Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Centro de Educação Superior Norte – RS (CESNORS) Departamento de Administração

Caderno Didático n0 1:

Introdução à Economia
(Versão não-revisada)

Professora: Solange Regina Marin Curso: Administração

Palmeira das Missões 2007

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INDICE Introdução Capítulo 1 – Conceitos Básicos 1. O conceito de economia 2. De que se ocupa a economia 3. A quantificação da realidade econômica 4. Breve contexto histórico do conceito economia 5. As escolhas na economia 6. Os argumentos da economia 7. Método de investigação da ciência econômica 8. Evolução do pensamento econômico.. 9. Interação entre os agentes econômicos e as questões-chave da economia Capítulo 2- Sistema Financeiro 1. Origem da moeda 2. Evolução das formas de moeda 3. Ativos financeiros 4. Oferta e demanda de moeda 5. Medida da Oferta de Moeda 6. Base monetária 7. Estrutura do SFN (brasil) 8. Organização do SFN 9. Diferentes mercados Intermediação Financeira 1. Formas de financiamento 2. Criação e destruição de moeda 3. Multiplicador bancário 4. Política monetária Capítulo 3 – Inflação 1. Situações possíveis de variação dos preços 2. Teorias da inflação 3. Inflação e Números-Indices 4. Indicadores de inflação no Brasil e no RS 5. Inflação no Brasil e Planos de Estabilização Capítulo 4 – Setor Público 1. As funções econômicas do setor público 2. Estrutura tributária 3. Os tributos e sua classificação 4. Os gastos do setor público 5. O Conceito de déficit público 6. Financiamento do déficit 7. Aspectos institucionais do orçamento público 8. Fiscalização Capítulo 5 – Conceito e Cálculo dos Agregados Macroeconômicos 1. O conceito de valor adicionado: o produto nacional (PN) 2. O conceito de renda nacional (RN) 3. O conceito de despesa nacional (DN) Alguns problemas com as medidas agregadas Capítulo 6 – A Economia Nacional e as Relações Internacionais 1. Teorias do comércio internacional 04 05 05 06 08 10 11 13 14 15 22 23 24 24 25 25 26 26 27 29 29 30 31 36 37 38 39 42 50 50 51 55 55 55 55 57 58 59 59 69 71

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2. A taxa de câmbio e o mercado cambial 3. Balanço de pagamentos 4. Instrumentos de ajuste do balanço de pagamentos A Institucionalidade no Cenário Internacional Capítulo 7 – Noções de Microeconomia 1. Escassez 2. Custo de oportunidade 3 Análise marginal Mercado: Oferta e Demanda 1 Procura (ou Demanda) 2. Oferta 3. Outros fatores que influenciam as curvas de demanda e de oferta 4. Preço e quantidade de equilíbrio 5. Intervenções de mercado 6. O conceito de elasticidade 7. Estrutura de mercado Referência Bibliográfica

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Por se tratar de assuntos ainda gerais da Ciência Econômica e relacionar acontecimentos recentes da economia brasileira. O objetivo é propiciar ao aluno. A preocupação central é apresentar de forma simples e clara os conceitos econômicos básicos. Para isso. . mas suscitar o interesse. uma visão geral do objeto de estudo e do método de investigação da chamada Ciência Econômica. sem esquecer de relacioná-los com os fatos econômicos reais. Este caderno não pretende dar respostas definitivas às questões sobre economia. estudaremos as noções básicas de Economia para observar de forma crítica a realidade e interpretar o significado dos diferentes conceitos econômicos frente aos acontecimentos reais da economia brasileira. o caderno se torna uma ferramenta auxiliar para o estudante da disciplina de Introdução à Economia. provocar o debate e proporcionar aos alunos do curso de administração uma capacidade de análise crítica das questões econômicas atuais. no presente momento ao aluno do curso de administração. são apresentadas questões teóricas e aplicadas sobre os diferentes assuntos trabalhados que incluem desde os conceitos básicos até as noções sobre economia nacional e relações internacionais.4 INTRODUÇÃO A idéia de produzir um caderno didático surgiu depois de alguns semestres ministrados da disciplina de Introdução à Economia para diferentes cursos de graduação. traçar um paralelo entre as noções econômicas e as informações sobre a realidade econômica brasileira. Além disso. ou seja.

Questões-chave da economia 1. A economia pode ser definida como ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem utilizar os recursos produtivos escassos. direito). assumindo um caráter biunívoco. porque a economia busca alicerçar seus princípios.Método de investigação da ciência econômica .Evolução pensamento econômico . à ética e à história. De outro lado. com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas. . De um lado. abrindo suas fronteiras à filosofia.Contexto histórico do conceito economia . o estudo da economia implica a abertura de suas fronteiras às demais áreas das ciências sociais ou humanas. a economia não pode ser considerada como fechada em torno de si mesma. antropologia culturas.De que se ocupa a economia . 2. lei).5 CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS O QUE É ECONOMIA ? O que veremos? . DE QUE SE OCUPA A ECONOMIA Aqui estão destacadas as categorias centrais de preocupação da economia. o que implica por sua vez numa interface com outras áreas de conhecimento. Como umas das ciências sociais (ciência política.Interação entre os agentes econômicos . consistência e aderência à realidade. na produção de bens e serviços. psicologia. O CONCEITO DE ECONOMIA A palavra economia vem do grego oikos (casa) e nomos (norma. porque pode influir no questionamento dos princípios e das aquisições conceituais desses mesmos campos. Essa abertura se dá em uma dupla direção.A quantificação da realidade econômica . sociologia. A figura 1 abaixo mostra que a economia está relacionada com outros campos de conhecimento. Pelas implicações da ação econômica sobre outros aspectos da vida humana. de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade.Argumentos da economia . e os grandes temas de que se ocupa a economia. Seria administração da casa ou administração da coisa pública. E vai além. conceitos e modelos teóricos não apenas na sua própria coerência. mas ainda no desenvolvimento dos demais campos do conhecimento social.

A taxa de crescimento do PIB seria um bom indicador para o desenvolvimento de um país? 3.De que forma a oferta de moeda na economia afeta a taxa de juros? . crescimento.Por que devemos nos preocupar com o PIB de um país? . Em economia é possível: . e por Karl Marx que ficou conhecido pelo desenvolvimento da teoria marxista.Por que é importante para um produtor saber a elasticidade demanda por seu produto? . 2. Marshall.Por que a renda dos agricultores se eleva quando ocorre uma estiagem que reduz a produção? . remuneração.Por que a alta do preço do cafezinho reduz a demanda por açúcar? . David Ricardo. moedas. Além disso. assuntos tratados pelos clássicos. ao ressaltar que as necessidades ilimitadas e os recursos escassos. produção. trocas. dentre eles Adam Smith. ressaltam-se os diferentes temas que são objetos de estudo da economia: escassez. os temas pobreza.Por que a taxa de juros é tão importante para os investimentos? . Alguns problemas econômicos . riqueza e bem-estar foram apresentados por A. agentes. equilíbrio e desenvolvimento. A QUANTIFICAÇÃO DA REALIDADE ECONÔMICA O que distingue a economia de outros ramos do conhecimento social é a possibilidade de alguma forma de mensuração.Por que a demanda por bens como carros ou apartamentos aumenta com o processo inflacionário? . emprego. mercado. Já as noções de crescimento e desenvolvimento foram tratadas por Simon Kuznets e Lionel Robbins tratou da questão das escolhas em economia. recursos.Quais os fatores que influenciam o crescimento econômico? . Marshall (1842-1924) * Pobreza * Riqueza * Bem-estar Simon Kuznets (1901-1985) * Crescimento * Desenvolvimento Lionel Robbins (1898-1984) * Recursos * Necessidades * Prioridades * Escassez * Recursos * Emprego * Produção * Agentes * Trocas * Moedas * Valor * Preços * Mercados * Concorrência * Remunerações * Agregados * Transações * Crescimento * Equilíbrio Antropologia Sociologia Psicologia Direito Política Ética Os temas discutidos pelos diferentes pensadores econômicos e em épocas históricas diversas.Por que os aluguéis de imóveis em regiões universitárias geralmente costumam ser maiores no início do período letivo? . preço. foram o processo de produção. Nesse iniciar do debate econômico. o dispêndio e a acumulação.Por que o setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul está em crise com o maior valor do real frente ao dólar? . agregados. concorrência. transações. valor.Como pode uma desvalorização cambial conduzir a uma melhora na balança comercial? .1.6 FIGURA 1 – A relação com outros campos de conhecimento Clássicos/Marx: * Produção * Distribuição * Dispêndio *Acumulação A. a distribuição.

Medidas de Expressam em termos médios.construir identidades quantificáveis. ou interagentes. conjuntos ou de agregações de dados econômicos. Quadro 1 – A quantificação da realidade e as variáveis econômicas . . baseados em sistemas de equações simultâneas. .relações cambiais entre (a) e (b) adotadas Indicam magnitudes medidas ao longo de Variáveis-fluxo determinado período de tempo Variáveis econômicas Indicam magnitudes medidas em um determinado quantificáveis Variáveis-estoque momento Indicam relações entre duas variáveis.desenvolver sistemas quantitativos para diagnóstico e prognóstico.desenvolver modelos explicativos da realidade. medianos ou modais a abservação de determinada situação ou tendência central transação. Expressam resultados de transações: . O quadro abaixo sintetiza as formas usuais de indicações quantitativas em economia. Indicam a resposta de uma ou de um conjunto de variáveis a determinada ação econômica.divisas externas (b) Unidades . Expressam graus de concentração (ou de dispersão) de determinadas condições estruturais da economia.proporções em determinado momento. . entre duas variáveis.não-lineares Relações Incrementais Relações entre variáveis Relações Matriciais Números-indices Indicam variações cumulativas.estabelecer relações quantitativas entre diferentes categorias de transações.7 .lineares elas. no decurso de séries históricas. .quantificar os resultados.variações ao longo do tempo. . simples ou múltipla entre as variáveis econômicas. Esta particularidade da economia possibilitou o surgimento de correntes econômicas fundamentadas no método matemático. de um dado agente. de conjuntos Indicam variações de grupos. Indicam a interdependência interconsistentes de variáveis. Valores absolutos .da atividade econômica agragativamente considerada. Expressam parâmetros de correlação. . .moeda corrente do país (a) Monetárias . experessnado: .proceder a análises fundamentais em parâmetros quantificados. com destaque para a econometria. . Relações funcionais expressando a correspondência funcional entre .específicas. Quocientes Formas usuais de indicações quantitativas Coeficientes Resultado da divisão de variáveis econômicaas.

Assim. mas com a riqueza das Nações. Esse polinômio foi a base do conceito clássico de economia. e mais importante. David Ricardo e John Stuart Mill definiam a economia a partir destes quatro fluxos.8 4. fundamentada nas leis que regem a formação. tal como se apresentava. Mas. observamos o nascimento do primeiro conjunto de idéias mais sistematizadas sobre o comportamento econômico com o chamado Mercantilismo. A abordagem clássica A preocupação não era com o fortalecimento do estado. Os sentimentos morais. Roma não deixou nenhum escrito notável na área de economia. Denominava-se economia política. Alfred Marshall. novas concepções se desenvolveram. a denominação usual da economia era adjetivada. como Platão e Aristóteles. BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DO CONCEITO ECONOMIA Em seu nascedouro. O estudo das leis sociais que regulam a produção e a distribuição dos meios materiais destinados a satisfazer às necessidades humanas resume o campo de que se ocupa a economia. . de um lado. a distribuição e o consumo. Os outros economistas clássicos na transição dos séculos XVIII e XIX. Os neoclássicos A ênfase dos primeiros neoclássicos (Jevons. Com o tempo. de outro. e. Eles sintetizaram os fundamentos da conduta econômica do homem: a escassez de recursos diante de necessidades ilimitáveis. Walras e Menger) não estava no processo de acumulação capitalista e nos mecanismos de repartição dos esforços sociais. sob o objetivo de promover seu fortalecimento. em seus aspectos mais estritamente ligados à obtenção e ao uso dos elementos materiais do bem-estar. A fisiocracia elaborou alguns trabalhados dignos de destaque. cujo principal elemento era a maximização da utilidade. tenham explorado temas de conteúdo econômico. acredita que a economia examinava a ação individual e social. é um estudo da riqueza. as paixões originais da natureza humana. Adam Smith e suas obras Sentimentos Morais (1759) e A Riqueza das Nações (1776). Estavam preocupados com a iniqüidade social mas não propuseram formas alternativas e revolucionárias para a organização econômica da sociedade. como Robert Malthus. as razões maiores da acumulação e da conservação da fortuna material foram os pressupostos de sua descrição da ordem econômica. A partir do século XVI. quem procurou fazer uma síntese de clássicos com neoclássicos. é uma parte do estudo do homem. No século XVIII. Figura de maior destaque foi Karl Mar(1818-1883). Eles buscaram entender o equilíbrio do processo econômico. Mesmo que alguns filósofos da Grécia Antiga. tais idéias estavam baseadas numa definição de economia como o ramo do conhecimento essencialmente voltado para a administração do Estado. a acumulação. a adjetivação caiu em desuso. Maior figura foi François Quesnay e seu Quadro Econômico de 1758. a busca da aprovação social. evoluiu para economia. A perspectiva socialista O binômio produção-distribuição é a base a partir da qual a perspectiva socialista construiu sua concepção sobre a matéria de que se ocupa a economia.

distribuição. acumulação. podemos notar que em Economia tudo se resume a uma restrição quase física – a lei da escassez. Com isso. Ele partiu da existência de: .a limitação dos meios para alcançar os fins possíveis . Qualquer escolha feita pelos indivíduos.uma multiplicidade de fins que a humanidade procura alcançar . embora escassos. bem como a ocorrência de custos de oportunidade (outros fins que.Síntese dos conceitos básicos da sistematização de Robbins Conflito fundamental Meios (ou recursos) escassos e limitados Fins (ou necessidades) múltiplos e ilimitáveis Escolhas entre fins possíveis e meios disponíveis Alocação de recursos (custoso) Consecução de determinado fim Não-consecução de outros fins Benefício Custo de oportunidade . se prestam a usos alternativos”. governos ou outros agentes econômicos quanto à alocação de recursos implica. riqueza e bem-estar. como produção. empresas. com os mesmos recursos.9 A sistematização de Lionel Robbins nos anos de 1930 Robbins não partiu de categorias de fatos econômicos. dispêndio.o emprego alternativo dos meios. assim. “A economia é a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que. produzir o máximo de bens e serviços com os recursos escassos disponíveis de cada sociedade. E um bem é demandado porque é útil. isto é.a priorização de fins possíveis: podem ser classificados por ordem de prioridade . O fator de maior importância e que faz o elo de ligação entre as quatro condições é a capacidade humana de fazer escolhas. uma relação entre custos (meios empregados) e benefícios (fins alcançados). poderiam ter sido alcançados). Mas lembre-se só existirá escassez se houver uma demanda para a aquisição do bem – tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. Figura 2 . O fato econômico resume-se. portanto. nos atos de escolha entre fins possíveis e meios escassos aplicáveis a uso alternativos.

hoem se dedica a um ato social: a produção. A sistematização Robbins de .A economia é um ramo que estuda as formas do A realização desse comportamento humano que processo se completa com a resultam da relação entre distribuição do produto necessidades ilimitadas e recursos escassos. 5.O estudo das leis sociais estar social. Porém. . . a socialista e a sistematização de Robbins. que regulam a produção e a distribuição resume o campo de que se ocupa a economia. a condução do homem no trato com questões que interferem em sua riqueza e bem-estar.10 Existem ligações formais entre as abordagens consideradas: a neoclássica. social.A sociedade tem objetivos múltiplos.. Economia: optar dentre os bens a serem produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os recursos escassos em produção. custo e análise marginal como veremos em outras aulas. recursos limitados e técnicas de produção.O fim último de que cuida a economia consiste em descobrir como as virtudes humanas e a concorrência podem conduzir ao bem. fins alternativos. na realidade temos inúmeras necessidades.Meios escassos. mas meios limitados. A razão de ser da economia está presente nas três formas de delimitar o campo específico do conhecimento econômico – o estudo das formas aplicadas pelo homem na incessante busca de meios para satisfazer às condições ilimitáveis de bemestar. principalmente. . . A perspectiva socialista . AS ESCOLHAS NA ECONOMIA: * O QUE E QUANTO produzir * COMO produzir e * PARA QUEM produzir Resumindo: NECESSIDADES HUMANAS ILIMITADAS VS. A teoria econômica trata de escassez. agem e pensam nos assuntos ordinários da vida.As necessidades humanas são determinadas pelo estágio cultural da sociedade.Para satisfazer a um e meios escassos para padrão de necessidades.Focaliza.A economia é um estudo dos homens tal como vivem. A conduta econômica consiste em escolher entre fins possíveis . . o alcançá-los. ilimitados. RECURSOS PRODUTIVOS ESCASSOS * O QUE E QUANTO PRODUZIR * COMO PRODUZIR * PARA QUEM PRODUZIR ESCOLHA ESCASSEZ Essas questões não seriam problemas se existissem recursos ilimitados. Quadro 2 – O conceito de economia nas três abordagens A abordagem neoclássica . escolha e alocação são os elementos a partir dos quais se define o campo de que se ocupa a economia.

Deduzem-se as implicações e os resultados decorrentes dessas hipóteses que são confrontados com a evidência dos dados de observações coletados da realidade.economia normativa: o que poderia ser Essa distinção é importante em termos de metodologia uma vez que existe a impossibilidade lógica de se deduzirem afirmações positivas de juízos de valores ou normativos ou vice-versa. a renda per capita se reduz. a Economia se interessa primordialmente pelos argumentos positivos. da evolução do pensamento econômico. tem o respaldo na modelação teórica desenvolvida pelos diferentes troncos da economia positiva. formulam-se as hipóteses a respeito de como a realidade se comporta. Ou seja. mesmo. 3. Os argumentos da teoria econômica podem ser: Positivos . Finalmente. As duas primeiras não são condições suficientes para dar sustentação à terceira.economia positiva: o que é de fato Normativos . mantidos os níveis vigentes de preços. logo. não obstante seja formulada a partir de escolhas que envolvem juízos de valores. A política econômica. OS ARGUMENTOS DA ECONOMIA Para entendermos o método de investigação da ciência econômica precisamos apenas de um simples encadeamento lógico. (1) e (2): são factuais. positivas. como é desejável a manutenção e. quando as taxas de crescimento da população são superiores às da expansão da renda nacional como um todo. 6. . a redução da renda per capita implica na perda do poder aquisitivo real da sociedade. Suponha-se que alguém afirme que: 1. como pode ser visto na figura abaixo. 2. Teoria econômica: leis que explicam o comportamento humano e fazem parte do conjunto de conhecimentos. (3): é de caráter normativo. Essa ressalva metodológica não implica a inexistência de conexões entre os compartimentos positivos e normativos na economia. das interações entre os diferentes agentes da economia e de como a partir dessas interações surgem as questões-chave que preocupam a Economia.11 Por enquanto teremos uma visão geral dos argumentos e do método de investigação na ciência econômica. desse confronto tiram-se as conclusões: ou a teoria explica satisfatoriamente o comportamento da realidade econômica ou deve-se formular uma teoria alternativa e mais adequada. Baseadas nos postulados da teoria existente. deveriam ser adotadas políticas de contenção do crescimento populacional. a ampliação do poder aquisitivo real.

As políticas econômicas de intervenção procuram estabelecer esse equilíbrio. renda. Desenvolvimento Econômico: estuda o processo de acumulação dos recursos escassos e da geração de tecnologia capazes de aumentar a produção de bens e serviços para a sociedade. Princípios. Economia Internacional: estuda as condições de equilíbrio do comércio exterior. interindustriais. mundo real. consumo.12 Figura 3 – Compartimentos usuais da economia Economia Descritiva Observação sistematizada do Observação sistematizada do mundo real. econômicos. exportações. público. poupança. além dos fluxos de capitais. consumo. importações. Divisão do estudo econômico: Microeconomia: estuda o comportamento de consumidores e produtores e o mercado no qual interagem. leis e teorias. importações. Descrição e mensuração de fatos Descrição e mensuração de fatos econômicos. Sistemas contas Sistemas dede contas nacionais e matrizes nacionais e matrizes de relde relações ações interindustriais. com 3 objetivos: * Crescimento * Estabilidade * Equitatividade A regulação da atividade dos agentes econômicos: o interajuste de custos e benefícios privados e sociais. investimento. Preocupa-se com a determinação dos preços e quantidades em mercados específicos. demanda oferta e oferta e demanda monetárias. Macroeconomia: Estuda as condições de equilíbrio estável entre a renda e a despesa nacionais. renda Estrutura Estrutura concorrencial e concorrencial e equilíbrio dos equilíbrio dos mercados mercados monetária. Política Econômica A condução do processo econômico agregativamente considerado. poupança. Contabilidade Social. leis e modelos da modelos da ececonomia onomia A empresa a A empresa e e a análiseda oferta análise da oferta Teoria Teoria Microeconômica Microeconômica Remuneração Remuneração dos fatores de dos fatores de produção e produção e repartição da repartição da renda Teoria Teoria Macroeconômica Macroeconômica Análise de Análise de macrovariáveis: macrovariáveis: renda. O consumidor O consumidor ee a aa análise da nálise da procura procura Teoria Econômica Teoria Econômica Princípios. tributos e dispêndio tributos e dispêndio público. . Atuação sobre a realidade. investimento. Contabilidade Social. exportações. teorias.

ainda que complementares: a indução e a dedução. que identifiquem relações de causas e efeitos e que interpretem os mais variados eventos e seus desdobramentos.13 7. Figura 4. . observar sistematicamente a realidade. Formulação de princípios. Esforço de teorização substitutivo da validação experimental. Método dedutivo Validação. No processo de elaboração recorre-se a duas abordagens distintas. como primeiro passo. Observação sistematizada da realidade Abstrações teóricas envolvendo situações e comportamentos não mensuráveis a partir de levantamentos da realidade concreta. pelo permanente confronto com a realidade Reelaboração resultante de novas observações ou de mudanças nas condições preexistentes. Depois elaborar modelos simplificados que a reproduzem.A construção do conhecimento na economia Método indutivo Abstrações resultantes de levantamentos e informes quantitativos. leis u modelos explicativos ou interpretativos da realidade. Vejamos como ocorre a construção do conhecimento na economia pela figura abaixo. Construção de modelos validados por testes estatísticos. em sua estrutura fundamental. MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA A metodologia da elaboração científica. teorias. busca.

newschool. Fonte: Rossetti (2003) 1 Para maiores informações sobre as escolas de pensamento econômico ver o website The History of Economic Thought: http://homepage.14 8. EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO: 1 A figura 5 abaixo mostra de maneira bem articulada como ocorreu o desenvolvimento das diferentes correntes de pensamento econômico.edu/het/ .

de um lado. como pode ser visto na figura 6 abaixo: Estoque de fatores de produção Elementos constitutivos do sistema econômico como um todo: recursos. Os fluxos monetários definem-se como contrapartida dos fluxos reais. INTERAÇÃO ENTRE OS AGENTES ECONÔMICOS E AS QUESTÕES-CHAVE DA ECONOMIA 9. determinada por heranças culturais ou por vocações naturais. e as instituições. . agentes e instituições Complexo de instituições Quadro de agentes econômicos Recursos naturais Recursos humanos Capital Capacidade tecnológica Capacidade empresarial Unidades familiares Empresas Governo Jurídicas Políticas Sociais Os processos. .1. de seu emprego e de sua combinação pelas unidades de produção.15 9. os agentes. bem como pela resultante geração de bens e serviços intermediários e finais. pelos preços pagos aos bens e serviços adquiridos. 9. os mecanismos e os instrumentos de interação dos agentes econômicos decorrem de dois fatores fundamentais: . que conduz à organização de sistemas de trocas. pelos pagamentos de remunerações aos fatores de produção empregados. independentemente de sua destinação.a diversidade das necessidades humanas.a diversidade de capacitações das pessoas e nações. de outro lado.2 Processo de Interação e os Fluxos Econômicos Fundamentais Os fluxos reais definem-se a partir de suprimentos de recursos de produção. Traduzem-se. As Categorias Participantes do Sistema Econômico As três categorias que formam a base de qualquer sistema econômico são os recursos. que conduz à especialização e à divisão social do trabalho.

empresas e governo Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Pgto bens e serviços T Remuneração fatores T GOVERNO Fornecimento (bens e serviços) e IFBKF .A interação entre famílias e empresas Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Figura 8 .16 Figura 7.A interação entre famílias.

Uma visão de conjunto do processo econômico e das questões-chave da economia Fonte: Rossetti (2003) A forma como esses processos de realizam e seus resultados finais estão relacionados com as quatro questões-chave da economia: * A plena utilização dos recursos produtivos – Eficiência Produtiva: emprego dos fatores de produção.17 Figura 9. .

