Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Centro de Educação Superior Norte – RS (CESNORS) Departamento de Administração

Caderno Didático n0 1:

Introdução à Economia
(Versão não-revisada)

Professora: Solange Regina Marin Curso: Administração

Palmeira das Missões 2007

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INDICE Introdução Capítulo 1 – Conceitos Básicos 1. O conceito de economia 2. De que se ocupa a economia 3. A quantificação da realidade econômica 4. Breve contexto histórico do conceito economia 5. As escolhas na economia 6. Os argumentos da economia 7. Método de investigação da ciência econômica 8. Evolução do pensamento econômico.. 9. Interação entre os agentes econômicos e as questões-chave da economia Capítulo 2- Sistema Financeiro 1. Origem da moeda 2. Evolução das formas de moeda 3. Ativos financeiros 4. Oferta e demanda de moeda 5. Medida da Oferta de Moeda 6. Base monetária 7. Estrutura do SFN (brasil) 8. Organização do SFN 9. Diferentes mercados Intermediação Financeira 1. Formas de financiamento 2. Criação e destruição de moeda 3. Multiplicador bancário 4. Política monetária Capítulo 3 – Inflação 1. Situações possíveis de variação dos preços 2. Teorias da inflação 3. Inflação e Números-Indices 4. Indicadores de inflação no Brasil e no RS 5. Inflação no Brasil e Planos de Estabilização Capítulo 4 – Setor Público 1. As funções econômicas do setor público 2. Estrutura tributária 3. Os tributos e sua classificação 4. Os gastos do setor público 5. O Conceito de déficit público 6. Financiamento do déficit 7. Aspectos institucionais do orçamento público 8. Fiscalização Capítulo 5 – Conceito e Cálculo dos Agregados Macroeconômicos 1. O conceito de valor adicionado: o produto nacional (PN) 2. O conceito de renda nacional (RN) 3. O conceito de despesa nacional (DN) Alguns problemas com as medidas agregadas Capítulo 6 – A Economia Nacional e as Relações Internacionais 1. Teorias do comércio internacional 04 05 05 06 08 10 11 13 14 15 22 23 24 24 25 25 26 26 27 29 29 30 31 36 37 38 39 42 50 50 51 55 55 55 55 57 58 59 59 69 71

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2. A taxa de câmbio e o mercado cambial 3. Balanço de pagamentos 4. Instrumentos de ajuste do balanço de pagamentos A Institucionalidade no Cenário Internacional Capítulo 7 – Noções de Microeconomia 1. Escassez 2. Custo de oportunidade 3 Análise marginal Mercado: Oferta e Demanda 1 Procura (ou Demanda) 2. Oferta 3. Outros fatores que influenciam as curvas de demanda e de oferta 4. Preço e quantidade de equilíbrio 5. Intervenções de mercado 6. O conceito de elasticidade 7. Estrutura de mercado Referência Bibliográfica

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Além disso. são apresentadas questões teóricas e aplicadas sobre os diferentes assuntos trabalhados que incluem desde os conceitos básicos até as noções sobre economia nacional e relações internacionais.4 INTRODUÇÃO A idéia de produzir um caderno didático surgiu depois de alguns semestres ministrados da disciplina de Introdução à Economia para diferentes cursos de graduação. o caderno se torna uma ferramenta auxiliar para o estudante da disciplina de Introdução à Economia. Para isso. Por se tratar de assuntos ainda gerais da Ciência Econômica e relacionar acontecimentos recentes da economia brasileira. uma visão geral do objeto de estudo e do método de investigação da chamada Ciência Econômica. Este caderno não pretende dar respostas definitivas às questões sobre economia. . A preocupação central é apresentar de forma simples e clara os conceitos econômicos básicos. sem esquecer de relacioná-los com os fatos econômicos reais. ou seja. estudaremos as noções básicas de Economia para observar de forma crítica a realidade e interpretar o significado dos diferentes conceitos econômicos frente aos acontecimentos reais da economia brasileira. traçar um paralelo entre as noções econômicas e as informações sobre a realidade econômica brasileira. no presente momento ao aluno do curso de administração. provocar o debate e proporcionar aos alunos do curso de administração uma capacidade de análise crítica das questões econômicas atuais. O objetivo é propiciar ao aluno. mas suscitar o interesse.

consistência e aderência à realidade. com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas.Interação entre os agentes econômicos . E vai além. Essa abertura se dá em uma dupla direção.Método de investigação da ciência econômica . porque a economia busca alicerçar seus princípios. DE QUE SE OCUPA A ECONOMIA Aqui estão destacadas as categorias centrais de preocupação da economia. De outro lado. 2. direito). mas ainda no desenvolvimento dos demais campos do conhecimento social. .Argumentos da economia . a economia não pode ser considerada como fechada em torno de si mesma. à ética e à história. de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade. e os grandes temas de que se ocupa a economia. A economia pode ser definida como ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem utilizar os recursos produtivos escassos.Evolução pensamento econômico . lei).Questões-chave da economia 1.5 CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS O QUE É ECONOMIA ? O que veremos? . o estudo da economia implica a abertura de suas fronteiras às demais áreas das ciências sociais ou humanas. De um lado. assumindo um caráter biunívoco.Contexto histórico do conceito economia .A quantificação da realidade econômica . Como umas das ciências sociais (ciência política. O CONCEITO DE ECONOMIA A palavra economia vem do grego oikos (casa) e nomos (norma. porque pode influir no questionamento dos princípios e das aquisições conceituais desses mesmos campos. abrindo suas fronteiras à filosofia. Pelas implicações da ação econômica sobre outros aspectos da vida humana. conceitos e modelos teóricos não apenas na sua própria coerência. na produção de bens e serviços. o que implica por sua vez numa interface com outras áreas de conhecimento. Seria administração da casa ou administração da coisa pública. psicologia. antropologia culturas. A figura 1 abaixo mostra que a economia está relacionada com outros campos de conhecimento. sociologia.De que se ocupa a economia .

dentre eles Adam Smith. concorrência.6 FIGURA 1 – A relação com outros campos de conhecimento Clássicos/Marx: * Produção * Distribuição * Dispêndio *Acumulação A. crescimento. e por Karl Marx que ficou conhecido pelo desenvolvimento da teoria marxista. foram o processo de produção. emprego. Nesse iniciar do debate econômico. moedas. valor.Por que é importante para um produtor saber a elasticidade demanda por seu produto? . recursos. Além disso. transações.De que forma a oferta de moeda na economia afeta a taxa de juros? .Por que os aluguéis de imóveis em regiões universitárias geralmente costumam ser maiores no início do período letivo? . riqueza e bem-estar foram apresentados por A. mercado. preço.A taxa de crescimento do PIB seria um bom indicador para o desenvolvimento de um país? 3.Por que a renda dos agricultores se eleva quando ocorre uma estiagem que reduz a produção? . David Ricardo.Como pode uma desvalorização cambial conduzir a uma melhora na balança comercial? . ressaltam-se os diferentes temas que são objetos de estudo da economia: escassez. 2. A QUANTIFICAÇÃO DA REALIDADE ECONÔMICA O que distingue a economia de outros ramos do conhecimento social é a possibilidade de alguma forma de mensuração. os temas pobreza.1. Já as noções de crescimento e desenvolvimento foram tratadas por Simon Kuznets e Lionel Robbins tratou da questão das escolhas em economia. agregados. o dispêndio e a acumulação.Por que o setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul está em crise com o maior valor do real frente ao dólar? . trocas.Por que a taxa de juros é tão importante para os investimentos? . agentes. Marshall.Por que a demanda por bens como carros ou apartamentos aumenta com o processo inflacionário? . assuntos tratados pelos clássicos. Marshall (1842-1924) * Pobreza * Riqueza * Bem-estar Simon Kuznets (1901-1985) * Crescimento * Desenvolvimento Lionel Robbins (1898-1984) * Recursos * Necessidades * Prioridades * Escassez * Recursos * Emprego * Produção * Agentes * Trocas * Moedas * Valor * Preços * Mercados * Concorrência * Remunerações * Agregados * Transações * Crescimento * Equilíbrio Antropologia Sociologia Psicologia Direito Política Ética Os temas discutidos pelos diferentes pensadores econômicos e em épocas históricas diversas. remuneração.Por que devemos nos preocupar com o PIB de um país? .Quais os fatores que influenciam o crescimento econômico? . ao ressaltar que as necessidades ilimitadas e os recursos escassos. equilíbrio e desenvolvimento. produção. Alguns problemas econômicos . Em economia é possível: .Por que a alta do preço do cafezinho reduz a demanda por açúcar? . a distribuição.

estabelecer relações quantitativas entre diferentes categorias de transações. Valores absolutos . experessnado: . O quadro abaixo sintetiza as formas usuais de indicações quantitativas em economia.moeda corrente do país (a) Monetárias .desenvolver modelos explicativos da realidade. Indicam a resposta de uma ou de um conjunto de variáveis a determinada ação econômica. entre duas variáveis. Quadro 1 – A quantificação da realidade e as variáveis econômicas .proceder a análises fundamentais em parâmetros quantificados. de conjuntos Indicam variações de grupos.relações cambiais entre (a) e (b) adotadas Indicam magnitudes medidas ao longo de Variáveis-fluxo determinado período de tempo Variáveis econômicas Indicam magnitudes medidas em um determinado quantificáveis Variáveis-estoque momento Indicam relações entre duas variáveis. . com destaque para a econometria. . Indicam a interdependência interconsistentes de variáveis. Relações funcionais expressando a correspondência funcional entre . baseados em sistemas de equações simultâneas. .construir identidades quantificáveis.desenvolver sistemas quantitativos para diagnóstico e prognóstico. Quocientes Formas usuais de indicações quantitativas Coeficientes Resultado da divisão de variáveis econômicaas. .lineares elas. simples ou múltipla entre as variáveis econômicas.7 .da atividade econômica agragativamente considerada.não-lineares Relações Incrementais Relações entre variáveis Relações Matriciais Números-indices Indicam variações cumulativas.variações ao longo do tempo. medianos ou modais a abservação de determinada situação ou tendência central transação. conjuntos ou de agregações de dados econômicos. . Esta particularidade da economia possibilitou o surgimento de correntes econômicas fundamentadas no método matemático. Expressam parâmetros de correlação. Medidas de Expressam em termos médios.divisas externas (b) Unidades . . Expressam resultados de transações: . Expressam graus de concentração (ou de dispersão) de determinadas condições estruturais da economia.proporções em determinado momento. . de um dado agente. no decurso de séries históricas. ou interagentes.quantificar os resultados.específicas. .

novas concepções se desenvolveram. Com o tempo. sob o objetivo de promover seu fortalecimento. é uma parte do estudo do homem. Roma não deixou nenhum escrito notável na área de economia. observamos o nascimento do primeiro conjunto de idéias mais sistematizadas sobre o comportamento econômico com o chamado Mercantilismo. BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DO CONCEITO ECONOMIA Em seu nascedouro. Os outros economistas clássicos na transição dos séculos XVIII e XIX. como Platão e Aristóteles. e. tal como se apresentava. a acumulação. A perspectiva socialista O binômio produção-distribuição é a base a partir da qual a perspectiva socialista construiu sua concepção sobre a matéria de que se ocupa a economia. mas com a riqueza das Nações. em seus aspectos mais estritamente ligados à obtenção e ao uso dos elementos materiais do bem-estar. Eles buscaram entender o equilíbrio do processo econômico. Assim. No século XVIII. Estavam preocupados com a iniqüidade social mas não propuseram formas alternativas e revolucionárias para a organização econômica da sociedade. O estudo das leis sociais que regulam a produção e a distribuição dos meios materiais destinados a satisfazer às necessidades humanas resume o campo de que se ocupa a economia. A partir do século XVI. . Maior figura foi François Quesnay e seu Quadro Econômico de 1758. quem procurou fazer uma síntese de clássicos com neoclássicos. David Ricardo e John Stuart Mill definiam a economia a partir destes quatro fluxos. fundamentada nas leis que regem a formação. tenham explorado temas de conteúdo econômico. a busca da aprovação social. acredita que a economia examinava a ação individual e social. Adam Smith e suas obras Sentimentos Morais (1759) e A Riqueza das Nações (1776). Os neoclássicos A ênfase dos primeiros neoclássicos (Jevons. A fisiocracia elaborou alguns trabalhados dignos de destaque. a denominação usual da economia era adjetivada. é um estudo da riqueza. Denominava-se economia política. as paixões originais da natureza humana. Eles sintetizaram os fundamentos da conduta econômica do homem: a escassez de recursos diante de necessidades ilimitáveis. Mesmo que alguns filósofos da Grécia Antiga. e mais importante. Mas. Alfred Marshall. as razões maiores da acumulação e da conservação da fortuna material foram os pressupostos de sua descrição da ordem econômica. de um lado. a adjetivação caiu em desuso. Figura de maior destaque foi Karl Mar(1818-1883). Os sentimentos morais. A abordagem clássica A preocupação não era com o fortalecimento do estado. a distribuição e o consumo. como Robert Malthus. Walras e Menger) não estava no processo de acumulação capitalista e nos mecanismos de repartição dos esforços sociais. Esse polinômio foi a base do conceito clássico de economia. evoluiu para economia. tais idéias estavam baseadas numa definição de economia como o ramo do conhecimento essencialmente voltado para a administração do Estado. de outro. cujo principal elemento era a maximização da utilidade.8 4.

Ele partiu da existência de: . isto é. uma relação entre custos (meios empregados) e benefícios (fins alcançados). O fato econômico resume-se. bem como a ocorrência de custos de oportunidade (outros fins que. poderiam ter sido alcançados). assim. E um bem é demandado porque é útil. Figura 2 .o emprego alternativo dos meios. se prestam a usos alternativos”. dispêndio. como produção. nos atos de escolha entre fins possíveis e meios escassos aplicáveis a uso alternativos. com os mesmos recursos. riqueza e bem-estar. acumulação. portanto. O fator de maior importância e que faz o elo de ligação entre as quatro condições é a capacidade humana de fazer escolhas.a limitação dos meios para alcançar os fins possíveis .Síntese dos conceitos básicos da sistematização de Robbins Conflito fundamental Meios (ou recursos) escassos e limitados Fins (ou necessidades) múltiplos e ilimitáveis Escolhas entre fins possíveis e meios disponíveis Alocação de recursos (custoso) Consecução de determinado fim Não-consecução de outros fins Benefício Custo de oportunidade .9 A sistematização de Lionel Robbins nos anos de 1930 Robbins não partiu de categorias de fatos econômicos. empresas. podemos notar que em Economia tudo se resume a uma restrição quase física – a lei da escassez. “A economia é a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que. distribuição. Qualquer escolha feita pelos indivíduos. Mas lembre-se só existirá escassez se houver uma demanda para a aquisição do bem – tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana.a priorização de fins possíveis: podem ser classificados por ordem de prioridade .uma multiplicidade de fins que a humanidade procura alcançar . governos ou outros agentes econômicos quanto à alocação de recursos implica. embora escassos. Com isso. produzir o máximo de bens e serviços com os recursos escassos disponíveis de cada sociedade.

A sistematização Robbins de . Economia: optar dentre os bens a serem produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os recursos escassos em produção. . .. recursos limitados e técnicas de produção. social. A teoria econômica trata de escassez.10 Existem ligações formais entre as abordagens consideradas: a neoclássica. AS ESCOLHAS NA ECONOMIA: * O QUE E QUANTO produzir * COMO produzir e * PARA QUEM produzir Resumindo: NECESSIDADES HUMANAS ILIMITADAS VS. Quadro 2 – O conceito de economia nas três abordagens A abordagem neoclássica . a socialista e a sistematização de Robbins. Porém.Para satisfazer a um e meios escassos para padrão de necessidades.A economia é um ramo que estuda as formas do A realização desse comportamento humano que processo se completa com a resultam da relação entre distribuição do produto necessidades ilimitadas e recursos escassos.A sociedade tem objetivos múltiplos.Focaliza. A perspectiva socialista . . principalmente. o alcançá-los. hoem se dedica a um ato social: a produção.O estudo das leis sociais estar social. agem e pensam nos assuntos ordinários da vida. fins alternativos. mas meios limitados. a condução do homem no trato com questões que interferem em sua riqueza e bem-estar. RECURSOS PRODUTIVOS ESCASSOS * O QUE E QUANTO PRODUZIR * COMO PRODUZIR * PARA QUEM PRODUZIR ESCOLHA ESCASSEZ Essas questões não seriam problemas se existissem recursos ilimitados. ilimitados. .A economia é um estudo dos homens tal como vivem. custo e análise marginal como veremos em outras aulas. escolha e alocação são os elementos a partir dos quais se define o campo de que se ocupa a economia. . na realidade temos inúmeras necessidades. A razão de ser da economia está presente nas três formas de delimitar o campo específico do conhecimento econômico – o estudo das formas aplicadas pelo homem na incessante busca de meios para satisfazer às condições ilimitáveis de bemestar. 5.Meios escassos. A conduta econômica consiste em escolher entre fins possíveis . que regulam a produção e a distribuição resume o campo de que se ocupa a economia.O fim último de que cuida a economia consiste em descobrir como as virtudes humanas e a concorrência podem conduzir ao bem.As necessidades humanas são determinadas pelo estágio cultural da sociedade.

As duas primeiras não são condições suficientes para dar sustentação à terceira. desse confronto tiram-se as conclusões: ou a teoria explica satisfatoriamente o comportamento da realidade econômica ou deve-se formular uma teoria alternativa e mais adequada. Deduzem-se as implicações e os resultados decorrentes dessas hipóteses que são confrontados com a evidência dos dados de observações coletados da realidade. não obstante seja formulada a partir de escolhas que envolvem juízos de valores. mantidos os níveis vigentes de preços. Essa ressalva metodológica não implica a inexistência de conexões entre os compartimentos positivos e normativos na economia. (1) e (2): são factuais. . a Economia se interessa primordialmente pelos argumentos positivos.economia positiva: o que é de fato Normativos . a redução da renda per capita implica na perda do poder aquisitivo real da sociedade. (3): é de caráter normativo. OS ARGUMENTOS DA ECONOMIA Para entendermos o método de investigação da ciência econômica precisamos apenas de um simples encadeamento lógico. Baseadas nos postulados da teoria existente.economia normativa: o que poderia ser Essa distinção é importante em termos de metodologia uma vez que existe a impossibilidade lógica de se deduzirem afirmações positivas de juízos de valores ou normativos ou vice-versa. 3. 6. A política econômica.11 Por enquanto teremos uma visão geral dos argumentos e do método de investigação na ciência econômica. deveriam ser adotadas políticas de contenção do crescimento populacional. logo. Ou seja. formulam-se as hipóteses a respeito de como a realidade se comporta. Finalmente. das interações entre os diferentes agentes da economia e de como a partir dessas interações surgem as questões-chave que preocupam a Economia. como pode ser visto na figura abaixo. positivas. como é desejável a manutenção e. 2. Teoria econômica: leis que explicam o comportamento humano e fazem parte do conjunto de conhecimentos. mesmo. a ampliação do poder aquisitivo real. da evolução do pensamento econômico. Suponha-se que alguém afirme que: 1. Os argumentos da teoria econômica podem ser: Positivos . quando as taxas de crescimento da população são superiores às da expansão da renda nacional como um todo. tem o respaldo na modelação teórica desenvolvida pelos diferentes troncos da economia positiva. a renda per capita se reduz.

econômicos. poupança. investimento. Contabilidade Social. demanda oferta e oferta e demanda monetárias. Desenvolvimento Econômico: estuda o processo de acumulação dos recursos escassos e da geração de tecnologia capazes de aumentar a produção de bens e serviços para a sociedade. consumo. Economia Internacional: estuda as condições de equilíbrio do comércio exterior. Princípios. As políticas econômicas de intervenção procuram estabelecer esse equilíbrio.12 Figura 3 – Compartimentos usuais da economia Economia Descritiva Observação sistematizada do Observação sistematizada do mundo real. importações. Divisão do estudo econômico: Microeconomia: estuda o comportamento de consumidores e produtores e o mercado no qual interagem. Política Econômica A condução do processo econômico agregativamente considerado. consumo. Contabilidade Social. com 3 objetivos: * Crescimento * Estabilidade * Equitatividade A regulação da atividade dos agentes econômicos: o interajuste de custos e benefícios privados e sociais. além dos fluxos de capitais. poupança. leis e modelos da modelos da ececonomia onomia A empresa a A empresa e e a análiseda oferta análise da oferta Teoria Teoria Microeconômica Microeconômica Remuneração Remuneração dos fatores de dos fatores de produção e produção e repartição da repartição da renda Teoria Teoria Macroeconômica Macroeconômica Análise de Análise de macrovariáveis: macrovariáveis: renda. Descrição e mensuração de fatos Descrição e mensuração de fatos econômicos. Sistemas contas Sistemas dede contas nacionais e matrizes nacionais e matrizes de relde relações ações interindustriais. Preocupa-se com a determinação dos preços e quantidades em mercados específicos. exportações. renda. tributos e dispêndio tributos e dispêndio público. Atuação sobre a realidade. teorias. leis e teorias. . O consumidor O consumidor ee a aa análise da nálise da procura procura Teoria Econômica Teoria Econômica Princípios. Macroeconomia: Estuda as condições de equilíbrio estável entre a renda e a despesa nacionais. importações. renda Estrutura Estrutura concorrencial e concorrencial e equilíbrio dos equilíbrio dos mercados mercados monetária. investimento. mundo real. público. exportações. interindustriais.

. ainda que complementares: a indução e a dedução. teorias. que identifiquem relações de causas e efeitos e que interpretem os mais variados eventos e seus desdobramentos. Figura 4. como primeiro passo. em sua estrutura fundamental. observar sistematicamente a realidade. leis u modelos explicativos ou interpretativos da realidade.13 7. pelo permanente confronto com a realidade Reelaboração resultante de novas observações ou de mudanças nas condições preexistentes. No processo de elaboração recorre-se a duas abordagens distintas. Construção de modelos validados por testes estatísticos. Depois elaborar modelos simplificados que a reproduzem.A construção do conhecimento na economia Método indutivo Abstrações resultantes de levantamentos e informes quantitativos. Vejamos como ocorre a construção do conhecimento na economia pela figura abaixo. Esforço de teorização substitutivo da validação experimental. Método dedutivo Validação. Formulação de princípios. Observação sistematizada da realidade Abstrações teóricas envolvendo situações e comportamentos não mensuráveis a partir de levantamentos da realidade concreta. busca. MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA A metodologia da elaboração científica.

Fonte: Rossetti (2003) 1 Para maiores informações sobre as escolas de pensamento econômico ver o website The History of Economic Thought: http://homepage. EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO: 1 A figura 5 abaixo mostra de maneira bem articulada como ocorreu o desenvolvimento das diferentes correntes de pensamento econômico.14 8.edu/het/ .newschool.

como pode ser visto na figura 6 abaixo: Estoque de fatores de produção Elementos constitutivos do sistema econômico como um todo: recursos.1. que conduz à organização de sistemas de trocas. pelos pagamentos de remunerações aos fatores de produção empregados. que conduz à especialização e à divisão social do trabalho. INTERAÇÃO ENTRE OS AGENTES ECONÔMICOS E AS QUESTÕES-CHAVE DA ECONOMIA 9. Os fluxos monetários definem-se como contrapartida dos fluxos reais. bem como pela resultante geração de bens e serviços intermediários e finais. 9. determinada por heranças culturais ou por vocações naturais. os agentes. e as instituições. de seu emprego e de sua combinação pelas unidades de produção. independentemente de sua destinação. de outro lado. Traduzem-se. agentes e instituições Complexo de instituições Quadro de agentes econômicos Recursos naturais Recursos humanos Capital Capacidade tecnológica Capacidade empresarial Unidades familiares Empresas Governo Jurídicas Políticas Sociais Os processos.a diversidade das necessidades humanas.2 Processo de Interação e os Fluxos Econômicos Fundamentais Os fluxos reais definem-se a partir de suprimentos de recursos de produção. de um lado. os mecanismos e os instrumentos de interação dos agentes econômicos decorrem de dois fatores fundamentais: . pelos preços pagos aos bens e serviços adquiridos. .15 9. As Categorias Participantes do Sistema Econômico As três categorias que formam a base de qualquer sistema econômico são os recursos. .a diversidade de capacitações das pessoas e nações.

A interação entre famílias.16 Figura 7. empresas e governo Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Pgto bens e serviços T Remuneração fatores T GOVERNO Fornecimento (bens e serviços) e IFBKF .A interação entre famílias e empresas Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Figura 8 .

Uma visão de conjunto do processo econômico e das questões-chave da economia Fonte: Rossetti (2003) A forma como esses processos de realizam e seus resultados finais estão relacionados com as quatro questões-chave da economia: * A plena utilização dos recursos produtivos – Eficiência Produtiva: emprego dos fatores de produção. .17 Figura 9.

