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ALOJAMENTO CONJUNTO (1)

ALOJAMENTO CONJUNTO (1)

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ALOJAMENTO CONJUNTO

O QUE É ALOJAMENTO CONJUNTO? Segundo o Ministério da Saúde, Alojamento Conjunto é o sistema hospitalar em que o recém-nascido sadio, logo após o nascimento, permanece com a mãe, 24h por dia, num mesmo ambiente, até a alta hospitalar. Este sistema possibilita a prestação de todos os cuidados assistenciais, bem como a orientação à mãe sobre a saúde de binômio mãe e filho.

HISTÓRICO
Nos primórdios da história da cultura humana, os partos eram realizados em casa, e os recém-nascidos (RN) eram mantidos junto às suas mães imediatamente após o nascimento. Com a criação dos hospitais -maternidades, esta rotina foi passada para normas gerais de procedimentos de assistência e obedecida até o final do século XIX. Por exemplo, o Hospital Jonhs Hopkins foi construído sem enfermaria especial para RN e nele a rotina de alojamento conjunto existiu até 1890. No New York Hospital foi utilizado até 1898, aonde as crianças permaneciam em berços suspensos aos pés do leito das mães. No início do século XX, os hospitais-maternidades passaram a ser dotados de enfermarias próprias para RN, chamadas de berçários. Essa nova proposta, baseada em normas rígidas de isolamento, foi facilmente difundida e aceita por causa das altas taxas de mortalidade infantil devido às epidemias de diarréias, doenças respiratórias, outras patologias infecciosas e pelas incidências de sespis maternas, freqüentemente causadoras de enfermidades nos RN. Os resultados obtidos pelas enfermarias para crianças prematuras de Pierre Budin, um obstetra francês, e o sucesso alcançado por Martin Cooney, após a Exposição de Berlim de 1896, que percorreu o mundo mostrando a sobrevida de RN pequenos tratados dentro de incubadoras, ajudaram nesta mudança de atitude. Outra possibilidade foi que, gravemente enfermas, as mulheres eram hospitalizadas para cuidados obstétricos e, deste modo, impossibilitadas de cuidar dos filhos, sendo necessária a criação de locais especiais para o RN. Ficaram assim instituídos os berçários, enfermarias com grande números de RN manuseados exclusivamente pela equipe hospitalar. Somente em 1983, a resolução n0 18/INAMPS dirigida aos hospitais públicos e conveniados estabeleceu normas e tornou obrigatória a permanência do filho ao lado da mãe, 24h por dia, através do Sistema de Alojamento Conjunto. Em 1985, foi publicada o programa de reorientação da assistência obstétrica e pediátrica com as normas básicas do Sistema de Alojamento Conjunto. Estas normas deveriam passar a ser observadas nas unidades médicas assistenciais próprias, contratadas e conveniadas do INAMPS. No início dos anos 90, com o objetivo de conhecer a situação dos alojamentos conjuntos no Brasil, Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN), com apoio da UNICEF, realizou pesquisa cujos resultados apontaram que 47% das 667 unidades pesquisadas desconhecia a Resolução INAMPS 18/83. Considerou-se fundamental a permanência do bebê junto à mãe e as orientações por parte da equipe de saúde através das ações educativas, permitido que as questões de espaço físico e treinamento de recursos humanos fossem adequados à realidade local de cada serviço de saúde.

OBJETIVOS DO ALOJAMENTO CONJUNTO
Aumentar os índices de Aleitamento Materno; Estabelecer vínculo afetivo entre mãe e filho; Permitir aprendizado materno sobre como cuidar do RN; Reduzir o índice de infecção hospitalar cruzada; Estimular a participação do pai no cuidado com o RN; Possibilitar o acompanhamento da Amamentação, sem rigidez de horário, visando esclarecer às dúvidas da mãe e incentiva-lá nos momentos de insegurança; Orientar e incentivar a mãe (ou pais) na observação de seu filho, visando esclarecer dúvidas; Reduzir a ansiedade da mãe (ou pais) frente às experiências vivenciadas ; Favorecer troca de experiências entre as mães; Melhorar a utilização das unidades de cuidados especiais para RN; Aumentar o n0 de crianças acompanhadas por serviço de saúde.

LOCALIZAÇÃO
Dentro da maternidade, de preferência próximo à área de puerpério. Pode ser feita em enfermaria ou em quartos.

