OBJETO DE ESTUDO : HISTORIOGRAFIA

Acadêmico - Maximiliano Pessôa Professor-Tutor Externo - César JungBlut Centro Universitário Leonardo da Vinci - UNIASSELVI Curso HID2232 – Prática do Módulo III - História do Brasil Imperial 14/04/2011

RESUMO

O presente trabalho tem por finalidade mostrar às pessoas interessadas em história, mais precisamente a do Brasil, como se deu o processo de documentação, análise e escrita da história do Brasil, desde a fase do descobrimento, colonização, independência, onde estão presentes os acontecimentos, personagem importantes ou meros participantes, sendo "heróis ou bandidos", dependendo da visão do historiador, que influenciaram ou colaboraram de alguma maneira com suas ações, no desenvolvimento de uma historiografia no País. Citamos as divisões clássicas dos períodos históricos, as instituições internacionais e suas correntes, que influenciaram pesquisadores de todo o mundo. Passamos também pela criação de um ógão oficial, com seus pensadores, estudiosos ou amantes da História e suas colaborações em estudos, críticas e metodologia, com o intuito de coletar, organizar, e transmitir às gerações futuras, um pouco do que aconteceu na formação do País. Terminamos com uma amostra dos historiadores contemporâneos que muito tem ajudado a se conhecer um pouco mais da história de nosso País. Palavras-chave: História. Documentos. Historiadores. Instituições. Historiografia. IHGB. Brasil. 1 INTRODUÇÃO
O conhecimento histórico varia segundo país e época. Segundo a historiografica tradicional, os tempos históricos surgem com a invenção da escrita.(Processos historiográficos, Uniasselvi, p.03)

O trabalho mostra o desenrolar dos acontecimentos no país, narrando o inicio da preocupação da coleta, análise e escrita das informações pertinentes a História do Brasil, mesmo baseada em modelo de outros países, souberam moldá-la aos nossos acontecimentos. Buscou-se diferenciar a História mítica dos fatos ocorridos. No final do século XIX surge a análise da História sob outros aspectos. No século XX, a visão do estudo da História agrega todos os fatores envolvidos num mesmo grau de importância. Passa-se a focar outros fatos e conta-se então a história dos reis, das artes, biografias e famílias. Constrói-se a idéia de que tudo é história. Muitos contribuíram com seu desenvolvimento, desde a criação do Institituto Histórico, em 1838, na maioria brasileiros, como Francisco Adolfo Varnhagen, Capistrano de Abreu, Afonso D'Escragnole Taunay, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, José Honório Rodrigues, entre outros só citados, mas não diminuida sua importância. Cria-se modelo a ser seguido e incentiva pelo conhecimento e escrita da história.

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2 DESENVOLVIMENTO
"Todos trazemos da meninice uma quase aversão por coisas de história pátria. Nas escolas, despojam a História de todos os atavios que seduzem : a lenda, o fato curioso, o episódio novelesco. Apresentam-na desgraciosamente, ouriçada de datas, nua de galantarias [...] A não ser membros dos Institutos ou meia dúzia de eruditos de boa-vontade, não há ninguém mais que se preocupe com estudos históricos. (Paulo Setúbal - O Príncipe de Nassau. Ed. Saraiva. 1953, p. 5)

2.1 SIGNIFICADOS 2.1.1 História - Do Latim e Grego, Historíai ou historie (testemunho) - S. f., narração de fatos do passado, através da tradição oral ou documentos, em geral cronologicamente dispostos no tempo e espaço. Origina com Heródoto, mas Tucídides analizará fontes diferentes.

2.1.2 Historiografia - 1. Estudo crítico acerca da história ou historiadores. 'Arte de escrever a história' : 'como deve ser escrita' (teoria e metodologia), ou 'como foi escrita'. Dividida em : Précientífica (Grega, Romana, Medieval); Transição (Iluminista, Liberal); e, Científica (Positivismo, Historicismo, Materialismo (século XIX), e Escola dos "ANNALES" e Nova História (século XX).