Por que o conceito de capital se associa aos de investimento e de acumulação? 3. as três seguintes categorias de elementos constitutivos do sistema econômico: estoque de fatores. 15. conseqüentemente. as atividades de produção classificam-se em primárias. Diferencie os conceitos de fluxo real e fluxo monetário. A condição fundamental para que se realize o fluxo de produção é a existência de um conjunto de cinco fatores. A principal fonte de renda do governo é a arrecadação de tributos. * A organização da vida econômica em sociedade – Ordenamento Institucional: instituições que regularão o funcionamento do sistema como um todo e a interação entre os agentes. quadro de agentes econômicos e o complexo de instituições. conceituando cada uma delas. 13. 11. * A distribuição dos resultados dos esforços de produção – Justiça Distributiva: rendas. Destaque os papéis de cada um. 12. O modelo simples de interação entre famílias e empresas é modificado com a introdução do agente Governo. 8. Sintetize esses dois fluxos em um modelo simples de interação entre as famílias e as empresas. 10. 14. Caps. Diferencie os conceitos de bens e serviços finais de consumo. Essa precondição é suficiente também para o desenvolvimento econômico? Comente. 7. 4. Descreva a partir da função de produção as precondições para que uma economia tenha crescimento econômico e. Diferencie tributos diretos e tributos indiretos e dê exemplos de cada um deles. 2. bens e serviços intermediários e bens e serviços finais de produção. O que compreende o fator capital. Questões: 1. Descreva sucintamente como ocorreu a evolução do sistema de trocas até a instituição da moeda como conhecemos na atualidade.18 * A escolha do que produzir – Eficácia Alocativa: produtos gerados. Diferencie o conceito de formação bruta de capital do de formação líquida de capital fixo. Explique cada uma das funções da moeda e dê exemplos. empresas e governo. para os interessados nas demais questões. uma maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante. Exemplifique essa função e diga qual é o tipo de relação entre as variáveis produção e recursos de produção. 5. Mobilizando os cinco fatores de produção. A maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante é considerada precondição quantitativa para a promoção do crescimento econômico e do bem-estar social. 6. Mostre as diferenças entre elas. 9. secundárias e terciárias. Nós nos deteremos nas duas primeiras das questões-chave. ver Rosseti (2003. Cite e conceitue cada um deles. São três os agentes econômicos que interagem dentro de determinado sistema econômico: unidades familiares. o aparelho de produção das economias desenvolve um grande fluxo contínuo de geração de bens e serviços. A função de produção para a economia considerada agregativamente mostra a relação funcional entre a produção e os recursos empregados. 5 e 6). Diferencie. Explique. Quanto à intensidade de emprego dos fatores e à natureza dos bens e serviços gerados. .

aumentando a parte dos lucros e da poupança dos mais ricos na renda nacional. Nesse sentido. distribuição de renda e crescimento econômico. O debate constante da macroeconomia é saber se as decisões da política monetária e fiscal do governo vão afetar ou não as tendências da economia. O QUE É MACROECONOMIA Trata da evolução da economia como um todo. se estiver também melhorando os indicadores sociais (pobreza. investimentos.19 CAPÍTULO 2 – SISTEMA FINANCEIRO 1. balanço de pagamentos e taxa de câmbio. que é aumento contínuo no nível geral de preços. AS METAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA As metas de política macroeconômica são: pleno emprego dos recursos. estoque de moeda e taxas de juros. emprego e desemprego. nível geral de preços. O crescimento econômico capta apenas o crescimento da renda per capita.). é possível aumentar a renda dos pobres sem diminuir a dos ricos. como renda e produto nacionais. Um pais está realmente melhorando seu nível e desenvolvimento econômico e sociais. Esses objetivos não são independentes uns dos outros e podem ser até conflitantes. o fato do país estar aumentando sua renda per capita não necessariamente significa que está tendo uma melhoria do seu padrão de vida. Estabilidade de preços A inflação. Alguns críticos do chamado “milagre econômico” argumentam que piorou a concentração de renda nos anos de 1968/73 devido a uma política deliberda do governo (a Teoria do Bolo): primeiro crescer. 2 Para uma discussão sobre o Milagre Econômico. 2 Crescimento econômico Quando se fala em crescimento econômico. para depois pensar em repartição de renda. juntamente com o aumento da renda per capita. analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados da economia. Por exemplo. é um problema porque acarreta distorções sobre a distribuição de renda. poupança e consumo agregados. atingir uma meta pode ajudar (ou não) a alcançar outras. estabilidade de preços. expectativas empresariais e etc. desemprego e etc. ou seja. do padrão de vida da população. A renda per capita é considerada o melhor indicador para se aferir a melhoria do bem-estar. Ou seja. se a renda aumentar. ver: Abreu (1990) “A Retomada do Crescimento e as Distorções do “ Milagre” (1967-1973). . ocorreu uma concentração de renda. Pleno emprego dos recursos Aprofundar os conhecimentos da política econômica com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de pleno emprego. 2. Distribuição de renda A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior parte da década de 70. Mas. uma vez que torna possível abrandar conflitos sociais sobre a divisão da renda. estamos pesando no crescimento da renda nacional per capita. houve um aumento da disparidade entre as classes de renda. Mas. o crescimento pode facilitar a solução dos problemas de pobreza.

No Brasil. A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações e/ou estímulo/desestímulos às importações. taxas de redescontos e regulamentação sobre crédito e taxa de juros. com baixas taxas de inflação e distribuição justa de renda. tendo como variáveis a serem determinadas: o produto nacional. as metas de crescimento e equidade distributiva têm se mostrado conflitantes. com o objetivo de permitir à economia operar a pleno emprego. A segunda relacionada com o que pode ser chamado de parte invisível da economia e determina a taxa de juros. reservas compulsórias. o nível geral de preços. os juros e os aluguéis é a de que. Normalmente. os agentes econômicos ficam proibidos de levar a cabo o que fariam. creditícias. Política cambial e comercial: atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia. o estoque de moeda e a taxa de câmbio. OS MEIOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA: A política macroeconômica envolve a atuação do governo sobre a capacidade produtiva (produção agregada) e despesas planejadas (demanda agregada). A primeira relacionada com a produção de bens serviços bem como no emprego do fator trabalho. A política cambial refere-se ao controle do governo sobre a taxa de câmbio. .20 Entretanto. compra e venda de títulos públicos. a política tributária. Política monetária: refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de moeda. Política de rendas (ou de controle de preços e salários): a característica especial da política de rendas. nesses controles. particularmente em países em desenvolvimento. ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA A economia pode ser dividida em parte real e parte monetária. O quadro 3 mostra os mercados e as diferentes variaveis determinadas em cada uma das partes da economia. esses controles são utilizados como política de combate à inflação. os lucros. Além da questão do nível de tributação. por meio da manipulação da estrutura e alíquotas de impostos. em resposta a influências normais do mercado. seja estabelecimentos de cotas etc. o nível de emprego e os salários nominais. 4. sejam fiscais. que influenciam diretamente os salários. Os instrumentos disponíveis são: emissão de moeda. a política salarial e a atuação da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (Seap) situavam-se nesse contexto. Os principais meios para atingir os objetivos são: Política fiscal: compreende todos os instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). de crédito e das taxas de juros. é utilizada para estimular (ou inibir) os gastos do setor privado em consumo e em investimento. uma vez que muitos acreditam que o aumento do nível de poupança seria mais facilmente obtido por meio de uma distribuição desigual de renda – a já citada Teoria do Bolo no período do milagre econômico. 3.

* Em 1937: John Hicks introduz o aparato conhecido como IS/LM – a chamada síntese neoclássica – que permite analisar a economia tanto pela hipótese de pleno emprego (clássicos e neoclássicos) como pela de desemprego (Keynes). * Até os anos 60. * Segunda metade dos nos 50. Questões: 1. numa herança keynesiana. (iii) produziam em pleno emprego (existia apenas a taxa natural de desemprego).21 Quadro 3 – Parte real e parte monetária da economia Mercados * Mercado de Bens Serviços Parte Real da Economia • Mercado de Trabalho * Mercado Financeiro Parte Monetária da Economia • Mercado de Divisas Variáveis Determinadas e * Produto Nacional * Nível geral de Preços • Nível de Emprego • Salários Nominais * Taxa de juros * Estoque de Moeda • Taxa de Câmbio 5. Explique. * Nos anos 50. XX: Primeira Guerra Mundial. (ii) está sujeita à flutuações. * Principais idéias Keynesianas. 3. do Juros e da Moeda” de 1936. que retratava as condições de oferta agregada. * Com a teoria de Keynes. (ii) utilizava eficientemente todos os recursos. XVIII. política monetária. Por que os objetivos de politica econômica podem ser conflitantes. a economia (ii) não regula a si própria. Identificação de “ciclos de negócios” e Grande Depressão dos anos 30. Maior desenvolvimento da Teoria Microeconômica. negligenciando a política monetária. que serviram como ponto de partida. . Você seria capaz de explicar qual objetivo de política econômica o governo brasileiro tem buscado nos últimos anos? Comente. O que se entende por política fiscal. Descreva as metas da política econômica. Atenção para como os agentes formas suas expectativas. a ênfase da política econômica ainda era nos instrumentos de política fiscal. (iii) pessimismo na comunidade de negócios e (iv) necessita de ação do governo para sua estabilização. tinha o instrumental IS/LM analisando os componentes da demanda agregada acoplado à Curva de Phillips. surge a Curva de Phillips que mostrava que uma relação inversa entre as taxas de inflação e taxas de desemprego. * Séc. * A teoria prevalecente antes de Keynes acreditava que a economia (i) era autoregulatória. Trata do papel das expectativas inflacionárias sobre a produção e o emprego. * Quatro principais linhas de pensamento macroeconômico: keynesianos. novos clássicos e pós-keynesianos. publicadas no livro “Teoria Geral do Emprego. recuperando o papel da oferta agregada na Teoria Macroeconômica. surge a Teoria Monetária com Milton Friedman da Universidade de Chicago. (iv) as ações do governo apenas para os bens públicos. Mas. A MACROECONOMIA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA. * Décadas de 70 e 80: Escola das Expectativas Racionais (os novos clássicos). neoclássicos. * Séc. primeiras revoluções. 2. política cambial e política de rendas? 4.

por estar um pouco mais distante ou mesmo não dispor de um rio em iguais condições. Expansionista MOEDA 1. quando muito. tenha se especializado na coleta de frutos. de forma direta.Um raciocínio simples exemplifica o caso das trocas diretas: uma tribo.22 SISTEMA FINANCEIRO O que veremos? Moeda: História Funções Oferta/Demanda Agregados Monetários Sistema Financeiro no Brasil (SFN): Diferentes Mercados Intermediação Financeira Sistema Bancário e Multiplicação dos Meios de Pagamento Criação/Destruição dos Meios de Pagamento Política Monetária: Instrumentos Política Restritiva vs. para ocorrer a permuta. à pesca e à coleta de frutos. Historicamente. Com o passar do tempo. A implantação desse sistema de intercâmbio direto de mercadorias. tornava-se fundamental. Essa primitiva sociedade. cujo objetivo primordial era a sobrevivência. era naturalmente impermeável à idéia de se estabelecer entre as comunidades um sistema de trocas de mercadorias. mas às trocas com terceiros que tenham bens e serviços de seu interesse. ORIGEM DA MOEDA Nas economias primitivas. por intermédio da moeda. mas com escassas chances de acesso a frutos. desde que houvesse interesse recíproco. Vivia em grupo tribal fechado. e trocas indiretas. Tornava-se imperiosa a criação de novas condições de comércio. o homem produz. Salvo nas comunidades extremamente afastadas da civilização. poderia especializar-se na pesca e trocar com uma outra comunidade que. A troca ocorreria. Cada indivíduo passa a destinar a maior parte de sua produção não ao seu consumo próprio. bilateralmente. na produção (captura) de peixes. apenas uma diminuta parcela daquilo que consome. portanto. o homem percebeu que poderia dedicar-se à produção de determinadas mercadorias em quantidades superiores às suas necessidades de consumo. hoje. restringindo suas atividades à caça. exigia certas condições especiais para seu funcionamento: se o indivíduo "A" fosse especializado na produção (coleta) de frutos silvestres e o indivíduo "B". em que tribos vizinhas representavam rivais em potencial. também conhecido como escambo. Conseqüência desse fato é o estabelecimento das trocas. o modo de vida do homem não lhe oferecia qualquer instrumento que possibilitasse a transformação dos produtos disponíveis. de maneira que as trocas pudessem ocorrer sem que dependessem . As dificuldades desse sistema são evidentes. produto por produto. as trocas evoluíram em duas etapas: trocas diretas. que o indivíduo "A" desejasse adquirir peixes e o indivíduo "B” desejasse adquirir frutos silvestres. às margens de um rio generoso em peixes.

nessa função. numa forma alternativa de guarda ou de acumulação de riqueza. sem o controle da sociedade. Reside. estabelecendo-se como padrão de conversão. consensualmente. a de facilitar o processo de circulação de bens. Por exemplo: alguém que dispusesse de cinco sacas de trigo e desejasse comprar meio boi. A forma encontrada foi substituir as trocas diretas pelas trocas indiretas. havia ainda a desvantagem de ser perecível. portanto. não só pelo desenvolvimento do comércio. Eram mais duráveis e permitiam subdivisão com maior facilidade. o que causava sérios problemas para o sistema como um todo. traduzse. em grande parte. A moeda é medida de valor porque estabelece uma unidade-padrão de medida. Além disso. uma mercadoria ou um produto que fosse aceito por todos os indivíduos. uma forte exigência: que seja aceito pela sociedade. como também pelas dimensões hoje assumidas pela Economia: a moeda. Outro problema que surgiu de imediato foi o fato de a mercadoria-moeda ter a possibilidade de multiplicar-se facilmente. Imagine alguém que tivesse todo o seu estoque de moeda representado por 100 sacas de trigo e todas elas se deteriorassem. a razão principal. como resolveria a questão? Um primeiro complicador consistia. Como alternativa. o gado e os metais. também. 2. e uma das causas poderia ser até mesmo não ter conseguido arcar com os custos de uma acomodação adequada para o trigo. Introduziase assim um elemento responsável. mas trazia consigo novas dificuldades. como reserva de valor. Entretanto. o trigo. A introdução da moeda no sistema econômico conduz à dissociação de cada troca em duas operações distintas: uma compra e uma venda. Esse indivíduo teria zerado o seu estoque de moeda. Em outras palavras. A utilização dos metais preciosos (ouro e prata) como moeda facilitou muito o desenvolvimento das trocas e da circulação dos bens e serviços necessários à sociedade. determinante do aparecimento da moeda. até ao instante em que é gasta. A história registra o aparecimento de moedas metálicas cunhadas na Grécia entre os séculos VIII e VII a. O estabelecimento da mercadoria-moeda possibilitava a implantação de um sistema de intercâmbio.C. Podem ser. A função de intermediação de trocas traduz-se em servir como meio de pagamento. sua posse constitui reserva de valor. como o foram no passado. portanto. qual seja. passa a desempenhar três funções básicas: intermediação de trocas. medida de valor e reserva de valor. A retenção da moeda. passou-se a adotar os metais preciosos como meio de troca. mediante consenso. porém.23 tanto da simultaneidade de interesses específicos. Sua produção era mais rara e escassa. EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE MOEDA Ao se estabelecer um produto ou mercadoria como base para a troca. apresentava problemas relativos a seu valor intrínseco e a seu transporte. um simples pedaço de "papel pintado". à qual são convertidos os valores de todos os bens e serviços disponíveis na economia. de aceitação geral. Era de melhor qualidade e não apresentava os problemas das demais mercadorias adotadas como moeda. o sal. nasceu o conceito básico de moeda: um instrumento facilitador das trocas que permite a medida ou a comparação de valores. Considerando-se que a moeda pode ser trocada por bens ou serviços em qualquer ocasião. desde o momento em que é recebida pelo seu detentor. A moeda por sua vez. diz-se que a moeda serve como denominador comum de valores. na indivisibilidade de certas mercadorias ou produtos. Pode ser. Há. em .

Cobravam apenas uma comissão pela prestação do serviço de guarda dos metais. um lastro. desenvolveu-se uma outra modalidade: moeda bancária ou escritural. Com isso. corresponde aos depósitos à vista. Tais operacões consistiam na emissão de recibos sem a contrapartida de um depósito em moedas. como meio de pagamento. uniformizando-a no espaço geográfico de sua influência. em função da confiança do público. os quais possuem liquidez e equivalem à moeda de curso legal. que possuíam locais seguros para guarda dos metais preciosos passou-se a adotar o costume de deixar as moedas depositadas com eles. Toda vez que se precisasse de moeda. para que adquirissem a confiança do público e iniciassem uma transformação na sua forma de "operação bancária". Assim. Dessa forma. então. adicionou-se a esse costume o de endossá-lo. em troca de um comprovante de depósito. 4. já que os possuidores ficavam muito mais vulneráveis ao ataque de saqueadores. cuja validade dependia única e exclusivamente de sua aceitação geral. Ex: depósito de poupança. mantendo um encaixe de 100% sobre os seus depósitos. Esse recibo tinha. Essa moeda. posto que os credores eram obrigados por lei a aceitá-la em pagamento de seus créditos. de emissão não lastreada. A garantia de utilização da moeda é dada pelo seu curso forçado. foi eliminada a necessidade de se trocar o recibo por metal precioso a cada operação. surgindo a partir daí a moeda fiduciária.24 virtude do peso e da segurança. tem-se: Ativos financeiros monetários: liquidez absoluta. Surgiu. até então. Observe-se que. sem qualquer utilização. o princípio das cédulas com lastro. ATIVOS FINANCEIROS Os ativos financeiros da economia podem ser diferencidados conforme os atributos rendimentos e liquidez. A demanda por moeda é derivada dos motivos: transação. Ao verificarem que os metais ficavam guardados em seus cofres por um longo período de tempo. os cambistas medievais atuavam como "banqueiros". Ao lado dessa moeda fiduciária. rendimento zero e usados como meio de pagamento. Ativos financeiros não-monetários: menor grau de liquidez e rendimento. monopolizada pelo Estado. era só trocá-lo por metal precioso. de curso forçado. de um recibo. OFERTA E DEMANDA DE MOEDA A oferta de moeda na economia é feita pelo Banco Central (BACEN) e pelos Bancos Comerciais através das atividades de depósitos e empréstimos. contudo. A aceitação dessa moeda inconversível decorria do poder do Estado em garantir sua utilização e na confiança da população nesse Estado. Essa transformação fez com que os bancos deixassem de ser simples depositários de metais e passassem a exercer a função de emissores. 3. Não tardou muito. Com o tempo. precaução e especulação. assim. Ex: papel moeda em poder do público (PMPP) e depósito à vista nos bancos comerciais públicos e privados. O Estado assumiu e monopolizou a emissão de moeda. que surgiu com o desenvolvimento dos bancos comerciais. Como os cunhadores eram geralmente ourives. . transferindo a outrem o direito de saque. os banqueiros da época não concediam e nem tomavam empréstimos. passaram a emitir os chamados bilhetes de banco negociáveis.

25 5. existe ainda outra medida da moeda na economia que é a base monetária. M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições financeiras. O conceito de base monetária (BM) equivale ao passivo monetário do Banco Central que serve de lastro aos meios de pagamento e é definida por: BM = PME + RB . M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas com títulos públicos federais. A seguir são definidos os agregados monetários: M0 = PMPP (notas e moedas) M1 = M0 + depósitos à vista nas instituições financeiras bancárias.Heveres Financeiros no Brasil (R$ bilhões) Fonte: Bacen 6. MEDIDA DA OFERTA DE MOEDA A quantidade de moeda existente na economia pode ser medida com a utilização dos chamados agregados monetários. BASE MONETÁRIA Além dos agregados monetários. M4 = M3 + títulos públicos federais (Selic) e títulos de emissão dos estados e municípios. Tabela 1 . Esses agregados são agrupados de acordo com a liquidez dos diferentes ativos financeiros da economia.Papel Moeda Emitido (PME): meio circulante .Reservas Bancárias (RB): contas correntes dos bancos criadores de moeda no Banco Central .

privados nacionais e estrangeiras) no sistema bancário do Brasil para o período de 2002 a 2005. veja em anexo o número de instituições por segmento. A figura 10 mostra a base monetária e os meios de pagamentos na economia brasileira para os anos de 2004 e de 2005. 8.Outras instituições A figura 11 abaixo mostra a participação por segmentos (públicos. por tipo e com maiores agências no país.Subsistema de Intermediação .2004 e 2005 Fonte: Bacen 7. .26 Essas reservas bancárias são compostas por reservas voluntátias e reservas compulsórias. A sistemática de recolhimentos compulsórios sobre os recursos à vista e a preponderância de metas de taxas de juros resultam em valores desprezíveis de reservas voluntárias médias. ORGANIZAÇÃO DO SFN . Figura 10 – Base monetária e meios de pagamentos no Brasil .Subsistema normativo . ESTRUTURA DO SFN (BRASIL) Sistema Financeiro: conjunto de agentes e instituições responsáveis pela intermediação de recursos financeiros entre as unidades econômicas líquidas (superavitárias) e as ilíquidas (deficitárias). Além disso.

respectivamente. DIFERENTES MERCADOS: O sistema financeiro é composto por quatro diferentes mercados que são: Mercado Monetário: onde são negociados títulos de curto prazo (Iiquidez da economia). Participantes: Bacen. Bancos. destaca-se o mercado de crédito no Brasil. Os gráficos mostram. empresas exportadoras e importadoras.27 Figura 11. o direcionamento do crédito para as diferentes atividades econômicas e as taxas de juros cobradas para as pessoas físicas e pessoas jurídicas. . Mercado de Crédito: tem a responsabilidade de suprir a necessidade de crédito das diferentes atividades econômicas.Sistema Bancário/Participação por Segmentos (Brasil) Fonte: Bacen 9. Mercado de Capitais: onde são negociados títulos de médio e longo prazo (necessidade de recursos para investimento). Mercado de Câmbio: são realizadas as transações com diferentes moedas. A seguir.

28 Fonte: Bacen Fonte: Bacen Fonte: Bacen .

um bem imóvel.1. por exemplo. Financiamento externo: que pode ser direto através da venda de ações ou de títulos da dívida e o indireto por meio de empréstimo via instituições financeiras A pergunta que surge é por que as unidades deficitárias não optam pelo financiamento direto? A resposta para esse questionamento está nos conceitos de custos de transação e de informação assimétrica. títulos públicos. em troca. Haveres monetários: possuem liquidez imediata — papel-moeda em poder do público e depósitos à vista (meios de pagamento). aqueles que podem ser chamados de unidades superavitárias (US) e outros que podem ser chamados de unidades deficitárias (UD). conforme ilustrado na figura a seguir: .29 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 1. 2. recebe haveres não-monetários (duplicata). duplicatas e etc. 2. Os primeiros suprem as necessidades de financiamento dos segundos através da intermediação das instituições financeiras. FORMAS DE FINANCIAMENTO Existem dois tipos de agentes no sistema financeiro. A faculdade de criar ou destruir moeda decorre de operações realizadas entre as instituições financeiras bancárias — que captam depósitos à vista — e o público. As unidades deficitárias possuem duas formas para obter financiamento: Autofinanciamento: venda de algum patrimônio.entrega ao público de haveres monetários (moeda) e. Para se distinguir uma ocorrência da outra. como depósitos a prazo. valemo-nos dos conceitos de haveres monetários e haveres não-monetários. o que permite aos bancos comerciais emprestar parte dos depósitos à vista por eles recebidos. Esse fenômeno decorre do fato de ser altamente improvável que todos os depositantes saquem seus recursos ao mesmo tempo. Haveres não-monetários: não possuem liquidez imediata. Criação de moeda: Quando a instituição financeira bancária desconta uma duplicata . CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO DE MOEDA O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da moeda escritural consiste na multiplicação dos meios de pagamento através das instituições financeiras bancárias que captam depósitos à vista. mantendo encaixes bem inferiores ao volume destes depósitos.

2.00.000. Multiplicador Simples k = 1/R k = magnitude do efeito multiplicador R = alíquota de recolhimento bancário Exemplo: R = 0.000.30 Figura 12 – Criação de Moeda Haveres monetários Instituição Financeira Bancária Haveres não-monetários Público 2. o efeito multiplicador fará com que o volume de meios de pagamentos passe a ser de R$ 4.25 Temos que k = 1/0. 3. . Indivíduo efetua um depósito à vista em um banco comercial (N). Indivíduo resgata sobre poupança. MULTIPLICADOR BANCÁRIO As instituições financeiras que captam depósitos à vista podem multiplicar os meios de pagamentos através das operações de empréstimos. Destruição de moeda: Quando o público quita uma duplicata – a instituição bancária entrega ao público haveres nãomonetários (duplicata quitada) e recebe haveres monetários (moeda).00. Indivíduo adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista (D). com transferência do saldo para a conta corrente no banco comercial (C).25 = 4 Se DV= R$1. conforme ilustrado na figura a seguir: Figura 13 – Destruição de Moeda Haveres não-monetários Instituição Financeira Bancária Haveres monetários Público Exemplos de criação e de destruição de moeda: Governo Federal deposita impostos arrecadados do público no Bacen (D). Exportadores trocam US$ por R$ no Bacen (C).

das partes envolvidas. Instrumentos de política monetária Operações de mercado aberto: Compra ou venda de títulos. com seus mecanismos de transmissão. que serão remunerados ou não remunerados. ou de propriedade.Atual (outubro/2003): Recursos à vista : 45% em espécie. de forma definitiva ou compromissada. e sua “multiplicação” se dá pela ação dos bancos comerciais.oferta (direta e indiretamente) ou . não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. ou de liquidez. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie.demanda (tornando o dinheiro mais caro para o público).1. 4. Recolhimentos compulsórios: Parcelas de algumas modalidades de captação que as instituições financeiras devem manter junto a Autoridade Monetária (Bacen) a fim de condicionar a alavancagem de operações ativas e a estrutura de custos. das partes envolvidas. remunerado . Os recolhimentos podem ser exigidos em espécie.Em março de 1999: Recursos à vista : 75% em espécie. .Anterior ao Plano Real: Recursos à vista: 40% em espécie. A oferta primária fica a cargo da autoridade monetária (AM). ou em títulos. para condicionar os volumes de reservas bancárias e as taxas básicas de juros. O controle da oferta de moeda pode se dar pelo lado da: . não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. remunerado Depósitos a prazo: 15% em títulos. POLÍTICA MONETÁRIA Refere-se ao processo de oferta de moeda na economia. Recolhimentos compulsórios: estrutura no Brasil . não remunerado FIF-30 dias : 5% em espécie não remunerado .31 Multiplicador Elaborado: k = 1/C+D(R1+R2) C = PMPP/M1 D = DV/M1 R1 = CX/DV R2 = RB/DV Onde: PMPP = papel moeda em poder do público DV = depósitos à vista CX = caixa dos bancos comerciais RB = reservas bancárias (voluntárias e compulsórias) 4. As operações compromissadas ou com compromisso de recompra/revenda ou de financiamento de títulos alteram a posição de custódia. remunerado Depósitos a prazo : 30% em títulos FIF-curto prazo : 50% em espécie. As operações definitivas alteram a posição de carteira.

