, III, “a”, que prevê a regulamentação por lei complementar para a definição de normas gerais em matéria de legislação tributária, em especial a definição dos contribuintes do imposto, e (2) no art. 155, § 2º, XII, “a” e “b”, que estipula a definição por lei complementar dos contribuintes do ICMS e do instituto da substituição tributária. A matéria é regulamentada atualmente pela LC 87 arts. 6º a 10, alterada pela LC 102 e posteriormente pela LC 114. A Lei Complementar 87 de 1996 dispõe sobre regras gerais incidentes na tributação pelo ICMS, em especial sobre o regime de substituição tributária. Entretanto, deve-se constatar a necessidade de lei específica sobre a matéria em observância ao princípio da legalidade esculpido na Constituição. O princípio da legalidade previsto na Magna Carta, art. 150, I, deve ser respeitado, de maneira que os elementos tradicionalmente considerados como essenciais ao tributo devem estar expressamente disciplinados na lei em sentido

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cada pessoa jurídica de direito público interno tem o poder de instituir e arrecadar seus próprios tributos. é. consoante disposto na Magna Carta é de competência dos Estados-membros e Distrito Federal. ou mediante a especificação das características objetivas. de 1996. deve a lei prever a fase preliminar sobre a qual incidirá o fato imponível.3 . A Constituição Federal. tributo por ora analisado. 148 . A previsão constitucional da reserva legal não se restringe ao modelo obrigacional. tendo por fim garantir sua autonomia financeira.ELEMENTO PESSOAL No Estado Federal Brasileiro. o Estado-membro e o Distrito Federal. Ademais. aspecto objetivo (deve haver a indicação das mercadorias. da CRFB. a criação em sede de lei estadual do sistema de substituição. Neste sentido. Resta. que deverão ensejar a cobrança do tributo). exige o art. mas a qualquer modelo que venha a ser utilizado como mecanismo de arrecadação. o sujeito ativo do ICMS. No que concerne à criação de impostos. Como a instituição de tributos se faz mediante a elaboração legislativa. o aspecto de dimensionamento (referente à base de cálculo do tributo). Assim. afastada a possibilidade de regulação dessa matéria através de atos infralegais. o art. compreendido como a pessoa jurídica de direito público titular da competência para exigir o seu cumprimento.formal. 6° da Lei Complementar 87. bens e serviços e etc. é a lei estadual que vai prever nominalmente. é preciso que o sistema jurídico defina mecanismos de repartição de competência. portanto. a identificação das mercadorias. O sujeito passivo é a “pessoa obrigada a pagar o tributo e a penalidade 40 . que estabelece expressamente a possibilidade da medida provisória criar tributos – art 62. § 2º. e por fim. deverá a medida provisória ser convertida em lei antes do exercício seguinte àquele em que será cobrado. dos bens e dos serviços sujeitos ao regime. IV. A lei em sentido formal é aquela emanada do Poder Legislativo de acordo com o processo legislativo previsto constitucionalmente 40. portanto. respeitando o princípio da legalidade estrita. 97 do CTN prevê os demais casos em que se torna necessário a disciplina legal. delimitou a competência de cada ente federativo. Só cabe ao Executivo a função técnica de apuração e busca. Em se tratando do modelo operacional de antecipação. consoante tal entendimento. já que cabe à lei a elaboração das regras para a implantação da substituição. englobando o aspecto subjetivo (sujeito passivo). O ICMS.A discussão sobre a possibilidade de MP criar tributo foi cessada com a edição da Emenda Constitucional nº 32.

como bem salienta Marco Aurélio Greco. IV. o que implica a utilização de um referencial de encadeamento das operações realizadas. Em consonância com o art. em uma interpretação literal. caso em que será considerado contribuinte. Ricardo Lobo – Curso de Direito Financeiro e Tributário. que a Lei Complementar 87. presente e futuro. ou. Verifica-se.4 . A operação deve ser. fique obrigado ao pagamento do tributo por expressa determinação legal. somente poderá ser atingido pelo instituto da substituição o contribuinte do imposto ou o depositário a qualquer título. portanto. em seu art. 227. esta exegese não deve ser aplicada.TORRES. sob pena de inconstitucionalidade. caso em que será o responsável.pecuniária ou a praticar os deveres instrumentais para a garantia do crédito” 41. em não sendo o contribuinte. Assim. Dentro desta linha. 6º. pois deve haver uma relação entre o depositário e o fato imponível. ao contrário do entendimento majoritário dos Tribunais. Entretanto. abrange depositários de qualquer bem. 149 . deve ser entendido depositário a qualquer título como tão-somente os depositários das mercadorias que vão ensejar a tributação respectiva. Há de se concluir. p. Pode ter relação direta e pessoal com o fato gerador. No que concerne ao depositário a qualquer título. 6°. já que cabe à lei disciplinar o sujeito passivo da obrigação tributária. percebe-se que a lei complementar contempla a circulação econômica da mercadoria. não havendo possibilidade deste rol ser ampliado pela lei estadual. e não necessariamente. Não se pode alcançar qualquer depositário. nitidamente.MODALIDADES DE SUBSTITUIÇÃO No que concerne ao aspecto temporal. Na hipótese deve ser realizada uma interpretação sistêmica que identifique um critério restritivo. a expressão. aquele que praticou o fato gerador. 41 . será responsável aquele qualificado pela legislação. concomitante ou subseqüente”. “antecedente. atribui a responsabilidade pelo pagamento do imposto a pessoa diversa daquela que praticou o fato gerador. podendo a origem do depósito ser legal ou contratual. Em tal hipótese haveria invasão da competência definida pela Constituição. que o sujeito passivo no regime de substituição é aquele que apresenta as qualificações previstas pela legislação. Somente os sujeitos que apresentarem estas qualidades poderão ser responsáveis pelo pagamento do imposto. sendo indiferente a circunstância que ocasionou o depósito. conforme previsto na legislação. Não se adota o critério temporal de passado.

possui a responsabilidade (haftung). que é na realidade uma postergação do momento do recolhimento do tributo.A operação deve ser subseqüente e não simplesmente uma operação futura. Há um entrelaçamento nas operações da cadeia econômica. pratica o fato gerador. nos produtos agropecuários. Isso vai viabilizar a incidência do tributo sobre todo o valor agregado. ou seja. impedindo a evasão fiscal que poderia ocorrer no início da cadeia econômica.A CONTROVERTIDA CONSTITUCIONALIDADE DA SUBSTITUIÇÃO “PARA FRENTE” O instituto da substituição tributária por antecipação vem. pois torna-se relevante a passagem de uma estágio do ciclo econômico para outro. ficando para o contribuinte da operação seguinte a obrigação de pagá-lo. Ricardo Lobo Torres. sem o débito (schuld). O instituto da substituição tributária por antecipação importa em atribuir a alguém que não realizou o fato gerador. juntamente com seu tributo. Pode-se destacar duas modalidades de substituição: (1) substituição para trás. a obrigação de pagar o tributo devido por outrem.5 . ao comentar o regime da antecipação. A substituição “para trás” diz respeito ao deferimento. de maneira que só pode ser aplicado o instituto da substituição nas etapas interligadas do ciclo. denominando de contribuinte substituído quem. IV. desde seus primórdios. sobre os quais o recolhimento do imposto só deve ser efetivado na fase de comercialização. ou seja: ocorre o fato gerador para um determinado contribuinte sem que o tributo seja pago. A substituição tributária “para trás” ou regressiva não encontrou resistência na doutrina. A legislação denomina de contribuinte substituto aquele a quem confere o dever de pagar. quais sejam: 150 . Esta técnica de tributação é aplicada. tece algumas considerações. que apesar do entendimento jurisprudencial e doutrinário. (2) substituição para frente. Da mesma forma. deve ser antecedente e não simplesmente passada. sendo alvo de inúmeras críticas. já que é um diferimento no pagamento do tributo. que pode vir a se concretizar em uma etapa subseqüente. se vislumbra na hipótese a contemplação da circulação econômica da mercadoria. principalmente. Ressalta-se. efetivamente. mas que a ele está de alguma forma relacionado. Há grande resistência na doutrina para aceitar a constitucionalidade deste instituto.

1ª edição. o segundo. pois inexiste vínculo jurídico entre o industrial e o varejista. ed. porque afronta um dos mais elementares direitos individuais. como o direito de somente se submeter aos efeitos da incidência de qualquer regra jurídica. é um direito fundamental.(a) constituiria uma obrigação tributária sem fato gerador. do contribuinte. depois que tal incidência acontece. qual seja. (b) importaria em desrespeito ao art. 128 do CTN.Brito Machado. (c) viola o preceito constitucional atributivo de competência tributária aos Estados-membros que – ao definir o ´fato signo presuntivo de riqueza‘ sobre o qual poderá ser instituído o ICMS – já indica. à substituição “para frente”: “Ocorre que o direito de somente pagar um imposto depois da ocorrência do respectivo fato gerador. (c) haveria ofensa ao princípio da não-cumulatividade. assegurando. 42 . Assim. com isso. Dialética.116. o primeiro. repita-se o de não se submeter a qualquer efeito de incidência de norma jurídica antecipadamente. e de todas as pessoas. em face do que estabelece o art.São Paulo. de modo induvidoso. Aspectos fundamentais do ICMS. mais abrangente. o que contraria a própria fenomenologia do nascimento da relação jurídica tributária no ICMS. Sua inconstitucionalidade é flagrante. a atribuição de certa carga ideal de ICMS a cada contribuinte promovente da operação por ele alcançada. Hugo de. o destinatário legal do tributo. Hugo de Brito Machado 42 deixa clara sua crítica. 60. 151 . Admitir-se a cobrança de um imposto em face de um fato gerador futuro é submeter o contribuinte ao efeito de incidência de uma norma de tributação sobre um fato que ainda não ocorreu. § 4º. (b) viola o princípio da não-cumulatividade que garante o aproveitamento de créditos do imposto incidente nas operações anteriores. a proposta da qual resultou a Emenda nº 3 nem poderia ter sido objeto de deliberação.” Também contestam este mecanismo Geraldo Ataliba e Aires Barreto sob os seguintes fundamentos: “(a) viola o princípio da tipicidade tributária – corolário da estrita legalidade tributária – porque importa exigência do ICMS antes da ocorrência do fato imponível. inciso lV da CF. pág. pois não se sabe o real valor da venda ao consumidor final no momento prévio da saída da mercadoria do estabelecimento industrial.

Substituição e Responsabilidade Tributária. uma vez que a Constituição não restringiu a utilização exclusiva do regime obrigacional. Para este autor. 1º edição. nem mesmo a cláusula que assegura a imediata e preferencial restituição da quantia paga. Roque Antonio Curso de Direito Constitucional Tributário 16ª edição p. teria o condão de sanar o vício de inconstitucionalidade. 46 .(d) viola o princípio da capacidade contributiva. resta irremediavelmente atropelado com a simples tributação de fato imaginário. 5ª edição. pois alcança apenas uma fração dos modelos impositivos admitidos pela norma de competência e criados pela legislação”.”. vol. Revista de Direito Tributário. que aliás. Deveras a eventual recomposição do dano não restabelece o primado da segurança jurídica.Greco. entendendo ser inconstitucional o § 7º do art. mesmo assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga. cabendo a utilização de outros regimes. Para que este regime se coadune com os preceitos constitucionais é necessário que se paute em fatos ocorridos. Contrária à grande maioria dos juristas é a lição de Marco Aurélio Greco 46. 389. o mecanismo utilizado para arrecadação tributária é opção legislativa. caso não se realize o fato gerador presumido. no interesse fiscal da arrecadação. 152 . 150 acrescentado pela Emenda Constitucional 3 de 1993. que ainda não aconteceu (mesmo que. caso não se realize o fato gerador. 23.73/96. Diz ainda que à luz da competência tributária que lhe é outorgada. ele realmente aconteça)” 45.Carrazza. editora Malheiros. “Evidentemente. o legislador criará mecanismos operacionais (compulsórios ou não) que viabilizem a percepção do tributo. por importar oneração ao patrimônio daquele que é o destinatário legal tributário na medida de fato de outrem e não na medida revelada pelo fato tributário a seu cargo. Marco Aurélio. Diz o ilustre autor que “o argumento de que a obrigação tributária nasce da ocorrência do fato gerador é verdadeiro. 43 . a Constituição veda a tributação baseada em fatos prováveis. p. 44 . depois. 49.43. O princípio da segurança jurídica é uma garantia do contribuinte. pág. ed. e não em presunções incertas. Rio de Janeiro. a inconstitucionalidade perdura. p. como o da antecipação. isto é. IOB.176.ICMS. que preserva a tributação incidente tão-somente em fatos concretamente verificados.41. mas uma premissa parcial.43 Para estes doutrinadores. Roque Antonio Carrazza 44 eleva o princípio da segurança jurídica aos status de cláusula pétrea. Assim. 45 .

para fins de substituição tributária.Resp 52960 SP. que “a criação do modelo da antecipação e a escolha.” Desta feita. e em determinado grau que permita prever.12. o STF também se posicionou pela constitucionalidade do regime de substituição. os tribunais acabaram por legitimar a aplicação do regime da antecipação. Min Ilmar Galvão. 47 . nº 16. Min.em relação às operações ou prestações subseqüentes.96. 1993. algum tipo de vinculação com o fato tributável a ocorrer posteriormente. 153 . com razoável certeza. 50 Apesar da opinião doutrinária. quais sejam: evitar a evasão fiscal (segurança jurídica) e assegurar recursos com alto grau de previsão e praticidade (certeza fiscal).A substituição tributária por fato gerador futuro – Emenda nº 3 à Constituição de 1988. 1/6. Na esteira deste posicionamento. págs. sendo certa a cobrança fiscal. é pacífica. 48 .49 Assim. de forma igualitária48.531. 50 .o princípio da igualdade é empregado na sua acepção substancial. a aplicabilidade do regime de substituição tributária. a escolha só pode recair em eventos que representem. 8º A base de cálculo. 17. obtida pelo somatório das parcelas seguintes: a) o valor da operação ou prestação própria realizada pelo substituto tributário ou pelo substituído intermediário. primando pelo tratamento desigual aos desiguais. pelo legislador. o aludido jurista crê que o recolhimento antecipado é verdadeiramente uma mera técnica arrecadatória.BASE DE CÁLCULO PARA FINS DE SUBSTITUIÇÃO Art.08. em sede jurisprudencial. compatível com ditames constitucionais.99.Afirma. participar das despesas públicas. Rel. 22.319/320. Segundo se depreende do ensinamento de Sacha Calmon Navarro Coelho 47. in Repertório IOB de Jurisprudência. Adhemar Maciel. Marco Aurélio Greco. Sob este prisma. reduzindo as possibilidades de não recolhimento do tributo. o regime da antecipação possibilita maior eficácia na fiscalização do imposto devido. IV. 49 . sua ocorrência (elemento adequação) e na dimensão prevista (elemento proporcionalidade ou proibição do excesso). a substituição funda-se em dois valores. no plano fático. o Poder Público assegura que todos os contribuintes que apresentem manifestação de riqueza possam. será: II . ainda. No STJ este posicionamento encontra-se solidificado em reiterados acórdãos. da fase preliminar não pode ser aleatória nem arbitrária.RE 202715-4 – SP. Rel. ao evitar a evasão fiscal. Desse modo.6 .

“informações e outros elementos”. O § 6º. Busca-se adequar um modelo de substituição plural. se busca uma completa identificação entre o valor presumido e o valor real. “b” e “c”. Questão relevante que ora se coloca diz respeito à base de cálculo. em especial quando ocorre a substituição em operações subseqüentes. c) a margem de valor agregado. pois se há tanta preocupação com 154 .b) o montante dos valores de seguro. introduzido pela LC 114 de 2002. “amostragens”. Com efeito. comportando mais de uma etapa do ciclo econômico. a substituição pode abranger mais de uma operação subseqüente. quando da substituição por antecipação. já que é este o valor referencial para a apuração do montante devido. estabelece que a base de cálculo. O § 4º denota esta preocupação com a realidade. verifica-se a intenção do legislador de tentar aproximar esta estimativa do valor final com a realidade. relativa às operações ou prestações subseqüentes. no regime atual. Para tanto. observa-se a utilização de expressões como “usualmente praticados”. Isso é de suma importância. já que permitiu que a base de cálculo fosse calculada pelo valor da operação do substituto intermediário. que prestigia o valor final da mercadoria. ou seja. estabelecendo como regra a apuração do valor final da mercadoria. A todo o momento. no sentido de considerá-la como a diferença entre o preço praticado na última etapa do ciclo econômico e o valor da operação própria. previsto na alínea “a”. acrescido das demais despesas. de frete e de outros encargos cobrados ou transferíveis aos adquirentes ou tomadores de serviço. com o valor final da mercadoria. Mediante análise da alínea “a” percebe-se que o legislador não restringiu a possibilidade de substituição à operação imediatamente subseqüente. O inciso II deste artigo estabelece que a base de cálculo será o somatório de três parcelas indicadas nas alíneas “a”. conforme alínea “b”. deve ser feita uma interpretação sistemática da expressão “margem do valor agregado”. Tendo em vista esta possibilidade. também poderá ser calculada mediante o valor em que a mercadoria chega ao consumidor final. inclusive lucro. Há regras no § 4º que disciplinam a apuração deste valor para que a base de cálculo ficta se coadune com a real. Este parágrafo introduzido pela LC 114 apenas reafirmou o entendimento doutrinário a respeito. Os parágrafos subseqüentes do dispositivo corroboram este entendimento.

CONVÊNIO ENTRE OS ESTADOS COMO REQUISITO ESPECÍFICO Há necessidade de um requisito específico para a implantação do sistema de substituição em operações interestaduais. Para tanto.o que de fato vai ocorrer é porque a base de cálculo devida é. Dentro deste contexto. nas operações interestaduais. cabe ao Estado a prova da veracidade do valor adotado para fins de substituição. Uma determinada lei estadual não terá eficácia para alcançar. a LC 87 exige o levantamento de dados através de uma pesquisa dentro de um universo de condutas. Esta tese é reafirmada pelo próprio legislador ao se preocupar com o valor em que a mercadoria chegará ao consumidor final. violar regras constitucional e legalmente estabelecidas. Não se pode. Caso este valor presumido não venha a se concretizar. a base de cálculo sobre um valor ficto será legitimada com a apuração do valor real. por exemplo. Este acordo é o convênio. IV. Este acordo é uma simples extensão das regras do primeiro Estado para o território de outro Estado. em virtude da celebração de convênio que transponha os limites territoriais de seu Estado. de fato. Assim. a pretexto da utilização do um sistema. deverá haver um ajuste para adequar o montante devido com o que fora pago. Ou seja. ou mesmo não venha a ocorrer.7 . 155 . Conforme o dispositivo podem ser utilizados amostragens. um industrial situado em outro Estado. Desta forma o acordo específico. Através destes dados o Poder Público vai encontrar subsídios para identificar a base de cálculo real. não é um meio para a elaboração de normas sobre a substituição tributária. o valor real do produto. o acordo específico. cabendo a ele a prova de que esta realidade foi alcançada. ou seja. todos os mecanismos para adoção deste sistema devem permitir que o Fisco alcance a realidade. que se torna necessário uma vez que a lei estadual criadora do sistema de substituição terá sua validade restrita aos limites territoriais do seu Estado. delineando cada hipótese em que se pretenda atribuir extraterritorialidade à lei estadual. será responsável pelo pagamento do tributo devido. mas apenas um instrumento para a extensão da eficácia da lei do Estado de destino. devendo nesta hipótese haver a restituição caso seja este valor menor do que o presumido. informações e outros elementos que possibilitem a identificação da realidade. adequando-a ao valor presumido. qual seja. O substituto.

entretanto a teoria dualista identificou uma segunda relação. Desta forma. Seria uma relação de débito (schuld). sob pena de extrapolar os limites da manifestação de riqueza que legitima a cobrança do tributo. Deve ocorrer o ajustamento entre a base de cálculo presumida e o valor final da mercadoria. Entende-se que constitui direito inviolável do contribuinte a tributação tão-somente sobre a real manifestação de riqueza.1 . pode haver responsabilidade com ou sem o débito. sem. sendo inconstitucional a violação desta garantia. em que ao devedor cabe o adimplemento da obrigação atendendo a todas as exigências devidas. que realizou o fato gerador.LEGITIMIDADE PARA PROMOVER A RESTITUIÇÃO O que se pretende é assegurar ao responsável o direito à restituição do indébito resultante da aplicação do mecanismo da antecipação. o CTN. a da responsabilidade (haftung). inviabilizar o direito do contribuinte. contudo. Ressalta-se a defesa da obrigatoriedade da restituição quando o fato gerador inexistir ou se verificar que a base de cálculo ocorre a menor. de origem germânica. e o sujeito passivo que suportará exclusivamente a responsabilidade sem a prática do fato imponível.AS QUESTÕES CONSTROVERTIDAS DA SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA V. cabe ao Estado disciplinar a forma pela qual irá promover esta restituição. prevê dois sistemas de responsabilidade. e ao credor há o dever de receber e dar quitação do que lhe for adequadamente prestado. Esta segunda relação é independente da primeira. segundo a qual se identificam duas relações jurídicas. O CTN acolheu a teoria dualista prevendo a possibilidade de não haver coincidência entre o titular do débito tributário. em seu art 128. Na concepção da teoria monista este seria o único vínculo existente. De certo. ao contrário do defendido pelo Pretório Excelso. A primeira seria o vínculo estabelecido entre o credor e o devedor. tendo em vista a independência entre as duas relações. podendo ser responsável aquele que de fato possua o débito ou outro qualificado pela legislação como responsável. A lei complementar adotou a teoria dualista. No caso de operações interestaduais.V . a restituição é devida pelo Estado que arrecadou o valor do tributo a maior. 156 . Este ajuste entre o ficto e o real é mera operacionalização do mecanismo de antecipação. Assim.

Mesmo sob a égide deste diploma legal há acórdãos em sentido contrário atribuindo a legitimidade ao substituto sob os seguintes argumentos: 51 . assumindo a responsabilidade pela obrigação tributária” 52 A duas. ora ao substituído para a restituição do ICMS pago indevidamente. a relação jurídica tributária se estabelece entre o Fisco e o substituto. Os repertórios autorizados de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça contêm inúmeros acórdãos atribuindo legitimidade ora ao substituto. tendo como marco divisório a vigência da LC 87/96 que. Rel. Esta identificação é de suma importância para a fixação da titularidade ativa do pleito restituitório. 2002 p. Questão relevante sobre o tema é a conjugação da teoria dualista com a possibilidade de restituição do valor pago a maior a título de imposto. investigar a repercussão de um tributo significa utilizar critérios econômicos para identificar quem suporta a carga tributária. Curso de Direito Financeiro e Tributário.Um. obrigada originariamente a pagar o tributo. Assim. Em que pese tal argumentação. que é a pessoa não vinculada ao fato gerador. 23 157 . Rio de Janeiro. A uma. o substituto será exclusivamente o responsável pelo pagamento do tributo devido. de maneira que o contribuinte originário não se responsabiliza caso haja o inadimplemento do responsável. caput assegura ao substituído a legitimidade para a restituição. em virtude de determinação legal. Min. o art. publicado em 21. apontar sobre quem efetivamente incide o peso financeiro do tributo. No modelo da substituição. “substituto é aquele que. Renovar. contudo.Resp 173. Humberto Gomes de Barros. 10. fica em lugar do contribuinte. 51 . de maneira que a responsabilidade do contribuinte originário permanece caso o responsável não cumpra com a devida obrigação. 52 . Percebe-se.06. relação jurídica entre o Estado e o substituído.907 RS. uma linha de coerência cronológica entre as teses esposadas. Inexiste. portanto. a lei complementar adotou o sistema da responsabilidade com exclusão. 150 § 7º da CRFB se refere ao substituto. ou em outros termos. em seu art. pois consoante a lição de Roque Antonio Carrazza. e o segundo sem a exclusão. sendo o ICMS um tributo indireto deve ser averiguada a repercussão. O cerne da questão está na legitimidade para promover a ação destinada à restituição do ICMS indevidamente recolhido em regime de substituição tributária.Torres. pois consoante entendimento da doutrina. 9º edição. com a exclusão da responsabilidade do contribuinte originário. Ricardo Lobo.1999.

pelo contribuinte. em diversos acórdãos. Inicialmente. Segundo. o critério para a fixação da legitimidade ativa para a restituição do ICMS é o da redução da capacidade contributiva do contribuinte. para evitar injustiças. em cujo teor cabe a restituição do tributo pago indevidamente. somada aos fundamentos éticos da repetição do indébito – a eqüidade e a vedação ao empobrecimento daquele que suportou a exação fiscal – fizeram que o Excelso Pretório emitisse o verbete de súmula nº 71 estabelecendo que embora pago indevidamente. Houve uma generalização. A doutrina. foi no sentido de adotar a tese que rejeita a repercussão indireta. constatou o STF que nos impostos indiretos repercute o tributo. ao contemplar tal corrente doutrinária. Garcia Vieira. Assim. fundamentada sobretudo no argumento da previsão expressa em lei. foi editado o verbete de súmula nº 546. Com o advento da Lei Complementar 87 de 1996. Min. o contribuinte de direito apenas antecipa o recolhimento ao Fisco e o pagamento do tributo. não se prevendo a hipótese em que o contribuinte de direito pudesse suportar o ônus da carga tributária indevidamente paga. considerando-a absorvida nos custos empresariais. 10 do referido diploma legal. quando reconhecido por decisão que o contribuinte de direito não recuperou do contribuinte de fato o quantum respectivo. o STJ. que não se transferiu o ônus respectivo ao comprador dos bens" 53. por entender que em tais hipóteses o tributo se dilui na margem de lucro. mas quem efetivamente suporta o ônus da exação é o substituído. Resp 149192. e não o do enriquecimento ilícito do ente público. Nesse contexto. no art. A tendência do STF. não cabe restituição de tributo indireto. Min. portanto. se consolidou.739 –SP. 53 . a corrente jurisprudencial que defende a legitimidade do substituído para a restituição do ICMS. foi decidido que “tratando-se de imposto indireto. utiliza ainda outros argumentos: Primeiro. com o contribuinte de direito transferindo ao contribuinte de fato o ônus financeiro da imposição fiscal. atualmente adotada pelo STJ. passou a exigir a prova da não repercussão do tributo discuto in casu. O desenvolvimento do tema no Supremo seguiu linhas jurisprudenciais próprias. Tal razão. a sua restituição somente pode ser dar quando comprovado. Milton Luiz Pereira.Resp 32.Diante de tal fato. suportada pelo contribuinte de fato. distintas das verificadas no Superior Tribunal de justiça. no Superior Tribunal de Justiça. Rel. 158 .

deveria ser devolvido ao substituído o valor da diferença. é encontrar um ponto de equilíbrio entre dois valores. assegurando a restituição do que a maior fosse cobrado por antecipação. Caso contrário. o convênio dispensa o pagamento quando o valor da base de cálculo for maior que a presumida. a proteção ao patrimônio e as garantias do contribuinte tendo em vista a aplicabilidade do princípio. Segundo Ricardo Lobo Torres. da capacidade contributiva e da isonomia. debates doutrinários e jurisprudências acerca de sua constitucionalidade. em prol do favor fiscal. superada tal discussão. Ocorre que dificilmente o valor real se identifica com o valor presumido.Em que pese tal entendimento. do outro.2 .ALCANCE DO INSTITUTO A adoção do regime de substituição tributária. o valor estimado da operação deve corresponder ao seu valor real. de um lado a simplificação e a arrecadação. Entretanto. Assim. Grande parte da doutrina sustenta que a adoção do regime de substituição “para frente” não pode. desde que a lei garantisse a veracidade da base de cálculo final. em hipótese alguma. já que assegura o direito à restituição caso o fato gerador não ocorra. como fora analisado. questão a ser enfrentada é quanto à restituição do valor pago indevidamente a título de tributo. Na prática. em especial o da capacidade contributiva e da isonomia. O desafio. por si só. Quando a Constituição Federal trata do fato gerador presumido ela estabelece uma presunção relativa. 159 . V. Se o fato gerador ocorresse sobre uma base de cálculo menor. se fosse o fato gerador maior. o Supremo Tribunal Federal começa a reconhecer a legitimidade ad causam do contribuinte de fato para a restituição. ocasionou. quando for verificado que sobre ele repercutiu o tributo. assegurando ao substituído o direito à restituição caso esta operação não se efetive nas dimensões previstas por ocasião do recolhimento. como será analisado. a questão é extremamente controvertida. Caso contrário estarse-ia violando princípios constitucionais. no entender de Marco Aurélio Greco. a tendência dos nossos tribunais foi no sentido de conferir a legitimidade da substituição “para frente”. Na hipótese inversa. o substituído deveria recolher o restante devido. importar para o contribuinte carga tributária maior do que a devida de acordo com o arquétipo constitucional do imposto.

este dispositivo pode ser desmembrado em três cláusulas constitucionais. o autor irá verificar a impossibilidade de aplicação dos métodos clássicos para a resolução de antinomias. assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga. deve respeitar os valores e princípios garantidos pela Carta Magna. Assim. caso não se realize o fato gerador presumido”. sendo este um direito do contribuinte. quando torna-se necessário compatibilizar as garantias do contribuinte com as normas de simplificação da legislação tributária. reduzir os custos da arrecadação e do contribuinte. a saber: 54 . Interpretação e Elisão Tributária. ou seja. A tensão ocorre. 150. cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente. 160 . Ricardo Lodi Justiça. Editora Lumen Juris 56 .GRECO. Com efeito. A realização da operação sobre a qual já foi recolhido o tributo apenas vai legitimar esta cobrança. Editora IOB. a tributação recai sobre a efetiva manifestação de riqueza. de um lado. Substituição Tributária.Sobre o tema consultar Daniel Sarmento “A Ponderação de Interesses na Constituição Federal”. onde ganha relevância o peso específico que cada princípio assume no caso concreto. Nesta hipótese eventual conflito deverá ser resolvido pela ponderação. p. através da antecipação. sendo obrigatório a realização de ajuste para adequação do ficto com o real. esculpido pelo princípio da capacidade contributiva. Para tanto. 15. torna-se mister a ponderação 54 para encontrar o ponto de equilíbrio entre a simplificação e a arrecadação dos tributos. De fato. arrecadação e fiscalização dos tributos. pelo regime da antecipação. em seu art. quando estiverem em jogo princípios constitucionais. a pretexto da utilização de um regime alternativo da arrecadação. Para Marco Aurélio Greco 56. tributar além da manifestação de riqueza. baseadas no interesse da fiscalização em combater a elisão fiscal. 55 . A CRFB prevê a possibilidade de restituição.RIBEIRO. como bem salienta Ricardo Lodi Ribeiro 55.Este mecanismo alternativo de arrecadação. e a proteção ao patrimônio e as garantias do contribuinte. Marco Aurélio. e simplificar o procedimento de recolhimento. Com base na doutrina de Ronald Dworkin e Robert Alexy. o tributo torna-se devido em virtude de uma ficção legislativa. de outro. deve ser assegurada ao contribuinte a completa identificação entre o fato gerador presumido e o real. Não se pode. § 7º: “§7º . o da antecipação. o fato imponível é presumido pelo legislador.A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição.

ou o responsável. por constituir um direito do contribuinte. cláusula de restituição do excesso. 150. o ICMS deve incidir sobre o processo de produção e circulação de mercadorias e não sobre o capital e a renda das empresas. Ou seja. a exegese deste dispositivo alcança apenas as hipóteses em que o fato não se realiza ou também se aplica às hipóteses em que a base de cálculo real for menor que a presumida. cláusula de atribuição. Assim. a da restituição do excesso. não há necessidade de lei específica que preveja a restituição caso o fato imponível não venha a concretizar-se. Através desta cláusula estaria preservado o princípio da segurança jurídica. 2. A Constituição não condiciona a restituição do excesso. Para o autor. Explica-se. a terceira cláusula. Entretanto. assegura a coerência e a validade do regime da antecipação. o próprio contribuinte pode ser obrigado a recolher antecipadamente o tributo. pois diante do nexo entre o fato presumido e o fato legitimador se resguardaria a justa expectativa dos cidadãos. Segundo a cláusula de vinculação deve haver a identificação entre o fato presumido que gera o dever de recolhimento do tributo e o fato gerador. por fim. A cláusula de atribuição tem por fim definir o responsável pelo pagamento do imposto. ou seja. como o caso. sob pena de tributar-se não a circulação de mercadoria. Desta forma. do instituto da compensação. 3. esta vinculação é fundamental. a Administração estaria promovendo a tributação sem vinculação com o fato gerador do tributo. que possui a responsabilidade pelo pagamento do tributo. Se o valor presumido não corresponder ao valor que de fato deveria ser tributado. de maneira que a tributação deste excesso não é justificada com as hipóteses de incidência do ICMS. por exemplo. mas o capital das empresas. sem vinculação direta e pessoal com o fato gerador.1. que guarda relação direta e pessoal com o fato gerador. ou a lei poderá eleger pessoa diversa. havendo na hipótese a antecipação com substituição. § 7º. Ou seja. Para Marco Aurélio Greco “não há autorização constitucional para cobrar mais 161 . E. a expressa previsão legal. cláusula de vinculação. o regime da antecipação pode ocorrer com ou sem substituição. prevista no art. caso em que ocorrerá a antecipação sem a substituição. A controvérsia se instaura ao delimitar a extensão que esta cláusula constitucional pode alcançar. Conforme já analisado o sujeito passivo pode ser o contribuinte. deve ser observada a necessidade de previsão legal quando o mecanismo de restituição assim demandar.

porque não há hipótese de incidência para a diferença entre a base de cálculo presumida e o valor real da operação. mas do valor pago a título de tributação. os pagamentos antecipados devem ser compensados com o imposto realmente devido. Ou seja. Ao final do ciclo econômico.. o princípio da isonomia poderia ser violado pela facilidade no descumprimento da legislação tributária pelos contribuintes.”. Ou seja. e continua: “não se antecipa para arrecadar mais do que o devido”. No entanto. não reflita a capacidade contributiva de cada um dos contribuintes. A rigor.do que resultaria da aplicação direta da alíquota sobre a base de cálculo existente. É certo que a definição legal dos elementos necessários para ocorrência do fato imponível não pode constituir um empecilho para o controle da Administração. na maioria dos casos. a adoção de medidas simplificadoras para facilitar a fiscalização não pode propiciar uma tributação que. o que acarretará uma injusta repartição das despesas públicas e uma violação do princípio da isonomia. da Constituição da República. na hipótese não há tributo indevido. Analisa se a mesma é realmente necessária para assegurar a manutenção da isonomia tributária no cumprimento das obrigações pelos contribuintes. Os interesses da fiscalização não devem ser confundidos com a justiça tributária. Resta clara a posição do ilustre doutrinador em extrair do art. a legitimidade para a restituição. 150. O excesso deve ser restituído ao contribuinte por não haver fato imponível que justifique sua cobrança. ou se a tributação pela capacidade efetiva já não seria suficiente para atingir esse objetivo. ou pelo alto custo para a sociedade na adoção de medidas que impeçam esse descumprimento. há o desrespeito pela isonomia se não há possibilidade de se estabelecer mecanismos de controle do cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes menos imbuídos do dever de contribuir para as despesas públicas ou quando o alto custo desses controles é suportado por toda a sociedade.. e nem imputar a qualquer deles uma carga tributária radicalmente distinta da que seria devida caso não houvesse a medida simplificadora. 162 . A legitimidade na aplicação das normas de simplificação dependerá da proporcionalidade dessas medidas vistas sob o princípio da capacidade contributiva. Deve ser averiguada a razoabilidade da medida simplificadora. § 7º. Com a deficiência na fiscalização. não do tributo indevido. Devem-se ponderar os princípios a fim de alcançar um ponto de equilíbrio. muitos contribuintes poderão deixar de recolher seus tributos.

já que não é possível identificar a capacidade econômica de cada indivíduo. Ricardo Lodi Justiça. 1998 e Robert Alexy Teoría de los derechos fundamentals. um sistema tributário que identifique diversos signos de manifestação de riqueza. independentemente de sua eventual disponibilidade financeira. uma fração qualquer do custo total dos serviços públicos. os princípios passam a ser considerados como espécies normativas. Luís Roberto – Interpretação e Aplicação da Constituição. com o pensamento pós-positivista.RIBEIRO.Baleeiro.” 59 Para Aliomar Baleeiro. Desse modo. uma nova dimensão.PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Os princípios ganham. a 57 . podem ser enquadradas em duas categorias diversas: normas-princípio e normas-disposição 58. Curso de Direito Financeiro Editora Renovar. 163 .. em geral.Capacidade Contributiva O primeiro princípio a ser analisado é o da capacidade contributiva. sem sacrifício do indispensável à vida compatível com a dignidade humana. identificada pelo legislador.Sobre o tema consultar Ronald Dworkin. Ultrapassado o positivismo formalista da jurisprudência dos conceitos. caracterizando-se pela carga normativa que lhes é atribuída.3 . como signo presuntivo de riqueza a fundamentar a tributação. V. a capacidade contributiva consiste na manifestação econômica.” 60 Assim sendo.BARROSO. p. 59 . Cabe ao legislador visualizar situações que demonstrem estes signos presuntivos de riqueza. Assim. apud Luís Roberto Barroso. tendo em vista que a dogmática moderna avaliza o entendimento de que as normas jurídicas. Interpretação e Elisão Tributária. Editora Lumen Juris. Justiça. 2002 p. Um Introdução .3. como vetor exegético de interpretação. Lumen Juris. assim como o positivismo sociológico da jurisprudência dos interesses. Segundo Ricardo Lobo Torres. Interpretação e Elisão Tributária. “a capacidade contributiva do indivíduo significa sua idoneidade econômica para suportar. nos cabe analisar os princípios da capacidade contributiva. diante da importância que assume o princípio na visão pós-moderna. 67. Aliomar. como a propriedade. Ricardo Lobo. 61 . Ed. este princípio determina: “que cada um deve contribuir na proporção de suas rendas e haveres. p.TORRES. 1993. 559 apud Ricardo Lodi Ribeiro.151. 60 . Na lição de Luís Roberto Barroso 57 já se encontra superada a distinção entre norma e princípio. 82.V. p. Taking Rights Seriously. 58 . da igualdade e da vedação ao confisco.1 .. segundo Ricardo Lodi Ribeiro 61..

pois fruto dos direitos fundamentais. É a busca pela segurança jurídica ao lado do valor da justiça. quando houver tributação de atos que não se revelem em signos presuntivos de riqueza. Não se pode repartir as despesas do Estado com aqueles que não revelam signos presuntivos de riqueza. A tributação deve recair sobre uma manifestação econômica. o legislador deve escolher como fato gerador do tributo um ato que seja revestido de conteúdo econômico. em seu art. segundo Ricardo Lodi Ribeiro. o que seria violador do limite máximo da capacidade contributiva. E para que esta seja efetivada. No entanto. A tributação não pode chegar ao ponto de confiscar a propriedade. A exemplo. De certo. de modo que não há tributação na ausência desta manifestação. assim. a expressa menção no texto constitucional. o professor alemão Klaus Tipke. § 1°. Um dos precursores da doutrina da justiça fiscal. exercida pelo Estado para estimular ou desestimular uma atividade. renda ou serviço do contribuinte. A extrafiscalidade. 145. deve ser concebido à luz de fatos geradores que se revelem em signos de manifestação de riqueza e que sejam harmônicos entre si. o mínimo existencial representaria uma verdadeira imunidade. vislumbra o princípio da capacidade contributiva como critério justo para a repartição da carga dos impostos. considerado como a menor riqueza para o exercício de uma vida digna. como limite máximo. ao princípio da capacidade contributiva reflete a tendência pós-moderna pela busca da justiça fiscal. Segundo Tipke. No entender de Ricardo Lobo Torres. visto como uma faceta da dignidade da pessoa humana e do próprio Estado Social. é mais adequado do que o imposto único. Violada será. a circulação de mercadoria. Tal sistema.renda e capital. que o limite inferior do princípio da capacidade contributiva é o mínimo existencial. maior do que nos tributos fiscais. temos alíquotas do imposto de exportação que podem chegar a cento e cinqüenta por cento. É o chamado mínimo existencial. Conclui-se. portanto. Evidente que tais limites da capacidade contributiva são aplicados aos tributos com caráter fiscal. tal princípio corresponde aos princípios do Estado Social de Direito e da consciência jurídica. permite uma dilatação das alíquotas. temos o confisco. e não por fatos geradores que simplesmente se amoldam com uma arrecadação fiscal menos complexa. 164 . Dentro desta concepção de que o fato gerador se traduz em signo de manifestação de riqueza é possível vislumbrar a acepção objetiva 62 da capacidade contributiva.

Ora.O art. um valor maior a título de imposto do que o resultante da alíquota sobre a base de cálculo do imposto na operação com o consumidor final. Deve-se adotar o critério dos rendimentos reais. Na adoção do regime de antecipação. o princípio da capacidade contributiva é uma concretização do princípio da igualdade65. 63 . quando houver isenção. Então. Justiça fiscal e o princípio da capacidade contributiva.Marco Aurélio Greco distingue o conceito de capacidade contributiva em suas duas acepções: a primeira subjetiva. 64 . Editora Malheiros. há de ser aplicada sempre63.se tal alíquota fosse aplicada a um tributo fiscal. Klaus Tipke pondera que “o princípio da capacidade contributiva é um princípio de valor real e não pessoal”64. como cânone da justiça fiscal.34. 145. dados aparentes ou meramente nominais sem potencial econômico não corporificam capacidade contributiva alguma. de maneira que não refletem. com base na teoria moderna. presumida e individual (alguém tem capacidade contributiva). não podem ser concedidos 62 . Não se pode exigir. o fato gerador presumido por si só não apresenta a manifestação de riqueza.Klaus Tipke e Douglas Yamashita. em caráter definitivo. ao utilizar a expressão ¨sempre que possível” está se referindo à personalização dos tributos e não à capacidade contributiva que sempre deve ser observada.O princípio da igualdade é utilizado em sua acepção moderna. Para o autor. por ausência da manifestação de riqueza. pág. manifestação de riqueza. a segunda objetiva. pois ocorrerá na hipótese a tributação sem a respectiva correspondência com o pressuposto de fato do tributo. abrange o conceito de capacidade financeira. ligada à pessoa. Na sua acepção objetiva. A tributação deste excesso não encontra justificativa nas hipóteses de incidência previstas na legislação. na sua acepção objetiva. Nesta hipótese a verificação da capacidade contributiva será promovida quando da adequação da ficção legal com o fato in concreto. No texto foi empregada a expressão capacidade contributiva. a capacidade contributiva. a capacidade contributiva busca identificar a manifestação de riqueza. sendo mero indício da provável realização de uma operação revestida de conteúdo econômico.§ 1º. portanto. Restaria violado tal princípio caso não houvesse a restituição dos valores recolhidos a título de imposto. o que não é possível quando se está diante de uma ficção legislativa. Assim. de maneira que a contribuição de cada indivíduo deve ser estabelecida de acordo com a sua manifestação de riqueza. na medida em que algo indica a existência de capacidade contributiva. 165 . No que se refere às taxas. ou seja. estas serão mensuradas pelo limite mínimo de tal princípio. 65 .

3. A existência de desigualdades naturais justifica a criação de categorias ou classes de contribuintes. V. Segundo Themístocles Brandão Cavalcanti. inciso I. somente pode ser admitida no sentido de uma paridade de direitos numa correspondente paridade de condições. É certo que a Constituição Federal não restringiu a utilização exclusiva do 66 . por ferir diretamente a uniformidade. Estados. o princípio da igualdade não exclui “a diferença em função de condições pessoais. que não pode fazer distinção entre situações iguais.Princípio da Igualdade O princípio da igualdade é um limite ao arbítrio do aplicador da lei. também. II p. dirigir-se a grupos de pessoas. Tal igualdade de situação pressupõe a igualdade de condições e de circunstâncias. A igualdade. por parte da União. de “tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente”. a lei tributária deve oferecer tratamento desigual para as respectivas situações diferentes. a influência da idade. A igualdade jurídica não é outra coisa que a igualdade relativa. Diante desta premissa é possível verificar que a não restituição do valor a maior pago a título de imposto constitui grave violação a este tratamento isonômico. Em caso de desigualdade de condições. pois a aplicação da lei tributária deve ser igual para todos que se encontrem em situações idênticas.em matéria tributária. A igualdade diante do imposto implica generalidade (alcança a todos que se encontrem nas mesmas condições) e uniformidade (pessoas em idênticas situações devem ser tratadas igualmente)66. A lei. desiguais. Compêndio de Direito Tributário vol. com o seu pressuposto lógico da igualdade de situação. Da mesma forma que se aplica de forma desigual aos que se encontrem em situação. 117 166 . No direito tributário o princípio da igualdade jurídica se expressa na igualdade da tributação.2 . pode estabelecer distinções. do sexo. veda a instituição. contemplar situações excepcionais em que se pode colocar um número indeterminado de indivíduos. A lei se aplica do mesmo modo para todos que se encontrem em situações iguais nela previstas.MORAES. no art. dada a natureza da atividade a ser exercida. da competência e das habilitações”. no direito. 150. Distrito Federal e Municípios. sem perder o seu caráter de universalidade. A Constituição da República. Bernado de Ribeiro.

da Constituição Federal. não legitima um tratamento diferenciado.” Haveria na hipótese verdadeiro confisco. a variação da carga tributária deve se dar em função da variação da manifestação da capacidade contributiva. corolário do princípio da capacidade contributiva. estar-se-á diante de hipótese em que mera técnica de arrecadação de tributo estará sendo utilizada como instrumento indireto de apropriação de parcela do patrimônio individual sem fundamento em norma constitucional. Assim.3. com a mesma base de cálculo real. em decorrência do mecanismo utilizado para arrecadar o tributo. sendo opção do legislador adotar o mecanismo que melhor atenda as exigências fiscais. portanto. Ou seja. a não restituição do valor indevido pago a título de imposto constitui uma violação ao princípio da igualdade. Em duas situações. previsto no art. que não se constitui. através do regime da 167 . de fato. Segundo se depreende das lições de Dino Jarach 67 igualdade tributária significa igualdade de condições de capacidade contributiva.mecanismo obrigacional. a Administração “invade” o patrimônio do particular para dele se apropriar sem qualquer motivo que justifique. Não se pode admitir que o Poder Público possa. em uma desigualdade entre os contribuintes. através deste instrumento.3 . Não se pode.Princípio da Vedação ao Confisco Outro princípio que merece destaque é o da vedação ao confisco. O regime de antecipação é um meio utilizado pelo Fisco para facilitar a arrecadação e a fiscalização tributária. o montante devido a título de ICMS não pode variar de acordo com o sistema arrecadatório utilizado. e não em razão do regime adotado pelo fisco. IV. pois se não o for. V. 150. Entretanto. vedado constitucionalmente. De certo que nesta hipótese não se pode criar uma classe ou categoria de contribuintes. Marco Aurélio Greco vislumbra que “o excesso deve ser devolvido. Esta desigualdade. Em outras palavras. restaria por violado o princípio da igualdade se houvesse diferença no valor do tributo devido em razão do mecanismo adotado. arrecadar mais do que seria devido na aplicação direta da alíquota sobre a base de cálculo real. O confisco por meio de tributos está ligado aos direitos de propriedade.

em cada operação. apesar de seus precedentes jurisprudenciais. em reiterados julgados. fazer nula as garantias constitucionais. 1957. quando sujeito ao regime de substituição tributária. O regime de substituição tributária não autoriza. V. 1ª edição.4 . por via direta ou indireta. julgado em 17/06/02. vinha admitindo a possibilidade de restituição ou compensação do ICMS quando o fato legitimador ocorrer sob valor inferior ao presumido. Dino Jarach. o Superior Tribunal de Justiça prestigia a capacidade contributiva e a isonomia. Segundo o STJ o regime de substituição tributária não autoriza. quando da ocorrência do fato imponível. por maioria. por ausência de disposição legal.MORAES. do §7º. cit. Entretanto. Ministro Relator José Delgado. Não é lícito ao fisco interpretar disposição constitucional de forma restritiva. do art.68 Desta forma. A tributação não pode. praticado na operação substituída. Buenos Aires. no sistema de arrecadação. conduzir o contribuinte à entrega do seu patrimônio ao Estado sem que haja fundamento constitucional e legal para tanto. nos seguintes termos: “O contribuinte do ICMS tem direito. Curso Superior de Derecho Tributário. I. passa a adotar a interpretação restritiva. que haja exigência de tributo em valor maior do que o determinante. do que o realmente devido em face da quantificação do fato gerador. p. o Superior Tribunal de Justiça. que haja exigência de tributo em valor maior do que o determinante quando da ocorrência do fato imponível. 168 .116. quando o preço da mercadoria. como princípios basilares. de observância obrigatória.antecipação. é inferior à base de cálculo presumida que serviu de parâmetro para o recolhimento do imposto. diante do posicionamento do Supremo Tribunal Federal. 68 .Recurso ordinário em mandado de segurança – ROMS 14615/RJ.concluiu o julgamento da ADIn nº 1851/AL e. 150 da Constituição Federal. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. por ausência de disposição legal. O colendo Supremo Tribunal Federal. no entanto.POSICIONAMENTO JURISPRUDENCIAL Cabe a análise jurisprudencial acerca da possibilidade de restituição no regime de substituição tributária "pra frente”. em 08/05/ 2002. Vol. a compensar o valor do ICMS que recolheu a maior. julgou 67 .

a um só tempo. do art. sendo. da Magna Carta.STF. j. em 08/05/02. 71 . Posicionamento que passa a seguir este Relator. da CF. da CF. Se este ocorrer sobre uma base de cálculo menor. apenas eventuais as hipóteses de excesso de tributação. Ora. portanto.851/AL. ADIN nº 1. 150. 70 É de se observar que o Supremo Tribunal Federal considerou que a adoção e aplicação do instituto da antecipação implicaria redução. Salientou-se. ante a impossibilidade do fisco estadual calcular. No entanto. não haverá necessidade de devolução. o que consagrou a prevalência das normas de simplificação. economia. Ou seja. rel. eficiência e celeridade às atividades de tributação e arrecadação 71. a diferença entre a base de cálculo presumida e a realizada. Celso de Mello e Marco Aurélio. em cada caso. o STF vislumbrou na hipótese a impossibilidade de restituição 70 . em detrimento da capacidade contributiva efetiva. ficaram vencidos os eminentes Ministros Carlos Velloso. maior comodidade. da máquina fiscal e da evasão fiscal a mínimas dimensões. por fim. O Supremo Tribunal Federal ao interpretar o §7o. 150. estabeleceu que só há direito de restituição caso não ocorra o fato gerador.Idem 169 . o que inviabilizaria o próprio instituto da substituição tributária progressiva. ao excluir a possibilidade de restituição na hipótese de imposto pago a maior. por isso. ao entendimento de que a norma impugnada. que a admissão da possibilidade de restituição implicaria o retorno do regime de apurações mensais do imposto. violaria o § 7º. do art. que julgavam procedente a ação. restringe-se apenas às hipóteses de não vir a ocorrer o fato gerador presumido. noticiado no Informativo STF nº 271 (acórdão pendente de publicação). No julgamento. propiciando. Ilmar Galvão. se a base de cálculo presumida for maior do que a efetivamente realizada. O Supremo afastou a capacidade contributiva efetiva em nome da prática administrativa. aderindo ao argumento dos Estados-membros de que a devolução de tal montante acabaria por comprometer a sistemática da substituição tributária. com a ressalva do seu ponto de vista. Min. a lógica constitucional deveria ser a da necessidade de restituição do indébito.improcedente a ação e declarou a constitucionalidade do dispositivo impugnado por entender que a restituição assegurada pelo § 7º. Pleno. do artigo 150. não havendo que se falar em tributo pago a maior ou a menor por parte do contribuinte substituído. STF. porquanto o sistema da substituição tributária progressiva é adotado para produtos cujos preços de revenda fina são previamente fixados ou tabelados. em face da posição uniformizadora do colendo Supremo Tribunal Federal” 69.

p. para a manutenção do regime de substituição tributária e a conseqüente promoção de uma arrecadação mais imune à evasão. deixou nossa Corte Maior de considerar a possibilidade desse regime estabelecer uma radical discrepância. através do poder constituinte reformador. máxime quando a norma não dispõe de mecanismos para quantificar o montante dessa diferença entre o valor presumido e o efetivo. Saraiva. A segunda.do ICMS. Ed. através da interpretação evolutiva. da Constituição Federal. comprometedora da própria legitimidade da norma. Considerou. 73 De acordo com a lição de Miguel Reale 74 as normas valem em razão da 72 .145/149. negando abertura a qualquer norma simplificadora que evitasse a tributação conforme a riqueza efetivamente auferida. Luís Roberto .Ibidem 73 . 1982. No entanto. A rigor. a fim de se dimensionar.4. Miguel – Filosofia do Direito. aquele Tribunal. em face da adoção do regime de substituição tributária em mercados sujeitos a preços fixados. como a efetuada pelo Supremo Tribunal Federal. É que o referido dispositivo constitucional. estabeleceu que a presunção é relativa. em determinados casos individuais. constituindo a tributação excessiva apenas uma eventualidade. 150. mediante um processo formal de alteração do texto constituído. à luz do princípio da razoabilidade. a ausência de discrepância entre o valor presumido e o valor efetivo na maioria dos casos. V.Sobre o tema consultar Barroso. também denominada de mutação constitucional. os prejuízos que eventualmente sejam impostos ao contribuinte. ao determinar ser devida a restituição imediata e preferencial caso o fato gerador presumido não ocorra. apenas a partir de uma interpretação meramente literal. mediante uma alteração informal do texto constitucional. § 7º. quando a operação final for de valor inferior ao fato imponível presumido. A primeira. também.Reale. não autoriza normas simplificadoras na substituição tributária que se afastem da capacidade contributiva efetiva. se poderia admitir que o fato gerador não ocorrido diferisse do fato gerador ocorrido sob uma base de cálculo menor. p.1 – Interpretação evolutiva A ordem constitucional pode sofrer alterações de duas ordens. cobrado a maior. o art.Interpretação e Aplicação da Constituição. Outrossim. 74 . como ressaltado nos votos vencidos 72. 594 170 .