2.1.3 Historiador - Histor (testemunha acontecimento). Pesquisa, estuda e escreve a história de determinado assunto. Se preocupa em ser fiel aos fatos e imparcial. Hoje considerada profissão. 2.2 FONTES E DIVISÃO DA HISTÓRIA
"Princípio básico e mais importante : sempre indicar as fontes de onde vieram as informações" (História do Brasil Imperial, Uniasselvi, p. 117)

A história narra acontecimentos da desde que o homem surgiu. O pesquisador indaga : quem, o quê, onde, quando? Pode ser reconstituida através de várias Fontes : Escrita (correspondências, livros); Material (cerâmica, ossos, ruínas. Com eles, se reconstruiu a préhistória); Orais (relatos, lendas. Deve-se verificar a veracidade); Visuais (filmes, fotografias). Divisão do tempo - Pode-se ordenar por datas. A referência, para os cristãos é o nascimento de Jesus. Antes dele, seguidos de a.C. : 1610 a.C.. Depois, acompanhados ou não de d.C. : 1986 d.C.. Os séculos são representados em algarismos romanos. Século I, do nascimento ao ano 100. Retire os dois últimos números e some 1 ao que sobrou. Ex.: 1680 = 16+1 = Século XVII. Divisão da história - Muitas vezes escrita de acordo com interesses da classe dominante. Toma a Europa como centro do mundo, divida em Pré-História e História ou ainda: Pré-história (Paleolítico, Neolítico e Metais); Idade Antiga (de 4.000 a.C., com a escrita até 476 d.C., com a invasão bárbara em Roma); Média (de 476 até 1453 (tomada de Constantinopla)); Moderna (De 1453 até 1789, com a Revolução francesa); Contemporânea - De 1789 até os dias atuais.

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2.3 PIONEIROS
"O poeta ouvia as musas; o historiador quer a “verdade” e interroga e ouve os que viram os fatos ou escreve sobre o que ele viu. “Ver” é prioritário sobre “ouvir dizer”. Diferente do mito, o conhecimento histórico é escrito". (//cafedeicaro.blogspot.com/2007/06/herdoto-e-tucdides.html)

Hecateu, (cerca de 546 a.C., Mileto - cerca de 480 a.C.). Historiador e geógrafo grego. Segue a tradição de Tales de Mileto e cria a Periegesis (descrição geográfica do mundo) e Genealogias (fala de mitos). Escreveu sobre o Egito e Ásia. Continuador de Anaximandro, desenha um mapa mundi. Dividiu a terra em norte (Europa) e sul (Ásia). Escreve crônicas
Mapa mundi

mitológicas, históricas, e geográficas. Tratava com desprezo antecessores e

contemporâneos. Dizia que escreviam narrativas contraditórias. Busca separar o crível do incrível a partir do bom senso e razão dos fatos. As informações a seu respeito vem de Diodoro da Sicília e Heródoto. Heródoto (485 a.C., Halicarnasso (hoje Bodrum, Turquia) - 420 a.C.). Geógrafo e historiador grego, continuador de Hecateu. Autor da história da invasão persa na Grécia no século V a.C., chamada Histórias de Heródoto, escrita entre 450 e 430 a.C.. Inicia com Creso da Lídia, monarca asiático que conquista as cidadesestado gregas e termina em 479 a.C., na batalha de Plateias. Após golpe de estado, retira-se para a ilha de Samos. Dizem que exagerou na extensão das viagens e fontes e era plagiária. Reconhecido como pioneiro na história, etnografia, antropologia e geografia. Ganha o título de "Pai da História". Registou tradições orais da família Alkmaeonidai. François Hartog diz : “Reflete estratégias, jogos de persuasão, que seduzem o leitor. Há tradução brasileira de Mário da G. Kury” Tucídides (entre 460 e 455 a.C., Atenas, Grécia - cerca de 400 a.C., Atenas). Historiador da Grécia. Escreveu, História da Guerra do Peloponeso, entre Esparta e Atenas, ocorrida no século V a.C., a qual participou. Preocupado com a imparcialidade, relata fatos com concisão e explica as causas. Pensava nela como acontecimento de grande relevância para a história da Grécia. É considerado "avô do realismo".
História é conhecer a si para poder enxergar o mundo! (Geraldyne: O que é História, para você?