Por que o conceito de capital se associa aos de investimento e de acumulação? 3. A principal fonte de renda do governo é a arrecadação de tributos. Quanto à intensidade de emprego dos fatores e à natureza dos bens e serviços gerados. bens e serviços intermediários e bens e serviços finais de produção. 12. 14.18 * A escolha do que produzir – Eficácia Alocativa: produtos gerados. Mobilizando os cinco fatores de produção. Mostre as diferenças entre elas. O modelo simples de interação entre famílias e empresas é modificado com a introdução do agente Governo. O que compreende o fator capital. Diferencie os conceitos de fluxo real e fluxo monetário. * A distribuição dos resultados dos esforços de produção – Justiça Distributiva: rendas. 10. 13. Diferencie tributos diretos e tributos indiretos e dê exemplos de cada um deles. A condição fundamental para que se realize o fluxo de produção é a existência de um conjunto de cinco fatores. uma maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante. Diferencie os conceitos de bens e serviços finais de consumo. Questões: 1. Descreva a partir da função de produção as precondições para que uma economia tenha crescimento econômico e. Diferencie o conceito de formação bruta de capital do de formação líquida de capital fixo. 5 e 6). 2. 11. conseqüentemente. Exemplifique essa função e diga qual é o tipo de relação entre as variáveis produção e recursos de produção. Sintetize esses dois fluxos em um modelo simples de interação entre as famílias e as empresas. Cite e conceitue cada um deles. A função de produção para a economia considerada agregativamente mostra a relação funcional entre a produção e os recursos empregados. as três seguintes categorias de elementos constitutivos do sistema econômico: estoque de fatores. 15. Diferencie. Destaque os papéis de cada um. 8. Nós nos deteremos nas duas primeiras das questões-chave. as atividades de produção classificam-se em primárias. conceituando cada uma delas. Essa precondição é suficiente também para o desenvolvimento econômico? Comente. São três os agentes econômicos que interagem dentro de determinado sistema econômico: unidades familiares. Descreva sucintamente como ocorreu a evolução do sistema de trocas até a instituição da moeda como conhecemos na atualidade. Explique. secundárias e terciárias. o aparelho de produção das economias desenvolve um grande fluxo contínuo de geração de bens e serviços. empresas e governo. ver Rosseti (2003. Caps. Explique cada uma das funções da moeda e dê exemplos. quadro de agentes econômicos e o complexo de instituições. para os interessados nas demais questões. 5. A maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante é considerada precondição quantitativa para a promoção do crescimento econômico e do bem-estar social. 4. 7. 6. 9. . * A organização da vida econômica em sociedade – Ordenamento Institucional: instituições que regularão o funcionamento do sistema como um todo e a interação entre os agentes.

ou seja. estamos pesando no crescimento da renda nacional per capita. . aumentando a parte dos lucros e da poupança dos mais ricos na renda nacional. distribuição de renda e crescimento econômico. A renda per capita é considerada o melhor indicador para se aferir a melhoria do bem-estar. ver: Abreu (1990) “A Retomada do Crescimento e as Distorções do “ Milagre” (1967-1973). 2. AS METAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA As metas de política macroeconômica são: pleno emprego dos recursos. emprego e desemprego. 2 Para uma discussão sobre o Milagre Econômico. ocorreu uma concentração de renda. analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados da economia. é possível aumentar a renda dos pobres sem diminuir a dos ricos. Esses objetivos não são independentes uns dos outros e podem ser até conflitantes. O QUE É MACROECONOMIA Trata da evolução da economia como um todo. como renda e produto nacionais. Nesse sentido. estabilidade de preços. balanço de pagamentos e taxa de câmbio. Pleno emprego dos recursos Aprofundar os conhecimentos da política econômica com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de pleno emprego. Mas. expectativas empresariais e etc. uma vez que torna possível abrandar conflitos sociais sobre a divisão da renda. se estiver também melhorando os indicadores sociais (pobreza. Mas. juntamente com o aumento da renda per capita. O crescimento econômico capta apenas o crescimento da renda per capita. Distribuição de renda A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior parte da década de 70.19 CAPÍTULO 2 – SISTEMA FINANCEIRO 1. se a renda aumentar. Estabilidade de preços A inflação. estoque de moeda e taxas de juros. Alguns críticos do chamado “milagre econômico” argumentam que piorou a concentração de renda nos anos de 1968/73 devido a uma política deliberda do governo (a Teoria do Bolo): primeiro crescer. desemprego e etc. Por exemplo. O debate constante da macroeconomia é saber se as decisões da política monetária e fiscal do governo vão afetar ou não as tendências da economia. poupança e consumo agregados. do padrão de vida da população. é um problema porque acarreta distorções sobre a distribuição de renda. Ou seja. 2 Crescimento econômico Quando se fala em crescimento econômico. que é aumento contínuo no nível geral de preços. investimentos.). nível geral de preços. o fato do país estar aumentando sua renda per capita não necessariamente significa que está tendo uma melhoria do seu padrão de vida. Um pais está realmente melhorando seu nível e desenvolvimento econômico e sociais. o crescimento pode facilitar a solução dos problemas de pobreza. houve um aumento da disparidade entre as classes de renda. atingir uma meta pode ajudar (ou não) a alcançar outras. para depois pensar em repartição de renda.

as metas de crescimento e equidade distributiva têm se mostrado conflitantes. uma vez que muitos acreditam que o aumento do nível de poupança seria mais facilmente obtido por meio de uma distribuição desigual de renda – a já citada Teoria do Bolo no período do milagre econômico. ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA A economia pode ser dividida em parte real e parte monetária. os lucros. o nível de emprego e os salários nominais. Além da questão do nível de tributação. seja estabelecimentos de cotas etc.20 Entretanto. por meio da manipulação da estrutura e alíquotas de impostos. Normalmente. que influenciam diretamente os salários. A primeira relacionada com a produção de bens serviços bem como no emprego do fator trabalho. 3. Os principais meios para atingir os objetivos são: Política fiscal: compreende todos os instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações e/ou estímulo/desestímulos às importações. em resposta a influências normais do mercado. de crédito e das taxas de juros. O quadro 3 mostra os mercados e as diferentes variaveis determinadas em cada uma das partes da economia. tendo como variáveis a serem determinadas: o produto nacional. A segunda relacionada com o que pode ser chamado de parte invisível da economia e determina a taxa de juros. Política cambial e comercial: atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia. com baixas taxas de inflação e distribuição justa de renda. Política monetária: refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de moeda. Os instrumentos disponíveis são: emissão de moeda. é utilizada para estimular (ou inibir) os gastos do setor privado em consumo e em investimento. Política de rendas (ou de controle de preços e salários): a característica especial da política de rendas. com o objetivo de permitir à economia operar a pleno emprego. compra e venda de títulos públicos. creditícias. particularmente em países em desenvolvimento. a política salarial e a atuação da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (Seap) situavam-se nesse contexto. reservas compulsórias. OS MEIOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA: A política macroeconômica envolve a atuação do governo sobre a capacidade produtiva (produção agregada) e despesas planejadas (demanda agregada). taxas de redescontos e regulamentação sobre crédito e taxa de juros. 4. A política cambial refere-se ao controle do governo sobre a taxa de câmbio. o estoque de moeda e a taxa de câmbio. No Brasil. os juros e os aluguéis é a de que. sejam fiscais. o nível geral de preços. . a política tributária. esses controles são utilizados como política de combate à inflação. nesses controles. os agentes econômicos ficam proibidos de levar a cabo o que fariam.

XX: Primeira Guerra Mundial. * Nos anos 50. Questões: 1. * Segunda metade dos nos 50. . * A teoria prevalecente antes de Keynes acreditava que a economia (i) era autoregulatória. do Juros e da Moeda” de 1936. Por que os objetivos de politica econômica podem ser conflitantes. (ii) utilizava eficientemente todos os recursos. a economia (ii) não regula a si própria. Trata do papel das expectativas inflacionárias sobre a produção e o emprego. A MACROECONOMIA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA. * Principais idéias Keynesianas. neoclássicos. novos clássicos e pós-keynesianos. XVIII. publicadas no livro “Teoria Geral do Emprego. surge a Teoria Monetária com Milton Friedman da Universidade de Chicago. Explique. O que se entende por política fiscal. que retratava as condições de oferta agregada. recuperando o papel da oferta agregada na Teoria Macroeconômica. que serviram como ponto de partida.21 Quadro 3 – Parte real e parte monetária da economia Mercados * Mercado de Bens Serviços Parte Real da Economia • Mercado de Trabalho * Mercado Financeiro Parte Monetária da Economia • Mercado de Divisas Variáveis Determinadas e * Produto Nacional * Nível geral de Preços • Nível de Emprego • Salários Nominais * Taxa de juros * Estoque de Moeda • Taxa de Câmbio 5. (iv) as ações do governo apenas para os bens públicos. 3. 2. surge a Curva de Phillips que mostrava que uma relação inversa entre as taxas de inflação e taxas de desemprego. * Séc. Maior desenvolvimento da Teoria Microeconômica. Mas. * Séc. política cambial e política de rendas? 4. * Quatro principais linhas de pensamento macroeconômico: keynesianos. negligenciando a política monetária. Descreva as metas da política econômica. política monetária. * Com a teoria de Keynes. a ênfase da política econômica ainda era nos instrumentos de política fiscal. tinha o instrumental IS/LM analisando os componentes da demanda agregada acoplado à Curva de Phillips. primeiras revoluções. * Até os anos 60. Atenção para como os agentes formas suas expectativas. (ii) está sujeita à flutuações. (iii) produziam em pleno emprego (existia apenas a taxa natural de desemprego). * Em 1937: John Hicks introduz o aparato conhecido como IS/LM – a chamada síntese neoclássica – que permite analisar a economia tanto pela hipótese de pleno emprego (clássicos e neoclássicos) como pela de desemprego (Keynes). Você seria capaz de explicar qual objetivo de política econômica o governo brasileiro tem buscado nos últimos anos? Comente. (iii) pessimismo na comunidade de negócios e (iv) necessita de ação do governo para sua estabilização. Identificação de “ciclos de negócios” e Grande Depressão dos anos 30. numa herança keynesiana. * Décadas de 70 e 80: Escola das Expectativas Racionais (os novos clássicos).

tornava-se fundamental. Historicamente.Um raciocínio simples exemplifica o caso das trocas diretas: uma tribo. o homem percebeu que poderia dedicar-se à produção de determinadas mercadorias em quantidades superiores às suas necessidades de consumo. desde que houvesse interesse recíproco. ORIGEM DA MOEDA Nas economias primitivas. e trocas indiretas. Vivia em grupo tribal fechado. mas com escassas chances de acesso a frutos. As dificuldades desse sistema são evidentes. apenas uma diminuta parcela daquilo que consome. restringindo suas atividades à caça. tenha se especializado na coleta de frutos. na produção (captura) de peixes. portanto. Essa primitiva sociedade. produto por produto. exigia certas condições especiais para seu funcionamento: se o indivíduo "A" fosse especializado na produção (coleta) de frutos silvestres e o indivíduo "B". cujo objetivo primordial era a sobrevivência. hoje. A troca ocorreria. de forma direta. o modo de vida do homem não lhe oferecia qualquer instrumento que possibilitasse a transformação dos produtos disponíveis. às margens de um rio generoso em peixes. Salvo nas comunidades extremamente afastadas da civilização. por estar um pouco mais distante ou mesmo não dispor de um rio em iguais condições. que o indivíduo "A" desejasse adquirir peixes e o indivíduo "B” desejasse adquirir frutos silvestres. bilateralmente.22 SISTEMA FINANCEIRO O que veremos? Moeda: História Funções Oferta/Demanda Agregados Monetários Sistema Financeiro no Brasil (SFN): Diferentes Mercados Intermediação Financeira Sistema Bancário e Multiplicação dos Meios de Pagamento Criação/Destruição dos Meios de Pagamento Política Monetária: Instrumentos Política Restritiva vs. A implantação desse sistema de intercâmbio direto de mercadorias. também conhecido como escambo. o homem produz. Expansionista MOEDA 1. Conseqüência desse fato é o estabelecimento das trocas. mas às trocas com terceiros que tenham bens e serviços de seu interesse. as trocas evoluíram em duas etapas: trocas diretas. Cada indivíduo passa a destinar a maior parte de sua produção não ao seu consumo próprio. para ocorrer a permuta. era naturalmente impermeável à idéia de se estabelecer entre as comunidades um sistema de trocas de mercadorias. por intermédio da moeda. poderia especializar-se na pesca e trocar com uma outra comunidade que. quando muito. Tornava-se imperiosa a criação de novas condições de comércio. em que tribos vizinhas representavam rivais em potencial. Com o passar do tempo. de maneira que as trocas pudessem ocorrer sem que dependessem . à pesca e à coleta de frutos.

Eram mais duráveis e permitiam subdivisão com maior facilidade. sem o controle da sociedade. passa a desempenhar três funções básicas: intermediação de trocas.23 tanto da simultaneidade de interesses específicos. EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE MOEDA Ao se estabelecer um produto ou mercadoria como base para a troca. A retenção da moeda. Entretanto. desde o momento em que é recebida pelo seu detentor. medida de valor e reserva de valor. e uma das causas poderia ser até mesmo não ter conseguido arcar com os custos de uma acomodação adequada para o trigo. A função de intermediação de trocas traduz-se em servir como meio de pagamento. Reside. Por exemplo: alguém que dispusesse de cinco sacas de trigo e desejasse comprar meio boi. sua posse constitui reserva de valor. não só pelo desenvolvimento do comércio. também. numa forma alternativa de guarda ou de acumulação de riqueza. Além disso. Sua produção era mais rara e escassa. o gado e os metais. a razão principal. qual seja. o trigo. traduzse. determinante do aparecimento da moeda. Outro problema que surgiu de imediato foi o fato de a mercadoria-moeda ter a possibilidade de multiplicar-se facilmente. A moeda é medida de valor porque estabelece uma unidade-padrão de medida. A história registra o aparecimento de moedas metálicas cunhadas na Grécia entre os séculos VIII e VII a. Introduziase assim um elemento responsável. nasceu o conceito básico de moeda: um instrumento facilitador das trocas que permite a medida ou a comparação de valores. na indivisibilidade de certas mercadorias ou produtos. O estabelecimento da mercadoria-moeda possibilitava a implantação de um sistema de intercâmbio. à qual são convertidos os valores de todos os bens e serviços disponíveis na economia. A moeda por sua vez. o sal. passou-se a adotar os metais preciosos como meio de troca. como o foram no passado. A utilização dos metais preciosos (ouro e prata) como moeda facilitou muito o desenvolvimento das trocas e da circulação dos bens e serviços necessários à sociedade. um simples pedaço de "papel pintado". em grande parte. Há. A introdução da moeda no sistema econômico conduz à dissociação de cada troca em duas operações distintas: uma compra e uma venda. Esse indivíduo teria zerado o seu estoque de moeda. consensualmente. como resolveria a questão? Um primeiro complicador consistia. a de facilitar o processo de circulação de bens. Em outras palavras. estabelecendo-se como padrão de conversão. mas trazia consigo novas dificuldades. Era de melhor qualidade e não apresentava os problemas das demais mercadorias adotadas como moeda. mediante consenso. o que causava sérios problemas para o sistema como um todo. Considerando-se que a moeda pode ser trocada por bens ou serviços em qualquer ocasião. uma mercadoria ou um produto que fosse aceito por todos os indivíduos. portanto. apresentava problemas relativos a seu valor intrínseco e a seu transporte. até ao instante em que é gasta. portanto. porém.C. como também pelas dimensões hoje assumidas pela Economia: a moeda. nessa função. havia ainda a desvantagem de ser perecível. Podem ser. 2. em . Imagine alguém que tivesse todo o seu estoque de moeda representado por 100 sacas de trigo e todas elas se deteriorassem. como reserva de valor. Como alternativa. A forma encontrada foi substituir as trocas diretas pelas trocas indiretas. uma forte exigência: que seja aceito pela sociedade. Pode ser. de aceitação geral. diz-se que a moeda serve como denominador comum de valores.

transferindo a outrem o direito de saque. para que adquirissem a confiança do público e iniciassem uma transformação na sua forma de "operação bancária". Com isso. adicionou-se a esse costume o de endossá-lo. os banqueiros da época não concediam e nem tomavam empréstimos. sem qualquer utilização. O Estado assumiu e monopolizou a emissão de moeda. era só trocá-lo por metal precioso. posto que os credores eram obrigados por lei a aceitá-la em pagamento de seus créditos. OFERTA E DEMANDA DE MOEDA A oferta de moeda na economia é feita pelo Banco Central (BACEN) e pelos Bancos Comerciais através das atividades de depósitos e empréstimos. Com o tempo. em troca de um comprovante de depósito. como meio de pagamento. o princípio das cédulas com lastro. até então. Esse recibo tinha. uniformizando-a no espaço geográfico de sua influência. passaram a emitir os chamados bilhetes de banco negociáveis. os cambistas medievais atuavam como "banqueiros". Não tardou muito. corresponde aos depósitos à vista. que possuíam locais seguros para guarda dos metais preciosos passou-se a adotar o costume de deixar as moedas depositadas com eles. A aceitação dessa moeda inconversível decorria do poder do Estado em garantir sua utilização e na confiança da população nesse Estado. Surgiu. já que os possuidores ficavam muito mais vulneráveis ao ataque de saqueadores. que surgiu com o desenvolvimento dos bancos comerciais. tem-se: Ativos financeiros monetários: liquidez absoluta. ATIVOS FINANCEIROS Os ativos financeiros da economia podem ser diferencidados conforme os atributos rendimentos e liquidez. contudo. Essa moeda. de emissão não lastreada. Assim. Toda vez que se precisasse de moeda. Como os cunhadores eram geralmente ourives. Dessa forma. A garantia de utilização da moeda é dada pelo seu curso forçado.24 virtude do peso e da segurança. assim. Ativos financeiros não-monetários: menor grau de liquidez e rendimento. . Ao verificarem que os metais ficavam guardados em seus cofres por um longo período de tempo. cuja validade dependia única e exclusivamente de sua aceitação geral. monopolizada pelo Estado. Observe-se que. rendimento zero e usados como meio de pagamento. foi eliminada a necessidade de se trocar o recibo por metal precioso a cada operação. 4. A demanda por moeda é derivada dos motivos: transação. um lastro. surgindo a partir daí a moeda fiduciária. Essa transformação fez com que os bancos deixassem de ser simples depositários de metais e passassem a exercer a função de emissores. Ex: papel moeda em poder do público (PMPP) e depósito à vista nos bancos comerciais públicos e privados. Ex: depósito de poupança. 3. então. os quais possuem liquidez e equivalem à moeda de curso legal. Cobravam apenas uma comissão pela prestação do serviço de guarda dos metais. desenvolveu-se uma outra modalidade: moeda bancária ou escritural. Tais operacões consistiam na emissão de recibos sem a contrapartida de um depósito em moedas. de curso forçado. Ao lado dessa moeda fiduciária. mantendo um encaixe de 100% sobre os seus depósitos. precaução e especulação. em função da confiança do público. de um recibo.

A seguir são definidos os agregados monetários: M0 = PMPP (notas e moedas) M1 = M0 + depósitos à vista nas instituições financeiras bancárias.Papel Moeda Emitido (PME): meio circulante . Tabela 1 . O conceito de base monetária (BM) equivale ao passivo monetário do Banco Central que serve de lastro aos meios de pagamento e é definida por: BM = PME + RB . M4 = M3 + títulos públicos federais (Selic) e títulos de emissão dos estados e municípios. MEDIDA DA OFERTA DE MOEDA A quantidade de moeda existente na economia pode ser medida com a utilização dos chamados agregados monetários. M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas com títulos públicos federais.Reservas Bancárias (RB): contas correntes dos bancos criadores de moeda no Banco Central . BASE MONETÁRIA Além dos agregados monetários. Esses agregados são agrupados de acordo com a liquidez dos diferentes ativos financeiros da economia. existe ainda outra medida da moeda na economia que é a base monetária.Heveres Financeiros no Brasil (R$ bilhões) Fonte: Bacen 6. M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições financeiras.25 5.

ORGANIZAÇÃO DO SFN .Subsistema normativo . 8. A figura 10 mostra a base monetária e os meios de pagamentos na economia brasileira para os anos de 2004 e de 2005. ESTRUTURA DO SFN (BRASIL) Sistema Financeiro: conjunto de agentes e instituições responsáveis pela intermediação de recursos financeiros entre as unidades econômicas líquidas (superavitárias) e as ilíquidas (deficitárias).26 Essas reservas bancárias são compostas por reservas voluntátias e reservas compulsórias. Figura 10 – Base monetária e meios de pagamentos no Brasil .Subsistema de Intermediação . . A sistemática de recolhimentos compulsórios sobre os recursos à vista e a preponderância de metas de taxas de juros resultam em valores desprezíveis de reservas voluntárias médias. privados nacionais e estrangeiras) no sistema bancário do Brasil para o período de 2002 a 2005. veja em anexo o número de instituições por segmento. Além disso.2004 e 2005 Fonte: Bacen 7.Outras instituições A figura 11 abaixo mostra a participação por segmentos (públicos. por tipo e com maiores agências no país.

DIFERENTES MERCADOS: O sistema financeiro é composto por quatro diferentes mercados que são: Mercado Monetário: onde são negociados títulos de curto prazo (Iiquidez da economia). Mercado de Câmbio: são realizadas as transações com diferentes moedas.Sistema Bancário/Participação por Segmentos (Brasil) Fonte: Bacen 9. A seguir. o direcionamento do crédito para as diferentes atividades econômicas e as taxas de juros cobradas para as pessoas físicas e pessoas jurídicas. destaca-se o mercado de crédito no Brasil. empresas exportadoras e importadoras. Mercado de Capitais: onde são negociados títulos de médio e longo prazo (necessidade de recursos para investimento). Mercado de Crédito: tem a responsabilidade de suprir a necessidade de crédito das diferentes atividades econômicas. Os gráficos mostram.27 Figura 11. . respectivamente. Bancos. Participantes: Bacen.

28 Fonte: Bacen Fonte: Bacen Fonte: Bacen .

Haveres não-monetários: não possuem liquidez imediata. o que permite aos bancos comerciais emprestar parte dos depósitos à vista por eles recebidos. Esse fenômeno decorre do fato de ser altamente improvável que todos os depositantes saquem seus recursos ao mesmo tempo. A faculdade de criar ou destruir moeda decorre de operações realizadas entre as instituições financeiras bancárias — que captam depósitos à vista — e o público. em troca. por exemplo.entrega ao público de haveres monetários (moeda) e. 2. mantendo encaixes bem inferiores ao volume destes depósitos. As unidades deficitárias possuem duas formas para obter financiamento: Autofinanciamento: venda de algum patrimônio. Criação de moeda: Quando a instituição financeira bancária desconta uma duplicata .1. duplicatas e etc. Para se distinguir uma ocorrência da outra. recebe haveres não-monetários (duplicata). um bem imóvel.29 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 1. CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO DE MOEDA O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da moeda escritural consiste na multiplicação dos meios de pagamento através das instituições financeiras bancárias que captam depósitos à vista. Os primeiros suprem as necessidades de financiamento dos segundos através da intermediação das instituições financeiras. 2. Financiamento externo: que pode ser direto através da venda de ações ou de títulos da dívida e o indireto por meio de empréstimo via instituições financeiras A pergunta que surge é por que as unidades deficitárias não optam pelo financiamento direto? A resposta para esse questionamento está nos conceitos de custos de transação e de informação assimétrica. aqueles que podem ser chamados de unidades superavitárias (US) e outros que podem ser chamados de unidades deficitárias (UD). títulos públicos. conforme ilustrado na figura a seguir: . Haveres monetários: possuem liquidez imediata — papel-moeda em poder do público e depósitos à vista (meios de pagamento). FORMAS DE FINANCIAMENTO Existem dois tipos de agentes no sistema financeiro. valemo-nos dos conceitos de haveres monetários e haveres não-monetários. como depósitos a prazo.

MULTIPLICADOR BANCÁRIO As instituições financeiras que captam depósitos à vista podem multiplicar os meios de pagamentos através das operações de empréstimos. Indivíduo efetua um depósito à vista em um banco comercial (N). Multiplicador Simples k = 1/R k = magnitude do efeito multiplicador R = alíquota de recolhimento bancário Exemplo: R = 0. . com transferência do saldo para a conta corrente no banco comercial (C). Destruição de moeda: Quando o público quita uma duplicata – a instituição bancária entrega ao público haveres nãomonetários (duplicata quitada) e recebe haveres monetários (moeda). 3. Indivíduo resgata sobre poupança.30 Figura 12 – Criação de Moeda Haveres monetários Instituição Financeira Bancária Haveres não-monetários Público 2. Exportadores trocam US$ por R$ no Bacen (C).25 Temos que k = 1/0.00.000.00. conforme ilustrado na figura a seguir: Figura 13 – Destruição de Moeda Haveres não-monetários Instituição Financeira Bancária Haveres monetários Público Exemplos de criação e de destruição de moeda: Governo Federal deposita impostos arrecadados do público no Bacen (D). o efeito multiplicador fará com que o volume de meios de pagamentos passe a ser de R$ 4. Indivíduo adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista (D).2.25 = 4 Se DV= R$1.000.

4. com seus mecanismos de transmissão. ou de propriedade. Instrumentos de política monetária Operações de mercado aberto: Compra ou venda de títulos. Recolhimentos compulsórios: Parcelas de algumas modalidades de captação que as instituições financeiras devem manter junto a Autoridade Monetária (Bacen) a fim de condicionar a alavancagem de operações ativas e a estrutura de custos.Atual (outubro/2003): Recursos à vista : 45% em espécie. para condicionar os volumes de reservas bancárias e as taxas básicas de juros. remunerado Depósitos a prazo : 30% em títulos FIF-curto prazo : 50% em espécie. das partes envolvidas.1. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. ou de liquidez. A oferta primária fica a cargo da autoridade monetária (AM). Recolhimentos compulsórios: estrutura no Brasil . ou em títulos. As operações definitivas alteram a posição de carteira. O controle da oferta de moeda pode se dar pelo lado da: .oferta (direta e indiretamente) ou . de forma definitiva ou compromissada.demanda (tornando o dinheiro mais caro para o público). .31 Multiplicador Elaborado: k = 1/C+D(R1+R2) C = PMPP/M1 D = DV/M1 R1 = CX/DV R2 = RB/DV Onde: PMPP = papel moeda em poder do público DV = depósitos à vista CX = caixa dos bancos comerciais RB = reservas bancárias (voluntárias e compulsórias) 4. remunerado . Os recolhimentos podem ser exigidos em espécie. As operações compromissadas ou com compromisso de recompra/revenda ou de financiamento de títulos alteram a posição de custódia. que serão remunerados ou não remunerados. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. das partes envolvidas. e sua “multiplicação” se dá pela ação dos bancos comerciais. não remunerado FIF-30 dias : 5% em espécie não remunerado . não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie.Em março de 1999: Recursos à vista : 75% em espécie. POLÍTICA MONETÁRIA Refere-se ao processo de oferta de moeda na economia.Anterior ao Plano Real: Recursos à vista: 40% em espécie. remunerado Depósitos a prazo: 15% em títulos.