Decerto que a ação declaratória de inconstitucionalidade possui efeitos vinculantes. 150. César Peluso. não podendo penetrar no núcleo intangível dos princípios contrariando os programas constitucionais. Min. que já se pronunciou no sentido de que o efeito vinculante de suas decisões não atinge o próprio Supremo. diante de uma ação declaratória de constitucionalidade sobre determinado dispositivo. 76 . têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal. rel.ADIN 2675/PE. § 7 º da Constituição Federal 77. Assim. A interpretação evolutiva possui como limite o próprio texto e os princípios fundamentais do sistema. 28.851/ AL. como guardião da Constituição. políticos ou sociais. Naturalmente que a interpretação deve se basear nos significados possíveis da norma. adquirindo novos sentidos ou significados. diante das quais vislumbra-se a possibilidade de uma nova interpretação do art. 171 . a interpretação evolutiva é um processo informal de modificação do texto da Constituição. parágrafo único da Lei 9868/99: A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade. em decorrência de fatores históricos.realidade em que participam. pois a vinculação limita-se aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. O Supremo Tribunal nesse sentido. relator Min. Da mesma forma ocorreria com a questão da substituição tributária.ADIN 1. não podendo ser objeto de novo controle. No caso específico da substituição tributária. apesar do Supremo já ter se pronunciado sobre a impossibilidade da restituição da diferença entre o fato gerador presumido e o real 75.Art. inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto. bem como uma ação direta ajuizada pelo Estado de São Paulo. consoante disposição de lei 76. Diante desta possibilidade de reanálise da questão. estadual e municipal. este se tornaria imutável. mesmo quando mantidas inalteradas as suas estruturas formais. Carlos Velloso e ADIN 2777/SP. 75 . Mas este não é o entendimento do Pretório Excelso. seria o órgão competente para promover alterações do sentido da norma. nada impede que haja novo pronunciamento sobre o assunto. que consiste na atribuição de novos conteúdos sem a alteração do teor literal do dispositivo. tramita perante o órgão de cúpula uma ação direta de inconstitucionalidade ajuizada pelo Governador do Estado de Pernambuco. Mas será que tais efeitos também vinculam o próprio Supremo? Caso fosse positivo. adequando-a à realidade social. 77 .

consoante doutrina de José Jayme de Macedo Oliveira. por via da Emenda Constitucional 33 acrescentou-se uma hipótese. E. a Emenda Constitucional 42 promoveu uma alteração. inclusive lubrificantes. por fim a última hipótese.O ICMS é um imposto de competência dos Estados-membros. por Ricardo Lobo Torres. Entretanto. em uma fase do ciclo. 2 . combustíveis líquidos e gasosos dele derivados. assim como os princípios da não-cumulatividade e da seletividade. prestação de serviços de comunicação e a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica.A segunda hipótese de não incidência constitucional refere-se às operações sobre energia elétrica e petróleo.CONCLUSÃO Apresentada essa exposição de perfil jurídico-tributário. temos que analisar as imunidades específicas.Ao perquirir sobre os efeitos econômicos do ICMS. sobre a qual não incidirá tal regra. estendendo a imunidade específica que era concedida para os produtos industrializados para os semielaborados e os não-industrializados com destino ao exterior. servindo como diretriz constitucional imperativa cuja finalidade é. ainda que não seja contribuinte habitual do imposto. prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal. 5 .O princípio da não-cumulatividade tem como objetivo evitar que o valor tributado. passamos. para melhor entendimento do tema em análise. 7 . sobre a circulação de mercadorias (circulação. seja objeto de nova tributação nas fases subseqüentes. à extração das conclusões pertinentes: 1. como não incidências constitucionais. 6 . também denominadas. prevista por lei complementar. esta. determina a não incidência na prestação de serviço de comunicação de recepção livre e gratuita. bem como para os serviços com destinatários no exterior.Com relação à primeira hipótese de não-incidência constitucional. impedir que a cobrança do imposto atinja um valor maior que o maior valor alcançado por todo o processo de circulação de mercadoria.A terceira é sobre o ouro quando este for considerado ativo financeiro. 3 . constituindo um mecanismo eficiente para interferir no 172 . acrescentada pela Emenda Constitucional 42.O princípio da seletividade está intrinsecamente relacionado com a função de essencialidade do produto. econômica). 4 .

Para a implantação do sistema de substituição em operações interestaduais. Na substituição ‘para frente’ há uma antecipação do recolhimento do tributo.Apesar de grandes embates doutrinários. 16 . há necessidade de um requisito específico.A substituição tributária é um mecanismo de arrecadação de tributo. sendo o sujeito passivo aquele que apresenta as qualificações previstas pela legislação. 14 . acaba por minar sua autonomia financeira. qual seja. 13 .setor econômico. e não necessariamente. 15 .O esvaziamento da competência do Estado-membro para legislar sobre o ICMS. não se restringindo à operação imediatamente subseqüente. 8 . pois se trata de etapas interligadas do ciclo econômico. concluímos ser ela inconstitucional por violar o pacto federativo. No regime atual. grande é a divergência sobre o legitimado para a restituição. presente e futuro. 10 . que pode vir a se concretizar em uma etapa subseqüente da operação por ele alcançada. sua principal fonte de receita.No que tange à proposta de alteração da competência do ICMS. pois há de verificar quem de fato suporta a carga tributária. o que implica a utilização de um referencial de encadeamento das operações realizadas. eis que através de alíquotas diferenciadas pode-se estimular ou desestimular a circulação de determinado produto.Na substituição ‘para trás’ há uma postergação do momento do recolhimento do tributo. acabou por legitimar a aplicação do regime da antecipação. sob pena de extrapolar os limites da manifestação de riqueza que legitima a cobrança do tributo. 11 .As espécies de substituição decorrem de uma operação antecedente. 9 .Deve ocorrer o ajustamento entre a base de cálculo presumida e o valor final da mercadoria. pelo poder constituinte derivado. Este ajuste entre o ficto e o real é mera operacionalização do mecanismo de antecipação. requisito essencial para a adoção de um Estado Federal. a substituição pode abranger mais de uma operação subseqüente. concomitante ou subseqüente. aquele que praticou o fato gerador. assegurado como cláusula pétrea. em que há a repercussão.Por ser o ICMS um tributo indireto. o convênio. 12 . o Supremo Tribunal Federal assim como o Superior Tribunal de Justiça. Não se adota o critério temporal de passado. O Supremo começa a reconhecer a legitimidade ad causam 173 .

A tributação deve recair sobre a efetiva manifestação de riqueza.150. tributar além da manifestação de riqueza. Se este ocorrer sobre uma base de cálculo menor. c) cláusula de restituição do excesso. estabeleceu que só há direito de restituição caso não ocorra o fato gerador. 23 . Ou seja. que consiste na atribuição de novos conteúdos sem a alteração do teor literal do dispositivo. segundo a qual deve haver a identificação entre o fato presumido que gera o dever de recolhimento do tributo e o fato gerador.Nova interpretação poderá ser adotada na ADIN 2. a pretexto da utilização de um regime alternativo da arrecadação. A vinculação limita-se aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo. ao interpretar o §7o. uma vez que o efeito vinculante de suas decisões não atinge o próprio Supremo. 22 . a exegese deste dispositivo alcança apenas as hipóteses em que o fato não se realiza ou também se aplica às hipóteses em que a base de cálculo real for menor que a presumida. o Pretório Excelso pode modificar a posição antes tomada na ADIN 1. do artigo 150. 17 . o da antecipação. da Magna Carta. em decorrência de fatores históricos. da isonomia e da vedação ao confisco.A interpretação evolutiva é um processo informal de modificação do texto da Constituição.777/SP e na ADIN 2. 19 .A controvérsia se instaura ao delimitar a extensão que esta última cláusula pode alcançar. 21 . 20 . 174 . Não se pode.O Supremo Tribunal Federal. 18 . que define o responsável pelo pagamento do imposto. o art .Assim. a saber: a) cláusula de vinculação. políticos ou sociais. sendo este um direito do contribuinte.Para Marco Aurélio Greco.do contribuinte de fato para a restituição.851/AL. garantido pelo princípio da capacidade contributiva. quando for verificado que sobre ele repercutiu o tributo. que assegura a coerência a e a validade do regime da antecipação.675/PE que tramitam no STF. b) cláusula de atribuição. § 7º. pode ser desmembrado em três cláusulas constitucionais. O Supremo afastou a capacidade contributiva efetiva em nome da prática administrativa. não haverá necessidade de devolução.

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7.199-5/04.143-8/05. referente ao termo aditivo ao contrato de locação.04 Dação: aprox. encontra-se.38 Sem valor 3. pelo Tribunal de Contas. 180 do Regimento Interno.310.0759/04 sobre contrato de locação de imóveis não residenciais que têm como origem termo de dação em pagamento realizado entre o Sr. 103 do CPC.075-9/04 Termo de dação em pagamento de Pedreira Anhanguera pó de pedra e brita zero para quitar Empresa de Mineração SA IPTU 179 . Invocando o princípio da conexão. o qual também será analisado em conjunto. nos termos do voto do Conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior.199-5/04 Favorecido Sr. aplicável a esta Corte de Contas nos termos do art. permite que sejam compensados tributos com a dação de bens móveis.A.01m3 de brita zero 117.075-9/04.609. segue em apenso a este o Processo TCE-RJ 202. Donato Nogueira Guimarães Sr. e o Município de São Gonçalo.143-8/05 e 282. apensado ao presente o Processo TCE-RJ 282. 202.2005. Assim. Aplicação da Súmula 347 do STF. Donato Nogueira Guimarães e o Município de São Gonçalo. ainda.CONTRATO DE LOCAÇÃO Dação em pagamento como forma de extinção de crédito tributário.40meses 111.051.200. Em cumprimento à decisão do Plenário de 19. Competência exclusiva de Lei Complementar. consagrado no art.320m pó de pedra e 2. Donato Nogueira Guimarães Objeto Contrato de locação e termo de dação em pagamento de aluguéis para quitar IPTU Termo aditivo ao contrato de locação substituindo uma das salas 3 Valor R$ Locação: 36 meses 206. 19. dispondo diferentemente do CTN.143-8/05 282. É inconstitucional Lei Municipal que. o voto que prolatarei ao final abrangerá os seguintes processos: Processo TCE 270. que instituiu o Código Tributário Nacional para dispor de normas gerais. o qual será analisado em conjunto com o presente. referente ao termo de dação em pagamento realizado entre a Pedreira Anhanguera Empresa de Mineração S.41 202. RELATÓRIO Versam os autos dos Processos TCE 270.

em linhas gerais.075-9/04. A base legal de tal operação encontra-se positivada no art. se referirem. a declaração de inconstitucionalidade do § 1º. do art. no Processo TCE-RJ 282. a comunicação ao atual Prefeito Municipal para que seja declarada a nulidade dos termos de dação em pagamento e elaborado termo de re-ratificação do contrato de locação em análise e expedição de ofício ao Ministério Público visando eventual propositura de ação para que a norma em tela seja declarada inconstitucional. previsto no § 1º.De uma forma geral. Horácio Machado Medeiros propõem o sobrestamento e apensação ao presente. 180 . representado pelo Procurador Dr. cujos débitos. exclusivamente. propõem. representado pelo Procurador Dr. nestes autos.” O Corpo Instrutivo após reexame e o Ministério Público Especial. Em relação ao termo aditivo ao contrato de locação.ª Delja Marucia. através do instituto da dação em pagamento de bens. Processo TCE-RJ 202. A questão principal desses processos refere-se ao fato de o Município contrair obrigações. a ilegalidade dos atos de dação em pagamento. do Código Tributário Municipal de São Gonçalo (Lei 30/97).143-8/05.A dação em pagamento será efetuada mediante o recebimento de bens. do Código Tributário Municipal como forma de pagamento do crédito tributário. in verbis: “Art. a períodos anteriores ao pedido. utilizando-se dos débitos tributários do proprietário das salas e da empresa de mineração para quitá-las. tendo em vista o interesse da administração e observadas as disposições desta: §1º. bem como através de dação em pagamento de pó de pedra e de brita zero. Lei Municipal 030/97. 25 § 1º do Código Tributário Municipal. 25 . o Corpo Instrutivo e o Ministério Público Especial. apurados ou confessados. 25. É o relatório. art. em pagamento de tributos municipais. o Município de São Gonçalo pretende extinguir créditos tributários devidos a título de imposto predial e territorial urbano (IPTU) através de dação em pagamento de parte dos valores devidos pela locação dos imóveis não residenciais. 25. e pela Procuradora Dr. inclusive serviços. Horácio Machado Medeiros.É facultado ao Poder Executivo aceitar dação em pagamento de créditos tributários.

a forma e a intensidade de atuação do poder de tributar (ou seja. como também em outros tipos normativos.AMARO. A questão que se discute nos autos reside em saber se os Estados e os Municípios podem ampliar o contexto da expressão “bens imóveis” para todo e qualquer tipo de bem. apenas prevê como hipótese de extinção do crédito tributário a dação em pagamento de bens imóveis. Direito Tributário Brasileiro. ed.“Extinguem o crédito tributário: (.as chamadas ‘limitações do poder de tributar’ integram o conjunto de traços que demarcam o campo.. fixar fronteiras ou limites ao exercício do poder de tributar. Distrito Federal e Municípios. essa outorga não é ilimitada. São Paulo: Saraiva. 2004. do poder. Estados. Luciano. como Lei Complementar e resoluções do Senado. ou desatendem a princípios ou formas estabelecidas.) Nas situações que ultrapassam os limites fixados.) . essas limitações é demarcar... incluindo neles os bens móveis e os serviços. 10ª. ela simplesmente inexiste... Atual... o moto. Requer a conformação com os princípios constitucionais tributários e a adequação. 156. em leis complementares ou em resoluções do Senado. Apesar de a Constituição conferir competência tributária à União. Como bem disse Luciano Amaro 2 em sua obra: “O exercício do poder de tributar supõe o respeito às fronteiras do campo material de incidência definido pela Constituição e a observância às demais normas constitucionais ou infraconstitucionais que complementam a demarcação desse campo e balizam o exercício daquele poder. de os entes políticos criarem tributos).O art. que emana da Constituição. acrescido pela Lei Complementar 104/01. 181 . o que se passa não é que a competência seja vedada.” 1 .. (. aos limites quantitativos (alíneas máximas ou mínimas) definidos na Constituição. pois. delimitar. na forma e condições estabelecidas em lei” 2 . XI do CTN 1. quando seja o caso. (. O que fazem.) a dação em pagamento em bens imóveis. sendo balizada não só pelas limitações definidas no texto constitucional.

quando a lei fiscal não indica expressamente as condições em que o crédito tributário deixa de existir. José Jayme de Macêdo. Por esse motivo. Assim. disciplinar a forma e as condições de aplicação do instituto da dação em pagamento de bens imóveis. Comentários. 2003. ed. estabelece que cabe à Lei Complementar dispor sobre conflitos de competência. São Paulo: Saraiva. Destaco trecho de autoria de José Jayme de Macêdo Oliveira 3: “Art. conforme preconiza o art. 182 . Uma vez que o crédito tributário deve sua existência à lei. 156. o contribuinte tem o dever de pagar o tributo em pecúnia. 97 do Código Tributário Nacional dispõe que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão. sua extinção só pode ocorrer também em virtude de atos ou fatos previstos em lei. art. em seu artigo 146.OLIVEIRA. O inciso VI do art. 156. regular as limitações constitucionais e estabelecer normas gerais. o Código Tributário Nacional. inciso VI. 2ª. mas admitido na forma da cláusula “em moeda. do CTN. não de ampliar o contexto da expressão “bens imóveis” para todo e qualquer tipo de bem. apenas a dação em pagamento em bens imóveis. não se pode aplicar causas extintivas das obrigações de natureza privada. restringindo a aplicação do instituto utilizado no direito privado. 3 .A Constituição Federal. Contudo. ao definir as causas de extinção do crédito tributário. XI – A obrigação tributária pode extinguir-se mediante a dação em pagamento (entrega de coisa que não seja dinheiro). no que se refere à matéria tributária. 97. 3º do CTN. Código Tributário Nacional. ou cujo valor nela se possa exprimir”. modo excepcional. incluindo neles os bens móveis e os serviços. Doutrina e Jurisprudência. contida no art. podendo-se incluir bens móveis. caberia ao Município. O instituto da dação em pagamento. suspensão e extinção de créditos tributários. previsto no art. Em verdade. na forma e condições estabelecidas em lei. em seu Código Tributário Municipal. elenca em seu inciso XI. 356 do Código Civil. imóveis ou qualquer outro tipo de prestação. caracteriza-se no consentimento do credor em receber prestação diversa da que lhe é devida.

só pode ser aceita nas hipóteses elencadas em lei.PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 12/04/2005 Data da Publicação/Fonte DJ 30. 4. Min. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. Processo AgRg no REsp 699244 / SC . PRECEDENTES. tendo em vista a falta de previsão legal. 2. 249 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. regido pelo princípio da indisponibilidade quanto à Autoridade Fazendária. RECURSO ESPECIAL.11. Rel. sendo que a presente disposição do CTN limita à dação em bens imóveis. AÇÃO ORDINÁRIA.05. Tratando-se de débito tributário. Rel.PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 09/11/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 29. nas quais não se enquadram os títulos da dívida pública.A dação em pagamento. IMPOSSIBILIDADE. em moeda ou em cujo valor nela se possa exprimir.2004 p. RECURSO ESPECIAL 2004/0046142-1 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 . quando visa à quitação de obrigação tributária. ao definir tributo. necessariamente. resta inadmissível a dação em pagamento em títulos da dívida pública. CASTRO MEIRA. 3. LUIZ FUX.2005 p. Min. III . COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS COM TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA.” Este também tem sido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça ao julgar recursos de ações em que se desejava extinguir crédito tributário através da dação em pagamento de títulos e apólices da dívida pública. I . Recurso Especial desprovido. PREQUESTIONAMENTO. posto escapar à estrita legalidade. resta demonstrada a impossibilidade da quitação da obrigação tributária sub examine por meio de dação em pagamento de apólices da dívida pública. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. nos casos excepcionais estabelecidos em lei poderá obter a extinção do crédito tributário mediante a entrega de bens ou serviços.404/RS.Todavia. reclama admissibilidade prevista textualmente na lei. 262 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. 183 . 1. A dação em pagamento. para o fim de quitação de obrigação tributária. Precedentes: REsp nº 651. QUITAÇÃO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.O direito à quitação da obrigação tributária deve obedecer ao estabelecido no art.979/PE. Ausente o indispensável prequestionamento. ser pago "em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir". que. II .Agravo regimental improvido. DAÇÃO EM PAGAMENTO. DJ de 29/11/2004 e REsp nº 373. 3º do CTN. Diante disso. configura-o como prestação pecuniária compulsória. DJ de 06/09/2004. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2004/0158254-0 Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO (1116) Órgão Julgador T1 . inviável a apreciação da matéria em sede de recurso especial. Processo REsp 651404 / RS . O débito tributário deve.

como definido pelo STF. em sede de ação direta de inconstitucionalidade (ADI 1. ADI 1917 MC / DF . As formas de extinção do crédito tributário estão previstas no Código Tributário Nacional. estadual e municipal”. já decidiu sobre o tema. que o Distrito 4 . Suspensão de eficácia da Lei Ordinária do Distrito Federal de nº 1. a seu fundamento. se o STF decidir. sem partes. MARCO AURÉLIO Julgamento: 18/12/1998 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação: DJ 19-09-2003 PP-00015 EMENT VOL-02124-03 PP-00521 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO . sim. Surge a relevância de pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade considerada lei local prevendo nova forma de extinção do crédito tributário na modalidade civilista da dação em pagamento. 102. Atualmente. o efeito vinculante não se refere apenas ao dispositivo da ADI/ADC. relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta.917-5/DF. § 2º da CR/88 4. Assim. o que confirma o limite do poder de tributação dos demais entes federados no que se refere às modalidades de extinção dos créditos tributários.“As decisões definitivas de mérito. servindo apenas como fonte de interpretação. independentemente do Estado da Federação ao qual se refira o dispositivo impugnado. o efeito vinculante se refere ao mérito da decisão do STF (a fundamentação). mas. como a ADI/ADC é considerada um processo objetivo. (com redação dada pela Emenda Constitucional 45/04) não há mais dúvida de que as decisões do STF têm eficácia vinculante quando proferidas em sede de ADI e ADC e devem ser observadas pela administração pública como pelos órgãos do Poder Judiciário. por exemplo.917-5/DF). alterando o entendimento contido na regra clássica do processo civil de que apenas o dispositivo faz coisa julgada. recepcionado pela Carta de 1988 como lei complementar. Até pouco tempo era pacífico no ordenamento nacional que as decisões das Cortes Superiores não viculavam os demais órgãos do Judiciário e a administração pública. 184 . Outra questão é que.O próprio Supremo Tribunal Federal. afirmando não ser possível meio de quitação de crédito tributário diverso daqueles previstos no CTN. nos termos do art. independente da origem da ADI/ADC.DISTRITO FEDERAL MEDIDA CAUTELAR NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. proferidas pelo Supremo Tribunal Federal.624/97 Creio importante destacar os efeitos da decisão do STF proferida em sede de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) nas deliberações desta Corte.EXTINÇÃO. nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante. nas esferas federal. Em outras palavras. como na ADI 1.

Reclamação que se julga procedente. Min. 13 5 e 17 6 da Lei 8.10. objeto da ADI 1662/SP.2005. Gilmar Mendes. conheceu-se. o controle da inconstitucionalidade. o manejo da medida reclamatória seria cabível. Info. como ilegais. por se entender que.“Julgando procedente a reclamação. independentemente do Estado no qual se originou o questionamento.917-5/DF. Julgamento por maioria em 23. com base no que decidido na Rcl 1987/DF (DJU de 21. Ademais.038/90. Gilmar Mendes. 7 . incidentalmente considero inconstitucional o art. por ser aplicável ao caso o conteúdo essencial da decisão daquela ADI. tal decisão “transcende” ao Distrito Federal e alcança toda a República. da reclamação. 25 § 1º do Código Tributário Municipal de São Gonçalo (Lei 041/ 03). 6 . com base na Súmula 347 do STF 7. na espécie. caso esta Corte não siga os entendimentos consignados pelo STF em sede de ADI e ADC. Este me parece ser o caso. os termos de dação de pagamento aqui analisados devem ser entendidos. cujo instituto está positivado nos arts. pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do Poder Púublico”. 185 .Federal não pode legislar sobre novos tipos de modalidades de extinção do crédito tributário. caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público”.“Para preservar a competência do Tribunal ou garantir a autoridade das suas decisões.“O Tribunal de Contas. apesar de o ato impugnado não ter por fundamento expresso os itens da Instrução Normativa 11/97 do TST. em sede incidental. no exercício de suas atribuições. Rel. pois a dação em pagamento para extinguir o crédito tributário 5 .04.2004). exatamente em face do efeito vinculante demonstrado. tendo em vista a limitação da competência tributária dos Municípios e em função do efeito vinculante e transcendente da decisão do STF na ADI 1. RCL 2363/PA. Plenário. “Efeito vinculante das decisões proferidas em ação direta de inconstitucionalidade. o tribunal cassará a decisão exorbitante de seu julgado ou determinará medida adequada à preservação de sua competência”. Rel. Como conseqüência.2003. qualquer interessado poderá ajuizar uma Reclamação. Eficácia que transcende o caso singular. STF nº 359. por maioria. Apenas nos casos em que a inconstitucionalidade seja clara deve esta Corte efetivar. DJ de 01. Aplicação das razões determinantes da decisão proferida na ADI 1662.” STF. em sede preliminar. Creio que a Súmula em tela deva ser utilizada com grande cautela. Min.5. Alcance do efeito vinculante que não se limita à parte dispositiva da decisão. Transcrevo duas decisões do STF que explicitam o Princípio da Transcendência. eis que lhes faltam fundamento de validade. “Inicialmente.” Rcl 2155/RJ. diretamente no STF propugnando pela modificação de eventuais decisões que não observem o entendimento do Pretório Excelso. Desta forma.

o ato de sustação será adotado diretamente pelo Congresso Nacional. 71.só pode recair em bens imóveis. 48/54. o Tribunal decidirá a respeito. São Paulo: Editora NDJ. ao Poder Executivo as medidas cabíveis”. ainda restam dúvidas quando à sua regularidade fiscal. 58. 171 do Código Tributário Nacional permite que a lei faculte. esta Corte deve sustar os referidos termos com base no art. 9 .. aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária a celebração de transação que.Barros. 71 § 2º da CR/88 10. § 1º da CR/88 9. Logo. destaco texto de autoria de Márcio dos Santos Barros 11: 8 . agora em sede definitiva. Destaco ainda que.“O controle externo. a falha não venha a ser sanada.“No caso de contrato. devo aplicar o art. entretanto. juntada às fls. O Código Tributário do Município de São Gonçalo.. será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União. Em relação à regularidade fiscal. importe em terminação de litígio e conseqüente extinção de crédito tributário. 10 . 186 . concordo com a posição do Corpo Instrutivo de que não está juntado aos autos qualquer documento necessário à análise do ato de dispensa de licitação esclarecendo as finalidades precípuas da administração.“Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo. a cargo do Congresso Nacional. bem como o item 1. deve esta Corte encaminhar os referidos atos à Câmara Municipal. a modalidade de extinção para os valores correspondentes da dívida ativa que foram ajuizados deveria ter sido a transação. no prazo de noventa dias. Em relação ao contrato de locação. em seu art. O art. ao qual compete (. IX da CR/88 8 e oferecer ao responsável a oportunidade de corrigir a ilegalidade.) assinar prazo para que o órgão ou entidade adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei. 71. condição imprescindível para a realização de contrato com a administração pública. Márcio dos Santos. Caso. se verificada ilegalidade". ainda em sede preliminar e nos termos do art. 2005. homologada nos autos da ação de cobrança dos respectivos créditos.2 da cláusula 1ª do termo de dação em pagamento identificam que o objeto de quitação seriam os exercícios inscritos na dívida ativa (exercícios de 1998 a 2002) bem como os valores correspondentes da dívida ativa que foram ajuizados (exercícios de 1991 a 1998). Outro fato importante é que a planilha de cálculo dos débitos de IPTU. mediante concessões mútuas. Logo.” 11 . que solicitará. de imediato. não efetivar as medidas previstas no parágrafo anterior. nas condições que estabeleça. como o locador encontrava-se com ações ajuizadas para a cobrança do IPTU de exercícios anteriores e com valores inscritos na dívida ativa do Município. Silenciando o Legislativo competente. cujas necessidades de instalação e localização condicionem a escolha. 502 Comentários sobre licitações e contratos administrativos. permite tal faculdade ao Poder Executivo.

no prazo de 30 dias contados da 187 . cujas necessidades de instalação e localização condicionaram a escolha aos imóveis locados. Desta forma. § 3º) e não veda. 6º. apesar de ter sido afirmado pela CEA (fl. 25 § 1º do Código Tributário Municipal de São Gonçalo (Lei Municipal 041/03) é inconstitucional. “os editais. e não a algum tributo. utilizados como modalidade de extinção de crédito tributário (IPTU) devidos pelo Sr. em termos absolutos.199-5/04) e de dação em pagamento de brita zero e pó de pedra (Processo TCE-RJ 282. pois só impede a contratação com a Administração (as Súmulas 70 e 323 do STF estabelecem ser inadmissível a interdição de estabelecimentos e a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para a cobrança de tributos). de 2. de acordo parcialmente com o Corpo Instrutivo e com o Ministério Púbico. taxas e contribuições de melhoria) como um todo. ao mencionarem as exigências do inciso III. art. uma vez que seu lastro legal. entendo que devam ser esclarecidas. VOTO I . para que.8. na forma da lei – devem fazê-lo em relação aos tributos (impostos. 29. já que o que se pretende comprovar é uma situação em relação à Fazenda. Possui base constitucional (art. ou outra equivalente.1995. individualizadamente. do art.pela ilegalidade dos termos de dação em pagamento de locação de salas comerciais (Processo TCE-RJ 270. Estadual e Municipal do domicílio ou sede do licitante. nos termos do § 1º. relativa a exigências de comprovação de habilitação. II . art. aparentemente.“(187) De certa forma. as finalidades precípuas da administração.075-9/04).Pela comunicação ao atual Prefeito Municipal de São Gonçalo. 195. o exercício da atividade empresarial. preliminarmente. 78) que o contrato de locação encontra-se dentro dos valores praticados pelo mercado. Donato Nogueira Guimarães e pela firma Pedreira Anhanguera Empresa de Mineração SA. cujo locador. encontra-se com situação irregular junto ao fisco.” (190) Nos termos da Nota Explicativa 07/CENAP. da Deliberação TCE 204/96. tendo em vista o exposto e analisado.917-5/DF. trata-se de exigência que visa à cobrança de tributos daqueles que se encontram em situação irregular com o fisco. em função da limitação da competência tributária dos Municípios e do efeito vinculante e transcendente da decisão do STF na ADI 1.” Assim.666/93 – prova de regularidade para com a Fazenda Federal. da Lei 8.

sujeitos dos termos de dação em pagamento ora impugnados. Henry Charles Armond Calvert. (3) que mencionado ofício seja acompanhado do inteiro teor deste voto e da instrução correspondente. art. Sr. na forma da Lei Municipal. • encaminhar a prova de regularidade para com a Fazenda Municipal do domicílio do locador. DETERMINAÇÃO • com base no art. (2) faça constar do Ofício a advertência de que o não atendimento no prazo estabelecido. da Deliberação TCE 204/96.Pela notificação ao Prefeito Municipal de São Gonçalo à época. 6º. nos termos do § 2º. (1) siga a ordem estabelecida no artigo 26 do Regimento Interno deste Tribunal. cujo locador. IX da CR/88. inciso II. aparentemente. na forma da Consulta Interna TCE 301. e aos contribuintes. sujeitará o responsável às sanções previstas no inciso IV do artigo 63 da Lei Complementar 63/90 e ainda. IV . utilizados como modalidade de extinção de crédito tributário (IPTU). da Deliberação TCE 191/95. III . 71. acompanhado dos elementos elencados no art.Por determinação à SSE para que ao efetivar a comunicação determinada no item II deste voto. declarando a nulidade dos termos de dação em pagamento de aluguéis e de dação em pagamento de pó de pedra e brita zero. Donato Nogueira Guimarães e Pedreira Anhanguera Empresa de Mineração SA. Sr. cujas necessidades de instalação e localização condicionem a escolha aos imóveis locados. 3º. encontra-se com situação irregular junto ao fisco. apresentem os argumentos para a formalização dos termos de dação em pagamento firmados. 188 .469-2/03. • remeta o ato de dispensa do qual o contrato de locação de imóvel não residencial decorre. 5º da Carta Constitucional Federal. bem como efetue os devidos ajustes tributários. comprove perante esta Corte que saneou a ilegalidade identificada. no prazo de 30 dias contados da ciência da decisão desta Corte. sem causa justificada. ESCLARECIMENTO • esclarecer as finalidades precípuas da administração. tendo em vista o princípio do contraditório previsto no inciso LV do art.ciência da decisão desta Corte preste o esclarecimento e cumpra as determinações a seguir elencadas. caso queiram. para que.

VI . (2) siga a ordem estabelecida no artigo 26 do Regimento Interno deste Tribunal. (4) que o mencionado ofício seja acompanhado do inteiro teor deste voto e da instrução correspondente.Pela expedição de ofício ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para que tome ciência dos fatos aqui elencados. 2 de agosto de 2005 JULIO L. RABELLO Relator 189 . tendo em vista a constatação.143-8/05 ao presente. até a análise final do contrato de locação respectivo e pela apensação do Processo TCE-RJ 202. VII .Pelo sobrestamento da análise do termo aditivo ao contrato de locação de salas comerciais. já que é titular do direito de mover ação direta de inconstitucionalidade. e à Câmara Municipal de São Gonçalo. de forma incidental. TCE 204/96. da inconstitucionalidade do art. 14 da deliberação supra e ainda. (3) faça constar do Ofício que o não atendimento no prazo estabelecido sujeitará o responsável aos efeitos da revelia nos termos do art. 25 § 1º do Código Tributário Municipal de São Gonçalo (Lei 041/03). Donato Nogueira Guimarães. Sala das Sessões.Por determinação à SSE para que ao efetivar a notificação determinada no item III (1) proceda à publicação estabelecida no § 2º do artigo 7º da Del.V . firmado entre o Município de São Gonçalo e o Sr.

Em atendimento à referida decisão. Na Sessão Plenária de 9.2004.2004. nos termos do voto proferido pelo ConselheiroRelator Sergio Franklin Quintella.57.11.385. de 9. recebido pelo próprio em 5.4. 190 .969. 143 verso). oriundo de Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes. ficou decidido pela comunicação ao Titular do Poder Executivo Municipal para que adotasse medidas corretivas no ato convocatório.11.11. RELATÓRIO Trata o presente Processo 206.337-6/05 e 22. que objetiva a contratação de empresa de engenharia para construção do Centro de Atendimento Integrado – CAI de Campos dos Goytacazes. O valor estimado foi fixado em R$ 8. O jurisdicionado foi devidamente cientificado através do Ofício PRS/SSE 31. mas encontrase adiado sine die. devido ao fato de que o lapso temporal transcorrido (a concorrência está adiada sine die desde novembro de 2004 até a presente data) ensejou o desinteresse da Secretaria Municipal de Obras em realizá-la.635-9/05.2005 (fls. conforme a informação passada pelos membros da Comissão Permanente de Licitações.462.2004. tipo menor preço. a ser executado no prazo de 360 dias corridos. .cópias da comprovação da publicação do ato praticado nos jornais “Monitor Campista” e “O Dia”. O certame foi inicialmente designado para o dia 18. sob o regime de empreitada por preço global.443-2/04 de cópia do edital da Concorrência Pública 05/04.EDITAL DE LICITAÇÃO Revogação de certame licitatório – Ausência de motivação do ato – Necessidade de comprovação de fato superveniente de interesse público – Voto pela comunicação ao Prefeito Municipal para que demonstre o fato superveniente que motivou a revogação da concorrência. o jurisdicionado trouxe aos autos as peças autuadas nos Docs. 19. a saber: .comunicação da revogação do certame licitatório.

porém. Não se trata. 191 . Marçal. de forma a que seja explicitado o seu verdadeiro motivo. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. Embora cuide a presente hipótese de manifestação do poder discricionário da Administração. 9 ed. Consta. Nessa esteira.Aviso de revogação da Concorrência 05/2004. cópia da ata da Sessão de Revogação da Concorrência Pública 05/2004. . cujo teor dá conta do desinteresse da Secretaria Municipal de Obras em levar a efeito o presente certame. sob o fundamento de conveniência e interesse público.Ata da sessão que trata da revogação da Concorrência 05/2004. 2002. Esse juízo é confirmado quando da elaboração e aprovação do ato convocatório. a Lei reconhece um 1 . após exame. pertinente e suficiente para justificar tal conduta. 157/162. São Paulo: Dialética. estando em pauta sua conveniência e oportunidade. Exercita-se sobre supostos fáticos distintos.. às fls. exercita-se novo juízo de conveniência. Vale dizer. após apurada a classificação. entendo que o ato de revogação deva ser melhor fundamentado pelo Poder Executivo do Município de Campos dos Goytacazes. 151. O Ministério Público Especial. que assim leciona sobre a hipótese de revogação: “Ao determinar a instauração da licitação. O Corpo Instrutivo. sugere a ciência ao Plenário da revogação da Concorrência 05/2004 e o posterior arquivamento do processo. representado pelo Procurador Horacio Machado Medeiros. às fls. a Administração realiza juízo de conveniência acerca do futuro contrato. manifesta-se no mesmo sentido. sendo este decorrente de fato superveniente devidamente comprovado. trago à lume as preciosas lições de Justen Filho 1.Ato de revogação da Concorrência 05/2004 assinado pelo Chefe do Poder Executivo local. A norma insculpida no artigo 49 da Lei de Licitações permite à autoridade competente revogar o procedimento quando fundado em razões de interesse público. No momento final da licitação. situação que levou a Comissão Permanente de Licitação a revogá-lo. .JUSTEN FILHO. do mesmo juízo. É o relatório.

inexistentes ou desconhecidas à época anterior. senão quando surgissem fatos novos. posiciono-me em desacordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público Especial e VOTO Pela comunicação. Poderá revê-la desde que existam circunstâncias novas. Sala das Sessões. Uma vez exercitada determinada competência discricionária. Há que se indagar da Administração qual o suporte fático superveniente que sepultou. Tendo concluído que o ato é conveniente e determinado sua prática ou manutenção. deve o jurisdicionado trazer à lume os fatos supervenientes que ensejaram a revogação do certame em trâmite neste Tribunal.condicionamento à revogação. com tal postura. Isso indica a inviabilidade de renovação do mesmo juízo de conveniência exteriorizado anteriormente. nos termos do artigo 49 da Lei Federal 8. A Administração pode desfazer seus próprios atos. Pelo exposto e examinado. a qualquer tempo. Nesse sentido. para que. criando um espécie de preclusão administrativa. a Lei determina que a revogação dependerá da ocorrência de 'fato superveniente devidamente comprovado'. não se admite que a Administração julgue. a necessidade pública de se construir o Centro de Atendimento Integrado do Município. posteriormente. ao Prefeito do Município de Campos dos Goytacazes. 26 de julho de 2005 JOSÉ MAURÍCIO DE LIMA NOLASCO Relator 192 . no prazo de 10 (dez) dias.666/93. que era inconveniente precisamente a mesma situação que fora reputada conveniente em momento pretérito.” (Grifei) Diante desse contexto. Logo. a Administração não poderia rever o ato. tendo em vista avaliação de sua inconveniência. de modo a que o ato de revogação não seja reputado como ato arbitrário do Poder Público. Sendo assim. significa uma restrição à liberdade da Administração. prevista no § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE-RJ 204/ 96. demonstre o suporte fático superveniente que motivou o ato de revogação em pauta. sou movido a afirmar que a incúria da Secretaria de Obras do Município não se presta a motivar a revogação do certame. atendendo o “interesse público”. sob o manto de se estar. Em termos práticos. ao menos por ora. a Administração se vincula essa decisão.

Voto revisor. 193 . O Douto Ministério Público concorda com a instrução. no valor de R$ 560. esta Corte de Contas.INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO Ato de inexigibilidade de licitação (II.400.979-4/98. objetivando a prestação de serviços de consultoria. tendo em vista a inobservância do disposto no inciso II do artigo 25 da Lei 8.666/ 93).5.174-4/01 de ato de inexigibilidade de licitação. Eduardo Nunes Cordeiro.2003. nos termos do voto proferido pelo Conselheiro-Relator José Maurício de Lima Nolasco. Despesas com a prestação de serviços de consultoria.666/93 e encaminhado pela Prefeitura Municipal de Carapebus. assessoria.979-4/978 foi conhecido por esta Corte. Lei 8. Sr.666/93. 25. Assim sendo.00. fundamentado no inciso II do art. RELATÓRIO Trata o presente Processo 261. em sessão de 11. com o fito de implementar o Plano Diretor de Execução Orçamentária da Prefeitura.Pela ILEGALIDADE do presente ato de inexigibilidade de licitação. Em sessão realizada em 13. Pelo conhecimento do presente ato e arquivamento do processo. O Corpo Instrutivo. 25 da Lei 8. a fim de implementar o Plano Diretor de Execução Orçamentária da municipalidade.7.2003. decidiu pelo sobrestamento da análise do presente ato até decisão definitiva do Processo TCE-RJ 200. assessoria. Na sessão realizada em 8. o posterior arquivamento do processo e o retorno à SGE. observa que o referido Processo TCE-RJ 200. auditoria financeira e treinamento de pessoal. nos termos do voto prolatado pelo Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior. auditoria financeira e treinamento de pessoal. o Conselheiro-Relator José Maurício de Lima Nolasco apresentou o seguinte voto: I . após reexame.02. pela apensação e pela aplicação de multa ao Prefeito.2004. sugere o conhecimento do presente ato.

e que. IV .5. inserido às fls. aprovado pela Deliberação 167/92. Prefeito do Município de Carapebus. Ora. 201. ao apreciar o presente processo.5. com fundamento no inciso III do artigo 63 da Lei Complementar 63/90. para que providencie o devido procedimento licitatório. 36. com base no art. ficando. Eduardo Nunes Cordeiro. desde já.000 vezes o valor da UFIR-RJ. Cabe ressaltar que em sessão de 8.971-7/03. em caso de não-recolhimento no prazo fixado. 127 do Regimento Interno.Pela APLICAÇÃO DE MULTA. 194 .II . Eduardo Nunes Cordeiro. não há porque sobrestar a análise de um processo em razão de outro que aborda a mesma questão. era exatamente a mesma do Processo TCE-RJ 200.979-4/98.171-2/01. Prefeito do Município de Carapebus. o ilustre Relator observando que a questão meritória. autorizada a cobrança judicial.2003. ao Sr. pelos mesmos motivos. ora em exame. através de acórdão. É o relatório.242-0/01 (termo aditivo) e posterior encaminhamento ao Conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior para prosseguimento.Pela DESAPENSAÇÃO do Processos TCE-RJ 200. bem como para o prosseguimento da cobrança judicial da multa imposta na Sessão Plenária de 8. a fim de dar continuidade aos serviços. que deverá ser recolhida com recursos próprios ao erário estadual. correspondente a 3. rescindindo o contrato em vigor. V .Pela REMESSA do presente à SGE para adoção das providências cabíveis quanto ao Doc. entendeu que deveria sobrestar a análise deste ato até decisão definitiva daquele. nos Processos TCE-RJ 261. 206/208. remeta a esta Corte de Contas a comprovação do cumprimento desta determinação. comprovando a esta Corte o seu pagamento nos 10 (dez) dias subseqüentes. se anteriormente já havia proferido voto pela ilegalidade.Por DETERMINAÇÃO ao Sr. posteriormente. solicitei vista do processo. no prazo de 30 (trinta) dias.979-4/98 (ato de inexigibilidade).172-6/01 e 261. Esse posicionamento demonstra que a matéria não estava suficientemente clara a ponto de ter convencido plenamente o Relator. III .108-4/98 (contrato) e 260.2003. Na mesma sessão.

Quanto ao segundo requisito da inexigibilidade fundamentada no inciso II do artigo 25 da lei.666/93. Não devemos.. não reside no próprio objeto. em período anterior. no entanto. a fim de identificarmos posições. o Processo TCE-RJ 200.979-4/98 trata de um ato de inexigibilidade de licitação. nas palavras do Conselheiro-Relator. que apesar de distintos. tratam do mesmo objeto. O ponto crucial de toda inexigibilidade fundamentada no inciso II do artigo 25 da Lei Federal 8. confundir “notória 195 . deve estar presente na contratação o binômio singularidade e notória especialização da empresa adjudicatária. “a presença da natureza singular do serviço a ser prestado e a notória especialização da contratada”. formalizado entre a Prefeitura Municipal de Carepebus e a SIM – Sistemas de Informações de Municípios Ltda. A singularidade. conforme nos ensina o ilustre Mestre. além de identificar. “ a raiz da inexigibilidade da licitação reside na necessidade a ser atendida e não no objeto ofertado”. para execução do mesmo objeto. aparentemente. precisamos analisar as peculiaridades da pretensão do órgão público. ou melhor. ao analisar as razões apresentadas pelo Prefeito. este Tribunal em sessão de 11. temos a notória especialização da empresa contratada. nos termos do voto prolatado pelo Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior. Não havendo mudança no interesse público a ser alcançado. cujo objeto é exatamente o mesmo deste processo. O Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior.666/93 está no fato de que. conheceu o ato de inexigibilidade. A singularidade na contratação não deixa de existir porque novas empresas estão chegando ao mercado. Assim sendo. tão contraditórias desta Corte em relação a processos. no entendimento da maior parte da doutrina e ratificado pelo Mestre Marçal Justen Filho.2003. mais sim na peculiaridade do interesse público a ser satisfeito. para sabermos se tal requisito está presente.12.De fato. também fundamentado no inciso II do artigo 25 da Lei Federal 8. A questão é delicada e merece um estudo mais bem elaborado. devemos considerar mantida a mencionada singularidade. Portanto. entendeu que o objeto adjudicado se enquadrava entre as possibilidades elencadas no inciso II do artigo 25 da lei. Realmente a existência de peculiaridade no interesse público (singularidade) exige a contratação de um profissional ou empresa notoriamente especializado em determinado ramo do conhecimento.

já notória especialização parte de outros pressupostos." Como vemos. a exemplo do Decreto-Lei 2.300 diz considerar-se de notória especialização o profissional ou empresa cujo conceito no campo de sua especialidade decorrente de desempenho anterior. a Lei 8. tem-se um notório especializado. em última instância pela confiança que inspira na Administração. Lucia Valle Figueiredo e Sérgio Ferraz. concluindo que determinado profissional ou determinada empresa singularizará o serviço. a conformá-los. Ser singular o serviço. a singularidade do serviço está contida no bojo da notória especialização e sendo a municipalidade movida pelo fator confiabilidade. baseia-se num recurso de 196 . por um determinado profissional ou empresa. Singulares são porque apenas podem ser prestados. Ora. pouco importa que ele seja uno ou integre uma pluralidade de notórios especializados”. Configurado este panorama. própria de seu prestador.especialização” com “exclusividade” na prestação dos serviços. garantindo o atendimento ao interesse público. quem delibera. na mesma linha de pensamento. ensina que: “Serviços singulares são aqueles que apresentam. experiências. publicações.666. Eros Roberto Grau.. de certa maneira e com determinado grau de confiabilidade. Outros podem realizá-lo. organização.. características de qualidade. aparelhamento. cabe a ela a escolha do contratado. Identificado o notório especializado. A exclusividade autoriza a contratação direta com base no inciso I do mencionado artigo. é a própria Administração. embora não o possam realizar do mesmo modo e com o mesmo estilo de um determinado profissional ou de uma determinada empresa. a escolha daquele que em última análise executará o serviço de forma mais adequada à plena satisfação do objeto do contrato. estudos.. Os motivos alegados pelo ilustre Conselheiro-Relator José Maurício de Lima Nolasco para considerar ilegal o presente ato. em sua consagrada obra Dispensa e Inexigibilidade de Licitação ensinam que: “Efetivamente. isso não significa seja ele necessariamente o único. equipe técnica ou de outros requisitos relacionados com suas atividades. permita inferir que o seu trabalho é o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato..

tendo sido contratado o mesmo Grupo SIM. pela mesma Prefeitura. Conforme já explicitado acima.979-4/98. de destacar. A idéia de notória especialização não está centrada na possibilidade de um único prestador de serviços. mesmo existindo no mercado várias empresas capacitadas. a análise deste ato foi sobrestada em função de outro idêntico. que no seu entender. hoje. ou melhor.5. ao contrário. que foi conhecido pelo ConselheiroRelator Jonas Lopes de Carvalho Junior. que não diferenciou exclusividade (inciso I do art. que conheceram os atos de inexigibilidade. melhores resultados alcançará. hoje.2003. notoriamente especializadas.reconsideração apreciado por este Tribunal (Processo TCE-RJ 261. a municipalidade só deposita confiança naquela empresa. relativo ao Processo TCE-RJ 200. 25 do texto legal) de notória especialização (inciso II do mesmo artigo). que continua existindo no presente ato como nos demais anteriormente conhecidos por esta Corte. também. ocorreram no ano de 1998 e que existem. qual seja. melhor atenderá a plena satisfação do interesse público. O referido ato trata do mesmo objeto. Finalmente. e que poderiam executar o objeto.172-6/01). cabe a Administração escolher discricionariamente um profissional ou empresa notoriamente especializada. mais uma vez. igualmente especializadas e com atuação em diversas áreas da Administração Pública. outras empresas que passaram a prestar serviços similares. de forma que somente a contratada poderia realizar. Observem que o Conselheiro-Relator que apreciou o recurso de reconsideração não descaracterizou o primeiro requisito do binômio. aquele único que. contratado com o mesmo Grupo SIM. O nobre Conselheiro apenas questionou a existência. que em sessão de 8. mas. É cristalino que houve um equívoco na fundamentação do voto. de outras empresas. cuja fundamentação do voto afirma que as decisões anteriores desta Corte. é atribuição do administrador escolher no rol de profissionais ou empresas capacitadas a executar aquele objeto singular. não poderia deixar. em período anterior. segundo o grau de sua confiabilidade. cujo objeto é exatamente o mesmo do presente ato. pelos seguintes motivos: “Restou provado que o serviço a ser realizado na Prefeitura se enquadra como serviço singular.” (meus grifos) 197 . a singularidade.

aplicar multa ao Prefeito. Negar a legalidade deste ato de inexigibilidade. que em outros processos. VOTO Pelo conhecimento do presente ato e o posterior arquivamento do processo. esta Corte. Assim sendo. muitas vezes. não deve prosperar a afirmativa de que o presente ato seja ilegal. seguindo o mesmo critério de entendimento. mas ao contrário. de acordo o Corpo Instrutivo e o Douto Ministério Público e em desacordo com o Conselheiro Relator. conflitos doutrinários. apenas repetiu a celebração de um mesmo ato já conhecido por este Plenário. totalmente fora de propósito. e principalmente. foi conhecido. não inovou em absolutamente nada. deve procurar perseguir uma coerência nas decisões sobre uma mesma questão. ainda. Sala das Sessões. Ante o exposto. naquelas que apresentam uma maior complexidade e. Nossas decisões muito influenciam os jurisdicionados. como vimos. volto a frisar. que buscam aperfeiçoar os seus atos. conheceu e arquivou. compatível com a melhor doutrina. na fundamentação de seu voto. Volto a afirmar que este município ao celebrar o presente ato. também. 5 de agosto de 2004 JOSÉ LEITE NADER Revisor 198 . é no meu entender. até porque este ato estava sobrestado a outro que. e.Ressalta. e muitas vezes são surpreendidos por decisões tão conflitantes. Esta Corte. ainda. nos termos do voto do Conselheiro Relator José Gomes Graciosa. e bem fundamentado. contratando de forma idêntica ao ano anterior.

notadamente em virtude da viabilidade de competição aventada em parecer jurídico mencionado análise prévia das ofertas de mercado e os sistemas compatíveis com a linguagem tecnológica implementada. pelo prazo de 12 meses. pela comunicação ao Prefeito para que providencie a imediatamente a realização de processo licitatório e pela expedição de ofício ao Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.6. acompanhando voto por mim proferido. RELATÓRIO Trata o presente Processo 231. garantia qualidade técnica e condições favoráveis de preço demonstrando. tributação e arrecadação municipal. recursos humanos. julgamento subjetivo de dados e circunstâncias ensejadoras de 199 .Quanto à legalidade da singularidade invocada. para que aduzisse e aprofundasse suas razões de defesa quanto às impropriedades apontadas nos itens abaixo elencados: “1 . formalizado pela Prefeitura Municipal de Três Rios. com fundamento no inciso II do artigo 25 da Lei Federal 8.. Na Sessão de 8.2004.346. finanças. Celso Alencar Ramos Jacob. em face de existência de outras empresa capacitadas e notoriamente especializadas possivelmente interessadas em prestar os serviços pretendidos pela Administração. folha de pagamento e patrimônio. pela ilegalidade do ato de inexigibilidade de licitação. cujo objeto é a aquisição da licença de uso e prestação de serviços especializados nas áreas de orçamento. portanto.00.666/93. pela aplicação de multa ao Prefeito. o Plenário desta Corte. no valor de R$ 158. Sr. contabilidade pública. decidiu pela notificação do Prefeito do Município de Três Rios. a favor da empresa RPS – RIO’S PROJETOS E SISTEMAS LTDA.INEXIGIBILIDADE DE LICITAÇÃO Aquisição de sistemas aplicativos de informática – Ausência de comprovação da singularidade do objeto contratado – Voto pela rejeição das razões de defesa.513-2/03 de cópia de ato de inexigibilidade de licitação.

