Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Centro de Educação Superior Norte – RS (CESNORS) Departamento de Administração

Caderno Didático n0 1:

Introdução à Economia
(Versão não-revisada)

Professora: Solange Regina Marin Curso: Administração

Palmeira das Missões 2007

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INDICE Introdução Capítulo 1 – Conceitos Básicos 1. O conceito de economia 2. De que se ocupa a economia 3. A quantificação da realidade econômica 4. Breve contexto histórico do conceito economia 5. As escolhas na economia 6. Os argumentos da economia 7. Método de investigação da ciência econômica 8. Evolução do pensamento econômico.. 9. Interação entre os agentes econômicos e as questões-chave da economia Capítulo 2- Sistema Financeiro 1. Origem da moeda 2. Evolução das formas de moeda 3. Ativos financeiros 4. Oferta e demanda de moeda 5. Medida da Oferta de Moeda 6. Base monetária 7. Estrutura do SFN (brasil) 8. Organização do SFN 9. Diferentes mercados Intermediação Financeira 1. Formas de financiamento 2. Criação e destruição de moeda 3. Multiplicador bancário 4. Política monetária Capítulo 3 – Inflação 1. Situações possíveis de variação dos preços 2. Teorias da inflação 3. Inflação e Números-Indices 4. Indicadores de inflação no Brasil e no RS 5. Inflação no Brasil e Planos de Estabilização Capítulo 4 – Setor Público 1. As funções econômicas do setor público 2. Estrutura tributária 3. Os tributos e sua classificação 4. Os gastos do setor público 5. O Conceito de déficit público 6. Financiamento do déficit 7. Aspectos institucionais do orçamento público 8. Fiscalização Capítulo 5 – Conceito e Cálculo dos Agregados Macroeconômicos 1. O conceito de valor adicionado: o produto nacional (PN) 2. O conceito de renda nacional (RN) 3. O conceito de despesa nacional (DN) Alguns problemas com as medidas agregadas Capítulo 6 – A Economia Nacional e as Relações Internacionais 1. Teorias do comércio internacional 04 05 05 06 08 10 11 13 14 15 22 23 24 24 25 25 26 26 27 29 29 30 31 36 37 38 39 42 50 50 51 55 55 55 55 57 58 59 59 69 71

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2. A taxa de câmbio e o mercado cambial 3. Balanço de pagamentos 4. Instrumentos de ajuste do balanço de pagamentos A Institucionalidade no Cenário Internacional Capítulo 7 – Noções de Microeconomia 1. Escassez 2. Custo de oportunidade 3 Análise marginal Mercado: Oferta e Demanda 1 Procura (ou Demanda) 2. Oferta 3. Outros fatores que influenciam as curvas de demanda e de oferta 4. Preço e quantidade de equilíbrio 5. Intervenções de mercado 6. O conceito de elasticidade 7. Estrutura de mercado Referência Bibliográfica

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sem esquecer de relacioná-los com os fatos econômicos reais. A preocupação central é apresentar de forma simples e clara os conceitos econômicos básicos.4 INTRODUÇÃO A idéia de produzir um caderno didático surgiu depois de alguns semestres ministrados da disciplina de Introdução à Economia para diferentes cursos de graduação. no presente momento ao aluno do curso de administração. Por se tratar de assuntos ainda gerais da Ciência Econômica e relacionar acontecimentos recentes da economia brasileira. Para isso. o caderno se torna uma ferramenta auxiliar para o estudante da disciplina de Introdução à Economia. são apresentadas questões teóricas e aplicadas sobre os diferentes assuntos trabalhados que incluem desde os conceitos básicos até as noções sobre economia nacional e relações internacionais. . O objetivo é propiciar ao aluno. Este caderno não pretende dar respostas definitivas às questões sobre economia. estudaremos as noções básicas de Economia para observar de forma crítica a realidade e interpretar o significado dos diferentes conceitos econômicos frente aos acontecimentos reais da economia brasileira. mas suscitar o interesse. uma visão geral do objeto de estudo e do método de investigação da chamada Ciência Econômica. traçar um paralelo entre as noções econômicas e as informações sobre a realidade econômica brasileira. Além disso. provocar o debate e proporcionar aos alunos do curso de administração uma capacidade de análise crítica das questões econômicas atuais. ou seja.

psicologia. Pelas implicações da ação econômica sobre outros aspectos da vida humana. assumindo um caráter biunívoco. o que implica por sua vez numa interface com outras áreas de conhecimento. antropologia culturas. o estudo da economia implica a abertura de suas fronteiras às demais áreas das ciências sociais ou humanas. e os grandes temas de que se ocupa a economia.Contexto histórico do conceito economia . De outro lado. O CONCEITO DE ECONOMIA A palavra economia vem do grego oikos (casa) e nomos (norma. lei). a economia não pode ser considerada como fechada em torno de si mesma. direito). na produção de bens e serviços.De que se ocupa a economia . A economia pode ser definida como ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem utilizar os recursos produtivos escassos.Método de investigação da ciência econômica . Essa abertura se dá em uma dupla direção. porque pode influir no questionamento dos princípios e das aquisições conceituais desses mesmos campos. mas ainda no desenvolvimento dos demais campos do conhecimento social. de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade.5 CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS O QUE É ECONOMIA ? O que veremos? . com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas. consistência e aderência à realidade. E vai além. 2.Interação entre os agentes econômicos . porque a economia busca alicerçar seus princípios.Argumentos da economia . à ética e à história.Evolução pensamento econômico . Como umas das ciências sociais (ciência política.A quantificação da realidade econômica .Questões-chave da economia 1. . A figura 1 abaixo mostra que a economia está relacionada com outros campos de conhecimento. conceitos e modelos teóricos não apenas na sua própria coerência. DE QUE SE OCUPA A ECONOMIA Aqui estão destacadas as categorias centrais de preocupação da economia. abrindo suas fronteiras à filosofia. De um lado. sociologia. Seria administração da casa ou administração da coisa pública.

Em economia é possível: .De que forma a oferta de moeda na economia afeta a taxa de juros? .Por que a renda dos agricultores se eleva quando ocorre uma estiagem que reduz a produção? . moedas. recursos. riqueza e bem-estar foram apresentados por A.1. foram o processo de produção.Por que os aluguéis de imóveis em regiões universitárias geralmente costumam ser maiores no início do período letivo? . os temas pobreza. 2. agregados. trocas. emprego. Marshall. A QUANTIFICAÇÃO DA REALIDADE ECONÔMICA O que distingue a economia de outros ramos do conhecimento social é a possibilidade de alguma forma de mensuração.Por que a alta do preço do cafezinho reduz a demanda por açúcar? . crescimento.Como pode uma desvalorização cambial conduzir a uma melhora na balança comercial? . ao ressaltar que as necessidades ilimitadas e os recursos escassos. o dispêndio e a acumulação. Além disso.A taxa de crescimento do PIB seria um bom indicador para o desenvolvimento de um país? 3. a distribuição. remuneração. equilíbrio e desenvolvimento. produção.Por que a taxa de juros é tão importante para os investimentos? .Por que é importante para um produtor saber a elasticidade demanda por seu produto? . transações.Por que devemos nos preocupar com o PIB de um país? . agentes. Nesse iniciar do debate econômico. dentre eles Adam Smith.6 FIGURA 1 – A relação com outros campos de conhecimento Clássicos/Marx: * Produção * Distribuição * Dispêndio *Acumulação A. preço.Por que o setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul está em crise com o maior valor do real frente ao dólar? . mercado. assuntos tratados pelos clássicos. Já as noções de crescimento e desenvolvimento foram tratadas por Simon Kuznets e Lionel Robbins tratou da questão das escolhas em economia. David Ricardo.Quais os fatores que influenciam o crescimento econômico? . Alguns problemas econômicos . e por Karl Marx que ficou conhecido pelo desenvolvimento da teoria marxista. ressaltam-se os diferentes temas que são objetos de estudo da economia: escassez. Marshall (1842-1924) * Pobreza * Riqueza * Bem-estar Simon Kuznets (1901-1985) * Crescimento * Desenvolvimento Lionel Robbins (1898-1984) * Recursos * Necessidades * Prioridades * Escassez * Recursos * Emprego * Produção * Agentes * Trocas * Moedas * Valor * Preços * Mercados * Concorrência * Remunerações * Agregados * Transações * Crescimento * Equilíbrio Antropologia Sociologia Psicologia Direito Política Ética Os temas discutidos pelos diferentes pensadores econômicos e em épocas históricas diversas.Por que a demanda por bens como carros ou apartamentos aumenta com o processo inflacionário? . valor. concorrência.

proporções em determinado momento.não-lineares Relações Incrementais Relações entre variáveis Relações Matriciais Números-indices Indicam variações cumulativas. O quadro abaixo sintetiza as formas usuais de indicações quantitativas em economia. Expressam graus de concentração (ou de dispersão) de determinadas condições estruturais da economia.relações cambiais entre (a) e (b) adotadas Indicam magnitudes medidas ao longo de Variáveis-fluxo determinado período de tempo Variáveis econômicas Indicam magnitudes medidas em um determinado quantificáveis Variáveis-estoque momento Indicam relações entre duas variáveis.estabelecer relações quantitativas entre diferentes categorias de transações.quantificar os resultados. Indicam a resposta de uma ou de um conjunto de variáveis a determinada ação econômica. Expressam parâmetros de correlação. Quocientes Formas usuais de indicações quantitativas Coeficientes Resultado da divisão de variáveis econômicaas. Quadro 1 – A quantificação da realidade e as variáveis econômicas . .específicas.da atividade econômica agragativamente considerada.divisas externas (b) Unidades .variações ao longo do tempo. Indicam a interdependência interconsistentes de variáveis. simples ou múltipla entre as variáveis econômicas.desenvolver sistemas quantitativos para diagnóstico e prognóstico. experessnado: . . Relações funcionais expressando a correspondência funcional entre .desenvolver modelos explicativos da realidade. .lineares elas. medianos ou modais a abservação de determinada situação ou tendência central transação. . . Esta particularidade da economia possibilitou o surgimento de correntes econômicas fundamentadas no método matemático. Valores absolutos . Expressam resultados de transações: .proceder a análises fundamentais em parâmetros quantificados. . de conjuntos Indicam variações de grupos. . de um dado agente.7 . com destaque para a econometria. ou interagentes.construir identidades quantificáveis. Medidas de Expressam em termos médios. conjuntos ou de agregações de dados econômicos. no decurso de séries históricas. . baseados em sistemas de equações simultâneas.moeda corrente do país (a) Monetárias . entre duas variáveis.

sob o objetivo de promover seu fortalecimento. a adjetivação caiu em desuso. acredita que a economia examinava a ação individual e social. fundamentada nas leis que regem a formação. Eles sintetizaram os fundamentos da conduta econômica do homem: a escassez de recursos diante de necessidades ilimitáveis. Walras e Menger) não estava no processo de acumulação capitalista e nos mecanismos de repartição dos esforços sociais. Os neoclássicos A ênfase dos primeiros neoclássicos (Jevons. Com o tempo. . a busca da aprovação social. Assim. quem procurou fazer uma síntese de clássicos com neoclássicos. é um estudo da riqueza. Mesmo que alguns filósofos da Grécia Antiga. de outro. Denominava-se economia política. Os outros economistas clássicos na transição dos séculos XVIII e XIX. Maior figura foi François Quesnay e seu Quadro Econômico de 1758. novas concepções se desenvolveram. Adam Smith e suas obras Sentimentos Morais (1759) e A Riqueza das Nações (1776). A partir do século XVI. Figura de maior destaque foi Karl Mar(1818-1883). mas com a riqueza das Nações. Alfred Marshall. as razões maiores da acumulação e da conservação da fortuna material foram os pressupostos de sua descrição da ordem econômica. Esse polinômio foi a base do conceito clássico de economia. e mais importante. a denominação usual da economia era adjetivada. em seus aspectos mais estritamente ligados à obtenção e ao uso dos elementos materiais do bem-estar. Estavam preocupados com a iniqüidade social mas não propuseram formas alternativas e revolucionárias para a organização econômica da sociedade. evoluiu para economia. Mas. Eles buscaram entender o equilíbrio do processo econômico. Roma não deixou nenhum escrito notável na área de economia. como Platão e Aristóteles. de um lado.8 4. tais idéias estavam baseadas numa definição de economia como o ramo do conhecimento essencialmente voltado para a administração do Estado. BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DO CONCEITO ECONOMIA Em seu nascedouro. tal como se apresentava. A perspectiva socialista O binômio produção-distribuição é a base a partir da qual a perspectiva socialista construiu sua concepção sobre a matéria de que se ocupa a economia. observamos o nascimento do primeiro conjunto de idéias mais sistematizadas sobre o comportamento econômico com o chamado Mercantilismo. A fisiocracia elaborou alguns trabalhados dignos de destaque. a acumulação. A abordagem clássica A preocupação não era com o fortalecimento do estado. como Robert Malthus. cujo principal elemento era a maximização da utilidade. Os sentimentos morais. as paixões originais da natureza humana. e. tenham explorado temas de conteúdo econômico. David Ricardo e John Stuart Mill definiam a economia a partir destes quatro fluxos. No século XVIII. a distribuição e o consumo. O estudo das leis sociais que regulam a produção e a distribuição dos meios materiais destinados a satisfazer às necessidades humanas resume o campo de que se ocupa a economia. é uma parte do estudo do homem.

O fator de maior importância e que faz o elo de ligação entre as quatro condições é a capacidade humana de fazer escolhas. produzir o máximo de bens e serviços com os recursos escassos disponíveis de cada sociedade. isto é.o emprego alternativo dos meios. “A economia é a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que. Qualquer escolha feita pelos indivíduos. poderiam ter sido alcançados). O fato econômico resume-se. embora escassos. assim.Síntese dos conceitos básicos da sistematização de Robbins Conflito fundamental Meios (ou recursos) escassos e limitados Fins (ou necessidades) múltiplos e ilimitáveis Escolhas entre fins possíveis e meios disponíveis Alocação de recursos (custoso) Consecução de determinado fim Não-consecução de outros fins Benefício Custo de oportunidade . se prestam a usos alternativos”. podemos notar que em Economia tudo se resume a uma restrição quase física – a lei da escassez. como produção. portanto. bem como a ocorrência de custos de oportunidade (outros fins que. distribuição.9 A sistematização de Lionel Robbins nos anos de 1930 Robbins não partiu de categorias de fatos econômicos. E um bem é demandado porque é útil. riqueza e bem-estar. dispêndio. Figura 2 .a limitação dos meios para alcançar os fins possíveis .a priorização de fins possíveis: podem ser classificados por ordem de prioridade . acumulação. com os mesmos recursos. empresas. nos atos de escolha entre fins possíveis e meios escassos aplicáveis a uso alternativos. uma relação entre custos (meios empregados) e benefícios (fins alcançados). governos ou outros agentes econômicos quanto à alocação de recursos implica. Mas lembre-se só existirá escassez se houver uma demanda para a aquisição do bem – tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. Com isso. Ele partiu da existência de: .uma multiplicidade de fins que a humanidade procura alcançar .

escolha e alocação são os elementos a partir dos quais se define o campo de que se ocupa a economia. a socialista e a sistematização de Robbins. A perspectiva socialista . . o alcançá-los. Porém. social. 5.As necessidades humanas são determinadas pelo estágio cultural da sociedade.10 Existem ligações formais entre as abordagens consideradas: a neoclássica. A conduta econômica consiste em escolher entre fins possíveis . . ilimitados. RECURSOS PRODUTIVOS ESCASSOS * O QUE E QUANTO PRODUZIR * COMO PRODUZIR * PARA QUEM PRODUZIR ESCOLHA ESCASSEZ Essas questões não seriam problemas se existissem recursos ilimitados. AS ESCOLHAS NA ECONOMIA: * O QUE E QUANTO produzir * COMO produzir e * PARA QUEM produzir Resumindo: NECESSIDADES HUMANAS ILIMITADAS VS. fins alternativos. Economia: optar dentre os bens a serem produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os recursos escassos em produção. A teoria econômica trata de escassez. .A sociedade tem objetivos múltiplos.Meios escassos. que regulam a produção e a distribuição resume o campo de que se ocupa a economia. custo e análise marginal como veremos em outras aulas.O fim último de que cuida a economia consiste em descobrir como as virtudes humanas e a concorrência podem conduzir ao bem.A economia é um ramo que estuda as formas do A realização desse comportamento humano que processo se completa com a resultam da relação entre distribuição do produto necessidades ilimitadas e recursos escassos. na realidade temos inúmeras necessidades.Para satisfazer a um e meios escassos para padrão de necessidades. Quadro 2 – O conceito de economia nas três abordagens A abordagem neoclássica . a condução do homem no trato com questões que interferem em sua riqueza e bem-estar. .O estudo das leis sociais estar social.Focaliza. hoem se dedica a um ato social: a produção. .. A razão de ser da economia está presente nas três formas de delimitar o campo específico do conhecimento econômico – o estudo das formas aplicadas pelo homem na incessante busca de meios para satisfazer às condições ilimitáveis de bemestar.A economia é um estudo dos homens tal como vivem. recursos limitados e técnicas de produção. A sistematização Robbins de . mas meios limitados. agem e pensam nos assuntos ordinários da vida. principalmente.

Ou seja. formulam-se as hipóteses a respeito de como a realidade se comporta. da evolução do pensamento econômico. OS ARGUMENTOS DA ECONOMIA Para entendermos o método de investigação da ciência econômica precisamos apenas de um simples encadeamento lógico. A política econômica.economia normativa: o que poderia ser Essa distinção é importante em termos de metodologia uma vez que existe a impossibilidade lógica de se deduzirem afirmações positivas de juízos de valores ou normativos ou vice-versa. tem o respaldo na modelação teórica desenvolvida pelos diferentes troncos da economia positiva.economia positiva: o que é de fato Normativos . Essa ressalva metodológica não implica a inexistência de conexões entre os compartimentos positivos e normativos na economia. (1) e (2): são factuais. 6. 3. deveriam ser adotadas políticas de contenção do crescimento populacional. logo. Finalmente. quando as taxas de crescimento da população são superiores às da expansão da renda nacional como um todo. como é desejável a manutenção e. a redução da renda per capita implica na perda do poder aquisitivo real da sociedade. positivas. As duas primeiras não são condições suficientes para dar sustentação à terceira. mantidos os níveis vigentes de preços. a Economia se interessa primordialmente pelos argumentos positivos. a ampliação do poder aquisitivo real. mesmo. (3): é de caráter normativo. como pode ser visto na figura abaixo. . a renda per capita se reduz. Deduzem-se as implicações e os resultados decorrentes dessas hipóteses que são confrontados com a evidência dos dados de observações coletados da realidade.11 Por enquanto teremos uma visão geral dos argumentos e do método de investigação na ciência econômica. 2. Suponha-se que alguém afirme que: 1. Os argumentos da teoria econômica podem ser: Positivos . desse confronto tiram-se as conclusões: ou a teoria explica satisfatoriamente o comportamento da realidade econômica ou deve-se formular uma teoria alternativa e mais adequada. Baseadas nos postulados da teoria existente. Teoria econômica: leis que explicam o comportamento humano e fazem parte do conjunto de conhecimentos. das interações entre os diferentes agentes da economia e de como a partir dessas interações surgem as questões-chave que preocupam a Economia. não obstante seja formulada a partir de escolhas que envolvem juízos de valores.

poupança. tributos e dispêndio tributos e dispêndio público. Contabilidade Social. Desenvolvimento Econômico: estuda o processo de acumulação dos recursos escassos e da geração de tecnologia capazes de aumentar a produção de bens e serviços para a sociedade. mundo real. consumo. exportações. Economia Internacional: estuda as condições de equilíbrio do comércio exterior. investimento. O consumidor O consumidor ee a aa análise da nálise da procura procura Teoria Econômica Teoria Econômica Princípios. além dos fluxos de capitais. Macroeconomia: Estuda as condições de equilíbrio estável entre a renda e a despesa nacionais. exportações. com 3 objetivos: * Crescimento * Estabilidade * Equitatividade A regulação da atividade dos agentes econômicos: o interajuste de custos e benefícios privados e sociais. consumo. Contabilidade Social. investimento. econômicos. público. demanda oferta e oferta e demanda monetárias. renda. Política Econômica A condução do processo econômico agregativamente considerado. . importações. Preocupa-se com a determinação dos preços e quantidades em mercados específicos. interindustriais. Descrição e mensuração de fatos Descrição e mensuração de fatos econômicos. renda Estrutura Estrutura concorrencial e concorrencial e equilíbrio dos equilíbrio dos mercados mercados monetária. Atuação sobre a realidade. Sistemas contas Sistemas dede contas nacionais e matrizes nacionais e matrizes de relde relações ações interindustriais.12 Figura 3 – Compartimentos usuais da economia Economia Descritiva Observação sistematizada do Observação sistematizada do mundo real. leis e modelos da modelos da ececonomia onomia A empresa a A empresa e e a análiseda oferta análise da oferta Teoria Teoria Microeconômica Microeconômica Remuneração Remuneração dos fatores de dos fatores de produção e produção e repartição da repartição da renda Teoria Teoria Macroeconômica Macroeconômica Análise de Análise de macrovariáveis: macrovariáveis: renda. leis e teorias. As políticas econômicas de intervenção procuram estabelecer esse equilíbrio. teorias. Divisão do estudo econômico: Microeconomia: estuda o comportamento de consumidores e produtores e o mercado no qual interagem. Princípios. importações. poupança.

Esforço de teorização substitutivo da validação experimental. pelo permanente confronto com a realidade Reelaboração resultante de novas observações ou de mudanças nas condições preexistentes. busca.A construção do conhecimento na economia Método indutivo Abstrações resultantes de levantamentos e informes quantitativos. Vejamos como ocorre a construção do conhecimento na economia pela figura abaixo. Formulação de princípios. observar sistematicamente a realidade. Observação sistematizada da realidade Abstrações teóricas envolvendo situações e comportamentos não mensuráveis a partir de levantamentos da realidade concreta. que identifiquem relações de causas e efeitos e que interpretem os mais variados eventos e seus desdobramentos. Depois elaborar modelos simplificados que a reproduzem. Construção de modelos validados por testes estatísticos. em sua estrutura fundamental.13 7. . No processo de elaboração recorre-se a duas abordagens distintas. Método dedutivo Validação. MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA A metodologia da elaboração científica. Figura 4. como primeiro passo. leis u modelos explicativos ou interpretativos da realidade. teorias. ainda que complementares: a indução e a dedução.

14 8.edu/het/ . EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO: 1 A figura 5 abaixo mostra de maneira bem articulada como ocorreu o desenvolvimento das diferentes correntes de pensamento econômico. Fonte: Rossetti (2003) 1 Para maiores informações sobre as escolas de pensamento econômico ver o website The History of Economic Thought: http://homepage.newschool.

que conduz à especialização e à divisão social do trabalho. Os fluxos monetários definem-se como contrapartida dos fluxos reais. 9. como pode ser visto na figura 6 abaixo: Estoque de fatores de produção Elementos constitutivos do sistema econômico como um todo: recursos. pelos pagamentos de remunerações aos fatores de produção empregados. e as instituições. bem como pela resultante geração de bens e serviços intermediários e finais. de outro lado. Traduzem-se.a diversidade das necessidades humanas. independentemente de sua destinação.15 9. os agentes. pelos preços pagos aos bens e serviços adquiridos. agentes e instituições Complexo de instituições Quadro de agentes econômicos Recursos naturais Recursos humanos Capital Capacidade tecnológica Capacidade empresarial Unidades familiares Empresas Governo Jurídicas Políticas Sociais Os processos.1. INTERAÇÃO ENTRE OS AGENTES ECONÔMICOS E AS QUESTÕES-CHAVE DA ECONOMIA 9. de seu emprego e de sua combinação pelas unidades de produção.a diversidade de capacitações das pessoas e nações. que conduz à organização de sistemas de trocas. . As Categorias Participantes do Sistema Econômico As três categorias que formam a base de qualquer sistema econômico são os recursos.2 Processo de Interação e os Fluxos Econômicos Fundamentais Os fluxos reais definem-se a partir de suprimentos de recursos de produção. de um lado. determinada por heranças culturais ou por vocações naturais. . os mecanismos e os instrumentos de interação dos agentes econômicos decorrem de dois fatores fundamentais: .

empresas e governo Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Pgto bens e serviços T Remuneração fatores T GOVERNO Fornecimento (bens e serviços) e IFBKF .16 Figura 7.A interação entre famílias e empresas Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Figura 8 .A interação entre famílias.

.Uma visão de conjunto do processo econômico e das questões-chave da economia Fonte: Rossetti (2003) A forma como esses processos de realizam e seus resultados finais estão relacionados com as quatro questões-chave da economia: * A plena utilização dos recursos produtivos – Eficiência Produtiva: emprego dos fatores de produção.17 Figura 9.