Voluntárias 100 -Compulsórias 400 Depósito em poupança 200 Quotas de fundo de renda fixa 150 Títulos públicos federais (Selic) 430 a) Qual a base monetária ? b) Qual o total do M1 ? c) Qual o total do M2 ? c) Qual o total do M3 ? c) Qual o total do M4 ? 2. Diga quais são as características.reduz * aumenta .Venda de títulos * Compra de Títulos 4.Reduz * amplia Taxas de juros . aumenta prazo 3.reduz * aumenta . Open Market .aumenta *reduz As Políticas Monetárias podem ser chamadas de restritivas ou de expansionistas.reduz * aumenta .400 Reservas dos BC no Bacen . 5. A taxa cobrada por esses empréstimos mais o prazo para o seu pagamento constitui o que é chamado de taxa de redesconto.aumenta juros.100 Papel moeda em poder do público (PMPP) 600 Dep. Quadro 3 – Resumo dos Instrumentos de Política Monetária Instrumentos 1. Recolhimento Compulsório . destruição (D) de moeda: ( ) Governo Federal deposita taxas e impostos arrecadados de empresas no Bacen. Nas afirmações abaixo. 4. reduz prazo * reduz juros. São expansionistas quando aumentam a oferta monetária e barateiam os empréstimos. . aumenta a taxa e reduz o prazo de pagamento.32 Redesconto O Bacen pode suprir as necessidades de financiamento dos bancos comerciais através de empréstimos. Quando o Bacen quer ser punitivo. Quais são essas opções? Por que a intermediação financeira é a forma mais utilizada de financiamento pelos agentes econômicos deficitários? Comente. Quais são os diferentes mercados do sistema financeiro? Explique. ( ) Indivíduo transfere saldo da conta corrente para a conta de poupança no banco comercial. a vista do público nos BC 1. 3.Restringe * Amplia Oferta monetária .aumenta * reduz . diga quando ocorre criação (C). Redesconto .aumenta * diminui . São restritivas quando reduzem a oferta monetária e encarecem os empréstimos. Os ativos financeiros da economia são diferenciados em duas categorias conforme duas características. Dados os seguintes agregados monetários (em mil R$): Papel moeda emitido (PME) 1. Uma empresa deficitária possui duas opções de financiamento. Questões Conceituais: 1. ( ) Importadores trocam R$ por US$ no Bacen. Operações de Crédito .aumenta * reduz .Aumenta a taxa * reduz a taxa 2.

( ) A oferta de moeda e a taxas de juros são reduzidas através de uma política monetária expansionista. menor será a velocidade-renda da moeda. a oferta monetária é reduzida e a taxa de juros também cai. Se o montante inicial em depósito a vista é de R$ 4. M3 e M4 ? 9. ) Empresa efetua um depósito à vista em um banco comercial... qual será o valor multiplicado.. em poder do resto do mundo 150 a. ( ) O multiplicador bancário elaborado varia negativamente em relação à taxa de reservas dos bancos e positivamente em relação à taxa de retenção do público. e justifique quando falso: ( ) Quando o Bacen aumenta a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais. em poder do resto do mundo 250 * Depósitos à prazo. recebendo a inscrição de um depósito à vista. 12. Se R = 0. 11. ( ) Se o Governo precisa reduzir a quantidade de oferta de moeda na economia. maior o multiplicador bancário simples. o Bacen pode comprar títulos públicos que estão nas mãos do público.. ) Banco compra títulos da dívida pública possuídos pelo público.00. ) Banco aumenta seu capital vendendo ações ao público. Dados os seguintes agregados monetários (em R$ milhões): * Caixa... A elevação da taxa dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais junto as autoridades monetárias diminuiu o valor do multiplicador dos meios de pagamentos porque: a. nos Bancos Comerciais 95 * Papel Moeda Emitido 200 * Depósitos à vista do público nos Bancos Comerciais 150 * Depósitos à vista dos Bancos Comerciais Voluntários 40 Compulsórios 30 * Títulos federais. Dos instrumentos que o Bacen pode utilizar para controlar a oferta de moeda na economia. Comente. 7.33 ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Empresa adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista. 6.000. então o valor do multiplicador simples na economia será de.. 10. ) Banco vende divisas a um importador. em poder do resto do mundo 400 * Depósitos na Poupança. a taxa de juros reduz. Como se dividem os agregados monetários no Brasil. Qual o valor da Base Monetária? b. A oferta de moeda pode dar-se pelo Bacen ou pelos Bancos Comerciais. ) Indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito à prazo. Qual o valor do M1. qual é o mais punitivo para os bancos. Quais as funções principais que o Banco Central exerce na política econômica. ) Banco compra cambiais de um exportador. ( ) Se o Bacen diminui os juros e aumenta o prazo na operação de redesconto. Coloque falso (F) ou verdadeiro (V).. ( b... M2. ( )diminui o saldo do papel-moeda emitido ) diminui o saldo do papel-moeda em circulação )diminui o saldo do papel-moeda em poder do público )diminuem os depósitos à vista nos bancos comerciais )diminuem os recursos dos bancos comercias para empréstimos ao público.. ( ) Quanto maior for a taxa de inflação numa economia.. 8. ) Banco vende um imóvel a uma pequena empresa recebendo o pagamento à vista em dinheiro.75.. ( ) A velocidade renda da moeda é definida pela relação entre o PIB e a quantidade de moeda (M)... ) Empresa leva ao banco uma duplicata para descontar. ( ) A taxa de juros pode ser reduzida através da expansão nas operações de crédito por parte do Bacen. ( d.. sendo este último dado pelo mecanismo do multiplicador monetário.. ( e. ) indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito á vista.. Explique cada um deles. ( c.. .. em moeda corrente. ( ) Quanto maior a taxa de recolhimento compulsório.

como instrumento de política monetária. entre suas responsabilidades: a) atuar como banco do governo federal e renegociar a dívida externa brasileira b) aceitar depósitos. a)transação – especulação – precaução b)precaução – especulação – transação c)especulação – transação – precaução d)precaução – transação – especulação e)nenhuma das anteriores 14. mercado de crédito. das empresas ao público em geral d) atividade do Banco Central na compra ou venda de títulos e) restrições às operações de crédito ao consumidor 19. títulos e imóveis pode flutuar muito. pelo Banco Central. Entende-se por operações de mercado aberto. mercado de capitais e mercado cambial. especificamente: a) concessão de empréstimos. O encaixe próprio dos bancos (parcela dos depósitos que é mantida em caixa) é um dos freios à multiplicação infinita da moeda escritural. em moeda. O segundo congrega as instituições bancárias e não bancárias. por parte dos bancos comerciais. é usualmente subdividido em 2 subsistemas: o _______________ e o __________________. A principal função da reserva compulsória sobre os depósitos bancários. a bancos comerciais c) venda de ações. Entre as operações a seguir relacionadas. __________________seu efeito multiplicador. em bolsa. recebendo a inscrição de depósitos à vista 17. a)maiores – maior será b)menores – menor será c)maiores – menor será d)menores – inalterado será e)nenhuma das anteriores 16. Demanda de moeda para _______________: ficando com mais dinheiro as pessoas podem enfrentas melhor as despesas imprevistas. qual delas é responsável pela criação de meios de pagamento? a) pessoas realizam depósitos a prazo nos bancos b) bancos vendem ao público. Quanto ___________ forem as taxas voluntárias e compulsórias. supervisionar a compensação de cheques d) executar as políticas monetária e fiscal do governo e) fiscalizar empresas privadas e públicas 18. responsável pela disciplina operacional e pela liquidez do sistema. fiscalizar e controlar os intermediários financeiros. títulos de diversas espécies c) saque de cheques nos caixas dos bancos d) empresas levam aos bancos duplicatas para desconto. Mas o freio maior é o recolhimento compulsório que o Banco Central exige dos bancos comerciais. a empresas e consumidores b) concessão de empréstimos. Demanda por moeda para ____________: as pessoas mantêm dinheiro porque isso lhes permite comprar e vender bens com facilidade. O primeiro congrega as autoridades monetárias. é: a) permitir ao governo controlar a demanda de moeda b) permitir as autoridades monetárias controlar o montante de moeda bancária que os bancos comerciais podem criar . Demanda por moeda para ________________: as pessoas mantêm dinheiro porque ele é mais seguro que outros ativos. conceder empréstimos ao público e controlar os meios de pagamento do país c) emitir papel-moeda. a) normativo – cambial b) intermediação – normativo c) intermediação – cambial d) normativo – intermediação e) nenhuma das anteriores 15. As operações entre o público e o setor bancário podem criar ou destruir os meios de pagamento. O Banco Central do Brasil (Bacen) tem. O sistema financeiro nacional constituído do mercado monetário. já que o preço de ações. mediante pagamento à vista.34 13.

a maior parcela ficou com as pessoas físicas.35 c) impedir que os bancos comerciais obtenham lucros excessivos d)forçar os bancos a manter moeda ociosa no sentido de cobrir as necessidades de caixa do banco central e) cortar subsídios governamentais às empresas privadas 20. M3 e M4 (medidas da moeda) numa economia que estivesse praticando uma taxa de juros reais de 9% ao ano? E o que aconteceria se a economia passasse a conviver com altas taxas de inflação? Explique. M2. 3. Do total de crédito direcionado para as atividades econômicas nos de 2004 e 2005. De que forma essa distribuição de crédito pode afetar o crescimento futuro da economia? Argumente. Essa redução foi possível graças ao crescimento econômico da economia? . O Bacen reduziu a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais de 75% (março/1999) para 45% (outubro/2003). Para reduzir o volume de meios de pagamentos. O que aconteceria com os agregados monetários M1. o Banco Central deve: a) elevar a taxa de redesconto b) comprar títulos da dívida pública c) elevar a emissão de papel-moeda d) reduzir a reserva compulsória dos bancos comerciais e) reduzir a taxa de juros para desconto de duplicatas Questões Aplicadas: 1. 2.

Desinflação = redução ou a eliminação da inflação. anos 30). Situações Possíveis INFLAÇÃO DESINFLAÇÃO LINHA DE ESTABILIDADE DEFLAÇÃO REFLAÇÃO .36 CAPÍTULO 3 – INFLAÇÃO O que veremos? Definição e Cálculo Teorias Explicativas Mensuração da Inflação no Brasil Planos de Estabilização INFLAÇÃO 1. de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. SITUAÇÕES POSSÍVEIS DE VARIAÇÃO DOS PREÇOS Inflação = aumento persistente no nível geral de preços. Deflação = redução no nível da atividade econômica (estagnação – Ex. Reflação = movimento de recuperação de processos deflacionários depressivos.

aceleração: choques de oferta Efeitos da Inflação Efeito Oliveira Tanzi: mostra que a inflação corrói o montante de arrecadação. indústria. As aplicações em cadernetas de poupança cedem lugar para a aplicação em recursos de bens de raiz. A inflação estruturalista (Cepal) Os pensadores da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) afirmam que as causas estruturais da inflação são: . 16(64): 20-35. deteriora-se o valor da moeda e ocorre desestímulo à aplicação de recursos no mercado de capitais financeiros. .).37 2. TEORIAS DA INFLAÇÃO Inflação de demanda Ocorre quando há um excesso de demanda agregada. Efeitos sobre a distribuição de renda: redução do poder aquisitivo das classes que dependem de rendimentos fixos.propagação: indexação formal e informal . salários) e informal (reajustes de preços no comércio. Efeitos sobre o mercado de capitais: com inflação. que possuem prazos legais de reajuste. mas sim.Quando a economia funciona a pleno emprego.. que são sempre repassadas aos preços. Revista de Economia Política. via aumento dos preços. que leva a um aumento dos custos das empresas que é em alguma medida repassado para os preços finais.(baixa relação de trocas) .estrutura oligopolística no mercado Inflação Inercial 3 Os mecanismos de indexação formal (contratos. 3 Para uma discussão sobre a inflação inercial ver: Pereira (1996). Efeitos sobre o balanço de pagamentos: taxas de inflação em níveis superiores ao aumento de preços internacionais encarecem o produto nacional relativamente ao produzido no exterior. A Inflação decifrada.. como terras e imóveis. quebra de safra. a oferta agregada não tem como se expandir de forma a acompanhar o crescimento da demanda.oferta de alimentos inelástica . aluguéis. O ajuste da oferta não se dá via aumento das quantidades. etc. reajuste de tarifas públicas. desvalorização cambial. Mecanismos: .substituição de importações . Inflação de custos (Ou inflação de oferta) Ocorre quando há variação dos preços de itens com alta participação no processo produtivo (aumento salarial.rigidez das importações (M) associada ao pouco dinamismo das exportações (X) . tarifas públicas) provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores.

O índice de Laspeyres pondera preços (p) em duas épocas.50/Kg = $15 Cesta (ponderada) = (10*40%) + (15*60%) = $13 Período seguinte t + 1 Carne: $1. é frequentemente denominada série de índices. p0 × q0 × 100 p1 × q0 p1 = preço no período atual. q0 = quantidade no período inicial. Quando o número-indice foi construído para um grupo de bens. à localização geográfica. A fórmula é: IL = Onde: p0 = preço no período inicial. então: 30 Kg * 0.00 (aumento de 100%). Índice de Laspeyres É um dos mais populares índices agregado de preços. INFLAÇÃO E NÚMEROS ÍNDICES A inflação é o aumento generalizado dos preços de uma economia.. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época inicial. correlacionados ao tempo. uma POF identificou que o consumo médio de carne era de 40% e de batata 60%. tem-se: Período base (t0): Carne: $ 1/Kg. Quando o número-índice representa uma comparação para um bem ou produto individual. então 10 * 1 = 10 Batata: $1. A cesta básica mensal inclui 10 kg de carne e 30 kg de batata. então: 30 * 1 = 30 Cesta (ponderada): (10*40%) + (30*60%) = $22 Variação: (22-13)/13 = 69% Números Índices É uma medida estatística idealizada para mostrar as variações de uma variável. profissão. Uma coleção de números índices de diversos anos. Considerando dois períodos de tempo. ou a outras características como rendimento. e etc. no qual os preços são ponderados pelas quantidades associadas com o ano-base antes de serem somados. . que determina a ponderação de “cestas de bens e serviços”. localidades. Os exemplos desse métodos são os índices de Laspeyres e o de Paasche. é chamado número-indice agregado ou composto. inicial (0) e atual (1). Método agregativo ponderado Os índices agregados de preços são geralmente ponderados segundo as quantidades q dos bens.38 3. então: 10 Kg * $1/Kg = $10 Batata: 0. é chamado número-indice simples (ou relativo).00 (preços estáveis). É calculada em função do perfil de consumo de uma certa população (POF).50/Kg. t0 como mês base e t1 como o mês seguinte. ou de um grupo de variáveis. q1 = quantidade no período atual. Exemplo: considerando dois produtos (carne e batata).

com os de um ano anterior. com a de outra. ou a produção de aço. inicial (0) e atual (1). Índice de Paasche Este índice usa as quantidades do ano dado como pesos. Veremos a seguir os números índices que são usados no Brasil para medir a inflação. 4. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época atual. admite-se que o numerador possa se apresentar super dimensionado e assim o índice de Laspeyres apresentar tendência de elevação. durante determinado ano. em uma cidade. A fórmula é: IP = p0 × q1 × 100 p1 × q1 O índice de Paasche pondera preços (p) em duas épocas. INDICADORES DE INFLAÇÃO NO BRASIL E NO RS Vários são os indicadores de inflação adotados no Brasil. Aplicação dos Números Índices Para comparar os custos de alimentos ou de vida. Índice Nacional Preços ao Consumidor (INPC) é calculado pela Fundação IBGE. eventualmente.39 Como essas quantidades são consideradas adequadas à época inicial e não à época atual. Tabela 2 .Estrutura Básica dos Indicadores . Por exemplo. Como essas quantidades são consideradas adequadas à época atual e não à época inicial. o Índice Geral de Preços (IGP) é calculado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Existem vários índices de preços que são calculados por instituições diferentes. admite-se que o denominador possa se apresentar. A tabela abaixo sumariza as principais características dos indicadores calculados no Brasil. durante um ano. em uma região do país. super dimensionado e assim o índice de Paasche apresentar tendência a rebaixamento.

IGP-10 (FGV): Elaborado com a mesma metodologia do IGP e do IGP-M. com peso 6. semelhante ao INPC. como aluguel. IGP-M (FGV): Metodologia igual à do IGP-DI.FGV:É uma média ponderada do índice de preços no atacado (IPA). Foi escolhido como alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil. e do custo da construção civil (INCC).IBGE: Calculado desde 1980. INPC-IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor.1 Diferença entre os Principais Índices IPCA. com peso 3. média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos. Mapa 1 . Formado pelo IPA (Índice de Preços por Atacado) e IPC (Índice de Preços ao Consumidor). de preços ao consumidor (IPC) no Rio e SP. O IGP-M é elaborado para contratos do mercado financeiro.Regiões Metropolitanas e IPC 4. porém refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. IGP. A pesquisa é feita em 11 regiões metropolitanas. O IGP tradicional abrange o mês fechado. mas pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. . A única diferença é o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte. com peso 1. IGP-DI (FGV): Reflete as variações de preços de todo o mês de referência. Usado em contratos de prazo mais longo.40 O mapa a seguir mostra as regiões metropolitanas que são alvo para o cálculo do índice de preço ao consumidor (IPC).

Apura as variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços finais no consumo.2 Instituições que calculam a inflação no RS O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE/UFRGS) elabora o Boletim Econômico (IEPE-UFRGS) mensalmente com o objetivo de: * Índice de Preços ao Consumidor (IPC-IEPE). Reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos.22 176.Índice Nacional do Custo da Construção: Um dos componentes das três versões do IGP. Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor.59 0. Indicadores Econômicos (IEPE-UFRGS) . * Custo da Cesta Básica da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Divulga também taxas quadrissemanais. 30% e 10%.36 0.58 177.10 545.Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese): Medido na cidade de São Paulo. chamados de Sinduscon.51 -0.72 Variação % -1.53 Variação % -0.Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): Pesquisado no município de São Paulo. ICV. com pesos de 60%. respectivamente.41 INCC (Índice Nacional do Custo da Construção).78 -1.51 549. e usado em financiamentos de imóveis. o de menor peso. INCC.71 .Custo Unitário Básico: Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor. IPC. Reflete o custo de vida de famílias com renda média de R$ 2. Utilizado em financiamento direto de construtoras/incorporadoras CUB . 4.54 Cesta Básica (RMPA) Fev Mar Abr Custo Total (R$) 554.2006 Índice de Preço ao Consumidor (IPC) Fev Mar Abr Número Índice 177. Calculado por sindicatos estaduais da indústria da construção.800 (há também índices para a baixa renda e a intermediária).

) Inflação no Brasil na década de 1980 (IGP-DI (% a.m. FHC e Lula (IGP-DI %a.gov. INFLAÇÃO NO BRASIL 75 65 55 45 35 25 15 5 -5 Plano Collor Crise da Dívida Plano Cruzado Inflação no Brasil (1944-2006) Inflação nas eras Collor.br 1990 01 1990 07 1991 01 1991 07 1992 01 1992 07 1993 01 1993 07 1994 01 1994 07 1995 01 1995 07 1996 01 1996 07 1997 01 1997 07 1998 01 1998 07 1999 01 1999 07 2000 01 2000 07 2001 01 2001 07 2002 01 2002 07 2003 01 2003 07 2004 01 2004 07 2005 01 2005 07 2006 01 2006 07 Plano Real Plano Verão 1980 01 1980 05 1980 09 1981 01 1981 05 1981 09 1982 01 1982 05 1982 09 1983 01 1983 05 1983 09 1984 01 1984 05 1984 09 1985 01 1985 05 1985 09 1986 01 1986 05 1986 09 1987 01 1987 05 1987 09 1988 01 1988 05 1988 09 1989 01 1989 05 1989 09 1944 02 1946 02 1948 02 1950 02 1952 02 1954 02 1956 02 1958 02 1960 02 1962 02 1964 02 1966 02 1968 02 1970 02 1972 02 1974 02 1976 02 1978 02 1980 02 1982 02 1984 02 1986 02 1988 02 1990 02 1992 02 1994 02 1996 02 1998 02 2000 02 2002 02 2004 02 2006 02 42 .-10 IGP .DI (% a.) -10 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 10 20 30 40 50 60 0 5.ipeadata.m.m. Solange Marin a partir de dados do IPEADATA – www.)) Era FHC Plano Bresser Choques Heterodoxos Era Lula FONTE: Prof.

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5.1. Causas Básicas da Inflação Brasileira As principais causas da inflação na economia brasileira são: a questão distributiva, o déficit do setor público e seu financiamento e o mecanismo de indexação (formal e informal). 5.2. Inflação no Brasil e as Correntes Econômicas Correntes Causas Principais * Desequilíbrio do setor público (déficit e a dívida pública provocam descontrole monetário, causando inflação de demanda)

Monetarista

Inercialista

* Indexação generalizada (formal e informal)

Políticas Antiinflacionárias * Ajuste fiscal (para reduzir déficit e dívida pública, via reformas fiscal, previdenciária, privatização) * Controle Monetário (juros e moedas) * Liberalização do comércio internacional * Dexindexação (para apagar memória ou inércia inflacionária, via congelamento de preços, salários e tarifas – Planos Cruzado, Bresser – ou troca de moeda – Plano Real) * Controle de preços de oligopólio * Reformas estruturais

Estruturalista

* Conflitos distributivos ( pressões de margens de lucro, pressões salariais, pressões de tarifas e preços públicos provocam inflação de custos)

5.3. A Inflação no Brasil e os Programas de Estabilização 1946-58: Inflação de crédito e estrutural 1959-63: Inflação predominantemente fiscal 1964-67: Aplicação de controles ortodoxos 1968-79: Inflação reprimida 1980-1985: Inflação de movimentos inerciais 1986-94: Fase dos choques heterodoxos 1994-2006: O real, a volta à ortodoxia e a estabilização. 5.4. Planos de Estabilização O Plano Cruzado (28/02/1986) A inflação era tida como inercial. O diagnóstico era de que a inflação tinha caráter autônomo, sustentado pela indexação formal e informal da economia. Houve a utilização de instrumentos heterodoxos para a eliminação da memória inflacionária (inércia inflacionária): Medidas: 1. introdução de nova moeda: reforma monetária, com o cruzado – (000) 2. congelamento de preços por prazo indeterminado ao nível de 28/02. 3. conversão de salários: além do valor real médio, concedido um abono de 8%. 4. conversão de aluguéis, prestação do sistema financeiro e mensalidades escolares pelo princípio da média. 5. Desindexação:

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5.1 proibição de clausula de indexação: proibição de correção monetária para contratos inferiores a um ano e para contratos maiores de um ano, reajuste conforme a OTN em cruzados; 5.2 indexação de salários: escala móvel, salários reajustados toda vez que a inflação atingisse a casa dos 20%; 6 tablitas: tabela de conversão diárias de valores em cruzeiros para cruzados. Conseqüências: 1 parte dos recursos foram destinados para a compra de imóveis e reativação da produção; 2 reativação do consumo via salário móvel, seguro-desemprego e abono; 3 viver de renda ficou difícil porque caíram as taxas de juros (teve até taxa negativa); 4 taxa de inflação caiu; 5 empresas introduziram inovações organizacionais tais como just-in-time e abertura de novas firmas; 6 houveram conflitos entre produtores e fornecedores e a conseqüente falta de produtos; 7 não houve discussão quanto ao prazo do congelamento. O congelamento de preços foi peça fundamental e a inflação caiu nos primeiros meses. Houve explosão do consumo devido ao aumento do poder de compra do salário, a despoupança em função da desilusão monetária, a queda nas taxas de juros e ao consumo reprimido dos anos de recessão e ao congelamento de alguns preços defasados aos custos. O excesso de demanda reforçada pela expansão da oferta de moeda além do incremento natural da demanda provocada pela desinflação abrupta. Houveram taxas de juros negativas favoráveis a inflação zero. Esforços posteriores para uma política monetária mais restritiva e o aumento da taxa de juros encontrariam oposição política. Houve reconhecimento da magnitude do desequilíbrio fiscal, pois o esperado aumento na receita do governo, devido a eliminação da erosão da inflação que agia sobre a arrecadação dos impostos (efeito Tanzi) não se materializou no percentual e no tempo previstos. Quando ocorreu o aumento da receita, ele foi compensado pelo aumento nos gastos. No período final ou descongelava-se preços ou desacelerava-se o produto através do corte da demanda agregada. O ano de 1986 foi marcado pela redução drástica da inflação, após o congelamento de preços decretado pelo Plano Cruzado, e uma violenta expansão do consumo, que determinaram novamente a boa performance em termos de crescimento econômico (8,3%). O crescimento do consumo foi explicado por várias razões: transferência de renda real aos trabalhadores (aumento de salário real), fim da “ilusão monetária” com fuga dos ativos financeiros, expansão monetária e creditícia etc. Entretanto, foi também o responsável por vários problemas na economia e pela volta da inflação. Dentre os problemas, destacavam-se a crise de abastecimento, a presença do ágio como forma de burlar o controle de preços e outras formas travestidas de inflação, bem como uma profunda crise cambial. A crise cambial, em decorrência da redução do saldo na balança comercial e da piora nas contas de capital, com profunda queima de reservas para a sustentação do plano, desembocou na moratória de fevereiro de 1987 como forma de estancar a perda de divisas. Foram feitos ajustes no Plano Cruzado, como pode ser visto a seguir: Cruzadinho (07/1986 – 10/1986) Elaboração de um pacote fiscal para diminuir o consumo. Foram criados o sistema de empréstimo compulsórios e novos impostos indiretos sobre a gasolina (28%) e automóveis (30%). Mas, esse pacote teve pouca eficácia para conter o consumo. Ao contrário, a expectativa do descongelamento deu novo impulso à demanda. A inflação oficial caiu, porém

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não refletia a inflação real da economia devido aos ágios, ao desabastecimento e à introdução de produtos novos. Após o mês de setembro o saldo da balança comercial começa a refletir o excesso de demanda interna e a queda nas exportações. Cruzado II (11/1986 – 06/1987) Um pacote fiscal visando o aumento da arrecadação do governo em 4% do PIB via reajuste de alguns preços públicos e aumento de impostos indiretos. Porém, o incremento nos recursos do governo através de preços públicos mais elevados foi desviado para o gasto com produtos e não com o aumento de poupança. Isso reativou a inflação e aumentou o salário via gatilho, o que por sua vez causou a explosão da inflação. Segundo Celso Furtado: a inflação inercial é subproduto das outras e a inflação brasileira reflete em parte um conflito distributivo de renda, em que o governo sempre foi o beneficiário, pois recorria à inflação por não ter meios de se autofinanciar adequadamente através da política fiscal. Plano Bresser (12/06/1987) O Plano Bresser não tinha por objetivo a inflação zero, mas promoveu o choque deflacionário com a supressão da escala móvel de salários. Os objetivos eram sustentar a taxa de inflação a níveis mais baixos e reduzir o déficit público. Foi instituída uma nova base de indexação salarial, a unidade referencial de preço (URP), ou seja, a cada três meses seriam pré-fixados os percentuais de reajuste para os três meses subseqüentes; com base na inflação média dos três precedentes. O gatilho foi mantido, porém ampliava-se a defasagem entre a observação da taxa de inflação e seu repasse aos salários. Os preços foram congelados por três meses ao nível de 12/06/1987, mas antes foram aumentados os preços públicos e administrados. Também não ocorreu a reforma monetária. Quando o Plano Bresser entrou em vigor, em junho de 1987, houve a mudança no indexador da poupança de Obrigação do Tesouro Nacional (OTN) para a Letra do Banco Central (LBC). De acordo com as novas regras, que passaram a valer na época, foi determinado que, entre os dias 1º e 15 de junho de 1987, a poupança seria remunerada pela variação OTN e, a partir de então, pela LBC. Acontece que os bancos remuneraram o mês todo usando como indexador a LBC, que teve variação 18,02% no período, bem menor que a variação da OTN, de 26,06%. É exatamente a diferença de 8,04 pontos porcentuais de remuneração que atualmente o poupador daquela época tem direito. O Plano Cruzado teve como política de combate a inflação o aumento da demanda agregada num contexto de crescimento econômico, o que terminou com pressão sobre inflação. O Plano Bresser objetivava conter a inflação com a redução da demanda num contexto de desaceleração mantendo o crescimento econômico com o redirecionamento da oferta para exportações. O plano incorporou ingredientes inutilizados no Cruzado tais como a preocupação com a taxa de juros, a taxa de câmbio, o déficit público e acordo com o FMI. Porém, acreditava que a sociedade agia de forma irracional. O plano foi uma tentativa de debelar a inflação que, sem o apoio popular do plano anterior, teve acertos e erros. A volta da inflação levou à adoção, em 1987, de políticas de cunho mais ortodoxo, mesmo com a presença de novo plano em junho, o Plano Bresser, que possuía maior preocupação em conter a demanda interna e evitar problemas no front externo. Com a característica recessiva da nova política econômica, esse ano apresentou profunda queda na taxa de crescimento, que situou-se em 3,6%.