25. 26 da L. Esta seleção recaiu justamente na empresa RPS – Rios Projetos e Sistemas Ltda. c/c o art.. 8. trecho de Marçal Justen Filho. também. 200 . 3 .quanto à omissão na remessa do presente ato de inexigibilidade de licitação de dezembro de 2001.666/93: serviços singulares de notória especialização e comprovada qualificação técnica..procedimento formal através de certame licitatório a fim de promover o julgamento objetivo das propostas apresentadas. expõe o Administrador que: “o Município via-se às voltas com a precariedade. do art.quanto à intempestividade na publicação. com o intuito de justificar a interpretação de que seria inadequada a realização de licitação para atender as soluções eleitas pela Administração. imprecisão e a inconfiabilidade das informações produzidas pelos deficientes sistemas que vinha utilizando. dentro dos critérios de singularidade competitiva e economicidade. juntada às fls. Este o fundamento básico da contratação por inexigibilidade e caracterizado no inciso II. 13 da Lei Federal 8. ainda.. 130/135.666/93. 2 . de Belo Horizonte. que: “. que correspondeu pelos vários e técnicas apontadas às expectativas. o jurisdicionado protocolizou neste Tribunal a documentação autuada como Doc.” (sic) O jurisdicionado traz à colação. uma empresa que não se limitasse ao fornecimento de sistemas de qualidade técnica comprovada. nos termos estabelecidos no art.” Com o fito de atender à decisão plenária transcrita. fruto das ´ofertas indiscriminadas do mercado´ alegadas na justificativa da inexigibilidade” (sic) Aduz. ocorrendo inclusive após a celebração do contrato.927-6/04. 30. Em relação ao item 01 (um) da notificação.cabia à Administração buscar no mercado. constituindo-se de encaminhamento obrigatório à luz da Deliberação TCE-RJ 191/95.F. mas que tivesse condições de prestar assistência conceitual na orientação dos procedimentos requeridos no momento e ao depois e auxiliasse a Administração a colocar a casa em ordem.

Tramitam em apenso os Processos TCE-RJ 230. no que couber. acaso necessária. 63 da Lei Complementar 63/90. É o relatório.” (meus grifos) O Ministério Público. 230. que tratam.determinação ao atual Prefeito para que cesse os efeitos do ato em questão. 119/120. No que tange as respostas dos itens 2 e 3 o ordenador admite a irregularidade apontada por esta Corte de Contas. 201 . opina nesses termos: “Portanto não foi a necessidade de contratação de empresa singular e sim de uma que pudesse suprir os anseios da prefeitura por sua falta de planejamento o que de toda forma não justificaria ‘a situação emergencial’ que passava. III . restando autorizado os procedimentos inerentes à cobrança executiva. o Corpo Instrutivo. após reexame. com fulcro no inciso III. 231.878-4/03. II . Celso Alencar Ramos Jacob. estes últimos com decisão de sobrestamento.512-8/03. respectivamente.aplicação de multa ao Sr. Reputando insubsistentes e insatisfatórios os argumentos de defesa apresentados. art.516-4/03 e 233. representado pelo Procurador de Justiça Horácio Medeiros. do contrato e de seus termos de aditamento.564-4/03. Em que pesem as razões trazidas pelo titular do Poder Executivo Municipal.o não-acolhimento das razões de defesa apresentada pelo jurisdicionado. o interessado limita-se a ratificar as impropriedades então detectadas neste processo e a relatar as medidas implementadas pela Administração visando a correção das mesmas. sem prejuízo de procedimentos corretivos. Face ao exposto sugerimos: I . bem como proceda o procedimento licitatório pertinente para o objeto tratado no presente. recolhendo a mesma aos cofres estaduais. em face das impropriedades apontadas às fls.Em relação aos itens 2 (dois) e 3 (três). manifesta-se no mesmo sentido.

Na Administração Pública. respeitado administrativista.. as compras e os serviços contratados pela Administração Pública.” (grifei) 1 . exemplifica a hipótese em que o serviço técnico a ser contratado tem natureza singular. se pode ser reputada como atuação padrão e comum ou não.666/93. 9 ed. Marçal. Tais formulações. incomum e excepcional enfrentada pela Administração que torna o objeto incapaz de ser realizado por qualquer profissional disponível no mercado. entendendo-se por esta a condição atípica. compelindo a Administração à adjudicação direta do objeto pretendido àquele que melhor satisfará a demanda pública. 2002. de quaisquer entes da Federação. 13. inciso II. cuida de situações em que a concorrência entre potenciais fornecedores de bens ou prestadores de serviços se torna inviável..destina-se a evitar a generalização da contratação direta para todos os casos enquadráveis no art. pois apresentam complexidades que impedem obtenção de solução satisfatória a partir da contratação de qualquer profissional (ainda que especializado). Não me é custoso dizer que a inexigibilidade de licitação. do Estatuto das Licitações – dispositivo invocado pelo Administrador como fundamento para o caso vertente –. leciona que a natureza singular: “. como exceção à regra geral. São Paulo: Dialética.JUSTEN FILHO. Justen Filho 1. inciso II. incomum. devem se submeter à prévia realização de competição licitatória. da Lei de Licitações. O legislador ordinário elencou as hipóteses em que essa regra geral estaria afastada para melhor satisfação do interesse público. O artigo 25. impossível de ser enfrentada satisfatoriamente por todo e qualquer profissional ´especializado´.entendo que a contratação direta praticada em sua gestão não se amolda à hipótese do artigo 25. abrigadas nos artigos 24 e 25 da Lei Federal 8. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. A natureza singular se caracteriza como uma situação anômala. É imperioso verificar se a atividade necessária à satisfação do interesse público é complexa ou simples. são sobejamente conhecidas como dispensa e inexigibilidade de licitação. Envolve os casos que demandam mais do que a simples especialização. 202 .

mencionando a recente aquisição pela Prefeitura da ´avançada tecnologia Oracle´. 044 a 046.) 203 . O outro é a ausência de viabilidade de seu atendimento por parte de um profissional especializado padrão. Ulisses Guimarães Figueiredo Filho. não basta reconhecer que o objeto é diverso daquele usualmente executado pela própria Administração. Para Justen Filho: “A identificação de um ´caso anômalo´ depende da conjugação da natureza própria do objeto a ser executado com as habilidades titularizadas por um profissional-padrão que atua no mercado. reporto-me à Instrução de fls. pela natureza técnica do serviço. Imprescindível. que respalda a inexigibilidade em tela. a viabilidade de competição não pode ser avaliada apenas em face da necessidade estatal. É necessário examinar se um profissional qualquer de qualificação média enfrenta e resolve problemas dessa ordem.Depreende-se da lição ora transcrita que a contratação direta não se orienta. entre si relacionados. conforme pauta definida no artigo 13 da Lei de Licitações. 04/05. onde são apontadas as seguintes constatações.. Ou seja. às fls. mas também depende da verificação do mercado. apenas. que traz considerações elaboradas pela equipe de inspeção de Auditoria de Sistemas acerca da inexigibilidade em debate. tornando inviável a competição. que impunha que os sistemas aplicativos a serem adquiridos observassem essa padronização. tornando-o ímpar. (.. a natureza singular resulta da conjugação de dois elementos. ainda. É perfeitamente imaginável que uma necessidade estatal excepcional e anômala possa ser atendida sem maior dificuldade por qualquer profissional especializado. Portanto. Dr.” (grifei) Diante desse conjunto de idéias. deparamo-nos com o parecer do Procurador Geral do Município à época. que ao serviço técnico se acrescente a ocorrência de uma situação anômala. Ou seja. Um deles é a excepcionalidade da necessidade a ser satisfeita. in verbis: “Analisando a cópia do processo supracitado. de molde a que seja enfrentado por profissional de qualificações superiores aos ordinariamente disponíveis no mercado concorrencial. na atividade profissional comum.

em seu parecer.” 204 .. afasta a premissa da inexigibilidade por compatibilidade com a tecnologia supostamente recém-adquirida. confiabilidade e integridade dos dados. Desta forma.Cabe destacar que o parecer do Procurador Geral data de 04 de outubro de 2001. Ademais. Ressaltamos. tratar-se de objeto de natureza singular. inclusive.j. não consideramos. entendemos. que a qualidade do sistema SINTAX. não utiliza a tecnologia Oracle.m. tal justificativa não poderia ter sido empregada. o Procurador Geral. no tocante à segurança e confiabilidade dos dados necessários a um sistema de cunho estratégico para a Administração Municipal por controlar a receita tributária. s. durante os trabalhos de inspeção in loco. desenvolvido em linguagem de programação CLIPPER é bastante inferior a dos outros sistemas adquiridos junto à RPS que fazem uso da tecnologia Oracle. ou seja. através de inúmeros atestados insertos no mesmo. ressalta a necessidade de que a Prefeitura adquirisse ´uma solução proposta para a informática. etc. a melhor alternativa para a Administração Municipal teria sido a realização de uma licitação para o alcance de seus objetivos.j. dentro dos mesmos padrões tecnológicos´. s. por si só. utilizando a tecnologia baseada no Banco de Dados Oracle. por conseguinte. constatamos que um dos sistemas comprados por meio deste processo de inexigibilidade. envolvendo o grau de segurança. embora a contratação tenha sido realizada com uma empresa de capacidade técnica exaustivamente comprovada no processo em tela. o Sistema Tributário e de Arrecadação Municipal – SINTAX. que a Prefeitura não possuía a tecnologia Oracle à época do parecer do Procurador Geral e que.m. Por fim. No entanto. constituída de um conjunto de sistemas integrados. anterior portanto à aquisição da tecnologia Oracle pelo Município. Considerando então a existência de uma série de empresas fornecedoras de sistemas de informação desta natureza. pois há paradigmas técnicos de comparação entre sistemas de informação que permitem a aplicação do critério de melhor técnica. acrescentamos também que. fornecido pela empresa RPS. o que. existência de rotinas.

Os obstáculos de cunho administrativo apresentados pelo jurisdicionado. não restou configurada a singularidade do objeto contratado.Em seu relatório. que o ato em voga padece de eiva insanável. O primeiro diz respeito ao parecer jurídico que serviu de amparo à edição do ato de inexigibilidade. os fundamentos de minha decisão. portanto. portanto. com exclusão de qualquer outro.Pela rejeição das razões da defesa expostas pelo Sr. em suas respostas. vez que não se amolda ao comando do inciso II do artigo 25 do Estatuto das Licitações. II . ao meu pensar. Tenho. não conseguiu demonstrar que a necessidade pública na Pasta da Fazenda era tal que somente o sistema adquirido. não configuram a singularidade do objeto contratado. Celso Alencar Ramos Jacob. levando-me a concluir que o caminho legal que deveria ter sido adotado. peculiar enfrentada pela Administração Municipal de Três Rios. ao invés da inexigibilidade de licitação. tampouco conseguem infirmar as argumentações elaboradas pelo Corpo Instrutivo. dada a existência de outros sistemas aptos à satisfação das necessidades do município. porque fundamentado na aquisição da tecnologia Oracle que até então não se havia concretizado. quando considerados os quesitos segurança e confiabilidade. poderia satisfazer o interesse público em questão. Pelo exposto e examinado. não estou convencido da situação ímpar. O segundo é relativo ao sistema SINTAX. O Administrador. à época. a equipe de inspeção aponta para problemas de duas ordens. é inferior em qualidade. posiciono-me de acordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público e VOTO I . São esses. inusitada. tendo em vista que não restou configurada a singularidade do objeto adjudicado diretamente à 205 . Ademais.Pela ilegalidade do presente ato de inexigibilidade de licitação. daí. segundo a equipe de inspeção. o que tornaria viável a competição licitatória. que não utiliza a tecnologia Oracle e. imperativa a afastar a realização de competição licitatória. Dessarte. seria o da realização de licitação para a contratação dos serviços.

Sala das Sessões. III . comprovando seu pagamento a esta Corte nos 10 (dez) dias subseqüentes. ficando. autorizada a sua cobrança judicial em caso de não recolhimento no prazo fixado. tão logo. ao Prefeito do Município de Três Rios.Pela aplicação de multa. Procurador-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro para que tenha ciência da presente decisão e adote as providências que reputar cabíveis. no prazo de 30 (trinta) dias. 25 da Lei 8. comprovando. Prefeito do Município de Três Rios.Pela comunicação. Celso Alencar Ramos Jacob. as medidas implementadas em virtude desta decisão. prevista no § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE-RJ 204/96. Celso Alencar Ramos Jacob. com fundamento no inciso III do artigo 63 da Lei Complementar 63/ 90. V . IV . desde já. 21 de junho de 2005 JOSÉ MAURÍCIO DE LIMA NOLASCO Relator 206 .Pela expedição de ofício ao Exmo. na quantia correspondente a 3. a esta Corte de Contas.666/93.empresa eleita pela Administração. Sr. hipótese que não se amolda ao disposto no inciso II do art. a qual deverá ser recolhida com recursos próprios ao erário estadual. ao Sr. para que providencie imediatamente o devido procedimento licitatório a fim de dar continuidade aos serviços alvo deste ato de inexigibilidade.000 vezes o valor da UFIR/RJ. através de Acórdão. Sr.

Exigências.Investimentos do Departamento de Limpeza Urbana. b) Quanto à representatividade dos royalties no total de receitas acumuladas. nos termos do inciso I. 18 do Decreto 1/91. chegou-se ao percentual de 5. 3996-8/02: No Departamento de Limpeza Urbana: 1 . 207 .004/53. traz as seguintes informações relevantes: a) A origem das compensações financeiras ao Município de Duque de Caxias estão vinculadas à instalação industrial da PETROBRÁS. por estarem fixadas no município instalações terrestres de embarque e desembarque do óleo bruto e de gás natural da PETROBRÁS. em seu Relatório de Inspeção Especial. nos termos da solicitação por mim subscrita no Processo TCE 200. RELATÓRIO Trata o presente Processo 230.057. Diligência externa. também. § 1º. fl. c) Quanto às transferências do tesouro nacional aos municípios do Estado do Rio de Janeiro. art. A 3ª IRE às fls. 02 a 17. com o fim de verificar o resultado da aplicação das receitas dos royalties na qualidade de vida dos seus respectivos munícipes. d) Os valores dos royalties.576-5/02 da inspeção especial realizada no período de 28 a 30 de janeiro de 2002.582-0/02. no total de R$ 18. da Lei 2.873-3/01.26%. 27 e seus §§ 4º e 6º. alterada pela Lei 7.397. nos termos do art.INSPEÇÃO ESPECIAL Inspeção especial realizada na Prefeitura do Município de Duque de Caxias. referente à aplicação das receitas provenientes dos royalties de petróleo e gás natural.46. e. na Prefeitura do Município de Duque de Caxias.990/89. Apresente razões e esclarecimentos e cumpra as determinações. 25 do Doc. o percentual levantado foi de 3.00%. que tramita junto ao Processo TCE 260. foram aplicados em cinco programas de trabalho.

00). fls. .1. e) Quanto à aplicação dos recursos provenientes dos royalties e o cumprimento da legislação vigente.773.Execução de obras de saneamento básico.27% foram comprometidos com manutenção ou despesas correntes. 09.Manutenção e Operacionalização do Departamento de Limpeza Urbana. para manutenção dos sistemas (software) de contabilidade e tesouraria (R$13. sendo 65. destaca-se o seguinte: I . 5. especificamente em Execução de Obras de Saneamento. 8º da Lei 7.75). 11 a 14.00 – valor empenhado e não pago até a Inspeção).419. fl.16% em Manutenção e Operacionalização do Departamento de Limpeza Urbana. . No Departamento de Desenvolvimento: 3 . g) Em relação à aplicação dos royalties. para fornecimento de refeições aos servidores municipais de diversos órgãos (R$ 10. II .foram utilizados R$ 6.Conservação de vias urbanas com serviços complementares.000.61 para pagamento do quadro permanente do Município.98.568.“existência de 06 processos de pagamento de folhas a servidores ativos e inativos custeadas com recursos de royalties” (em desacordo com o art. higiene e conservação nas dependência da SME (R$ 442.73% foram destinados às despesas de capital ou investimentos.2 . f) Quanto à existência de estudos elaborados pelo município acerca dos prejuízos diretos e indiretos causados pelo beneficiamento do petróleo bruto: 208 .89).680. para serviços de limpeza.para pagamentos de serviços de cópias (R$ 232.Conservação de redes de esgoto sanitário e pluvial. 4 . constataram-se as seguintes impropriedades: . apesar da vedação legal.990/89).

como o caso das despesas com alimentação para diversos órgãos. tesouraria e prestação de serviço de cópia. h) Registra-se que houve aplicação de recursos dos royalties em obras de infra-estrutura. 2) Quanto ao não-cumprimento do artigo 24 do Decreto Presidencial 01/91 que regulamentou a Lei 7. 6º. da Deliberação TCE 204/96 c/c o artigo 26 do Regime Interno deste Tribunal. pelo “Sistema de Mão Própria”. apresente razões de defesa e cumpra as determinações abaixo. visto que foram aplicados recursos de royalties com pagamento de quadro permanente de pessoal.. fls. higiene e conservação nas dependências das secretarias.990/89. sugerindo: “Notificação ao Sr. 16 e 17. a fim de que. José Camilo Zito dos Santos Filho.001/90. da Lei Complementar Estadual 63/90: “Razões de Defesa 1) Quanto ao não-cumprimento do artigo 8º da Lei 7.990/89. em prazo a ser fixado por esta Egrégia Corte. com redação alterada pelo artigo 3º da Lei 8. “Determinações 1) Para que. Prefeito do Município de Duque de Caxias. § 2º.” g) A refinaria de petróleo agrega empreendimentos complementares. serviço de limpeza. visto que foram aplicados recursos de royalties em despesas que não estão abrigadas na legislação em tela. alertando-o para as sanções previstas no artigo 63. como por exemplo uma distribuidora de combustível e gás.“O Município não dispõe de qualquer estudo ou avaliação sobre os prejuízos diretos e indiretos causados pelo beneficiamento do petróleo bruto. através de estudos próprios acerca de possíveis prejuízos diretos e indiretos causados por esta atividade econômica. maximize empreendimentos efetivos na melhoria das condições de 209 . Conclui o Corpo Instrutivo. com fulcro no art. desenvolvimento e manutenção dos sistemas (software) de contabilidade.

vida dos munícipes.03 Royalties do Petróleo e rendimentos de aplicação financeira. tendo esta última sugerido determinação no seguinte sentido: “Providenciar a correção das aplicações dos recursos provenientes dos Royalties do Petróleo de tal ordem que não despenda. 3º da Lei 8. 20. pois o gestor. deverá perseguir o princípio da evidenciação plena. fls. em especial as contas 1921.990/89.9. no quadro permanente de pessoal e/ou em dívidas. em obediência ao art.” A SUM e a SGE opinam no mesmo sentido. Antes de examinar o mérito das questões levantadas na inspeção. 4) Para que o controle interno atue de forma a positivar normas para o registro da receita. sempre que possível. com redação alterada pelo art.2003): 210 . direta ou indiretamente.001/90. É o relatório. bem como carreie recursos com vistas a recuperar danos causados ao meio ambiente local. 2) Para que seja atendido o disposto no artigo 60 da Lei 4. 8º da Lei Federal 7.320/64 no que diz respeito à despesa sem o prévio empenho. 18 e 19. quero trazer aos autos alguns dados sobre o Município de Duque de Caxias de modo a contextualizar a utilização dos recursos compensatórios oriundos da exploração do petróleo e do gás natural na melhoria de qualidade de vida dos cidadãos. conferindo em definitivo a finalidade compensatória aos recursos municipais auferidos a título de royalties. fl. visando uma melhora na informação contábil. opina no mesmo sentido do Corpo Instrutivo. Vale trazer alguns destes dados. disponíveis no site oficial da municipalidade na internet (22. 3) Para que a contabilidade providencie os desdobramentos necessários.” O Douto Ministério Público.

Há previsão de que até 2005 de 30 a 40 novas indústrias no setor plástico se instalem no município.721 hab 11. . .856 ano 8.830 hab 1.Fábrica da Nestlé.744 hab/km 25.4 bilhões 1.Pólo Gás Químico.International Business Park.200 hab Principais segmentos industriais Químico/petroquímico Metalúrgico/gás Plástico Mobiliário Têxtil/vestuário Abastecimento (irregular) de água potável tratada Esgotamento sanitário Déficit habitacional 80% da população 32% da população 40 mil residências Empreendimentos previstos: .5% 71. .Ampliação do complexo petroquímico da REDUC.Pólo Tecnológico de Xerém.6% 41.9% 27. 211 . .117 milhões 148 milhões Distribuição da população 1º Distrito (Duque de Caxias) 2º Distrito (Campos Elíseos) 3º Distrito (Imbariê) 4º Distrito (Xerém) Empregos por setor Primário Secundário Terciário 0.Renda per capita PIB IPI ICMS Indústrias Comércio Densidade demográfica Taxa de urbanização Área geográfica R$ R$ R$ R$ 700 9.865 2 1.3% 2 465.125 hab 23. e .7 km 10.Termelétrica a gás.797 ou US$ 3.

2. § 1º. por ingestão. Apesar do considerável valor do PIB do munícipio. exigem das autoridades municipais de Duque de Caxias controle rigoroso no processo de licenciamento de instalação destas indústrias. do artigo 225. 3. § 2º e § 3º da Constituição da República e do artigo 182 e § 1º da Constituição da República.257/0. por se tratar de exploração de recurso natural esgotável tem duas finalidades: recuperação de dano ambiental produzido pela atividade de extração do petróleo e seu refinamento. e possibilitar a geração de riqueza econômica compatível com a perda do patrimônio do recurso natural. o solo e a água não podem ser desprezados. especialmente de uma refinaria de petróleo. A aplicação dos royalties deve buscar atenuar o impacto ambiental gerado pela exploração econômica de um recurso natural. com predominância deste último. o impacto sobre o ar. por conseqüência. interessa destacar: 1. O reflexo direto na qualidade do ar. somente 32% da população tem acesso ao esgotamento sanitário e 80% a água potável tratada. A natureza compensatória dos royalties. O setor de habitação apresenta um déficit de 40 mil residências. químico. deve-se priorizar a qualificação de técnicos em matéria ambiental 212 . Neste sentido. IV e V. mas com abastecimento irregular. A presença dominante de indústrias com forte impacto ambiental como é o caso do segmento petroquímico. A concentração de empregos nos setores secundário e terciário. ou a contaminação do solo e. com análise pormenorizada do Estudo Prévio de Impacto Ambiental e do Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança nos termos dos artigos 36 a 38 da Lei Federal 10. inclusive com previsão de instalação de novas indústrias do setor plástico. das águas subterrâneas e das plantações repercute diretamente na saúde da população. e a previsão de instalação de novas indústrias do setor de plástico e de um pólo gás químico. doenças de pele e acumulação. A existência de forte concentração de indústrias do setor químico. podendo ser gerador de doenças respiratórias. plástico e metalúrgico. com danos a longo prazo. 4. ampliação da refinaria de petróleo e instalação de um pólo de gás químico. No caso do petróleo.Analisando os dados apresentados. de substâncias tóxicas para o ser humano. A contaminação do ar e do solo por resíduos químicos decorrentes do processo de refinamento do petróleo bruto e de seu aproveitamento por indústrias químicas não pode ser negligenciado pelas autoridades do município.

de modo a que o exame do EIA e do EIV sejam feitos adequadamente no exame do mérito e não apenas no atendimento das formalidades legais.2001: “Art. por qualquer interessado. 36. Lei municipal definirá os empreendimentos e atividades privados ou públicos em área urbana que dependerão de elaboração de Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV) para obter as licenças ou autorizações de construção.geração de tráfego e demanda por transporte público. IV . requeridas nos termos da legislação ambiental. VI .7.equipamentos urbanos e comunitários. V . III . no órgão competente do Poder Público Municipal. de 10. Os dispositivos legais e constitucionais mencionados assim dispõem: Da Lei Federal 10. VII .” 213 .257. A elaboração do EIV não substitui a elaboração e a aprovação de Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA). que ficarão disponíveis para consulta. II . Dar-se-á publicidade aos documentos integrantes do EIV. das seguintes questões: I .adensamento populacional.paisagem urbana e patrimônio natural e cultural. 38. ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público Municipal.uso e ocupação do solo.ventilação e iluminação. 37. no mínimo. Parágrafo único. “Art.valorização imobiliária. “Art. incluindo a análise. O EIV será executado de forma a contemplar os efeitos positivos e negativos do empreendimento ou atividade quanto à qualidade de vida da população residente na área e suas proximidades.

estabelecendo os parâmetros para o desenvolvimento 214 . na forma da lei.controlar a produção. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. aprovado pela Câmara Municipal. de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente. A política de desenvolvimento urbano. § 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado. § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores. 182. a comercialização e o emprego de técnicas. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito. conforme diretrizes gerais fixadas em lei. na forma da lei.257 (Estatuto da Cidade) regulamentou os arts. 225.exigir. bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. a que se dará publicidade. § 1º O Plano diretor..” “Art.. a qualidade de vida e o meio ambiente. incumbe ao Poder Público: . é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana. pessoas físicas ou jurídicas. obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes.” A Lei Federal 10. 182 e 183 da Constituição da República. estudo prévio de impacto ambiental.Da Constituição da República: “Art.... . para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. independentemente da obrigação de reparar os danos causados. tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. a sanções penais e administrativas.. IV . V . executada pelo Poder Público municipal. métodos e substâncias que comportem risco para a vida.

. de modo a privilegiar os investimentos geradores de bemestar geral e a fruição dos bens pelos diferentes segmentos sociais.. X . g) a poluição e a degradação ambiental. programas e projetos de desenvolvimento urbano...urbano e os instrumentos de política pública urbana. tributária e financeira e dos gastos públicos aos objetivos do desenvolvimento urbano. entendido como o direito à terra urbana. à moradia.. preservação e recuperação do meio ambiente natural e construído. ao transporte e aos serviços públicos.... .adoção de padrões de produção e consumo de bens e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites da sustentabilidade ambiental. a mencionada lei submete a política urbana às seguintes diretrizes: “I . do patrimônio cultural. II .adequação dos instrumentos de política econômica.. . à infraestrutura urbana. para as presentes e futuras gerações.. 2º. . Em seu art.garantia do direito a cidades sustentáveis. histórico e artístico..” 215 . ao saneamento ambiental.. execução e acompanhamento de planos.proteção. XII . V .gestão democrática por meio da participação da população e de associações representativas dos vários segmentos da comunidade na formulação. . social e econômica do Município e do território sob sua área de influência. de forma a evitar: .ordenação e controle do uso do solo. VIII . ao trabalho e ao lazer. paisagístico e arqueológico.

dependente do nível de qualificação técnica dos servidores públicos responsáveis por sua análise. no caso do município de Duque de Caxias. Tanto a refinaria de petróleo. em que seu desenvolvimento orbita em torno da indústria do petróleo. como também buscar convênios com órgãos estaduais e federais de meio ambiente. Além disso. com forte concentração industrial. A preservação ambiental pode ocorrer através do controle prévio. Cabe à autoridade municipal. com excelência de qualificação técnica. a fiscalização.As diretrizes para o licenciamento estão subordinadas à politica urbana de desenvolvimento urbano sujeitas aos dispositivos mencionados e ao Plano Diretor de Duque de Caxias. é indispensável e prioritário. muito pelo contrário. e do controle concomitante à atividade. exercer. no âmbito da preservação do interesse local dos munícipes. O controle dos resíduos produzidos pelos processos industriais deve ser objeto de monitoramento permanente com o uso de tecnologia avançada de medição. No caso específico desta municipalidade. Novamente a qualificação do quadro de fiscalização municipal é indispensável. Por outro lado. com conhecimento especializado em meio ambiente e nas suas inter-relações com os aspectos sociais e econômicos. o licenciamento não encerra a questão da degradação ambiental ou da perda de qualidade de vida. a municipalidade tem o poder-dever de obrigar as indústrias instaladas a tornar transparente o seu processo industrial e as formas de controle de emissão de resíduos e de seu armazenamento. A qualidade da análise no licenciamento para instalação de novas indústrias irá repercutir no padrão de saúde do município e na qualidade do meio ambiente urbano. quanto maior a concentração industrial. de recuperação de possível degradação do meio ambiente. dependente do uso de meios tecnológicos específicos. que se dá na atividade do licenciamento. a qualificação de técnicos do quadro efetivo do município. Retomando a questão da aplicação dos royalties. quanto maior a densidade demográfica e o desenvolvimento econômico. maiores os riscos de degradação ambiental e de qualidade de vida. que se dá através do monitoramento do processo industrial. 216 . quanto as indústrias químicas e metalúrgicas devem apresentar à municipalidade todos os meios técnicos de diminuição do impacto ambiental. devendo para isso investir não só em formação técnica para seus quadros. há que se priorizar a preservação ambiental e a busca de qualidade de vida dos habitantes. de investimentos tecnológicos que diminuam a emissão de resíduos.

1990. substituindo-o pelo conceito de desenvolvimento sustentável. no padrão tradicional de desenvolvimento. à iluminação pública. O Estatuto da Cidade tem por fim descartar este enfoque de crescimento ou desenvolvimento tradicional. que ampliou as vedações do art. Destaque-se que os recursos devem garantir o meio ambiente e a qualidade de vida também para as gerações futuras. ser investida sob este dois enfoques. alterada pela Lei 8. à segurança. entre outros. de cidade sustentável. não caminham necessariamente juntos. à energia elétrica. no desenvolvimento sustentável. à educação pública. 8º da Lei 7. A aplicação dos recursos provenientes dos royalties deve. necessariamente. Há que se compatibilizar o desenvolvimento da cidade com as diretrizes da Lei Federal 10.1991. 8º veda o uso das receitas dos royalties em “pagamento da dívida e no quadro permanente de pessoal”.001. à saúde pública. O art. implica degradação ambiental irreversível e diminuição da qualidade de vida dos habitantes com risco à saúde dos munícipes.1. ao transporte coletivo. proteção ao meio 217 .A qualidade de vida dos habitantes é a efetivação do acesso generalizado e regular à água potável tratada. de 13. desenvolvimento compatível com a preservação ambiental e garantia de qualidade de vida para as gerações futuras. Embora deva ser reconhecido que a instalação de indústrias signifique geração de empregos. irrigação. O comum é o desenvolvimento com degradação ambiental (contaminação do ar.990.3. não sustentável. que regulamentou a Lei 7. O desenvolvimento acelerado. destaque-se que o art. 24 direciona a aplicação dos recursos dos royalties “exclusivamente em energia. ao esgoto canalizado e tratado. Por fim.257 (Estatuto da Cidade) e com o Plano Diretor. crescimento econômico e empregos sem degradação ambiental e produzindo melhoria de qualidade de vida dos habitantes.1989. do solo e da água) sem incremento da qualidade da vida (mantém-se nas áreas pobres as mesmas condições de vida com incremento da contaminação por resíduos industriais). há que se analisar a questão em toda sua complexidade com suas repercussões sobre a saúde e o meio ambiente no desenrolar do tempo. A natureza indenizatória dos royalties prioriza sua aplicação na recuperação e preservação do meio ambiente e. ou seja. de 11. 24 do Decreto 01/91.12. A relação crescimento econômico e melhoria de qualidade de vida. ou seja. às áreas de lazer. pavimentação de rodovias.990. O art. abastecimento de água. ao emprego. O desenvolvimento hoje deve ser visto não como sinônimo de geração de empregos e crescimento econômico mas priorizando sua sustentabilidade. de 28. por conseqüência.

alertando-o para as sanções previstas no artigo 63. Determinações: 1) Para que. em especial as contas 1921. com redação alterada pelo artigo 3º da Lei 8. VOTO I . Embora se deva entender que o sentido finalístico do Decreto Regulamentar deve ser reconhecido como de grande interesse ambiental e social. Estar-se-ia limitando o poder discricionário do Executivo municipal através de ato do Executivo federal. 2) Para que seja atendido o disposto no artigo 60 da Lei 4. a fim de que. deve-se entender o teor do art. não é possível ampliar as vedações legais por meio de decreto sem violar o princípio federativo. maximize empreendimentos efetivos na melhoria das condições de vida dos munícipes. com comunicação ao Sr. § 2º. bem como carreie recursos com vistas a recuperar danos causados ao meio ambiente local. 6º. 3) Para que a contabilidade providencie os desdobramentos necessários. 218 . visto que foram aplicados recursos de royalties com pagamento de quadro permanente de pessoal.320/64 que veda despesa sem o prévio empenho.001/90. Face ao exposto. apresente razões e esclarecimentos e cumpra as determinações abaixo. com fulcro no art. conferindo em definitivo a finalidade compensatória aos recursos municipais auferidos a título de royalties. parcialmente de acordo com o Corpo Instrutivo e o Douto Ministério Público. da Lei Complementar Estadual 63/90: Razões e esclarecimentos: Quanto ao não-cumprimento do artigo 8º da Lei 7. no prazo de 30 dias. da Deliberação TCE 204/96 c/c o artigo 26 do Regime Interno deste Tribunal. sempre que possível.03 Royalties do Petróleo e rendimentos de aplicação financeira. Sendo assim. 24 como recomendação para aplicação do valor dos royalties. Prefeito do Município de Duque de Caxias. visando uma melhoria na informação contábil. pelo “Sistema de Mão Própria”. José Camilo Zito dos Santos Filho.990/89. pois o gestor. através de estudos próprios acerca de possíveis prejuízos diretos e indiretos causados por esta atividade econômica. deverá perseguir o princípio da evidenciação plena.ambiente e em saneamento básico”.Pela diligência externa.

explicitando: a) número de domicílios com rede geral de água tratada. b) número de domicílios com rede e tratamento de esgoto.4) Para que o controle interno atue de forma a positivar normas para o registro da receita. c) número de domicílios com coleta de lixo regular. e) dados relativos à saúde pública dos bairros mais próximos à refinaria de petróleo. especificando os bairros em que há deficiência e o quantitativo. 3. A situação de degradação ambiental no município. considerando sua proteção. com redação alterada pelo art. e junte os documentos pertinentes. 2. 6) Para que todos as despesas municipais para contratação de obras ou serviços a serem financiadas com recursos oriundos dos royalties deixem claro a identificação da utilização destes recursos. 219 . discriminando a fonte.Para que o jurisdicionado informe. solo e recursos hídricos. II . especificando os bairros em que há deficiência e o quantitativo. direta ou indiretamente. no quadro permanente de pessoal e/ou em dívidas.001/90. a esta Corte de Contas: 1. 8º da Lei Federal 7.990/89. especificamente em relação a doenças respiratórias. f) situação dos recursos hídricos do município. Junte o Plano Diretor do município e legislação municipal que trate de meio ambiente. seu aproveitamento e monitoramento da qualidade da água. especificando as áreas deficientes e o quantitativo. d) dados relativos à saúde pública. ar. em obediência ao art. 5) Para que seja providenciada a correção das aplicações dos recursos provenientes dos royalties do petróleo de tal ordem que não se despenda tais recursos. envolvendo. e como os recursos dos royalties estão sendo usados para preservação do meio ambiente. Se possui planejamento para uso dos recursos dos royalties com o fim de melhoria da qualidade de vida dos cidadãos e quais os critérios utilizados. 3º da Lei 8.

Sala das Sessões. m) como é efetivada. i) quais projetos e programas estão em andamento com o fim de preservar o meio ambiente e se seu custeio envolve o uso dos royalties. h) situação da coleta e armazenamento do lixo hospitalar e assemelhados. inclusive com qualificação. 28 de outubro de 2003 JOSÉ LEITE NADER Relator 220 . k) os mecanismos municipais utilizados para controle de poluição industrial e formas de acesso à tecnologia com fim de diminuição de resíduos industriais. nos termos do Estatuto da Cidade. lençol subterrâneo de água. tendo em vista a população adjacente. j) como é feito o monitoramento da qualidade do ar. envolvidos na fiscalização do meio ambiente e no licenciamento. proximidade com área de agricultura ou pecuária. a participação dos municípes nos planos. informando sua localização e manejo.g) situação dos depósitos de resíduos sólidos. proximidade com rios. l) como é composto o quadro de servidores municipais. programas e projetos de desenvolvimento da cidade. especialmente próximo à refinaria de petróleo e indústrias químicas.

221 .2005. nos termos descritos na instrução. entre os dias 4 e 7. nos termos do voto por mim proferido.028/2000 e para que.Mop/Rev61 INSPEÇÃO EXTRAORDINÁRIA Prefeitura Municipal de Sumidouro – Inspeção extraordinária referente ao exercício financeiro de mandato integralmente cumprido na vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal – Observância à regra insculpida no art. em razão do primeiro término de gestão. § 2º.4. proferida nos autos do Processo TCE 280. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal poderá caracterizar crime contra as finanças públicas tipificado no artigo 359-C do Código Penal (Decreto-lei 2.Pela notificação ao Sr. no prazo de 30 (trinta) dias. em que o mandato foi cumprido integralmente dentro da vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal – Lei Complementar 101/00. alertando-o para as sanções previstas no inciso IV do art. Prefeito do Município de Sumidouro. à qual lhe foi comunicada validamente. apresente: I. RELATÓRIO Trata o presente Processo 203.1. ao término do exercício financeiro de 2004. Em Sessão de 12.659-4/05 do Relatório de Inspeção Extraordinária realizada na Prefeitura Municipal de Sumidouro. com a redação dada pelo artigo 2º da Lei 10. a fim de coletar as informações referentes ao encerramento do exercício financeiro de 2004.12. 63 da Lei Complementar 63/90 e que a não-comprovação do cumprimento do art. e seus incisos.1. pela ciência e arquivamento do processo. com fulcro no artigo 6º. do Regimento Interno desta Corte. 42 da LRF – Voto por acolhimento das razões apresentadas pelo Prefeito. aprovado pela Deliberação 167/92.2005.582-8/04. no âmbito municipal. Razões de defesa pelo descumprimento da Decisão Plenária de 7.2004.848/ 1940). na forma prevista no artigo 26. Juarez Gonçalves Corguinha. o Plenário decidiu: “I . da Deliberação TCE 204/96.

Inicialmente. exPrefeito. Manoel José de Araújo. sugere ciência e posterior arquivamento do processo. O Ministério Público Especial. Conselheiro José Gomes Graciosa.Por determinação ao atual Prefeito de Sumidouro. para que dê acesso ao Sr. O Corpo Instrutivo. Os documentos elencados pelo Corpo Instrutivo no item 1. em que o mandato foi cumprido integralmente dentro da vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar 101/2000).2. da regra insculpida no artigo 42 da LRF. cabe tecer alguns comentários sobre as inspeções extraordinárias realizadas nas Prefeituras Municipais.368-4/05. 63 da Lei Complementar 63/90. Juarez Gonçalves Corguinha apresentou os documentos solicitados. II . verificou-se o cumprimento. o Sr. pelo responsável.12. em todos os municípios sob jurisdição do TCE-RJ. do Regimento Interno deste Tribunal. II) comunicação. à documentação necessária ao atendimento à decisão desta Corte. aos atuais Prefeitos Municipais e Presidentes das Câmaras Municipais. alertando-o de que o descumprimento desta decisão poderá ensejar a aplicação das sanções previstas no inciso IV do art. a ser efetivada no moldes do inciso II. Juarez Gonçalves Corguinha. por força do término de gestão de mandato. do artigo 222 . o Plenário acolheu a proposição do Exmo. Em Sessão de 7. objeto do DOC. nos termos do artigo 49.” Em atendimento à Decisão Plenária. conforme prevê o § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE/RJ 204/96. no âmbito municipal. Sr. aprovado pela Deliberação TCE-RJ 167/92. a fim de coletar as informações referentes ao encerramento do exercício financeiro de 2004. tendo em vista que. por meio dos cálculos efetuados. parágrafo 3º. É o relatório. notificado nos termos do item anterior. TCE 20. Sr. Presidente desta Casa. em razão do primeiro término de gestão.Mop/Rev61 I.2 da proposta de notificação e transcritos no meu Relatório. representado pelo Procurador Horacio Machado Medeiros. manifesta-se no mesmo sentido.2004. nos seguintes termos: I) A realização de inspeção extraordinária. procedendo ao exame dos documentos apresentados.

Na determinação da disponibilidade de caixa serão considerados os encargos e despesas compromissadas a pagar até o final do exercício. ou através de Procuradores legalmente habilitados disponibilizem no dia 3. mediante edital publicado no Diário Oficial do Estado e nos jornais de grande circulação. foi emitido. nos últimos dois quadrimestres do seu mandato. de modo que os mesmos facilitem o acesso dos Prefeitos e dos Presidentes das Câmaras em término de mandato. para fins de apresentação à equipe de inspeção deste Tribunal. 20. ao término do exercício financeiro de 2004. nos dias 23 e 28 de dezembro de 2004. e assim se expressa: Art. por oportuno. foi dada ciência aos novos Prefeitos e Vereadores. Destaca-se. contrair obrigação de despesa que não possa ser cumprida integralmente dentro dele. que. um dos principais objetivos da presente Inspeção é verificar o cumprimento do art. previamente. Pois bem.1. eleitos no pleito municipal de 2004. e III) ciência aos Prefeitos e Vereadores eleitos da Decisão Plenária.2005. Juarez Gonçalves Corguinha.1. para que os mesmos.2005. para que fossem providenciados os documentos listados no anexo do ofício e entregues aos técnicos deste Tribunal às 10 horas do dia 04 de janeiro de 2005. 42 . nas sedes das respectivas Prefeituras e Câmaras Municipais. No sentido de viabilizar a referida inspeção extraordinária. 42 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Conforme consta do circunstancioso relatório. dos elementos relacionados nos anexos I e II. ou seus Procuradores legalmente habilitados. que cuida dos “Restos a Pagar”. ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem que haja suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. da realização da inspeção.É vedado ao titular de Poder ou órgão referido no art. do Regimento Interno deste Tribunal.Mop/Rev61 26. o art. um ofício ao Sr. na sede da Prefeitura e da Câmara Municipal no dia 3. elaborado por técnicos desta Corte de Contas. além de outros. 223 . 42 está inserido dentro da Seção VI. Parágrafo único. na forma prevista no inciso III do artigo 26 do Regimento Interno deste Tribunal. Prefeito Municipal de Sumidouro.

o equilíbrio das contas públicas. Muitos dos preceitos que norteavam o equilíbrio das contas públicas já existiam antes da promulgação da Lei Complementar 101/2000. uma vez que. 42 ser analisado isoladamente. durante os últimos oito meses do mandato. 20.Mop/Rev61 A aplicação de tal dispositivo está diretamente relacionada com o objetivo principal da Lei de Responsabilidade Fiscal. Este conceito não é privativo do Estado. qual seja. a norma é expressa ao designar que. como os artigos 8º e 9º. 42 em final de gestão. mas em conjunto com as demais normas do direito financeiro e administrativo. não deve o art. Cabe aqui o registro de que importa ao titular do Poder ou órgão referido no art. tampouco 224 . e. cronograma mensal de desembolso e a limitação de empenho. com pagamentos de despesas decorrentes de tais compromissos. Não que o equilíbrio fiscal seja uma necessidade dos tempos modernos. como as Leis Federais 4. conjugados. contribuirão valiosamente para a redução do endividamento público. independente da forma de governo. a assunção de compromissos tendentes a comprometer as disponibilidades financeiras de exercícios futuros e. 42. compulsoriamente. em relação à vedação ali contida. em final de mandato. esse é o espírito da norma. no restante do mandato. para as aflições com o art. A boa interpretação dos dispositivos da norma não deve se afastar desse contexto. que estabelecem as obrigações da programação financeira. que. não poderão contrair obrigação de despesa que não possa ser paga dentro dele. valer-se. mas se estende a todos aqueles que pretendem realizar seus objetivos e manter sua saúde financeira. ou seja. ou que tenha parcelas a serem pagas no exercício seguinte sem suficiente lastro financeiro. os titulares dos Poderes ou órgãos referidos no art.320/64 e 8. coibir. aos maus administradores. inerentes ao controle dos gastos públicos. este também deve ser o foco das organizações privadas e também das pessoas físicas. desde a instituição do Estado legalmente constituído. Assim. conseqüentemente. A primeira parte da norma fixa o momento em que se deve aplicar a restrição contida nas disposições do art. visto que é um dos princípios básicos. A questão não me parece de difícil solução. Portanto. de outros instrumentos eficazes. conseqüentemente. qual seja: não gastar mais do que se arrecada. 20. Em síntese. mas estes dispositivos não eram suficientes para deter o avanço do déficit público. bem como os próprios ditames da LRF.666/93. previstos na própria lei. impactar seus orçamentos.

Assim. a adoção de mecanismos de enquadramento nestes limites. uma grande “bola de neve”. o orçamento futuro já nascia deficitário. comprometidos com dívidas contraídas em exercícios anteriores. que se inicia por meio da elaboração de uma proposta orçamentária equilibrada e ajustada à mais próxima realidade sócioeconômica. Isto ocorria porque o gestor. Nota-se que. cujo sucesso repercutirá em melhoria na oferta e na qualidade dos serviços públicos prestados à população. foi introduzida no mundo das normas do direito financeiro a Lei Complementar 101/2000. então. era comum nos depararmos com governos altamente endividados. pois tinha que honrar os compromissos assumidos anteriormente. e Poderes Executivo e Legislativo. que busca garantir um rígido compromisso com a gestão fiscal. Tem-se que esse compromisso é que permitirá ao administrador público agir antecipadamente. na esfera Municipal. Logo. mesmo sem recursos suficientes. viu-se o engessamento dos orçamentos. porque. o qual abrange os Poderes Executivo. necessário. Torna-se.Mop/Rev61 previam penalidades coercitivas que atingissem o administrador que agisse negligentemente. objetivando sempre a prevenção de riscos e a correção de desvios capazes de afetar o saudável equilíbrio das contas. portanto. e o Ministério Público. conseqüentemente. No sentido de conter este círculo vicioso. Legislativo e Judiciário. e se desenvolve com a implantação de instrumentos de controle disponíveis a assegurar a eficácia dos resultados pretendidos. Como conseqüência. que se traduz no cumprimento de metas de resultados entre as receitas e as despesas. obediência aos limites estabelecidos. 225 . estabelecendo regras que conduzem à gestão pública responsável. surge para os administradores públicos um novo código de condutas. as despesas que deveriam ser custeadas com aquele orçamento passaram também a não ter respaldo financeiro. com a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal. posto que os recursos arrecadados eram utilizados para o pagamento das dívidas. realizava despesas e as inscrevia em “Restos a Pagar” deixando a obrigação de pagamento para os exercícios seguintes. o comprometimento com a responsabilidade na gestão fiscal. por intermédio de ações planejadas e transparentes. por força de gestões administrativas irresponsáveis sem qualquer compromisso com o equilíbrio das contas públicas. inclusive na fixação de metas. nas esferas federal e estadual. a todos aqueles envolvidos nas diversas etapas da administração das contas públicas. a implantação dos diversos instrumentos de controle e outras importantes condições impostas na norma. Criava-se.

62 da Lei Federal 8.O que caracteriza “. cujos conceitos que se extraem entendo podem muito contribuir para a melhor compreensão da matéria: “5 . 42 da LRF.. dúvidas importantes e divergências de interpretação quanto às suas disposições. desde que haja a clara manifestação do responsável – gestor – do acordo de assunção de obrigação e contraprestação de bem ou serviço. não só entre os responsáveis em aplicá-la mas também entre os estudiosos e doutrinadores. consolidou entendimentos que deram origem às Ementas das Conclusões e Sugestões relativas à Lei de Responsabilidade Fiscal. 6 . entre outros. de contrato ou outro instrumento congênere (carta-contrato. Pois bem. para o período ora examinado (mandato de 2001-2004). coerência e segurança em suas decisões. nota de empenho de despesa. Conhecedor da situação que se esboçava. entendo que os critérios. constituir uma Comissão Especial. não poderão ser outros senão aqueles aprovados pelo Corpo Deliberativo e divulgados publicamente por meio de órgão oficial.666/93) com a outra parte que irá prestar um serviço ou vender um bem. de relatoria do Conselheiro Sergio F. com o propósito de estudar. mas. Quintella. Assim. autorização de compra ou ordem de execução de serviço. o Tribunal decidiu. objeto da presente inspeção. ao apreciar o Processo 303. criada pelo Ato Executivo 13. 42. conceitos e alcance das disposições do art.985/01. a verdade é que a publicação da LRF e sua imediata vigência fizeram nascer e se propagar. 42 da LRF. na sua forma de atuar e de se relacionar com os seus jurisdicionados. reunido em Sessão Administrativa. e fiel cumpridor de sua missão institucional. entretanto para efeito do previsto no art. o Plenário desta Corte.05. Findos os trabalhos da Comissão.. pela administração. vale citar alguns de seus enunciados.J de 14.02.. garantir ao Tribunal. 8 e 10.O cumprimento integral de uma despesa pública se dá ao serem 226 . então. tendo sido a Ata publicada no D.Mop/Rev61 Não obstante a intenção do legislador. conforme art. das conclusões sobre a interpretação do art. não querendo dar por esgotado o campo de discussões sobre o assunto. deve ser observado o disposto nos itens 7.285-4/01.O. interpretar e sugerir entendimentos sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal.E.R. doravante novas responsabilidades que lhe atribuíam a LRF e considerando a necessidade de apresentar diretrizes para aplicação e avaliação do cumprimento da Lei.contrair obrigação de despesa..” é a celebração. por outro lado.