2.4 PRIMEIRAS TENTATIVAS DE HISTÓRIA DO BRASIL
Não apenas de influências se fez a produção intelectual brasileira. As idéias francesas e alemãs, fizeram parte das discussões, mas seria ingenuidade pensar que nada original surgiu, que tudo foi importado. "As idéias aqui se "deformaram às condições de um novo meio" (COSTA: 1987, 324).

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A tentativa de produzir história do século XVI ao XVIII foi marcada por textos crônicos com narrativas descritivas, cada um com olhar do seu espaço social, com pretensão de história, mas sem labor historiográfico, produzidos através de fontes orais ou outras leituras. Muitos não conheciam o ambiente que narrava, mas serviram para estudos futuros. No século XVI, Pero Vaz de Caminha, primeiro cronista, em sua Carta, escrita em 1500, relata o Brasil recém descoberto. Pouco depois, Hans Staden, alemão, com Viagem ao Brasil, publicada em 1557, conta sua passagem, onde o Brasil recebe vários nomes : Pindorama (indígena), Ilha de Vera Cruz (1500), Terra Nova (1501), Terra dos Papagaios (1501), Terra de Vera Cruz (1503), Terra de Santa Cruz (1503), Terra de Santa Cruz do Brasil (1505) e Brasil (1527). O primeiro a iniciar a profissão de historiador foi Pêro Gândavo, cronista e escritor português, que escreveu em 1573 e publicou em 1576, A História da Província de Santa Cruz a que Vulgarmente Chamamos de Brasil. Mais crônica da natureza e dos homens, que história. No Século XVII, frei Vicente do Salvador, escreve História do Brasil, em 1627. Baiano, versado em filosofia e literatura. Fala da falha na colonização e tem simpatia pelo índio. Trata da trajetória dos primeiros 125 anos, do descobrimento à tentativa de conquista da Bahia pelos holandeses. Fala brevemente do negro. Foi original ee direto. Ambrósio Fernandes Brandão, em 1618, escreve Diálogo das grandezas do Brasil, não era história, mas fonte de poder informativo; No século XVIII, André João Antonil, escreve Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas, em 1711. Jesuíta, vem para o Brasil com novo viés, o econômico, observa modos de produção e tecnologias. Sebastião Rocha Pita, baiano, escreve em 1730, História da América portuguesa, que abrange de 1500 até 1724, com a vinda dos holandeses à Bahia. Fala de política, governos, rebeliões, autoritarismo, não é uma História do Brasil, mas tem importância histórica. O século abre caminho para a história regional. Bernardo Pereira de Berredo publica em Lisboa em 1749, Anais históricos do Estado do Maranhão. A vida política, religiosa, militar, econômica e social são quase ausentes. José João Texeira, Instrução para o povo da Capitania de Minas Gerais. O manuscrito faz reconstituição histórica preciosa. Temos ainda Cláudio Manoel da Costa, poeta, em 1768 editou em Coimbra seu livro, Obras, e um épico, Vila Rica, em 1773. Obras literárias com fundamento histórico e fonte de informação.(Iglesias, p. 40-41). Como obra de genealogia e conquistas, Memórias da Capitania de São Vicente, de 1797, do frei paulista Gaspar da Madre de Deus. Fala da falta de estudo geral, a não consciência de Brasil e restrição de divulgação das obras. Século XIX, "século das ciências", marca novo parâmetro na escrita da história, com disciplinas auxiliares, que enriqueceram a elaboração do conhecimento histórico, trazem técnicas aprimoradas, revelam novos modos de recuperar, aproveitar e trabalhar documentos.

