Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Centro de Educação Superior Norte – RS (CESNORS) Departamento de Administração

Caderno Didático n0 1:

Introdução à Economia
(Versão não-revisada)

Professora: Solange Regina Marin Curso: Administração

Palmeira das Missões 2007

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INDICE Introdução Capítulo 1 – Conceitos Básicos 1. O conceito de economia 2. De que se ocupa a economia 3. A quantificação da realidade econômica 4. Breve contexto histórico do conceito economia 5. As escolhas na economia 6. Os argumentos da economia 7. Método de investigação da ciência econômica 8. Evolução do pensamento econômico.. 9. Interação entre os agentes econômicos e as questões-chave da economia Capítulo 2- Sistema Financeiro 1. Origem da moeda 2. Evolução das formas de moeda 3. Ativos financeiros 4. Oferta e demanda de moeda 5. Medida da Oferta de Moeda 6. Base monetária 7. Estrutura do SFN (brasil) 8. Organização do SFN 9. Diferentes mercados Intermediação Financeira 1. Formas de financiamento 2. Criação e destruição de moeda 3. Multiplicador bancário 4. Política monetária Capítulo 3 – Inflação 1. Situações possíveis de variação dos preços 2. Teorias da inflação 3. Inflação e Números-Indices 4. Indicadores de inflação no Brasil e no RS 5. Inflação no Brasil e Planos de Estabilização Capítulo 4 – Setor Público 1. As funções econômicas do setor público 2. Estrutura tributária 3. Os tributos e sua classificação 4. Os gastos do setor público 5. O Conceito de déficit público 6. Financiamento do déficit 7. Aspectos institucionais do orçamento público 8. Fiscalização Capítulo 5 – Conceito e Cálculo dos Agregados Macroeconômicos 1. O conceito de valor adicionado: o produto nacional (PN) 2. O conceito de renda nacional (RN) 3. O conceito de despesa nacional (DN) Alguns problemas com as medidas agregadas Capítulo 6 – A Economia Nacional e as Relações Internacionais 1. Teorias do comércio internacional 04 05 05 06 08 10 11 13 14 15 22 23 24 24 25 25 26 26 27 29 29 30 31 36 37 38 39 42 50 50 51 55 55 55 55 57 58 59 59 69 71

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2. A taxa de câmbio e o mercado cambial 3. Balanço de pagamentos 4. Instrumentos de ajuste do balanço de pagamentos A Institucionalidade no Cenário Internacional Capítulo 7 – Noções de Microeconomia 1. Escassez 2. Custo de oportunidade 3 Análise marginal Mercado: Oferta e Demanda 1 Procura (ou Demanda) 2. Oferta 3. Outros fatores que influenciam as curvas de demanda e de oferta 4. Preço e quantidade de equilíbrio 5. Intervenções de mercado 6. O conceito de elasticidade 7. Estrutura de mercado Referência Bibliográfica

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mas suscitar o interesse. traçar um paralelo entre as noções econômicas e as informações sobre a realidade econômica brasileira. Para isso. . o caderno se torna uma ferramenta auxiliar para o estudante da disciplina de Introdução à Economia. estudaremos as noções básicas de Economia para observar de forma crítica a realidade e interpretar o significado dos diferentes conceitos econômicos frente aos acontecimentos reais da economia brasileira. Por se tratar de assuntos ainda gerais da Ciência Econômica e relacionar acontecimentos recentes da economia brasileira. provocar o debate e proporcionar aos alunos do curso de administração uma capacidade de análise crítica das questões econômicas atuais.4 INTRODUÇÃO A idéia de produzir um caderno didático surgiu depois de alguns semestres ministrados da disciplina de Introdução à Economia para diferentes cursos de graduação. O objetivo é propiciar ao aluno. Este caderno não pretende dar respostas definitivas às questões sobre economia. ou seja. sem esquecer de relacioná-los com os fatos econômicos reais. são apresentadas questões teóricas e aplicadas sobre os diferentes assuntos trabalhados que incluem desde os conceitos básicos até as noções sobre economia nacional e relações internacionais. uma visão geral do objeto de estudo e do método de investigação da chamada Ciência Econômica. A preocupação central é apresentar de forma simples e clara os conceitos econômicos básicos. Além disso. no presente momento ao aluno do curso de administração.

antropologia culturas. Pelas implicações da ação econômica sobre outros aspectos da vida humana. De outro lado. assumindo um caráter biunívoco. porque pode influir no questionamento dos princípios e das aquisições conceituais desses mesmos campos. sociologia. psicologia. o estudo da economia implica a abertura de suas fronteiras às demais áreas das ciências sociais ou humanas. A figura 1 abaixo mostra que a economia está relacionada com outros campos de conhecimento. na produção de bens e serviços. porque a economia busca alicerçar seus princípios.Evolução pensamento econômico . direito). DE QUE SE OCUPA A ECONOMIA Aqui estão destacadas as categorias centrais de preocupação da economia. com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas. 2. mas ainda no desenvolvimento dos demais campos do conhecimento social. De um lado. consistência e aderência à realidade. E vai além.Argumentos da economia . Seria administração da casa ou administração da coisa pública.Questões-chave da economia 1.Método de investigação da ciência econômica . Como umas das ciências sociais (ciência política. de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade.Contexto histórico do conceito economia . Essa abertura se dá em uma dupla direção. à ética e à história. abrindo suas fronteiras à filosofia. O CONCEITO DE ECONOMIA A palavra economia vem do grego oikos (casa) e nomos (norma. conceitos e modelos teóricos não apenas na sua própria coerência.A quantificação da realidade econômica . .Interação entre os agentes econômicos . A economia pode ser definida como ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem utilizar os recursos produtivos escassos. e os grandes temas de que se ocupa a economia.De que se ocupa a economia . lei). a economia não pode ser considerada como fechada em torno de si mesma. o que implica por sua vez numa interface com outras áreas de conhecimento.5 CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS O QUE É ECONOMIA ? O que veremos? .

remuneração.A taxa de crescimento do PIB seria um bom indicador para o desenvolvimento de um país? 3. riqueza e bem-estar foram apresentados por A. trocas. equilíbrio e desenvolvimento. ressaltam-se os diferentes temas que são objetos de estudo da economia: escassez. David Ricardo. valor. Em economia é possível: . Nesse iniciar do debate econômico.Por que a alta do preço do cafezinho reduz a demanda por açúcar? .Por que a demanda por bens como carros ou apartamentos aumenta com o processo inflacionário? . ao ressaltar que as necessidades ilimitadas e os recursos escassos.6 FIGURA 1 – A relação com outros campos de conhecimento Clássicos/Marx: * Produção * Distribuição * Dispêndio *Acumulação A.Por que a renda dos agricultores se eleva quando ocorre uma estiagem que reduz a produção? . Marshall (1842-1924) * Pobreza * Riqueza * Bem-estar Simon Kuznets (1901-1985) * Crescimento * Desenvolvimento Lionel Robbins (1898-1984) * Recursos * Necessidades * Prioridades * Escassez * Recursos * Emprego * Produção * Agentes * Trocas * Moedas * Valor * Preços * Mercados * Concorrência * Remunerações * Agregados * Transações * Crescimento * Equilíbrio Antropologia Sociologia Psicologia Direito Política Ética Os temas discutidos pelos diferentes pensadores econômicos e em épocas históricas diversas.Por que o setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul está em crise com o maior valor do real frente ao dólar? .Quais os fatores que influenciam o crescimento econômico? .Por que a taxa de juros é tão importante para os investimentos? . a distribuição. dentre eles Adam Smith.Como pode uma desvalorização cambial conduzir a uma melhora na balança comercial? . crescimento.1. agregados. foram o processo de produção. Já as noções de crescimento e desenvolvimento foram tratadas por Simon Kuznets e Lionel Robbins tratou da questão das escolhas em economia. mercado. concorrência.Por que devemos nos preocupar com o PIB de um país? . Além disso. agentes. Alguns problemas econômicos . e por Karl Marx que ficou conhecido pelo desenvolvimento da teoria marxista. o dispêndio e a acumulação. assuntos tratados pelos clássicos. Marshall. preço. os temas pobreza. produção. A QUANTIFICAÇÃO DA REALIDADE ECONÔMICA O que distingue a economia de outros ramos do conhecimento social é a possibilidade de alguma forma de mensuração. emprego. recursos. transações.Por que os aluguéis de imóveis em regiões universitárias geralmente costumam ser maiores no início do período letivo? . moedas. 2.De que forma a oferta de moeda na economia afeta a taxa de juros? .Por que é importante para um produtor saber a elasticidade demanda por seu produto? .

. . de conjuntos Indicam variações de grupos. O quadro abaixo sintetiza as formas usuais de indicações quantitativas em economia.da atividade econômica agragativamente considerada.divisas externas (b) Unidades .quantificar os resultados. Expressam graus de concentração (ou de dispersão) de determinadas condições estruturais da economia. Indicam a resposta de uma ou de um conjunto de variáveis a determinada ação econômica. no decurso de séries históricas.específicas. baseados em sistemas de equações simultâneas. Quocientes Formas usuais de indicações quantitativas Coeficientes Resultado da divisão de variáveis econômicaas.proporções em determinado momento. com destaque para a econometria.lineares elas.desenvolver modelos explicativos da realidade. Indicam a interdependência interconsistentes de variáveis. de um dado agente. Esta particularidade da economia possibilitou o surgimento de correntes econômicas fundamentadas no método matemático. Relações funcionais expressando a correspondência funcional entre .moeda corrente do país (a) Monetárias .proceder a análises fundamentais em parâmetros quantificados. medianos ou modais a abservação de determinada situação ou tendência central transação. Medidas de Expressam em termos médios. experessnado: .desenvolver sistemas quantitativos para diagnóstico e prognóstico.7 .relações cambiais entre (a) e (b) adotadas Indicam magnitudes medidas ao longo de Variáveis-fluxo determinado período de tempo Variáveis econômicas Indicam magnitudes medidas em um determinado quantificáveis Variáveis-estoque momento Indicam relações entre duas variáveis. . Quadro 1 – A quantificação da realidade e as variáveis econômicas .construir identidades quantificáveis. simples ou múltipla entre as variáveis econômicas.variações ao longo do tempo.estabelecer relações quantitativas entre diferentes categorias de transações. conjuntos ou de agregações de dados econômicos. entre duas variáveis. Expressam parâmetros de correlação. ou interagentes. Valores absolutos . .não-lineares Relações Incrementais Relações entre variáveis Relações Matriciais Números-indices Indicam variações cumulativas. Expressam resultados de transações: . . . . .

Figura de maior destaque foi Karl Mar(1818-1883). evoluiu para economia. é um estudo da riqueza. tal como se apresentava. cujo principal elemento era a maximização da utilidade. a denominação usual da economia era adjetivada. A partir do século XVI. . a distribuição e o consumo. Estavam preocupados com a iniqüidade social mas não propuseram formas alternativas e revolucionárias para a organização econômica da sociedade. Os sentimentos morais. Assim. David Ricardo e John Stuart Mill definiam a economia a partir destes quatro fluxos. novas concepções se desenvolveram. tais idéias estavam baseadas numa definição de economia como o ramo do conhecimento essencialmente voltado para a administração do Estado. Eles buscaram entender o equilíbrio do processo econômico. tenham explorado temas de conteúdo econômico.8 4. a acumulação. Os outros economistas clássicos na transição dos séculos XVIII e XIX. O estudo das leis sociais que regulam a produção e a distribuição dos meios materiais destinados a satisfazer às necessidades humanas resume o campo de que se ocupa a economia. Com o tempo. observamos o nascimento do primeiro conjunto de idéias mais sistematizadas sobre o comportamento econômico com o chamado Mercantilismo. A perspectiva socialista O binômio produção-distribuição é a base a partir da qual a perspectiva socialista construiu sua concepção sobre a matéria de que se ocupa a economia. de um lado. a busca da aprovação social. Alfred Marshall. Eles sintetizaram os fundamentos da conduta econômica do homem: a escassez de recursos diante de necessidades ilimitáveis. Maior figura foi François Quesnay e seu Quadro Econômico de 1758. em seus aspectos mais estritamente ligados à obtenção e ao uso dos elementos materiais do bem-estar. Mas. BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DO CONCEITO ECONOMIA Em seu nascedouro. é uma parte do estudo do homem. as razões maiores da acumulação e da conservação da fortuna material foram os pressupostos de sua descrição da ordem econômica. Roma não deixou nenhum escrito notável na área de economia. Adam Smith e suas obras Sentimentos Morais (1759) e A Riqueza das Nações (1776). sob o objetivo de promover seu fortalecimento. e mais importante. fundamentada nas leis que regem a formação. como Platão e Aristóteles. as paixões originais da natureza humana. quem procurou fazer uma síntese de clássicos com neoclássicos. No século XVIII. Mesmo que alguns filósofos da Grécia Antiga. Esse polinômio foi a base do conceito clássico de economia. acredita que a economia examinava a ação individual e social. Os neoclássicos A ênfase dos primeiros neoclássicos (Jevons. e. mas com a riqueza das Nações. de outro. Denominava-se economia política. Walras e Menger) não estava no processo de acumulação capitalista e nos mecanismos de repartição dos esforços sociais. como Robert Malthus. a adjetivação caiu em desuso. A abordagem clássica A preocupação não era com o fortalecimento do estado. A fisiocracia elaborou alguns trabalhados dignos de destaque.

uma relação entre custos (meios empregados) e benefícios (fins alcançados).Síntese dos conceitos básicos da sistematização de Robbins Conflito fundamental Meios (ou recursos) escassos e limitados Fins (ou necessidades) múltiplos e ilimitáveis Escolhas entre fins possíveis e meios disponíveis Alocação de recursos (custoso) Consecução de determinado fim Não-consecução de outros fins Benefício Custo de oportunidade . riqueza e bem-estar.a limitação dos meios para alcançar os fins possíveis . distribuição.9 A sistematização de Lionel Robbins nos anos de 1930 Robbins não partiu de categorias de fatos econômicos. embora escassos.o emprego alternativo dos meios.uma multiplicidade de fins que a humanidade procura alcançar . produzir o máximo de bens e serviços com os recursos escassos disponíveis de cada sociedade. portanto. O fator de maior importância e que faz o elo de ligação entre as quatro condições é a capacidade humana de fazer escolhas. podemos notar que em Economia tudo se resume a uma restrição quase física – a lei da escassez. Mas lembre-se só existirá escassez se houver uma demanda para a aquisição do bem – tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana.a priorização de fins possíveis: podem ser classificados por ordem de prioridade . poderiam ter sido alcançados). Qualquer escolha feita pelos indivíduos. isto é. “A economia é a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que. empresas. Figura 2 . O fato econômico resume-se. se prestam a usos alternativos”. nos atos de escolha entre fins possíveis e meios escassos aplicáveis a uso alternativos. como produção. assim. dispêndio. com os mesmos recursos. bem como a ocorrência de custos de oportunidade (outros fins que. E um bem é demandado porque é útil. governos ou outros agentes econômicos quanto à alocação de recursos implica. Com isso. acumulação. Ele partiu da existência de: .

A sistematização Robbins de . ilimitados. hoem se dedica a um ato social: a produção.10 Existem ligações formais entre as abordagens consideradas: a neoclássica. fins alternativos.A economia é um ramo que estuda as formas do A realização desse comportamento humano que processo se completa com a resultam da relação entre distribuição do produto necessidades ilimitadas e recursos escassos. A razão de ser da economia está presente nas três formas de delimitar o campo específico do conhecimento econômico – o estudo das formas aplicadas pelo homem na incessante busca de meios para satisfazer às condições ilimitáveis de bemestar. a socialista e a sistematização de Robbins. social. . recursos limitados e técnicas de produção. principalmente. a condução do homem no trato com questões que interferem em sua riqueza e bem-estar. na realidade temos inúmeras necessidades. escolha e alocação são os elementos a partir dos quais se define o campo de que se ocupa a economia. custo e análise marginal como veremos em outras aulas. mas meios limitados. agem e pensam nos assuntos ordinários da vida. . A teoria econômica trata de escassez. A perspectiva socialista .As necessidades humanas são determinadas pelo estágio cultural da sociedade. Porém.Meios escassos.O fim último de que cuida a economia consiste em descobrir como as virtudes humanas e a concorrência podem conduzir ao bem. RECURSOS PRODUTIVOS ESCASSOS * O QUE E QUANTO PRODUZIR * COMO PRODUZIR * PARA QUEM PRODUZIR ESCOLHA ESCASSEZ Essas questões não seriam problemas se existissem recursos ilimitados. . 5.O estudo das leis sociais estar social.A sociedade tem objetivos múltiplos. que regulam a produção e a distribuição resume o campo de que se ocupa a economia. o alcançá-los. AS ESCOLHAS NA ECONOMIA: * O QUE E QUANTO produzir * COMO produzir e * PARA QUEM produzir Resumindo: NECESSIDADES HUMANAS ILIMITADAS VS..Para satisfazer a um e meios escassos para padrão de necessidades. . Economia: optar dentre os bens a serem produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os recursos escassos em produção.A economia é um estudo dos homens tal como vivem.Focaliza. . A conduta econômica consiste em escolher entre fins possíveis . Quadro 2 – O conceito de economia nas três abordagens A abordagem neoclássica .

como é desejável a manutenção e. a ampliação do poder aquisitivo real. das interações entre os diferentes agentes da economia e de como a partir dessas interações surgem as questões-chave que preocupam a Economia. deveriam ser adotadas políticas de contenção do crescimento populacional. A política econômica. formulam-se as hipóteses a respeito de como a realidade se comporta. (1) e (2): são factuais. não obstante seja formulada a partir de escolhas que envolvem juízos de valores. OS ARGUMENTOS DA ECONOMIA Para entendermos o método de investigação da ciência econômica precisamos apenas de um simples encadeamento lógico. Deduzem-se as implicações e os resultados decorrentes dessas hipóteses que são confrontados com a evidência dos dados de observações coletados da realidade. Suponha-se que alguém afirme que: 1. Finalmente. a redução da renda per capita implica na perda do poder aquisitivo real da sociedade. Essa ressalva metodológica não implica a inexistência de conexões entre os compartimentos positivos e normativos na economia. como pode ser visto na figura abaixo. . 2. quando as taxas de crescimento da população são superiores às da expansão da renda nacional como um todo. desse confronto tiram-se as conclusões: ou a teoria explica satisfatoriamente o comportamento da realidade econômica ou deve-se formular uma teoria alternativa e mais adequada. positivas. logo.economia positiva: o que é de fato Normativos . da evolução do pensamento econômico. 6.11 Por enquanto teremos uma visão geral dos argumentos e do método de investigação na ciência econômica. tem o respaldo na modelação teórica desenvolvida pelos diferentes troncos da economia positiva. mantidos os níveis vigentes de preços. Ou seja. 3. a renda per capita se reduz. a Economia se interessa primordialmente pelos argumentos positivos.economia normativa: o que poderia ser Essa distinção é importante em termos de metodologia uma vez que existe a impossibilidade lógica de se deduzirem afirmações positivas de juízos de valores ou normativos ou vice-versa. Baseadas nos postulados da teoria existente. Teoria econômica: leis que explicam o comportamento humano e fazem parte do conjunto de conhecimentos. mesmo. (3): é de caráter normativo. As duas primeiras não são condições suficientes para dar sustentação à terceira. Os argumentos da teoria econômica podem ser: Positivos .

importações. renda. Contabilidade Social. importações. tributos e dispêndio tributos e dispêndio público. Descrição e mensuração de fatos Descrição e mensuração de fatos econômicos. além dos fluxos de capitais. Contabilidade Social. . O consumidor O consumidor ee a aa análise da nálise da procura procura Teoria Econômica Teoria Econômica Princípios. público. consumo.12 Figura 3 – Compartimentos usuais da economia Economia Descritiva Observação sistematizada do Observação sistematizada do mundo real. leis e modelos da modelos da ececonomia onomia A empresa a A empresa e e a análiseda oferta análise da oferta Teoria Teoria Microeconômica Microeconômica Remuneração Remuneração dos fatores de dos fatores de produção e produção e repartição da repartição da renda Teoria Teoria Macroeconômica Macroeconômica Análise de Análise de macrovariáveis: macrovariáveis: renda. com 3 objetivos: * Crescimento * Estabilidade * Equitatividade A regulação da atividade dos agentes econômicos: o interajuste de custos e benefícios privados e sociais. exportações. Atuação sobre a realidade. poupança. Preocupa-se com a determinação dos preços e quantidades em mercados específicos. Divisão do estudo econômico: Microeconomia: estuda o comportamento de consumidores e produtores e o mercado no qual interagem. Economia Internacional: estuda as condições de equilíbrio do comércio exterior. econômicos. interindustriais. Política Econômica A condução do processo econômico agregativamente considerado. mundo real. Princípios. teorias. Desenvolvimento Econômico: estuda o processo de acumulação dos recursos escassos e da geração de tecnologia capazes de aumentar a produção de bens e serviços para a sociedade. Sistemas contas Sistemas dede contas nacionais e matrizes nacionais e matrizes de relde relações ações interindustriais. investimento. As políticas econômicas de intervenção procuram estabelecer esse equilíbrio. consumo. renda Estrutura Estrutura concorrencial e concorrencial e equilíbrio dos equilíbrio dos mercados mercados monetária. exportações. leis e teorias. poupança. investimento. demanda oferta e oferta e demanda monetárias. Macroeconomia: Estuda as condições de equilíbrio estável entre a renda e a despesa nacionais.

13 7. observar sistematicamente a realidade. teorias. Vejamos como ocorre a construção do conhecimento na economia pela figura abaixo. pelo permanente confronto com a realidade Reelaboração resultante de novas observações ou de mudanças nas condições preexistentes. busca. Construção de modelos validados por testes estatísticos. Depois elaborar modelos simplificados que a reproduzem. Esforço de teorização substitutivo da validação experimental. em sua estrutura fundamental. No processo de elaboração recorre-se a duas abordagens distintas. Formulação de princípios. MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA A metodologia da elaboração científica. como primeiro passo. que identifiquem relações de causas e efeitos e que interpretem os mais variados eventos e seus desdobramentos. ainda que complementares: a indução e a dedução. Método dedutivo Validação.A construção do conhecimento na economia Método indutivo Abstrações resultantes de levantamentos e informes quantitativos. Observação sistematizada da realidade Abstrações teóricas envolvendo situações e comportamentos não mensuráveis a partir de levantamentos da realidade concreta. . Figura 4. leis u modelos explicativos ou interpretativos da realidade.

Fonte: Rossetti (2003) 1 Para maiores informações sobre as escolas de pensamento econômico ver o website The History of Economic Thought: http://homepage.edu/het/ .newschool.14 8. EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO: 1 A figura 5 abaixo mostra de maneira bem articulada como ocorreu o desenvolvimento das diferentes correntes de pensamento econômico.

que conduz à especialização e à divisão social do trabalho. INTERAÇÃO ENTRE OS AGENTES ECONÔMICOS E AS QUESTÕES-CHAVE DA ECONOMIA 9. Os fluxos monetários definem-se como contrapartida dos fluxos reais.a diversidade das necessidades humanas. agentes e instituições Complexo de instituições Quadro de agentes econômicos Recursos naturais Recursos humanos Capital Capacidade tecnológica Capacidade empresarial Unidades familiares Empresas Governo Jurídicas Políticas Sociais Os processos. como pode ser visto na figura 6 abaixo: Estoque de fatores de produção Elementos constitutivos do sistema econômico como um todo: recursos.2 Processo de Interação e os Fluxos Econômicos Fundamentais Os fluxos reais definem-se a partir de suprimentos de recursos de produção. . os mecanismos e os instrumentos de interação dos agentes econômicos decorrem de dois fatores fundamentais: . As Categorias Participantes do Sistema Econômico As três categorias que formam a base de qualquer sistema econômico são os recursos. bem como pela resultante geração de bens e serviços intermediários e finais. de seu emprego e de sua combinação pelas unidades de produção. de um lado.15 9. que conduz à organização de sistemas de trocas. determinada por heranças culturais ou por vocações naturais. pelos pagamentos de remunerações aos fatores de produção empregados. 9.a diversidade de capacitações das pessoas e nações. pelos preços pagos aos bens e serviços adquiridos. independentemente de sua destinação. e as instituições. os agentes.1. . de outro lado. Traduzem-se.

empresas e governo Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Pgto bens e serviços T Remuneração fatores T GOVERNO Fornecimento (bens e serviços) e IFBKF .16 Figura 7.A interação entre famílias e empresas Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Figura 8 .A interação entre famílias.

17 Figura 9. .Uma visão de conjunto do processo econômico e das questões-chave da economia Fonte: Rossetti (2003) A forma como esses processos de realizam e seus resultados finais estão relacionados com as quatro questões-chave da economia: * A plena utilização dos recursos produtivos – Eficiência Produtiva: emprego dos fatores de produção.

Destaque os papéis de cada um. O modelo simples de interação entre famílias e empresas é modificado com a introdução do agente Governo. Sintetize esses dois fluxos em um modelo simples de interação entre as famílias e as empresas. Nós nos deteremos nas duas primeiras das questões-chave.18 * A escolha do que produzir – Eficácia Alocativa: produtos gerados. 5 e 6). as atividades de produção classificam-se em primárias. Mostre as diferenças entre elas. 12. 8. Diferencie tributos diretos e tributos indiretos e dê exemplos de cada um deles. 14. Exemplifique essa função e diga qual é o tipo de relação entre as variáveis produção e recursos de produção. as três seguintes categorias de elementos constitutivos do sistema econômico: estoque de fatores. Descreva sucintamente como ocorreu a evolução do sistema de trocas até a instituição da moeda como conhecemos na atualidade. 7. Diferencie. empresas e governo. secundárias e terciárias. 11. 9. 15. o aparelho de produção das economias desenvolve um grande fluxo contínuo de geração de bens e serviços. 5. para os interessados nas demais questões. Diferencie o conceito de formação bruta de capital do de formação líquida de capital fixo. A função de produção para a economia considerada agregativamente mostra a relação funcional entre a produção e os recursos empregados. ver Rosseti (2003. Descreva a partir da função de produção as precondições para que uma economia tenha crescimento econômico e. Cite e conceitue cada um deles. 13. 4. Explique cada uma das funções da moeda e dê exemplos. Por que o conceito de capital se associa aos de investimento e de acumulação? 3. . Caps. São três os agentes econômicos que interagem dentro de determinado sistema econômico: unidades familiares. uma maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante. quadro de agentes econômicos e o complexo de instituições. * A organização da vida econômica em sociedade – Ordenamento Institucional: instituições que regularão o funcionamento do sistema como um todo e a interação entre os agentes. Quanto à intensidade de emprego dos fatores e à natureza dos bens e serviços gerados. conceituando cada uma delas. bens e serviços intermediários e bens e serviços finais de produção. Explique. Questões: 1. O que compreende o fator capital. 6. * A distribuição dos resultados dos esforços de produção – Justiça Distributiva: rendas. A condição fundamental para que se realize o fluxo de produção é a existência de um conjunto de cinco fatores. A principal fonte de renda do governo é a arrecadação de tributos. Essa precondição é suficiente também para o desenvolvimento econômico? Comente. Diferencie os conceitos de bens e serviços finais de consumo. A maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante é considerada precondição quantitativa para a promoção do crescimento econômico e do bem-estar social. 2. Diferencie os conceitos de fluxo real e fluxo monetário. conseqüentemente. Mobilizando os cinco fatores de produção. 10.

