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Poetas Populares do Concelho de Beja 1987 - 1 a 173 - Santa Vitória

Poetas Populares do Concelho de Beja 1987 - 1 a 173 - Santa Vitória

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Poetas Populares do Concelho de Beja 1987 de 001 a 173 - agora da p. 1 a 173 - com poetas de Santa Vitória, com Francisco da Encarnação... Seguem 5 poetas participantes no Concurso / 85
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Naturalidade - Freguesia de S. João Batista / Beja

Residência - Rua de S. Gregrório, 33 - Beja

Idade - 61 em 1987 (nasceu em 1926)

Habilitações – 4ª Classe. Frequentou o CEBA da Capricho Bejense e
fez a avaliação final em Junho de 1983

Profissão - Doméstica

Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012

62

Carlota Ramos Caixinha - Beja

O OUTONO É MUITO TRISTE

O Outono é muito triste
Vêem-se árvores despidas
Por isso se pode ver
A perca de muitas vidas

As folhas são seres viventes
Que morrem pelo Outono
Se olhares bem para o chão
Lá as vês ao abandono

Essas folhas tão viçosas
Em secas se transforrnararn
Foi o Outono o culpado
Elas em nada ficaram

Vem o frio, vem o Inverno
Ai dos pobres passarinhos
Cai a parra da parreira
E morrem tantos velhinhos.

Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012

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Carlota Ramos Caixinha - Beja

HÁ HOMENS QUE NÃO DEVIAM

Há homens que não deviam
Construir a vida a dois
Fingem ser tão carinhosos
Mostram o que são depois

Há mulheres muito infelizes
Que não sabem o que as espera
Pensam casar com um homem
Descobrem que é uma fera

Há homens que não deviam
Nesta vida ser casados
São mais estúpidos que os burros
Precisavam ser piados

Pois eu acho que esses homens
Nunca deviam casar
Pois deitem-nos para a selva
Pr'os lobos os devorarem

É o meu modo de pensar
Será o de muita gente
Desses não deixem nenhum
Para não ficar a semente

Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012

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Carlota Ramos Caixinha - Beja

É TÃO TRISTE SER VELHINHO

É tão triste ser velhinho
É a morte que demora
Até se perde a figura
Do que nós fomos outrora

É o fim da nossa vida
É o fim da ilusão
Somos seres postos de lado
Findou a nossa missão

Cá esperamos a morte
Para o fim ser completo
Para ficarmos esquecidos
Como o vento no deserto

Neste deserto distante
Por lá ninguém faz caminho
Oh morte, não te demores!
É tão triste ser velhinho!

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65

Carlota Ramos Caixinha - Beja

MENINO DO BAIRRO DA LATA

Menino do bairro da lata
A tua vida é tão nua
Sem camisa e de alpercatas
Mendigando pela rua

Serás homem amanhã
Mas não terás profissão
Paderás te transfonnar
Em assassino ou ladrão

Mas tu não és o culpado
Dessa triste desventura
Talvez deixassem morrer
A tua alma tão pura

Enquanto foste criança
Cheio de fome e de frio
Assim tu foste crescendo
Tomando-te um vadio.

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Carlota Ramos Caixinha – Beja

É TÃO LINDA A PRIMAVERA

É tão linda a Primavera
Ocampo muda de cor
E chegam as andorinhas
No campo há tanta flor

Flores brancas e vermelhas
Cor-de-rosa e amarelas
Que têm tanta beleza
Embora sejam singelas

As árvores estão em flor
Para o seu fruto nascer
Ocampo só tem beleza
Para quem o sabe ver

No campo é que se produz

E do trigo se faz pão
Lindas espigas douradas
Para nossa alimenlação

Há quem não goste do campo
Não sei por qual a razão
O campo nos dá a frula
Horlaliça, carne e pão.

Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012

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Carlota Ramos Caixinha – Beja

VERSOS DEDICADOS À PAZ

O mundo é de todos nós
Não o podem destruir
Estamos todos alerta
Não o vamos consentir

Ó povo de todo o mundo
Aqui faço o meu alerta
Há muitos adormecidos
Certo povo nao csperta

Por mais que o esclareçam
Não são capazes de entender
Pois se nós queremos a paz
Temos nós que a defender

Pois ninguém tem o direito
Deste mundo destruir
Que foi traçado por Deus
Que não irá consentir

Menina dos olhos tristes
Porque te invade a tristeza?
Vês teu futuro tão negro
Aumenta a tua pobreza

Não tens pão para comer
Nem casa para morar
Menina dos olhos tristes
Tens que andar a mendigar

As rosas têm espinhos
São criadas ao relento
As pétalas orvalhadas
Sacudidas pelo vento

Se o vento embala a roseira
Vê-se a rosa balouçar
As flores são muito belas
São criadas ao luar

As rosas tern espinhos
Para a sua protecção
A panhem-nas com carinho
P'ra nao picarem a mão

Só as flores são perfeitas
Deve ter havido engano
Pois o ser mais imperfeito
Somos nós o ser humano

Pois eu tenho tanta pena
Que este mundo seja assim
Se tudo fosse perfeito
O mundo era urn jardim

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Carlota Ramos Caixinha – Beja

VERSOS DEDICADOS AO CAMPONÊS

Ó meu povo camponês
Levas a vida cansada
Agarrado a um arado
Ou ao cabo de uma enxada

Com o teu rosto cansado
Dás fim à tua fadiga
Começas de manhazinha
A cortar pão em espiga

Essa espiga tão dourada
Que dela se faz o pão
Ó povo trabalhador
Cantas a tua canção

O povo que anda no campo
Devia ser mais estimado
É ele que produz a pão
E anda mais arrastado

Anda ao frio e ao calor
Enfrentando a tempestade
Pois deiem-lhe mais valor
É esta a grande verdade

O povo não se apercebe
Da grande contradição
Se nao fosse o camponês
Nós não teríamos pão

O nosso mundo está louco
Ó meu Deus, grande loucura
Este mundo tão imundo!
Doença que não tem cura

O povo anda tão louco
Anda tão espavorido
O próprio povo se vende
Isto já não faz sentido

Há gente que se embriaga
Na ganância do dinheiro
Jogam bombas, queimam matas
Fazem do mundo urn braseiro

Essse braseiro infernal
Que outros vão apagar...
Ó povo, ignorante
Tu próprio te estás a matar.

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69

Carlota Ramos Caixinha – Beja

QUADRAS SOLTAS

I

1
O dia de Santo António
É dia de bailarico
Andam as mças dançando
E cheirando o manjerico

3
Acaba-se o Santo António
E comça o São João
Dançam as moças nos mastros
E rebenlam balão

2
À noite fazem fogueiras
Queima-se o alecrim
Junta-se o rosmaninho
Que também me cheim a mim

4
Acaba-se o São João
E no fim é o São Pedro
E as moças já não dançam
Que dos moços têm medo.

5
Fazem as moças experiências
Queimam os cardos nas fogueiras
Na noite de São João...
Se nada lhe bater certo
Pois lá se vai a paixão
II

I
Na solidão do meu quarto
Tenho tempo p'ra pensar
Sem ninguém m'interromper
Ponho a mente a trabalhar

2
Gostava de ter cultura
P'ra me saber exprimir
P'ra escrever minha mágoa
Que é tão grande o meu sentir

3
Sinto em mim uma revolta
Sinto tristeza também
Mas nada posso fazer
Nem por mim nem por ninguém

4
O homem ludo constrói
E faz a destruição
Já é tempo de acabar
Com tanta poluição

5
Aqui faço o meu alerta
E vejam bem que é verdade
Se não tiverem cuidado
Acaba a humanidade

6
O povo já está doente
Com tanta poluição
Anda tudo envenenado
Com esta alimentação.

III

1
A vida é um grande engano
Por mim não ando enganada
Com ela muito aprendi
E me sinto tão revoltada

2
Há tanta gente no mundo
Que feliz podia ser
Sem ter casa nem conforto
E nem pão para comer

3
Mas há comida de sobra
Mas é mal aproveitada
Comida tão preciosa
E para o lixo é deitada.

IV
EU NÃO QUERO SER POETA
NÃO TENHO TAL PRETENSÃO
APENAS QUERO EXPRIMIR
A MINHA IMAGINAÇÃO.