Dados os seguintes agregados monetários (em mil R$): Papel moeda emitido (PME) 1.reduz * aumenta . Quais são os diferentes mercados do sistema financeiro? Explique. aumenta prazo 3.Voluntárias 100 -Compulsórias 400 Depósito em poupança 200 Quotas de fundo de renda fixa 150 Títulos públicos federais (Selic) 430 a) Qual a base monetária ? b) Qual o total do M1 ? c) Qual o total do M2 ? c) Qual o total do M3 ? c) Qual o total do M4 ? 2. 3.Reduz * amplia Taxas de juros .400 Reservas dos BC no Bacen . destruição (D) de moeda: ( ) Governo Federal deposita taxas e impostos arrecadados de empresas no Bacen. ( ) Importadores trocam R$ por US$ no Bacen. Os ativos financeiros da economia são diferenciados em duas categorias conforme duas características. aumenta a taxa e reduz o prazo de pagamento.100 Papel moeda em poder do público (PMPP) 600 Dep. Nas afirmações abaixo.aumenta * reduz . Quadro 3 – Resumo dos Instrumentos de Política Monetária Instrumentos 1.reduz * aumenta .aumenta *reduz As Políticas Monetárias podem ser chamadas de restritivas ou de expansionistas. Uma empresa deficitária possui duas opções de financiamento. Questões Conceituais: 1. Open Market . Quais são essas opções? Por que a intermediação financeira é a forma mais utilizada de financiamento pelos agentes econômicos deficitários? Comente. Redesconto .aumenta juros. 4. A taxa cobrada por esses empréstimos mais o prazo para o seu pagamento constitui o que é chamado de taxa de redesconto. Diga quais são as características. reduz prazo * reduz juros.reduz * aumenta . . ( ) Indivíduo transfere saldo da conta corrente para a conta de poupança no banco comercial. São expansionistas quando aumentam a oferta monetária e barateiam os empréstimos. São restritivas quando reduzem a oferta monetária e encarecem os empréstimos. diga quando ocorre criação (C). Recolhimento Compulsório .Aumenta a taxa * reduz a taxa 2.aumenta * diminui .32 Redesconto O Bacen pode suprir as necessidades de financiamento dos bancos comerciais através de empréstimos.Restringe * Amplia Oferta monetária .aumenta * reduz . Quando o Bacen quer ser punitivo. a vista do público nos BC 1.Venda de títulos * Compra de Títulos 4. 5. Operações de Crédito .

10.. ( ) A velocidade renda da moeda é definida pela relação entre o PIB e a quantidade de moeda (M). M3 e M4 ? 9. Explique cada um deles. recebendo a inscrição de um depósito à vista. 11. Coloque falso (F) ou verdadeiro (V). A oferta de moeda pode dar-se pelo Bacen ou pelos Bancos Comerciais. ( d... Como se dividem os agregados monetários no Brasil. Se R = 0. nos Bancos Comerciais 95 * Papel Moeda Emitido 200 * Depósitos à vista do público nos Bancos Comerciais 150 * Depósitos à vista dos Bancos Comerciais Voluntários 40 Compulsórios 30 * Títulos federais. qual é o mais punitivo para os bancos.. em poder do resto do mundo 150 a.. . ) Banco aumenta seu capital vendendo ações ao público. e justifique quando falso: ( ) Quando o Bacen aumenta a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais. ) Indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito à prazo... ) Empresa efetua um depósito à vista em um banco comercial.. em poder do resto do mundo 400 * Depósitos na Poupança.. ) Banco compra títulos da dívida pública possuídos pelo público. A elevação da taxa dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais junto as autoridades monetárias diminuiu o valor do multiplicador dos meios de pagamentos porque: a.000. sendo este último dado pelo mecanismo do multiplicador monetário. ( )diminui o saldo do papel-moeda emitido ) diminui o saldo do papel-moeda em circulação )diminui o saldo do papel-moeda em poder do público )diminuem os depósitos à vista nos bancos comerciais )diminuem os recursos dos bancos comercias para empréstimos ao público.75.00.. a taxa de juros reduz. maior o multiplicador bancário simples.. então o valor do multiplicador simples na economia será de. 7. Quais as funções principais que o Banco Central exerce na política econômica. ( ) A oferta de moeda e a taxas de juros são reduzidas através de uma política monetária expansionista.. ( e. Comente. o Bacen pode comprar títulos públicos que estão nas mãos do público. 8.. M2.. Qual o valor do M1. a oferta monetária é reduzida e a taxa de juros também cai. Dos instrumentos que o Bacen pode utilizar para controlar a oferta de moeda na economia. Qual o valor da Base Monetária? b... ( ) Se o Bacen diminui os juros e aumenta o prazo na operação de redesconto. ( ) Se o Governo precisa reduzir a quantidade de oferta de moeda na economia. em moeda corrente. ) indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito á vista.. qual será o valor multiplicado. ) Banco compra cambiais de um exportador. ( c.. ( b... 6. ) Banco vende um imóvel a uma pequena empresa recebendo o pagamento à vista em dinheiro. ( ) O multiplicador bancário elaborado varia negativamente em relação à taxa de reservas dos bancos e positivamente em relação à taxa de retenção do público. Dados os seguintes agregados monetários (em R$ milhões): * Caixa. ( ) Quanto maior for a taxa de inflação numa economia. ) Banco vende divisas a um importador. Se o montante inicial em depósito a vista é de R$ 4. menor será a velocidade-renda da moeda.33 ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Empresa adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista. em poder do resto do mundo 250 * Depósitos à prazo. ( ) A taxa de juros pode ser reduzida através da expansão nas operações de crédito por parte do Bacen. ( ) Quanto maior a taxa de recolhimento compulsório. ) Empresa leva ao banco uma duplicata para descontar. 12.

O segundo congrega as instituições bancárias e não bancárias. A principal função da reserva compulsória sobre os depósitos bancários. das empresas ao público em geral d) atividade do Banco Central na compra ou venda de títulos e) restrições às operações de crédito ao consumidor 19. a)maiores – maior será b)menores – menor será c)maiores – menor será d)menores – inalterado será e)nenhuma das anteriores 16. entre suas responsabilidades: a) atuar como banco do governo federal e renegociar a dívida externa brasileira b) aceitar depósitos. responsável pela disciplina operacional e pela liquidez do sistema. a)transação – especulação – precaução b)precaução – especulação – transação c)especulação – transação – precaução d)precaução – transação – especulação e)nenhuma das anteriores 14. pelo Banco Central. Demanda por moeda para ________________: as pessoas mantêm dinheiro porque ele é mais seguro que outros ativos. O Banco Central do Brasil (Bacen) tem. mediante pagamento à vista. Entre as operações a seguir relacionadas. em bolsa. O sistema financeiro nacional constituído do mercado monetário. mercado de capitais e mercado cambial. Demanda de moeda para _______________: ficando com mais dinheiro as pessoas podem enfrentas melhor as despesas imprevistas. As operações entre o público e o setor bancário podem criar ou destruir os meios de pagamento. Quanto ___________ forem as taxas voluntárias e compulsórias. Mas o freio maior é o recolhimento compulsório que o Banco Central exige dos bancos comerciais. O primeiro congrega as autoridades monetárias. é usualmente subdividido em 2 subsistemas: o _______________ e o __________________. já que o preço de ações. é: a) permitir ao governo controlar a demanda de moeda b) permitir as autoridades monetárias controlar o montante de moeda bancária que os bancos comerciais podem criar . Demanda por moeda para ____________: as pessoas mantêm dinheiro porque isso lhes permite comprar e vender bens com facilidade. como instrumento de política monetária. em moeda. especificamente: a) concessão de empréstimos. Entende-se por operações de mercado aberto. mercado de crédito. conceder empréstimos ao público e controlar os meios de pagamento do país c) emitir papel-moeda. O encaixe próprio dos bancos (parcela dos depósitos que é mantida em caixa) é um dos freios à multiplicação infinita da moeda escritural. qual delas é responsável pela criação de meios de pagamento? a) pessoas realizam depósitos a prazo nos bancos b) bancos vendem ao público.34 13. títulos de diversas espécies c) saque de cheques nos caixas dos bancos d) empresas levam aos bancos duplicatas para desconto. títulos e imóveis pode flutuar muito. a empresas e consumidores b) concessão de empréstimos. __________________seu efeito multiplicador. a) normativo – cambial b) intermediação – normativo c) intermediação – cambial d) normativo – intermediação e) nenhuma das anteriores 15. por parte dos bancos comerciais. a bancos comerciais c) venda de ações. fiscalizar e controlar os intermediários financeiros. supervisionar a compensação de cheques d) executar as políticas monetária e fiscal do governo e) fiscalizar empresas privadas e públicas 18. recebendo a inscrição de depósitos à vista 17.

3. O que aconteceria com os agregados monetários M1. De que forma essa distribuição de crédito pode afetar o crescimento futuro da economia? Argumente. o Banco Central deve: a) elevar a taxa de redesconto b) comprar títulos da dívida pública c) elevar a emissão de papel-moeda d) reduzir a reserva compulsória dos bancos comerciais e) reduzir a taxa de juros para desconto de duplicatas Questões Aplicadas: 1. Essa redução foi possível graças ao crescimento econômico da economia? . Para reduzir o volume de meios de pagamentos. O Bacen reduziu a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais de 75% (março/1999) para 45% (outubro/2003). Do total de crédito direcionado para as atividades econômicas nos de 2004 e 2005. 2. a maior parcela ficou com as pessoas físicas. M3 e M4 (medidas da moeda) numa economia que estivesse praticando uma taxa de juros reais de 9% ao ano? E o que aconteceria se a economia passasse a conviver com altas taxas de inflação? Explique.35 c) impedir que os bancos comerciais obtenham lucros excessivos d)forçar os bancos a manter moeda ociosa no sentido de cobrir as necessidades de caixa do banco central e) cortar subsídios governamentais às empresas privadas 20. M2.

Deflação = redução no nível da atividade econômica (estagnação – Ex. Reflação = movimento de recuperação de processos deflacionários depressivos. anos 30). SITUAÇÕES POSSÍVEIS DE VARIAÇÃO DOS PREÇOS Inflação = aumento persistente no nível geral de preços. Desinflação = redução ou a eliminação da inflação.36 CAPÍTULO 3 – INFLAÇÃO O que veremos? Definição e Cálculo Teorias Explicativas Mensuração da Inflação no Brasil Planos de Estabilização INFLAÇÃO 1. de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. Situações Possíveis INFLAÇÃO DESINFLAÇÃO LINHA DE ESTABILIDADE DEFLAÇÃO REFLAÇÃO .

que leva a um aumento dos custos das empresas que é em alguma medida repassado para os preços finais. Efeitos sobre o balanço de pagamentos: taxas de inflação em níveis superiores ao aumento de preços internacionais encarecem o produto nacional relativamente ao produzido no exterior. Efeitos sobre a distribuição de renda: redução do poder aquisitivo das classes que dependem de rendimentos fixos. TEORIAS DA INFLAÇÃO Inflação de demanda Ocorre quando há um excesso de demanda agregada. Mecanismos: . A Inflação decifrada.oferta de alimentos inelástica . 3 Para uma discussão sobre a inflação inercial ver: Pereira (1996). .37 2. que são sempre repassadas aos preços. que possuem prazos legais de reajuste.estrutura oligopolística no mercado Inflação Inercial 3 Os mecanismos de indexação formal (contratos. Inflação de custos (Ou inflação de oferta) Ocorre quando há variação dos preços de itens com alta participação no processo produtivo (aumento salarial.rigidez das importações (M) associada ao pouco dinamismo das exportações (X) . reajuste de tarifas públicas. como terras e imóveis. deteriora-se o valor da moeda e ocorre desestímulo à aplicação de recursos no mercado de capitais financeiros.aceleração: choques de oferta Efeitos da Inflação Efeito Oliveira Tanzi: mostra que a inflação corrói o montante de arrecadação. 16(64): 20-35. via aumento dos preços. a oferta agregada não tem como se expandir de forma a acompanhar o crescimento da demanda. Efeitos sobre o mercado de capitais: com inflação. indústria.(baixa relação de trocas) . tarifas públicas) provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores..Quando a economia funciona a pleno emprego. etc.propagação: indexação formal e informal .).. desvalorização cambial. A inflação estruturalista (Cepal) Os pensadores da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) afirmam que as causas estruturais da inflação são: . aluguéis. Revista de Economia Política. As aplicações em cadernetas de poupança cedem lugar para a aplicação em recursos de bens de raiz. O ajuste da oferta não se dá via aumento das quantidades. quebra de safra.substituição de importações . salários) e informal (reajustes de preços no comércio. mas sim.

então: 30 * 1 = 30 Cesta (ponderada): (10*40%) + (30*60%) = $22 Variação: (22-13)/13 = 69% Números Índices É uma medida estatística idealizada para mostrar as variações de uma variável. correlacionados ao tempo. é chamado número-indice agregado ou composto. Uma coleção de números índices de diversos anos. A cesta básica mensal inclui 10 kg de carne e 30 kg de batata. tem-se: Período base (t0): Carne: $ 1/Kg. Considerando dois períodos de tempo. Quando o número-índice representa uma comparação para um bem ou produto individual. no qual os preços são ponderados pelas quantidades associadas com o ano-base antes de serem somados. então: 30 Kg * 0. uma POF identificou que o consumo médio de carne era de 40% e de batata 60%. Quando o número-indice foi construído para um grupo de bens. A fórmula é: IL = Onde: p0 = preço no período inicial. é frequentemente denominada série de índices. Os exemplos desse métodos são os índices de Laspeyres e o de Paasche. inicial (0) e atual (1).00 (aumento de 100%). O índice de Laspeyres pondera preços (p) em duas épocas. Índice de Laspeyres É um dos mais populares índices agregado de preços.. e etc.38 3. localidades. É calculada em função do perfil de consumo de uma certa população (POF). ou a outras características como rendimento. ou de um grupo de variáveis. então 10 * 1 = 10 Batata: $1.50/Kg = $15 Cesta (ponderada) = (10*40%) + (15*60%) = $13 Período seguinte t + 1 Carne: $1. é chamado número-indice simples (ou relativo). q1 = quantidade no período atual. à localização geográfica.50/Kg. INFLAÇÃO E NÚMEROS ÍNDICES A inflação é o aumento generalizado dos preços de uma economia.00 (preços estáveis). t0 como mês base e t1 como o mês seguinte. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época inicial. Exemplo: considerando dois produtos (carne e batata). . profissão. q0 = quantidade no período inicial. p0 × q0 × 100 p1 × q0 p1 = preço no período atual. então: 10 Kg * $1/Kg = $10 Batata: 0. Método agregativo ponderado Os índices agregados de preços são geralmente ponderados segundo as quantidades q dos bens. que determina a ponderação de “cestas de bens e serviços”.

durante um ano. Por exemplo. em uma região do país. durante determinado ano. com os de um ano anterior. Índice Nacional Preços ao Consumidor (INPC) é calculado pela Fundação IBGE. inicial (0) e atual (1).39 Como essas quantidades são consideradas adequadas à época inicial e não à época atual. com a de outra. admite-se que o numerador possa se apresentar super dimensionado e assim o índice de Laspeyres apresentar tendência de elevação. Existem vários índices de preços que são calculados por instituições diferentes. Como essas quantidades são consideradas adequadas à época atual e não à época inicial. eventualmente. Índice de Paasche Este índice usa as quantidades do ano dado como pesos. INDICADORES DE INFLAÇÃO NO BRASIL E NO RS Vários são os indicadores de inflação adotados no Brasil. super dimensionado e assim o índice de Paasche apresentar tendência a rebaixamento. em uma cidade. Veremos a seguir os números índices que são usados no Brasil para medir a inflação. admite-se que o denominador possa se apresentar. A tabela abaixo sumariza as principais características dos indicadores calculados no Brasil. A fórmula é: IP = p0 × q1 × 100 p1 × q1 O índice de Paasche pondera preços (p) em duas épocas. Tabela 2 . tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época atual. ou a produção de aço. 4. o Índice Geral de Preços (IGP) é calculado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Aplicação dos Números Índices Para comparar os custos de alimentos ou de vida.Estrutura Básica dos Indicadores .

IGP-10 (FGV): Elaborado com a mesma metodologia do IGP e do IGP-M.Regiões Metropolitanas e IPC 4. como aluguel.40 O mapa a seguir mostra as regiões metropolitanas que são alvo para o cálculo do índice de preço ao consumidor (IPC). de preços ao consumidor (IPC) no Rio e SP. INPC-IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor. IGP-M (FGV): Metodologia igual à do IGP-DI.FGV:É uma média ponderada do índice de preços no atacado (IPA). mas pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. com peso 6. e do custo da construção civil (INCC). com peso 1. porém refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos. Usado em contratos de prazo mais longo. IGP. O IGP-M é elaborado para contratos do mercado financeiro. Foi escolhido como alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil.1 Diferença entre os Principais Índices IPCA. com peso 3. O IGP tradicional abrange o mês fechado. A pesquisa é feita em 11 regiões metropolitanas. média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos. Formado pelo IPA (Índice de Preços por Atacado) e IPC (Índice de Preços ao Consumidor). A única diferença é o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte. IGP-DI (FGV): Reflete as variações de preços de todo o mês de referência. semelhante ao INPC. .IBGE: Calculado desde 1980. Mapa 1 .

Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor.22 176. Reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos.800 (há também índices para a baixa renda e a intermediária). e usado em financiamentos de imóveis.10 545. Reflete o custo de vida de famílias com renda média de R$ 2.Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): Pesquisado no município de São Paulo.Custo Unitário Básico: Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor. o de menor peso.41 INCC (Índice Nacional do Custo da Construção). Apura as variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços finais no consumo.72 Variação % -1.78 -1. INCC. respectivamente.36 0. Utilizado em financiamento direto de construtoras/incorporadoras CUB . IPC. Divulga também taxas quadrissemanais.58 177.2 Instituições que calculam a inflação no RS O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE/UFRGS) elabora o Boletim Econômico (IEPE-UFRGS) mensalmente com o objetivo de: * Índice de Preços ao Consumidor (IPC-IEPE). Calculado por sindicatos estaduais da indústria da construção.Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese): Medido na cidade de São Paulo.2006 Índice de Preço ao Consumidor (IPC) Fev Mar Abr Número Índice 177.53 Variação % -0.Índice Nacional do Custo da Construção: Um dos componentes das três versões do IGP.51 549. chamados de Sinduscon. ICV. 4.59 0.71 . Indicadores Econômicos (IEPE-UFRGS) .54 Cesta Básica (RMPA) Fev Mar Abr Custo Total (R$) 554. * Custo da Cesta Básica da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA). com pesos de 60%. 30% e 10%.51 -0.

m.) Inflação no Brasil na década de 1980 (IGP-DI (% a. INFLAÇÃO NO BRASIL 75 65 55 45 35 25 15 5 -5 Plano Collor Crise da Dívida Plano Cruzado Inflação no Brasil (1944-2006) Inflação nas eras Collor. FHC e Lula (IGP-DI %a.-10 IGP .gov.ipeadata.m.DI (% a.m.) -10 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 10 20 30 40 50 60 0 5.br 1990 01 1990 07 1991 01 1991 07 1992 01 1992 07 1993 01 1993 07 1994 01 1994 07 1995 01 1995 07 1996 01 1996 07 1997 01 1997 07 1998 01 1998 07 1999 01 1999 07 2000 01 2000 07 2001 01 2001 07 2002 01 2002 07 2003 01 2003 07 2004 01 2004 07 2005 01 2005 07 2006 01 2006 07 Plano Real Plano Verão 1980 01 1980 05 1980 09 1981 01 1981 05 1981 09 1982 01 1982 05 1982 09 1983 01 1983 05 1983 09 1984 01 1984 05 1984 09 1985 01 1985 05 1985 09 1986 01 1986 05 1986 09 1987 01 1987 05 1987 09 1988 01 1988 05 1988 09 1989 01 1989 05 1989 09 1944 02 1946 02 1948 02 1950 02 1952 02 1954 02 1956 02 1958 02 1960 02 1962 02 1964 02 1966 02 1968 02 1970 02 1972 02 1974 02 1976 02 1978 02 1980 02 1982 02 1984 02 1986 02 1988 02 1990 02 1992 02 1994 02 1996 02 1998 02 2000 02 2002 02 2004 02 2006 02 42 . Solange Marin a partir de dados do IPEADATA – www.)) Era FHC Plano Bresser Choques Heterodoxos Era Lula FONTE: Prof.

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5.1. Causas Básicas da Inflação Brasileira As principais causas da inflação na economia brasileira são: a questão distributiva, o déficit do setor público e seu financiamento e o mecanismo de indexação (formal e informal). 5.2. Inflação no Brasil e as Correntes Econômicas Correntes Causas Principais * Desequilíbrio do setor público (déficit e a dívida pública provocam descontrole monetário, causando inflação de demanda)

Monetarista

Inercialista

* Indexação generalizada (formal e informal)

Políticas Antiinflacionárias * Ajuste fiscal (para reduzir déficit e dívida pública, via reformas fiscal, previdenciária, privatização) * Controle Monetário (juros e moedas) * Liberalização do comércio internacional * Dexindexação (para apagar memória ou inércia inflacionária, via congelamento de preços, salários e tarifas – Planos Cruzado, Bresser – ou troca de moeda – Plano Real) * Controle de preços de oligopólio * Reformas estruturais

Estruturalista

* Conflitos distributivos ( pressões de margens de lucro, pressões salariais, pressões de tarifas e preços públicos provocam inflação de custos)

5.3. A Inflação no Brasil e os Programas de Estabilização 1946-58: Inflação de crédito e estrutural 1959-63: Inflação predominantemente fiscal 1964-67: Aplicação de controles ortodoxos 1968-79: Inflação reprimida 1980-1985: Inflação de movimentos inerciais 1986-94: Fase dos choques heterodoxos 1994-2006: O real, a volta à ortodoxia e a estabilização. 5.4. Planos de Estabilização O Plano Cruzado (28/02/1986) A inflação era tida como inercial. O diagnóstico era de que a inflação tinha caráter autônomo, sustentado pela indexação formal e informal da economia. Houve a utilização de instrumentos heterodoxos para a eliminação da memória inflacionária (inércia inflacionária): Medidas: 1. introdução de nova moeda: reforma monetária, com o cruzado – (000) 2. congelamento de preços por prazo indeterminado ao nível de 28/02. 3. conversão de salários: além do valor real médio, concedido um abono de 8%. 4. conversão de aluguéis, prestação do sistema financeiro e mensalidades escolares pelo princípio da média. 5. Desindexação:

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5.1 proibição de clausula de indexação: proibição de correção monetária para contratos inferiores a um ano e para contratos maiores de um ano, reajuste conforme a OTN em cruzados; 5.2 indexação de salários: escala móvel, salários reajustados toda vez que a inflação atingisse a casa dos 20%; 6 tablitas: tabela de conversão diárias de valores em cruzeiros para cruzados. Conseqüências: 1 parte dos recursos foram destinados para a compra de imóveis e reativação da produção; 2 reativação do consumo via salário móvel, seguro-desemprego e abono; 3 viver de renda ficou difícil porque caíram as taxas de juros (teve até taxa negativa); 4 taxa de inflação caiu; 5 empresas introduziram inovações organizacionais tais como just-in-time e abertura de novas firmas; 6 houveram conflitos entre produtores e fornecedores e a conseqüente falta de produtos; 7 não houve discussão quanto ao prazo do congelamento. O congelamento de preços foi peça fundamental e a inflação caiu nos primeiros meses. Houve explosão do consumo devido ao aumento do poder de compra do salário, a despoupança em função da desilusão monetária, a queda nas taxas de juros e ao consumo reprimido dos anos de recessão e ao congelamento de alguns preços defasados aos custos. O excesso de demanda reforçada pela expansão da oferta de moeda além do incremento natural da demanda provocada pela desinflação abrupta. Houveram taxas de juros negativas favoráveis a inflação zero. Esforços posteriores para uma política monetária mais restritiva e o aumento da taxa de juros encontrariam oposição política. Houve reconhecimento da magnitude do desequilíbrio fiscal, pois o esperado aumento na receita do governo, devido a eliminação da erosão da inflação que agia sobre a arrecadação dos impostos (efeito Tanzi) não se materializou no percentual e no tempo previstos. Quando ocorreu o aumento da receita, ele foi compensado pelo aumento nos gastos. No período final ou descongelava-se preços ou desacelerava-se o produto através do corte da demanda agregada. O ano de 1986 foi marcado pela redução drástica da inflação, após o congelamento de preços decretado pelo Plano Cruzado, e uma violenta expansão do consumo, que determinaram novamente a boa performance em termos de crescimento econômico (8,3%). O crescimento do consumo foi explicado por várias razões: transferência de renda real aos trabalhadores (aumento de salário real), fim da “ilusão monetária” com fuga dos ativos financeiros, expansão monetária e creditícia etc. Entretanto, foi também o responsável por vários problemas na economia e pela volta da inflação. Dentre os problemas, destacavam-se a crise de abastecimento, a presença do ágio como forma de burlar o controle de preços e outras formas travestidas de inflação, bem como uma profunda crise cambial. A crise cambial, em decorrência da redução do saldo na balança comercial e da piora nas contas de capital, com profunda queima de reservas para a sustentação do plano, desembocou na moratória de fevereiro de 1987 como forma de estancar a perda de divisas. Foram feitos ajustes no Plano Cruzado, como pode ser visto a seguir: Cruzadinho (07/1986 – 10/1986) Elaboração de um pacote fiscal para diminuir o consumo. Foram criados o sistema de empréstimo compulsórios e novos impostos indiretos sobre a gasolina (28%) e automóveis (30%). Mas, esse pacote teve pouca eficácia para conter o consumo. Ao contrário, a expectativa do descongelamento deu novo impulso à demanda. A inflação oficial caiu, porém