Mas. se a renda aumentar. poupança e consumo agregados. A renda per capita é considerada o melhor indicador para se aferir a melhoria do bem-estar. investimentos. O QUE É MACROECONOMIA Trata da evolução da economia como um todo. distribuição de renda e crescimento econômico. 2 Para uma discussão sobre o Milagre Econômico. Por exemplo. Pleno emprego dos recursos Aprofundar os conhecimentos da política econômica com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de pleno emprego. 2. do padrão de vida da população. Esses objetivos não são independentes uns dos outros e podem ser até conflitantes. Ou seja. Distribuição de renda A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior parte da década de 70. expectativas empresariais e etc. nível geral de preços. que é aumento contínuo no nível geral de preços. é um problema porque acarreta distorções sobre a distribuição de renda. juntamente com o aumento da renda per capita. emprego e desemprego.19 CAPÍTULO 2 – SISTEMA FINANCEIRO 1. ver: Abreu (1990) “A Retomada do Crescimento e as Distorções do “ Milagre” (1967-1973). estabilidade de preços. analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados da economia. Nesse sentido. 2 Crescimento econômico Quando se fala em crescimento econômico. Estabilidade de preços A inflação. O crescimento econômico capta apenas o crescimento da renda per capita. ocorreu uma concentração de renda. . para depois pensar em repartição de renda. balanço de pagamentos e taxa de câmbio. o crescimento pode facilitar a solução dos problemas de pobreza. atingir uma meta pode ajudar (ou não) a alcançar outras. houve um aumento da disparidade entre as classes de renda. Alguns críticos do chamado “milagre econômico” argumentam que piorou a concentração de renda nos anos de 1968/73 devido a uma política deliberda do governo (a Teoria do Bolo): primeiro crescer. desemprego e etc. é possível aumentar a renda dos pobres sem diminuir a dos ricos. Um pais está realmente melhorando seu nível e desenvolvimento econômico e sociais. Mas. ou seja. se estiver também melhorando os indicadores sociais (pobreza.). estamos pesando no crescimento da renda nacional per capita. aumentando a parte dos lucros e da poupança dos mais ricos na renda nacional. como renda e produto nacionais. estoque de moeda e taxas de juros. uma vez que torna possível abrandar conflitos sociais sobre a divisão da renda. o fato do país estar aumentando sua renda per capita não necessariamente significa que está tendo uma melhoria do seu padrão de vida. AS METAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA As metas de política macroeconômica são: pleno emprego dos recursos. O debate constante da macroeconomia é saber se as decisões da política monetária e fiscal do governo vão afetar ou não as tendências da economia.

3. Normalmente. A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações e/ou estímulo/desestímulos às importações. os juros e os aluguéis é a de que. esses controles são utilizados como política de combate à inflação. 4. particularmente em países em desenvolvimento. A segunda relacionada com o que pode ser chamado de parte invisível da economia e determina a taxa de juros. Além da questão do nível de tributação. de crédito e das taxas de juros. OS MEIOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA: A política macroeconômica envolve a atuação do governo sobre a capacidade produtiva (produção agregada) e despesas planejadas (demanda agregada). em resposta a influências normais do mercado. Os principais meios para atingir os objetivos são: Política fiscal: compreende todos os instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). com baixas taxas de inflação e distribuição justa de renda. o estoque de moeda e a taxa de câmbio. por meio da manipulação da estrutura e alíquotas de impostos. os agentes econômicos ficam proibidos de levar a cabo o que fariam. o nível de emprego e os salários nominais. O quadro 3 mostra os mercados e as diferentes variaveis determinadas em cada uma das partes da economia. seja estabelecimentos de cotas etc. ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA A economia pode ser dividida em parte real e parte monetária. A primeira relacionada com a produção de bens serviços bem como no emprego do fator trabalho. a política tributária. as metas de crescimento e equidade distributiva têm se mostrado conflitantes.20 Entretanto. o nível geral de preços. No Brasil. sejam fiscais. A política cambial refere-se ao controle do governo sobre a taxa de câmbio. . a política salarial e a atuação da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (Seap) situavam-se nesse contexto. os lucros. tendo como variáveis a serem determinadas: o produto nacional. nesses controles. Política monetária: refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de moeda. compra e venda de títulos públicos. é utilizada para estimular (ou inibir) os gastos do setor privado em consumo e em investimento. que influenciam diretamente os salários. Política de rendas (ou de controle de preços e salários): a característica especial da política de rendas. Os instrumentos disponíveis são: emissão de moeda. taxas de redescontos e regulamentação sobre crédito e taxa de juros. creditícias. com o objetivo de permitir à economia operar a pleno emprego. uma vez que muitos acreditam que o aumento do nível de poupança seria mais facilmente obtido por meio de uma distribuição desigual de renda – a já citada Teoria do Bolo no período do milagre econômico. Política cambial e comercial: atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia. reservas compulsórias.

* A teoria prevalecente antes de Keynes acreditava que a economia (i) era autoregulatória. surge a Teoria Monetária com Milton Friedman da Universidade de Chicago. primeiras revoluções. . (ii) está sujeita à flutuações. XX: Primeira Guerra Mundial. * Segunda metade dos nos 50. negligenciando a política monetária. que retratava as condições de oferta agregada. a economia (ii) não regula a si própria. * Séc. recuperando o papel da oferta agregada na Teoria Macroeconômica. O que se entende por política fiscal. * Com a teoria de Keynes.21 Quadro 3 – Parte real e parte monetária da economia Mercados * Mercado de Bens Serviços Parte Real da Economia • Mercado de Trabalho * Mercado Financeiro Parte Monetária da Economia • Mercado de Divisas Variáveis Determinadas e * Produto Nacional * Nível geral de Preços • Nível de Emprego • Salários Nominais * Taxa de juros * Estoque de Moeda • Taxa de Câmbio 5. Descreva as metas da política econômica. * Principais idéias Keynesianas. 3. Você seria capaz de explicar qual objetivo de política econômica o governo brasileiro tem buscado nos últimos anos? Comente. neoclássicos. Mas. (iii) produziam em pleno emprego (existia apenas a taxa natural de desemprego). política monetária. Questões: 1. * Até os anos 60. (iii) pessimismo na comunidade de negócios e (iv) necessita de ação do governo para sua estabilização. Por que os objetivos de politica econômica podem ser conflitantes. (ii) utilizava eficientemente todos os recursos. * Décadas de 70 e 80: Escola das Expectativas Racionais (os novos clássicos). publicadas no livro “Teoria Geral do Emprego. * Séc. Atenção para como os agentes formas suas expectativas. (iv) as ações do governo apenas para os bens públicos. * Quatro principais linhas de pensamento macroeconômico: keynesianos. 2. numa herança keynesiana. Explique. a ênfase da política econômica ainda era nos instrumentos de política fiscal. * Nos anos 50. que serviram como ponto de partida. tinha o instrumental IS/LM analisando os componentes da demanda agregada acoplado à Curva de Phillips. surge a Curva de Phillips que mostrava que uma relação inversa entre as taxas de inflação e taxas de desemprego. Trata do papel das expectativas inflacionárias sobre a produção e o emprego. Identificação de “ciclos de negócios” e Grande Depressão dos anos 30. novos clássicos e pós-keynesianos. Maior desenvolvimento da Teoria Microeconômica. * Em 1937: John Hicks introduz o aparato conhecido como IS/LM – a chamada síntese neoclássica – que permite analisar a economia tanto pela hipótese de pleno emprego (clássicos e neoclássicos) como pela de desemprego (Keynes). XVIII. política cambial e política de rendas? 4. do Juros e da Moeda” de 1936. A MACROECONOMIA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA.

restringindo suas atividades à caça. que o indivíduo "A" desejasse adquirir peixes e o indivíduo "B” desejasse adquirir frutos silvestres. por intermédio da moeda. o homem percebeu que poderia dedicar-se à produção de determinadas mercadorias em quantidades superiores às suas necessidades de consumo.Um raciocínio simples exemplifica o caso das trocas diretas: uma tribo. hoje. Expansionista MOEDA 1. cujo objetivo primordial era a sobrevivência.22 SISTEMA FINANCEIRO O que veremos? Moeda: História Funções Oferta/Demanda Agregados Monetários Sistema Financeiro no Brasil (SFN): Diferentes Mercados Intermediação Financeira Sistema Bancário e Multiplicação dos Meios de Pagamento Criação/Destruição dos Meios de Pagamento Política Monetária: Instrumentos Política Restritiva vs. Tornava-se imperiosa a criação de novas condições de comércio. Salvo nas comunidades extremamente afastadas da civilização. era naturalmente impermeável à idéia de se estabelecer entre as comunidades um sistema de trocas de mercadorias. em que tribos vizinhas representavam rivais em potencial. as trocas evoluíram em duas etapas: trocas diretas. ORIGEM DA MOEDA Nas economias primitivas. tenha se especializado na coleta de frutos. portanto. Vivia em grupo tribal fechado. e trocas indiretas. também conhecido como escambo. às margens de um rio generoso em peixes. A troca ocorreria. apenas uma diminuta parcela daquilo que consome. bilateralmente. Conseqüência desse fato é o estabelecimento das trocas. desde que houvesse interesse recíproco. Essa primitiva sociedade. quando muito. o homem produz. na produção (captura) de peixes. exigia certas condições especiais para seu funcionamento: se o indivíduo "A" fosse especializado na produção (coleta) de frutos silvestres e o indivíduo "B". Cada indivíduo passa a destinar a maior parte de sua produção não ao seu consumo próprio. de forma direta. o modo de vida do homem não lhe oferecia qualquer instrumento que possibilitasse a transformação dos produtos disponíveis. Historicamente. poderia especializar-se na pesca e trocar com uma outra comunidade que. para ocorrer a permuta. à pesca e à coleta de frutos. mas às trocas com terceiros que tenham bens e serviços de seu interesse. As dificuldades desse sistema são evidentes. mas com escassas chances de acesso a frutos. tornava-se fundamental. de maneira que as trocas pudessem ocorrer sem que dependessem . produto por produto. por estar um pouco mais distante ou mesmo não dispor de um rio em iguais condições. A implantação desse sistema de intercâmbio direto de mercadorias. Com o passar do tempo.

porém. à qual são convertidos os valores de todos os bens e serviços disponíveis na economia. o gado e os metais. A utilização dos metais preciosos (ouro e prata) como moeda facilitou muito o desenvolvimento das trocas e da circulação dos bens e serviços necessários à sociedade. O estabelecimento da mercadoria-moeda possibilitava a implantação de um sistema de intercâmbio. a razão principal. um simples pedaço de "papel pintado". Pode ser. Era de melhor qualidade e não apresentava os problemas das demais mercadorias adotadas como moeda. apresentava problemas relativos a seu valor intrínseco e a seu transporte. portanto. sem o controle da sociedade. como o foram no passado. de aceitação geral. até ao instante em que é gasta. Esse indivíduo teria zerado o seu estoque de moeda. A função de intermediação de trocas traduz-se em servir como meio de pagamento. Podem ser. diz-se que a moeda serve como denominador comum de valores. EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE MOEDA Ao se estabelecer um produto ou mercadoria como base para a troca.C. A forma encontrada foi substituir as trocas diretas pelas trocas indiretas. A moeda é medida de valor porque estabelece uma unidade-padrão de medida. também. e uma das causas poderia ser até mesmo não ter conseguido arcar com os custos de uma acomodação adequada para o trigo. Introduziase assim um elemento responsável. Por exemplo: alguém que dispusesse de cinco sacas de trigo e desejasse comprar meio boi. nasceu o conceito básico de moeda: um instrumento facilitador das trocas que permite a medida ou a comparação de valores. Eram mais duráveis e permitiam subdivisão com maior facilidade. o sal. 2. numa forma alternativa de guarda ou de acumulação de riqueza. Como alternativa. medida de valor e reserva de valor. Além disso. Considerando-se que a moeda pode ser trocada por bens ou serviços em qualquer ocasião. havia ainda a desvantagem de ser perecível. A retenção da moeda. a de facilitar o processo de circulação de bens. como reserva de valor. estabelecendo-se como padrão de conversão. em . como resolveria a questão? Um primeiro complicador consistia. A história registra o aparecimento de moedas metálicas cunhadas na Grécia entre os séculos VIII e VII a.23 tanto da simultaneidade de interesses específicos. Há. Sua produção era mais rara e escassa. determinante do aparecimento da moeda. portanto. o trigo. passa a desempenhar três funções básicas: intermediação de trocas. uma mercadoria ou um produto que fosse aceito por todos os indivíduos. passou-se a adotar os metais preciosos como meio de troca. A introdução da moeda no sistema econômico conduz à dissociação de cada troca em duas operações distintas: uma compra e uma venda. mediante consenso. Imagine alguém que tivesse todo o seu estoque de moeda representado por 100 sacas de trigo e todas elas se deteriorassem. em grande parte. consensualmente. na indivisibilidade de certas mercadorias ou produtos. nessa função. traduzse. uma forte exigência: que seja aceito pela sociedade. qual seja. Em outras palavras. desde o momento em que é recebida pelo seu detentor. A moeda por sua vez. o que causava sérios problemas para o sistema como um todo. mas trazia consigo novas dificuldades. não só pelo desenvolvimento do comércio. Reside. Outro problema que surgiu de imediato foi o fato de a mercadoria-moeda ter a possibilidade de multiplicar-se facilmente. como também pelas dimensões hoje assumidas pela Economia: a moeda. sua posse constitui reserva de valor. Entretanto.

Surgiu. Ao verificarem que os metais ficavam guardados em seus cofres por um longo período de tempo. sem qualquer utilização. os cambistas medievais atuavam como "banqueiros". Ativos financeiros não-monetários: menor grau de liquidez e rendimento. Não tardou muito. . em função da confiança do público. A garantia de utilização da moeda é dada pelo seu curso forçado. surgindo a partir daí a moeda fiduciária. Com isso. de curso forçado. para que adquirissem a confiança do público e iniciassem uma transformação na sua forma de "operação bancária". corresponde aos depósitos à vista. posto que os credores eram obrigados por lei a aceitá-la em pagamento de seus créditos. uniformizando-a no espaço geográfico de sua influência. os banqueiros da época não concediam e nem tomavam empréstimos. mantendo um encaixe de 100% sobre os seus depósitos. transferindo a outrem o direito de saque. Observe-se que. Esse recibo tinha. como meio de pagamento. adicionou-se a esse costume o de endossá-lo. então. de emissão não lastreada. Ex: papel moeda em poder do público (PMPP) e depósito à vista nos bancos comerciais públicos e privados. os quais possuem liquidez e equivalem à moeda de curso legal. Dessa forma. ATIVOS FINANCEIROS Os ativos financeiros da economia podem ser diferencidados conforme os atributos rendimentos e liquidez. cuja validade dependia única e exclusivamente de sua aceitação geral. desenvolveu-se uma outra modalidade: moeda bancária ou escritural. Ex: depósito de poupança. Como os cunhadores eram geralmente ourives. A aceitação dessa moeda inconversível decorria do poder do Estado em garantir sua utilização e na confiança da população nesse Estado. Ao lado dessa moeda fiduciária. tem-se: Ativos financeiros monetários: liquidez absoluta. OFERTA E DEMANDA DE MOEDA A oferta de moeda na economia é feita pelo Banco Central (BACEN) e pelos Bancos Comerciais através das atividades de depósitos e empréstimos. 3. um lastro. A demanda por moeda é derivada dos motivos: transação. em troca de um comprovante de depósito. Essa transformação fez com que os bancos deixassem de ser simples depositários de metais e passassem a exercer a função de emissores. rendimento zero e usados como meio de pagamento. Assim. O Estado assumiu e monopolizou a emissão de moeda. contudo. Toda vez que se precisasse de moeda. de um recibo. Tais operacões consistiam na emissão de recibos sem a contrapartida de um depósito em moedas. que surgiu com o desenvolvimento dos bancos comerciais. 4. passaram a emitir os chamados bilhetes de banco negociáveis. Com o tempo. o princípio das cédulas com lastro. monopolizada pelo Estado. até então. assim. já que os possuidores ficavam muito mais vulneráveis ao ataque de saqueadores. que possuíam locais seguros para guarda dos metais preciosos passou-se a adotar o costume de deixar as moedas depositadas com eles. precaução e especulação. foi eliminada a necessidade de se trocar o recibo por metal precioso a cada operação. era só trocá-lo por metal precioso.24 virtude do peso e da segurança. Essa moeda. Cobravam apenas uma comissão pela prestação do serviço de guarda dos metais.

Esses agregados são agrupados de acordo com a liquidez dos diferentes ativos financeiros da economia.Papel Moeda Emitido (PME): meio circulante .25 5. M4 = M3 + títulos públicos federais (Selic) e títulos de emissão dos estados e municípios.Heveres Financeiros no Brasil (R$ bilhões) Fonte: Bacen 6. BASE MONETÁRIA Além dos agregados monetários. M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas com títulos públicos federais. M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições financeiras. O conceito de base monetária (BM) equivale ao passivo monetário do Banco Central que serve de lastro aos meios de pagamento e é definida por: BM = PME + RB . A seguir são definidos os agregados monetários: M0 = PMPP (notas e moedas) M1 = M0 + depósitos à vista nas instituições financeiras bancárias. MEDIDA DA OFERTA DE MOEDA A quantidade de moeda existente na economia pode ser medida com a utilização dos chamados agregados monetários.Reservas Bancárias (RB): contas correntes dos bancos criadores de moeda no Banco Central . Tabela 1 . existe ainda outra medida da moeda na economia que é a base monetária.

Subsistema normativo . ORGANIZAÇÃO DO SFN . A sistemática de recolhimentos compulsórios sobre os recursos à vista e a preponderância de metas de taxas de juros resultam em valores desprezíveis de reservas voluntárias médias. 8.Subsistema de Intermediação .Outras instituições A figura 11 abaixo mostra a participação por segmentos (públicos. ESTRUTURA DO SFN (BRASIL) Sistema Financeiro: conjunto de agentes e instituições responsáveis pela intermediação de recursos financeiros entre as unidades econômicas líquidas (superavitárias) e as ilíquidas (deficitárias). privados nacionais e estrangeiras) no sistema bancário do Brasil para o período de 2002 a 2005.26 Essas reservas bancárias são compostas por reservas voluntátias e reservas compulsórias. .2004 e 2005 Fonte: Bacen 7. por tipo e com maiores agências no país. A figura 10 mostra a base monetária e os meios de pagamentos na economia brasileira para os anos de 2004 e de 2005. Além disso. veja em anexo o número de instituições por segmento. Figura 10 – Base monetária e meios de pagamentos no Brasil .

A seguir. empresas exportadoras e importadoras. DIFERENTES MERCADOS: O sistema financeiro é composto por quatro diferentes mercados que são: Mercado Monetário: onde são negociados títulos de curto prazo (Iiquidez da economia). Mercado de Câmbio: são realizadas as transações com diferentes moedas.Sistema Bancário/Participação por Segmentos (Brasil) Fonte: Bacen 9. respectivamente. destaca-se o mercado de crédito no Brasil. Bancos. Os gráficos mostram. . Participantes: Bacen.27 Figura 11. Mercado de Crédito: tem a responsabilidade de suprir a necessidade de crédito das diferentes atividades econômicas. o direcionamento do crédito para as diferentes atividades econômicas e as taxas de juros cobradas para as pessoas físicas e pessoas jurídicas. Mercado de Capitais: onde são negociados títulos de médio e longo prazo (necessidade de recursos para investimento).

28 Fonte: Bacen Fonte: Bacen Fonte: Bacen .

Para se distinguir uma ocorrência da outra. o que permite aos bancos comerciais emprestar parte dos depósitos à vista por eles recebidos. valemo-nos dos conceitos de haveres monetários e haveres não-monetários. por exemplo.1. As unidades deficitárias possuem duas formas para obter financiamento: Autofinanciamento: venda de algum patrimônio. Haveres monetários: possuem liquidez imediata — papel-moeda em poder do público e depósitos à vista (meios de pagamento). FORMAS DE FINANCIAMENTO Existem dois tipos de agentes no sistema financeiro. em troca. títulos públicos. um bem imóvel. Criação de moeda: Quando a instituição financeira bancária desconta uma duplicata .entrega ao público de haveres monetários (moeda) e. aqueles que podem ser chamados de unidades superavitárias (US) e outros que podem ser chamados de unidades deficitárias (UD). A faculdade de criar ou destruir moeda decorre de operações realizadas entre as instituições financeiras bancárias — que captam depósitos à vista — e o público. Esse fenômeno decorre do fato de ser altamente improvável que todos os depositantes saquem seus recursos ao mesmo tempo. conforme ilustrado na figura a seguir: . mantendo encaixes bem inferiores ao volume destes depósitos. Haveres não-monetários: não possuem liquidez imediata. recebe haveres não-monetários (duplicata). CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO DE MOEDA O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da moeda escritural consiste na multiplicação dos meios de pagamento através das instituições financeiras bancárias que captam depósitos à vista. como depósitos a prazo. duplicatas e etc. Financiamento externo: que pode ser direto através da venda de ações ou de títulos da dívida e o indireto por meio de empréstimo via instituições financeiras A pergunta que surge é por que as unidades deficitárias não optam pelo financiamento direto? A resposta para esse questionamento está nos conceitos de custos de transação e de informação assimétrica. Os primeiros suprem as necessidades de financiamento dos segundos através da intermediação das instituições financeiras. 2.29 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 1. 2.

3. o efeito multiplicador fará com que o volume de meios de pagamentos passe a ser de R$ 4. Exportadores trocam US$ por R$ no Bacen (C).000. Indivíduo resgata sobre poupança. Multiplicador Simples k = 1/R k = magnitude do efeito multiplicador R = alíquota de recolhimento bancário Exemplo: R = 0. . Indivíduo adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista (D).25 Temos que k = 1/0.00. Indivíduo efetua um depósito à vista em um banco comercial (N).30 Figura 12 – Criação de Moeda Haveres monetários Instituição Financeira Bancária Haveres não-monetários Público 2. conforme ilustrado na figura a seguir: Figura 13 – Destruição de Moeda Haveres não-monetários Instituição Financeira Bancária Haveres monetários Público Exemplos de criação e de destruição de moeda: Governo Federal deposita impostos arrecadados do público no Bacen (D). Destruição de moeda: Quando o público quita uma duplicata – a instituição bancária entrega ao público haveres nãomonetários (duplicata quitada) e recebe haveres monetários (moeda).2. MULTIPLICADOR BANCÁRIO As instituições financeiras que captam depósitos à vista podem multiplicar os meios de pagamentos através das operações de empréstimos. com transferência do saldo para a conta corrente no banco comercial (C).00.000.25 = 4 Se DV= R$1.

31 Multiplicador Elaborado: k = 1/C+D(R1+R2) C = PMPP/M1 D = DV/M1 R1 = CX/DV R2 = RB/DV Onde: PMPP = papel moeda em poder do público DV = depósitos à vista CX = caixa dos bancos comerciais RB = reservas bancárias (voluntárias e compulsórias) 4. Recolhimentos compulsórios: Parcelas de algumas modalidades de captação que as instituições financeiras devem manter junto a Autoridade Monetária (Bacen) a fim de condicionar a alavancagem de operações ativas e a estrutura de custos. Recolhimentos compulsórios: estrutura no Brasil .Atual (outubro/2003): Recursos à vista : 45% em espécie. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. que serão remunerados ou não remunerados. das partes envolvidas. .demanda (tornando o dinheiro mais caro para o público).Anterior ao Plano Real: Recursos à vista: 40% em espécie. ou de propriedade. Instrumentos de política monetária Operações de mercado aberto: Compra ou venda de títulos. de forma definitiva ou compromissada. As operações definitivas alteram a posição de carteira.oferta (direta e indiretamente) ou . para condicionar os volumes de reservas bancárias e as taxas básicas de juros. As operações compromissadas ou com compromisso de recompra/revenda ou de financiamento de títulos alteram a posição de custódia. ou em títulos. O controle da oferta de moeda pode se dar pelo lado da: .Em março de 1999: Recursos à vista : 75% em espécie. 4. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. remunerado Depósitos a prazo : 30% em títulos FIF-curto prazo : 50% em espécie. POLÍTICA MONETÁRIA Refere-se ao processo de oferta de moeda na economia. remunerado Depósitos a prazo: 15% em títulos. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. A oferta primária fica a cargo da autoridade monetária (AM). e sua “multiplicação” se dá pela ação dos bancos comerciais. Os recolhimentos podem ser exigidos em espécie.1. remunerado . ou de liquidez. não remunerado FIF-30 dias : 5% em espécie não remunerado . das partes envolvidas. com seus mecanismos de transmissão.

reduz prazo * reduz juros.reduz * aumenta .Aumenta a taxa * reduz a taxa 2. a vista do público nos BC 1. destruição (D) de moeda: ( ) Governo Federal deposita taxas e impostos arrecadados de empresas no Bacen.reduz * aumenta . aumenta prazo 3.100 Papel moeda em poder do público (PMPP) 600 Dep.aumenta juros. Diga quais são as características.400 Reservas dos BC no Bacen . Questões Conceituais: 1. diga quando ocorre criação (C). Quais são essas opções? Por que a intermediação financeira é a forma mais utilizada de financiamento pelos agentes econômicos deficitários? Comente. ( ) Indivíduo transfere saldo da conta corrente para a conta de poupança no banco comercial. 4.reduz * aumenta . . Nas afirmações abaixo. Os ativos financeiros da economia são diferenciados em duas categorias conforme duas características. Uma empresa deficitária possui duas opções de financiamento.aumenta *reduz As Políticas Monetárias podem ser chamadas de restritivas ou de expansionistas. Quadro 3 – Resumo dos Instrumentos de Política Monetária Instrumentos 1. A taxa cobrada por esses empréstimos mais o prazo para o seu pagamento constitui o que é chamado de taxa de redesconto.Venda de títulos * Compra de Títulos 4. Operações de Crédito .Reduz * amplia Taxas de juros .aumenta * reduz . 3.Restringe * Amplia Oferta monetária . Recolhimento Compulsório . ( ) Importadores trocam R$ por US$ no Bacen. Quando o Bacen quer ser punitivo. Dados os seguintes agregados monetários (em mil R$): Papel moeda emitido (PME) 1. São restritivas quando reduzem a oferta monetária e encarecem os empréstimos.aumenta * reduz .32 Redesconto O Bacen pode suprir as necessidades de financiamento dos bancos comerciais através de empréstimos. Quais são os diferentes mercados do sistema financeiro? Explique. Open Market . aumenta a taxa e reduz o prazo de pagamento. 5. Redesconto .Voluntárias 100 -Compulsórias 400 Depósito em poupança 200 Quotas de fundo de renda fixa 150 Títulos públicos federais (Selic) 430 a) Qual a base monetária ? b) Qual o total do M1 ? c) Qual o total do M2 ? c) Qual o total do M3 ? c) Qual o total do M4 ? 2.aumenta * diminui . São expansionistas quando aumentam a oferta monetária e barateiam os empréstimos.