2. Exemplifique essa função e diga qual é o tipo de relação entre as variáveis produção e recursos de produção. Diferencie. 11. 5. Sintetize esses dois fluxos em um modelo simples de interação entre as famílias e as empresas. 9. 8. secundárias e terciárias. A função de produção para a economia considerada agregativamente mostra a relação funcional entre a produção e os recursos empregados. 5 e 6). São três os agentes econômicos que interagem dentro de determinado sistema econômico: unidades familiares. Quanto à intensidade de emprego dos fatores e à natureza dos bens e serviços gerados. empresas e governo. Por que o conceito de capital se associa aos de investimento e de acumulação? 3. 7. 4. * A organização da vida econômica em sociedade – Ordenamento Institucional: instituições que regularão o funcionamento do sistema como um todo e a interação entre os agentes. 10.18 * A escolha do que produzir – Eficácia Alocativa: produtos gerados. Diferencie tributos diretos e tributos indiretos e dê exemplos de cada um deles. quadro de agentes econômicos e o complexo de instituições. Caps. 6. 13. Questões: 1. as atividades de produção classificam-se em primárias. Explique. 15. A maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante é considerada precondição quantitativa para a promoção do crescimento econômico e do bem-estar social. O que compreende o fator capital. Descreva sucintamente como ocorreu a evolução do sistema de trocas até a instituição da moeda como conhecemos na atualidade. 14. Essa precondição é suficiente também para o desenvolvimento econômico? Comente. o aparelho de produção das economias desenvolve um grande fluxo contínuo de geração de bens e serviços. Cite e conceitue cada um deles. Mostre as diferenças entre elas. A principal fonte de renda do governo é a arrecadação de tributos. A condição fundamental para que se realize o fluxo de produção é a existência de um conjunto de cinco fatores. conseqüentemente. para os interessados nas demais questões. O modelo simples de interação entre famílias e empresas é modificado com a introdução do agente Governo. Mobilizando os cinco fatores de produção. ver Rosseti (2003. . bens e serviços intermediários e bens e serviços finais de produção. 12. Descreva a partir da função de produção as precondições para que uma economia tenha crescimento econômico e. Nós nos deteremos nas duas primeiras das questões-chave. Diferencie o conceito de formação bruta de capital do de formação líquida de capital fixo. Destaque os papéis de cada um. * A distribuição dos resultados dos esforços de produção – Justiça Distributiva: rendas. as três seguintes categorias de elementos constitutivos do sistema econômico: estoque de fatores. uma maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante. conceituando cada uma delas. Diferencie os conceitos de fluxo real e fluxo monetário. Diferencie os conceitos de bens e serviços finais de consumo. Explique cada uma das funções da moeda e dê exemplos.

que é aumento contínuo no nível geral de preços. do padrão de vida da população. O QUE É MACROECONOMIA Trata da evolução da economia como um todo. Ou seja. Esses objetivos não são independentes uns dos outros e podem ser até conflitantes. ver: Abreu (1990) “A Retomada do Crescimento e as Distorções do “ Milagre” (1967-1973). ou seja. Por exemplo. Alguns críticos do chamado “milagre econômico” argumentam que piorou a concentração de renda nos anos de 1968/73 devido a uma política deliberda do governo (a Teoria do Bolo): primeiro crescer. 2 Para uma discussão sobre o Milagre Econômico. como renda e produto nacionais. O crescimento econômico capta apenas o crescimento da renda per capita. é um problema porque acarreta distorções sobre a distribuição de renda. Pleno emprego dos recursos Aprofundar os conhecimentos da política econômica com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de pleno emprego. investimentos. uma vez que torna possível abrandar conflitos sociais sobre a divisão da renda. desemprego e etc. Mas. é possível aumentar a renda dos pobres sem diminuir a dos ricos.19 CAPÍTULO 2 – SISTEMA FINANCEIRO 1. analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados da economia. Mas. Um pais está realmente melhorando seu nível e desenvolvimento econômico e sociais. A renda per capita é considerada o melhor indicador para se aferir a melhoria do bem-estar. ocorreu uma concentração de renda. estoque de moeda e taxas de juros. atingir uma meta pode ajudar (ou não) a alcançar outras. poupança e consumo agregados. o fato do país estar aumentando sua renda per capita não necessariamente significa que está tendo uma melhoria do seu padrão de vida. Distribuição de renda A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior parte da década de 70. nível geral de preços. 2. se estiver também melhorando os indicadores sociais (pobreza. aumentando a parte dos lucros e da poupança dos mais ricos na renda nacional. O debate constante da macroeconomia é saber se as decisões da política monetária e fiscal do governo vão afetar ou não as tendências da economia.). houve um aumento da disparidade entre as classes de renda. expectativas empresariais e etc. se a renda aumentar. emprego e desemprego. juntamente com o aumento da renda per capita. 2 Crescimento econômico Quando se fala em crescimento econômico. Estabilidade de preços A inflação. para depois pensar em repartição de renda. distribuição de renda e crescimento econômico. estamos pesando no crescimento da renda nacional per capita. . Nesse sentido. o crescimento pode facilitar a solução dos problemas de pobreza. estabilidade de preços. balanço de pagamentos e taxa de câmbio. AS METAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA As metas de política macroeconômica são: pleno emprego dos recursos.

Além da questão do nível de tributação. é utilizada para estimular (ou inibir) os gastos do setor privado em consumo e em investimento. A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações e/ou estímulo/desestímulos às importações.20 Entretanto. O quadro 3 mostra os mercados e as diferentes variaveis determinadas em cada uma das partes da economia. Os instrumentos disponíveis são: emissão de moeda. os agentes econômicos ficam proibidos de levar a cabo o que fariam. particularmente em países em desenvolvimento. creditícias. o nível geral de preços. por meio da manipulação da estrutura e alíquotas de impostos. OS MEIOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA: A política macroeconômica envolve a atuação do governo sobre a capacidade produtiva (produção agregada) e despesas planejadas (demanda agregada). sejam fiscais. ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA A economia pode ser dividida em parte real e parte monetária. os juros e os aluguéis é a de que. com o objetivo de permitir à economia operar a pleno emprego. Normalmente. as metas de crescimento e equidade distributiva têm se mostrado conflitantes. a política tributária. A segunda relacionada com o que pode ser chamado de parte invisível da economia e determina a taxa de juros. o nível de emprego e os salários nominais. Os principais meios para atingir os objetivos são: Política fiscal: compreende todos os instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). em resposta a influências normais do mercado. tendo como variáveis a serem determinadas: o produto nacional. Política cambial e comercial: atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia. os lucros. taxas de redescontos e regulamentação sobre crédito e taxa de juros. 4. seja estabelecimentos de cotas etc. . que influenciam diretamente os salários. o estoque de moeda e a taxa de câmbio. A política cambial refere-se ao controle do governo sobre a taxa de câmbio. Política de rendas (ou de controle de preços e salários): a característica especial da política de rendas. com baixas taxas de inflação e distribuição justa de renda. Política monetária: refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de moeda. compra e venda de títulos públicos. 3. nesses controles. a política salarial e a atuação da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (Seap) situavam-se nesse contexto. uma vez que muitos acreditam que o aumento do nível de poupança seria mais facilmente obtido por meio de uma distribuição desigual de renda – a já citada Teoria do Bolo no período do milagre econômico. reservas compulsórias. No Brasil. esses controles são utilizados como política de combate à inflação. A primeira relacionada com a produção de bens serviços bem como no emprego do fator trabalho. de crédito e das taxas de juros.

* Segunda metade dos nos 50. Questões: 1.21 Quadro 3 – Parte real e parte monetária da economia Mercados * Mercado de Bens Serviços Parte Real da Economia • Mercado de Trabalho * Mercado Financeiro Parte Monetária da Economia • Mercado de Divisas Variáveis Determinadas e * Produto Nacional * Nível geral de Preços • Nível de Emprego • Salários Nominais * Taxa de juros * Estoque de Moeda • Taxa de Câmbio 5. XX: Primeira Guerra Mundial. * Quatro principais linhas de pensamento macroeconômico: keynesianos. que serviram como ponto de partida. surge a Curva de Phillips que mostrava que uma relação inversa entre as taxas de inflação e taxas de desemprego. O que se entende por política fiscal. . negligenciando a política monetária. Mas. do Juros e da Moeda” de 1936. Maior desenvolvimento da Teoria Microeconômica. Explique. 3. recuperando o papel da oferta agregada na Teoria Macroeconômica. A MACROECONOMIA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA. * Em 1937: John Hicks introduz o aparato conhecido como IS/LM – a chamada síntese neoclássica – que permite analisar a economia tanto pela hipótese de pleno emprego (clássicos e neoclássicos) como pela de desemprego (Keynes). (iv) as ações do governo apenas para os bens públicos. a ênfase da política econômica ainda era nos instrumentos de política fiscal. 2. que retratava as condições de oferta agregada. Trata do papel das expectativas inflacionárias sobre a produção e o emprego. XVIII. surge a Teoria Monetária com Milton Friedman da Universidade de Chicago. * Até os anos 60. * A teoria prevalecente antes de Keynes acreditava que a economia (i) era autoregulatória. numa herança keynesiana. Atenção para como os agentes formas suas expectativas. (ii) está sujeita à flutuações. tinha o instrumental IS/LM analisando os componentes da demanda agregada acoplado à Curva de Phillips. * Séc. (ii) utilizava eficientemente todos os recursos. política monetária. neoclássicos. a economia (ii) não regula a si própria. Por que os objetivos de politica econômica podem ser conflitantes. Você seria capaz de explicar qual objetivo de política econômica o governo brasileiro tem buscado nos últimos anos? Comente. * Nos anos 50. política cambial e política de rendas? 4. publicadas no livro “Teoria Geral do Emprego. Descreva as metas da política econômica. Identificação de “ciclos de negócios” e Grande Depressão dos anos 30. * Décadas de 70 e 80: Escola das Expectativas Racionais (os novos clássicos). * Principais idéias Keynesianas. * Séc. novos clássicos e pós-keynesianos. * Com a teoria de Keynes. primeiras revoluções. (iii) produziam em pleno emprego (existia apenas a taxa natural de desemprego). (iii) pessimismo na comunidade de negócios e (iv) necessita de ação do governo para sua estabilização.

Conseqüência desse fato é o estabelecimento das trocas. portanto. As dificuldades desse sistema são evidentes. tornava-se fundamental. tenha se especializado na coleta de frutos. as trocas evoluíram em duas etapas: trocas diretas. o modo de vida do homem não lhe oferecia qualquer instrumento que possibilitasse a transformação dos produtos disponíveis. Com o passar do tempo. Essa primitiva sociedade. desde que houvesse interesse recíproco. apenas uma diminuta parcela daquilo que consome. o homem produz. restringindo suas atividades à caça. na produção (captura) de peixes.Um raciocínio simples exemplifica o caso das trocas diretas: uma tribo. hoje. exigia certas condições especiais para seu funcionamento: se o indivíduo "A" fosse especializado na produção (coleta) de frutos silvestres e o indivíduo "B". A troca ocorreria. de forma direta. por intermédio da moeda. em que tribos vizinhas representavam rivais em potencial. também conhecido como escambo. de maneira que as trocas pudessem ocorrer sem que dependessem . e trocas indiretas. mas às trocas com terceiros que tenham bens e serviços de seu interesse. cujo objetivo primordial era a sobrevivência. quando muito. era naturalmente impermeável à idéia de se estabelecer entre as comunidades um sistema de trocas de mercadorias. Salvo nas comunidades extremamente afastadas da civilização. produto por produto. por estar um pouco mais distante ou mesmo não dispor de um rio em iguais condições. Vivia em grupo tribal fechado. Historicamente. para ocorrer a permuta. que o indivíduo "A" desejasse adquirir peixes e o indivíduo "B” desejasse adquirir frutos silvestres. A implantação desse sistema de intercâmbio direto de mercadorias. às margens de um rio generoso em peixes. o homem percebeu que poderia dedicar-se à produção de determinadas mercadorias em quantidades superiores às suas necessidades de consumo. mas com escassas chances de acesso a frutos. ORIGEM DA MOEDA Nas economias primitivas. Expansionista MOEDA 1. à pesca e à coleta de frutos. Tornava-se imperiosa a criação de novas condições de comércio. bilateralmente. poderia especializar-se na pesca e trocar com uma outra comunidade que. Cada indivíduo passa a destinar a maior parte de sua produção não ao seu consumo próprio.22 SISTEMA FINANCEIRO O que veremos? Moeda: História Funções Oferta/Demanda Agregados Monetários Sistema Financeiro no Brasil (SFN): Diferentes Mercados Intermediação Financeira Sistema Bancário e Multiplicação dos Meios de Pagamento Criação/Destruição dos Meios de Pagamento Política Monetária: Instrumentos Política Restritiva vs.

Há. e uma das causas poderia ser até mesmo não ter conseguido arcar com os custos de uma acomodação adequada para o trigo. Sua produção era mais rara e escassa. até ao instante em que é gasta. A introdução da moeda no sistema econômico conduz à dissociação de cada troca em duas operações distintas: uma compra e uma venda. consensualmente. diz-se que a moeda serve como denominador comum de valores. porém. 2. Em outras palavras. em grande parte. portanto. na indivisibilidade de certas mercadorias ou produtos. a de facilitar o processo de circulação de bens. Eram mais duráveis e permitiam subdivisão com maior facilidade. Esse indivíduo teria zerado o seu estoque de moeda. também. o trigo. portanto. o que causava sérios problemas para o sistema como um todo. uma mercadoria ou um produto que fosse aceito por todos os indivíduos. A história registra o aparecimento de moedas metálicas cunhadas na Grécia entre os séculos VIII e VII a. Considerando-se que a moeda pode ser trocada por bens ou serviços em qualquer ocasião. medida de valor e reserva de valor. apresentava problemas relativos a seu valor intrínseco e a seu transporte. A função de intermediação de trocas traduz-se em servir como meio de pagamento. Pode ser. o sal. A moeda por sua vez. havia ainda a desvantagem de ser perecível. Introduziase assim um elemento responsável. qual seja.23 tanto da simultaneidade de interesses específicos. Reside. o gado e os metais. como o foram no passado. sem o controle da sociedade. mediante consenso.C. uma forte exigência: que seja aceito pela sociedade. Podem ser. um simples pedaço de "papel pintado". como reserva de valor. Por exemplo: alguém que dispusesse de cinco sacas de trigo e desejasse comprar meio boi. de aceitação geral. à qual são convertidos os valores de todos os bens e serviços disponíveis na economia. Era de melhor qualidade e não apresentava os problemas das demais mercadorias adotadas como moeda. passou-se a adotar os metais preciosos como meio de troca. estabelecendo-se como padrão de conversão. não só pelo desenvolvimento do comércio. Além disso. como também pelas dimensões hoje assumidas pela Economia: a moeda. Entretanto. Como alternativa. A utilização dos metais preciosos (ouro e prata) como moeda facilitou muito o desenvolvimento das trocas e da circulação dos bens e serviços necessários à sociedade. EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE MOEDA Ao se estabelecer um produto ou mercadoria como base para a troca. determinante do aparecimento da moeda. A forma encontrada foi substituir as trocas diretas pelas trocas indiretas. traduzse. nasceu o conceito básico de moeda: um instrumento facilitador das trocas que permite a medida ou a comparação de valores. Outro problema que surgiu de imediato foi o fato de a mercadoria-moeda ter a possibilidade de multiplicar-se facilmente. nessa função. passa a desempenhar três funções básicas: intermediação de trocas. como resolveria a questão? Um primeiro complicador consistia. numa forma alternativa de guarda ou de acumulação de riqueza. desde o momento em que é recebida pelo seu detentor. Imagine alguém que tivesse todo o seu estoque de moeda representado por 100 sacas de trigo e todas elas se deteriorassem. O estabelecimento da mercadoria-moeda possibilitava a implantação de um sistema de intercâmbio. mas trazia consigo novas dificuldades. A retenção da moeda. a razão principal. A moeda é medida de valor porque estabelece uma unidade-padrão de medida. em . sua posse constitui reserva de valor.

3. surgindo a partir daí a moeda fiduciária. Essa transformação fez com que os bancos deixassem de ser simples depositários de metais e passassem a exercer a função de emissores. Ativos financeiros não-monetários: menor grau de liquidez e rendimento. Não tardou muito. Ex: depósito de poupança. os quais possuem liquidez e equivalem à moeda de curso legal. Surgiu. os banqueiros da época não concediam e nem tomavam empréstimos. Ao verificarem que os metais ficavam guardados em seus cofres por um longo período de tempo. que surgiu com o desenvolvimento dos bancos comerciais. Como os cunhadores eram geralmente ourives. . monopolizada pelo Estado. 4. rendimento zero e usados como meio de pagamento. até então. sem qualquer utilização. já que os possuidores ficavam muito mais vulneráveis ao ataque de saqueadores.24 virtude do peso e da segurança. em função da confiança do público. que possuíam locais seguros para guarda dos metais preciosos passou-se a adotar o costume de deixar as moedas depositadas com eles. de emissão não lastreada. um lastro. os cambistas medievais atuavam como "banqueiros". A demanda por moeda é derivada dos motivos: transação. Tais operacões consistiam na emissão de recibos sem a contrapartida de um depósito em moedas. Assim. Com o tempo. Ex: papel moeda em poder do público (PMPP) e depósito à vista nos bancos comerciais públicos e privados. corresponde aos depósitos à vista. transferindo a outrem o direito de saque. Cobravam apenas uma comissão pela prestação do serviço de guarda dos metais. posto que os credores eram obrigados por lei a aceitá-la em pagamento de seus créditos. assim. Toda vez que se precisasse de moeda. precaução e especulação. adicionou-se a esse costume o de endossá-lo. A aceitação dessa moeda inconversível decorria do poder do Estado em garantir sua utilização e na confiança da população nesse Estado. o princípio das cédulas com lastro. para que adquirissem a confiança do público e iniciassem uma transformação na sua forma de "operação bancária". de curso forçado. como meio de pagamento. tem-se: Ativos financeiros monetários: liquidez absoluta. então. desenvolveu-se uma outra modalidade: moeda bancária ou escritural. foi eliminada a necessidade de se trocar o recibo por metal precioso a cada operação. Observe-se que. O Estado assumiu e monopolizou a emissão de moeda. em troca de um comprovante de depósito. OFERTA E DEMANDA DE MOEDA A oferta de moeda na economia é feita pelo Banco Central (BACEN) e pelos Bancos Comerciais através das atividades de depósitos e empréstimos. passaram a emitir os chamados bilhetes de banco negociáveis. Dessa forma. Com isso. ATIVOS FINANCEIROS Os ativos financeiros da economia podem ser diferencidados conforme os atributos rendimentos e liquidez. Essa moeda. mantendo um encaixe de 100% sobre os seus depósitos. de um recibo. A garantia de utilização da moeda é dada pelo seu curso forçado. cuja validade dependia única e exclusivamente de sua aceitação geral. contudo. uniformizando-a no espaço geográfico de sua influência. era só trocá-lo por metal precioso. Esse recibo tinha. Ao lado dessa moeda fiduciária.

Papel Moeda Emitido (PME): meio circulante . O conceito de base monetária (BM) equivale ao passivo monetário do Banco Central que serve de lastro aos meios de pagamento e é definida por: BM = PME + RB . Tabela 1 .Reservas Bancárias (RB): contas correntes dos bancos criadores de moeda no Banco Central . existe ainda outra medida da moeda na economia que é a base monetária. M4 = M3 + títulos públicos federais (Selic) e títulos de emissão dos estados e municípios. MEDIDA DA OFERTA DE MOEDA A quantidade de moeda existente na economia pode ser medida com a utilização dos chamados agregados monetários.Heveres Financeiros no Brasil (R$ bilhões) Fonte: Bacen 6. M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas com títulos públicos federais. M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições financeiras. Esses agregados são agrupados de acordo com a liquidez dos diferentes ativos financeiros da economia. A seguir são definidos os agregados monetários: M0 = PMPP (notas e moedas) M1 = M0 + depósitos à vista nas instituições financeiras bancárias. BASE MONETÁRIA Além dos agregados monetários.25 5.

veja em anexo o número de instituições por segmento. 8.2004 e 2005 Fonte: Bacen 7. A sistemática de recolhimentos compulsórios sobre os recursos à vista e a preponderância de metas de taxas de juros resultam em valores desprezíveis de reservas voluntárias médias. Além disso. Figura 10 – Base monetária e meios de pagamentos no Brasil . .Subsistema normativo .Outras instituições A figura 11 abaixo mostra a participação por segmentos (públicos. ESTRUTURA DO SFN (BRASIL) Sistema Financeiro: conjunto de agentes e instituições responsáveis pela intermediação de recursos financeiros entre as unidades econômicas líquidas (superavitárias) e as ilíquidas (deficitárias). privados nacionais e estrangeiras) no sistema bancário do Brasil para o período de 2002 a 2005. por tipo e com maiores agências no país. ORGANIZAÇÃO DO SFN .26 Essas reservas bancárias são compostas por reservas voluntátias e reservas compulsórias.Subsistema de Intermediação . A figura 10 mostra a base monetária e os meios de pagamentos na economia brasileira para os anos de 2004 e de 2005.

Bancos. Mercado de Crédito: tem a responsabilidade de suprir a necessidade de crédito das diferentes atividades econômicas. DIFERENTES MERCADOS: O sistema financeiro é composto por quatro diferentes mercados que são: Mercado Monetário: onde são negociados títulos de curto prazo (Iiquidez da economia). empresas exportadoras e importadoras. . Os gráficos mostram. respectivamente. Participantes: Bacen. Mercado de Câmbio: são realizadas as transações com diferentes moedas. o direcionamento do crédito para as diferentes atividades econômicas e as taxas de juros cobradas para as pessoas físicas e pessoas jurídicas. Mercado de Capitais: onde são negociados títulos de médio e longo prazo (necessidade de recursos para investimento). A seguir.Sistema Bancário/Participação por Segmentos (Brasil) Fonte: Bacen 9.27 Figura 11. destaca-se o mercado de crédito no Brasil.

28 Fonte: Bacen Fonte: Bacen Fonte: Bacen .

como depósitos a prazo. 2.29 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 1. As unidades deficitárias possuem duas formas para obter financiamento: Autofinanciamento: venda de algum patrimônio. valemo-nos dos conceitos de haveres monetários e haveres não-monetários. Haveres não-monetários: não possuem liquidez imediata. Para se distinguir uma ocorrência da outra. o que permite aos bancos comerciais emprestar parte dos depósitos à vista por eles recebidos. Haveres monetários: possuem liquidez imediata — papel-moeda em poder do público e depósitos à vista (meios de pagamento). FORMAS DE FINANCIAMENTO Existem dois tipos de agentes no sistema financeiro. Financiamento externo: que pode ser direto através da venda de ações ou de títulos da dívida e o indireto por meio de empréstimo via instituições financeiras A pergunta que surge é por que as unidades deficitárias não optam pelo financiamento direto? A resposta para esse questionamento está nos conceitos de custos de transação e de informação assimétrica. por exemplo. A faculdade de criar ou destruir moeda decorre de operações realizadas entre as instituições financeiras bancárias — que captam depósitos à vista — e o público. um bem imóvel. Criação de moeda: Quando a instituição financeira bancária desconta uma duplicata . aqueles que podem ser chamados de unidades superavitárias (US) e outros que podem ser chamados de unidades deficitárias (UD). Os primeiros suprem as necessidades de financiamento dos segundos através da intermediação das instituições financeiras. conforme ilustrado na figura a seguir: . recebe haveres não-monetários (duplicata).entrega ao público de haveres monetários (moeda) e. duplicatas e etc. Esse fenômeno decorre do fato de ser altamente improvável que todos os depositantes saquem seus recursos ao mesmo tempo.1. CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO DE MOEDA O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da moeda escritural consiste na multiplicação dos meios de pagamento através das instituições financeiras bancárias que captam depósitos à vista. títulos públicos. mantendo encaixes bem inferiores ao volume destes depósitos. 2. em troca.

00.2.000. Multiplicador Simples k = 1/R k = magnitude do efeito multiplicador R = alíquota de recolhimento bancário Exemplo: R = 0. Indivíduo efetua um depósito à vista em um banco comercial (N).25 Temos que k = 1/0.25 = 4 Se DV= R$1. MULTIPLICADOR BANCÁRIO As instituições financeiras que captam depósitos à vista podem multiplicar os meios de pagamentos através das operações de empréstimos. com transferência do saldo para a conta corrente no banco comercial (C). .30 Figura 12 – Criação de Moeda Haveres monetários Instituição Financeira Bancária Haveres não-monetários Público 2. 3. o efeito multiplicador fará com que o volume de meios de pagamentos passe a ser de R$ 4. Exportadores trocam US$ por R$ no Bacen (C).00. Indivíduo resgata sobre poupança. Destruição de moeda: Quando o público quita uma duplicata – a instituição bancária entrega ao público haveres nãomonetários (duplicata quitada) e recebe haveres monetários (moeda). conforme ilustrado na figura a seguir: Figura 13 – Destruição de Moeda Haveres não-monetários Instituição Financeira Bancária Haveres monetários Público Exemplos de criação e de destruição de moeda: Governo Federal deposita impostos arrecadados do público no Bacen (D). Indivíduo adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista (D).000.

4. das partes envolvidas. ou de liquidez. .oferta (direta e indiretamente) ou .demanda (tornando o dinheiro mais caro para o público). remunerado Depósitos a prazo : 30% em títulos FIF-curto prazo : 50% em espécie. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. O controle da oferta de moeda pode se dar pelo lado da: . Os recolhimentos podem ser exigidos em espécie.Em março de 1999: Recursos à vista : 75% em espécie.1.Anterior ao Plano Real: Recursos à vista: 40% em espécie. Recolhimentos compulsórios: Parcelas de algumas modalidades de captação que as instituições financeiras devem manter junto a Autoridade Monetária (Bacen) a fim de condicionar a alavancagem de operações ativas e a estrutura de custos. ou de propriedade. As operações compromissadas ou com compromisso de recompra/revenda ou de financiamento de títulos alteram a posição de custódia. das partes envolvidas. que serão remunerados ou não remunerados. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. Recolhimentos compulsórios: estrutura no Brasil . A oferta primária fica a cargo da autoridade monetária (AM). Instrumentos de política monetária Operações de mercado aberto: Compra ou venda de títulos. e sua “multiplicação” se dá pela ação dos bancos comerciais. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. remunerado . POLÍTICA MONETÁRIA Refere-se ao processo de oferta de moeda na economia.31 Multiplicador Elaborado: k = 1/C+D(R1+R2) C = PMPP/M1 D = DV/M1 R1 = CX/DV R2 = RB/DV Onde: PMPP = papel moeda em poder do público DV = depósitos à vista CX = caixa dos bancos comerciais RB = reservas bancárias (voluntárias e compulsórias) 4. com seus mecanismos de transmissão. não remunerado FIF-30 dias : 5% em espécie não remunerado . As operações definitivas alteram a posição de carteira. ou em títulos.Atual (outubro/2003): Recursos à vista : 45% em espécie. de forma definitiva ou compromissada. para condicionar os volumes de reservas bancárias e as taxas básicas de juros. remunerado Depósitos a prazo: 15% em títulos.

a vista do público nos BC 1. aumenta a taxa e reduz o prazo de pagamento.Restringe * Amplia Oferta monetária . Redesconto . ( ) Importadores trocam R$ por US$ no Bacen.reduz * aumenta .400 Reservas dos BC no Bacen . Diga quais são as características. A taxa cobrada por esses empréstimos mais o prazo para o seu pagamento constitui o que é chamado de taxa de redesconto. diga quando ocorre criação (C).32 Redesconto O Bacen pode suprir as necessidades de financiamento dos bancos comerciais através de empréstimos.Aumenta a taxa * reduz a taxa 2.aumenta * reduz .aumenta *reduz As Políticas Monetárias podem ser chamadas de restritivas ou de expansionistas. 3. destruição (D) de moeda: ( ) Governo Federal deposita taxas e impostos arrecadados de empresas no Bacen. Quais são essas opções? Por que a intermediação financeira é a forma mais utilizada de financiamento pelos agentes econômicos deficitários? Comente. aumenta prazo 3.Reduz * amplia Taxas de juros . Nas afirmações abaixo. 4.Venda de títulos * Compra de Títulos 4. Recolhimento Compulsório . Quais são os diferentes mercados do sistema financeiro? Explique.aumenta juros. . Operações de Crédito . Quadro 3 – Resumo dos Instrumentos de Política Monetária Instrumentos 1. São restritivas quando reduzem a oferta monetária e encarecem os empréstimos. São expansionistas quando aumentam a oferta monetária e barateiam os empréstimos. Quando o Bacen quer ser punitivo. Os ativos financeiros da economia são diferenciados em duas categorias conforme duas características.100 Papel moeda em poder do público (PMPP) 600 Dep. Questões Conceituais: 1. ( ) Indivíduo transfere saldo da conta corrente para a conta de poupança no banco comercial.aumenta * diminui .aumenta * reduz .reduz * aumenta . Dados os seguintes agregados monetários (em mil R$): Papel moeda emitido (PME) 1.reduz * aumenta .Voluntárias 100 -Compulsórias 400 Depósito em poupança 200 Quotas de fundo de renda fixa 150 Títulos públicos federais (Selic) 430 a) Qual a base monetária ? b) Qual o total do M1 ? c) Qual o total do M2 ? c) Qual o total do M3 ? c) Qual o total do M4 ? 2. Open Market . 5. Uma empresa deficitária possui duas opções de financiamento. reduz prazo * reduz juros.