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Iglésias, em Historiadores do Brasil : “as obras são importantes para conhecimento (...) Revelam-se documentos desconhecidos, se aperfeiçoa o modo de tratá-los (...) Criam uma escola de pesquisa, com historiografia fundada em documentos, comprovação do que se afirma. (p. 40-41) O inglês Robert Sothey, editou em 1810 e 1819, History of Brasil. Aponta defeitos da colonização, prevendo a emancipação. Luis dos Santos Vilhena, a partir de 20 cartas, escreve Recopilações de Notícias Soteropolitanas e brasílicas. Não é historiográfica, mas bom material. Percebe e analisa o presente vivido e as possíveis mudanças. Joaquim Caetano da Silva (02.09.1810, Jaguarão, RS - 28.02.1873, Niterói, RJ), considerado “o homem mais erudito do Brasil”. Tinha pretensões de encontrar, coligir e editar documentos. Foi pesquisador e organizador, e trabalhou em estudo da história cartográfica. Escreveu em 1851, Memória sobre os limites do Brasil com a Guiana Francesa. José Maria da Silva Paranhos Junior (20.04.1845, RJ - 10.02.1912, RJ). Barão do Rio Branco. Ministro das Relações Exteriores. Nas viagens, nas bibliotecas e arquivos, buscou tudo a respeito do Brasil. Suas defesas das teses brasileiras são de saber histórico e geográfico. Em 1866, escreveu sobre a guerra do Paraguai. 2.5 PRIMEIRA INSTITUIÇÃO COM FIM ANALÍTICO E DOCUMENTAL
O estudo histórico começa quando os homens encontram elementos de sua existência nas realizações dos antepassados (...)

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), é criado no Rio de Janeiro, em 21 de outubro de 1838, como proposta do cônego Januário da Cunha Barbosa e do brigadeiro Raimundo de Cunha Matos, por 27 membros, previamente escolhidos, com objetivos escritos no Art. 1º do Estatuto : é primordial, "coligir, metodizar, publicar ou arquivar documentos necessários para a História e Geografia do Brasil". Estimulou criação de entidades análogas nas províncias e, publica e edita documentos pertinentes aos estudos históricos e obras de produção nativa anterior. D. Pedro II como patrono, incentivou, financiou e cedeu sala no Paço para sede. Elegeram provisoriamente : presidente, José Feliciano Fernandes Pinheiro (1838-1847), visconde; 1º Secretário, Januário da Cunha Barbosa, cônego e 2º Secretário, Emílio Joaquim da Silva Maia, professor. Antes do Instituto, a história era contada por narrativas, relatos, memórias, de caráter individual, episódico e sem continuidade. Foi responsável por reunir historiadores e apaixonados, interessados em discutir História. Como sócios, membros de variadas classes, como viscondes, barões, marqueses, bacharéis, negociantes, religiosos, militares, juristas e médicos. Seu quadro se compõe de sócios Eméritos, Titulares, Honorários e Correspondentes, brasileiros e estrangeiros,