58 a 65 da Lei Federal 4.É permitido ao gestor. independentemente da época (mesmo nos dois últimos quadrimestres de mandato dos gestores públicos) ou de sua duração para integral cumprimento (término além do exercício financeiro coincidente com o final de mandato). Destaca-se que deverá haver sim. no tocante a sua assunção e duração. Desta forma. 9 . 42 da Lei Complementar 101/2000. a término de contratos. 7 . ou seja. Objetivando assim não descontinuar as ações da máquina administrativa e até propiciar a está meios de obter melhores condições nos processos licitatórios. 42 da Lei. contrair obrigação de despesa relativa a serviço contínuo que não seja preexistente. fica atendida a essência preconizada no art. cuja duração se estenda além de um exercício. pois as despesas previstas no Plano Plurianual são passíveis de execução. Porém. liquidação e pagamento (arts. a fim de não se impactar orçamentos e disponibilidades de outros exercícios.Mop/Rev61 encerradas todas as suas fases peculiares.Não é permitido ao gestor. a suficiente disponibilidade financeira para pagamento das parcelas que restarem relativas ao que foi empenhado no ano em gestão. por exemplo. em final de mandato. cuja duração se estenda além de um exercício. contrair obrigação de despesa que esteja prevista no Plano Plurianual. o não-endividamento e a não-geração de déficit financeiros. que seja essencial à manutenção da Administração.É permitido ao gestor. para serem realizadas no referido período. 227 . necessitam ter a devida suficiência orçamentária-financeira (para empenho no ano e possibilidade de pagamento integral deste mesmo valor) no exercício financeiro respectivo. desde que preexistentes e essenciais à manutenção da Administração (e somente com a conjunção destas duas condições). contrair obrigação de despesa relativa a serviço contínuo preexistente. em final de mandato. pois algumas dessas despesas ocorrem em período coincidente com o fim de mandato de gestores públicos. não se prendem integralmente ao art. como para todas as outras espécies de despesas realizadas nos dois últimos quadrimestres de mandato de um gestor e não passíveis de serem cumpridas no respectivo exercício financeiro. a saber: empenho. 8 . em final de mandato. face.320/64). entendo que as despesas relativas a serviços contínuos.

como para todas as outras espécies de despesas realizadas nos dois últimos quadrimestres de mandato de um gestor e não passíveis de serem cumpridas no respectivo exercício financeiro. fica tipificado a constituição de uma nova dívida que irá impactar os orçamentos e as disponibilidades de caixa futuros. no tocante a sua assunção e duração.Não é permitido ao gestor. cuja duração se estenda além de um exercício. contrair obrigação de despesa relativa a aluguel de equipamento e a utilização de programas de informática preexistentes. 11 . Reitera-se que deverá haver sim.As disponibilidades de caixa a que se refere o art.É permitido ao gestor. não se prendem integralmente ao art. pois os recursos provenientes 228 . analogamente ao exposto no item 8. não pode suprir a necessária disponibilidade de caixa para pagamento no exercício seguinte de despesas não relacionadas ao objeto conveniado. desde que preexistentes e essenciais à manutenção da Administração (e somente com a conjunção destas duas condições). na medida que neste caso. 10 .Mop/Rev61 mesmo que seja essencial à manutenção da Administração. 12 . em final de mandato. livres de quaisquer compromissos. cuja duração se estenda além de um exercício. cuja duração se estenda além de um exercício. 42 da Lei Complementar 101/ 2000. após serem deduzidos os saldos das obrigações de despesas contraídas até então (exercícios anteriores também). contrair obrigação de despesa relativa a aluguel de equipamento e a utilização de programa de informática que não sejam preexistentes. mesmo que seja essencial à manutenção da Administração.A sobra de recursos financeiros ao final de mandato em fonte de recursos de convênios. que seja essencial à manutenção da Administração. em final de mandato. fica tipificado a constituição de uma nova dívida que irá impactar os orçamentos e as disponibilidades de caixa futuros. na medida que neste caso. a suficiente disponibilidade financeira para pagamento das parcelas que restarem relativas ao que foi empenhado no ano em gestão. ou seja. uma vez que o aluguel de equipamentos e a utilização de programas de informática. 42 da LRF compreendem os recursos financeiros restantes em 31 de dezembro (de cada ano). 13 .

da dívida contraída até então (Restos a Pagar de exercícios anteriores e valores empenhados e não pagos entre 01 de janeiro e 30 de abril do exercício). após a exclusão. ou seja. uma vez que o parágrafo único do art. o montante dos 229 . 14 . uma vez terem estes sua execução financeira vinculada aos repasses constitucionais e legais do Executivo. • Valores empenhados e não pagos entre 01 de janeiro e 30 de abril do exercício em referência. Assim. não podem ser usados para pagamento de despesas diversas do objeto conveniado.As disponibilidades de caixa nos Poderes Legislativo e Judiciário e nos Tribunais de Contas e Ministério Público. que não possa ser cumprida integralmente no respectivo exercício. devem ser devolvidos quando da prestação de contas. do saldo financeiro em 31 de dezembro. não estabelecendo qualquer distinção entre despesas (face à fase em que se encontram) a fim de se apurar as disponibilidades de caixa de um órgão ou entidade. que não possa ser cumprida integralmente no respectivo exercício. independentemente de terem sido executadas ou não. providenciar para que haja disponibilidade de caixa em 31 de dezembro para pagamento de: • Despesas empenhadas em exercícios anteriores e não pagas até então. liquidadas ou não. deverá o gestor que pretender realizar despesa nos dois últimos quadrimestres de seu mandato.As disponibilidade de caixa é necessária para se realizar nos dois últimos quadrimestres de mandato de um gestor. 42 da LRF é geral. deve ter disponibilidade de caixa para pagamento de todas e quaisquer despesas empenhadas e não pagas. Esta disponibilidade é obtida. representam. em final de mandato. Desta forma. no ano de 2000. • Valor da despesa que se pretenda realizar. em caso de sua não-utilização. não podem ser encarados como disponibilidade de caixa. livre de comprometimento. conforme a LRF. 15 . 16 .Mop/Rev61 de convênios têm aplicação restrita ao cumprimento de seu objeto e.O gestor.

8º). 359-C . e com base nos conceitos ora expostos. em 2000 são receitas daqueles Poderes e Órgãos os valores legalmente empenhados ao longo do exercício. 42 da LRF. previsto no Código Penal. verbis: “Art. de 1 (um) a 4 (quatro) anos. para fins do art. Pena – reclusão. 42. A partir de 2001. Por conseqüência. 9º da LRF”. livres de comprometimento (não vinculados a empenhos realizados). que assim dispõe. alternativamente. a que resultar de alterações comprovadas em queda de expectativa de arrecadação. o Corpo Instrutivo estruturou a metodologia de avaliação do cumprimento do art.” Além do cumprimento do disposto no art. Ademais. Considera-se que a programação financeira e. Em 2001. estabelecendo. 42. nos dois últimos quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura. aprovado pelo Decreto-Lei 2. Para dar consistência e respaldo aos trabalhos. caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte. considerar-se-á como disponibilidade de caixa os efetivos recursos constantes naqueles instrumentos. o cronograma de execução mensal de desembolso. este trabalho visa identificar a situação financeira dos municípios que. Assim. mesmo sem ter contraído obrigações de despesa nos últimos oito meses. com redação dada pela Lei 10. foram elaboradas as seguintes planilhas eletrônicas: 230 .Mop/Rev61 empenhos legalmente constituídos (dentro da previsão orçamentária constante da Lei de Orçamento) e não pagos no exercício em referência. apresentavam déficit financeiro no final do exercício. que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de caixa. cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou. as constantes da programação financeira.Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação. conseqüentemente. é aquela decorrente da estimativa da receita prevista em orçamento (e em seus exatos valores) ou. importa ainda lembrar que o descumprimento do art. para tanto.848/40.028/00. 42 foi incluído como crime contra as finanças públicas. as rotinas e os papéis de trabalho pertinentes. face à determinação da LRF do estabelecimento pelo Poder Executivo da programação financeira e do cronograma de execução mensal de desembolso (art. conforme prevê o art. face à complexidade do exame.

74 186.078.093.58 521.68 Poder Executivo 22.626.079. após serem processadas de acordo com os critérios definidos pelo Conselho Superior de Administração.87 • Passivo Financeiro RP do exercício – 01/01 a 30/04 RP do exercício – 01/05 a 31/12 RP de exercícios anteriores Consignações Depósitos de Diversas Origens Serviço da Dívida a Pagar Outras Obrigações de Curto Prazo Total Prefeitura Municipal 161.75 152. 42 E PARÁGRAFO ÚNICO DA LRF Estabelecidas as diretrizes e as ferramentas. a Prefeitura Municipal de Sumidouro apresentou os seguintes resultados: • Disponibilidade Financeira Recursos Financeiros Caixa Bancos Total Prefeitura Municipal 1. 42 LRF) • MODELO VII – AVALIAÇÃO – ART.19 364.093.88 138.5.10 873.5.804.95 420.82 Demais Órgãos 22.284.88 6.76 55.05 34.604.679.640.87 8. procedeu-se.284.10 1.604.2004 • MODELO II – RESTOS A PAGAR DE EMPENHOS EMITIDOS A PARTIR DE 1.026.788. apontaram.50 34.720.Mop/Rev61 • MODELO I – CONTRATOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 1.83 277.593.718. as quais constituem a base de dados que deram suporte às planilhas que.84 335.2004 • MODELO IV – DESPESAS REALIZADAS NÃO INSCRITAS EM RESTOS A PAGAR • MODELO V – DISPONIBILIDADE FINANCEIRA • MODELO VI – ENCARGOS E DESPESAS COMPROMISSADAS A PAGAR (PARÁGRAFO ÚNICO.497.88 231 . De acordo com a análise do Corpo Instrutivo.093. então. o resultado da avaliação do cumprimento do artigo 42 da LRF. de forma automática.87 13.298.2004 • MODELO III – RESTOS A PAGAR CANCELADOS REFERENTES A CONTRATOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 1.150.136.99 Demais Órgãos 6.475.5.604.595. ART.026.497.679. à análise das informações fornecidas pelos jurisdicionados.88 Poder Executivo 8.595.99 1.

o jurisdicionado informa que não apresentou toda documentação solicitada porque a contabilidade dos Fundos carecia das conciliações bancárias e ainda. pois foi contraída.002. cuja despesa não foi empenhada no total de R$ 7.093.500.5.13 Superávit de Disponibilidade – 31/12/2004 7. proferida nos autos do Processo TCE 280. referentes aos contratos firmados.964. Quanto ao descumprimento da Decisão Plenária de 7. É parte integrante do presente voto a informação do Corpo Instrutivo. naquilo que com este não conflite.74 • Avaliação do cumprimento do art. num total de R$ 521. nos últimos dois quadrimestres do mandato.12. no total de R$ 940. que alguns documentos já haviam sido encaminhados ao Tribunal. e Considerando que este Tribunal de Contas é o fiel guardião do erário público.582-8/04.2004.00 e do total apurado referente aos possíveis cancelamentos de empenho. 42 Total das Disponibilidades de Caixa em 31/12/2004 7.87 Total de Encargos e Das Despesas Compromissadas a Pagar em 31/12/2004 628. conforme disposto na Constituição Estadual e na Lei Complementar 63/90.05 O registro de suficiência de caixa. e/ou teve parcelas a serem pagas no exercício seguinte com suficiente disponibilidade de caixa para este efeito. O “Total das Obrigações de Despesas Contraídas” é composto pelo montante de Restos a Pagar.720.286.69 Suficiência de Caixa – 31/12/2004 5. e de todas as entidades de sua administração direta e indireta e fundacional.998.2004. Isto posto.286.74 Total das Obrigações de despesas contraídas 1. acrescido do total de contratos firmados nos últimos 8 meses de mandato. orçamentária. obrigação de despesa que pôde ser cumprida integralmente dentro dele.75. operacional e patrimonial dos municípios.464.94. competindo-lhe exercer a fiscalização contábil. financeira. referentes a empenhos a partir de 1.284. como o Plano Plurianual.464. que é o resultado da diferença positiva quando do confronto do “Total da Disponibilidade de Caixa” e do “Total das Obrigações de Despesa Contraídas”. 232 .284.781.500. indica o cumprimento do artigo 42 da LRF.Mop/Rev61 • Avaliação da disponibilidade de caixa Total das Disponibilidades Financeiras em 31/12/2004 8.

Juarez Gonçalves Corguinha. De acordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público Especial. que concluiu pelo cumprimento da regra insculpida no artigo 42 da Lei Complementar 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal. bem como sobre a aplicação de subvenções.Pelo posterior arquivamento dos presentes autos. no âmbito municipal. a legitimidade e a economicidade dos atos de gestão e das despesas deles decorrentes.Pelo acolhimento das razões de defesa apresentadas pelo Sr. TCE 20. Sala das Sessões. Considerando o primeiro término de gestão. III . em auxílio ao Poder Legislativo. com base nas informações consignadas nos documentos juntados aos autos e nos cálculos efetuados. Prefeito do Município de Sumidouro. II . juntados aos presentes autos. VOTO I . constantes no Doc. fiscalizar o cumprimento das normas da referida Lei. ao término do exercício de 2004.368-4/05.Mop/Rev61 Considerando que. Considerando. em que o mandato foi cumprido integralmente dentro da vigência da Lei Complementar 101/00 – Lei de Responsabilidade Fiscal – e que compete ao Tribunal. na fiscalização que lhe compete. que foi constatada a observância à regra insculpida no artigo 42 da LRF. o Tribunal decidirá sobre a legalidade. 6 de outubro de 2005 JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator 233 .Pela ciência ao Plenário do Relatório de Inspeção Extraordinária realizada na Prefeitura Municipal de Sumidouro. auxílios e a renúncia de receitas.

234 . abrangendo o período de agosto/2000 a setembro/2001. inciso III. nos termos da alínea “a”. elidindo a multa aplicada e reformando-se a decisão de 9. Presidente do Instituto de Previdência Social do Município de São Sebastião do Alto. em cumprimento ao cronograma de inspeções ordinárias no Processo TCE-RJ 300.2003. aprovado pela Deliberação TCE 167/92. que deverá ser recolhida com recursos próprios ao Erário estadual. contados da ciência da decisão desta Corte.por DETERMINAÇÃO à Secretaria-Geral das Sessões para que.2003. ao Sr. Em sessão realizada em 9. RELATÓRIO Trata o presente Processo 240. II . Contratação direta.10. Pelo conhecimento e provimento do recurso. ao materializar a presente decisão. no caso de não recolhimento.002-6/02 de inspeção ordinária realizada no Instituto de Previdência do Município de São Sebastião do Alto. nos termos do voto prolatado pelo Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior. aprovado pela Deliberação TCE 167/92. decidiu: I .9. Voto revisor. mediante acórdão. do art.pela APLICAÇÃO DE MULTA.INSPEÇÃO ORDINÁRIA Inspeção ordinária no Instituto de Previdência do Município de São Sebastião do Alto. no valor de 2. do art.718-0/01. por inexigibilidade. devendo o responsável comprovar o seu recolhimento junto ao Tribunal de Contas. ficando desde já. com base no inciso III. 63 da Lei Complementar 63/90. 26 do Regimento Interno desta Corte. no dia 5. autorizada a cobrança executiva.000 (duas mil) UFIR-RJ. 29 do Regimento Interno.2001. no prazo de 30 (trinta) dias. no prazo de 10 (dez) dias. Geraldo Pietrani.9. pelas irregularidades descritas na fundamentação do meu voto. Falta de escrituração do passivo atuarial do Instituto no Passivo Permanente do Balanço Patrimonial. à época. esta Corte de Contas. do Banco do Brasil para a prestação de serviços na gestão financeira dos recursos previdenciários municipais. 27 c/c art. como normatizado no art.

TCE 40. 6º da Deliberação TCE-RJ 204/96 e na forma do artigo 26 e seus incisos do Regimento Interno desta Corte de Contas. II . conforme §1º do art. No entanto. Na mesma sessão. 127 do Regimento Interno. o Sr.000 vezes o valor da UFIR-RJ. a multa correspondente a mil vezes o valor da UFIR-RJ.Pelo CONHECIMENTO do presente recurso de reconsideração. faça a mesma ser acompanhada de cópia da instrução. devendo recolher. para o correspondente a 1. 82/87. dando-lhe ciência desta decisão. mas que. no prazo de 10 (dez) dias contados da publicação desta decisão. o Conselheiro-Relator Jose Maurício de Lima Nolasco apresentou o seguite voto: I . interpôs recurso de reconsideração. Em sessão de 27. 235 . é imprescindível uma análise mais pormenorizada dos demais itens.4. reduzindo-se a multa aplicada ao recorrente. às fls. Inconformado com a decisão deste Tribunal.Pelo seu PROVIMENTO PARCIAL. aprovado pela Deliberação TCE 167/92. não acolhidos pela instrução.279-7/03. Geraldo Petriani. O ilustre Relator.9. na Sessão Plenária de 9.dirigida pessoalmente ao responsável. protocolizado como Doc. para uma melhor compreensão dos fatos apresentados. retificando o exame realizado pelo Corpo Instrutivo. e do inteiro teor deste voto. Sr.2003. 61/70. Presidente do Instituto de Previdência Social do Município de São Sebastião do Alto à época. Geraldo Pietrani. Geraldo Petriani. Vice-Prefeito do Município de São Sebastião do Alto. com base no art. solicitei vista do processo. comprovando a esta Corte o seu pagamento no prazo de 10 (dez) dias subseqüentes. acolheu as justificativas apresentadas pelo recorrente quanto aos itens 2. É o relatório.Pela COMUNICAÇÃO ao Sr. III . 5 e 6 que motivaram a multa aplicada em sessão de 9. inserido às fls.9. indicando o provimento parcial do recurso.2004. no meu entender. com recursos próprios.2003. aprovado pela Deliberação TCE-RJ 167/92. foram satisfatoriamente explicados.

foi determinado ao Sr. não há por que aplicar qualquer sanção ao ente federado por ter fundamentado a contratação como inexigibilidade. o que aumenta as condições vantajosas da contratação. por inexigibilidade. Superada a questão das exigências de licitação. Prefeito à época. no período inspecionado. o município de São Sebastião do Alto possui um Posto de Atendimento (nº 0107-4) permanente aos interessados. do Banco do Brasil para a prestação de serviços na gestão financeira dos recursos previdenciários municipais. em função da anualidade dos orçamentos. também.944/2000 SSE. Enfatiza o recorrente: 236 . quando. na verdade. Sobre o tema devo ressaltar que a Procuradoria deste Tribunal tem se posicionado.2001. os resultados concretos. que providenciasse a avaliação atuarial dos planos de benefícios e procedesse à avaliação do passivo atuarial. pela contratação mediante dispensa de licitação em favor do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal. aproximando o contratante do contratado. foi recebido pelo responsável em 5. de forma que. De fato. nas palavras do recorrente. Ocorre que na apreciação da Inspeção Ordinária realizada no Instituto em agosto de 2000. Antônio José Segalote Pontes. motivou a aplicação de multa. os estudos foram procedidos pela empresa contratada e apresentados ao poder público municipal no exercício de 2001.O item n o 1 aponta como irregularidade a contratação direta. encaminhado por esta Corte. nos termos do parecer da Procuradoria deste Tribunal. em matéria análoga. O item no 3 que. como afirma o recorrente. ainda não podiam ser plenamente avaliados.1. suas agências funcionam como escritórios itinerantes. menciona a falta de escrituração do passivo atuarial do Instituto de Previdência Municipal de São Sebastião do Alto no Passivo Permanente do Balanço Patrimonial. seria caso de dispensa de licitação. devendo o jurisdicionado escolher a proposta mais vantajosa. Assim sendo. ao passo que a Caixa Econômica Federal não possui qualquer agência de atendimento no referido município. O ofício de comunicação 15. uma vez que. As taxas cobradas pelo Banco do Brasil são compatíveis com os valores praticados no mercado e a instituição detém todos os requisitos necessários ao atendimento aos municípios do interior.

Geraldo Petriani. estavam sendo precedidos os controles e todo levantamento na estrutura patrimonial do município.9. uma vez que os bens do Instituto estavam sendo identificados e registrados na contabilidade municipal na forma prevista na legislação e. após novo cálculo atuarial a ser apresentado. se for o caso. No que tange ao item 4 que enfatiza o descumprimento do artigo 94 da Lei Federal 4. Nestes termos. Geraldo Petriani. Enfatizo. Em razão dos fatos relatados e não restando indícios de má-fé administrativa. II .Pelo CONHECIMENTO do presente recurso por preencher os requisitos de admissibilidade. creio eu as justificativas apresentadas pelo interessado devem ser acolhidas. VOTO I . elidindo a multa aplicada ao Sr. o mesmo será lançado na contabilidade do Instituto de Previdência”. reformando-se a douta decisão de 9. poderá esta Corte aplicar as sanções cabíveis. de modo que é inoportuna qualquer punição neste momento.2003. sob pena de atentar contra a fidedignidade dos balanços e demais demonstrativos contábeis. todas as providências necessárias à regularização dos bens foram evidenciadas no período da inspeção. asseguro e firmo declaração que. na época da inspeção.“na questão em tela. a eficácia dos novos controles que já estavam sendo implementados quando da inspeção. que somente na próxima inspeção poderá esta Corte verificar. o douto Ministério Público. objetivamente. não posso proceder à contabilização de valores que ainda não me foram definitivamente apresentados. em sessão de 9.320/64. 25 de maio de 2004 JOSÉ LEITE NADER Revisor 237 . mais uma vez. o Conselheiro-Relator e. entendo que seja mais coerente a verificação do atendimento da mencionada determinação na próxima inspeção.2003. De fato. manifesto-me em desacordo ao Corpo Instrutivo. Tendo sido plenamente justificados todos itens que motivaram a aplicação da multa imposta ao Sr. Sala das Sessões.Pelo PROVIMENTO do recurso.9. quando.

houve decisão pelo conhecimento e. vieram aos autos as seguintes manifestações: a) Corpo Instrutivo: sugeriu “quitação da multa imposta.5. Em 13. foi expedido certificado de revelia em 6.000 vezes o valor da UFIR ao Sr. Amaurílio Jairo de Lima.2002. com efeito sobre a pretensão executória. O jurisdicionado foi regularmente cientificado da decisão exarada nos autos dos embargos de declaração (Processo 207. Em vista do ofício acima referido. 22. ocorrido em 21. tendo falecido depois de prolatado pelo TCE-RJ o acórdão condenatório. compreendendo exame do período de junho de 1995 a fevereiro de 1996. decidiu pela aplicação de multa na importância correspondente a 2.2001 e foram iniciados os procedimentos para a cobrança judicial do débito. RELATÓRIO Trata o presente Processo 203. Amaurílio Jairo de Lima. nessa época ex-Prefeito do mesmo Município. expedição de ofício ao atual Prefeito e arquivamento”.9. Voto revisor.067-4. Mediante o Ofício 164/2002/GP.2001. Extinção da punibilidade do jurisdicionado. no mérito.1997. Expirado o prazo e não comprovado o recolhimento da multa.7. 19).INSPEÇÃO ORDINÁRIA Jurisdicionado condenado em multa. pelo não-provimento. O acórdão condenatório é o de nº 73/97. comunica o falecimento do Sr.342-8/02 e solicita informações quanto ao procedimento no que diz respeito à emissão de certidão de inscrição na Dívida Ativa. 238 . o Plenário. Interpostos embargos de declaração. Joaquim José da Silva Leal. o Prefeito Sr.085-6/96 de inspeção ordinária realizada na Prefeitura Municipal de Areal. de 11.2002.4. como comprova a certidão de óbito juntada às fls. em Sessão de 10. 03 do Doc. de acordo com o voto prolatado pelo Conselheiro José Gomes Graciosa.4. AR de fls.

2003 devolveu o processo.) XLV .2001. Nesta Sessão.11. solicitei vista dos autos. c) Relator. tem natureza 239 . conforme Acórdão 73/97. expedição de ofício ao atual Prefeito e pelo arquivamento”. 5º. 127 do RI. deve ser ressaltado que a pena de multa tem caráter personalíssimo. 127 do Regimento Interno. expedição de ofício ao atual Prefeito e arquivamento”. foi mantida a pena de multa. É o relatório. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. Interpostos embargos de declaração. depois da aplicação da multa e antes de sua inscrição na dívida ativa do Município.4. não se transmite aos herdeiros.1997. O jurisdicionado veio a falecer em 21.b) Ministério Público: manifestou-se “pelo arquivamento”. diferentemente da obrigação de reparar o dano. 5º. Conselheiro Aluisio Gama de Souza: proferiu voto “pelo cancelamento da multa. de 13.. A questão que se põe é esta: em virtude da morte do jurisdicionado. solicitou vista dos autos e na Sessão de 25. O jurisdicionado foi punido com aplicação de multa.5. que providência deverá ser determinada por este Tribunal? Inicialmente.2002. Não foi ofertado recurso de reconsideração no prazo legal. até o limite do valor do patrimônio transferido. nos termos da lei. d) Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco: com base no art. ou seja. em seu art. assim dispõe a Constituição Federal em vigor. inciso XLV: “Art. não ultrapassa a pessoa do condenado. (. e. em que se manifestou “pela extinção da punibilidade. com emissão de voto revisor. com base no art. Com efeito.4.nenhuma pena passará da pessoa do condenado. em conseqüência.. por decisão plenária de 10. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser.” A multa. aprovado pela Deliberação TCE 167/92.

A imposição de multa é sanção personalíssima. a morte do jurisdicionado é causa de extinção da punibilidade.” (Fernando da Costa Tourinho Filho. 5º. 61 do CPP. Cabe indagar quais são os efeitos da extinção da punibilidade. nos termos da mesma regra constitucional. Se. porém. por força do preceito constitucional em foco.. No processo penal. o princípio da pessoalidade aplicável às sanções administrativas de conteúdo penal (CF.. p. SP: Javoli. conseqüentemente. Há de se preservar. I. estendidas aos sucessores e contra eles executadas até o limite do valor do patrimônio transferido. se depois. os princípios oriundos do Direito Penal. não haverá condenação. “Muitas vezes a causa extintiva da punibilidade faz desaparecer todas as conseqüências de natureza penal. devem prevalecer. extingue-se tão-somente a pena ou o jus puniendi”. tal como ocorre na anistia. 202/3. uma vez que omissa a Lei Orgânica do TCE. e. desaparece o direito subjetivo de punir do Estado. Já a obrigação de reparar o dano e a decretação de perdimento de bens podem ser. o juiz. Em relação à multa. 2002. vol. então o que se extingue é o “jus-punitionis”. grifos meus). RJ: Renovar. o “jus puniendi”. extingue-se a própria pretensão punitiva. grifos meus). conforme prescreve o art. Segundo a doutrina. tem caráter de pena. consoante dispõe o art. já houver sentença condenatória. dependendo do momento em que se verifica a causa. Se antes da sentença passada em julgado. art. deve. isto é.” (Celso Delmanto e outros. Processo Penal. 5ª ed. “O que se extingue é a “punibilidade”. os efeitos da extinção da punibilidade correspondem ao momento em que elas ocorrem.eminentemente punitiva que. 6ª ed. 1979.. o crime subsiste. extinta 240 . Outras vezes. 524. 107-I do Código Penal. No caso de morte do acusado. pois. XLV). a extinção da punibilidade tem por efeitos a extinção da “pretensão punitiva” ou da “pretensão executória” do Estado. p. porque.. só a pretensão executória. Os doutos esclarecem expressamente: “Por via de regra. exceções: a anistia e a abolição do crime. Há. por acaso. ou seja. declarar extinta a punibilidade. não pode passar da pessoa do agente. tomando ciência da morte do acusado ou do condenado. retroagem e atingem a pretensão punitiva. Código Penal Comentado. mesmo quando posteriores à condenação passada em julgado. ex officio.

o Corpo Instrutivo sugeriu “quitação da multa”. art. O ilustre Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco solicitou vista dos autos. 568-II). bem como sobre a correspondente responsabilidade e eventual existência de dano. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. O nobre Conselheiro Aluisio Gama de Souza não concordou com a sugestão do Corpo Instrutivo porque.” (CPC. feita a partilha.a punibilidade..o espólio. mas. até porque a sentença condenatória.o devedor. a decisão judicial é bastante simples e geralmente é exarada nestes termos: “Em vista da certidão de óbito de fls. os herdeiros ou os sucessores do devedor. deve se manifestar sobre eventuais irregularidades praticadas. conforme a hipótese) e determino o arquivamento dos autos. e votou pelo “cancelamento da multa”. até o limite do valor do patrimônio transferido. nos termos da lei. e não há que se falar em descontinuação da sentença condenatória. art. porque: “nenhuma pena passará da pessoa do condenado. 597) No caso dos autos. art. só respondem os herdeiros. Em qualquer dos casos. “São sujeitos passivos na execução: I . XLV) “A herança responde pelo pagamento das dívidas do falecido. 31 da Lei Complementar 63/90. reconhecido como tal no título executivo.. extingue-se a pretensão executória. de acordo com o art. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. mesmo que ocorra o falecimento do jurisdicionado. 1. “O espólio responde pelas dívidas do falecido.” ( CF. II . No caso de morte do condenado. feita a partilha.” Se o condenado falecer após o trânsito em julgado da sentença condenatória. como regra geral. art. tendo transitado em julgado.997). extinta a punibilidade. hipótese em que os sucessores deverão responder pelo dano causado. julgo extinta a punibilidade do (acusado ou condenado. torna-se imutável. porque o efeito da extinção da punibilidade se reflete sobre a execução da pena. 241 . 5º. a quitação da multa se dá se comprovado o recolhimento integral do débito ou da multa. cada herdeiro responde por elas na proporção da parte que na herança lhe coube” (CPC. mas. extinta estará a pretensão executória. cada qual em proporção da parte que na herança lhe coube” (CC. Esta Corte. extinta estará a pretensão punitiva.. PRI.

O nobre Relator. o nobre Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco. são formuladas. RI. Penso que a razão está com o nobre Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco. Ressalvo. na Sessão de 25. Com a morte do jurisdicionado após o trânsito em julgado da condenação. mas o foi. Como visto acima. A título exemplificativo. concordando não ser caso de “quitação da multa”. cujo óbito só foi cientificado à Corte após a decisão definitiva: neste caso. sob o argumento de que manter o acórdão que aplicou a multa é não reconhecer o fim da punibilidade. com efeito sobre a “pretensão executória” e “pelo arquivamento do processo especial de cobrança executiva”. não cabe alterar o acórdão. como já assentado pelo ínclito Relator. porque a decisão tornou-se imutável. que a morte do jurisdicionado pode induzir variados pronunciamentos desta Corte. art. se a dívida ainda não está inscrita. Jurisdicionado condenado em multa. O Tribunal não pode corrigir ex officio o acórdão. a saber: extinção da pretensão punitiva ou extinção da pretensão executória. uma vez que não se trata de inexatidão material. algumas situações e respectivas soluções que me parecem pertinentes: 1. a pretensão punitiva ainda não estava extinta. A decisão do Tribunal deve ser “pela extinção da punibilidade. para o fim de cancelar a multa. a extinção da punibilidade pode produzir efeitos distintos. porém. dependendo do momento em que se der o óbito. apresentou voto-revisor pela “extinção de punibilidade”. a decisão condenatória transitada em julgado. Conselheiro Aluisio Gama de Souza. Transitada em julgado a decisão desta Corte. estava extinta a pretensão punitiva. extingue-se com o falecimento do responsável. pelo que se constata dos autos. o óbito do jurisdicionado ocorreu após o trânsito em julgado da decisão. a seguir. discordando do ilustre Revisor. deu-se a extinção da punibilidade. a meu ver a conseqüência é que ela não deverá ser inscrita em dívida ativa. o acórdão que aplicou a multa está correto. inclusive ao Ministério Público. tendo a multa caráter personalíssimo. Qual a conseqüência prática dessa extinção de punibilidade? Ora. sem preocupação de esgotar o assunto. mas com efeito somente sobre a pretensão executória. Ademais. 96). Cabe a qualquer legitimado (LO. subsistindo. interpor “recurso de 242 . Esta a solução que me parece correta para o caso sob exame. O jurisdicionado não poderia ter sido condenado em multa. insiste na correção de seu voto pelo “cancelamento da multa”. Portanto. art. sob o argumento de que. 74.11.Recolocado o processo em pauta. nem de erro de cálculo. tendo falecido antes de prolatado o acórdão condenatório.2003. por imutável. contudo. O Tribunal podia punir e puniu.

tempestivamente. a Corte. não poderia ter sido condenado. Provendo o recurso. configurado o trânsito em julgado. para o fim de determinar o arquivamento do processo de cobrança executiva. a Corte. 95-II (o jurisdicionado. interposto qualquer recurso por qualquer legitimado. deixar de aplicar a multa. havia pretensão punitiva. com efeito sobre a pretensão executória. nem mesmo pelo Ministério Público. ciente do óbito. ou de superveniência de novo documento. tendo falecido antes de prolatado o acórdão condenatório. não poderá alterar o acórdão. tomando ciência do óbito. 95). ficando prejudicada a inscrição do valor da multa como dívida ativa. para o fim de cancelar a multa. porque extinta a pretensão executória e comunicar o fato a esta Corte que. 2. eis que extinta a pretensão punitiva. 4. só pode. provendo o recurso. 88). O acórdão está perfeito e não pode ser alterado sob o pretexto de que o jurisdicionado faleceu. a prova da morte não possibilitaria condenação em multa). Aqui só cabe à Corte declarar extinta a punibilidade com efeito sobre a pretensão executória e determinar a o arquivamento do processo de cobrança executiva. O jurisdicionado podia e foi condenado. devendo se limitar a declarar a extinção da punibilidade. a Corte não pode alterar o acórdão. tendo falecido depois de prolatado o acórdão condenatório: nesta hipótese. Jurisdicionado condenado em multa. constatando não ter sido interposto “recurso de revisão”. inclusive o Ministério Público. com efeito sobre a pretensão executória. art. art. 96). extinta a punibilidade pelo óbito.reconsideração” em até 30 dias (RI. com efeito sobre a pretensão executória e determinar o arquivamento do processo de cobrança executiva. 243 . cujo óbito só foi cientificado à Corte após o trânsito em julgado da decisão definitiva: em até cinco anos qualquer interessado. Jurisdicionado condenado em multa. irá alterar o acórdão para. Interposto recurso tempestivo. tendo falecido antes de prolatado o acórdão condenatório. É o caso sob exame. Não sendo. art. 95-IV (se a certidão de óbito tivesse sido juntada aos autos. declarar extinta a punibilidade. devendo se limitar a declarar a extinção da punibilidade. sob o fundamento de evidente violação da lei – RI. art. Jurisdicionado condenado em multa. segundo penso. 3. com eficácia sobre a prova produzida – RI. ou coisa soberanamente julgada porque não houve formulação de “recurso de revisão”. uma vez que estava extinta a pretensão punitiva antes mesmo de ter sido prolatada a decisão. Não sendo interposto “recurso de revisão”. pode interpor “recurso de revisão” (RI. mantendo o reconhecimento da irregularidade. cujo óbito só foi cientificado à Corte após o trânsito em julgado da decisão definitiva e da inscrição do valor da multa em dívida ativa: a Administração deve se abster de ajuizar ação de execução fiscal. ou “recurso de revisão” em até cinco anos (RI. para o fim de determinar o arquivamento do processo de cobrança executiva. a Corte irá alterar o acórdão. mas foi). art.

Sala das Sessões. com efeito sobre a pretensão executória. II . 282. cientificando-lhe desta decisão. 9º da Deliberação TCE 166/92. como segundo revisor. relativo ao Processo Especial de Cobrança Executiva. 11 de dezembro de 2003 MARCO ANTONIO BARBOSA DE ALENCAR Revisor 244 . no caso presente. ex-Prefeito de Município de Areal. para o fim de extinguir o procedimento descrito no art. Amaurilio Jairo de Lima. eis que o óbito se deu após a condenação.pelo arquivamento do processo. IV . III . que me parece correto.Por tudo que foi exposto. iniciado a fls.Pela extinção da punibilidade. VOTO I . Pelo exposto e examinado. apenas esclarecendo que a extinção da punibilidade tem efeito.por determinação à Secretaria-Geral de Controle Externo para que dê ciência do inteiro teor deste voto a todas as Inspetorias e Coordenadorias a ela subordinadas. ficando prejudicada a inscrição do valor da multa em dívida ativa municipal. em face do falecimento do Sr. me alio ao voto do ilustre Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco.pela expedição de ofício ao atual Prefeito do Município de Areal. sobre a pretensão executória e que o arquivamento se refere ao processo especial de cobrança executiva.

da Deliberação TCE 191/95. com interveniência da FAMNIT – Federação das Associações de Moradores do Município de Niterói. Travessa Sílvio Pinto Magaldi e Paulo Antunes. gasto com veículos e equipamentos. 4) Estatuto da FAMNIT – Federação das Associações de Moradores do Município de Niterói.156-4/04 de convênio. bem como os encargos incidentes. 08. visando a execução do projeto parceria. para realização de obras e manutenção. além do ato em questão. contrato e subvenção – Peculiar interesse da Administração – Análise do caso concreto – Voto revisor pela comunicação. 4. RELATÓRIO Trata o presente Processo 273. fls. em Niterói. As obras encontram-se descritas no Plano de Trabalho.PEDIDO DE VISTA Convênio para execução de obras e serviços de engenharia – Distinção entre convênio. e artigo 1º . II. na circunscrição da Associação”. Morro da Souza Soares. “d”. 08/09. fls. “e”. drenagem e passeio. 3) Plano de Trabalho. Foram encaminhados. 245 . 2) cronograma de desembolso. Urbanização e Saneamento e a Associação de Moradores da Rua Lions Clube. o qual elenca como tais a construção de muro de contenção. os seguintes documentos: 1) tabela. Determina a cláusula primeira do convênio que o objeto deste refere-se à “união de esforços entre a EMUSA e a Associação. fls. fls. Santa Rosa. que é submetido a esta Corte de Contas por força do disposto no artigo 48. escada. 06. 07 e 09. II. nas Travessas Pedra 1 e 2 – Souza Soares. formalizado entre a EMUSA – Empresa Municipal de Moradia. discriminando o valor a ser pago aos trabalhadores.

elenca diversos questionamentos. 26 a 64. o Corpo Instrutivo. mas também da mão-de-obra. 04. 66/70. • No que tange ao Plano de Trabalho. da Lei Complementar 63/90). nos termos da cláusula 6ª. da Lei 8.2004. dirige-se à execução das obras supra. segundo ele.666/93). etc. Outrossim. por essa. nos termos da Deliberação nº 207/99. 39. relativo à contratação. veículos. 04. 246 .101. de trabalhadores para execução do trabalho.69. havendo desembolso orçamentário pela EMUSA. fls. Em 12. letra “e”. em síntese: • Segundo a Instrução. que a EMUSA encaminhasse: 1) Plano de aplicação aprovado.1). sendo o primeiro deles as razões que levaram a EMUSA a celebrar o presente convênio. que nesse intento. em decorrência de inexistir contraprestação financeira por parte da Associação. para caracterizar a intervenção da FAMNIT neste convênio. por meio do ofício PRES 551/04. 25. alínea. O presidente da entidade. 116. “g”. optando-se por um convênio com Associação de moradores. além do valor da mão-de-obra. não seria lógico formalizar o convênio com quem não detém conhecimento técnico para consecução do objeto. esse deveria se fazer acompanhar de projeto básico. • Outrossim. Já o valor repassado à Associação será de apenas R$ 85. art. fls. em despacho saneador. nos termos da cláusula 5ª. não só do valor do material. deve-se perquirir o motivo para se prescindir da contratação de uma empresa de engenharia. Em reanálise. fls. Importa salientar que o valor global da obra monta R$ 136. este Tribunal determinou. 06. às fls. com especificações quanto a custos unitários. referem-se ao que havia sido pedido. • Nesse caso.7. 2) Documento informando as atribuições da FAMNIT como interveniente (art. fls.188. encaminhou novamente os mesmos documentos que já constavam do processo que. materiais. definindo as condições da liberação das parcelas do convênio (§ 3º.A melhoria de vida da comunidade traduz a meta do convênio. e da tabela de fls.53 (cláusula 3. o material necessário à consecução dos serviços. compete à EMUSA repassar à Associação.

transformando-o em contrato.666/93. o código aplicado deveria ser o de número 3. da Lei 8. Ante ao acima exposto. elemento típico dos contratos. fica reforçada a tese de que se trata de contrato.666/93. mesmo que receba o nome de convênio. • Estabelece o convênio em questão que a EMUSA poderá rescindir a avença unilateralmente. a Instrução reputa como incorreto o elemento classificador utilizado (3390. Ocorre que sendo as obrigações recíprocas.3.666/93. concluindo não terem sido observadas. 68/69. nesse convênio. e não de convênio.2005.39 – fonte 100). caso não seja atingido o objetivo acordado. a Instrução sugere a notificação do presidente da EMUSA para que remeta os documentos e esclarecimentos elencados às fls. Ocorre que não se admite em convênios a previsão de rescisão unilateral. • Dessa forma. Segundo o nobre Relator: • Para a Lei 8. degeneraria o instrumento. o Conselheiro Aluisio Gama de Souza apresentou voto. • Finalizando. O Ministério Público. • A presente avença estipula obrigações. 72. as disposições da Lei 8. que trata da concessão e prestação de contas de subvenção.50. 247 . pois em se tratando de convênio.entende ser insuficiente a remessa de cópia de seu estatuto. Portanto.3. tanto para a Associação quanto para a EMUSA. dispondo a cláusula oitava sobre rescisão. nos termos das cláusulas 5ª e 6ª. concorda com o sugerido. qualquer vínculo da Administração Pública com particular. deve ser considerado contrato.43. a aplicação dos termos da Deliberação TCE 200/96. por meio do Procurador Renato Pereira França.00. além de determinação. nos termos do artigo 2º. como conseqüência. gerando. onde haja obrigações recíprocas. devendo ficar estabelecido o elenco das obrigações e responsabilidades da Federação na consecução do objeto. para realização de atividade social. fls. uma vez que cada partícipe poderá se retirar a qualquer momento. esse instrumento se limita apenas à subvenção de terceiro. Voto do Relator Em Sessão de 29.

320/64. tratando-se de contrato. dos institutos em torno dos quais se têm travado salutares debates em Plenário. efetuar fiscalização severa em sua 248 . • Os convênios distinguem-se dos contratos por serem ajustes celebrados exclusivamente com pessoas de direito público. evidencia-se que a EMUSA contratou uma associação de moradores para executar obras públicas. É o relatório. o presente instrumento. • A exceção a essa regra só seria admissível em casos de lei autorizativa. não sendo essa a hipótese. médica e educacional. De se ressaltar. como se convênio fosse. • Não obstante. da Constituição da República. em tese. há que se ressaltar que não houve intenção do jurisdicionado em inobservar a legislação aplicável. subvencionar terceiro para realizar atividade social. também não se enquadraria. desde logo. notificando-se porém. Ocorre que. da Lei 4. o que implica pacificar o entendimento sobre a questão. o presidente da EMUSA para apresentar documentos e esclarecimentos. que trata da possibilidade de se efetuar convênio para autorizar as empresas privadas a participarem do SUS. a fim de que se possa moralizar a utilização desse ato pelo Poder Público. a concessão de subvenção social visará à prestação de serviços essenciais de assistência social. seria. cuja inobservância confere invalidade a sua celebração. 16. na verdade. impõe-se a realização de licitação. em cumprimento aos princípios da impessoalidade. Nos termos do art. A única hipótese permissiva encontra-se no artigo 199. que reputo louvável a iniciativa e a preocupação do nobre Conselheiro Aluisio Gama para que o tema ora tratado seja sistematizado. não estaria a EMUSA autorizada a formalizar o presente convênio.• Portanto. • O objetivo da EMUSA. Antes de adentrar a análise do presente caso concreto. • Dos autos. razão pela qual pode o ato ser examinado. nessa categoria. considero relevante tecer algumas considerações preliminares que permitam a diferenciação. • Portanto.

bem com coibir o desvirtuamento dos institutos que visem a burla à Lei de Licitações e ao Princípio do Concurso Público. a deficiência na regulamentação não implica a extinção dos convênios. que subordinava a celebração de convênios à autorização prévia da Assembléia Legislativa. Assim decidiu o Supremo Tribunal Federal. podem surgir dúvidas acerca da correta utilização do instituto.ADI 676-2 – Rio de Janeiro. dependendo do caso concreto. 249 . extravasando das pautas de controle externo constante da Carta Federal e de observância pelos Estados”. No que tange à distinção dos institutos. 191 da Constituição da República. serão firmados um ou outro instrumento. o próprio artigo refere-se à possibilidade da Administração. No primeiro caso. 99. à autorização prévia da Assembléia Legislativa. não se limitariam os convênios à hipótese autorizativa do art. declarando inconstitucionais os incisos XX e XXXI do art. celebrar convênios ou contratos. Não obstante. fere o princípio da independência dos Poderes. compartilho do entendimento dos Conselheiros Jonas Lopes de Carvalho Junior e José Maurício de Lima Nolasco quanto à não-exigência de autorização legislativa para a celebração de convênios. Outrossim. em cada caso. que trata do Sistema Único de Saúde – SUS.execução. ou na transformação em subvenção de todos os convênios que prevejam repasse de verbas. que possuem entre si pontos convergentes e divergentes. e ainda por inexistir suficiente regulamentação da matéria convênio. para atendimento dos objetivos traçados pelo SUS. Convênios x Contratos x Subvenções Com efeito. por se tratarem os convênios e contratos espécies da categoria atos jurídicos bilaterais. para que se determine que a Administração possa celebrar apenas contratos com particulares. punindo aqueles que fazem mau uso desse instrumento. por órgãos do Executivo. a doutrina elenca alguns parâmetros. acentuando que “a regra que subordina a celebração de convênios em geral. Nesse peculiar. da Constituição do Estado do Rio de Janeiro 1. Vejamos: 1 . possuindo inúmeras características em comum. Portanto.

para realização de objetivos de interesse comum dos partícipes. • Como realiza interesse público. e portanto poderá a Administração rescindir unilateralmente. • Composto por partes. • Composto por partícipes. • A conveniada não recebe remuneração. são os interesses buscados no próprio acordo pela outra parte – que não o Poder Público – que vão determinar a utilização do convênio ou do contrato. • Há o pagamento pelos serviços prestados. mesmo que supletivamente seja atingido o interesse público. a convenente enquadra-se na categoria iniciativa privada de interesse público. • O repasse de verbas há que se destinar a cobrir despesas por este realizadas na execução do convênio. sendo irrelevante para o repassador a destinação do mesmo. 250 . assim chamados por possuírem as mesmas pretensões. • O contratado recebe remuneração. • A verba permanece com a natureza de dinheiro público. Não se olvide que incidindo o interesse público. • No contrato. as partes convenentes e suas finalidades intrínsecas – defesa do interesse público. Forma de descentralização da Administração Pública. não incidem as cláusulas exorbitantes. • A contratada objetiva realizar sempre o interesse privado. poís não obtém lucro. cujos interesses são opostos • Incidem as cláusulas exorbitantes decorrentes do privilégio da Administração Pública. proteção assistencial filantrópica ou objetivo de lucro – não são o bastante para firmar essa distinção. CONVÊNIO • Acordo firmado entre entidade pública de qualquer espécie.CONTRATO • Acordo firmado por entidade pública de com organismos qualquer espécie particulares. • Ou melhor. • Interesse público do conveniado. como por exemplo obrigação de aceitar o aumento de quantitativo inicialmente acordado. ou entre estas e organismos particulares. • Interesse patrimonial do contratado. • A entidade contratada não presta contas do recebido ao Tribunal de Contas. Deve-se observar que o interesse do particular convenente será sempre público. Este busca auxiliar o Estado na obtenção de fins públicos. o valor pago passa a integrar o patrimônio da entidade que o recebeu. somente podendo vir a ser utilizada para fins previstos no instrumento de convênio. buscando parcerias para melhor desempenhar suas ações. • A conveniada busca o interesse público. • O interesse do contratado será sempre privado. indenizando custos operacionais e propiciando a própria execução do ajuste. esse prevalece sempre. pelas obras executadas ou pelos bens fornecidos. • Por possuírem os partícipes uma situação de igualdade. com as exigências e peculiaridades de cada um deles. para realização de interesses contrapostos ou divergentes. • Há prestação de contas do convênio ao Tribunal de Contas.

porque a Administração tem o poder discricionário de escolher seus colaboradores. 251 . • Quando há desembolso de recursos pela Administração. que. controle prévio da Câmara Municipal. portanto. fere a isonomia entre os mesmos.666/93. ou seja. • Quando há desembolso de recursos pela Administração. devido à independência dos poderes. o contrato deve possuir previsão orçamentária. • Excetuando os casos previstos em lei. da Lei 8. • Em caso de inadequação de algum partícipe em concluir o acordado. Assim decidiu o TCU no voto nº 020. não havendo interesse de lucro. • A celebração de convênio encerra típico ato de gestão. • Não exige autorização do Poder Legislativo. • Deve prever prazo. • Não há portanto. o convênio deve possuir previsão orçamentária. de condução dos negócios públicos municipais.666/93. não há competição. devendo ser aplicadas as penalidades elencadas na Lei 8.069/93-6. como tal. impõe-se o dever de licitar. Como o interesse é cooperativo. O controle é feito a posteriori. • Deve prever prazo. • O convênio enquadra-se. não se aplicando porém penalização ao partícipe faltoso.• A possibilidade de rescisão decorre de disposição da lei. apenas controle posterior. como regra. O contrário. lei prévia. e portanto. devido à inadimplência do contratado. é da exclusiva alçada do Executivo. poderá ocorrer a denúncia do convênio. dentro da doutrina dos pesos e contrapesos. licitação. atribuição de índole eminentemente administrativa. no caput do artigo 25. sendo.

enquadrando-o na categoria de convênio ou de contrato. genérico. a construção de um muro ou escada. Não obstante. o objeto acordado pode ser mais amplo. ou seja. e que não poderia ser obtido com a simples contratação de uma empresa de engenharia. A Administração. daria margem a sua caracterização como um convênio. se analisado em tese. deve-se proceder a uma análise percuciente do ato. um objeto imaterial.De fato. que extrapola o produto final. justificada na adequabilidade do suposto interesse público às finalidades institucionais gerais da “conveniada”. por exemplo. ao invés de satisfação do interesse público almejado através de uma contratação usual. com aquela específica entidade. a partir de um ato de governo. busca algo mais. 252 . o qual. em outras hipóteses. existem situações nas quais se poderá de pronto identificar o ato bilateral. Nesses casos. Deve-se lembrar que se busca no convênio não apenas o interesse público voltado para a materialização da obra. focada principalmente na existência de peculiar interesse que justifique a opção da Administração pela avença em forma de cooperação.

