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Relação entre gêneros textuais e imagens na literatura infantil

Relação entre gêneros textuais e imagens na literatura infantil

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Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Educação – Pedagogia Disciplina: Comunicação Educativa Professora: Célia Abicallil Belmiro Alunas

: Natália Fraga Carvalhais e Pollyana Fernandes Macedo

Relação entre gêneros textuais e imagens na literatura infantil

Ler uma imagem é fazer-lhe, implicitamente, perguntas. Compreendê-la consiste em ter as perguntas respondidas. (MANINI, CARNEIRO, 2007, s/p)

Sumário
• Introdução • Conceitos: ilustração, imagem, texto e gêneros textuais • Características gerais da relação imagem e texto • Análise dos livros e as imagens • Reflexões • Conclusão • Curiosidades sobre Eva Furnari • Referências Bibliográficas

Introdução
• A proposta inicial deste trabalho era a de analisar a relação entre a imagem e diversos gêneros textuais em livros de literatura infantil. O objetivo consistia em identificar se a imagem é trabalhada de forma diferenciada conforme o gênero textual presente no livro. Dessa forma, conforme sugestão da professora Célia, escolhemos livros em que o autor do texto também fosse o ilustrador para que pudéssemos perceber o estilo de ilustração para cada gênero textual. Selecionamos cinco livros da autora Eva Furnari. A partir da leitura de vários textos que tratam da relação imagem e texto, percebemos o quanto não dominamos sobre a discussão em torno da imagem e dos diferentes gêneros textuais. Optamos então por apresentar várias características apontadas pelos diversos autores que fundamentam este trabalho e a partir destas características e da discussão realizada em sala, analisar de forma geral os livros selecionados da autora e ilustradora Eva Furnari. Partiremos em princípio da discussão sobre o conceito de ilustração, imagem, texto e gêneros textuais, para em seguida, apresentarmos a nossa análise dos livros, sem o compromisso de

Ilustração/Imagem
• Ilustração: (do lat. Illustratione). 1.Ato ou feito de ilustrar(-se). 2.Conjunto de conhecimentos; saber: homem de notável i l u s t r a ç ã o. 3.Imagem ou figura de qualquer natureza com que se orna ou elucida o texto de livros, folhetos e periódicos. 4.Filos. V. filosofia das luzes (iluminismo) (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira citado por Camargo, 1995). Ilustração: desenho gravado e intercalado no texto de um livro. Obra literária cujo texto é ornado de gravuras ou desenhos, como a Ilustração, semanário inglês, francês, etc.(Caldas Aulete, 1881 citado por Camargo, 1995). Ilustração é toda imagem que acompanha um texto. Pode ser um desenho, uma pintura, uma fotografia, um gráfico, etc. (Camargo, 1995). Tipos de ilustração (OLIVEIRA, 1998, p.66) – Narrativa: associada a um texto literário ou musical (capa de disco), – Informativa: comprometidas com o conhecimento e a clareza da informação, não permitindo a ambigüidade de

Funções da Ilustração
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Função narrativa: mostra uma ação, uma cena, conta uma história. Função simbólica: representa uma idéia (caráter metafórico). Função expressiva/ética: expressa emoções através da postura, gestos e expressões faciais das personagens e dos próprios elementos plásticos, como linha, cor, espaço, luz, etc. Também expressa valores pessoais de caráter social e cultural. Função estética: chama atenção para a linguagem visual. O que interessa não é a descrição e sim o gesto, a mancha, a sobreposição das pinceladas, as transposições, a luz, o brilho e o enquadramento. Função lúdica: está presente no que foi representado e na própria maneira de representar. Função metalingüística: metalinguagem é a linguagem que fala sobre a

