Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Centro de Educação Superior Norte – RS (CESNORS) Departamento de Administração

Caderno Didático n0 1:

Introdução à Economia
(Versão não-revisada)

Professora: Solange Regina Marin Curso: Administração

Palmeira das Missões 2007

2

INDICE Introdução Capítulo 1 – Conceitos Básicos 1. O conceito de economia 2. De que se ocupa a economia 3. A quantificação da realidade econômica 4. Breve contexto histórico do conceito economia 5. As escolhas na economia 6. Os argumentos da economia 7. Método de investigação da ciência econômica 8. Evolução do pensamento econômico.. 9. Interação entre os agentes econômicos e as questões-chave da economia Capítulo 2- Sistema Financeiro 1. Origem da moeda 2. Evolução das formas de moeda 3. Ativos financeiros 4. Oferta e demanda de moeda 5. Medida da Oferta de Moeda 6. Base monetária 7. Estrutura do SFN (brasil) 8. Organização do SFN 9. Diferentes mercados Intermediação Financeira 1. Formas de financiamento 2. Criação e destruição de moeda 3. Multiplicador bancário 4. Política monetária Capítulo 3 – Inflação 1. Situações possíveis de variação dos preços 2. Teorias da inflação 3. Inflação e Números-Indices 4. Indicadores de inflação no Brasil e no RS 5. Inflação no Brasil e Planos de Estabilização Capítulo 4 – Setor Público 1. As funções econômicas do setor público 2. Estrutura tributária 3. Os tributos e sua classificação 4. Os gastos do setor público 5. O Conceito de déficit público 6. Financiamento do déficit 7. Aspectos institucionais do orçamento público 8. Fiscalização Capítulo 5 – Conceito e Cálculo dos Agregados Macroeconômicos 1. O conceito de valor adicionado: o produto nacional (PN) 2. O conceito de renda nacional (RN) 3. O conceito de despesa nacional (DN) Alguns problemas com as medidas agregadas Capítulo 6 – A Economia Nacional e as Relações Internacionais 1. Teorias do comércio internacional 04 05 05 06 08 10 11 13 14 15 22 23 24 24 25 25 26 26 27 29 29 30 31 36 37 38 39 42 50 50 51 55 55 55 55 57 58 59 59 69 71

3

2. A taxa de câmbio e o mercado cambial 3. Balanço de pagamentos 4. Instrumentos de ajuste do balanço de pagamentos A Institucionalidade no Cenário Internacional Capítulo 7 – Noções de Microeconomia 1. Escassez 2. Custo de oportunidade 3 Análise marginal Mercado: Oferta e Demanda 1 Procura (ou Demanda) 2. Oferta 3. Outros fatores que influenciam as curvas de demanda e de oferta 4. Preço e quantidade de equilíbrio 5. Intervenções de mercado 6. O conceito de elasticidade 7. Estrutura de mercado Referência Bibliográfica

74 76 80 85 91 92 94 97 98 99 99 102 103 104 106

. provocar o debate e proporcionar aos alunos do curso de administração uma capacidade de análise crítica das questões econômicas atuais. são apresentadas questões teóricas e aplicadas sobre os diferentes assuntos trabalhados que incluem desde os conceitos básicos até as noções sobre economia nacional e relações internacionais. o caderno se torna uma ferramenta auxiliar para o estudante da disciplina de Introdução à Economia. mas suscitar o interesse. sem esquecer de relacioná-los com os fatos econômicos reais. Este caderno não pretende dar respostas definitivas às questões sobre economia. O objetivo é propiciar ao aluno. Para isso. estudaremos as noções básicas de Economia para observar de forma crítica a realidade e interpretar o significado dos diferentes conceitos econômicos frente aos acontecimentos reais da economia brasileira. A preocupação central é apresentar de forma simples e clara os conceitos econômicos básicos. Por se tratar de assuntos ainda gerais da Ciência Econômica e relacionar acontecimentos recentes da economia brasileira. traçar um paralelo entre as noções econômicas e as informações sobre a realidade econômica brasileira. ou seja. uma visão geral do objeto de estudo e do método de investigação da chamada Ciência Econômica.4 INTRODUÇÃO A idéia de produzir um caderno didático surgiu depois de alguns semestres ministrados da disciplina de Introdução à Economia para diferentes cursos de graduação. Além disso. no presente momento ao aluno do curso de administração.

o estudo da economia implica a abertura de suas fronteiras às demais áreas das ciências sociais ou humanas.Interação entre os agentes econômicos . A figura 1 abaixo mostra que a economia está relacionada com outros campos de conhecimento. e os grandes temas de que se ocupa a economia. Como umas das ciências sociais (ciência política. Seria administração da casa ou administração da coisa pública.De que se ocupa a economia . E vai além. antropologia culturas.5 CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS O QUE É ECONOMIA ? O que veremos? . Pelas implicações da ação econômica sobre outros aspectos da vida humana. a economia não pode ser considerada como fechada em torno de si mesma. O CONCEITO DE ECONOMIA A palavra economia vem do grego oikos (casa) e nomos (norma. porque a economia busca alicerçar seus princípios.Questões-chave da economia 1. A economia pode ser definida como ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem utilizar os recursos produtivos escassos. sociologia. De outro lado. assumindo um caráter biunívoco. lei). De um lado. mas ainda no desenvolvimento dos demais campos do conhecimento social. DE QUE SE OCUPA A ECONOMIA Aqui estão destacadas as categorias centrais de preocupação da economia. Essa abertura se dá em uma dupla direção.Evolução pensamento econômico . à ética e à história.Método de investigação da ciência econômica . . na produção de bens e serviços. o que implica por sua vez numa interface com outras áreas de conhecimento. consistência e aderência à realidade. psicologia. conceitos e modelos teóricos não apenas na sua própria coerência. de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade. abrindo suas fronteiras à filosofia. direito).Argumentos da economia . porque pode influir no questionamento dos princípios e das aquisições conceituais desses mesmos campos. 2. com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas.A quantificação da realidade econômica .Contexto histórico do conceito economia .

Por que a taxa de juros é tão importante para os investimentos? . Nesse iniciar do debate econômico. produção.Por que é importante para um produtor saber a elasticidade demanda por seu produto? . Marshall. ressaltam-se os diferentes temas que são objetos de estudo da economia: escassez. foram o processo de produção. Em economia é possível: .A taxa de crescimento do PIB seria um bom indicador para o desenvolvimento de um país? 3. e por Karl Marx que ficou conhecido pelo desenvolvimento da teoria marxista.Por que devemos nos preocupar com o PIB de um país? .Por que a alta do preço do cafezinho reduz a demanda por açúcar? . agregados. Alguns problemas econômicos . dentre eles Adam Smith.Quais os fatores que influenciam o crescimento econômico? .De que forma a oferta de moeda na economia afeta a taxa de juros? . trocas. agentes. emprego. mercado.1. preço. a distribuição. assuntos tratados pelos clássicos. Além disso. Já as noções de crescimento e desenvolvimento foram tratadas por Simon Kuznets e Lionel Robbins tratou da questão das escolhas em economia.Por que a demanda por bens como carros ou apartamentos aumenta com o processo inflacionário? . o dispêndio e a acumulação.Como pode uma desvalorização cambial conduzir a uma melhora na balança comercial? . valor.Por que o setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul está em crise com o maior valor do real frente ao dólar? . crescimento.Por que os aluguéis de imóveis em regiões universitárias geralmente costumam ser maiores no início do período letivo? . equilíbrio e desenvolvimento.6 FIGURA 1 – A relação com outros campos de conhecimento Clássicos/Marx: * Produção * Distribuição * Dispêndio *Acumulação A. concorrência.Por que a renda dos agricultores se eleva quando ocorre uma estiagem que reduz a produção? . recursos. 2. Marshall (1842-1924) * Pobreza * Riqueza * Bem-estar Simon Kuznets (1901-1985) * Crescimento * Desenvolvimento Lionel Robbins (1898-1984) * Recursos * Necessidades * Prioridades * Escassez * Recursos * Emprego * Produção * Agentes * Trocas * Moedas * Valor * Preços * Mercados * Concorrência * Remunerações * Agregados * Transações * Crescimento * Equilíbrio Antropologia Sociologia Psicologia Direito Política Ética Os temas discutidos pelos diferentes pensadores econômicos e em épocas históricas diversas. ao ressaltar que as necessidades ilimitadas e os recursos escassos. remuneração. A QUANTIFICAÇÃO DA REALIDADE ECONÔMICA O que distingue a economia de outros ramos do conhecimento social é a possibilidade de alguma forma de mensuração. transações. os temas pobreza. David Ricardo. moedas. riqueza e bem-estar foram apresentados por A.

. . Expressam resultados de transações: . experessnado: .desenvolver modelos explicativos da realidade.específicas.lineares elas. Medidas de Expressam em termos médios. . entre duas variáveis. . baseados em sistemas de equações simultâneas. no decurso de séries históricas. Quadro 1 – A quantificação da realidade e as variáveis econômicas .relações cambiais entre (a) e (b) adotadas Indicam magnitudes medidas ao longo de Variáveis-fluxo determinado período de tempo Variáveis econômicas Indicam magnitudes medidas em um determinado quantificáveis Variáveis-estoque momento Indicam relações entre duas variáveis. de um dado agente. Esta particularidade da economia possibilitou o surgimento de correntes econômicas fundamentadas no método matemático. Valores absolutos . O quadro abaixo sintetiza as formas usuais de indicações quantitativas em economia.não-lineares Relações Incrementais Relações entre variáveis Relações Matriciais Números-indices Indicam variações cumulativas.proceder a análises fundamentais em parâmetros quantificados.da atividade econômica agragativamente considerada. . Indicam a interdependência interconsistentes de variáveis.construir identidades quantificáveis. . medianos ou modais a abservação de determinada situação ou tendência central transação. Expressam graus de concentração (ou de dispersão) de determinadas condições estruturais da economia. ou interagentes.divisas externas (b) Unidades . simples ou múltipla entre as variáveis econômicas. Quocientes Formas usuais de indicações quantitativas Coeficientes Resultado da divisão de variáveis econômicaas.quantificar os resultados. com destaque para a econometria. . conjuntos ou de agregações de dados econômicos.moeda corrente do país (a) Monetárias .7 . Expressam parâmetros de correlação. Indicam a resposta de uma ou de um conjunto de variáveis a determinada ação econômica. de conjuntos Indicam variações de grupos.desenvolver sistemas quantitativos para diagnóstico e prognóstico. Relações funcionais expressando a correspondência funcional entre .estabelecer relações quantitativas entre diferentes categorias de transações. .proporções em determinado momento.variações ao longo do tempo.

Eles sintetizaram os fundamentos da conduta econômica do homem: a escassez de recursos diante de necessidades ilimitáveis. A partir do século XVI. como Platão e Aristóteles. Esse polinômio foi a base do conceito clássico de economia. Adam Smith e suas obras Sentimentos Morais (1759) e A Riqueza das Nações (1776). Os neoclássicos A ênfase dos primeiros neoclássicos (Jevons. Alfred Marshall. Roma não deixou nenhum escrito notável na área de economia. mas com a riqueza das Nações. Mesmo que alguns filósofos da Grécia Antiga. BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DO CONCEITO ECONOMIA Em seu nascedouro. em seus aspectos mais estritamente ligados à obtenção e ao uso dos elementos materiais do bem-estar. sob o objetivo de promover seu fortalecimento. Com o tempo. Figura de maior destaque foi Karl Mar(1818-1883). a distribuição e o consumo. Os sentimentos morais. A fisiocracia elaborou alguns trabalhados dignos de destaque. as razões maiores da acumulação e da conservação da fortuna material foram os pressupostos de sua descrição da ordem econômica. é um estudo da riqueza. a busca da aprovação social. de um lado. fundamentada nas leis que regem a formação. tais idéias estavam baseadas numa definição de economia como o ramo do conhecimento essencialmente voltado para a administração do Estado. cujo principal elemento era a maximização da utilidade. David Ricardo e John Stuart Mill definiam a economia a partir destes quatro fluxos. a adjetivação caiu em desuso. e mais importante. e. Mas. tal como se apresentava. novas concepções se desenvolveram. O estudo das leis sociais que regulam a produção e a distribuição dos meios materiais destinados a satisfazer às necessidades humanas resume o campo de que se ocupa a economia. Maior figura foi François Quesnay e seu Quadro Econômico de 1758. como Robert Malthus. No século XVIII. Eles buscaram entender o equilíbrio do processo econômico. A perspectiva socialista O binômio produção-distribuição é a base a partir da qual a perspectiva socialista construiu sua concepção sobre a matéria de que se ocupa a economia. acredita que a economia examinava a ação individual e social. . Denominava-se economia política. Estavam preocupados com a iniqüidade social mas não propuseram formas alternativas e revolucionárias para a organização econômica da sociedade. Walras e Menger) não estava no processo de acumulação capitalista e nos mecanismos de repartição dos esforços sociais. Os outros economistas clássicos na transição dos séculos XVIII e XIX.8 4. Assim. evoluiu para economia. de outro. tenham explorado temas de conteúdo econômico. quem procurou fazer uma síntese de clássicos com neoclássicos. a denominação usual da economia era adjetivada. as paixões originais da natureza humana. a acumulação. observamos o nascimento do primeiro conjunto de idéias mais sistematizadas sobre o comportamento econômico com o chamado Mercantilismo. A abordagem clássica A preocupação não era com o fortalecimento do estado. é uma parte do estudo do homem.

nos atos de escolha entre fins possíveis e meios escassos aplicáveis a uso alternativos. distribuição. O fator de maior importância e que faz o elo de ligação entre as quatro condições é a capacidade humana de fazer escolhas. E um bem é demandado porque é útil.o emprego alternativo dos meios. dispêndio. bem como a ocorrência de custos de oportunidade (outros fins que.a limitação dos meios para alcançar os fins possíveis . podemos notar que em Economia tudo se resume a uma restrição quase física – a lei da escassez.uma multiplicidade de fins que a humanidade procura alcançar . uma relação entre custos (meios empregados) e benefícios (fins alcançados). Com isso. acumulação. isto é. governos ou outros agentes econômicos quanto à alocação de recursos implica. portanto. Figura 2 . Ele partiu da existência de: . com os mesmos recursos. assim. “A economia é a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que. Mas lembre-se só existirá escassez se houver uma demanda para a aquisição do bem – tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. como produção. riqueza e bem-estar.Síntese dos conceitos básicos da sistematização de Robbins Conflito fundamental Meios (ou recursos) escassos e limitados Fins (ou necessidades) múltiplos e ilimitáveis Escolhas entre fins possíveis e meios disponíveis Alocação de recursos (custoso) Consecução de determinado fim Não-consecução de outros fins Benefício Custo de oportunidade . poderiam ter sido alcançados).a priorização de fins possíveis: podem ser classificados por ordem de prioridade . produzir o máximo de bens e serviços com os recursos escassos disponíveis de cada sociedade. embora escassos. se prestam a usos alternativos”.9 A sistematização de Lionel Robbins nos anos de 1930 Robbins não partiu de categorias de fatos econômicos. empresas. O fato econômico resume-se. Qualquer escolha feita pelos indivíduos.

a condução do homem no trato com questões que interferem em sua riqueza e bem-estar. ilimitados. Economia: optar dentre os bens a serem produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os recursos escassos em produção. .A sociedade tem objetivos múltiplos. . custo e análise marginal como veremos em outras aulas. hoem se dedica a um ato social: a produção. . Porém. recursos limitados e técnicas de produção. RECURSOS PRODUTIVOS ESCASSOS * O QUE E QUANTO PRODUZIR * COMO PRODUZIR * PARA QUEM PRODUZIR ESCOLHA ESCASSEZ Essas questões não seriam problemas se existissem recursos ilimitados.Para satisfazer a um e meios escassos para padrão de necessidades. na realidade temos inúmeras necessidades. escolha e alocação são os elementos a partir dos quais se define o campo de que se ocupa a economia.As necessidades humanas são determinadas pelo estágio cultural da sociedade. principalmente. fins alternativos. agem e pensam nos assuntos ordinários da vida. . social.O fim último de que cuida a economia consiste em descobrir como as virtudes humanas e a concorrência podem conduzir ao bem. Quadro 2 – O conceito de economia nas três abordagens A abordagem neoclássica .O estudo das leis sociais estar social..10 Existem ligações formais entre as abordagens consideradas: a neoclássica. A conduta econômica consiste em escolher entre fins possíveis . mas meios limitados. 5. AS ESCOLHAS NA ECONOMIA: * O QUE E QUANTO produzir * COMO produzir e * PARA QUEM produzir Resumindo: NECESSIDADES HUMANAS ILIMITADAS VS.A economia é um ramo que estuda as formas do A realização desse comportamento humano que processo se completa com a resultam da relação entre distribuição do produto necessidades ilimitadas e recursos escassos. A teoria econômica trata de escassez. A sistematização Robbins de . A razão de ser da economia está presente nas três formas de delimitar o campo específico do conhecimento econômico – o estudo das formas aplicadas pelo homem na incessante busca de meios para satisfazer às condições ilimitáveis de bemestar. . a socialista e a sistematização de Robbins. que regulam a produção e a distribuição resume o campo de que se ocupa a economia.A economia é um estudo dos homens tal como vivem.Meios escassos.Focaliza. A perspectiva socialista . o alcançá-los.

como é desejável a manutenção e. Baseadas nos postulados da teoria existente. a ampliação do poder aquisitivo real. mantidos os níveis vigentes de preços. quando as taxas de crescimento da população são superiores às da expansão da renda nacional como um todo. Suponha-se que alguém afirme que: 1. Deduzem-se as implicações e os resultados decorrentes dessas hipóteses que são confrontados com a evidência dos dados de observações coletados da realidade. (1) e (2): são factuais. como pode ser visto na figura abaixo. Finalmente. mesmo. (3): é de caráter normativo. OS ARGUMENTOS DA ECONOMIA Para entendermos o método de investigação da ciência econômica precisamos apenas de um simples encadeamento lógico. formulam-se as hipóteses a respeito de como a realidade se comporta. 6. 2. 3.11 Por enquanto teremos uma visão geral dos argumentos e do método de investigação na ciência econômica. a renda per capita se reduz. Teoria econômica: leis que explicam o comportamento humano e fazem parte do conjunto de conhecimentos. a redução da renda per capita implica na perda do poder aquisitivo real da sociedade. A política econômica. da evolução do pensamento econômico. Os argumentos da teoria econômica podem ser: Positivos . positivas.economia positiva: o que é de fato Normativos . Ou seja. . das interações entre os diferentes agentes da economia e de como a partir dessas interações surgem as questões-chave que preocupam a Economia. logo. As duas primeiras não são condições suficientes para dar sustentação à terceira. tem o respaldo na modelação teórica desenvolvida pelos diferentes troncos da economia positiva. deveriam ser adotadas políticas de contenção do crescimento populacional. desse confronto tiram-se as conclusões: ou a teoria explica satisfatoriamente o comportamento da realidade econômica ou deve-se formular uma teoria alternativa e mais adequada. a Economia se interessa primordialmente pelos argumentos positivos. Essa ressalva metodológica não implica a inexistência de conexões entre os compartimentos positivos e normativos na economia. não obstante seja formulada a partir de escolhas que envolvem juízos de valores.economia normativa: o que poderia ser Essa distinção é importante em termos de metodologia uma vez que existe a impossibilidade lógica de se deduzirem afirmações positivas de juízos de valores ou normativos ou vice-versa.

Sistemas contas Sistemas dede contas nacionais e matrizes nacionais e matrizes de relde relações ações interindustriais. renda. As políticas econômicas de intervenção procuram estabelecer esse equilíbrio.12 Figura 3 – Compartimentos usuais da economia Economia Descritiva Observação sistematizada do Observação sistematizada do mundo real. investimento. Contabilidade Social. Política Econômica A condução do processo econômico agregativamente considerado. importações. Contabilidade Social. leis e teorias. tributos e dispêndio tributos e dispêndio público. consumo. com 3 objetivos: * Crescimento * Estabilidade * Equitatividade A regulação da atividade dos agentes econômicos: o interajuste de custos e benefícios privados e sociais. Preocupa-se com a determinação dos preços e quantidades em mercados específicos. poupança. Atuação sobre a realidade. mundo real. importações. Desenvolvimento Econômico: estuda o processo de acumulação dos recursos escassos e da geração de tecnologia capazes de aumentar a produção de bens e serviços para a sociedade. além dos fluxos de capitais. exportações. . exportações. interindustriais. Divisão do estudo econômico: Microeconomia: estuda o comportamento de consumidores e produtores e o mercado no qual interagem. teorias. público. O consumidor O consumidor ee a aa análise da nálise da procura procura Teoria Econômica Teoria Econômica Princípios. demanda oferta e oferta e demanda monetárias. econômicos. leis e modelos da modelos da ececonomia onomia A empresa a A empresa e e a análiseda oferta análise da oferta Teoria Teoria Microeconômica Microeconômica Remuneração Remuneração dos fatores de dos fatores de produção e produção e repartição da repartição da renda Teoria Teoria Macroeconômica Macroeconômica Análise de Análise de macrovariáveis: macrovariáveis: renda. investimento. poupança. Economia Internacional: estuda as condições de equilíbrio do comércio exterior. renda Estrutura Estrutura concorrencial e concorrencial e equilíbrio dos equilíbrio dos mercados mercados monetária. consumo. Princípios. Descrição e mensuração de fatos Descrição e mensuração de fatos econômicos. Macroeconomia: Estuda as condições de equilíbrio estável entre a renda e a despesa nacionais.

busca. teorias. Método dedutivo Validação. leis u modelos explicativos ou interpretativos da realidade. Construção de modelos validados por testes estatísticos. como primeiro passo. que identifiquem relações de causas e efeitos e que interpretem os mais variados eventos e seus desdobramentos. Observação sistematizada da realidade Abstrações teóricas envolvendo situações e comportamentos não mensuráveis a partir de levantamentos da realidade concreta.13 7. MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA A metodologia da elaboração científica. Formulação de princípios. ainda que complementares: a indução e a dedução. Esforço de teorização substitutivo da validação experimental. em sua estrutura fundamental. observar sistematicamente a realidade. .A construção do conhecimento na economia Método indutivo Abstrações resultantes de levantamentos e informes quantitativos. Depois elaborar modelos simplificados que a reproduzem. Vejamos como ocorre a construção do conhecimento na economia pela figura abaixo. Figura 4. No processo de elaboração recorre-se a duas abordagens distintas. pelo permanente confronto com a realidade Reelaboração resultante de novas observações ou de mudanças nas condições preexistentes.

newschool. Fonte: Rossetti (2003) 1 Para maiores informações sobre as escolas de pensamento econômico ver o website The History of Economic Thought: http://homepage. EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO: 1 A figura 5 abaixo mostra de maneira bem articulada como ocorreu o desenvolvimento das diferentes correntes de pensamento econômico.14 8.edu/het/ .

que conduz à especialização e à divisão social do trabalho. de outro lado.2 Processo de Interação e os Fluxos Econômicos Fundamentais Os fluxos reais definem-se a partir de suprimentos de recursos de produção.1. pelos preços pagos aos bens e serviços adquiridos. pelos pagamentos de remunerações aos fatores de produção empregados. INTERAÇÃO ENTRE OS AGENTES ECONÔMICOS E AS QUESTÕES-CHAVE DA ECONOMIA 9. 9. e as instituições. agentes e instituições Complexo de instituições Quadro de agentes econômicos Recursos naturais Recursos humanos Capital Capacidade tecnológica Capacidade empresarial Unidades familiares Empresas Governo Jurídicas Políticas Sociais Os processos. que conduz à organização de sistemas de trocas. Os fluxos monetários definem-se como contrapartida dos fluxos reais. . como pode ser visto na figura 6 abaixo: Estoque de fatores de produção Elementos constitutivos do sistema econômico como um todo: recursos.15 9. As Categorias Participantes do Sistema Econômico As três categorias que formam a base de qualquer sistema econômico são os recursos. independentemente de sua destinação. determinada por heranças culturais ou por vocações naturais. de seu emprego e de sua combinação pelas unidades de produção. os mecanismos e os instrumentos de interação dos agentes econômicos decorrem de dois fatores fundamentais: . Traduzem-se. de um lado.a diversidade das necessidades humanas.a diversidade de capacitações das pessoas e nações. os agentes. bem como pela resultante geração de bens e serviços intermediários e finais. .

16 Figura 7. empresas e governo Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Pgto bens e serviços T Remuneração fatores T GOVERNO Fornecimento (bens e serviços) e IFBKF .A interação entre famílias.A interação entre famílias e empresas Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Figura 8 .

Uma visão de conjunto do processo econômico e das questões-chave da economia Fonte: Rossetti (2003) A forma como esses processos de realizam e seus resultados finais estão relacionados com as quatro questões-chave da economia: * A plena utilização dos recursos produtivos – Eficiência Produtiva: emprego dos fatores de produção. .17 Figura 9.