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admitidos desde que preencham a dupla condição de : “ser filiado a algum dos institutos históricos do país e ter obra científica publicada”. Em 1965, teve a presença feminina. A Revista, criada em 1839, pode ser lida no site. Publica artigos, ensaios, bibliografias, monografias, almanaques, etc., de periodicidade trimestral. Realiza cursos, simpózios, congressos, seminários, exposições e atividades culturais. Possui auditórios, sala de leitura e mapoteca e reunião de acervo bibliográfico, hemerográfico, arquivístico, iconográfico, cartográfico e museológico, à disposição. Comunica com instituições congêneres municipais, estaduais e internacionais. Houve preocupação em periodizar a História, proposta pelo brigadeiro Cunha Matos, em três épocas: "a primeira, relativa aos aborígenes, a segunda, as eras dos descobrimentos e administração colonial e, a terceira, conhecimentos desde a Independência" (Rodrigues: 1957, 153). Propunha primeiro estudos regionais, depois do território brasileiro. Na época, gerou divergências. Em 1843, o general José Inácio de Abreu e Lima, propôs a divisão em oito épocas ou capítulos, desentende-se com Francisco Varnhagen, encarregado em dar parecer pelo IHGB. Divisão de quase exclusiva história administrativa. Pensou primeiro as categorias, depois inseriu os acontecimentos. A discordância não impede lançar concurso oferecendo 200 mil réis a quem apresentar "plano para escrever a história antiga e moderna do Brasil, que contivesse parte política, civil, eclesiástica e literária"(Rodrigues: 1957, 160). Apresentaram trabalhos o conselhieiro Henrique Júlio de Wallenstein (1790, Houge, Silesia Prussiana - 21.03.1843), que apresenta trabalho pouco inovador, e propunha o estudo da História do Brasil por décadas, nos moldes do romano Tito Lívio ou do cronista português João de Barros, e privilegiava a história política. As outras partes deveriam constar como observação no fim de cada capítulo e o alemão Karl von Martius, o vencedor. Karl Friedrich Philipp von Martius (17.04.1794, Erlangen - 13.12.1868, Munique). Médico, botânico, antropólogo e importante estudioso do Brasil. Veio para o Brasil em 1817. Apresentou "Como se deve escrever a História do Brasil", em 1843, publicado pelo Instituto em 1845 e, dado vencedor em 20 de maio de 1847. Fica entre a inovação e o característico da época, fruto de observação quando expedicionava pelo Brasil. Não apresentou periodização, mas um tratado com os pontos e problemas a serem elucidados para a compreensão geral do Brasil. Foi o primeiro a falar da importância do índio e escravo africano, de conhecer seus costumes e língua, a falta de elementos cotidianos do colono português para compreensão dos mecanismos coloniais. A inclusão de outras raças na construção do país, não excluía a responsabilidade do branco em mostrar os rumos da civilidade, posição eurocêntrica típica. Esta problemática foi colocada nos horizontes de investigação desde o início da historiografia nacional, na década de 1840. Afirmou que a chave para compreender a história brasileira residia no estudo do cruzamento das três raças formadoras de nossa nacionalidade –

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branca, indígena, negra –, esboça a questão, sem desenvolvê-la. Sua tese não foi seguida como lei, pois cada um poderia escrever como quisesse, mas serviu de exemplo e influência em debates.

Francisco Adolfo de Varnhagen (1816 - 1878, Viena). Paulista de Sorocaba. Não se interessou em periodizar, mas documentar e compilador os documentos dispersos e não catalogados, existentes para estudar o Brasil, e quase nada se sabia do tipo, quantidade e estado dos existentes no Brasil ou fora. Não se limita a compilador e escreve "História Geral do Brasil", publicada em cinco volumes, sendo o primeiro de 1854 e o segundo de 1857. Pauta-se nos aspectos político-administrativos, de acordo com interesses de D. Pedro II. No estilo do historicismo, inicia no Descobrimento, fala das expedições, capitanias, governos, “invasões estrangeiras” e termina em 1808, com a chegada da família real. Bem documentada, util em vários aspetos, mas branca e lusófila. Crítico indianista, chama o Tupi de “bárbaro e feroz assassino do bispo”, descarta-o como "dono" da terra e coloca-o como "último invasor" e defende sua perseguição. Chama o negro de “bárbaro aquilombado” e é a favor da escravidão. Ao branco, “ferozes mascates”. Publicou inúmeros trabalhos documentais e críticos. João Capistrano de Abreu (1853, Ceará - 1927). Da importância a elementos populares, escreve uma história sócio-econômica. Forma teoria a partir de 1881, através de Teixeira Mendes e Miguel Lemos, "pais do positivismo no Brasil", mas muda a partir de 1882. Desde 1879, fazia parte da Biblioteca Nacional, e tinha contato com documentação e historiadores inéditos, filhos do realismo alemão, como Niebuhr, Ranke e Humbolt. Aprendeu alemão, francês, inglês, latim. Lê obras de geografia, economia, etc. O crescimento se torna incompatível com o positivismo, que não valoriza o testemunho, pesquisa às fontes e autenticidade. "Não pode reduzir ações humanas a regras naturais (...) Fatos reconstruídos, não se enquadram nas causas que o positivismo explica."(Rodrigues:1965,39-40). Inova na produção de textos, pesquisa e investigação. O primeiro dos Capítulos de história colonial de título “Antecedentes indígenas”, fala pouco do índio, franceses e ingleses, no lugar do descobrimento. Da miscigenação, fala pouco. No capítulo “O sertão”, da ênfase a formação dos limites e diversidades territoriais. Publica em 1907, edição comentada de "História Geral do Brasil", de Varnhagen, com esclarecimentos. Produziu de 1878 a 1927, editando "Caminhos Antigos e o Povoamento do Brasil" em 1899. Realiza traduções e recupera e publica obras inéditas.