• •

Estilos de Ilustração
• Linear e pictórico: o estilo linear valoriza a linha, o contorno, o aspecto plástico e tangível dos objetos. O estilo pictórico não está preocupado com a forma e o volume dos objetos, mas com as impressões visuais que essas formas e volumes provocam. Plano e profundidade: os elementos de uma ilustração – figuras, animais, objetos, etc. – podem ser dispostos em camadas planas, paralelas às margens, ou enfatizar a profundidade. Forma fechada e forma aberta: o ângulo enquadramento sugerem o espaço limitado. de visão e o

• •

Pluralidade e unidade: no primeiro caso cada objeto representado é valorizado e no segundo, os objetos representados são subordinados a um motivo geral mais unificado. Clareza e obscuridade: o primeiro modo de representar busca apresentar as formas em sua totalidade e clareza. O segundo, sem chegar a ser confuso, o que significaria não ser bem realizado artisticamente, não se preocupa em apresentar a forma em sua totalidade, mas apenas seus elementos mais característicos.

Texto e Gênero textual
• Texto: unidade lingüística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente da sua extensão (Koch e Travaglia, 1989 citado por Travaglia, 2001, p.67). Gênero textual: são fenômenos históricos, profundamente vinculados à vida cultural e social. Fruto de trabalho coletivo, os gêneros contribuem para ordenar e estabilizar as atividades comunicativas do dia-a-dia.(...) Surgem emparelhados a necessidades e atividades sócio-culturais, bem como na relação com inovações tecnológicas. Sua nomeação abrange um conjunto aberto e praticamente ilimitado de designações concretas determinadas pelo canal, estilo, conteúdo, composição e função. (Marcuschi, 2005, p.19 e 23).
– ex: telefonema, sermão, carta comercial, carta pessoal, romance, bilhete, reportagem jornalística, aula expositiva, reunião de condomínio, notícia jornalística, horóscopo, receita culinária, bula de remédio, lista de compras, cardápio de restaurante, instruções de uso,m outdoor, inquérito policial, resenha, edital de concurso, piada, conversação espontânea, carta eletrônica, aulas

Características gerais: relação imagem e texto
• • Uma ilustração adequada jamais é a história do texto (OLIVEIRA, 1998, p.64). “Além das imagens contribuírem para a estética do objeto-livro, são contribuições de um outro leitor (o ilustrador), que acrescenta mais uma interpretação ao texto” (WERNECK, 1998, p.103). “O ilustrador não ilustra apenas o que acontece literariamente, mas sim, ele representa também os fatos visuais poéticos que poderiam acontecer”. (OLIVEIRA, 1998, p.65). A imagem não precisa acompanhar o texto escrito: pode ter um conteúdo independente, quebra o ritmo em textos longos, apóia a leitura do ponto de vista do enredo ao construir formas, personagens e cenários. (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p). Imagem: mediadora entre o espectador e a realidade, ligada à imaginação da qual depende a produção de sentido no processo de leitura (TERRA, 2003, p.33).

Características gerais: relação imagem e texto
• “Ao ler as imagens, a criança, dependendo da idade, primeiro enumera os elementos isolados, depois descreve as cenas e por último narra a seqüência dos acontecimentos, produzindo sentido(s) para o texto imagético que tem em mãos” (TERRA, 2003, p.33). “Nos processo de elaboração da linguagem, a criança é sensível à imagem, antes mesmo de se exprimir por palavras”. (WERNECK, 1998, p.102). Fases da leitura de imagens: 1º o adulta conta histórias para a criança; 2º a criança já cria interpretação para as imagens e estabelece relação entre elas (WERNECK, 1998, p.103). Grande incidência de ilustrações em livros infantis, voltadas para o público mais jovem, ainda não dominante do código escrito ou em processo de alfabetização. (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p).