. Explique cada uma das funções da moeda e dê exemplos. 2. Descreva sucintamente como ocorreu a evolução do sistema de trocas até a instituição da moeda como conhecemos na atualidade. Por que o conceito de capital se associa aos de investimento e de acumulação? 3. A condição fundamental para que se realize o fluxo de produção é a existência de um conjunto de cinco fatores. Sintetize esses dois fluxos em um modelo simples de interação entre as famílias e as empresas. Destaque os papéis de cada um. Essa precondição é suficiente também para o desenvolvimento econômico? Comente. 12. O que compreende o fator capital. Exemplifique essa função e diga qual é o tipo de relação entre as variáveis produção e recursos de produção. Mobilizando os cinco fatores de produção. quadro de agentes econômicos e o complexo de instituições. 10. Descreva a partir da função de produção as precondições para que uma economia tenha crescimento econômico e. Diferencie os conceitos de bens e serviços finais de consumo. Nós nos deteremos nas duas primeiras das questões-chave. A principal fonte de renda do governo é a arrecadação de tributos. 9. Diferencie. Mostre as diferenças entre elas. empresas e governo. Cite e conceitue cada um deles. uma maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante. 13. 15. Quanto à intensidade de emprego dos fatores e à natureza dos bens e serviços gerados. 6. bens e serviços intermediários e bens e serviços finais de produção. Diferencie o conceito de formação bruta de capital do de formação líquida de capital fixo. ver Rosseti (2003. 4. Explique. Questões: 1. 14. conseqüentemente. as atividades de produção classificam-se em primárias. o aparelho de produção das economias desenvolve um grande fluxo contínuo de geração de bens e serviços. para os interessados nas demais questões. O modelo simples de interação entre famílias e empresas é modificado com a introdução do agente Governo.18 * A escolha do que produzir – Eficácia Alocativa: produtos gerados. conceituando cada uma delas. as três seguintes categorias de elementos constitutivos do sistema econômico: estoque de fatores. Caps. 7. A maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante é considerada precondição quantitativa para a promoção do crescimento econômico e do bem-estar social. A função de produção para a economia considerada agregativamente mostra a relação funcional entre a produção e os recursos empregados. São três os agentes econômicos que interagem dentro de determinado sistema econômico: unidades familiares. 5 e 6). Diferencie tributos diretos e tributos indiretos e dê exemplos de cada um deles. 11. * A organização da vida econômica em sociedade – Ordenamento Institucional: instituições que regularão o funcionamento do sistema como um todo e a interação entre os agentes. * A distribuição dos resultados dos esforços de produção – Justiça Distributiva: rendas. 8. 5. Diferencie os conceitos de fluxo real e fluxo monetário. secundárias e terciárias.

distribuição de renda e crescimento econômico. Ou seja. Pleno emprego dos recursos Aprofundar os conhecimentos da política econômica com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de pleno emprego. para depois pensar em repartição de renda. 2 Para uma discussão sobre o Milagre Econômico. juntamente com o aumento da renda per capita. emprego e desemprego. Mas. se a renda aumentar. O debate constante da macroeconomia é saber se as decisões da política monetária e fiscal do governo vão afetar ou não as tendências da economia. Estabilidade de preços A inflação. 2 Crescimento econômico Quando se fala em crescimento econômico. atingir uma meta pode ajudar (ou não) a alcançar outras. Mas. ocorreu uma concentração de renda. é um problema porque acarreta distorções sobre a distribuição de renda. o fato do país estar aumentando sua renda per capita não necessariamente significa que está tendo uma melhoria do seu padrão de vida. estabilidade de preços. poupança e consumo agregados. nível geral de preços. O crescimento econômico capta apenas o crescimento da renda per capita. Nesse sentido. 2. como renda e produto nacionais. A renda per capita é considerada o melhor indicador para se aferir a melhoria do bem-estar. ou seja. AS METAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA As metas de política macroeconômica são: pleno emprego dos recursos. Esses objetivos não são independentes uns dos outros e podem ser até conflitantes. balanço de pagamentos e taxa de câmbio. ver: Abreu (1990) “A Retomada do Crescimento e as Distorções do “ Milagre” (1967-1973). do padrão de vida da população. Distribuição de renda A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior parte da década de 70. se estiver também melhorando os indicadores sociais (pobreza. uma vez que torna possível abrandar conflitos sociais sobre a divisão da renda. o crescimento pode facilitar a solução dos problemas de pobreza. expectativas empresariais e etc. Um pais está realmente melhorando seu nível e desenvolvimento econômico e sociais. .19 CAPÍTULO 2 – SISTEMA FINANCEIRO 1. aumentando a parte dos lucros e da poupança dos mais ricos na renda nacional. estoque de moeda e taxas de juros. analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados da economia. Alguns críticos do chamado “milagre econômico” argumentam que piorou a concentração de renda nos anos de 1968/73 devido a uma política deliberda do governo (a Teoria do Bolo): primeiro crescer. O QUE É MACROECONOMIA Trata da evolução da economia como um todo. investimentos. que é aumento contínuo no nível geral de preços.). estamos pesando no crescimento da renda nacional per capita. houve um aumento da disparidade entre as classes de renda. Por exemplo. é possível aumentar a renda dos pobres sem diminuir a dos ricos. desemprego e etc.

Política cambial e comercial: atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia. uma vez que muitos acreditam que o aumento do nível de poupança seria mais facilmente obtido por meio de uma distribuição desigual de renda – a já citada Teoria do Bolo no período do milagre econômico. Política monetária: refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de moeda. particularmente em países em desenvolvimento. reservas compulsórias. nesses controles. ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA A economia pode ser dividida em parte real e parte monetária. o nível geral de preços. 3. por meio da manipulação da estrutura e alíquotas de impostos. em resposta a influências normais do mercado. o nível de emprego e os salários nominais. Política de rendas (ou de controle de preços e salários): a característica especial da política de rendas. de crédito e das taxas de juros. seja estabelecimentos de cotas etc. A política cambial refere-se ao controle do governo sobre a taxa de câmbio. os juros e os aluguéis é a de que. Os principais meios para atingir os objetivos são: Política fiscal: compreende todos os instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). os agentes econômicos ficam proibidos de levar a cabo o que fariam. Os instrumentos disponíveis são: emissão de moeda. 4. . sejam fiscais. A segunda relacionada com o que pode ser chamado de parte invisível da economia e determina a taxa de juros. é utilizada para estimular (ou inibir) os gastos do setor privado em consumo e em investimento.20 Entretanto. que influenciam diretamente os salários. tendo como variáveis a serem determinadas: o produto nacional. No Brasil. com baixas taxas de inflação e distribuição justa de renda. compra e venda de títulos públicos. OS MEIOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA: A política macroeconômica envolve a atuação do governo sobre a capacidade produtiva (produção agregada) e despesas planejadas (demanda agregada). A primeira relacionada com a produção de bens serviços bem como no emprego do fator trabalho. taxas de redescontos e regulamentação sobre crédito e taxa de juros. Normalmente. a política tributária. A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações e/ou estímulo/desestímulos às importações. o estoque de moeda e a taxa de câmbio. a política salarial e a atuação da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (Seap) situavam-se nesse contexto. os lucros. as metas de crescimento e equidade distributiva têm se mostrado conflitantes. O quadro 3 mostra os mercados e as diferentes variaveis determinadas em cada uma das partes da economia. creditícias. Além da questão do nível de tributação. esses controles são utilizados como política de combate à inflação. com o objetivo de permitir à economia operar a pleno emprego.

Atenção para como os agentes formas suas expectativas. Questões: 1. . (ii) está sujeita à flutuações. neoclássicos. a ênfase da política econômica ainda era nos instrumentos de política fiscal. 2. * Segunda metade dos nos 50. Trata do papel das expectativas inflacionárias sobre a produção e o emprego. A MACROECONOMIA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA. política cambial e política de rendas? 4. * Séc. 3. (iii) pessimismo na comunidade de negócios e (iv) necessita de ação do governo para sua estabilização. surge a Teoria Monetária com Milton Friedman da Universidade de Chicago.21 Quadro 3 – Parte real e parte monetária da economia Mercados * Mercado de Bens Serviços Parte Real da Economia • Mercado de Trabalho * Mercado Financeiro Parte Monetária da Economia • Mercado de Divisas Variáveis Determinadas e * Produto Nacional * Nível geral de Preços • Nível de Emprego • Salários Nominais * Taxa de juros * Estoque de Moeda • Taxa de Câmbio 5. Maior desenvolvimento da Teoria Microeconômica. * Nos anos 50. * Décadas de 70 e 80: Escola das Expectativas Racionais (os novos clássicos). novos clássicos e pós-keynesianos. surge a Curva de Phillips que mostrava que uma relação inversa entre as taxas de inflação e taxas de desemprego. Explique. Mas. que serviram como ponto de partida. Descreva as metas da política econômica. XX: Primeira Guerra Mundial. * A teoria prevalecente antes de Keynes acreditava que a economia (i) era autoregulatória. tinha o instrumental IS/LM analisando os componentes da demanda agregada acoplado à Curva de Phillips. Você seria capaz de explicar qual objetivo de política econômica o governo brasileiro tem buscado nos últimos anos? Comente. * Até os anos 60. negligenciando a política monetária. O que se entende por política fiscal. publicadas no livro “Teoria Geral do Emprego. XVIII. que retratava as condições de oferta agregada. * Principais idéias Keynesianas. * Séc. numa herança keynesiana. (iv) as ações do governo apenas para os bens públicos. Por que os objetivos de politica econômica podem ser conflitantes. * Com a teoria de Keynes. recuperando o papel da oferta agregada na Teoria Macroeconômica. do Juros e da Moeda” de 1936. a economia (ii) não regula a si própria. * Em 1937: John Hicks introduz o aparato conhecido como IS/LM – a chamada síntese neoclássica – que permite analisar a economia tanto pela hipótese de pleno emprego (clássicos e neoclássicos) como pela de desemprego (Keynes). primeiras revoluções. (ii) utilizava eficientemente todos os recursos. Identificação de “ciclos de negócios” e Grande Depressão dos anos 30. política monetária. * Quatro principais linhas de pensamento macroeconômico: keynesianos. (iii) produziam em pleno emprego (existia apenas a taxa natural de desemprego).

para ocorrer a permuta. produto por produto. desde que houvesse interesse recíproco. hoje. mas com escassas chances de acesso a frutos. tornava-se fundamental. em que tribos vizinhas representavam rivais em potencial. à pesca e à coleta de frutos. na produção (captura) de peixes. A troca ocorreria. portanto. por estar um pouco mais distante ou mesmo não dispor de um rio em iguais condições. as trocas evoluíram em duas etapas: trocas diretas. cujo objetivo primordial era a sobrevivência. que o indivíduo "A" desejasse adquirir peixes e o indivíduo "B” desejasse adquirir frutos silvestres. o homem produz. Essa primitiva sociedade. às margens de um rio generoso em peixes. poderia especializar-se na pesca e trocar com uma outra comunidade que. bilateralmente. por intermédio da moeda. Expansionista MOEDA 1. exigia certas condições especiais para seu funcionamento: se o indivíduo "A" fosse especializado na produção (coleta) de frutos silvestres e o indivíduo "B". mas às trocas com terceiros que tenham bens e serviços de seu interesse. Vivia em grupo tribal fechado.Um raciocínio simples exemplifica o caso das trocas diretas: uma tribo. o homem percebeu que poderia dedicar-se à produção de determinadas mercadorias em quantidades superiores às suas necessidades de consumo. de forma direta. Conseqüência desse fato é o estabelecimento das trocas. e trocas indiretas. apenas uma diminuta parcela daquilo que consome. Com o passar do tempo. também conhecido como escambo. Cada indivíduo passa a destinar a maior parte de sua produção não ao seu consumo próprio. Historicamente. Tornava-se imperiosa a criação de novas condições de comércio. As dificuldades desse sistema são evidentes. era naturalmente impermeável à idéia de se estabelecer entre as comunidades um sistema de trocas de mercadorias. de maneira que as trocas pudessem ocorrer sem que dependessem . ORIGEM DA MOEDA Nas economias primitivas. Salvo nas comunidades extremamente afastadas da civilização. A implantação desse sistema de intercâmbio direto de mercadorias. quando muito.22 SISTEMA FINANCEIRO O que veremos? Moeda: História Funções Oferta/Demanda Agregados Monetários Sistema Financeiro no Brasil (SFN): Diferentes Mercados Intermediação Financeira Sistema Bancário e Multiplicação dos Meios de Pagamento Criação/Destruição dos Meios de Pagamento Política Monetária: Instrumentos Política Restritiva vs. o modo de vida do homem não lhe oferecia qualquer instrumento que possibilitasse a transformação dos produtos disponíveis. tenha se especializado na coleta de frutos. restringindo suas atividades à caça.

Por exemplo: alguém que dispusesse de cinco sacas de trigo e desejasse comprar meio boi. mas trazia consigo novas dificuldades. Considerando-se que a moeda pode ser trocada por bens ou serviços em qualquer ocasião. a de facilitar o processo de circulação de bens. porém. traduzse. EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE MOEDA Ao se estabelecer um produto ou mercadoria como base para a troca. A história registra o aparecimento de moedas metálicas cunhadas na Grécia entre os séculos VIII e VII a. medida de valor e reserva de valor. Outro problema que surgiu de imediato foi o fato de a mercadoria-moeda ter a possibilidade de multiplicar-se facilmente. também. Pode ser. Em outras palavras. nessa função. o gado e os metais. como reserva de valor. nasceu o conceito básico de moeda: um instrumento facilitador das trocas que permite a medida ou a comparação de valores. na indivisibilidade de certas mercadorias ou produtos. como resolveria a questão? Um primeiro complicador consistia. Podem ser. à qual são convertidos os valores de todos os bens e serviços disponíveis na economia. estabelecendo-se como padrão de conversão. desde o momento em que é recebida pelo seu detentor. Como alternativa. não só pelo desenvolvimento do comércio. Era de melhor qualidade e não apresentava os problemas das demais mercadorias adotadas como moeda. Imagine alguém que tivesse todo o seu estoque de moeda representado por 100 sacas de trigo e todas elas se deteriorassem. uma forte exigência: que seja aceito pela sociedade. O estabelecimento da mercadoria-moeda possibilitava a implantação de um sistema de intercâmbio. numa forma alternativa de guarda ou de acumulação de riqueza. apresentava problemas relativos a seu valor intrínseco e a seu transporte.C. sua posse constitui reserva de valor. o trigo. Além disso. Reside. Esse indivíduo teria zerado o seu estoque de moeda. Entretanto. A utilização dos metais preciosos (ouro e prata) como moeda facilitou muito o desenvolvimento das trocas e da circulação dos bens e serviços necessários à sociedade. diz-se que a moeda serve como denominador comum de valores. 2. A moeda é medida de valor porque estabelece uma unidade-padrão de medida. em grande parte. passa a desempenhar três funções básicas: intermediação de trocas. Introduziase assim um elemento responsável. havia ainda a desvantagem de ser perecível. A forma encontrada foi substituir as trocas diretas pelas trocas indiretas. o sal. o que causava sérios problemas para o sistema como um todo. A moeda por sua vez. qual seja. uma mercadoria ou um produto que fosse aceito por todos os indivíduos. e uma das causas poderia ser até mesmo não ter conseguido arcar com os custos de uma acomodação adequada para o trigo. um simples pedaço de "papel pintado". a razão principal. como também pelas dimensões hoje assumidas pela Economia: a moeda. Eram mais duráveis e permitiam subdivisão com maior facilidade.23 tanto da simultaneidade de interesses específicos. mediante consenso. consensualmente. A retenção da moeda. como o foram no passado. portanto. de aceitação geral. A introdução da moeda no sistema econômico conduz à dissociação de cada troca em duas operações distintas: uma compra e uma venda. determinante do aparecimento da moeda. passou-se a adotar os metais preciosos como meio de troca. até ao instante em que é gasta. A função de intermediação de trocas traduz-se em servir como meio de pagamento. Sua produção era mais rara e escassa. portanto. Há. sem o controle da sociedade. em .

Toda vez que se precisasse de moeda. foi eliminada a necessidade de se trocar o recibo por metal precioso a cada operação. A aceitação dessa moeda inconversível decorria do poder do Estado em garantir sua utilização e na confiança da população nesse Estado. de curso forçado. passaram a emitir os chamados bilhetes de banco negociáveis. os cambistas medievais atuavam como "banqueiros". OFERTA E DEMANDA DE MOEDA A oferta de moeda na economia é feita pelo Banco Central (BACEN) e pelos Bancos Comerciais através das atividades de depósitos e empréstimos. posto que os credores eram obrigados por lei a aceitá-la em pagamento de seus créditos. ATIVOS FINANCEIROS Os ativos financeiros da economia podem ser diferencidados conforme os atributos rendimentos e liquidez. de um recibo. uniformizando-a no espaço geográfico de sua influência. Ao verificarem que os metais ficavam guardados em seus cofres por um longo período de tempo. cuja validade dependia única e exclusivamente de sua aceitação geral. sem qualquer utilização. Esse recibo tinha. Cobravam apenas uma comissão pela prestação do serviço de guarda dos metais. em troca de um comprovante de depósito. precaução e especulação. A garantia de utilização da moeda é dada pelo seu curso forçado. de emissão não lastreada. um lastro. Ex: papel moeda em poder do público (PMPP) e depósito à vista nos bancos comerciais públicos e privados. Não tardou muito. assim. Observe-se que. surgindo a partir daí a moeda fiduciária. monopolizada pelo Estado. Tais operacões consistiam na emissão de recibos sem a contrapartida de um depósito em moedas. 4. então. Como os cunhadores eram geralmente ourives. o princípio das cédulas com lastro. era só trocá-lo por metal precioso. Com isso. adicionou-se a esse costume o de endossá-lo. transferindo a outrem o direito de saque. desenvolveu-se uma outra modalidade: moeda bancária ou escritural. Com o tempo. Surgiu. Ativos financeiros não-monetários: menor grau de liquidez e rendimento. tem-se: Ativos financeiros monetários: liquidez absoluta. Essa moeda. 3. em função da confiança do público. para que adquirissem a confiança do público e iniciassem uma transformação na sua forma de "operação bancária". até então. que surgiu com o desenvolvimento dos bancos comerciais. os quais possuem liquidez e equivalem à moeda de curso legal. já que os possuidores ficavam muito mais vulneráveis ao ataque de saqueadores. Ex: depósito de poupança. Dessa forma.24 virtude do peso e da segurança. os banqueiros da época não concediam e nem tomavam empréstimos. contudo. . O Estado assumiu e monopolizou a emissão de moeda. A demanda por moeda é derivada dos motivos: transação. como meio de pagamento. que possuíam locais seguros para guarda dos metais preciosos passou-se a adotar o costume de deixar as moedas depositadas com eles. Assim. corresponde aos depósitos à vista. Ao lado dessa moeda fiduciária. rendimento zero e usados como meio de pagamento. mantendo um encaixe de 100% sobre os seus depósitos. Essa transformação fez com que os bancos deixassem de ser simples depositários de metais e passassem a exercer a função de emissores.

MEDIDA DA OFERTA DE MOEDA A quantidade de moeda existente na economia pode ser medida com a utilização dos chamados agregados monetários. Tabela 1 . M4 = M3 + títulos públicos federais (Selic) e títulos de emissão dos estados e municípios. BASE MONETÁRIA Além dos agregados monetários. Esses agregados são agrupados de acordo com a liquidez dos diferentes ativos financeiros da economia.Papel Moeda Emitido (PME): meio circulante . M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições financeiras. M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas com títulos públicos federais. O conceito de base monetária (BM) equivale ao passivo monetário do Banco Central que serve de lastro aos meios de pagamento e é definida por: BM = PME + RB . A seguir são definidos os agregados monetários: M0 = PMPP (notas e moedas) M1 = M0 + depósitos à vista nas instituições financeiras bancárias.25 5.Reservas Bancárias (RB): contas correntes dos bancos criadores de moeda no Banco Central . existe ainda outra medida da moeda na economia que é a base monetária.Heveres Financeiros no Brasil (R$ bilhões) Fonte: Bacen 6.

por tipo e com maiores agências no país. A sistemática de recolhimentos compulsórios sobre os recursos à vista e a preponderância de metas de taxas de juros resultam em valores desprezíveis de reservas voluntárias médias.Subsistema de Intermediação . Figura 10 – Base monetária e meios de pagamentos no Brasil .26 Essas reservas bancárias são compostas por reservas voluntátias e reservas compulsórias.Outras instituições A figura 11 abaixo mostra a participação por segmentos (públicos. veja em anexo o número de instituições por segmento. A figura 10 mostra a base monetária e os meios de pagamentos na economia brasileira para os anos de 2004 e de 2005. privados nacionais e estrangeiras) no sistema bancário do Brasil para o período de 2002 a 2005. 8.Subsistema normativo .2004 e 2005 Fonte: Bacen 7. Além disso. ORGANIZAÇÃO DO SFN . . ESTRUTURA DO SFN (BRASIL) Sistema Financeiro: conjunto de agentes e instituições responsáveis pela intermediação de recursos financeiros entre as unidades econômicas líquidas (superavitárias) e as ilíquidas (deficitárias).

Participantes: Bacen. o direcionamento do crédito para as diferentes atividades econômicas e as taxas de juros cobradas para as pessoas físicas e pessoas jurídicas. Mercado de Câmbio: são realizadas as transações com diferentes moedas. respectivamente. Mercado de Crédito: tem a responsabilidade de suprir a necessidade de crédito das diferentes atividades econômicas. empresas exportadoras e importadoras. destaca-se o mercado de crédito no Brasil. .Sistema Bancário/Participação por Segmentos (Brasil) Fonte: Bacen 9. Bancos. Os gráficos mostram.27 Figura 11. Mercado de Capitais: onde são negociados títulos de médio e longo prazo (necessidade de recursos para investimento). A seguir. DIFERENTES MERCADOS: O sistema financeiro é composto por quatro diferentes mercados que são: Mercado Monetário: onde são negociados títulos de curto prazo (Iiquidez da economia).

28 Fonte: Bacen Fonte: Bacen Fonte: Bacen .

um bem imóvel. A faculdade de criar ou destruir moeda decorre de operações realizadas entre as instituições financeiras bancárias — que captam depósitos à vista — e o público. 2.29 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 1. aqueles que podem ser chamados de unidades superavitárias (US) e outros que podem ser chamados de unidades deficitárias (UD). CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO DE MOEDA O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da moeda escritural consiste na multiplicação dos meios de pagamento através das instituições financeiras bancárias que captam depósitos à vista. As unidades deficitárias possuem duas formas para obter financiamento: Autofinanciamento: venda de algum patrimônio. 2. títulos públicos. recebe haveres não-monetários (duplicata). mantendo encaixes bem inferiores ao volume destes depósitos.1. Esse fenômeno decorre do fato de ser altamente improvável que todos os depositantes saquem seus recursos ao mesmo tempo. Haveres monetários: possuem liquidez imediata — papel-moeda em poder do público e depósitos à vista (meios de pagamento). Haveres não-monetários: não possuem liquidez imediata. conforme ilustrado na figura a seguir: . valemo-nos dos conceitos de haveres monetários e haveres não-monetários. Para se distinguir uma ocorrência da outra. FORMAS DE FINANCIAMENTO Existem dois tipos de agentes no sistema financeiro. como depósitos a prazo. Financiamento externo: que pode ser direto através da venda de ações ou de títulos da dívida e o indireto por meio de empréstimo via instituições financeiras A pergunta que surge é por que as unidades deficitárias não optam pelo financiamento direto? A resposta para esse questionamento está nos conceitos de custos de transação e de informação assimétrica. por exemplo. o que permite aos bancos comerciais emprestar parte dos depósitos à vista por eles recebidos. Os primeiros suprem as necessidades de financiamento dos segundos através da intermediação das instituições financeiras.entrega ao público de haveres monetários (moeda) e. duplicatas e etc. em troca. Criação de moeda: Quando a instituição financeira bancária desconta uma duplicata .

Exportadores trocam US$ por R$ no Bacen (C).00.25 Temos que k = 1/0. Multiplicador Simples k = 1/R k = magnitude do efeito multiplicador R = alíquota de recolhimento bancário Exemplo: R = 0. Indivíduo efetua um depósito à vista em um banco comercial (N).30 Figura 12 – Criação de Moeda Haveres monetários Instituição Financeira Bancária Haveres não-monetários Público 2. conforme ilustrado na figura a seguir: Figura 13 – Destruição de Moeda Haveres não-monetários Instituição Financeira Bancária Haveres monetários Público Exemplos de criação e de destruição de moeda: Governo Federal deposita impostos arrecadados do público no Bacen (D).000.000. o efeito multiplicador fará com que o volume de meios de pagamentos passe a ser de R$ 4.25 = 4 Se DV= R$1. MULTIPLICADOR BANCÁRIO As instituições financeiras que captam depósitos à vista podem multiplicar os meios de pagamentos através das operações de empréstimos. . Destruição de moeda: Quando o público quita uma duplicata – a instituição bancária entrega ao público haveres nãomonetários (duplicata quitada) e recebe haveres monetários (moeda). Indivíduo adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista (D). Indivíduo resgata sobre poupança. 3. com transferência do saldo para a conta corrente no banco comercial (C).2.00.

demanda (tornando o dinheiro mais caro para o público). não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie.oferta (direta e indiretamente) ou .Em março de 1999: Recursos à vista : 75% em espécie. O controle da oferta de moeda pode se dar pelo lado da: .Atual (outubro/2003): Recursos à vista : 45% em espécie. Recolhimentos compulsórios: estrutura no Brasil . ou de propriedade. remunerado . para condicionar os volumes de reservas bancárias e as taxas básicas de juros. As operações definitivas alteram a posição de carteira.Anterior ao Plano Real: Recursos à vista: 40% em espécie. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie.31 Multiplicador Elaborado: k = 1/C+D(R1+R2) C = PMPP/M1 D = DV/M1 R1 = CX/DV R2 = RB/DV Onde: PMPP = papel moeda em poder do público DV = depósitos à vista CX = caixa dos bancos comerciais RB = reservas bancárias (voluntárias e compulsórias) 4. remunerado Depósitos a prazo: 15% em títulos. não remunerado FIF-30 dias : 5% em espécie não remunerado . Recolhimentos compulsórios: Parcelas de algumas modalidades de captação que as instituições financeiras devem manter junto a Autoridade Monetária (Bacen) a fim de condicionar a alavancagem de operações ativas e a estrutura de custos. das partes envolvidas. 4. Os recolhimentos podem ser exigidos em espécie.1. A oferta primária fica a cargo da autoridade monetária (AM). . POLÍTICA MONETÁRIA Refere-se ao processo de oferta de moeda na economia. remunerado Depósitos a prazo : 30% em títulos FIF-curto prazo : 50% em espécie. das partes envolvidas. ou em títulos. de forma definitiva ou compromissada. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. e sua “multiplicação” se dá pela ação dos bancos comerciais. Instrumentos de política monetária Operações de mercado aberto: Compra ou venda de títulos. que serão remunerados ou não remunerados. ou de liquidez. As operações compromissadas ou com compromisso de recompra/revenda ou de financiamento de títulos alteram a posição de custódia. com seus mecanismos de transmissão.