Coloque falso (F) ou verdadeiro (V).. Explique cada um deles. 8. ) Banco aumenta seu capital vendendo ações ao público. ) Empresa leva ao banco uma duplicata para descontar.33 ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Empresa adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista. em poder do resto do mundo 400 * Depósitos na Poupança. e justifique quando falso: ( ) Quando o Bacen aumenta a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais.. Dados os seguintes agregados monetários (em R$ milhões): * Caixa. ) indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito á vista. ( ) A velocidade renda da moeda é definida pela relação entre o PIB e a quantidade de moeda (M). ( )diminui o saldo do papel-moeda emitido ) diminui o saldo do papel-moeda em circulação )diminui o saldo do papel-moeda em poder do público )diminuem os depósitos à vista nos bancos comerciais )diminuem os recursos dos bancos comercias para empréstimos ao público.. ) Indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito à prazo. recebendo a inscrição de um depósito à vista. ( e.. 11.. 12. qual será o valor multiplicado.. Se o montante inicial em depósito a vista é de R$ 4. 7. Qual o valor da Base Monetária? b.. menor será a velocidade-renda da moeda. ) Banco vende um imóvel a uma pequena empresa recebendo o pagamento à vista em dinheiro... sendo este último dado pelo mecanismo do multiplicador monetário. Dos instrumentos que o Bacen pode utilizar para controlar a oferta de moeda na economia. qual é o mais punitivo para os bancos. em moeda corrente... 10.. então o valor do multiplicador simples na economia será de. ) Banco compra cambiais de um exportador. ( d. Qual o valor do M1.00. Comente.. 6. ( c. M3 e M4 ? 9. ( ) Se o Bacen diminui os juros e aumenta o prazo na operação de redesconto. ) Banco vende divisas a um importador. A oferta de moeda pode dar-se pelo Bacen ou pelos Bancos Comerciais. ) Empresa efetua um depósito à vista em um banco comercial. ( ) A taxa de juros pode ser reduzida através da expansão nas operações de crédito por parte do Bacen. ..000. Como se dividem os agregados monetários no Brasil. ( b.. M2. a oferta monetária é reduzida e a taxa de juros também cai. ( ) Quanto maior for a taxa de inflação numa economia.. ( ) O multiplicador bancário elaborado varia negativamente em relação à taxa de reservas dos bancos e positivamente em relação à taxa de retenção do público. Quais as funções principais que o Banco Central exerce na política econômica. ( ) A oferta de moeda e a taxas de juros são reduzidas através de uma política monetária expansionista. A elevação da taxa dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais junto as autoridades monetárias diminuiu o valor do multiplicador dos meios de pagamentos porque: a. a taxa de juros reduz. o Bacen pode comprar títulos públicos que estão nas mãos do público. em poder do resto do mundo 150 a. maior o multiplicador bancário simples.75.. ) Banco compra títulos da dívida pública possuídos pelo público.. ( ) Se o Governo precisa reduzir a quantidade de oferta de moeda na economia. nos Bancos Comerciais 95 * Papel Moeda Emitido 200 * Depósitos à vista do público nos Bancos Comerciais 150 * Depósitos à vista dos Bancos Comerciais Voluntários 40 Compulsórios 30 * Títulos federais. ( ) Quanto maior a taxa de recolhimento compulsório. Se R = 0... em poder do resto do mundo 250 * Depósitos à prazo.

mediante pagamento à vista. já que o preço de ações. responsável pela disciplina operacional e pela liquidez do sistema. Demanda por moeda para ____________: as pessoas mantêm dinheiro porque isso lhes permite comprar e vender bens com facilidade. mercado de capitais e mercado cambial. Quanto ___________ forem as taxas voluntárias e compulsórias. O Banco Central do Brasil (Bacen) tem. é: a) permitir ao governo controlar a demanda de moeda b) permitir as autoridades monetárias controlar o montante de moeda bancária que os bancos comerciais podem criar . por parte dos bancos comerciais. conceder empréstimos ao público e controlar os meios de pagamento do país c) emitir papel-moeda. As operações entre o público e o setor bancário podem criar ou destruir os meios de pagamento. a) normativo – cambial b) intermediação – normativo c) intermediação – cambial d) normativo – intermediação e) nenhuma das anteriores 15. pelo Banco Central. a bancos comerciais c) venda de ações. especificamente: a) concessão de empréstimos. em bolsa. __________________seu efeito multiplicador. Demanda por moeda para ________________: as pessoas mantêm dinheiro porque ele é mais seguro que outros ativos. O primeiro congrega as autoridades monetárias. títulos de diversas espécies c) saque de cheques nos caixas dos bancos d) empresas levam aos bancos duplicatas para desconto. supervisionar a compensação de cheques d) executar as políticas monetária e fiscal do governo e) fiscalizar empresas privadas e públicas 18. recebendo a inscrição de depósitos à vista 17. mercado de crédito. a)maiores – maior será b)menores – menor será c)maiores – menor será d)menores – inalterado será e)nenhuma das anteriores 16.34 13. é usualmente subdividido em 2 subsistemas: o _______________ e o __________________. O sistema financeiro nacional constituído do mercado monetário. A principal função da reserva compulsória sobre os depósitos bancários. Entre as operações a seguir relacionadas. qual delas é responsável pela criação de meios de pagamento? a) pessoas realizam depósitos a prazo nos bancos b) bancos vendem ao público. a empresas e consumidores b) concessão de empréstimos. como instrumento de política monetária. títulos e imóveis pode flutuar muito. O encaixe próprio dos bancos (parcela dos depósitos que é mantida em caixa) é um dos freios à multiplicação infinita da moeda escritural. em moeda. Demanda de moeda para _______________: ficando com mais dinheiro as pessoas podem enfrentas melhor as despesas imprevistas. a)transação – especulação – precaução b)precaução – especulação – transação c)especulação – transação – precaução d)precaução – transação – especulação e)nenhuma das anteriores 14. das empresas ao público em geral d) atividade do Banco Central na compra ou venda de títulos e) restrições às operações de crédito ao consumidor 19. Mas o freio maior é o recolhimento compulsório que o Banco Central exige dos bancos comerciais. Entende-se por operações de mercado aberto. fiscalizar e controlar os intermediários financeiros. entre suas responsabilidades: a) atuar como banco do governo federal e renegociar a dívida externa brasileira b) aceitar depósitos. O segundo congrega as instituições bancárias e não bancárias.

Do total de crédito direcionado para as atividades econômicas nos de 2004 e 2005. De que forma essa distribuição de crédito pode afetar o crescimento futuro da economia? Argumente.35 c) impedir que os bancos comerciais obtenham lucros excessivos d)forçar os bancos a manter moeda ociosa no sentido de cobrir as necessidades de caixa do banco central e) cortar subsídios governamentais às empresas privadas 20. Para reduzir o volume de meios de pagamentos. M3 e M4 (medidas da moeda) numa economia que estivesse praticando uma taxa de juros reais de 9% ao ano? E o que aconteceria se a economia passasse a conviver com altas taxas de inflação? Explique. o Banco Central deve: a) elevar a taxa de redesconto b) comprar títulos da dívida pública c) elevar a emissão de papel-moeda d) reduzir a reserva compulsória dos bancos comerciais e) reduzir a taxa de juros para desconto de duplicatas Questões Aplicadas: 1. M2. Essa redução foi possível graças ao crescimento econômico da economia? . 2. a maior parcela ficou com as pessoas físicas. O Bacen reduziu a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais de 75% (março/1999) para 45% (outubro/2003). O que aconteceria com os agregados monetários M1. 3.

36 CAPÍTULO 3 – INFLAÇÃO O que veremos? Definição e Cálculo Teorias Explicativas Mensuração da Inflação no Brasil Planos de Estabilização INFLAÇÃO 1. de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. Desinflação = redução ou a eliminação da inflação. Reflação = movimento de recuperação de processos deflacionários depressivos. Situações Possíveis INFLAÇÃO DESINFLAÇÃO LINHA DE ESTABILIDADE DEFLAÇÃO REFLAÇÃO . SITUAÇÕES POSSÍVEIS DE VARIAÇÃO DOS PREÇOS Inflação = aumento persistente no nível geral de preços. anos 30). Deflação = redução no nível da atividade econômica (estagnação – Ex.

. Efeitos sobre o balanço de pagamentos: taxas de inflação em níveis superiores ao aumento de preços internacionais encarecem o produto nacional relativamente ao produzido no exterior. deteriora-se o valor da moeda e ocorre desestímulo à aplicação de recursos no mercado de capitais financeiros. Efeitos sobre a distribuição de renda: redução do poder aquisitivo das classes que dependem de rendimentos fixos. quebra de safra. TEORIAS DA INFLAÇÃO Inflação de demanda Ocorre quando há um excesso de demanda agregada.37 2.substituição de importações .oferta de alimentos inelástica . desvalorização cambial.. que são sempre repassadas aos preços. A Inflação decifrada.aceleração: choques de oferta Efeitos da Inflação Efeito Oliveira Tanzi: mostra que a inflação corrói o montante de arrecadação. via aumento dos preços. indústria. etc.propagação: indexação formal e informal .). Inflação de custos (Ou inflação de oferta) Ocorre quando há variação dos preços de itens com alta participação no processo produtivo (aumento salarial. 3 Para uma discussão sobre a inflação inercial ver: Pereira (1996). mas sim. A inflação estruturalista (Cepal) Os pensadores da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) afirmam que as causas estruturais da inflação são: . reajuste de tarifas públicas. salários) e informal (reajustes de preços no comércio. a oferta agregada não tem como se expandir de forma a acompanhar o crescimento da demanda. aluguéis. que possuem prazos legais de reajuste.estrutura oligopolística no mercado Inflação Inercial 3 Os mecanismos de indexação formal (contratos. Mecanismos: . Efeitos sobre o mercado de capitais: com inflação..(baixa relação de trocas) . O ajuste da oferta não se dá via aumento das quantidades. Revista de Economia Política. 16(64): 20-35. como terras e imóveis. As aplicações em cadernetas de poupança cedem lugar para a aplicação em recursos de bens de raiz. tarifas públicas) provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores.rigidez das importações (M) associada ao pouco dinamismo das exportações (X) .Quando a economia funciona a pleno emprego. que leva a um aumento dos custos das empresas que é em alguma medida repassado para os preços finais.

50/Kg. é frequentemente denominada série de índices. que determina a ponderação de “cestas de bens e serviços”. q0 = quantidade no período inicial. Quando o número-indice foi construído para um grupo de bens. q1 = quantidade no período atual. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época inicial. então: 10 Kg * $1/Kg = $10 Batata: 0. no qual os preços são ponderados pelas quantidades associadas com o ano-base antes de serem somados. localidades. A fórmula é: IL = Onde: p0 = preço no período inicial.. t0 como mês base e t1 como o mês seguinte. à localização geográfica. ou a outras características como rendimento. Quando o número-índice representa uma comparação para um bem ou produto individual. correlacionados ao tempo. Exemplo: considerando dois produtos (carne e batata).00 (aumento de 100%). inicial (0) e atual (1). Método agregativo ponderado Os índices agregados de preços são geralmente ponderados segundo as quantidades q dos bens. uma POF identificou que o consumo médio de carne era de 40% e de batata 60%. é chamado número-indice agregado ou composto. então: 30 * 1 = 30 Cesta (ponderada): (10*40%) + (30*60%) = $22 Variação: (22-13)/13 = 69% Números Índices É uma medida estatística idealizada para mostrar as variações de uma variável. então: 30 Kg * 0. A cesta básica mensal inclui 10 kg de carne e 30 kg de batata. Índice de Laspeyres É um dos mais populares índices agregado de preços.50/Kg = $15 Cesta (ponderada) = (10*40%) + (15*60%) = $13 Período seguinte t + 1 Carne: $1. INFLAÇÃO E NÚMEROS ÍNDICES A inflação é o aumento generalizado dos preços de uma economia. é chamado número-indice simples (ou relativo). tem-se: Período base (t0): Carne: $ 1/Kg.00 (preços estáveis). Uma coleção de números índices de diversos anos. p0 × q0 × 100 p1 × q0 p1 = preço no período atual. É calculada em função do perfil de consumo de uma certa população (POF). então 10 * 1 = 10 Batata: $1.38 3. e etc. O índice de Laspeyres pondera preços (p) em duas épocas. Os exemplos desse métodos são os índices de Laspeyres e o de Paasche. Considerando dois períodos de tempo. profissão. ou de um grupo de variáveis. .

INDICADORES DE INFLAÇÃO NO BRASIL E NO RS Vários são os indicadores de inflação adotados no Brasil. em uma região do país. eventualmente. Existem vários índices de preços que são calculados por instituições diferentes. Índice de Paasche Este índice usa as quantidades do ano dado como pesos. Veremos a seguir os números índices que são usados no Brasil para medir a inflação. 4. com a de outra. Tabela 2 . durante determinado ano. admite-se que o numerador possa se apresentar super dimensionado e assim o índice de Laspeyres apresentar tendência de elevação. durante um ano. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época atual. A fórmula é: IP = p0 × q1 × 100 p1 × q1 O índice de Paasche pondera preços (p) em duas épocas.39 Como essas quantidades são consideradas adequadas à época inicial e não à época atual. com os de um ano anterior. admite-se que o denominador possa se apresentar. super dimensionado e assim o índice de Paasche apresentar tendência a rebaixamento. Por exemplo.Estrutura Básica dos Indicadores . A tabela abaixo sumariza as principais características dos indicadores calculados no Brasil. o Índice Geral de Preços (IGP) é calculado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. ou a produção de aço. inicial (0) e atual (1). Índice Nacional Preços ao Consumidor (INPC) é calculado pela Fundação IBGE. em uma cidade. Aplicação dos Números Índices Para comparar os custos de alimentos ou de vida. Como essas quantidades são consideradas adequadas à época atual e não à época inicial.

FGV:É uma média ponderada do índice de preços no atacado (IPA). Foi escolhido como alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil. O IGP tradicional abrange o mês fechado. como aluguel.IBGE: Calculado desde 1980. de preços ao consumidor (IPC) no Rio e SP. com peso 3. e do custo da construção civil (INCC). semelhante ao INPC. IGP. porém refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. IGP-DI (FGV): Reflete as variações de preços de todo o mês de referência.40 O mapa a seguir mostra as regiões metropolitanas que são alvo para o cálculo do índice de preço ao consumidor (IPC). Usado em contratos de prazo mais longo. A única diferença é o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte. média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos. mas pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. A pesquisa é feita em 11 regiões metropolitanas. com peso 1. Mapa 1 . com peso 6.1 Diferença entre os Principais Índices IPCA. INPC-IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor. IGP-M (FGV): Metodologia igual à do IGP-DI.Regiões Metropolitanas e IPC 4. . Formado pelo IPA (Índice de Preços por Atacado) e IPC (Índice de Preços ao Consumidor). IGP-10 (FGV): Elaborado com a mesma metodologia do IGP e do IGP-M. O IGP-M é elaborado para contratos do mercado financeiro.

Reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos. * Custo da Cesta Básica da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA).41 INCC (Índice Nacional do Custo da Construção).Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese): Medido na cidade de São Paulo. o de menor peso. ICV.2 Instituições que calculam a inflação no RS O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE/UFRGS) elabora o Boletim Econômico (IEPE-UFRGS) mensalmente com o objetivo de: * Índice de Preços ao Consumidor (IPC-IEPE). e usado em financiamentos de imóveis. chamados de Sinduscon.54 Cesta Básica (RMPA) Fev Mar Abr Custo Total (R$) 554. 4.10 545.72 Variação % -1. Utilizado em financiamento direto de construtoras/incorporadoras CUB . respectivamente.59 0. Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor.Índice Nacional do Custo da Construção: Um dos componentes das três versões do IGP.71 .2006 Índice de Preço ao Consumidor (IPC) Fev Mar Abr Número Índice 177.Custo Unitário Básico: Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor.22 176. INCC. Calculado por sindicatos estaduais da indústria da construção.51 549.78 -1.800 (há também índices para a baixa renda e a intermediária). Indicadores Econômicos (IEPE-UFRGS) .53 Variação % -0. com pesos de 60%. Reflete o custo de vida de famílias com renda média de R$ 2.58 177. 30% e 10%. Apura as variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços finais no consumo. IPC. Divulga também taxas quadrissemanais.51 -0.Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): Pesquisado no município de São Paulo.36 0.

) -10 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 10 20 30 40 50 60 0 5. INFLAÇÃO NO BRASIL 75 65 55 45 35 25 15 5 -5 Plano Collor Crise da Dívida Plano Cruzado Inflação no Brasil (1944-2006) Inflação nas eras Collor.m.ipeadata.m.-10 IGP . FHC e Lula (IGP-DI %a.) Inflação no Brasil na década de 1980 (IGP-DI (% a. Solange Marin a partir de dados do IPEADATA – www.m.)) Era FHC Plano Bresser Choques Heterodoxos Era Lula FONTE: Prof.br 1990 01 1990 07 1991 01 1991 07 1992 01 1992 07 1993 01 1993 07 1994 01 1994 07 1995 01 1995 07 1996 01 1996 07 1997 01 1997 07 1998 01 1998 07 1999 01 1999 07 2000 01 2000 07 2001 01 2001 07 2002 01 2002 07 2003 01 2003 07 2004 01 2004 07 2005 01 2005 07 2006 01 2006 07 Plano Real Plano Verão 1980 01 1980 05 1980 09 1981 01 1981 05 1981 09 1982 01 1982 05 1982 09 1983 01 1983 05 1983 09 1984 01 1984 05 1984 09 1985 01 1985 05 1985 09 1986 01 1986 05 1986 09 1987 01 1987 05 1987 09 1988 01 1988 05 1988 09 1989 01 1989 05 1989 09 1944 02 1946 02 1948 02 1950 02 1952 02 1954 02 1956 02 1958 02 1960 02 1962 02 1964 02 1966 02 1968 02 1970 02 1972 02 1974 02 1976 02 1978 02 1980 02 1982 02 1984 02 1986 02 1988 02 1990 02 1992 02 1994 02 1996 02 1998 02 2000 02 2002 02 2004 02 2006 02 42 .gov.DI (% a.

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5.1. Causas Básicas da Inflação Brasileira As principais causas da inflação na economia brasileira são: a questão distributiva, o déficit do setor público e seu financiamento e o mecanismo de indexação (formal e informal). 5.2. Inflação no Brasil e as Correntes Econômicas Correntes Causas Principais * Desequilíbrio do setor público (déficit e a dívida pública provocam descontrole monetário, causando inflação de demanda)

Monetarista

Inercialista

* Indexação generalizada (formal e informal)

Políticas Antiinflacionárias * Ajuste fiscal (para reduzir déficit e dívida pública, via reformas fiscal, previdenciária, privatização) * Controle Monetário (juros e moedas) * Liberalização do comércio internacional * Dexindexação (para apagar memória ou inércia inflacionária, via congelamento de preços, salários e tarifas – Planos Cruzado, Bresser – ou troca de moeda – Plano Real) * Controle de preços de oligopólio * Reformas estruturais

Estruturalista

* Conflitos distributivos ( pressões de margens de lucro, pressões salariais, pressões de tarifas e preços públicos provocam inflação de custos)

5.3. A Inflação no Brasil e os Programas de Estabilização 1946-58: Inflação de crédito e estrutural 1959-63: Inflação predominantemente fiscal 1964-67: Aplicação de controles ortodoxos 1968-79: Inflação reprimida 1980-1985: Inflação de movimentos inerciais 1986-94: Fase dos choques heterodoxos 1994-2006: O real, a volta à ortodoxia e a estabilização. 5.4. Planos de Estabilização O Plano Cruzado (28/02/1986) A inflação era tida como inercial. O diagnóstico era de que a inflação tinha caráter autônomo, sustentado pela indexação formal e informal da economia. Houve a utilização de instrumentos heterodoxos para a eliminação da memória inflacionária (inércia inflacionária): Medidas: 1. introdução de nova moeda: reforma monetária, com o cruzado – (000) 2. congelamento de preços por prazo indeterminado ao nível de 28/02. 3. conversão de salários: além do valor real médio, concedido um abono de 8%. 4. conversão de aluguéis, prestação do sistema financeiro e mensalidades escolares pelo princípio da média. 5. Desindexação:

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5.1 proibição de clausula de indexação: proibição de correção monetária para contratos inferiores a um ano e para contratos maiores de um ano, reajuste conforme a OTN em cruzados; 5.2 indexação de salários: escala móvel, salários reajustados toda vez que a inflação atingisse a casa dos 20%; 6 tablitas: tabela de conversão diárias de valores em cruzeiros para cruzados. Conseqüências: 1 parte dos recursos foram destinados para a compra de imóveis e reativação da produção; 2 reativação do consumo via salário móvel, seguro-desemprego e abono; 3 viver de renda ficou difícil porque caíram as taxas de juros (teve até taxa negativa); 4 taxa de inflação caiu; 5 empresas introduziram inovações organizacionais tais como just-in-time e abertura de novas firmas; 6 houveram conflitos entre produtores e fornecedores e a conseqüente falta de produtos; 7 não houve discussão quanto ao prazo do congelamento. O congelamento de preços foi peça fundamental e a inflação caiu nos primeiros meses. Houve explosão do consumo devido ao aumento do poder de compra do salário, a despoupança em função da desilusão monetária, a queda nas taxas de juros e ao consumo reprimido dos anos de recessão e ao congelamento de alguns preços defasados aos custos. O excesso de demanda reforçada pela expansão da oferta de moeda além do incremento natural da demanda provocada pela desinflação abrupta. Houveram taxas de juros negativas favoráveis a inflação zero. Esforços posteriores para uma política monetária mais restritiva e o aumento da taxa de juros encontrariam oposição política. Houve reconhecimento da magnitude do desequilíbrio fiscal, pois o esperado aumento na receita do governo, devido a eliminação da erosão da inflação que agia sobre a arrecadação dos impostos (efeito Tanzi) não se materializou no percentual e no tempo previstos. Quando ocorreu o aumento da receita, ele foi compensado pelo aumento nos gastos. No período final ou descongelava-se preços ou desacelerava-se o produto através do corte da demanda agregada. O ano de 1986 foi marcado pela redução drástica da inflação, após o congelamento de preços decretado pelo Plano Cruzado, e uma violenta expansão do consumo, que determinaram novamente a boa performance em termos de crescimento econômico (8,3%). O crescimento do consumo foi explicado por várias razões: transferência de renda real aos trabalhadores (aumento de salário real), fim da “ilusão monetária” com fuga dos ativos financeiros, expansão monetária e creditícia etc. Entretanto, foi também o responsável por vários problemas na economia e pela volta da inflação. Dentre os problemas, destacavam-se a crise de abastecimento, a presença do ágio como forma de burlar o controle de preços e outras formas travestidas de inflação, bem como uma profunda crise cambial. A crise cambial, em decorrência da redução do saldo na balança comercial e da piora nas contas de capital, com profunda queima de reservas para a sustentação do plano, desembocou na moratória de fevereiro de 1987 como forma de estancar a perda de divisas. Foram feitos ajustes no Plano Cruzado, como pode ser visto a seguir: Cruzadinho (07/1986 – 10/1986) Elaboração de um pacote fiscal para diminuir o consumo. Foram criados o sistema de empréstimo compulsórios e novos impostos indiretos sobre a gasolina (28%) e automóveis (30%). Mas, esse pacote teve pouca eficácia para conter o consumo. Ao contrário, a expectativa do descongelamento deu novo impulso à demanda. A inflação oficial caiu, porém