Características gerais: relação imagem e texto
• A produção literária a medida que se volta para a faixa etária mais elevada, com maior domínio de leitura, a ilustração tende a perder espaço para o texto. (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p). “A imagem constitui uma comunicação mais direta que o código verbal” (WERNECK, 1998, p.102). A narrativa depende da interação ilustração e texto, ambos criados com consciência de intenção estética: a ilustração do livro infantil é completamente convencional; ao executar uma leitura, a criança tenta apreender a narrativa através do aprendizado simultâneo dos códigos da escrita e das imagens. (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p). Descrição de imagens com palavras: uso da desenvolvimento da linguagem oral (TERRA, 2003, p.32). imaginação e

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• •

O leitor cria títulos, personagens, enredos diferenciados, podendo assumir o papel de protagonista ou outra personagem na história (TERRA, 2003, p.33).

Características gerais: relação imagem e texto
• Literatura infantil e livros informativos têm linguagem mais universal e livros didáticos têm linguagem mais nacional e local (WERNECK, 1998, p.103). Literatura infantil: fantasia e arte do texto e da ilustração. Livro didático: sentido de instruir e ensinar (WERNECK, 1998, p.103). Diferenças entre a ilustração e a pintura: (OLIVEIRA, 1998, p.66-69).
– Ilustração sempre narra uma história e está ligada à temporalidade dos fatos; está comprometida com a representação das formas e do universo tangível; o trabalho do ilustrador é elaborado conceitual e tecnicamente para ser reproduzido em larga escala através da indústria; fruição através do livro; o ilustrador tem limites e condicionamentos devido ao psiquismo infantil. Pintura: pode ser narrativa ou não; requer o conhecimento direto da obra original em museus e galerias de arte; o pintor exerce total domínio sobre seu ofício.

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• •

Carência de estudos teóricos de análise conceitual das ilustrações (OLIVEIRA, 1998, p.64). Cultura visual: repertório de experiências estéticas e vocabulário visual para educar o olhar (MANINI, CARNEIRO, 2007, s/p).

Quadro de tipologia das relações imagens e texto na literatura infantil

Necyk, Cipiniuk (2008)

Análise dos livros
• Luas – Poesia • Você troca – trava-línguas • Operação Risoto – história • Cocô de Passarinho – história • Adivinhe se puder – adivinhas

Poesia
A poesia, ou gênero lírico, ou lírica é uma das sete artes tradicionais, através da qual a linguagem humana é utilizada com fins estéticos. (...) É a arte de exprimir sentimentos por meio da palavra ritmada. Essa definição torna-se insuficiente quando se volta o olhar para a poesia social, a política ou a metapoesia. Com o advento da poesia concreta, o próprio ritmo da palavra foi anulado como definição de poesia, valorizando mais o sentido. O poema passa a ter função de exprimir sucintamente e entre linhas o pensamento do eu-lírico. A narrativa também pode fazer isso, mas a maioria dos poemas, com exceção dos épicos, não se baseia num enredo. A mensagem do autor é muito mais importante do que a compreensão de algum fato. (wikipédia)

Luas - poesia
• PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (24), tipo e tamanho das letras (letra de forma minúscula e caixa alta com detalhes conforme cada poema e ilustração), diagramação (ilustração e um pequeno poema em cada página, não têm páginas duplas, imagens entre textos ou ao lado), encadernação (brochura), técnica de ilustração (lápis pastel e tinta), ano (2002). CAPA:
– uma mulher com vestido branco caracterizada com um coração flechado, uma mala/bolsa em forma de céu, um guarda-chuva, sapatos que lembram um coração, elementos que compõem as imagens no interior do livro. A imagem está enquadrada e há uma lua cheia por trás do título do livro, que rompe a moldura. Em cada extremidade do enquadramento há frutinhas - o que se repete em termos de detalhes no interior do livro em cada imagem. A logomarca da editora está na parte inferior da moldura.

CONTRA-CAPA:
– Há uma meia lua branca e um enquadramento com o resumo da obra. O mesmo coração flechado da capa está também na contra-capa, só que ampliado.