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não refletia a inflação real da economia devido aos ágios, ao desabastecimento e à introdução de produtos novos. Após o mês de setembro o saldo da balança comercial começa a refletir o excesso de demanda interna e a queda nas exportações. Cruzado II (11/1986 – 06/1987) Um pacote fiscal visando o aumento da arrecadação do governo em 4% do PIB via reajuste de alguns preços públicos e aumento de impostos indiretos. Porém, o incremento nos recursos do governo através de preços públicos mais elevados foi desviado para o gasto com produtos e não com o aumento de poupança. Isso reativou a inflação e aumentou o salário via gatilho, o que por sua vez causou a explosão da inflação. Segundo Celso Furtado: a inflação inercial é subproduto das outras e a inflação brasileira reflete em parte um conflito distributivo de renda, em que o governo sempre foi o beneficiário, pois recorria à inflação por não ter meios de se autofinanciar adequadamente através da política fiscal. Plano Bresser (12/06/1987) O Plano Bresser não tinha por objetivo a inflação zero, mas promoveu o choque deflacionário com a supressão da escala móvel de salários. Os objetivos eram sustentar a taxa de inflação a níveis mais baixos e reduzir o déficit público. Foi instituída uma nova base de indexação salarial, a unidade referencial de preço (URP), ou seja, a cada três meses seriam pré-fixados os percentuais de reajuste para os três meses subseqüentes; com base na inflação média dos três precedentes. O gatilho foi mantido, porém ampliava-se a defasagem entre a observação da taxa de inflação e seu repasse aos salários. Os preços foram congelados por três meses ao nível de 12/06/1987, mas antes foram aumentados os preços públicos e administrados. Também não ocorreu a reforma monetária. Quando o Plano Bresser entrou em vigor, em junho de 1987, houve a mudança no indexador da poupança de Obrigação do Tesouro Nacional (OTN) para a Letra do Banco Central (LBC). De acordo com as novas regras, que passaram a valer na época, foi determinado que, entre os dias 1º e 15 de junho de 1987, a poupança seria remunerada pela variação OTN e, a partir de então, pela LBC. Acontece que os bancos remuneraram o mês todo usando como indexador a LBC, que teve variação 18,02% no período, bem menor que a variação da OTN, de 26,06%. É exatamente a diferença de 8,04 pontos porcentuais de remuneração que atualmente o poupador daquela época tem direito. O Plano Cruzado teve como política de combate a inflação o aumento da demanda agregada num contexto de crescimento econômico, o que terminou com pressão sobre inflação. O Plano Bresser objetivava conter a inflação com a redução da demanda num contexto de desaceleração mantendo o crescimento econômico com o redirecionamento da oferta para exportações. O plano incorporou ingredientes inutilizados no Cruzado tais como a preocupação com a taxa de juros, a taxa de câmbio, o déficit público e acordo com o FMI. Porém, acreditava que a sociedade agia de forma irracional. O plano foi uma tentativa de debelar a inflação que, sem o apoio popular do plano anterior, teve acertos e erros. A volta da inflação levou à adoção, em 1987, de políticas de cunho mais ortodoxo, mesmo com a presença de novo plano em junho, o Plano Bresser, que possuía maior preocupação em conter a demanda interna e evitar problemas no front externo. Com a característica recessiva da nova política econômica, esse ano apresentou profunda queda na taxa de crescimento, que situou-se em 3,6%.

pois tanto a política fiscal como a monetária tornaram-se prisioneiras da rolagem da dívida interna. com estagnação em 1988 e crescimento de 3.46 Plano Verão (14/01/1989) Em 1988 e 1989. buscou uma reforma fiscal centrada no Imposto sobre Operações Financeiras. Pretendia-se retomar a capacidade de fazer a política monetária e a elaboração de programas de abertura comercial e de privatização de empresas estatais. à privatização das empresas estatais e à maior abertura ao capital estrangeiro. deveria ser resolvida a questão do déficit e da dívida pública. que inviabilizava a condução da política monetária e qualquer tentativa de estabilização. Além desses pontos. já nos meses seguintes ao confisco. O diagnóstico sobre as causas da inflação centrava-se na alta liquidez dos ativos financeiros. constituídas de maior abertura comercial. A principal característica de todo o governo Sarney foi um grande descontrole das contas públicas: aumento nos déficits operacionais e crescimento do endividamento interno (cuja necessidade de rolagem inflexibilizava a taxa de juros) a prazos mais curtos. Assim. redução dos gastos e elevação das receitas. Com o confisco da liquidez. não tendo atingido os objetivos. A principal medida foi o confisco de ativos financeiros com o objetivo de drástica redução da liquidez da economia. Plano Collor (16/03/1990) O governo Collor também tinha como preocupação básica o combate à inflação. a política econômica também apresentou caráter errático: predomínio da ortodoxia em 1988 e tentativa de acordo social no final desse ano. adoção do Plano Verão em janeiro de 1989 (que mesclou elementos heterodoxos e ortodoxos). para expor as empresas brasileiras à concorrência internacional.6% em 1989. Além disso. o Banco Central afrouxou a liquidez. que gerou grandes problemas em termos de desestruturação das condições de oferta e uma onda de falências. no Imposto de Renda e no combate à sonegação. o objetivo de recompor os instrumentos de política econômica não ocorreu. mas envolveria um ajuste patrimonial. A inflação voltou a acelerar. ao permitir a rápida conversão dos ativos em demanda por bens e serviços e ativos reais. o Plano Collor realizou ampla reforma monetária. novas tentativas infrutíferas de arrumar o Plano foram . iniciou-se um conjunto de reformas estruturais no sentido liberalizante. que chegou no final do governo Sarney à taxa de 80% mensais. com giro diário. com base na eliminação dos subsídios e diminuição dos juros. Dessa forma. Isso levou à adoção de uma política que visava a sustentação de taxas de juros reais elevadas. Esse confisco estava ancorado na MP 168 que bloqueava 70% do M4. e a não política (ou "política do arroz com feijão") do final do governo Sarney. o que levou a uma grande expansão monetária. Além disso. com base na eliminação dos títulos ao portador (inclusive cheques) e na redução de gastos públicos. rompendo a possibilidade de controle da oferta monetária. Verificou-se a ausência de qualquer mecanismo de política econômica. As principais medidas do plano foram o congelamento de preços indeterminado e a reforma monetária com a introdução do cruzado novo (000). cujo elemento central foi o confisco da liquidez e o alongamento compulsório da dívida pública. o PIB sofreu uma redução em torno de 4% em 1990. Com isso. o que não seria obtido apenas através do ajuste do fluxo. as taxas de crescimento econômico apresentaram oscilação. A expectativa era transformar um déficit de 8% do PIB em superávit da ordem de 2% do PIB. Para evitar um colapso maior. Isso tudo foi acompanhado de uma trajetória ascendente das taxas de inflação. O ajuste fiscal mostrou-se insuficiente.

bcb. Os salários passaram a ser corrigidos pela média dos últimos quatro meses. março/1994: A URV teve a função de unidade de conta e o Bacen emitia diariamente relatórios sobre a desvalorização do cruzeiro real e a cotação da URV. A seu critério. Foi definido como um plano de três fases: 1) O ajuste fiscal (O Fundo Social de Emergência – FSE).47 feitas e. . numa retomada do interesse nos agregados econômicos expressos na própria moeda do País. Justifique suas escolhas e a ordem em que as colocou. 3) A reforma monetária com a introdução da nova moeda. 3 Qual é uma das conseqüências mais claras de todo o processo inflacionário. na tentativa de evitar a explosão do déficit e controlar a moeda.Impõe um teto para os gastos . 2 Diferencie. 2) A introdução da Unidade Real de Valor (URV). 14 (56): 129-149. depois.Banco Central do Brasil (Disponível: http://www. Revista de Economia Política.gov. criação da IPMF (hoje. reestruturação dos bancos estaduais e federais e a privatização para transferir ao setor privado os custos da modernização da infra-estrutura. O Conselho Monetário Nacional (CMN) passou a ser composto pelo ministro da Fazenda. voltou-se para a política do tipo "feijão com arroz". 4 Para uma discussão do Plano Real. as inflações de procura das inflações de custos. As medidas foram: combate a sonegação. obtendo êxito inédito no combate à inflação. usando suas próprias palavras. maio e junho o governo fez a conversão em URV dos preços públicos e tarifas do setor público. redução dos fundos de participação estadual (FPE) e municipal (FPM).Restringe o montante do endividamento total . julho/1994: Foram fixados limites quantitativos para a emissão de moeda. A economia e a política do Plano Real. o Real (R$). CPMF) junho/1993: Essa primeira fase estava baseada na origem fiscal da inflação foi implementado o Plano de Ação Imediata (PAI) em 06/1993. coloque-os em ordem decrescente de importância. Nos meses de abril. com notória recuperação da credibilidade da moeda nacional que se refletiu.br/) Questões conceituais: 1 Destaque alguns efeitos perversos da inflação. inclusive. Plano Real (1994) 4 O Plano Real veio alterar esse quadro. ver: Pereira (1994). Explique.Proíbe renegociações de débitos . Importância: âncoras monetária e cambial Eventos importantes A renegociação da dívida dos Estados A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – 2000 .Exige projeções dos resultados primários para os 3 anos seguintes Outras informações sobre inflação: Relatório de Inflação . Planejamento e Coordenação da Presidência da República e presidente do Bacen.

um aumentos das exportações ( ) d. acompanhada de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. Nessa situação aumentos da _____________ de bens e serviços. a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica dos alimentos. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística no mercado. a) demanda – demanda agregada b) custos – demanda agregada c) demanda – oferta agregada . a que representa um fato causador de uma inflação de custos: ( ) a. principalmente em setores produtores de insumos básicos. estabilizando-se em seguida. II. os preços dos materiais de construção se elevaram bastante. ( ) De acordo com a corrente estruturalista. as empresas diminuirão os salários oferecidos aos trabalhadores. e quando a resposta estiver falsa reescrever a frase. pelo fato de que um aumento de produção leva a um aumento da demanda de mão-de-obra por parte das empresas. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações. enquanto a desinflação é a redução no nível da atividade econômica. 8. ( ) Alguns índices que são utilizados pelo governo para medir a variação dos preços na economia são o IPCA. o INPC e o IGP. f. um aumento das matérias-primas importadas 7.( ) Inflação se caracteriza como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços em um determinado período de tempo desestruturando a distribuição de renda. o balanço de pagamentos. Quais os dois tipos de inflação mais conhecidos. além de outros efeitos. ( ) A inflação de demanda se caracteriza pelo excesso de demanda agregada em relação à produção de bens e serviços. pode-se ter certeza de que houve inflação. caracteriza-se um processo inflacionário crônico. 5 A essência das análises econômicas realizadas pelos ideólogos da reforma monetária que culminou no Plano Cruzado (1986) reside no fato de que “um determinante significativo da inflação corrente é a própria inflação passada” e que “o melhor previsor da inflação futura é a inflação passada”. b.Coloque F(falso) ou V(verdadeiro) nas seguintes afirmações. c. II. A probabilidade de ocorrer inflação de ____________aumenta quando a economia está produzindo próximo do pleno emprego de recursos. a inflação está relacionada aos mecanismos de indexação formal e informal que provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores. e III corretas e) I. ( ) De acordo com os inercialistas. a) somente a I correta b) somente a II correta c) somente a III correta d) I. um aumento dos investimentos ( ) c. IV – Uma inflação de demanda pode levar a economia a ter inflação de custos. II – Após um conjunto de medidas governamentais destinadas a incentivar a construção civil. e sendo essa mão-de-obra escassa. sendo que cada um adota uma metodologia específica e o segundo deles serve de índice para o sistema de metas de inflação. um aumento da oferta de moeda ( ) e. e. a. tal situação. ( ) A inflação é um aumento persistente no nível geral de preços. o mercado de capitais. Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: I – Se todos os preços dos bens e serviços se elevam apenas durante certo período de tempo. é suficiente para caracterizar um processo de inflação crônica. um aumento nos gastos do governo ( ) b. A esse fenômeno os analistas denominam: a) efeitos de preços relativos b) hiperinflação c) inflação de demanda d) inflação inercial 6 Assinale entre as alternativas abaixo. que são sempre repassadas aos preços. d. sendo causada pelo aumento de importações e tributos. e III incorretas 9. tomada isoladamente. com a economia já a plena capacidade conduzem a elevações de preços .48 4 Se todos os preços subirem.

120 166.1 1981 11. Obter uma nova série adotando 1977 como ano-base. Min.90 1.1 123. Anos Sal.30 0.2 1977 1. calcular os números índices de Laspeyres e Paasche para 1976 para os três bens.0 3.8 142.80 279.49 d) custos – procura agregada e) nenhuma das anteriores 10. como por exemplo.560 Nominais IPC 100 222 430 842 2. 2. Tabela 1.80 55. Min.25 0.568.939 5.106. usando 1970 como ano-base. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística do mercado.5 Fonte: Boletim do Banco Central 5.” a) monetarista b) fiscalista c) estruturalista d) clássica e) nenhuma das anteriores Questões Aplicadas: 1. vigente em dezembro cidade do Rio de Janeiro.919 Sal.40 114.00 158.578 8. A tabela abaixo apresenta o índice de produção industrial para o Brasil no período de 1975-1980.788 11.000 22.932.788.38 30 35 Pão 500 g 0. tendo como ano-base 1975. 1970 e 1976 Bem Unidade de Preço médio Preço médio Consumo Consumo 1970 1976 medida per capita per capita 1970 1976 Leite Litro 0.60 0. Usando a tabela abaixo.654 1986 804. o Plano Real conquistou a tão sonhada estabilidade econômica.684 . Preço e consumo de três bens em Palmeira das Missões.80 520.8 1978 1. Complete a sentença: “de acordo com a corrente _________________ a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica de alimentos.00 80. Expresse sua opinião. Indices 1975 532. a meta do crescimento econômico. Determinar a respectiva série de salários mínimos reais (a preços constantes). Anos 1975 1976 1977 1978 1979 1980 Indices 100.1 1980 5.35 3.00 2105.928 23. Ano 1979 1980 1981 1982 1983 1984 Sal.0 112.5 1. 2.3 1982 23. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações. calcule o salário real.928.000 41.586 57.8 132. reais 1985 600. Será que essa estabilidade já é condição suficiente para o país buscar outras metas além da meta de inflação.4 1976 768. A partir dos valores nominais dos salários.560. bem como os valores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FGV).7 Ovos Dúzia 0. Após as diferentes tentativas para conter a inflação nos anos de 1980 e 1990.5 115.8 3.6 1979 2.00 1043. A tabela abaixo apresenta os valores do salário mínimo. comparando-os com o de 1975.4 (1975=100) 1977=100 Fonte: Conjuntura Econômica 4.

para financiar a construção de . isto é. Bens públicos ou coletivos = têm por característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo Princípio de exclusão: quando o consumo do indivíduo A por um determinado bem que pagou. Bens Meritórios = podem ser explorados pela iniciativa privada. Função Distributiva: governo atua como agente redistribuidor de renda. A neutralidade do ponto de vista da alocação dos recursos deveria ser complementada pela equidade na repartição da carga tributária.Princípio do benefício recebido: um tributo é justo quando cada contribuinte paga ao Estado um montante diretamente relacionado com os benefícios que recebe do governo. Riscos pesados = governo interfere porque empresa privada pode correr riscos. Dificuldade: como individualizar os benefícios a partir do funcionamento de bens públicos.50 CAPÍTULO 4 – SETOR PÚBLICO O que veremos? Funções do Setor Público Receita do Setor Público Gastos do Setor Público Aspectos Institucionais do Orçamento Público Finanças Públicas = setor que controla a massa de dinheiro e de crédito que o governo federal e os órgãos a ele subordinados movimentam em um país. Monopólios Naturais = governo atua para assegurar preços razoáveis. a política fiscal consiste em tentar expandir a atividade econômica com o objetivo de criar mais empregos. mas podem e devem ser também explorados pelo governo. Função Estabilizadora: governo pode alterar o comportamento dos níveis de preços e de emprego. exclui o consumo do indivíduo B que não pagou pelo bem. . uma preocupação com a “equidade vertical”. ESTRUTURA TRIBUTÁRIA A teoria da tributação envolve dois princípios fundamentais: neutralidade e equidade. AS FUNÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR PÚBLICO Função Alocativa: está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos pelo sistema de mercado. dar um mesmo tratamento.Princípio da eqüidade: a distribuição do ônus do imposto de maneira justa entre os indivíduos. A equidade pode ser avaliada sob duas maneiras: . Exemplo: serviços públicos que utilizam taxas específicas para o seu financiamento. Outros exemplos de instituir tributos de forma que funcionem como financiamento de determinados programas do governo são a cobrança de um imposto sobre combustíveis. ou seja. não interferindo nas decisões de alocações de recursos tomadas como base no mecanismo de mercado. Política fiscal: Tendo como instrumentos os gastos e a receita tributária.Princípio da neutralidade: Quando a ação captadora de recursos do governo não altera os preços relativos da economia e assim. através da tributação que retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade e os transfere para os menos favorecidos. enquanto os desiguais serão diferenciados segundo algum critério a ser estabelecido. 2. aos indivíduos iguais – um critério de “equidade horizontal”. . em termos de contribuição. 1.

Tarifas: é um instrumento utilizado na cobrança do imposto de importação. É aquele que incide sobre transações de mercadorias e serviços e que podem ser ou ad valorem ou específicos (Ad valorem: alíquota % fixada. impostos progressivos e impostos proporcionais. paga um percentual maior sobre a renda. . Além disso. . .Progressivo: a relação entre carga tributária e renda cresce com o aumento no nível de renda. Medidas da capacidade de pagamento: renda. 3.Regressivos: A relação entre carga tributária e renda decresce com o aumento do nível de renda.51 rodovias. b) impostos indiretos: a pessoa que recolhe o tributo não arca totalmente com o seu ônus. Contribuições fiscais: um tributo é fiscal quando sua cobrança não visa senão a arrecadação de recursos financeiros para os cofres públicos e objetivam a sustentação dos encargos que são próprios do órgão central da administração. para financiar investimentos no setor. é aquele que incide sobre renda e riqueza. . Ex: imposto de alíquota única. Ex: PIS. 4. 2. Quem ganha mais paga menos. Existem dois tipos de impostos: a) impostos diretos: a pessoa que recolhe o tributo é a mesma que arca com o seu ônus. . consumo e patrimônio. OS TRIBUTOS E SUA CLASSIFICAÇÃO Tipos de Tributos 1.Principio da capacidade de pagamento: cada agente deveria pagar tributos conforme sua capacidade de pagamento. 3. e os impostos sobre consumo de energia elétrica. Todos os impostos indiretos.Proporcional (neutro): a relação entre a carga tributária e o nível de renda permanece constante. Impostos: tributo cuja obrigação tem por fator gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal. Taxas: é um tributo vinculado. podem ser estruturados em: impostos regressivos. porque seu fato gerador é sempre uma atuação do Estado. Ex: 10% de imposto sobre o preço de venda de TVs. em geral desempenhada tendo em vista sua pessoa. referida ao obrigado. . específico: valor em R$ fixado).Contribuição parafiscais: se destinam à sustentação de encargos paralelos aos da administração pública direta. ou a possibilidade de uma referência direta à sua pessoa. Ex: IR. . Todos pagam a mesma percentagem sobre a renda e não o mesmo valor. Quem ganha mais. FINSOCIAL e COFINS.Contribuição extrafiscal: utilizadas para tributar externalidades.

52 Quadro 5 .Impostos e esferas de Governo: Impostos Federais Impostos Estaduais Imposto de renda (IR) Impostos Municipais Imposto sobre circulação de Impostos sobre a propriedade mercadorias e prestação de predial e territorial urbana serviços (ICMS) (IPTU) automotores “Inter Vivos” de bens imóveis e direitos a eles relativos (ITBI) de Mortis Transmissão Imposto e sobre serviço de Imposto de Exportação Imposto sobre a propriedade Imposto sobre a transmissão de veículos (IPVA) Imposto de Importação Imposto Causa (ITCMD) Doação qualquer natureza (ISSQN) Imposto Imposto sobre sobre operação produtos financeira (IOF) industrializados (IPI) Contribuição provisória sobre movimentação (CPMF) Imposto territorial rural (ITR) Cide-Combustíveis A seguir são mostradas tabelas com a arrecadação federal para o período de janeiro a outubro de 2005 e de 2006. financeira .

53 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda .

br/ .gov.54 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda Para outras informações sobre arrecadação ver: http://www.receita.fazenda.

htm . A venda de títulos da dívida não gera inflação. Dicas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”. inversões financeiras e transferências de capital. FINANCIAMENTO DO DÉFICIT O déficit do governo pode ser financiado pela emissão de moeda ou pela venda de títulos da dívida pública ao setor privado (interno e externo). Conceitos de déficit: .planejamento. 5.Déficit Primário = Receitas . São subdivididos em despesas de custeio e transferências.55 4. o sistema orçamentário federal passou a ser regulado por três leis: Lei do Plano Plurinanual (PPA). ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO ORÇAMENTO PÚBLICO Com a Constituição Federal de 1988.Déficit Operacional = Receitas – Despesas + juros reais dívida passada 6.6% 49. Líquida Total Div.0% 2. Tabela 3 . incluindo inflação e juros sobre dívida anterior . a Lei de Responsabilidade Fiscal.gov. Disponível: http://www. Externa PIB (R$ mi) FONTE: Bacen 2005 51. A tabela abaixo mostra a representatividade em termos do PIB da dívida do setor público brasileiro para os anos de 2004 e 2005.942.980 7. DÉFICIT PÚBLICO O dispêndio do governo é decomposto em Gastos em geral (DC + DK) + Juros sobre a dívida interna e externa.193 51. Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA). 5 Para mais informações sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal ver “Gestão Fiscal Responsável.5% 1.Despesas .7% 44. mas aumenta a dívida uma vez que a os títulos são remunerados pelas taxa de juros vigentes na economia. Após o ano de 2000.2% 7. Interna Div. A primeira alternativa é vista com receio porque pode gerar inflação na economia através do estímulo ao consumo.Dívida Líquida do Setor Público (% em relação ao PIB) 2004 Div.Déficit Nominal = Receitas – Despesas. 5 O quadro abaixo explica como é feito o orçamento.br/lrf/conteudo/publicacoes/dicas. Despesas de capital (DK) = implicam num aumento do patrimônio do governo. São subdivididos em investimentos. OS GASTOS DO SETOR PÚBLICO Por categorias Econômicas: Despesas Correntes (DC) = não resultam acréscimo ao patrimônio do governo.6% 1.851.

entre outros.Desvinculação de Recursos da União.56 COMO É FEITO O ORÇAMENTO O Orçamento Geral da União (OGU) é formado pelo Orçamento Fiscal. dos Estados e municípios. No Congresso. A Lei introduziu a restrição orçamentária na legislação brasileira e cria a disciplina fiscal para os três poderes: Executivo. a Secretaria de Orçamento Federal elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte. O Orçamento brasileiro tem um alto grau de vinculações . o que irá trazer maior flexibilidade à execução orçamentária. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada". A Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura. A Constituição Federal de 1988 atribui ao Poder Executivo a responsabilidade pelo sistema de Planejamento e Orçamento que tem a iniciativa dos seguintes projetos de lei: Plano Plurianual (PPA) De Diretrizes Orçamentárias (LDO) De Orçamento Anual (LOA) O Projeto de Lei do PPA define as prioridades do governo por um período de quatro anos e deve ser enviado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato. FONTE: Ministério do Planejamento. As ações dos governos estaduais e municipais devem estar registradas nas leis orçamentárias dos Estados e municípios. A Lei de Responsabilidade Fiscal. Acompanha o projeto uma Mensagem do Presidente da República. proibição de criar despesas de duração continuada sem uma fonte segura de receitas. A Lei Orçamentária brasileira estima as receitas e autoriza as despesas de acordo com a previsão de arrecadação.br) . através de emenda constitutucional. Orçamento e Gestão (http://www. mas nem tudo é feito pelo governo federal. Se durante o exercício financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está previsto na Lei.transferências constitucionais para Estados e municípios. fazem as modificações que julgam necessárias através das emendas e votam o projeto. orienta a elaboração do Orçamento. receitas próprias de entidades.br. São chamados de Decretos de Contingenciamento em que são autorizadas despesas no limite das receitas arrecadadas. manutenção do ensino. seguridade social. o projeto é sancionado pelo Presidente da República e se transforma em Lei.planejamento. De acordo com a Constituição Federal. deputados e senadores discutem na Comissão Mista de Orçamentos e Planos a proposta enviada pelo Executivo. Com base na LDO aprovada pelo Legislativo. crises econômicas mundiais como aquelas que ocorreram na Rússia e Ásia obrigaram o Poder Executivo a editar Decretos com limites financeiros de gastos abaixo dos limites aprovados pelo Congresso. Depois de aprovado. etc que tornam o processo orçamentário extremamente rígido. Nenhuma despesa pública pode ser executada fora do Orçamento. A Lei Orçamentária disciplina todas as ações do governo federal. Para saber mais sobre o PPA 2004-2007 que tomou o nome de Plano Brasil . na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas. dispõe sobre alteração na legislação tributária. o Projeto de Lei do PPA deve conter "as diretrizes. como limite de gastos com pessoal. Por outro lado.gov. clique no endereço www. da Seguridade e pelo Orçamento de Investimento das empresas estatais federais. A LDO estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro subsequente. o governo é obrigado a encaminhar o Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano. O governo define no Projeto de Lei Orçamentária Anual. Legislativo e Judiciário.planobrasil. em conjunto com os Ministérios e as unidades orçamentárias dos poderes Legislativo e Judiciário.Um País de Todos. o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional projeto de lei de crédito adicional.gov. O PPA estabelece a ligação entre as prioridades de longo prazo e a Lei Orçamentária Anual. estabelece a política de aplicação das agências financeiras de fomento. Por determinação constitucional. aprovada em 2000 pelo Congresso Nacional introduziu novas responsabilidades para o administrador público com relação aos orçamentos da União. as prioridades contidas no PPA e as metas que deverão ser atingidas naquele ano. Esse excesso de vinculações e carimbos ao Orçamento levou o governo federal a propor a DRU .

e. Quando o governo gasta mais do que arrecada suas contas entram em déficit. progressiva e proporcional. operacional. O déficit do setor público pode ser financiado? Explique quais são as alternativas. Ex: Banrisul. 7. d. l. 4. Alguns municípios têm Tribunal de Contas próprio. 3. i. que podem ser nominal ou total. ( ) o conceito de déficit primário inclui os juros pagos de dívida passada. incluem-se os juros bem como as despesas com correção monetária das dívidas interna e externa k. justificando quando falso: a. a demanda agregada não variará. 2. Questões Conceituais: 1. por exemplo.( ) no cálculo do déficit público. É possível o setor público desempenhar todas as suas funções de maneira harmônica? Comente. ( ) o imposto sobre produtos industrializados pode ser caracterizado como imposto direto j. O que diferencia cada um deles. ( ) o ICMS é tipicamente um imposto direto. segundo o conceito operacional. Cite e explique os dois princípios fundamentais da tributação. FISCALIZAÇÃO O Tribunal de Contas da União (TCU) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados à União. ( ) os bens públicos são consumidos individualmente e seu benefício para cada cidadão é difícil de ser medido. ( ) a carga tributária é obtida da relação entre o PIB e o total de arrecadação do governo. com o aumento das alíquotas do imposto sobre a renda das famílias forem gerados recursos adicionais utilizados para maiores gastos sociais pelo governo. ( ) os chamados impostos indiretos têm essa denominação por incidirem sobre a renda e a riqueza dos indivíduos. g. b. e primário. ( ) o governo possui dois principais tipos de gastos: gastos públicos e gastos correntes. 6. ( ) a estrutura tributária brasileira beneficia a classe de renda mais baixa por estar baseada em altas alíquotas de imposto de renda e baixas alíquotas de impostos sobre o consumo. Explique o que significa cada uma delas e diga qual é a predominante para o caso da economia brasileira. ( ) o superávit primário é considerado como sendo a diferença entre a receita e os gastos com juros do Governo. Os Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados ao Estado.57 8. 5. A estrutura tributária pode ser regressiva. a cidade de São Paulo. Classifique os impostos abaixo em imposto direto (D) ou imposto indireto (I): ( ) ICMS ( ) IPI ( ) IPTU ( ) CPMF ( ) IPVA ( ) ITR . h. Coloque F (falso) ou V (verdadeiro). ( ) quanto maior for o PIB menor será a carga tributária. c. f. ( ) se.