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não refletia a inflação real da economia devido aos ágios, ao desabastecimento e à introdução de produtos novos. Após o mês de setembro o saldo da balança comercial começa a refletir o excesso de demanda interna e a queda nas exportações. Cruzado II (11/1986 – 06/1987) Um pacote fiscal visando o aumento da arrecadação do governo em 4% do PIB via reajuste de alguns preços públicos e aumento de impostos indiretos. Porém, o incremento nos recursos do governo através de preços públicos mais elevados foi desviado para o gasto com produtos e não com o aumento de poupança. Isso reativou a inflação e aumentou o salário via gatilho, o que por sua vez causou a explosão da inflação. Segundo Celso Furtado: a inflação inercial é subproduto das outras e a inflação brasileira reflete em parte um conflito distributivo de renda, em que o governo sempre foi o beneficiário, pois recorria à inflação por não ter meios de se autofinanciar adequadamente através da política fiscal. Plano Bresser (12/06/1987) O Plano Bresser não tinha por objetivo a inflação zero, mas promoveu o choque deflacionário com a supressão da escala móvel de salários. Os objetivos eram sustentar a taxa de inflação a níveis mais baixos e reduzir o déficit público. Foi instituída uma nova base de indexação salarial, a unidade referencial de preço (URP), ou seja, a cada três meses seriam pré-fixados os percentuais de reajuste para os três meses subseqüentes; com base na inflação média dos três precedentes. O gatilho foi mantido, porém ampliava-se a defasagem entre a observação da taxa de inflação e seu repasse aos salários. Os preços foram congelados por três meses ao nível de 12/06/1987, mas antes foram aumentados os preços públicos e administrados. Também não ocorreu a reforma monetária. Quando o Plano Bresser entrou em vigor, em junho de 1987, houve a mudança no indexador da poupança de Obrigação do Tesouro Nacional (OTN) para a Letra do Banco Central (LBC). De acordo com as novas regras, que passaram a valer na época, foi determinado que, entre os dias 1º e 15 de junho de 1987, a poupança seria remunerada pela variação OTN e, a partir de então, pela LBC. Acontece que os bancos remuneraram o mês todo usando como indexador a LBC, que teve variação 18,02% no período, bem menor que a variação da OTN, de 26,06%. É exatamente a diferença de 8,04 pontos porcentuais de remuneração que atualmente o poupador daquela época tem direito. O Plano Cruzado teve como política de combate a inflação o aumento da demanda agregada num contexto de crescimento econômico, o que terminou com pressão sobre inflação. O Plano Bresser objetivava conter a inflação com a redução da demanda num contexto de desaceleração mantendo o crescimento econômico com o redirecionamento da oferta para exportações. O plano incorporou ingredientes inutilizados no Cruzado tais como a preocupação com a taxa de juros, a taxa de câmbio, o déficit público e acordo com o FMI. Porém, acreditava que a sociedade agia de forma irracional. O plano foi uma tentativa de debelar a inflação que, sem o apoio popular do plano anterior, teve acertos e erros. A volta da inflação levou à adoção, em 1987, de políticas de cunho mais ortodoxo, mesmo com a presença de novo plano em junho, o Plano Bresser, que possuía maior preocupação em conter a demanda interna e evitar problemas no front externo. Com a característica recessiva da nova política econômica, esse ano apresentou profunda queda na taxa de crescimento, que situou-se em 3,6%.

não tendo atingido os objetivos. Para evitar um colapso maior. o PIB sofreu uma redução em torno de 4% em 1990.6% em 1989. iniciou-se um conjunto de reformas estruturais no sentido liberalizante. o Banco Central afrouxou a liquidez. adoção do Plano Verão em janeiro de 1989 (que mesclou elementos heterodoxos e ortodoxos). com base na eliminação dos títulos ao portador (inclusive cheques) e na redução de gastos públicos. A principal característica de todo o governo Sarney foi um grande descontrole das contas públicas: aumento nos déficits operacionais e crescimento do endividamento interno (cuja necessidade de rolagem inflexibilizava a taxa de juros) a prazos mais curtos.46 Plano Verão (14/01/1989) Em 1988 e 1989. mas envolveria um ajuste patrimonial. O diagnóstico sobre as causas da inflação centrava-se na alta liquidez dos ativos financeiros. que chegou no final do governo Sarney à taxa de 80% mensais. ao permitir a rápida conversão dos ativos em demanda por bens e serviços e ativos reais. que inviabilizava a condução da política monetária e qualquer tentativa de estabilização. A inflação voltou a acelerar. Além desses pontos. o que não seria obtido apenas através do ajuste do fluxo. Isso levou à adoção de uma política que visava a sustentação de taxas de juros reais elevadas. Esse confisco estava ancorado na MP 168 que bloqueava 70% do M4. já nos meses seguintes ao confisco. A expectativa era transformar um déficit de 8% do PIB em superávit da ordem de 2% do PIB. Pretendia-se retomar a capacidade de fazer a política monetária e a elaboração de programas de abertura comercial e de privatização de empresas estatais. As principais medidas do plano foram o congelamento de preços indeterminado e a reforma monetária com a introdução do cruzado novo (000). rompendo a possibilidade de controle da oferta monetária. O ajuste fiscal mostrou-se insuficiente. Verificou-se a ausência de qualquer mecanismo de política econômica. o objetivo de recompor os instrumentos de política econômica não ocorreu. Isso tudo foi acompanhado de uma trajetória ascendente das taxas de inflação. deveria ser resolvida a questão do déficit e da dívida pública. Além disso. a política econômica também apresentou caráter errático: predomínio da ortodoxia em 1988 e tentativa de acordo social no final desse ano. buscou uma reforma fiscal centrada no Imposto sobre Operações Financeiras. cujo elemento central foi o confisco da liquidez e o alongamento compulsório da dívida pública. as taxas de crescimento econômico apresentaram oscilação. Plano Collor (16/03/1990) O governo Collor também tinha como preocupação básica o combate à inflação. Com isso. com base na eliminação dos subsídios e diminuição dos juros. para expor as empresas brasileiras à concorrência internacional. Além disso. redução dos gastos e elevação das receitas. à privatização das empresas estatais e à maior abertura ao capital estrangeiro. novas tentativas infrutíferas de arrumar o Plano foram . Assim. o que levou a uma grande expansão monetária. constituídas de maior abertura comercial. que gerou grandes problemas em termos de desestruturação das condições de oferta e uma onda de falências. e a não política (ou "política do arroz com feijão") do final do governo Sarney. com giro diário. pois tanto a política fiscal como a monetária tornaram-se prisioneiras da rolagem da dívida interna. com estagnação em 1988 e crescimento de 3. Com o confisco da liquidez. A principal medida foi o confisco de ativos financeiros com o objetivo de drástica redução da liquidez da economia. no Imposto de Renda e no combate à sonegação. Dessa forma. o Plano Collor realizou ampla reforma monetária.

Banco Central do Brasil (Disponível: http://www. Nos meses de abril. CPMF) junho/1993: Essa primeira fase estava baseada na origem fiscal da inflação foi implementado o Plano de Ação Imediata (PAI) em 06/1993. inclusive. 3) A reforma monetária com a introdução da nova moeda. Os salários passaram a ser corrigidos pela média dos últimos quatro meses.Impõe um teto para os gastos . 4 Para uma discussão do Plano Real. criação da IPMF (hoje. Justifique suas escolhas e a ordem em que as colocou. reestruturação dos bancos estaduais e federais e a privatização para transferir ao setor privado os custos da modernização da infra-estrutura. na tentativa de evitar a explosão do déficit e controlar a moeda. o Real (R$). março/1994: A URV teve a função de unidade de conta e o Bacen emitia diariamente relatórios sobre a desvalorização do cruzeiro real e a cotação da URV. depois. 3 Qual é uma das conseqüências mais claras de todo o processo inflacionário. O Conselho Monetário Nacional (CMN) passou a ser composto pelo ministro da Fazenda. usando suas próprias palavras. redução dos fundos de participação estadual (FPE) e municipal (FPM).Proíbe renegociações de débitos . Foi definido como um plano de três fases: 1) O ajuste fiscal (O Fundo Social de Emergência – FSE).Exige projeções dos resultados primários para os 3 anos seguintes Outras informações sobre inflação: Relatório de Inflação . Revista de Economia Política.br/) Questões conceituais: 1 Destaque alguns efeitos perversos da inflação. obtendo êxito inédito no combate à inflação. coloque-os em ordem decrescente de importância. . voltou-se para a política do tipo "feijão com arroz". 2 Diferencie. Planejamento e Coordenação da Presidência da República e presidente do Bacen.Restringe o montante do endividamento total . 2) A introdução da Unidade Real de Valor (URV).bcb. 14 (56): 129-149. com notória recuperação da credibilidade da moeda nacional que se refletiu.gov. Importância: âncoras monetária e cambial Eventos importantes A renegociação da dívida dos Estados A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – 2000 . ver: Pereira (1994). A seu critério. A economia e a política do Plano Real. Explique. as inflações de procura das inflações de custos. Plano Real (1994) 4 O Plano Real veio alterar esse quadro.47 feitas e. numa retomada do interesse nos agregados econômicos expressos na própria moeda do País. julho/1994: Foram fixados limites quantitativos para a emissão de moeda. maio e junho o governo fez a conversão em URV dos preços públicos e tarifas do setor público. As medidas foram: combate a sonegação.

Nessa situação aumentos da _____________ de bens e serviços. 8. as empresas diminuirão os salários oferecidos aos trabalhadores. acompanhada de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. pelo fato de que um aumento de produção leva a um aumento da demanda de mão-de-obra por parte das empresas. a inflação está relacionada aos mecanismos de indexação formal e informal que provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações. tal situação. d. enquanto a desinflação é a redução no nível da atividade econômica. um aumentos das exportações ( ) d. e III incorretas 9.Coloque F(falso) ou V(verdadeiro) nas seguintes afirmações. ( ) Alguns índices que são utilizados pelo governo para medir a variação dos preços na economia são o IPCA. c. a) somente a I correta b) somente a II correta c) somente a III correta d) I. A esse fenômeno os analistas denominam: a) efeitos de preços relativos b) hiperinflação c) inflação de demanda d) inflação inercial 6 Assinale entre as alternativas abaixo. a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica dos alimentos. a que representa um fato causador de uma inflação de custos: ( ) a. ( ) A inflação é um aumento persistente no nível geral de preços. Quais os dois tipos de inflação mais conhecidos. o mercado de capitais. II. b. sendo que cada um adota uma metodologia específica e o segundo deles serve de índice para o sistema de metas de inflação. principalmente em setores produtores de insumos básicos. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística no mercado. IV – Uma inflação de demanda pode levar a economia a ter inflação de custos. a. ( ) A inflação de demanda se caracteriza pelo excesso de demanda agregada em relação à produção de bens e serviços. II. ( ) De acordo com a corrente estruturalista. estabilizando-se em seguida. os preços dos materiais de construção se elevaram bastante. 5 A essência das análises econômicas realizadas pelos ideólogos da reforma monetária que culminou no Plano Cruzado (1986) reside no fato de que “um determinante significativo da inflação corrente é a própria inflação passada” e que “o melhor previsor da inflação futura é a inflação passada”. é suficiente para caracterizar um processo de inflação crônica. e. a) demanda – demanda agregada b) custos – demanda agregada c) demanda – oferta agregada . f. além de outros efeitos.48 4 Se todos os preços subirem. o INPC e o IGP. e III corretas e) I. ( ) De acordo com os inercialistas. A probabilidade de ocorrer inflação de ____________aumenta quando a economia está produzindo próximo do pleno emprego de recursos. e sendo essa mão-de-obra escassa. um aumento das matérias-primas importadas 7. o balanço de pagamentos. um aumento da oferta de moeda ( ) e. sendo causada pelo aumento de importações e tributos.( ) Inflação se caracteriza como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços em um determinado período de tempo desestruturando a distribuição de renda. um aumento nos gastos do governo ( ) b. Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: I – Se todos os preços dos bens e serviços se elevam apenas durante certo período de tempo. caracteriza-se um processo inflacionário crônico. e quando a resposta estiver falsa reescrever a frase. um aumento dos investimentos ( ) c. que são sempre repassadas aos preços. com a economia já a plena capacidade conduzem a elevações de preços . pode-se ter certeza de que houve inflação. tomada isoladamente. II – Após um conjunto de medidas governamentais destinadas a incentivar a construção civil.

Anos Sal. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações.40 114.788. 2.8 132. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística do mercado.60 0.560. 2.928. Expresse sua opinião.788 11. Tabela 1.932.000 41.80 55. Obter uma nova série adotando 1977 como ano-base. Será que essa estabilidade já é condição suficiente para o país buscar outras metas além da meta de inflação.5 Fonte: Boletim do Banco Central 5.8 1978 1.49 d) custos – procura agregada e) nenhuma das anteriores 10.3 1982 23. Determinar a respectiva série de salários mínimos reais (a preços constantes).6 1979 2.00 80. tendo como ano-base 1975.106.578 8.120 166.586 57. o Plano Real conquistou a tão sonhada estabilidade econômica. A tabela abaixo apresenta os valores do salário mínimo.90 1.654 1986 804.00 2105. Anos 1975 1976 1977 1978 1979 1980 Indices 100.5 115.0 3. calcule o salário real. bem como os valores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FGV).5 1. vigente em dezembro cidade do Rio de Janeiro. Min.928 23.684 . Após as diferentes tentativas para conter a inflação nos anos de 1980 e 1990.1 123.560 Nominais IPC 100 222 430 842 2. reais 1985 600. comparando-os com o de 1975.38 30 35 Pão 500 g 0. Ano 1979 1980 1981 1982 1983 1984 Sal. Preço e consumo de três bens em Palmeira das Missões.2 1977 1.30 0.919 Sal.8 3.25 0.1 1980 5.00 1043.80 520. A partir dos valores nominais dos salários. Min. calcular os números índices de Laspeyres e Paasche para 1976 para os três bens.35 3.00 158.7 Ovos Dúzia 0. a meta do crescimento econômico. Complete a sentença: “de acordo com a corrente _________________ a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica de alimentos.568. usando 1970 como ano-base.939 5.8 142. Usando a tabela abaixo.4 1976 768.” a) monetarista b) fiscalista c) estruturalista d) clássica e) nenhuma das anteriores Questões Aplicadas: 1.0 112.80 279.4 (1975=100) 1977=100 Fonte: Conjuntura Econômica 4. como por exemplo. A tabela abaixo apresenta o índice de produção industrial para o Brasil no período de 1975-1980.000 22. Indices 1975 532. 1970 e 1976 Bem Unidade de Preço médio Preço médio Consumo Consumo 1970 1976 medida per capita per capita 1970 1976 Leite Litro 0.1 1981 11.

ou seja. A neutralidade do ponto de vista da alocação dos recursos deveria ser complementada pela equidade na repartição da carga tributária.50 CAPÍTULO 4 – SETOR PÚBLICO O que veremos? Funções do Setor Público Receita do Setor Público Gastos do Setor Público Aspectos Institucionais do Orçamento Público Finanças Públicas = setor que controla a massa de dinheiro e de crédito que o governo federal e os órgãos a ele subordinados movimentam em um país. 1. isto é. aos indivíduos iguais – um critério de “equidade horizontal”. dar um mesmo tratamento. Dificuldade: como individualizar os benefícios a partir do funcionamento de bens públicos. Exemplo: serviços públicos que utilizam taxas específicas para o seu financiamento. Outros exemplos de instituir tributos de forma que funcionem como financiamento de determinados programas do governo são a cobrança de um imposto sobre combustíveis. Monopólios Naturais = governo atua para assegurar preços razoáveis. A equidade pode ser avaliada sob duas maneiras: . Política fiscal: Tendo como instrumentos os gastos e a receita tributária. não interferindo nas decisões de alocações de recursos tomadas como base no mecanismo de mercado. em termos de contribuição.Princípio da neutralidade: Quando a ação captadora de recursos do governo não altera os preços relativos da economia e assim. para financiar a construção de . .Princípio do benefício recebido: um tributo é justo quando cada contribuinte paga ao Estado um montante diretamente relacionado com os benefícios que recebe do governo. mas podem e devem ser também explorados pelo governo.Princípio da eqüidade: a distribuição do ônus do imposto de maneira justa entre os indivíduos. Bens Meritórios = podem ser explorados pela iniciativa privada. a política fiscal consiste em tentar expandir a atividade econômica com o objetivo de criar mais empregos. Bens públicos ou coletivos = têm por característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo Princípio de exclusão: quando o consumo do indivíduo A por um determinado bem que pagou. através da tributação que retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade e os transfere para os menos favorecidos. uma preocupação com a “equidade vertical”. AS FUNÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR PÚBLICO Função Alocativa: está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos pelo sistema de mercado. ESTRUTURA TRIBUTÁRIA A teoria da tributação envolve dois princípios fundamentais: neutralidade e equidade. Função Estabilizadora: governo pode alterar o comportamento dos níveis de preços e de emprego. Riscos pesados = governo interfere porque empresa privada pode correr riscos. enquanto os desiguais serão diferenciados segundo algum critério a ser estabelecido. 2. exclui o consumo do indivíduo B que não pagou pelo bem. . Função Distributiva: governo atua como agente redistribuidor de renda.

b) impostos indiretos: a pessoa que recolhe o tributo não arca totalmente com o seu ônus. porque seu fato gerador é sempre uma atuação do Estado. impostos progressivos e impostos proporcionais.Contribuição extrafiscal: utilizadas para tributar externalidades. Impostos: tributo cuja obrigação tem por fator gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal. em geral desempenhada tendo em vista sua pessoa. é aquele que incide sobre renda e riqueza. Ex: 10% de imposto sobre o preço de venda de TVs. . .Contribuição parafiscais: se destinam à sustentação de encargos paralelos aos da administração pública direta. Ex: PIS. . Além disso. 3. paga um percentual maior sobre a renda. . OS TRIBUTOS E SUA CLASSIFICAÇÃO Tipos de Tributos 1. Tarifas: é um instrumento utilizado na cobrança do imposto de importação. . consumo e patrimônio.51 rodovias. 3. Existem dois tipos de impostos: a) impostos diretos: a pessoa que recolhe o tributo é a mesma que arca com o seu ônus. Ex: imposto de alíquota única. FINSOCIAL e COFINS. Ex: IR. podem ser estruturados em: impostos regressivos. Contribuições fiscais: um tributo é fiscal quando sua cobrança não visa senão a arrecadação de recursos financeiros para os cofres públicos e objetivam a sustentação dos encargos que são próprios do órgão central da administração. . 2. referida ao obrigado. para financiar investimentos no setor. Todos os impostos indiretos. Taxas: é um tributo vinculado. específico: valor em R$ fixado). . Todos pagam a mesma percentagem sobre a renda e não o mesmo valor. Quem ganha mais paga menos.Principio da capacidade de pagamento: cada agente deveria pagar tributos conforme sua capacidade de pagamento. ou a possibilidade de uma referência direta à sua pessoa.Regressivos: A relação entre carga tributária e renda decresce com o aumento do nível de renda. e os impostos sobre consumo de energia elétrica. Medidas da capacidade de pagamento: renda. É aquele que incide sobre transações de mercadorias e serviços e que podem ser ou ad valorem ou específicos (Ad valorem: alíquota % fixada.Progressivo: a relação entre carga tributária e renda cresce com o aumento no nível de renda.Proporcional (neutro): a relação entre a carga tributária e o nível de renda permanece constante. Quem ganha mais. 4.

52 Quadro 5 . financeira .Impostos e esferas de Governo: Impostos Federais Impostos Estaduais Imposto de renda (IR) Impostos Municipais Imposto sobre circulação de Impostos sobre a propriedade mercadorias e prestação de predial e territorial urbana serviços (ICMS) (IPTU) automotores “Inter Vivos” de bens imóveis e direitos a eles relativos (ITBI) de Mortis Transmissão Imposto e sobre serviço de Imposto de Exportação Imposto sobre a propriedade Imposto sobre a transmissão de veículos (IPVA) Imposto de Importação Imposto Causa (ITCMD) Doação qualquer natureza (ISSQN) Imposto Imposto sobre sobre operação produtos financeira (IOF) industrializados (IPI) Contribuição provisória sobre movimentação (CPMF) Imposto territorial rural (ITR) Cide-Combustíveis A seguir são mostradas tabelas com a arrecadação federal para o período de janeiro a outubro de 2005 e de 2006.

53 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda .

receita.fazenda.54 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda Para outras informações sobre arrecadação ver: http://www.gov.br/ .

Dicas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”. Interna Div. DÉFICIT PÚBLICO O dispêndio do governo é decomposto em Gastos em geral (DC + DK) + Juros sobre a dívida interna e externa. a Lei de Responsabilidade Fiscal.980 7.Déficit Primário = Receitas . Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA). Disponível: http://www. 5 Para mais informações sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal ver “Gestão Fiscal Responsável.gov.7% 44.851.Despesas .6% 49.Déficit Operacional = Receitas – Despesas + juros reais dívida passada 6. Externa PIB (R$ mi) FONTE: Bacen 2005 51.5% 1. 5. OS GASTOS DO SETOR PÚBLICO Por categorias Econômicas: Despesas Correntes (DC) = não resultam acréscimo ao patrimônio do governo. São subdivididos em investimentos. A primeira alternativa é vista com receio porque pode gerar inflação na economia através do estímulo ao consumo.planejamento. São subdivididos em despesas de custeio e transferências.br/lrf/conteudo/publicacoes/dicas.htm .942.Déficit Nominal = Receitas – Despesas.2% 7. mas aumenta a dívida uma vez que a os títulos são remunerados pelas taxa de juros vigentes na economia. A venda de títulos da dívida não gera inflação. Despesas de capital (DK) = implicam num aumento do patrimônio do governo.55 4. FINANCIAMENTO DO DÉFICIT O déficit do governo pode ser financiado pela emissão de moeda ou pela venda de títulos da dívida pública ao setor privado (interno e externo). Após o ano de 2000.Dívida Líquida do Setor Público (% em relação ao PIB) 2004 Div. Líquida Total Div.193 51. Tabela 3 . incluindo inflação e juros sobre dívida anterior . o sistema orçamentário federal passou a ser regulado por três leis: Lei do Plano Plurinanual (PPA).0% 2. A tabela abaixo mostra a representatividade em termos do PIB da dívida do setor público brasileiro para os anos de 2004 e 2005. inversões financeiras e transferências de capital. 5 O quadro abaixo explica como é feito o orçamento. Conceitos de déficit: .6% 1. ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO ORÇAMENTO PÚBLICO Com a Constituição Federal de 1988.

dispõe sobre alteração na legislação tributária.planejamento. Por outro lado. As ações dos governos estaduais e municipais devem estar registradas nas leis orçamentárias dos Estados e municípios.br) .56 COMO É FEITO O ORÇAMENTO O Orçamento Geral da União (OGU) é formado pelo Orçamento Fiscal.planobrasil. seguridade social. Legislativo e Judiciário. Para saber mais sobre o PPA 2004-2007 que tomou o nome de Plano Brasil . etc que tornam o processo orçamentário extremamente rígido. as prioridades contidas no PPA e as metas que deverão ser atingidas naquele ano. aprovada em 2000 pelo Congresso Nacional introduziu novas responsabilidades para o administrador público com relação aos orçamentos da União. A Lei Orçamentária disciplina todas as ações do governo federal. clique no endereço www. a Secretaria de Orçamento Federal elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte. receitas próprias de entidades. Esse excesso de vinculações e carimbos ao Orçamento levou o governo federal a propor a DRU . A Constituição Federal de 1988 atribui ao Poder Executivo a responsabilidade pelo sistema de Planejamento e Orçamento que tem a iniciativa dos seguintes projetos de lei: Plano Plurianual (PPA) De Diretrizes Orçamentárias (LDO) De Orçamento Anual (LOA) O Projeto de Lei do PPA define as prioridades do governo por um período de quatro anos e deve ser enviado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato. fazem as modificações que julgam necessárias através das emendas e votam o projeto. O PPA estabelece a ligação entre as prioridades de longo prazo e a Lei Orçamentária Anual. Nenhuma despesa pública pode ser executada fora do Orçamento. o que irá trazer maior flexibilidade à execução orçamentária. o projeto é sancionado pelo Presidente da República e se transforma em Lei. crises econômicas mundiais como aquelas que ocorreram na Rússia e Ásia obrigaram o Poder Executivo a editar Decretos com limites financeiros de gastos abaixo dos limites aprovados pelo Congresso. o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional projeto de lei de crédito adicional. o governo é obrigado a encaminhar o Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. em conjunto com os Ministérios e as unidades orçamentárias dos poderes Legislativo e Judiciário.Um País de Todos.transferências constitucionais para Estados e municípios. deputados e senadores discutem na Comissão Mista de Orçamentos e Planos a proposta enviada pelo Executivo.gov. A LDO estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro subsequente. através de emenda constitutucional. O Orçamento brasileiro tem um alto grau de vinculações . FONTE: Ministério do Planejamento. Orçamento e Gestão (http://www. dos Estados e municípios. proibição de criar despesas de duração continuada sem uma fonte segura de receitas. Depois de aprovado. Com base na LDO aprovada pelo Legislativo. O governo define no Projeto de Lei Orçamentária Anual. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada". São chamados de Decretos de Contingenciamento em que são autorizadas despesas no limite das receitas arrecadadas. De acordo com a Constituição Federal. A Lei introduziu a restrição orçamentária na legislação brasileira e cria a disciplina fiscal para os três poderes: Executivo. Acompanha o projeto uma Mensagem do Presidente da República. na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. como limite de gastos com pessoal.br. entre outros. No Congresso. o Projeto de Lei do PPA deve conter "as diretrizes. A Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura. A Lei de Responsabilidade Fiscal. A Lei Orçamentária brasileira estima as receitas e autoriza as despesas de acordo com a previsão de arrecadação. estabelece a política de aplicação das agências financeiras de fomento. orienta a elaboração do Orçamento. da Seguridade e pelo Orçamento de Investimento das empresas estatais federais. mas nem tudo é feito pelo governo federal.Desvinculação de Recursos da União.gov. Por determinação constitucional. manutenção do ensino. Se durante o exercício financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está previsto na Lei. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano.