Theodoro Sampaio (1855, BA - 1937, RJ). Único deputado federal nascido escravo. Engenheiro civil, historiador, pioneiro em estudos geológicos. Colaborou com Euclides da Cunha em "Os Sertões". De origem humilde, teve como protetor, o

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Conde de Aramaré, dono do Engenho Canabrava, seu provável pai. Estudou em bom colégio e aproveitou a chance. Inicia na Comissão Hidráulica nomeada por D. Pedro II.

Rodolfo Amorim Garcia (25.05.1873 - 14.11.1949, RJ). Escreve : Glossário das palavras e frases da língua tupi, Dicionário de brasileirismos e Nomes geográficos peculiares ao Brasil.

Afonso D'Escragnolle Taunay (11.07.1876, Desterro - 20.03.1958, SP). Foi um biógrafo, historiador, ensaísta, lexicógrafo. Escreve História geral das bandeiras paulistas (1924-1950); História do café no Brasil (1929-1941).

2.6 PESQUISADORES BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS O século XXI gera bons historiadores e nova fase do pensamento historiográfico no Brasil. Após a década de 1970, a família surge como temática da historiografia. Autores tentam compreender a formação da sociedade e uso de métodos científicos no “trato do documento”, como Alcântara Machado, Oliveira Viana (busca legitimidade científica nas ciências “exatas” e filosofia da história), Manoel Luís Salgado Guimarães (1952-2010), professor e historiador, Brás do Amaral.

Gilberto Freyre (1900, Recife - 1987). Fala da contribuição do negro e índio na miscigenação brasileira, enfocou o período colonial. Publicou Casa Grande e Senzala (1933), Sobrados e Mucambos (1936), Ordem e Progresso (1959)

Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), marxista. Publicou Raízes do Brasil (1936), Cobra de Vidro(1944), Caminhos e fronteiras(1955), Visão do Paraíso (1959)

Caio Prado Júnior (1907, São Paulo - 1990). Problematiza a história econômica, e aspectos sociais e culturais. Publicou Evolução Política do Brasil (1933), Formação do Brasil Contemporâneo (1942), História Econômica do Brasil (1943)

José Honório Rodrigues (20.09.1913, Anchieta, RJ – 06.04.1987, RJ). "Pai da Historiografia Brasileira". Professor, ensaísta e importante historiador do século XX. Aos 24 anos conquista o Prêmio de Erudição da ABL pelo primeiro trabalho em historiografia, Civilização holandesa no Brasil, em 1937, publicado em 1940, em co-autoria com Joaquim Ribeiro. Fez pesquisas e publicações de varios temas e épocas. Publicou, Teoria da História do Brasil: introdução metodológica (1949), Historiografía do Brasil -

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Século XVI (1957) e XVII (1963), História e historiadores do Brasil (1965), História e historiografia (1970), História da História do Brasil. 1a Parte: A historiografia colonial (1979).