INTERIOR DO LIVRO:
– Na primeira página do livro (anterrosto) há uma lua cheia com o título do livro quase no centro da página com folhinhas em detalhes nos cantos superiores e inferiores, com informações da obra.

Luas - poesia
• ANÁLISE GERAL DO LIVRO: – Objetivo do livro: estético e literário. – Pequenos poemas, versinhos em cada página, com imagens delicadas, que não se sobrepõem ao texto, mas que dialogam e constroem o sentido único. – As imagens e o texto verbal não disputam entre si na construção do sentido. Ao contrário, são interdependentes. – Sem as imagens a construção do sentido ficaria prejudicada. – São imagens que necessitam estar no livro para dar sentido ao texto. – São versos que você lê, olha para a imagem e se delicia com a forma poética e sensível das imagens. – As imagens rompem com os padrões: pessoas com o corpo exagerado em relação aos membros e aos demais componentes da imagem. – Enquadramento : encerra o texto e a imagem dentro da moldura, porém em cada página é de uma cor e em algumas molduras há detalhes que compõem o conjunto – texto e imagem.

Trava-línguas
Podemos definir os trava-línguas como frases folclóricas criadas pelo povo com objetivo lúdico (brincadeira). Apresentam-se como um desafio de pronúncia, ou seja, uma pessoa passa uma frase difícil para um outro indivíduo falar. Estas frases tornam-se difíceis, pois possuem muitas sílabas parecidas (exigem movimentos repetidos da língua) e devem ser faladas rapidamente. Estes trava-línguas já fazem parte do folclore brasileiro, porém estão presentes mais nas regiões do interior brasileiro.

PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (31), tipo e tamanho das letras (letra de forma caixa alta), diagramação (imagem entre os textos, todas as páginas são duplas), encadernação (brochura), técnica de ilustração (aquarela), ano (2002), 2ª edição, 23ª impressão. CAPA
– Nome da autora em cima, um traço verde com pontinhas vermelhas, nome do livro, enquadramento da Chapeuzinho Vermelha e a cara do Lobo com uma cesta ao lado da margem, (essa imagem se separa nas páginas 22 e 23), nome da Editora fora da moldura. A cor que prevalece na capa é o verde, sendo que na parte de dentro da capa há pequenos desenhos de gatinhos e ratinhos brancos.

Você troca – Travalínguas

CONTRA-CAPA:
– Há símbolos da coleção na parte superior, um pequeno resumo da obra, e logo abaixo um pequeno desenho e nome da editora.

INTERIOR DO LIVRO:
– – – – 1ª pagina: na cor bege, há uma ilustração irônica: a maça querendo comer a minhoca, nome do livro e da editora. 2ª página: ficha catalográfica do livro. 3ª página: dedicatória e ilustração paralelas. Última pagina: informações sobre a autora e uma ilustração dela (parece um

Você troca – Travalínguas
• ANÁLISE GERAL DO LIVRO: – Objetivo do livro: literário, lingüístico e lúdico. – As ilustrações mostram mais detalhes do que as perguntas feitas em cada trovinha. – Há detalhes sutis e engraçados nas imagens. – As ilustrações são simples como o texto também. – Enquadramento: Em todas as ilustrações a margem faz parte/compõe a ilustração e há pequenos desenhos fora da margem.

Operação Risoto
• PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (40), tipo e tamanho das letras (textos manuscritos, datilografados e digitados, letra de forma e cursiva), diagramação (o próprio texto é uma imagem e todos eles são representados como molduras, dando destaque ao documento, a primeira página é dupla), encadernação (brochura), técnica de ilustração (lápis/lápis de cor), ano (1999). CAPA:
– Nome da Coleção, nome do livro, nome da autora, nome da editora. Acima do nome da coleção (personagens da história – rostos), em uma das extremidades, o busto dos dois principais personagens (expressão no rosto), recortes do diário com ilustrações e textos (tudo isso dentro de uma moldura). A capa atrai o leitor e antecipa o conteúdo do livro, uma investigação. Existe uma diferença de tonalidade que parte do claro para o escuro, ou vice versa, isto depende de onde parte o olhar. Na parte de dentro de capa – informações técnicas do livro. Há no inicio da página o nome da coleção dentro de um primeiro enquadramento no centro da página. Do lado deste percebemos a sombra da imagem de alguns personagens da história. Já em um segundo enquadramento tem um diário acompanhado de canetas, bilhetes e uma lupa, abaixo desta ilustração é apresentado o resumo da obra. Ambos indicam uma investigação.