Isso tudo foi acompanhado de uma trajetória ascendente das taxas de inflação. com base na eliminação dos subsídios e diminuição dos juros. Além desses pontos.6% em 1989. novas tentativas infrutíferas de arrumar o Plano foram . que gerou grandes problemas em termos de desestruturação das condições de oferta e uma onda de falências. pois tanto a política fiscal como a monetária tornaram-se prisioneiras da rolagem da dívida interna. o PIB sofreu uma redução em torno de 4% em 1990. que inviabilizava a condução da política monetária e qualquer tentativa de estabilização.46 Plano Verão (14/01/1989) Em 1988 e 1989. redução dos gastos e elevação das receitas. o objetivo de recompor os instrumentos de política econômica não ocorreu. O ajuste fiscal mostrou-se insuficiente. cujo elemento central foi o confisco da liquidez e o alongamento compulsório da dívida pública. Esse confisco estava ancorado na MP 168 que bloqueava 70% do M4. rompendo a possibilidade de controle da oferta monetária. com giro diário. A principal medida foi o confisco de ativos financeiros com o objetivo de drástica redução da liquidez da economia. já nos meses seguintes ao confisco. mas envolveria um ajuste patrimonial. no Imposto de Renda e no combate à sonegação. a política econômica também apresentou caráter errático: predomínio da ortodoxia em 1988 e tentativa de acordo social no final desse ano. que chegou no final do governo Sarney à taxa de 80% mensais. as taxas de crescimento econômico apresentaram oscilação. A expectativa era transformar um déficit de 8% do PIB em superávit da ordem de 2% do PIB. adoção do Plano Verão em janeiro de 1989 (que mesclou elementos heterodoxos e ortodoxos). Com o confisco da liquidez. buscou uma reforma fiscal centrada no Imposto sobre Operações Financeiras. Pretendia-se retomar a capacidade de fazer a política monetária e a elaboração de programas de abertura comercial e de privatização de empresas estatais. e a não política (ou "política do arroz com feijão") do final do governo Sarney. o Plano Collor realizou ampla reforma monetária. o Banco Central afrouxou a liquidez. com estagnação em 1988 e crescimento de 3. à privatização das empresas estatais e à maior abertura ao capital estrangeiro. As principais medidas do plano foram o congelamento de preços indeterminado e a reforma monetária com a introdução do cruzado novo (000). A inflação voltou a acelerar. Com isso. não tendo atingido os objetivos. Para evitar um colapso maior. Além disso. o que levou a uma grande expansão monetária. deveria ser resolvida a questão do déficit e da dívida pública. Assim. ao permitir a rápida conversão dos ativos em demanda por bens e serviços e ativos reais. A principal característica de todo o governo Sarney foi um grande descontrole das contas públicas: aumento nos déficits operacionais e crescimento do endividamento interno (cuja necessidade de rolagem inflexibilizava a taxa de juros) a prazos mais curtos. Dessa forma. o que não seria obtido apenas através do ajuste do fluxo. iniciou-se um conjunto de reformas estruturais no sentido liberalizante. com base na eliminação dos títulos ao portador (inclusive cheques) e na redução de gastos públicos. constituídas de maior abertura comercial. para expor as empresas brasileiras à concorrência internacional. Além disso. Isso levou à adoção de uma política que visava a sustentação de taxas de juros reais elevadas. O diagnóstico sobre as causas da inflação centrava-se na alta liquidez dos ativos financeiros. Verificou-se a ausência de qualquer mecanismo de política econômica. Plano Collor (16/03/1990) O governo Collor também tinha como preocupação básica o combate à inflação.

reestruturação dos bancos estaduais e federais e a privatização para transferir ao setor privado os custos da modernização da infra-estrutura. depois. Os salários passaram a ser corrigidos pela média dos últimos quatro meses. Nos meses de abril. o Real (R$). as inflações de procura das inflações de custos. ver: Pereira (1994). com notória recuperação da credibilidade da moeda nacional que se refletiu. 3) A reforma monetária com a introdução da nova moeda. 14 (56): 129-149. criação da IPMF (hoje. 3 Qual é uma das conseqüências mais claras de todo o processo inflacionário.br/) Questões conceituais: 1 Destaque alguns efeitos perversos da inflação. Revista de Economia Política. maio e junho o governo fez a conversão em URV dos preços públicos e tarifas do setor público. 4 Para uma discussão do Plano Real. voltou-se para a política do tipo "feijão com arroz". A economia e a política do Plano Real. .Banco Central do Brasil (Disponível: http://www. coloque-os em ordem decrescente de importância.47 feitas e. julho/1994: Foram fixados limites quantitativos para a emissão de moeda. março/1994: A URV teve a função de unidade de conta e o Bacen emitia diariamente relatórios sobre a desvalorização do cruzeiro real e a cotação da URV. Justifique suas escolhas e a ordem em que as colocou.bcb.Impõe um teto para os gastos .gov. numa retomada do interesse nos agregados econômicos expressos na própria moeda do País. obtendo êxito inédito no combate à inflação. Explique. usando suas próprias palavras. A seu critério. O Conselho Monetário Nacional (CMN) passou a ser composto pelo ministro da Fazenda.Exige projeções dos resultados primários para os 3 anos seguintes Outras informações sobre inflação: Relatório de Inflação . na tentativa de evitar a explosão do déficit e controlar a moeda. As medidas foram: combate a sonegação. 2) A introdução da Unidade Real de Valor (URV). 2 Diferencie. Plano Real (1994) 4 O Plano Real veio alterar esse quadro. inclusive. Importância: âncoras monetária e cambial Eventos importantes A renegociação da dívida dos Estados A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – 2000 .Proíbe renegociações de débitos . redução dos fundos de participação estadual (FPE) e municipal (FPM).Restringe o montante do endividamento total . Planejamento e Coordenação da Presidência da República e presidente do Bacen. CPMF) junho/1993: Essa primeira fase estava baseada na origem fiscal da inflação foi implementado o Plano de Ação Imediata (PAI) em 06/1993. Foi definido como um plano de três fases: 1) O ajuste fiscal (O Fundo Social de Emergência – FSE).

as empresas diminuirão os salários oferecidos aos trabalhadores.Coloque F(falso) ou V(verdadeiro) nas seguintes afirmações. sendo causada pelo aumento de importações e tributos. IV – Uma inflação de demanda pode levar a economia a ter inflação de custos. Quais os dois tipos de inflação mais conhecidos. Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: I – Se todos os preços dos bens e serviços se elevam apenas durante certo período de tempo. enquanto a desinflação é a redução no nível da atividade econômica. f. 8. A esse fenômeno os analistas denominam: a) efeitos de preços relativos b) hiperinflação c) inflação de demanda d) inflação inercial 6 Assinale entre as alternativas abaixo. é suficiente para caracterizar um processo de inflação crônica. A probabilidade de ocorrer inflação de ____________aumenta quando a economia está produzindo próximo do pleno emprego de recursos. o INPC e o IGP. a.( ) Inflação se caracteriza como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços em um determinado período de tempo desestruturando a distribuição de renda. Nessa situação aumentos da _____________ de bens e serviços. um aumentos das exportações ( ) d. caracteriza-se um processo inflacionário crônico. um aumento das matérias-primas importadas 7. um aumento da oferta de moeda ( ) e. o balanço de pagamentos. e III corretas e) I. tomada isoladamente. a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica dos alimentos. e quando a resposta estiver falsa reescrever a frase. ( ) De acordo com a corrente estruturalista. um aumento nos gastos do governo ( ) b.48 4 Se todos os preços subirem. c. a inflação está relacionada aos mecanismos de indexação formal e informal que provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores. que são sempre repassadas aos preços. II. principalmente em setores produtores de insumos básicos. a) somente a I correta b) somente a II correta c) somente a III correta d) I. estabilizando-se em seguida. pode-se ter certeza de que houve inflação. ( ) A inflação de demanda se caracteriza pelo excesso de demanda agregada em relação à produção de bens e serviços. um aumento dos investimentos ( ) c. 5 A essência das análises econômicas realizadas pelos ideólogos da reforma monetária que culminou no Plano Cruzado (1986) reside no fato de que “um determinante significativo da inflação corrente é a própria inflação passada” e que “o melhor previsor da inflação futura é a inflação passada”. II. e III incorretas 9. a que representa um fato causador de uma inflação de custos: ( ) a. d. os preços dos materiais de construção se elevaram bastante. sendo que cada um adota uma metodologia específica e o segundo deles serve de índice para o sistema de metas de inflação. a) demanda – demanda agregada b) custos – demanda agregada c) demanda – oferta agregada . o mercado de capitais. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística no mercado. com a economia já a plena capacidade conduzem a elevações de preços . b. e. e sendo essa mão-de-obra escassa. ( ) A inflação é um aumento persistente no nível geral de preços. além de outros efeitos. pelo fato de que um aumento de produção leva a um aumento da demanda de mão-de-obra por parte das empresas. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações. ( ) De acordo com os inercialistas. acompanhada de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. tal situação. ( ) Alguns índices que são utilizados pelo governo para medir a variação dos preços na economia são o IPCA. II – Após um conjunto de medidas governamentais destinadas a incentivar a construção civil.

38 30 35 Pão 500 g 0. Anos 1975 1976 1977 1978 1979 1980 Indices 100. Indices 1975 532. A tabela abaixo apresenta os valores do salário mínimo. Complete a sentença: “de acordo com a corrente _________________ a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica de alimentos. Determinar a respectiva série de salários mínimos reais (a preços constantes).8 1978 1. 2.120 166. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações.939 5.5 1.6 1979 2.” a) monetarista b) fiscalista c) estruturalista d) clássica e) nenhuma das anteriores Questões Aplicadas: 1.578 8.80 279.919 Sal.684 .40 114.80 55.8 3. o Plano Real conquistou a tão sonhada estabilidade econômica. A tabela abaixo apresenta o índice de produção industrial para o Brasil no período de 1975-1980.60 0. Anos Sal. vigente em dezembro cidade do Rio de Janeiro. reais 1985 600.000 22.8 142.928 23.788.3 1982 23.5 Fonte: Boletim do Banco Central 5. Expresse sua opinião. Preço e consumo de três bens em Palmeira das Missões. tendo como ano-base 1975.5 115. Tabela 1.654 1986 804. A partir dos valores nominais dos salários.00 80.1 1980 5. Min. Será que essa estabilidade já é condição suficiente para o país buscar outras metas além da meta de inflação.932. Usando a tabela abaixo.106.4 1976 768.00 2105.2 1977 1.00 1043.35 3.0 3. usando 1970 como ano-base.8 132. Após as diferentes tentativas para conter a inflação nos anos de 1980 e 1990.90 1.568.000 41.928. Obter uma nova série adotando 1977 como ano-base.4 (1975=100) 1977=100 Fonte: Conjuntura Econômica 4.00 158. Ano 1979 1980 1981 1982 1983 1984 Sal. comparando-os com o de 1975.1 1981 11.560 Nominais IPC 100 222 430 842 2.586 57. 2.788 11. bem como os valores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FGV). calcular os números índices de Laspeyres e Paasche para 1976 para os três bens. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística do mercado.30 0. como por exemplo.560. calcule o salário real. a meta do crescimento econômico. 1970 e 1976 Bem Unidade de Preço médio Preço médio Consumo Consumo 1970 1976 medida per capita per capita 1970 1976 Leite Litro 0.25 0.80 520.7 Ovos Dúzia 0.49 d) custos – procura agregada e) nenhuma das anteriores 10.1 123. Min.0 112.

A neutralidade do ponto de vista da alocação dos recursos deveria ser complementada pela equidade na repartição da carga tributária. Bens Meritórios = podem ser explorados pela iniciativa privada. Função Estabilizadora: governo pode alterar o comportamento dos níveis de preços e de emprego. Função Distributiva: governo atua como agente redistribuidor de renda. aos indivíduos iguais – um critério de “equidade horizontal”. A equidade pode ser avaliada sob duas maneiras: . . Exemplo: serviços públicos que utilizam taxas específicas para o seu financiamento.Princípio da neutralidade: Quando a ação captadora de recursos do governo não altera os preços relativos da economia e assim. Política fiscal: Tendo como instrumentos os gastos e a receita tributária.Princípio da eqüidade: a distribuição do ônus do imposto de maneira justa entre os indivíduos. 1. Dificuldade: como individualizar os benefícios a partir do funcionamento de bens públicos. para financiar a construção de . isto é. em termos de contribuição. AS FUNÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR PÚBLICO Função Alocativa: está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos pelo sistema de mercado. 2. Bens públicos ou coletivos = têm por característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo Princípio de exclusão: quando o consumo do indivíduo A por um determinado bem que pagou. não interferindo nas decisões de alocações de recursos tomadas como base no mecanismo de mercado. através da tributação que retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade e os transfere para os menos favorecidos.Princípio do benefício recebido: um tributo é justo quando cada contribuinte paga ao Estado um montante diretamente relacionado com os benefícios que recebe do governo. . ou seja. uma preocupação com a “equidade vertical”. Riscos pesados = governo interfere porque empresa privada pode correr riscos. mas podem e devem ser também explorados pelo governo. exclui o consumo do indivíduo B que não pagou pelo bem. Monopólios Naturais = governo atua para assegurar preços razoáveis. dar um mesmo tratamento. Outros exemplos de instituir tributos de forma que funcionem como financiamento de determinados programas do governo são a cobrança de um imposto sobre combustíveis. ESTRUTURA TRIBUTÁRIA A teoria da tributação envolve dois princípios fundamentais: neutralidade e equidade. a política fiscal consiste em tentar expandir a atividade econômica com o objetivo de criar mais empregos.50 CAPÍTULO 4 – SETOR PÚBLICO O que veremos? Funções do Setor Público Receita do Setor Público Gastos do Setor Público Aspectos Institucionais do Orçamento Público Finanças Públicas = setor que controla a massa de dinheiro e de crédito que o governo federal e os órgãos a ele subordinados movimentam em um país. enquanto os desiguais serão diferenciados segundo algum critério a ser estabelecido.

Todos pagam a mesma percentagem sobre a renda e não o mesmo valor. paga um percentual maior sobre a renda.Principio da capacidade de pagamento: cada agente deveria pagar tributos conforme sua capacidade de pagamento. . . Além disso.Contribuição parafiscais: se destinam à sustentação de encargos paralelos aos da administração pública direta. e os impostos sobre consumo de energia elétrica. 4.Regressivos: A relação entre carga tributária e renda decresce com o aumento do nível de renda. Todos os impostos indiretos. . Impostos: tributo cuja obrigação tem por fator gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal. b) impostos indiretos: a pessoa que recolhe o tributo não arca totalmente com o seu ônus. . Medidas da capacidade de pagamento: renda.Contribuição extrafiscal: utilizadas para tributar externalidades. impostos progressivos e impostos proporcionais. Contribuições fiscais: um tributo é fiscal quando sua cobrança não visa senão a arrecadação de recursos financeiros para os cofres públicos e objetivam a sustentação dos encargos que são próprios do órgão central da administração. 3. Ex: PIS. Ex: 10% de imposto sobre o preço de venda de TVs. Quem ganha mais.51 rodovias. Existem dois tipos de impostos: a) impostos diretos: a pessoa que recolhe o tributo é a mesma que arca com o seu ônus. . . referida ao obrigado. Taxas: é um tributo vinculado. Tarifas: é um instrumento utilizado na cobrança do imposto de importação. . É aquele que incide sobre transações de mercadorias e serviços e que podem ser ou ad valorem ou específicos (Ad valorem: alíquota % fixada.Proporcional (neutro): a relação entre a carga tributária e o nível de renda permanece constante. OS TRIBUTOS E SUA CLASSIFICAÇÃO Tipos de Tributos 1. específico: valor em R$ fixado). 2.Progressivo: a relação entre carga tributária e renda cresce com o aumento no nível de renda. em geral desempenhada tendo em vista sua pessoa. podem ser estruturados em: impostos regressivos. Ex: IR. 3. para financiar investimentos no setor. FINSOCIAL e COFINS. é aquele que incide sobre renda e riqueza. Ex: imposto de alíquota única. consumo e patrimônio. porque seu fato gerador é sempre uma atuação do Estado. Quem ganha mais paga menos. ou a possibilidade de uma referência direta à sua pessoa.

Impostos e esferas de Governo: Impostos Federais Impostos Estaduais Imposto de renda (IR) Impostos Municipais Imposto sobre circulação de Impostos sobre a propriedade mercadorias e prestação de predial e territorial urbana serviços (ICMS) (IPTU) automotores “Inter Vivos” de bens imóveis e direitos a eles relativos (ITBI) de Mortis Transmissão Imposto e sobre serviço de Imposto de Exportação Imposto sobre a propriedade Imposto sobre a transmissão de veículos (IPVA) Imposto de Importação Imposto Causa (ITCMD) Doação qualquer natureza (ISSQN) Imposto Imposto sobre sobre operação produtos financeira (IOF) industrializados (IPI) Contribuição provisória sobre movimentação (CPMF) Imposto territorial rural (ITR) Cide-Combustíveis A seguir são mostradas tabelas com a arrecadação federal para o período de janeiro a outubro de 2005 e de 2006. financeira .52 Quadro 5 .

53 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda .

br/ .receita.54 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda Para outras informações sobre arrecadação ver: http://www.gov.fazenda.

ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO ORÇAMENTO PÚBLICO Com a Constituição Federal de 1988. Líquida Total Div. Conceitos de déficit: .Déficit Operacional = Receitas – Despesas + juros reais dívida passada 6.gov. Disponível: http://www.5% 1. A venda de títulos da dívida não gera inflação.Déficit Nominal = Receitas – Despesas. 5 Para mais informações sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal ver “Gestão Fiscal Responsável.6% 1.55 4. São subdivididos em investimentos. Tabela 3 . Interna Div. São subdivididos em despesas de custeio e transferências. FINANCIAMENTO DO DÉFICIT O déficit do governo pode ser financiado pela emissão de moeda ou pela venda de títulos da dívida pública ao setor privado (interno e externo). OS GASTOS DO SETOR PÚBLICO Por categorias Econômicas: Despesas Correntes (DC) = não resultam acréscimo ao patrimônio do governo. Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA). a Lei de Responsabilidade Fiscal.0% 2.Despesas . Após o ano de 2000.980 7. Externa PIB (R$ mi) FONTE: Bacen 2005 51. Despesas de capital (DK) = implicam num aumento do patrimônio do governo.planejamento. A tabela abaixo mostra a representatividade em termos do PIB da dívida do setor público brasileiro para os anos de 2004 e 2005. A primeira alternativa é vista com receio porque pode gerar inflação na economia através do estímulo ao consumo. DÉFICIT PÚBLICO O dispêndio do governo é decomposto em Gastos em geral (DC + DK) + Juros sobre a dívida interna e externa. o sistema orçamentário federal passou a ser regulado por três leis: Lei do Plano Plurinanual (PPA). Dicas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”.htm .851.Dívida Líquida do Setor Público (% em relação ao PIB) 2004 Div. mas aumenta a dívida uma vez que a os títulos são remunerados pelas taxa de juros vigentes na economia.2% 7.193 51. 5 O quadro abaixo explica como é feito o orçamento.Déficit Primário = Receitas . inversões financeiras e transferências de capital.942. incluindo inflação e juros sobre dívida anterior .6% 49.7% 44.br/lrf/conteudo/publicacoes/dicas. 5.

deputados e senadores discutem na Comissão Mista de Orçamentos e Planos a proposta enviada pelo Executivo. entre outros.br. através de emenda constitutucional.br) . A LDO estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro subsequente. O PPA estabelece a ligação entre as prioridades de longo prazo e a Lei Orçamentária Anual. A Lei Orçamentária disciplina todas as ações do governo federal. crises econômicas mundiais como aquelas que ocorreram na Rússia e Ásia obrigaram o Poder Executivo a editar Decretos com limites financeiros de gastos abaixo dos limites aprovados pelo Congresso. mas nem tudo é feito pelo governo federal. Esse excesso de vinculações e carimbos ao Orçamento levou o governo federal a propor a DRU . As ações dos governos estaduais e municipais devem estar registradas nas leis orçamentárias dos Estados e municípios.Desvinculação de Recursos da União. receitas próprias de entidades. aprovada em 2000 pelo Congresso Nacional introduziu novas responsabilidades para o administrador público com relação aos orçamentos da União. Nenhuma despesa pública pode ser executada fora do Orçamento. orienta a elaboração do Orçamento. A Lei introduziu a restrição orçamentária na legislação brasileira e cria a disciplina fiscal para os três poderes: Executivo. manutenção do ensino. dos Estados e municípios. seguridade social. em conjunto com os Ministérios e as unidades orçamentárias dos poderes Legislativo e Judiciário. Por outro lado. o projeto é sancionado pelo Presidente da República e se transforma em Lei.planobrasil. No Congresso.transferências constitucionais para Estados e municípios. Acompanha o projeto uma Mensagem do Presidente da República. estabelece a política de aplicação das agências financeiras de fomento. A Lei Orçamentária brasileira estima as receitas e autoriza as despesas de acordo com a previsão de arrecadação. Para saber mais sobre o PPA 2004-2007 que tomou o nome de Plano Brasil . o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional projeto de lei de crédito adicional. proibição de criar despesas de duração continuada sem uma fonte segura de receitas. FONTE: Ministério do Planejamento. clique no endereço www. o governo é obrigado a encaminhar o Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. a Secretaria de Orçamento Federal elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte.gov. na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. Legislativo e Judiciário.Um País de Todos. o que irá trazer maior flexibilidade à execução orçamentária. A Constituição Federal de 1988 atribui ao Poder Executivo a responsabilidade pelo sistema de Planejamento e Orçamento que tem a iniciativa dos seguintes projetos de lei: Plano Plurianual (PPA) De Diretrizes Orçamentárias (LDO) De Orçamento Anual (LOA) O Projeto de Lei do PPA define as prioridades do governo por um período de quatro anos e deve ser enviado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato. etc que tornam o processo orçamentário extremamente rígido. A Lei de Responsabilidade Fiscal. O governo define no Projeto de Lei Orçamentária Anual. Com base na LDO aprovada pelo Legislativo.56 COMO É FEITO O ORÇAMENTO O Orçamento Geral da União (OGU) é formado pelo Orçamento Fiscal. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada". São chamados de Decretos de Contingenciamento em que são autorizadas despesas no limite das receitas arrecadadas.planejamento. Depois de aprovado.gov. O Orçamento brasileiro tem um alto grau de vinculações . da Seguridade e pelo Orçamento de Investimento das empresas estatais federais. dispõe sobre alteração na legislação tributária. Orçamento e Gestão (http://www. fazem as modificações que julgam necessárias através das emendas e votam o projeto. De acordo com a Constituição Federal. o Projeto de Lei do PPA deve conter "as diretrizes. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano. Por determinação constitucional. como limite de gastos com pessoal. as prioridades contidas no PPA e as metas que deverão ser atingidas naquele ano. Se durante o exercício financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está previsto na Lei. A Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura.

operacional. b. ( ) o governo possui dois principais tipos de gastos: gastos públicos e gastos correntes. ( ) os bens públicos são consumidos individualmente e seu benefício para cada cidadão é difícil de ser medido. Cite e explique os dois princípios fundamentais da tributação. Questões Conceituais: 1. l. que podem ser nominal ou total. i. ( ) os chamados impostos indiretos têm essa denominação por incidirem sobre a renda e a riqueza dos indivíduos. ( ) a estrutura tributária brasileira beneficia a classe de renda mais baixa por estar baseada em altas alíquotas de imposto de renda e baixas alíquotas de impostos sobre o consumo. O que diferencia cada um deles. h. Os Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados ao Estado. Quando o governo gasta mais do que arrecada suas contas entram em déficit. Alguns municípios têm Tribunal de Contas próprio. ( ) o ICMS é tipicamente um imposto direto. 2. 5. c. ( ) o conceito de déficit primário inclui os juros pagos de dívida passada.57 8. f. 4. 6. Classifique os impostos abaixo em imposto direto (D) ou imposto indireto (I): ( ) ICMS ( ) IPI ( ) IPTU ( ) CPMF ( ) IPVA ( ) ITR . ( ) o superávit primário é considerado como sendo a diferença entre a receita e os gastos com juros do Governo. O déficit do setor público pode ser financiado? Explique quais são as alternativas. a demanda agregada não variará. e. Ex: Banrisul. 3. ( ) a carga tributária é obtida da relação entre o PIB e o total de arrecadação do governo.( ) no cálculo do déficit público. incluem-se os juros bem como as despesas com correção monetária das dívidas interna e externa k. ( ) se. e primário. FISCALIZAÇÃO O Tribunal de Contas da União (TCU) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados à União. progressiva e proporcional. g. ( ) quanto maior for o PIB menor será a carga tributária. segundo o conceito operacional. com o aumento das alíquotas do imposto sobre a renda das famílias forem gerados recursos adicionais utilizados para maiores gastos sociais pelo governo. Explique o que significa cada uma delas e diga qual é a predominante para o caso da economia brasileira. d. por exemplo. justificando quando falso: a. 7. a cidade de São Paulo. É possível o setor público desempenhar todas as suas funções de maneira harmônica? Comente. A estrutura tributária pode ser regressiva. ( ) o imposto sobre produtos industrializados pode ser caracterizado como imposto direto j. Coloque F (falso) ou V (verdadeiro).

sendo difícil aferi-lo a partir do fabricante. Renda e Dispêndio 1. utilizaremos a produção de pão. o que sobra é a remuneração dos fatores de produção de cada setor. i. Retirando da receita de vendas os gastos com a compra de bens intermediários. como bem intermediário para uma empresa. Por exemplo. a receita de vendas. sem discriminar quanto foi pago em salários. renda e dispêndio Produto. ou lucros. a gasolina vendida nos postos pode ser utilizada tanto como bem final para o consumidor.000 = RN 0 100 100 Farinha 400 1. renda e dispêndio: da economia fechada à economia aberta Informações Conjunturais sobre o PIB no Brasil Problemas com as medidas agregadas Conceitos Básicos: Valor Adicionado.. Trigo (a) receita de vendas (VBP) (b) Compras intermediárias Valor adicionado (a-b) Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo) Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha) Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão) 100 + 300 + 600 =1. de cada setor produtivo. depende do uso que se fará posteriormente. O CONCEITO DE VALOR ADICIONADO: O PRODUTO NACIONAL O conceito de valor adicionado é entendido como: Valor Adicionado = Valor Bruto de Produção (VBP) – Consumo de Produtos Intermediários (matérias-primas e componentes) O Valor Bruto de produção (VBP): é o faturamento. Para exemplificar o conceito de valor adicionado. ou juros.000 Pão O problema de dupla contagem no cálculo do produto pode ser resolvido de duas formas: . ou aluguéis. já que a conceituação de bem final não é muito simples. mas o valor total.e.58 CAPÍTULO 5 – CONCEITO E CÁLCULO DOS AGREGADOS MACROECONÔMICOS O que veremos? Valor adicionado.000 400 PN=DN=1. O conceito de valor adicionado é uma forma alternativa e a mais operacional para medir o produto e a renda nacional do que diretamente pela soma de produtos finais.