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Memória é particular. A História é organizada (Uniasselvi, Brasil Imperial, pg. 107)

Debates em torno da Historiografia promovem divergências sobre critérios para considerar científico um texto historiográfico. A inclusão de novos materiais como fontes foi importante. Correntes do século XVII, amparam o discurso crítico do século XVIII, e surge “opinião pública”, pela popularização de documentos como jornais, livros, folhetos, acessíveis ao público. Apesar de algumas discordâncias dos métodos e divisões do estudo da História, com o tempo criou-se um padrão. Devemos observar, coletar, catalogar e descrever essas observações, tendo o cuidado de seguir regras básicas como : pesquisar em várias fontes e sempre indicá-las, bucando o mais próximo da verdade. Historiadores sempre reinventam ou complementam alguma coisa, para melhor se adequar à sua época ou situação (quem conta um conto, aumenta um ponto)
O tempo é ator histórico, e jogou para o futuro a responsabilidade de lançar luzes sobre o presente e o passado.

Destaca-se a fundação das universidades em São Paulo e Rio de Janeiro como “marco na profissionalização do ofício do historiador no País”. Dois cursos de História criados nas década de 1930 e 1940, permitem analisar a disciplina histórica como campo de disputas de diferentes modelos político-ideológicos e concepções de história e formação de historiador.
O que sabemos é que o mundo futuro depende, em parte, dos homens de hoje..História e Vida. Nelson e Claudino Piletti. Ed. Ática, pg. 11)

Hoje, há discussão polêmica sobre o fim de livros impressos diz Peter Burke, em 05 de agosto de 2010, na Festa Internacional de Paraty. Concluímos que ao final de todo este tempo, os acontecimentos que antecederam a História escrita do país, tem semelhança com os de hoje. Continuam sendo criadas instituições que realizam pesquisas nas diversas áreas de conhecimento, colaborando com seu aprimoramento e desenvolvimento. Mesmo assim, apesar de possíveis erros, tem se conseguido ótimos trabalhos, passando assim um pouco da história do nosso país, para as gerações futuras. REFERÊNCIAS ARAÚJO, Antoracy Tortolero História do Brasil, da descoberta ao início da liberdade. Ed. do Brasil. 1985.

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BUENO, Eduardo. Brasil : uma história - 5 Séculos de um país em construção. COTRIN, Gilberto. Historia e Consciência do Brasil 2. Editora Saraiva. 9ª edição. São Paulo, 1996 HOLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário da Língua Portuguesa. IGLÉSIAS, Francisco. Os historiadores do Brasil: capítulos de historiografia brasileira. 1.ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Belo Horizonte: UFMG- IPEA, 2000. KLANOVICZ, Jó. História do Brasil Imperial. Indaial: Editora Grupo UNIASSELVI, 2010. MATTOS, Hamilton Gonçalves.Vivenciando a história, das sociedades primitivas à formação do capitalismo. Ed. do Brasil. 1990. RODRIGUES, José Honório. História e Historiadores do Brasil. 1.ed. São Paulo: Fulgor, 1965 RODRIGUES, José Honório. Teoria da História do Brasil: Introdução Metodológica. Vol.1. 2.ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1957.

Páginas na Internet FILHO, Carlos Fernandes de Medeiros. José Honório Rodrigues. Disponível em

www.dec.ufcg.edu.br/biografias/JoseHoRo.html Hecateu de Mileto. Disponível em pt.wikipedia.org/wiki/Historiador/Hecateu_de_Mileto Heródoto. Disponível em pt.wikipedia.org/wiki/Historiador/Her%C3%B3doto MENDES, André Oliva Teixeira. Os documentos interessantes e o arquivo histórico. Disponível em www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao43/materia02/ www.ihgb.org.br/ BELISÁRIO, Adriano. Gênio Negro. Disponível em

www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=2047 CARDONE, Monique. A origem e o destino dos livros. Paraty – Disponível em www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=3195 HÖRNER, Erik. O fazer-se da historiografia brasileira. Disponível em

www.klepsidra.net/klepsidra7/historiografia.html MARUTTI, Mauri Daniel. Correntes Historiográficas. Disponível em

www.webartigos.com/articles/4913/1/A-Importancia-Da-Historia-No-Contexto-Da-SociedadeContemporanea/pagina1.html MENDES, André Oliva Teixeira. O que é História, para você? – Disponível em www.revistadehistoria.com.br/v2/home/?go=detalhe&id=3726

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