ou juros. a gasolina vendida nos postos pode ser utilizada tanto como bem final para o consumidor. o que sobra é a remuneração dos fatores de produção de cada setor.000 = RN 0 100 100 Farinha 400 1. O CONCEITO DE VALOR ADICIONADO: O PRODUTO NACIONAL O conceito de valor adicionado é entendido como: Valor Adicionado = Valor Bruto de Produção (VBP) – Consumo de Produtos Intermediários (matérias-primas e componentes) O Valor Bruto de produção (VBP): é o faturamento. de cada setor produtivo. O conceito de valor adicionado é uma forma alternativa e a mais operacional para medir o produto e a renda nacional do que diretamente pela soma de produtos finais. mas o valor total.. já que a conceituação de bem final não é muito simples. Para exemplificar o conceito de valor adicionado. i. sendo difícil aferi-lo a partir do fabricante. Por exemplo. sem discriminar quanto foi pago em salários.e. renda e dispêndio Produto. a receita de vendas. Renda e Dispêndio 1.58 CAPÍTULO 5 – CONCEITO E CÁLCULO DOS AGREGADOS MACROECONÔMICOS O que veremos? Valor adicionado. Trigo (a) receita de vendas (VBP) (b) Compras intermediárias Valor adicionado (a-b) Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo) Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha) Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão) 100 + 300 + 600 =1. renda e dispêndio: da economia fechada à economia aberta Informações Conjunturais sobre o PIB no Brasil Problemas com as medidas agregadas Conceitos Básicos: Valor Adicionado. ou lucros. como bem intermediário para uma empresa.000 Pão O problema de dupla contagem no cálculo do produto pode ser resolvido de duas formas: . depende do uso que se fará posteriormente.000 400 PN=DN=1. Retirando da receita de vendas os gastos com a compra de bens intermediários. ou aluguéis. utilizaremos a produção de pão.

na apuração do produto. terra. No exemplo. é igual ao dispêndio nacional. somente o valor dos bens e serviços finais. o produto e o dispêndio nacional são expressões contabilmente equivalentes. e capital de giro = para produzir arroz e soja. ENTÃO: A IDENTIDADE BÁSICA DAS CONTAS NACIONAIS: PN = RN = DN Para que essa tríplice igualdade se realize. Assim. São três abordagens diferentes de avaliação. consumidores. O CONCEITO DE RENDA NACIONAL(RN) A Renda Nacional é a soma dos pagamentos feitos aos fatores de produção que foram utilizados para a obtenção do produto nacional. computar. não consumida. na apuração do produto. EXEMPLO: Empresa agrícola que use trabalho. Por que isso ocorre? . aluguéis) pelo moinho e pela padaria. 2. 2. somente os valores adicionados em cada etapa do processo de produção.o consumo e a acumulação. A soma do consumo e da acumulação está representada pelos investimentos em bens de capital. que conduzem a mensurações iguais. PRODUÇÃO VT da produção de arroz 600 VT da produção de soja 400 RENDA Total de pgtos de: w aluguel Juros pagos Lucro Total 1000 Total 800 80 20 100 1000 OBS: não incorpora os insumos intermediários 3. As nações produzem bens e serviços que se destinam a duas grandes categorias de dispêndio nacional . CONCEITO DE DESPESA NACIONAL(DN) Um terceiro conceito diz respeito à destinação que é dada ao produto e à renda nacional. seriam computados o valor da produção do trigo na fazenda e os valores agregados (de salários.59 1. que é o produto final (não é utilizado para a produção de outros bens). ou seja. juros. governo e estrangeiros. O exemplo acima mostra o método do valor adicionado. Ou seja. A renda. máquinas e equipamentos. empresas. somente seria computado o valor dos pães. lucros. computar. o Produto nacional também pode ser medido pela ótica das despesas realizadas pelos agentes. o total de investimento em acumulação deve se igualar ao total de renda poupada. O valor adicionado está diretamente relacionado ao segundo conceito macroeconômico básico: o de renda nacional (remunerações pagas aos fatores de produção mobilizados pelas empresas.

o da farinha produzida pelo moinho. são três diferentes óticas conceitualmente diferentes para medir a atividade econômica. aluguéis. juros e lucros. mas conduzindo ao mesmo resultado numérico. são transações de empresas a empresas. o da farinha produzida pelo moinho duas vezes e o dos pães produzidos pela padaria uma vez. todas as decisões partem das famílias. a empresa vende tudo o que produz. Então. ou seja. PRIMEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. aluguéis. que se compensam na agregação das unidades produtoras. Por exemplo: se forem somados o valor da produção de trigo da fazenda. componentes. só se consideram os bens finais e os custos de produção das empresas no sistema agregado. Por que considerar apenas os bens finais? Se forem somados os valores brutos da produção de bens e serviços de todas as unidades produtivas do país. Produção (PN) = Vendas (DN) Como no agregado são excluídas as compras de bens intermediários. Os bens intermediários. aluguéis e lucros. em troca. juros e lucros As famílias entregam às empresas os fatores de produção e. Assim. representado o local onde se organiza a produção. a empresa gasta com pagamentos a fatores de produção tudo o que recebe pela venda de bens e serviços que são os salários. as famílias — pessoas físicas — . Para sua sobrevivência. juros. como matérias-primas.Dois agentes econômicos: empresas e indivíduos Nesse sistema simplificado. SEM GOVERNO E SEM FORMAÇÃO DE CAPITAL .60 Nesse nosso modelo simplificado de economia sem governo. ou seja. Como os gastos das empresas com fatores de produção é a própria Renda Nacional. energia são insumos que entram no processamento de outros bens. não incluem o custo dos insumos intermediários. o dos pães produzidos pela padaria. pode-se incorrer no chamado erro de dupla ou múltipla contagem. sem formação de capital e fechada não existem estoques. estariam somados o valor do trigo da fazenda três vezes. segue que: PN= DN= RN Ou seja. recebem salários. Fluxo circular da renda Pagamento de bens e serviços Bens e serviços FAMÍLIAS EMPRESAS Fatores produtivos Salários. As empresas que são de propriedade de seus acionistas são abstrações jurídicas.

e têm como objetivo aumentar a riqueza da nação. sua capacidade produtiva.61 precisam adquirir bens e serviços produzidos pelas empresas. as famílias cederão. pelo fornecimento de bens e serviços. Para adquirir esses bens e serviços. Mas.o fluxo monetário. juros (j).o gasto em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia (Taxa de acumulação de capital). O fluxo circular da renda pode ser analisado sob o ponto de vista do fluxo real (fluxo de fatores de produção e fluxo de bens e serviços finais) ou de sua expressão em moeda . consideraremos agora que as famílias poupam e as empresas adquirem bens de capital. S= RN . O fluxo monetário representa a contrapartida pelo fluxo real. fazendo parte da produção. o investimento pode ser definido como: . . trata-se de rendimentos. Daí surge a identidade renda ≡ produto. da renda gerada (w. bens de consumo: consumidos como um fim em si mesmo. aquilo que receberam como salários. aluguéis. i. juros e lucros).C onde C= Consumo Agregado CONCEITO DE INVESTIMENTO: O Produto Nacional é composto por dois tipos de bens: 1. bens de investimentos: não são consumidos. 2. pelo ângulo das empresas. Há uma equivalência entre o fluxo de dispêndio de bens e serviços finais (produtos) e o fluxo da remuneração dos fatores produtivos.. Esses fluxos caracterizam o que conhecemos como fluxo circular da renda. A remuneração dos fatores de produção constitui-se de: salários (w). Nesse processo. SEM GOVERNO E COM FORMAÇÃO DE CAPITAL Até aqui consideramos que as famílias apenas consomem e que as firmas só produzem bens que são consumidos pelas famílias (bens de consumo). e serviços dos fatores de produção. j. Isso é o que ocorre no dia-a-dia da economia. Pelo lado das famílias. SEGUNDA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. Então. isto é. aluguéis.e. representam custos de produção. em troca. são identificados dois fluxos: um de produtos (bens e serviços) e outro de renda (salários. i. a necessidade de introduzir dois novos conceitos: CONCEITO DE POUPANÇA: Poupança = parcela da renda não consumida no período. O fluxo monetário é medido pelo dispêndio das famílias em bens e serviços finais produzidos pelas empresas ou pela remuneração percebidas pelas famílias em troca dos fatores de produção..e. l). parte não é gasta em bens de consumo. a. Disso. juros e lucros. proprietárias dos fatores de produção. aluguéis (a) e lucros (l).

multas e etc. parte será destinada para os bens de consumo final e outra para bens de consumo duráveis e investimentos. no sentido de que sofre um desgaste.Receitas tributárias: com impostos indiretos (Ti) como ICMS e IPI e impostos diretos (Td) como IR. Com a presença do governo no modelo simples de economia. em dado período. IPTU e ITR. ou seja: I = PN – C Quais bens são produzidos e não consumidos no período? 1. Ou seja. 2. Adicionando o custo dos tributos indiretos (Ti). têm-se a introdução de dois novos conceitos: PN a custo de fatores (PNcf) = medido a partir dos valores que refletem os custos de produção. até virar sucata. diferentemente dos bens de consumo. o bem de capital é consumido.Se a arrecadação do Governo superar os gastos: superávit primário ou fiscal. O CONCEITO DE DEPRECIAÇÃO: A depreciação (d) é o consumo do estoque de capital físico. . Incluindo ainda os subsídios (Sub).Se os gastos do Governo superaram a arrecadação: déficit primário ou fiscal. mas que não foram consumidos no próprio período e que serão utilizados para consumo futuro. Investimento (I).62 . . Isso permite introduzir outros conceitos: Investimento líquido (IL) = IB – d Produto Nacional Liquido (PNL) = PNB – d O dispêndio passa a ser dividido agora em gastos com consumo e gastos com a acumulação. O governo gasta suas rendas em: Consumo (C). PN a preços de mercado (PNpm) = medido a partir dos valores transacionados no mercado. IMPORTANTE: . a remuneração aos fatores (w + j+ a + l).). Do total de produto e renda gerados. . empresas e governo O governo obtém sua renda através: . só que. Subsídios (Sub). equipamentos e imóveis: investimento em bens de capital (Ibk). máquinas. variação de estoques (produtos acabados e intermediários): ∆E Assim. TERCEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E AINDA FECHADA Agentes: famílias.Receitas não tributárias: contribuições à previdência social com os encargos trabalhistas e outras receitas do governo como taxas (pedágios.o gasto em bens produzidos. Transferências (Tr). os componentes do Investimento são: I = Ibk + ∆E A distinção entre Ibk e ∆E é necessária: Ibk : é deliberada e planejada ∆ E: não é planejada e depende das oscilações de mercado. em parcelas.

Renda Pessoal: quantias recebidas pelas famílias e empresas individuais. CONCEITO DE EXPORTAÇÃO (X): são as compras dos estrangeiros de nossos bens e serviços. Obs: A partir da consideração do resto mundo no nosso modelo simplificado de economia. ou seja. renda e dispêndio são: PNB – depreciação – PNLpm .tributos indiretos líquidos = PNLcf = Renda Nacional – tributos diretos líquidos = renda pessoal disponível (que será gasta em consumo ou em acumulação) QUARTA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E ABERTA Agrega com isso as variáveis relativas a uma economia aberta para o resto do mundo. ENTÃO O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA AGORA: SUBSÍDIOS EMPRESAS TRIBUTOS GOVERNO FP TRANSFERÊNCIAS REMUNERAÇÃO DOS FATORES TRIBUTOS FAMÍLIAS Os impactos da presença do governo nos conceitos e nos fluxos de produto. Somam-se aqui as transferências do governo para a sociedade como por exemplo o pagamento de aposentadoria. Da mesma forma que alguns residentes no país tem fatores de produção que são utilizados em outros países. quanto gastamos com o resto do mundo. Renda pessoal Disponível: montante de recursos financeiros de que as famílias e empresas individuais podem dispor após o cumprimento de suas obrigações fiscais para com o governo. temos: o produto nacional difere do produto interno. já que agora temos que levar em consideração que alguns fatores utilizados no processo produtivo são de propriedade de residentes no exterior. Parte da renda gerada no país que vaza para fora. CONCEITO DE IMPORTAÇÃO (M): são nossas compras com bens e serviços do exterior. os gastos do setor externo com nossas empresas.63 Temos: PNcf: PNpm – Ti + Sub PNpm: PNcf + Ti – Sub Outros ajustamentos na renda nacional que levam aos conceitos de Renda Pessoal e de Renda Pessoal Disponível. .

lucros e royalties aos estrangeiros. em que o PIB supera o PNB. então: PNB < PIB RLFE > 0. royalties. devido às altas remessas de juros. na forma de remessa de lucros. . temos que RLFE < 0. temos que RE < RR. juros e assistência técnica. então: PNB > PIB O Brasil bem como a quase totalidade dos países emergentes. é necessário fazer a distinção dos seguintes conceitos: PRODUTO INTERNO BRUTO = mede a renda que é produzida dentro das fronteiras nacionais. Aqui. RENDA LÍQUIDA DE FATORES EXTERNOS (RLFE): é a remuneração dos gastos dos ativos pertencentes a estrangeiros. A remuneração desses fatores vai para fora do país. O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA : RE AO EXTERIOR EMPRESAS GOVERNO FAMÍLIAS RESTO DO MUNDO RR DO EXTERIOR .RENDA ENVIADA AO EXTERIOR (RE): parte do que foi produzido internamente não pertence aos nacionais. não importando quem obtenha a renda. Portanto: PNB = PIB + RLFE (PNB = PIB + RR – RE) E PIB = PNB – RLFE (PIB= PNB .RENDA RECEBIDA DO EXTERIOR (RR): recebemos renda devido à produção de nossas empresas operando no exterior. como a RLFE é negativa. Assim: RLFE = RR – RE Teremos então o conceito de: PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB): renda que pertence efetivamente aos nacionais. principalmente o capital e a tecnologia.RR + RE) Se: RE > RR. inclui-se no primeiro caso. Divide-se em: . incluindo a renda recebida de nossas empresas no exterior. e excluindo a renda enviada para o exterior pelas empresas estrangeiras localizadas no Brasil.64 No modelo de economia aberta ao resto do mundo. ela é chamada de Renda Líquida Enviada ao Exterior.

Na forma original. incluindo os impostos indiretos (menos os subsídios) e. . apropriação ou (utilização) da renda e acumulação (ou formação de capital) dos agentes econômicos (famílias. . A CONTABILIDADE SOCIAL Os agregados macroeconômicos que discutimos até agora são calculados com base em dois sistemas principais de contabilidade social: o Sistema de Contas Nacionais e a Matriz de Insumo-Produto. setor público e setor externo). os conceitos convencionais dos agregados macroeconômicos são: PIB – renda liquida enviada ao exterior = PNB – depreciação = PNLpm – tributos indiretos menos subsísios = renda nacional – tributos diretos menos transferência = renda pessoal disponível. Conta da renda nacional disponível líquida: no lado do débito está como as famílias e o governo utilizam a renda recebida e.Conta de Capital. Resumo: Em Contas Nacionais o acompanhamento dos fluxos de produção. . nacionais e importados. empresas. Por exemplo: Conta do produto interno bruto: temos no lado do débito o pagamento das unidades produtivas aos fatores de produção. . PIB = mede o total do valor adicionado produzido por firmas operando no país.Conta Transações Correntes com o resto do mundo. Os lançamentos das transações são feitos de acordo com o método das partidas dobradas (débito e crédito). relativas à produção. o que as empresas receberam dos agentes que adquiriram os bens e serviços finais.Conta Produto Interno Bruto (produção). por três óticas: do produto. da renda e da despesa: Ótica do produto: PIB = Valor da produção – Valor Consumos intermediários Ótica da renda: RIB = soma das remuneração aos fatores de produção Ótica da despesa: DIB = soma dos gastos finais na economia em bens e serviços.65 No modelo completo de economia. geração da renda e de despesa num período permite que se calcule o valor adicionado bruto ou produto interno bruto de uma economia. independente da origem de seu capital. RIB = mede a contribuição dos fatores de produção independentemente da nacionalidade dos possuidores desses fatores. no lado do crédito. Preços a custos de fatores: (PIBcf: PIBpm – Ti + sub) Preço de mercado: (PNpm: PNcf + Ti – sub) PIL = PIB – d RIL = RIB – d PNB = (valor produção – valor dos consumos intermediários) + RLFE RNB = soma das remunerações dos fatores de produção pagas a residentes. no lado do crédito.Conta Renda Nacional Disponível Líquida (apropriação). o sistema de contas nacionais é baseado em quatro contas. as rendas recebidas pelas famílias e .

estão as compras realizadas por residentes de bens e serviços produzidos no exterior (importações CIF) e os pagamentos e as transferências pagas aos não-residentes. Na nova metodologia o sistema é composto pelas Tabelas de Usos e Recursos de Bens e Serviços (TRU) e pelas chamadas Contas Econômicas Integradas (CEI). estão os gastos com a formação de capital. os rendimentos e as transferências recebidas do resto do mundo. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula o PIB e apresenta o resultado anual na periodicidade de trimestres. a fonte de recursos para os investimentos. . Veja a tabela abaixo que mostra a composição do PIB sob as três óticas.66 pelo governo mais o resultado líquido dos recebimentos e das transferências com o exterior. No lado do crédito. a poupança dos agentes econômicos. e. Conta de capital: no débito. bem como a poupança externa. ou seja. incluindo a depreciação. No Brasil. Os subsídios e a depreciação entram com sinal negativo. no lado do crédito. Conta transações correntes com o resto do mundo: no lado do débito estão os gastos dos não-residentes com os bens produzidos internamente (exportações CIF).

67 Composição do Produto Interno Bruto sob as três óticas – 1999 a 2003 .

3 1. Contas Nacionais Trimestrais.3 2.Tabela 3 Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores .7 2.3 1º Trim 2006 3.gov.Tabela 4 Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior .1 2.5 Fonte: IBGE.ibge. população residente e deflator implícito do PIB – 1999 a 2003 A Tabela Resumo.br). Coordenação de Contas Nacionais Para outras informações sobre o PIB brasileiro ver Indicadores IBGE. Produto Interno Bruto per capita.2 3. apresenta os principais resultados para o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado referentes aos cinco últimos trimestres.4 0.2 3º Trim 2006 2.0 1.6 4º Trim 2005 2.Tabela 2 Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) .2 0.2 1. a seguir. 3º Trim 2005 2.5 Taxas (% ) Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior .4 1. Indicadores de Volume. .3 1.2 (-) 1.4 3.68 Produto Interno Bruto. Diretoria de Pesquisas.Tabela 7 3.1 1. julho/setembro 2006 (disponível: http://www.3 2º Trim 2006 2.

00. 4.Pagamento Aposentadoria 40 .Variações reais ou variações nominais . responda: a) Costuma-se fazer uma distinção entre “crescimento” e “desenvolvimento” econômico. 4.00 25. 3.Produto nacional como medida do padrão de bem-estar Questões conceituais: 1. A tabela a seguir contém dados de dois anos diferentes. Qual é a diferença entre Produto Nacional Bruto (PNB) e Produto Interno Bruto (PIB)? Explique. Qual é o valor agregado por cada pessoa? Qual é o PIB? 3. O que representa o PIB e o PIB per capita de uma economia? 2. No Brasil. qual seria a diferença entre esses dois conceitos? b) Um Produto Interno Bruto (PIB) elevado reflete necessariamente um país com bons indicadores de desenvolvimento humano e econômico? Justifique sua resposta. O engenheiro come o pão.00 12. Dados em bilhões de R$: . 2. Considere uma economia que produz e consome pão e automóveis.Questão da economia subterrânea: atividades gerais do cotidiano. Observe a seguinte passagem: “Transformar crescimento econômico em bem-estar para todos é o grande desafio enfrentado pelos diversos países e suas comunidades.69 ALGUNS PROBLEMAS COM AS MEDIDAS DE RENDA E DO PRODUTO .Subsídios empresas privadas 10 . Um agricultor colhe um hectare de trigo e vende a um moleiro por $1.00 Quantidade 130 410.00. 5. atividades informais e etc. calcule as seguintes estatísticas: PIB nominal dos dois anos. o que faz com que tenhamos uma renda líquida de fatores externos (RLFE) negativa. Considerando a citação acima.000. O moleiro transforma o trigo em farinha. . e depois vende a farinha a um padeiro por $3. O que é valor adicionado (VA)? Exemplifique.00. a renda enviada (RE) supera a renda recebida (RR) do exterior.00 Quantidade 110 510. O padeiro usa a farinha para fazer o pão. na redução das desigualdades existentes nas sociedades nacionais e entre elas”. Questões Aplicadas: 1.PIB 870 .As comparações internacionais . (fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD) Levando em consideração essa assertiva. Qual o maior: o PNB ou o PIB? Comente. Comente os principais problemas com as medidas agregadas da economia.Tributos indiretos 100 . PIB real do ano de 2010 e taxa de crescimento real.Tributos diretos 80 .000 Ano 2010 Preço ($) 70.000 Automóveis Pão a) Tomando 2000 como ano-base. e vende o pão a um engenheiro por $6. Ano 2000 Preço ($) 60.000.

Renda enviada ao exterior 07 Pede-se: a) PIBpm = 870+ Ti-Suib = 870 + 100 – 10= 960 b) PNBpm = PIB + RLE = 960 + (-5) = 955 c) PNLcf = 955 – d – Ti + sub = 955 – 25 – 100 + 10 = 840 d)RPD = 840 – Td + Tr = 840 – 80 +40 = 800 5. Pergunta-se: qual é a taxa de crescimento real do PIB no período? Explique.520.000.000 O Índice de Laspeyres.980.70 .000. .000 1.Depreciação ativos fixos 25 . foi de 120. tendo 1990 como ano-base. Uma economia hipotética apresentou os seguintes resultados para o PIB nominal: Ano 1990 Ano 1995 PIB nominal (R$) 1.Renda recebida exterior 02 .

Os economistas clássicos forneceram a explicação teórica básica para o comércio internacional através do princípio das vantagens comparativas. portanto. Desse modo. Por outro lado. Portugal tem vantagem relativa na produção de vinho e a Inglaterra na produção de tecido. A teoria clássica do comércio internacional A Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada de modo bastante simples por David Ricardo. Uma característica importante desse modelo é a inexistência de mobilidade internacional da mão-de-obra. aos termos de troca e ao balanço de pagamentos. TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL O que leva os países a comercializarem entre si? Muitas explicações podem ser levantadas. ou a teoria do comércio internacional. relativos à taxa de câmbio. a mercadoria a ser exportada. a partir da qual concretiza-se o processo de troca entre eles. Ricardo considera um ambiente de concorrência perfeita. os dois países obtêm benefícios ao especializar-se na produção da mercadoria em que possuem vantagem comparativa. um exemplo numérico. ou a possibilidade de redução de custos (a obtenção de economias de escala) na produção de determinado bem comercializado em um mercado global. Segundo Ricardo. Portugal é mais produtivo na produção de ambas as mercadorias. dois produtos (tecido e vinho) e apenas um fator de produção (mão-de-obra). o custo de produção de tecidos em Portugal é maior que o da produção de vinho. costuma-se dividir as questões teóricas em dois grandes blocos: os aspectos microeconômicos. e os aspectos macroeconômicos. Comparativamente. na Inglaterra. Relativamente. Através de coeficientes técnicos fixos de produção. explica-se a especialização dos países na produção de bens diferentes. conforme o quadro: QUANTIDADE DE HOMENS/HORA PARA A PRODUÇÃO DE UMA UNIDADE DE MERCADORIA Tecido Vinho Inglaterra 100 120 Portugal 90 80 Em termos absolutos. como a diversidade de condições de produção (a Noruega dificilmente produzirá bananas). obtém-se a produção dos bens mencionados. entretanto. existem 2 países (Inglaterra e Portugal). 1.71 CAPÍTULO 6 – A ECONOMIA NACIONAL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS O Que veremos? Teoria das trocas internacionais Taxa de Câmbio Balanço de Pagamentos Instrumentos de Ajuste dos Fluxos Externos Organismos Internacionais FUNDAMENTOS DE ECONOMIA INTERNACIONAL Dentro da Economia Internacional. O princípio das vantagens comparativas sugere que cada país deva se especializar na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). . esse mesmo país deverá importar aqueles bens cuja produção implicar custo relativamente maior (cuja produção é relativamente menos eficiente). o custo da produção de vinho é maior que o da produção de tecidos. Essa será. tanto em relação aos produtos como no que concerne ao mercado de fatores. No seu modelo. Implicitamente.

pode-se concluir que a nação se beneficia com o comércio. Os países exportarão e se especializarão na produção dos bens cujo custo for comparativamente menor em relação aos demais países. É a partir de diferenças tecnológicas relativas. A suposição do modelo clássico. a Inglaterra deverá se especializar na produção de tecidos. bem como da relação de preço entre os produtos negociados no mercado internacional. Critica-se o modelo por não fazer maiores considerações sobre a demanda e a estrutura de gostos e preferências dos agentes. e Portugal poderá comprar mais que 0. as quais se manifestam em produtividades do trabalho ou coeficientes de produção diferentes. Se houver comércio entre os países. Assim. A teoria desenvolvida por Ricardo — base do modelo clássico de comércio internacional — constitui forte argumento em favor do comércio internacional e contra medidas protecionistas. 20 horas de trabalho que poderiam ser utilizadas produzindo mais tecidos.89 unidades de tecido vendendo seu vinho. e importando o outro bem. Porém.89 unidades de tecido (80/90). . se a relação de troca entre o vinho e o tecido for de uma para uma. em autarquia (produzindo e consumindo sem comércio internacional). em Portugal essa unidade de vinho custa 0. Não importa aqui o fato de que um país possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produção. Deste modo.72 exportando-a. na Inglaterra são necessárias 100 horas de trabalho para a produção de uma unidade de tecido e 120 horas para a produção de uma unidade de vinho. estabelecido a partir do lado da oferta dos países. uma unidade de vinho deve custar 1. Com o comércio com Portugal. Sem comércio internacional. supondo uma dada quantidade de recursos. mostrou-se bastante irrealista e incômoda para muitos teóricos. por apontar os benefícios desse comércio. exportando-os e importando vinho de Portugal. que procuraram incorporar também o capital na função de produção dos países. produzir uma unidade de tecido e trocá-la por uma unidade de vinho. de que há apenas um fator de produção operando a partir de coeficientes técnicos fixos. A partir da teoria clássica do comércio internacional. a Inglaterra poderá importar uma unidade de vinho por um preço inferior a 1. poderia usar apenas 80 produzindo uma unidade de vinho e trocá-la no mercado internacional por uma unidade de tecido.2 unidades de tecido (120/100). ambos os países sairão beneficiados. não dando atenção à evolução das estruturas de oferta e demanda. Desse modo. tal teoria possui pressupostos bastante restritivos. que existem trocas internacionais. um país poderá economizar tais recursos através do comércio internacional. Resume-se a considerações estáticas. ou se há grupos prejudicados. Os benefícios da especialização e do comércio podem ser observados ao se comparar uma situação sem e com comércio internacional. Alguns críticos também apontam para as difuldades que existem em se tecer comentários sobre o impacto do comércio na distribuição de renda dentro de um país. por exemplo. Por outro lado. poderá utilizar apenas 100 horas de trabalho. gastará 120 horas de trabalho para obter uma unidade de vinho. obtendo maior nível de consumo. portanto. também economizando 10 horas de trabalho. poupando. A Inglaterra. O mesmo raciocínio vale para Portugal: em vez de gastar 90 horas produzindo uma unidade de tecido.2 unidades de tecido. Assim. mas não se explicita quem se beneficia dentro do país. que se especializará em tal produção e passará a importar tecidos. Também fornece uma explicação para o padrão do comércio internacional.