A renda. A soma do consumo e da acumulação está representada pelos investimentos em bens de capital. empresas. Assim. é igual ao dispêndio nacional. governo e estrangeiros. somente o valor dos bens e serviços finais. 2. computar. o produto e o dispêndio nacional são expressões contabilmente equivalentes. que é o produto final (não é utilizado para a produção de outros bens). lucros. na apuração do produto. Por que isso ocorre? . computar. e capital de giro = para produzir arroz e soja. que conduzem a mensurações iguais. consumidores. o Produto nacional também pode ser medido pela ótica das despesas realizadas pelos agentes. ou seja. 2. o total de investimento em acumulação deve se igualar ao total de renda poupada. São três abordagens diferentes de avaliação. terra. O exemplo acima mostra o método do valor adicionado. EXEMPLO: Empresa agrícola que use trabalho. somente seria computado o valor dos pães. No exemplo.o consumo e a acumulação. O valor adicionado está diretamente relacionado ao segundo conceito macroeconômico básico: o de renda nacional (remunerações pagas aos fatores de produção mobilizados pelas empresas. As nações produzem bens e serviços que se destinam a duas grandes categorias de dispêndio nacional . somente os valores adicionados em cada etapa do processo de produção. O CONCEITO DE RENDA NACIONAL(RN) A Renda Nacional é a soma dos pagamentos feitos aos fatores de produção que foram utilizados para a obtenção do produto nacional. PRODUÇÃO VT da produção de arroz 600 VT da produção de soja 400 RENDA Total de pgtos de: w aluguel Juros pagos Lucro Total 1000 Total 800 80 20 100 1000 OBS: não incorpora os insumos intermediários 3.59 1. aluguéis) pelo moinho e pela padaria. ENTÃO: A IDENTIDADE BÁSICA DAS CONTAS NACIONAIS: PN = RN = DN Para que essa tríplice igualdade se realize. máquinas e equipamentos. Ou seja. seriam computados o valor da produção do trigo na fazenda e os valores agregados (de salários. juros. CONCEITO DE DESPESA NACIONAL(DN) Um terceiro conceito diz respeito à destinação que é dada ao produto e à renda nacional. não consumida. na apuração do produto.

PRIMEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. juros e lucros As famílias entregam às empresas os fatores de produção e. só se consideram os bens finais e os custos de produção das empresas no sistema agregado. Por exemplo: se forem somados o valor da produção de trigo da fazenda. Então. a empresa vende tudo o que produz. SEM GOVERNO E SEM FORMAÇÃO DE CAPITAL . energia são insumos que entram no processamento de outros bens. aluguéis. mas conduzindo ao mesmo resultado numérico. Por que considerar apenas os bens finais? Se forem somados os valores brutos da produção de bens e serviços de todas as unidades produtivas do país.Dois agentes econômicos: empresas e indivíduos Nesse sistema simplificado. o da farinha produzida pelo moinho. segue que: PN= DN= RN Ou seja. pode-se incorrer no chamado erro de dupla ou múltipla contagem. sem formação de capital e fechada não existem estoques. aluguéis. Produção (PN) = Vendas (DN) Como no agregado são excluídas as compras de bens intermediários. o dos pães produzidos pela padaria. representado o local onde se organiza a produção. recebem salários. Como os gastos das empresas com fatores de produção é a própria Renda Nacional. juros e lucros. componentes. as famílias — pessoas físicas — . como matérias-primas. aluguéis e lucros. Assim. em troca. são transações de empresas a empresas. que se compensam na agregação das unidades produtoras. Fluxo circular da renda Pagamento de bens e serviços Bens e serviços FAMÍLIAS EMPRESAS Fatores produtivos Salários. juros. são três diferentes óticas conceitualmente diferentes para medir a atividade econômica. ou seja. Os bens intermediários. As empresas que são de propriedade de seus acionistas são abstrações jurídicas. ou seja. estariam somados o valor do trigo da fazenda três vezes. o da farinha produzida pelo moinho duas vezes e o dos pães produzidos pela padaria uma vez. Para sua sobrevivência. não incluem o custo dos insumos intermediários. a empresa gasta com pagamentos a fatores de produção tudo o que recebe pela venda de bens e serviços que são os salários.60 Nesse nosso modelo simplificado de economia sem governo. todas as decisões partem das famílias.

Daí surge a identidade renda ≡ produto.o fluxo monetário. Disso. Então. 2. juros e lucros. aluguéis. juros (j). i. SEM GOVERNO E COM FORMAÇÃO DE CAPITAL Até aqui consideramos que as famílias apenas consomem e que as firmas só produzem bens que são consumidos pelas famílias (bens de consumo). são identificados dois fluxos: um de produtos (bens e serviços) e outro de renda (salários. consideraremos agora que as famílias poupam e as empresas adquirem bens de capital. Nesse processo. proprietárias dos fatores de produção. representam custos de produção.. sua capacidade produtiva. a necessidade de introduzir dois novos conceitos: CONCEITO DE POUPANÇA: Poupança = parcela da renda não consumida no período.. O fluxo monetário é medido pelo dispêndio das famílias em bens e serviços finais produzidos pelas empresas ou pela remuneração percebidas pelas famílias em troca dos fatores de produção. Há uma equivalência entre o fluxo de dispêndio de bens e serviços finais (produtos) e o fluxo da remuneração dos fatores produtivos.e. e serviços dos fatores de produção. isto é. Esses fluxos caracterizam o que conhecemos como fluxo circular da renda.e. O fluxo monetário representa a contrapartida pelo fluxo real. a. j. juros e lucros). e têm como objetivo aumentar a riqueza da nação. parte não é gasta em bens de consumo. . O fluxo circular da renda pode ser analisado sob o ponto de vista do fluxo real (fluxo de fatores de produção e fluxo de bens e serviços finais) ou de sua expressão em moeda . S= RN . Mas. o investimento pode ser definido como: . em troca. bens de consumo: consumidos como um fim em si mesmo. i. fazendo parte da produção.C onde C= Consumo Agregado CONCEITO DE INVESTIMENTO: O Produto Nacional é composto por dois tipos de bens: 1. Para adquirir esses bens e serviços. aluguéis (a) e lucros (l). SEGUNDA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. bens de investimentos: não são consumidos. as famílias cederão. pelo ângulo das empresas. pelo fornecimento de bens e serviços. da renda gerada (w. aluguéis. Isso é o que ocorre no dia-a-dia da economia. A remuneração dos fatores de produção constitui-se de: salários (w). aquilo que receberam como salários. l). trata-se de rendimentos.o gasto em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia (Taxa de acumulação de capital).61 precisam adquirir bens e serviços produzidos pelas empresas. Pelo lado das famílias.

Incluindo ainda os subsídios (Sub). o bem de capital é consumido.Se os gastos do Governo superaram a arrecadação: déficit primário ou fiscal. . Subsídios (Sub). variação de estoques (produtos acabados e intermediários): ∆E Assim. em parcelas. têm-se a introdução de dois novos conceitos: PN a custo de fatores (PNcf) = medido a partir dos valores que refletem os custos de produção. a remuneração aos fatores (w + j+ a + l). parte será destinada para os bens de consumo final e outra para bens de consumo duráveis e investimentos. em dado período. Ou seja. . Investimento (I). máquinas.62 .). multas e etc. 2. ou seja: I = PN – C Quais bens são produzidos e não consumidos no período? 1. Transferências (Tr). Com a presença do governo no modelo simples de economia. diferentemente dos bens de consumo. TERCEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E AINDA FECHADA Agentes: famílias.Receitas tributárias: com impostos indiretos (Ti) como ICMS e IPI e impostos diretos (Td) como IR. O CONCEITO DE DEPRECIAÇÃO: A depreciação (d) é o consumo do estoque de capital físico. no sentido de que sofre um desgaste.Receitas não tributárias: contribuições à previdência social com os encargos trabalhistas e outras receitas do governo como taxas (pedágios. IPTU e ITR. empresas e governo O governo obtém sua renda através: . . até virar sucata. só que. Adicionando o custo dos tributos indiretos (Ti). Do total de produto e renda gerados. os componentes do Investimento são: I = Ibk + ∆E A distinção entre Ibk e ∆E é necessária: Ibk : é deliberada e planejada ∆ E: não é planejada e depende das oscilações de mercado. equipamentos e imóveis: investimento em bens de capital (Ibk).Se a arrecadação do Governo superar os gastos: superávit primário ou fiscal. PN a preços de mercado (PNpm) = medido a partir dos valores transacionados no mercado. mas que não foram consumidos no próprio período e que serão utilizados para consumo futuro.o gasto em bens produzidos. IMPORTANTE: . Isso permite introduzir outros conceitos: Investimento líquido (IL) = IB – d Produto Nacional Liquido (PNL) = PNB – d O dispêndio passa a ser dividido agora em gastos com consumo e gastos com a acumulação. O governo gasta suas rendas em: Consumo (C).

Da mesma forma que alguns residentes no país tem fatores de produção que são utilizados em outros países. Renda pessoal Disponível: montante de recursos financeiros de que as famílias e empresas individuais podem dispor após o cumprimento de suas obrigações fiscais para com o governo. Obs: A partir da consideração do resto mundo no nosso modelo simplificado de economia. já que agora temos que levar em consideração que alguns fatores utilizados no processo produtivo são de propriedade de residentes no exterior. os gastos do setor externo com nossas empresas. quanto gastamos com o resto do mundo.63 Temos: PNcf: PNpm – Ti + Sub PNpm: PNcf + Ti – Sub Outros ajustamentos na renda nacional que levam aos conceitos de Renda Pessoal e de Renda Pessoal Disponível. . temos: o produto nacional difere do produto interno. Renda Pessoal: quantias recebidas pelas famílias e empresas individuais. Parte da renda gerada no país que vaza para fora. ou seja. renda e dispêndio são: PNB – depreciação – PNLpm . CONCEITO DE EXPORTAÇÃO (X): são as compras dos estrangeiros de nossos bens e serviços. Somam-se aqui as transferências do governo para a sociedade como por exemplo o pagamento de aposentadoria.tributos indiretos líquidos = PNLcf = Renda Nacional – tributos diretos líquidos = renda pessoal disponível (que será gasta em consumo ou em acumulação) QUARTA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E ABERTA Agrega com isso as variáveis relativas a uma economia aberta para o resto do mundo. CONCEITO DE IMPORTAÇÃO (M): são nossas compras com bens e serviços do exterior. ENTÃO O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA AGORA: SUBSÍDIOS EMPRESAS TRIBUTOS GOVERNO FP TRANSFERÊNCIAS REMUNERAÇÃO DOS FATORES TRIBUTOS FAMÍLIAS Os impactos da presença do governo nos conceitos e nos fluxos de produto.

Divide-se em: . Aqui. inclui-se no primeiro caso. royalties. e excluindo a renda enviada para o exterior pelas empresas estrangeiras localizadas no Brasil. RENDA LÍQUIDA DE FATORES EXTERNOS (RLFE): é a remuneração dos gastos dos ativos pertencentes a estrangeiros. O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA : RE AO EXTERIOR EMPRESAS GOVERNO FAMÍLIAS RESTO DO MUNDO RR DO EXTERIOR . Assim: RLFE = RR – RE Teremos então o conceito de: PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB): renda que pertence efetivamente aos nacionais. então: PNB < PIB RLFE > 0. juros e assistência técnica. ela é chamada de Renda Líquida Enviada ao Exterior. principalmente o capital e a tecnologia. devido às altas remessas de juros. Portanto: PNB = PIB + RLFE (PNB = PIB + RR – RE) E PIB = PNB – RLFE (PIB= PNB . temos que RE < RR. é necessário fazer a distinção dos seguintes conceitos: PRODUTO INTERNO BRUTO = mede a renda que é produzida dentro das fronteiras nacionais. temos que RLFE < 0. na forma de remessa de lucros. . então: PNB > PIB O Brasil bem como a quase totalidade dos países emergentes.RR + RE) Se: RE > RR. não importando quem obtenha a renda. em que o PIB supera o PNB. como a RLFE é negativa.RENDA RECEBIDA DO EXTERIOR (RR): recebemos renda devido à produção de nossas empresas operando no exterior.64 No modelo de economia aberta ao resto do mundo. incluindo a renda recebida de nossas empresas no exterior.RENDA ENVIADA AO EXTERIOR (RE): parte do que foi produzido internamente não pertence aos nacionais. A remuneração desses fatores vai para fora do país. lucros e royalties aos estrangeiros.

Por exemplo: Conta do produto interno bruto: temos no lado do débito o pagamento das unidades produtivas aos fatores de produção. incluindo os impostos indiretos (menos os subsídios) e. independente da origem de seu capital. geração da renda e de despesa num período permite que se calcule o valor adicionado bruto ou produto interno bruto de uma economia. A CONTABILIDADE SOCIAL Os agregados macroeconômicos que discutimos até agora são calculados com base em dois sistemas principais de contabilidade social: o Sistema de Contas Nacionais e a Matriz de Insumo-Produto.Conta Transações Correntes com o resto do mundo. Os lançamentos das transações são feitos de acordo com o método das partidas dobradas (débito e crédito). nacionais e importados. no lado do crédito.Conta Produto Interno Bruto (produção). . o sistema de contas nacionais é baseado em quatro contas. Na forma original. por três óticas: do produto. PIB = mede o total do valor adicionado produzido por firmas operando no país. . RIB = mede a contribuição dos fatores de produção independentemente da nacionalidade dos possuidores desses fatores. relativas à produção. as rendas recebidas pelas famílias e . o que as empresas receberam dos agentes que adquiriram os bens e serviços finais.Conta de Capital.Conta Renda Nacional Disponível Líquida (apropriação). no lado do crédito. Resumo: Em Contas Nacionais o acompanhamento dos fluxos de produção. setor público e setor externo). .65 No modelo completo de economia. Preços a custos de fatores: (PIBcf: PIBpm – Ti + sub) Preço de mercado: (PNpm: PNcf + Ti – sub) PIL = PIB – d RIL = RIB – d PNB = (valor produção – valor dos consumos intermediários) + RLFE RNB = soma das remunerações dos fatores de produção pagas a residentes. . os conceitos convencionais dos agregados macroeconômicos são: PIB – renda liquida enviada ao exterior = PNB – depreciação = PNLpm – tributos indiretos menos subsísios = renda nacional – tributos diretos menos transferência = renda pessoal disponível. Conta da renda nacional disponível líquida: no lado do débito está como as famílias e o governo utilizam a renda recebida e. da renda e da despesa: Ótica do produto: PIB = Valor da produção – Valor Consumos intermediários Ótica da renda: RIB = soma das remuneração aos fatores de produção Ótica da despesa: DIB = soma dos gastos finais na economia em bens e serviços. empresas. apropriação ou (utilização) da renda e acumulação (ou formação de capital) dos agentes econômicos (famílias.

os rendimentos e as transferências recebidas do resto do mundo. a poupança dos agentes econômicos. estão as compras realizadas por residentes de bens e serviços produzidos no exterior (importações CIF) e os pagamentos e as transferências pagas aos não-residentes. a fonte de recursos para os investimentos. no lado do crédito.66 pelo governo mais o resultado líquido dos recebimentos e das transferências com o exterior. No lado do crédito. Os subsídios e a depreciação entram com sinal negativo. incluindo a depreciação. estão os gastos com a formação de capital. Conta de capital: no débito. Na nova metodologia o sistema é composto pelas Tabelas de Usos e Recursos de Bens e Serviços (TRU) e pelas chamadas Contas Econômicas Integradas (CEI). ou seja. e. Conta transações correntes com o resto do mundo: no lado do débito estão os gastos dos não-residentes com os bens produzidos internamente (exportações CIF). bem como a poupança externa. No Brasil. Veja a tabela abaixo que mostra a composição do PIB sob as três óticas. . o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula o PIB e apresenta o resultado anual na periodicidade de trimestres.

67 Composição do Produto Interno Bruto sob as três óticas – 1999 a 2003 .

4 3. 3º Trim 2005 2.br).2 3º Trim 2006 2.2 (-) 1.3 1º Trim 2006 3.68 Produto Interno Bruto.6 4º Trim 2005 2. população residente e deflator implícito do PIB – 1999 a 2003 A Tabela Resumo.3 1.1 1.4 1.Tabela 2 Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) .7 2. Coordenação de Contas Nacionais Para outras informações sobre o PIB brasileiro ver Indicadores IBGE.3 1.Tabela 7 3.1 2.3 2.5 Taxas (% ) Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior .ibge.3 2º Trim 2006 2. a seguir. Contas Nacionais Trimestrais.2 3.5 Fonte: IBGE. julho/setembro 2006 (disponível: http://www.2 0.Tabela 3 Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores . Diretoria de Pesquisas. Produto Interno Bruto per capita.Tabela 4 Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior .0 1.4 0. Indicadores de Volume.gov. apresenta os principais resultados para o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado referentes aos cinco últimos trimestres. .2 1.

Variações reais ou variações nominais . qual seria a diferença entre esses dois conceitos? b) Um Produto Interno Bruto (PIB) elevado reflete necessariamente um país com bons indicadores de desenvolvimento humano e econômico? Justifique sua resposta.000.Tributos indiretos 100 . Considerando a citação acima.69 ALGUNS PROBLEMAS COM AS MEDIDAS DE RENDA E DO PRODUTO . a renda enviada (RE) supera a renda recebida (RR) do exterior. PIB real do ano de 2010 e taxa de crescimento real. Um agricultor colhe um hectare de trigo e vende a um moleiro por $1.As comparações internacionais . responda: a) Costuma-se fazer uma distinção entre “crescimento” e “desenvolvimento” econômico.00 12.00. atividades informais e etc. . na redução das desigualdades existentes nas sociedades nacionais e entre elas”.PIB 870 . O moleiro transforma o trigo em farinha. e vende o pão a um engenheiro por $6. 4. Considere uma economia que produz e consome pão e automóveis.000 Automóveis Pão a) Tomando 2000 como ano-base. Qual é a diferença entre Produto Nacional Bruto (PNB) e Produto Interno Bruto (PIB)? Explique. 4.000 Ano 2010 Preço ($) 70.Subsídios empresas privadas 10 . No Brasil.000. 3. A tabela a seguir contém dados de dois anos diferentes. o que faz com que tenhamos uma renda líquida de fatores externos (RLFE) negativa. Dados em bilhões de R$: . O padeiro usa a farinha para fazer o pão. O que representa o PIB e o PIB per capita de uma economia? 2.00 25. Ano 2000 Preço ($) 60. (fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD) Levando em consideração essa assertiva. Qual o maior: o PNB ou o PIB? Comente.00 Quantidade 110 510.Pagamento Aposentadoria 40 .Produto nacional como medida do padrão de bem-estar Questões conceituais: 1.00. 5. O engenheiro come o pão.00 Quantidade 130 410. 2.Tributos diretos 80 . Comente os principais problemas com as medidas agregadas da economia. e depois vende a farinha a um padeiro por $3. O que é valor adicionado (VA)? Exemplifique.00. Qual é o valor agregado por cada pessoa? Qual é o PIB? 3.Questão da economia subterrânea: atividades gerais do cotidiano. Observe a seguinte passagem: “Transformar crescimento econômico em bem-estar para todos é o grande desafio enfrentado pelos diversos países e suas comunidades. Questões Aplicadas: 1. calcule as seguintes estatísticas: PIB nominal dos dois anos.

Renda enviada ao exterior 07 Pede-se: a) PIBpm = 870+ Ti-Suib = 870 + 100 – 10= 960 b) PNBpm = PIB + RLE = 960 + (-5) = 955 c) PNLcf = 955 – d – Ti + sub = 955 – 25 – 100 + 10 = 840 d)RPD = 840 – Td + Tr = 840 – 80 +40 = 800 5.000 O Índice de Laspeyres.70 . Pergunta-se: qual é a taxa de crescimento real do PIB no período? Explique.520. tendo 1990 como ano-base.980.Renda recebida exterior 02 .000.000 1.Depreciação ativos fixos 25 . . Uma economia hipotética apresentou os seguintes resultados para o PIB nominal: Ano 1990 Ano 1995 PIB nominal (R$) 1.000. foi de 120.

um exemplo numérico. Os economistas clássicos forneceram a explicação teórica básica para o comércio internacional através do princípio das vantagens comparativas. explica-se a especialização dos países na produção de bens diferentes. obtém-se a produção dos bens mencionados. tanto em relação aos produtos como no que concerne ao mercado de fatores. esse mesmo país deverá importar aqueles bens cuja produção implicar custo relativamente maior (cuja produção é relativamente menos eficiente). existem 2 países (Inglaterra e Portugal). portanto.71 CAPÍTULO 6 – A ECONOMIA NACIONAL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS O Que veremos? Teoria das trocas internacionais Taxa de Câmbio Balanço de Pagamentos Instrumentos de Ajuste dos Fluxos Externos Organismos Internacionais FUNDAMENTOS DE ECONOMIA INTERNACIONAL Dentro da Economia Internacional. e os aspectos macroeconômicos. como a diversidade de condições de produção (a Noruega dificilmente produzirá bananas). o custo da produção de vinho é maior que o da produção de tecidos. Portugal tem vantagem relativa na produção de vinho e a Inglaterra na produção de tecido. . O princípio das vantagens comparativas sugere que cada país deva se especializar na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). os dois países obtêm benefícios ao especializar-se na produção da mercadoria em que possuem vantagem comparativa. conforme o quadro: QUANTIDADE DE HOMENS/HORA PARA A PRODUÇÃO DE UMA UNIDADE DE MERCADORIA Tecido Vinho Inglaterra 100 120 Portugal 90 80 Em termos absolutos. Uma característica importante desse modelo é a inexistência de mobilidade internacional da mão-de-obra. Segundo Ricardo. ou a possibilidade de redução de custos (a obtenção de economias de escala) na produção de determinado bem comercializado em um mercado global. Ricardo considera um ambiente de concorrência perfeita. Essa será. costuma-se dividir as questões teóricas em dois grandes blocos: os aspectos microeconômicos. Portugal é mais produtivo na produção de ambas as mercadorias. dois produtos (tecido e vinho) e apenas um fator de produção (mão-de-obra). A teoria clássica do comércio internacional A Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada de modo bastante simples por David Ricardo. Comparativamente. Relativamente. Através de coeficientes técnicos fixos de produção. entretanto. Desse modo. TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL O que leva os países a comercializarem entre si? Muitas explicações podem ser levantadas. na Inglaterra. 1. a mercadoria a ser exportada. relativos à taxa de câmbio. o custo de produção de tecidos em Portugal é maior que o da produção de vinho. Por outro lado. Implicitamente. a partir da qual concretiza-se o processo de troca entre eles. aos termos de troca e ao balanço de pagamentos. No seu modelo. ou a teoria do comércio internacional.