Coloque F (falso) ou V (verdadeiro). 6. segundo o conceito operacional. Alguns municípios têm Tribunal de Contas próprio. ( ) a estrutura tributária brasileira beneficia a classe de renda mais baixa por estar baseada em altas alíquotas de imposto de renda e baixas alíquotas de impostos sobre o consumo. a cidade de São Paulo. operacional. ( ) o governo possui dois principais tipos de gastos: gastos públicos e gastos correntes. FISCALIZAÇÃO O Tribunal de Contas da União (TCU) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados à União. g. incluem-se os juros bem como as despesas com correção monetária das dívidas interna e externa k. ( ) os bens públicos são consumidos individualmente e seu benefício para cada cidadão é difícil de ser medido. 2. Classifique os impostos abaixo em imposto direto (D) ou imposto indireto (I): ( ) ICMS ( ) IPI ( ) IPTU ( ) CPMF ( ) IPVA ( ) ITR . Os Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados ao Estado. É possível o setor público desempenhar todas as suas funções de maneira harmônica? Comente. A estrutura tributária pode ser regressiva. ( ) se. por exemplo. que podem ser nominal ou total. com o aumento das alíquotas do imposto sobre a renda das famílias forem gerados recursos adicionais utilizados para maiores gastos sociais pelo governo. d. O que diferencia cada um deles. Ex: Banrisul. i. 5. a demanda agregada não variará.57 8. O déficit do setor público pode ser financiado? Explique quais são as alternativas. 7.( ) no cálculo do déficit público. ( ) o superávit primário é considerado como sendo a diferença entre a receita e os gastos com juros do Governo. ( ) os chamados impostos indiretos têm essa denominação por incidirem sobre a renda e a riqueza dos indivíduos. e. f. progressiva e proporcional. Quando o governo gasta mais do que arrecada suas contas entram em déficit. 3. ( ) o conceito de déficit primário inclui os juros pagos de dívida passada. h. c. ( ) a carga tributária é obtida da relação entre o PIB e o total de arrecadação do governo. ( ) o ICMS é tipicamente um imposto direto. ( ) o imposto sobre produtos industrializados pode ser caracterizado como imposto direto j. Cite e explique os dois princípios fundamentais da tributação. e primário. ( ) quanto maior for o PIB menor será a carga tributária. Explique o que significa cada uma delas e diga qual é a predominante para o caso da economia brasileira. b. l. 4. justificando quando falso: a. Questões Conceituais: 1.

de cada setor produtivo.58 CAPÍTULO 5 – CONCEITO E CÁLCULO DOS AGREGADOS MACROECONÔMICOS O que veremos? Valor adicionado. como bem intermediário para uma empresa. O CONCEITO DE VALOR ADICIONADO: O PRODUTO NACIONAL O conceito de valor adicionado é entendido como: Valor Adicionado = Valor Bruto de Produção (VBP) – Consumo de Produtos Intermediários (matérias-primas e componentes) O Valor Bruto de produção (VBP): é o faturamento. ou aluguéis. a gasolina vendida nos postos pode ser utilizada tanto como bem final para o consumidor.000 Pão O problema de dupla contagem no cálculo do produto pode ser resolvido de duas formas: . renda e dispêndio: da economia fechada à economia aberta Informações Conjunturais sobre o PIB no Brasil Problemas com as medidas agregadas Conceitos Básicos: Valor Adicionado. Por exemplo. sem discriminar quanto foi pago em salários. i. ou lucros. ou juros. o que sobra é a remuneração dos fatores de produção de cada setor. a receita de vendas. renda e dispêndio Produto.000 400 PN=DN=1. Para exemplificar o conceito de valor adicionado..e. depende do uso que se fará posteriormente. Renda e Dispêndio 1.000 = RN 0 100 100 Farinha 400 1. sendo difícil aferi-lo a partir do fabricante. utilizaremos a produção de pão. já que a conceituação de bem final não é muito simples. Trigo (a) receita de vendas (VBP) (b) Compras intermediárias Valor adicionado (a-b) Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo) Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha) Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão) 100 + 300 + 600 =1. Retirando da receita de vendas os gastos com a compra de bens intermediários. mas o valor total. O conceito de valor adicionado é uma forma alternativa e a mais operacional para medir o produto e a renda nacional do que diretamente pela soma de produtos finais.

aluguéis) pelo moinho e pela padaria. o total de investimento em acumulação deve se igualar ao total de renda poupada. ENTÃO: A IDENTIDADE BÁSICA DAS CONTAS NACIONAIS: PN = RN = DN Para que essa tríplice igualdade se realize. Assim. somente seria computado o valor dos pães. que é o produto final (não é utilizado para a produção de outros bens). No exemplo.o consumo e a acumulação. terra. consumidores. Ou seja. o produto e o dispêndio nacional são expressões contabilmente equivalentes. o Produto nacional também pode ser medido pela ótica das despesas realizadas pelos agentes. PRODUÇÃO VT da produção de arroz 600 VT da produção de soja 400 RENDA Total de pgtos de: w aluguel Juros pagos Lucro Total 1000 Total 800 80 20 100 1000 OBS: não incorpora os insumos intermediários 3. O exemplo acima mostra o método do valor adicionado. máquinas e equipamentos. na apuração do produto. na apuração do produto. A soma do consumo e da acumulação está representada pelos investimentos em bens de capital. e capital de giro = para produzir arroz e soja. computar. é igual ao dispêndio nacional. somente os valores adicionados em cada etapa do processo de produção. EXEMPLO: Empresa agrícola que use trabalho. O CONCEITO DE RENDA NACIONAL(RN) A Renda Nacional é a soma dos pagamentos feitos aos fatores de produção que foram utilizados para a obtenção do produto nacional. somente o valor dos bens e serviços finais. lucros. As nações produzem bens e serviços que se destinam a duas grandes categorias de dispêndio nacional . São três abordagens diferentes de avaliação. 2. A renda. seriam computados o valor da produção do trigo na fazenda e os valores agregados (de salários. juros. não consumida. ou seja. computar. CONCEITO DE DESPESA NACIONAL(DN) Um terceiro conceito diz respeito à destinação que é dada ao produto e à renda nacional.59 1. 2. Por que isso ocorre? . governo e estrangeiros. que conduzem a mensurações iguais. empresas. O valor adicionado está diretamente relacionado ao segundo conceito macroeconômico básico: o de renda nacional (remunerações pagas aos fatores de produção mobilizados pelas empresas.

recebem salários. SEM GOVERNO E SEM FORMAÇÃO DE CAPITAL . juros e lucros As famílias entregam às empresas os fatores de produção e. que se compensam na agregação das unidades produtoras. aluguéis. como matérias-primas. juros. ou seja. Assim.60 Nesse nosso modelo simplificado de economia sem governo. componentes. Como os gastos das empresas com fatores de produção é a própria Renda Nacional. a empresa vende tudo o que produz. Então. segue que: PN= DN= RN Ou seja. o dos pães produzidos pela padaria. estariam somados o valor do trigo da fazenda três vezes. mas conduzindo ao mesmo resultado numérico. Fluxo circular da renda Pagamento de bens e serviços Bens e serviços FAMÍLIAS EMPRESAS Fatores produtivos Salários. as famílias — pessoas físicas — . sem formação de capital e fechada não existem estoques. não incluem o custo dos insumos intermediários. representado o local onde se organiza a produção. o da farinha produzida pelo moinho. todas as decisões partem das famílias. só se consideram os bens finais e os custos de produção das empresas no sistema agregado. Produção (PN) = Vendas (DN) Como no agregado são excluídas as compras de bens intermediários. juros e lucros. Por que considerar apenas os bens finais? Se forem somados os valores brutos da produção de bens e serviços de todas as unidades produtivas do país. são três diferentes óticas conceitualmente diferentes para medir a atividade econômica. PRIMEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. energia são insumos que entram no processamento de outros bens. aluguéis. ou seja. As empresas que são de propriedade de seus acionistas são abstrações jurídicas. Os bens intermediários. o da farinha produzida pelo moinho duas vezes e o dos pães produzidos pela padaria uma vez. pode-se incorrer no chamado erro de dupla ou múltipla contagem. Para sua sobrevivência. em troca. aluguéis e lucros.Dois agentes econômicos: empresas e indivíduos Nesse sistema simplificado. Por exemplo: se forem somados o valor da produção de trigo da fazenda. a empresa gasta com pagamentos a fatores de produção tudo o que recebe pela venda de bens e serviços que são os salários. são transações de empresas a empresas.

S= RN . Daí surge a identidade renda ≡ produto. consideraremos agora que as famílias poupam e as empresas adquirem bens de capital.C onde C= Consumo Agregado CONCEITO DE INVESTIMENTO: O Produto Nacional é composto por dois tipos de bens: 1. A remuneração dos fatores de produção constitui-se de: salários (w). O fluxo circular da renda pode ser analisado sob o ponto de vista do fluxo real (fluxo de fatores de produção e fluxo de bens e serviços finais) ou de sua expressão em moeda . Disso. i. em troca. trata-se de rendimentos.. aluguéis. Nesse processo. i. representam custos de produção. O fluxo monetário representa a contrapartida pelo fluxo real. pelo ângulo das empresas. são identificados dois fluxos: um de produtos (bens e serviços) e outro de renda (salários. o investimento pode ser definido como: . Esses fluxos caracterizam o que conhecemos como fluxo circular da renda.o gasto em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia (Taxa de acumulação de capital). SEM GOVERNO E COM FORMAÇÃO DE CAPITAL Até aqui consideramos que as famílias apenas consomem e que as firmas só produzem bens que são consumidos pelas famílias (bens de consumo). e têm como objetivo aumentar a riqueza da nação. a. aluguéis (a) e lucros (l). isto é. bens de consumo: consumidos como um fim em si mesmo. juros (j). Para adquirir esses bens e serviços. proprietárias dos fatores de produção. SEGUNDA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. sua capacidade produtiva. aluguéis. . parte não é gasta em bens de consumo. juros e lucros). Há uma equivalência entre o fluxo de dispêndio de bens e serviços finais (produtos) e o fluxo da remuneração dos fatores produtivos. 2. O fluxo monetário é medido pelo dispêndio das famílias em bens e serviços finais produzidos pelas empresas ou pela remuneração percebidas pelas famílias em troca dos fatores de produção. Isso é o que ocorre no dia-a-dia da economia. e serviços dos fatores de produção. Pelo lado das famílias.e. bens de investimentos: não são consumidos. fazendo parte da produção. aquilo que receberam como salários.. l).e. a necessidade de introduzir dois novos conceitos: CONCEITO DE POUPANÇA: Poupança = parcela da renda não consumida no período. as famílias cederão.61 precisam adquirir bens e serviços produzidos pelas empresas. Mas. pelo fornecimento de bens e serviços. juros e lucros. j. da renda gerada (w. Então.o fluxo monetário.

variação de estoques (produtos acabados e intermediários): ∆E Assim.Se os gastos do Governo superaram a arrecadação: déficit primário ou fiscal. PN a preços de mercado (PNpm) = medido a partir dos valores transacionados no mercado. Ou seja. diferentemente dos bens de consumo.Receitas tributárias: com impostos indiretos (Ti) como ICMS e IPI e impostos diretos (Td) como IR. empresas e governo O governo obtém sua renda através: . Incluindo ainda os subsídios (Sub). . têm-se a introdução de dois novos conceitos: PN a custo de fatores (PNcf) = medido a partir dos valores que refletem os custos de produção. em dado período.). ou seja: I = PN – C Quais bens são produzidos e não consumidos no período? 1. Do total de produto e renda gerados. o bem de capital é consumido.62 .Se a arrecadação do Governo superar os gastos: superávit primário ou fiscal. mas que não foram consumidos no próprio período e que serão utilizados para consumo futuro. . Subsídios (Sub). IPTU e ITR. equipamentos e imóveis: investimento em bens de capital (Ibk). máquinas. até virar sucata. O CONCEITO DE DEPRECIAÇÃO: A depreciação (d) é o consumo do estoque de capital físico. parte será destinada para os bens de consumo final e outra para bens de consumo duráveis e investimentos. os componentes do Investimento são: I = Ibk + ∆E A distinção entre Ibk e ∆E é necessária: Ibk : é deliberada e planejada ∆ E: não é planejada e depende das oscilações de mercado. Com a presença do governo no modelo simples de economia.Receitas não tributárias: contribuições à previdência social com os encargos trabalhistas e outras receitas do governo como taxas (pedágios.o gasto em bens produzidos. só que. Investimento (I). multas e etc. TERCEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E AINDA FECHADA Agentes: famílias. . 2. a remuneração aos fatores (w + j+ a + l). Adicionando o custo dos tributos indiretos (Ti). IMPORTANTE: . Transferências (Tr). no sentido de que sofre um desgaste. em parcelas. O governo gasta suas rendas em: Consumo (C). Isso permite introduzir outros conceitos: Investimento líquido (IL) = IB – d Produto Nacional Liquido (PNL) = PNB – d O dispêndio passa a ser dividido agora em gastos com consumo e gastos com a acumulação.

já que agora temos que levar em consideração que alguns fatores utilizados no processo produtivo são de propriedade de residentes no exterior. CONCEITO DE EXPORTAÇÃO (X): são as compras dos estrangeiros de nossos bens e serviços. Parte da renda gerada no país que vaza para fora. ENTÃO O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA AGORA: SUBSÍDIOS EMPRESAS TRIBUTOS GOVERNO FP TRANSFERÊNCIAS REMUNERAÇÃO DOS FATORES TRIBUTOS FAMÍLIAS Os impactos da presença do governo nos conceitos e nos fluxos de produto. Obs: A partir da consideração do resto mundo no nosso modelo simplificado de economia. quanto gastamos com o resto do mundo. temos: o produto nacional difere do produto interno.63 Temos: PNcf: PNpm – Ti + Sub PNpm: PNcf + Ti – Sub Outros ajustamentos na renda nacional que levam aos conceitos de Renda Pessoal e de Renda Pessoal Disponível.tributos indiretos líquidos = PNLcf = Renda Nacional – tributos diretos líquidos = renda pessoal disponível (que será gasta em consumo ou em acumulação) QUARTA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E ABERTA Agrega com isso as variáveis relativas a uma economia aberta para o resto do mundo. Da mesma forma que alguns residentes no país tem fatores de produção que são utilizados em outros países. Somam-se aqui as transferências do governo para a sociedade como por exemplo o pagamento de aposentadoria. Renda Pessoal: quantias recebidas pelas famílias e empresas individuais. . renda e dispêndio são: PNB – depreciação – PNLpm . ou seja. CONCEITO DE IMPORTAÇÃO (M): são nossas compras com bens e serviços do exterior. Renda pessoal Disponível: montante de recursos financeiros de que as famílias e empresas individuais podem dispor após o cumprimento de suas obrigações fiscais para com o governo. os gastos do setor externo com nossas empresas.

lucros e royalties aos estrangeiros. então: PNB > PIB O Brasil bem como a quase totalidade dos países emergentes. temos que RE < RR. como a RLFE é negativa. inclui-se no primeiro caso. RENDA LÍQUIDA DE FATORES EXTERNOS (RLFE): é a remuneração dos gastos dos ativos pertencentes a estrangeiros. então: PNB < PIB RLFE > 0. não importando quem obtenha a renda. principalmente o capital e a tecnologia. O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA : RE AO EXTERIOR EMPRESAS GOVERNO FAMÍLIAS RESTO DO MUNDO RR DO EXTERIOR . incluindo a renda recebida de nossas empresas no exterior. A remuneração desses fatores vai para fora do país.RR + RE) Se: RE > RR. Divide-se em: . devido às altas remessas de juros.RENDA RECEBIDA DO EXTERIOR (RR): recebemos renda devido à produção de nossas empresas operando no exterior. Portanto: PNB = PIB + RLFE (PNB = PIB + RR – RE) E PIB = PNB – RLFE (PIB= PNB . Assim: RLFE = RR – RE Teremos então o conceito de: PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB): renda que pertence efetivamente aos nacionais. em que o PIB supera o PNB. juros e assistência técnica. na forma de remessa de lucros.64 No modelo de economia aberta ao resto do mundo. temos que RLFE < 0. royalties.RENDA ENVIADA AO EXTERIOR (RE): parte do que foi produzido internamente não pertence aos nacionais. . ela é chamada de Renda Líquida Enviada ao Exterior. Aqui. é necessário fazer a distinção dos seguintes conceitos: PRODUTO INTERNO BRUTO = mede a renda que é produzida dentro das fronteiras nacionais. e excluindo a renda enviada para o exterior pelas empresas estrangeiras localizadas no Brasil.

A CONTABILIDADE SOCIAL Os agregados macroeconômicos que discutimos até agora são calculados com base em dois sistemas principais de contabilidade social: o Sistema de Contas Nacionais e a Matriz de Insumo-Produto. nacionais e importados.65 No modelo completo de economia. por três óticas: do produto. da renda e da despesa: Ótica do produto: PIB = Valor da produção – Valor Consumos intermediários Ótica da renda: RIB = soma das remuneração aos fatores de produção Ótica da despesa: DIB = soma dos gastos finais na economia em bens e serviços. setor público e setor externo).Conta Renda Nacional Disponível Líquida (apropriação). Conta da renda nacional disponível líquida: no lado do débito está como as famílias e o governo utilizam a renda recebida e. os conceitos convencionais dos agregados macroeconômicos são: PIB – renda liquida enviada ao exterior = PNB – depreciação = PNLpm – tributos indiretos menos subsísios = renda nacional – tributos diretos menos transferência = renda pessoal disponível. empresas. RIB = mede a contribuição dos fatores de produção independentemente da nacionalidade dos possuidores desses fatores. . o sistema de contas nacionais é baseado em quatro contas. no lado do crédito. incluindo os impostos indiretos (menos os subsídios) e. no lado do crédito. Resumo: Em Contas Nacionais o acompanhamento dos fluxos de produção. Os lançamentos das transações são feitos de acordo com o método das partidas dobradas (débito e crédito). independente da origem de seu capital. . Preços a custos de fatores: (PIBcf: PIBpm – Ti + sub) Preço de mercado: (PNpm: PNcf + Ti – sub) PIL = PIB – d RIL = RIB – d PNB = (valor produção – valor dos consumos intermediários) + RLFE RNB = soma das remunerações dos fatores de produção pagas a residentes. Por exemplo: Conta do produto interno bruto: temos no lado do débito o pagamento das unidades produtivas aos fatores de produção.Conta de Capital. Na forma original. PIB = mede o total do valor adicionado produzido por firmas operando no país. . relativas à produção.Conta Transações Correntes com o resto do mundo. . geração da renda e de despesa num período permite que se calcule o valor adicionado bruto ou produto interno bruto de uma economia. apropriação ou (utilização) da renda e acumulação (ou formação de capital) dos agentes econômicos (famílias.Conta Produto Interno Bruto (produção). as rendas recebidas pelas famílias e . o que as empresas receberam dos agentes que adquiriram os bens e serviços finais.

estão os gastos com a formação de capital. No Brasil. no lado do crédito. Veja a tabela abaixo que mostra a composição do PIB sob as três óticas. a poupança dos agentes econômicos. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula o PIB e apresenta o resultado anual na periodicidade de trimestres. No lado do crédito. bem como a poupança externa.66 pelo governo mais o resultado líquido dos recebimentos e das transferências com o exterior. . e. estão as compras realizadas por residentes de bens e serviços produzidos no exterior (importações CIF) e os pagamentos e as transferências pagas aos não-residentes. Os subsídios e a depreciação entram com sinal negativo. Conta transações correntes com o resto do mundo: no lado do débito estão os gastos dos não-residentes com os bens produzidos internamente (exportações CIF). Conta de capital: no débito. os rendimentos e as transferências recebidas do resto do mundo. a fonte de recursos para os investimentos. ou seja. Na nova metodologia o sistema é composto pelas Tabelas de Usos e Recursos de Bens e Serviços (TRU) e pelas chamadas Contas Econômicas Integradas (CEI). incluindo a depreciação.

67 Composição do Produto Interno Bruto sob as três óticas – 1999 a 2003 .

Tabela 3 Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores .1 1.5 Fonte: IBGE.6 4º Trim 2005 2. .68 Produto Interno Bruto. a seguir.3 1.2 1.Tabela 7 3.2 3º Trim 2006 2.br).3 1.2 0.3 2º Trim 2006 2. Diretoria de Pesquisas.3 1º Trim 2006 3.4 3.2 3.Tabela 4 Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior . Contas Nacionais Trimestrais.Tabela 2 Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) . apresenta os principais resultados para o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado referentes aos cinco últimos trimestres.7 2.1 2.4 1.3 2.gov.5 Taxas (% ) Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior .2 (-) 1.0 1.ibge. 3º Trim 2005 2. Produto Interno Bruto per capita.4 0. Coordenação de Contas Nacionais Para outras informações sobre o PIB brasileiro ver Indicadores IBGE. julho/setembro 2006 (disponível: http://www. Indicadores de Volume. população residente e deflator implícito do PIB – 1999 a 2003 A Tabela Resumo.

00. .00 Quantidade 130 410. Considerando a citação acima. Qual é a diferença entre Produto Nacional Bruto (PNB) e Produto Interno Bruto (PIB)? Explique. a renda enviada (RE) supera a renda recebida (RR) do exterior.Tributos diretos 80 . na redução das desigualdades existentes nas sociedades nacionais e entre elas”. Observe a seguinte passagem: “Transformar crescimento econômico em bem-estar para todos é o grande desafio enfrentado pelos diversos países e suas comunidades. Qual é o valor agregado por cada pessoa? Qual é o PIB? 3.000. No Brasil.69 ALGUNS PROBLEMAS COM AS MEDIDAS DE RENDA E DO PRODUTO . o que faz com que tenhamos uma renda líquida de fatores externos (RLFE) negativa. calcule as seguintes estatísticas: PIB nominal dos dois anos.As comparações internacionais . (fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD) Levando em consideração essa assertiva.Variações reais ou variações nominais . 4. 5.Pagamento Aposentadoria 40 . O que representa o PIB e o PIB per capita de uma economia? 2. Um agricultor colhe um hectare de trigo e vende a um moleiro por $1. O engenheiro come o pão. O que é valor adicionado (VA)? Exemplifique. Ano 2000 Preço ($) 60.Questão da economia subterrânea: atividades gerais do cotidiano. qual seria a diferença entre esses dois conceitos? b) Um Produto Interno Bruto (PIB) elevado reflete necessariamente um país com bons indicadores de desenvolvimento humano e econômico? Justifique sua resposta.00. PIB real do ano de 2010 e taxa de crescimento real. Qual o maior: o PNB ou o PIB? Comente. O moleiro transforma o trigo em farinha. Comente os principais problemas com as medidas agregadas da economia.00 25.000. 2.000 Ano 2010 Preço ($) 70. e depois vende a farinha a um padeiro por $3.00 Quantidade 110 510.PIB 870 . atividades informais e etc. responda: a) Costuma-se fazer uma distinção entre “crescimento” e “desenvolvimento” econômico. Dados em bilhões de R$: . O padeiro usa a farinha para fazer o pão. Considere uma economia que produz e consome pão e automóveis.00 12.Tributos indiretos 100 .Subsídios empresas privadas 10 .000 Automóveis Pão a) Tomando 2000 como ano-base. 3.00. Questões Aplicadas: 1. e vende o pão a um engenheiro por $6. 4.Produto nacional como medida do padrão de bem-estar Questões conceituais: 1. A tabela a seguir contém dados de dois anos diferentes.

Uma economia hipotética apresentou os seguintes resultados para o PIB nominal: Ano 1990 Ano 1995 PIB nominal (R$) 1. foi de 120.000.000 O Índice de Laspeyres.Depreciação ativos fixos 25 .520.000 1.Renda enviada ao exterior 07 Pede-se: a) PIBpm = 870+ Ti-Suib = 870 + 100 – 10= 960 b) PNBpm = PIB + RLE = 960 + (-5) = 955 c) PNLcf = 955 – d – Ti + sub = 955 – 25 – 100 + 10 = 840 d)RPD = 840 – Td + Tr = 840 – 80 +40 = 800 5.000. .980.Renda recebida exterior 02 . tendo 1990 como ano-base. Pergunta-se: qual é a taxa de crescimento real do PIB no período? Explique.70 .

Implicitamente. conforme o quadro: QUANTIDADE DE HOMENS/HORA PARA A PRODUÇÃO DE UMA UNIDADE DE MERCADORIA Tecido Vinho Inglaterra 100 120 Portugal 90 80 Em termos absolutos. tanto em relação aos produtos como no que concerne ao mercado de fatores. costuma-se dividir as questões teóricas em dois grandes blocos: os aspectos microeconômicos. o custo da produção de vinho é maior que o da produção de tecidos. Segundo Ricardo. Relativamente. como a diversidade de condições de produção (a Noruega dificilmente produzirá bananas). Essa será. a partir da qual concretiza-se o processo de troca entre eles. existem 2 países (Inglaterra e Portugal). esse mesmo país deverá importar aqueles bens cuja produção implicar custo relativamente maior (cuja produção é relativamente menos eficiente). um exemplo numérico. Portugal é mais produtivo na produção de ambas as mercadorias. A teoria clássica do comércio internacional A Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada de modo bastante simples por David Ricardo. obtém-se a produção dos bens mencionados. Portugal tem vantagem relativa na produção de vinho e a Inglaterra na produção de tecido. Os economistas clássicos forneceram a explicação teórica básica para o comércio internacional através do princípio das vantagens comparativas. ou a teoria do comércio internacional. e os aspectos macroeconômicos. No seu modelo. TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL O que leva os países a comercializarem entre si? Muitas explicações podem ser levantadas. o custo de produção de tecidos em Portugal é maior que o da produção de vinho. os dois países obtêm benefícios ao especializar-se na produção da mercadoria em que possuem vantagem comparativa. Desse modo. Uma característica importante desse modelo é a inexistência de mobilidade internacional da mão-de-obra. entretanto. ou a possibilidade de redução de custos (a obtenção de economias de escala) na produção de determinado bem comercializado em um mercado global. explica-se a especialização dos países na produção de bens diferentes. Ricardo considera um ambiente de concorrência perfeita. O princípio das vantagens comparativas sugere que cada país deva se especializar na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). Comparativamente. a mercadoria a ser exportada. dois produtos (tecido e vinho) e apenas um fator de produção (mão-de-obra). na Inglaterra.71 CAPÍTULO 6 – A ECONOMIA NACIONAL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS O Que veremos? Teoria das trocas internacionais Taxa de Câmbio Balanço de Pagamentos Instrumentos de Ajuste dos Fluxos Externos Organismos Internacionais FUNDAMENTOS DE ECONOMIA INTERNACIONAL Dentro da Economia Internacional. 1. . aos termos de troca e ao balanço de pagamentos. portanto. Por outro lado. Através de coeficientes técnicos fixos de produção. relativos à taxa de câmbio.