Reduz * amplia Taxas de juros . Diga quais são as características. ( ) Indivíduo transfere saldo da conta corrente para a conta de poupança no banco comercial. A taxa cobrada por esses empréstimos mais o prazo para o seu pagamento constitui o que é chamado de taxa de redesconto.aumenta * reduz . Uma empresa deficitária possui duas opções de financiamento. Dados os seguintes agregados monetários (em mil R$): Papel moeda emitido (PME) 1. Quais são essas opções? Por que a intermediação financeira é a forma mais utilizada de financiamento pelos agentes econômicos deficitários? Comente. Open Market . Quando o Bacen quer ser punitivo. Quadro 3 – Resumo dos Instrumentos de Política Monetária Instrumentos 1.reduz * aumenta . Recolhimento Compulsório . Operações de Crédito .aumenta juros. São expansionistas quando aumentam a oferta monetária e barateiam os empréstimos. reduz prazo * reduz juros. Nas afirmações abaixo. Os ativos financeiros da economia são diferenciados em duas categorias conforme duas características.Aumenta a taxa * reduz a taxa 2. São restritivas quando reduzem a oferta monetária e encarecem os empréstimos. aumenta prazo 3. Redesconto .400 Reservas dos BC no Bacen .aumenta *reduz As Políticas Monetárias podem ser chamadas de restritivas ou de expansionistas. Questões Conceituais: 1. .Venda de títulos * Compra de Títulos 4.Voluntárias 100 -Compulsórias 400 Depósito em poupança 200 Quotas de fundo de renda fixa 150 Títulos públicos federais (Selic) 430 a) Qual a base monetária ? b) Qual o total do M1 ? c) Qual o total do M2 ? c) Qual o total do M3 ? c) Qual o total do M4 ? 2.32 Redesconto O Bacen pode suprir as necessidades de financiamento dos bancos comerciais através de empréstimos. destruição (D) de moeda: ( ) Governo Federal deposita taxas e impostos arrecadados de empresas no Bacen. 3.Restringe * Amplia Oferta monetária . ( ) Importadores trocam R$ por US$ no Bacen. 5. diga quando ocorre criação (C). Quais são os diferentes mercados do sistema financeiro? Explique.reduz * aumenta .aumenta * reduz . 4.100 Papel moeda em poder do público (PMPP) 600 Dep. a vista do público nos BC 1.reduz * aumenta . aumenta a taxa e reduz o prazo de pagamento.aumenta * diminui .

00. ( e. Explique cada um deles. sendo este último dado pelo mecanismo do multiplicador monetário. ) Indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito à prazo. ( ) A velocidade renda da moeda é definida pela relação entre o PIB e a quantidade de moeda (M). Comente..75. ) Banco compra títulos da dívida pública possuídos pelo público. ) Empresa efetua um depósito à vista em um banco comercial. então o valor do multiplicador simples na economia será de. 6.. ( ) Se o Bacen diminui os juros e aumenta o prazo na operação de redesconto... qual será o valor multiplicado. M3 e M4 ? 9. 10.. ) Banco compra cambiais de um exportador. Se R = 0. em poder do resto do mundo 400 * Depósitos na Poupança. qual é o mais punitivo para os bancos.000. Qual o valor da Base Monetária? b. menor será a velocidade-renda da moeda.. ( d. em poder do resto do mundo 250 * Depósitos à prazo.. Se o montante inicial em depósito a vista é de R$ 4. maior o multiplicador bancário simples. 11... ) indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito á vista.. ) Banco vende divisas a um importador.. Dados os seguintes agregados monetários (em R$ milhões): * Caixa. ( )diminui o saldo do papel-moeda emitido ) diminui o saldo do papel-moeda em circulação )diminui o saldo do papel-moeda em poder do público )diminuem os depósitos à vista nos bancos comerciais )diminuem os recursos dos bancos comercias para empréstimos ao público.. ( ) Quanto maior a taxa de recolhimento compulsório.. A elevação da taxa dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais junto as autoridades monetárias diminuiu o valor do multiplicador dos meios de pagamentos porque: a. Quais as funções principais que o Banco Central exerce na política econômica. ( c. ( ) A taxa de juros pode ser reduzida através da expansão nas operações de crédito por parte do Bacen. . Coloque falso (F) ou verdadeiro (V). recebendo a inscrição de um depósito à vista.. ( ) A oferta de moeda e a taxas de juros são reduzidas através de uma política monetária expansionista. a oferta monetária é reduzida e a taxa de juros também cai. 8. Qual o valor do M1. Dos instrumentos que o Bacen pode utilizar para controlar a oferta de moeda na economia. ) Empresa leva ao banco uma duplicata para descontar.. M2. 12. e justifique quando falso: ( ) Quando o Bacen aumenta a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais.. ) Banco vende um imóvel a uma pequena empresa recebendo o pagamento à vista em dinheiro.. nos Bancos Comerciais 95 * Papel Moeda Emitido 200 * Depósitos à vista do público nos Bancos Comerciais 150 * Depósitos à vista dos Bancos Comerciais Voluntários 40 Compulsórios 30 * Títulos federais.. o Bacen pode comprar títulos públicos que estão nas mãos do público. ( ) O multiplicador bancário elaborado varia negativamente em relação à taxa de reservas dos bancos e positivamente em relação à taxa de retenção do público.. em moeda corrente. ( ) Se o Governo precisa reduzir a quantidade de oferta de moeda na economia. em poder do resto do mundo 150 a. a taxa de juros reduz. 7. A oferta de moeda pode dar-se pelo Bacen ou pelos Bancos Comerciais. ( ) Quanto maior for a taxa de inflação numa economia. ( b. ) Banco aumenta seu capital vendendo ações ao público.33 ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Empresa adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista.. Como se dividem os agregados monetários no Brasil.

pelo Banco Central. Entre as operações a seguir relacionadas. a bancos comerciais c) venda de ações. A principal função da reserva compulsória sobre os depósitos bancários. fiscalizar e controlar os intermediários financeiros. conceder empréstimos ao público e controlar os meios de pagamento do país c) emitir papel-moeda. a empresas e consumidores b) concessão de empréstimos. recebendo a inscrição de depósitos à vista 17. mediante pagamento à vista. O encaixe próprio dos bancos (parcela dos depósitos que é mantida em caixa) é um dos freios à multiplicação infinita da moeda escritural. como instrumento de política monetária. em moeda. em bolsa. especificamente: a) concessão de empréstimos. __________________seu efeito multiplicador. das empresas ao público em geral d) atividade do Banco Central na compra ou venda de títulos e) restrições às operações de crédito ao consumidor 19. O sistema financeiro nacional constituído do mercado monetário. qual delas é responsável pela criação de meios de pagamento? a) pessoas realizam depósitos a prazo nos bancos b) bancos vendem ao público. O primeiro congrega as autoridades monetárias. títulos de diversas espécies c) saque de cheques nos caixas dos bancos d) empresas levam aos bancos duplicatas para desconto. supervisionar a compensação de cheques d) executar as políticas monetária e fiscal do governo e) fiscalizar empresas privadas e públicas 18. O segundo congrega as instituições bancárias e não bancárias. já que o preço de ações. Mas o freio maior é o recolhimento compulsório que o Banco Central exige dos bancos comerciais. mercado de crédito. O Banco Central do Brasil (Bacen) tem. a)transação – especulação – precaução b)precaução – especulação – transação c)especulação – transação – precaução d)precaução – transação – especulação e)nenhuma das anteriores 14.34 13. Demanda por moeda para ________________: as pessoas mantêm dinheiro porque ele é mais seguro que outros ativos. Demanda de moeda para _______________: ficando com mais dinheiro as pessoas podem enfrentas melhor as despesas imprevistas. As operações entre o público e o setor bancário podem criar ou destruir os meios de pagamento. a)maiores – maior será b)menores – menor será c)maiores – menor será d)menores – inalterado será e)nenhuma das anteriores 16. é usualmente subdividido em 2 subsistemas: o _______________ e o __________________. Entende-se por operações de mercado aberto. por parte dos bancos comerciais. responsável pela disciplina operacional e pela liquidez do sistema. Demanda por moeda para ____________: as pessoas mantêm dinheiro porque isso lhes permite comprar e vender bens com facilidade. a) normativo – cambial b) intermediação – normativo c) intermediação – cambial d) normativo – intermediação e) nenhuma das anteriores 15. mercado de capitais e mercado cambial. Quanto ___________ forem as taxas voluntárias e compulsórias. é: a) permitir ao governo controlar a demanda de moeda b) permitir as autoridades monetárias controlar o montante de moeda bancária que os bancos comerciais podem criar . entre suas responsabilidades: a) atuar como banco do governo federal e renegociar a dívida externa brasileira b) aceitar depósitos. títulos e imóveis pode flutuar muito.

o Banco Central deve: a) elevar a taxa de redesconto b) comprar títulos da dívida pública c) elevar a emissão de papel-moeda d) reduzir a reserva compulsória dos bancos comerciais e) reduzir a taxa de juros para desconto de duplicatas Questões Aplicadas: 1. M2.35 c) impedir que os bancos comerciais obtenham lucros excessivos d)forçar os bancos a manter moeda ociosa no sentido de cobrir as necessidades de caixa do banco central e) cortar subsídios governamentais às empresas privadas 20. O Bacen reduziu a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais de 75% (março/1999) para 45% (outubro/2003). a maior parcela ficou com as pessoas físicas. 3. Para reduzir o volume de meios de pagamentos. Do total de crédito direcionado para as atividades econômicas nos de 2004 e 2005. M3 e M4 (medidas da moeda) numa economia que estivesse praticando uma taxa de juros reais de 9% ao ano? E o que aconteceria se a economia passasse a conviver com altas taxas de inflação? Explique. Essa redução foi possível graças ao crescimento econômico da economia? . O que aconteceria com os agregados monetários M1. De que forma essa distribuição de crédito pode afetar o crescimento futuro da economia? Argumente. 2.

SITUAÇÕES POSSÍVEIS DE VARIAÇÃO DOS PREÇOS Inflação = aumento persistente no nível geral de preços. de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. Situações Possíveis INFLAÇÃO DESINFLAÇÃO LINHA DE ESTABILIDADE DEFLAÇÃO REFLAÇÃO . Desinflação = redução ou a eliminação da inflação. Reflação = movimento de recuperação de processos deflacionários depressivos. Deflação = redução no nível da atividade econômica (estagnação – Ex.36 CAPÍTULO 3 – INFLAÇÃO O que veremos? Definição e Cálculo Teorias Explicativas Mensuração da Inflação no Brasil Planos de Estabilização INFLAÇÃO 1. anos 30).

.aceleração: choques de oferta Efeitos da Inflação Efeito Oliveira Tanzi: mostra que a inflação corrói o montante de arrecadação.substituição de importações .estrutura oligopolística no mercado Inflação Inercial 3 Os mecanismos de indexação formal (contratos.propagação: indexação formal e informal . que possuem prazos legais de reajuste. que leva a um aumento dos custos das empresas que é em alguma medida repassado para os preços finais. a oferta agregada não tem como se expandir de forma a acompanhar o crescimento da demanda. mas sim. Revista de Economia Política. salários) e informal (reajustes de preços no comércio. Inflação de custos (Ou inflação de oferta) Ocorre quando há variação dos preços de itens com alta participação no processo produtivo (aumento salarial. aluguéis.oferta de alimentos inelástica . reajuste de tarifas públicas. Efeitos sobre o mercado de capitais: com inflação. indústria. Mecanismos: . A Inflação decifrada. O ajuste da oferta não se dá via aumento das quantidades. desvalorização cambial.rigidez das importações (M) associada ao pouco dinamismo das exportações (X) .37 2.(baixa relação de trocas) . 16(64): 20-35. via aumento dos preços. 3 Para uma discussão sobre a inflação inercial ver: Pereira (1996).). como terras e imóveis. etc.. que são sempre repassadas aos preços. Efeitos sobre o balanço de pagamentos: taxas de inflação em níveis superiores ao aumento de preços internacionais encarecem o produto nacional relativamente ao produzido no exterior. As aplicações em cadernetas de poupança cedem lugar para a aplicação em recursos de bens de raiz. . A inflação estruturalista (Cepal) Os pensadores da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) afirmam que as causas estruturais da inflação são: . Efeitos sobre a distribuição de renda: redução do poder aquisitivo das classes que dependem de rendimentos fixos. TEORIAS DA INFLAÇÃO Inflação de demanda Ocorre quando há um excesso de demanda agregada. deteriora-se o valor da moeda e ocorre desestímulo à aplicação de recursos no mercado de capitais financeiros. tarifas públicas) provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores. quebra de safra.Quando a economia funciona a pleno emprego.

correlacionados ao tempo.50/Kg = $15 Cesta (ponderada) = (10*40%) + (15*60%) = $13 Período seguinte t + 1 Carne: $1. ou de um grupo de variáveis. é frequentemente denominada série de índices. Quando o número-índice representa uma comparação para um bem ou produto individual. inicial (0) e atual (1). profissão.50/Kg. t0 como mês base e t1 como o mês seguinte. INFLAÇÃO E NÚMEROS ÍNDICES A inflação é o aumento generalizado dos preços de uma economia. A fórmula é: IL = Onde: p0 = preço no período inicial. à localização geográfica.38 3. O índice de Laspeyres pondera preços (p) em duas épocas.00 (preços estáveis). então: 30 Kg * 0. Considerando dois períodos de tempo. p0 × q0 × 100 p1 × q0 p1 = preço no período atual. é chamado número-indice simples (ou relativo). então: 30 * 1 = 30 Cesta (ponderada): (10*40%) + (30*60%) = $22 Variação: (22-13)/13 = 69% Números Índices É uma medida estatística idealizada para mostrar as variações de uma variável. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época inicial.00 (aumento de 100%). e etc. é chamado número-indice agregado ou composto. É calculada em função do perfil de consumo de uma certa população (POF). . então: 10 Kg * $1/Kg = $10 Batata: 0. q1 = quantidade no período atual. Método agregativo ponderado Os índices agregados de preços são geralmente ponderados segundo as quantidades q dos bens. então 10 * 1 = 10 Batata: $1. q0 = quantidade no período inicial. no qual os preços são ponderados pelas quantidades associadas com o ano-base antes de serem somados. que determina a ponderação de “cestas de bens e serviços”. uma POF identificou que o consumo médio de carne era de 40% e de batata 60%. ou a outras características como rendimento. Os exemplos desse métodos são os índices de Laspeyres e o de Paasche. Índice de Laspeyres É um dos mais populares índices agregado de preços. A cesta básica mensal inclui 10 kg de carne e 30 kg de batata. Quando o número-indice foi construído para um grupo de bens. Uma coleção de números índices de diversos anos.. tem-se: Período base (t0): Carne: $ 1/Kg. Exemplo: considerando dois produtos (carne e batata). localidades.

Aplicação dos Números Índices Para comparar os custos de alimentos ou de vida. admite-se que o numerador possa se apresentar super dimensionado e assim o índice de Laspeyres apresentar tendência de elevação. em uma cidade. inicial (0) e atual (1). A fórmula é: IP = p0 × q1 × 100 p1 × q1 O índice de Paasche pondera preços (p) em duas épocas. Índice Nacional Preços ao Consumidor (INPC) é calculado pela Fundação IBGE. super dimensionado e assim o índice de Paasche apresentar tendência a rebaixamento. em uma região do país. Como essas quantidades são consideradas adequadas à época atual e não à época inicial. eventualmente. o Índice Geral de Preços (IGP) é calculado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. ou a produção de aço. A tabela abaixo sumariza as principais características dos indicadores calculados no Brasil. Por exemplo. com a de outra. 4. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época atual. durante um ano. Existem vários índices de preços que são calculados por instituições diferentes. durante determinado ano. INDICADORES DE INFLAÇÃO NO BRASIL E NO RS Vários são os indicadores de inflação adotados no Brasil. admite-se que o denominador possa se apresentar. Tabela 2 . Veremos a seguir os números índices que são usados no Brasil para medir a inflação.Estrutura Básica dos Indicadores . com os de um ano anterior.39 Como essas quantidades são consideradas adequadas à época inicial e não à época atual. Índice de Paasche Este índice usa as quantidades do ano dado como pesos.

Regiões Metropolitanas e IPC 4. Formado pelo IPA (Índice de Preços por Atacado) e IPC (Índice de Preços ao Consumidor). porém refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. IGP-M (FGV): Metodologia igual à do IGP-DI.1 Diferença entre os Principais Índices IPCA. de preços ao consumidor (IPC) no Rio e SP. como aluguel. IGP.40 O mapa a seguir mostra as regiões metropolitanas que são alvo para o cálculo do índice de preço ao consumidor (IPC). Foi escolhido como alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil. A pesquisa é feita em 11 regiões metropolitanas. mas pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. com peso 3. Mapa 1 . INPC-IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor. média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos.FGV:É uma média ponderada do índice de preços no atacado (IPA). IGP-DI (FGV): Reflete as variações de preços de todo o mês de referência. A única diferença é o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte. O IGP-M é elaborado para contratos do mercado financeiro. e do custo da construção civil (INCC). Usado em contratos de prazo mais longo. com peso 6. com peso 1. IGP-10 (FGV): Elaborado com a mesma metodologia do IGP e do IGP-M. O IGP tradicional abrange o mês fechado. semelhante ao INPC.IBGE: Calculado desde 1980. .

com pesos de 60%. IPC. * Custo da Cesta Básica da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Apura as variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços finais no consumo. Calculado por sindicatos estaduais da indústria da construção. Utilizado em financiamento direto de construtoras/incorporadoras CUB .2006 Índice de Preço ao Consumidor (IPC) Fev Mar Abr Número Índice 177.78 -1.Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese): Medido na cidade de São Paulo.71 .2 Instituições que calculam a inflação no RS O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE/UFRGS) elabora o Boletim Econômico (IEPE-UFRGS) mensalmente com o objetivo de: * Índice de Preços ao Consumidor (IPC-IEPE).36 0.800 (há também índices para a baixa renda e a intermediária).72 Variação % -1. o de menor peso.51 549.51 -0.Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): Pesquisado no município de São Paulo.41 INCC (Índice Nacional do Custo da Construção). Reflete o custo de vida de famílias com renda média de R$ 2. Reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos. e usado em financiamentos de imóveis. 30% e 10%.59 0.Índice Nacional do Custo da Construção: Um dos componentes das três versões do IGP.53 Variação % -0. Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor. Indicadores Econômicos (IEPE-UFRGS) .10 545. chamados de Sinduscon. INCC.54 Cesta Básica (RMPA) Fev Mar Abr Custo Total (R$) 554. respectivamente.58 177. 4. ICV.22 176. Divulga também taxas quadrissemanais.Custo Unitário Básico: Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor.

ipeadata.)) Era FHC Plano Bresser Choques Heterodoxos Era Lula FONTE: Prof.DI (% a.gov.br 1990 01 1990 07 1991 01 1991 07 1992 01 1992 07 1993 01 1993 07 1994 01 1994 07 1995 01 1995 07 1996 01 1996 07 1997 01 1997 07 1998 01 1998 07 1999 01 1999 07 2000 01 2000 07 2001 01 2001 07 2002 01 2002 07 2003 01 2003 07 2004 01 2004 07 2005 01 2005 07 2006 01 2006 07 Plano Real Plano Verão 1980 01 1980 05 1980 09 1981 01 1981 05 1981 09 1982 01 1982 05 1982 09 1983 01 1983 05 1983 09 1984 01 1984 05 1984 09 1985 01 1985 05 1985 09 1986 01 1986 05 1986 09 1987 01 1987 05 1987 09 1988 01 1988 05 1988 09 1989 01 1989 05 1989 09 1944 02 1946 02 1948 02 1950 02 1952 02 1954 02 1956 02 1958 02 1960 02 1962 02 1964 02 1966 02 1968 02 1970 02 1972 02 1974 02 1976 02 1978 02 1980 02 1982 02 1984 02 1986 02 1988 02 1990 02 1992 02 1994 02 1996 02 1998 02 2000 02 2002 02 2004 02 2006 02 42 . FHC e Lula (IGP-DI %a.m.m.) Inflação no Brasil na década de 1980 (IGP-DI (% a.) -10 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 10 20 30 40 50 60 0 5. INFLAÇÃO NO BRASIL 75 65 55 45 35 25 15 5 -5 Plano Collor Crise da Dívida Plano Cruzado Inflação no Brasil (1944-2006) Inflação nas eras Collor.m.-10 IGP . Solange Marin a partir de dados do IPEADATA – www.

43

5.1. Causas Básicas da Inflação Brasileira As principais causas da inflação na economia brasileira são: a questão distributiva, o déficit do setor público e seu financiamento e o mecanismo de indexação (formal e informal). 5.2. Inflação no Brasil e as Correntes Econômicas Correntes Causas Principais * Desequilíbrio do setor público (déficit e a dívida pública provocam descontrole monetário, causando inflação de demanda)

Monetarista

Inercialista

* Indexação generalizada (formal e informal)

Políticas Antiinflacionárias * Ajuste fiscal (para reduzir déficit e dívida pública, via reformas fiscal, previdenciária, privatização) * Controle Monetário (juros e moedas) * Liberalização do comércio internacional * Dexindexação (para apagar memória ou inércia inflacionária, via congelamento de preços, salários e tarifas – Planos Cruzado, Bresser – ou troca de moeda – Plano Real) * Controle de preços de oligopólio * Reformas estruturais

Estruturalista

* Conflitos distributivos ( pressões de margens de lucro, pressões salariais, pressões de tarifas e preços públicos provocam inflação de custos)

5.3. A Inflação no Brasil e os Programas de Estabilização 1946-58: Inflação de crédito e estrutural 1959-63: Inflação predominantemente fiscal 1964-67: Aplicação de controles ortodoxos 1968-79: Inflação reprimida 1980-1985: Inflação de movimentos inerciais 1986-94: Fase dos choques heterodoxos 1994-2006: O real, a volta à ortodoxia e a estabilização. 5.4. Planos de Estabilização O Plano Cruzado (28/02/1986) A inflação era tida como inercial. O diagnóstico era de que a inflação tinha caráter autônomo, sustentado pela indexação formal e informal da economia. Houve a utilização de instrumentos heterodoxos para a eliminação da memória inflacionária (inércia inflacionária): Medidas: 1. introdução de nova moeda: reforma monetária, com o cruzado – (000) 2. congelamento de preços por prazo indeterminado ao nível de 28/02. 3. conversão de salários: além do valor real médio, concedido um abono de 8%. 4. conversão de aluguéis, prestação do sistema financeiro e mensalidades escolares pelo princípio da média. 5. Desindexação:

44

5.1 proibição de clausula de indexação: proibição de correção monetária para contratos inferiores a um ano e para contratos maiores de um ano, reajuste conforme a OTN em cruzados; 5.2 indexação de salários: escala móvel, salários reajustados toda vez que a inflação atingisse a casa dos 20%; 6 tablitas: tabela de conversão diárias de valores em cruzeiros para cruzados. Conseqüências: 1 parte dos recursos foram destinados para a compra de imóveis e reativação da produção; 2 reativação do consumo via salário móvel, seguro-desemprego e abono; 3 viver de renda ficou difícil porque caíram as taxas de juros (teve até taxa negativa); 4 taxa de inflação caiu; 5 empresas introduziram inovações organizacionais tais como just-in-time e abertura de novas firmas; 6 houveram conflitos entre produtores e fornecedores e a conseqüente falta de produtos; 7 não houve discussão quanto ao prazo do congelamento. O congelamento de preços foi peça fundamental e a inflação caiu nos primeiros meses. Houve explosão do consumo devido ao aumento do poder de compra do salário, a despoupança em função da desilusão monetária, a queda nas taxas de juros e ao consumo reprimido dos anos de recessão e ao congelamento de alguns preços defasados aos custos. O excesso de demanda reforçada pela expansão da oferta de moeda além do incremento natural da demanda provocada pela desinflação abrupta. Houveram taxas de juros negativas favoráveis a inflação zero. Esforços posteriores para uma política monetária mais restritiva e o aumento da taxa de juros encontrariam oposição política. Houve reconhecimento da magnitude do desequilíbrio fiscal, pois o esperado aumento na receita do governo, devido a eliminação da erosão da inflação que agia sobre a arrecadação dos impostos (efeito Tanzi) não se materializou no percentual e no tempo previstos. Quando ocorreu o aumento da receita, ele foi compensado pelo aumento nos gastos. No período final ou descongelava-se preços ou desacelerava-se o produto através do corte da demanda agregada. O ano de 1986 foi marcado pela redução drástica da inflação, após o congelamento de preços decretado pelo Plano Cruzado, e uma violenta expansão do consumo, que determinaram novamente a boa performance em termos de crescimento econômico (8,3%). O crescimento do consumo foi explicado por várias razões: transferência de renda real aos trabalhadores (aumento de salário real), fim da “ilusão monetária” com fuga dos ativos financeiros, expansão monetária e creditícia etc. Entretanto, foi também o responsável por vários problemas na economia e pela volta da inflação. Dentre os problemas, destacavam-se a crise de abastecimento, a presença do ágio como forma de burlar o controle de preços e outras formas travestidas de inflação, bem como uma profunda crise cambial. A crise cambial, em decorrência da redução do saldo na balança comercial e da piora nas contas de capital, com profunda queima de reservas para a sustentação do plano, desembocou na moratória de fevereiro de 1987 como forma de estancar a perda de divisas. Foram feitos ajustes no Plano Cruzado, como pode ser visto a seguir: Cruzadinho (07/1986 – 10/1986) Elaboração de um pacote fiscal para diminuir o consumo. Foram criados o sistema de empréstimo compulsórios e novos impostos indiretos sobre a gasolina (28%) e automóveis (30%). Mas, esse pacote teve pouca eficácia para conter o consumo. Ao contrário, a expectativa do descongelamento deu novo impulso à demanda. A inflação oficial caiu, porém