que procuraram incorporar também o capital na função de produção dos países. poderá utilizar apenas 100 horas de trabalho. um país poderá economizar tais recursos através do comércio internacional. pode-se concluir que a nação se beneficia com o comércio. também economizando 10 horas de trabalho. Também fornece uma explicação para o padrão do comércio internacional. Os países exportarão e se especializarão na produção dos bens cujo custo for comparativamente menor em relação aos demais países. poupando. Porém. uma unidade de vinho deve custar 1. Alguns críticos também apontam para as difuldades que existem em se tecer comentários sobre o impacto do comércio na distribuição de renda dentro de um país. as quais se manifestam em produtividades do trabalho ou coeficientes de produção diferentes. A teoria desenvolvida por Ricardo — base do modelo clássico de comércio internacional — constitui forte argumento em favor do comércio internacional e contra medidas protecionistas. na Inglaterra são necessárias 100 horas de trabalho para a produção de uma unidade de tecido e 120 horas para a produção de uma unidade de vinho. Por outro lado. Resume-se a considerações estáticas. exportando-os e importando vinho de Portugal.2 unidades de tecido. não dando atenção à evolução das estruturas de oferta e demanda. Critica-se o modelo por não fazer maiores considerações sobre a demanda e a estrutura de gostos e preferências dos agentes. de que há apenas um fator de produção operando a partir de coeficientes técnicos fixos. mas não se explicita quem se beneficia dentro do país. .2 unidades de tecido (120/100). Sem comércio internacional. Assim. em autarquia (produzindo e consumindo sem comércio internacional). por apontar os benefícios desse comércio. Assim. a Inglaterra poderá importar uma unidade de vinho por um preço inferior a 1. por exemplo.72 exportando-a. produzir uma unidade de tecido e trocá-la por uma unidade de vinho. É a partir de diferenças tecnológicas relativas. A Inglaterra. estabelecido a partir do lado da oferta dos países. Não importa aqui o fato de que um país possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produção. a Inglaterra deverá se especializar na produção de tecidos. em Portugal essa unidade de vinho custa 0. Se houver comércio entre os países.89 unidades de tecido (80/90). Os benefícios da especialização e do comércio podem ser observados ao se comparar uma situação sem e com comércio internacional. Com o comércio com Portugal. Deste modo. A suposição do modelo clássico.89 unidades de tecido vendendo seu vinho. que existem trocas internacionais. Desse modo. e importando o outro bem. ou se há grupos prejudicados. O mesmo raciocínio vale para Portugal: em vez de gastar 90 horas produzindo uma unidade de tecido. bem como da relação de preço entre os produtos negociados no mercado internacional. que se especializará em tal produção e passará a importar tecidos. supondo uma dada quantidade de recursos. portanto. tal teoria possui pressupostos bastante restritivos. se a relação de troca entre o vinho e o tecido for de uma para uma. mostrou-se bastante irrealista e incômoda para muitos teóricos. ambos os países sairão beneficiados. obtendo maior nível de consumo. poderia usar apenas 80 produzindo uma unidade de vinho e trocá-la no mercado internacional por uma unidade de tecido. e Portugal poderá comprar mais que 0. A partir da teoria clássica do comércio internacional. gastará 120 horas de trabalho para obter uma unidade de vinho. 20 horas de trabalho que poderiam ser utilizadas produzindo mais tecidos.

e os países de baixa renda. portanto. ressaltando-se novamente as vantagens do livre comércio.73 Assim. começou a ser constituída a teoria moderna do comércio internacional. Os países. Os novos modelos não . que modificou a explicação concernente à origem das vantagens comparativas. que exportam bens mão-de-obra intensivos. Do mesmo modo. A corrente estruturalista estava baseada em bases empíricas que evidenciavam a deterioração das relações de troca entre o centro e a periferia – entre os países produtores de bens primários e os países produtores de manufaturas de alto valor adicionado. surgiu uma série de novas explicações para o comércio internacional. ii) baixa elasticidade-renda da maior parte dos produtos primários. As vantagens do comércio continuam existindo: há ganho real de renda quando o país passa da autarquia para uma situação de comércio internacional. um país com oferta abundante de capital considerará relativamente mais barato produzir bens cuja produção necessite mais intensamente do fator capital e. a hipótese clássica é oposta: as tecnologias (os coeficientes técnicos de produção) diferenciadas são cruciais para explicar as diferenças de custo e o padrão de comércio. Um país com oferta abundante de mão-de-obra em relação ao capital produzirá preferencialmente bens que utilizam na sua produção relativamente mais mão-de-obra e também deverá exportar esse bem. de modo que a estrutura tecnológica é a mesma para todos os países. Também a teoria moderna recebeu críticas em função de seu caráter estático e de suas premissas por demais restritivas. segundo o modelo Heckscher-Ohlin. exportadores de matérias-primas. e os países pobres (com uma relação capital-trabalho baixa). iii) retração da procura de inúmeras matérias-primas de exportações e iv) baixo valor adicionado dos produtos primários de exportação. A teoria moderna do comércio internacional A idéia básica por trás da teoria moderna do comércio internacional é a de que os países diferem quanto à dotação relativa de fatores de produção. diante de evidências de que os ganhos do comércio exterior não se dividiam igualmente entre os países industrializados de alta renda. A diferença básica entre a teoria clássica e a moderna é que. dadas as contribuições desses dois economistas. exportadores de manufaturados. enquanto a teoria moderna pressupõe uma mesma função de produção para os países envolvidos no comércio internacional. que agora passam a ser tanto a mão-de-obra quanto o capital. geralmente tendem a exportar produtos que utilizam intensivamente o fator de produção relativamente mais abundante no país e importam a mercadoria que utiliza intensivamente o fator de produção menos abundante. terá vantagem em exportá-lo. Os pontos de sustentação da crítica estruturalista foram: i) baixa elasticidade-preço dos produtos primários. A nova teoria do comércio internacional A partir das críticas e dos problemas empíricos relativos ao modelo Heckscher-Ohlin. importando bens que necessitem de muita mão-de-obra na sua produção. A teoria Estruturalista Esta visão criticou o pressuposto das vantagens bilaterais simétricas. O modelo moderno básico é o chamado modelo de Heckscher-Ohlin. O que varia no modelo moderno é a dotação de fatores: há os países ricos (abundantes em capital) que exportam bens de capital intensivos. Essas razões mostram uma tendência à deterioração que resultava em ganhos assimétricos de comércio exterior.

Esse comércio não se realiza em condições de concorrência perfeita e não se garante que esses ganhos sejam distribuídos proporcionalmente entre os países comerciantes. o país inovador passará a exportá-lo. fazendo com que a importância da qualificação da mão-de-obra e dos recursos alocados em P&D para a sua produção desapareça. existe a necessidade da conversão entre diferentes moedas. As explicações relativas a esse comércio podem vir de duas hipóteses: a) pode-se atribuir tal padrão de comércio à existência de economias de escala. onde conseguem introduzir inovações em função da qualificação da sua mão-de-obra. um brasileiro adquire um produto alemão (importa). A TAXA DE CÂMBIO E O MERCADO CAMBIAL Uma importante diferença do comércio internacional em relação ao comércio doméstico é que este último se realiza com uma mesma moeda nacional. em função do risco associado a esse mercado. b) existem teorias que procuram enfatizar o lado da demanda. evitando-se produzir para exportação produtos pouco consumidos internamente. a compra e venda de mercadorias se faz com o real. enquanto que. porém percebe-se nessas teorias certa recuperação de idéias protecionistas. a explicação embasada na idéia de ciclo do produto. De modo geral. o vendedor alemão quer receber em marcos alemães. A produção atende inicialmente o mercado doméstico e depois se destina à exportação. matéria-prima) em reais e não em liras. o comércio intraindustrial. 2. no comércio internacional. Países desenvolvidos têm vantagens comparativas onde são pioneiros. podem ganhar com o comércio entre eles. dólares ou marcos. o livre comércio continua mostrando-se estaticamente a melhor situação. A produção desse bem passa. ainda. dos recursos investidos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e da estrutura de demanda que possuem. pois ele tem seus custos (salários.74 têm a mesma consistência teórica dos modelos clássico e moderno e ainda devem ser melhor testados. De modo geral. Do mesmo modo. quando um brasileiro exporta para a Itália desejará receber o valor das exportações em real e não em liras. Quando. ao longo do tempo. por uma forte padronização. Desse modo. mais fácil e maior é o comércio entre eles. no que se refere às suas dotações de fatores e seus gostos. Dentro do Brasil. em função da introdução de problemas relacionados à incerteza. que é menos conhecido e controlável. impostos. Os rendimentos crescentes de escala são mais uma fonte de ganhos para o comércio. Basicamente quanto mais parecida a demanda dos países (quanto mais próximo o nível de desenvolvimento dos países). porém. As mercadorias a serem exportadas são preferencialmente aquelas já produzidas para atender o próprio mercado doméstico. a fim de explicar esse comércio intraindustrial. Existe. além do comércio preconizado pela teoria de Heckscher-Ohlin entre países ricos e pobres. Nesse momento. o comércio internacional introduz um novo elemento: a taxa de câmbio. Teorias mais modernas centram-se nos fatores de competitividade das nações. que passariam também a exportálo. Deve atingir países com estrutura de demanda parecida e a concorrência entre os países é exercida a partir de um processo de diferenciação do produto. desenvolvida por Raymond Vernon. . verifica-se também um comércio intenso entre países com igual dotação de recursos e a crescente troca de produtos razoavelmente parecidos. pois os países tenderão a produzir bens que mais facilmente atendam a demanda de potenciais importadores. a economias de escala e a estruturas de mercado não concorrenciais. Decorrentes mais de atributos construídos do que de vantagens definidas por dotações naturais. Mesmo países idênticos. as recentes análises constatam que. sua produção pode mudar de país e situar-se em países menos desenvolvidos. Com a difusão da demanda por tal produto internacionalmente.

Se a mercadoria custa 100 marcos alemães. Também em outubro de 1994. o equilíbrio entre a oferta e a demanda das diferentes moedas nacionais estabelece as taxas de câmbio. A partir desses agentes.85 reais para 1 dólar).85 reais. Um mercado cambial supõe. a taxa de câmbio entre o franco suíço e a libra inglesa era de 2. compõe-se a demanda e a oferta por dólares e reais. temos a demanda brasileira por dólar. isso se realiza. Da mesma forma. com os quais compra a mercadoria desejada. há as ofertas e as demandas pelas moedas. de aproximadamente 0. Temos.17 US$/R$. cada um (1) dólar valia 0.05 francos suíços para se obter uma libra inglesa. Deve-se tomar cuidado com a forma pela qual a taxa de câmbio está expressa. ou seja. trocaria 55 reais por 100 marcos.) e no resto do mundo. que é o inverso de 0. Neste mercado. Assim temos. portanto. Em outros países. Desse modo. O mercado cambial é aquele onde as moedas dos diferentes países são transacionadas. marcos etc. por exemplo. As taxas de câmbio são basicamente determinadas através do mercado cambial. as transações entre bancos privados de diferentes países e as transações entre bancos centrais de diferentes países. então seria 1. costuma-se expressar a taxa de câmbio como sendo a quantidade de moeda nacional necessária para comprar uma unidade de moeda estrangeira (no exemplo.05 SF/£.85 R$/US$. Por outro lado. torna-se possível realizar as transações entre os países. ou seja. há agentes que oferecem dólares e procuram reais: os exportadores brasileiros. ou seja. No Brasil. os turistas que trazem dólar para o Brasil. também em relação ao dólar e às diversas moedas nacionais. o importador brasileiro troca reais por marcos alemães pela taxa de câmbio (0. eram necessários 2. que desejam remeter lucros para a matriz. bancos e corretores autorizados pelas autoridades monetárias. por exemplo. Este mercado é formado por compradores e vendedores (importadores e exportadores). As oscilações na demanda e na oferta de determinada moeda devem conduzir a modificações no equilíbrio desse mercado (taxa de câmbio e quantidade de moeda transacionada). os tomadores de empréstimo no exterior. A cotação de real em dólar também poderia ser expressa como sendo de aproximadamente 1. Outra definição: é o preço de uma unidade de moeda estrangeira em moeda nacional. . aqueles (agentes privados ou públicos) que demandam determinada moeda. os estrangeiros que querem investir no Brasil.17 dólares norte-americanos.17 doláres para 1 real). ela é expressa como a quantidade de moeda estrangeira necessária para comprar uma unidade de moeda nacional (no exemplo. ou seja. 0.55 R$/DM. Assim.75 Taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra moeda estrangeira. os agentes que necessitam de dólares para saldar dívidas contraídas anteriormente. os turistas que viajam para os Estados Unidos etc. as transações entre o Banco Central e bancos privados no mesmo país. que são os preços relativos entre as moedas nacionais. a realização de diferentes transações: as transações entre bancos privados e clientes no mesmo país. que a taxa de câmbio do real (moeda nacional brasileira) em relação ao dólar norte-americano (moeda nacional dos EUA) era. as empresas norte-americanas atuando no Brasil.85. temos os importadores de mercadorias norteamericanas que necessitam de dólares. no exemplo). esses agentes também estão oferecendo reais no mercado cambial. Através das taxas de câmbio. no Brasil. Ao mesmo tempo. com outras moedas (francos. No Brasil. é a taxa pela qual duas moedas de países diferentes podem ser trocadas (cambiadas). por um lado. Em tese. em outubro de 1994. assim como as quantidades de moedas nacionais transacionadas. com um real poder-se-ia obter 1.

com aumento de saídas de divisas e consequente déficit. São as forças de mercado (oferta e demanda) que determinam a taxa de câmbio. 3) Câmbio Flutuante (flutuação suja. são créditos. De modo geral. e uma desvalorização quando seu poder de compra cai. Porém. valorizando o real e desvalorizando o dólar.dirty floating): o Banco Central não interfere (ex-ante) na fixação da taxa. assim como os juros pagos ao exterior. por exemplo. Formação das Taxas de cambiais – Regimes Cambiais Taxa cambial é a relação de preço existente entre a moeda nacional e determinada moeda estrangeira. No Brasil. Ocorrendo variação para baixo nas taxas cambiais. 2. Suas intervenções são aleatórias e tem como objetivo conter especulações no mercado. Assim. Quem determina a taxa efetiva é o mercado (oferta e demanda) 3. elevará ou reduzirá as taxas cambiais. BALANÇO DE PAGAMENTOS O Balanço de Pagamentos de um país é um resumo contábil das transações econômicas que esse país faz com o resto do mundo. pode-se considerar que toda entrada de divisas corresponde a um crédito e toda saída a um débito. ou seja . desvalorizando-se a moeda nacional em relação às moedas estrangeiras. por exemplo. teremos aumento da entrada de divisas estrangeiras e. conforme exemplos indicados a seguir: . As exportações. com altas taxas cambiais. aumento dos investimentos norte-americanos no Brasil significa aumento na oferta de dólares e também um aumento na demanda por reais. que possibilitam um melhor acompanhamento da evolução da situação econômica internacional do país. 2) Câmbio Flutuante (flutuação limpa): o Banco Central não interfere na determinação da taxa de câmbio. adota-se a idéia das partidas dobradas. podemos entender a formação das taxas cambiais de acordo com o referido princípio basilar econômico. as importações são débitos. é bastante comum a apresentação de balanços trimestrais e até de contas mensais. Inversamente. A periodicidade em geral é de um ano (seguindo o ano civil do país).1. portanto superávit. Entendendo como fundamento básico na variação das taxas cambiais a oferta e procura de divisas estrangeiras. A partir desse balanço. 4) Banda Cambial: o Banco Central fixa os limites inferiores e superiores da cotação cambial. durante um certo período de tempo. define-se uma valorização da moeda nacional. que. Esses aumentos fazem com que a taxa de câmbio se modifique. remessas e entrada de capital. Principais Regimes Cambiais 1) Câmbio Fixo: o Banco Central fixa a taxa de câmbio e realiza todas as intervenções no mercado que sejam necessárias para manter a taxa estabelecida.76 Assim. conforme dito acima. No caso das transações de comércio exterior a oferta e procura de divisas estrangeiras representam o movimento das operações exportação e importações efetuadas. empréstimos. quando o poder de compra desta em relação às demais cresce. Na contabilização destes registros. Toda transação que cria um direito constitui um crédito. haverá redução no saldo de exportações e aumento no saldo de importações. o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo Banco Central a partir dos registros das transações efetuadas entre residentes no País e residentes em outras nações. A taxa cambial está relacionada com o movimento do saldo do balanço de pagamentos do país. O preço do real em relação ao dólar deve crescer e a quantidade de reais que se compra com um dólar deve ser menor. pode-se avaliar a situação econômica internacional do país.

A. Balança de Transações Correntes — procura resumir a diferença entre o total das exportações e das importações tanto de mercadorias como de serviços. Se tal conta for deficitária.1. Investimentos B. Viagens Internacionais e Turismo A. As transações dessa balança são as que afetam diretamente a renda nacional e.2 Importações A. Se essa conta for superavitária.2.2.3.2. são verificadas cada uma das contas acima: A.3.2. Amortizações C. de contrair empréstimos no exterior (aumentando o endividamento do país) ou de reduzir as reservas de divisas internacionais. Balança de Serviços (Invisíveis) A. o país necessita de buscar investimentos no estrangeiro (aumentando o controle de estrangeiros sobre emprendimentos no país). .2. Diversos A. A forma mais usual é a que segue: Balanço de Pagamentos .1. Balança de Transações Correntes A.1. Empréstimos a Curto Prazo B.3. Balança Comercial A.1. por isso. Empréstimos e Financiamento de Longo e Médio Prazo B. Balança de Capitais B. Transações Compensatórias D. Atrasados Comerciais A seguir. sendo também incluído o saldo de Transferências Unilaterais do período.2. o país estará recebendo recursos que podem ser utilizados para pagar compromissos assumidos anteriormente (diminuição do endividamento externo).2. Erros e Omissões Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C) D.4.3. Tranferências Unilaterais B. Transportes e Seguros A. são consideradas as mais importantes do Balanço de Pagamentos.4. Reinvestimentos B.1.5.2.77 Débitos: Importações de Bens e Serviços Pagamentos de doações e indenizações Pagamentos de capital emprestado Reembolsos de capital a estrangeiros Compras de ativos de estrangeiros Créditos: Exportações de Bens e Serviços Recebimentos de doações e indenizações Recebimentos de empréstimos Recebimento de reembolso de capital Vendas de ativos para estrangeiros Várias são as maneiras de se apresentar um Balanço de Pagamentos.1.País A .1 Exportações A. para investimento do país no exterior (aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior) ou para aumentar as reservas do país. Rendas de Capital (lucros e juros) A. Operações de Regularização D.Ano 19xx. Variação de Reservas (haveres no exterior) D.

1. Durante a década de 80. observou-se uma reversão neste quadro com o surgimento de superavits significativos.2. na rubrica (re)investimentos de estrangeiros no Brasil. Existem pelo menos duas maneiras de se contabilizar o valor das exportações e importações. também devem ser contabilizados como débito nessa conta.78 Por muito tempo. comissões. e as exportações e importações CIF (cost. com destaque para 1974. Rendas de Capital — são rendas referentes aos rendimentos de capital auferidos ou pagos pelo país. cenário que deve ser mantido por mais alguns anos. filmes.2. quando ocorreu o primeiro choque do petróleo e caíram os termos de troca. A. porém esses lucros são considerados reinvestidos e significarão também uma entrada (crédito) na balança de capital. onde as despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque da mercadoria. consumindo grande parte do superavit da balança comercial. A. A. o frete e o seguro do seu transporte até o destino. raiz da crise da dívida externa. Viagens Internacionais e Turismo — representam o saldo das receitas e despesas de turistas. onde se inclui no valor das mercadorias. assistência técnica. Balança Comercial — inclui basicamente as exportações e as importações de mercadorias. a Balança de Transações Correntes passou a ser assim decomposta: A. utiliza-se as exportações e importações FOB. No final dos anos 70 e início dos anos 80. especialmente a partir de 1983. Estão incluídos os juros pagos ao exterior por empréstimos ou financiamentos recebidos de não-residentes (e os juros recebidos do exterior por empréstimos ou financiamentos concedidos por residentes) em um momento anterior. Possui uma série de subcontas.1. Com a crescente importância dos serviços e dos rendimentos de capital (pagamentos de juros e remessas de lucros). A Balança de Serviços brasileira sempre mostrou-se deficitária. No caso brasileiro.2. Transportes e Seguros — são o saldo das receitas e despesas efetuadas com fretes e prêmios de seguros. Para efeito de Balanço de Pagamentos. já que as despesas com seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços. a Balança de Transações Correntes foi praticamente identificada com a Balança Comercial.4. .3. Diversos — incluem o saldo de diversas transações como: dispêndios efetuados com representações diplomáticas no exterior (e as transferências dos demais países para os gastos de suas representações diplomáticas no país).2. Se as exportações forem maiores que as importações. Na década de 80. Existem as exportações e importações FOB (free on broad). patentes. aluguel de equipamentos. A. essa conta mostrou-se deficitária nos anos 70. Também estão incluídos os lucros remetidos por empresas nacionais no exterior (crédito) e os lucros das empresas estrangeiras no país (débito). recebimentos e pagamentos referentes a royaltes. Balança de Serviços — representa as negociações internacionais dos chamados bens invisíveis e os rendimentos de investimentos.2. o deficit cresceu substancialmente em decorrência dos juros pagos ao exterior. Com a implementação do Plano Real. Os lucros de empresas estrangeiras. além de seu custo. a balança comercial passou novamente a apresentar saldos negativos. será deficitária. se ocorrer o contrário. dentre as quais destacam-se: A. caso não haja alteração significativa na condução da política econômica. os juros enviados situaram-se em torno de US$ 10 bilhões anuais. insurance and freight).2. que não foram remetidos. a balança comercial do país será superavitária.

como para empresas e indivíduos. indicada por uma conta credora no item variação de reservas. Transações Compensatórias — ao somatório de A + B + C corresponderá um valor igual nessa conta. inúmeras contas são registradas com valores estimados. e os pagamentos do principal feitos por não-residentes. Erros e Omissões — essa conta surge em função de equívocos existentes no registro das operações do país com o exterior. Essa rubrica do balanço de pagamentos inclui: B. Assim. Transferências Unilaterais — referem-se a pagamentos sem contrapartida de um país para outro: a) remesssas feitas por não-residentes no Brasil ao seu país de origem (débito). Empréstimos de Curto Prazo — registram os empréstimos recebidos do exterior e concedidos para outros países. Operações de Regularização — são operações realizadas com instituições internacionais. Variação de Reservas — registra a variação nos haveres em moeda estrangeira e ouro possuídos em reserva pelo país.2. (crédito/débito). recorre-se a empréstimos destas instituições com o objetivo de cobri-lo. D. B. Ao contrário — quando o balanço for deficitário — essa conta será credora. b) recebimentos de residentes fora do País (crédito). Movimento de Capitais — agrupa as contas que representam modificações nos direitos e obrigações de residentes no país para com não-residentes. há uma variação negativa no volume de reservas. tanto para governos. Na verdade. a fim de cobrir os erros estatísticos cometidos e as transações não registradas. haverá uma entrada de divisas. Desse modo. referentes a empréstimos e financiamentos tomados no exterior. um deficit no balanço poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país. referentes a empréstimos e financiamentos concedidos pelo país ao exterior. Amortizações — onde registram-se os pagamentos do principal. B. C. Investimentos — referem-se ao capital de residentes no país aplicados no exterior. De modo geral. de modo a equalizar os débitos e créditos no balanço. Se o balanço for superavitário. além dos financiamentos obtidos na cobertura de importações e concedidos quando das exportações. quando a soma for negativa. .5. assim como os investimentos feitos por nãoresidentes no país.3. B. organismos internacionais etc. quando há deficit no balanço de pagamentos. sendo superavit quando a soma for positiva e deficit. Os principais itens dessa última rubrica são: D.4. c) doações de governos. Desse modo. porém com sinal contrário. B. D. em caso de o balanço ser positivo (indicando a entrada de recursos).79 A. Reinvestimentos de empresas multinacionais já instaladas no país que reinvestem parte do lucro. o que impede a equivalência perfeita entre os créditos e os débitos (mesmo levando-se em consideração as transações compensatórias).1. sejam esses investimentos diretos ou de carteira. ou seja. um aumento das reservas.1. Somados todos os saldos das contas mencionadas (A + B + C) obtem-se o Resultado do Balanço de Pagamentos.2. como o FMI. Empréstimos e Financiamentos de Longo e Médio Prazos e B. esse item entra no balanço de pagamento. a conta de Transações Compensatórias será devedora. indicada por um débito.3.

pode-se dizer que: a) há um incremento nas suas relações de troca b) há estabilidade nos seus termos de troca c) ocorreu aumento nos termos de troca entre eles d) há uma deterioração nos termos de troca e) os termos de troca nunca variam 3. Questões conceituais: 1. Assinale a alternativa incorreta: a) As transações correntes englobam os fluxos reais de bens e serviços e os pagamentos correspondentes às receitas e despesas realizadas. Relação entre o valor de duas unidades monetárias. e) Quando o valor das importações supera o das exportações há uma balança passiva. Balança de Serviços: 10.Imposição de tarifas alfandegárias de proteção. 4. Movimentos de Capitais Autônomos: 200. de acordo com a teoria econômica convencional.Imposição de proteção não tarifárias. em termos monetários nacionais. 5. e) quanto maior as exportações maior o produto de uma economia. da divisa estrangeira correspondente: a) par. Atrasados Comerciais — dizem respeito aos empréstimos que não foram pagos na data de vencimento. c) Balança Comercial registra o movimento de exportações e importações de mercadorias. Para uma economia hipotética A são dados (em US$ milhões): Balança comercial: 100. Transferências Unilaterais: . .3. c) quanto maior as exportações menor o produto da economia. .metálico b) gold-points c) pontos de compensação d) relação de troca e) taxa de câmbio . 2. d) as exportações elevam a eficiência econômica. Qual o saldo em transações correntes. 4. b) As transações de capital englobam os créditos e débitos resultantes de todas as transações comerciais realizadas. INSTRUMENTOS DE AJUSTE DO BP Instrumentos Cambiais: . No que se refere especificamente as exportações é falso afirmar que: a) a desvalorização da moeda nacional e o incremento da renda internacional elevam as exportações. d) Quando o valor das exportações supera o das importações dizemos que há uma balança comercial ativa.80 D. indicando o preço.30. Quando um país necessita aumentar o volume de exportações de determinado produto para importar a mesma quantidade de bens em relação a outro país.Controle das operações cambais Outros Instrumentos: .Fixação de quotas setoriais de comércio.Administração da taxa de câmbio . Erros e Omissões: 0. b) quando as exportações são superiores às importações a economia apresenta um superávit comercial.

referentes a serviços de hospedagem de turistas brasileiros. financiados a longo prazo por um banco alemão. c) Uma agência de turismo brasileira efetua pagamentos a uma cadeia de hotéis norte-americana no valor de US$ 20 milhões. recebendo à vista. em moeda estrangeira. c) o saldo na balança em transações correntes.000 j) juros pagos: 500 k) investimento estrangeiro direto no país: 1. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros. iii. viii. f) O Brasil paga ao exterior US$ 50 milhões em fretes. b) Banda cambial explícita c) Câmbio fixo d) Câmbio flutuante com intervenção e) Câmbio flutuante sem intervenção Questões aplicadas: 1.Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares): i. d) o saldo total do balanço de pagamentos. construa o balanço de pagamentos e determine e interprete: a) o saldo da balança comercial. o país paga ao exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. US$ 180 milhões em automóveis coreanos. o país importa. b) Companhias estrangeiras instaladas no Brasil remetem lucros de US$ 50 milhões ao exterior. 3 – Admita que as seguintes operações foram realizadas entre o Brasil e o exterior em um dado período: a) Um grupo japonês realiza investimento de US$ 500 milhões em razão da privatização da Vale do Rio Doce. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. sob a forma de investimento direto. Com base nessas informações: a) Monte o BP. i) Uma indústria brasileira de autopeças importa maquinário da Alemanha no valor de US$ 60 milhões. explique se a atual forma de financiamento do saldo das transações correntes será prejudicial para o comportamento futuro do BP. o país exporta. pagando à vista. ingressam no país.000 c) donativos recebidos: 100 d) donativos enviados: 50 e) fretes pagos: 100 f) fretes recebidos: 50 i) amortizações pagas: 1. g) O Banco Central obtém empréstimo junto a um banco norte-americano a fim de financiar o pagamento de juros vincendos no valor de US$ 80 milhões.000 b) importação de mercadorias: 6.000 m) remessa de lucros e dividendos: 500 Com estas informações elabore o Balanço de Pagamentos da economia hipotética. mercadorias no valor de US$ 110 milhões. vi. h) Uma companhia aérea norte-americana realiza uma compra à vista de aviões brasileiros no valor de US$ 150 milhões. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. sob a forma de investimento de curto prazo. . iv. 2. Com base nestas operações. d) Uma montadora francesa de automóveis investe US$ 100 milhões na construção de uma fábrica no Paraná. v. e) O Brasil importa. US$ 80 milhões. A recente crise financeira que se instalou no Brasil é fruto de sérios problemas externos e teve como consequência a alteração do regime cambial (janeiro/1999). b) o saldo da balança de serviços. ingressam no país.000 l) empréstimos recebidos do exterior: 1. ii.81 6.São dados para uma economia hipotética os seguintes dados do Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) a) exportação de mercadorias: 5. Atualmente o regime cambial é de: a) Flutuação limpa. pagando à vista. mercadorias no valor de US$ 100 milhões. US$ 70 milhões em forma de bens de capital. Além disso. vii.

