Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Centro de Educação Superior Norte – RS (CESNORS) Departamento de Administração

Caderno Didático n0 1:

Introdução à Economia
(Versão não-revisada)

Professora: Solange Regina Marin Curso: Administração

Palmeira das Missões 2007

2

INDICE Introdução Capítulo 1 – Conceitos Básicos 1. O conceito de economia 2. De que se ocupa a economia 3. A quantificação da realidade econômica 4. Breve contexto histórico do conceito economia 5. As escolhas na economia 6. Os argumentos da economia 7. Método de investigação da ciência econômica 8. Evolução do pensamento econômico.. 9. Interação entre os agentes econômicos e as questões-chave da economia Capítulo 2- Sistema Financeiro 1. Origem da moeda 2. Evolução das formas de moeda 3. Ativos financeiros 4. Oferta e demanda de moeda 5. Medida da Oferta de Moeda 6. Base monetária 7. Estrutura do SFN (brasil) 8. Organização do SFN 9. Diferentes mercados Intermediação Financeira 1. Formas de financiamento 2. Criação e destruição de moeda 3. Multiplicador bancário 4. Política monetária Capítulo 3 – Inflação 1. Situações possíveis de variação dos preços 2. Teorias da inflação 3. Inflação e Números-Indices 4. Indicadores de inflação no Brasil e no RS 5. Inflação no Brasil e Planos de Estabilização Capítulo 4 – Setor Público 1. As funções econômicas do setor público 2. Estrutura tributária 3. Os tributos e sua classificação 4. Os gastos do setor público 5. O Conceito de déficit público 6. Financiamento do déficit 7. Aspectos institucionais do orçamento público 8. Fiscalização Capítulo 5 – Conceito e Cálculo dos Agregados Macroeconômicos 1. O conceito de valor adicionado: o produto nacional (PN) 2. O conceito de renda nacional (RN) 3. O conceito de despesa nacional (DN) Alguns problemas com as medidas agregadas Capítulo 6 – A Economia Nacional e as Relações Internacionais 1. Teorias do comércio internacional 04 05 05 06 08 10 11 13 14 15 22 23 24 24 25 25 26 26 27 29 29 30 31 36 37 38 39 42 50 50 51 55 55 55 55 57 58 59 59 69 71

3

2. A taxa de câmbio e o mercado cambial 3. Balanço de pagamentos 4. Instrumentos de ajuste do balanço de pagamentos A Institucionalidade no Cenário Internacional Capítulo 7 – Noções de Microeconomia 1. Escassez 2. Custo de oportunidade 3 Análise marginal Mercado: Oferta e Demanda 1 Procura (ou Demanda) 2. Oferta 3. Outros fatores que influenciam as curvas de demanda e de oferta 4. Preço e quantidade de equilíbrio 5. Intervenções de mercado 6. O conceito de elasticidade 7. Estrutura de mercado Referência Bibliográfica

74 76 80 85 91 92 94 97 98 99 99 102 103 104 106

mas suscitar o interesse. ou seja. Para isso. são apresentadas questões teóricas e aplicadas sobre os diferentes assuntos trabalhados que incluem desde os conceitos básicos até as noções sobre economia nacional e relações internacionais. uma visão geral do objeto de estudo e do método de investigação da chamada Ciência Econômica. sem esquecer de relacioná-los com os fatos econômicos reais.4 INTRODUÇÃO A idéia de produzir um caderno didático surgiu depois de alguns semestres ministrados da disciplina de Introdução à Economia para diferentes cursos de graduação. estudaremos as noções básicas de Economia para observar de forma crítica a realidade e interpretar o significado dos diferentes conceitos econômicos frente aos acontecimentos reais da economia brasileira. O objetivo é propiciar ao aluno. A preocupação central é apresentar de forma simples e clara os conceitos econômicos básicos. provocar o debate e proporcionar aos alunos do curso de administração uma capacidade de análise crítica das questões econômicas atuais. Este caderno não pretende dar respostas definitivas às questões sobre economia. Por se tratar de assuntos ainda gerais da Ciência Econômica e relacionar acontecimentos recentes da economia brasileira. traçar um paralelo entre as noções econômicas e as informações sobre a realidade econômica brasileira. Além disso. . o caderno se torna uma ferramenta auxiliar para o estudante da disciplina de Introdução à Economia. no presente momento ao aluno do curso de administração.

conceitos e modelos teóricos não apenas na sua própria coerência. e os grandes temas de que se ocupa a economia. Seria administração da casa ou administração da coisa pública. o estudo da economia implica a abertura de suas fronteiras às demais áreas das ciências sociais ou humanas.Questões-chave da economia 1. abrindo suas fronteiras à filosofia. psicologia. E vai além. mas ainda no desenvolvimento dos demais campos do conhecimento social. na produção de bens e serviços. antropologia culturas.Evolução pensamento econômico . porque a economia busca alicerçar seus princípios. lei). porque pode influir no questionamento dos princípios e das aquisições conceituais desses mesmos campos. assumindo um caráter biunívoco. a economia não pode ser considerada como fechada em torno de si mesma. Pelas implicações da ação econômica sobre outros aspectos da vida humana.Método de investigação da ciência econômica . com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas. O CONCEITO DE ECONOMIA A palavra economia vem do grego oikos (casa) e nomos (norma. de modo a distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade.5 CAPÍTULO 1 – CONCEITOS BÁSICOS O QUE É ECONOMIA ? O que veremos? . De outro lado. Essa abertura se dá em uma dupla direção. DE QUE SE OCUPA A ECONOMIA Aqui estão destacadas as categorias centrais de preocupação da economia. direito).Argumentos da economia .A quantificação da realidade econômica . consistência e aderência à realidade. o que implica por sua vez numa interface com outras áreas de conhecimento.Contexto histórico do conceito economia .De que se ocupa a economia . à ética e à história.Interação entre os agentes econômicos . sociologia. . 2. Como umas das ciências sociais (ciência política. A economia pode ser definida como ciência social que estuda como o indivíduo e a sociedade decidem utilizar os recursos produtivos escassos. A figura 1 abaixo mostra que a economia está relacionada com outros campos de conhecimento. De um lado.

dentre eles Adam Smith.Por que a renda dos agricultores se eleva quando ocorre uma estiagem que reduz a produção? .Por que a taxa de juros é tão importante para os investimentos? . Já as noções de crescimento e desenvolvimento foram tratadas por Simon Kuznets e Lionel Robbins tratou da questão das escolhas em economia. Alguns problemas econômicos . transações.1. trocas. 2.Por que devemos nos preocupar com o PIB de um país? . foram o processo de produção. equilíbrio e desenvolvimento.Por que a alta do preço do cafezinho reduz a demanda por açúcar? .A taxa de crescimento do PIB seria um bom indicador para o desenvolvimento de um país? 3. remuneração. Além disso. moedas. Nesse iniciar do debate econômico. Marshall. e por Karl Marx que ficou conhecido pelo desenvolvimento da teoria marxista.Por que é importante para um produtor saber a elasticidade demanda por seu produto? . agregados.De que forma a oferta de moeda na economia afeta a taxa de juros? . concorrência. recursos.Como pode uma desvalorização cambial conduzir a uma melhora na balança comercial? . Marshall (1842-1924) * Pobreza * Riqueza * Bem-estar Simon Kuznets (1901-1985) * Crescimento * Desenvolvimento Lionel Robbins (1898-1984) * Recursos * Necessidades * Prioridades * Escassez * Recursos * Emprego * Produção * Agentes * Trocas * Moedas * Valor * Preços * Mercados * Concorrência * Remunerações * Agregados * Transações * Crescimento * Equilíbrio Antropologia Sociologia Psicologia Direito Política Ética Os temas discutidos pelos diferentes pensadores econômicos e em épocas históricas diversas. emprego. o dispêndio e a acumulação. ao ressaltar que as necessidades ilimitadas e os recursos escassos. riqueza e bem-estar foram apresentados por A. crescimento. agentes. produção. mercado.Por que a demanda por bens como carros ou apartamentos aumenta com o processo inflacionário? . David Ricardo. a distribuição.Por que o setor coureiro-calçadista do Rio Grande do Sul está em crise com o maior valor do real frente ao dólar? .Por que os aluguéis de imóveis em regiões universitárias geralmente costumam ser maiores no início do período letivo? . os temas pobreza. assuntos tratados pelos clássicos. A QUANTIFICAÇÃO DA REALIDADE ECONÔMICA O que distingue a economia de outros ramos do conhecimento social é a possibilidade de alguma forma de mensuração. valor.6 FIGURA 1 – A relação com outros campos de conhecimento Clássicos/Marx: * Produção * Distribuição * Dispêndio *Acumulação A.Quais os fatores que influenciam o crescimento econômico? . Em economia é possível: . ressaltam-se os diferentes temas que são objetos de estudo da economia: escassez. preço.

.desenvolver modelos explicativos da realidade. . de conjuntos Indicam variações de grupos.construir identidades quantificáveis. conjuntos ou de agregações de dados econômicos.da atividade econômica agragativamente considerada. . Medidas de Expressam em termos médios. Indicam a interdependência interconsistentes de variáveis. entre duas variáveis. . .lineares elas. Indicam a resposta de uma ou de um conjunto de variáveis a determinada ação econômica.proporções em determinado momento.divisas externas (b) Unidades .7 . . Quadro 1 – A quantificação da realidade e as variáveis econômicas . no decurso de séries históricas. Quocientes Formas usuais de indicações quantitativas Coeficientes Resultado da divisão de variáveis econômicaas. simples ou múltipla entre as variáveis econômicas.relações cambiais entre (a) e (b) adotadas Indicam magnitudes medidas ao longo de Variáveis-fluxo determinado período de tempo Variáveis econômicas Indicam magnitudes medidas em um determinado quantificáveis Variáveis-estoque momento Indicam relações entre duas variáveis. O quadro abaixo sintetiza as formas usuais de indicações quantitativas em economia. Esta particularidade da economia possibilitou o surgimento de correntes econômicas fundamentadas no método matemático. com destaque para a econometria. Expressam resultados de transações: . . baseados em sistemas de equações simultâneas. Valores absolutos .específicas. medianos ou modais a abservação de determinada situação ou tendência central transação. de um dado agente. Relações funcionais expressando a correspondência funcional entre .quantificar os resultados. experessnado: .desenvolver sistemas quantitativos para diagnóstico e prognóstico. Expressam graus de concentração (ou de dispersão) de determinadas condições estruturais da economia.variações ao longo do tempo.estabelecer relações quantitativas entre diferentes categorias de transações.moeda corrente do país (a) Monetárias . ou interagentes.não-lineares Relações Incrementais Relações entre variáveis Relações Matriciais Números-indices Indicam variações cumulativas. Expressam parâmetros de correlação.proceder a análises fundamentais em parâmetros quantificados. .

e mais importante. Mesmo que alguns filósofos da Grécia Antiga. observamos o nascimento do primeiro conjunto de idéias mais sistematizadas sobre o comportamento econômico com o chamado Mercantilismo. No século XVIII. as paixões originais da natureza humana. sob o objetivo de promover seu fortalecimento. tenham explorado temas de conteúdo econômico. Eles sintetizaram os fundamentos da conduta econômica do homem: a escassez de recursos diante de necessidades ilimitáveis. O estudo das leis sociais que regulam a produção e a distribuição dos meios materiais destinados a satisfazer às necessidades humanas resume o campo de que se ocupa a economia. Figura de maior destaque foi Karl Mar(1818-1883). Maior figura foi François Quesnay e seu Quadro Econômico de 1758. Roma não deixou nenhum escrito notável na área de economia. Estavam preocupados com a iniqüidade social mas não propuseram formas alternativas e revolucionárias para a organização econômica da sociedade. BREVE CONTEXTO HISTÓRICO DO CONCEITO ECONOMIA Em seu nascedouro. Com o tempo. tal como se apresentava. a distribuição e o consumo. Mas. como Robert Malthus. como Platão e Aristóteles. de um lado. . Os sentimentos morais. mas com a riqueza das Nações. e. é um estudo da riqueza.8 4. em seus aspectos mais estritamente ligados à obtenção e ao uso dos elementos materiais do bem-estar. quem procurou fazer uma síntese de clássicos com neoclássicos. Alfred Marshall. a acumulação. Os neoclássicos A ênfase dos primeiros neoclássicos (Jevons. a busca da aprovação social. fundamentada nas leis que regem a formação. as razões maiores da acumulação e da conservação da fortuna material foram os pressupostos de sua descrição da ordem econômica. David Ricardo e John Stuart Mill definiam a economia a partir destes quatro fluxos. A partir do século XVI. Esse polinômio foi a base do conceito clássico de economia. Adam Smith e suas obras Sentimentos Morais (1759) e A Riqueza das Nações (1776). A fisiocracia elaborou alguns trabalhados dignos de destaque. a denominação usual da economia era adjetivada. novas concepções se desenvolveram. Walras e Menger) não estava no processo de acumulação capitalista e nos mecanismos de repartição dos esforços sociais. Assim. cujo principal elemento era a maximização da utilidade. tais idéias estavam baseadas numa definição de economia como o ramo do conhecimento essencialmente voltado para a administração do Estado. A perspectiva socialista O binômio produção-distribuição é a base a partir da qual a perspectiva socialista construiu sua concepção sobre a matéria de que se ocupa a economia. acredita que a economia examinava a ação individual e social. é uma parte do estudo do homem. Os outros economistas clássicos na transição dos séculos XVIII e XIX. a adjetivação caiu em desuso. evoluiu para economia. A abordagem clássica A preocupação não era com o fortalecimento do estado. de outro. Denominava-se economia política. Eles buscaram entender o equilíbrio do processo econômico.

uma multiplicidade de fins que a humanidade procura alcançar . portanto. riqueza e bem-estar. uma relação entre custos (meios empregados) e benefícios (fins alcançados). produzir o máximo de bens e serviços com os recursos escassos disponíveis de cada sociedade. Ele partiu da existência de: .9 A sistematização de Lionel Robbins nos anos de 1930 Robbins não partiu de categorias de fatos econômicos. poderiam ter sido alcançados).a limitação dos meios para alcançar os fins possíveis . Qualquer escolha feita pelos indivíduos. Com isso.a priorização de fins possíveis: podem ser classificados por ordem de prioridade . podemos notar que em Economia tudo se resume a uma restrição quase física – a lei da escassez.o emprego alternativo dos meios. distribuição. governos ou outros agentes econômicos quanto à alocação de recursos implica. O fator de maior importância e que faz o elo de ligação entre as quatro condições é a capacidade humana de fazer escolhas. se prestam a usos alternativos”. O fato econômico resume-se. E um bem é demandado porque é útil. com os mesmos recursos. como produção. isto é. embora escassos. bem como a ocorrência de custos de oportunidade (outros fins que. empresas. Mas lembre-se só existirá escassez se houver uma demanda para a aquisição do bem – tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. nos atos de escolha entre fins possíveis e meios escassos aplicáveis a uso alternativos. dispêndio. Figura 2 .Síntese dos conceitos básicos da sistematização de Robbins Conflito fundamental Meios (ou recursos) escassos e limitados Fins (ou necessidades) múltiplos e ilimitáveis Escolhas entre fins possíveis e meios disponíveis Alocação de recursos (custoso) Consecução de determinado fim Não-consecução de outros fins Benefício Custo de oportunidade . acumulação. “A economia é a ciência que estuda as formas de comportamento humano resultantes da relação existente entre as ilimitadas necessidades a satisfazer e os recursos que. assim.

hoem se dedica a um ato social: a produção. fins alternativos.Para satisfazer a um e meios escassos para padrão de necessidades.. . que regulam a produção e a distribuição resume o campo de que se ocupa a economia. A teoria econômica trata de escassez.Meios escassos.A economia é um estudo dos homens tal como vivem.Focaliza. a condução do homem no trato com questões que interferem em sua riqueza e bem-estar. A perspectiva socialista . Quadro 2 – O conceito de economia nas três abordagens A abordagem neoclássica .A economia é um ramo que estuda as formas do A realização desse comportamento humano que processo se completa com a resultam da relação entre distribuição do produto necessidades ilimitadas e recursos escassos.O estudo das leis sociais estar social.10 Existem ligações formais entre as abordagens consideradas: a neoclássica. RECURSOS PRODUTIVOS ESCASSOS * O QUE E QUANTO PRODUZIR * COMO PRODUZIR * PARA QUEM PRODUZIR ESCOLHA ESCASSEZ Essas questões não seriam problemas se existissem recursos ilimitados. Porém. custo e análise marginal como veremos em outras aulas. . escolha e alocação são os elementos a partir dos quais se define o campo de que se ocupa a economia. a socialista e a sistematização de Robbins. A razão de ser da economia está presente nas três formas de delimitar o campo específico do conhecimento econômico – o estudo das formas aplicadas pelo homem na incessante busca de meios para satisfazer às condições ilimitáveis de bemestar. Economia: optar dentre os bens a serem produzidos e os processos técnicos capazes de transformar os recursos escassos em produção. 5. o alcançá-los. recursos limitados e técnicas de produção. ilimitados. AS ESCOLHAS NA ECONOMIA: * O QUE E QUANTO produzir * COMO produzir e * PARA QUEM produzir Resumindo: NECESSIDADES HUMANAS ILIMITADAS VS. A conduta econômica consiste em escolher entre fins possíveis . na realidade temos inúmeras necessidades. principalmente. A sistematização Robbins de . . mas meios limitados. agem e pensam nos assuntos ordinários da vida.O fim último de que cuida a economia consiste em descobrir como as virtudes humanas e a concorrência podem conduzir ao bem. . .As necessidades humanas são determinadas pelo estágio cultural da sociedade.A sociedade tem objetivos múltiplos. social.

a Economia se interessa primordialmente pelos argumentos positivos. Deduzem-se as implicações e os resultados decorrentes dessas hipóteses que são confrontados com a evidência dos dados de observações coletados da realidade. 6. OS ARGUMENTOS DA ECONOMIA Para entendermos o método de investigação da ciência econômica precisamos apenas de um simples encadeamento lógico. Essa ressalva metodológica não implica a inexistência de conexões entre os compartimentos positivos e normativos na economia. como é desejável a manutenção e. a ampliação do poder aquisitivo real. logo. Teoria econômica: leis que explicam o comportamento humano e fazem parte do conjunto de conhecimentos. a redução da renda per capita implica na perda do poder aquisitivo real da sociedade.11 Por enquanto teremos uma visão geral dos argumentos e do método de investigação na ciência econômica. Baseadas nos postulados da teoria existente.economia normativa: o que poderia ser Essa distinção é importante em termos de metodologia uma vez que existe a impossibilidade lógica de se deduzirem afirmações positivas de juízos de valores ou normativos ou vice-versa. A política econômica. como pode ser visto na figura abaixo. Suponha-se que alguém afirme que: 1. Ou seja. mantidos os níveis vigentes de preços. . quando as taxas de crescimento da população são superiores às da expansão da renda nacional como um todo. 2. (3): é de caráter normativo. deveriam ser adotadas políticas de contenção do crescimento populacional. não obstante seja formulada a partir de escolhas que envolvem juízos de valores. Finalmente.economia positiva: o que é de fato Normativos . Os argumentos da teoria econômica podem ser: Positivos . mesmo. positivas. formulam-se as hipóteses a respeito de como a realidade se comporta. (1) e (2): são factuais. desse confronto tiram-se as conclusões: ou a teoria explica satisfatoriamente o comportamento da realidade econômica ou deve-se formular uma teoria alternativa e mais adequada. As duas primeiras não são condições suficientes para dar sustentação à terceira. 3. a renda per capita se reduz. da evolução do pensamento econômico. tem o respaldo na modelação teórica desenvolvida pelos diferentes troncos da economia positiva. das interações entre os diferentes agentes da economia e de como a partir dessas interações surgem as questões-chave que preocupam a Economia.

Macroeconomia: Estuda as condições de equilíbrio estável entre a renda e a despesa nacionais. importações. consumo. . exportações. poupança. renda Estrutura Estrutura concorrencial e concorrencial e equilíbrio dos equilíbrio dos mercados mercados monetária. leis e teorias. O consumidor O consumidor ee a aa análise da nálise da procura procura Teoria Econômica Teoria Econômica Princípios. renda.12 Figura 3 – Compartimentos usuais da economia Economia Descritiva Observação sistematizada do Observação sistematizada do mundo real. consumo. exportações. Atuação sobre a realidade. público. demanda oferta e oferta e demanda monetárias. Contabilidade Social. Contabilidade Social. interindustriais. mundo real. As políticas econômicas de intervenção procuram estabelecer esse equilíbrio. importações. leis e modelos da modelos da ececonomia onomia A empresa a A empresa e e a análiseda oferta análise da oferta Teoria Teoria Microeconômica Microeconômica Remuneração Remuneração dos fatores de dos fatores de produção e produção e repartição da repartição da renda Teoria Teoria Macroeconômica Macroeconômica Análise de Análise de macrovariáveis: macrovariáveis: renda. Descrição e mensuração de fatos Descrição e mensuração de fatos econômicos. com 3 objetivos: * Crescimento * Estabilidade * Equitatividade A regulação da atividade dos agentes econômicos: o interajuste de custos e benefícios privados e sociais. Princípios. Desenvolvimento Econômico: estuda o processo de acumulação dos recursos escassos e da geração de tecnologia capazes de aumentar a produção de bens e serviços para a sociedade. poupança. Sistemas contas Sistemas dede contas nacionais e matrizes nacionais e matrizes de relde relações ações interindustriais. econômicos. investimento. Economia Internacional: estuda as condições de equilíbrio do comércio exterior. Política Econômica A condução do processo econômico agregativamente considerado. teorias. investimento. Divisão do estudo econômico: Microeconomia: estuda o comportamento de consumidores e produtores e o mercado no qual interagem. Preocupa-se com a determinação dos preços e quantidades em mercados específicos. além dos fluxos de capitais. tributos e dispêndio tributos e dispêndio público.

13 7. . Vejamos como ocorre a construção do conhecimento na economia pela figura abaixo. leis u modelos explicativos ou interpretativos da realidade. Método dedutivo Validação. Esforço de teorização substitutivo da validação experimental. observar sistematicamente a realidade. busca.A construção do conhecimento na economia Método indutivo Abstrações resultantes de levantamentos e informes quantitativos. Formulação de princípios. ainda que complementares: a indução e a dedução. que identifiquem relações de causas e efeitos e que interpretem os mais variados eventos e seus desdobramentos. como primeiro passo. teorias. MÉTODO DE INVESTIGAÇÃO DA CIÊNCIA ECONÔMICA A metodologia da elaboração científica. pelo permanente confronto com a realidade Reelaboração resultante de novas observações ou de mudanças nas condições preexistentes. Depois elaborar modelos simplificados que a reproduzem. Figura 4. em sua estrutura fundamental. Observação sistematizada da realidade Abstrações teóricas envolvendo situações e comportamentos não mensuráveis a partir de levantamentos da realidade concreta. Construção de modelos validados por testes estatísticos. No processo de elaboração recorre-se a duas abordagens distintas.

Fonte: Rossetti (2003) 1 Para maiores informações sobre as escolas de pensamento econômico ver o website The History of Economic Thought: http://homepage. EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO ECONÔMICO: 1 A figura 5 abaixo mostra de maneira bem articulada como ocorreu o desenvolvimento das diferentes correntes de pensamento econômico.newschool.edu/het/ .14 8.

15 9. os agentes.1.a diversidade das necessidades humanas. Os fluxos monetários definem-se como contrapartida dos fluxos reais. como pode ser visto na figura 6 abaixo: Estoque de fatores de produção Elementos constitutivos do sistema econômico como um todo: recursos. bem como pela resultante geração de bens e serviços intermediários e finais. que conduz à especialização e à divisão social do trabalho. de outro lado. . As Categorias Participantes do Sistema Econômico As três categorias que formam a base de qualquer sistema econômico são os recursos. que conduz à organização de sistemas de trocas. e as instituições. pelos pagamentos de remunerações aos fatores de produção empregados.2 Processo de Interação e os Fluxos Econômicos Fundamentais Os fluxos reais definem-se a partir de suprimentos de recursos de produção. 9. Traduzem-se. determinada por heranças culturais ou por vocações naturais. independentemente de sua destinação.a diversidade de capacitações das pessoas e nações. INTERAÇÃO ENTRE OS AGENTES ECONÔMICOS E AS QUESTÕES-CHAVE DA ECONOMIA 9. os mecanismos e os instrumentos de interação dos agentes econômicos decorrem de dois fatores fundamentais: . de seu emprego e de sua combinação pelas unidades de produção. de um lado. agentes e instituições Complexo de instituições Quadro de agentes econômicos Recursos naturais Recursos humanos Capital Capacidade tecnológica Capacidade empresarial Unidades familiares Empresas Governo Jurídicas Políticas Sociais Os processos. pelos preços pagos aos bens e serviços adquiridos. .

16 Figura 7.A interação entre famílias e empresas Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Figura 8 .A interação entre famílias. empresas e governo Fornecimento de fatores de produção Pagamento aos fatores EMPRESAS FAMÍLIAS Pagamentos (bens e serviços) Suprimentos (bens e serviços) Pgto bens e serviços T Remuneração fatores T GOVERNO Fornecimento (bens e serviços) e IFBKF .

17 Figura 9. .Uma visão de conjunto do processo econômico e das questões-chave da economia Fonte: Rossetti (2003) A forma como esses processos de realizam e seus resultados finais estão relacionados com as quatro questões-chave da economia: * A plena utilização dos recursos produtivos – Eficiência Produtiva: emprego dos fatores de produção.