V
A VIDA É TRAIÇOEIRA
A VIDA É BOA E MÁ
A VIDA TUDO NOS TIRA
A VIDA TUDO NOS DÁ

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70

Carlota Ramos Caixinha – Beja

QUADRAS DEDICADAS À MULHER

I
Dizem que a mulher é fraca
É fácil de manejar...
É o homem seu carrasco
Que gosta de a humilhar.

II
Ela não vai desisistir
Da sua libertação
Sabem que está aprovado
Na sua constituição

III
Pois ela não está sozinha
Tern muita gente a seu lado...
Se esta luta for em frente
Pois o homem está tramado.

IV
Pois o homem é o eulpado
Desta grande decisão
Ela luta e consegue
Tem esse trunfo na mão

V
Pois ninguém vai impedir
E essa luta continua
Pois respeitem a mulher
Quer em casa, quer na rua.

Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012

71

Ana Maria Neves - Beja

Nome - Ana Maria Neves

Naturalidade – Trindade

Residência - Rua da Biscainha, 36, Beja

Idade - 71 anos em 1987 (nasceu em 1916)

Habilitações - Frequentou o CEBA da Capricho Bejense em 83/84

Profissão - Reformada

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72

Ana Maria Neves – Beja

PRIMAVERA

BEJA - 1983/MARÇO 21 - PRIMAVERA

O Inverno terminou
E a Primavera a chegar
E as flores a desabrochar
As Dálias, as Túlipas e as Honenses e os Jasmins
E quando a Primavera chega
Tudo é assim.

Os Malmequeres, os Jarros e as Rosas brancas
São da cor da pureza
Tudo nos dá a Primavera
Criada pela Natureza

E neste jardim tantas coisas mais
As andorinhas a chilrear nos beirais
E os Rouxinóis e as Pardais, logo ao romper do dia
Com a sua suave melodia.

Estar a ouvi-los sempre quem me dera...
Tudo ista nos dá a Primavera!

Naquele canteiro mais além
Tantas e tão belas de variadas cores
E no hanco do jardim, um casal de jovens
A falar de Amores.

E as Maravilhas e as Cravos
E os Amores Perfeitos
E as suas Chagas
Tudo por Jesus foi feito.

É UM PRAZER PARA MIM
ENTRAR NA PRIMAVERA
NO JARDIM.

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73

Ana Maria Neves – Beja

DIA DO PAI

Beja . 1983 / Março / 19 - Dia do Pai

Dia 19 de Março

E um dia de luz

Dia de S. José

Pai adoptivo de Jesus

E o meu querido Pai

Que me criou com carinho e amor

E a minha boa Mãe

Que também não está esquecida

Sua esposa e fiel companheira

Na sua união me deram a vida

Abraçá-los hoje, quem me dera

Para matar a saudade

Eles já não pertencem à terra

Estão no Reino da Verdade.

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74

Ana Maria Neves – Beja

O JARDIM DE DEJA

Este Jardim de Beja
É histórico e de muito valor
Logo a entrada uma placa
Com a sua verdura e muito florida
E no meio uma estátua erguida
Figura de muito valor
Mendes da Maia, O LlDADOR

Empunhando uma espada
E metido na armadura
E a sua batalha de Moiros venceu
Porque Deus assim o quis...
É uma grande figura, para o nosso país.

E neste canteiro
Nem parece verdade
Todo feito em verdura
O emblem a da Cidade
Aos estrangeiros mete inveja
Em letras gordas escrito:
CIDADE DE BElA.

Este canteiro é uma loucura
É um amor
Corn a sua verdura
E as suas FLORES!

E a sua Santa Isabel, Rainha das flores
Com o seu olhar de ternura
Com a calendário aos pés...
Benditas as mãos que o fez
Todas feitas em verdura
A DATA, O DIA E O MÊS.

E as árvores que há pouco estavam despidas
E agora todas floridas, de cor-de-rosa vestidas!

Deste jardim ainda há muito que falar
Também há o CORETO
Para a orquestra tocar
E uma BIBLIOTECA
Para aqueles que querem estudar.