Se houver comércio entre os países. Resume-se a considerações estáticas. Porém. ambos os países sairão beneficiados. mostrou-se bastante irrealista e incômoda para muitos teóricos. de que há apenas um fator de produção operando a partir de coeficientes técnicos fixos. que se especializará em tal produção e passará a importar tecidos.2 unidades de tecido (120/100). bem como da relação de preço entre os produtos negociados no mercado internacional. ou se há grupos prejudicados. um país poderá economizar tais recursos através do comércio internacional. Deste modo. em Portugal essa unidade de vinho custa 0. supondo uma dada quantidade de recursos. Assim. Os países exportarão e se especializarão na produção dos bens cujo custo for comparativamente menor em relação aos demais países. e Portugal poderá comprar mais que 0. poderá utilizar apenas 100 horas de trabalho. não dando atenção à evolução das estruturas de oferta e demanda.72 exportando-a. Alguns críticos também apontam para as difuldades que existem em se tecer comentários sobre o impacto do comércio na distribuição de renda dentro de um país. a Inglaterra poderá importar uma unidade de vinho por um preço inferior a 1. se a relação de troca entre o vinho e o tecido for de uma para uma. Os benefícios da especialização e do comércio podem ser observados ao se comparar uma situação sem e com comércio internacional. pode-se concluir que a nação se beneficia com o comércio. 20 horas de trabalho que poderiam ser utilizadas produzindo mais tecidos. A suposição do modelo clássico. Não importa aqui o fato de que um país possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produção. obtendo maior nível de consumo. Assim. . portanto. por apontar os benefícios desse comércio. as quais se manifestam em produtividades do trabalho ou coeficientes de produção diferentes. Também fornece uma explicação para o padrão do comércio internacional. poderia usar apenas 80 produzindo uma unidade de vinho e trocá-la no mercado internacional por uma unidade de tecido. A partir da teoria clássica do comércio internacional. em autarquia (produzindo e consumindo sem comércio internacional). gastará 120 horas de trabalho para obter uma unidade de vinho. Com o comércio com Portugal. também economizando 10 horas de trabalho. uma unidade de vinho deve custar 1. na Inglaterra são necessárias 100 horas de trabalho para a produção de uma unidade de tecido e 120 horas para a produção de uma unidade de vinho. que procuraram incorporar também o capital na função de produção dos países. A Inglaterra. estabelecido a partir do lado da oferta dos países. Por outro lado. tal teoria possui pressupostos bastante restritivos. Sem comércio internacional.89 unidades de tecido vendendo seu vinho. Critica-se o modelo por não fazer maiores considerações sobre a demanda e a estrutura de gostos e preferências dos agentes. a Inglaterra deverá se especializar na produção de tecidos. O mesmo raciocínio vale para Portugal: em vez de gastar 90 horas produzindo uma unidade de tecido. mas não se explicita quem se beneficia dentro do país. A teoria desenvolvida por Ricardo — base do modelo clássico de comércio internacional — constitui forte argumento em favor do comércio internacional e contra medidas protecionistas. que existem trocas internacionais. e importando o outro bem. produzir uma unidade de tecido e trocá-la por uma unidade de vinho. Desse modo. exportando-os e importando vinho de Portugal. É a partir de diferenças tecnológicas relativas.2 unidades de tecido. por exemplo.89 unidades de tecido (80/90). poupando.

ressaltando-se novamente as vantagens do livre comércio. que exportam bens mão-de-obra intensivos. importando bens que necessitem de muita mão-de-obra na sua produção. que agora passam a ser tanto a mão-de-obra quanto o capital. dadas as contribuições desses dois economistas. geralmente tendem a exportar produtos que utilizam intensivamente o fator de produção relativamente mais abundante no país e importam a mercadoria que utiliza intensivamente o fator de produção menos abundante. começou a ser constituída a teoria moderna do comércio internacional. ii) baixa elasticidade-renda da maior parte dos produtos primários. exportadores de matérias-primas. a hipótese clássica é oposta: as tecnologias (os coeficientes técnicos de produção) diferenciadas são cruciais para explicar as diferenças de custo e o padrão de comércio. e os países de baixa renda. enquanto a teoria moderna pressupõe uma mesma função de produção para os países envolvidos no comércio internacional. Também a teoria moderna recebeu críticas em função de seu caráter estático e de suas premissas por demais restritivas. Os pontos de sustentação da crítica estruturalista foram: i) baixa elasticidade-preço dos produtos primários. A diferença básica entre a teoria clássica e a moderna é que. segundo o modelo Heckscher-Ohlin. portanto. Os países. A nova teoria do comércio internacional A partir das críticas e dos problemas empíricos relativos ao modelo Heckscher-Ohlin. A teoria Estruturalista Esta visão criticou o pressuposto das vantagens bilaterais simétricas. um país com oferta abundante de capital considerará relativamente mais barato produzir bens cuja produção necessite mais intensamente do fator capital e. Do mesmo modo. terá vantagem em exportá-lo. Essas razões mostram uma tendência à deterioração que resultava em ganhos assimétricos de comércio exterior. O que varia no modelo moderno é a dotação de fatores: há os países ricos (abundantes em capital) que exportam bens de capital intensivos.73 Assim. diante de evidências de que os ganhos do comércio exterior não se dividiam igualmente entre os países industrializados de alta renda. surgiu uma série de novas explicações para o comércio internacional. A teoria moderna do comércio internacional A idéia básica por trás da teoria moderna do comércio internacional é a de que os países diferem quanto à dotação relativa de fatores de produção. de modo que a estrutura tecnológica é a mesma para todos os países. iii) retração da procura de inúmeras matérias-primas de exportações e iv) baixo valor adicionado dos produtos primários de exportação. Os novos modelos não . Um país com oferta abundante de mão-de-obra em relação ao capital produzirá preferencialmente bens que utilizam na sua produção relativamente mais mão-de-obra e também deverá exportar esse bem. exportadores de manufaturados. A corrente estruturalista estava baseada em bases empíricas que evidenciavam a deterioração das relações de troca entre o centro e a periferia – entre os países produtores de bens primários e os países produtores de manufaturas de alto valor adicionado. que modificou a explicação concernente à origem das vantagens comparativas. O modelo moderno básico é o chamado modelo de Heckscher-Ohlin. As vantagens do comércio continuam existindo: há ganho real de renda quando o país passa da autarquia para uma situação de comércio internacional. e os países pobres (com uma relação capital-trabalho baixa).

dólares ou marcos. Nesse momento. enquanto que. o vendedor alemão quer receber em marcos alemães. Com a difusão da demanda por tal produto internacionalmente. dos recursos investidos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e da estrutura de demanda que possuem. a compra e venda de mercadorias se faz com o real. porém percebe-se nessas teorias certa recuperação de idéias protecionistas. a explicação embasada na idéia de ciclo do produto. A TAXA DE CÂMBIO E O MERCADO CAMBIAL Uma importante diferença do comércio internacional em relação ao comércio doméstico é que este último se realiza com uma mesma moeda nacional. o livre comércio continua mostrando-se estaticamente a melhor situação. desenvolvida por Raymond Vernon. verifica-se também um comércio intenso entre países com igual dotação de recursos e a crescente troca de produtos razoavelmente parecidos. além do comércio preconizado pela teoria de Heckscher-Ohlin entre países ricos e pobres. em função do risco associado a esse mercado. De modo geral. ao longo do tempo. Decorrentes mais de atributos construídos do que de vantagens definidas por dotações naturais. As explicações relativas a esse comércio podem vir de duas hipóteses: a) pode-se atribuir tal padrão de comércio à existência de economias de escala. Basicamente quanto mais parecida a demanda dos países (quanto mais próximo o nível de desenvolvimento dos países). o país inovador passará a exportá-lo. As mercadorias a serem exportadas são preferencialmente aquelas já produzidas para atender o próprio mercado doméstico. a economias de escala e a estruturas de mercado não concorrenciais. podem ganhar com o comércio entre eles. Quando. . Deve atingir países com estrutura de demanda parecida e a concorrência entre os países é exercida a partir de um processo de diferenciação do produto. matéria-prima) em reais e não em liras. b) existem teorias que procuram enfatizar o lado da demanda. Dentro do Brasil. porém.74 têm a mesma consistência teórica dos modelos clássico e moderno e ainda devem ser melhor testados. existe a necessidade da conversão entre diferentes moedas. 2. o comércio internacional introduz um novo elemento: a taxa de câmbio. pois ele tem seus custos (salários. no comércio internacional. mais fácil e maior é o comércio entre eles. por uma forte padronização. Mesmo países idênticos. a fim de explicar esse comércio intraindustrial. onde conseguem introduzir inovações em função da qualificação da sua mão-de-obra. fazendo com que a importância da qualificação da mão-de-obra e dos recursos alocados em P&D para a sua produção desapareça. sua produção pode mudar de país e situar-se em países menos desenvolvidos. em função da introdução de problemas relacionados à incerteza. Do mesmo modo. Teorias mais modernas centram-se nos fatores de competitividade das nações. Existe. evitando-se produzir para exportação produtos pouco consumidos internamente. pois os países tenderão a produzir bens que mais facilmente atendam a demanda de potenciais importadores. Desse modo. no que se refere às suas dotações de fatores e seus gostos. Países desenvolvidos têm vantagens comparativas onde são pioneiros. Os rendimentos crescentes de escala são mais uma fonte de ganhos para o comércio. quando um brasileiro exporta para a Itália desejará receber o valor das exportações em real e não em liras. Esse comércio não se realiza em condições de concorrência perfeita e não se garante que esses ganhos sejam distribuídos proporcionalmente entre os países comerciantes. que é menos conhecido e controlável. o comércio intraindustrial. um brasileiro adquire um produto alemão (importa). A produção atende inicialmente o mercado doméstico e depois se destina à exportação. impostos. ainda. as recentes análises constatam que. que passariam também a exportálo. A produção desse bem passa. De modo geral.

Da mesma forma. A partir desses agentes. as empresas norte-americanas atuando no Brasil. com outras moedas (francos. bancos e corretores autorizados pelas autoridades monetárias. portanto. Em tese.55 R$/DM. também em relação ao dólar e às diversas moedas nacionais. trocaria 55 reais por 100 marcos. Este mercado é formado por compradores e vendedores (importadores e exportadores).75 Taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra moeda estrangeira. Se a mercadoria custa 100 marcos alemães. há as ofertas e as demandas pelas moedas. os agentes que necessitam de dólares para saldar dívidas contraídas anteriormente. ela é expressa como a quantidade de moeda estrangeira necessária para comprar uma unidade de moeda nacional (no exemplo. que desejam remeter lucros para a matriz. as transações entre o Banco Central e bancos privados no mesmo país. por exemplo. Em outros países. Assim temos. Assim. cada um (1) dólar valia 0. costuma-se expressar a taxa de câmbio como sendo a quantidade de moeda nacional necessária para comprar uma unidade de moeda estrangeira (no exemplo. Através das taxas de câmbio. os turistas que viajam para os Estados Unidos etc. as transações entre bancos privados de diferentes países e as transações entre bancos centrais de diferentes países. Temos. com um real poder-se-ia obter 1. . O mercado cambial é aquele onde as moedas dos diferentes países são transacionadas. 0.17 US$/R$. com os quais compra a mercadoria desejada. que a taxa de câmbio do real (moeda nacional brasileira) em relação ao dólar norte-americano (moeda nacional dos EUA) era. isso se realiza.05 SF/£.17 doláres para 1 real). marcos etc. eram necessários 2. há agentes que oferecem dólares e procuram reais: os exportadores brasileiros. No Brasil. ou seja. que são os preços relativos entre as moedas nacionais. de aproximadamente 0. esses agentes também estão oferecendo reais no mercado cambial.85 R$/US$.) e no resto do mundo. aqueles (agentes privados ou públicos) que demandam determinada moeda. temos os importadores de mercadorias norteamericanas que necessitam de dólares. Ao mesmo tempo. temos a demanda brasileira por dólar. por exemplo. No Brasil. os turistas que trazem dólar para o Brasil. os estrangeiros que querem investir no Brasil. Um mercado cambial supõe. no exemplo). Neste mercado. As taxas de câmbio são basicamente determinadas através do mercado cambial. Por outro lado. então seria 1. Outra definição: é o preço de uma unidade de moeda estrangeira em moeda nacional. compõe-se a demanda e a oferta por dólares e reais. ou seja. Deve-se tomar cuidado com a forma pela qual a taxa de câmbio está expressa.85. As oscilações na demanda e na oferta de determinada moeda devem conduzir a modificações no equilíbrio desse mercado (taxa de câmbio e quantidade de moeda transacionada). no Brasil. por um lado. o importador brasileiro troca reais por marcos alemães pela taxa de câmbio (0. assim como as quantidades de moedas nacionais transacionadas. Desse modo. torna-se possível realizar as transações entre os países.17 dólares norte-americanos. a taxa de câmbio entre o franco suíço e a libra inglesa era de 2.05 francos suíços para se obter uma libra inglesa. A cotação de real em dólar também poderia ser expressa como sendo de aproximadamente 1. Também em outubro de 1994.85 reais.85 reais para 1 dólar). ou seja. os tomadores de empréstimo no exterior. é a taxa pela qual duas moedas de países diferentes podem ser trocadas (cambiadas). o equilíbrio entre a oferta e a demanda das diferentes moedas nacionais estabelece as taxas de câmbio. que é o inverso de 0. ou seja. em outubro de 1994. a realização de diferentes transações: as transações entre bancos privados e clientes no mesmo país.

A taxa cambial está relacionada com o movimento do saldo do balanço de pagamentos do país. empréstimos. e uma desvalorização quando seu poder de compra cai. assim como os juros pagos ao exterior. que. desvalorizando-se a moeda nacional em relação às moedas estrangeiras. teremos aumento da entrada de divisas estrangeiras e. São as forças de mercado (oferta e demanda) que determinam a taxa de câmbio. quando o poder de compra desta em relação às demais cresce.76 Assim. Formação das Taxas de cambiais – Regimes Cambiais Taxa cambial é a relação de preço existente entre a moeda nacional e determinada moeda estrangeira. as importações são débitos. elevará ou reduzirá as taxas cambiais. Assim. 4) Banda Cambial: o Banco Central fixa os limites inferiores e superiores da cotação cambial. podemos entender a formação das taxas cambiais de acordo com o referido princípio basilar econômico. BALANÇO DE PAGAMENTOS O Balanço de Pagamentos de um país é um resumo contábil das transações econômicas que esse país faz com o resto do mundo. com aumento de saídas de divisas e consequente déficit. A periodicidade em geral é de um ano (seguindo o ano civil do país). valorizando o real e desvalorizando o dólar. De modo geral. 3) Câmbio Flutuante (flutuação suja. com altas taxas cambiais. define-se uma valorização da moeda nacional. Quem determina a taxa efetiva é o mercado (oferta e demanda) 3. Suas intervenções são aleatórias e tem como objetivo conter especulações no mercado. No caso das transações de comércio exterior a oferta e procura de divisas estrangeiras representam o movimento das operações exportação e importações efetuadas. Porém. ou seja . adota-se a idéia das partidas dobradas. No Brasil. pode-se avaliar a situação econômica internacional do país. que possibilitam um melhor acompanhamento da evolução da situação econômica internacional do país. Entendendo como fundamento básico na variação das taxas cambiais a oferta e procura de divisas estrangeiras. A partir desse balanço. Toda transação que cria um direito constitui um crédito. o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo Banco Central a partir dos registros das transações efetuadas entre residentes no País e residentes em outras nações. As exportações. Na contabilização destes registros. por exemplo. portanto superávit. durante um certo período de tempo. são créditos.dirty floating): o Banco Central não interfere (ex-ante) na fixação da taxa. conforme dito acima. remessas e entrada de capital. conforme exemplos indicados a seguir: . pode-se considerar que toda entrada de divisas corresponde a um crédito e toda saída a um débito. Principais Regimes Cambiais 1) Câmbio Fixo: o Banco Central fixa a taxa de câmbio e realiza todas as intervenções no mercado que sejam necessárias para manter a taxa estabelecida. O preço do real em relação ao dólar deve crescer e a quantidade de reais que se compra com um dólar deve ser menor. é bastante comum a apresentação de balanços trimestrais e até de contas mensais. Esses aumentos fazem com que a taxa de câmbio se modifique. Inversamente. aumento dos investimentos norte-americanos no Brasil significa aumento na oferta de dólares e também um aumento na demanda por reais. haverá redução no saldo de exportações e aumento no saldo de importações. 2. 2) Câmbio Flutuante (flutuação limpa): o Banco Central não interfere na determinação da taxa de câmbio. Ocorrendo variação para baixo nas taxas cambiais. por exemplo.1.

. Erros e Omissões Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C) D. são verificadas cada uma das contas acima: A.3. Transportes e Seguros A. Balança de Transações Correntes — procura resumir a diferença entre o total das exportações e das importações tanto de mercadorias como de serviços.País A . Atrasados Comerciais A seguir.1.2. A forma mais usual é a que segue: Balanço de Pagamentos .2.2. por isso. o país necessita de buscar investimentos no estrangeiro (aumentando o controle de estrangeiros sobre emprendimentos no país). Balança Comercial A. Balança de Serviços (Invisíveis) A.2.1.4. Operações de Regularização D. Balança de Capitais B. Rendas de Capital (lucros e juros) A.2.1.1. Viagens Internacionais e Turismo A. A.1. Tranferências Unilaterais B.4. Reinvestimentos B. As transações dessa balança são as que afetam diretamente a renda nacional e.3.1. Transações Compensatórias D. Investimentos B.3. Amortizações C. para investimento do país no exterior (aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior) ou para aumentar as reservas do país. Se tal conta for deficitária. Balança de Transações Correntes A.3. de contrair empréstimos no exterior (aumentando o endividamento do país) ou de reduzir as reservas de divisas internacionais. sendo também incluído o saldo de Transferências Unilaterais do período. Empréstimos e Financiamento de Longo e Médio Prazo B.Ano 19xx.2 Importações A.77 Débitos: Importações de Bens e Serviços Pagamentos de doações e indenizações Pagamentos de capital emprestado Reembolsos de capital a estrangeiros Compras de ativos de estrangeiros Créditos: Exportações de Bens e Serviços Recebimentos de doações e indenizações Recebimentos de empréstimos Recebimento de reembolso de capital Vendas de ativos para estrangeiros Várias são as maneiras de se apresentar um Balanço de Pagamentos. Diversos A.1 Exportações A.2.2. Empréstimos a Curto Prazo B.2. são consideradas as mais importantes do Balanço de Pagamentos. o país estará recebendo recursos que podem ser utilizados para pagar compromissos assumidos anteriormente (diminuição do endividamento externo). Se essa conta for superavitária. Variação de Reservas (haveres no exterior) D.5.

Viagens Internacionais e Turismo — representam o saldo das receitas e despesas de turistas. Os lucros de empresas estrangeiras. essa conta mostrou-se deficitária nos anos 70. A Balança de Serviços brasileira sempre mostrou-se deficitária.2. A. Transportes e Seguros — são o saldo das receitas e despesas efetuadas com fretes e prêmios de seguros. Balança de Serviços — representa as negociações internacionais dos chamados bens invisíveis e os rendimentos de investimentos. observou-se uma reversão neste quadro com o surgimento de superavits significativos.1. o deficit cresceu substancialmente em decorrência dos juros pagos ao exterior. além de seu custo. já que as despesas com seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços. insurance and freight). quando ocorreu o primeiro choque do petróleo e caíram os termos de troca. Com a crescente importância dos serviços e dos rendimentos de capital (pagamentos de juros e remessas de lucros). com destaque para 1974. será deficitária.2. Diversos — incluem o saldo de diversas transações como: dispêndios efetuados com representações diplomáticas no exterior (e as transferências dos demais países para os gastos de suas representações diplomáticas no país). Para efeito de Balanço de Pagamentos. filmes. dentre as quais destacam-se: A. a balança comercial passou novamente a apresentar saldos negativos. Existem as exportações e importações FOB (free on broad). a Balança de Transações Correntes passou a ser assim decomposta: A. Rendas de Capital — são rendas referentes aos rendimentos de capital auferidos ou pagos pelo país. No caso brasileiro. também devem ser contabilizados como débito nessa conta. onde se inclui no valor das mercadorias. a Balança de Transações Correntes foi praticamente identificada com a Balança Comercial.2. Na década de 80. especialmente a partir de 1983. Existem pelo menos duas maneiras de se contabilizar o valor das exportações e importações. consumindo grande parte do superavit da balança comercial.4.3. caso não haja alteração significativa na condução da política econômica. o frete e o seguro do seu transporte até o destino.78 Por muito tempo. Estão incluídos os juros pagos ao exterior por empréstimos ou financiamentos recebidos de não-residentes (e os juros recebidos do exterior por empréstimos ou financiamentos concedidos por residentes) em um momento anterior. recebimentos e pagamentos referentes a royaltes. Balança Comercial — inclui basicamente as exportações e as importações de mercadorias. se ocorrer o contrário. Possui uma série de subcontas.2. raiz da crise da dívida externa. a balança comercial do país será superavitária. aluguel de equipamentos. que não foram remetidos. . Com a implementação do Plano Real. comissões. Durante a década de 80. Também estão incluídos os lucros remetidos por empresas nacionais no exterior (crédito) e os lucros das empresas estrangeiras no país (débito). Se as exportações forem maiores que as importações. patentes.2. assistência técnica. e as exportações e importações CIF (cost. onde as despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque da mercadoria. No final dos anos 70 e início dos anos 80. na rubrica (re)investimentos de estrangeiros no Brasil. os juros enviados situaram-se em torno de US$ 10 bilhões anuais. utiliza-se as exportações e importações FOB. A. A. porém esses lucros são considerados reinvestidos e significarão também uma entrada (crédito) na balança de capital. A. cenário que deve ser mantido por mais alguns anos.1.2.

ou seja. Transações Compensatórias — ao somatório de A + B + C corresponderá um valor igual nessa conta. quando a soma for negativa. referentes a empréstimos e financiamentos tomados no exterior. B. c) doações de governos. o que impede a equivalência perfeita entre os créditos e os débitos (mesmo levando-se em consideração as transações compensatórias).5. D. indicada por um débito. e os pagamentos do principal feitos por não-residentes. Investimentos — referem-se ao capital de residentes no país aplicados no exterior. um deficit no balanço poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país.2. Variação de Reservas — registra a variação nos haveres em moeda estrangeira e ouro possuídos em reserva pelo país. B. Assim. Empréstimos e Financiamentos de Longo e Médio Prazos e B. a fim de cobrir os erros estatísticos cometidos e as transações não registradas. além dos financiamentos obtidos na cobertura de importações e concedidos quando das exportações. recorre-se a empréstimos destas instituições com o objetivo de cobri-lo. indicada por uma conta credora no item variação de reservas. assim como os investimentos feitos por nãoresidentes no país.3. de modo a equalizar os débitos e créditos no balanço. sendo superavit quando a soma for positiva e deficit. um aumento das reservas. Amortizações — onde registram-se os pagamentos do principal. haverá uma entrada de divisas. Transferências Unilaterais — referem-se a pagamentos sem contrapartida de um país para outro: a) remesssas feitas por não-residentes no Brasil ao seu país de origem (débito). . Empréstimos de Curto Prazo — registram os empréstimos recebidos do exterior e concedidos para outros países. De modo geral. referentes a empréstimos e financiamentos concedidos pelo país ao exterior.1. organismos internacionais etc. C. Essa rubrica do balanço de pagamentos inclui: B.79 A. Ao contrário — quando o balanço for deficitário — essa conta será credora. (crédito/débito). como para empresas e indivíduos. B. Desse modo. esse item entra no balanço de pagamento. Os principais itens dessa última rubrica são: D. inúmeras contas são registradas com valores estimados. Erros e Omissões — essa conta surge em função de equívocos existentes no registro das operações do país com o exterior. sejam esses investimentos diretos ou de carteira. porém com sinal contrário.4. D. Na verdade. Somados todos os saldos das contas mencionadas (A + B + C) obtem-se o Resultado do Balanço de Pagamentos. a conta de Transações Compensatórias será devedora.2. quando há deficit no balanço de pagamentos. b) recebimentos de residentes fora do País (crédito). como o FMI. Operações de Regularização — são operações realizadas com instituições internacionais. B. Desse modo.3. há uma variação negativa no volume de reservas. Se o balanço for superavitário. Reinvestimentos de empresas multinacionais já instaladas no país que reinvestem parte do lucro. em caso de o balanço ser positivo (indicando a entrada de recursos). tanto para governos.1. Movimento de Capitais — agrupa as contas que representam modificações nos direitos e obrigações de residentes no país para com não-residentes.

em termos monetários nacionais.Controle das operações cambais Outros Instrumentos: . . Questões conceituais: 1. Qual o saldo em transações correntes. d) Quando o valor das exportações supera o das importações dizemos que há uma balança comercial ativa. . No que se refere especificamente as exportações é falso afirmar que: a) a desvalorização da moeda nacional e o incremento da renda internacional elevam as exportações.metálico b) gold-points c) pontos de compensação d) relação de troca e) taxa de câmbio . e) Quando o valor das importações supera o das exportações há uma balança passiva. b) quando as exportações são superiores às importações a economia apresenta um superávit comercial. c) Balança Comercial registra o movimento de exportações e importações de mercadorias. 2.Fixação de quotas setoriais de comércio. 4. INSTRUMENTOS DE AJUSTE DO BP Instrumentos Cambiais: . d) as exportações elevam a eficiência econômica. Balança de Serviços: 10. 5. de acordo com a teoria econômica convencional. Quando um país necessita aumentar o volume de exportações de determinado produto para importar a mesma quantidade de bens em relação a outro país. Transferências Unilaterais: . b) As transações de capital englobam os créditos e débitos resultantes de todas as transações comerciais realizadas. Atrasados Comerciais — dizem respeito aos empréstimos que não foram pagos na data de vencimento.Imposição de proteção não tarifárias. c) quanto maior as exportações menor o produto da economia. e) quanto maior as exportações maior o produto de uma economia. indicando o preço. Assinale a alternativa incorreta: a) As transações correntes englobam os fluxos reais de bens e serviços e os pagamentos correspondentes às receitas e despesas realizadas. Movimentos de Capitais Autônomos: 200.Administração da taxa de câmbio .80 D. Relação entre o valor de duas unidades monetárias. da divisa estrangeira correspondente: a) par. Erros e Omissões: 0. 4.3. Para uma economia hipotética A são dados (em US$ milhões): Balança comercial: 100. pode-se dizer que: a) há um incremento nas suas relações de troca b) há estabilidade nos seus termos de troca c) ocorreu aumento nos termos de troca entre eles d) há uma deterioração nos termos de troca e) os termos de troca nunca variam 3.Imposição de tarifas alfandegárias de proteção.30.

ingressam no país. US$ 70 milhões em forma de bens de capital. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país.000 c) donativos recebidos: 100 d) donativos enviados: 50 e) fretes pagos: 100 f) fretes recebidos: 50 i) amortizações pagas: 1. 2.81 6. d) o saldo total do balanço de pagamentos. e) O Brasil importa. mercadorias no valor de US$ 100 milhões. sob a forma de investimento direto. Com base nestas operações. financiados a longo prazo por um banco alemão. Com base nessas informações: a) Monte o BP. v. iii. Atualmente o regime cambial é de: a) Flutuação limpa. em moeda estrangeira. c) Uma agência de turismo brasileira efetua pagamentos a uma cadeia de hotéis norte-americana no valor de US$ 20 milhões. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. ingressam no país.000 m) remessa de lucros e dividendos: 500 Com estas informações elabore o Balanço de Pagamentos da economia hipotética.000 b) importação de mercadorias: 6. c) o saldo na balança em transações correntes. US$ 180 milhões em automóveis coreanos.000 l) empréstimos recebidos do exterior: 1. Além disso. mercadorias no valor de US$ 110 milhões. b) o saldo da balança de serviços.Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares): i. d) Uma montadora francesa de automóveis investe US$ 100 milhões na construção de uma fábrica no Paraná. recebendo à vista. f) O Brasil paga ao exterior US$ 50 milhões em fretes. explique se a atual forma de financiamento do saldo das transações correntes será prejudicial para o comportamento futuro do BP. . ii. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros. vii. viii. b) Banda cambial explícita c) Câmbio fixo d) Câmbio flutuante com intervenção e) Câmbio flutuante sem intervenção Questões aplicadas: 1. h) Uma companhia aérea norte-americana realiza uma compra à vista de aviões brasileiros no valor de US$ 150 milhões. o país importa. 3 – Admita que as seguintes operações foram realizadas entre o Brasil e o exterior em um dado período: a) Um grupo japonês realiza investimento de US$ 500 milhões em razão da privatização da Vale do Rio Doce. A recente crise financeira que se instalou no Brasil é fruto de sérios problemas externos e teve como consequência a alteração do regime cambial (janeiro/1999).000 j) juros pagos: 500 k) investimento estrangeiro direto no país: 1. o país paga ao exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. iv. referentes a serviços de hospedagem de turistas brasileiros. g) O Banco Central obtém empréstimo junto a um banco norte-americano a fim de financiar o pagamento de juros vincendos no valor de US$ 80 milhões. o país exporta. US$ 80 milhões. construa o balanço de pagamentos e determine e interprete: a) o saldo da balança comercial. sob a forma de investimento de curto prazo. i) Uma indústria brasileira de autopeças importa maquinário da Alemanha no valor de US$ 60 milhões. vi. pagando à vista.São dados para uma economia hipotética os seguintes dados do Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) a) exportação de mercadorias: 5. b) Companhias estrangeiras instaladas no Brasil remetem lucros de US$ 50 milhões ao exterior. pagando à vista.