Como se dividem os agregados monetários no Brasil.00. Explique cada um deles. Dos instrumentos que o Bacen pode utilizar para controlar a oferta de moeda na economia.. então o valor do multiplicador simples na economia será de. ) Banco compra títulos da dívida pública possuídos pelo público. em moeda corrente.000. 11. 6. ( d. Quais as funções principais que o Banco Central exerce na política econômica. ) Banco vende divisas a um importador. qual será o valor multiplicado. ) Indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito à prazo. ( ) Se o Bacen diminui os juros e aumenta o prazo na operação de redesconto. Qual o valor da Base Monetária? b.. .... ( ) O multiplicador bancário elaborado varia negativamente em relação à taxa de reservas dos bancos e positivamente em relação à taxa de retenção do público.33 ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Empresa adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista. Dados os seguintes agregados monetários (em R$ milhões): * Caixa.. o Bacen pode comprar títulos públicos que estão nas mãos do público. e justifique quando falso: ( ) Quando o Bacen aumenta a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais. ( ) A oferta de moeda e a taxas de juros são reduzidas através de uma política monetária expansionista. a oferta monetária é reduzida e a taxa de juros também cai. sendo este último dado pelo mecanismo do multiplicador monetário. ( b. 10. menor será a velocidade-renda da moeda. maior o multiplicador bancário simples. 12. ) Banco vende um imóvel a uma pequena empresa recebendo o pagamento à vista em dinheiro.. A elevação da taxa dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais junto as autoridades monetárias diminuiu o valor do multiplicador dos meios de pagamentos porque: a. M2. ( ) Se o Governo precisa reduzir a quantidade de oferta de moeda na economia.. ( )diminui o saldo do papel-moeda emitido ) diminui o saldo do papel-moeda em circulação )diminui o saldo do papel-moeda em poder do público )diminuem os depósitos à vista nos bancos comerciais )diminuem os recursos dos bancos comercias para empréstimos ao público.. Comente. ( c. nos Bancos Comerciais 95 * Papel Moeda Emitido 200 * Depósitos à vista do público nos Bancos Comerciais 150 * Depósitos à vista dos Bancos Comerciais Voluntários 40 Compulsórios 30 * Títulos federais.. ( ) Quanto maior a taxa de recolhimento compulsório.. Coloque falso (F) ou verdadeiro (V).. ) indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito á vista.75. Qual o valor do M1.. qual é o mais punitivo para os bancos. em poder do resto do mundo 400 * Depósitos na Poupança. ) Banco compra cambiais de um exportador.. a taxa de juros reduz. em poder do resto do mundo 150 a.. 7. 8. em poder do resto do mundo 250 * Depósitos à prazo. A oferta de moeda pode dar-se pelo Bacen ou pelos Bancos Comerciais. ) Empresa leva ao banco uma duplicata para descontar. Se R = 0.. ( ) Quanto maior for a taxa de inflação numa economia.. recebendo a inscrição de um depósito à vista. ) Banco aumenta seu capital vendendo ações ao público. ( ) A taxa de juros pode ser reduzida através da expansão nas operações de crédito por parte do Bacen.. ) Empresa efetua um depósito à vista em um banco comercial.. ( ) A velocidade renda da moeda é definida pela relação entre o PIB e a quantidade de moeda (M).. Se o montante inicial em depósito a vista é de R$ 4. M3 e M4 ? 9. ( e.

entre suas responsabilidades: a) atuar como banco do governo federal e renegociar a dívida externa brasileira b) aceitar depósitos. Entre as operações a seguir relacionadas. recebendo a inscrição de depósitos à vista 17.34 13. títulos de diversas espécies c) saque de cheques nos caixas dos bancos d) empresas levam aos bancos duplicatas para desconto. em moeda. especificamente: a) concessão de empréstimos. __________________seu efeito multiplicador. fiscalizar e controlar os intermediários financeiros. é: a) permitir ao governo controlar a demanda de moeda b) permitir as autoridades monetárias controlar o montante de moeda bancária que os bancos comerciais podem criar . como instrumento de política monetária. já que o preço de ações. títulos e imóveis pode flutuar muito. Demanda por moeda para ________________: as pessoas mantêm dinheiro porque ele é mais seguro que outros ativos. O Banco Central do Brasil (Bacen) tem. a bancos comerciais c) venda de ações. supervisionar a compensação de cheques d) executar as políticas monetária e fiscal do governo e) fiscalizar empresas privadas e públicas 18. Entende-se por operações de mercado aberto. Demanda de moeda para _______________: ficando com mais dinheiro as pessoas podem enfrentas melhor as despesas imprevistas. a empresas e consumidores b) concessão de empréstimos. a)maiores – maior será b)menores – menor será c)maiores – menor será d)menores – inalterado será e)nenhuma das anteriores 16. responsável pela disciplina operacional e pela liquidez do sistema. das empresas ao público em geral d) atividade do Banco Central na compra ou venda de títulos e) restrições às operações de crédito ao consumidor 19. em bolsa. O segundo congrega as instituições bancárias e não bancárias. Demanda por moeda para ____________: as pessoas mantêm dinheiro porque isso lhes permite comprar e vender bens com facilidade. qual delas é responsável pela criação de meios de pagamento? a) pessoas realizam depósitos a prazo nos bancos b) bancos vendem ao público. As operações entre o público e o setor bancário podem criar ou destruir os meios de pagamento. conceder empréstimos ao público e controlar os meios de pagamento do país c) emitir papel-moeda. por parte dos bancos comerciais. mercado de capitais e mercado cambial. Quanto ___________ forem as taxas voluntárias e compulsórias. O encaixe próprio dos bancos (parcela dos depósitos que é mantida em caixa) é um dos freios à multiplicação infinita da moeda escritural. pelo Banco Central. a) normativo – cambial b) intermediação – normativo c) intermediação – cambial d) normativo – intermediação e) nenhuma das anteriores 15. O sistema financeiro nacional constituído do mercado monetário. a)transação – especulação – precaução b)precaução – especulação – transação c)especulação – transação – precaução d)precaução – transação – especulação e)nenhuma das anteriores 14. é usualmente subdividido em 2 subsistemas: o _______________ e o __________________. O primeiro congrega as autoridades monetárias. mercado de crédito. A principal função da reserva compulsória sobre os depósitos bancários. Mas o freio maior é o recolhimento compulsório que o Banco Central exige dos bancos comerciais. mediante pagamento à vista.

O Bacen reduziu a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais de 75% (março/1999) para 45% (outubro/2003). M2. O que aconteceria com os agregados monetários M1. M3 e M4 (medidas da moeda) numa economia que estivesse praticando uma taxa de juros reais de 9% ao ano? E o que aconteceria se a economia passasse a conviver com altas taxas de inflação? Explique. 2.35 c) impedir que os bancos comerciais obtenham lucros excessivos d)forçar os bancos a manter moeda ociosa no sentido de cobrir as necessidades de caixa do banco central e) cortar subsídios governamentais às empresas privadas 20. De que forma essa distribuição de crédito pode afetar o crescimento futuro da economia? Argumente. a maior parcela ficou com as pessoas físicas. Essa redução foi possível graças ao crescimento econômico da economia? . Para reduzir o volume de meios de pagamentos. o Banco Central deve: a) elevar a taxa de redesconto b) comprar títulos da dívida pública c) elevar a emissão de papel-moeda d) reduzir a reserva compulsória dos bancos comerciais e) reduzir a taxa de juros para desconto de duplicatas Questões Aplicadas: 1. Do total de crédito direcionado para as atividades econômicas nos de 2004 e 2005. 3.

Desinflação = redução ou a eliminação da inflação. Reflação = movimento de recuperação de processos deflacionários depressivos. anos 30).36 CAPÍTULO 3 – INFLAÇÃO O que veremos? Definição e Cálculo Teorias Explicativas Mensuração da Inflação no Brasil Planos de Estabilização INFLAÇÃO 1. de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. Deflação = redução no nível da atividade econômica (estagnação – Ex. SITUAÇÕES POSSÍVEIS DE VARIAÇÃO DOS PREÇOS Inflação = aumento persistente no nível geral de preços. Situações Possíveis INFLAÇÃO DESINFLAÇÃO LINHA DE ESTABILIDADE DEFLAÇÃO REFLAÇÃO .

etc. que são sempre repassadas aos preços. aluguéis.estrutura oligopolística no mercado Inflação Inercial 3 Os mecanismos de indexação formal (contratos. A inflação estruturalista (Cepal) Os pensadores da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) afirmam que as causas estruturais da inflação são: . Efeitos sobre o balanço de pagamentos: taxas de inflação em níveis superiores ao aumento de preços internacionais encarecem o produto nacional relativamente ao produzido no exterior. indústria.Quando a economia funciona a pleno emprego.aceleração: choques de oferta Efeitos da Inflação Efeito Oliveira Tanzi: mostra que a inflação corrói o montante de arrecadação. Inflação de custos (Ou inflação de oferta) Ocorre quando há variação dos preços de itens com alta participação no processo produtivo (aumento salarial.rigidez das importações (M) associada ao pouco dinamismo das exportações (X) . Efeitos sobre o mercado de capitais: com inflação. As aplicações em cadernetas de poupança cedem lugar para a aplicação em recursos de bens de raiz. mas sim.substituição de importações . Efeitos sobre a distribuição de renda: redução do poder aquisitivo das classes que dependem de rendimentos fixos. 16(64): 20-35. como terras e imóveis. salários) e informal (reajustes de preços no comércio. deteriora-se o valor da moeda e ocorre desestímulo à aplicação de recursos no mercado de capitais financeiros. via aumento dos preços.). O ajuste da oferta não se dá via aumento das quantidades. Mecanismos: . Revista de Economia Política.. desvalorização cambial. TEORIAS DA INFLAÇÃO Inflação de demanda Ocorre quando há um excesso de demanda agregada.propagação: indexação formal e informal . A Inflação decifrada.37 2. 3 Para uma discussão sobre a inflação inercial ver: Pereira (1996).(baixa relação de trocas) . a oferta agregada não tem como se expandir de forma a acompanhar o crescimento da demanda. quebra de safra. . que leva a um aumento dos custos das empresas que é em alguma medida repassado para os preços finais.. reajuste de tarifas públicas.oferta de alimentos inelástica . que possuem prazos legais de reajuste. tarifas públicas) provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores.

38 3. no qual os preços são ponderados pelas quantidades associadas com o ano-base antes de serem somados. q1 = quantidade no período atual. É calculada em função do perfil de consumo de uma certa população (POF). Método agregativo ponderado Os índices agregados de preços são geralmente ponderados segundo as quantidades q dos bens. q0 = quantidade no período inicial. profissão. uma POF identificou que o consumo médio de carne era de 40% e de batata 60%.00 (aumento de 100%).. Quando o número-indice foi construído para um grupo de bens.00 (preços estáveis). ou a outras características como rendimento. Os exemplos desse métodos são os índices de Laspeyres e o de Paasche. e etc. então 10 * 1 = 10 Batata: $1. INFLAÇÃO E NÚMEROS ÍNDICES A inflação é o aumento generalizado dos preços de uma economia. p0 × q0 × 100 p1 × q0 p1 = preço no período atual. O índice de Laspeyres pondera preços (p) em duas épocas. . então: 30 * 1 = 30 Cesta (ponderada): (10*40%) + (30*60%) = $22 Variação: (22-13)/13 = 69% Números Índices É uma medida estatística idealizada para mostrar as variações de uma variável. é chamado número-indice agregado ou composto. então: 10 Kg * $1/Kg = $10 Batata: 0. correlacionados ao tempo. então: 30 Kg * 0. Uma coleção de números índices de diversos anos. ou de um grupo de variáveis. A fórmula é: IL = Onde: p0 = preço no período inicial. à localização geográfica. Índice de Laspeyres É um dos mais populares índices agregado de preços. que determina a ponderação de “cestas de bens e serviços”. inicial (0) e atual (1). Quando o número-índice representa uma comparação para um bem ou produto individual. t0 como mês base e t1 como o mês seguinte. é chamado número-indice simples (ou relativo).50/Kg. localidades. é frequentemente denominada série de índices. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época inicial.50/Kg = $15 Cesta (ponderada) = (10*40%) + (15*60%) = $13 Período seguinte t + 1 Carne: $1. A cesta básica mensal inclui 10 kg de carne e 30 kg de batata. tem-se: Período base (t0): Carne: $ 1/Kg. Exemplo: considerando dois produtos (carne e batata). Considerando dois períodos de tempo.

Índice Nacional Preços ao Consumidor (INPC) é calculado pela Fundação IBGE. Como essas quantidades são consideradas adequadas à época atual e não à época inicial. Aplicação dos Números Índices Para comparar os custos de alimentos ou de vida. admite-se que o numerador possa se apresentar super dimensionado e assim o índice de Laspeyres apresentar tendência de elevação. admite-se que o denominador possa se apresentar. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época atual. Veremos a seguir os números índices que são usados no Brasil para medir a inflação. Tabela 2 . o Índice Geral de Preços (IGP) é calculado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. A tabela abaixo sumariza as principais características dos indicadores calculados no Brasil. INDICADORES DE INFLAÇÃO NO BRASIL E NO RS Vários são os indicadores de inflação adotados no Brasil. durante determinado ano. Índice de Paasche Este índice usa as quantidades do ano dado como pesos. A fórmula é: IP = p0 × q1 × 100 p1 × q1 O índice de Paasche pondera preços (p) em duas épocas. com os de um ano anterior. durante um ano. eventualmente. super dimensionado e assim o índice de Paasche apresentar tendência a rebaixamento. ou a produção de aço. Por exemplo. Existem vários índices de preços que são calculados por instituições diferentes. inicial (0) e atual (1). em uma cidade.Estrutura Básica dos Indicadores . em uma região do país.39 Como essas quantidades são consideradas adequadas à época inicial e não à época atual. com a de outra. 4.

Formado pelo IPA (Índice de Preços por Atacado) e IPC (Índice de Preços ao Consumidor). Mapa 1 .1 Diferença entre os Principais Índices IPCA. com peso 6. Usado em contratos de prazo mais longo. mas pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte.Regiões Metropolitanas e IPC 4. A pesquisa é feita em 11 regiões metropolitanas. IGP-10 (FGV): Elaborado com a mesma metodologia do IGP e do IGP-M. A única diferença é o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte.IBGE: Calculado desde 1980. IGP-DI (FGV): Reflete as variações de preços de todo o mês de referência.FGV:É uma média ponderada do índice de preços no atacado (IPA). média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos. INPC-IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor. e do custo da construção civil (INCC).40 O mapa a seguir mostra as regiões metropolitanas que são alvo para o cálculo do índice de preço ao consumidor (IPC). O IGP-M é elaborado para contratos do mercado financeiro. de preços ao consumidor (IPC) no Rio e SP. com peso 3. como aluguel. porém refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. IGP. . O IGP tradicional abrange o mês fechado. IGP-M (FGV): Metodologia igual à do IGP-DI. com peso 1. Foi escolhido como alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil. semelhante ao INPC.

chamados de Sinduscon. * Custo da Cesta Básica da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). Reflete o custo de vida de famílias com renda média de R$ 2.72 Variação % -1. Indicadores Econômicos (IEPE-UFRGS) .51 549. ICV. Divulga também taxas quadrissemanais. 4. 30% e 10%. IPC. com pesos de 60%. e usado em financiamentos de imóveis. Utilizado em financiamento direto de construtoras/incorporadoras CUB .36 0.Índice Nacional do Custo da Construção: Um dos componentes das três versões do IGP.54 Cesta Básica (RMPA) Fev Mar Abr Custo Total (R$) 554. Apura as variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços finais no consumo.Custo Unitário Básico: Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor.59 0.53 Variação % -0.41 INCC (Índice Nacional do Custo da Construção). respectivamente.Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese): Medido na cidade de São Paulo.800 (há também índices para a baixa renda e a intermediária).22 176.Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): Pesquisado no município de São Paulo. Reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos. INCC.78 -1.10 545.51 -0. Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor.71 .58 177. Calculado por sindicatos estaduais da indústria da construção.2006 Índice de Preço ao Consumidor (IPC) Fev Mar Abr Número Índice 177. o de menor peso.2 Instituições que calculam a inflação no RS O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE/UFRGS) elabora o Boletim Econômico (IEPE-UFRGS) mensalmente com o objetivo de: * Índice de Preços ao Consumidor (IPC-IEPE).

)) Era FHC Plano Bresser Choques Heterodoxos Era Lula FONTE: Prof. Solange Marin a partir de dados do IPEADATA – www. FHC e Lula (IGP-DI %a.m.gov.) Inflação no Brasil na década de 1980 (IGP-DI (% a.) -10 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 10 20 30 40 50 60 0 5.-10 IGP .ipeadata.m. INFLAÇÃO NO BRASIL 75 65 55 45 35 25 15 5 -5 Plano Collor Crise da Dívida Plano Cruzado Inflação no Brasil (1944-2006) Inflação nas eras Collor.br 1990 01 1990 07 1991 01 1991 07 1992 01 1992 07 1993 01 1993 07 1994 01 1994 07 1995 01 1995 07 1996 01 1996 07 1997 01 1997 07 1998 01 1998 07 1999 01 1999 07 2000 01 2000 07 2001 01 2001 07 2002 01 2002 07 2003 01 2003 07 2004 01 2004 07 2005 01 2005 07 2006 01 2006 07 Plano Real Plano Verão 1980 01 1980 05 1980 09 1981 01 1981 05 1981 09 1982 01 1982 05 1982 09 1983 01 1983 05 1983 09 1984 01 1984 05 1984 09 1985 01 1985 05 1985 09 1986 01 1986 05 1986 09 1987 01 1987 05 1987 09 1988 01 1988 05 1988 09 1989 01 1989 05 1989 09 1944 02 1946 02 1948 02 1950 02 1952 02 1954 02 1956 02 1958 02 1960 02 1962 02 1964 02 1966 02 1968 02 1970 02 1972 02 1974 02 1976 02 1978 02 1980 02 1982 02 1984 02 1986 02 1988 02 1990 02 1992 02 1994 02 1996 02 1998 02 2000 02 2002 02 2004 02 2006 02 42 .m.DI (% a.

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5.1. Causas Básicas da Inflação Brasileira As principais causas da inflação na economia brasileira são: a questão distributiva, o déficit do setor público e seu financiamento e o mecanismo de indexação (formal e informal). 5.2. Inflação no Brasil e as Correntes Econômicas Correntes Causas Principais * Desequilíbrio do setor público (déficit e a dívida pública provocam descontrole monetário, causando inflação de demanda)

Monetarista

Inercialista

* Indexação generalizada (formal e informal)

Políticas Antiinflacionárias * Ajuste fiscal (para reduzir déficit e dívida pública, via reformas fiscal, previdenciária, privatização) * Controle Monetário (juros e moedas) * Liberalização do comércio internacional * Dexindexação (para apagar memória ou inércia inflacionária, via congelamento de preços, salários e tarifas – Planos Cruzado, Bresser – ou troca de moeda – Plano Real) * Controle de preços de oligopólio * Reformas estruturais

Estruturalista

* Conflitos distributivos ( pressões de margens de lucro, pressões salariais, pressões de tarifas e preços públicos provocam inflação de custos)

5.3. A Inflação no Brasil e os Programas de Estabilização 1946-58: Inflação de crédito e estrutural 1959-63: Inflação predominantemente fiscal 1964-67: Aplicação de controles ortodoxos 1968-79: Inflação reprimida 1980-1985: Inflação de movimentos inerciais 1986-94: Fase dos choques heterodoxos 1994-2006: O real, a volta à ortodoxia e a estabilização. 5.4. Planos de Estabilização O Plano Cruzado (28/02/1986) A inflação era tida como inercial. O diagnóstico era de que a inflação tinha caráter autônomo, sustentado pela indexação formal e informal da economia. Houve a utilização de instrumentos heterodoxos para a eliminação da memória inflacionária (inércia inflacionária): Medidas: 1. introdução de nova moeda: reforma monetária, com o cruzado – (000) 2. congelamento de preços por prazo indeterminado ao nível de 28/02. 3. conversão de salários: além do valor real médio, concedido um abono de 8%. 4. conversão de aluguéis, prestação do sistema financeiro e mensalidades escolares pelo princípio da média. 5. Desindexação:

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5.1 proibição de clausula de indexação: proibição de correção monetária para contratos inferiores a um ano e para contratos maiores de um ano, reajuste conforme a OTN em cruzados; 5.2 indexação de salários: escala móvel, salários reajustados toda vez que a inflação atingisse a casa dos 20%; 6 tablitas: tabela de conversão diárias de valores em cruzeiros para cruzados. Conseqüências: 1 parte dos recursos foram destinados para a compra de imóveis e reativação da produção; 2 reativação do consumo via salário móvel, seguro-desemprego e abono; 3 viver de renda ficou difícil porque caíram as taxas de juros (teve até taxa negativa); 4 taxa de inflação caiu; 5 empresas introduziram inovações organizacionais tais como just-in-time e abertura de novas firmas; 6 houveram conflitos entre produtores e fornecedores e a conseqüente falta de produtos; 7 não houve discussão quanto ao prazo do congelamento. O congelamento de preços foi peça fundamental e a inflação caiu nos primeiros meses. Houve explosão do consumo devido ao aumento do poder de compra do salário, a despoupança em função da desilusão monetária, a queda nas taxas de juros e ao consumo reprimido dos anos de recessão e ao congelamento de alguns preços defasados aos custos. O excesso de demanda reforçada pela expansão da oferta de moeda além do incremento natural da demanda provocada pela desinflação abrupta. Houveram taxas de juros negativas favoráveis a inflação zero. Esforços posteriores para uma política monetária mais restritiva e o aumento da taxa de juros encontrariam oposição política. Houve reconhecimento da magnitude do desequilíbrio fiscal, pois o esperado aumento na receita do governo, devido a eliminação da erosão da inflação que agia sobre a arrecadação dos impostos (efeito Tanzi) não se materializou no percentual e no tempo previstos. Quando ocorreu o aumento da receita, ele foi compensado pelo aumento nos gastos. No período final ou descongelava-se preços ou desacelerava-se o produto através do corte da demanda agregada. O ano de 1986 foi marcado pela redução drástica da inflação, após o congelamento de preços decretado pelo Plano Cruzado, e uma violenta expansão do consumo, que determinaram novamente a boa performance em termos de crescimento econômico (8,3%). O crescimento do consumo foi explicado por várias razões: transferência de renda real aos trabalhadores (aumento de salário real), fim da “ilusão monetária” com fuga dos ativos financeiros, expansão monetária e creditícia etc. Entretanto, foi também o responsável por vários problemas na economia e pela volta da inflação. Dentre os problemas, destacavam-se a crise de abastecimento, a presença do ágio como forma de burlar o controle de preços e outras formas travestidas de inflação, bem como uma profunda crise cambial. A crise cambial, em decorrência da redução do saldo na balança comercial e da piora nas contas de capital, com profunda queima de reservas para a sustentação do plano, desembocou na moratória de fevereiro de 1987 como forma de estancar a perda de divisas. Foram feitos ajustes no Plano Cruzado, como pode ser visto a seguir: Cruzadinho (07/1986 – 10/1986) Elaboração de um pacote fiscal para diminuir o consumo. Foram criados o sistema de empréstimo compulsórios e novos impostos indiretos sobre a gasolina (28%) e automóveis (30%). Mas, esse pacote teve pouca eficácia para conter o consumo. Ao contrário, a expectativa do descongelamento deu novo impulso à demanda. A inflação oficial caiu, porém

