P. 1
REFLEXAO TEXTO CHAUÍ

REFLEXAO TEXTO CHAUÍ

|Views: 1.473|Likes:
Publicado porTiago Zurck
Síntese do Texto “A vida política” de Marilena Chauí.
Disciplina de POEB
Síntese do Texto “A vida política” de Marilena Chauí.
Disciplina de POEB

More info:

Published by: Tiago Zurck on Mar 14, 2012
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

08/05/2013

pdf

text

original

O texto “A vida política” de Marilena Chauí 1 apresenta de forma clara e didática a exposição de idéias sobre a política, seus sentidos

, conceitos e de que forma esta se articula com a discussão sobre Estado, participação da sociedade, poder. O texto está dividido em duas partes: na primeira, a autora apresenta uma discussão sobre os sentidos atribuídos à política e de que modo tais sentidos as vezes apresentam paradoxos; no segundo momento do texto a autora procura traçar historicamente como deu-se a invenção da política como nós a conhecemos; para tanto a autora retorna até o modelo de sociedade grega e romana para descrever de que modo tais sociedades inventaram a política. Logo no início, Chauí levanta questionamentos que mediará toda a discussão do primeiro momento do texto: a política é uma atividade específica de alguns profissionais da sociedade ou concerne a todos nós, porque vivemos em sociedade? A política é uma profissão entre outras ou é uma ação que todos os indivíduos realizam quando se
1

CHAUÍ, Marilena. Convite a filosofia. São Paulo: Ed. Ática, 2000.

relacionam com o poder? A política refere-se às atividades de governo ou a toda ação social que tenha como alvo ou como interlocutor o governo ou o Estado? Para responder essas questões três sentidos de Política são apresentados: 1- Política no sentido de governo, entendido como direção e administração do poder público, sob a forma do Estado. Importante destacar que governo tem sentido diferente de Estado ainda que o senso comum costume atribuir o mesmo sentido. Assim, Estado é formado por um conjunto de instituições permanentes que permitem a ação do governo; podemos dizer, o conjunto do legislativo, judiciário e executivo, todo o aparelho burocrático que forma o Estado. Esse é um sentido clássico de estado. Do ponto de vista ideológico, alguns autores como Antonio Gramsci trazem algumas contribuições teóricas sobre como podemos entender o Estado, assim, enquanto em seu sentido clássico Estado refere-se apenas as instituições permanentes que permitem a ação do governo, Gramsci

percebe o Estado em seu sentido ampliado, onde Estado não é apenas o aparelho burocrático, mas é, também, formado pela a sociedade civil organizada. Esse entendimento nos faz compreender, portanto, o papel e o poder da sociedade civil organizada, por exemplo, na participação e sua relação com e no Estado seja, através das ações desenvolvidas fora ou dentro do aparelho burocrático do Estado. Já governo, perene, refere-se as formas como determinados grupos ao apoderar-se dão funcionalidade ao Estado. Enfim, no sentido de governo, política, significa “a ação dos governantes que detêm autoridade para dirigir a coletividade organizada em Estado, ou as ações da coletividade em apoio ou contrárias à autoridade governamental e mesmo à forma do Estado.” (p. 476). 2- O segundo sentido de política está relacionado à atividade desenvolvida por especialistas. Ou seja, de pessoas que são profissionais em fazer políticas. Segundo a autora esse sentido atribuído à política leva-nos a um entendimento de que política é realizada por

“eles” e não por “nós” criando, portanto um distanciamento. 3- O terceiro sentido apontado por Chauí é de que o senso comum normalmente atribui à política significado de “conduta duvidosa, não muito confiável, um tanto secreta, cheia de interesses particulares, dissimulados e freqüentemente contrários aos interesses gerais da sociedade e obtidos por meios ilícitos e ilegítimos.” (p. 476). Segundo a autora, os sentidos atribuídos a política no primeiro e no segundo item criam paradoxos: enquanto o primeiro sentido está relacionado a algo geral, o segundo refere-se a um sentindo particular o que leva muitas vezes ao uso da política no sentido pejorativo; exemplo, política no contexto de uma greve quando a mídia muitas vezes para influenciar a opinião pública e criar um imagem negativa diz que a “greve é política”. Chauí comenta que mesmo sendo uma atitude relacionada a reivindicações salariais, melhoria das condições de trabalho, ou até mesmo uma greve contra as atitudes de uma determinada administração