45

não refletia a inflação real da economia devido aos ágios, ao desabastecimento e à introdução de produtos novos. Após o mês de setembro o saldo da balança comercial começa a refletir o excesso de demanda interna e a queda nas exportações. Cruzado II (11/1986 – 06/1987) Um pacote fiscal visando o aumento da arrecadação do governo em 4% do PIB via reajuste de alguns preços públicos e aumento de impostos indiretos. Porém, o incremento nos recursos do governo através de preços públicos mais elevados foi desviado para o gasto com produtos e não com o aumento de poupança. Isso reativou a inflação e aumentou o salário via gatilho, o que por sua vez causou a explosão da inflação. Segundo Celso Furtado: a inflação inercial é subproduto das outras e a inflação brasileira reflete em parte um conflito distributivo de renda, em que o governo sempre foi o beneficiário, pois recorria à inflação por não ter meios de se autofinanciar adequadamente através da política fiscal. Plano Bresser (12/06/1987) O Plano Bresser não tinha por objetivo a inflação zero, mas promoveu o choque deflacionário com a supressão da escala móvel de salários. Os objetivos eram sustentar a taxa de inflação a níveis mais baixos e reduzir o déficit público. Foi instituída uma nova base de indexação salarial, a unidade referencial de preço (URP), ou seja, a cada três meses seriam pré-fixados os percentuais de reajuste para os três meses subseqüentes; com base na inflação média dos três precedentes. O gatilho foi mantido, porém ampliava-se a defasagem entre a observação da taxa de inflação e seu repasse aos salários. Os preços foram congelados por três meses ao nível de 12/06/1987, mas antes foram aumentados os preços públicos e administrados. Também não ocorreu a reforma monetária. Quando o Plano Bresser entrou em vigor, em junho de 1987, houve a mudança no indexador da poupança de Obrigação do Tesouro Nacional (OTN) para a Letra do Banco Central (LBC). De acordo com as novas regras, que passaram a valer na época, foi determinado que, entre os dias 1º e 15 de junho de 1987, a poupança seria remunerada pela variação OTN e, a partir de então, pela LBC. Acontece que os bancos remuneraram o mês todo usando como indexador a LBC, que teve variação 18,02% no período, bem menor que a variação da OTN, de 26,06%. É exatamente a diferença de 8,04 pontos porcentuais de remuneração que atualmente o poupador daquela época tem direito. O Plano Cruzado teve como política de combate a inflação o aumento da demanda agregada num contexto de crescimento econômico, o que terminou com pressão sobre inflação. O Plano Bresser objetivava conter a inflação com a redução da demanda num contexto de desaceleração mantendo o crescimento econômico com o redirecionamento da oferta para exportações. O plano incorporou ingredientes inutilizados no Cruzado tais como a preocupação com a taxa de juros, a taxa de câmbio, o déficit público e acordo com o FMI. Porém, acreditava que a sociedade agia de forma irracional. O plano foi uma tentativa de debelar a inflação que, sem o apoio popular do plano anterior, teve acertos e erros. A volta da inflação levou à adoção, em 1987, de políticas de cunho mais ortodoxo, mesmo com a presença de novo plano em junho, o Plano Bresser, que possuía maior preocupação em conter a demanda interna e evitar problemas no front externo. Com a característica recessiva da nova política econômica, esse ano apresentou profunda queda na taxa de crescimento, que situou-se em 3,6%.

não tendo atingido os objetivos. Além desses pontos. as taxas de crescimento econômico apresentaram oscilação. Além disso. à privatização das empresas estatais e à maior abertura ao capital estrangeiro. com base na eliminação dos subsídios e diminuição dos juros. Dessa forma. pois tanto a política fiscal como a monetária tornaram-se prisioneiras da rolagem da dívida interna. Com o confisco da liquidez. Plano Collor (16/03/1990) O governo Collor também tinha como preocupação básica o combate à inflação. As principais medidas do plano foram o congelamento de preços indeterminado e a reforma monetária com a introdução do cruzado novo (000). deveria ser resolvida a questão do déficit e da dívida pública. e a não política (ou "política do arroz com feijão") do final do governo Sarney. com giro diário. o Plano Collor realizou ampla reforma monetária. o que levou a uma grande expansão monetária. a política econômica também apresentou caráter errático: predomínio da ortodoxia em 1988 e tentativa de acordo social no final desse ano. A inflação voltou a acelerar. Isso levou à adoção de uma política que visava a sustentação de taxas de juros reais elevadas. A expectativa era transformar um déficit de 8% do PIB em superávit da ordem de 2% do PIB. Isso tudo foi acompanhado de uma trajetória ascendente das taxas de inflação. novas tentativas infrutíferas de arrumar o Plano foram . Com isso. o PIB sofreu uma redução em torno de 4% em 1990. A principal característica de todo o governo Sarney foi um grande descontrole das contas públicas: aumento nos déficits operacionais e crescimento do endividamento interno (cuja necessidade de rolagem inflexibilizava a taxa de juros) a prazos mais curtos.46 Plano Verão (14/01/1989) Em 1988 e 1989. redução dos gastos e elevação das receitas. com base na eliminação dos títulos ao portador (inclusive cheques) e na redução de gastos públicos. que gerou grandes problemas em termos de desestruturação das condições de oferta e uma onda de falências. o Banco Central afrouxou a liquidez. A principal medida foi o confisco de ativos financeiros com o objetivo de drástica redução da liquidez da economia. com estagnação em 1988 e crescimento de 3. O diagnóstico sobre as causas da inflação centrava-se na alta liquidez dos ativos financeiros. constituídas de maior abertura comercial. Para evitar um colapso maior. já nos meses seguintes ao confisco. Pretendia-se retomar a capacidade de fazer a política monetária e a elaboração de programas de abertura comercial e de privatização de empresas estatais. o objetivo de recompor os instrumentos de política econômica não ocorreu. Esse confisco estava ancorado na MP 168 que bloqueava 70% do M4. mas envolveria um ajuste patrimonial. ao permitir a rápida conversão dos ativos em demanda por bens e serviços e ativos reais. O ajuste fiscal mostrou-se insuficiente. que chegou no final do governo Sarney à taxa de 80% mensais. buscou uma reforma fiscal centrada no Imposto sobre Operações Financeiras. adoção do Plano Verão em janeiro de 1989 (que mesclou elementos heterodoxos e ortodoxos). Verificou-se a ausência de qualquer mecanismo de política econômica. para expor as empresas brasileiras à concorrência internacional. iniciou-se um conjunto de reformas estruturais no sentido liberalizante. o que não seria obtido apenas através do ajuste do fluxo. rompendo a possibilidade de controle da oferta monetária. Além disso. no Imposto de Renda e no combate à sonegação. cujo elemento central foi o confisco da liquidez e o alongamento compulsório da dívida pública.6% em 1989. que inviabilizava a condução da política monetária e qualquer tentativa de estabilização. Assim.

Impõe um teto para os gastos . voltou-se para a política do tipo "feijão com arroz". Plano Real (1994) 4 O Plano Real veio alterar esse quadro.br/) Questões conceituais: 1 Destaque alguns efeitos perversos da inflação. Foi definido como um plano de três fases: 1) O ajuste fiscal (O Fundo Social de Emergência – FSE). numa retomada do interesse nos agregados econômicos expressos na própria moeda do País. 2 Diferencie. o Real (R$). julho/1994: Foram fixados limites quantitativos para a emissão de moeda. ver: Pereira (1994).bcb. reestruturação dos bancos estaduais e federais e a privatização para transferir ao setor privado os custos da modernização da infra-estrutura. As medidas foram: combate a sonegação. 14 (56): 129-149. criação da IPMF (hoje. Planejamento e Coordenação da Presidência da República e presidente do Bacen. A seu critério. Justifique suas escolhas e a ordem em que as colocou. Os salários passaram a ser corrigidos pela média dos últimos quatro meses. CPMF) junho/1993: Essa primeira fase estava baseada na origem fiscal da inflação foi implementado o Plano de Ação Imediata (PAI) em 06/1993. 3) A reforma monetária com a introdução da nova moeda. O Conselho Monetário Nacional (CMN) passou a ser composto pelo ministro da Fazenda. as inflações de procura das inflações de custos. Nos meses de abril.47 feitas e. com notória recuperação da credibilidade da moeda nacional que se refletiu. Explique. Revista de Economia Política. coloque-os em ordem decrescente de importância. Importância: âncoras monetária e cambial Eventos importantes A renegociação da dívida dos Estados A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – 2000 .gov. A economia e a política do Plano Real. 3 Qual é uma das conseqüências mais claras de todo o processo inflacionário. na tentativa de evitar a explosão do déficit e controlar a moeda. . obtendo êxito inédito no combate à inflação. 4 Para uma discussão do Plano Real.Proíbe renegociações de débitos . maio e junho o governo fez a conversão em URV dos preços públicos e tarifas do setor público. usando suas próprias palavras.Restringe o montante do endividamento total . depois.Banco Central do Brasil (Disponível: http://www. redução dos fundos de participação estadual (FPE) e municipal (FPM).Exige projeções dos resultados primários para os 3 anos seguintes Outras informações sobre inflação: Relatório de Inflação . inclusive. 2) A introdução da Unidade Real de Valor (URV). março/1994: A URV teve a função de unidade de conta e o Bacen emitia diariamente relatórios sobre a desvalorização do cruzeiro real e a cotação da URV.

acompanhada de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. II. enquanto a desinflação é a redução no nível da atividade econômica. um aumento das matérias-primas importadas 7. a) somente a I correta b) somente a II correta c) somente a III correta d) I. o balanço de pagamentos. a que representa um fato causador de uma inflação de custos: ( ) a. 5 A essência das análises econômicas realizadas pelos ideólogos da reforma monetária que culminou no Plano Cruzado (1986) reside no fato de que “um determinante significativo da inflação corrente é a própria inflação passada” e que “o melhor previsor da inflação futura é a inflação passada”. um aumentos das exportações ( ) d. Nessa situação aumentos da _____________ de bens e serviços. é suficiente para caracterizar um processo de inflação crônica. a. além de outros efeitos. a) demanda – demanda agregada b) custos – demanda agregada c) demanda – oferta agregada . com a economia já a plena capacidade conduzem a elevações de preços . ( ) A inflação de demanda se caracteriza pelo excesso de demanda agregada em relação à produção de bens e serviços. o INPC e o IGP. ( ) A inflação é um aumento persistente no nível geral de preços. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística no mercado. estabilizando-se em seguida. sendo que cada um adota uma metodologia específica e o segundo deles serve de índice para o sistema de metas de inflação. A probabilidade de ocorrer inflação de ____________aumenta quando a economia está produzindo próximo do pleno emprego de recursos. sendo causada pelo aumento de importações e tributos. e III incorretas 9. caracteriza-se um processo inflacionário crônico. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações. as empresas diminuirão os salários oferecidos aos trabalhadores. e sendo essa mão-de-obra escassa. A esse fenômeno os analistas denominam: a) efeitos de preços relativos b) hiperinflação c) inflação de demanda d) inflação inercial 6 Assinale entre as alternativas abaixo. o mercado de capitais.( ) Inflação se caracteriza como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços em um determinado período de tempo desestruturando a distribuição de renda. um aumento nos gastos do governo ( ) b. tal situação. pelo fato de que um aumento de produção leva a um aumento da demanda de mão-de-obra por parte das empresas. ( ) De acordo com a corrente estruturalista. IV – Uma inflação de demanda pode levar a economia a ter inflação de custos. e quando a resposta estiver falsa reescrever a frase. e.Coloque F(falso) ou V(verdadeiro) nas seguintes afirmações. c. e III corretas e) I. d. a inflação está relacionada aos mecanismos de indexação formal e informal que provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores. f. b. a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica dos alimentos. Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: I – Se todos os preços dos bens e serviços se elevam apenas durante certo período de tempo. ( ) De acordo com os inercialistas. um aumento dos investimentos ( ) c. tomada isoladamente. um aumento da oferta de moeda ( ) e. que são sempre repassadas aos preços. II – Após um conjunto de medidas governamentais destinadas a incentivar a construção civil. os preços dos materiais de construção se elevaram bastante.48 4 Se todos os preços subirem. principalmente em setores produtores de insumos básicos. 8. pode-se ter certeza de que houve inflação. ( ) Alguns índices que são utilizados pelo governo para medir a variação dos preços na economia são o IPCA. II. Quais os dois tipos de inflação mais conhecidos.

939 5. usando 1970 como ano-base. A tabela abaixo apresenta os valores do salário mínimo.1 1981 11.684 .560 Nominais IPC 100 222 430 842 2.106. 1970 e 1976 Bem Unidade de Preço médio Preço médio Consumo Consumo 1970 1976 medida per capita per capita 1970 1976 Leite Litro 0.1 1980 5. Tabela 1. Indices 1975 532. Após as diferentes tentativas para conter a inflação nos anos de 1980 e 1990.932.80 520.000 22.60 0. o Plano Real conquistou a tão sonhada estabilidade econômica. Ano 1979 1980 1981 1982 1983 1984 Sal.0 112.120 166. bem como os valores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FGV).40 114.5 Fonte: Boletim do Banco Central 5.1 123.5 1.0 3.4 (1975=100) 1977=100 Fonte: Conjuntura Econômica 4.586 57. comparando-os com o de 1975. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística do mercado.928. vigente em dezembro cidade do Rio de Janeiro. Será que essa estabilidade já é condição suficiente para o país buscar outras metas além da meta de inflação. Usando a tabela abaixo. Determinar a respectiva série de salários mínimos reais (a preços constantes).00 80. Anos 1975 1976 1977 1978 1979 1980 Indices 100.00 158.2 1977 1. a meta do crescimento econômico. calcular os números índices de Laspeyres e Paasche para 1976 para os três bens. tendo como ano-base 1975.00 1043. Complete a sentença: “de acordo com a corrente _________________ a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica de alimentos. 2.919 Sal. A tabela abaixo apresenta o índice de produção industrial para o Brasil no período de 1975-1980.8 3. Min.928 23. Preço e consumo de três bens em Palmeira das Missões. Anos Sal.6 1979 2.4 1976 768.560.80 279.654 1986 804.000 41.5 115. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações.8 132.8 142.49 d) custos – procura agregada e) nenhuma das anteriores 10. 2. Obter uma nova série adotando 1977 como ano-base.30 0.788 11.” a) monetarista b) fiscalista c) estruturalista d) clássica e) nenhuma das anteriores Questões Aplicadas: 1.00 2105.568.578 8.38 30 35 Pão 500 g 0.90 1. reais 1985 600.7 Ovos Dúzia 0. calcule o salário real. Expresse sua opinião. A partir dos valores nominais dos salários. como por exemplo.25 0.3 1982 23.788.8 1978 1.35 3.80 55. Min.

Princípio do benefício recebido: um tributo é justo quando cada contribuinte paga ao Estado um montante diretamente relacionado com os benefícios que recebe do governo. Bens Meritórios = podem ser explorados pela iniciativa privada. Riscos pesados = governo interfere porque empresa privada pode correr riscos. não interferindo nas decisões de alocações de recursos tomadas como base no mecanismo de mercado. A equidade pode ser avaliada sob duas maneiras: . Exemplo: serviços públicos que utilizam taxas específicas para o seu financiamento. A neutralidade do ponto de vista da alocação dos recursos deveria ser complementada pela equidade na repartição da carga tributária. uma preocupação com a “equidade vertical”. ESTRUTURA TRIBUTÁRIA A teoria da tributação envolve dois princípios fundamentais: neutralidade e equidade. Bens públicos ou coletivos = têm por característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo Princípio de exclusão: quando o consumo do indivíduo A por um determinado bem que pagou.Princípio da neutralidade: Quando a ação captadora de recursos do governo não altera os preços relativos da economia e assim. em termos de contribuição. Outros exemplos de instituir tributos de forma que funcionem como financiamento de determinados programas do governo são a cobrança de um imposto sobre combustíveis. Política fiscal: Tendo como instrumentos os gastos e a receita tributária. 1. para financiar a construção de . mas podem e devem ser também explorados pelo governo. Monopólios Naturais = governo atua para assegurar preços razoáveis. aos indivíduos iguais – um critério de “equidade horizontal”. Função Distributiva: governo atua como agente redistribuidor de renda. 2.Princípio da eqüidade: a distribuição do ônus do imposto de maneira justa entre os indivíduos. enquanto os desiguais serão diferenciados segundo algum critério a ser estabelecido. . exclui o consumo do indivíduo B que não pagou pelo bem. AS FUNÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR PÚBLICO Função Alocativa: está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos pelo sistema de mercado. Função Estabilizadora: governo pode alterar o comportamento dos níveis de preços e de emprego. isto é. a política fiscal consiste em tentar expandir a atividade econômica com o objetivo de criar mais empregos.50 CAPÍTULO 4 – SETOR PÚBLICO O que veremos? Funções do Setor Público Receita do Setor Público Gastos do Setor Público Aspectos Institucionais do Orçamento Público Finanças Públicas = setor que controla a massa de dinheiro e de crédito que o governo federal e os órgãos a ele subordinados movimentam em um país. dar um mesmo tratamento. Dificuldade: como individualizar os benefícios a partir do funcionamento de bens públicos. ou seja. . através da tributação que retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade e os transfere para os menos favorecidos.

é aquele que incide sobre renda e riqueza. Tarifas: é um instrumento utilizado na cobrança do imposto de importação. Ex: PIS. podem ser estruturados em: impostos regressivos. .Proporcional (neutro): a relação entre a carga tributária e o nível de renda permanece constante. Todos pagam a mesma percentagem sobre a renda e não o mesmo valor. Taxas: é um tributo vinculado. FINSOCIAL e COFINS. . . Impostos: tributo cuja obrigação tem por fator gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal. específico: valor em R$ fixado). 2. Ex: imposto de alíquota única. 4. 3. porque seu fato gerador é sempre uma atuação do Estado.51 rodovias. ou a possibilidade de uma referência direta à sua pessoa. É aquele que incide sobre transações de mercadorias e serviços e que podem ser ou ad valorem ou específicos (Ad valorem: alíquota % fixada. referida ao obrigado. . e os impostos sobre consumo de energia elétrica. para financiar investimentos no setor. Quem ganha mais paga menos. .Principio da capacidade de pagamento: cada agente deveria pagar tributos conforme sua capacidade de pagamento. impostos progressivos e impostos proporcionais. Ex: 10% de imposto sobre o preço de venda de TVs. OS TRIBUTOS E SUA CLASSIFICAÇÃO Tipos de Tributos 1. Todos os impostos indiretos. Quem ganha mais. em geral desempenhada tendo em vista sua pessoa. Ex: IR. b) impostos indiretos: a pessoa que recolhe o tributo não arca totalmente com o seu ônus. . 3. Contribuições fiscais: um tributo é fiscal quando sua cobrança não visa senão a arrecadação de recursos financeiros para os cofres públicos e objetivam a sustentação dos encargos que são próprios do órgão central da administração. Medidas da capacidade de pagamento: renda. Existem dois tipos de impostos: a) impostos diretos: a pessoa que recolhe o tributo é a mesma que arca com o seu ônus. Além disso.Regressivos: A relação entre carga tributária e renda decresce com o aumento do nível de renda.Contribuição extrafiscal: utilizadas para tributar externalidades. paga um percentual maior sobre a renda.Progressivo: a relação entre carga tributária e renda cresce com o aumento no nível de renda. consumo e patrimônio. .Contribuição parafiscais: se destinam à sustentação de encargos paralelos aos da administração pública direta.

financeira .Impostos e esferas de Governo: Impostos Federais Impostos Estaduais Imposto de renda (IR) Impostos Municipais Imposto sobre circulação de Impostos sobre a propriedade mercadorias e prestação de predial e territorial urbana serviços (ICMS) (IPTU) automotores “Inter Vivos” de bens imóveis e direitos a eles relativos (ITBI) de Mortis Transmissão Imposto e sobre serviço de Imposto de Exportação Imposto sobre a propriedade Imposto sobre a transmissão de veículos (IPVA) Imposto de Importação Imposto Causa (ITCMD) Doação qualquer natureza (ISSQN) Imposto Imposto sobre sobre operação produtos financeira (IOF) industrializados (IPI) Contribuição provisória sobre movimentação (CPMF) Imposto territorial rural (ITR) Cide-Combustíveis A seguir são mostradas tabelas com a arrecadação federal para o período de janeiro a outubro de 2005 e de 2006.52 Quadro 5 .

53 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda .

br/ .54 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda Para outras informações sobre arrecadação ver: http://www.gov.fazenda.receita.

942. ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO ORÇAMENTO PÚBLICO Com a Constituição Federal de 1988. DÉFICIT PÚBLICO O dispêndio do governo é decomposto em Gastos em geral (DC + DK) + Juros sobre a dívida interna e externa.0% 2.55 4. São subdivididos em despesas de custeio e transferências.gov. Após o ano de 2000. Despesas de capital (DK) = implicam num aumento do patrimônio do governo.5% 1. A tabela abaixo mostra a representatividade em termos do PIB da dívida do setor público brasileiro para os anos de 2004 e 2005. São subdivididos em investimentos. inversões financeiras e transferências de capital. 5. A venda de títulos da dívida não gera inflação. Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA).2% 7. a Lei de Responsabilidade Fiscal. 5 O quadro abaixo explica como é feito o orçamento.Dívida Líquida do Setor Público (% em relação ao PIB) 2004 Div. Externa PIB (R$ mi) FONTE: Bacen 2005 51. Dicas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”. Líquida Total Div. 5 Para mais informações sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal ver “Gestão Fiscal Responsável.193 51. OS GASTOS DO SETOR PÚBLICO Por categorias Econômicas: Despesas Correntes (DC) = não resultam acréscimo ao patrimônio do governo.7% 44.851.6% 1.Déficit Nominal = Receitas – Despesas. o sistema orçamentário federal passou a ser regulado por três leis: Lei do Plano Plurinanual (PPA). mas aumenta a dívida uma vez que a os títulos são remunerados pelas taxa de juros vigentes na economia. Disponível: http://www. Interna Div.Despesas .6% 49.Déficit Primário = Receitas .planejamento. FINANCIAMENTO DO DÉFICIT O déficit do governo pode ser financiado pela emissão de moeda ou pela venda de títulos da dívida pública ao setor privado (interno e externo). A primeira alternativa é vista com receio porque pode gerar inflação na economia através do estímulo ao consumo. incluindo inflação e juros sobre dívida anterior .980 7.br/lrf/conteudo/publicacoes/dicas.Déficit Operacional = Receitas – Despesas + juros reais dívida passada 6.htm . Conceitos de déficit: . Tabela 3 .

a Secretaria de Orçamento Federal elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte. dispõe sobre alteração na legislação tributária. As ações dos governos estaduais e municipais devem estar registradas nas leis orçamentárias dos Estados e municípios. o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional projeto de lei de crédito adicional. O PPA estabelece a ligação entre as prioridades de longo prazo e a Lei Orçamentária Anual. Com base na LDO aprovada pelo Legislativo. FONTE: Ministério do Planejamento.Desvinculação de Recursos da União. o Projeto de Lei do PPA deve conter "as diretrizes. crises econômicas mundiais como aquelas que ocorreram na Rússia e Ásia obrigaram o Poder Executivo a editar Decretos com limites financeiros de gastos abaixo dos limites aprovados pelo Congresso. receitas próprias de entidades. clique no endereço www. Por outro lado. O Orçamento brasileiro tem um alto grau de vinculações . A Lei Orçamentária brasileira estima as receitas e autoriza as despesas de acordo com a previsão de arrecadação. Depois de aprovado. Por determinação constitucional.Um País de Todos.br) . A Constituição Federal de 1988 atribui ao Poder Executivo a responsabilidade pelo sistema de Planejamento e Orçamento que tem a iniciativa dos seguintes projetos de lei: Plano Plurianual (PPA) De Diretrizes Orçamentárias (LDO) De Orçamento Anual (LOA) O Projeto de Lei do PPA define as prioridades do governo por um período de quatro anos e deve ser enviado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato.br. Nenhuma despesa pública pode ser executada fora do Orçamento. na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. Se durante o exercício financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está previsto na Lei. o projeto é sancionado pelo Presidente da República e se transforma em Lei. A Lei de Responsabilidade Fiscal. fazem as modificações que julgam necessárias através das emendas e votam o projeto. dos Estados e municípios. manutenção do ensino. proibição de criar despesas de duração continuada sem uma fonte segura de receitas. No Congresso. De acordo com a Constituição Federal. da Seguridade e pelo Orçamento de Investimento das empresas estatais federais. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano. seguridade social. A Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura. as prioridades contidas no PPA e as metas que deverão ser atingidas naquele ano. aprovada em 2000 pelo Congresso Nacional introduziu novas responsabilidades para o administrador público com relação aos orçamentos da União. A LDO estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro subsequente. A Lei Orçamentária disciplina todas as ações do governo federal. Legislativo e Judiciário. Acompanha o projeto uma Mensagem do Presidente da República.planobrasil. mas nem tudo é feito pelo governo federal. Orçamento e Gestão (http://www. estabelece a política de aplicação das agências financeiras de fomento. o que irá trazer maior flexibilidade à execução orçamentária.gov. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada".56 COMO É FEITO O ORÇAMENTO O Orçamento Geral da União (OGU) é formado pelo Orçamento Fiscal. entre outros. como limite de gastos com pessoal.planejamento. etc que tornam o processo orçamentário extremamente rígido. São chamados de Decretos de Contingenciamento em que são autorizadas despesas no limite das receitas arrecadadas. em conjunto com os Ministérios e as unidades orçamentárias dos poderes Legislativo e Judiciário. orienta a elaboração do Orçamento.gov. A Lei introduziu a restrição orçamentária na legislação brasileira e cria a disciplina fiscal para os três poderes: Executivo. através de emenda constitutucional. O governo define no Projeto de Lei Orçamentária Anual. deputados e senadores discutem na Comissão Mista de Orçamentos e Planos a proposta enviada pelo Executivo. Para saber mais sobre o PPA 2004-2007 que tomou o nome de Plano Brasil .transferências constitucionais para Estados e municípios. o governo é obrigado a encaminhar o Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. Esse excesso de vinculações e carimbos ao Orçamento levou o governo federal a propor a DRU .

e primário. segundo o conceito operacional. Explique o que significa cada uma delas e diga qual é a predominante para o caso da economia brasileira. Cite e explique os dois princípios fundamentais da tributação. ( ) o governo possui dois principais tipos de gastos: gastos públicos e gastos correntes. l. Questões Conceituais: 1. ( ) o superávit primário é considerado como sendo a diferença entre a receita e os gastos com juros do Governo. É possível o setor público desempenhar todas as suas funções de maneira harmônica? Comente. Classifique os impostos abaixo em imposto direto (D) ou imposto indireto (I): ( ) ICMS ( ) IPI ( ) IPTU ( ) CPMF ( ) IPVA ( ) ITR . Os Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados ao Estado. FISCALIZAÇÃO O Tribunal de Contas da União (TCU) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados à União. h. ( ) a estrutura tributária brasileira beneficia a classe de renda mais baixa por estar baseada em altas alíquotas de imposto de renda e baixas alíquotas de impostos sobre o consumo. a cidade de São Paulo. 5. ( ) se. justificando quando falso: a. Ex: Banrisul. e. c. que podem ser nominal ou total. d. por exemplo. ( ) o imposto sobre produtos industrializados pode ser caracterizado como imposto direto j. incluem-se os juros bem como as despesas com correção monetária das dívidas interna e externa k. Alguns municípios têm Tribunal de Contas próprio. ( ) o ICMS é tipicamente um imposto direto. com o aumento das alíquotas do imposto sobre a renda das famílias forem gerados recursos adicionais utilizados para maiores gastos sociais pelo governo.( ) no cálculo do déficit público. ( ) o conceito de déficit primário inclui os juros pagos de dívida passada. b. Quando o governo gasta mais do que arrecada suas contas entram em déficit. O déficit do setor público pode ser financiado? Explique quais são as alternativas. f. ( ) quanto maior for o PIB menor será a carga tributária. 3. ( ) a carga tributária é obtida da relação entre o PIB e o total de arrecadação do governo. operacional. O que diferencia cada um deles. a demanda agregada não variará. 7. A estrutura tributária pode ser regressiva. 6. ( ) os chamados impostos indiretos têm essa denominação por incidirem sobre a renda e a riqueza dos indivíduos. g. 2. Coloque F (falso) ou V (verdadeiro). 4. ( ) os bens públicos são consumidos individualmente e seu benefício para cada cidadão é difícil de ser medido. progressiva e proporcional. i.57 8.

