A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA PARA OS PSICOPEDAGOGOS

na medida em que a problemática aparece. Cada situação é única e requer do profissional atitudes específicas em relação àquela situação. . • • A metodologia do trabalho (forma de atuação). individualmente ou em grupo.A Prática Psicopedagógica • O Trabalho psicopedagógico implica em compreender a situação de aprendizagem do sujeito. dentro de seu próprio contexto. vai sendo tecida em cada caso. o que significa que não há procedimentos predeterminados (configuração clínica da prática psicopedagógica). Tal compreensão requer uma modalidade particular de atuação para a a situação em estudo.

. integrando-os e sintetizando-os” [..] Para Golbert: “o objeto de estudo da psicopedagogia deve ser entendido a partir de dois enfoques: preventivo e terapêutico”..• Objeto de estudo da psicopedagogia segundo alguns psicopedagogos brasileiros..+ De acordo com Neves.. ”a psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar.] Segundo Kiguel “o objeto central de estudo da psicopedagogia esta se estruturando em torno do processo de aprendizagem humana: seus padrões evolutivos normais e patológicos – bem como a influência do meio (família. *. assim como a melhor qualidade na construção da própria aprendizagem de alunos e educadores. sociedade) no seu desenvolvimento” *..] Segundo Scoz. afetivos e sociais que lhe são implícitos”.... E mais.. tomadas em conjunto.+ Para Rubinstein “o objetivo principal da psicopedagogia é a investigação de etiologia da dificuldade de aprendizagem considerando todas as variáveis que intervém nesse processo” *. e numa ação profissional deve englobar vários campos do conhecimento. procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos. “a psicopedagogia estuda o processo de aprendizagem e suas dificuldades. escola.+ Do ponto de vista de Weiss “a psicopedagogia busca a melhoria das relações com a aprendizagem. levando sempre em conta as realidades interna e externa da aprendizagem. procurando estudar a construção do conhecimento em toda sua complexidade. Psicopedagogia segundo Kiguel: [... . [.

emprestada da Medicina. • Busca o significado de dados que lhe permitirá dar sentido ao observado. numa abordagem preventiva. O psicopedagogo pesquisa as condições para que se produza a aprendizagem do conteúdo escolar. . fazendo com que cada situação seja única e particular. é frequentemente utilizada na Psicopedagogia Clínica referindo-se à postura terapêutica do profissional.• O psicopedagogo procura observar o sentido particular que assumem as alterações da aprendizagem do sujeito ou do grupo. a prática psicopedagógica também apresenta uma configuração clínica. • Na instituição escolar. Esse trabalho requer uma atitude de investigação e intervenção. identificando os obstáculos e os elementos facilitadores. • Uns e outros (elementos facilitadores e obstáculos) são condicionados por diferentes fatores. A expressão “olho clínico”.

respeitando as características do grupo a pensar o plano de trabalho. experiências.” (Nádia Bossa) .• A Psicopedagogia preventiva se baseia principalmente na observação e análise profunda de uma instituição concreta. de forma a adequar conteúdos e métodos. quer dizer. condições. • A função preventiva está implícita na atitude de se considerar aquele grupo específico como os sujeitos da aprendizagem. de forma que podemos considerar clínico o seu trabalho. manifestações do grupo ou sujeito muitas vezes intransferíveis. O caráter clínico está na atitude de investigação frente a essa situação como uma situação particular e única. ou seja. eu procuro conhecer os alunos de forma a escolher os meios e os fins que melhor os atendam. Dessa forma estou prevenindo alguns obstáculos que poderiam surgir se meu plano de trabalho não atendesse os interesses do grupo sujeito dessa aprendizagem. • Ex: “Antes de iniciar o processo de alfabetização numa 1ª série. há características problemáticas.

e até mesmo problemas de disciplina. Cada um desses espaços implica uma metodologia específica de trabalho. dependem de um bom manejo da leitura e escrita. podemos estar prevenindo problemas futuros na assimilação de determinados conteúdos.• É importante reiterar que o trabalho clínico na Psicopedagogia tem função preventiva na medida em que. • A Psicopedagogia tem o seu lugar na clínica e na instituição. . muitas gerados com a função de mascarar uma dificuldade. a comunidade. no entanto. a escola. entre outras coisas. a família. isto é. devemos considerar especialmente as circunstâncias. ao tratar determinados problemas. o contexto de vida do sujeito. Em ambos. pode prevenir o aparecimento de outros. que. Ex: Ao tratar de uma dificuldade na escrita. ou seja.

