ICMS - LEI COMPLEMENTAR 87/96

Antonio S. Poloni

1 - BREVES COMENTÁRIOS 1.1 - Foi sancionada e promulgada a Lei Complementar 87, de 13.9.96, que introduziu relevantes modificações na disciplina do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e Comunicação - ICMS. Dentre as principais alterações, em atendimento ao disposto na Lei Maior, podemos destacar o direito ao aproveitamento do crédito do ICMS na aquisição de bens de capital e também de uso e consumo. 1.2- No que diz respeito à sistemática de apuração do ICMS, a Lei Complementar Nº 87/96 passa a reconhecer o direito do contribuinte ao aproveitamento de créditos sobre operações anteriores, de que resultem a entrada de bens destinados a seu ativo fixo e ao uso e consumo. Com isso, o encargo tributário relativo ao ICMS incide nas operações que resultam na entrada de todos os bens e qualquer bem, mercadoria e insumo utilizado e/ou consumido, e também que integre o custo final da mercadoria produzida ou revendida deve gerar crédito de ICMS, a fim de evitar a cumulatividade do imposto na operação seguinte. 1.3. Para atender os objetivos sociais as empreasas adquirem materiais, matérias-primas, materiais de embalagens, insumos, serviços, bens do ativo imobilizado, etc., mas por posição de extrema restrição, evidentemente objetivando maior arrecadação, a legislação do ICMS , contrariando flagantemente ao que dispõe a Constituição Federal, não autoriza a apropriação do ICMS cobrado nas aquisições de materiais de uso e consumo. Quanto aos bens do ativo imobilizado, por força da Lei Complementar 87/96, a partir de 1.11..96, passou-se a gerar creditos do ICMS pelas entradas tributadas. 1.4- A Lei Complementar 87/96, entre outras providências regulou o ICMS no Sistema Tributário Nacional, preenchendo uma lacuna existente desde a promulgação da Constituição Federal, pois os Estados foram autorizados a fixar "provisoriamente" normas, no texto do parágrafo 8º do artigo 34 do ADCT. Essa provisão durou sete anos. A LC entrou em vigência em vigor na data de sua publicação (16.09.96), com as exceções que mencionou, cabendo aos Estados, implementá-las na legislação estadual.

no entender da remansosa doutrina pátria. porquanto o Convênio 66/88 estaria fazendo as vezes de lei complementar.5.6. ainda que se admita tenha a Lei Complementar 87/96 disposto sobre o regime de compensação do imposto.8. tendo como escopo. Esse crédito. como fartamente ficará demonstrado neste trabalho.Diante dos fatos. Mas não admite o crédito sobre entradas de bens destinados ao uso ou consumo do estabelecimento.96). o fez no âmbito da competência que lhe fora constitucionalmente atribuída. de 23/12/97. não só os elementos do tributo como também o seu sistema de compensação e as formas utilizadas pelo sujeito ativo para sua exigência e arrecadação foram. 1.11. foi somente autorizado na legislação paulista pelo Decreto 41. fortemente combatidos por juristas . dentre outros motivos.O dispositivo. mas ainda com ressalvas para os materiais de uso e consumo -. doutrinadores e advogados militantes no direito tributário. liquidos e certos.) . determinando que o direito a crédito se aplicasse somente a partir de 1º de janeiro de 2000. entende-se ser legítimo o aproveitamento dos créditos de ICMS pelas entradas de mercadorias destinadas ao uso ou consumo do estabelecimento. de 21. artigo 40. Lei nº 6.7. por pressão dos governadores dos Estados. 1. e . a Fazenda Estadual admite a legitimidade do aproveitamento dos créditos do ICMS incidente sobre tudo quanto entra no estabelecimento do contribuinte. de modo que jamais poderia sobreviver a regra que a pretexto de indicar prazo para a sua entrada em vigor ( que a rigor seria imediata desde a promulgação da CF/88).01. bem como dos bens adquiridos para integrar o ativo imobilizado ( já reconhecidos pela Lei Complementar 87/96 a partir de 1. O sujeito ativo sempre argüiu em sua defesa o " respaldo constitucional do provisório". II e III. sempre ao apagar as luzes de mais um ano. .poderiam ser creditados a partir de 1º janeiro de1998-. no Estado de São Paulo. desde que dele saia como resultado da mercância. em verdade o negue por mais dois anos. tornando-o o inútil e ineficaz. Entretanto.11. desde o início. adveio a LC Complementar nº 92.97.1. Inc. 1.Em rigor.colocando um ponto final nas inúmeras discussões judiciais movidas por contribuintes para verem seus créditos de direito. no mesmo estado físico ou por incorporação física a um bem transformado.374/89. II.10 .557.Ocorre que.9. é inconstitucional porque uma vez assegurado o crédito do contribuinte. assim entendida a que não se distine a integrar o produto final e nem a ser consumida no processo de industralização ( Convênio 66/68. inclusive as de bens do ativo imobilizado. serem reconhecidos pela Fisco. 1. inc. artigo 31. recepcionado na CF vigente. 1. a falta de lei complementar. A citada Lei Complementar veio dar ênfase às discussões judiciais em razão da legislação ordinária vedar o crédito do ICMS relativo à mercadoria entrada ou adquirida para uso ou consumo do próprio estabelecimento. 1.

b) Operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação.2.. deve-se iniciar pela descrição constitucional a seu respeito.. I ... BASE JURÍDICA E ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO 2. 155. o montante cobrado nas anteriores... § 2º. Parágrafo 2º ... No caso do ICMS.. Qualquer que seja o exame que se faça sobre um imposto.Será não-cumulativo. pelo mesmo ou por outro Estado.O imposto previsto no inciso I.. "b". 155 ...Decreto Lei 406/68: "Art. entre o imposto referente às mercadorias saídas do estabelecimento e o pago relativamente às mercadorias nele entradas. ..A lei estadual disporá de forma que o montante devido resulte da diferença a maior. .. 3o .Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir: I ..Impostos sobre: a) . abatendo-se. verbis: "Art. da Constituição Federal e artigo 3º do Decreto-lei 406/68. ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior... O saldo verificado em determinado período a favor do contribuinte transfere-se para o período ou períodos seguintes". compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal ". atenderá ao seguinte: I .O Imposto sobre Circulação de Mercadorias é nãocumulativo.. em determinado período.. os lineamentos básicos do princípio da nãocumulatividade vêm apontados no art... Parágrafo 1o ... em cada operação..1..

assim.96. apesar de formalmente não ser lei complementar. o conteúdo e o alcance de institutos. pela Constituição Federal.12. tinha a sua materialidade. de 13. parágrafo 2º. foi regrada pelo Convênio .Lei nº 406 de 31. Dialética.A Constituição já disciplinou os casos em que os créditos pode ser vedado.As disposições basilares delimitam a competência do legislador ordinário. as restrições legítimas ( art. porisso. não pode. se diversamente não dispuser norma infra-constitucional . a exceção só pode estar na própria Constituição.Edvaldo Brito.68. Mas. a LC 87/96 e Questões Jurídicas Atuais. em pleno recesso compulsório do Congresso Nacional.5 . lei alguma poderá modificar o perfil do imposto definido pela Lei maior. Essas hipóteses. a nenhum título.A lei tributária não pode alterar a definição. Desta forma. prefixando-lhes no plano abastrato da norma. traçando um rápido histórico. substituição tributária. utilizados. expressa ou implicitamente. toda a vez que o Estado ultrapassa os limites fixado pela Constituição Federal. definitivamente. 2. Se a regra é constitucional.68. incentivos fiscais. considerando as circunstância de sua emissão. leciona na obra "O ICMS. sendo. o Código Tributário Nacional dispõe em seu artigo 110: " Artigo 110 . ele age além do poder que lhe é outorgado e. que legitimava o Presidente da República como fonte legislativa. pelas Constituições dos Estados. para definir ou limitar competências tributárias". compensação do imposto. 2. etc. essa matéria esteve disciplinada pelo Decreto. 155. ainda que contivesse. ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios.2.116: " Até a edição da Lei Complementar nº 87. consequentemente. mesmo assim. Ademais.3 . Verifica-se que o Decreto-Lei nº 406/68 não contém qualquer restrição quanto à apropriação dos créditos relativos ao ICMS. "a" e "b". por ser hierarquicamente superior. A matéria. pg. conceitos e formas de direito privado. E se o Estado não pode o mais ( acabar com o princípio da não cumulatividade) também não pode o menos ( mitigar o referido princípio). na medida em que o legislador constitucional já elencou exaustivamente na própria Constituição. II. a vedação seria absolutamente inconstitucional. quais as únicas e possíveis hipóteses de restrições e limitações aos créditos de ICMS sobre entradas no estabelecimento. aquele comando expedido fora do seu limite de atribuição de competência. excepcionais . créditos tributários.2 . tais como: definição de contribuintes.4.são exceções ao princípio constitucional da não cumulatividade. 2.12. da CF/88). não tem validade normativa. também. é alargar esse campo e prever outros casos de vedação ao crédito ou que restrinjam sua utilização.só para os casos de isenção ou de não incidência e. Embora caiba à lei complementar dispor sobre vários aspectos importantíssimos para que torne viável a cobrança do imposto. seu fundamento de validez o Ato Institucional nº 5 de 13. O que.09.

2. confere. inclusive a destinada a seu uso ou consumo ou ao Ativo Permanente.8. O artigo 19 da LC 87/96. que as novas regras favoráveis. 554). devem ter eficácia retroativa. Ao cuidar do princípio da não cumulatividade. por via de consequência. oponível. ao sujeito passivo do ICMS. de disciplina integral do tributo estadual.9. inclusive a destinada ao seu uso ou consumo ou ao ativo permanente.O princípio da não-cumulatividade do ICMS faz nascer um ralação de crédito. Este princípio leva em conta o ciclo econômico de produção e circulação como um todo. com revogação de todas as demais leis complementares. e visa distribuir equanimente a carga tributária de modo que cada contribuinte suporte apenas a fração que lhe couber no conjunto. o artigo 20 da LC Nº 87/96. de modo direto. pg...". E continua o autor: " Polêmica a eficácia desse convênio.. (o grifo não é do original) 2.nº 66 celebrado em 14. pois. inconstitucionais restrições impostas pelo Convênio nº 66/88." 2. porrisso. em favor dos contribuintes e. a ele superveniente.. compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços de transporte interestadual ou de comunicação com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado. a recém publicada Lei Complementar Nº 87/96 cuida de quase todas as matérias previstas na Constituição Federal como passíveis de regramento por diploma de carácter nacional.Caderno Jurisprudência Tributária. ao mesmo tempo. § 2º. Em razão disto. relativamente às mercadorias entradas no estabelecimento..88. Salvo as drásticas e. Com assevera Hamilton Dias de Souza. Realmente. no sentido de que seria instrumento de colmatação das lacunas do Decreto-Lei nº 406/68. tendo em vista o § 8º do art. ao Poder . 2. no estabelecimento. o direito de abatimento. ( .. estabelece que " o imposto é não cumulativo. do ICMS na Constituição de 1988..6. sendo um autêntico código do ICMS aplicável em todo o território nacional. uma relação de débito contra os Estados e o Distrito Federal. nos termos do inciso I do artigo 106 do Código Tributário Nacional ". inciso II da CF/88. em conclusão. dispôs que ao contribuinte é assegurado o creditamento do ICMS cobrado nas operaçõe anteriores. contudo. Tratra-se. um único fato gerador. ipso facto. gera um duplo efeito jurídico: o débito para o sujeito que promove a saída do bem ou prestação dos serviços e o crédito para o sujeito destinatário daqueles bens ou serviços. em face da disciplina. são interpretativas e.7. a dicção constitucional " compensando-se o que for devido. Com isso. pacificou-se . pode-se afirmar. reproduzindo a norma do artigo 155. oriundas da Lei Complementar nº 87/96. por revestirem natureza de "lex mitior". 34 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias do estatuto político de 1988.12.. 24/96.)" ( IOB . em especial quanto à sistemática de compensação do imposto. E a seguir o artigo 20 diz que: " é assegurada ao sujeito passivo o direito de creditar-se do imposto anteriormente cobrado em operações de que tenha resultado a entrada de mercadoria real ou simbólica.