666/93. No Brasil. o que não quer dizer que sua natureza seja transmudada para uma subvenção. ficando os demais excluídos desse atendimento. podem receber subvenção do Poder Público. Por exemplo. na hipótese de um orfanato que atenda 100 (cem) crianças e possua 2 . nos termos do artigo 24. Dessa forma. da Deliberação TCE 200. que prestam serviços públicos. Aqueles excluídos recorriam normalmente aos serviços de caridade. na prestação de serviços de assistência social. ou assistidos pela iniciativa privada.Novo Dicionário Aurélio. e no artigo 22. Nesse caso. essas entidades privadas. médicos) não eram vistos como obrigação do Poder Público e direito dos cidadãos. De fato. no mesmo sentido. mantidos por organismos assistencialistas. da Lei 8.Hipótese diversa seria a do pacto entre Administração e entidade de assistência a deficientes para prestação de serviços. g. não se trata de um convênio. inciso XX. Assim. mas sim de uma subvenção. Ainda que. uma vez que a Administração Pública deve ter como fim precípuo organizar. Todavia a análise não se encerra nesse ponto específico. ajuda financeira. ou seja. 253 . dentre as incumbências da Administração. o convênio pode comportar.320/64. a suplementação dos recursos de origem privada. Essa ajuda é apenas complementar. ou eram prestados a um pequeno número deles. um repasse de verbas. e objetiva. se possa enquadrar a avença como um convênio. amparado por dispensa de licitação. e só podem ser feitas para instituições que tenham determinadas finalidades institucionais. devendo ser encaradas como uma exceção ao custeio de serviços públicos. Como o próprio nome diz. médica e educacional. desvinculados do Poder Público. já consideradas pela Lei como de interesse público. que obedece a regramentos orçamentários específicos. prestar e fiscalizar os serviços comuns a todos os cidadãos. se atenderem à Lei. já houve época em que determinados serviços (v. da Lei 4. tal hipótese deverá ser investigada. as subvenções são auxílios pecuniários 2. deve ser averiguado se o instituto não está sendo usado como substitutivo de uma subvenção social. nos termos da Lei. no qual os interesses apresentam-se divergentes. A subvenção encontra-se regulamentada no artigo 16. Hoje. a princípio. se está diante da figura do contrato. pois em tese. caso um convênio se limite meramente a repassar verbas públicas para o particular.

b – encontra-se atendido parcialmente. haja vista que o objetivo da Associação também é público. fls. bem como o material para consecução dos mesmos. ressaltam-se os seguintes elementos: • A avença decorre do Projeto Parceria. entendo que o Tribunal. veículos. 07. talvez com o objetivo de propiciar oferta de trabalho aos moradores da localidade. contrato e subvenção. • Observa-se. • O subitem 2. Caso concreto No caso sob exame. assim querendo. fls. ajudar a entidade com algum recurso. • Não foi prevista remuneração à Associação. inexistindo previsão de remuneração por isto. Não obstante. objetiva o convênio a união de esforços entre os partícipes para realização de obras no âmbito da circunscrição da Associação convenente. haver um vínculo com intenção (affectio) diversa da de um simples contrato. deverá observar as diretrizes aqui traçadas. • Segundo a cláusula primeira. atendidos os pressupostos legais. equipamentos e mão-de-obra. quem sabe. 254 . 08/09. a princípio. interessa à Administração firmar compromisso com a Associação pertencente ao perímetro da obra. considero que alguns deles já se encontram no processo. 06. talvez não se busque apenas uma obra a ser executada por uma empresa qualquer. por condições econômicas mais vantajosas. Sendo assim.1.1. No que tange à documentação e esclarecimentos reclamados pelo Corpo Instrutivo.verba para o atendimento de 90 (noventa) delas. para diferenciar casos de convênio. considera-se atendido. deverá ser encaminhado o custo unitário do material. a EMUSA repassará à Associação o valor para contratar os trabalhadores para execução dos serviços. • Nesse caso. quais sejam: • O exigido no subitem 2. do cronograma de repasse. consta às fls. Ou seja. Portanto. a – Plano de aplicação. Foram remetidos o custo global dos materiais. poderá a Administração. não compreendendo qualquer tipo de taxa de administração ou BDI. mas sim. até. firmado entre a EMUSA e a Associação.

encaminhe a esta Corte os seguintes elementos: 1) cópia do Projeto Parceria. quando o convênio soma R$ 136. considerando que ainda restam algumas questões que deverão ser esclarecidas pelo jurisdicionado. presidente da EMUSA. enquanto o restante refere-se aos equipamentos que serão fornecidos.d (documento informando as razões do repasse à Associação de apenas R$ 85. manifesto o meu voto parcialmente de acordo com o Corpo Instrutivo. 3) cópia do projeto básico da obra. inciso I. • 2. Edison Pinho Sobrinho. uma vez que a presença dessa no pacto decorre de suas próprias atribuições. 26. não vislumbro o enquadramento do presente ato na hipótese de suplementação de uma prestação de serviços de assistência social. 06. tenho opinião diversa. entendendo que a mesma deveria ser tratada como despesa de subvenção. a saber: A princípio. fls. 08/09 e a tabela. Diante de todo o exposto. 255 .188. se aparentemente não se está diante desse caso.69. Nesse caso. não poderia essa Corte de Contas notificar o jurisdicionado para que apresente defesa pelo fato de não ter classificado a despesa como subvenção. médica e educacional. no seguinte sentido: • 273. fls.101. 2) cópia da planilha de custo unitário do material. uma vez que não só o plano de trabalho. deixam claro que o valor repassado à Associação objetiva apenas ao pagamento da mão-de-obra. 10/15. no prazo de 30 (trinta) dias.53) encontra-se esclarecida no próprio convênio. • Quanto a considerar incorreta a classificação da despesa em questão. elencadas no referido estatuto. VOTO I . e conseqüentemente assim seu ato formalizador. Ministério Público e Conselheiro Relator. na forma do art. fls. com base na definição legal e do manifestado voto.Por comunicação ao Sr.159-6/04. do Regimento Interno. para que.• A dúvida materializada no subitem 2. neste processo e por conexão no feito a seguir relacionado.c – Entendo ser desnecessária a lavratura de termo aditivo para que se faça constar do convênio as obrigações da FAMNIT como interveniente.

ao invés de se executar o objeto diretamente. alínea “g”. inciso II. contratar firma especializada do ramo para executá-lo. da Lei Complementar 63/90. visando à execução de obras e serviços de engenharia. 39.Por determinação à Secretaria Geral das Sessões para que. ao efetivar a comunicação supra. ou então. conforme o art.4) justificativa acerca do fato de ter sido celebrado termo de convênio com uma Associação de Moradores. encaminhe cópia integral do presente voto e dos pareceres do Ministério Público e do Corpo Instrutivo. Sala das Sessões. II . 19 de abril de 2005 MARCO ANTONIO BARBOSA DE ALENCAR Revisor 256 .

1 . às fls. está marcada para o dia 09 de maio de 2005. 40 informa que a Coordenadoria de Exame de Editais – CEE fez chegar às suas mãos expediente 1 em que solicitou à EMUSA o adiamento do certame até que esta Corte de Contas ultime o exame do ato convocatório. art. O prazo de vigência do contrato que decorrer da licitação. 05. é de 12 (doze) meses. 02. às fls. O edital que recebeu o número de ordem 01/05 tem por objeto. O valor estimado da contratação.40 (cinco milhões.Ofício SGE/CEE 020/05. informado no subitem 3. Consta às fls. 04. visto que.000 toneladas de Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ) para recompor a pavimentação de diversos logradouros do Município de Niterói e reparos de pequenas obras. às 16:00h. como se constata às fls.007-6/05 de edital de licitação a ser realizada na modalidade concorrência. RELATÓRIO Trata o presente Processo 210. 26 cópia da publicação do resumo do edital feita em 07 de abril de 2005. 3. Voto revisor pela comunicação. Como o edital foi protocolizado em 18 de abril de 2005.396.PEDIDO DE VISTA Edital de licitação por concorrência – Critério de reajustamento de preços – Legalidade da adoção da data do orçamento elaborado pela Administração como data-base para o cálculo do reajustamento de preços de contratos. conforme informado no aviso de fls. Urbanização e Saneamento de Niterói – EMUSA.054. 05. a sua remessa a esta Corte de Contas foi intempestiva. A data e horário para o recebimento dos envelopes contendo os documentos e propostas. informado no subitem 4. O Conselheiro-Relator. às fls. 256 . anexo à contracapa do processo. o fornecimento de 32.1 do edital.2 da minuta de contrato. tipo menor preço. conforme dispõe o seu item 2. pela Empresa Municipal de Moradia. o inciso I. às fls. trezentos e noventa e seis mil e cinqüenta e quatro reais e quarenta centavos). é de R$ 5.

15/20) estabelece os índices e critérios da EMOP como referências de reajuste de preços é março de 2005 como data-base (os grifos são do Conselheiro-Relator) As conclusões da CEA estão redigidas nos seguintes termos: Pelo exposto. f c/c art. Portanto. a planilha orçamentária de preços estimados com data-base de janeiro/2005. 3. na qual constatamos que os preços praticados estão compatíveis com os de mercado. Orçamento 1. 29. § 2º. 7º. 40. às fls. da Deliberação TCE-RJ 191/95 estabelece que os atos unilaterais devem ser remetidos a este Tribunal em até cinco dias da publicação de seus respectivos resumos.2 .quantidades (art. 30/37.preços unitários (art. IX. não foi possível aferir se as quantidades de CBUQ são compatíveis com as obras mencionadas no item 2. A Coordenadoria de Exame de Editais – CEE. às fls. Critério de reajuste de preços (art. sugerimos que cada fornecimento do CBUQ seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual. 6º. 1. II e art. I) Não foi apresentada a Memória de Cálculo do Projeto Básico com as suas respectivas quantidades licitadas. como especificação. sugerimos que o fornecimento do CBUQ seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual.1 . II) Foi apresentada. 40. XI) O parágrafo terceiro da cláusula segunda da minuta do contrato (fls. manifestando-se sobre os termos do edital. dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida. § 2º. 21/22.1 do edital (cláusula que trata do objeto contratual). Desta forma. como especificação. destaca os seguintes aspectos: 1. § 2º.1º. 40. A Coordenadoria de Estudos e Análises Técnicas – CEA. em suas conclusões sugere: 257 . dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida. às fls.

a serem comprovadas quando da remessa do instrumento contratual.5. no sentido de considerar como item de habilitação a necessidade dos licitantes comprovarem o cumprimento do disposto no inc.666/93. XXXIII do art.666/93.Desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc. III .Faça constar as condições de recebimento do objeto.2.Encaminhe o pronunciamento da assessoria jurídica da EMUSA aprovando o Edital de Concorrência 001/2005. IX . horário e códigos de acesso dos meios de comunicação à distância. 40 da Lei Federal 8. nos termos do que estabelece o parágrafo único do artigo 38 da Lei Federal 8. nos termos do que estabelece a alínea "a". 27 da Lei Federal 8. XVI do art.666/93. V . excluindo do edital a respectiva exigência. XIV do art. uma vez que o tema não está inserido no rol dos artigos 27 a 30 da Lei Federal 8.Faça constar do edital o local.Observe o que estabelece o inc. sugerimos ao E.666/93. 73 do mesmo diploma legal. VII . inc. IV .666/93. V do art. Plenário pronunciar-se pelo conhecimento do Edital de Licitação 001/2005 da EMUSA. VI . 73 do mesmo diploma legal.666/93.666/93.Ante o exposto. com as determinações propostas a seguir.Estabeleça previsão quanto às condições de recebimento do objeto nos termos do que dispõe o inc. 40 da Lei Federal 8.666/93 quanto à necessidade de estabelecer compatibilização entre a duração dos 258 . conforme preceitua o inciso XVI do art. V do subitem 7. 40 da Lei Federal 8. uma vez que vai de encontro ao direito de impugnação previsto nos § 1º e § 2º do artigo 41 da Lei 8.Observe o que dispõe o artigo 57 da Lei Federal 8. compatibilizando-o com o art.Desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc.Fixe a data em que serão realizados os pagamentos. 40 da Lei Federal 8. em obediência do inciso VIII do art. compatibilizando-o com o art.666/ 93. tomando por base um número exato de dias contados a partir do adimplemento de cada parcela. VIII . síntese do examinado. 7º da Constituição Federal. e pelo posterior arquivamento do processo. I . excluindo do edital a respectiva exigência. VI do subitem 7. II .

Este processo foi submetido a apreciação do Plenário desta Corte de Contas na Sessão de 24 de maio de 2005. representado pelo Procurador de Justiça Horácio Machado Medeiros. tendo em vista manifestação do Corpo Instrutivo através das Coordenadorias de Estudos e Análises Técnicas (fls.. 21. 7º da Constituição Federal. verbis: O Ministério Público. e X . e Coordenadoria de Exames de Editais (30/7). tendo sido proferido pelo Conselheiro José Maurício de Lima Nolasco o voto de fls. nos termos propostos pela CEA: ". verbis: Pela comunicação. 38. no sentido de considerar como item de habilitação a necessidade dos licitantes comprovarem o cumprimento do disposto no inc. 40 da Lei Federal 8.Por fim. nos termos do que estabelece o parágrafo único do artigo 38 da Lei Federal 8.. 73 do mesmo diploma legal.contratos e a vigência dos créditos orçamentários. conforme preceitua o inciso XVI do art. da Lei 8. ao Presidente da EMUSA.faça constar as condições de recebimento do objeto.666/ 93. 27 da Lei Federal 8.666/93. caso o fornecimento envolva projetos não contemplados nas metas estabelecidas no Plano Plurianual. no prazo de 10 (dez) dias.encaminhe o pronunciamento de sua assessoria jurídica aprovando o Edital de Concorrência 001/2005. às fls. assim se manifesta. c . hipótese que resultará na necessidade de alteração no prazo de vigência contratual prevista no subitem 3. 259 . 49-51.2. XXXIII do art. com as respectivas determinações. V do art. como especificação. atenda as seguintes medidas: a .observe o que estabelece o inc. na forma do art.sugerimos que cada fornecimento do CBQU seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual. opina pelo conhecimento do edital.666/93. com o seguinte teor. para que. compatibilizando-o com o art. § 4º. b ." O Douto Ministério Público. reabrindo-se o prazo inicialmente estabelecido. dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida. 29).666/ 93. prevista no §1º do artigo 6º da Deliberação TCERJ 204/96.

5. excluindo do edital a respectiva exigência. g .corrija o edital e todos os seus anexos nas redações relativas à hipótese de reajustamento. f .666/93. h .666/93..sugerimos que cada fornecimento do CBQU seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual.faça constar do edital que eventual prorrogação do enlace somente será admitida nas situações descritas no § 1º do artigo 57 da LF 8.providencie a juntada da cópia do procedimento administrativo que justifica a exigência dos seguintes índices contábeis exigidos 260 . V do subitem 7.: EMOP. em relação a esta última. FGV. dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida". em obediência do inciso VIII do art. devendo ser observado.666/ 93.666/93. i . fazendo constar qual o índice que será adotado (v. nos termos do que estabelece a alínea "a". j . excluindo do edital a respectiva exigência.desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc. INCC.d .desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc. horário e códigos de acesso dos meios de comunicação à distância. XIV do art.g.fixe a data em que serão realizados os pagamentos. XVI do art. os termos de minha fundamentação. l . VI do subitem 7.atenda a proposição da CEA: ". tomando por base um número exato de dias contados a partir do adimplemento de cada parcela. inc.faça constar do edital o local. k .estabeleça previsão quanto às condições de recebimento do objeto nos termos do que dispõe o inc. uma vez que vai de encontro ao direito de impugnação previsto nos § 1º e § 2º do artigo 41 da Lei 8.666/93. 73 do mesmo diploma legal. 40 da Lei Federal 8. como especificação. 40 da Lei Federal 8. 40 da Lei Federal 8. compatibilizando-o com o art. uma vez que o tema não está inserido no rol dos artigos 27 a 30 da Lei Federal 8. e ..) e qual a data-base para o reajuste dos preços: se a da apresentação das propostas ou a data da elaboração dos orçamentos elaborados pelos licitantes. o que demandará a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do ajuste e a correspondente motivação em processo administrativo. etc.666/93.2.

após o que poderá ser revisto com base na fórmula R = (Im/ Io) x V. tendo como data-base o mês de março/2005”. em virtude de paralisações ou outro fato plenamente justificado meses. Im – Índice do EMOP do mês de reajuste. manifesta-se nos seguintes termos. o preço poderá ser revisto aplicando-se os índices e critérios da EMOP. O subitem 16. às fls.7 do edital dado que estão relacionados às contratações de obras e serviços de engenharia e não ao fornecimento objeto deste certame. 16 informa que “caso haja prorrogação do prazo.1 do edital contém a seguinte informação (sic): Caso o contrato venha a ter vigência por mais de 12 (doze) meses. (Grifei) O parágrafo terceiro da cláusula segunda da minuta do contrato. às fls. É o relatório. o nobre ConselheiroRelator. onde: R – é o valor do reajustamento procurado. e. 04. tendo como database o mês de março/2003” 2. origem de recursos a longo prazo e endividamento. n . Sobre as incongruências do edital. 43. verbis: 2 . m . 261 . o preço poderá ser revisto aplicandose os índices e critérios da tabela da EMOP. O subitem 2.O texto do edital.5 do edital informa que “caso haja prorrogação do prazo. Io – Índice do EMOP da data base do orçamento.2 do edital.no certame: garantia de capitais de terceiros. acima transcritas.6 e 7. faz referência expressa ao ano de 2003. O subitem 3. V – é o valor inicial contratual da obra.reveja a redação dos subitens 7. às fls.faça constar redação no sentido de que a ausência de qualquer preposto na sessão de abertura e julgamento das propostas não acarretará na desclassificação das respectivas empresas licitantes. diz que o fornecimento objeto da licitação será realizado sob o regime de empreitada por preço unitário e que os preços serão irreajustáveis. talvez por erro de digitação.

ou do orçamento a que essa proposta se referir. ora a data do orçamento oficial da Administração. por coerência. Quando admitido. também.666/93. Nas fundamentações de seu voto. quanto aos critérios de reajustamento de preços. Esse orçamento deve traduzir a cotação dos preços que o interessado 262 . externá-los. no que diz respeito aos entendimentos externados nas fundamentações do voto. a reabertura do prazo do certame. o Conselheiro-Relator. o critério de reajuste deve: “. O nobre Conselheiro-Relator. por esta razão.. que é de janeiro de 2005. retratar a variação efetiva do custo de produção. do sugerido pela CEE. a minha argumentação não tenha sido adequadamente estruturada e. às fls. às fls. discordando. 48. pois é possível que. não tenha sido capaz de me fazer entender. externa o seguinte entendimento: Nos termos do artigo 40. o Excelentíssimo Senhor Relator entendeu que a licitação sub examen não deveria prosperar sem que antes fossem efetuadas as correções das falhas apontadas pela instrução e por ele próprio. entendimentos divergentes dos ora esposados pelo ilustre Relator. Nesse aspecto não hesito em concordar com o ilustríssimo Senhor Relator. discorrendo sobre o vocábulo “orçamento”. mais uma vez. manifesta-se no seguinte sentido. assim. verbis: O orçamento em questão não é aquele preparado pela Administração e. portanto. da Lei Federal 8. até a data do adimplemento de cada parcela. Em diversas oportunidades anteriores. desde a data prevista para a apresentação da proposta. às fls. inciso XI. No entanto. admitida a adoção de índices específicos ou setoriais. 37. peço venia para discordar.. já que as correções a serem introduzidas irão afetar a elaboração das propostas das licitantes. As incompatibilidades e irregularidades contidas no edital desaconselham o prosseguimento da licitação e eu aduziria que recomendam. à época. aquele apresentado pelo próprio licitante.” (Grifei) Após algumas considerações sobre o transcrito dispositivo da Lei de Licitações. permitam-me. sobre reajustamento de preços. defendi. neste Egrégio Plenário. sim. 43. ora fixa como data-base para o reajustamento o mês de março de 2003.O ato de chamamento oscila entre a possibilidade e a impossibilidade de reajustamento. que propôs o conhecimento do edital com determinações.

dele fazendo parte integrante: .... ao participar de um certame.. (Omissis) ..... II ... combinado com o inciso II...666/93. cuja redação é a seguinte. 3º . (Grifei) Não há dois orçamentos. (Omissis) .. § 2º .Constituem anexos do edital.... § 2º .O edital conterá .. 40 . Art..elaborou com base na especificação e no quantitativo previamente definido pelo projeto básico.. II . art. 3º da Lei Federal 8........ 263 ...... verbis: Art..orçamento estimado em planilhas de quantitativos e custos unitários. apresenta uma proposta e não um “orçamento”... A Lei dispõe sobre o orçamento elaborado pela Administração e a proposta a ser apresentada pela licitante. 6º ..... cujos termos são os seguintes. 6º da Lei Federal 8.....As obras e os serviços somente poderão ser licitados quando: ..... verbis: Art.....A licitação destina-se a garantir a observância do princípio constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Administração e .... portanto.. 40 da mesma Lei.... (Omissis) . art.666/93. A licitante. parágrafo 2º. Não posso concordar com tal assertiva. (Omissis) .. dois orçamentos que jamais devem ser confundidos: o da Administração e o do proponente.....Para os fins desta Lei. parágrafo 2º....... A Administração não seleciona um “orçamento” num certame.existir orçamento detalhado em planilhas que expressem a composição de todos os seus custos unitários. Existem. considera-se: .. A Administração está obrigada a elaborar o orçamento detalhado das obras e serviços que pretende contratar e informá-lo às licitantes sob a forma de anexo do edital por força do que dispõe o inciso II........ . mas sim a proposta mais vantajosa como dispõe o art.

e indicará. 55 da Lei Federal 8.. 40 ..A periodicidade de reajustes de preços de contratos administrativos é anual (doze meses). 264 .TULOSA FILHO..666/93: Ora. p. MACEDO. verbis: 3 .666/93 denomina de “data-base”. 61. portanto... de forma incontroversa. em todas as esferas de governo. no caso de prestações ou obras que demandem mais de um ano de execução. 3º da Lei Federal 10. não é possível estabelecer critério de reajustamento sem informar a sua periodicidade. admitida a adoção de índices específicos setoriais.192... configura ilegalidade. Benedito (Coordenador)... no edital ou em seus anexos.. A Lei Federal 8. os preços estimados.....critério de reajuste. Luciano Massao. art.. artigo 55 da Lei Federal 8.O edital conterá . art. Esta afirmação que faço tem os seguintes fundamentos legais: 1º) Inciso XI. 1995. XI . os critérios de reajuste de preços. 2º da mesma Lei. A ausência desse dado no ato convocatório..No entanto. o seguinte: . como se constata. bem como. a data (mês) a partir do qual será iniciada a contagem da periodicidade. (Omissis) . ser inafastável a obrigação do Administrador de informar no edital de licitação o critério de reajuste.. a data-base a que os preços estimados estão referidos. combinado com o art... 40 da Lei Federal 8... bem como. no § 1º.. art. a que o inciso II. 4 .666/93: Art. coordenado pelo insigne administrativista Doutor Benedicto de Tolosa Filho 4. A Administração é que está obrigada a informar. não há na referida Lei Federal qualquer dispositivo estabelecendo que a licitante tenha que informar ou fornecer à Administração o orçamento mediante o qual discriminou o preço ou preços consubstanciados em sua proposta nem a que data tais preços se referem.. do ou ou do Depreende-se. 2º) inciso III. Edilson do Santos e SAITO. o valor máximo que está disposta a pagar pelo que pretende contratar.(Omissis) .. obrigatoriamente.. a periodicidade 3 em que os reajustes serão exigíveis. até a data adimplemento de cada parcela. Rio de Janeiro: Aide.. expressa nos seguintes termos.666/93 não conceitua “data-base”. que deverá retratar a variação efetiva custo de produção... de 16 de fevereiro de 2000. Encontra-se uma definição para este verbete no Dicionário de Licitações e Contratos Administrativos. Dicionário de licitações e contratos administrativos. desde a data prevista para apresentação da proposta do orçamento a que essa proposta se referir.

... conforme dispõe o inciso II. condições estas necessariamente especificadas no ato convocatório da licitação. em observância ao princípio da economicidade.. II ...666/93.(Omissis).. tem que informar ao licitante os critérios de reajustamento a serem observados na execução contratual.... os critérios de atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento... art. (Grifei) Como se depreende do transcrito dispositivo legal... Serão desclassificadas: .. (Grifei) O valor global estabelecido no edital como limite para a aceitação de propostas... 265 .. 48..Data marco para início da contagem do prazo para reajustamento de preços da proposta ou do contrato. verbis: Art. não pode estabelecer como limite para aceitação de preço. artigo 55 da Lei Federal 8. (Omissis) .. 55. os critérios.o preço e as condições de pagamento... 3º) inciso II.propostas com valor global superior ao limite estabelecido .. a data a partir da qual será contado o prazo para o reajustamento (periodicidade)... integra o edital.. como já assinalado.Data-base . o contrato.. não se trata de liberalidade do administrador.666/93 estabelece que é necessário constar nos contratos administrativos a “data-base” e a “periodicidade” dos reajustamentos.. cuja redação é a seguinte verbis: Art..... valor superior ao que ela própria apurou em pesquisas de mercado e registrou no orçamento estimado que.. obrigatoriamente. obrigatoriamente.. a que a Lei denominou “data-base”.... III . (Omissis). 48 da Lei Federal 8. e em decorrência... nos seguintes termos..A Administração. não pode contratar por preços superiores aos praticados no mercado assim.. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: .666/93: Ademais. 48 da Lei Federal 8. não pode ser superior nem estar referido à data-base diferente da estabelecida no orçamento estimado 5 pela Administração. a Administração está obrigada a informar no edital o valor global que está disposta a pagar pelo objeto licitado e desclassificar as propostas que ultrapassarem o limite estabelecido.. O referido inciso III.. data-base e periodicidade do reajustamento de preços. 5 .... art.

Como o edital é vinculante 6 a licitante fica impedida de oferecer em sua proposta, preço global superior ao limite imposto, bem como, de adotar data-base diferente da estabelecida, sob pena de desclassificação por desconformidade com os requisitos do instrumento convocatório 7. Assim, não é pertinente o entendimento do nobre Conselheiro-Relator, expendido na fundamentação de seu voto, às fls. 46, que está redigido nos seguintes termos, verbis: De toda sorte, caso opte a Administração pela data da elaboração do orçamento do licitante, esta deverá coincidir com a data que forem efetivamente entregues os envelopes contendo os valores das propostas a que se referirem. A Administração não pode exigir que a data do orçamento utilizado para a formulação da proposta da licitante coincida com a data em que os envelopes serão efetivamente entregues à comissão julgadora por falta de amparo legal. Aduz, ainda, o Senhor Relator, às fls. 44, os seguintes argumentos, verbis: Já o orçamento do proponente é aquele que serve de lastro à sua proposta, confeccionado com base nas informações constantes do edital e de seus anexos, mormente o projeto básico. Esse orçamento deve ser apresentado para detalhar o preço consignado na proposta e demonstrar a sua viabilidade (art. 48, inc. II, da LF 8.666/93),... (Grifei) O dispositivo legal oferecido para fundamentar que o “orçamento deve ser apresentado para detalhar o preço consignado na proposta”, o art. 48, inc. II, da Lei Federal 8.666/93, com a devida venia, não impõe à licitante qualquer obrigação desse gênero. O aludido dispositivo legal tem a seguinte redação, verbis: Art. 48, inc. II, da LF 8.666/93: .......... (Omissis) ......... II - propostas com valor global superior ao limite estabelecido ou com preços manifestamente inexeqüíveis, assim considerados aqueles que não venham a ter demonstrado sua viabilidade através
6 - Princípio da vinculação ao instrumento convocatório – caput do art. 3º da Lei Federal 8.666/93. 7 - Art. 43, inciso IV da Lei Federal 8.666/93.

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de documentação que comprove que os custos dos insumos são coerentes com os de mercado e que os coeficientes de produtividade são compatíveis com a execução do objeto do contrato, condições estas necessariamente especificadas no ato convocatório da licitação. O dispositivo não estabelece que a licitante tem que apresentar “orçamento” com a mesma data da entrega dos envelopes à comissão julgadora. Dispõe, sim, que serão desclassificadas as propostas com valores superiores aos estabelecidos ou ofertando preços inexeqüíveis. Estabelece, ainda, que serão considerados inexeqüíveis os preços que não venham a ter demonstrado sua viabilidade através de documentação que comprove que os custos dos insumos são coerentes com os de mercado e que os coeficientes de produtividade são compatíveis com a execução do objeto do contrato, condições estas, necessariamente especificadas no ato convocatório. No entanto, a Lei não estabelece quais documentos deverão comprovar a coerência dos insumos ou compatibilidade dos coeficientes, portanto, o que não tem nada a ver com “orçamento” ou “data-base”. O prestigiado administrativista Marçal Justen Filho 8, referindo-se ao dispositivo em comento, manifesta-se no seguinte sentido, verbis: De acordo com o inc. II, há obrigatoriedade de o edital veicular as condições mínimas de executoriedade da prestação. É óbvio que não cabe ao edital estabelecer coeficientes mínimos de produtividade, margens de lucro ou preços máximos de insumos e custos. O edital deverá prever a obrigatoriedade de o licitante declinar informação acerca da elaboração de sua proposta, de molde a permitir um exame objetivo da exeqüibilidade da proposta. Feitas as considerações acima, que são de minha lavra, entendo por oportuno, registrar, também, o entendimento do Tribunal de Contas da União sobre a necessidade de informar nos editais de licitação, de forma clara, a data a partir da qual será contada a periodicidade dos reajustes. Com essa finalidade, transcrevo, a seguir, o Acórdão de nº 1707 - Plenário, decidido na Sessão Plenária de 12 de novembro de 2003, nos autos do Processo 018.278/2002-0, in verbis:

8 - JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos. São Paulo: Dialética, 5 ed., 1998, p. 438.

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9.2.1 - estabeleça já a partir dos editais de licitação e em seus contratos, de forma clara, se a periodicidade dos reajustes terá como base a data-limite para apresentação da proposta ou a data do orçamento, observando-se o seguinte: 9.2.1.1 - se for adotada a data-limite para apresentação da proposta, o reajuste será aplicável a partir do mesmo dia e mês do ano seguinte; 9.2.1.2 - se for adotada a data do orçamento, o reajuste será aplicável a partir do mesmo dia e mês do ano seguinte se o orçamento se referir a um dia específico, ou do primeiro dia do mesmo mês do ano seguinte caso o orçamento se refira a determinado mês; 9.2.2 - para o reajustamento dos contratos, observe que a contagem do período de um ano para a aplicação do reajustamento deve ser feita a partir da data-base completa, na forma descrita no item 9.1.1, de modo a dar cumprimento ao disposto na Lei 10.192/2001, em seus arts. 2º e 3º, e na Lei 8.666/93, em seu art. 40, inciso XI; A transcrição não deixa dúvidas que o entendimento do Tribunal de Contas da União é pacífico quanto à possibilidade de adoção da data do orçamento, como data-base para o cálculo de reajustamento de preços de contratos e que esse orçamento é o estimado pela Administração. Em prosseguimento às suas fundamentações o nobre Conselheiro-Relator oferece nas fundamentações de seu voto, exposição didática e aprofundada sobre a Teoria Geral dos Contratos, buscando demonstrar em que momento um contrato administrativo se “forma”, pois, no seu entendimento, reajustamentos só seriam cabíveis após o decurso de um ano da “formação” dos contratos. A seguir transcrevo, in verbis, o fragmento da fundamentação do seu voto onde externa esse entendimento: A lei permite à Administração fixar como data-base para os reajustes a data da apresentação do orçamento a que a proposta do licitante se referir. Ocorre que, hodiernamente, não faz mais sentido essa data estar defasada em relação ao dia da entrega das propostas porque, se assim for, o contrato será reajustado antes do decurso de um ano de sua formação, contrariando § 1º do artigo 3º da Lei Federal 10.192/01. (Grifei) Como se constata, o ilustre Relator afirma que reajustar o contrato antes do decurso de um ano de sua formação contraria a Lei Federal 10.192/01.

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Também não posso concordar com esse entendimento, pelas razões que a seguir exponho: O art. 3º da referida Lei Federal dispõe, verbis: Art. 3º - Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípi-os, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993. O § 1º, art. 2º da citada Lei dispõe, verbis: § 1º - É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. O § 1º, art. 3º, ainda, da mesma Lei tem a seguinte redação, verbis: § 1º - A periodicidade anual nos contratos de que trata o caput deste artigo será contada a partir da data limite para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir. Como se depreende dos dispositivos transcritos, o § 1º, art. 3º da Lei Federal 10.192/01 não veda o reajuste de contratos administrativos antes do decurso de um ano de sua “formação” ou celebração, como afirma o Conselheiro-Relator, o que está vedado é o estabelecimento de reajustamento com periodicidade inferior a um ano. O que não foi percebido pelo ilustríssimo Relator é a outra conclusão que deflui dos dispositivos transcritos: o reajustamento de contratos administrativos passa a ser devido aos contratados após o decurso de um ano, contado a partir da data limite para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir e não da “formação” ou celebração de contrato. Fica claro, portanto, que a data da “formação do contrato” ou da sua assinatura não são cogitados na Lei Federal 10.192/01, nem interferem no cálculo de reajustamentos, como pretende fazer crer o nobre Conselheiro-Relator. Em verdade o que se reajusta não são os contratos, mas sim, os preços pactuados, obviamente, observada a periodicidade de um ano, contada da data limite para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir, conforme o disposto no § 1º, art. 3º da Lei Federal 10.192/01. Em outro trecho das fundamentações de seu voto o nobre Conselheiro-Relator assim se manifesta, verbis:

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A Lei de Licitações permite ao Administrador escolher como database: a data de apresentação das propostas ou a data do orçamento que detalha essa proposta. Quanto à adoção da primeira hipótese, não pairam quaisquer dúvidas de que esta será a data que servirá de parâmetro para a incidência do índice de reajuste. A celeuma está na escolha pela Administração da segunda hipótese. Entende o Conselheiro-Relator que se constitui em celeuma a escolha da data da elaboração do orçamento como data-base para o cálculo do reajustamento. Com a devida venia, não há qualquer celeuma nessa escolha. As leis que regem os reajustamentos admitem tal opção com todas as letras, e vou transcrevêlos mais uma vez, verbis: Artigo 40, inciso XI, da Lei Federal 8.666/93: XI - o critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para a apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela. (Grifei) O § 1º, art. 3º Lei Federal 10.192/01: § 1º - A periodicidade anual nos contratos de que trata o caput deste artigo será contada a partir da data limite para apresentação da proposta ou do orçamento a que essa se referir. Os dois dispositivos admitem, repito, com todas as letras, que os preços pactuados nos contratos administrativos podem ser reajustados a contar da data do orçamento. Não vislumbro onde possa haver celeuma. Enfeixando o elenco dos fundamentos de seu voto, o Senhor ConselheiroRelator transcreve dispositivos do Decreto Federal 1.054, de 07 de fevereiro de 1994, onde se constata que, àquela época, na esfera federal, os reajustamentos eram calculados tomando como marco inicial a data fixada para a entrega das propostas. Assinale-se, no entanto, que o aludido decreto é de fevereiro de 1994. Após o seu advento, ocorreram inúmeros eventos que transformaram, radicalmente, o cenário econômico bem como o contexto legal de nossa sociedade. Com a estabilização econômica, no decorrer 1994, a aplicação do transcrito

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inciso XI da Lei Federal 8.666/93 foi afetada, tendo em vista inúmeras regras supervenientes, trazidas pelos diversos diplomas legais que disciplinaram o chamado “Plano Real”. Os artigos 11 e 12 da Medida Provisória 434, de 27.2.1994 (DOU 28.2.1994), convertida na Lei Federal 8.880 de 27.5.1994 (DOU 28.5.1994), que dispôs sobre o Programa de Estabilização Econômica e o parágrafo 1 o, artigo 28 da Lei Federal 9.069 de 29.6.1995 (DOU 30.6.1995) impuseram à Administração Pública que o reajustamento de preços pactuados em contratos administrativos, obedeceriam a periodicidade de um ano. Já em abril de 1994, dois meses após a sua edição, os termos do Decreto Federal citado, pelo nobre Relator, veio a ser alterado pelo Decreto Federal 1.110, de 13 de abril de 1994, em decorrência da citada Medida Provisória 434/94. Em 28 de dezembro de 2000, foi editada a Medida Provisória 2.072-72, transformada em 26 de janeiro de 2001 na de número 2.072-73 que, finalmente, veio a ser convertida na citada Lei Federal 10.192, que hoje rege os reajustamentos. Portanto, o decreto invocado pelo Conselheiro-Revisor, não mais rege, na esfera federal o reajustamento de preços pactuados em contratos administrativos. Só pode fazê-lo no que não conflitar com as disposições da Lei Federal 10.192/01, por força do disposto no seu art. 3º, cujos termos são os seguintes, verbis: Art. 3º - Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993. Externar apenas o meu pensar neste Egrégio Plenário, na defesa do tema em comento, não tem se mostrado muito eficaz, por esta razão peço venia para trazer a colação, pela segunda vez, mais um entendimento do Tribunal de Contas da União, selecionado dentre inúmeros outros de idêntico conteúdo. Trata-se, desta feita, do Acórdão 474/2005 – Plenário, exarado em 27 de abril de 2005, no Processo 003.671/2005-0, que trata de resposta à consulta sobre reajustamento, formulada pelo Ministro de Estado dos Transportes. O decisum fixa o entendimento sobre o marco inicial, a partir do qual deve ser computado o período de um ano para a aplicação de índices de reajustamento, verbis: 9.1.1. - a interpretação sistemática do inciso XXI do art. 37 da Constituição Federal, do art. 3º, § 1º, da Lei 10.192 e do art. 40, inciso XI, da Lei 8.666/ 93 indica que o marco inicial, a partir do qual se computa o período de um ano para a aplicação de índices de reajustamento previstos em

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edital, é a data da apresentação da proposta ou a do orçamento a que a proposta se referir, de acordo com o previsto no edital. Note-se que em sua fundamentação o acórdão transcrito faz referência ao inciso XXI, art. 37 da Constituição Federal, justamente, pelo fato dessa disposição constitucional estabelecer que “as obras, serviços, compras e alienações deverão ser contratadas mediante licitação que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas das propostas”. Isso significa que as condições prescritas pela Administração, via instrumento convocatório e o preço ou valor proposto pela licitante, compõem uma situação de igualdade, denominada “equação econômico-financeira” (art. 65, inciso II, alínea “d” da Lei Federal 8.666/93) considerada inalterável, justamente, por ser constitucional o comando que estabelece como obrigação da Administração (art. 37, inciso XXI da Constituição Federal), manter imutável, durante toda a execução contratual, as condições efetivas da proposta. Para que as condições da proposta da licitante sejam mantidas imutáveis durante toda a execução contratual, no que diz respeito à equação econômicofinanceira, já que existe em nossa economia um cenário de instabilidade monetária, amenizado após o implemento do “Plano Real”, mas ainda existente, o edital tem que estabelecer a periodicidade, data-base e critérios de reajustamento e, o licitante, ao formular a sua proposta, tem que fazê-lo de acordo com os critérios estabelecidos. Como entre a elaboração do orçamento estimado pela Administração e a apresentação das propostas à comissão julgadora do certame, geralmente, pelas mais diversas razões, decorre um razoável interregno de tempo, a lei não pode estabelecer como início da contagem da periodicidade do reajustamento, exclusivamente, a data limite para a apresentação da proposta da licitante. Se fosse essa a única possibilidade, o período de tempo decorrido, entre a elaboração do orçamento e a apresentação da proposta, não seria computado no cálculo do reajustamento e o equilíbrio da equação econômico-financeira do contrato estaria irremediavelmente afetado. Assim, o legislador, teve que considerar as duas hipóteses: a data limite para a apresentação da proposta ou a do orçamento a que a proposta se referir. Cabe ao administrador público a escolha da data a partir da qual a periodicidade do reajustamento será contada, obviamente, sem desconsiderar a obrigação constitucional de manter imutável, durante toda a execução contratual, as efetivas condições da proposta. Se for estabelecido no edital que a data início da contagem da periodicidade

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O entendimento da Corte de Contas da União sobre o assunto vai bem além. preços ofertados compatíveis com os de mercado (art. já que este direito lhe é assegurado pela Constituição. in verbis. 2º e 3º da Lei 10.666/93).do reajustamento é a da apresentação da proposta e a contratação demandar um longo período de tempo. justifica-se nos casos de dispensas ou inexigibilidades de licitações ou nas licitações realizadas na modalidade convite. pois admite que em ocorrendo decurso de prazo superior a um ano entre a data da apresentação da proposta vencedora da licitação e a assinatura do respectivo instrumento contratual. esta Corte de Contas não tem que se ater aos entendimentos 273 . tratar-se da proposta mais vantajosa para a Administração (art.192/2001. 55. § 1º.na hipótese de vir a ocorrer o decurso de prazo superior a um ano entre a data da apresentação da proposta vencedora da licitação e a assinatura do respectivo instrumento contratual. anteriormente citado.069/95 c/c os arts. da Lei 8.666/93). sendo os seus termos. celebrar termo aditivo reajustando os preços de acordo com a variação do índice previsto no edital relativa ao período de somente um ano. contado a partir da data da apresentação das propostas ou da data do orçamento a que ela se referir. § 3º. devendo os demais reajustes ser efetuados quando se completarem períodos múltiplos de um ano. sendo necessário que estejam devidamente caracterizados tanto o interesse público na contratação quanto a presença de condições legais para a contratação. o administrador terá incidido em ilegalidade e o contratado terá a prerrogativa de exigir a exata recomposição das condições de sua proposta. manifestado formalmente. o procedimento de reajustamento aplicável. A hipótese de adoção da data da apresentação da proposta. o procedimento de reajustamento é aplicável. manutenção das condições exigidas para habilitação (art. 43.2 . consiste em firmar o contrato com os valores originais da proposta e.1. Este entendimento está expresso no subitem 9. interesse do licitante vencedor. 64. IV.666/93). contados sempre desse marco inicial. da Lei 8. em especial: haver autorização orçamentária (incisos II. situações em que não ocorrem grandes interregnos de tempo entre a apresentação da proposta e a contratação. em face do disposto no art.1. III e IV do § 2º do art. XIII. da Lei 8. da Lei 9. em continuar vinculado à proposta (art. 7º da Lei 8.2 do mesmo decisum. antes do início da execução contratual. como marco inicial para a contagem da periodicidade. 3o da Lei 8. Obviamente. os seguintes: 9.666/93). 28.666/93).

e por todo o exposto. art. V do subitem 7. nos termos do que estabelece o parágrafo único do artigo 38 da Lei Federal 8. uma vez que o tema não está inserido no rol dos artigos 27 a 30 da Lei Federal 8.2. no prazo de 10 (dez) dias. A exceção do critério de reajustamento de preços a ser adotado. conforme preceitua o inciso XVI do art. g . 40 da Lei Federal 8. submeto ao Egrégio Plenário o seguinte VOTO REVISOR Pela comunicação.faça constar do edital as condições de recebimento do objeto. horário e códigos de acesso dos meios de comunicação à distância. está vinculada às disposições da lei e não pode. além da data limite para a apresentação da proposta. com o Ministério Público e com o nobre Conselheiro-Relator.fixe a data em que serão realizados os pagamentos. 3º da Lei 10. f . parcialmente de acordo com Corpo Instrutivo. c . e .666/ 93. b . concordo com todos os demais posicionamentos do Conselheiro-Relator quanto às intervenções a serem introduzidas no edital sub examine.do Tribunal de Contas da União mas.faça constar do edital o local.encaminhe o pronunciamento de sua assessoria jurídica aprovando o Edital de Concorrência 001/2005. também. em obediência do inciso VIII do art.666/93. d . 27 da Lei Federal 8. V do art. em suas decisões. para que. indiscutivelmente. a data do orçamento a que a proposta se referir.desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc. 7º da Constituição Federal. excluindo do edital a respectiva exigência. atenda as seguintes medidas: a . prevista no § 1º do artigo 6º da Deliberação TCE-RJ 204/ 96.666/93. Dessa forma. uma vez que fere o direito de impugnação previsto nos § 1º e § 2º. compatibilizando-o com o art.cumpra o que estabelece o inc. tomando por base 274 . 73 do mesmo diploma legal.666/93. ao Presidente da EMUSA. 40 da Lei Federal 8.666/93.desconsidere a hipótese de inabilitar licitante que deixe de cumprir o inc.5. considerando como item de habilitação a necessidade dos licitantes comprovarem o cumprimento do disposto no inc.192/91 admite como marco inicial para a contagem da periodicidade de reajustamento de contratos administrativos. artigo 41 da Lei 8. simplesmente ignorar que o § 1º. XXXIII do art. VI do subitem 7.666/93. excluindo do edital a respectiva exigência.

l . o que demandará a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do ajuste e a correspondente motivação em processo administrativo.corrija o edital e todos os seus anexos fazendo constar de forma clara os critérios de reajustamento.sugerimos que cada fornecimento do CBQU seja precedido de anotações na fatura (ou na folha de medição) com informações necessárias a proporcionar condições ao TCE de inspecionar a execução contratual.reveja a redação dos subitens 7. da Deliberação TCE/RJ 191/95.6 e 7. dimensionamento e localização de cada respectivo serviço que consumirá a quantidade fornecida”. nos termos do que estabelece a alínea “a”.. h .providencie a juntada da cópia do procedimento administrativo que justifica a exigência dos seguintes índices contábeis exigidos no certame: garantia de capitais de terceiros. art.666/93.faça constar do edital que eventual prorrogação do enlace somente será admitida nas situações descritas no § 1º do artigo 57 da LF 8. 31 de maio de 2005 ALUISIO GAMA DE SOUZA Revisor 275 .666/93. art. com a definição do índice específico ou setorial a ser adotado. m . origem de recursos a longo prazo e endividamento. 1º. i .justifique a remessa intempestiva da cópia do edital a esta Corte de Contas. j .atenda a proposição da CEA: “.. inc.7 do edital dado que estão relacionados às contratações de obras e serviços de engenharia e não ao fornecimento objeto deste certame. XIV. inobservando o disposto no inciso I. k . e n . Sala das Sessões. inclusive.faça constar redação no sentido de que a ausência de qualquer preposto na sessão de abertura e julgamento das propostas não acarretará na desclassificação das respectivas empresas licitantes. 40 da Lei Federal 8.um número exato de dias contados a partir do adimplemento de cada parcela. e se a periodicidade anual do reajustamento terá como base a data limite para a apresentação da proposta ou a data do orçamento. como especificação.

o Corpo Instrutivo sugere a emissão de parecer prévio favorável à aprovação das Contas do Poder Executivo. com ressalvas e determinações. para apreciação e emissão de parecer prévio. através do Ofício nº 114/2004.002-1/04 da Prestação de Contas de Gestão do Município de Mangaratiba. Voto pela emissão de parecer prévio favorável à aprovação das Contas de Gestão do Poder Executivo. Preliminarmente. conforme voto por mim prolatado em Sessão de 04/05/04. respectivamente. Poderes Executivo e Legislativo. face à despesa com folha de pagamento superar o percentuallimite permitido. a emissão de parecer prévio contrário à aprovação das contas. RELATÓRIO Trata o presente Processo 211.005-3/04). O Corpo Instrutivo registra que houve atendimento parcial ao Ofício-Regularizador (Processo 211. 591 e 592. Carlo Busatto Junior e Waldyr Domingos da Costa Leste. relativa ao exercício de 2003. para que o Prefeito apresentasse a documentação complementar. relativa ao exercício de 2003. que abrange as contas dos Poderes Executivo e Legislativo.Mop/Rev61 PRESTAÇÃO DE CONTAS Prestação de Contas de Gestâo do Município de Mangaratiba. sendo encaminhados elementos que constituem o Doc. tempestivamente. As presentes contas foram encaminhadas. quanto ao Poder Legislativo. elencadas às fls. TCE nº 20. 276 . O Chefe do Poder Executivo e Presidente do Poder Legislativo foram. porém. os Srs. foi fixado prazo.890-5/04. da Constituição Estadual – redação dada pela Emenda Constitucional nº 4/91. inciso I. Ao examinar os elementos que demonstram o resultado geral do Município. de 13. a este Egrégio Tribunal de Contas. com ressalvas e determinações.04. tendo em vista que a constituição inicial do processo carecia de documentos essenciais para análise das contas e emissão de parecer prévio. conforme estabelecido no art. 125. e de paracer prévio contrário às Contas de Gestão do Poder Legislativo.04.

esta Corte de Contas. uma vez que não acolheu suas alegações. Em atendimento aos termos da citada publicação. Na Sessão realizada em 16. para que o Corpo Instrutivo. no prazo de 10 (dez) dias úteis. através das Razões de Defesa apresentadas. Ao reexaminar a questão que suscitou sugestão de emissão de parecer prévio contrário à aprovação das Contas do Chefe do Poder Legislativo. Waldyr Domingos da Costa Leste.08. face às contestações apresentadas pelo responsável. procedesse ao reexame da presente Prestação de Contas de Administração Financeira. nesta Corte.DOS ÓRGÃOS DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL Segundo dados existentes no SCAP – Sistema de Controle e Acompanhamento de Processos deste Tribunal.512-9/04. a Administração Municipal é constituída das entidades elencadas a seguir: 277 . os quais adoto como fundamentação de meu voto. nos termos do voto que proferi. o presente foi publicado em Pauta Especial no DORJ de 23. bem como à luz do entendimento firmado nos autos do Processo TCE/RJ nº 210. razões de defesa. autuadas sob o Doc. conforme embasamentos elencados às fls.04. intempestivamente. TCE nº 199/96. o Sr. o Corpo Instrutivo manteve seu entendimento.064-1/04.064-1/04. TCE nº 33. Presidente da Câmara Municipal. manifestase no mesmo sentido às fls. Ressalto que. opinando pela emissão de parecer prévio contrário à aprovação das contas. É o relatório. em atendimento ao artigo 123 do Regimento Interno e à Del.04. 1 .09. constantes do Documento TCE-RJ nº 33. com base nos novos elementos encaminhados. abrindo prazo para apresentação de defesa. 606.Mop/Rev61 O Ministério Público. exponho os comentários que se seguem sobre a análise das presentes contas. decidiu pela diligência interna. Com base no conjunto de informações e documentos que constituem o presente e nos novos elementos trazidos aos autos. protocolou. representado pelo Procurador Julio Rabello. em anexo. 624/629.

639.149.121. assim sendo.149..17 25.14 0 6.31 (fonte: Anexo 2. F.21 1. fls.293.306.05 25.585.385.39 Pessoal e Encargos 20. registrados no Anexo 2 da Lei Federal nº 4.70 25.414.412. 185/188. 371/380) Nota 1: O valor das Transferências Correntes da Prefeitura Municipal resultou da soma das Transferências Correntes (líquida).976. 156/157) 278 .149.320/64 De acordo com a Instrução.76 Transferências Correntes 25. Nota 2: O Município não procedeu aos registros das Transferências Intragovernamentais nos termos da legislação vigente.932. M.843.38 Anexo 2 da Lei Federal nº 4.054.67 PREVI Total 0 19. os dados relativos às receitas e às despesas.385.90 25.950. A comparação com o Anexo I do Relatório Resumido da Execução Orçamentária fica assim demonstrada: Em R$ milhares Anexo 2 da L. 4.385.35 0 (fonte: Anexo I do RREO – 6º bim.596. das deduções para formação do FUNDEF e das Receitas de Contribuições .320/64 FUND.844. P.90 25.Royalties.F.60 Receitas/Despesas Tributárias Transferências Correntes Pessoal e Encargos Anexo I do RREO 19. base para apuração dos limites constitucionais e legais. fls.DA CONSISTÊNCIA ENTRE OS DADOS DO ANEXO I DO RREO E DO ANEXO II DA LEI FEDERAL Nº 4. SAÚDE 0 0 253.521.320/64 19.932.82 1. 346/352.Mop/Rev61 ADMINISTRAÇÃO DIRETA Prefeitura Municipal de Mangaratiba Câmara Municipal de Mangaratiba ADMINISTRAÇÃO INDIRETA Fundações Fundação Municipal de Saúde Fundação Mário Peixoto Autarquias Previ-Mangaratiba 2 .957.957. M. 326/330.60 Diferença 0 -113.95 CM 0 0 1.385.76 0 25.408.320/64 referente a cada Unidade Gestora são os seguintes: Em R$ Receitas/Despesas PM Tributárias 19. consideramos no quadro supra apenas as transferências oriundas de outros órgãos/entidades.

as presentes contas devem conter os resultados gerais da gestão de todos os órgãos e entidades dos Poderes do Município.DA CONSOLIDAÇÃO E CONSISTÊNCIA DOS DADOS 3. inclusive empresa estatal dependente" (grifo nosso) Da análise do Corpo Instrutivo. relativamente às Transferências Correntes. autárquica e fundacional. contudo não podemos afirmar que a mesma não foi efetuada. tendo em vista que não há deliberação normatizando o encaminhamento a esta Corte dos demonstrativos contábeis decorrentes da consolidação. a saber: "As demonstrações contábeis compreenderão isolada e conjuntamente as transações e operações de cada órgão. no que tange às Receitas Tributárias e as Despesas de Pessoal. no inciso III do artigo 50. 3 . dispõe sobre a escrituração e consolidação das contas. Entretanto. Também não há evidência da realização da consolidação determinada pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Dos Relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal Os Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária – RREO.1 . assim como dos fundos. de 279 . A Lei Complementar Federal nº 101/00. o que será motivo de ressalva e conseqüente determinação na análise final deste relatório.320/64). pode-se constatar a consistência entre os dados apresentados no Balanço Orçamentário (Anexo I do RREO) com aqueles constantes do Demonstrativo das Receitas e Despesas segundo Categorias Econômicas (Anexo 2 da Lei Federal nº 4.Consolidação Deliberação TCE nº 199/96 e Lei Complementar nº 101/00 De acordo com o artigo 2º da Deliberação TCE-RJ nº 199/96. fundo ou entidade da administração direta.Mop/Rev61 Do exame efetuado. cabe destacar: "Constatamos não ter sido efetuada pelo Município a consolidação das Demonstrações Contábeis conforme previsto na Deliberação TCE-RJ nº 199/96. constata-se inconsistência entre os dados.

do qual constam informações sobre as Unidades Gestoras que compõem o Relatório.1 . Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Orçamento (LOA) O artigo 5º da Lei Complementar Federal nº 101/00 estabelece que o projeto de lei orçamentária anual deverá ser elaborado de forma compatível com o plano plurianual. da Portaria STN nº 559/01. o Corpo Instrutivo verificou que o Município não se adequou à legislação vigente. com a lei de diretrizes orçamentárias e com a LRF.01. compreende o período de 01. mais especificadamente às Portarias nº 519/01 c/c 211/01 e Portaria 339/01. Fundos. A verificação da efetiva consolidação dos dados é realizada através da análise do documento intitulado 'Recibo do Envio dos Dados dos Relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal'.2002 a 31. 4. uma vez que os registros das Transferências Intragovernamentais não foram efetuados nos termos das referidas Portarias. 280 ." 3.12. Não foram enviados os 'Recibos do Envio dos Dados dos Relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal' do RREO e DCRGF referentes. entretanto.DA EXECUÇÃO ORÇAMENTÁRIA 4.1.Consistência Do exame realizado. devem abranger as Administrações Diretas. e os Demonstrativos Consolidados dos Relatórios de Gestão Fiscal – DCRGF.PPA O plano plurianual.2 . de acordo com o artigo 2º. § 3º. respectivamente. ao 6º bimestre e 2º semestre. Autarquias.2005. Lei nº 323. em consulta ao Sistema Integrado de Gestão Fiscal – SIGFIS constatamos a consolidação dos dados referentes às Unidades Gestoras que compõem a Administração Municipal.Plano Plurianual (PPA).1 . da Lei Complementar Federal nº 101/00.Mop/Rev61 acordo com o artigo 52 c/c artigo 1º. Fundações e Empresas estatais dependentes do Município. 4 .

para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes. conforme disposto no § 3º. artigo 4º da LRF. não elaborou o Anexo de Riscos Fiscais. do artigo 35 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias uma vez que o mesmo abrange o período de quatro anos com vigência até final do primeiro exercício financeiro seguinte do mandato do Prefeito. conforme dispõe o inciso III.Mop/Rev61 De acordo com o inciso I do artigo 165 da Constituição Federal o Poder Executivo ordenará suas ações com a finalidade de atingir objetivos e metas por meio do PPA. em que serão avaliados os passivos contingentes e outros riscos capazes de afetar as contas públicas. uma vez que o mesmo possui população inferior a 50 mil habitantes.LOA O orçamento do Município de Mangaratiba para o exercício de 2003 foi apro- 281 .1. por possuir população inferior a 50 mil habitantes. 4. Anexo de Riscos Fiscais Além do Anexo de Metas Fiscais a Lei Complementar Federal nº 101/00 prevê a obrigatoriedade da LDO de conter o Anexo de Riscos Fiscais. estando obrigado a fazê-lo a partir de 2005 (parágrafo único do artigo 6º da Deliberação TCE nº 218/00) 4.3 . A Instrução ressalta que o PPA se coaduna com o previsto no § 2º. em valores correntes e constantes. para execução nos quatro anos seguintes.07. resultados nominal e primário e montante da dívida pública.2002. Anexo de Metas Fiscais A Lei Complementar Federal nº 101/00 prevê em seu § 1º do artigo 4º que a Lei de Diretrizes Orçamentárias contemplará o Anexo de Metas Fiscais aonde serão estabelecidas metas anuais. despesas. O Município está desobrigado a elaborar o Anexo de Metas Fiscais. um plano de médio prazo elaborado no primeiro ano de mandato. artigo 63 da Lei Complementar nº 101/00.2 .LDO As Diretrizes Orçamentárias foram aprovadas pela Lei nº 357.1. de 03. O Município. relativas a receitas.