Auditor Fiscal do Tesouro Nacional (AFTN) e Banco Central do Brasil (BACEN): 1) (AFRF. Balança de Serviços A.2. Explique essa afirmação usando os resultados do BP para 1994.1. Considere os seguintes resultados do BP brasileiro para os anos de 1994.558 14. Transferências unilaterais correntes TRANSAÇÕES CORRENTES (A1+A2+A3) B. Conta Capital e Financeira Conta capital Conta financeira Investimento direto Investimento brasileiro direto Investimento estrangeiro direto Investimentos em carteira Investimento brasileiro em carteira Investimento estrangeiro em carteira Derivativos Outros investimentos C.82 b) Encontre o saldo da balança comercial.3. o saldo da conta de capital e financeira e o resultado do balanço de pagamentos. b) Qual a alternativa para o Brasil equilibrar as contas do BP? Explique.748 -34.970 2005 44. Erros e Omissões RESULTADO DO BP (A+B+C) Fonte: Banco Central do Brasil -6575 51140 -57714 -28299 1458 -33416 29702 320 29381 26002 -2854 28856 18125 -457 18582 -460 -14285 -4256 -7970 a) Identifique os principais problemas do balanço do pagamentos do Brasil no ano de 1998.416 29.215 Fonte: Prof. Erros e omissões 334 Resultado do BP 7.692 C.319 Pede-se: a) Qual a principal mudança nos resultados das contas do BP nesses diferentes anos? Explique. Balanço de Serviços -33. então. que TC = .2. 4 – Considere o balanço de pagamentos abaixo (Brasil . Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) Discriminação 1994 A. 1996) Os déficits no balanço de pagamentos de um determinado país .458 -33. Balanço em transações Correntes A. Balanço Comercial (FOB) 10. Solange Marin a partir de dados do Banco Central do Brasil 1998 -6. b) A estrutura do BP mostra que a soma do saldo em transações correntes e do movimento de capitais deve ser igual a zero (TC + K = 0 e. 1998 e 2005. Questões retiradas de concursos para Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF).811 B.702 -4.193 -9.ANO 1998 em US$ milhões) A – Balanço de Transações Correntes A. 5.113 3. Transferência Unilateral 2. Movimento de Capitais 8.256 -7.3.299 1. 1998 e 2005.079 A.414 Saldo em Transações Correntes -1.593 -280 4.466 A.575 -28.K). o saldo em transações correntes.1. Balança comercial (fob) Exportação de bens Importação de bens A.

de déficits nas transações correntes (comércio visível e invisível). reduzindo as receitas. quanto sobre as importações. não se pode fazer a seguinte afirmativa: a) Balança de pagamento é um registro contábil de todas as transações de um país com os outros países do mundo. 2) (AFRF. 6) (BACEN. e) um índice que serve para medir o nível de participação de um país no comércio internacional bem como o grau de diversificação de seus produtos e parceiros. como o Mercosul. na outra como débito. etc. 5) (AFTN. de acordo com a natureza da operação. as receitas líquidas de exportações deste país. entre outros.83 a) decorrem fundamentalmente de déficits comerciais. enquanto o preço das manufaturas tende a crescer. como débito ou crédito. mas também dependem do nível de reservas internacionais de que dispõe este país. 3) (AFRF. uma vez como crédito e uma vez como débito. assistências técnicas. especialmente no que se refere ao regime tarifário. que aumentam a competitividade mas tornam o produto exportado relativamente barato. . c) ocorrem como consequência da elevação das taxas de juros internacionais. 2000) Sobre balanço de pagamentos. e os juros que o Brasil paga pelos empréstimos fornecidos por outras nações. que incidem tanto sobre as exportações. em casos muito particulares. c) as condições de comércio estabelecidas entre duas nações. d) diferenças entre as exportações e as importações de um dado país e outros. d) o padrão de comércio entre dois países em termos de reciprocidade de estrutura tarifária. e) Na balança de capitais são registrados o capital das firmas estrangeiras que ingressam no país sob a forma de empréstimos. 2002) Segundo o critério de partidas dobradas. c) A balança comercial e a balança de serviços formam a “balança de transações correntes”. c) relação entre preços recebidos pelas exportações de um país e os preços pagos pelas importações. para os vários grupos de produtos. O que implicará a capacidade de importar. países com baixos níveis de proteção tarifária apresentam-se deficitários. o registro de toda transação internacional no balanço de pagamentos a) é realizado duas vezes. Os empréstimos de outros governos para o governo brasileiro. lucros e royalties. é correto dizer que: a) as amortizações de empréstimos figuram na conta “movimento de capitais”. empréstimos do FMI. assim. em geral. Por esta razão. d) decorrem. serviço de transporte (fretes). d) A balança de serviços inclui. b) os atrasados e os empréstimos de regularização figuram na conta de “erros e omissões”. 1996) Termos de troca é uma expressão que designa: a) uma relação entre os preços pelos quais um país vende suas exportações em relação aos preços que esse país paga por suas importações. mas podem ocorrer. reduzindo. enquanto países com níveis elevados de proteção dificilmente apresentam este tipo de problema. em uma das contas do balanço de pagamentos. b) é realizado apenas uma vez como crédito ou débito. e) é realizado apenas uma vez. d) é realizado simultaneamente na conta de transações correntes e na conta de capital em uma delas como crédito. b) A balança de pagamento deve estar sempre em equilíbrio . 4) (AFTN. remetidos pelas empresas transnacionais. e) são consequência da falta de proteção adequada ao mercado interno deste país. que se tornam relativamente mais caras para este país. b) decorrem de desvalorizações cambiais. b) lei segundo a qual os preços dos produtos tendem a permanecer estáveis ou a declinar ao longo do tempo. em função de fluxos inesperados nas contas de transferências e /ou de capitais deste país. 1998) Considerando a estrutura do BP. c) é realizado duas vezes na conta corrente ou na conta de capital. b) forma contratual de comércio utilizada em sistemas regionais. 1998) O conceito de termos de troca refere-se à: a) relação de produtos trocados entre dois países.

-60. +165. sob a forma de investimentos de curto prazo. o saldo do balanço de serviços.84 c) as transferências unilaterais não figuram na estrutura do balanço de pagamentos. do balanço de serviços e dos movimentos de capitais autônomos. e) + 80. sob a forma de investimento direto. os juros e os lucros fazem parte dos movimentos de entrada de recursos no país. e) o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente é igual ao saldo do balanço comercial. o país importa. d) o pagamento de seguros. respectivamente: a) –80. apesar de serem contabilizadas pelo Banco Central para fins de controle de entrada de recursos no país. o saldo do balanço de pagamento em conta corrente e o saldo total do balanço de pagamentos são. +320. mercadorias no valor de US$100 milhões II. +110. VIII. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. -65. Com base nestas operações. o país paga para o exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. US$ 80 milhões V. + 35 b) –10. . o país exporta. VII. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. -45. em moeda estrangeira. -50. 1998) Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares) I. recebendo à vista. -115. +105. 7) (BACEN. c) –10.120. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros VI. mercadorias no valor de US$ 110 milhões III. ingressam no país. +40. +60. -65. pagando à vista. a) –80. pode-se afirmar que o saldo do balanço comercial. -60. . ingressam no país. US$ 70 milhões em forma de bens de capital IV.

recomendou a adoção mundial do . que vigorou até a I Guerra Mundial e o Sistema de Bretton Woods. Os principais sistemas monetários internacionais já adotados foram: O Sistema PadrãoOuro. O Padrão-Ouro: conceito e mecanismo de ajuste do valor das moedas Vários autores destacam que é mais fácil determinar o período em que o padrão ouro chegou ao fim – 1914 do que a data efetiva de sua origem. O que se sabe é que não existia em 1870. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. as paridades entre as principais moedas oscilaram de forma pronunciada. Sistema Monetário Internacional É o conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. Os países adotavam taxas fixas ou flutuantes de acordo com suas conveniências. no período Pós. portanto entre as diversas moedas. Mas.Eliminação do déficit Os desequilíbrios do BP eram resolvidos por meio de transferências internacionais de ouro.saída de capital . e o equilibro era obtido pelo impacto dos fluxos de ouro sobre o sistema econômico interno. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial: As diferentes unidades monetárias utilizadas no pagamento das trocas internacionais fizeram com que fosse necessário operacionalizar um sistema monetário internacional.II Guerra Mundial até 1971. Na prática isso significava que um padrão-ouro estabelecia uma paridade fixa entre cada moeda e o preço do ouro.saída de ouro . O Padrão-Ouro vigorou na sua forma original até 1914. portanto. existia: a) a unidade comum entre os países era o ouro. as pressões inflacionárias em quase todos os países levaram à escassez relativa de estoques de ouro. nas relações econômicas internacionais. b) havia a conversibilidade das moedas em ouro. Isso estimulou as autoridades de diversos países a buscar a volta da estabilidade obtida nos vinte anos anteriores à guerra. o seu valor correspondente em ouro. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. É importante destacar que nos anos imediatos após o fim da guerra (1919-23). assim como os conturbados anos do período entre guerras.queda de preços .85 A INSTITUCIONALIDADE NO CENÁRIO INTERNACIONAL ORGANISMOS INTERNACIONAIS As grandes Guerras Mundiais. por conseguinte. As moedas nacionais emitidas tinham. mas operava plenamente em 1900. início da Primeira Guerra Mundial: Nesse sistema. O mecanismo de ajuste do Balanço de Pagamentos no Padrão-Ouro: Déficit no BP . Já ao final da II Guerra Mundial. O intervalo entre as duas Guerras Mundiais Durante o período entre as Guerras Mundiais não existiu nenhum sistema monetário internacional. Para superar essa escassez o Comitê Financeiro de Conferência de Genebra na Convenção de Gênova (1922). O Objetivo do sistema é viabilizar as transações entre países. e.

Desta conferência nasceu um novo sistema monetário internacional. em 1931. surgiram algumas propostas de remodelagem do sistema monetário internacional. Surgiu o sistema de câmbio-ouro (gold exchange standard). Nesse sentido. o Fundo Monetário Internacional (FMI). A tradução de BIS é “Banco Internacional de Pagamentos”. com consequências sobre a liquidez e o ritmo de atividade interna. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial. O Sistema de Bretton Woods: a Reforma do Sistema Monetário Internacional As grandes Guerras Mundiais. Tais eram as preocupações presentes nos últimos anos da II Guerra Mundial. para administrar os pagamentos. o Banco Mundial e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). fez a Inglaterra sair do padrão-ouro e desvalorizar a libra esterlina. infelizmente fracassou.86 padrão-ouro. que foi extremamente importante para o reflorescimento do comércio mundial e sobre o qual se baseou o crescimento econômico do pós-guerra. Já ao final da II Guerra Mundial. nas relações econômicas internacionais. Sistema de Bretton Woods O Sistema de Bretton Woods foi definido em 1944 ao fim da II Guerra Mundial com o objetivo de determinar as regras econômicas internacionais que deveriam vigorar no pósguerra. sua forma de controle. Foi criada a Liga das Nações que. no qual os países adotariam como reservas monetárias. Na Conferência de Bretton Woods. Foram criadas as quatro principais instituições econômicas do pós-guerra: o Sistema de Taxas de Câmbio de Bretton Woods. Elas formam o aparato institucional que mantém as relações entre as diversas economias. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. o grau de liberdade dos capitais privados e a institucionalidade que garantirá o funcionamento desse sistema. relativos aos Acordos Young. Nesse período entre as duas grandes guerras. com o aumento de seu desequilíbrio externo e a saída de ouro. Sua principal finalidade era promover a cooperação dos principais bancos centrais do mundo motivo por que ele é considerado Banco Central dos Bancos Centrais. Em 1930. outras moedas conversíveis. Mas. define-se o ativo (moeda) de reserva internacional. O Sistema de Bretton Woods consagrou a gestão de taxas de câmbio chamada de . A expressão sistema monetário internacional refere-se ao conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. os mecanismos de financiamento e ajustamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos. assim como os conturbados anos do período entre as guerras. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. secretário do Tesouro dos EUA. foi criado o BIS (Bank For International Settlements). com sede na Basiléia. quando se via no comércio mundial um importante instrumento para potencializar o desenvolvimento do mundo capitalista. Dentre elas destacaram-se as do economista inglês John Maynard Keynes e as de Henry White. além do ouro. embora tivesse semelhança com a atual ONU. A referência mais importante é o retorno da Inglaterra ao padrão-ouro em 1925. foram feitas algumas tentativas de preservar a paz mundial e auxiliar o crescimento econômico. O objetivo de um Sistema Monetário Internacional é viabilizar as transações entre os países. que prevaleceu. Suíça. sua relação com as diferentes moedas nacionais (o regime cambial). devidos pela Alemanha a título de reparação de guerra. por conseguinte.

a solução para o problema do dólar só poderia ocorrer por meio de modificações na paridade do dólar. 2) Os EUA ficavam obrigados a converter os dólares em ouro a uma cotação fixa (sistema de câmbio fixo em relação ao ouro e entre moedas). Já nos anos 50. pois a única moeda a ser conversível em ouro. e era a seguinte questão: para que a expansão do comércio ocorresse. depois de fracassados os ajustes internos possibilitados por política monetária e comercial. sua sustentação era posta em xeque. Essa possibilidade de ajustamento. Porém. o que se verificou foi um forte crescimento econômico. Assim. o crescimento também não ocorreria. sistemáticos. Esta falta de definição de uma regra básica para o ajuste entre as economias é apontada como uma das causas da falência do sistema. quando se verificasse um desequilíbrio fundamental. Os pontos essenciais de Bretton Woods: 1) O novo sistema internacional teria como ativo comum a moeda norte-americana. porém. . e essa era a única moeda que manteria sua conversibilidade em relação ao ouro. porém com uma contínua perda de confiança no sistema. a uma taxa de câmbio fixa (não havia limitações à mobilidade de capital). Se esses déficits fossem. O dólar tinha uma paridade com o ouro e as demais moedas com o dólar. que procurava flexibilizar o Padrão-Ouro. se não houvesse injeção de liquidez. Por outro lado. era a principal distinção entre o sistema de Bretton Woods e o Padrão-Ouro. o que significaria alterar a relação dólar-ouro ou abandonar o sistema das taxas fixas de câmbio. 3) Regime de taxa de câmbio fixa entre os países e 4) Gold exchange standard: paridades das várias moedas estabelecidas em termos de ouro ou dólares. Foi estabelecido o dólar como moeda internacional. havia a possibilidade de se reajustar a taxa de câmbio quando uma moeda nacional apresentava uma tendência demasiadamente forte de se afastar do seu valor estabelecido em relação ao dólar. por conseqüência. e se os ativos em ouro norte-americanos fossem constantes (na verdade eram cadentes). A solução para o problema só poderia ocorrer depois que fosse sanado o déficit comercial norte-americano. a base dos acordos de Bretton Woods ruiria. Essa injeção de liquidez se fazia a partir de déficits externos dos EUA. a confiança na conversibilidade do dólar e. Ainda assim. Este paradoxo decorreu de um trabalho publicado por Triffin em 1960. sendo as outras moedas nacionais livremente conversíveis em dólar. Problemas com a liquidez internacional: o “dilema de Triffin” Nas três décadas que se seguiram à II Guerra Mundial. base do sistema monetário internacional anterior à I Guerra Mundial.87 padrão dólar-ouro. Na ausência de uma moeda universal. A questão conhecida como "Paradoxo de Triffin". era necessário o crescimento das reservas mundiais em dólares (a fim de não haver crises de liquidez internacional). a economia e o comércio internacional prosperaram com base no dólar e nesse sistema. a variação cambial deveria ser adotada na hipótese de um “desequilíbrio fundamental” nunca definido de forma clara. Os Problemas do sistema de Bretton Woods: A falta de mecanismos de ajuste adequados O sistema de Bretton Woods permitia o recurso a uma desvalorização cambial como última instância.

Originalmente. marco alemão. Os DES. com a política expansionista (keynesiana) da década de 60 e os conseqüentes aumentos nos déficits público e comercial americanos. A partir dessa época. com o rompimento da conversibilidade do dólar em relação ao ouro. Seu fim foi decretado por Nixon em 1971. os DES são emitidos pelo FMI e alocados entre os países-membro do Fundo na proporção de suas quotas.e subsequentemente em relação à convertibilidade entre o dólar e outras moedas (as cotações deixaram de ser feitas exclusivamente em termos da paridade à moeda norte-americana). e novamente em 1981 o valor dos DES foi redefinido como uma média ponderada das paridades do dólar. iene. Ou seja. Desde então. principalmente em relação ao ien e ao marco alemão. Houve uma grande desvalorização do dólar. a menos que haja decisão favorável nesse sentido por parte de ao menos 80% dos países do Fundo. conhecidos internacionalmente por SDR (Special Drawing Rigths) foram a solução adotada a partir de 1967 com o propósito de elevar o estoque de reservas internacionais. a paridade inicial de um para um com o dólar foi finalmente alterada. baseada em taxas flutuantes de câmbio. a partir de 1974. mas à mesma paridade do dólar.88 A criação dos Direitos Especiais de Saque (DES) As discussões sobre a reforma do sistema monetário internacional durante a década de 60 estiveram centralizadas na idéia de tornar as reservas internacionais administráveis sob algum tipo de controle central. a desvalorização da libra (1967). ou seja.quando foi suspensa a convertibilidade do dólar em relação ao ouro . O volume dos DES é controlado pelo FMI e não pode ser ampliado. que as mantivesse protegidas de fatores adversos. enquanto outros países – sobretudo europeus – procuravam formas de evitar as facilidades encontradas pela economia norte-americana em manter posições deficitárias por longos períodos de tempo. para ser uma função de uma cesta de dezesseis moedas (com predominância do dólar). . Os Estados Unidos buscavam mecanismos para evitar variações bruscas na paridade ouro-dólar. Essas foram as motivações de longo prazo subjacentes à criação dos Direitos Especiais de Saque (DES). seguiu-se um período de forte instabilidade. e o estoque inicial foi alocado entre os diversos países de acordo com suas quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI). O Fim de Bretton Woods As condições de conversibilidade oficial estabelecidas originalmente no sistema de Bretton Woods esgotaram-se em agosto de 1971. cada unidade de DES equivaleria a 35 onças de ouro. franco francês e libra esterlina. o valor dos DES foi definido em termos de ouro. depois de 1973. Mas. o mercado duplo de ouro (1968) e as crises especulativas do final da década foram passos no caminho de destruição do sistema montado em Bretton Woods. A questão se acirrou com as guerras da Coréia e do Vietnã. perdeu importância. que. apesar de ainda ser a principal reserva internacional.

a compra de divisas estrangeiras em troca de ouro ou de sua própria moeda nacional. O Banco tem seu capital subscrito pelos países na proporção da sua importância econômica. Estados Unidos. Japão. Ocorrendo desequilíbrio no BP de um país associado ele recorrerá ao FMI. que consistirá em restabelecer a viabilidade do BP. isto é. A maneira como o Banco opera na maior parte dos programas é levantando recursos junto ao mercado financeiro a taxas preferenciais e emprestando aos países a essas taxas. contudo. porque foi a solução encontrada diante da tentativa frustrada do Congresso norte-americano em criar uma Organização Internacional do Comércio. constituíam-se inicialmente de reservas em ouro e em moedas nacionais dos países membros. acrescidas de uma margem para cobrir custos operacionais: desse modo. O FMI não concede empréstimos. A estabilidade financeira interna e o combate à inflação nos países membros é uma de suas metas. O crédito obtido pode ser em moedas estrangeiras ou em Direitos Especiais de Saque (DES). Quando esses desequilíbrios ocorressem. Alemanha. criou-se um novo ativo de reserva internacional. O FMI tem sede em Washington. Seu capital é composto pelas quotas constituídas pelos países associados. esse papel ficou a cargo do chamado Plano Marshall. com o intuito de desenvolver projetos economicamente viáveis e relevantes para o desenvolvimento desses países (especialmente projetos de infra-estrutura). eliminando práticas discriminatórias e restritivas aos pagamentos multilaterais. com o compromisso de recomprar a sua moeda em ouro ou em divisas conversíveis. que eram emprestados. mas que não obtêm financiamento no setor privado. Na prática. . O país. integralizadas em ativos de reservas (Direitos Especiais de Saque) e em moeda nacional do país associado. Seus ativos. GrãBretanha e França. Posteriormente. Maiores quotistas: Estados Unidos. eliminando ou reduzindo as causas que motivaram o desequilíbrio. Além disso. Fundo monetário internacional O Fundo Monetário Internacional foi criado com os objetivos de: a) evitar possíveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade financeira.89 A institucionalidade criada em Bretton Woods (1944) Foram criadas duas instituições financeiras internacionais muito importantes. A partir desse capital. os Direitos Especiais de Saque (DES). o Banco empresta com taxas reduzidas de juros para países menos desenvolvidos. o Banco provê crédito em condições preferenciais a países que dificilmente teriam acesso a essas condições por meio dos mecanismos de mercado. b) socorrer os países a ele associados quando da ocorrência de desequilíbrios transitórios nos seus balanços de pagamentos. que estabelecerá um programa de ajuste. Essa quota-parte é fixada em função do peso econômico do estado. o FMI poderia financiá-los com os empréstimos compensatórios. o Banco também funciona como avalista de empréstimos efetuados por capitais particulares para esses projetos. para utilizar os recursos do FMI tem direito de saque. dentre as quais estão o FMI e o Banco Mundial ou BIRD. Banco Mundial ou BIRD O Banco Mundial ou BIRD .Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento foi criado com o objetivo de auxiliar a reconstrução dos países europeus devastados pela guerra. O GATT também é mencionado. tendo em vista seu desenvolvimento industrial e sua participação no campo financeiro internacional. e o Banco passou a lidar com a promoção do desenvolvimento dos países subdesenvolvidos.

cujo objetivo básico é a redução das restrições ao comércio internacional e a liberalização do comércio multilateral. O GATT estabelece como princípios básicos: a redução das barreiras comerciais. Através do GATT. Atuou especialmente através de sucessivas rodadas de negociações entre os países envolvidos no comércio internacional e conseguiu.Acordo Geral de Tarifas e Comércio. . foi criado o GATT .90 GATT Alguns anos depois da Conferência de Bretton Woods. no pós-guerra. procurava-se estruturar um conjunto de regras e instituições que regulassem o comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países. a não-discriminação comercial entre os países. a compensação aos países prejudicados por aumentos nas tarifas alfandegárias e a arbitragem dos conflitos comerciais. reduzir as barreiras impostas a esse comércio através de impostos alfandegários e cotas de importação.

Método e Economia Positiva . A análise da escassez de recursos e das ilimitadas necessidades humanas conduz à conclusão que a economia é uma ciência ligada a problemas de escolhas. isto é. a fim de satisfazer as ilimitadas necessidades humanas.Teorias/Modelos .91 CAPÍTULO 7 – NOÇÕES DE MICROECONOMIA O que veremos: Princípios Básicos Mercado: Oferta e Demanda Conceito de Elasticidade Estrutura de Mercado Princípios Básicos O que Quanto Como Para quem Economia (Ciência Social) Escassez Escolha Produzir .Escassez .Análise Marginal 1.Bens produzir .Diferentes técnicas Como Fazer? .Custos .Necessidade humana: qualquer manifestação de desejo que envolva a escolha de um bem econômico capaz de contribuir para a sobrevivência ou para a realização social da pessoa. . Porém. .Utilidade: a capacidade que um bem tem de satisfazer uma necessidade humana.Bem: tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. produzir o máximo de bens e serviços com os recursos disponíveis de cada sociedade. O conceito de escassez econômica deve ser entendido como a situação gerada pela razão de produzir bens com recursos limitados. Por que os bens são procurados. . ESCASSEZ Em economia tudo se resume a uma restrição física – a lei da escassez. Daí surgem os conceitos: . somente existirá escassez se houver um demanda para a aquisição de bens. Um bem é demandado porque ele é útil.