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CONTRA-CAPA:

INTERIOR DO LIVRO
– Nas 1ª, 2ª e 3ª páginas – nome da coleção e livro igual na capa, página em branco para dar destaque ao nome da coleção e livro. Depois página dupla com ilustração da cidade onde se passa da história, em que esta começa antes do padrão. O leitor tem o ponto de vista de quem olha a cena de cima. A autora deixa um bilhete

Operação Risoto
• ANÁLISE GERAL :
– – Objetivo do livro: literário, aproximação do leitor com os diversos gêneros textuais. É composto por vários gêneros textuais: cartas, bilhetes, diários, listas, registros, fotografias, desenhos, cartão postal, jornal, cartão de apresentação, entrevista, anotações, transcrição de gravador, ocorrência. O próprio documento é uma imagem. Registros do personagem no diário: mistura de texto e desenho/fotos. As fotografias são cheias de detalhe. O texto sempre aparece em suporte. As imagens facilitam a intervenção do leitor que pode lê-las a partir de múltiplas interpretações. Enquadramento: A cor que prevalece no interior do livro é a branca, a qual compõe o exterior dos enquadramentos formados pela própria apresentação dos documentos ou gêneros textuais.

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Cocô de Passarinho
• PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (31), tipo e tamanho das letras (letra de forma caixa alta), diagramação (cores vivas, ilustração dentro das molduras, texto em fórmula de legenda, ou seja, a ilustração é separada do texto por enquadramentos próprios que não se encontram, há somente três páginas duplas), encadernação (brochura), técnica de ilustração (tinta guache), ano (1998). CAPA:
– Nome da autora em cima enquadrado, nome do livro, ilustração emoldurada – mostra todos os personagens da história, nome da editora. A cor que prevalece na capa é o vermelho, sendo que o fundo da imagem enquadrada é branco, o que proporciona um destaque maior para árvore que possui galhos retos. Somente frutinhas dentro de uma moldura. Na parte interna da capa/contra-capa têm desenhos de passarinhos riscados com lápis branco. Há um enquadramento composto por frutas e folhas que aparecem de forma linear e alternada. Este enquadramento tem fundo branco que ressalta as figuras usadas, seguindo o mesmo estilo da capa. Fora do limite colocado prevalece a cor vermelha. Folha de rosto ou frontispício: nome da autora, do livro, Ilustração de um passarinho e o cachorro de um dos personagens (este quase não tem destaque na história) e o nome da editora (todos dentro do enquadramento). A cor que prevalece na primeira página é o amarelo, sendo que o fundo da imagem enquadrada é branco. Última página: ficha catalográfica do livro e uma pequena ilustração (vinheta) do

CONTRA-CAPA:
– – –

INTERIOR DO LIVRO:

Cocô de Passarinho
• ANÁLISE GERAL DO LIVRO:
– – Objetivo do livro: literário Linguagem simples, ilustração com detalhes e que marcam o passar do tempo. Em algumas páginas percebe-se um foco em certas partes da imagem. As ilustrações não aparecem em excesso no livro, são bem distribuídas em relação ao número de páginas. Personagens: 1º todos são representados, depois os homens e mulheres são destacados, e finalmente os passarinhos. Em seguida são representados os rostos das pessoas e o cocô de passarinho. O cachorro está em todas ilustrações . Moradores com chapéu, inclusive o cachorro. Imagens opostas – 1 homem entre 2 mulheres e na outra página 1 mulher entre 2 homens. A expressão no rosto dos moradores vai mudando ao longo da história. Em alguns momentos, os olhos se destacam do rosto dos personagens. Na roupa dos personagens, detalhes vão aparecendo ao longo da história. Os homens e mulheres são mais representados que os passarinhos. Enquadramento: A cor que prevalece no interior do livro é a cor amarela que compõe o exterior dos enquadramentos. O texto escrito e a imagem se complementam. Nas páginas 6 e 7, 18 e 19 - 1 moldura só para a ilustração e p. 16/17 e 30/31 – é um momento só, mas são 2 molduras que partem a imagem.

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Adivinhas
Também conhecidas como adivinhações ou "o que é, o que é" são perguntas em formato de charadas desafiadoras que fazem as pessoas pensar e se divertir. São criadas pelas pessoas e fazem parte da cultura popular e do folclore brasileiro. São muito comuns entre as crianças, mas também fazem sucesso entre os adultos.

Adivinhe se puder Adivinhas
• PROJETO GRÁFICO: formato (vertical), número de páginas (24), tipo e tamanho das letras (letra de forma minúscula), diagramação (texto sempre enquadrado, em forma de versos, e as imagens se espalham pelo restante da página. Não há enquadramento das imagens e em cada página há adivinhas com ilustrações pertinentes a ela, encadernação (brochura), técnica de ilustração (lápis e grafite), ano (1994). CAPA:
– As seqüências de imagens apresentadas partem do pensamento – imaginação de duas pessoas que estão em um barco. Estas imagens estão interligadas por tais pensamentos que se unem a partir de um ponto em comum: a princesa pensando no príncipe, o peixe pensando na minhoca, que pensa em outra minhoca. Por fim, as seqüências da imaginação da garota e do garoto se encontram mais acima da página representando o amor entre dois palhaços. Percebemos que, o pensamento da garota segue uma seqüência linear, já o do menino não. No segundo segmento ele se encaminha para três caminhos diferentes. A relação do casal na centralidade e inicio da imagem transparece ser um momento amoroso, que tem inicio mais abaixo na capa e termina mais acima da mesma, com a cena dos palhaços. A imagem encontra-se enquadrada. Neste enquadramento existem alguns “personagens” que parecem crianças. Sendo, duas do lado direito e uma do lado esquerdo. Elas demonstram estar felizes, escorregando e subindo pelo

Adivinhe se puder Adivinhas
• CONTRA CAPA:
– Há duas crianças acima do título do livro, uma perguntando para outra “o que é, o que é;” a outra criança com um balão de interrogação demonstra em seu rosto ar de pensamento. Assim, logo abaixo do título é colocado um chamativo, uma adivinha para o leitor em que a resposta é o próprio livro.

INTERIOR DO LIVRO:
– Na primeira página há uma criança de pés e mãos no chão brincando, sobre ela tem um gato e sobre o gato um rato. O corpo da criança na parte de cima vem acompanhado também de balõezinhos que desafia o leitor a descobrir os adivinhas sem consultar o final do livro. Nas páginas seguintes há textos verbais que aparecem em pequenos enquadramentos e alternam em todas as dimensões da página. Ao contrário da capa essas imagens não são enquadradas.

Adivinhe se puder Adivinhas
• ANÁLISE GERAL DO LIVRO: – Objetivo do livro: literário. – Pequenos adivinhas, em cada página, com imagens que dialogam com o texto, mas não responde os adivinhas. Texto e imagem se dialogam e constroem um sentido proposto pelo texto. – Imagens que compõem todas as dimensões da página. – o texto e a imagem são independentes, mas se completam. – as imagens dão dicas da possível resposta do adivinha. – o texto enquadrado circula pela página e aparece entre as imagens, às vezes se torna um objeto e compõe a imagem. – Enquadramento: somente na capa e nos textos das adivinhas.