pg.Geraldo Ataliba e Cleber Giardino. seja na instituição ( providência legislativa).Público. mencionados por Roque Antonio Carraza. deu ao contribuinte o direito de abatimento". Barreto. a LC 87/96 e Questões Jurídicas Atuais. produto intermediário. exatamente porque os submeteu aos efeitos jurídicos tipicamente produzidos por um determinado sistema de abatimento criado pela própria Constituição ( a não cumulatividade é resultado. 13): . Ao contrário. como é fácil de se ver. do sistema de abatimentos)" 2. ao mesmo tempo. fez do ICMS e do IPI tributos não cumulativos. de modo inconstitucional. " O ICMS. Por meio do princípio da não cumulatividade do ICMS.10 . O regime do crédito financeiro. e não causa . decorre.Teoria e Prática. 2.Da consideração do preceito do artigo 2º. o legislador constituinte teve em mira beneficiar o contribuinte ( de direito) deste tributo e. ou de um bem. ou mesmo ao consumo ou à imobilização. O próprio Texto Constitucional que outorgou ao Estado o poder de exigir o ICM. categoria jurídica de hierarquia constitucional: porque criada pela Constituição. Dialética. no caso de agir. portanto ( Aires F. Aspectos Fundamentais do ICMS .. ( Roque Antonio Carraza. para fazê-la iluminar a compreensão do sistema de abatimentos. pg. p. Mais que isso: é direito constitucional reservado ao contribuinte do ICM. seja na cobrança ( atividade administrativa) do tributo. a utilização como matéria-prima. o consumidor final ( contribuinte de fato). oponível ao Estado pelo contribuinte do imposto estadual. 1997. é o que realiza mais amplamente o princípio da não-cumulatividade. que vierem a ser onerados pelo ICMS. ensejam créditos respectivos. nº 25. na obra já citada: " O 'abatimento' é. ( Hugo de Brito Machado. II.12. em conjungação com o inciso II do caput ( redação da Emenda Constitucional 3/93. embalagem. 148). 2. seja ele consubstanciado no preço de um serviço.Entende-se como regime do crédito financeiro aquele no qual todos os cutos. acondicionamento. e quer seja este destinado à revenda. 155. in ICMS .. citando Geraldo Ataliba e Cléber Giardino: " A Constituição não tomou emprestado da economia um fugidia não cumulatividade. o ônus do ICMS respectivo configura um crédito deste imposto. pg 131) 2. do art. in Revista Dialética. direito público subjetivo de nível constitucional. 131...13 . em sentido amplo. Dialética. Sempre que a empresa suporta um custo.11 . nitidamente. José Eduardo Soares de Mello. a quem convém preços mais reduzidos ou menos gravemente onerados pela carga tributária...

qualquer exigência legal que gere distorção ou restrição no seu exercício fere o dispositivo constitucional. b) como tal. quanto do IPI.a. submetidos a regimes autônomos. " f) o crédito e o débito são entidades distintas e inconfundíveis emergentes de fatos diversos. tanto do ICM. facilitando sua execução de acordo com os fins que inspiram o legislador cosntituinte". o legislador não pode condicionar seu exercício. 1985. é plenamente de direito os créditos do imposto relativo à mercadoria entrada ou adquirida para uso ou consumo do próprio estabelecimento. o que faz que este tributo grave o valor agregado à mercadoria. e) este ( adquiriente) passa a deter título jurídico ( crédito) que poderá ser usado para abatimento de imposto a pagar ( forma de pagamento . não restringe nem dilata o campo limitado. Completa e esclare as disposições relativas à limitação. 6ª edição. c. I.de débito de ICM . p. Considerando-se que o ICMS está sujeito ao princípio da não cumulatividade (artigo 155. toda e qualquer aquisição decorrente de operação tributada ( inclusive a de bens de capital) é geradora de crédito de ICMS.A esse respeito eis o escólio de Aliomar Baleeiro. c) por isso mesmo.14. 2. nem dela depende. além daquelas que se destinem a integrar o produto final e a ser consumida no . 2. parágrafo 2o. é constitucional. Ed. por conseguinte. São ainda os consagrados mestres Geraldo Ataliba e Cleber Giardino que oferecem a seguinte sintese conclusiva. a norma que institui o crédito é a própria Constituição: logo nenhuma lei pode dispor em sentido contrário. Desse modo. a lei não pode vedar ou reduzir crédito em nunhuma hipótese." 2.total ou parcial . b. d. nessas incluídas as incorporadas ao ativo imobilizado.16. Forense. o crédito é consequência inexorável e automática de todas as operações tributadas. da CF). não emerge da lei. na obra Limitações Constitucionais ao poder de Tributar.32: " A lei complementar não cria limitações que já existiam na Constituição. d) esse direito surge com a realização de operação tributável em benefício do adquirente.15 . O direito ao crédito em decorrência da aplicação do princípio da não-cumulatividade é constitucional e não legal. na obra já citada: "a) o direito de crédito.

nº 64. O ICMS compõe com o IPI. em relação às saídas. § 2º. in Revista de Direito Público. 2. se agregassem ao preço significando muitas vezes imposto sobre imposto. com o "quantun debeatur".cumulatividade tem por fim evitar a superposição de incidências sobre uma série de operações que visam completar um único ciclo econômico de produção. que dispõe que a isenção não implicará crédito ou acarretará anulação do crédito relativo às operações anteriores. O cerne da não cumulatividade está no direito à compensação ( como um direito pleno.Nesse sentido. a técnica da não. Também não são diferente os ensinamentos de Gilberto Ulhôa Canto: . formas tributárias nas quais vige o princípio da nãocumulatividade. em nunhum momento. 2. parágrafo 2o. pg. é óbvio. temos a lição escorreita de Heron Arzua ( Créditos de ICMS e IPI. 2. 2.21. de tal forma que as incidências sucessivas. I da Constituição Federal. por desígnio constitucional. (Estudos de Problemas e Casos Tributários. As únicas restrições ao creditamento do ICMS são as apontadas no art. que ditas operações devem estar ligadas ou dizer respeito à mesma mercadoria ou ao mesmo serviço que o contribuinte impulsiona em direção ao consumo ou ao uso ". Pelo disposto no artigo 155. importando que o recolhimento dos valores devidos observará um sistema de crédito e débito com a compensação da carga fiscal suportada no momento da entrada da matéria-prima. pois. e por todas as entradas. tem como função evitar a tributação "em cascata".20. II. Esta superposição é evitada através do mecanismo de crédito e débito de imposto pago e a pagar quando feito generalizadamente. sem restrições). sem limitações e restrições. 2. em fiel cumprimento à norma maior.1969. como seguido pela Lei Complementar 87/96.256): " A Constituição alude a cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços e compensação do montante cobrado nas (operações ou prestações) anteriores. produtos. S. aliás.processo de industrialização. da Constituição Federal.19 . O primado da não cumulatividade. nas entradas e saídas. Paulo .18. o valor do ICMS pago pelas entradas. materiais e mercadorias. página 32). sem registrar. Segundo Ruy Barbosa Nogueira. do ICMS devido pelas saídas.17. que o princípio da não-cumulatividade exige a compensação do que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. que o contribuinte tem de deduzir num deteminado período. Daí a razão de concluir haver a Constituição de 1988 estruturado o princípio da não cumulatividade do ICMS pelo regime de compensação irrestrita de créditos e débitos fiscais. conceituado pela compensação entre débito e crédito fiscal. 155.

2. as saídas débitos) ". geram a partir da CF/88 irrestrito crédito. ( Aroldo Gomes de Mattos.23.Paulo. pg. preleciona: "A Consituição ora em vigor. material de escritório. nessa conta creditando-os os montantes do imposto recolhidos por outros contribuintes que figuraram em fases anteriores do processo econômico e debitando-se os montantes totais do tributo calculado sobre valores das operações de saídas que se processem no mesmo período. daquelas que integram fisicamente o produto final. etc. Impondo restrições e limitações.). o direito de abater. 1. tornando-se claras e práticas. tudo o que foi devido por outros contribuintes que lhe prestaram serviços ou lhe forneceram mercadorias. Estabelece. salvo nas hipóteses expressamente previstas na CF. 2. e serviços recebidos.22.A LC 87/96 " teve por missão suprema integrar. a entrada de bens destinados ao consumo. não podendo. (Curso de Direito Tributário .). Para tributar esse valor agregado.. produtos intermediários. todavia. com o recolhimento aos cofres estaduais apenas do saldo resultante.24 . ampliar. pelo contrário. 29/30. independentemente de seu destino ou de sua utilização".Roque Antonio Carraza. o artigo 31 do Convênio 66/68 dispõe que não implica crédito de imposto para efeito de compensação. pelos contribuintes. Nota-se que o legislador não distinguiu as mercadorias para uso ou consumo no estabelecimento. do montante do ICMS a pagar. bem . deduzindo-se do imposto a pagar o valor do imposto pago na operação anterior.25. como leciona Bernardo Ribeiro de Morais. 137) 2. matérias-primas e outros bens tributados ( máquinas. 205) 2. portanto. veículos . embalagens. Ora quaisquer espécie de bens ou mercadorias ( matérias-primas. explicitar e interpretar as normas constitucionais que dispõem sobre o ICMS.Comentários à LC 87/96.Vol. " ( in ICM não cumulatividade.973. o ICM grava apenas o valor acrecido em cada etapa do ciclo econômico (.) adquiridos pelo contribuinte. S.. desde que onerados pelo ICMS. pág. 363). Assim. etc. materiais de expediente. ICMS.Revista dos Tribunais. uma diretriz de créditos/débitos ( as entradas fazem nascer créditos. de apenas o saldo de uma conta corrente fiscal que se apure ao fim de um determinado período. I ." Ficou claro que a não cumulatividade do ICMS é assegurada por diversas disposições constitucionais e de legislação complementar que prescrevem o recolhimento. b) calcular o imposto sobre o valor integral da operação tributada. 150 da obra já citada. vol. confere. p. Dialética. às pg. ao contribuinte. o legislador poderia adotar duas formas: a) calcular o imposto sobre a diferença entre a operação tributada e a anterior. restringir ou limitar os seus efeitos. Revista de Direito Tributário.

isenção e não incidência ( art.28.26. buscando impedir que o contribuinte se credite de cem por cento do imposto que incidiu sobre as mercadorias em geral. utilizados no processo industrial. vinculado ao processo produtivo onerado pelo imposto. já que o custo dos bens e serviços adquiridos pelo contribuinte é repassado ao preço do produto final 2. Julio de Castilho Ferreira.concluiu que o crédito há de ser cem por cento do imposto que incidiu sobre a entrada de mercadorias em geral : " Se o principio da não-cumulatividade não operar em função do movimento global de entradas e saídas de mercadorias e serviços. sob o enfoque do custo financeiro incorrido. uma vez que regime que decorrer da nãocumulatividade adota o critério de fazer o confronto do tipo imposto contra . 2. sendo o princípio da não-cumulatividade baseado no critério do tax on tax . concluiu o Plenário do IX Congresso Brasileiro de Direito Tributário ( Revista de Direito Tributário. constituindo-se. portanto. estabelecer restrições inovatórias quanto ao direito de crédito na aquisição de quaisquer bens ou mercadorias. portanto.27. § 2º. p. 155. no ressalvando-se. Mas. Se assim o fizessem estariam tornando-os cumulativo. 74/75. desta maneira. exclusivamente. I. da Carta de 1988. I e II) ( aprovado por maioria)". num imposto diverso em seus efeitos jurídicos e econômicos daquele que está plasmado no art. indiscriminadamente. ao ressaltar que. produtivo indistintamente. não seja nele consumidos ou não integrarem o produto final na condição de elemento indispensável a sua composição.e não no do basis on basis . os serviços de transportes ao e de comunicação. inclusive os bens adquiridos para o ativo permanente do estabelecimento.Ed Sintese. Assim. ser compensado como o que for devido em cada operação o montante cobrado nas anteriores. Não se justifica. Malheiros Ed. in ICMS . a ação do Fisco. pelo quando na estão forma vinculados processo onerado imposto anteriormente explicitada. pp. 67. 2..como a entrada de mercadorias ou produtos que.O Crédito do Contribuinte . 155. não podendo ser restringido pela lei ordinária. nossos Textos Constitucionais e Complementares.213): " O direito ao crédito do ICMS surge no mesmo instante em que se verifica o fato jurídico-tributário deste imposto. devendo. nem pelos atos administrativos as exceções da Fazenda Pública. § 2º. nunca impuseram limitações de crédito do imposto. chega-se à conclusão de que não pode o Convênio 66/88. então teremos o ICMS como um tributo meio-nãocumulativo e meio-cumulativo. consubstanciadas Estatuto Supremo . Por esse motivo.

em ICMS... conforme o caso.) 2..... bem como o artigo 40 da recente Lei no 6.". .Alcides Jorge Costa... contrariando frontalmente a Lei Maior." 2. ao mesmo tempo. RDT nº 45.374/89..32.. Para uso ou consumo do próprio estabelecimento. sendo inconstitucionais as leis ( complementares ou ordinárias) ou os atos administrativos que dispuserem em sentido contrário". os Estados sempre legislaram restringindo o referido princípio à sistemática do crédito físico.Natureza Jurídica. "in verbis": "Artigo 40 .. A lei cria uma obrigação para o fisco mas estabelece de que modo ela é exigível pelo credor e este modo é a compensação. suas obrigações extinguem-se até onde se compensarem.. vedam expressamente a manutenção do crédito do imposto incidente sobre materiais de uso ou consumo do próprio estabelecimento. na prestação de serviços.. Em determinado momento..29.. credor e devedor um do outro..É vedado o crédito do imposto relativo à mercadoria entrada ou adquirida e. ( Nesse sentido o artigo 29 da Lei Paulista no 440/74... 2. Note-se que o contribuinte tem um crédito que resulta da determinação legal...118/91).É ainda Roque Antonio Carraza. Nestas condições. que esclarece: " De qualquer modo. Todavia. III. .777/81.. está assim redigido. 39.. consolidado no artigo 48. Decreto 33. Importante ressaltar que a não cumulatividade tem que . assim entendido a que não seja utilizada na comercialização e a que não seja empregada para integração no produto ou para consumo no respectivo processo de industrialização ou. à prestação de serviço tomado: I.. pg.imposto ( montante do imposto pago x montante do imposto a pagar) e não do modo da mercadoria ou serviço contra a mesma mercadoria. Portanto.31. fisco e contribuinte são... normas estaduais sobre o ICMS.. O inciso II do artigo 40..Créditos . II..30 . mesmo obrigados a se aterem aos Textos Constitucionais e Complementares citados... explicita: " A lei atribui ao contribuinte um crédito contra a Fazenda Estadual em soma igual ao do imposto sobre as mercadorias entradas.... ainda. 2. que importa em compensação apenas do imposto incidente sobre bens incorporados fisicamente ao produto final... havendo créditos de operações ou prestações anteriores o direito de abatimento é inafastável.. II. do Decreto no 17...

ao contrário do inc. praticamente resume: " Ex positis. I.O saudoso Geral Ataliba. ao ensinar: " A Constituição Brasileira desprezou todos os métodos e escolheu um só. emerge claro e límpido o direito subjetivo constitucional das empresas de crédito do montante do ICMS incidido na tomada de serviço ou na aquisição de mercadorias ou bens. in Revista de Direito Tributário Nº 48/89.. Então. letra b. de produtos fabricados graças ao consumo de inúmeros insumos no processo de fabricação. mutilá-lo ou retardá-lo" 2. (Advocacia Empresarial. todas as mercadorias adquiridas e incididas pelo ICMS geram o direito a crédito para aproveitamento. em honenagem ao cânone da não-cumulatividade do tributo. OAB-SP pág. que tem como suporte o art.ICMS . inc. compensando-se o que for devido em cada operação ou prestação de serviços com o montante cobrado nas operações anteriores.será não-cumulativo. 159 e seguintes. pg. III e IV. traça o real perfil definido pela Constituição.. 2. uso e consumo ou integração no ativo fixo). ICMS . e dá a medida. 155. 151. são uma infeliz e inconstitucional inovação dos Senhores Secretários Estaduais de Finanças. segundo os lineamentos constitucionais. E disse. Se a Constituição dá. O legislador não poderá sob pretexto algum. hoje chamado de compensação. o chamado ICMS é um direito constitucional.Cometário à LC 87/96. não pode tirar. § 2º. da esma Carta. do artigo 155: o imposto . não está a disposição do legislador. ao mínimo que seja. Agora está dita a regra que assegura a eficácia do princípio.34. Para Ives Gandra da Silva Martins. não expediente que possa reduzí-lo. anulá-lo. 2. b) destarte. art. que é o sistema de abatimento. pode-se chegar às seguintes conclusões: a) as restrições feitas pelo Convênio 66/68. logo se a lei não dá. .33.35. Está aí o princípio. sem respaldo na CF/88. I. II. È a Constituição que me dá esse direito. no parágrado 2º. seja qual for o seu posterior destino ( revenda. incs. não é um direito legal. à restrição de tais limites. Aroldo Gomes de Mattos. II. introduzir qualquer tipo de modificação tendente. 31.ser rigorosamente obedecida. 178 e seguintes). a lei não pode reduzir a medida. A venda poderá ser dos mesmos produtos. inclusive os materiais para uso ou consumo.. tudo conforme se . pg. de produtos com aquelas matérias-primas fabricadas.

pg.. da CF/88-.". § 2º. integração no ativo fixo.nº 147-420. a compra. 2. assevera: ( Dialética. consumo.37 .. por meio de compensação do tributo pago na entrada da mercadoria com o valor devido na ocasião da . do disposto na CF. art. uso ou qualificação da mercadoria. gera irrecusavelmente crédito a ser compensado com operações tributárias próprias. pg.pode criar obstáculos ou de alguma maneira inovar na regulação deste direito à "não-cumulutividade". 155. o fazem por preconceitos históricos. nº 64. in Revista de Direito Público. de venda ao consumidor final. nº 25.Afinado no mesmo diapasão.são inconstitucionais as restrições ao direito de abatimento do ICMS. parágrafo 2º... a parcela representativa do tributo venha representar percentual excedente do que correspondente à alíquota máxima permitida em lei. citado. Daí porque.. para ser fruído por inteiro. I.. bens e serviços para fisn de crédito do ICMS. da destinação que o contribuinte vai dar às mercadorias ou bens que adquirir ( revenda. embalagens.tornamos a acentuar . como o ICMS tem por objetivo impedir que. c) . Heron Arzua assevera (Créditos de ICMS e IPI. que restringem o direito ao crédito do ICMS sobre o pressuposto de que o crédito é meramente físico. XII. 153) " O direito à não cumulatividade do ICMS independe. etc. 2. insumos..36 .percebe.38 Na Revista ADCOAS Jurisprudência -1995.. 155.Roque Antonio Carraza ao comentar a irrevelância da destinação das mercadorias. 2. independentemente do destino. contidas em leis ou atos normativos infralegais. Opera ele. inc. I.fora do limitado campo adjetivo e procedimental que lhe reservou a Constituição ( art. de matérias primas. § 2º. que foi exatamente disciplinado pelo próprio Texto Magno". nas diversas fases de seu ciclo econômico. Nem mesmo a lei complementar .) ou dos serviços de transporte e de comunicações que lhe são prestados. serviços e bens de capital. como disposto no artigo 23 da CF/69 . mormente na última venda. na composição do preço da mercadoria..260: " .artigo 155. As leis estaduais e os atos normativos. por contribuinte do imposto... uso. o Supremo Tribunal Federal adota idêntico entendimento: "O princípio da não-cumulatividade de certos tributos. com muita facilidade.

pois os bens do ativo são adquiridos com o mesmo objetivo pelo qual se adquirem matérias-primas. A alegação de que o empresário é consumidor final dos bens destinados ao ativo imobilizado. 201. enquanto os governos estaduais tiverem interesse em continuar tributando à margem da lei e à sombra da confusão.39. in Direito Financeiro e Tributário. Em síntese. que a operação de venda é tributada tão somente pelo valor adicionado ao preço. Evita-se. Atlas 1995." 2. e não sobre mercadorias agregadas. está criando uma verdadeira situação de caos legislativo. complicados e de difícil operacionalização. A falta de lei complementar para disciplinação deste imposto. crédito de imposto pago a outras. não virá. e pela sua natureza não-cumulativa cada unidade da Federação é obrigada a reconhecer. pg. Vittorio Cassone. grava operações interestaduais. ensina: " Pelo que se extrai das normas constitucionais. in Direito Tributário.41. 6ª edição. Atlas. ainda que não se integrem fisicamente ao produto final. apesar de ser competência estadual. o objetivo são de produzir algo ao para posterior de comercialização. o imposto é sobre o valor agregado. compensando-se o que for devido em cada operação relativa a circulação. com expedição de centenas e centenas de Decretos ratificando Convênios de toda ordem.saída. a regulamentação. Kiyoshi Harada. insumos sempre necessários processo . ou tais seja. mas também aos bens adquiridos para integrar o ativo permanente das empresas. porque incide a cada operação de circulação jurídica ou econômica da mercadoria. Aliás.40. O direito ao crédito deve-se estender não só aos materiais de uso e consumo. portanto de todos os custos que compõem necessariamente o preço final. ou de materiais de uso ou consumo. pg. usurpando matéria de reserva legal. por lei complementar. com o montante do ICMS cobrado nas operações anteriores.de fato. A natureza jurídica do ICMS é sua essência. estão neles incorporados financeiramente . escreveu: " O ICMS. Trata-se de um imposto com características nacionais. por esse motivo. como comanda a Constituição Federal.e. desta forma interessa tributar a mais-valia embutida na mercadoria diminuída. que. é um dos impostos mais complexos. cumulação do tributo." 2. o ICMS mão é um imposto sobre o valor agregado. 281." 2. atualmente. numa cadeia de incidências. um imposto não cumulativo. significando na prática. pois. não justifica a adoção do crédito físico.

302): " À Lei Complementar cabe. do método. ' disciplinar o regime de compensação de imposto' ( art. Entendemos que têm direito ao crédito em questão. incumbiu à lei complementar tão-só a fixação do mecanismo. exclusivamente. um pouco. as empresas que. com base no qual se calcula o preço da mercadoria. 2. A mesma Lei Maior.43. na obra Créditos de ICMS e IPI. jamais torpedeá-lo ou limitar. Não resta a menor dúvida que a Lei Complementar 87/96. p. soma algébrica de fatos geradores ocorrido em um período". estadual e municipal.Recorrendo mais uma vez aos ensinamentos de Roque Antonio Carraza. também.44 . a aridez da teoria. para melhor levar a cabo seus objetivos institucionais. inspira e permeia as legislações federal. de José Eduardo Soares de Melo ( Questões. caracterizando-se como lei nacional que fundamenta. estabelecer um procedimento que objetive operacionalizar a sistemática ' nãocumulatividade'. p.industrialização e compõe o custo do produto final. . nº 64.42. O alcance da Lei Complementar no que concerne ao princípio da não cumulatividade foi bem definido no magistério de Heron Arzua. 2. isto é. A Lei Complementar objetiva explicitar a norma constitucional. tornando claros. 163 da obra já citada. XII.equipamentos de informática. adquirem: I . rigidamente. v. da forma pela qual se implementa o regime da compensação ( período considerado. 155. in Revista de Direito Tributário. os comandos constitucionais". agora. in Revista de Direito Tributário. 64. praticando operações ou prestações de serviços tributáveis por meio de ICMS. pela taxa ou margem de lucro. mas meramente regulatório. 2. erigidos como um autêntico estatuto do contribuinte. vamos. na Constituição. não possuindo efetivo caráter inovatório. 256: " Ora. pg. temos: " Deixando de lado. o conteúdo do princípio da não-cumulatividade está posto. dar alguns exemplos práticos. c).Tal opinião. entrementes. vem dar ponto final às inúmeras discussões entre fisco e cobribuintes sobre a não-cumulatividade do ICMS. restringir ou cercear os direitos públicos subjetivos ( constitucionais). práticos e operacionais.

Mas. que serão utilizadas na fabricação de mercadorias. que a ela preexistia. que ornamentarão o estabelecimento ou servirão para divulgar as atividades nele desenvolvidas. rende ensejo à utilização do crédito do ICMS.máquinas ou ferramentas. deixou de exercer se direito de crédito. quando. televisão. do Texto Supremo.Como a Lei Complementar 87/96 limitou-se a estebelecer que somente darão direito de crédito as mercadorias destinadas ao uso e consumo do estabelecimento. e VI .objetos voluntários ( rádios.veículos. tudo o que viabiliza a atividade comercial da empresa. nele entradas a partir de 1º de janeiro de 1998 ( art. a final. III. etc. 2. pára serem aplicadas em seus produtos. com o advento da CF/88. que.II . Visto. etc. e observados as formalidades legais. flores . operou-se a ruptura da ordem jurídica anterior. Errou. pelo menos desde 5 de outubro de 1988 ( data da promulgação da atual Constituição). contados a partir de abril/89. existia. o direito de crédito. V. o contribuinte tinha o direito ao crédito de ICMS nas aquisições de bens destinados ao uso. na verdade. IV.45 . de que aqui requer-se. já que deflui do art. 33. para serem aplicados em seus veículos que prestam serviços de transportes transmunicipal. Em suma. ainda. que venham a ser utilizados para o transporte de seus funcionários ( auto transporte). 155. pelo menos a partir de 1988. Em suma. e não importa o motivo. ao consumo ou ao ativo permanente. inclusive bens de uso e consumo ou ativo permanente. respeitando o prazo prescricional de cinco anos.47. pode fazê-lo a qualquer tempo. Só as hipóteses de isenção e não incidência fecham as portas à plena fruição deste direito constitucional " 2. I) e que somente darão direito ao crédito as mercadorias destinadas ao ativo permanente entradas no estabelecimento a partir de 1º de novembro de 1996 ( art. Os exemplos poderiam ser multiplicados. brindes. ventilador. .matérias-primas. 36). ). pois que. quando apontou os termos iniciais para a fruição deste direito. a LC 87/96 acertou ao reconhecer o direito de crédito do ICMS para todas as aquisições. corrigidos monetariamente.46. § 2º. os menos cautos podem supor que só a partir destes marcos temporais é que o contribuinte pode ter acesso irrestrito ao direito constitucional à não-cumulatividade do ICMS. porém. serão postos em comércio. que são por legião. I.presentes. 2.

bens ou serviços. o assunto ficou inteiramente superado. etc) Marco Aurélio Greco e Ana Paula Zonari. estabelecer um procedimento que objetive operacionalizar a sistemática da não cumulatividade. CEJSP. p. máquinas. Aroldo Gomes de Mattos. XII.50. daí. além de determinados serviços tributados pelo ICMS." 2. pela sua ambiguidade. combustíveis. 2. em ICMS -Comentários à LC 87/96. a CF/88 aboliu a liberdade que tinha a LC para estipular o que permitia crédito fiscal ou não. 137. peças. para no momento oportuno ( em geral a cada trinta dias)." ICMS Materialidades e Princípios Constitucionais. bem como os insumos que não se incorporavam ao produto final ou que não eram consumidos no processo de industrialização.Geram. erigidos como um autêntico estatuto do contribuinte. 64. todavia. resume a questão: " Antes da LC 87/96.48. § 2º. agora. mas. O crédito deve ser relativo a todas as operações de entrada de mercadorias. ao lado da compra de energia elétrica. pg. p 302. conforme bem explicitou José Eduardo Soares de Melo ( "Questões". Malheiros Ed. isumos. assim. jamais torpedeá-lo ou limitar. 162): 2. o "crédito financeiro" de todas as aquisições realizadas no período não prescrito. materiais. p. minérios.52.51 . exclusivamente. porém. Dialética. 162: " Vai. de forma imediata e integral.49.. não a partir de 1º de novembro de 1996 ( no caso das mercadorias destinadas ao ativo permanente do estabelecimento) ou a partir de 1º de janeiro de 1998 ( no caso das mercadorias destinadas ao uso ou consumo do estabelecimento)." 2. restringir ou cercear os direitos públicos subjetivos ( constitucionais). . in Revista de Direito Tributário. partes. 2. nº 25. in Curso de Direito Tributário " vol.Roque Antonio Carraza.2. Essas vedações. Todavia. SP. Dialética. provocaram. bem como os de comunicações. créditos do ICMS as aquisições de serviços de transporte intermunicipal e interestadual por esse imposto onerado.O contribuinte tem o direito incontornável de lançar em sua escrita contábil. que o benefício em tela é devido. utilizá-lo como moeda de pagamento deste tributo ou transferí-lo a outros contribuintes nas formas estabelecidas na legislação de regência. não geravam crédito as aquisições de bens destinados ao ativo permanente. 155. ' disciplinar o regime de compensação de imposto ' ( art.) " À Lei Complementar cabe. uma série de demandas administrativas e judiciais. na época. c) isto é.

a saber: . no caso do ICMS: as versadas no art.Aires F. pp.têm assegurado o direito ao crédito. desde a data de sua aquisição. Em resumo.. por inocorrer enquadramento à restrição constitucional.Limites da Lei Complementar. inclusive de bens de uso...96).sim. nenhuma lei pode condicionar..98 e 1º. acertou ao reconhecer o direito de crédito do ICMS para todas as aquisições. Dialética.1.. 2. c. in Crédito de ICMS .. pg. consumo ou ativo permanente do estabelecimento . Foi a própria Constituição que assim preceituou.. 33 da Lei Complementar nº 87/96) que fixou termo inicial para momento ulterior ( 1º.. 11.que não devem implicar posterior operação/serviço tributado . e) a aquisição dos bens destinados ao uso. onde o mestre nos brinda com o que segue: "Em suma. desde a promulgação da Constituição Federal de 1998. Sendo a operação subsequente " de circulação de mercadorias".. Logo.. a compensação com créditos decorrentes de prestação de serviços ( e vice-versa) não pode sofrer rejeição. têm-se: " Em complemento. in Curso de Direito Tributário. revelando-se inconstitucional a norma ( incisos I e III do art.. reduzir ou eliminar o direito de "creditar-se" pelo ICMS relativo a operações anteriores.. 283/284.. cabe apontar demais pontos de interesse o entendimento do cânone da não-cumulatividade..53 .. a formulação constitucional é ampla e irrestrita: toda operação tributável gera crédito.. 166. respectivamente)".54 . a Lei Complementar 87/96. nº 25.. b. . § 2º. 155. quando uma nova ordem jurídica foi inaugurada. Dialética. 2. II....11. p.. vale a pena conferir a primorosa lição de Roque Antonio Carraza.À guisa de conclusão e pondo um pá de cal em qualquer argumentação que porventura busque se insurgir contra o aqui apontado. a Constituição só prevê duas execeções ao direito de crédito. 2.55. Dialética. leciona: " Todos são créditos e débitos do ICMS.. normas que estabeleçam restrições de qualquer espécie ao direito de crédito põem-se em flagrante descompasso com a Constituição". Barreto.No magistério de José Eduardo Soares de Melo. podemos concluir afirmando que: a..

Errou. 155. os argumentos aqui desenvolvidos convergem para a necessária conclusão de que é amplo e irrestrito o direito de crédito do ICMS sobre todas as aquisições.consumo ou ativo permanente. I. . quando apontou os termos iniciais para a fruição deste direito. ( g. normas que estabeleçam restrições de qualquer espécie ao direito de crédito põem-se em flagante descompasso com a Constituição. inclusive dos materiais de consumo e de bens do ativo imobilizado. ultrapassando as raias da constitucionalidade. porém.n. que a ele preexistia. do Texto Supremo". § 2º.) Diante de todo o exposto. já que deflui do art. Logo.

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