RECURSOS HUMANOS
A equipe multiprofissional mínima de recursos humanos que vai prestar cuidados ao binômio mãe-filho, de rotina e de plantão, respeitando o nível de complexidade, deve ser composta de:

-Malformação que impeçam a amamentação. Enfermeiro. -Colher dados pertinentes aos objetivos do Alojamento Conjunto. Psicólogo. recebendo antibiótico.Boletim de Apgar igual ou superior a 7 no primeiro minuto. ATENDIMENTO DA MÃE E DO RN NO ALOJAMENTO CONJUNTO O atendimento ao binômio no Alojamento Conjunto constitui-se na operacionalização da função educativa do Sistema. os quais propiciam ações mais específicas à realidade da pessoa. ATENDIMENTO DE ENFERMAGEM PRESTADO DE FORMA INDIVIDUAL Aqui descreveremos algumas ações que o enfermeira pode realizar nesta unidade. Após esse período. -Patologias diagnosticadas ao exame imediato. -Avaliar suas condições físicas e emocionais. de modo a situá-la melhor no ambiente. E quando a mãe demonstrar que pode prestar todos os cuidados ao RN. -Mamadeira de leite ou outras alimentação. com treinamento prévio e contínuo para atualização. com boa vitalidade. -RN de mãe diabética.500g menos de 4. AÇÕES DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO INDIVIDUAL -Receber a mãe no Alojamento Conjunto após sua alta no Centro Obstétrico. sem risco de infecção (situações de risco de infecção: mãe febril. bolsa rota há mais de 24 horas. e da clientela. mas essas ações realizadas pelo enfermeira podem sofrer influência do serviço.Médicos pediatras e obstetras. um para cada 30 binômios.Peso de nascimento superior a 2. sendo a mãe esclarecida sobre o motivo da transferência. -Alto risco de infecção. só sob prescrição médica. quando necessário. adequado controle térmico. no mínimo. Colocados em berço aquecido no Berçário de Observação. . A interrupção do Alojamento Conjunto poderá ser feita por determinação médica por motivos maternos ou do RN. boa sucção. após prévia comunicação sobre a vinda do RN e avaliação da capacidade da mãe de recebê-lo. de vida. Assistente social.RN a termo. POPULAÇÃO A SER ATENDIDA MÃE Com ausência de patologia que contra-indique ou impossibilite o contato com RN e. apropriados para Idade Gestacional e sem patologia. -Esclarecer sobre as rotinas gerais da unidade. que tenham sido orientadas sobre o alojamento conjunto durante o pré-natal.. EXCLUSÃO DO RN -Apgar abaixo de 7 no primeiro e no quinto minuto. se possível. respeitando-se as condições maternas. do próprio profissional. -RN com peso acima do percentil 90 ou abaixo do percentil 10 para a idade gestacional.Em caso de cesariana. um para cada 8 binômios. com possibilidade de retorno. o pediatra avalia as condições clínicas do RN (primeiro exame e determinação da idade gestacional) e autoriza a sua ida para o Alojamento Conjunto. . o RN será de levado para a mãe entre 2 e 6 horas após o parto. A duração do Alojamento Conjunto deverá ser. RECÉM-NASCIDO . e demonstrar-lhe que sua chegada já estava sendo preparada com interesse pelo profissional. Nutricionista. . entre outros. -Proibida amamentação cruzada. FLUXOGRAMA O RN será conduzido da sala de reanimação para o berçário onde receberá cuidados rotineiros de higiene. aí ficará por cerca de seis horas (esse período pode ser estendido para 12 horas para nascidos por fórceps e a 24 horas para os cesariados). -Não oferecer bicos ou chupetas. -Icterícia precoces. -Retornar com a mãe os dados já existentes em seu prontuário de modo a esclarecê-los ou ampliá-los. -Fornecer a mãe informações precisas sobre as condições de seu filho no momento de sua admissão no Alojamento Conjunto. Técnico e auxiliar de enfermagem. .000g. sendo este reencaminhado ao berçário. de 60 horas completas. RN nascido fora do centro obstétrico). um para cada 20 binômios. . O RN será transportado pelo pessoal de enfermagem até o berço colocado do lado da mãe. Esse atendimento acontece de forma contínua durante a internação e se dá de forma individualizada e em grupo. ALIMENTAÇÃO DO RN -Seio materno em livre demanda.