. supervisores. não só por pertencerem a classes diversas ou por estarem em momentos diversos em termos de desenvolvimento psicológico (. costumes e valores presentes na sua família e na localidade mais próxima interferem na sua percepção de mundo e na sua inserção. serventes. diz Kramer (1983): Os estudos antropológicos exigem que levemos em conta o contexto de vida mais imediato das crianças e as próprias características específicas dos professores e da escola como instituição. e ainda também os hábitos.) Também os hábitos.) precisam ser considerados e discutidos.. valores e costumes dos profissionais com que eles convivem no contexto escolar (professores. Isso significa reconhecer que as crianças são diferentes e têm especificidades.• Neste sentido. . etc.

• Não é possível excluir do processo da aprendizagem esses virtuais elementos. na hora da sua intervenção.• Portanto. não só nas causas do problemas. que a natureza das causas do problema de aprendizagem aponta para o psicopedagogo. Pode-se dizer. . Essas características que constituem a causa da problemática influenciam também a forma de abordagem do profissional. no trabalho psicopedagógico. devemos reconhecer e considerar a interferência desses elementos apontados por Kramer. • É importante frisar que as características da família. cujo influxo sobre o próprio sujeito é marcante. da escola ou até mesmo do professor podem ser a causa desencadeante do problema de aprendizagem. a melhor forma de atuar. desta maneira. mas também na forma de intervenção do profissional.

no sentido ontogenético e filogenético. Utiliza recursos das várias áreas do conhecimento humano para a compreensão do ato de aprender.ABPp Reformulado pelo Conselho Nacional e Nato do biênio 95/96 • • CAPÍTULO I DOS PRINCÍPIOS Artigo 1º A psicopedagogia é um campo de atuação em Saúde e Educação que lida com o processo de aprendizagem humana. • • . utilizando procedimentos próprios da psicopedagogia. seus padrões normais e patológicos. escola e sociedade _ no seu desenvolvimento.CÓDIGO DE ÉTICA DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOPEDAGOGIA . valendo-se de métodos e técnicas próprios. considerando a influência do meio _ família. • • Parágrafo único A intervenção psicopedagógica é sempre da ordem do conhecimento relacionado com o processo de aprendizagem Artigo 2º A Psicopedagogia é de natureza interdisciplinar.

ministradoem estabelecimento de ensino oficial e/ou reconhecido. devendo valer-se dos recursos disponíveis. de caráter preventivo e/ou remediativo. portadores de certificados de curso de Pós-Graduação de Psicopedagogia. ou mediante direitos adquiridos. incluindo a relação interprofissional. • Artigo 4 • Estarão em condições de exercício da Psicopedagogia os profissionais graduados em 3º grau. garantindo o bem-estar das pessoas em atendimento profissional. (ii) realizar pesquisas científicas no campo da Psicopedagogia. • Artigo 5 • O trabalho psicopedagógico tem como objetivo: (i) promover a aprendizagem.• Artigo 3º • O trabalho psicopedagógico é de natureza clínica e institucional. . sendo indispensável submeter-se à supervisão e aconselhável trabalho de formação pessoal.

• B) Zelar pelo bom relacionamento com especialistas de outras áreas. C) Assumir somente as responsabilidades para as quais esteja preparado dentro dos limites da competência psicopedagógica. • • • D) Colaborar com o progresso da Psicopedagogia. mantendo uma atitude crítica. . E) Difundir seus conhecimentos e prestar serviços nas agremiações de classe sempre que possível. de abertura e respeito em relação às diferentes visões do mundo.• • CAPÍTULO II DAS RENPONSABILIDADES DOS PSICOPEDAGOGOS Artigo 6º São deveres fundamentais dos psicopedagogos: A) Manter-se atualizado quanto aos conhecimentos científicos e técnicos que tratem o fenômeno da aprendizagem humana.

O respeito e a dignidade na relação profissional são deveres fundamentais do psicopedagogo para a harmonia da classe e manutenção do conceito público. . parecer e/ou diagnóstico do cliente nos relatos e discussões feitos a título de exemplos e estudos de casos. • G) Preservar a identidade. de qualquer forma. com o ato ilícito ou calúnia. • I) Manter atitude de colaboração e solidariedade com colegas sem ser conivente ou acumpliciar-se. • H) Responsabilizar-se por crítica feita a colegas na ausência destes.• F) Responsabilizar-se pelas avaliações feitas fornecendo ao cliente uma definição clara do seu diagnóstico.