748 -34.3. Balanço em transações Correntes A.299 1.1. Auditor Fiscal do Tesouro Nacional (AFTN) e Banco Central do Brasil (BACEN): 1) (AFRF.702 -4.458 -33.416 29. 1996) Os déficits no balanço de pagamentos de um determinado país . Balanço de Serviços -33.2.593 -280 4.3. Balança comercial (fob) Exportação de bens Importação de bens A. o saldo da conta de capital e financeira e o resultado do balanço de pagamentos. o saldo em transações correntes. Erros e Omissões RESULTADO DO BP (A+B+C) Fonte: Banco Central do Brasil -6575 51140 -57714 -28299 1458 -33416 29702 320 29381 26002 -2854 28856 18125 -457 18582 -460 -14285 -4256 -7970 a) Identifique os principais problemas do balanço do pagamentos do Brasil no ano de 1998. Solange Marin a partir de dados do Banco Central do Brasil 1998 -6. Movimento de Capitais 8.215 Fonte: Prof.811 B.193 -9. 1998 e 2005. Erros e omissões 334 Resultado do BP 7. então. Transferência Unilateral 2. b) A estrutura do BP mostra que a soma do saldo em transações correntes e do movimento de capitais deve ser igual a zero (TC + K = 0 e.466 A. que TC = .558 14. 1998 e 2005. Transferências unilaterais correntes TRANSAÇÕES CORRENTES (A1+A2+A3) B. Balanço Comercial (FOB) 10.079 A.2.256 -7.ANO 1998 em US$ milhões) A – Balanço de Transações Correntes A.113 3.319 Pede-se: a) Qual a principal mudança nos resultados das contas do BP nesses diferentes anos? Explique.692 C. Considere os seguintes resultados do BP brasileiro para os anos de 1994. Conta Capital e Financeira Conta capital Conta financeira Investimento direto Investimento brasileiro direto Investimento estrangeiro direto Investimentos em carteira Investimento brasileiro em carteira Investimento estrangeiro em carteira Derivativos Outros investimentos C. Explique essa afirmação usando os resultados do BP para 1994. 4 – Considere o balanço de pagamentos abaixo (Brasil . Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) Discriminação 1994 A. Questões retiradas de concursos para Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF). Balança de Serviços A.1.575 -28.970 2005 44.414 Saldo em Transações Correntes -1.K).82 b) Encontre o saldo da balança comercial. 5. b) Qual a alternativa para o Brasil equilibrar as contas do BP? Explique.

que incidem tanto sobre as exportações. enquanto países com níveis elevados de proteção dificilmente apresentam este tipo de problema. b) A balança de pagamento deve estar sempre em equilíbrio . que se tornam relativamente mais caras para este país. d) diferenças entre as exportações e as importações de um dado país e outros. mas podem ocorrer. 2000) Sobre balanço de pagamentos. quanto sobre as importações. 2) (AFRF. as receitas líquidas de exportações deste país. e) é realizado apenas uma vez. etc. empréstimos do FMI. 3) (AFRF. e) são consequência da falta de proteção adequada ao mercado interno deste país. b) decorrem de desvalorizações cambiais. e os juros que o Brasil paga pelos empréstimos fornecidos por outras nações. uma vez como crédito e uma vez como débito. Por esta razão. assim. países com baixos níveis de proteção tarifária apresentam-se deficitários. não se pode fazer a seguinte afirmativa: a) Balança de pagamento é um registro contábil de todas as transações de um país com os outros países do mundo. d) A balança de serviços inclui. . reduzindo. para os vários grupos de produtos. em casos muito particulares. b) é realizado apenas uma vez como crédito ou débito. c) A balança comercial e a balança de serviços formam a “balança de transações correntes”. d) o padrão de comércio entre dois países em termos de reciprocidade de estrutura tarifária. b) lei segundo a qual os preços dos produtos tendem a permanecer estáveis ou a declinar ao longo do tempo. em uma das contas do balanço de pagamentos. 1998) O conceito de termos de troca refere-se à: a) relação de produtos trocados entre dois países. d) decorrem. assistências técnicas. entre outros. serviço de transporte (fretes). especialmente no que se refere ao regime tarifário. remetidos pelas empresas transnacionais. 6) (BACEN. na outra como débito. e) um índice que serve para medir o nível de participação de um país no comércio internacional bem como o grau de diversificação de seus produtos e parceiros. b) forma contratual de comércio utilizada em sistemas regionais. c) relação entre preços recebidos pelas exportações de um país e os preços pagos pelas importações. de déficits nas transações correntes (comércio visível e invisível). d) é realizado simultaneamente na conta de transações correntes e na conta de capital em uma delas como crédito. 2002) Segundo o critério de partidas dobradas. c) ocorrem como consequência da elevação das taxas de juros internacionais. 5) (AFTN. e) Na balança de capitais são registrados o capital das firmas estrangeiras que ingressam no país sob a forma de empréstimos. como o Mercosul. 1996) Termos de troca é uma expressão que designa: a) uma relação entre os preços pelos quais um país vende suas exportações em relação aos preços que esse país paga por suas importações. 1998) Considerando a estrutura do BP. em geral. reduzindo as receitas. Os empréstimos de outros governos para o governo brasileiro.83 a) decorrem fundamentalmente de déficits comerciais. mas também dependem do nível de reservas internacionais de que dispõe este país. 4) (AFTN. como débito ou crédito. que aumentam a competitividade mas tornam o produto exportado relativamente barato. de acordo com a natureza da operação. em função de fluxos inesperados nas contas de transferências e /ou de capitais deste país. lucros e royalties. O que implicará a capacidade de importar. c) é realizado duas vezes na conta corrente ou na conta de capital. c) as condições de comércio estabelecidas entre duas nações. b) os atrasados e os empréstimos de regularização figuram na conta de “erros e omissões”. é correto dizer que: a) as amortizações de empréstimos figuram na conta “movimento de capitais”. o registro de toda transação internacional no balanço de pagamentos a) é realizado duas vezes. enquanto o preço das manufaturas tende a crescer.

os juros e os lucros fazem parte dos movimentos de entrada de recursos no país. a) –80. d) o pagamento de seguros.120. -45. -60. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. o país importa. US$ 80 milhões V. o país paga para o exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. sob a forma de investimentos de curto prazo. recebendo à vista. pode-se afirmar que o saldo do balanço comercial. -65. +320. + 35 b) –10. Com base nestas operações. pagando à vista. . 7) (BACEN. VIII. do balanço de serviços e dos movimentos de capitais autônomos. VII. +105. e) + 80. +60. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. +110. o saldo do balanço de pagamento em conta corrente e o saldo total do balanço de pagamentos são. sob a forma de investimento direto. o país exporta. mercadorias no valor de US$ 110 milhões III. 1998) Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares) I. US$ 70 milhões em forma de bens de capital IV. -115. -60.84 c) as transferências unilaterais não figuram na estrutura do balanço de pagamentos. . -50. o saldo do balanço de serviços. +165. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros VI. +40. apesar de serem contabilizadas pelo Banco Central para fins de controle de entrada de recursos no país. respectivamente: a) –80. ingressam no país. ingressam no país. em moeda estrangeira. e) o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente é igual ao saldo do balanço comercial. mercadorias no valor de US$100 milhões II. -65. c) –10.

saída de capital . nas relações econômicas internacionais. assim como os conturbados anos do período entre guerras. b) havia a conversibilidade das moedas em ouro. por conseguinte.queda de preços . portanto. Mas. Na prática isso significava que um padrão-ouro estabelecia uma paridade fixa entre cada moeda e o preço do ouro.85 A INSTITUCIONALIDADE NO CENÁRIO INTERNACIONAL ORGANISMOS INTERNACIONAIS As grandes Guerras Mundiais. no período Pós.Eliminação do déficit Os desequilíbrios do BP eram resolvidos por meio de transferências internacionais de ouro.saída de ouro . início da Primeira Guerra Mundial: Nesse sistema. as paridades entre as principais moedas oscilaram de forma pronunciada. recomendou a adoção mundial do . existia: a) a unidade comum entre os países era o ouro. Os principais sistemas monetários internacionais já adotados foram: O Sistema PadrãoOuro. O mecanismo de ajuste do Balanço de Pagamentos no Padrão-Ouro: Déficit no BP . portanto entre as diversas moedas. que vigorou até a I Guerra Mundial e o Sistema de Bretton Woods. e. Sistema Monetário Internacional É o conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países.II Guerra Mundial até 1971. Já ao final da II Guerra Mundial. o seu valor correspondente em ouro. O que se sabe é que não existia em 1870. Os países adotavam taxas fixas ou flutuantes de acordo com suas conveniências. É importante destacar que nos anos imediatos após o fim da guerra (1919-23). mas operava plenamente em 1900. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. O intervalo entre as duas Guerras Mundiais Durante o período entre as Guerras Mundiais não existiu nenhum sistema monetário internacional. O Padrão-Ouro: conceito e mecanismo de ajuste do valor das moedas Vários autores destacam que é mais fácil determinar o período em que o padrão ouro chegou ao fim – 1914 do que a data efetiva de sua origem. Isso estimulou as autoridades de diversos países a buscar a volta da estabilidade obtida nos vinte anos anteriores à guerra. as pressões inflacionárias em quase todos os países levaram à escassez relativa de estoques de ouro. Para superar essa escassez o Comitê Financeiro de Conferência de Genebra na Convenção de Gênova (1922). estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial: As diferentes unidades monetárias utilizadas no pagamento das trocas internacionais fizeram com que fosse necessário operacionalizar um sistema monetário internacional. O Padrão-Ouro vigorou na sua forma original até 1914. e o equilibro era obtido pelo impacto dos fluxos de ouro sobre o sistema econômico interno. O Objetivo do sistema é viabilizar as transações entre países. As moedas nacionais emitidas tinham. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional.

Sistema de Bretton Woods O Sistema de Bretton Woods foi definido em 1944 ao fim da II Guerra Mundial com o objetivo de determinar as regras econômicas internacionais que deveriam vigorar no pósguerra. no qual os países adotariam como reservas monetárias. sua relação com as diferentes moedas nacionais (o regime cambial). Já ao final da II Guerra Mundial. por conseguinte. além do ouro. com consequências sobre a liquidez e o ritmo de atividade interna. A referência mais importante é o retorno da Inglaterra ao padrão-ouro em 1925. embora tivesse semelhança com a atual ONU. Desta conferência nasceu um novo sistema monetário internacional. Elas formam o aparato institucional que mantém as relações entre as diversas economias. surgiram algumas propostas de remodelagem do sistema monetário internacional. nas relações econômicas internacionais. foi criado o BIS (Bank For International Settlements). os mecanismos de financiamento e ajustamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos. Surgiu o sistema de câmbio-ouro (gold exchange standard). que prevaleceu. Na Conferência de Bretton Woods. Foi criada a Liga das Nações que. Mas. com o aumento de seu desequilíbrio externo e a saída de ouro. quando se via no comércio mundial um importante instrumento para potencializar o desenvolvimento do mundo capitalista.86 padrão-ouro. com sede na Basiléia. o Fundo Monetário Internacional (FMI). para administrar os pagamentos. infelizmente fracassou. O objetivo de um Sistema Monetário Internacional é viabilizar as transações entre os países. A expressão sistema monetário internacional refere-se ao conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. A tradução de BIS é “Banco Internacional de Pagamentos”. define-se o ativo (moeda) de reserva internacional. O Sistema de Bretton Woods consagrou a gestão de taxas de câmbio chamada de . devidos pela Alemanha a título de reparação de guerra. o grau de liberdade dos capitais privados e a institucionalidade que garantirá o funcionamento desse sistema. O Sistema de Bretton Woods: a Reforma do Sistema Monetário Internacional As grandes Guerras Mundiais. que foi extremamente importante para o reflorescimento do comércio mundial e sobre o qual se baseou o crescimento econômico do pós-guerra. secretário do Tesouro dos EUA. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. Sua principal finalidade era promover a cooperação dos principais bancos centrais do mundo motivo por que ele é considerado Banco Central dos Bancos Centrais. Foram criadas as quatro principais instituições econômicas do pós-guerra: o Sistema de Taxas de Câmbio de Bretton Woods. foram feitas algumas tentativas de preservar a paz mundial e auxiliar o crescimento econômico. Tais eram as preocupações presentes nos últimos anos da II Guerra Mundial. Dentre elas destacaram-se as do economista inglês John Maynard Keynes e as de Henry White. outras moedas conversíveis. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial. Nesse período entre as duas grandes guerras. Suíça. sua forma de controle. em 1931. fez a Inglaterra sair do padrão-ouro e desvalorizar a libra esterlina. Nesse sentido. relativos aos Acordos Young. o Banco Mundial e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). Em 1930. assim como os conturbados anos do período entre as guerras.

o que se verificou foi um forte crescimento econômico.87 padrão dólar-ouro. Essa possibilidade de ajustamento. Por outro lado. porém com uma contínua perda de confiança no sistema. Se esses déficits fossem. a variação cambial deveria ser adotada na hipótese de um “desequilíbrio fundamental” nunca definido de forma clara. Ainda assim. Os pontos essenciais de Bretton Woods: 1) O novo sistema internacional teria como ativo comum a moeda norte-americana. Porém. pois a única moeda a ser conversível em ouro. se não houvesse injeção de liquidez. a uma taxa de câmbio fixa (não havia limitações à mobilidade de capital). era necessário o crescimento das reservas mundiais em dólares (a fim de não haver crises de liquidez internacional). depois de fracassados os ajustes internos possibilitados por política monetária e comercial. sua sustentação era posta em xeque. A questão conhecida como "Paradoxo de Triffin". Na ausência de uma moeda universal. a economia e o comércio internacional prosperaram com base no dólar e nesse sistema. e era a seguinte questão: para que a expansão do comércio ocorresse. Já nos anos 50. O dólar tinha uma paridade com o ouro e as demais moedas com o dólar. havia a possibilidade de se reajustar a taxa de câmbio quando uma moeda nacional apresentava uma tendência demasiadamente forte de se afastar do seu valor estabelecido em relação ao dólar. Os Problemas do sistema de Bretton Woods: A falta de mecanismos de ajuste adequados O sistema de Bretton Woods permitia o recurso a uma desvalorização cambial como última instância. por conseqüência. a solução para o problema do dólar só poderia ocorrer por meio de modificações na paridade do dólar. Foi estabelecido o dólar como moeda internacional. era a principal distinção entre o sistema de Bretton Woods e o Padrão-Ouro. base do sistema monetário internacional anterior à I Guerra Mundial. 2) Os EUA ficavam obrigados a converter os dólares em ouro a uma cotação fixa (sistema de câmbio fixo em relação ao ouro e entre moedas). quando se verificasse um desequilíbrio fundamental. sendo as outras moedas nacionais livremente conversíveis em dólar. o que significaria alterar a relação dólar-ouro ou abandonar o sistema das taxas fixas de câmbio. a confiança na conversibilidade do dólar e. porém. Essa injeção de liquidez se fazia a partir de déficits externos dos EUA. . a base dos acordos de Bretton Woods ruiria. sistemáticos. Problemas com a liquidez internacional: o “dilema de Triffin” Nas três décadas que se seguiram à II Guerra Mundial. 3) Regime de taxa de câmbio fixa entre os países e 4) Gold exchange standard: paridades das várias moedas estabelecidas em termos de ouro ou dólares. que procurava flexibilizar o Padrão-Ouro. Esta falta de definição de uma regra básica para o ajuste entre as economias é apontada como uma das causas da falência do sistema. Este paradoxo decorreu de um trabalho publicado por Triffin em 1960. e se os ativos em ouro norte-americanos fossem constantes (na verdade eram cadentes). o crescimento também não ocorreria. e essa era a única moeda que manteria sua conversibilidade em relação ao ouro. A solução para o problema só poderia ocorrer depois que fosse sanado o déficit comercial norte-americano. Assim.

para ser uma função de uma cesta de dezesseis moedas (com predominância do dólar). Mas. Desde então. cada unidade de DES equivaleria a 35 onças de ouro.quando foi suspensa a convertibilidade do dólar em relação ao ouro . os DES são emitidos pelo FMI e alocados entre os países-membro do Fundo na proporção de suas quotas. franco francês e libra esterlina. Os Estados Unidos buscavam mecanismos para evitar variações bruscas na paridade ouro-dólar. e novamente em 1981 o valor dos DES foi redefinido como uma média ponderada das paridades do dólar. com o rompimento da conversibilidade do dólar em relação ao ouro. . a partir de 1974. Os DES. depois de 1973. conhecidos internacionalmente por SDR (Special Drawing Rigths) foram a solução adotada a partir de 1967 com o propósito de elevar o estoque de reservas internacionais. a menos que haja decisão favorável nesse sentido por parte de ao menos 80% dos países do Fundo.e subsequentemente em relação à convertibilidade entre o dólar e outras moedas (as cotações deixaram de ser feitas exclusivamente em termos da paridade à moeda norte-americana). enquanto outros países – sobretudo europeus – procuravam formas de evitar as facilidades encontradas pela economia norte-americana em manter posições deficitárias por longos períodos de tempo. A partir dessa época. Ou seja. principalmente em relação ao ien e ao marco alemão. que as mantivesse protegidas de fatores adversos. apesar de ainda ser a principal reserva internacional. o mercado duplo de ouro (1968) e as crises especulativas do final da década foram passos no caminho de destruição do sistema montado em Bretton Woods. perdeu importância. Houve uma grande desvalorização do dólar. mas à mesma paridade do dólar. Originalmente. iene. com a política expansionista (keynesiana) da década de 60 e os conseqüentes aumentos nos déficits público e comercial americanos.88 A criação dos Direitos Especiais de Saque (DES) As discussões sobre a reforma do sistema monetário internacional durante a década de 60 estiveram centralizadas na idéia de tornar as reservas internacionais administráveis sob algum tipo de controle central. Seu fim foi decretado por Nixon em 1971. seguiu-se um período de forte instabilidade. ou seja. baseada em taxas flutuantes de câmbio. O Fim de Bretton Woods As condições de conversibilidade oficial estabelecidas originalmente no sistema de Bretton Woods esgotaram-se em agosto de 1971. o valor dos DES foi definido em termos de ouro. a desvalorização da libra (1967). que. O volume dos DES é controlado pelo FMI e não pode ser ampliado. Essas foram as motivações de longo prazo subjacentes à criação dos Direitos Especiais de Saque (DES). A questão se acirrou com as guerras da Coréia e do Vietnã. a paridade inicial de um para um com o dólar foi finalmente alterada. e o estoque inicial foi alocado entre os diversos países de acordo com suas quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI). marco alemão.

Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento foi criado com o objetivo de auxiliar a reconstrução dos países europeus devastados pela guerra. criou-se um novo ativo de reserva internacional. Japão. O país. mas que não obtêm financiamento no setor privado. GrãBretanha e França.89 A institucionalidade criada em Bretton Woods (1944) Foram criadas duas instituições financeiras internacionais muito importantes. Na prática. a compra de divisas estrangeiras em troca de ouro ou de sua própria moeda nacional. Banco Mundial ou BIRD O Banco Mundial ou BIRD . eliminando práticas discriminatórias e restritivas aos pagamentos multilaterais. que eram emprestados. contudo. Além disso. O FMI tem sede em Washington. Posteriormente. esse papel ficou a cargo do chamado Plano Marshall. . para utilizar os recursos do FMI tem direito de saque. A maneira como o Banco opera na maior parte dos programas é levantando recursos junto ao mercado financeiro a taxas preferenciais e emprestando aos países a essas taxas. Estados Unidos. Alemanha. O Banco tem seu capital subscrito pelos países na proporção da sua importância econômica. que consistirá em restabelecer a viabilidade do BP. com o compromisso de recomprar a sua moeda em ouro ou em divisas conversíveis. Maiores quotistas: Estados Unidos. A estabilidade financeira interna e o combate à inflação nos países membros é uma de suas metas. Essa quota-parte é fixada em função do peso econômico do estado. o Banco provê crédito em condições preferenciais a países que dificilmente teriam acesso a essas condições por meio dos mecanismos de mercado. Seu capital é composto pelas quotas constituídas pelos países associados. integralizadas em ativos de reservas (Direitos Especiais de Saque) e em moeda nacional do país associado. isto é. tendo em vista seu desenvolvimento industrial e sua participação no campo financeiro internacional. eliminando ou reduzindo as causas que motivaram o desequilíbrio. o FMI poderia financiá-los com os empréstimos compensatórios. A partir desse capital. b) socorrer os países a ele associados quando da ocorrência de desequilíbrios transitórios nos seus balanços de pagamentos. constituíam-se inicialmente de reservas em ouro e em moedas nacionais dos países membros. Fundo monetário internacional O Fundo Monetário Internacional foi criado com os objetivos de: a) evitar possíveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade financeira. Seus ativos. Ocorrendo desequilíbrio no BP de um país associado ele recorrerá ao FMI. o Banco também funciona como avalista de empréstimos efetuados por capitais particulares para esses projetos. o Banco empresta com taxas reduzidas de juros para países menos desenvolvidos. dentre as quais estão o FMI e o Banco Mundial ou BIRD. com o intuito de desenvolver projetos economicamente viáveis e relevantes para o desenvolvimento desses países (especialmente projetos de infra-estrutura). O crédito obtido pode ser em moedas estrangeiras ou em Direitos Especiais de Saque (DES). porque foi a solução encontrada diante da tentativa frustrada do Congresso norte-americano em criar uma Organização Internacional do Comércio. e o Banco passou a lidar com a promoção do desenvolvimento dos países subdesenvolvidos. Quando esses desequilíbrios ocorressem. O GATT também é mencionado. acrescidas de uma margem para cobrir custos operacionais: desse modo. os Direitos Especiais de Saque (DES). O FMI não concede empréstimos. que estabelecerá um programa de ajuste.

reduzir as barreiras impostas a esse comércio através de impostos alfandegários e cotas de importação.90 GATT Alguns anos depois da Conferência de Bretton Woods. no pós-guerra. procurava-se estruturar um conjunto de regras e instituições que regulassem o comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países. a compensação aos países prejudicados por aumentos nas tarifas alfandegárias e a arbitragem dos conflitos comerciais. Atuou especialmente através de sucessivas rodadas de negociações entre os países envolvidos no comércio internacional e conseguiu.Acordo Geral de Tarifas e Comércio. cujo objetivo básico é a redução das restrições ao comércio internacional e a liberalização do comércio multilateral. foi criado o GATT . O GATT estabelece como princípios básicos: a redução das barreiras comerciais. a não-discriminação comercial entre os países. . Através do GATT.

A análise da escassez de recursos e das ilimitadas necessidades humanas conduz à conclusão que a economia é uma ciência ligada a problemas de escolhas.Bens produzir .Bem: tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. Daí surgem os conceitos: . Por que os bens são procurados. Um bem é demandado porque ele é útil.Método e Economia Positiva . a fim de satisfazer as ilimitadas necessidades humanas. produzir o máximo de bens e serviços com os recursos disponíveis de cada sociedade. . O conceito de escassez econômica deve ser entendido como a situação gerada pela razão de produzir bens com recursos limitados.Diferentes técnicas Como Fazer? . ESCASSEZ Em economia tudo se resume a uma restrição física – a lei da escassez.Escassez .Análise Marginal 1.Teorias/Modelos . Porém. .Custos . isto é.91 CAPÍTULO 7 – NOÇÕES DE MICROECONOMIA O que veremos: Princípios Básicos Mercado: Oferta e Demanda Conceito de Elasticidade Estrutura de Mercado Princípios Básicos O que Quanto Como Para quem Economia (Ciência Social) Escassez Escolha Produzir . somente existirá escassez se houver um demanda para a aquisição de bens.Necessidade humana: qualquer manifestação de desejo que envolva a escolha de um bem econômico capaz de contribuir para a sobrevivência ou para a realização social da pessoa. .Utilidade: a capacidade que um bem tem de satisfazer uma necessidade humana.