Os países. O que varia no modelo moderno é a dotação de fatores: há os países ricos (abundantes em capital) que exportam bens de capital intensivos. Os pontos de sustentação da crítica estruturalista foram: i) baixa elasticidade-preço dos produtos primários. Os novos modelos não . surgiu uma série de novas explicações para o comércio internacional. diante de evidências de que os ganhos do comércio exterior não se dividiam igualmente entre os países industrializados de alta renda. dadas as contribuições desses dois economistas. enquanto a teoria moderna pressupõe uma mesma função de produção para os países envolvidos no comércio internacional. As vantagens do comércio continuam existindo: há ganho real de renda quando o país passa da autarquia para uma situação de comércio internacional. portanto.73 Assim. que agora passam a ser tanto a mão-de-obra quanto o capital. iii) retração da procura de inúmeras matérias-primas de exportações e iv) baixo valor adicionado dos produtos primários de exportação. e os países de baixa renda. que modificou a explicação concernente à origem das vantagens comparativas. Do mesmo modo. Um país com oferta abundante de mão-de-obra em relação ao capital produzirá preferencialmente bens que utilizam na sua produção relativamente mais mão-de-obra e também deverá exportar esse bem. exportadores de matérias-primas. ressaltando-se novamente as vantagens do livre comércio. exportadores de manufaturados. Também a teoria moderna recebeu críticas em função de seu caráter estático e de suas premissas por demais restritivas. A diferença básica entre a teoria clássica e a moderna é que. A teoria moderna do comércio internacional A idéia básica por trás da teoria moderna do comércio internacional é a de que os países diferem quanto à dotação relativa de fatores de produção. importando bens que necessitem de muita mão-de-obra na sua produção. A nova teoria do comércio internacional A partir das críticas e dos problemas empíricos relativos ao modelo Heckscher-Ohlin. terá vantagem em exportá-lo. começou a ser constituída a teoria moderna do comércio internacional. O modelo moderno básico é o chamado modelo de Heckscher-Ohlin. e os países pobres (com uma relação capital-trabalho baixa). um país com oferta abundante de capital considerará relativamente mais barato produzir bens cuja produção necessite mais intensamente do fator capital e. A teoria Estruturalista Esta visão criticou o pressuposto das vantagens bilaterais simétricas. Essas razões mostram uma tendência à deterioração que resultava em ganhos assimétricos de comércio exterior. A corrente estruturalista estava baseada em bases empíricas que evidenciavam a deterioração das relações de troca entre o centro e a periferia – entre os países produtores de bens primários e os países produtores de manufaturas de alto valor adicionado. geralmente tendem a exportar produtos que utilizam intensivamente o fator de produção relativamente mais abundante no país e importam a mercadoria que utiliza intensivamente o fator de produção menos abundante. que exportam bens mão-de-obra intensivos. segundo o modelo Heckscher-Ohlin. a hipótese clássica é oposta: as tecnologias (os coeficientes técnicos de produção) diferenciadas são cruciais para explicar as diferenças de custo e o padrão de comércio. ii) baixa elasticidade-renda da maior parte dos produtos primários. de modo que a estrutura tecnológica é a mesma para todos os países.

a explicação embasada na idéia de ciclo do produto. pois os países tenderão a produzir bens que mais facilmente atendam a demanda de potenciais importadores. Basicamente quanto mais parecida a demanda dos países (quanto mais próximo o nível de desenvolvimento dos países). em função da introdução de problemas relacionados à incerteza. Com a difusão da demanda por tal produto internacionalmente. o país inovador passará a exportá-lo. ainda. o livre comércio continua mostrando-se estaticamente a melhor situação. podem ganhar com o comércio entre eles. Nesse momento. no que se refere às suas dotações de fatores e seus gostos. o vendedor alemão quer receber em marcos alemães. onde conseguem introduzir inovações em função da qualificação da sua mão-de-obra. A TAXA DE CÂMBIO E O MERCADO CAMBIAL Uma importante diferença do comércio internacional em relação ao comércio doméstico é que este último se realiza com uma mesma moeda nacional. Decorrentes mais de atributos construídos do que de vantagens definidas por dotações naturais. fazendo com que a importância da qualificação da mão-de-obra e dos recursos alocados em P&D para a sua produção desapareça. A produção desse bem passa. impostos. Dentro do Brasil. a compra e venda de mercadorias se faz com o real. dólares ou marcos. verifica-se também um comércio intenso entre países com igual dotação de recursos e a crescente troca de produtos razoavelmente parecidos. De modo geral. que passariam também a exportálo.74 têm a mesma consistência teórica dos modelos clássico e moderno e ainda devem ser melhor testados. Mesmo países idênticos. Teorias mais modernas centram-se nos fatores de competitividade das nações. b) existem teorias que procuram enfatizar o lado da demanda. a economias de escala e a estruturas de mercado não concorrenciais. evitando-se produzir para exportação produtos pouco consumidos internamente. além do comércio preconizado pela teoria de Heckscher-Ohlin entre países ricos e pobres. em função do risco associado a esse mercado. enquanto que. matéria-prima) em reais e não em liras. mais fácil e maior é o comércio entre eles. ao longo do tempo. 2. Os rendimentos crescentes de escala são mais uma fonte de ganhos para o comércio. De modo geral. Desse modo. dos recursos investidos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e da estrutura de demanda que possuem. por uma forte padronização. desenvolvida por Raymond Vernon. a fim de explicar esse comércio intraindustrial. As mercadorias a serem exportadas são preferencialmente aquelas já produzidas para atender o próprio mercado doméstico. existe a necessidade da conversão entre diferentes moedas. Do mesmo modo. no comércio internacional. quando um brasileiro exporta para a Itália desejará receber o valor das exportações em real e não em liras. . As explicações relativas a esse comércio podem vir de duas hipóteses: a) pode-se atribuir tal padrão de comércio à existência de economias de escala. que é menos conhecido e controlável. Existe. um brasileiro adquire um produto alemão (importa). o comércio internacional introduz um novo elemento: a taxa de câmbio. porém. porém percebe-se nessas teorias certa recuperação de idéias protecionistas. Esse comércio não se realiza em condições de concorrência perfeita e não se garante que esses ganhos sejam distribuídos proporcionalmente entre os países comerciantes. pois ele tem seus custos (salários. Países desenvolvidos têm vantagens comparativas onde são pioneiros. Deve atingir países com estrutura de demanda parecida e a concorrência entre os países é exercida a partir de um processo de diferenciação do produto. A produção atende inicialmente o mercado doméstico e depois se destina à exportação. as recentes análises constatam que. sua produção pode mudar de país e situar-se em países menos desenvolvidos. o comércio intraindustrial. Quando.

ela é expressa como a quantidade de moeda estrangeira necessária para comprar uma unidade de moeda nacional (no exemplo. Através das taxas de câmbio. com os quais compra a mercadoria desejada. há agentes que oferecem dólares e procuram reais: os exportadores brasileiros. as transações entre bancos privados de diferentes países e as transações entre bancos centrais de diferentes países.75 Taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra moeda estrangeira. de aproximadamente 0.85 R$/US$. os tomadores de empréstimo no exterior.05 francos suíços para se obter uma libra inglesa. No Brasil. aqueles (agentes privados ou públicos) que demandam determinada moeda. Desse modo.17 doláres para 1 real). Por outro lado. Se a mercadoria custa 100 marcos alemães. Outra definição: é o preço de uma unidade de moeda estrangeira em moeda nacional. Ao mesmo tempo.55 R$/DM. bancos e corretores autorizados pelas autoridades monetárias. as transações entre o Banco Central e bancos privados no mesmo país. portanto. os turistas que viajam para os Estados Unidos etc. A partir desses agentes. isso se realiza. Temos. Este mercado é formado por compradores e vendedores (importadores e exportadores). Da mesma forma. As taxas de câmbio são basicamente determinadas através do mercado cambial. então seria 1. Neste mercado. Assim. os estrangeiros que querem investir no Brasil. também em relação ao dólar e às diversas moedas nacionais. marcos etc.) e no resto do mundo. é a taxa pela qual duas moedas de países diferentes podem ser trocadas (cambiadas). esses agentes também estão oferecendo reais no mercado cambial. Em outros países. o importador brasileiro troca reais por marcos alemães pela taxa de câmbio (0. A cotação de real em dólar também poderia ser expressa como sendo de aproximadamente 1. ou seja. eram necessários 2. temos a demanda brasileira por dólar. em outubro de 1994. Também em outubro de 1994. torna-se possível realizar as transações entre os países. com um real poder-se-ia obter 1. ou seja. ou seja.17 dólares norte-americanos. com outras moedas (francos. no Brasil. a realização de diferentes transações: as transações entre bancos privados e clientes no mesmo país. os turistas que trazem dólar para o Brasil. o equilíbrio entre a oferta e a demanda das diferentes moedas nacionais estabelece as taxas de câmbio.05 SF/£. No Brasil. O mercado cambial é aquele onde as moedas dos diferentes países são transacionadas. Assim temos. compõe-se a demanda e a oferta por dólares e reais. Deve-se tomar cuidado com a forma pela qual a taxa de câmbio está expressa.85. Em tese. Um mercado cambial supõe. As oscilações na demanda e na oferta de determinada moeda devem conduzir a modificações no equilíbrio desse mercado (taxa de câmbio e quantidade de moeda transacionada). os agentes que necessitam de dólares para saldar dívidas contraídas anteriormente. assim como as quantidades de moedas nacionais transacionadas. . cada um (1) dólar valia 0. que é o inverso de 0.17 US$/R$. há as ofertas e as demandas pelas moedas.85 reais. trocaria 55 reais por 100 marcos. por exemplo. que a taxa de câmbio do real (moeda nacional brasileira) em relação ao dólar norte-americano (moeda nacional dos EUA) era. que são os preços relativos entre as moedas nacionais. por um lado. no exemplo). 0. as empresas norte-americanas atuando no Brasil. temos os importadores de mercadorias norteamericanas que necessitam de dólares. a taxa de câmbio entre o franco suíço e a libra inglesa era de 2.85 reais para 1 dólar). ou seja. costuma-se expressar a taxa de câmbio como sendo a quantidade de moeda nacional necessária para comprar uma unidade de moeda estrangeira (no exemplo. que desejam remeter lucros para a matriz. por exemplo.

assim como os juros pagos ao exterior. teremos aumento da entrada de divisas estrangeiras e. é bastante comum a apresentação de balanços trimestrais e até de contas mensais. com aumento de saídas de divisas e consequente déficit. No caso das transações de comércio exterior a oferta e procura de divisas estrangeiras representam o movimento das operações exportação e importações efetuadas. e uma desvalorização quando seu poder de compra cai. aumento dos investimentos norte-americanos no Brasil significa aumento na oferta de dólares e também um aumento na demanda por reais. o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo Banco Central a partir dos registros das transações efetuadas entre residentes no País e residentes em outras nações. 2) Câmbio Flutuante (flutuação limpa): o Banco Central não interfere na determinação da taxa de câmbio. pode-se avaliar a situação econômica internacional do país. Assim. Toda transação que cria um direito constitui um crédito. define-se uma valorização da moeda nacional.1. São as forças de mercado (oferta e demanda) que determinam a taxa de câmbio. De modo geral. portanto superávit. por exemplo. haverá redução no saldo de exportações e aumento no saldo de importações. Porém. Formação das Taxas de cambiais – Regimes Cambiais Taxa cambial é a relação de preço existente entre a moeda nacional e determinada moeda estrangeira. pode-se considerar que toda entrada de divisas corresponde a um crédito e toda saída a um débito. A partir desse balanço. Suas intervenções são aleatórias e tem como objetivo conter especulações no mercado. por exemplo. conforme dito acima. 2. A taxa cambial está relacionada com o movimento do saldo do balanço de pagamentos do país. que possibilitam um melhor acompanhamento da evolução da situação econômica internacional do país. durante um certo período de tempo. com altas taxas cambiais. 3) Câmbio Flutuante (flutuação suja. Ocorrendo variação para baixo nas taxas cambiais. empréstimos. adota-se a idéia das partidas dobradas. As exportações. são créditos. que. remessas e entrada de capital.dirty floating): o Banco Central não interfere (ex-ante) na fixação da taxa. O preço do real em relação ao dólar deve crescer e a quantidade de reais que se compra com um dólar deve ser menor. elevará ou reduzirá as taxas cambiais. Principais Regimes Cambiais 1) Câmbio Fixo: o Banco Central fixa a taxa de câmbio e realiza todas as intervenções no mercado que sejam necessárias para manter a taxa estabelecida. A periodicidade em geral é de um ano (seguindo o ano civil do país). podemos entender a formação das taxas cambiais de acordo com o referido princípio basilar econômico. Inversamente.76 Assim. 4) Banda Cambial: o Banco Central fixa os limites inferiores e superiores da cotação cambial. ou seja . Na contabilização destes registros. as importações são débitos. BALANÇO DE PAGAMENTOS O Balanço de Pagamentos de um país é um resumo contábil das transações econômicas que esse país faz com o resto do mundo. Entendendo como fundamento básico na variação das taxas cambiais a oferta e procura de divisas estrangeiras. No Brasil. Esses aumentos fazem com que a taxa de câmbio se modifique. valorizando o real e desvalorizando o dólar. desvalorizando-se a moeda nacional em relação às moedas estrangeiras. Quem determina a taxa efetiva é o mercado (oferta e demanda) 3. conforme exemplos indicados a seguir: . quando o poder de compra desta em relação às demais cresce.

Se tal conta for deficitária.País A .1.2. Atrasados Comerciais A seguir.3. Tranferências Unilaterais B. Transações Compensatórias D. Balança de Capitais B. Rendas de Capital (lucros e juros) A. A.2 Importações A. Se essa conta for superavitária. As transações dessa balança são as que afetam diretamente a renda nacional e. A forma mais usual é a que segue: Balanço de Pagamentos . Investimentos B. por isso. o país necessita de buscar investimentos no estrangeiro (aumentando o controle de estrangeiros sobre emprendimentos no país). para investimento do país no exterior (aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior) ou para aumentar as reservas do país. sendo também incluído o saldo de Transferências Unilaterais do período. .1. Reinvestimentos B.2.1 Exportações A. Operações de Regularização D. Empréstimos e Financiamento de Longo e Médio Prazo B. Balança de Serviços (Invisíveis) A.2.Ano 19xx.4. Transportes e Seguros A.3.77 Débitos: Importações de Bens e Serviços Pagamentos de doações e indenizações Pagamentos de capital emprestado Reembolsos de capital a estrangeiros Compras de ativos de estrangeiros Créditos: Exportações de Bens e Serviços Recebimentos de doações e indenizações Recebimentos de empréstimos Recebimento de reembolso de capital Vendas de ativos para estrangeiros Várias são as maneiras de se apresentar um Balanço de Pagamentos.2. de contrair empréstimos no exterior (aumentando o endividamento do país) ou de reduzir as reservas de divisas internacionais. são verificadas cada uma das contas acima: A. Balança de Transações Correntes A. o país estará recebendo recursos que podem ser utilizados para pagar compromissos assumidos anteriormente (diminuição do endividamento externo).2. Diversos A. são consideradas as mais importantes do Balanço de Pagamentos.2.1.3.2.1. Variação de Reservas (haveres no exterior) D.1.3.1. Balança Comercial A. Amortizações C. Empréstimos a Curto Prazo B.5.4.2. Balança de Transações Correntes — procura resumir a diferença entre o total das exportações e das importações tanto de mercadorias como de serviços. Erros e Omissões Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C) D. Viagens Internacionais e Turismo A.

A. a Balança de Transações Correntes foi praticamente identificada com a Balança Comercial. o deficit cresceu substancialmente em decorrência dos juros pagos ao exterior.2. Na década de 80.2. quando ocorreu o primeiro choque do petróleo e caíram os termos de troca. a Balança de Transações Correntes passou a ser assim decomposta: A. A. Com a implementação do Plano Real. observou-se uma reversão neste quadro com o surgimento de superavits significativos. a balança comercial passou novamente a apresentar saldos negativos. assistência técnica. patentes. que não foram remetidos. e as exportações e importações CIF (cost. com destaque para 1974. Para efeito de Balanço de Pagamentos.4. porém esses lucros são considerados reinvestidos e significarão também uma entrada (crédito) na balança de capital. comissões. caso não haja alteração significativa na condução da política econômica. consumindo grande parte do superavit da balança comercial. a balança comercial do país será superavitária. além de seu custo. Transportes e Seguros — são o saldo das receitas e despesas efetuadas com fretes e prêmios de seguros. Viagens Internacionais e Turismo — representam o saldo das receitas e despesas de turistas. Durante a década de 80. onde se inclui no valor das mercadorias. filmes. especialmente a partir de 1983. recebimentos e pagamentos referentes a royaltes. A Balança de Serviços brasileira sempre mostrou-se deficitária. cenário que deve ser mantido por mais alguns anos. se ocorrer o contrário.1. os juros enviados situaram-se em torno de US$ 10 bilhões anuais. Os lucros de empresas estrangeiras.2. Rendas de Capital — são rendas referentes aos rendimentos de capital auferidos ou pagos pelo país. A.78 Por muito tempo.1. será deficitária. insurance and freight). Se as exportações forem maiores que as importações. o frete e o seguro do seu transporte até o destino. já que as despesas com seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços.2. Possui uma série de subcontas. essa conta mostrou-se deficitária nos anos 70. raiz da crise da dívida externa. onde as despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque da mercadoria. No final dos anos 70 e início dos anos 80. também devem ser contabilizados como débito nessa conta.2. A. Existem pelo menos duas maneiras de se contabilizar o valor das exportações e importações.3. Estão incluídos os juros pagos ao exterior por empréstimos ou financiamentos recebidos de não-residentes (e os juros recebidos do exterior por empréstimos ou financiamentos concedidos por residentes) em um momento anterior. Existem as exportações e importações FOB (free on broad).2. na rubrica (re)investimentos de estrangeiros no Brasil. utiliza-se as exportações e importações FOB. . Também estão incluídos os lucros remetidos por empresas nacionais no exterior (crédito) e os lucros das empresas estrangeiras no país (débito). No caso brasileiro. dentre as quais destacam-se: A. Balança Comercial — inclui basicamente as exportações e as importações de mercadorias. Com a crescente importância dos serviços e dos rendimentos de capital (pagamentos de juros e remessas de lucros). Diversos — incluem o saldo de diversas transações como: dispêndios efetuados com representações diplomáticas no exterior (e as transferências dos demais países para os gastos de suas representações diplomáticas no país). Balança de Serviços — representa as negociações internacionais dos chamados bens invisíveis e os rendimentos de investimentos. aluguel de equipamentos.

e os pagamentos do principal feitos por não-residentes. Se o balanço for superavitário. esse item entra no balanço de pagamento. Na verdade. a fim de cobrir os erros estatísticos cometidos e as transações não registradas. Empréstimos e Financiamentos de Longo e Médio Prazos e B. Transações Compensatórias — ao somatório de A + B + C corresponderá um valor igual nessa conta.79 A. referentes a empréstimos e financiamentos tomados no exterior. Investimentos — referem-se ao capital de residentes no país aplicados no exterior. .1. haverá uma entrada de divisas. b) recebimentos de residentes fora do País (crédito). o que impede a equivalência perfeita entre os créditos e os débitos (mesmo levando-se em consideração as transações compensatórias). como para empresas e indivíduos. Essa rubrica do balanço de pagamentos inclui: B. sejam esses investimentos diretos ou de carteira. em caso de o balanço ser positivo (indicando a entrada de recursos). Transferências Unilaterais — referem-se a pagamentos sem contrapartida de um país para outro: a) remesssas feitas por não-residentes no Brasil ao seu país de origem (débito). B.1.4. B.5. um deficit no balanço poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país. C. B. recorre-se a empréstimos destas instituições com o objetivo de cobri-lo. organismos internacionais etc. tanto para governos. Assim. Variação de Reservas — registra a variação nos haveres em moeda estrangeira e ouro possuídos em reserva pelo país. como o FMI. Movimento de Capitais — agrupa as contas que representam modificações nos direitos e obrigações de residentes no país para com não-residentes. B. Amortizações — onde registram-se os pagamentos do principal. um aumento das reservas. Operações de Regularização — são operações realizadas com instituições internacionais. D. Erros e Omissões — essa conta surge em função de equívocos existentes no registro das operações do país com o exterior. De modo geral. Desse modo. Os principais itens dessa última rubrica são: D. porém com sinal contrário. D. indicada por uma conta credora no item variação de reservas. indicada por um débito. ou seja.2. além dos financiamentos obtidos na cobertura de importações e concedidos quando das exportações. sendo superavit quando a soma for positiva e deficit.3.3. Empréstimos de Curto Prazo — registram os empréstimos recebidos do exterior e concedidos para outros países. c) doações de governos. Reinvestimentos de empresas multinacionais já instaladas no país que reinvestem parte do lucro. inúmeras contas são registradas com valores estimados. quando há deficit no balanço de pagamentos. referentes a empréstimos e financiamentos concedidos pelo país ao exterior. Desse modo. Ao contrário — quando o balanço for deficitário — essa conta será credora. Somados todos os saldos das contas mencionadas (A + B + C) obtem-se o Resultado do Balanço de Pagamentos. quando a soma for negativa. há uma variação negativa no volume de reservas. a conta de Transações Compensatórias será devedora. (crédito/débito). de modo a equalizar os débitos e créditos no balanço.2. assim como os investimentos feitos por nãoresidentes no país.

4.30. b) quando as exportações são superiores às importações a economia apresenta um superávit comercial. Para uma economia hipotética A são dados (em US$ milhões): Balança comercial: 100. d) as exportações elevam a eficiência econômica.Controle das operações cambais Outros Instrumentos: .Imposição de tarifas alfandegárias de proteção. em termos monetários nacionais. Movimentos de Capitais Autônomos: 200. e) Quando o valor das importações supera o das exportações há uma balança passiva.Fixação de quotas setoriais de comércio.3. Questões conceituais: 1.Imposição de proteção não tarifárias. Qual o saldo em transações correntes. Balança de Serviços: 10. c) quanto maior as exportações menor o produto da economia. Erros e Omissões: 0. . Relação entre o valor de duas unidades monetárias. Quando um país necessita aumentar o volume de exportações de determinado produto para importar a mesma quantidade de bens em relação a outro país. Atrasados Comerciais — dizem respeito aos empréstimos que não foram pagos na data de vencimento. No que se refere especificamente as exportações é falso afirmar que: a) a desvalorização da moeda nacional e o incremento da renda internacional elevam as exportações. INSTRUMENTOS DE AJUSTE DO BP Instrumentos Cambiais: . c) Balança Comercial registra o movimento de exportações e importações de mercadorias. b) As transações de capital englobam os créditos e débitos resultantes de todas as transações comerciais realizadas. pode-se dizer que: a) há um incremento nas suas relações de troca b) há estabilidade nos seus termos de troca c) ocorreu aumento nos termos de troca entre eles d) há uma deterioração nos termos de troca e) os termos de troca nunca variam 3. .80 D.Administração da taxa de câmbio . de acordo com a teoria econômica convencional. e) quanto maior as exportações maior o produto de uma economia. Assinale a alternativa incorreta: a) As transações correntes englobam os fluxos reais de bens e serviços e os pagamentos correspondentes às receitas e despesas realizadas. Transferências Unilaterais: . 2. d) Quando o valor das exportações supera o das importações dizemos que há uma balança comercial ativa. indicando o preço.metálico b) gold-points c) pontos de compensação d) relação de troca e) taxa de câmbio . 4. da divisa estrangeira correspondente: a) par. 5.