400. em desacordo com o inciso III. 7º). 2 . foram fixados os seguintes limites: Descrição Total da Despesa Fixada/Receita Estimada Limite para Efetuação de Operações de Crédito .700.041.00 15.2002.760. estimando a receita no valor de R$ 63.00 e fixando a despesa em igual valor. 5º).00 31. De acordo com a Lei Orçamentária. O Orçamento Municipal foi elaborado de acordo com os preceitos do artigo 167 da Constituição Federal.25% Limite para Abertura de Créditos Suplementares . 20 da Lei nº 357/02 – LDO.12.350.2 . em razão da abertura de créditos adicionais. Assim.00 4.Alterações no Orçamento Durante o exercício. que no entanto não alteraram o valor do orçamento final.Efetuar Operações de Crédito por Antecipação da Receita até o limite de 25% (vinte e cinco por cento) da receita estimada (art.400.Abrir créditos suplementares até o limite de 50% (cinqüenta por cento) do total do orçamento (art. fica o Poder Executivo autorizado a: 1 . que previu a fixação de Reserva de Contingência em 1% da RCL. tendo em vista que todos os créditos foram abertos com recursos provenientes da anulação de dotações. 282 . Cabe destacar que o orçamento anual enviado engloba o orçamento fiscal e o orçamento da seguridade social.Mop/Rev61 vado pela Lei dos Orçamentos Anuais nº 378 de 26. ocorreram alterações orçamentárias.50% Valor (R$) 63. A LOA não contém rubrica destinada à reserva de contingência.041.520. artigo 5º da LRF c/c o art. de modo a atender os passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.

000. 283 .000.631.000.00 3.390. fls.000.00 1. 365 e 390) Os valores demonstrados coadunam-se com os Balanços Orçamentários da Prefeitura Municipal (incluindo a Câmara Municipal).631.000.400.000.138.284.138.00 155. da Fundação Mário Peixoto.00 217.000. fls.24 10.00 32.284.450. DEMONSTRATIVO DAS ALTERAÇÕES NO ORÇAMENTO R$ ÓRGAO Prefeitura Municipal e Câmara Fundação Municipal de Saúde Fundação Mário Peixoto Previ Mangaratiba Total ORÇAMENTO INICIAL 58. fls.00 20.000.000.Mop/Rev61 DECRETOS PARA ABERTURA DE CRÉDITOS ADICIONAIS Lei Autorizativa Decreto nº Fls.00 290.00 10.00 80.580. 390.00 665.000.000.284.000. 365.00 3. 320.470. fls.00 1.00 1.00 2. 298.000.000.350.000.00 (fonte: LOA.00 FONTE DOS RECURSOS (R$) Anulação 20.000.400.00 63.000.000. 08/17.000.00 360.33 S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S S Da análise dos decretos de abertura dos créditos adicionais.720.844. 320.041.250.000.000.178.00 100.00 1.33 20.400.00 300.00 3.00 320.63 460.00 20.000.400.000.00 410.138. Superavit Fonte do Recurso (R$) Excesso Operações Anulação Arrecadação de Crédito Tipo do Recurso* Convênios 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 378/02 Total Geral 773 770 769 766-A 764 759 758 757 748 747 745 ? 739 738 737 735 732 731 725 723 716 714-A 708 666-A 662 661 654 653 641 640 18 20 22 24 26 30 32 34 36 38 40 42 44/46 48 50 52 54/56 58 60 62 64 66 68 70 72 74 76 78 80 40.00 300. 18/81 e Balanços Orçamentários.00 143.000. fls.00 63.000.000.00 1. relação dos decretos. fls.43 225.000.000.000. 05.500.000.33 Excesso Arrecadação Superávit ORÇAMENTO FINAL 58. fls.00 2.000. fls.00 33.00 625.03 777.000.00 51.291.00 183.000. cópias dos decretos.000. e da Previ Mangaratiba. da Fundação Municipal de Saúde. 298.00 2. não foi encaminhada cópia do Decreto nº 759/03.041.000.00 410.000.

32.DA GESTÃO FINANCEIRA E PATRIMONIAL Os demonstrativos contábeis não foram consolidados na forma prevista na Deliberação TCE-RJ nº 199/96. 320.Mop/Rev61 Verifica-se que a abertura de créditos adicionais foi fundamentada apenas na Lei nº 378/02 – LOA. a verificação da real situação patrimonial do Município.8% das despesas realizadas.95%. observando o preceituado no inciso V.58.357.041. pode-se concluir que a abertura de créditos adicionais suplementares no montante de R$ 20. que representa 14.04 5 .284. sendo assim. déficit de arrecadação de R$ 9.75%.855.042.68. 4. 365 e 391) Valor (R$) 53. em conseqüência.74% da receita prevista. prejudicando. Comparando a Despesa Autorizada final com a Despesa Realizada no exercício. gerando um saldo não utilizado de R$ 3.138.2%. a Dívida Ativa sofreu um acréscimo da ordem de 7. 299.185. 6 . gerando.751.68 59.042.680. As receitas arrecadadas corresponderam a 89.72 -6104677.400.00. dessa forma.Da Gestão Orçamentária A Receita Arrecadada no exercício foi de R$ 53. verifica-se a realização de 94.DA DÍVIDA ATIVA Durante o exercício. conforme apresentado a seguir: Descrição Receitas Arrecadadas Despesas Realizadas Déficit Orçamentário (fonte: Balanços Orçamentários – fls. conforme exposição a seguir: 284 .719.751.33 encontra-se dentro do limite estabelecido na Lei Orçamentária.3 . artigo 167 da Constituição Federal.290. portanto abaixo da previsão que era de R$ 63. o que gerou um déficit orçamentário de 10.

56 A cobrança da Dívida Ativa pela Prefeitura de Mangaratiba representou 2.136. art. § 9º. d) Dedução de receita para a formação do FUNDEF – registrar os 15% (quinze por cento) retidos automaticamente das receitas de transferências provenientes do FPM.655.DA RECEITA CORRENTE LÍQUIDA É considerado como Receitas Correntes Líquidas o somatório das receitas tributárias de contribuições. c) Valores relativos à compensação financeira.689. e que se presta ao pagamento de aposentadoria e pensões. se houver.11 0 88340002.489. 201.6% do saldo inscrito até 2002.796/99 quando houver no Município: valores referentes à compensação financeira entre os diversos sistemas previdenciários.Mop/Rev61 Descrição Saldo do Exercício Anterior Inscrições no Exercício Cobrança Cancelamento Saldo para o Exercício Seguinte Fonte: BP. b) Contribuição dos Servidores para o Custeio da Assistência Social: valores referentes à contribuição patronal. CF e Lei Federal nº 9. de serviços. agropecuárias. fls. 301 Valor (R$) 81. deduzidos: a) Contribuição do Plano de Seguridade Social do Servidor: valores referentes à contribuição patronal e do servidor.342. que se presta ao pagamento de assistência social dos servidores públicos municipais. 7 . do IPI e ICMS Desoneração. transferências correntes e outras receitas também correntes (excluídas as transferências intragovernamentais).42 8. 300 e DVP. fls.986. do ICMS. patrimoniais. A receita corrente líquida pode ser assim demonstrada: 285 .25 2. industriais. ativo e inativo. de acordo com a legislação vigente.

164. 8.Alienações de Ativos O Demonstrativo da Receita de Alienação de Ativos e Aplicação dos Recursos – Anexo XIV do Relatório Resumido da Execução Orçamentária (6º bimestre do exercício de 2003) – demonstra que não houve alienação de ativos (fls.964..163. A informação acima pode ser comprovada por intermédio dos Comparativos da Receita Orçada com a Arrecadada às fls.843.766. Empregados e Trab.2.1 .70 8 .Da Dívida Pública 8.2 .Limites da Dívida Pública Consolidada ou Fundada Considera-se dívida consolidada líquida do Município a dívida pública consolidada deduzidas as disponibilidades de caixa. 167).00 1.4 0 0 1.902. Plano Seg.386.897.412.066. as aplicações financeiras e 286 . Dedução de Receita para Formação do FUNDEF (A-B) RECEITA CORRENTE LÍQUIDA (fonte: Anexo III do RREO – 6º bim.1 .70 3. P/ Seg.DOS LIMITES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS 8. 261/263.80 0. entre Regimes Previd.50 19.10 519 645.1 0 1. onde se verifica que não há registro de receitas de capital derivadas de alienações de bens e direitos que integram o patrimônio público.70 391.00 1.90 25. fls. Social Contrib.80 4.70 49.Mop/Rev61 Especificação (A) RECEITAS CORRENTES (Município) Receita Tributária Receita de Contribuições Receita Patrimonial Receita Agropecuária Receita Industrial Receita Serviços Transferências Correntes Outras Receitas Correntes (B) DEDUÇÕES Contrib. Social Servidor Servidor Patronal Compensação Financ.159) Valor (Mil R$) 52.

do artigo 29 da Lei Complementar nº 101/00. da receita resultante de impostos na manutenção e no desenvolvimento do ensino.4 .320/64 (Dívida Fundada). § 1º. compreende aquela definida no artigo 98 da Lei Federal nº 4.Dívida Pública Mobiliária Não há registros de Dívida Pública Mobiliária. o Município não contraiu operações de crédito no exercício. fls. acrescida da Dívida Flutuante descrita no artigo 92 da mesma Lei. 8. artigo 1º da Resolução nº 40/01. 8. 171.3.3 .Base de cálculo para o percentual dos gastos com a manutenção e desenvolvimento do ensino – impostos 287 . 173. 8. 8. Segundo demonstrado pelo Corpo Instrutivo. 8.Mop/Rev61 os demais haveres financeiros. registradas nos Demonstrativos Contábeis.2. a Dívida Consolidada determinada no inciso I.2.Limite para operações de crédito Conforme o Demonstrativo das Operações de Crédito – Anexo IV do Relatório de Gestão do 3º quadrimestre de 2003.2. 172. não evidencia a existência de dívida.Limite para concessão de garantia De acordo com o Demonstrativo das Garantias e Contragarantias de Valores – Anexo III Relatório de Gestão do 3º quadrimestre de 2003. o Demonstrativo da Dívida Consolidada – Anexo II do Relatório de Gestão Fiscal. constata-se a assunção de dívidas pela Prefeitura. conforme inciso V. Para efeito fiscal.Dos Gastos com a Educação O artigo 212 da Constituição Federal estabelece que os Municípios devem aplicar 25% (vinte e cinco por cento).2 . fls. no mínimo.1 . fls. no entanto.3 . o Município não concedeu garantia em operações de crédito interna ou externa.

618.875.44 10.79 15.265.740.58 695.499. de acordo com a classificação funcionalprogramática da Portaria nº 42/99.Exportação IPVA IV .832. de acordo com o art.883.171.57 7.32 121.527.627.661.455.323. 212 CF 61.967.35% dos recursos na forma do § 5º do artigo 60 do ADCT da CF Valor mínimo.816.96% do impostos 25% do impostos total total dos dos Percentual 106.43 1735610.69 1. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.8 716.F Valor gasto no Desenvolvimento Fundamental (Função-08 – Programa-42) do Ensino 8.757.80 Valor (R$) 30.70 82. 261/263) 8.646.422.379. do Ministério do Orçamento e Gestão.969.53 598.597.114.3 7.205.906.062.455.18 97. Descrição Total dos Impostos Valor gasto na manutenção e no desenvolvimento do ensino Valor mínimo de acordo com o artigo 212 da C.58 Em R$ 5.849.3.96 6.00 356.934.36 3.636.493.803.13 1.155.322.032.290. devem ser considerados os gastos registrados na Função 12 .74 6.062.Total (I+II+III+IV) Retido no Fundo Estadual FUNDEF 15% Município 85% Total 100% 15858754.434.43 142.Diretamente Arrecadados ISS IPTU ITBI IRRF II .941.07 8257529.28 4795074.045.Outras Receitas Correntes do Município Multa e Juros de Mora de Impostos Municipais Multa e Juros de Mora da Dívida Ativa dos Impostos Municipais Dívida Ativa dos Impostos Municipais V .503.245.189.71 0.LC 87/96 III .01 4.69 327.742.48 14. 212 CF 60% dos recursos aos quais se refere o caput do art. alterado pela Emenda Constitucional nº 14/96 Valor do FUNDEF gasto na remuneração do Magistério do Ensino Fundamental – mínimo de 60% 4.Receita de Transferência do Estado ICMS IPI .1 (fonte: Anexo 10. fls.23 1.197.27 100% 26.828.29 3.20 288 .Receita de Transferência da União FPM ITR ICMS Desoneração .91% dos recursos aos quais se refere o caput do art.174.Cálculo do percentual mínimo da aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino – artigo 212 da Constituição Federal Para verificação da aplicação em ensino.65 8.440.657.559.47 21.07 8.02 30646969.191. na Demonstração da Execução da Despesa.591.67 1.Mop/Rev61 Impostos I .04 4.11 1.Educação.579.2 .

quanto ao estabelecido no § 5º.85 0. em 31.00 5.98.12. 402) Valor (R$) 282.96% na manutenção e desenvolvimento do ensino.91% na manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental. sobre a repartição.898.quanto ao estabelecido no artigo 212 da Constituição Federal e na Lei Orgânica Municipal que o Município aplicou 26.898. respeitando o limite estabelecido. Cabe ainda destacar que o parecer do Conselho Municipal do FUNDEF (fls.396. respeitando o limite estabelecido. O saldo contábil da conta corrente vinculada ao FUNDEF nº 58023-6. conforme Quadro V às fls. o qual se coaduna com o extrato bancário.110/154).478.3 . 8. 289 . . incluindo-se a capacitação de professores leigos.3.13 5.03 é de R$ 35.00 35. do Banco do Brasil S. 402.684.Mop/Rev61 Desta forma. artigo 60 do ADCT c/c o artigo 7º da Lei Federal nº 9.Do acompanhamento do FUNDEF A movimentação ocorrida no exercício com os recursos do FUNDEF se resume a seguir: Descrição (A) Saldo Bancário do Exercício Anterior a Título de FUNDEF (B) Recursos Recebidos a Título de FUNDEF no Exercício de 2003 (C) Receitas de Aplicações Financeiras com FUNDEF no Exercício de 2003 (D) Despesa Paga com o FUNDEF no Exercício de 2003 (inclusive os restos a pagar de exercícios anteriores) (E) Saldo bancário para o Próximo Exercício a Título de FUNDEF (A+B+C-D) (fonte: Quadro V.98 O total recebido a título do FUNDEF foi menor que o gasto realizado na manutenção e desenvolvimento do ensino fundamental.quanto ao estabelecido na Emenda Constitucional nº 14/96 que o Município aplicou 106. 435).424/96 que o Município obedeceu o limite mínimo de 60% de aplicação dos recursos do FUNDEF em gastos com a remuneração de profissionais em efetivo exercício de suas atividades. da agência nº 0729-3. devidamente conciliado (fls. .A.643. transferência e aplicação dos recursos do fundo. constata-se: .264. concluiu pela sua aprovação. fls.

TCE/RJ nº 212. inclusive adicionais.. 170. fls. fls.. os inativos e os pensionistas. cargos. TCE/RJ nº 213. com quaisquer espécies remuneratórias. Anexo I do RGF do 2º sem. Anexo I do RGF 1º sem. TCE/RJ nº 210. bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. decorrentes de contrato de terceirização. Conforme o Demonstrativo da Despesa com Pessoal – Anexo I do Relatório de Gestão Fiscal – o cálculo de apuração do limite permitido assim se demonstra: 290 . civis. fixas e variáveis. ressalvada a hipótese do inciso X do artigo 37 da Constituição Federal/88. até o término do 3º exercício financeiro seguinte à entrada em vigor da LRF a despesa total com pessoal dos poderes não ultrapassará. fls.85% 46.828-8/03.60% 2º Semestre 44. gratificações. tais como: vencimentos e vantagens. os Poderes Executivo e Legislativo respeitaram o limite estabelecido no artigo 19 da LRF. proventos da aposentadoria.Dos Gastos com Pessoal Para efeito de cálculo consideramos despesa total com pessoal o somatório dos gastos do Município com os ativos.4 . conforme Portaria Interministerial nº 163/01 e suas posteriores alterações. se esta for inferior a limite definido no artigo 20 (LRF). neste caso. Compõem também esta base de cálculo os contratos de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição de servidores e empregados públicos. acrescida de até 10%. são contabilizados como "outras despesas de pessoal" – artigo 18 da Lei Complementar nº 101/00.. 03 do Proc. 06 do Proc.91% 2. relativos a mandatos eletivos. funções ou empregos. De acordo com o artigo 71 da Lei Complementar nº 101/00.75% 2.Mop/Rev61 8.73% (Fonte: Proc. horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza. em percentual da Receita Corrente Líquida. subsídios.82% 47. a despesa verificada no exercício imediatamente anterior. militares e de membros do poder. Descrição Poder Executivo Poder Legislativo Total 1º Semestre 43.521-0/04) Conforme pode-se constatar. Cabe ressaltar que a verificação dos limites dos gastos com agentes políticos será efetuada quando da análise das Prestações de Contas de Ordenadores de Despesa. reformas e pensões. Anexo I do RGF 2º sem. que.022-3/03. nos dois semestres do exercício de 2003.

para embasar seus argumentos.25% 44.00% 6.52% 47. são destacadas pela Instrução.Mop/Rev61 Poder Executivo Exercício 1999 2000 2001 2002 2003 (Fonte: Anexo I do RGF. podemos observar que ocorreu aumento na despesa com pessoal em até 10% da Receita Corrente Líquida do exercício anterior.80% 5. 06 do Proc.521-0/04) Comparando-se o percentual permitido com o aplicado pelos Poderes Executivo e Legislativo.91% Poder Legislativo Exercício 1999 2000 2001 2002 2003 Limite Permitido p/ o Exercício -6. Entretanto. com natureza remuneratória.00% 2. abrangendo o período de 01/09/03 a 31/12/03 – Processo TCE/RJ nº 211.58% 2.495-2/04: 291 .00% 52.67% % da Despesa c/ Pessoal Apurado no Exercício 51. Assim.64% 51. tendo em vista que distorceu a apuração dos limites impostos na Lei de Responsabilidade Fiscal.83% 3.12% % da Despesa c/ Pessoal Apurado no Exercício 5. demonstrando assim que o percentual acima exposto encontra-se inconsistente. as seguintes informações constantes no Relatório de Inspeção Ordinária realizada na Câmara Municipal – Processo TCE-RJ 211.59% 44. 170) Limite Permitido p/ o Exercício -54.82% (Fonte: Anexo I do RGF.00% 54. o Corpo Instrutivo destaca que em inspeção ordinária realizada na Câmara Municipal de Mangaratiba. foi verificado o pagamento de "verba de gabinete" e "ajuda de custo" aos Vereadores. sem que fossem considerados como despesas de pessoal na elaboração dos Anexos do Relatório de Gestão Fiscal. fls. conforme prevê o artigo 71 da Lei Complementar nº 101/00.35% 48.57% 2.495-2/04. fls.88% 2. TCE/RJ nº 210.

que versa acerca da impossibilidade jurídica da existência de outras formas de remuneração de agentes políticos que não seja o subsídio. no Processo de Inspeção Ordinária (TCE nº 212. 37. do Regimento Interno deste Tribunal.) Insta ressaltar que os Anexos da LRF bem como os cálculos efetuados com base nos demonstrativos das despesas com pessoal.. cujo cumprimento será verificado na próxima inspeção ordinária a ser realizada na Câmara Municipal de Mangaratiba. do Legislativo Municipal.) IV .. deverão levar em consideração a decisão desta Corte de Contas. Gilmar Abrahão da Silva.1 a I. bem como tome ciência das recomendações constantes no item I. assim como a existência eventual de despesa que venha a contrariar o disposto constitucionalmente no art.Pela ciência do teor deste voto à 1ª IRE para que..3. subitem I. 25.3.4. 26 e seus incisos.. para que cumpra as determinações relacionadas no item I.Mop/Rev61 Ressaltamos que o foco de análise está voltado para os processos de pagamentos relativos a despesas realizadas com os agentes políticos.813-1/02) na qual foi determinado: (. na forma do art. ajuda de custo. 24/25. verba de gabinete e subsídios são as mais significativas do órgão e.1. (. caput. Sr. portanto. na próxima inspeção ordinária a ser realizada na Câmara Municipal de 292 . às fls.. 39. aprovado pela Deliberação nº 167/92. merecem um exame mais acurado. subitens I.3. artigo 6º da Deliberação TCE nº 204/96. pelos motivos a seguir expostos: As despesas relativas a diárias. parágrafo quarto..14. (. da Constituição Federal. prolatada em Sessão de 08/04/03.Pela comunicação ao atual Presidente da Câmara Municipal de Mangaratiba. Tal análise tem como intuito a verificação quanto ao atendimento aos princípios insculpidos no art. às fls. nos termos do § 1º.4.) "II .

todos os pagamentos relativos a verba de gabinete que. transcrevemos os itens 1.Registre. sejam incluídas na remuneração dos Vereadores.) I. tendo como conseqüência a inclusão dos referidos pagamentos na remuneração dos Vereadores. por serem freqüentes. como despesa de pessoal. como despesa de pessoal. regulares e de valores significativos não têm natureza de indenização e sim de remuneração." (grifo nosso) A seguir. 18 da Lei Complementar nº 101/00 (fls...3..) Pelo exposto.12). bem como. em atendimento ao art. em atendimento ao art. tendo como conseqüência a inclusão dos referidos pagamentos na remuneração dos Vereadores." (. respectivamente.5 .90.36 e 33. todos os pagamentos relativos a ajuda de custo que. 08). I. constate in loco o cumprimento das determinações desta Corte. somente incluiremos nos gastos de pessoal as despesas de verba de gabinete e ajuda de custo as quais foram classificadas nos elementos de despesas 33.4 .Mop/Rev61 Mangaratiba. Ressalta-se que as despesas com diárias foram devidamente classificadas como despesa de pessoal no elemento de despesa 33.90.4 e 1. depreende-se que as despesas com "verba de gabinete". regulares e de valores significativos não têm natureza de indenização e sim de remuneração. 18 da Lei Complementar nº 101/00 (fls. 293 .Registre. e "ajuda de custo" sejam registradas como despesa de pessoal.5 da conclusão do referido processo.90.33.3. Portanto..3. quais sejam: "Determinações: (.3. por serem freqüentes.11.

00 30.000.409.600. inciso I.00 47. 77 .00 17.600.000.521-0/04) – mil R$ 1.600.00 30.00 30.600.600. que representa 3.00 47.600.00 30. TCE/RJ nº 210.0 – obter-se-ia um total de R$ 1.600.00 17.000.00 30. 8.600.000. a saber: "Art.00 47.5 .00 30. artigo 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.00 47.000.600. relativamente ao Poder Legislativo.000.00 17.600.600.00 47.600.600.00 523.932.000.00 17. em desacordo com o artigo 71 da Lei Complementar nº 101/00. demonstraremos os valores pagos como verba de gabinete e ajuda de custo. os quais deixaram de ser classificados como despesa de pessoal: R$ Vereador Gilmar Abrahão da Silva José Luiz de Figueiredo Freijanes Francisco Rodrigues de Sá Célio Lopes Marcelo Tenório da Cruz Eduardo Ferreira Jordão Deise Lúcia de Deus Menino Fontella José Carlos de Medeiros Evandro Bertino Jorge José Carlos da Costa Waldir Domingos da Costa Leite Total recebido pelos Edis em 2003 Verba de Gabinete 30.600.600. evidenciando que.00 17.00 47.600.00 193.600. em consonância com o disposto no inciso III.00 30.000.600. no exercício de 2003.00 17.000.00 47.000.00 17.000. ocorreu aumento na despesa com pessoal superior a 10% da Receita Corrente Líquida do exercício anterior.00 330.600.600.600.Das Despesas com Saúde As despesas com ações e serviços públicos de saúde devem corresponder a 15% (quinze por cento) do produto da arrecadação dos impostos a que se refere o artigo 156 e dos recursos de que tratam os artigos 158 e 159. os recursos mínimos aplicados nas ações e serviços públicos de saúde serão equivalentes: 294 . 06 do Proc.00 47.00 30.600.000.Até o exercício de 2004.00 17.600.00 30.00 30.00 47. concluiu-se que se fosse acrescentado o valor supracitado ao constante no Anexo I do RGF/2º sem. (fls.00 Ajuda de Custo 17.600.00 Feitas essas considerações.00 17.00 47.6 (mil).00 TOTAL 47.00 17.87% da RCL. alínea "b" e § 3º.Mop/Rev61 Quanto ao registro como despesas de pessoal: A fim de atender à determinação por esta Corte de Contas.

quinze por cento do produto da arrecadação dos impostos a que se refere o artigo 156 e dos recursos de que tratam os artigos 158 e 159. 580/582.no caso dos Municípios e do Distrito Federal. alínea "b" e § 3º" Note-se. a aplicação será de pelo menos sete por cento. no exercício de 2000. pelo menos. O Corpo Instrutivo apresenta as seguintes análises em relação aos recursos aplicados nas ações e serviços públicos de saúde.2000. consideraremos as despesas com inativos custeadas com recursos próprios: 295 . a aplicação não poderá ser inferior a 7% (sete por cento). o Distrito Federal e os Municípios que apliquem percentuais inferiores aos fixados nos incisos II e III deverão eleválos gradualmente." (grifo nosso) Em % Descrição Limite a ser Aplicado na Saúde 2000 7. um quinto por ano. III . evidenciaremos a situação do Município com relação aos gastos com saúde. até o exercício financeiro de 2004. verbis: "A seguir.80% 2004 15. em face do disposto no § 1º do artigo 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. reduzida a diferença a razão de.Mop/Rev61 . de 13.60% 2002 10. in verbis: "§ 1º . deverão reduzir a diferença à razão de um quinto ao ano.. conforme a Emenda Constitucional nº 29.. fls. atentando para que. entretanto. II e III.Os Estados.20% 2003 11. ressaltando que da mesma forma procedida na educação. retroreproduzido. que os Municípios que apliquem percentuais inferiores aos fixados no inciso III do artigo 77.00% Conforme Manual sobre a Operacionalização da Emenda Constitucional nº 29/00 do Ministério da Saúde Vale ressaltar que a Lei Orgânica Municipal não prevê quanto o Município deverá gastar com saúde.09.00% 2001 8. inciso I. tendo como base os Demonstrativos Contábeis e os Quadros I. a partir de 2000. sendo que.

126.257.99 V A LO R ( R $ ) 6724852.42 1524912. fls. fls.60% 2002 10.50 0 0 19. Quadros I.13 0.99 0 1056090.07 1906422.66 1.197239192 30646969. fls.090.524. 283/286.07 17.99 0 1.71 28740546.Mop/Rev61 R E C E IT A S (A) R EC EITAS DE IM P OS TOS E TR ANS F ER ÊNC IAS CONS TITUC IONAIS E LEGAIS Im po s to s R ec eitas de Tra ns fe rências C o ns tituc io nais e Le ga is Da União Do Es ta do (B ) TR ANS F ER ÊNC IA DE R EC UR S OS DO S IS TEM A ÚNIC O DE S AÚDE .795.912.86 0 5668762.72% 11.028.29 8.074.385.36 27.30 1056090.529.20% 2003 19.14 1.91 0 1.36 2000 11. II e III. par fins da EC nº 29/00 (G÷F ) 6724852.334.66 0 0 6724852. 261/263.676.00% 2001 14. 397/400. 304.48 13052603. Anexo 1 da FMS.59 4.422.554.36 V A LO R ( R $ ) 5199940. Anexo 11.33 4.031.S US Da União para o M unic ípio Do Es ta do para o M unicípio Dem ais M unicípio s pa ra o M unicípio (C ) R EC EITAS DE OP ER AÇÕES DE C R ÉDITO VINC ULADAS À S AÚDE OUTR AS R EC EITAS (-) DEDUÇÃO P AR A O F UNDEF TOTAL D E S P E S A S C O M S A ÚD E (P o r G ru p o d e N a t u re z a d a D e s p e s a ) DES P ES AS C OR R ENTES P e s s o a l e Enc argo s S o ciais J uro s e Enca rgo s da Dívida Outra s Des pe s a s C o rre ntes DES P ES AS DE C AP ITAL Inve s tim ento s Inve rs õ es F ina nce ira s Amo rtiza çã o da Dívida (D) TOTAL D E S P E S A S P R Ó P R IA S C O M S A ÚD E DES P ES AS C OM S AÚDE (-) DES P ES AS C OM INATIVOS E P ENS IONIS TAS OR IUNDAS R EC UR S OS VINC ULADOS (-) TR ANS F ER ÊNC IAS DE R EC UR S OS DO S US (-) R EC EITAS DE OP ER AÇÕES DE C R ÉDITO VINC ULADAS À S AÚDE (E) TOTAL DAS DES P ES AS P R ÓP R IAS C OM S AÚDE V A LO R ( R $ ) 30646969.168.365.85% 7.056.86 0 5668762. fls.594.964.13 E VO LUÇ Ã O D O P E R C E N T UA L M ÍN IM O D A D E S P E S A P R Ó P R IA C O M S A ÚD E / R E C E IT A LÍQ UID A D E IM P O S T O S A NO % Aplica do % M ínim o a Aplica r Ajus te da R e ce ita pa ra fins da EC nº 29/00 (A) Re c eita de Impo s to s e Tra ns fe rênc ia s C o ns tituc io nais e Le gais (-) De duçã o pa ra o F UNDEF (=)To ta l Ajus ta do das R e ce ita s de Im po s to s e Trans ferê nc ia s C o ns tituc io na is e Legais (F ) Ajus te da s Des pe s as c o m S a úde (D) To ta l da s Des pe s a s co m S a úde (-) De s pes as c o m ina tivo s e pens io nis tas paga s co m rec urs o s vincula do s (-) De s pes as vinc uladas a o s re curs o s do S US (-) De s pes as financiadas c o m re curs o s de o pe ra çõ e s de c ré dito (=) To tal Ajus tado da s Des pe s a s P ró pria s c o m S a úde (G) % da s Des pe s a s P ró pria s co m S a úde.71 49472971.86 1.906.41% 10. 296 .67% 8.80% 2004 Fonte: Anexo 10.

263-2/03.80% no exercício de 2003. o Conselho Municipal de Saúde en- 297 . 399.50. portanto. 398. O Conselho Municipal foi criado através da Lei Municipal nº 68/98.O valor das Transferências de Recursos do SUS foi extraído do Quadro II. excluindo-se a transferência da Secretaria para a FMS. a maior no Quadro III. exceto por 'outras receitas correntes'. refere-se a despesa com Salário Família da Secretaria de Saúde. estão compatíveis com os demonstrados no Anexo 10 (fls.345. o Município enquadrado no previsto § 1º do artigo 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. fls. fls. 444. A diferença de R$ 7. devendo atingir o percentual de 11. 283/286) e do Anexo 1 da Fundação Municipal de Saúde (fls. no valor de R$ 2.85%.950. O Município possui Fundo Municipal de Saúde. 398. estando. Conforme demonstrado. mas não da Função 10 (fls. donde constatamos que o respectivo órgão é composto de 8 membros de forma paritária com 25% de representantes governamentais. Nota 3 .577. 261/263). 283). Da análise dos quadros. abrangendo o período de 01/01 a 31/05/03 – Proc. Nota 2 . uma vez que não foi possível identificar nos Anexos 10 da Prefeitura Municipal e da Fundação Municipal de Saúde todos os recursos oriundos do SUS. 304).Mop/Rev61 Nota 1: Os valores constantes do Quadro I – Recursos Ordinários.Os valores dos demonstrativos contábeis estão compatíveis com o Quadro III. fls. conforme Lei Municipal nº 287 de 18/09/01. Conforme Relatório de Inspeção Ordinária realizada na Fundação Municipal de Saúde. TCE/RJ nº 212. 3º). 25% de representantes dos profissionais da saúde e 50% de usuários (art. verificamos que o montante gasto com saúde no exercício de 2000 foi de 11. devendo ser destacado que somamos às receitas de impostos os valores registrados como 'multa e juros de mora da dívida ativa tributária' e 'receita da dívida ativa tributária'. conforme cópia da publicação encaminhada às fls. Nota 4 . o Município atingiu o limite permitido.As despesas com Saúde foram extraídas dos Anexos 11 da Secretaria Municipal de Saúde (fls.00.

FEP (B) TRANSFERÊNCIAS DO ESTADO Cota-Parte Royalties pela Produção (25% da Quota Produção do Estado) (C) OUTRAS COMPENSAÇÕES FINANCEIRAS (D) TOTAL DAS RECEITAS (A+B+C) DESPESAS CUSTEADAS COM RECURSOS DA COMPENSAÇÃO FINANCEIRA (A) DESPESAS CORRENTES Pessoal e Encargos Juros e Encagos da Dívida Outras Despesas Correntes (B) DESPESAS DE CAPITAL Investimentos Inversões Financeiras Amortização da Dívida (C) TOTAL DAS DESPESAS (A+B) VALOR (R$) 4. fls.315.Dos Royalties O artigo 8º da Lei nº 7.52 (fonte: Quadro VI.717.011.978.195/01. 429.58 702. à exceção aberta pela Lei Federal nº 10. Da análise do Corpo Instrutivo. 403) 298 . fls. a movimentação dos recursos de royalties no exercício pode ser resumida da seguinte forma: RECEITAS DA COMPENSAÇÃO FINANCEIRA (A) TRANSFERÊNCIAS DA UNIÃO Compensação Financeira de Recursos Hídricos Compensação Financeira de Recursos Minerais Compensação Financeira pela Exploração do Petróleo. O Município não dispõe de Plano de Saúde.94 5.27 0 4.94 4.978.011.219.6 . de 28. bem como para capitalização de fundos de previdência.27 4.27 4.58 4.Mop/Rev61 contra-se efetivamente funcionando.990. O Prefeito declara que o Município de Mangaratiba não participa de Consórcio Administrativo Intermunicipal de Saúde.315.011.219. entretanto a Administração não encaminhou o parecer do referido órgão. conforme Ofício nº 095/ 04.497. Xisto e Gás Natural Royalties pela Produção Royalties pelo Excedente da Produção Participação Especial Fundo Especial do Petróleo .011.89 veda a aplicação dos recursos provenientes de royalties no quadro permanente de pessoal e no pagamento da dívida. 403. para pagamento da dívida com a União.497.017.978." 8.27 VALOR (R$) 702. cabe destacar: "De acordo com o Demonstrativo Consolidado das Receitas e Despesas inerentes à Compensação Financeira decorrentes da Exploração de Recursos Naturais – Quadro VI – fls.12.978.

027.76 Multa e Juros de Mora da Dívida Ativa de Impostos Municipais 0.45 IRRF 503.150.204.508. Limite Previsto RECEITAS TRIBUTÁRIAS E DE TRANSFERÊNCIAS DO MUNICÍPIO NO EXERCÍCIO DE 2002 R$ Em (A) RECEITAS TRIBUTÁRIAS (tributos diretamente arrecadados) 19.088. 29-A da Constituição Federal/88 8. faz-se necessário a verificação do enquadramento ou não do Chefe do Executivo nestes dispositivos.15 Contribuição Previdenciária * 518.00 Ê continua 299 . observados os resultados preliminares do Censo IBGE 2000 que estima a população do Município em 24. de acordo como o Quadro VII.11 IPTU 4.00 Multa e Juros de Mora de Impostos Municipais 316.005. Verificação do cumprimento do inciso I.900. o total da despesa do Poder Legislativo Municipal de Mangaratiba em 2003. podemos concluir que o Município não aplicou recursos de royalties em pagamento de pessoal e de dívidas.00 Dívida Ativa de Impostos Municipais 1. 404.850. Dos recursos recebido a título de royalties.1 .837. 153 e nos art. incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos.54 Receita de Cemintério 4.7. fls.7 .Verificação quanto ao Cumprimento do Art.65 Contribuição de Melhoria 0.735. 29-A da CF prevêem que o repasse à Câmara.42 ISS 8.479.854 habitantes.452.164. 158 e 159 efetivamente realizado no exercício anterior. não poderá ultrapassar o percentual de 8% relativo ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5º do art.05 Taxas 2." 8.71 ITBI 1. § 2º do artigo 29-A da CF/88 Seguindo os critérios do artigo 29-A da Constituição Federal.290.768. Assim.Mop/Rev61 Do quadro acima. bem como o repasse a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária constituem crime de responsabilidade do Prefeito Municipal. não houve realização de Transferências Financeiras a outras entidades.788.Prefeitura Os incisos I e III do § 2º do art. em montante superior aos limites definidos no mesmo artigo.

132.193. 553/554) * Extraído o valor da Contribuição Previdenciária do Anexo V do RREO – 6º Bim/03. § 2º do artigo 29-A da Constituição Federal. constata-se que o limite foi respeitado.33. monta em R$ 2.96 18.37).33 REPASSE R$ Em RECEBIDO ABAIXO DO LIMITE 503.569.556. face à exclusão determinada no artigo 29-A da Constituição Federal/88. fls.628. não computados os gastos com inativos do Legislativo (R$ 10.94 7.645. anexado às fls.788.684. § 2º do artigo 29-A da CF/88 Acordemente com a Lei Orçamentária e com o Demonstrativo das Alterações Orçamentárias.00 31. 29-A da CF/88. 336.443.000.952.31 287.556. Verifica-se.508.193.354.02 82. fls. o montante previsto para repasse ao Legislativo no exercício de 2003 montava em R$ 1. conforme se demonstra: 300 . Comparação do Limite Previsto com o Repasse Recebido LIMITE DE REPASSE PERMITIDO 2.193. Verificação do cumprimento do inciso III.42 12. Comparando este valor com o efetivamente repassado à Câmara Municipal. de acordo com o quadro anterior.66 8% 2.63 (fonte: Anexos 1 e 6 da Câmara Municipal.319. 623.2003 19. Contudo.00.24 4.052.70 REPASSE RECEBIDO (1) 2. ao comparar este valor com o efetivamente repassado à Câmara Municipal.Mop/Rev61 continuação RECEITAS TRIBUTÁRIAS E DE TRANSFERÊNCIAS DO MUNICÍPIO NO EXERCÍCIO DE 2002 (A) RECEITAS TRIBUTÁRIAS (tributos diretamente arrecadados) (B) TRANSFERÊNCIAS FPM ITR ICMS Lei 87/96 ICMS IPVA IPI Exportação (C) TOTAL PERCENTUAL PREVISTO PARA O MUNICÍPIO LIMITE DO REPASSE DO EXECUTIVO PARA O LEGISLATIVO . que o limite de repasse do Executivo para o Legislativo.281. fls. 325.33 (Fonte: Anexo 10 exercício de 2002 – fls. verifica-se o repasse a maior tendo sido cumprido o inciso III.838.416.556.208. 325 e 332) (1) corresponde ao total do repasse.01 166.600.363.958. em função do disposto no art.

29-A. nota-se que o Legislativo não ultrapassou o percentual permitido para as despesas do referido Poder. face à exclusão determinada no artigo 29-A da Constituição Federal/88.64 pontos percentuais acima do 301 .00 REPASSE RECEBIDO 2. incluído o gasto com o subsídio de seus Vereadores.193. 153 e nos art.000.7. não computados os gastos com inativos do Legislativo. 29-A da CF/88 Comparação do Limite Previsto com a Despesa Total do Poder Legislativo LIMITE DE REPASSE PERMITIDO 2.2 . encontrava-se 5.02 (fonte: Anexo 6 da Câmara Municipal. 332) (1) corresponde ao total da despesa. não poderá ultrapassar o percentual de 8% relativo ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5º do art. 339) 8. Pelo quadro anterior.33 DESPESA TOTAL DO PODER LEGISLATIVO (1) 2. 158 e 159 efetivamente realizado no exercício anterior.058.00 (fonte: Balanço Orçamentário – fls. encontrada no tópico anterior. § 1º da CF/88 Inicialmente.958. Verificação do cumprimento do art.Câmara Conforme anteriormente mencionado.600. o total da despesa do Poder Legislativo Municipal em 2003.00 Em R$ REPASSE RECEBIDO ACIMA DO FIXADO 463.556.063. incluídos os subsídios dos Vereadores e excluídos os gastos com inativos.235. A Câmara também não deverá gastar mais de 70% de sua receita com folha de pagamento. Verificação do cumprimento do caput do art.Mop/Rev61 REPASSE FIXADO NA LOA 1.000.000. o Corpo Instrutivo observou que a despesa com a folha de pagamento de 2003 da Câmara Municipal em relação ao repasse permitido à mesma. nos termos do inciso I do artigo 29-A da Constituição Federal. fls.31 DESPESA PAGA Em R$ ABAIXO DO REPASSE PERMITIDO 497.

cujo resultado das análises. conforme comentado no Item 11.00. Presidente da Câmara Municipal.00. Em atendimento à Decisão Plenária de 16. Nota-se entretanto.00 141.931 1. já estaria empenhada na dotação 31. nos termos do voto do Conselheiro-Relator no Processo TCE/RJ nº 212.000.000. que nossa análise se baseou no apurado em 302 . Nota 2 . o Corpo Instrutivo procedeu ao reexame da matéria.625. à época. 620.09.4 (Dos Gastos com Pessoal)" Saliento que tal fato ensejou a sugestão de emissão de parecer prévio contrário à aprovação das contas do Chefe do Poder Legislativo.222-2/01.8131/02. na forma da Ordem de Serviço nº 360/2003.52 1.514. fls. face às alegações trazidas pelo responsável. onde consta a título de verba de gabinete um total de R$ 30. causando duplicidade.Pessoal Civil .52 1. apresentou defesa. nem os gastos com inativos e pensionistas.90.00 0 0 330.600. Alega que transformando este valores para 1 mês. teríamos verba de gabinete = R$ 33. o Sr. fls.Mop/Rev61 percentual-limite de 70%. TCE/RJ nº 33. contida no Doc.Consideramos como gastos com folha de pagamento os valores pagos a título de "verbas de gabinete" e "ajuda de custo" uma vez que tais benefícios foram considerados como despesa de pessoal e remuneração dos Vereadores.Não computamos as despesas com encargos sociais e contribuição para previdência.525.59 (fonte: Anexo 2 da Câmara Municipal. Tais valores foram apurados na inspeção ordinária realizada na Câmara Municipal de Mangaratiba – Processo TCE/RJ nº 211.00.376. 579. e a título de ajuda de custo um total de R$ 17.000. 327) "Nota 1 . No que concerne a esta questão.00 193. às quais manifesto minha concordância. que.495-2/04.473.Plenário.681.600. conforme se demonstra: Em R$ DESCRIÇÃO (A) Repasse Permitido para a Câmara no exercício de 2003 (conforme apurado) (B) Limite para gasto com a Folha de Pagamento do Legislativo (70%A) (C) Gastos com Folha de Pagamento (1) Pessoal Civil Salário-Família Auxílio-Transporte Auxílio-Alimentação Verbas de Gabinete (2) Ajuda de Custo (2) (D) Total do Gasto acima do Limite (C-B) VALOR (R$) 2.11 . havendo o não cumprimento do determinado pelo § 1º do artigo 29-A da Constituição Federal. conforme voto do Conselheiro-Relator Jonas Lopes de Carvalho Junior no Processo de Consulta TCE/RJ nº 270.064-1/04.750. reproduzo a seguir para melhor fundamentar minha decisão: "Inicialmente.04. o responsável aponta um equívoco na elaboração do demonstrativo de fls.901.33 1760276. Waldyr Domingos da Costa Leste.