etc. p. "Manual de Neonatologia". São Paulo. -Acompanhar a evolução diária da paciente objetivando reforçar orientações e detectar precocemente problemas clínicos e emocionais. higiene. " Neonatologia: Princípios e Pratica". In: DINIZ. sono. 1994.. eliminações. Savier. mesmo com um tempo de internação menor. LD. estendendo este estímulo à participação do pai sempre que este tiver presente. Portaria MS/GM no 1. incentivando a mãe a participar deste acompanhamento com objetivo de que ela possa sentir-se capaz de conhecer e avaliar seu filho.17-19. SANTORO JR. reconhecendo assim. -Orientar a mãe sobre os demais cuidados com os filhos: vestuários. incentivando-o a expressar suas opiniões.016. Arte Médica. respeitando a opinião da mãe. de modo à esclarecer aos participantes do grupo dúvidas sobre assuntos relacionados à sua área de atuação. 1994 RIGATTI. profilaxia da dermatite amonical. p.-Esclarecer sobre os cuidados específicos. In: DINIZ. MARETTI.1993. objetivando orientá-la e esclarecê-la em suas dúvidas. EMA. p. In: MARCONDES. p. de modo que. "Manual de Neonatologia". São Paulo. 26 de agosto de 1993. atividade sexual no puerpério. Revinter. -Preparar alta da mãe e do RN. DL. medidas de higiene. JCR.B. " Aspectos Gerais da Assistência de Enfermagem em Sistema de Alojamento Conjunto". BARROS. etc. prováveis causas de choro. São Paulo. situações onde necessitará da ajuda do profissional de saúde para auxiliá-la no atendimento da criança.M. DOU no 167 de 1/9/93.e as dificuldades que estejam enfrentando no cuidado com seus filhos. -Supervisionar os cuidados prestados pela mãe: troca de roupa. SEGRE. Deve ser realizado pela equipe assistencial da Unidade de forma conjunta. -Avaliar. p. avaliação da cor da pele. a oportunidade de instalação do Alojamento Conjunto. 1993. AÇÕES DE ENFERMAGEM NO ATENDIMENTO EM GRUPO Esse tipo de atendimento visa a troca de experiências entre as mães e pais.JLA.315-16. seção I. mãe e pai possam participar de um encontro juntos. atividades. 8o ed. com suas vantagens e possíveis dificuldades. In: NEME. -Realizar os os primeiros cuidados com RN e orientar a mãe incentivando-a a cuidar do filho. 13. mostrando-se disponível para auxiliá-la na amamentação ou situações que lhe pareçam difíceis -Oportunizar que o pai participe nos encontros da enfermeira com a mãe. -Registrar nos prontuários da mãe e do RN as condições evidenciadas e condutas tomadas de modo a fornecer as informações necessárias para ações de outros profissionais da equipe. p. incluindo: amamentação.EMA.176-180. BRENELLI. "Assistência Hospitalar a Recém Nascido: Recomendações para Padronização". SEGRE. 1-8.E e cols.066. BIBLIOGRAFIA BRASIL. In: MUIRA. avaliação da temperatura. O atendimento ao grupo deve ser feita de forma sistemática. com a exposição de sentimentos em relação a maternidade e paternidade. revisando orientações dadas e fornecendo os encaminhamentos necessários. 41-43. HB. Savier. encaminhamentos e avaliações clínicas periódicas. BARBIERI. cuidados com o coto umbilical. MA. RAMOS. características psicológicas e físicas do puerpério. CORRADINI. MF. anticoncepção. -Propiciar condições para que na mãe possa reconhecer seu filho. "Cuidados ao RecémNascidos em Alojamento Conjunto". necessidades afetivas. com dietas. e reforçar as orientações sobre as características e cuidados com o RN. "Pediatria Básica". MINISTÉRIO DA SAÚDE. São Paulo. pontuando sempre estas orientações com os hábitos da mãe de modo a intregá-la em suas experiências anteriores e expectativas.CAM.E . "Alojamento Conjunto". Revinter. "Normas Básicas para Alojamento Conjunto". São Paulo.. . medicação.M. CASANOVA. também. "Alojamento Conjunto". Estabelecer um número de assuntos a serem abordados. -Esclarecer sobre objetivos gerais do Alojamento Conjunto. "Obstetrícia Básica". MTZ. -Trazer o RN para junto da mãe. -Acompanhar a evolução diária do RN. 1993. deambulação. COSTA...CAM.

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