Reflexões
“Em termos de ilustração, como podemos criar belas imagens para as crianças, se elas muitas vezes na escola aprendem somente a decodificar as palavras? A alfabetização visual proporcionaria não apenas ler melhor o livro, mas também valorizar a importância e beleza das letras, dos espaços em branco, das cores, da diagramação das páginas e a relação entre texto e imagem (...) seria necessário que muitos profissionais que trabalham com o livro nas escolas, nas bibliotecas, ou até mesmo nas editoras, fossem visualmente alfabetizados também. Assim como existe uma sintaxe das palavras, existe também uma relativa sintaxe das imagens.” (OLIVEIRA, 1998, p.73) “Na verdade, podemos fazer diferentes leituras de uma mesma imagem, mas poucas vezes despertamos para a pluralidade e diversidade do mundo e padronizamos nosso olhar, deixando, assim, detalhes e minúcias passarem despercebidos. Banalizamos o olhar, e essa banalização também aparente da imagem nos dá a impressão, freqüentemente ilusória, de que ela nos é bem conhecida. Como bem explica Castanha (2002), este distanciamento pode nos afastar de uma postura e de um olhar mais perceptivo e humano, tornando nosso olhar mecanizado, inebriado por uma apatia herdada pela rotina ou pela mesmice. Como olhamos sem ver, não conseguimos dar novos significados às imagens cotidianas. Por isto é bem comum dizermos nunca vi por este ângulo ou nunca reparei isto. Essa

Reflexões
“O ilustrador e o designer, além de conhecimentos técnicos e artísticos, necessitam dominar os processos sob os quais se dá a construção da narrativa verbo-visual do livro infantil. Através do entendimento da relação entre imagem e texto no livro infantil, o designer gráfico e o ilustrador poderão otimizar sua participação na produção da obra literária, em prol de um projeto gráfico em consonância com a narrativa, capaz de conseqüentemente incentivar e favorecer a leitura. O escritor, com maior conhecimento das características e potencialidades da ilustração e do design do livro, poderá por sua vez auxiliar na adequação dos elementos visuais produzidos em função de seu texto, ou seja, na construção da narrativa verbo-visual. Da mesma forma, o editor, consciente desse processo interdisciplinar, poderá auxiliar na facilitação de condições necessárias à realização de projetos editoriais voltados para o público infantil.” (NECYK, CIPINIUK, 2008, s/p)

Conclusões
A partir desse trabalho percebemos como é insuficiente a nossa formação em termos de cultura visual. Não passamos por um processo de alfabetização visual e sim de despertar do interesse sobre a temática. A análise da relação imagem e texto nos livros de literatura infantil nessa disciplina se configurou como o início de um aprendizado que precisa ser aprofundado por todos, principalmente pelos profissionais da educação.

Curiosidades
• • Eva Furnari (Roma, 15 de novembro de 1948) é uma ilustradora e escritora ítalo-brasileira. Biografia – Sua família mudou-se para o Brasil em 1950, quando Eva tinha dois anos. Cresceu na nova pátria, formando-se em Arquitetura pela Universidade de São Paulo, e a partir de 1976 dedicou-se inicialmente a livros com ilustrações, sem texto. – Colaborando com a Folhinha, suplemento infantil do jornal paulistano Folha de S. Paulo, criou sua personagem mais famosa: a Bruxinha. – Como autora infanto-juvenil e como ilustradora recebeu o Prêmio Jabuti , nos anos de 1986, 1991, 1993, 1995, 1998 e 2006. – Em 2002 foi escolhida para ilustrar a reedição de seis livros da obra infantil de Érico Veríssimo. – A obra de Furnari, composta essencialmente de pequenos livros, é uma das mais profícuas na Literatura infantil brasileira atual. Como a própria autora revelou, numa entrevista, a ilustração precedeu a produção literária - mas foi nesta última que veio efetivamente a se destacar.