a receita de vendas. como bem intermediário para uma empresa. sendo difícil aferi-lo a partir do fabricante. O CONCEITO DE VALOR ADICIONADO: O PRODUTO NACIONAL O conceito de valor adicionado é entendido como: Valor Adicionado = Valor Bruto de Produção (VBP) – Consumo de Produtos Intermediários (matérias-primas e componentes) O Valor Bruto de produção (VBP): é o faturamento. Por exemplo. Retirando da receita de vendas os gastos com a compra de bens intermediários.e.. i.000 = RN 0 100 100 Farinha 400 1.000 400 PN=DN=1.58 CAPÍTULO 5 – CONCEITO E CÁLCULO DOS AGREGADOS MACROECONÔMICOS O que veremos? Valor adicionado. ou lucros. já que a conceituação de bem final não é muito simples. renda e dispêndio Produto. O conceito de valor adicionado é uma forma alternativa e a mais operacional para medir o produto e a renda nacional do que diretamente pela soma de produtos finais. sem discriminar quanto foi pago em salários. Trigo (a) receita de vendas (VBP) (b) Compras intermediárias Valor adicionado (a-b) Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo) Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha) Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão) 100 + 300 + 600 =1. de cada setor produtivo. ou aluguéis. utilizaremos a produção de pão. Renda e Dispêndio 1. o que sobra é a remuneração dos fatores de produção de cada setor.000 Pão O problema de dupla contagem no cálculo do produto pode ser resolvido de duas formas: . mas o valor total. Para exemplificar o conceito de valor adicionado. depende do uso que se fará posteriormente. a gasolina vendida nos postos pode ser utilizada tanto como bem final para o consumidor. ou juros. renda e dispêndio: da economia fechada à economia aberta Informações Conjunturais sobre o PIB no Brasil Problemas com as medidas agregadas Conceitos Básicos: Valor Adicionado.

somente o valor dos bens e serviços finais. As nações produzem bens e serviços que se destinam a duas grandes categorias de dispêndio nacional . ENTÃO: A IDENTIDADE BÁSICA DAS CONTAS NACIONAIS: PN = RN = DN Para que essa tríplice igualdade se realize. máquinas e equipamentos. O CONCEITO DE RENDA NACIONAL(RN) A Renda Nacional é a soma dos pagamentos feitos aos fatores de produção que foram utilizados para a obtenção do produto nacional. Ou seja. A renda. não consumida. Assim. 2. ou seja. que é o produto final (não é utilizado para a produção de outros bens). PRODUÇÃO VT da produção de arroz 600 VT da produção de soja 400 RENDA Total de pgtos de: w aluguel Juros pagos Lucro Total 1000 Total 800 80 20 100 1000 OBS: não incorpora os insumos intermediários 3. e capital de giro = para produzir arroz e soja. computar. 2. O valor adicionado está diretamente relacionado ao segundo conceito macroeconômico básico: o de renda nacional (remunerações pagas aos fatores de produção mobilizados pelas empresas. é igual ao dispêndio nacional. somente seria computado o valor dos pães. terra. somente os valores adicionados em cada etapa do processo de produção. CONCEITO DE DESPESA NACIONAL(DN) Um terceiro conceito diz respeito à destinação que é dada ao produto e à renda nacional.o consumo e a acumulação. empresas. Por que isso ocorre? . consumidores. EXEMPLO: Empresa agrícola que use trabalho. na apuração do produto. que conduzem a mensurações iguais. No exemplo. governo e estrangeiros. lucros. o produto e o dispêndio nacional são expressões contabilmente equivalentes. na apuração do produto. São três abordagens diferentes de avaliação. aluguéis) pelo moinho e pela padaria. o Produto nacional também pode ser medido pela ótica das despesas realizadas pelos agentes. juros. seriam computados o valor da produção do trigo na fazenda e os valores agregados (de salários. o total de investimento em acumulação deve se igualar ao total de renda poupada. computar. A soma do consumo e da acumulação está representada pelos investimentos em bens de capital. O exemplo acima mostra o método do valor adicionado.59 1.

todas as decisões partem das famílias. não incluem o custo dos insumos intermediários. ou seja. As empresas que são de propriedade de seus acionistas são abstrações jurídicas. Por que considerar apenas os bens finais? Se forem somados os valores brutos da produção de bens e serviços de todas as unidades produtivas do país. que se compensam na agregação das unidades produtoras. a empresa vende tudo o que produz. SEM GOVERNO E SEM FORMAÇÃO DE CAPITAL . representado o local onde se organiza a produção. só se consideram os bens finais e os custos de produção das empresas no sistema agregado. Produção (PN) = Vendas (DN) Como no agregado são excluídas as compras de bens intermediários. aluguéis. pode-se incorrer no chamado erro de dupla ou múltipla contagem. as famílias — pessoas físicas — . Fluxo circular da renda Pagamento de bens e serviços Bens e serviços FAMÍLIAS EMPRESAS Fatores produtivos Salários. Então. o dos pães produzidos pela padaria. aluguéis. são transações de empresas a empresas. são três diferentes óticas conceitualmente diferentes para medir a atividade econômica. mas conduzindo ao mesmo resultado numérico. componentes. juros e lucros As famílias entregam às empresas os fatores de produção e. Assim. o da farinha produzida pelo moinho. ou seja. juros. sem formação de capital e fechada não existem estoques. Por exemplo: se forem somados o valor da produção de trigo da fazenda. o da farinha produzida pelo moinho duas vezes e o dos pães produzidos pela padaria uma vez. Como os gastos das empresas com fatores de produção é a própria Renda Nacional. estariam somados o valor do trigo da fazenda três vezes. Para sua sobrevivência.Dois agentes econômicos: empresas e indivíduos Nesse sistema simplificado. em troca. recebem salários. PRIMEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. aluguéis e lucros. a empresa gasta com pagamentos a fatores de produção tudo o que recebe pela venda de bens e serviços que são os salários. segue que: PN= DN= RN Ou seja. Os bens intermediários. juros e lucros.60 Nesse nosso modelo simplificado de economia sem governo. como matérias-primas. energia são insumos que entram no processamento de outros bens.

isto é. o investimento pode ser definido como: . juros (j). são identificados dois fluxos: um de produtos (bens e serviços) e outro de renda (salários. i. juros e lucros). e serviços dos fatores de produção. Há uma equivalência entre o fluxo de dispêndio de bens e serviços finais (produtos) e o fluxo da remuneração dos fatores produtivos. . Para adquirir esses bens e serviços. bens de consumo: consumidos como um fim em si mesmo. aluguéis. juros e lucros. consideraremos agora que as famílias poupam e as empresas adquirem bens de capital. parte não é gasta em bens de consumo. Mas. pelo fornecimento de bens e serviços. j. Pelo lado das famílias.61 precisam adquirir bens e serviços produzidos pelas empresas. Esses fluxos caracterizam o que conhecemos como fluxo circular da renda. Daí surge a identidade renda ≡ produto. em troca.. a necessidade de introduzir dois novos conceitos: CONCEITO DE POUPANÇA: Poupança = parcela da renda não consumida no período. l). SEGUNDA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. as famílias cederão. Isso é o que ocorre no dia-a-dia da economia. trata-se de rendimentos. e têm como objetivo aumentar a riqueza da nação. O fluxo monetário representa a contrapartida pelo fluxo real. aluguéis. SEM GOVERNO E COM FORMAÇÃO DE CAPITAL Até aqui consideramos que as famílias apenas consomem e que as firmas só produzem bens que são consumidos pelas famílias (bens de consumo).o fluxo monetário.e. proprietárias dos fatores de produção. aquilo que receberam como salários. representam custos de produção. fazendo parte da produção.e. a. O fluxo monetário é medido pelo dispêndio das famílias em bens e serviços finais produzidos pelas empresas ou pela remuneração percebidas pelas famílias em troca dos fatores de produção.C onde C= Consumo Agregado CONCEITO DE INVESTIMENTO: O Produto Nacional é composto por dois tipos de bens: 1. i. 2. S= RN .. Nesse processo. aluguéis (a) e lucros (l). bens de investimentos: não são consumidos.o gasto em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia (Taxa de acumulação de capital). O fluxo circular da renda pode ser analisado sob o ponto de vista do fluxo real (fluxo de fatores de produção e fluxo de bens e serviços finais) ou de sua expressão em moeda . Então. A remuneração dos fatores de produção constitui-se de: salários (w). sua capacidade produtiva. pelo ângulo das empresas. da renda gerada (w. Disso.

Do total de produto e renda gerados. Com a presença do governo no modelo simples de economia. Subsídios (Sub).). diferentemente dos bens de consumo. equipamentos e imóveis: investimento em bens de capital (Ibk). Transferências (Tr). . . mas que não foram consumidos no próprio período e que serão utilizados para consumo futuro. parte será destinada para os bens de consumo final e outra para bens de consumo duráveis e investimentos.Receitas não tributárias: contribuições à previdência social com os encargos trabalhistas e outras receitas do governo como taxas (pedágios. até virar sucata. os componentes do Investimento são: I = Ibk + ∆E A distinção entre Ibk e ∆E é necessária: Ibk : é deliberada e planejada ∆ E: não é planejada e depende das oscilações de mercado. Incluindo ainda os subsídios (Sub). têm-se a introdução de dois novos conceitos: PN a custo de fatores (PNcf) = medido a partir dos valores que refletem os custos de produção. IMPORTANTE: .Receitas tributárias: com impostos indiretos (Ti) como ICMS e IPI e impostos diretos (Td) como IR. Adicionando o custo dos tributos indiretos (Ti). em parcelas.Se a arrecadação do Governo superar os gastos: superávit primário ou fiscal. em dado período. no sentido de que sofre um desgaste. PN a preços de mercado (PNpm) = medido a partir dos valores transacionados no mercado. Ou seja. ou seja: I = PN – C Quais bens são produzidos e não consumidos no período? 1. variação de estoques (produtos acabados e intermediários): ∆E Assim. Investimento (I).o gasto em bens produzidos.Se os gastos do Governo superaram a arrecadação: déficit primário ou fiscal.62 . empresas e governo O governo obtém sua renda através: . O CONCEITO DE DEPRECIAÇÃO: A depreciação (d) é o consumo do estoque de capital físico. multas e etc. . o bem de capital é consumido. IPTU e ITR. O governo gasta suas rendas em: Consumo (C). a remuneração aos fatores (w + j+ a + l). Isso permite introduzir outros conceitos: Investimento líquido (IL) = IB – d Produto Nacional Liquido (PNL) = PNB – d O dispêndio passa a ser dividido agora em gastos com consumo e gastos com a acumulação. TERCEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E AINDA FECHADA Agentes: famílias. só que. 2. máquinas.

Somam-se aqui as transferências do governo para a sociedade como por exemplo o pagamento de aposentadoria. Renda pessoal Disponível: montante de recursos financeiros de que as famílias e empresas individuais podem dispor após o cumprimento de suas obrigações fiscais para com o governo. renda e dispêndio são: PNB – depreciação – PNLpm . CONCEITO DE IMPORTAÇÃO (M): são nossas compras com bens e serviços do exterior. Obs: A partir da consideração do resto mundo no nosso modelo simplificado de economia. ENTÃO O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA AGORA: SUBSÍDIOS EMPRESAS TRIBUTOS GOVERNO FP TRANSFERÊNCIAS REMUNERAÇÃO DOS FATORES TRIBUTOS FAMÍLIAS Os impactos da presença do governo nos conceitos e nos fluxos de produto. os gastos do setor externo com nossas empresas. CONCEITO DE EXPORTAÇÃO (X): são as compras dos estrangeiros de nossos bens e serviços. quanto gastamos com o resto do mundo. já que agora temos que levar em consideração que alguns fatores utilizados no processo produtivo são de propriedade de residentes no exterior. Da mesma forma que alguns residentes no país tem fatores de produção que são utilizados em outros países. Renda Pessoal: quantias recebidas pelas famílias e empresas individuais. . temos: o produto nacional difere do produto interno.tributos indiretos líquidos = PNLcf = Renda Nacional – tributos diretos líquidos = renda pessoal disponível (que será gasta em consumo ou em acumulação) QUARTA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E ABERTA Agrega com isso as variáveis relativas a uma economia aberta para o resto do mundo. ou seja.63 Temos: PNcf: PNpm – Ti + Sub PNpm: PNcf + Ti – Sub Outros ajustamentos na renda nacional que levam aos conceitos de Renda Pessoal e de Renda Pessoal Disponível. Parte da renda gerada no país que vaza para fora.

royalties. como a RLFE é negativa.RENDA RECEBIDA DO EXTERIOR (RR): recebemos renda devido à produção de nossas empresas operando no exterior. inclui-se no primeiro caso. Divide-se em: . devido às altas remessas de juros.RENDA ENVIADA AO EXTERIOR (RE): parte do que foi produzido internamente não pertence aos nacionais. então: PNB > PIB O Brasil bem como a quase totalidade dos países emergentes. temos que RE < RR. A remuneração desses fatores vai para fora do país. O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA : RE AO EXTERIOR EMPRESAS GOVERNO FAMÍLIAS RESTO DO MUNDO RR DO EXTERIOR . principalmente o capital e a tecnologia. lucros e royalties aos estrangeiros. . incluindo a renda recebida de nossas empresas no exterior. na forma de remessa de lucros. em que o PIB supera o PNB. Assim: RLFE = RR – RE Teremos então o conceito de: PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB): renda que pertence efetivamente aos nacionais. temos que RLFE < 0. e excluindo a renda enviada para o exterior pelas empresas estrangeiras localizadas no Brasil. Aqui. RENDA LÍQUIDA DE FATORES EXTERNOS (RLFE): é a remuneração dos gastos dos ativos pertencentes a estrangeiros. não importando quem obtenha a renda. é necessário fazer a distinção dos seguintes conceitos: PRODUTO INTERNO BRUTO = mede a renda que é produzida dentro das fronteiras nacionais.64 No modelo de economia aberta ao resto do mundo. Portanto: PNB = PIB + RLFE (PNB = PIB + RR – RE) E PIB = PNB – RLFE (PIB= PNB . então: PNB < PIB RLFE > 0.RR + RE) Se: RE > RR. juros e assistência técnica. ela é chamada de Renda Líquida Enviada ao Exterior.

Os lançamentos das transações são feitos de acordo com o método das partidas dobradas (débito e crédito). por três óticas: do produto. empresas.65 No modelo completo de economia. setor público e setor externo). PIB = mede o total do valor adicionado produzido por firmas operando no país. incluindo os impostos indiretos (menos os subsídios) e. as rendas recebidas pelas famílias e . relativas à produção.Conta Transações Correntes com o resto do mundo. o que as empresas receberam dos agentes que adquiriram os bens e serviços finais. nacionais e importados. Preços a custos de fatores: (PIBcf: PIBpm – Ti + sub) Preço de mercado: (PNpm: PNcf + Ti – sub) PIL = PIB – d RIL = RIB – d PNB = (valor produção – valor dos consumos intermediários) + RLFE RNB = soma das remunerações dos fatores de produção pagas a residentes. . no lado do crédito. no lado do crédito. da renda e da despesa: Ótica do produto: PIB = Valor da produção – Valor Consumos intermediários Ótica da renda: RIB = soma das remuneração aos fatores de produção Ótica da despesa: DIB = soma dos gastos finais na economia em bens e serviços. apropriação ou (utilização) da renda e acumulação (ou formação de capital) dos agentes econômicos (famílias. Conta da renda nacional disponível líquida: no lado do débito está como as famílias e o governo utilizam a renda recebida e. Por exemplo: Conta do produto interno bruto: temos no lado do débito o pagamento das unidades produtivas aos fatores de produção. . Na forma original. RIB = mede a contribuição dos fatores de produção independentemente da nacionalidade dos possuidores desses fatores.Conta Renda Nacional Disponível Líquida (apropriação). independente da origem de seu capital. os conceitos convencionais dos agregados macroeconômicos são: PIB – renda liquida enviada ao exterior = PNB – depreciação = PNLpm – tributos indiretos menos subsísios = renda nacional – tributos diretos menos transferência = renda pessoal disponível. . o sistema de contas nacionais é baseado em quatro contas. . Resumo: Em Contas Nacionais o acompanhamento dos fluxos de produção.Conta de Capital. A CONTABILIDADE SOCIAL Os agregados macroeconômicos que discutimos até agora são calculados com base em dois sistemas principais de contabilidade social: o Sistema de Contas Nacionais e a Matriz de Insumo-Produto.Conta Produto Interno Bruto (produção). geração da renda e de despesa num período permite que se calcule o valor adicionado bruto ou produto interno bruto de uma economia.

bem como a poupança externa. ou seja. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula o PIB e apresenta o resultado anual na periodicidade de trimestres. Os subsídios e a depreciação entram com sinal negativo. no lado do crédito. e. estão os gastos com a formação de capital. Na nova metodologia o sistema é composto pelas Tabelas de Usos e Recursos de Bens e Serviços (TRU) e pelas chamadas Contas Econômicas Integradas (CEI). incluindo a depreciação. Conta de capital: no débito.66 pelo governo mais o resultado líquido dos recebimentos e das transferências com o exterior. a fonte de recursos para os investimentos. a poupança dos agentes econômicos. estão as compras realizadas por residentes de bens e serviços produzidos no exterior (importações CIF) e os pagamentos e as transferências pagas aos não-residentes. Conta transações correntes com o resto do mundo: no lado do débito estão os gastos dos não-residentes com os bens produzidos internamente (exportações CIF). No lado do crédito. No Brasil. . Veja a tabela abaixo que mostra a composição do PIB sob as três óticas. os rendimentos e as transferências recebidas do resto do mundo.

67 Composição do Produto Interno Bruto sob as três óticas – 1999 a 2003 .

2 3.br).Tabela 7 3.2 3º Trim 2006 2. Produto Interno Bruto per capita.3 2º Trim 2006 2. julho/setembro 2006 (disponível: http://www.Tabela 2 Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) .2 1. 3º Trim 2005 2. Coordenação de Contas Nacionais Para outras informações sobre o PIB brasileiro ver Indicadores IBGE.3 1º Trim 2006 3. .4 1.4 3. Contas Nacionais Trimestrais.4 0.68 Produto Interno Bruto.7 2.1 1.2 (-) 1.5 Taxas (% ) Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior . a seguir.5 Fonte: IBGE.Tabela 4 Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior .6 4º Trim 2005 2. Diretoria de Pesquisas. Indicadores de Volume.3 2.Tabela 3 Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores .3 1.0 1. população residente e deflator implícito do PIB – 1999 a 2003 A Tabela Resumo.2 0.1 2.3 1.ibge. apresenta os principais resultados para o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado referentes aos cinco últimos trimestres.gov.

a renda enviada (RE) supera a renda recebida (RR) do exterior. 4.As comparações internacionais . o que faz com que tenhamos uma renda líquida de fatores externos (RLFE) negativa.00 25. A tabela a seguir contém dados de dois anos diferentes. Comente os principais problemas com as medidas agregadas da economia.Produto nacional como medida do padrão de bem-estar Questões conceituais: 1. responda: a) Costuma-se fazer uma distinção entre “crescimento” e “desenvolvimento” econômico. calcule as seguintes estatísticas: PIB nominal dos dois anos.Variações reais ou variações nominais . 5. O que representa o PIB e o PIB per capita de uma economia? 2.00 Quantidade 110 510.00 12.000 Automóveis Pão a) Tomando 2000 como ano-base.000 Ano 2010 Preço ($) 70.Questão da economia subterrânea: atividades gerais do cotidiano. O padeiro usa a farinha para fazer o pão. O que é valor adicionado (VA)? Exemplifique. e vende o pão a um engenheiro por $6. Observe a seguinte passagem: “Transformar crescimento econômico em bem-estar para todos é o grande desafio enfrentado pelos diversos países e suas comunidades. atividades informais e etc.69 ALGUNS PROBLEMAS COM AS MEDIDAS DE RENDA E DO PRODUTO . PIB real do ano de 2010 e taxa de crescimento real. Questões Aplicadas: 1.Tributos diretos 80 . 4.Subsídios empresas privadas 10 . O engenheiro come o pão. Qual é a diferença entre Produto Nacional Bruto (PNB) e Produto Interno Bruto (PIB)? Explique. . na redução das desigualdades existentes nas sociedades nacionais e entre elas”.00. Considere uma economia que produz e consome pão e automóveis. Ano 2000 Preço ($) 60. Qual o maior: o PNB ou o PIB? Comente. qual seria a diferença entre esses dois conceitos? b) Um Produto Interno Bruto (PIB) elevado reflete necessariamente um país com bons indicadores de desenvolvimento humano e econômico? Justifique sua resposta. Um agricultor colhe um hectare de trigo e vende a um moleiro por $1. Qual é o valor agregado por cada pessoa? Qual é o PIB? 3.00. O moleiro transforma o trigo em farinha. Considerando a citação acima.Tributos indiretos 100 .PIB 870 .000.00. Dados em bilhões de R$: . (fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD) Levando em consideração essa assertiva.00 Quantidade 130 410.Pagamento Aposentadoria 40 . e depois vende a farinha a um padeiro por $3.000. 3. No Brasil. 2.

Renda enviada ao exterior 07 Pede-se: a) PIBpm = 870+ Ti-Suib = 870 + 100 – 10= 960 b) PNBpm = PIB + RLE = 960 + (-5) = 955 c) PNLcf = 955 – d – Ti + sub = 955 – 25 – 100 + 10 = 840 d)RPD = 840 – Td + Tr = 840 – 80 +40 = 800 5.000.000. foi de 120. Pergunta-se: qual é a taxa de crescimento real do PIB no período? Explique.520.000 1.Renda recebida exterior 02 .980.70 .000 O Índice de Laspeyres. tendo 1990 como ano-base.Depreciação ativos fixos 25 . Uma economia hipotética apresentou os seguintes resultados para o PIB nominal: Ano 1990 Ano 1995 PIB nominal (R$) 1. .

e os aspectos macroeconômicos. o custo de produção de tecidos em Portugal é maior que o da produção de vinho. na Inglaterra. . como a diversidade de condições de produção (a Noruega dificilmente produzirá bananas). relativos à taxa de câmbio. explica-se a especialização dos países na produção de bens diferentes. esse mesmo país deverá importar aqueles bens cuja produção implicar custo relativamente maior (cuja produção é relativamente menos eficiente). 1. TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL O que leva os países a comercializarem entre si? Muitas explicações podem ser levantadas. a mercadoria a ser exportada. portanto. Essa será. Ricardo considera um ambiente de concorrência perfeita. tanto em relação aos produtos como no que concerne ao mercado de fatores. Implicitamente. costuma-se dividir as questões teóricas em dois grandes blocos: os aspectos microeconômicos. Relativamente. os dois países obtêm benefícios ao especializar-se na produção da mercadoria em que possuem vantagem comparativa. Por outro lado. a partir da qual concretiza-se o processo de troca entre eles. Através de coeficientes técnicos fixos de produção. Portugal é mais produtivo na produção de ambas as mercadorias. Segundo Ricardo. aos termos de troca e ao balanço de pagamentos. entretanto. Comparativamente.71 CAPÍTULO 6 – A ECONOMIA NACIONAL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS O Que veremos? Teoria das trocas internacionais Taxa de Câmbio Balanço de Pagamentos Instrumentos de Ajuste dos Fluxos Externos Organismos Internacionais FUNDAMENTOS DE ECONOMIA INTERNACIONAL Dentro da Economia Internacional. Portugal tem vantagem relativa na produção de vinho e a Inglaterra na produção de tecido. Uma característica importante desse modelo é a inexistência de mobilidade internacional da mão-de-obra. conforme o quadro: QUANTIDADE DE HOMENS/HORA PARA A PRODUÇÃO DE UMA UNIDADE DE MERCADORIA Tecido Vinho Inglaterra 100 120 Portugal 90 80 Em termos absolutos. um exemplo numérico. ou a possibilidade de redução de custos (a obtenção de economias de escala) na produção de determinado bem comercializado em um mercado global. No seu modelo. ou a teoria do comércio internacional. dois produtos (tecido e vinho) e apenas um fator de produção (mão-de-obra). Desse modo. existem 2 países (Inglaterra e Portugal). A teoria clássica do comércio internacional A Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada de modo bastante simples por David Ricardo. Os economistas clássicos forneceram a explicação teórica básica para o comércio internacional através do princípio das vantagens comparativas. o custo da produção de vinho é maior que o da produção de tecidos. obtém-se a produção dos bens mencionados. O princípio das vantagens comparativas sugere que cada país deva se especializar na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor).