Qual será o custo de oportunidade da tarefa B? Suponhamos uma economia em que haja certo número de pessoas. COMO MEDIR O CUSTO DE OPORTUNIDADE Intuitivamente: O proprietário de uma empresa que contratar gerentes. a tarefa B = $ 75 e a tarefa C = $ 50. Considerem todos essas dados constantes. certa técnica de produção.Para simplificar nossa análise. com o pleno emprego dos recursos disponíveis. Fora das quantidades máximas. Haverá sempre uma quantidade máxima de carros (camisas) produzidas anualmente. Ao decidir “o que” e “como” produzir. Cada gerente só tem tempo para realizar uma tarefa. A quantidade exata de cada bem depende da quantidade e da qualidade dos recursos produtivos existentes na economia e do nível tecnológico com que sejam combinados. Tabela 1 – Mostra as possibilidades de produção Bens Quantidade máxima Possibilidades intermediárias carros A 150 0 B 140 10 C 120 20 D 90 30 E 70 40 Carros Camisas Quantidade máxima camisas F 0 50 Curva de possibilidades de produção: combinações máximas possíveis de produção de carros e camisas. A tarefa A = $ 100. 2. Custo: valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. o sistema econômico terá decidido como alocar ou distribuir os recursos disponíveis entre as milhares de diferentes linhas de produção possíveis. Escolha Trocas Compensatórias: satisfazer mais de uma necessidade significa satisfazer menos de outra. . quando todos os fatores de produção forem destinados a sua produção e nada for destinado à produção de camisas (carros). A empresa contrata dois gerentes e cada um deles executa uma tarefa.92 Pessoas desejam mais do que pode ser satisfeito com recursos disponíveis. supomos que apenas dois bens deverão ser produzidos: camisas e carros. certo número de fábricas e instrumentos de produção e um conjunto de recursos naturais. existem as combinações intermediárias entre os dois bens.

desistir de produzir um tanto do outro bem. ganham-se 10 milhões de camisas e sacrificam-se 20 mil carros. O custo de oportunidade também pode ser definido como o valor do melhor uso alternativo desconsiderado. sacrificam-se 40 mil carros. Mas. O custo de oportunidade corresponde ao sacrifício do que se deixou de produzir. O valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. porém. decidir pelo seu uso de uma forma significa desistir de usá-lo de outra. até F. o que ocorre quando existir desemprego geral de fatores? A razão da curva de possibilidade de produção (CPP) ser decrescente deve-se ao fato de os recursos disponíveis serem limitados. ganham-se 10 milhões de camisas. o sacrifício de consumir (produzir) menos é ainda muito grande. OU SEJA. para produzir-se mais 10 milhões de camisas Ou então: Custo de oportunidade de passar da alternativa C para B. está ocorrendo a transformação de carros em camisas. O formato da curva mostra que decresce a taxas crescentes.93 Figura . o custo do que não foi escolhido e não o ganho do que foi escolhido. Ao passar de D para E. Essa transformação não é física. Por exemplo. acréscimos . à medida que se está consumindo (produzindo) pouco de um bem. Quando um bem é escasso. Ou seja. ao produzir um bem. significa apenas que estão sendo transferidos recursos da produção de carros para a produção de camisas. isso mostra que a substituição entre a quantidade dos dois bens se torna cada vez mais difícil. para produzir-se mais 20 mil carros } = 20 mil carros } = 10 milhões de camisas As condições para a existência desse custo são os recursos limitados e o pleno emprego de recursos.A – estaria sacrificando toda a de camisas. Custo de oportunidade de passar da alternativa B para C. A curva de possibilidade de produção representa um outro fato: uma economia no pleno emprego precisa sempre. No exemplo acima: a fabricação somente de carros . passando de B para C.Curva de Possibilidades de Produção – CPP (Transformação) camisas F E D C CPP B A 0 carros À medida que se passa do ponto A para B e assim por diante.

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iguais na produção de camisas (10 milhões) levam a queda cada vez maior na produção de carros. Esse fenômeno dos custos crescentes surge à medida que se transferem recursos adequados e eficientes de uma atividade para outra, em que eles se apresentam ineficientes e inadequados. Aqui opera a chamada lei dos rendimentos decrescentes. Assim, se insistir somente na produção de camisas, será necessário recorrer aos soldadores de chapas de aço para passarem a pregar mangas de camisas. A CPP é côncava em relação à origem em virtude da chamada Lei dos custos crescentes: para atrair trabalhadores que estão empregados na produção de camisas e deslocá-los para a de carros, deverão ser oferecidos salários maiores, e vice-versa. O que mais pode ser visto na CPP? - Eficiência
Bens de I

A= capacidade ociosa

*B *A

*C

C = nível impossível de produção B = situação ideal

Bens de C

Teste para determinar a eficiência: veja se para produzir mais de um bem a economia deve produzir menos de outro. Se a resposta for sim, então a economia está produzindo eficientemente e está sobre a sua curva de possibilidades de produção.

- Crescimento Econômico A CPP pode sofrer mudanças que ocasionarão o seu deslocamento para fora ou para dentro. Aqui são destacados três principais fatores de deslocamento: 1. Variações nos fatores considerados constantes determinarão deslocamento para a direita. 2. Variações tecnológicas iguais para os processos de produção dos dois bens deslocarão a curva para a direita e paralelamente. 3. Se a variação tecnológica for maior para o processo de produção de um determinado produto, maior será o deslocamento em relação a esse eixo. Disso, pode-se constatar também, via a curva de possibilidades de produção, o impacto, por exemplo, de um crescimento econômico que deslocará a curva para cima e para a direita.Os fatores que causam o crescimento econômico: aumento do investimento, inovações, maior divisão do trabalho e aumento nos insumos.

3. ANÁLISE MARGINAL No que as pessoas se baseiam para alocar os diferentes recursos escassos de modo a obter o maior valor?

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Análise marginal: análise dos benefícios e custos da unidade marginal de um bem ou insumo. As pessoas desejam maximizar o máximo beneficio líquido (lucro). Beneficio liquido = beneficio total (BT) – custo total (CT) Exemplo: Consumir mais uma pizza. - Encontre o aumento no BT com uma unidade a mais consumida (BMg); - Encontre o aumento no CT com uma unidade a mais consumida (CMg); - Se BMg ≥ CMg = consome mais uma pizza. Beneficio liquido aumenta POIS, BMg = aumento BT CMg = aumento CT Δ BT = BMg - CMg Exemplo: Uma indústria moveleira está produz 30 jogos de cozinha a um custo de $ 30.000 e as vende por $ 40.000. Se produzir a 31º, sua venda total será de $34.000 e seu custo total será $ 32.500. Será que a indústria produzirá a 31º unidade? OBS. A análise marginal, assim como problemas de otimização são ferramentas utilizadas no estudo dos comportamentos de consumidores e de produtores. Os consumidores sempre buscam a maximização de sua satisfação (ou utilidade) ao consumir. Os produtores buscam maximizar seus lucros ou minimizar seus custos ao produzir. Os diferentes comportamentos de consumidores e produtores serão discutidos na disciplina Teoria Econômica. Questões – Conceitos Básicos
1. Explique como os problemas econômicos fundamentais – o que e quanto, como e para quem produzir – originam-se da escassez de recursos produtivos. 2. O que mostra a CPP? 3. Defina custo de oportunidade. O que são custos de oportunidade crescentes? 4. O problema fundamental com o qual a Economia se preocupa é: ( ) a pobreza ( ) o controle dos bens produzidos ( ) a escassez ( ) a taxação daqueles que recebem toda e qualquer espécie de renda ( ) a estrutura de mercado de uma economia 5. Em um sistema de livre iniciativa privada, o sistema de preços restabelece a posição de equilíbrio: ( ) por meio da concorrência entre compradores, quando houver excesso de oferta. ( ) por meio da concorrência entre vendedores, quando houver excesso de demanda. ( ) por pressões para baixo e para cima nos preços, tais que acabem, respectivamente, com o excesso de demanda e com o excesso de oferta. ( ) por meio de pressões sobre os preços que aumentam a quantidade demandada e diminuem a quantidade ofertada, quando há excesso de oferta, e que aumentam a quantidade ofertada e diminuem a demandada, quando há excesso de demanda. ( ) todas as alternativas anteriores são falsas.

96 6. Dada a curva de possibilidades de produção, aponte a alternativa errada:

15 *D *C 10

A

*B

E

0

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( ) a economia não pode atingir B, com os recursos de que dispõe. ( ) o custo de oportunidade de passar de C para D é zero. ( ) o custo de oportunidade de aumentar a produção de X em 5 unidades, a partir do ponto E, é igual a 2 unidades de Y. ( ) nos pontos C e D, a economia apresenta recursos produtivos desempregados. ( ) somente as três primeiras alternativas estão corretas. 7. A Curva de Possibilidades de Produção, quando construída para dois bens, mostra: ( ) os desejos das pessoas perante a produção total desses dois bens. ( ) a quantidade total produzida desses dois bens em função do emprego total da mão-de-obra, ( ) a quantidade disponível desses dois bens em função das necessidades das pessoas dessa sociedade. ( ) quanto se pode produzir dos bens com as quantidades de trabalho, capital e terra existentes e com determinada tecnologia. ( ) a impossibilidade de atender às necessidades dessa sociedade, visto que os recursos são escassos. 8. O que fará com que a CPP se desloque para cima e para a direita? Comente. 9. Se o custo marginal de uma ação excede seu beneficio marginal, por que o beneficio liquido cairá? Questões Aplicadas: 10. A IBM está produzindo 50 laptps a um custo de $50.000 e os está vendendo a $60.000. Se ela produzir uma 51a unidade, sua venda total será igual a $62.000, e seu custo total será de $51.500. Será que ela deve produzir a 51a unidade? Explique. 11. Se uma firma está sujeita aos custos e benefícios mostrados abaixo, quantas plantas deveria construir? Comente. Plantas 1 2 3 Receita em $ (RT) 10.000.000 18.000.000 24.000.000 Custo total em $ (CT) 5.000.000 12.000.000 20.000.000

12. Em uma ilha, um trabalhador pode produzir em uma hora um tapete ou duas cestas. a) Qual o custo de oportunidade de um tapete? b) Suponha que o trabalhador torne-se duas vezes mais eficiente, produzindo em uma hora dois tapetes ou duas cestas. Como mudou o custo de oportunidade de um tapete? 13. A Empresa Justus Ltda treinou o administrador A por um custo de $ 40.000, e o administrador A vale $ 80.000 para a Empresa. Mais tarde a Empresa tem a oportunidade de contratar o administrador B. Esse administrador B custaria $ 40.000 para ser treinado, mas valeria $ 100.000. Porém, para contratar o administrador B a Empresa deve demitir o funcionário A. Será que a Empresa deve contratar o administrador B?

Procura. da esquerda para a direita. diminui a quantidade de empréstimos que os clientes se dispõem a tomar. que se inclina de cima para baixo. A procura é dada pela curva D. oferta. Na Figura a seguir.a 9% a.97 MERCADO: OFERTA E DEMANDA Mercado é o encontro entre vendedores e compradores.a 6% a. que a cada preço corresponde uma determinada quantidade demandada. O eixo vertical representa o preço (P). taxa de juros paga pelo cliente. também denominada demanda. Um mercado pode estar em qualquer lugar. é entendida como a quantidade de um bem ou serviço que uma pessoa deseja e está apta a comprar a determinado preço em dado intervalo de tempo. ou bem perto como o telefone ou os classificados do jornal. tudo o mais permanecendo inalterado (ceteris paribus). Não precisa ser necessariamente um lugar físico. elasticidade e as diferentes formas de organização dos mercados serão objeto de abordagem nesta Unidade. na esquina de uma rua. no outro lado do mundo. Essa relação pode ser representada pela escala abaixo. PROCURA (OU DEMANDA) A procura.a 12% a. o eixo horizontal mostra a quantidade procurada (Q) de empréstimo por unidade de tempo. considerada a procura por crédito: Escala de procura ALTERNATIVAS TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 3% a. Depreende-se. Nele estão presentes os fundamentos da procura e da oferta.a VALORES DEMANDADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A B C D E Outra forma de expressar essas diversas alternativas seria através da curva de procura ou de demanda (D). que representam os interesses de consumidores e produtores (ou vendedores). daí. 1.a 15% a. Exemplo de procura ou demanda por crédito: P 15% Curva de Procura 9% 3% 20 60 100 Q À medida que a taxa de juros aumenta (preço do dinheiro). mostrando que a quantidade demandada varia inversamente ao preço. Essa é a lei da procura: as quantidades .

Exemplo de oferta de crédito: P 15% 9% Curva de Oferta 3% 20 60 100 Q .a 12% a. a tendência é que o consumidor reduza a quantidade demandada. Quanto mais baixo é o preço. o consumidor desejará adquirir mais bens ou serviços à medida em que o preço diminua. Por outro lado.a 6% a.98 demandadas variam inversamente aos preços. 2. da esquerda para a direita.a 3% a. ceteris paribus. menores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. As quantidades ofertadas a cada preço podem ser representadas por uma escala de oferta: Escala de Oferta ALTERNATIVAS A B C D E TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 15% a. É a lei da oferta: as quantidades ofertadas variam diretamente com os preços. OFERTA A oferta é definida como a quantidade (Q) de bem ou serviço que um vendedor ou produtor está disposto a oferecer a cada preço (P) e em determinado período de tempo. refletindo o fato de que a quantidade ofertada de um dado produto varia diretamente com seu preço.a VALORES OFERTADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A curva de oferta (S) é a representação gráfica da escala de oferta. maiores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. Uma curva de oferta inclina-se para cima. se o preço do bem se eleva.a 9% a. uma vez que seu objetivo é alcançar a máxima satisfação possível de suas necessidades a partir de uma renda limitada. Quanto mais alto é o preço de mercado. Ou seja.

. nos preços de outros bens e nas expectativas sobre o futuro podem influenciar significativamente as quantidades demandadas pela sociedade. mesmo mantendo-se estável o preço.99 Nesse exemplo.elevação na renda de uma comunidade determinará maior demanda por bens de consumo duráveis. na renda da população. Preços D 15% 12% S E Pe 9% 6% 3% S D 20 40 60 80 Qe 100 Quantidade . 3. conforme mostra a Figura abaixo. certamente aumentarão as quantidades ofertadas. à medida que a taxa de juros aumenta. 4. . Sob a ótica da demanda. PREÇO E QUANTIDADE DE EQUILÍBRIO O preço e a quantidade de equilíbrio de mercado são determinados pela interação das curvas de demanda e oferta. condições climáticas favoráveis ou concessão de subsídios ao produto. Mantendo os demais fatores constantes: . existem inúmeras outras causas que podem influenciar as quantidades demandadas ou ofertadas. OUTROS FATORES QUE INFLUENCIAM AS CURVAS DE DEMANDA E OFERTA O termo ceteris paribus. Na prática. onde os interesses de demandantes e ofertantes são coincidentes. Aperfeiçoamento das técnicas produtivas. alterações no gosto ou preferência dos consumidores. redução dos custos de produção. os bancos se dispõem a oferecer maior volume de crédito. além do preço.aumento no consumo de sucos naturais faz com que diminua a quantidade demandada de refrigerantes.elevação de taxa de juros pelos concorrentes aumentará a demanda por crédito em um banco. Por outro lado. entretanto. significa que a quantidade demandada ou ofertada varia apenas em função de alterações de preço. Se a análise for sob o enfoque da oferta. fatores como condições climáticas desfavoráveis ou aumento dos impostos sobre o produto provocarão diminuição nas quantidades ofertadas. diversas causas. podem influenciar as quantidades ofertadas. empregado na definição da procura e da oferta.

1. com taxa de juros 9% a. (preço de equilíbrio) e a quantidade de crédito da ordem de 60 UM (quantidade de equilíbrio). 4. Curva de Demanda P P Movimento P0 Q Q0 Q Uma variação no preço altera a quantidade demandada. ceteris paribus. o preço aumentou de P0 para P1 e em conseqüência a quantidade demandada caiu de Q0 para Q1.a. Curva de Oferta P P P P P0 P0 P0 Q0 Q Q . Deslocamentos ao longo de uma mesma curva Deslocamentos ao longo de uma curva de demanda ou de oferta ocorrem devido às variações de preços. a quantidade demandada aumentaria de Q1 para Q0 . No gráfico acima. o ponto E mostra onde os interesses se equivalem.100 No exemplo apresentado. O movimento inverso é possível: se o preço caísse de P1 para P0.

O inverso aqui também é possível: se o preço diminuísse de P1 para P0 .2. Deslocamento das curvas de demanda e de oferta Deslocamentos das curvas de demanda por um determinado bem ou serviço são provocados por variações de gosto ou preferência. etc. refletindo as alterações ocorridas. Curvas de Demanda Aumento da Procura Redução da Procura O deslocamento das curvas de oferta para a direita ou para a esquerda é devido a variações na tributação. a quantidade ofertada do produto seria reduzida de Q1 para Q0 . A curva de demanda se desloca paralelamente para direita ou para esquerda. 4. na tecnologia de produção. de preços de outros bens (substitutos ou complementares) e da renda do consumidor.101 Uma variação só no preço de P0 para P1. aumenta a quantidade ofertada de Q0 para Q1. nos custos. ao mesmo preço. na produtividade. Isso quer dizer que. os consumidores desejam comprar mais/menos quantidades de um determinado produto. Curvas de Oferta Redução da Oferta Aumento da Oferta .

a concorrência entre os vendedores empurrará os preços para baixo e. em conseqüência. 5. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. . a curto prazo. INTERVENÇÕES DE MERCADO . ceteris paribus.4.3. Maior oferta Preços P0 P1 D S S1 D S S1 ΔP P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 Quantidade Efeito do deslocamento da Oferta sobre o equilíbrio de mercado Aumento de oferta significa aumento da quantidade de produtos à disposição dos consumidores. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. Deslocamento da demanda e variações de preço Mudanças na curva de demanda. permanecendo inalterada a curva de demanda.Pisos de Preço: governo proíbe que o preço caia abaixo e certo valor. Se não houver alteração na demanda. a quantidade transacionada aumentará. compradores insatisfeitos estarão dispostos a oferecer maior preço para conseguirem o produto. não havendo quantidade suficiente de bens.Tetos de Preço: governo proíbe que o preço ultrapasse um valor máximo.102 4. Exemplo: teto para a gasolina. Exemplo: piso salarial . 4. Maior Demanda Preços D D1 S P1 ΔP P0 S D1 P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 D Quantidade Efeito do deslocamento da Demanda sobre o equilíbrio de mercado Aumentando a demanda. Deslocamento da oferta e variações de preço Mudanças na curva de oferta. para atender a essa demanda.

Isso apoia ou contradiz a lei da demanda? Comente. . a procura do produto tem eleasticidade unitária.103 Consequências das Intervenções: racionamento não liderado por preços. 6. foi visto que. Existem certos fatores que explicam ou influenciam o valor da elasticidade-preço de demanda. ela mede o impacto sobre a quantidade decorrente de alterações no preço (elasticidade-preço) do próprio bem e na renda do consumidor (elasticidade-renda). O preço de casas é tão alto que há uma falta de casas. mais TVs foram vendidas. Qual a intensidade desses efeitos? Eles seriam idênticos. Caso as variações de quantidade sejam proporcionalmente menores que as variações de preço. maior a tendência de esse produto ter demanda elástica. a procura é dita inelástica. 3. quanto menor o peso no orçamento. o preço dos aparelhos de TV aumentou 5%. a um preço mais elevado. O CONCEITO DE ELASTICIDADE A noção de elasticidade é de fundamental importância na compreensão e análise dos mercados de bens e serviços. É o que ocorre se. Como os proprietários compensam s efeitos das leis de controle de aluguéis em seus ganhos? Exemplifique. Os elementos apresentados a seguir devem ser entendidos como alguns subsídios ao entendimento do porquê da demanda de certos produtos serem mais elásticas que a de outros: a) existência de produtos substitutos — é de se esperar que. Durante o mesmo período. mudanças na qualidade e mercados negros. 2. ou o preço subir 6% e a quantidade demandada reduzir-se em 10%. Se a quantidade procurada variar mais que proporcionalmente à alteração nos preços. c) essenciabilidade do produto — quanto mais essencial for o produto. Questões Aplicadas: 1. Ao longo de um período de 5 anos. b) peso do produto no orçamento — se for pouco substituível. Nesse sentido. o preço de um produto subir 10% e a quantidade demandada reduzir-se em 20%. a procura do produto é considerada elástica. Nem todos os que desejam comprar uma casa poderão comprar uma. e o preço de todos os outros bens aumentou 12%. quanto mais perfeitos forem os substitutos de um produto. Quando as variações forem percentualmente iguais. um aumento da quantidade ofertada. menor deverá ser a elasticiade-preço. por exemplo. por outro lado. A forma correta de se medir essa sensibilidade é através da relação entre a variação percentual na quantidade e a variação percentual no preço. menor deverá ser sua elasticidade-preço. Considerando o equilíbrio de mercado. Suponha que uma lei de controle de aluguéis force os aluguéis abaixo do seu preço de mercado. Essa afirmação está correta? Explique. por exemplo. ou diferenciados de um produto para outro? Como medir a eleasticidade? Elasticidade-preço da procura A elasticidade-preço da procura reflete a sensibilidade da quantidade procurada por dado produto a uma alteração no preço desse produto. correspondia uma redução da quantidade demandada e.

Exemplo: farinha de mandioca. pizzarias. Concorrência monopolística: .perfeita mobilidade de recursos. ESTRUTURA DE MERCADO O comportamento de ofertantes e demandantes no mercado não é uniforme. por parte dos que o integram.homogeneidade de produtos. a começar pelo preço. Se a resposta da quantidade for de 5%. a oferta desse bem será inelástica. . Exemplo: aparelhos eletrodomésticos. 7. Elasticidade-renda da procura A elasticidade-renda da procura mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto decorrente da variação percentual na renda dos consumidores. . . o poder dos diferentes agentes econômicos é também diferenciado. a elasticidade-renda é negativa e o produto é classificado como bem inferior. sal é exemplo clássico de produto com procura inelástica e viagem de turismo é um bem de demanda elástica. Assim. etc. Exemplos: feira livre. em relação a mudanças de preços. .fracas barreiras quanto ao ingresso e saída do mercado.grande número de empresas. a elasticidaderenda é positiva e o produto é classificado como bem normal.ausência de entraves ao ingresso de novas empresas. Cada concorrente estabelece um produto único e ligeiramente diferenciado pela marca.tendência à concentração de capitais através de fusões. . Veremos a seguir as características básicas dos principais tipos de mercado. Se a magnitude de variação na quantidade for de 10%. Oligopólio: . Exemplos: calças jeans.tendência à formação de cartéis e à rigidez de preços.104 Nesse sentido. . Em decorrência da própria dinâmica da economia capitalista. Elasticidade-preço da oferta Análise similar é válida para a curva de oferta.concorrência pela diferenciação de produtos. tornando o mercado pulverizado de tal forma que nenhum comprador ou vendedor tenha condições de influenciar os preços ou o comportamento dos demais agentes. a oferta será elástica. a oferta apresenta elasticidade unitária. .forte bloqueio à entrada de concorrentes. Se o aumento na renda implica aumento na quantidade demandada.perfeito conhecimento do mercado. . Caso o aumento na renda implique queda na quantidade demandada. . franquias. A diferença é subjetiva. se o preço de um bem aumentar 10% e a quantidade crescer 20%. A sensibilidade da oferta de produtos a variações nos preços depende de fatores como percentual de utilização da capacidade instalada. publicidade. . as variações nos preços e nas quantidades são na mesma direção. Concorrência perfeita: . . comércio varejista em geral.pequeno número de empresas controla a quase totalidade do mercado.pouca diferenciação dos produtos. disponibilidade de insumos e de mão-de-obra e tempo de ajuste na produção.grande número de consumidores e ofertantes. embalagem. Porém.

não existem substitutos próximos.grande dificuldade de entrada no mercado para novos compradores. química. pneumáticos. cimento. . Estruturas de mercado . com Alguma Limitação Jeans franquias Cimento. Automóveis Oligopólio Poucos __ Grande Padronizado ou Diferenciado Vendedor Monopólio Um __ Total Não há substitutos Satisfatórios Vendedor Correios Monopsônio __ Um Total __ Comprador setor público na aquisição de produtos específicos Oligopsônio __ Poucos Grande Padronizado ou Diferenciado Comprador Agroindústrias .105 Exemplos: indústria automobilística.quadro síntese Tipos de Mercado N° Vendedores Nº Compradores Dificuldade de Entrada no Mercado Concorrência Perfeita Concorrência Monopolística Grau de Diferenciação do Produto Quem Determina o Preço Exemplos Muitos Muitos Nenhuma Nenhum Mercado Feira Livre Muitos Muitos __ Subjetivo Vendedor. . aço. .uma única empresa compradora de determinado produto. Exemplo: indústria automobilística.o lucro total da empresa é máximo para cada nível de produção e preço por ela estabelecido. .dimensões do mercado estabelecidas pela empresa via determinação prévia do volume de produção e dos preços desejáveis. Monopólio: .poucas empresas compradoras.existência de uma única empresa produtora de bens e serviços para os quais. .preço determinado pelo comprador. fábricas de cigarros. . tecnológicas e econômicas ao ingresso de concorrentes no mercado.preço do produto determinado pelos demandantes. no curto prazo. Cerveja. Oligopsônio: .barreiras legais. Exemplo: correios. petroquímica etc. Monopsônio: . Exemplo: setor público na compra de produtos específicos. de vidros.

br). Werner (2002). O tipo mais comum de cartel é o de empresas que produzem artigos semelhantes.Relatório 2005. (2005) Manual de Economia. combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle.gov. Revista de Economia Política.planejamento. Orçamento e Gestão (http://www. Cartel é um grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para sua atuação coordenada. ROSSETTI. São Paulo: Nobel. CARDOSO. Ministério do Planejamento. . Editora Brasiliense. estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro. O truste é o tipo de estrutura em que várias empresas. 17ª ed. Introdução à Economia. São Paulo: Saraiva.). Luis Carlos Bresser (1996). A Economia Brasileira. São Paulo: Campus. 5ª ed.bcb. São Paulo: Atlas. Referência Bibliográfica ABREU. BAER. WESSELS. com vistas a interesses comuns. A Ordem do Progresso. Luis Carlos Bresser (1994). São Paulo: Saraiva. Essas imperfeições estão relacionadas ao poder de mercado e formas de atingi-lo ou mantê-lo.106 O mercado também cria algumas imperfeições que impedem o que se poderia chamar de seu comportamento “natural”. 16(64): 20-35. 14 (56): 129-149. A Inflação decifrada. PINHO. Parte IV – Finanças Públicas. Marco Antônio Sandoval de (Org. Marcelo de Paiva (1990). Eliana (1996) Economia Brasileira ao Alcance de Todos. Boletim do Banco Central do Brasil . Revista de Economia Política. Economia. É o caso do truste. dumping e cartel. José Paschoal (2003). (Disponível: http://www. Walter (2003). de forma a constituir um monopólio de mercado. Diva Benevides & VASCONCELLOS. PEREIRA. com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias maiores de mercado.gov. já detendo a maior parte do mercado. A economia e a política do Plano Real. 2ª ed.br) PEREIRA. O dumping se caracteriza pela venda de produtos a preços mais baixos que os custos. 20ª ed.

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