E logo de manhazinha
Os passarinhos a cantar
De arbusto em arbusto a esvoaçar...

É uma alegria ouví-los a chilrear.

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75

Ana Maria Neves – Beja

O JARDIM DE DEJA

E O PARQUE INFANTIL...
As crianças a correr e a saltar
Umas no escorrega
E outros a balouçar.

Eo seu MONTINHO ALENTEJANO
Que tanta graça lhe vem dar
Venham ver...
Na dispensa o alguidar
Pam o pão amassar.

A peneira para peneirar
E a tábua para tender
E também o seu forninho
Para o pãozinho cozer.

Tambem temos neste jardim
Uma FONTE SANTA...
Podem ver:
Com o seu grande chafariz
E na boca dos leões
quatro Bicas a correr.

E o seu grande LAGO
Com os cisnes pretos
E outros mais
Todos a nadar
No meio um repuxo
Com a água a subir e a baixar
E EU CONTINUO A ADMIRAR.

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76

Ana Maria Neves – Beja

recordação

Desta janela virada pró mar

A minha vida e a tua

Guilherme eu estou a recordar

Como outrara em Sines

Com os nossos filhinhos

Tu e eu os enchíamos de carinhos...

Mas ja tudo passoul

Porque Deus te levou

E eu sempre em ti a pensar

Desta janela virada pró mar.

Depois de tudo que tenho passado

Vim de novo para a escola

Para aprender a ler...

Vivo longe dos mous filhos

Preciso de lhes escrever.

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Iolanda Guerreiro - Beja

Nome - lolanda Guerreiro

Naturalidade – Beja

Residência - Rua Dr. Aresta Branco, 50, Beja

Idade - 56 anos em 1987 (nasceu em 18 de Junho de 1931)

Habilitação – 4ª Classe

Profissão – Reformada

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Iolanda Guerreiro - Beja

SÁTIRA AOS PROVÉRBIOS

"QUEM TUDO QUER TUDO PERDE"
É urn ditado banal
Ha gente que tudo quer
E tudo tem, afinal!

"QUEM TEM FILHOS TEM CADlLHOS"
E quem será que os não tem
Ter cadilhos por ter filhos
É um mal que vem por bem.

"QUEM ESPERA SEMPRE ALCANÇA"
Se fosse certo o ditado
Não tinha perdido a esperança
De te ter sempre a meu lado.

"AMOR COM AMOR SE PAGA"
Se isso fosse verdade
Tanta coisa se evitava
Nesta triste humanidade.

"DEVAGAR SE VAl AO LONGE"
É já um ditado antigo
Tenho andado devagar
E o que quero não consigo.

"COM OS BONS TU SERAS BOM"
Não aprovo este ditado
Há tantas pessoas más
Com tantas boas ao lado.

"QUEM ESPERA DESESPERA"
Não está certo o ditado
Eu nunca desesperei
Por tanto ter esperado.

E há urn provérbio com que eu estou de acordo,
porque é bem certo, infelizmente...

"ESTA VIDA SÃO DOIS DlAS"
É um ditado bem certo
Quando julgamos viver
Temos a morte bem perto.

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Iolanda Guerreiro - Beja

Quadras

Mote:

"TAMBÉM HÁ ROSAS SEM ESPINHOS"

"Também há rosas sern espinhos"

Essas são as mais formosas;

Mas, para um bom cheirinho

Prefiro as rnais espinhosas.

"Também há rosas sem espinhos"

Essas não são da roseira;

São regadas com carinho

Criadas... de que rnaneira.

"Também há rosas sem espinhos"

Eu não queria aereditar;

No dia em que me casei

Estava uma no altar.

"Também há rosas sem espinhos"

Essas são as mais formosas;

Arnor, dá-me os teus earinhos

E, junto aos carinhos, rosas.

Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012

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Final - Beja

Poetas Populares do Concelho de Beja – 1987 /1989 – joraga.net 2012

81

Beringel

BERINGEL

ROSA HELENA RODRIGUES

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Rosa Helena Moita Rodrigues - Beringel

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83

Rosa Helena Moita Rodrigues - Beringel

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