poupando. Os países exportarão e se especializarão na produção dos bens cujo custo for comparativamente menor em relação aos demais países. Os benefícios da especialização e do comércio podem ser observados ao se comparar uma situação sem e com comércio internacional. que existem trocas internacionais. não dando atenção à evolução das estruturas de oferta e demanda. a Inglaterra deverá se especializar na produção de tecidos. supondo uma dada quantidade de recursos. gastará 120 horas de trabalho para obter uma unidade de vinho. 20 horas de trabalho que poderiam ser utilizadas produzindo mais tecidos. em autarquia (produzindo e consumindo sem comércio internacional). pode-se concluir que a nação se beneficia com o comércio. Critica-se o modelo por não fazer maiores considerações sobre a demanda e a estrutura de gostos e preferências dos agentes. que procuraram incorporar também o capital na função de produção dos países. Com o comércio com Portugal.89 unidades de tecido (80/90). na Inglaterra são necessárias 100 horas de trabalho para a produção de uma unidade de tecido e 120 horas para a produção de uma unidade de vinho. mas não se explicita quem se beneficia dentro do país. uma unidade de vinho deve custar 1. Deste modo. Não importa aqui o fato de que um país possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produção.72 exportando-a. portanto. A partir da teoria clássica do comércio internacional. Sem comércio internacional.2 unidades de tecido (120/100). e importando o outro bem.89 unidades de tecido vendendo seu vinho. as quais se manifestam em produtividades do trabalho ou coeficientes de produção diferentes. A Inglaterra. e Portugal poderá comprar mais que 0. . estabelecido a partir do lado da oferta dos países. mostrou-se bastante irrealista e incômoda para muitos teóricos. um país poderá economizar tais recursos através do comércio internacional. Se houver comércio entre os países. em Portugal essa unidade de vinho custa 0. ou se há grupos prejudicados. que se especializará em tal produção e passará a importar tecidos. a Inglaterra poderá importar uma unidade de vinho por um preço inferior a 1. bem como da relação de preço entre os produtos negociados no mercado internacional. obtendo maior nível de consumo. Resume-se a considerações estáticas. Também fornece uma explicação para o padrão do comércio internacional. produzir uma unidade de tecido e trocá-la por uma unidade de vinho. Assim. Porém. Assim. exportando-os e importando vinho de Portugal. por apontar os benefícios desse comércio. se a relação de troca entre o vinho e o tecido for de uma para uma.2 unidades de tecido. A teoria desenvolvida por Ricardo — base do modelo clássico de comércio internacional — constitui forte argumento em favor do comércio internacional e contra medidas protecionistas. O mesmo raciocínio vale para Portugal: em vez de gastar 90 horas produzindo uma unidade de tecido. de que há apenas um fator de produção operando a partir de coeficientes técnicos fixos. Alguns críticos também apontam para as difuldades que existem em se tecer comentários sobre o impacto do comércio na distribuição de renda dentro de um país. por exemplo. tal teoria possui pressupostos bastante restritivos. ambos os países sairão beneficiados. poderá utilizar apenas 100 horas de trabalho. também economizando 10 horas de trabalho. Por outro lado. É a partir de diferenças tecnológicas relativas. poderia usar apenas 80 produzindo uma unidade de vinho e trocá-la no mercado internacional por uma unidade de tecido. A suposição do modelo clássico. Desse modo.

surgiu uma série de novas explicações para o comércio internacional. diante de evidências de que os ganhos do comércio exterior não se dividiam igualmente entre os países industrializados de alta renda. A diferença básica entre a teoria clássica e a moderna é que. e os países de baixa renda. exportadores de matérias-primas. Essas razões mostram uma tendência à deterioração que resultava em ganhos assimétricos de comércio exterior. e os países pobres (com uma relação capital-trabalho baixa). terá vantagem em exportá-lo. a hipótese clássica é oposta: as tecnologias (os coeficientes técnicos de produção) diferenciadas são cruciais para explicar as diferenças de custo e o padrão de comércio. A corrente estruturalista estava baseada em bases empíricas que evidenciavam a deterioração das relações de troca entre o centro e a periferia – entre os países produtores de bens primários e os países produtores de manufaturas de alto valor adicionado. O que varia no modelo moderno é a dotação de fatores: há os países ricos (abundantes em capital) que exportam bens de capital intensivos. de modo que a estrutura tecnológica é a mesma para todos os países. Os países. começou a ser constituída a teoria moderna do comércio internacional. um país com oferta abundante de capital considerará relativamente mais barato produzir bens cuja produção necessite mais intensamente do fator capital e. iii) retração da procura de inúmeras matérias-primas de exportações e iv) baixo valor adicionado dos produtos primários de exportação.73 Assim. As vantagens do comércio continuam existindo: há ganho real de renda quando o país passa da autarquia para uma situação de comércio internacional. ressaltando-se novamente as vantagens do livre comércio. geralmente tendem a exportar produtos que utilizam intensivamente o fator de produção relativamente mais abundante no país e importam a mercadoria que utiliza intensivamente o fator de produção menos abundante. Os novos modelos não . A nova teoria do comércio internacional A partir das críticas e dos problemas empíricos relativos ao modelo Heckscher-Ohlin. ii) baixa elasticidade-renda da maior parte dos produtos primários. exportadores de manufaturados. Os pontos de sustentação da crítica estruturalista foram: i) baixa elasticidade-preço dos produtos primários. A teoria moderna do comércio internacional A idéia básica por trás da teoria moderna do comércio internacional é a de que os países diferem quanto à dotação relativa de fatores de produção. portanto. importando bens que necessitem de muita mão-de-obra na sua produção. Também a teoria moderna recebeu críticas em função de seu caráter estático e de suas premissas por demais restritivas. Um país com oferta abundante de mão-de-obra em relação ao capital produzirá preferencialmente bens que utilizam na sua produção relativamente mais mão-de-obra e também deverá exportar esse bem. dadas as contribuições desses dois economistas. enquanto a teoria moderna pressupõe uma mesma função de produção para os países envolvidos no comércio internacional. que agora passam a ser tanto a mão-de-obra quanto o capital. que exportam bens mão-de-obra intensivos. Do mesmo modo. segundo o modelo Heckscher-Ohlin. A teoria Estruturalista Esta visão criticou o pressuposto das vantagens bilaterais simétricas. O modelo moderno básico é o chamado modelo de Heckscher-Ohlin. que modificou a explicação concernente à origem das vantagens comparativas.

As mercadorias a serem exportadas são preferencialmente aquelas já produzidas para atender o próprio mercado doméstico. Esse comércio não se realiza em condições de concorrência perfeita e não se garante que esses ganhos sejam distribuídos proporcionalmente entre os países comerciantes. as recentes análises constatam que. dólares ou marcos. A produção desse bem passa. b) existem teorias que procuram enfatizar o lado da demanda. Com a difusão da demanda por tal produto internacionalmente. pois ele tem seus custos (salários. As explicações relativas a esse comércio podem vir de duas hipóteses: a) pode-se atribuir tal padrão de comércio à existência de economias de escala. mais fácil e maior é o comércio entre eles. podem ganhar com o comércio entre eles. impostos. o país inovador passará a exportá-lo. fazendo com que a importância da qualificação da mão-de-obra e dos recursos alocados em P&D para a sua produção desapareça. Deve atingir países com estrutura de demanda parecida e a concorrência entre os países é exercida a partir de um processo de diferenciação do produto. Nesse momento. . De modo geral. porém percebe-se nessas teorias certa recuperação de idéias protecionistas. por uma forte padronização. Dentro do Brasil. porém. Os rendimentos crescentes de escala são mais uma fonte de ganhos para o comércio. A produção atende inicialmente o mercado doméstico e depois se destina à exportação. 2. Mesmo países idênticos. o livre comércio continua mostrando-se estaticamente a melhor situação. que passariam também a exportálo. enquanto que. Quando. Desse modo. no que se refere às suas dotações de fatores e seus gostos. existe a necessidade da conversão entre diferentes moedas. Decorrentes mais de atributos construídos do que de vantagens definidas por dotações naturais. Teorias mais modernas centram-se nos fatores de competitividade das nações. que é menos conhecido e controlável. ainda. um brasileiro adquire um produto alemão (importa). dos recursos investidos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e da estrutura de demanda que possuem. Basicamente quanto mais parecida a demanda dos países (quanto mais próximo o nível de desenvolvimento dos países). pois os países tenderão a produzir bens que mais facilmente atendam a demanda de potenciais importadores. o vendedor alemão quer receber em marcos alemães. quando um brasileiro exporta para a Itália desejará receber o valor das exportações em real e não em liras. desenvolvida por Raymond Vernon. evitando-se produzir para exportação produtos pouco consumidos internamente. no comércio internacional. matéria-prima) em reais e não em liras.74 têm a mesma consistência teórica dos modelos clássico e moderno e ainda devem ser melhor testados. em função do risco associado a esse mercado. o comércio internacional introduz um novo elemento: a taxa de câmbio. a compra e venda de mercadorias se faz com o real. o comércio intraindustrial. ao longo do tempo. a fim de explicar esse comércio intraindustrial. Países desenvolvidos têm vantagens comparativas onde são pioneiros. verifica-se também um comércio intenso entre países com igual dotação de recursos e a crescente troca de produtos razoavelmente parecidos. De modo geral. Existe. em função da introdução de problemas relacionados à incerteza. além do comércio preconizado pela teoria de Heckscher-Ohlin entre países ricos e pobres. sua produção pode mudar de país e situar-se em países menos desenvolvidos. a explicação embasada na idéia de ciclo do produto. onde conseguem introduzir inovações em função da qualificação da sua mão-de-obra. Do mesmo modo. a economias de escala e a estruturas de mercado não concorrenciais. A TAXA DE CÂMBIO E O MERCADO CAMBIAL Uma importante diferença do comércio internacional em relação ao comércio doméstico é que este último se realiza com uma mesma moeda nacional.

por exemplo.85 reais. Da mesma forma. ou seja.17 dólares norte-americanos. Desse modo. há as ofertas e as demandas pelas moedas. Outra definição: é o preço de uma unidade de moeda estrangeira em moeda nacional. então seria 1. ou seja. os estrangeiros que querem investir no Brasil. com os quais compra a mercadoria desejada. de aproximadamente 0. No Brasil.75 Taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra moeda estrangeira. compõe-se a demanda e a oferta por dólares e reais. Um mercado cambial supõe. é a taxa pela qual duas moedas de países diferentes podem ser trocadas (cambiadas). que a taxa de câmbio do real (moeda nacional brasileira) em relação ao dólar norte-americano (moeda nacional dos EUA) era. Em outros países. os turistas que trazem dólar para o Brasil. aqueles (agentes privados ou públicos) que demandam determinada moeda. No Brasil. o importador brasileiro troca reais por marcos alemães pela taxa de câmbio (0. Através das taxas de câmbio. Temos. cada um (1) dólar valia 0. os turistas que viajam para os Estados Unidos etc. 0. os agentes que necessitam de dólares para saldar dívidas contraídas anteriormente. o equilíbrio entre a oferta e a demanda das diferentes moedas nacionais estabelece as taxas de câmbio. a realização de diferentes transações: as transações entre bancos privados e clientes no mesmo país. por exemplo. com outras moedas (francos. Ao mesmo tempo. as transações entre bancos privados de diferentes países e as transações entre bancos centrais de diferentes países. assim como as quantidades de moedas nacionais transacionadas. isso se realiza. . há agentes que oferecem dólares e procuram reais: os exportadores brasileiros. costuma-se expressar a taxa de câmbio como sendo a quantidade de moeda nacional necessária para comprar uma unidade de moeda estrangeira (no exemplo. que desejam remeter lucros para a matriz. Também em outubro de 1994. os tomadores de empréstimo no exterior. marcos etc. as empresas norte-americanas atuando no Brasil. esses agentes também estão oferecendo reais no mercado cambial. bancos e corretores autorizados pelas autoridades monetárias. eram necessários 2. também em relação ao dólar e às diversas moedas nacionais.85 R$/US$. Se a mercadoria custa 100 marcos alemães. no exemplo). temos os importadores de mercadorias norteamericanas que necessitam de dólares. trocaria 55 reais por 100 marcos.) e no resto do mundo. Em tese. ou seja. Este mercado é formado por compradores e vendedores (importadores e exportadores).85 reais para 1 dólar). por um lado. ou seja. que são os preços relativos entre as moedas nacionais.17 US$/R$. em outubro de 1994. a taxa de câmbio entre o franco suíço e a libra inglesa era de 2. temos a demanda brasileira por dólar. portanto. A partir desses agentes. no Brasil.05 SF/£. Deve-se tomar cuidado com a forma pela qual a taxa de câmbio está expressa. A cotação de real em dólar também poderia ser expressa como sendo de aproximadamente 1. Neste mercado.55 R$/DM. ela é expressa como a quantidade de moeda estrangeira necessária para comprar uma unidade de moeda nacional (no exemplo.85. que é o inverso de 0. Assim temos. torna-se possível realizar as transações entre os países.05 francos suíços para se obter uma libra inglesa. com um real poder-se-ia obter 1. As oscilações na demanda e na oferta de determinada moeda devem conduzir a modificações no equilíbrio desse mercado (taxa de câmbio e quantidade de moeda transacionada). as transações entre o Banco Central e bancos privados no mesmo país.17 doláres para 1 real). As taxas de câmbio são basicamente determinadas através do mercado cambial. O mercado cambial é aquele onde as moedas dos diferentes países são transacionadas. Por outro lado. Assim.

portanto superávit. Esses aumentos fazem com que a taxa de câmbio se modifique. conforme dito acima. Entendendo como fundamento básico na variação das taxas cambiais a oferta e procura de divisas estrangeiras. desvalorizando-se a moeda nacional em relação às moedas estrangeiras. as importações são débitos. com aumento de saídas de divisas e consequente déficit. 4) Banda Cambial: o Banco Central fixa os limites inferiores e superiores da cotação cambial. A periodicidade em geral é de um ano (seguindo o ano civil do país). elevará ou reduzirá as taxas cambiais. por exemplo. empréstimos. durante um certo período de tempo. são créditos. haverá redução no saldo de exportações e aumento no saldo de importações. quando o poder de compra desta em relação às demais cresce. conforme exemplos indicados a seguir: . e uma desvalorização quando seu poder de compra cai. que. pode-se considerar que toda entrada de divisas corresponde a um crédito e toda saída a um débito. que possibilitam um melhor acompanhamento da evolução da situação econômica internacional do país. Principais Regimes Cambiais 1) Câmbio Fixo: o Banco Central fixa a taxa de câmbio e realiza todas as intervenções no mercado que sejam necessárias para manter a taxa estabelecida. pode-se avaliar a situação econômica internacional do país. ou seja . valorizando o real e desvalorizando o dólar. teremos aumento da entrada de divisas estrangeiras e. Na contabilização destes registros. BALANÇO DE PAGAMENTOS O Balanço de Pagamentos de um país é um resumo contábil das transações econômicas que esse país faz com o resto do mundo. A partir desse balanço. Formação das Taxas de cambiais – Regimes Cambiais Taxa cambial é a relação de preço existente entre a moeda nacional e determinada moeda estrangeira. De modo geral.76 Assim. São as forças de mercado (oferta e demanda) que determinam a taxa de câmbio. Quem determina a taxa efetiva é o mercado (oferta e demanda) 3. No Brasil. adota-se a idéia das partidas dobradas. Toda transação que cria um direito constitui um crédito.1. 3) Câmbio Flutuante (flutuação suja. O preço do real em relação ao dólar deve crescer e a quantidade de reais que se compra com um dólar deve ser menor. assim como os juros pagos ao exterior. Assim. 2) Câmbio Flutuante (flutuação limpa): o Banco Central não interfere na determinação da taxa de câmbio. por exemplo. podemos entender a formação das taxas cambiais de acordo com o referido princípio basilar econômico. Suas intervenções são aleatórias e tem como objetivo conter especulações no mercado. com altas taxas cambiais. 2. define-se uma valorização da moeda nacional. Inversamente. remessas e entrada de capital. No caso das transações de comércio exterior a oferta e procura de divisas estrangeiras representam o movimento das operações exportação e importações efetuadas. Ocorrendo variação para baixo nas taxas cambiais. A taxa cambial está relacionada com o movimento do saldo do balanço de pagamentos do país. As exportações. é bastante comum a apresentação de balanços trimestrais e até de contas mensais. aumento dos investimentos norte-americanos no Brasil significa aumento na oferta de dólares e também um aumento na demanda por reais.dirty floating): o Banco Central não interfere (ex-ante) na fixação da taxa. Porém. o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo Banco Central a partir dos registros das transações efetuadas entre residentes no País e residentes em outras nações.

são consideradas as mais importantes do Balanço de Pagamentos. Erros e Omissões Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C) D. Balança de Serviços (Invisíveis) A. Se tal conta for deficitária. Tranferências Unilaterais B.2.2.3. Balança de Transações Correntes A. Amortizações C.4.4. As transações dessa balança são as que afetam diretamente a renda nacional e. Rendas de Capital (lucros e juros) A. Viagens Internacionais e Turismo A. o país estará recebendo recursos que podem ser utilizados para pagar compromissos assumidos anteriormente (diminuição do endividamento externo). Reinvestimentos B.2 Importações A. Operações de Regularização D. Diversos A.1.1. por isso.3. Transportes e Seguros A.País A . Empréstimos a Curto Prazo B.1.1. Se essa conta for superavitária. . A forma mais usual é a que segue: Balanço de Pagamentos . sendo também incluído o saldo de Transferências Unilaterais do período.3. Variação de Reservas (haveres no exterior) D. Balança de Capitais B.2.2. de contrair empréstimos no exterior (aumentando o endividamento do país) ou de reduzir as reservas de divisas internacionais.2.5. Transações Compensatórias D.Ano 19xx.2. Balança Comercial A.3. Atrasados Comerciais A seguir.77 Débitos: Importações de Bens e Serviços Pagamentos de doações e indenizações Pagamentos de capital emprestado Reembolsos de capital a estrangeiros Compras de ativos de estrangeiros Créditos: Exportações de Bens e Serviços Recebimentos de doações e indenizações Recebimentos de empréstimos Recebimento de reembolso de capital Vendas de ativos para estrangeiros Várias são as maneiras de se apresentar um Balanço de Pagamentos.1.2. Investimentos B. para investimento do país no exterior (aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior) ou para aumentar as reservas do país. A. são verificadas cada uma das contas acima: A.2. Empréstimos e Financiamento de Longo e Médio Prazo B. o país necessita de buscar investimentos no estrangeiro (aumentando o controle de estrangeiros sobre emprendimentos no país).1.1 Exportações A. Balança de Transações Correntes — procura resumir a diferença entre o total das exportações e das importações tanto de mercadorias como de serviços.

78 Por muito tempo. raiz da crise da dívida externa. patentes. Diversos — incluem o saldo de diversas transações como: dispêndios efetuados com representações diplomáticas no exterior (e as transferências dos demais países para os gastos de suas representações diplomáticas no país). Viagens Internacionais e Turismo — representam o saldo das receitas e despesas de turistas. comissões.4. A.3. A. Também estão incluídos os lucros remetidos por empresas nacionais no exterior (crédito) e os lucros das empresas estrangeiras no país (débito). aluguel de equipamentos. recebimentos e pagamentos referentes a royaltes. Rendas de Capital — são rendas referentes aos rendimentos de capital auferidos ou pagos pelo país. . a Balança de Transações Correntes foi praticamente identificada com a Balança Comercial. filmes. onde se inclui no valor das mercadorias. se ocorrer o contrário. Com a crescente importância dos serviços e dos rendimentos de capital (pagamentos de juros e remessas de lucros). Com a implementação do Plano Real. onde as despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque da mercadoria. A Balança de Serviços brasileira sempre mostrou-se deficitária. utiliza-se as exportações e importações FOB. consumindo grande parte do superavit da balança comercial. também devem ser contabilizados como débito nessa conta. será deficitária. os juros enviados situaram-se em torno de US$ 10 bilhões anuais. A. A. Se as exportações forem maiores que as importações. que não foram remetidos. Possui uma série de subcontas. assistência técnica. quando ocorreu o primeiro choque do petróleo e caíram os termos de troca. Balança de Serviços — representa as negociações internacionais dos chamados bens invisíveis e os rendimentos de investimentos. cenário que deve ser mantido por mais alguns anos. dentre as quais destacam-se: A. a Balança de Transações Correntes passou a ser assim decomposta: A.2. Existem pelo menos duas maneiras de se contabilizar o valor das exportações e importações. porém esses lucros são considerados reinvestidos e significarão também uma entrada (crédito) na balança de capital. e as exportações e importações CIF (cost. caso não haja alteração significativa na condução da política econômica. especialmente a partir de 1983.2. No caso brasileiro. Os lucros de empresas estrangeiras.1. com destaque para 1974. Existem as exportações e importações FOB (free on broad). Para efeito de Balanço de Pagamentos.2.2. além de seu custo. Balança Comercial — inclui basicamente as exportações e as importações de mercadorias. Transportes e Seguros — são o saldo das receitas e despesas efetuadas com fretes e prêmios de seguros. No final dos anos 70 e início dos anos 80. a balança comercial passou novamente a apresentar saldos negativos. Estão incluídos os juros pagos ao exterior por empréstimos ou financiamentos recebidos de não-residentes (e os juros recebidos do exterior por empréstimos ou financiamentos concedidos por residentes) em um momento anterior. observou-se uma reversão neste quadro com o surgimento de superavits significativos. Na década de 80. Durante a década de 80. na rubrica (re)investimentos de estrangeiros no Brasil. insurance and freight). essa conta mostrou-se deficitária nos anos 70. a balança comercial do país será superavitária. já que as despesas com seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços.2.2.1. o deficit cresceu substancialmente em decorrência dos juros pagos ao exterior. o frete e o seguro do seu transporte até o destino.

5. B. Desse modo. Empréstimos de Curto Prazo — registram os empréstimos recebidos do exterior e concedidos para outros países.2. tanto para governos. b) recebimentos de residentes fora do País (crédito). Essa rubrica do balanço de pagamentos inclui: B. em caso de o balanço ser positivo (indicando a entrada de recursos).1. um aumento das reservas. o que impede a equivalência perfeita entre os créditos e os débitos (mesmo levando-se em consideração as transações compensatórias). quando a soma for negativa. Erros e Omissões — essa conta surge em função de equívocos existentes no registro das operações do país com o exterior. como para empresas e indivíduos. Transferências Unilaterais — referem-se a pagamentos sem contrapartida de um país para outro: a) remesssas feitas por não-residentes no Brasil ao seu país de origem (débito). de modo a equalizar os débitos e créditos no balanço. quando há deficit no balanço de pagamentos. Investimentos — referem-se ao capital de residentes no país aplicados no exterior. e os pagamentos do principal feitos por não-residentes. sejam esses investimentos diretos ou de carteira.4. referentes a empréstimos e financiamentos concedidos pelo país ao exterior. Os principais itens dessa última rubrica são: D. Variação de Reservas — registra a variação nos haveres em moeda estrangeira e ouro possuídos em reserva pelo país. Assim.1. a fim de cobrir os erros estatísticos cometidos e as transações não registradas. Operações de Regularização — são operações realizadas com instituições internacionais. assim como os investimentos feitos por nãoresidentes no país. Movimento de Capitais — agrupa as contas que representam modificações nos direitos e obrigações de residentes no país para com não-residentes. B. Amortizações — onde registram-se os pagamentos do principal. sendo superavit quando a soma for positiva e deficit. como o FMI. indicada por um débito. Reinvestimentos de empresas multinacionais já instaladas no país que reinvestem parte do lucro. porém com sinal contrário. recorre-se a empréstimos destas instituições com o objetivo de cobri-lo. D. referentes a empréstimos e financiamentos tomados no exterior. haverá uma entrada de divisas. De modo geral. além dos financiamentos obtidos na cobertura de importações e concedidos quando das exportações. Ao contrário — quando o balanço for deficitário — essa conta será credora. há uma variação negativa no volume de reservas. a conta de Transações Compensatórias será devedora. c) doações de governos. B. Se o balanço for superavitário. Somados todos os saldos das contas mencionadas (A + B + C) obtem-se o Resultado do Balanço de Pagamentos.3. ou seja. organismos internacionais etc.2. indicada por uma conta credora no item variação de reservas. C.3. um deficit no balanço poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país. Na verdade. . esse item entra no balanço de pagamento. (crédito/débito). Transações Compensatórias — ao somatório de A + B + C corresponderá um valor igual nessa conta. inúmeras contas são registradas com valores estimados. B. D.79 A. Empréstimos e Financiamentos de Longo e Médio Prazos e B. Desse modo.

Imposição de proteção não tarifárias. indicando o preço. b) quando as exportações são superiores às importações a economia apresenta um superávit comercial. pode-se dizer que: a) há um incremento nas suas relações de troca b) há estabilidade nos seus termos de troca c) ocorreu aumento nos termos de troca entre eles d) há uma deterioração nos termos de troca e) os termos de troca nunca variam 3.metálico b) gold-points c) pontos de compensação d) relação de troca e) taxa de câmbio . 4. Atrasados Comerciais — dizem respeito aos empréstimos que não foram pagos na data de vencimento.Controle das operações cambais Outros Instrumentos: .Administração da taxa de câmbio . d) Quando o valor das exportações supera o das importações dizemos que há uma balança comercial ativa. Qual o saldo em transações correntes. c) quanto maior as exportações menor o produto da economia. Relação entre o valor de duas unidades monetárias. Movimentos de Capitais Autônomos: 200. 5.Fixação de quotas setoriais de comércio.30. .Imposição de tarifas alfandegárias de proteção. Balança de Serviços: 10. b) As transações de capital englobam os créditos e débitos resultantes de todas as transações comerciais realizadas. Quando um país necessita aumentar o volume de exportações de determinado produto para importar a mesma quantidade de bens em relação a outro país. e) Quando o valor das importações supera o das exportações há uma balança passiva. 4.3. . INSTRUMENTOS DE AJUSTE DO BP Instrumentos Cambiais: . Transferências Unilaterais: .80 D. em termos monetários nacionais. Questões conceituais: 1. No que se refere especificamente as exportações é falso afirmar que: a) a desvalorização da moeda nacional e o incremento da renda internacional elevam as exportações. c) Balança Comercial registra o movimento de exportações e importações de mercadorias. 2. Erros e Omissões: 0. e) quanto maior as exportações maior o produto de uma economia. d) as exportações elevam a eficiência econômica. de acordo com a teoria econômica convencional. Assinale a alternativa incorreta: a) As transações correntes englobam os fluxos reais de bens e serviços e os pagamentos correspondentes às receitas e despesas realizadas. Para uma economia hipotética A são dados (em US$ milhões): Balança comercial: 100. da divisa estrangeira correspondente: a) par.

o país paga ao exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. US$ 80 milhões. c) o saldo na balança em transações correntes. ingressam no país.Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares): i. d) o saldo total do balanço de pagamentos. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. b) Banda cambial explícita c) Câmbio fixo d) Câmbio flutuante com intervenção e) Câmbio flutuante sem intervenção Questões aplicadas: 1. b) Companhias estrangeiras instaladas no Brasil remetem lucros de US$ 50 milhões ao exterior.81 6. explique se a atual forma de financiamento do saldo das transações correntes será prejudicial para o comportamento futuro do BP. A recente crise financeira que se instalou no Brasil é fruto de sérios problemas externos e teve como consequência a alteração do regime cambial (janeiro/1999). iii. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros.000 l) empréstimos recebidos do exterior: 1. vii. i) Uma indústria brasileira de autopeças importa maquinário da Alemanha no valor de US$ 60 milhões. c) Uma agência de turismo brasileira efetua pagamentos a uma cadeia de hotéis norte-americana no valor de US$ 20 milhões. mercadorias no valor de US$ 100 milhões. pagando à vista. o país exporta. Com base nessas informações: a) Monte o BP. o país importa. recebendo à vista.000 m) remessa de lucros e dividendos: 500 Com estas informações elabore o Balanço de Pagamentos da economia hipotética. f) O Brasil paga ao exterior US$ 50 milhões em fretes. pagando à vista. US$ 70 milhões em forma de bens de capital. financiados a longo prazo por um banco alemão. g) O Banco Central obtém empréstimo junto a um banco norte-americano a fim de financiar o pagamento de juros vincendos no valor de US$ 80 milhões.São dados para uma economia hipotética os seguintes dados do Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) a) exportação de mercadorias: 5. 3 – Admita que as seguintes operações foram realizadas entre o Brasil e o exterior em um dado período: a) Um grupo japonês realiza investimento de US$ 500 milhões em razão da privatização da Vale do Rio Doce. . sob a forma de investimento direto. h) Uma companhia aérea norte-americana realiza uma compra à vista de aviões brasileiros no valor de US$ 150 milhões. v. e) O Brasil importa. viii. Atualmente o regime cambial é de: a) Flutuação limpa. US$ 180 milhões em automóveis coreanos. b) o saldo da balança de serviços. d) Uma montadora francesa de automóveis investe US$ 100 milhões na construção de uma fábrica no Paraná. 2. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. referentes a serviços de hospedagem de turistas brasileiros. Com base nestas operações. iv. construa o balanço de pagamentos e determine e interprete: a) o saldo da balança comercial. Além disso. ii. em moeda estrangeira. ingressam no país. vi.000 b) importação de mercadorias: 6. sob a forma de investimento de curto prazo.000 j) juros pagos: 500 k) investimento estrangeiro direto no país: 1.000 c) donativos recebidos: 100 d) donativos enviados: 50 e) fretes pagos: 100 f) fretes recebidos: 50 i) amortizações pagas: 1. mercadorias no valor de US$ 110 milhões.