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inspeção ordinária realizada no Órgão nos dias 3 e 4 de maio de 2004 (Proc. TCE/RJ nº 211.495-2/04), que verificou a ocorrência de 3 pagamentos diferentes, quais sejam: - Verbas de Gabinete: Valores mensais de R$ 2.500,00 a cada Vereador, totalizando R$ 30.000,00 por Vereador e R$ 27.500,00 mensais, evidenciando um gasto anual de R$ 330.000,00, contabilizado no elemento de despesa 33.90.36; - Ajuda de Custo: Valores mensais de R$ 1.600,00 a cada Vereador, nos meses janeiro a novembro, totalizando R$ 17.600,00 por Vereador, evidenciando um gasto anual de R$ 193.600,00, contabilizado no elemento de despesa 33.90.33; - Diárias: Valores mensais de R$ 3.000,00 a cada Vereador, nos meses janeiro a novembro, totalizando R$ 33.000,00 por Vereador e R$ 33.000,00 mensais, evidenciando um gasto anual de R$ 363.000,00, contabilizado no elemento de despesa 31.90.11. Do demonstrado, depreende-se que o valor de R$ 33.000,00, que consta da Ordem de Serviço nº 360/2003, não se refere a verba de gabinete, e sim a diárias, as quais não somamos às despesas de pessoal, por já estarem devidamente contabilizadas, conforme evidenciado em nossa análise às fls. 577/579 e 586. Através do 'Comparativo da Despesa Autorizada com a Realizada', fls. 337, podemos verificar a contabilização dos valores apurados in loco, nos elementos 33.90.33 e 33.90.36, ou seja, não contabilizados em despesas de pessoal. Assim sendo, entendemos que não houve duplicidade quando da inclusão da verba de gabinete nos gastos com pessoal. Quanto ao fato de considerarmos a verba de gabinete e ajuda de custo como verbas remuneratórias, o responsável apresenta seus argumentos separadamente, vejamos: - Verba de Gabinete Destaca que a verba de gabinete foi criada pela Resolução nº 05/ 2001, que prevê a finalidade de sua concessão (art. 2º) e a

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obrigatoriedade de prestar contas (art. 3º), e que a mesma veio para possibilitar a locomoção dos Vereadores, o reconhecimento de firma e a autenticação de documentos, não tendo a finalidade de integrar as verbas que compõem o subsídio (remuneração) do Vereador. Ressalta ainda, que a referida resolução transforma a verba de gabinete no regime de adiantamento, amparado pelos artigos 68 e 69 da Lei Federal nº 4.320/64. A concessão da verba de gabinete como adiantamento não encontra amparo legal na Lei Federal nº 4.320/64, à medida que o regime de adiantamento é um modo excepcional de efetuar o pagamento da despesa (art. 65), estando sua aplicabilidade definida no art. 68 do mesmo diploma legal, transcritos a seguir: 'Art. 65 - O pagamento da despesa será efetuado por tesouraria ou pagadoria regularmente instituídas, por estabelecimentos bancários credenciados e, em casos excepcionais, por meio de adiantamento'. (Grifo nosso) 'Art. 68 - O regime de adiantamento é aplicável aos casos de despesas expressamente definidos em lei e consiste na entrega de numerário a servidor, sempre precedida de empenho na dotação própria, para o fim de realizar despesas que não possam subordinar-se ao processo normal de aplicação'. (Grifo nosso) Como podemos constatar, não ocorre a excepcionalidade nos pagamentos referentes às verbas de gabinete, bem como que estas despesas não foram definidas em lei, e podem subordinar-se ao processo normal de aplicação, uma vez que estes pagamentos são realizados mensalmente, no mesmo valor, a cada um dos parlamentares, caracterizando a sua regularidade e continuidade. Sendo assim, entendemos que as verbas de gabinete correspondem a vantagens pessoais, uma vez que são pagos diretamente aos parlamentares para que estes efetuem suas despesas, logo, constituem uma forma de despesa de caráter remuneratório, devendo ser classificada como despesa de pessoal. - Ajuda de Custo No que tange à ajuda de custo, o responsável discorda do corpo

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técnico, que no Processo TCE/RJ nº 212.813-1/02 (inspeção ordinária realizada no órgão em outubro de 2002) entendeu como credores os Vereadores, por realizarem diretamente as despesas. Alega que 'não é o Vereador o titular do crédito, sendo ele simplesmente o elo entre a Câmara Municipal e a empresa organizadora do evento e/ou empresa transportadora... Ao contrário, fosse ele o credor, não prestaria contas e sim emitiria notas fiscais ou recibos para exigir o pagamento de uma dívida oriunda de uma compra ou de prestação de serviço. Destaque-se que ao prestar a sua conta o Vereador apresenta as notas fiscais e recibos emitidos pelos verdadeiros prestadores do serviço (credores)...' A fim de corrobar sua afirmativa, de que a ajuda de custo é verba indenizatória e não remuneratória, o responsável cita a consulta formulada por aquela Casa, através do Proc. TCE/RJ nº 211.757-2/ 01. Transcrevemos a seguir o voto do Exmo. Conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior: 'VOTO: Pela expedição de ofício ao consulente, Exmo. Sr. José Luiz Figueiredo Freijanes, Presidente da Câmara Municipal de Mangaratiba, com cópia das informações do Corpo Instrutivo, às fls. 05/07, do parecer da Procuradoria-Geral do Tribunal, às fls. 11, do parecer do douto Ministério Público, às fls. 12, e deste voto, para que tome ciência da resposta a esta consulta, nos seguintes termos: As despesas com congressos, simpósios, conferências ou exposições serão empenhadas no elemento de despesa 3.1.3.2 - Outros Serviços e Encargos, de acordo com o que estabelece o Adendo I à Portaria SOF nº 8, de 04.02.85. As despesas realizadas com pagamento de diárias serão classificadas no elemento de despesa 3.1.1.1 - Pessoal Civil, considerando o mesmo dispositivo legal. As despesas com diárias, por terem caráter indenizatório, não serão computadas, a priori, como despesa de pessoal, por não estarem abrangidas no conceito desta despesa, definido no artigo 18 da Lei Complementar nº 101/00. O valor atribuído à diária deve guardar relação de compatibilidade com os respectivos gastos que lhe deram origem, de modo a preser-

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var o seu caráter indenizatório, pois do contrário, é legítimo vislumbrar outra interpretação ao caráter da concessão, e, assim sendo, tais despesas poderão integrar a base de cálculo para fins de verificação do percentual dos gastos com pessoal na Receita Corrente Líquida, de acordo com os limites previstos nos arts. 19 e 20 da Lei Complementar nº 101/00.' (Grifamos) Do decidido por esta Corte, em Sessão Plenária de 16/10/2001, entendemos que a ajuda de custo pode sim vir a possuir caráter remuneratório, como tem entendido o Corpo Instrutivo desta Inspetoria Regional, em face da habitualidade como tem sido paga aos Vereadores desta Municipalidade. Cabe demonstrar os valores pagos diretamente aos Edis no exercício de 2003, conforme Prestação de Contas do Ordenador de Despesas (Proc.TCE/RJ nº 211.475-2/04):

Vereador Célio Lopes Deise Lucia de Deus M.Fontella Eduardo Ferreira Jordão Evandro Bertino Jorge Francisco Rodrigues de Sá Gilmar Abrahão da Silva José Carlos da Costa José Carlos de Medeiros José Luiz Figueiredo Freijanes Marcelo Tenório da Cruz Waldir Domingos da Costa Leste TOTAL

Total Subsídios (R$) 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 39.417,00 433.587,00

Total Diárias (R$) 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 33.000,00 363.000,00

Total Ajudas de custo (R$) 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 17.600,00 193.600,00

Total Verba De Gabinete (R$) 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 30.000,00 330.000,00

Total pago no exercício (R$) 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 120.017,00 1.320.187,00

Considerando que as despesas da Câmara Municipal totalizaram R$ 2.068.880,68, fls. 325, tais pagamentos representaram 63,8% dos gastos do Legislativo. Entendemos que por serem relevantes, sucessivas e uniformes, independentemente da nomenclatura que se dê às parcelas, as

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mesmas ganham foros salariais, e vêm a burlar os limites constitucionais e legais, tanto para a remuneração dos Vereadores, quanto para os gastos com pessoal. De todo o exposto, e com fundamento no decidido em Sessão Plenária de 08/04/03, no Processo de Inspeção Ordinária (TCE nº 212.813-1/02), consideramos despesa de pessoal todos os pagamentos relativos a verba de gabinete e ajuda de custo, in verbis: (...) 'II - Pela comunicação ao atual Presidente da Câmara Municipal de Mangaratiba, Sr. Gilmar Abrahão da Silva, nos termos do § 1º, artigo 6º da Deliberação TCE nº 204/96, na forma do art. 26 e seus incisos, do Regimento Interno deste Tribunal, aprovado pela Deliberação nº 167/92, para que cumpra as determinações relacionadas no item I.3, subitens I.3.1 a I.3.14, às fls. 24/25, cujo cumprimento será verificado na próxima inspeção ordinária a ser realizada na Câmara Municipal de Mangaratiba, bem como tome ciência das recomendações constantes no item I.4, subitem I.4.1, às fls. 25;' Transcrevemos os itens 1.3.4 e 1.3.5 da conclusão do referido processo: 'Determinações: (...) I.3.4 - Registre, como despesa de pessoal, todos os pagamentos relativos a verba de gabinete que, por serem freqüentes, regulares e de valores significativos não têm natureza de indenização e sim de remuneração, tendo como conseqüência a inclusão dos referidos pagamentos na remuneração dos Vereadores, em atendimento ao art. 18 da Lei Complementar nº 101/00 (fls. 08); I.3.5 - Registre, como despesa de pessoal, todos os pagamentos relativos a ajuda de custo que, por serem freqüentes, regulares e de valores significativos não têm natureza de indenização e sim de remuneração, tendo como conseqüência a inclusão dos referidos

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pagamentos na remuneração dos Vereadores, em atendimento ao art. 18 da Lei Complementar nº 101/00 (fls.12);' A seguir, refazemos os cálculos, com base no entendimento firmado em consulta formulada através do Processo TCE/RJ nº 210.512-9/04, ou seja, que as contribuições são parte integrante das receitas tributárias, devendo aquelas instituídas pelos Municípios (a COSIP e as Contribuições Previdenciárias cobradas de seus servidores para custeio dos regimes próprios de previdência e assistência) compor a base de cálculo para o repasse às Câmaras na forma prevista no artigo 29-A da CF/88.
RECEITAS TRIBUTÁRIAS E DE TRANSFERÊNCIAS DO MUNICÍPIO NO EXERCÍCIO DE 2002 R$ Em (A) RECEITAS TRIBUTÁRIAS (tributos diretamente arrecadados) 19.508.788,42 ISS 8.768.479,11 IPTU 4.204.027,71 ITBI 1.005.837,45 IRRF 503.150,05 Taxas 2.735.164,65 Contribuição de Melhoria 0,00 Dívida Ativa de Impostos Municipais 1.452.088,76 Multa e Juros de Mora da Dívida Ativa de Impostos Municipais 0,00 Multa e Juros de Mora de Impostos Municipais 316.290,54 Receita de Cemitério 4.850,15 Contribuição Previdenciária * 518.900,00 (B) TRANSFERÊNCIAS 12.443.628,24 FPM 4.569.132,96 ITR 18.958,01 ICMS Lei 87/96 166.363,94 ICMS 7.319.684,31 IPVA 287.208,02 IPI Exportação 82.281,00 (C) TOTAL 31.952.416,66 PERCENTUAL PREVISTO PARA O MUNICÍPIO 8% LIMITE DO REPASSE DO EXECUTIVO PARA O LEGISLATIVO - 2003 2.556.193,33

*Extraímos o valor da Contribuição Previdenciária do Anexo V do RREO – 6º Bim/03, anexado às fls. 623.

VERIFICAÇÃO DO CUMPRIMENTO DO ART. 29-A, § 1º DA CF/88
Em R$
DESCRIÇÃO (A) Repasse Permitido para a Câmara no exercício de 2003 (conforme apurado) (B) Limite para gasto com a Folha de Pagamento do Legislativo (70%A) (C) Gastos com Folha de Pagamento Pessoal Civil Salário Família Auxílio Transporte Auxílio Alimentação Verbas de Gabinete Ajuda de Custo (D) Total do Gasto acima do Limite (C-B) VALOR (R$) 2.556.193,33 1789335,331 1.901.750,52 1.376.625,52 1.525,00 0 0 330.000,00 193.600,00 112.415,19

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Observamos portanto, que a despesa com a folha de pagamento de 2003 da Câmara Municipal em relação ao repasse permitido encontra-se 4,4 pontos percentuais acima do percentual-limite de 70%, havendo o não cumprimento do determinado pelo § 1º do artigo 29A da Constituição Federal." 9 - DA SITUAÇÃO PREVIDENCIÁRIA A Lei 9.717/98, que dispõe sobre regras gerais para organização e o funcionamento dos regimes próprios de previdência social dos servidores públicos dos entes da Federação, tem como principal objetivo garantir o equilíbrio financeiro e atuarial do sistema previdenciário. De acordo com o Demonstrativo das Receitas e Despesas Previdenciárias do Regime Próprio dos Servidores Públicos – Anexo V do Relatório Resumido da Execução Orçamentária – fls. 161, constata-se um resultado previdenciário deficitário da ordem de R$ 395,1 (mil), conforme exposição a seguir:

DESCRIÇÃO Receitas Previdenciárias Despesas Previdenciárias Déficit
(fonte: Anexo V do RREO; fls. 161)

VALOR (R$) 1.197,20 1.592,30 -395,1

Comparando este resultado com o apurado no ano anterior, verifica-se:

EXERCÍCIO 2002 (Superávit) 2003 (Déficit)
(fonte: Anexo V do RREO; fls. 161)

VALOR (R$) 22,9 -395,1

O Demonstrativo da Projeção Atuarial do Regime Próprio de Previdência Social dos Servidores Públicos – Anexo XIII do Relatório Resumido da Execução Orçamentária – fls. 166, não foi devidamente preenchido. Segundo a Instrução, face à ausência de elementos que permitam um exame mais detido sobre este tema, a análise do Sistema Previdenciário Municipal será feita na Prestação de Contas de Ordenadores de Despesas.

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531–2/04. fato ratificado pelo Ofício nº 095/04. no exame das presentes contas. Considerando que. que é de competência desta Corte de Contas emitir parecer prévio sobre as contas dos Municípios e sugerir as medidas convenientes para a final apreciação da Câmara.Mop/Rev61 10 . da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. foi verificado que o Órgão de Controle Interno não foi instituído no âmbito do Executivo Municipal. Segundo relatado pelo Corpo Instrutivo. as características necessárias à verificação das metas. também com a alteração consubstanciada pela supramencionada emenda constitucional.RELATÓRIO DO CONTROLE INTERNO O Relatório do Controle Interno Municipal não foi remetido a esta Corte e. nos termos dos artigos 75. objetivos e resultados alcançados. é responsável pela fiscalização contábil. ou pelos quais seja o Município responsável. incisos I e II. com fulcro no artigo 125. nos termos da legislação em vigor. constata-se. bem como de pessoas que arrecadaram e geriram dinheiro. TCE/ RJ nº 211. ainda. Considerando. Considerando que as Contas de Gestão do Prefeito. Considerando que o parecer prévio deve refletir a análise técnica das contas examinadas. que o Município não observou. valores e bens municipais. da Constituição Federal. orçamentária. cujos processos pendem de exame por esta Corte de Contas. financeira. ficando o julgamento das mesmas sujeito às Câmaras Municipais. da Constituição Estadual do Estado do Rio de Janeiro. constituídas dos res- 310 . na Lei de Diretrizes Orçamentárias e no Orçamento Anual. operacional e patrimonial dos Municípios do Estado do Rio de Janeiro. e 124. não tendo sido apresentada nenhuma avaliação de resultados e de efetividade dos programas de governo realizados. na inspeção ordinária realizada na Prefeitura Municipal de Mangaratiba entre os dias 3 e 12 de maio de 2004 – Proc. Considerando que esta colenda Corte de Contas. o parecer prévio do Tribunal de Contas e o subseqüente julgamento pela Câmara dos Vereadores não eximem a responsabilidade dos ordenadores e ratificadores de despesa.PARECER PRÉVIO Diante do exposto e. 11 . já com as alterações dadas pela Emenda Constitucional nº 4/91.

e de acordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público. exceto pelas ressalvas apontadas. artigo 5º da LRF. além das suas próprias. e nas empresas dependentes de recursos do Tesouro dos Municípios jurisdicionados. financeiro. direta. referentes ao exercício de 2003. Carlo Busatto Junior.Mop/Rev61 pectivos balanços gerais do Município e das demonstrações de natureza contábil foram elaboradas com observância às disposições legais pertinentes. Sr. 3 . Carlo Busatto Junior. incluíram. prejudicando a transparência na gestão fiscal. 311 . os demonstrativos contábeis que compõem as contas do Presidente do Poder Legislativo.005-3/04.Pela emissão de parecer prévio favorável à aprovação. Considerando que a Lei Complementar Federal nº 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) impõe a adoção de medidas de caráter contábil. VOTO I . Face ao exposto e examinado. descrita no § 1º do artigo 1º da LRF. referentes ao exercício de 2003. orçamentário. pela Câmara Municipal.Quanto ao não encaminhamento de cópia do Decreto de Abertura de Créditos Adicionais nº 759/03. Considerando que as contas do Senhor Prefeito Municipal.Quanto ao atendimento parcial ao ofício-regularizador. 4 . na forma do inciso III. com as seguintes ressalvas e determinações: Ressalvas: 1 . de que trata o Processo TCE/RJ nº 211. 2 . de modo a atender os passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos. por não conter rubrica destinada à reserva de contingência. autárquica e fundacional.Quanto à elaboração da Lei Orçamentária Anual. operacional e patrimonial para a administração pública. das Contas de Gestão do Chefe do Poder Executivo do Município de Mangaratiba. com base no disposto no artigo 56 da Lei Complementar Federal nº 101/00.Quanto às inconsistências dos dados constantes no Relatório Resumido da Execução Orçamentária e no de Gestão Fiscal.

Quanto à não instituição do Órgão de Controle Interno.6% do saldo inscrito até 2002.Quanto ao registro das Transferências Intragovernamentais em desacordo com a Portaria nº 519/01 c/c a 211/01 e 339/01.Quanto ao não encaminhamento do parecer do Conselho Municipal de Saúde. 11. 6 . Determinações: 1 . da Deliberação 199/96 e inciso III. registrada no Balanço Patrimonial.Atentar. evidenciando que os mecanismos de cobrança adotados pela administração municipal não são eficazes.Mop/Rev61 5 .20% da despesa realizada.Elaborar as Demonstrações Contábeis Consolidadas. nas próximas Prestações de Contas de Administração Financeira. 2 . 201/99. posto que a cobrança representou 2. 9 .677.104.Fazer constar. em desacordo com o disposto no artigo 3º. 10 . para os critérios definidos no artigo 5º. bem como nas Leis nos 4. em desacordo com os artigos 70 e 74 da Constituição Federal c/c art. da Lei Complementar Federal nº 101/00. parágrafo único. 210/99 e 218/00. 8 . 3 .Quanto ao déficit na execução orçamentária de R$ 6. 59 da Lei Complementar nº 101/00. incluindo todos os Balanços dos Órgãos e Entidades dos Poderes do Município (Administração Direta e 312 . todos os documentos de remessa obrigatória na forma prevista nas Deliberações TCE nos 199/96 (alterada pela Deliberação no 215/00). 7 .04. especialmente de modo a atender os passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais imprevistos.Quanto à administração da Dívida Ativa. quando da elaboração da proposta de Lei Orçamentária.320/64 e 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal). atentando para a consolidação nos termos do parágrafo único do artigo 3º da Deliberação TCE-RJ nº 199/96. cerca de 10. inciso III. artigo 50 da Lei Complementar nº 101/00.Quanto à ausência de registro no Demonstrativo da Dívida Consolidada – Anexo II do Relatório de Gestão Fiscal – da Dívida Fundada do Município.Quanto à não consolidação dos demonstrativos relativos à movimentação financeira e patrimonial.

Implementar Sistema de Controle Interno. 6 . 313 . eventuais imperfeições. Sr. 7 . atentando para o que dispõe o artigo 13 c/c o 9º da Lei de Responsabilidade Fiscal. das Contas de Gestão do Chefe do Poder Legislativo do Município de Mangaratiba. como. isto é. cuidando para que sejam eliminadas as duplicidades.40% do repasse permitido para a Câmara Municipal.Mop/Rev61 Indireta). a execução dos programas de governo e dos orçamentos. em face da irregularidade e das impropriedades a seguir elencadas: Irregularidade: Realizar despesa com a folha de pagamento no percentual de 74. por exemplo. de acordo com o que estabelece a Deliberação TCE nº 199/96 e inciso III. cópia de todos os decretos de abertura de créditos adicionais. referentes ao exercício de 2003. identificar e corrigir. em descumprimento ao determinado pelo § 1º do artigo 29-A da Constituição Federal. nas próximas prestações de contas. no sentido de tornar mais eficientes seus mecanismos de controle e cobrança. o parecer do Conselho Municipal de Saúde. 74 da Constituição Federal. 4 . a comprovação da legalidade e avaliação dos resultados quanto à eficácia e à eficiência da gestão orçamentária. em tempo hábil. pela Câmara Municipal.Encaminhar. 10) Cuidar para que. entre outras. 9) Remeter.Promover o registro das Transferências Intragovernamentais de acordo com a Portaria nº 519/01 c/c a 211/01 e 339/01. o Sistema de Controle Interno avalie o cumprimento das metas previstas no plano plurianual. 8 . Waldyr Domingos da Costa Leste.Cuidar para que o equilíbrio na execução orçamentária seja alcançado. II . 5 . uma vez implantado. da Lei Complementar nº 101/00 (LRF). na próxima Prestação de Contas de Administração Financeira do Município.Pela emissão de parecer prévio contrário à aprovação. financeira e patrimonial nos órgãos e entidades da administração municipal. de forma a garantir efetivo cumprimento ao que dispõe o art. acima do percentual-limite de 70%. as apontadas nas Ressalvas nos 2 e 8. permitirão assegurar a consistência dos dados produzidos. cujas atribuições.Reformular os meios de administração da Dívida Ativa. artigo 50.

212. 2 .Pela expedição de ofício ao Ministério Público Estadual. 638). referentes aos Relatórios da Lei de Responsabilidade Fiscal. em desacordo com o artigo 71 da Lei Complementar nº 101/00. 557/605 e 624/637). 212.Aumentar a despesa de pessoal em percentual superior a 10% da Receita Corrente Líquida do exercício anterior.843-8/03.Pelo arquivamento dos Processos TCE nos 210. da Constituição Federal da República.521-0/04. 30 de novembro de 2004 JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator 314 .Mop/Rev61 Impropriedades: 1 . Sala das Sessões. desrespeitou o disposto no art. IV . que serviram de subsídio à análise das presentes contas. com cópia do inteiro teor da Informação do Corpo Instrutivo (fls. do parecer do Ministério Público (fls. para que se dê ciência de que o Presidente da Câmara Municipal de Mangaratiba.828-8/03 e 210.Registrar os recursos financeiros recebidos da Prefeitura Municipal em desacordo com a Portaria nº 339/01 da Secretaria do Tesouro Nacional. parágrafo primeiro. 213. 29-A. III .906-2/03. no exercício de 2003.342-1/03. 213. e deste relatório e voto.022-3/03.

Considerando a aplicação na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações de serviços públicos de saúde. reunido nesta data. constituídas dos respectivos Balanços Gerais e das Demonstrações técnicas de natureza contábil. Considerando a análise técnica constante da informação do Corpo Instrutivo desta Corte de Contas sobre o Balanço Geral do Município. relativas ao exercício de 2003. Carlo Busatto Junior. e Considerando que as Contas do Município de Mangaratiba. CARLO BUSATTO JUNIOR PARECER PRÉVIO O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. aprovandoos. Considerando. com o disposto no art. tendo como representante do Poder Executivo o Sr. respectivamente.002-1/04 EXERCÍCIO DE 2003 PREFEITO: Sr. dando cumprimento ao disposto no inciso I do art. Considerando o parecer do Ministério Público. foram elaboradas em observância às disposições legais pertinentes. com base no artigo 125 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. 315 . tendo examinado e discutido a matéria. foram apresentadas a esta Corte. representado pelo Procurador Julio Rabello. 77 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.Mop/Rev61 PRESTAÇÃO DE CONTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DO MUNICÍPIO DE MANGARATIBA PROCESSO NO 211. 125 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. de acordo. que é de competência deste Tribunal emitir parecer prévio sobre as Contas da Administração Financeira dos Municípios e sugerir as medidas convenientes para a final apreciação da Câmara Municipal. Considerando que as presentes Contas de Gestão do Município. em Sessão Ordinária. acolhendo o relatório e o projeto de parecer prévio do Conselheiro-Relator. exceto pelas ressalvas apontadas. 212 da Constituição Federal e art.

nos termos da legislação vigente. pela Câmara Municipal. 30 de novembro de 2004 Conselheiro JOSÉ GOMES GRACIOSA Presidente Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator Representante do MINISTÉRIO PÚBLICO 316 . estão ou serão alvo de fiscalização e julgamento por este Tribunal. Sr. com as ressalvas e as determinações constantes do voto. Considerando. das Contas de Administração Financeira do Chefe do Poder Executivo do Município de Mangaratiba. referentes ao exercício de 2003. os quais. bem como daqueles que geriram valores e bens municipais. o parecer prévio e o subseqüente julgamento pela Câmara de Vereadores não eximem as responsabilidades de ordenadores e ratificadores de despesa. finalmente. Sala das Sessões. estando sob jurisdição desta Corte. o voto do Conselheiro-Relator.Mop/Rev61 Considerando que. Carlo Busatto Junior. Resolve: Emitir parecer prévio favorável à aprovação.

foram elaboradas em observância às disposições legais pertinentes. e Considerando que as Contas do Município de Mangaratiba. WALDYR DOMINGOS DA COSTA LESTE PARECER PRÉVIO O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. 317 . foram apresentadas a esta Corte. exceto quanto ao descumprimento do § 1º do art. bem como quanto às impropriedades apontadas no voto do Relator. Considerando que. 125 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. Considerando a análise técnica constante da informação do Corpo Instrutivo desta Corte de Contas sobre o Balanço Geral do Município. Considerando. 56 da Lei Complementar nº 101/00. dando cumprimento ao disposto no inciso I do art. 29-A da Constituição Federal de 1988. Considerando que as presentes Contas de Gestão do Município. relativas ao exercício de 2003. Considerando o parecer do Ministério Público. tendo como representante do Poder Legislativo o Sr. consoante o art. em Sessão Ordinária. que é de competência deste Tribunal emitir parecer prévio sobre as Contas da Administração Financeira dos Municípios e sugerir as medidas convenientes para a final apreciação da Câmara Municipal. acolhendo o relatório e o projeto de parecer prévio do Conselheiro-Relator. as Contas do Poder Legislativo receberão parecer prévio em separado do Poder Executivo. reunido nesta data. aprovando-os. Waldyr Domingos da Costa Leste.002-1/04 EXERCÍCIO DE 2003 PRESIDENTE DA CÂMARA: Sr. constituídas dos respectivos Balanços Gerais e das Demonstrações técnicas de natureza contábil. com base no artigo 125 da Constituição do Estado do Rio de Janeiro. tendo examinado e discutido a matéria.Mop/Rev61 PRESTAÇÃO DE CONTAS DA ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA DO MUNICÍPIO DE MANGARATIBA PROCESSO NO 211. representado pelo Procurador Julio Rabello.

pela Câmara Municipal. face à irregularidade e às impropriedades. referentes ao exercício de 2003. Considerando. estando sob jurisdição desta Corte. o parecer prévio e o subseqüente julgamento pela Câmara de Vereadores não eximem as responsabilidades de ordenadores e ratificadores de despesa. o voto do Conselheiro-Relator. Waldyr Domingos da Costa Leste. nos termos da legislação vigente. Resolve: Emitir parecer prévio contrário à aprovação. finalmente. Sala das Sessões. estão ou serão alvo de fiscalização e julgamento por este Tribunal. bem como daqueles que geriram valores e bens municipais. constantes do voto. das Contas de Administração Financeira do Chefe do Poder Legislativo do Município de Mangaratiba.Mop/Rev61 Considerando que. 30 de novembro de 2004 Conselheiro JOSÉ GOMES GRACIOSA Presidente Conselheiro JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator Representante do MINISTÉRIO PÚBLICO 318 . os quais. Sr.

Roberto Daniel Campos de Almeida e Carlos Rubem Mattos Dias. bem como pelo exPrefeito Municipal. O Ministério Público. 1º da Emenda Constitucional 11/ 99. nos termos do voto que proferi. manifesta-se em idêntico sentido. Em sessão realizada em 2. Roberto Daniel Campos de Almeida. Preliminarmente. Voto pela diligência interna.124. como Ordenador de Despesas. de responsabilidade dos Srs. Em atendimento à referida decisão. e citação ao ex-Prefeito Municipal. a quantia equivalente a 59. insta salientar que a minha manifestação quanto à aplicabilidade da Emenda Constitucional 11/99 na análise da remuneração dos Vereadores nas prestações de contas de Câmaras Municipais referentes aos exercícios 319 . 347 da Constituição Estadual.49 UFIR-RJ. Sr. RELATÓRIO Trata o presente Processo 231. art. sugere ao Plenário a rejeição das razões de defesa apresentadas.9. foi apresentada defesa conjunta pelos Edis da Câmara Municipal de Miguel Pereira no exercício de 1999. após examinar as alegações. solidariamente. e demais Edis da Câmara Municipal. exercício de 1999. esta Corte de Contas. Pagamento aos Vereadores em desacordo com o que estabelece o inciso I. alterado pelo art.419-4/00 de Prestação de Contas do Ordenador de Despesas e do responsável pela Tesouraria da Prefeitura Municipal de Miguel Pereira. É o relatório.PRESTAÇÃO DE CONTAS Prestação de Contas de Ordenador de Despesas e de Tesoureiro. decidiu por citação ao Prefeito Municipal de Miguel Pereira e aos demais Edis da Câmara Municipal e por determinação. aos cofres públicos municipais.2003. para que recolham. com recursos próprios. O Corpo Instrutivo. representado pelo Procurador Renato Pereira França. referente ao exercício de 1999.

315-3/00 e 220. que foi o Relator do acórdão.2. parece-me que a razão está com o prolator da decisão monocrática e o não menos eminente Des. por meio das informações constantes nos Processos TCE 220. os Vereadores. cujo o Relator foi o Desembargador Sylvio Capanema de Souza. julgou procedente a Argüição de Inconstitucionalidade nº 1/ 01. contrariando a Lei Orgânica Municipal e a Constituição Federal. e das informações que trarei a seguir. Celso Barros. reformulei o meu posicionamento quanto à matéria concernente à aplicabilidade desta Emenda. respectivamente. 347 da Constituição Estadual com a nova redação que lhe deu a Emenda Constitucional 11. de 14. que tratam das contas dos Ordenadores de Despesas e dos Tesoureiros das Câmaras Municipais de Itatiaia e Porto Real. vinha sendo no sentido de que haveriam de ser observados os limites da Emenda retro para o período de junho de 1999 a maio de 2000. Desta forma. com os fundamentos que transcrevo a seguir in verbis: “Em que pese o brilho costumeiro e sempre festejado do eminente Procurador de Justiça. Com efeito. o STF pronunciou-se declarando a inconstitucionalidade somente quanto à parte alusiva aos Prefeitos. de forma incidental. do fato de que alguns Vereadores impetraram mandado de segurança preventivo contra o ato do Ordenador de Despesas da Câmara Municipal.2000.01. 320 . No entanto. que deve operar efeitos ex tunc. e que concluíram pela evidente inconstitucionalidade do art. com a redação dada pela Emenda Constitucional Estadual 11/99.482-4/01. tendo como objeto o artigo 347 da Constituição Estadual. com a redação que lhe deu a Emenda 11/99. estabelecendo novos limites às suas remunerações. A ADIN tornou-se prejudicada. em que se suscitou a argüição de inconstitucionalidade. compreendendo o limbo jurídico em que se encontravam ante a incerteza dos efeitos da ADIN.01. já que o Pretório não se utilizou da faculdade autorizada por este dispositivo. após tomar conhecimento. Mário Robert Mannheimer. o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. passou a vigorar a Emenda à Constituição Federal 25. que determinou que o pagamento de seus subsídios se faria na forma do que dispõe o artigo 347 da Constituição Estadual. Dr. pela exegese do artigo 27 da Lei 9. pelo fato de que.de 1999 e 2000. impetraram mandado de segurança preventivo visando à declaração de inconstitucionalidade do dispositivo. Sendo assim. a partir de 01.868/99. pelos motivos que consignei nos processos por mim relatados. em relação aos Edis do Município de Itatiaia. no tocante aos subsídios de Vereadores.

29.' (RE 122. em seu parecer.12. E no inciso VI estabelece que o subsídio dos Vereadores é fixado por lei de iniciativa da Câmara Municipal. 29 da CF. porque se trata de assunto de sua competência. 29 da Constituição Federal. considerando a diversidade econômica dos milhares de Municípios brasileiros. DJ de 6. a Constituição Federal estabeleceu um 321 . que. Não se percebe da leitura deste dispositivo que a Constituição Estadual possa interferir nesta matéria. a ser calculado proporcionalmente à população do Município.O art. é ainda no art. estabelece que o Município reger-se-á por lei orgânica. Fácil é perceber que a competência para fixar os subsídios dos Vereadores não é do legislador estadual. 29) que é norma de eficácia plena e auto-aplicável. ao fixar o n. que atenderá aos princípios estabelecidos pela Constituição Federal. a qual. para os Deputados Estaduais. 88. Ilmar Galvão. Os subsídios dos Vereadores serão estabelecidos em lei de iniciativa da Câmara de Vereadores. em espécie. consagrando o princípio federativo. votada em dois turnos. que o legislador constituinte federal estabeleceu um último limite. sob pena de se romper e gravemente. Em acórdão da lavra do Min. desde que observadas as limitações do art. No inciso VII ficou determinado que o total da despesa com a remuneração dos Vereadores não poderá ultrapassar o limite de 5% da receita do Município. 75% daquele estabelecido. na razão de. o princípio da autonomia municipal e o pacto federativo. porém.521/MA. deve respeitar as prescrições estabelecidas no mandamento constitucional (inciso V do art. à autonomia municipal. já decidiu o Colendo STF que 'o sistema de remuneração deve constituir conteúdo da Lei Orgânica Municipal.1999) Sustenta o eminente Representante do Ministério Público.º mínimo e máximo de Vereadores. agora no inciso IV. na Constituição do Estado e obedecendo aos demais preceitos que enumera. no máximo. Finalmente.

limite máximo para os subsídios da vereança. respeitado o limite máximo. à luz do modelo federativo desenhado pela Constituição Federal. a cada legislatura. em que se fortaleceu a autonomia municipal. elegendo outros representantes.” No tocante aos Edis do Município de Porto Real. declara em seu decisum o transcrito a seguir. em 26 de julho de 2000 foi concedida medida liminar legalizando os pagamentos. Mas isto não significa impor óbices ao legislador constituinte estadual para abaixo deste limite. Por estas razões. com absoluta precisão. na legislatura seguinte. verbis: “A questão é singela do ponto de vista jurídico. estabelecer graduações. suas realidades sociais e econômicas. julga-se procedente a argüição. 322 . O Juiz de Direito da Vara Única da Comarca de Porto Real. através do voto. não diria a Constituição Federal. que as conhecem bem. para se declarar inconstitucional a Emenda 11/99. é que a Constituição Estadual possa fixar limites para os subsídios dos Vereadores. ratificando os efeitos da liminar. que os subsídios dos Vereadores seriam fixados por lei da iniciativa da Câmara dos Vereadores. 347 da Constituição Estadual. se para tanto não foi expressamente autorizada pela Constituição Federal. Se o fizerem de maneira a se romper o princípio da razoabilidade e da moralidade. Não comungo de tal entendimento. que comprometam a respeitar aqueles valores éticos. quando da fixação dos seus subsídios. observado o limite de 75% dos subsídios dos Deputados Estaduais. considerando as realidades de cada Município. terão que ser aferidas pelos próprios Vereadores. que seria de 75% dos fixados para os Deputados Estaduais. Se assim fosse. em 13 de agosto de 2001. O que não me parece razoável. As peculiaridades de cada Município. que deu nova redação ao art. manifestar sua desaprovação. caberá aos eleitores. e de modo a não ultrapassar 5% da receita do Município.

o controle de constitucionalidade repressivo realizado pelo Poder Judiciário é misto. como tal fixado na Carta Magna. com a seguinte ressalva. não é possível de ser realizada. originariamente. Isso quer dizer que no espaço de sua autonomia não pode sofrer interferência de outro ente. confirmando a liminar. razão por que. cabendo-lhe processar e julgar. Na Lei Maior ficou fixado que os Estados e Municípios compõem a estrutura político e administrativa do Estado Brasileiro e que são autônomos. quanto difusa. se no exercício constitucional de seu interesse. o controle de constitucionalidade difuso ou via de exceção poderá ser exercido pelos tribunais. l. e por isso subordinado aos princípios e normas estabelecidos na Constituição Federal. aqui declarada constitucional. a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal. De acordo com a nossa Carta Magna. A subordinação do Município à Emenda 11 do Estado. porque se baseia em ato legislativo flagrantemente inconstitucional porque violador do princípio maior da autonomia. verbis: 323 .A Emenda Constitucional de Unidade Federativa jamais terá a condição de legitimidade de um poder constituinte originário. concedo a segurança para. Sempre será derivado. por controle difuso da constitucionalidade declaro a Emenda 11 inconstitucional por indevida ingerência nos assuntos de interesse local do Município ao qual exclusivamente compete definir padrão de subsídios da edilidade. DEFERIR o requerimento da inicial no sentido de que não se aplique aos autores as disposições então pretendidas pelo Ordenador de Despesas com base na emenda. a guarda da Constituição. refere-se à competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. ou seja. no Brasil. Em razão disso. conforme o artigo 102.” Convém elucidar que. respeitadas as disposições constitucionais federais e legais da legislatura municipal. O controle de constitucionalidade concentrado. conforme a regra insculpida no artigo 97 da Constituição Federal. é exercido tanto da forma concentrada. da Constituição Federal.

indispensável ao julgamento do mérito. desfaz-se. inclusive. sobre a inconstitucionalidade. verbis: “Declarada incidenter tantun a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo pelo Supremo Tribunal Federal. Em havendo contradição ou incoerência entre a legislação e a constituição. no seu livro com relação aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade – controle difuso. o Mestre Alexandre de Moraes. do cumprimento da lei ou ato. desde sua origem. destituídos de qualquer carga de eficácia jurídica. mas sim sobre questão prévia. preconiza. interpretar e aplicar a lei. no caso concreto. entre as partes do processo (ex tunc). Porém. evidencia um controle constitucional difuso ou aberto. o ato declarado inconstitucional. no caso concreto. Entretanto. Nesta via. Sobre este tema. também conhecido como controle por via de exceção ou defesa. portanto. quer seja.” A demanda para execução de controle de constitucionalidade. produzidos em desacordo com a Lei maior. a pronúncia do Judiciário. o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. é própria das características da atividade jurisdicional. ao analisar a argüição de inconstitucionalidade da Emenda 11/99. o Tribunal deve aplicar esta última por ser superior a qualquer Lei Ordinária do Poder Legislativo. não é feita enquanto manifestação sobre o objeto principal da lide. a análise sobre a compatibilidade do ordenamento jurídico com a Constituição Federal. o que é outorgado ao interessado é obter a declaração de inconstitucionalidade somente para o efeito de isentá-lo. Por ser um órgão de instância inferior ao Supremo Tribunal Federal. em seu livro Direito Constitucional. nos ensina que. alcançando a declaração de inconstitucionalidade da lei ou do ato normativo. Tal controle se caracteriza pela permissão a todo e qualquer juiz ou Tribunal realizar. este ato ou lei permanecem válidos no que se refere à sua força obrigatória com relação a terceiros” (grifo nosso) Ainda. realizado por todos os órgãos do Poder Judiciário. 13ª edição. os atos pretéritos com base nela praticados. tais 324 . uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e. verbis: “Na via de exceção. juntamente com todas as conseqüências dele derivadas.“Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público.

Campos dos Goytacazes. pelo Conselheiro-Relator. Em decisões ainda mais recentes.791-8/01. nos Processos TCE 210. em Sessão de 24. manifestou-se no sentido de afastar a aplicabilidade da Emenda 11/99.385-9/97 e 240.2004. VOTO Por diligência interna à Inspetoria competente. recebida no exercício de 1999.462-2/01. afastando por completo os efeitos da EC 11/99 para o período compreendido entre 06/99 e 05/00. 5 de outubro de 2004 JONAS LOPES DE CARVALHO JUNIOR Relator 325 . Insta ainda salientar que este Tribunal.” (grifo nosso) Destarte. Sala das Sessões. este último referente à Prestação de Contas da Câmara Municipal de Nova Friburgo – exercício de 1999. relatado e aprovado na Sessão de 16.650-5/00. desde a sua publicação.3. a decisão proferida pela Vara Única da Comarca de Porto Real cessa os efeitos da Emenda 11/99. Iguaba Grande e Casimiro de Abreu. 250.464-8/00 e 261. este Plenário decidiu pela diligência Interna ao Corpo Instrutivo para que proceda a novo exame da remuneração dos agentes políticos. observando os limites estabelecidos no ordenamento jurídico vigente à época. exceto quanto ao disposto na Emenda Constitucional 11/99.2004. para que reanalise a remuneração dos Edis em tela.754-9/00. respectivamente.efeitos ex tunc (retroativos) somente tem aplicação para as partes e no processo em que houve a citada declaração. tendo em vista os motivos anteriormente apresentados.6. Prestações de Contas das Câmaras Municipais de Seropédica. 260. em desacordo com o Corpo Instrutivo e o MP. Em face do exposto. em decisões prolatadas nos Processos TCE 202. Aluisio Gama de Souza. para aplicação nos cálculos dos subsídios dos Edis desta Municipalidade. em qualquer hipótese.

foi publicado novo ato. gerou divergências nas informações.870/02 que prevê a decadência da Administração de anular os atos administrativos. 05 anos ininterruptos.2003. Em 25. Conselheiro Jonas Lopes de Carvalho Junior proferiu. Diligência externa.896-4/97 dos atos de Aposentadoria e Fixação de Proventos em nome de Hellen Sarapu Rodrigues. comunicação ao atual Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico e retificação do ato de fixação de proventos. que o fato de a interessada ter solicitado a aposentadoria em 1995 e desistido em 1996.915. Acrescentou. no cargo de Bibliotecário. 220 do Decreto 2.RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO Aposentadoria e fixação de proventos. invocando a Lei Estadual 3. uma vez que a interessada não havia preenchido o prazo estatuído no art. Recurso de reconsideração.35 para R$ 1. perfazendo mais de cinco anos de maneira contínua. RELATÓRIO Trata o presente Processo 109. com validade a partir de 11.12. este Tribunal decidiu por diligência externa para que o órgão jurisdicionado excluísse a gratificação de encargos especiais dos proventos.090-2. Desta forma. Voto pelo conhecimento do recurso e pelo provimento quanto ao mérito. Em Sessão Plenária de 6. (fls. retificando o valor da gratificação que passou de R$ 1.2003.º 181. o jurisdicionado verificou que o cálculo do valor da gratificação não correspondia à média dos últimos 12 meses. matrícula n. qual seja.7. 326 . também.479/79.2003. nos termos do voto que o Exmo. A interessada interpôs recurso de reconsideração para reformar a decisão que reduziu o valor da gratificação. classe I. este Tribunal decidiu pelo registro dos atos em exame. o jurisdicionado provou que a interessada recebeu a gratificação no período de julho de 1991 a julho de 1997.413.1997. 74) Em Sessão Plenária de 11.8.50.2. Em resposta.

tendo em vista a sua flagrante intempestividade. O douto Ministério Público. o recurso é tempestivo. não por aplicação da legislação específica a esta Casa. 84/89. não ocorreu no presente caso. 2. Quanto à tempestividade. não integrando o ato sob controle. parágrafo único do Regimento Interno deste Tribunal. o Corpo Instrutivo sugeriu: 1. Apesar de inferir que o pedido é intempestivo. 4. 88. 74). fez a análise do recurso. mas sim pela impossibilidade do jurisdicionado refazer o ato após transcurso do qüinqüídio. representado pelo Procurador de Justiça. seja dada ciência à recorrente acerca dos termos deste decisum. 327 . abordar a questão da natureza do ato de registro por parte desta Corte e mais adiante.1. deu prosseguimento à instrução. 90.5.O Corpo Instrutivo. fundamentando-se no art. frise-se.2004. Quanto ao recurso ser intempestivo ou não. Assim. Portanto. Vencida a preliminar. não-provimento. pois. Sempre me manifestei em defesa da tese da total possibilidade do reconhecimento da decadência administrativa nesta Corte de Contas. uma vez que a nossa manifestação pelo registro nos processos de aposentadoria se resume a ato de controle externo. há de se esclarecer que o prazo para interpor o recurso de reconsideração para o interessado começa a correr a partir da intimação da decisão. Importante. às fls. 92. às fls. quanto ao mérito do recurso. se o caso presente sujeita-se à decadência administrativa. caso seja relevada a intempestividade declinada.2004 e a decisão de registro foi publicada no Diário Oficial deste Estado em 21. É o relatório. Conhecimento do recurso de reconsideração. Cezar Romero. pelo não conhecimento do recurso. Dr. às fls. o Corpo Instrutivo ressaltou que tal recurso foi protocolizado pela interessada em 5. opina. preliminarmente. 3. o que. opina pelo não provimento.12.2003 (registro da fixação de proventos apresentada à fl. manutenção da decisão plenária de 11.

considerando o ato de apreciação de aposentadoria pelo Tribunal de Contas com ato de controle externo – e não como manifestação complementar de vontade da Administração – o Min. encaminhando-me cópia dos pareceres da douta Procuradoria deste Tribunal sobre decadência administrativa. Nos parágrafos 68 a 73 do parecer a PGT bem demonstra as posições de doutrinadores e da jurisprudência sobre a questão do ato de aposentadoria não ser um ato complexo. chegou ao meu gabinete o Ofício Circular/PRS/ GAP 043/2003. de ato de controle externo”. asseverou que o registro da aposentação pelas Cortes de Contas ´não integra nem completa o ato de concessão. em alguns parágrafos depois. (grifo meu) Assim. me parece que o subscritor da peça se posicionou pela conclusão de que o ato de aposentadoria não é ato complexo. 328 . com a leitura deste parágrafo. Gostaria de destacar alguns pontos do parecer. e que o Tribunal de Contas apenas analisa a legalidade após sua concessão. assim se posicionou o parecerista: Parágrafo 91: “Em relação à natureza do registro. tratando do prazo para apreciação da legalidade dos atos de admissão de pessoal.657. com isenção. tal qual as aposentadorias. que entendo relevantes para a análise do caso. Senhor Presidente. dos atos de admissão de pessoal. A razão está com ele. Victor Nunes Leal. Quanto ao se considerar o ato de aposentadoria complexo ou não. de ordem do Exmo. que apenas analisa a legalidade do ato já acabado. Transcrevo parte do estudo (parágrafo 70): “Na mesma linha de entendimento. temos dois posicionamentos: os que vêem a atuação do TCE como a que finaliza a cadeia de vontades administrativas (ato complexo) e aqueles que vêem o ato do TCE como simples ato de controle externo. É ato de controle externo. no julgamento do MS 8. trata-se. pelas Cortes de Contas.Em 09 de outubro de 2003.” (grifos meus) Após demonstrar. os dois posicionamentos sobre a natureza da atuação do Tribunal de Contas. mas que converte a executoriedade precária (porque condicionada) da concessão em executoriedade definitiva´. sendo o registro um ato de controle externo. vale dizer.

Se isto é certo (e acredito que seja). sustentam que a norma. ou conteúdo próprio. conforme um ou outro caso. Lumen Juris. os efeitos da inatividade já começam a se verificar. de tal forma. 97. que ocorrerá a vacância do cargo. Rio de Janeiro. como pode o ato de aposentadoria ser considerado complexo. tão logo seja publicado o ato de aposentação do servidor. não se aplica às Cortes de Contas. José dos Santos Carvalho. discordo quanto à conceituação do ato de aposentadoria como ato complexo. que o seu decurso poderá acarretar na decadência ou na prescrição do direito. não praticam ato administrativo propriamente dito. em cada uma das manifestações.FILHO. no caso da aposentadoria. “são aqueles cuja vontade final da Administração exige a intervenção de agentes ou órgãos diversos. Tanto isto é verdade. pois estas. 6 a edição.” 1 Por esta conceituação. não é isto que ocorre no caso da aposentadoria. havendo certa autonomia. toda vez que nasce um direito de agir para que alguém influa na esfera jurídica de outro. Uma outra faceta deve ser enfrentada. fl. por tratar de processo administrativo. se o mesmo é um ato administrativo e os Tribunais de Contas não praticam atos administrativos propriamente ditos no desempenho de suas funções constitucionais? Assim. seja por conta de um direito potestativo ou de um direito patrimonial. sendo requisitos indispensáveis do ato 1 . Como o ordenamento jurídico reza. este já passa a “ostentar” o status de aposentado. o ato complexo somente existirá após a participação do último órgão na formação da vontade administrativa. Não pode existir interesse de agir não sujeito a prazo prescricional 2. o tempo exerce influência em tal relação e o faz. 2 . 329 . pois a partir da expedição do ato administrativo próprio. neste momento surge o interesse da Administração em revê-lo ou anulá-lo. Manual de Direito Administrativo. O ato complexo resulta do concurso de vontades de vários órgãos ou vários sujeitos da Administração Pública. Os adeptos da teoria que afasta a incidência dos preceitos da Lei 9.Atos complexos. pois o servidor estará efetivamente aposentado e percebendo os seus proventos. 2000.784/99 aos processos de aposentadoria em trâmite nos Tribunais de Contas. conceitua determinado autor. no exercício de suas funções constitucionais. A razão do início da contagem do prazo decadencial após a manifestação da última vontade é muito clara: antes desta o ato almejado ainda não existe! Contudo. que poderá ser novamente preenchido após o competente concurso. Se este ato possui algum vício em benefício do ex-servidor. De fato.Salvo as exceções expressamente criadas por lei.

senão quando simultaneamente se completam. concluindo que o mesmo não serve como exemplo do ato administrativo em debate: “Ato complexo é ato único. Wallace Paiva Martins Junior. A. escreve Lafayette Pondé. Sandra Julien Miranda explica que o ato administrativo complexo “é o que se aperfeiçoa pela fusão ou integração de vontades de órgãos diversos. O primeiro visa passar o servidor para a inatividade. e não somente a manifestação de pessoas diferentes. sobre o ato complexo.administrativo complexo a identidade de conteúdo e a unidade de fins das diversas vontades. O ato que concede a aposentadoria e o ato do registro pelos Tribunais de Contas não visam o mesmo fim. os atos compostos. teremos a complexidade interna ou externa. sendo inócuo sem as outras. Giuffrè Editore. Milano: Dott. Pergunto: o Tribunal de Contas exerce atividade administrativa no exercício de suas funções constitucionais? Não! Trago valioso estudo da lavra do Promotor de Justiça do Estado de São Paulo. que felizmente. Dr. destacando que o requisito de unidade de conteúdo e fim é essencial e indispensável para distingui-lo de outras formas de concurso de vontades. também aborda a questão do registro da aposentadoria pelo Tribunal de Contas. respectivamente”. como os atos coletivos. 292-295). 330 . indiviso: resultante de vontades distintas e homogêneas (nenhuma das quais idônea a constituir um ato administrativo à parte). as convenções. I. o ato praticado isoladamente por uma das vontades não possui finalidade autônoma. Neste. integrados. mas sim do doutrinador italiano Guido Zanobini (Corso di Diritto Amministrativo. é de ato administrativo. o contrato entre entes públicos. o controle estatal sobre as deliberações dos entes autárquicos. Se as manifestações são de órgãos de uma só entidade ou entidades diversas. a natureza do mesmo.” O conceito de ato complexo deve levar em conta a unidade de conteúdo e finalidade. o acordo. que se fundem para formação de um ato único. Mais: se o ato formado é único. seus atos específicos não produzem nenhum efeito isolado. enquanto o segundo visa o exame da legalidade do ato. vol. de que decorre manifestação de um só conteúdo e finalidade. Esclareço que a lição não é minha. Se as vontades manifestadas não se revestem de igual valor jurídico decorrerá a complexidade igual ou desigual. o chamado ato-união e etc. no caso da aposentadoria. págs. 1939.

sem a qual ele não se aperfeiçoa. etc. em que não há identidade de fins e conteúdo entre as duas manifestações de vontade. adverte que “muito embora uma das formas típicas de ato complexo seja aquele sujeito à autorização ou aprovação de outra autoridade.. complementa. a doutrina italiana costuma distinguir o ato complexo em que a aprovação integra a manifestação de vontade das formas de mero controle de legalidade. em que o ato. Por isso. depende para sua eficácia. Ora. reformas. subordinada à condição suspensiva (no caso. de ação de outra autoridade. em essência. enquanto que no ato complexo o objetivo de quem “aprova” é. convém observar que o ato complexo tem essa característica porque apresenta uma convergência de atribuições ou competências. no ato de controle o objetivo do controlador é a verificação da legalidade e do interesse público do ato já praticado. atendem a interesses distintos. realizar certo empreendimento. homologação ou aprovação). inspirada por vários motivos (como a participação na condução política da administração pública). No ponto.. embora concorrentes. apesar de perfeito. o mesmo: nomear alguém. se atribuiria ao ato complexo a característica própria do ato composto: isto é. há controle da legalidade e do interesse público.Continuando no estudo. Será isto ineficácia do ato? Parece que de ineficácia não há que se cogitar. tendo como parâmetro o registro (ou julgamento da legalidade) de aposentadorias. Sandra Julien Miranda invocando Caio Tácito. nele. constitui um ato perfeito de eficácia condicionada à aprovação (juízo de legitimidade e oportunidade) ou ao visto (juízo de legalidade). residualmente. embora esse traço não seja o essencial. No ponto.” 331 . pensões e etc. verdadeira condição suspensiva”. a eficácia do ato principal ficaria na dependência de um ato acessório. o ilustre jurista adentra na questão da eficácia do ato complexo: “A complexidade é fator de eficácia do ato? A manifestação concorde ou convergente de todos os sujeitos (órgãos. Caio Tácito limita o conceito de aprovação aos atos típicos de controle. entidades ou agentes públicos) é requisito atinente à perfeição e validade do ato administrativo complexo. razão pela qual a falta de convergência de vontades para edição de ato único retira-lhe um elemento essencial. que. pois. O pronunciamento inicial. A manifestação da vontade do último órgão a ser ouvido não condiciona a eficácia da vontade inicial. porque esta ainda que reputada como ato necessita do concurso das demais.