em uma instituição, a greve será sempre um ato político. A autora afirma: “a política foi inventada pelos os humanos como o modo pelo o qual pudessem expressar suas diferenças e conflitos sem transformá-los em guerra total (...). Numa palavra, o modo pelo qual os humanos regulam e ordenam seus interesses conflitantes, seus direitos e obrigações enquanto seres sociais.” (p. 478). Após expor e discutir sobre os sentidos de política, a autora realiza um percurso histórico sobre a “invenção da política”. Para isso inicia trazendo o vocabulário da política. Segundo Chauí a palavra política é grega e está relacionada a Polis-cidade; Ta politika – os negócios públicos dirigidos pelos os cidadãos. Chauí faz uma comparação que ela considera imperfeita: Polis cidade, estaria hoje para o que chamamos de Estado: conjunto das instituições públicas e sua administração; Ta politika estaria para as práticas políticas, ao modo de participação no poder, aos conflitos, acordos.

Ainda sobre o percurso histórico para entender a política, a autora faz uma incursão sobre como o poder era concebido nas sociedades não gregas e romanas. Assim, a autora fala do poder despótico ou patriarcal, onde o poder era exercido por um chefe de família ou por famílias. Tal exercício de poder apresentava as seguintes características: total – poder supremo inquestionável; incorporado – o poder era configurado pelo o detentor do poder; mágico – recebia a autoridade dos deuses; transcendente – o detentor do poder tinha uma origem divina; hereditário – o poder era transmitido ao primogênito da família; Foi com os gregos e romanos em contrapartida criam o poder político. O poder político assim é caracterizado: 1- Separação da autoridade pessoal privada do poder impessoal público, pertencente à coletividade; 2- Separação da autoridade militar e poder civil; 3- Separação da autoridade mágico-religiosa e poder temporal;

4- Idéia e a prática da lei como expressão de uma vontade coletiva e pública, definidora dos direitos e deveres para todos os cidadãos, impedindo que fosse confundida com a vontade pessoal de um governante; 5- Criação de instituições públicas para aplicação das leis e garantia dos direitos; criação de um espaço público onde os cidadãos discutem seus interesses, deliberam em conjunto e decidem por meio do voto; O texto de Chauí é importante para introduzirnos a discussão específica sobre políticas públicas da educação que será nosso objeto de estudo na disciplina de POEB. É importante, pois nos leva a uma reflexão sobre o significado de Política. A autora apresenta no início diversos sentidos atribuídos a política, inclusive o pejorativo que termina por conduzir muitas pessoas na sociedade ao significado da política como uso individual, particular, para benefício próprio; essa concepção e até mesmo prática nada tem a ver com o verdadeiro sentido de política, ao

contrário, é um desvio, uma deturpação do significado do que é política. Ao mostrar a concepção de política a partir do que os gregos e romanos pensaram sobre a política, somos levados a refletir sobre: a) qual o nosso papel diante do “desvio” e “deturpação” do sentido do que é política? Qual deve ser a nossa atitude? Subtrair-se do processo político, da política, contribui para a manutenção dos desvios de condutas existentes em nossa sociedade no que diz respeito à política, seja ela nas discussões domésticas, comunitárias, nos espaços da cidadania, ou em outras estruturas maiores da sociedade? b) Outro elemento da reflexão é sobre a participação dos sujeitos na discussão política, seja ela em um contexto micro ou macro. A participação dos sujeitos é importante para o processo e aprofundamento democrático onde deve haver lugar para o conflito de opiniões, para discussão, deliberação e decisão. Assim, política enquanto invenção humana para que o homem pudesse expressar suas

opiniões, suas diferenças e conflitos, ordenando seus interesses conflitantes é um campo de ação importante no aprofundamento democrático da sociedade seja ele em que espaço da sociedade for. Em uma sociedade como Alagoas, Estado onde, ainda as relações de poder chegam à semelhança do poder despótico, a tomada de consciência dos indivíduos sobre a sua ação no contexto alagoano é de incisiva importância para que se conheçam os elementos de seu cotidiano social, interprete-os e consiga a partir de suas escolhas intervirem na prática. O texto de Chauí nos chama a construir valores (pensar o que deve ser em contraposição ao que é), a valorar (tomar atitudes, pensar ações sobre o que deve ser) e a escolher objetivos a serem alcançados. No caso específico desta disciplina, a Política enquanto espaço público e forma do governo e a sociedade administrar o Estado (conjunto de instituições burocráticas + sociedade civil organizada) é um campo imprescindível para que o

público expresse seus valores, suas ações e seus objetivos. Ou seja, a política educacional de um governo, seus programas, projetos nos revela como pensa e o que um determinado governo faz para intervir na realidade, mas, também, demonstra de que modo a sociedade civil organizada participa ou não nas definições das políticas públicas, buscando, via Estado o atendimento de suas demandas.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->