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não refletia a inflação real da economia devido aos ágios, ao desabastecimento e à introdução de produtos novos. Após o mês de setembro o saldo da balança comercial começa a refletir o excesso de demanda interna e a queda nas exportações. Cruzado II (11/1986 – 06/1987) Um pacote fiscal visando o aumento da arrecadação do governo em 4% do PIB via reajuste de alguns preços públicos e aumento de impostos indiretos. Porém, o incremento nos recursos do governo através de preços públicos mais elevados foi desviado para o gasto com produtos e não com o aumento de poupança. Isso reativou a inflação e aumentou o salário via gatilho, o que por sua vez causou a explosão da inflação. Segundo Celso Furtado: a inflação inercial é subproduto das outras e a inflação brasileira reflete em parte um conflito distributivo de renda, em que o governo sempre foi o beneficiário, pois recorria à inflação por não ter meios de se autofinanciar adequadamente através da política fiscal. Plano Bresser (12/06/1987) O Plano Bresser não tinha por objetivo a inflação zero, mas promoveu o choque deflacionário com a supressão da escala móvel de salários. Os objetivos eram sustentar a taxa de inflação a níveis mais baixos e reduzir o déficit público. Foi instituída uma nova base de indexação salarial, a unidade referencial de preço (URP), ou seja, a cada três meses seriam pré-fixados os percentuais de reajuste para os três meses subseqüentes; com base na inflação média dos três precedentes. O gatilho foi mantido, porém ampliava-se a defasagem entre a observação da taxa de inflação e seu repasse aos salários. Os preços foram congelados por três meses ao nível de 12/06/1987, mas antes foram aumentados os preços públicos e administrados. Também não ocorreu a reforma monetária. Quando o Plano Bresser entrou em vigor, em junho de 1987, houve a mudança no indexador da poupança de Obrigação do Tesouro Nacional (OTN) para a Letra do Banco Central (LBC). De acordo com as novas regras, que passaram a valer na época, foi determinado que, entre os dias 1º e 15 de junho de 1987, a poupança seria remunerada pela variação OTN e, a partir de então, pela LBC. Acontece que os bancos remuneraram o mês todo usando como indexador a LBC, que teve variação 18,02% no período, bem menor que a variação da OTN, de 26,06%. É exatamente a diferença de 8,04 pontos porcentuais de remuneração que atualmente o poupador daquela época tem direito. O Plano Cruzado teve como política de combate a inflação o aumento da demanda agregada num contexto de crescimento econômico, o que terminou com pressão sobre inflação. O Plano Bresser objetivava conter a inflação com a redução da demanda num contexto de desaceleração mantendo o crescimento econômico com o redirecionamento da oferta para exportações. O plano incorporou ingredientes inutilizados no Cruzado tais como a preocupação com a taxa de juros, a taxa de câmbio, o déficit público e acordo com o FMI. Porém, acreditava que a sociedade agia de forma irracional. O plano foi uma tentativa de debelar a inflação que, sem o apoio popular do plano anterior, teve acertos e erros. A volta da inflação levou à adoção, em 1987, de políticas de cunho mais ortodoxo, mesmo com a presença de novo plano em junho, o Plano Bresser, que possuía maior preocupação em conter a demanda interna e evitar problemas no front externo. Com a característica recessiva da nova política econômica, esse ano apresentou profunda queda na taxa de crescimento, que situou-se em 3,6%.

com giro diário. a política econômica também apresentou caráter errático: predomínio da ortodoxia em 1988 e tentativa de acordo social no final desse ano. para expor as empresas brasileiras à concorrência internacional. ao permitir a rápida conversão dos ativos em demanda por bens e serviços e ativos reais. rompendo a possibilidade de controle da oferta monetária. o Plano Collor realizou ampla reforma monetária. deveria ser resolvida a questão do déficit e da dívida pública. à privatização das empresas estatais e à maior abertura ao capital estrangeiro. redução dos gastos e elevação das receitas. o Banco Central afrouxou a liquidez. Verificou-se a ausência de qualquer mecanismo de política econômica. Isso tudo foi acompanhado de uma trajetória ascendente das taxas de inflação. não tendo atingido os objetivos.6% em 1989. As principais medidas do plano foram o congelamento de preços indeterminado e a reforma monetária com a introdução do cruzado novo (000). O diagnóstico sobre as causas da inflação centrava-se na alta liquidez dos ativos financeiros. Pretendia-se retomar a capacidade de fazer a política monetária e a elaboração de programas de abertura comercial e de privatização de empresas estatais. já nos meses seguintes ao confisco. A expectativa era transformar um déficit de 8% do PIB em superávit da ordem de 2% do PIB. as taxas de crescimento econômico apresentaram oscilação. que chegou no final do governo Sarney à taxa de 80% mensais. com base na eliminação dos títulos ao portador (inclusive cheques) e na redução de gastos públicos. pois tanto a política fiscal como a monetária tornaram-se prisioneiras da rolagem da dívida interna. A inflação voltou a acelerar. Dessa forma. o PIB sofreu uma redução em torno de 4% em 1990. O ajuste fiscal mostrou-se insuficiente. buscou uma reforma fiscal centrada no Imposto sobre Operações Financeiras. que gerou grandes problemas em termos de desestruturação das condições de oferta e uma onda de falências. Isso levou à adoção de uma política que visava a sustentação de taxas de juros reais elevadas. com estagnação em 1988 e crescimento de 3. com base na eliminação dos subsídios e diminuição dos juros. iniciou-se um conjunto de reformas estruturais no sentido liberalizante. Com o confisco da liquidez. no Imposto de Renda e no combate à sonegação. o objetivo de recompor os instrumentos de política econômica não ocorreu. novas tentativas infrutíferas de arrumar o Plano foram . que inviabilizava a condução da política monetária e qualquer tentativa de estabilização. mas envolveria um ajuste patrimonial.46 Plano Verão (14/01/1989) Em 1988 e 1989. A principal característica de todo o governo Sarney foi um grande descontrole das contas públicas: aumento nos déficits operacionais e crescimento do endividamento interno (cuja necessidade de rolagem inflexibilizava a taxa de juros) a prazos mais curtos. Plano Collor (16/03/1990) O governo Collor também tinha como preocupação básica o combate à inflação. o que não seria obtido apenas através do ajuste do fluxo. e a não política (ou "política do arroz com feijão") do final do governo Sarney. Esse confisco estava ancorado na MP 168 que bloqueava 70% do M4. cujo elemento central foi o confisco da liquidez e o alongamento compulsório da dívida pública. A principal medida foi o confisco de ativos financeiros com o objetivo de drástica redução da liquidez da economia. Com isso. Além disso. Além desses pontos. constituídas de maior abertura comercial. Para evitar um colapso maior. o que levou a uma grande expansão monetária. Além disso. adoção do Plano Verão em janeiro de 1989 (que mesclou elementos heterodoxos e ortodoxos). Assim.

Nos meses de abril. as inflações de procura das inflações de custos.gov. março/1994: A URV teve a função de unidade de conta e o Bacen emitia diariamente relatórios sobre a desvalorização do cruzeiro real e a cotação da URV. . maio e junho o governo fez a conversão em URV dos preços públicos e tarifas do setor público. usando suas próprias palavras.Banco Central do Brasil (Disponível: http://www. numa retomada do interesse nos agregados econômicos expressos na própria moeda do País.bcb.47 feitas e. voltou-se para a política do tipo "feijão com arroz". Foi definido como um plano de três fases: 1) O ajuste fiscal (O Fundo Social de Emergência – FSE). CPMF) junho/1993: Essa primeira fase estava baseada na origem fiscal da inflação foi implementado o Plano de Ação Imediata (PAI) em 06/1993. Importância: âncoras monetária e cambial Eventos importantes A renegociação da dívida dos Estados A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – 2000 . inclusive. coloque-os em ordem decrescente de importância. redução dos fundos de participação estadual (FPE) e municipal (FPM). ver: Pereira (1994).br/) Questões conceituais: 1 Destaque alguns efeitos perversos da inflação. Plano Real (1994) 4 O Plano Real veio alterar esse quadro. na tentativa de evitar a explosão do déficit e controlar a moeda. o Real (R$). com notória recuperação da credibilidade da moeda nacional que se refletiu. 3) A reforma monetária com a introdução da nova moeda. Justifique suas escolhas e a ordem em que as colocou. Os salários passaram a ser corrigidos pela média dos últimos quatro meses.Proíbe renegociações de débitos . Revista de Economia Política.Impõe um teto para os gastos . O Conselho Monetário Nacional (CMN) passou a ser composto pelo ministro da Fazenda. Planejamento e Coordenação da Presidência da República e presidente do Bacen. obtendo êxito inédito no combate à inflação. As medidas foram: combate a sonegação. Explique. A economia e a política do Plano Real. julho/1994: Foram fixados limites quantitativos para a emissão de moeda. 4 Para uma discussão do Plano Real. reestruturação dos bancos estaduais e federais e a privatização para transferir ao setor privado os custos da modernização da infra-estrutura. 2 Diferencie.Restringe o montante do endividamento total . 2) A introdução da Unidade Real de Valor (URV). criação da IPMF (hoje. 14 (56): 129-149.Exige projeções dos resultados primários para os 3 anos seguintes Outras informações sobre inflação: Relatório de Inflação . 3 Qual é uma das conseqüências mais claras de todo o processo inflacionário. depois. A seu critério.

sendo que cada um adota uma metodologia específica e o segundo deles serve de índice para o sistema de metas de inflação. a inflação está relacionada aos mecanismos de indexação formal e informal que provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores. II. II – Após um conjunto de medidas governamentais destinadas a incentivar a construção civil. e. ( ) A inflação é um aumento persistente no nível geral de preços. Quais os dois tipos de inflação mais conhecidos. um aumento nos gastos do governo ( ) b. caracteriza-se um processo inflacionário crônico. e III incorretas 9. principalmente em setores produtores de insumos básicos. a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica dos alimentos. a) somente a I correta b) somente a II correta c) somente a III correta d) I. f. e quando a resposta estiver falsa reescrever a frase.( ) Inflação se caracteriza como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços em um determinado período de tempo desestruturando a distribuição de renda. a. ( ) Alguns índices que são utilizados pelo governo para medir a variação dos preços na economia são o IPCA. e III corretas e) I. b. o mercado de capitais. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações. a) demanda – demanda agregada b) custos – demanda agregada c) demanda – oferta agregada . um aumentos das exportações ( ) d. 5 A essência das análises econômicas realizadas pelos ideólogos da reforma monetária que culminou no Plano Cruzado (1986) reside no fato de que “um determinante significativo da inflação corrente é a própria inflação passada” e que “o melhor previsor da inflação futura é a inflação passada”. 8. acompanhada de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. ( ) De acordo com os inercialistas. a que representa um fato causador de uma inflação de custos: ( ) a. ( ) A inflação de demanda se caracteriza pelo excesso de demanda agregada em relação à produção de bens e serviços.48 4 Se todos os preços subirem. um aumento dos investimentos ( ) c. Nessa situação aumentos da _____________ de bens e serviços. II. o balanço de pagamentos. Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: I – Se todos os preços dos bens e serviços se elevam apenas durante certo período de tempo. e sendo essa mão-de-obra escassa. além de outros efeitos. A probabilidade de ocorrer inflação de ____________aumenta quando a economia está produzindo próximo do pleno emprego de recursos. que são sempre repassadas aos preços. um aumento da oferta de moeda ( ) e. tal situação. as empresas diminuirão os salários oferecidos aos trabalhadores. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística no mercado. é suficiente para caracterizar um processo de inflação crônica. enquanto a desinflação é a redução no nível da atividade econômica. tomada isoladamente. pode-se ter certeza de que houve inflação. com a economia já a plena capacidade conduzem a elevações de preços . os preços dos materiais de construção se elevaram bastante. d. o INPC e o IGP. ( ) De acordo com a corrente estruturalista. estabilizando-se em seguida. IV – Uma inflação de demanda pode levar a economia a ter inflação de custos.Coloque F(falso) ou V(verdadeiro) nas seguintes afirmações. sendo causada pelo aumento de importações e tributos. A esse fenômeno os analistas denominam: a) efeitos de preços relativos b) hiperinflação c) inflação de demanda d) inflação inercial 6 Assinale entre as alternativas abaixo. um aumento das matérias-primas importadas 7. pelo fato de que um aumento de produção leva a um aumento da demanda de mão-de-obra por parte das empresas. c.

tendo como ano-base 1975.932.560 Nominais IPC 100 222 430 842 2. Complete a sentença: “de acordo com a corrente _________________ a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica de alimentos. como por exemplo.00 1043.40 114.928 23. Expresse sua opinião. 1970 e 1976 Bem Unidade de Preço médio Preço médio Consumo Consumo 1970 1976 medida per capita per capita 1970 1976 Leite Litro 0.654 1986 804.8 1978 1. Min.120 166. o Plano Real conquistou a tão sonhada estabilidade econômica.” a) monetarista b) fiscalista c) estruturalista d) clássica e) nenhuma das anteriores Questões Aplicadas: 1.106.38 30 35 Pão 500 g 0. A partir dos valores nominais dos salários.00 80.1 123. Tabela 1.586 57. Min. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações.684 . calcule o salário real.2 1977 1. usando 1970 como ano-base. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística do mercado.00 158.5 Fonte: Boletim do Banco Central 5.578 8. reais 1985 600.939 5. A tabela abaixo apresenta os valores do salário mínimo.00 2105. 2.788 11. vigente em dezembro cidade do Rio de Janeiro.35 3. A tabela abaixo apresenta o índice de produção industrial para o Brasil no período de 1975-1980. Preço e consumo de três bens em Palmeira das Missões. a meta do crescimento econômico.8 132.5 1. Anos 1975 1976 1977 1978 1979 1980 Indices 100.000 41.49 d) custos – procura agregada e) nenhuma das anteriores 10.3 1982 23.80 520.6 1979 2.4 (1975=100) 1977=100 Fonte: Conjuntura Econômica 4.25 0. Ano 1979 1980 1981 1982 1983 1984 Sal. Usando a tabela abaixo. Indices 1975 532. Determinar a respectiva série de salários mínimos reais (a preços constantes). calcular os números índices de Laspeyres e Paasche para 1976 para os três bens.919 Sal.60 0. comparando-os com o de 1975.80 55. 2. Anos Sal.000 22.80 279.0 3.1 1980 5.8 142.560.568.8 3.90 1. bem como os valores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FGV).4 1976 768.7 Ovos Dúzia 0. Obter uma nova série adotando 1977 como ano-base.5 115.928.788. Será que essa estabilidade já é condição suficiente para o país buscar outras metas além da meta de inflação. Após as diferentes tentativas para conter a inflação nos anos de 1980 e 1990.30 0.0 112.1 1981 11.

Riscos pesados = governo interfere porque empresa privada pode correr riscos.50 CAPÍTULO 4 – SETOR PÚBLICO O que veremos? Funções do Setor Público Receita do Setor Público Gastos do Setor Público Aspectos Institucionais do Orçamento Público Finanças Públicas = setor que controla a massa de dinheiro e de crédito que o governo federal e os órgãos a ele subordinados movimentam em um país. não interferindo nas decisões de alocações de recursos tomadas como base no mecanismo de mercado.Princípio da neutralidade: Quando a ação captadora de recursos do governo não altera os preços relativos da economia e assim. Outros exemplos de instituir tributos de forma que funcionem como financiamento de determinados programas do governo são a cobrança de um imposto sobre combustíveis. Dificuldade: como individualizar os benefícios a partir do funcionamento de bens públicos. Monopólios Naturais = governo atua para assegurar preços razoáveis. ESTRUTURA TRIBUTÁRIA A teoria da tributação envolve dois princípios fundamentais: neutralidade e equidade. para financiar a construção de . em termos de contribuição. Exemplo: serviços públicos que utilizam taxas específicas para o seu financiamento.Princípio do benefício recebido: um tributo é justo quando cada contribuinte paga ao Estado um montante diretamente relacionado com os benefícios que recebe do governo. Função Distributiva: governo atua como agente redistribuidor de renda. exclui o consumo do indivíduo B que não pagou pelo bem. ou seja. A neutralidade do ponto de vista da alocação dos recursos deveria ser complementada pela equidade na repartição da carga tributária. Bens públicos ou coletivos = têm por característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo Princípio de exclusão: quando o consumo do indivíduo A por um determinado bem que pagou. enquanto os desiguais serão diferenciados segundo algum critério a ser estabelecido. isto é. 2. a política fiscal consiste em tentar expandir a atividade econômica com o objetivo de criar mais empregos. uma preocupação com a “equidade vertical”. dar um mesmo tratamento. aos indivíduos iguais – um critério de “equidade horizontal”. . A equidade pode ser avaliada sob duas maneiras: .Princípio da eqüidade: a distribuição do ônus do imposto de maneira justa entre os indivíduos. Função Estabilizadora: governo pode alterar o comportamento dos níveis de preços e de emprego. 1. . Política fiscal: Tendo como instrumentos os gastos e a receita tributária. Bens Meritórios = podem ser explorados pela iniciativa privada. mas podem e devem ser também explorados pelo governo. através da tributação que retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade e os transfere para os menos favorecidos. AS FUNÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR PÚBLICO Função Alocativa: está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos pelo sistema de mercado.

Todos os impostos indiretos. OS TRIBUTOS E SUA CLASSIFICAÇÃO Tipos de Tributos 1. . .Contribuição parafiscais: se destinam à sustentação de encargos paralelos aos da administração pública direta. Taxas: é um tributo vinculado. Contribuições fiscais: um tributo é fiscal quando sua cobrança não visa senão a arrecadação de recursos financeiros para os cofres públicos e objetivam a sustentação dos encargos que são próprios do órgão central da administração. impostos progressivos e impostos proporcionais. paga um percentual maior sobre a renda. Quem ganha mais. .Regressivos: A relação entre carga tributária e renda decresce com o aumento do nível de renda. 3.51 rodovias. Ex: 10% de imposto sobre o preço de venda de TVs. podem ser estruturados em: impostos regressivos. Todos pagam a mesma percentagem sobre a renda e não o mesmo valor. Ex: IR.Progressivo: a relação entre carga tributária e renda cresce com o aumento no nível de renda.Contribuição extrafiscal: utilizadas para tributar externalidades. para financiar investimentos no setor. Quem ganha mais paga menos. em geral desempenhada tendo em vista sua pessoa. . .Principio da capacidade de pagamento: cada agente deveria pagar tributos conforme sua capacidade de pagamento. específico: valor em R$ fixado). 2. Ex: PIS. é aquele que incide sobre renda e riqueza. ou a possibilidade de uma referência direta à sua pessoa. b) impostos indiretos: a pessoa que recolhe o tributo não arca totalmente com o seu ônus. FINSOCIAL e COFINS. Existem dois tipos de impostos: a) impostos diretos: a pessoa que recolhe o tributo é a mesma que arca com o seu ônus.Proporcional (neutro): a relação entre a carga tributária e o nível de renda permanece constante. É aquele que incide sobre transações de mercadorias e serviços e que podem ser ou ad valorem ou específicos (Ad valorem: alíquota % fixada. referida ao obrigado. consumo e patrimônio. Ex: imposto de alíquota única. . Tarifas: é um instrumento utilizado na cobrança do imposto de importação. e os impostos sobre consumo de energia elétrica. Além disso. Medidas da capacidade de pagamento: renda. porque seu fato gerador é sempre uma atuação do Estado. Impostos: tributo cuja obrigação tem por fator gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal. 3. . 4.

financeira .52 Quadro 5 .Impostos e esferas de Governo: Impostos Federais Impostos Estaduais Imposto de renda (IR) Impostos Municipais Imposto sobre circulação de Impostos sobre a propriedade mercadorias e prestação de predial e territorial urbana serviços (ICMS) (IPTU) automotores “Inter Vivos” de bens imóveis e direitos a eles relativos (ITBI) de Mortis Transmissão Imposto e sobre serviço de Imposto de Exportação Imposto sobre a propriedade Imposto sobre a transmissão de veículos (IPVA) Imposto de Importação Imposto Causa (ITCMD) Doação qualquer natureza (ISSQN) Imposto Imposto sobre sobre operação produtos financeira (IOF) industrializados (IPI) Contribuição provisória sobre movimentação (CPMF) Imposto territorial rural (ITR) Cide-Combustíveis A seguir são mostradas tabelas com a arrecadação federal para o período de janeiro a outubro de 2005 e de 2006.

53 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda .

54 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda Para outras informações sobre arrecadação ver: http://www.br/ .receita.fazenda.gov.

5% 1. 5. A primeira alternativa é vista com receio porque pode gerar inflação na economia através do estímulo ao consumo.br/lrf/conteudo/publicacoes/dicas. inversões financeiras e transferências de capital.851. mas aumenta a dívida uma vez que a os títulos são remunerados pelas taxa de juros vigentes na economia.0% 2. A tabela abaixo mostra a representatividade em termos do PIB da dívida do setor público brasileiro para os anos de 2004 e 2005. Tabela 3 .Déficit Operacional = Receitas – Despesas + juros reais dívida passada 6. A venda de títulos da dívida não gera inflação.Déficit Primário = Receitas . São subdivididos em despesas de custeio e transferências.6% 1.htm . DÉFICIT PÚBLICO O dispêndio do governo é decomposto em Gastos em geral (DC + DK) + Juros sobre a dívida interna e externa. incluindo inflação e juros sobre dívida anterior . Dicas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”.55 4. Líquida Total Div.6% 49. 5 O quadro abaixo explica como é feito o orçamento. o sistema orçamentário federal passou a ser regulado por três leis: Lei do Plano Plurinanual (PPA). Conceitos de déficit: . ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO ORÇAMENTO PÚBLICO Com a Constituição Federal de 1988.Despesas . FINANCIAMENTO DO DÉFICIT O déficit do governo pode ser financiado pela emissão de moeda ou pela venda de títulos da dívida pública ao setor privado (interno e externo).Déficit Nominal = Receitas – Despesas. a Lei de Responsabilidade Fiscal. São subdivididos em investimentos. Após o ano de 2000. Externa PIB (R$ mi) FONTE: Bacen 2005 51.planejamento. Despesas de capital (DK) = implicam num aumento do patrimônio do governo. Disponível: http://www. Interna Div. OS GASTOS DO SETOR PÚBLICO Por categorias Econômicas: Despesas Correntes (DC) = não resultam acréscimo ao patrimônio do governo.193 51. Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA).gov.2% 7.980 7.Dívida Líquida do Setor Público (% em relação ao PIB) 2004 Div.942.7% 44. 5 Para mais informações sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal ver “Gestão Fiscal Responsável.

Para saber mais sobre o PPA 2004-2007 que tomou o nome de Plano Brasil . deputados e senadores discutem na Comissão Mista de Orçamentos e Planos a proposta enviada pelo Executivo. A Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura. mas nem tudo é feito pelo governo federal. O Orçamento brasileiro tem um alto grau de vinculações .br. através de emenda constitutucional. o Projeto de Lei do PPA deve conter "as diretrizes. Por determinação constitucional. O governo define no Projeto de Lei Orçamentária Anual. na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. aprovada em 2000 pelo Congresso Nacional introduziu novas responsabilidades para o administrador público com relação aos orçamentos da União. seguridade social. fazem as modificações que julgam necessárias através das emendas e votam o projeto.planobrasil. estabelece a política de aplicação das agências financeiras de fomento. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada". A Lei Orçamentária disciplina todas as ações do governo federal. orienta a elaboração do Orçamento. Depois de aprovado. A Lei de Responsabilidade Fiscal. etc que tornam o processo orçamentário extremamente rígido.56 COMO É FEITO O ORÇAMENTO O Orçamento Geral da União (OGU) é formado pelo Orçamento Fiscal. dos Estados e municípios.Um País de Todos. receitas próprias de entidades. A Lei introduziu a restrição orçamentária na legislação brasileira e cria a disciplina fiscal para os três poderes: Executivo. o que irá trazer maior flexibilidade à execução orçamentária. proibição de criar despesas de duração continuada sem uma fonte segura de receitas. o governo é obrigado a encaminhar o Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. Nenhuma despesa pública pode ser executada fora do Orçamento. as prioridades contidas no PPA e as metas que deverão ser atingidas naquele ano. em conjunto com os Ministérios e as unidades orçamentárias dos poderes Legislativo e Judiciário. De acordo com a Constituição Federal. crises econômicas mundiais como aquelas que ocorreram na Rússia e Ásia obrigaram o Poder Executivo a editar Decretos com limites financeiros de gastos abaixo dos limites aprovados pelo Congresso. o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional projeto de lei de crédito adicional. manutenção do ensino. Orçamento e Gestão (http://www.gov. dispõe sobre alteração na legislação tributária. O PPA estabelece a ligação entre as prioridades de longo prazo e a Lei Orçamentária Anual. como limite de gastos com pessoal. A LDO estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro subsequente. No Congresso. a Secretaria de Orçamento Federal elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte. o projeto é sancionado pelo Presidente da República e se transforma em Lei. São chamados de Decretos de Contingenciamento em que são autorizadas despesas no limite das receitas arrecadadas.Desvinculação de Recursos da União. A Lei Orçamentária brasileira estima as receitas e autoriza as despesas de acordo com a previsão de arrecadação. FONTE: Ministério do Planejamento.transferências constitucionais para Estados e municípios. Por outro lado. Acompanha o projeto uma Mensagem do Presidente da República.gov. entre outros. Com base na LDO aprovada pelo Legislativo.br) . O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano. A Constituição Federal de 1988 atribui ao Poder Executivo a responsabilidade pelo sistema de Planejamento e Orçamento que tem a iniciativa dos seguintes projetos de lei: Plano Plurianual (PPA) De Diretrizes Orçamentárias (LDO) De Orçamento Anual (LOA) O Projeto de Lei do PPA define as prioridades do governo por um período de quatro anos e deve ser enviado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato. da Seguridade e pelo Orçamento de Investimento das empresas estatais federais.planejamento. Se durante o exercício financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está previsto na Lei. clique no endereço www. Legislativo e Judiciário. As ações dos governos estaduais e municipais devem estar registradas nas leis orçamentárias dos Estados e municípios. Esse excesso de vinculações e carimbos ao Orçamento levou o governo federal a propor a DRU .