Conta Capital e Financeira Conta capital Conta financeira Investimento direto Investimento brasileiro direto Investimento estrangeiro direto Investimentos em carteira Investimento brasileiro em carteira Investimento estrangeiro em carteira Derivativos Outros investimentos C. Considere os seguintes resultados do BP brasileiro para os anos de 1994.811 B. que TC = . Erros e omissões 334 Resultado do BP 7.1. Questões retiradas de concursos para Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF).82 b) Encontre o saldo da balança comercial. 1998 e 2005.3.319 Pede-se: a) Qual a principal mudança nos resultados das contas do BP nesses diferentes anos? Explique. Transferência Unilateral 2. Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) Discriminação 1994 A.3.748 -34. b) A estrutura do BP mostra que a soma do saldo em transações correntes e do movimento de capitais deve ser igual a zero (TC + K = 0 e. 5. Auditor Fiscal do Tesouro Nacional (AFTN) e Banco Central do Brasil (BACEN): 1) (AFRF.416 29. 4 – Considere o balanço de pagamentos abaixo (Brasil . Explique essa afirmação usando os resultados do BP para 1994. Balança comercial (fob) Exportação de bens Importação de bens A.575 -28.2. Transferências unilaterais correntes TRANSAÇÕES CORRENTES (A1+A2+A3) B.193 -9. 1996) Os déficits no balanço de pagamentos de um determinado país .256 -7. Balanço Comercial (FOB) 10.558 14. Erros e Omissões RESULTADO DO BP (A+B+C) Fonte: Banco Central do Brasil -6575 51140 -57714 -28299 1458 -33416 29702 320 29381 26002 -2854 28856 18125 -457 18582 -460 -14285 -4256 -7970 a) Identifique os principais problemas do balanço do pagamentos do Brasil no ano de 1998. o saldo da conta de capital e financeira e o resultado do balanço de pagamentos. Balança de Serviços A.113 3.702 -4.079 A.458 -33. Balanço de Serviços -33. o saldo em transações correntes. 1998 e 2005.215 Fonte: Prof.2.970 2005 44.299 1. Balanço em transações Correntes A.593 -280 4. Solange Marin a partir de dados do Banco Central do Brasil 1998 -6.414 Saldo em Transações Correntes -1.466 A. Movimento de Capitais 8.692 C. b) Qual a alternativa para o Brasil equilibrar as contas do BP? Explique.K).ANO 1998 em US$ milhões) A – Balanço de Transações Correntes A.1. então.

enquanto países com níveis elevados de proteção dificilmente apresentam este tipo de problema. mas podem ocorrer. 2000) Sobre balanço de pagamentos. é correto dizer que: a) as amortizações de empréstimos figuram na conta “movimento de capitais”. c) é realizado duas vezes na conta corrente ou na conta de capital. mas também dependem do nível de reservas internacionais de que dispõe este país. quanto sobre as importações. enquanto o preço das manufaturas tende a crescer. 6) (BACEN. uma vez como crédito e uma vez como débito. d) o padrão de comércio entre dois países em termos de reciprocidade de estrutura tarifária. 2) (AFRF. b) os atrasados e os empréstimos de regularização figuram na conta de “erros e omissões”. como o Mercosul. 1998) O conceito de termos de troca refere-se à: a) relação de produtos trocados entre dois países. para os vários grupos de produtos. 4) (AFTN. 3) (AFRF. empréstimos do FMI. de acordo com a natureza da operação. 5) (AFTN. lucros e royalties. d) é realizado simultaneamente na conta de transações correntes e na conta de capital em uma delas como crédito. 1996) Termos de troca é uma expressão que designa: a) uma relação entre os preços pelos quais um país vende suas exportações em relação aos preços que esse país paga por suas importações. O que implicará a capacidade de importar. como débito ou crédito. . especialmente no que se refere ao regime tarifário. b) lei segundo a qual os preços dos produtos tendem a permanecer estáveis ou a declinar ao longo do tempo. d) decorrem. c) relação entre preços recebidos pelas exportações de um país e os preços pagos pelas importações. que aumentam a competitividade mas tornam o produto exportado relativamente barato. e) são consequência da falta de proteção adequada ao mercado interno deste país. reduzindo as receitas. e os juros que o Brasil paga pelos empréstimos fornecidos por outras nações. etc. em casos muito particulares. que incidem tanto sobre as exportações. o registro de toda transação internacional no balanço de pagamentos a) é realizado duas vezes. assistências técnicas. em geral. b) A balança de pagamento deve estar sempre em equilíbrio . 2002) Segundo o critério de partidas dobradas. reduzindo. b) decorrem de desvalorizações cambiais. e) um índice que serve para medir o nível de participação de um país no comércio internacional bem como o grau de diversificação de seus produtos e parceiros. países com baixos níveis de proteção tarifária apresentam-se deficitários. que se tornam relativamente mais caras para este país. de déficits nas transações correntes (comércio visível e invisível). c) A balança comercial e a balança de serviços formam a “balança de transações correntes”. c) as condições de comércio estabelecidas entre duas nações. e) Na balança de capitais são registrados o capital das firmas estrangeiras que ingressam no país sob a forma de empréstimos.83 a) decorrem fundamentalmente de déficits comerciais. e) é realizado apenas uma vez. em uma das contas do balanço de pagamentos. c) ocorrem como consequência da elevação das taxas de juros internacionais. assim. b) é realizado apenas uma vez como crédito ou débito. d) A balança de serviços inclui. serviço de transporte (fretes). remetidos pelas empresas transnacionais. 1998) Considerando a estrutura do BP. d) diferenças entre as exportações e as importações de um dado país e outros. na outra como débito. Por esta razão. entre outros. as receitas líquidas de exportações deste país. em função de fluxos inesperados nas contas de transferências e /ou de capitais deste país. b) forma contratual de comércio utilizada em sistemas regionais. Os empréstimos de outros governos para o governo brasileiro. não se pode fazer a seguinte afirmativa: a) Balança de pagamento é um registro contábil de todas as transações de um país com os outros países do mundo.

e) + 80. o saldo do balanço de serviços. -65. o país paga para o exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. a) –80. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. sob a forma de investimento direto. respectivamente: a) –80. o saldo do balanço de pagamento em conta corrente e o saldo total do balanço de pagamentos são. . sob a forma de investimentos de curto prazo. +110.120. VIII. -60. e) o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente é igual ao saldo do balanço comercial. +60. ingressam no país. +40. apesar de serem contabilizadas pelo Banco Central para fins de controle de entrada de recursos no país. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. -50. pode-se afirmar que o saldo do balanço comercial. +165. 7) (BACEN. mercadorias no valor de US$ 110 milhões III. mercadorias no valor de US$100 milhões II. recebendo à vista. US$ 70 milhões em forma de bens de capital IV. -65. ingressam no país. d) o pagamento de seguros. US$ 80 milhões V. 1998) Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares) I. +105. Com base nestas operações. -60. do balanço de serviços e dos movimentos de capitais autônomos.84 c) as transferências unilaterais não figuram na estrutura do balanço de pagamentos. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros VI. em moeda estrangeira. +320. pagando à vista. . o país exporta. + 35 b) –10. o país importa. c) –10. VII. -115. -45. os juros e os lucros fazem parte dos movimentos de entrada de recursos no país.

85 A INSTITUCIONALIDADE NO CENÁRIO INTERNACIONAL ORGANISMOS INTERNACIONAIS As grandes Guerras Mundiais. que vigorou até a I Guerra Mundial e o Sistema de Bretton Woods. início da Primeira Guerra Mundial: Nesse sistema. recomendou a adoção mundial do . as paridades entre as principais moedas oscilaram de forma pronunciada. O que se sabe é que não existia em 1870. o seu valor correspondente em ouro. nas relações econômicas internacionais. O mecanismo de ajuste do Balanço de Pagamentos no Padrão-Ouro: Déficit no BP . portanto. O intervalo entre as duas Guerras Mundiais Durante o período entre as Guerras Mundiais não existiu nenhum sistema monetário internacional. portanto entre as diversas moedas.Eliminação do déficit Os desequilíbrios do BP eram resolvidos por meio de transferências internacionais de ouro.saída de capital . mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. Na prática isso significava que um padrão-ouro estabelecia uma paridade fixa entre cada moeda e o preço do ouro. e o equilibro era obtido pelo impacto dos fluxos de ouro sobre o sistema econômico interno. por conseguinte. as pressões inflacionárias em quase todos os países levaram à escassez relativa de estoques de ouro. Mas.queda de preços . Os principais sistemas monetários internacionais já adotados foram: O Sistema PadrãoOuro. O Padrão-Ouro: conceito e mecanismo de ajuste do valor das moedas Vários autores destacam que é mais fácil determinar o período em que o padrão ouro chegou ao fim – 1914 do que a data efetiva de sua origem. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. e. Os países adotavam taxas fixas ou flutuantes de acordo com suas conveniências. O Padrão-Ouro vigorou na sua forma original até 1914. Sistema Monetário Internacional É o conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. mas operava plenamente em 1900. As moedas nacionais emitidas tinham. assim como os conturbados anos do período entre guerras. O Objetivo do sistema é viabilizar as transações entre países. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial: As diferentes unidades monetárias utilizadas no pagamento das trocas internacionais fizeram com que fosse necessário operacionalizar um sistema monetário internacional. Isso estimulou as autoridades de diversos países a buscar a volta da estabilidade obtida nos vinte anos anteriores à guerra. existia: a) a unidade comum entre os países era o ouro. É importante destacar que nos anos imediatos após o fim da guerra (1919-23).II Guerra Mundial até 1971. no período Pós. b) havia a conversibilidade das moedas em ouro. Já ao final da II Guerra Mundial. Para superar essa escassez o Comitê Financeiro de Conferência de Genebra na Convenção de Gênova (1922).saída de ouro .

fez a Inglaterra sair do padrão-ouro e desvalorizar a libra esterlina. embora tivesse semelhança com a atual ONU. O Sistema de Bretton Woods: a Reforma do Sistema Monetário Internacional As grandes Guerras Mundiais. relativos aos Acordos Young. que foi extremamente importante para o reflorescimento do comércio mundial e sobre o qual se baseou o crescimento econômico do pós-guerra. surgiram algumas propostas de remodelagem do sistema monetário internacional. o grau de liberdade dos capitais privados e a institucionalidade que garantirá o funcionamento desse sistema. A expressão sistema monetário internacional refere-se ao conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. O Sistema de Bretton Woods consagrou a gestão de taxas de câmbio chamada de . define-se o ativo (moeda) de reserva internacional. sua relação com as diferentes moedas nacionais (o regime cambial). sua forma de controle. infelizmente fracassou. por conseguinte. Sua principal finalidade era promover a cooperação dos principais bancos centrais do mundo motivo por que ele é considerado Banco Central dos Bancos Centrais. nas relações econômicas internacionais. o Banco Mundial e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). com o aumento de seu desequilíbrio externo e a saída de ouro. Desta conferência nasceu um novo sistema monetário internacional. quando se via no comércio mundial um importante instrumento para potencializar o desenvolvimento do mundo capitalista. os mecanismos de financiamento e ajustamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos. Surgiu o sistema de câmbio-ouro (gold exchange standard). Suíça. no qual os países adotariam como reservas monetárias. Mas. com consequências sobre a liquidez e o ritmo de atividade interna. A referência mais importante é o retorno da Inglaterra ao padrão-ouro em 1925. Em 1930. além do ouro. Sistema de Bretton Woods O Sistema de Bretton Woods foi definido em 1944 ao fim da II Guerra Mundial com o objetivo de determinar as regras econômicas internacionais que deveriam vigorar no pósguerra. para administrar os pagamentos. Na Conferência de Bretton Woods. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial. Nesse sentido. Nesse período entre as duas grandes guerras. foi criado o BIS (Bank For International Settlements). Tais eram as preocupações presentes nos últimos anos da II Guerra Mundial. foram feitas algumas tentativas de preservar a paz mundial e auxiliar o crescimento econômico. que prevaleceu. Foram criadas as quatro principais instituições econômicas do pós-guerra: o Sistema de Taxas de Câmbio de Bretton Woods. Elas formam o aparato institucional que mantém as relações entre as diversas economias. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. devidos pela Alemanha a título de reparação de guerra. Dentre elas destacaram-se as do economista inglês John Maynard Keynes e as de Henry White. secretário do Tesouro dos EUA.86 padrão-ouro. outras moedas conversíveis. em 1931. assim como os conturbados anos do período entre as guerras. Foi criada a Liga das Nações que. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. o Fundo Monetário Internacional (FMI). A tradução de BIS é “Banco Internacional de Pagamentos”. com sede na Basiléia. Já ao final da II Guerra Mundial. O objetivo de um Sistema Monetário Internacional é viabilizar as transações entre os países.

havia a possibilidade de se reajustar a taxa de câmbio quando uma moeda nacional apresentava uma tendência demasiadamente forte de se afastar do seu valor estabelecido em relação ao dólar. e era a seguinte questão: para que a expansão do comércio ocorresse. por conseqüência. Este paradoxo decorreu de um trabalho publicado por Triffin em 1960.87 padrão dólar-ouro. Porém. Se esses déficits fossem. Por outro lado. porém com uma contínua perda de confiança no sistema. a variação cambial deveria ser adotada na hipótese de um “desequilíbrio fundamental” nunca definido de forma clara. Essa injeção de liquidez se fazia a partir de déficits externos dos EUA. A solução para o problema só poderia ocorrer depois que fosse sanado o déficit comercial norte-americano. 3) Regime de taxa de câmbio fixa entre os países e 4) Gold exchange standard: paridades das várias moedas estabelecidas em termos de ouro ou dólares. 2) Os EUA ficavam obrigados a converter os dólares em ouro a uma cotação fixa (sistema de câmbio fixo em relação ao ouro e entre moedas). o que significaria alterar a relação dólar-ouro ou abandonar o sistema das taxas fixas de câmbio. Na ausência de uma moeda universal. Essa possibilidade de ajustamento. Ainda assim. a economia e o comércio internacional prosperaram com base no dólar e nesse sistema. era a principal distinção entre o sistema de Bretton Woods e o Padrão-Ouro. a base dos acordos de Bretton Woods ruiria. o que se verificou foi um forte crescimento econômico. base do sistema monetário internacional anterior à I Guerra Mundial. A questão conhecida como "Paradoxo de Triffin". Esta falta de definição de uma regra básica para o ajuste entre as economias é apontada como uma das causas da falência do sistema. Assim. a uma taxa de câmbio fixa (não havia limitações à mobilidade de capital). Já nos anos 50. era necessário o crescimento das reservas mundiais em dólares (a fim de não haver crises de liquidez internacional). Os Problemas do sistema de Bretton Woods: A falta de mecanismos de ajuste adequados O sistema de Bretton Woods permitia o recurso a uma desvalorização cambial como última instância. Problemas com a liquidez internacional: o “dilema de Triffin” Nas três décadas que se seguiram à II Guerra Mundial. a solução para o problema do dólar só poderia ocorrer por meio de modificações na paridade do dólar. se não houvesse injeção de liquidez. Foi estabelecido o dólar como moeda internacional. sua sustentação era posta em xeque. . e essa era a única moeda que manteria sua conversibilidade em relação ao ouro. depois de fracassados os ajustes internos possibilitados por política monetária e comercial. sendo as outras moedas nacionais livremente conversíveis em dólar. Os pontos essenciais de Bretton Woods: 1) O novo sistema internacional teria como ativo comum a moeda norte-americana. o crescimento também não ocorreria. e se os ativos em ouro norte-americanos fossem constantes (na verdade eram cadentes). pois a única moeda a ser conversível em ouro. a confiança na conversibilidade do dólar e. sistemáticos. O dólar tinha uma paridade com o ouro e as demais moedas com o dólar. que procurava flexibilizar o Padrão-Ouro. porém. quando se verificasse um desequilíbrio fundamental.

marco alemão. principalmente em relação ao ien e ao marco alemão. Desde então. Houve uma grande desvalorização do dólar. O Fim de Bretton Woods As condições de conversibilidade oficial estabelecidas originalmente no sistema de Bretton Woods esgotaram-se em agosto de 1971. que as mantivesse protegidas de fatores adversos. a paridade inicial de um para um com o dólar foi finalmente alterada.88 A criação dos Direitos Especiais de Saque (DES) As discussões sobre a reforma do sistema monetário internacional durante a década de 60 estiveram centralizadas na idéia de tornar as reservas internacionais administráveis sob algum tipo de controle central.quando foi suspensa a convertibilidade do dólar em relação ao ouro . seguiu-se um período de forte instabilidade. para ser uma função de uma cesta de dezesseis moedas (com predominância do dólar). cada unidade de DES equivaleria a 35 onças de ouro. e novamente em 1981 o valor dos DES foi redefinido como uma média ponderada das paridades do dólar. perdeu importância. Os Estados Unidos buscavam mecanismos para evitar variações bruscas na paridade ouro-dólar. O volume dos DES é controlado pelo FMI e não pode ser ampliado. depois de 1973. Seu fim foi decretado por Nixon em 1971. A questão se acirrou com as guerras da Coréia e do Vietnã. . conhecidos internacionalmente por SDR (Special Drawing Rigths) foram a solução adotada a partir de 1967 com o propósito de elevar o estoque de reservas internacionais. a menos que haja decisão favorável nesse sentido por parte de ao menos 80% dos países do Fundo. os DES são emitidos pelo FMI e alocados entre os países-membro do Fundo na proporção de suas quotas. o mercado duplo de ouro (1968) e as crises especulativas do final da década foram passos no caminho de destruição do sistema montado em Bretton Woods. Ou seja. e o estoque inicial foi alocado entre os diversos países de acordo com suas quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI). mas à mesma paridade do dólar. Os DES. apesar de ainda ser a principal reserva internacional.e subsequentemente em relação à convertibilidade entre o dólar e outras moedas (as cotações deixaram de ser feitas exclusivamente em termos da paridade à moeda norte-americana). franco francês e libra esterlina. a desvalorização da libra (1967). iene. baseada em taxas flutuantes de câmbio. com o rompimento da conversibilidade do dólar em relação ao ouro. que. A partir dessa época. ou seja. enquanto outros países – sobretudo europeus – procuravam formas de evitar as facilidades encontradas pela economia norte-americana em manter posições deficitárias por longos períodos de tempo. o valor dos DES foi definido em termos de ouro. a partir de 1974. Mas. Originalmente. com a política expansionista (keynesiana) da década de 60 e os conseqüentes aumentos nos déficits público e comercial americanos. Essas foram as motivações de longo prazo subjacentes à criação dos Direitos Especiais de Saque (DES).

Ocorrendo desequilíbrio no BP de um país associado ele recorrerá ao FMI. o Banco provê crédito em condições preferenciais a países que dificilmente teriam acesso a essas condições por meio dos mecanismos de mercado. Japão. Alemanha. tendo em vista seu desenvolvimento industrial e sua participação no campo financeiro internacional. integralizadas em ativos de reservas (Direitos Especiais de Saque) e em moeda nacional do país associado. Essa quota-parte é fixada em função do peso econômico do estado. Além disso. Estados Unidos. A partir desse capital. Maiores quotistas: Estados Unidos. eliminando práticas discriminatórias e restritivas aos pagamentos multilaterais. A estabilidade financeira interna e o combate à inflação nos países membros é uma de suas metas. que consistirá em restabelecer a viabilidade do BP. e o Banco passou a lidar com a promoção do desenvolvimento dos países subdesenvolvidos. Na prática. eliminando ou reduzindo as causas que motivaram o desequilíbrio. acrescidas de uma margem para cobrir custos operacionais: desse modo. contudo. o Banco também funciona como avalista de empréstimos efetuados por capitais particulares para esses projetos. com o intuito de desenvolver projetos economicamente viáveis e relevantes para o desenvolvimento desses países (especialmente projetos de infra-estrutura).Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento foi criado com o objetivo de auxiliar a reconstrução dos países europeus devastados pela guerra. Banco Mundial ou BIRD O Banco Mundial ou BIRD . criou-se um novo ativo de reserva internacional. O Banco tem seu capital subscrito pelos países na proporção da sua importância econômica. O FMI não concede empréstimos. Seu capital é composto pelas quotas constituídas pelos países associados. dentre as quais estão o FMI e o Banco Mundial ou BIRD. que estabelecerá um programa de ajuste. Seus ativos. que eram emprestados. mas que não obtêm financiamento no setor privado. Fundo monetário internacional O Fundo Monetário Internacional foi criado com os objetivos de: a) evitar possíveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade financeira. porque foi a solução encontrada diante da tentativa frustrada do Congresso norte-americano em criar uma Organização Internacional do Comércio. para utilizar os recursos do FMI tem direito de saque.89 A institucionalidade criada em Bretton Woods (1944) Foram criadas duas instituições financeiras internacionais muito importantes. O crédito obtido pode ser em moedas estrangeiras ou em Direitos Especiais de Saque (DES). esse papel ficou a cargo do chamado Plano Marshall. com o compromisso de recomprar a sua moeda em ouro ou em divisas conversíveis. Quando esses desequilíbrios ocorressem. constituíam-se inicialmente de reservas em ouro e em moedas nacionais dos países membros. os Direitos Especiais de Saque (DES). A maneira como o Banco opera na maior parte dos programas é levantando recursos junto ao mercado financeiro a taxas preferenciais e emprestando aos países a essas taxas. b) socorrer os países a ele associados quando da ocorrência de desequilíbrios transitórios nos seus balanços de pagamentos. o FMI poderia financiá-los com os empréstimos compensatórios. a compra de divisas estrangeiras em troca de ouro ou de sua própria moeda nacional. . isto é. Posteriormente. o Banco empresta com taxas reduzidas de juros para países menos desenvolvidos. O país. O GATT também é mencionado. O FMI tem sede em Washington. GrãBretanha e França.

a não-discriminação comercial entre os países. O GATT estabelece como princípios básicos: a redução das barreiras comerciais. . Atuou especialmente através de sucessivas rodadas de negociações entre os países envolvidos no comércio internacional e conseguiu. foi criado o GATT . a compensação aos países prejudicados por aumentos nas tarifas alfandegárias e a arbitragem dos conflitos comerciais. procurava-se estruturar um conjunto de regras e instituições que regulassem o comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países.90 GATT Alguns anos depois da Conferência de Bretton Woods. Através do GATT. reduzir as barreiras impostas a esse comércio através de impostos alfandegários e cotas de importação. cujo objetivo básico é a redução das restrições ao comércio internacional e a liberalização do comércio multilateral.Acordo Geral de Tarifas e Comércio. no pós-guerra.

Por que os bens são procurados.Método e Economia Positiva . A análise da escassez de recursos e das ilimitadas necessidades humanas conduz à conclusão que a economia é uma ciência ligada a problemas de escolhas. produzir o máximo de bens e serviços com os recursos disponíveis de cada sociedade. Porém.Análise Marginal 1. .Bem: tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. ESCASSEZ Em economia tudo se resume a uma restrição física – a lei da escassez.Utilidade: a capacidade que um bem tem de satisfazer uma necessidade humana.Bens produzir .Custos .Diferentes técnicas Como Fazer? . a fim de satisfazer as ilimitadas necessidades humanas. Daí surgem os conceitos: . somente existirá escassez se houver um demanda para a aquisição de bens.Teorias/Modelos . .91 CAPÍTULO 7 – NOÇÕES DE MICROECONOMIA O que veremos: Princípios Básicos Mercado: Oferta e Demanda Conceito de Elasticidade Estrutura de Mercado Princípios Básicos O que Quanto Como Para quem Economia (Ciência Social) Escassez Escolha Produzir .Necessidade humana: qualquer manifestação de desejo que envolva a escolha de um bem econômico capaz de contribuir para a sobrevivência ou para a realização social da pessoa. O conceito de escassez econômica deve ser entendido como a situação gerada pela razão de produzir bens com recursos limitados. . Um bem é demandado porque ele é útil. isto é.Escassez .

2. Escolha Trocas Compensatórias: satisfazer mais de uma necessidade significa satisfazer menos de outra. certa técnica de produção. . a tarefa B = $ 75 e a tarefa C = $ 50. COMO MEDIR O CUSTO DE OPORTUNIDADE Intuitivamente: O proprietário de uma empresa que contratar gerentes. Custo: valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. certo número de fábricas e instrumentos de produção e um conjunto de recursos naturais. Fora das quantidades máximas. Ao decidir “o que” e “como” produzir. existem as combinações intermediárias entre os dois bens. com o pleno emprego dos recursos disponíveis.92 Pessoas desejam mais do que pode ser satisfeito com recursos disponíveis. o sistema econômico terá decidido como alocar ou distribuir os recursos disponíveis entre as milhares de diferentes linhas de produção possíveis. quando todos os fatores de produção forem destinados a sua produção e nada for destinado à produção de camisas (carros). Haverá sempre uma quantidade máxima de carros (camisas) produzidas anualmente.Para simplificar nossa análise. Cada gerente só tem tempo para realizar uma tarefa. Tabela 1 – Mostra as possibilidades de produção Bens Quantidade máxima Possibilidades intermediárias carros A 150 0 B 140 10 C 120 20 D 90 30 E 70 40 Carros Camisas Quantidade máxima camisas F 0 50 Curva de possibilidades de produção: combinações máximas possíveis de produção de carros e camisas. Considerem todos essas dados constantes. A tarefa A = $ 100. supomos que apenas dois bens deverão ser produzidos: camisas e carros. A empresa contrata dois gerentes e cada um deles executa uma tarefa. A quantidade exata de cada bem depende da quantidade e da qualidade dos recursos produtivos existentes na economia e do nível tecnológico com que sejam combinados. Qual será o custo de oportunidade da tarefa B? Suponhamos uma economia em que haja certo número de pessoas.

até F. Quando um bem é escasso. Ao passar de D para E. ganham-se 10 milhões de camisas. OU SEJA. desistir de produzir um tanto do outro bem. passando de B para C. A curva de possibilidade de produção representa um outro fato: uma economia no pleno emprego precisa sempre. à medida que se está consumindo (produzindo) pouco de um bem. ganham-se 10 milhões de camisas e sacrificam-se 20 mil carros. O valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. o que ocorre quando existir desemprego geral de fatores? A razão da curva de possibilidade de produção (CPP) ser decrescente deve-se ao fato de os recursos disponíveis serem limitados. o sacrifício de consumir (produzir) menos é ainda muito grande. o custo do que não foi escolhido e não o ganho do que foi escolhido. O custo de oportunidade também pode ser definido como o valor do melhor uso alternativo desconsiderado. sacrificam-se 40 mil carros. ao produzir um bem. porém. No exemplo acima: a fabricação somente de carros . para produzir-se mais 10 milhões de camisas Ou então: Custo de oportunidade de passar da alternativa C para B. O custo de oportunidade corresponde ao sacrifício do que se deixou de produzir. Essa transformação não é física. significa apenas que estão sendo transferidos recursos da produção de carros para a produção de camisas. está ocorrendo a transformação de carros em camisas. Ou seja. acréscimos . O formato da curva mostra que decresce a taxas crescentes.93 Figura . decidir pelo seu uso de uma forma significa desistir de usá-lo de outra. Custo de oportunidade de passar da alternativa B para C. Por exemplo.Curva de Possibilidades de Produção – CPP (Transformação) camisas F E D C CPP B A 0 carros À medida que se passa do ponto A para B e assim por diante. para produzir-se mais 20 mil carros } = 20 mil carros } = 10 milhões de camisas As condições para a existência desse custo são os recursos limitados e o pleno emprego de recursos. Mas. isso mostra que a substituição entre a quantidade dos dois bens se torna cada vez mais difícil.A – estaria sacrificando toda a de camisas.

94

iguais na produção de camisas (10 milhões) levam a queda cada vez maior na produção de carros. Esse fenômeno dos custos crescentes surge à medida que se transferem recursos adequados e eficientes de uma atividade para outra, em que eles se apresentam ineficientes e inadequados. Aqui opera a chamada lei dos rendimentos decrescentes. Assim, se insistir somente na produção de camisas, será necessário recorrer aos soldadores de chapas de aço para passarem a pregar mangas de camisas. A CPP é côncava em relação à origem em virtude da chamada Lei dos custos crescentes: para atrair trabalhadores que estão empregados na produção de camisas e deslocá-los para a de carros, deverão ser oferecidos salários maiores, e vice-versa. O que mais pode ser visto na CPP? - Eficiência
Bens de I

A= capacidade ociosa

*B *A

*C

C = nível impossível de produção B = situação ideal

Bens de C

Teste para determinar a eficiência: veja se para produzir mais de um bem a economia deve produzir menos de outro. Se a resposta for sim, então a economia está produzindo eficientemente e está sobre a sua curva de possibilidades de produção.

- Crescimento Econômico A CPP pode sofrer mudanças que ocasionarão o seu deslocamento para fora ou para dentro. Aqui são destacados três principais fatores de deslocamento: 1. Variações nos fatores considerados constantes determinarão deslocamento para a direita. 2. Variações tecnológicas iguais para os processos de produção dos dois bens deslocarão a curva para a direita e paralelamente. 3. Se a variação tecnológica for maior para o processo de produção de um determinado produto, maior será o deslocamento em relação a esse eixo. Disso, pode-se constatar também, via a curva de possibilidades de produção, o impacto, por exemplo, de um crescimento econômico que deslocará a curva para cima e para a direita.Os fatores que causam o crescimento econômico: aumento do investimento, inovações, maior divisão do trabalho e aumento nos insumos.

3. ANÁLISE MARGINAL No que as pessoas se baseiam para alocar os diferentes recursos escassos de modo a obter o maior valor?

95

Análise marginal: análise dos benefícios e custos da unidade marginal de um bem ou insumo. As pessoas desejam maximizar o máximo beneficio líquido (lucro). Beneficio liquido = beneficio total (BT) – custo total (CT) Exemplo: Consumir mais uma pizza. - Encontre o aumento no BT com uma unidade a mais consumida (BMg); - Encontre o aumento no CT com uma unidade a mais consumida (CMg); - Se BMg ≥ CMg = consome mais uma pizza. Beneficio liquido aumenta POIS, BMg = aumento BT CMg = aumento CT Δ BT = BMg - CMg Exemplo: Uma indústria moveleira está produz 30 jogos de cozinha a um custo de $ 30.000 e as vende por $ 40.000. Se produzir a 31º, sua venda total será de $34.000 e seu custo total será $ 32.500. Será que a indústria produzirá a 31º unidade? OBS. A análise marginal, assim como problemas de otimização são ferramentas utilizadas no estudo dos comportamentos de consumidores e de produtores. Os consumidores sempre buscam a maximização de sua satisfação (ou utilidade) ao consumir. Os produtores buscam maximizar seus lucros ou minimizar seus custos ao produzir. Os diferentes comportamentos de consumidores e produtores serão discutidos na disciplina Teoria Econômica. Questões – Conceitos Básicos
1. Explique como os problemas econômicos fundamentais – o que e quanto, como e para quem produzir – originam-se da escassez de recursos produtivos. 2. O que mostra a CPP? 3. Defina custo de oportunidade. O que são custos de oportunidade crescentes? 4. O problema fundamental com o qual a Economia se preocupa é: ( ) a pobreza ( ) o controle dos bens produzidos ( ) a escassez ( ) a taxação daqueles que recebem toda e qualquer espécie de renda ( ) a estrutura de mercado de uma economia 5. Em um sistema de livre iniciativa privada, o sistema de preços restabelece a posição de equilíbrio: ( ) por meio da concorrência entre compradores, quando houver excesso de oferta. ( ) por meio da concorrência entre vendedores, quando houver excesso de demanda. ( ) por pressões para baixo e para cima nos preços, tais que acabem, respectivamente, com o excesso de demanda e com o excesso de oferta. ( ) por meio de pressões sobre os preços que aumentam a quantidade demandada e diminuem a quantidade ofertada, quando há excesso de oferta, e que aumentam a quantidade ofertada e diminuem a demandada, quando há excesso de demanda. ( ) todas as alternativas anteriores são falsas.

96 6. Dada a curva de possibilidades de produção, aponte a alternativa errada:

15 *D *C 10

A

*B

E

0

57

59

( ) a economia não pode atingir B, com os recursos de que dispõe. ( ) o custo de oportunidade de passar de C para D é zero. ( ) o custo de oportunidade de aumentar a produção de X em 5 unidades, a partir do ponto E, é igual a 2 unidades de Y. ( ) nos pontos C e D, a economia apresenta recursos produtivos desempregados. ( ) somente as três primeiras alternativas estão corretas. 7. A Curva de Possibilidades de Produção, quando construída para dois bens, mostra: ( ) os desejos das pessoas perante a produção total desses dois bens. ( ) a quantidade total produzida desses dois bens em função do emprego total da mão-de-obra, ( ) a quantidade disponível desses dois bens em função das necessidades das pessoas dessa sociedade. ( ) quanto se pode produzir dos bens com as quantidades de trabalho, capital e terra existentes e com determinada tecnologia. ( ) a impossibilidade de atender às necessidades dessa sociedade, visto que os recursos são escassos. 8. O que fará com que a CPP se desloque para cima e para a direita? Comente. 9. Se o custo marginal de uma ação excede seu beneficio marginal, por que o beneficio liquido cairá? Questões Aplicadas: 10. A IBM está produzindo 50 laptps a um custo de $50.000 e os está vendendo a $60.000. Se ela produzir uma 51a unidade, sua venda total será igual a $62.000, e seu custo total será de $51.500. Será que ela deve produzir a 51a unidade? Explique. 11. Se uma firma está sujeita aos custos e benefícios mostrados abaixo, quantas plantas deveria construir? Comente. Plantas 1 2 3 Receita em $ (RT) 10.000.000 18.000.000 24.000.000 Custo total em $ (CT) 5.000.000 12.000.000 20.000.000

12. Em uma ilha, um trabalhador pode produzir em uma hora um tapete ou duas cestas. a) Qual o custo de oportunidade de um tapete? b) Suponha que o trabalhador torne-se duas vezes mais eficiente, produzindo em uma hora dois tapetes ou duas cestas. Como mudou o custo de oportunidade de um tapete? 13. A Empresa Justus Ltda treinou o administrador A por um custo de $ 40.000, e o administrador A vale $ 80.000 para a Empresa. Mais tarde a Empresa tem a oportunidade de contratar o administrador B. Esse administrador B custaria $ 40.000 para ser treinado, mas valeria $ 100.000. Porém, para contratar o administrador B a Empresa deve demitir o funcionário A. Será que a Empresa deve contratar o administrador B?

97 MERCADO: OFERTA E DEMANDA Mercado é o encontro entre vendedores e compradores. elasticidade e as diferentes formas de organização dos mercados serão objeto de abordagem nesta Unidade. A procura é dada pela curva D. o eixo horizontal mostra a quantidade procurada (Q) de empréstimo por unidade de tempo. na esquina de uma rua. que a cada preço corresponde uma determinada quantidade demandada. Nele estão presentes os fundamentos da procura e da oferta. que se inclina de cima para baixo.a 12% a. Depreende-se. daí.a 6% a. oferta. da esquerda para a direita. Exemplo de procura ou demanda por crédito: P 15% Curva de Procura 9% 3% 20 60 100 Q À medida que a taxa de juros aumenta (preço do dinheiro). Na Figura a seguir. Não precisa ser necessariamente um lugar físico. também denominada demanda. tudo o mais permanecendo inalterado (ceteris paribus). que representam os interesses de consumidores e produtores (ou vendedores). Um mercado pode estar em qualquer lugar. no outro lado do mundo. Essa relação pode ser representada pela escala abaixo. taxa de juros paga pelo cliente. ou bem perto como o telefone ou os classificados do jornal. PROCURA (OU DEMANDA) A procura.a VALORES DEMANDADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A B C D E Outra forma de expressar essas diversas alternativas seria através da curva de procura ou de demanda (D). diminui a quantidade de empréstimos que os clientes se dispõem a tomar. Essa é a lei da procura: as quantidades . considerada a procura por crédito: Escala de procura ALTERNATIVAS TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 3% a. é entendida como a quantidade de um bem ou serviço que uma pessoa deseja e está apta a comprar a determinado preço em dado intervalo de tempo.a 9% a. 1. O eixo vertical representa o preço (P). mostrando que a quantidade demandada varia inversamente ao preço. Procura.a 15% a.

OFERTA A oferta é definida como a quantidade (Q) de bem ou serviço que um vendedor ou produtor está disposto a oferecer a cada preço (P) e em determinado período de tempo. Por outro lado. menores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. da esquerda para a direita. Ou seja.a 12% a. Uma curva de oferta inclina-se para cima.a 9% a.a 6% a. Quanto mais baixo é o preço. As quantidades ofertadas a cada preço podem ser representadas por uma escala de oferta: Escala de Oferta ALTERNATIVAS A B C D E TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 15% a.a VALORES OFERTADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A curva de oferta (S) é a representação gráfica da escala de oferta. ceteris paribus. Exemplo de oferta de crédito: P 15% 9% Curva de Oferta 3% 20 60 100 Q . a tendência é que o consumidor reduza a quantidade demandada. refletindo o fato de que a quantidade ofertada de um dado produto varia diretamente com seu preço. o consumidor desejará adquirir mais bens ou serviços à medida em que o preço diminua. se o preço do bem se eleva. maiores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer.98 demandadas variam inversamente aos preços. Quanto mais alto é o preço de mercado.a 3% a. uma vez que seu objetivo é alcançar a máxima satisfação possível de suas necessidades a partir de uma renda limitada. 2. É a lei da oferta: as quantidades ofertadas variam diretamente com os preços.

nos preços de outros bens e nas expectativas sobre o futuro podem influenciar significativamente as quantidades demandadas pela sociedade. condições climáticas favoráveis ou concessão de subsídios ao produto.elevação na renda de uma comunidade determinará maior demanda por bens de consumo duráveis. redução dos custos de produção. Aperfeiçoamento das técnicas produtivas. na renda da população. fatores como condições climáticas desfavoráveis ou aumento dos impostos sobre o produto provocarão diminuição nas quantidades ofertadas. podem influenciar as quantidades ofertadas. existem inúmeras outras causas que podem influenciar as quantidades demandadas ou ofertadas. 4. Mantendo os demais fatores constantes: . . certamente aumentarão as quantidades ofertadas. alterações no gosto ou preferência dos consumidores. Se a análise for sob o enfoque da oferta. conforme mostra a Figura abaixo. à medida que a taxa de juros aumenta. onde os interesses de demandantes e ofertantes são coincidentes. OUTROS FATORES QUE INFLUENCIAM AS CURVAS DE DEMANDA E OFERTA O termo ceteris paribus. . PREÇO E QUANTIDADE DE EQUILÍBRIO O preço e a quantidade de equilíbrio de mercado são determinados pela interação das curvas de demanda e oferta. empregado na definição da procura e da oferta. 3. mesmo mantendo-se estável o preço. entretanto.aumento no consumo de sucos naturais faz com que diminua a quantidade demandada de refrigerantes.elevação de taxa de juros pelos concorrentes aumentará a demanda por crédito em um banco. Sob a ótica da demanda. diversas causas. Preços D 15% 12% S E Pe 9% 6% 3% S D 20 40 60 80 Qe 100 Quantidade . Por outro lado. Na prática. além do preço.99 Nesse exemplo. significa que a quantidade demandada ou ofertada varia apenas em função de alterações de preço. os bancos se dispõem a oferecer maior volume de crédito.

com taxa de juros 9% a. Curva de Demanda P P Movimento P0 Q Q0 Q Uma variação no preço altera a quantidade demandada. Deslocamentos ao longo de uma mesma curva Deslocamentos ao longo de uma curva de demanda ou de oferta ocorrem devido às variações de preços. o ponto E mostra onde os interesses se equivalem.100 No exemplo apresentado. a quantidade demandada aumentaria de Q1 para Q0 . 4. Curva de Oferta P P P P P0 P0 P0 Q0 Q Q . ceteris paribus. o preço aumentou de P0 para P1 e em conseqüência a quantidade demandada caiu de Q0 para Q1.a. O movimento inverso é possível: se o preço caísse de P1 para P0. (preço de equilíbrio) e a quantidade de crédito da ordem de 60 UM (quantidade de equilíbrio).1. No gráfico acima.

Curvas de Demanda Aumento da Procura Redução da Procura O deslocamento das curvas de oferta para a direita ou para a esquerda é devido a variações na tributação. de preços de outros bens (substitutos ou complementares) e da renda do consumidor. etc. na produtividade. aumenta a quantidade ofertada de Q0 para Q1. refletindo as alterações ocorridas. os consumidores desejam comprar mais/menos quantidades de um determinado produto. Deslocamento das curvas de demanda e de oferta Deslocamentos das curvas de demanda por um determinado bem ou serviço são provocados por variações de gosto ou preferência. O inverso aqui também é possível: se o preço diminuísse de P1 para P0 . 4.2. ao mesmo preço. Isso quer dizer que. A curva de demanda se desloca paralelamente para direita ou para esquerda. a quantidade ofertada do produto seria reduzida de Q1 para Q0 . na tecnologia de produção. nos custos.101 Uma variação só no preço de P0 para P1. Curvas de Oferta Redução da Oferta Aumento da Oferta .

Se não houver alteração na demanda. a concorrência entre os vendedores empurrará os preços para baixo e. Exemplo: piso salarial . Maior Demanda Preços D D1 S P1 ΔP P0 S D1 P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 D Quantidade Efeito do deslocamento da Demanda sobre o equilíbrio de mercado Aumentando a demanda. a curto prazo. em conseqüência. 4. não havendo quantidade suficiente de bens. INTERVENÇÕES DE MERCADO . compradores insatisfeitos estarão dispostos a oferecer maior preço para conseguirem o produto. Deslocamento da oferta e variações de preço Mudanças na curva de oferta. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio.Tetos de Preço: governo proíbe que o preço ultrapasse um valor máximo. Maior oferta Preços P0 P1 D S S1 D S S1 ΔP P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 Quantidade Efeito do deslocamento da Oferta sobre o equilíbrio de mercado Aumento de oferta significa aumento da quantidade de produtos à disposição dos consumidores. ceteris paribus.Pisos de Preço: governo proíbe que o preço caia abaixo e certo valor.102 4. a quantidade transacionada aumentará. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. .3. Exemplo: teto para a gasolina. Deslocamento da demanda e variações de preço Mudanças na curva de demanda. permanecendo inalterada a curva de demanda. para atender a essa demanda.4. 5.

Nem todos os que desejam comprar uma casa poderão comprar uma. por exemplo. a procura do produto tem eleasticidade unitária. e o preço de todos os outros bens aumentou 12%. Essa afirmação está correta? Explique. a procura é dita inelástica. Como os proprietários compensam s efeitos das leis de controle de aluguéis em seus ganhos? Exemplifique. Considerando o equilíbrio de mercado. Nesse sentido. por exemplo. Caso as variações de quantidade sejam proporcionalmente menores que as variações de preço. quanto mais perfeitos forem os substitutos de um produto. 2. c) essenciabilidade do produto — quanto mais essencial for o produto. Se a quantidade procurada variar mais que proporcionalmente à alteração nos preços. Os elementos apresentados a seguir devem ser entendidos como alguns subsídios ao entendimento do porquê da demanda de certos produtos serem mais elásticas que a de outros: a) existência de produtos substitutos — é de se esperar que. ou diferenciados de um produto para outro? Como medir a eleasticidade? Elasticidade-preço da procura A elasticidade-preço da procura reflete a sensibilidade da quantidade procurada por dado produto a uma alteração no preço desse produto. 6. a um preço mais elevado. É o que ocorre se. ou o preço subir 6% e a quantidade demandada reduzir-se em 10%.103 Consequências das Intervenções: racionamento não liderado por preços. b) peso do produto no orçamento — se for pouco substituível. . um aumento da quantidade ofertada. Quando as variações forem percentualmente iguais. mais TVs foram vendidas. a procura do produto é considerada elástica. quanto menor o peso no orçamento. o preço dos aparelhos de TV aumentou 5%. Isso apoia ou contradiz a lei da demanda? Comente. Suponha que uma lei de controle de aluguéis force os aluguéis abaixo do seu preço de mercado. Durante o mesmo período. O preço de casas é tão alto que há uma falta de casas. o preço de um produto subir 10% e a quantidade demandada reduzir-se em 20%. Existem certos fatores que explicam ou influenciam o valor da elasticidade-preço de demanda. O CONCEITO DE ELASTICIDADE A noção de elasticidade é de fundamental importância na compreensão e análise dos mercados de bens e serviços. maior a tendência de esse produto ter demanda elástica. 3. menor deverá ser sua elasticidade-preço. Questões Aplicadas: 1. menor deverá ser a elasticiade-preço. Qual a intensidade desses efeitos? Eles seriam idênticos. A forma correta de se medir essa sensibilidade é através da relação entre a variação percentual na quantidade e a variação percentual no preço. por outro lado. Ao longo de um período de 5 anos. ela mede o impacto sobre a quantidade decorrente de alterações no preço (elasticidade-preço) do próprio bem e na renda do consumidor (elasticidade-renda). mudanças na qualidade e mercados negros. foi visto que. correspondia uma redução da quantidade demandada e.

. Se a magnitude de variação na quantidade for de 10%. a elasticidaderenda é positiva e o produto é classificado como bem normal. as variações nos preços e nas quantidades são na mesma direção.concorrência pela diferenciação de produtos.pouca diferenciação dos produtos. franquias. a começar pelo preço. . ESTRUTURA DE MERCADO O comportamento de ofertantes e demandantes no mercado não é uniforme. . disponibilidade de insumos e de mão-de-obra e tempo de ajuste na produção. 7. sal é exemplo clássico de produto com procura inelástica e viagem de turismo é um bem de demanda elástica. Exemplos: calças jeans. a oferta desse bem será inelástica. .ausência de entraves ao ingresso de novas empresas. Veremos a seguir as características básicas dos principais tipos de mercado. em relação a mudanças de preços. Cada concorrente estabelece um produto único e ligeiramente diferenciado pela marca. . pizzarias. A diferença é subjetiva.tendência à concentração de capitais através de fusões. publicidade. .pequeno número de empresas controla a quase totalidade do mercado. Se a resposta da quantidade for de 5%. Concorrência perfeita: . Exemplo: farinha de mandioca. Concorrência monopolística: . a oferta será elástica. comércio varejista em geral. por parte dos que o integram.forte bloqueio à entrada de concorrentes.grande número de consumidores e ofertantes. tornando o mercado pulverizado de tal forma que nenhum comprador ou vendedor tenha condições de influenciar os preços ou o comportamento dos demais agentes.104 Nesse sentido. . Caso o aumento na renda implique queda na quantidade demandada. Se o aumento na renda implica aumento na quantidade demandada.tendência à formação de cartéis e à rigidez de preços. Porém. Oligopólio: . Elasticidade-renda da procura A elasticidade-renda da procura mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto decorrente da variação percentual na renda dos consumidores.perfeita mobilidade de recursos. A sensibilidade da oferta de produtos a variações nos preços depende de fatores como percentual de utilização da capacidade instalada. a oferta apresenta elasticidade unitária. . . . etc.perfeito conhecimento do mercado. o poder dos diferentes agentes econômicos é também diferenciado. se o preço de um bem aumentar 10% e a quantidade crescer 20%. Elasticidade-preço da oferta Análise similar é válida para a curva de oferta. Assim. Exemplo: aparelhos eletrodomésticos. embalagem. .grande número de empresas. Em decorrência da própria dinâmica da economia capitalista. a elasticidade-renda é negativa e o produto é classificado como bem inferior. Exemplos: feira livre.fracas barreiras quanto ao ingresso e saída do mercado.homogeneidade de produtos.

poucas empresas compradoras. com Alguma Limitação Jeans franquias Cimento. Exemplo: setor público na compra de produtos específicos.o lucro total da empresa é máximo para cada nível de produção e preço por ela estabelecido. tecnológicas e econômicas ao ingresso de concorrentes no mercado. de vidros. . Exemplo: indústria automobilística. não existem substitutos próximos. Monopólio: .grande dificuldade de entrada no mercado para novos compradores. fábricas de cigarros. petroquímica etc. pneumáticos.barreiras legais. cimento. Automóveis Oligopólio Poucos __ Grande Padronizado ou Diferenciado Vendedor Monopólio Um __ Total Não há substitutos Satisfatórios Vendedor Correios Monopsônio __ Um Total __ Comprador setor público na aquisição de produtos específicos Oligopsônio __ Poucos Grande Padronizado ou Diferenciado Comprador Agroindústrias . .105 Exemplos: indústria automobilística.uma única empresa compradora de determinado produto. Exemplo: correios. aço.dimensões do mercado estabelecidas pela empresa via determinação prévia do volume de produção e dos preços desejáveis. . no curto prazo. Oligopsônio: . Estruturas de mercado .preço do produto determinado pelos demandantes. . química. .preço determinado pelo comprador.quadro síntese Tipos de Mercado N° Vendedores Nº Compradores Dificuldade de Entrada no Mercado Concorrência Perfeita Concorrência Monopolística Grau de Diferenciação do Produto Quem Determina o Preço Exemplos Muitos Muitos Nenhuma Nenhum Mercado Feira Livre Muitos Muitos __ Subjetivo Vendedor. . Monopsônio: .existência de uma única empresa produtora de bens e serviços para os quais. Cerveja.

2ª ed. 5ª ed. estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro.br) PEREIRA. PEREIRA. São Paulo: Saraiva. Economia.106 O mercado também cria algumas imperfeições que impedem o que se poderia chamar de seu comportamento “natural”. 17ª ed.Relatório 2005. Marcelo de Paiva (1990). CARDOSO.gov. BAER. Walter (2003). A Ordem do Progresso.). 14 (56): 129-149. Referência Bibliográfica ABREU. Revista de Economia Política. PINHO. Revista de Economia Política. Luis Carlos Bresser (1994). Introdução à Economia. Werner (2002). José Paschoal (2003). combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle. O dumping se caracteriza pela venda de produtos a preços mais baixos que os custos. Parte IV – Finanças Públicas. São Paulo: Saraiva. Marco Antônio Sandoval de (Org. Editora Brasiliense. A Inflação decifrada. Ministério do Planejamento. já detendo a maior parte do mercado. Cartel é um grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para sua atuação coordenada. Luis Carlos Bresser (1996).planejamento.gov. A economia e a política do Plano Real. A Economia Brasileira. 20ª ed. São Paulo: Nobel. Boletim do Banco Central do Brasil . dumping e cartel.bcb. (2005) Manual de Economia. de forma a constituir um monopólio de mercado. WESSELS. Essas imperfeições estão relacionadas ao poder de mercado e formas de atingi-lo ou mantê-lo. com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias maiores de mercado. O truste é o tipo de estrutura em que várias empresas.br). com vistas a interesses comuns. 16(64): 20-35. São Paulo: Atlas. (Disponível: http://www. É o caso do truste. O tipo mais comum de cartel é o de empresas que produzem artigos semelhantes. . Diva Benevides & VASCONCELLOS. São Paulo: Campus. ROSSETTI. Orçamento e Gestão (http://www. Eliana (1996) Economia Brasileira ao Alcance de Todos.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful