Como fazer um parecer jurídico

Este artigo tem como objetivo explicar como elaborar um parecer jurídico, tanto profissionalmente como para fins de concurso público. Várias carreiras jurídicas públicas exigem do profissional a capacidade de elaborar um parecer, com destaque para Advocacia Pública, na função consultiva de assessoramento do Poder Executivo. O Ministério Público, nos casos em que atua como custos legis (“fiscal da lei”), também emite pareceres. As dicas aqui apresentadas servem tanto para profissionais como para candidatos a concursos públicos. O parecer costuma ser exigido em provas dissertativas do concurso da Advocacia-Geral da União, por exemplo, além de ser uma possível peça profissional da 2ª fase de Direito Administrativo do Exame da OAB.

O que é um Parecer Jurídico?
De uma maneira geral, parecer é um pronunciamento devidamente fundamentado e escrito por um especialista para alguém que, normalmente, não detém conhecimentos sobre a matéria e tem como objetivo esclarecer alguma questão. Existem, portanto, pareceres não-jurídicos (pareceres de engenharia, pareceres médicos, etc.) Como é fácil perceber, o parecer jurídico versa sobre matéria jurídica e é escrito por um profissional do Direito. No âmbito da Administração Pública, o parecerista é chamado a se manifestar por órgãos técnicos a respeito da legalidade da ação administrativa. Importante observar que o Advogado Público não deve se manifestar sobre aspectos não-jurídicos, nem adentrar no mérito da ação administrativa (conveniência e oportunidade): o parecer deve se limitar aos aspectos jurídicos. Exemplo: consultado sobre a legalidade de uma licitação, um Procurador não pode opinar sobre os aspectos técnicos que motivaram a abertura do procedimento licitatório, tampouco sobre a conveniência daquela compra. Advogados particulares também fazem pareceres para clientes ou para outros advogados. Alguns aspectos aqui tratados são aplicáveis nestes casos, mas o foco deste artigo é o parecer no âmbito da Administração Publica. O parecer pode versar sobre qualquer matéria jurídica. No setor público, mais comumente diz respeito ao direito administrativo. Em matéria de licitações, o parágrafo único do artigo 38 da Lei federal nº 8.666/93 exige o exame e aprovação das minutas de editais e contrados por parte assessoria jurídica da Administração, o que mostra a importância prática da atuação consultiva.

Como elaborar um parecer jurídico
O parecer deve ser devidamente fundamentado na legislação aplicável, na doutrina e na jurisprudência e é, como veremos, semelhante a uma redação dissertativa. A estrutura formal de um parecer pode ser divida em prelúdio, núcleo e finalização.

No parecer deve constar também o órgão interessado e outros números de referência. Para fins de concurso público. um bom parecer . Um exemplo de prelúdio para provas é o seguinte: Parecer nº___ Assunto: Prorrogação de contrato administrativo. deve-se evitar expressões em latim específicas do Direito. para fins de arquivo e organização. PRORROGAÇÃO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO CONTRATUAL. bem como o assunto sobre o qual se refere. deve-se escrever em linguagem acessível. para haver mais espaço para a fundamentação. IMPOSSIBILIDADE. assunto. Por fim. Referência: Processo Administrativo nº ___ Interessado: Órgão licitante Ementa: (Uma ementa como a reproduzida acima. convém explicar seu significado. Via de regra os pareceres recebem uma numeração sequenciada. mas mais sintética. devendo ser realizada nova licitação. CONTRATO ADMINISTRATIVO. Orientação Normativa AGU 03/09. ainda. referências e ementa. Após o término do prazo contratual. especialmente a dos autos do Processo Administrativo em que o parecer foi exarado. Como o órgão destinatário do parecer não é jurídico. Núcleo O núcleo é a resposta à consulta formulada. pois o mais importante nestas provas é avaliar o raciocínio jurídico do candidato. temos a numeração. não é possível a prorrogação. uma Ementa. Deve-se evitar pular linhas. Deve constar. Na ementa.Prelúdio No prelúdio. A redação segue a estrutura de uma dissertação. Se necessário empregar termos jurídicos. Por exemplo. que é um resumo estruturado com as palavras-chave relativas àquela consulta. Num exemplo hipotético de parecer que verse sobre a impossibilidade de prorrogação de contrato já vencido. seguida da sigla do órgão. substituindo-as por expressões em vernáculo. Precedentes do TCU. uma ementa possível seria a seguinte: DIREITO ADMINISTRATIVO. com no máximo 2 linhas). e em decorrência disso. as palavras-chave mais gerais são seguidas das palavras-chave mais específicas. não é necessário gastar muitas linhas para aspectos formais do prelúdio.

não adianta fundamentar a resposta em entendimentos diversos. já que. Se houver orientação vinculante para o tema.jurídico é sucinto: só se deve abordar temas e fazer citações estritamente necessárias ao deslinde da questão proposta. Finalização do parecer A finalização consiste na data e assinatura do parecerista. os órgãos possuem “Súmulas Administrativas”. estas devem obrigatoriamente ser seguidas em eventual parecer exgido em prova dissertativa. é possível ressalvar o ponto de vista pessoal do parecerista. disponíveis na própria Consultoria Jurídica. sob pena de desclassificação. “Orientações Normativas” ou “Pareceres Normativos” que consagram uma determinado entendimento que deve ser seguido por todos. via de regra. estão disponíveis na internet. Em pareceres feitos em concursos. não se pode utilizar livros de consulta) Outro aspecto que deve ser considerado é a existência de orientação superior e vinculante. via de regra. podendo o parecerista ressalvar o seu posicionamento pessoal. . não deve haver identificação do candidato em hipótese alguma. indicar as fontes consultadas (no caso de concurso. Se o parecer for feito no âmbito de um concurso público. Exemplo prático desta regra é o art. mas a conclusão deve ser seguida. 18 da Resolução 77/10 da PGE-SP Artigo 18. para fins de uniformização das decisões. se for o caso. É necessário. principalmente a lei e eventuais súmulas. que devem prevalecer para conclusão do parecer ou da manifestação. obviamente. Modelos de pareceres jurídicos Mais interessante do que um modelo de uma estrutura de parecer é ver como ele é na prática administrativa. deve-se observar se o edital do concurso prevê no conteúdo prográmatico as orientações do órgão para o qual se está disputando uma vaga. Caso haja discordância. Normalmente. uma bom método de estudo é treinar fazendo pareceres e também estudar os entedimentos vinculantes do órgão para o qual se está prestando concurso. no sítio da Procuradoria Geral do Estado ou na Procuradoria Administrativa. Estas orientações. Em caso positivo. nos sites dos respectivos órgãos ou entidades. por mais respeitáveis que sejam. ainda. bem como eventual número de registro funcional e/ou na OAB. O Procurador deverá pesquisar a existência de orientações aprovadas pelo Procurador Geral do Estado e Despachos Normativos sobre a matéria examinada. Portanto.

Parecer jurídico. Postado em Métodos de Estudo | Tags: Advocacia pública. Súmulas Adminsitrativas e Orientações Normativas. O livro é publicado pela Editora RT e tem 107 página. Técnicas de Estudo . Advocacia-Geral da União.Com o advento da internet e da digitalização de documentos. Dicas. A obre se concentra em casos ligados a matéria administrativa na Advocacia Pública Federal (AGU e PGF). muitos órgãos já disponibilizam pareceres na internet. Concursos jurídicos. Abaixo seguem alguns links de páginas em que você pode encontrar pareceres “de verdade”. Advocacia Geral da União Procuradoria do Estado de São Paulo (apenas relativos a recursos humanos) Procuradoria Geral da Universidade de São Paulo Um excelente livro que ensina como fazer pareceres jurídicos é “Modelos de Pareceres da Advocacia Pública – Direito Administrativo”. assim. ao final. e. O livro é voltado para concursos e é uma boa aquisição para quem pretende fazer o concurso da AGU ou da Procuradoria Federal. trazendo. Cássia Hoshinho e prefaciado por Gustavo Henrique Pinheiro de Amorim. escrito por Fabrício Bolzan. entender melhor como se faz de um parecer jurídico.