É possível o setor público desempenhar todas as suas funções de maneira harmônica? Comente. ( ) o superávit primário é considerado como sendo a diferença entre a receita e os gastos com juros do Governo. d. e. ( ) os chamados impostos indiretos têm essa denominação por incidirem sobre a renda e a riqueza dos indivíduos.57 8. Ex: Banrisul. ( ) quanto maior for o PIB menor será a carga tributária. por exemplo. Quando o governo gasta mais do que arrecada suas contas entram em déficit. i. segundo o conceito operacional. O déficit do setor público pode ser financiado? Explique quais são as alternativas. h. O que diferencia cada um deles. ( ) se. que podem ser nominal ou total. 5. FISCALIZAÇÃO O Tribunal de Contas da União (TCU) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados à União. progressiva e proporcional. ( ) a carga tributária é obtida da relação entre o PIB e o total de arrecadação do governo. 4. Coloque F (falso) ou V (verdadeiro). b. 2. ( ) o imposto sobre produtos industrializados pode ser caracterizado como imposto direto j. l. ( ) o ICMS é tipicamente um imposto direto. com o aumento das alíquotas do imposto sobre a renda das famílias forem gerados recursos adicionais utilizados para maiores gastos sociais pelo governo. Questões Conceituais: 1. operacional. f.( ) no cálculo do déficit público. Alguns municípios têm Tribunal de Contas próprio. Explique o que significa cada uma delas e diga qual é a predominante para o caso da economia brasileira. g. 3. ( ) os bens públicos são consumidos individualmente e seu benefício para cada cidadão é difícil de ser medido. Os Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados ao Estado. ( ) o governo possui dois principais tipos de gastos: gastos públicos e gastos correntes. Classifique os impostos abaixo em imposto direto (D) ou imposto indireto (I): ( ) ICMS ( ) IPI ( ) IPTU ( ) CPMF ( ) IPVA ( ) ITR . incluem-se os juros bem como as despesas com correção monetária das dívidas interna e externa k. a demanda agregada não variará. c. 6. e primário. ( ) o conceito de déficit primário inclui os juros pagos de dívida passada. justificando quando falso: a. 7. A estrutura tributária pode ser regressiva. a cidade de São Paulo. Cite e explique os dois princípios fundamentais da tributação. ( ) a estrutura tributária brasileira beneficia a classe de renda mais baixa por estar baseada em altas alíquotas de imposto de renda e baixas alíquotas de impostos sobre o consumo.

i. o que sobra é a remuneração dos fatores de produção de cada setor. Trigo (a) receita de vendas (VBP) (b) Compras intermediárias Valor adicionado (a-b) Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo) Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha) Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão) 100 + 300 + 600 =1. O CONCEITO DE VALOR ADICIONADO: O PRODUTO NACIONAL O conceito de valor adicionado é entendido como: Valor Adicionado = Valor Bruto de Produção (VBP) – Consumo de Produtos Intermediários (matérias-primas e componentes) O Valor Bruto de produção (VBP): é o faturamento.000 Pão O problema de dupla contagem no cálculo do produto pode ser resolvido de duas formas: .58 CAPÍTULO 5 – CONCEITO E CÁLCULO DOS AGREGADOS MACROECONÔMICOS O que veremos? Valor adicionado. de cada setor produtivo. renda e dispêndio Produto. renda e dispêndio: da economia fechada à economia aberta Informações Conjunturais sobre o PIB no Brasil Problemas com as medidas agregadas Conceitos Básicos: Valor Adicionado. sendo difícil aferi-lo a partir do fabricante.e. Renda e Dispêndio 1. O conceito de valor adicionado é uma forma alternativa e a mais operacional para medir o produto e a renda nacional do que diretamente pela soma de produtos finais. a receita de vendas. Para exemplificar o conceito de valor adicionado. Retirando da receita de vendas os gastos com a compra de bens intermediários. sem discriminar quanto foi pago em salários. utilizaremos a produção de pão. depende do uso que se fará posteriormente.000 400 PN=DN=1. a gasolina vendida nos postos pode ser utilizada tanto como bem final para o consumidor. ou aluguéis. ou juros.. ou lucros. como bem intermediário para uma empresa. Por exemplo.000 = RN 0 100 100 Farinha 400 1. mas o valor total. já que a conceituação de bem final não é muito simples.

que conduzem a mensurações iguais. O exemplo acima mostra o método do valor adicionado. EXEMPLO: Empresa agrícola que use trabalho. e capital de giro = para produzir arroz e soja. o total de investimento em acumulação deve se igualar ao total de renda poupada. governo e estrangeiros. São três abordagens diferentes de avaliação. A renda. somente seria computado o valor dos pães. que é o produto final (não é utilizado para a produção de outros bens). lucros. na apuração do produto. somente os valores adicionados em cada etapa do processo de produção. O valor adicionado está diretamente relacionado ao segundo conceito macroeconômico básico: o de renda nacional (remunerações pagas aos fatores de produção mobilizados pelas empresas. consumidores.59 1. aluguéis) pelo moinho e pela padaria. juros. CONCEITO DE DESPESA NACIONAL(DN) Um terceiro conceito diz respeito à destinação que é dada ao produto e à renda nacional. PRODUÇÃO VT da produção de arroz 600 VT da produção de soja 400 RENDA Total de pgtos de: w aluguel Juros pagos Lucro Total 1000 Total 800 80 20 100 1000 OBS: não incorpora os insumos intermediários 3. o produto e o dispêndio nacional são expressões contabilmente equivalentes. Ou seja. O CONCEITO DE RENDA NACIONAL(RN) A Renda Nacional é a soma dos pagamentos feitos aos fatores de produção que foram utilizados para a obtenção do produto nacional. computar. No exemplo. o Produto nacional também pode ser medido pela ótica das despesas realizadas pelos agentes. Por que isso ocorre? . ENTÃO: A IDENTIDADE BÁSICA DAS CONTAS NACIONAIS: PN = RN = DN Para que essa tríplice igualdade se realize. na apuração do produto. 2. A soma do consumo e da acumulação está representada pelos investimentos em bens de capital. computar. não consumida. 2. somente o valor dos bens e serviços finais. empresas. máquinas e equipamentos. terra. Assim. é igual ao dispêndio nacional. seriam computados o valor da produção do trigo na fazenda e os valores agregados (de salários. As nações produzem bens e serviços que se destinam a duas grandes categorias de dispêndio nacional . ou seja.o consumo e a acumulação.

Como os gastos das empresas com fatores de produção é a própria Renda Nacional. Por que considerar apenas os bens finais? Se forem somados os valores brutos da produção de bens e serviços de todas as unidades produtivas do país. juros. todas as decisões partem das famílias. não incluem o custo dos insumos intermediários. só se consideram os bens finais e os custos de produção das empresas no sistema agregado. SEM GOVERNO E SEM FORMAÇÃO DE CAPITAL . Então. Por exemplo: se forem somados o valor da produção de trigo da fazenda. o dos pães produzidos pela padaria. Produção (PN) = Vendas (DN) Como no agregado são excluídas as compras de bens intermediários.60 Nesse nosso modelo simplificado de economia sem governo. a empresa gasta com pagamentos a fatores de produção tudo o que recebe pela venda de bens e serviços que são os salários. PRIMEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. As empresas que são de propriedade de seus acionistas são abstrações jurídicas. Fluxo circular da renda Pagamento de bens e serviços Bens e serviços FAMÍLIAS EMPRESAS Fatores produtivos Salários. as famílias — pessoas físicas — . ou seja. Para sua sobrevivência. estariam somados o valor do trigo da fazenda três vezes. aluguéis. sem formação de capital e fechada não existem estoques. recebem salários. aluguéis e lucros. o da farinha produzida pelo moinho duas vezes e o dos pães produzidos pela padaria uma vez. que se compensam na agregação das unidades produtoras. são três diferentes óticas conceitualmente diferentes para medir a atividade econômica. representado o local onde se organiza a produção. o da farinha produzida pelo moinho. juros e lucros. Assim. como matérias-primas. componentes. a empresa vende tudo o que produz. segue que: PN= DN= RN Ou seja.Dois agentes econômicos: empresas e indivíduos Nesse sistema simplificado. pode-se incorrer no chamado erro de dupla ou múltipla contagem. aluguéis. mas conduzindo ao mesmo resultado numérico. energia são insumos que entram no processamento de outros bens. juros e lucros As famílias entregam às empresas os fatores de produção e. ou seja. Os bens intermediários. são transações de empresas a empresas. em troca.

aquilo que receberam como salários. Nesse processo. O fluxo monetário é medido pelo dispêndio das famílias em bens e serviços finais produzidos pelas empresas ou pela remuneração percebidas pelas famílias em troca dos fatores de produção. bens de investimentos: não são consumidos.o gasto em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia (Taxa de acumulação de capital). 2.. O fluxo monetário representa a contrapartida pelo fluxo real. bens de consumo: consumidos como um fim em si mesmo. representam custos de produção. i. da renda gerada (w. aluguéis (a) e lucros (l). aluguéis. l). SEGUNDA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. Há uma equivalência entre o fluxo de dispêndio de bens e serviços finais (produtos) e o fluxo da remuneração dos fatores produtivos. Para adquirir esses bens e serviços. isto é. A remuneração dos fatores de produção constitui-se de: salários (w). j. i. juros e lucros). são identificados dois fluxos: um de produtos (bens e serviços) e outro de renda (salários. proprietárias dos fatores de produção.e. Isso é o que ocorre no dia-a-dia da economia. . Disso. aluguéis. Mas. a necessidade de introduzir dois novos conceitos: CONCEITO DE POUPANÇA: Poupança = parcela da renda não consumida no período.e. juros (j). O fluxo circular da renda pode ser analisado sob o ponto de vista do fluxo real (fluxo de fatores de produção e fluxo de bens e serviços finais) ou de sua expressão em moeda . Pelo lado das famílias. parte não é gasta em bens de consumo. em troca. consideraremos agora que as famílias poupam e as empresas adquirem bens de capital. SEM GOVERNO E COM FORMAÇÃO DE CAPITAL Até aqui consideramos que as famílias apenas consomem e que as firmas só produzem bens que são consumidos pelas famílias (bens de consumo). juros e lucros. e serviços dos fatores de produção. fazendo parte da produção.. as famílias cederão. pelo ângulo das empresas. Daí surge a identidade renda ≡ produto. o investimento pode ser definido como: . Esses fluxos caracterizam o que conhecemos como fluxo circular da renda. S= RN . Então.61 precisam adquirir bens e serviços produzidos pelas empresas. a.o fluxo monetário. pelo fornecimento de bens e serviços. trata-se de rendimentos. sua capacidade produtiva.C onde C= Consumo Agregado CONCEITO DE INVESTIMENTO: O Produto Nacional é composto por dois tipos de bens: 1. e têm como objetivo aumentar a riqueza da nação.

no sentido de que sofre um desgaste. só que. ou seja: I = PN – C Quais bens são produzidos e não consumidos no período? 1. o bem de capital é consumido. 2.Se a arrecadação do Governo superar os gastos: superávit primário ou fiscal.). os componentes do Investimento são: I = Ibk + ∆E A distinção entre Ibk e ∆E é necessária: Ibk : é deliberada e planejada ∆ E: não é planejada e depende das oscilações de mercado. variação de estoques (produtos acabados e intermediários): ∆E Assim. em dado período. TERCEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E AINDA FECHADA Agentes: famílias. mas que não foram consumidos no próprio período e que serão utilizados para consumo futuro. PN a preços de mercado (PNpm) = medido a partir dos valores transacionados no mercado. Do total de produto e renda gerados. Transferências (Tr). Isso permite introduzir outros conceitos: Investimento líquido (IL) = IB – d Produto Nacional Liquido (PNL) = PNB – d O dispêndio passa a ser dividido agora em gastos com consumo e gastos com a acumulação. . parte será destinada para os bens de consumo final e outra para bens de consumo duráveis e investimentos. a remuneração aos fatores (w + j+ a + l). equipamentos e imóveis: investimento em bens de capital (Ibk).Receitas não tributárias: contribuições à previdência social com os encargos trabalhistas e outras receitas do governo como taxas (pedágios. Ou seja. diferentemente dos bens de consumo.o gasto em bens produzidos. Subsídios (Sub). têm-se a introdução de dois novos conceitos: PN a custo de fatores (PNcf) = medido a partir dos valores que refletem os custos de produção. Com a presença do governo no modelo simples de economia.Receitas tributárias: com impostos indiretos (Ti) como ICMS e IPI e impostos diretos (Td) como IR. Investimento (I). . IMPORTANTE: . até virar sucata. O governo gasta suas rendas em: Consumo (C). Incluindo ainda os subsídios (Sub). O CONCEITO DE DEPRECIAÇÃO: A depreciação (d) é o consumo do estoque de capital físico. Adicionando o custo dos tributos indiretos (Ti). . multas e etc. IPTU e ITR.62 . máquinas. empresas e governo O governo obtém sua renda através: .Se os gastos do Governo superaram a arrecadação: déficit primário ou fiscal. em parcelas.

CONCEITO DE IMPORTAÇÃO (M): são nossas compras com bens e serviços do exterior. Obs: A partir da consideração do resto mundo no nosso modelo simplificado de economia. Parte da renda gerada no país que vaza para fora. temos: o produto nacional difere do produto interno. CONCEITO DE EXPORTAÇÃO (X): são as compras dos estrangeiros de nossos bens e serviços.63 Temos: PNcf: PNpm – Ti + Sub PNpm: PNcf + Ti – Sub Outros ajustamentos na renda nacional que levam aos conceitos de Renda Pessoal e de Renda Pessoal Disponível. Renda pessoal Disponível: montante de recursos financeiros de que as famílias e empresas individuais podem dispor após o cumprimento de suas obrigações fiscais para com o governo. ou seja. os gastos do setor externo com nossas empresas. já que agora temos que levar em consideração que alguns fatores utilizados no processo produtivo são de propriedade de residentes no exterior. Renda Pessoal: quantias recebidas pelas famílias e empresas individuais. Da mesma forma que alguns residentes no país tem fatores de produção que são utilizados em outros países. ENTÃO O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA AGORA: SUBSÍDIOS EMPRESAS TRIBUTOS GOVERNO FP TRANSFERÊNCIAS REMUNERAÇÃO DOS FATORES TRIBUTOS FAMÍLIAS Os impactos da presença do governo nos conceitos e nos fluxos de produto. Somam-se aqui as transferências do governo para a sociedade como por exemplo o pagamento de aposentadoria.tributos indiretos líquidos = PNLcf = Renda Nacional – tributos diretos líquidos = renda pessoal disponível (que será gasta em consumo ou em acumulação) QUARTA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E ABERTA Agrega com isso as variáveis relativas a uma economia aberta para o resto do mundo. quanto gastamos com o resto do mundo. . renda e dispêndio são: PNB – depreciação – PNLpm .

e excluindo a renda enviada para o exterior pelas empresas estrangeiras localizadas no Brasil.64 No modelo de economia aberta ao resto do mundo. em que o PIB supera o PNB. Assim: RLFE = RR – RE Teremos então o conceito de: PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB): renda que pertence efetivamente aos nacionais. como a RLFE é negativa. temos que RE < RR. devido às altas remessas de juros.RENDA RECEBIDA DO EXTERIOR (RR): recebemos renda devido à produção de nossas empresas operando no exterior. Portanto: PNB = PIB + RLFE (PNB = PIB + RR – RE) E PIB = PNB – RLFE (PIB= PNB . é necessário fazer a distinção dos seguintes conceitos: PRODUTO INTERNO BRUTO = mede a renda que é produzida dentro das fronteiras nacionais. temos que RLFE < 0. Divide-se em: .RENDA ENVIADA AO EXTERIOR (RE): parte do que foi produzido internamente não pertence aos nacionais. inclui-se no primeiro caso. principalmente o capital e a tecnologia. não importando quem obtenha a renda. Aqui. então: PNB > PIB O Brasil bem como a quase totalidade dos países emergentes. O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA : RE AO EXTERIOR EMPRESAS GOVERNO FAMÍLIAS RESTO DO MUNDO RR DO EXTERIOR . RENDA LÍQUIDA DE FATORES EXTERNOS (RLFE): é a remuneração dos gastos dos ativos pertencentes a estrangeiros. incluindo a renda recebida de nossas empresas no exterior.RR + RE) Se: RE > RR. juros e assistência técnica. na forma de remessa de lucros. ela é chamada de Renda Líquida Enviada ao Exterior. lucros e royalties aos estrangeiros. então: PNB < PIB RLFE > 0. A remuneração desses fatores vai para fora do país. . royalties.

Por exemplo: Conta do produto interno bruto: temos no lado do débito o pagamento das unidades produtivas aos fatores de produção. . relativas à produção. o que as empresas receberam dos agentes que adquiriram os bens e serviços finais. o sistema de contas nacionais é baseado em quatro contas. . . Preços a custos de fatores: (PIBcf: PIBpm – Ti + sub) Preço de mercado: (PNpm: PNcf + Ti – sub) PIL = PIB – d RIL = RIB – d PNB = (valor produção – valor dos consumos intermediários) + RLFE RNB = soma das remunerações dos fatores de produção pagas a residentes. . da renda e da despesa: Ótica do produto: PIB = Valor da produção – Valor Consumos intermediários Ótica da renda: RIB = soma das remuneração aos fatores de produção Ótica da despesa: DIB = soma dos gastos finais na economia em bens e serviços. RIB = mede a contribuição dos fatores de produção independentemente da nacionalidade dos possuidores desses fatores. Os lançamentos das transações são feitos de acordo com o método das partidas dobradas (débito e crédito). empresas. os conceitos convencionais dos agregados macroeconômicos são: PIB – renda liquida enviada ao exterior = PNB – depreciação = PNLpm – tributos indiretos menos subsísios = renda nacional – tributos diretos menos transferência = renda pessoal disponível.Conta Renda Nacional Disponível Líquida (apropriação).Conta Produto Interno Bruto (produção). A CONTABILIDADE SOCIAL Os agregados macroeconômicos que discutimos até agora são calculados com base em dois sistemas principais de contabilidade social: o Sistema de Contas Nacionais e a Matriz de Insumo-Produto. Na forma original. PIB = mede o total do valor adicionado produzido por firmas operando no país. apropriação ou (utilização) da renda e acumulação (ou formação de capital) dos agentes econômicos (famílias.Conta de Capital. nacionais e importados.65 No modelo completo de economia. no lado do crédito. no lado do crédito. Resumo: Em Contas Nacionais o acompanhamento dos fluxos de produção. Conta da renda nacional disponível líquida: no lado do débito está como as famílias e o governo utilizam a renda recebida e.Conta Transações Correntes com o resto do mundo. as rendas recebidas pelas famílias e . por três óticas: do produto. setor público e setor externo). independente da origem de seu capital. geração da renda e de despesa num período permite que se calcule o valor adicionado bruto ou produto interno bruto de uma economia. incluindo os impostos indiretos (menos os subsídios) e.

No Brasil. Os subsídios e a depreciação entram com sinal negativo. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula o PIB e apresenta o resultado anual na periodicidade de trimestres. Na nova metodologia o sistema é composto pelas Tabelas de Usos e Recursos de Bens e Serviços (TRU) e pelas chamadas Contas Econômicas Integradas (CEI). os rendimentos e as transferências recebidas do resto do mundo. Conta de capital: no débito. estão as compras realizadas por residentes de bens e serviços produzidos no exterior (importações CIF) e os pagamentos e as transferências pagas aos não-residentes. no lado do crédito. . Veja a tabela abaixo que mostra a composição do PIB sob as três óticas. Conta transações correntes com o resto do mundo: no lado do débito estão os gastos dos não-residentes com os bens produzidos internamente (exportações CIF).66 pelo governo mais o resultado líquido dos recebimentos e das transferências com o exterior. a fonte de recursos para os investimentos. bem como a poupança externa. e. a poupança dos agentes econômicos. estão os gastos com a formação de capital. No lado do crédito. ou seja. incluindo a depreciação.

67 Composição do Produto Interno Bruto sob as três óticas – 1999 a 2003 .

7 2.Tabela 2 Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) .3 1º Trim 2006 3.2 3.5 Fonte: IBGE.0 1. Diretoria de Pesquisas.3 1. Indicadores de Volume. julho/setembro 2006 (disponível: http://www. a seguir.4 3. Contas Nacionais Trimestrais.1 1.4 0.3 2.gov.2 1. população residente e deflator implícito do PIB – 1999 a 2003 A Tabela Resumo.5 Taxas (% ) Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior .2 3º Trim 2006 2.1 2.4 1.3 1.6 4º Trim 2005 2.2 (-) 1.68 Produto Interno Bruto.Tabela 4 Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior . 3º Trim 2005 2. Produto Interno Bruto per capita. Coordenação de Contas Nacionais Para outras informações sobre o PIB brasileiro ver Indicadores IBGE.3 2º Trim 2006 2.2 0.ibge.Tabela 3 Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores .Tabela 7 3. apresenta os principais resultados para o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado referentes aos cinco últimos trimestres. .br).

O engenheiro come o pão. (fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD) Levando em consideração essa assertiva. a renda enviada (RE) supera a renda recebida (RR) do exterior.00 12. Comente os principais problemas com as medidas agregadas da economia. O moleiro transforma o trigo em farinha.00. Observe a seguinte passagem: “Transformar crescimento econômico em bem-estar para todos é o grande desafio enfrentado pelos diversos países e suas comunidades.000 Ano 2010 Preço ($) 70. .Subsídios empresas privadas 10 . O que representa o PIB e o PIB per capita de uma economia? 2.Tributos diretos 80 . Considere uma economia que produz e consome pão e automóveis. Um agricultor colhe um hectare de trigo e vende a um moleiro por $1. Qual é o valor agregado por cada pessoa? Qual é o PIB? 3. No Brasil. PIB real do ano de 2010 e taxa de crescimento real. 4.000 Automóveis Pão a) Tomando 2000 como ano-base. calcule as seguintes estatísticas: PIB nominal dos dois anos. O que é valor adicionado (VA)? Exemplifique.Tributos indiretos 100 . responda: a) Costuma-se fazer uma distinção entre “crescimento” e “desenvolvimento” econômico.00 25.00 Quantidade 130 410. 2.Questão da economia subterrânea: atividades gerais do cotidiano.00. Qual o maior: o PNB ou o PIB? Comente.00. A tabela a seguir contém dados de dois anos diferentes. Qual é a diferença entre Produto Nacional Bruto (PNB) e Produto Interno Bruto (PIB)? Explique. qual seria a diferença entre esses dois conceitos? b) Um Produto Interno Bruto (PIB) elevado reflete necessariamente um país com bons indicadores de desenvolvimento humano e econômico? Justifique sua resposta. O padeiro usa a farinha para fazer o pão. Considerando a citação acima.00 Quantidade 110 510.000. 5. 4.Pagamento Aposentadoria 40 .Produto nacional como medida do padrão de bem-estar Questões conceituais: 1.Variações reais ou variações nominais . na redução das desigualdades existentes nas sociedades nacionais e entre elas”. 3. Questões Aplicadas: 1. e vende o pão a um engenheiro por $6. e depois vende a farinha a um padeiro por $3. o que faz com que tenhamos uma renda líquida de fatores externos (RLFE) negativa. atividades informais e etc.000.PIB 870 . Ano 2000 Preço ($) 60.As comparações internacionais . Dados em bilhões de R$: .69 ALGUNS PROBLEMAS COM AS MEDIDAS DE RENDA E DO PRODUTO .

.000.Depreciação ativos fixos 25 .000 O Índice de Laspeyres. Uma economia hipotética apresentou os seguintes resultados para o PIB nominal: Ano 1990 Ano 1995 PIB nominal (R$) 1. tendo 1990 como ano-base.000 1.70 .Renda recebida exterior 02 . Pergunta-se: qual é a taxa de crescimento real do PIB no período? Explique. foi de 120.520.980.000.Renda enviada ao exterior 07 Pede-se: a) PIBpm = 870+ Ti-Suib = 870 + 100 – 10= 960 b) PNBpm = PIB + RLE = 960 + (-5) = 955 c) PNLcf = 955 – d – Ti + sub = 955 – 25 – 100 + 10 = 840 d)RPD = 840 – Td + Tr = 840 – 80 +40 = 800 5.

dois produtos (tecido e vinho) e apenas um fator de produção (mão-de-obra). Uma característica importante desse modelo é a inexistência de mobilidade internacional da mão-de-obra. . Segundo Ricardo. entretanto. TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL O que leva os países a comercializarem entre si? Muitas explicações podem ser levantadas. conforme o quadro: QUANTIDADE DE HOMENS/HORA PARA A PRODUÇÃO DE UMA UNIDADE DE MERCADORIA Tecido Vinho Inglaterra 100 120 Portugal 90 80 Em termos absolutos. os dois países obtêm benefícios ao especializar-se na produção da mercadoria em que possuem vantagem comparativa. ou a teoria do comércio internacional. esse mesmo país deverá importar aqueles bens cuja produção implicar custo relativamente maior (cuja produção é relativamente menos eficiente). na Inglaterra. ou a possibilidade de redução de custos (a obtenção de economias de escala) na produção de determinado bem comercializado em um mercado global. Portugal tem vantagem relativa na produção de vinho e a Inglaterra na produção de tecido. Ricardo considera um ambiente de concorrência perfeita. Desse modo. o custo de produção de tecidos em Portugal é maior que o da produção de vinho. Relativamente. a partir da qual concretiza-se o processo de troca entre eles. costuma-se dividir as questões teóricas em dois grandes blocos: os aspectos microeconômicos. e os aspectos macroeconômicos. Os economistas clássicos forneceram a explicação teórica básica para o comércio internacional através do princípio das vantagens comparativas. relativos à taxa de câmbio.71 CAPÍTULO 6 – A ECONOMIA NACIONAL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS O Que veremos? Teoria das trocas internacionais Taxa de Câmbio Balanço de Pagamentos Instrumentos de Ajuste dos Fluxos Externos Organismos Internacionais FUNDAMENTOS DE ECONOMIA INTERNACIONAL Dentro da Economia Internacional. No seu modelo. Implicitamente. um exemplo numérico. Portugal é mais produtivo na produção de ambas as mercadorias. tanto em relação aos produtos como no que concerne ao mercado de fatores. existem 2 países (Inglaterra e Portugal). Essa será. explica-se a especialização dos países na produção de bens diferentes. A teoria clássica do comércio internacional A Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada de modo bastante simples por David Ricardo. O princípio das vantagens comparativas sugere que cada país deva se especializar na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). 1. portanto. a mercadoria a ser exportada. obtém-se a produção dos bens mencionados. o custo da produção de vinho é maior que o da produção de tecidos. como a diversidade de condições de produção (a Noruega dificilmente produzirá bananas). aos termos de troca e ao balanço de pagamentos. Por outro lado. Através de coeficientes técnicos fixos de produção. Comparativamente.

gastará 120 horas de trabalho para obter uma unidade de vinho. Com o comércio com Portugal. que se especializará em tal produção e passará a importar tecidos. que existem trocas internacionais. Deste modo. as quais se manifestam em produtividades do trabalho ou coeficientes de produção diferentes. e importando o outro bem. Os países exportarão e se especializarão na produção dos bens cujo custo for comparativamente menor em relação aos demais países. Também fornece uma explicação para o padrão do comércio internacional. O mesmo raciocínio vale para Portugal: em vez de gastar 90 horas produzindo uma unidade de tecido. Se houver comércio entre os países.89 unidades de tecido vendendo seu vinho. uma unidade de vinho deve custar 1.72 exportando-a. Alguns críticos também apontam para as difuldades que existem em se tecer comentários sobre o impacto do comércio na distribuição de renda dentro de um país. por apontar os benefícios desse comércio. Não importa aqui o fato de que um país possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produção. obtendo maior nível de consumo. É a partir de diferenças tecnológicas relativas. não dando atenção à evolução das estruturas de oferta e demanda. Resume-se a considerações estáticas. de que há apenas um fator de produção operando a partir de coeficientes técnicos fixos. a Inglaterra deverá se especializar na produção de tecidos. que procuraram incorporar também o capital na função de produção dos países. e Portugal poderá comprar mais que 0. tal teoria possui pressupostos bastante restritivos. ambos os países sairão beneficiados. A suposição do modelo clássico. Por outro lado. poderia usar apenas 80 produzindo uma unidade de vinho e trocá-la no mercado internacional por uma unidade de tecido. Assim. a Inglaterra poderá importar uma unidade de vinho por um preço inferior a 1. portanto.2 unidades de tecido. bem como da relação de preço entre os produtos negociados no mercado internacional. A partir da teoria clássica do comércio internacional. por exemplo.89 unidades de tecido (80/90). também economizando 10 horas de trabalho. poupando. ou se há grupos prejudicados. exportando-os e importando vinho de Portugal. poderá utilizar apenas 100 horas de trabalho. Critica-se o modelo por não fazer maiores considerações sobre a demanda e a estrutura de gostos e preferências dos agentes.2 unidades de tecido (120/100). Porém. A teoria desenvolvida por Ricardo — base do modelo clássico de comércio internacional — constitui forte argumento em favor do comércio internacional e contra medidas protecionistas. . 20 horas de trabalho que poderiam ser utilizadas produzindo mais tecidos. Sem comércio internacional. Assim. mostrou-se bastante irrealista e incômoda para muitos teóricos. na Inglaterra são necessárias 100 horas de trabalho para a produção de uma unidade de tecido e 120 horas para a produção de uma unidade de vinho. Os benefícios da especialização e do comércio podem ser observados ao se comparar uma situação sem e com comércio internacional. produzir uma unidade de tecido e trocá-la por uma unidade de vinho. mas não se explicita quem se beneficia dentro do país. pode-se concluir que a nação se beneficia com o comércio. supondo uma dada quantidade de recursos. em autarquia (produzindo e consumindo sem comércio internacional). em Portugal essa unidade de vinho custa 0. estabelecido a partir do lado da oferta dos países. um país poderá economizar tais recursos através do comércio internacional. se a relação de troca entre o vinho e o tecido for de uma para uma. Desse modo. A Inglaterra.

A teoria Estruturalista Esta visão criticou o pressuposto das vantagens bilaterais simétricas. diante de evidências de que os ganhos do comércio exterior não se dividiam igualmente entre os países industrializados de alta renda. a hipótese clássica é oposta: as tecnologias (os coeficientes técnicos de produção) diferenciadas são cruciais para explicar as diferenças de custo e o padrão de comércio. A corrente estruturalista estava baseada em bases empíricas que evidenciavam a deterioração das relações de troca entre o centro e a periferia – entre os países produtores de bens primários e os países produtores de manufaturas de alto valor adicionado. portanto. Os pontos de sustentação da crítica estruturalista foram: i) baixa elasticidade-preço dos produtos primários. exportadores de matérias-primas. iii) retração da procura de inúmeras matérias-primas de exportações e iv) baixo valor adicionado dos produtos primários de exportação. enquanto a teoria moderna pressupõe uma mesma função de produção para os países envolvidos no comércio internacional. exportadores de manufaturados. Do mesmo modo. A teoria moderna do comércio internacional A idéia básica por trás da teoria moderna do comércio internacional é a de que os países diferem quanto à dotação relativa de fatores de produção. O modelo moderno básico é o chamado modelo de Heckscher-Ohlin. Os países. Essas razões mostram uma tendência à deterioração que resultava em ganhos assimétricos de comércio exterior. Um país com oferta abundante de mão-de-obra em relação ao capital produzirá preferencialmente bens que utilizam na sua produção relativamente mais mão-de-obra e também deverá exportar esse bem.73 Assim. e os países de baixa renda. que agora passam a ser tanto a mão-de-obra quanto o capital. Os novos modelos não . A diferença básica entre a teoria clássica e a moderna é que. dadas as contribuições desses dois economistas. surgiu uma série de novas explicações para o comércio internacional. Também a teoria moderna recebeu críticas em função de seu caráter estático e de suas premissas por demais restritivas. As vantagens do comércio continuam existindo: há ganho real de renda quando o país passa da autarquia para uma situação de comércio internacional. importando bens que necessitem de muita mão-de-obra na sua produção. começou a ser constituída a teoria moderna do comércio internacional. terá vantagem em exportá-lo. segundo o modelo Heckscher-Ohlin. O que varia no modelo moderno é a dotação de fatores: há os países ricos (abundantes em capital) que exportam bens de capital intensivos. um país com oferta abundante de capital considerará relativamente mais barato produzir bens cuja produção necessite mais intensamente do fator capital e. que modificou a explicação concernente à origem das vantagens comparativas. de modo que a estrutura tecnológica é a mesma para todos os países. e os países pobres (com uma relação capital-trabalho baixa). geralmente tendem a exportar produtos que utilizam intensivamente o fator de produção relativamente mais abundante no país e importam a mercadoria que utiliza intensivamente o fator de produção menos abundante. ressaltando-se novamente as vantagens do livre comércio. A nova teoria do comércio internacional A partir das críticas e dos problemas empíricos relativos ao modelo Heckscher-Ohlin. que exportam bens mão-de-obra intensivos. ii) baixa elasticidade-renda da maior parte dos produtos primários.

porém percebe-se nessas teorias certa recuperação de idéias protecionistas. o livre comércio continua mostrando-se estaticamente a melhor situação. As explicações relativas a esse comércio podem vir de duas hipóteses: a) pode-se atribuir tal padrão de comércio à existência de economias de escala. impostos. a explicação embasada na idéia de ciclo do produto. Basicamente quanto mais parecida a demanda dos países (quanto mais próximo o nível de desenvolvimento dos países). ao longo do tempo. enquanto que. Dentro do Brasil. Países desenvolvidos têm vantagens comparativas onde são pioneiros. Esse comércio não se realiza em condições de concorrência perfeita e não se garante que esses ganhos sejam distribuídos proporcionalmente entre os países comerciantes. Mesmo países idênticos. o comércio internacional introduz um novo elemento: a taxa de câmbio. verifica-se também um comércio intenso entre países com igual dotação de recursos e a crescente troca de produtos razoavelmente parecidos. quando um brasileiro exporta para a Itália desejará receber o valor das exportações em real e não em liras. De modo geral. dólares ou marcos. no que se refere às suas dotações de fatores e seus gostos. o país inovador passará a exportá-lo. dos recursos investidos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e da estrutura de demanda que possuem. Decorrentes mais de atributos construídos do que de vantagens definidas por dotações naturais. A TAXA DE CÂMBIO E O MERCADO CAMBIAL Uma importante diferença do comércio internacional em relação ao comércio doméstico é que este último se realiza com uma mesma moeda nacional. o vendedor alemão quer receber em marcos alemães. mais fácil e maior é o comércio entre eles. podem ganhar com o comércio entre eles. ainda. em função da introdução de problemas relacionados à incerteza. A produção atende inicialmente o mercado doméstico e depois se destina à exportação. matéria-prima) em reais e não em liras. . 2. Deve atingir países com estrutura de demanda parecida e a concorrência entre os países é exercida a partir de um processo de diferenciação do produto. Desse modo. evitando-se produzir para exportação produtos pouco consumidos internamente. porém. Do mesmo modo. Teorias mais modernas centram-se nos fatores de competitividade das nações. pois os países tenderão a produzir bens que mais facilmente atendam a demanda de potenciais importadores. As mercadorias a serem exportadas são preferencialmente aquelas já produzidas para atender o próprio mercado doméstico. Nesse momento. o comércio intraindustrial. no comércio internacional. que passariam também a exportálo. De modo geral. Existe. Quando. Com a difusão da demanda por tal produto internacionalmente. que é menos conhecido e controlável. um brasileiro adquire um produto alemão (importa). além do comércio preconizado pela teoria de Heckscher-Ohlin entre países ricos e pobres. desenvolvida por Raymond Vernon. existe a necessidade da conversão entre diferentes moedas. as recentes análises constatam que. fazendo com que a importância da qualificação da mão-de-obra e dos recursos alocados em P&D para a sua produção desapareça. pois ele tem seus custos (salários. A produção desse bem passa. sua produção pode mudar de país e situar-se em países menos desenvolvidos. a fim de explicar esse comércio intraindustrial. b) existem teorias que procuram enfatizar o lado da demanda. onde conseguem introduzir inovações em função da qualificação da sua mão-de-obra.74 têm a mesma consistência teórica dos modelos clássico e moderno e ainda devem ser melhor testados. a compra e venda de mercadorias se faz com o real. por uma forte padronização. em função do risco associado a esse mercado. Os rendimentos crescentes de escala são mais uma fonte de ganhos para o comércio. a economias de escala e a estruturas de mercado não concorrenciais.

Da mesma forma.17 doláres para 1 real). também em relação ao dólar e às diversas moedas nacionais.55 R$/DM. ou seja. temos a demanda brasileira por dólar. os estrangeiros que querem investir no Brasil. em outubro de 1994. marcos etc. bancos e corretores autorizados pelas autoridades monetárias.17 dólares norte-americanos. é a taxa pela qual duas moedas de países diferentes podem ser trocadas (cambiadas). O mercado cambial é aquele onde as moedas dos diferentes países são transacionadas. ou seja. as transações entre bancos privados de diferentes países e as transações entre bancos centrais de diferentes países.17 US$/R$. com outras moedas (francos. eram necessários 2. Desse modo. os turistas que trazem dólar para o Brasil. costuma-se expressar a taxa de câmbio como sendo a quantidade de moeda nacional necessária para comprar uma unidade de moeda estrangeira (no exemplo. que a taxa de câmbio do real (moeda nacional brasileira) em relação ao dólar norte-americano (moeda nacional dos EUA) era. então seria 1. Em tese. Um mercado cambial supõe.) e no resto do mundo.05 SF/£. por um lado. isso se realiza. Assim temos.85 R$/US$. Em outros países.85. torna-se possível realizar as transações entre os países. o equilíbrio entre a oferta e a demanda das diferentes moedas nacionais estabelece as taxas de câmbio. a taxa de câmbio entre o franco suíço e a libra inglesa era de 2. com os quais compra a mercadoria desejada. por exemplo. no exemplo). que são os preços relativos entre as moedas nacionais. as transações entre o Banco Central e bancos privados no mesmo país.85 reais para 1 dólar). assim como as quantidades de moedas nacionais transacionadas. portanto. Outra definição: é o preço de uma unidade de moeda estrangeira em moeda nacional. Através das taxas de câmbio. Assim. Temos. a realização de diferentes transações: as transações entre bancos privados e clientes no mesmo país. trocaria 55 reais por 100 marcos. . A cotação de real em dólar também poderia ser expressa como sendo de aproximadamente 1. as empresas norte-americanas atuando no Brasil. ela é expressa como a quantidade de moeda estrangeira necessária para comprar uma unidade de moeda nacional (no exemplo. esses agentes também estão oferecendo reais no mercado cambial.85 reais. temos os importadores de mercadorias norteamericanas que necessitam de dólares. que é o inverso de 0. que desejam remeter lucros para a matriz. Este mercado é formado por compradores e vendedores (importadores e exportadores). No Brasil. No Brasil. há agentes que oferecem dólares e procuram reais: os exportadores brasileiros. de aproximadamente 0. A partir desses agentes. As taxas de câmbio são basicamente determinadas através do mercado cambial. por exemplo. aqueles (agentes privados ou públicos) que demandam determinada moeda. no Brasil. há as ofertas e as demandas pelas moedas. os tomadores de empréstimo no exterior. Ao mesmo tempo. o importador brasileiro troca reais por marcos alemães pela taxa de câmbio (0. Também em outubro de 1994. 0. os turistas que viajam para os Estados Unidos etc. Por outro lado. Deve-se tomar cuidado com a forma pela qual a taxa de câmbio está expressa. Se a mercadoria custa 100 marcos alemães. ou seja. As oscilações na demanda e na oferta de determinada moeda devem conduzir a modificações no equilíbrio desse mercado (taxa de câmbio e quantidade de moeda transacionada). ou seja. os agentes que necessitam de dólares para saldar dívidas contraídas anteriormente. cada um (1) dólar valia 0. Neste mercado.05 francos suíços para se obter uma libra inglesa. com um real poder-se-ia obter 1. compõe-se a demanda e a oferta por dólares e reais.75 Taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra moeda estrangeira.

2. Principais Regimes Cambiais 1) Câmbio Fixo: o Banco Central fixa a taxa de câmbio e realiza todas as intervenções no mercado que sejam necessárias para manter a taxa estabelecida. podemos entender a formação das taxas cambiais de acordo com o referido princípio basilar econômico. por exemplo. A partir desse balanço. pode-se avaliar a situação econômica internacional do país. Na contabilização destes registros. O preço do real em relação ao dólar deve crescer e a quantidade de reais que se compra com um dólar deve ser menor. A taxa cambial está relacionada com o movimento do saldo do balanço de pagamentos do país. que. com altas taxas cambiais. As exportações. De modo geral.76 Assim. adota-se a idéia das partidas dobradas. São as forças de mercado (oferta e demanda) que determinam a taxa de câmbio. 3) Câmbio Flutuante (flutuação suja. empréstimos. é bastante comum a apresentação de balanços trimestrais e até de contas mensais. teremos aumento da entrada de divisas estrangeiras e. desvalorizando-se a moeda nacional em relação às moedas estrangeiras. as importações são débitos. Inversamente. elevará ou reduzirá as taxas cambiais. Entendendo como fundamento básico na variação das taxas cambiais a oferta e procura de divisas estrangeiras. No caso das transações de comércio exterior a oferta e procura de divisas estrangeiras representam o movimento das operações exportação e importações efetuadas. Quem determina a taxa efetiva é o mercado (oferta e demanda) 3. durante um certo período de tempo. por exemplo. ou seja . haverá redução no saldo de exportações e aumento no saldo de importações. Suas intervenções são aleatórias e tem como objetivo conter especulações no mercado. remessas e entrada de capital. valorizando o real e desvalorizando o dólar. Formação das Taxas de cambiais – Regimes Cambiais Taxa cambial é a relação de preço existente entre a moeda nacional e determinada moeda estrangeira. quando o poder de compra desta em relação às demais cresce. pode-se considerar que toda entrada de divisas corresponde a um crédito e toda saída a um débito.1. Porém. BALANÇO DE PAGAMENTOS O Balanço de Pagamentos de um país é um resumo contábil das transações econômicas que esse país faz com o resto do mundo. o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo Banco Central a partir dos registros das transações efetuadas entre residentes no País e residentes em outras nações. aumento dos investimentos norte-americanos no Brasil significa aumento na oferta de dólares e também um aumento na demanda por reais. com aumento de saídas de divisas e consequente déficit.dirty floating): o Banco Central não interfere (ex-ante) na fixação da taxa. e uma desvalorização quando seu poder de compra cai. assim como os juros pagos ao exterior. são créditos. 4) Banda Cambial: o Banco Central fixa os limites inferiores e superiores da cotação cambial. Ocorrendo variação para baixo nas taxas cambiais. No Brasil. portanto superávit. conforme exemplos indicados a seguir: . define-se uma valorização da moeda nacional. que possibilitam um melhor acompanhamento da evolução da situação econômica internacional do país. Toda transação que cria um direito constitui um crédito. A periodicidade em geral é de um ano (seguindo o ano civil do país). 2) Câmbio Flutuante (flutuação limpa): o Banco Central não interfere na determinação da taxa de câmbio. conforme dito acima. Assim. Esses aumentos fazem com que a taxa de câmbio se modifique.

Tranferências Unilaterais B. Empréstimos e Financiamento de Longo e Médio Prazo B. Balança de Serviços (Invisíveis) A. Operações de Regularização D. o país estará recebendo recursos que podem ser utilizados para pagar compromissos assumidos anteriormente (diminuição do endividamento externo).3. .1. Balança de Transações Correntes A. o país necessita de buscar investimentos no estrangeiro (aumentando o controle de estrangeiros sobre emprendimentos no país). para investimento do país no exterior (aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior) ou para aumentar as reservas do país.2. Investimentos B. Diversos A.5. são verificadas cada uma das contas acima: A.3. Variação de Reservas (haveres no exterior) D.3. Transportes e Seguros A.1. Atrasados Comerciais A seguir.2.2. Se tal conta for deficitária. Balança de Capitais B.4. Reinvestimentos B. são consideradas as mais importantes do Balanço de Pagamentos.3. Se essa conta for superavitária. Empréstimos a Curto Prazo B.País A .1.2.77 Débitos: Importações de Bens e Serviços Pagamentos de doações e indenizações Pagamentos de capital emprestado Reembolsos de capital a estrangeiros Compras de ativos de estrangeiros Créditos: Exportações de Bens e Serviços Recebimentos de doações e indenizações Recebimentos de empréstimos Recebimento de reembolso de capital Vendas de ativos para estrangeiros Várias são as maneiras de se apresentar um Balanço de Pagamentos. Rendas de Capital (lucros e juros) A.1. Balança de Transações Correntes — procura resumir a diferença entre o total das exportações e das importações tanto de mercadorias como de serviços.1.2. Transações Compensatórias D.1 Exportações A.2.2 Importações A. Balança Comercial A. por isso. Amortizações C.4. de contrair empréstimos no exterior (aumentando o endividamento do país) ou de reduzir as reservas de divisas internacionais. sendo também incluído o saldo de Transferências Unilaterais do período.Ano 19xx.2.2. A forma mais usual é a que segue: Balanço de Pagamentos . As transações dessa balança são as que afetam diretamente a renda nacional e. Erros e Omissões Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C) D.1. Viagens Internacionais e Turismo A. A.

Estão incluídos os juros pagos ao exterior por empréstimos ou financiamentos recebidos de não-residentes (e os juros recebidos do exterior por empréstimos ou financiamentos concedidos por residentes) em um momento anterior.2. A. comissões. Durante a década de 80.1. Os lucros de empresas estrangeiras. insurance and freight). utiliza-se as exportações e importações FOB. .1. Com a implementação do Plano Real.2. com destaque para 1974.2. porém esses lucros são considerados reinvestidos e significarão também uma entrada (crédito) na balança de capital. A Balança de Serviços brasileira sempre mostrou-se deficitária. se ocorrer o contrário. filmes. Se as exportações forem maiores que as importações. onde se inclui no valor das mercadorias. dentre as quais destacam-se: A. Também estão incluídos os lucros remetidos por empresas nacionais no exterior (crédito) e os lucros das empresas estrangeiras no país (débito). cenário que deve ser mantido por mais alguns anos. quando ocorreu o primeiro choque do petróleo e caíram os termos de troca. Balança Comercial — inclui basicamente as exportações e as importações de mercadorias. A.3. observou-se uma reversão neste quadro com o surgimento de superavits significativos.4. o deficit cresceu substancialmente em decorrência dos juros pagos ao exterior. na rubrica (re)investimentos de estrangeiros no Brasil. Balança de Serviços — representa as negociações internacionais dos chamados bens invisíveis e os rendimentos de investimentos. além de seu custo. também devem ser contabilizados como débito nessa conta. aluguel de equipamentos. Rendas de Capital — são rendas referentes aos rendimentos de capital auferidos ou pagos pelo país. patentes. será deficitária. A. Para efeito de Balanço de Pagamentos. assistência técnica. Com a crescente importância dos serviços e dos rendimentos de capital (pagamentos de juros e remessas de lucros). onde as despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque da mercadoria. No final dos anos 70 e início dos anos 80. especialmente a partir de 1983. a Balança de Transações Correntes foi praticamente identificada com a Balança Comercial.2. A.2. essa conta mostrou-se deficitária nos anos 70. recebimentos e pagamentos referentes a royaltes. Transportes e Seguros — são o saldo das receitas e despesas efetuadas com fretes e prêmios de seguros. Existem as exportações e importações FOB (free on broad). a balança comercial passou novamente a apresentar saldos negativos. consumindo grande parte do superavit da balança comercial. Existem pelo menos duas maneiras de se contabilizar o valor das exportações e importações. No caso brasileiro. e as exportações e importações CIF (cost. Na década de 80. Possui uma série de subcontas. a Balança de Transações Correntes passou a ser assim decomposta: A. o frete e o seguro do seu transporte até o destino. raiz da crise da dívida externa. Diversos — incluem o saldo de diversas transações como: dispêndios efetuados com representações diplomáticas no exterior (e as transferências dos demais países para os gastos de suas representações diplomáticas no país). caso não haja alteração significativa na condução da política econômica.78 Por muito tempo. Viagens Internacionais e Turismo — representam o saldo das receitas e despesas de turistas. os juros enviados situaram-se em torno de US$ 10 bilhões anuais. a balança comercial do país será superavitária. já que as despesas com seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços. que não foram remetidos.2.

a fim de cobrir os erros estatísticos cometidos e as transações não registradas.3. como para empresas e indivíduos. c) doações de governos. ou seja. B. Assim. em caso de o balanço ser positivo (indicando a entrada de recursos). B. indicada por uma conta credora no item variação de reservas. . Variação de Reservas — registra a variação nos haveres em moeda estrangeira e ouro possuídos em reserva pelo país. indicada por um débito. a conta de Transações Compensatórias será devedora. quando a soma for negativa. e os pagamentos do principal feitos por não-residentes. Somados todos os saldos das contas mencionadas (A + B + C) obtem-se o Resultado do Balanço de Pagamentos. Se o balanço for superavitário. Transações Compensatórias — ao somatório de A + B + C corresponderá um valor igual nessa conta.79 A. de modo a equalizar os débitos e créditos no balanço. esse item entra no balanço de pagamento. Essa rubrica do balanço de pagamentos inclui: B. tanto para governos.4. Transferências Unilaterais — referem-se a pagamentos sem contrapartida de um país para outro: a) remesssas feitas por não-residentes no Brasil ao seu país de origem (débito). b) recebimentos de residentes fora do País (crédito).5.3. Na verdade.1. um aumento das reservas. Empréstimos e Financiamentos de Longo e Médio Prazos e B.2. recorre-se a empréstimos destas instituições com o objetivo de cobri-lo. organismos internacionais etc. Investimentos — referem-se ao capital de residentes no país aplicados no exterior. D. B. D. sejam esses investimentos diretos ou de carteira. haverá uma entrada de divisas. o que impede a equivalência perfeita entre os créditos e os débitos (mesmo levando-se em consideração as transações compensatórias). Amortizações — onde registram-se os pagamentos do principal. referentes a empréstimos e financiamentos tomados no exterior. Erros e Omissões — essa conta surge em função de equívocos existentes no registro das operações do país com o exterior. quando há deficit no balanço de pagamentos. há uma variação negativa no volume de reservas. assim como os investimentos feitos por nãoresidentes no país.1.2. sendo superavit quando a soma for positiva e deficit. como o FMI. Empréstimos de Curto Prazo — registram os empréstimos recebidos do exterior e concedidos para outros países. C. Ao contrário — quando o balanço for deficitário — essa conta será credora. Movimento de Capitais — agrupa as contas que representam modificações nos direitos e obrigações de residentes no país para com não-residentes. Os principais itens dessa última rubrica são: D. inúmeras contas são registradas com valores estimados. (crédito/débito). Operações de Regularização — são operações realizadas com instituições internacionais. Reinvestimentos de empresas multinacionais já instaladas no país que reinvestem parte do lucro. um deficit no balanço poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país. porém com sinal contrário. Desse modo. De modo geral. referentes a empréstimos e financiamentos concedidos pelo país ao exterior. além dos financiamentos obtidos na cobertura de importações e concedidos quando das exportações. Desse modo. B.

.Administração da taxa de câmbio . Para uma economia hipotética A são dados (em US$ milhões): Balança comercial: 100. INSTRUMENTOS DE AJUSTE DO BP Instrumentos Cambiais: . Erros e Omissões: 0. c) quanto maior as exportações menor o produto da economia. 5. Transferências Unilaterais: . b) As transações de capital englobam os créditos e débitos resultantes de todas as transações comerciais realizadas. Relação entre o valor de duas unidades monetárias. pode-se dizer que: a) há um incremento nas suas relações de troca b) há estabilidade nos seus termos de troca c) ocorreu aumento nos termos de troca entre eles d) há uma deterioração nos termos de troca e) os termos de troca nunca variam 3. em termos monetários nacionais. Qual o saldo em transações correntes.Imposição de tarifas alfandegárias de proteção. 4. c) Balança Comercial registra o movimento de exportações e importações de mercadorias. Quando um país necessita aumentar o volume de exportações de determinado produto para importar a mesma quantidade de bens em relação a outro país.30. Assinale a alternativa incorreta: a) As transações correntes englobam os fluxos reais de bens e serviços e os pagamentos correspondentes às receitas e despesas realizadas. indicando o preço. e) Quando o valor das importações supera o das exportações há uma balança passiva. e) quanto maior as exportações maior o produto de uma economia. .3. 2. Movimentos de Capitais Autônomos: 200.Controle das operações cambais Outros Instrumentos: .Fixação de quotas setoriais de comércio. de acordo com a teoria econômica convencional. No que se refere especificamente as exportações é falso afirmar que: a) a desvalorização da moeda nacional e o incremento da renda internacional elevam as exportações. d) as exportações elevam a eficiência econômica. Balança de Serviços: 10. d) Quando o valor das exportações supera o das importações dizemos que há uma balança comercial ativa. Atrasados Comerciais — dizem respeito aos empréstimos que não foram pagos na data de vencimento. Questões conceituais: 1. da divisa estrangeira correspondente: a) par.Imposição de proteção não tarifárias. 4.metálico b) gold-points c) pontos de compensação d) relação de troca e) taxa de câmbio .80 D. b) quando as exportações são superiores às importações a economia apresenta um superávit comercial.

iii. b) Banda cambial explícita c) Câmbio fixo d) Câmbio flutuante com intervenção e) Câmbio flutuante sem intervenção Questões aplicadas: 1. US$ 70 milhões em forma de bens de capital. pagando à vista. recebendo à vista.000 b) importação de mercadorias: 6. h) Uma companhia aérea norte-americana realiza uma compra à vista de aviões brasileiros no valor de US$ 150 milhões. construa o balanço de pagamentos e determine e interprete: a) o saldo da balança comercial. o país exporta. mercadorias no valor de US$ 100 milhões. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. iv. o país paga ao exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. Atualmente o regime cambial é de: a) Flutuação limpa. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. 3 – Admita que as seguintes operações foram realizadas entre o Brasil e o exterior em um dado período: a) Um grupo japonês realiza investimento de US$ 500 milhões em razão da privatização da Vale do Rio Doce. f) O Brasil paga ao exterior US$ 50 milhões em fretes. Além disso. o país importa.81 6. Com base nestas operações.000 l) empréstimos recebidos do exterior: 1. sob a forma de investimento de curto prazo. c) Uma agência de turismo brasileira efetua pagamentos a uma cadeia de hotéis norte-americana no valor de US$ 20 milhões. d) Uma montadora francesa de automóveis investe US$ 100 milhões na construção de uma fábrica no Paraná. b) o saldo da balança de serviços. e) O Brasil importa. pagando à vista. g) O Banco Central obtém empréstimo junto a um banco norte-americano a fim de financiar o pagamento de juros vincendos no valor de US$ 80 milhões.Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares): i. viii. US$ 180 milhões em automóveis coreanos. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros. ingressam no país. US$ 80 milhões.000 c) donativos recebidos: 100 d) donativos enviados: 50 e) fretes pagos: 100 f) fretes recebidos: 50 i) amortizações pagas: 1. referentes a serviços de hospedagem de turistas brasileiros.São dados para uma economia hipotética os seguintes dados do Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) a) exportação de mercadorias: 5. sob a forma de investimento direto. Com base nessas informações: a) Monte o BP. A recente crise financeira que se instalou no Brasil é fruto de sérios problemas externos e teve como consequência a alteração do regime cambial (janeiro/1999). ingressam no país. vi. explique se a atual forma de financiamento do saldo das transações correntes será prejudicial para o comportamento futuro do BP.000 m) remessa de lucros e dividendos: 500 Com estas informações elabore o Balanço de Pagamentos da economia hipotética. d) o saldo total do balanço de pagamentos. b) Companhias estrangeiras instaladas no Brasil remetem lucros de US$ 50 milhões ao exterior. v. 2. ii.000 j) juros pagos: 500 k) investimento estrangeiro direto no país: 1. financiados a longo prazo por um banco alemão. em moeda estrangeira. mercadorias no valor de US$ 110 milhões. c) o saldo na balança em transações correntes. i) Uma indústria brasileira de autopeças importa maquinário da Alemanha no valor de US$ 60 milhões. . vii.

558 14. 4 – Considere o balanço de pagamentos abaixo (Brasil . Conta Capital e Financeira Conta capital Conta financeira Investimento direto Investimento brasileiro direto Investimento estrangeiro direto Investimentos em carteira Investimento brasileiro em carteira Investimento estrangeiro em carteira Derivativos Outros investimentos C. 1996) Os déficits no balanço de pagamentos de um determinado país . Movimento de Capitais 8. 1998 e 2005. 1998 e 2005. o saldo em transações correntes.692 C. Balanço em transações Correntes A.1. b) A estrutura do BP mostra que a soma do saldo em transações correntes e do movimento de capitais deve ser igual a zero (TC + K = 0 e.K).256 -7.1. então. Transferência Unilateral 2.416 29.2.319 Pede-se: a) Qual a principal mudança nos resultados das contas do BP nesses diferentes anos? Explique. que TC = . Questões retiradas de concursos para Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF). Explique essa afirmação usando os resultados do BP para 1994.811 B.193 -9.414 Saldo em Transações Correntes -1. Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) Discriminação 1994 A.113 3. Solange Marin a partir de dados do Banco Central do Brasil 1998 -6. Balança comercial (fob) Exportação de bens Importação de bens A. Balança de Serviços A. Erros e omissões 334 Resultado do BP 7.82 b) Encontre o saldo da balança comercial.3.748 -34.466 A. Erros e Omissões RESULTADO DO BP (A+B+C) Fonte: Banco Central do Brasil -6575 51140 -57714 -28299 1458 -33416 29702 320 29381 26002 -2854 28856 18125 -457 18582 -460 -14285 -4256 -7970 a) Identifique os principais problemas do balanço do pagamentos do Brasil no ano de 1998.702 -4. Considere os seguintes resultados do BP brasileiro para os anos de 1994. Balanço Comercial (FOB) 10. o saldo da conta de capital e financeira e o resultado do balanço de pagamentos. Transferências unilaterais correntes TRANSAÇÕES CORRENTES (A1+A2+A3) B.970 2005 44.3. 5.299 1. Auditor Fiscal do Tesouro Nacional (AFTN) e Banco Central do Brasil (BACEN): 1) (AFRF. b) Qual a alternativa para o Brasil equilibrar as contas do BP? Explique.215 Fonte: Prof.079 A.458 -33.ANO 1998 em US$ milhões) A – Balanço de Transações Correntes A.575 -28.593 -280 4.2. Balanço de Serviços -33.

1998) Considerando a estrutura do BP. mas também dependem do nível de reservas internacionais de que dispõe este país. b) é realizado apenas uma vez como crédito ou débito. em uma das contas do balanço de pagamentos. as receitas líquidas de exportações deste país. 2000) Sobre balanço de pagamentos. reduzindo. e) são consequência da falta de proteção adequada ao mercado interno deste país. d) A balança de serviços inclui. quanto sobre as importações. Os empréstimos de outros governos para o governo brasileiro. em casos muito particulares. lucros e royalties. para os vários grupos de produtos. 1996) Termos de troca é uma expressão que designa: a) uma relação entre os preços pelos quais um país vende suas exportações em relação aos preços que esse país paga por suas importações. assim. enquanto o preço das manufaturas tende a crescer. 3) (AFRF. c) ocorrem como consequência da elevação das taxas de juros internacionais. b) forma contratual de comércio utilizada em sistemas regionais. e) um índice que serve para medir o nível de participação de um país no comércio internacional bem como o grau de diversificação de seus produtos e parceiros. que se tornam relativamente mais caras para este país. o registro de toda transação internacional no balanço de pagamentos a) é realizado duas vezes. b) os atrasados e os empréstimos de regularização figuram na conta de “erros e omissões”. assistências técnicas. O que implicará a capacidade de importar. 2) (AFRF. 2002) Segundo o critério de partidas dobradas. mas podem ocorrer. b) decorrem de desvalorizações cambiais. 4) (AFTN. que aumentam a competitividade mas tornam o produto exportado relativamente barato. c) é realizado duas vezes na conta corrente ou na conta de capital. remetidos pelas empresas transnacionais. em função de fluxos inesperados nas contas de transferências e /ou de capitais deste país. especialmente no que se refere ao regime tarifário. que incidem tanto sobre as exportações. e os juros que o Brasil paga pelos empréstimos fornecidos por outras nações. d) decorrem.83 a) decorrem fundamentalmente de déficits comerciais. não se pode fazer a seguinte afirmativa: a) Balança de pagamento é um registro contábil de todas as transações de um país com os outros países do mundo. b) lei segundo a qual os preços dos produtos tendem a permanecer estáveis ou a declinar ao longo do tempo. 6) (BACEN. de acordo com a natureza da operação. e) é realizado apenas uma vez. d) é realizado simultaneamente na conta de transações correntes e na conta de capital em uma delas como crédito. c) as condições de comércio estabelecidas entre duas nações. etc. como o Mercosul. em geral. b) A balança de pagamento deve estar sempre em equilíbrio . c) A balança comercial e a balança de serviços formam a “balança de transações correntes”. serviço de transporte (fretes). d) diferenças entre as exportações e as importações de um dado país e outros. c) relação entre preços recebidos pelas exportações de um país e os preços pagos pelas importações. . entre outros. Por esta razão. d) o padrão de comércio entre dois países em termos de reciprocidade de estrutura tarifária. e) Na balança de capitais são registrados o capital das firmas estrangeiras que ingressam no país sob a forma de empréstimos. reduzindo as receitas. uma vez como crédito e uma vez como débito. como débito ou crédito. na outra como débito. de déficits nas transações correntes (comércio visível e invisível). enquanto países com níveis elevados de proteção dificilmente apresentam este tipo de problema. 1998) O conceito de termos de troca refere-se à: a) relação de produtos trocados entre dois países. é correto dizer que: a) as amortizações de empréstimos figuram na conta “movimento de capitais”. países com baixos níveis de proteção tarifária apresentam-se deficitários. empréstimos do FMI. 5) (AFTN.

c) –10. pagando à vista. ingressam no país. respectivamente: a) –80. US$ 70 milhões em forma de bens de capital IV. o país importa. o país exporta. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. Com base nestas operações. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros VI. +110. +320. sob a forma de investimentos de curto prazo. o saldo do balanço de pagamento em conta corrente e o saldo total do balanço de pagamentos são. -65. -60. sob a forma de investimento direto. o país paga para o exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. d) o pagamento de seguros. + 35 b) –10. . VIII. -50. a) –80. 1998) Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares) I. VII. do balanço de serviços e dos movimentos de capitais autônomos.84 c) as transferências unilaterais não figuram na estrutura do balanço de pagamentos. +165. US$ 80 milhões V. pode-se afirmar que o saldo do balanço comercial. apesar de serem contabilizadas pelo Banco Central para fins de controle de entrada de recursos no país. mercadorias no valor de US$ 110 milhões III. e) o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente é igual ao saldo do balanço comercial. -65. o saldo do balanço de serviços. +60. mercadorias no valor de US$100 milhões II. 7) (BACEN. em moeda estrangeira. -60. . +105. e) + 80. recebendo à vista. -45. +40. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. os juros e os lucros fazem parte dos movimentos de entrada de recursos no país. ingressam no país.120. -115.

assim como os conturbados anos do período entre guerras. O intervalo entre as duas Guerras Mundiais Durante o período entre as Guerras Mundiais não existiu nenhum sistema monetário internacional. É importante destacar que nos anos imediatos após o fim da guerra (1919-23). Isso estimulou as autoridades de diversos países a buscar a volta da estabilidade obtida nos vinte anos anteriores à guerra. Já ao final da II Guerra Mundial. O Objetivo do sistema é viabilizar as transações entre países. nas relações econômicas internacionais. início da Primeira Guerra Mundial: Nesse sistema. portanto. as paridades entre as principais moedas oscilaram de forma pronunciada. o seu valor correspondente em ouro. Sistema Monetário Internacional É o conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. Para superar essa escassez o Comitê Financeiro de Conferência de Genebra na Convenção de Gênova (1922). no período Pós. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial: As diferentes unidades monetárias utilizadas no pagamento das trocas internacionais fizeram com que fosse necessário operacionalizar um sistema monetário internacional.saída de ouro . e o equilibro era obtido pelo impacto dos fluxos de ouro sobre o sistema econômico interno.queda de preços .II Guerra Mundial até 1971. Os países adotavam taxas fixas ou flutuantes de acordo com suas conveniências.Eliminação do déficit Os desequilíbrios do BP eram resolvidos por meio de transferências internacionais de ouro. mas operava plenamente em 1900. O Padrão-Ouro: conceito e mecanismo de ajuste do valor das moedas Vários autores destacam que é mais fácil determinar o período em que o padrão ouro chegou ao fim – 1914 do que a data efetiva de sua origem. portanto entre as diversas moedas.saída de capital . recomendou a adoção mundial do . As moedas nacionais emitidas tinham. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. Mas. as pressões inflacionárias em quase todos os países levaram à escassez relativa de estoques de ouro. por conseguinte. existia: a) a unidade comum entre os países era o ouro. b) havia a conversibilidade das moedas em ouro. que vigorou até a I Guerra Mundial e o Sistema de Bretton Woods. O mecanismo de ajuste do Balanço de Pagamentos no Padrão-Ouro: Déficit no BP . O que se sabe é que não existia em 1870. Os principais sistemas monetários internacionais já adotados foram: O Sistema PadrãoOuro. e. Na prática isso significava que um padrão-ouro estabelecia uma paridade fixa entre cada moeda e o preço do ouro. O Padrão-Ouro vigorou na sua forma original até 1914. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional.85 A INSTITUCIONALIDADE NO CENÁRIO INTERNACIONAL ORGANISMOS INTERNACIONAIS As grandes Guerras Mundiais.

Desta conferência nasceu um novo sistema monetário internacional. O Sistema de Bretton Woods: a Reforma do Sistema Monetário Internacional As grandes Guerras Mundiais. com consequências sobre a liquidez e o ritmo de atividade interna. A tradução de BIS é “Banco Internacional de Pagamentos”. relativos aos Acordos Young. o Fundo Monetário Internacional (FMI). com o aumento de seu desequilíbrio externo e a saída de ouro. define-se o ativo (moeda) de reserva internacional. com sede na Basiléia. Mas. o grau de liberdade dos capitais privados e a institucionalidade que garantirá o funcionamento desse sistema. surgiram algumas propostas de remodelagem do sistema monetário internacional. em 1931. os mecanismos de financiamento e ajustamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos. nas relações econômicas internacionais. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial. Nesse sentido. Sua principal finalidade era promover a cooperação dos principais bancos centrais do mundo motivo por que ele é considerado Banco Central dos Bancos Centrais. Surgiu o sistema de câmbio-ouro (gold exchange standard). foi criado o BIS (Bank For International Settlements). que foi extremamente importante para o reflorescimento do comércio mundial e sobre o qual se baseou o crescimento econômico do pós-guerra. por conseguinte. outras moedas conversíveis. O objetivo de um Sistema Monetário Internacional é viabilizar as transações entre os países. Tais eram as preocupações presentes nos últimos anos da II Guerra Mundial. para administrar os pagamentos. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. Elas formam o aparato institucional que mantém as relações entre as diversas economias. infelizmente fracassou. no qual os países adotariam como reservas monetárias. Em 1930. embora tivesse semelhança com a atual ONU. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. foram feitas algumas tentativas de preservar a paz mundial e auxiliar o crescimento econômico. que prevaleceu. devidos pela Alemanha a título de reparação de guerra. sua forma de controle. o Banco Mundial e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). assim como os conturbados anos do período entre as guerras. Nesse período entre as duas grandes guerras. Dentre elas destacaram-se as do economista inglês John Maynard Keynes e as de Henry White. A expressão sistema monetário internacional refere-se ao conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. Suíça. secretário do Tesouro dos EUA. Já ao final da II Guerra Mundial. além do ouro. Foi criada a Liga das Nações que. fez a Inglaterra sair do padrão-ouro e desvalorizar a libra esterlina. A referência mais importante é o retorno da Inglaterra ao padrão-ouro em 1925.86 padrão-ouro. Sistema de Bretton Woods O Sistema de Bretton Woods foi definido em 1944 ao fim da II Guerra Mundial com o objetivo de determinar as regras econômicas internacionais que deveriam vigorar no pósguerra. Foram criadas as quatro principais instituições econômicas do pós-guerra: o Sistema de Taxas de Câmbio de Bretton Woods. quando se via no comércio mundial um importante instrumento para potencializar o desenvolvimento do mundo capitalista. sua relação com as diferentes moedas nacionais (o regime cambial). Na Conferência de Bretton Woods. O Sistema de Bretton Woods consagrou a gestão de taxas de câmbio chamada de .

Se esses déficits fossem. sistemáticos. depois de fracassados os ajustes internos possibilitados por política monetária e comercial. Esta falta de definição de uma regra básica para o ajuste entre as economias é apontada como uma das causas da falência do sistema. base do sistema monetário internacional anterior à I Guerra Mundial. Os pontos essenciais de Bretton Woods: 1) O novo sistema internacional teria como ativo comum a moeda norte-americana. A solução para o problema só poderia ocorrer depois que fosse sanado o déficit comercial norte-americano. era a principal distinção entre o sistema de Bretton Woods e o Padrão-Ouro. e se os ativos em ouro norte-americanos fossem constantes (na verdade eram cadentes). o que se verificou foi um forte crescimento econômico. A questão conhecida como "Paradoxo de Triffin". Essa possibilidade de ajustamento. a solução para o problema do dólar só poderia ocorrer por meio de modificações na paridade do dólar. a variação cambial deveria ser adotada na hipótese de um “desequilíbrio fundamental” nunca definido de forma clara. Assim. Essa injeção de liquidez se fazia a partir de déficits externos dos EUA. o crescimento também não ocorreria. Foi estabelecido o dólar como moeda internacional. sendo as outras moedas nacionais livremente conversíveis em dólar. Por outro lado. Porém. Este paradoxo decorreu de um trabalho publicado por Triffin em 1960. porém com uma contínua perda de confiança no sistema. havia a possibilidade de se reajustar a taxa de câmbio quando uma moeda nacional apresentava uma tendência demasiadamente forte de se afastar do seu valor estabelecido em relação ao dólar. Ainda assim. porém. . a uma taxa de câmbio fixa (não havia limitações à mobilidade de capital). por conseqüência. se não houvesse injeção de liquidez. quando se verificasse um desequilíbrio fundamental. pois a única moeda a ser conversível em ouro. era necessário o crescimento das reservas mundiais em dólares (a fim de não haver crises de liquidez internacional). a economia e o comércio internacional prosperaram com base no dólar e nesse sistema. Já nos anos 50.87 padrão dólar-ouro. 3) Regime de taxa de câmbio fixa entre os países e 4) Gold exchange standard: paridades das várias moedas estabelecidas em termos de ouro ou dólares. sua sustentação era posta em xeque. a confiança na conversibilidade do dólar e. que procurava flexibilizar o Padrão-Ouro. Problemas com a liquidez internacional: o “dilema de Triffin” Nas três décadas que se seguiram à II Guerra Mundial. Os Problemas do sistema de Bretton Woods: A falta de mecanismos de ajuste adequados O sistema de Bretton Woods permitia o recurso a uma desvalorização cambial como última instância. a base dos acordos de Bretton Woods ruiria. O dólar tinha uma paridade com o ouro e as demais moedas com o dólar. 2) Os EUA ficavam obrigados a converter os dólares em ouro a uma cotação fixa (sistema de câmbio fixo em relação ao ouro e entre moedas). o que significaria alterar a relação dólar-ouro ou abandonar o sistema das taxas fixas de câmbio. Na ausência de uma moeda universal. e essa era a única moeda que manteria sua conversibilidade em relação ao ouro. e era a seguinte questão: para que a expansão do comércio ocorresse.

a partir de 1974. o mercado duplo de ouro (1968) e as crises especulativas do final da década foram passos no caminho de destruição do sistema montado em Bretton Woods. a desvalorização da libra (1967). e novamente em 1981 o valor dos DES foi redefinido como uma média ponderada das paridades do dólar. A partir dessa época. o valor dos DES foi definido em termos de ouro. A questão se acirrou com as guerras da Coréia e do Vietnã. Houve uma grande desvalorização do dólar. que as mantivesse protegidas de fatores adversos.e subsequentemente em relação à convertibilidade entre o dólar e outras moedas (as cotações deixaram de ser feitas exclusivamente em termos da paridade à moeda norte-americana). cada unidade de DES equivaleria a 35 onças de ouro. O volume dos DES é controlado pelo FMI e não pode ser ampliado. que. mas à mesma paridade do dólar. a menos que haja decisão favorável nesse sentido por parte de ao menos 80% dos países do Fundo. Desde então. marco alemão. perdeu importância. enquanto outros países – sobretudo europeus – procuravam formas de evitar as facilidades encontradas pela economia norte-americana em manter posições deficitárias por longos períodos de tempo. e o estoque inicial foi alocado entre os diversos países de acordo com suas quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI). Mas. com a política expansionista (keynesiana) da década de 60 e os conseqüentes aumentos nos déficits público e comercial americanos. apesar de ainda ser a principal reserva internacional.88 A criação dos Direitos Especiais de Saque (DES) As discussões sobre a reforma do sistema monetário internacional durante a década de 60 estiveram centralizadas na idéia de tornar as reservas internacionais administráveis sob algum tipo de controle central. . com o rompimento da conversibilidade do dólar em relação ao ouro. para ser uma função de uma cesta de dezesseis moedas (com predominância do dólar). Seu fim foi decretado por Nixon em 1971. ou seja. Ou seja. Originalmente. depois de 1973. Essas foram as motivações de longo prazo subjacentes à criação dos Direitos Especiais de Saque (DES). O Fim de Bretton Woods As condições de conversibilidade oficial estabelecidas originalmente no sistema de Bretton Woods esgotaram-se em agosto de 1971. Os DES. conhecidos internacionalmente por SDR (Special Drawing Rigths) foram a solução adotada a partir de 1967 com o propósito de elevar o estoque de reservas internacionais. a paridade inicial de um para um com o dólar foi finalmente alterada. Os Estados Unidos buscavam mecanismos para evitar variações bruscas na paridade ouro-dólar. os DES são emitidos pelo FMI e alocados entre os países-membro do Fundo na proporção de suas quotas. baseada em taxas flutuantes de câmbio. seguiu-se um período de forte instabilidade. principalmente em relação ao ien e ao marco alemão. franco francês e libra esterlina.quando foi suspensa a convertibilidade do dólar em relação ao ouro . iene.

com o compromisso de recomprar a sua moeda em ouro ou em divisas conversíveis. A partir desse capital. O FMI tem sede em Washington. os Direitos Especiais de Saque (DES). o Banco provê crédito em condições preferenciais a países que dificilmente teriam acesso a essas condições por meio dos mecanismos de mercado. Ocorrendo desequilíbrio no BP de um país associado ele recorrerá ao FMI. O país. Fundo monetário internacional O Fundo Monetário Internacional foi criado com os objetivos de: a) evitar possíveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade financeira. e o Banco passou a lidar com a promoção do desenvolvimento dos países subdesenvolvidos. Quando esses desequilíbrios ocorressem. que consistirá em restabelecer a viabilidade do BP. Na prática. . que estabelecerá um programa de ajuste. Posteriormente. eliminando práticas discriminatórias e restritivas aos pagamentos multilaterais. O GATT também é mencionado. dentre as quais estão o FMI e o Banco Mundial ou BIRD.Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento foi criado com o objetivo de auxiliar a reconstrução dos países europeus devastados pela guerra. integralizadas em ativos de reservas (Direitos Especiais de Saque) e em moeda nacional do país associado. isto é. com o intuito de desenvolver projetos economicamente viáveis e relevantes para o desenvolvimento desses países (especialmente projetos de infra-estrutura). Estados Unidos. O crédito obtido pode ser em moedas estrangeiras ou em Direitos Especiais de Saque (DES). A estabilidade financeira interna e o combate à inflação nos países membros é uma de suas metas. GrãBretanha e França. Banco Mundial ou BIRD O Banco Mundial ou BIRD . Maiores quotistas: Estados Unidos.89 A institucionalidade criada em Bretton Woods (1944) Foram criadas duas instituições financeiras internacionais muito importantes. a compra de divisas estrangeiras em troca de ouro ou de sua própria moeda nacional. Japão. A maneira como o Banco opera na maior parte dos programas é levantando recursos junto ao mercado financeiro a taxas preferenciais e emprestando aos países a essas taxas. esse papel ficou a cargo do chamado Plano Marshall. porque foi a solução encontrada diante da tentativa frustrada do Congresso norte-americano em criar uma Organização Internacional do Comércio. contudo. o Banco também funciona como avalista de empréstimos efetuados por capitais particulares para esses projetos. que eram emprestados. acrescidas de uma margem para cobrir custos operacionais: desse modo. Alemanha. criou-se um novo ativo de reserva internacional. constituíam-se inicialmente de reservas em ouro e em moedas nacionais dos países membros. o FMI poderia financiá-los com os empréstimos compensatórios. b) socorrer os países a ele associados quando da ocorrência de desequilíbrios transitórios nos seus balanços de pagamentos. Seus ativos. mas que não obtêm financiamento no setor privado. eliminando ou reduzindo as causas que motivaram o desequilíbrio. Essa quota-parte é fixada em função do peso econômico do estado. Seu capital é composto pelas quotas constituídas pelos países associados. para utilizar os recursos do FMI tem direito de saque. Além disso. tendo em vista seu desenvolvimento industrial e sua participação no campo financeiro internacional. O FMI não concede empréstimos. o Banco empresta com taxas reduzidas de juros para países menos desenvolvidos. O Banco tem seu capital subscrito pelos países na proporção da sua importância econômica.

O GATT estabelece como princípios básicos: a redução das barreiras comerciais.90 GATT Alguns anos depois da Conferência de Bretton Woods. cujo objetivo básico é a redução das restrições ao comércio internacional e a liberalização do comércio multilateral. Atuou especialmente através de sucessivas rodadas de negociações entre os países envolvidos no comércio internacional e conseguiu. Através do GATT. a não-discriminação comercial entre os países. a compensação aos países prejudicados por aumentos nas tarifas alfandegárias e a arbitragem dos conflitos comerciais. procurava-se estruturar um conjunto de regras e instituições que regulassem o comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países. reduzir as barreiras impostas a esse comércio através de impostos alfandegários e cotas de importação. foi criado o GATT . no pós-guerra.Acordo Geral de Tarifas e Comércio. .

a fim de satisfazer as ilimitadas necessidades humanas. ESCASSEZ Em economia tudo se resume a uma restrição física – a lei da escassez.Escassez . .Bem: tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. isto é.Necessidade humana: qualquer manifestação de desejo que envolva a escolha de um bem econômico capaz de contribuir para a sobrevivência ou para a realização social da pessoa. .Análise Marginal 1. Daí surgem os conceitos: . Um bem é demandado porque ele é útil. Por que os bens são procurados. . somente existirá escassez se houver um demanda para a aquisição de bens.Bens produzir .Custos .Método e Economia Positiva .91 CAPÍTULO 7 – NOÇÕES DE MICROECONOMIA O que veremos: Princípios Básicos Mercado: Oferta e Demanda Conceito de Elasticidade Estrutura de Mercado Princípios Básicos O que Quanto Como Para quem Economia (Ciência Social) Escassez Escolha Produzir . A análise da escassez de recursos e das ilimitadas necessidades humanas conduz à conclusão que a economia é uma ciência ligada a problemas de escolhas.Teorias/Modelos .Diferentes técnicas Como Fazer? . O conceito de escassez econômica deve ser entendido como a situação gerada pela razão de produzir bens com recursos limitados. produzir o máximo de bens e serviços com os recursos disponíveis de cada sociedade. Porém.Utilidade: a capacidade que um bem tem de satisfazer uma necessidade humana.