81 6. US$ 180 milhões em automóveis coreanos. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros. g) O Banco Central obtém empréstimo junto a um banco norte-americano a fim de financiar o pagamento de juros vincendos no valor de US$ 80 milhões. i) Uma indústria brasileira de autopeças importa maquinário da Alemanha no valor de US$ 60 milhões. vii. US$ 80 milhões. A recente crise financeira que se instalou no Brasil é fruto de sérios problemas externos e teve como consequência a alteração do regime cambial (janeiro/1999). d) Uma montadora francesa de automóveis investe US$ 100 milhões na construção de uma fábrica no Paraná. b) Companhias estrangeiras instaladas no Brasil remetem lucros de US$ 50 milhões ao exterior. sob a forma de investimento de curto prazo. Atualmente o regime cambial é de: a) Flutuação limpa. d) o saldo total do balanço de pagamentos. Além disso. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. em moeda estrangeira. o país importa.Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares): i. referentes a serviços de hospedagem de turistas brasileiros. c) Uma agência de turismo brasileira efetua pagamentos a uma cadeia de hotéis norte-americana no valor de US$ 20 milhões. h) Uma companhia aérea norte-americana realiza uma compra à vista de aviões brasileiros no valor de US$ 150 milhões. b) Banda cambial explícita c) Câmbio fixo d) Câmbio flutuante com intervenção e) Câmbio flutuante sem intervenção Questões aplicadas: 1. viii. explique se a atual forma de financiamento do saldo das transações correntes será prejudicial para o comportamento futuro do BP. 3 – Admita que as seguintes operações foram realizadas entre o Brasil e o exterior em um dado período: a) Um grupo japonês realiza investimento de US$ 500 milhões em razão da privatização da Vale do Rio Doce. . pagando à vista.000 j) juros pagos: 500 k) investimento estrangeiro direto no país: 1. o país exporta. financiados a longo prazo por um banco alemão. sob a forma de investimento direto.000 c) donativos recebidos: 100 d) donativos enviados: 50 e) fretes pagos: 100 f) fretes recebidos: 50 i) amortizações pagas: 1. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país.São dados para uma economia hipotética os seguintes dados do Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) a) exportação de mercadorias: 5. Com base nessas informações: a) Monte o BP. b) o saldo da balança de serviços. ingressam no país. f) O Brasil paga ao exterior US$ 50 milhões em fretes. v. ingressam no país. construa o balanço de pagamentos e determine e interprete: a) o saldo da balança comercial.000 l) empréstimos recebidos do exterior: 1. iii. mercadorias no valor de US$ 110 milhões. recebendo à vista. vi. US$ 70 milhões em forma de bens de capital.000 m) remessa de lucros e dividendos: 500 Com estas informações elabore o Balanço de Pagamentos da economia hipotética. o país paga ao exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. c) o saldo na balança em transações correntes. ii. 2. e) O Brasil importa.000 b) importação de mercadorias: 6. mercadorias no valor de US$ 100 milhões. iv. Com base nestas operações. pagando à vista.

416 29. Erros e Omissões RESULTADO DO BP (A+B+C) Fonte: Banco Central do Brasil -6575 51140 -57714 -28299 1458 -33416 29702 320 29381 26002 -2854 28856 18125 -457 18582 -460 -14285 -4256 -7970 a) Identifique os principais problemas do balanço do pagamentos do Brasil no ano de 1998.970 2005 44.458 -33. Balanço em transações Correntes A.2. Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) Discriminação 1994 A.558 14.692 C. Conta Capital e Financeira Conta capital Conta financeira Investimento direto Investimento brasileiro direto Investimento estrangeiro direto Investimentos em carteira Investimento brasileiro em carteira Investimento estrangeiro em carteira Derivativos Outros investimentos C.256 -7.113 3. que TC = .2.811 B. 1998 e 2005. o saldo em transações correntes.702 -4. 4 – Considere o balanço de pagamentos abaixo (Brasil .3. Auditor Fiscal do Tesouro Nacional (AFTN) e Banco Central do Brasil (BACEN): 1) (AFRF.466 A.82 b) Encontre o saldo da balança comercial.319 Pede-se: a) Qual a principal mudança nos resultados das contas do BP nesses diferentes anos? Explique.ANO 1998 em US$ milhões) A – Balanço de Transações Correntes A.1. Erros e omissões 334 Resultado do BP 7. Explique essa afirmação usando os resultados do BP para 1994. 5.K).193 -9.3. Movimento de Capitais 8. Considere os seguintes resultados do BP brasileiro para os anos de 1994. 1998 e 2005.748 -34.593 -280 4. Balanço de Serviços -33. b) Qual a alternativa para o Brasil equilibrar as contas do BP? Explique.299 1. o saldo da conta de capital e financeira e o resultado do balanço de pagamentos. Questões retiradas de concursos para Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF). 1996) Os déficits no balanço de pagamentos de um determinado país .215 Fonte: Prof.414 Saldo em Transações Correntes -1. Transferência Unilateral 2. Solange Marin a partir de dados do Banco Central do Brasil 1998 -6.1.079 A.575 -28. então. Transferências unilaterais correntes TRANSAÇÕES CORRENTES (A1+A2+A3) B. Balança comercial (fob) Exportação de bens Importação de bens A. Balanço Comercial (FOB) 10. b) A estrutura do BP mostra que a soma do saldo em transações correntes e do movimento de capitais deve ser igual a zero (TC + K = 0 e. Balança de Serviços A.

enquanto o preço das manufaturas tende a crescer. c) é realizado duas vezes na conta corrente ou na conta de capital. 4) (AFTN. que incidem tanto sobre as exportações. de acordo com a natureza da operação. d) o padrão de comércio entre dois países em termos de reciprocidade de estrutura tarifária. b) A balança de pagamento deve estar sempre em equilíbrio . as receitas líquidas de exportações deste país. 2002) Segundo o critério de partidas dobradas. d) é realizado simultaneamente na conta de transações correntes e na conta de capital em uma delas como crédito. o registro de toda transação internacional no balanço de pagamentos a) é realizado duas vezes. d) decorrem. de déficits nas transações correntes (comércio visível e invisível). como débito ou crédito. é correto dizer que: a) as amortizações de empréstimos figuram na conta “movimento de capitais”. Por esta razão. que aumentam a competitividade mas tornam o produto exportado relativamente barato. 1998) O conceito de termos de troca refere-se à: a) relação de produtos trocados entre dois países. b) decorrem de desvalorizações cambiais. como o Mercosul. não se pode fazer a seguinte afirmativa: a) Balança de pagamento é um registro contábil de todas as transações de um país com os outros países do mundo. b) os atrasados e os empréstimos de regularização figuram na conta de “erros e omissões”. mas também dependem do nível de reservas internacionais de que dispõe este país. em função de fluxos inesperados nas contas de transferências e /ou de capitais deste país. entre outros. c) ocorrem como consequência da elevação das taxas de juros internacionais. reduzindo as receitas. em geral. b) forma contratual de comércio utilizada em sistemas regionais. e) Na balança de capitais são registrados o capital das firmas estrangeiras que ingressam no país sob a forma de empréstimos. Os empréstimos de outros governos para o governo brasileiro. em casos muito particulares. etc. 6) (BACEN. em uma das contas do balanço de pagamentos. . O que implicará a capacidade de importar. d) diferenças entre as exportações e as importações de um dado país e outros. e os juros que o Brasil paga pelos empréstimos fornecidos por outras nações. c) A balança comercial e a balança de serviços formam a “balança de transações correntes”. 2000) Sobre balanço de pagamentos. mas podem ocorrer. remetidos pelas empresas transnacionais. 1998) Considerando a estrutura do BP. 2) (AFRF. para os vários grupos de produtos. reduzindo. lucros e royalties. uma vez como crédito e uma vez como débito. empréstimos do FMI. na outra como débito. 3) (AFRF. b) lei segundo a qual os preços dos produtos tendem a permanecer estáveis ou a declinar ao longo do tempo. quanto sobre as importações. e) um índice que serve para medir o nível de participação de um país no comércio internacional bem como o grau de diversificação de seus produtos e parceiros. c) relação entre preços recebidos pelas exportações de um país e os preços pagos pelas importações. e) é realizado apenas uma vez. b) é realizado apenas uma vez como crédito ou débito. que se tornam relativamente mais caras para este país. 1996) Termos de troca é uma expressão que designa: a) uma relação entre os preços pelos quais um país vende suas exportações em relação aos preços que esse país paga por suas importações. países com baixos níveis de proteção tarifária apresentam-se deficitários.83 a) decorrem fundamentalmente de déficits comerciais. serviço de transporte (fretes). c) as condições de comércio estabelecidas entre duas nações. 5) (AFTN. assistências técnicas. e) são consequência da falta de proteção adequada ao mercado interno deste país. enquanto países com níveis elevados de proteção dificilmente apresentam este tipo de problema. especialmente no que se refere ao regime tarifário. assim. d) A balança de serviços inclui.

o saldo do balanço de pagamento em conta corrente e o saldo total do balanço de pagamentos são. US$ 70 milhões em forma de bens de capital IV. o país exporta. +110. +105. -45. Com base nestas operações. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. recebendo à vista. o país paga para o exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. ingressam no país. e) + 80. em moeda estrangeira. d) o pagamento de seguros. +60. 7) (BACEN. ingressam no país. US$ 80 milhões V. pagando à vista. o saldo do balanço de serviços. . pode-se afirmar que o saldo do balanço comercial. os juros e os lucros fazem parte dos movimentos de entrada de recursos no país. +165. respectivamente: a) –80. sob a forma de investimentos de curto prazo. -60.120. -65. VIII. sob a forma de investimento direto. mercadorias no valor de US$ 110 milhões III. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros VI. o país importa. e) o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente é igual ao saldo do balanço comercial. + 35 b) –10. +320. . -50. VII. -115. -65. mercadorias no valor de US$100 milhões II. +40. 1998) Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares) I. c) –10. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. a) –80. do balanço de serviços e dos movimentos de capitais autônomos. -60.84 c) as transferências unilaterais não figuram na estrutura do balanço de pagamentos. apesar de serem contabilizadas pelo Banco Central para fins de controle de entrada de recursos no país.

O Padrão-Ouro vigorou na sua forma original até 1914. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. nas relações econômicas internacionais. que vigorou até a I Guerra Mundial e o Sistema de Bretton Woods.85 A INSTITUCIONALIDADE NO CENÁRIO INTERNACIONAL ORGANISMOS INTERNACIONAIS As grandes Guerras Mundiais. Sistema Monetário Internacional É o conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. as pressões inflacionárias em quase todos os países levaram à escassez relativa de estoques de ouro. portanto.queda de preços . portanto entre as diversas moedas.Eliminação do déficit Os desequilíbrios do BP eram resolvidos por meio de transferências internacionais de ouro. Isso estimulou as autoridades de diversos países a buscar a volta da estabilidade obtida nos vinte anos anteriores à guerra. o seu valor correspondente em ouro. existia: a) a unidade comum entre os países era o ouro. início da Primeira Guerra Mundial: Nesse sistema. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial: As diferentes unidades monetárias utilizadas no pagamento das trocas internacionais fizeram com que fosse necessário operacionalizar um sistema monetário internacional. mas operava plenamente em 1900. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. e o equilibro era obtido pelo impacto dos fluxos de ouro sobre o sistema econômico interno. Para superar essa escassez o Comitê Financeiro de Conferência de Genebra na Convenção de Gênova (1922). O que se sabe é que não existia em 1870.saída de ouro . O intervalo entre as duas Guerras Mundiais Durante o período entre as Guerras Mundiais não existiu nenhum sistema monetário internacional. Mas. Os países adotavam taxas fixas ou flutuantes de acordo com suas conveniências. As moedas nacionais emitidas tinham. por conseguinte. assim como os conturbados anos do período entre guerras. as paridades entre as principais moedas oscilaram de forma pronunciada.saída de capital . Os principais sistemas monetários internacionais já adotados foram: O Sistema PadrãoOuro. É importante destacar que nos anos imediatos após o fim da guerra (1919-23). b) havia a conversibilidade das moedas em ouro.II Guerra Mundial até 1971. Na prática isso significava que um padrão-ouro estabelecia uma paridade fixa entre cada moeda e o preço do ouro. O mecanismo de ajuste do Balanço de Pagamentos no Padrão-Ouro: Déficit no BP . Já ao final da II Guerra Mundial. recomendou a adoção mundial do . e. no período Pós. O Objetivo do sistema é viabilizar as transações entre países. O Padrão-Ouro: conceito e mecanismo de ajuste do valor das moedas Vários autores destacam que é mais fácil determinar o período em que o padrão ouro chegou ao fim – 1914 do que a data efetiva de sua origem.

O Sistema de Bretton Woods consagrou a gestão de taxas de câmbio chamada de . o grau de liberdade dos capitais privados e a institucionalidade que garantirá o funcionamento desse sistema. Sua principal finalidade era promover a cooperação dos principais bancos centrais do mundo motivo por que ele é considerado Banco Central dos Bancos Centrais. nas relações econômicas internacionais. O Sistema de Bretton Woods: a Reforma do Sistema Monetário Internacional As grandes Guerras Mundiais. quando se via no comércio mundial um importante instrumento para potencializar o desenvolvimento do mundo capitalista. assim como os conturbados anos do período entre as guerras. A expressão sistema monetário internacional refere-se ao conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. Já ao final da II Guerra Mundial. embora tivesse semelhança com a atual ONU. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. os mecanismos de financiamento e ajustamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos. Tais eram as preocupações presentes nos últimos anos da II Guerra Mundial. sua relação com as diferentes moedas nacionais (o regime cambial). surgiram algumas propostas de remodelagem do sistema monetário internacional. o Fundo Monetário Internacional (FMI). A tradução de BIS é “Banco Internacional de Pagamentos”.86 padrão-ouro. foi criado o BIS (Bank For International Settlements). devidos pela Alemanha a título de reparação de guerra. Foram criadas as quatro principais instituições econômicas do pós-guerra: o Sistema de Taxas de Câmbio de Bretton Woods. relativos aos Acordos Young. secretário do Tesouro dos EUA. Desta conferência nasceu um novo sistema monetário internacional. outras moedas conversíveis. Nesse período entre as duas grandes guerras. Mas. Na Conferência de Bretton Woods. além do ouro. A referência mais importante é o retorno da Inglaterra ao padrão-ouro em 1925. com sede na Basiléia. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. com consequências sobre a liquidez e o ritmo de atividade interna. Sistema de Bretton Woods O Sistema de Bretton Woods foi definido em 1944 ao fim da II Guerra Mundial com o objetivo de determinar as regras econômicas internacionais que deveriam vigorar no pósguerra. por conseguinte. fez a Inglaterra sair do padrão-ouro e desvalorizar a libra esterlina. Suíça. Elas formam o aparato institucional que mantém as relações entre as diversas economias. infelizmente fracassou. em 1931. Foi criada a Liga das Nações que. define-se o ativo (moeda) de reserva internacional. que prevaleceu. com o aumento de seu desequilíbrio externo e a saída de ouro. foram feitas algumas tentativas de preservar a paz mundial e auxiliar o crescimento econômico. sua forma de controle. O objetivo de um Sistema Monetário Internacional é viabilizar as transações entre os países. Surgiu o sistema de câmbio-ouro (gold exchange standard). no qual os países adotariam como reservas monetárias. que foi extremamente importante para o reflorescimento do comércio mundial e sobre o qual se baseou o crescimento econômico do pós-guerra. Dentre elas destacaram-se as do economista inglês John Maynard Keynes e as de Henry White. Em 1930. para administrar os pagamentos. o Banco Mundial e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). Nesse sentido. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial.

quando se verificasse um desequilíbrio fundamental. o que significaria alterar a relação dólar-ouro ou abandonar o sistema das taxas fixas de câmbio. Foi estabelecido o dólar como moeda internacional. Por outro lado. Se esses déficits fossem. Este paradoxo decorreu de um trabalho publicado por Triffin em 1960. e era a seguinte questão: para que a expansão do comércio ocorresse. porém. a solução para o problema do dólar só poderia ocorrer por meio de modificações na paridade do dólar. a confiança na conversibilidade do dólar e. Na ausência de uma moeda universal. Esta falta de definição de uma regra básica para o ajuste entre as economias é apontada como uma das causas da falência do sistema. se não houvesse injeção de liquidez. 3) Regime de taxa de câmbio fixa entre os países e 4) Gold exchange standard: paridades das várias moedas estabelecidas em termos de ouro ou dólares. Essa injeção de liquidez se fazia a partir de déficits externos dos EUA. Os pontos essenciais de Bretton Woods: 1) O novo sistema internacional teria como ativo comum a moeda norte-americana. base do sistema monetário internacional anterior à I Guerra Mundial. porém com uma contínua perda de confiança no sistema. e se os ativos em ouro norte-americanos fossem constantes (na verdade eram cadentes). que procurava flexibilizar o Padrão-Ouro. sua sustentação era posta em xeque. o que se verificou foi um forte crescimento econômico. pois a única moeda a ser conversível em ouro. havia a possibilidade de se reajustar a taxa de câmbio quando uma moeda nacional apresentava uma tendência demasiadamente forte de se afastar do seu valor estabelecido em relação ao dólar. Essa possibilidade de ajustamento. sendo as outras moedas nacionais livremente conversíveis em dólar. Já nos anos 50. Assim. a variação cambial deveria ser adotada na hipótese de um “desequilíbrio fundamental” nunca definido de forma clara. depois de fracassados os ajustes internos possibilitados por política monetária e comercial. o crescimento também não ocorreria. A questão conhecida como "Paradoxo de Triffin". Os Problemas do sistema de Bretton Woods: A falta de mecanismos de ajuste adequados O sistema de Bretton Woods permitia o recurso a uma desvalorização cambial como última instância. a economia e o comércio internacional prosperaram com base no dólar e nesse sistema. A solução para o problema só poderia ocorrer depois que fosse sanado o déficit comercial norte-americano.87 padrão dólar-ouro. Ainda assim. a base dos acordos de Bretton Woods ruiria. a uma taxa de câmbio fixa (não havia limitações à mobilidade de capital). . Porém. e essa era a única moeda que manteria sua conversibilidade em relação ao ouro. era a principal distinção entre o sistema de Bretton Woods e o Padrão-Ouro. sistemáticos. por conseqüência. Problemas com a liquidez internacional: o “dilema de Triffin” Nas três décadas que se seguiram à II Guerra Mundial. O dólar tinha uma paridade com o ouro e as demais moedas com o dólar. 2) Os EUA ficavam obrigados a converter os dólares em ouro a uma cotação fixa (sistema de câmbio fixo em relação ao ouro e entre moedas). era necessário o crescimento das reservas mundiais em dólares (a fim de não haver crises de liquidez internacional).

O volume dos DES é controlado pelo FMI e não pode ser ampliado. Seu fim foi decretado por Nixon em 1971.e subsequentemente em relação à convertibilidade entre o dólar e outras moedas (as cotações deixaram de ser feitas exclusivamente em termos da paridade à moeda norte-americana). a menos que haja decisão favorável nesse sentido por parte de ao menos 80% dos países do Fundo. Mas. Essas foram as motivações de longo prazo subjacentes à criação dos Direitos Especiais de Saque (DES). Houve uma grande desvalorização do dólar.quando foi suspensa a convertibilidade do dólar em relação ao ouro . com a política expansionista (keynesiana) da década de 60 e os conseqüentes aumentos nos déficits público e comercial americanos. o mercado duplo de ouro (1968) e as crises especulativas do final da década foram passos no caminho de destruição do sistema montado em Bretton Woods. A questão se acirrou com as guerras da Coréia e do Vietnã. para ser uma função de uma cesta de dezesseis moedas (com predominância do dólar). mas à mesma paridade do dólar. . depois de 1973. e o estoque inicial foi alocado entre os diversos países de acordo com suas quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI). seguiu-se um período de forte instabilidade. Os DES. ou seja. Ou seja. O Fim de Bretton Woods As condições de conversibilidade oficial estabelecidas originalmente no sistema de Bretton Woods esgotaram-se em agosto de 1971. apesar de ainda ser a principal reserva internacional. perdeu importância.88 A criação dos Direitos Especiais de Saque (DES) As discussões sobre a reforma do sistema monetário internacional durante a década de 60 estiveram centralizadas na idéia de tornar as reservas internacionais administráveis sob algum tipo de controle central. os DES são emitidos pelo FMI e alocados entre os países-membro do Fundo na proporção de suas quotas. Desde então. principalmente em relação ao ien e ao marco alemão. conhecidos internacionalmente por SDR (Special Drawing Rigths) foram a solução adotada a partir de 1967 com o propósito de elevar o estoque de reservas internacionais. a paridade inicial de um para um com o dólar foi finalmente alterada. a desvalorização da libra (1967). o valor dos DES foi definido em termos de ouro. baseada em taxas flutuantes de câmbio. marco alemão. a partir de 1974. Originalmente. cada unidade de DES equivaleria a 35 onças de ouro. A partir dessa época. que as mantivesse protegidas de fatores adversos. Os Estados Unidos buscavam mecanismos para evitar variações bruscas na paridade ouro-dólar. que. iene. com o rompimento da conversibilidade do dólar em relação ao ouro. franco francês e libra esterlina. e novamente em 1981 o valor dos DES foi redefinido como uma média ponderada das paridades do dólar. enquanto outros países – sobretudo europeus – procuravam formas de evitar as facilidades encontradas pela economia norte-americana em manter posições deficitárias por longos períodos de tempo.

Japão. os Direitos Especiais de Saque (DES). o FMI poderia financiá-los com os empréstimos compensatórios. contudo. O país. mas que não obtêm financiamento no setor privado. e o Banco passou a lidar com a promoção do desenvolvimento dos países subdesenvolvidos. Ocorrendo desequilíbrio no BP de um país associado ele recorrerá ao FMI. O FMI tem sede em Washington.89 A institucionalidade criada em Bretton Woods (1944) Foram criadas duas instituições financeiras internacionais muito importantes. acrescidas de uma margem para cobrir custos operacionais: desse modo. Além disso. com o intuito de desenvolver projetos economicamente viáveis e relevantes para o desenvolvimento desses países (especialmente projetos de infra-estrutura). Alemanha. Quando esses desequilíbrios ocorressem. eliminando práticas discriminatórias e restritivas aos pagamentos multilaterais. Seu capital é composto pelas quotas constituídas pelos países associados.Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento foi criado com o objetivo de auxiliar a reconstrução dos países europeus devastados pela guerra. Seus ativos. . O Banco tem seu capital subscrito pelos países na proporção da sua importância econômica. que eram emprestados. porque foi a solução encontrada diante da tentativa frustrada do Congresso norte-americano em criar uma Organização Internacional do Comércio. a compra de divisas estrangeiras em troca de ouro ou de sua própria moeda nacional. com o compromisso de recomprar a sua moeda em ouro ou em divisas conversíveis. o Banco também funciona como avalista de empréstimos efetuados por capitais particulares para esses projetos. Maiores quotistas: Estados Unidos. integralizadas em ativos de reservas (Direitos Especiais de Saque) e em moeda nacional do país associado. A maneira como o Banco opera na maior parte dos programas é levantando recursos junto ao mercado financeiro a taxas preferenciais e emprestando aos países a essas taxas. Fundo monetário internacional O Fundo Monetário Internacional foi criado com os objetivos de: a) evitar possíveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade financeira. tendo em vista seu desenvolvimento industrial e sua participação no campo financeiro internacional. Estados Unidos. b) socorrer os países a ele associados quando da ocorrência de desequilíbrios transitórios nos seus balanços de pagamentos. Na prática. Banco Mundial ou BIRD O Banco Mundial ou BIRD . isto é. criou-se um novo ativo de reserva internacional. constituíam-se inicialmente de reservas em ouro e em moedas nacionais dos países membros. O GATT também é mencionado. Posteriormente. eliminando ou reduzindo as causas que motivaram o desequilíbrio. esse papel ficou a cargo do chamado Plano Marshall. o Banco empresta com taxas reduzidas de juros para países menos desenvolvidos. o Banco provê crédito em condições preferenciais a países que dificilmente teriam acesso a essas condições por meio dos mecanismos de mercado. que estabelecerá um programa de ajuste. para utilizar os recursos do FMI tem direito de saque. O FMI não concede empréstimos. GrãBretanha e França. A estabilidade financeira interna e o combate à inflação nos países membros é uma de suas metas. que consistirá em restabelecer a viabilidade do BP. Essa quota-parte é fixada em função do peso econômico do estado. A partir desse capital. O crédito obtido pode ser em moedas estrangeiras ou em Direitos Especiais de Saque (DES). dentre as quais estão o FMI e o Banco Mundial ou BIRD.

O GATT estabelece como princípios básicos: a redução das barreiras comerciais. Através do GATT. Atuou especialmente através de sucessivas rodadas de negociações entre os países envolvidos no comércio internacional e conseguiu. a não-discriminação comercial entre os países. a compensação aos países prejudicados por aumentos nas tarifas alfandegárias e a arbitragem dos conflitos comerciais. no pós-guerra. procurava-se estruturar um conjunto de regras e instituições que regulassem o comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países. . reduzir as barreiras impostas a esse comércio através de impostos alfandegários e cotas de importação. cujo objetivo básico é a redução das restrições ao comércio internacional e a liberalização do comércio multilateral. foi criado o GATT .90 GATT Alguns anos depois da Conferência de Bretton Woods.Acordo Geral de Tarifas e Comércio.

.Utilidade: a capacidade que um bem tem de satisfazer uma necessidade humana.Diferentes técnicas Como Fazer? .Necessidade humana: qualquer manifestação de desejo que envolva a escolha de um bem econômico capaz de contribuir para a sobrevivência ou para a realização social da pessoa. Daí surgem os conceitos: .Método e Economia Positiva . A análise da escassez de recursos e das ilimitadas necessidades humanas conduz à conclusão que a economia é uma ciência ligada a problemas de escolhas. O conceito de escassez econômica deve ser entendido como a situação gerada pela razão de produzir bens com recursos limitados. produzir o máximo de bens e serviços com os recursos disponíveis de cada sociedade.Teorias/Modelos . Porém.Bens produzir . somente existirá escassez se houver um demanda para a aquisição de bens. .Custos .Análise Marginal 1.Escassez . Por que os bens são procurados. a fim de satisfazer as ilimitadas necessidades humanas. Um bem é demandado porque ele é útil.Bem: tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. ESCASSEZ Em economia tudo se resume a uma restrição física – a lei da escassez. isto é. .91 CAPÍTULO 7 – NOÇÕES DE MICROECONOMIA O que veremos: Princípios Básicos Mercado: Oferta e Demanda Conceito de Elasticidade Estrutura de Mercado Princípios Básicos O que Quanto Como Para quem Economia (Ciência Social) Escassez Escolha Produzir .