71. que o Tribunal de Contas no exercício de sua função se limita à legalidade ou não da concessão da aposentadoria. de modo a evitar a medida radical de recusa do registro e. festejada pelo Relator Ministro Celso de Mello com base no art. os Tribunais de Contas não têm competência ou atribuição para conceder aposentadoria e/ou pensão a servidores dos seus jurisdicionados. adicionado a sustação do ato impugnado se não cumprida esta (art.) Em outra oportunidade. Quanto a esta faculdade de recomendação precedente ao julgamento da legalidade ou não pelo Tribunal de Contas. da Constituição. III). No ato complexo.. não podendo inovar o título jurídico submetido a seu exame. A observância do órgão ou entidade concedente ao pronunciamento da ilegalidade da aposentadoria pelo Tribunal de Contas decorre da força de convencimento jurídico de suas decisões. sob o pálio da mesma Constituição. Continuando o estudo: “O Supremo Tribunal Federal dedicou especial atenção ao assunto na sua evolução. declarou que configura função constitucional de típico poder de controle a verificação da legalidade de aposentadoria com a determinação da efetivação ou não do registro (dependente da situação jurídica emergente do ato concessivo).. tida como meio instrumental e etapa decisória saneadora preparatória da decisão final sobre o registro. proceder a retificação e a negativa do 332 . 71. todas as pessoas envolvidas possuem a mesma atribuição e competência para nomeá-lo. no império da atual Constituição de 1988 (art. no entanto. 71. X). sendo-lhe vedado determinar seu registro em termos diversos dos em que foi requerida e deferida. 71. sem poder o Tribunal de Contas. (. Excepcionando o caso dos seus próprios servidores. o órgão ou entidade recusar-se a dar execução à recomendação. participando de cada etapa do ato. mas podendo recomendar – se constatada ilegalidade no mesmo – ao órgão ou entidade competente a adoção das medidas necessárias para fiel cumprimento da lei.Faço pequena observação para chamar atenção para a questão da convergência de atribuições ou competências no ato complexo. visando o mesmo fim. IX. IX. como a nomeação de Ministro do STF. se. Mais recentemente. caberá ao Tribunal de Contas o pronunciamento definitivo sobre a efetivação do registro. cujo entendimento inclinava pela aplicação do art. assentou que. Esta observação é muito importante. sofreu a crítica dos Ministros Moreira Alves e Francisco Rezek. em razão de sua competência constitucional de controle. somente na decretação da ilegalidade do registro.

mais recentemente. Neste sentido o Superior Tribunal de Justiça: “No ponto. Victor Nunes. Deste modo. demonstrou apoiado em Seabra Fagundes. do Tribunal de Contas. o Supremo Tribunal Federal destacou que “ainda hoje não é pacífica a questão em torno da natureza jurídica do registro. sustentada por Francisco Campos. razão pela qual o ato anulatório não tem efeito antes de confirmado pelo Tribunal de Contas. assentindo nos seus motivos. Sendo o ato. o entendimento de que o ato de aposentadoria não é ato complexo. Por isso. o ato anulatório emanado da autoridade administrativa. Não se pode olvidar que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula 06. o qual representa apenas. em erudita exposição. se constitui ato que integra o ato de concessão de aposentadoria. não cabendo ao Tribunal de Contas modificar o ato porque não lhe é dado substituir a competência do órgão ou entidade. acórdão do Superior Tribunal de Justiça julgando recurso em mandado de segurança impetrado por servidora pública estadual 333 . Assentado nessas premissas. desfazendo o registro anterior”. que a aprovação do ato converte-o em procedimento da autoridade que o outorga. a primeira etapa do processo de anulação”.1961.657. segundo o qual “o registro pressupõe acabado. do qual depende a eficácia ou executoriedade definitiva do primeiro”. referindo parecer mais acertada esta última posição. para formação de um ato único (ato complexo) ou se é ato autônomo de controle da legalidade. Sua base está no “RMS 8.9. de sua vez o registrasse o Tribunal de Contas. dado que ela não pode anular o registro do Tribunal de Contas. e resgatando a compreensão original da Súmula 06. em tal caso. a competência para torná-lo sem efeito se desloca desta para aquele. e não mais da autoridade administrativa. não pode ter qualquer efeito executório. sem função integrativa. Prevalece. que não colabora na formação do ato. integrado e perfeito o ato administrativo – já dotado de uma executoriedade provisória – correspondendo a uma função de controle. sendo apenas condição de sua executoriedade definitiva”. julgado em 6.cumprimento da decisão de ilegalidade sujeita a sustação do ato. Min. nessa hipótese. mas “esse ato de revisão é inoperante até que. pois. o Rel. o Supremo Tribunal Federal consente que a Administração Pública anule seu ato por motivo de ilegalidade. nem mesmo condicionalmente.

para fins de registro. posteriormente. a redação da norma sugere que a aposentadoria já tenha sido concedida antes de encaminhada ao Tribunal para registro. é da competência da autoridade que efetiva a nomeação. O Tribunal de Contas. refutou o argumento sob o pálio de que “a recorrente fora aposentada como professora.. bem como a das concessões de aposentadorias´. Com efeito. todavia exeqüível com a aprovação de outro”. na espécie. em parecer sobre o assunto: “Embora reconheça a lógica e a importância da tese (sic: do ato complexo) entendo que há alguns obstáculos à sua plena aceitação. Wallace Paiva Martins Junior: “A decisão está correta na medida em que a manifestação do Tribunal de Contas não integra nem aperfeiçoa como elemento essencial o ato. o que não pode acontecer. Ou seja. a legalidade dos atos de admissão de pessoal. o artigo 71 da Constituição Federal firma a competência do Tribunal de Contas no sentido de ´apreciar. O segundo forma-se pela atuação de um só órgão. até porque os efeitos típicos do ato já se verificam desde a manifestação inicial da Administração a qual estaria 334 .. A partir do momento em que se concede a aposentadoria ao servidor e fixados os seus proventos. deste momento é que se começa a contar o prazo decadencial para revê-los. Comenta a decisão do STJ o Dr. Fátima Maria Amaral Tavares Paes. Quanto à natureza do ato de aposentadoria. importante destacar o que foi consignado pela então Procuradora-Geral do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. não há como se considerar o ato de aposentadoria complexo. ressaltando que “a cassação da aposentadoria. O respectivo decreto é suficiente. assemelhada à demissão. Logo. O registro no Tribunal de Contas apenas condição de exeqüibilidade.cuja aposentadoria foi cassada por ato do Governador do Estado. Rememorese a clássica distinção entre ato administrativo complexo e ato administrativo composto. sustentando a ilegalidade pela ausência do Tribunal de Contas. Dra. até mesmo por conta da Teoria dos Poderes Neutrais. O primeiro se constitui pela manifestação de vontade de mais de um órgão. cuja natureza revela ser composto e não complexo”. manifesta aprovação”. chegaríamos à conclusão de que os TCs estariam praticando atos administrativos propriamente ditos no exercício de suas atribuições constitucionais.. Se assim for.

A aprovação do Tribunal de Contas não integra o ato mesmo. ou pela necessidade de sua reforma. o ato inicial afigura-se perfeito. Ao estabelecer que o registro não trata de validade do ato.” (grifos meus) E realmente é isto que ocorre. que a manifestação de vontade da Administração é suficiente para consumar o ato de aposentadoria do servidor público. e a decisão posterior. é um plus. nos autos do mandado de segurança 8. desde logo apto a produzir efeitos. assim se pronunciou: “Neste ponto. unilateralmente. sendo sempre posterior ao ato da Administração. é submetido à chancela do Tribunal. Tal controle pode concluir pela legalidade da concessão do benefício. para que possa ter execução definitiva. apenas. do ato que fica a depender do julgamento de controle do Tribunal de Contas”. importar na sua desconstituição. para exame das conseqüências. a aprova. porém. o ato é da competência da autoridade administrativa que o pratica. de natureza declaratória quanto à sua legitimidade em face da lei. mas a executoriedade. que visa a transformar o servidor ativo em inativo. não contribuindo. Não é a validade. O então Ministro do Supremo Tribunal Federal. depois de consumado. No primeiro caso. demonstrou que a administração pode revê-lo. para a formação deste. em caráter definitivo. a rigor. havemos de distinguir. sofrer um controle posterior que poderá. porém. isto 335 . ainda. (grifos meus). devendo. É de se considerar. esta última materializa uma ação administrativa. Victor Nunes Leal. por isso. que aprova o ato anulatório da aposentadoria.o servidor vinculado. fica sujeito a ato complementar de controle. de natureza homologatória.657/61 (comentado pela PGT como fundamento para a natureza de ato de controle externo do registro da aposentadoria). pela sua invalidade. que julga legal a aposentação e. pois. Logo. mas de executoriedade. que. de um controle de legalidade posterior. aquela verifica a regularidade dessa ação administrativa. de organização de pessoal. do mesmo Tribunal. entre a decisão do Tribunal de Contas. inclusive. que a manifestação do Tribunal de Contas tem objetivos nitidamente distintos daquela exarada pelo órgão administrativo. em relação a ele. pendendo. Creio.

Passou a se distinguir. por não possuírem identidade de conteúdo e unidade de fim. ou seja. uma vez eleitos. os representantes poderiam não buscar os verdadeiros interesses para o qual foram eleitos. A prática demonstrou a fragilidade da idéia. o interesse público em primário e secundário. Entender a posição do Tribunal de Contas no cenário da organização e estruturação do Estado é de suma importância.é. aliando que o Tribunal de Contas não pratica ato administrativo propriamente dito no exercício de suas funções constitucionais. decorrente de eleição. de interesses políticos. porém. não é complexo o ato de aposentadoria. pois este não participa da sua formação. Da Teoria dos Poderes Neutrais Outro argumento pode ser trazido para afastar a tese que imprime ao ato de aposentadoria o condão de complexo. Desta forma. sem a participação do Tribunal de Contas. acreditava-se que apenas os órgãos da soberania popular. logo. enquanto não registrado. ou órgãos legítimos. em tese. Trata-se da Teoria dos Poderes Neutrais. ao passo que por interesse público secundário. ou seja. foi verificada a necessidade da criação de órgãos estatais com 336 . para atuar política e administrativamente eram aqueles cuja composição advinha da participação do eleitorado. que consideramos o verdadeiro interesse público. Para a verificação e fiscalização do atendimento do interesse público primário. Boas são as palavras do professor Alexandre Santos de Aragão: “No advento da Revolução Francesa. buscando efetivar apenas interesses privados ou do próprio Estado como pessoa jurídica. como um interesse subjetivo. foram criados órgãos cuja composição é desprovida. poderiam levar a vida em sociedade a bom termo. então. Por interesse público primário entende-se aquele em que a satisfação interessa a toda a sociedade. pois vários segmentos sociais podiam não estar representados. podendo até contrariar interesses sociais ou coletivos. ou então. não há como se considerar o ato de aposentadoria como complexo. entendese aquele em que a satisfação interessa apenas ao Estado. Logo. Durante muito tempo entendia-se que os únicos poderes legítimos. tendo posições neutras (daí o nome Poderes Neutrais). os mandatários eleitos.

não participando da atividade dos órgãos sujeitos à sua fiscalização. então. acrescentado o seu caráter neutral de órgão fiscalizador. 337 . podendo-se dizer haver ´uma relação de fundamentação. exige. desde as cortes constitucionais às agências reguladoras independentes. ou uma relação hierárquica imprópria. o Tribunal de Contas surge como órgão neutro. os poderes neutrais do Estado. que os separa de tudo o que não for a eles concernente. estão ínsitos traços de sujeição a estes bens e valores. controlar e equilibrar as relações entre os titulares dos cargos eletivos para assegurar a observância dos valores maiores da coletividade. juntamente com os valores tutelados. pois estão comprometidos apenas com os bens e valores que tutelam. Inferir ao ato de aposentadoria o condão de ato complexo é retirar da Corte de Contas a neutralidade que lhe é essencial para o exercício de suas funções. que o mesmo não participe de qualquer ato dos seus jurisdicionados. entre os valores tutelados e os órgãos neutrais. tratado com bastante propriedade pela PGT. O trecho acima negritado demonstra que os órgãos neutrais não se imiscuem na atividade administrativa dos órgãos jurisdicionados. citando Silvia Niccolai em sua obra I Poteri Garanti della Costituzioni e le Autorità Indipendenti: “A independência assegurada aos órgãos neutrais do Estado é uma relação qualificada com os bens e valores que tutelam ou expressam. portanto. Surgiram. o que lhes dá autoridade porque demonstra que os órgãos independentes pertencem ao ordenamento no qual. A independência que este órgão deve ter. estão inseridos valores que também são comuns aos destinatários das atividades dos órgãos independentes’. que abrangem realidades díspares. Prazo para Manifestação Abordarei outro ponto polêmico.autonomia de gestão e independência funcional para. relação que produz a liberdade dos órgãos para atuar na proteção destes valores. não há como imputar-lhe participação no mesmo. Na independência. fora do círculo político-eleitoral.” (grifo meu) Assim. que se agregam à autoridade neutral. conselhos com sede constitucional etc. necessariamente. Se o ato de aposentadoria é um ato administrativo e o Tribunal de Contas no exercício de suas atribuições não desempenha atividades administrativas propriamente ditas. passando pelos tribunais de contas.” (grifos nossos) E continua seu escólio.

por isso se sujeita à decadência. qual seja.” 338 . pelo TCE-RJ. portanto prazo decadencial para o Poder Público anulá-lo. é um ato de controle externo. e não haverá. decaindo o poder-dever de anulá-lo em cinco anos. § 2o da Lei Federal 9. transcreverei algumas conclusões do estudado parecer: “Conclusão nº 02: o poder-dever de a administração pública anular os seus próprios atos (exercício da autotutela administrativa) assemelha-se ao exercício de um direito potestativo. esse prazo decadencial no âmbito do Estado é de cinco anos. e também. se houver comprovada máfé. qual seja a de fiscal da Administração Pública. 54. pelo Tribunal de Contas. no que se refere aos atos de que sejam beneficiários servidores públicos estaduais (Lei Estadual 3.e refutado de forma veemente por alguns de meus pares.870/2002).” “Conclusão nº 07: a Lei Estadual 3. Seria inócua a determinação feita pela Corte de Contas após expirado esse prazo. 368 da Constituição do Rio de Janeiro). o ato será anulável. em várias outras proferidas pelo próprio STF. à apreciação dos atos de aposentadoria.870/ 2002. Como consignamos várias vezes.” “Conclusão nº 12: é discutível a aplicação da Lei Estadual 3.870/2002 diferencia os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis aos servidores públicos: se praticados de boa-fé. dada a posição específica de que desfrutam as Cortes de Contas. Parágrafo 116 do parecer já comentado: “No tocante ao prazo de que dispõe o Tribunal de Contas para determinar medidas administrativas a órgãos ou entidades. prevaleceu o entendimento de que o registro da aposentadoria. entendemos que é o mesmo prazo decadencial estabelecido em lei para que a autoridade administrativa competente (estadual ou municipal) exerça o poder de autotutela.784/99 c/c art. o ato será nulo.” (grifos meus) Resumindo. do prazo para pronunciamento desta Casa. quanto aos demais atos de que decorram efeitos favoráveis para os seus destinatários em geral (art.” “Conclusão nº 14: sem embargo dessas decisões. de natureza homologatória. no decorrer desse estudo. sobre os atos de aposentadoria e pensão.

910/32. o que estou de acordo. não se aplicam à legislação sobre decadência administrativa (Lei Federal 9. Dr. também as três últimas Constituições Federais (desde 1946). de 29.” Nos autos do Processo TCE/RJ 232. nos autos do Processo TCE/RJ 107. sedimentada. diversas das situações de acesso a cargo público. Continuando no estudo. concluiu o douto Ministério Público.784. como ocorre nas chamadas situações funcionais ampliativas.6. que têm força jurídica limitada.592-0/99. vem apontando na mesma direção. O prazo para a Corte de Contas determinar providências é o mesmo prazo estabelecido para o exercício de autotutela.870/ 2002. com parecer da lavra do Procurador de Justiça. trago à colação conclusão de parecer do douto Ministério Público.1999 e Lei Estadual 3. e. e também a doutrina. legais.1. in verbis: “35. à hipótese de desconformidade da situação funcional do servidor com preceitos constitucionais não é aplicável a decadência administrativa.717/65. portanto. da lavra do Procurador retro mencionado.” Deixou claro o seu entendimento de que. pelo Tribunal de Contas. Horácio Machado Medeiros. mas sim. normas dotadas de uma superlegalidade.“Conclusão nº 23: a determinação de prazo. que incluem consagrados especialistas brasileiros em Direito Administrativo) que há mais de 70 (setenta) anos. onde se discute a tese da decadência em questão de ingresso no serviço público sem concurso público. de validade superior na hierarquia do nosso sistema jurídico.2002). Às situações funcionais estaduais e municipais em conflito direto com os citados mandamentos constitucionais expressos (federal e estadual).870. incidir na consolidação de efeitos ilícitos administrativos. e também a 339 . como a investidura inicial e o provimento derivado. a solução jurídica qüinqüenal de proteção à situação funcional de boa-fé. por nós sublinhadas. de 24. para efeitos da Lei Estadual 3.929-1/99. e só podem. Interesse público é a realizaçãonque a lei tem em vista e. para que determinado órgão ou entidade adote providências quanto às irregularidades apontadas deve ser considerada medida impugnadora da validade do ato. o Decreto 20. a Lei Federal 4. que: “15. procuramos demonstrar (com dezenas de citações. que tratou da aplicação da decadência administrativa em questões não constitucionais. infraconstitucional.

não é um simples adorno. como indicando esforço do legislador em facilitar o aplicador da lei estadual em matéria tão delicada. sempre na perspectiva. A Lei Estadual 3.” Desnecessário tecer qualquer comentário sobre a conclusão do parecer acima transcrito. mais uma vez adotada pela recente legislação federal e estadual sobre decadência administrativa. não apresentando dificuldade de interpretação. inclusive federais. o encerramento das contas públicas iliquidáveis. imexível após o decurso do prazo decadencial de 5 (anos). após certo prazo. O Ministério Público. A regra continua a mesma. que. 37. principalmente ampliativa de direito (salvo comprovada má-fé) é hoje. é que não nos é possível ignorar a força jurídica nova da Lei Estadual 3.Impossível exigir mais clareza. art.8. Pelo registro da aposentadoria. que incide sobre o funcionalismo estadual e municipal. 2º da Lei Estadual 3.870/02. fiscal da lei. veio para produzir efeitos. palavra de conteúdo e rigor jurídico.jurisprudência. de 1. 340 . aplica-se aos Municípios do Estado do Rio de Janeiro que não disponham de lei própria. 54 da Lei 9. insistindo no simples decurso do prazo. face à literalidade do seu texto. mais incisiva ainda que seu modelo federal.870/02. 36.870/02 sobre decadência. peremptório mesmo. A Lei Estadual determinou. dentro da sistemática constitucional. específica. é evidente. mais ainda do que sempre foi. o ato de aposentadoria é ato de controle externo e o TCE possui o mesmo prazo que a administração pública (5 anos) para determinar medidas saneadoras. 38. 25). O prazo? Cinco anos (Lei Orgânica do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. e muito exatamente por isso. Assim. Nâo há como atribuir interpretação diversa ao art. 39.1990. pois a sua clareza é meridional. o art. usando o termo decadência. A situação funcional de servidores públicos.784/99. não pode menosprezar o princípio da legalidade. Lei Complementar 63.

não poderá. ser objeto de correção. 2 . visando a quebra de tensão entre princípios constitucionais. Sempre que um princípio estiver em conflito com um valor.” Existem. norteadores da atividade do Estado. pois a decadência somente estará afastada em relação às questões impugnadas dentro do qüinqüênio.Quanto à determinação para que a administração adote as providências para que seja corrigido o ato. os seus fundamentos de validade e incidência. interpretando o sistema constitucional. buscam. na temática constitucional. este último deve prevalecer. É a famosa ponderação de princípios. Observe-se que matéria de ordem legal (excluída a de ordem constitucional) não impugnada oportunamente. Contudo. esclareço que a PGT não se posiciona no sentido da aplicação da Lei 3. e mesmo que tal não existisse. com base no princípio interpretativo da convergência prática ou cedência recíproca. 341 . suprema injustiça. valores e princípios a serem perseguidos pelo nosso Estado Democrático de Direito. Por questão de fidelidade.Da Segurança Jurídica. Presentes no preâmbulo da Carta Maior. Os princípios constitucionais. destaco três valores: 1 . o prazo decadencial de 5 (cinco) anos é retirado da interpretação sistemática do ordenamento jurídico. Já diziam os antigos: Summa jus. após cinco anos. também entendo que o mesmo seja considerado medida impugnadora. Na verdade. Estes valores permeiam o nosso ordenamento jurídico e a atividade estatal.Da Garantia a um Ordenamento Jurídico Justo. capaz de afastar a decadência administrativa. 3 . summa injuria – “Supremo direito. do tudo aqui exposto. estamos perseguindo somente o Princípio Constitucional da Segurança das Relações Jurídicas. mesmo que tenha havido diligência externa no processo.Da Proteção à Dignidade da Pessoa Humana. nos valores acima.870/02 aos municípios do Estado do Rio de Janeiro. concordo com as razões do parecer do douto Ministério Público quanto à aplicação desta mesma lei aos municípios.

. culpa etc.. mas também no interesse em proteger a boa fé e a confiança (Treue und Glauben) dos administrados. Verwaltungsrecht. Gilmar Mendes. em homenagem à boa fé e à segurança jurídica. para concluir que o princípio da possibilidade de anulamento foi substituído pelo da impossibilidade de anulamento. vol. na órbita da Administração Pública. Tübingen 1966. 3. Lição importante traz o Exmo. um ordenamento jurídico que não possui segurança. o principio da res judicata. I.. Auflage.. 1967.). fora dos casos de dolo. p. p. Estabelecer que não há prazo decadencial para a atuação do TCE é desrespeitar dois valores fundamentais: o da segurança jurídica e o direito a um ordenamento jurídico justo.) vale a pena trazer à colação clássico estudo de Almiro do Couto e Silva sobre a aplicação do aludido: “É interessante seguir os passos dessa evolução. Verfahrensrecht in der Rechtssprechung des Bundesverwaltungsgerichts. O ponto inicial da trajetória está na opinião amplamente divulgada na literatura jurídica de expressão alemã do início do século de que. Ministro do STF.900 – RS.. Informa ainda que a prevalência do princípio da legalidade sobre o da proteção da confiança só se dá quando a vantagem é obtida pelo destinatário por meios ilícitos por ele utilizados. em voto proferido em ação cautelar. O Princípio da Legalidade Administrativa deve ceder espaço para o valor Segurança Jurídica. (. 339 e segs.É o que ocorre no caso presente. Nesses casos não se pode falar em proteção à confiança do favorecido. (Verfassungsrecht. citando expoentes do nosso direito.. II. embora inexistente. a faculdade que tem o Poder Público de anular seus próprios atos tem limite não apenas nos direitos subjetivos regularmente gerados. até porque. não pode ser considerado justo. nos anos 50 na doutrina e na jurisprudência. assim como do direito comparado: “(. ou resulta de procedimento que gera sua responsabilidade. o anulamento com eficácia ex tunc é 342 . Embora do confronto entre os princípios da legalidade da Administração Pública e o da segurança jurídica resulte que.) Esclarece OTTO BACHOF que nenhum outro tema despertou maior interesse do que este. 257 e segs. com culpa sua. vol. nº 2.

rememorando o clássico “affaire Dame Cachet”: “Bem mais simples apresenta-se a solução dos conflitos entre os princípios da legalidade da Administração Pública e o da segurança jurídica no Direito francês. Desde o famoso affaire Dame Cachet. sem lhe impor nenhum prazo’. como os de índole social. 1929. de outra parte. p. seja com relação aos recursos contenciosos.’ (La Jurisprudence Administrative de 1892 a 1929. uma atmosfera de estabilidade estender-se-á sobre as situações criadas administrativamente. de 1923. que se exauram de uma só vez ou que apresentem caráter duradouro. de 1935. indagando: ‘Mas será que o poder de desfazimento ou de anulação da Administração poderá exercer-se indefinidamente e em qualquer época? Será que jamais as situações criadas por decisões desse gênero não se tornarão estáveis? Quantos perigos para a segurança das relações sociais encerram essas possibilidades indefinidas de revogação e. HAURIOU. a revogação dos atos administrativos não cabia quando existissem direitos subjetivos deles provenientes e. que era o mesmo prazo concedido aos particulares para postular. ambos também de 1923 e pelo affaire Dame Inglis. as aplaude entusiasticamente.)”. logo reafirmado pelos affaires Vallois e Gros de Beler. E conclui: ‘Assim. Paris. de outra. comentando essas decisões. subvenções. de uma parte.sempre inaceitável e o com eficácia ex nunc é admitido quando predominante o interesse público no restabelecimento da ordem jurídica ferida. 105-106. em recurso contencioso de anulação. II. seja com relação às anulações administrativas. vol. todas as nulidades jurídicas das decisões administrativas se acharão rapidamente cobertas. para os recursos contenciosos de anulação. a invalidade dos atos administrativos. que incoerência. é absolutamente defeso o anulamento quando se trate de atos administrativos que concedam prestações em dinheiro. 343 . de que. numa construção jurídica que abre aos terceiros interessados. um breve prazo de dois meses e que deixaria à Administração a possibilidade de decretar a anulação de ofício da mesma decisão.” Depois de incursionar pelo direito alemão. fixou o Conselho de Estado o entendimento. pensões ou proventos de aposentadoria. de que os atos maculados de nulidade só poderiam ter seu anulamento decretado pela Administração Pública no prazo de dois meses. refere-se o mestre gaúcho ao direito francês.

Almiro do Couto e. cit.. faça-se justiça. não obstante a nulidade que originariamente as comprometia’. de sorte que o mundo progrida. no seu mencionado ‘Revogação e Anulamento do Ato Administrativo’ em capítulo que tem por título ‘Nulidade e Temporalidade’.Na mesma linha. (SILVA. Depois de salientar que ‘o tempo transcorrido pode gerar situações de fato equiparáveis a situações jurídicas. Clarissa Sampaio Silva. 1988). 344 . desvia os pretórios dos fins elevados para que foram instituídos. como subprincípio do Estado de Direito. e jamais pereça”. porém do modo mais humano possível. p. 2º). assume valor ímpar no sistema jurídico. que o tema tem. Revista da Procuradoria-Geral do Estado. 11-29. 18.” (grifos meus) O brocardo latino Fiat Justitia. cabendo-lhe papel diferenciado na realização da própria idéia de justiça material. na Lei 9. observa Couto e Silva em relação ao direito brasileiro: “MIGUEL REALE é o único dos nossos autores que analisa com profundidade o tema. parcialmente. entre nós. hodiernamente. (op. nº 46. 82). no plano federal. “o excesso de juridicidade é contraproducente.g. (b) a perda pela Administração do benefício da declaração unilateral de nulidade (le bénéfice du préalable)’. Em verdade. Professora Substituta de Direito Administrativo da Universidade Federal do Ceará e Procuradora do Município de Fortaleza leciona no seguinte sentido: “Dúvidas não restam de que várias conseqüências jurídicas advêm de atos passíveis de anulação. de 29 de janeiro de 1999 (v. Os princípios da legalidade da administração pública e da segurança jurídica no estado de direito contemporâneo. art. V. p. a segurança jurídica.” Considera-se. Usando as palavras do Exmo. Carlos Maximiliano. Publicação do Instituto de Informática Jurídica do Estado do Rio Grande do Sul. afasta-se do objetivo superior das leis.784. diz ele que ‘é mister distinguir duas hipóteses: (a) a de convalidação ou sanatória do ato nulo e anulável. ainda que o mundo pereça) não é uma máxima entre nós. Pereat Mundus (faça justiça. assento constitucional (princípio do Estado de Direito) e está disciplinado.

pontifica a autora que situações ampliativas de direitos devem ser preservadas. Nestas hipóteses. Pelo principio da razoabilidade. A estabilização de determinadas relações. ou por se referirem ao direito como um todo. aliado a outros fatores. ou por serem protetores do comum dos cidadãos. como o decurso de um certo período de tempo e a boa-fé do administrado constitui uma barreira ao poder de invalidação dos atos administrativos. em várias situações. ainda que oriundas de atos viciados impõe-se também por atender aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade que são subjacentes ao regime jurídico-administrativo. a boa-fé. “encartados no ordenamento jurídico estão outros princípios que devem ser respeitados.Em determinados casos os atos inválidos de fato criam situações concessivas de benefícios ou ampliativas de direitos. (MELLO: 1994:54) 345 . a doutrina tem conhecido que o aparecimento de tais situações. (id. princípio que visa também protegê-los quando de suas relações com o Estado” (ZANCANER: 1993: 60) Sendo assim. exatamente porque o desfazimento de certas situações causaria problemas práticos incontornáveis. em sintonia com o senso normal das pessoas equilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram a outorga da competência exercida. boa-fé por parte do beneficiário”. o princípio da segurança jurídica. Isso porque. como por exemplo. como por exemplo. 1993: 62) Trata-se do reconhecimento na seara administrativa da teoria do fato consumado que. ainda quando advenham de atos passíveis de anulação quando cumulativamente houver “decorrido um certo lapso de tempo desde a instauração da relação viciada. notadamente no que tange a terceiros de boa-fé. vem sendo acolhida pelo Poder Judiciário. existência de uma regra ou princípio de direito que lhe teria servido de amparo se houvesse sido validamente constituída. a Administração “deve obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional. embora o princípio da legalidade seja fundamental num Estado de Direito.

(CANOTILHO: 1993: 387) Em resumo. em desacordo com o Corpo Instrutivo e com o douto Ministério Público. Por sua vez. em virtude do qual a Administração fará um só pensamento entre o princípio da legalidade e o da estabilização das relações jurídicas. deve exercer papel preponderante quando em confronto com a necessidade de se restaurar a legalidade violada e a preservação de situações consolidadas. de modo que não venha a atingir outros valores albergados pelo ordenamento jurídico. necessidade. quais sejam: exigência da conformidade ou adequação dos meios. medida para limitações administrativas da liberdade individual (CANOTILHO: 1993: 386).” Assim.O princípio da proporcionalidade. finalmente a exigência de que o resultado obtido com a intervenção. desdobra-se em uma série de exigências ou subprincípios. conhecida também como principio da proporcionalidade em sentido estrito. entendo que já tenha ocorrido a decadência do poder de rever o ato.2. 346 . Há ainda de ser o meio menos gravoso para o administrado. originariamente ligado ao problema da limitação do Poder Executivo. Por ser questão infraconstitucional de ordem patrimonial. como a segurança das situações consolidadas. VOTO 1 .Pelo conhecimento do presente recurso de reconsideração e pelo provimento quanto ao mérito.2003 para excluir a gratificação de encargos especiais ocorreu após cinco anos da data de validade da aposentadoria. o princípio da proporcionalidade. a decisão de diligência externa determinada em 6. Pelo exposto. ou seja. através do qual uma providência adotada deve ser apropriada para o atingimento do fim estabelecido. através do qual meios a fins são colocados em equação mediante um juízo de ponderação. seja proporcional à “carga coativa” da mesma. impossibilidade de ser adotado outro meio menos oneroso para o cidadão e. a providência de invalidação de um determinado ato ou relação jurídica deve ser não apenas capaz de restaurar a legalidade violada como “proporcional à sua carga coativa”.

seja comprova a publicação da retificação do ato. Sala das Sessões. alterando o valor da parcela Gratificação de Encargos Especiais de R$ 1. conforme fundamentação de meu voto. 26 do Regimento Interno .50 para R$ 1. para que atenda ao item abaixo. a) Retifique o ato de fixação de proventos de fls. pelo “sistema de mão própria”.915.35.413.Comunicação ao atual Secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico. c/c o art. 6º. § 1º da Deliberação TCE-RJ 204/96.2 . 74. com fulcro no art. 9 de dezembro de 2004 ALUISIO GAMA DE SOUZA Relator 347 . Conseqüentemente.

de acordo com o voto do ConselheiroRelator. que tem como objeto “serviços de engenharia de planejamento. constatando que o jurisdicionado não atendeu plenamente as exigências da decisão plenária de 17. nesta data a R$ 5. Edson Ezequiel de Mattos. inciso I da Lei Complementar Estadual 63/90. 108-112. Da análise procedida nos documentos trazidos ao processo. equivalentes. Em Sessão de 17 de agosto de 1999. com o propósito de obter a reconsideração da decisão que lhe impôs multa pessoal correspondente a 5.8.641. 18-59. deu entrada nesta Corte de Contas no dia 22 de agosto de 2001. o processo foi baixado em diligência externa. 62-63. inciso III do Regulamento Interno aprovado pala Deliberação TCE/RJ 167 de 10 de dezembro de 1992. às fls.000 (cinco mil) UFIR-RJ. 69. o Corpo Instrutivo. José Gomes Graciosa. com fulcro nas disposições do art. celebrado pela Prefeitura Municipal de São Gonçalo e a empresa Hunnos Assessoria e Planejamento LTDA.490-5/97 de recurso de reconsideração interposto pelo Sr. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas" são serviços de engenharia sanitária. A peça recursal. Serviços de "planejamento. 348 . acostados às fls.1999. sugeriu notificá-lo nos termos de suas conclusões às fls. ex-Prefeito do Município de São Gonçalo. combinado com o art.8. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas no Município”. para que o jurisdicionado remetesse a esta Corte de Contas os documentos relacionados no relatório do voto. de nº 015/97. em decorrência da licitação na modalidade de tomada de preços. 27-28. RELATÓRIO Trata o presente Processo 207.50 (cinco mil seiscentos e quarenta e um reais e cinqüenta centavos). às fls. Excelentíssimo Dr. O documento vestibular deste processo é o contrato datado de 20.1997.Mop/Rev61 RECURSO DE RECONSIDERAÇÃO Contrato oriundo de licitação por tomada de preços. em decorrência da diligência. 87.

nesta data a R$ 5.Pela aplicação de multa mediante acórdão. descrição inadequada do objeto e modalidade de licitação em desacordo com os limites estabelecidos no inciso II do art. acostado no processo às fls. ficando desde já autorizada a cobrança judicial. 71. expressando esse entendimento às fls. comprovando a publicação do Edital de Tomada de Preços 015/97. 23 da Lei 8. Sergio F. às fls. 92-93. § 2º. na Tomada de Preços 015/97. no caso de não-recolhimento no prazo fixado.encaminhe o orçamento estimado em planilha de quantitativos e preços unitários.encaminhe a este Tribunal. O Conselheiro-Relator. não teria atendido.Pela comunicação pessoal ao atual Prefeito do Município de São Gonçalo nos termos do § 1º do art. prolatou o seguinte voto. cópias em que apareçam o nome do veículo e a data da edição. no prazo regimental de 30 (trinta) dias. 349 . adote as seguintes providências: 1 . manifestou-se “Pela adoção das medidas propostas pela 7a IRE.000 (cinco mil) UFIR-RJ. 40. Excelentíssimo Doutor José Gomes Graciosa. 81-83.641. no Diário Oficial e em jornal diário de grande circulação. integralmente. 63 da Lei Complementar 63/90. no valor de 5.666/93. nos termos do art. às fls. a ser recolhida com recursos próprios.666/93. equivalentes. Quintella. Retornando o processo e compulsadas as peças aduzidas aos autos. 6º da Deliberação TCE 204/96 para no prazo de 15 (quinze) dias. II . 21 da Lei 8. Prefeito do Município de São Gonçalo à época. com os serviços pormenorizados. desta feita. ainda. ao Sr. verbis: I .Mop/Rev61 As sugestões do Corpo Instrutivo foram acolhidas pelo ConselheiroRelator. o Excelentíssimo Dr. Edson Ezequiel de Matos.50 (cinco mil seiscentos e quarenta e um reais e cinqüenta centavos). conforme constata-se no voto de fls. 82/83”. às fls. 75-80. 2 . comprovando o seu recolhimento no prazo regimental de 10 (dez) dias subseqüentes. o Corpo Instrutivo concluiu que o jurisdicionado. parcialmente de acordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público. de acordo com o art. inciso II da Lei de Licitações. como estipula o art. em face de ter adotado. 87. O Ministério Público. as exigências desta Corte de Contas.

08. apresentou. sujeitará o responsável às sanções previstas no inciso IV do art. s e m causa justificada. às fls. o jurisdicionado interpôs o recurso de fls. 09 e 77. 09 e 77. faça constar do ofício a advertência de que o não-atendimento no prazo estabelecido. que o mesmo seja acompanhado da cópia do inteiro teor deste voto. R$ 44. referente ao mesmo período. 96. às fls.37. apenas referente ao mês de janeiro de 1999. tendo em vista que os valores referentes a varrição (item 1) e fornecimento de equipamento Vac-all/Sewer-Jet (item 3). chegaríamos ao valor final de R$ 51. Em atenção às exigências dos subitens 1 e 2. 21. Quanto aos valores referentes a serviços gerais. Inconformado com a decisão desta Corte de Contas. que formaram o Doc. também constantes na planilha às fls.82. de R$ 66. encontra-se superior ao pesquisado na EMOP.609-9/01. se considerarmos um acréscimo de 15% referente ao BDI. compulsando os aspectos de economicidade das peças trazidas ao processo pelo Documento 21. 100-106. 350 .Mop/Rev61 III . do item II.5km – R$ 27. 26 do Regimento Interno deste Tribunal. 99-106. Não consta em nosso Banco de Dados nem na intranet informações referentes aos valores da data da abertura da proposta (julho de 1997) quanto a estes serviços. O valor contratado referente ao serviço com equipamento Vac-all Sewer-jet.Por determinação à SSE para que ao efetivar a comunicação acima determinada siga a ordem estabelecida no art. verificamos que os valores contratados apresentaram-se compatíveis com os de mercado. inferior ao valor contratado de R$ 44. A Coordenadoria de Estudos e Análises Técnicas (CEA). 23. logo. 116. verbis: “Passaremos primeiro à análise do item 1. às fls. e. que lhe aplicou multa pessoal nos termos do Acórdão 175/200. Isto posto. com o preço da varrição por quilômetro de R$ 18. o jurisdicionado protocolizou as peças de fls. fls. as seguintes conclusões. 63 da Lei Complementar 63/90 e ainda. 108-112. do voto acima transcrito.70).044-9/01. após o exame dos autos.46 (cada 1. varrição. portanto muito aquém do contratado.044-9/01. que formou o Doc.54.

117/125. 3º. O Douto Ministério Público. 2 . 17 e parágrafo único do art. inciso XVIII. da Lei Complementar 63/90 c/c o § 2º do art. com base na competência conferida a esta Corte através da Lei Complementar 63/90 em seu art. pelo não-provimento mantendo-se a decisão proferida em Sessão 26. com o visto da 3º Subprocuradora-Geral de Justiça. Quintella. Após o exame dos autos. ex-Prefeito do Município de São Gonçalo face ao atendimento dos pressupostos regimentais de admissibilidade.6. Sr. conforme estudo realizado pela Coordenadoria de Estudos e Análises Técnicas desta Corte sintetizado nesta informação. Horácio Machado Medeiros. 63. inciso XVIII. Sr. no prazo a ser estipulado pelo Plenário apresente suas razões de defesa para a contratação de serviços de limpeza de vias públicas. Vera de Souza Leite. 09 e 77. da Lei Complementar 63/90. 3 . verbis: “Face a todo o exposto e examinado. representado pelo Procurador de Justiça.Pela citação com base na competência a esta Corte através da Lei Complementar 63/90 em seu art. encaminhamos o presente para as providências cabíveis.Mop/Rev61 constante na planilha de fls. sugerimos: 1 . Pela notificação pessoal. 126. aos praticados pelo mercado.46%.2001. Conselheiro Sergio F. com fulcro no inciso II.No mérito. Edson Ezequiel de Mattos. do art.Pelo conhecimento do presente recurso. Edson Ezequiel de Mattos. às fls. para que. o Corpo Instrutivo deste Tribunal de Contas sugere às fls. Dra. 35 da Lei Complementar 63/90. verbis: 351 . a importância atualizada referente a 5. 3º. através do contrato de nº 20/08/1997. ao ex-Prefeito do Município de São Gonçalo. pelo sistema de mão própria. nos termos do Acórdão 175/01. com fulcro no disposto no parágrafo único do art. ao ex-Prefeito do Município de São Gonçalo. a preços superiores 82. interposto pelo Sr. manifestou-se. Dr. Sr. pelo sistema de mão própria. em média. apresentam-se superiores aos praticados no mercado à época. Edson Ezequiel de Mattos. inciso IV. nos termos do voto proferido pelo Exmo. que representam o montante de 78% do valor contratado. para que recolha.000 UFIR-RJ. 41. pela aplicação de multa.

do recebimento pelo responsável ou interessado: 352 . citação (3) e notificação (4). 123 e 124 pelo Corpo Instrutivo.os responsáveis pelos atos impugnados e os alcançados pelas decisões.São competentes para interpor recursos e pedir revisão junto ao Tribunal de Contas: Omissis III . Da Tempestividade Dispõe sobre o prazo para a interposição de recurso de reconsideração o disposto no art. em dias corridos. parte legitima para a interposição de recurso. por escrito.Mop/Rev61 O Ministério Público opina pela adoção das medidas propostas às fls. nos termos do inciso III do acima transcrito dispositivo legal. dentro do prazo de 30 (trinta) dias. 117/122. quais sejam: Da Legitimidade Dispõe sobre a legitimidade para interpor recursos perante o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. 96. respectivamente. será apreciado na forma estabelecida neste Regimento e poderá ser formulado. verbis: Art. 34 . verbis: Art. A priori. 34 deste Regimento. É o relatório. excluído o primeiro e incluído o último. da data: I .Os prazos referidos neste Regimento contam-se. uma só vez. do seu Regimento Interno. 34 tem a seguinte redação. conhecimento e não-provimento do recurso (1 e 2). 88 do Regimento Interno dessa Corte de Contas. O recorrente foi alcançado por decisão desta Colenda Corte de Contas. verifico o atendimento aos pressupostos recursais de admissibilidade previstos no Regimento Interno deste Tribunal de Contas. exarada neste processo. verbis: Art. que terá efeito suspensivo. 96 . 88 . o art.O recurso de reconsideração. contados na forma prevista no art. O citado art. inciso III. sendo. portanto.

quando. conforme comprova o documento de fls.000 (mil) vezes o valor da UFERJ aos responsáveis por: Omissis 353 . com fulcro no art. abaixo transcrito in verbis: Art.Mop/Rev61 a) da citação. às fls. tendo interposto o presente recurso em 22. Conforme o documento de fls. ou interessado. nos casos indicados no inciso anterior. 112. 63 .impuserem multas. do Regimento Interno. c) da comunicação de diligência.nos demais casos. d) da comunicação de rejeição dos fundamentos da defesa ou das razões de justificativa. II . da publicação da decisão no Diário Oficial do Estado. Do Cabimento O presente recurso encontra amparo no ordenamento dessa Corte de Contas nos termos do art.da publicação do edital no Diário Oficial do Estado. 63.000 UFIR-RJ. não for localizado. o responsável. verbis: Art. 87 . III . em 23. da Lei Complementar 63/90. esta Corte de Contas cientifica o recorrente que lhe foi aplicada multa de 5. inciso IV. ou pelo descumprimento de prazos. 87. ou determinarem outras penalidades em decorrência de infração da legislação ou de norma estatutária.Cabe recurso de reconsideração das decisões originárias que: Omissis III . através do Ofício PRS/SSE/CT 9633. 98. tempestivamente. O jurisdicionado foi “cientificado” da decisão dessa Corte de Contas.2001.2001.7. diligências e outros atos processuais. salvo disposição legal expressa em contrário. 98.O Tribunal de Contas poderá aplicar multa de ate 1. cujos termos são os seguintes. b) da notificação.8. portanto.

Como a fundamentação do acórdão. do edital da Tomada de Preços 015/97 354 . Sobre a escolha da modalidade da licitação.ato praticado com grave infração a norma legal ou regulamentar de natureza contábil.000 (mil) vezes o valor da UFERJ aos responsáveis por: Omissis II . a diligência ou decisão do Tribunal. se os serviços de “planejamento.ato ilegal. inciso II e III da Lei Complementar 63/90. no prazo fixado. é a seguinte. 40). são ou não serviços de engenharia. inciso IV. A irregularidade apontada no item I de fls. Ou. tem a seguinte redação. 63. encontramos o seguinte entendimento no voto relator do Excelentíssimo Senhor Conselheiro Sergio F. O art. incisos II e III. como está definido o objeto da licitação nº 015/97. às fls. da Lei Complementar 63/90. 92”. prevalece. o que se está julgando é a escolha da modalidade de licitação. III . o Acórdão 175/2001.000 UFIR-RJ. ao erário. 63. 98. verbis: Os anexos 1 e 2 (fls. dispõe que a multa pessoal foi aplicada com fulcro no que dispõe o art. às fls. Do Mérito O Ofício PRS/SSE/CT 9633 de 29. adotada no certame 015/97. da Lei 63/90.666/93”. cientifica o jurisdicionado que esta Corte de Contas lhe aplicou multa de 5. mais precisamente. 92. 96. nos termos do art. 31. orçamentária. “pela irregularidade elencada no item I de fls. Quintella. 23 da Lei 8. inclusive editais de licitação.não atendimento. no entanto. 63. às fls.11. operacional e patrimonial.Mop/Rev61 IV . financeira. necessariamente. sem causa justificada. 91-92. 63 . ilegítimo ou antieconômico. verbis: “descrição inadequada do objeto e modalidade de licitação em desacordo com os limites estabelecidos no inciso II do art. no item 2 do referido edital. de fls. verbis: Art. ou possa resultar. de que resulte.O Tribunal de Contas poderá aplicar multa de ate 1. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas”. dano.2001.

contrariando o disposto no inciso I do parágrafo primeiro do art. comparar os preços contratados pelo jurisdicionado com os do Catálogo de Preços da EMOP.A saúde é direito de todos e dever do Estado. específico para obras e serviços de engenharia. Ao estipular que o objeto possuiria serviços de engenharia não cabíveis para o presente caso. não encontrei qualquer fundamentação legal que permita caracterizar o objeto do edital em comento. discorrer-se sobre o que seja. “destino dos resíduos sólidos”. restringiu e frustou a participação de empresas capacitadas a executarem os serviços de varrição e limpeza. que tratam exclusivamente de limpeza de vias públicas. Assim. não havendo portanto espaço para outros serviços. totalizam o valor do contrato. 355 . Exceto o fato da Coordenadoria de Estudos e Análises Técnicas. Notificado para justificar o não-encaminhamento da discriminação e orçamentação dos serviços de engenharia. preliminarmente. 30) apresentam a descrição detalhada dos serviços a serem executados.666/93. etc. às fls. o Prefeito não apresentou esclarecimentos. Para que se possa tratar adequadamente o assunto. 196 . que os serviços descritos nos anexos 1 e 2 e orçados no anexo 5 (fls. Compulsando os autos. ainda. é da maior conveniência.Mop/Rev61 (fls.” (grifei) Com o objetivo de reduzir o risco de doença e de outros agravos e de realizar as ações e serviços públicos para a proteção da saúde. “coleta de lixo”. como serviços de engenharia. o poder público conta. não podendo ser enquadrada nesta modalidade de licitação. 53). a Tomada de Preços 015/97 não tem no seu objeto serviços de engenharia. garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário as ações e serviços para sua promoção. nada encontrei que me permita afirmar que tais serviços não sejam de engenharia. proteção e recuperação. 3º da Lei 8. Verifica-se. tem sido nominado como “limpeza urbana”. que na linguagem comum. entre os quais não consta nenhum serviço de engenharia. exatamente. Por outro lado. 116. 196 da Constituição Federal conceitua saúde pública da seguinte forma: Art. O art.

9 milhões e 2. pertinentes à área de saneamento. Segundo a Organização Mundial de Saúde. inclusive. respectivamente. devendo. saneamento do meio pode ser definido como o controle de todos os fatores do meio físico do homem que exercem ou podem exercer efeito deletério sobre seu bem-estar físico. reabilitação e valorização ambiental de áreas com antigas lixeiras e remediação de solos em zonas de lixeiras. é exigido. Quanto ao destino dos resíduos sólidos. Não me parece fácil dissociar os serviços de varrição de logradouros públicos (espécie). portanto. e sim serviços públicos essenciais. combinado com o anexo 1 desta mesma Resolução. tratamento.Mop/Rev61 principalmente. o licenciamento ambiental. dos serviços de coleta de lixo (gênero) e estes do que a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente . estabelece como metas para o saneamento básico o abastecimento de água para mais 18. cujo manejo envolve sérios riscos para a saúde da população. reciclagem. Tal conceituação é adotada pelo Governo Federal que em seu Plano Plurianual de Investimentos 2000 – 2003. tratamento e destino final. Saneamento básico é a parte do saneamento do meio que trata de programas que dizem respeito ao abastecimento de água. supervisionados por profissionais de engenharia. de 19 de dezembro de 1997. são consideradas as atividades de coleta. moral e social. Os entendimentos acima transcritos evidenciam que a coleta e destinação final de lixo. como dispõe o parágrafo 1º do art. armazenamento e distribuição. tratamento para consumo humano. não são serviços de “limpeza”. para a qual. Como abastecimento de água estão compreendidos a sua captação. A coleta de águas residuais inclui a construção de rede coletora de esgotos. de onde não se pode excluir a “varrição de logradouros públicos”.7 milhões de domicílios. e a expansão da rede de esgotos e do sistema de coleta de lixo.CONAMA de n o 237.9 milhões de domicílios. minimização da produção desses resíduos. à coleta de águas residuais e ao destino dos resíduos sólidos. 2º. ser realizados por profissionais especializados e obviamente. denomina “tratamento de resíduos sólidos urbanos”. com acréscimo de 2. que abaixo transcrevo. com atividades e projetos na área de medicina preventiva e de saneamento do meio. controle e tratamento de águas lixiviantes de aterros controlados. monitoração de aterros. verbis: 356 .

refiro-me ao art.Compete ao Engenheiro Sanitarista o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º da Resolução 218/73 do CONFEA. sob qualquer forma. tratamento de água. os fundamentos legais.Compete ao ENGENHEIRO SANITARISTA: I . quanto à exata natureza do serviço licitado através do Edital nº 015/97. 1º da Resolução CONFEA 310. verbis: Art. referente a: 357 . inclusive aqueles provenientes de fossas (grifei) Feitas as considerações acima. 18 da Resolução CONFEA 218. 2º . definitiva. § 1º . construção. Arquitetura e Agronomia . de 29 junho de 1973. no meu entendimento. 18 . a clarificação.o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução. verbis: Art. dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental competente. esgoto e resíduos. por derradeiro. 1º . sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. em análise. art. instalação. referentes a controle sanitário do ambiente.A localização. drenagem. ampliação. fui buscar nas normas complementares. higiene e conforto de ambiente. cujos termos são os seguintes. de causar degradação ambiental. modificação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras.tratamento e destinação de resíduos sólidos urbanos. parte integrante desta Resolução. que permitem. de 23 julho de 1986.Mop/Rev61 Art.Estão sujeitos ao licenciamento ambiental os empreendimentos e as atividades relacionadas no Anexo 1. controle de poluição. de caráter geral.CONFEA. emanadas do Conselho Federal de Engenharia. Refiro-me ao inciso I. E. seus serviços afins e correlatos. captação e distribuição de água. Omissis Anexo 1 Omissis . bem como os empreendimentos capazes. que discrimina as atividades do Engenheiro Sanitarista.

que formou o Processo-Documento 21. Sr. Quintella. a prática dos atos a que se referem os incisos I e II. Edson Ezequiel de Mattos.Mop/Rev61 Omissis . (grifei) Diante das considerações e fundamentações acima expostas. transporte e tratamento de resíduos sólidos (lixo). 63. do voto de fls. não me parece que possam remanescer dúvidas quanto à natureza dos serviços de “planejamento. face ao atendimento dos pressupostos regimentais de admissibilidade. deva retornar à sua consideração. posiciono-me em desacordo com o Corpo Instrutivo e o Ministério Público e VOTO I . reformando-se a decisão proferida em 26. entendo que o recurso deva ser conhecido. objeto da licitação de nº 15/97. art. programação e execução de varrição e limpeza manual e mecânica de vias urbanas”. do Voto de Fls. Portanto. e que fundamentaram a penalidade pecuniária que lhe foi aplicada. Da Conclusão Considerando todo o exposto. e quanto ao mérito. não sendo admissível imputar ao jurisdicionado. conforme documento de fls.pelo conhecimento do recurso interposto pelo ex-Prefeito do Município de São Gonçalo. como sendo “serviços de engenharia” e a conseqüente realização da licitação na modalidade “tomada de preço”. no que diz respeito às referidas exigências. nos termos do voto do Excelentíssimo Senhor Conselheiro-Relator. face ao atendimento dos pressupostos regimentais 358 . de fls. Como as referidas exigências foram formuladas pelo Excelentíssimo Senhor Conselheiro Sergio F. Exigências dos Subitens 1 e 2. a classificação do objeto do Edital 015/97. Sergio F. 90-93. Trata-se. de serviços de engenharia sanitária.044-9/01. 100. Ante o exposto. 88 . em seu voto. 88-93. Quintella. consumaram-se rigorosamente de acordo com a Lei. do item II.93 No dia 31 de julho de 2001. indubitavelmente.2001. Item II.6. que seja dado provimento. entendo que o presente processo. da Lei Complementar 63. às fls. deram entrada no Protocolo Geral desta Corte de Contas os documentos exigidos nos subitens 1 e 2.coleta. 99-102.

em decorrência das exigências de fls. trazidas ao processo pelo jurisdicionado. II . nos termos do acórdão de nº 175/2001. Quintella. Sala das Sessões. considerando as novas peças.Mop/Rev61 de admissibilidade. reformando-se a decisão proferida em 26. Conselheiro Dr. para que dê prosseguimento ao feito.2001. 99-106. Sergio F. que seja dado provimento. 93.pelo encaminhamento do presente processo ao seu Relator. às fls.6. e quanto ao mérito. 24 de julho de 2003 ALUISIO GAMA DE SOUZA Relator 359 .

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