Tabela 1 – Mostra as possibilidades de produção Bens Quantidade máxima Possibilidades intermediárias carros A 150 0 B 140 10 C 120 20 D 90 30 E 70 40 Carros Camisas Quantidade máxima camisas F 0 50 Curva de possibilidades de produção: combinações máximas possíveis de produção de carros e camisas. Haverá sempre uma quantidade máxima de carros (camisas) produzidas anualmente. Cada gerente só tem tempo para realizar uma tarefa.Para simplificar nossa análise. Escolha Trocas Compensatórias: satisfazer mais de uma necessidade significa satisfazer menos de outra.92 Pessoas desejam mais do que pode ser satisfeito com recursos disponíveis. certo número de fábricas e instrumentos de produção e um conjunto de recursos naturais. A tarefa A = $ 100. Qual será o custo de oportunidade da tarefa B? Suponhamos uma economia em que haja certo número de pessoas. 2. A empresa contrata dois gerentes e cada um deles executa uma tarefa. Custo: valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. Fora das quantidades máximas. existem as combinações intermediárias entre os dois bens. Considerem todos essas dados constantes. certa técnica de produção. A quantidade exata de cada bem depende da quantidade e da qualidade dos recursos produtivos existentes na economia e do nível tecnológico com que sejam combinados. COMO MEDIR O CUSTO DE OPORTUNIDADE Intuitivamente: O proprietário de uma empresa que contratar gerentes. quando todos os fatores de produção forem destinados a sua produção e nada for destinado à produção de camisas (carros). Ao decidir “o que” e “como” produzir. o sistema econômico terá decidido como alocar ou distribuir os recursos disponíveis entre as milhares de diferentes linhas de produção possíveis. com o pleno emprego dos recursos disponíveis. supomos que apenas dois bens deverão ser produzidos: camisas e carros. . a tarefa B = $ 75 e a tarefa C = $ 50.

para produzir-se mais 10 milhões de camisas Ou então: Custo de oportunidade de passar da alternativa C para B. O formato da curva mostra que decresce a taxas crescentes. à medida que se está consumindo (produzindo) pouco de um bem. sacrificam-se 40 mil carros. o sacrifício de consumir (produzir) menos é ainda muito grande. Custo de oportunidade de passar da alternativa B para C. o que ocorre quando existir desemprego geral de fatores? A razão da curva de possibilidade de produção (CPP) ser decrescente deve-se ao fato de os recursos disponíveis serem limitados. para produzir-se mais 20 mil carros } = 20 mil carros } = 10 milhões de camisas As condições para a existência desse custo são os recursos limitados e o pleno emprego de recursos. ganham-se 10 milhões de camisas e sacrificam-se 20 mil carros. A curva de possibilidade de produção representa um outro fato: uma economia no pleno emprego precisa sempre. Essa transformação não é física. acréscimos . O custo de oportunidade também pode ser definido como o valor do melhor uso alternativo desconsiderado. O valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. Ao passar de D para E. No exemplo acima: a fabricação somente de carros .A – estaria sacrificando toda a de camisas. o custo do que não foi escolhido e não o ganho do que foi escolhido. decidir pelo seu uso de uma forma significa desistir de usá-lo de outra. OU SEJA. Quando um bem é escasso. até F.93 Figura . Mas. passando de B para C. significa apenas que estão sendo transferidos recursos da produção de carros para a produção de camisas. Por exemplo. porém. desistir de produzir um tanto do outro bem. está ocorrendo a transformação de carros em camisas.Curva de Possibilidades de Produção – CPP (Transformação) camisas F E D C CPP B A 0 carros À medida que se passa do ponto A para B e assim por diante. O custo de oportunidade corresponde ao sacrifício do que se deixou de produzir. ao produzir um bem. ganham-se 10 milhões de camisas. isso mostra que a substituição entre a quantidade dos dois bens se torna cada vez mais difícil. Ou seja.

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iguais na produção de camisas (10 milhões) levam a queda cada vez maior na produção de carros. Esse fenômeno dos custos crescentes surge à medida que se transferem recursos adequados e eficientes de uma atividade para outra, em que eles se apresentam ineficientes e inadequados. Aqui opera a chamada lei dos rendimentos decrescentes. Assim, se insistir somente na produção de camisas, será necessário recorrer aos soldadores de chapas de aço para passarem a pregar mangas de camisas. A CPP é côncava em relação à origem em virtude da chamada Lei dos custos crescentes: para atrair trabalhadores que estão empregados na produção de camisas e deslocá-los para a de carros, deverão ser oferecidos salários maiores, e vice-versa. O que mais pode ser visto na CPP? - Eficiência
Bens de I

A= capacidade ociosa

*B *A

*C

C = nível impossível de produção B = situação ideal

Bens de C

Teste para determinar a eficiência: veja se para produzir mais de um bem a economia deve produzir menos de outro. Se a resposta for sim, então a economia está produzindo eficientemente e está sobre a sua curva de possibilidades de produção.

- Crescimento Econômico A CPP pode sofrer mudanças que ocasionarão o seu deslocamento para fora ou para dentro. Aqui são destacados três principais fatores de deslocamento: 1. Variações nos fatores considerados constantes determinarão deslocamento para a direita. 2. Variações tecnológicas iguais para os processos de produção dos dois bens deslocarão a curva para a direita e paralelamente. 3. Se a variação tecnológica for maior para o processo de produção de um determinado produto, maior será o deslocamento em relação a esse eixo. Disso, pode-se constatar também, via a curva de possibilidades de produção, o impacto, por exemplo, de um crescimento econômico que deslocará a curva para cima e para a direita.Os fatores que causam o crescimento econômico: aumento do investimento, inovações, maior divisão do trabalho e aumento nos insumos.

3. ANÁLISE MARGINAL No que as pessoas se baseiam para alocar os diferentes recursos escassos de modo a obter o maior valor?

95

Análise marginal: análise dos benefícios e custos da unidade marginal de um bem ou insumo. As pessoas desejam maximizar o máximo beneficio líquido (lucro). Beneficio liquido = beneficio total (BT) – custo total (CT) Exemplo: Consumir mais uma pizza. - Encontre o aumento no BT com uma unidade a mais consumida (BMg); - Encontre o aumento no CT com uma unidade a mais consumida (CMg); - Se BMg ≥ CMg = consome mais uma pizza. Beneficio liquido aumenta POIS, BMg = aumento BT CMg = aumento CT Δ BT = BMg - CMg Exemplo: Uma indústria moveleira está produz 30 jogos de cozinha a um custo de $ 30.000 e as vende por $ 40.000. Se produzir a 31º, sua venda total será de $34.000 e seu custo total será $ 32.500. Será que a indústria produzirá a 31º unidade? OBS. A análise marginal, assim como problemas de otimização são ferramentas utilizadas no estudo dos comportamentos de consumidores e de produtores. Os consumidores sempre buscam a maximização de sua satisfação (ou utilidade) ao consumir. Os produtores buscam maximizar seus lucros ou minimizar seus custos ao produzir. Os diferentes comportamentos de consumidores e produtores serão discutidos na disciplina Teoria Econômica. Questões – Conceitos Básicos
1. Explique como os problemas econômicos fundamentais – o que e quanto, como e para quem produzir – originam-se da escassez de recursos produtivos. 2. O que mostra a CPP? 3. Defina custo de oportunidade. O que são custos de oportunidade crescentes? 4. O problema fundamental com o qual a Economia se preocupa é: ( ) a pobreza ( ) o controle dos bens produzidos ( ) a escassez ( ) a taxação daqueles que recebem toda e qualquer espécie de renda ( ) a estrutura de mercado de uma economia 5. Em um sistema de livre iniciativa privada, o sistema de preços restabelece a posição de equilíbrio: ( ) por meio da concorrência entre compradores, quando houver excesso de oferta. ( ) por meio da concorrência entre vendedores, quando houver excesso de demanda. ( ) por pressões para baixo e para cima nos preços, tais que acabem, respectivamente, com o excesso de demanda e com o excesso de oferta. ( ) por meio de pressões sobre os preços que aumentam a quantidade demandada e diminuem a quantidade ofertada, quando há excesso de oferta, e que aumentam a quantidade ofertada e diminuem a demandada, quando há excesso de demanda. ( ) todas as alternativas anteriores são falsas.

96 6. Dada a curva de possibilidades de produção, aponte a alternativa errada:

15 *D *C 10

A

*B

E

0

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( ) a economia não pode atingir B, com os recursos de que dispõe. ( ) o custo de oportunidade de passar de C para D é zero. ( ) o custo de oportunidade de aumentar a produção de X em 5 unidades, a partir do ponto E, é igual a 2 unidades de Y. ( ) nos pontos C e D, a economia apresenta recursos produtivos desempregados. ( ) somente as três primeiras alternativas estão corretas. 7. A Curva de Possibilidades de Produção, quando construída para dois bens, mostra: ( ) os desejos das pessoas perante a produção total desses dois bens. ( ) a quantidade total produzida desses dois bens em função do emprego total da mão-de-obra, ( ) a quantidade disponível desses dois bens em função das necessidades das pessoas dessa sociedade. ( ) quanto se pode produzir dos bens com as quantidades de trabalho, capital e terra existentes e com determinada tecnologia. ( ) a impossibilidade de atender às necessidades dessa sociedade, visto que os recursos são escassos. 8. O que fará com que a CPP se desloque para cima e para a direita? Comente. 9. Se o custo marginal de uma ação excede seu beneficio marginal, por que o beneficio liquido cairá? Questões Aplicadas: 10. A IBM está produzindo 50 laptps a um custo de $50.000 e os está vendendo a $60.000. Se ela produzir uma 51a unidade, sua venda total será igual a $62.000, e seu custo total será de $51.500. Será que ela deve produzir a 51a unidade? Explique. 11. Se uma firma está sujeita aos custos e benefícios mostrados abaixo, quantas plantas deveria construir? Comente. Plantas 1 2 3 Receita em $ (RT) 10.000.000 18.000.000 24.000.000 Custo total em $ (CT) 5.000.000 12.000.000 20.000.000

12. Em uma ilha, um trabalhador pode produzir em uma hora um tapete ou duas cestas. a) Qual o custo de oportunidade de um tapete? b) Suponha que o trabalhador torne-se duas vezes mais eficiente, produzindo em uma hora dois tapetes ou duas cestas. Como mudou o custo de oportunidade de um tapete? 13. A Empresa Justus Ltda treinou o administrador A por um custo de $ 40.000, e o administrador A vale $ 80.000 para a Empresa. Mais tarde a Empresa tem a oportunidade de contratar o administrador B. Esse administrador B custaria $ 40.000 para ser treinado, mas valeria $ 100.000. Porém, para contratar o administrador B a Empresa deve demitir o funcionário A. Será que a Empresa deve contratar o administrador B?

1. também denominada demanda. Não precisa ser necessariamente um lugar físico. que a cada preço corresponde uma determinada quantidade demandada. Procura. elasticidade e as diferentes formas de organização dos mercados serão objeto de abordagem nesta Unidade. O eixo vertical representa o preço (P).a 6% a.a 15% a. taxa de juros paga pelo cliente.a 12% a. considerada a procura por crédito: Escala de procura ALTERNATIVAS TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 3% a. Na Figura a seguir. tudo o mais permanecendo inalterado (ceteris paribus). que representam os interesses de consumidores e produtores (ou vendedores).97 MERCADO: OFERTA E DEMANDA Mercado é o encontro entre vendedores e compradores. Um mercado pode estar em qualquer lugar. no outro lado do mundo. ou bem perto como o telefone ou os classificados do jornal. oferta. A procura é dada pela curva D. daí. Depreende-se. o eixo horizontal mostra a quantidade procurada (Q) de empréstimo por unidade de tempo. PROCURA (OU DEMANDA) A procura. que se inclina de cima para baixo. Exemplo de procura ou demanda por crédito: P 15% Curva de Procura 9% 3% 20 60 100 Q À medida que a taxa de juros aumenta (preço do dinheiro). é entendida como a quantidade de um bem ou serviço que uma pessoa deseja e está apta a comprar a determinado preço em dado intervalo de tempo. na esquina de uma rua. Nele estão presentes os fundamentos da procura e da oferta.a VALORES DEMANDADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A B C D E Outra forma de expressar essas diversas alternativas seria através da curva de procura ou de demanda (D).a 9% a. Essa é a lei da procura: as quantidades . diminui a quantidade de empréstimos que os clientes se dispõem a tomar. da esquerda para a direita. Essa relação pode ser representada pela escala abaixo. mostrando que a quantidade demandada varia inversamente ao preço.

menores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer.a 9% a.a VALORES OFERTADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A curva de oferta (S) é a representação gráfica da escala de oferta. a tendência é que o consumidor reduza a quantidade demandada. uma vez que seu objetivo é alcançar a máxima satisfação possível de suas necessidades a partir de uma renda limitada. refletindo o fato de que a quantidade ofertada de um dado produto varia diretamente com seu preço. Quanto mais baixo é o preço.98 demandadas variam inversamente aos preços. da esquerda para a direita.a 6% a. se o preço do bem se eleva. 2.a 12% a. As quantidades ofertadas a cada preço podem ser representadas por uma escala de oferta: Escala de Oferta ALTERNATIVAS A B C D E TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 15% a.a 3% a. ceteris paribus. Exemplo de oferta de crédito: P 15% 9% Curva de Oferta 3% 20 60 100 Q . É a lei da oferta: as quantidades ofertadas variam diretamente com os preços. o consumidor desejará adquirir mais bens ou serviços à medida em que o preço diminua. Por outro lado. Uma curva de oferta inclina-se para cima. maiores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. OFERTA A oferta é definida como a quantidade (Q) de bem ou serviço que um vendedor ou produtor está disposto a oferecer a cada preço (P) e em determinado período de tempo. Quanto mais alto é o preço de mercado. Ou seja.

certamente aumentarão as quantidades ofertadas. podem influenciar as quantidades ofertadas. conforme mostra a Figura abaixo. fatores como condições climáticas desfavoráveis ou aumento dos impostos sobre o produto provocarão diminuição nas quantidades ofertadas.elevação de taxa de juros pelos concorrentes aumentará a demanda por crédito em um banco. além do preço. Preços D 15% 12% S E Pe 9% 6% 3% S D 20 40 60 80 Qe 100 Quantidade . 4. . na renda da população. onde os interesses de demandantes e ofertantes são coincidentes.99 Nesse exemplo. Mantendo os demais fatores constantes: . PREÇO E QUANTIDADE DE EQUILÍBRIO O preço e a quantidade de equilíbrio de mercado são determinados pela interação das curvas de demanda e oferta. diversas causas. OUTROS FATORES QUE INFLUENCIAM AS CURVAS DE DEMANDA E OFERTA O termo ceteris paribus. Na prática. empregado na definição da procura e da oferta. 3. existem inúmeras outras causas que podem influenciar as quantidades demandadas ou ofertadas. Se a análise for sob o enfoque da oferta. Aperfeiçoamento das técnicas produtivas. condições climáticas favoráveis ou concessão de subsídios ao produto. alterações no gosto ou preferência dos consumidores. redução dos custos de produção. significa que a quantidade demandada ou ofertada varia apenas em função de alterações de preço. . à medida que a taxa de juros aumenta. nos preços de outros bens e nas expectativas sobre o futuro podem influenciar significativamente as quantidades demandadas pela sociedade. Por outro lado. os bancos se dispõem a oferecer maior volume de crédito. Sob a ótica da demanda. mesmo mantendo-se estável o preço. entretanto.elevação na renda de uma comunidade determinará maior demanda por bens de consumo duráveis.aumento no consumo de sucos naturais faz com que diminua a quantidade demandada de refrigerantes.

Curva de Oferta P P P P P0 P0 P0 Q0 Q Q . No gráfico acima. a quantidade demandada aumentaria de Q1 para Q0 . (preço de equilíbrio) e a quantidade de crédito da ordem de 60 UM (quantidade de equilíbrio). o ponto E mostra onde os interesses se equivalem. O movimento inverso é possível: se o preço caísse de P1 para P0.1. Curva de Demanda P P Movimento P0 Q Q0 Q Uma variação no preço altera a quantidade demandada. com taxa de juros 9% a. Deslocamentos ao longo de uma mesma curva Deslocamentos ao longo de uma curva de demanda ou de oferta ocorrem devido às variações de preços. 4. ceteris paribus.a. o preço aumentou de P0 para P1 e em conseqüência a quantidade demandada caiu de Q0 para Q1.100 No exemplo apresentado.

Isso quer dizer que. na produtividade. etc. nos custos. de preços de outros bens (substitutos ou complementares) e da renda do consumidor. refletindo as alterações ocorridas. O inverso aqui também é possível: se o preço diminuísse de P1 para P0 . Curvas de Demanda Aumento da Procura Redução da Procura O deslocamento das curvas de oferta para a direita ou para a esquerda é devido a variações na tributação. Curvas de Oferta Redução da Oferta Aumento da Oferta . a quantidade ofertada do produto seria reduzida de Q1 para Q0 . Deslocamento das curvas de demanda e de oferta Deslocamentos das curvas de demanda por um determinado bem ou serviço são provocados por variações de gosto ou preferência. aumenta a quantidade ofertada de Q0 para Q1. ao mesmo preço. 4. na tecnologia de produção. os consumidores desejam comprar mais/menos quantidades de um determinado produto. A curva de demanda se desloca paralelamente para direita ou para esquerda.101 Uma variação só no preço de P0 para P1.2.

Deslocamento da oferta e variações de preço Mudanças na curva de oferta.3. . 5.4. ceteris paribus.102 4. Se não houver alteração na demanda. Deslocamento da demanda e variações de preço Mudanças na curva de demanda. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. não havendo quantidade suficiente de bens. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. INTERVENÇÕES DE MERCADO . permanecendo inalterada a curva de demanda. 4. em conseqüência. Exemplo: piso salarial . compradores insatisfeitos estarão dispostos a oferecer maior preço para conseguirem o produto. a quantidade transacionada aumentará. a concorrência entre os vendedores empurrará os preços para baixo e.Pisos de Preço: governo proíbe que o preço caia abaixo e certo valor.Tetos de Preço: governo proíbe que o preço ultrapasse um valor máximo. Maior Demanda Preços D D1 S P1 ΔP P0 S D1 P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 D Quantidade Efeito do deslocamento da Demanda sobre o equilíbrio de mercado Aumentando a demanda. para atender a essa demanda. a curto prazo. Maior oferta Preços P0 P1 D S S1 D S S1 ΔP P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 Quantidade Efeito do deslocamento da Oferta sobre o equilíbrio de mercado Aumento de oferta significa aumento da quantidade de produtos à disposição dos consumidores. Exemplo: teto para a gasolina.

foi visto que. a procura do produto tem eleasticidade unitária. Como os proprietários compensam s efeitos das leis de controle de aluguéis em seus ganhos? Exemplifique. O CONCEITO DE ELASTICIDADE A noção de elasticidade é de fundamental importância na compreensão e análise dos mercados de bens e serviços. menor deverá ser sua elasticidade-preço. Nesse sentido. Isso apoia ou contradiz a lei da demanda? Comente. um aumento da quantidade ofertada. maior a tendência de esse produto ter demanda elástica. e o preço de todos os outros bens aumentou 12%. É o que ocorre se. O preço de casas é tão alto que há uma falta de casas.103 Consequências das Intervenções: racionamento não liderado por preços. Ao longo de um período de 5 anos. . Durante o mesmo período. mais TVs foram vendidas. por outro lado. o preço dos aparelhos de TV aumentou 5%. Essa afirmação está correta? Explique. c) essenciabilidade do produto — quanto mais essencial for o produto. quanto menor o peso no orçamento. Qual a intensidade desses efeitos? Eles seriam idênticos. 3. Se a quantidade procurada variar mais que proporcionalmente à alteração nos preços. A forma correta de se medir essa sensibilidade é através da relação entre a variação percentual na quantidade e a variação percentual no preço. ou o preço subir 6% e a quantidade demandada reduzir-se em 10%. a procura é dita inelástica. menor deverá ser a elasticiade-preço. por exemplo. b) peso do produto no orçamento — se for pouco substituível. Os elementos apresentados a seguir devem ser entendidos como alguns subsídios ao entendimento do porquê da demanda de certos produtos serem mais elásticas que a de outros: a) existência de produtos substitutos — é de se esperar que. correspondia uma redução da quantidade demandada e. Caso as variações de quantidade sejam proporcionalmente menores que as variações de preço. 2. Suponha que uma lei de controle de aluguéis force os aluguéis abaixo do seu preço de mercado. 6. Existem certos fatores que explicam ou influenciam o valor da elasticidade-preço de demanda. a procura do produto é considerada elástica. Questões Aplicadas: 1. por exemplo. a um preço mais elevado. mudanças na qualidade e mercados negros. Nem todos os que desejam comprar uma casa poderão comprar uma. ou diferenciados de um produto para outro? Como medir a eleasticidade? Elasticidade-preço da procura A elasticidade-preço da procura reflete a sensibilidade da quantidade procurada por dado produto a uma alteração no preço desse produto. Quando as variações forem percentualmente iguais. Considerando o equilíbrio de mercado. o preço de um produto subir 10% e a quantidade demandada reduzir-se em 20%. quanto mais perfeitos forem os substitutos de um produto. ela mede o impacto sobre a quantidade decorrente de alterações no preço (elasticidade-preço) do próprio bem e na renda do consumidor (elasticidade-renda).

embalagem. a elasticidade-renda é negativa e o produto é classificado como bem inferior.concorrência pela diferenciação de produtos. . a começar pelo preço. . a oferta será elástica. etc. em relação a mudanças de preços. .pouca diferenciação dos produtos.grande número de empresas. se o preço de um bem aumentar 10% e a quantidade crescer 20%. comércio varejista em geral.tendência à formação de cartéis e à rigidez de preços.grande número de consumidores e ofertantes. Se a magnitude de variação na quantidade for de 10%. Elasticidade-renda da procura A elasticidade-renda da procura mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto decorrente da variação percentual na renda dos consumidores. . A diferença é subjetiva. Concorrência monopolística: . a oferta desse bem será inelástica. Se a resposta da quantidade for de 5%. Oligopólio: . Assim.ausência de entraves ao ingresso de novas empresas. tornando o mercado pulverizado de tal forma que nenhum comprador ou vendedor tenha condições de influenciar os preços ou o comportamento dos demais agentes. 7. Concorrência perfeita: .homogeneidade de produtos. . sal é exemplo clássico de produto com procura inelástica e viagem de turismo é um bem de demanda elástica. Cada concorrente estabelece um produto único e ligeiramente diferenciado pela marca. .forte bloqueio à entrada de concorrentes. a oferta apresenta elasticidade unitária. .tendência à concentração de capitais através de fusões. Exemplo: farinha de mandioca.104 Nesse sentido.pequeno número de empresas controla a quase totalidade do mercado. ESTRUTURA DE MERCADO O comportamento de ofertantes e demandantes no mercado não é uniforme. Caso o aumento na renda implique queda na quantidade demandada. Se o aumento na renda implica aumento na quantidade demandada. Exemplos: calças jeans. Exemplos: feira livre.fracas barreiras quanto ao ingresso e saída do mercado. . .perfeita mobilidade de recursos.perfeito conhecimento do mercado. Veremos a seguir as características básicas dos principais tipos de mercado. Exemplo: aparelhos eletrodomésticos. por parte dos que o integram. Em decorrência da própria dinâmica da economia capitalista. Elasticidade-preço da oferta Análise similar é válida para a curva de oferta. disponibilidade de insumos e de mão-de-obra e tempo de ajuste na produção. as variações nos preços e nas quantidades são na mesma direção. . franquias. publicidade. o poder dos diferentes agentes econômicos é também diferenciado. pizzarias. A sensibilidade da oferta de produtos a variações nos preços depende de fatores como percentual de utilização da capacidade instalada. . Porém. a elasticidaderenda é positiva e o produto é classificado como bem normal.

Exemplo: setor público na compra de produtos específicos. aço. não existem substitutos próximos. com Alguma Limitação Jeans franquias Cimento. . Monopólio: . Oligopsônio: . química.dimensões do mercado estabelecidas pela empresa via determinação prévia do volume de produção e dos preços desejáveis.grande dificuldade de entrada no mercado para novos compradores. . .uma única empresa compradora de determinado produto.preço do produto determinado pelos demandantes. . .poucas empresas compradoras. Automóveis Oligopólio Poucos __ Grande Padronizado ou Diferenciado Vendedor Monopólio Um __ Total Não há substitutos Satisfatórios Vendedor Correios Monopsônio __ Um Total __ Comprador setor público na aquisição de produtos específicos Oligopsônio __ Poucos Grande Padronizado ou Diferenciado Comprador Agroindústrias .barreiras legais. Monopsônio: .105 Exemplos: indústria automobilística. .preço determinado pelo comprador. no curto prazo.quadro síntese Tipos de Mercado N° Vendedores Nº Compradores Dificuldade de Entrada no Mercado Concorrência Perfeita Concorrência Monopolística Grau de Diferenciação do Produto Quem Determina o Preço Exemplos Muitos Muitos Nenhuma Nenhum Mercado Feira Livre Muitos Muitos __ Subjetivo Vendedor. Estruturas de mercado . Exemplo: correios.o lucro total da empresa é máximo para cada nível de produção e preço por ela estabelecido. Exemplo: indústria automobilística. pneumáticos. de vidros.existência de uma única empresa produtora de bens e serviços para os quais. Cerveja. cimento. tecnológicas e econômicas ao ingresso de concorrentes no mercado. petroquímica etc. fábricas de cigarros.

Luis Carlos Bresser (1996). 20ª ed. Referência Bibliográfica ABREU.br). estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro.gov. Marcelo de Paiva (1990). Economia. Luis Carlos Bresser (1994). Cartel é um grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para sua atuação coordenada. (Disponível: http://www. O dumping se caracteriza pela venda de produtos a preços mais baixos que os custos. São Paulo: Saraiva. WESSELS. Editora Brasiliense. Walter (2003). . Essas imperfeições estão relacionadas ao poder de mercado e formas de atingi-lo ou mantê-lo. Ministério do Planejamento. (2005) Manual de Economia. Diva Benevides & VASCONCELLOS. Eliana (1996) Economia Brasileira ao Alcance de Todos. Boletim do Banco Central do Brasil . São Paulo: Atlas. A Economia Brasileira. São Paulo: Saraiva. ROSSETTI. 16(64): 20-35. CARDOSO. Introdução à Economia. PINHO. combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle. 17ª ed.br) PEREIRA. A economia e a política do Plano Real. com vistas a interesses comuns. Parte IV – Finanças Públicas. Revista de Economia Política. São Paulo: Nobel. já detendo a maior parte do mercado. Revista de Economia Política. São Paulo: Campus. PEREIRA. dumping e cartel. O tipo mais comum de cartel é o de empresas que produzem artigos semelhantes. 5ª ed. Werner (2002). A Inflação decifrada.106 O mercado também cria algumas imperfeições que impedem o que se poderia chamar de seu comportamento “natural”. BAER. 2ª ed.gov. O truste é o tipo de estrutura em que várias empresas. Orçamento e Gestão (http://www.bcb.Relatório 2005. A Ordem do Progresso. com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias maiores de mercado. José Paschoal (2003). Marco Antônio Sandoval de (Org. 14 (56): 129-149. É o caso do truste. de forma a constituir um monopólio de mercado.).planejamento.

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