Haverá sempre uma quantidade máxima de carros (camisas) produzidas anualmente. existem as combinações intermediárias entre os dois bens. 2. Custo: valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. Fora das quantidades máximas. Tabela 1 – Mostra as possibilidades de produção Bens Quantidade máxima Possibilidades intermediárias carros A 150 0 B 140 10 C 120 20 D 90 30 E 70 40 Carros Camisas Quantidade máxima camisas F 0 50 Curva de possibilidades de produção: combinações máximas possíveis de produção de carros e camisas. certa técnica de produção. Qual será o custo de oportunidade da tarefa B? Suponhamos uma economia em que haja certo número de pessoas. o sistema econômico terá decidido como alocar ou distribuir os recursos disponíveis entre as milhares de diferentes linhas de produção possíveis. quando todos os fatores de produção forem destinados a sua produção e nada for destinado à produção de camisas (carros).92 Pessoas desejam mais do que pode ser satisfeito com recursos disponíveis. com o pleno emprego dos recursos disponíveis. Escolha Trocas Compensatórias: satisfazer mais de uma necessidade significa satisfazer menos de outra. supomos que apenas dois bens deverão ser produzidos: camisas e carros. Cada gerente só tem tempo para realizar uma tarefa. A quantidade exata de cada bem depende da quantidade e da qualidade dos recursos produtivos existentes na economia e do nível tecnológico com que sejam combinados. certo número de fábricas e instrumentos de produção e um conjunto de recursos naturais. A empresa contrata dois gerentes e cada um deles executa uma tarefa. COMO MEDIR O CUSTO DE OPORTUNIDADE Intuitivamente: O proprietário de uma empresa que contratar gerentes. Ao decidir “o que” e “como” produzir. . a tarefa B = $ 75 e a tarefa C = $ 50.Para simplificar nossa análise. A tarefa A = $ 100. Considerem todos essas dados constantes.

passando de B para C. significa apenas que estão sendo transferidos recursos da produção de carros para a produção de camisas. sacrificam-se 40 mil carros. O formato da curva mostra que decresce a taxas crescentes. para produzir-se mais 10 milhões de camisas Ou então: Custo de oportunidade de passar da alternativa C para B. decidir pelo seu uso de uma forma significa desistir de usá-lo de outra. A curva de possibilidade de produção representa um outro fato: uma economia no pleno emprego precisa sempre. o custo do que não foi escolhido e não o ganho do que foi escolhido. No exemplo acima: a fabricação somente de carros . à medida que se está consumindo (produzindo) pouco de um bem. Ao passar de D para E. ao produzir um bem.93 Figura . Mas. Quando um bem é escasso. O custo de oportunidade também pode ser definido como o valor do melhor uso alternativo desconsiderado. desistir de produzir um tanto do outro bem. acréscimos . está ocorrendo a transformação de carros em camisas. Ou seja. Por exemplo. para produzir-se mais 20 mil carros } = 20 mil carros } = 10 milhões de camisas As condições para a existência desse custo são os recursos limitados e o pleno emprego de recursos. ganham-se 10 milhões de camisas e sacrificam-se 20 mil carros. OU SEJA. até F. ganham-se 10 milhões de camisas. O custo de oportunidade corresponde ao sacrifício do que se deixou de produzir. isso mostra que a substituição entre a quantidade dos dois bens se torna cada vez mais difícil. O valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. Custo de oportunidade de passar da alternativa B para C.Curva de Possibilidades de Produção – CPP (Transformação) camisas F E D C CPP B A 0 carros À medida que se passa do ponto A para B e assim por diante. o que ocorre quando existir desemprego geral de fatores? A razão da curva de possibilidade de produção (CPP) ser decrescente deve-se ao fato de os recursos disponíveis serem limitados. porém. o sacrifício de consumir (produzir) menos é ainda muito grande.A – estaria sacrificando toda a de camisas. Essa transformação não é física.

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iguais na produção de camisas (10 milhões) levam a queda cada vez maior na produção de carros. Esse fenômeno dos custos crescentes surge à medida que se transferem recursos adequados e eficientes de uma atividade para outra, em que eles se apresentam ineficientes e inadequados. Aqui opera a chamada lei dos rendimentos decrescentes. Assim, se insistir somente na produção de camisas, será necessário recorrer aos soldadores de chapas de aço para passarem a pregar mangas de camisas. A CPP é côncava em relação à origem em virtude da chamada Lei dos custos crescentes: para atrair trabalhadores que estão empregados na produção de camisas e deslocá-los para a de carros, deverão ser oferecidos salários maiores, e vice-versa. O que mais pode ser visto na CPP? - Eficiência
Bens de I

A= capacidade ociosa

*B *A

*C

C = nível impossível de produção B = situação ideal

Bens de C

Teste para determinar a eficiência: veja se para produzir mais de um bem a economia deve produzir menos de outro. Se a resposta for sim, então a economia está produzindo eficientemente e está sobre a sua curva de possibilidades de produção.

- Crescimento Econômico A CPP pode sofrer mudanças que ocasionarão o seu deslocamento para fora ou para dentro. Aqui são destacados três principais fatores de deslocamento: 1. Variações nos fatores considerados constantes determinarão deslocamento para a direita. 2. Variações tecnológicas iguais para os processos de produção dos dois bens deslocarão a curva para a direita e paralelamente. 3. Se a variação tecnológica for maior para o processo de produção de um determinado produto, maior será o deslocamento em relação a esse eixo. Disso, pode-se constatar também, via a curva de possibilidades de produção, o impacto, por exemplo, de um crescimento econômico que deslocará a curva para cima e para a direita.Os fatores que causam o crescimento econômico: aumento do investimento, inovações, maior divisão do trabalho e aumento nos insumos.

3. ANÁLISE MARGINAL No que as pessoas se baseiam para alocar os diferentes recursos escassos de modo a obter o maior valor?

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Análise marginal: análise dos benefícios e custos da unidade marginal de um bem ou insumo. As pessoas desejam maximizar o máximo beneficio líquido (lucro). Beneficio liquido = beneficio total (BT) – custo total (CT) Exemplo: Consumir mais uma pizza. - Encontre o aumento no BT com uma unidade a mais consumida (BMg); - Encontre o aumento no CT com uma unidade a mais consumida (CMg); - Se BMg ≥ CMg = consome mais uma pizza. Beneficio liquido aumenta POIS, BMg = aumento BT CMg = aumento CT Δ BT = BMg - CMg Exemplo: Uma indústria moveleira está produz 30 jogos de cozinha a um custo de $ 30.000 e as vende por $ 40.000. Se produzir a 31º, sua venda total será de $34.000 e seu custo total será $ 32.500. Será que a indústria produzirá a 31º unidade? OBS. A análise marginal, assim como problemas de otimização são ferramentas utilizadas no estudo dos comportamentos de consumidores e de produtores. Os consumidores sempre buscam a maximização de sua satisfação (ou utilidade) ao consumir. Os produtores buscam maximizar seus lucros ou minimizar seus custos ao produzir. Os diferentes comportamentos de consumidores e produtores serão discutidos na disciplina Teoria Econômica. Questões – Conceitos Básicos
1. Explique como os problemas econômicos fundamentais – o que e quanto, como e para quem produzir – originam-se da escassez de recursos produtivos. 2. O que mostra a CPP? 3. Defina custo de oportunidade. O que são custos de oportunidade crescentes? 4. O problema fundamental com o qual a Economia se preocupa é: ( ) a pobreza ( ) o controle dos bens produzidos ( ) a escassez ( ) a taxação daqueles que recebem toda e qualquer espécie de renda ( ) a estrutura de mercado de uma economia 5. Em um sistema de livre iniciativa privada, o sistema de preços restabelece a posição de equilíbrio: ( ) por meio da concorrência entre compradores, quando houver excesso de oferta. ( ) por meio da concorrência entre vendedores, quando houver excesso de demanda. ( ) por pressões para baixo e para cima nos preços, tais que acabem, respectivamente, com o excesso de demanda e com o excesso de oferta. ( ) por meio de pressões sobre os preços que aumentam a quantidade demandada e diminuem a quantidade ofertada, quando há excesso de oferta, e que aumentam a quantidade ofertada e diminuem a demandada, quando há excesso de demanda. ( ) todas as alternativas anteriores são falsas.

96 6. Dada a curva de possibilidades de produção, aponte a alternativa errada:

15 *D *C 10

A

*B

E

0

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( ) a economia não pode atingir B, com os recursos de que dispõe. ( ) o custo de oportunidade de passar de C para D é zero. ( ) o custo de oportunidade de aumentar a produção de X em 5 unidades, a partir do ponto E, é igual a 2 unidades de Y. ( ) nos pontos C e D, a economia apresenta recursos produtivos desempregados. ( ) somente as três primeiras alternativas estão corretas. 7. A Curva de Possibilidades de Produção, quando construída para dois bens, mostra: ( ) os desejos das pessoas perante a produção total desses dois bens. ( ) a quantidade total produzida desses dois bens em função do emprego total da mão-de-obra, ( ) a quantidade disponível desses dois bens em função das necessidades das pessoas dessa sociedade. ( ) quanto se pode produzir dos bens com as quantidades de trabalho, capital e terra existentes e com determinada tecnologia. ( ) a impossibilidade de atender às necessidades dessa sociedade, visto que os recursos são escassos. 8. O que fará com que a CPP se desloque para cima e para a direita? Comente. 9. Se o custo marginal de uma ação excede seu beneficio marginal, por que o beneficio liquido cairá? Questões Aplicadas: 10. A IBM está produzindo 50 laptps a um custo de $50.000 e os está vendendo a $60.000. Se ela produzir uma 51a unidade, sua venda total será igual a $62.000, e seu custo total será de $51.500. Será que ela deve produzir a 51a unidade? Explique. 11. Se uma firma está sujeita aos custos e benefícios mostrados abaixo, quantas plantas deveria construir? Comente. Plantas 1 2 3 Receita em $ (RT) 10.000.000 18.000.000 24.000.000 Custo total em $ (CT) 5.000.000 12.000.000 20.000.000

12. Em uma ilha, um trabalhador pode produzir em uma hora um tapete ou duas cestas. a) Qual o custo de oportunidade de um tapete? b) Suponha que o trabalhador torne-se duas vezes mais eficiente, produzindo em uma hora dois tapetes ou duas cestas. Como mudou o custo de oportunidade de um tapete? 13. A Empresa Justus Ltda treinou o administrador A por um custo de $ 40.000, e o administrador A vale $ 80.000 para a Empresa. Mais tarde a Empresa tem a oportunidade de contratar o administrador B. Esse administrador B custaria $ 40.000 para ser treinado, mas valeria $ 100.000. Porém, para contratar o administrador B a Empresa deve demitir o funcionário A. Será que a Empresa deve contratar o administrador B?

que representam os interesses de consumidores e produtores (ou vendedores). diminui a quantidade de empréstimos que os clientes se dispõem a tomar. da esquerda para a direita. mostrando que a quantidade demandada varia inversamente ao preço. tudo o mais permanecendo inalterado (ceteris paribus).a 9% a. considerada a procura por crédito: Escala de procura ALTERNATIVAS TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 3% a. Exemplo de procura ou demanda por crédito: P 15% Curva de Procura 9% 3% 20 60 100 Q À medida que a taxa de juros aumenta (preço do dinheiro). oferta. 1. na esquina de uma rua.a 6% a.a VALORES DEMANDADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A B C D E Outra forma de expressar essas diversas alternativas seria através da curva de procura ou de demanda (D). Procura. elasticidade e as diferentes formas de organização dos mercados serão objeto de abordagem nesta Unidade. o eixo horizontal mostra a quantidade procurada (Q) de empréstimo por unidade de tempo. que se inclina de cima para baixo. Essa relação pode ser representada pela escala abaixo. Depreende-se. Não precisa ser necessariamente um lugar físico. Um mercado pode estar em qualquer lugar. Essa é a lei da procura: as quantidades . também denominada demanda. O eixo vertical representa o preço (P). A procura é dada pela curva D. Nele estão presentes os fundamentos da procura e da oferta. no outro lado do mundo. daí.97 MERCADO: OFERTA E DEMANDA Mercado é o encontro entre vendedores e compradores. que a cada preço corresponde uma determinada quantidade demandada. ou bem perto como o telefone ou os classificados do jornal. é entendida como a quantidade de um bem ou serviço que uma pessoa deseja e está apta a comprar a determinado preço em dado intervalo de tempo. PROCURA (OU DEMANDA) A procura. taxa de juros paga pelo cliente.a 12% a. Na Figura a seguir.a 15% a.

menores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. 2. da esquerda para a direita.a 9% a. Exemplo de oferta de crédito: P 15% 9% Curva de Oferta 3% 20 60 100 Q .a 6% a. o consumidor desejará adquirir mais bens ou serviços à medida em que o preço diminua. OFERTA A oferta é definida como a quantidade (Q) de bem ou serviço que um vendedor ou produtor está disposto a oferecer a cada preço (P) e em determinado período de tempo. ceteris paribus. se o preço do bem se eleva. refletindo o fato de que a quantidade ofertada de um dado produto varia diretamente com seu preço. Uma curva de oferta inclina-se para cima.a 12% a. É a lei da oferta: as quantidades ofertadas variam diretamente com os preços. As quantidades ofertadas a cada preço podem ser representadas por uma escala de oferta: Escala de Oferta ALTERNATIVAS A B C D E TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 15% a. a tendência é que o consumidor reduza a quantidade demandada. Quanto mais alto é o preço de mercado. Ou seja. uma vez que seu objetivo é alcançar a máxima satisfação possível de suas necessidades a partir de uma renda limitada.a 3% a.a VALORES OFERTADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A curva de oferta (S) é a representação gráfica da escala de oferta.98 demandadas variam inversamente aos preços. maiores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. Por outro lado. Quanto mais baixo é o preço.

empregado na definição da procura e da oferta. além do preço. nos preços de outros bens e nas expectativas sobre o futuro podem influenciar significativamente as quantidades demandadas pela sociedade. conforme mostra a Figura abaixo. 3. Mantendo os demais fatores constantes: . . condições climáticas favoráveis ou concessão de subsídios ao produto. Aperfeiçoamento das técnicas produtivas.elevação na renda de uma comunidade determinará maior demanda por bens de consumo duráveis. significa que a quantidade demandada ou ofertada varia apenas em função de alterações de preço.aumento no consumo de sucos naturais faz com que diminua a quantidade demandada de refrigerantes.99 Nesse exemplo.elevação de taxa de juros pelos concorrentes aumentará a demanda por crédito em um banco. PREÇO E QUANTIDADE DE EQUILÍBRIO O preço e a quantidade de equilíbrio de mercado são determinados pela interação das curvas de demanda e oferta. mesmo mantendo-se estável o preço. podem influenciar as quantidades ofertadas. Sob a ótica da demanda. redução dos custos de produção. diversas causas. na renda da população. fatores como condições climáticas desfavoráveis ou aumento dos impostos sobre o produto provocarão diminuição nas quantidades ofertadas. Preços D 15% 12% S E Pe 9% 6% 3% S D 20 40 60 80 Qe 100 Quantidade . 4. . Por outro lado. alterações no gosto ou preferência dos consumidores. Se a análise for sob o enfoque da oferta. os bancos se dispõem a oferecer maior volume de crédito. existem inúmeras outras causas que podem influenciar as quantidades demandadas ou ofertadas. Na prática. entretanto. OUTROS FATORES QUE INFLUENCIAM AS CURVAS DE DEMANDA E OFERTA O termo ceteris paribus. à medida que a taxa de juros aumenta. onde os interesses de demandantes e ofertantes são coincidentes. certamente aumentarão as quantidades ofertadas.

a. Deslocamentos ao longo de uma mesma curva Deslocamentos ao longo de uma curva de demanda ou de oferta ocorrem devido às variações de preços. No gráfico acima. ceteris paribus. Curva de Demanda P P Movimento P0 Q Q0 Q Uma variação no preço altera a quantidade demandada. O movimento inverso é possível: se o preço caísse de P1 para P0. (preço de equilíbrio) e a quantidade de crédito da ordem de 60 UM (quantidade de equilíbrio). a quantidade demandada aumentaria de Q1 para Q0 . Curva de Oferta P P P P P0 P0 P0 Q0 Q Q .1.100 No exemplo apresentado. o ponto E mostra onde os interesses se equivalem. 4. o preço aumentou de P0 para P1 e em conseqüência a quantidade demandada caiu de Q0 para Q1. com taxa de juros 9% a.

Isso quer dizer que. etc. Curvas de Demanda Aumento da Procura Redução da Procura O deslocamento das curvas de oferta para a direita ou para a esquerda é devido a variações na tributação. os consumidores desejam comprar mais/menos quantidades de um determinado produto. Deslocamento das curvas de demanda e de oferta Deslocamentos das curvas de demanda por um determinado bem ou serviço são provocados por variações de gosto ou preferência. 4.2. ao mesmo preço. a quantidade ofertada do produto seria reduzida de Q1 para Q0 . refletindo as alterações ocorridas.101 Uma variação só no preço de P0 para P1. aumenta a quantidade ofertada de Q0 para Q1. na produtividade. Curvas de Oferta Redução da Oferta Aumento da Oferta . de preços de outros bens (substitutos ou complementares) e da renda do consumidor. nos custos. A curva de demanda se desloca paralelamente para direita ou para esquerda. O inverso aqui também é possível: se o preço diminuísse de P1 para P0 . na tecnologia de produção.

102 4. a concorrência entre os vendedores empurrará os preços para baixo e. Exemplo: piso salarial . Deslocamento da demanda e variações de preço Mudanças na curva de demanda. compradores insatisfeitos estarão dispostos a oferecer maior preço para conseguirem o produto. Maior Demanda Preços D D1 S P1 ΔP P0 S D1 P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 D Quantidade Efeito do deslocamento da Demanda sobre o equilíbrio de mercado Aumentando a demanda. Exemplo: teto para a gasolina. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. INTERVENÇÕES DE MERCADO . Maior oferta Preços P0 P1 D S S1 D S S1 ΔP P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 Quantidade Efeito do deslocamento da Oferta sobre o equilíbrio de mercado Aumento de oferta significa aumento da quantidade de produtos à disposição dos consumidores. 4. 5.Pisos de Preço: governo proíbe que o preço caia abaixo e certo valor.3. não havendo quantidade suficiente de bens. Se não houver alteração na demanda. em conseqüência. . a curto prazo. permanecendo inalterada a curva de demanda. para atender a essa demanda. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio.4.Tetos de Preço: governo proíbe que o preço ultrapasse um valor máximo. Deslocamento da oferta e variações de preço Mudanças na curva de oferta. ceteris paribus. a quantidade transacionada aumentará.

Durante o mesmo período. 2. Caso as variações de quantidade sejam proporcionalmente menores que as variações de preço. c) essenciabilidade do produto — quanto mais essencial for o produto. a procura do produto é considerada elástica. a procura do produto tem eleasticidade unitária. Isso apoia ou contradiz a lei da demanda? Comente. por exemplo. menor deverá ser sua elasticidade-preço. quanto mais perfeitos forem os substitutos de um produto. Qual a intensidade desses efeitos? Eles seriam idênticos. Nesse sentido. mudanças na qualidade e mercados negros. Essa afirmação está correta? Explique.103 Consequências das Intervenções: racionamento não liderado por preços. foi visto que. Ao longo de um período de 5 anos. 3. ou o preço subir 6% e a quantidade demandada reduzir-se em 10%. menor deverá ser a elasticiade-preço. por outro lado. a procura é dita inelástica. o preço de um produto subir 10% e a quantidade demandada reduzir-se em 20%. Como os proprietários compensam s efeitos das leis de controle de aluguéis em seus ganhos? Exemplifique. quanto menor o peso no orçamento. É o que ocorre se. O preço de casas é tão alto que há uma falta de casas. b) peso do produto no orçamento — se for pouco substituível. Nem todos os que desejam comprar uma casa poderão comprar uma. Se a quantidade procurada variar mais que proporcionalmente à alteração nos preços. 6. o preço dos aparelhos de TV aumentou 5%. O CONCEITO DE ELASTICIDADE A noção de elasticidade é de fundamental importância na compreensão e análise dos mercados de bens e serviços. a um preço mais elevado. mais TVs foram vendidas. e o preço de todos os outros bens aumentou 12%. ela mede o impacto sobre a quantidade decorrente de alterações no preço (elasticidade-preço) do próprio bem e na renda do consumidor (elasticidade-renda). Quando as variações forem percentualmente iguais. um aumento da quantidade ofertada. ou diferenciados de um produto para outro? Como medir a eleasticidade? Elasticidade-preço da procura A elasticidade-preço da procura reflete a sensibilidade da quantidade procurada por dado produto a uma alteração no preço desse produto. Suponha que uma lei de controle de aluguéis force os aluguéis abaixo do seu preço de mercado. . Considerando o equilíbrio de mercado. maior a tendência de esse produto ter demanda elástica. por exemplo. Existem certos fatores que explicam ou influenciam o valor da elasticidade-preço de demanda. correspondia uma redução da quantidade demandada e. A forma correta de se medir essa sensibilidade é através da relação entre a variação percentual na quantidade e a variação percentual no preço. Questões Aplicadas: 1. Os elementos apresentados a seguir devem ser entendidos como alguns subsídios ao entendimento do porquê da demanda de certos produtos serem mais elásticas que a de outros: a) existência de produtos substitutos — é de se esperar que.

por parte dos que o integram. as variações nos preços e nas quantidades são na mesma direção. Caso o aumento na renda implique queda na quantidade demandada. embalagem. .grande número de empresas. o poder dos diferentes agentes econômicos é também diferenciado. a começar pelo preço. . a oferta será elástica.ausência de entraves ao ingresso de novas empresas. . Exemplo: aparelhos eletrodomésticos. A diferença é subjetiva.concorrência pela diferenciação de produtos. . em relação a mudanças de preços. . Elasticidade-preço da oferta Análise similar é válida para a curva de oferta.grande número de consumidores e ofertantes.pequeno número de empresas controla a quase totalidade do mercado. sal é exemplo clássico de produto com procura inelástica e viagem de turismo é um bem de demanda elástica.fracas barreiras quanto ao ingresso e saída do mercado. disponibilidade de insumos e de mão-de-obra e tempo de ajuste na produção.104 Nesse sentido. Assim. Veremos a seguir as características básicas dos principais tipos de mercado.perfeita mobilidade de recursos. A sensibilidade da oferta de produtos a variações nos preços depende de fatores como percentual de utilização da capacidade instalada. Se o aumento na renda implica aumento na quantidade demandada. Exemplo: farinha de mandioca. Exemplos: calças jeans. Oligopólio: . etc. Exemplos: feira livre. se o preço de um bem aumentar 10% e a quantidade crescer 20%. . comércio varejista em geral. Concorrência perfeita: . . franquias.tendência à formação de cartéis e à rigidez de preços.perfeito conhecimento do mercado. . a oferta desse bem será inelástica. ESTRUTURA DE MERCADO O comportamento de ofertantes e demandantes no mercado não é uniforme.pouca diferenciação dos produtos. a oferta apresenta elasticidade unitária. publicidade. 7. .forte bloqueio à entrada de concorrentes. Concorrência monopolística: . Se a resposta da quantidade for de 5%. . Cada concorrente estabelece um produto único e ligeiramente diferenciado pela marca. a elasticidaderenda é positiva e o produto é classificado como bem normal. a elasticidade-renda é negativa e o produto é classificado como bem inferior.tendência à concentração de capitais através de fusões. . pizzarias. Em decorrência da própria dinâmica da economia capitalista. Porém. Se a magnitude de variação na quantidade for de 10%. Elasticidade-renda da procura A elasticidade-renda da procura mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto decorrente da variação percentual na renda dos consumidores. tornando o mercado pulverizado de tal forma que nenhum comprador ou vendedor tenha condições de influenciar os preços ou o comportamento dos demais agentes.homogeneidade de produtos.

.barreiras legais. Exemplo: correios.preço do produto determinado pelos demandantes.grande dificuldade de entrada no mercado para novos compradores. Monopsônio: . pneumáticos. de vidros. fábricas de cigarros. .poucas empresas compradoras. aço.preço determinado pelo comprador. Exemplo: setor público na compra de produtos específicos. petroquímica etc. Cerveja. Automóveis Oligopólio Poucos __ Grande Padronizado ou Diferenciado Vendedor Monopólio Um __ Total Não há substitutos Satisfatórios Vendedor Correios Monopsônio __ Um Total __ Comprador setor público na aquisição de produtos específicos Oligopsônio __ Poucos Grande Padronizado ou Diferenciado Comprador Agroindústrias . Monopólio: .quadro síntese Tipos de Mercado N° Vendedores Nº Compradores Dificuldade de Entrada no Mercado Concorrência Perfeita Concorrência Monopolística Grau de Diferenciação do Produto Quem Determina o Preço Exemplos Muitos Muitos Nenhuma Nenhum Mercado Feira Livre Muitos Muitos __ Subjetivo Vendedor. . Exemplo: indústria automobilística. tecnológicas e econômicas ao ingresso de concorrentes no mercado.existência de uma única empresa produtora de bens e serviços para os quais. no curto prazo. cimento.uma única empresa compradora de determinado produto.o lucro total da empresa é máximo para cada nível de produção e preço por ela estabelecido. . não existem substitutos próximos. com Alguma Limitação Jeans franquias Cimento. química. Estruturas de mercado .105 Exemplos: indústria automobilística. . . Oligopsônio: .dimensões do mercado estabelecidas pela empresa via determinação prévia do volume de produção e dos preços desejáveis.

Parte IV – Finanças Públicas. São Paulo: Saraiva. 17ª ed.br). Diva Benevides & VASCONCELLOS. ROSSETTI.gov.bcb. PEREIRA. O truste é o tipo de estrutura em que várias empresas. Marco Antônio Sandoval de (Org.). 5ª ed. São Paulo: Campus. A Economia Brasileira. Introdução à Economia. de forma a constituir um monopólio de mercado. (Disponível: http://www. com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias maiores de mercado. 20ª ed. Boletim do Banco Central do Brasil . A economia e a política do Plano Real. Editora Brasiliense. estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro. Marcelo de Paiva (1990). com vistas a interesses comuns.br) PEREIRA. dumping e cartel. (2005) Manual de Economia. Revista de Economia Política. Luis Carlos Bresser (1996).106 O mercado também cria algumas imperfeições que impedem o que se poderia chamar de seu comportamento “natural”. O tipo mais comum de cartel é o de empresas que produzem artigos semelhantes. Revista de Economia Política. CARDOSO. São Paulo: Nobel. É o caso do truste. A Ordem do Progresso. São Paulo: Saraiva. Orçamento e Gestão (http://www. Luis Carlos Bresser (1994). .planejamento. São Paulo: Atlas. Cartel é um grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para sua atuação coordenada.Relatório 2005. já detendo a maior parte do mercado. WESSELS. Essas imperfeições estão relacionadas ao poder de mercado e formas de atingi-lo ou mantê-lo. Werner (2002). combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle.gov. José Paschoal (2003). PINHO. Walter (2003). Referência Bibliográfica ABREU. A Inflação decifrada. BAER. Economia. Eliana (1996) Economia Brasileira ao Alcance de Todos. 16(64): 20-35. 14 (56): 129-149. O dumping se caracteriza pela venda de produtos a preços mais baixos que os custos. 2ª ed. Ministério do Planejamento.

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