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Manual de Processo-ETE Itabira-Final

Manual de Processo-ETE Itabira-Final

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  • 1 APRESENTAÇÃO
  • 2 DESCRIÇÃO GERAL DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO
  • 2.1.1 Preliminares
  • 2.1.2 Populações e vazões contribuintes à ETE
  • 2.2 Concepção e fluxograma da estação
  • 2.2.1 Preliminares
  • 2.2.2 Fluxograma geral
  • 3 DESCRIÇÃO DAS UNIDADES
  • 3.1 Unidades componentes da ETE – Descrição Geral
  • 3.2 Descrição do processo de tratamento
  • 3.3 Unidades de gradeamento
  • 3.3.1 Grade Grossa
  • 3.3.2 Grade fina mecanizada
  • 3.3.3 Grade fina de limpeza manual
  • 3.4.3 Linha de recalque
  • 3.5 Desarenador
  • 3.9.1 Reatores UASB
  • 3.9.2 Filtros Biológicos Percoladores – Decantadores Secundários
  • 3.11.1 Caixa divisora de vazão CDV1
  • 3.11.2 Caixa divisora de vazão CDV2
  • 3.11.3 Caixa divisora de vazão CDV3
  • 3.11.4 Distribuidor tipo DST1
  • 3.11.5 Distribuidores tipo DST2 e DST3
  • 3.13.1 Sistema Geral
  • 3.13.2 Sistema de Automatização das Elevatórias EE-01 e EE-02
  • 4 PARTIDA DOS REATORES UASB
  • 4.1 Preliminares
  • 4.2 Considerações e critérios para a partida
  • 4.2.1 Volume de inóculo para a partida do processo
  • 4.2.2 Carga hidráulica volumétrica
  • 4.2.3 Produção de biogás
  • 4.2.4 Fatores ambientais
  • 4.2.5 Aclimatização e seleção da biomassa
  • 4.3 Procedimentos que antecedem a partida de um reator
  • 4.3.1 Caracterização do lodo de inóculo
  • 4.3.2 Caracterização do esgoto bruto
  • 4.4 Procedimentos durante a partida dos reatores anaeróbios
  • 4.4.1 Partida com lodo de inoculo
  • 5 PARTIDA DO FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR – FBP
  • 6 OPERAÇÃO EM REGIME ESTACIONÁRIO
  • 6.1 Tratamento preliminar
  • 6.1.1 Unidades de gradeamento
  • 6.1.2 Desarenador
  • 6.2 Reatores UASB
  • 6.2.1 Sistema de distribuição de vazões
  • 6.2.2 Remoção da escuma formada no reator anaeróbio
  • 6.2.3 Coleta e queima de gás
  • 6.3 Filtro biológico percolador seguido de decantadores secundários
  • 6.3.1 Sistema de distribuição de vazões
  • 6.3.2 Esquema operacional
  • 6.3.3 Critério de descarga de lodo dos decantadores
  • alimentação do filtro-prensa;
  • 6.4.1 Alimentação do filtro-prensa
  • 6.4.2 Adição de polieletrólito ou polímero
  • 6.4.3 Retorno do efluente líquido
  • 7 DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS
  • 8 CORREÇÃO DE PROBLEMAS OPERACIONAIS
  • 8.1 Vazão e características do afluente
  • 8.2 Gradeamento
  • 8.3 Desarenador
  • 8.4 Reator UASB
  • 8.5 Unidade de desidratação
  • 8.6 Filtro biológico percolador e decantador secundário
  • 9 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA ETE
  • 10 CONTROLE DE QUALIDADE DO CORPO RECEPTOR
  • 11 MANUTENÇÃO, CONSERVAÇÃO E SEGURANÇA

ITABIRA-MG

SISTEMA DE ESGOTOS SANITÁRIOS


ESTAÇÃO DE TRATAMENTO






MANUAL DE PROCESSO



DEZEMBRO/2006







Av. Prudente de Morais, 621 salas 206/414/501/502
Belo Horizonte - MG CEP 30.380 000 Fone/Fax: 3344-8367
E-mail: oemengenharia@alol.com.br


2
SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................................. 4
2 DESCRIÇÃO GERAL DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO ......................................................................... 5
2.1 LOCALIZAÇÃO ............................................................................................................................................... 5
2.1.1 Preliminares .......................................................................................................................................... 5
2.1.2 Populações e vazões contribuintes à ETE ............................................................................................. 5
2.2 CONCEPÇÃO E FLUXOGRAMA DA ESTAÇÃO .................................................................................................... 6
2.2.1 Preliminares .......................................................................................................................................... 6
2.2.2 Fluxograma geral .................................................................................................................................. 7
3 DESCRIÇÃO DAS UNIDADES ....................................................................................................................... 9
3.1 UNIDADES COMPONENTES DA ETE – DESCRIÇÃO GERAL .............................................................................. 9
3.2 DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE TRATAMENTO ................................................................................................ 12
3.3 UNIDADES DE GRADEAMENTO ..................................................................................................................... 14
3.3.1 Grade Grossa ...................................................................................................................................... 14
3.3.2 Grade fina mecanizada ....................................................................................................................... 14
3.3.3 Grade fina de limpeza manual ............................................................................................................ 14
3.3.4 Volume de material gradeado ............................................................................................................. 15
3.4 ELEVATÓRIA EE-01 – BAIXO RECALQUE ..................................................................................................... 15
3.4.1 Poço de sucção .................................................................................................................................... 15
3.4.2 Conjuntos elevatórios .......................................................................................................................... 15
3.4.3 Linha de recalque ................................................................................................................................ 16
3.5 DESARENADOR ............................................................................................................................................ 16
3.6 MEDIDOR PARSHALL ................................................................................................................................... 17
3.7 CANAL DE LIGAÇÃO DESARENADOR – PARSHALL – POÇO SUCÇÃO DA EE-02 ............................................. 18
3.8 ELEVATÓRIA EE-02 “ALTO RECALQUE” ..................................................................................................... 18
3.9 TRATAMENTO BIOLÓGICO: REATOR UASB + FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR ......................................... 20
3.9.1 Reatores UASB .................................................................................................................................... 20
3.9.2 Filtros Biológicos Percoladores – Decantadores Secundários ........................................................... 25
3.10 ELEVATÓRIA DE RETORNO DE LODO ............................................................................................................ 28
3.10.1 Poço de sucção .................................................................................................................................... 28
3.10.2 Conjuntos elevatórios .......................................................................................................................... 28
3.10.3 Linha de recalque ................................................................................................................................ 29
3.11 CAIXAS DIVISORAS DE VAZÃO...................................................................................................................... 29
3.11.1 Caixa divisora de vazão CDV1 ........................................................................................................... 29
3.11.2 Caixa divisora de vazão CDV2 ........................................................................................................... 29
3.11.3 Caixa divisora de vazão CDV3 ........................................................................................................... 30
3.11.4 Distribuidor tipo DST1........................................................................................................................ 31
3.11.5 Distribuidores tipo DST2 e DST3 ....................................................................................................... 31
3.12 SISTEMA DE DESIDRATAÇÃO ........................................................................................................................ 32
3.13 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS ............................................................................................................................ 34
3.13.1 Sistema Geral ...................................................................................................................................... 34
3.13.2 Sistema de Automatização das Elevatórias EE-01 e EE-02 ................................................................ 36
4 PARTIDA DOS REATORES UASB .............................................................................................................. 40
4.1 PRELIMINARES ............................................................................................................................................. 40
4.2 CONSIDERAÇÕES E CRITÉRIOS PARA A PARTIDA ........................................................................................... 41
4.2.1 Volume de inóculo para a partida do processo ................................................................................... 41
4.2.2 Carga hidráulica volumétrica ............................................................................................................. 41
4.2.3 Produção de biogás ............................................................................................................................. 41
4.2.4 Fatores ambientais .............................................................................................................................. 42
4.2.5 Aclimatização e seleção da biomassa ................................................................................................. 42
4.3 PROCEDIMENTOS QUE ANTECEDEM A PARTIDA DE UM REATOR .................................................................... 43
4.3.1 Caracterização do lodo de inóculo ..................................................................................................... 43
4.3.2 Caracterização do esgoto bruto .......................................................................................................... 43
4.4 PROCEDIMENTOS DURANTE A PARTIDA DOS REATORES ANAERÓBIOS .......................................................... 43


3
4.4.1 Partida com lodo de inoculo ............................................................................................................... 43
5 PARTIDA DO FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR – FBP ................................................................... 45
6 OPERAÇÃO EM REGIME ESTACIONÁRIO .............................................................................................. 45
6.1 TRATAMENTO PRELIMINAR .......................................................................................................................... 46
6.1.1 Unidades de gradeamento ................................................................................................................... 46
6.1.2 Desarenador ........................................................................................................................................ 49
6.2 REATORES UASB ........................................................................................................................................ 52
6.2.1 Sistema de distribuição de vazões ....................................................................................................... 52
6.2.2 Remoção da escuma formada no reator anaeróbio ............................................................................ 63
6.2.3 Coleta e queima de gás ....................................................................................................................... 65
6.3 FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR SEGUIDO DE DECANTADORES SECUNDÁRIOS ............................................ 65
6.3.1 Sistema de distribuição de vazões ....................................................................................................... 65
6.3.2 Esquema operacional .......................................................................................................................... 68
6.3.3 Critério de descarga de lodo dos decantadores .................................................................................. 69
6.4 OPERAÇÃO DA UNIDADE DE DESIDRATAÇÃO ................................................................................................ 71
6.4.1 Alimentação do filtro-prensa .............................................................................................................. 71
6.4.2 Adição de polieletrólito ou polímero ................................................................................................... 72
6.4.3 Retorno do efluente líquido ................................................................................................................. 72
7 DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................................................................................ 73
8 CORREÇÃO DE PROBLEMAS OPERACIONAIS .................................................................................... 74
8.1 VAZÃO E CARACTERÍSTICAS DO AFLUENTE .................................................................................................. 74
8.2 GRADEAMENTO ........................................................................................................................................... 74
8.3 DESARENADOR ............................................................................................................................................ 75
8.4 REATOR UASB ............................................................................................................................................ 75
8.5 UNIDADE DE DESIDRATAÇÃO ....................................................................................................................... 78
8.6 FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR E DECANTADOR SECUNDÁRIO .................................................................. 79
9 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA ETE.......................................................................................... 81
10 CONTROLE DE QUALIDADE DO CORPO RECEPTOR ..................................................................... 83
11 MANUTENÇÃO, CONSERVAÇÃO E SEGURANÇA. ........................................................................... 84
12 ANEXOS – PLANILHAS DE CONTROLE/MONITORAMENTO ................. ERRO! INDICADOR NÃO
DEFINIDO.


4

1 APRESENTAÇÃO

Este manual contempla os principais procedimentos operacionais relacionados à estação de
tratamento de esgotos da cidade de Itabira, tendo sido desenvolvido para possibilitar uma
visualização completa e o entendimento do funcionamento de todas as unidades que compõem a
ETE.
Contempla uma descrição detalhada das unidades que integram a estação de tratamento e aborda
os principais procedimentos necessários à rotina de operação, à correção de problemas
operacionais e ao programa de monitoramento, para cada etapa do tratamento e para o corpo
receptor.


5
2 DESCRIÇÃO GERAL DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO
2.1 Localização
A área de atendimento da ETE de Itabira abrange as duas grandes sub-bacias de esgotamento da
malha urbana que são a sub-bacia do córrego Água Santa (Penha) e sub-bacia do ribeirão do
Peixe, estando inserido nesta última o DI – Distrito Industrial de Itabira. As duas sub-bacias
conjuntas, consideradas as áreas de provável expansão, perfazem 2.685 hectares (2,69 km
2
).

A estação de tratamento localiza-se logo após a confluência dos corpos d’água das duas bacias
de contribuição – córrego Água Santa e Rio de Peixe, em terreno localizado defronte o
Laboratório Laboreaux da CVRD, sendo circundada pelo próprio rio de Peixe e pela rodovia que
liga Itabira a Nova Era.
2.1.1 Preliminares

A estação de tratamento de esgotos da cidade de Itabira foi dimensionada para atendimento de
uma população de 122.610 habitantes, a ser atingida em 2029, com uma primeira etapa de
implantações dimensionada para a população de 60.000 habitantes.
Além da contribuição referente aos esgotos domésticos, foi considerada a contribuição industrial
proveniente do Distrito Industrial de Itabira, cujo equivalente populacional foi estimado em
17.053 habitantes no ano 2029 e em 11.368 hab para o alcance de primeira etapa.
O alcance da primeira etapa da ETE é previsto para o ano 2014.
2.1.2 Populações e vazões contribuintes à ETE

As populações e vazões contribuintes à ETE são apresentadas na Tabela 2.1.






6
Tabela 2.1 - Vazões e Cargas orgânicas



Ano
Pop. Atendida
(hab)
Vazões médias
(L/s)
Vazão
Industrial
(L/s)
Vazões totais
(L/s)

Cargas Orgânicas
(kg DBO /d)
Residente
urbana
Equiv.
industrial
doméstica infiltração

Mín. Méd. Máx.

2007
1ª Etapa
60.000 11.368 100,56 42,96 20,00 115,74 168,52 252,96 3.854
2029
Fim de
plano
122.610 17.053 215,70 67,12 30,00 204,97 312,82 485,38 7.542



2.2 Concepção e fluxograma da estação
2.2.1 Preliminares
O tratamento dos esgotos sanitários da cidade de Itabira deverá cumprir os objetivos principais
de remoção dos sólidos em suspensão e estabilização da matéria orgânica (DBO5), através de um
sistema de tratamento em nível secundário.
A concepção da Estação de Tratamento de Esgotos - ETE previu a construção de unidades e
instalação de equipamentos para tratamento e contenção das cargas poluentes presentes nas fases
líquida, sólida e gasosa. A Figura 2.1 apresenta o fluxograma de processo da estação de
tratamento.

Figura 2.1 - Fluxograma do processo de tratamento








7
2.2.2 Fluxograma geral

A Figura 2.2 apresenta o fluxograma geral da estação, com indicação de possíveis flexibilidades
operacionais para o efluente líquido.



Figura 2.2 - Fluxograma geral




A implantação de um sistema de tratamento anaeróbio/aeróbio certamente possibilitará uma
melhoria na qualidade das águas do rio de Peixe e, conseqüentemente, de todas as variáveis
sócio-econômicas e ambientais associadas ao uso e aproveitamento de seus recursos hídricos.
Desarenador
Medidor Parshall
Gradeamento
Sólidos grosseiros
Aterro
controlado
Areia
Lodo
excedente e
escuma
Tratamento preliminar
Reator UASB
Tratamento biológico secundário
Filtros Biológicos
Corpo receptor
Decantadores
secundários
R
e
t
o
r
n
o

d
e

e
s
c
u
m
a

e

l
o
d
o

b
i
o
l
ó
g
i
c
o

Unidades de
desidratação
Tratamento biológico primário
B
y
-
p
a
s
s

B
y
-
p
a
s
s

1113
Elevatória 01
B
y
-
p
a
s
s

Elevatória 02


8
Primeiramente, os esgotos sanitários afluentes à ETE-Itabira são submetidos ao tratamento em
nível preliminar, o qual consiste na etapa de sedimentação discreta (desarenador) e medição de
vazão (medidor Parshall).
Após o tratamento preliminar, os esgotos são encaminhados para o sistema de tratamento
biológico, constituído de reatores UASB seguido de filtros biológicos percoladores e
decantadores secundários.
Finalmente, no que diz respeito à disposição final dos resíduos sólidos produzidos na estação, foi
previsto o encaminhamento para o aterro sanitário da ITAURB


9

3 DESCRIÇÃO DAS UNIDADES
3.1 Unidades componentes da ETE – Descrição Geral

 Gradeamento e primeiro recalque: ao final do interceptor, já na área do tratamento, o esgoto
bruto é lançado em um canal dotado de uma grade grossa, de limpeza manual, e, na
seqüência, uma grade fina mecanizada tipo cremalheira. Já gradeado, o esgoto é lançado no
poço de sucção da primeira elevatória (elevatória do baixo recalque) que promove o
alteamento para cota acima da máxima enchente do corpo receptor;

 Desarenação e segunda elevatória:
 desarenação mecanizada através de duas caixas quadradas (tipo detritor), com campo de
raspagem circular, onde a areia sedimentada é lançada num poço lateral. Deste poço um
parafuso helicoidal eleva a areia até o seu lançamento num “container”;
 medição de vazão através de calha Parshall dotada de medidor ultra-sônico.
 segunda elevatória (elevatória do alto recalque) que encaminha o esgoto gradeado e
desarenado para a CDV1, junto aos reatores anaeróbios;

 Caixa divisora de vazão – CDV1: a CDV1 recebe o esgoto recalcado pela segunda elevatória
e promove a partição da vazão afluente para 8 (oito) reatores de manta de lodo, sendo 4
(quatro) em primeira etapa e outros 4 (quatro) em segunda etapa;

 Reatores anaeróbios de Manta de Lodo (UASB): para o primeiro estágio do tratamento dos
esgotos foram previstos 8 (oito) reatores de manta de lodo, cada qual com duas câmaras
contíguas. Dos 8 reatores, 4 serão implantados em primeira etapa e outros 4 em segunda
etapa;

 Caixa divisora de vazão – CDV2: a caixa divisora de vazão CDV2 recebe o efluente líquido
de todos os reatores e promove a partição eqüitativa para 4 (quatro) filtros biológicos
percoladores, 2 (dois) em primeira etapa e outros 2 (dois) em segunda etapa;



10
 Filtros biológicos percoladores: o pós-tratamento do efluente dos reatores anaeróbios será
feito através de quatro filtros biológicos, circulares, alimentados por distribuidores rotativos
(torniquetes) acionados por carga hidrostática;

 Caixa divisora de vazão CDV3: esta caixa divisora de vazão recebe o efluente de todos os
quatro filtros biológicos e promove a partição eqüitativa para 4 (quatro) decantadores finais
(secundários), sendo duas unidades em primeira etapa e outras duas em segunda etapa;

 Decantadores finais: a separação fase líquida e fase sólida (gerada no filtro biológico) será
feita através de 4 (quatro) decantadores finais (secundários), circulares, dotados de ponte
raspadora mecanizada com removedor de escumas;

 Elevatória de retorno de lodo: o lodo sedimentado nos decantadores finais é encaminhado
para uma única elevatória que promove o retorno para o início do processo do tratamento,
reatores de manta de lodo, para adensamento e digestão anaeróbia e,

 Sistema de desidratação mecânica do lodo excedente através de prensa desaguadora (filtro-
prensa).

Na seqüência é apresentado um “layout” do tratamento proposto.


11
LEGENDA:

1 - GRADEAMENTO E ELEVATÓRIA DO BAIXO RECALQUE
2 - DESARENADORES MECANIZADOS
3 - ELEVATÓRIA DO ALTO RECALQUE
4 – REATORES ANAERÓBIOS DE MANTA DE LODO – UASB
5 – FILTROS BIOLÓGICOS PERCOLADORES
6 – DECANTADORES SECUNDÁRIOS
7 – CENTRO DE TREINAMENTO DE PESSOAL
8 – LABORATÓRIO / ADMINISTRAÇÃO
9 – GARAGEM / OFICINA
10 – CENTRO DE DESIDRATAÇÃO MECÂNICA



1
2 SISTEMA DE ESGOTOS SANITÁRIOS


ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTOS DE ITABIRA


LAY-OUT GERAL
2
1
3
4
5
6
7
8
9
10
0


12
3.2 Descrição do processo de tratamento

A descrição geral do processo de tratamento é baseada no fluxograma à página seguinte.

O esgoto afluente à ETE, passará inicialmente por um canal dotado de uma grade grossa (A1) e
na seqüência de uma grade fina mecanizada (A2). Em seguida é recalcado, pela primeira
elevatória (A), para os desarenadores plano mecanizados, tipo quadrado (detritor) com campo de
raspagem circular (B), onde a areia sedimentada é lançada num poço lateral. Deste poço um
parafuso helicoidal eleva a areia até o seu lançamento num “container” (caçamba brooks). Do
desarenador o afluente passa por uma calha Parshall (C), dotada de medidor ultra-sônico e é
encaminhado para a segunda elevatória (D) para a caixa divisora de vazão CDV1 (E). Nesta
caixa o esgoto é distribuído igualmente para 8 (oito) reatores de manta de lodo de fluxo
ascendente (F). O efluente líquido dos reatores é reunido na caixa divisora de vazão CDV2 (G)
que promove a divisão eqüitativa para 4 (quatro) filtros biológicos aeróbios percoladores com
leito filtrante (H). O efluente dos filtros biológicos é encaminhado para uma caixa divisora de
vazão CDV3 (I) que divide igualmente a vazão para 4 (quatro) decantadores finais (J), dotados
de ponte raspadora mecanizada. A parte líquida é vertida e encaminhada para o corpo receptor,
rio de Peixe (K). O lodo anaeróbio removido dos decantadores finais é encaminhado para uma
elevatória (L) que promove o retorno do lodo para a segunda elevatória (D) e, portanto, para os
reatores de manta de lodo onde sofre adensamento e estabilização anaeróbia.

O lodo excedente gerado pelo processo anaeróbio, juntamente com o lodo aeróbio estabilizado
no reator de manta de lodo, é encaminhado para a central de desidratação mecânica (M) onde
terá seu volume reduzido pelo deságüe. Após a desidratação o lodo é transportado para o aterro
sanitário da ITAURB (N).

O “by-pass” (O) geral da ETE será situado junto à primeira elevatória que terá controle
operacional e supervisório junto ao prédio da administração da ETE.

A seguir apresenta-se uma descrição detalhada de cada unidade integrante da ETE - Itabira,
abordando a sua finalidade e os princípios de funcionamento.


13


14
3.3 Unidades de gradeamento
O esgoto afluente à Estação de Tratamento será alteado através de dois recalques seqüenciais.
Uma primeira unidade de recalque elevará os esgotos até a cota de segurança das máximas
enchentes do rio do Peixe, outra completará o alteamento até cota compatível com a distribuição
para os reatores anaeróbios, primeira unidade do tratamento.

O sistema de gradeamento será composto por dois canais paralelos, um dotado de uma grade fina
de limpeza manual e outro de uma grade grossa e outra fina mecanizada, na seqüência. O esgoto
afluente, antes de adentrar o canal da grade, passa por uma câmara de recepção dotada de
comporta e extravasor.

As principais características do sistema de gradeamento são:

3.3.1 Grade Grossa

 espaçamento livre entre barras .......................................................... E = 5 cm
 barras chatas ...................................................................................... 3/8” x 1 ½”
 inclinação com a horizontal ............................................................... 60 º
A grade grossa será rastelada manualmente e os detritos acondicionados em uma caçamba,
sendo, daí, encaminhados para a disposição final.

3.3.2 Grade fina mecanizada

 espaçamento livre entre barras .......................................................... E = 1,5 cm
 barras chatas ...................................................................................... 3/8” x 1 ½”
 inclinação com a horizontal ............................................................... 80 º

A grade tipo Cremalheira tem sua limpeza mecanizada, lançando os resíduos em uma caçamba.
3.3.3 Grade fina de limpeza manual

 espaçamento livre entre barras .......................................................... E = 1,5 cm
 barras chatas ...................................................................................... 3/8” x 1 ½”


15
 inclinação com a horizontal ............................................................... 60 º

A grade fina será rastelada manualmente e os detritos acondicionados em uma caçamba, sendo,
daí, encaminhados para a disposição final.
3.3.4 Volume de material gradeado

O volume diário de material a ser gradeado no sistema de grade grossa seguida de grade fina
mecanizada foi avaliado em:

V
ano inicial
= 14.560 m
3
/d x 0,040 L/m
3
= 582 L/d
V
ano final
= 27.027 m
3
/d x 0,040 L/m
3
= 1.081 L/d

3.4 Elevatória EE-01 – Baixo Recalque

A elevatória EE-01 recebe o esgoto afluente do final do emissário de esgoto bruto, após passar
pelo sistema de gradeamento, e eleva para a plataforma de assentamento dos desarenadores
mecanizados, acima da cota de máxima enchente.

Suas características são:

3.4.1 Poço de sucção

 cota do fundo .................................................................................... 651,00 m
 cota da laje superior .............................................................................. 656.30 m
 altura total .......................................................................................... 5.30 m
 altura útil ............................................................................................ 1,25 m
 volume útil .......................................................................................... 23,00 m
3

 volume efetivo .................................................................................... 24,00 m
3

 forma - retangular
 largura ................................................................................................ 8,00 m
 comprimento ....................................................................................... 2,70 m

3.4.2 Conjuntos elevatórios



16
 nº de conjuntos (inclusive reserva/rodízio) .............................................. 04
 tipo ..................................................................................................... re-autoescorvante
 modelo ........................................................................................... GRESCO X-T 10
 rotação de trabalho ................................................................. variável 950 rpm a 1000 rpm
 potência instalada .................................................................................. (3 x 50) = 120 HP

Os conjuntos serão dotados de variador de velocidade por inversor de freqüência e, a priorí,
operarão entre 950 e 1.000 rotações por minuto (eixo da bomba). O esquema de automatização
da unidade é apresentado no sub-item 3.13.2.

3.4.3 Linha de recalque

 diâmetro ....................................................................................... DN = 500
 extensão ..................................................................................... 20 m
 material ......................................................................................... PRFV

3.5 Desarenador
O sistema desarenador tem a função de remover partículas de areia, uma vez que tais partículas
podem ocasionar abrasão e obstrução nas tubulações. Além disso, esses materiais não são
passíveis de tratamento biológico devido à sua natureza inerte ou pouco biodegradável.
O desarenador da ETE de Itabira será do tipo detritor (seção quadrada). Neste tipo de
desarenador a areia é separada por gravidade. O tanque possui seção quadrada, dotado de
mecanismo de raspagem da areia com acionamento central através de motor redutor e campo de
ação circular. A areia sedimentada é raspada e lançada num poço lateral onde um parafuso fará o
transporte ascendente da areia até seu lançamento em “container” – caçamba brooks. Serão
implantados dois desarenadores, sendo um para reserva/ rodízio.

As principais características do desarenador são:
 número de unidades ............................................................................................ 02
 tipo ...................................................................................................................... detritor
 seção ................................................................................................................... quadrada
 campo de ação .................................................................................................... circular
 acionamento ....................................................................................................... central


17
 remoção de areia .............................................................................. parafuso helicoidal

A Figura 3.1 apresenta desenho esquemático do desarenador, identificando o funcionamento de
equipamentos de remoção de sólidos.

Figura 3.1 – desenho esquemático do desarenador mecânico

Os esgotos domésticos, já livres de uma fração significativa dos sólidos mais grosseiros, vertem
sobre os canais a jusante, seguindo para o medidor Parshall.
Quantidade de areia removida

Estimando-se em 30 litros de areia para cada 1.000 m
3
de esgoto afluente, os volumes diários de
areia a serem removidos serão:

 para a primeira etapa, vazão média de 14.560 m
3
/d .......................... 439 L/d
 para o ano inicial da 2ª etapa, vazão media de 24.174 m
3
/d .............. 725 L/d
 para o ano final da 2ª etapa, vazão média de 27.028 m
3
/d ................ 811 L/d

Para os dez primeiros anos de operação da 1ª etapa, prevalecendo o início operacional da 2ª etapa
no ano 11, é esperado um volume total de areia removida de 1.602 m
3
.

3.6 Medidor Parshall

defletores
(entrada do
afluente)
raspador
mecânico
bomba
parafuso moto redutor
caçamba


18
Logo após o desarenador, foi previsto um medidor de vazão tipo calha Parshall de 2´(61cm). A
medição da vazão afluente será feita através da leitura da lâmina, na seção convergente, através
de medidor ultra-sônico.
3.7 Canal de ligação Desarenador – Parshall – Poço Sucção da EE-02

A ligação dos vertedores das caixas desarenadoras mecanizadas ao medidor Parshall será feita
por um canal retangular com as seguintes características:

 largura do canal ............................................................................. 1,20 m
 extensão até a calha Parshall ......................................................... 34,00 m
 declividade do fundo .................................................................... 0,0050 m/m
 cota do início do canal ................................................................... 659,41 m
 cota do final (início do medidor Parshall) ..................................... 659,24 m
 cota da seção convergente do medidor Parshall ............................. 659,18 m

A ligação entre a saída do medidor Parshall e o poço de sucção da elevatória apresenta as
seguintes características:
 diâmetro da canalização ...................................................................... 800 mm
 extensão ............................................................................................... 12,40 m
 cota do início ....................................................................................... 658,60 m
 cota do final ........................................................................................ 658,40 m
 declividade de fundo ........................................................................... 0,0161 m/m

3.8 Elevatória EE-02 “Alto Recalque”

A estação elevatória EE-02 recebe o efluente dos desarenadores mecanizados e promove o
alteamento dos esgotos para a Caixa Divisora de Vazão CDV1. Na busca de um funcionamento
equilibrado com a elevatória EE-01, buscou-se equipar a EE-02 com o mesmo número de
conjuntos de recalque e adotados os mesmos volumes úteis da EE-01, por faixas operacionais.
3.8.1.1 Poço de sucção



19
 cota do fundo .................................................................................... 655,70 m
 cota da laje superior .............................................................................. 659,80 m
 altura total .......................................................................................... 4,10 m
 altura útil ............................................................................................ 1,25 m
 volume útil .......................................................................................... 23,00 m
3

 volume efetivo .................................................................................... 24,00 m
3

 forma - retangular
 largura ................................................................................................ 8,00 m
 comprimento ....................................................................................... 2,70 m

3.8.1.2 Conjuntos elevatórios

 nº de conjuntos (inclusive reserva/rodízio) .............................................. 04
 tipo ..................................................................................................... re-autoescorvante
 modelo ........................................................................................... GRESCO X-T 10
 rotação de trabalho ............................................................. variável 1.075 rpm a 1.130 rpm
 potência instalada .................................................................................. (3 x 50) = 150 HP

Os conjuntos de recalque da elevatória do “Alto Recalque” também serão equipados com
variador de velocidade por inversor de freqüência. O ajuste da rotação permitirá o equilíbrio da
vazão de recalque em conformidade com a performance da elevatória do “Baixo Recalque”.

O esquema de automatização da unidade é apresentado no sub-item 3.13.2.

3.8.1.3 Linha de recalque

 diâmetro ....................................................................................... DN = 500
 extensão ..................................................................................... 60 m
 material ......................................................................................... PRFV



20
3.9 Tratamento biológico: Reator UASB + Filtro Biológico Percolador
Após o tratamento preliminar os esgotos afluentes à ETE - Itabira seguem para a etapa de
tratamento biológico composto por reatores UASB - “Upflow Anaerobic Sludge Blanket
Reactors” seguidos de três filtros biológicos percoladores.


3.9.1 Reatores UASB

Para atendimento da vazão afluente de final de plano foram previstas 8 unidades de reatores,
cada qual com duas câmaras conjugadas. Em primeira etapa funcionarão apenas 4 unidades, que
operarão em paralelo, dispondo das principais características geométricas em cada câmara de
reator:

 forma ............................................................................................. retangular
 comprimento de cada câmara ......................................................... 21,70 m
 largura de cada câmara ................................................................... 6,20 m
 altura útil ........................................................................................ 4,50 m
 altura total ...................................................................................... 5,00 m
 volume útil ..................................................................................... 605,43 m
3

 volume total final de plano(8 reatores – 16 câmaras) .................... 9.686,9 m
3

 volume total 1ª etapa (4 reatores – 8 câmaras) ............................... 4.843,4 m
3


A representação esquemática da dinâmica de tratamento dos esgotos no interior de um reator
UASB é mostrada na Figura 3.2. Ao ingressarem no reator UASB, os sólidos biodegradáveis em
suspensão ou dissolvidos na massa líquida passam a servir de substrato orgânico para a
comunidade de microrganismos anaeróbios e/ou facultativos presentes. Os processos de
bioestabilização da matéria orgânica passível de decomposição ocorrem majoritariamente nas
zonas mais profundas dos reatores correspondentes às câmaras de digestão.


21
As câmaras de digestão são delimitadas superiormente por dispositivos de retenção de biomassa
(manta de lodo em suspensão) e recolhimento do biogás produzido, denominados separadores
trifásicos ou coifas.
Os sólidos eventualmente arrastados por correntes de fluxo ascendente de maior intensidade,
desprendendo-se da manta de lodo em suspensão, poderão atingir as partes superiores do reator
situadas entre as coifas, correspondentes aos compartimentos de decantação. Nestas regiões,
devido à maior área superficial disponível para o escoamento do fluido, desenvolve-se baixa taxa
de aplicação superficial, o que propicia a sedimentação e retorno dos sólidos suspensos para a
zona de reação.


Figura 3.2 - Representação esquemática da dinâmica de tratamento dos esgotos no interior de um
reator UASB
Por sua vez, as bolhas de gases produzidos durante o processo bioquímico de digestão anaeróbia
da matéria orgânica, notadamente metano e dióxido de carbono, em sua trajetória ascendente e
retilínea, são recolhidas diretamente nas aberturas inferiores das coifas ou desviadas para estas
por meio de vigas-anteparo.
Os esgotos tratados no reator UASB são recolhidos na superfície livre da massa líquida, vertendo
em calhas dispostas longitudinalmente às coifas (separadores trifásicos). As calhas de coleta
conduzem o efluente tratado até canais de concreto, situados na face externa das paredes do
reator, de onde seguem para o canal do efluente.
Manta de
lodo
afluente
biogás
sólidos
efluente
Separador
trifásico
Decantadores
Calha do efluente
final


22
Os sistemas anaeróbios têm dificuldades em produzir um efluente que atenda aos padrões
estabelecidos pela legislação ambiental. Tal aspecto ganha relevância na medida em que os
órgãos ambientais estaduais têm intensificado a sua fiscalização e atuado efetivamente no
licenciamento ambiental de novos empreendimentos no setor de saneamento. A Tabela 3.1
apresenta faixas de eficiências usualmente esperadas para a remoção de alguns poluentes no
tratamento em reatores UASB e a Tabela 3.2 apresenta um resumo das principais características
e dimensões resultantes do dimensionamento do reator UASB.



Tabela 3.1 - Eficiências esperadas de remoção dos principais parâmetros de monitoramento em
reatores UASB
Parâmetro DBO DQO SST N P Coliformes
Eficiência esperada (%) 60 a 80 65 70 10 a 25 10 a 20 60 a 90
Fonte: Adaptado de von Sperling (1996)

Tabela 3.2 - Resumo das principais características e dimensões resultantes do dimensionamento
do reator UASB
Dimensões / Características Valor
Número reatores

8
Número de câmaras 16
Largura de cada câmara 6,20 m
Comprimento de cada câmara 21,70 m
Área de cada câmara 134,54 m
2

Altura total do reator 5,00 m
Altura útil do reator 4,50 m
Volume útil de cada câmara do reator 605,43 m
3

Cada reator UASB projetado apresenta 7 compartimentos de decantação, sendo 6 inteiros e 2
metades.

Distribuição da vazão afluente


23
O esgoto afluente a cada reator UASB chega no distribuidor DST-1. Daí é repartido para
distribuidores DST-2 e DST-3 que promovem a partição eqüitativa para a zona profunda de
digestão, sendo todo o fluxo por gravidade.
A distribuição adequada e eqüitativa do afluente é aspecto relevante na operação de reatores
UASB, sendo essencial para garantir um melhor regime de mistura e a diminuição da ocorrência
de zonas mortas no leito de lodo.
Separadores trifásicos
A Tabela 3.3 apresenta as principais características e dimensões dos separadores trifásicos
(coifas) do reator UASB.



Tabela 3.3 - Resumo das principais características e dimensões dos separadores trifásicos
(coifas) do reator UASB.
Dimensões / Características Valor
Número de separadores trifásicos por célula 7
Inclinação das paredes das coifas 54
o

Largura na parte superior das coifas 0,50 m
Largura na parte inferior das coifas 2,40 m
Largura das aberturas simples (junto às paredes do reator) 0,35 m
Largura das aberturas duplas (entre coifas) 0,70 m


Compartimentos de decantação
Os compartimentos de decantação constituem a última etapa do tratamento em reatores UASB
(ver Figura 3.2). São dispositivos essenciais ao bom funcionamento do reator, uma vez que
devem propiciar o retorno do lodo ao compartimento de digestão, de forma a garantir uma
elevada idade do lodo no sistema e o baixo teor de sólidos no efluente final. A Tabela 3.4 mostra
as principais características e dimensões dos compartimentos de decantação.
Tabela 3.4 - Resumo das principais características e dimensões dos compartimentos de
decantação do reator UASB


24
Dimensões / Características Valor
Largura útil de cada decantador (entre coifas) 2,60 m
Profundidades da seção retangular do decantador (parede reta) 0,50 m
Profundidade da seção triangular do decantador (parede inclinada) 1,30 m
Profundidade total do decantador 1,80 m
Inclinação das paredes dos decantadores 54
o

Volume total de decantação, por câmara 149,73 m
3


Sistema de biogás
Até recentemente, os processos anaeróbios eram associados a gases mal cheirosos, sendo que
isso se tornou o principal impeditivo para uma maior utilização desses processos para o
tratamento de efluentes líquidos. Com o maior número de estudos e pesquisas desenvolvidos na
área, notadamente a partir da década de setenta, adveio um maior conhecimento da
microbiologia e bioquímica do processo anaeróbio e conseqüentemente das medidas a serem
adotadas para o controle destes gases.
No que diz respeito à formação de gases mal cheirosos, geralmente associados à redução de
compostos de enxofre a sulfeto de hidrogênio (H
2
S), devem ser tomadas medidas para se evitar
que estes gases escapem para a atmosfera, notadamente quando da existência de habitações
próximas à área de tratamento. Como o gás sulfídrico pode escapar do reator tanto por via
líquida (dissolvido no efluente) como por via gasosa (coletor de gases), diferentes medidas
devem ser tomadas.
A liberação do biogás de forma descontrolada na atmosfera é ruim, não apenas pela possibilidade
de ocorrência de maus odores junto à vizinhança, mas principalmente pelos riscos inerentes ao
gás metano, que é combustível. Dessa forma, o biogás produzido no reator deve ser coletado,
medido e posteriormente utilizado ou queimado.
O sistema de retirada do biogás, a partir da interface líquido-gás no interior do reator, é
composto de:
- tubulação de coleta;
- manômetro;
- válvula corta chama e alivio de vácuo;


25
- tanque de pressão e sedimentação;
- condensador e purga;
- medidor de vazão;
- queimador.
No interior do reator UASB, os gases são encaminhados para zona de acúmulo e coleta do
separador trifásico (zona de acumulação de gases).
Recolhimento e transporte dos efluentes dos reatores anaeróbios
Na ETE-Itabira, o efluente final do reator anaeróbio seguirá para o pós-tratamento aeróbio,
através de filtros biológicos percoladores.
3.9.2 Filtros Biológicos Percoladores – Decantadores Secundários

Após os reatores UASB os esgotos efluentes seguem para a etapa do tratamento secundário
composto por filtros biológicos percoladores seguidos de decantadores secundários.
Foram previstos 4 (quatro) filtros biológicos aeróbios percoladores (arejamento natural), com as
seguintes características:

 número de unidades de 1ª etapa .............................................................. 02 un
 número de unidades em 2ª etapa ............................................................. 04 un
 formato .................................................................................................... circular
 diâmetro de cada unidade ....................................................................... 22,50 m
 altura do meio suporte ............................................................................ 2,50 m
 área superficial de cada filtro .................................................................. 397,61 m
2

 volume de cada filtro ............................................................................... 994,03 m
3


Para a remoção do lodo gerado nos filtros biológicos foram previstos 4 (quatro) decantadores
secundários, com as seguintes características:

 número de unidades em 1ª etapa ........................................................... 02
 número de unidades em 2ª etapa ........................................................... 04


26
 formato .................................................................................................. circular
 diâmetro ................................................................................................ 20 m
 profundidade útil junto à parede lateral ................................................ 3,00 m
 inclinação do fundo ............................................................................... 1:10 (V/H)

Um filtro biológico percolador consiste, basicamente, de um tanque preenchido com material de
alta permeabilidade. Nesta estação foi utilizada brita não calcária nº4, sobre a qual os esgotos são
aplicados sob forma de gotas ou jatos. Após a aplicação, os esgotos percolam em direção aos
drenos de fundo. Esta percolação permite o crescimento bacteriano na superfície da pedra, na
forma de uma película fixa denominada biofilme. O esgoto passa sobre o biofilme, promovendo
o contato entre os microrganismos e o material orgânico. A Figura 3.3 apresenta um desenho
esquemático do funcionamento do filtro biológico percolador.
Os filtros biológicos são sistemas aeróbios, pois o ar circula nos espaços vazios entre as pedras,
fornecendo o oxigênio para a respiração dos microrganismos. A ventilação é natural. A
distribuição é feita através de distribuidores rotativos, movidos pela própria carga hidrostática
dos esgotos, ou motorizados. O líquido escoa rapidamente pelo meio suporte, No entanto, a
matéria orgânica é absorvida pelo biofilme, ficando retida um tempo suficiente para a sua
estabilização.
Á medida que a biomassa cresce na superfície das pedras, o espaço vazio tende a diminuir,
fazendo com que a velocidade de escoamento nos poros aumente. Ao atingir um determinado
valor, esta velocidade causa uma tensão de cisalhamento, que desaloja parte do material aderido.
Esta é uma forma natural de controle da população microbiana no meio. O lodo desalojado deve
ser removido nos decantadores secundários, de forma a diminuir o nível de sólidos em suspensão
no efluente final.
A Tabela 3.5 apresenta a composição de esgotos brutos, de efluentes de reatores UASB e de
efluentes de filtros biológicos percoladores em comparação com a qualidade exigida para o
efluente. A Tabela 3.6 apresenta o resumo das principais características e dimensões dos filtros
biológicos percoladores e a Tabela 3.7 apresenta o resumo das principais características e
dimensões dos decantadores secundários.
Tabela 3.5 -Composição típica de esgotos brutos, efluentes de reatores UASB e efluentes de
filtros biológicos percoladores e qualidade exigida para o efluente final


27
Parâmetro
Esgoto
bruto
Efluente do
reator UASB
Efluente do
filtro biológico
percolador
Qualidade
exigida
DQO (mg/L) 500 a 800 150 a 200 s 120 < 90
DBO
5
(mg/L) 200 a 350 50 a 100 s 30 < 60
SST (mg/L) 300 a 400 60 a 120 s 30 < 60
Fonte: Adaptado de Cavalcanti et al. (2001); Alem Sobrinho & Jordão (2001); DN 10 COPAM (1986) e
CONAMA (1986).



Figura 3.3 - Representação esquemática de um filtro biológico percolador




Tabela 3.6 - Resumo das principais características e dimensões dos filtros biológicos
percoladores
Dimensões / Características Valor
Número de unidades 04
Formato circular
Diâmetro de cada unidade 22,50 m
Altura do meio filtrante 2,50 m
Área superficial de cada filtro 397,61 m²
Volume de cada filtro 994,02 m³
TAS 18 m³/m²xdia
COV 0,73 KgDBO/m³




Tabela 3.7 - Resumo das principais características dos decantadores secundários
Dimensões / Características Valor
Número de unidades em final de plano 04
Formato Circular
Diâmetro de cada unidade 20,0 m
Distribuidor
rotativo
Meio suporte
afluente


28
Profundidade útil junto à parede lateral 3,00 m
Inclinação do fundo 1:10(V/H)



3.10 Elevatória de retorno de lodo

O lodo de fundo dos decantadores secundários, descarregado de maneira intermitente, será
encaminhado para uma única elevatória – Elevatória de Retorno de Lodo – ERL , donde será
recalcado para a rede de esgotamento dos reatores, tendo como destino o poço de sucção da
elevatória EE-02 e, portanto, retornando aos reatores.

A vazão afluente ao poço de sucção da elevatória será de 2.400 L/h (0,67 L/s). Para o
dimensionamento do recalque foi arbitrada a vazão de 5,00 L/s (18.000 L/h) e linha de recalque
de 75 mm, para os quais se tem uma velocidade próxima de 1,10 m/s.

As principais características da ERL são:



3.10.1 Poço de sucção

 cota do fundo .................................................................................... 657,25 m
 cota da laje superior .............................................................................. 659,70 m
 altura total .......................................................................................... 2,45 m
 altura útil ............................................................................................ 0,95 m
 volume útil .......................................................................................... 2,00 m
3

 forma - retangular
 largura ................................................................................................ 2,10 m
 comprimento ....................................................................................... 1,20 m

3.10.2 Conjuntos elevatórios

 nº de conjuntos (inclusive reserva/rodízio) .............................................. 02
 tipo .................................................................... helicoidal de cavidades progressivas
 modelo ................................................................................... HF 70 da Weatherford


29
 rotação de trabalho ................................................................... 250 rpm
 potência instalada .................................................................................. 5 CV

3.10.3 Linha de recalque

 diâmetro ....................................................................................... 75 mm
 extensão ..................................................................................... 115 m
 material ......................................................................................... PRFV

3.11 Caixas divisoras de vazão

3.11.1 Caixa divisora de vazão CDV1

A caixa divisora de vazão CDV1 destina-se a eqüipartir a vazão total efluente da elevatória
EE-02 para os oito reatores anaeróbios (quatro na primeira etapa das obras). É dotada de uma
câmara de admissão única e de oito câmaras conjugadas, separadas por vertedores de soleira
plana e comportas de superfície. Cada câmara encaminha parte da vazão afluente para os reatores
(em número de oito em final de plano).

As principais características da CDV1 são:
 largura útil interna da câmara de admissão ................................... 1,70 m
 comprimento da câmara de admissão ................................................ 1,70 m
 número de vertedores de soleira plana .............................................. 08 un
 largura da soleira de cada vertedor .................................................... 0,60 m
 cota de fundo da caixa de admissão ................................................... 670,150 m
 cota da soleira dos vertedores ............................................................ 670,800 m

3.11.2 Caixa divisora de vazão CDV2

A caixa divisora de vazão CDV2 destina-se a receber o efluente líquido tratado dos reatores
anaeróbios e repartir a vazão para os quatro filtros biológicos percoladores (eventualmente três).
É dotada de uma câmara de admissão única e de quatro câmaras conjugadas a 90º , separadas por
vertedores de soleira plana, sem comporta de fechamento. Cada câmara encaminha uma quarta
parte da vazão afluente (vinda dos reatores) para cada um dos quatro filtros biológicos


30
percoladores. A retirada de operação de qualquer dos filtros biológicos é feita através de válvula
na linha individual de ligação de cada filtro à caixa de entrada dos decantadores secundários
(CDV3), logo junto à saída da caixa CDV2.

A caixa CDV2 é fechada na sua parte superior e conta com sistema de exaustão e tubulação para
encaminhamento dos gases desprendidos (sulfetos) até uma unidade de neutralização.

As principais características da CDV2 são:

 largura útil interna da câmara de admissão ......................................... 1,30 m
 comprimento da câmara de admissão ................................................. 1,30 m
 número de vertedores de soleira plana ............................................... 04 un
 largura da soleira de cada vertedor .................................................... 0,80 m
 cota de fundo da caixa de admissão ................................................... 665,700 m
 cota da soleira dos vertedores ............................................................ 666,750 m






3.11.3 Caixa divisora de vazão CDV3

A caixa divisora de vazão CDV3 apresenta operação semelhante à da caixa CDV2. Recebe o
efluente dos filtros biológicos através de uma câmara única de admissão e promove a partição
para quatro decantadores secundários (dois em primeira etapa). Difere da CDV2 por ser aberta
na superfície e controle de fechamento/abertura através de comportas de superfície em
vertedores de soleira plana.

As principais características da CDV3 são:

 largura útil interna da câmara de admissão ......................................... 0,80 m
 comprimento da câmara de admissão ................................................. 1,80 m
 número de vertedores de soleira plana ............................................... 03 un
 largura da soleira de cada vertedor .................................................... 0,80 m
 cota de fundo da caixa de admissão ................................................... 788,300 m


31
 cota da soleira dos vertedores ............................................................ 790,500 m

3.11.4 Distribuidor tipo DST1

Os distribuidores DST1, em número de oito unidades, um para cada reator composto por duas
câmaras, destina-se, juntamente com os distribuidores DST2 e DST3 repartir a vazão para 112
difusores locados no fundo dos reatores (56 para cada câmara).

As principais características dos distribuidores DST1 são:

 formato em planta .............................................................................. circular
 número de vertedores de soleira plana ................................................. 16 un
 largura de soleira dos vertedores
 12 unidades .................................................................................. 0,30 m
 4 unidades .................................................................................... 0,15 m
 cota de fundo da câmara de admissão ................................................ 668,90 m
 cota das soleiras vertentes ................................................................. 669,70 m
 cota de fundo do compartimento de saída para DST2 e/ou DST3 ...... 669,32 m
 cota do topo da caixa DST1 .............................................................. 670,15 m

3.11.5 Distribuidores tipo DST2 e DST3

Para a distribuição da vazão afluente a cada reator, foram previstos 56 pontos com área de
influência da ordem de 2,00 m
2
para cada ponto. A distribuição será feita por dois tipos de
distribuidores: tipo DST2, com 8 difusores, e tipo DST3, com 4 difusores. Cada reator contará
com 12 distribuidores tipo DST2 e 4 distribuidores tipo DST3, totalizando os 112 pontos
previstos (56 em cada câmara de reator).

O esquema a seguir ilustra o sistema adotado de repartição da vazão para cada reator.








32
















Construtivamente são semelhantes e apresentam as seguintes características:

 diâmetro da câmara de admissão ........................................................... 0,40 m
 diâmetro da câmara de repartição (externo) .......................................... 0,80 m
 cota de fundo da câmara de admissão ................................................... 669,020 m
 cota de fundo da câmara de repartição ................................................. 669,200 m
 cota da geratriz inferior dos vertedores triangulares ............................. 669,350 m

3.12 Sistema de desidratação
A redução do teor de umidade do lodo gerado no sistema de tratamento será feita através de
equipamento mecanizado de deságüe.

Enquanto o material gradeado (sólidos grosseiros) e as partículas de areia removidos no
tratamento preliminar são encaminhados diretamente para as células de aterramento, o lodo
biológico excedente dos reatores UASB seguirá para a central de desidratação, objetivando-se a
redução de volume.
DST3
DST3 DST3 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2
VEM DA CDV1
DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST3


33
O biofilme desgarrado do meio suporte do filtro biológico irá sedimentar no decantador
secundário e será retornado para os reatores UASB, sendo então estabilizado e encaminhado para
a desidratação junto com o lodo anaeróbio.
Para a desidratação mecânica do lodo biológico excedente foi previsto o emprego de prensa
desaguadora (filtro prensa) da ANDRITZ (NETZSCH).

Para abrigo da desidratação mecanizada, foi construída uma instalação dotada de dois
pavimentos. No pavimento superior está assentado o equipamento de deságüe e no inferior o
armazenamento, preparo e dosagem do polieletrólito, além da caçamba de recolhimento e/ou
caminhão tipo báscula.

A produção total de lodo a ser descartada para desidratação será de:

 Para início de plano, tem-se:

12 , 409 . 1
total
=
lodo
P kg SST/d

 Para final de plano, tem-se:

55 , 757 . 2
total
=
lodo
P kg SST/d

O volume de lodo produzido foi estimado admitindo-se a concentração de 1.020 kg/m
3
e um teor
de matéria sólida de 4 %. Assim, tem-se:


( )
( )
53 34
04 0 020 1
12 409 1
3
,
, m / kg .
d / kgSST , .
V =
×
= m
3
/d (para início de plano)


( )
( )
59 67
04 0 020 1
55 757 2
3
,
, m / kg .
d / kgSST , .
V =
×
= m
3
/d (para final de plano)



34
3.13 Instalações Elétricas
3.13.1 Sistema Geral

Toda a ETE é alimentada por uma subestação com três transformadores, a saber:

Trafo 1 - 300 Kva, com primário em 13,8 kV - triângulo, e secundário em 440/254 V;
Trafo 2 - 75 kVA, com secundários em 220/127 V;
Trafo 3 – 112,5 kVA, com secundários em 220/127 V.

Os transformadores 1 e 2 estão instalados em subestação abrigada e o terceiro em subestação ao
tempo. Há uma rede primária no interior da ETE para alimentar a subestação ao tempo de
112,5 kVA. Cada transformador alimenta um quadro de distribuição geral de baixa tensão sendo
que o Trafo 1 (300 kVA) alimenta o QGB de 440V, o Trafo 2 (75 kVA) alimenta o QGBT de
220V e o Trafo 3 (112,5 kVA o QDG do Laboratório, em 220 V.

Os motores das elevatórias de esgoto são acionados por inversores de frequência permitindo o
controle de vazão de recalque. A EE-01 é constituída por quatro motores de 50 CV e a EE-02
por quatro motores de 50 CV, todos alimentados em 440V. As motobombas são de eixo
horizontal e não ficam imersas no esgoto. Os motores de cada elevatória são controlados por
micro CLP, que tem a função de efetuar rodízio das motobombas e enviar sinais de status ao
supervisório central, instalado na sala do operador. Também os inversores de frequência têm
seus status transmitidos ao supervisório.

A instrumentação de “chão de fábrica” utilizada resume-se a quatro medidores/transmissores de
nível posicionados nos poços de sucção das elevatórias de esgoto e nos tanques pulmão de lodo,
a um medidor/transmissor de vazão instalado na calha Parshall próximo à EE-02. Esta
instrumentação, aliada àquela já embarcada nos soft-starters ou nos inversores de frequência dos
motores das elevatórias, permite o completo monitoramento de toda a ETE por meio de
supervisório.

A transmissão das informações entre a ETE e a central de supervisão na ETA Pará é feita por
sistema de radiotelemetria. O software de supervisão é o IFIX da GE .



35
Os medidores de nível instalados nos poços de sucção são do tipo nível contínuo, digital e
ultrassônico, sendo o sensor instalado no topo do poço de sucção e o conversor de sinal em
painel no interior da elevatória. São do tipo simples canal, com cabeça sensora tropicalizada
(com compensação de temperatura), permitindo a programação local de vários níveis, através de
IHM por teclado de membrana localizado na face do transmissor, habilitando ou não os
conjuntos moto-bombas e a sinalização. O medidor de nível liga e desliga os motores
escalonadamente. O alarme de nível crítico soará sempre que o nível ultrapassar a cota de
segurança. Este parâmetro de alarme deve ser ajustado em comum acordo com a operação do
SAAE na época da instalação do equipamento de medição de nível. Após o desligamento do
conjunto o CLP selecionará as próximas moto-bombas que irão trabalhar.

Na calha Parshall está instalado um medidor de vazão ultrassônico, com o conversor de sinal
instalado em painel dentro da Elevatória da EE-02. O medidor tem a função de totalizar as
leituras de vazão do sistema, armazená-las e transferi-las para o CLP. Este por sua vez, efetua
várias operações, tais como a indicação da rotação das bombas, identificação e alarme de
defeitos, acionamento das bombas face aos níveis de esgoto do poço, etc.

A iluminação da área externa da ETE é feita através de luminárias fechadas, para uma lâmpada
vapor metálico de 150W – 220V, instalada em poste com altura livre de 7 metros para facilitar a
manutenção, sendo a mesma alimentada diretamente pelo QDC 1 localizado no laboratório, e o
comando das lâmpadas é feito através de relé fotoelétrico.

A rede de dutos que atende esta área é composta por dutos em PEAD (polietileno expandido de
alta densidade), em valas com um, dois, quatro ou seis dutos de diâmetro 4”. Em toda a
instalação foram deixados dutos reservas para futuras ampliações. Nos trechos de travessia de
pista, as valas onde correm os dutos está envelopada com concreto, para proteção dos cabos
contra compressão excessiva.

A iluminação do laboratório, é composta por luminárias fluorescentes de 32W ou 16W, para a
parte interna, sendo ainda dotada de pontos para chuveiro, tomadas bifásicas e tomadas
específicas para destilador e outros equipamentos.

Para aterramento dos sistemas eletrônicos sensíveis foi adotado o critério da Malha de Terra de
Referência. O objetivo básico da malha de terra de referência é o de “anular o inconveniente


36
grave de todos os outros tipos de malhas, no que concerne à incapacidade das mesmas de
equalizar as barras de terra dos diversos equipamentos eletrônicos para altas freqüências,
permitindo então a entrada de ruídos indesejáveis nestes mesmos equipamentos”.

A malha adotada nesta ETE foi construída com cabos de seção circular, com o espaçamento de
30cm e com condutores de bitola 16 mm ². A função básica desta malha é a equalização de
potenciais e não condução de correntes de curto-circuitos, sendo a mesma instalada sob os
equipamentos. Nesta ETE foi prevista a instalação de uma MTR na sala do operador, conforme
projeto específico de aterramento.

Previu-se ainda sistemas de proteção contra descargas atmosféricas tipo “gaiola de Faraday “
sem captores, para o laboratório e sala de operação. O condutor de captação é de cobre nu de
seção nominal de 35 mm² e contorna todo o perímetro da cobertura das edificações, descendo até
as caixas de conexão e inspeção, sendo ligado ao condutor de aterramento, este de cobre nu de
seção nominal 50 mm². Hastes de terra, diâmetro de 19 mm x 2400 mm de comprimento,
constituem a malha de terra de cada edificação, sendo essas responsáveis pelo escoamento das
descargas elétricas.

3.13.2 Sistema de Automatização das Elevatórias EE-01 e EE-02

O automatismo dos conjuntos moto-bombas das elevatórias EE-01 e EE-02 está previsto através
de CLP – Controlador Lógico Programável.

a) Estação Elevatória EE-01

A elevatória EE-01 recebe o esgoto afluente do final do emissário de esgoto bruto, após passar
pelo sistema de gradeamento, e eleva para a plataforma de assentamento dos desarenadores
mecanizados, acima da cota de máxima enchente. Os conjuntos moto-bomba são dotados de
inversores de freqüência.

Prevê-se o seguinte esquema de automatismo:

 Vazão afluente menor que a capacidade de recalque de 1 conjunto (Q
a
< 155 L/s). Atingido o
nível de ligamento de B1, o conjunto parte com 950 rpm. Como a vazão afluente é menor


37
que a capacidade de recalque de apenas 1 conjunto, o nível no poço de sucção será rebaixado
até a posição de desligamento total da elevatória (nenhum conjunto operando). O reinicio
será dado quanto atingido novamente o nível de acionamento do primeiro conjunto, havendo,
entretanto, a permuta com um dos outros três que estavam parados. Nesta situação
operacional existem 4 conjuntos (incluída a unidade reserva) que se revezarão quanto dos
ligamentos;

 Vazão afluente menor que a vazão de dois conjuntos em paralelo e maior que a vazão de um
único conjunto (155 L/s < Q
a
< 305 L/s). Para esta situação não haverá o desligamento do
conjunto de nível inferior. A intermitência será estabelecida entre o segundo conjunto.
Quando atingido o nível de ligamento do segundo conjunto este também partira com 950
rpm. Haverá o rebaixamento do nível no poço de sucção até o ponto de desligamento deste
segundo conjunto, permanecendo o primeiro em operação. A permuta, portanto, será
efetuada entre três conjuntos. O nível no poço de sucção estará oscilando entre os pontos de
ligamento e desligamento do segundo conjunto;

 Vazão afluente maior que a capacidade de recalque de dois conjuntos (Q
a
> 305 L/s). O nível
subirá até o ponto de ligamento do terceiro conjunto. Atingido este nível haverá o ligamento
do terceiro conjunto e o aumento de rotação dos três conjuntos em operação para 1.000 rpm
(eixo da bomba). O nível no poço de sucção será rebaixado até o ponto de desligamento do
terceiro conjunto. Ocorrendo o desligamento do terceiro conjunto haverá a redução da
rotação dos outros dois, restabelecendo-se em 950 rpm. Para esta situação a permuta somente
ocorrerá com o terceiro conjunto, havendo duas unidades para revezamento.

Na seqüência é mostrado o esquema de acionamento dos conjuntos, de conformidade com os
níveis no poço de sucção.










38









Poço de sucção da EE-01
Esquema de Acionamento dos Conjuntos


b) Estação Elevatória EE-02

A estação elevatória EE-02 recebe o efluente dos desarenadores mecanizados e promove o
alteamento dos esgotos para a Caixa Divisora de Vazão CDV1. O funcionamento desta unidade
está vinculado e equilibrado com o da elevatória EE-01, dispondo esta elevatória do mesmo
número de conjuntos de recalque e dos mesmos volumes úteis da EE-01, por faixas operacionais.

Os conjuntos de recalque da elevatória EE-02 - “Alto Recalque” também serão equipados com
variador de velocidade por inversor de freqüência. O ajuste da rotação permitirá o equilíbrio da
vazão de recalque em conformidade com a performance da elevatória do “Baixo Recalque”.
Assim, são esperados os mesmos tempos de ciclo apresentados para a elevatória EE-01, somente
que defasados de um “tempo de retardo”, ocasionado pela passagem do fluxo pelos
desarenadores.

Para a elevatória EE-02 foi previsto o mesmo esquema de automatismo do apresentado para a
elevatória EE-01, conforme ilustração na seqüência.





V3
V2
V1
LIGA B3 – Aumenta rotação dos três conjuntos para 1.000 rpm
LIGA B2 com 950 rpm
LIGA B1 com 950 rpm
DESLIGA B3 – Reduz rotação dos outros dois conjuntos para 950 rpm
DESLIGA B2
DESLIGA B1


39











Poço de sucção da EE-02
Esquema de Acionamento dos Conjuntos




























LIGA B3 – Aumenta rotação dos três conjuntos para 1.130 rpm
LIGA B2 com 1075 rpm
LIGA B1 com 1075 rpm
DESLIGA B3 – Reduz rotação dos outros dois conjuntos para 1075 rpm
DESLIGA B2
DESLIGA B1


40

4 PARTIDA DOS REATORES UASB
4.1 Preliminares
O sucesso da aplicação dos processos anaeróbios de alta taxa está condicionado ao atendimento a
uma série de requisitos, os quais relacionam principalmente à concentração e à atividade da
biomassa presente e, também, ao regime de mistura e padrão de fluxo do reator. Isso se todos os
fatores ambientais (temperatura, pH, alcalinidade, etc.) estiverem em uma faixa adequada.
Os objetivos mais comuns a serem alcançados na operação dos processos anaeróbios de alta taxa
são: i) o controle do tempo de retenção de sólidos, independentemente do tempo de detenção
hidráulica; ii) a prevenção de acumulação de sólidos suspensos inertes no reator e, iii) o
desenvolvimento de condições favoráveis para o transporte de massa. Esses objetivos são, via de
regra, alcançados a partir do projeto e da construção dos reatores, bem elaborados e de
procedimentos adequados durante a partida e operação do sistema.
A partida de reatores anaeróbios pode ser definida como o período transiente inicial, marcado
por instabilidades operacionais. Basicamente, a partida pode ser conseguida de três formas
distintas:
- Utilizando-se lodo de inóculo adaptado ao esgoto a ser tratado: a partida do sistema
procede-se de forma rápida e satisfatória, não havendo a necessidade de aclimatação do lodo;
- Utilizando-se lodo de inóculo não adaptado ao esgoto a ser tratado: nesse caso, a partida do
sistema passa por um período de aclimatação, incluindo uma fase de seleção microbiana;
- Sem a utilização do lodo de inóculo: essa é considerada a forma mais desfavorável de
proceder partida do sistema, uma vez que haverá a necessidade de se inocular o reator com os
próprios microrganismos contidos no esgoto afluente. Como a concentração de
microrganismos no esgoto é muito pequena, o tempo demandado para a retenção e seleção de
uma elevada massa microbiana pode ser bastante prolongado (da ordem de 4 a 6 meses).




41
4.2 Considerações e critérios para a partida
4.2.1 Volume de inóculo para a partida do processo

O volume de inóculo (lodo de semeadura) para a partida do sistema é usualmente determinado
em função da carga biológica inicial aplicada ao sistema de tratamento. A carga biológica
(kgDQO/kgSV.d) é o parâmetro que caracteriza a carga orgânica aplicada ao sistema, em relação
à quantidade de biomassa presente no reator.
Os valores de carga biológica a serem aplicados durante a partida dependem essencialmente do
tipo de inóculo empregado e da aclimatização deste ao esgoto a ser tratado. Quando possível,
recomenda-se que a carga biológica para a partida seja determinada através de testes de atividade
metanogênica específica do lodo (AME). Na impossibilidade de realização de tais testes, são
utilizadas cargas biológicas durante a partida do processo na faixa de 0,10 a 0,50
kgDQO/kgSV.d, relacionadas a atividades metanogênicas específicas entre 0,10 e 0,50
kgDQOCH4/kgSV.d. Estas cargas iniciais deverão ser aumentadas, gradativamente, em função
da eficiência do sistema e da melhoria da atividade da biomassa.
4.2.2 Carga hidráulica volumétrica

A carga hidráulica volumétrica equivale à quantidade (volume) de esgotos aplicados diariamente
ao reator, por unidade de volume do mesmo. A carga hidráulica produz pelo menos três
diferentes efeitos sobre a biomassa do reator durante a partida do sistema:
- a carga hidráulica retira toda a biomassa com características de sedimentação precária,
criando, dessa maneira, espaço para a nova biomassa que está crescendo;
- com a retirada de parte da nova biomassa, que não possui boas propriedades de sedimentação,
verifica-se uma seleção sobre a biomassa ativa;
- a carga hidráulica tem grande influência sobre as características de mistura do reator,
principalmente durante a partida do sistema.
4.2.3 Produção de biogás
Nos reatores de manta de lodo a produção de biogás é muito importante para a boa mistura do
leito de lodo. Entretanto, taxas muito elevadas de produção de gás podem afetar negativamente a
partida do processo, porque o lodo pode se expandir excessivamente em direção à parte superior
do reator, sendo perdido juntamente com o efluente.


42
4.2.4 Fatores ambientais

Para uma partida ótima do sistema, é desejável que os fatores ambientais sejam favoráveis, de
acordo com as seguintes diretrizes principais:
- quando possível, a temperatura no interior dos reatores deve ser próxima à faixa ótima de
crescimento dos microrganismos anaeróbios (30 a 35°C). No caso do tratamento de esgotos
domésticos, tais temperaturas não são factíveis de serem atingidas, fazendo com que a partida
do sistema não se dê em condições ótimas de temperatura;
- o pH deve ser mantido sempre acima de 6,2 e preferencialmente na faixa de 6,8 a 7,2;
- todos os fatores de crescimento (N, P, S e micronutrientes) devem estar presentes em
quantidades suficientes;
- os compostos tóxicos devem estar ausentes em concentrações inibidoras. Caso contrário, deve
ser propiciado um tempo suficiente para a aclimatização das bactérias.
4.2.5 Aclimatização e seleção da biomassa

A primeira partida de um reator anaeróbio é um processo relativamente delicado. No caso dos
reatores de manta de lodo, a remoção suficiente e contínua da fração mais leve do lodo é
essencial, de forma a propiciar a seleção do lodo mais pesado para crescimento e agregação. As
principais diretrizes para a aclimatização e seleção da biomassa em reatores de manta de lodo
tratando esgotos domésticos são as seguintes:
- não retornar ao reator o lodo disperso perdido juntamente com o efluente;
- aumentar a carga orgânica progressivamente, sempre que a remoção de DBO e de DQO
atingirem pelo menos 60%;
- manter as concentrações de ácido acético abaixo de 200 a 300 mg/L;
- quando necessário, prover a alcalinidade ao sistema, de forma a manter o pH próximo a 7.


43
4.3 Procedimentos que antecedem a partida de um reator
4.3.1 Caracterização do lodo de inóculo

Uma vez definida a utilização de lodo de inóculo para a partida do reator, devem ser realizadas
análises para a sua caracterização qualitativa e quantitativa, incluindo os seguintes parâmetros:
- pH;
- alcalinidade bicarbonato;
- ácidos graxos voláteis;
- sólidos totais (ST);
- sólidos voláteis totais (SV); e
- atividade metanogênica específica (AME).
Além dos parâmetros referidos acima, deve-se proceder à uma caracterização visual e olfativa do
lodo.
4.3.2 Caracterização do esgoto bruto

A fim de estabelecer a rotina de partida do reator anaeróbio, deve-se proceder uma campanha de
caracterização qualitativa e quantitativa do esgoto bruto afluente ao sistema de tratamento
através de análises laboratoriais dos parâmetros citados no item anterior.
4.4 Procedimentos durante a partida dos reatores anaeróbios
4.4.1 Partida com lodo de inoculo

A inoculação do reator pode-se dar tanto com o reator cheio ou vazio, embora seja preferível a
inoculação com o reator vazio, a fim de diminuir as perdas de lodo durante o processo de sua
transferência.



44
4.4.1.1 Esquema operacional

Podem ser adotados os seguintes procedimentos:

- transferir o lodo de inóculo para o reator, cuidando para que o mesmo seja descarregado no
fundo do reator. Evitar turbulências e contato excessivo com o ar;
- deixar o lodo em repouso por um período aproximado de 12 a 24 horas, possibilitando a sua
adaptação gradual à temperatura ambiente.
4.4.1.2 Alimentação do reator com esgotos

A forma de alimentação do reator com esgotos dependerá essencialmente da quantidade de lodo
de inóculo utilizada. Quando for utilizada uma quantidade suficiente de lodo, a alimentação do
reator com esgotos pode ser integral (vazão total de projeto), procedendo-se, entretanto, o
monitoramento intensivo dos parâmetros pH, alcalinidade e ácidos graxos voláteis.
Caso seja utilizada uma quantidade de lodo de inóculo inferior ao desejável, torna-se prudente
proceder uma alimentação gradual do reator, aumentando-se a vazão progressivamente, de
acordo com a resposta do sistema e aclimatação da biomassa.


45

5 PARTIDA DO FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR – FBP
Para um bom funcionamento do FBP deve ser dispensada uma particular atenção à escolha do
material de enchimento e ao preenchimento do filtro, uma vez que problemas de entupimento e
colmatação do meio suporte têm sido reportados com freqüência.
Neste projeto, foi especificado como material de enchimento a brita nº4 - não calcária. É
necessário garantir, na aquisição do material, que a sua granulometria esteja rigirosamente dentro
da especificação correta, evitando-se receber pedras com granulometria menor, o que pode
acarretar entupimentos e a colmatação do filtro. O meio suporte deve ser muito bem selecionado,
tendo um cuidado especial quanto a granulometria e a homogeneidade.
Após a verificação da estrutura física do FBP e de sua estanqueidade, este poderá ser alimentado
com o efluente do reator UASB de forma gradativa, estabelecendo-se porcentagens da carga total
a ser aplicada. Inicia-se com 10% da carga orgânica, aumentando de 10 em 10% de acordo com a
resposta do sistema.


6 OPERAÇÃO EM REGIME ESTACIONÁRIO

Um aspecto importante relativo ao controle operacional do sistema de tratamento é que este pode
levar uma otimização das condições operacionais da estação de tratamento, visando a redução
dos custos e o atendimento aos padrões de lançamento estabelecidos pela legislação ambiental.
Nesse sentido, alguns aspectos operacionais podem ser destacados:
- definição das melhores práticas e rotinas de operação e limpeza das unidades de gradeamento
e desarenação, buscando otimizar a eficiência dessas unidades de tratamento preliminar. Com
isso, poder-se-á maximizar a retirada de materiais grosseiros e de areia presentes no esgoto
afluente, evitando que estes sejam introduzidos no reator anaeróbio. Estes materiais são
altamente prejudiciais ao funcionamento do reator biológico, podendo ocasionar não apenas a
obstrução das tubulações de distribuição dos esgotos, como também a sua acumulação no
interior do reator, que ocasiona a diminuição do seu volume útil e, conseqüentemente, uma
queda da eficiência do sistema;


46
- identificação de pontos com ocorrência de maus odores, visando possibilitar maior segurança
e conforto ambiental aos operadores e às pessoas que vivem nas imediações da estação de
tratamento. Nesse sentido, o acompanhamento efetivo das unidades potencialmente mais
sujeitas à emanação de gases fétidos (tratamento preliminar, reatores anaeróbios e
equipamentos de desidratação de lodo) possibilitará maior conhecimento dos pontos
problemáticos, facilitando a tomada de providências e a implementação de adaptações que
possibilitem o controle dos odores;
- determinação da melhor rotina de descarte e de desaguamento do lodo excedente. Assim, a
otimização do descarte e do desaguamento do lodo implicará diretamente na redução do
volume de lodo seco a ser transportado até o local de disposição final. Ainda, uma freqüência
de descarte adequada refletirá diretamente em uma menor perda de sólidos no efluente final,
implicando em uma melhor qualidade do efluente em termos de sólidos suspensos e de DQO
e DBO particulada.
6.1 Tratamento preliminar

O bom funcionamento do tratamento biológico depende fundamentalmente da correta operação
das unidades que compõem o pré-tratamento e das características dos esgotos a serem tratados.
Para assegurar uma efetiva remoção dos sólidos grosseiros e da areia presente, deve-se
estabelecer uma rotina operacional que possibilite a limpeza das grades e caixas de areia com
uma freqüência adequada.
6.1.1 Unidades de gradeamento

A operação das unidades de gradeamento localizadas anteriormente à elevatória EE-01 – Baixo
Recalque deverá seguir os itens do esquema operacional.
6.1.1.1 Grades manuais

A remoção manual dos sólidos retidos será efetuada através de rastelos sendo os sólidos lançados
em caçambas locais. Os sólidos acumulados na caçamba deverão ser transportados para o local
de aterramento, no caso o aterro municipal da ITAURB.


47
A verificação da necessidade de remoção é visual e a diferença de nível constituí indicador do
momento em que se deve iniciar a retirada dos sólidos.
Embora esses indicadores de necessidade de limpeza da grade grosseira possam acontecer com
menor freqüência, deve-se proceder à remoção de todo o material retido pelo menos uma vez por
dia.
Os sólidos removidos poderão ser temporariamente despejados na caçamba disposta junto ao
canal da grade, para posterior encaminhamento ao local de aterramento.
6.1.1.2 Esquema operacional

Quanto ao funcionamento da unidade, ao operador competem as seguintes atividades:
- limpeza manual da grade grossa através de rastelos;
- transferir o material retirado para uma caçamba;
- providenciar o transporte do material da caçamba para o caminhão que fará o
encaminhamento final ao aterro da ITAURB, juntamente com os resíduos da grade
mecanizada;
- observação visual para avaliar se a freqüência de limpeza está adequada;
- processar a limpeza com jatos d’água nas paredes laterais dos canais, sempre que houver
material aderido;
- manter o ambiente externo sempre limpo.

Na ocorrência de qualquer anormalidade de funcionamento, o operador deverá comunicar-se
com o responsável pela equipe de manutenção.
6.1.1.3 Grade mecanizada


A remoção dos sólidos retidos na grade tipo Cremalheira será efetuada mecanicamente através
de rastelos, acionados por sistema elétrico, que penetram nas barras arrastando os detritos, em
movimento ascendente. Quando o rastelo passa por um determinado ponto em seu movimento
ascendente, uma lâmina raspadora descarrega os detritos em uma correia transportadora,
localizada na parte traseira da estrutura. Daí, os sólidos são continuamente transportados para a
caçamba estacionária, posicionada lateralmente ao canal das grades.


48
A grade é dotada de sistema de acionamento, braço diametral com lâminas de raspagem fixadas
em sua extremidade e mecanismo de auto-limpeza.
A programação do acionamento dos rastelos será feita através de temporizadores que acionam o
conjunto. Os ajustes e os comandos serão programados em função da vazão afluente e da
quantidade de sólidos retidos. O sistema mecanizado de limpeza será operado de forma
intermitente, durante as 24 horas do dia, dependendo da quantidade de detritos a serem
removidos pela grade.
6.1.1.4 Esquema operacional


Ao operador competem as seguintes atividades:
- vistoriar o funcionamento do braço raspador, sua correta parada após o rastelamento e o
mecanismo de auto-limpeza;
- verificar o correto posicionamento da caçamba, estacionada para receber os detritos;
- inspecionar o correto espaçamento e paralelismo das barras;
- detectar ruídos estranhos nos mecanismos móveis, como motores, redutores e mancais de
rolamento;
- verificar se as partes móveis encontram-se devidamente lubrificadas;
- verificar diariamente se o rastelo automático das grades finas está funcionando;
- verificar se a capacidade da caçamba está prestes a ser atingida. Caso positivo, providenciar o
transporte dos resíduos, a ser feito por caminhão, para o local de disposição final – aterro da
ITAURB;
- limpar com jatos dágua a área externa da caçamba, após o seu esvaziamento, mantendo o
ambiente o mais limpo possível.
Caso a grade mecanizada não esteja funcionando, deve-se proceder da seguinte maneira:
- em caso de manutenção da grade mecanizada deve-se fechar a comporta do canal principal e
abrir a comporta do canal de by-pass;
- proceder ao esvaziamento do canal da grade com defeito;


49
- efetuar a limpeza e lavagem de todo o canal e da grade retirados de operação. Por fim,
comunicar o defeito à equipe responsável pela manutenção;
- processar a limpeza com jatos d’água nas paredes laterais dos canais, sempre que houver
acúmulo de material aderido;
- quando for reparado o defeito, deve-se abrir novamente a comporta da grade mecanizada para
permitir o fluxo de esgoto no canal;
- caso ocorra necessidade de manutenção na correia transportadora, deverão ser
provisoriamente utilizados carrinhos manuais a serem posicionados sob a descarga dos
sólidos, sendo após conduzidos até a caçamba.
Na ocorrência de qualquer anormalidade de funcionamento, o operador deverá desligar o
equipamento com defeito e comunicar-se com o responsável pela equipe de manutenção.
6.1.2 Desarenador

O desarenador possui um raspador de fundo, que acionado por um motor elétrico, desenvolverá
um movimento circular levando o material sedimentado para um poço de acumulação a partir do
qual a areia é recolhida e transportada até uma caçamba, por meio de uma bomba “tipo parafuso”
(transportador de areia).
A areia acumulada na caçamba deverá ser transportada, por caminhão próprio, até o local de
aterramento (aterro da ITAURB), sendo, após aterrados, recobertos com uma camada de material
inerte.
Os desarenadores 1 e 2 trabalharão em paralelo, permitindo, assim, uma maior flexibilidade
operacional por ocasião de paralisação para manutenção. As comportas instaladas na entrada dos
desarenadores permitirão direcionar o fluxo líquido afluente à cada unidade.


50

Figura 6.1- Desenho esquemático do tratamento preliminar


51
O by-pass de toda a estação de tratamento será feito no poço de visita que antecede a entrada do
tratamento preliminar. Também as estações elevatórias serão dotadas de extravasores próprios,
em casos de pane elétrica.
6.1.2.1 Esquema operacional

Os desarenadores possuem comportas na entrada de cada unidade, facilitando a operação e
manutenção do sistema. Ao operador compete:
- selecionar o equipamento a operar através do painel de operação;
- vistoriar o funcionamento do braço raspador, sua correta parada após a operação;
- verificar o correto posicionamento da caçamba, estacionada para receber os detritos;
- detectar ruídos estranhos nos mecanismos móveis, como motores, redutores e mancais de
rolamento;
- verificar se as partes móveis se encontram devidamente lubrificadas;
- verificar diariamente se o braço raspador está funcionando;
- verificar diariamente o funcionamento da bomba parafuso (transportador de areia);
- verificar se a capacidade da caçamba está prestes a ser atingida. Caso positivo, providenciar o
transporte através de caminhão para o local de disposição final – aterro da ITAURB;
- limpar com jatos dágua a área externa da caçamba, após o seu esvaziamento, mantendo o
ambiente o mais limpo possível.
Caso algum braço raspador não esteja funcionando, por exemplo do desarenador 1, deve-se
proceder da seguinte maneira:
- fechar a comporta CDM-1 do desarenador com defeito;
- proceder ao esvaziamento do canal do desarenador com defeito;
- efetuar a limpeza e lavagem de todo o canal e do desarenador retirado de operação. Por fim,
comunicar o defeito à equipe responsável pela manutenção;
- processar a limpeza com jatos d’água nas paredes laterais dos canais, sempre que houver
acúmulo de material aderido;
- quando for reparado o defeito, deve-se abrir novamente a comporta para permitir o fluxo de
esgoto no canal do desarenador .


52
Na ocorrência de qualquer anormalidade de funcionamento, o operador deverá desligar o
equipamento com defeito e comunicar-se com o responsável pela equipe de manutenção.
6.2 Reatores UASB
6.2.1 Sistema de distribuição de vazões

A Figura 6.2 apresenta uma planta geral da estação de tratamento e na Figura 6.3 um esquema do
sistema de distribuição de vazões no tratamento biológico. O sistema de distribuição de vazão no
reator anaeróbio é constituído de 3 tipos de caixas distribuidoras (DST-1 a DST-3).


53

Figura 6.2 - Planta geral da estação de tratamento de esgotos


54



Figura 6.3 - Planta geral do sistema de distribuição de vazões nos reatores UASB



6.2.1.1 Esquema operacional

Após o tratamento preliminar, o esgoto bruto é encaminhado para a caixa de distribuição de
vazão 1 – CDV-1, onde a vazão é repartida entre os 8 reatores. Assim, o efluente é direcionado
para o distribuidor DST-1 de cada reator. As Figuras 6.4 e 6.5 apresentam os desenhos
esquemáticos das caixas de distribuição de vazões CDV-1 e DST-1, respectivamente.
DST3
DST3 DST3 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2
VEM DA CDV1
DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST3
DST1


55

Figura 6.4 - Desenho esquemático da caixa de distribuição de vazão – CDV-1


56
Em caso de necessidade de paralisação de um dos reatores, por exemplo o reator UASB 1, a
comporta/vertedor CRU-1 deverá ser içada até o nível máximo, fazendo assim a paralisação
deste reator.

Figura 6.5 - Desenho esquemático da caixa de distribuição de vazão – DST-1
A caixa de distribuição de vazão 1 (DST-1) recebe toda vazão afluente e distribui novamente a
dois outros tipos de caixas de distribuição, a DST-2 e a DST-3. A Figura 6.6 apresenta um
desenho esquemático da caixa de distribuição DST-2 e a Figura 6.7 mostra a caixa de
distribuição DST-3.

Figura 6.6 - Desenho esquemático da caixa de distribuição de vazão – DST-2

Vem da DST-1
Entradas no
reator UASB
Vai para DST-2
Vem da CDV-1
Vai para DST-2
Vai para DST-2
Vai para DST-2
Vai para DST-3
Vai para DST-3


57

Figura 6.7 - Desenho esquemático da caixa de distribuição de vazão – DST-3
As caixas DST-2 e DST-3 possuem vertedores triangulares distribuindo o esgoto por 112
tubulações que alcançam o fundo de cada reator anaeróbio, sendo 56 pontos em cada câmara.
Ao operador compete:
- a limpeza periodica dos vertedores, com auxilio de escovão, mantendo-os limpos e sem
quaisquer vestígios de crostas de lodo;
- verificar diariamente o fluxo de esgoto nas caixas de distribuição de vazão, atentando para o
nível de esgoto em cada ponto de distribuição. Se algum desses pontos estiver com esgoto
acima do nível do vertedor, há indicativo de entupimento da tubulação correspondente;
- em caso de entupimento em alguma tubulação, o operador deverá desentupir com auxilio de
varetas;
- as guias das comportas deverão estar sempre livres para permitir a fácil operação das mesmas;
- as hastes das comportas deverão estar sempre lubrificadas com graxa, evitando o
aparecimento de ferrugem que travaria o acionamento da comportas;
- verificar diariamente possíveis obstruções das tubulações de toda a estação.
Em caso de by-pass de toda a estação de tratamento, esse será feito na caixa de acesso ao
tratamento preliminar, com desvio do fluxo diretamente para o rio de Peixe ou através dos
extravasores de cada elevatória, quando as bombas forem desligadas. Não foi previsto by-pass
apenas dos reatores UASB, pois os filtros biológicos percoladores não conseguiriam tratar o
esgoto bruto sem passar por um tratamento primário, tendo o risco de colmatação do meio
suporte, além de não ser permitido por Norma.
Vem da DST-1
Entradas no
reator UASB


58
Descarte de lodo excedente dos reatores anaeróbios

No reator anaeróbio, a acumulação de sólidos biológicos se dá após alguns meses de operação
contínua. A taxa de acumulação de sólidos depende essencialmente do tipo de efluente em
tratamento, sendo maior quando o esgoto afluente apresenta elevada concentração de sólidos
suspensos, especialmente sólidos não biodegradáveis. A acumulação de sólidos deve-se ainda à
presença de carbonato de cálcio ou de outros precipitados minerais, além da produção de
biomassa. Quando predomina a acumulação de sólidos não devidos ao crescimento bacteriano,
esta pode ser reduzida no tratamento preliminar. Já a acumulação de biomassa depende
essencialmente da composição química do esgoto, sendo maior para aqueles com elevadas
concentrações de carboidratos.
No caso do tratamento de efluentes solúveis, a produção de lodo excedente é muito baixa e
geralmente poucos problemas são encontrados no manuseio, armazenamento e disposição final
do lodo. Em decorrência da baixa produção e das elevadas concentrações do lodo no reator, os
volumes descartados também são muito pequenos, principalmente se comparados com os
processos aeróbios.
O descarte do lodo excedente deverá ser feito periodicamente, caso contrário seu acúmulo no
interior do reator poderá provocar a perda excessiva de sólidos para o compartimento de
decantação e, posteriormente, juntamente com o efluente líquido. Com isso, ocorrerá a
deterioração da qualidade do efluente do reator UASB devido à presença de matéria orgânica
particulada.
6.2.1.2 Produção de lodo excedente


Para se avaliar a quantidade de lodo excedente produzida em reatores de manta de lodo tratando
esgotos domésticos, tem sido usual a adoção da taxa de 0,10 a 0,20 kgSST/kgDQOaplicada ao
sistema. Nos casos de partidas de reatores, sem inoculação, o descarte do lodo excedente não
deverá ser necessário durante os primeiros meses de operação do reator.
Produção de lodo biológico
Reatores UASB

A produção esperada de lodo nos reatores pode ser estimada a partir da expressão:


59

aplicada lodo
DQO Y P × =
kg SST/d onde Y = 0,15 kg/kg DQOaplicada

 para início de plano, tem-se:

58 , 040 . 1 8 , 1 854 . 3 15 , 0 P
lodo
= × × = kg SST/d

 para final de plano, tem-se:

34 , 036 . 2 8 , 1 542 . 7 15 , 0 P
lodo
= × × = kg SST/d

Tratamento secundário

A produção esperada de lodo no tratamento secundário, filtros biológicos, pode ser estimada a
partir da expressão:


reduzida lodo
DBO Y P × = kg SST/d onde Y = 0,75 kg/kg DBO
reduzida

A DBO reduzida nos filtros biológicos foi admitida como sendo de 50% da DBO afluente
(efluente dos reatores).

 para início de plano, tem-se:
( ) 58 , 433 50 , 0 70 , 0 1 854 . 3 75 , 0 P
lodo
= × ÷ × × = kg SST/d

 para final de plano, tem-se:

( ) 48 , 848 50 , 0 70 , 0 1 542 . 7 75 , 0 P
lodo
= × ÷ × × = kg SST/d

O lodo aeróbio produzido nos filtros biológicos percoladores será retornado para os reatores
anaeróbios, onde sofrerá estabilização e posteriormente será descartado para desidratação. Para a
quantificação do volume desta parcela foram admitidos:

 percentual de sólidos voláteis no lodo aeróbio ................................................... 75 %
 percentual de redução dos sólidos voláteis nos reatores ..................................... 20%



60
Assim, a redução do lodo aeróbio, produzido nos filtros biológicos percoladores, será
equivalente a 15% (0,75 x 0,20).

Portanto, a produção total de lodo a ser descartada para desidratação será de:

 para início de plano, tem-se:

( ) 12 , 409 . 1 58 , 040 . 1 15 , 0 1 58 , 433 P
total lodo
= + ÷ × = kg SST/d

 para final de plano, tem-se:

( ) 55 , 757 . 2 34 , 036 . 2 15 , 0 1 48 , 848 P
total lodo
= + ÷ × = kg SST/d

O volume de lodo produzido (a descartar) foi estimado admitindo-se a concentração de 1.020
kg/m
3
e teores de matéria sólida de 2%, 3% e 4%. Assim, tem-se:

 Teor de matéria sólida de 2%


( )
( )
07 , 69
02 , 0 m / kg 020 . 1
d / kgSST 12 , 409 . 1
V
3
=
×
=
3
/d para início de plano


( )
( )
17 , 135
02 , 0 m / kg 020 . 1
d / kgSST 55 , 757 . 2
V
3
=
×
= m
3
/d para final de plano

 Teor de matéria sólida de 3%


( )
( )
05 , 46
03 , 0 m / kg 020 . 1
d / kgSST 12 , 409 . 1
V
3
=
×
=
3
/d para início de plano


( )
( )
12 , 90
03 , 0 m / kg 020 . 1
d / kgSST 55 , 757 . 2
V
3
=
×
= m
3
/d para final de plano

 Teor de matéria sólida de 4%


( )
( )
54 , 34
04 , 0 m / kg 020 . 1
d / kgSST 12 , 409 . 1
V
3
=
×
=
3
/d para início de plano


61


( )
( )
59 , 67
04 , 0 m / kg 020 . 1
d / kgSST 55 , 757 . 2
V
3
=
×
= m
3
/d para final de plano

6.2.1.3 Descarga de lodo de excesso


Um aspecto operacional importante em sistemas com lodo em suspensão, como nos reatores
UASB, é a descarga de lodo de excesso. Neste caso, é necessário que a massa de lodo se
mantenha entre um mínimo (ditado pela necessidade de se ter capacidade de tratamento
suficiente no sistema para digerir a carga orgânica do afluente) e um máximo (dependente da
capacidade de retenção de lodo do sistema). Procura-se minimizar a descarga de lodo junto com
o efluente, uma vez que tal descarga aumenta a concentração de DQO, DBO e sólidos em
suspensão do efluente final.
Foram previstas tubulações de descarte de lodo localizadas junto ao fundo e a 1,35 metros do
fundo do reator, o que possibilitará a escolha do lodo a ser descartado.
Uma alternativa interessante é fazer o descarte do lodo de alturas diferentes do reator, por
exemplo, do fundo (leito de lodo) e à meia altura do compartimento de digestão (manta de lodo).
Com isso, podem ser alcançados benefícios maiores que o descarte de uma altura única.
Adicionalmente, e dependendo da qualidade do tratamento preliminar que antecede o reator, o
lodo de fundo pode acumular sólidos inertes, como areia, que devem ser descartados
periodicamente do reator. Com isso, o descarte de lodo de fundo do reator, em pequenas
quantidades e de uma forma bem gerenciada, pode trazer importantes benefícios para o sistema
de tratamento.
A remoção do lodo será feita por pressão hidrostática, aproveitando-se a carga hidráulica em
relação ao nível da caixa de descarga do lodo. A operação de descarte se dará abrindo os
registros localizados na lateral do reator, o que possibilitará o escoamento do lodo até os tanques
de acumulação – TPL.
A freqüência de descarte pode ser baseada na taxa de produção de sólidos, a massa máxima
admitida no sistema sem deteriorar a qualidade do efluente final e a massa mínima para manter
um bom funcionamento do reator.


62
Para se estabelecer a freqüência e a magnitude de descarga pode-se seguir a seguinte rotina
(Chernicharo, van Haandel e Cavalcanti, 1999):
- operando-se o reator sob condições normais de vazão e carga e sem dar descargas de lodo de
excesso, determina-se, para o reator “cheio” de lodo, a massa de lodo no reator e a produção
diária de lodo;
- determina-se a atividade metanogênica específica (AME) do lodo;
- a partir do valor da AME, determina-se a massa mínima de lodo para manter um bom
desempenho do reator;
- calcula-se a diferença entre a massa máxima de lodo que pode ser retida no sistema e a massa
mínima de lodo necessária para um bom desempenho do reator;
- após uma descarga igual ou menor que a descarga máxima, determina-se novamente a
descarga de lodo juntamente com o efluente;
- a freqüência das descargas pode ser determinada como a razão entre a massa de lodo a ser
descarregada e a taxa de acumulação de lodo no sistema.
Cada câmara do reator possui 7 pontos de descarte de lodo superior e 7 pontos para descarte de
lodo inferior. Cada ponto possui um registro de manobra. O reator terá, portanto, 14 registros
superiores (LS-1 a LS-14) e 14 registros inferiores (LI-1 a LI-14).
6.2.1.4 Esquema operacional

- O operador deve ficar atento à perda de sólidos no efluente final, sendo este um indicativo de
excesso de biomassa, devendo proceder ao descarte;
- O descarte deve ser feito o mais homogêneo possível, buscando-se retirar a mesma quantidade
de cada registro ao longo de cada câmara;
- Como o processo de desidratação adotado é o mecânico, o ideal é que o descarte seja efetuado
diariamente para não superdimensionar o filtro-prensa;
- Recomenda-se a retirada de lodo de 2 câmaras por dia (um reator), sendo o volume a ser
descartado igual ao volume total de lodo produzido diariamente citado no item anterior;
- Uma boa opção para o descarte seria a retirada de 50% do lodo de fundo e 50% do lodo a
meia altura, para o que se espera um teor médio de 3% de sólidos. Em início de plano seriam


63
descarregados 46 m
3
de lodo e em final de plano 90 m3. Os dois tanques de acúmulo de lodo
– TPL, juntos, apresentam volume de 105m
3
, sem o descarte de sobrenadante;
- Deve ser feito primeiro o descarte da linha superior e depois da linha inferior.
- Opcionalmente e a critério da operação poderão ser dispensadas as operações de retirada e
desidratação de lodo nos finais de semana e/ou feriados. Para tanto, durante os dias da semana
deverá ser retirada uma quantidade ligeiramente maior e com maior teor de sólidos, o que
poderá ser obtido com a retirada de 60 a 70% do fundo e de 30 a 40% à meia altura.
6.2.2 Remoção da escuma formada no reator anaeróbio

Na face superior do efluente líquido concentram-se a escuma, sobrenadantes e gorduras. Uma
vez que a quantidade deste material em demasia pode formar uma placa espessa dificultando a
liberação dos gases e diminuindo a eficiência do reator, tais materiais devem ser removidos.
Os problemas operacionais advindos da não remoção (ou remoção inadequada) de gordura
podem ser de elevada magnitude, uma vez que estes materiais podem propiciar a acumulação
excessiva de escuma no interior dos coletores de gases, dificultando tanto a liberação dos gases
quanto exigindo dispositivos especiais para a sua remoção periódica.
6.2.2.1 Esquema operacional

O sistema de tratamento de esgotos é constituído por 4 reatores UASB em 1ª Epata e 8 em 2ª
Etapa, sendo cada reator formado por 2 câmaras. Dentro dessas câmaras existem 7 coifas para a
separação de líquido, sólido e gás. Para a coleta da escuma foi adotado um sistema de calhas
coletoras dentro de cada coifa que é interligada a uma tubulação única. Assim, cada reator possui
2 registros de escuma que serão denominados de acordo com o número do reator, por exemplo, o
reator UASB1 terá os registros ESC1-1 da câmara 1 e ESC1-2 da câmara 2 (ver Figura 6.8).
Por exemplo, para retirar a escuma da câmara 1 do reator 1, primeiramente é despressurizada a
célula através de by-pass na linha de gás e na seqüência abre-se apenas o registro ESC1-1. Com
o registro aberto o NA no interior da coifa sobe vertendo a escuma na calha coletora (ver Figura
6.9).


64

Figura 6.8 - Desenho esquemático dos registros de retirada de escuma dos reatores
UASB 1 e 2

A Figura 6.9 apresenta o esquema operacional para retirada da escuma.

Figura 6.9 - Desenho esquemático da retirada de escuma


Toda a escuma descartada será direcionada para o sistema de desidratação mecanizado composto
por um filtro-prensa, onde será retirada grande parte da umidade para destinação final em aterro
controlado – aterro da Itaurb.


Calha coletora
de escuma
Efluente final
Inspeção
Tubulação de
escuma
UASB 1
câmara 1 câmara 2
UASB 2
câmara 1 câmara 2
ESC-1.1
ESC-1.2
ESC-2.1 ESC-2.2


65
6.2.3 Coleta e queima de gás

O gás resultante do processo de digestão anaeróbia da matéria orgânica contida no esgoto será
encaminhado aos coletores de gases, localizados na parte superior do reator e daí até o
queimador de biogás.
Sendo inflamável, o biogás requer cuidados de segurança no entorno da área do reator, não se
permitindo fumar ou desenvolver qualquer atividade que empregue chama (solda, aquecimento
de refeição etc.). No acesso ao reator deverá estar fixada uma placa alertando sobre o perigo do
biogás.
6.2.3.1 Esquema operacional

O biogás produzido passa por válvula corta-chamas e alívio de vácuo, é encaminhado a um
tanque de pressão e sedimentação (TPS) que define o “NA” dentro da coifa, passa por um
condensador e purga, um medidor de vazão e por fim o queimador de gás.
Ao operador compete:
- vistoriar a linha de coleta de biogás, corrigindo possíveis vazamentos;
- vistoriar o funcionamento do medidor de biogás;
- verificar NA no tanque de pressão, que define o NA dentro dos reatores UASB;
- verificar funcionamento dos manômetros e válvula corta-chama e alívio de vácuo;
- abrir o registro de purga para retirada de água da linha de biogás;
- efetuar medidas diárias de vazões do biogás.


6.3 Filtro biológico percolador seguido de decantadores secundários

6.3.1 Sistema de distribuição de vazões

O efluente do reator UASB chega na caixa CDV2 que reparte a vazão entre os 3 filtros
biológicos. O sistema de distribuição de vazão no filtro biológico é feito através de braços
rotativos motorizados. A Figura 6.10 apresenta um desenho esquemático da caixa CDV2 e a
Figura 6.11 apresenta um desenho típico do filtro biológico.




66


Figura 6.10 - Desenho esquemático do filtro biológico percolador


Após a passagem do efluente dos reatores anaeróbios pelos filtros biológicos percoladores, estes
são encaminhados para os decantadores secundários, onde o lodo desgarrado do meio suporte é
removido, reduzindo os sólidos em suspensão no efluente final. A Figura 6.12 apresenta um
desenho esquemático da caixa CDV3 e a Figura 6.13 apresenta um desenho típico do decantador
secundário.


Distribuidor
rotativo
Lage
perfurada
Meio suporte – Brita
não calcária nº4
Vem da CDV-2
afluente
Extravasor
Cx. descarga
Vai para CDV-3


67

Figura 6.11 - Desenho esquemático da CDV3


68

Figura 6.12 - Desenho esquemático do decantador secundário

6.3.2 Esquema operacional

Para by-pass de um dos filtros biológicos percoladores, o operador deverá fechar o registro
anterior a comporta correspondente ao filtro a desativar.
Antecedendo a cada filtro há uma caixa de descarga que tem a finalidade de dar descarga na
linha e desativar um dos filtros ou todos eles, enviando o efluente para o corpo receptor.
Antes da chegada na caixa CDV3, existe um by-pass dos decantadores secundários para
direcionar o efluente diretamente para o corpo receptor.
Ao operador compete:
- nos vertedouros não deverão existir crostas de lodo. Periodicamente, com auxilio de escovão,
estes vertedouros deverão ser limpos;
- as guias das comportas deverão estar sempre livres para permitir a fácil operação das
mesmas;
- as hastes das comportas deverão estar sempre lubrificadas com graxa, evitando o
aparecimento de ferrugem que travaria o acionamento da comportas;
- diariamente deverá ser verificado o escoamento em todas as tubulações e se necessário efetuar
desentupimento;
- vistoriar a superfície do meio suporte, verificando possíveis empoçamentos;
- vistoriar o funcionamento do distribuidor de vazão no FBP;
- vistoriar o funcionamento do raspador mecanizado de lodo do decantador secundário;
- vistoriar o funcionamento do raspador mecanizado de escuma do decantador secundário;
Vem da CDV-3
Efluente final
Raspador mecanizado de lodo
Raspador mecanizado
de escuma


69
- vistoriar o funcionamento da bomba de retorno de lodo aeróbio para os reatores UASB;
- verificar se toda a escuma raspada esta caindo no coletor de escuma na parte superior do
decantador secundário;
- detectar ruídos estranhos nos mecanismos móveis, como motores, redutores e mancais de
rolamento
6.3.3 Critério de descarga de lodo dos decantadores

A reduzida vazão de lodo sedimentada nos decantadores secundários não permite ajustar um
diâmetro e uma velocidade compatíveis com o trabalho contínuo (descarga contínua).

Para a tubulação de descarga de lodo sedimentado foi previsto o diâmetro de 100 mm e uma
velocidade de trabalho de aproximados 1,00 m/s.

As descargas serão intermitentes com duração de 5 minutos e descanso de 235 minutos, isto é, a
cada 4 horas haverá uma descarga de cada decantador, totalizando 6 descargas diárias para cada
unidade. Ao todo (4 decantadores) serão 24 descargas – em final de plano.

As descargas entre decantadores serão defasadas de tal maneira que a cada intervalo de 55
minutos haja a ocorrência de uma descarga com duração de 5 minutos, total de 1 hora. O volume
descarregado de cada descarga será de aproximados 2.400 litros, o que acarreta uma vazão de
aproximados 8 L/s e velocidade na tubulação de retirada no entorno de 1,00 m/s.

Na seqüência apresenta-se a rotina de descarga de fundo dos decantadores secundários, para um
período diário (24 horas).


70
Rotina de Descarga de Lodo
Decantador nº 01











- Rotina de Descarga de Lodo
Decantador nº 02














- Rotina de Descarga de Lodo
Decantador nº 03












- Rotina de Descarga de Lodo
Decantador nº 04













0-5 min
235 min
240-245
min
480-485 720-725 960-965 1200-1205 1440=0
235 min 235 min 235 min 235 min 235 min
TEMPO (minutos a partir da zero hora)
1ª desc.
5ª desc. 9ª desc. 13ª desc. 17ª desc. 21ª desc. 1ª desc.
60-65
min
235 min
300-305
min
540-545 780-785 1020-1025 1260-1265
235 min 235 min 235 min 235 min 235 min
TEMPO (minutos a partir da zero hora)
2ª desc. 6ª desc. 10ª desc. 14ª desc. 18ª desc. 22ª desc.
120-125
min
235 min
360-365 600-615 840-845 1080-1085 1320-1325
235 min 235 min 235 min 235 min
TEMPO (minutos a partir da zero hora)
3ª desc. 7ª desc. 11ª desc. 15ª desc. 19ª desc. 23ª desc.
180-185 min
235 min
420-425 660-665 900-915 1140-1145 1380-1385
235 min 235 min 235 min 235 min
TEMPO (minutos a partir da zero hora)
4ª desc. 8ª desc. 12ª desc. 16ª desc. 20ª desc. 24ª desc.


71
6.4 Operação da unidade de desidratação
A desidratação mecânica do lodo digerido nos reatores UASB será efetuada prensa desaguadora
(filtro prensa). O lodo digerido alimenta a central de desidratação por gravidade por meio de uma
linha de ferro fundido com diâmetro de 150 mm.
Para abrigo da desidratação mecanizada foi implantada uma instalação típica dotada de dois
pavimentos. No pavimento superior ficará assentado o equipamento de deságüe e no inferior o
armazenamento, preparo e dosagem do polieletrólito, além da caçamba de recolhimento e/ou
caminhão tipo báscula.

O filtro-prensa funcionará no início de plano com operação diária de aproximadas 9 horas e no
final de plano o tempo de funcionamento chegará a 16 horas.

Para que a desidratação seja mais eficiente será necessária à adição de polieletrólitos. Está
prevista a adição em linha de uma solução de polieletrólito variando de 0,2 a 0,5%. Deverão ser
atingidas concentrações do lodo desidratado (torta) de pelo menos 25%.
O lodo desidratado irá, por meio de uma rosca transportadora até a caçamba localizada no pátio
de lodo.
As fases operacionais da desidratação mecânica de lodo podem ser assim resumidas:
- alimentação do filtro-prensa;
- adição de polieletrólito ou polímero;
- filtragem/prensagem;
- retorno do efluente líquido;
- descarga de lodo desidratado.
6.4.1 Alimentação do filtro-prensa
6.4.1.1 Esquema operacional

O lodo e escuma acumulados nos reatores UASB serão direcionados até o poço de sucção de
lodo. Considerando um descarte de 2 câmaras por dia, a vazão média do lodo afluente será de
46,05m³/d em início de plano e 90,12m³/d, com concentração média de 3%. O volume a ser


72
descartado deverá ser retirado ao longo das câmaras, 50% nos registros superiores e 50% nos
inferiores, sendo assim dividido pelo número de registros, fazendo o descarte o mais homogêneo
possível.
Para efetuar o descarte, serão necessários 2 operadores que deverão dispor de um sistema de
rádio. Para o descarte foi prevista uma válvula motorizada na entrada do poço de sucção de lodo
que é acionada quando o volume a ser descartado em cada registro for alcançado. Nesse
momento, que a válvula foi acionada, será enviada, via rádio, uma ordem de um operador para o
outro operador, localizado próximo dos reatores, para que este feche o registro e abra o seguinte.
6.4.2 Adição de polieletrólito ou polímero
6.4.2.1 Esquema operacional

Será adicionado na tubulação de recalque do lodo, antes de sua chegada ao filtro-prensa uma
solução de polieletrólito através dos dosadores. O consumo estimado de polieletrólito é de 4 kg
por tonelada de sólido seco afluente a cada centrífuga. As características e a qualidade da torta
desidratada é que definirá o melhor ponto de aplicação do polímero.
6.4.3 Retorno do efluente líquido

O filtrado do filtro-prensa segue por gravidade em tubulação de PVC, com diâmetro de 150mm
até a EE-2 que recalca para os reatores anaeróbios.










73
A Figura 6.14 mostra o fluxograma operacional do sistema de desidratação.










7 DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS

O resíduos produzidos nesta estação de tratamento de esgotos serão encaminhados para
destinação final no aterro controlado da ITAURB.


Figura 7.14 – Fluxograma operacional do sistema de desidratação
5
4
3
2 7
6
8
10
0
9
E
D
C
B
A
F
5
3
2
1
4
10
8
7
6
9
E
C
B
A
D
F
Reator UASB
Emulsão de polímero
Lodo digerido
Bomba de solução de polímero
Poço de lodo
Filtro-prensa
Descarga do lodo desidratado
Caçamba de lodo desidratado Processador de polímero
Bomba de emulsão de polímero
Tambor de emulsão de polímero
Bomba de lodo de alimentação
da centr[ifuga
Efluente líquido do filtro-prensa
Torta de lodo desidratado
Mistura de lodo + polímero
Solução de polímero
1


74
8 CORREÇÃO DE PROBLEMAS OPERACIONAIS
8.1 Vazão e características do afluente
Os principais problemas operacionais relacionados com a vazão do afluente à estação e suas
características são apresentados na Tabela 8.1.

Tabela 8.1 -Correção de problemas operacionais relacionados com a vazão afluente à ETE
Problema Causa Provável Verificar Solução
Vazão sempre menor que
esperada
População ou contribuição
per capita menor que
projetada
Dispositivo de medição de
vazão
Se possível, aumentar população
beneficiada
Vazão repentinamente
menor que esperada
Entupimento na rede de
esgoto
Extravasamento na área de
contribuição
Desentupir
Vazão sempre maior que
esperada
População ou contribuição
per capita maior que
projetada
Dispositivo de medição de
vazão
Verificar possibilidade de aumentar
capacidade de tratamento
Picos repentinos irregulares Ligação da rede de águas
pluviais
Coincidência com chuvas Desfazer ligação clandestina
Vazão as vezes maior que
esperada
Infiltração grande de água
subterrânea
Coincidência com chuvas Descobrir pontos de infiltração
pH maior ou menor que
normal
Despejo industrial Existência de fontes
clandestinas
Localizar e atuar sobre as fontes no
sentido de corrigir o problema
Temperatura menor ou
maior que a normal
Despejo industrial Existência de fontes
clandestinas
Localizar e atuar sobre as fontes no
sentido de corrigir o problema
Sólidos sedimentáveis
maiores que normal
Despejo clandestino de lixo
doméstico ou industrial na
rede
Natureza dos sólidos
sedimentáveis
Localizar e atuar sobre as fontes no
sentido de corrigir o problema
Fonte: Adaptado de Chernicharo, van Haandel e Cavalcanti (1999)

8.2 Gradeamento
Os principais problemas relacionados com o gradeamento, suas causas prováveis e a correção
dos problemas são apresentados na Tabela 8.2.
Tabela 8.2 - Correção de problemas operacionais no gradeamento
Problema Causa provável Verificar Solução
Diminuição repentina da
massa de sólidos grosseiros
retidos
Falha de retenção na grade Condição da grade Consertar a grade
Represamento dos esgotos a
montante das grades
Intervalo longo entre limpezas Intervalo de limpeza
Aumentar a freqüência de
limpeza
Odor ou insetos na caçamba Intervalo longo entre limpezas Intervalo de limpeza
Aumentar a freqüência de
limpeza
Aparecimento de insetos
Material gradeado caído na área
externa
Limpeza do local Limpar local
Aumento repentino da massa
de sólidos grosseiros retidos
Descarga clandestina de resíduos
sólidos
Existência de fontes
clandestinas
Localizar e atuar sobre as fontes
no sentido de corrigir o
problema
Corrosão de metal e concreto
nas unidades de pré
tratamento
Ventilação insuficiente Ventilação Melhorar ventilação
Fonte: Adaptado de Chernicharo, van Haandel e Cavalcanti (1999)


75
8.3 Desarenador
Os principais problemas relacionados com o desarenador, suas causas prováveis e a correção dos
problemas são apresentados na Tabela 8.3.
Tabela 8.3 - Correção de problemas operacionais no desarenador.
Problema Causa provável Verificar Solução
Aumento repentino da massa de
areia retida
Descarga de águas pluviais
na rede
Vazão de esgoto
Desfazer ligação de águas
pluviais
Diminuição repentina da massa
de areia retida
Arraste de areia na caixa
Velocidade da água
(corante)
Reduzir a velocidade
Odor de ovo podre na caixa de
areia
Sedimentação de material
orgânico
Velocidade da água
(corante)
Aumentar a velocidade da
água
Odor de ovo podre na caixa de
areia
Baixa freqüência de
remoção de areia
Freqüência de remoção de
areia
Aumentar a freqüência de
remoção da areia
Areia retida é cinza tem odor e
contém graxa
Sedimentação de material
orgânico
Velocidade da água
(corante)
Aumentar a velocidade da
água
Corrosão de metal e concreto nas
unidades de pré tratamento
Ventilação insuficiente Ventilação Melhorar ventilação
Maus odores na área do
desarenador
Material caído no chão Limpeza do local Fazer lavagem dos pisos
Fonte: Adaptado de Chernicharo, van Haandel e Cavalcanti (1999)

8.4 Reator UASB
Os principais problemas relacionados com o tratamento biológico em reatores UASB e suas
causas prováveis e a correção dos problemas são apresentados nas Tabelas 8.4 a 8.6.
Tabela 8.4 - Problemas operacionais e suas correções – Desempenho do reator UASB
Problema Causas prováveis Solução
Odor
desagradável
Sobrecarga de esgoto com conseqüente
diminuição do tempo de detenção
Elevadas concentrações de compostos de
enxofre no esgoto afluente
Elevadas concentrações de ácidos voláteis
no reator, alcalinidade reduzida e queda
do pH
Presença de substâncias tóxicas no esgoto.
Verificar a possibilidade de reduzir as concentrações de
sulfetos no sistema
Adicionar cal hidratada, afim de elevar a alcalinidade do reator
e manter o pH próximo a 7,0 (6,8 a 7,4)
Localizar e eliminar as fontes de substâncias tóxicas
Aparecimento de
insetos
Sujeira nas paredes e dispositivos externos
do reator
Limpar as partes afetadas com jato d’água
Distribuição desigual
do afluente
Estrutura de distribuição desnivelada Nivelar
Ponto de distribuição
não recebe esgoto
Entupimento Desbloquear
Coleta do efluente
não uniforme
Estrutura de coleta desnivelado
Camada superficial obstrui ponto de coleta
Nivelar
Remover obstrução
Teor elevado de
sólidos sedimentáveis
no efluente
Carga hidráulica excessiva

Excesso de sólidos no reator
Vazão

Massa de lodo
Produção de lodo
maior que normal
Sobrecarga do lodo
Sólidos grosseiros e/ou inorgânicos
entrando no reator
Diminuir carga aplicada
Restabelecer funcionamento das unidades de pré tratamento


76
Produção de lodo
menor que normal
Vazão pequena
Retenção de lodo deficiente
Desentupir rede de esgoto
Consertar separador
Alta fração de sólidos
inorgânicos
Falha no desarenador
Baixa velocidade ascensional no reator
Diminuir a velocidade no desarenador

Flutuação de grânulos
no efluente líquido
Excesso de lodo ou escuma não
removidos periodicamente
Sobrecarga de esgotos com conseqüente
diminuição do tempo de detenção
Reinicialização da operação do sistema
após longos períodos de paralisação
Diminuir o período entre remoções de escuma e lodo
Reiniciar o sistema com a aplicação de menores cargas
volumétricas
Efluente líquido
contendo elevado teor
de sólidos suspensos
Sobrecarga de esgoto com conseqüente
diminuição do tempo de detenção
Elevadas concentrações de sólidos
suspensos no afluente
Excesso de sólidos no reator
Descarregar o lodo em excesso

Baixa eficiência de
remoção do material
orgânico
Carga hidráulica excessiva
Distribuição deficiente do efluente

Diminuir a carga hidráulica
Identificar falhas na distribuição e consertar
Queda na eficiência
do reator
Sobrecarga de esgoto com conseqüente
diminuição do tempo de detenção
Elevadas concentrações de ácidos voláteis
no reator, alcalinidade reduzida e queda
do pH
Perda excessiva de sólidos do sistema,
com redução do leito e do manto de lodo
Presença de substâncias tóxicas no esgoto
Queda brusca da temperatura do esgoto
Adicionar cal hidratada, afim de elevar a alcalinidade do reator
e manter o pH próximo a 7,0 (6,8 a 7,4)
Localizar e eliminar as fontes de substâncias tóxicas
Eventualmente, tirar o reator de operação até que ocorra a
redução dos ácidos voláteis
Bolhas de gás que
aparecem
constantemente na
superfície livre do
reator
Má separação gás-líquido Verificar a formação de crosta




Tabela 8.5 - Problemas operacionais e suas correções – Características do lodo no reator
Problema Causas Prováveis Prevenção e Recuperação
AME menor que a
esperada
Entrada de sólidos inertes
Sobrecarga hidráulica
Toxidade
Reduzir fonte ou rever o pré-tratamento
Reduzir a carga hidráulica
Identificar fonte de toxidade e atuar
Lodo com baixa
estabilidade
Sobrecarga do lodo Reduzir carga específica
Lodo com baixa
sedimentabilidade
Flocos dispersos devido à carga orgânica
excessiva
Presença de material tóxico
Reduzir carga
Identificar fonte de toxidade e atuar
Índice volumétrico
elevado
Material orgânico biodegradável
Baixa carga hidráulica
Reduzir carga orgânica
Aumentar arraste temporariamente
Aumento da fração
inorgânica no lodo
Entrada de silte e areia
Velocidade ascensional baixa
Reduzir velocidade na caixa de areia
Aumentar carga hidráulica
Aumento da
produção de lodo
Floculação sem metabolismo Reduzir carga orgânica específica












77

Tabela 8.6 - Correção de problemas operacionais no sistema de coleta e queima de biogás
Problema Causa provável Verificar Solução
Queda da produção de biogás
Vazamentos nas tubulações de
coleta de gases
Tubulações de coleta de gases
Corrigir vazamentos
Entupimento nas tubulações
de coleta de gases
Tubulações de coleta de gases Desentupir as tubulações de
gases
Diminuição da vazão
Vazão do efluente Desobstruir tubulações ou
unidades à montante
Carga orgânica excessiva Teste de AME e estabilidade Diminuir carga orgânica
Defeitos nos medidores de
gases
Verificar medidores
Reparar os medidores de gás
Elevadas concentrações de
ácidos voláteis no reator,
alcalinidade reduzida e queda
do pH

Adicionar cal hidratada, a fim
de elevar o pH próximo a 7,0
(6,8 a 7,4)
Presença de substâncias
tóxicas no esgoto
Teste de AME Localizar e eliminar as fontes
de substâncias tóxicas
Aumento na produção de gás e
queda do teor de metano
Carga volumétrica de SSV
aumentada, aumento da acidez
volátil
Checar a presença de cargas
tóxicas, pH e alcalinidade do
líquido
Checar alimentação do reator
kgSSV/ m
3
.dia
Efetuar testes de acidez volátil
e alcalinidade total
Parar a alimentação do reator
UASB
Falha na medição de produção
de biogás
Falha no medidor
Entupimentos na linha de gás
Checar funcionamento do
medidor
Checar ocorrência de
entupimentos na linha de gás
Manômetro mostra pressão do
gás acima do normal
Obstrução ou água na linha de
gás
Válvula de alívio fechada
Abrir a válvula até chegar na
pressão usual

Manômetro mostra pressão do
gás abaixo do normal
vácuo dentro do reator
Parar com a retirada de
escuma e fechar todas as
saídas de gás até que a pressão
volte ao normal






























78
8.5 Unidade de desidratação
Os principais problemas relacionados com a unidade de desidratação e suas causas prováveis e a
correção dos problemas são apresentados nas Tabelas 8.7 e 8.8
A Tabela 8.7 apresenta problemas e soluções na operação de centrífugas.

Tabela 8.7 - Correção de problemas operacionais nas unidades de desidratação
Problema Conseqüência Prevenção e recuperação
Tubulações rígidas
conectadas para a
alimentação
Trincas e vazamentos nos tubos
e conexões
Troca por tubulações flexíveis
Tubulação de descarga
de lodo de excesso
entupida
Acumulação de sólidos e areia Limpeza das tubulações após uso
Presença de areia no
lodo
Desgaste excessivo do
equipamento
Melhorar operação do desarenador
Painéis elétricos de
controle no mesmo
recinto
Corrosão de deterioração dos
controles
Instalar painéis elétricos em outro recinto
Bolo de lodo com baixo
teor de sólidos
< 30 %
Dosagem incorreta do
polieletrólito
Lodo mal digerido
- Cilindro e parafuso
desregulados
Fazer testes no laboratório
Análise completa de lodo digerido
Exigir presença de técnico especializado
Elevado teor de sólidos
no líquido drenado
Dosagem incorreta do
polieletrólito
Lodo mal digerido
Fazer testes no laboratório
Análise completa de lodo digerido
Exigir presença de técnico especializado

A Tabela 8.8 apresenta problemas e soluções no sistema de preparação de polímero.

Tabela 8.8 - Correção de problemas operacionais no sistema de preparação de polímero
Problema Causa provável Solução
Bolo de lodo com baixo teor de
sólidos
< 25%
Dosagem incorreta do polieletrólito
Lodo mal digerido
Cilindro e parafusos desrregulados
Fazer testes no laboratório
Analise completa do lodo digerido

Elevado teor de sólidos no liquido
drenado
As mesmas anteriores Os mesmos anteriores
Barulho anormal na centrifugação Possível desgaste nos rolamentos Exigir presença de técnico
especializado











79
8.6 Filtro biológico percolador e decantador secundário
Os principais problemas relacionados com o tratamento secundário nos filtro biológicos
percoladores seguidos de decantadores secundários e suas causas prováveis e a correção dos
problemas são apresentados na Tabela 8.9.

Tabela 8.9 - Correção de problemas operacionais no tratamento secundário
Problema Causa Prevenção e recuperação
Formação de poças na
superfície do meio
suporte
Volume de vazios entre as
pedras está totalmente
tomado por crescimento de
camada biológica, sendo as
prováveis causas: - material
selecionado para o meio
suporte é de dimensões
pequenas ou de formas
irregulares
- remover a camada biológica do meio suporte na
área afetada;
- aplicar jatos de água (com alta pressão) na região
empoçada;
- paralizar o distribuidor rotativo em cima da área
afetada, de modo que a alta carga hidráulica
aplicada promova o arraste da causa do
empoçamento;
- Clorar o afluente ao filtro biológico (5mg/L)
durante algumas horas. A fim de economizar a
quantidade de cloro, usa-se clorar durante os
períodos de vazão mínima. O cloro é eficiente
para o controle de fungos para dosagens de
1mg/L;
- Retirar a unidade afetada de operação durante o
período de um (1) dia ou mais, suficiente para
ressecar a camada biológica;
- Substituir o meio filtrante por outro meio mais
adequado. Em alguns casos esta solução é
economicamente justificável.
Proliferação em demasia
de moscas
A presença de moscas está
intimamente ligada a
operação de filtros
biológicos.
- Aplicação de carga hidráulica continuamente. As
cargas intermitentes favorecem a proliferação de
moscas;
- Remover a camada biológica do meio filtrante;
- Inundar o meio suporte durante, no mínimo,
24horas. O intervalo entre cada inundação é
estabelecido pelas observações da proliferação
periódica de moscas;
- Por meio de jatos de água lavar rigorosamente as
paredes internas do FBP, preferidas pelas moscas;
- Aplicar cloro no afluente do filtro (0,5 a 1mg/L)
durante algumas horas em períodos estabelecidos
pelo ciclo de vida das moscas;
- Aplicar DDT ou outro inseticida. A dosagem de
5% de DDT em querosene aplicada na superfície
do filtro e nas paredes, elimina moscas adultas. Se
aplicada em intervalo de 4 a 6 semanas, poderá
obter-se um controle eficiente. O DDT não afeta o
funcionamento do filtro.








80


Tabela 8.10 - Correção de problemas operacionais no tratamento secundário (continuação)
Odor desagradável Decomposição anaeróbia do
esgoto, lodo ou da camada
biológica.
- Manter em condições aeróbias todas as unidades
da estação, principalmente o decantador primário
e o esgoto afluente;
- Reduzir a acumulação de lodo da camada
biológica;
- Clorar o afluente ao filtro durante pequenos
períodos;
- Adotar um dos processos de recirculação;
- Controlar a admissão de alguns despejos
industriais (laticínios, alimentícios, etc.), os quais
promovem a acumulação de sólidos no meio
suporte provocando empoçamento e,
consequentemente, odores desagradáveis





























81



9 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA ETE

A Figura 9.1 indica todos os pontos onde serão feitas as amostragens para se efetuar o controle
operacional da ETE e verificar a eficiência do sistema. Estes pontos estão relacionados a seguir:
1 - Esgoto bruto
2 – Lodo do reator UASB
3 – Efluente dor reator UASB/ Afluente do Filtro Biológico Percolador
4 – Efluente do Filtro Biológico Percolador/ Afluente do Decantador Secundário
5 –Lodo do decantador Secundário
6- Efluente final

Figura 9.1 - Pontos de monitoramento

A Tabela 9.1 apresenta os pontos de monitoramento com suas respectivas freqüências de
amostragem. No entanto, em início de plano o monitoramento será apenas nos pontos 1 a 6.







82
Tabela 9.1 - Análises e freqüência de amostragem
Análises Unidade
Pontos de monitoramento
1 2 3 4 5 6
Vazão média L/s D - - - - -
Temperatura ºC D - D - - D
DBO mg/L S - S - - S
DQO mg/L S - S - - S
pH D D D - D D
OD mg/L D - - D - D
Sólidos sedimentáveis mL/L D - D D - D
Sólidos suspensos totais mg/L S - S S - S
Sólidos suspensos fixos mg/L Q - Q Q - Q
Sólidos suspensos voláteis mg/L Q - Q Q - Q
Nitrogênio Amoniacal mg/L M - M - - M
Nitrogênio Orgânico mg/L M - M - - M
Fósforo total mg/L M - M - - M
Alcalinidade total mg/L S - S - - S
Detergentes mg/L Q - Q - - Q
Óleos e graxas mg/L Q - Q - - Q
Coliformes totais NMP/100mL M - M - - M
Sólidos totais mg/L - Q - - Q -
Sólidos Fixos mg/L - Q - - Q -
Sólidos Voláteis mg/L - Q - - Q -
D = Diária Q = Quinzenal
S = Semanal M =Mensal


Apresentam-se, em anexo, os modelos de planilhas para o monitoramento da estação
(Tabelas 1 a 5).















83
10 CONTROLE DE QUALIDADE DO CORPO RECEPTOR

A análise do impacto ambiental causado nas águas do Rio de Peixe pelo lançamento dos esgotos
tratados será efetuada mensalmente por amostras simples. Serão analisados os seguintes
parâmetros:
- pH;
- Temperatura;
- Oxigênio dissolvido;
- DBO;
- DQO;
- Substâncias tensoativas que reagem com azul de metileno;
- Sólidos suspensos totais;
- Sólidos sedimentáveis;
- Óleos e graxas;
- Coliformes totais e fecais



























84
11 MANUTENÇÃO, CONSERVAÇÃO E SEGURANÇA.
Adicionalmente aos aspectos citados anteriormente, o controle operacional constitui-se em
importante instrumento para a identificação de práticas e rotinas que possam promover a
melhoria da saúde e da segurança dos trabalhadores.
Os riscos à saúde sempre foram motivo de preocupação nas estações de tratamento de esgotos,
uma vez que tanto a incapacitação como as doenças ocupacionais resultam no sofrimento e na
perda de recursos humanos. Ainda, ambas causam um efeito negativo na eficiência do sistema de
tratamento, na moral dos empregados, nas relações públicas e nos custos (WEF, 1996). Um bom
programa de saúde e segurança dos trabalhadores deve incorporar três elementos principais
(USEPA, 1988; WEF, 1992):
Política definida de saúde e de segurança: incorpora os fundamentos de todo o programa de
saúde e segurança, fornecendo aos trabalhadores a mensagem-chave do programa e deixando
claro que o mesmo tem o apoio das instâncias superiores. O apoio deve ter visibilidade, ou seja,
as gerências devem apoiar o programa com ações e também com recursos financeiros.
Comissão de saúde e de segurança do trabalho: deve ser composta por representantes da
gerência, dos supervisores e dos trabalhadores. Algumas tarefas específicas que a comissão pode
desempenhar são: i) conduzir o programa de saúde e de segurança; ii) realizar inspeções
sistemáticas; iii) sugerir e fornecer treinamento; iv) conduzir investigações de acidentes; v)
manter os registros das ocorrências; e vi) elaborar um manual de saúde e de segurança.
Treinamento de saúde e de segurança: os supervisores da estação de tratamento devem, antes de
tudo, ter suas próprias atitudes e interesse na saúde e na segurança, possibilitando, dessa forma,
adquirir o completo conhecimento e entendimento das diversas formas de prevenção de
acidentes e doenças ocupacionais. Todos os novos empregados devem cumprir um programa de
saúde e de segurança, assim como todos os empregados devem receber treinamento sempre que
um novo equipamento ou processo for adicionado à estação de tratamento.
Um programa mínimo deve ser mantido de maneira a manter o local da ETE em ordem e
prevenir problemas. Merecem destaque:


85
- a cerca em torno das unidades da estação de tratamento deverá ser percorrida diariamente
pelo operador, para verificar se não existe nenhum mourão enfraquecido ou arame
arrebentado, que permita a entrada de animais;
- Os mourões deverão ser pintados pelo menos uma vez ao ano;
- As valas de proteção contra águas pluviais deverão ser limpas periodicamente;
- Deverão ser fixados avisos, indicando ser o local um sistema de tratamento de esgotos;
- As tubulações de entrada e saída de todas as unidades da estação de tratamento deverão ser
limpas periodicamente;
- As caixas de entrada e de saída do reator deverão ser limpas periodicamente para evitar
obstruções;
- Os pontos de inspeção deverão ser observados diariamente e havendo detritos, estes deverão
ser retirados, de forma a evitar obstruções.
Para seu próprio controle o operador deverá observar os seguintes cuidados:
- Uso obrigatório de equipamento de segurança (macacão, luvas, botas, capacete);
- As roupas de trabalho deverão ficar na estação. Nunca entrar no automóvel com essas roupas
ou mesmo em sua própria casa. Caso não exista lavanderia no local, a roupa deverá ser
levada para casa em um saco plástico e lavada em separado das roupas de uso familiar;
- Na operação junto a painéis elétricos, ter a certeza de que suas mãos, roupas ou sapatos não
estejam úmidos. Sempre usar luvas apropriadas nos momentos de manutenção elétrica;
- Não fazer brincadeiras com colegas na parte superior do reator, pois uma queda do mesmo
poderá vir a ser fatal;
- Não fumar nas proximidades do reator UASB e do sistema de coleta e queima de biogás;
- Observar hábitos de higiene como lavar as mãos antes de comer qualquer alimento e trocar as
roupas de trabalho para ir para casa. Manter sempre as unhas limpas e cortadas, pois unhas
grandes e sujas são veículos de transmissão de doenças;
- Lavar as ferramentas após usá-las;
- Caso ocorra algum corte ou arranhão, limpar imediatamente o local com água e aplicar
solução de iodo a 2% ou mercúrio cromo;


86
- Fazer o reforço de vacinas (tétano, tifo, hepatite e varíola) de acordo como a orientação
médica e nas ocasiões certas;
- Ter sempre um estojo de primeiros socorros em local visível repondo periodicamente os
materiais utilizados.














SUMÁRIO
1 2 APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................................. 4 DESCRIÇÃO GERAL DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO ......................................................................... 5 2.1 LOCALIZAÇÃO ............................................................................................................................................... 5 2.1.1 Preliminares .......................................................................................................................................... 5 2.1.2 Populações e vazões contribuintes à ETE ............................................................................................. 5 2.2 CONCEPÇÃO E FLUXOGRAMA DA ESTAÇÃO .................................................................................................... 6 2.2.1 Preliminares .......................................................................................................................................... 6 2.2.2 Fluxograma geral.................................................................................................................................. 7 3 DESCRIÇÃO DAS UNIDADES ....................................................................................................................... 9 3.1 UNIDADES COMPONENTES DA ETE – DESCRIÇÃO GERAL .............................................................................. 9 3.2 DESCRIÇÃO DO PROCESSO DE TRATAMENTO ................................................................................................ 12 3.3 UNIDADES DE GRADEAMENTO ..................................................................................................................... 14 3.3.1 Grade Grossa ...................................................................................................................................... 14 3.3.2 Grade fina mecanizada ....................................................................................................................... 14 3.3.3 Grade fina de limpeza manual ............................................................................................................ 14 3.3.4 Volume de material gradeado ............................................................................................................. 15 3.4 ELEVATÓRIA EE-01 – BAIXO RECALQUE..................................................................................................... 15 3.4.1 Poço de sucção .................................................................................................................................... 15 3.4.2 Conjuntos elevatórios .......................................................................................................................... 15 3.4.3 Linha de recalque ................................................................................................................................ 16 3.5 DESARENADOR ............................................................................................................................................ 16 3.6 MEDIDOR PARSHALL ................................................................................................................................... 17 3.7 CANAL DE LIGAÇÃO DESARENADOR – PARSHALL – POÇO SUCÇÃO DA EE-02 ............................................. 18 3.8 ELEVATÓRIA EE-02 “ALTO RECALQUE” ..................................................................................................... 18 3.9 TRATAMENTO BIOLÓGICO: REATOR UASB + FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR ......................................... 20 3.9.1 Reatores UASB .................................................................................................................................... 20 3.9.2 Filtros Biológicos Percoladores – Decantadores Secundários........................................................... 25 3.10 ELEVATÓRIA DE RETORNO DE LODO ............................................................................................................ 28 3.10.1 Poço de sucção .................................................................................................................................... 28 3.10.2 Conjuntos elevatórios .......................................................................................................................... 28 3.10.3 Linha de recalque ................................................................................................................................ 29 3.11 CAIXAS DIVISORAS DE VAZÃO...................................................................................................................... 29 3.11.1 Caixa divisora de vazão CDV1 ........................................................................................................... 29 3.11.2 Caixa divisora de vazão CDV2 ........................................................................................................... 29 3.11.3 Caixa divisora de vazão CDV3 ........................................................................................................... 30 3.11.4 Distribuidor tipo DST1........................................................................................................................ 31 3.11.5 Distribuidores tipo DST2 e DST3 ....................................................................................................... 31 3.12 SISTEMA DE DESIDRATAÇÃO ........................................................................................................................ 32 3.13 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS ............................................................................................................................ 34 3.13.1 Sistema Geral ...................................................................................................................................... 34 3.13.2 Sistema de Automatização das Elevatórias EE-01 e EE-02 ................................................................ 36 4 PARTIDA DOS REATORES UASB.............................................................................................................. 40 4.1 PRELIMINARES ............................................................................................................................................. 40 4.2 CONSIDERAÇÕES E CRITÉRIOS PARA A PARTIDA ........................................................................................... 41 4.2.1 Volume de inóculo para a partida do processo ................................................................................... 41 4.2.2 Carga hidráulica volumétrica ............................................................................................................. 41 4.2.3 Produção de biogás............................................................................................................................. 41 4.2.4 Fatores ambientais .............................................................................................................................. 42 4.2.5 Aclimatização e seleção da biomassa ................................................................................................. 42 4.3 PROCEDIMENTOS QUE ANTECEDEM A PARTIDA DE UM REATOR .................................................................... 43 4.3.1 Caracterização do lodo de inóculo ..................................................................................................... 43 4.3.2 Caracterização do esgoto bruto .......................................................................................................... 43 4.4 PROCEDIMENTOS DURANTE A PARTIDA DOS REATORES ANAERÓBIOS .......................................................... 43 2

4.4.1 5 6

Partida com lodo de inoculo ............................................................................................................... 43

PARTIDA DO FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR – FBP ................................................................... 45 OPERAÇÃO EM REGIME ESTACIONÁRIO .............................................................................................. 45 6.1 TRATAMENTO PRELIMINAR .......................................................................................................................... 46 6.1.1 Unidades de gradeamento ................................................................................................................... 46 6.1.2 Desarenador........................................................................................................................................ 49 6.2 REATORES UASB ........................................................................................................................................ 52 6.2.1 Sistema de distribuição de vazões ....................................................................................................... 52 6.2.2 Remoção da escuma formada no reator anaeróbio ............................................................................ 63 6.2.3 Coleta e queima de gás ....................................................................................................................... 65 6.3 FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR SEGUIDO DE DECANTADORES SECUNDÁRIOS ............................................ 65 6.3.1 Sistema de distribuição de vazões ....................................................................................................... 65 6.3.2 Esquema operacional .......................................................................................................................... 68 6.3.3 Critério de descarga de lodo dos decantadores .................................................................................. 69 6.4 OPERAÇÃO DA UNIDADE DE DESIDRATAÇÃO ................................................................................................ 71 6.4.1 Alimentação do filtro-prensa .............................................................................................................. 71 6.4.2 Adição de polieletrólito ou polímero ................................................................................................... 72 6.4.3 Retorno do efluente líquido ................................................................................................................. 72

7 8

DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS ........................................................................................................ 73 CORREÇÃO DE PROBLEMAS OPERACIONAIS .................................................................................... 74 8.1 8.2 8.3 8.4 8.5 8.6 VAZÃO E CARACTERÍSTICAS DO AFLUENTE .................................................................................................. 74 GRADEAMENTO ........................................................................................................................................... 74 DESARENADOR ............................................................................................................................................ 75 REATOR UASB ............................................................................................................................................ 75 UNIDADE DE DESIDRATAÇÃO ....................................................................................................................... 78 FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR E DECANTADOR SECUNDÁRIO .................................................................. 79

9 10 11

PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA ETE.......................................................................................... 81 CONTROLE DE QUALIDADE DO CORPO RECEPTOR ..................................................................... 83 MANUTENÇÃO, CONSERVAÇÃO E SEGURANÇA. ........................................................................... 84

12 ANEXOS – PLANILHAS DE CONTROLE/MONITORAMENTO................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.

3

1 APRESENTAÇÃO

Este manual contempla os principais procedimentos operacionais relacionados à estação de tratamento de esgotos da cidade de Itabira, tendo sido desenvolvido para possibilitar uma visualização completa e o entendimento do funcionamento de todas as unidades que compõem a ETE. Contempla uma descrição detalhada das unidades que integram a estação de tratamento e aborda os principais procedimentos necessários à rotina de operação, à correção de problemas operacionais e ao programa de monitoramento, para cada etapa do tratamento e para o corpo receptor.

4

A estação de tratamento localiza-se logo após a confluência dos corpos d’água das duas bacias de contribuição – córrego Água Santa e Rio de Peixe. perfazem 2.1 Preliminares A estação de tratamento de esgotos da cidade de Itabira foi dimensionada para atendimento de uma população de 122.368 hab para o alcance de primeira etapa. O alcance da primeira etapa da ETE é previsto para o ano 2014. foi considerada a contribuição industrial proveniente do Distrito Industrial de Itabira. consideradas as áreas de provável expansão. As duas sub-bacias conjuntas.610 habitantes. com uma primeira etapa de implantações dimensionada para a população de 60.053 habitantes no ano 2029 e em 11.2 Populações e vazões contribuintes à ETE As populações e vazões contribuintes à ETE são apresentadas na Tabela 2.1 Localização A área de atendimento da ETE de Itabira abrange as duas grandes sub-bacias de esgotamento da malha urbana que são a sub-bacia do córrego Água Santa (Penha) e sub-bacia do ribeirão do Peixe.685 hectares (2. cujo equivalente populacional foi estimado em 17. em terreno localizado defronte o Laboratório Laboreaux da CVRD. 2. estando inserido nesta última o DI – Distrito Industrial de Itabira. 2.2 DESCRIÇÃO GERAL DA ESTAÇÃO DE TRATAMENTO 2.000 habitantes. a ser atingida em 2029. Além da contribuição referente aos esgotos domésticos. 5 .1.1.1.69 km2). sendo circundada pelo próprio rio de Peixe e pela rodovia que liga Itabira a Nova Era.

industrial 11.Tabela 2. A concepção da Estação de Tratamento de Esgotos . através de um sistema de tratamento em nível secundário.82 Máx.1 apresenta o fluxograma de processo da estação de tratamento.96 485.Vazões e Cargas orgânicas Pop.854 7.Fluxograma do processo de tratamento 6 . A Figura 2.74 204.610 Equiv.52 312.1 .56 215.2 Concepção e fluxograma da estação 2. 115. 168.1 .00 30.38 3.2.12 20.368 17.053 Vazões médias (L/s) doméstica 100.000 122.ETE previu a construção de unidades e instalação de equipamentos para tratamento e contenção das cargas poluentes presentes nas fases líquida.97 Vazões totais (L/s) Méd. Atendida (hab) Residente urbana 2007 1ª Etapa 2029 Fim de plano 60.542 Ano Cargas Orgânicas (kg DBO /d) 2. 252.00 Vazão Industrial (L/s) Mín.96 67.1 Preliminares O tratamento dos esgotos sanitários da cidade de Itabira deverá cumprir os objetivos principais de remoção dos sólidos em suspensão e estabilização da matéria orgânica (DBO5).70 infiltração 42. sólida e gasosa. Figura 2.

2. 7 . conseqüentemente.Fluxograma geral A implantação de um sistema de tratamento anaeróbio/aeróbio certamente possibilitará uma melhoria na qualidade das águas do rio de Peixe e.2 apresenta o fluxograma geral da estação. Sólidos grosseiros Gradeamento Elevatória 01 Tratamento preliminar Retorno de escuma e lodo biológico 1113 Desarenador Areia Aterro controlado Medidor Parshall Elevatória 02 Tratamento biológico primário Reator UASB Lodo excedente e escuma Tratamento biológico secundário Unidades de desidratação By-pass By-pass By-pass Filtros Biológicos Decantadores secundários Corpo receptor Figura 2.2 Fluxograma geral A Figura 2.2 . com indicação de possíveis flexibilidades operacionais para o efluente líquido. de todas as variáveis sócio-econômicas e ambientais associadas ao uso e aproveitamento de seus recursos hídricos.2.

no que diz respeito à disposição final dos resíduos sólidos produzidos na estação. foi previsto o encaminhamento para o aterro sanitário da ITAURB 8 . Finalmente. os esgotos sanitários afluentes à ETE-Itabira são submetidos ao tratamento em nível preliminar. Após o tratamento preliminar. constituído de reatores UASB seguido de filtros biológicos percoladores e decantadores secundários.Primeiramente. os esgotos são encaminhados para o sistema de tratamento biológico. o qual consiste na etapa de sedimentação discreta (desarenador) e medição de vazão (medidor Parshall).

junto aos reatores anaeróbios. cada qual com duas câmaras contíguas. Deste poço um parafuso helicoidal eleva a areia até o seu lançamento num “container”. 4 serão implantados em primeira etapa e outros 4 em segunda etapa.  Desarenação e segunda elevatória:  desarenação mecanizada através de duas caixas quadradas (tipo detritor). com campo de raspagem circular.  segunda elevatória (elevatória do alto recalque) que encaminha o esgoto gradeado e desarenado para a CDV1. Caixa divisora de vazão – CDV2: a caixa divisora de vazão CDV2 recebe o efluente líquido de todos os reatores e promove a partição eqüitativa para 4 (quatro) filtros biológicos percoladores.  9 .  medição de vazão através de calha Parshall dotada de medidor ultra-sônico. onde a areia sedimentada é lançada num poço lateral. o esgoto bruto é lançado em um canal dotado de uma grade grossa. 2 (dois) em primeira etapa e outros 2 (dois) em segunda etapa. de limpeza manual. Caixa divisora de vazão – CDV1: a CDV1 recebe o esgoto recalcado pela segunda elevatória e promove a partição da vazão afluente para 8 (oito) reatores de manta de lodo.1 Unidades componentes da ETE – Descrição Geral  Gradeamento e primeiro recalque: ao final do interceptor.3 DESCRIÇÃO DAS UNIDADES 3. o esgoto é lançado no poço de sucção da primeira elevatória (elevatória do baixo recalque) que promove o alteamento para cota acima da máxima enchente do corpo receptor. uma grade fina mecanizada tipo cremalheira. e. Dos 8 reatores.   Reatores anaeróbios de Manta de Lodo (UASB): para o primeiro estágio do tratamento dos esgotos foram previstos 8 (oito) reatores de manta de lodo. sendo 4 (quatro) em primeira etapa e outros 4 (quatro) em segunda etapa. já na área do tratamento. Já gradeado. na seqüência.

dotados de ponte raspadora mecanizada com removedor de escumas.  Decantadores finais: a separação fase líquida e fase sólida (gerada no filtro biológico) será feita através de 4 (quatro) decantadores finais (secundários). 10 . reatores de manta de lodo. Filtros biológicos percoladores: o pós-tratamento do efluente dos reatores anaeróbios será feito através de quatro filtros biológicos.  Elevatória de retorno de lodo: o lodo sedimentado nos decantadores finais é encaminhado para uma única elevatória que promove o retorno para o início do processo do tratamento. alimentados por distribuidores rotativos (torniquetes) acionados por carga hidrostática. para adensamento e digestão anaeróbia e. circulares. Na seqüência é apresentado um “layout” do tratamento proposto.  Caixa divisora de vazão CDV3: esta caixa divisora de vazão recebe o efluente de todos os quatro filtros biológicos e promove a partição eqüitativa para 4 (quatro) decantadores finais (secundários).  Sistema de desidratação mecânica do lodo excedente através de prensa desaguadora (filtroprensa). circulares. sendo duas unidades em primeira etapa e outras duas em segunda etapa.

GRADEAMENTO E ELEVATÓRIA DO BAIXO RECALQUE 2 .6 9 5 1 4 3 2 10 0 8 7 LEGENDA: 1 .DESARENADORES MECANIZADOS 3 .ELEVATÓRIA DO ALTO RECALQUE 4 – REATORES ANAERÓBIOS DE MANTA DE LODO – UASB 5 – FILTROS BIOLÓGICOS PERCOLADORES 6 – DECANTADORES SECUNDÁRIOS 7 – CENTRO DE TREINAMENTO DE PESSOAL 8 – LABORATÓRIO / ADMINISTRAÇÃO 9 – GARAGEM / OFICINA 10 – CENTRO DE DESIDRATAÇÃO MECÂNICA 1 2 SISTEMA DE ESGOTOS SANITÁRIOS ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTOS DE ITABIRA LAY-OUT GERAL 11 .

para os reatores de manta de lodo onde sofre adensamento e estabilização anaeróbia. tipo quadrado (detritor) com campo de raspagem circular (B). 12 . Em seguida é recalcado. O efluente dos filtros biológicos é encaminhado para uma caixa divisora de vazão CDV3 (I) que divide igualmente a vazão para 4 (quatro) decantadores finais (J). onde a areia sedimentada é lançada num poço lateral. Deste poço um parafuso helicoidal eleva a areia até o seu lançamento num “container” (caçamba brooks). juntamente com o lodo aeróbio estabilizado no reator de manta de lodo. rio de Peixe (K). Após a desidratação o lodo é transportado para o aterro sanitário da ITAURB (N). O lodo anaeróbio removido dos decantadores finais é encaminhado para uma elevatória (L) que promove o retorno do lodo para a segunda elevatória (D) e. Nesta caixa o esgoto é distribuído igualmente para 8 (oito) reatores de manta de lodo de fluxo ascendente (F). O “by-pass” (O) geral da ETE será situado junto à primeira elevatória que terá controle operacional e supervisório junto ao prédio da administração da ETE. O efluente líquido dos reatores é reunido na caixa divisora de vazão CDV2 (G) que promove a divisão eqüitativa para 4 (quatro) filtros biológicos aeróbios percoladores com leito filtrante (H). dotados de ponte raspadora mecanizada.Itabira. A seguir apresenta-se uma descrição detalhada de cada unidade integrante da ETE . dotada de medidor ultra-sônico e é encaminhado para a segunda elevatória (D) para a caixa divisora de vazão CDV1 (E).3. O esgoto afluente à ETE. A parte líquida é vertida e encaminhada para o corpo receptor. é encaminhado para a central de desidratação mecânica (M) onde terá seu volume reduzido pelo deságüe. pela primeira elevatória (A). abordando a sua finalidade e os princípios de funcionamento. para os desarenadores plano mecanizados. Do desarenador o afluente passa por uma calha Parshall (C).2 Descrição do processo de tratamento A descrição geral do processo de tratamento é baseada no fluxograma à página seguinte. passará inicialmente por um canal dotado de uma grade grossa (A1) e na seqüência de uma grade fina mecanizada (A2). O lodo excedente gerado pelo processo anaeróbio. portanto.

13 .

......... encaminhados para a disposição final......... E = 5 cm 3/8” x 1 ½” 60 º A grade grossa será rastelada manualmente e os detritos acondicionados em uma caçamba......3 Unidades de gradeamento O esgoto afluente à Estação de Tratamento será alteado através de dois recalques seqüenciais............. lançando os resíduos em uma caçamba.....................3 Grade fina de limpeza manual   espaçamento livre entre barras ............................. barras chatas ...............3........ daí...........................3............ inclinação com a horizontal ....3....................................... primeira unidade do tratamento.......... 3...................................... As principais características do sistema de gradeamento são: 3............ antes de adentrar o canal da grade......... barras chatas ......................... O esgoto afluente.............. passa por uma câmara de recepção dotada de comporta e extravasor............. E = 1......................2 Grade fina mecanizada    espaçamento livre entre barras .....................1 Grade Grossa    espaçamento livre entre barras ....... inclinação com a horizontal ..............5 cm 3/8” x 1 ½” 14 ......... barras chatas ........................ outra completará o alteamento até cota compatível com a distribuição para os reatores anaeróbios............................... na seqüência............................ um dotado de uma grade fina de limpeza manual e outro de uma grade grossa e outra fina mecanizada......................... 3........... sendo........... O sistema de gradeamento será composto por dois canais paralelos................ Uma primeira unidade de recalque elevará os esgotos até a cota de segurança das máximas enchentes do rio do Peixe................................3......5 cm 3/8” x 1 ½” 80 º A grade tipo Cremalheira tem sua limpeza mecanizada...... E = 1........

....... altura total ........................ acima da cota de máxima enchente............................ Suas características são: 3.00 m 2...... altura útil ..........2 Conjuntos elevatórios 15 ...................00 m3 24..............00 m 656.30 m 5................ 3...................................70 m 3............... cota da laje superior . 60 º A grade fina será rastelada manualmente e os detritos acondicionados em uma caçamba.........560 m3/d x 0.... 651......................................................................... encaminhados para a disposição final.................... após passar pelo sistema de gradeamento....00 m3 8...............................................................081 L/d 3............... forma ..................................................................................... e eleva para a plataforma de assentamento dos desarenadores mecanizados.......... daí........4 Elevatória EE-01 – Baixo Recalque A elevatória EE-01 recebe o esgoto afluente do final do emissário de esgoto bruto..........3.................027 m3/d x 0.......... inclinação com a horizontal ......................retangular largura .................4...........040 L/m3 = 1..... volume útil ..................... sendo.................. volume efetivo .............................................................4...............30 m 1...25 m 23..............1 Poço de sucção          cota do fundo ........040 L/m3 = 582 L/d Vano final = 27.................................... comprimento ..............................................4 Volume de material gradeado O volume diário de material a ser gradeado no sistema de grade grossa seguida de grade fina mecanizada foi avaliado em: Vano inicial = 14............

............................ Neste tipo de desarenador a areia é separada por gravidade.................................................... DN = 500 20 m PRFV 3.........................................................................................................................................3 Linha de recalque    diâmetro .............................. seção .... sendo um para reserva/ rodízio......................4.............. O desarenador da ETE de Itabira será do tipo detritor (seção quadrada)...................... A areia sedimentada é raspada e lançada num poço lateral onde um parafuso fará o transporte ascendente da areia até seu lançamento em “container” – caçamba brooks..... operarão entre 950 e 1......... acionamento . O esquema de automatização da unidade é apresentado no sub-item 3.......... 3................................................ campo de ação ................... esses materiais não são passíveis de tratamento biológico devido à sua natureza inerte ou pouco biodegradável..................................................................000 rotações por minuto (eixo da bomba)......................... material ..................................................... tipo ................ Serão implantados dois desarenadores...................................................................5 Desarenador O sistema desarenador tem a função de remover partículas de areia................................................. dotado de mecanismo de raspagem da areia com acionamento central através de motor redutor e campo de ação circular..........................................2....................... tipo ..................................................................................................... extensão .................................................................. Além disso...................... 04 re-autoescorvante GRESCO X-T 10 950 rpm a 1000 rpm (3 x 50) = 120 HP Os conjuntos serão dotados de variador de velocidade por inversor de freqüência e.....13.......................... variável potência instalada ..... modelo ...................... uma vez que tais partículas podem ocasionar abrasão e obstrução nas tubulações................................... a priorí.     nº de conjuntos (inclusive reserva/rodízio) ........................ O tanque possui seção quadrada............................................... 02 detritor quadrada circular central 16 ....................................... rotação de trabalho ......................... As principais características do desarenador são:      número de unidades ....................................

.............. os volumes diários de areia a serem removidos serão: para a primeira etapa. prevalecendo o início operacional da 2ª etapa no ano 11... vazão media de 24............ para o ano final da 2ª etapa..............000 m3 de esgoto afluente...........1 apresenta desenho esquemático do desarenador.. remoção de areia ..........560 m3/d . 3........... moto redutor bomba parafuso raspador mecânico caçamba defletores (entrada do afluente) Figura 3.... seguindo para o medidor Parshall.1 – desenho esquemático do desarenador mecânico Os esgotos domésticos.....    439 L/d 725 L/d 811 L/d Para os dez primeiros anos de operação da 1ª etapa... vazão média de 27...... é esperado um volume total de areia removida de 1. identificando o funcionamento de equipamentos de remoção de sólidos.... Quantidade de areia removida Estimando-se em 30 litros de areia para cada 1.......... já livres de uma fração significativa dos sólidos mais grosseiros.....6 Medidor Parshall 17 ............028 m3/d .... parafuso helicoidal A Figura 3......174 m3/d ..602 m3.... vazão média de 14... para o ano inicial da 2ª etapa. vertem sobre os canais a jusante......

................................................. 3........... 800 mm 12...........7 Canal de ligação Desarenador – Parshall – Poço Sucção da EE-02 A ligação dos vertedores das caixas desarenadoras mecanizadas ao medidor Parshall será feita por um canal retangular com as seguintes características:       largura do canal ..........18 m A ligação entre a saída do medidor Parshall e o poço de sucção da elevatória apresenta as seguintes características:      diâmetro da canalização .............................................0161 m/m 3..........40 m 0......................... cota do início do canal ....................... foi previsto um medidor de vazão tipo calha Parshall de 2´(61cm)..... buscou-se equipar a EE-02 com o mesmo número de conjuntos de recalque e adotados os mesmos volumes úteis da EE-01...................... declividade do fundo .......................................... cota da seção convergente do medidor Parshall ... 3........................................................8 Elevatória EE-02 “Alto Recalque” A estação elevatória EE-02 recebe o efluente dos desarenadores mecanizados e promove o alteamento dos esgotos para a Caixa Divisora de Vazão CDV1.. cota do final (início do medidor Parshall) ..1 Poço de sucção 18 .......8................ através de medidor ultra-sônico.......................... declividade de fundo .................... 1...... por faixas operacionais.........................40 m 658....... extensão ................. A medição da vazão afluente será feita através da leitura da lâmina....................................................20 m 34......................................................00 m 0.......................1............. na seção convergente..... Na busca de um funcionamento equilibrado com a elevatória EE-01........................................ extensão até a calha Parshall ...................... cota do início .Logo após o desarenador.... cota do final .........0050 m/m 659.................24 m 659...................................41 m 659..................60 m 658..........................................

....... tipo ............................................80 m 4................................. 3..... material ..................................................................2 Conjuntos elevatórios      nº de conjuntos (inclusive reserva/rodízio) ...........25 m 23............................................................... O ajuste da rotação permitirá o equilíbrio da vazão de recalque em conformidade com a performance da elevatória do “Baixo Recalque”........................................... forma .........................................075 rpm a 1........................................ variável potência instalada ....... volume útil . altura útil .........         cota do fundo .........70 m 3............................... DN = 500 60 m PRFV 19 .................................. extensão ..................................................................retangular largura .......................................................................................................................................70 m 659........13........................ cota da laje superior .................................................................... altura total .................................................... comprimento ...............................................................2....... 655................................................10 m 1.......................................................................... O esquema de automatização da unidade é apresentado no sub-item 3...................................................... modelo ........8...............................00 m3 8.......................... volume efetivo ...................8........................................................00 m 2.......................... 04 re-autoescorvante GRESCO X-T 10 1............1...... rotação de trabalho ............1...................................................................00 m3 24...............................130 rpm (3 x 50) = 150 HP Os conjuntos de recalque da elevatória do “Alto Recalque” também serão equipados com variador de velocidade por inversor de freqüência..3 Linha de recalque    diâmetro ...........................

............50 m 5..3....................... cada qual com duas câmaras conjugadas...........................................843............. Em primeira etapa funcionarão apenas 4 unidades...................................................................... comprimento de cada câmara .....Itabira seguem para a etapa de tratamento biológico composto por reatores UASB ...............4 m3 A representação esquemática da dinâmica de tratamento dos esgotos no interior de um reator UASB é mostrada na Figura 3.....................9 Tratamento biológico: Reator UASB + Filtro Biológico Percolador Após o tratamento preliminar os esgotos afluentes à ETE ...............................1 Reatores UASB Para atendimento da vazão afluente de final de plano foram previstas 8 unidades de reatores....“Upflow Anaerobic Sludge Blanket Reactors” seguidos de três filtros biológicos percoladores.. dispondo das principais características geométricas em cada câmara de reator:         forma ..................70 m 6.. que operarão em paralelo... largura de cada câmara .......................... 3....................2. altura total . 20 .. os sólidos biodegradáveis em suspensão ou dissolvidos na massa líquida passam a servir de substrato orgânico para a comunidade de microrganismos anaeróbios e/ou facultativos presentes.............. Ao ingressarem no reator UASB................. Os processos de bioestabilização da matéria orgânica passível de decomposição ocorrem majoritariamente nas zonas mais profundas dos reatores correspondentes às câmaras de digestão..00 m 605........... volume total final de plano(8 reatores – 16 câmaras) ...................9................................ volume total 1ª etapa (4 reatores – 8 câmaras) ........................................ retangular 21.........43 m3 9.. volume útil ......9 m3 4.............20 m 4.......................686........................... altura útil .......................

Representação esquemática da dinâmica de tratamento dos esgotos no interior de um reator UASB Por sua vez.2 . Os esgotos tratados no reator UASB são recolhidos na superfície livre da massa líquida. o que propicia a sedimentação e retorno dos sólidos suspensos para a zona de reação. situados na face externa das paredes do reator. de onde seguem para o canal do efluente. Os sólidos eventualmente arrastados por correntes de fluxo ascendente de maior intensidade. devido à maior área superficial disponível para o escoamento do fluido. notadamente metano e dióxido de carbono. Nestas regiões. as bolhas de gases produzidos durante o processo bioquímico de digestão anaeróbia da matéria orgânica. são recolhidas diretamente nas aberturas inferiores das coifas ou desviadas para estas por meio de vigas-anteparo. desenvolve-se baixa taxa de aplicação superficial. 21 . denominados separadores trifásicos ou coifas.As câmaras de digestão são delimitadas superiormente por dispositivos de retenção de biomassa (manta de lodo em suspensão) e recolhimento do biogás produzido. em sua trajetória ascendente e retilínea. correspondentes aos compartimentos de decantação. Calha do efluente final efluente Separador trifásico Decantadores sólidos biogás Manta de lodo afluente Figura 3. desprendendo-se da manta de lodo em suspensão. vertendo em calhas dispostas longitudinalmente às coifas (separadores trifásicos). As calhas de coleta conduzem o efluente tratado até canais de concreto. poderão atingir as partes superiores do reator situadas entre as coifas.

1 apresenta faixas de eficiências usualmente esperadas para a remoção de alguns poluentes no tratamento em reatores UASB e a Tabela 3. Tal aspecto ganha relevância na medida em que os órgãos ambientais estaduais têm intensificado a sua fiscalização e atuado efetivamente no licenciamento ambiental de novos empreendimentos no setor de saneamento.2 apresenta um resumo das principais características e dimensões resultantes do dimensionamento do reator UASB.20 m 21.Resumo das principais características e dimensões resultantes do dimensionamento do reator UASB Dimensões / Características Número reatores Número de câmaras Largura de cada câmara Comprimento de cada câmara Área de cada câmara Altura total do reator Altura útil do reator Volume útil de cada câmara do reator Valor 8 16 6.2 .Eficiências esperadas de remoção dos principais parâmetros de monitoramento em reatores UASB Parâmetro DBO Eficiência esperada (%) 60 a 80 Fonte: Adaptado de von Sperling (1996) DQO 65 SST 70 N 10 a 25 P 10 a 20 Coliformes 60 a 90 Tabela 3.1 . Distribuição da vazão afluente 22 .50 m 605.00 m 4. sendo 6 inteiros e 2 metades.70 m 134. A Tabela 3.43 m3 Cada reator UASB projetado apresenta 7 compartimentos de decantação.54 m2 5. Tabela 3.Os sistemas anaeróbios têm dificuldades em produzir um efluente que atenda aos padrões estabelecidos pela legislação ambiental.

A distribuição adequada e eqüitativa do afluente é aspecto relevante na operação de reatores UASB. Tabela 3. A Tabela 3. Tabela 3. Daí é repartido para distribuidores DST-2 e DST-3 que promovem a partição eqüitativa para a zona profunda de digestão.40 m 0. sendo essencial para garantir um melhor regime de mistura e a diminuição da ocorrência de zonas mortas no leito de lodo.O esgoto afluente a cada reator UASB chega no distribuidor DST-1.3 .4 . de forma a garantir uma elevada idade do lodo no sistema e o baixo teor de sólidos no efluente final.3 apresenta as principais características e dimensões dos separadores trifásicos (coifas) do reator UASB.4 mostra as principais características e dimensões dos compartimentos de decantação. sendo todo o fluxo por gravidade.2).50 m 2.Resumo das principais características e dimensões dos separadores trifásicos (coifas) do reator UASB. Separadores trifásicos A Tabela 3. Dimensões / Características Número de separadores trifásicos por célula Inclinação das paredes das coifas Largura na parte superior das coifas Largura na parte inferior das coifas Largura das aberturas simples (junto às paredes do reator) Largura das aberturas duplas (entre coifas) Valor 7 54 o 0.Resumo das principais características e dimensões dos compartimentos de decantação do reator UASB 23 .35 m 0. São dispositivos essenciais ao bom funcionamento do reator.70 m Compartimentos de decantação Os compartimentos de decantação constituem a última etapa do tratamento em reatores UASB (ver Figura 3. uma vez que devem propiciar o retorno do lodo ao compartimento de digestão.

A liberação do biogás de forma descontrolada na atmosfera é ruim. a partir da interface líquido-gás no interior do reator. válvula corta chama e alivio de vácuo.30 m 1. Como o gás sulfídrico pode escapar do reator tanto por via líquida (dissolvido no efluente) como por via gasosa (coletor de gases). não apenas pela possibilidade de ocorrência de maus odores junto à vizinhança. geralmente associados à redução de compostos de enxofre a sulfeto de hidrogênio (H2S).80 m 54o 149. o biogás produzido no reator deve ser coletado.73 m3 Sistema de biogás Até recentemente. notadamente quando da existência de habitações próximas à área de tratamento. é composto de:    tubulação de coleta. mas principalmente pelos riscos inerentes ao gás metano. notadamente a partir da década de setenta. 24 . Dessa forma. devem ser tomadas medidas para se evitar que estes gases escapem para a atmosfera. diferentes medidas devem ser tomadas. O sistema de retirada do biogás.60 m 0.Dimensões / Características Largura útil de cada decantador (entre coifas) Profundidades da seção retangular do decantador (parede reta) Profundidade da seção triangular do decantador (parede inclinada) Profundidade total do decantador Inclinação das paredes dos decantadores Volume total de decantação. por câmara Valor 2. Com o maior número de estudos e pesquisas desenvolvidos na área. os processos anaeróbios eram associados a gases mal cheirosos. medido e posteriormente utilizado ou queimado. adveio um maior conhecimento da microbiologia e bioquímica do processo anaeróbio e conseqüentemente das medidas a serem adotadas para o controle destes gases. que é combustível. sendo que isso se tornou o principal impeditivo para uma maior utilização desses processos para o tratamento de efluentes líquidos. No que diz respeito à formação de gases mal cheirosos.50 m 1. manômetro.

   

tanque de pressão e sedimentação; condensador e purga; medidor de vazão; queimador.

No interior do reator UASB, os gases são encaminhados para zona de acúmulo e coleta do separador trifásico (zona de acumulação de gases). Recolhimento e transporte dos efluentes dos reatores anaeróbios Na ETE-Itabira, o efluente final do reator anaeróbio seguirá para o pós-tratamento aeróbio, através de filtros biológicos percoladores. 3.9.2 Filtros Biológicos Percoladores – Decantadores Secundários Após os reatores UASB os esgotos efluentes seguem para a etapa do tratamento secundário composto por filtros biológicos percoladores seguidos de decantadores secundários. Foram previstos 4 (quatro) filtros biológicos aeróbios percoladores (arejamento natural), com as seguintes características:

      

número de unidades de 1ª etapa .............................................................. número de unidades em 2ª etapa ............................................................. formato .................................................................................................... diâmetro de cada unidade ....................................................................... altura do meio suporte ............................................................................ área superficial de cada filtro .................................................................. volume de cada filtro ...............................................................................

02 un 04 un circular 22,50 m 2,50 m 397,61 m2 994,03 m3

Para a remoção do lodo gerado nos filtros biológicos foram previstos 4 (quatro) decantadores secundários, com as seguintes características:

 

número de unidades em 1ª etapa ........................................................... número de unidades em 2ª etapa ...........................................................

02 04

25

   

formato .................................................................................................. diâmetro ................................................................................................ profundidade útil junto à parede lateral ................................................ inclinação do fundo ...............................................................................

circular 20 m 3,00 m 1:10 (V/H)

Um filtro biológico percolador consiste, basicamente, de um tanque preenchido com material de alta permeabilidade. Nesta estação foi utilizada brita não calcária nº4, sobre a qual os esgotos são aplicados sob forma de gotas ou jatos. Após a aplicação, os esgotos percolam em direção aos drenos de fundo. Esta percolação permite o crescimento bacteriano na superfície da pedra, na forma de uma película fixa denominada biofilme. O esgoto passa sobre o biofilme, promovendo o contato entre os microrganismos e o material orgânico. A Figura 3.3 apresenta um desenho esquemático do funcionamento do filtro biológico percolador. Os filtros biológicos são sistemas aeróbios, pois o ar circula nos espaços vazios entre as pedras, fornecendo o oxigênio para a respiração dos microrganismos. A ventilação é natural. A distribuição é feita através de distribuidores rotativos, movidos pela própria carga hidrostática dos esgotos, ou motorizados. O líquido escoa rapidamente pelo meio suporte, No entanto, a matéria orgânica é absorvida pelo biofilme, ficando retida um tempo suficiente para a sua estabilização. Á medida que a biomassa cresce na superfície das pedras, o espaço vazio tende a diminuir, fazendo com que a velocidade de escoamento nos poros aumente. Ao atingir um determinado valor, esta velocidade causa uma tensão de cisalhamento, que desaloja parte do material aderido. Esta é uma forma natural de controle da população microbiana no meio. O lodo desalojado deve ser removido nos decantadores secundários, de forma a diminuir o nível de sólidos em suspensão no efluente final. A Tabela 3.5 apresenta a composição de esgotos brutos, de efluentes de reatores UASB e de efluentes de filtros biológicos percoladores em comparação com a qualidade exigida para o efluente. A Tabela 3.6 apresenta o resumo das principais características e dimensões dos filtros biológicos percoladores e a Tabela 3.7 apresenta o resumo das principais características e dimensões dos decantadores secundários. Tabela 3.5 -Composição típica de esgotos brutos, efluentes de reatores UASB e efluentes de filtros biológicos percoladores e qualidade exigida para o efluente final
26

Parâmetro DQO (mg/L) DBO5 (mg/L) SST (mg/L)

Esgoto bruto 500 a 800 200 a 350 300 a 400

Efluente do reator UASB 150 a 200 50 a 100 60 a 120

Efluente do filtro biológico percolador  120  30  30

Qualidade exigida < 90 < 60 < 60

Fonte: Adaptado de Cavalcanti et al. (2001); Alem Sobrinho & Jordão (2001); DN 10 COPAM (1986) e CONAMA (1986).

Distribuidor rotativo afluente Meio suporte

Figura 3.3 - Representação esquemática de um filtro biológico percolador

Tabela 3.6 - Resumo das principais características e dimensões dos filtros biológicos percoladores
Dimensões / Características Número de unidades Formato Diâmetro de cada unidade Altura do meio filtrante Área superficial de cada filtro Volume de cada filtro TAS COV Valor 04 circular 22,50 m 2,50 m 397,61 m² 994,02 m³ 18 m³/m²xdia 0,73 KgDBO/m³

Tabela 3.7 - Resumo das principais características dos decantadores secundários
Dimensões / Características Número de unidades em final de plano Formato Diâmetro de cada unidade Valor 04 Circular 20,0 m 27

Profundidade útil junto à parede lateral Inclinação do fundo

3,00 m 1:10(V/H)

3.10 Elevatória de retorno de lodo
O lodo de fundo dos decantadores secundários, descarregado de maneira intermitente, será encaminhado para uma única elevatória – Elevatória de Retorno de Lodo – ERL , donde será recalcado para a rede de esgotamento dos reatores, tendo como destino o poço de sucção da elevatória EE-02 e, portanto, retornando aos reatores.

A vazão afluente ao poço de sucção da elevatória será de 2.400 L/h (0,67 L/s). Para o dimensionamento do recalque foi arbitrada a vazão de 5,00 L/s (18.000 L/h) e linha de recalque de 75 mm, para os quais se tem uma velocidade próxima de 1,10 m/s.

As principais características da ERL são:

3.10.1 Poço de sucção
       

cota do fundo .................................................................................... cota da laje superior .............................................................................. altura total .......................................................................................... altura útil ............................................................................................ volume útil .......................................................................................... forma - retangular largura ................................................................................................ comprimento .......................................................................................

657,25 m 659,70 m 2,45 m 0,95 m 2,00 m3

2,10 m 1,20 m

3.10.2 Conjuntos elevatórios
  

nº de conjuntos (inclusive reserva/rodízio) .............................................. tipo ....................................................................

02

helicoidal de cavidades progressivas HF 70 da Weatherford
28

modelo ...................................................................................

..... extensão ...11. cota de fundo da caixa de admissão ........800 m 3................ 1.........................................70 m 1................................ número de vertedores de soleira plana .................. É dotada de uma câmara de admissão única e de oito câmaras conjugadas............. 75 mm 115 m PRFV 3..... separadas por vertedores de soleira plana e comportas de superfície...............2 Caixa divisora de vazão CDV2 A caixa divisora de vazão CDV2 destina-se a receber o efluente líquido tratado dos reatores anaeróbios e repartir a vazão para os quatro filtros biológicos percoladores (eventualmente três).60 m 670... 250 rpm 5 CV 3..11..........11 Caixas divisoras de vazão 3................................................................. Cada câmara encaminha parte da vazão afluente para os reatores (em número de oito em final de plano)............................. cota da soleira dos vertedores ...........................................150 m 670................................. sem comporta de fechamento.................................. separadas por vertedores de soleira plana.. potência instalada ................... Cada câmara encaminha uma quarta parte da vazão afluente (vinda dos reatores) para cada um dos quatro filtros biológicos 29 ........... As principais características da CDV1 são:       largura útil interna da câmara de admissão .......................................................................................................... largura da soleira de cada vertedor .......  rotação de trabalho ......................................................... comprimento da câmara de admissão ........1 Caixa divisora de vazão CDV1 A caixa divisora de vazão CDV1 destina-se a eqüipartir a vazão total efluente da elevatória EE-02 para os oito reatores anaeróbios (quatro na primeira etapa das obras).....3 Linha de recalque    diâmetro .. É dotada de uma câmara de admissão única e de quatro câmaras conjugadas a 90º .....................................................10..........70 m 08 un 0........ material ..........................................................

...................................................................................... A retirada de operação de qualquer dos filtros biológicos é feita através de válvula na linha individual de ligação de cada filtro à caixa de entrada dos decantadores secundários (CDV3).... A caixa CDV2 é fechada na sua parte superior e conta com sistema de exaustão e tubulação para encaminhamento dos gases desprendidos (sulfetos) até uma unidade de neutralização................ cota de fundo da caixa de admissão ............... As principais características da CDV2 são:       largura útil interna da câmara de admissão ................80 m 03 un 0.. Difere da CDV2 por ser aberta na superfície e controle de fechamento/abertura através de comportas de superfície em vertedores de soleira plana............30 m 1.....30 m 04 un 0...............................................................80 m 1............80 m 788..... largura da soleira de cada vertedor ........80 m 665...... comprimento da câmara de admissão ..................... cota da soleira dos vertedores ....750 m 3....3 Caixa divisora de vazão CDV3 A caixa divisora de vazão CDV3 apresenta operação semelhante à da caixa CDV2.. Recebe o efluente dos filtros biológicos através de uma câmara única de admissão e promove a partição para quatro decantadores secundários (dois em primeira etapa)................................................... 1.......................11..................................................... largura da soleira de cada vertedor ...........300 m 30 .....700 m 666..................................... As principais características da CDV3 são:      largura útil interna da câmara de admissão . cota de fundo da caixa de admissão ...... número de vertedores de soleira plana ........... logo junto à saída da caixa CDV2....... 0.............percoladores....... número de vertedores de soleira plana ................. comprimento da câmara de admissão ....................................

......15 m 668...............................5 Distribuidores tipo DST2 e DST3 Para a distribuição da vazão afluente a cada reator.............. cota das soleiras vertentes ....................11...................... foram previstos 56 pontos com área de influência da ordem de 2...........................90 m 669. com 4 difusores.......................... cota da soleira dos vertedores ....4 Distribuidor tipo DST1 Os distribuidores DST1. número de vertedores de soleira plana ..................... um para cada reator composto por duas câmaras....... com 8 difusores. 31 .............. 790.............. cota de fundo do compartimento de saída para DST2 e/ou DST3 ....................11.........70 m 669..00 m2 para cada ponto...... largura de soleira dos vertedores 12 unidades ..................... destina-se............................... Cada reator contará com 12 distribuidores tipo DST2 e 4 distribuidores tipo DST3........500 m 3............. circular 16 un       0...................... juntamente com os distribuidores DST2 e DST3 repartir a vazão para 112 difusores locados no fundo dos reatores (56 para cada câmara)..... em número de oito unidades.................................. As principais características dos distribuidores DST1 são:    formato em planta ...... O esquema a seguir ilustra o sistema adotado de repartição da vazão para cada reator..................32 m 670.... e tipo DST3....... A distribuição será feita por dois tipos de distribuidores: tipo DST2........................ totalizando os 112 pontos previstos (56 em cada câmara de reator).... cota de fundo da câmara de admissão ................................................................ cota do topo da caixa DST1 ...................30 m 0................... 4 unidades ...15 m 3.............

........................ objetivando-se a redução de volume..... 0... o lodo biológico excedente dos reatores UASB seguirá para a central de desidratação......................... cota da geratriz inferior dos vertedores triangulares ............................. Enquanto o material gradeado (sólidos grosseiros) e as partículas de areia removidos no tratamento preliminar são encaminhados diretamente para as células de aterramento......................350 m 3..80 m 669......................40 m 0................. cota de fundo da câmara de admissão ... 32 .... diâmetro da câmara de repartição (externo) ............200 m 669......12 Sistema de desidratação A redução do teor de umidade do lodo gerado no sistema de tratamento será feita através de equipamento mecanizado de deságüe.................................................020 m 669...DST3 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST3 VEM DA CDV1 DST3 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST3 Construtivamente são semelhantes e apresentam as seguintes características:      diâmetro da câmara de admissão ....... cota de fundo da câmara de repartição ........

tem-se: Plodo total  2. Para a desidratação mecânica do lodo biológico excedente foi previsto o emprego de prensa desaguadora (filtro prensa) da ANDRITZ (NETZSCH).757. Assim.59 m3/d 3 1.53 m3/d 3 1. tem-se: Plodo total  1.04   (para início de plano) V 2.409. No pavimento superior está assentado o equipamento de deságüe e no inferior o armazenamento. A produção total de lodo a ser descartada para desidratação será de:  Para início de plano.020 kg/m3 e um teor de matéria sólida de 4 %. preparo e dosagem do polieletrólito. foi construída uma instalação dotada de dois pavimentos.409.55 kg SST/d O volume de lodo produzido foi estimado admitindo-se a concentração de 1.020 kg / m  0.12kgSST/ d   34.O biofilme desgarrado do meio suporte do filtro biológico irá sedimentar no decantador secundário e será retornado para os reatores UASB.04   (para final de plano) 33 . tem-se: V 1. Para abrigo da desidratação mecanizada. sendo então estabilizado e encaminhado para a desidratação junto com o lodo anaeróbio.020 kg / m  0.55kgSST/ d   67.757.12 kg SST/d  Para final de plano. além da caçamba de recolhimento e/ou caminhão tipo báscula.

300 Kva. Trafo 3 – 112. permite o completo monitoramento de toda a ETE por meio de supervisório. aliada àquela já embarcada nos soft-starters ou nos inversores de frequência dos motores das elevatórias. As motobombas são de eixo horizontal e não ficam imersas no esgoto. instalado na sala do operador. Os transformadores 1 e 2 estão instalados em subestação abrigada e o terceiro em subestação ao tempo. em 220 V.13 Instalações Elétricas 3.1 Sistema Geral Toda a ETE é alimentada por uma subestação com três transformadores. com secundários em 220/127 V. Trafo 2 . o Trafo 2 (75 kVA) alimenta o QGBT de 220V e o Trafo 3 (112. Os motores de cada elevatória são controlados por micro CLP. Cada transformador alimenta um quadro de distribuição geral de baixa tensão sendo que o Trafo 1 (300 kVA) alimenta o QGB de 440V. A transmissão das informações entre a ETE e a central de supervisão na ETA Pará é feita por sistema de radiotelemetria.5 kVA o QDG do Laboratório. com secundários em 220/127 V. e secundário em 440/254 V.13.3. A instrumentação de “chão de fábrica” utilizada resume-se a quatro medidores/transmissores de nível posicionados nos poços de sucção das elevatórias de esgoto e nos tanques pulmão de lodo. 34 . a saber: Trafo 1 . Esta instrumentação.5 kVA. Há uma rede primária no interior da ETE para alimentar a subestação ao tempo de 112. a um medidor/transmissor de vazão instalado na calha Parshall próximo à EE-02.75 kVA. A EE-01 é constituída por quatro motores de 50 CV e a EE-02 por quatro motores de 50 CV. com primário em 13. todos alimentados em 440V.8 kV . que tem a função de efetuar rodízio das motobombas e enviar sinais de status ao supervisório central. Os motores das elevatórias de esgoto são acionados por inversores de frequência permitindo o controle de vazão de recalque. O software de supervisão é o IFIX da GE . Também os inversores de frequência têm seus status transmitidos ao supervisório.triângulo.5 kVA.

acionamento das bombas face aos níveis de esgoto do poço. através de IHM por teclado de membrana localizado na face do transmissor. O medidor tem a função de totalizar as leituras de vazão do sistema. tais como a indicação da rotação das bombas. A iluminação do laboratório. São do tipo simples canal. A rede de dutos que atende esta área é composta por dutos em PEAD (polietileno expandido de alta densidade). O medidor de nível liga e desliga os motores escalonadamente. e o comando das lâmpadas é feito através de relé fotoelétrico. as valas onde correm os dutos está envelopada com concreto. sendo o sensor instalado no topo do poço de sucção e o conversor de sinal em painel no interior da elevatória. para proteção dos cabos contra compressão excessiva. Para aterramento dos sistemas eletrônicos sensíveis foi adotado o critério da Malha de Terra de Referência. sendo a mesma alimentada diretamente pelo QDC 1 localizado no laboratório. dois. etc. para uma lâmpada vapor metálico de 150W – 220V. identificação e alarme de defeitos. para a parte interna. em valas com um. é composta por luminárias fluorescentes de 32W ou 16W. efetua várias operações. sendo ainda dotada de pontos para chuveiro. Este parâmetro de alarme deve ser ajustado em comum acordo com a operação do SAAE na época da instalação do equipamento de medição de nível. quatro ou seis dutos de diâmetro 4”. Na calha Parshall está instalado um medidor de vazão ultrassônico. permitindo a programação local de vários níveis. com o conversor de sinal instalado em painel dentro da Elevatória da EE-02. Após o desligamento do conjunto o CLP selecionará as próximas moto-bombas que irão trabalhar. O alarme de nível crítico soará sempre que o nível ultrapassar a cota de segurança. digital e ultrassônico. tomadas bifásicas e tomadas específicas para destilador e outros equipamentos. Este por sua vez. habilitando ou não os conjuntos moto-bombas e a sinalização.Os medidores de nível instalados nos poços de sucção são do tipo nível contínuo. Nos trechos de travessia de pista. armazená-las e transferi-las para o CLP. A iluminação da área externa da ETE é feita através de luminárias fechadas. instalada em poste com altura livre de 7 metros para facilitar a manutenção. Em toda a instalação foram deixados dutos reservas para futuras ampliações. O objetivo básico da malha de terra de referência é o de “anular o inconveniente 35 . com cabeça sensora tropicalizada (com compensação de temperatura).

13. A malha adotada nesta ETE foi construída com cabos de seção circular. diâmetro de 19 mm x 2400 mm de comprimento. conforme projeto específico de aterramento. com o espaçamento de 30cm e com condutores de bitola 16 mm ². Hastes de terra. sendo ligado ao condutor de aterramento.grave de todos os outros tipos de malhas. sendo a mesma instalada sob os equipamentos. descendo até as caixas de conexão e inspeção. após passar pelo sistema de gradeamento. e eleva para a plataforma de assentamento dos desarenadores mecanizados. Prevê-se o seguinte esquema de automatismo:  Vazão afluente menor que a capacidade de recalque de 1 conjunto (Qa < 155 L/s). para o laboratório e sala de operação. Os conjuntos moto-bomba são dotados de inversores de freqüência. este de cobre nu de seção nominal 50 mm². sendo essas responsáveis pelo escoamento das descargas elétricas. Previu-se ainda sistemas de proteção contra descargas atmosféricas tipo “gaiola de Faraday “ sem captores. o conjunto parte com 950 rpm. Nesta ETE foi prevista a instalação de uma MTR na sala do operador. a) Estação Elevatória EE-01 A elevatória EE-01 recebe o esgoto afluente do final do emissário de esgoto bruto. O condutor de captação é de cobre nu de seção nominal de 35 mm² e contorna todo o perímetro da cobertura das edificações. no que concerne à incapacidade das mesmas de equalizar as barras de terra dos diversos equipamentos eletrônicos para altas freqüências. 3. Como a vazão afluente é menor 36 .2 Sistema de Automatização das Elevatórias EE-01 e EE-02 O automatismo dos conjuntos moto-bombas das elevatórias EE-01 e EE-02 está previsto através de CLP – Controlador Lógico Programável. permitindo então a entrada de ruídos indesejáveis nestes mesmos equipamentos”. acima da cota de máxima enchente. A função básica desta malha é a equalização de potenciais e não condução de correntes de curto-circuitos. constituem a malha de terra de cada edificação. Atingido o nível de ligamento de B1.

37 .000 rpm (eixo da bomba). Quando atingido o nível de ligamento do segundo conjunto este também partira com 950 rpm. Ocorrendo o desligamento do terceiro conjunto haverá a redução da rotação dos outros dois. havendo duas unidades para revezamento. Para esta situação não haverá o desligamento do conjunto de nível inferior. Nesta situação operacional existem 4 conjuntos (incluída a unidade reserva) que se revezarão quanto dos ligamentos. permanecendo o primeiro em operação. O nível subirá até o ponto de ligamento do terceiro conjunto. a permuta com um dos outros três que estavam parados. Na seqüência é mostrado o esquema de acionamento dos conjuntos. Haverá o rebaixamento do nível no poço de sucção até o ponto de desligamento deste segundo conjunto. entretanto. A intermitência será estabelecida entre o segundo conjunto. Para esta situação a permuta somente ocorrerá com o terceiro conjunto. Atingido este nível haverá o ligamento do terceiro conjunto e o aumento de rotação dos três conjuntos em operação para 1. O reinicio será dado quanto atingido novamente o nível de acionamento do primeiro conjunto.  Vazão afluente maior que a capacidade de recalque de dois conjuntos (Qa > 305 L/s). O nível no poço de sucção será rebaixado até o ponto de desligamento do terceiro conjunto. será efetuada entre três conjuntos. de conformidade com os níveis no poço de sucção.  Vazão afluente menor que a vazão de dois conjuntos em paralelo e maior que a vazão de um único conjunto (155 L/s < Qa < 305 L/s). O nível no poço de sucção estará oscilando entre os pontos de ligamento e desligamento do segundo conjunto. restabelecendo-se em 950 rpm. portanto.que a capacidade de recalque de apenas 1 conjunto. o nível no poço de sucção será rebaixado até a posição de desligamento total da elevatória (nenhum conjunto operando). A permuta. havendo.

“Alto Recalque” também serão equipados com variador de velocidade por inversor de freqüência. 38 . conforme ilustração na seqüência. O ajuste da rotação permitirá o equilíbrio da vazão de recalque em conformidade com a performance da elevatória do “Baixo Recalque”.LIGA B3 – Aumenta rotação dos três conjuntos para 1. são esperados os mesmos tempos de ciclo apresentados para a elevatória EE-01. Assim. por faixas operacionais. dispondo esta elevatória do mesmo número de conjuntos de recalque e dos mesmos volumes úteis da EE-01.000 rpm LIGA B2 com 950 rpm V3 V2 DESLIGA B3 – Reduz rotação dos outros dois conjuntos para 950 rpm DESLIGA B2 DESLIGA B1 LIGA B1 com 950 rpm V1 Poço de sucção da EE-01 Esquema de Acionamento dos Conjuntos b) Estação Elevatória EE-02 A estação elevatória EE-02 recebe o efluente dos desarenadores mecanizados e promove o alteamento dos esgotos para a Caixa Divisora de Vazão CDV1. Para a elevatória EE-02 foi previsto o mesmo esquema de automatismo do apresentado para a elevatória EE-01. somente que defasados de um “tempo de retardo”. ocasionado pela passagem do fluxo pelos desarenadores. O funcionamento desta unidade está vinculado e equilibrado com o da elevatória EE-01. Os conjuntos de recalque da elevatória EE-02 .

130 rpm LIGA B2 com 1075 rpm LIGA B1 com 1075 rpm DESLIGA B3 – Reduz rotação dos outros dois conjuntos para 1075 rpm DESLIGA B2 DESLIGA B1 Poço de sucção da EE-02 Esquema de Acionamento dos Conjuntos 39 .LIGA B3 – Aumenta rotação dos três conjuntos para 1.

os quais relacionam principalmente à concentração e à atividade da biomassa presente e. marcado por instabilidades operacionais. via de regra. alcançados a partir do projeto e da construção dos reatores. Isso se todos os fatores ambientais (temperatura.) estiverem em uma faixa adequada. etc. A partida de reatores anaeróbios pode ser definida como o período transiente inicial. Esses objetivos são. bem elaborados e de procedimentos adequados durante a partida e operação do sistema. Basicamente. a partida do sistema passa por um período de aclimatação. ii) a prevenção de acumulação de sólidos suspensos inertes no reator e. alcalinidade. incluindo uma fase de seleção microbiana.1 Preliminares O sucesso da aplicação dos processos anaeróbios de alta taxa está condicionado ao atendimento a uma série de requisitos. a partida pode ser conseguida de três formas distintas:  Utilizando-se lodo de inóculo adaptado ao esgoto a ser tratado: a partida do sistema procede-se de forma rápida e satisfatória. não havendo a necessidade de aclimatação do lodo.  Utilizando-se lodo de inóculo não adaptado ao esgoto a ser tratado: nesse caso. 40 .4 PARTIDA DOS REATORES UASB 4. iii) o desenvolvimento de condições favoráveis para o transporte de massa. ao regime de mistura e padrão de fluxo do reator. independentemente do tempo de detenção hidráulica. Os objetivos mais comuns a serem alcançados na operação dos processos anaeróbios de alta taxa são: i) o controle do tempo de retenção de sólidos.  Sem a utilização do lodo de inóculo: essa é considerada a forma mais desfavorável de proceder partida do sistema. o tempo demandado para a retenção e seleção de uma elevada massa microbiana pode ser bastante prolongado (da ordem de 4 a 6 meses). uma vez que haverá a necessidade de se inocular o reator com os próprios microrganismos contidos no esgoto afluente. pH. também. Como a concentração de microrganismos no esgoto é muito pequena.