Qual será o custo de oportunidade da tarefa B? Suponhamos uma economia em que haja certo número de pessoas. certa técnica de produção. COMO MEDIR O CUSTO DE OPORTUNIDADE Intuitivamente: O proprietário de uma empresa que contratar gerentes. A empresa contrata dois gerentes e cada um deles executa uma tarefa. certo número de fábricas e instrumentos de produção e um conjunto de recursos naturais. Ao decidir “o que” e “como” produzir. Custo: valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade.Para simplificar nossa análise. A quantidade exata de cada bem depende da quantidade e da qualidade dos recursos produtivos existentes na economia e do nível tecnológico com que sejam combinados. Tabela 1 – Mostra as possibilidades de produção Bens Quantidade máxima Possibilidades intermediárias carros A 150 0 B 140 10 C 120 20 D 90 30 E 70 40 Carros Camisas Quantidade máxima camisas F 0 50 Curva de possibilidades de produção: combinações máximas possíveis de produção de carros e camisas. . o sistema econômico terá decidido como alocar ou distribuir os recursos disponíveis entre as milhares de diferentes linhas de produção possíveis. quando todos os fatores de produção forem destinados a sua produção e nada for destinado à produção de camisas (carros).92 Pessoas desejam mais do que pode ser satisfeito com recursos disponíveis. 2. com o pleno emprego dos recursos disponíveis. A tarefa A = $ 100. supomos que apenas dois bens deverão ser produzidos: camisas e carros. Cada gerente só tem tempo para realizar uma tarefa. Considerem todos essas dados constantes. Haverá sempre uma quantidade máxima de carros (camisas) produzidas anualmente. a tarefa B = $ 75 e a tarefa C = $ 50. existem as combinações intermediárias entre os dois bens. Fora das quantidades máximas. Escolha Trocas Compensatórias: satisfazer mais de uma necessidade significa satisfazer menos de outra.

O custo de oportunidade corresponde ao sacrifício do que se deixou de produzir. para produzir-se mais 20 mil carros } = 20 mil carros } = 10 milhões de camisas As condições para a existência desse custo são os recursos limitados e o pleno emprego de recursos. OU SEJA. Ao passar de D para E. o sacrifício de consumir (produzir) menos é ainda muito grande. ganham-se 10 milhões de camisas e sacrificam-se 20 mil carros. Por exemplo. acréscimos . No exemplo acima: a fabricação somente de carros . significa apenas que estão sendo transferidos recursos da produção de carros para a produção de camisas. o que ocorre quando existir desemprego geral de fatores? A razão da curva de possibilidade de produção (CPP) ser decrescente deve-se ao fato de os recursos disponíveis serem limitados. passando de B para C.93 Figura . para produzir-se mais 10 milhões de camisas Ou então: Custo de oportunidade de passar da alternativa C para B. Mas. ao produzir um bem. Custo de oportunidade de passar da alternativa B para C.A – estaria sacrificando toda a de camisas. Quando um bem é escasso. até F. Essa transformação não é física. O custo de oportunidade também pode ser definido como o valor do melhor uso alternativo desconsiderado. está ocorrendo a transformação de carros em camisas.Curva de Possibilidades de Produção – CPP (Transformação) camisas F E D C CPP B A 0 carros À medida que se passa do ponto A para B e assim por diante. desistir de produzir um tanto do outro bem. ganham-se 10 milhões de camisas. A curva de possibilidade de produção representa um outro fato: uma economia no pleno emprego precisa sempre. O formato da curva mostra que decresce a taxas crescentes. porém. O valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. à medida que se está consumindo (produzindo) pouco de um bem. decidir pelo seu uso de uma forma significa desistir de usá-lo de outra. isso mostra que a substituição entre a quantidade dos dois bens se torna cada vez mais difícil. o custo do que não foi escolhido e não o ganho do que foi escolhido. Ou seja. sacrificam-se 40 mil carros.

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iguais na produção de camisas (10 milhões) levam a queda cada vez maior na produção de carros. Esse fenômeno dos custos crescentes surge à medida que se transferem recursos adequados e eficientes de uma atividade para outra, em que eles se apresentam ineficientes e inadequados. Aqui opera a chamada lei dos rendimentos decrescentes. Assim, se insistir somente na produção de camisas, será necessário recorrer aos soldadores de chapas de aço para passarem a pregar mangas de camisas. A CPP é côncava em relação à origem em virtude da chamada Lei dos custos crescentes: para atrair trabalhadores que estão empregados na produção de camisas e deslocá-los para a de carros, deverão ser oferecidos salários maiores, e vice-versa. O que mais pode ser visto na CPP? - Eficiência
Bens de I

A= capacidade ociosa

*B *A

*C

C = nível impossível de produção B = situação ideal

Bens de C

Teste para determinar a eficiência: veja se para produzir mais de um bem a economia deve produzir menos de outro. Se a resposta for sim, então a economia está produzindo eficientemente e está sobre a sua curva de possibilidades de produção.

- Crescimento Econômico A CPP pode sofrer mudanças que ocasionarão o seu deslocamento para fora ou para dentro. Aqui são destacados três principais fatores de deslocamento: 1. Variações nos fatores considerados constantes determinarão deslocamento para a direita. 2. Variações tecnológicas iguais para os processos de produção dos dois bens deslocarão a curva para a direita e paralelamente. 3. Se a variação tecnológica for maior para o processo de produção de um determinado produto, maior será o deslocamento em relação a esse eixo. Disso, pode-se constatar também, via a curva de possibilidades de produção, o impacto, por exemplo, de um crescimento econômico que deslocará a curva para cima e para a direita.Os fatores que causam o crescimento econômico: aumento do investimento, inovações, maior divisão do trabalho e aumento nos insumos.

3. ANÁLISE MARGINAL No que as pessoas se baseiam para alocar os diferentes recursos escassos de modo a obter o maior valor?

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Análise marginal: análise dos benefícios e custos da unidade marginal de um bem ou insumo. As pessoas desejam maximizar o máximo beneficio líquido (lucro). Beneficio liquido = beneficio total (BT) – custo total (CT) Exemplo: Consumir mais uma pizza. - Encontre o aumento no BT com uma unidade a mais consumida (BMg); - Encontre o aumento no CT com uma unidade a mais consumida (CMg); - Se BMg ≥ CMg = consome mais uma pizza. Beneficio liquido aumenta POIS, BMg = aumento BT CMg = aumento CT Δ BT = BMg - CMg Exemplo: Uma indústria moveleira está produz 30 jogos de cozinha a um custo de $ 30.000 e as vende por $ 40.000. Se produzir a 31º, sua venda total será de $34.000 e seu custo total será $ 32.500. Será que a indústria produzirá a 31º unidade? OBS. A análise marginal, assim como problemas de otimização são ferramentas utilizadas no estudo dos comportamentos de consumidores e de produtores. Os consumidores sempre buscam a maximização de sua satisfação (ou utilidade) ao consumir. Os produtores buscam maximizar seus lucros ou minimizar seus custos ao produzir. Os diferentes comportamentos de consumidores e produtores serão discutidos na disciplina Teoria Econômica. Questões – Conceitos Básicos
1. Explique como os problemas econômicos fundamentais – o que e quanto, como e para quem produzir – originam-se da escassez de recursos produtivos. 2. O que mostra a CPP? 3. Defina custo de oportunidade. O que são custos de oportunidade crescentes? 4. O problema fundamental com o qual a Economia se preocupa é: ( ) a pobreza ( ) o controle dos bens produzidos ( ) a escassez ( ) a taxação daqueles que recebem toda e qualquer espécie de renda ( ) a estrutura de mercado de uma economia 5. Em um sistema de livre iniciativa privada, o sistema de preços restabelece a posição de equilíbrio: ( ) por meio da concorrência entre compradores, quando houver excesso de oferta. ( ) por meio da concorrência entre vendedores, quando houver excesso de demanda. ( ) por pressões para baixo e para cima nos preços, tais que acabem, respectivamente, com o excesso de demanda e com o excesso de oferta. ( ) por meio de pressões sobre os preços que aumentam a quantidade demandada e diminuem a quantidade ofertada, quando há excesso de oferta, e que aumentam a quantidade ofertada e diminuem a demandada, quando há excesso de demanda. ( ) todas as alternativas anteriores são falsas.

96 6. Dada a curva de possibilidades de produção, aponte a alternativa errada:

15 *D *C 10

A

*B

E

0

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( ) a economia não pode atingir B, com os recursos de que dispõe. ( ) o custo de oportunidade de passar de C para D é zero. ( ) o custo de oportunidade de aumentar a produção de X em 5 unidades, a partir do ponto E, é igual a 2 unidades de Y. ( ) nos pontos C e D, a economia apresenta recursos produtivos desempregados. ( ) somente as três primeiras alternativas estão corretas. 7. A Curva de Possibilidades de Produção, quando construída para dois bens, mostra: ( ) os desejos das pessoas perante a produção total desses dois bens. ( ) a quantidade total produzida desses dois bens em função do emprego total da mão-de-obra, ( ) a quantidade disponível desses dois bens em função das necessidades das pessoas dessa sociedade. ( ) quanto se pode produzir dos bens com as quantidades de trabalho, capital e terra existentes e com determinada tecnologia. ( ) a impossibilidade de atender às necessidades dessa sociedade, visto que os recursos são escassos. 8. O que fará com que a CPP se desloque para cima e para a direita? Comente. 9. Se o custo marginal de uma ação excede seu beneficio marginal, por que o beneficio liquido cairá? Questões Aplicadas: 10. A IBM está produzindo 50 laptps a um custo de $50.000 e os está vendendo a $60.000. Se ela produzir uma 51a unidade, sua venda total será igual a $62.000, e seu custo total será de $51.500. Será que ela deve produzir a 51a unidade? Explique. 11. Se uma firma está sujeita aos custos e benefícios mostrados abaixo, quantas plantas deveria construir? Comente. Plantas 1 2 3 Receita em $ (RT) 10.000.000 18.000.000 24.000.000 Custo total em $ (CT) 5.000.000 12.000.000 20.000.000

12. Em uma ilha, um trabalhador pode produzir em uma hora um tapete ou duas cestas. a) Qual o custo de oportunidade de um tapete? b) Suponha que o trabalhador torne-se duas vezes mais eficiente, produzindo em uma hora dois tapetes ou duas cestas. Como mudou o custo de oportunidade de um tapete? 13. A Empresa Justus Ltda treinou o administrador A por um custo de $ 40.000, e o administrador A vale $ 80.000 para a Empresa. Mais tarde a Empresa tem a oportunidade de contratar o administrador B. Esse administrador B custaria $ 40.000 para ser treinado, mas valeria $ 100.000. Porém, para contratar o administrador B a Empresa deve demitir o funcionário A. Será que a Empresa deve contratar o administrador B?

Um mercado pode estar em qualquer lugar. ou bem perto como o telefone ou os classificados do jornal.97 MERCADO: OFERTA E DEMANDA Mercado é o encontro entre vendedores e compradores.a VALORES DEMANDADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A B C D E Outra forma de expressar essas diversas alternativas seria através da curva de procura ou de demanda (D). na esquina de uma rua.a 15% a. taxa de juros paga pelo cliente. que representam os interesses de consumidores e produtores (ou vendedores). que se inclina de cima para baixo. Essa é a lei da procura: as quantidades . no outro lado do mundo. Depreende-se. o eixo horizontal mostra a quantidade procurada (Q) de empréstimo por unidade de tempo. Nele estão presentes os fundamentos da procura e da oferta. Exemplo de procura ou demanda por crédito: P 15% Curva de Procura 9% 3% 20 60 100 Q À medida que a taxa de juros aumenta (preço do dinheiro).a 6% a. daí. oferta. elasticidade e as diferentes formas de organização dos mercados serão objeto de abordagem nesta Unidade.a 9% a. também denominada demanda. O eixo vertical representa o preço (P). tudo o mais permanecendo inalterado (ceteris paribus).a 12% a. Essa relação pode ser representada pela escala abaixo. é entendida como a quantidade de um bem ou serviço que uma pessoa deseja e está apta a comprar a determinado preço em dado intervalo de tempo. mostrando que a quantidade demandada varia inversamente ao preço. diminui a quantidade de empréstimos que os clientes se dispõem a tomar. Na Figura a seguir. que a cada preço corresponde uma determinada quantidade demandada. A procura é dada pela curva D. Procura. 1. considerada a procura por crédito: Escala de procura ALTERNATIVAS TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 3% a. da esquerda para a direita. PROCURA (OU DEMANDA) A procura. Não precisa ser necessariamente um lugar físico.

da esquerda para a direita.a 12% a.98 demandadas variam inversamente aos preços. Quanto mais baixo é o preço. refletindo o fato de que a quantidade ofertada de um dado produto varia diretamente com seu preço. uma vez que seu objetivo é alcançar a máxima satisfação possível de suas necessidades a partir de uma renda limitada.a VALORES OFERTADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A curva de oferta (S) é a representação gráfica da escala de oferta. ceteris paribus. Exemplo de oferta de crédito: P 15% 9% Curva de Oferta 3% 20 60 100 Q . Quanto mais alto é o preço de mercado. 2. menores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. a tendência é que o consumidor reduza a quantidade demandada. Por outro lado. OFERTA A oferta é definida como a quantidade (Q) de bem ou serviço que um vendedor ou produtor está disposto a oferecer a cada preço (P) e em determinado período de tempo. o consumidor desejará adquirir mais bens ou serviços à medida em que o preço diminua. As quantidades ofertadas a cada preço podem ser representadas por uma escala de oferta: Escala de Oferta ALTERNATIVAS A B C D E TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 15% a.a 3% a. É a lei da oferta: as quantidades ofertadas variam diretamente com os preços.a 6% a. Uma curva de oferta inclina-se para cima. maiores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. Ou seja.a 9% a. se o preço do bem se eleva.

Se a análise for sob o enfoque da oferta. alterações no gosto ou preferência dos consumidores. conforme mostra a Figura abaixo.elevação de taxa de juros pelos concorrentes aumentará a demanda por crédito em um banco. Sob a ótica da demanda. existem inúmeras outras causas que podem influenciar as quantidades demandadas ou ofertadas. entretanto. 3. Preços D 15% 12% S E Pe 9% 6% 3% S D 20 40 60 80 Qe 100 Quantidade . à medida que a taxa de juros aumenta. nos preços de outros bens e nas expectativas sobre o futuro podem influenciar significativamente as quantidades demandadas pela sociedade.aumento no consumo de sucos naturais faz com que diminua a quantidade demandada de refrigerantes. condições climáticas favoráveis ou concessão de subsídios ao produto. OUTROS FATORES QUE INFLUENCIAM AS CURVAS DE DEMANDA E OFERTA O termo ceteris paribus. diversas causas. empregado na definição da procura e da oferta. Na prática. certamente aumentarão as quantidades ofertadas. Aperfeiçoamento das técnicas produtivas. os bancos se dispõem a oferecer maior volume de crédito. redução dos custos de produção. Mantendo os demais fatores constantes: . fatores como condições climáticas desfavoráveis ou aumento dos impostos sobre o produto provocarão diminuição nas quantidades ofertadas.elevação na renda de uma comunidade determinará maior demanda por bens de consumo duráveis.99 Nesse exemplo. onde os interesses de demandantes e ofertantes são coincidentes. 4. mesmo mantendo-se estável o preço. . PREÇO E QUANTIDADE DE EQUILÍBRIO O preço e a quantidade de equilíbrio de mercado são determinados pela interação das curvas de demanda e oferta. . Por outro lado. significa que a quantidade demandada ou ofertada varia apenas em função de alterações de preço. podem influenciar as quantidades ofertadas. na renda da população. além do preço.

o ponto E mostra onde os interesses se equivalem. ceteris paribus. No gráfico acima.100 No exemplo apresentado. O movimento inverso é possível: se o preço caísse de P1 para P0. o preço aumentou de P0 para P1 e em conseqüência a quantidade demandada caiu de Q0 para Q1. Deslocamentos ao longo de uma mesma curva Deslocamentos ao longo de uma curva de demanda ou de oferta ocorrem devido às variações de preços.a. a quantidade demandada aumentaria de Q1 para Q0 . (preço de equilíbrio) e a quantidade de crédito da ordem de 60 UM (quantidade de equilíbrio). com taxa de juros 9% a.1. 4. Curva de Demanda P P Movimento P0 Q Q0 Q Uma variação no preço altera a quantidade demandada. Curva de Oferta P P P P P0 P0 P0 Q0 Q Q .

a quantidade ofertada do produto seria reduzida de Q1 para Q0 . Isso quer dizer que.2. de preços de outros bens (substitutos ou complementares) e da renda do consumidor. refletindo as alterações ocorridas. Deslocamento das curvas de demanda e de oferta Deslocamentos das curvas de demanda por um determinado bem ou serviço são provocados por variações de gosto ou preferência. O inverso aqui também é possível: se o preço diminuísse de P1 para P0 . ao mesmo preço. na tecnologia de produção. Curvas de Demanda Aumento da Procura Redução da Procura O deslocamento das curvas de oferta para a direita ou para a esquerda é devido a variações na tributação. os consumidores desejam comprar mais/menos quantidades de um determinado produto. na produtividade. aumenta a quantidade ofertada de Q0 para Q1.101 Uma variação só no preço de P0 para P1. A curva de demanda se desloca paralelamente para direita ou para esquerda. etc. Curvas de Oferta Redução da Oferta Aumento da Oferta . 4. nos custos.

permanecendo inalterada a curva de demanda. Deslocamento da demanda e variações de preço Mudanças na curva de demanda. INTERVENÇÕES DE MERCADO . Exemplo: piso salarial . ceteris paribus. não havendo quantidade suficiente de bens. 4. Maior oferta Preços P0 P1 D S S1 D S S1 ΔP P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 Quantidade Efeito do deslocamento da Oferta sobre o equilíbrio de mercado Aumento de oferta significa aumento da quantidade de produtos à disposição dos consumidores.Pisos de Preço: governo proíbe que o preço caia abaixo e certo valor.4.3. Exemplo: teto para a gasolina. 5. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. Deslocamento da oferta e variações de preço Mudanças na curva de oferta.102 4.Tetos de Preço: governo proíbe que o preço ultrapasse um valor máximo. a quantidade transacionada aumentará. Maior Demanda Preços D D1 S P1 ΔP P0 S D1 P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 D Quantidade Efeito do deslocamento da Demanda sobre o equilíbrio de mercado Aumentando a demanda. em conseqüência. . a concorrência entre os vendedores empurrará os preços para baixo e. compradores insatisfeitos estarão dispostos a oferecer maior preço para conseguirem o produto. a curto prazo. Se não houver alteração na demanda. para atender a essa demanda.

por exemplo. Se a quantidade procurada variar mais que proporcionalmente à alteração nos preços. por exemplo.103 Consequências das Intervenções: racionamento não liderado por preços. a um preço mais elevado. mais TVs foram vendidas. Durante o mesmo período. Essa afirmação está correta? Explique. ou o preço subir 6% e a quantidade demandada reduzir-se em 10%. O CONCEITO DE ELASTICIDADE A noção de elasticidade é de fundamental importância na compreensão e análise dos mercados de bens e serviços. menor deverá ser sua elasticidade-preço. a procura é dita inelástica. Suponha que uma lei de controle de aluguéis force os aluguéis abaixo do seu preço de mercado. o preço de um produto subir 10% e a quantidade demandada reduzir-se em 20%. foi visto que. Os elementos apresentados a seguir devem ser entendidos como alguns subsídios ao entendimento do porquê da demanda de certos produtos serem mais elásticas que a de outros: a) existência de produtos substitutos — é de se esperar que. quanto menor o peso no orçamento. Nesse sentido. É o que ocorre se. um aumento da quantidade ofertada. por outro lado. Nem todos os que desejam comprar uma casa poderão comprar uma. ou diferenciados de um produto para outro? Como medir a eleasticidade? Elasticidade-preço da procura A elasticidade-preço da procura reflete a sensibilidade da quantidade procurada por dado produto a uma alteração no preço desse produto. menor deverá ser a elasticiade-preço. o preço dos aparelhos de TV aumentou 5%. Existem certos fatores que explicam ou influenciam o valor da elasticidade-preço de demanda. a procura do produto tem eleasticidade unitária. Isso apoia ou contradiz a lei da demanda? Comente. Questões Aplicadas: 1. Ao longo de um período de 5 anos. . correspondia uma redução da quantidade demandada e. 2. mudanças na qualidade e mercados negros. Qual a intensidade desses efeitos? Eles seriam idênticos. Quando as variações forem percentualmente iguais. maior a tendência de esse produto ter demanda elástica. A forma correta de se medir essa sensibilidade é através da relação entre a variação percentual na quantidade e a variação percentual no preço. ela mede o impacto sobre a quantidade decorrente de alterações no preço (elasticidade-preço) do próprio bem e na renda do consumidor (elasticidade-renda). Caso as variações de quantidade sejam proporcionalmente menores que as variações de preço. Considerando o equilíbrio de mercado. c) essenciabilidade do produto — quanto mais essencial for o produto. b) peso do produto no orçamento — se for pouco substituível. O preço de casas é tão alto que há uma falta de casas. a procura do produto é considerada elástica. 3. Como os proprietários compensam s efeitos das leis de controle de aluguéis em seus ganhos? Exemplifique. 6. e o preço de todos os outros bens aumentou 12%. quanto mais perfeitos forem os substitutos de um produto.

Caso o aumento na renda implique queda na quantidade demandada. pizzarias. etc. por parte dos que o integram. Porém. ESTRUTURA DE MERCADO O comportamento de ofertantes e demandantes no mercado não é uniforme.ausência de entraves ao ingresso de novas empresas. a oferta será elástica. Exemplo: farinha de mandioca. a oferta apresenta elasticidade unitária. as variações nos preços e nas quantidades são na mesma direção. A sensibilidade da oferta de produtos a variações nos preços depende de fatores como percentual de utilização da capacidade instalada. embalagem. sal é exemplo clássico de produto com procura inelástica e viagem de turismo é um bem de demanda elástica. comércio varejista em geral.forte bloqueio à entrada de concorrentes. . publicidade. Exemplos: calças jeans. . tornando o mercado pulverizado de tal forma que nenhum comprador ou vendedor tenha condições de influenciar os preços ou o comportamento dos demais agentes. o poder dos diferentes agentes econômicos é também diferenciado. . Em decorrência da própria dinâmica da economia capitalista. a oferta desse bem será inelástica. Se o aumento na renda implica aumento na quantidade demandada. franquias. . Se a resposta da quantidade for de 5%. Exemplos: feira livre.perfeito conhecimento do mercado. Exemplo: aparelhos eletrodomésticos.homogeneidade de produtos. a começar pelo preço. em relação a mudanças de preços.104 Nesse sentido.fracas barreiras quanto ao ingresso e saída do mercado.perfeita mobilidade de recursos. Concorrência perfeita: . . . a elasticidade-renda é negativa e o produto é classificado como bem inferior. disponibilidade de insumos e de mão-de-obra e tempo de ajuste na produção.tendência à concentração de capitais através de fusões.pequeno número de empresas controla a quase totalidade do mercado.tendência à formação de cartéis e à rigidez de preços.grande número de consumidores e ofertantes. Se a magnitude de variação na quantidade for de 10%.grande número de empresas. . Assim. Concorrência monopolística: . .pouca diferenciação dos produtos. Elasticidade-preço da oferta Análise similar é válida para a curva de oferta. A diferença é subjetiva. se o preço de um bem aumentar 10% e a quantidade crescer 20%. Veremos a seguir as características básicas dos principais tipos de mercado. 7. . Elasticidade-renda da procura A elasticidade-renda da procura mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto decorrente da variação percentual na renda dos consumidores.concorrência pela diferenciação de produtos. Oligopólio: . . a elasticidaderenda é positiva e o produto é classificado como bem normal. Cada concorrente estabelece um produto único e ligeiramente diferenciado pela marca. .

o lucro total da empresa é máximo para cada nível de produção e preço por ela estabelecido. .preço do produto determinado pelos demandantes.barreiras legais. Automóveis Oligopólio Poucos __ Grande Padronizado ou Diferenciado Vendedor Monopólio Um __ Total Não há substitutos Satisfatórios Vendedor Correios Monopsônio __ Um Total __ Comprador setor público na aquisição de produtos específicos Oligopsônio __ Poucos Grande Padronizado ou Diferenciado Comprador Agroindústrias . não existem substitutos próximos. de vidros. . petroquímica etc. fábricas de cigarros. . .quadro síntese Tipos de Mercado N° Vendedores Nº Compradores Dificuldade de Entrada no Mercado Concorrência Perfeita Concorrência Monopolística Grau de Diferenciação do Produto Quem Determina o Preço Exemplos Muitos Muitos Nenhuma Nenhum Mercado Feira Livre Muitos Muitos __ Subjetivo Vendedor. aço. . com Alguma Limitação Jeans franquias Cimento. Monopólio: . cimento. Oligopsônio: .dimensões do mercado estabelecidas pela empresa via determinação prévia do volume de produção e dos preços desejáveis.uma única empresa compradora de determinado produto.105 Exemplos: indústria automobilística.preço determinado pelo comprador. . Exemplo: correios. Monopsônio: . Cerveja. no curto prazo. química. tecnológicas e econômicas ao ingresso de concorrentes no mercado. Estruturas de mercado . pneumáticos.poucas empresas compradoras.existência de uma única empresa produtora de bens e serviços para os quais. Exemplo: indústria automobilística. Exemplo: setor público na compra de produtos específicos.grande dificuldade de entrada no mercado para novos compradores.

Walter (2003). Marco Antônio Sandoval de (Org. BAER. A Economia Brasileira.Relatório 2005. São Paulo: Atlas. Cartel é um grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para sua atuação coordenada. Eliana (1996) Economia Brasileira ao Alcance de Todos. WESSELS. ROSSETTI. combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle. Diva Benevides & VASCONCELLOS. de forma a constituir um monopólio de mercado. Essas imperfeições estão relacionadas ao poder de mercado e formas de atingi-lo ou mantê-lo. A Ordem do Progresso.). com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias maiores de mercado. já detendo a maior parte do mercado.planejamento. Revista de Economia Política. Boletim do Banco Central do Brasil . José Paschoal (2003). 16(64): 20-35. Orçamento e Gestão (http://www. Parte IV – Finanças Públicas. É o caso do truste. (2005) Manual de Economia. PINHO. São Paulo: Saraiva. Revista de Economia Política. Referência Bibliográfica ABREU. 17ª ed. 14 (56): 129-149.gov. O tipo mais comum de cartel é o de empresas que produzem artigos semelhantes. com vistas a interesses comuns. São Paulo: Nobel. estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro. CARDOSO. São Paulo: Saraiva.br) PEREIRA. A economia e a política do Plano Real. O truste é o tipo de estrutura em que várias empresas. Luis Carlos Bresser (1996). Marcelo de Paiva (1990). (Disponível: http://www. PEREIRA. 2ª ed. 5ª ed. . dumping e cartel. Editora Brasiliense.106 O mercado também cria algumas imperfeições que impedem o que se poderia chamar de seu comportamento “natural”. Werner (2002). Economia.bcb. Ministério do Planejamento. Luis Carlos Bresser (1994). O dumping se caracteriza pela venda de produtos a preços mais baixos que os custos. A Inflação decifrada. São Paulo: Campus. 20ª ed.gov.br). Introdução à Economia.

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