Parágrafo Único Não se entende como quebra de sigilo. informar sobre cliente a especialistas comprometidos com o atendimento. o seguinte: A) Trabalhar nos estritos limites das atividades que lhes são reservadas. para este fim. encaminhando-os a profissionais habilitados e qualificados para o atendimento. observando.• • • • • CAPÍTULO III DAS RELAÇÕES COM OUTRAS PROFISSÕES Artigo 7º O psicopedagogo procurará manter e desenvolver boas relações com os componentes das diferentes categorias profissionais. • • • • . B) Reconhecer os casos pertencentes aos demais campos de especialização. CAPÍTULO IV DO SIGILIO Artigo 8º O psicopedagogo está obrigado a guardar segredo sobre fatos de que tenha conhecimento em decorrência do exercício de sua atividade.

• Artigo 10º • Os resultados de avaliações só serão fornecidos a terceiros interessados. a menos que seja intimado a depor perante autoridade competente. como testemunha. .• Artigo 9º • O psicopedagogo não revelará. mediante concordância do próprio avaliado ou do seu representante legal. fatos de que tenha conhecimento no exercício de seu trabalho. . • Artigo 11º • Os prontuários psicopedagógicos são documentos sigilosos e a eles não será franqueado o acesso a pessoas estranhas ao caso.

• CAPÍTULO V DAS PUBLICAÇÕES CIENTIFICAS • • Artigo 12º Na publicação de trabalhos científicos. o psicopedagogo se prevalecerá da posição hierarquia para fazer publicar em seu nome exclusivo. . d) Em todo trabalho científico deve ser indicada a fonte bibliográfica utilizada. sendo de boa norma dar prioridade na enumeração dos colaboradores àquele que mais contribuir para a realização do trabalho. deverão ser observadas as seguintes normas: a) A discordância ou críticas deverão ser dirigidas à matéria e não ao autor. c) Em nenhum caso. trabalhos executados sob sua orientação. b) Em pesquisa ou trabalho em colaboração. deverá ser dada igual ênfase aos autores. bem como esclarecidas as idéias descobertas e ilustrações extraídas de cada autor.

desde que busque sempre a qualidade dos mesmos. • Artigo 14º • O psicopedagogo poderá atuar como consultor científico em organizações que visem o lucro com venda de produtos. .• CAPÍTULO VI DA PUBLICIDADE PROFISSIONAL • Artigo 13º • O psicopedagogo ao promover publicamente a divulgação de seus serviços. deverá faze-lo com exatidão e honestidade.

Artigo 18 Cabe ao Conselho Nacional da ABPp orientar e zelar pela fiel observância dos princípios éticos da classe. . CAPÍTULO IX DA OBSERVÂNCIA E CUMPRIMENTO DO CÓDIGO DE ÉTICA Artigo 17 Cabe ao psicopedagogo.• • • • • • • • • • • • • CAPÍTULO VII DOS HONORÁRIOS Artigo 15 Os honorários deverão ser fixados com cuidado. a fim de que representem justa retribuição ao serviços prestados e devem ser contratados previamente. por direito. CAPÍTULO VIII DAS RELAÇÕES COM SAÚDE E EDUCAÇÃO Artigo 16 O psicopedagogo deve participar e refletir com as autoridades competentes sobre a organização. e não por obrigação. seguir este código. Artigo 19 O presente código só poderá ser alterado por proposta do Conselho da ABPp e aprovado em Assembléia Geral. implantação e execução de projetos de Educação e Saúde Pública relativo às questões psicopedagógicas.

da qual resultou a presente solução.• CAPÍTULO X DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Artigo 20º • O presente código de ética entrou em vigor após sua aprovação em Assembléia Geral. realizada no V Encontro e II Congresso de Psicopedagogia da ABPp em 12/07/1992. na Assembléia Geral do III Congresso Brasileiro de Psicopedagogia da ABPp. e sofreu a 1ª alteração proposta pelo Congresso Nacional e Nato no biênio 95/96. . sendo aprovado em 19/07/1996.

-Artmed.12.36-37. • CÓDIGO DE ÉTICA DA ABPp. Nº25. . São Paulo. Porto Alegre: Artes Médicas Sul. 1993. Aparecida Nádia. v. ABPp. In: Revista Psicopedagogia. p. 2ª ed. 2000. A psicopedagogia no Brasil: Contribuições a partir da pratica.Referências • BOSSA.