Os valores de carga biológica a serem aplicados durante a partida dependem essencialmente do tipo de inóculo empregado e da aclimatização deste ao esgoto a ser tratado.  com a retirada de parte da nova biomassa. espaço para a nova biomassa que está crescendo.2 Carga hidráulica volumétrica A carga hidráulica volumétrica equivale à quantidade (volume) de esgotos aplicados diariamente ao reator.4.10 a 0.2. criando.10 e 0. Quando possível. são utilizadas cargas biológicas durante a partida do processo na faixa de 0. que não possui boas propriedades de sedimentação. principalmente durante a partida do sistema. recomenda-se que a carga biológica para a partida seja determinada através de testes de atividade metanogênica específica do lodo (AME). verifica-se uma seleção sobre a biomassa ativa.50 kgDQOCH4/kgSV.d) é o parâmetro que caracteriza a carga orgânica aplicada ao sistema. em função da eficiência do sistema e da melhoria da atividade da biomassa.2.d.  a carga hidráulica tem grande influência sobre as características de mistura do reator. 4. 41 .2 Considerações e critérios para a partida 4. Estas cargas iniciais deverão ser aumentadas.1 Volume de inóculo para a partida do processo O volume de inóculo (lodo de semeadura) para a partida do sistema é usualmente determinado em função da carga biológica inicial aplicada ao sistema de tratamento. Entretanto. sendo perdido juntamente com o efluente. gradativamente. relacionadas a atividades metanogênicas específicas entre 0. 4. taxas muito elevadas de produção de gás podem afetar negativamente a partida do processo. por unidade de volume do mesmo. Na impossibilidade de realização de tais testes. porque o lodo pode se expandir excessivamente em direção à parte superior do reator.2.50 kgDQO/kgSV. em relação à quantidade de biomassa presente no reator.3 Produção de biogás Nos reatores de manta de lodo a produção de biogás é muito importante para a boa mistura do leito de lodo. A carga biológica (kgDQO/kgSV. A carga hidráulica produz pelo menos três diferentes efeitos sobre a biomassa do reator durante a partida do sistema:  a carga hidráulica retira toda a biomassa com características de sedimentação precária. dessa maneira.d.

As principais diretrizes para a aclimatização e seleção da biomassa em reatores de manta de lodo tratando esgotos domésticos são as seguintes:   não retornar ao reator o lodo disperso perdido juntamente com o efluente. a temperatura no interior dos reatores deve ser próxima à faixa ótima de crescimento dos microrganismos anaeróbios (30 a 35C). aumentar a carga orgânica progressivamente. de forma a propiciar a seleção do lodo mais pesado para crescimento e agregação. prover a alcalinidade ao sistema. deve ser propiciado um tempo suficiente para a aclimatização das bactérias.   o pH deve ser mantido sempre acima de 6. Caso contrário. No caso dos reatores de manta de lodo. todos os fatores de crescimento (N. tais temperaturas não são factíveis de serem atingidas. 4. fazendo com que a partida do sistema não se dê em condições ótimas de temperatura.  os compostos tóxicos devem estar ausentes em concentrações inibidoras. sempre que a remoção de DBO e de DQO atingirem pelo menos 60%. S e micronutrientes) devem estar presentes em quantidades suficientes. é desejável que os fatores ambientais sejam favoráveis.2. de forma a manter o pH próximo a 7.4 Fatores ambientais Para uma partida ótima do sistema. de acordo com as seguintes diretrizes principais:  quando possível.2.   manter as concentrações de ácido acético abaixo de 200 a 300 mg/L.4. quando necessário.2 e preferencialmente na faixa de 6.8 a 7. a remoção suficiente e contínua da fração mais leve do lodo é essencial. P. 42 .5 Aclimatização e seleção da biomassa A primeira partida de um reator anaeróbio é um processo relativamente delicado.2. No caso do tratamento de esgotos domésticos.

incluindo os seguintes parâmetros:  pH. embora seja preferível a inoculação com o reator vazio.4. alcalinidade bicarbonato.3. 43 . deve-se proceder uma campanha de caracterização qualitativa e quantitativa do esgoto bruto afluente ao sistema de tratamento através de análises laboratoriais dos parâmetros citados no item anterior.4.3 Procedimentos que antecedem a partida de um reator 4.2 Caracterização do esgoto bruto A fim de estabelecer a rotina de partida do reator anaeróbio. e atividade metanogênica específica (AME).      Além dos parâmetros referidos acima. ácidos graxos voláteis. sólidos totais (ST).3. sólidos voláteis totais (SV). 4. a fim de diminuir as perdas de lodo durante o processo de sua transferência. 4. devem ser realizadas análises para a sua caracterização qualitativa e quantitativa.4 Procedimentos durante a partida dos reatores anaeróbios 4. deve-se proceder à uma caracterização visual e olfativa do lodo.1 Caracterização do lodo de inóculo Uma vez definida a utilização de lodo de inóculo para a partida do reator.1 Partida com lodo de inoculo A inoculação do reator pode-se dar tanto com o reator cheio ou vazio.

aumentando-se a vazão progressivamente. cuidando para que o mesmo seja descarregado no fundo do reator. torna-se prudente proceder uma alimentação gradual do reator. Quando for utilizada uma quantidade suficiente de lodo.4.4.  deixar o lodo em repouso por um período aproximado de 12 a 24 horas.1. de acordo com a resposta do sistema e aclimatação da biomassa. possibilitando a sua adaptação gradual à temperatura ambiente. procedendo-se. 44 .1 Esquema operacional Podem ser adotados os seguintes procedimentos:  transferir o lodo de inóculo para o reator. Caso seja utilizada uma quantidade de lodo de inóculo inferior ao desejável. alcalinidade e ácidos graxos voláteis. o monitoramento intensivo dos parâmetros pH.4. Evitar turbulências e contato excessivo com o ar. entretanto. 4.2 Alimentação do reator com esgotos A forma de alimentação do reator com esgotos dependerá essencialmente da quantidade de lodo de inóculo utilizada.1. a alimentação do reator com esgotos pode ser integral (vazão total de projeto).

aumentando de 10 em 10% de acordo com a resposta do sistema. evitando que estes sejam introduzidos no reator anaeróbio. podendo ocasionar não apenas a obstrução das tubulações de distribuição dos esgotos. tendo um cuidado especial quanto a granulometria e a homogeneidade. Estes materiais são altamente prejudiciais ao funcionamento do reator biológico. uma queda da eficiência do sistema. 6 OPERAÇÃO EM REGIME ESTACIONÁRIO Um aspecto importante relativo ao controle operacional do sistema de tratamento é que este pode levar uma otimização das condições operacionais da estação de tratamento. na aquisição do material. uma vez que problemas de entupimento e colmatação do meio suporte têm sido reportados com freqüência. alguns aspectos operacionais podem ser destacados:  definição das melhores práticas e rotinas de operação e limpeza das unidades de gradeamento e desarenação. visando a redução dos custos e o atendimento aos padrões de lançamento estabelecidos pela legislação ambiental. estabelecendo-se porcentagens da carga total a ser aplicada. poder-se-á maximizar a retirada de materiais grosseiros e de areia presentes no esgoto afluente. que ocasiona a diminuição do seu volume útil e. Neste projeto. Após a verificação da estrutura física do FBP e de sua estanqueidade. 45 . o que pode acarretar entupimentos e a colmatação do filtro. O meio suporte deve ser muito bem selecionado.não calcária. conseqüentemente. que a sua granulometria esteja rigirosamente dentro da especificação correta. Com isso.5 PARTIDA DO FILTRO BIOLÓGICO PERCOLADOR – FBP Para um bom funcionamento do FBP deve ser dispensada uma particular atenção à escolha do material de enchimento e ao preenchimento do filtro. como também a sua acumulação no interior do reator. Inicia-se com 10% da carga orgânica. É necessário garantir. foi especificado como material de enchimento a brita nº4 . evitando-se receber pedras com granulometria menor. Nesse sentido. este poderá ser alimentado com o efluente do reator UASB de forma gradativa. buscando otimizar a eficiência dessas unidades de tratamento preliminar.

uma freqüência de descarte adequada refletirá diretamente em uma menor perda de sólidos no efluente final. deve-se estabelecer uma rotina operacional que possibilite a limpeza das grades e caixas de areia com uma freqüência adequada. identificação de pontos com ocorrência de maus odores. no caso o aterro municipal da ITAURB.1. 6.1 Tratamento preliminar O bom funcionamento do tratamento biológico depende fundamentalmente da correta operação das unidades que compõem o pré-tratamento e das características dos esgotos a serem tratados. reatores anaeróbios e equipamentos de desidratação de lodo) possibilitará maior conhecimento dos pontos problemáticos. implicando em uma melhor qualidade do efluente em termos de sólidos suspensos e de DQO e DBO particulada. Os sólidos acumulados na caçamba deverão ser transportados para o local de aterramento. 6.  determinação da melhor rotina de descarte e de desaguamento do lodo excedente. Assim. Ainda.1. 6. Nesse sentido. visando possibilitar maior segurança e conforto ambiental aos operadores e às pessoas que vivem nas imediações da estação de tratamento.1 Grades manuais A remoção manual dos sólidos retidos será efetuada através de rastelos sendo os sólidos lançados em caçambas locais. a otimização do descarte e do desaguamento do lodo implicará diretamente na redução do volume de lodo seco a ser transportado até o local de disposição final.1. 46 . o acompanhamento efetivo das unidades potencialmente mais sujeitas à emanação de gases fétidos (tratamento preliminar. Para assegurar uma efetiva remoção dos sólidos grosseiros e da areia presente. facilitando a tomada de providências e a implementação de adaptações que possibilitem o controle dos odores.1 Unidades de gradeamento A operação das unidades de gradeamento localizadas anteriormente à elevatória EE-01 – Baixo Recalque deverá seguir os itens do esquema operacional.

sempre que houver material aderido.A verificação da necessidade de remoção é visual e a diferença de nível constituí indicador do momento em que se deve iniciar a retirada dos sólidos.   observação visual para avaliar se a freqüência de limpeza está adequada. Quando o rastelo passa por um determinado ponto em seu movimento ascendente.3 Grade mecanizada A remoção dos sólidos retidos na grade tipo Cremalheira será efetuada mecanicamente através de rastelos. acionados por sistema elétrico. transferir o material retirado para uma caçamba. os sólidos são continuamente transportados para a caçamba estacionária.1. Na ocorrência de qualquer anormalidade de funcionamento. ao operador competem as seguintes atividades:    limpeza manual da grade grossa através de rastelos. juntamente com os resíduos da grade mecanizada.2 Esquema operacional Quanto ao funcionamento da unidade. posicionada lateralmente ao canal das grades. Os sólidos removidos poderão ser temporariamente despejados na caçamba disposta junto ao canal da grade.  manter o ambiente externo sempre limpo. localizada na parte traseira da estrutura. Daí. deve-se proceder à remoção de todo o material retido pelo menos uma vez por dia. 6. Embora esses indicadores de necessidade de limpeza da grade grosseira possam acontecer com menor freqüência. para posterior encaminhamento ao local de aterramento. 6. uma lâmina raspadora descarrega os detritos em uma correia transportadora. em movimento ascendente. providenciar o transporte do material da caçamba para o caminhão que fará o encaminhamento final ao aterro da ITAURB. que penetram nas barras arrastando os detritos. o operador deverá comunicar-se com o responsável pela equipe de manutenção. 47 .1. processar a limpeza com jatos d’água nas paredes laterais dos canais.1.1.

verificar se a capacidade da caçamba está prestes a ser atingida. 6. estacionada para receber os detritos. após o seu esvaziamento. Caso positivo. dependendo da quantidade de detritos a serem removidos pela grade.1. sua correta parada após o rastelamento e o mecanismo de auto-limpeza. A programação do acionamento dos rastelos será feita através de temporizadores que acionam o conjunto. detectar ruídos estranhos nos mecanismos móveis. verificar diariamente se o rastelo automático das grades finas está funcionando. braço diametral com lâminas de raspagem fixadas em sua extremidade e mecanismo de auto-limpeza. durante as 24 horas do dia. 48 . Caso a grade mecanizada não esteja funcionando. como motores. para o local de disposição final – aterro da ITAURB. redutores e mancais de rolamento. providenciar o transporte dos resíduos. a ser feito por caminhão.  limpar com jatos dágua a área externa da caçamba. inspecionar o correto espaçamento e paralelismo das barras. mantendo o ambiente o mais limpo possível.    verificar o correto posicionamento da caçamba. deve-se proceder da seguinte maneira:  em caso de manutenção da grade mecanizada deve-se fechar a comporta do canal principal e abrir a comporta do canal de by-pass.A grade é dotada de sistema de acionamento. Os ajustes e os comandos serão programados em função da vazão afluente e da quantidade de sólidos retidos.    verificar se as partes móveis encontram-se devidamente lubrificadas.1.4 Esquema operacional Ao operador competem as seguintes atividades:  vistoriar o funcionamento do braço raspador.  proceder ao esvaziamento do canal da grade com defeito. O sistema mecanizado de limpeza será operado de forma intermitente.

que acionado por um motor elétrico. após aterrados.  caso ocorra necessidade de manutenção na correia transportadora. comunicar o defeito à equipe responsável pela manutenção.  quando for reparado o defeito. uma maior flexibilidade operacional por ocasião de paralisação para manutenção. Na ocorrência de qualquer anormalidade de funcionamento. Por fim. desenvolverá um movimento circular levando o material sedimentado para um poço de acumulação a partir do qual a areia é recolhida e transportada até uma caçamba. A areia acumulada na caçamba deverá ser transportada. assim.2 Desarenador O desarenador possui um raspador de fundo. efetuar a limpeza e lavagem de todo o canal e da grade retirados de operação. o operador deverá desligar o equipamento com defeito e comunicar-se com o responsável pela equipe de manutenção. 6. deverão ser provisoriamente utilizados carrinhos manuais a serem posicionados sob a descarga dos sólidos. sempre que houver acúmulo de material aderido. sendo após conduzidos até a caçamba. até o local de aterramento (aterro da ITAURB).1. por meio de uma bomba “tipo parafuso” (transportador de areia). deve-se abrir novamente a comporta da grade mecanizada para permitir o fluxo de esgoto no canal. por caminhão próprio. As comportas instaladas na entrada dos desarenadores permitirão direcionar o fluxo líquido afluente à cada unidade. Os desarenadores 1 e 2 trabalharão em paralelo. permitindo.  processar a limpeza com jatos d’água nas paredes laterais dos canais. 49 . recobertos com uma camada de material inerte. sendo.

1.Figura 6.Desenho esquemático do tratamento preliminar 50 .

 processar a limpeza com jatos d’água nas paredes laterais dos canais. Também as estações elevatórias serão dotadas de extravasores próprios. vistoriar o funcionamento do braço raspador.O by-pass de toda a estação de tratamento será feito no poço de visita que antecede a entrada do tratamento preliminar. verificar se a capacidade da caçamba está prestes a ser atingida. verificar diariamente o funcionamento da bomba parafuso (transportador de areia). proceder ao esvaziamento do canal do desarenador com defeito. como motores.1. Ao operador compete:     selecionar o equipamento a operar através do painel de operação. facilitando a operação e manutenção do sistema.2. estacionada para receber os detritos. redutores e mancais de rolamento. sua correta parada após a operação. efetuar a limpeza e lavagem de todo o canal e do desarenador retirado de operação. Por fim. em casos de pane elétrica. verificar diariamente se o braço raspador está funcionando. por exemplo do desarenador 1. deve-se proceder da seguinte maneira:    fechar a comporta CDM-1 do desarenador com defeito. sempre que houver acúmulo de material aderido. mantendo o ambiente o mais limpo possível. detectar ruídos estranhos nos mecanismos móveis. 6.  quando for reparado o defeito. verificar o correto posicionamento da caçamba.1 Esquema operacional Os desarenadores possuem comportas na entrada de cada unidade.     verificar se as partes móveis se encontram devidamente lubrificadas. providenciar o transporte através de caminhão para o local de disposição final – aterro da ITAURB. Caso positivo. após o seu esvaziamento. deve-se abrir novamente a comporta para permitir o fluxo de esgoto no canal do desarenador . comunicar o defeito à equipe responsável pela manutenção. Caso algum braço raspador não esteja funcionando. 51 .  limpar com jatos dágua a área externa da caçamba.

1 Sistema de distribuição de vazões A Figura 6.Na ocorrência de qualquer anormalidade de funcionamento.3 um esquema do sistema de distribuição de vazões no tratamento biológico.2 Reatores UASB 6. 6. 52 . o operador deverá desligar o equipamento com defeito e comunicar-se com o responsável pela equipe de manutenção. O sistema de distribuição de vazão no reator anaeróbio é constituído de 3 tipos de caixas distribuidoras (DST-1 a DST-3).2.2 apresenta uma planta geral da estação de tratamento e na Figura 6.

Figura 6.2 .Planta geral da estação de tratamento de esgotos 53 .

o efluente é direcionado para o distribuidor DST-1 de cada reator. 54 .4 e 6. o esgoto bruto é encaminhado para a caixa de distribuição de vazão 1 – CDV-1. onde a vazão é repartida entre os 8 reatores. As Figuras 6. Assim.Planta geral do sistema de distribuição de vazões nos reatores UASB 6.2. respectivamente.3 .1 Esquema operacional Após o tratamento preliminar.5 apresentam os desenhos esquemáticos das caixas de distribuição de vazões CDV-1 e DST-1.DST3 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST3 VEM DA CDV1 DST1 DST3 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST2 DST3 Figura 6.1.

Desenho esquemático da caixa de distribuição de vazão – CDV-1 55 .4 .Figura 6.

a comporta/vertedor CRU-1 deverá ser içada até o nível máximo.6 apresenta um desenho esquemático da caixa de distribuição DST-2 e a Figura 6. Vem da DST-1 Entradas no reator UASB Figura 6.6 .5 . Vem da CDV-1 Vai para DST-2 Vai para DST-2 Vai para DST-3 Vai para DST-2 Vai para DST-2 Vai para DST-3 Figura 6.Desenho esquemático da caixa de distribuição de vazão – DST-2 56 .Em caso de necessidade de paralisação de um dos reatores. por exemplo o reator UASB 1. A Figura 6. fazendo assim a paralisação deste reator.Desenho esquemático da caixa de distribuição de vazão – DST-1 A caixa de distribuição de vazão 1 (DST-1) recebe toda vazão afluente e distribui novamente a dois outros tipos de caixas de distribuição. a DST-2 e a DST-3.7 mostra a caixa de distribuição DST-3.

evitando o aparecimento de ferrugem que travaria o acionamento da comportas. há indicativo de entupimento da tubulação correspondente. mantendo-os limpos e sem quaisquer vestígios de crostas de lodo. 57 . além de não ser permitido por Norma. Não foi previsto by-pass apenas dos reatores UASB. Se algum desses pontos estiver com esgoto acima do nível do vertedor. esse será feito na caixa de acesso ao tratamento preliminar. Em caso de by-pass de toda a estação de tratamento.   as guias das comportas deverão estar sempre livres para permitir a fácil operação das mesmas. quando as bombas forem desligadas. sendo 56 pontos em cada câmara.7 . com auxilio de escovão. tendo o risco de colmatação do meio suporte.  verificar diariamente o fluxo de esgoto nas caixas de distribuição de vazão. pois os filtros biológicos percoladores não conseguiriam tratar o esgoto bruto sem passar por um tratamento primário. as hastes das comportas deverão estar sempre lubrificadas com graxa.  verificar diariamente possíveis obstruções das tubulações de toda a estação. o operador deverá desentupir com auxilio de varetas. com desvio do fluxo diretamente para o rio de Peixe ou através dos extravasores de cada elevatória.  em caso de entupimento em alguma tubulação. Ao operador compete:  a limpeza periodica dos vertedores.Desenho esquemático da caixa de distribuição de vazão – DST-3 As caixas DST-2 e DST-3 possuem vertedores triangulares distribuindo o esgoto por 112 tubulações que alcançam o fundo de cada reator anaeróbio. atentando para o nível de esgoto em cada ponto de distribuição.Vem da DST-1 Entradas no reator UASB Figura 6.

Nos casos de partidas de reatores. a acumulação de sólidos biológicos se dá após alguns meses de operação contínua. 6. armazenamento e disposição final do lodo. posteriormente. Com isso. tem sido usual a adoção da taxa de 0. a produção de lodo excedente é muito baixa e geralmente poucos problemas são encontrados no manuseio. A acumulação de sólidos deve-se ainda à presença de carbonato de cálcio ou de outros precipitados minerais.20 kgSST/kgDQOaplicada ao sistema. esta pode ser reduzida no tratamento preliminar.1. principalmente se comparados com os processos aeróbios.2 Produção de lodo excedente Para se avaliar a quantidade de lodo excedente produzida em reatores de manta de lodo tratando esgotos domésticos. Produção de lodo biológico Reatores UASB A produção esperada de lodo nos reatores pode ser estimada a partir da expressão: 58 . Já a acumulação de biomassa depende essencialmente da composição química do esgoto. Em decorrência da baixa produção e das elevadas concentrações do lodo no reator.10 a 0. caso contrário seu acúmulo no interior do reator poderá provocar a perda excessiva de sólidos para o compartimento de decantação e. especialmente sólidos não biodegradáveis. sendo maior para aqueles com elevadas concentrações de carboidratos. os volumes descartados também são muito pequenos.Descarte de lodo excedente dos reatores anaeróbios No reator anaeróbio. ocorrerá a deterioração da qualidade do efluente do reator UASB devido à presença de matéria orgânica particulada. juntamente com o efluente líquido. O descarte do lodo excedente deverá ser feito periodicamente. Quando predomina a acumulação de sólidos não devidos ao crescimento bacteriano. A taxa de acumulação de sólidos depende essencialmente do tipo de efluente em tratamento.2. sem inoculação. No caso do tratamento de efluentes solúveis. além da produção de biomassa. o descarte do lodo excedente não deverá ser necessário durante os primeiros meses de operação do reator. sendo maior quando o esgoto afluente apresenta elevada concentração de sólidos suspensos.

tem-se: Plodo  0.15  3... 75 % 20% 59 ...58 kg SST/d  para final de plano....854  1  0......75  3. Para a quantificação do volume desta parcela foram admitidos:   percentual de sólidos voláteis no lodo aeróbio ........ tem-se: Plodo  0.542  1.. tem-se: Plodo  0........15  7... percentual de redução dos sólidos voláteis nos reatores ..040.........58 kg SST/d  para final de plano.Plodo  Y  DQOaplicada kg SST/d onde Y = 0.542  1  0.... tem-se: Plodo  0. filtros biológicos............50  433.....34 kg SST/d Tratamento secundário A produção esperada de lodo no tratamento secundário.854  1.8  1...  para início de plano.75 kg/kg DBOreduzida A DBO reduzida nos filtros biológicos foi admitida como sendo de 50% da DBO afluente (efluente dos reatores)....70  0...8  2....75  7. pode ser estimada a partir da expressão: Plodo  Y  DBOreduzida kg SST/d onde Y = 0......70  0.........50  848......036.48 kg SST/d O lodo aeróbio produzido nos filtros biológicos percoladores será retornado para os reatores anaeróbios.15 kg/kg DQOaplicada  para início de plano. onde sofrerá estabilização e posteriormente será descartado para desidratação...

409.75 x 0.02   para final de plano  Teor de matéria sólida de 3% V 1.040. tem-se: Plodo total  848.34  2.020 kg / m  0.54 3/d 3 1.12kgSST / d   46.55 kg SST/d O volume de lodo produzido (a descartar) foi estimado admitindo-se a concentração de 1.036.12kgSST / d   69.12 kg SST/d  para final de plano.58  1  0. a redução do lodo aeróbio.07 3/d 3 1.58  1. 3% e 4%.757.15  2.12kgSST / d   34.17 m3/d 1. Assim. Portanto.409. produzido nos filtros biológicos percoladores.12 m3/d 3 1.409.05 3/d 1.020 kg / m  0.757.55kgSST / d   90.15  1.20).409.55kgSST / d   135.020 kg / m  0.Assim.020 kg / m 3  0.48  1  0. tem-se: Plodo total  433.020 kg / m 3  0.03   para início de plano V 2.757.020 kg/m3 e teores de matéria sólida de 2%.03   para final de plano  Teor de matéria sólida de 4% V 1. será equivalente a 15% (0.02   para início de plano V 2.04   para início de plano 60 . tem-se:  Teor de matéria sólida de 2% V 1. a produção total de lodo a ser descartada para desidratação será de:  para início de plano.

o descarte de lodo de fundo do reator. Com isso. Procura-se minimizar a descarga de lodo junto com o efluente.59 m3/d 3 1. 61 . em pequenas quantidades e de uma forma bem gerenciada. Com isso. podem ser alcançados benefícios maiores que o descarte de uma altura única.V 2. por exemplo.55kgSST / d   67. e dependendo da qualidade do tratamento preliminar que antecede o reator. aproveitando-se a carga hidráulica em relação ao nível da caixa de descarga do lodo. o que possibilitará o escoamento do lodo até os tanques de acumulação – TPL. DBO e sólidos em suspensão do efluente final. como areia. como nos reatores UASB. A operação de descarte se dará abrindo os registros localizados na lateral do reator.04   para final de plano 6. do fundo (leito de lodo) e à meia altura do compartimento de digestão (manta de lodo). é necessário que a massa de lodo se mantenha entre um mínimo (ditado pela necessidade de se ter capacidade de tratamento suficiente no sistema para digerir a carga orgânica do afluente) e um máximo (dependente da capacidade de retenção de lodo do sistema).020 kg / m  0. o que possibilitará a escolha do lodo a ser descartado. A remoção do lodo será feita por pressão hidrostática.1. pode trazer importantes benefícios para o sistema de tratamento. a massa máxima admitida no sistema sem deteriorar a qualidade do efluente final e a massa mínima para manter um bom funcionamento do reator.35 metros do fundo do reator. uma vez que tal descarga aumenta a concentração de DQO. Neste caso. Adicionalmente.2. que devem ser descartados periodicamente do reator. o lodo de fundo pode acumular sólidos inertes. Uma alternativa interessante é fazer o descarte do lodo de alturas diferentes do reator. A freqüência de descarte pode ser baseada na taxa de produção de sólidos.757.3 Descarga de lodo de excesso Um aspecto operacional importante em sistemas com lodo em suspensão. é a descarga de lodo de excesso. Foram previstas tubulações de descarte de lodo localizadas junto ao fundo e a 1.

buscando-se retirar a mesma quantidade de cada registro ao longo de cada câmara. para o reator “cheio” de lodo.Para se estabelecer a freqüência e a magnitude de descarga pode-se seguir a seguinte rotina (Chernicharo. a partir do valor da AME. van Haandel e Cavalcanti.4  Esquema operacional O operador deve ficar atento à perda de sólidos no efluente final. determina-se novamente a descarga de lodo juntamente com o efluente.  após uma descarga igual ou menor que a descarga máxima.1.  a freqüência das descargas pode ser determinada como a razão entre a massa de lodo a ser descarregada e a taxa de acumulação de lodo no sistema. 1999):  operando-se o reator sob condições normais de vazão e carga e sem dar descargas de lodo de excesso. determina-se.2. portanto. Cada câmara do reator possui 7 pontos de descarte de lodo superior e 7 pontos para descarte de lodo inferior. Em início de plano seriam 62 .  Como o processo de desidratação adotado é o mecânico. O reator terá. a massa de lodo no reator e a produção diária de lodo. 6.  Recomenda-se a retirada de lodo de 2 câmaras por dia (um reator). para o que se espera um teor médio de 3% de sólidos. o ideal é que o descarte seja efetuado diariamente para não superdimensionar o filtro-prensa. sendo este um indicativo de excesso de biomassa. 14 registros superiores (LS-1 a LS-14) e 14 registros inferiores (LI-1 a LI-14). sendo o volume a ser descartado igual ao volume total de lodo produzido diariamente citado no item anterior. Cada ponto possui um registro de manobra.   determina-se a atividade metanogênica específica (AME) do lodo.  O descarte deve ser feito o mais homogêneo possível. determina-se a massa mínima de lodo para manter um bom desempenho do reator. devendo proceder ao descarte.  Uma boa opção para o descarte seria a retirada de 50% do lodo de fundo e 50% do lodo a meia altura.  calcula-se a diferença entre a massa máxima de lodo que pode ser retida no sistema e a massa mínima de lodo necessária para um bom desempenho do reator.

2. durante os dias da semana deverá ser retirada uma quantidade ligeiramente maior e com maior teor de sólidos.1 Esquema operacional O sistema de tratamento de esgotos é constituído por 4 reatores UASB em 1ª Epata e 8 em 2ª Etapa. o que poderá ser obtido com a retirada de 60 a 70% do fundo e de 30 a 40% à meia altura. Assim. Uma vez que a quantidade deste material em demasia pode formar uma placa espessa dificultando a liberação dos gases e diminuindo a eficiência do reator. dificultando tanto a liberação dos gases quanto exigindo dispositivos especiais para a sua remoção periódica. primeiramente é despressurizada a célula através de by-pass na linha de gás e na seqüência abre-se apenas o registro ESC1-1. sendo cada reator formado por 2 câmaras. uma vez que estes materiais podem propiciar a acumulação excessiva de escuma no interior dos coletores de gases. cada reator possui 2 registros de escuma que serão denominados de acordo com o número do reator. Por exemplo. por exemplo. 6. Opcionalmente e a critério da operação poderão ser dispensadas as operações de retirada e desidratação de lodo nos finais de semana e/ou feriados.2 Remoção da escuma formada no reator anaeróbio Na face superior do efluente líquido concentram-se a escuma.2. sem o descarte de sobrenadante. sólido e gás. sobrenadantes e gorduras. 6. Para a coleta da escuma foi adotado um sistema de calhas coletoras dentro de cada coifa que é interligada a uma tubulação única.9). juntos. Dentro dessas câmaras existem 7 coifas para a separação de líquido.8).   Deve ser feito primeiro o descarte da linha superior e depois da linha inferior. Os dois tanques de acúmulo de lodo – TPL.2. apresentam volume de 105m3. tais materiais devem ser removidos. o reator UASB1 terá os registros ESC1-1 da câmara 1 e ESC1-2 da câmara 2 (ver Figura 6.descarregados 46 m3 de lodo e em final de plano 90 m3. para retirar a escuma da câmara 1 do reator 1. Para tanto. Com o registro aberto o NA no interior da coifa sobe vertendo a escuma na calha coletora (ver Figura 6. 63 . Os problemas operacionais advindos da não remoção (ou remoção inadequada) de gordura podem ser de elevada magnitude.

Desenho esquemático dos registros de retirada de escuma dos reatores UASB 1 e 2 A Figura 6. Inspeção Efluente final Calha coletora de escuma Tubulação de escuma Figura 6.2 Figura 6. 64 . onde será retirada grande parte da umidade para destinação final em aterro controlado – aterro da Itaurb.2 ESC-2.9 .UASB 1 UASB 2 ESC-1.Desenho esquemático da retirada de escuma Toda a escuma descartada será direcionada para o sistema de desidratação mecanizado composto por um filtro-prensa.8 .9 apresenta o esquema operacional para retirada da escuma.1 câmara 1 câmara 2 ESC-1.1 câmara 1 câmara 2 ESC-2.

1 Esquema operacional O biogás produzido passa por válvula corta-chamas e alívio de vácuo.2. Ao operador compete:       vistoriar a linha de coleta de biogás.3 Filtro biológico percolador seguido de decantadores secundários 6.1 Sistema de distribuição de vazões O efluente do reator UASB chega na caixa CDV2 que reparte a vazão entre os 3 filtros biológicos.11 apresenta um desenho típico do filtro biológico. não se permitindo fumar ou desenvolver qualquer atividade que empregue chama (solda.3. é encaminhado a um tanque de pressão e sedimentação (TPS) que define o “NA” dentro da coifa. 65 . efetuar medidas diárias de vazões do biogás. A Figura 6.3. 6. verificar NA no tanque de pressão.2. localizados na parte superior do reator e daí até o queimador de biogás. que define o NA dentro dos reatores UASB. aquecimento de refeição etc.10 apresenta um desenho esquemático da caixa CDV2 e a Figura 6. abrir o registro de purga para retirada de água da linha de biogás. 6.). um medidor de vazão e por fim o queimador de gás. Sendo inflamável. corrigindo possíveis vazamentos.3 Coleta e queima de gás O gás resultante do processo de digestão anaeróbia da matéria orgânica contida no esgoto será encaminhado aos coletores de gases.6. O sistema de distribuição de vazão no filtro biológico é feito através de braços rotativos motorizados. passa por um condensador e purga. vistoriar o funcionamento do medidor de biogás. verificar funcionamento dos manômetros e válvula corta-chama e alívio de vácuo. o biogás requer cuidados de segurança no entorno da área do reator. No acesso ao reator deverá estar fixada uma placa alertando sobre o perigo do biogás.

onde o lodo desgarrado do meio suporte é removido. estes são encaminhados para os decantadores secundários. 66 .10 . reduzindo os sólidos em suspensão no efluente final. descarga afluente Vai para CDV-3 Lage perfurada Vem da CDV-2 Figura 6. A Figura 6.13 apresenta um desenho típico do decantador secundário.12 apresenta um desenho esquemático da caixa CDV3 e a Figura 6.Desenho esquemático do filtro biológico percolador Após a passagem do efluente dos reatores anaeróbios pelos filtros biológicos percoladores.Meio suporte – Brita não calcária nº4 Distribuidor rotativo Extravasor Cx.

Desenho esquemático da CDV3 67 .Figura 6.11 .

o operador deverá fechar o registro anterior a comporta correspondente ao filtro a desativar.  as hastes das comportas deverão estar sempre lubrificadas com graxa.3. existe um by-pass dos decantadores secundários para direcionar o efluente diretamente para o corpo receptor. Ao operador compete:  nos vertedouros não deverão existir crostas de lodo. verificando possíveis empoçamentos. vistoriar o funcionamento do raspador mecanizado de lodo do decantador secundário. com auxilio de escovão.Raspador mecanizado de escuma Efluente final Vem da CDV-3 Raspador mecanizado de lodo Figura 6. 68 .12 .     vistoriar a superfície do meio suporte.Desenho esquemático do decantador secundário 6. Antes da chegada na caixa CDV3. enviando o efluente para o corpo receptor. evitando o aparecimento de ferrugem que travaria o acionamento da comportas.2 Esquema operacional Para by-pass de um dos filtros biológicos percoladores. vistoriar o funcionamento do distribuidor de vazão no FBP.  diariamente deverá ser verificado o escoamento em todas as tubulações e se necessário efetuar desentupimento. Periodicamente.  as guias das comportas deverão estar sempre livres para permitir a fácil operação das mesmas. estes vertedouros deverão ser limpos. Antecedendo a cada filtro há uma caixa de descarga que tem a finalidade de dar descarga na linha e desativar um dos filtros ou todos eles. vistoriar o funcionamento do raspador mecanizado de escuma do decantador secundário.

Para a tubulação de descarga de lodo sedimentado foi previsto o diâmetro de 100 mm e uma velocidade de trabalho de aproximados 1. o que acarreta uma vazão de aproximados 8 L/s e velocidade na tubulação de retirada no entorno de 1. As descargas serão intermitentes com duração de 5 minutos e descanso de 235 minutos.00 m/s.3 Critério de descarga de lodo dos decantadores A reduzida vazão de lodo sedimentada nos decantadores secundários não permite ajustar um diâmetro e uma velocidade compatíveis com o trabalho contínuo (descarga contínua). totalizando 6 descargas diárias para cada unidade. Ao todo (4 decantadores) serão 24 descargas – em final de plano. a cada 4 horas haverá uma descarga de cada decantador. Na seqüência apresenta-se a rotina de descarga de fundo dos decantadores secundários. O volume descarregado de cada descarga será de aproximados 2. verificar se toda a escuma raspada esta caindo no coletor de escuma na parte superior do decantador secundário.  detectar ruídos estranhos nos mecanismos móveis. como motores.3. redutores e mancais de rolamento 6. para um período diário (24 horas).400 litros. total de 1 hora.00 m/s. isto é.  vistoriar o funcionamento da bomba de retorno de lodo aeróbio para os reatores UASB. As descargas entre decantadores serão defasadas de tal maneira que a cada intervalo de 55 minutos haja a ocorrência de uma descarga com duração de 5 minutos. 69 .

7ª desc. 5ª desc. 14ª desc. 12ª desc. 20ª desc. 1ª desc.  Rotina de Descarga de Lodo Decantador nº 03 TEMPO (minutos a partir da zero hora) 120-125 min 235 min 360-365 600-615 840-845 1080-1085 1320-1325 235 min 235 min 235 min 235 min 3ª desc. 21ª desc. 19ª desc. 70 . 16ª desc.  Rotina de Descarga de Lodo Decantador nº 02 TEMPO (minutos a partir da zero hora) 60-65 min 235 min 300-305 min 235 min 540-545 780-785 1020-1025 1260-1265 235 min 235 min 235 min 235 min 2ª desc. 8ª desc. 6ª desc. 23ª desc. 17ª desc. 15ª desc. 9ª desc.  Rotina de Descarga de Lodo Decantador nº 04 TEMPO (minutos a partir da zero hora) 180-185 min 420-425 660-665 900-915 1140-1145 1380-1385 235 min 235 min 235 min 235 min 235 min 4ª desc. 11ª desc. 10ª desc.Rotina de Descarga de Lodo Decantador nº 01 TEMPO (minutos a partir da zero hora) 0-5 min 240-245 min 235 min 480-485 720-725 960-965 1200-1205 1440=0 235 min 235 min 235 min 235 min 235 min 1ª desc. 13ª desc. 24ª desc. 18ª desc. 22ª desc.

4 Operação da unidade de desidratação A desidratação mecânica do lodo digerido nos reatores UASB será efetuada prensa desaguadora (filtro prensa).05m³/d em início de plano e 90. adição de polieletrólito ou polímero.6. descarga de lodo desidratado.5%. As fases operacionais da desidratação mecânica de lodo podem ser assim resumidas:      alimentação do filtro-prensa. retorno do efluente líquido. com concentração média de 3%. Considerando um descarte de 2 câmaras por dia. filtragem/prensagem. O lodo desidratado irá. 6. preparo e dosagem do polieletrólito. O volume a ser 71 . No pavimento superior ficará assentado o equipamento de deságüe e no inferior o armazenamento. Está prevista a adição em linha de uma solução de polieletrólito variando de 0. O lodo digerido alimenta a central de desidratação por gravidade por meio de uma linha de ferro fundido com diâmetro de 150 mm. O filtro-prensa funcionará no início de plano com operação diária de aproximadas 9 horas e no final de plano o tempo de funcionamento chegará a 16 horas. Para abrigo da desidratação mecanizada foi implantada uma instalação típica dotada de dois pavimentos.1 Alimentação do filtro-prensa 6.1.2 a 0. a vazão média do lodo afluente será de 46. por meio de uma rosca transportadora até a caçamba localizada no pátio de lodo. Deverão ser atingidas concentrações do lodo desidratado (torta) de pelo menos 25%.4.1 Esquema operacional O lodo e escuma acumulados nos reatores UASB serão direcionados até o poço de sucção de lodo. Para que a desidratação seja mais eficiente será necessária à adição de polieletrólitos.4. além da caçamba de recolhimento e/ou caminhão tipo báscula.12m³/d.

que a válvula foi acionada. O consumo estimado de polieletrólito é de 4 kg por tonelada de sólido seco afluente a cada centrífuga. 50% nos registros superiores e 50% nos inferiores. via rádio. 6.descartado deverá ser retirado ao longo das câmaras. serão necessários 2 operadores que deverão dispor de um sistema de rádio. para que este feche o registro e abra o seguinte.3 Retorno do efluente líquido O filtrado do filtro-prensa segue por gravidade em tubulação de PVC. com diâmetro de 150mm até a EE-2 que recalca para os reatores anaeróbios. uma ordem de um operador para o outro operador.1 Esquema operacional Será adicionado na tubulação de recalque do lodo. As características e a qualidade da torta desidratada é que definirá o melhor ponto de aplicação do polímero. Para o descarte foi prevista uma válvula motorizada na entrada do poço de sucção de lodo que é acionada quando o volume a ser descartado em cada registro for alcançado. localizado próximo dos reatores.4. Nesse momento. 72 .4. Para efetuar o descarte. sendo assim dividido pelo número de registros. 6. será enviada.2.2 Adição de polieletrólito ou polímero 6. antes de sua chegada ao filtro-prensa uma solução de polieletrólito através dos dosadores. fazendo o descarte o mais homogêneo possível.4.

14 – Fluxograma operacional do sistema de desidratação 73 . 4 5 Bomba de emulsão de polímero Processador de polímero 9 10 Descarga do lodo desidratado Caçamba de lodo desidratado Figura 7.A Figura 6.14 mostra o fluxograma operacional do sistema de desidratação. D B 5 F 8 4 3 6 C 9 E A 1 2 7 A B C 10 0 Lodo digerido Emulsão de polímero Solução de polímero 1 2 6 Bomba de solução 7 Reator UASB DESTINO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS de polímero Poço de lodo Bomba de lodo de alimentação estação da centr[ifuga de tratamento de esgotos O resíduos produzidos nesta 7 serão encaminhados para D E F Mistura de lodo + polímero Torta de lodo desidratado Efluente líquido do filtro-prensa Tambor de emulsão aterro controlado da Filtro-prensa 3 destinação final no de polímero 8 ITAURB.

1 -Correção de problemas operacionais relacionados com a vazão afluente à ETE Problema Vazão sempre menor que esperada Vazão repentinamente menor que esperada Vazão sempre maior que esperada Picos repentinos irregulares Vazão as vezes maior que esperada pH maior ou menor que normal Temperatura menor ou maior que a normal Sólidos sedimentáveis maiores que normal Causa Provável População ou contribuição per capita menor que projetada Entupimento na rede de esgoto População ou contribuição per capita maior que projetada Ligação da rede de águas pluviais Infiltração grande de água subterrânea Despejo industrial Despejo industrial Verificar Dispositivo de medição de vazão Extravasamento na área de contribuição Dispositivo de medição de vazão Coincidência com chuvas Coincidência com chuvas Existência de fontes clandestinas Existência de fontes clandestinas Natureza dos sólidos sedimentáveis Solução Se possível.1. aumentar população beneficiada Desentupir Verificar possibilidade de aumentar capacidade de tratamento Desfazer ligação clandestina Descobrir pontos de infiltração Localizar e atuar sobre as fontes no sentido de corrigir o problema Localizar e atuar sobre as fontes no sentido de corrigir o problema Localizar e atuar sobre as fontes no sentido de corrigir o problema Despejo clandestino de lixo doméstico ou industrial na rede Fonte: Adaptado de Chernicharo.2 .Correção de problemas operacionais no gradeamento Problema Causa provável Verificar Condição da grade Intervalo de limpeza Intervalo de limpeza Limpeza do local Solução Consertar a grade Aumentar limpeza Aumentar limpeza Limpar local Localizar e atuar sobre as fontes no sentido de corrigir o problema Melhorar ventilação a a freqüência freqüência de de Diminuição repentina da massa de sólidos grosseiros Falha de retenção na grade retidos Represamento dos esgotos a Intervalo longo entre limpezas montante das grades Odor ou insetos na caçamba Aparecimento de insetos Aumento repentino da massa de sólidos grosseiros retidos Intervalo longo entre limpezas Material gradeado caído na área externa Descarga clandestina de resíduos Existência de fontes sólidos clandestinas Ventilação Corrosão de metal e concreto nas unidades de pré Ventilação insuficiente tratamento Fonte: Adaptado de Chernicharo.8 CORREÇÃO DE PROBLEMAS OPERACIONAIS 8. Tabela 8. suas causas prováveis e a correção dos problemas são apresentados na Tabela 8. van Haandel e Cavalcanti (1999) 8. van Haandel e Cavalcanti (1999) 74 . Tabela 8.2 Gradeamento Os principais problemas relacionados com o gradeamento.2.1 Vazão e características do afluente Os principais problemas operacionais relacionados com a vazão do afluente à estação e suas características são apresentados na Tabela 8.

Problemas operacionais e suas correções – Desempenho do reator UASB Problema Causas prováveis Solução Verificar a possibilidade de reduzir as concentrações de sulfetos no sistema Adicionar cal hidratada.8 a 7. van Haandel e Cavalcanti (1999) 8.3 Desarenador Os principais problemas relacionados com o desarenador. Aparecimento de Sujeira nas paredes e dispositivos externos insetos do reator Distribuição desigual Estrutura de distribuição desnivelada do afluente Ponto de distribuição não recebe esgoto Coleta do efluente não uniforme Teor elevado de sólidos sedimentáveis no efluente Produção de lodo maior que normal Entupimento Limpar as partes afetadas com jato d’água Nivelar Desbloquear Estrutura de coleta desnivelado Nivelar Camada superficial obstrui ponto de coleta Remover obstrução Carga hidráulica excessiva Vazão Excesso de sólidos no reator Sobrecarga do lodo Sólidos grosseiros e/ou inorgânicos entrando no reator Massa de lodo Diminuir carga aplicada Restabelecer funcionamento das unidades de pré tratamento 75 .8.4) Localizar e eliminar as fontes de substâncias tóxicas Sobrecarga de esgoto com conseqüente diminuição do tempo de detenção Elevadas concentrações de compostos de Odor enxofre no esgoto afluente desagradável Elevadas concentrações de ácidos voláteis no reator.0 (6. Problema Causa provável Verificar Vazão de esgoto Velocidade da água (corante) Velocidade da água (corante) Freqüência de remoção de areia Velocidade da água (corante) Ventilação Limpeza do local Solução Desfazer ligação de águas pluviais Reduzir a velocidade Aumentar a velocidade da água Aumentar a freqüência de remoção da areia Aumentar a velocidade da água Melhorar ventilação Fazer lavagem dos pisos Aumento repentino da massa de Descarga de águas pluviais areia retida na rede Diminuição repentina da massa Arraste de areia na caixa de areia retida Odor de ovo podre na caixa de Sedimentação de material areia orgânico Odor de ovo podre na caixa de Baixa freqüência de areia remoção de areia Areia retida é cinza tem odor e Sedimentação de material contém graxa orgânico Corrosão de metal e concreto nas Ventilação insuficiente unidades de pré tratamento Maus odores na área do Material caído no chão desarenador Fonte: Adaptado de Chernicharo.3.4 Reator UASB Os principais problemas relacionados com o tratamento biológico em reatores UASB e suas causas prováveis e a correção dos problemas são apresentados nas Tabelas 8.6. suas causas prováveis e a correção dos problemas são apresentados na Tabela 8.4 a 8.3 . Tabela 8.4 .Correção de problemas operacionais no desarenador. Tabela 8. afim de elevar a alcalinidade do reator e manter o pH próximo a 7. alcalinidade reduzida e queda do pH Presença de substâncias tóxicas no esgoto.

com redução do leito e do manto de lodo Presença de substâncias tóxicas no esgoto Queda brusca da temperatura do esgoto Bolhas de gás que Má separação gás-líquido aparecem constantemente na superfície livre do reator Verificar a formação de crosta Tabela 8.Produção de lodo menor que normal Alta fração de sólidos inorgânicos Flutuação de grânulos no efluente líquido Efluente líquido contendo elevado teor de sólidos suspensos Baixa eficiência de remoção do material orgânico Vazão pequena Retenção de lodo deficiente Falha no desarenador Baixa velocidade ascensional no reator Excesso de lodo ou escuma não removidos periodicamente Sobrecarga de esgotos com conseqüente diminuição do tempo de detenção Reinicialização da operação do sistema após longos períodos de paralisação Sobrecarga de esgoto com conseqüente diminuição do tempo de detenção Elevadas concentrações de sólidos suspensos no afluente Excesso de sólidos no reator Carga hidráulica excessiva Distribuição deficiente do efluente Desentupir rede de esgoto Consertar separador Diminuir a velocidade no desarenador Diminuir o período entre remoções de escuma e lodo Reiniciar o sistema com a aplicação de menores cargas volumétricas Descarregar o lodo em excesso Diminuir a carga hidráulica Identificar falhas na distribuição e consertar Adicionar cal hidratada. tirar o reator de operação até que ocorra a redução dos ácidos voláteis Sobrecarga de esgoto com conseqüente diminuição do tempo de detenção Elevadas concentrações de ácidos voláteis no reator. afim de elevar a alcalinidade do reator e manter o pH próximo a 7.5 .Problemas operacionais e suas correções – Características do lodo no reator Problema Causas Prováveis Prevenção e Recuperação Reduzir fonte ou rever o pré-tratamento Reduzir a carga hidráulica Identificar fonte de toxidade e atuar Reduzir carga específica Reduzir carga Identificar fonte de toxidade e atuar Reduzir carga orgânica Aumentar arraste temporariamente Reduzir velocidade na caixa de areia Aumentar carga hidráulica Reduzir carga orgânica específica Entrada de sólidos inertes AME menor que a Sobrecarga hidráulica esperada Toxidade Lodo com baixa Sobrecarga do lodo estabilidade Lodo com baixa Flocos dispersos devido à carga orgânica sedimentabilidade excessiva Presença de material tóxico Índice volumétrico Material orgânico biodegradável elevado Baixa carga hidráulica Aumento da fração Entrada de silte e areia inorgânica no lodo Velocidade ascensional baixa Aumento da Floculação sem metabolismo produção de lodo 76 . alcalinidade reduzida e queda Queda na eficiência do pH do reator Perda excessiva de sólidos do sistema.0 (6.8 a 7.4) Localizar e eliminar as fontes de substâncias tóxicas Eventualmente.

aumento da acidez queda do teor de metano volátil Falha na medição de produção de biogás Manômetro mostra pressão do gás acima do normal Manômetro mostra pressão do gás abaixo do normal Falha no medidor Entupimentos na linha de gás Obstrução ou água na linha de gás Válvula de alívio fechada vácuo dentro do reator Localizar e eliminar as fontes de substâncias tóxicas Checar alimentação do reator kgSSV/ m3.0 (6.8 a 7. alcalinidade reduzida e queda do pH Presença de substâncias tóxicas no esgoto Verificar Tubulações de coleta de gases Tubulações de coleta de gases Vazão do efluente Teste de AME e estabilidade Verificar medidores Solução Corrigir vazamentos Desentupir as tubulações de gases Desobstruir tubulações ou unidades à montante Diminuir carga orgânica Reparar os medidores de gás Adicionar cal hidratada.6 . a fim de elevar o pH próximo a 7.4) Teste de AME Checar a presença de cargas tóxicas.Correção de problemas operacionais no sistema de coleta e queima de biogás Problema Causa provável Vazamentos nas tubulações de coleta de gases Entupimento nas tubulações de coleta de gases Diminuição da vazão Queda da produção de biogás Carga orgânica excessiva Defeitos nos medidores de gases Elevadas concentrações de ácidos voláteis no reator.Tabela 8. pH e alcalinidade do líquido Carga volumétrica de SSV Aumento na produção de gás e aumentada.dia Efetuar testes de acidez volátil e alcalinidade total Parar a alimentação do reator UASB Checar funcionamento do medidor Checar ocorrência de entupimentos na linha de gás Abrir a válvula até chegar na pressão usual Parar com a retirada de escuma e fechar todas as saídas de gás até que a pressão volte ao normal 77 .

Tabela 8. Tabela 8.8.8 apresenta problemas e soluções no sistema de preparação de polímero.7 .8 A Tabela 8.7 apresenta problemas e soluções na operação de centrífugas.5 Unidade de desidratação Os principais problemas relacionados com a unidade de desidratação e suas causas prováveis e a correção dos problemas são apresentados nas Tabelas 8.8 .Correção de problemas operacionais no sistema de preparação de polímero Problema Bolo de lodo com baixo teor de sólidos < 25% Elevado teor de sólidos no liquido drenado Barulho anormal na centrifugação Causa provável Solução Dosagem incorreta do polieletrólito Fazer testes no laboratório Lodo mal digerido Analise completa do lodo digerido Cilindro e parafusos desrregulados As mesmas anteriores Os mesmos anteriores Possível desgaste nos rolamentos Exigir presença de técnico especializado 78 .Correção de problemas operacionais nas unidades de desidratação Problema Tubulações rígidas conectadas para a alimentação Tubulação de descarga de lodo de excesso entupida Presença de areia no lodo Painéis elétricos de controle no mesmo recinto Bolo de lodo com baixo teor de sólidos < 30 % Elevado teor de sólidos no líquido drenado Conseqüência Trincas e vazamentos nos tubos e conexões Acumulação de sólidos e areia Prevenção e recuperação Troca por tubulações flexíveis Limpeza das tubulações após uso Desgaste excessivo do equipamento Corrosão de deterioração dos controles Dosagem incorreta do polieletrólito Lodo mal digerido Dosagem incorreta do  Cilindro e parafuso polieletrólito desregulados Lodo mal digerido Melhorar operação do desarenador Instalar painéis elétricos em outro recinto Fazer testes no laboratório Análise completa de lodo digerido Exigir presença de técnico especializado Fazer testes no laboratório Análise completa de lodo digerido Exigir presença de técnico especializado A Tabela 8.7 e 8.

Remover a camada biológica do meio filtrante. O DDT não afeta o funcionamento do filtro.Aplicar cloro no afluente do filtro (0.aplicar jatos de água (com alta pressão) na região empoçada. Tabela 8.Aplicar DDT ou outro inseticida.9. . usa-se clorar durante os períodos de vazão mínima. de modo que a alta carga hidráulica aplicada promova o arraste da causa do empoçamento. . . Em alguns casos esta solução é economicamente justificável. . suficiente para ressecar a camada biológica. Se aplicada em intervalo de 4 a 6 semanas. A dosagem de 5% de DDT em querosene aplicada na superfície do filtro e nas paredes.material selecionado para o meio suporte é de dimensões pequenas ou de formas irregulares Prevenção e recuperação .paralizar o distribuidor rotativo em cima da área afetada.8.Aplicação de carga hidráulica continuamente.Correção de problemas operacionais no tratamento secundário Problema Formação de poças na superfície do meio suporte Causa Volume de vazios entre as pedras está totalmente tomado por crescimento de camada biológica. no mínimo.5 a 1mg/L) durante algumas horas em períodos estabelecidos pelo ciclo de vida das moscas. . 79 .Inundar o meio suporte durante. A fim de economizar a quantidade de cloro. . Proliferação em demasia de moscas A presença de moscas está intimamente ligada a operação de filtros biológicos.Por meio de jatos de água lavar rigorosamente as paredes internas do FBP. 24horas. preferidas pelas moscas.Retirar a unidade afetada de operação durante o período de um (1) dia ou mais.9 . O cloro é eficiente para o controle de fungos para dosagens de 1mg/L.Clorar o afluente ao filtro biológico (5mg/L) durante algumas horas. poderá obter-se um controle eficiente. sendo as prováveis causas: . .6 Filtro biológico percolador e decantador secundário Os principais problemas relacionados com o tratamento secundário nos filtro biológicos percoladores seguidos de decantadores secundários e suas causas prováveis e a correção dos problemas são apresentados na Tabela 8.remover a camada biológica do meio suporte na área afetada. . . . . As cargas intermitentes favorecem a proliferação de moscas. O intervalo entre cada inundação é estabelecido pelas observações da proliferação periódica de moscas.Substituir o meio filtrante por outro meio mais adequado. elimina moscas adultas.

. consequentemente. principalmente o decantador primário e o esgoto afluente.).Adotar um dos processos de recirculação. . odores desagradáveis 80 . alimentícios. .Correção de problemas operacionais no tratamento secundário (continuação) Odor desagradável Decomposição anaeróbia do esgoto.Manter em condições aeróbias todas as unidades da estação. os quais promovem a acumulação de sólidos no meio suporte provocando empoçamento e.Controlar a admissão de alguns despejos industriais (laticínios.10 . . lodo ou da camada biológica.Clorar o afluente ao filtro durante pequenos períodos. .Reduzir a acumulação de lodo da camada biológica. etc.Tabela 8.

1 indica todos os pontos onde serão feitas as amostragens para se efetuar o controle operacional da ETE e verificar a eficiência do sistema.1 apresenta os pontos de monitoramento com suas respectivas freqüências de amostragem. em início de plano o monitoramento será apenas nos pontos 1 a 6. 81 . No entanto.Esgoto bruto 2 – Lodo do reator UASB 3 – Efluente dor reator UASB/ Afluente do Filtro Biológico Percolador 4 – Efluente do Filtro Biológico Percolador/ Afluente do Decantador Secundário 5 –Lodo do decantador Secundário 6. Estes pontos estão relacionados a seguir: 1 .9 PROGRAMA DE MONITORAMENTO DA ETE A Figura 9.Efluente final Figura 9.Pontos de monitoramento A Tabela 9.1 .

82 . os modelos de planilhas para o monitoramento da estação (Tabelas 1 a 5). em anexo.Tabela 9.1 .Análises e freqüência de amostragem Análises Vazão média Temperatura DBO DQO pH OD Sólidos sedimentáveis Sólidos suspensos totais Sólidos suspensos fixos Sólidos suspensos voláteis Nitrogênio Amoniacal Nitrogênio Orgânico Fósforo total Alcalinidade total Detergentes Óleos e graxas Coliformes totais Sólidos totais Sólidos Fixos Sólidos Voláteis D = Diária S = Semanal Unidade L/s ºC mg/L mg/L mg/L mL/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L mg/L NMP/100mL mg/L mg/L mg/L Q = Quinzenal M =Mensal 1 D D S S D D D S Q Q M M M S Q Q M - Pontos de monitoramento 2 3 4 5 D Q Q Q D S S D D S Q Q M M M S Q Q M D D S Q Q D Q Q Q 6 D S S D D D S Q Q M M M S Q Q M - Apresentam-se.

. .DBO. .Óleos e graxas.Sólidos suspensos totais.DQO. . . .Substâncias tensoativas que reagem com azul de metileno.Oxigênio dissolvido. Serão analisados os seguintes parâmetros: .pH.Coliformes totais e fecais 83 . .10 CONTROLE DE QUALIDADE DO CORPO RECEPTOR A análise do impacto ambiental causado nas águas do Rio de Peixe pelo lançamento dos esgotos tratados será efetuada mensalmente por amostras simples. .Sólidos sedimentáveis.Temperatura. .

Um programa mínimo deve ser mantido de maneira a manter o local da ETE em ordem e prevenir problemas. o controle operacional constitui-se em importante instrumento para a identificação de práticas e rotinas que possam promover a melhoria da saúde e da segurança dos trabalhadores. Todos os novos empregados devem cumprir um programa de saúde e de segurança. ambas causam um efeito negativo na eficiência do sistema de tratamento. Adicionalmente aos aspectos citados anteriormente. dos supervisores e dos trabalhadores. dessa forma. Algumas tarefas específicas que a comissão pode desempenhar são: i) conduzir o programa de saúde e de segurança. na moral dos empregados. as gerências devem apoiar o programa com ações e também com recursos financeiros. iv) conduzir investigações de acidentes. ou seja. antes de tudo. Treinamento de saúde e de segurança: os supervisores da estação de tratamento devem. uma vez que tanto a incapacitação como as doenças ocupacionais resultam no sofrimento e na perda de recursos humanos. fornecendo aos trabalhadores a mensagem-chave do programa e deixando claro que o mesmo tem o apoio das instâncias superiores. ii) realizar inspeções sistemáticas. Os riscos à saúde sempre foram motivo de preocupação nas estações de tratamento de esgotos. adquirir o completo conhecimento e entendimento das diversas formas de prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. 1992): Política definida de saúde e de segurança: incorpora os fundamentos de todo o programa de saúde e segurança. 1988. O apoio deve ter visibilidade. v) manter os registros das ocorrências. WEF. Merecem destaque: 84 . nas relações públicas e nos custos (WEF. 1996). e vi) elaborar um manual de saúde e de segurança. CONSERVAÇÃO E SEGURANÇA. assim como todos os empregados devem receber treinamento sempre que um novo equipamento ou processo for adicionado à estação de tratamento. iii) sugerir e fornecer treinamento. Ainda. Um bom programa de saúde e segurança dos trabalhadores deve incorporar três elementos principais (USEPA. possibilitando. ter suas próprias atitudes e interesse na saúde e na segurança.11 MANUTENÇÃO. Comissão de saúde e de segurança do trabalho: deve ser composta por representantes da gerência.

para verificar se não existe nenhum mourão enfraquecido ou arame arrebentado. a cerca em torno das unidades da estação de tratamento deverá ser percorrida diariamente pelo operador.   Lavar as ferramentas após usá-las. pois uma queda do mesmo poderá vir a ser fatal. limpar imediatamente o local com água e aplicar solução de iodo a 2% ou mercúrio cromo. Sempre usar luvas apropriadas nos momentos de manutenção elétrica.  Não fazer brincadeiras com colegas na parte superior do reator. Caso não exista lavanderia no local. Caso ocorra algum corte ou arranhão. Observar hábitos de higiene como lavar as mãos antes de comer qualquer alimento e trocar as roupas de trabalho para ir para casa. ter a certeza de que suas mãos. Manter sempre as unhas limpas e cortadas. Para seu próprio controle o operador deverá observar os seguintes cuidados:   Uso obrigatório de equipamento de segurança (macacão. Deverão ser fixados avisos. pois unhas grandes e sujas são veículos de transmissão de doenças.   Não fumar nas proximidades do reator UASB e do sistema de coleta e queima de biogás. As valas de proteção contra águas pluviais deverão ser limpas periodicamente. As tubulações de entrada e saída de todas as unidades da estação de tratamento deverão ser limpas periodicamente. botas. capacete). que permita a entrada de animais. 85 . luvas. estes deverão ser retirados.     Os mourões deverão ser pintados pelo menos uma vez ao ano. roupas ou sapatos não estejam úmidos.  As caixas de entrada e de saída do reator deverão ser limpas periodicamente para evitar obstruções. indicando ser o local um sistema de tratamento de esgotos. Nunca entrar no automóvel com essas roupas ou mesmo em sua própria casa.  Os pontos de inspeção deverão ser observados diariamente e havendo detritos. de forma a evitar obstruções. As roupas de trabalho deverão ficar na estação. a roupa deverá ser levada para casa em um saco plástico e lavada em separado das roupas de uso familiar.  Na operação junto a painéis elétricos.

hepatite e varíola) de acordo como a orientação médica e nas ocasiões certas. 86 .  Ter sempre um estojo de primeiros socorros em local visível repondo periodicamente os materiais utilizados. Fazer o reforço de vacinas (tétano. tifo.

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