Eva Furnari:
Obras como autora e ilustradora
• • • O segredo do violinista, Ática, São Paulo Coleção Peixe Vivo, Ática,1980: – Cabra-cega De vez em quando – Esconde-esconde – Todo dia Em 1982: – Bruxinha atrapalhada, Global – O que é, o que é?, Paulus editora – Traquinagens e estripulias, Global Oito a comer biscoito ou dez a comer pastéis, Quinteto Editorial Amendoim, Paulinas, 1983 Filó e Marieta, Paulinas, 1983 Zuza e Arquimedes, Paulinas, 1983 A Bruxinha e o Gregório, Ática, 1983 Violeta e Roxo, Quinteto editorial, 1984 Quer Brincar?, FTD, 1986 Bruxinha e Frederico, Global, 1988 A Bruxinha e o Godofredo, Global, 1988 Coleção As meninas, editora Formato, • • • • • • • • • • • • • • • • • A menina e o dragão Catarina e Josefina Assim assado, Moderna editora, 1991 Não confunda..., Moderna, 1991 Você troca?, Moderna, 1991 Trucks, Ática, 1991 O Problema do Clóvis, Global, 1992 Caça-fumaça, Paulinas, 1992 Por um fio, Paulinas, 1992 O amigo da Bruxinha, Moderna, 1994 A menina da árvore, Studio Nobel, 1994 Adivinhe se puder, Moderna, 1994 Travadinhas, Moderna, 1994 Bruxinha e as Maldades da Sorumbática, Ática, 1997 Cocô de passarinho, Cia das Letrinhas, 1998 Anjinho, Ática, 1998 Nós, Global, 1999

• • • • • • • • • •

Obras como autora e ilustradora
• Coleção Piririca da Serra, editora Ática,: – A Bruxa Zelda e os 80 Docinhos, 1994 – O Feitiço do Sapo, 1995 – Mundrackz, 1996 – Operação Risoto, 1999 Coleção Avesso da Gente, Moderna Editora, 2000: – Abaixo das canelas, – Loló Barnabé – Pandolfo Bereba – Umbigo indiscreto De 2001: – Os problemas da família Gorgonzola, Global, – Bililico (com Denize Carvalho), Formato – Marilu, Martins Fontes • Coleção Os bobos da corte, Moderna, 2002: – Dauzinho – Rumboldo – Tartufo Luas, Global, 2002 O circo da lua, Ática, 2003 Cacoete, Ática, 2005 O Feitiço do Sapo - Ática, 2006 Zig zag - Global, 2006 Felpo Filva - Moderna editora, 2006

• • • • • •

Como ilustradora
• • • • • • Seu Rei mandou dizer, de Giselda Laporta Nicolelis - ilustradora (com Elenice Machado de Almeida), Moderna editora Dorotéia a Centopéia, de Ana Maria Machado - ilustradora, Salamandra. Bento Que Bento e o Frade, de Ana Maria Machado- Ilustradora, Salamandra, Que Horta, de Tatiana Belinki - ilustradora, Paulus A mãe da menina e a menina da mãe, de Flávio de Souza) ilustradora, FTD Ilustração da obra infantil de Érico Veríssimo, Cia das Letrinhas:
– – – – – – O Urso com Música na Barriga, 2002 A Vida do Elefante Basílio, 2002 Os Três Porquinhos Pobres, 2003 Outra Vez os Três Porquinhos, 2003 Rosa Maria no Castelo Encantado, 2003 As Aventuras do Avião Vermelho, 2003

• • •

Outros: Lambisgóia, de Edson Gabriel Garcia - Ilustradora, Nova Fronteira, 1984 A Menina das Bolinhas de Sabão, de Antônio Hohlfeldt Ilustradora, FTD

Referências Bibliográficas
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