8. Quanto à intensidade de emprego dos fatores e à natureza dos bens e serviços gerados. 12. quadro de agentes econômicos e o complexo de instituições. 5 e 6). . São três os agentes econômicos que interagem dentro de determinado sistema econômico: unidades familiares. A função de produção para a economia considerada agregativamente mostra a relação funcional entre a produção e os recursos empregados. 4. * A distribuição dos resultados dos esforços de produção – Justiça Distributiva: rendas. Exemplifique essa função e diga qual é o tipo de relação entre as variáveis produção e recursos de produção. O que compreende o fator capital. conceituando cada uma delas. Mobilizando os cinco fatores de produção. empresas e governo. as atividades de produção classificam-se em primárias. 14. Descreva sucintamente como ocorreu a evolução do sistema de trocas até a instituição da moeda como conhecemos na atualidade. ver Rosseti (2003. Essa precondição é suficiente também para o desenvolvimento econômico? Comente. Diferencie o conceito de formação bruta de capital do de formação líquida de capital fixo. 9. as três seguintes categorias de elementos constitutivos do sistema econômico: estoque de fatores.18 * A escolha do que produzir – Eficácia Alocativa: produtos gerados. uma maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante. Diferencie os conceitos de bens e serviços finais de consumo. Caps. 15. 5. 7. Cite e conceitue cada um deles. Explique cada uma das funções da moeda e dê exemplos. A condição fundamental para que se realize o fluxo de produção é a existência de um conjunto de cinco fatores. Explique. 2. Diferencie. Mostre as diferenças entre elas. O modelo simples de interação entre famílias e empresas é modificado com a introdução do agente Governo. Diferencie tributos diretos e tributos indiretos e dê exemplos de cada um deles. * A organização da vida econômica em sociedade – Ordenamento Institucional: instituições que regularão o funcionamento do sistema como um todo e a interação entre os agentes. Destaque os papéis de cada um. para os interessados nas demais questões. conseqüentemente. 13. 11. 10. Diferencie os conceitos de fluxo real e fluxo monetário. bens e serviços intermediários e bens e serviços finais de produção. Sintetize esses dois fluxos em um modelo simples de interação entre as famílias e as empresas. 6. Descreva a partir da função de produção as precondições para que uma economia tenha crescimento econômico e. A principal fonte de renda do governo é a arrecadação de tributos. Por que o conceito de capital se associa aos de investimento e de acumulação? 3. secundárias e terciárias. o aparelho de produção das economias desenvolve um grande fluxo contínuo de geração de bens e serviços. Nós nos deteremos nas duas primeiras das questões-chave. A maior disponibilidade de bens e serviços finais por habitante é considerada precondição quantitativa para a promoção do crescimento econômico e do bem-estar social. Questões: 1.

para depois pensar em repartição de renda. estamos pesando no crescimento da renda nacional per capita. 2. o crescimento pode facilitar a solução dos problemas de pobreza. Mas. O debate constante da macroeconomia é saber se as decisões da política monetária e fiscal do governo vão afetar ou não as tendências da economia. atingir uma meta pode ajudar (ou não) a alcançar outras. estoque de moeda e taxas de juros. se a renda aumentar. 2 Para uma discussão sobre o Milagre Econômico. ou seja. ocorreu uma concentração de renda. AS METAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA As metas de política macroeconômica são: pleno emprego dos recursos. aumentando a parte dos lucros e da poupança dos mais ricos na renda nacional. investimentos. é um problema porque acarreta distorções sobre a distribuição de renda. Mas. estabilidade de preços. . emprego e desemprego. balanço de pagamentos e taxa de câmbio. poupança e consumo agregados. juntamente com o aumento da renda per capita. distribuição de renda e crescimento econômico. que é aumento contínuo no nível geral de preços. analisando a determinação e o comportamento dos grandes agregados da economia. Nesse sentido. ver: Abreu (1990) “A Retomada do Crescimento e as Distorções do “ Milagre” (1967-1973). Distribuição de renda A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior parte da década de 70. desemprego e etc. o fato do país estar aumentando sua renda per capita não necessariamente significa que está tendo uma melhoria do seu padrão de vida. Alguns críticos do chamado “milagre econômico” argumentam que piorou a concentração de renda nos anos de 1968/73 devido a uma política deliberda do governo (a Teoria do Bolo): primeiro crescer. Pleno emprego dos recursos Aprofundar os conhecimentos da política econômica com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de pleno emprego. como renda e produto nacionais. expectativas empresariais e etc. Ou seja. Esses objetivos não são independentes uns dos outros e podem ser até conflitantes. A renda per capita é considerada o melhor indicador para se aferir a melhoria do bem-estar. nível geral de preços. uma vez que torna possível abrandar conflitos sociais sobre a divisão da renda. O QUE É MACROECONOMIA Trata da evolução da economia como um todo.). Por exemplo.19 CAPÍTULO 2 – SISTEMA FINANCEIRO 1. é possível aumentar a renda dos pobres sem diminuir a dos ricos. O crescimento econômico capta apenas o crescimento da renda per capita. Estabilidade de preços A inflação. 2 Crescimento econômico Quando se fala em crescimento econômico. se estiver também melhorando os indicadores sociais (pobreza. houve um aumento da disparidade entre as classes de renda. do padrão de vida da população. Um pais está realmente melhorando seu nível e desenvolvimento econômico e sociais.

particularmente em países em desenvolvimento. creditícias. os agentes econômicos ficam proibidos de levar a cabo o que fariam. uma vez que muitos acreditam que o aumento do nível de poupança seria mais facilmente obtido por meio de uma distribuição desigual de renda – a já citada Teoria do Bolo no período do milagre econômico. o nível geral de preços. o nível de emprego e os salários nominais. Os instrumentos disponíveis são: emissão de moeda. Política monetária: refere-se à atuação do governo sobre a quantidade de moeda. Os principais meios para atingir os objetivos são: Política fiscal: compreende todos os instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos (política tributária) e controle de suas despesas (política de gastos). de crédito e das taxas de juros. compra e venda de títulos públicos. Política de rendas (ou de controle de preços e salários): a característica especial da política de rendas. que influenciam diretamente os salários. esses controles são utilizados como política de combate à inflação. A primeira relacionada com a produção de bens serviços bem como no emprego do fator trabalho. com o objetivo de permitir à economia operar a pleno emprego. 4. Normalmente. seja estabelecimentos de cotas etc. No Brasil. Além da questão do nível de tributação. a política tributária. tendo como variáveis a serem determinadas: o produto nacional. com baixas taxas de inflação e distribuição justa de renda. 3. O quadro 3 mostra os mercados e as diferentes variaveis determinadas em cada uma das partes da economia. os juros e os aluguéis é a de que. é utilizada para estimular (ou inibir) os gastos do setor privado em consumo e em investimento. .20 Entretanto. os lucros. nesses controles. as metas de crescimento e equidade distributiva têm se mostrado conflitantes. taxas de redescontos e regulamentação sobre crédito e taxa de juros. por meio da manipulação da estrutura e alíquotas de impostos. A segunda relacionada com o que pode ser chamado de parte invisível da economia e determina a taxa de juros. ESTRUTURA DA ANÁLISE MACROECONÔMICA A economia pode ser dividida em parte real e parte monetária. A política comercial diz respeito aos instrumentos de incentivo às exportações e/ou estímulo/desestímulos às importações. A política cambial refere-se ao controle do governo sobre a taxa de câmbio. reservas compulsórias. em resposta a influências normais do mercado. sejam fiscais. o estoque de moeda e a taxa de câmbio. OS MEIOS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA: A política macroeconômica envolve a atuação do governo sobre a capacidade produtiva (produção agregada) e despesas planejadas (demanda agregada). Política cambial e comercial: atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia. a política salarial e a atuação da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços (Seap) situavam-se nesse contexto.

(iii) produziam em pleno emprego (existia apenas a taxa natural de desemprego). surge a Teoria Monetária com Milton Friedman da Universidade de Chicago. XX: Primeira Guerra Mundial. A MACROECONOMIA EM PERSPECTIVA HISTÓRICA. * Séc. * Segunda metade dos nos 50. primeiras revoluções. * Séc. * Até os anos 60. 3. (ii) está sujeita à flutuações. publicadas no livro “Teoria Geral do Emprego. 2. * Quatro principais linhas de pensamento macroeconômico: keynesianos. neoclássicos. recuperando o papel da oferta agregada na Teoria Macroeconômica. . * Décadas de 70 e 80: Escola das Expectativas Racionais (os novos clássicos). do Juros e da Moeda” de 1936. Identificação de “ciclos de negócios” e Grande Depressão dos anos 30. tinha o instrumental IS/LM analisando os componentes da demanda agregada acoplado à Curva de Phillips. (ii) utilizava eficientemente todos os recursos. política cambial e política de rendas? 4. Descreva as metas da política econômica. XVIII. a economia (ii) não regula a si própria. Explique. política monetária. Você seria capaz de explicar qual objetivo de política econômica o governo brasileiro tem buscado nos últimos anos? Comente. Questões: 1. (iii) pessimismo na comunidade de negócios e (iv) necessita de ação do governo para sua estabilização. * Principais idéias Keynesianas. Mas. novos clássicos e pós-keynesianos. a ênfase da política econômica ainda era nos instrumentos de política fiscal. surge a Curva de Phillips que mostrava que uma relação inversa entre as taxas de inflação e taxas de desemprego. * A teoria prevalecente antes de Keynes acreditava que a economia (i) era autoregulatória. negligenciando a política monetária. * Em 1937: John Hicks introduz o aparato conhecido como IS/LM – a chamada síntese neoclássica – que permite analisar a economia tanto pela hipótese de pleno emprego (clássicos e neoclássicos) como pela de desemprego (Keynes). (iv) as ações do governo apenas para os bens públicos. Trata do papel das expectativas inflacionárias sobre a produção e o emprego. que retratava as condições de oferta agregada. Atenção para como os agentes formas suas expectativas. O que se entende por política fiscal. Por que os objetivos de politica econômica podem ser conflitantes. * Com a teoria de Keynes. * Nos anos 50. que serviram como ponto de partida. Maior desenvolvimento da Teoria Microeconômica.21 Quadro 3 – Parte real e parte monetária da economia Mercados * Mercado de Bens Serviços Parte Real da Economia • Mercado de Trabalho * Mercado Financeiro Parte Monetária da Economia • Mercado de Divisas Variáveis Determinadas e * Produto Nacional * Nível geral de Preços • Nível de Emprego • Salários Nominais * Taxa de juros * Estoque de Moeda • Taxa de Câmbio 5. numa herança keynesiana.

cujo objetivo primordial era a sobrevivência. o homem produz. Essa primitiva sociedade. de forma direta. Com o passar do tempo. por intermédio da moeda. restringindo suas atividades à caça. desde que houvesse interesse recíproco. em que tribos vizinhas representavam rivais em potencial. apenas uma diminuta parcela daquilo que consome. produto por produto. na produção (captura) de peixes. Cada indivíduo passa a destinar a maior parte de sua produção não ao seu consumo próprio. Tornava-se imperiosa a criação de novas condições de comércio. poderia especializar-se na pesca e trocar com uma outra comunidade que. o modo de vida do homem não lhe oferecia qualquer instrumento que possibilitasse a transformação dos produtos disponíveis. A troca ocorreria. quando muito. ORIGEM DA MOEDA Nas economias primitivas. Conseqüência desse fato é o estabelecimento das trocas. também conhecido como escambo. mas às trocas com terceiros que tenham bens e serviços de seu interesse. era naturalmente impermeável à idéia de se estabelecer entre as comunidades um sistema de trocas de mercadorias. de maneira que as trocas pudessem ocorrer sem que dependessem . que o indivíduo "A" desejasse adquirir peixes e o indivíduo "B” desejasse adquirir frutos silvestres. para ocorrer a permuta. tenha se especializado na coleta de frutos. Historicamente.Um raciocínio simples exemplifica o caso das trocas diretas: uma tribo. mas com escassas chances de acesso a frutos. A implantação desse sistema de intercâmbio direto de mercadorias. Expansionista MOEDA 1. Vivia em grupo tribal fechado. hoje. portanto. exigia certas condições especiais para seu funcionamento: se o indivíduo "A" fosse especializado na produção (coleta) de frutos silvestres e o indivíduo "B". o homem percebeu que poderia dedicar-se à produção de determinadas mercadorias em quantidades superiores às suas necessidades de consumo. bilateralmente.22 SISTEMA FINANCEIRO O que veremos? Moeda: História Funções Oferta/Demanda Agregados Monetários Sistema Financeiro no Brasil (SFN): Diferentes Mercados Intermediação Financeira Sistema Bancário e Multiplicação dos Meios de Pagamento Criação/Destruição dos Meios de Pagamento Política Monetária: Instrumentos Política Restritiva vs. à pesca e à coleta de frutos. As dificuldades desse sistema são evidentes. por estar um pouco mais distante ou mesmo não dispor de um rio em iguais condições. às margens de um rio generoso em peixes. e trocas indiretas. tornava-se fundamental. Salvo nas comunidades extremamente afastadas da civilização. as trocas evoluíram em duas etapas: trocas diretas.

nessa função. medida de valor e reserva de valor. Introduziase assim um elemento responsável. uma forte exigência: que seja aceito pela sociedade. de aceitação geral. como o foram no passado. A função de intermediação de trocas traduz-se em servir como meio de pagamento. Além disso. Eram mais duráveis e permitiam subdivisão com maior facilidade. na indivisibilidade de certas mercadorias ou produtos. EVOLUÇÃO DAS FORMAS DE MOEDA Ao se estabelecer um produto ou mercadoria como base para a troca.C. Esse indivíduo teria zerado o seu estoque de moeda. Outro problema que surgiu de imediato foi o fato de a mercadoria-moeda ter a possibilidade de multiplicar-se facilmente. A moeda por sua vez. havia ainda a desvantagem de ser perecível. sua posse constitui reserva de valor. Sua produção era mais rara e escassa. a de facilitar o processo de circulação de bens. numa forma alternativa de guarda ou de acumulação de riqueza. porém. nasceu o conceito básico de moeda: um instrumento facilitador das trocas que permite a medida ou a comparação de valores. até ao instante em que é gasta. não só pelo desenvolvimento do comércio. sem o controle da sociedade. o sal. passa a desempenhar três funções básicas: intermediação de trocas. determinante do aparecimento da moeda. em grande parte. Há. Como alternativa. A história registra o aparecimento de moedas metálicas cunhadas na Grécia entre os séculos VIII e VII a. Reside. O estabelecimento da mercadoria-moeda possibilitava a implantação de um sistema de intercâmbio. 2. em . consensualmente. Imagine alguém que tivesse todo o seu estoque de moeda representado por 100 sacas de trigo e todas elas se deteriorassem. A introdução da moeda no sistema econômico conduz à dissociação de cada troca em duas operações distintas: uma compra e uma venda. desde o momento em que é recebida pelo seu detentor. mas trazia consigo novas dificuldades. Por exemplo: alguém que dispusesse de cinco sacas de trigo e desejasse comprar meio boi. passou-se a adotar os metais preciosos como meio de troca. à qual são convertidos os valores de todos os bens e serviços disponíveis na economia. portanto. A forma encontrada foi substituir as trocas diretas pelas trocas indiretas. Era de melhor qualidade e não apresentava os problemas das demais mercadorias adotadas como moeda. A retenção da moeda. a razão principal. A utilização dos metais preciosos (ouro e prata) como moeda facilitou muito o desenvolvimento das trocas e da circulação dos bens e serviços necessários à sociedade. portanto. Pode ser. Podem ser. o gado e os metais. o que causava sérios problemas para o sistema como um todo. diz-se que a moeda serve como denominador comum de valores. como também pelas dimensões hoje assumidas pela Economia: a moeda. Entretanto. uma mercadoria ou um produto que fosse aceito por todos os indivíduos. como resolveria a questão? Um primeiro complicador consistia. mediante consenso. traduzse. um simples pedaço de "papel pintado". como reserva de valor. e uma das causas poderia ser até mesmo não ter conseguido arcar com os custos de uma acomodação adequada para o trigo. apresentava problemas relativos a seu valor intrínseco e a seu transporte. A moeda é medida de valor porque estabelece uma unidade-padrão de medida. o trigo. qual seja.23 tanto da simultaneidade de interesses específicos. Considerando-se que a moeda pode ser trocada por bens ou serviços em qualquer ocasião. Em outras palavras. também. estabelecendo-se como padrão de conversão.

sem qualquer utilização. rendimento zero e usados como meio de pagamento. em função da confiança do público. Ao lado dessa moeda fiduciária. Com o tempo. Ativos financeiros não-monetários: menor grau de liquidez e rendimento. OFERTA E DEMANDA DE MOEDA A oferta de moeda na economia é feita pelo Banco Central (BACEN) e pelos Bancos Comerciais através das atividades de depósitos e empréstimos. era só trocá-lo por metal precioso. até então. para que adquirissem a confiança do público e iniciassem uma transformação na sua forma de "operação bancária". precaução e especulação. um lastro. ATIVOS FINANCEIROS Os ativos financeiros da economia podem ser diferencidados conforme os atributos rendimentos e liquidez. Surgiu. Não tardou muito. Cobravam apenas uma comissão pela prestação do serviço de guarda dos metais. monopolizada pelo Estado. A demanda por moeda é derivada dos motivos: transação. Esse recibo tinha. como meio de pagamento. os quais possuem liquidez e equivalem à moeda de curso legal. os cambistas medievais atuavam como "banqueiros". 3. em troca de um comprovante de depósito. os banqueiros da época não concediam e nem tomavam empréstimos. o princípio das cédulas com lastro. O Estado assumiu e monopolizou a emissão de moeda. contudo. adicionou-se a esse costume o de endossá-lo. corresponde aos depósitos à vista. Ex: depósito de poupança. . Ao verificarem que os metais ficavam guardados em seus cofres por um longo período de tempo. surgindo a partir daí a moeda fiduciária. foi eliminada a necessidade de se trocar o recibo por metal precioso a cada operação. que surgiu com o desenvolvimento dos bancos comerciais. Como os cunhadores eram geralmente ourives. tem-se: Ativos financeiros monetários: liquidez absoluta. Essa moeda. Tais operacões consistiam na emissão de recibos sem a contrapartida de um depósito em moedas. desenvolveu-se uma outra modalidade: moeda bancária ou escritural. que possuíam locais seguros para guarda dos metais preciosos passou-se a adotar o costume de deixar as moedas depositadas com eles. Assim. A aceitação dessa moeda inconversível decorria do poder do Estado em garantir sua utilização e na confiança da população nesse Estado. uniformizando-a no espaço geográfico de sua influência. Toda vez que se precisasse de moeda. Ex: papel moeda em poder do público (PMPP) e depósito à vista nos bancos comerciais públicos e privados. então. já que os possuidores ficavam muito mais vulneráveis ao ataque de saqueadores. transferindo a outrem o direito de saque. Essa transformação fez com que os bancos deixassem de ser simples depositários de metais e passassem a exercer a função de emissores. passaram a emitir os chamados bilhetes de banco negociáveis. mantendo um encaixe de 100% sobre os seus depósitos. A garantia de utilização da moeda é dada pelo seu curso forçado.24 virtude do peso e da segurança. 4. assim. Dessa forma. cuja validade dependia única e exclusivamente de sua aceitação geral. de um recibo. posto que os credores eram obrigados por lei a aceitá-la em pagamento de seus créditos. de curso forçado. Observe-se que. Com isso. de emissão não lastreada.

M4 = M3 + títulos públicos federais (Selic) e títulos de emissão dos estados e municípios. BASE MONETÁRIA Além dos agregados monetários. MEDIDA DA OFERTA DE MOEDA A quantidade de moeda existente na economia pode ser medida com a utilização dos chamados agregados monetários.Reservas Bancárias (RB): contas correntes dos bancos criadores de moeda no Banco Central . Tabela 1 . A seguir são definidos os agregados monetários: M0 = PMPP (notas e moedas) M1 = M0 + depósitos à vista nas instituições financeiras bancárias.Papel Moeda Emitido (PME): meio circulante . existe ainda outra medida da moeda na economia que é a base monetária. M2 = M1 + depósitos especiais remunerados + depósitos de poupança + títulos emitidos por instituições financeiras.25 5. O conceito de base monetária (BM) equivale ao passivo monetário do Banco Central que serve de lastro aos meios de pagamento e é definida por: BM = PME + RB .Heveres Financeiros no Brasil (R$ bilhões) Fonte: Bacen 6. M3 = M2 + quotas de fundos de renda fixa + operações compromissadas com títulos públicos federais. Esses agregados são agrupados de acordo com a liquidez dos diferentes ativos financeiros da economia.

ESTRUTURA DO SFN (BRASIL) Sistema Financeiro: conjunto de agentes e instituições responsáveis pela intermediação de recursos financeiros entre as unidades econômicas líquidas (superavitárias) e as ilíquidas (deficitárias). 8.Subsistema normativo . ORGANIZAÇÃO DO SFN .2004 e 2005 Fonte: Bacen 7. A sistemática de recolhimentos compulsórios sobre os recursos à vista e a preponderância de metas de taxas de juros resultam em valores desprezíveis de reservas voluntárias médias.Outras instituições A figura 11 abaixo mostra a participação por segmentos (públicos. . veja em anexo o número de instituições por segmento. privados nacionais e estrangeiras) no sistema bancário do Brasil para o período de 2002 a 2005. Figura 10 – Base monetária e meios de pagamentos no Brasil .Subsistema de Intermediação . A figura 10 mostra a base monetária e os meios de pagamentos na economia brasileira para os anos de 2004 e de 2005. Além disso. por tipo e com maiores agências no país.26 Essas reservas bancárias são compostas por reservas voluntátias e reservas compulsórias.

. Os gráficos mostram. Participantes: Bacen. Bancos. Mercado de Capitais: onde são negociados títulos de médio e longo prazo (necessidade de recursos para investimento). A seguir. o direcionamento do crédito para as diferentes atividades econômicas e as taxas de juros cobradas para as pessoas físicas e pessoas jurídicas. respectivamente. Mercado de Câmbio: são realizadas as transações com diferentes moedas. empresas exportadoras e importadoras. destaca-se o mercado de crédito no Brasil. Mercado de Crédito: tem a responsabilidade de suprir a necessidade de crédito das diferentes atividades econômicas.27 Figura 11.Sistema Bancário/Participação por Segmentos (Brasil) Fonte: Bacen 9. DIFERENTES MERCADOS: O sistema financeiro é composto por quatro diferentes mercados que são: Mercado Monetário: onde são negociados títulos de curto prazo (Iiquidez da economia).

28 Fonte: Bacen Fonte: Bacen Fonte: Bacen .

entrega ao público de haveres monetários (moeda) e. FORMAS DE FINANCIAMENTO Existem dois tipos de agentes no sistema financeiro. Criação de moeda: Quando a instituição financeira bancária desconta uma duplicata . Os primeiros suprem as necessidades de financiamento dos segundos através da intermediação das instituições financeiras. Haveres monetários: possuem liquidez imediata — papel-moeda em poder do público e depósitos à vista (meios de pagamento). valemo-nos dos conceitos de haveres monetários e haveres não-monetários. CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO DE MOEDA O fenômeno mais importante associado ao desenvolvimento da moeda escritural consiste na multiplicação dos meios de pagamento através das instituições financeiras bancárias que captam depósitos à vista. um bem imóvel. Financiamento externo: que pode ser direto através da venda de ações ou de títulos da dívida e o indireto por meio de empréstimo via instituições financeiras A pergunta que surge é por que as unidades deficitárias não optam pelo financiamento direto? A resposta para esse questionamento está nos conceitos de custos de transação e de informação assimétrica. o que permite aos bancos comerciais emprestar parte dos depósitos à vista por eles recebidos. Haveres não-monetários: não possuem liquidez imediata. conforme ilustrado na figura a seguir: . recebe haveres não-monetários (duplicata). como depósitos a prazo. 2.29 INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA 1. As unidades deficitárias possuem duas formas para obter financiamento: Autofinanciamento: venda de algum patrimônio. títulos públicos. em troca. aqueles que podem ser chamados de unidades superavitárias (US) e outros que podem ser chamados de unidades deficitárias (UD). mantendo encaixes bem inferiores ao volume destes depósitos. A faculdade de criar ou destruir moeda decorre de operações realizadas entre as instituições financeiras bancárias — que captam depósitos à vista — e o público. duplicatas e etc.1. 2. Esse fenômeno decorre do fato de ser altamente improvável que todos os depositantes saquem seus recursos ao mesmo tempo. por exemplo. Para se distinguir uma ocorrência da outra.

Destruição de moeda: Quando o público quita uma duplicata – a instituição bancária entrega ao público haveres nãomonetários (duplicata quitada) e recebe haveres monetários (moeda).25 Temos que k = 1/0.2.00. Exportadores trocam US$ por R$ no Bacen (C).000. Indivíduo adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista (D).25 = 4 Se DV= R$1. 3. Indivíduo efetua um depósito à vista em um banco comercial (N). com transferência do saldo para a conta corrente no banco comercial (C). .30 Figura 12 – Criação de Moeda Haveres monetários Instituição Financeira Bancária Haveres não-monetários Público 2. Multiplicador Simples k = 1/R k = magnitude do efeito multiplicador R = alíquota de recolhimento bancário Exemplo: R = 0.00. Indivíduo resgata sobre poupança. conforme ilustrado na figura a seguir: Figura 13 – Destruição de Moeda Haveres não-monetários Instituição Financeira Bancária Haveres monetários Público Exemplos de criação e de destruição de moeda: Governo Federal deposita impostos arrecadados do público no Bacen (D). MULTIPLICADOR BANCÁRIO As instituições financeiras que captam depósitos à vista podem multiplicar os meios de pagamentos através das operações de empréstimos.000. o efeito multiplicador fará com que o volume de meios de pagamentos passe a ser de R$ 4.

para condicionar os volumes de reservas bancárias e as taxas básicas de juros. remunerado Depósitos a prazo: 15% em títulos. não remunerado FIF-30 dias : 5% em espécie não remunerado . Instrumentos de política monetária Operações de mercado aberto: Compra ou venda de títulos. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. As operações definitivas alteram a posição de carteira. e sua “multiplicação” se dá pela ação dos bancos comerciais. não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. de forma definitiva ou compromissada.Atual (outubro/2003): Recursos à vista : 45% em espécie. com seus mecanismos de transmissão. das partes envolvidas. O controle da oferta de moeda pode se dar pelo lado da: . As operações compromissadas ou com compromisso de recompra/revenda ou de financiamento de títulos alteram a posição de custódia. que serão remunerados ou não remunerados. A oferta primária fica a cargo da autoridade monetária (AM). ou de liquidez. remunerado Depósitos a prazo : 30% em títulos FIF-curto prazo : 50% em espécie.1. ou de propriedade. 4.Anterior ao Plano Real: Recursos à vista: 40% em espécie.oferta (direta e indiretamente) ou .Em março de 1999: Recursos à vista : 75% em espécie. POLÍTICA MONETÁRIA Refere-se ao processo de oferta de moeda na economia.demanda (tornando o dinheiro mais caro para o público). Recolhimentos compulsórios: Parcelas de algumas modalidades de captação que as instituições financeiras devem manter junto a Autoridade Monetária (Bacen) a fim de condicionar a alavancagem de operações ativas e a estrutura de custos. Recolhimentos compulsórios: estrutura no Brasil .31 Multiplicador Elaborado: k = 1/C+D(R1+R2) C = PMPP/M1 D = DV/M1 R1 = CX/DV R2 = RB/DV Onde: PMPP = papel moeda em poder do público DV = depósitos à vista CX = caixa dos bancos comerciais RB = reservas bancárias (voluntárias e compulsórias) 4. ou em títulos. Os recolhimentos podem ser exigidos em espécie. remunerado . . não remunerado Depósitos de poupança : 15% em espécie. das partes envolvidas.

Voluntárias 100 -Compulsórias 400 Depósito em poupança 200 Quotas de fundo de renda fixa 150 Títulos públicos federais (Selic) 430 a) Qual a base monetária ? b) Qual o total do M1 ? c) Qual o total do M2 ? c) Qual o total do M3 ? c) Qual o total do M4 ? 2. . Os ativos financeiros da economia são diferenciados em duas categorias conforme duas características. Quando o Bacen quer ser punitivo. Quais são essas opções? Por que a intermediação financeira é a forma mais utilizada de financiamento pelos agentes econômicos deficitários? Comente. reduz prazo * reduz juros. ( ) Importadores trocam R$ por US$ no Bacen.400 Reservas dos BC no Bacen . São restritivas quando reduzem a oferta monetária e encarecem os empréstimos. Open Market .aumenta * diminui . diga quando ocorre criação (C). Uma empresa deficitária possui duas opções de financiamento.aumenta juros.reduz * aumenta . a vista do público nos BC 1. 3.Restringe * Amplia Oferta monetária . A taxa cobrada por esses empréstimos mais o prazo para o seu pagamento constitui o que é chamado de taxa de redesconto. destruição (D) de moeda: ( ) Governo Federal deposita taxas e impostos arrecadados de empresas no Bacen.reduz * aumenta . Questões Conceituais: 1. 4.Aumenta a taxa * reduz a taxa 2. aumenta a taxa e reduz o prazo de pagamento.100 Papel moeda em poder do público (PMPP) 600 Dep.aumenta * reduz . 5.aumenta * reduz .reduz * aumenta . aumenta prazo 3.aumenta *reduz As Políticas Monetárias podem ser chamadas de restritivas ou de expansionistas. Recolhimento Compulsório . Nas afirmações abaixo. Redesconto . Quadro 3 – Resumo dos Instrumentos de Política Monetária Instrumentos 1. Quais são os diferentes mercados do sistema financeiro? Explique.Venda de títulos * Compra de Títulos 4. Dados os seguintes agregados monetários (em mil R$): Papel moeda emitido (PME) 1.32 Redesconto O Bacen pode suprir as necessidades de financiamento dos bancos comerciais através de empréstimos. São expansionistas quando aumentam a oferta monetária e barateiam os empréstimos.Reduz * amplia Taxas de juros . Operações de Crédito . Diga quais são as características. ( ) Indivíduo transfere saldo da conta corrente para a conta de poupança no banco comercial.

.. ( ) A taxa de juros pode ser reduzida através da expansão nas operações de crédito por parte do Bacen. e justifique quando falso: ( ) Quando o Bacen aumenta a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais. ( b.. 12. ( ) Se o Bacen diminui os juros e aumenta o prazo na operação de redesconto. ( ) Quanto maior a taxa de recolhimento compulsório. ) Banco aumenta seu capital vendendo ações ao público. Dos instrumentos que o Bacen pode utilizar para controlar a oferta de moeda na economia. maior o multiplicador bancário simples. ( e... A oferta de moeda pode dar-se pelo Bacen ou pelos Bancos Comerciais. ( ) Quanto maior for a taxa de inflação numa economia. Quais as funções principais que o Banco Central exerce na política econômica. qual será o valor multiplicado.. ) Banco vende divisas a um importador. ) Indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito à prazo. qual é o mais punitivo para os bancos. ) Banco vende um imóvel a uma pequena empresa recebendo o pagamento à vista em dinheiro. ) Empresa efetua um depósito à vista em um banco comercial.. ( d. em poder do resto do mundo 150 a.. 8.75.. Como se dividem os agregados monetários no Brasil... a oferta monetária é reduzida e a taxa de juros também cai. a taxa de juros reduz.. Qual o valor do M1.. Explique cada um deles. ( ) Se o Governo precisa reduzir a quantidade de oferta de moeda na economia. ( ) A oferta de moeda e a taxas de juros são reduzidas através de uma política monetária expansionista. ( c.00. ( ) A velocidade renda da moeda é definida pela relação entre o PIB e a quantidade de moeda (M)... em poder do resto do mundo 400 * Depósitos na Poupança. A elevação da taxa dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais junto as autoridades monetárias diminuiu o valor do multiplicador dos meios de pagamentos porque: a. ) Empresa leva ao banco uma duplicata para descontar. em poder do resto do mundo 250 * Depósitos à prazo. ) Banco compra títulos da dívida pública possuídos pelo público. o Bacen pode comprar títulos públicos que estão nas mãos do público. Coloque falso (F) ou verdadeiro (V). Dados os seguintes agregados monetários (em R$ milhões): * Caixa. nos Bancos Comerciais 95 * Papel Moeda Emitido 200 * Depósitos à vista do público nos Bancos Comerciais 150 * Depósitos à vista dos Bancos Comerciais Voluntários 40 Compulsórios 30 * Títulos federais. ( )diminui o saldo do papel-moeda emitido ) diminui o saldo do papel-moeda em circulação )diminui o saldo do papel-moeda em poder do público )diminuem os depósitos à vista nos bancos comerciais )diminuem os recursos dos bancos comercias para empréstimos ao público.000. M2. ) Banco compra cambiais de um exportador. Se o montante inicial em depósito a vista é de R$ 4. 11. então o valor do multiplicador simples na economia será de. Comente.. Qual o valor da Base Monetária? b. ) indivíduo leva ao banco uma certa quantia em unidades monetárias e efetua um depósito á vista. menor será a velocidade-renda da moeda. 10.. recebendo a inscrição de um depósito à vista. sendo este último dado pelo mecanismo do multiplicador monetário. em moeda corrente. .... 6. Se R = 0. 7. M3 e M4 ? 9. ( ) O multiplicador bancário elaborado varia negativamente em relação à taxa de reservas dos bancos e positivamente em relação à taxa de retenção do público.33 ( ( ( ( ( ( ( ( ( ( ) Empresa adquire quotas de um fundo de ações sacando sobre seus depósitos à vista.

já que o preço de ações. O sistema financeiro nacional constituído do mercado monetário. O encaixe próprio dos bancos (parcela dos depósitos que é mantida em caixa) é um dos freios à multiplicação infinita da moeda escritural. em bolsa. supervisionar a compensação de cheques d) executar as políticas monetária e fiscal do governo e) fiscalizar empresas privadas e públicas 18. pelo Banco Central. O segundo congrega as instituições bancárias e não bancárias. a bancos comerciais c) venda de ações. mediante pagamento à vista. mercado de crédito. das empresas ao público em geral d) atividade do Banco Central na compra ou venda de títulos e) restrições às operações de crédito ao consumidor 19. Quanto ___________ forem as taxas voluntárias e compulsórias. __________________seu efeito multiplicador. O Banco Central do Brasil (Bacen) tem. títulos de diversas espécies c) saque de cheques nos caixas dos bancos d) empresas levam aos bancos duplicatas para desconto. qual delas é responsável pela criação de meios de pagamento? a) pessoas realizam depósitos a prazo nos bancos b) bancos vendem ao público. Demanda por moeda para ____________: as pessoas mantêm dinheiro porque isso lhes permite comprar e vender bens com facilidade. conceder empréstimos ao público e controlar os meios de pagamento do país c) emitir papel-moeda. As operações entre o público e o setor bancário podem criar ou destruir os meios de pagamento. a) normativo – cambial b) intermediação – normativo c) intermediação – cambial d) normativo – intermediação e) nenhuma das anteriores 15. é usualmente subdividido em 2 subsistemas: o _______________ e o __________________. por parte dos bancos comerciais. entre suas responsabilidades: a) atuar como banco do governo federal e renegociar a dívida externa brasileira b) aceitar depósitos. mercado de capitais e mercado cambial. Demanda de moeda para _______________: ficando com mais dinheiro as pessoas podem enfrentas melhor as despesas imprevistas. A principal função da reserva compulsória sobre os depósitos bancários. títulos e imóveis pode flutuar muito. recebendo a inscrição de depósitos à vista 17. em moeda. a empresas e consumidores b) concessão de empréstimos. responsável pela disciplina operacional e pela liquidez do sistema. especificamente: a) concessão de empréstimos. O primeiro congrega as autoridades monetárias. a)transação – especulação – precaução b)precaução – especulação – transação c)especulação – transação – precaução d)precaução – transação – especulação e)nenhuma das anteriores 14. a)maiores – maior será b)menores – menor será c)maiores – menor será d)menores – inalterado será e)nenhuma das anteriores 16. Demanda por moeda para ________________: as pessoas mantêm dinheiro porque ele é mais seguro que outros ativos. Mas o freio maior é o recolhimento compulsório que o Banco Central exige dos bancos comerciais. é: a) permitir ao governo controlar a demanda de moeda b) permitir as autoridades monetárias controlar o montante de moeda bancária que os bancos comerciais podem criar .34 13. Entende-se por operações de mercado aberto. fiscalizar e controlar os intermediários financeiros. como instrumento de política monetária. Entre as operações a seguir relacionadas.

a maior parcela ficou com as pessoas físicas. Do total de crédito direcionado para as atividades econômicas nos de 2004 e 2005. O Bacen reduziu a taxa de recolhimento compulsório sobre os DV dos bancos comerciais de 75% (março/1999) para 45% (outubro/2003). O que aconteceria com os agregados monetários M1. o Banco Central deve: a) elevar a taxa de redesconto b) comprar títulos da dívida pública c) elevar a emissão de papel-moeda d) reduzir a reserva compulsória dos bancos comerciais e) reduzir a taxa de juros para desconto de duplicatas Questões Aplicadas: 1. M2. 3. 2. Para reduzir o volume de meios de pagamentos. Essa redução foi possível graças ao crescimento econômico da economia? . M3 e M4 (medidas da moeda) numa economia que estivesse praticando uma taxa de juros reais de 9% ao ano? E o que aconteceria se a economia passasse a conviver com altas taxas de inflação? Explique. De que forma essa distribuição de crédito pode afetar o crescimento futuro da economia? Argumente.35 c) impedir que os bancos comerciais obtenham lucros excessivos d)forçar os bancos a manter moeda ociosa no sentido de cobrir as necessidades de caixa do banco central e) cortar subsídios governamentais às empresas privadas 20.

Situações Possíveis INFLAÇÃO DESINFLAÇÃO LINHA DE ESTABILIDADE DEFLAÇÃO REFLAÇÃO . Desinflação = redução ou a eliminação da inflação. de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. Reflação = movimento de recuperação de processos deflacionários depressivos. SITUAÇÕES POSSÍVEIS DE VARIAÇÃO DOS PREÇOS Inflação = aumento persistente no nível geral de preços. anos 30). Deflação = redução no nível da atividade econômica (estagnação – Ex.36 CAPÍTULO 3 – INFLAÇÃO O que veremos? Definição e Cálculo Teorias Explicativas Mensuração da Inflação no Brasil Planos de Estabilização INFLAÇÃO 1.

Efeitos sobre o mercado de capitais: com inflação. 3 Para uma discussão sobre a inflação inercial ver: Pereira (1996). Revista de Economia Política. quebra de safra. tarifas públicas) provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores.Quando a economia funciona a pleno emprego. mas sim. etc. 16(64): 20-35. A inflação estruturalista (Cepal) Os pensadores da Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL) afirmam que as causas estruturais da inflação são: .). TEORIAS DA INFLAÇÃO Inflação de demanda Ocorre quando há um excesso de demanda agregada. indústria. Efeitos sobre o balanço de pagamentos: taxas de inflação em níveis superiores ao aumento de preços internacionais encarecem o produto nacional relativamente ao produzido no exterior. a oferta agregada não tem como se expandir de forma a acompanhar o crescimento da demanda. que possuem prazos legais de reajuste. via aumento dos preços. Mecanismos: .37 2..rigidez das importações (M) associada ao pouco dinamismo das exportações (X) .substituição de importações .oferta de alimentos inelástica . O ajuste da oferta não se dá via aumento das quantidades. Efeitos sobre a distribuição de renda: redução do poder aquisitivo das classes que dependem de rendimentos fixos. que leva a um aumento dos custos das empresas que é em alguma medida repassado para os preços finais. que são sempre repassadas aos preços.estrutura oligopolística no mercado Inflação Inercial 3 Os mecanismos de indexação formal (contratos. como terras e imóveis.(baixa relação de trocas) . A Inflação decifrada.propagação: indexação formal e informal . Inflação de custos (Ou inflação de oferta) Ocorre quando há variação dos preços de itens com alta participação no processo produtivo (aumento salarial. As aplicações em cadernetas de poupança cedem lugar para a aplicação em recursos de bens de raiz. . desvalorização cambial. salários) e informal (reajustes de preços no comércio. aluguéis. reajuste de tarifas públicas.. deteriora-se o valor da moeda e ocorre desestímulo à aplicação de recursos no mercado de capitais financeiros.aceleração: choques de oferta Efeitos da Inflação Efeito Oliveira Tanzi: mostra que a inflação corrói o montante de arrecadação.

então: 10 Kg * $1/Kg = $10 Batata: 0. inicial (0) e atual (1).. localidades. t0 como mês base e t1 como o mês seguinte. Os exemplos desse métodos são os índices de Laspeyres e o de Paasche. p0 × q0 × 100 p1 × q0 p1 = preço no período atual. que determina a ponderação de “cestas de bens e serviços”. Quando o número-índice representa uma comparação para um bem ou produto individual. . tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época inicial. então: 30 * 1 = 30 Cesta (ponderada): (10*40%) + (30*60%) = $22 Variação: (22-13)/13 = 69% Números Índices É uma medida estatística idealizada para mostrar as variações de uma variável. no qual os preços são ponderados pelas quantidades associadas com o ano-base antes de serem somados.00 (preços estáveis). Quando o número-indice foi construído para um grupo de bens. profissão. Considerando dois períodos de tempo. q1 = quantidade no período atual. e etc.50/Kg.38 3. q0 = quantidade no período inicial. ou a outras características como rendimento. então: 30 Kg * 0. tem-se: Período base (t0): Carne: $ 1/Kg. A cesta básica mensal inclui 10 kg de carne e 30 kg de batata. uma POF identificou que o consumo médio de carne era de 40% e de batata 60%. Uma coleção de números índices de diversos anos. A fórmula é: IL = Onde: p0 = preço no período inicial. ou de um grupo de variáveis. é chamado número-indice simples (ou relativo).00 (aumento de 100%). correlacionados ao tempo. é frequentemente denominada série de índices. INFLAÇÃO E NÚMEROS ÍNDICES A inflação é o aumento generalizado dos preços de uma economia. É calculada em função do perfil de consumo de uma certa população (POF). Método agregativo ponderado Os índices agregados de preços são geralmente ponderados segundo as quantidades q dos bens. é chamado número-indice agregado ou composto. então 10 * 1 = 10 Batata: $1. Índice de Laspeyres É um dos mais populares índices agregado de preços. Exemplo: considerando dois produtos (carne e batata). O índice de Laspeyres pondera preços (p) em duas épocas. à localização geográfica.50/Kg = $15 Cesta (ponderada) = (10*40%) + (15*60%) = $13 Período seguinte t + 1 Carne: $1.

em uma região do país. Índice de Paasche Este índice usa as quantidades do ano dado como pesos. Aplicação dos Números Índices Para comparar os custos de alimentos ou de vida. com a de outra.Estrutura Básica dos Indicadores . o Índice Geral de Preços (IGP) é calculado pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Por exemplo. A fórmula é: IP = p0 × q1 × 100 p1 × q1 O índice de Paasche pondera preços (p) em duas épocas. admite-se que o numerador possa se apresentar super dimensionado e assim o índice de Laspeyres apresentar tendência de elevação.39 Como essas quantidades são consideradas adequadas à época inicial e não à época atual. Índice Nacional Preços ao Consumidor (INPC) é calculado pela Fundação IBGE. ou a produção de aço. em uma cidade. durante um ano. super dimensionado e assim o índice de Paasche apresentar tendência a rebaixamento. inicial (0) e atual (1). eventualmente. 4. com os de um ano anterior. Como essas quantidades são consideradas adequadas à época atual e não à época inicial. A tabela abaixo sumariza as principais características dos indicadores calculados no Brasil. admite-se que o denominador possa se apresentar. Existem vários índices de preços que são calculados por instituições diferentes. Tabela 2 . durante determinado ano. Veremos a seguir os números índices que são usados no Brasil para medir a inflação. INDICADORES DE INFLAÇÃO NO BRASIL E NO RS Vários são os indicadores de inflação adotados no Brasil. tomando como pesos quantidades (q) arbitradas para estes insumos na época atual.

O IGP-M é elaborado para contratos do mercado financeiro. . IGP-M (FGV): Metodologia igual à do IGP-DI. média do custo de vida nas 11 principais regiões metropolitanas do país para famílias com renda de 1 até 8 salários mínimos. IGP-10 (FGV): Elaborado com a mesma metodologia do IGP e do IGP-M. com peso 1. Usado em contratos de prazo mais longo. Foi escolhido como alvo das metas de inflação ("inflation targeting") no Brasil. IGP. com peso 3. de preços ao consumidor (IPC) no Rio e SP. com peso 6. Formado pelo IPA (Índice de Preços por Atacado) e IPC (Índice de Preços ao Consumidor).FGV:É uma média ponderada do índice de preços no atacado (IPA). mas pesquisado entre os dias 21 de um mês e 20 do seguinte. O IGP tradicional abrange o mês fechado. A única diferença é o período de coleta de preços: entre o dia 11 de um mês e o dia 10 do mês seguinte.1 Diferença entre os Principais Índices IPCA.40 O mapa a seguir mostra as regiões metropolitanas que são alvo para o cálculo do índice de preço ao consumidor (IPC).Regiões Metropolitanas e IPC 4. porém refletindo o custo de vida para famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.IBGE: Calculado desde 1980. como aluguel. IGP-DI (FGV): Reflete as variações de preços de todo o mês de referência. e do custo da construção civil (INCC). semelhante ao INPC. Mapa 1 . INPC-IBGE: Índice Nacional de Preços ao Consumidor. A pesquisa é feita em 11 regiões metropolitanas.

Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): Pesquisado no município de São Paulo.2006 Índice de Preço ao Consumidor (IPC) Fev Mar Abr Número Índice 177. Apura as variações de preços de matérias-primas agrícolas e industriais no atacado e de bens e serviços finais no consumo. IPC. respectivamente.10 545. o de menor peso. 4.71 . Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor. 30% e 10%.41 INCC (Índice Nacional do Custo da Construção).59 0. Utilizado em financiamento direto de construtoras/incorporadoras CUB .58 177.Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese): Medido na cidade de São Paulo.51 -0.Índice Nacional do Custo da Construção: Um dos componentes das três versões do IGP. com pesos de 60%.2 Instituições que calculam a inflação no RS O Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE/UFRGS) elabora o Boletim Econômico (IEPE-UFRGS) mensalmente com o objetivo de: * Índice de Preços ao Consumidor (IPC-IEPE). chamados de Sinduscon. e usado em financiamentos de imóveis. Indicadores Econômicos (IEPE-UFRGS) .54 Cesta Básica (RMPA) Fev Mar Abr Custo Total (R$) 554.22 176. Divulga também taxas quadrissemanais.53 Variação % -0.800 (há também índices para a baixa renda e a intermediária). Calculado por sindicatos estaduais da indústria da construção. Reflete o custo de vida de famílias com renda de 1 a 20 salários mínimos. INCC. Reflete o custo de vida de famílias com renda média de R$ 2.78 -1.72 Variação % -1.36 0.Custo Unitário Básico: Reflete o ritmo dos preços de materiais de construção e da mão-de-obra no setor. * Custo da Cesta Básica da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA).51 549. ICV.

DI (% a.gov. INFLAÇÃO NO BRASIL 75 65 55 45 35 25 15 5 -5 Plano Collor Crise da Dívida Plano Cruzado Inflação no Brasil (1944-2006) Inflação nas eras Collor. FHC e Lula (IGP-DI %a.)) Era FHC Plano Bresser Choques Heterodoxos Era Lula FONTE: Prof.) Inflação no Brasil na década de 1980 (IGP-DI (% a. Solange Marin a partir de dados do IPEADATA – www.m.m.m.br 1990 01 1990 07 1991 01 1991 07 1992 01 1992 07 1993 01 1993 07 1994 01 1994 07 1995 01 1995 07 1996 01 1996 07 1997 01 1997 07 1998 01 1998 07 1999 01 1999 07 2000 01 2000 07 2001 01 2001 07 2002 01 2002 07 2003 01 2003 07 2004 01 2004 07 2005 01 2005 07 2006 01 2006 07 Plano Real Plano Verão 1980 01 1980 05 1980 09 1981 01 1981 05 1981 09 1982 01 1982 05 1982 09 1983 01 1983 05 1983 09 1984 01 1984 05 1984 09 1985 01 1985 05 1985 09 1986 01 1986 05 1986 09 1987 01 1987 05 1987 09 1988 01 1988 05 1988 09 1989 01 1989 05 1989 09 1944 02 1946 02 1948 02 1950 02 1952 02 1954 02 1956 02 1958 02 1960 02 1962 02 1964 02 1966 02 1968 02 1970 02 1972 02 1974 02 1976 02 1978 02 1980 02 1982 02 1984 02 1986 02 1988 02 1990 02 1992 02 1994 02 1996 02 1998 02 2000 02 2002 02 2004 02 2006 02 42 .ipeadata.) -10 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0 10 20 30 40 50 60 0 5.-10 IGP .

43

5.1. Causas Básicas da Inflação Brasileira As principais causas da inflação na economia brasileira são: a questão distributiva, o déficit do setor público e seu financiamento e o mecanismo de indexação (formal e informal). 5.2. Inflação no Brasil e as Correntes Econômicas Correntes Causas Principais * Desequilíbrio do setor público (déficit e a dívida pública provocam descontrole monetário, causando inflação de demanda)

Monetarista

Inercialista

* Indexação generalizada (formal e informal)

Políticas Antiinflacionárias * Ajuste fiscal (para reduzir déficit e dívida pública, via reformas fiscal, previdenciária, privatização) * Controle Monetário (juros e moedas) * Liberalização do comércio internacional * Dexindexação (para apagar memória ou inércia inflacionária, via congelamento de preços, salários e tarifas – Planos Cruzado, Bresser – ou troca de moeda – Plano Real) * Controle de preços de oligopólio * Reformas estruturais

Estruturalista

* Conflitos distributivos ( pressões de margens de lucro, pressões salariais, pressões de tarifas e preços públicos provocam inflação de custos)

5.3. A Inflação no Brasil e os Programas de Estabilização 1946-58: Inflação de crédito e estrutural 1959-63: Inflação predominantemente fiscal 1964-67: Aplicação de controles ortodoxos 1968-79: Inflação reprimida 1980-1985: Inflação de movimentos inerciais 1986-94: Fase dos choques heterodoxos 1994-2006: O real, a volta à ortodoxia e a estabilização. 5.4. Planos de Estabilização O Plano Cruzado (28/02/1986) A inflação era tida como inercial. O diagnóstico era de que a inflação tinha caráter autônomo, sustentado pela indexação formal e informal da economia. Houve a utilização de instrumentos heterodoxos para a eliminação da memória inflacionária (inércia inflacionária): Medidas: 1. introdução de nova moeda: reforma monetária, com o cruzado – (000) 2. congelamento de preços por prazo indeterminado ao nível de 28/02. 3. conversão de salários: além do valor real médio, concedido um abono de 8%. 4. conversão de aluguéis, prestação do sistema financeiro e mensalidades escolares pelo princípio da média. 5. Desindexação:

44

5.1 proibição de clausula de indexação: proibição de correção monetária para contratos inferiores a um ano e para contratos maiores de um ano, reajuste conforme a OTN em cruzados; 5.2 indexação de salários: escala móvel, salários reajustados toda vez que a inflação atingisse a casa dos 20%; 6 tablitas: tabela de conversão diárias de valores em cruzeiros para cruzados. Conseqüências: 1 parte dos recursos foram destinados para a compra de imóveis e reativação da produção; 2 reativação do consumo via salário móvel, seguro-desemprego e abono; 3 viver de renda ficou difícil porque caíram as taxas de juros (teve até taxa negativa); 4 taxa de inflação caiu; 5 empresas introduziram inovações organizacionais tais como just-in-time e abertura de novas firmas; 6 houveram conflitos entre produtores e fornecedores e a conseqüente falta de produtos; 7 não houve discussão quanto ao prazo do congelamento. O congelamento de preços foi peça fundamental e a inflação caiu nos primeiros meses. Houve explosão do consumo devido ao aumento do poder de compra do salário, a despoupança em função da desilusão monetária, a queda nas taxas de juros e ao consumo reprimido dos anos de recessão e ao congelamento de alguns preços defasados aos custos. O excesso de demanda reforçada pela expansão da oferta de moeda além do incremento natural da demanda provocada pela desinflação abrupta. Houveram taxas de juros negativas favoráveis a inflação zero. Esforços posteriores para uma política monetária mais restritiva e o aumento da taxa de juros encontrariam oposição política. Houve reconhecimento da magnitude do desequilíbrio fiscal, pois o esperado aumento na receita do governo, devido a eliminação da erosão da inflação que agia sobre a arrecadação dos impostos (efeito Tanzi) não se materializou no percentual e no tempo previstos. Quando ocorreu o aumento da receita, ele foi compensado pelo aumento nos gastos. No período final ou descongelava-se preços ou desacelerava-se o produto através do corte da demanda agregada. O ano de 1986 foi marcado pela redução drástica da inflação, após o congelamento de preços decretado pelo Plano Cruzado, e uma violenta expansão do consumo, que determinaram novamente a boa performance em termos de crescimento econômico (8,3%). O crescimento do consumo foi explicado por várias razões: transferência de renda real aos trabalhadores (aumento de salário real), fim da “ilusão monetária” com fuga dos ativos financeiros, expansão monetária e creditícia etc. Entretanto, foi também o responsável por vários problemas na economia e pela volta da inflação. Dentre os problemas, destacavam-se a crise de abastecimento, a presença do ágio como forma de burlar o controle de preços e outras formas travestidas de inflação, bem como uma profunda crise cambial. A crise cambial, em decorrência da redução do saldo na balança comercial e da piora nas contas de capital, com profunda queima de reservas para a sustentação do plano, desembocou na moratória de fevereiro de 1987 como forma de estancar a perda de divisas. Foram feitos ajustes no Plano Cruzado, como pode ser visto a seguir: Cruzadinho (07/1986 – 10/1986) Elaboração de um pacote fiscal para diminuir o consumo. Foram criados o sistema de empréstimo compulsórios e novos impostos indiretos sobre a gasolina (28%) e automóveis (30%). Mas, esse pacote teve pouca eficácia para conter o consumo. Ao contrário, a expectativa do descongelamento deu novo impulso à demanda. A inflação oficial caiu, porém

45

não refletia a inflação real da economia devido aos ágios, ao desabastecimento e à introdução de produtos novos. Após o mês de setembro o saldo da balança comercial começa a refletir o excesso de demanda interna e a queda nas exportações. Cruzado II (11/1986 – 06/1987) Um pacote fiscal visando o aumento da arrecadação do governo em 4% do PIB via reajuste de alguns preços públicos e aumento de impostos indiretos. Porém, o incremento nos recursos do governo através de preços públicos mais elevados foi desviado para o gasto com produtos e não com o aumento de poupança. Isso reativou a inflação e aumentou o salário via gatilho, o que por sua vez causou a explosão da inflação. Segundo Celso Furtado: a inflação inercial é subproduto das outras e a inflação brasileira reflete em parte um conflito distributivo de renda, em que o governo sempre foi o beneficiário, pois recorria à inflação por não ter meios de se autofinanciar adequadamente através da política fiscal. Plano Bresser (12/06/1987) O Plano Bresser não tinha por objetivo a inflação zero, mas promoveu o choque deflacionário com a supressão da escala móvel de salários. Os objetivos eram sustentar a taxa de inflação a níveis mais baixos e reduzir o déficit público. Foi instituída uma nova base de indexação salarial, a unidade referencial de preço (URP), ou seja, a cada três meses seriam pré-fixados os percentuais de reajuste para os três meses subseqüentes; com base na inflação média dos três precedentes. O gatilho foi mantido, porém ampliava-se a defasagem entre a observação da taxa de inflação e seu repasse aos salários. Os preços foram congelados por três meses ao nível de 12/06/1987, mas antes foram aumentados os preços públicos e administrados. Também não ocorreu a reforma monetária. Quando o Plano Bresser entrou em vigor, em junho de 1987, houve a mudança no indexador da poupança de Obrigação do Tesouro Nacional (OTN) para a Letra do Banco Central (LBC). De acordo com as novas regras, que passaram a valer na época, foi determinado que, entre os dias 1º e 15 de junho de 1987, a poupança seria remunerada pela variação OTN e, a partir de então, pela LBC. Acontece que os bancos remuneraram o mês todo usando como indexador a LBC, que teve variação 18,02% no período, bem menor que a variação da OTN, de 26,06%. É exatamente a diferença de 8,04 pontos porcentuais de remuneração que atualmente o poupador daquela época tem direito. O Plano Cruzado teve como política de combate a inflação o aumento da demanda agregada num contexto de crescimento econômico, o que terminou com pressão sobre inflação. O Plano Bresser objetivava conter a inflação com a redução da demanda num contexto de desaceleração mantendo o crescimento econômico com o redirecionamento da oferta para exportações. O plano incorporou ingredientes inutilizados no Cruzado tais como a preocupação com a taxa de juros, a taxa de câmbio, o déficit público e acordo com o FMI. Porém, acreditava que a sociedade agia de forma irracional. O plano foi uma tentativa de debelar a inflação que, sem o apoio popular do plano anterior, teve acertos e erros. A volta da inflação levou à adoção, em 1987, de políticas de cunho mais ortodoxo, mesmo com a presença de novo plano em junho, o Plano Bresser, que possuía maior preocupação em conter a demanda interna e evitar problemas no front externo. Com a característica recessiva da nova política econômica, esse ano apresentou profunda queda na taxa de crescimento, que situou-se em 3,6%.

que inviabilizava a condução da política monetária e qualquer tentativa de estabilização. as taxas de crescimento econômico apresentaram oscilação. o PIB sofreu uma redução em torno de 4% em 1990. Esse confisco estava ancorado na MP 168 que bloqueava 70% do M4. iniciou-se um conjunto de reformas estruturais no sentido liberalizante. o que levou a uma grande expansão monetária. a política econômica também apresentou caráter errático: predomínio da ortodoxia em 1988 e tentativa de acordo social no final desse ano. deveria ser resolvida a questão do déficit e da dívida pública. Além desses pontos. As principais medidas do plano foram o congelamento de preços indeterminado e a reforma monetária com a introdução do cruzado novo (000). rompendo a possibilidade de controle da oferta monetária. Para evitar um colapso maior. mas envolveria um ajuste patrimonial. e a não política (ou "política do arroz com feijão") do final do governo Sarney. O ajuste fiscal mostrou-se insuficiente. ao permitir a rápida conversão dos ativos em demanda por bens e serviços e ativos reais. com base na eliminação dos títulos ao portador (inclusive cheques) e na redução de gastos públicos. para expor as empresas brasileiras à concorrência internacional. o que não seria obtido apenas através do ajuste do fluxo. adoção do Plano Verão em janeiro de 1989 (que mesclou elementos heterodoxos e ortodoxos). já nos meses seguintes ao confisco. A principal característica de todo o governo Sarney foi um grande descontrole das contas públicas: aumento nos déficits operacionais e crescimento do endividamento interno (cuja necessidade de rolagem inflexibilizava a taxa de juros) a prazos mais curtos. Com isso. Verificou-se a ausência de qualquer mecanismo de política econômica. que chegou no final do governo Sarney à taxa de 80% mensais. constituídas de maior abertura comercial. com estagnação em 1988 e crescimento de 3. o Plano Collor realizou ampla reforma monetária. cujo elemento central foi o confisco da liquidez e o alongamento compulsório da dívida pública. o objetivo de recompor os instrumentos de política econômica não ocorreu. Dessa forma. Isso tudo foi acompanhado de uma trajetória ascendente das taxas de inflação. Pretendia-se retomar a capacidade de fazer a política monetária e a elaboração de programas de abertura comercial e de privatização de empresas estatais. no Imposto de Renda e no combate à sonegação. Além disso. A inflação voltou a acelerar. novas tentativas infrutíferas de arrumar o Plano foram . Plano Collor (16/03/1990) O governo Collor também tinha como preocupação básica o combate à inflação. não tendo atingido os objetivos.6% em 1989. o Banco Central afrouxou a liquidez. com giro diário. Além disso. que gerou grandes problemas em termos de desestruturação das condições de oferta e uma onda de falências. Assim. A expectativa era transformar um déficit de 8% do PIB em superávit da ordem de 2% do PIB.46 Plano Verão (14/01/1989) Em 1988 e 1989. pois tanto a política fiscal como a monetária tornaram-se prisioneiras da rolagem da dívida interna. O diagnóstico sobre as causas da inflação centrava-se na alta liquidez dos ativos financeiros. redução dos gastos e elevação das receitas. A principal medida foi o confisco de ativos financeiros com o objetivo de drástica redução da liquidez da economia. com base na eliminação dos subsídios e diminuição dos juros. buscou uma reforma fiscal centrada no Imposto sobre Operações Financeiras. Com o confisco da liquidez. Isso levou à adoção de uma política que visava a sustentação de taxas de juros reais elevadas. à privatização das empresas estatais e à maior abertura ao capital estrangeiro.

maio e junho o governo fez a conversão em URV dos preços públicos e tarifas do setor público.Proíbe renegociações de débitos . criação da IPMF (hoje. 2) A introdução da Unidade Real de Valor (URV). .br/) Questões conceituais: 1 Destaque alguns efeitos perversos da inflação.Banco Central do Brasil (Disponível: http://www. 2 Diferencie. Planejamento e Coordenação da Presidência da República e presidente do Bacen. depois. 3) A reforma monetária com a introdução da nova moeda.gov.Exige projeções dos resultados primários para os 3 anos seguintes Outras informações sobre inflação: Relatório de Inflação . ver: Pereira (1994). Importância: âncoras monetária e cambial Eventos importantes A renegociação da dívida dos Estados A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) – 2000 . inclusive.Impõe um teto para os gastos . 14 (56): 129-149. voltou-se para a política do tipo "feijão com arroz". reestruturação dos bancos estaduais e federais e a privatização para transferir ao setor privado os custos da modernização da infra-estrutura. coloque-os em ordem decrescente de importância. Justifique suas escolhas e a ordem em que as colocou. Os salários passaram a ser corrigidos pela média dos últimos quatro meses. O Conselho Monetário Nacional (CMN) passou a ser composto pelo ministro da Fazenda. obtendo êxito inédito no combate à inflação. as inflações de procura das inflações de custos. na tentativa de evitar a explosão do déficit e controlar a moeda.47 feitas e. Explique. com notória recuperação da credibilidade da moeda nacional que se refletiu. Plano Real (1994) 4 O Plano Real veio alterar esse quadro. redução dos fundos de participação estadual (FPE) e municipal (FPM). CPMF) junho/1993: Essa primeira fase estava baseada na origem fiscal da inflação foi implementado o Plano de Ação Imediata (PAI) em 06/1993.bcb. julho/1994: Foram fixados limites quantitativos para a emissão de moeda.Restringe o montante do endividamento total . Nos meses de abril. 3 Qual é uma das conseqüências mais claras de todo o processo inflacionário. usando suas próprias palavras. Foi definido como um plano de três fases: 1) O ajuste fiscal (O Fundo Social de Emergência – FSE). numa retomada do interesse nos agregados econômicos expressos na própria moeda do País. A seu critério. A economia e a política do Plano Real. Revista de Economia Política. As medidas foram: combate a sonegação. 4 Para uma discussão do Plano Real. o Real (R$). março/1994: A URV teve a função de unidade de conta e o Bacen emitia diariamente relatórios sobre a desvalorização do cruzeiro real e a cotação da URV.

c. a que representa um fato causador de uma inflação de custos: ( ) a. estabilizando-se em seguida. f. acompanhada de queda generalizada dos dispêndios e dos preços. um aumento nos gastos do governo ( ) b. o INPC e o IGP. II – Após um conjunto de medidas governamentais destinadas a incentivar a construção civil. um aumento da oferta de moeda ( ) e. um aumento dos investimentos ( ) c. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística no mercado. pelo fato de que um aumento de produção leva a um aumento da demanda de mão-de-obra por parte das empresas. Nessa situação aumentos da _____________ de bens e serviços. com a economia já a plena capacidade conduzem a elevações de preços . e. as empresas diminuirão os salários oferecidos aos trabalhadores.( ) Inflação se caracteriza como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços em um determinado período de tempo desestruturando a distribuição de renda. II. a) demanda – demanda agregada b) custos – demanda agregada c) demanda – oferta agregada .Coloque F(falso) ou V(verdadeiro) nas seguintes afirmações. é suficiente para caracterizar um processo de inflação crônica. a. ( ) De acordo com os inercialistas. enquanto a desinflação é a redução no nível da atividade econômica. tal situação. sendo causada pelo aumento de importações e tributos. e III corretas e) I. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações. principalmente em setores produtores de insumos básicos. A probabilidade de ocorrer inflação de ____________aumenta quando a economia está produzindo próximo do pleno emprego de recursos. tomada isoladamente. a inflação está relacionada aos mecanismos de indexação formal e informal que provocam a perpetuação das taxas de inflação anteriores. que são sempre repassadas aos preços. d. o balanço de pagamentos. Analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta: I – Se todos os preços dos bens e serviços se elevam apenas durante certo período de tempo. 5 A essência das análises econômicas realizadas pelos ideólogos da reforma monetária que culminou no Plano Cruzado (1986) reside no fato de que “um determinante significativo da inflação corrente é a própria inflação passada” e que “o melhor previsor da inflação futura é a inflação passada”. um aumento das matérias-primas importadas 7. a) somente a I correta b) somente a II correta c) somente a III correta d) I. sendo que cada um adota uma metodologia específica e o segundo deles serve de índice para o sistema de metas de inflação. Quais os dois tipos de inflação mais conhecidos. ( ) A inflação de demanda se caracteriza pelo excesso de demanda agregada em relação à produção de bens e serviços. e quando a resposta estiver falsa reescrever a frase. b. 8. A esse fenômeno os analistas denominam: a) efeitos de preços relativos b) hiperinflação c) inflação de demanda d) inflação inercial 6 Assinale entre as alternativas abaixo. um aumentos das exportações ( ) d. e sendo essa mão-de-obra escassa. IV – Uma inflação de demanda pode levar a economia a ter inflação de custos. caracteriza-se um processo inflacionário crônico. os preços dos materiais de construção se elevaram bastante. pode-se ter certeza de que houve inflação. II. além de outros efeitos. ( ) De acordo com a corrente estruturalista. e III incorretas 9. ( ) A inflação é um aumento persistente no nível geral de preços. ( ) Alguns índices que são utilizados pelo governo para medir a variação dos preços na economia são o IPCA. a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica dos alimentos. o mercado de capitais.48 4 Se todos os preços subirem.

Expresse sua opinião.2 1977 1. Complete a sentença: “de acordo com a corrente _________________ a inflação nos países subdesenvolvidos são causadas pela oferta inelástica de alimentos.788 11.1 1980 5.1 123. calcular os números índices de Laspeyres e Paasche para 1976 para os três bens.788. comparando-os com o de 1975.5 1. Ano 1979 1980 1981 1982 1983 1984 Sal.120 166. 1970 e 1976 Bem Unidade de Preço médio Preço médio Consumo Consumo 1970 1976 medida per capita per capita 1970 1976 Leite Litro 0. pela própria substituição de importações e pela estrutura oligopolística do mercado.” a) monetarista b) fiscalista c) estruturalista d) clássica e) nenhuma das anteriores Questões Aplicadas: 1. Após as diferentes tentativas para conter a inflação nos anos de 1980 e 1990.80 279.90 1. A tabela abaixo apresenta o índice de produção industrial para o Brasil no período de 1975-1980.8 3. Anos Sal. usando 1970 como ano-base.939 5.38 30 35 Pão 500 g 0.7 Ovos Dúzia 0. Tabela 1.6 1979 2. 2.654 1986 804. Será que essa estabilidade já é condição suficiente para o país buscar outras metas além da meta de inflação. Obter uma nova série adotando 1977 como ano-base.49 d) custos – procura agregada e) nenhuma das anteriores 10.40 114.25 0.30 0.000 41.560 Nominais IPC 100 222 430 842 2. o Plano Real conquistou a tão sonhada estabilidade econômica.8 142.35 3.60 0.5 115.80 520.00 2105.578 8.00 1043.5 Fonte: Boletim do Banco Central 5.1 1981 11.560. a meta do crescimento econômico.4 (1975=100) 1977=100 Fonte: Conjuntura Econômica 4. pela rigidez das importações e pouco dinamismo das exportações. 2. calcule o salário real. Preço e consumo de três bens em Palmeira das Missões. Determinar a respectiva série de salários mínimos reais (a preços constantes).0 112.4 1976 768.684 .00 158. A tabela abaixo apresenta os valores do salário mínimo.8 132.586 57. vigente em dezembro cidade do Rio de Janeiro.106. Indices 1975 532.928 23.932. Anos 1975 1976 1977 1978 1979 1980 Indices 100. Min. Usando a tabela abaixo.8 1978 1.0 3. bem como os valores do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-FGV).80 55. reais 1985 600.919 Sal.568. tendo como ano-base 1975.928.000 22.00 80. Min. como por exemplo.3 1982 23. A partir dos valores nominais dos salários.

exclui o consumo do indivíduo B que não pagou pelo bem. A neutralidade do ponto de vista da alocação dos recursos deveria ser complementada pela equidade na repartição da carga tributária.Princípio da neutralidade: Quando a ação captadora de recursos do governo não altera os preços relativos da economia e assim. ESTRUTURA TRIBUTÁRIA A teoria da tributação envolve dois princípios fundamentais: neutralidade e equidade. Exemplo: serviços públicos que utilizam taxas específicas para o seu financiamento. Dificuldade: como individualizar os benefícios a partir do funcionamento de bens públicos. dar um mesmo tratamento. . a política fiscal consiste em tentar expandir a atividade econômica com o objetivo de criar mais empregos. isto é. AS FUNÇÕES ECONÔMICAS DO SETOR PÚBLICO Função Alocativa: está associada ao fornecimento de bens e serviços não oferecidos pelo sistema de mercado. A equidade pode ser avaliada sob duas maneiras: . Bens Meritórios = podem ser explorados pela iniciativa privada. 1. Riscos pesados = governo interfere porque empresa privada pode correr riscos. Política fiscal: Tendo como instrumentos os gastos e a receita tributária.50 CAPÍTULO 4 – SETOR PÚBLICO O que veremos? Funções do Setor Público Receita do Setor Público Gastos do Setor Público Aspectos Institucionais do Orçamento Público Finanças Públicas = setor que controla a massa de dinheiro e de crédito que o governo federal e os órgãos a ele subordinados movimentam em um país. para financiar a construção de . Função Estabilizadora: governo pode alterar o comportamento dos níveis de preços e de emprego. não interferindo nas decisões de alocações de recursos tomadas como base no mecanismo de mercado. Monopólios Naturais = governo atua para assegurar preços razoáveis. aos indivíduos iguais – um critério de “equidade horizontal”.Princípio da eqüidade: a distribuição do ônus do imposto de maneira justa entre os indivíduos. em termos de contribuição. . Bens públicos ou coletivos = têm por característica a impossibilidade de excluir determinados indivíduos de seu consumo Princípio de exclusão: quando o consumo do indivíduo A por um determinado bem que pagou. Outros exemplos de instituir tributos de forma que funcionem como financiamento de determinados programas do governo são a cobrança de um imposto sobre combustíveis. Função Distributiva: governo atua como agente redistribuidor de renda. 2. uma preocupação com a “equidade vertical”. enquanto os desiguais serão diferenciados segundo algum critério a ser estabelecido. através da tributação que retira recursos dos segmentos mais ricos da sociedade e os transfere para os menos favorecidos.Princípio do benefício recebido: um tributo é justo quando cada contribuinte paga ao Estado um montante diretamente relacionado com os benefícios que recebe do governo. mas podem e devem ser também explorados pelo governo. ou seja.

. porque seu fato gerador é sempre uma atuação do Estado. 2. Taxas: é um tributo vinculado. OS TRIBUTOS E SUA CLASSIFICAÇÃO Tipos de Tributos 1. Ex: imposto de alíquota única. Medidas da capacidade de pagamento: renda. .51 rodovias. Existem dois tipos de impostos: a) impostos diretos: a pessoa que recolhe o tributo é a mesma que arca com o seu ônus. Impostos: tributo cuja obrigação tem por fator gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal. b) impostos indiretos: a pessoa que recolhe o tributo não arca totalmente com o seu ônus. para financiar investimentos no setor. Contribuições fiscais: um tributo é fiscal quando sua cobrança não visa senão a arrecadação de recursos financeiros para os cofres públicos e objetivam a sustentação dos encargos que são próprios do órgão central da administração. Quem ganha mais paga menos. ou a possibilidade de uma referência direta à sua pessoa. é aquele que incide sobre renda e riqueza. específico: valor em R$ fixado).Regressivos: A relação entre carga tributária e renda decresce com o aumento do nível de renda. É aquele que incide sobre transações de mercadorias e serviços e que podem ser ou ad valorem ou específicos (Ad valorem: alíquota % fixada. e os impostos sobre consumo de energia elétrica. podem ser estruturados em: impostos regressivos. em geral desempenhada tendo em vista sua pessoa.Contribuição extrafiscal: utilizadas para tributar externalidades. Além disso. . 3. Todos os impostos indiretos. referida ao obrigado.Principio da capacidade de pagamento: cada agente deveria pagar tributos conforme sua capacidade de pagamento. Quem ganha mais. 3. 4. .Proporcional (neutro): a relação entre a carga tributária e o nível de renda permanece constante. Ex: PIS. Ex: IR.Progressivo: a relação entre carga tributária e renda cresce com o aumento no nível de renda. . FINSOCIAL e COFINS. . paga um percentual maior sobre a renda. Ex: 10% de imposto sobre o preço de venda de TVs.Contribuição parafiscais: se destinam à sustentação de encargos paralelos aos da administração pública direta. impostos progressivos e impostos proporcionais. . consumo e patrimônio. Tarifas: é um instrumento utilizado na cobrança do imposto de importação. Todos pagam a mesma percentagem sobre a renda e não o mesmo valor.

52 Quadro 5 .Impostos e esferas de Governo: Impostos Federais Impostos Estaduais Imposto de renda (IR) Impostos Municipais Imposto sobre circulação de Impostos sobre a propriedade mercadorias e prestação de predial e territorial urbana serviços (ICMS) (IPTU) automotores “Inter Vivos” de bens imóveis e direitos a eles relativos (ITBI) de Mortis Transmissão Imposto e sobre serviço de Imposto de Exportação Imposto sobre a propriedade Imposto sobre a transmissão de veículos (IPVA) Imposto de Importação Imposto Causa (ITCMD) Doação qualquer natureza (ISSQN) Imposto Imposto sobre sobre operação produtos financeira (IOF) industrializados (IPI) Contribuição provisória sobre movimentação (CPMF) Imposto territorial rural (ITR) Cide-Combustíveis A seguir são mostradas tabelas com a arrecadação federal para o período de janeiro a outubro de 2005 e de 2006. financeira .

53 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda .

gov.fazenda.receita.br/ .54 Fonte: Receita Federal – Ministério da Fazenda Para outras informações sobre arrecadação ver: http://www.

A tabela abaixo mostra a representatividade em termos do PIB da dívida do setor público brasileiro para os anos de 2004 e 2005. ASPECTOS INSTITUCIONAIS DO ORÇAMENTO PÚBLICO Com a Constituição Federal de 1988.851. DÉFICIT PÚBLICO O dispêndio do governo é decomposto em Gastos em geral (DC + DK) + Juros sobre a dívida interna e externa. Despesas de capital (DK) = implicam num aumento do patrimônio do governo. A primeira alternativa é vista com receio porque pode gerar inflação na economia através do estímulo ao consumo. mas aumenta a dívida uma vez que a os títulos são remunerados pelas taxa de juros vigentes na economia.2% 7. Externa PIB (R$ mi) FONTE: Bacen 2005 51. Tabela 3 . Interna Div.Déficit Primário = Receitas . Conceitos de déficit: . incluindo inflação e juros sobre dívida anterior .55 4.5% 1. 5. OS GASTOS DO SETOR PÚBLICO Por categorias Econômicas: Despesas Correntes (DC) = não resultam acréscimo ao patrimônio do governo.7% 44. a Lei de Responsabilidade Fiscal.Despesas .6% 49. 5 O quadro abaixo explica como é feito o orçamento. Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e Lei Orçamentária Anual (LOA). Disponível: http://www. o sistema orçamentário federal passou a ser regulado por três leis: Lei do Plano Plurinanual (PPA). 5 Para mais informações sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal ver “Gestão Fiscal Responsável.planejamento.0% 2.htm .Déficit Nominal = Receitas – Despesas.Dívida Líquida do Setor Público (% em relação ao PIB) 2004 Div. Após o ano de 2000. A venda de títulos da dívida não gera inflação.gov.980 7.193 51.br/lrf/conteudo/publicacoes/dicas. São subdivididos em investimentos.942. inversões financeiras e transferências de capital. FINANCIAMENTO DO DÉFICIT O déficit do governo pode ser financiado pela emissão de moeda ou pela venda de títulos da dívida pública ao setor privado (interno e externo).6% 1. Líquida Total Div. Dicas sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)”.Déficit Operacional = Receitas – Despesas + juros reais dívida passada 6. São subdivididos em despesas de custeio e transferências.

O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deve ser enviado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional até o dia 15 de abril de cada ano. No Congresso. Nenhuma despesa pública pode ser executada fora do Orçamento. dispõe sobre alteração na legislação tributária.planobrasil. A LDO estabelece as metas e prioridades para o exercício financeiro subsequente. dos Estados e municípios. Esse excesso de vinculações e carimbos ao Orçamento levou o governo federal a propor a DRU . etc que tornam o processo orçamentário extremamente rígido. O governo define no Projeto de Lei Orçamentária Anual.Um País de Todos.br) . as prioridades contidas no PPA e as metas que deverão ser atingidas naquele ano. o Poder Executivo submete ao Congresso Nacional projeto de lei de crédito adicional.planejamento. FONTE: Ministério do Planejamento. em conjunto com os Ministérios e as unidades orçamentárias dos poderes Legislativo e Judiciário. Para saber mais sobre o PPA 2004-2007 que tomou o nome de Plano Brasil . estabelece a política de aplicação das agências financeiras de fomento. Depois de aprovado.Desvinculação de Recursos da União. o que irá trazer maior flexibilidade à execução orçamentária.56 COMO É FEITO O ORÇAMENTO O Orçamento Geral da União (OGU) é formado pelo Orçamento Fiscal.gov. como limite de gastos com pessoal. seguridade social. As ações dos governos estaduais e municipais devem estar registradas nas leis orçamentárias dos Estados e municípios. objetivos e metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada". São chamados de Decretos de Contingenciamento em que são autorizadas despesas no limite das receitas arrecadadas. A Constituição Federal de 1988 atribui ao Poder Executivo a responsabilidade pelo sistema de Planejamento e Orçamento que tem a iniciativa dos seguintes projetos de lei: Plano Plurianual (PPA) De Diretrizes Orçamentárias (LDO) De Orçamento Anual (LOA) O Projeto de Lei do PPA define as prioridades do governo por um período de quatro anos e deve ser enviado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto do primeiro ano de seu mandato. Se durante o exercício financeiro houver necessidade de realização de despesas acima do limite que está previsto na Lei. mas nem tudo é feito pelo governo federal. A Lei introduziu a restrição orçamentária na legislação brasileira e cria a disciplina fiscal para os três poderes: Executivo. A Constituição determina que o Orçamento deve ser votado e aprovado até o final de cada Legislatura. manutenção do ensino.transferências constitucionais para Estados e municípios. da Seguridade e pelo Orçamento de Investimento das empresas estatais federais. entre outros. receitas próprias de entidades. crises econômicas mundiais como aquelas que ocorreram na Rússia e Ásia obrigaram o Poder Executivo a editar Decretos com limites financeiros de gastos abaixo dos limites aprovados pelo Congresso. Acompanha o projeto uma Mensagem do Presidente da República. proibição de criar despesas de duração continuada sem uma fonte segura de receitas. Legislativo e Judiciário. através de emenda constitutucional. a Secretaria de Orçamento Federal elabora a proposta orçamentária para o ano seguinte. fazem as modificações que julgam necessárias através das emendas e votam o projeto. deputados e senadores discutem na Comissão Mista de Orçamentos e Planos a proposta enviada pelo Executivo.gov. A Lei de Responsabilidade Fiscal. Por outro lado. Por determinação constitucional. o Projeto de Lei do PPA deve conter "as diretrizes. o governo é obrigado a encaminhar o Projeto de Lei do Orçamento ao Congresso Nacional até o dia 31 de agosto de cada ano. O Orçamento brasileiro tem um alto grau de vinculações .br. De acordo com a Constituição Federal. A Lei Orçamentária brasileira estima as receitas e autoriza as despesas de acordo com a previsão de arrecadação. Com base na LDO aprovada pelo Legislativo. Orçamento e Gestão (http://www. o projeto é sancionado pelo Presidente da República e se transforma em Lei. aprovada em 2000 pelo Congresso Nacional introduziu novas responsabilidades para o administrador público com relação aos orçamentos da União. A Lei Orçamentária disciplina todas as ações do governo federal. orienta a elaboração do Orçamento. O PPA estabelece a ligação entre as prioridades de longo prazo e a Lei Orçamentária Anual. clique no endereço www. na qual é feito um diagnóstico sobre a situação econômica do país e suas perspectivas.

l. ( ) o conceito de déficit primário inclui os juros pagos de dívida passada. Cite e explique os dois princípios fundamentais da tributação. Os Tribunais de Contas Estaduais (TCEs) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados ao Estado. 2. Quando o governo gasta mais do que arrecada suas contas entram em déficit. Alguns municípios têm Tribunal de Contas próprio. a cidade de São Paulo. h. e primário. ( ) o governo possui dois principais tipos de gastos: gastos públicos e gastos correntes. f. por exemplo. e. que podem ser nominal ou total. ( ) os bens públicos são consumidos individualmente e seu benefício para cada cidadão é difícil de ser medido. 4. O que diferencia cada um deles. 3. a demanda agregada não variará. ( ) a estrutura tributária brasileira beneficia a classe de renda mais baixa por estar baseada em altas alíquotas de imposto de renda e baixas alíquotas de impostos sobre o consumo. d. ( ) os chamados impostos indiretos têm essa denominação por incidirem sobre a renda e a riqueza dos indivíduos. Coloque F (falso) ou V (verdadeiro). É possível o setor público desempenhar todas as suas funções de maneira harmônica? Comente. ( ) quanto maior for o PIB menor será a carga tributária. ( ) o ICMS é tipicamente um imposto direto. incluem-se os juros bem como as despesas com correção monetária das dívidas interna e externa k. progressiva e proporcional. 7. ( ) o imposto sobre produtos industrializados pode ser caracterizado como imposto direto j. c. Ex: Banrisul. ( ) a carga tributária é obtida da relação entre o PIB e o total de arrecadação do governo. Questões Conceituais: 1.57 8. com o aumento das alíquotas do imposto sobre a renda das famílias forem gerados recursos adicionais utilizados para maiores gastos sociais pelo governo. A estrutura tributária pode ser regressiva. Classifique os impostos abaixo em imposto direto (D) ou imposto indireto (I): ( ) ICMS ( ) IPI ( ) IPTU ( ) CPMF ( ) IPVA ( ) ITR . 6. FISCALIZAÇÃO O Tribunal de Contas da União (TCU) faz auditoria nas contas dos administradores públicos vinculados à União. 5. Explique o que significa cada uma delas e diga qual é a predominante para o caso da economia brasileira. O déficit do setor público pode ser financiado? Explique quais são as alternativas. g. ( ) se. i. operacional. justificando quando falso: a.( ) no cálculo do déficit público. ( ) o superávit primário é considerado como sendo a diferença entre a receita e os gastos com juros do Governo. segundo o conceito operacional. b.

já que a conceituação de bem final não é muito simples. renda e dispêndio Produto. depende do uso que se fará posteriormente. O CONCEITO DE VALOR ADICIONADO: O PRODUTO NACIONAL O conceito de valor adicionado é entendido como: Valor Adicionado = Valor Bruto de Produção (VBP) – Consumo de Produtos Intermediários (matérias-primas e componentes) O Valor Bruto de produção (VBP): é o faturamento.58 CAPÍTULO 5 – CONCEITO E CÁLCULO DOS AGREGADOS MACROECONÔMICOS O que veremos? Valor adicionado. renda e dispêndio: da economia fechada à economia aberta Informações Conjunturais sobre o PIB no Brasil Problemas com as medidas agregadas Conceitos Básicos: Valor Adicionado. ou lucros.e. o que sobra é a remuneração dos fatores de produção de cada setor. O conceito de valor adicionado é uma forma alternativa e a mais operacional para medir o produto e a renda nacional do que diretamente pela soma de produtos finais. a receita de vendas. sendo difícil aferi-lo a partir do fabricante. Por exemplo. Renda e Dispêndio 1.000 Pão O problema de dupla contagem no cálculo do produto pode ser resolvido de duas formas: . Para exemplificar o conceito de valor adicionado..000 400 PN=DN=1. i. ou aluguéis. Retirando da receita de vendas os gastos com a compra de bens intermediários. sem discriminar quanto foi pago em salários.000 = RN 0 100 100 Farinha 400 1. utilizaremos a produção de pão. de cada setor produtivo. ou juros. mas o valor total. a gasolina vendida nos postos pode ser utilizada tanto como bem final para o consumidor. como bem intermediário para uma empresa. Trigo (a) receita de vendas (VBP) (b) Compras intermediárias Valor adicionado (a-b) Renda paga pelo setor de trigo aos fatores de produção (VA trigo) Renda paga pelo setor de farinha aos fatores de produção (VA farinha) Renda paga pelo setor de panificação aos fatores de produção (VA pão) 100 + 300 + 600 =1.

O exemplo acima mostra o método do valor adicionado. consumidores. o produto e o dispêndio nacional são expressões contabilmente equivalentes. que é o produto final (não é utilizado para a produção de outros bens).o consumo e a acumulação. As nações produzem bens e serviços que se destinam a duas grandes categorias de dispêndio nacional . O CONCEITO DE RENDA NACIONAL(RN) A Renda Nacional é a soma dos pagamentos feitos aos fatores de produção que foram utilizados para a obtenção do produto nacional. A soma do consumo e da acumulação está representada pelos investimentos em bens de capital. juros. A renda. não consumida. Assim. seriam computados o valor da produção do trigo na fazenda e os valores agregados (de salários. que conduzem a mensurações iguais. e capital de giro = para produzir arroz e soja. ENTÃO: A IDENTIDADE BÁSICA DAS CONTAS NACIONAIS: PN = RN = DN Para que essa tríplice igualdade se realize. lucros. computar. máquinas e equipamentos. Por que isso ocorre? . EXEMPLO: Empresa agrícola que use trabalho. 2. terra. CONCEITO DE DESPESA NACIONAL(DN) Um terceiro conceito diz respeito à destinação que é dada ao produto e à renda nacional. é igual ao dispêndio nacional. somente o valor dos bens e serviços finais. No exemplo. empresas. Ou seja. na apuração do produto. ou seja. o total de investimento em acumulação deve se igualar ao total de renda poupada. aluguéis) pelo moinho e pela padaria. São três abordagens diferentes de avaliação. governo e estrangeiros. 2. somente os valores adicionados em cada etapa do processo de produção. na apuração do produto. computar. somente seria computado o valor dos pães. PRODUÇÃO VT da produção de arroz 600 VT da produção de soja 400 RENDA Total de pgtos de: w aluguel Juros pagos Lucro Total 1000 Total 800 80 20 100 1000 OBS: não incorpora os insumos intermediários 3. O valor adicionado está diretamente relacionado ao segundo conceito macroeconômico básico: o de renda nacional (remunerações pagas aos fatores de produção mobilizados pelas empresas.59 1. o Produto nacional também pode ser medido pela ótica das despesas realizadas pelos agentes.

aluguéis. Assim. Por que considerar apenas os bens finais? Se forem somados os valores brutos da produção de bens e serviços de todas as unidades produtivas do país. recebem salários. sem formação de capital e fechada não existem estoques. PRIMEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. estariam somados o valor do trigo da fazenda três vezes. o dos pães produzidos pela padaria. As empresas que são de propriedade de seus acionistas são abstrações jurídicas. juros. ou seja. o da farinha produzida pelo moinho duas vezes e o dos pães produzidos pela padaria uma vez. só se consideram os bens finais e os custos de produção das empresas no sistema agregado. pode-se incorrer no chamado erro de dupla ou múltipla contagem. como matérias-primas. Então. Produção (PN) = Vendas (DN) Como no agregado são excluídas as compras de bens intermediários.Dois agentes econômicos: empresas e indivíduos Nesse sistema simplificado. que se compensam na agregação das unidades produtoras. componentes. a empresa vende tudo o que produz. mas conduzindo ao mesmo resultado numérico. são três diferentes óticas conceitualmente diferentes para medir a atividade econômica. Fluxo circular da renda Pagamento de bens e serviços Bens e serviços FAMÍLIAS EMPRESAS Fatores produtivos Salários. juros e lucros. Para sua sobrevivência. aluguéis e lucros. a empresa gasta com pagamentos a fatores de produção tudo o que recebe pela venda de bens e serviços que são os salários. em troca. representado o local onde se organiza a produção. Como os gastos das empresas com fatores de produção é a própria Renda Nacional.60 Nesse nosso modelo simplificado de economia sem governo. são transações de empresas a empresas. o da farinha produzida pelo moinho. segue que: PN= DN= RN Ou seja. energia são insumos que entram no processamento de outros bens. as famílias — pessoas físicas — . todas as decisões partem das famílias. Por exemplo: se forem somados o valor da produção de trigo da fazenda. SEM GOVERNO E SEM FORMAÇÃO DE CAPITAL . juros e lucros As famílias entregam às empresas os fatores de produção e. Os bens intermediários. não incluem o custo dos insumos intermediários. aluguéis. ou seja.

. da renda gerada (w. a necessidade de introduzir dois novos conceitos: CONCEITO DE POUPANÇA: Poupança = parcela da renda não consumida no período. juros e lucros). em troca. bens de investimentos: não são consumidos. O fluxo monetário é medido pelo dispêndio das famílias em bens e serviços finais produzidos pelas empresas ou pela remuneração percebidas pelas famílias em troca dos fatores de produção. i. Mas. pelo fornecimento de bens e serviços. A remuneração dos fatores de produção constitui-se de: salários (w). . as famílias cederão. parte não é gasta em bens de consumo. isto é. trata-se de rendimentos. Para adquirir esses bens e serviços. O fluxo circular da renda pode ser analisado sob o ponto de vista do fluxo real (fluxo de fatores de produção e fluxo de bens e serviços finais) ou de sua expressão em moeda . Pelo lado das famílias.C onde C= Consumo Agregado CONCEITO DE INVESTIMENTO: O Produto Nacional é composto por dois tipos de bens: 1.o fluxo monetário. e têm como objetivo aumentar a riqueza da nação. juros e lucros.. i. aluguéis. 2. aluguéis (a) e lucros (l).61 precisam adquirir bens e serviços produzidos pelas empresas. representam custos de produção. SEGUNDA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA FECHADA. bens de consumo: consumidos como um fim em si mesmo. Disso. a. Daí surge a identidade renda ≡ produto. fazendo parte da produção.o gasto em bens que representam aumento da capacidade produtiva da economia (Taxa de acumulação de capital). O fluxo monetário representa a contrapartida pelo fluxo real.e. sua capacidade produtiva. l). S= RN . Nesse processo. proprietárias dos fatores de produção. Há uma equivalência entre o fluxo de dispêndio de bens e serviços finais (produtos) e o fluxo da remuneração dos fatores produtivos. são identificados dois fluxos: um de produtos (bens e serviços) e outro de renda (salários. aquilo que receberam como salários. Isso é o que ocorre no dia-a-dia da economia. juros (j). Então. j. e serviços dos fatores de produção.e. pelo ângulo das empresas. SEM GOVERNO E COM FORMAÇÃO DE CAPITAL Até aqui consideramos que as famílias apenas consomem e que as firmas só produzem bens que são consumidos pelas famílias (bens de consumo). Esses fluxos caracterizam o que conhecemos como fluxo circular da renda. aluguéis. o investimento pode ser definido como: . consideraremos agora que as famílias poupam e as empresas adquirem bens de capital.

parte será destinada para os bens de consumo final e outra para bens de consumo duráveis e investimentos. no sentido de que sofre um desgaste. Subsídios (Sub).62 .Receitas tributárias: com impostos indiretos (Ti) como ICMS e IPI e impostos diretos (Td) como IR.o gasto em bens produzidos. IPTU e ITR. Isso permite introduzir outros conceitos: Investimento líquido (IL) = IB – d Produto Nacional Liquido (PNL) = PNB – d O dispêndio passa a ser dividido agora em gastos com consumo e gastos com a acumulação. Incluindo ainda os subsídios (Sub). equipamentos e imóveis: investimento em bens de capital (Ibk). variação de estoques (produtos acabados e intermediários): ∆E Assim. multas e etc. têm-se a introdução de dois novos conceitos: PN a custo de fatores (PNcf) = medido a partir dos valores que refletem os custos de produção. empresas e governo O governo obtém sua renda através: . IMPORTANTE: . em parcelas. o bem de capital é consumido.). Com a presença do governo no modelo simples de economia. O governo gasta suas rendas em: Consumo (C). TERCEIRA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E AINDA FECHADA Agentes: famílias. só que.Se os gastos do Governo superaram a arrecadação: déficit primário ou fiscal. mas que não foram consumidos no próprio período e que serão utilizados para consumo futuro. .Se a arrecadação do Governo superar os gastos: superávit primário ou fiscal. . Investimento (I). Transferências (Tr). Do total de produto e renda gerados. diferentemente dos bens de consumo. 2. os componentes do Investimento são: I = Ibk + ∆E A distinção entre Ibk e ∆E é necessária: Ibk : é deliberada e planejada ∆ E: não é planejada e depende das oscilações de mercado.Receitas não tributárias: contribuições à previdência social com os encargos trabalhistas e outras receitas do governo como taxas (pedágios. . ou seja: I = PN – C Quais bens são produzidos e não consumidos no período? 1. Adicionando o custo dos tributos indiretos (Ti). a remuneração aos fatores (w + j+ a + l). PN a preços de mercado (PNpm) = medido a partir dos valores transacionados no mercado. máquinas. Ou seja. O CONCEITO DE DEPRECIAÇÃO: A depreciação (d) é o consumo do estoque de capital físico. até virar sucata. em dado período.

63 Temos: PNcf: PNpm – Ti + Sub PNpm: PNcf + Ti – Sub Outros ajustamentos na renda nacional que levam aos conceitos de Renda Pessoal e de Renda Pessoal Disponível. CONCEITO DE IMPORTAÇÃO (M): são nossas compras com bens e serviços do exterior. renda e dispêndio são: PNB – depreciação – PNLpm . Renda pessoal Disponível: montante de recursos financeiros de que as famílias e empresas individuais podem dispor após o cumprimento de suas obrigações fiscais para com o governo. Parte da renda gerada no país que vaza para fora. quanto gastamos com o resto do mundo. Obs: A partir da consideração do resto mundo no nosso modelo simplificado de economia. Renda Pessoal: quantias recebidas pelas famílias e empresas individuais. temos: o produto nacional difere do produto interno. ENTÃO O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA AGORA: SUBSÍDIOS EMPRESAS TRIBUTOS GOVERNO FP TRANSFERÊNCIAS REMUNERAÇÃO DOS FATORES TRIBUTOS FAMÍLIAS Os impactos da presença do governo nos conceitos e nos fluxos de produto. Somam-se aqui as transferências do governo para a sociedade como por exemplo o pagamento de aposentadoria.tributos indiretos líquidos = PNLcf = Renda Nacional – tributos diretos líquidos = renda pessoal disponível (que será gasta em consumo ou em acumulação) QUARTA SUPOSIÇÃO: ECONOMIA A TRÊS SETORES E ABERTA Agrega com isso as variáveis relativas a uma economia aberta para o resto do mundo. . Da mesma forma que alguns residentes no país tem fatores de produção que são utilizados em outros países. ou seja. CONCEITO DE EXPORTAÇÃO (X): são as compras dos estrangeiros de nossos bens e serviços. já que agora temos que levar em consideração que alguns fatores utilizados no processo produtivo são de propriedade de residentes no exterior. os gastos do setor externo com nossas empresas.

royalties. Portanto: PNB = PIB + RLFE (PNB = PIB + RR – RE) E PIB = PNB – RLFE (PIB= PNB . RENDA LÍQUIDA DE FATORES EXTERNOS (RLFE): é a remuneração dos gastos dos ativos pertencentes a estrangeiros. inclui-se no primeiro caso. O FLUXO CIRCULAR DA RENDA FICA : RE AO EXTERIOR EMPRESAS GOVERNO FAMÍLIAS RESTO DO MUNDO RR DO EXTERIOR .RENDA RECEBIDA DO EXTERIOR (RR): recebemos renda devido à produção de nossas empresas operando no exterior. A remuneração desses fatores vai para fora do país.64 No modelo de economia aberta ao resto do mundo. principalmente o capital e a tecnologia. como a RLFE é negativa. na forma de remessa de lucros. é necessário fazer a distinção dos seguintes conceitos: PRODUTO INTERNO BRUTO = mede a renda que é produzida dentro das fronteiras nacionais. Assim: RLFE = RR – RE Teremos então o conceito de: PRODUTO NACIONAL BRUTO (PNB): renda que pertence efetivamente aos nacionais. então: PNB < PIB RLFE > 0. Divide-se em: . em que o PIB supera o PNB. então: PNB > PIB O Brasil bem como a quase totalidade dos países emergentes. e excluindo a renda enviada para o exterior pelas empresas estrangeiras localizadas no Brasil. juros e assistência técnica. . lucros e royalties aos estrangeiros.RENDA ENVIADA AO EXTERIOR (RE): parte do que foi produzido internamente não pertence aos nacionais. Aqui. devido às altas remessas de juros. temos que RLFE < 0. não importando quem obtenha a renda. incluindo a renda recebida de nossas empresas no exterior. ela é chamada de Renda Líquida Enviada ao Exterior.RR + RE) Se: RE > RR. temos que RE < RR.

. Por exemplo: Conta do produto interno bruto: temos no lado do débito o pagamento das unidades produtivas aos fatores de produção. o que as empresas receberam dos agentes que adquiriram os bens e serviços finais. apropriação ou (utilização) da renda e acumulação (ou formação de capital) dos agentes econômicos (famílias. Na forma original. empresas.65 No modelo completo de economia.Conta Transações Correntes com o resto do mundo. PIB = mede o total do valor adicionado produzido por firmas operando no país. . . por três óticas: do produto. A CONTABILIDADE SOCIAL Os agregados macroeconômicos que discutimos até agora são calculados com base em dois sistemas principais de contabilidade social: o Sistema de Contas Nacionais e a Matriz de Insumo-Produto. no lado do crédito. os conceitos convencionais dos agregados macroeconômicos são: PIB – renda liquida enviada ao exterior = PNB – depreciação = PNLpm – tributos indiretos menos subsísios = renda nacional – tributos diretos menos transferência = renda pessoal disponível. independente da origem de seu capital. . RIB = mede a contribuição dos fatores de produção independentemente da nacionalidade dos possuidores desses fatores.Conta Produto Interno Bruto (produção). setor público e setor externo). Preços a custos de fatores: (PIBcf: PIBpm – Ti + sub) Preço de mercado: (PNpm: PNcf + Ti – sub) PIL = PIB – d RIL = RIB – d PNB = (valor produção – valor dos consumos intermediários) + RLFE RNB = soma das remunerações dos fatores de produção pagas a residentes. incluindo os impostos indiretos (menos os subsídios) e. Conta da renda nacional disponível líquida: no lado do débito está como as famílias e o governo utilizam a renda recebida e. da renda e da despesa: Ótica do produto: PIB = Valor da produção – Valor Consumos intermediários Ótica da renda: RIB = soma das remuneração aos fatores de produção Ótica da despesa: DIB = soma dos gastos finais na economia em bens e serviços. o sistema de contas nacionais é baseado em quatro contas. relativas à produção. nacionais e importados. geração da renda e de despesa num período permite que se calcule o valor adicionado bruto ou produto interno bruto de uma economia. Resumo: Em Contas Nacionais o acompanhamento dos fluxos de produção.Conta de Capital.Conta Renda Nacional Disponível Líquida (apropriação). Os lançamentos das transações são feitos de acordo com o método das partidas dobradas (débito e crédito). as rendas recebidas pelas famílias e . no lado do crédito.

bem como a poupança externa. No Brasil. estão os gastos com a formação de capital. e. no lado do crédito. incluindo a depreciação. o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) calcula o PIB e apresenta o resultado anual na periodicidade de trimestres. . Conta de capital: no débito. os rendimentos e as transferências recebidas do resto do mundo. Na nova metodologia o sistema é composto pelas Tabelas de Usos e Recursos de Bens e Serviços (TRU) e pelas chamadas Contas Econômicas Integradas (CEI). ou seja. Os subsídios e a depreciação entram com sinal negativo. estão as compras realizadas por residentes de bens e serviços produzidos no exterior (importações CIF) e os pagamentos e as transferências pagas aos não-residentes. a fonte de recursos para os investimentos. Conta transações correntes com o resto do mundo: no lado do débito estão os gastos dos não-residentes com os bens produzidos internamente (exportações CIF).66 pelo governo mais o resultado líquido dos recebimentos e das transferências com o exterior. No lado do crédito. Veja a tabela abaixo que mostra a composição do PIB sob as três óticas. a poupança dos agentes econômicos.

67 Composição do Produto Interno Bruto sob as três óticas – 1999 a 2003 .

3 2º Trim 2006 2.3 2.Tabela 4 Trimestre / mesmo trimestre do ano anterior .3 1. apresenta os principais resultados para o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado referentes aos cinco últimos trimestres.68 Produto Interno Bruto. população residente e deflator implícito do PIB – 1999 a 2003 A Tabela Resumo. Indicadores de Volume.4 3.3 1º Trim 2006 3.br).2 3º Trim 2006 2.1 2.2 1.3 1.Tabela 7 3.5 Fonte: IBGE.Tabela 2 Trimestre / trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) . Produto Interno Bruto per capita.1 1.gov.4 0. a seguir.5 Taxas (% ) Acumulado ao longo do ano / mesmo período do ano anterior .7 2.Tabela 3 Últimos quatro trimestres / quatro trimestres imediatamente anteriores . Contas Nacionais Trimestrais. Coordenação de Contas Nacionais Para outras informações sobre o PIB brasileiro ver Indicadores IBGE. Diretoria de Pesquisas.2 (-) 1.4 1. julho/setembro 2006 (disponível: http://www. . 3º Trim 2005 2.6 4º Trim 2005 2.0 1.ibge.2 0.2 3.

O moleiro transforma o trigo em farinha.Produto nacional como medida do padrão de bem-estar Questões conceituais: 1.00 25.PIB 870 .69 ALGUNS PROBLEMAS COM AS MEDIDAS DE RENDA E DO PRODUTO . A tabela a seguir contém dados de dois anos diferentes.Tributos diretos 80 .00. na redução das desigualdades existentes nas sociedades nacionais e entre elas”. Ano 2000 Preço ($) 60. Comente os principais problemas com as medidas agregadas da economia.000.As comparações internacionais .00 Quantidade 110 510. 2.Tributos indiretos 100 . Um agricultor colhe um hectare de trigo e vende a um moleiro por $1. O engenheiro come o pão. Qual é o valor agregado por cada pessoa? Qual é o PIB? 3. o que faz com que tenhamos uma renda líquida de fatores externos (RLFE) negativa. . Questões Aplicadas: 1.00.00. 4.Pagamento Aposentadoria 40 . qual seria a diferença entre esses dois conceitos? b) Um Produto Interno Bruto (PIB) elevado reflete necessariamente um país com bons indicadores de desenvolvimento humano e econômico? Justifique sua resposta. calcule as seguintes estatísticas: PIB nominal dos dois anos.00 12.Subsídios empresas privadas 10 . O padeiro usa a farinha para fazer o pão. O que é valor adicionado (VA)? Exemplifique.Variações reais ou variações nominais . PIB real do ano de 2010 e taxa de crescimento real. atividades informais e etc. e vende o pão a um engenheiro por $6. Qual o maior: o PNB ou o PIB? Comente. (fonte: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD) Levando em consideração essa assertiva. 3. 4. e depois vende a farinha a um padeiro por $3. Considere uma economia que produz e consome pão e automóveis. Dados em bilhões de R$: . Considerando a citação acima.000. 5. Observe a seguinte passagem: “Transformar crescimento econômico em bem-estar para todos é o grande desafio enfrentado pelos diversos países e suas comunidades.000 Ano 2010 Preço ($) 70.000 Automóveis Pão a) Tomando 2000 como ano-base. responda: a) Costuma-se fazer uma distinção entre “crescimento” e “desenvolvimento” econômico. No Brasil.Questão da economia subterrânea: atividades gerais do cotidiano. Qual é a diferença entre Produto Nacional Bruto (PNB) e Produto Interno Bruto (PIB)? Explique. a renda enviada (RE) supera a renda recebida (RR) do exterior. O que representa o PIB e o PIB per capita de uma economia? 2.00 Quantidade 130 410.

Uma economia hipotética apresentou os seguintes resultados para o PIB nominal: Ano 1990 Ano 1995 PIB nominal (R$) 1.Renda enviada ao exterior 07 Pede-se: a) PIBpm = 870+ Ti-Suib = 870 + 100 – 10= 960 b) PNBpm = PIB + RLE = 960 + (-5) = 955 c) PNLcf = 955 – d – Ti + sub = 955 – 25 – 100 + 10 = 840 d)RPD = 840 – Td + Tr = 840 – 80 +40 = 800 5.000 O Índice de Laspeyres.70 . Pergunta-se: qual é a taxa de crescimento real do PIB no período? Explique.000 1. tendo 1990 como ano-base.Renda recebida exterior 02 .520. foi de 120.000. .000.980.Depreciação ativos fixos 25 .

. na Inglaterra. o custo de produção de tecidos em Portugal é maior que o da produção de vinho. o custo da produção de vinho é maior que o da produção de tecidos. a partir da qual concretiza-se o processo de troca entre eles. um exemplo numérico. como a diversidade de condições de produção (a Noruega dificilmente produzirá bananas). ou a possibilidade de redução de custos (a obtenção de economias de escala) na produção de determinado bem comercializado em um mercado global. Implicitamente. existem 2 países (Inglaterra e Portugal). conforme o quadro: QUANTIDADE DE HOMENS/HORA PARA A PRODUÇÃO DE UMA UNIDADE DE MERCADORIA Tecido Vinho Inglaterra 100 120 Portugal 90 80 Em termos absolutos. dois produtos (tecido e vinho) e apenas um fator de produção (mão-de-obra). Desse modo. esse mesmo país deverá importar aqueles bens cuja produção implicar custo relativamente maior (cuja produção é relativamente menos eficiente). relativos à taxa de câmbio. a mercadoria a ser exportada. 1. TEORIAS DO COMÉRCIO INTERNACIONAL O que leva os países a comercializarem entre si? Muitas explicações podem ser levantadas. ou a teoria do comércio internacional. Portugal tem vantagem relativa na produção de vinho e a Inglaterra na produção de tecido. obtém-se a produção dos bens mencionados. e os aspectos macroeconômicos. Portugal é mais produtivo na produção de ambas as mercadorias. entretanto. aos termos de troca e ao balanço de pagamentos.71 CAPÍTULO 6 – A ECONOMIA NACIONAL E AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS O Que veremos? Teoria das trocas internacionais Taxa de Câmbio Balanço de Pagamentos Instrumentos de Ajuste dos Fluxos Externos Organismos Internacionais FUNDAMENTOS DE ECONOMIA INTERNACIONAL Dentro da Economia Internacional. Uma característica importante desse modelo é a inexistência de mobilidade internacional da mão-de-obra. Comparativamente. O princípio das vantagens comparativas sugere que cada país deva se especializar na produção daquela mercadoria em que é relativamente mais eficiente (ou que tenha um custo relativamente menor). costuma-se dividir as questões teóricas em dois grandes blocos: os aspectos microeconômicos. Ricardo considera um ambiente de concorrência perfeita. Relativamente. Essa será. os dois países obtêm benefícios ao especializar-se na produção da mercadoria em que possuem vantagem comparativa. Através de coeficientes técnicos fixos de produção. No seu modelo. Por outro lado. explica-se a especialização dos países na produção de bens diferentes. Segundo Ricardo. Os economistas clássicos forneceram a explicação teórica básica para o comércio internacional através do princípio das vantagens comparativas. portanto. tanto em relação aos produtos como no que concerne ao mercado de fatores. A teoria clássica do comércio internacional A Teoria das Vantagens Comparativas foi formulada de modo bastante simples por David Ricardo.

estabelecido a partir do lado da oferta dos países. Sem comércio internacional. poderá utilizar apenas 100 horas de trabalho. poderia usar apenas 80 produzindo uma unidade de vinho e trocá-la no mercado internacional por uma unidade de tecido. que existem trocas internacionais. Critica-se o modelo por não fazer maiores considerações sobre a demanda e a estrutura de gostos e preferências dos agentes. Resume-se a considerações estáticas. A teoria desenvolvida por Ricardo — base do modelo clássico de comércio internacional — constitui forte argumento em favor do comércio internacional e contra medidas protecionistas.2 unidades de tecido (120/100). que se especializará em tal produção e passará a importar tecidos. pode-se concluir que a nação se beneficia com o comércio. É a partir de diferenças tecnológicas relativas. Os benefícios da especialização e do comércio podem ser observados ao se comparar uma situação sem e com comércio internacional. O mesmo raciocínio vale para Portugal: em vez de gastar 90 horas produzindo uma unidade de tecido. bem como da relação de preço entre os produtos negociados no mercado internacional.89 unidades de tecido (80/90). Alguns críticos também apontam para as difuldades que existem em se tecer comentários sobre o impacto do comércio na distribuição de renda dentro de um país. portanto. ou se há grupos prejudicados. também economizando 10 horas de trabalho. ambos os países sairão beneficiados. Porém. a Inglaterra deverá se especializar na produção de tecidos. produzir uma unidade de tecido e trocá-la por uma unidade de vinho. por exemplo. por apontar os benefícios desse comércio. e importando o outro bem. mostrou-se bastante irrealista e incômoda para muitos teóricos. se a relação de troca entre o vinho e o tecido for de uma para uma. na Inglaterra são necessárias 100 horas de trabalho para a produção de uma unidade de tecido e 120 horas para a produção de uma unidade de vinho. obtendo maior nível de consumo. A suposição do modelo clássico. Assim. e Portugal poderá comprar mais que 0. Se houver comércio entre os países. não dando atenção à evolução das estruturas de oferta e demanda. 20 horas de trabalho que poderiam ser utilizadas produzindo mais tecidos. que procuraram incorporar também o capital na função de produção dos países.2 unidades de tecido. a Inglaterra poderá importar uma unidade de vinho por um preço inferior a 1. em autarquia (produzindo e consumindo sem comércio internacional).72 exportando-a. tal teoria possui pressupostos bastante restritivos. Deste modo. mas não se explicita quem se beneficia dentro do país. de que há apenas um fator de produção operando a partir de coeficientes técnicos fixos. poupando. Desse modo. Com o comércio com Portugal. em Portugal essa unidade de vinho custa 0. um país poderá economizar tais recursos através do comércio internacional. Assim. gastará 120 horas de trabalho para obter uma unidade de vinho. A Inglaterra. A partir da teoria clássica do comércio internacional. exportando-os e importando vinho de Portugal. Por outro lado. supondo uma dada quantidade de recursos. Não importa aqui o fato de que um país possa ter vantagem absoluta em ambas as linhas de produção. Também fornece uma explicação para o padrão do comércio internacional. as quais se manifestam em produtividades do trabalho ou coeficientes de produção diferentes.89 unidades de tecido vendendo seu vinho. Os países exportarão e se especializarão na produção dos bens cujo custo for comparativamente menor em relação aos demais países. . uma unidade de vinho deve custar 1.

um país com oferta abundante de capital considerará relativamente mais barato produzir bens cuja produção necessite mais intensamente do fator capital e. terá vantagem em exportá-lo. surgiu uma série de novas explicações para o comércio internacional. que agora passam a ser tanto a mão-de-obra quanto o capital. importando bens que necessitem de muita mão-de-obra na sua produção. enquanto a teoria moderna pressupõe uma mesma função de produção para os países envolvidos no comércio internacional. que modificou a explicação concernente à origem das vantagens comparativas. começou a ser constituída a teoria moderna do comércio internacional. exportadores de matérias-primas. portanto. Do mesmo modo. Os países. Essas razões mostram uma tendência à deterioração que resultava em ganhos assimétricos de comércio exterior. O que varia no modelo moderno é a dotação de fatores: há os países ricos (abundantes em capital) que exportam bens de capital intensivos. A teoria moderna do comércio internacional A idéia básica por trás da teoria moderna do comércio internacional é a de que os países diferem quanto à dotação relativa de fatores de produção. A diferença básica entre a teoria clássica e a moderna é que. e os países pobres (com uma relação capital-trabalho baixa). O modelo moderno básico é o chamado modelo de Heckscher-Ohlin. diante de evidências de que os ganhos do comércio exterior não se dividiam igualmente entre os países industrializados de alta renda. ressaltando-se novamente as vantagens do livre comércio. A nova teoria do comércio internacional A partir das críticas e dos problemas empíricos relativos ao modelo Heckscher-Ohlin. de modo que a estrutura tecnológica é a mesma para todos os países. Um país com oferta abundante de mão-de-obra em relação ao capital produzirá preferencialmente bens que utilizam na sua produção relativamente mais mão-de-obra e também deverá exportar esse bem. A corrente estruturalista estava baseada em bases empíricas que evidenciavam a deterioração das relações de troca entre o centro e a periferia – entre os países produtores de bens primários e os países produtores de manufaturas de alto valor adicionado. As vantagens do comércio continuam existindo: há ganho real de renda quando o país passa da autarquia para uma situação de comércio internacional. Também a teoria moderna recebeu críticas em função de seu caráter estático e de suas premissas por demais restritivas. ii) baixa elasticidade-renda da maior parte dos produtos primários. a hipótese clássica é oposta: as tecnologias (os coeficientes técnicos de produção) diferenciadas são cruciais para explicar as diferenças de custo e o padrão de comércio. que exportam bens mão-de-obra intensivos.73 Assim. dadas as contribuições desses dois economistas. segundo o modelo Heckscher-Ohlin. Os pontos de sustentação da crítica estruturalista foram: i) baixa elasticidade-preço dos produtos primários. geralmente tendem a exportar produtos que utilizam intensivamente o fator de produção relativamente mais abundante no país e importam a mercadoria que utiliza intensivamente o fator de produção menos abundante. iii) retração da procura de inúmeras matérias-primas de exportações e iv) baixo valor adicionado dos produtos primários de exportação. e os países de baixa renda. exportadores de manufaturados. Os novos modelos não . A teoria Estruturalista Esta visão criticou o pressuposto das vantagens bilaterais simétricas.

que passariam também a exportálo. Quando. além do comércio preconizado pela teoria de Heckscher-Ohlin entre países ricos e pobres. por uma forte padronização. As explicações relativas a esse comércio podem vir de duas hipóteses: a) pode-se atribuir tal padrão de comércio à existência de economias de escala. onde conseguem introduzir inovações em função da qualificação da sua mão-de-obra. Decorrentes mais de atributos construídos do que de vantagens definidas por dotações naturais. A produção atende inicialmente o mercado doméstico e depois se destina à exportação. A produção desse bem passa. A TAXA DE CÂMBIO E O MERCADO CAMBIAL Uma importante diferença do comércio internacional em relação ao comércio doméstico é que este último se realiza com uma mesma moeda nacional. no que se refere às suas dotações de fatores e seus gostos. no comércio internacional. dos recursos investidos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) e da estrutura de demanda que possuem. Basicamente quanto mais parecida a demanda dos países (quanto mais próximo o nível de desenvolvimento dos países). porém. a compra e venda de mercadorias se faz com o real. que é menos conhecido e controlável. um brasileiro adquire um produto alemão (importa). Do mesmo modo. dólares ou marcos. De modo geral. a economias de escala e a estruturas de mercado não concorrenciais. Dentro do Brasil. Teorias mais modernas centram-se nos fatores de competitividade das nações. desenvolvida por Raymond Vernon. Países desenvolvidos têm vantagens comparativas onde são pioneiros. em função do risco associado a esse mercado. Com a difusão da demanda por tal produto internacionalmente. Existe. Mesmo países idênticos. as recentes análises constatam que. pois os países tenderão a produzir bens que mais facilmente atendam a demanda de potenciais importadores. o comércio intraindustrial. o vendedor alemão quer receber em marcos alemães. verifica-se também um comércio intenso entre países com igual dotação de recursos e a crescente troca de produtos razoavelmente parecidos. Nesse momento. 2. mais fácil e maior é o comércio entre eles. Desse modo. impostos. porém percebe-se nessas teorias certa recuperação de idéias protecionistas. a fim de explicar esse comércio intraindustrial. a explicação embasada na idéia de ciclo do produto. matéria-prima) em reais e não em liras. De modo geral. b) existem teorias que procuram enfatizar o lado da demanda. sua produção pode mudar de país e situar-se em países menos desenvolvidos. o comércio internacional introduz um novo elemento: a taxa de câmbio. em função da introdução de problemas relacionados à incerteza. ao longo do tempo. ainda. o país inovador passará a exportá-lo. . evitando-se produzir para exportação produtos pouco consumidos internamente. fazendo com que a importância da qualificação da mão-de-obra e dos recursos alocados em P&D para a sua produção desapareça. existe a necessidade da conversão entre diferentes moedas. o livre comércio continua mostrando-se estaticamente a melhor situação. Os rendimentos crescentes de escala são mais uma fonte de ganhos para o comércio. podem ganhar com o comércio entre eles. pois ele tem seus custos (salários. As mercadorias a serem exportadas são preferencialmente aquelas já produzidas para atender o próprio mercado doméstico. quando um brasileiro exporta para a Itália desejará receber o valor das exportações em real e não em liras.74 têm a mesma consistência teórica dos modelos clássico e moderno e ainda devem ser melhor testados. Deve atingir países com estrutura de demanda parecida e a concorrência entre os países é exercida a partir de um processo de diferenciação do produto. enquanto que. Esse comércio não se realiza em condições de concorrência perfeita e não se garante que esses ganhos sejam distribuídos proporcionalmente entre os países comerciantes.

Por outro lado. por exemplo. Desse modo. há agentes que oferecem dólares e procuram reais: os exportadores brasileiros. Assim.05 francos suíços para se obter uma libra inglesa. ela é expressa como a quantidade de moeda estrangeira necessária para comprar uma unidade de moeda nacional (no exemplo. Também em outubro de 1994.17 dólares norte-americanos. Através das taxas de câmbio. As taxas de câmbio são basicamente determinadas através do mercado cambial. aqueles (agentes privados ou públicos) que demandam determinada moeda. os tomadores de empréstimo no exterior. no exemplo). com outras moedas (francos. O mercado cambial é aquele onde as moedas dos diferentes países são transacionadas. isso se realiza.85 reais para 1 dólar). Este mercado é formado por compradores e vendedores (importadores e exportadores). por exemplo. os agentes que necessitam de dólares para saldar dívidas contraídas anteriormente. também em relação ao dólar e às diversas moedas nacionais. com os quais compra a mercadoria desejada. No Brasil. cada um (1) dólar valia 0. as transações entre o Banco Central e bancos privados no mesmo país. Se a mercadoria custa 100 marcos alemães. As oscilações na demanda e na oferta de determinada moeda devem conduzir a modificações no equilíbrio desse mercado (taxa de câmbio e quantidade de moeda transacionada). Da mesma forma. Deve-se tomar cuidado com a forma pela qual a taxa de câmbio está expressa.85. que a taxa de câmbio do real (moeda nacional brasileira) em relação ao dólar norte-americano (moeda nacional dos EUA) era. em outubro de 1994. de aproximadamente 0. Outra definição: é o preço de uma unidade de moeda estrangeira em moeda nacional. torna-se possível realizar as transações entre os países. Um mercado cambial supõe. que é o inverso de 0.17 US$/R$. Neste mercado. portanto. 0. trocaria 55 reais por 100 marcos. ou seja. que desejam remeter lucros para a matriz. eram necessários 2. a taxa de câmbio entre o franco suíço e a libra inglesa era de 2. marcos etc.55 R$/DM.85 reais. há as ofertas e as demandas pelas moedas. . é a taxa pela qual duas moedas de países diferentes podem ser trocadas (cambiadas).85 R$/US$. No Brasil. por um lado. Em tese. A partir desses agentes. então seria 1.05 SF/£. as empresas norte-americanas atuando no Brasil. o equilíbrio entre a oferta e a demanda das diferentes moedas nacionais estabelece as taxas de câmbio. os turistas que trazem dólar para o Brasil. costuma-se expressar a taxa de câmbio como sendo a quantidade de moeda nacional necessária para comprar uma unidade de moeda estrangeira (no exemplo. que são os preços relativos entre as moedas nacionais. A cotação de real em dólar também poderia ser expressa como sendo de aproximadamente 1. as transações entre bancos privados de diferentes países e as transações entre bancos centrais de diferentes países. os turistas que viajam para os Estados Unidos etc. Temos. a realização de diferentes transações: as transações entre bancos privados e clientes no mesmo país. bancos e corretores autorizados pelas autoridades monetárias.17 doláres para 1 real).) e no resto do mundo. com um real poder-se-ia obter 1. o importador brasileiro troca reais por marcos alemães pela taxa de câmbio (0. Assim temos. temos a demanda brasileira por dólar. assim como as quantidades de moedas nacionais transacionadas. ou seja. no Brasil. ou seja. Ao mesmo tempo. Em outros países. os estrangeiros que querem investir no Brasil. compõe-se a demanda e a oferta por dólares e reais.75 Taxa de câmbio é o valor que uma moeda nacional possui em termos de outra moeda estrangeira. ou seja. temos os importadores de mercadorias norteamericanas que necessitam de dólares. esses agentes também estão oferecendo reais no mercado cambial.

com aumento de saídas de divisas e consequente déficit. é bastante comum a apresentação de balanços trimestrais e até de contas mensais. pode-se avaliar a situação econômica internacional do país. No caso das transações de comércio exterior a oferta e procura de divisas estrangeiras representam o movimento das operações exportação e importações efetuadas. empréstimos. Esses aumentos fazem com que a taxa de câmbio se modifique. BALANÇO DE PAGAMENTOS O Balanço de Pagamentos de um país é um resumo contábil das transações econômicas que esse país faz com o resto do mundo.1. com altas taxas cambiais.76 Assim. As exportações. Assim. adota-se a idéia das partidas dobradas. o Balanço de Pagamentos é elaborado pelo Banco Central a partir dos registros das transações efetuadas entre residentes no País e residentes em outras nações. 4) Banda Cambial: o Banco Central fixa os limites inferiores e superiores da cotação cambial. durante um certo período de tempo. São as forças de mercado (oferta e demanda) que determinam a taxa de câmbio. conforme dito acima. Formação das Taxas de cambiais – Regimes Cambiais Taxa cambial é a relação de preço existente entre a moeda nacional e determinada moeda estrangeira. A periodicidade em geral é de um ano (seguindo o ano civil do país). podemos entender a formação das taxas cambiais de acordo com o referido princípio basilar econômico. ou seja . as importações são débitos. portanto superávit. 2. No Brasil. elevará ou reduzirá as taxas cambiais. desvalorizando-se a moeda nacional em relação às moedas estrangeiras. Suas intervenções são aleatórias e tem como objetivo conter especulações no mercado. haverá redução no saldo de exportações e aumento no saldo de importações. 3) Câmbio Flutuante (flutuação suja. Ocorrendo variação para baixo nas taxas cambiais. e uma desvalorização quando seu poder de compra cai. conforme exemplos indicados a seguir: . por exemplo. teremos aumento da entrada de divisas estrangeiras e. que. Entendendo como fundamento básico na variação das taxas cambiais a oferta e procura de divisas estrangeiras. que possibilitam um melhor acompanhamento da evolução da situação econômica internacional do país. quando o poder de compra desta em relação às demais cresce. Porém. Quem determina a taxa efetiva é o mercado (oferta e demanda) 3. A partir desse balanço. A taxa cambial está relacionada com o movimento do saldo do balanço de pagamentos do país. pode-se considerar que toda entrada de divisas corresponde a um crédito e toda saída a um débito. remessas e entrada de capital. são créditos. Inversamente. Na contabilização destes registros. O preço do real em relação ao dólar deve crescer e a quantidade de reais que se compra com um dólar deve ser menor. Principais Regimes Cambiais 1) Câmbio Fixo: o Banco Central fixa a taxa de câmbio e realiza todas as intervenções no mercado que sejam necessárias para manter a taxa estabelecida. De modo geral. por exemplo. aumento dos investimentos norte-americanos no Brasil significa aumento na oferta de dólares e também um aumento na demanda por reais. assim como os juros pagos ao exterior. define-se uma valorização da moeda nacional. valorizando o real e desvalorizando o dólar.dirty floating): o Banco Central não interfere (ex-ante) na fixação da taxa. 2) Câmbio Flutuante (flutuação limpa): o Banco Central não interfere na determinação da taxa de câmbio. Toda transação que cria um direito constitui um crédito.

2.2. Investimentos B. Balança de Capitais B. Transações Compensatórias D.3. A forma mais usual é a que segue: Balanço de Pagamentos . são consideradas as mais importantes do Balanço de Pagamentos. Reinvestimentos B. Se tal conta for deficitária.2. Atrasados Comerciais A seguir.1.4.2.2. Erros e Omissões Saldo do Balanço de Pagamentos (A + B + C) D. Rendas de Capital (lucros e juros) A. por isso.2 Importações A. Balança Comercial A. Balança de Transações Correntes A. o país estará recebendo recursos que podem ser utilizados para pagar compromissos assumidos anteriormente (diminuição do endividamento externo).4.3. .3.1. Viagens Internacionais e Turismo A. de contrair empréstimos no exterior (aumentando o endividamento do país) ou de reduzir as reservas de divisas internacionais.1. Diversos A. são verificadas cada uma das contas acima: A.1 Exportações A.2. Amortizações C.2.77 Débitos: Importações de Bens e Serviços Pagamentos de doações e indenizações Pagamentos de capital emprestado Reembolsos de capital a estrangeiros Compras de ativos de estrangeiros Créditos: Exportações de Bens e Serviços Recebimentos de doações e indenizações Recebimentos de empréstimos Recebimento de reembolso de capital Vendas de ativos para estrangeiros Várias são as maneiras de se apresentar um Balanço de Pagamentos.5.1.3. o país necessita de buscar investimentos no estrangeiro (aumentando o controle de estrangeiros sobre emprendimentos no país). Operações de Regularização D. Empréstimos a Curto Prazo B.1.1. A. Tranferências Unilaterais B. Empréstimos e Financiamento de Longo e Médio Prazo B. As transações dessa balança são as que afetam diretamente a renda nacional e. Transportes e Seguros A. Balança de Serviços (Invisíveis) A. Se essa conta for superavitária.Ano 19xx. Balança de Transações Correntes — procura resumir a diferença entre o total das exportações e das importações tanto de mercadorias como de serviços. sendo também incluído o saldo de Transferências Unilaterais do período. Variação de Reservas (haveres no exterior) D.2. para investimento do país no exterior (aumento do controle do país sobre empreendimentos no exterior) ou para aumentar as reservas do país.País A .

Se as exportações forem maiores que as importações. . Durante a década de 80. Na década de 80. Existem as exportações e importações FOB (free on broad). utiliza-se as exportações e importações FOB. Estão incluídos os juros pagos ao exterior por empréstimos ou financiamentos recebidos de não-residentes (e os juros recebidos do exterior por empréstimos ou financiamentos concedidos por residentes) em um momento anterior. também devem ser contabilizados como débito nessa conta. onde se inclui no valor das mercadorias. Viagens Internacionais e Turismo — representam o saldo das receitas e despesas de turistas.1. a balança comercial do país será superavitária. já que as despesas com seguros e fretes estão incluídas na balança de serviços. onde as despesas incluídas no valor das mercadorias são as incorridas até o embarque da mercadoria.2. No caso brasileiro. A. será deficitária. insurance and freight). Balança Comercial — inclui basicamente as exportações e as importações de mercadorias. a Balança de Transações Correntes foi praticamente identificada com a Balança Comercial. filmes.2. Com a implementação do Plano Real. consumindo grande parte do superavit da balança comercial.1. Possui uma série de subcontas. A Balança de Serviços brasileira sempre mostrou-se deficitária. cenário que deve ser mantido por mais alguns anos. observou-se uma reversão neste quadro com o surgimento de superavits significativos. caso não haja alteração significativa na condução da política econômica. Balança de Serviços — representa as negociações internacionais dos chamados bens invisíveis e os rendimentos de investimentos. a Balança de Transações Correntes passou a ser assim decomposta: A. raiz da crise da dívida externa. assistência técnica. Com a crescente importância dos serviços e dos rendimentos de capital (pagamentos de juros e remessas de lucros). Transportes e Seguros — são o saldo das receitas e despesas efetuadas com fretes e prêmios de seguros. Também estão incluídos os lucros remetidos por empresas nacionais no exterior (crédito) e os lucros das empresas estrangeiras no país (débito).2. A. A. Diversos — incluem o saldo de diversas transações como: dispêndios efetuados com representações diplomáticas no exterior (e as transferências dos demais países para os gastos de suas representações diplomáticas no país). os juros enviados situaram-se em torno de US$ 10 bilhões anuais. especialmente a partir de 1983. quando ocorreu o primeiro choque do petróleo e caíram os termos de troca. recebimentos e pagamentos referentes a royaltes.2.4. Para efeito de Balanço de Pagamentos.78 Por muito tempo. além de seu custo. que não foram remetidos. Os lucros de empresas estrangeiras.2. comissões. essa conta mostrou-se deficitária nos anos 70. No final dos anos 70 e início dos anos 80. A. Existem pelo menos duas maneiras de se contabilizar o valor das exportações e importações. se ocorrer o contrário. dentre as quais destacam-se: A. o frete e o seguro do seu transporte até o destino. o deficit cresceu substancialmente em decorrência dos juros pagos ao exterior. Rendas de Capital — são rendas referentes aos rendimentos de capital auferidos ou pagos pelo país. aluguel de equipamentos.3. e as exportações e importações CIF (cost. a balança comercial passou novamente a apresentar saldos negativos. patentes.2. com destaque para 1974. na rubrica (re)investimentos de estrangeiros no Brasil. porém esses lucros são considerados reinvestidos e significarão também uma entrada (crédito) na balança de capital.

Empréstimos de Curto Prazo — registram os empréstimos recebidos do exterior e concedidos para outros países. D. Amortizações — onde registram-se os pagamentos do principal. e os pagamentos do principal feitos por não-residentes.2. quando a soma for negativa. assim como os investimentos feitos por nãoresidentes no país. porém com sinal contrário.1. Na verdade. referentes a empréstimos e financiamentos tomados no exterior. B. Os principais itens dessa última rubrica são: D. a fim de cobrir os erros estatísticos cometidos e as transações não registradas. haverá uma entrada de divisas. em caso de o balanço ser positivo (indicando a entrada de recursos). organismos internacionais etc. indicada por um débito. como para empresas e indivíduos.3. Assim. ou seja. esse item entra no balanço de pagamento. (crédito/débito).4. recorre-se a empréstimos destas instituições com o objetivo de cobri-lo. sejam esses investimentos diretos ou de carteira. referentes a empréstimos e financiamentos concedidos pelo país ao exterior. c) doações de governos. B. . B.1. B. a conta de Transações Compensatórias será devedora. um deficit no balanço poderá ser coberto por uma saída de divisas ou de ouro do país. Operações de Regularização — são operações realizadas com instituições internacionais. Reinvestimentos de empresas multinacionais já instaladas no país que reinvestem parte do lucro. inúmeras contas são registradas com valores estimados. há uma variação negativa no volume de reservas.79 A.2.5. além dos financiamentos obtidos na cobertura de importações e concedidos quando das exportações. Movimento de Capitais — agrupa as contas que representam modificações nos direitos e obrigações de residentes no país para com não-residentes. o que impede a equivalência perfeita entre os créditos e os débitos (mesmo levando-se em consideração as transações compensatórias). C. indicada por uma conta credora no item variação de reservas. sendo superavit quando a soma for positiva e deficit. De modo geral. Transferências Unilaterais — referem-se a pagamentos sem contrapartida de um país para outro: a) remesssas feitas por não-residentes no Brasil ao seu país de origem (débito). Desse modo. tanto para governos.3. quando há deficit no balanço de pagamentos. como o FMI. Variação de Reservas — registra a variação nos haveres em moeda estrangeira e ouro possuídos em reserva pelo país. Somados todos os saldos das contas mencionadas (A + B + C) obtem-se o Resultado do Balanço de Pagamentos. Ao contrário — quando o balanço for deficitário — essa conta será credora. Erros e Omissões — essa conta surge em função de equívocos existentes no registro das operações do país com o exterior. Investimentos — referem-se ao capital de residentes no país aplicados no exterior. Se o balanço for superavitário. Desse modo. um aumento das reservas. b) recebimentos de residentes fora do País (crédito). de modo a equalizar os débitos e créditos no balanço. D. Transações Compensatórias — ao somatório de A + B + C corresponderá um valor igual nessa conta. Essa rubrica do balanço de pagamentos inclui: B. Empréstimos e Financiamentos de Longo e Médio Prazos e B.

de acordo com a teoria econômica convencional. 2. d) as exportações elevam a eficiência econômica.Controle das operações cambais Outros Instrumentos: . . Movimentos de Capitais Autônomos: 200.3. d) Quando o valor das exportações supera o das importações dizemos que há uma balança comercial ativa. Quando um país necessita aumentar o volume de exportações de determinado produto para importar a mesma quantidade de bens em relação a outro país.80 D.Imposição de tarifas alfandegárias de proteção. da divisa estrangeira correspondente: a) par. Relação entre o valor de duas unidades monetárias. 5. Questões conceituais: 1. . c) Balança Comercial registra o movimento de exportações e importações de mercadorias.Fixação de quotas setoriais de comércio. b) quando as exportações são superiores às importações a economia apresenta um superávit comercial. Para uma economia hipotética A são dados (em US$ milhões): Balança comercial: 100. e) Quando o valor das importações supera o das exportações há uma balança passiva. No que se refere especificamente as exportações é falso afirmar que: a) a desvalorização da moeda nacional e o incremento da renda internacional elevam as exportações. Assinale a alternativa incorreta: a) As transações correntes englobam os fluxos reais de bens e serviços e os pagamentos correspondentes às receitas e despesas realizadas.Imposição de proteção não tarifárias.30. indicando o preço. 4. em termos monetários nacionais. Erros e Omissões: 0. b) As transações de capital englobam os créditos e débitos resultantes de todas as transações comerciais realizadas.metálico b) gold-points c) pontos de compensação d) relação de troca e) taxa de câmbio .Administração da taxa de câmbio . Transferências Unilaterais: . Qual o saldo em transações correntes. c) quanto maior as exportações menor o produto da economia. pode-se dizer que: a) há um incremento nas suas relações de troca b) há estabilidade nos seus termos de troca c) ocorreu aumento nos termos de troca entre eles d) há uma deterioração nos termos de troca e) os termos de troca nunca variam 3. Atrasados Comerciais — dizem respeito aos empréstimos que não foram pagos na data de vencimento. Balança de Serviços: 10. e) quanto maior as exportações maior o produto de uma economia. 4. INSTRUMENTOS DE AJUSTE DO BP Instrumentos Cambiais: .

h) Uma companhia aérea norte-americana realiza uma compra à vista de aviões brasileiros no valor de US$ 150 milhões. f) O Brasil paga ao exterior US$ 50 milhões em fretes. Além disso.São dados para uma economia hipotética os seguintes dados do Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) a) exportação de mercadorias: 5. US$ 80 milhões. sob a forma de investimento de curto prazo. ingressam no país. US$ 70 milhões em forma de bens de capital. d) o saldo total do balanço de pagamentos. 3 – Admita que as seguintes operações foram realizadas entre o Brasil e o exterior em um dado período: a) Um grupo japonês realiza investimento de US$ 500 milhões em razão da privatização da Vale do Rio Doce.81 6. pagando à vista. Atualmente o regime cambial é de: a) Flutuação limpa. o país exporta. referentes a serviços de hospedagem de turistas brasileiros. b) Banda cambial explícita c) Câmbio fixo d) Câmbio flutuante com intervenção e) Câmbio flutuante sem intervenção Questões aplicadas: 1. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. d) Uma montadora francesa de automóveis investe US$ 100 milhões na construção de uma fábrica no Paraná. viii. em moeda estrangeira. i) Uma indústria brasileira de autopeças importa maquinário da Alemanha no valor de US$ 60 milhões. iv. ingressam no país. sob a forma de investimento direto. vi. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros. Com base nestas operações.000 l) empréstimos recebidos do exterior: 1. Com base nessas informações: a) Monte o BP. e) O Brasil importa. c) o saldo na balança em transações correntes.000 j) juros pagos: 500 k) investimento estrangeiro direto no país: 1.000 b) importação de mercadorias: 6. b) Companhias estrangeiras instaladas no Brasil remetem lucros de US$ 50 milhões ao exterior. pagando à vista.000 c) donativos recebidos: 100 d) donativos enviados: 50 e) fretes pagos: 100 f) fretes recebidos: 50 i) amortizações pagas: 1. b) o saldo da balança de serviços. US$ 180 milhões em automóveis coreanos. . financiados a longo prazo por um banco alemão. c) Uma agência de turismo brasileira efetua pagamentos a uma cadeia de hotéis norte-americana no valor de US$ 20 milhões. explique se a atual forma de financiamento do saldo das transações correntes será prejudicial para o comportamento futuro do BP. 2. A recente crise financeira que se instalou no Brasil é fruto de sérios problemas externos e teve como consequência a alteração do regime cambial (janeiro/1999). mercadorias no valor de US$ 100 milhões. g) O Banco Central obtém empréstimo junto a um banco norte-americano a fim de financiar o pagamento de juros vincendos no valor de US$ 80 milhões.Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares): i. vii. iii. v. ii. o país paga ao exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. o país importa. mercadorias no valor de US$ 110 milhões.000 m) remessa de lucros e dividendos: 500 Com estas informações elabore o Balanço de Pagamentos da economia hipotética. o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. recebendo à vista. construa o balanço de pagamentos e determine e interprete: a) o saldo da balança comercial.

82 b) Encontre o saldo da balança comercial.3.1.256 -7. Solange Marin a partir de dados do Banco Central do Brasil 1998 -6.2.416 29. 1998 e 2005.193 -9. o saldo em transações correntes. Questões retiradas de concursos para Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF).414 Saldo em Transações Correntes -1.113 3.970 2005 44.558 14.K). Considere os seguintes resultados do BP brasileiro para os anos de 1994. Erros e omissões 334 Resultado do BP 7.575 -28.ANO 1998 em US$ milhões) A – Balanço de Transações Correntes A.811 B. Balança de Serviços A. Balanço Comercial (FOB) 10. Auditor Fiscal do Tesouro Nacional (AFTN) e Banco Central do Brasil (BACEN): 1) (AFRF. Balança comercial (fob) Exportação de bens Importação de bens A.593 -280 4.702 -4. b) A estrutura do BP mostra que a soma do saldo em transações correntes e do movimento de capitais deve ser igual a zero (TC + K = 0 e. Balanço em transações Correntes A. b) Qual a alternativa para o Brasil equilibrar as contas do BP? Explique. 5. Balanço de Pagamentos (em US$ milhões) Discriminação 1994 A. 1998 e 2005.748 -34.215 Fonte: Prof.2. 1996) Os déficits no balanço de pagamentos de um determinado país . Transferências unilaterais correntes TRANSAÇÕES CORRENTES (A1+A2+A3) B. 4 – Considere o balanço de pagamentos abaixo (Brasil .319 Pede-se: a) Qual a principal mudança nos resultados das contas do BP nesses diferentes anos? Explique. Erros e Omissões RESULTADO DO BP (A+B+C) Fonte: Banco Central do Brasil -6575 51140 -57714 -28299 1458 -33416 29702 320 29381 26002 -2854 28856 18125 -457 18582 -460 -14285 -4256 -7970 a) Identifique os principais problemas do balanço do pagamentos do Brasil no ano de 1998. Conta Capital e Financeira Conta capital Conta financeira Investimento direto Investimento brasileiro direto Investimento estrangeiro direto Investimentos em carteira Investimento brasileiro em carteira Investimento estrangeiro em carteira Derivativos Outros investimentos C. então. Movimento de Capitais 8.692 C. Transferência Unilateral 2. Balanço de Serviços -33.3.466 A. que TC = . Explique essa afirmação usando os resultados do BP para 1994.458 -33.079 A.299 1. o saldo da conta de capital e financeira e o resultado do balanço de pagamentos.1.

e os juros que o Brasil paga pelos empréstimos fornecidos por outras nações. entre outros. 1996) Termos de troca é uma expressão que designa: a) uma relação entre os preços pelos quais um país vende suas exportações em relação aos preços que esse país paga por suas importações. 2002) Segundo o critério de partidas dobradas. que aumentam a competitividade mas tornam o produto exportado relativamente barato. empréstimos do FMI. b) decorrem de desvalorizações cambiais. c) as condições de comércio estabelecidas entre duas nações. na outra como débito. b) lei segundo a qual os preços dos produtos tendem a permanecer estáveis ou a declinar ao longo do tempo. e) um índice que serve para medir o nível de participação de um país no comércio internacional bem como o grau de diversificação de seus produtos e parceiros. e) é realizado apenas uma vez. mas podem ocorrer. 2000) Sobre balanço de pagamentos. d) é realizado simultaneamente na conta de transações correntes e na conta de capital em uma delas como crédito. não se pode fazer a seguinte afirmativa: a) Balança de pagamento é um registro contábil de todas as transações de um país com os outros países do mundo. remetidos pelas empresas transnacionais. c) relação entre preços recebidos pelas exportações de um país e os preços pagos pelas importações. reduzindo as receitas. b) os atrasados e os empréstimos de regularização figuram na conta de “erros e omissões”. c) é realizado duas vezes na conta corrente ou na conta de capital. b) A balança de pagamento deve estar sempre em equilíbrio . enquanto o preço das manufaturas tende a crescer. etc. de déficits nas transações correntes (comércio visível e invisível). assistências técnicas. mas também dependem do nível de reservas internacionais de que dispõe este país. d) A balança de serviços inclui. em geral. reduzindo. uma vez como crédito e uma vez como débito. como débito ou crédito. . d) diferenças entre as exportações e as importações de um dado país e outros. b) é realizado apenas uma vez como crédito ou débito. 3) (AFRF. as receitas líquidas de exportações deste país. enquanto países com níveis elevados de proteção dificilmente apresentam este tipo de problema. é correto dizer que: a) as amortizações de empréstimos figuram na conta “movimento de capitais”. 4) (AFTN. o registro de toda transação internacional no balanço de pagamentos a) é realizado duas vezes. 1998) Considerando a estrutura do BP. 1998) O conceito de termos de troca refere-se à: a) relação de produtos trocados entre dois países. que incidem tanto sobre as exportações. e) Na balança de capitais são registrados o capital das firmas estrangeiras que ingressam no país sob a forma de empréstimos. 6) (BACEN. c) ocorrem como consequência da elevação das taxas de juros internacionais. O que implicará a capacidade de importar. e) são consequência da falta de proteção adequada ao mercado interno deste país. d) o padrão de comércio entre dois países em termos de reciprocidade de estrutura tarifária. especialmente no que se refere ao regime tarifário. como o Mercosul. em casos muito particulares. que se tornam relativamente mais caras para este país. Os empréstimos de outros governos para o governo brasileiro. países com baixos níveis de proteção tarifária apresentam-se deficitários. de acordo com a natureza da operação. Por esta razão. em uma das contas do balanço de pagamentos. b) forma contratual de comércio utilizada em sistemas regionais. c) A balança comercial e a balança de serviços formam a “balança de transações correntes”. 5) (AFTN. serviço de transporte (fretes). d) decorrem. quanto sobre as importações. em função de fluxos inesperados nas contas de transferências e /ou de capitais deste país. 2) (AFRF.83 a) decorrem fundamentalmente de déficits comerciais. assim. lucros e royalties. para os vários grupos de produtos.

o país recebe de residentes no exterior um total de US$ 25 milhões. -65. as empresas estrangeiras instaladas no país reinvestem US$ 5 milhões nesse país. sob a forma de investimento direto. mercadorias no valor de US$ 110 milhões III. . -50. o país importa. +40. . e) + 80. US$ 80 milhões V. o saldo do balanço de pagamento em conta corrente e o saldo total do balanço de pagamentos são. -115. a) –80. + 35 b) –10. -60. US$ 70 milhões em forma de bens de capital IV. +320. -65. ingressam no país. o país exporta. recebendo à vista. 7) (BACEN. em moeda estrangeira. d) o pagamento de seguros. ingressam no país. +110. pode-se afirmar que o saldo do balanço comercial. mercadorias no valor de US$100 milhões II.120. o país paga ao exterior US$ 50 milhões sob a forma de juros e lucros VI. +165. apesar de serem contabilizadas pelo Banco Central para fins de controle de entrada de recursos no país. o país paga para o exterior US$ 10 milhões sob a forma de fretes. o saldo do balanço de serviços. +60. +105. -60. do balanço de serviços e dos movimentos de capitais autônomos. e) o saldo do balanço de pagamentos em conta corrente é igual ao saldo do balanço comercial. pagando à vista. 1998) Considere as seguintes operações realizadas entre residentes e não residentes num determinado ano (em milhões de dólares) I. VII. c) –10. sob a forma de investimentos de curto prazo. VIII. -45. os juros e os lucros fazem parte dos movimentos de entrada de recursos no país.84 c) as transferências unilaterais não figuram na estrutura do balanço de pagamentos. respectivamente: a) –80. Com base nestas operações.

Já ao final da II Guerra Mundial. As moedas nacionais emitidas tinham.Eliminação do déficit Os desequilíbrios do BP eram resolvidos por meio de transferências internacionais de ouro. recomendou a adoção mundial do . O mecanismo de ajuste do Balanço de Pagamentos no Padrão-Ouro: Déficit no BP .queda de preços . as paridades entre as principais moedas oscilaram de forma pronunciada. O Padrão-Ouro: conceito e mecanismo de ajuste do valor das moedas Vários autores destacam que é mais fácil determinar o período em que o padrão ouro chegou ao fim – 1914 do que a data efetiva de sua origem. O Padrão-Ouro vigorou na sua forma original até 1914. nas relações econômicas internacionais. assim como os conturbados anos do período entre guerras. Para superar essa escassez o Comitê Financeiro de Conferência de Genebra na Convenção de Gênova (1922). portanto. Na prática isso significava que um padrão-ouro estabelecia uma paridade fixa entre cada moeda e o preço do ouro.II Guerra Mundial até 1971. Isso estimulou as autoridades de diversos países a buscar a volta da estabilidade obtida nos vinte anos anteriores à guerra. que vigorou até a I Guerra Mundial e o Sistema de Bretton Woods. portanto entre as diversas moedas. no período Pós. e. mas operava plenamente em 1900. O intervalo entre as duas Guerras Mundiais Durante o período entre as Guerras Mundiais não existiu nenhum sistema monetário internacional. O que se sabe é que não existia em 1870. e o equilibro era obtido pelo impacto dos fluxos de ouro sobre o sistema econômico interno. Os principais sistemas monetários internacionais já adotados foram: O Sistema PadrãoOuro. mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. b) havia a conversibilidade das moedas em ouro. Os países adotavam taxas fixas ou flutuantes de acordo com suas conveniências. o seu valor correspondente em ouro. É importante destacar que nos anos imediatos após o fim da guerra (1919-23). provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e. início da Primeira Guerra Mundial: Nesse sistema.saída de ouro . existia: a) a unidade comum entre os países era o ouro.85 A INSTITUCIONALIDADE NO CENÁRIO INTERNACIONAL ORGANISMOS INTERNACIONAIS As grandes Guerras Mundiais. as pressões inflacionárias em quase todos os países levaram à escassez relativa de estoques de ouro. por conseguinte.saída de capital . Sistema Monetário Internacional É o conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. O Objetivo do sistema é viabilizar as transações entre países. Mas. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial: As diferentes unidades monetárias utilizadas no pagamento das trocas internacionais fizeram com que fosse necessário operacionalizar um sistema monetário internacional.

Foram criadas as quatro principais instituições econômicas do pós-guerra: o Sistema de Taxas de Câmbio de Bretton Woods. em 1931. Surgiu o sistema de câmbio-ouro (gold exchange standard). outras moedas conversíveis. Foi criada a Liga das Nações que. Em 1930. que foi extremamente importante para o reflorescimento do comércio mundial e sobre o qual se baseou o crescimento econômico do pós-guerra. embora tivesse semelhança com a atual ONU. Elas formam o aparato institucional que mantém as relações entre as diversas economias. Desta conferência nasceu um novo sistema monetário internacional. relativos aos Acordos Young. Sistema de Bretton Woods O Sistema de Bretton Woods foi definido em 1944 ao fim da II Guerra Mundial com o objetivo de determinar as regras econômicas internacionais que deveriam vigorar no pósguerra. Sua principal finalidade era promover a cooperação dos principais bancos centrais do mundo motivo por que ele é considerado Banco Central dos Bancos Centrais. Na Conferência de Bretton Woods. Mas. surgiram algumas propostas de remodelagem do sistema monetário internacional. os mecanismos de financiamento e ajustamento dos desequilíbrios dos balanços de pagamentos. provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países e.86 padrão-ouro. fez a Inglaterra sair do padrão-ouro e desvalorizar a libra esterlina. Nesse período entre as duas grandes guerras. o Banco Mundial e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). por conseguinte. Nesse sentido. infelizmente fracassou. sua relação com as diferentes moedas nacionais (o regime cambial). mostrava-se necessária a existência de um novo sistema monetário internacional. estabelecendo regras e convenções que regulem as relações monetárias e financeiras e não criem entraves ao desenvolvimento mundial. além do ouro. no qual os países adotariam como reservas monetárias. com o aumento de seu desequilíbrio externo e a saída de ouro. assim como os conturbados anos do período entre as guerras. O Sistema de Bretton Woods consagrou a gestão de taxas de câmbio chamada de . foi criado o BIS (Bank For International Settlements). define-se o ativo (moeda) de reserva internacional. que prevaleceu. quando se via no comércio mundial um importante instrumento para potencializar o desenvolvimento do mundo capitalista. com consequências sobre a liquidez e o ritmo de atividade interna. Tais eram as preocupações presentes nos últimos anos da II Guerra Mundial. devidos pela Alemanha a título de reparação de guerra. foram feitas algumas tentativas de preservar a paz mundial e auxiliar o crescimento econômico. O objetivo de um Sistema Monetário Internacional é viabilizar as transações entre os países. sua forma de controle. com sede na Basiléia. para administrar os pagamentos. A tradução de BIS é “Banco Internacional de Pagamentos”. A expressão sistema monetário internacional refere-se ao conjunto de regras e convenções que governam as relações financeiras entre os países. Já ao final da II Guerra Mundial. o grau de liberdade dos capitais privados e a institucionalidade que garantirá o funcionamento desse sistema. A referência mais importante é o retorno da Inglaterra ao padrão-ouro em 1925. O Sistema de Bretton Woods: a Reforma do Sistema Monetário Internacional As grandes Guerras Mundiais. secretário do Tesouro dos EUA. nas relações econômicas internacionais. o Fundo Monetário Internacional (FMI). Suíça. Dentre elas destacaram-se as do economista inglês John Maynard Keynes e as de Henry White.

a base dos acordos de Bretton Woods ruiria.87 padrão dólar-ouro. Essa injeção de liquidez se fazia a partir de déficits externos dos EUA. Por outro lado. Foi estabelecido o dólar como moeda internacional. quando se verificasse um desequilíbrio fundamental. sistemáticos. havia a possibilidade de se reajustar a taxa de câmbio quando uma moeda nacional apresentava uma tendência demasiadamente forte de se afastar do seu valor estabelecido em relação ao dólar. a economia e o comércio internacional prosperaram com base no dólar e nesse sistema. Os Problemas do sistema de Bretton Woods: A falta de mecanismos de ajuste adequados O sistema de Bretton Woods permitia o recurso a uma desvalorização cambial como última instância. e se os ativos em ouro norte-americanos fossem constantes (na verdade eram cadentes). se não houvesse injeção de liquidez. 3) Regime de taxa de câmbio fixa entre os países e 4) Gold exchange standard: paridades das várias moedas estabelecidas em termos de ouro ou dólares. a solução para o problema do dólar só poderia ocorrer por meio de modificações na paridade do dólar. sendo as outras moedas nacionais livremente conversíveis em dólar. por conseqüência. A questão conhecida como "Paradoxo de Triffin". era necessário o crescimento das reservas mundiais em dólares (a fim de não haver crises de liquidez internacional). Este paradoxo decorreu de um trabalho publicado por Triffin em 1960. sua sustentação era posta em xeque. o que significaria alterar a relação dólar-ouro ou abandonar o sistema das taxas fixas de câmbio. O dólar tinha uma paridade com o ouro e as demais moedas com o dólar. Os pontos essenciais de Bretton Woods: 1) O novo sistema internacional teria como ativo comum a moeda norte-americana. Assim. Se esses déficits fossem. A solução para o problema só poderia ocorrer depois que fosse sanado o déficit comercial norte-americano. e essa era a única moeda que manteria sua conversibilidade em relação ao ouro. depois de fracassados os ajustes internos possibilitados por política monetária e comercial. que procurava flexibilizar o Padrão-Ouro. Essa possibilidade de ajustamento. base do sistema monetário internacional anterior à I Guerra Mundial. a confiança na conversibilidade do dólar e. Já nos anos 50. a variação cambial deveria ser adotada na hipótese de um “desequilíbrio fundamental” nunca definido de forma clara. Esta falta de definição de uma regra básica para o ajuste entre as economias é apontada como uma das causas da falência do sistema. porém com uma contínua perda de confiança no sistema. Porém. pois a única moeda a ser conversível em ouro. 2) Os EUA ficavam obrigados a converter os dólares em ouro a uma cotação fixa (sistema de câmbio fixo em relação ao ouro e entre moedas). era a principal distinção entre o sistema de Bretton Woods e o Padrão-Ouro. Ainda assim. e era a seguinte questão: para que a expansão do comércio ocorresse. o crescimento também não ocorreria. a uma taxa de câmbio fixa (não havia limitações à mobilidade de capital). Na ausência de uma moeda universal. o que se verificou foi um forte crescimento econômico. porém. Problemas com a liquidez internacional: o “dilema de Triffin” Nas três décadas que se seguiram à II Guerra Mundial. .

o mercado duplo de ouro (1968) e as crises especulativas do final da década foram passos no caminho de destruição do sistema montado em Bretton Woods. e novamente em 1981 o valor dos DES foi redefinido como uma média ponderada das paridades do dólar. depois de 1973. ou seja. O Fim de Bretton Woods As condições de conversibilidade oficial estabelecidas originalmente no sistema de Bretton Woods esgotaram-se em agosto de 1971. apesar de ainda ser a principal reserva internacional. mas à mesma paridade do dólar. Seu fim foi decretado por Nixon em 1971. para ser uma função de uma cesta de dezesseis moedas (com predominância do dólar). baseada em taxas flutuantes de câmbio.e subsequentemente em relação à convertibilidade entre o dólar e outras moedas (as cotações deixaram de ser feitas exclusivamente em termos da paridade à moeda norte-americana). Desde então. os DES são emitidos pelo FMI e alocados entre os países-membro do Fundo na proporção de suas quotas. com a política expansionista (keynesiana) da década de 60 e os conseqüentes aumentos nos déficits público e comercial americanos. A questão se acirrou com as guerras da Coréia e do Vietnã. Mas. a desvalorização da libra (1967). a menos que haja decisão favorável nesse sentido por parte de ao menos 80% dos países do Fundo.88 A criação dos Direitos Especiais de Saque (DES) As discussões sobre a reforma do sistema monetário internacional durante a década de 60 estiveram centralizadas na idéia de tornar as reservas internacionais administráveis sob algum tipo de controle central. conhecidos internacionalmente por SDR (Special Drawing Rigths) foram a solução adotada a partir de 1967 com o propósito de elevar o estoque de reservas internacionais. enquanto outros países – sobretudo europeus – procuravam formas de evitar as facilidades encontradas pela economia norte-americana em manter posições deficitárias por longos períodos de tempo. principalmente em relação ao ien e ao marco alemão. O volume dos DES é controlado pelo FMI e não pode ser ampliado. o valor dos DES foi definido em termos de ouro. . A partir dessa época. Originalmente. que as mantivesse protegidas de fatores adversos. Os DES. iene. e o estoque inicial foi alocado entre os diversos países de acordo com suas quotas no Fundo Monetário Internacional (FMI). a partir de 1974. marco alemão. franco francês e libra esterlina.quando foi suspensa a convertibilidade do dólar em relação ao ouro . com o rompimento da conversibilidade do dólar em relação ao ouro. seguiu-se um período de forte instabilidade. a paridade inicial de um para um com o dólar foi finalmente alterada. Os Estados Unidos buscavam mecanismos para evitar variações bruscas na paridade ouro-dólar. Ou seja. cada unidade de DES equivaleria a 35 onças de ouro. perdeu importância. que. Houve uma grande desvalorização do dólar. Essas foram as motivações de longo prazo subjacentes à criação dos Direitos Especiais de Saque (DES).

GrãBretanha e França. isto é. Fundo monetário internacional O Fundo Monetário Internacional foi criado com os objetivos de: a) evitar possíveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade financeira. O FMI não concede empréstimos. O crédito obtido pode ser em moedas estrangeiras ou em Direitos Especiais de Saque (DES). b) socorrer os países a ele associados quando da ocorrência de desequilíbrios transitórios nos seus balanços de pagamentos. A estabilidade financeira interna e o combate à inflação nos países membros é uma de suas metas. eliminando ou reduzindo as causas que motivaram o desequilíbrio. porque foi a solução encontrada diante da tentativa frustrada do Congresso norte-americano em criar uma Organização Internacional do Comércio. que eram emprestados. Banco Mundial ou BIRD O Banco Mundial ou BIRD . Japão. o Banco empresta com taxas reduzidas de juros para países menos desenvolvidos. que estabelecerá um programa de ajuste. O Banco tem seu capital subscrito pelos países na proporção da sua importância econômica. A partir desse capital. constituíam-se inicialmente de reservas em ouro e em moedas nacionais dos países membros. criou-se um novo ativo de reserva internacional. Seu capital é composto pelas quotas constituídas pelos países associados. O país.Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento foi criado com o objetivo de auxiliar a reconstrução dos países europeus devastados pela guerra. Alemanha. esse papel ficou a cargo do chamado Plano Marshall. Ocorrendo desequilíbrio no BP de um país associado ele recorrerá ao FMI. integralizadas em ativos de reservas (Direitos Especiais de Saque) e em moeda nacional do país associado. e o Banco passou a lidar com a promoção do desenvolvimento dos países subdesenvolvidos. o Banco também funciona como avalista de empréstimos efetuados por capitais particulares para esses projetos. para utilizar os recursos do FMI tem direito de saque. que consistirá em restabelecer a viabilidade do BP.89 A institucionalidade criada em Bretton Woods (1944) Foram criadas duas instituições financeiras internacionais muito importantes. acrescidas de uma margem para cobrir custos operacionais: desse modo. A maneira como o Banco opera na maior parte dos programas é levantando recursos junto ao mercado financeiro a taxas preferenciais e emprestando aos países a essas taxas. Posteriormente. Seus ativos. contudo. a compra de divisas estrangeiras em troca de ouro ou de sua própria moeda nacional. os Direitos Especiais de Saque (DES). eliminando práticas discriminatórias e restritivas aos pagamentos multilaterais. tendo em vista seu desenvolvimento industrial e sua participação no campo financeiro internacional. com o intuito de desenvolver projetos economicamente viáveis e relevantes para o desenvolvimento desses países (especialmente projetos de infra-estrutura). dentre as quais estão o FMI e o Banco Mundial ou BIRD. com o compromisso de recomprar a sua moeda em ouro ou em divisas conversíveis. Maiores quotistas: Estados Unidos. mas que não obtêm financiamento no setor privado. Estados Unidos. Quando esses desequilíbrios ocorressem. o Banco provê crédito em condições preferenciais a países que dificilmente teriam acesso a essas condições por meio dos mecanismos de mercado. o FMI poderia financiá-los com os empréstimos compensatórios. . Essa quota-parte é fixada em função do peso econômico do estado. O FMI tem sede em Washington. Na prática. Além disso. O GATT também é mencionado.

no pós-guerra. O GATT estabelece como princípios básicos: a redução das barreiras comerciais. Através do GATT. Atuou especialmente através de sucessivas rodadas de negociações entre os países envolvidos no comércio internacional e conseguiu. reduzir as barreiras impostas a esse comércio através de impostos alfandegários e cotas de importação. a não-discriminação comercial entre os países.Acordo Geral de Tarifas e Comércio. procurava-se estruturar um conjunto de regras e instituições que regulassem o comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países. cujo objetivo básico é a redução das restrições ao comércio internacional e a liberalização do comércio multilateral.90 GATT Alguns anos depois da Conferência de Bretton Woods. . a compensação aos países prejudicados por aumentos nas tarifas alfandegárias e a arbitragem dos conflitos comerciais. foi criado o GATT .

Necessidade humana: qualquer manifestação de desejo que envolva a escolha de um bem econômico capaz de contribuir para a sobrevivência ou para a realização social da pessoa.Teorias/Modelos .91 CAPÍTULO 7 – NOÇÕES DE MICROECONOMIA O que veremos: Princípios Básicos Mercado: Oferta e Demanda Conceito de Elasticidade Estrutura de Mercado Princípios Básicos O que Quanto Como Para quem Economia (Ciência Social) Escassez Escolha Produzir . .Bem: tudo aquilo capaz de atender uma necessidade humana. ESCASSEZ Em economia tudo se resume a uma restrição física – a lei da escassez.Diferentes técnicas Como Fazer? . isto é. . O conceito de escassez econômica deve ser entendido como a situação gerada pela razão de produzir bens com recursos limitados.Bens produzir . produzir o máximo de bens e serviços com os recursos disponíveis de cada sociedade. Um bem é demandado porque ele é útil. a fim de satisfazer as ilimitadas necessidades humanas.Análise Marginal 1. Porém.Escassez . .Custos . somente existirá escassez se houver um demanda para a aquisição de bens.Utilidade: a capacidade que um bem tem de satisfazer uma necessidade humana. Daí surgem os conceitos: . A análise da escassez de recursos e das ilimitadas necessidades humanas conduz à conclusão que a economia é uma ciência ligada a problemas de escolhas.Método e Economia Positiva . Por que os bens são procurados.

com o pleno emprego dos recursos disponíveis. COMO MEDIR O CUSTO DE OPORTUNIDADE Intuitivamente: O proprietário de uma empresa que contratar gerentes. quando todos os fatores de produção forem destinados a sua produção e nada for destinado à produção de camisas (carros). o sistema econômico terá decidido como alocar ou distribuir os recursos disponíveis entre as milhares de diferentes linhas de produção possíveis. existem as combinações intermediárias entre os dois bens. 2. Ao decidir “o que” e “como” produzir. Custo: valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade. certo número de fábricas e instrumentos de produção e um conjunto de recursos naturais. Cada gerente só tem tempo para realizar uma tarefa.Para simplificar nossa análise. certa técnica de produção. Considerem todos essas dados constantes. Haverá sempre uma quantidade máxima de carros (camisas) produzidas anualmente. supomos que apenas dois bens deverão ser produzidos: camisas e carros. Tabela 1 – Mostra as possibilidades de produção Bens Quantidade máxima Possibilidades intermediárias carros A 150 0 B 140 10 C 120 20 D 90 30 E 70 40 Carros Camisas Quantidade máxima camisas F 0 50 Curva de possibilidades de produção: combinações máximas possíveis de produção de carros e camisas. A tarefa A = $ 100. Qual será o custo de oportunidade da tarefa B? Suponhamos uma economia em que haja certo número de pessoas. Fora das quantidades máximas. . A empresa contrata dois gerentes e cada um deles executa uma tarefa. A quantidade exata de cada bem depende da quantidade e da qualidade dos recursos produtivos existentes na economia e do nível tecnológico com que sejam combinados. a tarefa B = $ 75 e a tarefa C = $ 50.92 Pessoas desejam mais do que pode ser satisfeito com recursos disponíveis. Escolha Trocas Compensatórias: satisfazer mais de uma necessidade significa satisfazer menos de outra.

o que ocorre quando existir desemprego geral de fatores? A razão da curva de possibilidade de produção (CPP) ser decrescente deve-se ao fato de os recursos disponíveis serem limitados. O custo de oportunidade também pode ser definido como o valor do melhor uso alternativo desconsiderado. porém. o sacrifício de consumir (produzir) menos é ainda muito grande. ganham-se 10 milhões de camisas. O custo de oportunidade corresponde ao sacrifício do que se deixou de produzir.93 Figura . isso mostra que a substituição entre a quantidade dos dois bens se torna cada vez mais difícil. desistir de produzir um tanto do outro bem.Curva de Possibilidades de Produção – CPP (Transformação) camisas F E D C CPP B A 0 carros À medida que se passa do ponto A para B e assim por diante. até F. Por exemplo. significa apenas que estão sendo transferidos recursos da produção de carros para a produção de camisas. acréscimos . para produzir-se mais 20 mil carros } = 20 mil carros } = 10 milhões de camisas As condições para a existência desse custo são os recursos limitados e o pleno emprego de recursos. No exemplo acima: a fabricação somente de carros . O valor de uso que as pessoas desistiram de dar ao bem escasso é o custo de oportunidade.A – estaria sacrificando toda a de camisas. passando de B para C. Ao passar de D para E. sacrificam-se 40 mil carros. A curva de possibilidade de produção representa um outro fato: uma economia no pleno emprego precisa sempre. Essa transformação não é física. ganham-se 10 milhões de camisas e sacrificam-se 20 mil carros. O formato da curva mostra que decresce a taxas crescentes. o custo do que não foi escolhido e não o ganho do que foi escolhido. Quando um bem é escasso. decidir pelo seu uso de uma forma significa desistir de usá-lo de outra. OU SEJA. Ou seja. Custo de oportunidade de passar da alternativa B para C. à medida que se está consumindo (produzindo) pouco de um bem. está ocorrendo a transformação de carros em camisas. ao produzir um bem. para produzir-se mais 10 milhões de camisas Ou então: Custo de oportunidade de passar da alternativa C para B. Mas.

94

iguais na produção de camisas (10 milhões) levam a queda cada vez maior na produção de carros. Esse fenômeno dos custos crescentes surge à medida que se transferem recursos adequados e eficientes de uma atividade para outra, em que eles se apresentam ineficientes e inadequados. Aqui opera a chamada lei dos rendimentos decrescentes. Assim, se insistir somente na produção de camisas, será necessário recorrer aos soldadores de chapas de aço para passarem a pregar mangas de camisas. A CPP é côncava em relação à origem em virtude da chamada Lei dos custos crescentes: para atrair trabalhadores que estão empregados na produção de camisas e deslocá-los para a de carros, deverão ser oferecidos salários maiores, e vice-versa. O que mais pode ser visto na CPP? - Eficiência
Bens de I

A= capacidade ociosa

*B *A

*C

C = nível impossível de produção B = situação ideal

Bens de C

Teste para determinar a eficiência: veja se para produzir mais de um bem a economia deve produzir menos de outro. Se a resposta for sim, então a economia está produzindo eficientemente e está sobre a sua curva de possibilidades de produção.

- Crescimento Econômico A CPP pode sofrer mudanças que ocasionarão o seu deslocamento para fora ou para dentro. Aqui são destacados três principais fatores de deslocamento: 1. Variações nos fatores considerados constantes determinarão deslocamento para a direita. 2. Variações tecnológicas iguais para os processos de produção dos dois bens deslocarão a curva para a direita e paralelamente. 3. Se a variação tecnológica for maior para o processo de produção de um determinado produto, maior será o deslocamento em relação a esse eixo. Disso, pode-se constatar também, via a curva de possibilidades de produção, o impacto, por exemplo, de um crescimento econômico que deslocará a curva para cima e para a direita.Os fatores que causam o crescimento econômico: aumento do investimento, inovações, maior divisão do trabalho e aumento nos insumos.

3. ANÁLISE MARGINAL No que as pessoas se baseiam para alocar os diferentes recursos escassos de modo a obter o maior valor?

95

Análise marginal: análise dos benefícios e custos da unidade marginal de um bem ou insumo. As pessoas desejam maximizar o máximo beneficio líquido (lucro). Beneficio liquido = beneficio total (BT) – custo total (CT) Exemplo: Consumir mais uma pizza. - Encontre o aumento no BT com uma unidade a mais consumida (BMg); - Encontre o aumento no CT com uma unidade a mais consumida (CMg); - Se BMg ≥ CMg = consome mais uma pizza. Beneficio liquido aumenta POIS, BMg = aumento BT CMg = aumento CT Δ BT = BMg - CMg Exemplo: Uma indústria moveleira está produz 30 jogos de cozinha a um custo de $ 30.000 e as vende por $ 40.000. Se produzir a 31º, sua venda total será de $34.000 e seu custo total será $ 32.500. Será que a indústria produzirá a 31º unidade? OBS. A análise marginal, assim como problemas de otimização são ferramentas utilizadas no estudo dos comportamentos de consumidores e de produtores. Os consumidores sempre buscam a maximização de sua satisfação (ou utilidade) ao consumir. Os produtores buscam maximizar seus lucros ou minimizar seus custos ao produzir. Os diferentes comportamentos de consumidores e produtores serão discutidos na disciplina Teoria Econômica. Questões – Conceitos Básicos
1. Explique como os problemas econômicos fundamentais – o que e quanto, como e para quem produzir – originam-se da escassez de recursos produtivos. 2. O que mostra a CPP? 3. Defina custo de oportunidade. O que são custos de oportunidade crescentes? 4. O problema fundamental com o qual a Economia se preocupa é: ( ) a pobreza ( ) o controle dos bens produzidos ( ) a escassez ( ) a taxação daqueles que recebem toda e qualquer espécie de renda ( ) a estrutura de mercado de uma economia 5. Em um sistema de livre iniciativa privada, o sistema de preços restabelece a posição de equilíbrio: ( ) por meio da concorrência entre compradores, quando houver excesso de oferta. ( ) por meio da concorrência entre vendedores, quando houver excesso de demanda. ( ) por pressões para baixo e para cima nos preços, tais que acabem, respectivamente, com o excesso de demanda e com o excesso de oferta. ( ) por meio de pressões sobre os preços que aumentam a quantidade demandada e diminuem a quantidade ofertada, quando há excesso de oferta, e que aumentam a quantidade ofertada e diminuem a demandada, quando há excesso de demanda. ( ) todas as alternativas anteriores são falsas.

96 6. Dada a curva de possibilidades de produção, aponte a alternativa errada:

15 *D *C 10

A

*B

E

0

57

59

( ) a economia não pode atingir B, com os recursos de que dispõe. ( ) o custo de oportunidade de passar de C para D é zero. ( ) o custo de oportunidade de aumentar a produção de X em 5 unidades, a partir do ponto E, é igual a 2 unidades de Y. ( ) nos pontos C e D, a economia apresenta recursos produtivos desempregados. ( ) somente as três primeiras alternativas estão corretas. 7. A Curva de Possibilidades de Produção, quando construída para dois bens, mostra: ( ) os desejos das pessoas perante a produção total desses dois bens. ( ) a quantidade total produzida desses dois bens em função do emprego total da mão-de-obra, ( ) a quantidade disponível desses dois bens em função das necessidades das pessoas dessa sociedade. ( ) quanto se pode produzir dos bens com as quantidades de trabalho, capital e terra existentes e com determinada tecnologia. ( ) a impossibilidade de atender às necessidades dessa sociedade, visto que os recursos são escassos. 8. O que fará com que a CPP se desloque para cima e para a direita? Comente. 9. Se o custo marginal de uma ação excede seu beneficio marginal, por que o beneficio liquido cairá? Questões Aplicadas: 10. A IBM está produzindo 50 laptps a um custo de $50.000 e os está vendendo a $60.000. Se ela produzir uma 51a unidade, sua venda total será igual a $62.000, e seu custo total será de $51.500. Será que ela deve produzir a 51a unidade? Explique. 11. Se uma firma está sujeita aos custos e benefícios mostrados abaixo, quantas plantas deveria construir? Comente. Plantas 1 2 3 Receita em $ (RT) 10.000.000 18.000.000 24.000.000 Custo total em $ (CT) 5.000.000 12.000.000 20.000.000

12. Em uma ilha, um trabalhador pode produzir em uma hora um tapete ou duas cestas. a) Qual o custo de oportunidade de um tapete? b) Suponha que o trabalhador torne-se duas vezes mais eficiente, produzindo em uma hora dois tapetes ou duas cestas. Como mudou o custo de oportunidade de um tapete? 13. A Empresa Justus Ltda treinou o administrador A por um custo de $ 40.000, e o administrador A vale $ 80.000 para a Empresa. Mais tarde a Empresa tem a oportunidade de contratar o administrador B. Esse administrador B custaria $ 40.000 para ser treinado, mas valeria $ 100.000. Porém, para contratar o administrador B a Empresa deve demitir o funcionário A. Será que a Empresa deve contratar o administrador B?

97 MERCADO: OFERTA E DEMANDA Mercado é o encontro entre vendedores e compradores. que se inclina de cima para baixo. Exemplo de procura ou demanda por crédito: P 15% Curva de Procura 9% 3% 20 60 100 Q À medida que a taxa de juros aumenta (preço do dinheiro). Depreende-se. Um mercado pode estar em qualquer lugar. diminui a quantidade de empréstimos que os clientes se dispõem a tomar. Na Figura a seguir. que representam os interesses de consumidores e produtores (ou vendedores). Procura. considerada a procura por crédito: Escala de procura ALTERNATIVAS TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 3% a.a 9% a.a 12% a. que a cada preço corresponde uma determinada quantidade demandada. Não precisa ser necessariamente um lugar físico. ou bem perto como o telefone ou os classificados do jornal. daí. A procura é dada pela curva D.a VALORES DEMANDADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A B C D E Outra forma de expressar essas diversas alternativas seria através da curva de procura ou de demanda (D). é entendida como a quantidade de um bem ou serviço que uma pessoa deseja e está apta a comprar a determinado preço em dado intervalo de tempo. taxa de juros paga pelo cliente.a 15% a. PROCURA (OU DEMANDA) A procura. 1. na esquina de uma rua. Nele estão presentes os fundamentos da procura e da oferta. no outro lado do mundo. o eixo horizontal mostra a quantidade procurada (Q) de empréstimo por unidade de tempo. Essa é a lei da procura: as quantidades . tudo o mais permanecendo inalterado (ceteris paribus). mostrando que a quantidade demandada varia inversamente ao preço. da esquerda para a direita. oferta. elasticidade e as diferentes formas de organização dos mercados serão objeto de abordagem nesta Unidade. O eixo vertical representa o preço (P). também denominada demanda.a 6% a. Essa relação pode ser representada pela escala abaixo.

Quanto mais baixo é o preço. Quanto mais alto é o preço de mercado. É a lei da oferta: as quantidades ofertadas variam diretamente com os preços. o consumidor desejará adquirir mais bens ou serviços à medida em que o preço diminua.a VALORES OFERTADOS (unidades monetárias) 100 80 60 40 20 A curva de oferta (S) é a representação gráfica da escala de oferta. As quantidades ofertadas a cada preço podem ser representadas por uma escala de oferta: Escala de Oferta ALTERNATIVAS A B C D E TAXA DE JUROS REAIS (preço do dinheiro) 15% a. Por outro lado. menores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. se o preço do bem se eleva.a 3% a. uma vez que seu objetivo é alcançar a máxima satisfação possível de suas necessidades a partir de uma renda limitada. ceteris paribus. OFERTA A oferta é definida como a quantidade (Q) de bem ou serviço que um vendedor ou produtor está disposto a oferecer a cada preço (P) e em determinado período de tempo.a 6% a. refletindo o fato de que a quantidade ofertada de um dado produto varia diretamente com seu preço. maiores quantidades os vendedores estarão dispostos a oferecer. Uma curva de oferta inclina-se para cima.98 demandadas variam inversamente aos preços. Ou seja.a 9% a. a tendência é que o consumidor reduza a quantidade demandada. da esquerda para a direita. 2. Exemplo de oferta de crédito: P 15% 9% Curva de Oferta 3% 20 60 100 Q .a 12% a.

Por outro lado. certamente aumentarão as quantidades ofertadas. fatores como condições climáticas desfavoráveis ou aumento dos impostos sobre o produto provocarão diminuição nas quantidades ofertadas. à medida que a taxa de juros aumenta. conforme mostra a Figura abaixo. redução dos custos de produção. 4. os bancos se dispõem a oferecer maior volume de crédito. entretanto. Na prática. além do preço. significa que a quantidade demandada ou ofertada varia apenas em função de alterações de preço. alterações no gosto ou preferência dos consumidores. diversas causas. . condições climáticas favoráveis ou concessão de subsídios ao produto.elevação de taxa de juros pelos concorrentes aumentará a demanda por crédito em um banco. Sob a ótica da demanda.99 Nesse exemplo. existem inúmeras outras causas que podem influenciar as quantidades demandadas ou ofertadas. Mantendo os demais fatores constantes: . 3. nos preços de outros bens e nas expectativas sobre o futuro podem influenciar significativamente as quantidades demandadas pela sociedade. podem influenciar as quantidades ofertadas.aumento no consumo de sucos naturais faz com que diminua a quantidade demandada de refrigerantes. mesmo mantendo-se estável o preço. Aperfeiçoamento das técnicas produtivas. .elevação na renda de uma comunidade determinará maior demanda por bens de consumo duráveis. onde os interesses de demandantes e ofertantes são coincidentes. na renda da população. OUTROS FATORES QUE INFLUENCIAM AS CURVAS DE DEMANDA E OFERTA O termo ceteris paribus. Se a análise for sob o enfoque da oferta. empregado na definição da procura e da oferta. Preços D 15% 12% S E Pe 9% 6% 3% S D 20 40 60 80 Qe 100 Quantidade . PREÇO E QUANTIDADE DE EQUILÍBRIO O preço e a quantidade de equilíbrio de mercado são determinados pela interação das curvas de demanda e oferta.

(preço de equilíbrio) e a quantidade de crédito da ordem de 60 UM (quantidade de equilíbrio). o preço aumentou de P0 para P1 e em conseqüência a quantidade demandada caiu de Q0 para Q1. 4. a quantidade demandada aumentaria de Q1 para Q0 . Deslocamentos ao longo de uma mesma curva Deslocamentos ao longo de uma curva de demanda ou de oferta ocorrem devido às variações de preços.100 No exemplo apresentado. No gráfico acima. o ponto E mostra onde os interesses se equivalem. com taxa de juros 9% a. ceteris paribus. O movimento inverso é possível: se o preço caísse de P1 para P0.1. Curva de Demanda P P Movimento P0 Q Q0 Q Uma variação no preço altera a quantidade demandada. Curva de Oferta P P P P P0 P0 P0 Q0 Q Q .a.

Curvas de Oferta Redução da Oferta Aumento da Oferta . os consumidores desejam comprar mais/menos quantidades de um determinado produto. etc. a quantidade ofertada do produto seria reduzida de Q1 para Q0 .101 Uma variação só no preço de P0 para P1. aumenta a quantidade ofertada de Q0 para Q1. Deslocamento das curvas de demanda e de oferta Deslocamentos das curvas de demanda por um determinado bem ou serviço são provocados por variações de gosto ou preferência. na produtividade. na tecnologia de produção. 4. Curvas de Demanda Aumento da Procura Redução da Procura O deslocamento das curvas de oferta para a direita ou para a esquerda é devido a variações na tributação. A curva de demanda se desloca paralelamente para direita ou para esquerda. nos custos. de preços de outros bens (substitutos ou complementares) e da renda do consumidor. ao mesmo preço.2. refletindo as alterações ocorridas. Isso quer dizer que. O inverso aqui também é possível: se o preço diminuísse de P1 para P0 .

para atender a essa demanda.Pisos de Preço: governo proíbe que o preço caia abaixo e certo valor.4. Deslocamento da demanda e variações de preço Mudanças na curva de demanda. compradores insatisfeitos estarão dispostos a oferecer maior preço para conseguirem o produto. Maior oferta Preços P0 P1 D S S1 D S S1 ΔP P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 Quantidade Efeito do deslocamento da Oferta sobre o equilíbrio de mercado Aumento de oferta significa aumento da quantidade de produtos à disposição dos consumidores. a quantidade transacionada aumentará. permanecendo inalterada a curva de demanda. não havendo quantidade suficiente de bens. Exemplo: teto para a gasolina. a concorrência entre os vendedores empurrará os preços para baixo e. a curto prazo.Tetos de Preço: governo proíbe que o preço ultrapasse um valor máximo. Deslocamento da oferta e variações de preço Mudanças na curva de oferta. Maior Demanda Preços D D1 S P1 ΔP P0 S D1 P0 Q0 P1 Q1 = Preço de equilíbrio = Quantidade de equilíbrio = Novo preço de equilíbrio = Nova quantidade de equilíbrio ΔQ Q0 Q1 D Quantidade Efeito do deslocamento da Demanda sobre o equilíbrio de mercado Aumentando a demanda. Exemplo: piso salarial . 4. INTERVENÇÕES DE MERCADO . alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. 5. . em conseqüência. Se não houver alteração na demanda.102 4. alterarão a quantidade e o preço de equilíbrio. ceteris paribus.3.

É o que ocorre se. quanto menor o peso no orçamento. Qual a intensidade desses efeitos? Eles seriam idênticos. Como os proprietários compensam s efeitos das leis de controle de aluguéis em seus ganhos? Exemplifique. por exemplo. Essa afirmação está correta? Explique. correspondia uma redução da quantidade demandada e. menor deverá ser sua elasticidade-preço. Os elementos apresentados a seguir devem ser entendidos como alguns subsídios ao entendimento do porquê da demanda de certos produtos serem mais elásticas que a de outros: a) existência de produtos substitutos — é de se esperar que. foi visto que. 3. O CONCEITO DE ELASTICIDADE A noção de elasticidade é de fundamental importância na compreensão e análise dos mercados de bens e serviços. a procura do produto tem eleasticidade unitária. Ao longo de um período de 5 anos. Isso apoia ou contradiz a lei da demanda? Comente. . mudanças na qualidade e mercados negros. quanto mais perfeitos forem os substitutos de um produto. o preço de um produto subir 10% e a quantidade demandada reduzir-se em 20%. um aumento da quantidade ofertada. maior a tendência de esse produto ter demanda elástica. c) essenciabilidade do produto — quanto mais essencial for o produto. mais TVs foram vendidas. 6. por outro lado. a procura do produto é considerada elástica. Quando as variações forem percentualmente iguais. por exemplo. o preço dos aparelhos de TV aumentou 5%. 2. Se a quantidade procurada variar mais que proporcionalmente à alteração nos preços. ou o preço subir 6% e a quantidade demandada reduzir-se em 10%. ou diferenciados de um produto para outro? Como medir a eleasticidade? Elasticidade-preço da procura A elasticidade-preço da procura reflete a sensibilidade da quantidade procurada por dado produto a uma alteração no preço desse produto. Nem todos os que desejam comprar uma casa poderão comprar uma. A forma correta de se medir essa sensibilidade é através da relação entre a variação percentual na quantidade e a variação percentual no preço. Existem certos fatores que explicam ou influenciam o valor da elasticidade-preço de demanda. ela mede o impacto sobre a quantidade decorrente de alterações no preço (elasticidade-preço) do próprio bem e na renda do consumidor (elasticidade-renda). e o preço de todos os outros bens aumentou 12%. Nesse sentido. b) peso do produto no orçamento — se for pouco substituível. Durante o mesmo período. Suponha que uma lei de controle de aluguéis force os aluguéis abaixo do seu preço de mercado. O preço de casas é tão alto que há uma falta de casas. Questões Aplicadas: 1. Caso as variações de quantidade sejam proporcionalmente menores que as variações de preço. a um preço mais elevado.103 Consequências das Intervenções: racionamento não liderado por preços. Considerando o equilíbrio de mercado. menor deverá ser a elasticiade-preço. a procura é dita inelástica.

pequeno número de empresas controla a quase totalidade do mercado. a elasticidade-renda é negativa e o produto é classificado como bem inferior. .tendência à concentração de capitais através de fusões. disponibilidade de insumos e de mão-de-obra e tempo de ajuste na produção. Exemplo: aparelhos eletrodomésticos. ESTRUTURA DE MERCADO O comportamento de ofertantes e demandantes no mercado não é uniforme. . A diferença é subjetiva. etc.perfeito conhecimento do mercado. as variações nos preços e nas quantidades são na mesma direção. Elasticidade-preço da oferta Análise similar é válida para a curva de oferta. Concorrência perfeita: .pouca diferenciação dos produtos. 7.grande número de consumidores e ofertantes. . sal é exemplo clássico de produto com procura inelástica e viagem de turismo é um bem de demanda elástica. . Elasticidade-renda da procura A elasticidade-renda da procura mede a variação percentual na quantidade demandada de um produto decorrente da variação percentual na renda dos consumidores. comércio varejista em geral. .forte bloqueio à entrada de concorrentes. a oferta apresenta elasticidade unitária. a começar pelo preço. Se o aumento na renda implica aumento na quantidade demandada. Oligopólio: . Porém. Se a magnitude de variação na quantidade for de 10%. Concorrência monopolística: . Exemplos: feira livre. . Veremos a seguir as características básicas dos principais tipos de mercado. por parte dos que o integram.104 Nesse sentido. franquias. pizzarias. . . . embalagem.homogeneidade de produtos. a oferta será elástica.tendência à formação de cartéis e à rigidez de preços. publicidade.grande número de empresas.ausência de entraves ao ingresso de novas empresas. em relação a mudanças de preços. Caso o aumento na renda implique queda na quantidade demandada. tornando o mercado pulverizado de tal forma que nenhum comprador ou vendedor tenha condições de influenciar os preços ou o comportamento dos demais agentes. Em decorrência da própria dinâmica da economia capitalista. a oferta desse bem será inelástica. se o preço de um bem aumentar 10% e a quantidade crescer 20%.concorrência pela diferenciação de produtos. Cada concorrente estabelece um produto único e ligeiramente diferenciado pela marca. o poder dos diferentes agentes econômicos é também diferenciado. A sensibilidade da oferta de produtos a variações nos preços depende de fatores como percentual de utilização da capacidade instalada. . a elasticidaderenda é positiva e o produto é classificado como bem normal. Exemplo: farinha de mandioca.perfeita mobilidade de recursos. Exemplos: calças jeans. Assim. Se a resposta da quantidade for de 5%.fracas barreiras quanto ao ingresso e saída do mercado. .

aço. não existem substitutos próximos.preço determinado pelo comprador.barreiras legais. Estruturas de mercado . Monopólio: . tecnológicas e econômicas ao ingresso de concorrentes no mercado. fábricas de cigarros. com Alguma Limitação Jeans franquias Cimento.existência de uma única empresa produtora de bens e serviços para os quais. . . Exemplo: correios. . petroquímica etc. de vidros. Cerveja. Exemplo: setor público na compra de produtos específicos. . .grande dificuldade de entrada no mercado para novos compradores. pneumáticos.uma única empresa compradora de determinado produto.dimensões do mercado estabelecidas pela empresa via determinação prévia do volume de produção e dos preços desejáveis.quadro síntese Tipos de Mercado N° Vendedores Nº Compradores Dificuldade de Entrada no Mercado Concorrência Perfeita Concorrência Monopolística Grau de Diferenciação do Produto Quem Determina o Preço Exemplos Muitos Muitos Nenhuma Nenhum Mercado Feira Livre Muitos Muitos __ Subjetivo Vendedor. no curto prazo.o lucro total da empresa é máximo para cada nível de produção e preço por ela estabelecido. Automóveis Oligopólio Poucos __ Grande Padronizado ou Diferenciado Vendedor Monopólio Um __ Total Não há substitutos Satisfatórios Vendedor Correios Monopsônio __ Um Total __ Comprador setor público na aquisição de produtos específicos Oligopsônio __ Poucos Grande Padronizado ou Diferenciado Comprador Agroindústrias . Monopsônio: . Exemplo: indústria automobilística. Oligopsônio: . química. cimento.105 Exemplos: indústria automobilística.poucas empresas compradoras. .preço do produto determinado pelos demandantes.

. Luis Carlos Bresser (1996). José Paschoal (2003). São Paulo: Campus. A Inflação decifrada. O dumping se caracteriza pela venda de produtos a preços mais baixos que os custos. Walter (2003). Parte IV – Finanças Públicas. dumping e cartel. PINHO. É o caso do truste.gov. Cartel é um grupo de empresas independentes que formalizam um acordo para sua atuação coordenada. São Paulo: Saraiva. A economia e a política do Plano Real.bcb.br) PEREIRA. São Paulo: Saraiva. Marco Antônio Sandoval de (Org. Economia. Essas imperfeições estão relacionadas ao poder de mercado e formas de atingi-lo ou mantê-lo.gov. O tipo mais comum de cartel é o de empresas que produzem artigos semelhantes. (Disponível: http://www. Diva Benevides & VASCONCELLOS. Revista de Economia Política.106 O mercado também cria algumas imperfeições que impedem o que se poderia chamar de seu comportamento “natural”. São Paulo: Nobel.planejamento. ROSSETTI. São Paulo: Atlas.br). com vistas a interesses comuns. Ministério do Planejamento.Relatório 2005. Werner (2002). (2005) Manual de Economia. WESSELS. O truste é o tipo de estrutura em que várias empresas. Marcelo de Paiva (1990). CARDOSO. Editora Brasiliense. estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro. A Economia Brasileira. Boletim do Banco Central do Brasil . 16(64): 20-35. 14 (56): 129-149. com a finalidade de eliminar concorrentes e conquistar fatias maiores de mercado. combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle. Luis Carlos Bresser (1994). Eliana (1996) Economia Brasileira ao Alcance de Todos. Referência Bibliográfica ABREU. A Ordem do Progresso. Revista de Economia Política.). 20ª ed. Orçamento e Gestão (http://www. Introdução à Economia. BAER. de forma a constituir um monopólio de mercado. 17ª ed. 5ª ed. já detendo a maior parte do mercado. 2ª ed. PEREIRA.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful